You are on page 1of 66

Nº87 | maio 2016

www.portugalglobal.pt

Portugalglobal
Indústria
automóvel
e componentes

ENTREVISTA // T
 OMÁS MOREIRA - PRESIDENTE DA AFIA

MERCADOS // C
 HILE

EMPRESAS // RARI E SCIENCE4YOU
sumário
Portugalglobal nº87
maio 2016

6
Destaque [6]
Indústria automóvel e componentes.

Entrevista [24]
Tomás Moreira, presidente da AFIA – Associação de
Fabricantes para a Indústria Automóvel.

Mercados [30] 24
Chile.
Testemunhos dos grupos Quadrante e Sogrape.

Empresas [44]
RARI e Science4you.

Multilaterais financeiras [48]
Um mercado de oportunidades.

30
Notícias AICEP [52]

Informação AICEP [54]
Factos & Tendências, pela Direção de Informação
da AICEP.

Análise de risco por país – COSEC [56]
Veja também a tabela classificativa de países.
44
Estatísticas [59]
Investimento e comércio externo.

AICEP Rede Externa [62]

Bookmarks [64]
4 EDITORIAL Portugalglobal nº87

O peso de um setor fortemente exportador
A indústria automóvel em Portugal constitui nanciamento que pode, e deve, ser mais explo-
um pilar importante da economia portuguesa, rado pelas empresas portuguesas.
contribuindo fortemente para o PIB nacional. O
A opção, nesta edição, pelo mercado chileno re-
fabrico de componentes para automóveis é o
sulta de dois fatores. O primeiro, decorre do facto
setor mais representativo nesta indústria, conti-
do cenário macroeconómico do Chile ser positivo,
nuando a gerar emprego e exportando 84 por
com a economia a ser considerada a mais estável,
cento da sua produção.
competitiva e desenvolvida da América Latina, na
O sucesso internacional de componentes fa- sequência das reformas implementadas nas últi-
bricados em território nacional mostra que há mas décadas, o que lhe permitiu obter importan-
investimento estrangeiro a apostar no setor, tes vantagens estruturais e o melhor desempenho
da região nos últimos 20 anos, com uma taxa mé-
assim como crescentes competências técnicas
dia anual de crescimento de 5,7 por cento.
instaladas, incorporação de I&D e uma coope-
ração cada vez maior entre as empresas e uni- O segundo, e que considero não menos impor-
versidades e centros de engenharia, bem como tante, resulta da urgente necessidade de se en-
a certificação em todas as áreas produtivas. contrarem mercados alternativos para as expor-
tações portuguesas, na sequência da quebra
Estes são motivos suficientemente fortes para
das vendas de bens e serviços para mercados
destacar o setor de componentes para automó-
fora do espaço comunitário considerados tradi-
veis na Portugalglobal de maio, que conta com cionais, como é o caso de Angola ou do Brasil.
uma entrevista a Tomás Moreira, presidente da O Chile pode, assim, constituir uma boa opção,
AFIA, em que este revela os desafios que se co- tanto mais que não deve ser encarado como
locam ao setor, mostrando-se otimista quanto um objetivo estratégico único pelas empresas
ao crescimento de uma indústria que afirma ter portuguesas, mas também como uma platafor-
já uma massa crítica significativa. ma privilegiada para terceiros mercados, já que
o país dispõe de uma excelente rede de acordos
Outra área com evolução positiva registada
comerciais com peso na economia mundial.
nos últimos anos, em termos de retorno para
a economia nacional, é o setor das multilate- Ora, considerando estes dois fatores, o Chile é
rais, tema também abordado neste número da um país e um mercado que não pode deixar
revista. As multilaterais têm um papel crucial indiferentes as empresas e os empreendedores
no financiamento ao desenvolvimento de um portugueses que apostam no sucesso global.
conjunto alargado de países, criando assim um
MIGUEL FRASQUILHO
mercado de oportunidades de negócio e de fi- Presidente do Conselho de Administração da AICEP

Revista Portugalglobal Conselho de Administração Fotografia e ilustração Colaboram neste número
Av. 5 de Outubro, 101 Miguel Frasquilho (presidente), ©Pixabay, Rodrigo Marques. António Luís Cotrim, Direção de Corporate e
1050-051 Lisboa Helena Malcata, Investimento da AICEP,
Paginação e programação
Tel.: +351 217 909 500 José Vital Morgado, Direção de Informação da AICEP,
Rodrigo Marques
Fax: +351 217 909 578 Luís Castro Henriques,
rodrigo.marques@portugalglobal.pt Direção Internacional da COSEC,
Pedro Ortigão Correia (vogais).
Direção PME da AICEP,
Diretora Projeto gráfico Direção de Relações Institucionais e Mercados
Propriedade Rodrigo Marques - aicep Portugal Global
Ana de Carvalho Externos da AICEP, Inês Jácome, Jorge Rosa,
aicep Portugal Global
ana.carvalho@portugalglobal.pt Jorge Salvador, Tomás Moreira.
Rua Júlio Dinis, 748, 9º Dto Publicidade
4050-012 Porto Redação Cristina Valente Almeida
Tel.: +351 226 055 300 Cristina Cardoso cristina.valente@portugalglobal.pt
Fax: +351 226 055 399 cristina.cardoso@portugalglobal.pt
Secretariado
NIFiscal 506 320 120 Rafaela Pedroso
Cristina Santos
rafaela.pedroso@portugalglobal.pt
cristina.santos@portugalglobal.pt
Anabela Martins
ERC: Registo nº 125362 anabela.martins@portugalglobal.pt

As opiniões expressas nos artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores A aceitação de publicidade pela revista Portugalglobal não implica qualquer
e não necessariamente da revista Portugalglobal ou da aicep Portugal Global. compromisso por parte desta com os produtos/serviços visados.
Soluções
de tesouraria
para tornar
os dias úteis,
mais úteis.
Seja qual for a área ou a dimensão da sua empresa, a gestão faz-se a
cada minuto do dia. E todos contam para o seu sucesso. Por isso o
NOVO BANCO desenvolveu soluções de tesouraria que vão tornar os
seus dias mais produtivos.

• Conta Corrente
• Factoring
• NB Express Bill
• Gestão de Pagamento a Fornecedores

E muitas outras soluções que vão tornar os seus dias úteis em dias ainda
mais úteis. E que ajudam a fazer do NOVO BANCO, um banco de
referência para as empresas portuguesas.

Fale com o seu gestor NOVO BANCO
ou vá a novobanco.pt/empresas
6 DESTAQUE Portugalglobal nº87

INDÚSTRIA AUTOMÓVEL E COMPONENTES
SETOR FORTEMENTE EXPORTADOR
O setor de componentes para automóveis é um pilar fundamental da economia
portuguesa com uma forte vertente exportadora, na medida em que exporta cerca
de 84 por cento da sua produção. O principal mercado deste setor é a Europa,
tendo as exportações aumentado 29 por cento no período de 2007-2015.

A indústria automóvel em Portugal é veis é o mais significativo, agregando deste setor são Espanha, Alemanha,
particularmente significativa, tendo cerca de 200 empresas, o que repre- França e Reino Unido, o que demons-
um forte contributo no emprego e no senta 42.000 postos de trabalho. tra a importância do mercado europeu
PIB português. As suas três principais para o setor. É visível que as empresas
áreas de atividade são o fabrico de Em 2015, o setor de produção de deste setor fornecem componentes
moldes, o fabrico de componentes e componentes exportou 84 por cento para a maior parte dos modelos auto-
o fabrico de viaturas automóveis. da sua produção, sendo que entre móveis produzidos na Europa.
2007 e 2015 as exportações aumen-
Segundo a AFIA - Associação de Fabri- taram 20 por cento. Sendo um dos setores com maior peso
cantes para a Indústria Automóvel, o nas exportações, a indústria de com-
setor de componentes para automó- Os principais mercados de exportação ponentes para automóveis registou, no
maio 2016 DESTAQUE 7

DESTINO DAS EXPORTAÇÕES (2015) crescente, permitindo diferenciar a in-
dústria automóvel portuguesa na Eu-
ropa e no mundo, que é cada vez mais
reconhecida pela sua qualidade. Esta
distinção verifica-se igualmente na
exigência de recursos humanos qua-
lificados, capazes de dotar a indústria
de uma maior qualidade.

Sendo a Península Ibérica uma das mais
importantes regiões de produção au-
tomóvel na Europa, Portugal apresen-
ta uma posição bastante importante e
competitiva para atrair investimento.

Portugal tem vindo assim a assistir a um
Fonte: AFIA
crescente número de investimentos no
setor. Cada vez mais, empresas da in-
ano de 2015, 6.700 milhões de euros -se no norte do país, essencialmente dústria de componentes para automó-
em exportações, com um crescimento nos distritos de Aveiro, Porto e Braga. veis instaladas em Portugal investem em
de sete por cento. Relativamente ao A principal atração do norte do país é projetos de expansão e em novas loca-
volume de negócios, registou 8.000 o seu custo, tanto de trabalho como de lizações no nosso país, com contributos
mil milhões de euros, um crescimento terra. Além disso, permite uma maior fundamentais para as exportações, o
de cinco por cento. proximidade a grandes fábricas de au- emprego e a inovação.
tomóveis, como a Renault e a PSA.
De referir ainda que o volume de negó- Paralelamente, diversas empresas têm
cios deste setor é mais elevado na ati- O setor recebe frequentemente inves- vindo a reforçar as suas unidades de
vidade metalúrgica e metalomecânica timentos para a implementação de produção, o que tem impactos signi-
(32 por cento), seguida pela atividade ficativos no crescimento das redes de
elétrica e eletrónica (29 por cento). Os fornecedores em Portugal. As redes
plásticos e as borrachas dizem respeito "A indústria automóvel de fornecedores são fundamentais
a 19 por cento, os têxteis e outros re- em Portugal é para facilitar o acesso aos fornece-
vestimentos a 10 por cento, a monta- dores, bem como para aproximar as
particularmente
gem de sistemas a oito por cento e as empresas e assegurar um maior valor
significativa, tendo
outras atividades a dois por cento. acrescentado nacional.
um forte contributo
A maior parte das empresas deste se- no emprego e no PIB Relativamente ao custo, Portugal é o
tor produz componentes e acessórios português." país mais competitivo da Europa Oci-
para veículos automóveis, mais espe- dental, sendo os seus principais con-
cificamente 48,5 por cento. De se- correntes os mercados da África do
guida, surgem as empresas, cerca de projetos inovadores e novos produ- Norte e da Europa Oriental.
14,5 por cento, que produzem artigos tos, o que demonstra a confiança dos
de matérias plásticas, e cerca de seis investidores na indústria automóvel Desta forma, é visível que a indústria
por cento das empresas produz arti- de componentes para automóveis em
portuguesa. O investimento promo-
gos de borracha. Portugal tem muitas vantagens com-
vido no setor da produção das com-
petitivas que lhe conferem um elevado
Cerca de 51 por cento das empresas ponentes assenta na inovação ao nível
reconhecimento, como a mão-de-obra
instaladas em Portugal têm capital da engenharia de processos e de pro-
qualificada, a componente exportado-
maioritariamente estrangeiro, enquan- dutos, contribuindo assim para a pro- ra das empresas, a capacidade de pro-
to as restantes 49 por cento apresen- dutividade nacional, a criação de em- dução flexível, o nível de qualidade, o
tam capital maioritariamente nacional. prego e o aumento das exportações. elevado investimento, o grau de inova-
ção da engenharia e a aposta contínua
Em termos de localização, a maior par- Efetivamente, os processos tecno- na formação e na valorização profissio-
te das empresas deste setor encontra- lógicos sofisticados são uma aposta nal dos seus recursos humanos.
8 DESTAQUE Portugalglobal nº87

ACAP - ASSOCIAÇÃO AUTOMÓVEL
DE PORTUGAL
PORTUGAL: UM PAÍS PRODUTOR
DE AUTOMÓVEIS
Portugal fabrica cada vez mais automóveis, inclusive mais do que países europeus
tradicionalmente produtores. Os automóveis são o produto mais exportado em
Portugal, representando 11 por cento das exportações nacionais. Os principais
mercados de destino das exportações são a Alemanha, Espanha, China, Reino
Unido e França.

de outros países mais evoluídos e o automóveis como a Suécia, Holanda,
aumento do investimento em inves- Finlândia e Áustria, sem mencionar
tigação e desenvolvimento. outros como a Dinamarca que não são
fabricantes. Não sendo um grande pro-
Atualmente, Portugal fabrica mais veí- dutor, Portugal tem um lugar de honra
culos automóveis do que países euro- na lista dos cerca de 40 países fabrican-
peus tradicionalmente produtores de tes mundiais de automóveis.

>POR JORGE ROSA,
PRESIDENTE DA ACAP

A indústria automóvel nacional remon-
ta a 1959 e tem origem na tomada de
consciência, por parte do governo em
funções, do forte desequilíbrio da balan-
ça comercial do país e no contributo da
importação de automóveis para o agra-
vamento do défice externo.

Com efeito, as importações de veícu-
los já representavam 7 por cento de
todas as compras externas e 18 por
cento do desequilíbrio da balança, ve-
rificando-se simultaneamente um rá-
pido crescimento destes indicadores.

A industrialização automóvel foi
bastante benéfica para o país pois
trouxe consigo a inovação no do-
mínio dos processos e dos produ-
tos, a transferência de tecnologia Fonte: ACAP
maio 2016 DESTAQUE 9

Existem quatro fábricas a operar em nentes para automóveis, sendo as mais comerciais são fabricados anualmen-
Portugal: Mitsubishi Fuso Truck Europe, importantes a Continental, Delphi, Fau- te, e emprega 2,3 milhões de pessoas
PSA Peugeot Citroen, Toyota Caetano e recia, Renault Cacia e Bosch. altamente especializadas, represen-
Volkswagen Autoeuropa. tando 7,6 por cento de toda a mão-
Os principais destinos das exportações -de-obra da indústria europeia.
O encerramento das fábricas da Ford nacionais de veículos automóveis são
em 2000 e da GM em 2006, ambas a Alemanha, Espanha, China, Reino A indústria automóvel em Portugal,
localizadas na Azambuja, interrompeu Unido e França. em termos globais, é responsável por
um ciclo de crescimento dourado da um volume de negócios de 6,5 mil
indústria nacional que ficou fortemen- Importância milhões de euros, sendo este gerado
te dependente da produção da Volks- do setor automóvel por 417 sociedades, responsáveis por
wagen Autoeuropa, a qual representa A Europa possui uma forte tradição na 31.700 postos de trabalho diretos.
quase 70 por cento da produção na- indústria automóvel, saindo das suas li-
cional, tal como pode ser constado no nhas de montagem alguns dos melho- Os veículos automóveis, reboques e
gráfico seguinte. res automóveis do mundo. semirreboques são, no ranking do INE,
a categoria de produto mais exporta-
Para além das quatro fábricas produto- A indústria automóvel é um setor da, à frente dos produtos petrolíferos
ras de veículos automóveis existem cen- estratégico na União Europeia, onde refinados, dos produtos alimentares,
tenas de fábricas fabricantes de compo- 17,2 milhões de automóveis e veículos dos produtos químicos e dos artigos
de vestuário e calçado.
PRODUÇÃO AUTOMÓVEL EM PORTUGAL EM 2015
A taxa de cobertura das importações
pelas exportações em valor foi, no se-
120.000 Autoeuropa
tor automóvel, em 2015, de 80 por
105.000 cento, sendo este responsável por 11
por cento das exportações do país.
90.000

75.000
Peugeot
Necessidade de
60.000 Citroen relançar o setor
45.000
automóvel
Recentemente, políticos e jornalistas
30.000 voltaram a chamar a atenção dos por-
15.000
Mitsubishi Fuso tugueses para o aumento das vendas
Toyota Truck Europe
Caetano de automóveis e para o desequilíbrio
0 que o mesmo poderá provocar na ba-
Fonte: ACAP lança comercial do país.

Normalmente, este tipo de narrativa
EXPORTAÇÕES DE VEÍCULOS POR PAÍSES DE DESTINO EM 2015
antecede e alimenta um novo au-
Japão 1,3% França 9,6% mento de impostos, num setor que já
Taiwan 0,7% possui uma das mais pesadas cargas
Outros Ásia 0,5%
Hong-Kong 0,1% Alemanha 25,4% fiscais do mundo.

China 10,5% Simultaneamente é esquecida uma
evidência que salta à vista e que
África 2,0% consiste no facto de o nosso país
América 2,0% possuir um setor industrial que fabri-
Outros Europa 1,2%
ca e exporta este produto e os seus
Suiça 3,5% Reino Unido 10,1% respetivos componentes, o que não
sucede com outros bens de consumo
Outros UE-28 11,6% Áustria 5,1% duradouro, como, por exemplo, tele-
móveis, equipamento eletrónico de
Fonte: ACAP Itália 3,2% Espanha 13% entretenimento (tablets, consolas, ví-
10 DESTAQUE Portugalglobal nº87

deo jogos, etc.), material fotográfico, de automóvel, atividades conexas, dade internacional das indústrias por-
equipamento hi-fi, entre outros. Estes bem como associações de empresas tuguesas do setor automóvel.
bens de consumo duradouro são im- e instituições de suporte relevantes,
portados, uma vez que não existe pro- como as entidades não empresariais •
Contribuir para que Portugal seja
dução dos mesmos para exportação, do Sistema Nacional de Investigação e uma referência na investigação, ino-
ou para substituição de importações, Inovação (SNI&I), outras entidades de vação, conceção, desenvolvimento,
e o seu consumo apresenta elevadas transferência de tecnologia e repre- fabrico e teste de produtos e servi-
taxas de crescimento, não sendo su-
sentantes de organismos de Ensino ços da industria do setor automóvel,
jeitos a fortes impostos especiais de
Superior e de Formação Profissional. competindo, nestes domínios, à as-
consumo como o automóvel.

O recente aumento das vendas de au-
tomóveis resulta apenas da normal re-
cuperação da forte quebra das vendas
registadas nos anos de crise, a qual
originou um excedente comercial na
balança do setor, com as exportações
a superar as importações.

O setor automóvel deve ser eleito como
um setor prioritário para o país, devendo
ser elaborada uma estratégia para o seu
desenvolvimento, incluindo a definição
de metas e objetivos a médio e longo
prazo, para que o superavit da balança
comercial automóvel se torne definitivo.

