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MATEMÁTICA BÁSICA

Brasília - DF.
Autores
Heitor Achilles

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do caderno de estudos e pesquisa.......................................................................................................4

Introdução...............................................................................................................................................................................6

Aula 1
Números reais, funções e gráficos............................................................................................................................7

Aula 2
Função afim e funções não lineares..................................................................................................................... 31

Aula 3
Modelagem matemática........................................................................................................................................... 76

Aula 4
Limites e aplicações.................................................................................................................................................104

Aula 5
Derivadas e aplicações............................................................................................................................................121

Aula 6
Integração e aplicações...........................................................................................................................................138

Referências.........................................................................................................................................................................145
Organização do caderno de
estudos e pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos,
de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com
questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável.
Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras
e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de
Estudos e Pesquisa.

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Praticando

Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de
fortalecer o processo de aprendizagem do aluno.

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Organização do caderno de estudos e pesquisa

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a
síntese/conclusão do assunto abordado.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões
sobre o assunto abordado.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Para (não) finalizar

Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.

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Introdução
Este caderno de estudo se destina a alunos do curso de Graduação a distância em Administração
do IAVM e apresenta uma breve introdução ao Cálculo Diferencial e Integral. Dessa forma, são
apresentados alguns conceitos e definições fundamentais desta área da Matemática tendo como
objetivo principal aplicá-los na resolução de problemas característicos da área de administração,
em particular relacionados à gestão econômica e/ou a gestão de negócios. Acredita-se que, a partir
dos temas apresentados, os futuros administradores possam adquirir subsídios matemáticos para
construir uma prática que atenda as novas demandas do mercado de trabalho, isto é, que vai além
do nível descritivo. Sempre que possível, ao longo deste Caderno de Estudos, são postas algumas
questões relativas aos conceitos apresentados a fim de conectá-las a uma abordagem no âmbito
da Administração. Assim, articulam-se teoria e prática para estabelecer conceitos e significar
objetos matemáticos no contexto da Administração. A apresentação dos temas ocorre de forma
simples, clara e objetiva e sempre que possível associada a exemplos e a contextos relacionados
à realidade de um gestor. Vale ressaltar que não há a preocupação de esgotar completamente
os conceitos abordados, embora estejam incluídas referências bibliográficas para aqueles que
desejam aprofundar e estudar mais detalhadamente as noções apresentadas.

Objetivos

Este caderno de estudos tem como objetivos:

»» Servir de instrumento de reflexão, discussão e problematização em torno de temas e
questões fundamentais referentes à economia e/ou negócios presentes na prática de
um administrador.

»» Proporcionar aos futuros administradores oportunidades no manuseio de equações e
fórmulas matemáticas para os interessados em ultrapassar o nível apenas descritivo das
situações problema. Ou seja, utilizar a matemática como uma ferramenta que apresenta
alternativas e que contribui racionalmente para a tomada de decisões em diferentes
momentos de um processo de gestão.

6
AULA
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E
GRÁFICOS 1
Apresentação

Nesta aula, trataremos de classificar os números categorizando-os em conjuntos, bem como,
apresentaremos uma introdução ao estudo das funções. Além disso, por meio da resolução de
problemas, sempre que possível, serão feitas algumas abordagens relacionais entre objetos
matemáticos e diferentes contextos da administração. Tenha uma boa aula!

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Diferenciar os conjuntos numéricos.

»» Representar subconjuntos reais por meio da notação de intervalos.

»» Operar com intervalos reais.

»» Reconhecer uma função.

»» Determinar o domínio, o contradomínio e a imagem de funções reais.

»» Esboçar e analisar gráficos de funções.

»» Determinar as raízes de uma função.

»» Determinar os intervalos do domínio de uma função em que ela é crescente, decrescente
ou constante.

»» Obter a função composta a partir de duas funções dadas.

7
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Introdução

Seja bem-vindo ao curso de Matemática para a Administração. O objetivo central deste curso é
apresentar ferramentas matemáticas que devem servir como instrumentos de análise, de crítica e
de intervenção a fim de ajudar os futuros administradores a analisar situações, a definir, explicitar
e adotar opções para a resolução de problemas, considerando sempre múltiplas alternativas para
a tomada de decisões acertivas frente ao problema que se tem.

Sendo assim, neste curso, os assuntos estudados assumem um caráter formativo e outro aplicativo
ora, no âmbito da própria matemática, ora num âmbito mais geral. Num primeiro momento
será feita a apresentação dos conjuntos numéricos a fim de utilizá-los no contexto da teoria das
funções.

Posteriormente, será apresentado um conceito fundamental para os nossos estudos, isto é, o
conceito de função, acompanhado da resolução de problemas variados. Vale lembrar que os
assuntos a serem estudados levam em conta requisitos da matemática básica como operações
matemáticas elementares, resolução de expressões numéricas, desenvolvimento de expressões
algébricas, isolamento de termos em fórmulas, o conceito e a resolução de equações simples.

Você perceberá ao longo desta aula, bem como ao longo das demais, uma ênfase na
resolução de problemas, que utilizam estratégias de resolução diferenciadas e que visam
à compreensão de conceitos, definições e regras pertinentes aos objetos matemáticos
propostos em cada aula.

Conjuntos numéricos

Atualmente, a Matemática é formulada na linguagem de conjuntos. Sendo assim, pode-se afirmar
que a partir da noção de conjunto todo e qualquer conceito matemático pode ser expresso.

Nesta aula os conjuntos serão usados para classificar os números e a opção feita foi pela
classificação mais usada na Matemática.

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NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Conjunto dos números naturais

Os números naturais são usados na contagem de objetos.

Pode-se afirmar que historicamente foram os primeiros a serem criados pelo homem. Para indicar
o conjunto dos números naturais utiliza-se o símbolo ℕ:

ℕ = {0,1,2,3,4,5,…}

Atenção

Representação de um conjunto

Um conjunto pode ser denotado por meio de letras maiúsculas, como A, B, C etc. e denotar os seus elementos por
letras minúsculas, como a, b, c etc.

Existem três formas fundamentais de representação de um conjunto:

Representação tabular: nesse caso os elementos são apresentados entre chaves e separados por vírgulas.

Representação por meio de diagrama de Venn: é aquela em que os elementos são simbolizados por pontos interiores
a uma região plana, delimitada por uma linha fechada que não se entrelaça.

Representação por uma propriedade: nessa representação os elementos de um conjunto A são descritos por meio de
uma propriedade P que os determina.

Exemplos:

A = {a, e, i, o, u} (representação tabular)

A = {x| x é vogal}

(representação por meio de uma propriedade)

Conjunto dos números inteiros

Ao considerar os números naturais pode-se imaginar os números que seriam os simétricos
de cada número natural. Os naturais e os seus simétricos constituem os chamados números
inteiros.

ℤ = {…,-3,-2,-1,0,1,2,3,…}

Pode-se observar que o conjunto dos números naturais é um subconjunto do conjunto dos
números inteiros. Nesse caso diz-se que ℕ está contido em ℤ, em símbolos, ℕ ⊂ ℤ.

Conjunto dos números racionais

Observe os números abaixo:

5 5
− 0, 8888 … 6, 21 − 0, 2 −
9 8

9
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Frações, dízimas periódicas e números decimais finitos são exemplos de números racionais.
Todos esses números têm uma característica em comum, ou seja, podem ser escritos como
uma razão entre dois números inteiros. Sendo assim, representando o conjunto dos números
racionais pelo símbolo ℚ, segue que:

p 
Q=  | p∈ Z, q∈ Z e q ≠ 0 
q 

Vale destacar que todo número natural é racional, assim como todo número inteiro também é
racional. Em outras palavras:

ℚ⊂Z⊂ℚ

Atenção

Dado um conjunto A e um elemento x a pergunta que se põe é a seguinte: x é ou não elemento de A? No
caso afirmativo diz-se que x pertence a A e escreve-se x ⊂ A. Caso contrário, diz-se que x não pertence a A e
escreve-se x ⊄ A.

Sejam A e B conjuntos. Diz-se que A é subconjunto de B se todo elemento de A também é elemento de B, neste caso
escreve-se A ⊂ B. A relação A ⊂ B chama-se relação de inclusão. Se A não está contido em B escreve-se A ⊄ B.

A palavra racional tem origem na raiz latina ratio, que originou dentre outras palavras da língua portuguesa, a palavra
“razão”, que, em matemática, significa compara por meio de uma divisão.

Conjunto dos números irracionais

Os números racionais podem ser obtidos por meio da razão entre dois números inteiros, isto
‫݌‬
é, pelas divisões indicadas por , sendo p e q inteiros e q diferente de zero. Sendo assim, essas
‫ݍ‬
razões podem simbolizar:

»» Uma divisão exata (nesse caso p é divisor de q).

»» Uma divisão não exata (nesse caso há duas possibilidades: a primeira o quociente tem
representação decimal finita enquanto que a segunda tem uma representação decimal
infinita e periódica).

Porém, existem números que estão fora dos padrões descritos acima, ou seja, apresentam
representação decimal infinita e não periódica. Nesse caso tais representações não podem ser dadas
por meio da divisão entre dois números inteiros. Por exemplo, o número 0,303003000300003…
possui infinitas casas decimais não periódicas. Logo, esse número não é racional.

Chama-se número irracional todo e qualquer número que não é racional. O número é outro
exemplo de número irracional. Além desses, existem outros infinitos números irracionais como,
por exemplo, 2, 3 5 etc.

10
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Conjunto dos números reais

A união do conjunto dos números racionais com o conjunto dos números irracionais resulta no
conjunto ℝ dos números reais.

Em diagramas pode-se observar que:

Figura 1.1. Conjuntos numéricos.

A reta real

Os números reais podem ser representados por pontos de uma reta.

Figura 1.2. A reta real.

Esta reta que representa ℝ é chamada reta real. Na reta real os números estão ordenados. Um
número a é menor que qualquer número x colocado à sua direita e maior que qualquer número
x à sua esquerda.

Intervalos reais

alguns subconjuntos de ℝ podem ser representados de forma “simplificada”. Isto é, dados dois
números reais a e b, com a < b, define-se:

11
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Figura 1.3. Intervalos reais.

Fonte: PAIVA, M. R. Matemática. São Paulo: Moderna, 2010. v.1 p. 47.

Atenção

O símbolo ∞ significa “infinito”.

A “bolinha cheia” (·) em um extremo do intervalo indica que o número associado a esse extremo pertence ao
intervalo.

A “bolinha vazia” (o) em um extremo do intervalo indica que o número associado a esse extremo não pertence ao
intervalo.

O intervalo sempre será aberto nos extremos + ∞ e -∞.

Os quatro primeiros intervalos da tabela são chamados intervalos limitados.

A seguir são apresentados alguns exemplos de intervalos:

Representação algébrica Representação no eixo real
-3 7
{x Є ℝ|-3 ≤ x ≤ 7} ou [3, 7]

2 8
{x Є ℝ| 2< x < 8} ou ]2, 8[ ou (2, 8)

12
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

-5

{x Є ℝ | x > -5} ou ]-5, + ∞ [ ou (-5, +∞)

9
{x Є ℝ | x ≤ 9} ou [9, + ∞ [ ou [9, + ∞)

Dados dois intervalos pode-se definir entre eles as operações de união, interseção e diferença.
Veja os exemplos a seguir:

Dados os intervalos: A = ]5, 9], B = [7, 11], C = ]-2, + ∞[ e D = ]-∞, 8], segue que:

a. A U B

Portanto: A U B = ]5, 11]

b. A U B

Portanto: A ∩ B = [7, 9]

c. C – D

Portanto: C – D = ]-8, + ∞)

PLANO CARTESIANO

A notação (a,b) é usada para indicar o par ordenado de números reais a e b, no qual o número a
é a primeira coordenada e o número b é a segunda coordenada. Um sistema de eixos ortogonais

13
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

é constituído por dois eixos perpendiculares, Ox e Oy, que têm a mesma origem O. Os eixos,
que se interceptam no ponto zero (origem), dividem o plano em quatro regiões (quadrantes) e
permitem representar pontos no plano.

Figura 1.4. Plano cartesiano.

A representação de um ponto no plano cartesiano é feita por meio de dois números:

»» O primeiro número do par ordenado chama-se abscissa do ponto.

»» O segundo número do par ordenado chama-se ordenada do ponto.

»» A abscissa e a ordenada de um ponto são as coordenadas desse ponto.

A notação P(a, b) é usada para indicar as coordenadas de um ponto P de abscissa a e a ordenada
b. Isto é, cada par ordenado de números reais representa um ponto do plano (a recíproca também
é verdadeira). Veja como se dá, genericamente, essa representação no plano cartesiano.

Figura 1.5. Representação de um ponto P(a, b).

y
b P(a, b)

a x

14
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

A seguir temos a representação de dois pontos A(-2, 3) e B(4, -3) no plano cartesiano.

Figura 1.6. Representação de um ponto no plano cartesiano.

A noção intuitiva de função de uma variável real

O conceito de função é um dos mais importantes da Matemática e das Ciências em geral. Esse
conceito torna-se presente nos mais variados contextos, em especial, sempre que se relacionam
duas grandezas variáveis. A seguir serão apresentados alguns exemplos, a ideia de função se faz
presente.

Número de pães e preço a pagar

Considere a seguinte tabela que relaciona o número de pães comprados e o preço a pagar por eles.

Tabela 1.1. Número de pães e preço a pagar.

Número de pães Preço a pagar em reais
1 0,17
2 0,34
3 0,51
4 0,68
… …
X 0,17x

Observe que o preço a pagar é dado em função do número de pães comprados, ou seja, o preço
a pagar depende do número de pães comprados.

Preço a pagar em R$ = R$ 0,17 vezes o número de pães comprados

15
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Sendo P o preço, em reais, a ser pago pela quantidade x de pães pode-se definir uma lei matemática
que relaciona o preço P com a variável x, isto é, pode-se definir a lei ou regra da função:

P = 0,17x

Número de peças e custo

Uma fábrica que produz certo tipo de peça para informática tem seu custo caracterizado pela
tabela a seguir.

Tabela 1.2. Número de peças e custo.

Número de
1 2 3 4 5 … X
peças
Custo (R$) 1,50 3,00 4,50 6,00 7,50 … 1,50x

Sendo C o custo, em reais, a ser gasto pela fábrica para produzir a quantidade x de peças pode-se
definir uma lei matemática que relaciona o custo C, com a variável x, isto é, pode-se definir a lei
ou regra da função:

C = 1,5x

Preço a pagar e quilômetros rodados

Em uma certa cidade do país, a bandeirada de uma corrida de táxi é R$ 2,50 e o quilômetro
rodado custa R$ 0,90. Sendo x o número de quilômetros rodados e P o preço da corrida pode-se
estabelecer a seguinte tabela:

Tabela 1.3. Preço a pagar e quilômetros rodados.
x (Km) 0 0,5 1 1,5 2
P (reais) 2,50 2,95 3,40 3,85 4,30

Note que a variável P depende da variável x, isto é, P é função de x. Dessa forma, pode-se estabelecer
uma lei que caracteriza esta situação, ou seja:

P = 2,50 + 0,90x

Nesse caso diz-se que P é uma variável dependente e x uma variável independente.

A noção de função de uma variável por meio de conjuntos

A noção de função de uma variável apresentada anteriormente pode ser também expressa usando
a nomenclatura de conjuntos. Por exemplo:

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NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Antônio fez um passeio de carro. Saiu de casa às 8 horas e retornou às 11 horas. A tabela abaixo
associa o tempo, em horas, a distância, em quilômetros, percorrida por Antônio.

Tabela 1.4. Passeio de Antônio.

Tempo (horas) Distância (Km)
8 0
9 60
10 80
11 0

A tabela pode ser representada por meio do diagrama de setas a seguir.

Figura 1.7. Diagrama de setas.

No exemplo considerado pode-se observar que a cada elemento do conjunto A corresponde
um único elemento do conjunto B. A este tipo de correspondência dá-se o nome de função de
A em B.

Vale lembrar que nem todas as correspondências são funções. Por exemplo:

Figura 1.8. Relações de A em B.

Na figura 1.8 diz-se que ambos os diagramas de flechas representam apenas relações de A em B.

Definição de função

Dados dois conjuntos não vazios A e B, uma função f de a em B é uma regra que associa a cada
elemento x ∈ A um único elemento y ∈ B.

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AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

A notação que será usada é dada por:

f: A → B

Que se lê: f é uma função de A em B.

Uma função f transforma x de A em y de B.

Domínio, contradomínio e imagem de uma função

Dada uma função f de A em B, o conjunto A chama-se domínio da função e o conjunto B,
contradomínio da função. Para cada x ∈ A, o elemento y ∈ B chama-se imagem de x pela função
f e representa-se por f(x) (lê-se: f de x). Dessa forma, y = f(x).

Figura 1.9. f é função de A em B.

O conjunto de todos os y assim obtidos é chamado conjunto imagem da função f e é indicado
por Im(f). A figura 1.10 a seguir ilustra as definições contidas nos dois últimos parágrafos.

Figura 1.10. Domínio, contradomínio e imagem.

Considere então o seguinte exemplo:

Na figura 1.11 é apresentada uma função f: A → B.

Figura 1.11. Função f: A → B.

18
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Sendo assim pode-se afirmar que:

»» O domínio de f é o conjunto A = {1, 4, 7}.

»» O contradomínio de f é o conjunto B = {1, 4, 6, 7, 8, 9, 12}.

»» A imagem de f é o conjunto Im(f ) = {6, 9, 12}.

»» f(1) = 6.

»» f(4) = 9.

»» f(7) = 12.

Estudo do domínio de uma função real

Toda função f: A → B possui três componentes: domínio, contradomínio e imagem. Muitas
vezes é apresentada apenas a lei da função f, sem que A e B sejam mencionados. Nesses casos o
contradomínio a ser considerado é o conjunto dos números reais, ℝ, e o domínio como o maior
subconjunto de tal que a lei dada defina uma função f: A → ℝ.

1
Assim, por exemplo, ao considerar a função f ( x ) = , temos que x deve ser diferente de zero.
x
Portanto, o domínio de f é dado por:

D(f ) = {x ∈ ℝ | x ≠ 0}

Já na função f ( x=
) x − 1 , temos que x – 1 deve ser maior ou igual a zero. Ou seja, em ℝ não há raiz
quadrada de número negativo. Sendo assim:

x–1≥0

x≥1

Portanto:

D(f) = { x ∈ ℝ | x ≥ 1}

Veja outro exemplo:
5− x
Qual o domínio da função definida por f ( x ) = ?
x −1
Nesse caso, deve-se ter:

5–x≥0 ⇒ x≤5

e

x–1>0 ⇒ x>1

19
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Utilizando operações com intervalos segue que:
5
x≤5

1
x>1

1 5
x≤5ex>1

Portanto:
D(f) = {x ∈ ℝ | 1 < x ≤ 5}

Gráfico de uma função

Muitas situações de nosso dia a dia podem ser retratadas por meio de gráficos, e tabelas. Os
meios de comunicação, por exemplo, utilizam bastante esse recurso. Em geral esses gráficos e
essas tabelas representam funções e a partir da análise desses pode-se obter informações e tirar
conclusões sobre as situações nas quais se referem.

O recurso gráfico é utilizado para representar relações entre grandezas. Muitos desses gráficos
recebem um tratamento estatístico, como é visto nos cursos de Estatística Básica. Nesse momento,
o interesse está em analisar e construir gráficos no contexto das funções.

A seguir são dados alguns exemplos:

O desemprego no Brasil
O gráfico da figura 1.12 mostra a variação da taxa de desemprego no Brasil em seis regiões
metropolitanas mês a mês, desde o mês de maio de 2014 até o mês de maio de 2015.

Figura 1.12. Variação da taxa de desemprego no Brasil.

20
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

De acordo com o gráfico pode-se afirmar que após dezembro de 2014 as taxas tiveram
aumento considerável. O mês de maio de 2015 registrou a maior alta na taxa de desemprego,
considerando-se o período analisado. Em dezembro de 2015, a taxa ficou em 4,3% a melhor
marca do período considerado. Pode-se perceber ainda que de maio a novembro de 2014 a
taxa de desemprego teve pouca oscilação. Isso pode indicar um dos fatores de uma economia
mais estabilizada. A alta em janeiro de 2015 tem muitas consequências, entre essas, o fato de
que pessoas costumam ficar sem emprego entre dezembro e janeiro, o que historicamente
é comum no mercado de trabalho, tendo em vista os cortes das vagas temporárias após as
contratações para as festas de final de ano. Ao considerar o mês de maio de 2015, vê-se que a
taxa de desemprego aumentou significativamente em relação ao mesmo mês do ano anterior
– o que pode significar que o mercado de trabalho contratou menos pessoas em relação ao
período anterior.

Taxa básica de juros SELIC

O gráfico abaixo apresenta a variação da taxa básica SELIC em função do tempo em anos.
O período analisado corresponde a janeiro de 2006 a janeiro de 2011.

Figura 1.13. Variação da taxa básica SELIC.

Atenção

A taxa SELIC é divulgada pelo Comitê de Política Monetária (COPOM). Ela tem vital importância na economia, pois as
taxas de juros cobradas pelo mercado são balizadas pela mesma. A taxa overnight do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (SELIC), expressa na forma anual, é a taxa média ponderada pelo volume das operações de financiamento por um
dia, lastreadas em títulos públicos federais e realizadas no SELIC, na forma de operações compromissadas. É a taxa básica
utilizada como referência pela política monetária.

21
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Número de celulares

O gráfico a seguir relaciona o número de pessoas aprisionadas para cada 100 mil habitantes do
Brasil a um determinado ano. Pode-se observar que o número de pessoas aprisionadas no País
vem aumentando de ano a ano, no período compreendido entre 2004 e 2014.

Figura 1.14. Número de aprisionados no Brasil.

Construção de gráficos

A partir da lei de formação de uma função, y = f(x), e conhecendo-se o seu domínio como pode
ser feita a construção de seu gráfico?

Para responder a essa pergunta basta seguir os seguintes passos:

1o Passo:

Construir uma tabela na qual aparecem os valores de x (variável independente) e os valores do
correspondente y, calculados por meio da lei y = f(x).

2o Passo:

Representar cada par ordenado (x, y) da tabela por um ponto do plano cartesiano.

3o Passo:

Ligar os pontos construídos no passo anterior por meio de uma curva, que é o próprio gráfico
da função y = f(x).

