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Doutrinas da

BÍBLIA
Daniel Kauffman
Traduzido por:
Carlos David Neyra
Revisado por:
Stephen Kramer, Charles Becker e Zeyna Abramson.

Segunda edição

www.LMSdobrasil.com.br
São Paulo – SP
LMS
2014
Doutrinas da Bíblia
Edição em português publicada pela
Publicadora Lâmpada e Luz, 2010,
com permissão da Herald Press, Scottdale, Pennsylvania 15683.

Edição original (no inglês): Doctrines of the Bible, Daniel Kauffman, editor
Copyright © 1928, renovação de 1956,
pela Mennonite Publishing House, Scottdale, Pennsylvania 15683.
Todos os direitos reservados.
© 2010 Publicadora Lâmpada e Luz

Publicadora Lâmpada e Luz


26 Road 5577
Farmington, NM 87401 EUA
Tel.: 505–632–3521
Primeira edição 2010
Segunda edição 2014
Segunda edição revisada segundo o Novo Acordo Ortográfico
da Língua Portuguesa, por Alexandros e Simone Meimaridis
© 2014 Literatura Monte Sião
Todos os direitos reservados
ISBN: 978-85-64737-25-9
A não ser que se indique o contrário, todas as citações bíblicas foram tiradas da Edição Corrigida e Revisada, 8120-12/14
Fiel ao Texto Original, João Ferreira de Almeida. Grafia revisada segundo o acordo ortográfico da lingua
portuguesa - 2011. Usado com permissão da Sociedade Bíblica Trinitariana.

Impresso no Brasil com permissão da Publicadora Lâmpada e Luz por


Literatura Monte Sião do Brasil
Caixa Postal 241
18550-970 Boituva-SP
Tel.: 015-3264-1402
Para mais informações veja a página 467
Introdução
Uma das maiores contribuições que uma publicadora pode
fazer para o bem-estar de um povo é fornecer, na sua língua
nativa, uma lista clara das doutrinas (ensinamentos) contidas
na Bíblia. Isso porque as doutrinas de Deus apresentadas na
Bíblia não são, como muitos pensam, uns dogmas afetados cujas
únicas funções seriam complicar a nossa vida, proibindo todo o
prazer. Antes, a doutrina bíblica é a essência da iluminação que
é necessária para encontrar a realidade verdadeira que é o desejo
inato de toda alma.
Quando a nossa alma encontra essa realidade, que é o próprio
Deus, descobrimos que cumprir os seus ensinamentos (doutri-
nas) em nossa vida torna-se a essência do nosso gozo, realização
e propósito na vida. Jesus disse-lhes: “A minha comida é fazer a
vontade daquele que me enviou” (João 4:34).
Já existem muitos livros doutrinários na língua portuguesa
que dizem apresentar uma lista clara da doutrina conforme nos é
apresentada por Deus na Bíblia. No entanto, são poucos os livros
doutrinários em português que podem honestamente afirmar:
“nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (Atos
20:27). Bastam dois exemplos para ilustrar o que estamos dizendo:
1. É possível que seja propositalmente que a maioria dos livros
doutrinários evitam uma declaração do “conselho de Deus”
com relação ao ensinamento de Jesus no sermão do monte
em que ensinou que devemos amar os nossos inimigos,
sofrendo a injustiça com graça, amor e boa vontade em vez
de vingança.
2. São relativamente raros os livros (em qualquer idioma)
que apresentem fielmente o ensinamento do Novo Testa-
mento sobre o uso do véu devocional pela mulher cristã.
Enquanto é certo que esse livro, traduzido da segunda edição
na língua espanhola, não consegue apresentar perfeitamente “todo
o conselho de Deus”, nele foi feito um esforço para não evitar
nada da doutrina fundamental de Deus na Bíblia.

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I ntrodução

Apresentamos este livro a você, leitor, na expectativa que irá


lê-lo e compará-lo com a Bíblia, amando e obedecendo a todas
as doutrinas da Bíblia.
—Publicadora Lâmpada e Luz
Outubro de 2008

4
Introdução
(à edição original em inglês)
A Bíblia contém a doutrina de nosso Senhor. Deus abençoa
aos que guardam essa doutrina. Mas para guardar corretamente
a doutrina da Bíblia temos que entendê-la corretamente. A dou-
trina da Bíblia inclui os mandamentos, os ensinamentos, as leis e
os princípios que pertencem à fé que salva e nos ajudam a viver
uma vida de vitória.
Nesse sentido, um livro que expõe essas verdades da Bíblia,
tem ocupado, e sempre deverá ocupar um lugar importante entre
o povo de Deus. Esse livro de doutrina bíblica foi preparado
precisamente com esse objetivo.
Ao mesmo tempo que Deus colocou o homem sobre a bela
terra que ele mesmo criou, apresentou uns ensinamentos que
fariam com que a vida fosse mais plena para sua criação. Guardar
estes ensinamentos teria prolongado a felicidade do homem no
jardim do Éden por toda a eternidade. Mas o homem desobedeceu
aos ensinamentos de seu Criador, levando dessa forma, toda a raça
humana ao desastre e à morte. No entanto, Deus fez um plano
para redimir o homem. Nesse plano ele deu ao homem a doutrina
e os ensinamentos necessários para oferecer-lhe novamente o que
havia perdido por causa do seu pecado. Através de todo o período
da lei de Moisés, dos reis de Israel e dos profetas, até a vinda de
Jesus, o êxito ou o fracasso do homem, dependia de aceitar ou
rejeitar essa doutrina dada pela autoridade divina.
Quando veio Jesus, o grande Mestre, ele falou sobre os requisitos
essenciais para uma vida aceitável a Deus. Jesus declarou que uma
vida que agradava ao Pai dependia de ouvir e fazer o que ele ensinava.
Em seguida, o Espírito Santo instruiu aos líderes da igreja primitiva
sobre as coisas necessárias para obter a aprovação do Pastor e Bispo
de nossas almas. O Espírito Santo deu-lhes a entender que é essencial
viver e ensinar a doutrina da Palavra de Deus e incuti-la na vida
dos irmãos. Deus nos ensina em 2 Timóteo 3:16–17, que todos os
ensinamentos da sua Palavra são essenciais para capacitar o cristão

5
I ntrodução ( à edição original em inglês )

para a obra. Do mesmo modo, em 1 Timóteo 4:16, nos oferece


este ensino: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera
nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo
como aos que te ouvem”.
Este volume de Doctrines of the Bible (Doutrinas da Bíblia) é o
resultado dos autores haverem pesquisado, estudado e praticado a
Bíblia por muitos anos. Os autores dessa obra têm desejado expor,
da forma mais clara possível, os ensinamentos da Palavra de Deus.
Nós estamos vivendo em tempos perigosos. O liberalismo e o
modernismo são ensinados em vários seminários por muitos teó-
logos. Dessa forma, se torna necessária a impressão de um livro da
doutrina da Bíblia que exponha os sãos ensinamentos da Palavra
de Deus e que ao mesmo tempo esteja livre das influências preju-
diciais dos falsos ensinamentos de hoje. Portanto, o nosso desejo é
que os cristãos conheçam quais são os ensinamentos da Palavra e
que esses façam parte de suas vidas. O que cremos, tem um efeito
muito grande em nossas vidas e exerce uma grande influência no
que pensamos quanto a: a inspiração da Bíblia; a relação de Cristo
com Deus; o nascimento de Cristo; seus sofrimentos; sua obra
expiatória; sua ressurreição corporal; sua ascensão vitoriosa; sua
posição à destra do Pai; seu regresso glorioso; o julgamento que
ele pronunciará contra os desobedientes e as recompensas eternas
que ele dará aos fiéis. Estude cuidadosamente Doutrinas da Bíblia
e pratique fielmente os ensinamentos bíblicos promulgados neste
livro. Você aprenderá qual é a atitude correta para com Deus, sua
igreja e sua obra na criação. O estudo desse livro lhe capacitará a
prestar um melhor serviço ao homem, ser mais útil nas mãos do
Mestre e ajudar as almas perdidas a encontrar a gloriosa luz do
evangelho de Jesus Cristo.
É possível dividir a doutrina bíblica em três categorias: (1) a
doutrina da Deidade, (2) a doutrina do homem e (3) as doutrinas
sobre o futuro.
A primeira parte desse livro é sobre Deus: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo. Ninguém pode entender corretamente o universo
e a vida física sem um entendimento correto da trindade. Os cien-
tistas que não reconhecem a Deus como criador do universo ficam

6
I ntrodução ( à edição original em inglês )

perplexos em suas tentativas de explicar a criação. Não importa o


nível educacional ou os conhecimentos que esses cientistas tenham
alcançado, porque eles buscam em vão e apresentam teorias que
são completamente sem lógica e incapazes de explicar, de acordo
às leis da natureza e da vida.
Também existem alguns teólogos que não reconhecem que a
Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. Eles não creem que Jesus
Cristo fez os milagres e a obra da reconciliação de forma literal.
Estas pessoas também ficam perplexas em suas tentativas de dar
uma explicação sobre o nosso Salvador. Não podem entender as
verdades espirituais sobre a queda do homem no jardim do Éden,
a redenção do homem e seu futuro.
Os últimos capítulos de Doutrinas da Bíblia abordam o tema
do futuro do homem. Muitos dos teólogos incrédulos se negam a
reconhecer a existência de Satanás, dos anjos, do céu e do inferno.
Permitem que cada pessoa tenha suas próprias ideias quanto ao
futuro, enquanto que eles mesmos procuram esquecer as reali-
dades de um mundo futuro de tristeza ou de glória. E o que é
pior ainda, há muitas vítimas que consomem o veneno de seus
ensinamentos enganosos. Quando essas pessoas chegam à beira
da morte, afundam-se num abismo terrível de incerteza e trevas
tal como algumas têm testificado ao estar em seu leito de morte.
Preparamos este livro com essas realidades em nossas mentes, e
a luz do conhecimento que temos da Palavra eterna. Reconhece-
mos a grande responsabilidade que temos de mostrar aos homens
a liberdade gloriosa do evangelho de Jesus Cristo. A igreja de Jesus
Cristo necessita dos sãos ensinamentos apresentados neste livro.
Oramos que, pela bênção de nosso Pai celestial, estas verdades
sejam úteis para que os homens conheçam melhor a Deus e ao
seu grandioso plano de salvação. Desejamos que esse livro guie os
homens à liberdade gloriosa da graça do Senhor e que edifique a
sua igreja. E que o nome de Deus receba toda a glória.
—D. H. Bender
Hesston, Kansas, E.U.A.
c. 1928

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Prólogo
(à primeira edição em espanhol)
Um grupo de irmãos cristãos com um zelo muito grande pela
obra do Senhor, enquanto trabalhavam como missionários na
Guatemala entre os de língua espanhola, perceberam a grande
necessidade que havia de traduzir para o espanhol, o livro, Doc-
trines of the Bible. Até então não existia nenhum livro semelhante
publicado nesse idioma. Necessitava-se de um livro que explicasse
a sã doutrina da Bíblia de maneira clara e objetiva, expondo
fielmente os ensinamentos do Senhor. Certamente já haviam
sido publicados muitos livros sobre a doutrina bíblica, mas estes
negavam ou deixavam escapar alguns dos ensinamentos contidos
na Bíblia. Enquanto isso, muitos crentes se aproximavam de nós e
nos pediam explicações quanto à doutrina da Bíblia. A necessidade
de um texto guia que nos ajudasse a responder a tantas perguntas
serviu de incentivo para preparar uma obra como essa.
Foi assim que a junta da Associação Menonita Conserva-
dora, com a permissão de Herald Press, autorizou o começo da
tradução desse livro. Muitos irmãos de várias missões e lugares
se empenharam na tarefa de trabalhar em tão importante obra.
Queremos agradecer muito a todos os que ajudaram. No entanto,
não é possível recompensar a cada um de vocês que de uma forma
ou de outra, ajudou na realização desse material, mas esperamos
que agora, com o livro já impresso, todos desfrutem de suas
colaborações.
Confiamos que os ensinamentos desse livro servirão de muita
bênção a todos os nossos amigos de língua espanhola. Que seja
a vontade de Deus que esses ensinamentos ajudem a muitos a
estabelecerem-se mais na sã doutrina da Bíblia: Para aperfeiçoar
a todos os santos, para que a pregação do evangelho avance, para
que a igreja siga a Cristo a fim de que cheguemos à unidade da fé
e ao conhecimento do Filho de Deus. Por favor, se encontrar algo
nesse livro que não concorda com sua própria opinião, procure
na Bíblia para assegurar-se que seja assim. A Bíblia é autoridade

9
P rólogo ( à primeira edição em espanhol )

final em todas as disputas humanas. Sabemos que essa obra não


é uma obra perfeita, mas queremos que traga glória ao Senhor.
Glorifiquemos ao Senhor Jesus Cristo e magnifiquemos a sua
Palavra. Desejamos por meio desse livro incentivar cada crente a
dar a sua vida em sacrifício vivo ao Senhor. Também desejamos
que cada pecador impenitente aprenda sobre a salvação que há no
Senhor Jesus Cristo e procure a salvação antes que chegue o fim.
—Leví Schrock
c. 1973

10
Prólogo
(à segunda edição em espanhol)
A publicadora da primeira edição em espanhol de Doctrinas
de la Biblia (a Associação Menonita Conservadora) deixou de
existir como tal nos anos 90 do século vinte. No entanto, sempre
se mantiveram os pedidos que solicitavam mais exemplares deste
livro. Por conseguinte, foi oferecido para a Publicadora Lâmpada
e Luz, a proposta de começar a publicá-lo para suprir a demanda
existente.
Depois de considerar o assunto, decidimos aceitar a oferta. A
junta executiva da Publicadora Lâmpada e Luz, com a permissão
de Herald Press, autorizou uma nova tradução desse livro do inglês
para o espanhol e nos deu permissão para redigir uma nova edição.
Apresentamos essa obra aos nossos leitores na esperança de que
a mesma os estimule a estudar a Bíblia para comprovar a vera-
cidade dos ensinamentos que aqui se expõem. Que Jesus Cristo
receba toda a glória por qualquer ajuda espiritual adquirida por
meio da presente obra.
—Publicadora Lâmpada e Luz
Novembro de 2003

11
Índice
A doutrina de Deus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Capítulo 1 Deus, seu ser e seus atributos . . . . . . 19
Capítulo 2 Deus, suas obras . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Capítulo 3 A Trindade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
Capítulo 4 Deus o Pai . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Capítulo 5 Deus o Filho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
Capítulo 6 Deus o Espírito Santo . . . . . . . . . . . . . 61

A Doutrina Do HOMEM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
Capítulo 7 O homem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
Capítulo 8 Um quadro histórico do homem . . . . 75
Capítulo 9 O homem em seu estado caído . . . . . 85
Capítulo 10 O homem remido . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
Capítulo 11 A morte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
As Providências De Deus
Para O HOMEM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
Capítulo 12 A graça . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
Capítulo 13 A revelação . . . . . . . . . . . . . . . . . 107
Capítulo 14 A Bíblia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
Capítulo 15 O lar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129
Capítulo 16 A igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137
Capítulo 17 O governo civil . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141
Capítulo 18 O dia do Senhor . . . . . . . . . . . . . . . . . 147
Capítulo 19 Os anjos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157

O REINO DAS TREVAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 165


Capítulo 20 O diabo, Satanás . . . . . . . . . . . . . . . . .167
Capítulo 21 Satanás e os que estão
sob o seu domínio . . . . . . . . . . . . . . . . 171
Capítulo 22 O pecado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177
Capítulo 23 A incredulidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187

13
Í ndice

A DOUTRINA DA SALVAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193


Capítulo 24 A expiação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
Capítulo 25 A redenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205
Capítulo 26 A fé . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 211
Capítulo 27 O arrependimento . . . . . . . . . . . . . . . 219
Capítulo 28 A justificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227
Capítulo 29 A conversão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231
Capítulo 30 A regeneração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 239
Capítulo 31 A adoção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247
Capítulo 32 A santificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 251

A DOUTRINA DA IGREJA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257


Capítulo 33 A igreja cristã . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259
Capítulo 34 O ministério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 267
Capítulo 35 A congregação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 287
Capítulo 36 Algumas ordenanças cristãs . . . . . . . 301
Capítulo 37 O batismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 305
Capítulo 38 A santa ceia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 313
Capítulo 39 O lavamento dos pés . . . . . . . . . . . . . 319
Capítulo 40 O véu da mulher cristã . . . . . . . . . . . 323
Capítulo 41 O ósculo santo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 331
Capítulo 42 A unção com azeite . . . . . . . . . . . . . . 333
Capítulo 43 O casamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337

A VIDA CRISTÃ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 345


Capítulo 44
O serviço cristão . . . . . . . . . . . . . . . . . 347
Capítulo 45
A oração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 355
Capítulo 46
A obediência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 363
Capítulo 47
A adoração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 369
Capítulo 48
A abnegação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 375
Capítulo 49
A não conformidade
com o mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 383
Capítulo 50 A não resistência . . . . . . . . . . . . . . . . . 395
Capítulo 51 O juramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 403

14
Í ndice

Capítulo 52 O amor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 405


Capítulo 53 A pureza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 411
Capítulo 54 A humildade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 415
Capítulo 55 A esperança do cristão . . . . . . . . . . . 421

A DOUTRINA DO FUTURO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 427


Capítulo 56 A segunda vinda de Cristo . . . . . . . . 429
Capítulo 57 A ressurreição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 437
Capítulo 58 O juízo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 445
Capítulo 59 O inferno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 451
Capítulo 60 O céu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 459

15
A doutrina
de Deus
Deus, o ser infinito é descrito somente com palavras que falam
sobre o infinito. Seus domínios são imensuráveis, sua sabedoria
é insondável, suas riquezas são inescrutáveis, seus caminhos são
indescritíveis e sua grandeza excede a toda comparação. Não
podemos compreender a Deus, só podemos exclamar como o
salmista: “De eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90:2).
Esse Deus único e eterno se revelou ao homem. É somente por
meio da revelação desse Deus infinito que o homem finito pode
entender o propósito do universo e de sua própria existência. O
incrédulo, que não conhece a Deus e, no entanto, se orgulha das
suas teorias, está enredado na sua própria ignorância, misticismo
e superstição. O filho de Deus é o único que pode entender o
Deus vivente e as suas obras maravilhosas.
Há muitas evidências que demonstram que existe um ser
supremo. A criação mostra claramente que há um ser infinito que
tudo sabe e tudo pode. Ele é sobrenatural, sobre-humano, sem
princípio e sem fim; é um Criador muito amoroso que não tem as
limitações que têm as criaturas que ele mesmo criou. A existência
da natureza é um milagre que demonstra que na realidade existe
um Operador de milagres. O homem pode entender a origem de
tudo isso somente por meio do que falou aquele que criou todas
as coisas e tem todo o poder. Esse ser chama-se “Deus”.

17
Capítulo 1
Deus, seu ser
e seus atributos
Engrandecei ao Senhor 1comigo; e juntos exaltemos o seu
nome (Salmo 34:3).

O conhecimento de Deus
Nosso primeiro conhecimento de Deus vem da declaração
que aparece no primeiro versículo de Gênesis: “No princípio
criou Deus...” Isto se refere ao tempo quando Deus criou todas
as coisas. Mas este não foi o princípio dele, pois Deus é sem
princípio e sem fim.
Deus é um ser real, tal como o homem o é. Nós podemos
afirmar isso porque sabemos que o homem foi criado à imagem
de Deus. Deus tem uma personalidade assim como o homem tem.
Deus se manifesta a seus filhos de várias maneiras: na Bíblia,
na natureza e na obra de Deus nos corações de seus filhos. E
Jesus Cristo, o Verbo feito carne, é Deus conosco. Além disso,
existem provas da existência de um Deus supremo na natureza,
na consciência do homem e nas lendas transmitidas de geração
em geração desde as civilizações antigas. Sendo assim, ninguém
pode se desculpar por não conhecer a Deus (leia Romanos
1:20–32).
Nomes de Deus
Deus se manifesta por meio de vários nomes. Os dois nomes
mais comuns nas Escrituras hebraicas são Elohim (geralmente
1 Na edição Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original da Bíblia em Por-
tuguês, quando a palavra Senhor estiver em versalete (Senhor), isso indica que na
língua oringinal foi usado o nome de nosso Deus YHWH, (o Eterno, aquele que é).
É o nome próprio de Deus (leia Êxodo 6:3).

19
A doutrina de Deus

traduzido “Deus”) e YHWH (geralmente traduzido “O Senhor”).


O nome Elohim denota a sua posição como Criador e expressa a
ideia de poder, domínio e autoridade suprema. O nome YHWH
significa “O Eterno, aquele que é”. Deus deu esse nome a seu
povo escolhido e na sua relação com eles continuou revelando o
significado do mesmo. Ele se manifestou como aquele que sara
(leia Êxodo 15:26). De fato, ele se manifestou como aquele que
é tudo o que o seu povo necessita (leia Salmo 62:5–8).
Segundo os historiadores, quando o nome YHWH foi dado
entre os judeus, eles se sentiram tão impressionados pela sua
santidade que o usavam com pouca frequência, a ponto de sua
pronúncia ser esquecida.2 Atualmente os que temem a Deus
sempre pronunciam qualquer um de seus nomes com reverência
e adoração. Tomar o nome de Deus em vão é completamente
desconhecido aos lábios do verdadeiro filho de Deus.
Na Bíblia encontramos outros nomes de Deus que expressam
uma ação ou característica de Deus. Vejamos alguns deles: “Deus
Todo-poderoso” (Êxodo 6:3); “Altíssimo” (Números 24:16);
“Deus vivente” (Deuteronômio 5:26); “Deus dos céus e da terra”
(Esdras 5:11); “Santo” (Jó 6:10); “Deus dos Exércitos” (Salmo
80:7); “Santo de Israel” (Isaías 1:4); “Rei dos reis” (1 Timóteo
6:15); “Senhor dos Exércitos” (Romanos 9:29); “Pai das luzes”
(Tiago 1:17); “Senhor dos senhores” (Apocalipse 17:14). Ao
estudar os nomes da Deidade observamos uma descrição da sua
grandeza e santidade.

Evidências da existência de Deus


Para a pessoa que quer receber a verdade e medita nela, as
evidências da existência de Deus são muitas. Aqui apresentamos
algumas:

1. A natureza fala de um princípio


A folha de uma árvore brota de um galho, o galho do tronco,
o tronco da raiz e a raiz da semente. Então, de onde procede
2 Essa é a razão por que não incluímos as vogais nesse nome de Deus. Entre outras
alternativas, Jeová ou Yavé surgem como formas de expressão do nome YHWH.
Entretanto, devemos reafirmar que a verdadeira pronúncia desse nome está perdida.

20
D eus , seu ser e seus atributos

a semente? Ela procede de outra planta. Quando procuramos


a origem da semente, ao final chegamos à primeira planta e
nos perguntamos: De onde veio a primeira planta? Da mesma
maneira, quando observamos os céus estrelados, a terra, o mar
e tudo o que neles existe, surge a pergunta inevitável: Quem os
fez? O que deu origem à matéria, à vida, às espécies e ao homem?
Indubitavelmente existiu um Criador. Esse Criador é Deus. Ele
é sem princípio e sem fim, e pelo fôlego de sua boca e seu poder
infinito, criou todas as coisas visíveis e invisíveis. É mais razoável
crer nisso do que crer que todas estas coisas existem por mera
casualidade. “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação
do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se
entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas,
para que eles fiquem inescusáveis” (Romanos 1:20).

2. A natureza fala de um Criador todo-poderoso


e sábio
Existem muitas questões na natureza que nenhum ateu jamais
poderá contestar. Por exemplo, há uma lei natural que faz com
que os corpos se dilatem com o calor e se contraiam com o frio.
Uma exceção a essa lei pode-se observar na água. Ao congelar-
-se, a água se dilata. De modo que o gelo se forma na superfície
das águas em vez de descer para o fundo. Dessa forma os rios e
lagos não chegam a ser uma massa sólida de gelo que não poderia
derreter-se num só verão. Quem desenhou esta exceção? Será um
capricho da natureza? Como alguém poderia explicar por que a
terra é abundante em provisões para os homens e para os animais?
Quem pode nos explicar a origem de órgãos tão delicados como
o cérebro, a circulação, o sentido da visão, da audição, do olfato
e do paladar? E o que dizer das suas localizações no corpo e a
forma como se relacionam uns com os outros? Isso não poderia ser
explicado a menos que reconheçamos a existência de um Projetista
onisciente, que os formou segundo o seu entendimento infinito.
Há muitas outras perguntas que até o homem mais estudado
e sábio não poderia responder razoavelmente sem considerar a
existência de um ser supremo.

21
A doutrina de Deus

3. A crença em um ser supremo é universal


Em qualquer parte desse mundo onde for um missionário,
mesmo nas terras mais distantes e pagãs, se encontrará com pes-
soas que reconhecem a existência de um ser supremo. O que são
os ídolos, senão falsificações do Deus vivo? Os muçulmanos, os
hindus, os budistas e muitos outros que adoram de várias formas,
são todos adoradores de algum ser que consideram sobre-humano.
Sabe-se que até os ateus em tempos de conflitos e perigos, invocam
o nome de Deus. Um exemplo disso é o homem que apresentou
seu argumento dizendo: “Dou graças a Deus por ser ateu”.
Voltando a Romanos 1:20, vemos que o motivo disso baseia-
-se no fato de Deus ter fixado a verdade de sua existência nas
mentes e nas consciências de todo ser humano. Existe algo no
mais profundo de nossos corações, ao qual Deus apela e, muitas
vezes, consegue alcançar em nós. É desta forma que Deus toca
no coração do ímpio para convencê-lo de sua condição e salvá-lo.

4. O fato irrefutável de que o autor da Bíblia é


sobre-humano
Em nosso capítulo sobre a Bíblia (página 113) trataremos desse
tema de forma mais extensa.

5. A experiência pessoal do povo de Deus


A experiência inclui coisas tais como o desfrute pleno de vidas
limpas do pecado, as transformações na personalidade, o prazer
do Senhor na alma e nas orações respondidas. O filho de Deus
que tem experimentado essas coisas pode citar acontecimentos de
sua própria vida e dizer positivamente: “Eu estou convencido de
que Deus existe”. Você não tem que desanimar caso não conheça
todos os elementos e evidências que demonstram a existência de
Deus. Simplesmente por meio das evidências da salvação, efetu-
ada na sua alma pelo Deus verdadeiro, você pode demonstrar aos
incrédulos que Deus existe sim.
Esse ser maravilhoso, cuja influência se vê em todas as partes
e em todos os aspectos de suas obras, fica mais precioso para nós
quando estudamos seus atributos em sua Palavra.

22
D eus , seu ser e seus atributos

Os atributos de Deus

1. Deus é eterno
Observamos esse atributo em expressões tais como: “O Deus
eterno” (Deuteronômio 33:27), “desde a eternidade e até a eterni-
dade” (Salmo 103:17) e “para todo o sempre” (Apocalipse 11:15).
Além do mais, vemos isso em Gênesis 1:1, onde Deus se mostra
como um ser ativo e criativo “no princípio”. Deus não é governado
pelo tempo como suas criaturas.

2. Deus é imutável
“Eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3:6) é a declaração de
sua própria boca. Ainda que Deus mude seus métodos conforme
as diferentes situações que se apresentam, e em várias ocasiões
tem entrado em pactos novos com os homens, ele mesmo nunca
mudou. Sua verdade existe “de geração em geração” (Salmo 100:5).
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus
13:8). “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu”
(Salmo 119:89). Também leia Tiago 1:17.

3. Deus é onipotente
Quer dizer, Deus é todo-poderoso. O mesmo Deus que no
princípio disse as palavras e foram criados os céus e a terra, agora
estende seu braço forte e faz tremer a terra por meio de furacões,
terremotos e vulcões. Esse mesmo Deus enviará desde os céus o seu
Filho e uma nova ordem aparecerá (2 Pedro 3:10–13). A majestade
e a grandeza de seu poder são anunciadas eloquentemente pela
boca do profeta (leia Isaías 40:12–17). (Também leia Gênesis 17:1;
Apocalipse 19:6). O mesmo Deus que criou os céus e a terra é
quem sustenta todas as coisas na palma de sua mão e até as nações
mais poderosas não são nada em comparação com o seu poder.

4. Deus é onisciente
Para Deus não há limite em sabedoria e conhecimento porque
ele sabe todas as coisas. “Os olhos do Senhor estão em todo
lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios 15:3).

23
A doutrina de Deus

Deus sabia, inclusive desde antes da criação do mundo, que o


homem ia pecar. Por isso ele concebeu o plano divino da salvação
e preparou um reino para a glória eterna de seu povo. A Bíblia
está repleta de evidências que demonstram que seu autor sabe
todas as coisas: o passado, o presente e o futuro (leia 1 Reis 8:39;
Ezequiel 11:5; Mateus 10:30).

5. Deus é onipresente
“Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua
face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama,
eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas
extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra
me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então
a noite será luz à roda de mim” (Salmo 139:7–11). Visto que os
olhos de Deus estão em todas as partes, que nada se pode esconder
de sua vista e que ele sabe ainda os pensamentos mais íntimos e
as intenções do coração (leia Hebreus 4:12), devemos adorar a
Deus em todo tempo com santa devoção e nunca guardar o mal
em nossos corações (leia 2 Crônicas 6:18).

6. Deus é justo
“Os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente”
(Salmo 19:9). “Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos” (Salmo
119:137). Ninguém deve temer que não receberá justiça da parte
de Deus porque ele é perfeito em justiça, assim como é em suas
misericórdias. Sua Palavra ensina sua justiça e essa mesma justiça
está presente em todas as suas obras.

7. Deus é fiel
“Fiel é Deus” (1 Coríntios 10:13). Essa é somente uma das
passagens bíblicas que afirma a fidelidade de Deus. Ele tem feito
milhares de promessas e nunca deixou de cumpri-las. Seus pactos
com o homem pecaminoso são uma evidência inquestionável da
fidelidade de Deus. Damos graças a Deus, pois em qualquer tempo
podemos nos aproximar dele com confiança e sentir-nos seguros
de que a sua “palavra é a verdade” (João 17:17).

24
D eus , seu ser e seus atributos

8. Deus é incompreensível
Os homens mais sábios, mais cultos, mais eruditos e mais hábeis,
enfrentam muitas situações na vida que têm que confessar: “Eu
não sei”. Zofar, por exemplo, fez uma pergunta muito apropriada
quando indagou: “Alcançarás os caminhos de Deus?” (Jó 11:7).
Somos rodeados de muitos mistérios que a mente humana não
consegue compreender. Muitos homens que passam toda a sua
vida pesquisando a Palavra de Deus confessam que estão apenas no
começo. Não é difícil conhecer a Deus. No entanto, é impossível
que o homem alcance o limite do conhecimento a respeito de tudo o
que Deus é, diz ou faz. O apóstolo Paulo, foi talvez, quem pesquisou
as coisas de Deus mais do que qualquer outro homem, depois que
foi “arrebatado ao terceiro céu” e ouviu palavras inefáveis “que ao
homem não é licito falar”, deu esse testemunho: “Ó profundidade
das riquezas, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus!
Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus
caminhos!” (Romanos 11:33).

9. Deus é simples
Apesar de tudo o que se pode dizer a respeito da incompreensi-
bilidade de Deus, a simplicidade é uma de suas características mais
excelentes. Isso se vê em todas as obras de suas mãos. Ainda que
nenhum ser humano possa saber tudo sobre ele, cada ser racional
pode chegar a conhecer algo; o suficiente para animá-lo a continuar
estudando a Bíblia, trabalhando e regozijando-se ao aprender mais
da verdade divina. A Bíblia é um modelo de pensamentos simples
e profundos, e as pessoas que são uma viva imagem de Deus são
reconhecidas pela sua simplicidade e humildade.

10. Deus é benigno


As evidências da benignidade de Deus estão em todas as
partes. É a “sua benignidade” (Romanos 2:4) a que nos guia ao
arrependimento. Foi a sua benignidade que tornou possível que o
homem caído pudesse ser restaurado ao favor divino. De muitas
maneiras, a paciência e a bondade de Deus confirmam as palavras
do salmista: “O Senhor é bom para todos” (Salmo 145:9).

25
A doutrina de Deus

11. Deus é misericordioso


A benignidade e a misericórdia de Deus são inseparáveis. “A
misericórdia do Senhor é desde a eternidade e até a eternidade”
(Salmo 103:17). Esse versículo mostra que não há limite para a
bondade de Deus. O que os homens consideram como “demora”
por parte dele, não é outra coisa senão a manifestação de sua
paciência “para conosco, não querendo que alguns se percam”
(2 Pedro 3:9). Sua misericórdia, como seus outros atributos, é
perfeita; sem limitação ou defeito.

12. Deus é imparcial


A imparcialidade e a misericórdia de Deus concordam numa
bela harmonia. Quando o jovem rico perguntou a Jesus a respeito
do caminho da vida, Jesus lhe mostrou claramente a sua falta.
Ele age desta mesma forma com todos nós. Essa imparcialidade
e misericórdia de Deus foram demonstradas quando ele retirou
o homem pecaminoso do jardim. O homem não podia comer da
árvore da vida e viver eternamente em seu estado pecaminoso. Os
pecadores que desprezam a misericórdia de Deus agora, terão que
enfrentar a justiça de Deus na eternidade. Deus é autor de leis
justas, as quais se aplicam igualmente a todo ser humano, porque
“Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34).

13. Deus é amor


“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é
amor” (1 João 4:8). O amor de Deus para com a humanidade
caída é tão grande que deu o seu Filho unigênito para resgatar-nos
da perdição (leia João 3:16). O apóstolo Paulo disse: “Mas Deus
prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). Que amor inigualável
e precioso! Toda a história da relação de Deus com os homens
caídos se resume em três palavras: “Deus é amor”.
Pensamos tanto no amor de Deus que às vezes nos esquecemos
que uma manifestação de seu amor é o ódio que ele tem pelo mal.
Ele detesta o mal com a mesma intensidade com que ama o bem.
Ele se manifesta como um Deus zeloso, que visita “a iniquidade

26
D eus , seu ser e seus atributos

dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que
[o] odeiam” (Êxodo 20:5). Em Provérbios 6:16–19 notamos sete
coisas específicas que o Senhor odeia. Ele odeia todos os maus
caminhos e todas as formas de iniquidade. Para poder amar apai-
xonadamente tudo o que é bom, justo e santo, é preciso odiar
ardentemente a iniquidade.

14. Deus é santo


Os serafins que Isaías viu em sua visão clamavam uns para os
outros, dizendo: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos;
toda a terra está cheia da sua glória.” (Isaías 6:3). Dezenove vezes
esse mesmo profeta se refere ao Deus dos céus e da terra como
“o Santo”. Quando compreendemos a sua justiça, amor, pureza,
fidelidade, bondade, graça e glória maravilhosa, isso nos prepara
para receber a sua admoestação: “Sede santos, porque eu sou
santo” (1 Pedro 1:16). A santidade de Deus deve ser almejada e
procurada por todos os seus filhos.
Aqui concluímos, não por haver mencionado todos os atributos
de Deus, mas porque mencionamos o suficiente para relembrar-
-nos de sua infinita grandeza, sua bondade, seu poder e sua glória
majestosa. Bendito, eternamente bendito, seja seu santo nome.
Nenhuma das criaturas de Deus pode possuir os atributos de
Deus que pertencem a sua infinidade, como a sua onipotência,
onipresença e onisciência. Deus é o único que possui tais atributos.
No entanto, os atributos morais, como a santidade, a benignidade,
a justiça e a pureza, ele incumbiu a todo seu povo para que por
meio deles, possamos resplandecer a imagem de Deus. De modo
que, para seus filhos, um dos pensamentos mais consoladores, é
que no futuro seremos “como ele é”.

27
Capítulo 2
Deus, suas obras
Ó Senhor dos Exércitos,… só tu és Deus de todos os reinos da
terra; tu fizeste os céus e a terra (Isaías 37:16).
Onde quer que se olhe, seja nos céus ou na terra, vê-se as
maravilhosas obras de Deus. Ao contemplar a glória de Deus na
natureza, o rei Davi cantou:
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a
obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma
noite mostra sabedoria a outra noite. Não há linguagem nem
fala onde não se ouça a sua voz. A sua linha se estende por toda a
terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. (Salmo 19:1–4).
Observamos a glória infinita de Deus nas suas maravilhosas
obras ao nosso redor. Os céus e a terra proclamam a glória de
Deus. Essa glória nos fala ao mesmo tempo das glórias vindouras
que serão ainda maiores. A ele adoramos pelo seu poder incom-
parável, sua graça maravilhosa, seu terno amor e sua compaixão
para conosco que somos criaturas indignas, feitas de pó. Olhamos
para os domínios insondáveis do Altíssimo, e na nossa imper-
feição procuramos estudar as obras de Deus.
Para facilitar este estudo, ele foi dividido em duas partes: (A)
A CRIAÇÃO e (B) A SOBERANIA DIVINA.

A. A CRIAÇÃO
Nosso estudo começa no “princípio” de Gênesis 1:1. No que
se refere ao tempo anterior à criação, Deus não revelou nada ao
homem exceto umas poucas palavras como em João 17:5 e Efésios
1:4. A frase “No princípio” assinala o princípio de todas as coisas
que existem no nosso universo. É nesse ponto que Deus abriu o seu

29
A doutrina de Deus

primeiro capítulo de revelações e disse: “criou Deus”. E é precisa-


mente neste ponto que o ateu com sua filosofia humana, começa
com “poderíamos supor que...”. Mas o filho humilde de Deus crê
no simples fato que foi então que “Deus criou os céus e a terra”.

A semana da criação
Gênesis descreve da seguinte forma a obra de Deus durante a
semana da criação:
O primeiro dia: A luz, o dia e a noite
E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a
luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou
à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã,
o dia primeiro (Gênesis 1:3–5).
O segundo dia: Os céus
E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja
separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez
separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e
as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou
Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo
(Gênesis 1:6–8).
O terceiro dia: A terra, o mar e as plantas
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar;
e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção
seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu
Deus que era bom. E disse Deus: Produza a terra erva verde,
erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a
sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi.
E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua
espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a
sua espécie; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã,
o dia terceiro (Gênesis 1:9–13).
O quarto dia: O sol, a lua e as estrelas
E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para
haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais
e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para
luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim

30
D eus , suas obras

foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para


governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez
as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar
a terra, E para governar o dia e a noite, e para fazer separação
entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e
a manhã, o dia quarto (Gênesis 1:14–19).
O quinto dia: Os animais marinhos e as aves
E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis
de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos
céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma
vivente que as águas abundantemente produziram conforme
as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e
viu Deus que era bom. E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai
e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se
multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto
(Gênesis 1:20–23).
O sexto dia: Os animais da terra e o homem
E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua
espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e
assim foi. E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e
o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme
a sua espécie; e viu Deus que era bom. E disse Deus: Façamos
o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e
domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre
o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move
sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem
de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou,
e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra,
e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves
dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E
disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente,
que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que
há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo
o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil
da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para
mantimento; e assim foi. E viu Deus tudo quanto tinha feito,
e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto
(Gênesis 1:24–31).

31
A doutrina de Deus

O sétimo dia: O repouso


E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera,
descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
(Gênesis 2:2).

Verdades a respeito da criação

1. Deus realiza grandes façanhas com facilidade


Deus criou por meio da palavra de sua boca. Por exemplo:
Disse Deus: Haja luz; e houve luz.

E disse Deus:… Apareça a porção seca; E assim foi.


Deus, apenas falando, criou os céus e a terra e pôs em ordem
a natureza. É verdade que o homem simplesmente apertando um
botão, pode colocar em movimento grandes fábricas industriais;
mas Deus fez todo o mundo sem ter que esforçar-se. Devemos
recordar-nos deste poder maravilhoso e incomparável, não
somente ao estudar a criação, mas também ao estudar como ele
governa o universo.

2. Deus realiza toda a sua obra com perfeição


Deus nunca teve que provar ou desenvolver as suas ideias. O
que ele faz, funciona. Tão perfeita foi a obra de Deus na criação
que os homens têm feito um deus desse sistema ordenado e com
ele tem se ocupado em provar que não há Deus.

3. Deus criou as diferentes espécies


Deus ordenou que os animais e as plantas que ele mesmo criou
deveriam reproduzir-se segundo a sua espécie ou segundo o seu
gênero. Não há nenhuma evidência neste mundo que demonstre
que alguma espécie superior tenha se desenvolvido de uma espécie
inferior.

4. Deus criou o homem à sua imagem


Deus criou o homem do pó da terra à sua própria imagem.

32
D eus , suas obras

Essa verdade não se harmoniza com a teoria antibíblica da evo-


lução, a qual declara que o homem evoluiu de animais inferiores
no decorrer de milhões de anos. A Bíblia e a teoria da evolução
estão em pólos opostos.

5. Deus deu ao homem uma posição exaltada


O homem como Deus o criou era único na criação. Foi um
ser vivente, levou a imagem de seu Criador e pôde comunicar-se
com ele. Adão foi tão inteligente que pôde dar nomes a todos os
animais que Deus havia criado e teve domínio sobre toda a terra.
Deus criou a natureza para servir ao homem.

6. A criação manifesta a sabedoria de Deus


Cada planta e cada animal cumpriram com o propósito que
Deus lhes havia designado. O reino animal foi colocado aos cuida-
dos do homem. Deus ordenou tudo e a cada uma de suas criaturas,
proveu todo o necessário. Ele deu provisões em abundância para
o contentamento e bem-estar dos homens e dos animais. E para
que os homens entendessem a maneira como ele havia criado
tudo, então, aparece a explicação nos primeiros dois capítulos de
Gênesis. Tudo o que Deus havia feito “era muito bom”.

O evolucionismo
O elemento proeminente nessa filosofia é a evolução. Essa
hipótese tem várias modificações, desde o ateísmo absoluto,
até a intenção de harmonizar a evolução com a Bíblia. Todas as
modificações entram em conflito quando são confrontadas com
a verdadeira criação descrita na Bíblia. Vejamos:
Ø É impossível reconciliar o que passou nos seis dias espe-
cíficos da criação com a teoria de que os seis dias foram
épocas geológicas que duraram milhões de anos. É ainda
mais impossível reconciliar a ideia de um progresso gradual
com a declaração bíblica que Deus “formou o homem do
pó da terra” e “criou Deus o homem à sua imagem”. Com
isto notamos que o homem não evoluiu de um micróbio

33
A doutrina de Deus

ou de um macaco, como muitos pretendem fazer-nos crer


(leia Hebreus 11:3). O filho de Deus, ainda que não tenha
uma grande instrução, compreende como foram feitos os
céus e a terra, porque crê no que diz em Gênesis.
Ø Os que defendem a teoria da evolução têm que confessar
que as suas crenças se baseiam em teorias que não podem ser
comprovadas. Não se encontrou o suposto “elo perdido” entre
o homem e os animais. Nos casos em que alguém achava ter
encontrado ossos ou dentes de um desses elos perdidos, quase
sempre foram posteriormente identificados como sendo ossos
de indivíduos que cabem dentro da gama de variação da raça
humana (como o homem-de-neanderthal) ou então restos
de algum símio extinto (tal como o australopiteco). Todos os
esforços para comprovar que a vida apareceu espontaneamente
onde não havia existido têm fracassado grandemente. Não há
nenhuma evidência conclusiva nos fósseis que demonstre que
uma espécie “inferior” tenha se transformado em uma espécie
“superior”. Todos os fósseis que eles tentam utilizar como
provas são bastante suspeitos. Enquanto que a evolução carece
de argumentos em tantos sentidos, a Bíblia mantém-se fiel e
verdadeira com o passar do tempo. Enquanto que a teoria da
evolução carece de fundamentos concretos em tantas áreas,
tendo que ser constantemente modificada e atualizada para
acomodar novas descobertas e suposições, a Bíblia permanece
fiel e verdadeira, mesmo com o passar dos séculos. A teoria
da evolução de uma classe de animais “inferior” para a outra
“superior” não concorda nem com as Escrituras, nem com o
que se observa hoje na natureza.
Ø Na natureza há um processo de mudanças dentro das
espécies, na qual aparece, com o passar do tempo, alguma
característica nova, ou uma característica existente torna-se
mais dominante. Isso pode resultar de mutações genéticas
ou da seleção de informações genéticas existentes. Esse
processo chama-se seleção natural, pois os membros de
uma espécie que tem características apropriadas para

34
D eus , suas obras

determinado ambiente tendem a sobreviver melhor do que


os que não possuem essas características. Por exemplo, é
coerente com esse processo natural de seleção que os ursos
polares vivam no ártico enquanto que os ursos pardos vivam
na mata. Nós achamos errado chamar de evolução estas
mudanças resultantes da seleção natural. É verdade que o
homem tem conseguido avanços maravilhosos com a mani-
pulação do processo de seleção natural, mas esses avanços
ainda são resultado da seleção de informações genéticas
existentes. O homem utilizou o processo de seleção para
melhorar o pêssego, desenvolvendo uma fruta suculenta e
saborosa a partir de uma que era pequena e amarga. No
entanto, continuam sendo pêssegos. Desenvolveram-se
porcos grandes e gordos, alguns animais atingindo quase
meia tonelada. No entanto, continuam sendo porcos. Nos
cavalos também se observa os resultados da seleção natural,
existindo cavalos de todos os tamanhos. Variam desde os
grandes animais utilizados para tração animal até os peque-
nos minicavalos utilizados como animais de estimação. No
entanto, todos ainda são cavalos. A evolução requer que haja
a transformação de uma espécie animal em outra através
da aquisição de informação genética nova. O problema
para os evolucionistas é que não existe nenhum exemplo
no qual isso esteja acontecendo. É verdade que há animais
que estão desenvolvendo características novas, mas isso é
sempre pela seleção da informação genética existente.
Ø Os que se opõem à milagrosa criação bíblica enfrentam um
milagre ainda mais inexplicável: a origem da matéria do
nada. Se negarmos que a mesma foi criada por Deus, não
nos restará outra coisa a não ser supor que começou por
mera casualidade. A origem da vida também é um milagre.
Se negarmos que a vida foi criada por Deus, não teremos
outro recurso, a não ser, concluir que as coisas começaram
a viver por meio de seu próprio poder. Por que os homens
se negam a crer que os céus e a terra e todas as coisas que

35
A doutrina de Deus

neles há, foram feitas pelo poder e o ato criativo de um Deus


infinito? Por que apoiam a teoria do progresso gradual do
nada até o estado presente do universo quando nem uma só
teoria sobre esse processo tem sido comprovada? Porventura
poderia ser que eles querem evitar uma responsabilidade
pessoal diante de um Deus criador?
Ø Por último, nos recusamos a crer na teoria da evolução que
agora é ensinada na maioria dos colégios e universidades
porque essa teoria nasce do ateísmo. Os que apoiam a evo-
lução, negam a Palavra de Deus e ao próprio Deus. Quando
o homem aceita uma perspectiva falsa dos capítulos 1 e 2 de
Gênesis, então ele recebe uma perspectiva falsa da Bíblia
como um todo. Todos os homens de fé que se propõem
a transmitir a fé para as gerações seguintes devem prestar
atenção especial neste ponto.

Deus, nossa única testemunha segura


Talvez você tenha feito a seguinte pergunta: “Se é verdade que os
que se opõem à Bíblia se baseiam em teorias não comprovadas, por
que há tantas evidências que parecem apoiá-las?” A isso responde-
mos: Eles obtêm verdades parciais dessas evidências e desse modo
as aparências enganam. Eles consideram as evidências a partir de
uma perspectiva antibíblica. Apresentaremos algumas ilustrações:
Nas pedras de algumas montanhas a muitos quilômetros de dis-
tância de um rio ou do mar foram encontrados os fósseis de alguns
peixes. Como chegaram até ali? Os que creem no desenvolvimento
lento da evolução concluem que as mudanças drásticas que ocor-
reram durante milhões de anos provocaram este fenômeno. Por
outro lado, quando alguém que crê na Bíblia observa tal evidência,
imediatamente pensa nas grandes mudanças que resultaram do
dilúvio mundial no tempo de Noé. Assim conclui que a evidência
não indica que passou mais tempo do que é indicado na Bíblia.
Também houve um tempo em que quase todos os cientistas
acreditavam que o mundo era plano. Naquele tempo era visto
como tolice acreditar que a terra fosse redonda. Eles raciocinavam

36
D eus , suas obras

assim: “Se o mundo fosse redondo, os homens cairiam dele”.


Os cientistas naquele tempo eram da opinião que as evidências
demonstravam que o mundo era plano. Sua conclusão era contrá-
ria ao que diz Isaías 40:22, que fala do “círculo da terra”. Portanto,
eles estavam errados.
A Bíblia é sempre a verdade. Não devemos dar lugar às teorias
que a contradizem. No lugar de duvidar sobre as verdades da
Bíblia, o que devemos fazer é confiar em Deus. Ele é a única tes-
temunha competente das coisas que ocorreram mesmo antes que
houvesse seres humanos para fazer suas observações. Gostamos de
louvar o nome do Senhor e dizer como o salmista: “De eternidade
a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90:2).
A pergunta que não nos compete fazer é: Será certo tudo o
que diz a Bíblia?
Pelo contrário, esta pergunta deveria ser: Porventura somos
fiéis a sua Palavra mesmo que outros a contradigam?

B. A SOBERANIA DIVINA
A criação do mundo foi somente o princípio da obra de Deus
para o bem-estar de suas criaturas. A história da criação é apenas
uma introdução ao poder e à sabedoria do Criador.
Deus não somente criou os céus e a terra, mas também sus-
tenta o universo na palma de sua mão. Ele governa sobre todas
as coisas segundo a sua sabedoria e vontade divina. Ele é quem
dita o destino dos homens e das nações e quem também move os
céus e a terra a favor de suas criaturas e para o bem-estar delas.

O governador supremo do universo


Deus é o governador supremo do universo. “Os olhos do
Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons”
(Provérbios 15:3). Nem sequer um pássaro cai ao solo sem que ele
o veja, e Deus até conta os cabelos de nossa cabeça. Deus concedeu
poder aos homens, aos anjos e ainda ao próprio diabo que “anda em
derredor, como um leão bramando, buscando a quem possa tragar”
(1 Pedro 5:8). Mas Deus colocou um limite no poder de todas as
suas criaturas. Nós não podemos cruzar esse limite. Muitos creem

37
A doutrina de Deus

que o homem tem capacidades sem limites e que somente tem que
desenvolvê-las. Mas a fragilidade do homem e a sua total depen-
dência de Deus são tão manifestas que não é necessário discuti-las.
Poderíamos pensar que o diabo é o “deus deste século” e senhor de
todos os seus domínios. No entanto, ele está sujeito às limitações
que Deus lhe impôs. Nós observamos isto no primeiro capítulo
de Jó. O Criador reina sobre toda a sua criação. Ele é quem criou
todas as coisas, e todas as suas criaturas estão sujeitas a sua santa
vontade. Ele é “o Senhor de todos” (Atos 10:36).

O administrador de tudo
Deus é o administrador de tudo. A mão forte de Deus está
presente em cada acontecimento no decorrer dos séculos.

1. Ele comanda os seus anjos


Ele os envia como “espíritos ministradores, enviados para servir
a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1:14).
Cristo, referindo-se aos “pequeninos” (Mateus 18:10), diz que “os
seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos
céus”. O salmista igualmente nos informa que “o anjo do Senhor
acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmo 34:7).
No fim dos tempos Deus enviará seus anjos como ceifeiros: “e
eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo” (Mateus
13:39–41). Eles serão importantes mensageiros e ministros de Deus
no grande juízo vindouro.

2. Ele predomina nas debilidades do homem


O apóstolo Paulo orou três vezes ao Senhor para que o libertasse
do espinho em sua carne, mas recebeu a resposta amorosa do Senhor,
“a minha graça te basta”, assegurando-lhe que a sua oração tinha sido
respondida com mais sabedoria do que ele havia pensado. A promessa
que “o Senhor repreende aquele a quem ama”, nos recorda que Deus,
com amor paternal, corrige os seus filhos. Isso concorda com a garantia
da promessa que “Deus… não vos deixará tentar acima do que podeis”
(1 Coríntios 10:13), e que a sua outra promessa, “não te deixarei,
nem te desampararei” (Hebreus 13:5), é segura e firme para sempre.

38
D eus , suas obras

3. Ele governa as nações


Tanto as nações como os indivíduos estão sujeitos ao poder de
Deus. A história das nações prova que Deus julga a iniquidade
de qualquer nação no seu devido tempo. Ele castigou o Egito, a
Babilônia e até o seu próprio povo, Israel, pelos seus pecados. O
poder de Deus sobre as nações se manifestou quando tirou a nação
de Israel da escravidão do Egito, quando os entregou nas mãos
do inimigo, quando destruiu o exército de Senaqueribe, quando
arruinou o reino de Belsazar, quando entregou o exército sírio nas
mãos de Eliseu e em muitas outras ocasiões. Mesmo na atualidade
pode-se ver a mão de Deus nos assuntos das nações. Tanto as
nações como muitas pessoas, frequentemente não se submetem
à vontade de Deus. É por isto que alguns têm a impressão de que
Deus não pode fazer nada, a não ser, deixar que o diabo se apro-
veite da situação. Mas com o passar do tempo isto não provará a
debilidade de Deus, senão a sua paciência. O domínio de Deus se
faz evidente nos castigos e no poder de arruinar a toda uma nação.
Porque no fim, “todas as nações” (Mateus 25:32) chegarão ao juízo,
e a época presente terminará. Em todas estas coisas, o domínio e
a mão governante de Deus estão claramente visíveis (leia Gênesis
cap. 6; 11:1–9; 18:17–19:29; Êxodo 3:7–17; Josué 2:24; Juízes
2:11–23; 1 Samuel 15:1–23; 2 Reis caps. 17–19; Daniel cap. 5).

4. Ele governa os elementos


Deus governa a chuva, a temperatura, o vento e as tormentas.
Ele responde as orações de seu povo quanto a essas coisas. Por
exemplo, Elias orou e a chuva cessou. Orou outra vez e choveu em
abundância (1 Reis 18; Tiago 5:17–18). Quando Samuel orou,
houve trovões no tempo da colheita e o povo teve medo por essa
manifestação do poder de Deus. Em nossos tempos têm havido
casos de governantes que atendendo às petições de cidadãos,
nomearam um dia especial de oração dedicado à chuva. Várias
vezes têm chovido imediatamente após fervorosas petições serem
elevadas a Deus. No entanto, algumas pessoas, ainda que não
duvidem do poder de Deus, insistem que as mudanças do tempo

39
A doutrina de Deus

são governadas por leis fixas da própria natureza. Mas, quem


estabeleceu essas leis fixas? Porventura não pode o governador do
universo, assim como qualquer outro legislador terreno, suspen-
der, mudar ou ainda revogar qualquer lei dentro de seu poder?
Devemos agradecer ao Senhor, seja qual for o estado do tempo,
porque as suas leis são perfeitas e porque ele ordena todas as coisas
com sabedoria e para o nosso bem.

5. Ele preserva a sua criação


Deus é o preservador de toda a sua criação. Isto se torna
evidente na declaração que aparece em Neemias 9:6: “Só tu és
Senhor; tu fizeste o céu e o céu dos céus, e todo o seu exército,
a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há,
e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora”.
Nas Escrituras, Deus se mostra como o preservador dos fiéis (leia
Salmos 31:23; 97:10; 145:20; Provérbios 2:8). Além disso, ele
se mostra como o preservador dos homens e dos animais (Salmo
36:6). Os que confiam no Senhor não têm nada que temer. Ele
sustenta todas as coisas com o seu poder infinito e é leal aos seus.
Esse poder e fidelidade manifestam-se por meio do Filho, como
se expressa em Hebreus 1:3: “O qual, sendo o resplendor da sua
glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas
as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo
a purificação dos pecados, assentou-se à destra da majestade nas
alturas”.

6. Em suas mãos está o destino de todas as suas


criaturas
“Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com
os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras”
(Mateus 16:27).
Deus é quem está sentado em seu trono na glória, contem-
plando os pensamentos mais íntimos e as intenções de cada
coração humano (leia Hebreus 4:12). Cada ser humano algum dia
terá que comparecer diante dele e prestar contas pela sua conduta
nesta vida (leia 2 Coríntios 5:10).

40
D eus , suas obras

As leis de Deus
Deus não governa arbitrariamente. Ele governa com misericór-
dia e justiça por meio de leis que surgem de sua própria natureza
divina. Todas as coisas serão julgadas segundo essas leis. Todos
nós somos governados aqui e também seremos julgados por meio
das leis de Deus. Jesus explicou, “a palavra que tenho pregado,
essa o há de julgar no último dia” (João 12:48). A justiça exata
e perfeita, junto com a misericórdia, são possíveis porque “Deus
não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34).
Nosso bem-estar espiritual depende da nossa obediência ou
desobediência às leis de Deus. “Tudo o que o homem semear,
isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Se agora guardamos as leis de
Deus, podemos confiar que estaremos ao seu lado na eternidade
(leia Mateus 7:21–27).
Muitas nações da terra basearam suas leis civis nas justas leis de
Deus. A relação que existe entre as leis das nações e as de Deus,
sugere a ideia de que o homem ao buscar a verdadeira justiça,
limita-se às leis justas de Deus. A sabedoria de Deus é aparente no
fato de que as nações são mais prósperas na medida em que estas
se aproximam do modelo divino em suas leis e na administração
das mesmas.
O que chamamos de “leis da natureza” simplesmente são as leis
que Deus criou para governar essa criação. E quanto às leis natu-
rais, nós devemos lembrar que Deus tem poder, como qualquer
legislador, de colocar em vigor, suspender, modificar ou revogar
essas leis. Quando ele suspende ou modifica os efeitos de tais leis
(como faz frequentemente para responder às nossas orações) então
isto é o que chamamos de milagre. Exemplos: Quando o sol e
a lua foram detidos nos dias de Josué; a seca e a chuva nos dias
de Elias; e a ressurreição de Lázaro depois que esse havia estado
morto por quatro dias.
Porventura devemos assombrar-nos de tais manifestações do
poder de Deus? O mesmo Deus que criou todas as coisas tem
poder para fazer com elas o que lhe apraz.

41
Capítulo 3
A TRINDADE
Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mateus 28:19).
A palavra “trindade” não aparece na Bíblia, mas a doutrina de
um Deus trino se vê claramente na mesma.
Há duas coisas a respeito de Deus que cremos com igual ênfase:
1. Há um só Deus.
2. Há uma trindade de personalidades onde cada um dos
integrantes é Deus.
Estas duas realidades juntas justificam o título:

O Deus trino

1. Deus é um
“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”
(Marcos 12:29). Ouve-se a voz desse mesmo Deus neste versí-
culo: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da
terra; porque eu sou Deus, e não há outro” (Isaías 45:22). Fica
claro nessas duas declarações que há somente um Deus; não três
deuses, nem muitos deuses, mas um Deus. A teoria da plura-
lidade de deuses pertence à idolatria. A doutrina da trindade é
torcida quando abandonamos a ideia da unidade de Deus. Há
somente um Deus e fora dele não há nenhum outro. “Ao Senhor
teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4:10).

43
A doutrina de Deus

2. Deus se manifesta em três pessoas


No entanto, esse único Deus se manifesta como três pessoas
distintas. No batismo de Jesus no Rio Jordão (Mateus cap. 3) se nos
apresentam o Filho, batizado no rio; o Espírito Santo, aparecendo
na forma corporal de uma pomba; e o Pai, que diz desde o céu:
“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.
A trindade torna-se evidente nas palavras de nosso Senhor:
“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas” (João 14:26).
Novamente, a trindade pode ser apreciada no mandamento de
batizar “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.
A Bíblia nos ensina que cada uma dessas três pessoas: o Pai, o
Filho e o Espírito Santo, é Deus. O unitário e o trinitário radical
recusam-se a reconhecer que o Filho e o Espírito Santo são o
mesmo Deus.

3. O Pai é Deus
Jesus reconhece que o Pai é Deus quando ele disse: “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João
3:16). Pedro também reconhece que Deus é o Pai quando disse:
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que segundo
a sua grande misericórdia, nos gerou de novo” (1 Pedro 1:3). Paulo
igualmente lhe dá o mesmo reconhecimento, dizendo: “Bendito seja
o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias
e o Deus de toda a consolação” (2 Coríntios 1:3). Cada uma destas
declarações dá ao Pai a distinção de ser o Deus verdadeiro.

4. O Filho é Deus
Isaías escreveu: “Porque um menino nos nasceu, um filho se
nos deu… e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).
Paulo, falando do reconhecimento que o Pai deu a seu Filho, disse:
“Mas do Filho diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos
séculos” (Hebreus 1:8). Leia também João 20:28, Romanos 9:5 e
Tito 2:13. Estes versículos referem-se a Jesus Cristo como “Deus”.
Além disso, outras escrituras outorgam atributos divinos a Jesus.

44
A T rindade

5. O Espírito Santo é Deus


Quando Cristo instruiu os apóstolos a batizarem “em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, ele reconheceu o Espírito Santo
como alguém de igual importância a ele mesmo e ao Pai. Outro
exemplo disto se encontra na maneira em que Pedro falou a Ananias.
Pedro perguntou a Ananias: “Por que encheu Satanás o teu coração,
para que mentisses ao Espírito Santo?” E quase imediatamente
declarou: “Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3–4).
Dessa forma ele deu a entender claramente que Deus e o Espírito
Santo são o mesmo ser.
As realidades relacionadas ao caráter e à obra de cada uma das
pessoas da trindade, serão explicadas nos três capítulos a seguir.

A incompreensibilidade da trindade
Com relação à incompreensibilidade da trindade, traduzimos
um texto que foi escrito pelo irmão J. S. Hartzler (Bible Doctrine
[Doutrina Bíblica], pp. 45–46), que diz o seguinte:
Há quem diga que seja contraditório dizer “três em um e
um em três”. Dizem que isto é impossível. Do ponto de vista
humano, isto até pode ser verdade, mas Deus não está sujeito
às mesmas leis que ele deu para governar as suas criaturas.
Vemos isso refletido nas inumeráveis coisas que Deus faz pelas
suas criaturas, as quais o homem não pode fazer. Depois da
ressurreição de Cristo, ele fez coisas que aos seus discípulos foi
impossível fazer, sendo que para ele era algo bastante fácil (leia
Lucas 24:31, 36, 51). De maneira que pelo fato do homem
não compreender a trindade, não quer dizer que ela seja uma
doutrina falsa. Se os caminhos de Deus são “inescrutáveis”, fica
muito claro que a sua existência também o é...

Tu, bendito Deus! Tu, Santa trindade! Tu, que és o Criador


e Preservador de todas as coisas, o Rei dos reis e Senhor dos
senhores, o governador do céu e da terra, o três em um e o um
em três; que todo o mundo tema diante de ti, contemplando a
“bondade e a severidade de Deus” (Romanos 11:22) ainda nesta
vida, e que todos ofereçam a gratidão de seus corações como o
sacrifício mais aceitável a ti, Pai santo, Filho santo, Espírito
Santo, Senhor Deus Todo-poderoso.

45
Capítulo4
Deus o Pai
Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos
chamados filhos de Deus (1 João 3:1).
Quando falamos “Deus”, geralmente nos referimos a ele no
sentido que inclui as três pessoas da Deidade. Porém, quando fala-
mos “o Todo-poderoso” ou “o Altíssimo”, estamos nos referindo
principalmente a Deus, o Pai.
Deus o Pai é manifestado para nós com mais clareza no Novo
Testamento do que no Antigo Testamento pelo fato de ter enviado o
seu Filho ao mundo. Jesus falou de seu Pai e nos mostrou o seu Pai.
Ele e o Espírito Santo glorificam ao Pai. Dessa forma a proeminência
dada a eles no Novo Testamento, atrai a nossa atenção para o Pai.

O caráter e a obra do Pai


É possível que não haja nenhuma outra escritura em que
vemos tão claramente o caráter e a obra do Pai como no Pai nosso
(Mateus 6:9–13). Por isso, estudaremos esta oração para considerar
o significado do que o Filho disse a respeito do Pai.
“Pai nosso”: A relação entre um pai natural e sua descendên-
cia nos serve de exemplo quanto à relação do nosso Pai celestial
conosco. Há duas histórias na Bíblia que dão-nos uma ideia do
infinito, inarrável e terno amor que o nosso Pai nos céus tem por
nós. Uma é a história do pai que esperava com ternura o filho
pródigo, dando-lhe as boas-vindas e acolhendo-o novamente ao
seio de sua família. E a outra é a história das lamentações de Davi
ao morrer o seu amado, mas desencaminhado filho, Absalão.
Somente os que nascem de novo e são adotados na família de
Deus podem invocar a Deus como “nosso Pai”. Na verdade Deus

47
A doutrina de Deus

é Pai de todos nós no sentido natural porque ele nos criou. Mas ele
foi rejeitado pela humanidade caída. Por isso a esperança de uma
salvação universal é falsa, pois nem todos os humanos se arrependem
de seus pecados. Leia 2 Timóteo 3:13 e Lucas 18:8. Jesus disse: “Vós
tendes por pai ao diabo” (João 8:44). Antes de podermos ter a Deus
como nosso Pai espiritual, precisamos nascer de novo.
“Nos céus”: Associamos o nome do Filho com a terra de
Israel (porque ali ele andou enquanto esteve fisicamente na terra)
e cremos pela fé que o Espírito Santo mora nos corações dos
crentes em todas as partes do mundo. Mas cremos que o Pai está
nos céus. Essa é a sua morada eterna. Foi desde essa morada que
ele falou em numerosas ocasiões aos patriarcas e aos profetas, e
em seguida ao seu Filho. E quando dirigimos as nossas petições
a Deus, sentimos reverência porque associamos o Pai com seu lar
eterno. “Pai nosso” sempre se associa com “nos céus”.
“Teu reino”: Desse modo, o Filho reconhece que o reino eterno
pertence ao Pai. Certamente, o Filho e representa a si mesmo como
um nobre que receberá para si um reino (Lucas 19:12–27), mas é
o Pai quem dá a ele esse reino. Quando nos aproximamos do Pai,
sentimos que estamos na presença de um Rei grande, potente e
eternamente glorioso.
“Tua vontade”: A vontade de Deus é suprema no céu, e devemos
reconhecê-la de igual maneira na terra. Enquanto o nosso Salvador
se encontrava no jardim de Getsêmani e mostrava a sua aflição por
meio daquela oração a seu Pai, podemos ver que ele limitou as
suas petições com “todavia, não seja como eu quero, mas como tu
queres” (Mateus 26:39). Se damos ao Pai o devido reconhecimento
então estabeleceremos a sua vontade como algo supremo em nossas
mentes, nossas vidas e em nosso serviço cristão. O verdadeiro filho
de Deus não faz a sua própria vontade, mas a do Pai.
“Não nos conduzas à tentação”: O Pai nos guia por meio de
Jesus Cristo e o Espírito Santo. Enquanto orarmos sinceramente a
nosso Pai para que ele nos guie por caminhos seguros, então ele nos
guardará de todo perigo espiritual e não nos conduzirá à tentação.
“Perdoa-nos”: Todo pecado é cometido contra ele. Dele bus-
camos o perdão.

48
D eus o P ai

“Livra-nos”: Deus está disposto e é capaz não somente de


guiar-nos com segurança, mas também de livrar-nos do mal.
Reconhecendo quão vulneráveis somos neste mundo vão e hostil,
cheio de armadilhas, enganos e tentadoras seduções. Nossos
corações se elevam para Deus com gratidão e louvor quando
pensamos nele como o grande Libertador de nossas almas.
“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre.”
Portanto, oramos ao Pai, em nome do Filho, e por meio do
Espírito Santo.

A obra do Pai
Tudo o que Deus faz como o Todo-poderoso, o Soberano,
etc., se atribui a Deus o Pai. Dessa forma, a maior parte das coisas
mencionadas nos capítulos anteriores pertencem à obra de Deus
o Pai. Vamos acrescentar mais algumas coisas que são atribuídas
a ele de uma maneira especial.

1. Ele é o grande Criador do universo


Atos 17 descreve a Deus (o Pai) corretamente: “O Deus que
fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra,
não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tam-
pouco é servido por mãos de homens, como que necessitando
de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a
respiração, e todas as coisas… nele vivemos, e nos movemos, e
existimos” (Atos 17:24–25 e 28). Ele é o Monarca absoluto em
todo o universo.

2. Ele enviou o seu Filho ao mundo


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo,
não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse
salvo por ele” (João 3:16–17). Jesus perguntou aos judeus: “Àquele
a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas,
porque disse: Sou Filho de Deus?” (João 10:36).

49
A doutrina de Deus

3. Ele deu a sua aprovação ao Filho e ao que


este fez
O Pai reconheceu ao seu Filho duas vezes: A primeira vez em
seu batismo (leia Mateus 3:17) e a outra no monte da transfigu-
ração (leia Mateus 17:5). Deus o Pai disse: “Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo”.

4. Ele enviou o Espírito Santo ao mundo


Jesus disse: “Aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome” (João 14:26). O Espírito Santo veio, con-
forme havia sido prometido, no dia de Pentecostes (leia Atos cap. 2).

5. Ele é nosso Salvador


Este título também é atribuído ao Filho (Mateus 1:21; 2 Pedro
3:18). Na verdade, não há salvação sem a participação do Pai, do
Filho e do Espírito Santo. Mas nós às vezes olhamos tanto a Cristo
como nosso Salvador, que nos esquecemos que o Pai, assim como o
Filho, é o Salvador da alma. Cristo disse: “Ninguém pode vir a mim,
se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6:44). Muitas vezes o
Novo Testamento fala de como a salvação é de Deus sem mencionar
especificamente o Filho. Paulo apresenta a obra do Pai e do Filho
quando ele diz que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por
Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23). A mesma ideia se expõe
em João 3:17; Romanos 8:30–32; Efésios 1:1–5; 2:5–10; 1 Tessa-
lonicenses 5:9 e 1 Timóteo 2:3–4. Paulo disse: “pois esperamos no
Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente
dos fiéis” (1 Timóteo 4:10). Ao dar pleno reconhecimento ao poder
salvador do Deus trino, falamos como Pedro: “Mediante a fé estais
guardados no poder de Deus para a salvação” (1 Pedro 1:5).

6. Ele tem parte na santificação dos crentes


Judas dirige a sua epístola aos “santificados em Deus Pai, e
conservados em Jesus Cristo” (Judas v. l). Deus Pai, Deus Filho
e Deus Espírito Santo cada um desempenha um papel diferente
nessa obra. O Filho orou ao Pai a favor de seus discípulos: “San-
tifica-os na tua verdade” (João 17:17).

50
D eus o P ai

7. Ele responde às orações de seu povo


“A fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele
vo-lo conceda” (João 15:16). São muitas as promessas de Deus
de ouvir e atender às orações que seus santos lhe oferecem em
nome de Jesus.

Os atributos do Pai
Os atributos de Deus o Pai são os mesmos que foram mencio-
nados no primeiro capítulo como os atributos de Deus. Todas essas
coisas nos revelam o Pai: seu poder infinito como o Governador
supremo do universo; sua sabedoria, sua bondade e misericórdia
na sua relação com os homens pecadores; seu amor maravilhoso
ao enviar para o mundo pecaminoso o seu Filho unigênito como
Salvador e Redentor; sua sabedoria em enviar o Espírito Santo
ao mundo para convencê-lo do pecado e para guiar o seu povo
em toda a verdade; seu cuidado e proteção sobre suas criaturas,
provendo todas suas necessidades com paciência; sua “bondade
e severidade” que se demonstram perfeitas na justiça assim como
também na misericórdia; sua aptidão e vontade de escutar e
responder a cada petição de fé; sua constância na verdade que
permanece por todas as gerações; sua Palavra imutável e seu amor.
O Pai merece toda a nossa confiança e louvor, requer a nossa
obediência e comove nossos corações com o reconhecimento de
sua abundante graça, sua grandeza infinita e sua glória eterna.