A recente candidatura de um vasto
conjunto de empresas, de entidades
do sistema de investigação e desen-
volvimento e de associações do setor
ao Cluster do Setor Automóvel, no
quadro do Despacho n.º 2909/2015
Esta Associação, MOBINOV – Associa- sociação, coordenar, gerir, executar,
de 23 de março, o qual abre um novo
ção do Cluster Automóvel, é uma pla- promover e divulgar ações que vi-
ciclo de política pública de apoio à di-
taforma aberta de apoio à dinâmica de sem reforçar a articulação de atores
nâmica de “clusterização” empresa-
"clusterização" das indústrias do setor e iniciativas, promovendo parcerias e
rial, é um exemplo da nova dinâmica
automóvel, reforçando a articulação de dinâmicas de “clusterização” susten-
que é necessário criar.
atores e iniciativas para a promoção de táveis e valorização empresarial nos
uma crescente valorização da competi- setores e fileiras da industria automó-
É assim necessário relançar o setor au-
tividade e da internacionalização, que vel; desenvolver as cadeias de valor
tomóvel pelo lado da oferta, mas sem
tem como objeto: dos construtores e fornecedores em
conter a procura através do aumen-
Portugal e nos mercados de proximi-
to dos impostos, pois só esta política
• O estabelecimento e gestão de uma dade; e desenvolver estratégias glo-
poderá voltar a atrair investimento ao
plataforma agregadora de conheci- bais de fornecimento da indústria de
país e assegurar o crescimento do se-
mento e competência no âmbito da componentes e seus clientes.
tor no longo prazo.
indústria do setor automóvel, reco-
Com a criação deste Cluster da Indús-
Neste sentido, foi recentemente cria- nhecida institucionalmente como um
tria Automóvel, pretende-se reforçar
da uma associação de âmbito nacio- cluster económico de competitividade
a competitividade de um sector fun-
nal, constituída por entidades que e interesse nacional. Pretende-se, ain-
damental da nossa economia promo-
desenvolvem atividades nos setores da, que sejam criadas condições ten- vendo, igualmente, o aumento das
e fileiras da cadeia de valor da in- dentes à obtenção de níveis de ino- exportações do país.
dústria automóvel, nomeadamente, vação e desenvolvimento tecnológico
construção automóvel, componentes alargados, potenciando a competitivi- www.acap.pt
maio 2016 DESTAQUE 11

Análise SWOT

A indústria automóvel tem um impacto viços e de fontes de valor acrescentado. rência internacional, apresentando
significativo em toda a economia, com pontos fortes que superam os fracos
efeitos em cascata, induzindo a criação Ao longo dos anos a indústria automó- e oportunidades que saberão impor-se
de uma vasta cadeia de fornecimento e vel nacional, incluindo o subsetor dos às ameaças, tal como pode ser obser-
gerando uma enorme diversidade de ser- componentes, soube resistir à concor- vado na seguinte análise SWOT:

Pontos Fortes Pontos Fracos Oportunidades Ameaças
• Setor consolidado e com • Setor fracionado, índice de coo- • Possibilidade de reforço do • Forte concorrência das
peso na economia tradu- peração fraco, dispersão de com- posicionamento da indús- fábricas nos países da
zido na criação de em- petências e falta de escala; tria junto dos principais Europa do Leste, Norte
prego, VAB, exportações; • Empresas com necessidades de clientes e mercados; de África e Ásia;
• Demonstrada com- capital e dificuldade no financia- • Constituição de redes de • Contração da procura
petitividade dos OEM mento de novos projetos; cooperação para obten- no mercado automóvel
nacionais nos grandes • Desempenho na qualidade, ges- ção de sinergias na in- europeu;
grupos; tão e I&D aquém da referência da dústria de componentes, • Volatilidade do sistema
• Infraestruturas e equipa- indústria; visando a exportação; fiscal e política penali-
mentos de fabrico avan- • Escassez de competências em I&D, • Reestruturação industrial zadora da solução de
çados (ex. unidades de fraca interação com entidades do global, com aposta na es- transporte automóvel;
montagem flexíveis); SI&I e com consórcios europeus; pecialização tecnológica e • Tendência global para a
• Capacidade de estabe- • Necessidade de formação profis- em novos conceitos; procura de fornecedo-
lecer cadeias de forneci- sional especializada em determi- • Desenvolvimento e pro- res que agreguem mais
mento maioritariamen- nadas áreas; jeção de competências componentes da cadeia
te nacionais; • Insuficiente suporte à internacio- do SI&I nacional na área de valor;
• Competências de I&D e nalização da atividade, particular- automóvel e em setores • Perda de competitivida-
engenharia em centros mente na cadeia de fornecimento; transversais; de do fabrico de veícu-
nacionais, com custos • Elevada carga burocrática interna • Potencial sinergético na- los em médios e gran-
competitivos; associada à internacionalização cional através de novas des volumes;
• Indústria de componen- de um produto; estratégias e capacidade • Perda de competitivida-
tes de nível internacio- • Custos elevados em alguns fato- logística no eixo atlântico; de em fatores de pro-
nal em determinados res de produção (ex. eletricidade • Abertura de mercados glo- dução, como recursos
segmentos, com núcleo e portagens); bais (ex. EUA via TT&IP, Ca- humanos, logística e
de empresas portugue- • Escassez de fornecedores nas nal do Panamá, CPLP, Ásia); utilidades;
sas líderes a nível mun- áreas de eletrónica, sistemas, ma- • Apoio financeiro à compe- • Perda de espaço nas ca-
dial (ex. moldes); teriais avançados e motorizações; titividade e internacionali- deias de fornecimento
• País com infraestruturas • Falta de autonomia de OEM e de zação (programas estraté- das grandes fábricas.
de transporte e tecno- integradores locais na gestão da gicos e operacionais);
lógicas de elevada qua- cadeia de fornecimento; • Especialização da indústria
lidade; • Comparativamente com a indús- automóvel em pequenas e
• País com localização tria do setor noutras geografias, médias séries;
geoestratégica para a nossa tem menor desempenho • Aumento da incorporação
atração de investimento na qualidade, prazos, engenharia local na cadeia de valor lo-
estrangeiro; e desenvolvimento de processos e cal e de proximidade;
• Clima social e natural produto; • Desenvolvimento de novas
estável; • A dimensão média das empresas de estratégias de operação
• Qualidade no ensino e componentes, essencialmente PME logística;
nos cuidados de saúde; e empresas de base familiar, limita a • Desenvolvimento de estra-
mercado de trabalho capacidade de investimento em I&D tégias em torno dos pro-
flexível e eficiente. e na capacidade produtiva. gramas Horizonte 2020/
Portugal 2020.
12 DESTAQUE Portugalglobal nº87

VOLKSWAGEN AUTOEUROPA
PARCERIAS DE SUCESSO
Ainda hoje, a Volkswagen Autoeuropa representa o maior investimento
estrangeiro feito em Portugal. A sua instalação em Palmela, em 1991 – na altura
uma joint-venture entre a Volkswagen e a Ford –, gerou efeitos muito positivos na
economia regional e nacional. Desde logo, a criação de emprego, a qualificação
de colaboradores e um peso muito expressivo nas exportações nacionais. Mas esta
relevância não se esgota por aqui e traz consigo responsabilidades.

Ao longo de 25 anos, a existência da Volks- desta indústria, as empresas que já operavam
wagen Autoeuropa tem permitido que muitas em Portugal tiveram de se reestruturar e obter
empresas ligadas à indústria automóvel se ins- certificações ISO pela primeira vez, o que lhes
talem em Portugal. Note-se o parque industrial conferiu capacidade para se candidatarem a
adjacente à fábrica, no qual se instalaram 18 processos de sourcing do Grupo Volkswagen
empresas que fornecem a Volkswagen Au- e de outras empresas, nomeadamente das
toeuropa e que empregam mais de 2.000 pes- Original Equipment Manufacturing (OEM). Es-
soas. Mas a sua influência vai além da Penín- tas certificações permitiram que as empresas
sula de Setúbal. portuguesas tivessem oportunidades de negó-
cio tanto como fornecedores de primeira linha
De facto, a presença de uma empresa do Gru- (first tier) como subfornecedores (second tier).
po Volkswagen em território nacional motivou
a implementação de fornecedores de compo- No caso do Grupo Volkswagen, a certificação é
nentes para grandes grupos da indústria auto- muito exigente e impõe aos seus fornecedores
móvel em outras zonas do país. Por seu turno, um processo de qualificação que culmina com
e devido aos exigentes padrões de qualidade uma auditoria. Os níveis de excelência só são
maio 2016 DESTAQUE 13

atingidos com o estabelecimento de objetivos pandido a sua localização para outros países
específicos e com um trabalho de acompanha- europeus. Para isso, foi necessário aumentar
mento que vise a melhoria contínua. São tam- a cadeia de valor, manter a capacidade de
bém feitas avaliações aos fornecedores com o resiliência, a proximidade comercial e técnica
propósito de otimizar resultados e fluxos de dos centros de decisão do grupo e obter um
trabalho. Esta tem sido a postura da empresa estatuto de confiança, através da demons-
ao longo dos anos, pois os bons resultados ad- tração da qualidade.

Outra prova deste apoio é o aumento do vo-
“De facto, a presença lume de negócios para a indústria automóvel
em Portugal que os novos investimentos da
de uma empresa do Volkswagen na sua unidade de produção em
Grupo Volkswagen em Palmela vão trazer. Este aumento do volume
território nacional motivou de negócios traduz-se tanto para os atuais for-
a implementação de necedores, que mais uma vez mostraram a sua
competitividade e qualidade, como para em-
fornecedores de componentes
presas que receberam pela primeira vez uma
para grandes grupos da nomeação para o grupo Volkswagen.
indústria automóvel em outras
zonas do país.” Existe ainda um setor de atividade que, por
arrasto do desenvolvimento da indústria de
componentes, e por ter demonstrado elevados
níveis de qualidade, de competência técnica
vêm da cooperação e da partilha de responsa- e de competitividade, tem aumentado o seu
bilidade no crescimento de todos. volume de negócios nos últimos anos com a
indústria automóvel nacional e estrangeira.
Por seu lado, a Volkswagen Autoeuropa Trata-se da indústria de moldes. Inclusivamen-
tem procurado exercer uma influência po- te assistimos recentemente a um fenómeno de
sitiva junto do Grupo Volkswagen de modo criação de parcerias entre moldistas e a indús-
a localizar a produção de componentes em tria de injeção que permitiu a angariação de
Portugal. Este empenho em promover a in- mais negócios. Esta colaboração permite a in-
teração com fornecedores e em potenciar tegração vertical da cadeia de valor, constituin-
o seu desenvolvimento reflete-se no facto do um modelo de negócio que permitiria às
de muitos deles terem alcançado a sua pri- empresas portuguesas angariar mais negócio
meira nomeação como fornecedor do grupo junto das OEM.
Volkswagen, tendo projetado o seu negócio
para outras marcas e fábricas do Grupo e ex- Apesar dos grandes avanços, a indústria de
componentes tem ainda potencial de desen-
volvimento. Os desafios do setor automóvel e
a estratégia da maior parte das OEM exigem,
por parte da indústria de componentes, capa-
cidade de desenvolvimento técnico, inovação,
agressividade comercial e dimensão técnica e
financeira que lhe permita ter capacidade de
produção e de rápida adaptação à sua evolu-
ção tecnológica. Os próximos anos impõem
a continuidade do empenho da Volkswagen
Autoeuropa na capacitação de fornecedores,
pois o sucesso da empresa depende também
da solidez, dinamismo e sinergias criadas pela
indústria nacional de componentes.

www.volkswagenautoeuropa.pt
14 DESTAQUE Portugalglobal nº87

BORGWARNER PORTUGAL
Uma empresa fortemente exportadora
Sedeada em Viana do Castelo, a BorgWarner Portugal exporta cerca de 99 por
cento da sua produção para diversos mercados externos, como o Reino Unido,
Alemanha, França, Espanha e Estados Unidos.

A BorgWarner Portugal pertence a um dos maio- Fundada em 1928, a BorgWarner divide-se em
res fornecedores de componentes automóveis, duas grandes áreas: Engine Group (Emissions
líder global em inovação tecnológica de enge- Systems, Morse Systems, Thermal Systems e
nharia avançada para sistemas propulsores, com Turbo Systems) e Drivetrain Group (PowerDrive
fábricas e centros técnicos em 74 localizações, Systems e Transmission Systems).
em 19 países diferentes, e que emprega cerca de
Desde 2002, a empresa tem registado um cres-
30.000 colaboradores em todo o mundo.
cimento significativo, tendo alcançado no ano
passado um total de 8,023 mil milhões de dó-
Sedeado em Auburn Hills, no Michigan, EUA,
lares em vendas líquidas e um lucro líquido de
o grupo fornece aos clientes as suas tecno- cerca de 610 milhões de dólares.
logias reconhecidas por contribuírem para
a melhoria da economia de combustível, de Os principais mercados de exportação da Borg-
emissões e do desempenho. Warner Portugal são o Reino Unido, Alemanha,
maio 2016 DESTAQUE 15

França, Espanha e Estados Unidos. A empresa gias EGR - Recirculação de Gases de Escape,
exporta cerca de 99 por cento da sua produção. produzindo sistemas, como permutadores de
calor, tubos EGR e módulos de controlo eletró-
A BorgWarner em Viana do Castelo dispõe de nico de velas incandescentes para automóveis
instalações com 26.000 metros quadrados de de passageiros e veículos comerciais.
área e espaço adicional para futuras expan-
sões. A nova fábrica foi oficialmente inaugu- A empresa desenvolve ativamente soluções
rada no dia 7 de novembro de 2014, após a inovadoras que contribuem assim para a me-
deslocalização de uma unidade em Valença, lhoria do meio ambiente através da redução
existente desde 2005. das emissões nocivas causadas pelos veículos.

Para além de serem ecologicamente eficien-
De acordo com o investimento estratégico da
tes, as instalações, constituídas por um edifício
empresa, a unidade de produção em Portugal
contribui para um maior compromisso e pro-
ximidade para com os clientes, oferecendo
“Os principais mercados de igualmente vantagens em termos de expedi-
exportação da BorgWarner ção, logística e taxa de câmbio.
Portugal são o Reino Unido,
Alemanha, França, Espanha A sua capacidade inovadora e o elevado grau
de flexibilidade e eficiência fazem da BorgWar-
e Estados Unidos. A empresa
ner Portugal um dos principais impulsionado-
exporta cerca de 99 por cento res do desenvolvimento dos futuros sistemas
da sua produção.” de propulsão.

O amplo portfólio de produtos da BorgWarner in-
moderno com isolamento térmico e uma com- clui ainda outras soluções para motores de com-
binação de luz natural e eficiente, constituem bustão, como turbocompressores avançados, e
mais um investimento da BorgWarner com ainda inúmeras tecnologias para veículos híbrido-
vista a alcançar 15 mil milhões de dólares de -electro e veículos elétricos, como a transmissão
volume de negócios global até 2020. eGearDrive® e o eBooster®. Desta forma, a em-
presa é líder de soluções de fluxo de ar e refrige-
As modernas instalações permitiram aumentar ração e também de motores elétricos.
a capacidade de produção com o objetivo de
dar resposta à crescente procura de tecnolo- www.borgwarner.com
16 DESTAQUE Portugalglobal nº87

BOSCH
Na vanguarda da tecnologia
automóvel
O grupo Bosch é um dos maiores empregadores e exportadores
industriais em Portugal, sendo os seus principais mercados de
exportação a Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Turquia. Em
2015, a empresa cresceu 15 por cento alcançando assim um valor
de 933 milhões de euros em vendas.

Tendo iniciado a sua atividade em Braga com a no mundo, contribuindo com cerca de 55 por
produção de autorrádios da marca Blaupunkt cento do volume de vendas anual, e um dos
em 1990, o grupo Bosch tornou-se, ao longo maiores empregadores da região norte, com
dos anos, um dos maiores motores no desen- mais de 2.200 colaboradores.
volvimento da região e um dos mais importan-
A Bosch Car Multimedia Portugal tem vindo a
tes exportadores nacionais.
renovar o seu portfólio de produtos com tec-
nologia inovadora na área de multimédia auto-
Atualmente, esta é a principal unidade pro- móvel, através do desenvolvimento e produção
dutiva do grupo Bosch em Portugal e um dos de soluções inteligentes com foco na seguran-
principais centros de Investigação e Desenvol- ça, conforto e qualidade de vida a bordo para
vimento (I&D) da divisão Bosch Car Multimedia os condutores e ocupantes.
maio 2016 DESTAQUE 17

Para além da produção eficiente e dos níveis de contribuir para o futuro da mobilidade e redefi-
qualidade excelentes, garantidos por uma equi- nição de processos. A empresa já integra diver-
pa de experientes colaboradores, a empresa sas soluções tecnológicas no âmbito da Indústria
emprega mais de 200 engenheiros altamente 4.0. Esta iniciativa tem assim permitido acelerar
qualificados e dedicados apenas ao desenvolvi- o desenvolvimento de tecnologias inovadoras
mento mecânico, eletrónico e de software. que otimizam a cadeia de valor da empresa.

A empresa está ainda a trabalhar em novas so- Ao ser capaz de manufaturar produtos cada vez
luções de multimédia automóvel como a tecno- mais complexos com qualidade e flexibilidade, e
logia de head-up-display, realidade aumentada, ao oferecer cada vez mais serviços de investiga-
sistemas de instrumentação digitais, comunica- ção e desenvolvimento, a Bosch em Braga marca
ção “car to car” e a aplicação, pioneira no mer- a sua posição competitiva no mercado global.
cado, do processo de optical bonding nos siste-
Enquanto um dos 10 principais exportadores a
mas de instrumentação, tecnologia com largo
nível nacional, com um volume de exportação
espetro de aplicação e em forte crescimento.
que excede os 90 por cento, a empresa tem
contribuído ativamente para a economia do
A aposta contínua da Bosch em atividades de
país. A boa reputação da tecnologia Bosch de-
I&D faz com que o sucesso da empresa seja
senvolvida e produzida em Portugal – “Made in
cada vez mais sólido. Exemplo desta aposta é
Portugal” – é exportada principalmente para a
a parceria de inovação com a Universidade do
Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Turquia.
Minho, em Braga. A primeira fase desta parceria
teve um investimento de 19 milhões de euros Nos próximos anos, a Bosch prevê um desen-
e resultou em 12 novas patentes submetidas. volvimento positivo do negócio, contribuindo
A segunda fase, denominada de “Innovative assim para a criação de emprego e o cresci-
Car HMI”, começou este ano e prevê um inves- mento da economia regional e nacional.
timento de cerca de 55 milhões de euros, até
2018, no desenvolvimento de soluções que vão www.bosch.pt
18 DESTAQUE Portugalglobal nº87

CONTINENTAL MABOR
Uma forte aposta na exportação
A exportar mais de 97 por cento da sua produção para 65
países diferentes, a Continental Mabor aposta constantemente
na inovação e na qualidade dos seus produtos. Os principais
mercados de exportação desta empresa de pneus são Alemanha,
França e Espanha.

Em Portugal desde 1989, a Continental Mabor gama. Além disso, aposta constantemente na
é o resultado de uma joint-venture entre a ale- qualidade dos seus colaboradores para garan-
mã Continental AG (60 por cento) e a Mabor tir a excelência dos produtos que disponibiliza.
(40 por cento), sendo detida na íntegra pela
Continental AG – um dos cinco maiores for- Atualmente com 1.794 colaboradores, a Con-
necedores mundiais da indústria automóvel – tinental Mabor conta com instalações moder-
desde 1993. Localizada em Lousada, Vila Nova nas, fruto dos diferentes projetos de reestrutu-
de Famalicão, a Continental Mabor dedica-se ração e expansão que mereceram o apoio do
ao fabrico de pneus para viaturas de passagei- Estado português e da Comissão Europeia.
ros e aposta nos produtos de alta performance.
A estratégia de investimento da empresa
A Continental Mabor tem como principal ob- centra-se na produção de produtos com mais
jetivo ser reconhecida pela sua qualidade, efi- complexidade, como os pneus de alta perfor-
ciência, flexibilidade e inovação, de modo a mance e ultra ultra alta performance: UHP e
alcançar a total confiança dos seus clientes nos UUHP, e os tradicionais pneus para SUV (Sport
seus serviços e produtos de tecnologia topo de Utility Vehicles).
maio 2016 DESTAQUE 19

A inovação é também aposta da empresa, que retos, bem como uma movimentação na eco-
tem investido na instalação em Portugal de nomia”, afirma Pedro Carreira, presidente do
Centros de Desenvolvimento em Tecnologias Conselho de Administração da empresa.
de Informação e Pesquisa e Desenvolvimento.
A estratégia de internacionalização da Conti-
Estes investimentos permitiram aumentar o nental Mabor é definida pela Continental AG,
casa-mãe da empresa em Hanôver, uma vez
número de postos de trabalho no país, no-
que o mercado português não tem dimensão
meadamente através da criação de um polo de
para a sua produção. Assim, a empresa expor-
criatividade em Portugal e do reconhecimento
ta mais de 97 por cento da sua produção.
da capacidade técnica dos seus colaboradores.
A Europa é o mercado predominante dos pro-
“Sendo o setor automóvel muito significativo dutos da Continental Mabor, com destaque
em Portugal, como se pode verificar pela quan- para a Alemanha, França e Espanha. Ainda que
em menor volume, a empresa envia também
os seus pneus para os Estados Unidos, Holan-
“A Europa é o mercado da, Reino Unido e Bélgica. De realçar que em
predominante dos produtos 2015 exportou para 65 países.
da Continental Mabor, com
A internacionalização das empresas no setor
destaque para a Alemanha,
automóvel é, hoje em dia, vital para toda a
França e Espanha.” indústria, pelo que as empresas fornecedoras,
por questões de sobrevivência, devem apostar
sempre na exportação para diversos mercados
tidade de empresas que o envolvem, todos os
e preparar a sua internacionalização antecipa-
investimentos são considerados uma mais-va-
damente, de modo a evitar uma crise súbita,
lia, especialmente se considerarmos que nos
refere ainda Pedro Carreira, explicando que o
últimos anos se assistiu a um desinvestimento
risco de ser um “player” no mercado global é
gradual. Com efeito, alguns construtores de
demasiado elevado e os construtores de viatu-
automóveis estão a desaparecer do mercado
ras mudam rapidamente de estratégia.
e o impacto na região e no país é muito gran-
de. Por isso, os investimentos significam um
aumento dos postos de trabalho diretos e indi- www.continental-pneus.pt
20 DESTAQUE Portugalglobal nº87

FAURECIA
Um crescimento sólido em Portugal
Presente em Portugal desde 1951, a Faurecia emprega quatro mil
pessoas nas suas seis fábricas no nosso país. Atualmente exporta
mais de 90 por cento da sua produção.

A Faurecia Portugal, que faz parte da multina- logias de controlo de emissões, na fábrica de
cional francesa Faurecia, fornece diversas mar- Bragança; e os sistemas de interior, na fábrica
cas reconhecidas como a Mercedes, Jaguar, de Palmela.
Land Rover, Skoda, Daimler, RSA, PSA Peu-
geot-Citroën, General Motors, Renault-Nissan, No ano de 2015, as fábricas da empresa em
Volkswagen, Citroën e Seat. Portugal totalizaram uma faturação de mais de
967 milhões de euros (não incluindo joint-ven-
As suas principais áreas de negócio são a pro- tures), registando um aumento de 46 por cen-
dução de assentos de automóveis nas duas to em relação a 2014. Este volume de vendas
fábricas de São João da Madeira, na fábrica representa 4,7 por cento das vendas do grupo
de Nelas e na fábrica de Vouzela; as tecno- em todo o mundo.
maio 2016 DESTAQUE 21

O principal mercado de exportação do grupo
Faurecia, um dos maiores produtores mundiais
de componentes automóveis, é a Europa, que
representa 56 por cento da faturação, seguin-
do-se a América do Norte com 25 por cento,
a Ásia com 14 por cento e a América do Sul e
o resto do mundo com 5 por cento. Em todo
o mundo, o grupo Faurecia emprega mais de
cem mil colaboradores.