22
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Para esboçar o gráfico da função y = 2x com domínio ℝ basta seguir os passos descritos acima,
isto é:

1o Passo:

Escolher alguns valores para a variável independente x e obter o seu respectivo y:

x y=2x Y
-2 y = 2 . (-2) -4
-1 y = 2 . (-1) -2
0 y= 2 .0 0
1 y= 2 .1 2
2 y= 2 .2 4

2o Passo:

Representar os pares ordenados que estão nessa tabela por pontos.

3o Passo:

Traçar a curva que contém os pontos que satisfazem a lei y = 2x.

23
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Agora considere a função y = x2 com domínio em ℝ. Segue que:

x y = x2 y
-2 y = (-2) 2
4
-1 y = (-1) 2
1
0 y = 02 0
1 y=1 2
1
2 y=2 2
4

Daí:

No caso da função y = 1/x com domínio {x ∈ ℝ | x ≠ 0} segue que:

X y = 1/x Y
-2 y = 1/(-2) -1/2
-1 y = 1/(-1) -1/1
1 y = 1/1 1
2 y = 1/2 ½

Daí:

24
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Análise de gráficos

Muitas informações a respeito do comportamento das funções podem ser obtidas por meio da
análise do gráfico que as representam. Por meio dos gráficos pode-se ter uma visão do crescimento
(ou decrescimento) da função, dos valores máximos (ou mínimos) que ela assume, de eventuais
simetrias, do comportamento para valores de x muito grandes etc.

A correta interpretação de gráficos do dia a dia depende de fundamentos matemáticos e estatísticos.
A seguir serão apresentados alguns desses fundamentos.

Raiz de uma função

A balança comercial de um país em determinado período é a diferença entre o valor monetário
das exportações e o das importações, nessa ordem. Quando a balança comercial é positiva, diz-se
que houve um superávit, e; quando é negativa, diz-se que houve um déficit. Quando não há
superávit nem déficit, diz-se que a balança comercial foi nula.

Suponha que a balança comercial de certo país variou em determinado ano de acordo com a
função f(t) = t2 – 7t + 12, em que t representa o tempo, em mês, com 1 ≤ t ≤ 12, e f(t) é o valor da
balança comercial em bilhão de dólares. Em que meses desse ano a balança comercial desse
país foi nula?

A resposta dessa questão é obtida resolvendo a equação f(t) = 0, ou seja:

f(t) = 0

t2 – 7t + 12 = 0 (Equação do 2o grau)

Calculando o valor do delta:

∆ = b2 – 4ac = (-7)2 – 4 ∙ 1 ∙ 12 = 49 – 48 = 1

Usando a fórmula de Bháskara:
𝟕𝟕+ 𝟏𝟏 𝟖𝟖
t1 =
2
= 2 = 𝟒𝟒
−b ± ∆ −(−7) ± 1 7 ± 1
t= = = =
2a 2 ⋅1 2 𝟕𝟕 - 𝟏𝟏 𝟔𝟔
t2 = = = 𝟑𝟑
2 2

Portanto, a balança comercial favorável foi nula nos meses 3 e 4, isto é, em março e abril.
Os valores de t, 3 e 4, que anulam a função f são chamados de raízes de f.

25
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Chama-se raiz (ou zero) de uma função real de variável real, y = f(x), todo número x pertencente
ao domínio que anula a função f, isto é, que satisfaz a
Atenção
equação f(x) = 0. Em outras palavras para determinar a(s)
raiz(es) de uma função basta fazer f(x) =0. Nem toda função admite raiz ou zero.

Estudo do sinal de uma função

Sendo f uma função de domínio D, diz-se que:

»» f é positiva para um elemento x, com x ∈ D, se, e somente se, f(x) > 0.

»» F é negativa para um elemento x, com x ∈ D, se, e somente se, f(x) < 0.

»» F se anula para um elemento x, com x ∈ D, se, e somente se, f(x) = 0. Nesse caso x é raiz
da função.

Sendo assim ao observar o gráfico a seguir, segue que:

Figura 1.15. Estudo do sinal.

»» O domínio de f corresponde ao intervalo [-2, 11/2[. (Lembre-se o domínio de f corresponde
a todos os valores de x nos quais f é definida)

»» A imagem de f é dada pelo intervalo [-2, 3]. (Lembre-se a imagem de f corresponde a
todos os valores de y para os quais x é definido).

»» f é positiva no intervalo ]2, 11/2[.

»» f é negativa no intervalo ]-2, 2[.

»» f é nula em x = -2 e x = 2.

26
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Variação de uma função

Considere o gráfico a seguir:

Figura 1.16. Variação do sinal.

»» Os pontos de interseção do gráfico com o eixo x apresentam ordenada y = 0. As
abscissas desses pontos correspondem aos zeros da função, isto é, as raízes dessa
função são x = -2, x = -1, x = 3 e x = 6.

»» Os pontos do gráfico situados acima do eixo x possuem ordenada positiva, enquanto
que os situados abaixo do eixo x possuem ordenada negativa.

»» Nesse exemplo tem-se que:

›› f(-2) = 0, f(-1) = 0, f(3) = 0 e f(6) = 0.

›› f(x) > 0, para x < -2 ou -1 <x < 3 ou x > 6.

›› f(x) < 0, para -2 < x < -1 ou 3 < x < 6.

»» Se, para quaisquer valores x1 e x2 de um conjunto A (contido no domínio D), com x1 < x2,
temos f(x1) < f(x2), então f é crescente em A. Se, para quaisquer valores x1 e x2 de um
conjunto A (contido no domínio D), com x1 < x2, temos f(x1) > f(x2), então f é decrescente
em A.

»» Nesse exemplo tem-se que:

›› f é crescente nos intervalos -3/2 < x < 1 ou x > 9/2.

›› f é decrescente nos intervalos x < -3/2 ou 1 < x < 9/2.

27
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

Pontos de máximo e de mínimo

No gráfico a seguir:

Figura 1.17. Ponto de máximo e de mínimo.

»» O domínio de f é o conjunto {x ∈ ℝ | -1 ≤ x ≤ 2}.

»» A imagem de f é o conjunto {y ∈ ℝ | 0 ≤ y ≤ 4}.

»» Para x = 0 tem-se um valor mínimo de y, isto é y = 0.

»» Para x = 2 tem-se um valor máximo de y, isto é, y = 4.

Seja A um subconjunto do domínio D e seja x0 ∈ A.

Se, para todo x pertencente a A, temos f(x) ≥ f(x0), então x0 é o ponto de mínimo de f em A, e f(x0)
é o valor mínimo de f em A.

Se, para todo x pertencente a A, temos f(x) ≤ f(x0), então x0 é o ponto de máximo de f em A, e f(x0)
é o valor máximo de f em A.

A seguinte figura apresenta a ideia contida na definição acima.

Figura 1.18. Máximo e mínimo.

Função composta

Sejam A, B e C conjuntos não vazios e sejam as funções f: A → B e g: B → C. A função h: A → C tal
que h = g(f(x)) é chamada função composta de g com f. A notação usada é g o f.

28
NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS • AULA 1

Figura 1.19. Composição de funções.

Sendo assim, considere as seguintes funções reais:

f(x) = 3x e g(x) = x3 – 6

Então:

(gof)(x) = g(f(x)) = (3x)3 – 6 = 27x3 – 6

(fog)(x) = f(g(x)) = 3(x3 – 6) = 3x3 – 18

Note-se que: (gof)(x) ≠ (fog)(x).

Analisando-se os dados apresentados, conclui-se que o número de voos:

a. diminuiu em 2007 e 2008.

b. sofreu uma queda mais acentuada em 2008 do que em 2007.

c. teve aumento mais acentuado em 2009 do que em 2010.

29
AULA 1 • NÚMEROS REAIS, FUNÇÕES E GRÁFICOS

d. é mais que o dobro em 2010, comparado a 2009.

e. é mais que o dobro em 2011, comparado a 2009.

Resumo

Vimos até agora:

»» Um critério de classificação para os números.

»» A representação de intervalos reais.

»» As operações com intervalos reais.

»» A definição de função, bem como os seus componentes básicos (domínio, contradomínio
e imagem).

»» Como determinar o domínio de funções reais.

»» Como construir e analisar gráficos de funções.

30
AULA
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO
LINEARES 2
Apresentação

Nesta aula, serão apresentadas as principais ideias relacionadas ao estudo das funções afins e das
funções não lineares. Tais conceitos são fundamentais para se estabelecer uma relação formal
entre a matemática e sua utilização em negócios e economia. O foco é desenvolver aspectos de
uma ferramenta matemática capaz de estabelecer relações quantitativas entre variáveis a fim
de resolver problemas relacionados às mesmas.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Identificar situações que podem ser representadas por funções afins e funções não
lineares.

»» Reconhecer a lei de uma função afim e de funções não lineares.

»» Construir o gráfico de uma função afim e de funções não lineares.

»» Determinar a lei que caracteriza uma função afim.

»» Aplicar o conceito de função afim e de funções não lineares na resolução de problemas.

»» Aplicar a taxa de variação na obtenção da lei da função afim.

»» Classificar uma função afim em crescente ou decrescente.

»» Identificar intervalos do domínio de uma função não linear onde esta é crescente ou
decrescente.

»» Estudar o sinal de uma função afim, quadrática, exponencial e logarítmica.

»» Resolver inequações por meio do estudo do sinal de uma função.

31
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Introdução

Um representante de vendas de uma empresa recebe, mensalmente, um salário composto de
duas partes: uma fixa, no valor de R$ 1.200,00 e uma parte variável, que corresponde a uma
comissão de 5% sobre o valor total das vendas que ele realiza durante o mês.

Nessas condições, pode-se afirmar que o salário desse representante de vendas é obtido por
meio da lei matemática:

Salário mensal = 1.200 + 0,05× (total das vendas do mês)

Portanto, o salário mensal desse representante de vendas é dado em função do total de vendas
que o mesmo realiza durante um mês. Sendo assim, se x é o total das vendas do mês e s(x) o
salário mensal do representante de vendas segue que:

s(x) = 1. 200 + 0,05 ∙ x

Agora, considere outra situação. Suponha que para fretar um ônibus de excursão com 40 lugares
paga-se ao todo R$ 3.600,00. Essa despesa deverá ser repartida entre os participantes.

Para achar a quantia que cada um deve desembolsar (y), basta dividir o preço total (R$ 3.600,00)
pelo número de passageiros (x). A fórmula (ou lei) que relaciona y com x é dada por:

3600
y=
x
As duas situações descritas acima são exemplos de problemas que podem ser representados por
uma função que relaciona duas grandezas. Essas funções podem ser classificadas de acordo com
a lei que as representam. Por exemplo, a função considerada na primeira situação corresponde
a uma função afim enquanto que a função considerada na segunda situação é uma função
não linear.

Função afim

Definição

Considere uma função f: ℝ → ℝ. Diz-se que f uma função afim quando existem números reais
tais a e b tais que f(x) = ax + b, para todo x ∈ ℝ.

São exemplos de funções afins:

»» f(x) = 2x + 1, note que a = 2 e b = 1.

»» f(x) = -3x, nesse caso a = -3 e b = 0.

32
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

»» f(x) = 4, nesse caso a = 0 e b = 4.
1 1
»» f(x) = − x + 5, nesse caso a = − e b = 5.
3 3

Valor de uma função afim

Os gastos do consumo (C) de uma família e sua renda (x) são tais que:

C = 2 000 + 0,6x.

Se a renda dessa família é igual a R$ 3 800,00, então qual é o valor gasto do seu consumo?

A questão apresentada refere-se ao cálculo do valor de C para x = 3 800 reais. Sendo assim:

C = 2 000 + 0,6 × 3 800 = 2 000 + 2 280 = 4 280

Ou seja, o valor que a função afim assume pra x = 3 800 é dado por C= 4 280. Portanto o gasto do
consumo dessa família é igual a R$ 3 800,00.

O exemplo ilustra como determinar o valor de uma função afim. Isto é:

O valor de uma função afim f(x) = ax + b para x = x0 é dado por f(x0) = ax0 + b.

Por exemplo, seja f: ℝ → ℝ definida por f(x) = -3x + 5, então qual o valor de f(-2)?

f(-2) = -3 (-2) + 5 = + 6 + 5 = +11.

2
E o valor de f  ?
5
2 2 6 −6 + 25 19
f   = -3 ∙ +5= − +5= =
5 5 5 5 5
Aplicação

A despesa mensal com encargos sociais de uma pequena empresa é dada pela função:

x
D ( x=
) 20 + ,
10
Em que D (x) é a despesa, em milhares de reais, e x é o número de funcionários.

a. Qual será a despesa quando a empresa tiver 100 funcionários?

Nesse caso temos que x = 100, daí:

100
D (100 ) = 20 + = 20 + 10 = 30
10

Portanto, a despesa será de 30 mil reais.

33
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

b. Qual será o número de funcionários quando a despesa for 50 mil reais?

Agora, tem-se que D(x) = 50 mil reais. Então:

x
50
= 20 +
10

x
50 − 20 =
10

x
30 =
10

x = 300

Portanto, quando a despesa é igual a 50 mil reais o número de funcionários da empresa é igual
a 300.

Zero ou raiz da função afim

O zero ou a raiz de uma função afim f: ℝ → ℝ definida por f(x) = ax + b (a ≠ 0) pode ser determinado
fazendo-se f(x) = 0, isto é, resolvendo a equação do 1o grau ax + b = 0.

Por exemplo, seja f: ℝ → ℝ definida por f(x) = -3x + 5. Então o zero ou raiz dessa função é dado
fazendo-se:

f(x) = 0

-3x + 5 = 0

-3x = -5

5
x=
3
5
Portanto, x = é raiz ou zero da função dada.
3

Determinação de uma função afim a partir de dois pontos
distintos dados

Uma função afim f(x) = ax + b é bem determinada quando se conhece dois de seus valores f(x1) e
f(x2) para quaisquer x1 e x2 reais, com x1 ≠ x2. Ou seja, com esses valores é possível determinar os valores
de a e b.

34
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Por exemplo, sabendo que f(3) = 5 e que f(4) = 7 determinar a função afim f(x) = ax +b. Primeiramente
observe que:

f(3) = 5 ⇒ 5 = 3a + b

f(4) = 7 ⇒ 7 = 4a + b

Assim, determina-se o valor de a e de b resolvendo o sistema:

{ 5 = 3a + b
7 = 4a + b

Multiplicando a 1a igualdade por -1, membro a membro obtém-se:

{ -5 = -3a - b
7 = 4a + b

Somando membro a membro ambas as igualdades, segue que:

{ -5 = -3a - b
7 = 4a + b
2=a

Para determinar o valor de b basta substituir o valor de a em qualquer uma das equações.

5 = 3a + b ⇒ 5 = 3⋅2 + b ⇒ 5 = 6 + b ⇒ b = -1

Como a = 2 e b = -1 segue que a função afim procurada é f(x) = 2x – 1.

Aplicação

Uma empresa fabrica componentes eletrônicos; quando são produzidas 1.000 unidades por mês,
o custo de produção é R$ 35.000,00. Quando são fabricadas 2.000 unidades por mês, o custo é
R$ 65.000,00. Admitindo que o custo mensal seja uma função afim em relação ao número de
unidades produzidas, qual o custo (em real) de produção de 1.400 unidades?

Sendo C(x) o custo da produção de x unidades mensais, segue que:

X C(x)
1 000 35 000
2 000 65 000

Como o custo mensal é uma função afim em relação ao número de unidades produzidas pode-se
afirmar que:

C(x) = ax + b

35
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Então para determinar a e b basta resolver o seguinte sistema de equações:

35 000 = 1 000a + b

65 000 = 2 000a + b

Multiplicando, ambos os membros da 1ª igualdade por -1, obtém-se:

-35 000 = -1 000a – b

65 000 = 2 000a + b

Somando, membro a membro, as equações:

-35 000 = -1 000a – b

65 000 = 2 000a + b

30 000 = 1 000a

a = 30

Substituindo o valor de a em qualquer uma das duas equações obtém-se o valor de b. Escolhendo
a igualdade 35 000 = 1.000a + b, segue que:

35 000 = 1 000 × 30 + b ⇒ 35 000 = 30 000 + b

Assim, b = 5 000.

Logo, a função afim procurada é dada por:

C(x) = 30x + 5 000

Portanto, o custo, em real, para produzir 1 400 unidades de componentes eletrônicos, por mês,
é obtido fazendo-se:

C(1400) = 30 × 1 400 + 5 000 = 42 000 + 5 000 = 47 000 reais.

Taxa de variação da função afim

f(x) = ax + b

O coeficiente a de uma função afim f(x) = ax + b é chamado taxa de variação (ou taxa de
crescimento). Para obtê-lo, basta dois pontos quaisquer distintos, (x1, f(x1)) e (x2, f(x2)), da função
considerada.

36
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Assim, f(x1) = ax1 + b e f(x2) = ax2 + b

Então, segue que:

f(x1) - (x2) = ax1 + b - ax2 – b

f(x1) - (x2) = ax1 - ax2

f(x1) - (x2) = a (x1 - x2)

f ( x1 ) − f ( x2 )
a=
x1 − x2

Por exemplo, a taxa de variação da função f(x) = 3x + 5 é 3 e da função f(x) = -7x + 15 é -7.

Note-se que sabendo que os pontos (5, 4) e (6, 7) são pontos de uma reta, qual a sua taxa de
variação? Nesse caso pode-se utilizar a fórmula deduzida acima, isto é:

4 − 7 −3
a
= = = 3
5 − 6 −1

Gráfico de uma função afim

O gráfico de uma função afim é sempre uma reta. Sendo assim pode-se afirmar que no caso das
funções afins que não são constantes o gráfico será uma reta inclinada para direita ou para a
esquerda. Se a função afim é constante o seu gráfico é uma reta paralela ao eixo x.

Como esboçar o gráfico de funções afins

Função afim com a ≠ 0 e b ≠ 0

Nesse caso, como já foi dito, o gráfico é uma reta inclinada. Sendo o gráfico uma reta, para que
esta fique bem determinada precisamos de pelo menos dois pontos. Assim, basta obter a raiz ou
zero da função e o ponto onde a função intercepta o eixo y, isto é, o ponto (0,b).

Por exemplo, esboçar o gráfico da função real f(x) = x + 3.

Primeiramente, pode-se determinar o zero ou a raiz dessa função, fazendo f(x) = 0. Isto é:

f(x) = 0

x+3=0

x=-3

37
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Agora para x = 0 tem-se f(0) = 3, isto é, a reta intercepta o eixo y no ponto (0, 3).

Logo, temos dois pontos da reta (-3, 0) e o ponto (0, 3). Marcando cada um deles no plano
cartesiano, segue que a reta procurada é aquela que passa por esses dois pontos. Portanto:

Agora veja como esboçar o gráfico da função real f(x) = – 2x – 6. O zero ou raiz dessa função é
obtido fazendo f(x) = 0, então:

f(x) = 0

– 2x – 6 = 0

– 2x = 6

x=–3

Para x = 0 tem-se f(0) = – 6, isto é, a reta intercepta o eixo y no ponto (0, –6).

Logo, deve-se traçar a reta que passa pelos pontos (–3, 0) e (0, –6).

Portanto:

38
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Aplicação

O custo de um produto é calculado pela fórmula matemática c = 1 + 2q, na qual c indica o custo (em
reais) e q, a quantidade produzida (em unidades). Qual o gráfico de c em função de q?

A lei que caracteriza o problema corresponde a uma função afim. Nesse caso, a raiz ou o zero
dessa função é dado fazendo c = 0, isto é:

c=0

1 + 2q = 0

2q = -1

q = - 1/2

Porém, q representa a quantidade de produto produzida, isto é, q deve ser um número maior
ou igual a zero. Nesse caso, o zero da função não deve ser marcado assim como nenhum ponto
cuja abscissa seja negativa. Portanto, o gráfico procurado é dado por:

Função linear (b = 0)

Nesse caso o gráfico também é uma reta inclinada só que contém a origem. Assim, pode-se obter
o gráfico dessas funções com o auxílio de uma tabela, como sugerido na aula 1.

Considere a função real f(x) = 3x:

X f(x)
-1 -3
0 0
1 3

39
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Então:

No caso da função identidade f(x) = x segue que:

X f(x)
-2 -2
-1 -1
0 0
1 1
2 2

Então:

Saiba mais

O gráfico da função constante f(x) = b é uma reta paralela ao eixo x que passa pelo ponto (0, b). Nesse caso, a
Im(f ) = {b}

40
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Função constante (a = 0)

Observe a construção do gráfico da função constante f(x) = 3 para qualquer x real no plano
cartesiano.

A tabela a seguir apresenta alguns o valor que f assume à medida que x varia.

X f(x)

-3 3

-2 3

-1 3

0 3

1 3

2 3

3 3

Então:

Sugestão de estudo

As ideias apresentadas nesta seção
são importantes nas aplicações que
aparecerão na aula 3, deste Caderno de
Estudos.

Retas paralelas e retas concorrentes

Considere as funções f(x) = x; g(x) = x + 1 e h(x) = x – 1. Pode-se verificar que todas apresentam
o mesmo coeficiente angular, isto é, a = 1. Veja agora que o gráfico de cada função pode ser
representado num mesmo plano cartesiano.

41
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Agora, fazendo o mesmo, para as funções f(x) = - x; g(x) = - x + 1 e h(x) = - x – 1, obtém-se:

Nesse caso, o coeficiente angular de todas as funções apresentadas é dado por a = -1.

Pode-se observar que funções que apresentam o mesmo coeficiente angular caracterizam retas
que são paralelas entre si.

Considere agora as funções f(x) = 2x + 4 e g(x) = -3x – 1. A seguir é apresentada a representação,
num mesmo plano cartesiano, de cada uma dessas funções.

42
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Pode-se observar que as duas funções apresentam, respectivamente, coeficientes angulares
a = 2 e a = -3, sendo assim distintos.

Geometricamente, observa-se que as retas são concorrentes, ou seja, apresentam como ponto
de interseção o ponto de coordenadas (-1, 2).

Portanto, funções afins que apresentam coeficientes angulares distintos caracterizam retas
concorrentes.

Observe que a abscissa do ponto de interseção (-1, 2) pode ser obtida algebricamente fazendo
f(x) = g(x). Ou seja:

f(x) = g(x)

2x + 4 = - 3x – 1

2x + 3x = - 1 – 4

5x = - 5

x=-1

Então para determinar o valor de y correspondente a x = -1, basta substituir esse valor em qualquer
uma das duas funções:

f(-1) = 2(-1) + 4 = - 2 = 4 = 2

ou

g(-1) = -3(-1) – 1 = 3 – 1 = 2.

