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Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul

A C Ó R D Ã O N.° 8.049
(22.10.2013)

RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000 - CLASSE 30.a


Origem: Campo Grande - 54.a Zona Eleitoral
Relator: Juiz Desembargador JOSUÉ DE OLIVEIRA
Recorrente: JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO
Advogados: JOÃO EDUARDO BUENO NETTO NASCIMENTO, PABLO DE
ROMERO GONÇALVES DIAS, JOSÉ ALBERTO MACHADO DE CARVALHO
FILHO, RAFAEL FERREIRA LUCIANO SANTOS, LEOPOLDO FERNANDES DA
SILVA LOPES e AFONSO JOSÉ SOUTO NETO
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

E M E N T A - RECURSO ELEITORAL. DOAÇÃO ACIMA DO


LIMITE LEGAL. PESSOA FÍSICA. ART. 23, § 1.°, INCISO I, DA
LEI N.° 9.504/97. CONDENAÇÃO À PENA DE MULTA.
INVOCAÇÃO DE REGIME DE CASAMENTO. COMUNHÃO
PARCIAL. EXCLUSÃO DOS PROVENTOS DO TRABALHO
PESSOAL DO CÔNJUGE. ART. 1.659, INCISO VI, DO CÓDIGO
CIVIL. INVIABILIDADE DO SOMATÓRIO DOS
RENDIMENTOS. ADMISSIBILIDADE APENAS EM CASO DE
COMUNHÃO UNIVERSAL. RECURSO DESPROVIDO.
O art. 23, § 1.°, inciso I, da Lei n.° 9.504/97 quis delimitar as doações
à candidatura, tendo por parâmetro os rendimentos brutos de cada doador,
pessoa física, auferidos no ano anterior.

Complementa o entendimento o Código Civil, art. 1.659, inciso VI,


que é claro ao excluir da comunhão parcial os proventos do trabalho pessoal
de cada cônjuge.
Dessarte, tem-se que a lei eleitoral toma como parâmetro o rendimento
da pessoa física individual, sem qualquer consideração quanto ao seu
patrimônio total, sendo que o somatório de rendimentos somente seria
possível, de acordo com a Jurisprudência desta Corte, no caso de comunhão
universal de bens.
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul
RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000

Não tendo o recorrente sequer demonstrado a realização de doação em


conjunto ou autorizado pela sua esposa, conclui-se pela violação ao limite
legal estabelecido no art. 23, § 1.°, inciso I, da Lei n.° 9.504/97, de modo a
se desprover o recurso interposto, mantendo-se a condenação exarada.

Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os Juizes do Tribunal


Regional Eleitoral, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, que
ficam fazendo parte integrante desta decisão, à unanimidade e de acordo com o parecer,
em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.

Participaram do julgamento, cuja decisão foi certificada, além do relator,


os Exm.°s Srs. Juizes: LUIZ CLÁUDIO BONASSINI DA SILVA, ELTON LUÍS
NASSER DE MELLO, HERALDO GARCIA VITTA e GERALDO DE ALMEIDA
SANTIAGO (Membro Substituto).

Sala das Sessões do Tribunal Regional Eleitoral.

Em aos 22 de outubro de 2013.

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Des. ATAPOÃ DA COSTA FELIZ
Presidente

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Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul
Gabinete da Diretoria-Geral

22.10.2013
RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000 - CLASSE 30.a
ORIGEM: Campo Grande - 54.a Zona Eleitoral
Relator: Juiz Desembargador JOSUÉ DE OLIVEIRA
Recorrente: JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO
Advogados: JOÃO EDUARDO BUENO NETTO NASCIMENTO, PABLO DE
ROMERO GONÇALVES DIAS, JOSÉ ALBERTO MACHADO DE CARVALHO
FILHO, RAFAEL FERREIRA LUCIANO SANTOS, LEOPOLDO FERNANDES DA
SILVA LOPES e AFONSO JOSÉ SOUTO NETO
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL
Procurador Regional Eleitoral: Dr. EMERSON KALIF SIQUEIRA

CERTIDÃO DE JULGAMENTO

CERTIFICO que o egrégio TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL, ao


apreciar o processo em epígrafe, em sessão ordinária realizada nesta data, como consta em
ata e nos termos das notas taquigráficas, proferiu a seguinte DECISÃO:

POR UNANIMIDADE E COM O PARECER, NEGARAM


PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELA TOR.

Participaram do julgamento, sob a presidência do Exm.° Sr. Des.


ATAPOÃ DA COSTA FELIZ, além do relator, os Exm.°s Srs. Juizes: LUIZ CLÁUDIO
BONASSINI DA SILVA, ELTON LUÍS NASSER DE MELLO, HERALDO GARCIA
VITTA e GERALDO DE ALMEIDA SANTIAGO (Membro Substituto).