O grupo Faurecia anunciou, em 2015, uma
nova fase do seu desenvolvimento em Portugal
com a extensão da unidade industrial de tec-
nologias de controlo de emissões em Bragan-
ça, através da construção de um novo edifício
de produção com uma superfície total de 10
mil metros quadrados. Para responder aos no-
vos projetos serão criados cerca de 300 novos
postos de trabalho até 2019.

A empresa tem ainda em Portugal um centro
de serviços partilhados, sedeado em São João
da Madeira, que integra os serviços de sistemas
de informática, incluindo o departamento de
helpdesk, que dá suporte técnico a 12 países
diferentes: Portugal, Espanha, Brasil, Argenti-
na, Uruguai, Itália, França, Tunísia, Marrocos,
Bélgica, Luxemburgo e África do Sul.

Integra ainda funções na área de seguran-
ça IT, infraestruturas windows, entre outras,
que prestam suporte a nível mundial. Abran-
ge também os serviços de recursos humanos
para as suas fábricas em Portugal e de conta-
bilidade e serviços conexos para países como:
Portugal, França, Tunísia, Marrocos, Reino
Unido e Luxemburgo.

“Para responder aos novos
projetos serão criados cerca de A Faurecia assume como principal missão gerar
300 novos postos de trabalho um crescimento rentável a longo prazo, atingir
um forte desempenho diário e empenhar-se na
até 2019.”
responsabilidade social e ambiental. Para atin-
gir estes objetivos, iniciou em 2014 um proces-
De referir que dos seis carros concorrentes a so de transformação na sua cultura, através da
introdução do ‘Being Faurecia’, um conceito
Carro do Ano 2015, três integram peças pro-
interno que visa adaptar a organização a um
duzidas pela Faurecia Portugal, sendo esses o
âmbito mais alargado do negócio, promoven-
Citroën C4 Cactus (estruturas metálicas dos as- do o crescimento do grupo.
sentos e encostos frontais e traseiros), o Nissan
Qashqai e o Peugeot 308 SW (catalisador). www.faurecia.com
22 PUBLICIDADE Portugalglobal nº87

O OÁSIS DOS ANDES: INVESTIR NO CHILE
aumentam a sua complexidade e so-
fisticação, havendo que destacar as
regras sobre Preços de Transferência
ou a existência de listas de “paraísos
fiscais”. Todavia, estas circunstâncias
potencialmente desfavoráveis são
balanceadas por regimes fiscais atra-
tivos, como aquele que permite o
reporte de prejuizos fiscais para anos
>POR PEDRO FUGAS, >POR JOSE PADILLA, futuros sem qualquer limite temporal.
TAX PARTNER, EY PORTUGAL TAX PARTNER, HEAD OF THE LATIN
AMERICAN BUSINESS CENTRE O facto de a legislação fiscal portuguesa
prever, mediante a verificação de certas
condições, um regime de participation
O Chile é, atualmente, um dos princi- no Chile deverão estar totalmente exemption que determina a exclusão de
pais destinos mundiais para o investi- informadas acerca da multiplicidade tributação dos lucros e reservas recebi-
mento direto estrangeiro (IDE), tendo de imposições e restrições de nature- dos e das mais-valias realizadas com a
registado, no ano de 2014, um IDE no za legal, financeira e fiscal existentes, transmissão onerosa de partes sociais
valor total de 23 mil milhões de dólares entre as quais há que destacar a alte- de empresas do Chile (entre outros
norte-americanos, o que lhe garantiu a ração do regime de tributação sobre países), torna Portugal numa jurisdição
classificação de 11.º maior beneficiário os rendimentos das empresas a partir muito competitiva para localização de
de IDE, a nível mundial e de 2.º maior de 1 de janeiro de 2017, tributação holdings de empresas chilenas. Adicio-
beneficiário de IDE, na América Latina, de transferências indiretas de socieda- nalmente, o ADT celebrado com o Chile
à frente de países como o México ou a des chilenas, existência de um impos- estabelece as taxas de retenção na fon-
Argentina. Os atributos gerais do país to sobre lucros imputáveis a sucursais te reduzidas infra indicadas.
(como a localização geográfica e os re- e outros estabelecimentos estáveis de
cursos naturais), bem como a abertura empresas chilenas no estrangeiro ou Em função de todos os fatores acima
ao investimento, permitem que este a limitação da dedutibilidade de gas- descritos, uma avaliação cuidada das
país ofereça oportunidades de negócio tos de financiamento, de acordo com oportunidades de investimento no
regras de subcapitalização. Adicional- Chile, com o intuito de desenvolver
nos mais variados setores, como as mi-
mente, no seguimento das exigências parcerias estratégicas com empresas
nas, a energia e infraestruturas, o turis-
decorrentes do projeto BEPS da OCDE, chilenas, poderá revelar-se extrema-
mo e o agroalimentar.
o sistema fiscal chileno conta ainda mente últil para a expansão das em-
As Micro, Pequenas e Médias empre- com uma pluralidade de regimes que presas portuguesas.
sas beneficiam anualmente de gran-
Impostos no Chile - Resumo
des iniciativas governamentais, como
Categoria Taxas gerais
a “Semana de la PyME”, que visam
Imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas 24%
a sua promoção a nível doméstico e IVA 19%
internacional. Imposto sobre lucros de Estabelecimento Estável 35%
Prejuízos fiscais – Reporte para anos futuros Ilimitado
O Chile é uma jurisdição com potencia-
lidades para ser utilizada como plata-
Tributação / taxas de retenção na fonte no Chile
forma de investimento para a América para rendimentos auferidos / pagos a não residentes
Central e Latina, contando com um am- Categoria Taxa geral ADT Portugal/Chile
plo elenco de acordos de comércio livre Dividendos 35% 10% / 15%
e associação económica e de acordos Mais-valias 35% 16%/25%/35%
para eliminar a dupla tributação (ADT), 0% - Patentes
nomeadamente com Portugal e Brasil. 15% - Marcas registadas
Royalties 5% / 10%
20% - Fórmulas
30% - Outros similares
Contudo, há que realçar que as em- Serviços 15%/20% 0% - Lucro da empresa
presas que se proponham a investir Juros 4%/35% 5% / 10% /15%
24 ENTREVISTA Portugalglobal nº87

TOMÁS
MOREIRA
Presidente da AFIA -
Associação de Fabricantes
para a Indústria Automóvel

“Indústria
automóvel é
muito forte e
tem um peso
importantíssimo
na economia”
A promoção do crescimento, da competitividade e da internacionalização da indústria
automóvel de Portugal é missão principal da AFIA - Associação de Fabricantes para a
Indústria Automóvel, que, juntamente com a ACAP, foi promotora e impulsionadora do
MOBINOV, a associação do cluster do setor recentemente constituída.
A indústria de componentes automóveis agrega cerca de 200 empresas, que
asseguram 42 mil empregos diretos e vendas que terão ascendido a 8 mil
milhões de euros em 2015, o que demonstra o peso e a importância de um setor
fortemente exportador, com impacto relevante na economia nacional.
Tomás Moreira, presidente da AFIA, aponta, em entrevista, os desafios que se
colocam ao setor, mostrando-se otimista quanto ao crescimento de uma indústria
que afirma ter já uma massa crítica significativa.
maio 2016 ENTREVISTA 25

Qual o papel e principais competências da Finalmente, garantimos nos órgãos de comuni-
AFIA no âmbito da indústria automóvel e cação em Portugal uma presença assídua, de for-
de componentes visando o seu crescimen- ma a divulgar o setor e a transmitir notícias e in-
to e internacionalização? formações sobre a sua evolução e necessidades.
A AFIA, fundada em 1979, é a associação que
representa nacional e internacionalmente os fa- Que ações tem promovido a AFIA com vis-
bricantes para a indústria automóvel instalados ta ao desenvolvimento de um cluster do
em Portugal. É o seu porta-voz junto das auto- setor? De que forma pode o cluster poten-
ridades e outras instituições, tanto portuguesas ciar a competitividade da indústria auto-
como no estrangeiro, e divulga o sector junto móvel nacional?
da comunicação social e de entidades terceiras. A AFIA e a ACAP foram as principais promo-
toras da criação da MOBINOV – Associação
A AFIA promove a internacionalização e as do Cluster Automóvel, constituída no passado
exportações das empresas nacionais, apoia mês de abril, que será a plataforma agregado-
compradores estrangeiros a encontrar forne- ra de conhecimento e competências no âmbito
cedores portugueses e apoia os investidores da indústria automóvel em Portugal, a exem-
estrangeiros no início e na integração de novas plo do que sucede noutros países – nomeada-
actividades em Portugal, tendentes a alargar a mente em Espanha – com grande sucesso.
base industrial portuguesa e a reforçar o setor.
São associados da MOBINOV os construto-
De que forma atua a AFIA e quais os res de automóveis, os fabricantes de com-
grandes temas do setor que defende ponentes e ainda uma série de Entidades do
como estratégicos? Sistema Científico e Tecnológico Nacional,
Para potenciar o crescimento, promovemos o se- que se unem com o objectivo declarado de
tor junto de mercados-alvo selecionados, através promover uma maior cooperação entre si, ul-
de missões a países ou a clientes específicos, par-
ticipações conjuntas em feiras, estabelecimen-
to de contactos com potenciais novos clientes, “A significativa dimensão
ações conjuntas com instituições nacionais e es- do mercado ibérico, onde
trangeiras para promoção do setor e divulgação
se produzem cerca de três
das suas potencialidades e ainda divulgação de
informação relevante para os exportadores.
milhões de veículos por
ano (Espanha é o segundo
No campo da competitividade, desenvolvemos maior produtor europeu
ações para melhorar o desempenho dos forne- de automóveis) permite
cedores da indústria automóvel, estabelecendo
às empresas aceder a um
encontros – genéricos ou temáticos – para tro-
ca de informação, intercâmbio de boas práti-
importante mercado regional
cas e valorização mútua e para estreitamento com vantagens logísticas.”
de relações entre as entidades do setor.

Defendemos direta e indiretamente, junto das trapassando barreiras do passado (Constru-
empresas e junto das autoridades nacionais, tores versus Fornecedores, Indústria versus
todas as questões com implicação na compe- Universidades) e assim criar condições para a
titividade das empresas. Incluímos aqui temas obtenção de níveis de inovação e desenvol-
como a produtividade, a flexibilidade laboral e vimento tecnológico alargados, potenciando
a simplificação administrativa, a inovação de a competitividade internacional da indústria
processo e métodos de trabalho – incluindo automóvel portuguesa.
o que se vem designando por Indústria 4.0 –,
questões logísticas, a investigação, a inova- O Cluster, cujo reconhecimento pelo IAPMEI
ção e a melhoria contínua nas empresas, mas está iminente, é também um possível instrumen-
também temas de natureza macroeconómica to de fomento industrial do governo e como tal
como os custos do trabalho e da energia, a fis- será garantidamente beneficiário de apoios pú-
calidade e outros custos de contexto. blicos e de financiamento comunitário.
26 ENTREVISTA Portugalglobal nº87

Uma das prioridades do Conselho Diretor da milhões de euros, o que – para situar o valor –
AFIA para os próximos dois anos será a or- é muito mais do que as exportações de calçado
ganização e dinamização da MOBINOV, em e vestuário somadas.
cuja gestão se propõe assumir um papel ativo
em conjunto com outras entidades do setor.
A cooperação, no âmbito do Cluster, com a “Em todos os mercados há
ACAP, com os construtores de automóveis neste momento potencial
instalados em Portugal e com uma série de
para crescimento [das
Entidades do Sistema Científico e Tecnológico
Nacional permite perspetivar um importante exportações], desde que
salto qualitativo em termos de coordenação de a envolvente económica
esforços e promoção do setor. em Portugal o permita e
as empresas saibam tirar
Pode traduzir, em números, a importân-
o maior partido das suas
cia indústria de componentes automó-
veis em Portugal?
capacidades.”
A indústria automóvel em Portugal é muito
forte e tem um peso importantíssimo no em-
Quais os principais fatores de competiti-
prego e no PIB nacionais. É constituída por três
vidade das empresas do setor, designada-
áreas de atividade complementares, todas elas
mente as de componentes?
de dimensão muito significativa: fabrico de
moldes, fabrico de componentes e fabrico de A significativa dimensão do mercado ibérico,
viaturas automóveis. onde se produzem cerca de três milhões de
veículos por ano (Espanha é o segundo maior
Dentro desta indústria, o setor de fabrico de produtor europeu de automóveis) permite às
componentes tem claramente o maior peso, empresas aceder a um importante mercado re-
sendo constituído por umas 200 empresas gional com vantagens logísticas.
representando 42.000 postos de trabalho di-
retos, com um volume de negócios agregado Comparando-nos com os nossos concorren-
(não consolidado) de cerca de oito mil milhões tes situados na Europa, Portugal tem vindo a
de euros, e um volume de exportação que esti- melhorar a relação entre os níveis salariais e as
mamos poderá em 2016 ultrapassar os sete mil competências dos colaboradores, o que, alia-
do a uma maior flexibilidade das leis laborais,
nos tem permitido voltar a concorrer contra
os países do Leste europeu, que durante mui-
tos anos foram competidores imbatíveis para
as nossas empresas e na captação de investi-
mento internacional.

Como a indústria automóvel em Portugal se
começou a desenvolver a partir de 1960 e so-
breviveu a várias crises, as empresas do setor
sustentam-se numa sólida tradição industrial,
praticam conceitos de gestão modernos e exi-
gentes e gozam internacionalmente de uma
imagem de elevada credibilidade.

Os fabricantes de componentes têm um longo
historial exportador, um elevado grau de inter-
nacionalização e uma boa experiência a lidar
com múltiplos clientes em variados mercados.

O setor já tem uma massa crítica significativa
e conta com uma presença importante de em-
maio 2016 ENTREVISTA 27

presas estrangeiras e uma rede de subfornece-
dores e prestadores de serviços competentes.

Nas empresas encontram-se elevados conheci-
mentos de línguas estrangeiras, capacidade de
relacionamento com outras realidades, sensi-
bilidade intercultural, adaptabilidade, flexibili-
dade, capacidade de aprendizagem e assimi-
lação. A qualidade é prioritária e praticamente
todas as empresas estão certificadas, garantin-
do níveis de qualidade extremamente elevados
nos produtos, nos serviços e nas organizações.

Cada vez mais empresas desenvolvem inter-
namente atividades de engenharia orientadas
para a inovação e melhoria contínua dos seus
produtos e processos.
Também o crescente custo da energia e a ocasio-
Quais os principais desafios que a indústria
nal má qualidade do abastecimento elétrico têm
automóvel nacional enfrenta, que barrei- prejudicado a competitividade das empresas.
ras se colocam ao seu desenvolvimento?
A deslocalização da produção de viaturas para A longo prazo, há que considerar como riscos
o Leste europeu e para a China por imposição para o setor as alternativas para a mobilidade e
política, e a consequente deslocalização da as pressões ambientais contra o uso individual
fabricação dos componentes associados, têm do transporte rodoviário, que poderá compro-
constituído um desafio sério às nossas exporta- meter todo o futuro do automóvel.
ções e à captação de investimento estrangeiro.
Têm sido realizadas diversas ações no senti-
Exportando o grosso da sua produção para do de fomentar o desenvolvimento de uma
mercados totalmente abertos e globalizados e rede de fornecedores portugueses junto de
concorrendo livremente com todos os outros investidores e compradores estrangeiros.
países num contexto de enorme competitivida- Que análise faz desta iniciativa?
de de preços, todas as questões ligadas a cus- Consideramos as ações positivas, mas não
tos se revestem de extrema relevância. tem havido suficiente colaboração e coor-
denação entre as iniciativas promovidas por
Apesar de Portugal ter os custos salariais mais entidades públicas e pelas privadas, nomea-
baixos da Europa Ocidental, não se pode ig- damente associações, havendo nisso pro-
norar que competimos directamente contra vavelmente responsabilidades de ambas as
países com custos de trabalho muito inferio- partes. Há seguramente um grande poten-
res, nomeadamente Marrocos. Uma excessi- cial para melhoria.
va inflação dos custos salariais, assim como
qualquer retrocesso na flexibilidade laboral, As instituições públicas e organismos do Es-
representariam um agravamento dos fatores tado deveriam eleger as associações como
de competitividade da economia portuguesa, seus interlocutores privilegiados, em lugar das
que iria beneficiar diretamente os países nos- empresas individuais. Infelizmente verifica-se
sos concorrentes. com frequência o inverso, com o risco de se
tomarem decisões que podem carecer duma
O atual quadro legal português ainda não visão global quanto ao seu impacto sobre
permite às empresas de uma forma suficiente- todo o setor, omitir aspetos que poderiam ser
mente expedita, desburocratizada e sem cus- valorizadores, favorecer umas empresas em
tos extra adaptarem a laboração às variações detrimento doutras, criando injustiças e dis-
de curto prazo do fluxo de encomendas, ao torcendo a concorrência em favor das empre-
contrário do que acontece noutros países. sas mais influentes.
28 ENTREVISTA Portugalglobal nº87

Tratando-se de um setor com uma forte
componente exportadora, quais os merca-
dos de maior expressão em termos de in-
ternacionalização das empresas portugue-
sas? E que mercados apresentam potencial
para o aumento das exportações?
O setor de componentes exportou em 2015
cerca de 84 por cento da sua produção, estan-
do portanto pouco dependente das fábricas de
automóveis implantadas em Portugal.

As empresas do setor fornecem componen-
tes para a quase totalidade dos modelos de
automóveis fabricados na Europa. Por ordem TOMÁS DE Tomás Moreira é presidente da AFIA - Asso-
decrescente, na maior parte dos casos os CARVALHO ciação de Fabricantes para a Indústria Au-
tomóvel desde 2013, instituição por onde
componentes são vendidos diretamente aos ARAÚJO
já tinha passado duas vezes anteriormente.
fabricantes de automóveis, noutros casos MOREIRA
através de integradores de sistemas e, numa
terceira situação, as peças destinam-se ao É também dirigente no grupo alemão
mercado de reposição. KIRCHHOFF Automotive desde 1993,
exercendo funções de Desenvolvimento
Os maiores mercados e respectivas quotas- de Mercados tanto em Portugal como em
Espanha, França e América do Sul.
-partes nas nossas exportações são a Espanha
(24 por cento), seguida da Alemanha (22 por
Nascido em 1957 no Porto, onde reside, fre-
cento), França (14 por cento) e o Reino Unido
quentou o Colégio Alemão do Porto até ao
(11 por cento), tendo este último vindo a cres-
12º ano, após o que se licenciou em enge-
cer mais fortemente. Cerca de 20 por cento
nharia eletrotécnica na TUM - Universidade
das exportações vão para os restantes países
Técnica de Munique.
da Europa e 10 por cento para fora da Europa
(Ásia, Américas e África).
Iniciou a sua carreira profissional em 1980
no grupo de empresas Indústrias Molaflex,
Em todos os mercados há neste momento
que na altura pertencia à sua família, tendo,
potencial para crescimento, desde que a en-
ao longo da sua carreira profissional, ocupa-
volvente económica em Portugal o permita e
do cargos de administração e gerência em
as empresas saibam tirar o maior partido das
várias empresas industriais de diversa dimen-
suas capacidades.
são, tanto nacionais como estrangeiras.

Na sua opinião, de que maneira poderá o
Em representação da AFIA tem sido orador
país continuar a atrair os investidores es-
em Seminários e Congressos, foi adminis-
trangeiros, aumentando, dessa forma, a
trador do CEIIA e junto da CIP é membro
competitividade do setor?
dos respetivos Conselho Geral e Conselho
Proactivamente, Portugal (entenda-se as en- da Indústria.
tidades públicas em coordenação com as pri-
vadas) deveria ter um plano de contacto com
todos os construtores de automóveis e com os potenciadores de a prazo serem instaladas novas
grandes fornecedores/integradores internacio- unidades industriais ou ampliadas as existentes.
nais de componentes (os “Tier 1”) para captar
os seus projetos e investimentos. Finalmente, a terrível realidade da Justiça em
Portugal, a burocracia assim como a instabi-
Deveríamos promover as nossas capacidades, lidade legislativa, regulamentar e fiscal são
incluindo a disponibilidade de engenheiros, in- fatores unanimemente reconhecidos como
centivando e oferecendo condições vantajosas e principais perturbadores e inibidores da com-
atrativas para a instalações de centros técnicos, petitividade e do investimento estrangeiro.
2016
SETÚBAL.MARÇO SANTARÉM.ABRIL GUIMARÃES.JUNHO VIANA DO CASTELO.JULHO AVEIRO.SETEMBRO LEIRIA.NOVEMBRO

PRÓXIMO DE SI PARA O LEVAR MAIS LONGE
Depois do sucesso da edição 2014/2015,
o Roadshow Portugal Global está de volta.
Em 2016 vamos a 6 regiões de elevado potencial
de internacionalização com uma nova proposta
de valor: Cooperação e Coopetição, chave para
a competitividade nos Mercados Externos.
Durante um dia, oradores internacionais, especialistas
de mercado, seminários temáticos, networking
e speed meetings preparam a sua empresa
para competir com sucesso no palco internacional.

