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Oye Rene Om CeO Pe CT) Cece may POEM ae eects Eau MOA mic a partir dos anos 70. O trabalho TCs ed See CRC eee ear ieee Oe cece Cee tei ee Ce ol Peete etc! Percueieen: Re muCRe ee Rene} vi jvee L era | ANOVA v Se AGRICULTURA “ PUNT oY UNIVERHIDADE CATOLICN Do complexo rural aos complexes agroindustriais' Introdugio tema central deste capitulo & 0 proceso histérico de passagem da agricultura brasileira do chamado “complexo rural” para uma dinamica comandada pelos “complexos agroindustriais” ~ CAls: a substituigio da economia natural por atividades agricolas integradas & inddstria, a intensificagio da divisdo do trabalho e das trocas intersetoriais, a cespecializagio da produgao agricola ¢ a substituigao das exportagbes pelo consumo produtivo intemo como elemento central da alocagio dos recursos produtivos no setor agropecuario, © elemento fundamental dese _processo. histérico _¢ 0 desenvolvimento do mercado interno no capitalismo, Resumidamente, “o processo fundamental da criagio do mercado interno (quer dizer, do nvolvimento da produgio mercantile do capitalismo) € a divisiio social do trabalho. Apdia-se em que da agricultura se separam, um apds ‘outro, diferentes tipos de transformacdo das matérias-primas (e diferentes ages dessa transformagio) e formam-se ramos industriais com exisiGneia propria, que trocam seus produtos (que agora jé silo ‘mercadorias) por produtos da agricultura. Dessa maneira, a propria agricultura se transforma em indistria (quer dizer, em produgio de mereadorias) ¢ nela se opera idéntico processo de especializagao” (Lenin, 1974: 54). Lenin foi o primeiro autor que, no grande debate reulizudo 110 final do século passado, separou claramente © problema (e6rico-abstrato, (1) Trabotho em co-autoria com Angela Kageyama, Publicido originalmente como ‘neva didétieo pura os cursos do Instituto de Economia/tINICAMP em 1987, z José Graziano da Silva du realizagio do problema histérico-concreto dos mercados.? Para ele, 0 pitalismo no precisava de um prévio mercado interno, Na verdade, os mereados vao sendo criados & medida que o préprio capitalismo se desenvolve, pela ampliagao da diviséo social do trabalho na sociedade, ¢ nese process de crescimento. ganha Importincia © consumo dos bens intermedisrios necessérios & expansio dda propria produgao capitalista desenvolvimento do ‘Como colocar a questo do desenvolvimento do capital no campo dentro dese contexte? Mais especificamente, que transformagdes ocorrem na agricultura no modo capitalista de produgio? O principio poral 6 0 mesmo: um aprofundamento da divisio social do trabalho. Foi a partir da protetarizagao do camponés a da destruigio de sua economia natural que se criaram as bases pata u desenvolvimento do modo apitalista de produgao, processo sintetizado por Marx (1971, ¥. 1: 404) hos seguintes termos: “O fundamental de toda divisio do trabalho desenvolvida processada através da troca de metcadorias ¢ a separagio entre a cidade e © campo, Pode-se dizer que toda a histérica econémica da sociedade se ne na dindimica dessa antftese (..).” Conclui mais adiante: “O modo de produgio capitalista completa a ruptura dos lagos primitives que no comego uniam a agricultura e a manufatura, Mas, a0 mesmo tempo, cria as condigdes materiais para uma sintese nova, superior, pa {que se desenvolveram em miitua oposigao." a unifio da agricultura e da indistria, na base das estruturas om a preponderdineia cada vez maior da populago urbana que se aMontoa nos grandes centros, a produgio capitalista, de um lado, concentra a forga mottiz histérica da socie intereimbio material entre o hon elementos Uo solo consumidos pelo ser humano (...), violando assim a igiio natural de fertilidade permanente do solo (..). Mas, destruir as condigées naturais que mantém aquele intercambio, eria a ade ¢, do outro, perturba 0 © a terra, isto 6, a volta a terra dos eter (2) Parw un sfntoxe didtien desse debate, ver Miglioli (1981), em especial 0 capitulo U1 A nova dindmica da agricultura brasileira necessidade de restauri-lo sistematicamente, como ei reguladora da produgo e em forma adequada ao desenvolvimento integral do homem!” (Marx, 1971, v. 1: 578). Na verdade, a separagio cidade-campo nfio senio a forma aparente que assume o préprio desenvolvimento capitalista da agricultura entendido num sentido amplo, Em seu inicio, 0 artesanato doméstico era um complemento das atividades de famflia _camponesa; 0 desenvolvimento do mercado interno no capitalismo destrsi num primeito momento essa harmonia para recri-la posteriormente, nio mais com base nas condigdes naturais em que ela ocorria, mas sob condigdes fabricadas, produzidas pelo préprio homem, Sio, portanto, dois processos: um de destruigio da economia natural, pela retirada progressiva dos varios componentes que asseguravam a “harmonia” da produgio assentada na relagaio Homem Natureza (e suas contradigdes); € © outro, de uma nova sfntese, de recomposigo de uma outra “harmonia” — também permeada por novas ccontradigdes ~ baseada no conhecimento ¢ no controle cada vex maior dt Natureza e na possibilidade da reprodugio artificial das condigdes haturais da produgio agricola. A esta passagem se denomiiia industrialicagdo da agricultura “A. separagio da cidade/campo s6 se dé por inteiro quando indkistria se muda para a cidade; a reunificagao, quando © proprio camp se converte numa fibrica. Quando isso ocorre, a agricultura entendidt como um ‘setor auténomo’ desaparece; ou melhor, converte-se niin ranio (Graziano da Silva, 1981: 43). da propria indistria ( wamado de o da base técnica ~ cl modemizagao \dustrializa Esse processo representa na verdade a subordinagao da Naturezii a0 capital que, gradativamente, liberta o processo de produgao agropecudiria das condigdes naturais dadas, passando a fabried-las sempre que se fizerem necessérias, Assim, se faltar chuva, irriga-se; se nao houver solos. se; se ocorrerem pragas @ doengas, {micos ou biolégicos; e se houver ameagas agen, © longo processo de transform; sulmina, pois, na propria ao da agricultura suficientemente férteis, adubs responde. 1e com defensivos q de inundagdes, estario previstas formas de di