51
Capítulo 5
Deus o Filho
Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos
séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino (Hebreus 1:8).
A natureza e a obra do Filho de Deus são demonstradas clara-
mente na introdução ao evangelho de João: “No princípio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as
coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens… E o Verbo se fez
carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do
unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:1–14). Essa
escritura nos mostra que o Verbo, que era Deus, foi feito carne, quer
dizer, homem. Assim o Filho de Deus é também Filho do homem.

Filho de Deus e Filho do homem


Cristo foi o Filho do homem; nasceu de uma virgem. Também
era Filho de Deus; foi concebido do Espírito Santo. Aos doze anos
ele já estava envolvido nos “negócios de [seu] Pai [Deus]” (Lucas
2:49) e também estava sujeito a José e Maria (Lucas 2:51). O
Filho de Deus tornou-se o Filho do homem “para que o mundo
[fosse] salvo por ele” (João 3:17).

1. O Filho do homem
A humanidade do Filho é evidente:
Ø Ele era filho de uma mãe humana (leia Mateus 1:18; 2:11).
Ø Ele cresceu como outros meninos (leia Lucas 2:40).
Ø Ele foi reconhecido como judeu (leia João 4:9).

53
A doutrina de Deus

Ø Ele foi tentado exatamente como nós somos (leia


Hebreus 4:15).
Jesus era um homem perfeito em dois sentidos:
1. Ele teve um corpo completamente humano. “Não [havia] nem
formosura e… não havia boa aparência nele” (Isaías 53:2). As
pessoas que o conheceram reconheceram-no como homem.
2. Ele foi tentado como qualquer outro ser humano, no
entanto, permaneceu “sem pecado”. Ele foi o único ser
humano que suportou essa prova para a perfeição.

2. O Filho de Deus
A deidade do Filho é evidente:
Ø Ele era o Filho do Deus vivente, sendo concebido do Espí-
rito Santo (leia Mateus 1:18).
Ø Nasceu de uma virgem (leia Isaías 7:14).
Ø Ele tinha um poder sobrenatural. Curou muitas enfermidades
incuráveis, acalmou tormentas e até ressuscitou os mortos.
Ø A Bíblia atribui-lhe muitos nomes que pertencem exclusi-
vamente à deidade.
As Escrituras muitas vezes reconhecem a Cristo como o Filho
de Deus. Sua divindade é claramente reconhecida por:
Ø O anjo: “O Santo, que de ti há de nascer, será chamado
Filho de Deus” (Lucas 1:35).
Ø João o Batista: “Este é o Filho de Deus” (João 1:34).
Ø Natanael: “Tu és o Filho de Deus” (João 1:49).
Ø Os demônios: “Que temos nós contigo, Jesus, Filho de
Deus?” (Mateus 8:29).
Ø Os discípulos: “És verdadeiramente o Filho de Deus”
(Mateus 14:33).
Ø Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).

54
D eus o F ilho

Ø O Pai: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo;


escutai-o” (Mateus 17:5).
Ø O centurião: “Verdadeiramente este era Filho de Deus”
(Mateus 27:54).
Ø O eunuco etíope: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”
(Atos 8:37).
Ø Paulo: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este era
o Filho de Deus”(Atos 9:20).
Ø O próprio Cristo: “Isto diz o Filho de Deus, que tem seus
olhos como chama de fogo” (Apocalipse 2:18).
Por que o Filho de Deus veio a este mundo?

Cristo veio ao mundo

1. Como nosso Salvador


Cristo “veio buscar e salvar o que se havia perdido” e salvar “o
seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). Veio “para nos remir
de toda a iniquidade” (Tito 2:14). Por isso o conhecemos como “o
Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (1 Timóteo
4:10). Visto que ele deu a “sua vida em resgate de muitos” (Mateus
20:28), com alegria o reconhecemos como “nosso Senhor e Salvador,
Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18).

2. Como nosso exemplo


Cristo fez mais do que nos salvar. Ele nos mostrou como viver
e também nos mostrou como morrer. Uma vez ele disse aos seus
discípulos: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos
fiz, façais vós também” (João 13:15). Pedro nos diz que Cristo nos
deixou o “exemplo para que [sigamos] suas pisadas” (1 Pedro 2:21).
Cristo “que, como nós, em tudo foi tentado”, mas se manteve sem
pecado, dando-nos um exemplo prático de como vencer o tentador
(leia Mateus 4:1–11). Ele nos deu o exemplo perfeito para viver uma
vida sem mancha, uma vida fazendo o bem aos outros, uma vida de
oração, de abnegação, humilhando-se e compadecendo-se dos demais
enquanto ele mesmo sofria, tendo uma comunhão diária com o Pai

55
A doutrina de Deus

e obedecendo perfeitamente à vontade de seu Pai. Cristo foi o nosso


exemplo perfeito nessas e em muitas outras coisas. Até os pastores,
que certamente devem ser exemplos para o rebanho, não devem se
esquecer de dizer como Paulo: “Sede meus imitadores, como também
eu de Cristo” (1 Coríntios 11:1).

3. Como nosso profeta do Novo Testamento


Moisés profetizou que “O Senhor vosso Deus vos levantará
dentre vossos irmãos um profeta como eu” (Atos 7:37). Moisés
desempenhou um papel semelhante ao de Cristo. Moisés era
líder e salvador de seu povo. Deus o escolheu para dar a lei e ser
mediador entre Deus e o povo. “Havendo Deus antigamente
falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos pro-
fetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hebreus
1:1). Quando perguntaram a João, o precursor de Cristo: “És tu
o profeta?” (João 1:21), ele respondeu imediatamente: “Não”. A
mãe de Cristo disse: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2:5).
O Pai disse desde os céus: “Este é o meu amado Filho, em quem
me comprazo; escutai-o” (Mateus 17:5). O escritor inspirado
disse: “Vede que não rejeiteis ao que fala” (Hebreus 12:25). A
mensagem desse profeta do Novo Testamento não é meramente
uma mensagem de autoridade, mas é também uma mensagem
cheia “de graça e de verdade”.

4. Como nosso Senhor


Cristo declarou a sua soberania com estas palavras: “Vós me
chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou” (João
13:13). Depois de pregar o Sermão do Monte, “a multidão se
admirou da sua doutrina; porquanto os ensinava como tendo
autoridade” (Mateus 7:28–29). Sua declaração, “É-me dado todo
o poder no céu e na terra” (Mateus 28:18), mostra que recebeu a
sua autoridade de Deus Pai. A soberania de Cristo se manifestou
quando ele selou a aliança da salvação eterna com o seu próprio
sangue, estabeleceu a igreja sendo o cabeça dela, possuiu as chaves
da morte e do Hades, ascendeu majestosamente para a glória e
enviou o Espírito Santo.

56
D eus o F ilho

5. Como nosso Mediador


Depois de sua ressurreição Jesus ascendeu para a glória, à destra
de Deus. Quando matavam a Estêvão, ele viu a Cristo ali à destra
de Deus (Atos 7:56). Cristo conhece nossas provas e debilidades e
intercede por nós (leia Hebreus 7:25). Ele é o nosso representante
e advogado diante do trono de Deus. Temos a consolação que “se
alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo,
o justo” (1 João 2:1).

6. Como nosso Rei


O fato de que o Messias seria um rei foi escrito tão claramente
nas profecias do Antigo Testamento que quando Cristo veio à terra
os magos vieram do oriente, dizendo: “Onde está aquele que é
nascido rei dos judeus?” (Mateus 2:2). Quando Pilatos pergun-
tou a Cristo, “És tu o Rei dos Judeus?”, Cristo respondeu: “Tu
o dizes” (Mateus 27:11). Sua resposta equivalia a dizer: “Sim, eu
sou”. Cristo referiu-se muitas vezes ao seu reino.

7. Como nosso noivo


Jesus veio à terra para preparar uma noiva digna para si mesmo.
Ele voltou para o céu e está ali preparando moradas nas quais
habitará eternamente com sua esposa, a igreja. Enquanto isso, a
sua igreja está se preparando para ir com ele quando vier. Os que
não estiverem preparados enfrentarão seu juízo (leia 2 Tessaloni-
censes 1:7–9). Que viva o Rei eterno, nosso Salvador e Senhor,
nosso Resgate e Redentor, nosso Irmão maior, por cujo sacrifício,
sofrimento e intercessão, temos o privilégio impagável de reinar
com ele “para todo o sempre” (Apocalipse 22:5).

Os atributos e as obras do Filho


Os atributos do Filho são os mesmos atributos de Deus Pai
que mencionamos no capítulo 1. O fato de que o Filho existiu
antes de Maria nascer, é confirmado em João 1:1. E ele mesmo
declarou: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:58). Ele
é onipotente (leia Mateus 28:18; Hebreus 2:8); sabe todas as
coisas (leia João 16:30; Colossenses 2:3); está presente em todas

57
A doutrina de Deus

as partes (leia Salmo 139:7–12) e é imutável (leia Hebreus 13:8).


Na realidade, “nele habita corporalmente toda a plenitude da
divindade” (Colossenses 2:9). Essas características do Filho nos
ajudam a entender as suas obras.

1. Ele teve parte na criação


Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi
feito se fez (João 1:3).

2. Ele traz vida e luz ao mundo


Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim
também o Filho vivifica aqueles que quer (João 5:21). Porque
eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo (1 Coríntios 4:15).
Cristo, “a luz do mundo” (João 9:5), concede essa característica
a seus discípulos, dizendo: “Vós sois a luz do mundo” (Mateus
5:14). (Leia também João 1:1–9.)

3. Ele é o Autor da nossa salvação eterna


E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação
para todos os que lhe obedecem (Hebreus 5:9).

4. Ele edifica a igreja


Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno
não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18).
Desta forma, ele é o Cabeça (leia Colossenses 1:18); a porta
(leia João 10:9); a principal pedra de esquina (leia Efésios 2:20);
o fundamento (leia 1 Coríntios 3:11) e o bom Pastor (leia João
10:11). Ele faz com que a igreja cresça e seja segura, constante e
digna da recompensa de Deus, o Pai.

5. Ele sustenta todas as coisas


O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da
sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder,
havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados,
assentou-se à destra da majestade nas alturas (Hebreus 1:3).

58
D eus o F ilho

O universo não pode sustentar-se por si mesmo. O poder de


Cristo sustenta todas as coisas.

6. Ele perdoa os pecados


E disse a ela: Os teus pecados te são perdoados (Lucas 7:48).
No grande coração perdoador de Cristo há poder e um desejo
constante de perdoar os pecados. De seu coração sai um chamado
que nos chama para seguir o seu exemplo em perdoar.

7. Ele santifica o crente


Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha
aspergida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação
da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito
eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as
vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus
vivo? (Hebreus 9:13–14).

Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do


corpo de Jesus Cristo, feita uma vez… Porque com uma
só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados
(Hebreus 10:10 e 14).

8. Ele nos reconcilia com Deus


Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o
madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver
para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados (1 Pedro 2:24).
E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus
por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a
reconciliação (Romanos 5:11).

9. Ele é o nosso advogado diante do trono de Deus


E, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus
Cristo, o justo (1 João 2:1).
(Leia também Hebreus 7:25.)

59
A doutrina de Deus

10. Ele julgará o mundo em justiça


Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de
julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu
certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos (Atos 17:31).

Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo


(2 Coríntios 5:10).

Quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos


do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que
não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de
nosso Senhor Jesus Cristo (2 Tessalonicenses 1:7–8).

11. Ele virá para levar o seu povo para que esteja
com ele para sempre
Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também
aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele…
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com
voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram
em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos
vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o
Senhor (1 Tessalonicenses 4:14–17).

60
Capítulo 6
Deus o
Espírito Santo
Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar
de tudo quanto vos tenho dito (João 14:26).
O Espírito Santo, assim como o Filho de Deus, existia eterna-
mente antes de ter vindo ao mundo. O escritor inspirado apenas
havia começado a sua descrição da criação quando nos informou
que “o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gênesis
1:2). O Antigo Testamento se refere ao Espírito Santo repetidas
vezes, mas não o observamos tão claramente até que chegamos
ao Novo Testamento. Lembremos disso ao examinar algumas
evidências bíblicas de sua personalidade divina.

A personalidade do Espírito Santo


Cristo se refere ao Espírito Santo como “outro Consolador”
(João 14:16). Mas é evidente que esse Consolador não somente
é uma influência consoladora, pois Cristo disse: “Quando vier
aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade”
(João 16:13). O Espírito Santo, sendo o próprio Deus (leia Atos
5:3–4), nos guia na verdade. Ele também ensina (leia João 14:26)
e dá testemunho da verdade (leia João 15:26) como parte das obras
que mostram a sua personalidade.

61
A doutrina de Deus

A obra do Espírito Santo

1. Ele inspirou as Escrituras


“Os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito
Santo” (2 Pedro 1:21). A Bíblia inteira foi dada por inspiração de
Deus (leia 2 Timóteo 3:16). Deus derramou seu Espírito nas almas
dos homens que foram eleitos para escrever a Bíblia, dando-nos
assim a revelação divina.

2. Ele regenera o crente


Como Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, assim também
tem que ser cada filho de Deus que será herdeiro do reino do
céu. Nascidos “do Espírito” (João 3:5) é a maneira em que Jesus
descreve a relação entre o Espírito Santo e os filhos de Deus. “O
espírito é o que vivifica” (João 6:63). O Espírito Santo, que operou
juntamente com o Pai e o Filho na criação (leia Gênesis 1:1–3),
ainda está operando, trazendo vida aos mortos e transformando
o vil pecador em um “novo homem, que segundo Deus é criado
em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

3. Ele habita no crente


Se você é um filho de Deus, seu “corpo é o templo do Espírito
Santo” (1 Coríntios 6:19). No dia de Pentecostes os discípulos
“foram cheios do Espírito Santo” (Atos 2:4). Em outras ocasiões
o livro dos Atos relata como os crentes estavam cheios do Espí-
rito Santo. Paulo escreveu aos coríntios: “Não sabeis vós que
sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”
(1 Coríntios 3:16).

4. Ele enche o coração do crente com o amor de


Deus
“E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus
está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi
dado” (Romanos 5:5). João escreve a respeito deste amor dizendo:
“o perfeito amor lança fora o temor” (1 João 4:18).

62
D eus o E spírito S anto

5. Ele convence o mundo do pecado


“E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da
justiça e do juízo” (João 16:8). O pecador sob convicção sim-
plesmente sente o poder convincente do Espírito Santo que lhe
mostra a realidade de sua condição. Deus providenciou duas
coisas para trazer os pecadores ao arrependimento: (1) o Espírito
Santo que convence a pessoa de sua condição pecaminosa e (2) a
consciência com suas normas morais utilizadas pelo Espírito Santo
para compelir a pessoa a sujeitar-se a Cristo. Quando o Espírito
de Deus deixa de contender com os homens rebeldes (leia Gênesis
6:3) é evidência que o pecador endurecido tem “cauterizado” ou
queimado a sua consciência (leia 1 Timóteo 4:2).

6. Ele guia o seu povo


O Espírito Santo guiou Filipe a dirigir-se para o sul (leia Atos cap.
8). Ali ele entrou em contato com o eunuco etíope. O Espírito Santo
guiou a igreja de Antioquia para separar a Barnabé e a Saulo como
missionários para os gentios (leia Atos cap. 13). O Espírito Santo
impediu Paulo e seus colaboradores de pregarem na Ásia (leia Atos
cap. 16). O Espírito Santo guiará e dirigirá aqueles que andam “no
Espírito” o tempo todo. Normalmente ele não nos fala com uma voz
audível, mas nos relembra das verdades que já sabemos. Os pontos a
seguir nos mostram mais como o Espírito Santo nos guia.

7. Ele testifica do Filho e guia os crentes a toda a


verdade
“Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos
hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele
testificará de mim” (João 15:26). Ele “vos ensinará todas as coisas,
e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. (João 14:26).
“Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em
toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o
que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (João 16:13).
A unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, juntamente com
o evangelho de Cristo Jesus, é claramente demonstrada nestes ver-
sículos. Há pessoas que dizem ter recebido “revelações do Espírito

63
A doutrina de Deus

Santo”, as quais ensinam coisas diferentes do que ensina a Palavra


de Deus. Tais pretensões contradizem os versículos que acabamos
de citar. A Palavra de Deus e o Espírito Santo concordam em tudo,
porque Deus não pode contradizer a si mesmo.

8. Ele dá ao crente um discernimento espiritual


da Bíblia
Os próprios apóstolos não compreenderam todos os ensina-
mentos de Jesus a respeito de sua morte e ressurreição. Eles estavam
confusos mesmo depois que Cristo havia ressuscitado dos mortos,
e alguns duvidaram até no exato momento de sua ascensão (leia
Mateus 28:17). Eles, depois que haviam recebido o Espírito Santo
no dia de Pentecostes, entenderam e declararam as Escrituras
com claridade. Quando o Espírito de Deus ilumina o coração
do homem, a Palavra de Deus se converte numa mensagem clara.

9. Ele confirma os filhos de Deus


“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos
filhos de Deus” (Romanos 8:16). “Quem crê no Filho de Deus,
em si mesmo tem o testemunho” (1 João 5:10). O fruto do Espí-
rito dá testemunho de que o Espírito Santo habita na pessoa (leia
Gálatas 5:22–23).

10. Ele tem parte na santificação do crente


Os filhos de Deus são santificados “pelo Espírito Santo” (Roma-
nos 15:16). “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a
concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito,
e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para
que não façais as coisas que quereis” (Gálatas 5:16–17). O Espírito
Santo nos livra do domínio da carne.

11. Ele comissiona os crentes para o serviço


Cristo disse aos seus discípulos que deviam ficar na cidade de
Jerusalém até que fossem revestidos com poder do alto (leia Lucas
24:49). Esse poder veio no dia de Pentecostes quando todos foram
cheios do Espírito Santo e três mil almas foram convertidas e foram

64
D eus o E spírito S anto

batizadas. Como evidência do poder do Espírito Santo na pessoa,


note o serviço eficaz dos que são completamente consagrados e
que servem com o poder do Espírito Santo. Os homens comuns
que se consagram a Cristo são mais úteis ao Senhor do que os de
mais talentos naturais, porém de menos consagração. O poder que
provém da inteligência, as habilidades ou a personalidade pode ser
benéfico, mas não se compara com o poder do Espírito Santo na vida
do cristão que serve a Deus. É impossível viver uma vida vitoriosa e
ganhar almas para o Todo-poderoso sem o poder do Espírito Santo.

Emblemas ou símbolos
do Espírito Santo
Podemos conhecer melhor a natureza do Espírito Santo e apreciar
mais a sua obra ao observarmos seus símbolos que estão presentes
na Palavra de Deus. A seguir, salientamos alguns destes símbolos:
Ø Uma pomba (leia Mateus 3:16). Quando lemos que o Espí-
rito Santo desceu como uma pomba sobre a cabeça de nosso
bendito Senhor, pensamos no caráter pacífico e manso do
Espírito Santo. Ele não grita nas ruas, mas ao contrário, fala
ao coração com uma voz mansa e delicada, mas eficaz.
Ø Água (leia João 7:38–39). Este símbolo nos dá a ideia de que o
Espírito Santo refresca, dá vigor e purifica o coração humano.
O cristão o recebe livremente, podendo tê-lo em abundância.
Ø Fogo (leia Atos 2:3). O fogo nos dá a ideia de que o Espí-
rito Santo ilumina, purifica, aquece, penetra e investiga “as
profundezas de Deus” (1 Coríntios 2:9–10).
Ø Vento (leia Atos 2:2–4). O vento simboliza o grande poder
do Espírito Santo. Esse poder se manifesta na restauração
da vida e do serviço (leia Ezequiel 37:9–14).
Ø Línguas repartidas (leia Atos 2:2–11). Isso nos faz recordar
que o Espírito Santo fala em línguas para que todo povo em
toda região ou época, possa entender, contanto que tenham
fé em Deus e em nosso Senhor Jesus Cristo.

65
A doutrina de Deus

Esses símbolos esclarecem a personalidade do Espírito Santo para


os que escutam a sua voz e o recebem como o Espírito do Deus
vivente. Esses símbolos também nos mostram as características da
pessoa em quem mora o Espírito Santo.

A quem é dado o Espírito Santo


A Bíblia diz que o Espírito de Deus é dado:
Ø “Àqueles que lho pedirem” (Lucas 11:13).
Ø Aos crentes arrependidos (leia Atos 2:38).
Ø “Àqueles que lhe obedecem” (Atos 5:32).
Ø Aos que recebem a Cristo (leia Gálatas 3:5 e14).
Ainda que Deus dá o seu Espírito Santo de forma gratuita e
de boa vontade, existem requisitos que o homem tem que cum-
prir para poder recebê-lo, de maneira que sem esses, não poderá
tê-lo. Simão, o feiticeiro, estava disposto a pagar dinheiro para
receber o poder do Espírito Santo, mas Pedro o repreendeu nesse
momento dizendo-lhe que seu coração não era reto para com
Deus. Pedro disse que ele estava “em fel de amargura, e em laço
de iniquidade” (Atos 8:23). Deus deseja colocar em ordem a casa
para que seja a morada do Espírito Santo, mas o homem tem que
sujeitar a sua casa a Deus antes para que ele possa limpá-la (leia
Romanos 12:1–2).
Em poucas palavras, se cumprirmos as condições da salvação
nós também receberemos o dom do Espírito Santo (leia Atos 2:38).

O fruto do Espírito Santo


Talvez a obra mais visível do Espírito Santo é o seu fruto na
vida diária da pessoa. Isto é claramente observado no grande
contraste que encontramos em Gálatas 5:19–23. Primeiramente
nos é apresentada uma lista “das obras da carne”, e Paulo disse que
“os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”. Em
seguida nos dá uma lista do fruto do Espírito Santo. E nos informa
que “contra estas coisas não há lei”. Aqueles em quem mora o
Espírito de Deus mostram os seguintes frutos em sua vida cristã:

66
D eus o E spírito S anto

Ø Amor: “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos


do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a
seu irmão, não é de Deus” (1 João 3:10).
Ø Gozo: “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espí-
rito Santo” (Atos 13:52).
Ø Paz: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações” (Filipenses 4:7).
Ø Longanimidade: “Com longanimidade, suportando-vos
uns aos outros em amor” (Efésios 4:2).
Ø Benignidade: “Antes sede uns para com os outros benignos,
misericordiosos” (Efésios 4:32).
Ø Bondade: “Vós mesmos estais cheios de bondade” (Roma-
nos 15:14).
Ø Fé: “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé”
(1 João 5:4).
Ø Mansidão: “Bem-aventurados os mansos, porque eles her-
darão a terra” (Mateus 5:5).
Ø Temperança: “Todo aquele que luta de tudo se abstém”
(1 Coríntios 9:25).
Segundo a Bíblia, qualquer um que manifeste o fruto perfeito
do Espírito Santo em sua vida, tem o Consolador.

67
68
A Doutrina
Do HOMEM
Deus criou o homem à sua imagem e deu-lhe a capacidade de
raciocinar e de escolher a quem servir. Se escolher servir a Deus, as
virtudes de Deus se aperfeiçoam nele. Se escolher servir ao diabo,
ele se torna perverso e diabólico.
O homem tem uma dupla natureza, pois ele é carne e espírito.
Por um lado, ele é semelhante a Deus; e por outro lado, é como os
animais. O homem tem uma vontade igual a Deus. Ele também
tem um espírito que valoriza a comunhão espiritual e possui uma
alma que tem uma existência eterna. No entanto, assim como o
corpo dos animais adoece e morre, ocorre o mesmo com o corpo
do homem.
Quando comparamos o homem com Deus, percebemos que o
homem é inferior a Deus em tudo. Podemos definir esta diferença
da seguinte maneira: O homem é finito; Deus é infinito. Mesmo
que uma pessoa se converta ao Senhor sendo muito jovem e o siga
fielmente durante toda sua vida, isso não quer dizer que alcançará a
perfeição de Deus nessa vida. Não importa o quanto tenha crescido
espiritualmente, ainda tem espaço para crescimento.
Quando comparamos o homem com os animais, vemos que
os supera em inteligência, domínio e poder. Sua capacidade, seja
para o bem ou para o mal, ultrapassa a capacidade deles. Enquanto
os animais são governados por instinto, o homem pode racioci-
nar. Isso lhe proporciona um nível muito superior. Quando um
animal morre, resta somente a sua estrutura óssea que volta ao pó.
Quando uma pessoa morre, seu corpo volta ao pó enquanto que a
sua alma continua existindo para sempre. Não obstante, quando
o homem se submete ao domínio da carne, então ele cai numa
profundidade de depravação que é desconhecida entre os animais.
De modo que a pergunta prática com a qual nós frequente-
mente deparamos é: iremos nos arrastar como os animais no pó,
ou moraremos com Deus em lugares celestiais?

69
Capítulo 7
O homem
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o
criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1:27).
O salmista, meditando na bondade e misericórdia de Deus,
considerou a grande diferença entre o Deus infinito e o homem
finito. Então exclamou dizendo: “Que é o homem mortal para
que te lembres dele?” (Salmo 8:4).

O que é o homem?

1. O homem é uma imagem finita do Deus infinito


Depois que Deus criou todas as plantas e todos os animais, ainda
não existia uma criatura que tivesse a sua própria imagem. Portanto,
Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem” (Gênesis 1:26). O
homem, igual ao seu Criador cuja imagem ele leva, é um ser com-
posto. Quando Deus disse, “façamos”, ele se referiu à trindade: Pai,
Filho e Espírito Santo. O homem também é trino, pois tem “espírito,
alma e corpo” (1 Tessalonicenses 5:23). Deus deu ao homem uma
mente que o capacita para dominar a terra. Todos os atributos morais
de Deus (veja o capítulo 1), os quais Deus possui em perfeição, foram
dados ao homem até certo ponto. O homem, ainda que leve a imagem
de Deus, nunca pode ser igual a ele porque Deus é perfeito e infinito
em tudo, enquanto que o homem é imperfeito e finito.

2. O homem é diferente das outras criaturas da


criação
Deus criou o mundo para ser a habitação do homem (leia Isaías
45:18). Deus deu poder para o homem dominar sobre todos os

71
A Doutrina Do HOMEM

animais e plantas com o objetivo de que os utilizasse para suas


necessidades físicas. Somente o homem possui um espírito e pode
comunicar-se com seu Criador. Somente o homem será levado
desta terra para viver com Deus na eternidade.

3. O homem caído é a criatura mais vil da terra


Os animais do campo, as aves do céu e os peixes do mar, estão
cumprindo o propósito de Deus. Somente o homem traiu ao seu
Criador. Em vez de brilhar na imagem de Deus, o homem, por
meio do pecado, chega a pensar e a comportar-se pior do que os
animais. O homem, em seu estado caído, rejeita a Deus, blasfema
contra ele, lhe desagrada e se deleita no que Deus proíbe. Devido
a sua desobediência, o homem se converte num filho do diabo
(leia Jeremias 17:9; Romanos 1:18–22).

4. O homem é o objeto do amor divino


Quando pensamos no estado depravado do homem caído, e
em seguida no que Deus tem feito e está fazendo para o seu bem,
ficamos maravilhados com o salmista, dizendo: “Que é o homem
mortal para que te lembres dele?” (Salmo 8:4) Nisso se manifestam
a graça, a bondade maravilhosa e a infalível sabedoria de Deus.
O homem, mesmo sendo depravado, possui uma alma que Deus
quer salvar. Deus providenciou essa salvação enviando o seu Filho
ao mundo. O amor do pai pelo filho pródigo (leia Lucas cap. 15)
ao velar e almejar o regresso de seu filho rebelde é uma pequena
ilustração do amor do Pai celestial, para com as suas criaturas
caídas. Ele entregou o seu Filho unigênito como um sacrifício para
efetuar a redenção e a restauração do homem. Aqueles que são
sensíveis a essa graça maravilhosa, verdadeiramente podem dizer:
“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
(Leia também João 3:16–17; Romanos 5:1–8; 1 João cap. 3.)

5. O homem é o servo de Deus


No princípio Deus pôs o homem “no jardim do Éden para
o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15). Mesmo existindo muitos
homens infiéis que são servos voluntários do pecado, e não de

72
O homem

Deus, até certo ponto todos os homens são servos de Deus. Os


justos são servos de Deus de forma voluntária. Ao contrário, os
injustos se tornam servos involuntários de Deus quando ele vê
por bem utilizá-los para cumprir seus planos. Existem vários
exemplos na Bíblia que demonstram esse princípio: Faraó, a quem
Deus levantou para cumprir a sua promessa aos filhos de Israel;
Nabucodonosor, a quem Deus usou para castigar o povo de Israel
pela sua rebeldia; Ciro, a quem Deus usou como seu servo para
restaurar a Judá na terra prometida; e os homens que tiveram
parte na crucificação de Cristo “pelo determinado conselho e
presciência de Deus” (Atos 2:23). Todos esses homens foram servos
involuntários de Deus. Quer seja voluntária ou involuntariamente,
constante ou inconstantemente, todo homem é servo de Deus.
No entanto, o homem ímpio que serve involuntariamente, não
tem recompensa. Leia Atos 1:18–25, quanto ao fim de Judas.

O domínio do homem
Deus deu ao homem o domínio sobre toda a terra quando
disse: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e
dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre
todo animal que se move sobre a terra” (Gênesis 1:28). Esse
mandamento obriga o homem a:
Ø “Frutificai e multiplicai-vos”: Desde o princípio tem sido o
plano perfeito de Deus que os humanos se casem e criem
filhos. O homem não tinha que pecar para cumprir este
mandamento. Deus instituiu o matrimônio com o objetivo
que os filhos pudessem ser criados sob a proteção e a bênção
de um lar piedoso.
Ø “Enchei a terra, e sujeitai-a”: É evidente que na terra havia
algum trabalho para fazer e algum território que ocupar.
Lembre-se que existia somente uma família e um só jardim
onde habitar. Quão belo teria sido se toda a humanidade
tivesse permanecido fiel a Deus! Então toda a terra com o
tempo teria sido um maravilhoso paraíso de Deus; um lugar
onde o homem teria vivido em perfeita felicidade e tudo

73
A Doutrina Do HOMEM

estaria sujeito a ele. Mas como Satanás levou o homem a


pecar, essa sujeição nunca se realizou completamente.
Ø “Dominai sobre os peixes… e as aves… e sobre todo o
animal”: Deus entregou os animais ao domínio do homem.
Adão deu nome a todos. O domínio traz consigo a respon-
sabilidade da prestação de contas. Deus quer que o homem
faça uso da criação para suprir as suas necessidades físicas,
mas não quer que ele abuse dela. A ideia de que o homem
deve tratar os animais de igual para igual, entra em choque
com esse mandamento.
Portanto, Deus fez provisões para a felicidade e o bem-estar
do homem na criação. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e
eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). Assim foi até o dia em
que o tentador tentou o homem, e esse pecou. A vida do homem
mudou completamente por não permanecer fiel ao plano de Deus
para a sua vida.

74
Capítulo 8
Um quadro
histórico do homem
O Deus que fez o mundo e tudo que nele há… E de um só
sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda
a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados,
e os limites da sua habitação (Atos 17:24 e 26).
Muitos homens explicam a história do homem na terra,
começando com uma célula que evoluiu através dos séculos até
se transformar no homem que conhecemos hoje. Mas Deus nos
deu uma informação mais direta e confiável nas Sagradas Escri-
turas. O próprio Criador que deu a lei revelou a Moisés que “no
princípio criou Deus os céus e a terra”. Ele revelou a Moisés qual
era a história do homem desde o tempo da criação de Adão até
o tempo em que vivia. Moisés escreveu essas coisas num livro, o
qual conhecemos hoje como o livro de Gênesis. Gênesis é o único
registro confiável da história da origem do homem.

O homem, tal como Deus o criou


A Bíblia descreve a criação do homem da seguinte forma:
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos
céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se
move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem
de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1:26–27).

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou


em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma
vivente… E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem

75
A Doutrina Do HOMEM

esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele… Então


o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este
adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em
seu lugar. E da costela que o Senhor Deus tomou do homem,
formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta
é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será
chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto
deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua
mulher, e serão ambos uma carne. (Gênesis 2:7, 18 e 21–24).
Aqui foi empregada uma linguagem simples e fácil de entender.
Dos primeiros capítulos de Gênesis obtemos as seguintes informa-
ções quanto ao estado do homem tal como Deus o criou:
Ø Ele levou a imagem de Deus (veja o capítulo 7 deste livro).
Ø Ele era inteligente, pois falava com Deus e foi capaz de dar
nomes a todos os animais.
Ø Ele era puro e santo, sem pecado, em comunhão com seu
Criador.
Ø Ele era digno de confiança; pois foi-lhe dada a responsa-
bilidade de cuidar do jardim e dominar sobre toda a terra.
Ø Ele recebeu “o fôlego da vida” pelo sopro de Deus. Isso
implica em que: (1) A vida nele refletia a vida de Deus. (2)
Ele não estava sujeito à morte. A advertência: “no dia em
que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:17), não
tinha valor se nesse tempo a morte já reinava em seu corpo
e alma. De fato, compreendemos que a morte descrita aqui
se referia tanto à morte espiritual como também à física.
(Compare Gênesis 3:22–24 com Romanos 5:12–19.) Até
então, o homem era uma alma vivente com a capacidade de
viver eternamente.
Esse é um quadro lindo do homem em sua perfeição quando
este vivia no belo paraíso de Deus na terra.

76
Um quadro histórico do homem

A queda do homem
Mas Satanás entrou no lar feliz do homem. Adão e Eva caíram
em desobediência e o homem perdeu o seu primeiro estado. A
história de sua vergonhosa queda é relatada assim:
Ora, a serpente era mais astuta que todos os animais do campo
que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim
que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse
a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,
mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus:
Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então
a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque
Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos
olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher
que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos,
e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e
comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então
foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam
nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E
ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela
viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença
do Senhor Deus, entre as árvores do jardim (Gênesis 3:1–8).
A queda do homem mudou a natureza da raça humana. Mas
Deus previu esse evento e fez provisões para redimir o homem de seu
estado caído (1 Pedro 1:20). A história bíblica da queda do homem
não encaixa com a teoria da evolução. O homem agora é mais
depravado do que nunca em vez de ser mais inteligente e refinado.

A família de Adão
Depois disso, a história da família de Adão se refere ao homem
caído em vez de referir-se à história do homem no paraíso de
Deus. Adão, como também o resto da humanidade, estava sujeito
à enfermidade, dor e morte. Sabemos os nomes de três dos filhos
de Adão: Caim, Abel e Sete. Supõe-se que Adão teve mais filhos
devido à escritura que relata que Adão “gerou filhos e filhas”
(Gênesis 5:4). A carga do pecado recaiu sobre Adão e sua família.
Caim, o primogênito, chegou a ser homicida. Abel foi assassinado
e Deus deu a Adão outro filho: Sete.

77
A Doutrina Do HOMEM

O incrédulo pergunta: “De onde veio a esposa de Caim?”. A


esposa de Caim era sua irmã ou sua sobrinha.

A idade da raça humana


Sabemos da idade aproximada do homem através de duas
genealogias que se encontram nos capítulos 5 e 11 de Gênesis. A
primeira oferece a quantidade de anos desde a criação de Adão
até o nascimento dos filhos de Noé e a segunda mostra quantos
anos passaram desde o dilúvio até Abraão. Desde aquele tempo
até os nossos dias, há suficiente história contemporânea entre as
diferentes nações por meio das quais podemos calcular o tempo
aproximado desde a criação do homem. Calcula-se que o tempo
desde a criação de Adão até o nascimento de Cristo, foi aproxi-
madamente de 4.000 anos. Existe certa variação nos cálculos de
diferentes pessoas, mas não algo que impeça de se chegar à con-
clusão que, se Adão estivesse vivo hoje, teria aproximadamente
6.000 anos.

O dilúvio
Com o passar dos séculos a maldade da humanidade aumentou.
Entre os descendentes de Caim encontramos o pai dos que criavam
gado (Jabal) e o grande ferreiro (Tubalcaim). Com o passar do tempo,
as condições prevalecentes precipitaram o juízo do Todo-poderoso.
“Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a
terra” (Gênesis 6:6). O que havia acontecido? Entre outras coisas,
houve casamentos entre os filhos de Deus e as filhas dos homens. E
como nasceram gigantes desses matrimônios ímpios e “homens de
fama”, por fim Deus viu que “a maldade do homem se multiplicara
sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração
era só má continuamente”, então ele disse: “Destruirei o homem que
criei de sobre a face da terra” (Gênesis 6:5 e 7).
Mas Noé achou graça aos olhos do Senhor e por meio dele Deus
preservou a raça humana. Deus ordenou a Noé que construísse
uma arca na qual pudessem entrar os justos entre os homens e um
número limitado de toda espécie animal. Ali encontrariam refúgio
enquanto a terra estivesse sendo destruída por um grande dilúvio.

78
Um quadro histórico do homem

Noé fez o que Deus lhe ordenou. Mas houve apenas oito almas
que entraram na arca no dia marcado: Noé e a sua esposa, seus
três filhos e suas esposas. Deus fechou a porta da arca. As fontes
do abismo se rebentaram e foram abertas as comportas do céu
acima. Choveu intensamente por quarenta dias e quarenta noites
até que a face da terra foi coberta com água. Todas as pessoas que
estavam fora da arca pereceram. Depois do dilúvio, a arca repousou
sobre os montes de Ararate. Então Noé e sua família saíram da
arca depois de passarem mais de um ano dentro dela.
No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete
dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do
grande abismo, e as janelas dos céus se abriram, e houve chuva
sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. E no mesmo dia
entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cão e Jafé, sua mulher e
as mulheres de seus filhos. Eles, e todo o animal conforme a sua
espécie, e todo o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil que se
arrasta sobre a terra conforme a sua espécie, e toda a ave conforme
a sua espécie, pássaros de toda qualidade. E de toda a carne, em
que havia espírito de vida, entraram de dois em dois para junto
de Noé na arca. E os que entraram eram macho e fêmea de toda a
carne, como Deus lhe tinha ordenado; e o Senhor o fechou dentro.
E durou o dilúvio quarenta dias sobre a terra, e cresceram as águas
e levantaram a arca, e ela se elevou sobre a terra. E prevaleceram
as águas e cresceram grandemente sobre a terra; e a arca andava
sobre a face das águas. E as águas prevaleceram excessivamente sobre
a terra; e todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu,
foram cobertos. Quinze côvados acima prevaleceram as águas; e os
montes foram cobertos. E expirou toda a carne que se movia sobre
a terra, tanto de ave como de gado e de feras, e de todo o réptil que
se arrasta sobre a terra, e todo o homem. Tudo o que tinha fôlego
de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca,
morreu. Assim foi destruído todo o ser vivente que havia sobre a
face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à
ave dos céus; e foram extintos da terra; e ficou somente Noé, e os
que com ele estavam na arca (Gênesis 7:11–23).
Pela linguagem clara que é empregada na Bíblia, é evidente
que o dilúvio foi universal e que cobriu toda a terra. A Escritura
não admite nenhuma outra interpretação.

79
A Doutrina Do HOMEM

Também há evidências extrabíblicas que demonstram que


houve um dilúvio universal:
Ø As nações do Oriente possuem um relato tradicional a respeito
de um dilúvio que transmitem de geração em geração e que
finalmente veio fazer parte de sua literatura. Algumas das tribos
indígenas da América também têm uma lenda semelhante.
Ø Existem lugares muito distantes do mar onde foram des-
cobertos muitos fósseis de plantas e animais aquáticos. Isto
demonstra que em algum tempo esses lugares estiveram
debaixo da água.

A dispersão do homem
através da confusão de línguas
Ao sair da arca, Noé edificou um altar, fez um sacrifício e
adorou a Deus. Mesmo que Noé havia achado graça aos olhos
de Deus, não demorou muito tempo depois do dilúvio para ficar
evidente que ele e sua descendência ainda eram filhos de Adão e
que o dilúvio não havia extinguido a natureza pecaminosa que é
transmitida de geração a geração (leia Gênesis 9:20–27).
À medida que a humanidade foi se multiplicando novamente, a
sua maldade foi se manifestando mais e mais. Vejamos a narração
bíblica destes fatos:
E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala.
E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale
na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros:
Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por
pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia, edifiquemos nós
uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-
nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face
de toda a terra. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a
torre que os filhos dos homens edificavam; E o Senhor disse:
Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o
que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo
o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali
a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.
Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra;
e cessaram de edificar a cidade (Gênesis 11:1–8).

80
Um quadro histórico do homem

Ninguém sabe o lugar exato em que foi iniciada a construção


da torre de Babel. Mas de acordo com a tradição judaica, teria
sido na Babilônia, uma cidade em Sinar.
A partir desse tempo, a história do homem se compõe da história
de muitas nações. Não existem muitos escritos a respeito da história
das nações durante os primeiros cem anos depois da dispersão. Mas
sabe-se o suficiente para concluir que a maior parte dos descenden-
tes de Sem permaneceram na Ásia, os descendentes de Jafé deram
origem às principais tribos e nações da Europa e os descendentes
de Cão tornaram-se os povos predominantes da África.

A aliança de Deus com Abraão


Mesmo sendo confundido em seus desígnios e dispersado
sobre a face de toda a terra, o homem não se arrependeu de seus
caminhos pecaminosos. Ao contrário, a maldade do homem con-
tinuou aumentando. Então Deus revelou o seu plano para lidar
com o homem pecaminoso. Ele chamou a Abraão, um cidadão
de Ur dos Caldeus, para transformá-lo em cabeça de uma nação
escolhida. Deus disse a respeito de seu servo Abraão: “Porque eu
o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à
sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor,
para agir com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre
Abraão o que acerca dele tem falado” (Gênesis 18:19).
Na margem leste do Mar Mediterrâneo havia uma porção
de terra boa habitada pelos descendentes de Canaã, filho de
Cão. Deus prometeu essa terra, conhecida então como a terra
de Canaã e hoje como Palestina, a Abraão dizendo-lhe: “E far-
-te-ei uma grande nação… À tua descendência darei esta terra”
(Gênesis 12:2 e 7).
Deus confirmou essa promessa várias vezes. A parte mais pre-
ciosa da aliança foi a promessa da vinda de Cristo, à qual Deus
se referiu quando disse a Abraão: “E em tua descendência serão
benditas todas as nações da terra” (Gênesis 22:18; Atos 3:25).
Abraão obedeceu à voz de Deus, mas durante a sua vida não viu
cumpridas todas as suas promessas. Ele morava em tendas e ainda
que Deus o abençoasse materialmente, Abraão continuou crendo

81
A Doutrina Do HOMEM

nas promessas de Deus por meio da fé. Abraão acreditou fielmente


e hoje é conhecido como “o pai da fé”.
Quando Abraão morreu, ele não tinha muitos descendentes.
Mas nos dias de seu neto Jacó, cujo nome Deus mudou para Israel,
a família já contava com setenta pessoas. Eles emigraram para o Egito
durante um tempo de fome generalizada. Ali Israel transformou-se
numa grande nação. Inicialmente experimentaram as bênçãos de
Deus sob a direção de José, mas posteriormente a escravidão, sob a
opressão de um novo rei (leia Êxodo caps. 1–12). Depois de muitos
anos de escravidão, os filhos de Israel, sob a direção de Moisés, foram
libertados do Egito e começaram a sua viagem para a terra prometida
(leia Êxodo 12:41).

A lei
Essa peregrinação do povo de Israel pelo deserto durou 40 anos.
Enquanto Israel viajava, Deus apareceu a Moisés no Monte Sinai
e deu-lhe a lei. Os israelitas receberam os dez mandamentos que
foram escritos com o dedo de Deus sobre duas tábuas de pedra
(leia Êxodo 31:18). Deus também deu-lhes a lei levítica. Essa
lei vigorou como a lei de Deus para o seu povo durante o resto
da época do Antigo Testamento. Sua vigência durou até Cristo,
porque ele se converteu no cumprimento da lei.
O poder da nação de Israel alcançou o seu auge nos dias de
Davi e Salomão. Posteriormente o reino foi dividido entre o reino
do norte e o reino do sul. Com o passar do tempo caiu o reino do
norte e depois o reino do sul e o povo foi levado cativo. Mas a lei
ainda estava em vigor: o sacerdócio continuou, a adoração nacional
dos judeus se manteve, alguns prosélitos foram ganhos de outros
povos. Nos tempos de Cristo a adoração nas sinagogas já havia sido
estabelecida em muitas cidades na Palestina assim como também
em outros países.
Durante esse tempo floresceram outras nações. Caldeia, Assíria,
Egito, Pérsia, Fenícia, Grécia e Roma; cada uma prosperou gran-
demente em sua época e cada uma caiu ao ser conquistada pelos
seus inimigos. Em cada caso, a sua própria condição pecaminosa
foi a causa da sua queda. No tempo de Cristo, a Palestina estava

82
Um quadro histórico do homem

sob o domínio dos romanos. Aproximadamente quarenta anos


após a crucificação do Senhor Jesus Cristo, Jerusalém foi comple-
tamente destruída por Tito, o general romano. A partir de então
os judeus tornaram-se estrangeiros dispersos entre as nações por
mais de 1.800 anos.

O cristianismo
A data “2009 A.D.” quer dizer que faz 2.009 anos que o anun-
ciado Messias apareceu na terra. O cetro de favor divino passou de
Judá para Cristo, da lei do judaísmo para a lei do evangelho, que
é o cristianismo. Dai em diante, a história de Deus e o seu povo
está contida na história da igreja cristã. João o Batista, precursor
de Cristo, foi o servo de Deus que introduziu a transição da antiga
para a nova aliança. Em seguida, apareceu Jesus Cristo, o Messias.
Ele escolheu os seus discípulos, estabeleceu a sua igreja, selou a
nova aliança com seu sangue, ressuscitou do sepulcro, ascendeu à
glória, enviou o Espírito Santo e deu poder à igreja para servir ao
seu povo. Em poucos séculos o cristianismo transformou-se numa
influência poderosa no mundo. Deus preservou essa influência
até o dia de hoje.
Ainda que na atualidade muitas nações são ricas e poderosas,
elas ainda seguem as pisadas das nações antigas quanto à maldade
e o pecado. Em nossos dias há uma decadência moral que tem
conduzido a maioria das nações para a beira da ruína, enquanto
se ouve de “guerras e rumores de guerras” por todos os lados.
Como nos dias de Noé, são muitos os casamentos entre crentes e
incrédulos. As profecias e os sinais descritos em Mateus cap. 24
e em outras escrituras, estão se cumprindo.
No meio de tudo isto, a igreja tem uma mensagem: a mensagem
da salvação, o evangelho de Jesus Cristo, o qual deve ser pregado
a todas as nações.

83
Capítulo 9
O homem em
seu estado caído
Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que
entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se
extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem
faça o bem, não há nem um só… Porque todos pecaram e
destituídos estão da glória de Deus (Romanos 3:10–12 e 23).

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso;


quem o conhecerá? (Jeremias 17:9).
Tente imaginar a pureza e a felicidade do homem em seu primeiro
estado no jardim do Éden. Agora, compare essa cena com o homem
pecaminoso, depravado e infeliz da atualidade e você compreenderá,
pelo menos em parte, o que o homem perdeu na sua queda.
É necessário estudar a depravação e o infortúnio do homem
caído para poder entender a grandeza da bondade e do amor
compassivo de Deus. Somente esse grande amor de Deus pôde
reconciliar-nos com ele.
Satanás apresentou-se no jardim do Éden e disse: “É assim
que Deus disse?… Não morrereis. Porque Deus sabe que… sereis
como Deus” (Gênesis 3:1–5). Dessa maneira, a serpente utilizou a
sua astúcia para chamar a atenção dos olhos e da alma da vítima.
Analisemos como a mulher respondeu a tentação do diabo.

A queda do homem

1. O descuido
Ao prestar atenção às palavras do diabo (leia Gênesis 3:2),
Eva esqueceu-se da veracidade e bondade de Deus, e das bênçãos

85
A Doutrina Do HOMEM

maravilhosas das quais desfrutava. Ela escutou o inimigo de Deus.


Este foi seu primeiro erro.

2. A incredulidade
Eva duvidou do que Deus disse (Gênesis 3:6). Ela não teria
acreditado nas palavras do diabo, “não morrereis”, se não tivesse
duvidado do que Deus havia dito: “morrerás”. Se a mulher não
tivesse transferido a sua fé e confiança de Deus a Satanás, ela não
teria cobiçado o fruto daquela árvore. E se ela tivesse acreditado em
Deus, então a ávore proibida não teria parecido “boa para se comer”,
nem “agradável aos olhos”, nem “desejável para dar entendimento”.

3. A cobiça
Eva desejou ser igual a Deus. Da incredulidade nasceu a cobiça.
Depois que Eva se esqueceu da bondade e do amor de Deus, a
cobiça apoderou-se dela. Eva gozava de melhores coisas do que
aquelas que o tentador podia oferecer-lhe, mas a cobiça a cegou
e levou-a a ilusões vãs.

4. A desobediência
A cobiça, unida à cegueira espiritual, impulsionou Eva a
estender a mão para colher o fruto proibido (leia Gênesis 3:6). Ela
desobedeceu, e por causa da sua desobediência e a de seu marido
“entrou o pecado no mundo” (Romanos 5:12).

5. A morte (Gênesis 3:3)


Deus havia advertido a Adão e Eva: “Não comereis [do fruto]…
para que não morrais” (Gênesis 3:3). A desobediência trouxe
a morte. “O pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago
1:15). Adão e Eva já estavam mortos espiritualmente. O fato de
Deus impedir que o homem comesse da árvore da vida e vivesse
para sempre em seu estado pecaminoso, confirma que a morte
física entrou também (leia Gênesis 3:23–24). O homem assim
transformou-se num ser mortal.
Nessa primeira transgressão temos uma descrição do que ocorre
cada vez que um ser humano, tentado a afastar-se de Deus, cede

86
O homem em seu estado caído

à tentação e cai em pecado. João fala da tentação como sendo “a


concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, e a soberba
da vida” (1 João 2:16). Essas três coisas correspondem com o que
Eva viu (ou imaginou que viu): “boa para se comer… agradável aos
olhos… desejável para dar entendimento”. Essas coisas também
apareceram quando o diabo procurou destruir o Filho de Deus na
tentação no deserto (leia Mateus 4:1–11). A diferença entre Eva e
Cristo foi que Eva cedeu; enquanto que Cristo venceu. Quando
o tentador se apresenta, não existe outro lugar de segurança para
nós, senão somente ao pé da cruz de Cristo.

A condição do homem caído

1. Está morto espiritualmente


Paulo descreve o estado do homem caído assim: “Mortos em
ofensas e pecados” (Efésios 2:1). Outra vez ele escreveu a Timó-
teo (e a nós): “Mas a que vive em deleites, vivendo está morta”
(1 Timóteo 5:6). “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23),
é uma advertência séria que todos devem lembrar.

2. É um filho do diabo
Paulo dirigiu-se a Elimas como “filho do diabo” quando ele se
opôs à obra do Senhor (Atos 13:10). Cristo repreendeu os fariseus
de forma semelhante quando os admoestou, dizendo: “Vós tendes
por pai ao diabo” (João 8:44). Quando o homem se afasta de
Deus, transforma-se em filho do diabo.

3. Tem uma mente rebelde


“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois
não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto,
os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:7–8).
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito
de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las,
porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). Esses
versículos mostram por que o pecador sempre tem uma mente
desobediente e rebelde.

87
A Doutrina Do HOMEM

4. Tem um coração mau


“Coração mau e infiel” (Hebreus 3:12) é outra maneira de
dizer que “enganoso é o coração, [do homem caído] mais do
que todas as coisas, e perverso”. (Leia também Marcos 7:21–22;
Romanos 7:18.) A única maneira de livrar-se deste coração mau, é
submeter-se a Deus, receber Jesus Cristo como Salvador e Senhor,
converter-se e permitir que ele substitua o coração mau com “um
coração novo e um espírito novo” (Ezequiel 18:31).

5. É uma criatura corrompida


“Nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu
entendimento e consciência estão contaminados” (Tito 1:15).
Esse versículo descreve a total depravação do homem. Não é de
admirar que Paulo escreveu que “em mim, isto é, na minha carne,
não habita bem algum” (Romanos 7:18). Não existe “um homem
bom” a não ser em Cristo; porque “todas as nossas justiças [são]
como trapo da imundícia” (Isaías 64:6).

6. É servo do diabo
Eles são oprimidos pelos “laços do diabo, em que à vontade
dele estão presos” (2 Timóteo 2:26). Cristo veio para livrar “todos
os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à
servidão” (Hebreus 2:15). “A servidão da corrupção” (Romanos
8:21) é outra maneira de descrever a mesma verdade. Aqueles
que pensam estar em liberdade por ignorar a salvação de Deus e
a reconciliação com ele, estão na pior escravidão imaginável. O
homem não conhece a liberdade verdadeira, senão pela liberdade
em Jesus Cristo.

7. É filho da ira
“Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos
da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e
éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Efé-
sios 2:3). “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me
concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). Os homens nesse estado não
enxergam a ira que os aguarda, pois estão cegos espiritualmente.

88
O homem em seu estado caído

8. Está sob condenação


“Quem não crê já está condenado… E a condenação é esta… os
homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras
eram más” (João 3:18–19). “Quando se manifestar o Senhor Jesus
desde o céu com os anjos do seu poder, com labareda de fogo,
tomando vingança dos que não conhecem a Deus… padecerão
eterna perdição” (2 Tessalonicenses 1:7–9), então “os ímpios serão
lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus”
(Salmo 9:17). Notemos que a condenação já existe nessa vida e a
consumação dela virá na eternidade.

9. Está sem esperança


“Estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e
sem Deus no mundo” (Efésios 2:12), é assim que Paulo des-
creve os que estão fora de Cristo. Muitas vezes lemos ou ficamos
sabendo de homens que são sepultados entre os escombros após
um terremoto, vivendo ali durante alguns dias ou semanas antes
de serem resgatados. Às vezes morrem antes que chegue alguém
para salvá-los. Assim é a alma perdida, presa ao pecado. Como é
triste quando as almas cegadas pelo pecado recusam-se a receber
a ajuda de Jesus Cristo, o grande Libertador! Aquele que recusa
a libertação da escravidão pecaminosa nesta vida será lançado na
escravidão do lago de fogo onde estará por toda a eternidade, sem
esperança de libertação.
Todas essas descrições bíblicas do homem caído são confirma-
das pelo que se vê na vida dos pecadores.

O homem “bom”
necessita da salvação
Os incrédulos às vezes justificam-se dizendo que são pessoas
“boas”. Levam uma vida limpa, jactando-se de que não têm vícios,
muitas vezes comparando-se com membros da igreja para mostra-
rem-se bons. Mas Isaías disse que tal “justiça” é como “trapo da
imundícia”. Cristo comparou o pobre pecador com o fariseu que
justificou a si mesmo, e disse que o primeiro foi “justificado… e

89
A Doutrina Do HOMEM

não aquele” (Lucas 18:14). O inferno não é somente para os maus,


mas também para todos os que “se esquecem de Deus” (Salmo
9:17). A ira eterna de Deus está contra os “que não conhecem
a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor
Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 1:8). O homem vil e o homem
“bom”, estão em um mesmo nível diante de Deus. Ambos podem
ser salvos somente pela graça de Deus, por meio dos méritos do
sangue de Jesus Cristo.

A faísca de vida
Esta não é a mesma “faísca de divindade” que alguns pensam
existir em cada alma. Todas as almas sem salvação estão comple-
tamente mortas em delitos e pecados, depravadas e corrompidas,
sem esperança e sem Deus no mundo. No entanto, há algo em
todo homem que é capaz de responder à bondade e a graça de
Deus; igual Eva, que mesmo sendo perfeita e sem pecado, tinha
algo dentro de si com o qual prestou atenção ao diabo e cobiçou o
que lhe foi oferecido. Da mesma forma, a alma, mesmo que morta
em delitos e pecados, tem algo dentro de si que ouve a Deus e pode
escolher servi-lo. Sim, “vem a hora, e agora é, em que os mortos
ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (João
5:25). Em cada ser humano há uma consciência que Deus pode
tocar. É precisamente essa consciência que o Espírito Santo toca
para convencer os pecadores de que eles necessitam arrepender-se
de seus pecados. Sabendo que a graça de Deus pode alcançar o
pecador mais duro, admoestamos a cada um, como diz a Bíblia:
“se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações”
(Hebreus 3:7–8).

90
10
Capítulo

O homem remido
Cristo nos resgatou da maldição da lei (Gálatas 3:13).
O estudo do homem inclui três pontos: (1) o estado do homem
quando Deus o criou; (2) o estado do homem no pecado e (3) o
estado do homem remido. Já estudamos os dois primeiros, agora
vamos estudar, brevemente, o terceiro.
Quando Deus mostrou a Adão os resultados do pecado
também prometeu o Redentor (leia Gênesis 3:15). Nesse capítulo
estaremos olhando apenas o assunto do homem já em seu estado
remido. O tema da redenção será considerado mais a fundo no
capítulo 25.
O homem remido, igual ao homem em seu estado original,
goza de comunhão com Deus. Mas há uma diferença entre o
homem remido e Adão antes da queda: O homem remido se
defronta com as debilidades da carne que Adão não teve antes de
sua queda. Ele continuará com debilidades até que morra, até que
Deus chame para si mesmo a sua alma remida.
Ao comparar o homem remido com o incrédulo, perceberemos
que ambos têm algo em comum: Ambos têm debilidades huma-
nas e têm uma natureza pecaminosa. A carne domina o homem
natural, enquanto que o homem remido domina a carne. Aquele
anda “segundo a carne”; esse “segundo o Espírito” (Romanos 8:1).
Aquele está morto espiritualmente; esse vive espiritualmente.
Aquele é vencido pelo mal; esse vence o mal com o bem (leia
Romanos 12:21). Aquele está no caminho largo da perdição; esse
no caminho apertado da vida eterna.
O homem remido e restaurado por Deus:

91
A Doutrina Do HOMEM

1. É um filho de Deus
Em seu estado caído, o homem era “filho do diabo” (Atos
13:10; João 8:44). No entanto, tendo sido ressuscitado da morte
para a vida e tendo saído das trevas para a luz, o homem remido
renasceu e pertence à família de Deus.

2. Tem que lutar contra o pecado, a


enfermidade, a dor e a morte
Os resultados do pecado ainda manifestam-se pelas debilidades
da carne, mesmo que a alma seja salva. Portanto, há uma luta
em nosso corpo. “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o
Espírito contra a carne” (Gálatas 5:17). Por isso, devemos lutar
constantemente, como Paulo disse: “Subjugo o meu corpo, e o
reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não
venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Coríntios 9:27).
Mesmo quando está sujeito a Deus, o homem remido tem que
pagar em parte o salário do pecado, sofrendo dores e finalmente a
morte. O corpo é a nossa herança de Adão e o homem não pode
livrar-se dele até que volte ao pó (leia Eclesiastes 12:1–7).

3. Tem acesso ao Pai


Esse acesso o pecador não possui. Na verdade existe para ele um
convite cheio de misericórdia: “Olhai para mim, e sereis salvos,
vós, todos os termos da terra” (Isaías 45:22). Mas “o que desvia
os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável”
(Provérbios 28:9). A condição é: “Ouvi, e a vossa alma viverá”
(Isaías 55:3). A qualquer hora do dia os filhos de Deus têm acesso
ao Pai, que com terna misericórdia e bondade ouve as suas orações
e as atende conforme a sua sabedoria infalível. Certamente o filho
de Deus pode dizer: “E a nossa comunhão é com o Pai, e com seu
Filho Jesus Cristo” (1 João 1:3).

4. Tem um advogado celestial


“Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus
Cristo, o justo” (1 João 2:1). Ele conhece a nossa debilidade e
intercede por nós junto ao Pai quando somos tentados. Quando

92
O homem remido

temos Cristo como nosso Advogado, não há nada que temer


(Hebreus 4:15–16).

5. É templo do Espírito Santo


“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo,
que habita em vós” (1 Coríntios 6:19). A Bíblia se refere várias
vezes aos filhos de Deus, seja de maneira individual ou coletiva,
como “o templo de Deus”. Ser a morada do Deus Altíssimo é o
desejo mais sublime do cristão enquanto estiver aqui na terra.
Nosso dever é manter o nosso coração numa condição reta para
ter a presença permanente desse hóspede celestial.

6. É co-herdeiro com Cristo


A Bíblia diz que os filhos de Deus são “herdeiros de Deus”
(Romanos 8:17); os que “hão de herdar a salvação” (Hebreus
1:14); “herdeiros da promessa” (Hebreus 6:17); “herdeiro da
justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11:7) e “herdeiros do reino”
(Tiago 2:5). Paulo resume tudo quando diz que os filhos de Deus
são “co-herdeiros de Cristo” (Romanos 8:17).

7. Tem esperança para o futuro


Depois que os dois homens vestidos de branco disseram que
Jesus viria outra vez (Atos 1:11), os discípulos recordaram que o
seu Senhor havia lhes dito que deveriam esperar em Jerusalém até
receber poder. Então voltaram para essa cidade e perseveraram
constantemente em oração e adoração até que veio o Espírito Santo.
Sua fé e sua esperança foram recompensadas. Da mesma forma será
recompensado cada um que, vigiando constantemente e servindo
fielmente ao Senhor, espera a promessa da segunda vinda do Senhor
em sua glória. De modo que esperemos a sua volta, quando o desejo
ardente da criação será cumprido. “Não tendo esperança, e sem
Deus no mundo”, não foi escrito a respeito dos filhos de Deus.
Muito pelo contrário! A esperança da vinda do Senhor e da glória e
a alegria sem fim, devem comover a alma do crente. Ele tem alegria
em seu coração porque sabe que essa promessa é verdadeira: “Cristo
em vós, esperança da glória”.

93
A Doutrina Do HOMEM

8. Receberá a sua redenção eterna e completa


O filho de Deus espera alegremente a sua redenção eterna. Mas
as debilidades da carne lembram-no sempre que, enquanto estiver
aqui na terra não somente é herdeiro da glória, mas também é
filho da tristeza. Paulo expressou o sentimento de muitos soldados
de Cristo quando disse: “Porque também nós, os que estamos
neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos
ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido
pela vida” (2 Coríntios 5:4). Não se trata de não estarmos satis-
feitos ou de não querermos permanecer neste corpo até que a
nossa missão seja cumprida, mas que a esperança de uma glória
mais completa e rica, onde não se conhece debilidades humanas,
lágrimas e dores, nos impulsiona a exclamar como João: “Amém.
Ora, vem, Senhor Jesus”. Outra vez Paulo expressa os nossos sen-
timentos: “Mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito,
também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber,
a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23). Esta redenção será
aperfeiçoada na ressurreição quando Cristo voltar para os seus e
quando, com corpos glorificados, nos encontrarmos com ele nos
ares (leia 1 Tessalonicenses 4:16–18).

94
11
Capítulo

A morte
E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo
depois disso o juízo (Hebreus 9:27).

E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade,


e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-
se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a
tua vitória? (1 Coríntios 15:54–55).
Decidimos deixar para o final este tema no estudo do homem
mortal, visto que a morte é a passagem do tempo para a eternidade.

O que é a morte?

1. A morte é uma separação


A morte física ou natural é uma separação da alma e do corpo
(leia Gênesis 25:8; Eclesiastes 12:7). A morte espiritual ocorre
quando a alma se afasta de Deus nesta vida (Efésios 2:1  e 12;
1 Timóteo 5:6). A segunda morte é a separação eterna entre a alma
e seu Deus. A alma condenada estará no lago de fogo com o diabo
e seus anjos (Apocalipse 2:11; 21:8).

2. A morte é o salário do pecado


Deus plantou a árvore do conhecimento do bem e do mal no
meio do jardim do Éden e advertiu a Adão, dizendo: “no dia em
que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:17). Depois que
Adão pecou, então ouviu esta sentença: “Porquanto és pó e em pó te
tornarás” (Gênesis 3:19). Deus estabeleceu que “a alma que pecar, essa
morrerá” (Ezequiel 18:4). Paulo destacou este fato quando disse: “A

95
A Doutrina Do HOMEM

morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Roma-
nos 5:12). O pecado separa o homem de Deus e produz a morte.

3. A morte é um inimigo que, pela ressurreição de


Jesus, foi transformado em bênção
Aqui falamos exclusivamente da morte física. Foi um ato miseri-
cordioso de Deus retirar o homem do jardim do Éden para que não
comesse da árvore da vida e desta forma vivesse para sempre em seu
estado pecaminoso. Ainda que a morte seja “o último inimigo que
há de ser aniquilado” (1 Coríntios 15:26), através da morte e pela
ressurreição de Cristo sentimos que o aguilhão tem sido retirado de
nós. Por meio dele, a morte é a porta pela qual passamos deste mundo
pecaminoso para a vida gloriosa do mundo vindouro. Ao ver a morte
por todos os lados, lembramo-nos sempre da debilidade do homem
e da importância de estarmos prontos para este chamado de Deus.

4. A morte não é o fim da vida


Depois que a filha de Jairo havia morrido, Cristo disse: “Não
está morta, mas dorme” (Lucas 8:52). Sim, ela estava morta con-
forme os critérios humanos! No entanto, foi apenas um sono.
Neste caso, ela dormiu somente até que o Senhor a tocou. Mas,
se fosse permitido a ela dormir até a ressurreição, então o sono
não teria sido diferente do que foi naquele momento. Depois que
informaram a Cristo que deveria ir onde estava Lázaro, ele disse
aos discípulos: “Lázaro, o nosso amigo, dorme” (João 11:11). Mas
em seguida explicou, dizendo: “Lázaro está morto”. Quando a
morte atinge o corpo, este dorme até a hora da ressurreição. Então
se levantará ao chamado do Senhor. O fato de que a morte é um
dormir temporário, observa-se claramente na mensagem de Paulo
aos tessalonicenses (leia 1 Tessalonicenses 4:13–15).

O que a morte não é

1. Não é “o dormir da alma”


A ideia que a alma e o corpo vão ao sepulcro juntos, não
encontra seu apoio nas Escrituras. Deus diz que na morte “o

96
A morte

pó [volta] à terra, como o era, e o espírito [volta] a Deus, que o


deu” (Eclesiastes 12:7). Quando o mendigo Lázaro morreu “foi
levado pelos anjos para o seio de Abraão” (Lucas 16:22). Mesmo
sendo sepultado, o homem rico ergueu os seus olhos, “estando em
tormentos” (v. 23). Paulo consolou os tessalonicenses, dizendo:
“Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também
aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele”
(1 Tessalonicenses 4:14). Como poderia ele trazer consigo as almas
dos mortos se não estivessem com ele?

2. Não é a destruição completa da alma


A teoria da destruição da alma está fundamentada na crença
de que a alma não pode existir separada do corpo. Há quem diga:
“A morte significa morte e pronto, acabou”. Por um lado até que
tem razão, mas quando afirma que existe exclusivamente um tipo
de morte, vai contra as Escrituras. “És pó e em pó te tornarás”
(Gêneses 3:19), não se refere à alma. O que queria dizer Paulo
quando escreveu aos Efésios: “E vos vivificou, estando vós mortos”
(Efésios 2:1) ou quando escreveu a Timóteo: “Mas a que vive em
deleites, vivendo está morta” (1  Timóteo 5:6)? Por que Cristo
diria ao malfeitor na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”, se
não houvesse uma vida além do sepulcro? Não, a morte não é a
destruição da alma. O deixar de viver naturalmente, chamamos
de morte física. Ao contrário, quando deixamos de viver espiritu-
almente, isto é o que conhecemos como a morte espiritual. Tanto
os justos como também os ímpios existirão eternamente após a
morte física (leia Mateus 25:46).

O aguilhão da morte
O justo não teme o aguilhão da morte porque sabe que seus
pecados são perdoados. A morte física do justo liberta o espírito
para que volte a Deus. O corpo volta ao pó para esperar o chamado
de Deus no dia da ressurreição.
É bom lembrar que a morte física trará liberdade gloriosa
unicamente aos salvos em Cristo. Aos injustos lhes espera o castigo
eterno, mas os justos se consolam com a promessa da vida eterna.

97
A Doutrina Do HOMEM

O filho de Deus, olhando para além do rio da morte, se consola


com este pensamento: “Porque sabemos que, se a nossa casa terres-
tre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma
casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5:l). Para o
filho de Deus a morte significa a liberdade da alma. “Onde está, ó
morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?… Mas
graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo”
(1 Coríntios 15:55–57). Quando os nossos amados que morrem
no Senhor são colocados no sepulcro, nossos tristes corações se
consolam com a esperança de que nos encontraremos novamente
no lar celestial onde a morte não entrará jamais.

98
As Providências De
Deus Para O Homem
Os próximos oito capítulos desse livro tratam das providências
abundantes de Deus para a segurança, a felicidade e o bem-estar
da alma humana.
Depois da queda vergonhosa do homem no jardim do Éden,
Deus pela sua graça restaurou ao homem o favor divino, fazendo
providências para a nossa redenção ao dar-nos o seu Filho uni-
gênito.
Deus nos revelou verdades quanto ao passado, o presente e o
futuro que jamais teríamos entendido por nós mesmos.
Deus instituiu o lar. É no lar que os filhos devem passar os seus
anos formativos, sendo educados, protegidos e instruídos para servir
e preparados para enfrentar os problemas da vida.
O Senhor estabeleceu a igreja onde o povo de Deus pode
desfrutar da comunhão uns com os outros. Como povo de Deus
podemos fortalecer-nos na fé, servir uns aos outros e unir nossos
esforços a fim de ganhar os perdidos para Deus.
Deus estabeleceu o governo civil para manter a ordem civil da
sociedade, enquanto que os filhos de Deus, como estrangeiros e
peregrinos, caminham para uma cidade cujo artífice e construtor
é Deus.
Deus designou um dia, conhecido em nossos tempos como
“o dia do Senhor”, no qual podemos descansar dos trabalhos e
interesses terrenos, e entregar-nos à adoração de Deus e ao forta-
lecimento do homem interior.
Além de todas essas bênçãos, Deus providenciou o ministério
dos anjos. Eles são os mensageiros espirituais de Deus aos “her-
deiros da salvação”. Os anjos têm um relacionamento estreito com
o homem nesta vida e por toda a eternidade.
“Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas maravilhas
para com os filhos dos homens” (Salmo 107:8).

99
12
Capítulo

A graça
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu
por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora,
tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos
da ira (Romanos 5:8–9).
A história da raça humana, separada de Deus, pode resumir-se
numa só palavra: fracasso. Mas a maravilhosa graça de Deus opera
na alma do homem arrependido para que possa ser reconciliado
com Deus por toda a eternidade. Vejamos a história dos fracassos
do homem junto com o trato misericordioso de Deus para com ele.

No Éden
Eis aqui, o que tão somente achei: que Deus fez ao homem
reto, porém eles buscaram muitas astúcias (Eclesiastes 7:29).

1. A queda original do homem


O homem estava no belo paraíso de Deus e brilhava na imagem
de seu Criador. Estava livre do domínio do pecado e da morte.
Possuía a terra e estava alegre num mundo sem pecado, gozando
da comunhão diária com Deus.
Mas o homem pecou. Perdeu a sua inocência e tratou de
esconder-se da presença de Deus. Por desobediência, o homem
perdeu a sua posição na família de Deus e fez-se filho do diabo.

2. A graça de Deus
Mas Deus foi misericordioso. Ele comunicou ao homem o
significado da sua queda vergonhosa juntamente com a promessa
bondosa de um Redentor. Com certeza, o Éden foi arruinado;

101
As Providências De Deus Para O Homem

mas Deus já tinha preparado outro paraíso glorioso, “o reino que


vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25:34).
Esse paraíso glorioso é a morada eterna do homem com Cristo. A
abundância da graça de Deus se manifesta ao restaurar o homem
caído ao favor e a santidade de Deus.
Deus concedeu ao homem a oportunidade de começar de novo
por meio de sua graça.