SAIBA MAIS EM PORTUGALGLOBAL.PT/ROADSHOW

Organização Patrocínio
30 MERCADOS Portugalglobal nº87

CHILE
O Chile apresenta uma economia estável e competitiva, sendo uma das mais sólidas
da América Latina.
A presença de três dezenas de empresas portuguesas, de diversos setores de atividade,
no Chile confirma o potencial deste mercado em termos de negócios e permite
perspetivar, no futuro, um incremento do relacionamento económico bilateral.
A importância do Chile é tanto maior se encarado como uma plataforma de
negócios para terceiros mercados.
maio 2016 MERCADOS 31

RELACIONAMENTO COM POTENCIAL
CADA VEZ MAIOR
Portugal e o Chile são países amigos desde há longa data. De facto, Portugal foi o
primeiro país a reconhecer o Chile como Estado independente em 11 de agosto de
1821. Com o regresso da democracia ao Chile, a 26 de junho de 1989 as relações
diplomáticas foram restabelecidas.

Nas últimas décadas, as relações luso- bido no Chile, como o demonstram
-chilenas têm sido excelentes tanto no algumas missões/visitas empresariais
plano político como diplomático, exis- e investimentos realizados nos últimos
tindo um diálogo regular e profícuo anos, que tiveram um acolhimento fa-
que resulta num partilhar de interesses vorável por parte das entidades locais.
e entendimentos a nível bilateral e mul-
tilateral, reconhecendo-se mutuamen- De notar que as empresas portuguesas
te como um “like minded country”. podem/poderão aproveitar o contexto
Existe assim uma visão partilhada em atual do Chile, que busca retomar o
determinados assuntos e um alinhar caminho do crescimento económico,
de posições em vários domínios, como >POR ANTÓNIO LUÍS COTRIM, participando nos novos projetos lan-
EMBAIXADOR DE PORTUGAL
sejam por exemplo as votações em di- çados pelo governo em áreas diversas
EM SANTIAGO DO CHILE
versas organizações internacionais e como Obras e Concessões de Infraes-
apoios recíprocos nas mesmas, sobre- trutura Pública (incluindo o projeto
tudo no quadro da ONU e da OCDE. de fibra ótica austral), Energia, I&D
sibilidades desta ser aprofundada,
e Inovação, Turismo, entre outras. As
nomeadamente nas áreas da cultura,
A nível económico – dado que o in- vantagens estruturais que o país ofe-
energia e eficiência energética, am-
tercâmbio comercial e investimento rece, a política chilena de atração de
biente, ciência e tecnologia, defesa,
bilateral não são ainda muitos ex- investimento e a utilização do Chile
cooperação triangular e turismo.
pressivos – existe um claro espaço de como plataforma de acesso a tercei-
oportunidade para desenvolvimento ros mercados (pela sua extensa rede
de mais e melhores negócios entre os Sendo a economia chilena a 40ª a ní- de acordos comerciais) são também
dois países, já que partilham valên- vel mundial e a 6ª a nível latino-ameri- fatores a serem aproveitados expo-
cias e setores complementares para cano, é importante realçar o potencial nencialmente em termos de exporta-
além do denominado bem-sucedido em termos de relacionamento econó- ção e investimento.
“casamento” entre a rolha de cortiça mico com este país, pois, para além
portuguesa e o vinho chileno, de que das boas perspetivas de crescimento, De facto, Portugal assinou e está em
são exemplo os investimentos agroin- existe igualmente vontade política e vigor com o Chile um quadro de acor-
dustriais (aproveitando o contraciclo institucional clara de ambas partes dos que visam facilitar e promover as
estacional), a economia do mar, as para esse desígnio. relações económicas bilaterais, no-
energias renováveis, entre outros. meadamente: Convenção para Evitar
O Chile é ainda um parceiro comercial a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão
No domínio da cooperação – muito com fluxos de intercâmbio de bens Fiscal em Matéria de Impostos sobre o
embora exista um trabalho conjunto e serviços relativamente baixos. No Rendimento; Acordo sobre a Promo-
que decorre há anos – existem pos- entanto, Portugal é muito bem rece- ção e a Proteção Recíprocas de Investi-
32 MERCADOS Portugalglobal nº87

mentos; Convenção sobre Segurança Por outro lado, existem oportunida- a Delegação da AICEP em Santiago
Social; Memorando de Entendimento des para criar redes de negócios que do Chile promovam articuladamente
sobre Cooperação em Matéria Ener- incluam empresas portuguesas, so- ações de networking, com um ca-
gética; Roteiro Estratégico para o De- bretudo a nível de consórcios e coo- rácter semi-informal, de modo a criar
senvolvimento das Relações Bilaterais. uma comunidade de negócios portu-
guesa no Chile, incluindo igualmente
A proximidade histórica e cultural en- “No domínio da quadros portugueses.
tre os dois povos e a afinidade política cooperação existem
e diplomática, extendem-se também Algumas das empresas portuguesas
possibilidades desta presentes no Chile estão entre as
ao domínio multilateral, como seja no
contexto da União Europeia (sendo o ser aprofundada, mais inovadoras à escala mundial no
Chile o único país sul-americano com nomeadamente nas seu setor de actividade, de que são
um Acordo de Associação com a UE, áreas da cultura, um bom exemplo o Grupo Sugal e
o Grupo Sogrape. Neste contexto, é
que integra três pilares: diálogo políti- energia e eficiência
co, cooperação e comercial); da Alian- nossa intenção manter e intensificar a
energética, ambiente, excelente relação política e económica
ça do Pacífico (zona de integração co-
ciência e tecnologia, com o Chile a todos os níveis, para ex-
-fundada pelo Chile em 2011, conjun-
tamente com a Colômbia, México e defesa, cooperação plorar oportunidades de cooperação
Peru, que poderá ser uma plataforma triangular e turismo.” em diferentes âmbitos, enquadradas
para outros mercados, com foco na no Roteiro Estratégico para o Desen-
zona Ásia-Pacífico, e da qual Portugal volvimento das Relações Bilaterais.
é país Observador) e do Banco Euro- peração, incluindo as que já se encon-
peu de Investimentos (Acordo com o tram instaladas no país (cerca de 30). Não posso deixar de sublinhar tam-
Chile em vigor desde 2011). Tem sido tradição que a Embaixada e bém o excelente relacionamento na
área cultural, materializado pelas ati-
vidades do Leitorado do Camões/I.P.,
que executa anualmente um notável
programa de eventos culturais, com o
apoio desta Embaixada. A Língua Por-
tuguesa é estudada em duas universi-
dades chilenas, com especial destaque
para a Universidade de Santiago do
Chile, onde em breve será inaugurado
um Centro de Língua Portuguesa, que
contribuirá para reforçar o interesse
e aposta do Chile no português, que
poderá ser importante para o país, até
a nível económico, nomeadamente na
vertente Portugal/Chile, Brasil/África.

Todos temos a expectativa e o desejo
de que os empresários chilenos con-
tinuem também a procurar oportu-
nidades de negócio em Portugal. A
participação de capitais chilenos em
determinados setores da economia,
como sejam o Agroindustrial (por ex.
na região de Alqueva), Economia do
Mar (com destaque para a Aquacul-
tura), Vitivinicultura, Mineração, Turis-
mo, Imobiliário e outros serviços seria
muitíssimo bem-vinda.

embportugal.chile@mne.pt
maio 2016 MERCADOS 33

CHILE – PLATAFORMA DE NEGÓCIOS
NO SUL DO MUNDO
O Chile é uma economia emergente, aberta e globalmente bem integrada, que
representa um conjunto significativo de oportunidades para os exportadores
e investidores portugueses. Sendo membro da OCDE e um ator relevante no
contexto económico internacional, é um país que se presta ao aprofundamento
das relações bilaterais em vários domínios.

O sistema económico do Chile apre- Noruega), o 4º maior de farinha de pes-
senta um modelo de tendência neoli- cado e está no top 5 na produção de
beral, baseado em serviços executados mexilhões; o país é também o 4º maior
maiormente por PME, mas com forte fabricante de celulose e de ácido bórico,
dependência dos recursos naturais que o 6º maior produtor de vinho e encon-
explora, com especial destaque para tra-se no top 10 dos principais produto-
o setor mineiro, motor do desenvolvi- res de madeira do mundo.
mento do país e que representa cerca
de 12 por cento do PIB e mais de 50 Em termos macroeconómicos, a econo-
por cento das suas exportações totais. mia chilena é considerada a mais está-
>POR JORGE SALVADOR, vel, competitiva e desenvolvida da Amé-
As matérias-primas continuam após vá- DELEGADO DA AICEP NO CHILE rica Latina devido às reformas imple-
rias décadas a ser o centro da estrutura mentadas nas últimas décadas, que lhe
produtiva do país, permitindo-lhe ser cobre, de lítio e de iodo do mundo, de permitiu obter importantes vantagens
líder mundial em algumas indústrias do algumas frutas frescas, como as uvas, o estruturais e o melhor desempenho da
setor primário. De facto, o Chile é hoje mirtilo e a ameixa; o 2º maior produtor região nos últimos 20 anos, com uma
o principal produtor e exportador de de salmão em aquacultura (depois da taxa média anual de crescimento do
34 MERCADOS Portugalglobal nº87

Apesar deste atual arrefecimento de
dinamismo, e tendo presente que os
ciclos da economia chilena estão forte-
mente influenciados pelo preço interna-
cional do cobre, as perspetivas para os
próximos anos são positivas, movendo-
-se de “menos a mais”, embora 2016
seja provavelmente um ano de menor
expansão todavia, dada a aposta do
governo chileno em estimular o cres-
cimento económico, mantendo as
reformas em marcha, no que foi de-
nominado pelo próprio governo como
“realismo sem renúncia”. De facto, é
esperada uma recuperação moderada e
gradual, com uma subida do PIB de 1,5
por cento em 2016 e 2,1 por cento em
2017, segundo as últimas projeções do
FMI, sendo os motores deste crescimen-
to o investimento (sobretudo público),
PIB de 5,7 por cento. O Chile constitui especial destaque para a China, Japão as exportações e o consumo privado.
um caso de sucesso económico e social, e UE) e ao final do “superciclo” das
sendo a 6ª economia da América Latina commodities, com à descida do preço O país assume posições de destaque a
segundo o FMI, com um PIB de 264 mil das matérias-primas, sobretudo cobre nível mundial e é líder na América Lati-
milhões de dólares e um PIB per capita na em determinados rankings mundiais,
e celulose. Ainda assim, o país tem sido
de 23.564 dólares em 2015 medido em como por exemplo no Índice de Liber-
resiliente a esta situação, dado que
Paridades de Poder de Compra. dade Económica 2016 da Fundação He-
ritage ou no Ranking Mundial de Com-
Nos últimos dois anos verificou-se uma petitividade 2015 do IMD. De acordo
desaceleração do ritmo de crescimen- “A economia chilena com o World Economic Forum Doing
to económico do país – subida do PIB é considerada a mais Business 2016, o país tem uma alta fa-
de apenas 1,9 por cento em 2014 e estável, competitiva cilidade para fazer negócios, tendo al-
2,1 por cento em 2015 – explicada e desenvolvida da cançado a 48ª posição de um total de
por fatores internos e externos. A ní- 189 economias analisadas; e por outro
América Latina
vel nacional, o conjunto de reformas lado, o Chile apresenta grau de investi-
estruturais anunciadas pelo governo devido às reformas mento e baixo risco soberano classifica-
(reforma tributária, educacional, labo- implementadas nas do pelas principais agências de notação
ral e constitucional), com o objetivo de últimas décadas, que de risco em: A+ (Fitch); AA- (S&P); Aa3
diminuir os níveis de desigualdade e lhe permitiu obter (Moody’s) com perspetiva estável.
alcançar o pleno desenvolvimento até
importantes vantagens
ao final desta década, geraram um cli- O Chile, com 17,8 milhões de con-
ma de contestação, incerteza e algum
estruturais e o melhor
sumidores, é um mercado moderno,
receio do empresariado e dos consumi- desempenho da região atrativo, dinâmico e competitivo, com
dores chilenos, que diminuíram as suas nos últimos 20 anos.” uma classe média com poder de com-
expectativas e níveis de investimento e pra e acesso facilitado ao crédito, que
consumo, com consequente redução aumentou os seus níveis de exigência e
do crescimento económico. apresenta contas públicas controladas sofisticação nos últimos anos. Isto leva
(dívida pública de 20 por cento do PIB a que as grandes multinacionais o en-
A nível internacional, como qualquer e défice público de 3 por cento do PIB carem como um mercado onde “é pre-
economia aberta e integrada ao mun- estimados para 2016), fundamentos ciso estar” e onde testam a introdução
do, o Chile tem vindo a ressentir-se sólidos e situação económico-financei- de novos produtos, como modernos
com a crise global, devido à conjun- ra saudável (sobretudo taxa de inflação smartphones e outros gadgets, já que o
tura desfavorável em alguns dos seus moderada – entre 3 e 4 por cento – e país está bastante tecnologizado, com
principais parceiros comerciais (com superavit da sua balança comercial). elevados níveis de utilização de Internet
maio 2016 MERCADOS 35

(de alta velocidade) e de redes sociais, o ou multilateral com 64 países em quatro mundiais. Este espaço de 217 milhões
que tem vindo a aumentar os níveis do continentes. Isto permite-lhe ter acesso de pessoas, do qual Portugal é país
comércio eletrónico no país, que espera preferencial a cerca de 4.372 milhões de observador, abre várias oportunidades
movimentar 3.300 milhões de dólares potenciais consumidores, ou seja, a 64 de negócio com significativo potencial,
este ano, com picos de compras nos por cento da população mundial e a 88 como são as infraestruturas, portos,
chamados “Cyber Monday”, sendo o por cento do PIB mundial, destinatários energia, TIC e turismo.
setor económico que mais cresce, mes- para onde canaliza quase 94 por cento
mo em tempos de ajustes, incluindo as das suas exportações. O Chile foi durante muitos anos o úni-
compras a partir de dispositivos móveis. co país sul-americano com um Acordo
de Associação com a UE (isenção de
Outras tendências de mercado pren- direitos aduaneiros para a totalidade
“O Chile, com
dem-se com uma crescente busca de dos produtos com origem certificada
17,8 milhões de europeia), o que potenciou uma rela-
informação sobre os bens e serviços a
consumir, apetência para o consumo consumidores, é um ção sólida e crescente com bloco euro-
de produtos “inovadores”, “sustentá- mercado moderno, peu, sendo a UE o 2º principal parceiro
veis/ecológicos”, “orgânicos”, saudá- atrativo, dinâmico comercial do Chile, depois da China, e
veis” e “premium”, com qualidade, va- e competitivo, com também o principal investidor no país.
lor acrescentado e “a um bom preço”.
uma classe média com
Nota-se igualmente um crescente fluxo Relacionamento
de turistas sul-americanos, sobretudo
poder de compra e com Portugal
argentinos e brasileiros, que visitam o acesso facilitado ao O Chile é o 4º parceiro comercial de Por-
Chile para fazer compras, porque en- crédito, que aumentou tugal na América Latina (depois do Bra-
contram preços até 70 por cento me- os seus níveis de sil, México e Venezuela), sendo o saldo
nores em determinadas categorias e exigência e sofisticação da balança comercial bilateral tradicio-
uma maior variedade de oferta. nalmente favorável ao nosso país.
nos últimos anos.”
No entanto, o mercado chileno não deve O número de empresas portuguesas
ser encarado como um objetivo estra- exportadoras de bens para este país
tégico único, mas também como uma Em abril de 2011, o Chile conjunta-
tem vindo a crescer (380 em 2014) e
plataforma para terceiros mercados, já mente com a Colômbia, México e Peru a diversificar a sua oferta, que vai des-
que o país tem provavelmente a maior constituíram a “Aliança do Pacífico”, de a rolha de cortiça, esquentadores,
rede de acordos comerciais do mundo, iniciativa de integração económica e papel de escritório, banheiras, automó-
com 25 tratados de Livre Comércio, en- comercial regional que se propõe ser veis comerciais ligeiros, até bens “fora
tre outros, subscritos de forma bilateral um acesso privilegiado aos mercados do comum”, como são os veículos de
combate a incêndios da marca “Jacin-
to”, adquiridos por várias corporações
de bombeiros do Chile.

Paralelamente, o Chile tem em vigor
acordos para evitar a Dupla Tributação
com 26 países, entre os quais Portugal.
Estes são instrumentos que lhe permi-
tem atrair e incentivar o investimento
estrangeiro. Em janeiro deste ano ini-
ciou atividade a Agência de Promoção
do Investimento Estrangeiro com o
objetivo de implementar uma política
proativa de atração de investimento
em áreas prioritárias: energia; infraes-
truturas; turismo; setor agroalimentar;
e serviços para a indústria mineira.

Para além da eficaz implementação das
reformas propostas pelo governo chile-
36 MERCADOS Portugalglobal nº87

no, o país tem outros desafios estratégi- de 48 mil milhões de dólares; uma nova
cos para assegurar um nível de desen- política energética, preconizada através
volvimento sustentado. Nesse sentido, da “Agenda de Energia”; a diversifica-
o Chile é um mercado que apresenta ção da sua matriz produtiva e aumento
oportunidades para as empresas por- de competitividade, consubstanciados
tuguesas, devido à necessidade de na “Agenda de Produtividade, Inovação
reativação do crescimento económi- e Crescimento Económico” e atração
co a curto-médio prazo e às medidas de Investimento Tecnológico e Centros
anunciadas nesse sentido, que englo- de Excelência Internacional de I&D; e
bam, entre outras: uma nova carteira uma renovada aposta no empreende-
de obras e concessões de infraestrutura dorismo, de que é exemplo o bem-su-
pública (rodoviárias, aeroportuárias, de cedido Programa Start-Up Chile.
edificação e equipamento, transporte,
recursos hídricos, entre outros) para o Regularmente é feita uma monitoriza-
período 2014-2021 e que contempla ção sobre questões de acesso ao mer-
investimentos público-privados de cerca cado, a partir de um trabalho conjun-
to entre a Embaixada de Portugal e a
Delegação da UE no Chile, sendo que
ainda persistem algumas dificuldades
OPORTUNIDADES
que constituem, em nossa opinião, bar-
DE NEGÓCIO reiras de acesso ao mercado chileno,
• Setor Vitivinícola e Agroindustrial: nomeadamente: problemas enfrenta-
rolha de cortiça, equipamentos, dos por empresas estrangeiras para par-
embalagem e própria produção ticiparem em concursos de obras públi-
de vinho, frutas, legumes, azeite, cas; certificação de produtos elétricos
salmão, entre outros. e combustíveis; certificação de cabos
elétricos (nova Normativa 4); produtos
• Energia e Ambiente: produção farmacêuticos e cosméticos (requeri-
e transmissão de eletricidade mentos locais); nova legislação de rotu- Relativamente ao investimento de
(incluindo energias renováveis); lagem de bens alimentares (composição Portugal no Chile, este tem vindo a
eficiência energética; água e sa- aumentar nos últimos anos, com cer-
neamento, resíduos e reciclagem. ca de 30 empresas instaladas no país,
• Bens de Equipamento: máqui- “O mercado chileno que desenvolvem a sua atividade
nas, aparelhos e componentes não deve ser encarado em diversos domínios, com especial
para a indústria mineira, flores- destaque para o setor agroindustrial,
como um objetivo
tal, pesqueira, entre outras. onde se concentra o maior valor de
estratégico único, investimento, liderados pelos gru-
• Bens de Consumo: alimentos mas também como pos Sugal e Sogrape. Outros setores
(incl. alimentos funcionais),
uma plataforma para onde existe investimento português
moda (calçado, vestuário),
têxteis-lar, entre outros. terceiros mercados, são a rolha de cortiça (as primeiras
já que o país tem empresas a chegar ao país foram a
• Construção/Infraestruturas: Corticeira Amorim, a Álvaro Coelho
serviços, maquinaria, equipa-
provavelmente a
e Irmão e a Alberto J. Tavares), a en-
mentos e materiais. maior rede de acordos genharia (Procesl/Grupo Quadrante),
• Concessões: autoestradas,
comerciais do mundo.” construção (Mota-Engil, CJR Wind),
aeroportos, portos, edificação energia (Efacec, Martifer Solar), bem
pública e transporte sustentável. como 40 representações comerciais,
nutricional dos alimentos e a sua publi- incluindo turismo, de que é exemplo
• Compras Públicas. cidade); proposta de nova legislação de a TAP Portugal.
• Serviços: turismo, saúde, bio- rotulagem de bebidas alcoólicas; habili-
tecnologia, consultoria, TIC e tação de exportação para produtos de Algumas destas empresas estabelece-
eletrónica, telecomunicações, origem animal e vegetal destinados ao ram primeiro uma base de internacio-
entre outros. consumo e não-consumo humano (al- nalização regional no Chile e a partir
guns bens ainda em negociação). deste país começaram a abordar outros
maio 2016 MERCADOS 37