43
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Funções afins crescentes e decrescentes

Considere a função real f(x) = 2x – 1. Agora observe na tabela o que acontece com o valor de f(x)
quando se atribuiu valores cada vez maiores para x.

X f(X)
-3 -7
-2 -5
-1 -3
x aumenta f(x) aumenta
0 -1
1 1
2 3
3 5

Note-se que quando os valores de x aumentam os valores de f(x) também aumentam.

Nesse caso, diz-se que f(x) = 2x – 1 é uma função crescente.

Observe agora o gráfico de f:

Considere agora a função real g(x) = -2x – 1. Observe na tabela o que acontece com o valor de
g(x) quando se atribuiu valores cada vez maiores para x.

X g(X)
-3 5
-2 3
-1 1
x aumenta f(x) diminui
0 -1
1 -3
2 -5
3 -7

44
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Note-se que quando os valores de x aumentam os valores de g(x) diminuem.

Nesse caso, diz-se que g(x) = -2x – 1 é uma função decrescente.

Observe agora o gráfico de g:

Note-se agora que a função crescente f(x) = 2x – 1 possui coeficiente angular a = 2 e a função
decrescente g(x) = -2x – 1 tem coeficiente angular a = -2.

Ou seja, quando a é maior que zero a função é crescente e quando a < 0 a função é decrescente.

Sendo assim, se f é uma função real definida por f(x) = ax + b em que a ≠ 0, segue que:

f(x2) f(x1)
f(x1)
f(x2)

x1 x2 x x1 x2 x
f é crescente quando a > 0 f é decrescente quando a < 0

Estudo do sinal

Estudar o sinal de uma função qualquer y = f(x) é determinar os valores de x para os quais y é
positivo, os valores de x para os quais y é nulo e os valores de x para os quais y é negativo.

Considere uma função afim y = f(x) = ax + b. O objetivo agora é fazer o estudo do sinal desta
função. Primeiramente temos que sua raiz ou zero corresponde a x = -b/a.

45
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Conforme descrito na seção anterior há duas possibilidades para a função afim em questão:

Na 1a possibilidade, a função é crescente (a > 0), sendo assim:

»» Se x < -b/a então f(x) < 0.

»» Se x = -b/a então f(x) = 0.

»» Se x > -b/a então f(x) > 0.

Na 2a possibilidade, a função é decrescente (a < 0), sendo assim:

»» Se x < -b/a então f(x) > 0.

»» Se x = -b/a então f(x) =0.

»» Se x > -b/a então f(x) < 0.

Por exemplo, faça o estudo do sinal da função real f(x) = x + 2. Primeiramente, segue que x = -2
é raiz ou zero dessa função e como a = 1 > 0, a função é crescente. Então:

+

-2 x
-

Então:

»» Para x < -2 tem-se f(x) < 0.

»» Para x = -2 tem-se f(x) = 0.

»» Para x > -2 tem-se f(x) > 0.

Agora considere a função f(x) = -x + 2. Segue que x = 2 é a sua raiz e como a = -1 < 0 a função é
decrescente. Então:

+

2 x
-

46
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Então:

»» Para x < 2 tem-se f(x) > 0.

»» Para x = 2 tem-se f(x) = 0.

»» Para x > 2 tem-se f(x) < 0.

O estudo do sinal de uma função é aplicado na resolução de certas inequações, assunto a ser
tratado na próxima seção.

Inequações produto e inequações quocientes

Chama-se inequação produto toda equação que pode ser apresentada sob uma das formas a
seguir, em que f e g são funções quaisquer:

»» f(x)⋅g(x) > 0.

»» f(x)⋅g(x) < 0.

»» f(x)⋅g(x) ≥ 0.

»» f(x)⋅g(x) ≤ 0.

»» f(x)⋅g(x) ≠ 0.

Chama-se inequação quociente toda equação que pode ser apresentada em uma das formas abaixo, em
que f e g são funções quaisquer com g(x) ≠ 0.

f (x)
»» > 0.
g(x)
f (x)
»» < 0.
g(x)
f (x)
»» ≥ 0.
g(x)
f (x)
»» ≤ 0.
g(x)
f (x)
»» ≠ 0.
g(x)
Como resolver inequações produto e inequações quocientes

Para resolver inequações produto e inequações quocientes pode-se utilizar um esquema para
representar as funções que compõem cada inequação e por meio de uma análise determinar a
sua resposta.

47
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Por exemplo, resolver em ℝ a inequação:

(3x + 6)(-x + 2) > 0

Primeiramente, considere f(x) = 3x + 6 e g(x) = -x + 2 e faça o estudo do sinal de cada uma delas, isto é:

Para f(x) = 3x + 6:

3x + 6 = 0 ⇒ x = -2 (raiz de f)

a = 3 > 0 (f é crescente)

+

-2 x
-

Para g(x) = -x + 2:

-x + 2 = 0 ⇒ x = 2 (raiz de g)

a = -1 < 0 (f é decrescente)

+

2 x
-

Com as informações obtidas pode-se montar o quadro de sinais, isto é:

Portanto: {x ∈ ℝ | -2 < x < 2}

Essa mesma técnica é utilizada na resolução de inequações quocientes.

Funções não lineares e aplicações

Função quadrática

Definição

Chama-se função quadrática toda função f: ℝ → ℝ definida por f(x) = ax2 = bx + c onde a, b, c ∈ ℝ e a ≠ 0.

48
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Por exemplo:

f(x) = 2x2 – 4x + 9, (a = 2, b = - 4 e c = 9)

f(x) = x2 – 2x + 1, (a = 1, b = - 2 e c = 1)

f(x) = 2x2 – 6x, (a = 2, b = - 6 e c = 0)

3 2 3
f(x) = x + 81, (a = , b = 0 e c = 81)
5 5
f(x) = 3x2, (a = 3, b = 0 e c = 0)

Valor de uma função quadrática

O valor de uma função quadrática f: ℝ → ℝ, dada por f(x) = ax2 + bx = c, com a, b, c ∈ ℝ e a ≠ 0, para x = x0
é dado por f(x0) = a(x0)2 + b(x0) + c.

Isto é:

Seja f: ℝ → ℝ definida por f(x) = 2x2 – 3x + 5. Então segue que:

»» O valor de x = -1 é dado por

»» f(-1) = 2(-1)2 – 3(-1) + 5 = 2 + 3 +5 = 10.

»» O valor de x = -2 é dado por

»» F(-2) = 2(-2)2 – 3(-2) + 5 = 8 + 6 + 5 = 19

Gráfico de uma função quadrática

Considere as funções f: ℝ → ℝ definidas por f(x) = x2 e g(x) = - x2. Os gráficos de f e g podem ser obtidos
com o auxílio de uma tabela. Essa tabela pode ser obtida atribuindo-se valores reais para a variável
independente x a fim de obter o respectivo valor de f(x). Sendo assim:

Figura 2.1. Gráfico de f(x) = x2 .

49
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Para f(x) = x2:

Tabela 2.1. f(x) = x2 .

x f(x) = x2 f(x)
-2 f(-2) = (-2) 2
4
-1 f(-1) = (-1) 2
1
0 f(0) = 02
0
1 f(1) = 12
1
2 f(2) = 22
4

Para f(x) = -x2

Figura 2.2. Gráfico de f(x) = -x2.

Tabela 2.2. f(x) = -x2.

x f(x) = - x2 f(x)
-2 f(-2) = -(-2) 2
-4
-1 f(-1) = -(-1) 2
-1
0 f(0) = -0 2
0
1 f(1) = -12 -1
2 f(2) = -22 -4

O gráfico das funções acima corresponde a uma curva denominada parábola. Note que a parábola
representativa de uma função quadrática f(x) = ax2 + bx + c pode ter concavidade voltada para
“cima” ou para “baixo”.

Nos exemplos acima f possui concavidade voltada para cima e g concavidade voltada para baixo.

Ou seja:

»» Se a > 0, a concavidade da parábola está voltada para cima.

»» Se a < 0, a concavidade da parábola está voltada para baixo.

50
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Figura 2.3. Concavidade.

Zero(s) ou raiz(es) de uma função quadrática
Para obter o(s) zero(os) ou raiz(es) de uma função quadrática real f, caso exista(m), basta fazer
f(x) = 0.

Nesse caso, deve-se resolver a equação:

f(x) = 0

Isto é:

ax2 + bx + c = 0

Portanto, para obter algebricamente o(s) zero(s) ou a(s) raiz(es) de uma função quadrática
deve-se resolver uma equação do 2o grau e para isso utiliza-se a fórmula de Bháskara:

−b ± ∆
x=
2a

Onde ∆= b 2 − 4ac é chamada de discriminante.

Por exemplo: determinar as raízes da função f(x) = x2 – 5x + 6.

Primeiramente pode-se observar que:

a = 1, b = - 5 e c = 6

Sendo assim:

∆ = b 2 − 4ac = (−5) 2 − 4 ⋅1 ⋅ 6 = 25 − 24 = 1

Então:

5 +1 6
x1= = = 3
2 2

−b ± ∆ −(−5) ± 1 5 ± 1
=x = = =
2a 2 ⋅1 2

5 −1 4
x2= = = 2
2 2

Logo, as raízes procuradas são x1 = 3 e x2 = 2.

51
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Vale observar que dada uma função quadrática:

»» Possui duas raízes distintas se ∆ > 0.

»» Possui duas raízes reais e iguais se ∆ = 0.

»» Não possui raízes reais se ∆ < 0.

No exemplo anterior ∆ = 1, isto é, ∆ > 0 e assim pode-se obter duas raízes reais e distintas
(x1 = 3 e x2 = 2).

Significado geométrico das raízes

Interpretando geometricamente, diz-se que os zeros de função quadrática são abscissas dos
pontos onde a parábola corta o eixo dos x. Na figura a seguir x1 e x2 são as raízes de cada uma
das funções representadas.

Figura 2.4. Raízes de uma função quadrática.

Eixo de simetria

O gráfico da função quadrática admite um eixo de simetria perpendicular ao eixo dos x e que
passa pelo V, denominado vértice da parábola.

Figura 2.5. Eixo de simetria.

52
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Dada a função quadrática f(x) = ax2 + bx + c, pode-se obter as coordenadas do vértice, V(xV, yv),
da parábola que a caracteriza, fazendo:
b ∆
xV = − e yV = −
2a 4a
Figura 2.6. Coordenadas do vértice.

Veja o exemplo:

Considere a função quadrática f(x) = – x2 – 5x + 6, note que a = – 1, b = – 5 e c = 6. Assim:

∆ = b 2 − 4ac = (−5) 2 − 4 ( −1)( 6 ) = 25 + 24 = 49

então:
b (−5) 5
xV =
− =
− =

2a 2(−1) 2

e:

∆ 49 49
yV =
− =
− =
4a 4(−1) 4

5 49
Portanto, as coordenadas do vértice correspondem a V �� , �.
2 4

Imagem, mínimo e máximo de uma função quadrática

Considere f: ℝ → ℝ uma função quadrática definida por f(x) = ax2 + bx + c.

Se a > 0 a imagem de f é dada por:

Im(f ) = {x ∈ ℝ | y > – }
4a
Nesse caso, a abscissa xV do vértice da parábola que representa f é um ponto de mínimo e a sua
respectiva ordenada yV é o valor mínimo de f.

Se a < 0 a imagem de f é dada por:


Im(f) = {x ∈ ℝ | y < – }
4a

53
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Nesse caso, a abscissa xV do vértice da parábola que representa f é um ponto de máximo e a sua
respectiva ordenada yV é o valor máximo de f.

Veja agora a representação gráfica das ideias acima:

Figura 2.7. Imagem, mínimo e máximo de funções quadráticas.

Estudo do sinal de uma função quadrática

De maneira geral, a discussão da variação do sinal de uma função quadrática qualquer, f(x) = ax2
+ bx + c, recai sempre em um dos casos contidos na figura a seguir:

Figura 2.8. Estudo do sinal de uma função quadrática.

54
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Função exponencial

As aplicações financeiras como, por exemplo, fundos de renda fixa, CDBs, fundo de ações e
cadernetas de poupança remuneram, diariamente, o capital aplicado pelo sistema de “juros
sobre juros”, isto é:

»» No 1o dia de aplicação, a taxa de juro incide sobre o capital inicial que foi aplicado.

»» No 2o dia de aplicação, a taxa de juro incide sobre o montante acumulado no da anterior.

»» No 3o dia de aplicação, a taxa de juro incide sobre o montante acumulado no dia anterior
e assim por diante.

Agora, considere o capital inicial de R$ 5.000,00. Suponha que esse capital seja aplicado a juro
composto, durante 3 meses, à taxa de 2% ao mês. Qual o montante acumulado ao fim de 3 meses?

Esse problema pode ser resolvido com o auxílio da seguinte tabela:

Tabela 2.3. Montante acumulado ao final de 3 meses para a aplicação de R$ 5.000,00.

Tempo
Capital Juro Montante
(mês)
1 5 000 0,02 . 5 000 5 000 + 0,02 . 5 000 = 5 100
2 5 100 0,02 . 5 100 5 100 + 0,02 . 5 100 = 5 202
3 5 202 0,02 . 5 202 5 202 + 0,02 . 5 202 = 5 306,04

Sendo assim, ao final de 3 meses o montante acumulado é igual a R$ 5. 306,04.

A ideia acima sugere a obtenção de uma fórmula matemática
Atenção
para o cálculo do montante, isto é, considere um capital C
aplicado em regime de juro composto, durante t unidades de Para aplicar a fórmula do montante
tempo à taxa constante i por unidade de tempo. A seguinte deve-se ter t e i relacionados com a
mesma unidade de tempo.
tabela mostra o cálculo do montante durante o período de
aplicação.

Tabela 2.4. Dedução da fórmula do montante.

Unidade de Capital Juro Montante
tempo
1 C iC C + iC = C(1 + i)
2 C(1 + i) iC(1 + i) C(1 + i) + iC(1 + i) = C(1 + i)2
3 C(1 + i)2 iC(1 + i)2 C(1 + i)2 + iC(1 + i)2 = C(1 + i)3
… … … …

55
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

A última coluna da tabela nos conduz à seguinte caracterização: em t unidades de tempo, o
montante é dado por:

M = C(1 + i)t

Assim, o montante acumulado em t dias pela aplicação de R$ 5.000,00 à taxa diária de juros de
4% é dado pela fórmula:

M = 5 000(1 + 0,04)t

M = 5 000 × (1,04)t

Isto é, nesse caso o montante M é função do tempo t. Note-se que a variável t ocorre no
expoente de uma constante positiva (1,04) e diferente de 1. Essa função é chamada função
exponencial.

Definição

Chama-se função exponencial toda função f: ℝ → ℝ *+ tal que f(x) = ax, com a ∈ ℝ *+ e a ≠ 1.

Por exemplo:

f(x)= 2x
x
1
g(x) =  
2

Gráfico de uma função exponencial
x
Sejam f: ℝ → ℝ *+ e g: ℝ → ℝ *+ funções exponenciais definidas, respectivamente, por f(x) = 2x e g(x) =  1  .
2
Os gráficos de f e g podem ser obtidos a partir de alguns pontos obtidos por meio das tabelas a seguir.

Primeiramente, veja a construção do gráfico de f.

Tabela 2.5. f(x) = 2x.

x f(x) = 2x f(x)
-2 f(-2) = 2-2 ¼
-1 f(-1) = 2 -1
½
x aumenta f(x) aumenta
0 f(0) = 20
1
1 f(1) = 21 2
2 f(2) = 22
4

56
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Figura 2.9. Gráfico de f(x) = 2x.

Ao observar a tabela associada ao gráfico de f pode-se afirmar que f é crescente. A partir do gráfico
de f tem-se que D(f) = ℝ e que Im(f) = ℝ *+ .

Agora veja a construção do gráfico de g:

Tabela 2.6. g(x) = (½)x.

x g(x) = (½)x g(x)
-2 g(-2) = (½) -2
4
-1 g(-1) = (½) -1
2
x aumenta f(x) diminui
0 g(0) = (½)0 1
1 g(1) = (½)1 ½
2 g(2) = (½)2
¼

Figura 2.10. Gráfico de g(x) = (1/2)x.

Atenção

Propriedades da potenciação:

Dados os números reais a e b e os
números inteiros m e n tem-se que:

am × an = am + n

am : an = am – n

(am)n = am × n

(a × b)n = an × bn

Ao observar a tabela associada ao gráfico de g pode-se afirmar que g é decrescente. A partir do
gráfico de g tem-se que D(g) = ℝ e que Im(g) = ℝ *+ .

57
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Os exemplos sugerem as seguintes propriedades:

Propriedade1:

Seja f: ℝ → ℝ *+ tal que f(x) = ax, com a ∈ ℝ *+ , a > 0 e a ≠ 1. Então para quaisquer x1 e x2 do domínio de f,
tem-se:

f(x1) = f(x2) ⇔ x1 = x2

Isto é:

ax1 = ax2 ⇔ x1 = x2

Propriedade 2:

Seja f: ℝ → ℝ *+ tal que f(x) = ax, com a ∈ ℝ, a > 1 é crescente. Então para quaisquer x1 e x2 do domínio de
f, tem-se:

f(x1) > f(x2) ⇔ x1 > x2

isto é:

ax1 > ax2 ⇔ x1 > x2

Figura 2.11. f(x) = ax, com a > 1.

Propriedade 3:

Seja f: ℝ → ℝ *+ tal que f(x) = ax, com a ∈ ℝ *+ , 0 < a < 1 é decrescente. Então para quaisquer x1 e x2 do
domínio de f, tem-se:

f(x1) > f(x2) ⇔ x1 < x2

isto é:

ax1 < ax2 ⇔ x1 < x2

58
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Figura 2.12. f(x) = ax, com 0 < a < 1.

Chama-se equação exponencial toda equação que apresenta incógnita no expoente de uma ou
mais potências de base positiva e diferente de 1.

A propriedade 1 pode ser aplicada na resolução de equações exponenciais, ou seja: para quaisquer
x1 e x2 do domínio de f, ax1 = ax2 ⇔ x1 = x2.

Veja como resolver algumas equações exponenciais:

a. 8X = 4

(23)X = 22

23x = 22

3x = 2

x = 2/3

b. 3x + 2 = 9

3x + 2 = 32 Atenção

x+2=2 Seja a um número real e n um número
inteiro, então:
x=2–2 1
a-n = , se a ≠ 0.
an
x=0
1 Todo número elevado a zero é igual
c. 3x = a 1.
81
4
1
3x =  
3
 
3x = 3-4

x = -4

59
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

d. 52x+1 = 1

52x+1 = 50

2x+1 = 0

2x = -1

x = -1/2

Chama-se inequação exponencial toda inequação que apresenta a variável no expoente de uma
ou mais potências de base positiva e diferente de 1.

Para resolver as inequações exponenciais pode-se utilizar as propriedades 2 e 3 enunciadas. Isto é:

ax1 > ax2 ⇔ x1 > x2, para quaisquer a∈ ℝ e a > 1

ax1 > ax2 ⇔ x1 < x2 , para quaisquer a∈ ℝ e 0 < a < 1

Agora, veja como resolver algumas equações exponenciais:

a. 5x + 1 > 25

5x + 1 > 52

Como a = 5 > 0, segue que:

x+1>2

x>2–1

x>1

Portanto, {x ∈ ℝ | x > 1}

x +1 3
1 1
  > 
b.
5 5
1
Como a = > 0, segue que:
5
x+1<3

x<3–1

x<2

Portanto, {x ∈ ℝ | x < 2}

60
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Função logarítmica

A palavra logaritmo foi criada por John Nepier (1550 –
Atenção
1617) para substituir a palavra “expoente”. Considere a base
positiva diferente de 1, por exemplo: As restrições para a (o < a ≠ 1) e para b
(b > 0), colocadas na definição, garantem
2 =8
3
a existência e a unicidade de loga b.

Ao expoente dessa potência dá-se o nome de logaritmo.
Portanto, diz-se que 3 é logaritmo de 8 na base 2. Isto é:

23 = 8 ⇔ log2 8 = 3

Mais exemplos:

42 = 16 ⇔ log4 16 = 2

35 = 243 ⇔ log3 243 = 5

Assim:

Sendo a, b ∈ ℝ *+ , com b ≠ 1, chama-se logaritmo de a na base b o expoente x tal que bx = a.

logb a = x ⇔ bx = a
Atenção

Veja como calcular o logaritmo de alguns números numa Na sentença
base dada:
logb a = x

a. log5 25 tem-se:

a é o logaritmando;
Primeiramente, faça:
b á a base do logaritmo;

log5 25 = x x é o logarítmo de a na base b.

Então:

25 = 5x

52 = 5x

x=2
1
b. log3
9
Primeiramente, faça:

1
log3 =x
9
61
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Então:
1
= 3x
9
2
 1  = 3x
 
3
3-2 = 3x

x=-2

c. log3 1

Primeiramente, faça:

log3 1 = x

Então:

1 = 3x

30 = 3x

x=0

Veja algumas propriedades dos logaritmos:

Para quaisquer a, b ∈ ℝ *+ , com b ≠ 1: Sugestão de estudo
1. logb b = 1
O domínio das propriedades evita

2. logb 1 = 0 cálculos desnecessários.

3. logb ay = y logb a

4. logb bx = x

5. blogba = a

Agora, veja exemplos das aplicações das propriedades listadas:

Propriedade (i):

log5 5 = 1

log13 13 = 1

Propriedade (ii):

log10 1 = 0

62
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

log345 1 = 0

Propriedade (iii):

log3 94 = 4 log3 9 = 4 x 2 = 8

log2 163 = 3 log2 16 = 3 x 4 = 12

Propriedade (iv):

log4 47 = 7

log13 1345 = 45

Propriedade (v):

8log812 = 12

3log37 = 7

Mais propriedades dos logaritmos:

Sejam a, b, c ∈ ℝ *+ , com b ≠ 1:

1. logb ac = logb a + logb c

2. logb = logb a – logb c
log k a
3. logb a = (k ∈ ℝ *+ e k ≠ 1)
log k b
Veja agora como usar as últimas propriedades listadas:

Sejam logb a = 0,3, logb c = 0,4, então:

a. logb ac = logb a + logb c = 0,3 + 0,4 = 0,7

b. logb (ac)4 = 4 . [logb (ac)] = 4 . [ logb a + logb c]

= 4 . [0,3 + 0,4] = 4 . 0,7 = 2,8
a
c. logb   = logb a – logb c = 0,3 – 0,4 = - 0,1
c
Considere agora a seguinte questão:

Ana está depositando suas economias em uma caderneta de poupança, que rende 1% ao mês.
Por quantos meses Ana deverá deixar o dinheiro na conta para que seu valor dobre?