A família de Adão

1. A falha do homem
Adão e Eva geraram um filho. O seu coração de mãe palpitou
com grande alegria enquanto ela exclamava: “Alcancei do Senhor
um homem” (Gênesis 4:l). Mas esse homem tornou-se assassino.
Caim matou Abel porque o seu coração estava cheio de inveja
e ira devido ao sacrifício de Abel ser aceito, enquanto que o seu
foi rejeitado. Mesmo Caim sendo expulso de diante dos homens,
essa advertência não lhes valeu por muito tempo. Com o passar
do tempo a maldade dos homens aumentou tanto que a justiça
de Deus não esperou. O juízo de Deus caiu sobre a humanidade
na forma de um dilúvio mundial.

2. A graça de Deus
Mas Deus foi misericordioso. Vendo que Noé era justo, Deus
preservou a raça humana por meio dele. Também preservou uma
semente do gado, das feras, das aves e de todo réptil. Todos foram
protegidos na arca durante o grande dilúvio que Deus mandou
para eliminar o pecado da face da terra (Gênesis cap. 7).
Foi por meio de Noé que foi concedida ao homem a oportu-
nidade de começar de novo.

A família de Noé

1. A falha do homem
No entanto, mais uma vez o homem demonstrou a sua maldade
inerente. Em pouco tempo após o dilúvio, os homens novamente

102
A graça

tornaram-se muito pecaminosos. Em seu orgulho, tentaram edi-


ficar uma torre que chegasse até o céu.

2. A graça de Deus
Mas Deus foi misericordioso. O juízo de Deus caiu sobre eles
enquanto edificavam a torre de Babel e as pessoas foram dispersas
por toda a terra. Mesmo que isto frustrasse os esforços dos homens,
as suas tendências para o mal foram detidas por pouco tempo. Em
seguida Deus chamou Abraão dentre seus parentes e seus amigos
(Gênesis cap. 12) para ser o “pai de muitas nações” (Gênesis 17:4).
Abraão obteve esta promessa: “E abençoarei os que te abençoarem,
e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas
as famílias da terra” (Gênesis 12:3). Abraão obedeceu a Deus.
Foi por meio de Abraão que foi concedida ao homem a opor-
tunidade de começar de novo.

A família de Abraão

1. A falha do homem
Mas Abraão, ainda que fosse justo e favorecido por Deus, era
humano. Ao seguir a história de seus descendentes pela Palestina,
Egito, pelo deserto e outra vez na Palestina, vemos que tornaram-se
uma nação poderosa. Mas Israel esqueceu-se de Deus. O pecado
arruinou a nação até que por fim Deus a entregou nas mãos de
seus inimigos.

2. A graça de Deus
Mas Deus foi misericordioso. Ele não havia se esquecido da
promessa que através da descendência de Abraão seriam bendi-
tas todas as nações da terra. No seu devido tempo a semente de
Abraão, o Redentor vivente que foi primeiramente prometido a
Eva e depois descrito pelos profetas, veio a este mundo pecaminoso
“buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10). “Porque
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida
eterna” (João 3:16). Leia também Romanos 5:15.

103
As Providências De Deus Para O Homem

Por meio de Jesus Cristo, “o Cordeiro de Deus, que tira o


pecado do mundo” (João 1:29), foi concedida ao homem a opor-
tunidade de começar de novo.

A família de Deus, o fruto da graça


O homem separado de Deus sempre falha. Essa condição tão
infeliz da humanidade explica-se pelo fato de muitos não acre-
ditarem em Deus. Mesmo entre os que dizem crer em Deus, há
muitos que estão tentando alcançar o céu por meio da “torre de
Babel” (esforços humanos) em vez de fazê-lo por meio do caminho
do Senhor Jesus Cristo (a graça de Deus).
No entanto, sendo que todo o esforço humano é em vão, a
obra de Deus nos corações dos homens é gloriosa. Desde os dias
de Adão, a família de Deus tem crescido, não passando nenhuma
geração sem que novos membros fossem adicionados à sua família.
O povo de Deus começou a “invocar o nome do Senhor”
(Gênesis 4:26) antes do dilúvio. A Bíblia diz que “andou Enoque
com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”
(Gênesis 5:24). O escritor do livro de Hebreus menciona no
capítulo 11 uma lista de homens fiéis que fizeram parte dessa “tão
grande nuvem de testemunhas” (Hebreus 12:1) que se valeram da
graça de Deus. Pedro, escrevendo ao povo de Deus da sua época,
disse: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro
2:9). Sim, a família de Deus está crescendo. No fim do tempo
será observada uma multidão inumerável no céu com Deus, pois
a Bíblia diz:
Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma grande multidão,
a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos,
e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o
Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;
e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus,
que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos
estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais;
e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram

104
A graça

a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação


de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o
sempre. Amém. E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que
estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?
E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os
que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e
as branquearam no sangue do Cordeiro (Apocalipse 7:9–14).
Concluiremos citando Tito 2:11–14:
Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos
os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às
concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria,
e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança
e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador
Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir
de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial,
zeloso de boas obras.

105
13
Capítulo

A revelação
Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito
penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus
(1 Coríntios 2:10).
Um agnóstico fazia um discurso fúnebre no sepultamento de
seu irmão quando alguém lhe perguntou: “Se o homem morre,
voltará a viver?” O homem respondeu: “A esperança diz: ‘Sim’;
a razão diz: ‘Talvez’”. Não podia dizer mais, pois a mente mais
inteligente tem as suas limitações. Ao rejeitar a revelação de Deus,
o seu conhecimento se limitava por causa da sua mente finita.
Mas qualquer cristão pode dizer com certeza: “Eu sei que o
meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E
depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha
carne verei a Deus” (Jó 19:25–26). “Porque a trombeta soará, e
os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (1 Coríntios 15:52). “E
assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).
Por que esta diferença? A resposta se encontra numa palavra:
“revelação”. “O homem natural não compreende as coisas do Espí-
rito de Deus” (1 Coríntios 2:14). Portanto, não pode desvendar os
mistérios do passado, nem penetrar nos domínios que estão além do
túmulo. Nisso, o filósofo incrédulo e o pagão da selva, são iguais.
Há mistérios que, sem a ajuda da revelação de Deus, não podem
ser compreendidos pela mente humana. A origem da matéria, a
origem da vida, a origem do homem, o destino eterno do homem,
e muitas outras questões, têm desafiado e frustrado as investigações
do homem incrédulo por milhares de anos. Essas questões sempre
serão mistérios para os que rejeitam as Escrituras. Esses mistérios
estão além de nossa capacidade humana. A única maneira de
entender tais coisas é aceitar a informação daquele que tudo sabe.

107
As Providências De Deus Para O Homem

O filho de Deus aproveita a oportunidade de aprender o que o


incrédulo rejeita. Ele olha o passado e aprende que “no princípio
criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1). Olhando para o futuro,
ele se assegura de que “nem todos dormiremos, mas todos seremos
transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante
a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressusci-
tarão” (1 Coríntios 15:51–52). “Como está escrito: As coisas que
o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração
do homem. São as que Deus preparou para os que o amam. Mas
Deus no-las revelou pelo seu Espírito” (1 Coríntios 2:9–10). O
crente aceita essas revelações e assim consegue entender coisas
ainda mais profundas. Mas o incrédulo rejeita a revelação de Deus
e dessa maneira continua vagando na escuridão.

As revelações, verdadeiras e falsas


Quem conhece a fundo tudo o que tem a ver com a eterni-
dade, se não Deus? Deus escolheu a sua Palavra, a Bíblia, como
o meio para revelar ao homem essas verdades eternas. Expressões
tais como: “Assim diz o Senhor”; “diz o teu Deus”; “o Senhor
disse”; “disse-lhe Deus”, encontram-se muitas vezes na Bíblia,
demonstrando que este livro afirma ser a Palavra de Deus. Muitos
perguntam: “Qual parte da Bíblia é digna de confiança como
mensageira das revelações de Deus?” Respondemos sem vacilação:
“Toda ela”. Todas as revelações que vem de Deus são verdadeiras.
No tempo do Antigo Testamento “Deus, [falou] muitas
vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”, mas “a
nós, falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hebreus 1:1).
Em outras palavras, nas duas épocas Deus teve os seus porta-
-vozes autorizados através dos quais revelava a sua Palavra e a
sua vontade aos homens. Referindo-se às Escrituras do Antigo
Testamento, Paulo escreveu: “Toda a Escritura é divinamente
inspirada” (2 Timóteo 3:16). Além disso, com relação aos profe-
tas do Antigo Testamento, Pedro escreveu: “Falaram inspirados
pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).
Quanto às Escrituras do Novo Testamento, alguns têm promo-
vido uma ideia tola e prejudicial segundo a qual a parte mais valiosa

108
A revelação

seria os evangelhos, enquanto que o resto seria simplesmente os


escritos dos apóstolos. No entanto, tudo o que sabemos de Cristo
e de sua Palavra foi revelado pela pregação e pelos escritos dos
apóstolos e seus colaboradores. Eles escreveram a parte biográfica
do Novo Testamento (os quatro evangelhos e os atos dos após-
tolos), a parte epistolar (as cartas apostólicas desde Romanos até
Judas), e a parte apocalíptica (o livro de Apocalipse). O apóstolo
João escreveu um dos evangelhos, três das epístolas e o livro de
Apocalipse. Falando desse último livro, João declara francamente
que é a “revelação de Jesus Cristo” (Apocalipse 1:1).
Os apóstolos foram comissionados a proclamar o evange-
lho eterno de Cristo em toda sua plenitude a um mundo que
está morrendo (leia Mateus 28:18–20; Marcos 16:15; Lucas
24:46–47; Atos 1:8; 9:15). Este evangelho do Senhor Jesus
Cristo era o que eles proclamavam oralmente ou por escrito
onde quer que estivessem (leia Romanos 1:16; 2:16; 1 Corín-
tios 14:37; 2 Coríntios 4:5; Gálatas 1:8–9; 2 Tessalonicenses
2:15; 1 Timóteo 1:11; Apocalipse 14:6). De maneira que todo
o Novo Testamento é a palavra de Cristo.

Como Deus se revela ao homem

1. Por meio de Jesus Cristo


Leia Hebreus 1:1–4.

2. Por meio da Palavra escrita


Haverá algo que queremos saber a respeito da criação, a respeito
do destino do homem ou outra coisa fora do alcance do enten-
dimento humano? As respostas a essas questões, encontram-se
na Bíblia. Nesse livro divino o leitor aprende sobre o passado, o
presente e o futuro. Com certeza, Deus na sua sabedoria infinita
não nos revelou todos os seus planos, mas nos revelou o suficiente
para que acreditemos nele (leia Deuteronômio 29:29). A Bíblia é
a única fonte de informação na qual o leitor pode encontrar ajuda
e aprender muitas coisas que teriam permanecido ocultas pelas
eras se não fossem reveladas nesse livro de Deus.

109
As Providências De Deus Para O Homem

3. Por meio da natureza


O salmista contemplou os céus estrelados e disse por inspira-
ção divina: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento
anuncia a obra das suas mãos” (Salmo 19:l).
Uma geração de cientistas, baseando suas conclusões nas suas
opiniões e observações limitadas, decide que algumas partes da
Bíblia não são corretas. Outra geração de cientistas que fez mais
observações e estudos descobre que a Bíblia não está equivocada,
mas sim os seus críticos. E assim continuará até que o homem veja
a Deus “face a face” (1 Coríntios 13:12). Ali o homem se dará conta
que todas as palavras e as obras de Deus concordam perfeitamente.

4. Por meio do Espírito Santo


A respeito dos mistérios que o homem natural não pode
compreender, Paulo disse: “Deus no-las revelou pelo seu Espírito”
(1 Coríntios 2:10). Quando o Espírito de Deus entra na alma do
homem, a Bíblia se transforma numa mensagem nova. “O homem
natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe
parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). O Espírito Santo dá ao filho
de Deus um discernimento da Bíblia que o homem incrédulo
mais inteligente nunca poderá alcançar (leia João caps. 14–16,
para ver o que Cristo disse a respeito da obra do Espírito Santo).

5. Por meio do ministério dos anjos


Foi por meio dos anjos que Abraão soube da vinda do filho
da promessa (leia Gênesis 18:1–15). Da mesma maneira, foi
comunicado ao patriarca a destruição iminente de Sodoma (leia
Gênesis 18:16–22). Ló foi advertido do juízo daquela cidade por
meio dos anjos (leia Gênesis 19:12–13).
Vejamos a seguir outros exemplos da obra desses espíritos
ministradores. Eles relembraram a Balaão que ele havia sido avi-
sado do resultado da sua desobediência (leia Números 22:26–35).
Avisaram Zacarias do nascimento de João o Batista (leia Lucas
1:11–25). Revelaram a concepção e o nascimento de Jesus a
Maria e José (leia Lucas 1:26–38; Mateus 1:18–2l). Anunciaram

110
A revelação

o nascimento de Jesus aos pastores de Belém (leia Lucas 2:10–14).


Deram instruções a José e a Maria para que fugissem ao Egito (leia
Mateus 2:13–15). Asseguraram aos discípulos que Jesus voltaria
outra vez (leia Atos 1:11). Levaram Pedro a conhecer Cornélio
e a porta do evangelho foi aberta aos gentios (leia Atos cap. 10).
Animaram Paulo e asseguraram-lhe que ele e toda a sua companhia
sobreviveriam ao naufrágio (leia Atos 27:23–26).

6. Por visões e sonhos


Foi por meio de uma visão que Abraão soube que os hebreus esta-
riam 400 anos em alguma nação (leia Gênesis 15:12–16). Também
foi uma visão em Betel que marcou um ponto importante na vida
de Jacó (leia Gênesis cap. 28). Nessa visão Jacó viu uma escada que
chegava até os céus e os anjos que subiam e desciam por ela. Os
sonhos de José, pelos quais chegou a ter o apelido de “o sonhador”
(Gênesis 37:19), não foram nada mais e nada menos do que as reve-
lações de Deus para ele. Os sonhos de Faraó, do chefe dos copeiros
e do chefe dos padeiros, demonstram que houve outros, além do
povo de Deus, aos quais Deus se manifestou por meio de visões e
sonhos. Dario e Nabucodonosor também tiveram sonhos da parte
de Deus. As visões dos magos, de Pedro, de Cornélio, de Paulo e de
João são provas de que este método utilizado por Deus para revelar-
-se ao homem estendeu-se aos tempos do Novo Testamento. Ainda
na atualidade existem pessoas que têm visto em sonhos coisas que se
passaram depois. Ainda que Deus se revele sim por meio de sonhos
e visões, devemos lembrar-nos que nem tudo o que sonhamos é
revelação de Deus.

7. Por meio da consciência


Leia Romanos 2:14–16.

Não existe conflito


entre as revelações divinas
As revelações de Deus seriam contraditórias entre si? Jamais.
Se existem supostas revelações que se contradizem, fica claro que
essas não provêm de Deus. A Bíblia nos admoesta “provai se os

111
As Providências De Deus Para O Homem

espíritos são de Deus” (1  João 4:1). As revelações que recebe-


mos estão em harmonia com Deus? Quando ouvimos supostas
“revelações” que dizem ser de Deus, devemos fazer como os de
Beréia (leia Atos 17:11). Pesquisemos as Escrituras diligentemente
para ver se tais outras revelações estão corretas. Não pode haver
nenhuma revelação de Deus que não esteja em harmonia perfeita
com a Palavra de Deus, a Bíblia.

Conclusão
O que foi que capacitou os “pequeninos” a receber o que os
“sábios e entendidos” (Mateus 11:25) não compreenderam? A
fé. O que é que capacita o camponês analfabeto a compreender
a bondade, o amor e o poder de Deus, que alguns dos homens
mais estudados não entendem? A fé. O que é que capacita o filho
de Deus a decifrar os mistérios do passado e do futuro, enquanto
que os homens mundanos que passam a vida tentando entender
tais mistérios aprendem tão pouco? A fé. É por meio da fé que
a pessoa recebe os mistérios das eras. Onde não existe a fé, tais
mistérios não podem ser revelados.
O filho de Deus tem muitos motivos para dar graças a Deus
pelas muitas revelações maravilhosas que ele tem recebido. Ao
olhar para trás, podemos ver a porta do passado abrir-se e pela fé,
ouvimos as palavras: “No princípio… Deus”. Se olharmos para
cima podemos contemplar pela fé que se derrama uma torrente
de luz celestial sobre o tempo atual. Quando olhamos para frente,
pela fé vemos que a porta ao futuro começa a abrir-se diante dos
olhos do homem, enquanto ouvimos as palavras: “Eis aqui vos digo
um mistério...” Assim o céu e a terra se enchem da luz de Deus.

112
14
Capítulo

A Bíblia
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para
ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;
Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
instruído para toda a boa obra (2 Timóteo 3:16–17).
A Bíblia é o único livro dado por revelação direta de Deus
ao homem. A palavra “Bíblia” é a transliteração do grego
biblia, que significa “livros”. A Bíblia é o nosso livro sagrado
porque não há nenhum outro que tenha tal autoridade ou
autor semelhante.

A inspiração da Bíblia
Cremos na inspiração verbal da Bíblia. Isto quer dizer que o
Espírito Santo guiou homens santos para que escrevessem cada
palavra que aparece nos escritos originais. Ainda que se possa
notar características pessoais no estilo dos escritores, suas von-
tades estavam completamente sob o controle do Espírito Santo.
Os escritores não escreveram nem uma só palavra por motivos
próprios (2 Pedro 1:20–21).
Cremos também na inspiração plena da Bíblia. Isso quer
dizer que toda a Bíblia, desde o princípio até o fim, foi dada por
inspiração verbal.
A Bíblia não explica detalhadamente como os escritores rece-
beram a inspiração do Espírito Santo. Mas nos diz que devemos
reverenciar as palavras que escreveram. “E, se alguém tirar quais-
quer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte
do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas
neste livro” (Apocalipse 22:19).

113
As Providências De Deus Para O Homem

Em Gálatas 3:16, Paulo nos dá a entender em seu escrito a


importância de analisar até a menor letra nas Escrituras. Ele explica
que a promessa de Deus a Abraão “não diz: E às descendências, como
falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que
é Cristo” (Gálatas 3:16). Se Deus tivesse dito “descendências” teria
se referido aos filhos de Abraão, mas porque disse “descendência”,
sabemos que se referiu a Jesus Cristo. Nesse caso podemos observar
como de uma só letra depende uma doutrina cristã muito impor-
tante. Foi com razão que Cristo deu tanta ênfase na importância
de cada jota e de cada til da lei (leia Mateus 5:18).
Há quem pergunte: “Por que a personalidade e o estilo dos escrito-
res se mostram tão evidentes se a Bíblia não é escritura de homens, mas
de Deus?” Vamos ilustrar a nossa resposta com um breve exemplo:
Você passa em frente a uma casa que foi pintada recentemente com
muitas cores. Então pergunta: “Quantos pintores trabalharam nessa
casa?” “Somente um”, lhe respondem. “Mas, por que tantas cores, se
foi somente um pintor?” “Ora, não é difícil explicar isso. Este pintor
misturou as suas tintas e produziu muitas cores para assim pintar a
casa ao seu gosto.” Porventura, isso não dá a você uma ideia quanto a
esse Grande Autor do livro divino que escolheu muitas personalidades
para expressar a sua mensagem? Dessa forma este livro divino é mais
útil e mais adequado para suprir as necessidades das pessoas que o
leem. Visto que uma parte da Bíblia está escrita na linguagem de
Moisés, outra na de Paulo e outras na linguagem de outros escritores,
mostra que Deus usou o homem para escrever a sua mensagem e
não usou somente a sua caneta. Todos estes “homens santos de Deus
falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).
A Bíblia é autêntica em sua matéria, impositiva em seus man-
damentos, sem erros em seus escritos originais e também a única
regra infalível de fé e prática (leia 2 Samuel 23:2; Salmo 12:6;
2 Timóteo 3:16–17).

1. As escrituras do Antigo Testamento são


inspiradas por Deus
Paulo referia-se às escrituras do Antigo Testamento quando
disse: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Timóteo 3:16).

114
A B íblia

Pedro explica que os escritos são inspirados porque os escritores


foram inspirados por Deus. Pedro disse que “nenhuma profecia da
Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi
produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de
Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:20–21) .
Existem muitas declarações que demonstram que as escrituras do
Antigo Testamento foram inspiradas por Deus. Em várias ocasiões
no Antigo Testamento encontramos expressões tais como: “Assim
diz o Senhor Deus” e “Assim diz o Senhor”. Da mesma forma “veio
esta palavra do Senhor a Jeremias, dizendo: Toma o rolo de um
livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel”
(Jeremias 36:1–2). Da mesma maneira o Senhor veio a Ezequiel para
que ele falasse aos filhos de Israel, dizendo: “Tu lhes dirás as minhas
palavras” (Ezequiel 2:7). Existem muitas expressões semelhantes em
toda a Bíblia.
Os escritores do Novo Testamento entenderam que as escrituras
do Antigo Testamento eram a mensagem de Deus falada por meio
de seus servos. No momento de escolher Matias para o apostolado,
Pedro citou a Escritura, dizendo: “O Espírito Santo predisse pela
boca de Davi” (Atos 1:16). O livro de Hebreus começa com estas
palavras: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de
muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes
últimos dias pelo Filho” (Hebreus 1:1).

2. As escrituras do Novo Testamento são


inspiradas por Deus
Com relação à inspiração das Escrituras do Novo Testamento,
elas são tão enfáticas e firmes como as do Antigo Testamento.
Paulo, escrevendo aos coríntios, disse: “falamos, não com palavras
que a sabedoria humana ensina, mas com as que o Espírito Santo
ensina” (1 Coríntios 2:13). Mais adiante na mesma epístola ele
disse: “Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que
as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor (1 Corín-
tios 14:37). Essa declaração concorda com o que o Senhor havia
dito a Ananias a respeito de Paulo, como se observa em Atos
9:15. Paulo também escreveu aos tessalonicenses dizendo-lhes:

115
As Providências De Deus Para O Homem

“Pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus,


a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na
verdade), como palavra de Deus… Dizemo-vos, pois, isto, pela
palavra do Senhor” (1 Tessalonicenses 2:13; 4:15).
Os apóstolos advertiram contra as falsificações da Palavra de
Deus. Eles aceitaram como genuíno os quatro evangelhos, os Atos
dos Apóstolos, as epístolas de Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas,
e o Apocalipse (leia Gálatas 1:8–9; 2 Pedro 3:15–16; 2 João vs.
7–10; Judas v. 3; Apocalipse 22:18–19).
A Bíblia chega até nós como uma declaração imponente e
férrea que não é um livro feito por homens, mas um livro cujo
autor real e único é o Deus vivo e eterno.

3. Deus utilizou homens imperfeitos para levar


uma mensagem perfeita ao mundo
A Bíblia fala das faltas de Moisés, de Pedro, de Paulo, de João
e de outros escritores dela. Mas nenhuma dessas imperfeições,
mesmo sendo reveladas na palavra inspirada, altera de alguma
forma o valor ou a perfeição da mensagem divina.
Em várias ocasiões Deus mandou os profetas declararem
profecias que eles mesmos não entenderam. Por exemplo, veja a
perplexidade de Daniel quando o Senhor pôs a última profecia em
sua boca (leia Daniel 12:4–8). Volte então a 1 Pedro 1:10–11, para
que veja um testemunho que mostra que os profetas não enten-
deram tudo o que profetizavam. Isto demonstra que enquanto
Deus operava por meio de homens imperfeitos, ele trouxe por
meio deles uma mensagem perfeita ao mundo.

Evidências da inspiração divina


A seguir apresentamos algumas das evidências principais que
demonstram que a Bíblia foi inspirada pelo próprio Deus.

1. O cumprimento da profecia
Entre as informações mais destacadas que temos no Antigo
Testamento aparecem mais de trezentas profecias que se referem ao
Messias. Cada uma dessas profecias se cumpriu ao pé da letra na

116
A B íblia

pessoa de Jesus, o Cristo. Os profetas predisseram que ele seria da tribo


de Judá (leia Gênesis 49:10); que haveria de nascer de uma virgem
(leia Isaías 7:14); que nasceria em Belém da Judeia (leia Miqueias 5:2);
que seria chamado do Egito (leia Oseias 11:1; Mateus 2:15); que seria
enviado um mensageiro diante dele (leia Isaías 40:3; Malaquias 3:l);
que ensinaria por parábolas (leia Salmo 78:2); que seria paciente na
hora da prova e da tribulação (leia Isaías cap. 53); que seria vendido
por trinta moedas de prata (leia Zacarias 11:12–13) com as quais se
compraria o campo do oleiro. No final, todas essas profecias foram
cumpridas, além de muitas outras mais que não poderiam ter sido
preditas pela sabedoria humana e ninguém, tampouco, poderia tê-las
adivinhado. Muitas destas profecias poderiam ter parecido imprová-
veis e incríveis no tempo em que foram profetizadas.
A profecia de Daniel na visão dos quatro animais (leia Daniel
cap. 7), junto com a interpretação dessa visão, nos dá uma des-
crição exata do que passou depois na história das nações, e pode
ser que alguns elementos dessa visão se refiram ao que está acon-
tecendo no mundo atual.
Os profetas não somente predisseram a destruição das cidades
e das nações daquele tempo, mas também descreveram alguns dos
detalhes destas destruições. E assim ocorreu. Até a história secular
dos povos tem registrado em arquivos o cumprimento de algumas
dessas profecias como fatos verídicos.
Por exemplo, Ezequiel profetizou contra Tiro (leia Ezequiel
26:4–12), que era o orgulho dos mercadores e a inveja das
nações naquela época. Essas profecias foram cumpridas nos dias
de Alexandre, O Grande da Macedônia, quando a cidade foi
completamente arruinada.
A desolação do Egito sucedeu séculos depois da profecia con-
forme foi descrita em Ezequiel caps. 29–30. A história secular
confirma de maneira detalhada as profecias de Ezequiel quanto
ao que ocorreu no Egito. A profecia é história escrita de antemão.
Isto é verificado no cumprimento das profecias a respeito da deso-
lação de Babilônia, Síria, Medo-Pérsia, Grécia, Roma, Cartago e
outras nações. A desolação e a destruição completa de Jerusalém,
predita por Cristo, e a dispersão dos judeus entre as nações da

117
As Providências De Deus Para O Homem

terra, predita pelos profetas, apresentam-se nos escritos de Josefo


e confirmam-se na história dos judeus.
Isso comprova que essas profecias não poderiam ser o resultado
da sabedoria humana. Seria uma tolice supor que essas profecias
fossem meras suposições e opiniões humanas. Cada uma dessas
profecias prova que a Bíblia foi escrita por homens que foram
guiados por uma mente infinita, pelo Deus do céu e da terra, que
vê e conhece todas as coisas antes que ocorram.

2. A unidade da Bíblia
A Bíblia se compõe de sessenta e seis livros que foram escritos
durante um período de aproximadamente quinze séculos. Foi
escrita por cerca de quarenta escritores que ocupavam diversos
cargos, desde o rei sobre o trono, até o cativo em terra pagã; desde
Moisés e Paulo que eram homens bastante estudados até Pedro
e João que eram “homens sem letras e indoutos” (Atos 4:13). A
Bíblia foi escrita antes, durante e depois que Israel se transformou
numa nação. Mas apesar de todos esses fatores, ainda existe uma
harmonia bela e impressionante que prova a presença da mente
de um Mestre que inspirou a todos esses escritores.
Em outras palavras: “Porque a profecia nunca foi produzida
por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus
falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

3. Sua preservação através do tempo


Nenhum livro jamais foi colocado a provas tão severas como a
Bíblia. Mesmo quando os judeus foram levados para terras pagãs,
levaram consigo as Escrituras e as preservaram ali. No decorrer
dos anos muitos falsos profetas imitaram tão engenhosamente as
escrituras que as pessoas dificilmente conseguiram distinguir entre
a Palavra inspirada de Deus e a palavra falsa dos falsos profetas.
Durante os primeiros séculos da era cristã foram feitos muitos esfor-
ços para acabar com esta “seita” que floresceu depois da crucificação
de Jesus. Por toda a história dos séculos foram feito esforços para
suprimir a mensagem da Bíblia utilizando o fogo, a espada e muitos
outros métodos. No entanto, a Palavra de Deus continua viva. Em

118
A B íblia

toda geração tem existido homens que, cheios de orgulho por causa
do seu intelecto e conhecimento, ensinaram as pessoas que a Bíblia
devia ser acreditada em sua totalidade somente pelos ignorantes e
pelos supersticiosos. Mas apesar de todas estas oposições, esse livro
antigo ainda permanece. Na atualidade esse livro tão maravilhoso
é mais popular do que qualquer outro livro jamais publicado. Na
realidade, a Bíblia é e será para sempre a mesma.

4. Sua integridade
A Bíblia é o único livro que nunca foi obrigado pelos avanços
da ciência a mudar a sua mensagem. Não é um livro de ciência;
no entanto, tudo o que diz é cientificamente correto. Isto não se
pode dizer de qualquer outro livro ou tratado jamais escrito. Os
naturalistas, astrônomos, geólogos, historiadores e homens de
renome, têm ensinado coisas que posteriormente mostraram-se
errôneas. As teorias dos homens têm sido revogadas, ou pelo menos
fundamentalmente modificadas, quanto aos princípios da luz, da
natureza, da forma da terra, do período glacial, da geologia, da
estrutura do corpo, das enfermidades, das leis da saúde e de todo
campo da ciência. A Bíblia concorda completamente com aquilo
que o homem tem observado da natureza. É o único livro que é
total e eternamente verdadeiro. É verdade que muitos têm citado
a Bíblia para apoiar suas teorias errôneas, mas a Bíblia não ensina
nenhuma falsidade e nunca as ensinou. No entanto, não é de se
admirar que tenham citado dessa forma a Bíblia para apoiar suas
teorias falsas, pois o próprio diabo é hábil em citar a Escritura para
dar vida às suas falsidades (leia Gênesis 3:1–6; Mateus 4:1–11).
A seguir citaremos uma parte dos escritos de I. M. Haldeman:
Em menos de dez anos um livro didático já se torna anti-
quado. Uma enciclopédia perde o seu valor, uma biblioteca
torna-se um cemitério de livros mortos e ideias sem vida; mas
este livro continua vivendo. A ciência tem zombado deste livro,
em vão. No século dezoito, Voltaire disse: “Dentro de cinquenta
anos o mundo não ouvirá mais falar da Bíblia”. Os eruditos
seculares a declararam antiquada e morta. Muitas vezes têm se
efetuado serviços fúnebres para enterrar a Bíblia que eles criam

119
As Providências De Deus Para O Homem

que tinha morrido... e, eis aqui! muito antes que os críticos


tenham voltado para as suas casas, a Bíblia tem ressuscitado da
morte, tem se adiantado ao cortejo fúnebre com uma rapidez
surpreendente, e se acha, como antes, no mesmo centro da vida
de muitas pessoas e da própria sociedade. Ali continua dando
gritos trovejantes contra a maldade, revelando os segredos do
coração, oferecendo consolo aos que estão de luto e esperança
aos moribundos, e continua emitindo de cada uma de suas
páginas, as maravilhas do futuro.
— Christ, Christianity and the Bible
(Cristo, o cristianismo e a Bíblia), páginas 151–152.

5.O efeito em seus leitores


O efeito que a Bíblia exerce sobre os que a leem também nos
ensina que ela é inspirada por Deus e que por sua vez tem qualidades
sobrenaturais. A Bíblia é luz onde quer que seja lida porque revela a
Cristo, a luz do mundo. Onde quer que as pessoas acreditem nela e
a obedeçam, ela traz mudanças na pureza, na educação, na cultura,
no desenvolvimento e em tudo o que contribui para a felicidade
moral e espiritual da alma. Não é que a leitura da Bíblia em si mude
automaticamente o coração, mas sim, ensina ao pecador como
chegar a Cristo, e Ele pode mudar o coração.
Quanto mais a pessoa se entrega a Cristo por intermédio da
sua mensagem na Bíblia, mais ordenada e virtuosa será a vida
dessa pessoa. Além disso, também fará com que tal pessoa tenha
um efeito positivo sobre outras pessoas ao seu redor. Por exemplo,
os incrédulos muitas vezes são mais cuidadosos na maneira de se
expressar quando cristãos estão presentes.
Já foi provado que quanto mais as leis das nações seguem
os princípios bíblicos, mais abençoadas serão essas nações. Isso
demonstra a validade dos princípios bíblicos.
Concluímos que a Bíblia:
Ø É a Palavra de Deus, dada por inspiração divina.
Ø É o único livro dado como revelação direta de Deus ao
homem.
Ø É infalível e digna de confiança absoluta.

120
A B íblia

Por que essa honra para a Bíblia? Não pode haver mais do que
uma resposta: porque é a Palavra de Deus. Em cada página desse
livro maravilhoso pode-se encontrar o sinal divino de seu autor.

Como recebemos a nossa Bíblia


A Bíblia é dividida em sessenta e seis livros distintos. Destes,
trinta e nove pertencem ao Antigo Testamento e vinte e sete ao
Novo Testamento. Esses livros nos oferecem uma história íntegra
que seria incompleta se faltasse um deles. Muitos creem que o
livro de Jó é o mais antigo de todos os livros da Bíblia. É seguido,
cronologicamente, pelo Pentateuco (os primeiros cinco livros do
Antigo Testamento), escrito por Moisés. Depois foram escritos
os outros livros históricos, poéticos e proféticos. O Antigo Testa-
mento foi escrito por reis, juízes e profetas. Os livros que o compõe
foram compilados nos dias de Esdras e Neemias. O interesse por
essas escrituras foi tão grande que elas foram traduzidas para o
grego mais de três séculos antes de Jesus Cristo. A versão grega
mais célebre foi a dos setenta (a Septuaginta) que foi traduzida
por volta do ano 250 a.C. por eruditos de Alexandria.
Os discípulos de Jesus escreveram a respeito da vida e dos
ensinamentos dele em quatro livros que conhecemos como “os
evangelhos”. As atividades dos apóstolos depois da crucificação
de Jesus foram compiladas num livro que chamamos de “Atos dos
apóstolos”. Esses livros junto com as “epístolas” e o último livro
ao que chamamos “Apocalipse”, são os que compõem o Novo
Testamento. A maioria desses livros foram reconhecidos como
escritos sagrados nos primeiros 200 anos da história da igreja cristã.
A Bíblia completa tem sido traduzida em muitos idiomas.
Assim a Palavra de Deus tem alcançado os povos de muitos países.
A Editora Vida dá o seguinte resumo da obra de João Ferreira
de Almeida que traduziu a Bíblia para a língua portuguesa das
línguas originais.
Comemorou-se em 1981 o tricentenário da tradução em
português da Bíblia de João Ferreira de Almeida.
Almeida nasceu em Portugal, no ano de 1628. Por motivos
desconhecidos, doze anos depois, em 1640, encontra-se em Batávia

121
As Providências De Deus Para O Homem

(atual Jacarta), na ilha de Java. Em 1642 partiu de Batávia


para Malaca, na Península Malaia; mediante a leitura de um
folheto em espanhol intitulado “La Diferencia de la Cristiandad”,
Almeida converte-se do catolicismo à fé evangélica.
Em 1644, com apenas 16 anos de idade, Almeida inicia o
trabalho de tradução das Sagradas Escrituras. Um ano depois
ele havia terminado o seu trabalho de tradução, que não foi
publicado porque se perdeu o manuscrito. Em 1648 Almeida
inicia nova tradução da Bíblia; não pôde concluí-la porque a
morte o colheu.
No ano 1648 Almeida é indicado candidato ao ministério
da Igreja Reformada Holandesa, cabendo-lhe a responsabi-
lidade de visitar os encarcerados em prisões e os enfermos em
hospitais. Sua consagração ao ministério ocorreu no dia 16 de
outubro de 1656. Deste ano até 1660 ele pastoreou diversas
igrejas portuguesas no sul da Índia.
Concluída a tradução do Novo Testamento (1676), Almeida
remeteu o manuscrito para publicação em Batávia, o que não
aconteceu por causa da demora dos revisores ali. Diante disso,
resolveu enviar o trabalho para ser impresso em Amsterdã,
na Holanda. Assim, em 1681 sai do prelo o primeiro Novo
Testamento em português.
Almeida havia traduzido o Antigo Testamento até Ezequiel
41:21, quando a morte o ceifou. A partir de 1748 o Rev.
Jacobus op den Akker, de Batávia, continuou o trabalho de
tradução do restante do Antigo Testamento. Em 1753, portanto,
cinco anos mais tarde, foi impressa toda a Bíblia em português,
em dois volumes. Concluía-se, assim, a obra de João Ferreira
de Almeida.
Essa tradução de Almeida, em suas várias revisões, correções
e atualizações, tem servido de base para a maioria das edições
da Bíblia utilizadas pelos evangélicos de língua portuguesa.
Às vezes surge a pergunta: “Como podemos saber que a nossa
Bíblia é igual à primeira usada pelos cristãos naquele tempo?”
Mesmo que os manuscritos originais não existam mais, ainda
há suficiente evidência nos escritos dos escritores de antes do
Concílio de Nicéia, para dissipar qualquer dúvida a respeito da
autenticidade da Bíblia. Nessa lista dos escritores da igreja primitiva
estão Clemente e Policarpo que viveram no tempo dos apóstolos

122
A B íblia

e conheceram pessoalmente a alguns deles. Existem milhares de


reproduções de várias partes das Escrituras que foram escritas a
mão e que datam desde o quarto século até o décimo quinto século.
Depois desse tempo existiram várias reproduções impressas até a
atualidade. Não há dúvida de que temos o mesmo evangelho que
se pregava nos dias dos apóstolos e a mesma mensagem que foi
compilada no primeiro cânon do Novo Testamento.

Os escritos apócrifos
Junto com os sessenta e seis livros que finalmente se incorpora-
ram no cânon sagrado, também aparecem outros escritos, os quais
muitas pessoas consideram dignos de ter um lugar entre os livros
canônicos. A maior parte dessas obras foram escritas no período
entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Esses livros
formam um vínculo histórico e apresentam muitas informações
de interesse para quem estuda a Bíblia. No entanto, eles carecem
de evidências que demonstram que foram inspirados por Deus.

A lei e o evangelho
Na Bíblia nos é apresentada a lei levítica na história antiga da
nação de Israel. Era a vontade de Deus que a nação tivesse uma lei
escrita que governasse os seus cidadãos. Deus deu a eles a lei levítica
no Monte Sinai (leia Êxodo cap. 19). Esta lei vigorou até o tempo
de Cristo (leia Mateus 5:17–20; João 1:17; Colossenses 2:6–17).
A lei suprema para o povo de Deus na antiga aliança foi a lei
levítica, e na nova aliança é o evangelho de Cristo. Existe uma
harmonia e uma unidade perfeita entre estas duas leis. Ambas
dependem uma da outra. Todos os sacrifícios e as cerimônias da
lei eram sombras e figuras de Cristo e não teriam servido para
nada se não tivessem sido cumpridas em Cristo. Ele, “com uma só
oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus
10:14). Por outro lado, “a lei nos serviu de tutor, para nos conduzir
a Cristo” (Gálatas 3:24). A lei de Moisés mostrou aos israelitas
o quão pecaminosos eram e a eficácia do sangue para apagar os
pecados. Preparou-lhes para receber a Cristo. Quando ele veio, a
lei havia cumprido a sua obra. Seus sacrifícios já não tinham valor

123
As Providências De Deus Para O Homem

e a Palavra de Cristo tomou o lugar ocupado por aquelas normas.


O Novo Testamento é a lei que agora está vigente e que rege as
nossas vidas. Essa lei é a regra pela qual a igreja bíblica é governada.
Porventura Deus muda? Não. “Eu, o Senhor, não mudo”
(Malaquias 3:6). Ele muda a sua lei? Sim e não. Os princípios da
verdade eterna foram expressos tanto pela lei como pelo evangelho;
os dois fazem parte da mesma Palavra de Deus. Mas Deus, na sua
sabedoria infinita, aplica os seus princípios eternos de acordo com
as condições de cada época.
Porventura o pai mudou de opinião no diálogo que apresen-
tamos a seguir?
Um dia um filho se aproxima de seu pai e lhe pergunta:
— Papai, posso ir à cidade?
— Não — responde o pai do rapaz.
No dia seguinte vem o filho e pergunta novamente ao pai:
— Papai, posso ir à cidade?
— Sim — diz o pai.
O pai mudou de opinião? Não, mas as condições mudaram e por
isso o pai o deixou ir mesmo que no dia anterior não havia permitido.
Da mesma forma, Deus deu leis na nova aliança que não estão
conforme as da antiga aliança. Não porque ele ou a sua verdade
tenham mudado, mas porque as condições mudaram. Deus aplica
a verdade eterna às condições existentes em cada época. Quanto a
este ponto Jorge R. Brunk disse o seguinte:
1. Deus deu duas alianças distintas, o Antigo e o Novo Tes-
tamento (leia Hebreus 8:6–10).
2. Visto que algumas condições mudaram, Deus em sua
misericórdia proíbe no Novo Testamento algumas coisas
que ordenou no Antigo Testamento (leia Mateus 5:38–39;
Êxodo 21:23–25; Jeremias 31:31–32; Hebreus 7:12).
3. O Antigo Testamento era a norma de vida para Israel até a
morte de Cristo na cruz do Calvário (leia Gálatas 3:23–25;
Efésios 2:14–15; Colossenses 2:14). Com a morte de Jesus,
terminou a função da lei que era revelar a Cristo e preparar
um povo para recebê-lo.

124
A B íblia

4. O Antigo Testamento foi tirado para que o Novo Testamento


fosse estabelecido como a única norma vigente para o cristão
(leia Hebreus 10:9–10; Gálatas 1:8–9).
5. O Novo Testamento é agora a norma para a conduta do
cristão até a segunda vinda de Cristo (leia 2 Coríntios 3:6;
2 Tessalonicenses 1:7–8).
6. O cristão deve ter o Antigo Testamento como uma mina
rica em instrução e como algo muito essencial para a com-
preensão adequada do Novo Testamento (leia 1 Coríntios
10:6 e 11; Gálatas 3:24–25).
7. Aqueles que persistem em promulgar a doutrina do Antigo
Testamento, no lugar dos ensinamentos do Novo Testa-
mento, transtornam as almas dos ouvintes (leia Atos 15:24;
Tito 1:9–11).
—Bible Doctrine (Doutrina Bíblica), página 553

1. Dois representantes
Deus autorizou um representante para cada uma das duas
alianças: Moisés para a antiga aliança e Jesus Cristo para a Nova
Aliança. Moisés falou de Jesus: “O Senhor vosso Deus vos levantará
dentre vossos irmãos um profeta como eu; a ele ouvireis” (Atos
7:37). O escritor do livro de Hebreus disse: “Havendo Deus anti-
gamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos
profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hebreus
1:1). O Pai, falando desde o céu, deixa bem claro que Cristo é o
porta-voz autorizado para esta época quando disse: “Este é o meu
amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” (Mateus 17:5).
Hebreus 12:25 diz: “Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se
não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia,
muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus.”
Esse último versículo esclarece que no tempo da antiga aliança
o povo de Deus considerou a lei de Moisés como a sua regra de
vida, enquanto que em nossos tempos olhamos para o evangelho
como a nossa lei suprema.

125
As Providências De Deus Para O Homem

2. Duas alianças
O escritor do livro de Hebreus, comparando as duas alianças,
disse: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto
é mediador de uma melhor aliança que está confirmada em melhores
promessas. Porque, se aquela primeira fora irrepreensível, nunca se
teria buscado lugar para a segunda. Porque, repreendendo-os, lhes
diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e
com a casa de Judá estabelecerei uma nova aliança” (Hebreus 8:6–8).
Nessa escritura encontram-se duas expressões impressionantes:
“ministério tanto mais excelente” e “melhor aliança”. A primeira
se refere a Cristo e a sua obra comparada com Moisés e a obra
do sacerdócio levítico. E não é difícil compreender que é melhor
o ministério de Cristo do que o de Moisés. Mas, o que diremos
a respeito da “melhor aliança”? Porventura a antiga aliança era
imperfeita?
De maneira alguma. “E assim a lei é santa, e o mandamento
santo, justo e bom” (Romanos 7:12). Não existe absolutamente
nenhuma falta ou imperfeição na lei de Deus. A lei de Moisés,
como também o evangelho de Cristo, é a lei de Deus. Foi conce-
bida na mente de Deus e por isso é absolutamente perfeita. Mas,
“estava enferma pela carne” (Romanos 8:3); ou em outras palavras,
ninguém pôde obedecê-la perfeitamente. “Por isso nenhuma carne
será justificada diante dele pelas obras da lei” (Romanos 3:20).
Por essa razão os judeus tiveram que continuar fazendo sacrifícios
diários. Desse modo a lei cumpria o seu propósito; mostrou para
as pessoas que elas necessitavam de algo que a lei não oferecia.
Necessitavam de Cristo.
Além disso, como os sacrifícios debaixo da lei não eram mais
do que “a sombra dos bens futuros”, a lei “nunca, pelos mesmos
sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfei-
çoar os que a eles se chegam” (Hebreus 10:1). Em outras palavras,
a lei era perfeita, mas os sacrifícios oferecidos debaixo dela eram
válidos somente com relação ao seu cumprimento em Cristo. Por
esta razão, a aliança da graça é melhor do que a aliança da lei e por
isso se diz que a primeira aliança era defeituosa (leia Hebreus 8:7).

126
A B íblia

3. A lei e a graça
Paulo escreveu aos gálatas dizendo: “A lei nos serviu de tutor,
para nos conduzir a Cristo” (Gálatas 3:24). A lei estava correta em
seu lugar, em seu tempo, para seu propósito; a lei era pura, justa,
santa e perfeita. Mas a lei cumpriu o seu propósito e foi realizada
em Cristo ao ser pregada na cruz (leia Colossenses 2:14). De
maneira que hoje já não estamos sob a lei, mas sob o evangelho de
Cristo. Agora olhamos para Cristo como nosso Salvador e Reden-
tor, nosso Legislador e Autoridade Suprema. Já não olhamos para
a lei de Moisés para discernir a vontade do Senhor para a nossa
vida, mas olhamos para o evangelho de Jesus Cristo.
João revelou um princípio importante quando disse: “Porque
a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus
Cristo” (João 1:17). O primeiro simboliza a justiça e o poder
de Deus, o segundo simboliza a sua misericórdia e graça. Sob a
primeira aliança, o selo era por meio do sangue de animais; sob
a segunda, é por meio do sangue de Jesus Cristo, “que foi morto
desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).
Uma das distinções mais notáveis entre a lei e o evangelho é a
maneira de tratar com os transgressores. O período de tempo em
que regia a lei era uma época de justiça. A justiça exigiu a morte da
geração rebelde que não quis entrar em Canaã, o apedrejamento
de Acã, a morte de Uzá (leia 2 Samuel 6:6–7) e o cativeiro de
Israel e de Judá por sua infidelidade. Mas em Cristo, Deus mos-
trou a sua misericórdia. Ele veio para salvar, não para condenar.
Na nossa época observa-se a misericórdia de Deus no meio da
grande iniquidade que há no mundo. Além disso, conhecemos
pessoalmente a sua misericórdia por meio do perdão que nos
oferece por nossas faltas e pecados.
Mas não pense o homem que Deus tratará com menos severi-
dade aos do seu povo dessa época, do que tratou aos homens do
passado. Os tratos de Deus com seu povo naquele tempo foram
retratados como um exemplo para nós (leia 1 Coríntios 10:6, 11)
a fim de que a graça de Deus não nos fosse dada em vão. Hoje
somos advertidos enfaticamente que aqueles que rejeitam a graça

127
As Providências De Deus Para O Homem

de Deus sofrerão a sua ira na eternidade (leia 2 Tessalonicenses


1:7–9; Hebreus 12:25).
O tema central do Antigo Testamento com os seus trinta e
nove livros é a lei. O tema central do Novo Testamento com os
seus vinte e sete livros é o evangelho. A soma destes livros com-
pleta a mensagem perfeita de Deus para o homem. Isto é o que
chamamos de o cânon sagrado das Sagradas Escrituras: a Bíblia.

128
15
Capítulo

O Lar
Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor (Josué 24:15).
No princípio, Deus uniu as primeiras duas pessoas para assim
formar o primeiro lar. A autoridade suprema quanto ao lar é o
nosso Senhor Jesus Cristo, que respondeu assim a uma pergunta
que os fariseus lhe fizeram:
Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e
fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe,
e se unirá à sua mulher, e serão os dois em uma carne? Assim
não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus
ajuntou não o separe o homem (Mateus 19:4–6).
Essa resposta de Jesus mostra que a vida no lar existia desde
a criação do homem. O lar foi concebido na mente infinita de
Deus. É uma provisão bendita de Deus para nós.

O por quê do lar

1. Para o casal poder suprir as necessidades um


do outro
“Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á
à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24). Por que
terá que deixar o homem o seu pai e a sua mãe? Para que possa
usufruir do companheirismo e da ajuda de sua esposa. Deus fez o
homem e a mulher de forma que um supre o que falta no outro.
Eva foi uma ajudadora idônea para Adão. No lar, os cônjuges se
esforçam juntos numa vida na qual seus problemas, suas metas e
suas lutas são as mesmas para os dois.

129
As Providências De Deus Para O Homem

2. Para promover a pureza


Não há coisa que estimula mais a pureza entre a humanidade
do que um lar contente e feliz. “Venerado seja entre todos o
matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos fornicadores e aos
adúlteros, Deus os julgará” (Hebreus 13:4). Em toda sociedade a
norma moral é determinada pela maneira em que se observam as
leis do matrimônio e do lar. Onde se observam fielmente as leis
de Deus para o matrimônio, não somente há pureza na vida e no
caráter dos pais, mas também promove a pureza na vida dos filhos.

3. Para que os pais, os melhores amigos dos


filhos, cuidem deles como devem
Em todo lar estabelecido de acordo com os princípios bíblicos,
os melhores amigos dos filhos são os seus pais. Não foi por acaso
que Deus colocou os filhos sob os cuidados de seus melhores
amigos, seus pais, nessa fase da vida quando as associações e a
disciplina deixam as suas impressões mais permanentes. Os pais
sábios aproveitam as oportunidades de seu dever e empregam
a sua influência para ensinar seus filhos antes que o mundo os
possa impressionar.

4. Para prover um refúgio seguro contra as


tempestades da vida
Uma casa provê proteção; os filhos estão felizes e contentes
dentro do lar, mesmo que caia uma tempestade lá fora. Essa
proteção é típica da proteção espiritual que o lar cristão provê.
Enquanto que os filhos negligenciados vagam livremente pelas ruas
e recorrem a todo tipo de sujeira moral e pecaminosa, os filhos
nos lares cristãos estão mais protegidos das influências prejudi-
ciais do mundo. Lamentavelmente, tantos filhos são manchados
pelo pecado antes que saibam o que significa pecar. Um filho
afortunado é aquele que desfruta da proteção de um lar onde o
nome de Jesus é venerado, onde as boas virtudes são de grande
estima e onde o período em que se formam os hábitos é vivido
num ambiente de pureza, piedade e santidade.

130
O L ar

Que outro lugar poderia igualar-se ao lar em tempos de enfer-


midade, calamidade ou angústia? Quem, além dos amados do lar,
poderia dar-nos a ajuda e o consolo tão compreensivo em tempos
de perplexidade e confusão ou quando os problemas da vida nos
afligem ao extremo?

5. Para preparar as crianças para enfrentar a


vida
O lar cristão é uma escola onde os filhos são criados para Deus
e se preparam com o objetivo de enfrentar os problemas da vida.
É aqui que os filhos aprendem a trabalhar, cantar, orar, estudar,
praticar a abnegação e ajudar os necessitados. É onde ocorrem as
maiores mudanças no desenvolvimento de seus corpos, mentes
e almas. Enquanto criamos os nossos filhos, não deixemos de
ensinar à próxima geração como enfrentar os problemas sérios
da vida. O lar cristão que prepara os filhos para enfrentar a vida
é uma coluna sólida na igreja e na sociedade.

Os deveres no lar
No lar há deveres a cumprir, problemas para resolver, dificul-
dades a enfrentar, e devemos relacionar-nos uns com os outros
da maneira que agrada a Deus. A Bíblia nos ensina a respeito dos
deveres de cada membro do lar.

1. Os deveres dos homens


Paulo nos ensina dois deveres muito importantes:
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou
a igreja, e a si mesmo se entregou por ela (Efésios 5:25).

E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na


doutrina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4).
A primeira admoestação significa que o homem que se compro-
meteu com uma mulher, deve a ela a sua própria vida, seu carinho, sua
mente, suas mãos e suas forças. Tudo o que é dele, estará à disposição
dela. Na segunda admoestação, o Senhor quer nos dizer que a maior
responsabilidade no processo da criação dos filhos recai sobre o pai.

131
As Providências De Deus Para O Homem

Como a cabeça do lar, o pai tem o dever de estabelecer metas e normas


para ele, dirigir os cultos familiares, ensinar os filhos, disciplinar e
instruir aos que não se comportam corretamente e administrar tudo
o que é necessário para o bem-estar do lar. Tudo isto deve ser feito
com espírito de servir em vez de senhorio.

2. Os deveres das mulheres


Voltemos novamente às Escrituras:
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só;
far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele (Gênesis 2:18).

Por este menino orava eu (1 Samuel 1:27).

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor


(Efésios 5:22).

Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos


próprios maridos; para que também, se alguns não obedecem à
palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavra;
considerando a vossa vida casta, em temor (1 Pedro 3:1–2).
Cada um desses textos bíblicos assinala um dever muito impor-
tante para a mulher ou para a mãe no lar. Em primeiro lugar, ela
deve submeter-se à liderança de seu marido. Em segundo lugar,
a responsabilidade de ser mãe é algo que requer oração e devoção
para assegurar os melhores resultados. Quando as mulheres se
conduzem de acordo com esses dois deveres principais, elas são
uma bênção para o marido e para a sua família.
Muitas vezes é feita a pergunta: “Se o marido ou a mulher não
cumpre com os deveres no lar, o que deve fazer o seu cônjuge?” Em
tais casos o outro deve fazer o melhor que puder e tratar de cumprir
fielmente com o papel que Deus lhe ordenou. Normalmente as
faltas de um se agravam ou se multiplicam por causa dos defeitos
do outro. Corrigir os seus próprios defeitos é a ajuda mais eficaz
que alguém pode conceder ao seu cônjuge. Nós exercemos uma
influência sobre as pessoas com quem nos associamos e neste caso
a primeira pessoa a beneficiar-se de nossas qualidades cristãs deve
ser o nosso cônjuge.

132
O L ar

3. Os deveres dos filhos


Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque
isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro
mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito
tempo sobre a terra (Efésios 6:1–3).
Notemos as três razões que Paulo lista pelas quais os filhos
devem obedecer aos pais: (1) É justo. (2) É para o seu próprio
bem. (3) Conduz a uma longa vida. Cada uma dessas razões é tão
evidente por si própria que não necessita de muitos argumentos
para apoiá-las. Uma das piores coisas que pode acontecer a uma
criança, é que seus pais lhe permitam crescer com uma conduta
desobediente e rebelde no lar. Tal criança não é somente um
inimigo de si mesmo, mas, também será um problema no lar, na
sociedade, na escola e na igreja.

As características do lar cristão


Em alguns lares os membros voltam para casa apenas para
comer e dormir e procuram a realização em outra parte. Tais lares
na verdade, não são lares, são mais como uma espécie de hotel.
Mas existem lares em que o pai, a mãe, os filhos e os visitantes
se divertem porque para eles não há melhor lugar no mundo do
que o seu próprio lar. Por que a diferença? A diferença é devida
às características cristãs que reinam no lar. Notemos algumas
características que edificam o lar cristão.

1. O amor
Isto é o que Paulo chama de “o vínculo da perfeição” (Colos-
senses 3:14). O amor é a virtude que faz com que os membros do
lar sejam amáveis, abnegados e dispostos a contribuir para com
os interesses dos outros. O amor é o que une o marido e a esposa
não somente como “uma carne”, mas também como um coração
e uma alma. O amor é o que faz com que os filhos obedeçam aos
seus pais. Será difícil para Satanás levar alguma vantagem num
lar onde predomina o amor em cada um de seus membros e onde
todos amam ao Pai de amor.

133
As Providências De Deus Para O Homem

2. A adoração
O lar cristão, assim como a igreja, deve ser uma “casa de
oração”. O pai da família é “a cabeça do lar”, mas se os membros
do lar não reconhecerem a Jesus Cristo como o Cabeça Suprema
acima de qualquer cabeça terrestre, então a liderança do pai será
um fracasso. Temos visto lares bem tranquilos e felizes onde os
pais não praticam a fé cristã, mas notamos que nesses lares faltam
a santidade e o sentido de propósito divino que adornam o lar
cristão. O lar é belo quando se reserva um tempo diário para
desenvolver o culto familiar, quando se lê a Bíblia, cantam cânticos
espirituais e quando Cristo Jesus torna-se a pessoa proeminente na
conversa diária. Tal lar será um ambiente muito saudável para a
disciplina dos filhos e será uma bênção a todos os que o visitarem.

3. A lealdade
Lealdade a quê? Lealdade de um cônjuge ao outro, lealdade aos
pais, lealdade com relação aos interesses dos filhos, lealdade a Deus
e a igreja, lealdade ao governo e lealdade a todas as outras causas
que merecem apoio. Em tal lar, os filhos aprendem a respeitar a
autoridade e tornam-se cidadãos que respeitam a lei onde quer
que se encontrem.

4. A literatura saudável
Os livros e os periódicos têm uma grande influência em nossas
vidas. Por isso é tão importante ter uma literatura saudável no lar.
Visto que a leitura alimenta a mente do homem, torna-se neces-
sário suprir nossos lares com literatura que nos mantenha cheios
do amor de Deus, da sabedoria e da ciência verdadeira. Bendito o
lar onde há literatura saudável e interessante que edifica aos jovens
e conduz a mente para o céu e não para o mundo.

5. Os companheiros desejáveis
Os companheiros do lar incluem, além dos membros da famí-
lia, os empregados e os amigos que nos visitam. Cada lar deve
ter estas duas qualidades: (1) uma hospitalidade cristã genuína
que faz com que os visitantes sintam-se bem acolhidos; (2) um

134
O L ar

espírito de piedade genuíno que influa no ambiente do lar. Em


outras palavras, esforcemo-nos para que as pessoas que visitam
nossos lares desfrutem de um ambiente cordial, agradável e amis-
toso. Esforcemo-nos para que reine um ambiente familiar que
desestimule toda forma de frivolidade e carnalidade. Em muitos
lares, talvez com as melhores intenções, se comete o erro de prover
aparelhos musicais, esportes e outras formas de atrações duvidosas.
Estas coisas atraem pessoas que não contribuem para a virtude e
para a edificação espiritual do lar. Os pais devem animar os seus
filhos a associar-se com pessoas que os ajudarão a fortalecer o seu
caráter e que os inspirarão nos caminhos do Senhor.

As bênçãos do lar cristão


O lar cristão é um lugar sagrado onde os vínculos do amor
e da simpatia ficam mais fortes com o passar dos anos. Será um
lugar especial onde é moldado o caráter dos filhos durante o
período em que são formados os seus hábitos. Tal lar brindará
cada visitante que entrar e sair dele, com uma influência positiva
para a glória a Deus. É precisamente neste tipo de lar onde se dá
o cuidado mais terno aos enfermos e aos aflitos, onde todos se
ajudam mutuamente para enfrentar as provas e os problemas da
vida e onde na velhice se encontra o cuidado que somente um
lar cristão pode suprir.
Medite nessas coisas, esforçando-se para alcançar estes ideais
e assim haverá razões suficientes para louvar ao Senhor pelo que
ele tem providenciado através do lar cristão.

135
16
Capítulo

A igreja
Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno
não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18).
Uma das providências mais benéficas que Deus fez para o seu
povo é a igreja. A igreja nos serve como um lar espiritual enquanto
estivermos na terra.
Deus, desde os tempos antigos, separou o seu povo dos injustos,
ou seja, do mundo. A palavra grega para igreja, “ekklesia”, significa
um povo que tem sido chamado e separado. Deus chamou o seu
povo para sair das trevas, dando-lhe um lugar no reino de seu Filho
amado. Pedro chama esse povo de: “geração eleita, o sacerdócio
real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pedro 2:9).
No tempo de Noé, os escolhidos refugiaram-se na arca,
separados dos ímpios. Depois do dilúvio o homem voltou a cair
novamente nas profundidades da iniquidade. Outra vez, Deus
separou os fiéis quando chamou Abraão para abandonar seu lar
e seus parentes para convertê-lo no pai dos fiéis. Depois separou
o seu povo do Egito e quis separá-lo das influências pagãs de
Canaã. Quando o Messias veio pela primeira vez e escolheu os
seus discípulos, assegurou-lhes que as portas do inferno não
prevaleceriam contra a sua igreja (Mateus 16:18). Ainda que os
discípulos de Cristo estejam espalhados sobre a face da terra, o
poder do Espírito Santo os mantêm separados da multidão que
caminha rumo ao inferno.
O nosso propósito neste capítulo é apresentar a igreja como
algo que Deus providenciou tão generosamente para o nosso
bem-estar.

137
As Providências De Deus Para O Homem

O propósito da igreja

1. Providenciar um refúgio para o povo de Deus


Cristo referiu a si próprio como “o bom Pastor” (João 10:11).
Ele ordena aos pastores sob o seu comando, dizendo: “Apascentai o
rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele” (1 Pedro
5:2). Cristo também se referiu a si próprio como “a porta” (João
10:9). O Senhor nos adverte que virão ladrões, salteadores e lobos.
Esses estão dispostos a forçar a entrada do redil a qualquer momento
para destruir os membros do rebanho. Da mesma forma que um
rebanho de ovelhas encontra proteção no redil sob o cuidado fiel do
pastor, assim também os crentes encontram proteção na igreja de
Cristo sob o cuidado do “Pastor e Bispo das vossas almas” (1 Pedro
2:25). Ao cuidar da igreja, Cristo utiliza os pastores humanos para
advertir o rebanho dos perigos que o ameaçam.

2. Providenciar alimento espiritual para o povo


de Deus
Davi reconheceu as abundantes providências de Deus quando
disse: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz
em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera
a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu
nome” (Salmo 23:1–3). Quase da mesma forma que se alimen-
taram os filhos de Israel no deserto, assim também é derramado
este maná celestial sobre o povo de Deus pela pregação da Palavra.
“Apascentai o rebanho de Deus” (1 Pedro 5:2) é um mandamento
para os pastores em todos os tempos. O alimento espiritual que
você recebe ao ouvir a pregação da Palavra é essencial para a vida
e para o crescimento espiritual. Se não recebemos alimento espi-
ritual, morremos espiritualmente, assim como uma pessoa morre
fisicamente quando é privada do alimento natural por muito tempo.
O cristão está em sintonia com Deus e ouve uma entonação
celestial em cada sermão evangélico verdadeiro. A música celestial
infunde os salmos, hinos e cânticos espirituais (leia Efésios 5:19)
que são cantados na assembleia do povo de Deus. A glória do céu se
aproxima de nós quando nos assentamos nos lugares celestiais com

138
A igreja

Cristo Jesus (leia Efésios 2:6) e quando adoramos a Deus em espí-


rito e em verdade (leia João 4:24). A igreja é a providência sábia de
Deus para o alimento espiritual balanceado e contínuo do seu povo.

3. Providenciar a comunhão cristã


“Se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão
uns com os outros” (1 João 1:7). E essa comunhão é mais preciosa
quando “a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo”
(1 João 1:3). Quando Deus disse: “Não é bom que o homem esteja
só” (Gênesis 2:18), ele falou uma verdade fundamental que tem a ver
com toda fase da vida humana. O homem é um ser social; precisa ter
comunhão com seus semelhantes. Nós encontramos essa comunhão
no lar, entre os nossos amigos e na igreja junto aos nossos irmãos
de fé. E nos tempos vindouros Deus proverá a comunhão eterna à
sua direita. Porventura deveríamos estranhar a exortação de Deus
de não deixarmos “a nossa mútua congregação, como é costume de
alguns” (Hebreus 10:25)? As pessoas que rejeitam a comunhão com os
irmãos da fé, cedo ou tarde perdem a comunhão com Deus. A igreja
é o plano de Deus para prover a comunhão espiritual com outros
irmãos; comunhão que o seu povo necessita enquanto viver na carne.

4. Prover oportunidades para o crescimento


espiritual de seus membros
Nós crescemos espiritualmente quando a igreja nos chama para
a oração coletiva, ao estudo da Bíblia, a guardar o dia do Senhor,
a assistir aos cultos cristãos, a ofertar com alegria segundo aquilo
que o Senhor nos tenha abençoado e para outras coisas “que diz
respeito à vida e piedade” (2 Pedro 1:3). Quando você aproveita
essas oportunidades, você acaba sendo uma grande ajuda, fazendo
com que a sua igreja seja uma verdadeira bênção para você próprio
e para outros.

5. Providenciar meios para guardar os


mandamentos do Senhor
A irmandade de crentes nos ajuda a guardar os mandamentos
do Senhor. Existem as pessoas que dizem que podem guardar

139
As Providências De Deus Para O Homem

os mandamentos do Senhor sem fazer parte de uma igreja. Mas


é óbvio que ninguém jamais conseguiu fazê-lo. É verdade que
alguns que não são membros de alguma igreja têm guardado
alguns dos mandamentos da Bíblia; mas nem todos. Alguns desses
mandamentos como o ósculo santo e a obediência aos pastores
não podem cumprir-se estando sozinho. Jesus, referindo-se a sua
igreja, disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em
meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20). Nesta
explicação de Jesus, fica evidente que um indivíduo não pode
formar uma igreja por si só. Deus quer ajudar-nos por meio dos
irmãos a obedecer a todos os seus mandamentos.

6. Providenciar uma oportunidade para o povo


de Deus unir seus esforços e recursos na tarefa
de ganhar os perdidos
O amor entre os irmãos na igreja dá testemunho ao mundo
da sua lealdade a Cristo (João 13:35). A unidade em si atrai
o mundo para o evangelho. Quando os irmãos unem os seus
esforços e recursos para evangelizar, seja na comunidade ou em
lugares mais distantes, terão mais êxito do que aquele que rejeita
a ajuda dos irmãos.
Considerando as bênçãos que Deus providencia por meio
da igreja, seríamos uns ingratos se não lhe prestássemos o nosso
serviço fiel. Da mesma forma que Jesus Cristo deu a sua vida por
nós, também devemos dar a nossa por ele e pela sua igreja. Visto
que a igreja é estabelecida por Deus, não devemos negar-lhe o
nosso apoio. Mostremos a nossa gratidão para com o que Deus
nos provê por meio da igreja, por viver uma vida fiel, leal e obe-
diente ao Senhor Jesus Cristo. Se formos leais a Cristo, também
o seremos aos irmãos.

140
17
Capítulo

O governo civil
Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas,
orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que
tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e
honestidade (1 Timóteo 2:1–2).
A bondade de Deus para com o homem é observada na dupla
providência que ele fez para governar, cuidar e proteger o homem:
(1) na espiritual, por meio da igreja; (2) na material, por meio do
estado. A Bíblia ensina que a autoridade do governo civil e a auto-
ridade da igreja foram ordenadas por Deus: “Não há autoridade
que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas
por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação
de Deus” (Romanos 13:1–2).

Ordem e autoridade
“Deus não é Deus de confusão, senão de paz” (1 Coríntios
14:33). Até entre os animais e insetos observa-se que Deus os
capacita para conduzir seus afazeres de forma ordenada. Por
exemplo, considere como um grande número de formigas ou de
abelhas vivem juntas e em ordem. Não é de se estranhar, pois,
que Deus estabelecesse um sistema ordenado para os humanos,
um sistema no qual os justos podem ser protegidos da corrupção
e da violência dos injustos. Deus estabeleceu os governos para
que governem os cidadãos das nações por meio de leis baseadas
sobre os princípios da retidão e da equidade de modo que os
ímpios sejam refreados de suas injustiças por meio de castigos.
Com referência à autoridade para realizar os decretos de Deus,

141
As Providências De Deus Para O Homem

as autoridades são responsáveis diante de Deus por sua fidelidade


ou infidelidade.

O propósito do governo
O propósito do governo é castigar os transgressores (leia
1 Timóteo 1:9) e proteger da violência dos maus, aqueles que
obedecem às leis (leia Atos 25:11). A sabedoria de Deus é destacada
por fazer tal provisão quando lembramos que “todo o mundo jaz
no maligno” (1 João 5:19). Se não existisse algum recurso para
refrear os males comuns da sociedade, então os justos estariam à
mercê dos injustos em todos os aspectos da vida diária.
Talvez você esteja perguntando: Não é verdade que alguns dos
pecados mais perversos são cometidos por aqueles que estão em altas
posições no governo? Porventura não é verdade que muitas vezes os
governos instigam a iniquidade em vez de suprimi-la? E o que dizer
dos fanáticos religiosos que por muitos séculos derramaram o sangue
de cristãos humildes e indefesos? E o que dizer dos governos que por
muitos anos tem se entregado ao ateísmo e à opressão? E o que dizer
dos muitos casos na história onde o governo assassinou os cristãos em
vez de dar-lhes proteção? Seria Deus o autor de todas estas atrocidades,
algumas delas cometidas em seu nome?
Não! Tampouco ele é o autor de tudo o que as pessoas infiéis
fazem nas igrejas. Deus é paciente, e às vezes na sua sabedoria
inescrutável, espera muito tempo antes de trazer as autoridades
à justiça. Deus responsabiliza as nações assim como também às
pessoas pelos seus atos de desobediência. A seu tempo, conforme
a sua sabedoria infinita, ele trará juízo sobre toda má obra.
Assim ele fez no passado, faz no presente e continuará fazendo
no futuro.

A vontade diretiva
e a vontade permissiva de Deus
Este assunto tem a ver principalmente com o assunto do
governo das nações. Existem algumas coisas que Deus dirige ou
manda, enquanto que há outras que ele apenas permite. A seguir

142
O governo civil

daremos dois exemplos para explicar a diferença entre a vontade


diretiva e vontade permissiva de Deus.
Ø Quando Balaão perguntou a Deus se deveria amaldiçoar a
Israel, ele lhe disse que não deveria fazê-lo. Essa foi a vontade
diretiva de Deus. Então Balaão, insatisfeito com esta proibição
de Deus, voltou novamente a inquirir se ele podia ir até aquele
lugar para ver o que aconteceria. Foi assim que Deus lhe disse
que poderia ir. Essa foi a vontade permissiva de Deus.
Ø Nos dias de Samuel o povo de Israel queria um rei. Samuel
lhes disse qual era a vontade diretiva de Deus neste assunto.
Mas sendo que o povo era rebelde e não quiseram sub-
meter-se a essa vontade, Deus disse a Samuel que deveria
conceder-lhes seu pedido; que não estavam rejeitando a
Samuel, mas a Deus. Essa foi a vontade permissiva de
Deus e o povo de Israel sofreu as consequências de não
submeter-se vontade diretiva de Deus.
A vontade permissiva de Deus não significa que ele aprova os
planos de um indivíduo ou de uma nação rebelde. A realidade é
que Deus deu ao homem a responsabilidade de escolher e é por
isso que ele não obriga o homem a ir contra a sua própria vontade.
Além disso, Deus permite que aconteçam certas coisas, não
porque são boas em si, mas por causa do bem que resultará delas
ou porque cumprem o seu propósito. Alguns exemplos de tais
coisas são a opressão de Faraó sobre os filhos de Israel (leia Êxodo
1:1–10), a crucificação do Senhor Jesus Cristo (leia Atos 2:23) e
a dispersão dos discípulos depois da morte de Estêvão (leia Atos
8:1–3). Nos assuntos das nações, Deus permite muitas coisas por
meio da opressão e de outras formas de iniquidade da ira do homem.
Muitas vezes isso tem sido o meio pelo qual se trazem louvores a
Deus. O sangue dos mártires tem sido muitas vezes a semente da
igreja. A história contém muitos exemplos desse princípio.

