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EDUCAÇÃO

ENEM 2018

Autora de poema que caiu no Enem resolve questão indicando


como fugir de erro na interpretação
Angélica Freitas, autora do livro 'Um útero é do tamanho de um punho', comentou ainda o tema da redação: "saída
está com o 'usuário’: usar menos as redes ou sair delas completamente".

Por G1
08/11/2018 16h44 · Atualizado há 2 horas

Foto: Bianca de Sá

No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018 do último domingo (4), uma pergunta pode ter causado dúvidas a
estudantes que resolveram a questão: era o poema "Uma mulher de vermelho", de Angélica Freitas, do livro "Um
útero é do tamanho de um punho".
Enem 2018 - Prova Amarela - Pergunta 26 — Foto: Reprodução

O poema fala de uma mulher que está vestida de vermelho e como ela é vista. Segundo a autora, a resposta correta
é a alternativa que fala sobre "tentativa de estabelecer preceitos da psicologia feminina".
"A alternativa A estaria certa se pensássemos no poema em si. Mas a pergunta era a partir do “eu lírico”, explica a
autora.

Quem está falando no poema é um homem que vê uma mulher com um vestido
vermelho. Ele pensa que ela se vestiu assim porque quer chamar a atenção dele. Então
a alternativa correta seria mesmo a C, ele estabeleceu preceitos da psicologia
feminina"
— Angélica Freitas

Ler para entender outras realidades


Conhecendo o estilo da prova, a poeta não recebeu com surpresa a inclusão de um texto seu no exame. "Lembro
que no ano passado caiu uma letra dos Racionais e algumas pessoas criticaram, porque RAP não é “cânone”.
Quando soube que “Mulher de vermelho” caiu na prova, não me surpreendi, achei que fazia parte de uma tendência
do Enem de trazer autores e autoras mais recentes, que falam sobre a situação do país", aponta a poeta.

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Ela lembrou que é exigido do leitor a capacidade de se colocar no lugar do outro e entender outras realidades, "não
só o seu mundo", para raciocinar e alcançar as respostas, como ocorreu na necessidade de entender o
posicionamento do "eu lírico" no texto.

"A questão sobre o pajubá, por exemplo, é de interpretação de texto, não é que você precise ser uente num dialeto
gay e transexual para conseguir um emprego. Sua habilidade de compreender um código é que está sendo testada",
completa.

Escrever é pensar
Assim como os novos leitores que encontrou na prova, Angélica já compartilhou as angústias das primeiras escolhas
de carreira. "Ninguém sabe direito o que quer aos 16, 17 anos. Eu fui estudar Letras porque gostava de ler e
escrever. Fiz dois semestres e abandonei. Sempre fui muito inquieta", lembra.

"Passei alguns meses viajando, lavando louça em restaurantes, e escrevendo até me decidir pelo Jornalismo. Estudei
na UFRGS, em Porto Alegre, porque era pública. Eu me virava dando aulas de inglês. Valeu a pena, claro. Escrever é
pensar. Para aprender a escrever você precisa aprender a pensar", conta Angélica.
E o que pensa a poeta sobre o tema da redação, que teve como tema a "manipulação do comportamento do
usuário pelo controle de dados na internet". Qual seria sua "proposta de intervenção"?

"Não sei se temos alguma chance quanto à manipulação dos algoritmos. Enquanto
houver gente enriquecendo com essa manipulação, ela vai persistir. O mundo não
está assim? Uma busca obscena pelas novas oportunidades de ganhar muito dinheiro,
mesmo que à custa da destruição da saúde das pessoas e do planeta? Então a saída
está com o 'usuário': é usar menos as redes sociais. Ou sair delas completamente."
— Angélica Freitas

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Um útero é do tamanho de um punho, Angélica Freitas — Foto: G1/G1

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