Sendo C o valor inicial depositado por Ana, segue pela fórmula do montante, que:

M = C . (1 + 0,01)t

M = C . (1,01)t

63
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Como o desejo de Ana é dobrar o valor aplicado tem-se:

M = 2C

Daí, substituindo B em A:

C . (1,01)t = 2C

(1,01)t = 2

Aplicando logaritmo em ambos os membros dessa última igualdade:

log1,01 (1,01)t = log1,01 2

t . log1,01 1,01 = log1,01 2

t = log1,01 2

E se Ana desejasse que o seu capital inicial triplicasse?

Nesse caso:

C . (1,01)t = 3C

(1,01)t = 3

Aplicando logaritmo em ambos os membros dessa última igualdade:

log1,01 (1,01)t = log1,01 3

t . log1,01 1,01 = log1,01 3

t = log1,01 3

Portanto, no caso em que o desejo é que o capital inicial se torne multiplicado por x tem-se a
seguinte função:

f(x) = log1,01 x

isto é, um caso particular de uma função logarítmica.

Definição

Dado um número real b (com 0 < b ≠ 1), chama-se função logarítmica de base b a função f: ℝ *+ → ℝ
definida por f(x) = logb x.

64
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Por exemplo:

f(x) = log2 x

g(x) = log x

Atenção

O conjunto formado por todos os logaritmos dos números reais positivos em uma base b (0 < b ≠ 1) é chamado sistema
de logaritmos de base b. Por exemplo, o conjunto formado por todos os logaritmos de base 2 dos números reais positivos é
o sistema de logaritmos de base 2. Existem dois sistemas de logaritmos que são muito utilizados em problemas aplicados:
o sistema de logaritmos decimais, que corresponde ao sistema de logaritmos de base 10 e o sistema de logaritmos
neperianos, que é o de base e.
O número e é um exemplo de número irracional, isto é, e = 2, 718281828…
Indica-se por log10x, ou simplesmente, log x o logaritmo decimal de x, e representa-se o logaritmo neperiano de x por
logex ou ℓ𝑛x.

Gráfico de uma função logarítmica

Sejam f: ℝ *+ → ℝ e g: ℝ *+ → ℝ *+ funções logarítmicas definidas, respectivamente, por f(x) = log2 x e g(x)
1
= log x. Os gráficos de f e g podem ser obtidos a partir de alguns pontos obtidos por meio das tabelas
2
construídas, para cada caso, a seguir.

Primeiramente, veja como esboçar o gráfico de f. Considere a tabela a seguir:
Tabela 2.7. f(x) = log2 x.

x f(x) = log2 x f(x)
1/8 f(x) = log2 (1/8) -3
1/4 f(x) = log2 (1/4) -2
x aumenta
1/2 f(x) = log2 (1/2) -1
f(x) aumenta
1 f(x) = log2 1 0
2 f(x) = log2 2 1
4 f(x) = log2 4 2
8 f(x) = log2 8 3

Figura 2.13. Gráfico de f(x) = log2 x.

65
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Ao observar o gráfico de f pode-se verificar que f é crescente. A partir de gráfico de f segue que
Dom(f) = ℝ *+ e Im(f) = ℝ.

Agora veja a construção do gráfico de g, a partir da tabela 2.8:

Tabela 2.8. g(x) = log 1 x.
2

x g(x) = log 1 x g(x)
2

1/8 g(x) = log 1 (1/8) 3
2

1/4 g(x) = log 1 (1/4) 2
2

1/2 g(x) = log 1 (1/2) 1
2
x aumenta g(x) diminui
1 g(x) = log 1 1 0
2

2 g(x) = log 1 2 -1
2

4 g(x) = log 1 4 -2
2

8 g(x) = log 1 8 -3
2

Figura 2.14. Gráfico de g(x) = log 1 x.
2

Ao observar a tabela associada ao gráfico de g verifica-se que à medida que x aumenta g(x) diminui, isto
é, g é decrescente. Além disso, a partir do gráfico de g tem-se que Dom(g) = ℝ *+ e Im(g) = ℝ.

66
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Os exemplos sugerem as seguintes propriedades:

Propriedade 1:

Seja f: ℝ *+ → ℝ definida por f(x) = logb x, com 0 < b ≠ 1. Então:

logb x = logb y ⇔ x = y

Propriedade 2:

Seja f: ℝ *+ → ℝ definida por f(x) = logb x, com 0 < b ≠ 1. Nesse caso, f é crescente em todo o domínio se, e
somente se b > 1.

Figura 2.15. Função logarítmica crescente.

Então:

logb x2 > logb x1 ⇔ x2 > x1

para quaisquer x1, x2, b ∈ e b > 1.

Propriedade 3:

Seja f: ℝ *+ → ℝ definida por f(x) = logb x, com 0 < b ≠ 1. Nesse caso, f é decrescente em todo o domínio se,
e somente se 0 < b < 1.

Figura 2.16. Função logarítmica decrescente.

67
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Então:

logb x2 < logb x1 ⇔ x2 > x1

para quaisquer x1, x2, b ∈ ℝ *+ e 0 < b < 1.

As três últimas propriedades listadas podem ser usadas na resolução de equações (propriedade
1) e inequações (propriedades 2 e 3) logarítmicas.

Chama-se equação logarítmica toda equação que apresenta a incógnita no logaritmando ou na
base de um logaritmo.

A seguir, veja como se pode resolver alguns tipos de equações logarítmicas:

a. log5 (3x – 6) = log5 (x + 8)

Primeiramente deve-se aplicar a condição de existência:

»» 3x – 6 > 0 ⇒ 3x > 6 ⇒ x > 2

»» x – 8 > 0 ⇒ x > 8

Sendo assim:

Logo, a condição de existência é dada por ]8, + ∞[.

Usando a Propriedade 1:

3x – 6 = x – 8

3x – x = - 8 + 6

2x = - 2

x = -2

Observe que x = -2 não satisfaz a condição de existência, portanto o conjunto solução da equação
é S= ø.

68
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

b. log3 (5x – 10) = 2

Nesse caso, a condição de existência é dada por:

5x – 10 > 0 ⇒ 5x > 10 ⇒ x > 2

Agora, aplique a definição de logaritmo:

Log3 (5x – 10) = 2 ⇒ 5x – 10 = 32

⇒ 5x = 9 + 10

⇒ 5x = 19

⇒ x = 19/5

Como x = 19/5 satisfaz a condição de existência, segue que S = {19/5}.

Chama-se inequação logarítmica toda inequação que apresenta a variável logarítmica no
logaritmando ou na base do logaritmo.

A resolução de uma inequação logarítmica baseia-se em, pelo menos, uma das propriedades (2
ou 3) das funções logarítmicas.

Veja agora como uma equação logarítmica pode ser resolvida:

a. log2 (3x – 6) > 4

Segue que a condição de existência é dada por

3x – 6 > 0 ⇒ 3x > 6 ⇒ x > 2.

Então:

log2 (3x – 6) > 4 ⇒ log2 (3x – 6) > log2 16

como b = 2 > 1:

3x – 6 > 16

3x > 22

x > 22/3

O conjunto solução S da inequação é a interseção do conjunto S1, dos reais x tais que x > 2
(condição de existência), com o conjunto S2 dos reais x tais que x > 22/3. Isto é:

69
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Portanto:

S = ]22/3, + ∞[

b. log0,3 (3x – 6) < log0,3 (x – 8)

Primeiramente deve-se aplicar a condição de existência:

»» 3x – 6 > 0 ⇒ 3x > 6 ⇒ x > 2

»» x – 8 > 0 ⇒ x > 8

Sendo assim:

Logo, a condição de existência é dada por ]8, + ∞[.

Então:

log0,3 (3x – 6) > log0,3 (x – 8) ⇒ 3x – 6 < x – 8

pois b = 0,3 (0 < b <1)

Então:

3x – 6 < x – 8

2x > - 2

x>-1

O conjunto solução S da inequação é a interseção do conjunto S1, dos reais x tais que x > 8
(condição de existência), com o conjunto S2 dos reais x tais que x > -1. Isto é:

70
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Portanto:

S = ]8, + ∞[

Outras funções não lineares elementares

Seja f : ℝ *+ → ℝ definida por f(x) = x3. O gráfico de f pode ser obtido a partir de alguns pontos obtidos por
meio da tabela construída abaixo.

Tabela 2.9. f(x) = x3.

x f(x) = x3 f(x)

-2 f(-2) = (-2)3 -8

-1 f(-1) = (-1)3 -1
x aumenta f(x) aumenta
0 f(0) = 0 0

1 f(1) = 1 1

2 f(2) = 23 8

Figura 2.17. Gráfico da função f(x) = x3.

Observe que a função f(x0 = x3 é crescente e, além disso, Dom(f ) = ℝ e a Im(f ) = ℝ.

1
Chama-se função recíproca a função f: ℝ → ℝ definida por f(x) = . O gráfico de f pode ser obtido
x
a partir de alguns pontos obtidos por meio da tabela construída abaixo.

71
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

1
Tabela 2.10. f(x) = .
x
x 1 f(x)
f(x) =
x
-3 1 1
f(-3) = −3
– −3

-2 1 1
f(-2) = −2
– −2

-1 1 -1
f(-1) = −1

1 1 1
f(1) = 1

2 1 1
f(2) = 2 2

3 f(3) =
1 1
3 3

1
Figura 2.18. Gráfico da função f(x) = .
x

1
A função recíproca f(x) = não é definida para x = o, tem Imagem Im(f ) = ℝ* e o seu gráfico é uma
x
hipérbole equilátera.

Praticando

EXERCÍCIO 1
O salário fixo de um segurança é de R$ 1. 200,00. Para aumentar a sua renda mensal, ele faz plantões noturnos em
uma casa de espetáculos, onde recebe R$ 60,00 por noite de trabalho.

a. Se em um mês o segurança fizer 4 plantões, que salário receberá?

b. Qual é o salário final y quando realiza x plantões?

c. Qual é o número mínimo de plantões necessários para gerar uma receita de 2.500,00?

72
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Praticando

EXERCÍCIO 2
Uma pessoa vai escolher um plano de saúde entre duas opções A e B. O plano A cobra R$ 100,00 pela inscrição e R$
50,00 por consulta num certo período. O plano B cobra R$ 180,00 de inscrição e R$ 40,00 por consulta no mesmo
período.

O gasto total de cada plano é dado em função do número x de consultas:

a. Determine a lei que caracteriza cada uma das funções descritas.

b. Em que condições é possível afirmar que o plano A é mais econômico; o plano B é mais econômico; os dois planos
são equivalentes.

EXERCÍCIO 3

Classifique as funções f: ℝ → ℝ abaixo em afim, linear, identidade, constante e translação:

a. f(x) = 2x = 15

b. f(x) – x + 3

c. f(x) = 4

d. f(x) = 3x

EXERCÍCIO 4
Escreva em cada caso abaixo a função afim f(x) = ax + b, sabendo que:

a. f(-1) = 3 e f(2) = 4

b. f(2) = 4 e f(3) = 6

EXERCÍCIO 5
Sabendo que a função f(x) = ax + b é tal que f(1) = 5 e f(-2) = -4, determine:

a. a taxa de variação da função

b. os valores de a e b

c. o gráfico de f

d. o valor de x para o qual f(x) = 0

EXERCÍCIO 6
O custo de um produto é calculado pela fórmula c = 100 + 400q, na qual c indica o custo (em reais) e q, a quantidade
produzida (em unidades). Construa o gráfico de c em função de q.

EXERCÍCIO 7
Estude o sinal das seguintes funções afins:

a. f(x) = -2x + 5

b. f(x) = 4x -12

73
AULA 2 • FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES

Praticando

EXERCÍCIO 8
Resolva, em ℝ, as seguintes inequações:

a. (3x – 6)(x + 5) < 0

b. (-x – 3)(2x + 7) < 0

EXERCÍCIO 9
Considere a função quadrática f(x) = x2 – 2x – 3. Determine:

a. os zeros ou as raízes de f

b. as coordenadas do vértice

c. o ponto em que f intercepta o eixo y

d. a imagem de f

EXERCÍCIO 10
Dada a função quadrática f(x) = 2x2 + 7x + 15, para que valor de x a função atinge um máximo?

EXERCÍCIO 11
Uma pessoa deposita R$ 500,00 na caderneta de poupança e, mensalmente, são creditados juros de 2% sobre o saldo.
Utilize a fórmula do montante para determinar:

a. o montante após 1 ano

b. o rendimento no 1o ano

EXERCÍCIO 12
a. Resolva as equações exponenciais a seguir:

23x + 1 = 4x – 2

2x
5 27
  =
3 125

b. Resolva as seguintes inequações exponenciais:

(0,1)5x -1 < (0,1)2x + 8

22x -1 > 2x + 1

EXERCÍCIO 13
x
1
Considere as funções exponenciais f(x) = 3x e g(x) =   .
3
a. Esboce o gráfico de cada uma das funções

b. Determine a imagem e o domínio de f e de g

c. Para que valor de x tem-se f(x) = 81? E g(x) = 81?

74
FUNÇÃO AFIM E FUNÇÕES NÃO LINEARES • AULA 2

Praticando

EXERCÍCIO 14
Dê o valor de cada logaritmo abaixo:

a. log23 23 + log23 1

b. log4 46 – log0,7 1

c. log0,2 1 + log5 512

d. log2 62 + log7 7 – log5 1

EXERCÍCIO 15
Resolva a inequação log2 (4 – x) > log2 3.

EXERCÍCIO 16
Esboce o gráfico das seguintes funções reais:

a. f(x) = - 3x2 + 2x + 1

b. f(x) = log3 x (x > 0)

1
c. f(x) = (x ≠ 0)
x
d. f(x) = - x3

Resumo

Vimos até agora:

»» Como identificar situações que podem ser representadas por funções afins e funções
não lineares.

»» Como reconhecer a lei de uma função afim e de uma função não linear.

»» Técnicas para a construção de esboços de gráficos de funções afins, quadráticas,
exponenciais e logarítmicas.

»» Como determinar a lei que caracteriza uma função afim.

»» Aplicações do conceito de função afim e de funções não lineares na resolução de
problemas.

»» Aplicação da definição de taxa de variação na obtenção da lei da função afim.

»» Classificação de uma função afim em crescente ou decrescente e determinação do
domínio onde funções não lineares são crescentes e decrescentes.

»» Como resolver problemas de variados contextos aplicando os conceitos que envolvem
uma função afim e uma função não linear.

75
MODELAGEM MATEMÁTICA
AULA
3
Apresentação

Nesta aula, serão apresentadas algumas relações formais entre a matemática e sua utilização
em negócios e economia. Para isso serão apresentados conceitos relacionados à modelagem
matemática, bem como, as etapas para a elaboração desse processo. Também serão feitas
caracterizações de modelos econômicos cuja natureza é matemática. Além disso, será usado o
conceito de função afim para modelar problemas relacionados à demanda, oferta, custo e receita.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Entender o que significa a expressão “modelagem matemática”.

»» Entender a importância dos modelos econômicos.

»» Entender as interações entre as partes de um modelo econômico por meio do modelo
do fluxo circular.

»» A partir de determinados dados possa estabelecer processos de modelagem gráfica e
algébrica para as seguintes funções: demanda e oferta, custo e receita.

»» Obter o ponto de equilíbrio dos mercados de bens e de trabalho.

»» Analisar pontos de nivelamento.

O que é modelagem matemática

A modelagem matemática, segundo Bienbemgut (2002), é a arte de transformar situações do
meio circundante em modelos matemáticos.

Dessa forma, entende-se por modelagem matemática a fase de obtenção de um modelo
matemático que descreve o comportamento de um sistema físico estudado. Assim, a fase de

76
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

obtenção da solução do modelo matemático por meio da aplicação de métodos matemáticos
corresponde à resolução da questão em estudo. A relação entre modelagem, modelo e solução
do problema pode ser entendida a partir do esquema adaptado de Barroso (1987, p.1), segundo
a figura a seguir.

Figura 3.1. Modelo e modelagem matemática.

Modelagem Resolução

PROBLEMA MODELO SOLUÇÃO
FÍSICO MATEMÁTICO

Nas mais diversas áreas a ideia de “modelo” é usada justamente para representar aspectos da
realidade. Sendo assim, de uma forma geral os modelos podem ser classificados em físicos ou
abstratos.

Os modelos físicos por sua vez são categorizados em Atenção
estáticos ou dinâmicos. Por exemplo, modelos de moda,
réplica de edifícios e carros em miniatura correspondem a Positivismo:

modelos físicos estáticos enquanto que a aerodinâmica de É a designação da doutrina criada por
August Comte, fundada na extrema
um carro em um túnel de vento corresponde a um modelo
valorização do método científico e
físico dinâmico. na recusa de discussões metafísicas.
O lema da ciência positiva é ver para
Os modelos abstratos também podem ser classificados em prever, possui como característica

estáticos ou dinâmicos. Isto é, um diagrama que mostra a tendência de organizar, construir
metodicamente, sistematizar o
as inter-relações existentes em uma organização, o projeto conhecimento humano.
do motor de carro, a relação entre o preço de um bem e a
quantidade demandada são todos exemplo de situações
que correspondem a modelos abstratos estáticos. Já, por exemplo, o fluxo de informação de uma
organização e como a população muda com o tempo correspondem a situações de modelos
abstratos, porém considerados dinâmicos.

Os modelos podem ser ainda classificados em determinísticos ou estocásticos. No caso dos
modelos determinísticos o resultado pode ser determinado quando todos os insumos são
fornecidos. Por exemplo: numa indústria, o custo operacional de uma mercadoria é composto
de um custo fixo de R$ 300,00 mais um custo variável de R$ 0,50 por unidade fabricada. Portanto,
sendo C o custo operacional e x o número de unidades fabricadas, a fórmula matemática, C =
300 + 0,50x, descreve como o valor do custo depende da quantidade de unidades fabricadas.
De acordo com esse modelo, quando qualquer custo, C, for especificado, então x, o número de
unidades fabricadas, pode ser calculado com exatidão.

77
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Quanto ao modelo estocástico, pode-se afirmar que não gera um resultado exato, mas fornece a
probabilidade de ocorrência do mesmo. Por exemplo: ao jogar um dado não viciado os valores
que podem ser obtidos ao se observar a face voltada para cima são 1, 2, 3,4 ,5 e 6. Sendo assim,
a chance de obter um desses números a partir de um lançamento é 1/6.

A figura a seguir ilustra o papel da modelagem matemática no ambiente geral da modelagem.

Figura 3.2. Modelagem matemática.

Fonte: BRADLEY, T. Matemática aplicada à administração. São Paulo: Elsevier, 2011.

Para se obter um modelo matemático é necessário seguir etapas bem definidas da modelagem
matemática. Nesse curso o interesse está nos modelos abstratos, isto é, equações ou sistemas de
equações que tentam representar ou “modelar” certas situações. Vale lembrar que é extremamente
difícil estabelecer uma representação completa de sistemas reais, e a matemática exigida é
bastante complexa.

Em linhas gerais pode-se estabelecer quatro etapas que caracterizam o processo de modelagem.
A primeira etapa consiste em entender a situação real para propor questionamentos
pertinentes. A segunda etapa consiste em formular um modelo matemático e para isso
torna-se necessário certificar-se de que os questionamentos propostos podem ser tratados
matematicamente. A terceira etapa consiste em verificar a validade do modelo. Na quarta
etapa, após ter a certeza de que o modelo matemático proposto é válido para a investigação
de interesse, consiste em usá-lo.

78
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

As etapas sugeridas no parágrafo anterior aparecem descritas na figura a seguir.

Figura 3.3. Etapas da modelagem matemática.

Fonte: BRADLEY, T. Matemática aplicada à administração. São Paulo: Elsevier, 2011.

Modelos econômicos

Em geral, o papel de um economista é diante de determinadas situações tomar decisões referentes
à alocação, distribuição e utilização de recursos para satisfazer determinadas necessidades. Dessa
forma, pode-se afirmar que um sistema econômico pode ser estudado por meio de modelos
econômicos. Tais modelos podem ser classificados como microeconômicos ou macroeconômicos.

Os modelos microeconômicos têm como função estudar a tomada de decisões econômicas
no âmbito de domicílios ou empresas individuais. Também são responsáveis pela análise da
tomada de decisões frente aos impactos de ações governamentais além de estudar a “lógica” de
funcionamento de mercados individuais.

Os modelos macroeconômicos estudam a economia como um todo. Isto é, são responsáveis pelo
estudo de um agregado de decisões econômicas já tomadas e a serem tomadas.

No dia a dia, consumidores, empresas e governos geram milhões de decisões tomadas de minuto
a minuto. Isso faz com que o sistema econômico tenha uma infinidade de variáveis que o afetam

79
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

direta e indiretamente. Dessa forma, pode-se afirmar que tal sistema econômico se apresenta
como uma estrutura complexa. Diante dessa estrutura complexa surge como desafio buscar
uma “ferramenta” que o descreva de forma mais precisa possível. Dentre os modelos utilizados,
a opção feita neste curso é pelo modelo do fluxo circular. Esse modelo mostra que a atividade
na economia é circular.

No modelo do fluxo circular a economia é composta por três agentes econômicos e três mercados.
Os três agentes econômicos são os domicílios (consumidores), empresas (produtores) e o governo.
Os mercados são o mercado de bens, de trabalho (mão de obra) e o mercado financeiro.

No modelo do fluxo circular domicílios e empresas funcionam simultaneamente nos mercados
de bens e de trabalho. Empresas são fornecedoras de bens para o mercado de bens (fluxo 1)
e consumidoras de mão de obra do mercado de trabalho (fluxo 4). Por outro lado, domicílios
são consumidores de bens do mercado de bens (fluxo 2) e fornecedores de mão de obra para
o mercado de trabalho (fluxo 3). Portanto, ambos, domicílios e empresas, desempenham um
papel duplo na economia.

A seguinte figura ilustra como o modelo do fluxo circular caracteriza o sistema econômico.
A caracterização apresentada a seguir, juntamente a sua descrição, deve-se a Bradley (2011).

Figura 3.4. Modelo do fluxo circular.

Fonte: BRADLEY, T. Matemática aplicada à administração. São Paulo: Elsevier, 2011.