A relação do cristão com o governo


Vejamos nas Escrituras como o cristão deve se relacionar com
o governo. Alguns dos pontos principais são:

143
As Providências De Deus Para O Homem

1. A sujeição
O nosso dever principal para com o governo é submeter-nos a
ele. Mesmo quando existem leis que nos desagradam, não devemos
deixar de respeitá-las e de obedecê-las. Essa submissão deve ser
uma lealdade voluntária e não uma escravidão de má vontade:
“Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo
castigo, mas também pela consciência” (Romanos 13:5). Por isso:
“toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores” (Romanos
13:l). “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e autori-
dades, que lhes obedeçam, e estejam preparados para toda a boa
obra” (Tito 3:l).

2. Uma dupla cidadania


O filho de Deus tem uma dupla obrigação. Por um lado é
cidadão do país onde vive e por outro lado é cidadão da pátria
celestial. Paulo, nativo de Tarso, em várias ocasiões referiu-se a
si próprio como cidadão romano. Paulo também era cidadão
do reino que “não é deste mundo” (João 18:36). Aos Filipenses,
Paulo escreveu: “A nossa cidade está nos céus” (Filipenses 3:20).

3. Estrangeiros e peregrinos
Mesmo sendo cidadãos aqui, não devemos nos esquecer de
que somos apenas “estrangeiros e peregrinos na terra” (Hebreus
11:13), à procura de uma cidade “da qual o artífice e construtor
é Deus” (Hebreus 11:10). Reconhecendo esta verdade podemos
entender facilmente como os apóstolos podiam ensinar a sujeição
às autoridades e ao mesmo tempo dizer que os cristãos devem a
sua primeira lealdade a Deus. Nenhuma lei terrena poderia levá-
-los a desobedecer à lei superior de Deus (leia Atos 5:25–29).
Não obstante, os discípulos nunca ofereceram resistência alguma
ao seu governo, escolhendo, em tempos de perseguição, sofrer
como estrangeiros.
A Bíblia não ensina que a igreja deve envolver-se no governo
para assim influenciar o mesmo em benefício da obra de Deus.
O governo está fora da área de ação dos cristãos. Seu poder mais
forte está na oração. O texto de 2 Pedro 2:8, se refere a Ló como

144
O governo civil

um homem justo. Não obstante, este homem justo que aparente-


mente era influente em Sodoma, foi incapaz de salvar a cidade da
destruição. Ló tinha menos influência ali do que o seu tio Abraão
que somente orava pela cidade. Quando o Império Romano
adotou o cristianismo como a religião de estado, ele corrompeu
a igreja em vez de a igreja purificar o estado. Isto sempre ocorre
assim. É por isso que os verdadeiros cristãos não se misturam
com a política do mundo. Suas esferas de ação são totalmente
diferentes. Tanto o governo como a igreja caminhará melhor se
cada um dedicar-se à missão pela qual foi chamado por Deus. A
ideia que o cristão pode ajudar na causa da justiça ao intrometer-
-se na política é um engano.

4. Um poder edificador
No entanto, o cristão tem, sim, uma responsabilidade para
com o seu governo e o governo recebe muitos benefícios de seus
cidadãos cristãos. Visto que os cristãos são muito conscientes no
cumprimento da lei, é por isso que o governo necessita muito
pouco da polícia, dos tribunais ou das prisões para mantê-los em
ordem. Os cristãos verdadeiros são honestos, retos, diligentes e
sóbrios; pagam seus impostos e esforçam-se por viver vidas irrepre-
ensíveis. O cidadão cristão sempre exerce uma influência positiva
em qualquer país que lhe dê refúgio. Na maioria das vezes que
uma nação maltrata os seus cristãos, de uma forma ou de outra
isso acaba sendo ruim para ela.

5. Um intercessor
É um privilégio e um dever de cada cristão orar pelos seus
governantes e por todos os que estão em autoridade: “Admoesto-te,
pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões,
e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os
que estão em eminência” (1 Timóteo 2:1–2). O benefício é duplo;
tanto o governo recebe benefício como também o intercessor.
Nisso está o poder do cristão; a sua maior oportunidade é por
meio da oração. Bendita a nação que abriga um exército de
intercessores, porque sem dúvidas é o exército mais formidável

145
As Providências De Deus Para O Homem

que qualquer nação poderia ter. É um ditado verdadeiro que “a


oração é o poder que move a Mão que governa o mundo”. Que
nós cidadãos cristãos não deixemos nunca de exercer este poder
de intercessão a favor da nossa nação.

146
18
Capítulo

O dia do Senhor
Eu, João, que também sou vosso irmão… fui arrebatado no
Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande
voz, como de trombeta, que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o
primeiro e o derradeiro (Apocalipse 1:9–11).
Atualmente existe muita confusão a respeito do dia do Senhor
(o domingo) e a sua relação com o dia de repouso do Antigo Tes-
tamento (o sábado). Nesse capítulo nós queremos que a Palavra de
Deus esclareça essa confusão. Nesse caso é necessário analisar três
pontos importantes: (1) qual foi o significado do dia de repouso
do Antigo Testamento, (2) o que significa o dia do Senhor para
nós hoje e (3) como devemos guardar o dia do Senhor.

O dia de repouso
do Antigo Testamento

1. Foi santificado pelo Criador


“Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E
havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou
no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou
Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda
a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis 2:1–3).

2. Foi feito por causa do homem


Repousar no sétimo dia da criação não foi um ato caprichoso
de Deus, nem algo que ele fez porque se sentiu cansado. Nosso
Deus infinito e eterno, que faz o melhor para o homem e para
os animais, repousou no dia sétimo devido a pelo menos dois

147
As Providências De Deus Para O Homem

propósitos: (1) para indicar o descanso espiritual que o homem


tem quando está bem com Deus e (2) para dar um exemplo ao
homem quanto à necessidade de um descanso físico.
Falando do dia de repouso, Jesus disse: “O sábado foi feito
por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”
(Marcos 2:27). Pelas circunstâncias em que foram pronunciadas
essas palavras, tudo parece indicar que elas se referem ao tempo
da criação quando Deus santificou o sétimo dia e não apenas ao
tempo em que Deus deu o dia de repouso aos judeus.
Ao criar o dia de repouso, Deus tinha em mente o bem eterno
do homem.

3. Cristo é Senhor do dia de repouso


Nas suas próprias palavras: “O Filho do homem é Senhor até do
sábado” (Lucas 6:5). Sendo o Criador quem criou todas as coisas
(leia João 1:1–3), Jesus tem o poder de mudar o que ele próprio
criou ou de regulamentar as coisas conforme a sua vontade. Por
exemplo, Jesus utilizou esse poder quando permitiu aos seus dis-
cípulos recolher espigas para comer no dia de repouso, quando
curou os enfermos mesmo no dia de repouso e quando riscou a
cédula da lei e a cravou na cruz (Colossenses 2:14).

4. Ocorreu na lei de Moisés


Na antiga aliança, Deus deu aos filhos de Israel leis rigorosas
quanto à guarda do dia de repouso. A lei de Moisés estava cheia
de mandamentos e ritos que tinham um significado espiritual.
A seguir, examinaremos como se guardou o dia de repouso no
tempo da lei de Moisés.
Ø Guardou-se o sétimo dia por se lembrar do dia que Deus
santificou ao terminar a sua obra
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo
dia é o sábado do Senhor teu Deus… Porque em seis dias
fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há,
e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o
dia do sábado, e o santificou (Êxodo 20:9–11).

148
O dia do S enhor

Ø Guardou-se em memória da libertação de Israel do Egito


Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus… Porque
te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor
teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por
isso o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia de
sábado (Deuteronômio 5:14–15).

Ø Seu cumprimento foi circunscrito por castigos muito severos


O homem que saiu para recolher lenha no dia de sábado, foi
apedrejado como castigo por ter violado o mandamento divino
(leia Êxodo 35:2–3; Números 15:32–36). Este exemplo nos
ajuda a entender o zelo e as críticas dos fariseus com relação
ao cumprimento do dia de sábado nos dias de Cristo.

Ø Facilitou a oportunidade para o serviço e para a adoração


a Deus
O dia de sábado teve como resultado a adoração pública
na sinagoga judaica. Considera-se que este fato tenha sido
estabelecido nos dias de Esdras e Neemias. Jesus tinha o
costume de entrar nas sinagogas nos dias de sábado (leia
Lucas 4:16). E Paulo disse que “as vozes dos profetas… se
leem todos os sábados” (Atos 13:27).

Os cultos religiosos que ocorriam na sinagoga nos dias de


Cristo e dos apóstolos, ofereciam uma oportunidade excelente
para os judeus conhecerem o Messias profetizado nas Escri-
turas. A forma de culto que os judeus utilizavam na sinagoga
serviu de modelo para as primeiras congregações cristãs.
Ø Naquele tempo existia um sistema de dias de repouso com
uma aplicação literal e um significado simbólico
Ø O sétimo dia como dia de repouso.
Ø O sétimo mês, que marcava a observância de três festas
nacionais: a festa das trombetas, a festa dos tabernáculos e
o dia da expiação (leia Levítico cap. 23; Números cap. 29).
Ø O ano sabático, em que a cada sete anos eles deixavam a
terra sem plantar por um ano (leia Êxodo 23:11).

149
As Providências De Deus Para O Homem

Ø O ano do jubileu, que era celebrado a cada cinquenta anos


(uma semana de sábados, sendo que sete vezes sete são qua-
renta e nove). Este ano era como um sábado dos sábados.
Neste ano havia oportunidade para os pobres remirem as
suas terras vendidas e também para redimir quem tivesse
sido vendido para a servidão. Era um ano de graça para
todos os oprimidos e angustiados da terra de Israel.
Todos esses sábados tinham o seu significado espiritual e eram
“a sombra dos bens futuros” (Hebreus 10:1) que agora temos em
Cristo Jesus.

5. Era sombra do que havia de vir


“Portanto, ninguém vos julgue… por causa dos… sábados, que
são sombras das coisas futuras” (Colossenses 2:16–17).
Uma sombra é apenas o reflexo de algo. Assim foi o dia de
repouso guardado pelos judeus com relação ao dia do Senhor para
os cristãos. Hebreus capítulos 3 e 4 explica claramente como a
incredulidade do povo de Israel os impedia de entrar no verdadeiro
repouso de Deus, ainda que guardassem o dia de repouso. Da
mesma forma, o povo de Deus hoje pode entrar em seu repouso,
mesmo não guardando o sábado da antiga aliança. Leia o que diz
em Hebreus 3:18–19; 4:1–9:
E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que
foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa
da incredulidade. Temamos, pois, que, porventura, deixada a
promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica
para trás. Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como
a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto
não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram. Porque
nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim
jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso; embora as
suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo. Porque
em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas
as suas obras no sétimo dia… Porque, se Josué lhes houvesse dado
repouso, não falaria depois disso de outro dia. Portanto, resta ainda
um repouso para o povo de Deus.

150
O dia do S enhor

Da mesma maneira que Deus providenciou maná suficiente no


sexto dia para sustentar os filhos de Israel no dia de repouso, e os que
saíram no sétimo dia para recolher mais, não encontraram nada (leia
Êxodo 16:23–27), assim também hoje em dia, Deus dá o sustento
espiritual aos que descansam na sua provisão em lugar de tratar de
controlar as suas vidas por meio de suas próprias habilidades. Os
cristãos que entram no repouso do Senhor Jesus encontram a paz
que excede todo o entendimento e o descanso espiritual que lhes
permite confessar que preferem perder as suas vidas para ganhar
a Cristo. “Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio
repousou de suas obras, como Deus das suas” (Hebreus 4:10).

O dia do Senhor
Em nossos dias a maioria dos cristãos guarda o dia do domingo
como o dia do Senhor. Nós não fazemos isso por crermos que
Deus tenha transferido a santificação do sábado para o primeiro
dia da semana. Antes, é porque cremos que a santificação do
sétimo dia foi cumprida em Cristo Jesus e que ele por meio da
sua ressurreição, marcou o primeiro dia da semana como um dia
especial para a sua igreja.
“Portanto, ninguém vos julgue… por causa dos… sábados,
que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”
(Colossenses 2:16–17). Hoje não guardamos o dia de sábado
como dia de repouso porque já chegou o corpo que projetava a
sombra que Deus mostrou aos antigos. E ao chegar o verdadeiro
(Cristo), já não existe razão alguma para que nos enamoremos de
sua sombra (que nesse caso é o sábado como o dia de repouso).
Ao dizer isso, nós não descartamos o fato de que o nosso corpo
físico necessita de descanso como antes. Sabemos que esse descanso
encontra a sua melhor expressão dentro da semana de sete dias que
Deus criou no princípio. No entanto, cremos que a intenção de
Deus quando deu aos judeus aquelas leis tão estritas na guarda do
dia de repouso não foi para o seu bem-estar físico somente, mas
para que eles aprendessem a guardar o significado espiritual desse
descanso estrito: que o homem não pode operar por si mesmo o
descanso que Deus lhe oferece por meio de Jesus Cristo.

151
As Providências De Deus Para O Homem

Desde a criação até que os judeus receberam a lei de Moisés, a


Bíblia contém indícios de que o tempo foi medido por semanas
(períodos de sete dias). Em Gênesis 8:7–12, Noé esperou sete dias
para enviar a pomba para fora da arca pela segunda e pela terceira
vez. Em Gênesis 29:27–28, Labão falou da semana quando disse:
“Cumpre a semana desta”. Tudo indica que em toda a história da
humanidade o homem tem medido os dias por semanas. Pode bem
ser que mesmo antes do tempo de Moisés as pessoas costumavam
descansar um dia da semana seguindo o exemplo de Deus na criação.
É um fato comprovado que o homem não desfruta do seu
pleno potencial físico quando não observa essa provisão divina
para o seu bem-estar. Há mais de dois séculos, durante a Revolução
Francesa, tentou-se substituir o período de sete dias por um de dez
dias. No entanto, os franceses viram-se obrigados a abandonar a
ideia devido a resultados não satisfatórios. É por isso que tantas
pessoas no mundo dividem o seu tempo em períodos de sete dias
(semanas) e guardam os fins de semana como um tempo especial.
O dia do Senhor também tem providências para a nossa saúde
espiritual. Nós focamos as nossas atenções em Jesus para adorar e
servi-lo, assim colocando as coisas materiais em segundo plano.
Nesse dia comemoramos a ressurreição triunfante do Senhor e
declaramos o nosso amor e lealdade para com ele. Ao guardar o
dia do Senhor nós recebemos refrigério físico e espiritual.
Chamamos o domingo de “dia do Senhor” porque é o dia con-
sagrado à memória de nosso Senhor ressurreto. Esse termo teve a
sua origem nos dias dos apóstolos. João disse: “Eu fui arrebatado
no Espírito no dia do Senhor” (Apocalipse 1:10).
É claro que o cristão faz a obra do Senhor todos os dias. Porém
o dia do Senhor é o dia em que devemos afastar-nos do afã desta
vida para pôr o foco ainda mais em adorar, servir, edificar o corpo de
Cristo e evangelizar as almas perdidas. Tudo isso deve ser feito para
glorificar a Deus e demonstrar a lealdade a Cristo, o Senhor desse dia.

1. O dia do Senhor é o primeiro dia da semana


O dia do Senhor não é o dia em que Cristo foi sepultado, mas
o dia no qual ressuscitou triunfante sobre todo inimigo, dando a

152
O dia do S enhor

nós uma vida nova em vitória sobre o pecado. Vejamos a seguir


algumas razões para guardar o domingo como o dia do Senhor:
Ø Os discípulos reuniram-se nesse dia em memória dele
imediatamente após a sua ressurreição. Tanto é que Cristo
apresentou-se no meio deles em algumas dessas reuniões.
Ø A igreja apostólica reunia-se nesse dia da semana para os
cultos de adoração pública (leia Atos 20:7; 1 Coríntios 16:2).
Ø A igreja continuou com essa prática durante os primeiros
séculos da era cristã.

2. As igrejas primitivas guardaram o dia de


domingo como o dia de adoração.
Desde o tempo da ressurreição de Cristo, o primeiro dia da
semana tem sido o dia que os cristãos observam como o dia do
Senhor. Em 1 Coríntios 16:1–2, Paulo indicou o primeiro dia da
semana para recolher as ofertas da igreja. Isso sugere que o dia de
domingo era o dia em que a igreja se congregava. Os cristãos do
primeiro século seguiram o costume dos judeus de fazer coletas
no mesmo dia em que se reuniam para adoração pública.
Existem testemunhos escritos de alguns dos cristãos primi-
tivos que repetidas vezes falaram do dia da ressurreição como
“o primeiro dia da semana”, “o oitavo dia”, “o domingo” ou
simplesmente “o dia do Senhor”. De acordo com muitos desses
testemunhos escritos, notamos que aparece uma lista bastante
longa de escritores que demonstraram que as primeiras igrejas
observaram o primeiro dia da semana como o dia do Senhor.
Todos esses escritores descreveram esse dia de adoração e serviço
de uma forma diferente do dia de repouso dos judeus.
Justino Mártir, no ano de 140 a.D. disse do dia de domingo:
E o dia chamado de domingo, todos os que vivem nas cidades
ou no campo se juntam em um lugar, e as memórias ou os escritos
dos apóstolos ou dos profetas se leem… pão, vinho e água trazem.
Então aquele que preside esta assembleia de crentes também
oferece orações e ações de graças, conforme ao que pode, e o povo
concorda, dizendo: ‘Amém’. Neste dia há uma distribuição para

153
As Providências De Deus Para O Homem

cada um e uma participação de tudo pelo qual se dão graças. E


aos ausentes se lhes manda uma porção por meio dos diáconos.
E aqueles que são ricos e generosos contribuem o que cada um vê
por bem. Então o que se recolhe, é depositado com o presidente,
que socorre os órfãos e as viúvas (Apologia, capítulo 67).
Estima-se que isso foi escrito não mais que cinquenta anos
após a morte do apóstolo João. Nisso vemos um testemunho
de cristãos que passavam o dia de domingo em culto religioso
tal como no dia de Pentecostes. Especificamente, notamos que
esses cristãos participavam da Santa Ceia, conforme descrito em
Atos 20:6–7, e também na ajuda aos pobres, como aparece em
1 Coríntios 16:1–2.
Em vários desses escritos dos cristãos primitivos vemos clara-
mente qual era a prática da igreja apostólica e com isso podemos
refutar as declarações falsas que são divulgadas mundo afora
pelas quais teria sido o Papa que mudou o dia de repouso para
o primeiro dia da semana. O domingo era o dia de adoração da
igreja apostólica por alguns séculos antes que existisse um Papa
ou uma Igreja Católica Romana.

3. Como guardar o dia do Senhor


Através de toda a história da igreja os cristãos têm observado
o dia do Senhor com os seguintes propósitos:
Ø Adorar a Deus e meditar na sua Palavra
Ø Comemorar a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo
Ø Descansar e ocupar-se nas coisas de Deus (não nos negócios
ou nos prazeres do mundo tais como os esportes)
Ø Fazer ofertas (1 Coríntios 16:1–2)
Se colocarmos em nossas mentes e em nossos corações cada um
destes propósitos, então será mais fácil compreender o que devemos
fazer nesse dia. Existem algumas coisas que impedem que tenhamos
um dia do Senhor que agrade a Deus. Algumas dessas coisas são o
que faz o mundo ao nosso redor nos fins da semana: agir de maneira
preguiçosa no dia do Senhor, andar buscando os prazeres da carne

154
O dia do S enhor

ou simplesmente andar na vaidade de nossas mentes. Nenhuma


destas coisas alimenta ou refrigera as nossas almas.
É possível que muitos de nós temos que trabalhar arduamente
durante toda a semana e então necessitemos desse descanso para
que as nossas almas possam alimentar-se nesse dia. Mesmo que
cada um de nós tenha o privilégio de se refrescar todos os dias
com a água de vida, quando deixamos de lado os nossos trabalhos
terrenos no dia do Senhor temos uma oportunidade maior de tirar
proveito da Palavra de Deus. O dia do Senhor é o dia em que as
nossas almas se alimentam com o maná celestial que recebemos
da Palavra de Deus. Nesse dia as nossas almas recebem refrigério
e a nossa comunhão com Deus se fortalece à medida que nos
aprofundamos na sua Palavra.
É por isso que não se deve encher o dia do Senhor lendo o
jornal ou pensando nos negócios da semana vindoura. Devemos
passar o dia do Senhor com coisas que edifiquem a alma e não
com coisas que atrapalhem o crescimento e a maturidade do
homem espiritual. Algumas coisas que podemos fazer nesse dia
são: ler a Bíblia de manhã com a família, assistir ao culto cristão,
conversar com os irmãos sobre coisas que edificam, cantar hinos,
visitar os enfermos e as viúvas, exortar aos que tem sido salvos e
admoestar aos que ainda não o são. Estas coisas, junto com uma
relação transparente com Deus, nos ajudam a preparar os nossos
corações e as nossas mentes para enfrentar as provas e tentações
da semana que vamos viver sobre esta terra caso o nosso Senhor
Jesus Cristo tarde um pouco mais. É necessário que cada um de
nós saiba guardar o dia do Senhor da forma que agrade a Deus.

155
19
Capítulo

Os anjos
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os
livra (Salmo 34:7).
Há uma relação muito estreita entre os homens e os anjos.
O autor do livro aos Hebreus disse que os anjos são “espíritos
ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de
herdar a salvação” (Hebreus 1:14). Cristo, ao referir-se às crianças,
disse: “Seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que
está nos céus” (Mateus 18:10).
Os anjos são muito inferiores a Deus, mas são superiores ao
homem em inteligência e em poder. Os anjos são seres espirituais.
Existem muitas indagações a respeito deles que o homem não tem
como responder. No entanto, a Bíblia se refere tanto a eles que o
leitor fiel da Palavra pode aprender muito sobre eles e suas obras.

Sua origem
Os anjos são seres criados: “Todas as coisas foram feitas por
ele” (João 1:3). (Leia também Neemias 9:6.) “Porque nele foram
criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invi-
síveis” (Colossenses 1:16).
A Bíblia nos fala de alguns anjos pelos seus nomes e em certas
ocasiões nos descreve suas missões. A Palavra de Deus menciona
várias classes de anjos, como os arcanjos, os serafins e os querubins.
Fala do arcanjo Miguel (Judas v. 9) e dos “anjos, e as autoridades
e as potências” (1 Pedro 3:22; Colossenses 1:16).
Há quem pergunte se Deus criou anjos maus junto com anjos
bons. A resposta é não. Deus não faz nada mau. Quando Deus
terminou a criação do mundo, disse que todas as coisas que havia

157
As Providências De Deus Para O Homem

criado eram muito boas (Gênesis 1:31). Não sabemos exatamente


quando Deus criou os anjos, mas sabemos que os anjos maus não
foram criados maus. Eles caíram nesse estado depois da criação.
Judas se refere “aos anjos que não guardaram o seu principado”
(Judas v. 6), mostrando assim que no princípio não eram as
criaturas rebeldes que chegaram a ser depois. Isaías 14:12 relata
a história de como Lúcifer caiu do céu. Cristo disse que o diabo
“não se firmou na verdade” (João 8:44); isso indica que outrora
ele esteve na verdade. Concluímos, então, que no princípio todos
os anjos foram criados de maneira muito boa, mas depois alguns,
como o diabo, se rebelaram e caíram.

Seu grande número


Jacó viu uma grande companhia de anjos e referiu-se a eles
como “exército de Deus” (Gênesis 32:2). Permitiu-se a Eliseu
e a seu servo enxergar um exército com cavalos e carros sobre
os montes ao seu redor, os quais eram muito mais numerosos
do que o grande exército da Síria (leia 2 Reis 6:13–17). Cristo
somente teria que dizer uma palavra, e “mais de doze legiões
de anjos” teriam estado ao seu comando (leia Mateus 26:53).
O escritor do livro aos Hebreus se refere a “muitos milhares de
anjos” (Hebreus 12:22). João viu “milhões de milhões” destes
seres celestiais (leia Apocalipse 5:11). Com relação aos anjos
maus, existem tantos deles que Deus providenciou um lugar
especial “para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). (Leia
também Apocalipse 20:10.)
Se os nossos olhos fossem abertos como os olhos do servo de
Eliseu, então veríamos os anjos ao redor de nós, sobre nós e por
toda parte. Mas Deus na sua sabedoria infinita não permite que
os olhos do homem mortal vejam tais coisas. Depois, quando o
véu da mortalidade for retirado, os nossos olhos enxergarão as
providências de Deus que a língua mortal não pode descrever e
os olhos mortais não podem contemplar.

158
Os anjos

Seus atributos

1. São espíritos
Os anjos são seres espirituais. “E, em verdade quanto aos anjos,
diz: Que faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda
de fogo” (Hebreus 1:7).

2. São indivíduos
Reconhecemos que cada anjo, assim como cada homem, é um
indivíduo. Por exemplo, Gabriel apareceu a Zacarias e depois a
Maria (leia Lucas 1:19, 26–38), e Miguel disputou pelo corpo
de Moisés (Judas v. 9). Disto obtemos a ideia que os anjos têm
traços e ofícios pessoais.

3. São imortais
Os anjos não estão sujeitos à morte física. Cristo falou do estado
futuro dos justos: “Não podem mais morrer; pois são iguais aos
anjos” (Lucas 20:36). Os homens e os anjos são diferentes nisso:
Enquanto a alma do homem por um tempo mora num corpo
mortal, os anjos não estão limitados dessa maneira porque não
tem corpos mortais. Depois da dissolução do corpo, a morada
terrestre do homem, os homens e os anjos serão semelhantes;
serão imortais. Os justos morarão com Deus na glória; os injustos
passarão a eternidade no lugar “preparado para o diabo e seus
anjos” (Mateus 25:41).

4. São poderosos
A Palavra de Deus diz que os anjos são poderosos “em força”
(Salmo 103:20) e que são “maiores em força e poder” (2 Pedro
2:11). O poder dos anjos foi demonstrado na destruição de Sodoma
e Gomorra, na destruição do exército de Senaqueribe (leia Isaías
37:36), na ressurreição de nosso Senhor (leia Mateus 28:2–5) e se
demonstrará mais no juízo vindouro (leia Mateus 13:39; 2 Tessa-
lonicenses 1:7–9; Apocalipse 20:1–2). Os homens não conseguem
compreender o poder, a força e nem a velocidade com que os anjos
se deslocam e atuam.

159
As Providências De Deus Para O Homem

5. São inteligentes
Fica evidente que existem coisas que os anjos não conhecem.
A Bíblia diz que ao homem foram reveladas coisas que os anjos
desejam atentar (leia 1 Pedro 1:12). Além disso, ela diz que há
coisas que nem os homens, nem os anjos conhecem (leia Mateus
24:36). Quando Cristo disse “nem os anjos dos céus” ele dá a
entender que os anjos são de inteligência superior, mas não têm
um conhecimento infinito. Os judeus reconheciam a inteligência
superior dos anjos. A mulher de Tecoa disse a Davi: “Sábio é meu
senhor, conforme à sabedoria de um anjo de Deus, para entender
tudo o que há na terra” (2 Samuel 14:20). Os anjos são seres que
ultrapassam ao homem em inteligência. No entanto, possuem
uma inteligência muito inferior à de Deus.

6. São bons
Com certeza, essa virtude pertence apenas aos anjos que “guar-
daram o seu principado” (Judas v. 6). Tanto os anjos caídos como
os homens caídos, perderam a sua bondade. Notamos a bondade
dos anjos de Deus no fato deles serem fiéis por cumprir os man-
damentos de Deus, adorar a Deus (leia Neemias 9:6; Filipenses
2:9–11) e estarem sujeitos a ele em tudo. Os anjos que nunca
caíram, obedecem a Deus nos céus e são espíritos ministradores
enviados ao povo de Deus na terra.

7. São benevolentes
Esta virtude pertence somente aos anjos fiéis de Deus. Os anjos
do diabo estão empenhados na destruição dos homens, enquanto
que os anjos de Deus dedicam-se a promover os melhores interesses
do homem. Pense na obra dos anjos para com homens e mulheres,
tais como Abraão, Ló, Jacó, Moisés, Zacarias, Paulo, Pedro, João,
Lázaro o mendigo, Isabel e Maria.

8. São felizes
Os anjos têm a tarefa agradável de ministrar aos escolhidos
de Deus e fazem-no com alegria. Eles regozijam-se quando os
pecadores voltam outra vez ao redil do nosso Redentor. Os anjos

160
Os anjos

ajudam aos santos e adoram a Deus junto com eles nessa vida
e compartilharão com eles a glória de Deus no porvir. Estarão
juntos com os santos de Deus na presença do Pai, do Filho e do
Espírito Santo e cantarão juntos os hinos de louvor e de glória a
Deus por toda a eternidade.

9. São gloriosos
Os anjos são abundantes em bondade, inteligência, sabedoria,
pureza, alegria e benevolência. Glorificam a Deus (leia Isaías 6:3;
Lucas 2:14; Apocalipse 4:8; 7:11–12) e lhe servem como mensa-
geiros em toda boa obra; eles são seres gloriosos.

O ofício e a obra dos anjos

1. São espíritos ministradores


Todos os santos anjos são espíritos ministradores. Os anjos de
Deus ministraram a Abraão, a Jacó, a Moisés e a Daniel assim
como também ministraram à virgem Maria e aos pastores quando
anunciaram o nascimento de Jesus. Eles também ministraram ao
próprio Jesus, a Pedro, a Paulo, a outros discípulos encarcerados, a
João em Patmos e a muitos outros crentes. Foi para os que temem
a Deus que se disse: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos
que o temem, e os livra” (Salmo 34:7). “Portanto, a mulher deve ter
sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos” (1 Coríntios
11:10). Depois que Cristo triunfou nas tentações que o diabo lhe
fez por quarenta dias e quarenta noites, “chegaram os anjos, e o
serviam” (Mateus 4:11).

2. São mensageiros de Deus


Os anjos trouxeram notícias a Abraão quando Deus decidiu
destruir a cidade de Sodoma. Eles também confortaram Jacó em
Padã-Arã quando se sentiu completamente abandonado. Foram
esses enviados celestiais que ministraram a Isaías ao chamarem-
-no para a sua vocação. Além disso, um anjo apareceu a Zacarias
e disse-lhe que seria o pai de João o Batista. Também aparecereu
um anjo a Maria e anunciou-lhe o nascimento de seu filho Jesus.

161
As Providências De Deus Para O Homem

Foram esses mensageiros de Deus que trouxeram as boas novas aos


pastores quando lhes anunciaram o nascimento do Rei, Redentor
e Salvador do mundo. E esses espíritos ministradores revelaram
alguns acontecimentos futuros a João na ilha de Patmos.

3. Executam os propósitos e juízos de Deus


Deus utiliza os anjos para cumprir a sua vontade para com o
homem. O anjo do Senhor entrou no acampamento dos assírios e
185.000 homens foram mortos. Também se colocou no caminho
de Balaão e fez com que percebesse que ele era mais insensato do
que a jumenta que montava. Ele atemorizou a guarda no sepulcro
de Jesus quando o Senhor ressuscitou triunfante. Foram os anjos
que fizeram a obra de separar Ló de seus companheiros malignos
e levaram a alma redimida de Lázaro ao seio de Abraão. Os anjos
são os servos de Deus que recolherão os maus na grande colheita
final do Mestre para lançá-los na fornalha de fogo (leia Mateus
13:41–42). Eles acompanharão o Senhor Jesus Cristo quando
vier para julgar o mundo (leia Mateus 25:31; 2 Tessalonicenses
1:7–9). Da mesma forma que Deus tem utilizado os seus anjos
nesta época para realizar os seus propósitos, assim também, a seu
tempo, os utilizará no fim dos tempos.

4. Servem como guias para o crente


Foi um anjo que enviou Filipe a encontrar-se com o eunuco
(leia Atos cap. 8). Também foi um anjo que levou Pedro a Cor-
nélio quando a porta do evangelho foi aberta para os gentios (leia
Atos cap.10). Um anjo tirou Pedro da prisão enquanto os seus
companheiros estavam orando por ele (leia Atos cap. 12). E da
mesma forma um anjo dirigiu Paulo em sua viagem para Roma
(leia Atos 27:23).

5. Glorificam a Deus
Ninguém se dedica mais ao louvor e à glória de Deus do que
estes seres celestiais. Veja a mensagem dos serafins que louvaram
a Deus na presença de Isaías, dizendo: “Santo, Santo, Santo é
o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”

162
Os anjos

(Isaías 6:3). Analise o louvor angelical que se ouviu naquela noite


nas encostas de Belém: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra,
boa vontade para com os homens” (Lucas 2:14). Nunca houve
uma aparição de anjos na qual Deus não foi glorificado entre os
homens. Um dia as vozes dos santos e dos anjos proclamarão
juntos os louvores de Deus na glória, dizendo: “Ao que está assen-
tado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e
honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5:13).

Algumas coisas
que a Bíblia não ensina
Algumas pessoas deixam a sua imaginação ir além dos ensina-
mentos bíblicos e afirmam com confiança algumas coisas sobre as
quais a Bíblia guarda silêncio ou testemunha ao contrário.

1. Que os anjos são espíritos de pessoas que


viveram em mundos anteriores.
A Bíblia não fala nada sobre isso. Esta teoria é baseada em
pura especulação humana. Não sigamos os pensamentos humanos
quando estes não estiverem em harmonia com a Palavra de Deus.

2. Que os anjos sejam fêmeas


Quando algumas pessoas pintam um anjo, fazem-no de
maneira que seja visto com traços femininos. Todos os nomes dos
anjos encontrados na Bíblia são nomes masculinos. Além disso,
versículos como Marcos 12:25 e Lucas 20:35, nos demonstram
que os anjos não são seres sexuais.

3. Que os anjos habitam os planetas


Isto pode ser ou não ser correto. Se Deus necessita deles nestes
lugares, com certeza eles irão e farão a vontade de Deus assim como
a fazem no céu e na terra. Mas devemos nos lembrar que os anjos
são espíritos e que não necessitam de nenhum planeta para viver
nem mesmo de um lar para descansar os seus pés.

163
As Providências De Deus Para O Homem

4. Que os justos serão transformados em anjos


no céu
Cristo disse que os justos serão “iguais aos anjos” (Lucas 20:36)
ou “como os anjos que estão nos céus” (Marcos 12:25). Notemos
que Jesus falava de duas classes de seres muito semelhantes. Do
contrário, ele teria dito que os justos do povo de Deus seriam anjos
depois da ressurreição. Enquanto que os santos são semelhantes
aos anjos de várias maneiras, fica muito claro que agora não são
anjos e que jamais serão. A Bíblia fala dos santos e dos anjos nos
céus e na terra (leia Apocalipse 7:9–12).
Há quem diga que Apocalipse 22:8–9 prova que seremos anjos
quando chegarmos no céu. Nesses versículos um anjo referiu-se
a si próprio como “conservo” de João e dos profetas. Um estudo
cuidadoso desta porção bíblica nos ensina que o anjo não dizia
que ele era o que João chegaria a ser. Os homens e os anjos servem
como ministros e mensageiros de Deus, cada um em seu respectivo
lugar. Portanto, são conservos, ambos servindo a Deus. O anjo
referiu-se aos outros crentes, os companheiros de João, como “teus
irmãos”. Não disse “meus irmãos” nem “nossos irmãos” mostrando
assim que ainda que tenha considerado a si próprio como um
conservo de João e de seus irmãos, reconheceu uma distinção
entre eles. Essa passagem bíblica está em harmonia com todas as
outras escrituras que tratam desse assunto. Em conclusão, ainda
que o serviço desses mensageiros divinos tenha muito a ver com o
serviço dos que fazem parte do povo de Deus na terra, os santos e
os anjos são seres distintos, sendo que ambos estão sujeitos a Deus
no seu serviço. Isto indica que a relação estreita entre os anjos e
os homens continuará nos céus.

164
O REINO DAS TREVAS
Falando da condição do universo antes que Deus criasse a
luz, a Bíblia diz: “E havia trevas sobre a face do abismo” (Gênesis
1:2). Não são essas as trevas das quais tratamos nestes capítulos.
Antes, nos referimos às trevas espirituais, às obras de Satanás e
de suas hostes.
A Bíblia nos diz que a verdade e a justiça são como a luz,
enquanto que se refere ao pecado e as suas consequências como
as trevas. As trevas naturais que existem onde não há luz simbo-
lizam as trevas indescritíveis que existem onde o rosto de Deus
não lança a sua luz.
O príncipe das trevas é Satanás. Ele é o autor do pecado, o pai
da mentira, o deus deste século, o inimigo de toda justiça.
Os anjos caídos, juntos com o seu chefe, são os instigadores e
propagadores do reino das trevas. Eles estão condenados a passar
a eternidade nas trevas exteriores que Deus preparou para eles
(leia Mateus 25:30).
As almas perdidas são as vítimas miseráveis do reino das trevas.
Elas vivem sem “esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12)
e estão no caminho largo, rumo à destruição eterna. Essas com-
pletam o quadro obscuro do que estudaremos mais a fundo nos
próximos capítulos. Tendo um coração mau de incredulidade, os
incrédulos trabalham juntos com o diabo e seus anjos num grande
esforço para destruir as almas dos homens.
No entanto, esse quadro obscuro, é apenas o início dos sofri-
mentos. Sofreremos um castigo na eternidade pelos pecados que
cometemos aqui na terra se não nos arrependermos. O pecado na
terra, por tão obscuro e triste que seja, é somente uma amostra
da miséria, do desespero, da indescritível tortura e da aflição que
haverá nas trevas exteriores onde o diabo e todos os seus seguido-
res passarão a eternidade. Essa é uma cena escura e horrível, mas
damos graças a Deus que ele nos tenha providenciado uma via
de escape por meio da sua infinita misericórdia.

165
20
Capítulo

O diabo, Satanás
Porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como
leão bramando , buscando a quem possa tragar (1 Pedro 5:8).

E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em


anjo de luz (2 Coríntios 11:14).
Antes de começar este estudo sobre o terrível e vil destruidor
das almas, peçamos ao Senhor em oração que nos ajude a com-
preender a natureza do diabo e que a graça de Deus nos ajude em
todo tempo a vivermos livres de seu poder.

Sua personalidade
Este adversário que realmente existe, não é apenas uma má influ-
ência ou uma tendência negativa que atua no homem. Satanás tem
uma personalidade própria, assim como Deus e o homem também
a possuem. Nos dias de Jó, Satanás veio junto com os filhos de Deus
quando esses se apresentaram diante de Deus (leia Jó 1:6–12). O diabo
contendeu com o arcanjo Miguel pelo corpo de Moisés (leia Judas
v. 9). Ele também tentou a Cristo no deserto (leia Mateus 4:1–11).
Quanto antes os homens reconhecerem que o diabo existe,
tanto melhor será para o seu bem-estar presente e eterno. A missão
do diabo é enganar e desviar os homens, evitar que se realize o
plano de Deus para a restauração dos homens caídos e desprovê-
-los da entrada na presença de Deus na glória.

Sua habitação
A Bíblia diz que o diabo rodeia a terra e anda por ela (leia
Jó 1:7) “como leão bramando, buscando a quem possa tragar”
(1 Pedro 5:8). Ele é o “príncipe das potestades do ar” (Efésios

167
O REINO DAS TREVAS

2:2), “o deus deste século” (2 Coríntios 4:4) e “o príncipe deste


mundo” (João 14:30).
A meta do diabo é entrar nos corações dos homens com o
objetivo de corromper e destruir suas almas. É com razão que se diz
que a principal habitação de Satanás está a menos de dois metros
da superfície da terra. A Palavra de Deus fala frequentemente de
como Satanás habita nos corações dos homens pecaminosos. A
Bíblia não diz especificamente onde o diabo mora, mas nos dá a
entender que a terra é o palco de suas atividades atuais. Também
somos informados que o inferno será a sua habitação eterna (leia
Mateus 25:41; Apocalipse 20:10).

Sua origem
A Bíblia não explica detalhadamente de onde veio Satanás, como
foi criado, e nem como chegou a transformar-se no diabo. No
entanto, há algumas escrituras que falam um pouco a respeito deste
assunto. Não há dúvidas que Deus criou “todas as coisas” incluindo
este ser que mais tarde transformou-se no diabo (leia João 1:3). Mas
quando Deus criou Lúcifer (leia Isaías 14:12), foi na forma de um
anjo santo. Depois que este anjo caiu em pecado devido ao seu orgu-
lho, foi expulso dos céus junto com uma multidão de “anjos que não
guardaram o seu principado” (Judas v. 6). A partir daquele momento,
o diabo vem fazendo o seu trabalho destruidor sobre a terra.
Por que Deus permitiu tal coisa? Deus queria que os anjos o
servissem por decisão própria, voluntariamente. Para que a sua
sujeição fosse voluntária, tiveram que ter a capacidade de aceitar
ou rejeitar a Deus. Qual foi a origem do mal no ambiente tão
puro dos céus? Não há ninguém bom, senão Deus. Os anjos que
rejeitaram a Deus rejeitaram a única fonte de bondade e santidade,
transformando-se em seres malignos.

Seus atributos
Os nomes que a Bíblia dá ao diabo revelam os seus atributos
e propósitos. Seus nomes mais comuns são:
Ø diabo, adversário de Deus e do homem (leia 1 Pedro 5:8).

168
O diabo , S atanás

Ø Satanás, acusador e caluniador dos filhos de Deus (leia


Apocalipse 12:9–10). Satanás é quem difama a Deus diante
do homem (leia Gênesis 3:1–6) e acusa o homem perante
Deus (leia Jó 1:9; 2:4; Apocalipse 12:10).
Ø Belzebu, “príncipe dos demônios” (leia Mateus 12:24) e o
“príncipe das potestades do ar” (Efésios 2:2).
Ø Belial, sem valor, destruidor e sem lei (leia 2 Coríntios 6:15).
Ø Apoliom, “o destruidor”, o anjo do abismo (leia Apocalipse
9:11).
Ø dragão, monstro que procura entrar no coração humano
em toda oportunidade (leia Apocalipse 20:2).
Ø deus deste século, príncipe deste mundo que cega “os
entendimentos dos incrédulos” (leia 2 Coríntios 4:4).
Além disso, é conhecido como um semeador de joio (leia
Mateus 13:25 e 28), a antiga serpente (leia Apocalipse 12:9), um
leão que ruge (leia 1 Pedro 5:8) e alguém que se disfarça de anjo
de luz (leia 2 Coríntios 11:14).
Satanás é atrevido (leia Jó 1:6), maligno (leia 1 João 2:13),
insinuador (leia Jó 1:9), astuto (leia Gênesis 3:l), enganador (leia
2 Coríntios 11:14), feroz (leia Lucas 8:29; 9:39 e 42), homicida
e mentiroso (leia João 8:44).
Os vícios perversos e as características destrutivas e diabólicas
dos homens pecaminosos nos revelam quão vil e detestável é o
príncipe dos anjos maus, o diabo.

Seu modo de trabalhar


Apesar do que já foi dito sobre o diabo, e contrário ao que muitos
imaginam, ele tem uma personalidade muito atrativa. Geralmente
ele é descrito como um monstro horrível com um rabo comprido,
uma língua fendida, um ar infernal e um grande garfo na mão.
Mesmo que essas características possam descrever a sua perversi-
dade, normalmente ele não se apresenta assim aos homens. Mas,
pelo contrário, ele se apresenta com uma personalidade atrativa,
com palavras suaves e doces. Até se disfarçando como anjo de luz.

169
O REINO DAS TREVAS

1. Como um anjo de luz


O diabo apareceu a Eva no jardim do Éden como um anjo de luz,
convencendo-a de que ele tinha algo para lhe oferecer que era melhor
do que qualquer coisa que ela desfrutava. Ele ainda está usando esse
mesmo tipo de engano atualmente e muitos de seus seguidores são
hábeis na arte de enganar. Eles tratam de fazer crer que a religião
verdadeira de Jesus Cristo é algo que retira a liberdade das pessoas e as
restringe a uma vida de desgosto e opressão. Os seguidores do diabo
dizem que o que eles oferecem, traz liberdade e que é um caminho
de luz mais sublime, a única maneira digna de viver. Satanás é o
príncipe e líder deste engano, o grande especialista neste trabalho
perverso (leia Gênesis 3:1–6). Este anjo de luz primeiramente atrai
aos homens, depois os engana, os cega e no final os destrói.

2. Um leão que ruge


O leão que ruge anda à procura de uma vítima. É assim
também que o diabo age. Sob a influência de Satanás o desportista
cai na jogatina, o que busca prazeres chega a cair na libertinagem,
o que bebe torna-se um alcoólatra e o cético acaba sendo um ateu.
Como um anjo de luz, o diabo induz os homens a brincar com
o pecado; depois, como um leão que ruge, ele realiza a sua obra.
O atual aumento dos índices de criminalidade é o rugir do leão
forte: o contrabando, a imoralidade, o homicídio, as “guerras e
rumores de guerras”, as greves, os protestos, etc. Não obstante, no
meio de tudo isso há um canto de sereia, um chamado hipnótico
que diz: “O mundo está melhorando”, “estamos despertando para
uma era de maior entendimento e compreensão”.

O fim
O fim de tudo isso é o despojar do mundo e a ruína das almas.
Tudo isso culminará no fim do tempo quando Satanás e todas as
suas hostes serão lançados no lago de fogo onde “a fumaça do seu
tormento sobe para todo o sempre” (Apocalipse 14:11). Como
príncipe dos demônios, chefe de pecadores e grande inimigo de
tudo o que é bom e bendito, Satanás será o que mais sofrerá nesse
lugar preparado para ele e os seus anjos.

170
21
Capítulo

Satanás
e os que estão sob
o seu domínio
O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para
que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo,
que é a imagem de Deus (2 Coríntios 4:4).
Satanás é o chefe de todas as hostes da maldade. A Bíblia se
refere a ele como sendo “o deus deste século” (2 Coríntios 4:4) e
“o príncipe deste mundo” (João 12:31). De outras escrituras como
Daniel 10:5–13, Lucas 11:14–18 e Efésios 6:11–12, fica evidente
que Satanás é o rei no reino dos demônios e encabeça as forças
dos espíritos malignos. Sendo ele o deus deste século e o príncipe
dos demônios, tanto os homens pecaminosos deste século como
também os demônios fazem a sua vontade.

Suas limitações
Satanás é um ser criado e não o Criador. Portanto, como os
outros seres criados, há coisas que ele definitivamente não pode
fazer. Ainda que ele tenha domínio no seu reino, há limites que
Deus não lhe permite ultrapassar. Citaremos alguns exemplos das
limitações impostas a Satanás:
Ø Quando Deus conversou com o diabo a respeito de Jó, o
diabo comentou: “Porventura teme Jó a Deus em vão? Por-
ventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo
quanto tem?” (Jó 1:9–10). Então Deus deu permissão ao
diabo para fazer o que quisesse com os seus bens, mas não

171
O REINO DAS TREVAS

lhe permitiu tocar no próprio Jó. O diabo destruiu tudo


que Jó tinha. Até os seus filhos morreram. Mas Satanás não
conseguiu nada. Então houve outra conversa entre Deus
e Satanás. Desta vez o diabo disse que se pudesse tocar no
corpo de Jó, este pecaria. Deus deu permissão a Satanás para
que tocasse no próprio corpo de Jó, mas não lhe permitiu
matá-lo. De novo Satanás não conseguiu o que queria. No
final, Jó saiu vitorioso e foi mais abençoado do que nunca.
No entanto, o que queremos frisar é que o diabo não pôde
passar dos limites que Deus lhe impôs (leia Jó caps.1, 2 e 42).
Ø Depois que Cristo jejuou quarenta dias, ele foi tentado pelo
diabo. Três vezes Satanás tentou vencer o Filho de Deus, e nas
três vezes falhou. Por quê? Porque Cristo se manteve firme
na Palavra de Deus. E Satanás não pôde tocar nele. Por meio
de Cristo, Deus nos dá o mesmo poder de resistir ao diabo,
enquanto nos mantivermos fiéis a ele e a sua Palavra. O Senhor
nos garante que se nos revestirmos de “toda a armadura de
Deus” e tomarmos o escudo da fé, vamos poder “apagar todos
os dardos inflamados do maligno” (leia Efésios 6:10–18). O
Senhor nos disse que se resistirmos ao diabo, ele fugirá de
nós (leia Tiago 4:7). O diabo não tem nenhum poder sobre
nós enquanto continuarmos fiéis ao Senhor. Mas quando os
homens não querem revestir-se de toda a armadura de Deus,
o diabo os devora como um leão que ruge.

Os que ele tem sob o seu domínio

1. Os anjos maus
Judas fala dos “anjos que não guardaram o seu principado, mas
deixaram a sua própria habitação”, e diz que Deus os “reservou
na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia”
(Judas v. 6). Aqui observamos que: (1) O diabo e seus anjos foram
criados santos, mas depois deixaram o seu principado e abando-
naram a sua morada. (2) Os anjos maus não podem arrepender-se
como os homens, mas estão reservados “na escuridão e em prisões
eternas até o juízo daquele grande dia”.

172
S atanás e os que estão sob o seu domínio

A Bíblia fala de pessoas que foram controladas pelos demônios.


Isto nos mostra que o príncipe dos demônios conta com o apoio das
suas hostes demoníacas no seu plano horrível de destruir as almas
dos homens. Do mesmo modo que os anjos que permaneceram
fiéis ao seu Criador, o Deus do céu, são espíritos ministradores aos
herdeiros da salvação, assim também os anjos do diabo são espíritos
que realizam a corrupção e a destruição das almas dos infiéis.

2. As almas perdidas
A Bíblia nos diz que “todo o mundo jaz no maligno” (1 João
5:19). Isto significa o mundo das almas perdidas. Eles rejeitaram
a Deus, e o deus deste século tomou posse deles. O diabo é o
“espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios
2:2) e por isto é também o “príncipe das potestades do ar”. Leia
o que o nosso Salvador disse quanto ao caminho pelo qual per-
corre a humanidade em Mateus 7:13–14. “Todas as nações que se
esquecem de Deus” pertencem ao domínio de Satanás, e, portanto,
“serão lançadas no inferno” (Salmo 9:17).

A grande luta
Está sendo travada uma grande luta pelas almas. Deus oferece
liberdade a toda alma cativa, tendo sacrificado o seu Filho uni-
gênito para conseguir essa libertação. Por meio da autoridade de
Jesus Cristo há mensageiros por todo o mundo que pregam as
boas novas da salvação. A libertação do pecado nessa vida e a glória
do céu na eternidade, chamam todas as almas para que recebam
a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e que prossigam com
esperança para o alvo celestial.
Do outro lado está Satanás, que não descansa de dia nem de
noite, mas está empenhado em condenar e destruir a humanidade.
Ele faz tudo que pode, quer seja por meio da mentira, do engano
ou da calúnia, para desorientar e enganar os que ouvem a verdade
e desviá-los do caminho para que acreditem em fábulas.
Cada pessoa tem que decidir quem terá o domínio da sua alma:
será Deus, ou o diabo?

173
O REINO DAS TREVAS

Por que as almas permitem


que o diabo as escravize?
O cristão recebeu o perdão de seus pecados, é liberto da con-
denação e tem a bendita esperança de uma coroa eterna que lhe
espera no céu. Mas o incrédulo vive uma vida de desgostos e na
eternidade será exilado por Deus. Por que então são tão poucos
os que decidem seguir a Cristo e tantos os que se encontram
dominados pelo diabo? A seguir apresentamos algumas razões:

1. “O deus deste século cegou os entendimentos


dos incrédulos” (2 Coríntios 4:4)
Como Eva, os incrédulos são levados a pensar que as coisas
que o diabo lhes mostra são boas para comer, agradáveis aos olhos
e desejável para dar entendimento. Eles fecham os olhos para as
bênçãos verdadeiras de Deus, as quais podem ser obtidas somente
ao se humilharem diante de Deus e andarem em santidade.

2. “Satanás se transfigura em anjo de luz”


(2 Coríntios 11:14)
Muitos abandonaram a fé verdadeira porque algum incrédulo
lhes fez crer que estavam andando num entendimento superior.
Muitas pessoas miseráveis, pobres e infelizes, tiveram uma morte
horrível e foram para uma eternidade terrível porque algum
incrédulo os induziu a andar nos caminhos dos prazeres pecami-
nosos. Muitos homens tornaram-se escravos do álcool e do cigarro
por pensarem que exercitavam a sua liberdade ao beber e fumar
enquanto jovens. Há multidões de pessoas que caminham para
a perdição pelo caminho que parece reto aos olhos do homem
porque foram enganados por Satanás e seus seguidores.

3. Pela tentação
Os homens cobiçam as coisas más porque dão lugar à tentação.
“Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e
o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:15). O apelo de
Satanás para a carne é agradável para o homem carnal e o único meio

174
S atanás e os que estão sob o seu domínio

de escape para quem se vê dominado por esse poder é fugir para a


cruz, para receber a purificação por meio do sangue de Jesus. Assim
a alma recebe a direção do Espírito Santo e a proteção do amor e
do poder de Deus. Para ver o contraste entre a derrota e a vitória
na hora da tentação, compare Gênesis 3:1–6 com Mateus 4:1–11.

4. Pela negligência
O reino de Satanás cresce porque muitos que professam
conhecer a Deus estão dormindo espiritualmente. Pense por
um momento como Satanás e as suas hostes vigiam dia e noite,
e como os muitos que professam ser cristãos são desobedientes,
descuidados e indiferentes (leia Tito 1:16). Não devemos estranhar
o fato de que o reino de Satanás cresça e que se aumente mais e
mais a maldade. Enquanto os homens dormem, o inimigo semeia
o joio (leia Mateus 13:24–30). Leia também Efésios 5:11–14.

175
22
Capítulo

O pecado
Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e
pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os
homens por isso que todos pecaram (Romanos 5:12).
Como seria o mundo se não houvesse guerra, nem homicídios,
nem roubos, nem brigas familiares? Como seria se todos os homens
fossem perfeitos como foi Adão antes de pecar? Seria um lugar
belo, não é verdade? Ao comparar o nosso mundo pecaminoso com
um mundo sem pecados, temos uma ideia de como é o pecado.
O pecado pode ser definido da seguinte forma: “qualquer
pensamento, palavra, ação, omissão ou desejo contrário à lei de
Deus”. A palavra pecado se refere a toda iniquidade e a corrupção
espiritual da alma. É o oposto da justiça.

A Bíblia define o pecado


Ø “O pensamento do tolo é pecado” (Provérbios 24:9).
Ø “Tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:23).
Ø “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete
pecado” (Tiago 4:17).
Ø “O pecado é a transgressão da lei” (1 João 3:4).
Ø “Toda a iniquidade é pecado” (1 João 5:17).

A origem do pecado
O relato da origem do pecado no mundo encontra-se em Gênesis
3:1–8. Antes do pecado entrar no mundo, o homem era puro e
santo, vivia uma vida muito feliz e estava contente com tudo. Ele

177
O REINO DAS TREVAS

tinha a imagem do seu Criador; não sabia nada da culpa nem da


morte. O homem estava livre de toda condenação e desfrutava da
comunhão com Deus. Mas depois que Satanás enganou a Eva,
surgiu a primeira transgressão do homem. Como diz em Romanos
5:12: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo,
e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os
homens por isso que todos pecaram”. A natureza do homem foi
transformada. Em vez de ser “muito bom” (Gênesis 1:31) como o
fez Deus, agora Deus teve que dizer do homem: “Todos pecaram
e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).

O pecado de Adão e os nossos pecados


Ser um pecador não depende do tipo ou do tamanho dos peca-
dos cometidos. Um homem rouba uma maçã e outro homem rouba
mil reais. Diante de Deus os dois são culpados. Não por roubar uma
coisa grande ou pequena, mas por roubar. Quando Deus pede uma
coisa e fazemos outra, o que nos afasta de Deus é o fato de termos
desobedecido. Não nos enganemos, pois, pensando que os nossos
pecados não são tão maus como os de outras pessoas. Mesmo que o
nosso pecado pareça muito pequeno, será suficiente para nos afastar
de nosso Deus. O pecado de Adão e Eva quando comeram do fruto
proibido não parece importante em comparação com os pecados
e crimes graves que são cometidos atualmente. No entanto, o seu
pecado bastou para separá-los de Deus e trazer sobre eles e sobre a
sua descendência, a condenação de morte.

1. O pecado de Adão
Um só pecado destruiu a pureza, perfeição, santidade e a vida
do homem. Esse pecado não consistiu somente em estender a mão
e tomar do fruto da árvore proibida; tomar do fruto foi apenas o
resultado de ter deixado a Deus e seguido a Satanás. O pecado,
portanto, foi a condição da alma e não somente a ação da mão que
colheu o fruto. O homem perdeu seu relacionamento com Deus
e assim tornou-se pecaminoso. Do pecado de Adão recebemos a
corrupção da natureza humana, a mortalidade e a separação de
Deus. Essa condição é transmitida de geração a geração e leva

178
O pecado

cada pessoa ao pecado próprio. Somente o sangue de Jesus Cristo


pode apagar esta mancha (leia Salmo 51:5; Atos 17:26; Romanos
3:9–23; 5:12–19; 2 Coríntios 5:14 e Efésios 2:3).

2. Os pecados cometidos
Quando o pecado existe no coração, este se manifesta de
alguma forma na vida da pessoa. “Enganoso é o coração, mais
do que todas as coisas, e perverso” (Jeremias 17:9). Portanto, “do
coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, for-
nicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas
que contaminam o homem” (Mateus 15:19–20).
Há quem pergunte: “Sou eu responsável pelo pecado de Adão?”
Não. Mas o pecado de Adão, ou melhor dizendo, a natureza
pecaminosa que herdei de Adão, me fará pecar. E isso sim, me
condenará diante de Deus.

3. Os pecados de omissão
Isto é quando não fazemos as coisas boas que sabemos que
devemos fazer. Deus, por meio de Tiago, nos disse: “Aquele,
pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago
4:17). Quando sabemos que Deus quer que façamos algo, e não
o fazemos, isso é pecado.

O pecado imperdoável
Esse assunto foi abordado várias vezes por Cristo e os apósto-
los, e a seriedade dele exige que o vejamos novamente. A seguir
citaremos algumas escrituras sobre este tema:
Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos
homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada
aos homens. E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho
do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o
Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem
no futuro” (Mateus 12:31–32).
Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados,
e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do
Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes
do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para

179
O REINO DAS TREVAS

arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam


o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério (Hebreus 6:4–6).
O Nosso Salvador deu esta solene advertência contra o pecado
imperdoável ao ser acusado pelos fariseus de expulsar demônios
“por Belzebu, príncipe dos demônios,” atribuindo assim a Satanás
o poder que somente Deus possui (Mateus 12:24). Com relação à
blasfêmia contra o Espírito Santo, não é por falta alguma do poder
do sangue de Cristo que jamais se perdoa este pecado, nem por
falta da misericórdia perdoadora de Deus. Pelo contrário, é porque
os que cometem o pecado imperdoável desprezam e rejeitam o
único remédio para o pecado, o poder do Espírito Santo que
efetua a redenção da alma humana por meio do sangue de Cristo.
Às vezes alguém teme que tenha cometido o pecado
imperdoável. A essas pessoas pode-se perguntar: Você deseja
arrepender-se e deixar o pecado? Se a resposta é “sim”, então não
cometeu o pecado imperdoável, pois uma verdadeira angústia e
arrependimento pelos pecados é a melhor evidência de que não
tenha cometido o pecado imperdoável. A Bíblia diz que para os
que cometem o pecado imperdoável “é impossível que… sejam
outra vez renovados para arrependimento” (Hebreus 6:4–6).
Jamais devemos concluir que alguém tenha cometido o pecado
imperdoável e deixar de chamá-lo ao arrependimento. Como pode-
mos estar seguros de que a pessoa não poderá arrepender-se? Seria
melhor continuar a chamar alguém que aparentemente não poderá
arrepender-se do que deixar de chamar a alguém que pudesse fazê-lo?
Há pessoas que referem a essas escrituras e declaram que um
cristão que cair no pecado, jamais poderá arrepender-se. Não
levam em conta escrituras como Tiago 5:19–20; e 2 Coríntios 7:9.
As duas lições práticas que podemos aprender do ensinamento
bíblico sobre o pecado imperdoável são:
Ø “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia”
(1 Coríntios 10:12).
Ø O fato de que pecar contra o Espírito Santo é o único pecado
que coloca o homem além do alcance do arrependimento,
destaca a graça e a bondade de Deus.

180
O pecado

O que nos torna vulneráveis ao pecado

1. A depravação herdada
Como disse Paulo, somos “por natureza filhos da ira” (Efésios
2:3). Quer dizer, herdamos de Adão a tendência para o pecado
por meio de nossos antepassados. Os filhos têm a inclinação para
pecar porque a herdaram de seus pais que também são pecadores.
De maneira que, sobre os pais recai uma grande responsabilidade
de ensinar os filhos a refrear a sua natureza pecaminosa e depois
a buscar em Cristo a cura para o seu pecado.

2. A tentação
Satanás aproveita-se da concupiscência dos homens, tentando-
-os a pecar. “Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela
sua própria concupiscência” (Tiago 1:14). Por esta razão devemos
fugir das coisas que atraem a nossa natureza pecaminosa (leia
Mateus 4:1–11; 6:13; 1 Coríntios 10:13; Tiago 1:2–6, 12–17).

3. A ignorância
Há muitas pessoas que por falta de conhecimento caem em peca-
dos graves que afetam toda a sua vida. Não é conhecimento do pecado
que as pessoas precisam, mas o entendimento do que é o pecado.
Esse entendimento deve estar acompanhado de instruções de como
evitar as garras mortíferas do pecado (leia Levítico 4:2–3; Salmo 79:6;
Jeremias 9:3; Lucas 12:48; Atos 17:29–30; e Efésios 4:18).

4. A ociosidade
Muitos jovens estão esquecendo os provérbios antigos: “A ociosi-
dade é a mãe de todos os vícios” e “Uma mente ociosa é a oficina do
diabo”. Para escapar das muitas ciladas que pegam as pessoas ociosas,
devemos nos ocupar fazendo algo útil, algo que podemos fazer para
a glória de Deus. Uma das maiores maldições do tempo moderno é
que existem muitos pais que criam os jovens sem ensiná-los a traba-
lhar. Dê trabalho aos ociosos e acabe com os lugares de ociosidade,
e muitas das maldades desaparecerão (leia Provérbios 10:4; 12:24;
13:4; 24:30–34; 26:15; 2 Tessalonicenses 3:10–12; 1 Timóteo 5:13).

181
O REINO DAS TREVAS

5. A indiferença
A atitude de “Tô nem aí” leva muitas pessoas a uma vida de
pecado. Aquele que não se importa com nada, sempre escolhe o
caminho que lhe parece mais prazeroso, o caminho do pecado.

6. A influência dos maus companheiros


O nosso pior inimigo, fora da nossa carne, é a pessoa que finge
ser o nosso amigo, mas nos incentiva a pecar. “Filho meu, se os
pecadores procuram te atrair com agrados, não aceites” (Provérbios
1:10). Você já viu o que acontece com uma laranja boa depois de
ficar entre as laranjas podres?

7. A ganância
Há pessoas que adquirem lucros por meio de negócios fraudu-
lentos e não percebem que, ao sacrificar a sua integridade, perdem
algo mais valioso do que o dinheiro. Para manter uma posição alta na
sociedade, alguns sacrificam uma consciência sensível sem perceber
que eles perdem mais do que ganham agindo dessa forma. Com
o objetivo de ganhar uma desejada alta posição, alguns homens se
degradam ao renunciar a sua integridade em troca de ganho ou fama
mundana. Quando a piedade e a pureza são sacrificadas em troca
dos tesouros mundanos (leia Provérbios 23:5), há contaminação
de pecado e a perda não pode ser recuperada com nada que este
mundo possa oferecer. Leia a história do homem rico e Lázaro (Lucas
16:19–31) e também a história do rico insensato (Lucas 12:15–21).

8. A lisonja
Isto é algo mais difícil de resistir do que a oposição aberta e
direta. É verdade que hoje, como nos dias de Salomão, “a boca
lisonjeira provoca a ruína” (Provérbios 26:28).
Por detrás de tudo isto estão as influências e a obra do “pai
da mentira” (João 8:44), o grande enganador das almas que
conhece as fraquezas e falhas dos homens. Ele não perde nenhuma
oportunidade de levá-los à perdição. Em resumo, todo pecador
pode dizer com certa razão: “A serpente me enganou, e eu comi”
(Gênesis 3:13).

182
O pecado

Resultados do pecado

1. A morte
O resultado do pecado se resume nesta advertência a Adão:
“Porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”
(Gênesis 2:17). Há muitas escrituras que testificam que a morte
corporal e espiritual são a recompensa do pecado: “A alma que
pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4); “O salário do pecado é a
morte” (Romanos 6:23); “A morte passou a todos os homens por
isso que todos pecaram” (Romanos 5:12); “O pecado… gera a
morte” (Tiago 1:15); “Mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:l);
“A que vive em deleites, vivendo está morta” (1 Timóteo 5:6).

2. A corrupção
O pecado é um processo que corrompe a pessoa, tornando-a
vil diante dos olhos de Deus e vergonhosa diante da luz da jus-
tiça e santidade verdadeira. É algo que não se pode eliminar por
meio da civilização, bons costumes, nem cultura. Ao olharmos
para os países considerados os mais civilizados, constatamos que
estes contêm algumas das fossas mais vergonhosas de imundice e
vício. Para onde se pode ir nesse mundo sem que a corrupção seja
tão evidente? Em todas as partes observa-se que os homens são
“amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blas-
femos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto
natural, irreconciliáveis, caluniadores, intemperantes, cruéis, sem
amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais
amigos dos deleites do que amigos de Deus” (2 Timóteo 3:2–4).
O pecado é uma doença mortal que primeiro corrompe, e por
último destrói alma e corpo (leia Romanos 1:20–32).

3. A miséria
Há muitos que são enganados com a ideia que a religião é válida
somente na hora da morte; mas enquanto vivem preferem a vida
de pecado, imaginando que tiram maior satisfação e prazer do
pecado. Mas, “não erreis” (Gálatas 6:7). Por que há tanta miséria,
pobreza, aflição, dor, doenças e pragas no mundo? É por causa

183
O REINO DAS TREVAS

do pecado. Por que há prisões, penitenciárias e escolas reforma-


tórias? Por que as lutas, as brigas, o assassinato, as perseguições,
as guerras e os outros pesares da vida? Por que existem essas casas
miseráveis de prostituição nas nossas cidades, o peso na consciên-
cia, a angústia da alma e as esperanças arruinadas? É por causa do
pecado. “Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem
as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa?
E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto
do vinho” (Provérbios 23:29–30). Essa lista de misérias e aflições
é típica do que é produzido por qualquer pecado. As palavras
não bastam para descrever os lamentos, os pesares e as desolações
causadas pelo pecado!
É verdade que muitas vezes o pecado proporciona o que os
homens chamam de prazer. Como as drogas, o pecado dá uma
sensação de prazer momentâneo. Os que estão sob a influência
deste enganoso “elixir tranquilizador” olham com pena ou
desprezo para os que andam nos caminhos da justiça e verdadeira
santidade. Mas tais prazeres são passageiros. Aquele que toma
um gole, de vez em quando, corre o risco de tornar-se o bêbado
que cambaleia pelas ruas. O jovem que fuma cigarros finalmente
tornar-se-á um escravo enfermo. O apostador corre o risco de
cair na ruína e um libertino entregue aos vícios torna-se um
destruidor de lares. Como um “elixir tranquilizador”, o pecado
pode anestesiar por um tempo, mas somente adormece a vítima
e garante para ela o terrível dia da ira e da retribuição.

4. A condenação eterna
Os piores resultados do pecado não se experimentam nessa
vida, mas na eternidade. Qualquer coisa que se experimente neste
mundo será muito leve em comparação com o que há de vir. O
decreto está escrito: “Tudo o que o homem semear, isso também
ceifará” (Gálatas 6:7). Aqui semeamos, lá ceifaremos. Se nessa
vida semeamos para a carne, no mundo vindouro ceifaremos
corrupção (leia Gálatas 6:8). Se aqui semeamos para o Espírito,
mais além ceifaremos vida eterna. Se os resultados do pecado aqui
manifestados claramente ao homem, são indescritíveis pela língua

184
O pecado

e pela caneta do homem, que angústia e miséria haverá quando se


juntarem os lamentos e gemidos das almas condenadas com os do
diabo e seus anjos, no meio das chamas do inferno onde “a fumaça
do seu tormento sobe para todo o sempre”! (Apocalipse 14:1l).

A libertação do pecado
Por acaso não há maneira de escapar? Não há alguma maneira
em que os perdidos e presos pelo pecado possam livrar-se da sua
escravidão e escapar do castigo do fogo eterno? (leia Judas v.7)
Graças a Deus, sim, há. Há perdão pelos pecados cometidos se
cumprirmos com os requisitos de Deus para receber esse perdão
(leia Lucas 24:47). “Porque Deus não nos destinou para a ira,
mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”
(1 Tessalonicenses 5:9). A graça de Deus se estende a toda alma.
A cada pessoa presa pelos grilhões do pecado chega o convite
bondoso e celestial: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos
os termos da terra; porque eu sou Deus” (Isaías 45:22). Não obs-
tante, essa promessa está baseada na seguinte condição: “Deixe o
ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos,
e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o
nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7). “Se
não vos arrependerdes”, o resultado será que “todos de igual modo
perecereis” (Lucas 13:3).

A vitória sobre o pecado


A libertação do pecado somente é possível quando a pessoa se
submete ao poder de Deus e a direção de seu Espírito. Para a pessoa
que cumpre com os requisitos da Palavra de Deus, não há poder na
terra nem no inferno que possa negar-lhe a vitória perfeita em nosso
Senhor Jesus Cristo. Mesmo para os homens mais fortes e inteligentes,
é certo que: “sem mim [Cristo] nada podeis fazer” (João 15:5). No
entanto, o mais fraco pode dizer: “Posso todas as coisas em Cristo
que me fortalece” (Filipenses 4:13). Como, pois, venceremos?
Ø Por meio do sangue do Senhor Jesus Cristo: “E eles o ven-
ceram pelo sangue do Cordeiro” (Apocalipse 12:11).

185
O REINO DAS TREVAS

Ø Por meio da fé: “E esta é a vitória que vence o mundo, a


nossa fé” (1 João 5:4).
Ø Ao revestir-nos de toda a armadura de Deus: “Fortalecei-vos no
Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura
de Deus… para que possais resistir no dia mau e… tomando
sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos
os dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:10–16).
Ø Por meio da Palavra: “Escondi a tua palavra no meu coração,
para eu não pecar contra ti” (Salmo 119:11).
A nossa luta contra o pecado significa uma batalha contínua
contra os poderes do maligno. Mas temos que nos lembrar que
“as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas
em Deus” (2 Coríntios 10:4). Confiemos em Deus; seu poder
é infinito, seu amor é infalível e ele promete que nunca deixará
nem abandonará os seus. É nosso privilégio experimentar con-
tínua e diariamente o que Paulo descreveu: “Mas em todas estas
coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou”
(Romanos 8:37).

186
23
Capítulo

A incredulidade
Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração
mau e infiel, para se apartar do Deus vivo (Hebreus 3:12).
A incredulidade é o pecado que serve como porta para o reino
das trevas. Tal qual a fé está para a salvação, assim é a incredulidade
para a condenação. Assim como nenhum escrito sobre o plano
de salvação está completo sem tratar do tema da fé, igualmente
nenhum escrito a respeito da obra do diabo está completo sem
tratar do tema da incredulidade.
A incredulidade é para a fé o que as trevas são para a luz.
Ao apagar-se a luz, aparece a escuridão para tomar o seu lugar;
e tendo desaparecido a luz, a escuridão toma conta de tudo. A
incredulidade se encontra somente onde a fé não existe. Onde
a fé está completa e perfeita, não poderá haver incredulidade.
Foi pela desobediência de um homem que o pecado entrou no
mundo, mas esse ato de desobediência não teria acontecido se o
homem não tivesse trocado a sua fé em Deus pela fé em Satanás.
Não crer em Deus é o fundamento de todos os outros pecados
(leia Tito 1:15). Toda a humanidade está caracterizada pela incre-
dulidade. Pelo engano do pai da mentira, o mundo tornou-se o lar
de toda forma de incredulidade. Atualmente têm surgido muitos
tipos de incrédulos para ajudar o diabo a roubar a fé dos homens
e destruir a obra de Deus no coração humano.