potenciais parceiros para a entrada ou e os prazos/condições de pagamento
expansão de negócios nos mercados de são semelhantes), ainda que existam
África, onde Portugal tem experiência e algumas diferenças que há que ter em
estreitas relações económicas bilaterais. conta. O que surpreende, por vezes, os
empresários nacionais é o nível de desen-
Se é certo que ainda existe um relati- volvimento do país e sobretudo da sua
vo desconhecimento mútuo entre os capital, Santiago, um passo mais à frente
mercados chileno e português, este do que os seus vizinhos sul-americanos.
cenário tem vindo progressivamente a
mudar, com várias ações promocionais O empresário português que quiser ter
e de diplomacia económica realizadas negócios bem-sucedidos no Chile deve
no Chile, organizadas ou apoiadas preparar-se e conhecer antecipadamen-
pela AICEP, entre as quais se contam te o país e alguns traços da cultura e
missões empresariais (só este ano es- idiossincrasias locais, procurando esta-
tão previstas pelos menos cinco, orga- belecer, pouco a pouco, uma crescente
nizadas por associações empresariais), proximidade e amizade com o seu in-
visitas cada vez mais frequentes de em- terlocutor (que normalmente está bem
presas portuguesas ao Chile, participa- preparado, que sabe o que quer, que
ção em feiras, entre outras. é conhecedor da oferta e tendências
mundiais – participa em feiras e outros
Devido ao isolamento geográfico e po- eventos internacionais – e que não é um
lítico que o país viveu durante muitos negociador fácil, exigindo condições de
anos, o Chile diferencia-se em muitos preço/pagamento que lhe sejam favo-
aspetos do resto da América Latina, re- ráveis), fator que poderá ser crítico de
velando particularidades evidentes na sucesso. O ideal é ter um parceiro local
para ultrapassar obstáculos burocráticos
e alguma desconfiança inicial.
mercados na América do Sul, como por “O ideal para
Para concluir, apraz-me reiterar que o
exemplo o Peru e a Colômbia. o empresário
nível de desenvolvimento e destaque
português é ter um
A entrada em vigor no Chile da alcançado pelo Chile representa uma
parceiro local para oportunidade para muitas empresas
“Apostila” no próximo dia 30 de
agosto, nos termos da “Convenção
ultrapassar obstáculos portuguesas dos mais diversos seto-
Relativa à Supressão da Exigência burocráticos e alguma res, onde têm seguramente “armas”
da Legalização dos Atos Públicos Es- desconfiança inicial.” para competir a nível de exportação
trangeiros”, vem facilitar a realização ou investimento, com sejam a qua-
de negócios no país. O investimento lidade, inovação, “efeito novidade”
português no Chile irá ficar agora sua cultura e comportamento nos ne- e sofisticação dos seus produtos e
mais expedito, sobretudo no proces- gócios. Ainda assim, consideramos que flexibilidade e adaptabilidade das
so de constituição de empresas, as- são um povo com bastantes afinidades próprias empresas. É o caso de deter-
sim como no acesso ao mercado das e semelhanças com os portugueses de- minados bens de consumo que pre-
Compras Públicas chilenas. vido à raiz latina comum. sentemente não apresentam peso re-
levante nas nossas exportações para
Neste sentido, o Chile apresenta-se Daí que não seja de estranhar que os o mercado. Não obstante, o Chile
como um parceiro interessante e de empresários portugueses, quando visi- tem sido objeto de um interesse cres-
futuro para a cooperação empresarial tam ou se instalem no Chile, se sintam cente por parte das empresas portu-
nos domínios da produção conjunta ou bastante confortáveis, sendo bem rece- guesas, numa lógica de diversificação
do comércio, com empresas portugue- bidos e com curiosidade por parte dos de mercados de internacionalização,
sas em ambos países e em condições empresários chilenos, hoje em dia me- sendo fundamental manter e inten-
preferenciais para terceiros mercados, nos formais e conservadores. A forma sificar a excelente relação política e
sobretudo na América e Ásia. Eventual- e os procedimentos para fazer negócios económica entre ambos os países.
mente, também pode ser interessante são similares (por ex. são pedidas fatu-
considerar as empresas chilenas como ras proforma, utilizadas cartas de crédito jorge.salvador@portugalglobal.pt
38 MERCADOS Portugalglobal nº87

GRUPO QUADRANTE
APOSTA SEGURA NO CHILE
O Grupo QUADRANTE tem em curso vários projetos no Chile, onde está presente,
desde 2012, com resultados positivos. A empresa portuguesa de consultoria em
engenharia afirma tratar-se de um mercado onde os contratos são cumpridos e os
planos de investimento são credíveis.

O Grupo QUADRANTE desenvolve opera: edifícios, indústria, transportes muito moroso o processo de entrada no
consultoria em engenharia nas áreas e ambiente. “Os resultados têm sido mercado público. É assim fundamental
de transportes, infraestruturas ambien- positivos”, afirma a mesma fonte. selecionar parceiros locais que permi-
tais, indústria, ambiente e edifícios, a tam um melhor enquadramento junto
nível global. A proposta de valor do dos vários atores. O trabalho realizado
Grupo assenta na prestação de serviços “O Chile tem como e já implementado é também um fator
de engenharia para infraestruturas de grande vantagem crítico, pelo que o tempo acaba por ser
complexidade elevada, multidisciplina- uma variável muito importante”.
ser um país formal,
res, localizados em qualquer parte do
mundo, nos quais a flexibilidade, capa-
onde a palavra conta, Por outro lado, aponta o presidente
cidade de adaptação às condicionantes os contratos são do Grupo QUADRANTE, o Chile tem
e velocidade de entrega (speed of de- cumpridos e os planos como grande vantagem ser “um país
livery) sejam fatores relevantes. de investimento são formal, onde a palavra conta, os con-
tratos são cumpridos e os planos de
credíveis e vão sendo
A ida do Grupo para o Chile resultou de investimento são credíveis e vão sen-
implementados.” do implementados”. Mas, para isso,
um convite de um cliente antigo. Este
cliente, um investidor em mini-hídricas, é fundamental que as empresas de
de origem austríaca, decidiu investir no consultoria cumpram os seus compro-
Sobre a atratividade do mercado para
Chile em centrais mini-hídricas, tendo missos contratuais de forma rigorosa
as empresas portuguesas, Nuno Costa
selecionado a PROCESL, empresa do em termos de qualidade do trabalho
afirma: “O Chile é um mercado que, no
Grupo QUADRANTE, para a elaboração e de respeito pelos prazos, conclui o
setor em que o Grupo atua, o da consul-
de todos os estudos técnicos, prepa- mesmo responsável.
tadoria de engenharia, é bastante con-
ração de licenciamentos e projetos de servador, existindo algumas barreiras à
construção, relata o presidente do Con- entrada de novos ‘players’, o que torna www.quadrante-engenharia.pt
selho de Administração da QUADRAN-
TE, Nuno Costa, acrescentando que,
nesse contexto, o Grupo criou uma su- PROJETOS EM CURSO - PROCESL CHILE
cursal no Chile e deslocou uma equipa
de projeto para o local em 2012.

De acordo com o responsável, esta
equipa desenvolveu, além dos estudos
contratados, outros contactos que têm
permitido ao Grupo trabalhar com vá-
rios investidores locais na área da ener-
gia hídrica e expandir a sua oferta de
serviços ao segmento de hidráulica ur-
bana, estando atualmente a desenvol-
ver trabalho comercial para promover Projecto de execução da estrutura de betão armado da 3ª turbina da Central
as restantes áreas de negócio em que El Paso.
maio 2016 MERCADOS 39

Projecto de execução
de uma central
hidroeléctrica
localizada no rio
Maullin.

Estudo conceptual
de duas
pequenas centrais
hidroeléctricas de fio
de água.

Projecto base de uma
central hidroeléctrica
com 750 kW.

Projecto base e
de detalhe de um
sistema adutor
de transporte de
água potável, entre
Coquimbo e Ovalle.

Estudo conceptual
da instalação de uma
central hidroeléctrica
num canal de rega
existente.

Projecto base e de
execução de uma
PCH com 3.5 MW.
40 MERCADOS Portugalglobal nº87

SOGRAPE
COMBINAR O TERROIR CHILENO
COM O SABER PORTUGUÊS
A Sogrape encontrou no Chile as condições favoráveis para se instalar e expandir
a sua atividade. Neste país desde 2008, o Grupo de vinhos português exportou
recentemente a casta Touriga Nacional para aquele mercado, onde espera
continuar a crescer, beneficiando do reconhecimento internacional de que gozam
os vinhos chilenos.

No quadro do plano de internacionali- dos Andes, cujos solos excecionais divulgação de um trabalho cuidado-
zação da sua atividade, a Sogrape ad- reúnem condições únicas para a ob- samente realizado. “Com uma nova
quiriu no Chile, em 2008, a Viña Los tenção de uvas de grande qualidade e gestão e clara aposta na qualidade
Boldos, uma empresa fundada 17 anos a produção de vinhos topo de gama. dos vinhos, o relançamento de Los
antes e seis décadas depois da planta- Boldos funde o ‘terroir’ chileno com
ção das primeiras vinhas no vale de Ca- Porque o setor do vinho é assim mes- o enorme ‘know-how’ do Grupo por-
chapoal Andes, a sul de Santiago. mo, e todos os projetos levam tempo, tuguês que se empenhou em estudar
hoje, quase 10 anos depois da sua devidamente os solos únicos do vale,
Cachapoal Andes é um vale muito chegada, a Sogrape está finalmente replantar vinhas, construir uma nova
exclusivo debruado pela cordilheira em condições de apostar em força na adega e reunir uma equipa local capaz
maio 2016 MERCADOS 41

de colocar esta marca no patamar de
excelência a que o seu nome sempre
se associou”, explica Rolando Borges
Martins, administrador da empresa.

Nada foi deixado ao acaso. Desde a
vinha, à adega, passando pelas pes-
soas que hoje lideram este projeto,
trabalhou-se para encontrar as me-
lhores técnicas, os melhores mode-
los e o caminho mais adequado para
o sucesso desta operação.

Atualmente, Viña Los Boldos tem 170
hectares de vinhas plantadas, com
as castas brancas Sauvignon Blanc e
Chardonnay, e as tintas Merlot, Ca-
bernet Sauvignon, Carménère e Syrah.

Mais recentemente foi exportada
para o Chile uma seleção de Touriga
Nacional, casta portuguesa emble-
mática, pela primeira vez plantada
no país, e que reforça a fusão de
culturas que estão na base do relan-
çamento estratégico de Los Boldos.

“Recentemente foi
exportada para o
Chile uma seleção
de Touriga Nacional,
casta portuguesa
emblemática, pela
primeira vez plantada
no país, e que reforça
a fusão de culturas
que estão na base
do relançamento
estratégico de Los
Boldos.”

de da atividade empresarial. A este a todas as iniciativas da Sogrape
A seleção do Chile como país de in-
contexto favorável alia-se um impor- nas novas geografias onde aposta –
vestimento foi, também, resultado
tante facto: a notável e consistente acreditamos poder dizer que os pro-
de uma estratégia de internacio- afirmação dos vinhos chilenos nos
nalização do Grupo Sogrape, que dutos de Viña Los Boldos prometem
mercados internacionais, reforça o
encontra neste país as condições dar que falar”.
mesmo responsável, que acrescenta:
económicas, políticas e sociais de “Com uma imagem ousada e dife-
estabilidade favoráveis à prosperida- renciadora – é este um traço comum www.sograpevinhos.com
42 MERCADOS Portugalglobal nº87

RELACIONAMENTO COMERCIAL
PORTUGAL – CHILE
O Chile tem um peso reduzido no contexto do comércio externo português, mas o
saldo da balança comercial é tradicionalmente favorável ao nosso país.

Em 2015, o país posicionou-se como em três grupos de produtos – madeira (mais 8,1 por cento face ao ano an-
44º cliente de Portugal (manteve a e cortiça, máquinas e aparelhos e metais terior). No entanto, no período de
posição do ano anterior), absorvendo comuns – que, em conjunto, representa- janeiro/março deste ano, registou-se
0,21 por cento do total das exporta- ram 64,2 por cento do total exportado uma alteração na estrutura das expor-
ções portuguesas, e como 66º forne- em 2015. Dos restantes grupos de pro- tações portuguesas para o Chile, com
cedor, representando 0,07 por cento dutos, cabe destacar as pastas celulósi- o grupo das máquinas e aparelhos a
das importações. cas e papel, as matérias têxteis e os plás- surgir no primeiro lugar, registando
ticos e borracha. À exceção das pastas um crescimento de 4,3 por cento face
O saldo da balança comercial bilateral celulósicas e papel e das matérias têx- aos meses homólogos do ano ante-
é tradicionalmente favorável a Portu- teis, todos estes grupos produtos tive- rior, e o da madeira e cortiça a sofrer
gal, tendo-se verificado um excedente ram uma evolução positiva face a 2014, uma quebra de 19,5 por cento no pe-
de 63,9 milhões de euros em 2015, a com destaque para os metais comuns. ríodo considerado.
que correspondeu um coeficiente de Relativamente à madeira e cortiça,
cobertura das importações pelas ex- No que se refere às compras portugue-
portações de 262,9 por cento. sas de produtos chilenos, assinala-se o
elevado nível de concentração no gru-
Segundo dados do Instituto Nacional
“O saldo da balança
po de produtos agrícolas, que repre-
de Estatística (INE), verifica-se que ao comercial bilateral sentaram 93,3 por cento das impor-
longo do período 2011-2015 as expor- é tradicionalmente tações em 2015. Este grupo é forma-
tações portuguesas para o Chile regis- favorável a Portugal, do por uma diversidade de produtos,
taram uma taxa de crescimento médio tendo-se verificado nomeadamente uvas frescas ou secas,
anual de 7 por cento. O maior valor outras frutas frescas, outras frutas de
um excedente de 63,9
do período foi alcançado em 2015, casca rija, frescas ou secas, maçãs, pe-
quando as exportações atingiram um
milhões de euros ras e marmelos, frescos, filetes e outra
montante de 103,1 milhões de euros. em 2015.” carne de peixe, frescos, refrigerados ou
Já nos três primeiros meses deste ano congelados, entre outros.
verifica-se um crescimento de 26,5 por
cento face a período idêntico de 2015. principal grupo das exportações por- O INE registou 380 empresas portu-
tuguesas para o Chile, este tem ocu- guesas exportadoras a operar com
No que se refere à composição das ex- pado o primeiro lugar do ranking, este mercado em 2014 (últimos dados
portações portuguesas para o Chile, tendo, em 2015, sido responsável por disponíveis), quando em 2010 tinham
verifica-se uma elevada concentração 25,6 por cento das exportações totais sido contabilizadas 197.

BALANÇA COMERCIAL DE BENS DE PORTUGAL COM O CHILE
2015 2016
2011 2012 2013 2014 2015 Var % 15/11a Var % 16/15b
jan/mar jan/mar
Exportações 80,2 86,4 77,4 90,3 103,1 7,0 22,8 26,5 15,9
Importações 51,3 24,7 31,9 44,9 39,2 1,3 3,3 10,7 225,0
Saldo 28,9 61,6 45,5 45,3 63,9 -- 19,5 15,8 --
Coef. Cob. 156,5 349,1 242,5 201,0 262,8 -- 692,8 247,1 --
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhões de euros
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2011-2015 (b) Taxa de variação homóloga 2015-2016
(2011 a 2014: resultados definitivos; 2015 e 2016: resultados preliminares)
maio 2016 MERCADOS 43

Chile em ficha
Área: 756.946 km2 del Mar, Concepción, Talcahuano, Temuco,
Valdivia, Puerto Montt e Punta Arenas.
População: 17,8 milhões de habitantes (2014)
Religião: Não há religião oficial, mas a maioria
Densidade populacional: 23,5 hab./km2 da população professa o cristianismo (66,7%
(estimativa 2014) é católica romana e 16,4% evangélica).

Designação oficial: República do Chile Língua oficial: Castelhano.

Chefe do Estado e do Governo: Michelle Unidade monetária: Peso chileno (CLP).
Bachelet (eleita em 15 de dezembro de 2013) 1 EUR = 753,994 CLP (final de fevereiro 2016)

Data da atual Constituição: 1980 (poste-
riormente sujeita a diversas atualizações).
Risco país:
Principais Partidos Políticos: Governo:
“Nueva Mayoría”, coligação de centro- Risco político - A
esquerda composta pelo Partido Socialista (AAA = risco menor; D = risco maior)
(PS), Partido Demócrata Cristiano (PDC),
Partido Radical Social Demócrata (PRSD), Risco de estrutura económica - BBB
Partido por la Democracia (PPD), Partido
Comunista (PC); Izquierda Ciudadana de Risco geral - A
Chile (IC) e Movimiento Amplio Social (MAS).
Política de cobertura de risco: Operações de
Curto Prazo – Aberta sem condições restritivas.
Oposição: Chile Vamos, coligação pela
Operações de Médio/Longo prazo – Clientes
Renovación Nacional (RN); Unión Democrata
públicos: Aberta sem condições restritivas.
Independiente (UDI) e outros pequenos
Cientes privados: Em princípio, aberta sem
partidos. As próximas eleições presidenciais e
condições restritivas. Eventual exigência de
para o Congresso terão lugar em novembro
garantia bancária numa base casuística.
de 2017.

Capital: Santiago do Chile (6,7 milhões de
habitantes).

Outras cidades importantes: Iquique, Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU),
Antofagasta, La Serena, Valparaíso, Viña COSEC

Endereços úteis

Embaixada do Chile AICEP Chile Cámara Nacional de Comercio,
em Portugal Embajada de Portugal Servicios y Turismo de Chile
Av. Miguel Bombarda, 5 – 1º – Oficina de Comercio Tel.: +56 2 23654000
1000-207 Lisboa – Portugal Nueva Tajamar, 555, Torre Costanera, cnc@cnc.cl
Tel.: +351 213 148 054 /353 8516 / 352 4680 piso 16 - Las Condes www.cnc.cl
Fax: +351 213 150 909 Santiago de Chile – Chile
echile.portugal@minrel.gov.cl Tel.: +56 2 24310180
http://chile.gob.cl/portugal/es Fax: +56 2 24310181 Agencia de Promoción
aicep.santiago@portugalglobal.pt de la Inversión Extranjera
Tel.: +56 2 26639200
Embaixada de Portugal www.investchile.gob.cl
em Santiago do Chile Câmara de Comércio
Nueva Tajamar, 555, Torre Costanera, piso 16 Chile-Portugal
Las Condes - Santiago de Chile – Chile Tel.: +56 2 26396451
Tel.: +56 2 22030542 Fax: +56 2 26396704
Fax: +56 2 22030545 lusochile@terra.cl
embportugal.chile@mne.pt http://chileportugal.org
44 EMPRESAS Portugalglobal nº87

RARI
EXPANSÃO PARA NOVAS
GEOGRAFIAS
A RARI é uma empresa familiar do setor metalomecânico,
especializada em sistemas de transporte para a indústria
automóvel e na transformação de metais para a indústria. Além
de Portugal, a empresa sediada na Moita tem também escritórios
na Alemanha, Espanha e Reino Unido, sendo seu objetivo alargar
a sua presença a outras geografias.