O referido é verdade e, para que produza todos os efeitos legais, firmo a


presente e dou fé.

Em Campo Grande, MS, aos 22 de outubro de 2013.


Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul
22.10.2013
RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000 - CLASSE 30."
Origem: Campo Grande - 54.a Zona Eleitoral
Relator: Juiz Desembargador JOSUÉ DE OLIVEIRA
Recorrente: JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO
Advogados: JOÃO EDUARDO BUENO NETTO NASCIMENTO, PABLO DE
ROMERO GONÇALVES DIAS, JOSÉ ALBERTO MACHADO DE CARVALHO
FILHO, RAFAEL FERREIRA LUCIANO SANTOS, LEOPOLDO FERNANDES DA
SILVA LOPES e AFONSO JOSÉ SOUTO NETO
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

RELATÓRIO

O S E N H O R JUIZ Des. J O S U É D E OLIVEIRA

JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO efetuou doação, no valor de


R$ 9.640.80 para a campanha eleitoral da candidata ao cargo cie deputada estadual
ELISABETH FÉLIX DA SILVA CARVALHO, no ano de 2010, conforme o recibo
eleitoral n.° 15000038514 (fl. 10).

A PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL ofertou representação


eleitoral (fls. 02/06), perante este TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAI,, por ter tal
doação superado o valor máximo para pessoas físicas, determinado no art. 23, § 1.°, inciso
I, da Lei n.° 9504/97.

Naqueles autos, após a contestação, o então relator Juiz RENATO


TONIASSO determinou o seu envio ao juízo eleitoral do domicílio do representado (fl.
50), em acordo com a decisão tomada por esta Corte, substanciada no Acórdão n.° 6.951.
de 11.7.2011, que, unanimemente acatou o entendimento exarado pelo colendo
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL na Representação n.° 981-40/DF, reconhecendo a
incompetência de Corte Regional, com o declínio da competência, para processar e julgar
jÉÊStií

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RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000

representação por doação de recursos acima do limite legal, ao juízo ao quai se vincula o
doador.

O Juízo da 54." Zona Eleitoral, reputado competente, sentenciou pela


procedência da representação (fls. 109/110). condenando JOÃO BATISTA DE
CARVALHO NETO ao mínimo legal da multa, totalizando o valor de R$ 14.363.95.
parcelados em 36 prestações mensais e sucessivas no valor de R$ 399,83, com fulcro no
art. 23, § 1.°, inciso I, da Lei 9.504/97.

Inconformado, o representado JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO


interpôs o presente recurso eleitoral (fls. 117/122), em que requer a reforma tota! da
sentença a quo, reforçando a tese esposada em primeira instância de não ter ultrapassado o
limite legal de doação de pessoa física da Lei das Eleições, em razão da necessidade de
somarem-se às suas rendas as de sua esposa, por serem casados em comunhão parcial de
bens.

Em contrarrazões, o Ministério Público Eleitoral, às fls. 125/131, afirma o


acerto da decisão do Juízo Eleitoral, que deve ser mantida por não vigorar a comunhão
universal de bens, no casamento do recorrente, fato que poderia aumentar o limite legal de
doação da pessoa física. Aventa que, no presente caso, por se tratar de comunhão parcial,
os rendimentos auferidos pelo casal, não se comunicam, o que mantém o desrespeito à
legislação eleitoral.

A PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL manifestou-se pelo


conhecimento e desprovimento do recurso.

DesjjOSUÉ DE O U V + S k ^
Relator
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul
22.10.2013
RECURSO ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000 - CLASSE 30."
Origem: Campo Grande - 54.a Zona Eleitoral
Relator: Juiz Desembargador JOSUÉ DE OLIVEIRA
Recorrente: JOÃO BATISTA DE CARVALHO NETO
Advogados: JOÃO EDUARDO BUENO NETTO NASCIMENTO, PABLO DE
ROMERO GONÇALVES DIAS, JOSÉ ALBERTO MACHADO DE CARVALHO
FILHO, RAFAEL FERREIRA LUCIANO SANTOS, LEOPOLDO FERNANDES DA
SILVA LOPES e AFONSO JOSÉ SOUTO NETO
Recorrido: MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

VOTO

O S E N H O R JUIZ Des. J O S U É DE O L I V E I R A

Tratam os presentes autos de recurso eleitoral interposto por JOÃO


BATISTA DE CARVALHO NETO (fls. 117/122), em face da sentença do Juízo da 54 a
Zona Eleitoral, que julgou procedente a representação movida pelo Ministério Público
Eleitoral em face do ora requerente (fls. 109/110), condenando-o ao pagamento de multa
no valor de R$ 14.363,95, correspondente a cinco vezes a quantia doada em excesso a
campanha eleitoral relativa ao pleito de 2010.