Tipos de incrédulos
Ø O ateu não crê na existência de Deus. Ele é o néscio que o
salmista fala que diz: “Não há Deus” (Salmo 14:1).

187
O REINO DAS TREVAS

Ø O pagão nega que haja revelações diretas de Deus. Não crê


que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Opõem-se ao cristia-
nismo verdadeiro.
Ø O agnóstico não afirma nem nega a existência de Deus;
professa uma atitude neutra quanto à fé cristã. Limita a
sua crença a essas três palavras: “Eu não sei”. Na realidade,
ele é um pagão.
Ø O filósofo toma a liberdade de formar as suas próprias
opiniões a despeito do que diz a Bíblia. Desta forma, rejeita
a autoridade das Sagradas Escrituras.
Ø O modernista tenta explicar a doutrina cristã de um ponto
de vista das crenças e dos conceitos modernos.
Ø O evolucionista tenta substituir o relato da criação segundo
o Gênesis, pela teoria de um desenvolvimento lento. Ele
pensa que o mundo se formou no decorrer de, pelo menos,
10 bilhões de anos e que os seres vivos vão se transformando
por mudanças causadas por um aumento de informação
genética. Afirma que a vida começou por si mesma e que
evoluiu com o passar do tempo até transformar-se no
homem e nos animais atuais.
Mesmo que haja muita discórdia e contradição entre eles, todos
esses tipos de incrédulos trabalham unidos em oposição à Bíblia.
Negam que a Bíblia seja uma revelação direta de Deus ao homem
e que seja infalível e de autoridade absoluta. Como resultado das
opiniões de todos esses tipos de incrédulos, a igreja cristã de hoje
enfrenta tais heresias destruidoras como o ateísmo, o politeísmo,
o panteísmo, o universalismo, o unitarismo, o materialismo e o
racionalismo. No meio desta confusão, Satanás está colhendo
multidões de almas enganadas.

O que nos torna


vulneráveis para a incredulidade
Cristo admirou-se da incredulidade das pessoas no seu tempo
(leia Marcos 6:6), e não era para menos. Não havia ele cumprido

188
A incredulidade

com todas as profecias do Antigo Testamento a respeito da vinda


do Messias? Pelo seu maravilhoso poder de fazer milagres, pela sua
sabedoria, o amor, a graça e a bondade que ele manifestou enquanto
esteve fisicamente na terra, ninguém deveria ter duvidado que ele
fosse o Messias. Não se maravilharam os próprios judeus incrédulos
da sua sabedoria e poder? No entanto, mesmo dizendo que espera-
vam a vinda do Messias, preferiram matá-lo a crer nele.
Porventura seria mais admirável a incredulidade dos judeus
daquele tempo do que a do mundo dos nossos dias? As evidências
do cristianismo estão por toda parte. Não somente temos Moisés
e os profetas, mas também o evangelho de Cristo, o testemunho
das vidas dos filhos de Deus, o Espírito Santo e as manifestações
da graça e do poder divino nos acontecimentos diários do mundo.
Por que é então que “todo o mundo [ainda] jaz no maligno”
(1 João 5:19), envolto no manto da incredulidade? O que é que
nos torna vulneráveis para a incredulidade?

1. Cobiçar o pecado
Muitas vezes culpamos os outros por nos induzir ao pecado,
mas não devemos lançar a culpa em ninguém senão a nós mesmos.
“Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência” (Tiago 1:14). Por que o alcoólatra não deixa a
sua bebida, o fumante o seu cigarro, o apostador a mesa de jogo,
o homem imoral o bordel, o homem cobiçoso o seu negócio
desonesto, aquele que procura prazeres seus lugares favoritos de
diversão, o homem contencioso as suas pelejas, o irreverente a sua
profanação ou o ladrão o furto? Não os deixam porque desejam
o mal. Quanto mais cobiçamos as coisas más, tanto menos valo-
rizamos a Palavra de Deus. Depois concluímos que essas coisas
não são tão ruins como pensávamos e que a Bíblia não significa
bem o que diz. Há pessoas que outrora foram fiéis a Deus e à sua
Palavra, mas depois voltaram para os caminhos do pecado. Talvez
foi algo do mundo que eles cobiçaram, algum mandamento do
Senhor que não quiseram obedecer ou alguma coisa ou negócio
proibido pela igreja que os levou a cair em pecado. No princípio,
a sua consciência os incomodava quando pecavam, mas depois de

189
O REINO DAS TREVAS

um tempo deixou de incomodá-los. Seus desejos os levaram para


uma atitude de desobediência e tal desobediência produziu um
estado de incredulidade. Agora zombam das coisas que outrora
criam. São como aqueles a quem Paulo se referiu quando disse:
“E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam
a mentira” (2 Tessalonicenses 2:11).

2. Os interesses próprios
Talvez você tenha passado horas, tão absorto com a leitura
de um livro que não deu atenção a nenhuma outra coisa, ou tão
interessado num parágrafo que nem sequer viu o resto da própria
página que estava lendo. Possivelmente você tenha observado
alguém tão envolvido com seus negócios a ponto de prejudicar a
sua vida cristã, mas que não conseguia ver nada de errado, mesmo
sendo advertido, repetidas vezes, sobre o perigo que corria.
Por que os judeus não creram em Jesus? Eles estavam tão
interessados no judaísmo que ficaram cegos para a verdade. Por
que há tanta incredulidade no mundo atual? É porque as pessoas
procuram os prazeres, as riquezas, as vaidades e os enganos do
mundo com tanta ansiedade que desprezam as advertências da
Bíblia, recusando-se a crer nelas.

3. O engano
Por que Eva estendeu a mão para tomar do fruto proibido? É
porque ela foi iludida e cria que o fruto que desejava era melhor
do que aquilo que já possuía. Por que os homens roubam, jogam
e trapaceiam? O tentador lhes convenceu de que esta é a maneira
mais rápida, mais fácil e melhor de obter dinheiro. À medida que
valorizam mais as coisas temporárias e carnais, passam a valorizar
menos as coisas eternas e espirituais. É por isso que os homens
rejeitam a Deus e desconfiam de Jesus Cristo, e sendo enganados,
creem que encontraram algo melhor.

4. As amizades mundanas
Nisto está a fonte de muita incredulidade. Os incrédulos
inteligentes, educados, sociáveis e persuasivos são companheiros

190
A incredulidade

perigosos para os jovens. É dessa maneira que muitos lares, muitos


clubes sociais, muitas igrejas, muitas escolas e muitas universidades
têm se transformado em fábricas de incrédulos.

5. A literatura prejudicial
Um bispo jovem estava de visita no lar de outro bispo mais
idoso. Então viu na mesa da biblioteca um exemplar do livro de
Tomás Paine, “The Age of Reason” (A Era da Razão). O jovem
bispo ficou atônito.
— O quê? Você lê tais livros?
— Sim, por que não? — respondeu o outro. — Quero infor-
mar-me de tais coisas para poder pregar contra elas.
— Mas, e seus filhos? — perguntou-lhe o primeiro.
— Não há perigo — respondeu o mais idoso, — Eles quase
nunca o leem.
No entanto, havia perigo sim. Os dois filhos tornaram-se
incrédulos. A literatura tem poder, seja para o bem ou para o mal.

O que a incredulidade faz


É um fato muito triste que muitos cristãos não percebem os danos
que a incredulidade está causando em tantos lares, escolas e igrejas.
Pelo bem deles e de outros, examinemos os efeitos da incredulidade.

1. A incredulidade debilita o poder dos obreiros


cristãos
Em várias ocasiões a Bíblia nos dá exemplos nos quais até os
discípulos não conseguiram fazer tudo que deviam por falta de
fé (leia Mateus 17:19–20). Para Deus tudo é possível; mas para
o homem o possível é medido conforme a fé (leia Mateus 9:29).
Sabendo que a fé é a vitória que vence o mundo (leia 1 João 5:4–5),
concluímos que a falta de fé é em parte o que impede que mais
pessoas do mundo sejam escolhidas para servir a Cristo.

2. A incredulidade atrapalha a obra de Cristo


Segundo Marcos 6:5–6, Cristo não pôde fazer muitos milagres
na sua própria cidade por causa da incredulidade das pessoas.

191
O REINO DAS TREVAS

A fé da parte dos obreiros e também dos ouvintes da Palavra é


indispensável para o sucesso da obra de Deus.

3. A incredulidade impede as pessoas de


entrarem no reino de Deus
Os israelitas não entraram no repouso de Deus “por causa da
sua incredulidade” (Hebreus 3:19). Poucas pessoas que viviam
quando Cristo esteve na terra entraram no reino de Deus; pois a
maioria dos judeus permaneceram na incredulidade. A declaração:
“quem não crê já esta condenado” (João 3:18), é tão verdadeira
hoje como era no dia em que foi proferida. Os incrédulos podem
tornar-se membros de uma igreja e muitas vezes conseguem fazê-
-lo, mas não há lugar para eles na igreja verdadeira de Jesus Cristo.
Quando o carcereiro perguntou sobre o caminho da salvação, os
apóstolos lhe responderam: “Crê no Senhor Jesus Cristo” (Atos
16:31). Quando o eunuco quis saber se poderia ser batizado,
Filipe lhe disse: “É lícito, se crês de todo o coração” (Atos 8:37).
Finalmente, vemos que o que acontecerá aos incrédulos é que terão
“a sua parte… no lago que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse
21:8). A Bíblia não oferece nenhuma esperança de salvação a
ninguém a não ser pela fé no Senhor Jesus Cristo.

192
A DOUTRINA
DA SALVAÇÃO
Somos salvos pela bondade e pela graça de Deus, e não pela
bondade e pela justiça do homem. Isso coloca a salvação ao
alcance de todo ser humano e nos impõe uma dívida eterna por
causa da dádiva muito preciosa que Deus nos dá ao cumprirmos
as condições necessárias.
Se estudássemos a salvação do ponto de vista humano, começa-
ríamos com a fé; mas como Deus realizou a nossa redenção desde
a fundação do mundo, decidimos começar com a obra de Deus na
expiação. Contudo, a ordem desses temas é mais ou menos arbi-
trária, pois não há uma ordem cronológica para a sua colocação.
Além disso, todos esses temas estão tão intimamente relacionados,
que nenhum deles poderia ser omitido do plano perfeito de Deus
para a salvação.
Para uma melhor descrição da salvação, citaremos a Bíblia:
Porque também nós éramos noutro tempo insensatos,
desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências
e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos
uns aos outros. Mas quando apareceu a benignidade e amor de
Deus, nosso Salvador, para com os homens, Não pelas obras de
justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia,
nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do
Espírito Santo, Que abundantemente ele derramou sobre nós
por Jesus Cristo nosso Salvador; Para que, sendo justificados
pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da
vida eterna (Tito 3:3–7).
Nos nove capítulos a seguir apresentaremos essa doutrina mais
detalhadamente conforme é ensinada na Bíblia.

193
24
Capítulo

A expiação
“Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus
pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados,
seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também
nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual
agora alcançamos a reconciliação” (Romanos 5:10–11).

A expiação resumida
Outrora estivemos muito longe de Deus (leia Efésios 2:12–13).
Quando o homem pecou, não apenas tornou-se uma criatura
pecaminosa, mas também ficou sem recursos ou meios para voltar
para Deus. A escritura fala do homem caído: “Todos nós andá-
vamos desgarrados como ovelhas” (Isaías 53:6). “Todos pecaram
e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). “A morte
passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Romanos
5:12). Era impossível o homem remir-se de seu pecado através de
suas boas obras, bondade humana, riquezas ou obediência estrita à
lei. O homem estava perdido; essa palavra resume toda a história.
Mas Deus, que criou o homem a sua própria semelhança, quis
que o homem tivesse a oportunidade de resplandecer à sua imagem
na eternidade. Por isso Deus providenciou a expiação do pecado
ao enviar para o mundo o seu próprio Filho amado, Jesus Cristo.
Jesus era o unigênito do Pai e como o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo, morreu na cruz para tirar os pecados do mundo
(leia João 1:29). “Pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5).

195
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Também diz: “Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre


os que são santificados” (Hebreus 10:14). Somente pelo mérito do
sangue que Jesus Cristo derramou, podemos novamente ter acesso
ao Pai, e como co-herdeiros com Jesus Cristo podemos novamente
contemplar o futuro com esperança.
A expiação é o que Deus providenciou para reparar os efeitos
do nosso pecado. Por meio dela ele tira a nossa culpa e restaura o
seu relacionamento conosco.

O dia da expiação
Deus introduziu a expiação no Antigo Testamento. Um estudo
da expiação em ambas as alianças é necessário para dar-nos um
entendimento amplo dessa doutrina.

1. A antiga aliança
Os judeus celebravam um dia de humilhação nacional,
guardando o décimo dia do sétimo mês (leia Levítico cap.16;
23:26–27). Nesse dia confessavam os seus pecados e ofereciam
uma oferta para a expiação dos mesmos. Preparavam dois bodes;
matavam um e sobre a cabeça do outro o sacerdote colocava os
pecados do povo e o enviava ao deserto como bode expiatório.
Dessa maneira, os pecados das pessoas eram perdoados. Os animais
inocentes sofriam pelo pecado e os pecadores culpados podiam
regressar para suas casas livres de toda culpa.
A obra desses animais expiava o pecado porque era uma sombra
da obra de Cristo como o Cordeiro de Deus. O seu sofrimento
e morte pelo pecado do povo cumpriram todos os sacrifícios
judaicos que jamais haviam sido oferecidos. “Porque tendo a lei a
sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca,
pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano,
pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hebreus 10:1). Leia
também Hebreus cap. 9; 10:14.

2. A nova aliança
Como já notamos, os sacrifícios judaicos eram apenas um
símbolo do sacrifício perfeito, Jesus Cristo. O sacrifício perfeito

196
A expiação

de Cristo cumpriu o propósito dos sacrifícios que se ofereciam sob


a lei, pois todos esses se cumpriram nele. Dessa forma a expiação
da antiga aliança introduz a da nova, e a expiação da nova aliança
cumpre a expiação da antiga.
Nós hoje podemos pensar no nosso dia de expiação em dois
sentidos: (1) Podemos pensar no dia em que Jesus Cristo esteve
pendurado, ensanguentado na cruz, onde “com uma só oblação
aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hebreus 10:14).
(2) Toda essa nova era do evangelho é um “dia de expiação”, porque
temos acesso contínuo ao altar de Cristo, nosso grande sumo sacer-
dote. A qualquer momento podemos aceitar esse sacrifício como
expiação por nossos pecados e voltar a Deus regozijando-nos, per-
doados e sem pecado. A morte de Cristo é a nossa esperança eterna.

A morte de Cristo

1. Nossa propiciação
Ao morrer, Cristo tornou-se “a propiciação pelos nossos pecados”
(1 João 2:2). Ou seja, a morte de Jesus é o sacrifício que satisfez a
justiça divina contra o nosso pecado. Jesus é quem “Deus propôs
para propiciação pela fé no seu sangue” (Romanos 3:25). Temos sido
reconciliados com Deus pelos méritos do sangue de Jesus Cristo. A
justiça e a misericórdia de Deus foram reconciliadas quando Jesus
expiou “os pecados do povo” (Hebreus 2:17). Por meio dele a ira
de Deus foi apaziguada, e agora podemos nos aproximar de Deus
confiando que os requisitos da justiça foram cumpridos.

2. Nosso Cordeiro
No Antigo Testamento Deus introduziu o princípio de um
inocente levar os pecados dos culpados e adquirir o perdão para os
mesmos. Deus deu a expiação aos sacerdotes para que “levásseis a
iniquidade da congregação, para fazer expiação por eles diante do
Senhor” (Levítico 10:17). No dia da expiação o sacerdote colocava
os pecados das pessoas sobre a cabeça do bode expiatório que mais
tarde era levado para o deserto (leia Levítico cap. 16). Deus aceitava
a obra de um inocente para efetuar o perdão do culpado.

197
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Da mesma forma, Cristo, o Cordeiro inocente de Deus, morreu a


fim de prover perdão para os culpados. “O Senhor fez cair sobre ele
a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6) e ele se ofereceu na cruz por
ela. Jesus pôs “a sua alma… por expiação do pecado” (Isaías 53:10).
Se crermos nele e na eficácia do seu sangue, então a sua morte física
nos salva do castigo que merecemos pelos nossos pecados: a morte
eterna. “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para
que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).

3. Nosso advogado
A vida de Jesus Cristo na terra possibilitou que ele se tornasse
o nosso advogado no céu (leia Hebreus 2:16–18; 4:15). Depois
de ser crucificado, ele ascendeu para a glória e agora está à direita
do Pai como nosso representante, intercessor e advogado. Estêvão
viu Jesus que estava à direita de Deus (leia Atos 7:55–56). Cristo
vive “sempre para interceder” (Hebreus 7:25) por todos os que
por meio dele se aproximam de Deus. “Se alguém pecar, temos
um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).

Algumas opiniões errôneas


Existem numerosas teorias relacionadas com a morte de Cristo
que podem parecer boas, mas que na realidade são contrárias à
doutrina da expiação do pecado por meio do sangue de Jesus
Cristo derramado na cruz. Vejamos algumas delas:

1. Que Cristo apenas padeceu a morte de um


mártir
A Bíblia não fala da morte de Cristo como a de um mártir.
Cristo disse claramente que ele não morreria à força, mas que daria
a sua vida voluntariamente (leia João 10:17–18). Além disso, ele
disse que daria a sua vida “em resgate de muitos” (Marcos 10:45).
Pedro disse que Cristo foi “entregue pelo determinado conselho
e presciência de Deus” (Atos 2:23). A morte de Cristo significa
muito mais do que a morte de um mártir. Significa a salvação dos
pecados. Tal conceito da morte de Cristo pode produzir mártires,
mas não pode salvar os pecadores.

198
A expiação

2. Que a morte de Cristo não passa de um


exemplo de heroísmo
Se esse fosse o propósito da sua morte, com certeza foi em
vão. A coragem de Cristo tem servido de inspiração a muitos de
seus seguidores; mas a sua morte não foi mais heroica do que a
sua vida como um todo. O pecador precisa não somente de um
exemplo, mas da salvação. A grande obra de Cristo na cruz foi a
da expiação, não do exemplo. A sua vida inteira foi um exemplo
perfeito de coragem.

3. Que a morte de Cristo aconteceu por acaso


Há alguns anos eu li uma carta que supostamente foi escrita
por Pôncio Pilatos. Nessa carta Pilatos declarava que se tivesse tido
um dia a mais para se preparar, ele jamais teria permitido que Jesus
fosse crucificado. Há pessoas que contendem que a morte trágica
de Cristo aconteceu por acaso e resultou da combinação desafor-
tunada de várias circunstâncias que, ocasionaram o fim prematuro
da sua carreira. Se esse tivesse sido o caso, então a maior parte da
Bíblia teria que ser reescrita e a declaração de Cristo quanto ao seu
poder seria uma mentira (leia Mateus 26:53; 28:18). As muitas
passagens bíblicas que ensinam que a sua morte foi necessária
para remir o homem também seriam mentira se a morte dele fosse
pura casualidade. Cristo foi “entregue pelo determinado conselho
e presciência de Deus” (Atos 2:23).

4. Que Cristo morreu apenas para mostrar o seu


amor pelas pessoas
No entanto, Deus já havia mostrado o seu amor para com os
homens pecaminosos repetidas vezes. Cada vez que a Bíblia fala
do amor de Deus ao enviar o seu Filho para morrer na cruz por
nós, também fala da salvação: “Porque Deus amou o mundo de
tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele
que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
“Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas
em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação

199
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

pelos nossos pecados” (1 João 4:10). Há muitas maneiras em que


Deus manifesta o seu amor para com os homens, mas há apenas
uma maneira pelo qual os redime: por meio do sangue de Cristo.

5. Que na sua morte Cristo sofreu o castigo pelos


nossos pecados
Há quem diga que Jesus ocupou o nosso lugar voluntariamente
como um pecador perdido e por isso recebeu o nosso castigo da
morte e do inferno. Mas a Bíblia não diz isso. É verdade que a
morte resultou do pecado e que Cristo morreu pelo pecado. Mas
ele não recebeu as profundezas da morte, ou seja, a morte espiri-
tual, mas sim, ele provou a morte por todos (leia Hebreus 2:9).
Não morreu espiritualmente no inferno, mas morreu fisicamente
na cruz, dando assim o seu sangue para tirar o pecado de muitos.
A Bíblia diz claramente que é o sangue que fluiu de seu corpo
moribundo que providencia a salvação, pois “sem derramamento
de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22).
Jesus não foi castigado como pecador, mas foi sacrificado como
um cordeiro inocente. “Cristo… se ofereceu a si mesmo imacu-
lado a Deus” (Hebreus 9:14). É errôneo crer que não resta castigo
por nossos pecados porque Cristo já sofreu por eles. Não é que
o castigo foi sofrido, mas que o perdão foi conseguido. “Temos
a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).
Uma prova por meio da qual se deve testar qualquer teoria de
expiação é quanta importância ela atribui ao sangue. Porventura
essas teorias aceitam o sacrifício expiatório de Cristo para limpar-nos
do pecado por meio do poder de seu sangue? As palavras de Joseph
Parker, expressam a crença bíblica da expiação:
“Neste momento eu sinto que Cristo está fazendo algo por
mim na cruz. Eu sinto que a sua morte é a minha vida, o seu
sacrifício é o meu perdão, a sua crucificação a propiciação pelos
meus pecados, que do Gólgota, o lugar da Caveira, minhas flores
de paz e alegria florescem e que na cruz de Cristo me glorio”.

200
A expiação

A natureza da morte de Cristo

1. Foi por decreto divino


Cristo foi “entregue pelo determinado conselho e presciência
de Deus” (Atos 2:23). Isto mostra que esse era o plano de Deus
para a redenção dos homens pecaminosos.

2. Foi voluntária
Cristo foi crucificado porque ele entregou-se voluntariamente ao
decreto divino. Não foi porque os judeus ou os romanos eram mais
fortes do que ele (leia Mateus 26:47–56; João 10:17–18; 18:4–11).
Os que mataram a Jesus não perceberam que por meio deles Deus
foi glorificado (Salmo 76:10). Eles estavam apenas cumprindo o
plano de Deus para que tanto eles como muitos outros tivessem
acesso ao poder purificador do sangue do Cordeiro de Deus.

3. Foi expiatória
“O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o
pecado” (1 João 1:7). Na fonte carmesim que flui do Calvário há
poder purificador para lavar os pecados de todos que vêm a ele
por meio da fé. Olhando para “o Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo” (João 1:29), oramos: “Lava-me, e ficarei mais
branco do que a neve” (Salmo 51:7).

4. Foi por nós


Foi o plano de Deus que Cristo padecesse, “o justo pelos injustos”
(1 Pedro 3:18). De nada nos serve a morte de Jesus Cristo na cruz, se
não cremos que ele se ofereceu por nós, pagando o preço pela nossa
redenção. “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”
(Isaías 53:6) e “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo” (Hebreus 9:26). Qualquer um que crê nele
encontra o perdão de seus pecados e é reconciliado com Deus.

5. Foi mediadora
“Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já
pelo sangue de Cristo chegastes perto” (Efésios 2:13). Com a

201
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

sua morte, Jesus nos reconcilia com Deus. “É Mediador de um


novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão
das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os
chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hebreus 9:15).
Leia também Efésios 2: 12–19.

6. Foi causa de padecimento


Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o
braço do Senhor? Porque foi subindo como renovo perante ele,
e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura
e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para
que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os
homens, homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e,
como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado,
e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou
sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre
si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído
por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz
estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós
andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo
seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade
de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua
boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a
ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu
a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o
tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes;
pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a
sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda
que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.
Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar
(Isaías 53:1–10).

7. Foi gloriosa
Contemplemos o Filho de Deus na cruz. No meio de seus sofri-
mentos, ele orou pelos seus inimigos. Jesus também falou palavras
de paz e perdão ao ladrão ao seu lado. O Senhor fez provisões para a
sua mãe e encomendou todo o seu ser ao Pai. O poder maravilhoso

202
A expiação

de Deus se manifestou ao partirem-se as rochas, ao tremer a terra


e ao rasgar-se em dois o véu do templo. Aquelas últimas três horas
da crucificação do Senhor Jesus Cristo foram tão maravilhosas e
extraordinárias que até o centurião romano e seus companheiros
exclamaram: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus” (Mateus
27:54). “Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas mara-
vilhas para com os filhos dos homens” (Salmo 107:8).

Quem se beneficia?

1. Deus incluiu todos no seu plano de salvação


O convite de Deus se estende a “todos os termos da terra” (Isaías
45:22) e a salvação é gratuita a “todo aquele que nele crê” (João 3:16).
Não é da vontade de Deus que “alguns se percam” (2 Pedro 3:9); pois
Cristo se entregou “em preço de redenção por todos” (1 Timóteo 2:6).
Deus no seu plano de salvação providenciou a redenção de todos os
homens em todas as épocas, pois ele “não faz acepção de pessoas”
(Atos 10:34). A comissão que Cristo deu a seus discípulos foi de ir e
fazer “discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19).

2. A expiação do pecado beneficia somente aos


que creem
Ainda que a expiação do pecado é para todos, ela está disponível
apenas para os que se dispõem a aceitar as condições; porque a
salvação não é obrigatória. A Bíblia fala muito do fato que apenas
os crentes penitentes que aceitam a Jesus Cristo como seu Salvador
e Senhor podem ser salvos. Explicaremos este ponto nos capítulos
sobre a fé e sobre o arrependimento.
Vejamos este exemplo: Um bilionário faz um depósito enorme
num banco e convida todos os endividados a sacar deste fundo
até que todas as suas dívidas estejam completamente pagas.
Ainda que a oferta é para “todo aquele que quiser” e todos têm
a oportunidade de livrar-se das suas dívidas, somente os que se
aproveitam da oportunidade participarão dos benefícios da oferta
generosa. Assim é com a redenção. Somente os que se aproveitam
da oportunidade serão libertos de seus pecados.

203
25
Capítulo

A redenção
Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das
ofensas, segundo as riquezas da sua graça (Efésios 1:7).
A palavra remir significa “resgatar, livrar e adquirir de novo”
(leia Levítico 25:25–27; 1  Coríntios 6:20; 7:23). Da mesma
forma que algo empenhado pode ser remido pagando-se a soma
requerida de dinheiro, assim o homem, perdido no pecado e sem
esperança, pela graça de Deus foi remido pelo sangue do Cordeiro.
No Antigo Testamento Deus disse aos israelitas que os primo-
gênitos machos pertenciam a ele. Mas deu-lhes a oportunidade de
remir alguns deles. Por exemplo, eles poderiam “comprar” de Deus
um jumentinho que era primogênito. Em troca eles tinham que
sacrificar-lhe (pagar-lhe) um cordeiro. Dessa forma, o preço da reden-
ção do jumentinho era um cordeiro (leia Êxodo 13:11–13). Assim
como o jumentinho podia ser remido se o dono desse um cordeiro
seu a Deus, assim o homem perdido no pecado foi remido quando
Deus ofereceu o seu Cordeiro na cruz. Para remir o homem caído
(comprá-lo de novo para si), Deus teve que dar o seu Filho unigênito.
No capítulo anterior vimos a obra de Cristo ao expiar o nosso
pecado para reconciliar-nos com Deus. O seu sangue vertido
pagou o preço da nossa redenção. O homem salvo já é propriedade
de Deus e adquirido pelo sangue precioso de Jesus.

A redenção de Deus

1. “Vendido sob o pecado”


O homem caído não pertence a Deus, mas ao diabo. O seu
estado é descrito nas seguintes palavras: “Sou carnal, vendido sob

205
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

o pecado” (Romanos 7:14). Como Esaú, que por uma porção de


sopa vendeu a sua primogenitura, assim o pobre pecador vende
a sua alma por uma só “refeição” por meio da qual o diabo traz a
tentação. Ao ser vendido sob o pecado o pecador fica sem recurso.
A lei sela a sua condenação porque lhe mostra que não pode viver
uma vida que agrada a Deus por mais que se esforçar. Agora ele
está destinado a viver essa vida e a vindoura perdido, miserável,
desamparado e sem Deus, a menos que aplique o sangue do Senhor
Jesus Cristo na sua vida para que Deus o redima.

2. O sangue é o nosso resgate


O “resgate” é o que alguém paga para recobrar ou remir algo
para si. Para o homem é impossível pagar o seu próprio resgate ou o
resgate de outro (leia Salmo 49:7–9). O homem não tem com que
pagar o alto preço da sua redenção. A sua única esperança é que o
próprio Deus o pague. E ele de fato já pagou.
Cristo, nosso Redentor, ofereceu o seu próprio sangue para
comprar-nos de novo para si. Como Cristo mesmo disse, ele
veio “para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20:28).
Pedro nos diz que fomos resgatados, não com coisas corruptí-
veis como prata e ouro, “mas com o precioso sangue de Cristo,
como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1  Pedro
1:19). Paulo acrescenta o seu testemunho, dizendo: “Há um só
Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo
homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por
todos” (1 Timóteo 2:5–6).

3. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança


Mesmo que Cristo pagou o preço da nossa redenção, não
experimentaremos o pleno cumprimento dela até chegarmos
na glória. Deus nos deu o Espírito Santo como evidência que
nos remiu para sempre. Deu-nos de si mesmo para mostrar-nos
que na verdade pertencemos a ele. “E, tendo nele também crido,
fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o
penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida,
para louvor da sua glória” (Efésios 1:13–14).

206
A redenção

4. A redenção é para todos


Uma das verdades mais belas da redenção de Deus é que ela
é para todos os povos, em toda nação, em toda região e em todo
tempo. Se alguém que conhece o plano de Deus não se salva, é
por sua própria culpa, pois Deus providenciou a redenção eterna
para todas as pessoas.
A redenção é também para os santos do Antigo Testamento. “É
Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte
para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro
testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna”
(Hebreus 9:15).
A redenção é para todos os santos do Novo Testamento. “O
qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqui-
dade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas
obras” (Tito 2:14).
Enfim, a redenção é para todo aquele que quiser alcançá-la.
“Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste
morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda
a tribo, e língua, e povo, e nação” (Apocalipse 5:9).

Resultados da redenção
Os remidos gozam de:

1. Libertação do domínio do diabo


Por meio da sua morte, Cristo destruiu “o que tinha o impé-
rio da morte, isto é, o diabo; e [livrou] todos os que, com medo
da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” (Hebreus
2:14–15). O pecado já não tem domínio sobre nós (leia Roma-
nos 6:14). Estamos livres para servir a Deus em justiça com uma
consciência limpa. O pecado frustrava os que viviam sob a lei de
Moisés porque jamais conseguiam livrar-se das suas garras. Mas
“Cristo nos resgatou da maldição da lei” (Gálatas 3:13).
O mundo vive sob o domínio do diabo e está condenado com
ele. Mas Cristo “se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos
livrar do presente século mau” (Gálatas 1:4). Foi nessa libertação
que Paulo se regozijava dizendo: “Longe esteja de mim gloriar-me,

207
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo
está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).
“O último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”
(1 Coríntios 15:26). A promessa é: “Eu os remirei da mão do
inferno, e os resgatarei da morte” (Oseias 13:14). Os remidos do
Senhor não temem o sepulcro porque o retorno do corpo ao pó
significa também um retorno do espírito a Deus e por fim haverá
uma “redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23) assim como
da alma. Enquanto que os ímpios “padecerão eterna perdição”
(2 Tessalonicenses 1:9), os justos descansarão seguros na esperança
daquele “que redime a tua vida da perdição” (Salmo 103:4).

2. Reconciliação com Deus


“A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimi-
gos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos
reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos
apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis, se, na verdade,
permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da
esperança do evangelho” (Colossenses 1:21–23). Há duas coisas
mencionadas de maneira especial: (1) que podemos ser reconci-
liados com Deus por meio da morte de seu Filho; (2) que temos
que permanecer na “esperança do evangelho”. Deus fez a sua parte
na redenção e tornou possível que o homem fizesse a sua. Estamos
dispostos a permanecer firmes na fé?

3. Perdão de pecados
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remis-
são dos pecados” (Colossenses 1:14). Paulo declara essa mesma
verdade na sua carta aos efésios ao fazer menção de que recebemos
a salvação pelas “riquezas da sua graça” (Efésios 2:7). Quando
somos remidos, damos testemunho de que fomos pecadores e
agora somos salvos pela graça.

4. Justificação
“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela
redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24). A redenção

208
A redenção

feita por Cristo nos justifica para que possamos nos apresentar
diante de Deus, porque agora temos a justiça que é pela fé em
seu Filho amado.

5. Santificação
“Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para
a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa” (Efésios 5:25–27).
Leia também Tito 2:11–14; Hebreus 10:10 e 14; 13:12.

6. Cidadania celestial
É através da redenção que nos tornamos filhos de Deus. Paulo
chama isto de “a adoção de filhos” (Gálatas 4:5). “Para nos remir
de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial,
zeloso de boas obras” (Tito 2:14). Pedro declara que o povo de
Deus é “geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo
adquirido” (1 Pedro 2:9). Fomos chamados para sair do mundo
pecaminoso para ser “o povo adquirido” por Deus.
Ao recordarmos que os remidos do Senhor, salvos, santificados,
úteis ao Senhor, “pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:20). Lembre-
mos que eles andarão no caminho da santidade do Rei (leia Isaías
35:8–9), esperando a hora em que os remidos voltarão a Sião com
alegria (leia Isaías 35:10) e somente eles cantarão juntos a história
bendita da redenção no céu.

209
26
Capítulo

A fé
Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a
prova das coisas que se não veem (Hebreus 11:1).
O elemento essencial da fé é a confiança. A fé é (1) “o firme
fundamento das coisas que se esperam”, (2) “a prova das coisas que
se não veem”. Em outras palavras, é uma confiança muito segura em
algo que não podemos ver ou tocar. Há coisas que percebemos pelos
sentidos da visão, da audição, do tato, etc. Há outras que sabemos
pelo simples fato de confiarmos que nos disseram a verdade. Por
exemplo, você crê que existiram homens tais como, Júlio César,
Martinho Lutero, Dom Pedro II e outros personagens históricos,
não porque os conheceu, mas porque você confia nos meios pelos
quais recebeu essa informação. As coisas que chegam a nós direta-
mente por meio dos sentidos não são de fé, mas de conhecimento.
Há quem diga que é somente por ignorância que alguém aceita
algo como verdadeiro sem uma evidência positiva e direta. Mas a
própria vida dessas pessoas contradiz essa afirmação, pois dificilmente
passa um dia sem que eles mesmos confiem na palavra de outros
sem investigar pessoalmente. Por exemplo, ao embarcar num ônibus
para viajar até uma cidade que não conhecem, essas pessoas creem
que irão para aquela cidade porque assim foram informados pelo
motorista. Na realidade eles não sabem, apenas creem que vão para
aquela cidade. Nós estamos rodeados por todos os lados de coisas ou
circunstâncias das quais não sabemos absolutamente nada, exceto o
que outros nos tenham falado. Como a fé cristã é essencial para a vida
cristã, assim a fé no que não se tem visto é essencial para qualquer
tipo de vida. Notemos, pois, alguns tipos de fé.

211
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

Tipos de fé
A palavra “fé” pode ser aplicada de maneira geral, como na
escritura: “Porque andamos por fé” (2 Coríntios 5:7). Ou pode
aplicar-se à verdade revelada por Deus: “Tive por necessidade
escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi
entregue aos santos” (Judas v. 3).
No entanto, pode também existir uma fé que resultaria da
nossa confiança nos homens ou nas coisas.
Pode-se dizer que existe uma fé natural e uma fé bíblica. A fé
natural é a confiança que os seres humanos têm uns nos outros.
Por exemplo, quando creem que o ônibus se dirigirá para o lugar
que foi informado pelo motorista.
Quando falamos de fé bíblica, estamos falando de algo total-
mente diferente da fé natural. O homem que tem apenas uma
fé natural chega ao limite do seu próprio conhecimento ou do
conhecimento de outros em quem tem confiança. Esse tipo de fé
não crê na criação nem na eternidade. Contudo, o homem que
tem fé na Palavra de Deus vai muito além. Ele crê em coisas que
ninguém viu porque ele crê que a Bíblia é a revelação divina e
milagrosa de Deus para o homem. Visto que a Bíblia o diz, ele crê
que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que nasceu de uma virgem,
que nos deu o evangelho infalível, que morreu por nossos pecados
e ressuscitou para a nossa justificação.
A fé que os homens professam ter em Deus é de dois tipos: a
fé que é morta e a fé que é viva.

1. A fé “morta”
Lemos a respeito deste tipo de “fé” em Tiago 2:14–26. Essa
escritura diz que “a fé sem obras é morta”. Em outras palavras, a
falta de obras é evidência de que a fé não é genuína. Dessa maneira
ninguém pode pensar que a fé sem a obediência é suficiente.

2. A fé viva
A fé viva é “a fé que opera” (Gálatas 5:6). Esse é o tipo de fé
que atrai a alma e estimula o indivíduo a agir. Por que o agricultor
semeia o seu grão? Porque ele tem fé que haverá uma colheita.

212
A fé

Por que as pessoas depositam o seu dinheiro no banco? Porque


têm fé na estabilidade do banco. O que aconteceria então se não
tivessem esperança de colheita nem confiança na estabilidade do
banco? Não haveria semeadura e nem dinheiro depositado. O que
foi que impeliu o eunuco a pedir o batismo (leia Atos 8:36–38) e
Cornélio a mandar chamar o apóstolo Pedro (leia Atos cap. 10)?
A fé. Por que as pessoas se afastam de Deus? Por falta de fé. É a
fé viva o que incita o homem a buscar a graça de Deus; e tendo
encontrado essa graça, o anima a mantê-la até o fim.

Essencial para a salvação


“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16:31).
“Quem não crê já está condenado” (João 3:18). O Senhor nos
adverte que “sem fé é impossível agradar-lhe” (Hebreus 11:6).
Essas declarações nos asseguram que a única maneira possível
para chegar à graça salvadora de Deus é por meio da fé viva. Se
não há fé, não há salvação.

Como é que vem a fé?

1. Por ouvir a Palavra de Deus


“A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos
10:17). É o plano de Deus que as pessoas cheguem ao conhecimento
da verdade por meio da pregação da Palavra (leia 1 Coríntios 1:21).
Dos milhões de almas sem salvação neste mundo é dito: “Como
crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há
quem pregue?” (Romanos 10:14).

2. Pela oração
A petição dos discípulos ao Senhor foi: “Acrescenta-nos a fé”
(Lucas 17:5). Nós também devemos orar pelo mesmo. Foi a oração
de fé de Cornélio (leia Atos 10:30–31) que trouxe o mensageiro
que conduziu a ele e sua casa para a fé viva. Você sente falta da fé
vencedora? Ore. Você sente que outros devem ser abençoados com
uma fé mais forte? Ore. Você sente a necessidade de um avivamento
que trará os salvos e os incrédulos para uma fé vitoriosa? Ore.

213
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

3. Pelo Espírito Santo


“E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé” (1 Coríntios 12:9). A
missão do Espírito Santo é guiar-nos “em toda a verdade” (João
16:13), testemunhar de Cristo (leia João 15:26) e trazer o evan-
gelho de Cristo à nossa lembrança (leia João 14:26 ). Podemos
ver que por ele os santos de Deus são guiados a uma fé plena.
Do mesmo modo, pelo seu poder convincente, os pecadores são
incitados a crer na pregação da Palavra.

4. Pelo exemplo de outros


“Sê o exemplo dos fiéis” (1 Timóteo 4:12). Assim como a sua
fé é fortalecida pela influência de outros, a sua própria influência
sobre outros pode fortalecer ou enfraquecer a fé deles, dependendo
do tipo de exemplo que você lhes der.

O que Deus faz quando temos fé


A fé em Jesus é a chave que abre a porta a todas as bênçãos
da vida regenerada. Cristo resume tudo isto quando diz: “Quem
crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”
(Marcos 16:16). Busquemos os tesouros da fé na linguagem
inspirada da Palavra de Deus e aprendamos dela o que Deus faz
pelo crente quando esse coloca a sua fé em Jesus.

1. Assegura a salvação
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16:31). Leia
também João 3:16.

2. Nos assegura um lugar na família de Deus


“A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos
filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (João 1:12). “Porque
todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26).

3. Assegura a justificação
“Por ele é justificado todo aquele que crê” (Atos 13:39). “Con-
cluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da
lei” (Romanos 3:28).

214
A fé

4. Traz alegria e paz


“No qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com
gozo indescritível e glorioso” (1 Pedro 1:8). “Tendo sido, pois,
justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus
Cristo” (Romanos 5:1).

5. Cura o corpo
“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará” (leia
Tiago 5:14–15). Pode não ser a vontade de Deus curar em toda
situação, mas muitas vezes ele cura. O certo é que ele atende às
orações de fé ao curar o enfermo.

6. Funciona como um escudo para o cristão


“Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar
todos os dardos inflamados do maligno” (Efésios 6:16).

7. Guia o cristão
“Porque andamos por fé, e não por vista” (2 Coríntios 5:7).
Quando andamos pela vista estamos fazendo como o mundo faz.
Mas quando andamos por fé, os nossos passos se dirigem para o
céu guiados pela nossa confiança em Deus.

8. Santifica o cristão
“Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do
poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados,
e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26:18).

9. Nos une a Deus


“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra
da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também
crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Efésios
1:13). Leia também João 6:67–69.

10. Nos proporciona poder


“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte:
Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível”

215
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

(Mateus 17:20). “Tudo é possível ao que crê” (Marcos 9:23). A


fé nos une com os propósitos e o poder de Deus. As montanhas
de dificuldades são vencidas por meio do poder da oração de fé.
“Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5:4).

A prova da nossa fé
Tiago fala do lado prático da fé quando nos lembra que “a fé
sem obras é morta” (Tiago 2:20). É mais fácil dizer “eu creio”, do
que demonstrar a nossa crença pelo que fazemos quando estamos
expostos às provas e à aflição. Enquanto havia pães e peixes para
comer, todos criam em Jesus; mas quando ele pregou o seu sermão
sobre o pão da vida (leia João cap. 6), assim colocando a fé deles
à prova, diz que “muitos dos seus discípulos tornaram para trás,
e já não andavam com ele” (João 6:66). Naquele momento a fé
deles foi testada e ficou evidente que para alguns faltava fé.
Portanto, a prova da nossa fé:

1. Testa a veracidade da nossa profissão


Esse belo sermão de Cristo sobre o pão da vida resultou numa
seleção dos discípulos. Os fiéis permaneceram com ele; os demais
“tornaram para trás”. Outro exemplo encontra-se na história de
Rute. Ela permaneceu fielmente com Noemi, enquanto que Orfa,
por muito que deseja-se seguí-la, voltou atrás ao perceber tudo
o que significaria acompanhá-la. Da mesma forma atualmente
na igreja, quando há oposição ou tentação, os fiéis ficam firmes
enquanto que os infiéis se desencaminham.

2. “Opera paciência”
O testemunho de Tiago foi: “Sabendo que a prova da vossa fé
opera a paciência” (Tiago 1:3). Este testemunho é demonstrado
frequentemente nas vidas das pessoas que professam seguir a
Cristo. Há um poder refinador nas provas que a vida diária traz
que consome a escória e produz o melhor que há no ser humano.
Nós temos o exemplo de fé de alguns dos personagens bíblicos:
Abraão, quando foi chamado a oferecer o filho da promessa; José,
perseguido pelos seus irmãos, escravizado e encarcerado no Egito;

216
A fé

Daniel e seus três companheiros na Babilônia. Portanto, “tende


grande alegria quando enfrentardes várias tentações; sabendo que
a prova da vossa fé opera a paciência” (Tiago 1:2–3). Em tudo isso
é importante saber que não veio sobre nós nenhuma “tentação,
senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima
do que podeis” (1 Coríntios 10:13). Isso quer dizer que Deus supre
a graça para resistir a cada prova que vem na nossa vida. Cada
prova que vencemos purifica a nossa fé, acrescenta riqueza à nossa
vida e aumenta a utilidade do nosso serviço a Deus e aos homens.

3. Quando resistimos, asseguramos a coroa da


justiça.
Os que resistem e triunfam diante da prova podem testificar
com Paulo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei
a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o
Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2 Timóteo 4:7–8).

Os deveres da fé
Agora nos deparamos com outra pergunta: Qual deve ser a
atitude do cristão para com a fé? Ao nos voltarmos para a Palavra
de Deus, encontraremos as seguintes admoestações:

1. “Crê no Senhor Jesus Cristo” (Atos 16:31)


Essa escritura tem sido considerada como uma condição
para a salvação. Nós queremos apresentá-la como um dever
cristão. Os que obedecem a esse mandamento cumprem com os
requisitos da fé cristã. Quando obedecemos a esse mandamento
de crer no Senhor Jesus Cristo, então o valorizamos como: (1)
“Senhor” — ele é o nosso Mestre que tem autoridade sobre nós
em tudo; (2) “Jesus” — o Homem da Galileia, que nasceu de
uma mulher; (3) “Cristo” — o ungido de Deus. Se a sua fé em
Cristo abrange essas três identidades, você cumpre com todos
os requisitos da fé cristã.
Se você deseja compreender melhor o seu dever cristão de
crer, tome a sua Bíblia e veja quantas vezes nos é mandado crer.

217
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. “Batalhar pela fé” (Judas v. 3)


Apenas crer não é suficiente; somos exortados a divulgar a
nossa crença. Essa atitude se exemplifica em Lucas 1:1–4. Com-
provamos a sinceridade da nossa fé em Jesus apoiando fielmente
o seu evangelho e falando dele a outros.

3. “Estai firmes na fé” (1 Coríntios 16:13)


Isso quer dizer que: (1) Depois de recebermos a fé em Jesus,
devemos mantê-la; “estai firmes”. (2) Mesmo que outros caiam,
devemos permanecer firmes e constantes (leia 1 Coríntios 10:12;
15:58). (3) Não basta a prática passiva da fé, devemos abraçá-la
e divulgá-la de coração; “estai firmes”. (4) Deixemos que a nossa
firmeza esteja na “fé”, não nas doutrinas dos homens.

4. “Sê o exemplo dos fiéis… na fé” (1 Timóteo


4:12)
Os nossos deveres não se resumem a nós mesmos, mas incluem
outros também. O nosso exemplo deve animar outros a aceitar, a
crer e a viver fielmente.

5. “Permanece[i] fundados e firmes na fé”


(Colossenses 1:23; 1 Timóteo 2:15)
A fé em Jesus Cristo não é algo que é somente por um tempo,
mas algo em que devemos continuar até o fim. Uma das palavras
mais importantes na vida cristã e para o serviço cristão é a palavra
continuar.

218
27
Capítulo

O arrependimento
Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a
salvação, da qual ninguém se arrepende (2 Coríntios 7:10).
Ao estudar este tema é preciso frisar que o arrependimento é
um requisito tão essencial quanto a fé para a pessoa converter-se e
tornar-se um verdadeiro cristão. O arrependimento foi a primeira
mensagem do ministério de João o Batista (leia Mateus 3:2); a pri-
meira mensagem do ministério do Senhor Jesus Cristo (leia Mateus
4:17); a primeira mensagem do ministério do Espírito Santo por meio
de Pedro (leia Atos 2:38) e também ocupou um lugar proeminente
nos ensinamentos dos apóstolos. Esse deve ser um ensinamento
contínuo de cada cristão. “Deus… ordena agora a todos os homens,
e em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30).

O que é o arrependimento
O arrependimento verdadeiro é uma mudança da vontade, dos
sentimentos, de atitude com relação ao pecado e a justiça, e uma
mudança de coração. Sem mudança não há arrependimento, pois
o arrependimento implica numa mudança.
O que ocorre quando alguém se arrepende?

1. Há convicção
Uma convicção genuína é o primeiro passo para o arrependi-
mento. Ao ouvirmos a mensagem de Deus, cresce em nós a convicção
de que temos feito o mal. Foi isso que aconteceu com aquela grande
multidão no dia de Pentecostes (leia Atos cap. 2) e também ao car-
cereiro em Filipos (leia Atos cap. 16). A consciência (leia Romanos
2:15), e o Espírito Santo (leia João 16:8) com a sua espada (que é a
Palavra de Deus) trazem convicção ao coração humano.

219
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. Há tristeza segundo Deus


Devemos frisar aqui que nem toda tristeza é “tristeza segundo
Deus” (2  Coríntios 7:10). Muitas vezes os que são culpados de
algum crime choram e lamentam como se lhes partisse o coração;
mas é somente porque sofrem os resultados de seu comportamento,
não porque estão arrependidos de seu pecado. Judas Iscariotes estava
tão triste que se enforcou, mas não se arrependeu nem se voltou a
Cristo para receber o perdão. Paulo, em 2 Coríntios 7:10, fala da
“tristeza segundo Deus” e da “tristeza do mundo”. A primeira “opera
arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende”; a
segunda “opera a morte”. Nenhum homem jamais se arrependeu
genuinamente de algum pecado sem sentir uma profunda tristeza.
A pessoa que se arrepende verdadeiramente sente essa tristeza por
ter pecado contra Deus e não porque foi descoberto o seu pecado.

3. Há confissão
Uma sensação de vergonha e humilhação acompanha o ver-
dadeiro arrependimento pelo pecado, mas isso não impede que o
pecador confesse os seus pecados. Pelo contrário, aquele que está
verdadeiramente arrependido quer confessar os seus pecados para
livrar-se deles (leia Provérbios 28:13). Os que se arrependem de
coração obedecem ao mandamento: “Confessai as vossas culpas
uns aos outros” (Tiago 5:16). De modo geral, quanto menos
desejo a pessoa sentir de confessar os seus pecados, tanto menos
arrependido está o seu coração. “Se confessarmos os nossos peca-
dos, ele é fiel e justo para nos perdoar os nossos pecados, e nos
purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

4. Deixa-se o pecado
Balaão, Saul e outros confessaram os seus pecados, mas conti-
nuaram neles como se nunca os tivessem confessado. Davi, o filho
pródigo e outros também fizeram a mesma confissão, porém, eles
deixaram os seus pecados e retornaram para o caminho da justiça.
Os que realmente se arrependem de coração, não apenas confessam
os seus pecados, mas também os deixam. “Nós, que estamos mortos
para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2).

220
O arrependimento

5. Há restituição
Seria possível estar verdadeiramente arrependido por algum
pecado sem querer fazer a restituição? Não. A restituição acompanha
o verdadeiro arrependimento. Restituição quer dizer corrigir as nossas
más ações para com os homens. Zaqueu teve uma atitude correta
quando disse: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo
quadruplicado” (Lucas 19:8). Essa atitude de Zaqueu fez com que
Cristo dissesse: “Hoje veio a salvação a esta casa” (Lucas 19:9).

6. Há uma mudança de coração


É possível um homem mudar algumas coisas na sua vida,
abandonar seus maus hábitos e ainda ser um pecador sem perdão.
Ele até pode sentir-se muito triste pelo que fez, mas a Bíblia diz “a
tristeza do mundo opera a morte” (2 Coríntios 7:10). Talvez ele
também faça restituição do seu mal e viva uma vida “boa”, mas
perante Deus a sua própria justiça é “como trapo da imundícia”
(Isaías 64:6). Ainda que todas as coisas já mencionadas sejam
elementos essenciais do arrependimento, é necessário que haja uma
mudança de coração para que a pessoa experimente o verdadeiro
arrependimento. Cada vez que alguém se arrepende de verdade,
experimentará uma mudança da vontade, uma mudança dos
sentimentos e uma mudança de atitude para com o pecado e com
relação a justiça. Realmente, é uma mudança de coração.

O que o arrependimento não é


O arrependimento verdadeiro:

1. Não é uma simples mudança de mentalidade


Um alcoólatra que deixa o seu vício porque está prejudicando
a sua saúde, continua sendo um pecador. É um pecador porque
deixou o seu vício por motivos pessoais e não porque se sentiu con-
denado diante de Deus. Ele só deixará de ser um pecador quando
sentir tristeza pelo seu pecado segundo a vontade de Deus e se
arrepender de coração. Isso é verdade em se tratando de qualquer
pecado. A pergunta vital não é: Você mudou de mentalidade? Mas,
por que você mudou de mentalidade?

221
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. Não é apenas estar triste pelos pecados


cometidos
Ambos Judas e Pedro sentiram-se tristes pelo que haviam feito,
mas somente Pedro voltou ao Senhor para receber o perdão. A
única tristeza pelo pecado que faz parte do arrependimento ver-
dadeiro é a que traz o pecador arrependido a Deus para receber
perdão, deixar os seus pecados e corrigir as suas más ações.

3. Não é afiliar-se a uma igreja


Há quem se afilia a uma igreja para mais facilmente poder
continuar no pecado sem ser julgado pelos outros. Afiliar-se a
uma igreja é bom se o candidato estiver justificado perante Deus,
mas não substitui o arrependimento.

4. Não é apenas confessar o pecado


Milhares de pessoas, como Balaão, Saul e Judas Iscariotes,
confessaram: “Pequei...”, e continuaram pecando como antes.
Não há virtude alguma em confessar os pecados, a menos que a
confissão seja motivada por uma tristeza que é segundo Deus (leia
2 Coríntios 7:10).

5. Não é meramente reformar-se


Um homem pode deixar todos os seus maus hábitos e ainda
apreciá-los no seu coração. Por isso dizemos que é preciso que o
pecador seja transformado.

Coisas que incentivam


o arrependimento
1. A bondade de Deus
Em primeiro lugar, o próprio arrependimento é um dom de
Deus (leia 2 Timóteo 2:25). No plano de Deus para a salvação, o
arrependimento é a parte que corresponde ao homem. Contudo,
ninguém pode requerer mérito algum para si por ter se arrepen-
dido, porque é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento
(leia Romanos 2:4). Foi a bondade de Deus que trouxe Cristo

222
O arrependimento

nosso Salvador ao alcance do homem. Foi a bondade de Deus que


preservou intacta a Bíblia durante séculos de esforço para destruí-
-la. Foi a bondade de Deus que preservou as nossas próprias vidas
até que, pela graça de Deus, entregássemos os nossos corações a
ele. Sim, é a bondade de Deus que nos leva ao arrependimento.

2. Ouvir a verdade
“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus”
(Romanos 10:17). Como um homem se arrependeria do pecado
sem antes saber que é pecador? A pregação da Palavra de Deus
na sua plenitude é uma obra essencial para trazer os pecadores ao
arrependimento. Foi Natã quem trouxe a mensagem a Davi: “Tu
és este homem” (2 Samuel 12:7), para que Davi se arrependesse.
Foi pela pregação de Jonas que o povo de Nínive se arrependeu.
Porque ouviram, se arrependeram. No dia de Pentecostes, três mil
pessoas foram convertidas como resultado da pregação de Pedro
e dos outros discípulos.

3. O poder convincente do Espírito Santo


Uma das missões principais do Espírito Santo é convencer o
mundo do pecado (leia João 16:8). O sentimento de tristeza e o
peso no coração do pecador antes de arrepender-se é o resultado
da obra do Espírito Santo em seu coração e na sua consciência.

4. Um conhecimento do pecado
Não pode haver arrependimento do pecado até que o pecador
esteja consciente da sua condição pecaminosa. Como resultado
da obra do Espírito Santo, todo ser humano sente um vazio, um
sentimento de confusão de que ele carece de alguma coisa. Mas
o pecador não pode se arrepender sem saber o que é que está
errado em sua vida. Tem que ter conhecimento do pecado para
poder arrepender-se.

5. O ódio ao pecado
Uma pessoa não se afasta do pecado enquanto gostar dele. O
alcoólatra que gosta da bebida, o homem que ama os prazeres

223
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

pecaminosos, o fumante que se apraz com o seu cigarro, aquele que


segue as modas e ama as atrações deste mundo; todos são vítimas
sem esperança até que cheguem ao ponto de odiar os pecados que
estão cometendo. O pecador que sente que não tem esperança, e
como Jó se abomina e se arrepende “no pó e na cinza” (Jó 42:6),
pode se convencer facilmente da sua condição pecaminosa. Será
mais fácil para esse pecador alcançar a Deus do que aquele que está
cego quanto a sua condição pecaminosa por causa do seu amor ou
deleite no seu pecado. É quando alguém está disposto a aborrecer o
mal que estará pronto para apegar-se ao bem (leia Romanos 12:9).

6. Uma fé verdadeira em Deus


Essa é a fé que nos convence de que Deus é o nosso melhor
amigo e que ele deseja o melhor para nós. É a fé que nos faz ver
a nossa condição pecaminosa e nos ensina os resultados terríveis
do pecado. É uma fé que nos ajuda a reconhecer o erro do nosso
pecado por meio da convicção pessoal, e esta convicção traz con-
trição à nossa alma e espírito. É a fé que toca nosso coração e o
quebranta, e faz com que a nossa alma clame a Deus por libertação.
Isto só acontece quando a pessoa crê em Deus, pois ninguém se
arrepende enquanto não crer que Deus diz a verdade.

7. Recompensas e castigos
O nosso motivo principal de servir a Deus não deve ser o
medo e nem o desejo de ganho pessoal. Contudo, não se pode
negar que o temor do castigo de Deus, muitas vezes, convence os
pecadores. Contudo, muitos pecadores morrem em seus pecados
porque os pastores têm medo de ensinar-lhes a fugir da ira terrível
que há de vir.

Verdades fundamentais

1. O arrependimento é um mandamento
Deus (leia Atos 17:30), Cristo (leia Mateus 4:17), João, o
Batista (leia Mateus 3:2) e os apóstolos (leia Marcos 6:12; Atos
2:38; 20:21), todos pregaram o arrependimento e ordenaram-no

224
O arrependimento

como um mandamento essencial da fé cristã. Deus ordenou que


se ensinasse a respeito disto “em todas as nações” (Lucas 24:47).

2. É essencial para a salvação


“Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo pere-
cereis” (Lucas 13:3). Vale a pena salientar que ao começar e ao
terminar o ministério de Cristo enquanto na terra ele fez pronun-
ciamentos públicos a respeito do arrependimento (leia Mateus
4:17; Lucas 24:47). Sendo que “a alma que pecar, essa morrerá”
(Ezequiel 18:4), sabemos que um pecado na alma significa morte
eterna. “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam
apagados os vossos pecados” (Atos 3:19).

3. É a condição para a remissão de pecados


Cristo morreu e ressuscitou a fim de que “em seu nome se
pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as
nações” (Lucas 24:47). Uma vez que nos arrependemos de nossos
pecados, então Deus estará disposto a apagá-los (leia 1 João 1:9).
Mas não há promessa de remissão de pecados a menos que nos
arrependamos deles.

4. Precede toda ação de graça divina e toda


ordenança cristã
Analise as seguintes citações da Bíblia: “O arrependimento e a
remissão de pecados” (Lucas 24:47). “Arrependei-vos… para que
sejam apagados os vossos pecados” (Atos 3:19). O arrependimento
precede as demais ordenanças, como se torna evidente nas pala-
vras de Pedro: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado”
(Atos 2:38). É em vão se examinar as escrituras em busca de uma
citação bíblica que permita batizar os pecadores não arrependidos,
e tampouco se encontrará alguma que apoie o recebimento de
perdão de pecados dos quais não se tenha arrependido.

5. Impossibilitado de arrepender-se
A escritura mais clara sobre este ponto encontra-se em
Hebreus 6:4–6: “Porque é impossível que os que já uma vez foram

225
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram partici-


pantes do Espírito Santo. E provaram a boa Palavra de Deus, e os
poderes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados
para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucifi-
cam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério”. Enquanto que a
blasfêmia contra o Espírito Santo é o único pecado que não pode
ser perdoado (leia Mateus 12:31–32), essa escritura em Hebreus
nos adverte que é perigoso brincar com a graça de Deus.

226
28
Capítulo

A justificação
Tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos
da ira (Romanos 5:9).
A justificação é a obra de Deus pela qual cada pessoa que crê em
Jesus Cristo se torna justo diante dele, o supremo juiz. Enquanto
que o “acusador de nossos irmãos” (Apocalipse 12:10) executa
as suas artimanhas satânicas para condená-los diante de Deus,
o grande Juiz diz: “Estes são meus. Eles antes eram culpados,
condenados, estranhos às alianças da promessa (leia Efésios 2:12),
mas as coisas mudaram. O preço da sua redenção foi pago; eles
aceitaram as condições oferecidas de misericórdia, foram limpos
pelo sangue do Cordeiro de Deus e agora são justos diante de
mim.” Cristo “ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:25).

Como somos justificados

1. Somos justificados pela graça de Deus


Visto que somos “justificados gratuitamente pela sua graça”
(Romanos 3:24), reconhecemos que não fomos justificados pelos
nossos próprios méritos, mas damos toda a glória a Deus. A justi-
ficação é o dom gratuito de Deus para o homem. “É Deus quem
os justifica” (Romanos 8:33). O homem não ganhou nem mereceu
esse dom. A justificação de Deus nos torna eternamente obrigados e
agradecidos a ele por causa da dívida impagável que ele pagou por nós.

2. Somos justificados pela fé


Existe algo que é requerido da nossa parte para entrarmos em
contato com a graça de Deus. Deus “não faz acepção de pessoas”

227
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

(Atos 10:34); no entanto, alguns são justificados diante dele


enquanto que outros não são. Por isso fica evidente que existe
algo que causa essa divisão. Ela é causada pela fé. A Bíblia diz que
“é justificado todo aquele que crê” (Atos 13:39); que “o homem
é justificado pela fé sem as obras da lei” (Romanos 3:28) e que o
Deus justo é “justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos
3:26). É a fé que divide entre os que estão justificados e os que
estão condenados. Segundo essas escrituras fica evidente que Deus,
sem esperar que a pessoa faça boas obras, justifica a pessoa tão logo
ela mesma reconheça a sua condição pecaminosa e crê em Cristo.

3. A fé que justifica é aperfeiçoada pelas obras


“Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é
morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas
obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês
que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi
aperfeiçoada” (Tiago 2:20–22).
É verdade que quando cremos em Cristo somos justificados
gratuitamente pela sua graça (leia Romanos 3:24) e a nossa fé
é contada por justiça (leia Romanos 4:20–25). Mas essa fé que
justifica também abre a porta do coração para Cristo entrar.
Cristo habita no coração de cada pessoa justificada e ali opera uma
justiça que se vê na vida da pessoa. Essas obras justas são as que
aperfeiçoam a fé. Se uma pessoa professa ter fé, mas não tem boas
obras, então a sua fé é incompleta e sem valor para justificá-lo.
As obras da pessoa justificada não são perfeitas porque a pessoa
continua sendo humana. Não devemos julgar precipitadamente a
ninguém, se observarmos uma falta ou um pecado na sua vida. Essa
pessoa está procurando crescer em Cristo? Ela recebe a correção de
Deus e dos irmãos? Essas também são obras que aperfeiçoam a fé.
Há quem pense que os ensinamentos de Paulo e Tiago nesse
assunto da fé e das obras se contradizem. Mas as escrituras não
apoiam essa conclusão. A ideia principal dos escritos de Paulo é que
toda pessoa que crê é justificada, enquanto que a ideia principal
de Tiago é que se não fizermos as obras de Deus, isto prova que
a fé que professamos não é genuína. A fé que justifica diante de

228
A justificação

Deus é a “fé que opera” (Gálatas 5:6). As obras produzidas pela


fé viva podem ser vistas pelos homens.

4. Somos justificados pelo sangue de Cristo


Todos os sacrifícios oferecidos sob a lei eram símbolos e som-
bras que apontavam para Cristo (leia Hebreus caps. 7–10). Deus
declara que “nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras
da lei” (leia Romanos 3:20) e que nós somos “justificados pelo
seu sangue” (Romanos 5:9). Comparando essas declarações com
outras escrituras que ensinam a justificação pela fé, concluímos
que todos os que têm fé no sangue de Jesus Cristo são justificados
diante de Deus.

O significado da justificação para nós

1. Significa obediência a Deus


Somente os que recorrem a Deus em obediência são justifi-
cados (leia Romanos 2:13). Com relação à atitude de Deus para
com a obediência, leia 1 Samuel 15:22–23 e Hebreus 2:1–3. O
evangelho de Cristo não dá nenhuma esperança de justificação
aos desobedientes (leia Efésios 5:5–7).

2. Significa libertação da condenação


“Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É
Deus quem os justifica” (Romanos 8:33). Nem mesmo “o acusador
de nossos irmãos” (Apocalipse 12:10) prevalece contra o cuidado
de Deus para com os seus. Leia também Romanos 8:1–2.

3. Significa paz com Deus


“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus,
por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). Leia também
Efésios 2:14.

4. Significa salvação eterna


“Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu
sangue, seremos por ele salvos da ira” (Romanos 5:9). Podemos

229
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

tentar justificar a nós mesmos ou nossos amigos podem tentar


nos justificar, mas somente os que são justificados pelo sangue
de nosso Senhor Jesus Cristo têm direito a salvação eterna que
somente Jesus Cristo pode dar.

5. Significa uma herança eterna


“Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos
herdeiros segundo a esperança da vida eterna” (Tito 3:7). Ser co-
-herdeiro com Cristo é o maior privilégio do cristão.

6. Significa ser glorificado


“E aos que justificou a estes também glorificou” (Romanos
8:30). A salvação, a herança e ser glorificados... tudo isso pertence
aos filhos de Deus, os que cumpriram com as condições para serem
justificados por ele.

230
29
Capítulo

A conversão
Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os
pecadores a ti se converterão (Salmo 51:13).
A doutrina da conversão é um tema proeminente nos ensi-
namentos de Cristo e de seus discípulos. Quando uma pessoa
é convertida isto significa que ela própria mudou. Converter-se
quer dizer “mudar uma coisa em outra” (Aurélio).

A doutrina da conversão
Nós “éramos por natureza filhos da ira” (Efésios 2:3). Nós
estávamos entregues aos nossos ídolos, como no caso de Efraim
(Oseias 4:17). Para voltar a Deus é necessário que ocorra uma
transformação; uma mudança na nossa mentalidade, nos desejos
do nosso coração e na nossa atitude para com Deus e para com o
pecado. É necessário que experimentemos uma mudança completa
nas nossas vidas para agradar a Deus e entrar em harmonia com
a sua Palavra. Quando um pecador se arrepende, Deus faz a obra
de convertê-lo em um cristão. Os pecados que o pecador outrora
amava, ele agora odeia e as coisas boas de Deus que antes odiava,
agora ama. A conversão é uma transformação completa: um novo
amor no coração e uma nova vida na alma.

Se não houve mudança,


não houve conversão
Esta é a conclusão inevitável a que chega aquele que com dili-
gência estuda este tema na Bíblia. Há vários exemplos naturais que
podem ilustrar isso: Um bosque pantanoso pode ser convertido
em um terreno fértil para o cultivo; a areia silícica é convertida em

231
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

vidro transparente com o qual se fabricam os para-brisas; a água é


convertida em vapor. Em cada caso há uma mudança fundamental
que é indispensável para a conversão.
Também ocorre uma mudança fundamental que converte o
pecador em um filho de Deus. Há uma mudança de mentalidade,
dos desejos do coração e da vida dessa pessoa. Sem essa mudança,
mesmo que o incrédulo se afilie a uma congregação de crentes,
não será um filho de Deus. Para estar em Cristo Jesus, nada servirá
a menos que a pessoa seja transformada em “uma nova criatura”
(Gálatas 6:15). E quando essa “nova criatura” existe por dentro,
a pessoa manifestará por fora uma “novidade de vida” em Cristo
Jesus (Romanos 6:4). “Pois do que há em abundância no coração,
disso fala a boca” (Mateus 12:34). “Nós, que estamos mortos para
o pecado, como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2). Quando
alguém se converte ao Senhor muda os seus caminhos, descarta
todos os hábitos pecaminosos e manifesta os frutos de uma vida
justa no seu andar diário. “A fé sem obras é morta” (Tiago 2:26).
Há pessoas que dizem que foram convertidas ao Senhor,
mas com os seus atos negam isso. A sua língua não foi limpa da
imundície e da blasfêmia, o orgulho continua fazendo parte da
sua vida diária, a sua conduta é a mesma de antes, os seus negócios
continuam sendo desonestos, a sua forma de vestir é tão mun-
dana como as modas do mundo e continua vivendo nos prazeres
pecaminosos que vivia antes. Concluímos, pois, que como não
houve uma mudança por fora, tampouco houve uma mudança
por dentro. Tal pessoa não é convertida ao Senhor. Onde houver
vida por dentro, haverá luz por fora (leia Mateus 5:14–16).

Exemplos da conversão
Podemos formular um conceito correto da conversão anali-
sando as mudanças na vida das pessoas que se voltam para Deus.
Notemos alguns exemplos:

1. A mulher na casa de Simão (Lucas 7:36–50)


Esta mulher havia sido uma vil pecadora, mas arrependendo-se
da sua iniquidade, aceitou a Cristo como seu Salvador e Senhor, e foi

232
A conversão

purificada de seus pecados. Ao compreender a maravilhosa graça de


Deus que salvou uma pessoa tão miserável como ela, a sua gratidão
e lealdade não eram limitadas. Jesus louvou a sua devoção abnegada.

2. Saulo de Tarso (Atos 9:1–18)


Este talvez seja o exemplo mais marcante de conversão regis-
trado na Bíblia. Ao ser convertido, Saulo deixou a perseguição
contra o cristianismo e tornou-se um grande defensor da fé. Um
arrependimento genuíno, a humildade, a entrega completa, a
obediência a Deus, o desejo de aprender e a vontade de sofrer por
causa de Cristo, foram algumas das coisas que Saulo experimentou
em sua vida a partir do momento em que foi convertido.

3. O carcereiro (Atos 16:27–34)


O carcereiro era um pecador de coração endurecido, e estava a
ponto de suicidar-se quando reconheceu o perigo em que se encon-
trava naquele momento. No entanto, ele foi guiado à luz do evangelho
pela graça de Deus e por meio de Paulo e Silas. Ele deixou de ser um
perseguidor para ser convertido em um filho de Deus e amigo dos
discípulos. Ele creu e foi batizado. Nessa breve história que temos do
carcereiro, notamos a sua mudança de atitude, o seu desejo de abraçar
a fé em Cristo e a sua obediência aos mandamentos do Senhor.

Verdades a respeito da conversão

1. A conversão consiste em uma mudança de


vida e de serviço, não uma mudança de
traços pessoais
Por exemplo, pense em Saulo de Tarso. Mesmo depois de
converter-se, observa-se o mesmo entusiasmo, energia, coragem e
zelo que ele demonstrava antes da sua conversão. A sua mudança
consistiu em transferir a sua fé do farisaísmo a Cristo, a sua lealdade
do judaísmo à igreja cristã e trocar a sua autojustiça pela justiça
de Deus. Moralmente, a conversão significa deixar as normas do
mundo e aceitar as normas do evangelho; é uma mudança das
normas de Satanás para as de Deus.

233
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. A conversão do homem resulta da graça de Deus


Foi a graça de Deus que conseguiu mudar o coração da vil
pecadora na casa de Simão. Foi a mesma graça a que enviou a luz
resplandecente para interceptar o inimigo da fé cristã no caminho
de Damasco e que enviou o terremoto para sacudir a prisão em
Filipos, ocasionando a conversão do vil carcereiro. Somente a graça
de Deus pode converter os corações dos que tem a vontade de
receber o poder transformador do Senhor. Jesus diz: “Ninguém
pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (João 6:44).