Fundada em 1988 e detida pela R&C Holding tes e de projetos, desenvolvimento de produto,
da família Ramos e Caçador, a RARI conta com engenharia, produção e compras.
28 anos de experiência na indústria metalome-
cânica e mais de 15 anos de experiência como No que respeita ao seu processo de internacio-
fornecedores de sistemas de transporte para a nalização, fonte da empresa adianta que, “fru-
indústria automóvel. to do bom trabalho realizado no nosso país”,
a RARI decidiu apostar na sua expansão euro-
Especializada em gestão e implementação de peia, tendo realizado projetos para a Volkswa-
projetos chave-na-mão, trabalhando-os des- gen e para a Opel em Espanha, para a BMW na
de a sua fase de conceção, consultoria, pro- Alemanha e no Reino Unido e para a Audi na
dução e manutenção, a RARI opera em dois Alemanha. A RARI tem escritórios de serviços
segmentos de negócio: AUTO – Sistemas de
de gestão de clientes e de projetos e compras
transporte para a indústria automóvel, em es-
pecial na chaparia e montagem final, e TECH
– Engenharia e transformação de metais para
“No âmbito da sua
a indústria, em série ou pequenos lotes. A em-
presa tem ainda apostado, nos últimos anos,
estratégia de expansão
no setor da energia solar com a implemen- na Europa, a RARI está a
tação de estruturas metálicas para parques desenvolver um projeto
de painéis fotovoltaicos e tem também um no mercado sueco para
segmento de negócio denominado de “má- a Scania. O plano passa
quinas especiais”, onde inclui equipamentos
também por reforçar a
tais como a máquina de polir segmentos, com
tecnologia patenteada pela própria empresa.
carteira de clientes no
segmento automóvel
Atualmente com cerca de 200 trabalhadores, a no Reino Unido e na
RARI tem em Portugal seis áreas de produção Alemanha.”
para trabalhos de corte e quinagem, maqui-
nação, pintura, construção soldada de mate-
riais ferrosos, construção soldada de aço inox na Alemanha (atualmente em Karlshuld) desde
e alumínio, montagem final e expedição. Nos 2012, estando também presente em Madrid,
serviços, a empresa aposta na gestão de clien- Espanha, com a “R&C España”, desde 2014, e
maio 2016 EMPRESAS 45

em Londres, no Reino Unido, onde se encontra
igualmente desde 2014.

Atualmente, no âmbito desta estratégia de ex-
pansão na Europa, a RARI está a desenvolver um
projeto no mercado sueco para a Scania. O plano
de expansão passa também por reforçar a cartei-
ra de clientes no segmento automóvel no Reino
Unido e na Alemanha, como adianta a fonte.

Além da Europa, a RARI marca presença nos
mercados latino-americanos com projetos para
a Audi no México e para a Mercedes no Brasil.
No México, é objetivo da empresa expandir a
sua atividade para clientes com quem já traba-
lha no mercado europeu. A expansão da RARI
nos mercados externos deverá ainda passar
pela entrada da empresa no mercado africano,
nomeadamente em Marrocos pela proximida-
de geográfica ao nosso país.

Além do desenvolvimento da sua presença
nos mercados externos, a estratégia da RARI
para o futuro aposta também no aumento da
quota de mercado em Portugal. Refira-se que,
em 2015, 45 por cento do volume de negócios
correspondeu às exportações, o que compara
com anos anteriores em que esse volume foi
superior – 77 por cento em 2012, 55 por cento
em 2013 e 59 por cento em 2014. O volume
de negócios total da empresa no ano passado
ascendeu a perto de 14 milhões de euros.

A empresa pretende igualmente focar as suas
vendas na tecnologia de transportadores para
a indústria automóvel, incorporar know-how
de automação, incorporar engenharia de custo
reduzido mas com elevada eficiência, incorpo-
rar competências de gestão e de engenharia
locais em cada sucursal e reforçar o acompa-
nhamento de cada etapa de um projeto.

A RARI tem clientes em vários setores de ati-
vidade de que são exemplo a indústria aero-
náutica (Ogma, Embraer, TAP Air Portugal,
Groundforce), ambiente (ESE, Ovo Solutions),
indústria automóvel (BMW, Volkswagen, Audi,
Opel, PSA Peugeot Citroën, Scania, Mercedes),
tier one automotive (Saint-Gobain), transpor-
te ferroviário (CP e Metropolitano de Lisboa) e
multimédia (Novabase, Vision Box).

www.rari.eu
geral@rari.eu
46 EMPRESAS Portugalglobal nº87

SCIENCE4YOU
A construção do sucesso dentro
e além-fronteiras
Em apenas oito anos, a Science4you passou de startup promissora a empresa de
sucesso com presença em 27 mercados internacionais. Fruto do empreendedorismo
do seu fundador, a empresa portuguesa desenvolve e comercializa uma gama de
300 brinquedos educativos e científicos, apostando em paralelo na dinamização de
festas de aniversário, campos de férias e animação científica.

A Science4you é uma empresa 100 por cento
portuguesa que se dedica ao desenvolvimen-
to, produção e comercialização de brinquedos
educativos e científicos em parceria com a Fa-
culdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Ao longo dos anos, a empresa foi alargando
o seu espectro de atividade e hoje dedica-se
também à dinamização de festas de aniversá-
rios, campos de férias e cursos de formação e
animação científica.

A história da Science4you começa em 2007 pela
mão de Miguel Pina Martins. A empresa surgiu
num contexto universitário quando o fundador
era ainda finalista da licenciatura em Finanças,
no ISCTE, e teve de desenvolver um projeto de
final de curso, concebendo um negócio rentável
a nível financeiro, baseando-se numa ideia da
Faculdade de Ciências da Universidade de Lis-
boa. A partir de uns kits de física, Miguel Pina
Martins e os seus colegas tiveram de desenvol-
ver um projeto e transformá-lo num negócio
viável. O projeto final terminou efetivamente
com o bom resultado de 17 valores.

Entre a conceção do projeto e a sua concretiza-
ção decorreu cerca de um ano: em janeiro de
2008, com um investimento próprio de 1.125
euros e 55 mil euros de capital de risco, Miguel
Pina Martins fundou a Science4You num peque-
no escritório com apenas dois brinquedos: “Física
em gruas” e “Energia eólica e híbrida”. Durante
nove meses, Miguel Pina Martins desempenhou Em outubro do mesmo ano, iniciaram-se as MIGUEL PINA
MARTINS,
todas as tarefas na empresa, tratando do design, vendas em território português, mas a empresa CEO
branding, desenvolvimento dos brinquedos, ges- desde cedo, apostou no processo de interna-
tão das contas, venda e envio das encomendas. cionalização e, assim, um ano mais tarde a em-
maio 2016 EMPRESAS 47

presa começou a vender em Espanha, embora uma dimensão mais local que torna os produtos
a marca apenas tenha adquirido maior expres- mais familiares e próximos dos consumidores.
são naquele país dois anos mais tarde.
Em termos de internacionalização, o mercado
A empresa procurou ainda perpetuar a relação europeu continua a ser prioritário para a Scien-
com a Faculdade de Ciências da Universidade ce4you, com foco em Portugal, Espanha e Reino
de Lisboa (FCUL), local onde ainda se encon- Unido. De outros países relevantes, destacam-se
tram os escritórios principais da empresa. ainda Itália, França, Finlândia e Polónia. O obje-
tivo da empresa é ser uma das três maiores mar-
Atualmente, oito anos e muito trabalho pas- cas de brinquedos no espaço ibérico e alargar as
sados, e com mais de 200 colaboradores, a suas vendas a todo o mundo.
Science4you, já sem o estatuto de startup mas
de empresa, oferece mais de 300 brinquedos e Nesse sentido, refere Miguel Pina Martins, a
marca presença em mais de 27 mercados inter- empresa está a desenvolver alguns projetos na
nacionais. Só em 2015, a Science4you registou área do licenciamento visando chegar, a nível
vendas acima dos 11 milhões de euros em todos internacional, a mais mercados. “O objetivo
internacional passará sempre por cimentar a
nossa presença no mercado onde os brinque-
dos da Science4you já são comercializados e
“Em termos de alcançar novos mercados”, afirma o fundador
internacionalização, o da empresa portuguesa.
mercado europeu continua
a ser prioritário para a Além da certificação dos brinquedos pelas ins-
tituições de ensino referidas, o responsável cha-
Science4you, com foco em
ma ainda a atenção para outras características
Portugal, Espanha e Reino
diferenciadoras dos produtos da Science4you,
Unido. O objetivo da empresa como sejam as parcerias com museus de ciência
é ser uma das três maiores em todo o país, que garantem vales de entrada
marcas de brinquedos no no valor de 100 euros em qualquer brinquedo
espaço ibérico e alargar as adquirido, e o livro educativo que acompanha
suas vendas a todo o mundo.” todos os brinquedos, com informação científica
adequada às métricas curriculares das crianças.

Miguel Pina Martins deixa ainda um conselho
os países onde está presente, com destaque para
aos jovens empreendedores: “não desistirem
Portugal, Espanha e Reino Unido. Para auxiliar no
dos seus projetos e ideias de negócio à primei-
processo de internacionalização, a Science4you
ra contrariedade e garantirem que têm uma
abriu escritórios nos mercados onde tem maior
ideia que possa fazer a diferença”.
expressão: em Espanha, em Madrid (2011), e no
Reino Unido, em Londres (2013).
Ainda de referir que, em 2015, as vendas da
Science4you atingiram 11,5 milhões de euros,
Nestes mercados, a Science4you seguiu a es-
perspetivando-se que este ano cheguem aos
tratégia implementada em Portugal de se asso-
16 milhões de euros, dos quais entre 35 e 40
ciar a uma instituição de ensino para valorizar
por cento deverão ser alcançados nos merca-
os seus produtos, dado tratar-se de brinquedos
dos externos.
educativos e científicos que aliam a diversão a
uma componente mais lúdica. Se em Portugal
Entre os principais clientes da empresa con-
os brinquedos da Science4you têm a chancela
tam-se a Auchan, FNAC, Jerónimo Martins,
da Faculdade de Ciências da Universidade de
El Corte Inglês, Sonae, Toys’r’Us, Bertrand, In-
Lisboa, conferindo-lhes reconhecimento e cre-
termarché, Harrods, Art&Hobby, Staples, John
dibilidade, em Espanha, a Science4you ostenta
Lewis e Tesco, entre outros.
o carimbo do Parque Científico de Madrid, en-
quanto no Reino Unido se evidencia o emblema
da Universidade de Oxford. Além de garantia de info@science4you.pt
qualidade, estas certificações conferem também http://brinquedos.science4you.pt
48 MULTILATERAIS Portugalglobal nº87

AS MULTILATERAIS
UM MERCADO DE OPORTUNIDADES
>POR INÊS JÁCOME, AICEP (GRUPO DE TRABALHO DAS MULTILATERAIS AICEP – GPEARI)

As multilaterais têm um papel crucial no financiamento do desenvolvimento,
criando assim um mercado muito interessante de oportunidades, de negócio e de
financiamento, que poderá ser melhor e mais explorado pelas empresas portuguesas.
Os agentes nacionais estão atentos a este mercado, destacando-se a evolução positiva,
registada nos últimos anos, em termos de retorno para a economia nacional.
Tratando-se, porém, de um mercado que, pela complexidade dos procedimentos e
especificidades, requer um apoio diferenciado, é de salientar o papel do Grupo de
Trabalho das Multilaterais na promoção do conhecimento e dos contactos com as
multilaterais.

Concentremo-nos nas multilaterais em dades de negócio, em regra, associadas Como potenciais vantagens destes
que Portugal participa e que promovem a concursos e licitações internacionais. instrumentos refira-se:
diretamente as potenciais oportunida- •
A possibilidade de financiamento
des nos Países em Desenvolvimento: Em causa o fornecimento de bens, em condições e situações não acei-
obras ou serviços, para a própria multi- tes pela banca comercial;
• Grupo Banco Mundial
lateral e para projetos financiados por
• Grupo Banco Interamericano •
Condições flexíveis e ajustadas ao
esta a terceiros e por eles promovidos.
de Desenvolvimento mercado/setor, por ex. maturidades
mais longas;
• Banco de Desenvolvimento Como principais benefícios deste pro-
curement, aponta-se: • A mais-valia de associação do proje-
da América Latina
to à reputação da multilateral;
• Banco Africano de Desenvolvimento •R
 egras preestabelecidas,
• O suporte da multilateral na monta-
• Banco Asiático de Desenvolvimento harmonizadas e de acordo com
gem financeira e na implementação
práticas standard; do projeto;
• Banco Asiático de Investimento
em Infraestrutura • P rocessos de adjudicação e • A partilha e minimização de riscos.
• Banco Europeu para a Reconstrução contratação abertos, competitivos,
transparentes e objeto de De facto, o mercado das multilaterais é
e o Desenvolvimento
supervisão pela multilateral; competitivo, concorrencial e exigente,
• Grupo Banco Europeu requerendo capacidade financeira, téc-
de Investimentos •R
 edução do risco de não nica e recursos. Porém, é indiscutível o
• União Europeia (Cooperação e De- cumprimento por parte da entidade seu enorme potencial para a prossecu-
senvolvimento) adjudicatária; ção de estratégias de expansão susten-
• Nações Unidas • F inanciamento garantido por táveis nos Países em Desenvolvimento.
entidade com posicionamento
Reconhecendo a relevância de dar a
O crescimento económico continuará supranacional.
conhecer o “Retorno para a economia
a ser tendencialmente positivo e mais
nacional da participação de Portugal
elevado nestas geografias. Muitos dos Para promover o setor privado, as mul-
nas multilaterais”, o Grupo de Trabalho
projetos nestes países têm ou poderão tilaterais disponibilizam instrumentos das Multilaterais, uma parceria AICEP e
vir a ter o suporte de multilaterais. financeiros às empresas, incluindo GPEARI - Ministério das Finanças, pu-
empréstimos, garantias e equity. Estes blica pela primeira vez esta análise.
Estas organizações têm uma atuação são concedidos diretamente (investi-
muito dirigida ao setor público e à coo- mentos de maior dimensão) ou atra- Contacte-nos!
peração. Tal origina múltiplas oportuni- vés de intermediários. gt.multilaterais@portugalglobal.pt
maio 2016 MULTILATERAIS 49

Retorno para a economia nacional resultante da participação
de Portugal nas multilaterais
(Dados: BM, BAfD, BERD, BID, CAF, BAsD e UE/EuropeAid)

Contratos ganhos NÚMERO E VALOR DOS CONTRATOS GANHOS
por empresas e consultores POR EMPRESAS PORTUGUESAS (2007-2014)
nacionais para o 252
240
fornecimento de bens, 218 64
211
obras ou serviços 45
43 44
No período 2007-2014, o montante global dos 42
39
contratos ganhos por empresas e consultores 27
portugueses nas multilaterais foi de 1.190 mi- 24

lhões de dólares. 87 60 66
55

Em 2014 registou-se o 2º mais elevado valor
deste período (240 milhões de dólares), sendo
2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
que o montante dos contratos ganhos na UE/
EuropeAid (operações descentralizadas) e no VALOR (EM MUSD) NÚMERO
Banco Mundial (BM) significou 98 por cento
do total. O maior contrato ganho em 2014 foi
no Banco Mundial, pela MSF Engenharia (pro- NÚMERO DE EMPRESAS E CONSULTORES COM CONTRATOS
GANHOS (ACUMULADO), 2007-2014
jeto de infraestruturas de transportes no Bur-
160
quina Faso – 61 milhões de dólares).
145

O número de contratos ganhos por empresas
116
portuguesas em 2014 foi de 39, na sequência
97
do valor excecionalmente elevado obtido em
79
2013 (64). Na totalidade do período 2007-
2014, 160 empresas e consultores ganharam 52
328 contratos nas multilaterais consideradas 33
23
neste exercício.

Considerando o mesmo horizonte temporal, a 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
União Europeia/EuropeAid é a instituição que
apresenta um maior peso no valor dos contra- VALOR DOS CONTRATOS ADJUDICADOS A EMPRESAS
tos ganhos (527 milhões de dólares), seguida PORTUGUESAS POR INSTITUIÇÃO (MILHÕES USD), 2007-2014
do BAfD - Banco Africano de Desenvolvimento
UE/Europe Aid 527
(327 milhões de dólares) e do Banco Mundial
(237 milhões de dólares).

O Banco Europeu para a Reconstrução e De-
senvolvimento (BERD), o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID) e o Banco Asiático BAsD 3
de Desenvolvimento (BAsD) apresentam valo- BID 34
BM 237
res mais reduzidos. BERD 62

A grande maioria dos contratos ganhos decor-
re de projetos nos PALOP, com particular desta-
que para Moçambique, Angola e Cabo Verde. BAfD 327
50 MULTILATERAIS Portugalglobal nº87

Em 2014 observou-se uma maior diversifica- 10 EMPRESAS COM MAIOR VALOR DE CONTRATOS GANHOS,
ção geográfica, uma vez que, dos 39 contratos 2007-2014 (MILHÕES USD)
obtidos, 14 diziam respeito a projetos fora do
Mota Engil 302
espaço da CPLP, designadamente no Burquina
Efacec 145
Faso, Uganda, Mali e Jamaica.
Gabriel Couto 78
Conduril 70
As empresas com maior valor de contratos Zagope 64
ganhos pertencem essencialmente aos setores MSF Engenharia 61
da construção e energia. Nos últimos três anos Monte Adriano 59
(2012-2014) há a registar a entrada de 63 no- CME 57
vas entidades neste mercado, 34 empresas e Elevolution - Engenharia 45
29 consultores individuais. Rodrigues e Camacho 40
Outras 269
Na perspetiva do número de contratos ganhos, e
para além das empresas de construção e energia,
destacam-se também as empresas de consultoria.
12 EMPRESAS COM MAIOR NÚMERO
DE CONTRATOS GANHOS, 2007-2014
No período 2007-2014, por cada euro despen-
dido pelo Estado português em participações Ceso 15
e contribuições para as multilaterais, obteve- Efacec 13
-se um retorno para a economia nacional de CTEL - Cª Tecnologias 10
1,9 euros, decorrente do valor dos contratos Mota Engil 10
ganhos por empresas e consultores portugueses. Rodrigues e Camacho 7
CME 6
Em 2014 o retorno atingiu os 3,5 euros, o que COBA 6
corresponde ao valor mais elevado da série. Europress 6
Este valor é explicado, por um lado, pelo ele- Baptista e Costa 5
vado volume de contratos ganhos e, por ou- Consulgal 5
tro, pela tendência decrescente do montante Estereofoto 5
de contribuições. TPF Planege 5
maio 2016 MULTILATERAIS 51

Ao longo do período em análise (2007-2014), EVOLUÇÃO DOS RÁCIOS DE RETORNO ANUAL
tem-se observado uma tendência de cresci- E ACUMULADO (2007-2014)
mento deste rácio de retorno, embora com 3,5
3,4
naturais oscilações, se analisado numa ótica
4,0
anual e não acumulada.
3,5
2,6 2,6
3,0
Apoio ao investimento
2,5
direto no exterior e à 1,7
1,9
2,0
intermediação bancária 1,5
1,5
1,2 1,6
1,0 1,3
Para além dos ganhos decorrentes da obten- 0,8 0,9
0,5 1,0 0,9
ção de contratos de prestação de bens e ser- 0,8
0,7
viços, há também a destacar o financiamento 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
por parte das multilaterais de projetos de in-
vestimento ou de intermediação bancária do Rácio de Retorno Anual Rácio de Retorno Acumulado

setor privado português, o qual, no período
compreendido entre 2009 e 2014, ascendeu a VALOR DAS APROVAÇÕES RELATIVAS A PROJETOS DE
1.378 milhões de dólares. INVESTIMENTO PRIVADO REALIZADO OU FINANCIADO POR
EMPRESAS PORTUGUESAS (MILHÕES USD)
Em 2014 este valor foi de 170 milhões de dó- 262
lares, repartido da seguinte forma: 250
• Projeto Portucel Moçambique - 20 milhões
de dólares – Sociedade Financeira Internacio- 200 BM / IFC
nal (IFC) / Banco Mundial; BID
152 153
• Linha de crédito ao Banco Caixa Geral Brasil – 150 145 145
BERD
50 milhões de dólares – IFC / Banco Mundial;
116 CAF
• Linha de crédito Mota Engil – 50 milhões 100
100 93
de dólares – Banco de Desenvolvimento da 77
70
América Latina (CAF);
50 30
• Linha de intermediação bancária para investi- 27
mento de empresas portuguesas na América 9

Latina – 50 milhões de dólares (CAF). 2009 2010 2011 2012 2013 2014
52 NOTÍCIAS AICEP Portugalglobal nº87

vai ter um FDI scout, especialista em
atração de investimento estrangeiro, a

notícias
operar no terreno.

Seminário
de apresentação
do mercado
do Uzbequistão

AICEP
A AICEP organizou uma sessão de
apresentação do mercado do Uzbe-
quistão. A iniciativa surgiu do interesse
manifestado pela Câmara de Comércio
e Indústria do Uzbequistão, através do
seu representante em Portugal.

mais mediáticos em Espanha e conhe-
cido por ser um entusiasta pela combi-
nação cromática, pelos elementos natu-
rais, como a pedra e as madeiras.

Esta exposição mobiliza anualmente
mais de 200 participantes, 32 mil visi-
tantes e 500 jornalistas. Oferece gran-
de projeção e prestígio às empresas
que nela participam e define tendên-
cias no setor da decoração.

