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[Economia] GPI (Genuine Progress Indicator)

Não precisa ser economista para se ter uma idéia do que é PIB, Produto Interno
Bruto, afinal, o mesmo está no currículo de disciplinas do segundo grau e nos
noticiários é termo comum. O PIB sobe é bom, cai, muito ruim, fica estável é ruim, sobe
pouco, é ruim também. Essas são ‘verdades’ que estamos acostumados a escutar, aceitar
e reproduzir.
Mas quando nos aprofundamos mais, vemos que o PIB tem suas falhas, ele é a
soma de tudo que é produzido, em valores financeiros, num determinado período, seja
por bens ou serviços finais. Mas nisso não entram as trocas comerciais informais, ou as
eletrônicas que ocorrem livremente na atualidade, além de não levar em conta a
distribuição da riqueza, afinal é a soma de tudo, independente de pra que rato vai esse
queijo. Essas são falhas clássicas do PIB.
Outras falhas são a falta de cálculo das chamadas externalidades, que são efeitos
não contabilizados, como a emissão de CO2, as árvores que são cortadas, os danos
físicos que determinadas atividades causam ao trabalhador e entre vários outros
importantes fatores que influenciam a maneira como percebemos o crescimento.
Objetivando uma melhor percepção do desenvolvimento numa sociedade, tem
sido cada vez mais abordados novos meios de medição, que sejam menos irrealistas
que o PIB, já que o atual estágio de evolução da humanidade parece não estar mais
adequado a instrumentos de avaliação da Era Industrial. O Genuine Progress Indicator,
literalmente traduzido como indicador de progresso genuíno, é uma metodologia
alternativa que vem ganhando cada vez mais espaço, apesar de ser pouco conhecido por
aqui.
O GPI procura utilizar mais dados para a avaliação do desenvolvimento, como o
custo do esgotamento de recursos naturais, do crime, da destruição da camada de
ozônio, da poluição do ar, da água e sonora, da perca de zonas úmidas como pântanos e
charcos e redução das zonas aráveis. Ou seja, vários custos e elementos
importantíssimos para a manutenção da estabilidade econômica e sobrevivência
humana que são ignorados por índice que se apegam mais ao aspecto financeiro, que
mesmo representando o crescimento de bens e serviços, pode ser manipulado por
especulações financeiras.
Avaliar esses aspectos é muito importante para sabermos se a riqueza produzida
hoje poderá ser produzida amanhã, e se um crescimento exagerado pode vir a minar as
ferramentas necessárias para sustentar uma economia maior. Além disso, o GPI
procurar avaliar mais questões relacionadas ao bem-estar humano, de modo a colocar a
economia a serviço do ser humano, não o homem sendo escravizado pela mesma na
manutenção de um sistema que a cada dia deprecia mais o seu ecossistema.
A natureza é finita, a biosfera que o ser humano está inserido tem recursos
limitados, é importante que o ser humano procure alternativas a sustentar o
desenvolvimento em compatibilidade com as condições para tal. O GPI pode ser uma
boa ferramenta nesse sentido, indicando falhas e pontos importantes a serem observados
em prol de uma evolução verdadeira, e não apenas números bonitos que não são
sentidos no dia a dia, ou serão sentidos negativamente num futuro próximo.