3. Até as pessoas “boas” não conseguem a


salvação a não ser pela conversão
Paulo, como qualquer pessoa “boa”, necessitava ser convertido
pelo Senhor Jesus Cristo para obter a salvação. As suas ativi-
dades religiosas, a sua obediência cuidadosa à lei e o zelo com
que se entregava ao serviço religioso não passavam de “trapo da
imundícia” (Isaías 64:6) porque nasceram da carne. Paulo teve
que considerar tudo o que havia adquirido por meios e esforços
pessoais como perda para receber a Cristo. Ele teve que jogar
fora a sua própria justiça para receber, pela fé, a justiça de Deus
(leia Filipenses 3:1–9). Ou seja, Paulo teve que ser convertido
para ser salvo.
É notável como o homem “bom” percebe quão prejudicial e
pecaminoso é quando se vê à luz da verdade. Paulo era um homem
muito instruído e inteligente, era dotado de um magnetismo e
personalidade marcantes, possuía uma “boa consciência” (Atos
23:1) e era zeloso da lei. No entanto, quando vemos todas essas boas
qualidades absorvidas em seu furor contra a igreja do Senhor vemos
quão longe de Deus ele andava. Faltava-lhe uma conversão cabal.
O fariseu que orou no templo e relatou uma lista das boas
obras que fazia, não foi justificado, como o humilde publicano
ao seu lado foi. Nem as boas obras, nem as posses, nem a fama
mundana, nem a grandeza têm valor algum diante do nosso santo
Deus. Resta voltarmos a ser “como meninos” (Mateus 18:3).
Temos que ser convertidos.

234
A conversão

4. O arrependimento é parte da conversão


A experiência de cada pessoa convertida comprova essa verdade.
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados
os vossos pecados” (Atos 3:19). Em outras palavras, uma pessoa
só vai ser convertida se arrepender-se de verdade. As pessoas que
pensam que não precisam arrepender-se podem sentir vontade de
afiliar-se a uma igreja, mas com tal pensamento e coração nunca
serão convertidas a Deus.

5. A Palavra de Deus é um elemento essencial na


conversão
Pedro disse: “E, quando comecei a falar [pregar a Palavra de
Deus], caiu sobre eles o Espírito Santo” (Atos 11:15). Paulo disse que
o evangelho de Cristo “é o poder de Deus para salvação” (Romanos
1:16) e que “pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo” (1 Coríntios
4:15). O que foi que primeiramente atraiu para Cristo a atenção das
três mil pessoas no dia de Pentecostes, do eunuco etíope, de Cornélio,
de Lídia e do carcereiro? Foi a mensagem de Deus que lhes fez ouvir.
“A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma” (Salmo 19:7).

6. Deus utiliza seres humanos para chamar


outros à conversão
No dia de Pentecostes os discípulos, cheios do Espírito Santo,
foram usados por Deus na conversão de três mil pessoas. Toda
conversão mencionada nas epístolas menciona a contribuição de
um servo de Deus. “Aquele que converter um pecador do erro do
seu caminho, salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão
de pecados” (Tiago 5:20).

7. O momento ideal para converter-se ao Senhor


é na juventude
Ser convertido enquanto jovem tem muitas vantagens: Há um
coração mais terno, menos pecado de que arrepender-se, menos
ofensas para corrigir, menos grau de influência em extraviar outras
pessoas e, em geral, uma vida mais longa de serviço cristão. Há muitas

235
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

pessoas que ouviram o chamado de Deus na sua juventude, mas se


recusaram a render-se a ele. Depois ficaram tão envolvidos em seus
pecados que nunca renderam os seus corações a Deus e morreram
nos seus pecados. “Lembra-te também do teu criador nos dias da
tua mocidade, antes que venham os maus dias” (Eclesiastes 12:1).

8. Deus é quem faz a obra da conversão


O homem tem o seu papel a cumprir, mas é Deus quem efetua
o milagre da graça no coração. Ele faz a mudança maravilhosa.
“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar”
(Filipenses 2:13). “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me
enviou o não trouxer” (João 6:44). O que cabe a nós é submeter-
-nos a ele em obediência; Deus faz o restante. Deus chama, o
homem atende e Deus faz a obra. “Aquele que em vós começou a
boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6).

Resultados da conversão
Como já foi dito, a conversão implica numa mudança, uma
transformação, uma “vida nova”. Vejamos a seguir o que a Bíblia diz
que acontece quando alguém é realmente convertido:

1. Ele não anda “segundo a carne, mas segundo o


Espírito”
Todo homem que é convertido, morre para o pecado e vive
para Deus (leia Romanos 6:11). O seu velho homem é crucificado
(Romanos 6:6) e ele é revestido do novo homem criado segundo
Deus (leia Efésios 4:24). Já não serve à carne, mas serve a Deus.
Agora ele anda como Cristo andou (leia Romanos 8:1). Antes da
conversão andava “segundo o curso deste mundo” (Efésios 2:2),
“na carne… segundo as concupiscências dos homens” (1 Pedro
4:2); mas tudo isso muda quando a graça transformadora de Deus
converte o homem e lhe dá a visão celestial.

2. Ele é adotado na família feliz de Deus


“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por
causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça… Porque

236
A conversão

todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de
Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra
vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de
filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”. (Romanos 8:10 e 14–15).

3. Ele é revestido de humildade


Um padrão de verdadeira grandeza é ilustrado em Mateus
18:1–4. Quando as pessoas são convertidas a Deus, elas recebem
um coração manso, modesto e humilde. Cristo falou de si mesmo
como sendo “manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). Os seus
verdadeiros discípulos são como ele. Leia também Filipenses 2:5–8.

4. Ele é revestido de justiça


“Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com
justiça” (Isaías 1:27). Quando uma pessoa se converte, ela rende
a sua própria justiça ao pé da cruz e em troca recebe a justiça de
Deus. Essa justiça já não é como o “trapo da imundícia” do qual
Isaías falou (Isaías 64:6), mas a justiça verdadeira de Deus que
resplandece na sua vida motivando outros a glorificar a Deus.
Leia Mateus 5:14–16.

5. Ele é zeloso na obra do Mestre


“Um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tito 2:14). Leia
também 1 Pedro 2:9. Essa é uma descrição apropriada do povo de
Deus em qualquer época. Os exemplos mais nítidos da conversão
verdadeira têm sido homens e mulheres cujo zelo pela justiça e pela
verdade foi conhecido por todos ao seu redor.

6. Ele desfruta da comunhão cristã


“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comu-
nhão uns com os outros” (1 João 1:7). As pessoas deste mundo
têm companheirismo com os que andam pelo caminho espaçoso
da perdição (leia Mateus 7:13–14). Da mesma maneira, as pessoas
convertidas têm comunhão com outros que andam nas pisadas
de Cristo. Como cristãos, a nossa comunhão aqui é apenas um
antegozo da comunhão eterna com Deus e com os santos na glória.

237
30
Capítulo

A regeneração
Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de
novo (João 3:7).
O significado literal de regeneração é “tornar a gerar” (Aurélio).
Essa palavra é usada raras vezes nas escrituras (leia Mateus 19:28; Tito
3:5). Contudo, a doutrina da regeneração está presente em todos os
ensinamentos bíblicos relacionados com a salvação. É a doutrina da
vida nova que Deus gera em nós quando somos convertidos.
A vida nova em Cristo resulta da regeneração assim como a
redenção resulta da expiação, a justiça da justificação e a santidade
da santificação. Deus regenera, o homem é renascido; Deus expia,
o homem é redimido; Deus justifica, o homem é justificado; Deus
santifica, o homem é santificado.

O que a regeneração é

1. Nascer de novo
“Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de
Deus” (João 3:3). “Sendo de novo gerados, não de semente
corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus”
(1 Pedro 1:23). A vida que recebemos ao nascer de novo é a
vida triunfante de Cristo que vence o pecado, o mundo e a
morte. É uma vida incorruptível que verá o reino de Deus.

2. Ser nova criatura


“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). A
vida nova não é o resultado dos nossos esforços para nos reformar,

239
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

mas resulta de uma obra criadora de Deus em nós. “Porque somos


feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Efésios
2:10). Observe que as boas obras de Deus serão evidentes na
pessoa regenerada. A vida após o arrependimento do pecador e a
reconciliação com Deus, é descrita como uma “novidade de vida”
(Romanos 6:4).
“Já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos
vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a
imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:9–10). O homem
novo não nasce até que o velho seja crucificado (leia Romanos 6:6).

3. Ser gerado pela Palavra


“Porque eu pelo evangelho vos gerei em Jesus Cristo” (1 Corín-
tios 4:15). “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da
verdade” (Tiago 1:18). O pensamento principal nestas duas escritu-
ras é a ideia da geração de uma nova criatura pela Palavra de Deus.

4. Ser lavado
“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas
segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regene-
ração e da renovação do Espírito Santo” (Tito 3:5).

5. Receber a natureza divina


“Para que por elas fiqueis participantes da natureza divina,
havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há
no mundo” (2 Pedro 1:4). Paulo oferece a mesma ideia quando
fala de “Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27).
Cada pessoa nascida de Deus tem a natureza divina em si mesma,
porque “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é
dele” (Romanos 8:9).

6. Receber um coração novo


Ezequiel predisse o que ia acontecer quando proferiu a promessa
de Deus: “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um
espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei
um coração de carne” (Ezequiel 36:26). Com esse coração novo, o

240
A regeneração

nosso olhar se dirige para as “coisas que são de cima” (Colossenses


3:2). Enquanto alguém ainda viver segundo o coração de pedra, o
seu olhar estará voltado para as coisas terrenas (leia Colossenses 3:5).

O que a regeneração não é

1. Não é uma simples reforma


A regeneração não consiste meramente em refazer ou reformar o
velho homem do pecado; é uma criação completamente nova, criada
segundo Deus “em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

2. Não é uma mera convicção de pecado


A convicção é um sinal de que o Espírito Santo está operando, mas
o homem só é transformado numa nova criatura quando se submete
a Deus e lhe permite operar o milagre da graça em seu coração.

3. Não é afiliar-se a uma igreja


A maldição das igrejas modernas é que há membros demais em
quem ainda reina o velho homem. Pertencer a alguma igreja ou a
determinada denominação não nos torna um filho de Deus, mas é
correto nos tornarmos membros de uma igreja que se harmonize
com a Palavra de Deus, depois que tenhamos sido regenerados.

4. Não é apenas viver uma boa vida moral


Há pessoas que se consideram “gente boa” e estão muito seguras
de que jamais fizeram alguma coisa muito errada. Mas, se olhassem
honestamente no espelho do evangelho (leia 2 Coríntios 3:18)
veriam a si mesmas como pobres pecadores, enganados pela sua
autojustiça.

5. Não é apenas um melhoramento social


O melhoramento social não tem nada a ver com a “lavagem da
regeneração” (Tito 3:5) que vivifica a alma e dessa maneira limpa a
vida por dentro e por fora. Nenhuma comunidade será salva a menos
que seus habitantes se voltem individualmente para o Senhor e sejam
transformados em novas criaturas em Cristo (leia 2 Coríntios 5:17).

241
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

6. Não é apenas aceitar a doutrina bíblica


“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircunci-
são tem virtude alguma, mas o ser nova criatura” (Gálatas 6:15).
É possível seguir uma teologia correta e ainda ser um pecador
perdido. Uma coisa é aceitar o evangelho na mente como algo
correto, mas é outra coisa aceitá-lo no coração como o “poder de
Deus para salvação” (Romanos 1:16).
Todas as coisas mencionadas aqui são boas em seu devido
lugar, mas não têm valor algum como substituto para a salvação.

A obra da regeneração

1. É obra de Deus
O Pai, o Filho e o Espírito Santo, todos contribuem para essa
obra (leia João 1:13; 3:6; Tito 3:5; 1 Pedro 1:3; 1 João 2:29). É
a “lavagem da regeneração” que nos traz a salvação; as obras são
incapazes de fazê-la. Deus nos salvou, “não pelas obras de justiça
que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia” (Tito 3:5).
Não somos nascidos pelas obras, mas nascidos de Deus, “porque
Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo
a sua boa vontade” (Filipenses 2:13).

2. Cresce da Palavra de Deus


A Bíblia diz que o evangelho de Cristo “é o poder de Deus para
salvação” (Romanos 1:16). Em outras palavras, somos gerados pelo
evangelho. No novo nascimento a Palavra de Deus é a semente;
o coração humano é a terra; quem faz a pregação é o semeador
que semeia a semente na terra (leia Atos 16:14); o Espírito dá
vida à semente no coração que a recebe; a nova natureza nasce
da Palavra divina; o crente é nascido de novo, criado de novo e
passa da morte para a vida.

3. Não acontece sem a cooperação dos homens


A salvação é inteiramente a obra de Deus. Mas Deus usa os
homens para trazer as boas novas de salvação a outros homens.
Além disso, Deus não salva ninguém contra a sua própria vontade.

242
A regeneração

Com certeza, Deus toca os homens com o poder da convicção do


Espírito Santo, mas o homem não recebe a nova criação até que
diga de coração: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6).
O homem tem que ter fé para receber a regeneração (leia João
1:12; Gálatas 3:26).

4. Não é necessária para a criança inocente


Quando as mães trouxeram os seus meninos a Jesus, ele os
abençoou, dizendo: “dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19:14). As
crianças que ainda não são responsáveis pelos seus atos estão sob o
sangue de Cristo e são candidatas aptas para o céu até que cheguem à
idade da razão quando o pecado revive e elas morrem (leia Romanos
7:9). Só então é que elas necessitam da conversão e regeneração através
do novo nascimento para entrar no reino de Deus.

5. É essencial para a salvação


Como prova disto fazemos referência às escrituras já citadas
das quais as mais diretas encontram-se em João 3:3,5 e 7.

Evidências da regeneração
A Bíblia oferece evidências pelas quais podemos saber se somos
regenerados ou não. A seguir apresentamos algumas das principais:

1. A justiça
“Todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1  João
2:29). “Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável
aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (Atos
10:34–35). A justiça de Cristo, dada aos homens, se manifesta em
uma vida justa, porque “nós, que estamos mortos para o pecado,
como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2). É impossível ser justo
por dentro sem que isto apareça por fora (leia Mateus 5:14–16).

2. A vitória sobre o pecado


“Qualquer que é nascido de Deus não permanece em pecado”
(1 João 3:9). A Bíblia fala a respeito das fraquezas da carne, mas
não oferece desculpas para o pecado voluntário. Leia Romanos

243
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

8:1; Efésios 2:1–12; Tito 3:3–7; 1 João 1:4–7; Hebreus 10:26–27.


“E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões
e concupiscências” (Gálatas 5:24). Os que são nascidos de Deus
não vivem na prática do pecado, não porque nunca erram, mas
porque não pecam voluntariamente. Se um filho de Deus erra
e cai no pecado, quando percebe que pecou, ele se arrepende e
confessa esse pecado. Por isso não lhe é imputado o pecado (leia
Salmo 32:2; Romanos 4:8).
“Todo o que é nascido de Deus vence o mundo” (1 João 5:4).
Os filhos de Deus amam as coisas que Deus ama e odeiam as
coisas que ele odeia. Esse amor e esse ódio são evidências da rege-
neração na vida do cristão. Portanto, “se alguém ama o mundo,
o amor do Pai não está nele” (1 João 2:15). Todo aquele que de
todo o coração ama o que é bom, então odeia em absoluto o que
é mal. Essa é uma das evidências fundamentais que demonstra
que alguém é filho de Deus.
“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não
peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o
maligno não lhe toca” (1 João 5:18). Para aquele que é nascido
de Deus o mandamento “aborrecei o mal” é tão importante
quanto “apegai-vos ao bem” (Romanos 12:9). O filho de Deus,
que está cheio do Espírito Santo, pode dizer com o salmista:
“Odeio todo falso caminho” (Salmo 119:104).

3. A vida guiada pelo Espírito Santo


A diferença entre a carnalidade e a espiritualidade é bem expli-
cada em Gálatas 5:19–23. Podemos saber se andamos segundo
a carne ou segundo o Espírito (leia Romanos 8:1) ao determinar
se a nossa vida diária manifesta as obras da carne ou o fruto do
Espírito Santo. Quando vemos uma pessoa cuja vida diária mostra
claramente que está sendo dirigida pelo Espírito de Deus, podemos
estar seguros de que tal pessoa é renascida.

4. A obediência
“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus
mandamentos” (1 João 2:3). Cristo põe os seus discípulos à prova

244
A regeneração

quando lhes diz: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu


vos mando” (João 15:14). Tiago nos admoesta dizendo: “E sede
cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganado-vos
a vós mesmos” (Tiago 1:22).

5. O amor
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque
amamos os irmãos” (1 João 3:14). Por essa mesma razão Deus diz
que “quem não ama a seu irmão permanece na morte” (1 João
3:14). “Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de
Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.
Aquele que não ama não conhece a Deus” (1 João 4:7–8).

6. A fé
“Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus”
(1 João 5:1). A verdadeira prova de fé e de amor está em crer e
obedecer toda a Palavra de Deus. “Mas, a todos quantos o rece-
beram, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que
creem no seu nome” (João 1:12).

245
31
Capítulo

A adoção
Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são
filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para
outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção
de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai (Romanos 8:14–15).
Deus recebe na sua família somente as pessoas que têm sido
regeneradas. A regeneração e a adoção são dois assuntos muito
parecidos. Mas a regeneração enfoca a vida espiritual, enquanto
que a adoção enfoca o relacionamento espiritual.
A adoção é o ato amoroso de Deus receber em sua família
espiritual os seus filhos neste mundo que cumprem com certas
condições para pertencer a ela. Da mesma forma que Moisés foi
adotado como filho da filha de Faraó (leia Êxodo 2:1–10), e Mefi-
bosete foi acolhido por Davi (leia 2 Samuel 9:1–10), assim também
Deus recebe na sua família, como filhos e filhas, os que se tornam
herdeiros da glória ao serem feitos novas criaturas em Cristo Jesus.

A adoção pressupõe:

1. Que nem todos pertencem à família de Deus


Cristo disse a alguns fariseus que se opunham a ele: “Vós tendes
por pai ao diabo” (João 8:44). Na parábola da boa semente e do
joio, Cristo explica que “a boa semente são os filhos do reino; e
o joio são os filhos do maligno” (Mateus 13:38). Elimas persistiu
em perturbar “os retos caminhos do Senhor” (Atos 13:10). Por
isso Paulo lhe disse que era “filho do diabo”.
Quando o homem pecou no jardim do Éden, ele perdeu o seu
relacionamento com a família de Deus. A única maneira de restau-
rar esse relacionamento é por meio da regeneração e pela adoção.

247
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

As teorias da irmandade universal do homem e a paternidade de


Deus são antibíblicas desde a queda do homem.

2. Que Deus está disposto a adotar como seus os


que não são membros da sua família
Efésios 1:4–5 diz: “…como também nos elegeu nele antes da
fundação do mundo… e nos predestinou para filhos de adoção
por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade”. Nisso se manifesta o amor maravilhoso de Deus, em
que ele providenciou a adoção para os filhos pródigos da terra,
milhares de anos antes que muitos deles tivessem nascido.

3. Que alguns desejam ser adotados


Deus jamais obriga alguém a tornar-se seu filho. Nós temos a
faculdade de escolher. A adoção obrigatória não existe no relacio-
namento de Deus com os homens. Inclusive a predestinação, pela
qual alguns tropeçam, tem a sua base na presciência de Deus (leia
Romanos 8:29). Deus fez providências para a adoção de todas as
almas, mas ele abre o lar divino somente aos que voluntariamente
vêm a ele (leia Isaías 55:1; João 1:12; 3:16; Apocalipse 22:17).

Condições bíblicas para a adoção

1. Fé
“Mas, a todos quanto o receberam, deu-lhes o poder de serem
feitos filhos de Deus” (João 1:12). “Porque todos sois filhos de
Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26).

2. Regeneração
João diz que os que creem no nome de Cristo são nascidos de
Deus (leia 1 João 5:1). A declaração de Cristo de que ninguém
poderá ir para o céu sem “nascer de novo” (João 3:3 e 7) confirma
que a regeneração é essencial para a adoção.

3. A graça de Deus
A adoção, como a justificação, é algo que não tem como fun-
damento o mérito humano. Não há nada em nós que comova o

248
A adoção

Pai amado para que nos receba em sua família: nem inteligência,
nem boas obras, nem bondade inata, nem qualquer coisa atrativa.
Unicamente a sua graça admirável, a sua benevolência infinita, as
suas misericórdias ternas e a sua bondade amorosa o comovem a
desejar-nos como seus próprios filhos. Assim como nenhum filho
alheio se torna parte de uma família sem ser adotado pelo pai da
família, assim também nenhum filho do diabo pode entrar na
família de Deus a menos que seja pela graça perdoadora de Deus.
A nossa parte é aceitar as suas condições. Ele fará o restante.

As bênçãos da adoção
As bênçãos da adoção são muitas. Primeiramente, nos oferece
todos os privilégios de quem é filho de Deus. O filho pródigo
pensou que seria como um dos trabalhadores de seu pai, mas o
seu pai amorosamente restaurou-o à sua posição anterior de filho.
Assim é a graça de Deus. Perdoa o pecador penitente e o adota
em sua amada família. Isto quer dizer que somos feitos filhos pelo
convite e pela ação de Deus. Assim somos co-herdeiros com Cristo
porque agora temos em abundância a herança eterna dos santos
na luz. Temos aqui algumas das bênçãos da adoção: a presença e
a direção do Espírito Santo, a comunhão com Deus e os santos, o
privilégio de brilhar à imagem de nosso Pai celestial, a oportunidade
de servir a Deus, a consolação de saber que temos feito firmes a
nossa vocação e eleição, e finalmente, a bendita esperança de estar
na pura presença de Cristo.

Evidências da adoção

1. Seguir nos passos do Espírito Santo


“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses
são filhos de Deus” (Romanos 8:14). Segundo Romanos 8:1, ser
guiado pelo Espírito Santo é o oposto de andar “segundo a carne”.
“O espírito é o que vivifica” (João 6:63). Os filhos deste mundo
são dominados pela carne, enquanto que os filhos de Deus são
dominados pelo Espírito Santo. “O próprio Espírito testifica com
o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8:16).

249
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. Obedecer
“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus
mandamentos” (1 João 2:3). Leia também 1 João 5:1–3. Os que
voluntariamente desobedecem a Deus confessam através de seus
atos que não conhecem a Deus e portanto não podem ser filhos
dele (leia 1 João 2:4; Romanos 6:16–22).

3. Ser como crianças


Há uma semelhança notável entre os filhos de Deus e as
crianças em nossos lares (leia Mateus 18:1–3). Elas confiam em
seus pais, são simples, humildes, puras e incapazes de guardar
rancor. Contemple o rosto de uma criancinha indefesa, confiante
e inocente; e você verá a imagem do verdadeiro filho de Deus. “E,
porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de
seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gálatas 4:6).

4. Amar os irmãos
“Todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que
dele é nascido” (1 João 5:1). Uma das evidências mais claras de
que somos filhos de Deus é quando os nossos corações se comovem
com ternura e amor pela família espiritual de Deus. Demonstramos
o nosso amor a Deus através do nosso amor uns pelos outros ao
andarmos unidos na fé em Jesus Cristo.

5. Ser pacificadores
“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados
filhos de Deus” (Mateus 5:9). Leia Romanos 12:17–21; Tiago 3:17–18.

6. Imitar Deus
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Efésios
5:1). Assim como os filhos se parecem com os seus pais, assim
também os filhos de Deus se parecem com ele.

7. Amar os inimigos
Leia Mateus 5:43–48. Cristo disse que devemos amar os
nossos inimigos “para que sejais filhos de vosso Pai que está nos
céus” (Mateus 5:44).

250
32
Capítulo

A santificação
De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para
honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado
para toda a boa obra (2 Timóteo 2:21).

Seu significado
O significado principal da palavra santificar na Bíblia é separar-se
ou consagrar-se a alguma causa, propósito ou obra especial. Tanto no
Antigo como no Novo Testamento são empregadas com frequência
várias formas dessa palavra. Em quase todos os casos, o significado da
frase não mudará se a palavra “santificar” for substituída pelas palavras
“separar” ou “apartar”. Deus separa (santifica) o seu povo para um pro-
pósito santo. Dessa forma, o significado de santificar inclui também
a pureza, a santidade e a consagração a Deus. A santificação indica:

1. Consagrar-se
“E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou” (Gênesis 2:3);
ou seja, o separou como um dia consagrado a ele. Os israelitas
não se aproximaram do Monte Sinai porque Deus havia colocado
limites ao redor do mesmo e o havia santificado (leia Êxodo 19:23).
Esse monte estava separado para um propósito santo. Leia também
Levítico 8:10–11; João 17:17; 1 Tessalonicenses 4:3; Hebreus 9:3.

2. Limpar-se, purificar-se
Leia 1 Tessalonicenses 5:23; Hebreus 10:10 e 14. Para servir
a Deus temos que ser puros, santos e limpos por meio do sangue
de Cristo. “Segui… a santificação, sem a qual ninguém verá o
Senhor” (Hebreus 12:14).

251
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

O que efetua a nossa santificação


Devemos considerar não somente o que Deus faz para nos
santificar, mas também o que ele pede que nós façamos para con-
tribuir para essa obra. Deus e o homem têm cada um a sua parte.
Reconhecemos que a santificação é a obra de Deus, pois mesmo
se o homem tentasse santificar a si próprio por mil anos, ainda
não seria santo. Mas Deus jamais santifica ninguém à força. Isso
quer dizer que Deus santifica os que cumprem os seus requisitos.
Vejamos resumidamente o que contribui com a nossa santificação:

1. Deus, o Pai
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo” (1 Tessalo-
nicenses 5:23). “Santificados em Deus Pai” (Judas v. l). Essa obra
foi profetizada em Ezequiel 37:28.

2. Deus, o Filho
“E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu
próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hebreus 13:12). Somos
“santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo” (Hebreus
10:10). Além disso, Paulo escreveu aos efésios que Cristo santifica
a igreja com a lavagem da água, pela palavra (leia Efésios 5:25–27).

3. Deus, o Espírito Santo


Paulo assegurou aos tessalonicenses que a salvação é através da
“santificação do Espírito, e fé da verdade” (2 Tessalonicenses 2:13).
Pedro se refere à igreja como os “eleitos segundo a presciência de
Deus Pai, em santificação do Espírito” (1 Pedro 1:2). Leia também
Romanos 15:16; 1 Coríntios 6:11.

4. A Palavra de Deus
“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João
17:17). Deus nos dá a sua Palavra, a aceitamos, e assim somos san-
tificados mediante “a lavagem da água, pela palavra” (Efésios 5:26).
Além disso, nós estamos “limpos, pela palavra” (João 15:3). É por
meio da Bíblia que conhecemos os nossos pecados. Somos santificados
quando obedecemos a Deus depois de recebermos esse conhecimento.

252
A santificação

5. A fé
Cristo, o sacrifício pelos nossos pecados, “para nós foi feito…
santificação” (1 Coríntios 1:30). Como pode ser? Quando recor-
remos a ele e nos agarramos às suas promessas pela fé, ele se torna
o nosso santificador. Nós recebemos herança entre os santificados
por meio da fé em Cristo (leia Atos 26:18).

Quando somos santificados?


Vejamos duas verdades bíblicas:

1. A santificação é uma obra instantânea que


ocorre na ocasião da conversão
“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas
haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome
do Senhor Jesus” (1  Coríntios 6:11). “Na qual vontade temos
sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma
vez.… Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os
que são santificados” (Hebreus 10:10 e 14).
Há quem acredite que na conversão a pessoa recebe apenas a
justificação. Tais pessoas pensam que após um tempo indeterminado
de viver como um “cristão carnal” é que se recebe uma manifestação
do Espírito Santo com a qual Deus santifica a pessoa. Paulo nos
assegura que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não
é dele” (Romanos 8:9), que sem a santificação ninguém verá ao
Senhor (leia Hebreus 12:14) e que “os que são de Cristo crucificaram
a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:24). João
também diz assim: “Qualquer que é nascido de Deus não permanece
em pecado” (1 João 3:9). Essas escrituras contradizem a teoria que
ensina que o novo convertido não é santificado.
Concluímos, pois, que quando uma pessoa se converte ao Senhor,
ela é santificada. Deus a separa do pecado para os seus propósitos
santos. Mas o Espírito Santo continua vivificando-a (leia Atos 4:31),
pelo qual o fiel continua crescendo em mais alegria, maiores vitórias
espirituais, mais fortalecimento, mais zelo e mais santidade. O fato de
que a santificação é instantânea e completa não contradiz a realidade
de que existe um crescimento espiritual nessa pessoa.

253
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

2. A santificação é uma obra progressiva que


continua durante a vida do cristão
Depois que entramos na graça, percebemos que continuamos
crescendo “na graça e conhecimento de nosso Senhor” (2 Pedro
3:18). Como filhos de Deus crescemos espiritualmente (leia 1 Tes-
salonicenses 3:12), aumentamos “cada vez mais” (1 Tessalonicenses
4:10), vamos prosseguindo “até a perfeição” (Hebreus 6:1) e nos
aperfeiçoamos na “santificação no temor de Deus” (2 Coríntios
7:1). Uma criança não é normal se não continuar desenvolvendo-
-se desde sua infância. Da mesma forma, para o filho de Deus
não seria normal se não continuasse crescendo espiritualmente.
Como exemplo podemos pensar em uma criança de uns dois
anos. Ficamos impressionados com a sua esperteza, suas conversas
inocentes e a sua inteligência promissora. Dizemos: “Que filho
mais inteligente e promissor!” Mas depois a criança contrai uma
enfermidade que impede o seu desenvolvimento. Dez anos depois
ao vermos a mesma criança outra vez. Diremos: “Que rapaz mais
atrasado!”, mesmo que ele agora faça muito mais do que quando
o vimos pela primeira vez.
A mesma coisa pode acontecer com uma pessoa que foi conver-
tida em um recém-nascido no reino. “Muito bom!” diz o Criador.
Mas, o que ocorrerá se esse filho de Deus, por não aproveitar-se
da abundante graça de Deus, não se desenvolver espiritualmente?
Pode acontecer que alguém veja essa pessoa uns anos após a sua
conversão sem notar nenhuma evidência de crescimento na obra
do Senhor. Diríamos que está atrasado espiritualmente. Aquele
que não cresce, física ou espiritualmente, não é normal.
Você começa na sua vida cristã, arrepende-se de todo o pecado
que Deus lhe mostra na sua vida e no seu coração, e Deus estará
contente com a sua condição. É desta forma que você obtém uma
consciência limpa diante de Deus e dos homens. A sua comunhão
com Deus e com os santos o manterá bem nutrido, e qual é o
resultado? Você cresce espiritualmente.
Ao crescer espiritualmente o seu entendimento se desenvolve
de forma que você não pode continuar fazendo algumas coisas
que antes fazia. Você se arrepende dessas coisas e deixa de fazê-las.

254
A santificação

Isso continua por muitos anos. Finalmente, ao comparar-se com


o que foi em anos anteriores, você fica admirado por não ter
notado essas coisas naquele tempo. Isso quer dizer que você cresceu
espiritualmente. Durante todos esses anos a luz brilhou cada vez
mais, e pela graça de Deus, se continuar crescendo, continuará
brilhando. “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que
vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18).
Isso é o que chamamos de santificação progressiva.
A santificação perfeita e completa será a herança feliz de cada
fiel santificado na vinda de nosso Senhor; então a vida e a luz de
Deus dentro da alma não mais serão ofuscadas pelo manto da
mortalidade, de modo que o nosso estado ali será perfeito.

Resultados da santificação

1. A união com Cristo


“Porque, assim o que santifica, como os que são santificados,
são todos de um” (Hebreus 2:11). Quando Deus nos aparta para
servir-lo, isto significa duas coisas: (1) Estamos separados do
pecado (leia Romanos 6:1–2; 12:1–2; 2  Coríntios 6:14–18) e
(2) estamos unidos com o próprio Cristo (leia João 17:21–23).

2. A perfeição cristã
“Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são
santificados” (Hebreus 10:14). (Leia também Mateus 5:48.) Como
é possível que um ser humano imperfeito alcance a perfeição cristã?
Somente mediante a purificação por meio do sangue de Cristo e
do poder de Deus para guardá-lo sem mancha. A perfeição por
meio do sangue é a perfeição efetuada pelo sacrifício único na cruz.

3. A separação do mundo
“O Senhor separou para si aquele que é piedoso” (Salmo 4:3).
Leia também Romanos 12:1–2; 2 Coríntios 6:14–7:1. A conclusão
é: “Apartai-vos, diz o Senhor… e eu vos receberei” (2 Coríntios
6:17). A santificação nos separa do mundo para que possamos
estar unidos com o nosso santíssimo Pai.

255
A DOUTRINA DA SALVAÇÃO

4. A herança eterna
É evidente que todos os fiéis santificados em Cristo são
co-herdeiros com Cristo, pois: (1) Deus prometeu a todos os fiéis
uma “herança entre todos os santificados” (Atos 20:32). (2) A
santidade (santificação) é mencionada entre os requisitos para ver “ao
Senhor”. (3) “Todas as coisas” de Apocalipse 21:7, são prometidas
aos vencedores, e os únicos vencedores serão os que são santificados.
5. A preparação para o serviço
“De sorte que, se alguém se purificar dessas coisas, será vaso
para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado
para toda a boa obra” (2 Timóteo 2:21). O poder do Espírito
Santo está disponível somente aos que são santificados. Esse poder
é necessário para o serviço eficaz. A consagração (uma parte da
santificação) significa entregar-se totalmente a Deus, o que quer
dizer que todos os poderes humanos estão sobre o altar, para que
Deus os utilize conforme for do seu agrado. Por isso algumas
pessoas que possuem talentos comuns fazem mais no serviço do
Senhor do que outros que são abençoados com mais talentos, mas
que não são consagrados ao Senhor.
6. Um crescimento constante na graça
Leia Efésios 4:11–16; 1  Tessalonicenses 4:1–10; 2  Pedro
3:17–18. Não há condição mais favorável para um crescimento
espiritual rápido e constante do que uma vida consagrada e santa.
Uma vida assim tem o poder do Espírito Santo para cumprir com a
obra de Deus. Isso enche a alma com as riquezas da graça de Deus,
estimula a atividade espiritual que é tão vital para o desenvolvi-
mento espiritual e é uma terra fértil e favorável para a produção
abundante do fruto do Espírito Santo. Da mesma maneira que
a vegetação cresce rapidamente ao desfrutar em abundância do
calor do sol, assim também o filho de Deus cresce ao desfrutar
da claridade do céu na sua vida santificada.
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o
vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados
irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tes-
salonicenses 5:23).

256
A DOUTRINA
DA IGREJA
Assim como todas as outras doutrinas da Bíblia, a doutrina da
igreja é apresentada nas Escrituras com uma clareza e amplitude
que demonstra a sua importância.
Este estudo da igreja será dividido em duas partes:
Ø A igreja como um corpo de pessoas separadas do mundo;
sua missão, sua organização, seu trabalho, seus deveres e
como os seus membros se relacionam entre si.
Ø As ordenanças da igreja pelas quais os princípios do evan-
gelho se manifestam na vida dos seus membros.
Há quem diga que a igreja seja tanto um organismo como
também uma organização. Como um organismo, a igreja con-
siste em um corpo de crentes com Jesus Cristo como a cabeça e
os membros do corpo funcionando segundo a direção da cabeça.
Ao contemplarmos a ligação entre o cérebro e o resto do corpo,
temos um conceito claro do relacionamento entre Cristo e os
membros de seu corpo, a igreja. Como uma organização, a igreja
é um grupo de crentes organizados para o bem-estar comum e
para prestar serviço eficaz aos demais. Cada qual tem o seu lugar
a cumprir para fortalecer os demais membros contra os males
deste mundo e para unir as forças na obra de salvar os perdidos.
As ordenanças foram concebidas pela sabedoria divina e ins-
tituídas pelo Senhor para o bem-estar espiritual dos cristãos. Nós
cristãos louvamos ao Senhor pelo privilégio que ele nos deu de
guardar as suas ordenanças por meio da igreja.

257
33
Capítulo

A igreja cristã
Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno
não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18).
A palavra igreja (do grego ekklesia) é derivada de duas palavras
gregas que juntas querem dizer “chamar fora de”. A igreja cristã é
um corpo de crentes que foram chamados para viverem separados
do mundo e sob o domínio e a autoridade de Jesus Cristo.
É muito importante reconhecer isso. Deus não recebe como
filho a pessoa que ainda não renunciou ao mundo e ao pecado.
Além disso, tampouco é filho aquele que não obedece a Jesus
Cristo, que é a cabeça da igreja.
A igreja é o corpo de Cristo na terra. Ele organizou e a comissio-
nou, e no dia de Pentecostes a vivificou, capacitando-a para a obra à
qual foi chamada. Desde então a igreja de Cristo, sob a direção do
Espírito Santo, está pregando o evangelho para que todo o mundo
conheça o caminho da salvação. Essa obra continuará até que Cristo
volte para levar os seus.

Como a igreja é descrita


Há três termos muito simbólicos que a Bíblia emprega para
descrever a igreja:

1. O corpo de Cristo
Cristo é a cabeça de seu corpo, a igreja (leia Colossenses 1:18),
e nós somos os membros de seu corpo (leia Efésios 4:11–16;
1 Coríntios cap. 12). Cristo utiliza os membros de seu corpo para
cumprir a sua obra na terra. Os membros do corpo de Cristo são
as suas mãos e seus pés na terra.

259
2. Um templo ou edifício
Para ver como Deus edifica o seu templo, leia Efésios 2:20–22.
Como um templo, a igreja é santa e formosa, pois brilha com a
santidade e a formosura de Cristo.

3. A noiva de Cristo
As Escrituras apresentam a igreja como a noiva pura e amorosa
de Cristo, a qual espera a sua vinda. Nessa nossa era o Espírito
Santo está empenhado em chamar os que farão parte dessa noiva
do Cordeiro de Deus. Mateus 25:1–11 é uma descrição da igreja
que está à espera de seu Senhor. Quando todas as coisas tiverem
se cumprido, o Senhor virá para receber a sua noiva. Será efetuada
uma união inseparável entre Cristo e a igreja (como entre uma
esposa e seu marido) “e assim estaremos sempre com o Senhor”.
Leia também Efésios 5:22–33; Apocalipse 21:9.

A ordem na igreja

1. Deus é o Autor
É evidente que Deus é o Autor da ordem na igreja. Ele
providencia os líderes da igreja (leia Efésios 4:11–16; Atos
20:28) e dirige a sua administração (leia Mateus 18:15–18).
Deus frequentemente se refere a Cristo como sendo a cabeça, a
porta e o fundamento da igreja. “Deus não é Deus de confusão”
(1 Coríntios 14:33).

2. O propósito da ordem
Paulo, falando de Cristo, disse: “E ele mesmo deu uns para
apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e
outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos
santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de
Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conheci-
mento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura
completa de Cristo” (Efésios 4:11–13). Leia o capítulo inteiro.
Notemos os quatro propósitos da ordem na igreja que são
mencionados nessa passagem:
A igreja cristã

1. “O aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério”.


2. “Edificação do corpo”.
3. A “unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus”.
4. Chegar “à medida da estatura completa de Cristo”.

O que a igreja não é

1. A igreja não é apenas uma organização social


ou um clube
Ao congregarem-se, os cristãos procuram a comunhão cristã,
e não a amizade social. A comunidade onde há uma igreja cristã
sempre é beneficiada por ela, ainda que o propósito da igreja não
seja o de melhorar a comunidade. A igreja não procura a renovação
social, mas a regeneração da alma; não a fama, mas a salvação.

2. A igreja não é uma organização política


A política está fora do campo de ação da igreja. A igreja não é
colega do estado. Tampouco é mestra do estado, ainda que haja quem
creia que deveria ser, como a igreja aceitou ser nos dias de Constan-
tino. Ela é um reino espiritual dedicado a propósitos espirituais. Ela
colhe almas por meio da oração, e chama as pessoas para entrarem
em contato com Deus. O evangelho, não a urna eleitoral, é a arma
com a qual os cristãos procuram melhorar este mundo pecaminoso.

3. A igreja não é um movimento reformista


A igreja se empenha em trazer almas cegas para os pés de Cristo
para que ele as transforme de dentro para fora. Toda comunidade
é beneficiada moral, intelectual e espiritualmente quando tem nela
uma igreja espiritual e bíblica.

Os requisitos do evangelho
para admissão na igreja
Cristo, por meio do seu próprio sangue, pagou para remir
para si uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa
semelhante, mas santa e irrepreensível” (Efésios 5:27).

261
A DOUTRINA DA IGREJA

Atualmente, muitos pensam que qualquer pessoa pode ser


membro da igreja de Cristo. Isso é verdade, contanto que as
seguintes coisas sejam evidentes em sua vida:
Ø A fé (Atos 8:36–37; Marcos 16:16).
Ø O arrependimento (Atos 2:38).
Ø A conversão (Atos 3:19).
Ø A obediência (João 14:15 e 23).

A administração da igreja
1. A igreja é uma teocracia
Isto quer dizer que Deus é o Governador supremo da igreja.
Esse fato é essencial e de grande interesse para o corpo de Cristo.
A igreja de Cristo não é uma hierarquia ou organização humana.
Falando de Cristo, a Bíblia fala que Deus Pai “sobre todas as
coisas o constituiu como cabeça da igreja” (Efésios 1:22). Ele é a
nossa cabeça perfeita (leia Colossenses 1:18), e o Espírito Santo
é o nosso guia (leia João 14:26; 15:26; 16:13). Como todos os
membros do corpo natural estão sujeitos à cabeça, assim também
todos os membros do corpo de Cristo se sujeitam a ele porque
Deus o colocou como a cabeça da igreja.

2. Deus governa a igreja por meio da sua Palavra


Cristo, nossa cabeça, instituiu o Novo Testamento como a
nossa norma de vida, e por ele somos governados. O Novo Testa-
mento contém mandamentos para a conduta de cada membro da
igreja, como evangelizar o mundo e como enfrentar os problemas
da vida. Em cada prova da vida e em qualquer pergunta ou difi-
culdade que se apresente devemos dirigir-nos à Bíblia para saber
o que diz a autoridade final em todos esses assuntos. A Bíblia é a
nossa norma de vida, e a igreja tem a responsabilidade de observar
que cada membro a pratique.

3. Deus governa a igreja por meio de homens fiéis


“[Jesus] mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profe-
tas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,

262
A igreja cristã

querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministé-


rio, para edificação do corpo de Cristo” (Efésios 4:11–12). Jesus
chama os seus servos humildes para várias funções na igreja. Ele
os chama para alimentar, guiar, proteger e disciplinar os membros.

A missão da igreja

1. Glorificar a Deus
A responsabilidade principal de cada cristão é glorificar a Deus.
É importante que cada cristão se lembre da admoestação das Escri-
turas: “Fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). Deus
é glorificado quando o nosso trabalho e exemplo levam as pessoas
a se entregarem ao Deus vivo.

2. Servir como a luz do mundo


Cristo disse aos seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo”
(Mateus 5:14). O mundo não somente necessita da mensagem
do evangelho, mas também necessita de exemplos vivos dos
resultados deste evangelho na vida atual. Os cristãos são a “Bíblia”
deste mundo; sendo assim, é necessário que brilhe a nossa luz.
Cristo incumbiu a sua igreja de ir e fazer “discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado”. Também nos exorta, dizendo: “Pregai o evangelho a
toda criatura”; ordenando que “se pregasse o arrependimento e a
remissão de pecados em todas as nações” e dizendo que “ser-me-eis
testemunhas… até aos confins da terra”. Leia Mateus 28:18–20;
Marcos 16:15; Lucas 24:46–47; Atos 1:8.

3. Promover o crescimento e a preservação


espiritual de todos os santos
Ao levar o evangelho ao mundo e conduzir as almas perdidas a
Cristo, a igreja cumpre apenas uma parte da sua missão. Os novos
convertidos devem ser instruídos, edificados na fé e no serviço ao
Mestre. O homem, sendo um ser social, necessita da comunhão,
do serviço e da disciplina cristã para crescer espiritualmente.

263
A DOUTRINA DA IGREJA

Depois de converter-se, a alma almeja e valoriza a comunhão com


Deus e com os santos. Essa comunhão é um deleite que anima o
crente, fortalece o corpo de Cristo e ajuda o povo de Deus a unir
as suas forças para levar o evangelho completo por todo o mundo
(leia Atos 2:46–47; Efésios 4:11–16).

O sustento da igreja
Para que a igreja funcione como Deus a planejou, os membros
têm que sustentá-la. Os que aceitam a Cristo como Salvador e
Senhor darão o seu apoio ao corpo conforme o seu entendimento
e as oportunidades que lhes forem apresentadas. Ofereceremos
a seguir algumas maneiras em que devemos sustentar a igreja:

1. Ser leal a Cristo e aos irmãos


“Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a
Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a
Deus.… Não vos façais servos dos homens” (1 Coríntios 6:20;
7:23). “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por
nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1 João 3:16). Aqui
vemos em poucas palavras a nossa responsabilidade suprema
para com Deus e para com a igreja. As nossas vidas devem estar
constantemente no altar. De todo o coração devemos prestar um
serviço leal, voluntário e submisso ao domínio de Cristo que é a
cabeça da igreja. Assim Deus pode utilizar todas as nossas forças
para a glória do seu nome e para o avanço da sua causa.

2. Assistir aos cultos públicos


“Não deixando nossa mútua congregação, como é costume
de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros” (Hebreus
10:25). Uma das melhores maneiras de sustentar a igreja é assistir
fielmente aos cultos públicos. Quanto mais leais somos a Deus
e aos irmãos, tanto mais interesse teremos no bem-estar de cada
irmão e em assistir fielmente aos cultos na casa do Senhor. Ao
assistir aos cultos com regularidade, não apenas nos beneficiamos
deles, mas também teremos a oportunidade de animar os outros.

264
A igreja cristã

3. Orar
Os apóstolos estavam orando no cenáculo em Jerusalém antes
do derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes (leia
Atos 1:13–2:4). Os discípulos na casa de Maria, oraram por Pedro
(leia Atos 12:5 e 12). A igreja em Antioquia orou antes de enviar
Paulo e Barnabé como missionários aos gentios (leia Atos 13:1–4).
Nós também devemos orar pela obra que Deus está fazendo por
meio de seu povo, a igreja de Cristo.

4. Contribuir
Contribuir não se refere somente em ofertar dinheiro. Quando
uma pessoa tem o espírito de ofertar, isto lhe toca todo o ser: o
coração, a mente, as mãos, os sentimentos, a carteira… enfim, tudo.
Quanto apoio espiritual e material devemos dar para a igreja?
Isso não será problema se obedecermos às instruções bíblicas que
governam os motivos e os métodos. Temos aqui as normas do
Novo Testamento quanto a contribuir: “de graça” (Mateus 10:8),
“aos pobres” (Mateus 19:21), “não com tristeza” (2 Coríntios 9:7),
“segundo propôs no seu coração” (2 Coríntios 9:7), “com alegria”
(2 Coríntios 9:7), “para glória de Deus” (1 Coríntios 10:31) e
“conforme a sua prosperidade” (1 Coríntios 16:2). Se seguirmos
essas normas, então contribuiremos de maneira correta.

5. Proclamar a doutrina de Cristo


O nosso Salvador instruiu aos seus discípulos que deviam
ensinar a “todas as nações… a guardar todas as coisas” que ele
lhes tinha mandado. Deus quer que obedeçamos a Cristo e que
proclamemos a outros os ensinamentos que ele nos deu. Assim
cooperamos com Deus ao estender os limites do reino. Desta
maneira somos fortalecidos na fé como igreja.

6. Servir
Desde o início da igreja, sempre houve um clamor por obrei-
ros. A mensagem de Cristo a seus discípulos foi: “Ide por todo
o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).
Necessita-se de obreiros no lar, na escola cristã, nos negócios, na

265
A DOUTRINA DA IGREJA

comunidade, nos distritos rurais, nas cidades populosas, em casa


e nos países distantes… em todas as partes! Necessita-se de gente
destemida para carregar o escudo da fé, divulgar as boas novas
da salvação, levar a bandeira do rei Jesus e resplandecer “como
astros no mundo”. Deus, por meio de Paulo, nos diz: “Portanto,
meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes
na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no
Senhor” (1 Coríntios 15:58).

266
34
Capítulo

O Ministério
Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho (Atos 20:28).
A Bíblia ensina que Deus deu à igreja a responsabilidade de
escolher irmãos fiéis dentre os seus membros para dirigir a obra. A
esses irmãos é dado um cargo de servir em ministérios específicos;
cada um é ordenado para determinada função. O irmão que é
ordenado recebe um ministério que ele deve cumprir.
Os líderes da igreja cristã são servos da igreja, não os senhores
dela. Eles não recebem o cargo para o seu proveito pessoal, mas
para o proveito da igreja. Eles devem cumprir o seu ministério
com mansidão (leia 2 Timóteo 2:24–26). Eles seguem o exem-
plo do seu Senhor e Mestre, que “não veio para ser servido, mas
para servir” (Marcos 10:45). Mas ao mesmo tempo, levam a
responsabilidade de dirigir a obra da igreja e têm a autoridade
para cumprir a sua obra.
A Bíblia fala de dois aspectos da obra dos ministros da igreja:
Ø Seu serviço. As Escrituras referem-se aos ministros como servos
(leia Tiago 1:1), obreiros (leia 1 Timóteo 5:18) e coopera-
dores (leia 2 Coríntios 1:24). Os ministros têm que praticar
a abnegação para servir à igreja.
Ø Sua autoridade. Deus concede ao ministério a autoridade que é
necessária para cumprir a sua obra. Eles têm a responsabilidade
de governar a igreja (leia 1 Timóteo 5:17). Paulo escreveu a
Tito, um líder na igreja em Creta: “Fala disto, e exorta e repre-
ende com toda a autoridade” (Tito 2:15). Os que governam
bem exercem a sua autoridade humildemente no temor de
Deus e sempre estão dispostos a receber os conselhos de seus

267
A DOUTRINA DA IGREJA

irmãos fiéis. Eles têm muito cuidado em usar a sua autoridade


somente para promover a vontade de Deus e não a sua própria.

O trabalho principal do ministério


Para que a igreja ordena ministros? Para que possam trazer as
almas a Cristo e para cuidarem do rebanho. Essa obra é a continua-
ção da obra que Cristo iniciou enquanto estava fisicamente na terra.

1. Trazer os homens a Cristo


Os ministros estão encarregados da responsabilidade de pregar o
evangelho aos incrédulos. “Porque todo aquele que invocar o nome
do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não
creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como
ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem
enviados?”(Romanos 10:13–15). Deus quer que a igreja envie irmãos
fiéis para a obra de pregar o evangelho aos não convertidos, seja na
própria comunidade ou em lugares distantes. Mesmo que algumas
pessoas considerem a pregação da Palavra uma tolice, ela é uma das
maneiras mais eficazes de evangelizar. A Bíblia diz que aprouve a
“Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (1 Coríntios 1:21).

2. Cuidar do rebanho
A Bíblia manda aos ministros: “Apascentai o rebanho de Deus,
que está entre vós, tendo cuidado dele” (1 Pedro 5:2). A saúde do
rebanho depende da fidelidade com a qual os seus ministros cum-
prem o seu ministério. Segundo a Bíblia, o seu ministério inclui: ser
um bom exemplo (leia Tito 2:7–8), pregar a Palavra, corrigir, repre-
ender, exortar com paciência e doutrina (leia 2 Timóteo 4:2), corrigir
com mansidão aos que caem no laço do diabo (leia 2 Timóteo 2:24)
e tirar os perversos de dentro da igreja (leia 1 Coríntios 5:11–13).

Qualificações para o ministério


É Deus quem chama, capacita, sustenta e recompensa os
ministros. No entanto, ele dá à igreja a faculdade de escolher,
ordenar e enviá-los. A Bíblia fala claramente como deve ser
o caráter dos homens que estão capacitados para essa obra

268
O M inistério

importante a fim de que a igreja não se engane ao escolhê-los. A


seguir apresentaremos uma lista das qualidades de um cristão que
é digno de ser ministro.

1. Cheio do Espírito Santo (Lucas 4:1; 24:49;


Atos 1:8; 6:3)
O ministério desempenha uma obra espiritual. Essa obra lida
diretamente com os espíritos dos homens. Ela só pode ser realizada
pela direção e o poder do Espírito Santo. Se fosse possível que
alguém cumprisse com todos os outros requisitos da Bíblia sem
estar cheio do Espírito Santo, ainda seria totalmente incapacitado
como ministro. Somente o ministro que estiver cheio do Espírito
Santo, pode ter êxito na sua obra.

2. Irrepreensível na sua vida (1 Timóteo 3:2;


Tito 1:5–6)
Deus requer que seus servos sejam de caráter irrepreensível. Para
que o ministro tenha êxito no serviço do Senhor, é necessário que
possua um caráter irrepreensível, que esteja disposto a reconhecer
os erros que tiver e corrigi-los. Pode ser que outros critiquem a sua
vida; mas ele tem que ser inculpável e livre de manchas mundanas.

3. Que tem bom testemunho (1 Timóteo 3:7)


Os incrédulos da comunidade conhecem o caráter dos irmãos.
É necessário que o ministro tenha um bom testemunho entre eles
“para que não caia em afronta, e no laço do diabo” (1 Timóteo
3:7). “Vale mais ter um bom nome [testemunho] do que muitas
riquezas” (Provérbios 22:1). O ministro não conseguirá ganhar
para Cristo aqueles que não tiverem confiança nele; e a confiança
nasce do bom testemunho. Sem um bom testemunho dos de fora,
o ministro é ineficaz na sua obra e isso o desanimará.

4. Humilde (Atos 20:19; 1 Pedro 5:5)


Todo ministro que é humilde será bem-sucedido. Possivel-
mente os dois “ministros” mais notáveis antes da época cristã
foram Moisés e João o Batista. O primeiro foi mais manso do

269
A DOUTRINA DA IGREJA

“que todos os homens que havia sobre a terra” (Números 12:3).


O segundo viveu e se vestiu com humildade durante toda a sua
vida. Falando de João, Jesus disse que: “Entre os que de mulher
têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista”
(Mateus 11:11). O fundamento da verdadeira grandeza é a verda-
deira humildade. Não há nada mais repugnante em um ministro
do que um espírito orgulhoso, vanglorioso, altivo e arrogante.
Deus exalta os humildes e humilha os orgulhosos.

5. Altruísta (Romanos 15:1–3)


Há uma relação estreita entre a humildade e o altruísmo. O
orgulho e o egoísmo são irmãos gêmeos que destroem o ministério
de qualquer pastor. Mas a humildade, unida com a generosidade,
traz êxito a qualquer função na igreja. O ministro cristão deve
aprender de seu Mestre como servir aos outros sem egoísmo!

6. Paciente (2 Coríntios 6:4; Tiago 1:4)


A Bíblia diz: “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita”
(Tiago 1:4). Um homem impaciente não está capacitado para
suportar as provações que acompanham o ministério. A paciência
é muito importante para o ministro. Na igreja há todo tipo de
problemas. E caso o ministro seja impaciente, os problemas pio-
rarão. A paciência e a calma ajudam muito a resolver dificuldades
e problemas. “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita…”
no ministro.

7. Firme (1 Coríntios 15:58; Efésios 4:14–16;


Tiago 1:8)
A firmeza na fé é uma qualidade necessária na obra do ministro.
A Escritura condena o coração dobre. Tal homem “é inconstante
em todos os seus caminhos” (Tiago 1:8). É necessário que o
ministro tenha muito cuidado ao posicionar-se, especialmente
em pontos pouco definidos na Bíblia. Mas quando encontra
a verdade bíblica, deve manter-se firme nela sem mover-se. O
ministro instável, levado pra lá e pra cá, não é digno de confiança
e nem de liderar os assuntos sérios da igreja.

270
O M inistério

8. Não iracundo (Tito 1:7)


A Bíblia diz que o ministro não deve ser iracundo. Não se ganha
nada com a ira, mas pelo contrário, há muito a perder por causa
desta falta. O mau-caráter repele e destrói. Um irmão que não pode
controlar a sua ira, certamente não pode cuidar e ensinar outros.

9. Não soberbo (Tito 1:7)


O irmão soberbo não consegue sujeitar-se a outros (leia 1 Pedro
5:5), pois confia demais em suas próprias opiniões. Ele não quer
reconhecer os seus erros ou confessar as suas ofensas (leia Tiago
5:16). Caso tal irmão for ministro, ele produzirá muita discórdia
e divisão na igreja. Deve-se ter cuidado para não eleger um irmão
soberbo ao ministério.

10. Sóbrio (1 Timóteo 3:2 e 8)


Não é necessário que o ministro seja um homem triste, aus-
tero e excessivamente sério, mas deve ser sossegado, meditativo,
sóbrio e prudente. Quando tem que tomar uma decisão, ele deve
considerá-la razoavelmente. A frivolidade, imprudência e falta de
autodomínio são características que destroem a obra do ministro.

11. Vigilante (Atos 20:28–31)


Os ministros são as sentinelas nos muros de Sião. É sua responsa-
bilidade vigiar cuidadosamente e advertir do perigo que se aproxima.
Eles têm que estar acordados e bem alertas para as necessidades da
sua própria vida e da igreja. O ministro sonolento, negligente e indi-
ferente permite que o inimigo entre no rebanho e disperse o mesmo.
“Portanto, vigiai” (Atos 20:31).

12. Estudioso (1 Timóteo 4:13)


Paulo admoestou o jovem ministro Timóteo, dizendo-lhe:
“Persiste em ler”. A Bíblia deve ser a biblioteca principal do
ministro e as demais coisas que ele lê devem estar de acordo com
ela. Na atualidade o mundo pode sutilmente nos influenciar por
meio da sua literatura. O ministro deve se aplicar ao estudo da
Bíblia e de outros livros saudáveis.

271
A DOUTRINA DA IGREJA

13. São na fé (Tito 2:1–2)


A sanidade da fé de um irmão deve ser comprovada antes de
considerá-lo como candidato ao ministério. Os ministros que
creem em doutrinas falsas perdem a sua utilidade e levam outros
consigo para o naufrágio. Um carpinteiro não constrói uma casa
com madeira podre. Da mesma forma, a igreja não deve colocar
homens fracos como ministros porque deles muito depende a
obra da igreja. Como pode um ministro falar “o que convém
à sã doutrina” quando ele mesmo não é são na fé? Como pode
“convencer os contradizentes” quando ele mesmo não aprova a sã
doutrina? É muito importante que o ministro seja são na fé nesses
últimos tempos em que os homens não toleram a sã doutrina.
Se quisermos guardar-nos da apostasia que nos ameaça, temos
que eleger como ministros somente irmãos que sejam sãos na fé.

14. “Não neófito” (1 Timóteo 3:6)


Um homem recém-convertido na fé não teve nem tempo nem
oportunidade para comprovar se realmente é são na fé. Portanto,
o que a Bíblia diz a respeito dos requisitos para os ministros
impediria ordenar a um recém-convertido. A Bíblia não proíbe
que se ordene um irmão jovem. Contudo, requer que um candi-
dato ao ministério tenha sido cristão por tempo suficiente para
comprovar-se apto para esta vocação sagrada. Seria melhor que a
igreja esperasse um pouco em vez de ordenar precipitadamente um
homem inteligente, mas ainda novo na fé. Tais passos apressados
muitas vezes conduzem ao remorso e geram danos irreparáveis.

15. Livre de ligações matrimoniais indevidas


(1 Timóteo 3:2 e 11–12)
Nesta era em que muitos aceitam o divórcio e as segundas núpcias,
é importante que o ministro se mantenha firme quanto ao que a Bíblia
ensina sobre o matrimônio. Se o ministro não pode estar diante dos
irmãos como um exemplo neste ponto, então a sua influência para
o bem da igreja será destruída. A esposa do ministro tem muito a
ver com o êxito ou o fracasso da congregação. Uma esposa não será
como uma “ajudadora idônea para ele” na obra do ministro se ela for

272
O M inistério

fofoqueira, intrometida ou deixar de cumprir fielmente o seu papel


no lar. Tal esposa será um obstáculo para a obra da igreja.

16. “Apto para ensinar” (1 Timóteo 3:2; 4:11;


2 Timóteo 2:2 e 24)
Apenas ter conhecimento não o tornará um mestre. A capacidade
de ensinar é um dom. É uma aptidão que não se adquire somente
por acumular muito conhecimento. Jesus Cristo, a cabeça da igreja,
“deu uns para… doutores (na língua original “instrutores”)”. O
dom de ensinar vem de cima. A maior parte da obra do ministro
se relaciona com o ensino. Jesus mandou que ensinássemos “todas
as coisas” que ele havia mandado. A Bíblia requer que o ministro
seja “apto para ensinar” e idôneo para ensinar também a outros. A
igreja tem a obrigação de eleger ministros que sejam fiéis e idôneos
e que tenham o dom de ensinar e guiar outros na verdade.

17. Bom governador (1 Timóteo 3:4–5)


Visto que os ministros têm a responsabilidade de manter a
ordem de Deus na igreja e também de dirigi-la, então é preciso que
demonstrem a habilidade de guiar e de governar antes de serem
ordenados. A Bíblia ensina que um bispo tem que administrar bem
a sua casa, e faz a pergunta: “se alguém não sabe governar a sua
própria casa, como terá cuidado da igreja de Deus?” (1 Timóteo
3:5). Quando há ordem no lar, isso indica que o pai governa bem
e que fará o mesmo se receber responsabilidades na igreja.

18. Livre dos envolvimentos mundanos (1 Timóteo


3:3; 2 Timóteo 2:4)
A Bíblia menciona várias coisas que impedem a obra do
ministro. Entre elas está o desejo pelo poder mundano, cobiçar
ganhos desonestos e estar envolvido demais nos negócios da
vida. Sabemos que é necessário ocupar-se com as coisas mate-
riais. O próprio Paulo ganhava a vida trabalhando, e instruía os
outros a fazerem o mesmo. O trabalho honesto é recomendável
e saudável para o ministro. Mas ele tem que manter-se livre de
envolvimentos mundanos nos negócios e nas atividades sociais.

273
A DOUTRINA DA IGREJA

Ele tem que estimar mais a graça de Deus do que as riquezas do


mundo. Além disso, o ministro deve desejar mais, ganhar almas
do que ganhar dinheiro e o prestígio do mundo. Ele espera a
coroa da vida que receberá depois de terminar a boa batalha. Isto
significa que ele não estima a honra e a aprovação do mundo.
O ministro deve ser um exemplo de como os cristãos devem
manter-se separados do mundo.

19. Consagrado à sua vocação (1 Coríntios 9:16–


18; 2 Coríntios 12:15)
Paulo estava disposto a gastar tudo que tinha e até entregar-se a
si mesmo pela responsabilidade que ele tinha. Paulo fazia tudo isso
com amor e fé, mesmo quando aparentemente não era valorizado
pelas pessoas a quem ele servia. Ele estava tão desejoso de cumprir o
seu chamado que não deixou que a rejeição e o desprezo das pessoas
o desanimassem. Paulo sacrificava-se muito para que o evangelho de
Cristo fosse pregado gratuitamente e para que de nenhuma forma
ele abusasse da sua autoridade no evangelho. O zelo verdadeiro pela
obra faz com que o sacrifício seja um prazer em vez de uma carga.

20. Um exemplo vivo (1 Timóteo 4:12; Tito 2:7–8)


Timóteo podia repreender com toda autoridade e não permitir
que ninguém desprezasse a sua juventude, contanto que ele fosse
“exemplo dos fiéis”. Tito, outro ministro jovem, foi exortado a
ser “exemplo de boas obras” (Tito 2:7). O ministro que leva uma
vida exemplar prega um sermão eficaz sem a necessidade de muitas
palavras. Enquanto fala, um orador eloquente pode convencer
uma congregação por meio das suas palavras. No entanto, se a sua
vida não corresponder com a sua pregação, ele estará pregando
um sermão sem sentido, e a sua vida diária anulará o que pregou.
Como diz o ditado: “É uma coisa falar, mas outra fazer”. Enfim,
o exemplo pessoal do ministro é muito importante.
Nesse capítulo não fizemos nenhuma aplicação específica destes
requisitos a determinada função ou cargo na igreja. Alguns destes
requisitos são mais aplicáveis a uma função do que a outra. A natu-
reza do cargo determina os requisitos que precisam de mais ênfase.

274
O M inistério

Dependamos da sabedoria de Deus ao eleger irmãos para as


responsabilidades do ministério!

O ministério plural
Segundo o Novo Testamento, várias congregações na igreja
primitiva tinham mais que um ministro. As Escrituras indicam que
havia mais do que apenas um bispo ou um diácono em uma igreja:
Paulo dirigiu sua carta aos filipenses a: “todos os santos em Cristo
Jesus, que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (Filipenses
1:1). E Atos 14:23 diz que Paulo e Barnabé constituíram “anciãos
em cada igreja”. Paulo, “de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os
anciãos da igreja” (Atos 20:17). Ele encarregou Tito de suprir a
falta de ministros em Creta, dizendo que deveria “de cidade em
cidade estabelece[r] presbíteros” (Tito 1:5).
O ministério plural tem muitas vantagens. A carga é mais leve
quando é levada por vários indivíduos. Quando há mais de um
pastor, até mesmo os pastores passam a ter um pastor que vigia
pelas suas almas. A contribuição de vários irmãos com seus diversos
talentos, perspectivas e personalidades proporciona um equilíbrio à
liderança da congregação. Dessa forma, não será tão provável que a
obra da igreja se torne um projeto pessoal de determinado indivíduo.
Quantos ministros devem ter em uma congregação? Pelo
menos o suficiente para que possam pregar a Palavra e cuidar bem
das almas que têm sob a sua responsabilidade. Sempre que possível,
deve-se ordenar irmãos a mais para facilitar a obra evangelizadora,
suprindo as necessidades que surgirem.
Quais são as funções e cargos do ministério? O capítulo 3 de
1 Timóteo contém uma lista de requisitos para os bispos e outra
lista de requisitos para os diáconos. Tito cap. 1 também apresenta
uma lista de requisitos para os bispos. Efésios 4:11  menciona
apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores.
Os apóstolos foram homens escolhidos e enviados por Cristo
para pregar o evangelho e estabelecer igrejas em seu nome. Eles
conheciam pessoalmente a Cristo e o tinham visto depois da
sua ressurreição (leia Atos 1:20–22; 1 Coríntios 15:7–9). Jesus
outorgou-lhes a autoridade de estabelecer a doutrina da igreja e

275
A DOUTRINA DA IGREJA

assim formarem o fundamento dela (leia Efésios 2:20). Quando


nós aceitamos as suas epístolas no Novo Testamento como sendo
a Palavra de Deus, estamos edificando sobre esse fundamento.
Hoje não existe mais a função de apóstolo na igreja.
Segundo a Bíblia, a função de maior responsabilidade na
congregação é a dos bispos. A palavra bispo é derivada de uma
palavra grega que significa “supervisor e superintendente”. É muito
provável que as palavras ancião e presbitério (em 1 Timóteo 4:14)
refiram-se à função do bispo. A palavra ancião vem do costume de
colocar como chefes das pessoas os mais idosos dentre eles. Talvez
em alguns casos esteja falando de qualquer ministro e não apenas
dos bispos. Leia Atos 20:17; Tiago 5:14; 1 Pedro 5:1.
Aparentemente a função de diácono foi instituída nos pri-
meiros dias da igreja cristã. Sentiu-se uma necessidade de irmãos
especificamente escolhidos e encarregados para cuidar dos neces-
sitados e dos assuntos materiais da igreja, então os apóstolos
encomendaram a escolha de sete irmãos que foram ordenados
para essa função (leia Atos 6:1–7). A Bíblia ensina claramente os
requisitos para os diáconos (leia 1 Timóteo 3:8–13) e mostra que
é uma função importante na igreja de Cristo.
Pouco se sabe sobre o restante das funções em tempos bíblicos.
Por exemplo, não sabemos se ordenavam irmãos para a função
de evangelista ou se os diáconos e os bispos que apresentavam o
dom de evangelizar serviam neste ministério.

O chamado para o ministério


Como é que alguém é chamado ao ministério? Isso requer um
chamado especial, ou qualquer um pode tornar-se ministro, tal
como se escolhe qualquer outra profissão de acordo com a prefe-
rência ou a aptidão da pessoa? Hoje ainda é necessário receber um
chamado divino para ser ministro? Vejamos de maneira resumida
o que a Bíblia ensina:

1. O chamado é do Senhor
Ser ministro na igreja de Cristo é uma vocação sagrada. Não é
uma simples profissão ou carreira; um comércio ou negócio; algo

276
O M inistério

que se escolhe ou se deixa conforme a pessoa quer. Os líderes do povo


de Deus sempre foram escolhidos por Deus. Ele chamou Moisés
de forma inequívoca. Também aos profetas foram dadas “palavras
de Deus”, e ele os chamou do seu trabalho comum para a função
sagrada de profeta. Esses homens foram chamados por Deus, e
falaram conforme o Espírito Santo lhes dava as palavras. O primeiro
sumo sacerdote, Arão, foi escolhido e chamado diretamente pelo
Senhor. O Novo Testamento fala do sumo sacerdócio: “ninguém
toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como
Arão” (Hebreus 5:4). Paulo encarregou Timóteo e Tito de dirigirem
a obra de chamar os ministros (leia 2 Timóteo 2:2; Tito 1:5).

2. A voz da igreja
O livro de Atos relata duas ocasiões em que irmãos da con-
gregação foram escolhidos e ordenados para um cargo específico
(leia Atos 1:15–26; 6:1–7). Nas duas ordenações, os irmãos
trouxeram aos apóstolos os nomes dos que a seu parecer cum-
priam os requisitos. Mas em Antioquia foi o Espírito Santo quem
disse: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho
chamado” (Atos 13:2). Não existe contradição entre as ocasiões
quando os membros da igreja falaram e quando o Espírito Santo
fez isto, porque o Espírito Santo fala através de uma irmandade
espiritual e bíblica. Se os irmãos crucificam as suas próprias opi-
niões e dependem do Espírito Santo para discernir qual irmão
cumpre os requisitos para a função, devemos aceitar a voz da
igreja como sendo a voz do Espírito Santo. Quando se solicita a
voz da congregação em uma ordenação é prudente requerer que
um irmão seja nomeado por (pelo menos) dois irmãos antes de
considerá-lo para a função.
Às vezes os irmãos com unanimidade elegem determinado
irmão para que seja ministro. Quando isso acontece, é sinal de
que Deus está falando, e indica que estamos numa posição que
Deus pode nos revelar a sua vontade. Isso pressupõe que não houve
nenhuma influência ou ação que desagradaria a Deus, como um
irmão fazer campanha para o ministério. Fazer campanha para o
ministério é um sacrilégio.

277
A DOUTRINA DA IGREJA

O apóstolo Paulo não entrou na obra do apostolado até quando


Ananias lhe impôs as mãos, dando-lhe a sua comissão (leia Atos
9:17; 22:12–15). É claro que Deus chama os ministros e que
sempre confirma o seu chamado por intermédio da igreja.

3. Lançando sortes
O primeiro irmão escolhido pela igreja depois que Jesus partiu
fisicamente da terra foi escolhido por meio do lançamento de
sortes. A irmandade havia escolhido dois irmãos e ambos cum-
priam os requisitos, mas havia necessidade de apenas um. Como
poderiam saber qual deles deviam ordenar? Como poderiam deixar
que Deus escolhesse? Para isso eles lançaram sortes (leia Atos 1:26).
Lançar sortes era um método utilizado com frequência no
tempo do Antigo Testamento para determinar a vontade de Deus.
Atualmente há alguns cristãos que se opõem à prática de lançar
sortes para escolher ministros. Possivelmente se opõem porque têm
observado o mau uso dessa ordem sagrada. Jamais se deve lançar
sortes de forma precipitada e muito menos para evitar a respon-
sabilidade de comprovar que os irmãos nomeados preenchem os
requisitos. O lançamento de sortes é utilizado apenas quando há
mais que um nomeado que preenche todos os requisitos bíblicos
para a função. Com o lançamento de sortes podemos confiar a
decisão final a Deus, que vê e conhece o que o homem não é capaz
de ver nem saber. Quando Deus escolhe um irmão por meio do
lançamento de sortes, isso não quer dizer que os outros nomeados
não são qualificados. Pode indicar que ele não os chamou para esta
obra, mas para outra.