Alega não ter ultrapassado o limite legal de doação de pessoa física, da Lei
das Eleições, em razão da necessidade de se somarem às suas rendas as de sua esposa, por
serem casados em comunhão parcial de bens, razão pela qual requer a reforma total da
sentença a quo.

Estando em sua devida forma, e inexistindo preliminares a serem analisadas,


conheço do presente recurso.
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R E C U R S O ELEITORAL N.° 104-67.2011.6.12.0000

No mérito, o recorrente procura demonstrar que não incidiu em excesso de


doação, tomando por base os seus rendimentos somados aos rendimentos de sua esposa,
com quem é casado no regime de comunhão parcial de bens.

Considerados ambos os rendimentos, o valor doado não ultrapassaria o


limite legal estabelecido pela Lei das Eleições.

Analisada a Lei n.° 9.504/97 e extraídos os conceitos ali mencionados e


aplicáveis ao presente caso, chega-se à conclusão de que a legislação eleitora! quis
delimitar as doações, tendo por parâmetro os rendimentos brutos de cada doador, auferidos
no ano anterior, como se vê:

Ari. 23. Pessoas físicas poderão fazer doações em dinheiro ou


estimáveis em dinheiro para campanhas eleitorais, obedecido o disposto
nesta Lei. (Redação dada pela Lei n" 12.034. de 2009)

§ 1° As doações e contribuições de que trata este artigo ficam


limitadas:

1 - no caso de pessoa física, a dez por cento dos rendimentos brutos


auferidos no ano anterior à eleição;

Quanto à comunhão, o Código Civil é ciaro ao afirmar:

Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:

VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;

A douta PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL, em seu manifesto,


concluiu que a lei eleitoral toma como parâmetro o rendimento da pessoa física individual,
sem qualquer consideração quanto ao seu patrimônio total, não sendo importante, para se
aferir o excesso de doação, o regime patrimonial adotado, embora existam precedentes
desta Corte que autorizem o somatório de rendimentos no caso de comunhão universal de
bens.

É essa a linha que adoto.

Entendo que não deve prevalecer a tese defendida pelo recorrente, ainda
mais se levada em conta a jurisprudência pacificada desta Corte Eleitoral, que declara que
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a comunhão parcial de bens não possui o condão de elevar, pela soma dos rendimentos dos
cônjuges, o limite máximo de doação eleitoral para a pessoa física, o que somente seria
possível caso adotado o regime universal de comunhão.

O já vergastado precedente, já citado pela douta Procuradoria e pelo


Ministério Público Eleitoral, serve de paradigma:

A soma dos rendimentos do casal, para efeitos de perfazer o limite


percentual da doação eleitoral é admitida apenas para o casamento sob o
regime universal de bens à época da doação, não sendo possível tal
hipótese com a convivência marital, firmada por escritura pública em 2007,
a qual fixou o inicio da união estável desde 1986. Entrementes, sendo esta
regida pelo regime de comunhão parcial bens, considerado como o legal
nos termos dos arts. 1.640 e 1.725 do Código Civil, as rendas e proventos
não se comunicam para a composição dos rendimentos para limite de
dação conforme o incisos VI e VII do art. 1.659 do Código Civil. (TRE/MS,
RP n.° 820 - Campo Grande/MS, Acórdão n.° 6.456 de 23.3.2010. Relator
Juiz PAULO RODRIGUES)

De forma idêntica entende o TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO


RIO GRANDE DO SUL:

Doação que ultrapassa o patamar de dez por cento dos rendimentos


auferidos pela doadora no ano anterior ao ato. Adequação do valor doado,
considerada a unidade familiar. Regime de comunhão universal de bens e
possibilidade de apresentação conjunta de rendimentos, merecendo o casa!
ser considerado como grupo familiar para efeito de aferição de limites.
(TRE/RS, RP n.° 1006 - Cruz Alta/RS, Acórdão de 6.4.2010. Relatora
Des. Federal MARGA INGE BARTH TESSLER)

Assim, conforme observado no parecer ministerial, o recorrente não


demonstrou que fez a doação em conjunto ou autorizado pela sua esposa, já que no recibo
eleitoral de doação somente constam os seus dados e sua assinatura.

Dessa forma, concluo pela violação ao limite legal estabelecido no art. 23, §
l.°, inciso í, da Lei 9.504/97, da doação eleitoral realizada pelo recorrente, não se podendo
proceder ao somatório das rendas individualmente consideradas do recorrente e de sua
esposa, para o fim de se aumentar o referido limite.
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Pelo exposto, acompanho o parecer da PROCURADORIA REGIONAL


ELEITORAL., e voto pelo desprovimento do recurso interposto por JOÃO BATISTA DE
CARVALHO NETO, mantendo-se íntegra a sentença de primeiro grau, que o condenou
pela doação acima do limite legal.