No esquema acima os fluxos 1 e 4 definem os fluxos físicos de bens e mão de obra na economia.
Esses dois fluxos possuem muitas contrapartes financeiras, isto é, empresas pagam remunerações
e salários a domicílios pelo suprimento de seus serviços de mão de obra (fluxo 5). Os domicílios
gastam receita para pagar bens e serviços produzidos pelas empresas (fluxo 6).

80
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Domicílios não gastam toda a sua receita; parte dela pode ser poupada em instituições financeira
(fluxo 7). Essas poupanças podem ser utilizadas para fornecer fundos às empresas para finalidade
de investimento (fluxo 8).

O governo desempenha um duplo papel na economia: recolhe impostos dos domicílios e
das empresas (fluxo 9 e 12), e introduz dinheiro no fluxo circular por meio de pagamentos
de transferência (bem-estar social) e concessões/subsídios (fluxos 10 e 11). O primeiro papel
citado refere-se às chamadas retiradas do fluxo circular, enquanto que o segundo corresponde
às injeções no fluxo circular.

Demanda e Oferta

O nível de atividade econômica em uma economia pode ser determinado pelas decisões de
demanda e oferta tomadas por consumidores, empresas e governos. Tais decisões desempenham
um importante papel para os negócios e nas atividades de consumo. Para a análise de tais contextos
torna-se necessário criar ferramentas matemáticas que auxiliem a compreensão dos mesmos.

Função demanda

Considere X um bem. Existem muitas variáveis que influenciam a demanda por X. Dessa forma,
pode-se expressar essas variáveis por uma função conhecida como função demanda geral:

Q = f(P, Y, PS, PC, Ta, A, …)

Onde:

a. Q é a quantidade de demanda do bem X.
Atenção
b. P é o preço do bem X.
Uma hipótese econômica básica:
c. Y é a renda do consumidor.
“Quando o preço de um bem
d. PS é o preço dos bens substitutos. aumenta, a quantidade demandada
diminui, se todas as outras variáveis
e. PC é o preço de bens complementares. permanecerem constantes.”

f. Ta é o gosto ou moda do consumidor.

g. A é o nível de propaganda.

A função definida corresponde a uma função de várias variáveis. Nesse curso estaremos
interessados apenas no estudo das funções de uma variável. Por isso será estudado o seguinte
modelo de função demanda:

Q = f(P)

81
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Isto é: a hipótese considerada a partir de agora é que a quantidade de demanda depende
somente do preço, e as outras variáveis pelas quais a demanda depende (Y, PS, PC, Ta, A etc.) serão
consideradas constantes.

Por exemplo, considere a função demanda

Q = 200 – 2P

A representação gráfica dessa função é dada por:

Figura 3.6. Gráfico da função Q = 200 – 2P.

Note-se que:

Q = 200 – 3P ⇒ Q – 200 = – 2P

⇒ 200 – Q = 2P

⇒ P =100 – 0,5Q

A representação gráfica de P = 100 – 0,5Q é dada por:

Figura 3.7. Gráfico da função P = 100 – 0,5Q.

Essa última caracterização é muito comum em livros de introdução à economia.

82
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

No exemplo, Q = 200 – 2P é a função demanda e P = 100 – 0,5Q é a função demanda inversa.

Portanto, fica subentendido que Q = f(P) é a função demanda e P = g(Q) é a função demanda
inversa.

Função demanda e função afim

Considere a função P = g(Q). Esta função pode ser modelada pela função afim:

P = b – aQ

Onde a e b são constantes. O gráfico dessa função é dado por:

Figura 3.8. Função demanda e função afim.

Veja agora o exemplo a seguir:

Considere a função P = 100 – 0,5Q. Quando P =5 segue que:

P = 100 – 0,5Q

5 = 100 -0,5Q

-95 = -0,5Q

Q = 190

Isto é: quando o preço do bem x é 5 unidades monetárias a quantidade demandada é igual a 190.

83
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

O gráfico de P = f(Q) é dado por:

Figura 3.9. Gráfico de P = f(Q).

A partir de P = f(Q) pode-se obter Q = f(P). Para isso basta isolar Q na equação P = 100 – 0,5Q.
Ou seja:

P = 100 – 0,5Q

P – 100 = - 0,5Q

100 – P = 0,5Q

Q = 100 – 2P

Note que o gráfico de Q = f(P) é dado por:

Figura 3.10. Gráfico de Q = f(P).

Função oferta

Considere o bem X. Há diversas variáveis que influenciam a oferta do bem X. Sendo assim,
pode-se expressar a oferta e as variáveis por meio da função:

Q = f(P, C, Po, Te, N, O etc.)

84
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Onde:

a. Q é a quantidade ofertada do bem X.

b. P é o preço do bem.

c. C é o custo da produção.

d. Po é o preço de outros bens.

e. Te é a tecnologia disponível.

f. N é o número de produtos no mercado.

g. O é outros fatores, por exemplo imposto/subsídios.

Como só nos interessa estudar as funções de uma variável, considere:

Q = f(P)

Ou seja, a quantidade ofertada do bem X é função do preço P do bem e por hipótese as demais
variáveis de que depende a oferta são consideradas constantes.

A função oferta Q = f(P) admite inversa P = h(Q).

Assim como no caso da função demanda, temos que P = h(Q) admite um modelo “afim”, isto é:

P = d + cQ

Onde c e d são constantes. Note-se que o gráfico desse modelo é dado por:

Figura 3.11. Gráfico da função oferta.

Agora veja o exemplo a seguir.

Considere a função oferta P = 15 + 0,3Q.

A interseção de P = f(Q) com o eixo P é 10. Isso significa que a empresa não ofertará nenhuma
unidade em P ≤ 10. Por outro lado, observe que a = 0,3, isto é, o preço aumenta 0,3 unidades para
cada unidade sucessiva de aumento na quantidade ofertada.

85
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

A raiz dessa função é obtida fazendo P = 0:

P = 15 + 0,3Q

0 = 15 + 0,3Q

-15 = 0,3Q

Q = - 50

Nesse caso, Q = - 50 não tem significado econômico.

Quanto ao gráfico de P = f(Q) segue que:

Figura 3.12. Gráfico de P = f(Q) = 15 + 0,3Q.

A partir de P = f(Q) pode-se obter Q = f(P), isto é, para isso basta isolar em P = 15 + 0,3Q a variável Q:

P = 15 + 0,5Q

P – 15 = 0,5 Q

P − 15
=Q
0,5
10
Q = − 50 + P.
3

Custo

Ao empregar seus insumos as empresas incorrem em custos, pois precisam produzir mercadorias
para a venda.

Dessa forma, geralmente, o custo é composto por:

»» Custos fixos (CF) que correspondem aos custos que independem do nível do resultado
das vendas como, por exemplo, aluguel.

86
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

»» Custos variáveis (CV ), isto é, aqueles que variam com o nível do resultado das vendas.

Assim define-se o custo total (CT) como a soma obtida entre os custos fixos e o os custos variáveis:

CT = CF + CV

Vale ressaltar que esses custos podem ser modelados por uma função custo afim. Por exemplo,
considere CT = 40 + 2Q. A relação define o custo total (CT) em função da quantidade (Q) produzida.
Nesse caso, o custo fixo (CF) é igual a 40 e o custo variável (CV ) é dado por CV = 2Q, onde 2 é a
inclinação da reta.

Veja agora o seguinte exemplo:

Os custos fixos de produção e os custos variáveis de produção de uma empresa são, respectivamente,
R$ 120,00 e R$ 30,00 por unidade produzida. Sendo assim, segue que a função custo total é
caracterizada por:

CT = 120 + 0,3Q

Onde Q é a quantidade de unidades produzidas.

Além disso, a função custo total é representada graficamente por:

Figura 3.13. Custo total.

Q CT
0 120
1 150
2 180

Saiba mais

Toda empresa geradora de preço é conhecida como perfeitamente competitiva.

87
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Receita

Ao vender o que produz uma empresa recebe receita. A receita total (RT ), recebida é o preço da
mercadoria (P), multiplicado pelo número de unidades vendidas (Q), ou seja:

RT = P . Q

A receita total pode ser modelada por uma reta se o preço de cada unidade vendida for o mesmo,
isto é, cada empresa é responsável em gerar preço, representada por uma função constante.

Dessa forma a função receita é dada por:

RT = P0 . Q

Onde P0 é o preço constante por unidade do bem e é representado pela interseção entre a reta
demanda horizontal e o eixo RT. Por exemplo, se P0 = 15, então:

RT = 15Q

Veja agora o seguinte exemplo:

Suponha que uma caixa contendo uma pizza grande tenha preço igual a R$ 7,10 independentemente
do número de unidades vendidas. Nesse caso a função receita total é dada por:

RT = 7,1Q

O gráfico dessa função é caracterizado por:

Figura 3.14. Receita total.

Equilíbrio e ponto de nivelamento

Na aula 2 você viu como determinar o ponto de interseção entre duas retas. Agora você poderá
aplicar essa ideia para determinar as condições de equilíbrio em alguns mercados como os de
bens (mercadorias), de trabalho (mão de obra) e financeiro (de dinheiro). Vale ressaltar que

88
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

também aplicando determinados conhecimentos adquiridos na aula 2 pode-se identificar e
analisar situações que impedem a ocorrência de equilíbrio.

Diz-se que o equilíbrio de bens e serviços ocorre quando há uma igualdade entre a quantidade
demandada (Qd) pelos consumidores e a quantidade ofertada (Qs) pelos produtores de um bem
ou serviço.

Analogamente, o equilíbrio de mercado ocorre quando o preço que um consumidor está disposto
a pagar (Pd) é igual ao preço que o produtor está disposto a aceitar (Ps).

Sendo assim, pode-se expressar as condições de equilíbrio descritas por:

Qd = Qs e Pd = Ps

Por exemplo, as funções demanda e oferta de um bem são dadas, respectivamente, por:

Pd = 65 – 0,2Qd

Ps = 5 + 0,2Qs

Nesse caso, o equilíbrio de mercado ocorre quando Qd = Qs e Pd = Ps. Então, pode-se obter a
quantidade de equilíbrio fazendo:

Pd = Ps

65 – 0,2Q = 5 + 0,2Q

- 0,2Q – 0,2Q = 5 – 65

- 0,4Q = - 60

60
Q=
0, 4
Q = 150

E quanto ao preço de equilíbrio? Nesse caso, basta considerar Q = 150. Isto é, basta substituir em
qualquer uma das funções q por 150. Veja:

P = 65 – 0,2 . 150 = 65 – 30 = 35

ou

P = 5 + 0,2 . 150 = 5 + 30 = 35

Note que a solução gráfica é dada pela interseção entre cada reta que caracteriza as funções, ou
seja:

89
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Figura 3.15. Equilíbrio no mercado de bens.

Já o equilíbrio do mercado de trabalho ocorre quando a mão de obra demandada (Ld) pelas
empresas é igual à mão de obra ofertada (Ls) pelos trabalhadores o que é equivalente a dizer
que a remuneração que uma empresa está disposta a oferecer (ws) é igual à remuneração que
os trabalhadores estão dispostos a aceitar (wd).

Portanto:

Ld = Ls e ws = wd

Para determinar o ponto de equilíbrio do mercado de trabalho, basta encontrar a interseção
entre as retas caracterizadas, respectivamente, pela função demanda de mão de obra e a função
oferta de mão de obra.

Veja o exemplo a seguir:

As funções demanda e oferta de mão de obra são dadas, respectivamente, por:

wd = 18 – 0,3Ld

ws = 2 + 0,2Ls

Nesse caso, o equilíbrio do mercado de trabalho ocorre quando:

wd = ws e Ld = Ls

90
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Assim, fazendo:

wd = ws

18 – 0,3L = 2 + 0,2L

- 0,5L = - 16

L = 32

Substituindo L = 32 em que qualquer uma das funções dadas obtém-se a remuneração de
equilíbrio, ou seja:

w = 18 – 0,3L = 18 – 0,3 . 32 = 18 – 9,6 = 8,4

ou

w = 2 + 0,2L = 2 + 0,2 . 32 = 2 + 6,4 = 8,4

A s s i m, segue q ue o número de equilíbrio de trabalhadores é 32 e a remuneração de equilíbrio

é R$ 8,40 por hora de trabalho.

Análise do ponto de nivelamento

O ponto de nivelamento para um bem ocorre quando a receita total é igual ao custo total.

Ou seja:

RT = CT

Por exemplo, sejam RT = 4Q e CT
= 12 + 3Q, respectivamente, as funções receita total e custo total.
Para obter a quantidade de equilíbrio no ponto de nivelamento basta fazer:

RT = CT

Isto é:

4Q = 12 + 3Q

4Q – 3Q = 12

Q = 12

A partir de q = 12 (quantidade de equilíbrio no ponto de nivelamento) obtém-se os valores da
receita total e do custo total. Veja:

RT = 3Q = 4 . 12 = 48

CT = 12 + 3Q = 12 + 3 . 12 = 12 + 36 = 48

91
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Graficamente, segue que:

Figura 3.16. Ponto de nivelamento.

Modelagem e funções não lineares

Muitas situações podem ser, por exemplo, modeladas por funções quadráticas. Demanda, oferta e
receita total são exemplos de contextos onde se aplica o modelo quadrático. Veja alguns exemplos.

As funções demanda e oferta para determinado mercado são dadas, respectivamente, por:

Pd = Q2 + 6Q + 9 e PO = Q2 – 10Q + 25

Note-se que a partir das funções consideradas pode-se, algebricamente, determinar o ponto de
equilíbrio do mercado. Nesse caso:

Pd = Po

Q2 + 6Q + 9 = Q2 – 10Q + 25

Q2 – Q2 + 6Q + 10Q = 25 – 9

16 Q = 16

Q=1

Assim, para Q = 1 tem-se:

Pd = 12 + 6 . 1 + 9 = 1 + 6 + 9 = 16

ou

PO = 12 – 10 . 1 + 25 = 1 – 10 + 25 = 16.

Esse ponto também pode ser determinado graficamente. Como as duas funções são quadráticas
o gráfico de cada uma delas é uma parábola. Note-se ainda que o coeficiente quadrático é igual a

92
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

1 nas duas funções, isso caracteriza uma parábola de concavidade para cima. Vale observar ainda,
que nos interessa apenas o comportamento das funções no 1o quadrante do plano cartesiano.
Sendo assim o esboço a ser considerado corresponde ao intervalo onde Q varia de 0 a 5.

Figura 3.17. Exemplo: Ponto de equilíbrio de mercado.

Agora considere a função receita total (RT) dada pela relação RT = P x Q, onde P representa o preço
do bem X e q a quantidade comercializada desse bem. Se o preço do bem X varia de acordo com
a relação:

P = - 2Q + 80

Segue que:

RT = (-2Q + 80) x Q

RT = -2Q2 + 80Q

Graficamente a função RT é representada por:
Figura 3.18. Gráfico receita total.

93
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Ao observar a parábola segue que:

»» A sua concavidade é voltada para baixo, pois o coeficiente quadrático igual a -2 é menor
que zero.

»» Os pontos em que a curva corta o eixo RT, ou raízes da função, são obtidos fazendo RT
= 0. De fato, pois:

RT = 0

-2Q2 + 80Q = 0

∆ = (80)2 – 4 ∙ (-2) ∙ (0) = 6400
−80∓80 0
𝑄𝑄1 = = =0
−4 −4
−80 ± 6400 −80 ± 80
Q= = =
2 ⋅ (−2) −4
𝑄𝑄2 = −80−80 = −160 = 40
−4 −4

»» As coordenadas do vértice da parábola são dadas por V=(20, 800), isto é:

−80 −80 −6400 −6400
=xV == = 20 yV = = 800
2 ⋅ (−2) −4 4 ⋅ (−2) −8

Especificamente, quando a quantidade QV = 20 tem-se receita máxima, RT = 800. Note-se ainda
que quantidades superiores a QV = 20 proporcionam receitas menores que RT = 800.

Veja agora mais uma aplicação. Considere que para um certo produto comercializado, a receita
e o custo são dados, respectivamente por:

RT = -2Q2 + 10Q e C = 2Q + 12,

Onde Q é a quantidade vendida.

Pode-se definir a partir das funções receita total e custo a função lucro, fazendo:

L = RT – C

Nesse caso:

L = -2Q2 + 22Q – (2Q + 32)

L = -2Q2 + 22Q – 2Q – 32

L = -2Q2 + 20Q – 32

94
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

A função lucro tem concavidade voltada para baixo, pois o coeficiente quadrático é -2, isto é,
menor que zero.

As raízes dessa função correspondem à quantidade comercializada para lucro nulo. Ou seja:

L=0

-2Q2 + 20Q – 32 = 0

∆ = (+20)2 – 4 ∙ (-2) ∙ (-32) =

= 400 – 256 = 144
−20∓12 −8
𝑄𝑄1 = = =2
−4 −4
−20 ± 144 −20 ± 12
Q= = =
2 ⋅ (−2) −4
𝑄𝑄2 = −20−12 = −32
=8
−4 −4

Dessa forma, para as quantidades Q = 2 e Q = 8 o lucro é nulo.

As coordenadas do vértice fornecem a quantidade a ser comercializada para se ter lucro máximo
(QV ) e o lucro máximo (Lv). Isto é:

−20 −20 −144 −144
=xV == 5= yV = = 18
2 ⋅ (−2) −4 4 ⋅ (−2) −8

Veja agora o esboço do gráfico da função L:

Figura 3.19. Gráfico da função lucro.

95
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

A partir do gráfico, observa-se que para o lucro seja positivo (L > 0) a quantidade de mercadoria
a ser vendida deve pertencer ao intervalo ]2, 8[.

As funções exponenciais desempenham um papel importante diante de processos de modelagem
matemática. Existem muitas aplicações das funções exponenciais, e essas aplicações estão
presentes nas mais diversas áreas como a economia, a química, a biologia e a medicina.

Já foi visto, por definição, que a base de uma função exponencial é sempre constante. Por exemplo,
funções exponenciais que possuem base e descrevem crescimento e decaimento em uma ampla
gama de sistemas. Funções demográficas (crescimento de populações), financeiras (montante de
um investimento), físicas (variações de correntes elétricas e decaimento de materiais radioativos)
além de muitas outras costumam ter como base a constante e.

Há três principais leis do crescimento:

»» crescimento ilimitado;

»» crescimento limitado;

»» crescimento logístico.

Considere o seguinte exemplo:

A população de um povoado era igual a 900 pessoas em 1980. Sabe-se que a população cresce
de acordo com a função:

P = 900 × e0,03t

Onde P é o número de pessoas do povoado após o tempo t em anos. Pode-se representar,
graficamente, essa função por meio do auxílio de uma tabela em que t = 0 corresponde ao ano
1980 e t = 30 corresponde ao ano 2010. Isto é:

Tabela 3.1. Valor da população P no período de tempo t.

T P = 900 × e0,03t

0 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . 1 = 900

5 P = 900 . e0,03 × 10 = 900 . e0,15 = 900 × 1,1618 = 1045,62

10 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . e0,3 = 900 × 1,3498 = 1214,82

15 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . e0,45 = 900 × 1,5683 = 1411,47

20 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . e0,6 = 900 × 1,8221 = 1639,89

25 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . e0,75 = 900 × 2,1170 = 1905,30

30 P = 900 . e0,03 × 0 = 900 . e0,9 = 900 × 2,4596 = 2659,14

96
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Daí:

Figura 3.20. Gráfico crescimento populacional.

Ao observar o gráfico nota-se que a função tem seu crescimento ilimitado.

Generalizando:

O crescimento ilimitado é modelado pela função f(t) = aert, onde a e r são constantes.

Funções como estas servem de instrumentos para caracterizar modelos de investimentos e
alguns modelos de crescimento populacional.

Quanto ao crescimento limitado este é modelado por

y(t) = M(1 – e- rt)

Onde M e r são constantes.

Modelos dessa forma servem para caracterizar funções consumo, quantidade de informações
aleatórias que podem ser memorizadas, vendas com propaganda, sistemas elétricos e mecânicos.

O terceiro tipo de crescimento exponencial é o crescimento logístico:

O crescimento logístico é modelado pela equação:

M
y (t ) =
1 + ae − rMt

97
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

Onde M, a e r são constantes.

Funções como estas servem de instrumentos para caracterizar modelos de consumo, populações
controladas, crescimento de epidemias, vendas etc.

Veja a seguir um exemplo de aplicação desse modelo.

Num certo programa de rádio, o locutor informa: “Atenção, senhores ouvintes. Entra em vigor
a promoção ganhe duas entradas para o teatro. Vá até o nosso site e envie uma mensagem
respondendo: Qual a melhor rádio do país? E concorra a duas entradas para o teatro”. Suponha
que o número de pessoas que tenha acesso a essa informação, quando transcorridas t horas após
a divulgação da mesma, seja dado pela função:

P
f (t ) =
 − Pt 
1+ 9 ⋅ 2 3 
 

Onde t > 0 e P é a população do país. Pergunta-se: qual o percentual da população que tomou
conhecimento da promoção no instante de sua divulgação?

Para responder a questão basta calcular f(0), isto é, para determinar o percentual da população
que tomou conhecimento da promoção no instante de sua divulgação deve-se considerar t =
0. Então:

P P P P
( 0)
f= = = 0
= =
 −  1 + 9 ⋅ 2 1 + 9 ⋅1 1 + 9
P ⋅0
1+ 9 ⋅ 2 3 
 
P 1 10
= = P
= P
10 10 100

Isto é, 10% da população.

O uso dos logaritmos também se torna imprescindível quando o foco de interesse é a resolução
de determinadas equações. A seguir serão apresentadas algumas situações onde esta ideia se
faz presente.

Agora veja novamente a seguinte aplicação, apresentada na secção anterior:

A população de um povoado era igual a 900 pessoas em 1980. Sabe-se que a população cresce
de acordo com a função:

P = 900 . e0,03t

Onde P é o número máximo de pessoas do povoado após o tempo t em anos.

98
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Um dos interesses frente a essa aplicação pode ser estimar, por meio da lei acima, após quanto
tempo a população do povoado alcança um determinado valor. Por exemplo, após quantos anos
a população desse povoado alcança o número 8. 100?

Nesse caso, deve-se fazer P = 8. 100, ou seja:

P = 900 . e0,03t

8100 = 900 . e0,03t
8100
= e0,03t
900
9 = e0,03t

Aplicando em ambos os membros da igualdade obtém-se:

ℓ𝑛 9 = e0,03t

ℓ𝑛 9 = 0,03t . ℓ𝑛 e

ℓ𝑛 9 = 0,03t
n 9
t=
0, 03
2,1972
t=
0, 03
t ≅ 73,24

Portanto, após 73 anos estima-se que a população chegará a 8.100 pessoas.