Estiveram presentes o embaixador

Empresas portuguesas Roadshow de do Uzbequistão em Lisboa residente
investimento Estados em Paris, Ravshan Usmanov, acom-
na Casa Decor 2016
Unidos da América panhado pelo Conselheiro Económi-
A AICEP organiza a participação de Por- co Bekhzod Achilov e pelo represen-
O presidente da AICEP, Miguel Frasqui-
tugal na Casa Decor 2016, considerada tante da Câmara de Comércio e In-
lho, visitou os Estados Unidos da Améri-
a maior exposição anual de decoração dústria do Uzbequistão em Portugal
ca, nomeadamente as cidades de Nova
de interiores, arquitetura, design e arte e, Alisher Juraev, Diretor do Fundo
Iorque, Dallas, San Antonio, Los Ange-
da Europa, e que decorre em Madrid, “Management Training Programme
les e São Francisco, com vista a promo- (MTP) – Capacity Building for SME
no Palácio Atocha, até 26 de junho.
ver Portugal como nação tecnológica, Management in Uzbekistan” (MTP).
completando assim o maior ‘roadshow’
Nesta edição estão presentes 23 em- de investimento da agência em 2016. Foi apresentado o Uzbequistão e as
presas portuguesas da Fileira Casa,
oportunidades de negócio que se
desde o mobiliário, decoração, ilumi- No decurso da sua estadia em Nova abrem às empresas portuguesas e di-
nação, tecidos decorativos, cerâmica, Iorque e São Francisco, considerados vulgado o programa, 100 por cento
têxteis-lar, utilidades domésticas, lou- os dois grandes centros americanos financiado pela União Europeia, que
ças sanitárias, azulejos, mármore, à e mundiais da área tecnológica, teve pretende criar ligações em Portugal
pedra e painéis decorativos, que aliam encontros ao mais alto nível com os que possam levar à realização de par-
a tradição ao design. responsáveis da Apple, Amazon, Goo- cerias naquele mercado.
gle, Facebook e Twitter.
A decoração dos três espaços do recinto O Fundo MTP financia a colocação de
afetos à presença portuguesa está a car- A AICEP vai inaugurar na Califórnia gestores uzbeques em empresas da
go de Pepe Leal, um dos decoradores uma representação permanente e UE por períodos que vão desde duas
maio 2016 NOTÍCIAS AICEP 53

a quatro semanas, com vista a desen- mailoglu, que apresentou às empresas nhos nacionais no mercado dinamar-
volver bases de relacionamento para portuguesas os projetos de infraestru- quês, na Admiral Gjeddesd.
futura relação comercial ou de investi- turas e transportes previstos, designa-
mento entre os países. damente o metropolitano de Istambul. Tratou-se de um evento no feminino,
Realizaram-se também reuniões B2B “Mulher no Vinho em Portugal”, ape-
Seminário com os representantes da IBB Turkey. nas para produtoras mulheres – ainda
e apresentação que os enólogos que lhes fazem o vi-
do mercado da Hungria Empresas portuguesas nho sejam homens, elas são as donas
das vinhas – e enólogas mulheres – po-
No âmbito da visita a Portugal do vice-
na Vitafoods Europe
dem ser ou não proprietárias de vinhas.
-ministro dos Negócios Estrangeiros e 2016 - AICEP Zurique
Comércio da Hungria, László Szabó, a Realizou-se em Genebra mais uma edi- Realizou-se uma conferência e uma
AICEP e a Embaixada da Hungria em ção da Vitafoods Europe 2016, feira de prova de vinhos, destinada a promo-
Portugal, em parceria com a CCIP e a referência mundial em produtos nutra- ver a excelência dos vinhos portugue-
Hungarian National Trading House, or- cêuticos, ou seja suplementos alimenta- ses e a contar a história da Mulher no
ganizou um seminário empresarial en- res com propriedades terapêuticas e de Vinho em Portugal. Estiveram presen-
tre a delegação húngara e as empresas bem-estar. Esta edição foi marcada pela tes escanções, proprietários e respon-
portuguesas interessadas no mercado. presença de sete empresas portuguesas. sáveis de restaurantes e garrafeiras,
importadores, proprietários de super-
O vice-ministro húngaro apresentou as A presença nacional ficou a cargo das mercados e lojas gourmet, e esteve
oportunidades de negócio no mercado empresas Labialfarma, Wise Nutra- aberto ao público em geral.
e referiu o interesse das empresas hún- ceuticals, Magnus Pharma, Go Green
garas em estabelecer parcerias e en- – em torno do contract manufacturing Contou ainda com a presença da Picoto
contrar sinergias com empresas portu- ou de produtos nutracêuticos prepa- (azeite), Queijaria Ilídio (queijo), Cacao
guesas para abordagem aos mercados rados para a comercialização –, a par DiVine (chocolates), Montalva (enchi-
africanos de língua portuguesa. com a Buggypower, a comercializar dos) e Casa da Prisca (compotas e en-
as suas bioalgas produzidas em Por- chidos), com alguns produtos para de-
to Santo com grau fitofarmacêutico, gustação em paralelo à prova de vinhos.
a Kemin Portugal, a empresa de em-
balagens Gepack e, na componente Em Foco dedicado
de investigação, o IBET – Instituto de ao setor agroalimentar
Biologia Experimental e Tecnológica.
no Japão
Iniciativa desenvolvida pela AICEP e
dedicada ao sector agroalimentar no
Japão com o objetivo de promover
uma maior aproximação das empresas
aos mercado.

A sessão teve inicio com uma apre-
sentação pelo delegado da AICEP em
Tóquio, José Joaquim Fernandes, que
IBB Turkey – destacaou as novidades do mercado ja-
Apresentação ponês, sempre precursor de tendências
de Projetos de de consumo, e em concreto as recentes
evoluções relativas à importação e con-
Infraestruturas
sumo da carne de porco e derivados.
A AICEP organizou um seminário
de apresentação dos projetos da IBB O especialista japonês no setor, Mako-
“Mulher no Vinho
Turkey - Grande Municipalidade de Is- to Takada, diretor-geral da multinacio-
tambul, em Lisboa.
em Portugal” nal japonesa Arai Shoji Co., LTD.evi-
– AICEP Copenhaga denciou as oportunidades de negócio
Esteve presente o diretor do Departa- A AICEP e a Embaixada de Portu- no mercado japonês para as empresas
mento de Transportes da Grande Mu- gal em Copenhaga organizaram um portuguesas no setor agroalimentar,
nicipalidade de Istambul, Adil Karais- grande evento de promoção dos vi- no peixe e nos vinhos.
54 INFORMAÇÃO AICEP Portugalglobal nº87

FACTOS &
TENDÊNCIAS
European Economic Maritime Country
Forecast – Spring 2016 Profile, UNCTAD, 2016
As previsões da União Europeia apon- Estes perfis setoriais caracterizam a si-
tam para um crescimento modesto tuação de 223 países em matéria de
da economia europeia, penalizado transporte marítimo e comércio inter-
pelo fraco desempenho dos merca- nacional, as respetivas quotas de mer-
dos emergentes e pelo abrandamen- cado e tendências no setor.
to previsto para algumas economias CONSULTAR
mais avançadas.
CONSULTAR
Perspetivas económicas
da América Latina
2016, OCDE/CAF/
CEPAL, 2015
Este documento faz uma análise ma-
croeconómica da região da América
Latina e avalia a influência do contexto
global sobre a sua economia. Analisa
ainda o papel da China e da América
Latina no processo de deslocalização
da riqueza mundial e os crescentes vín-
culos comerciais entre os dois blocos.
CONSULTAR
Shaping the Future of
The Slowdown in Construction, World
Emerging Market Economic Forum, 2016
Economies and its The 2016 A.T. A situação da construção e respeti-
Implications for the Kearney Foreign vas tendências globais nos próximos
Global Economy, Direct Investment anos são o tema central deste rela-
tório que identifica uma série de me-
European Central Confidence Index – FDI
didas agrupadas em áreas temáticas,
Bank, 2016 on the Rebound?, A.T. desde a tecnologia às estratégias e
Estudo do Banco Central Europeu re-
Kearney, 2016 modelos de negócio, que se espera
ferente ao abrandamento económico Os EUA e a China continuam a liderar, venham a transformar este setor de
dos mercados emergentes, que se ob- pelo quarto ano consecutivo, o índice atividade económica.
serva desde 2010, e respetivas impli- da A.T. Kearney, o que revela a grande CONSULTAR
cações para a economia global. atratividade das duas maiores econo-
CONSULTAR mias mundiais apesar da conjuntura
menos favorável dos últimos anos.
CONSULTAR
maio 2016 INFORMAÇÃO AICEP 55

Investment Flows
Through Offshore
Financial Hubs Declined
but Remain at High
Level, UNCTAD, 2016
O Global Investment Trends Monitor,
da UNCTAD, mostra que os fluxos de
investimento para centros financei-
ros offshore foram mais voláteis em
2015, tendo diminuído face aos dois Negotiating a Better
anos anteriores, embora permanecen- Joint-Venture,
do com montantes elevados. Mckinsey 2016
Trade in Counterfeit
and Pirated Goods, CONSULTAR
Análise, com base numa série de en-
OCDE, 2016 trevistas, sobre a melhor forma das
Os produtos contrafeitos provêm de empresas rentabilizarem e otimizarem
muitas origens e estão presentes num a figura da joint-venture nas negocia-
leque alargado de setores, desde arti- Overview of FTA ções de eventuais acordos de parceria
gos de luxo, a produtos intermédios and Other Trade internacional, identificando os aspe-
e bens de consumo. Este relatório da Negotiations, European tos fundamentais que deverão ser de-
OCDE avalia o seu valor global e seto- Commission, 2016 vidamente ponderados e acautelados.
rial, e as principais tendências. CONSULTAR
Elaborado pela Comissão Europeia
CONSULTAR (EU), este relatório aborda o último
ponto de situação das negociações a
decorrer entre a UE e vários países ter-
ceiros sobre Acordos de Comércio Livre Investir dans
l’internationalisation
The Ocean Economy (Free Trade Agreements), entre outros.
de l’enseignement
in 2030, OCDE, 2016 CONSULTAR
supérieur, France
Este estudo explora as perspetivas de Stratégie, 2016
crescimento da economia do mar e o
seu potencial para a criação de em- Estudo realizado pelo governo francês
prego e inovação, bem como para (Comissariat Général à la Stratégie et
enfrentar desafios como a segurança à la Prospective) sobre a problemática
energética, ambiente, alterações cli- da internacionalização do ensino su-
máticas e segurança alimentar. perior deste país.
CONSULTAR
CONSULTAR

Direção de Informação
rui.almas@portugalglobal.pt
56 ANÁLISE DE RISCO-PAÍS Portugalglobal nº87

COSEC Políticas de cobertura para mercados
de destino das exportações portuguesas

No âmbito de apólices individuais
África do Sul* China* M/L 
Clientes públicos e soberanos: Macau
C Aberta sem condições restritivas. C Aberta sem condições restritivas. C Aberta sem condições restritivas.
caso a caso, mediante análise das
M/L Garantia bancária (decisão M/L Garantia bancária. M/L Não definida.
garantias oferecidas, desig-
casuística). nadamente contrapartidas do
Colômbia petróleo. Clientes privados: caso Malásia
Angola C Carta de crédito irrevogável. a caso, numa base muito restri- C Aberta sem condições restritivas.
C Caso a caso. M/L Caso a caso, numa base restritiva. tiva, condicionada a eventuais M/L Não definida.
M/L Garantia soberana. Limite total de contrapartidas (garantia de banco
responsabilidades. Costa do Marfim
comercial aceite pela COSEC ou Malawi
C Caso a caso, com eventual
contrapartidas do petróleo).
C Caso a caso, numa base restritiva.
Arábia Saudita exigência de garantia bancária ou
M/L Clientes públicos: fora de co-
C Carta de crédito irrevogável garantia soberana. Extensão do prazo
Hong-Kong bertura, excepto para operações
(decisão casuística). constitutivo de sinistro para 12 meses.
M/L Exigência de garantia bancária
C Aberta sem condições restritivas. de interesse nacional. Clientes
M/L Caso a caso. M/L Não definida. privados: análise casuística, numa
ou garantia soberana. Extensão do
prazo constitutivo de sinistro de 3 base muito restritiva.
Argélia
para 12 meses. Iémen
C Sector público: aberta sem res-
C Caso a caso, numa base restritiva. Marrocos*
trições. Sector privado: eventual
M/L Caso a caso, numa base muito C Aberta sem condições restritivas.
exigência de carta de crédito Costa Rica
restritiva. M/L Garantia bancária ou garantia
irrevogável. C Aberta sem condições restritivas.
soberana.
M/L Em princípio. exigência de garan- M/L Não definida.
Índia
tia bancária ou garantia soberana.
C Aberta sem condições restritivas. Martinica
Cuba M/L Garantia bancária. C Aberta sem condições restritivas.
Argentina
T Fora de cobertura. M/L Não definida.
T Caso a caso.
Indonésia
Barein Egipto C Caso a caso, com eventual México*
C Aberta sem condições restritivas. C Carta de crédito irrevogável. exigência de carta de crédito irre- C Aberta sem restrições.
M/L Garantia bancária. M/L Caso a caso. vogável ou garantia bancária. M/L Em princípio aberta sem restrições.
A eventual exigência de garantia
Benim M/L  aso a caso, com eventual exi-
C bancária, para clientes privados,
Emirados Árabes Unidos gência de garantia bancária ou
C Caso a caso, numa base muito será decidida casuisticamente.
C Aberta sem condições restritivas. garantia soberana.
restritiva.
M/L Garantia bancária (decisão
Moçambique
M/L Caso a caso, numa base muito casuística). Irão
C Caso a caso, numa base restritiva
restritiva, e com exigência de Sanções em vigor.
(eventualmente com a exigência de
garantia soberana ou bancária. Etiópia Para mais informações, contactar a
carta de crédito irrevogável, garan-
COSEC.
C Carta de crédito irrevogável. tia bancária emitida por um banco
Brasil*
M/L Caso a caso numa base muito aceite pela COSEC e aumento do
C Aberta sem condições restritivas.
restritiva. Iraque prazo constitutivo de sinistro).
M/L  lientes soberanos: Aberta sem
C T Fora de cobertura.
condições restritivas. Outros Clien- M/L Aumento do prazo constitutivo
tes públicos e privados: Aberta, caso Filipinas
Jordânia de sinistro. Sector privado: caso a
a caso, com eventual exigência de C Aberta sem condições restritivas.
C Caso a caso. caso numa base muito restritiva.
garantia soberana ou bancária. M/L Não definida.
M/L Caso a caso, numa base restritiva. Operações relativas a projectos
geradores de divisas e/ou que
Cabo Verde Gana admitam a afectação prioritária
Koweit
C Aberta sem condições restritivas. de receitas ao pagamento dos
C Caso a caso numa base muito C Aberta sem condições restritivas.
restritiva. créditos garantidos, terão uma
M/L Eventual exigência de garantia M/L Garantia bancária (decisão
ponderação positiva na análise do
bancária ou de garantia soberana casuística).
risco; sector público: caso a caso
(decisão casuística). M/L Fora de cobertura.
numa base muito restritiva.
Líbano
Camarões
Geórgia C Clientes públicos: caso a caso
T Caso a caso, numa base muito Montenegro
C Caso a caso numa base restritiva, numa base muito restritiva.
C Caso a caso, numa base restritiva.
restritiva. Clientes privados: carta de crédito
privilegiando-se operações de privilegiando-se operações de
pequeno montante. irrevogável ou garantia bancária.
Cazaquistão pequeno montante.
Temporariamente fora de cobertura. M/L  lientes públicos: fora de cober-
C
M/L  aso a caso, numa base muito
C M/L  aso a caso, com exigência de ga-
C
tura. Clientes privados: caso a rantia soberana ou bancária, para
Chile restritiva e com a exigência de
caso numa base muito restritiva. operações de pequeno montante.
contra garantias.
C Aberta sem condições restritivas.

Clientes públicos: Aberta sem Líbia
M/L
Guiné-Bissau Nigéria
condições restritivas. T Fora de cobertura. C Caso a caso, numa base restritiva
T Fora de cobertura.
Clientes privados: Em princípio, (designadamente em termos de
aberta sem condições restritivas. Lituânia alargamento do prazo consti-
Eventual exigência de garantia Guiné Equatorial C Carta de crédito irrevogável. tutivo de sinistro e exigência de
bancária numa base casuística. C Caso a caso, numa base restritiva. M/L Garantia bancária. garantia bancária).
maio 2016 ANÁLISE DE RISCO-PAÍS 57

No âmbito de apólices globais
M/L  aso a caso, numa base muito
C M/L Eventual alargamento do prazo Na apólice individual está em causa a cobertura de uma
restritiva, condicionado a eventuais constitutivo de sinistro. Setor única transação para um determinado mercado, enquanto
garantias (bancárias ou contraparti- público: caso a caso, com exigên-
das do petróleo) e ao alargamento cia de garantia de pagamento e a apólice global cobre todas as transações em todos os
do prazo contitutivo de sinistro. transferência emitida pela Auto- países para onde o empresário exporta os seus produtos
ridade Monetária (BCEAO); setor ou serviços.
Oman privado: exigência de garantia
C Aberta sem condições restritivas.
bancária ou garantia emitida pela
M/L Garantia bancária (decisão ca-
Autoridade Monetária (preferência As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem
a projetos que permitam a aloca-
suística). bens de consumo e intermédio, cujas transações envolvem
ção prioritária dos cash-flows ao
reembolso do crédito). créditos de curto prazo (média 60-90 dias), não excedendo
Panamá um ano, e que se repetem com alguma frequência.
C Aberta sem condições restritivas. Singapura
M/L Não definida. C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida. Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices.
Paquistão a política de cobertura é casuística e, em geral, mais
Temporariamente fora de cobertura. Suazilândia
C Carta de crédito irrevogável.
flexível do que a indicada para as transações no âmbito
M/L Garantia bancária ou garantia das apólices individuais. Encontram-se também fora de
Paraguai
C Carta de crédito irrevogável.
soberana. cobertura Cuba, Guiné-Bissau, Iraque e S. Tomé e Príncipe.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
Tailândia
C Carta de crédito irrevogável
Peru (decisão casuística).
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
M/L  lientes soberanos: aberta sem
C
condições restritivas. Clientes Taiwan
públicos e privados: aberta, caso
C Aberta sem condições restritivas.
a caso, com eventual exigência de
M/L Não definida.
garantia soberana ou bancária.
Venezuela Advertência:
Tanzânia
Qatar C Clientes públicos: aberta caso
T Caso a caso, numa base muito A lista e as políticas de cobertura são
C Aberta sem condições restritivas. a caso com eventual exigência
restritiva. indicativas e podem ser alteradas
M/L Garantia bancária (decisão de garantia de transferência ou sempre que se justifique. Os países
casuística). Tunísia* soberana. Clientes privados: aberta que constam da lista são os mais
C Aberta sem condições restritivas. caso a caso com eventual exigência representativos em termos de consultas
Quénia M/L Garantia bancária. de carta de crédito irrevogável e/ou e responsabilidades assumidas. Todas
C Carta de crédito irrevogável. garantia de transferência. as operações são objeto de análise e
M/L Caso a caso, numa base restritiva. Turquia decisão específicas.
M/L  berta caso a caso com exigência
A
C Carta de crédito irrevogável.
de garantia soberana.
M/L Garantia bancária ou garantia
República Dominicana
soberana. Zâmbia Legenda:
C Aberta caso a caso, com eventual
C Caso a caso, numa base muito C Curto Prazo
exigência de carta de crédito irrevo- Ucrânia
gável ou garantia bancária emitida restritiva.
C Clientes públicos: eventual M/L Médio / Longo Prazo
por um banco aceite pela COSEC. M/L Fora de cobertura.
exigência de garantia soberana. T Todos os Prazos
Clientes privados: eventual
M/L  berta caso a caso com exigência
A Zimbabwe
exigência de carta de crédito
de garantia soberana (emitida pela C Caso a caso, numa base muito
irrevogável. * Mercado prioritário.
Secretaria de Finanzas ou pelo Ban- restritiva.
co Central) ou garantia bancária. M/L Clientes públicos: eventual M/L Fora de cobertura.
exigência de garantia soberana.
Rússia Clientes privados: eventual
Sanções em vigor. exigência de garantia bancária.
Para mais informações, contactar a Para todas as operações, o prazo
COSEC. constitutivo de sinistro é definido
caso a caso.
COSEC
Companhia de Seguro
S. Tomé e Príncipe
Uganda de Créditos. S. A.
C Análise caso a caso, numa base C Caso a caso, numa base muito Direcção Internacional
muito restritiva.
restritiva.
Avenida da República. 58
Senegal M/L Fora de cobertura. 1069-057 Lisboa
C Em princípio. exigência de Tel.: +351 217 913 832
Uruguai
garantia bancária emitida por Fax: +351 217 913 839
C Carta de crédito irrevogável
um banco aceite pela COSEC e internacional@cosec.pt
(decisão casuística).
eventual alargamento do prazo www.cosec.pt
constitutivo de sinistro. M/L Não definida.
58 TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES Portugalglobal nº87

COSEC
Tabela classificativa de países
Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação
A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Clas- pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento
sificativa de Países com a graduação dos mercados em função e o grupo 7 à maior.
do seu risco de crédito, ou seja, consoante a probabilidade de As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do
cumprimento das suas obrigações externas, a curto, a médio e risco país, da definição das condições de cobertura e das taxas de
a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7), corres- prémio aplicáveis.

Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 Grupo 6 Grupo 7

Hong-Kong Arábia Saudita Bahamas África do Sul • Angola Albânia Afeganistão Libéria
Singapura * Botswana Barbados Argélia Azerbeijão Arménia Ant. e Barbuda Líbia
Taiwan Brunei Costa Rica Aruba Bangladesh Belize Argentina Madagáscar
China • Dep/ter Austr.b Barein Bolívia Benim Bielorussia Malawi
EAUa Dep/ter Din.c Brasil • Croácia Butão Bósnia e Herze- Mali
Gibraltar Dep/ter Esp.d Bulgária Curaçau Cabo Verde govina Mauritânia
Koweit Dep/ter EUAe Colômbia Dominicana. Rep. Camarões Burkina Faso Moçambique
Lituânia Dep/ter Fra.f Guatemala El Salvador Camboja Burundi Moldávia
Macau Dep/ter N. Z.g Hungria Gabão Cazaquistão • Cent. Af. Rep. Montenegro
Malásia Dep/ter RUh Rússia Jordânia Comores Chade Myanmar
Trind. e Tobago Filipinas Tunísia • Lesoto Congo Cisjordânia / Gaza Nicarágua
Ilhas Marshall Turquia Macedónia C. do Marfim Congo. Rep. Dem. Níger
Índia Nigéria Dominica Coreia do Norte Paquistão •
Indonésia Papua–Nova Guiné Egipto Cuba • Quirguistão
Marrocos • Paraguai Equador Djibuti S. Crist. e Nevis
Maurícias S. Vic. e Gren. Fidji Eritreia S. Tomé e Príncipe
México • Santa Lúcia Gana Etiópia Salomão
Micronésia Vietname Geórgia Gâmbia Seicheles
Namíbia Zâmbia Honduras Grenada Serra Leoa
Oman Kiribati Guiana Síria
Palau Maldivas Guiné Equatorial Somália
Panamá Mongólia Guiné. Rep. da Sudão
Peru Nauru Guiné-Bissau • Sudão do Sul
Qatar Nepal Haiti Tadzequistão
Roménia Quénia Iemen Togo
Tailândia Ruanda Irão Tonga
Uruguai Samoa Oc. Iraque • Ucrânia
Senegal Jamaica Venezuela
Sérvia Kosovo Zimbabué
Sri Lanka Laos
Suazilândia Líbano
Suriname
Tanzânia
Timor-Leste
Turquemenistão
Tuvalu
Uganda
Uzbequistão
Vanuatu

Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos. S.A.
* País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos.
• Mercado de diversificação de oportunidades • Fora de cobertura

NOTAS
a) Abu Dhabi, Dubai, Fujairah, Ras Al Khaimah, Sharjah, Um Al Quaiwain e Ajma f) G
 uiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Reunião, S. Pedro e Miquelon, Polinésia
b) Ilhas Norfolk Francesa, Mayotte, Nova Caledónia, Wallis e Futuna
c) Ilhas Faroe e Gronelândia g) Ilhas Cook e Tokelau, Ilhas Nive
d) Ceuta e Melilha h) A nguilla, Bermudas, Ilhas Virgens, Cayman, Falkland, Pitcairn, Monserrat, Sta. Hel-
e) Samoa, Guam, Marianas, Ilhas Virgens e Porto Rico ena, Ascensão, Tristão da Cunha, Turks e Caicos
maio 2016 ESTATÍSTICAS 59

INVESTIMENTO
e COMÉRCIO EXTERNO
>PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE). EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES.

INVESTIMENTO DIRETO COM O EXTERIOR
2015 vh meur 15/14 2015 2016 vh meur vh meur 16/15 vc meur 16/16
POR PRINCÍPIO ATIVO / PASSIVO jan/dez jan/dez jan/mar jan/mar 16/15 jan/mar mar/mar mar/fev
Ativo 720 -6.475 -273 759 1.032 1.344 -67
Passivo -1.207 -11.044 331 2.311 1.980 2.019 334
Saldo 1.926 4.568 -604 -1.552 -948 -676 -402

ATIVO POR INSTRUMENTO FINANCEIRO E TIPO DE RELAÇÃO ENTRE EMPRESAS 2015 jan/mar 2016 jan/mar vh meur 16/15

Títulos de participação no capital -491 305 796
De investidores diretos em empresas de investimento direto -520 307 827
De empresas de investimento directo em investidores diretos 24 0 -24
Entre empresas irmãs 5 -1 -7
Instrumentos de dívida 218 454 236
De investidores diretos em empresas de investimento direto -315 255 570
De empresas de investimento direto em investidores diretos 75 -217 -292
Entre empresas irmãs 458 416 -43

PASSIVO POR INSTRUMENTO FINANCEIRO E TIPO DE RELAÇÃO ENTRE EMPRESAS 2015 jan/mar 2016 jan/mar vh meur 16/15

Títulos de participação no capital 981 735 -245
De investidores diretos em empresas de investimento direto 967 708 -259
De empresas de investimento direto em investidores diretos 0 -1 -1
Entre empresas irmãs 14 28 15
Instrumentos de dívida -650 1.576 2.226
De investidores diretos em empresas de investimento direto 191 1.160 970
De empresas de investimento direto em investidores diretos -1.197 60 1.257
Entre empresas irmãs 356 355 -1

vh meur 16/15 vh meur 16/15
ATIVO 2016 jan/mar
jan/mar
PASSIVO 2016 jan/mar
jan/mar
Países Baixos 223 736 Luxemburgo 813 441
Brasil 154 136 Espanha 482 314
Alemanha 119 40 Brasil 239 224
Bélgica 102 113 Bélgica 116 -164
Luxemburgo 85 81 Reino Unido 85 72

União Europeia 28 560 817 União Europeia 28 1.693 1.659
Extra UE28 199 215 Extra UE28 619 321

vh meur 15/14 vh meur 16/15 vh meur 16/15 vc meur 16/16
POR PRINCÍPIO DIRECIONAL 2015 jan/dez 2015 jan/mar 2016 jan/mar
mar/mar mar/fev
jan/dez jan/mar
ID de Portugal no Exterior (IDPE) 7.364 4.267 149 596 447 -32 -261
ID do Exterior em Portugal (IDE) 5.438 -301 753 2.149 1.395 644 141
Saldo 1.926 4.568 -604 -1.552 -948 -676 -402
Unidade: Variações líquidas em Milhões de Euros

tvh 16/15
INVESTIMENTO DIRETO - STOCK (posição em fim de período) 2012 dez 2013 dez 2014 dez 2015 dez 2016 mar
mar/dez
Stock Ativo 68.606 71.860 78.726 80.320 81.054 0,9%
Stock Passivo 112.297 118.684 126.622 126.848 130.003 2,5%
Stock IDPE 43.146 43.542 50.051 58.386 58.984 1,0%
Stock IDE 86.837 90.366 97.947 104.914 107.933 2,9%
Unidade: Posição em fim de período em Milhões de Euros Fonte: Banco de Portugal
60 ESTATÍSTICAS Portugalglobal nº87

COMÉRCIO INTERNACIONAL
2015 2016 tvh 16/15 tvh 16/15 tvc 16/16
BENS (Exportação) 2015 tvh 2015/14
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Exportações bens 49.870 3,8% 12.168 11.929 -2,0% -3,9% 5,7%

Exportações bens UE 36.293 6,6% 8.933 9.242 3,5% 0,3% 1,2%

Exportações bens Extra UE 13.577 -3,1% 3.235 2.686 -16,9% -14,9% 22,3%
Unidade: Milhões de euros

Exportações bens UE 72,8% -- 73,4% 77,5% -- -- --

Exportações bens Extra UE 27,2% -- 26,6% 22,5% -- -- --
Unidade: Milhões de euros

Exp. Bens - Clientes 2016 (jan/mar) % Total tvh 16/15 Exp. Bens - Var. Valor (16/15) Meur Cont. p. p.

Espanha 26,3% 2,5% França 89 0,7

França 13,3% 5,9% Espanha 75 0,6

Alemanha 11,9% -4,5% EUA -54 -0,4

Reino Unido 7,3% 5,3% Gibraltar -60 -0,5

EUA 4,3% -9,6% Alemanha -67 -0,5

Países Baixos 4,1% 4,2% China -68 -0,6

Itália 3,5% 9,1% Angola -248 -2,0

Export. Bens - Produtos 2016 (jan/mar) % Total tvh 16/15 Exp. Bens - Var. Valor (16/15) Meur Cont. p. p.

Máquinas, Aparelhos 15,2% 0,5% Plásticos, Borracha 52 0,4

Veículos e Outro Material de Transporte 12,0% -1,6% Pastas Celulósicas, Papel 42 0,3

Plásticos, Borracha 7,8% 5,9% Vestuário 35 0,3

Metais Comuns 7,3% -11,1% Metais Comuns -108 -0,9

Vestuário 6,6% 4,6% Combustíveis Minerais -264 -2,2

2015 2016 tvh 16/15 tvh 16/15 tvc 16/16
 SERVIÇOS (Exportação) 2015 tvh 2015/14
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Exportações totais de serviços 25.073 6,6% 5.088 5.045 -0,8% -2,8% 20,4%

Exportações serviços UE 17.238 8,0% 3.267 3.484 6,6% 5,4% 12,2%

Exportações serviços extra UE 7.835 3,8% 1.821 1.562 -14,2% -15,8% 40,4%
Unidade: Milhões de euros

Exportações serviços UE 68,8% -- 64,2% 69,0% -- -- --

Exportações serviços extra UE 31,2% -- 35,8% 31,0% -- -- --
Unidade: % do total
maio 2016 ESTATÍSTICAS 61

2015 2016 tvh 16/15 tvh 16/15 tvc 16/16
BENS (Importação) 2015 tvh 2015/14
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Importações bens 60.242 2,0% 14.216 14.352 1,0% -0,8% 12,4%

Importações bens UE 46.083 4,4% 11.067 11.216 1,3% -1,3% 9,1%

Importações bens Extra UE 14.159 -4,9% 3.149 3.136 -0,4% 1,1% 25,3%
Unidade: Milhões de euros

Importações bens UE 76,5% -- 77,8% 78,1% -- -- --

Importações bens Extra UE 23,5% -- 22,2% 21,9% -- -- --
Unidade: % do total

Import. Bens - Fornecedores 2016 (jan/mar) % Total tvh 16/15 Imp. Bens - Var. Valor (16/15) Meur Cont. p. p.

Espanha 32,6% 0,6% Azerbaijão 136 1,0

Alemanha 13,6% 3,8% Brasil 90 0,6

França 8,2% 7,0% Argélia 85 0,6

Itália 5,5% 4,0% Cazaquistão -88 -0,6

Países Baixos 5,0% -1,7% Gana -93 -0,7

China 3,2% 2,0% Rússia -114 -0,8

Reino Unido 3,2% -6,1% Arábia Saudita -130 -0,9

Import. Bens - Produtos 2016 (jan/mar) % Total tvh 16/15 Imp. Bens - Var. Valor (16/15) Meur Cont. p. p.

Máquinas, Aparelhos 16,0% 4,1% Veículos, Out. Mat. Transporte 326 2,3

Veículos e Outro Material de Transporte 14,4% 18,7% Máquinas, Aparelhos 90 0,6

Químicos 11,2% 1,7% Plásticos, Borracha 78 0,5

Agrícolas 10,8% 1,3% Metais Comuns -100 -0,7

Combustíveis Minerais 8,6% -29,4% Combustíveis Minerais -516 -3,6

2015 2016 tvh 16/15 tvh 16/15 tvc 16/16
 SERVIÇOS (Importação) 2015 tvh 2015/14
jan/mar jan/mar jan/mar mar/mar mar/fev
Importações totais de serviços 12.795 6,1% 2.987 3.047 2,0% 2,7% 12,6%

Importações serviços UE 8.565 7,2% 2.011 2.086 3,7% 2,6% 9,5%

Importações serviços extra UE 4.230 3,9% 977 961 -1,6% 2,8% 19,4%
Unidade: Milhões de euros

Importações bens UE 66,9% -- 67,3% 68,5% -- -- --

Importações bens Extra UE 33,1% -- 32,7% 31,5% -- -- --
Unidade: % do total

PREVISÕES 2016 : 2017 (tvh real %) 2014 2015 FMI CE OCDE BdP Min. Finanças

INE INE abril 16 maio 16 novembro 15 março 16 abril 16

PIB 0,9 1,5 1,4 : 1,3 1,5 : 1,7 1,6 : 1,5 1,5 : 1,7 1,8 : 1,8

Exportações Bens e Serviços 3,9 5,1 4,2 : 4,3 4,1 : 5,1 5,9 : 5,5 2,2 : 5,1 4,3 : 4,9
Unidade: Milhões de euros

Fontes: INE/Banco de Portugal
Notas e siglas: Meur - Milhões de euros Cont. - Contributo para o crescimento das exportações p.p. - Pontos percentuais tvh - Taxa de variação homóloga
tvc - Taxa de variação em cadeia
Miguel Porfírio
HOLANDA
aicep.thehague@portugalglobal.pt

Maria Manuel Branco
BÉLGICA
maria.manuel.branco@portugalglobal.pt

REDE
António Silva
FRANÇA
aicep.paris@portugalglobal.pt

Miguel Fontoura

EXTERNA
REINO UNIDO
aicep.london@portugalglobal.pt

IRLANDA
aicep.dublin@portugalglobal.pt Oslo

Raul Travado Manuel Martinez Hai
CANADÁ ESPANHA Dublin
aicep.toronto@portugalglobal.pt aicep.barcelona@portugalglobal.pt Londres Bruxelas

Paris Zuriqu
Eduardo Henriques
ESPANHA
Milão

Toronto aicep.madrid@portugalglobal.pt
Barcelona
Nova Iorque
Filipe Costa Madrid
EUA S. Francisco Argel
aicep.s.francisco@portugalglobal.pt
Rabat

Rui Boavista Marques Armindo Rios
EUA CABO VERDE Praia
aicep.newyork@portugalglobal.pt aicep.praia@portugalglobal.pt

Álvaro Cunha Rui Cordovil
MÉXICO MARROCOS
aicep.mexico@portugalglobal.pt Cidade do México aicep.rabat@portugalglobal.pt

Carlos Pinto João Falardo
VENEZUELA ARGÉLIA
Caracas Bissau
aicep.caracas@portugalglobal.pt aicep.argel@portugalglobal.pt
Panamá
Bogotá Tiago Bastos
Paulo Borges
GUINÉ BISSAU
COLÔMBIA
aicep.bissau@portugalglobal.pt
aicep.bogota@portugalglobal.pt São Tomé

António Aroso
Carlos Moura SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
BRASIL aicep.saotome@portugalglobal.pt
aicep.s.paulo@portugalglobal.pt

Lima Luís Moura
ANGOLA
aicep.luanda@portugalglobal.pt

Rio de Janeiro
São Paulo

ÁFRICA DO SUL
Jorge Salvador aicep.pretoria@portugalglobal.pt
CHILE
aicep.santiago@portugalglobal.pt Santiago do Chile
Buenos Aires
Fernando Carvalho
MOÇAMBIQUE
aicep.maputo@portugalglobal.pt
Pedro Macedo Leão Maria José Rézio
ALEMANHA RÚSSIA
aicep.berlin@portugalglobal.pt aicep.moscow@portugalglobal.pt

João Guerra Silva Nuno Lima Leite
DINAMARCA POLÓNIA
aicep.copenhagen@portugalglobal.pt aicep.warsaw@portugalglobal.pt

Eduardo Souto Moura Joaquim Pimpão
SUÉCIA HUNGRIA
aicep.stockholm@portugalglobal.pt aicep.budapest@portugalglobal.pt

Miguel Crespo Ana Isabel Douglas
SUIÇA ÁUSTRIA
aicep.zurich@portugalglobal.pt aicep.vienna@portugalglobal.pt

Celeste Mota
TURQUIA
Estocolmo aicep.ankara@portugalglobal.pt
Moscovo
Copenhaga
ia
Berlim João Rodrigues
s Varsóvia
ÍNDIA
Praga
aicep.newdelhi@portugalglobal.pt
ue Bratislava
Budapeste
Viena
Alexandra Ferreira Leite
Liubliana Bucareste CHINA
Baku aicep.beijin@portugalglobal.pt
Ancara Pequim

Tunes Atenas Laurent Armaos José Joaquim Fernandes
GRÉCIA Tóquio JAPÃO
aicep.athens@portugalglobal.pt aicep.tokyo@portugalglobal.pt
Tripoli
Xangai
Joana Neves
Doha Nova Deli COREIA DO SUL
Riade Guangzhou joana.neves@portugalglobal.pt
Abu Dhabi
Macau Hong Kong
Pier Franco Schiavone
ITÁLIA Pedro Aires de Abreu
aicep.milan@portugalglobal.pt CHINA
aicep.shanghai@portugalglobal.pt

Nuno Várzea
TUNISIA Maria João Bonifácio
aicep.tunis@portugalglobal.pt CHINA
aicep.macau@portugalglobal.pt
Kuala Lumpur
Afonso Duarte
ARÁBIA SAUDITA Singapura
aicep.riyadh@portugalglobal.pt
INDONÉSIA
aicep.jacarta@portugalglobal.pt

Manuel Couto Miranda
EAU Jacarta
Isabel Maia e Silva
aicep.abudhabi@portugalglobal.pt
TIMOR-LESTE
Dili aicep.dili@portugalglobal.pt
Luanda

Windhoek
Pretória
Gaborone
Maputo Maria João Liew
MALÁSIA
aicep.kuala_lumpur@portugalglobal.pt

AO SERVIÇO
DAS EMPRESAS
64 BOOKMARKS Portugalglobal nº87

Gestão de Projeto
A obra “Gestão de Projeto” ensi- que cumpram os prazos e não ex-
na os leitores a fazerem de cada cedam o orçamento, e este livro
projeto um êxito. Quer se trate de mostra exatamente como fazê-lo.
organizar um evento importante
ou dirigir uma grande equipa, ge- Os autores, ambos gestores de
rir um projeto pode ser um pro-
projetos com mais de duas déca-
cesso assustador.
das de experiência, mostram aos
leitores o que devem fazer para
A derrapagem dos custos e os
gerir projetos bem-sucedidos.
prazos falhados fazem parte do
dia-a-dia dos gestores de proje-
tos, sendo que na realidade são Stephen Barker e Rob Cole são
mais os projetos que falham do ambos consultores de gestão de
que aqueles que têm sucesso. projetos com mais de 20 anos de
experiência, prestando serviços a
Contudo, é possível gerir projetos diversas empresas e organismos.
Autor: Stephen Barker e Rob Cole
Editora: Actual Editora
Ano: 2016
Nº de páginas: 184
Preço: 16,90€

Gestão de Tempo
“Gestão do Tempo” mostra aos pessoal, esta obra pretende sim-
leitores a melhor forma para ge- plificar a vida dos leitores.
rirem o seu tempo e consequen-
temente, a sua vida. As dicas e Destinadas a todas as pessoas, as
os conselhos presentes neste livro sugestões oferecidas pela autora
funcionam como soluções práti- ajudam-no a reduzir o stress, atin-
cas para tomar decisões, delegar gir os seus objetivos, melhorar o
tarefas, organizar formações de seu desempenho no local de tra-
equipa, planear o tempo, reduzir a balho e ter mais tempo para si.
papelada e aprender a dizer não.
Polly Bird é autora de vários livros
Ideal para aqueles que querem de gestão, debruçando-se essen-
melhorar o seu desempenho tan- cialmente sobre gestão do tempo
to a nível profissional como a nível e temas de formação profissional.
Autor: P
 oly Bird
Editora: Actual Editora
Ano: 2016
Nº de páginas: 199
Preço: 15,00€
AICEP
INFORMAÇÃO ESPECIALIZADA ONLINE

Portugalnews
Promova a sua empresa junto de 20 mil destinatários em Portugal
e nos mercados externos.

NewsRoom
Para uma divulgação em mercados internacionais, conta com a
newsletter semanal em língua inglesa e/ou francesa.

Fique a par da actividade da Agência no país e no exterior, conheça
os casos de sucesso de empresas portuguesas e os artigos de
especialidade económica.

Esteja sempre informado com o clipping diário da imprensa
nacional e estrangeira.

Subscreva as nossas newsletters.
Registe-se!
PERTO DE SI
PARA O LEVAR MAIS LONGE
Sabemos como é importante acompanhar cada passo
do crescimento da sua empresa nos Mercados Externos.

Por isso, estamos próximos de si através duma equipa de Gestores
de Cliente em Portugal e uma Rede Externa em 65 mercados.

Cada vez que a sua empresa vai mais longe
Portugal fica mais global.

aicep@portugalglobal.pt
portugalglobal.pt