A preparação do sermão
A Bíblia diz que Deus é quem chama os ministros. Leia Efésios
3:7 e 1 Timóteo 1:12. Deus prepara os que ele chama. O pastor
que quer ser útil a Deus tem que conhecer a Deus e entender o
seu modo de trabalhar.
Ninguém pode usar uma ferramenta cujo uso desconhece.
Ninguém consegue ensinar gramática sem ter conhecimento da
matéria. Ninguém pode usar a Bíblia com eficácia sem conhecê-la.

278
O M inistério

O Espírito Santo nos ajuda a recordar as escrituras que precisamos


e nos guia no uso delas, mas temos que nos preparar primeiro por
meio dos três exercícios que mostraremos a seguir.

1. A leitura da Palavra
Paulo aconselhou ao jovem ministro Timóteo: “Persiste em ler”
(1 Timóteo 4:13). Esse conselho é bom e válido para os ministros
de hoje em dia. O pastor que quer fazer uma obra eficaz tem
que conhecer a Bíblia e deve ler uma porção dela a cada dia com
dedicação e devoção. Deus lhe falará por meio da sua Palavra e
pelo Espírito Santo.

2. O estudo da Palavra
A Bíblia diz: “Examinais as Escrituras” (João 5:39). A Bíblia é
uma fonte inesgotável de conhecimento. Para encontrar os tesou-
ros escondidos nas suas profundezas o pastor tem que fazer mais
do que lê-la; tem que estudá-la. O estudo da Palavra inclui: Buscar
o significado das palavras não conhecidas, fazer comparações entre
passagens relacionadas e considerar um assunto à luz das Escri-
turas que tratam dele. Outra forma é procurar as escrituras que
tem a ver com algum acontecimento, problema ou decisão atual.
É evidente que o pastor deve passar muito tempo no estudo da
Palavra e na meditação. “Procura apresentar-te a Deus aprovado,
como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja
bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

3. A oração
A oração prepara o ministro para a obra. Por meio da oração o
ministro fala com Deus e Deus fala com ele. Assim o ministro se
comunica diretamente com Deus. Antes de iniciar a sua palestra
maravilhosa sobre o pão da vida, Jesus passou a noite a sós com
o Pai em oração (leia Marcos 6:46; João 6:22). Se para Jesus era
necessário orar, quanto mais para o ministro!
Pregar sem estudar e orar é um erro. O sermão que se prepara
sem oração não tem vida nem bom efeito espiritual. É um insulto ao
Autor da pregação do evangelho que um ministro suba ao púlpito e

279
A DOUTRINA DA IGREJA

diga à congregação: “Não abri a minha Bíblia por uma semana, não
pensei em nenhum texto nem procurei meditar em nenhum tema.
Mas agora abrirei a minha boca e deixarei que Deus me dê palavras”.
É responsabilidade do ministro conhecer a Bíblia e escolher um
texto, tema ou pensamento para apresentar para a congregação. Ele
deve colocar em ordem (de cor ou por escrito) os pontos que quer
apresentar e deve preparar algumas ilustrações apropriadas por meio
da direção do Espírito Santo. Deus ajuda o ministro que se esforça
em preparar o sermão. Pode ser necessário utilizar outro texto ou
deixar de lado o assunto que havia preparado, apresentando uma
mensagem completamente diferente da que pensava em pregar. O
ministro fiel prepara-se com diligência e submete-se à direção do
Espírito Santo, tanto na preparação como na pregação.

A obra dos ministros

1. Pregar a Palavra
O primeiro dever do ministro cristão é pregar o evangelho eterno
de Jesus Cristo a um mundo perdido e arruinado. O que quer dizer
pregar? Significa declarar e esclarecer as verdades sagradas da Palavra
de Deus e mostrar como se aplicam na vida dos ouvintes. É uma
obra divina que é realizada sob o controle do Espírito Santo. Deus
escolheu esse meio para que o seu povo ouça a sua Palavra e conheça
a sua vontade (leia Tito 1:3).
João o Batista pregou “o batismo de arrependimento” (Marcos
1:4). Jesus, ao começar o seu ministério, “começou… a pregar”
(Mateus 4:17). Os doze foram ordenados para que “os mandasse
a pregar” (Marcos 3:14). Os líderes da igreja no tempo dos após-
tolos pregavam o evangelho (leia Atos 5:42; 8:35; 17:3). “Visto
que na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela
sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da
pregação” (1 Coríntios 1:21).

2. Dirigir as cerimônias da igreja


Conduzir as cerimônias da igreja é responsabilidade dos minis-
tros. Algumas destas cerimônias são: batizar os novos crentes, partir

280
O M inistério

o pão da santa ceia, ungir os enfermos, solenizar casamentos, dirigir


os serviços fúnebres e ordenar os líderes. Leia Mateus 28:19–20;
Atos 19:1–6; Tito 1:5; Tiago 5:14.

3. Cuidar do rebanho
Os ministros são os pastores do rebanho de Deus (leia Atos
20:28). Eles trabalham na alimentação espiritual dos fiéis. Também
cuidam dos necessitados, excomungam os que persistem em andar
desordeiramente, visitam os enfermos e apascentam o rebanho.
Os diáconos têm uma grande responsabilidade no cuidado do
rebanho, especialmente quando surgem necessidades materiais.

4. Governar
Os ministros devem trabalhar unidos para manter a ordem,
governando na igreja, “não por força, mas voluntariamente; nem por
torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio
sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”
(1 Pedro 5:2–3). O fato que os pastores têm a autoridade de governar
e a responsabilidade da superintendência do rebanho é ensinado
claramente na Palavra: “Os presbíteros que governam bem sejam
estimados por dignos de duplicada honra” (1 Timóteo 5:17). Os que
governam bem reconhecem a obra do Espírito Santo nos membros e
recebem os seus conselhos e críticas. Em muitas ocasiões eles pedem
que os irmãos deem o seu parecer nas questões que a igreja enfrenta.

O sustento dos ministros


Ao considerarmos este assunto percebemos que no mundo
religioso há dois extremos de pensamento:
Ø Visto que o evangelho é gratuito, seria contra as Escrituras
oferecer sustento econômico ao pastor.
Ø O pastor deve receber e viver de um salário estipulado como
em qualquer outra profissão.
Nos ensinamentos da Bíblia há um caminho do meio entre
estes dois extremos. Primeiro vamos considerar a forma bíblica
de sustentar e depois a forma que não é bíblica.

281
A DOUTRINA DA IGREJA

1. O sustento bíblico
A Bíblia ensina claramente que é necessário sustentar o obreiro
cristão: “Digno é o operário do seu alimento” (Mateus 10:10). “Digno
é o obreiro de seu salário” (Lucas 10:7). “Não ligarás a boca ao boi
que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” (1 Timóteo 5:18).
“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho,
que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9:14). Vemos que é bíblico que
os que trabalham no evangelho recebam ajuda quando necessitarem
dela. Existem várias formas em que devemos ajudar os ministros:
Ø Orar. Paulo jamais pediu um salário para poder ensinar
melhor o evangelho, mas repetidas vezes pediu as orações
do povo de Deus (leia Colossenses 4:2–3; 1 Tessalonicenses
5:25; 2 Tessalonicenses 3:1). Deus, por meio das orações
da igreja, tirou Pedro de uma situação difícil (leia Atos
12:5). As orações dos santos ajudam os ministros a serem
bem-sucedidos na obra (leia 2 Coríntios 1:11).
Ø Obedecer. A Bíblia admoesta a congregação dizendo: “Obe-
decei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam
por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas;
para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso
não vos seria útil” (Hebreus 13:17). Devemos apoiar os
nossos pastores, obedecendo-os e sujeitando-nos a eles. Isto
aliviará a sua carga e será proveitoso para nós também.
Ø Animar. Não bajular. Bajular não ajuda ninguém, mas pelo
contrário, prejudica a muitos. Mas, uma palavra de ânimo
ajuda o pastor a pregar sem temor e a governar de acordo
com a Palavra sem desanimar-se.
Ø Ajudar na obra. Há muitas maneiras em que os membros
podem ajudar os pastores: visitar os enfermos, conversar
com os negligentes e indiferentes, animar os abatidos, instar
os incrédulos a receber a Cristo, admoestar os rebeldes, par-
ticipar ativamente na obra da igreja e assistir regularmente
aos cultos. Não procure tomar o lugar do pastor, mas seja
um ajudante fiel na obra.

282
O M inistério

Ø Ajudar materialmente. O pastor procura ganhar a vida ao


mesmo tempo em que cumpre os deveres da sua função. Os
seus deveres requerem tempo, dinheiro e energia. Além disso,
pode ser que ele passe muito tempo fora de casa e do seu
trabalho por causa da obra. Os membros da igreja também
devem cuidar para que o pastor não tenha que sofrer por
causa disso. Nós devemos ajudá-lo em seu trabalho quando
isto ocorrer. Compartilhe o seu tempo com ele e ajude-o no
trabalho que sustenta a sua família. Talvez o pastor tenha
alguma necessidade que você percebe. Ajude-o, comparti-
lhando com ele no que você puder. Não deixe que a obra do
Senhor sofra porque o pastor tem que dedicar-se também
ao trabalho de sustentar a família. “Levai as cargas uns dos
outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
Contudo, devemos compreender que ajudar o pastor com uma
ajuda financeira não é pagar-lhe para pregar o evangelho. Você não
deve pagar a ninguém para pregar o evangelho. Isso cabe ao Senhor.
Ele recompensará os seus servos como ele quiser. O seu dever cristão
é ajudá-lo para que possa servir melhor ao Senhor como pastor.

2. O salário estipulado
A obra do evangelho não tem valor monetário; não pode
medir-se com dinheiro. A Bíblia condena os homens que servem
no evangelho por ganhos desonestos ou para ganhar dinheiro
(leia 1 Timóteo 3:3; Tito 1:7–11; 1 Pedro 5:2). A seguir veremos
alguns pontos contrários a um salário estipulado para o pastor.
Ø O evangelho é gratuito. A salvação é uma dádiva de Deus. Jesus
fez com que o evangelho fosse um dom gratuito. Tudo que
somos em Cristo Jesus foi recebido sem merecimento: “De
graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8). Se o evangelho
fosse vendido por dinheiro, muitas pessoas seriam impossibi-
litadas de ouvi-lo por falta de dinheiro. O evangelho é para
todos. A única maneira para que todos possam beneficiar-se
do evangelho é que seja oferecido gratuitamente. Paulo disse:
“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas

283
A DOUTRINA DA IGREJA

salário” (2 Coríntios 11:8). Mas isso não quer dizer que ele
recebeu pagamento para pregar o evangelho, mas que aceitou
dinheiro de outras congregações para poder servir aos próprios
coríntios. Ele aceitava ajuda quando passava por necessida-
des. O apóstolo Paulo testemunhou que trabalhava com as
mãos não somente para o seu próprio sustento, mas às vezes
também para ajudar seus colaboradores (leia Atos 20:34–35).
É honroso, saudável e bíblico que um pastor trabalhe com
as mãos para o sustento de si mesmo e de sua família, e para
que possa repartir com outros.
Ø O pastor é servo do Senhor. É normal um servo receber uma
remuneração de seu patrão. O pastor é servo do Senhor,
capacitado pelo Senhor, chamado pelo Senhor, responsável
perante o Senhor e dependente do Senhor para seu paga-
mento. Ele presta contas primeiramente a Deus e não aos
homens. Deus o instrui assim: “Procura apresentar-te a
Deus aprovado” (2 Timóteo 2:15). O Senhor provê para
que o pastor possa ganhar a vida. Deus também encarrega
os irmãos fiéis a ajudarem o pastor em suas necessidades.
Mas Deus dá ao pastor um salário de muito maior valor
do que o dinheiro. O pastor que vende a sua vocação
celestial por um salário estipulado e contrata os dons e
as habilidades que recebeu do Senhor, desvia-se para um
caminho que não é conforme as Escrituras e no final não
terá a aprovação de Deus.
Ø O salário é como um cabresto. O patrão paga ao empregado
uma soma em dinheiro pelo trabalho que realiza. O patrão
tem o direito legítimo de ditar o tipo de trabalho que se faz
e a maneira que é feito. Muitas vezes o pastor assalariado
acaba sendo um “empregado” de seus ouvintes e tem que
fazer vista grossa aos pecados daqueles que lhe pagam. Se
repreender esses pecados de acordo com o chamado rece-
bido de Deus, acaba perdendo o emprego. Tais pastores
acabam ficando numa situação difícil e tornam-se “cães
mudos, [que] não podem ladrar” (Isaías 56:10). Eles são

284
O M inistério

tentados a agradar aos homens, porque deles recebem o seu


sustento e deles vem a sua manutenção. Mas é impossível
servir a dois senhores.
Ø Comercializa a obra do evangelho. Caso a obra do evange-
lho seja colocada no mesmo nível de outras profissões, é
natural que o aspecto comercial esteja implícito. Assim
ouve-se dizer que determinado pastor de muito talento
foi chamado pelo Senhor de uma posição de menor salá-
rio para outra onde lhe pagam mais. Será que o Senhor
o chamou para fazer isto? Jesus faria isto? Esse espírito
comercial entre os pastores assalariados lança raízes tão
profundas que o pastor chega a demandar o seu salário e
cobrá-lo na justiça. O espírito do evangelho é um espírito
de sacrifício. O espírito comercial é contrário ao espírito
de sacrifício. Quando esse espírito é permitido na obra
do pastor, ele destrói o verdadeiro propósito da pregação
do evangelho. Esse espírito comercial tem se tornado
tão predominante que muitos até formaram sindicatos
de pregadores que fixam salários e fazem demandas às
congregações. E se as congregações querem que se lhes
pregue o evangelho, têm que aceitá-lo conforme o modo
do sindicato e pagar o preço fixado.
Ø Torna-se uma armadilha enganadora. O salário que as igrejas
pagam ao pastor constitui um laço que apanha muitos
jovens inteligentes que não preenchem os requisitos para
esse ofício sagrado. Muitos deles são incrédulos. Não
conhecem a voz do Espírito Santo. Não fazem caso das
muitas doutrinas fundamentais da Palavra. Não sabem,
nem querem saber, qual será o destino eterno das almas
dos homens. Eles pensam no ministério como sendo uma
profissão honrada que não requer roupa de trabalho, mãos
sujas nem suor. Só pensam que ser pastor lhes oferece a
oportunidade de estar entre a melhor classe da sociedade,
chamado de reverendo, respeitado e honrado pelo povo.
Gostam da ideia de dar sermões adornados com expressões

285
A DOUTRINA DA IGREJA

agradáveis ao ouvido e orações eloquentes, experimentar


a sensação agradável de dirigir-se a um auditório atento e
ver o seu nome publicado nos diários como um orador e
pregador popular. Por isso, os homens incrédulos tornam-se
pastores, porque desejam um bom salário e renome pessoal.
Não têm o desejo de serem utilizados por Deus para salvar
as almas perdidas, e assim trazer glória a Deus. Assim se
frustra o propósito primordial de ser pastor. A igreja se
torna um centro social, e as almas dos homens se perdem.
Tudo isso porque os homens foram seduzidos pelo salário
oferecido aos pastores.

286
35
Capítulo

A congregação
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor
(Salmo 122:1).

Introdução
Ao dizer “congregação” estamos pensando numa irmandade
local. Cada congregação devidamente constituída é composta
de irmãos que fizeram um compromisso de adorarem juntos ao
Senhor e de ajudarem-se mutuamente.
Cada irmandade cristã consiste de um grupo de membros
convertidos e batizados que se congregam regularmente para
adorar a Deus. O Senhor coloca ministros em cada congregação
para que cuidem do rebanho e sejam exemplos para os fiéis.
Cada membro mantém um relacionamento íntimo com Deus,
evangeliza a outros, e vive em paz e harmonia com seus irmãos.

Os requisitos para ser membro


A igreja que é verdadeiramente cristã admite como membros
somente as pessoas que tenham se arrependido de todos os seus
pecados, foram batizadas sob a confissão da sua fé em Cristo,
tenham um bom testemunho, estejam em conformidade com
a fé e a prática da igreja de Cristo, vivam separadas do mundo,
estejam consagradas a Deus e submetam-se completamente à
Palavra de Deus.

287
A DOUTRINA DA IGREJA

Os deveres dos ministros


para com os outros na igreja
Muito depende dos ministros para que a obra prospere. Uma
congregação adoece quando é dirigida por ministros que não
são fiéis. “Qual sacerdote, assim é o povo” é um ditado antigo
cuja verdade ainda permanece. A Palavra de Deus exige muitas
obrigações dos servos da congregação.

1. Os ministros devem servir à congregação


O ministro deve apascentar o rebanho de Deus e cuidar dele.
Mas não deve esquecer-se que ele é um servo das pessoas de
quem está cuidando. Caso se esqueça dessa verdade, ele passará a
envolver-se no lado terreno, engrandecer-se na sua autoridade e
posição como líder, pensar nos outros membros da igreja como
inferiores e começar a dominar a herança do Senhor. Assim ele
perderá o seu contato com Deus, a sua influência na congregação
e a sua utilidade no reino. Jesus nos deu um exemplo perfeito
enquanto andou aqui na terra: mesmo sendo o Senhor de todos,
tornou-se o seu servo. Ele disse que os governantes deste mundo
dominam os que estão sob sua responsabilidade, mas que entre
os cristãos não deve ser assim (leia Mateus 20:25–28).

2. Os ministros têm o dever de apascentarem o


rebanho
Eles têm que fornecer um alimento espiritual balanceado para
a congregação na forma de ensinamento bíblico saudável. Apas-
centar os cordeiros do rebanho e cuidar deles é um dever muito
importante do ministério. Leia Atos 20:28; 1 Pedro 5:2.
Os ministros têm que fazer mais do que apenas instar às boas
obras. É seu dever ensinar e explicar a Palavra. Além disso, eles
devem ajudar os membros a colocarem em prática as doutrinas da
Bíblia (leia 2 Timóteo 2:2). É seu dever manejar “bem a palavra
da verdade” (2 Timóteo 2:15). Eles devem ensinar “o que convém
à sã doutrina” (Tito 2:1). Os pastores têm que ocupar-se continu-
amente com a leitura da Palavra para poder, dessa forma, ensinar

288
A congregação

a congregação a doutrina bíblica. Os pastores têm uma grande


responsabilidade de manter a congregação sã na fé.

3. Os ministros têm o dever de repreenderem o


pecado
Pode ser desagradável, mas o mandamento é: “Conjuro-te,
pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar
os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues
a Palavra, instes a tempo e fora de tempo, corrijas, repreendas,
exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:1–2).
Isso requer coragem. Mas também requer sabedoria, compaixão e
amor. Descuidar desse dever de repreender o pecado traz confusão
e derrota. Mas cumpri-lo fielmente produzirá uma religião pura
e uma congregação livre de pecado.

4. Os ministros são responsáveis por corrigir os


pecadores
A igreja tem que manter-se em ordem. Os pecadores impe-
nitentes têm que ser excluídos e os penitentes necessitam de
instrução. É dever do ministério encarregar-se dessas coisas da
forma como a Bíblia ordena. O evangelho requer que a igreja
seja governada bem e diz que os que governam bem devem ser
“estimados por dignos de duplicada honra” (1 Timóteo 5:17).

5. Os pastores são as sentinelas da congregação


É de suma importância que os pastores vigiem pelo rebanho,
protegendo-o do mundanismo e das doutrinas prejudiciais tão
prevalecentes no mundo. Os pastores devem estar prontos para
opor-se à literatura falsa. Não devem permitir que pregadores
errantes que não são fiéis ao Senhor preguem na congregação. Um
pregador digno da sua vocação não tem que mendigar para que lhe
deem um lugar onde possa servir. Tais pregadores errantes e agentes
religiosos acostumados a distribuir literatura falsa e prejudicial
entre os ignorantes para enganá-los, podem também enganar aos
fiéis. Cuide-se deles! “Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho”
(Atos 20:28). “Mas tu, sê sóbrio em tudo” (2 Timóteo 4:5).

289
A DOUTRINA DA IGREJA

6. Os ministros devem visitar os demais membros


Os ministros devem visitar os demais membros da congregação,
bem como orar por eles e com eles. Devem animá-los e ajudá-los
pessoalmente na obra do Senhor. Essa parte da obra do ministério
é de muita importância (leia Atos 20:31 e Romanos 1:9).

Os deveres da congregação
para com os ministros
O êxito de uma congregação depende muito de como os membros
apoiam os ministros e como cumprem com seus deveres. A seguir
veremos alguns deveres dos membros da igreja para com os ministros:

1. Orar por eles


As orações de uma congregação fiel servem de grande ajuda
para o ministério. Paulo dava muito valor às orações dos santos
(leia 2 Coríntios 1:11). As orações de uma congregação fiel livra-
ram um dos apóstolos da prisão e provavelmente da morte (leia
Atos 12:5). Todos os verdadeiros ministros reconhecem o valor
das orações dos santos e sempre as desejam. Leia Efésios 6:18–19;
Colossenses 4:2–3; 1 Tessalonicenses 5:25; 2 Tessalonicenses 3:l.
Irmãos, orem pelos seus ministros.

2. Render-lhes obediência voluntária


A Bíblia manda: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos
a eles” (Hebreus 13:17). Onde não houver respeito para com a
autoridade, a obra não pode prosperar “porque a rebelião é como
o pecado de feitiçaria” (1  Samuel 15:23). A desobediência faz
estragos onde quer que se encontre: no lar, na nação ou na igreja.
Visto que os pastores são os que cuidam da igreja, então os outros
membros devem estar dispostos a obedecer-lhes. Se um ministro
necessitar de disciplina, ele cai sob os mesmos regulamentos que
qualquer outro membro. Pode acontecer que um membro sus-
peite de algum ministro. Em tal caso, deve exortá-lo como a um
pai e nunca com uma atitude rebelde. Um espírito desobediente,
obstinado e rebelde é como uma terra fértil que, cedo ou tarde,

290
A congregação

produzirá uma colheita de confusão e divisão. Da mesma maneira


que um lar não pode ter êxito sem a devida obediência dos filhos,
tampouco é possível que uma congregação se mantenha firme sem
que os membros obedeçam ao ministério.

3. Respeitar e estimá-los
“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre
vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os
tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra” (1 Tessaloni-
censes 5:12–13). Uma coisa que impede muito a obra do ministério é
a falta de respeito ao seu chamado sagrado por parte dos membros da
congregação. Muitas vezes os pais, por falta de respeito ao ministério,
inconscientemente afugentam os seus filhos da igreja. Uma vez que
um jovem fraco se coloca contra aquele a quem deve estimar (o minis-
tro) torna-se muito difícil trazê-lo outra vez completamente para a fé.
Uma congregação nunca poderá avançar caso não dê ao ministério
o devido respeito. Cuide do bom nome de seus ministros. A honra
ao ministério é devida; não uma honra lisonjeira, mas uma honra
santa segundo os ensinamentos de Cristo e da sua Palavra. Aquele
que desonra o ministério por falta de respeito e estima, desonra a
Cristo, a cabeça da igreja. “Os presbíteros que governam bem sejam
estimados por dignos de duplicada honra” (1 Timóteo 5:17).

4. Ajudá-los em seus trabalhos


A Bíblia nos ensina que devemos levar as cargas uns dos outros.
Todos os membros devem ajudar o ministério a edificar a igreja de
Cristo. Qualquer membro pode dar sugestões e visitar os enfermos.
Os membros devem estar dispostos a aceitar as responsabilidades
que o ministério queira dar-lhes. Outra coisa que ajuda os pastores
a pregar o evangelho com bom ânimo é quando todos assistem aos
cultos regularmente e prestam atenção aos sermões. Se a pregação
parece enfadonha para você, ore pelo pastor.

5. Ajudá-los quando tiverem necessidades pessoais


Há muitas formas pelas quais você pode ajudar os ministros
quando eles tiverem necessidades econômicas ou quando não

291
A DOUTRINA DA IGREJA

puderem fazer o seu trabalho por falta de tempo. Ajude-os para


que eles possam dedicar-se à obra de cuidar da igreja.

6. Seguir o seu bom exemplo


O ministro tem o dever de dar um bom exemplo ao rebanho
(leia 1 Timóteo 4:12; Tito 2:7; 1 Pedro 5:3). Mas de pouco adianta
esse bom exemplo ou modelo se ele não for seguido ou copiado. Os
irmãos devem seguir o bom exemplo dos pastores (leia Filipenses
3:17; 2 Tessalonicenses 3:9). Bem-aventurada a congregação cujos
ministros mostram um exemplo bíblico em tudo que fazem para
que assim os membros possam segui-lo.

7. Compartilhar nas suas provas e dificuldades


Os ministros que sentem o apoio da irmandade em todo
aspecto da sua vida são mais fortes para exercer o seu ministério,
especialmente nas horas em que as suas responsabilidades pesam
sobre eles. O sustento e apoio da congregação lhes capacitará para
conduzir a congregação à vitória (leia Êxodo 17:8–16).

As oportunidades para os leigos


A obra da congregação não deve pesar exclusivamente nos
ombros do ministério. Há muitas maneiras em que os outros
membros devem ajudar na obra de Deus. Algumas destas opor-
tunidades seriam:

1. A escola dominical
Muitas congregações conduzem uma escola dominical. Cos-
tuma-se eleger os professores de entre os irmãos leigos. A escola
dominical necessita de obreiros capacitados e fiéis para o seu bom
funcionamento e para o bem da congregação.

2. Os jovens
Os jovens precisam do companheirismo e da comunhão dos
adultos. Os membros adultos devem ver em cada jovem uma
oportunidade de contribuir para a formação de uma vida. Quando

292
A congregação

for conveniente, peça para um jovem que o acompanhe quando


sair para visitar alguém na comunidade ou a fazer outra obra
para o Senhor. Em algumas congregações há reuniões bíblicas
especialmente para os jovens que são uma oportunidade para os
adultos influir na vida deles.

3. Cultos especiais
Muitas congregações oferecem oportunidades para levar o
evangelho aos que não podem assistir, ou pelo menos não assistem,
aos cultos na igreja. Os cultos especiais oferecem uma oportuni-
dade para ajudar na evangelização do mundo.

4. A missão urbana
Além de outros trabalhos missionários, sempre haverá neces-
sidade de obreiros para ajudar a levar as boas novas do evangelho
às almas perdidas nas cidades.

5. Obras de caridade
Servimos a Cristo quando ajudamos os idosos e órfãos, os
pobres e desamparados. Se nos ocuparmos em levar-lhes a men-
sagem da salvação, ânimo e apoio, então obteremos o galardão
prometido em Mateus 25:34–40.

6. A educação cristã
As escolas cristãs sempre precisam de diretores e professores dedi-
cados e sinceros. Além de ser uma oportunidade de contribuir para a
formação acadêmica das crianças e jovens, trabalhar como professor
em uma escola cristã também é uma oportunidade de contribuir
para a formação dos valores espirituais.

7. A obra missionária
Através de sua conduta e palavras todo cristão deve pregar o
evangelho na vida diária. Ele deve deixar brilhar a sua luz por
onde quer que vá. Devemos pedir a Deus que nos dê uma visão
das muitas almas sem salvação em toda parte do mundo. Quando

293
A DOUTRINA DA IGREJA

nós atendemos ao chamado de ir pregar o evangelho, isso acaba


incentivando outros a fazer o mesmo em outra parte. Todos
nós devemos estar dispostos a ir se a igreja nos chamar para esta
obra. “A ceifa é realmente grande, mas poucos os obreiros. Rogai,
pois, ao Senhor da ceifa, que mande obreiros para a sua colheita”
(Mateus 9:37–38).
Além dessas oportunidades especiais para o cristão, muitas
outras poderiam ser mencionadas. Conduzir o lar cristão e criar
os filhos para Cristo é uma maneira muito importante de servir
a Cristo. Cuidar diligentemente de um empreendimento ou
negócio, ou exercer uma profissão com dedicação pode contribuir
para a causa do Senhor. Essas coisas apresentam oportunidades
práticas para trabalhar na vinha do Senhor.
Enfim, ser um cristão fiel e leal é um grande serviço para Cristo
e para a irmandade. O Senhor quer que a nossa vida e exemplo
sejam como uma Bíblia para os muitos que não conhecem ao
Senhor (leia 2 Coríntios 3:2–3), convencendo-os da realidade e do
poder do evangelho de Cristo na vida dos homens. Os incrédulos
leem mais do evangelho nos crentes do que na própria Bíblia. Todo
crente tem a oportunidade de ser uma “Bíblia”. Aproveite e utilize
essa oportunidade para a glória de Deus, assim contribuindo para
o testemunho da sua congregação.

Atitudes que atrapalham


o crescimento da congregação
Há quem diga que onde Deus coloca a sua casa de oração, o
diabo edifica a sua capela. Para edificarmos uma congregação para
o Senhor, temos que enfrentar as forças de Satanás e resisti-las.
Notemos algumas das atitudes que atrapalham o crescimento da
congregação:

1. A autojustiça
A acusação mais severa de Cristo aos fariseus que acreditavam
ser justos foi esta: “Vós mesmos não entrastes, e impedistes os
que entravam” (Lucas 11:52). Quando alguém acredita na sua

294
A congregação

própria justiça, isso pode até impedir a entrada de outros que


querem edificar a obra de Deus.

2. A hipocrisia
A hipocrisia e a autojustiça estão intimamente relacionadas.
Onde existe uma a outra também será encontrada. Leia em Mateus
capítulo 23 a repreensão severa que Cristo fez aos hipócritas. Peça
a Deus a humildade e sinceridade para que ele retire tudo que
impede o crescimento espiritual da irmandade.

3. A indiferença
A indiferença atrapalhou a prosperidade da congregação de
Laodiceia e ocasionou a repreensão de Jesus. Esse problema impede
o crescimento de muitas congregações hoje em dia. Qualquer
congregação que cair na mornidão, descuido e indiferença não
conseguirá desenvolver-se nem se fortalecer como um corpo ativo.

4. O mundanismo
“A amizade do mundo é inimizade contra Deus” (Tiago 4:4).
A igreja de Cristo não tem nada em comum com o reino do
mundo: “Não são do mundo” (João 17:16). “Não sede confor-
mados com este mundo” (Romanos 12:2). “Não ameis o mundo”
(1 João 2:15). Essas e outras escrituras mostram claramente que
o crente não deve ser cúmplice do mundo. Quando o mundo
entra na congregação, não sobra espaço para a piedade. Jesus
disse que uma pessoa que não está completamente entregue a ele
é como uma semente que cresce entre os espinhos (leia Mateus
13:22). O mundanismo afoga a espiritualidade. Hoje o que mais
impede o crescimento espiritual em muitas congregações é a pre-
sença de coisas mundanas de uma forma ou de outra; quer seja
nos relacionamentos sociais ou comerciais, nos relacionamentos
matrimoniais, no vestuário e em muitas outras áreas. O munda-
nismo sempre destrói a espiritualidade e impede o crescimento
da obra de Deus. Feche a porta contra o mundanismo corrosivo,
esse inimigo da igreja.

295
A DOUTRINA DA IGREJA

Coisas que promovem


o crescimento da congregação

1. A unidade da fé
A Bíblia ensina que cada membro da congregação é parte do
mesmo corpo e que todos são “membros uns dos outros” (Romanos
12:5). A adoração a Deus e o testemunho de fé devem ser “concor-
des, a uma boca” (Romanos 15:6). Um testemunho que demonstra
que somos perfeitos em Cristo é ter a “unidade da fé” (Efésios 4:13).

2. O amor fraternal
“Permaneça o amor fraternal” (Hebreus 13:1). O Senhor nos
admoesta: “Amai-vos ardentemente uns aos outros com um cora-
ção puro” (1 Pedro 1:22). O amor fraternal vivido na congregação
constitui um testemunho indubitável para a comunidade (leia João
13:35). Onde houver amor fraternal; haverá paz, simpatia e ajuda
mútua entre os irmãos. Isso promove o crescimento espiritual.

3. A firmeza
A congregação em Éfeso nos serve como um bom exemplo da
perseverança e da firmeza no serviço. Isso é mencionado quatro
vezes em Apocalipse 2:1–7. O seu trabalho não era inconstante.
Eles se entregaram à obra com grande determinação. Isso agradou
a Cristo, a cabeça da igreja, e triunfaram sobre todos os obstáculos.
Sim, a igreja necessita de pessoas que não se cansem de fazer o bem.

4. A disciplina
Deus dá à igreja a responsabilidade de disciplinar aos membros
que não querem submeter-se a ele. A pessoa que resiste a admo-
estação dos irmãos é amiga do mundo e inimiga de Deus. Isso
mancha a pureza da igreja. Portanto, a igreja tem que excluí-la.
“Seja entregue a Satanás” (1 Coríntios 5:5). “Tirai, pois, dentre
vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5:13). “Evita-o” (Tito 3:10). O
irmão que peca, cede à tentação de Satanás. Aquele que permanece
em seu pecado entrega-se a Satanás. Desta forma, condena-se a si
próprio. Tal pessoa deve ser separada da irmandade.

296
A congregação

Como é triste a condição de tal pessoa! Está separada de Cristo!


Está do lado de fora, entre os escravos de Satanás. Deus permita
que a separação entre ela e a igreja a ajude a compreender que
agora ela está separada de Deus. Talvez então se arrependa para
que o seu espírito seja salvo quando Cristo vier.
“Notai o tal, e não vos mistureis com ele” (2 Tessalonicenses
3:14). A exclusão serve de aviso ao restante dos irmãos de que
o excomungado já não é membro da igreja e que já não é parti-
cipante da comunidade de crentes. Isso quer dizer que a partir
desse momento não devemos chamá-lo de irmão, nem saudá-lo
com o ósculo santo, nem participar com ele na santa ceia, e muito
menos juntar-nos com ele como se ajunta com um amigo. No
entanto, sempre devemos amá-lo e exortá-lo a que volte ao redil.
Não devemos falar com o errante de modo que lhe faça pensar
que a igreja o tenha maltratado. Temos que fazer com que saiba
que foi disciplinado para o seu próprio bem. Inclusive, temos
que evitá-lo para que se envergonhe do seu pecado. Talvez para
ele pareça que o tratamos desta forma para nos vingarmos dele.
Mas sabemos que isso não é verdade. Fazemos isso para manter
a pureza da igreja e para que ele sinta a necessidade de prestar
contas a Cristo. O nosso objetivo é que ele se arrependa para que
possa ser restaurado à igreja.
Essa disciplina mantém pura a congregação com o objetivo de
que ela esteja pronta quando o seu noivo aparecer (leia 2 Pedro
3:14). Os pecados e a impureza na congregação só trazem derrota
e condenação para ela.

5. A influência pessoal
A congregação é composta de um grupo de pessoas. Cada
uma influi nas outras. Todas essas influências pessoais podem
edificar ou destruir a congregação. Por exemplo, houve um caso
de dois homens que eram companheiros no pecado e depois
foram convertidos. Ambos testemunharam que eram cristãos.
Um terceiro companheiro duvidava do poder da salvação. Ele
deixou o seu trabalho por uma semana e dedicou-se a seguir os
seus dois amigos sem que eles o soubessem para ver como eram as

297
A DOUTRINA DA IGREJA

suas vidas. Ele acabou se convencendo de que eles tinham algo de


grande valor que para ele próprio ainda faltava. Foi dessa maneira
que ele também procurou e encontrou a Cristo. Qual teria sido o
resultado se esses dois não tivessem deixado que a luz de Cristo e
do evangelho resplandecesse em suas vidas? A vida de cada cristão
sempre está sob uma constante vigilância. O argumento mais forte
a favor ou contra o cristianismo é o próprio cristão. Qual é a sua
influência pessoal? Leia 1 Pedro 2:15.

6. A lealdade
O traidor é o homem mais desprezado em qualquer país.
Aquele que não é honesto não tem respeito nem estima entre
amigos ou inimigos. Do mesmo modo, aquele que é leal à sua
pátria ganha e mantém o respeito de todos. A deslealdade por parte
de qualquer membro da igreja, mesmo que seja em um assunto
insignificante, é contra a solidariedade da irmandade. A lealdade
a Deus em tudo leva em si uma influência e poder para edificar e
promover o reino. Que cada membro seja leal a Cristo, leal à obra
de Cristo na congregação, leal em separar-se do mundo, leal em
assistir aos cultos e às atividades da congregação; leal a tudo o que
for bom e nobre! Dessa forma a congregação crescerá.

A relação entre
a congregação local e a igreja universal
A congregação local é em si mesma uma unidade que funciona
como um corpo, mas também faz parte da igreja universal de
Cristo. A igreja universal é composta de todos os filhos de Deus
em todo lugar, e forma o corpo de Cristo na terra. Cada congre-
gação local pode beneficiar-se muito da comunhão com outras
congregações locais que também fazem parte da igreja universal
e verdadeira igreja de Cristo. É bíblico que haja comunhão entre
tais congregações. Essa comunhão é para o benefício mútuo. Assim
elas podem animar, aconselhar, ajudar e apoiar umas às outras.
Contudo, cada congregação deve reconhecer que nem toda
igreja ou congregação que diz ser parte da igreja universal de
Cristo, realmente é. Pode ser que o nome de Cristo faça parte do

298
A congregação

nome de tal igreja, mas é tudo negado pela sua doutrina e seu
comportamento. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias é um exemplo claro do que estamos dizendo. Ainda que
ela professe fé em Jesus, essa igreja dá mais valor às palavras de
Joseph Smith do que às de Cristo. As suas doutrinas e obras não
são cristãs. Levam escuridão para a alma em vez de luz.
As verdadeiras congregações cristãs não podem ter nenhuma
comunhão com tais igrejas. Ao contrário, as verdadeiras igrejas
cristãs devem expor os erros delas e se fortalecerem- contra os seus
enganos. Essas igrejas falsas devem ser vistas como um campo
missionário para a igreja cristã. É evidente que A Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias não faz parte da igreja uni-
versal de Cristo; ela é uma religião falsa.
Jesus falou de tais religiões: “E surgirão muitos falsos profetas,
e enganarão a muitos” (Mateus 24:11). “Acautelai-vos, porém, dos
falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, inte-
riormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis”
(leia Mateus 7:15–17). E o apóstolo João nos adverte quanto a
não apoiá-las de maneira alguma (leia 2 João vv. 9–11).
Não obstante, existem outras igrejas que realmente creem na
salvação pela fé em Jesus e pregam muitas coisas corretas. As pes-
soas podem apreciar que em seus membros aparecem os frutos de
uma vida espiritual. Contudo, essas mesmas igrejas têm crenças e
práticas que não estão de acordo com os ensinamentos do Novo
Testamento. Como deve ser o relacionamento da congregação
local de crentes verdadeiros com tais igrejas?
O Novo Testamento nos dá algunsensinamentos quanto ao
nosso relacionamento com essas igrejas. Em 1 Coríntios cap. 15
o apóstolo Paulo fala da falsa doutrina que diz que os mortos não
vão ressuscitar. No versículo 33 ele diz que “as más conversações
corrompem os bons costumes”. Ter a comunhão de irmãos com
pessoas que têm doutrinas que não são bíblicas é prejudicial à
nossa saúde espiritual. Outro ensinamento que podemos notar
são encontramos em vários versículos. Por exemplo, João 15:14;
1 João 2:6; 1 João 4:7–5:5 (note especialmente o versículo 3 do
cap. 5). Todos esses versículos nos ensinam que os que querem

299
A DOUTRINA DA IGREJA

ser seguidores de Jesus devem viver como ele viveu e obedecer aos
mandamentos de Deus, que se encontram na Bíblia. Se realmente
cremos nisto, não podemos apoiar pessoas que dizem ser cristãs,
mas não obedecem a um ou outro mandamento dele. Não vamos
julgá-los, pois isso é obra de Deus, mas sim vamos tentar ajudá-los
a entender a necessidade de obedecer toda a Bíblia.
Há muita variedade nas igrejas, desde as que são muito dife-
rentes da nossa congregação até as que são muito parecidas. Às
vezes é difícil saber como nos relacionar com determinada igreja.
É muito importante que cada congregação, sob a direção do
ministério, decida como relacionar-se com as outras congregações
com as quais mantém alguma ligação.
Por fim, cada congregação deve reconhecer que Deus deseja
que ela própria esteja muito ocupada na obra de Deus. Ele quer
que ela faça a sua parte, na sua comunidade, cumprindo com o
grande propósito de Deus para a sua igreja universal, que é evan-
gelizar o mundo. É necessário que cada congregação reconheça
a necessidade de apoiar e dar a sua contribuição para a honra e a
glória da Cabeça da igreja universal, Jesus Cristo.

300
36
Capítulo

Algumas
ordenanças cristãs
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que
me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o
amarei, e me manifestarei a ele (João 14:21).

O que é uma ordenança?


Uma ordenança é uma regra ou uma prática estabelecida por
uma pessoa com autoridade. Na igreja dizemos que as ordenanças
são aquelas cerimônias ou práticas estabelecidas por Deus por meio
da sua Palavra e que foram escritas para que seus filhos as cum-
pram. Cada uma destas ordenanças tem um significado espiritual;
simboliza um aspecto de nossa vida cristã. Cumprir uma cerimônia
ou manter uma prática não tem valor algum a menos que esteja
acompanhada da fé e de uma vida espiritual. Desta forma, cremos
que essas ordenanças estabelecidas por Deus são de grande valor na
experiência da igreja. Cada cristão desejará obedecer-lhes porque
ama ao Senhor que as ordenou, e porque experimentou a sua bênção
por guardar a verdade que elas próprias simbolizam. Jesus disse: “Se
me amais, guardai os meus mandamentos”.

Ordenanças bíblicas
Uma vez que vivemos na era do Novo Testamento, devemos
guardar todos os mandamentos e ordenanças contidos nele. Nos
próximos capítulos examinaremos sete dessas ordenanças. Primeiro
veremos uma lista dessas sete ordenanças com os seus respectivos
significados e usos:

301
A DOUTRINA DA IGREJA

1. O batismo com água


Ø É a indagação de uma boa consciência para com Deus (leia
1 Pedro 3:21).
Ø Simboliza o lavar de pecados (leia Atos 2:38; 22:16).
Ø Nos identifica com a morte de Cristo (leia Romanos 6:3–4).
Ø Simboliza o batismo do Espírito Santo (leia Mateus 3:11;
Atos 1:5; 2:14–18; 10:44–48; 11:15–16; 1 Coríntios 12:13).
Ø Permite a entrada na igreja visível (leia Mateus 28:19; Atos
2:38–47).

2. A santa ceia
Ø Nos faz recordar o corpo imolado e o sangue derramado
de Jesus (leia Lucas 22:19–20; 1 Coríntios 11:23–26).
Ø Simboliza a união dos santos (leia 1 Coríntios 10:16–17).
Ø Anuncia a morte e a segunda vinda de Cristo (leia 1 Corín-
tios 11:26).

3. O lavamento dos pés


Ø Nos chama para a humildade (leia João 13:14–17).
Ø Simboliza a igualdade fraternal e a ajuda mútua (leia João
13:8 e 14; Gálatas 5:13).

4. O véu da mulher cristã


Ø Cobre a glória do varão; promove a modéstia entre os sexos
(leia 1 Coríntios 11:6–9 e 15).
Ø Demonstra o relacionamento entre a mulher e o homem
no Senhor (leia 1 Coríntios 11:2–16).
Ø É “sinal de poderio” (1 Coríntios 11:10).

5. O ósculo santo
Ø É uma saudação sagrada (leia Romanos 16:16).

302
A lgumas ordenanças cristãs

Ø É uma saudação de amor (leia 1 Pedro 5:14).

6. A unção com azeite


Ø Simboliza a graça de Deus para com os enfermos (leia Tiago
5:14–15).

7. O casamento
Ø É uma união que se desfaz unicamente por meio da morte
(leia Mateus 19:3–6).
Ø Faz com que o casal se torne uma só carne (leia Gênesis
2:23–24; Mateus 19:3–6).
Ø É para a propagação da raça humana (leia Gênesis 1:28;
Salmo 128:3).
Ø Promove a pureza da raça humana (leia 1 Coríntios 7:2;
Hebreus 13:4).
Ø Tipifica o relacionamento entre Cristo e a igreja (leia
Efésios 5:22–29).

303
37
Capítulo

O batismo
Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mateus 28:19).
O batismo é mencionado primeiramente com relação ao minis-
tério de João o Batista (Mateus 3:1–6; Lucas 3:3, 12). No entanto,
esse conceito era bastante comum sob a lei de Moisés e havia muitos
lavamentos ou “batismos” cerimoniais. No período entre os dois
testamentos, as pessoas que não eram judeus e que queriam unir-se
às sinagogas eram batizadas para serem aceitas. Na verdade o que
era novo para os crentes ao começar o período do Novo Testamento
foi o significado e o uso do batismo, não a ideia dele.

Tipos de batismo

1. O batismo com água


O batismo com água é a cerimônia na qual se aplica água a
uma pessoa que crê em Cristo.

2. O batismo com o Espírito Santo


João o Batista dizia: “E eu, em verdade, vos batizo com água,
para o arrependimento; mas aquele [Cristo]… vos batizará com
o Espírito Santo, e com fogo” (Mateus 3:11). Cristo referiu-se a
este mesmo acontecimento em Atos 1:5. Desta parte das Escrituras
entendemos que enquanto o homem batiza com água, Deus batiza
com o Espírito Santo.
O batismo com o Espírito Santo é o batismo que salva e o
batismo com água é um símbolo desse. “Pois todos nós fomos bati-
zados em um Espírito, formando um corpo” (1 Coríntios 12:13).

305
A DOUTRINA DA IGREJA

3. O batismo com fogo


João o Batista fala do batismo com fogo em Mateus 3:11 e
Lucas 3:16. Ele o menciona junto com o batismo do Espírito
Santo. Pode ser que estivesse falando do batismo do Espírito
Santo. Contudo, segundo o contexto (Mateus 3:10–12; Lucas
3:16–17) é mais provável que se refira ao juízo com que Jesus irá
batizar o mundo na sua segunda vinda. O batismo cristão sela a
nossa fé; o batismo com fogo sela a condenação dos incrédulos.

4. O batismo de sofrimento e martírio


Quando Jesus falou do “batismo com que eu sou batizado”,
tudo indica que falava de seu sofrimento e morte (Marcos 10:38–
39). Ele disse que os seus discípulos seriam batizados com o mesmo
batismo. Por que fazer referência ao sofrimento e martírio como
um batismo? Porque selam ou confirmam a nossa fé. Como diz
em 2 Timóteo 2:12: “Se sofrermos, também com ele reinaremos”.

O batismo com o Espírito Santo

1. É o batismo que salva


“Aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar
no reino de Deus” (João 3:5). Leia também Ezequiel 36:25–27;
João 6:63; Hebreus 10:22.

2. Dá entrada aos crentes para o corpo de Cristo


“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando
um corpo” (1 Coríntios 12:13). “Se alguém não tem o Espírito
de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).

3. Confere poder para viver em santidade e


para servir
É notória a diferença na vida dos discípulos depois de receberem
esse batismo no dia de Pentecostes. Atos 1:8 se cumpre tanto na
vida dos fiéis dos nossos dias como nos tempos apostólicos. O
poder do Espírito Santo limpa a vida, santifica a língua, une os
cristãos e derrama o amor de Deus em nossos corações. Leia Atos
1:8; 2:1–47; Hebreus 9:14; Romanos 5:5.

306
O batismo

O propósito do batismo com água

1. Sela a nossa fé em Cristo


A água não salva ninguém. O batismo com água só tem valor
quando é a “indagação de uma boa consciência para com Deus”
(1 Pedro 3:21). Aquele que tem uma boa consciência deseja o
batismo para cumprir toda justiça (leia Mateus 3:15), pois quer
identificar-se com Cristo (leia Romanos 6:3) e com o seu corpo, a
igreja (leia Atos 2:41). Somente a fé genuína produz tal aspiração.
O batismo simboliza que a pessoa morreu e ressuscitou com
Cristo (leia Romanos 6:3–4). O batismo testifica que temos sido
revestidos de Cristo (leia Gálatas 3:27). Aquele que recebe o
batismo com água recebe o selo que diz: “Esse pertence a Cristo”.

2. Indica o batismo com o Espírito Santo


Somente os que receberam o batismo com o Espírito Santo
são dignos de receber o batismo com água. O batismo externo e
visível é um sinal do batismo interno. Assim como o batismo do
Espírito Santo nos dá entrada ao corpo de Cristo (leia 1 Corín-
tios 12:13) assim o batismo com água é a porta de entrada na
congregação de crentes (leia Atos 2:41–47). O ensino e a prática
da igreja no tempo dos apóstolos testemunham a conexão entre
o batismo com água e com o do Espírito Santo (leia Atos 1:5;
10:44–48; 11:15–16).

3. Simboliza o lavar dos pecados


Pedro disse aos pecadores atemorizados no dia de Pentecostes:
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado… em remissão
de pecados” (Atos 2:38). Isso corresponde com a instrução de
Ananias a Saulo: “Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados”
(Atos 22:16). Por acaso entendemos por isso, que a água lava os
pecados? De forma alguma. A Bíblia ensina que o batismo não
tira a “imundícia da carne” (1  Pedro 3:21), que “o sangue de
Jesus Cristo… nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7) e que
fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, não por coisas
“corruptíveis”, mas “com o precioso sangue de Cristo” (1 Pedro

307
A DOUTRINA DA IGREJA

1:18–19). A água do batismo apenas representa a limpeza que


o sangue de Jesus efetua. Há quem erroneamente atribua essa
limpeza à própria água. No caso do leproso (Marcos 1:40–44),
a quem Cristo já havia limpado, vemos que Cristo mandou que
se apresentasse ao sacerdote e oferecesse os sacrifícios para a sua
purificação que segundo a lei deveria oferecer. O batismo com
água, assim como a oferta mencionada, simboliza uma purificação
que já foi realizada.

4. É um ato de obediência
Quando Jesus foi ao rio Jordão para que João o batizasse, João
se opôs dizendo: “Eu careço de ser batizado por ti”. Mas Cristo
lhe disse: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir
toda a justiça” (Mateus 3:13–15). Então João o batizou. Esse foi
um ato de obediência e não de limpeza.
Quando o Espírito Santo foi derramado sobre os gentios na
casa de Cornélio, Pedro disse: “Pode alguém porventura recusar
a água…?” (Atos 10:44–48) e mandou que fossem batizados com
água. Era necessário que Cornélio fosse batizado? Sim. Ninguém
poderá chegar ao céu caso rejeite esse mandamento de Deus.

5. É a porta de entrada para tornar-se membro


da congregação de crentes
As duas obras principais encomendadas à igreja em Mateus
28:19–20 são: (1) ensinar e (2) batizar. O costume de todas as igre-
jas no tempo dos apóstolos era batizar os novos convertidos. Atos
2:41 diz que “foram batizados os que de bom grado receberam
a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas”.

Requisitos bíblicos para o batismo


Deve-se batizar somente aquele que cumpre os requisitos
bíblicos. Os requisitos bíblicos para quem deseja ser batizado são:

1. A fé
“Que impede que eu seja batizado?” perguntou o eunuco
etíope. “É lícito, se crês de todo o coração” respondeu Filipe (Atos

308
O batismo

8:36–37). “Que é necessário que eu faça para me salvar?” pergun-


tou o carcereiro. “Crê no Senhor Jesus Cristo” responderam-lhe
(Atos 16:30–31). Ao manifestar tal fé, eles foram batizados. Cristo
disse: “Quem crer e for batizado será salvo”. É necessário que a
pessoa entenda bem a sua necessidade de ser salva e que receba a
salvação pela fé antes de receber o batismo.

2. O arrependimento
“Que faremos?” perguntaram os homens no dia de Pentecos-
tes. “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado” respondeu
Pedro (Atos 2:37–38). Pedro não disse: “Batizem-se e depois
arrependam-se”. O arrependimento antecede ao batismo. João
repreendeu a “raça de víboras” que queria ser batizada. Disse-lhes
que deveriam produzir “frutos dignos de arrependimento” (Mateus
3:7–8). Somente as pessoas arrependidas devem ser batizadas.

3. A conversão
Várias passagens da Bíblia indicam que a conversão é um requi-
sito que deve ser cumprido antes de batizar-se com água. Pedro
admoestou aos fariseus: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos,
para que sejam apagados os vossos pecados” (Atos 3:19). Isto não
se refere diretamente ao batismo com água, mas deixa claro que
a conversão é necessária para a remissão dos pecados. Saulo de
Tarso foi batizado, mas só depois de converter-se (Atos 9:1–18).
A mudança na vida de Paulo demonstra claramente a ligação
entre a conversão e o batismo com água. Antes de ser batizada
a pessoa tem que crer e arrepender-se, quer dizer, converter-se.
Se isso ainda não aconteceu, o batismo com água não deve ser
administrado. Para o bem-estar dos interessados e também para o
da igreja, o batismo com água é aplicado somente às pessoas cuja
vida claramente demonstra uma conversão verdadeira.

O que a Bíblia diz sobre


o batismo de crianças?
A Bíblia mantém um silêncio absoluto sobre o assunto do
batismo de crianças. Uma das passagens bíblicas que se usa às

309
A DOUTRINA DA IGREJA

vezes para apoiar o batismo de crianças encontra-se em Mateus


19:13–15. Mas essa escritura apenas diz que as mães trouxeram os
seus meninos a Jesus “para que sobre eles pusesse as mãos, e orasse”;
esta passagem bíblica não faz referência alguma ao batismo. Há
quem diga que os apóstolos batizaram as crianças porque eles
batizaram famílias inteiras como, por exemplo, as famílias de
Cornélio, Lídia e a do carcereiro em Filipos. Mas a Bíblia não
diz que naquelas casas havia crianças. Pelo contrário, é indicado
que em alguns casos a família inteira foi capaz de compreender o
evangelho. Cornélio era “piedoso e temente a Deus, com toda a
sua casa” (Atos 10:2); e do carcereiro está escrito que se batizou
e “alegrou-se de que com toda a sua casa havia crido em Deus”
(Atos 16:34).
O batismo é para os que têm entendimento para recebê-lo
conforme os termos do evangelho. As crianças pequenas não têm
essa compreensão. Mas, quanto às crianças inocentes, a Bíblia diz
que “dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19:14). Somente quando
chegam à idade da razão, e compreendem a sua responsabilidade
perante Deus pela sua alma é que elas estão aptas para a mensagem
do evangelho, e podem ser batizadas quando tiverem cumprido
os requisitos bíblicos.

O modo de batizar
A Bíblia não especifica a maneira exata como deve ser feito o
batismo; não diz se a água deve ser derramada ou borrifada na
pessoa, ou se a pessoa deve ser submergida na água. Isto nos ajudará
a não ser muito dogmáticos na nossa maneira de pensar quanto ao
modo de batizar. Convém dizer que se alguém se entregou a Deus,
e pela graça de Deus está servindo-o conforme o entendimento
que tiver, Deus não lhe fechará as portas do céu somente porque
houve um erro na forma em que foi batizado. Quando alguma
pessoa já foi batizada com base em sua confissão de fé quer entrar
na igreja, seria melhor averiguar se tem uma boa consciência para
com Deus, do que indagar o modo em que foi batizada. Contudo,
não devemos descuidar do que a Bíblia ensina sobre o batismo.

310
O batismo

O derramamento

1. “Derramamento” é um sinônimo bíblico


para “batismo”
As Escrituras usam duas palavras, batizar e derramar, para
falar da mesma coisa. Atos 2:17 fala de derramar, enquanto que
Mateus 3:11 e Atos 1:5, falando da mesma coisa que Atos 2:17,
usam a expressão batizar. O uso das duas ideias é encontrado
também em Atos 11:15–16, mostrando que as palavras batizar e
derramar são sinônimas. A palavra “caiu” é usada aqui em vez de
“derramar”, mas expressa a mesma ideia. Se o batismo do Espírito
Santo sempre é retratado como um derramamento, por que não
deveria também o batismo com água ser feito por derramamento?

2. Muitos dos batismos relatados no livro dos Atos


aparentemente foram feitos dentro de uma casa
Isto não é uma prova indiscutível, mas é de duvidar que em
cada casa fosse encontrado um lugar para submergir na água
aqueles que estavam sendo batizados. O único caso depois do dia
de Pentecostes onde fica claro que se administrou um batismo na
água é quando Filipe e o eunuco “desceram ambos à água” (Atos
8:38). Mas nem nesse exemplo é relatado o modo utilizado para
fazer o batismo.

3. O derramamento é mais prático do que a


imersão
Os mandamentos do Senhor “não são pesados [ou custosos]”
(1 João 5:3). A simplicidade do derramamento está de acordo
com as outras ordenanças do Senhor; não requer o preço de uma
pia batismal ou uma longa viagem em busca de água suficiente.
O batismo por derramamento pode ser administrado em todas
as partes do mundo: No leito dos enfermos, nas regiões geladas
do norte, no deserto ou em qualquer outro lugar.
O batismo, como todas as outras coisas ordenadas por Cristo,
tem sofrido muitos abusos. Há quem tente utilizá-lo para encobrir

311
A DOUTRINA DA IGREJA

os seus pecados. Outros ensinam que o batismo é a própria


salvação. Outros fazem um ídolo do modo de batizar e outros
abusam dele de outras maneiras. Mas nenhum desses abusos
deve nos impedir de utilizar o batismo corretamente. O batismo
foi instituído por meio da sabedoria divina. É necessário que o
aceitemos com gratidão, lembrando que “quem crer e for batizado
será salvo” (Marcos 16:16).

312
38
Capítulo

A santa ceia
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice
anunciais a morte do Senhor, até que venha (1 Coríntios 11:26).
A santa ceia foi instituída pelo Salvador na noite em que ele foi
traído. Depois que Jesus e seus discípulos haviam sentado à mesa,
ele disse: “Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que
padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se
cumpra no reino de Deus” (Lucas 22:15–16). Foi nessa festa da
páscoa que Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e deu aos seus
discípulos, ensinando-lhes que deviam comer o pão em memória
do seu corpo quebrantado. Depois disso, ele tomou o cálice, o
deu aos seus discípulos e lhes disse que deviam beber do cálice
em memória do seu sangue derramado. Assim foi instituída uma
ordenança nova para a era do Novo Testamento.

O que significa

1. É celebrada em memória do corpo quebrantado


e do sangue derramado de Jesus Cristo
Isto é observado claramente na primeira carta de Paulo aos
coríntios:
Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que
o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e,
tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu
corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice,
dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto,
todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas

313
A DOUTRINA DA IGREJA

as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a


morte do Senhor, até que venha (1 Coríntios 11:23–26).
É uma cerimônia muito simples; tão simples que até uma
criança pode compreender o que ocorre nela. Contudo, é tão
profunda que os homens mais estudados nunca conseguiram
compreender todo o seu significado. O pão é o símbolo do corpo
de Jesus que foi quebrantado por nós; o cálice é o símbolo da nova
aliança no seu sangue.

2. Simboliza a unidade dos participantes


Voltemos outra vez aos escritos de Paulo:
Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a
comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não
é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós,
sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos
participamos do mesmo pão (1 Coríntios 10:16–17).
Ao meditar no significado da santa ceia, vemos que ela deve
ser observada como um corpo unido e não como pessoas indi-
viduais. Os participantes na santa ceia devem estar vivendo em
união entre si; sendo um no Senhor, na fé e na devoção a Cristo.
Como o pão que é composto de muitos grãos de trigo, moídos
tão inseparavelmente que é impossível saber de que grão veio
determinada parte da farinha, assim o corpo de participantes deve
ser um só corpo de adoradores no Senhor. Tornamo-nos “um só
pão” ao participarmos todos do mesmo pão (Cristo).

3. Requer dos participantes uma vida santa,


afastada do mundo
Não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis
beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis
ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios
(1 Coríntios 10:20–21).
Este texto é muito claro sobre a importância de limitar a santa
ceia aos que estão unidos em Cristo e sem pecado. Devemos man-
ter-nos separados dos demônios e dos que servem ao diabo. Não
pode haver comunhão entre cristãos e incrédulos. “Qualquer que

314
A santa ceia

comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente… come


e bebe para a sua própria condenação” (1 Coríntios 11:27–29).

Algumas teorias e práticas falsas

1. A transubstanciação
A igreja católica ensina que o pão e o vinho são literalmente
transformados no corpo e no sangue do Senhor quando o sacerdote
os abençoa. Dizem que essa teoria está baseada nas declarações de
Jesus quando disse: “Isto é o meu corpo… isto é o meu sangue”.
O erro dessa teoria é notável, visto que ao dizer essas palavras, o
corpo físico de Cristo ainda estava à plena vista dos discípulos, de
modo que eles entenderam que ele falava de maneira simbólica.
Outro caso parecido encontra-se na interpretação de Daniel da
visão de Nabucodonosor. Daniel disse: “Tu és a cabeça de ouro”
(Daniel 2:38). Figurativamente isso era verdade, mas literalmente
não, pois o rei de carne e sangue não fazia parte dessa estátua. Da
mesma forma na santa ceia, o pão e o cálice são o corpo e o sangue
de Cristo num sentido figurado. Caso fosse verdade a teoria da
transubstanciação, todo participante que comesse da carne e bebesse
do sangue, inclusive os pecadores e hipócritas, teriam a vida eterna.
Obviamente isso contradiz o evangelho. Essa teoria é uma invenção
muito astuta que dá àquele que reparte o pão a autoridade para
salvar os pecadores e oferecer-lhes entrada ao reino de Deus. Não
há virtude alguma no pão, nem no cálice em si mesmos. Mas, são
muito apropriados e importantes porque na santa ceia nos lem-
bramos do corpo quebrantado e do sangue derramado de Cristo.

2. A consubstanciação
Como a teoria da transubstanciação, a consubstanciação
também alega a presença real do corpo e do sangue do Senhor no
pão e no cálice, mas diz que coexistem com os elementos naturais.
Segundo essa teoria, o pão, mesmo que ainda seja pão, também
contém o corpo físico do Senhor. E o fruto da vide, além de ser suco
de uva, é também o sangue de Cristo. Os que ensinam dessa forma
creem que essa mudança é efetuada sem a consagração do sacerdote.

315
A DOUTRINA DA IGREJA

Essa teoria é contestada da mesma forma que a anterior.


Quanto às qualidades físicas do pão e do cálice, são símbolos; e
quanto à presença de Cristo na santa ceia, é inteiramente espiritual.

3. Participação aberta
Participação aberta quer dizer “permitir a participação na santa
ceia de qualquer pessoa que se sinta digna de participar”. Os que
praticam a santa ceia aberta não querem julgar aos que desejam
participar. Creem que a santa ceia aberta está de acordo com os
princípios do evangelho, o qual, dizem eles, é o evangelho do
amor. Mas há várias objeções a essa teoria:
Ø É difícil harmonizar essa teoria com as escrituras já citadas,
que dão ênfase ao exame individual e coletivo da igreja.
Ø A base da santa ceia não é apenas o amor entre os partici-
pantes, mas a unidade na fé e na comunhão com o Senhor
Jesus Cristo.
Ø A santa ceia aberta menospreza a comunhão entre os que
participam. Os que praticam a santa ceia aberta dizem que ela
salienta a comunhão que a pessoa tem com Deus, não com
os homens. Nesse caso, qual seria o propósito de celebrá-la
na capela? Por que não celebrar cada qual a santa ceia em sua
casa, consigo mesmo e com o Senhor? E se é verdade que não
é necessária a comunhão com os outros participantes, por
que não deveríamos então admitir todo criminoso e herege?
Ø A santa ceia aberta admite à mesa do Senhor aqueles que não
podem ser admitidos como membros da igreja. Há igrejas
que admitem na santa ceia todo tipo de pessoas bastando
que professem ser cristãs. Por que ser mais exigentes com
os que querem ser membros do que com os participantes
da santa ceia? Os únicos que podem logicamente defender
a santa ceia aberta são os que admitem todo tipo de pessoas
como membros sem se importar com a sua fé ou prática.
Ø Existe um contraste estranho entre essa teoria e o princí-
pio bíblico da unidade. Por que deveríamos ter um culto

316
A santa ceia

de comunhão quando se reconhece que não temos união


espiritual? Duas ou mais pessoas que não estão dispostas a
associarem-se como membros na mesma igreja tampouco
estão em condições de cear juntas no mesmo culto. Obser-
vemos essa ordenança de maneira digna do seu nome:
comunhão (a santa ceia) implica união essencial de fé e vida.

4. Servir uma ceia completa


Há quem creia que deve-se comer uma ceia completa junto com
a santa ceia. Mas Paulo disse aos coríntios: “Se algum tiver fome,
coma em casa” (1 Coríntios 11:34). Isto deixa claro que os apóstolos
não autorizaram uma ceia completa. Somente o pão e o cálice fazem
parte da santa ceia (1 Coríntios 11:17–26, 33–34). É a alma, não
o corpo, que há de ser saciada na participação do cálice e do pão.

A santa ceia limitada


Segundo a Bíblia, somente os que têm uma plena unidade em
Cristo devem participar juntos na santa ceia. Cremos que a igreja
tem a responsabilidade de decidir quem deve participar e quem
não deve. Isto é bíblico pelas seguintes razões:
Ø Atende aos requisitos bíblicos da unidade. Os participantes
hão de ser um corpo unido em Cristo (leia 1 Coríntios
10:15–17).
Ø Demonstra a união espiritual dos participantes.
Ø Permite que a igreja mantenha a pureza da santa ceia do
Senhor. Mesmo as pessoas que parecem estar de acordo com
a igreja, mas estão contaminadas com pecados secretos, não
devem participar (leia 1 Coríntios 11:27–29). Cada pessoa
deve examinar-se a si mesma antes de participar na santa
ceia (leia 1 Coríntios 11:28; 2 Coríntios 13:5).
Ø Possibilita o cumprimento do requisito bíblico: “Não quero
que sejais participantes com os demônios” (1 Coríntios 10:20).
Ao limitar a santa ceia aos que reconhecem a autoridade da
igreja, evita-se a necessidade de julgar membros de outras

317
A DOUTRINA DA IGREJA

igrejas. Aqueles que estão contaminados com o pecado devem


ser excluídos da santa ceia (leia 1 Coríntios 10:18–21).
Ø Baseia a santa ceia na unidade e na comunhão cristã, e não
no companheirismo e na amizade social.
Ø Protege os membros da igreja da hipocrisia de fingirem uni-
dade de fé e vida, tal como a santa ceia simboliza, quando
não estão dispostos a ter comunhão uns com os outros na
mesma igreja.

Conclusão
A santa ceia é um mandamento, e como tal deve ser observado
com temor e reverência. Mas também é um privilégio sagrado. Que
grande alegria há para o filho de Deus quando relembra o sacrifício
que o Salvador fez por nós! Quando celebramos a santa ceia, anun-
ciamos “a morte do Senhor, até que venha” em comunhão com
os que estão unidos por meio da mesma fé. Quando estendemos
a mão para pegar os símbolos do seu corpo quebrantado e o seu
sangue derramado, o nosso coração se comove ao pensar no preço
da nossa redenção. Nossa mente contempla as oportunidades que
temos de fazer a vontade do nosso Mestre. O nosso coração se
enche de alegria celestial, antevendo o momento alegre e glorioso
em que Cristo virá, outra vez, para levar o seu povo.

318
39
Capítulo

O Lavamento dos pés


Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes
(João 13:17).
O lavamento dos pés foi instituído por Cristo. Por que será
que ele nos mandou lavar os pés? Seria por que não gostava de pés
sujos? Não. Ele mandou que lavássemos os pés uns dos outros para
ensinar-nos alguns princípios básicos da vida cristã: a humildade,
a igualdade e o serviço mútuo. E isto é o que Deus quer que lem-
bremos quando lavamos os pés junto com os irmãos.
O Novo Testamento se refere à instituição do lavamento dos
pés dos santos em João 13:1–17, onde Jesus mostrou aos seus
discípulos como devem lavar os pés uns dos outros. Mas esse não
é o único lugar na Bíblia onde lemos a respeito do lavamento dos
pés. Vejamos algumas escrituras do Antigo Testamento.

Lavamentos do Antigo Testamento


Há dois tipos de lavamento dos pés mencionados no Antigo Tes-
tamento: (1) o lavamento tradicional e (2) o lavamento cerimonial.

1. O lavamento tradicional
Esta prática comum é mencionada em Gênesis 18:4; 19:2;
24:32; 43:24 e 2 Samuel 11:8. Esse costume foi conhecido nos dias
de Cristo, como é evidente pela sua repreensão a Simão: “Entrei
em tua casa, e não me deste água para meus pés” (Lucas 7:44). O
costume naquele tempo era que os servos lavassem os pés das visitas.

2. O lavamento cerimonial
O lavamento cerimonial dos pés e das mãos é mencionado
em Êxodo 30:17–21 e em Êxodo 40:30–32. A primeira citação

319
A DOUTRINA DA IGREJA

tem uma lista de instruções específicas de Deus a Arão e aos seus


filhos a respeito da cerimônia de purificação que tem a ver com
o lavamento das mãos e dos pés. A segunda citação se refere à
observância desse mandamento.
Ao estudar esses dois tipos de lavamento dos pés, observamos
um contraste fundamental. O primeiro foi um costume voluntá-
rio iniciado sem mandamento específico ou autoridade divina e
terminou com o passar desse costume. O segundo foi instituído
por autoridade divina, a falta de praticá-lo merecia punição e sua
vigência só terminou com a abolição da lei cerimonial.
Analisemos João capítulo 13 para ver se o que Jesus fez foi por
um simples costume, ou se foi algo mais.

João 13:1–17

1. O exemplo do Mestre (vv. 1–5)


Jesus levantou-se da ceia, tirou o seu manto, e tomando uma
toalha, cingiu-se. Colocou água numa bacia e lavou os pés de seus
discípulos. Nessa ocasião, contrário ao costume, o mestre lavou
os pés dos discípulos.

2. O diálogo com Pedro (vv. 6–11)


Quando Jesus chegou a Pedro, este lhe perguntou o que estava
fazendo, pois o que ele fazia não era segundo o costume. Então
quando Jesus lhe disse que aquilo era algo que ele não compreen-
deria naquele momento, Pedro replicou: “Nunca me lavará os pés”.
Cristo disse-lhe: “Se eu te não lavar, não tens parte comigo”. Jesus
estava interessado em algo mais que uma simples limpeza dos pés.
Quando Pedro entendeu que esse lavamento tinha a ver com o seu
relacionamento com Cristo, ele quis que não lhe lavasse apenas
os pés, mas também as mãos e a cabeça. Mas Cristo tampouco
concedeu-lhe essa petição; ele quis lavar-lhe somente os pés.

3. A explicação (vv. 12–17)


Depois de haver confrontado Pedro, Cristo continuou lavando
os pés dos discípulos. Depois disso se desfez da toalha, vestiu o seu

320
O lavamento dos pés

manto, sentou-se e começou a explicar-lhes o que havia feito. Elogiou-


-os por o terem reconhecido como Mestre e Senhor. Visto que ele,
o Mestre e Senhor, havia lavado os seus pés, eles também deveriam
lavar os pés uns dos outros. Foi para isso que ele lhes havia dado esse
exemplo. No final, Cristo lhes disse que eles, sabendo essas coisas e
havendo visto o seu exemplo, seriam bem-aventurados se as fizessem.

Por que chamar


esta prática de uma ordenança

1. Nesta ocasião não foi o costume antigo


Se fosse, Cristo não teria que dizer a Pedro: “O que eu faço
não o sabes tu agora”. Foi algo novo. Não havia tal costume que
alguém do grupo se levantasse da ceia para lavar os pés de todos
os outros e muito menos que o maior do grupo fizesse isso.

2. Não foi para o asseio


Se este lavamento tivesse sido para o asseio pessoal, eles teriam
se lavado ao chegar à casa, antes de sentarem-se à mesa. (Mesmo
entendendo que esse lavamento não foi para a limpeza física,
podemos fazer uma aplicação maravilhosa disso como símbolo
da purificação espiritual).