Veja outra aplicação:

Certa financeira empresta dinheiro a seus clientes com a condição de que a dívida seja paga em
uma única vez, de acordo com a seguinte regra: para um montante de k reais emprestados, o
cliente ao final de t anos, deverá pagar P reais, obtidos de acordo com a lei:

P = k . log10 (t + 2), além do valor do empréstimo.

Se um cliente deseja tomar emprestado 1.000 reais e pagar a financeira 1 ano depois, qual será
a quantia recebida pela financeira?

De acordo com o enunciado do problema: k = 1.000 e t = 1. Então:

P = k . log10 (t + 2)

P = 1000 . log10 (1 + 2)

99
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

P = 1000 . log10 3

P = 1000 . 0,4771

P = 477,10

Portanto, a financeira receberá:

1000 + 477,10 = 1477,10 reais.

Considere agora que uma pessoa dispõe de 36 000 reais e deseja aplicar essa quantia de maneira
a duplicar o seu valor. Sabendo que o montante M de um investimento é calculado pela fórmula:

M = M0 . 1,08x

Em que M0 é o valor inicial aplicado e x é o tempo, em anos, da aplicação, determinar após quanto
tempo esse valor é duplicado. Dados: log 2 = 0,3010 e log 3 = 0,4771.

Ao aplicar 36 000 reais deseja-se após um certo tempo x obter 72 000 reais. Então segue que:

M = 72 000 e M0 = 36 000. Assim:

72 000 = 36 000 . 1,08x

= 1,08x

2 = 1,08x

Aplicando log em ambos os membros da igualdade, obtém-se:

log 2 = log 1,08x

log 2 = x log 1,08

108
log 2 = x log
100
log 2 = x . (log 108 – log 100)

log 2 = x . [log (22⋅33) – log 102]

log 2 = x . [log 22 + log 33 – log 102]

log 2 = x . [2 log 2 + 3 log 3 – 2 log 10]

0,3010 = x . [2 × 0,3010 + 3 × 0,4771 – 2 × 1]

0,3010 = x . [0,6020 + 1,4313 – 2]

100
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

0,3010 = 0,0333 x

0,3010
x=
0, 0333
x = 9,0390

Portanto, o valor é duplicado após 10 anos.

Funções hiperbólicas

As funções hiperbólicas que serão tratadas a seguir são da forma ���� = ���� e conhecidas como
função hiperbólica retangular. O caso mais simples dessas funções foi apresentado na aula 2,
isto é, a função = 1
cujo gráfico corresponde a:

1
Figura 3.21. Gráfico de f(x) = .
x

Nessa função o domínio é dado por Dom(f) = ℝ – {0}, ou seja, a função não está definida em x = 0.
Além disso, a forma do gráfico aumenta ou diminui drasticamente em cada lado do ponto não
identificado. Isto pode ser constatado à medida que se calcula f(x) para valores de x próximos ao ponto
indefinido. Nesse exemplo, o eixo y é uma assíntota vertical e o eixo x é uma assíntota horizontal.

Uma assíntota vertical é uma reta à qual a curva tende para mais infinito (+∞) ou menos infinito
(-∞) à medida que a variável x se aproxima da reta.

101
AULA 3 • MODELAGEM MATEMÁTICA

1
Figura 3.22. Assíntotas do gráfico f(x) = .
x

a c
As funções da forma f(x) = , com x ≠ − são caracterizadas por curvas semelhantes às que
bx + c b
determinam a função y = 1 com x ≠ 0.
x
1
Veja, por exemplo, como esboçar o gráfico da função f(x) = . Primeiramente, determina-se
x+3
o domínio de f, isto é, Dom(f) = ℝ {–3}. Daí segue que x = - 3 é uma assíntota vertical. Agora se
pode determinar os pontos em que f intercepta o eixo y, isto é, o ponto em que x = 0. Nesse caso,
para x = 0 tem-se y = 1/3.

1
Figura 3.23. Assíntotas do gráfico f(x) = .
x+3

a c
Funções da forma f(x) = , com x ≠ − modelam funções de custo médio, oferta, demanda
bx + c b
e outras que crescem ou decaem a taxas crescentes.

102
MODELAGEM MATEMÁTICA • AULA 3

Resumo

Vimos até agora:

»» O conceito e as etapas do processo de “modelagem matemática”.

»» A caracterização dos modelos econômicos.

»» Como ocorrem as interações entre as partes de um modelo econômico por meio do
modelo do fluxo circular.

»» Como estabelecer processos de modelagem gráfica e algébrica para as seguintes funções:
demanda e oferta, custo e receita.

»» Como calcular o ponto de equilíbrio dos mercados de bens e de trabalho.

»» Como analisar pontos de nivelamento.

»» Como utilizar modelos quadráticos, exponenciais e logaritmos associados aos contextos
das funções demanda, oferta, custo e receita.

»» Como manipular funções não lineares algebricamente, em particular, nas aplicações
econômicas como demanda, oferta, receita, custo e lucro.

»» Como usar funções exponenciais e funções logarítmicas aplicadas em contextos
relacionados à produção e consumo.

»» Como definir e resolver problemas aplicados que são modelados por funções hiperbólicas
a
da forma f(x) = .
bx + c

103
LIMITES E APLICAÇÕES
AULA
4
Apresentação

Nesta aula será apresentado o conceito de limite, isto é, um conceito que é ponto de partida para
definir conceitos do cálculo diferencial e integral como os de continuidade, derivada e integral.
Vale lembrar que a ideia de limite permite, dentre outras coisas, converter taxas médias em taxas
instantâneas de variação, taxas essas associadas a múltiplos conceitos das áreas de negócios e
economia.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Compreender a noção de limite.

»» Calcular o limite de uma função num ponto.

»» Calcular limites laterais.

»» Compreender o conceito de limite e calcular limites indeterminados.

»» Distinguir limites infinitos de limites no infinito.

»» Compreender o conceito de função contínua e seu vínculo com as ideias de limite.

»» Compreender a Lei de Pareto e suas aplicações.

Introdução

As ideias centrais do Cálculo surgiram no século XVII a partir dos trabalhos de Isaac Newton
(1662 – 1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646 – 1716) cujo objetivo principal na época era
resolver certos problemas de mecânica e geometria. Porém, anos mais tarde, o Cálculo Diferencial
e Integral tornou-se uma poderosa ferramenta e muitas outras áreas além da matemática e da

104
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

física, como a economia, a biologia e a psicologia passaram a considerá-las a fim de resolver
determinados problemas característicos de cada uma dessas áreas.

O estudo do cálculo diferencial e integral envolve as noções de derivada, diferencial, antiderivação
e integral de funções. Tais noções, entretanto, exigem que se tenha clara as ideias relacionadas
a limites de funções.

A seguir serão apresentadas de forma bastante intuitiva essas ideias a fim de usá-las nas aulas
posteriores deste Caderno de Estudos.

Limite de uma função num ponto qualquer
x2 −1
Considere a função f ( x ) = . O domínio de f corresponde aos valores reais de x tal que x é
x −1
diferente de 1, pois para x = 1 tem-se denominador 0. Sendo assim, o objetivo nesse momento
é estudar o comportamento dessa função nas proximidades do ponto x = 1. Para isso observe a
seguinte tabela:

Tabela 4.1. Alguns valores de f(x).

x2 −1
x f ( x) = f(x)
x −1
0,952 − 1
0,95 f ( 0,95 ) = - 1,95
0,95 − 1

0,962 − 1
0,96 f ( 0,96 ) = - 1,96
0,96 − 1

0,97 2 − 1
0,97 f ( 0,97 ) = -1,97
0,97 − 1

0,982 − 1
0,98 f ( 0,98 ) = -1,98
0,98 − 1

0,992 − 1
0,99 f ( 0,95 ) = - 1,99
0,99 − 1

12 − 1
1 f (1) = ?
1 −1
1, 012 − 1
1,01 f (1, 01) = 2,01
1, 01 − 1

1, 022 − 1
1,02 f (1, 02 ) = 2,02
1, 02 − 1

1, 032 − 1
1,03 f (1, 03) = 2,03
1, 03 − 1

1, 04 − 1
1,04 f (1, 04 ) = 2,04
1, 04 − 1

1, 052 − 1
1,05 f (1, 05 ) = 2,05
1, 05 − 1

105
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

A tabela 4.1 sugere certo padrão. Ao observar os valores de f(x), percebe-se que f(x) se aproxima
de 2 quando x se aproxima de 1. Matematicamente, diz-se que a função f(x) tende para 2 quando
x tende para 1. Além disso, os valores de f(x) tendem para 2 de uma forma regular. A cada variação
de ± 0,01 em x corresponde uma variação de ± 0,01 em f(x), o que sugere que f(x) se comporta
como uma função linear de inclinação 1. De fato, fatorando o numerador obtém-se:

x2-1= (x+1)∙(x-1)

e cancelando um dos fatores com o denominador tem-se:

f ( x )=
x2 −1
=
( x + 1) ⋅ ( x − 1)= x +1
x −1 x −1

Isto é: obtém-se como resultado uma função linear cujo domínio inclui o ponto x = 1. O gráfico da função
y = x + 1 é uma linha reta que contém o ponto (1, 2). O gráfico de f(x) coincide com esta reta para todos
os valores de x exceto 1, o que explica a regularidade observada na tabela 4.1.

Figura 4.1. Gráfico de y = x+ 1.

2
Figura 4.2. Gráfico de f ( x ) = x − 1 .
x −1

106
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

Este comportamento pode ser expresso usando a seguinte notação matemática:
x2 −1
lim =2
x →1 x −1
No caso geral, escreve-se: lim f ( x) = L
x →a

Para indicar que os valores da função f(x) tendem para o número L quando x tende para o número
a, e diz-se que o limite de f(x) quando x tende para a é igual a L. Vale lembrar que na discussão do
limite de uma função supõe-se que f(x) é definida para todos os valores de x nas proximidades
de a, mas não necessariamente em x = a.

Portanto, pode-se afirmar intuitivamente que: limite de uma função é o valor para o qual converge
a variável dependente, f(x), quando a independente, x, tende para determinado ponto.

Dessa forma surge, em muitos casos, a possibilidade de obter o limite de uma função de duas
formas: a primeira com o auxílio de uma tabela onde são atribuídos valores muito próximos de x a
fim de deduzir o comportamento (o limite) de f(x) e, a segunda forma por meio de simplificações
(quando possível e se for necessário) da expressão que caracteriza f(x) até que se torne fácil a
sua análise. Veja o exemplo a seguir:

(2 + x) 2 − 4
Determinar: lim
x →0 x
Nesse caso, o domínio de f corresponde aos valores reais de x, tal que x ≠ 0. Sendo assim, busca-
se analisar a tabela construída abaixo usando um valor arbitrário inicial igual a –0,003 e um
incremento de 0,001.
(2 + x) 2 − 4
Tabela 4.2. Valores de f(x) para f ( x ) = .
x
X (2 + x ) 2 − 4 f(x)
f ( x) =
x
- 0,003 (2 + (−0, 003)) 2 − 4 3,997
f ( −0, 003) =
−0, 003

- 0,002 (2 + (−0, 002)) 2 − 4 3.998
f ( −0, 002 ) =
−0, 002

- 0,001 (2 + (−0, 001)) 2 − 4 3,999
f ( −0, 001) =
−0, 001

0 (2 + 0) 2 − 4 ?
f ( 0) =
0

0,001 (2 + 0, 001) 2 − 4 - 4,001
f ( 0, 001) =
0, 001

0,002 (2 + 0, 002) 2 − 4 - 4,002
f ( 0, 002 ) =
0, 002

0,003 (2 + 0, 003) 2 − 4 - 4,003
f ( 0, 003) =
0, 003

(2 + x) 2 − 4
A tabela sugere que f(x) tende a 4 quando x tende a 0, isto é: lim =4.
x →0 x
107
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

Isso pode ser comprovado quando é feita a opção da realização de simplificações na expressão
que caracteriza f(x). Ou seja:
(2 + x)− 4 4 + 4x + x2 − 4 4x + x2 x ⋅ ( 4 + x )
2

f ( x )= = = = = 4 + x, se x ≠ 0
x x x x
O gráfico de f(x), apresentado na figura 4.2, é idêntico ao gráfico da função y = 4 + x, exceto no
ponto x = 0, onde f não está definida. Como y = 4 + x tende a 4 quando x tende a 0, conclui-se
2
que: lim (2 + x) − 4 = 4 .
x →0 x
������ ��
Figura 4.3. Gráfico de ���� = .

O conceito de limite apresentado permite concluir que o limite de uma função num ponto está
associado ao valor que a função assume nesse ponto. Nos casos mais simples, a função existe
no ponto x = a e assim lim f ( x ) = f (a ) .
x→a

2
Por exemplo: qual o valor de lim x ?
x→4

Se um número é muito próximo de 4, como 3,9999 ou 4,0001 seu quadrado é muito próximo de
2 2
16. Essa conclusão torna-se também válida quando se faz: lim x= 4= 16 .
x→4

Portanto, pode-se generalizar tal ideia para outras funções potência. Ou seja:

Se n é um inteiro positivo e a é um número real qualquer então se pode escrever: lim xn = an .
x →a

Veja os exemplos a seguir:

lim x3 =
(−1) 2 =
−1
x →−1

lim x 4 =(−2) 4 =
16
x →−2

4 4
lim x= 2= 16
x→2

108
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

Para o caso das funções polinomiais pode-se verificar que consistem em somas de funções
potência multiplicadas por coeficientes numéricos. Portanto, ao combinar o caso lim x n = f (a)
x→a
com as propriedades listadas abaixo, chega-se ao limite dessas funções quando x tende a um
número real a.

Propriedades de limites

Suponha que lim f ( x) = L e lim g ( x) = M , então:
x→a x→a

Para qualquer constante c,

lim c ⋅ f ( x) =
c ⋅ lim f ( x) =
c⋅L
x→a x→a

lim  f ( x ) + g ( x )  =
lim f ( x ) + lim g ( x ) =
L+M
x→a x→a x →a

lim  f ( x ) ⋅ g ( x )  =
[lim f ( x )] ⋅ [lim g ( x )] =
L⋅M
x→a x→a x →a

Se M ≠ então,

f ( x) lim f ( x) L
lim
= x= →a
x→a g ( x) lim g ( x) M
x→a

p p p

lim[
= f ( x) ] [lim
q
= f ( x)] L q q
x→a x→a

Veja os exemplos a seguir:

lim 3 x 2 = 3 ⋅ lim x 2 = 3 ⋅ 22 = 3 ⋅ 4 = 12
x→2 x→2

lim ( 4 x + 1) = 4 ⋅ lim x + lim1 = 4 ⋅ 3 + 1 = 13
x →3 x →3 x →3

lim ( x 2 − 2 x + 3) = lim x 2 − 2 ⋅ lim x + lim 3 =(−1) 2 − 2 ⋅ ( −1) + 3 =1 + 2 + 3 =6
x →−1 x →−1 x →−1 x →−1

Outra propriedade importante é a seguinte:

f ( x) f (a)
Se f(x) e g(x) são funções e g(a) ≠ 0 então lim = .
x→a g ( x ) g (a)
x2 − 5x + 7
Por exemplo, calcular lim .
x →1 x2 − 9

2
Primeiramente, calcula-se lim( x − 5 x + 7) , isto é:
x →1
2 2
lim( x − 5 x + 7) =1 − 5 ⋅1 + 7 =1 − 5 + 7 =3
x →1

109
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

2
Agora calcule lim( x − 9) :
x →1
2 2
lim( x − 9) =1 − 9 =−8
x →1

2
Como lim( x − 9) ≠ 0 , segue que:
x →1
2
x − 5x + 7 3 3
lim 2
= = −
x →1 x −9 −8 8.
f ( x)
As considerações a seguir apresentam táticas importantes para resolver limites da forma lim .
x→a g ( x)
f ( x)
Para determinar lim , primeiramente verifique o valor de lim g ( x ) .
x→a g ( x ) x→a

f ( x) f (a)
»» Se lim g ( x ) ≠ 0 então, como já foi dito, lim =
x→a x→a g ( x ) g (a) .
f ( x)
»» Se lim g ( x ) = 0 e lim f ( x ) ≠ 0 então não existe lim .
x→a x→a x→a g ( x)
f ( x)
»» Se lim g ( x ) = 0 e lim f ( x ) = 0 então simplifique a função e volte ao início da
x→a x→a
g ( x)
análise.
x2 −1
Por exemplo, calcular lim .
x →1 x −1
Note-se que lim
x →1
( )
x 2 − 1 = 12 − 1 = 0 e que lim ( x − 1) = 1 − 1 = 0 .
x →1

2
Porém, x − 1 = ( x + 1) ⋅ ( x − 1)
Daí:

x2 −1 ( x + 1) ⋅ ( x − 1) =lim x + 1 =1 =1 =2
lim =lim ( )
x →1 x − 1 x →1 x −1 x →1

Formas indeterminadas

As razões nas quais tanto o numerador como o denominador tendem para zero quando x → a,
x2 −1
como no último exemplo: lim são chamadas formas indeterminadas. Nesses casos, o limite
x →1 x −1
da razão pode ou não existir. Caso o limite exista vale lembrar que não poderá ser calculado antes
de simplificar, de alguma forma, a razão em questão. Veja a seguir outros exemplos:

x2 + 4x + 4 ( x + 2) 2
lim =lim =lim ( x + 2 ) =−2 + 2 =0
x →−2 x+2 x →−2 x + 2 x →−2

x2 + x x ⋅ ( x + 1)
lim = lim = lim ( x + 1) = 0 + 1 = 1
x →0 x x → 0 x x →0

110
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

Limites laterais

Como já foi visto o limite de uma função quando x tende a “a” é o valor para o qual converge a
variável dependente quando a independente se aproxima do ponto a. Essa ideia de aproximação
a um ponto dado está relacionada a duas ideias: a de posição relativa e a de rota de aproximação.
A primeira ideia refere-se ao fato de que um valor pode estar à direita ou à esquerda de a. Já a
segunda significa dizer que os valores menores que x se aproximam dele pela esquerda, enquanto
que os maiores pela direita.

Sendo assim, obtém-se:

»» O limite pela esquerda, indicado como xlim f ( x) , se x tende para a por valores menores
→a−

que x.

»» O limite pela direita, indicado como xlim f ( x) , se x tende para a por valores menores
→a+
que x.

Os limites quando x tende a “a” pela direita (x → a+), e quando x tende a “a” pela esquerda (x → a-),
são chamados limites unilaterais. Veja agora alguns exemplos.
 −1 se x < 0

Considere a função
= f ( x ) =0 se x 0 chamada função sinal. O gráfico de f é apresentado na
 1 se x > 1
figura a seguir. 

 −1 se x < 0

de f ( x )
Figura 4.4. Gráfico = =0 se x 0 .
 1 se x > 1

Então, segue que:
lim f ( x ) = +1
x → 0+

lim f ( x ) = −1
x → 0−

111
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

Veja outro exemplo:
4 − x 2 se x ≤ 1
Na função f ( x ) =  2
tem-se:
 2 + x se 1 < x
lim− f ( x ) = lim− ( 4 − x 2 ) = 4 − 12 = 4 − 1 = 3
x →1 x →1

lim f ( x ) = lim+ ( 2 + x 2 ) = 2 + 12 = 2 + 1 = 3
x →1+ x →1

Vale destacar que:

lim f ( x) existe e será igual a L se e somente se lim+ f ( x) e lim− f ( x) existirem e forem iguais.
x→a x→a x→a

Limites infinitos

O objetivo agora é discutir o comportamento de funções cujos valores aumentam ou diminuem
sem limitação, quando a variável independente x aproxima-se cada vez mais de um número a.
1
Considere a função f ( x ) = ( x − 2) 2 . Note que f não está definida em x = 2. As duas tabelas a
seguir permitem investigar os valores de f quando x está próximo de 2.

Tabela 4.3. Valores de f quando x → 2-.

1
x f ( x) = f(x)
( x − 2) 2

1
1 f (1) = 1
(1 − 2) 2

1
1,5 f (1,5 ) = 4
(1,5 − 2) 2

1
1,75 f (1, 75 ) = 16
(1, 75 − 2) 2

1
1,99 f (1,99 ) = 10 000
(1,99 − 2) 2

1
1,999 f (1,999 ) = 1 000 000
(1,999 − 2) 2

Tabela 4.4. Valores de f quando x → 2+.

1
x f ( x) = f(x)
( x − 2) 2

1
3 f ( 3) = 1
(3 − 2) 2

112
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

1
2,5 f ( 2,5 ) = 4
(2,5 − 2) 2

1
2,25 f ( 2, 25 ) = 16
(2, 25 − 2) 2

1
2,01 f ( 2, 01) = 10 000
(2, 01 − 2) 2

1
2,001 f ( 2, 001) = 1 000 000
(2, 001 − 2) 2

Na tabela 4.3 conclui-se intuitivamente que à medida que x se aproxima de 2 por valores menores
que 2, f(x) cresce indefinidamente. Ou seja: lim− f ( x ) = +∞ .
x→2

Na tabela 4.4 conclui-se intuitivamente que à medida que x se aproxima de 2 por valores maiores
que 2, f(x) cresce indefinidamente. Ou seja: xlim f ( x ) = +∞ .
→ 2+

Observe a seguir o esboço do gráfico de f.

1
f ( x) =
Figura 4.5. Gráfico de ( x − 2) 2 .

Note-se que à medida que ambos os membros da curva se
aproximam da reta x = 2 os valores de f crescem indefinidamente, Atenção
ou seja, tendem a mais infinito.
A reta x = 2 é uma assíntota
1 vertical de f.
Veja agora o que acontece com a função f ( x ) = − ( x − 2) 2 . Assim
como na função do exemplo anterior tem-se que x não pode

113
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

assumir o valor 2. Utilizando-se as tabelas 4.5 e 4.6 abaixo se conclui que lim− f ( x ) = −∞ e
x→2
lim+ f ( x ) = −∞ .
x→2

Fato que pode ser observado no gráfico da figura 4.5.

Tabela 4.5. Valores de f quando x → 2-.

x 1 f(x)
f ( x) = −
( x − 2) 2
1 1 -1
f (1) = −
(1 − 2) 2
1,5 1 -4
f (1,5 ) = −
(1,5 − 2) 2
1,75 1 - 16
f (1, 75 ) = −
(1, 75 − 2) 2
1,99 1 - 10 000
f (1,99 ) = −
(1,99 − 2) 2
1,999 1 - 1 000 000
f (1,999 ) = −
(1,999 − 2) 2

Tabela 4.6. Valores de f quando x → 2+.

x 1 f(x)
f ( x) = −
( x − 2) 2
3 1 -1
f ( x) = −
( x − 2) 2
2,5 1 -4
f ( 2,5 ) = −
(2,5 − 2) 2
2,25 1 - 16
f ( 2, 25 ) =
−(2, 25 − 2) 2
2,01 1 - 10 000
f ( 2, 01) = −
(2, 01 − 2) 2
2,001 1 - 1 000 000
f ( 2, 001) = −
(2, 001 − 2) 2

1
Figura 4.6. Gráfico de f ( x ) = − ( x − 2)2 .

114
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

Nos dois últimos exemplos à medida que x tende a um valor a, f(x) cresce ou decresce
indefinidamente. Casos análogos a essas caracterizam limites infinitos.

Limites no infinito

Nesse momento o objetivo é considerar limites de funções em que a variável independente x
cresce ou diminui indefinidamente. Veja o seguinte exemplo:
1
Considere a função f ( x ) = x . Nesse caso, tem-se que x ≠ 0. A tabela abaixo permite analisar
intuitivamente o comportamento de f à medida que x tende a mais e a menos infinito.

1
Tabela 4.7. Valores de f ( x ) = .
x
x 1 f(x)
f ( x) =
x
-100 1 - 0,01
f ( −100 ) =
−100
-10 1 - 0,1
f ( −10 ) =
−10
-5 1 - 0,2
f ( −5 ) =
−5
-4 1 - 0,25
f ( −4 ) =
−4
-3 1 - 0,3333
f ( −3) =
−3
-2 1 - 0,5
f ( −2 ) =
−2
-1 1 -1
f ( −1) =
−1
1 1 1
f (1) =
1
2 1 0,5
f ( 2) =
2
3 1 0,3333
f ( 3) =
3
4 1 0,25
f ( 4) =
4
5 1 0,2
f ( 5) =
5
10 1 0,1
f (10 ) =
10
100 1 0,01
f (100 ) =
100

115
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

Ao observar a tabela 4.7 segue que à medida que x cresce, isto é, tende a infinito, os valores de f
se aproximam de 0. Isto é:

lim f ( x ) = 0
x →+∞

À medida que x decresce (tende a menos infinito) os valores de f se aproximam de 0. Isto é:

lim f ( x ) = 0
x →−∞

Sendo assim, toda vez que a partir de uma função dada x tende a infinito, diz-se que o limite é
no infinito e denota-se por:

lim f ( x ) = L ou xlim f ( x) = L
x →+∞ →−∞

Continuidade de uma função num ponto dado

Um atacadista vende um produto por quilo (ou fração de quilo). Se forem pedidos mais de 15
quilos, o atacadista cobrará R$ 1,00 por quilo. No entanto, para incentivar pedidos maiores, ele
cobra R$ 0,80 por quilo, se mais de 15 quilos forem comprados. Assim, se x quilos do produto
forem comprados e C(x) for custo do pedido, então:

 x, se 0 ≤ x ≤ 15
C ( x) = 
 0,8 x, se 15 < x

Nessa situação, segue que:

lim C
=
x →15+
( x ) lim
= +
x 15
x →15

e

lim C ( x ) = lim− 0,8 x = 0,8 ⋅15 = 12
x →15− x →15

Note que: xlim C ( x) ≠ lim− C ( x) .
→15+ x →15

A seguir o esboço do gráfico de C indica uma “quebra” no traço de C em x = 15. Nesse caso diz-se
que C é descontínua em x = 15.

116
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

Figura 4.7. Gráfico de C(x).

Diz-se que uma função é contínua no número a se, e somente se, as seguintes condições são
satisfeitas:

a. f(a) existe;

b. lim+ f x = lim− f ( x );
x→a x →a

c. lim f x = f (a ).
x →a

Se uma ou mais dessas condições não forem verificadas em a, a função f será descontínua em a.

Veja o exemplo a seguir:

Um atacadista que vende um produto por quilo (ou fração de quilo) cobra R$ 1,00 por quilo se
o pedido for até 5 quilos. Mas se o pedido ultrapassar esse peso, ele cobrará R$ 5,00 mais 0,7
por quilo excedente. Nesse caso, ao vender x quilos do produto tem-se que a função custo é
caracterizada por:

 x, se 0≤ x≤5
C ( x) = 
 5 + 0, 7 ⋅ ( x − 5 ) , se x > 5

Nessa situação, segue que:

( x ) lim
lim C=
x → 5−
= −
x 5
x →5

e

lim C ( x ) = lim+ (5 + 0, 7 x − 3,5) = ( 0, 7 x + 1,5)=
x → 5+ x →5

= 0, 7 ⋅ 5 + 1,5= 5

Note-se que: xlim C ( x ) = lim− C ( x) .
→ 5+ x →5

117
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

Aplicação: a Lei de Pareto

No final do século XIX, o economista italiano, Vilfredo Pareto, estudou a distribuição de rendas
para indivíduos em uma população de tamanho a. Nesse estudo Pareto pôde perceber que,
na maioria dos casos, o número y de indivíduos que recebem uma renda superior a x é dado
aproximadamente por:

a
y=
( x − r )b

Em que r é a menor renda considerada para a população e b é um parâmetro positivo que varia
de acordo com a população estudada.

Por exemplo, se a população estudada é de 1.000,000 habitantes, a renda mínima considerada
for R$ 400,00 e o parâmetro b = 1,2, então o número de indivíduos y que têm renda superior a
x é dado por:

1 000 000
y=
( x − 400)1,2

A partir dessa função pode-se estimar o número de indivíduos que têm renda superior a
R$ 1.200,00, basta fazer x = 1.200. Assim:

1000000 1000000 1000000
=y = 1,2
= = 328,31
(1200 − 400) 8001,2 3045,8463

Logo, pode-se afirmar que 328 indivíduos recebem renda superior a R$ 1.200,00.

Em muitos casos, considera-se na Lei de Pareto r = 0, isto é, a renda mínima igual a 0. Assim:

a a
y
= = b
= b
ax − b
( x − 0) x

Veja o exemplo a seguir:

Considere a população de 10.000,000 de habitantes, a renda mínima de 0 e o coeficiente b = 1,2.
Assim, o número de indivíduos de acordo com a renda será dada por:

=y 10.000,000 ⋅ x −1,2

Na prática, para analisar a função em questão deve-se estabelecer que:

»» 0 < x < maior renda possível.

»» 0 < y < 10 000 000.

118
LIMITES E APLICAÇÕES • AULA 4

A tabela abaixo fornece a distribuição aproximada de indivíduos com renda superior à renda de
alguns valores de x.

Tabela 4.8. Distribuição aproximada de indivíduos com renda superior à renda x.

Renda (x) em R$ Número aproximado de indivíduos com renda
superior a x

100 y =10 000 000 ∙ 100-1,2=39 810

200 y =10 000 000 ∙ 200-1,2=17 328

300 y =10 000 000 ∙ 300-1,2=10 652

400 y =10 000 000 ∙ 400-1,2=7 542

500 y =10 000 000 ∙ 500-1,2=5 770

1 000 y =10 000 000 ∙ 1000-1,2=2 511

Observe o gráfico da função em questão:

Figura 4.8. Gráfico de y =10 000 000 ∙ x-1,2.

A partir do gráfico acima pode-se notar que a maior parte dos indivíduos tem rendas com valores
baixos, isto é, próximos a x = 0, enquanto é pequeno o número de indivíduos com altas rendas.
A partir da tabela nota-se que a função y =10 000 000 ∙ x-1,2 é decrescente.

Para rendas mais elevadas, a curva se aproxima cada vez mais do eixo x. Ou seja:

lim y = 0
x →∞

Além disso, quando x assume valores positivos cada vez mais próximos de 0, y assume valores
cada vez maiores. Ou seja:

lim y = +∞
x → 0+

119
AULA 4 • LIMITES E APLICAÇÕES

Resumo

Vimos até agora:

»» A ideia intuitiva de limite.

»» Como calcular o limite de uma função num ponto.

»» Como calcular limites laterais.

»» Como determinar limites indeterminados, bem como a diferença entre limites infinitos
de limites no infinito.

»» O conceito de função contínua e seu vínculo com as ideias de limite.

»» Aplicações referentes à Lei de Pareto.

120
DERIVADAS E APLICAÇÕES
AULA
5
Apresentação

Nesta aula, será apresentado o conceito de taxa de variação e serão analisadas as taxas de variação
média e instantânea. Essas análises servirão de suporte para entender o conceito de derivada,
que tem grande aplicação nas áreas de economia, administração, entre outras. Além disso, serão
apresentados procedimentos que permitem encontrar de forma prática as funções derivadas.
Vale lembrar que além de aplicar o conceito de derivada para estudar o comportamento de
funções, serão vistas também abordagens práticas a fim de entender o significado econômico
da marginalidade, isto é, avaliar custo marginal, custo médio marginal, receita marginal e lucro
marginal.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Entender a derivada como taxa de variação instantânea.

»» Interpretar geometricamente o conceito de derivada.

»» Calcular derivada de funções.

»» Determinar valores máximos e mínimos de funções receita, lucro, custo e outras funções
econômicas.

»» Determinar pontos de inflexão e descrever curvaturas.

»» Determinar a elasticidade pontual da demanda e nas aplicações com preço e receita
marginal, receita total e variações no preço.

121
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

Taxa de variação e derivada

Já se sabe que o custo C para a produção de uma quantidade Q de um produto pode ser
caracterizado por uma função. Isto é, o custo C é função da quantidade produzida:

C = f(Q)

A variação da quantidade de produtos produzidos determina uma variação correspondente dos
custos de produção. Sendo assim, pode-se definir a taxa de variação média, ou simplesmente,
taxa de variação da variável dependente, C, em relação à variável independente, Q, pela razão:

variação de C
m=
variação de Q

Sendo a função custo uma função do 1o grau tem-se que a taxa de variação média corresponde
ao coeficiente angular dessa função.

Taxa de variação média em um intervalo de tempo

Considere que em uma indústria a quantidade P de produção de certo produto depende do
número x de horas de trabalho de seus operários, a partir do início do expediente e que tal
produção é dada por:

P = x2

Onde P é a produção em toneladas. Note-se que no instante x = 0 a produção dos operários é
nula. Além disso, pode-se determinar a taxa de variação média da produção para um intervalo
de tempo qualquer. Por exemplo, considere o intervalo de tempo das 2 horas até às 4 horas. Por
definição, segue que:

variação de P ∆P
Taxa=
de variação =
variação de x ∆x

Isto é:

42 − 22 16 − 4 12
Taxa de variação
= = = = 6 ton / h
4−2 2 2

De forma geral:

A taxa de variação média de uma função f(x) no intervalo a < x < b é calculada da seguinte forma:

f ( b ) − f (a)
Taxa de variação média =
b−a

122
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Veja o exemplo a seguir:

Seja f a função definida por ���� = � � � = 3. Determinar a sua taxa de variação no intervalo 4 < x < 8.

Segue que:

f ( 8 ) − f (4) 67 − 19 48
Taxa de variação
= = = = 12
8−4 8−4 4

Taxa de variação instantânea

O interesse agora é obter a taxa de variação de uma função num instante específico. Essa taxa é
chamada de taxa de variação instantânea.

Considere ainda a função produção

P = x2

E a seguinte questão: “Qual a taxa de variação instantânea da produção no instante x = 3?”

Nesse caso, pode-se calcular várias taxas de variação média para intervalos de tempo “muito
pequenos”, cada vez mais “próximos” do instante x=3.

Considere o instante x=3 e tome para efeitos de cálculos das taxas de variação média o intervalo
de 3 até 3=h, onde h representa o tamanho do intervalo.

Assim:

f 3 + h − f (3)
Taxa de variação média P no intervalo de 3 até 3 + h =
h

A tabela abaixo apresenta a variação de h, isto é, do tamanho do intervalo, e sua respectiva taxa
de variação média:

Tabela 5.1. Taxa de variação média da função P = x2.

f ( 3 + h ) − f (3)
H Taxa de variação média
h
f ( 3 + 0,1) − f (3)
0,1 6,1
0,1

f ( 3 + 0, 01) − f (3)
0,01 6,01
0, 01

f ( 3 + 0, 001) − f (3)
0,001 6,001
0, 001

123
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

f ( 3 + (−0,1) ) − f (3)
-0,1 5,9
−0,1

f ( 3 + (−0, 01) ) − f (3)
-0,01 5,99
−0, 01

f ( 3 + (−0, 001) ) − f (3)
-0,001 5,999
−0, 001

À medida que se aproxima do valor x=3, variando h, a taxa de variação média se “aproxima” do
valor 6. Nesse caso, diz-se que:

Taxa de variação instantânea de P = f(x)em x = 3 = 6 ton/h

O procedimento de tomar h “próximo de zero” e torná-lo “mais próximo ainda” de zero pode
ser escrito como h → 0.

Portanto:

 Taxa de variação média de f x 
Taxa de variação instantânea de f x em x = 3 = lim  
h →0
 no intervalo de 3 até 3 + h 

ou seja:

f ( 3 + h ) − f (3)
Taxa de variação instantânea de f ( x ) em x= 3= lim
h →0 h

Em geral:

Dada uma função contínua y = f(x) e x = a um ponto de seu domínio:

f ( a + h ) − f (a)
Taxa Taxa de variação intantânea de f ( x ) em x= a= lim
h →0 h

Derivada de uma função como taxa de variação

A taxa de variação instantânea da função produção no instante x=3 recebe o nome de derivada
da função produção no ponto x=3. Sendo P = f(x) tem-se que a derivada de P no ponto x = 3, é
denotada por f’(3).

De maneira geral:

A derivada de uma função no ponto x = a é a taxa de variação instantânea da função nesse ponto:

 derivada da função f ( x)   taxa de variação instantânea 
=f ' ( a ) =   
 no ponto x = a   de f ( x ) em x = a 

124
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

ou seja: Atenção
f ( a + h ) − f (a )
f ' ( a ) = lim Vale lembrar que a derivada no ponto x = a só existe,
h→0 h se os limites laterais existirem e forem iguais.

Interpretação geométrica da derivada

Considere ainda a função produção P = f(x), definida por P = x2. Sabe-se, por exemplo, que:
 Taxa de variação média  ∆P f ( 4 ) − f (2) 16 − 4 12
 =
 = = = = 6 ton / h
 no intervalo 2 ≤ x ≤ 4  ∆x 4−2 2 2

e
 Taxa de variação média  ∆P f ( 6 ) − f (4) 36 − 16 20
 = = = = = 10 ton / h
 no intervalo 4 ≤ x ≤ 6  ∆x 6−4 2 2

No intervalo 2 < x < 4 a variação de P é dada por �� = ��4� − ��2� = 16 − 4 = 12 e a variação de x
por ο‫ ݔ‬ൌ Ͷ െ ʹ ൌ ʹ .

Graficamente, para os pontos A(2, f(2)) = (2, 4) e B(4, f(4))=(4, 16) tem-se que �� =
corresponde a 16 − 4 = 12
��4� − ��2� =
diferença entre as ordenadas e ο‫ ݔ‬ൌ
a diferença
Ͷ െ ʹ ൌ ʹ entre as abscissas dos pontos A e B. Assim, a taxa
��
média de variação = 6 representa a inclinação da reta secante que passa pelos pontos A e B
��
da função produção.

Figura 5.1. Taxa de variação média como inclinação da reta secante.

Quanto à taxa de variação instantânea, sabe-se que
numericamente corresponde a: Sugestão de estudo

 Taxa de variação instantânea  f ( a + h ) − f (a) Caso haja interesse em aprofundar os
  = lim estudos, como por exemplo entender as
 de f em x = a  x →0 h
demonstrações e justificativas da validade
das regras apresentadas, basta consultar
E que para calcular esse limite deve-se tomar valores
a referência: LEITHOLD, L. Cálculo com
de h cada vez menores, de tal modo que a + h se geometria analítica. São Paulo: Harbra, 2002.

125
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

aproxime de a. Dessa forma, o ponto B assume novas posições na curva e, consequentemente,
a reta secante PQ também assume nova posições.

Figura 5.2. Novas posições do ponto B.

Assim, à medida que h → 0, o ponto B “tende” a uma posição limite. Tal posição limite é representada
pelo ponto A. Daí, pode-se afirmar que à medida que h → 0, a reta secante AB também “tende”
para a posição limite. Essa posição limite é representada pela reta tangente à curva no ponto A.
Veja a figura 5.3 a seguir:

Figura 5.3. Reta tangente.

Portanto, graficamente a taxa de variação instantânea de f em x = a corresponde a inclinação da
reta tangente AA curva (definida por f) no ponto A de abscissa x = a.

126
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Como a taxa de variação instantânea representa a derivada de uma função no ponto, então se
pode afirmar que a derivada de uma função em um ponto, geometricamente, corresponde à
inclinação da reta tangente à curva nesse ponto.

Em outras palavras:

f ( a + h ) − f (a)
f ' ( a ) = lim é a derivada de f em x = a.
h →0 h

Algumas técnicas de derivação

Muitas vezes, o processo de determinação da função derivada é trabalhoso e, por isso, é
interessante trabalhar com técnicas que permitam a determinação rápida da derivada. A seguir
serão apresentadas algumas regras de derivação necessárias para a obtenção rápida de algumas
derivadas.

Derivada das funções elementares

A derivada de uma função constante é sempre nula, isto é:

“ Se f(x) = c, c ∈ R então f’(x) = 0 ”

Por exemplo:

f(x) = 4 ⇒ f’(x) = 0

f(x) = 3 ⇒ f’(x) = 0

"Se f(x) = xn, n ∈ N* então f’(x) = nxn-1"

Por exemplo:

f(x) = x2 ⇒ f’(x) = 2x2-1 = 2x

f(x) = x10 ⇒ f’(x) =10x9-1 = 10x9

"Se f(x) = ax, com a ∈ R e 0 < a ≠ 1 então f’(x) = axlna"

Por exemplo:

f(x) = 3x ⇒ f’(x) =3xln3

f(x) = 5x ⇒ f’(x) =5xln5

127
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

OBSERVAÇÃO:

Se f(x) = ex então f’(x) = ex.

Regras de derivação

Sejam u(x) e v(x) funções deriváveis num intervalo aberto I e c uma constante, então:

Derivada da soma de duas funções:

f(x)=u(x)+ v(x) ⇒ f^' (x)=u' (x)+v' (x)

Por exemplo:

f(x) = x4 + x3 ⇒ f’(x) =4x3 + 3x2

f(x) = x5 – 1 ⇒ f’(x) =5x4

Derivada do produto de duas funções:

f(x)=u(x)⋅v(x) ⇒ f' (x)=u' (x)⋅v(x)+u(x)⋅v' (x)

Por exemplo:

f(x) = (x2 + 5)(x3 + x2) ⇒ f’(x) = 2x(x3+ 5) + (x2 + 5)(3x2 + 2x)

f(x) = (x7 + x5)(x3 + x) ⇒ f’(x) = (7x6 + 5x4)(x3 + x) + (x7 + x5)(3x2 + 1)

Observação:

Em particular: f(x)=c u(x) ⇒⋅f' (x) = c u' (x).

Por exemplo:

f(x) = 5x3 ⇒ f’(x) = 3×5x4 = 15x4

f(x) = 10x2 ⇒ f’(x) =10⋅2x = 20x

Derivada do quociente de duas funções:

u ( x) u´( x ) ⋅ v ( x ) − u ( x) ⋅ v' ( x)
f ( x)
=
v( x)
( v ( x ) ≠ 0 ) ⇒=
f ( x)
'

[v ( x )]2

128
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Por exemplo:

x2 + 3 2x ⋅ 5x 3 − (x 2 + 3) ⋅15x 2
f (x) = ⇒ f (x) =
'

5x 3 [15x 2 ]2

x 2 + x3 (2x + 3x 2 ) ⋅ (x + 1) − (x 2 + x 3 ) ⋅1
f ( x )= ⇒ f ' ( x )=
x +1 [x + 1]2

Derivada da função composta – regra da cadeia

Sejam f: A → B uma função dada pela lei y = f(x) e g: B → C uma função definida por z = g(y).
Então, existe a função composta h: A → C tal que h(x) = g(f(x)). Daí:

“ Se h(x) = g(f(x)) então h’(x) = g’(f(x)) . f’(x) "

Por exemplo:

f(x) = (x4 + 5x2)3 ⇒ f’(x) = 3(x4 + 5x2)2(4x3 + 10x)

Derivada da função inversa

Seja y = f(x) uma função bijetora e derivável no intervalo aberto I = (a, b) tal que f’(x) ≠ 0 para
todo x ∈ I. A função inversa g de f é dada por x = g(y). Sendo assim, segue que:

1
g' ( y ) = '
f ( x)

Por exemplo:

Como a função logarítmica y=logax é a inversa da função exponencial, isto é:

y=loga x ⇔ x= a y

Então:

' 1 1
y= log a x ⇒ y= =y
a lna xlna

Assim:

1
f ( x ) =log 4 x ⇒ f ' ( x ) =
xln 4

1 1
f ( x) =
lnx ⇒ f ' ( x ) = =
xlne x

129
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

A notação de Leibniz

Dada a função derivável y = f(x), até o momento foi usada para denotar a derivada de y, f’(x). Essa
notação foi proposta por Sir Isaac Newton (1643 – 1727). Porém, o matemático alemão Gottfried
݀‫ݕ‬
Wilhelm Leibniz (1646 – 1716), propôs a seguinte notação para representar a derivada de y
݀‫ݔ‬
em relação a x.
dy d 3
Assim, para y = x3 + x2 tem-se =
dx dx
( x + x 2 ) = 3x 2 + 2x
Note que o símbolo
dy não indica da divisão de dy por dx.
dx

Derivada segunda e derivadas de ordem superior

Dada uma função f(x), ao obter a função derivada f’(x) tem-se a função taxa de variação de f(x).
A derivada segunda de f(x) é obtida a partir de f’(x), isto é, basta derivar f’(x). Em outras palavras
basta calcular a taxa de variação da taxa de variação de f(x). As possíveis notações da derivada
segunda de f(x) são:

d2y
=y'' f=
''
( x)
dx 2

De modo parecido pode-se obter a derivada terceira de f(x). Isto é, para obter basta derivar f’’(x).

d3y
=y''' f=
'''
( x)
dx 3

Generalizando esta ideia tem-se que:

A derivada n-ésima, ou derivada de n-ésima ordem, ou ainda derivada de ordem n de f(x) é dada
d n y e obtida derivando “n vezes” a função f(x).
por
= y(n) (n)
f= ( x)
dx n
Por exemplo:

Obter a derivada de ordem 3 de f(x) = x5.

d3y
Nesse caso deve-se determinar , isto é, derivar f(x) 3 vezes. Então:
dx 3
dy
»» = 5 x 4 (derivada primeira de f(x))
dx
d2y
»» 2
= 20 x3 (derivada segunda de f(x))
dx
d3y
»» = 60 x 2 (derivada terceira de f(x))
dx 3

130
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

A diferencial
dy
Dada uma função derivável y = (x) segue que = f ' ( x) . Ao considerar dy e dx como variáveis,
dx
pode-se escrever dy = f’(x)dx. Nesse caso, tem-se que dy é uma função que depende de f’(x)
e da variável independente dx; em outras palavras a diferencial dy é uma função obtida pela
multiplicação da derivada f’(x) pela diferencial dx. Essa função é conhecida como diferencial
de y = f(x).

Por exemplo:

Considere a função y = 5x6. Obter a diferencial num certo x.

Segue que: f’(x) = 30x5. Daí: dy = f’(x)dx ⇒ dy = 30x5dx , que é a função procurada.

Aplicações: funções marginais e função média

Sabe-se que a derivada de uma função pode ser interpretada como taxa de variação dessa função.
Esta ideia pode ser aplicada no contexto de certas variáveis econômicas como receita, custo,
lucro etc.

Sendo assim, a receita marginal (RM) é a taxa de variação da receita total (RT ) por unidade de
aumento da produção Q. Isto é:

d ( RT )
Receita Marginal : RM =
dQ

O custo marginal (CM) é a taxa de variação do custo total (CT ) por unidade de aumento da
produção Q. Isto é:

d (CT )
Custo Marginal : CM =
dQ

Em linhas gerais, surge a seguinte questão:

“Como determinar a expressão que define uma função marginal?”

Para isso basta seguir os passos abaixo:

1. determinar a expressão para a função total;

2. diferenciar a função total.

131
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

Para determinar a receita marginal (RM), em primeiro lugar deve-se obter a equação que caracteriza
a receita total (RT ):

RT = P x Q

Onde P é o preço expresso em termos de Q pela equação da função demanda. Em seguida, basta
derivar RT em função de Q.

Veja o exemplo a seguir:

Dada a função marginal P = 6 – 0,5Q, determinar o valor RM para Q = 1, 2, 3 e 4.

Neste caso, segue que RT = P x Q = (6 – 0,5Q) x Q = 6Q – 0,5 Q2

Daí:

d(R T )
R M= = 6−Q
dQ

Portanto, a tabela abaixo fornece os valores de RM nos pontos Q = 1, 2,3 e 4.

Q 1 2 3 4
RM 6 -1 = 5 6–2 = 4 6–3 = 3 6 – 4 =2

O custo total (CM) é definido como a derivada do custo total em relação à produção Q. sabendo
que o custo total (CT ) é a soma do custo fixo (CF) com o custo variável (CV ) e que o custo fixo é
constante, pode-se verificar que o custo marginal é igual aos custos variáveis marginais (CVM),
ou seja:

d (CT ) d (CF + CV ) d (CV )
CM
= = = = CVM
dQ dQ dQ

Veja o seguinte exemplo:

Dada a função custo total

CT = 5 + 6Q

a. Deduza uma equação pra o custo marginal e verifique se o custo marginal varia com a
produção.

b. Mostre que as derivadas dos custos totais e dos custos variáveis em relação à produção
são iguais.

No item (A) para obter CM, basta derivar a função CT em relação a Q, isto é:

d(CT )
CM
= = 6
dQ

132
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Logo, CM é constante e, portanto não varia com a produção, isto é, se a produção CM aumentar,
CM continua sendo 6.

Quanto ao item (B), neste caso, a função custo total (CT ) é dada por

CT = 6Q

e como

d(CV )
CVM
= = 6
dQ

segue que CM = CVM = 6.

As funções marginais, por exemplo, RM, podem ser usadas para determinar a taxa à qual RT
varia por unidade de aumento Q em qualquer ponto. Sendo assim, a função média fornece uma
expressão para o qual o valor médio de uma variável econômica é definido em todo intervalo.
Logo, a receita média (Rm) é definida como receita média por unidade para as Q primeiras
unidades vendidas, ou seja:

RT
Rm =
Q

Note-se que multiplicando cada lado da última igualdade por Q, obtém-se:

RT
Rm ⋅ Q = ⋅Q
Q

R=
T Rm ⋅ Q

e como

RT= P ⋅ Q

segue que

P ⋅ Q = Rm ⋅ Q

ou seja:

Rm = P

Portanto, a função receita média (Rm) é igual ao preço (P), onde P é dado pela função demanda.

133
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

Quanto ao custo médio (Cm) segue que:

CT
Custo médio : Cm =
Q

Porém, o mesmo pode ser obtido por meio da soma entre o custo médio fixo (CmF) e o custo
variável médio (CmV). Sendo assim:

CT CF + CV
C=
m = = CmF + CmV
Q Q

Veja o exemplo a seguir:
Atenção
Dada a função demanda, P = 10, de uma empresa
perfeitamente competitiva, determine as expressões para A função Rm é sempre igual à função
demanda, todavia para empresas
as funções receita marginal e receita média.
perfeitamente competitivas a função
RM também é igual à função demanda.
Por definição:
Ou seja:
RT = P × Q = 10Q P = Rm = RM

Daí:
d ( RT ) TR 10Q
RM
= = 10 e R=m = = 10
dQ Q Q

Funções receita marginal e receita média para empresas
perfeitamente competitivas e monopolistas

A tabela seguinte apresenta um resumo das relações entre as funções marginais e a receita média
para empresas competitivas e monopolistas:

Tabela 5.2. Funções receita marginal e receita média.

Funções Competição perfeita Monopólio
Função demanda P = P0 P = a – bQ

Custo total pelo custo médio

O custo médio (Cm) é igual ao custo total (CT ) dividido pelo nível de produção. Ou seja:
��
�� = � � �� = �� � �

Otimização para funções de uma variável

A otimização tem como objetivo principal determinar pontos de máximo e de mínimo conhecidos
como pontos estacionários de uma curva. Tal objetivo permite determinar os valores máximo e
mínimo para funções de lucro, custo, utilidade e produção.

134
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Para determinar as coordenadas dos pontos de reversão da curva y = f(x) deve-se:
dy
1. Determinar para a curva y = f(x).
dx
dy
2. Resolver a equação = 0 . A solução dessa equação fornece a(s) abscissa(s) do(s)
dx
ponto(s) de reversão.

Atenção

dy
Se a equação =0 não tiver solução então não existe nenhum ponto de reversão.
dx

A seguir são apresentados dois métodos para determinar se um ponto de reversão é de máximo
ou mínimo.

Tabela 5.3. Teste da derivada.

MÉTODO A: Método B:

Teste do sinal da derivada primeira Teste do sinal da derivada segunda
TESTE PARA UM MÁXIMO TESTE PARA UM MÁXIMO
dy Visto que o valor da inclinação muda de positivo para negativo passando
Calcule a inclinação dx em valores de x
imediatamente antes e depois de xo. Se a por zero quando passamos por um máximo o valor da inclinação (y’) é
inclinação mudar de positiva (antes) para decrescente; daí a derivada da inclinação (y’’) é negativa.
negativa (depois) o ponto é um máximo. d2y
Se ( x0 ) < 0 então o ponto é de máximo.
dx 2
TESTE PARA UM MÍNIMO TESTE PARA UM MÍNIMO
dy Visto que o valor da inclinação muda de negativo para positivo passando
Calcule a inclinação em valores de x
dx
imediatamente antes e depois de xo. Se a por zero quando passamos por um mínimo o valor da inclinação (y’) é
inclinação mudar de negativa (antes) para crescente; daí a derivada da inclinação (y’’) é positiva.
positiva (depois) o ponto é um mínimo. d2y
Se ( x0 ) > 0 então o ponto é de mínimo.
dx 2

Adaptado de BRADLEY, T. Matemática aplicada à administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011 p. 173.

Intervalos onde a função é crescente e decrescente

Após indicar com exatidão os pontos de máximo e de mínimo de uma função, pode-se determinar
quais são os intervalos ao longo das quais uma curva é crescente ou decrescente. Isto é:

»» Se um ponto for de máximo, y deve crescer no “intervalo imediatamente antes” do
máximo e decrescer no “intervalo imediatamente depois” do máximo.

»» Se um ponto for de mínimo, y deve decrescer no “intervalo imediatamente antes” do
mínimo e crescer no “intervalo imediatamente depois” do mínimo.

Vale lembrar que quando os pontos de reversão são determinados, os intervalos ao longo dos
quais y está crescendo ou decrescendo podem ser indicados com maior precisão.

135
AULA 5 • DERIVADAS E APLICAÇÕES

Observe o exemplo a seguir:

Indique a taxa de valores de Q para as quais a função custo médio

Cm = 43 – 9Q + 0,5Q2

é crescente e decrescente.

Primeiramente, deve-se determinar o(s) ponto(s) de reversão, caso existam. Ou seja:

d(Cm )
=−9 + Q
dQ

d 2 (Cm )
=1
dQ 2

Como a derivada é uma constante, segue que só há um ponto de reversão. Para encontrá-lo
deve-se fazer:
-9+Q=0

Q=9

Logo, o ponto de reversão tem abscissa 9.

Dessa forma, como Q = 9 é a abscissa de um ponto de mínimo tem-se que para Q < 9 a função é
decrescente e para Q > 9 a função é crescente.

Derivada de segunda ordem e curvatura

Sabe-se que as derivadas de primeira e de segunda ordem podem ser usadas para determinar
pontos de máximo e de mínimo de várias funções. Além disso, pode-se usar essas derivadas para
descrever a curvatura e determinar pontos de inflexão de uma função estudada.

Na região de um mínimo, onde a derivada segunda da função é maior do que zero, o gráfico
curva-se para cima e é descrito como côncavo para baixo; no caso em que a derivada segunda
da função é menor do que zero (região de um ponto de máximo) o gráfico curva-se para baixo
e é descrito como côncavo para baixo.
Atenção
Consequentemente a derivada segunda caracteriza a
No caso de aplicações econômicas de um
curvatura de uma curva da seguinte maneira: modo geral as curvas só tem significado
no primeiro quadrante. Em tais aplicações
»» A curvatura no intervalo ao redor de um mínimo
as curvas costumam ser descritas como
da função é descrita como côncava para cima. convexas na direção da origem, em vez de
côncavas para cima, e côncavas na direção
»» A curvatura no intervalo ao redor de um máximo
da origem em vez de côncavas para baixo.
da função é descrita como côncava para baixo.

136
DERIVADAS E APLICAÇÕES • AULA 5

Nesse caso, para determinar a curvatura de uma curva ao longo de qualquer intervalo, basta
determinar se as derivadas de segunda ordem são negativas ou positivas no intervalo em questão.

Pontos de inflexão

Os pontos de inflexão ocorrem em regiões da curva onde a curvatura muda de côncava para
cima (y’’>0) para côncava para baixo (y’’<0), ou vice-versa. Logicamente, se a curvatura mudar
de côncava para baixo para côncava para cima, y’’ deixa de ser negativa e passa a ser positiva.
Essa mudança só pode ocorrer em y’’=0.

O(s) ponto(s) de inflexão pode(m) ser obtido(s) por meio do seguinte método:

1. Determinar as derivadas primeira e segunda da função.

2. Igualar a segunda derivada a zero e em seguida, resolver a equação em questão. A(s)
raiz(es) dessa equação são candidatas a pontos de inflexão.

3. Verificar se a(s) raiz(es) obtida(s) na etapa (2) satisfazem a mudança de sinal da segunda
derivada imediatamente antes e depois do raiz(es) em questão.

Um ponto de inflexão também pode ser descrito com o ponto no qual a inclinação (taxa de
variação) muda de crescente para decrescente, ou vice-versa. Essa descrição é útil em economia,
na qual a inclinação é a função marginal. Portanto, o ponto de inflexão é o ponto no qual a função
marginal muda de função marginal crescente para função marginal decrescente, ou vice-versa.

Resumo

Vimos até agora:

»» O conceito de derivada como taxa de variação instantânea.

»» A interpretação geométrica e a definição de derivada de uma função num ponto.

»» Como calcular a derivada de algumas funções.

»» Como determinar valores máximos e mínimos de funções receita, lucro, custo e outras
funções econômicas.

»» Como determinar pontos de inflexão e descrever curvaturas.

»» Como determinar a elasticidade pontual da demanda e nas aplicações com preço e
receita marginal, receita total e variações no preço.

137
INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES
AULA
6
Apresentação

Nesta aula o interesse não está na análise de provas matemáticas relacionadas ao processo de
antidiferenciação. O foco a ser dado refere-se ao desenvolvimento intuitivo do conceito de integral,
bem como na apresentação de algumas regras e técnicas de integração usadas na resolução dos
problemas da área de administração e economia.

Objetivos

Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

»» Integrar funções padrões e calcular a integral definida de funções padrões.

»» Determinar a área sob curvas entre x = a e a = b.

»» Calcular o excedente do produtor e do consumidor e ilustrá-los graficamente.

O que é integral?

Na maioria dos exemplos e problemas estudados até agora, começamos com uma função
dada e calculamos a derivada para obter informações a respeito da função. Em muitas
situações, porém, o problema é o inverso: conhecemos a derivada e é a função que estamos
interessados em determinar. A razão para isto é que muitas leis, tanto das ciências exatas
como das ciências sociais, como a economia, são expressas em termos da taxa com a qual
um certo processo está variando e nossa tarefa consiste em encontrar uma expressão que
descreva o processo. Isto acontece, por exemplo, quando sabemos a taxa com a qual certa
população está aumentando e queremos saber qual será a população em um determinado
instante futuro; ou se pode ser que o lucro marginal seja conhecido e estejamos interessados
em conhecer a função lucro.

138
INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES • AULA 6

Antiderivadas

Se F'(x) = f(x), dizemos que F(x) é a antiderivada de F(x).

Dizer que F(x) é a antiderivada de f(x) equivale a dizer que f(x) é a derivada de F(x), mas com
uma mudança de enfoque. Pensamos em f(x) como função dada e em F(x) como a função a ser
encontrada. O processo de encontrar uma antiderivada é conhecido como antiderivação.

Uma diferença importante entre derivação e antiderivação é o fato de que a antiderivada de
uma função não é única. Se uma função possui uma antiderivada, possui um número infinito
de antiderivadas.

A integral indefinida

Ao considerarmos todas as antiderivadas de uma dada função, é conveniente introduzirmos
uma nova terminologia e uma nova notação, como se segue:

Seja f(x) uma função dada. A integral indefinida de f(x), representada por f(x)dx, é a família de
todas as antiderivadas de f(x). Se F(x) é uma das antiderivadas de f(x),

∫f(x)dx = F(x)+C,

onde C é uma constante arbitrária.

Fórmulas básicas das integrais

A cada “fórmula” das derivadas é possível associar uma fórmula correspondente para as integrais.

∫k dx = kx + C (k ∈ R)

Por exemplo:

∫3dx = 3x + C

∫5dx = 5x + C
x n +1
∫x dx =
n
+C
n +1
Por exemplo:
x 2+1 x3
∫x dx =
2
+C = +C
2 +1 3
x5+1 x6
∫x dx = 5 + 1 + C =
5
+C
6

139
AULA 6 • INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES

1
∫ x=
dx ln x + C

∫ex dx = ex + C

Regras práticas para integração

As seguintes regras práticas (semelhantes às usadas em diferenciação) aplicam-se quando
integramos somas e diferença de funções e ou funções multiplicadas por escalares:

∫[f(x) + g(x)] dx = ∫f(x)dx + ∫g(x)dx

∫k f(x)dx = K ∫f(x)dx

Por exemplo:

x 2+1 x3
∫3x dx = 3∫x dx = 3
2 2
+ C = 3 + C = x3 + C
2 +1 3
x 2+1
∫ (5x + 4 x 3 ) dx =∫5 x 2 dx + ∫ 4 x 3 dx =5 ∫x 2 dx + 4 ∫x 3dx =5
2
+4
2 +1
x3+1 5 3 4 4 5
+ C= x + x + C= x5 + x 4 + C
3 +1 3 4 3
x3+1 x4
∫( ) ∫ ∫
x 3 x 3 x x
e + x dx = e dx + x dx = e + + C = e + +C
3 +1 4
2 1
∫=x
dx 2 ∫=
x
dx 2 ln x + C

Integração por substituição

Se f(x) pode ser escrita na forma g(u)⋅u’(x) em que u = u(x) então uma antiderivada de f(x) será
obtida tomando-se uma antiderivada de g(u) e substituindo u por u(x), ou seja:

∫f(x)dx = ∫g(u)⋅u'(x)dx = G(u(x))+ C

Onde G(u) é tal que G'(u) = g(u).

Por exemplo:


2 3
Obter: 3 x x − 1dx

Tome: u = x3–1
du
Então: du= 3 x 2 dx ⇒ dx=
3x 2

140
INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES • AULA 6

Daí:
1
1 +1 3
du u2 2 3
∫3 x ∫3 x ∫
2 3 2
x − 1dx
= u = u2
du
= + C
= ( x − 1) 2
+C
3x 2 1 3
+1
2

Mais um exemplo:

Obter: ∫(x+5)4 dx

Tome: u = x + 5

Então: du = 1dx

Daí:

u 4+1 ( x + 5)5
∫ ( x + 5) dx=
4
∫u du=
4
+ C= +C
4 +1 5

Integração por partes

Anteriormente, foi apresentada uma regra para o cálculo da derivada de um produto de funções.
Isto é:

[u(x)⋅v(x)]' = u' (x)∙v(x)+v´(x)∙u(x)

Assim, segue que uma antiderivada de [u(x)⋅v(x)]' é igual à soma de antiderivadas das funções
u' (x)∙v(x) e v´(x)∙u(x) (a menos de uma constante).

Portanto:

∫[u(x)⋅v(x)]'dx = ∫u' (x)⋅v(x)dx + ∫v´(x)⋅u(x)dx

Mas uma antiderivada de [u(x)⋅v(x)]' é u(x)⋅v(x), logo:

u(x)⋅v(x) = ∫u' (x)⋅v(x)dx + ∫v´(x)⋅u(x)dx

Ou seja:

∫v(x)⋅u' (x)dx = u(x)⋅v(x) - ∫u(x)⋅v' (x)dx

Por exemplo:

Obter: ∫xex dx

Tome: v(x) = x e u' (x)=ex

141
AULA 6 • INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES

Sendo assim:

∫xexdx = ∫v(x)⋅u' (x)dx

Como

u' (x) = ex ⇒ u(x) = ex

v(x) = x ⇒ v' (x) = 1

Então:

∫v(x)∙u' (x)dx = u(x)∙v(x) - ∫u(x)∙v´(x)dx=ex∙x - ∫ex dx = xex - ex

A integral definida e a área sob a curva
b

Considere uma função contínua e não negativa definida num intervalo I=[a,b]. O número f ( x ) dx ∫
a
representa a área S sob o gráfico de f(x) no intervalo I=[a, b].

Figura 6.1. A integral definida como área da região abaixo da curva.

b

Para obter o valor de f ( x ) dx deve-se proceder da seguinte

a Atenção
maneira:
Acima foi considerado que f é uma
1. Procurar uma função F(x) tal que F’(x) = f(x).
b
função não negativa, caso f(x) < 0 uma

2. Calcular f ( x ) dx ,2)

� pequena alteração nos argumentos
isto é, �� �(�)�� � �(�) � ��(�) .
a levaria à mesma conclusão, de modo
que a única exigência efetiva para f é a
Por exemplo:
continuidade em I=[a, b]

Calcular a área sob o gráfico da função y = x2 entre x = 0 e x = 2.

142
INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES • AULA 6

Primeiramente temos que:

x3 2 8 0 8
2
S = ∫x 2 dx = = − =
0
3 0 3 3 3

Aplicações: excedente do consumidor e produtor

A integral definida pode ser usada para determinar os excedentes do consumidor e do produtor
para funções não lineares.

Excedente do consumidor

O excedente do consumidor (ES) pode ser descrito como a diferença entre a despesa que o
consumidor está disposto a arcar com unidades sucessivas de um bem, de Q = 0 a Q = Q0, e a
quantia real gasta com Q0 unidades do bem ao preço de mercado de P0 por unidade:

 receita que o consumidor 
   despesa real em   área contida entre a função demanda 
=ES  estava diposto a pagar a  −  =    − P0Q0
   = P P0   no intervalo
= Q 0= a Q Q0 
 preços mais altos 

Excedente do produtor

O excedente do produtor (EP) é definido como a diferença entre a receita que o produtor recebe
para Q0 unidades de um bem quando o preço de mercado é P0 por unidade e a receita que ele
estava disposto a pagar para unidades sucessivas do bem de Q = 0 a Q = Q0.

 receita real ao   receita aceitável a   a área sob a função oferta 
ES =
 −  P0Q0 − 
= 
 preço
= P P0   preços mais baixos   no intervalo
= Q 0= a Q Q0 

143
AULA 6 • INTEGRAÇÃO E APLICAÇÕES

Resumo

Vimos até agora:

»» Como integrar funções padrões e calcular a integral definida de funções padrões.

»» Como determinar a área sob curvas entre x = a e a = b.

»» Como calcular o excedente do produtor e do consumidor e ilustrá-los graficamente.

144
Referências
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BRADLEY, T. Matemática para administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

HIMONAS, A.; HOWARD, A. Cálculo: conceitos e aplicações. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

HUGHES-HALETT, D. et al. Cálculo e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 1999.

LEITHOLD, L. O cálculo com geometria analítica. vol. 1 São Paulo: Harbra, 1994.

__________ Matemática aplicada à administração. São Paulo: Harbra, 1998.

LIMA, E. L. Análise real. Rio de Janeiro: IMPA, 2008.

MUROLO, A. C.; BONETTO, G. Matemática aplicada à administração, economia e contabilidade. 2. ed. São Paulo:
Cengange Learning, 2012.

STEWART, J. Cálculo. vol. 1 São Paulo: Cengage Learning, 2011.

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