3. Foi instituída por autoridade divina


Jesus era o Senhor. Ele salientou isso ao explicar para os discípu-
los o que havia feito quando lhes deu essa ordenança. Ele ordenou
que continuassem essa prática. Nos versículos 14 e 15 está claro que
o lavamento dos pés dos santos é um mandamento bíblico e que
Jesus o instituiu para que os seus discípulos seguissem o seu exemplo.

Por que deve


ser praticado por todo crente

1. É uma ordenança cristã


É por isso, que ela deve receber o mesmo reconhecimento que
damos às demais ordenanças do Novo Testamento.

321
A DOUTRINA DA IGREJA

2. Há uma bênção prometida para os que a


praticam
“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.”
Esta bênção de Deus não deve ser menosprezada e muito menos
ignorada.

3. É uma de “todas as coisas” incluídas na


grande comissão
Toda igreja cristã tem a grande comissão como palavra de
ordem. Mas enquanto o nosso zelo missionário se mantiver
forte, não deveremos nos esquecer que uma das coisas que Cristo
mandou seus discípulos fazerem foi que ensinassem a todas as
nações a lavarem os pés uns dos outros.

4. Representa verdades espirituais


As coisas mais importantes representadas por essa ordenança
são a humildade, a igualdade e o serviço mútuo. A ordenança do
lavamento dos pés é um mandamento, que qual cai em desuso
quando o orgulho começa a reinar.
É a vontade de Deus que o rico e o pobre, o velho e o jovem,
o instruído e o indouto, o fraco e o forte; todos considerem-se
iguais. Todos são irmãos na fé, membros da família feliz de Deus
que têm paz entre si e servem um ao outro por amor. Não há nada
que represente melhor essa condição em qualquer congregação do
que a ordenança humilde de lavar os pés dos santos.
“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.”
(João 13:17).

322
40
Capítulo

O véu
da mulher cristã
Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça
descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se
estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu,
tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente
tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu (1 Coríntios 11:5–6).
Aparentemente a igreja de Corinto não entendia ou não obede-
cia a essa ordenança com prontidão. Por isso, Paulo em 1 Coríntios
capítulo 11 explica em detalhes o que significa esse sinal para a
mulher cristã com relação ao seu cabeça (o homem) e também a
Cristo. Estudemos, pois, essas instruções que se encontram em
1 Coríntios 11:2–16.

1 Coríntios 11:2–16

1. Esta ordenança é baseada no fato


fundamental que o homem é a cabeça da
mulher, e Cristo a cabeça do homem
Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e
o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo… Porque o
homem não provém da mulher, mas a mulher do homem (vv. 3 e 8).
Na ordem de Deus, o homem e a mulher desempenham fun-
ções distintas, e cada qual pode servir com mais eficácia se ocupar
seu lugar apropriado. Leia Gênesis 3:16; 1 Coríntios 14:34; Efésios
5:22–25; Colossenses 3:18; 1 Timóteo 2:11–14; 1 Pedro 3:1–2.
Ao observar os humanos e os animais, notamos que a natureza

323
A DOUTRINA DA IGREJA

corresponde com a ordem de Deus que esses versículos ensinam.


Geralmente, o macho sobressai em força e poder, enquanto que
a fêmea sobressai em ternura e nas qualidades mais delicadas. Ao
estudar esse ensinamento é importante recordar que é o nosso
Criador que fala; e que ele tem o direito e a sabedoria para nos
instruir nisso.

2. É um sinal do relacionamento entre o homem


e a mulher no Senhor
Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta,
desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora
ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria
cabeça… O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é
a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem
(1 Coríntios 11:4–5 e 7).
Qual cabeça é desonrada quando o homem ora com a cabeça
coberta? Desonra a sua própria cabeça, porque não está na ordem
prescrita por Deus. Também o homem desonra a sua cabeça
espiritual, Cristo. Deus deu ao homem a responsabilidade de
levar a sua imagem e representar a sua glória num sentido que
não concedeu à mulher. Assim como a glória de Deus não deve
ser escondida, da mesma forma a cabeça do varão não deve ser
coberta. Seria uma desonra a Cristo cobri-la.
O relacionamento entre o homem e a mulher representa o
relacionamento entre Deus e o seu povo (Efésios 5:21–33). Deus
deu para a mulher a responsabilidade de ser a “glória do homem”
e ordenou que ela deve cobrir-se. Dessa forma a cobertura testifica
que a irmã que faz uso da mesma, deseja preencher o seu devido
lugar na ordem estabelecida por Deus e representar fielmente a
maneira que a igreja se relaciona com a sua Cabeça ao submeter-
-se à sua própria, o homem. Caso não se cobrir, então estará
desonrando a sua própria cabeça porque demonstrará a sua falta
de obediência a Deus. Também será uma desonra à sua cabeça,
o homem, porque demonstrará que não respeita a posição do
homem na ordem de Deus.

324
O véu da mulher cristã

3. O homem deve adorar com a cabeça descoberta


O vestuário dos sacerdotes no Antigo Testamento incluía itens
para a cabeça como a mitra e as tiaras (Êxodo 39:28). Moisés cobriu
o seu rosto quando este resplandecia com a glória de Deus. Mas esse
véu que cobriu a glória de Deus foi retirado em Cristo (2 Coríntios
3:12–16). Também o véu que cobria a glória de Deus no templo,
rasgou-se em dois. Por quê? Porque Cristo revela a glória de Deus ao
homem. E ele dá ao homem acesso a Deus. A cabeça descoberta do
homem cristão declara que a glória de Deus foi revelada em Cristo.
Adorar com a cabeça coberta é negar que a glória de Deus tenha
sido revelada em Cristo, e isso o desonra. Os judeus que negam que
Jesus é o Messias têm o costume de usar uma cobertura sobre a cabeça
quando estudam a lei. Isso está de acordo com 2 Coríntios 3:15:
“E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração
deles”. Eles usam essa cobertura sobre as suas cabeças porque há um
véu em seu coração e não veem a glória de Deus que Cristo descobriu.

4. A mulher deve adorar com a cabeça coberta


Assim como o homem é a imagem e glória de Deus, “a mulher é
a glória do homem” (v. 7). A glória do homem deve ser coberta nos
cultos para que todos se gloriem no Senhor. É uma desonra a Cristo
quando os cristãos se congregam para adorá-lo e as mulheres não
cobrem as suas cabeças. Também é uma desonra aos irmãos, porque o
véu testifica que as mulheres os têm por cabeça, como Deus ordenou.
A mulher cristã com a cabeça coberta tem o privilégio de
adorar (orar e profetizar). Sua cabeça coberta mostra que ela tem
a devida relação com a sua cabeça, o homem, e com esse sinal de
autoridade sobre a sua cabeça pode orar e profetizar ela mesma.
Isso quer dizer que ela não tem que fazê-lo por meio do homem.

5. Dois relacionamentos, o natural e o espiritual


(representados pelo véu e pelo cabelo comprido),
são ensinados nesta escritura
Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça
descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se

325
A DOUTRINA DA IGREJA

estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu,


tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente
tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu… Julgai entre vós
mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não
vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter
cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso,
porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu (vv. 5–6, 13–15).
Esta escritura fala de dois tipos de véu: (1) o cabelo comprido,
sinal do relacionamento natural da mulher com o homem; (2) um
véu de pano, sinal do relacionamento espiritual da mulher com o
homem. Paulo utiliza a natureza para confirmar que a mulher não
deve cortar o seu cabelo. Pela própria natureza humana, pessoas
de todas as idades, nacionalidades, raças e crenças, reconhecem a
beleza do cabelo comprido da mulher. Mas essa mesma natureza
não pensa o mesmo quanto ao cabelo comprido do homem. Tanto
o homem como a mulher deve ser obediente à verdade que Deus
lhes ensina por meio da Bíblia, a qual ele também ensina através
da natureza: o cabelo comprido é vergonhoso para o homem, mas
é honroso para a mulher.
Ao lembrar do argumento dado nos versículos 13–15, pode-
mos entender melhor a ideia que se apresenta no versículo 6:
“Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-
-se, que ponha o véu”. Em outras palavras, se a mulher retira
o véu, que corte também o cabelo; mas se isto é vergonhoso (e
o é segundo a norma de Deus e segundo as normas da maioria
das culturas), que ponha o véu. Portanto, para obedecer a Deus
é necessário que as mulheres deixem o cabelo comprido e que
tenham a cabeça coberta.

6. É sinal de autoridade (v. 10)


Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio,
por causa dos anjos.
Ao cobrir-se dessa maneira, a mulher tem sobre a sua cabeça
o “sinal” de que tomou o seu lugar como ajudadora idônea ao
lado do homem, colaborando na obra e na adoração ao Senhor.
Os anjos, ao ver esse sinal, testificam dela na presença de Deus.

326
O véu da mulher cristã

O que é esse “sinal”? Nesse contexto, é evidente que se trata de


uma cobertura visível. A Bíblia não diz especificamente como
deve ser essa cobertura; somente diz que deve cobrir a cabeça da
mulher que o usa. Deus deu o cabelo comprido para a mulher
para que ele próprio seja coberto. A palavra “sinal” esclarece que
se a mulher usa algo para proteger-se da intempérie, então não
cumpre a sua função de véu, portanto, deixa de ser um “sinal”.
Outro pensamento que merece consideração é que essa cober-
tura deve ser um verdadeiro “sinal”. Quando uma mulher se cobre,
o mais natural seria esperar que ela exemplifique na sua vida o que
o véu representa: a modéstia, a pureza, a submissão ao homem
e a obediência a Deus. Muitas vezes, quando a mulher rejeita a
ordem de Deus, e usa o que Deus proibiu (roupa indecente e
orgulhosa), então ela retira o que Deus ordenou (o véu). Mas se
você sabe, estimada irmã, que em seu coração não há lealdade,
devoção, pureza, modéstia ou o desejo de servir e obedecer ao
Senhor como deveria, então acerte a sua vida com Deus para que
você esteja de acordo com o que o véu representa, em lugar de
retirá-lo e conformar-se com o mundo.

7. O homem contencioso que argumenta contra


o véu da mulher não tem base para as suas
contenções
No versículo 16, Paulo repreende ao homem que declara que
“nem a minha esposa, nem a minha filha jamais cobrirão a sua
cabeça”. Se alguém quiser ser contencioso, disse Paulo, saiba
que nas igrejas verdadeiras de Deus não temos costume de ser
contenciosos quanto a essa prática. Nem as igrejas judaicas, nem
as dos gentios tinham o costume de ser contenciosas quanto ao
véu. Há quem argumente que Paulo, no versículo 16, descarta
o costume de usar o véu. Caso fosse assim, ele seria um homem
muito néscio. Que tolo seria, se depois de ter explicado com tantos
detalhes e ter escrito com tanta convicção, ele mesmo dissesse que
não era necessário que a mulher cobrisse a sua cabeça. Se fosse
isso o que ele queria dizer, então o teria dito desde o princípio e
dessa maneira teria evitado tanta confusão nas igrejas.

327
A DOUTRINA DA IGREJA

Respostas para as desculpas


A desculpa: “Não faz parte do evangelho; pertence somente
aos escritos de Paulo”.
A resposta: Cristo disse de Paulo: “Este é para mim um vaso
escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis
e dos filhos de Israel” (Atos 9:15). Paulo disse: “As coisas que vos
escrevo são mandamentos do Senhor” (1 Coríntios 14:37).
A desculpa: “A maioria das igrejas descartaram isso”.
A resposta: Do mesmo modo a maioria das pessoas nos dias de
Noé desprezaram a mensagem de Deus quando Noé lhes advertiu
do dilúvio. Devemos permitir que a Palavra de Deus oriente a
nossa vida, e não o que as pessoas pensam.
A desculpa: “Minha igreja não tem essa prática”.
A resposta: Sem julgar a sua igreja, gostaríamos, contudo,
lembrar-lhe que Deus, por meio de Tiago, nos diz que “aquele,
pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago
4:17). Caso a sua igreja persista em desobedecer a Deus, seria
melhor para você procurar outra igreja onde possa obedecer a
Deus e todos os seus ensinamentos em comunhão com outros
que têm a mesma fé.
A desculpa: “Não passou de um costume local”.
A resposta: A mensagem de Paulo parece indicar que nessa
comunidade esse costume não era praticado. Foi por isso que
ele ensinou com muita ênfase que a mulher cristã deve cobrir
a cabeça com um véu. Não importa o que você diga a respeito
dos costumes, está muito claro que Paulo ensinou que a mulher
cristã deve cobrir a sua cabeça. As palavras “aos santificados em
Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar
invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 1:2)
dão a entender que toda essa epístola deve ser parte também das
práticas das igrejas cristãs de todos os tempos.
A desculpa: “O cabelo longo é o véu”.
A resposta: Em primeiro lugar, nessa escritura Paulo ensina
a necessidade de uma cobertura visível, então utiliza a natureza
como ilustração para confirmar o seu argumento. Em segundo

328
O véu da mulher cristã

lugar, a palavra grega que é traduzida como “véu” no versículo 15,


é diferente da que é utilizada nos versículos 4–7.
A desculpa: “Isso é tão difícil de compreender”.
A resposta: A pessoa que deseja aceitar esta verdade não terá
dificuldade em compreendê-la. Se aceitarmos o que podemos
compreender, isto nos ajudará a compreender também as coisas
mais difíceis. Leia especialmente os versículos 5 e 6; até uma
criança poder entender.
A desculpa: “Se outras podem ir para o céu sem ter usado o
véu, eu também posso”.
A resposta: Quem lhe constitui juíza de outras mulheres? A
pergunta que mais deveria interessar a você não é para onde elas
irão, mas, o que o Senhor quer que eu faça? Além disso, como
você sabe que essas mulheres estão no céu? “Aquele, pois, que sabe
fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17).
A desculpa: “Para algumas pessoas o véu acaba sendo um ídolo”.
A resposta: Isso até que pode ser verdade. Mas o que isso tem a
ver com a sua obediência ou desobediência? Coloque o véu, para
assim dar um bom exemplo para outras mulheres de como usá-lo
para a glória de Deus.
A desculpa: “Conhecemos algumas mulheres verdadeiramente
cristãs que não usam o véu”.
A resposta: Isso também pode ser verdade. Mas, em quem você
confia mais? O que vale mais, a palavra dessas mulheres ou a Palavra
de Deus? Deus é quem deu o mandamento.
A desculpa: “Eu teria vergonha de usar o véu”.
A resposta: Sem dúvida, essa desculpa está na raiz da maioria
das outras desculpas. Provavelmente a maioria das desculpas para
não usar o véu desapareceriam imediatamente caso o véu estivesse
na moda.
Em conclusão, notemos que:
Ø Paulo declara que aquilo que ele ensinou em Corinto também
o ensinava em todas as igrejas (leia 1 Coríntios 4:17).
Ø A carta foi dirigida a todos os crentes em todos os lugares
(leia 1 Coríntios 1:2).

329
A DOUTRINA DA IGREJA

Ø Paulo demonstra que o véu significa que a mulher reconhece


a autoridade que Deus estabeleceu sobre ela na criação (leia
1 Coríntios 11:3, 7–12).
Ø É correto que as remidas reconheçam a ordem da criação
que existia antes da queda do homem e que usem o sinal
dado para indicar essa ordem.

330
41
Capítulo

O ósculo santo
Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo (1 Corintios 16:20).

Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor (1 Pedro 5:14).

É um símbolo de amor
O beijo é conhecido em todo o mundo como uma demons-
tração de amor e de afeto. Mas o ósculo (beijo) santo não é algo
romântico nem deve ser chamativo para a carne; mas pelo con-
trário, é um símbolo da unidade, pureza, amor e sinceridade que
existe na irmandade cristã. É algo que nasce de um coração cheio
do amor de Deus para com os irmãos.

Deve ser guardado em santidade


Esta ordenança não é para ser praticada com todo mundo.
“Saudai a todos os irmãos com ósculo santo” (1 Tessalonicenses
5:26). Esse beijo demonstra o nosso relacionamento sagrado como
irmãos em Cristo.
Para manter a santidade e a pureza desse mandamento, isso
deve ser praticado por irmão com irmão e irmã com irmã. Segundo
Hipólito, um líder da igreja em Roma, a igreja daquela época o
praticava dessa maneira. Falando do ósculo santo, ele escreveu:
“Somente os crentes devem saudar-se uns aos outros, mas os
homens com os homens e as mulheres com as mulheres; um
homem não deve saudar uma mulher” (The Apostolic Tradition
18.4, como foi citado em The Didache, página 24, Amish Men-
nonite Publications).

331
A DOUTRINA DA IGREJA

É um mandamento
A Bíblia contém este mandamento cinco vezes:
“Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo” (Romanos 16:16).

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo” (1 Coríntios 16:20).

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo” (2 Coríntios 13:12).

“Saudai a todos os irmãos com ósculo santo” (1 Tessalonicenses 5:26).

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo de amor” (1 Pedro 5:14).


Existem muitas desculpas para não praticá-lo: “não convém”;
“não é saudável”; “torna-se um espetáculo”; “não está na moda”; “não
é um mandamento importante”; “o outro pode ser um hipócrita”; “o
aperto de mãos tomou o lugar do ósculo santo” e etc. No entanto,
levando em conta as escrituras já mencionadas, existe justificativa
em qualquer uma dessas desculpas? Claro que não. Não é verdade
que quando existe um amor fervoroso e um espírito de fraternidade
desaparecem todas essas desculpas? Claro que sim! A igreja bíblica
requer que “todos os irmãos” obedeçam a essa ordenança.

É necessário praticá-lo
O mandamento “saudai-vos uns aos outros com ósculo santo”
não é uma simples sugestão para quem quiser praticá-lo, mas uma
exortação ao povo cristão para ser obedecida. Não pode haver
“ósculo santo” nem “ósculo de amor” onde os que praticam essa
saudação não andam na justiça e na verdadeira santidade, e onde
os que se congregam não se amam “ardentemente uns aos outros
com um coração puro” (1 Pedro 1:22). Visto que essas coisas não
abundam no coração de tantos que professam o nome de Cristo,
então é lógico que descartem esse mandamento do evangelho.
Ao ver isso, e ao estudar essa prática à luz do que simboliza,
lembramos da importância de guardar vivo esse ensino em nosso
coração e em nossa vida.
Os verdadeiros cristãos amam “ardentemente uns aos outros
com um coração puro”. É por isso que lhes convém saudarem uns
aos outros com o ósculo santo.

332
42
Capítulo

A unção com azeite


Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e
orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; E a
oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver
cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tiago 5:14–15).

A prática judaica
Desde a antiguidade a unção com azeite foi um costume pra-
ticado pelo povo de Deus.
Ø Rute foi instruída a ungir-se antes do encontro com seu
futuro marido, Boaz (leia Rute 3:3).
Ø Os judeus ungiam o corpo para refrigério (leia 2 Crônicas
28:15).
Ø O salmista disse: “Serei ungido com óleo fresco” (Salmo 92:10).
Ø Cristo instruiu os discípulos: “Quando jejuares, unge a tua
cabeça, e lava o teu rosto” (Mateus 6:17).
Ø Os discípulos “ungiam muitos enfermos com óleo, e os
curavam” (Marcos 6:13).
Assim vemos que a unção com azeite foi praticada desde tempos
muito antigos e com diversas finalidades.

A unção com o propósito de curar

1. Uma prática sagrada


Usa-se o azeite pelas suas qualidades curativas, ou existiria um
significado mais profundo? Se Tiago estivesse falando apenas do

333
A DOUTRINA DA IGREJA

poder curativo do azeite, então ele teria ensinado que tipo de azeite
e de que maneira aplicá-lo para que fosse mais eficaz, ou teria nos
instruído a chamar um médico em vez de chamar os presbíteros
da igreja. Além do mais, Tiago afirma que: “A oração da fé [não o
azeite] salvará o doente”. Fica claro que ele não estava falando do
poder medicinal do azeite, mas do grande poder curativo de Deus.
Contudo, devido às qualidades medicinais do azeite, podemos vê-lo
como um símbolo do que Deus pode fazer pelo nosso corpo e alma.
O azeite na unção é utilizado de forma simbólica assim como a
água no batismo, e como o pão e o cálice na santa ceia do Senhor.

2. O propósito da unção
O propósito da unção é claramente observado em Tiago 5:15:
“E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará”. Essa
promessa deve ser algo real na vida do cristão. É por isso que
devemos analisá-la cuidadosamente, crer nela e aceitá-la.
Por que, então, não são curados todos os que são ungidos com
azeite? Pode haver várias razões. Talvez não seja a vontade de Deus
que o doente seja curado. Pode também ser por uma falta de fé
por parte do enfermo, dos presbíteros ou de ambos. A exortação
divina é que o doente “chame os presbíteros da igreja”. Quando
chegarem os presbíteros e falarem do assunto com o enfermo que
os chamou, eles podem juntos determinar qual seria a ação mais
apropriada. Se lermos Tiago 5:14–15 com cuidado, ficaremos
impressionados com os seguintes pontos:
Ø Existem vezes em que não é apropriado ungir com azeite.
Com certeza seria inapropriado onde não houver fé. É
indispensável que haja uma fé viva por parte do enfermo
e do ministério. Deus não atende a uma oração feita em
incredulidade. Outras vezes não é a vontade de Deus que
o enfermo seja curado, ou pelo menos não que ele sare
imediatamente. Por isso, sempre devemos orar para que se
faça a vontade de Deus. A oração da unção tem que ser feita
com os olhos fixos na promessa: “O Senhor o levantará”,
quer seja agora ou mais tarde, seja o corpo, a alma ou o
espírito; será da maneira que ele quiser.

334
A unção com azeite

Ø A unção não deve ser administrada com o objetivo de lavar


a alma. Há quem peça a unção porque deseja guardar esse
mandamento antes de morrer. Mas não existe ensinamento
bíblico algum para esse uso da unção. Pelo contrário, Tiago
destaca o poder curativo de Deus nessa ordenança. É o
sangue de Cristo que lava a alma em preparação para a
morte e não a unção com azeite.
Ø A unção não é para as crianças. Ela é para os que podem
chamar os presbíteros da igreja. A Bíblia não ensina a unção
com azeite para as crianças da mesma maneira que não
ensina o batismo para as crianças.
Ø A unção não é para os incrédulos. Se uma enfermidade levar
um incrédulo a chamar os presbíteros da igreja, então, é
necessário que o instruam primeiro para que deixe os seus
pecados e receba a Jesus como o seu Salvador. Depois do
arrependimento e regeneração é que se fala em batismo e
unção com azeite.
Ø A enfermidade não é necessariamente o resultado de pecados
do enfermo. A frase “se houver cometido pecados” confirma
este ponto. Mas em cada unção deve haver uma oportuni-
dade para que os que estão presentes possam confessar as
suas faltas uns aos outros antes de ungir o enfermo.

3. “Faça-se a tua vontade”


A prática da unção deve ser levada muito a sério. Quando o
enfermo ora segundo a vontade do Senhor, chama os presbíteros da
igreja e todos oram em plena fé, “a oração da fé salvará o doente,
e o Senhor o levantará”. Então podemos ter a plena confiança
que Deus ouvirá as orações e glorificará o seu nome de acordo
com a sua vontade. No entanto, não devemos esquecer que Deus
não está sujeito aos nossos desejos. Pode ser que Deus tenha um
plano melhor do que o nosso. Se ele nos curar será para glorificar
o seu nome e caso não nos curar, também o será. Se ele não vê por
bem restaurar-nos a saúde, então, nos dará a graça para suportar
a enfermidade (leia 2 Coríntios 12:7–9). Sempre devemos orar

335
A DOUTRINA DA IGREJA

como Jesus orou: “Todavia não se faça a minha vontade, mas a


tua” (Lucas 22:42). Várias pessoas que pediram a unção com azeite
e não foram curadas, testemunharam que mesmo que Deus não
lhes tenha curado fisicamente, ainda lhes curou das suas dúvidas
e desânimos.

336
43
Capítulo

O casamento
Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a
sua mulher, e serão os dois uma carne; e assim já não serão dois,
mas uma carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o
homem (Marcos 10:6–9).
O casamento é uma instituição ordenada por Deus. Foi ins-
tituído e santificado na criação, e desde aquele tempo o povo de
Deus tem promovido a sua pureza. Deus instituiu o casamento
quando fez a Eva e a trouxe a Adão, o qual disse: “Esta é agora
osso dos meus ossos, e carne da minha carne… Portanto deixará o
homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão
ambos uma carne” (Gênesis 2:23–24).

Para que foi instituído o casamento?

1. Não é bom que o homem esteja só


Deus criou uma “ajudadora idônea” para Adão porque não era
bom que ele estivesse só (leia Gênesis 2:18). Nós vemos a verdade
disso na constituição física de cada homem e mulher. Eles são
diferentes tanto no sentido físico como também no emocional,
e necessitam um do outro para complementar-se. O que falta ao
homem é suprido pela mulher, e vice-versa. Deus os criou para
ocupar os seus respectivos lugares. Feliz o homem e feliz a mulher
que reconhece essa sábia providência do Criador, que a respeita e
vive dentro dos seus limites.

337
A DOUTRINA DA IGREJA

2. Para propagar o gênero humano


Gênesis 1:28 fala deste propósito: “Frutificai e multiplicai-vos,
e enchei a terra”.

3. Para a pureza do gênero humano


“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula;
porém, aos fornicadores, e aos adúlteros, Deus os julgará” (Hebreus
13:4). Entre marido e esposa que se amam um ao outro, as rela-
ções sexuais são puras e honrosas. Quando os dois cumprem os
desejos um do outro, isto os fortalecerá contra a prostituição (leia
1 Coríntios 7:1–5).

4. Para a criação dos filhos


As qualidades mais fortes do pai unidas às qualidades mais
ternas da mãe servem para criar e disciplinar as crianças. Não há
nada que possa ocupar o lugar de um lar cristão para criar os filhos
“na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4).

O casamento é:

1. Deixar os pais e começar um novo lar


Gênesis 2:24 o expressa assim: “Portanto deixará o homem o
seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher”. Mesmo que os
casados ainda devam reconhecer os seus deveres para com os seus
pais como filhos e filhas, porém, agora os seus deveres são mais
um para com o outro do que para com os seus próprios pais ou
qualquer outro familiar ou amigo. Eles agora formam um novo
lar; o marido é a cabeça e a esposa é a sua ajudadora idônea.

2. Chegar a ser “uma carne” com alguém do


sexo oposto
Quando o casal se une, os cônjuges unem os seus corações,
mãos, mentes e até as suas posses. Eles chegam a ser um em pensa-
mento, em afetos e em propósitos. Deus os une em uma só carne.

338
O casamento

3. Um compromisso que dura por toda a vida


Quando começa um casamento? Quando um jovem e uma
jovem ficam noivos, isso não quer dizer que já estão casados.
Isso constitui uma obrigação sumamente sagrada; no entanto,
ainda não é o casamento propriamente dito. Muitas vidas têm
sido arruinadas porque esse princípio não é respeitado. Só depois
que sejam pronunciados “marido e esposa” é que os dois estarão
realmente casados.
Até quando dura um casamento? Deus une o casal por toda a
vida. Aos olhos de Deus os dois são um casal inseparável até a morte
de um deles (leia Marcos 10:9; 1 Coríntios 7:39).

Leis matrimoniais
Em praticamente todas as nações o casamento é regulamen-
tado pelo código civil. Nós cristãos devemos nos submeter a
tais leis a não ser que elas não estejam em harmonia com as
leis divinas. Vejamos algumas dessas leis divinas.

1. A Bíblia proíbe que um crente se case com um


incrédulo
Moisés (leia Deuteronômio 7:3), Josué (leia Josué 23:11–13),
Esdras (leia Esdras 10:10–12) e Neemias (leia Neemias 13:23–26)
dão testemunho contra o casamento entre crentes e incrédulos.
Moisés reforça isto ao dizer: “Pois fariam desviar teus filhos de
mim, para que servissem a outros deuses” (Deuteronômio 7:4). Ao
passar para o Novo Testamento encontramos a mesma advertência
da parte de Deus: “Não vos prendais a um jugo desigual com os
infiéis” (2 Coríntios 6:14) e “livre para casar com quem quiser,
contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39). A Bíblia adverte
aos cristãos que eles não devem casar-se com os incrédulos, porque
traria resultados desastrosos em suas vidas.
“Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3).
Quando o marido e a esposa têm diferentes crenças religiosas eles
estão divididos nos assuntos mais importantes da vida. Os pais
têm a obrigação diante de seus filhos de estarem unidos em todos

339
A DOUTRINA DA IGREJA

os assuntos morais e religiosos. Portanto, é muito importante que


os cristãos procurem o seu par entre outros cristãos.
Isso faz com que surja outra pergunta: O que dizer das pes-
soas que já estão unidas em um casamento em jugo desigual?
1 Coríntios 7:12–16 contém orientação para tais pessoas.
É possível um homem e uma mulher que não são cristãos
estarem realmente casados? Com certeza, contanto que tenham
cumprido as condições essenciais do casamento. O casamento
é honroso em tudo, seja a cerimônia oficializada por um pastor
ou por um magistrado, sejam os interessados convertidos ou
incrédulos, contanto que se casem de acordo com as leis de seu
país e não contrário às santas leis de Deus.

2. A Bíblia proíbe o casamento com uma pessoa


divorciada enquanto o seu cônjuge viver
Esta é uma verdade que muitos ignoram voluntariamente.
Vamos deixar que a Bíblia seja a nossa autoridade neste assunto:
Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu
repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher,
não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete
adultério; e o que casar com a repudiada também comete
adultério (Mateus 19:8–9).

Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera


contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com
outro, adultera (Marcos 10:11–12).

Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera;


e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera
também (Lucas 16:18).

Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver,


está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do
marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera
se for de outro homem; mas, morto o marido, livre está da lei, e
assim não será adúltera, se for de outro marido (Romanos 7:2–3).

340
O casamento

A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu
marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com
quem quiser, contanto que seja no Senhor. (1 Coríntios 7:39).
O que se destaca nessas escrituras é que ninguém tem o direito
de casar-se com outra pessoa enquanto o seu cônjuge está vivo. Isso
quer dizer que tampouco é permitido o casamento com uma pessoa
divorciada. A verdade é que quando dois estão casados eles são “uma
carne” enquanto ambos vivem e durante esse tempo ninguém pode
se tornar “uma carne” com outra pessoa. No caso em que qualquer
um dos dois se unir a outra pessoa, isso é considerado adultério.
A Bíblia menciona dois casos em que pode haver uma separa-
ção (leia Mateus 19:9; 1 Coríntios 7:15). Mas em nenhum caso
a Bíblia permite que qualquer um dos interessados se case com
outro enquanto vive o seu cônjuge.
Caso uma pessoa encontre-se já casada com uma pessoa divor-
ciada, então eles estão vivendo em adultério. Tais pessoas devem
separar-se. Algumas pessoas que se encontram em tais circunstân-
cias declaram que não seria justo separar-se porque cometeriam
um erro contra os seus filhos caso se separem. Mas as escrituras já
citadas mostram claramente que eles estão vivendo em adultério
enquanto continuam o seu laço adúltero. Portanto, maior dano
cometeriam vivendo em adultério. Contudo, uma separação sob
tais circunstâncias não os eximiria da sua responsabilidade de
cuidar e prover sustento para os filhos que geraram.

3. Casamentos plurais não são permitidos no


Novo Testamento
Quando Cristo e os apóstolos ensinam sobre o casamento,
sempre o apresentam do ponto de vista da união entre um homem
e uma mulher. Paulo disse claramente: “Cada um tenha a sua
própria mulher, [não ‘mulheres’], e cada uma tenha o seu próprio
marido” [não ‘maridos’] (1 Coríntios 7:2).
Deus permitiu casamentos plurais no Antigo Testamento, mas
agora tem algo melhor para nós: “Mas Deus, não tendo em conta
os tempos da ignorância, ordena agora a todos os homens, e em
todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30).

341
A DOUTRINA DA IGREJA

A união matrimonial
Existem momentos e circunstâncias em que é melhor que
alguém não se case, como Paulo explicou em 1 Coríntios 7:1 e 8
e 32–33. Mas Deus fez abundantes provisões para o casamento e
deu muita direção para ele. De modo que vemos que Deus abençoa
os casamentos que seguem os princípios bíblicos.

1. O namoro
Para o cristão, o propósito do namoro é encontrar a vontade
de Deus quanto ao casamento. Para que o casal de namorados
cumpra este propósito, eles têm que:
Ø Mostrar maturidade e estabilidade espiritual antes de iniciar
um namoro. Não se deve iniciar um namoro esperando que
a outra pessoa irá mudar.
Ø Aceitar os conselhos dos pais e pastores quanto ao namoro.
Cada um dos namorados deve orar muito, pedindo a dire-
ção divina e deve ter um bom relacionamento, tanto com
seus pais como com os pais do seu par.
Ø Ser puro, casto e justo; promovendo e protegendo a cas-
tidade de outros. Os cristãos jamais devem apoiar um
namoro com alguém que tem uma conduta duvidosa, nem
tampouco permitir encontros às altas horas da noite, em
lugares mal iluminados ou atrás de portas fechadas. Tais
práticas têm levado à desgraça de muitos.
Ø Terminar o namoro quando perceber que o casamento não
seria a vontade de Deus. Não é justo que alguém continue
a menos que esteja seriamente interessado em casamento.

2. O noivado
Quando o jovem sentir que o casamento seria a vontade de
Deus, então ele faz o pedido à jovem. Se ela aceitar, eles assumem
o compromisso de casarem-se, ficando assim, noivos. A seguir
relacionamos algumas coisas que merecem ser lembradas:

342
O casamento

Ø Tenha a certeza que você conhece bem ao seu par antes de


falar de casamento. Não seja apressado em suas propostas.
Ø Se durante o namoro você perceber que ao casar-se irá
transgredir algum princípio bíblico, não se case. É melhor
permanecer solteiro por toda a vida do que violar ou não
fazer caso da Palavra e a sabedoria de Deus sobre esse assunto
tão importante.
Ø O namoro antes do noivado não deve prolongar-se. Depois
que você tiver a convicção de que o casamento é a vontade
de Deus, então você, o jovem, deve fazer a sua proposta. Se
você, a jovem, estiver de acordo, começam o noivado. Mas
se pelo contrário algum dos dois não pensa que o casamento
seria prudente, deve terminar o namoro. Esse é um assunto
sério demais para que as partes estejam perdendo tempo. Há
muitos mal-entendidos e pesares causados pelo término do
namoro depois que um dos interessados já havia chegado à
conclusão de que o namoro culminaria em casamento.
Ø Quando um dos dois deseja terminar o namoro (antes que
se realize o noivado) deve-se avisar a outra pessoa de modo
a não humilhá-la. O amor é algo sagrado demais para que
alguém não o tome a sério. Em tudo, seja cortês e sensato.
Ø Lembre-se que o noivado não é o casamento. “Conserva-te
a ti mesmo puro.”
Ø Prometer a mão e o coração a uma pessoa do sexo oposto é
uma promessa sagrada. Romper um noivado porque você
conheceu outra pessoa de quem goste mais é evidência de
uma mente variável e inconstante e demonstra que você é
indigno do casamento. Cumpra com a sua promessa. Jamais
deve terminar o noivado, exceto em casos de engano ou
fraude por parte do outro ou quando ambos reconhecem
a imprudência do noivado e livremente se eximem um ao
outro da obrigação.
Ø Não prolongue o noivado.

343
A DOUTRINA DA IGREJA

3. O casamento
Finalmente chega o dia em que o namoro culmina em casa-
mento. Mas lembre-se que isto não é o fim do namoro, o qual
deve continuar por toda a vida matrimonial. Quem deve reali-
zar a cerimônia nupcial? Um pastor da sua própria igreja deve
oficializá-la. O casamento no Senhor é uma celebração tanto
religiosa quanto social.
O casamento deve ser celebrado em simplicidade e piedade. O
casamento não é uma ocasião de festas mundanas que não sejam
convenientes para o filho de Deus. No momento do casamento
deve-se levar em conta o que foi dito em 1 Coríntios 10:31. As
cerimônias matrimoniais devem ser ocasiões felizes, mas a diversão
e a tolice não fazem parte da alegria verdadeira que deve caracterizar
os casamentos dos cristãos.
Os casamentos celebrados na casa de Deus proporcionam uma
excelente oportunidade para que o pastor pregue para a congre-
gação sobre as bênçãos do namoro cristão, o lar e a vida familiar.

344
A VIDA CRISTÃ
O que é o mais importante na vida? A Bíblia nos diz que
temer a Deus e guardar os seus mandamentos “é o dever de todo
o homem” (Eclesiastes 12:13). Nesta seção abordaremos cinco
deveres importantes para os cristãos: (1) servir com fidelidade, (2)
orar sem cessar, (3) obedecer de todo o coração, (4) negar-nos a
nós mesmos e (5) adorar a Deus.
O mundo inteiro está sob o domínio do maligno, enquanto
que o cristão anda por outro caminho. O filho de Deus reconhece
a Bíblia como diretrizes abençoadas para a sua vida, mas os que
pensam segundo o mundo sentem-se restringidos com esses ensi-
namentos. Para essas pessoas parece um obstáculo cumprir com o
que a Bíblia diz. O cristão não pensa assim. Antes, ele se regozija
por poder servir a Deus de todo o coração e da forma que Deus
lhe mandou por meio da sua Palavra.

345
44
Capítulo

O serviço cristão
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre
abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho
não é vão no Senhor (1 Coríntios 15:58).
A vida cristã é uma vida de serviço ativo. Isso é contrário ao
desejo da maioria das pessoas, que parece preferir uma vida de
descanso, luxo e ociosidade. Essas pessoas gostam de uma vida
cheia de muitos prazeres para satisfazer os apetites do corpo,
mente e alma.
Mas é impossível escaparmos do servir, pois somos servos de
Deus ou do diabo. Em tudo o que fazemos nos conformamos à
vontade de um ou do outro.
Temos vários exemplos na Bíblia dos que serviram fielmente
a Deus. Deus colocou Adão “no jardim do Éden para o lavrar e
o guardar” (Gênesis 2:15). Cristo “andou fazendo bem” (Atos
10:38). Os apóstolos seguiram as pisadas de seu Senhor e Mestre
até que morreram. A vida cristã é uma vida que transborda em
boas obras e que é consagrada ao fiel serviço de Cristo.
No entanto, não há virtude em apenas estar ocupado. Satanás
sempre está muito ocupado. Em que estamos ocupados e o modo
como o fazemos são fatores que determinam o valor dos nossos
esforços. Os esforços podem ser construtivos ou destrutivos,
dependendo do que se faz.
O serviço nem sempre inclui atividade física. O vigilante que
não faz mais do que sentar-se para observar e avisar é tão útil ao
seu patrão quanto o operário que trabalha longas horas. A prova
verdadeira do serviço é a obediência. Paulo disse:

347
A VIDA CRISTÃ

Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe
obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado
para a morte, ou da obediência para a justiça? (Romanos 6:16).
Nós cristãos somos servos. O tipo de serviço que fazemos é
determinado por aquele a quem rendemos obediência. Qualquer
um, pois, que é obediente a Jesus Cristo é servo de Cristo.

Pontos essenciais
em como servir a Deus
A pergunta importante em relação ao nosso serviço é: Deus
se agrada do que estou fazendo? O mandamento é: “Procura
apresentar-te a Deus aprovado” (2 Timóteo 2:15). Procuramos
agradar a Deus e não ao homem, nem ao mundo, nem aos senti-
mentos pessoais. A seguir apresentaremos alguns pontos essenciais
em como servir a Deus:

1. O amor
Foi o amor de Deus para com os homens que o impulsionou
a dar o seu Filho unigênito por nós; o amor de Cristo por nós foi
o que o constrangeu a dar a sua vida. O amor “não busca os seus
interesses” (1 Coríntios 13:5). O amor sempre contribui, sempre
serve. “O amor de Cristo nos constrange”, disse Paulo ao escrever
sobre os seus esforços em promover a causa de Cristo. Quanto
maior for o nosso amor por Deus, tanto mais eficaz será o nosso
serviço em seu nome. Não é de estranhar que Cristo dissesse que o
amor para com Deus é o maior de todos os mandamentos e que o
amor para com o próximo é semelhante (leia Mateus 22:38–39).

2. A vida espiritual
“Nunca vos conheci” será a resposta de Cristo àqueles que
virão diante dele no juízo de Deus enumerando os seus muitos
milagres (leia Mateus 7:21–23). “Se alguém não tem o Espírito
de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9). “Enchei-vos do
Espírito” (Efésios 5:18). Requer-se uma experiência verdadeira
de salvação, uma plenitude interior do Espírito Santo e uma vida
escondida com Cristo em Deus para poder servi-lo.

348
O serviço cristão

3. A obediência
“Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar” (1 Samuel
15:22). A Bíblia em todas as partes nos manda obedecer e con-
dena a desobediência a Deus. Aqueles que pensam que servem a
Deus e ao mesmo tempo não obedecem aos seus mandamentos
estão enganados. “E sede cumpridores da palavra, e não somente
ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tiago 1:22).

4. A consagração
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresen-
teis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1). É realmente racional
que nos consagremos a Cristo, porque ele se deu a si mesmo por
nós. O serviço cristão nasce dessa consagração.

5. Cuidar dos necessitados


Leia Mateus 25:31–46. A maioria das grandes obras são de
menos importância do que cuidar dos necessitados. “Ao Senhor
empresta o que se compadece do pobre” (Provérbios 19:17).

6. O trabalho
Na parábola dos talentos o servo que escondeu o seu talento
(dinheiro) e recusou-se a trabalhar em prol do seu senhor, não
somente perdeu a sua recompensa, mas também foi lançado
nas trevas exteriores. O diabo fica contente quando aqueles que
professam o cristianismo não se esforçam em nada por Cristo. A
Bíblia diz que devemos procurar ser um “obreiro que não tem de
que se envergonhar” (2 Timóteo 2:15). O povo de Deus na terra
é descrito como “um povo seu especial, zeloso de boas obras”
(Tito 2:14). O servo fiel está disposto a fazer qualquer tarefa que
o seu Senhor lhe pedir.

7. A oração e o jejum
“Por que o não pudemos nós expulsar?” perguntaram os dis-
cípulos a Cristo quando viram que ele lançava fora os demônios
que eles não puderam expulsar. A resposta de Cristo nunca deve

349
A VIDA CRISTÃ

ser esquecida: “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não
ser com oração e jejum” (Marcos 9:29). Uma oração de lábios não
vale nada, mas a oração sincera e fervorosa de um coração sincero
recebe a resposta de Deus. O jejum nos ajuda a orar eficazmente.
O cristão que não ora terá muito pouco êxito no seu serviço.

Campos de serviço
O serviço cristão abrange todo aspecto da nossa vida. Ele inclui
mais do que simplesmente exercer algum ministério na igreja. Há
quem fique satisfeito ao ser elogiado por possuir algum ministério.
Mas muitas vezes ao analisar a sua vida percebemos que é uma
pessoa mundana. Poderíamos chamar tais pessoas de “cristãos
profissionais” porque executam os seus deveres religiosos assim
como o advogado que trabalha para o seu cliente. Mas o modelo
bíblico não nos ensina dessa maneira (leia Romanos 6:13; Lucas
18:10–14). O verdadeiro servo de Deus serve o Senhor, onde quer
que vá e enquanto viver.

1. No lar
Aqui está a prova de fogo do serviço cristão. Há homens que
oram com muita eloquência em público, mas quase não oram em
suas próprias casas. Todo pai cristão deve orar muito na sua casa
como fez Cornélio (leia Atos 10:2 e 30). Algumas coisas que os pais
devem praticar no seu lar são: O culto familiar diário; a conversa
que contribui para o bem-estar espiritual da alma; o esforço fiel
e constante para criar os filhos “na doutrina e admoestação do
Senhor” (Efésios 6:4); a hospitalidade cristã que faz com que o
lar seja uma bênção a todos os que passam por ele.

2. No meio social
Isto é incluído nas esferas do serviço cristão? Claro que sim;
ainda que pareça que muitos pensem que a religião não tem nada
a ver com a sociedade. O que aparece em 1 Coríntios 10:31 se
aplica na vida social: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais
outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. Louvamos
ao Senhor cada vez que observamos um grupo de jovens que

350
O serviço cristão

estudam a Bíblia em casa e que falam das Escrituras com muita


facilidade com seus amigos. Quem diria que não podemos nos
alegrar; cantando, orando, conversando e debatendo coisas edi-
ficantes? Nossos jovens prestam um serviço vital, demonstrando
como se deve servir de maneira pura, nobre e valiosa. Também
devemos servir aos nossos vizinhos em suas necessidades. Ao
viajarmos no transporte público devemos fazer o possível para
agradar aos demais passageiros. Mesmo nessas coisas podemos
servir a Cristo. “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a
todos” (Gálatas 6:10).

3. Nos negócios
Será que existe algo que traga maior opróbrio à causa de Cristo
nos nossos dias do que as práticas comerciais enganosas por parte
dos que dizem ser cristãos? Se a corrupção e fraude promovem
a maldade, por que não nos valer da honestidade nos negócios
para promover o bem? Suponhamos que todo comerciante cristão
buscasse primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, praticando
a regra de ouro diariamente, dando “boa medida, recalcada,
sacudida e transbordando” (Lucas 6:38). Suponhamos que todos
procurassem preferir “em honra uns aos outros” (Romanos 12:10),
fazendo tudo para a glória de Deus, nunca se unindo num jugo
desigual com os incrédulos e tendo como um grande privilégio
estar todo o tempo nos negócios do seu Pai. Qual seria o efeito
disto na vida do próprio negociante, na vida da sua família, na
vida do seu próximo e na vida de seus sócios? Os cristãos que são
empresários ou comerciantes devem lembrar que o seu negócio
lhes oferece uma grande oportunidade para servir a Deus.

4. Na obra da igreja
Aqui é onde os irmãos devem unir os seus esforços para servir
ao Senhor. Todos somos iguais, quer sejamos pais, irmãos, filhos,
pastores, professores, agricultores, mecânicos, comerciantes, pro-
fissionais, fracos, fortes, ricos ou pobres. Devemos unir as nossas
forças para ganhar os perdidos, para fortalecermos uns aos outros
na fé, para receber o ânimo necessário e visão espiritual. Juntos

351
A VIDA CRISTÃ

nos preparamos para enfrentar as provas, tentações e lutas. Juntos


cantamos louvores ao Senhor, de quem procedem todas as bênçãos,
e unimos os nossos corações e as nossas mãos no esforço comum
de fazer o que Cristo quer que nós como seu corpo façamos.

Preceitos para obreiros


Observando o que nos diz 2  Timóteo 2:15, deveríamos
todos ter o desejo de prestar um serviço agradável a Deus e
perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?” Aqui, em parte,
está a resposta de Deus:
Ø “Reconhece-o em todos os teus caminhos” (Provérbios 3:6).
Ø “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que
vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que
está nos céus” (Mateus 5:16).
Ø “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”
(Marcos 16:15).
Ø “Examinais as Escrituras” (João 5:39).
Ø “Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem” (Romanos 12:9).
Ø “Perseverai na oração” (Romanos 12:12).
Ø “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”
(Romanos 12:21).
Ø “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que
vos ameis uns aos outros” (Romanos 13:8).
Ø “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer
coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Coríntios 10:31).
Ø “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis”
(2 Coríntios 6:14).
Ø “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor”
(2 Coríntios 10:17).
Ø “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de
Cristo” (Gálatas 6:2).
Ø “Prove cada um a sua própria obra” (Gálatas 6:4).

352
O serviço cristão

Ø “Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos,


perdoando-vos uns aos outros” (Efésios 4:32).
Ø “Não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas
antes condenai-as” (Efésios 5:11).
Ø “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas”
(Filipenses 2:14).
Ø “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em
toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns
aos outros” (Colossenses 3:16).
Ø “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como
ao Senhor” (Colossenses 3:23).
Ø “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).
Ø “Sê o exemplo dos fiéis” (1 Timóteo 4:12).
Ø “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas
coisas” (1 Timóteo 4:16).
Ø “Conserva-te a ti mesmo puro” (1 Timóteo 5:22).
Ø “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina” (Tito 2:1).
Ø “Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus” (Judas v.21).

353
45
Capítulo

A oração
Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5:17).

Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando


mãos santas, sem ira nem contenda (1 Timóteo 2:8).
A oração é tão natural e necessária para o cristão quanto a res-
piração. Nenhum cristão pode permanecer vivo espiritualmente
por muito tempo sem a oração, assim como um homem não
pode viver por muito tempo sem oxigênio. O que professa ser
cristão, mas não tem uma comunhão íntima com Deus por meio
da oração, é cristão apenas no nome.

Por que orar?


1. A oração foi ordenada por Deus
Admoestações tais como: “Orai sem cessar”; “Em tudo dai
graças”; “Vigiai e orai” e “Ora a teu Pai” são muito numerosas
na Bíblia. Ninguém pode ser obediente a Deus sem viver uma
vida de oração.

2. Ela abre a porta para muitas bênçãos


O Espírito Santo é dado “àqueles que lho pedirem” ao Pai
(Lucas 11:13). É prometido poder espiritual para aquele que ora
com toda sinceridade (leia Marcos 9:29). Além disso, “a oração
da fé salvará o doente”, porque a “oração feita por um justo pode
muito” (Tiago 5:15–16). Visto que Deus ouve e atende à oração
de fé, sabemos que tudo o que se pode incluir na oração de fé está
à disposição daqueles que de coração procuram ao Senhor por
meio da oração (leia Mateus 21:22; Marcos 11:24; João 11:22).

355
A VIDA CRISTÃ

3. A oração nos ajuda a crescer espiritualmente


Quem ora, fala com o Senhor. Quem fala com o Senhor está na
sua presença; e quanto mais tempo estiver com ele, mais será como
ele. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um
espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória
na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Coríntios
3:18). Você já viu alguém que passa muito tempo com o Senhor em
oração sincera e fervorosa que não cresce espiritualmente? Por outro
lado, você já viu alguém que não está acostumado à oração, e ainda
seja espiritual? Você concorda que nunca viu alguém assim? Passar
tempo com Deus na oração nos ajuda a crescer na sua imagem.

4. Nos protege do poder do diabo


Vamos imaginar Cristo e os apóstolos no jardim do Getsêmani.
Alguns discípulos param logo na entrada enquanto três o acompa-
nham para dentro do jardim, mas ficam esperando enquanto ele vai
adiante e se ajoelha em oração. Voltando para os seus discípulos,
ele os encontra adormecidos, e pergunta a Pedro: “Então nem uma
hora pudeste velar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em
tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”
(Mateus 26:40–41). Cristo volta aos discípulos um total de três vezes
e cada vez os encontra dormindo. É de admirar que no momento
da prova, Cristo a tenha suportado e os discípulos não?
Por ser o Messias, Jesus sabia que necessitava dessa comunhão
constante com o seu Pai, o qual dava-lhe força em cada tentação
e prova. Da mesma forma que Cristo, quanto mais íntima for a
nossa comunhão com o Pai, tanto mais frequentes e fervorosas
serão as nossas orações e tanto mais forte seremos espiritualmente.
Aprendamos com ele essa lição! O diabo está trabalhando cada
dia mais para invadir a vida dos que creem no Senhor. Se dia-
riamente quisermos viver em vitória, oremos assim como Cristo
nos ensinou.

5. É indispensável para receber poder


Falando de lançar fora certo tipo de espírito imundo, Cristo
disse: “Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com

356
A oração

oração e jejum” (Marcos 9:29). Vejamos também o poder dado aos


discípulos em certa ocasião: “E, tendo orado, moveu-se o lugar em
que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e
anunciavam com ousadia a Palavra de Deus” (Atos 4:31). O fato
que Deus prometeu ouvir e atender às orações de seu povo nos
assegura o seu poder, o qual está ao alcance daqueles que mantém
um contato vivo com ele por meio da oração.

6. Traz plenitude de gozo


O que trouxe gozo aos discípulos na casa de Maria quando
Pedro foi livrado da prisão? Eles haviam orado fervorosamente
e as suas orações foram atendidas. Nunca devemos nos esquecer
que a oração não somente é um dever cristão e uma proteção
contra o poder do diabo, mas também é um manancial de grande
alegria para todos os santos de Deus, uma alegria que não se
pode obter de nenhuma outra maneira.

As orações que Deus atende


Até aqui pudemos ver que Deus atende às nossas orações; e
faz isso de forma pessoal. A promessa de Deus é segura: “E, tudo
o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus 21:22).
A Bíblia contém muitos exemplos de orações respondidas e hoje
muitos de nós temos um testemunho vivo de orações respondidas.
No entanto necessitamos considerar as condições para que sejam
atendidas as nossas orações.
Podemos esperar confiantemente a resposta às nossas orações:

1. Se orarmos segundo a vontade de Deus


“E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma
coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5:14). Tiago
apresenta o mesmo pensamento, mas de forma negativa, quando
diz: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes
em vossos deleites” (Tiago 4:3). Muito do que se chama oração
não é nada mais do que uma expressão de egoísmo ou talvez de
eloquência para ser ouvido pelos homens em vez de Deus.

357
A VIDA CRISTÃ

2. Se orarmos com fé
“Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando” (Tiago 1:6). “E,
tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mateus
21:22). A promessa é segura, desde que a oração seja feita com fé,
“crendo”. “É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia
que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus
11:6). Muitas orações são em vão porque são oferecidas sem fé
no poder de Deus.

3. Se obedecermos à sua vontade


Cristo orou: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice;
todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus
26:39). Essa foi uma oração de submissão e obediência.
Em Provérbios 28:9 diz: “O que desvia os seus ouvidos de
ouvir a lei, até a sua oração será abominável”. Deus não ouve as
orações dos que se afastam dele em desobediência.
Há quem pergunte: Deus ouve as orações dos pecadores? Isso
depende de que tipo de oração estamos falando. Se é uma oração
de arrependimento, Deus com certeza ouvirá. Não seria o caso da
oração do rebelde ou do hipócrita ao qual Deus não ouve.

4. Se orarmos com fervor


Um grupo de crianças brinca no quintal. Depois uma delas,
vendo a sua mãe, lhe diz: “Mamãe, estou com fome, dê-me um
pedaço de pão” e continua brincando como se não tivesse dito
nada. Também para a mãe será como se ela não tivesse dito nada.
Talvez a criança já não pense mais no que pediu ou, pensando,
terá pouca esperança de receber o pão. Por outro lado, se a criança
realmente tem fome e crê que a sua mãe lhe dará o pão se ela vir
que realmente está com fome, a criança pode pedir e ela lhe dará
o pão.
Essa é uma ilustração do que ocorre quando oramos. O Pai
celestial, como nossos pais terrenos, está disposto a atender a todas
as nossas petições e nos dar o que ele sabe que é bom para nós.
Se entregarmos a nossa vida a Deus, juntamente com as nossas
petições, e orarmos com fé, crendo que as nossas orações serão

358
A oração

ouvidas e atendidas, então ele as atenderá. Pode ser que ele atenda
imediatamente, como Cristo fazia quando as pessoas vinham a ele
pedindo favores, ou pode ser que tenha que perseverar em oração,
como a viúva teve que perseverar em trazer as suas petições diante
do juiz (leia Lucas 18:1–8). As nossas orações devem ser constantes
e com fé, sem importar se Deus as atenderá imediatamente ou se
demorará em atendê-las.

5. Se estivermos dispostos a fazer a nossa parte


Em Tiago 2:15–18 vemos o exemplo de alguém a quem foi
feito um pedido. Ele lhes responde dizendo: “aquentai-vos, e
fartai-vos”, e dessa forma os despede sem dar-lhes algo com o que
pudessem esquentar-se e saciar-se. Se orarmos com uma atitude
assim, não conseguiremos nada. Deus não somente quer que
oremos, mas também quer que estejamos dispostos a fazer o que
ele manda a fim de que sejam atendidas essas orações.

Mais reflexões sobre a oração

1. A oração deve ser simples e direta


A oração ensinada por Jesus é o modelo perfeito desse tipo de
oração (leia Mateus 6:9–13). Os ensinamentos de Cristo que pre-
cedem e seguem essa oração deveriam nos ensinar de que maneira
devemos orar. Cristo proíbe as “vãs repetições” (leia Mateus 6:7).
Mesmo na oração pública devemos dirigir a nossa oração a Deus
e não às pessoas que nos escutam. Deus não precisa de eloquência
nem de orações longas para convencê-lo de que somos sinceros.
Todas as nossas orações devem nascer de um coração de fé. Deve-
mos dirigir todas as nossas orações a Deus, quer seja ou não para
que outras pessoas nos escutem.

2. Devemos orar por toda a humanidade


Paulo aconselha que se façam súplicas e orações “por todos
os homens” (1 Timóteo 2:1). A Bíblia nos ensina a orar pelos
fiéis e pelos pecadores, especialmente por aqueles que estão em
posições de autoridade e responsabilidade. Leia Efésios 6:18–19;

359
A VIDA CRISTÃ

Filipenses 1:8–9; Colossenses 4:3; 1 Tessalonicenses 5:25; 2 Tes-


salonicenses 1:11; 3:1; 1  Timóteo 2:1–2  e 8. Estude também
1 João 5:16–17. Aqui temos um ensinamento quanto à oração
pelos que têm pecado.

3. Devemos orar com os corações cheios de amor


e com um espírito perdoador
A oração de Cristo na cruz e a de Estevão na hora do seu mar-
tírio são exemplos de como devemos orar pelos inimigos. Cristo
disse: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também
vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes
aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará
as vossas ofensas” (Mateus 6:14–15). A malícia não é compatível
com a oração aceitável.

4. A oração frequente e fervorosa pertence à vida


cristã
Você tem visto quantas vezes encontramos na Bíblia frases
como essas: “Orai sem cessar”, “Vigiai e orai”, “Orai por nós”? A
oração é o alento do cristão. Quanto mais profunda seja a nossa
vida espiritual, tanto mais respiraremos. Como uma pessoa que
professa ter uma fé viva em Deus pode viver sem passar muito
tempo em oração? Como pode afirmar que se preocupa pela causa
de Cristo e pelo bem-estar do homem? Alguns exemplos de coisas
que se deve lembrar nas orações diárias são: a sua própria família,
os enfermos na sua comunidade, o ministério, as provas e tentações
que você e outros enfrentam.

5. É necessário que tenha uma boa ordem na


oração
A quietude e a reverência são dois fatores importantes na
oração. Lembremo-nos que ao orar estamos falando com Deus.
Para evitar a confusão que há quando muitos oram ao mesmo
tempo em voz alta, as orações da congregação devem ser dirigi-
das por uma só pessoa por vez. Não devemos permitir que exista
nenhum obstáculo entre nós e Deus. As cabeças das mulheres

360
A oração

devem estar cobertas (leia 1 Coríntios 11:4–6). Devemos lembrar


também que as mãos que se elevam em oração devem ser “mãos
santas” (leia 1 Timóteo 2:8).
A postura que adotamos ao orar é importante. Ainda que na
Bíblia apareçam alguns casos onde as pessoas se colocavam de pé
para orar, na maioria dos casos se ajoelhavam diante do Senhor e
às vezes se prostravam sobre seus rostos (leia Salmo 95:6; Números
16:22; 2 Crônicas 6:13). As Escrituras contêm muitos relatos de
pessoas que se ajoelhavam quando oravam: Salomão na dedicação
do templo (leia 1 Reis 8:54), Daniel sob uma situação difícil (leia
Daniel 6:10), Jesus no Getsêmani (leia Lucas 22:41), Estevão na
ocasião do seu martírio (leia Atos 7:60) e Paulo antes de partir
(leia Atos 21:5). Todo cristão humilde deve dizer: “Por causa disto
me ponho de joelhos perante o Pai” (Efésios 3:14).

6. Reuniões de oração
É muito proveitoso os cristãos se reunirem para orar, mas deve
ser num espírito de adoração. A Bíblia menciona várias reuniões
de oração onde se manifestou o grande poder de Deus (leia Atos
1:12–14; 4:23–31; 12:5 e 12). Quando os crentes oram com
sinceridade, com pensamentos e sentimentos unidos, eles se
alegram ao falar com o Senhor.

7. O poder da oração particular


A oração pública foi praticada no tempo dos apóstolos e ela
deveria ser praticada hoje em dia também. Porém, a prova de fogo
não está na oração pública, mas nas orações particulares que são
ouvidas apenas por Deus. Há homens que oram com eloquência
em público, mas sem o mínimo de fé ou reverência. Contudo,
quem ora em secreto sem ter uma necessidade especial, mas sim-
plesmente leva as suas petições ao Senhor, esse será ouvido no
céu. “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando
a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em
secreto, te recompensará publicamente” (Mateus 6:6).
A oração é o poder que move a mão que governa o mundo.
Qualquer um que vier diante de Deus orando com sinceridade, fé

361
A VIDA CRISTÃ

e perseverança, toca no braço daquele para quem todas as coisas


são possíveis. Existem “montes” de dificuldades por todas as
partes, mas por meio do poder de Deus são movidos pela oração
da fé (leia Mateus 17:20–21). Nas câmaras secretas do coração,
onde ninguém poderá impedir que nos aproximemos de Deus
em oração, há grandes fortalezas que o diabo não poderá destruir,
porque para “Deus tudo é possível”.

“Bendita a hora de oração,


Pois traz-nos paz ao coração,
E sobrepuja toda a dor,
Trazendo auxilio do Senhor.
Em tempos de perturbação,
Na dor maior, na tentação,
Procurarei com mais fervor,
A comunhão com o Senhor.

“Bendita a hora de oração,


Pois liga-nos em comunhão,
E traz-nos fé e mais amor,
Enchendo o mundo de dulçor.
Desejo a vida aqui findar,
Com fé, amor, constante orar;
Depois da morte, do pavor,
Então será, sim, só louvor.”

362
46
Capítulo

A obediência
Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar (1 Samuel 15:22).

Se me amais, guardai os meus mandamentos (João 14:15).


Há dois tipos de obediência: (1) a que os homens, os anjos e a
natureza devem a Deus e (2) a que os homens devem para outros
homens. A obediência também pode ser classificada como sendo
voluntária ou obrigatória, completa ou parcial, sincera ou indiferente.

A quem se deve obedecer

1. “A Deus” (Atos 5:29)


De acordo com o testemunho dos apóstolos, a obediência é
o nosso dever supremo. João ensina que é uma prova de que
conhecemos a Deus (leia 1  João 2:3–4), e Cristo disse que
somente assim podemos ser seus amigos (leia João 14:15;
15:14). Salomão resumiu o nosso dever da seguinte forma:
“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda
os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem”
(Eclesiastes 12:13).

2. “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no


Senhor” (Efésios 6:1)
Este é “o primeiro mandamento com promessa” (v. 2). A Bíblia
oferece quatro motivos para obedecer esse mandamento: (1) “isto
é justo”, (2) “para que te vá bem”, (3) para que “vivas muito tempo
sobre a terra” e (4) “porque isto é agradável ao Senhor” (Colos-
senses 3:20). A obediência aos pais nos prepara para sermos mais
úteis a Deus e ao nosso próximo.

363
A VIDA CRISTÃ

3. “Obedecei… a vossos senhores segundo a


carne” (Colossenses 3:22)
Isto deve ser feito, “não servindo só na aparência, como para agra-
dar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus”.

4. “Que se sujeitem aos principados” (Tito 3:1)


Em outras palavras: “Toda a alma esteja sujeita às autoridades
superiores” (Romanos 13:1).

5. “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a


eles” (Hebreus 13:17)
“E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham
entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam;
E que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra”
(1 Tessalonicenses 5:12–13).
A submissão à autoridade, quer seja a do lar, do governo ou da
igreja, é uma das bases fundamentais da vida cristã. Existe alegria
e poder nesta virtude cristã de submissão que ninguém com um
coração altivo e espírito rebelde poderá conhecer.

O que a obediência a Deus inclui


Os que obedecem a Deus são submissos a:

1. A voz de Deus
“Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus” (Jeremias
7:23). Foi essa a voz que Noé ouviu quando edificou a arca (leia
Gênesis cap. 6); que Abraão ouviu quando deixou o seu lar e
parentela e começou a caminhar para a terra prometida (leia
Gênesis 12:1–5) e que Moisés ouviu quando aceitou a tarefa de
livrar o povo da escravidão (leia Êxodo cap. 4). Na nossa época
Deus não tem falado tanto numa voz audível, mas pelos meios
que mostraremos a seguir.

2. O Filho de Deus
Deus disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me com-
prazo; escutai-o” (Mateus 17:5). Hoje Deus está falando conosco

364
A obediência

“pelo Filho” (Hebreus 1:1). Por isso “vede que não rejeiteis ao que
fala” (Hebreus 12:25) quando ele diz: “Se me amais, guardai os
meus mandamentos” (João 14:15).

3. O Espírito de Deus
Estevão relembrou os fariseus da condenação que lhes sobrevi-
ria porque resistiam ao Espírito Santo assim como seus pais haviam
feito (leia Atos 7:51). É o Espírito de Deus que nos guiará a toda
a verdade (leia João 16:13).

4. A Palavra de Deus
Deus nos dirige para a salvação e nos mostra o seu caráter e a
sua vontade por meio da sua Palavra. Será em vão pensarmos que
estamos bem com Deus se não obedecermos à sua Palavra (leia João
14:15; 15:14; Tiago 1:22–25; 1 João 2:3–4).

5. A igreja de Deus
A Palavra de Deus é a mensagem de Deus ao homem, e a igreja
de Cristo é a instituição por meio da qual se leva essa mensagem
ao mundo (leia Mateus 28:18–20). Deus quer falar conosco por
meio da sua igreja. Cristo nos mostra a autoridade que deu à voz da
igreja quando disse: “Se também não escutar a igreja, considera-o
como um gentio e publicano” (leia Mateus 18:17–18).

Os resultados da obediência
1. Recebemos as bênçãos de Deus
Deus dá o seu Espírito Santo “àqueles que lhe obedecem” (Atos
5:32). A obediência é essencial para se ter uma boa relação com
Deus (leia João 15:14; 1 João 2:3–4). Foi a obediência (de Cristo)
que tornou possível a nossa justificação (leia Romanos 5:19). Em
poucas palavras, todas as bênçãos do evangelho são para os obe-
dientes e a Bíblia promete somente maldição aos desobedientes.

2. Nos conduz a uma vida santa


Por meio da obediência a Deus andamos nos caminhos da
justiça; se obedecermos ao mundo, andamos nos caminhos do

365
A VIDA CRISTÃ

pecado. A verdade, a justiça, a retidão e a piedade são encontradas


no caminho da obediência a Deus.

3. Herdamos a glória vindoura


Os que cumprem a vontade de Deus terão a bênção eterna no
lugar da condenação eterna (leia Mateus 7:21–29; 2 Tessalonicen-
ses 1:7–9). Em certa ocasião Jesus disse a um jovem: “Se queres,
porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mateus 19:17).

Mais considerações

1. A obediência é uma condição do coração


“O Senhor olha para o coração” (1  Samuel 16:7). Foi a
obediência “de coração” (leia Romanos 6:17) que ganhou para
os irmãos romanos a recomendação que mereciam. A obediência
que não nasce do coração não tem mérito.

2. O coração obediente produz obediência visível


Como Paulo sabia que os romanos eram obedientes de coração?
Ele viu refletido isso em suas obras. Cedo ou tarde a condição
do coração se manifesta. Cristo disse que conhecemos as pessoas
pelos seus frutos (leia Mateus 7:16–20).

3. A desobediência a Deus traz o castigo eterno


Paulo escreveu que quando o Senhor Jesus Cristo se mani-
festar em “labareda de fogo”, ele tomará “vingança dos que não
conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso
Senhor Jesus Cristo” (leia 2 Tessalonicenses 1:7–9).

4. Quem desobedece em uma única coisa é


rebelde aos olhos de Deus
Toda a raça humana caiu sob a maldição do pecado por causa de
uma só desobediência (leia Gênesis 3:1–6; Romanos 5:12); a Moisés
foi negada a entrada para a terra prometida por causa de uma só
desobediência (leia Deuteronômio 32:50–52); Uzá foi castigado com
a morte por causa de uma só desobediência (leia 2 Samuel 6:6–7).

366
A obediência

Tiago diz: “Qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só


ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10). Via de regra, um
criminoso não é castigado por ter cometido muitos crimes, mas sim,
por ter sido declarado culpado de um único crime. Qualquer um que
desobedece voluntariamente a Deus em uma só coisa, é culpado de
rebelião contra ele, independente de quantas boas qualidades ainda
tenha. O moralista que se jacta em sua benignidade, será sentenciado
à eterna separação de Deus assim como o pecador mais vil, porque
não obedece ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Nem as
grandes obras nem a benignidade humana terão valor diante de Deus
quando chegar a hora de comparecer diante do tribunal de Cristo.

5. Devemos toda a obediência a Deus, não


importa quem esteja a favor ou contra nós
“Cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Romanos
14:12). Noé e a sua família teriam sido tolos caso tivessem ficado
fora da arca ao ver que ninguém mais quis entrar. Teria sido uma
grande tolice se Daniel e seus três companheiros tivessem deixado
as suas convicções ao ver que nenhuma outra pessoa fez o que eles
fizeram. Devemos fazer de boa vontade tudo o que Deus quer
que façamos, ainda que sejamos os únicos na terra. A obediência
parcial não traz bênçãos. Devemos fazer tudo o que Deus nos
disser (leia João 2:5).

6. A obediência significa negar-se a si próprio


Para obedecer a Cristo temos que negar a nós mesmos. Cristo
disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome
cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). Nenhum homem
obedece a Cristo a menos que submeta a Deus a sua vontade, os
seus desejos e tudo quanto tiver. “E os que são de Cristo crucifica-
ram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:24).
Obedecer significa submeter-se, ou seja, sacrificar o que nos
agrada para poder agradar a Deus. Poderemos obedecer somente
quando estivermos dispostos a sacrificar os interesses próprios e
qualquer desejo que se opuser aos planos e propósitos de Deus
(leia Romanos 8:1–2).

367
A VIDA CRISTÃ

Algumas pessoas estão dispostas a obedecer a Deus contanto


que isso não se oponha aos seus próprios desejos. Outros negam
alguns desejos carnais, mas somente para receber a glória para si
próprio. Se quisermos ser filhos de Deus, teremos que negar-nos
a nós mesmos e obedecer a Deus.

368
47
Capítulo

A adoração
Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do
Senhor que nos criou (Salmo 95:6).
A adoração a Deus é uma atitude na qual prostramos a nossa
vontade e todo o nosso ser perante ele com reverência, admiração
e respeito profundo. Coisas como o orar, o louvar, cantar, ofertar
e testemunhar de Cristo, fazem parte da adoração.
A adoração pode ser verdadeira ou falsa, dependendo da nossa
sinceridade ou do objeto de nossa adoração. Adorar a Deus de
maneira dissimulada é hipocrisia. Adorar as criaturas que Deus
criou em lugar de adorar ao Criador é idolatria.

Alguns fatos fundamentais

1. Todos os homens adoram


Paulo falou dos gentios que não tem a lei, mas que “fazem
naturalmente as coisas que são da lei” (Romanos 2:14). Todas as
pessoas do mundo, quer sejam cristãs ou pagãs, adoram a algo ou
a alguém. Deus colocou algo dentro do coração de todo homem
para que mesmo aqueles que estão “mortos em ofensas e pecados”
possam ouvir a voz de Deus e ser ressuscitados espiritualmente
(leia João 5:25). O desejo de adorar a algo ou a alguém é universal.
A maioria das pessoas tem esse desejo de forma corrompida, mas
ainda assim ele permanece no interior de cada indivíduo. Até
mesmo os homens que consideram a religião uma “superstição”
são escravos de alguma forma de idolatria. Eles adoram ídolos
como a riqueza, o apetite, o prazer, algum grande herói ou sim-
plesmente a si próprios.

369
A VIDA CRISTÃ

2. Somente Deus merece a nossa adoração


Cristo disse: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só
a ele servirás” (Mateus 4:10).
Deus proíbe a idolatria. Ele não nos permite adorar os rios, o
sol ou a lua, as estrelas, os deuses de madeira ou de pedra, nem
qualquer criatura ou coisa criada pela imaginação dos homens.
Se seguirmos os nossos próprios desejos seremos idólatras (leia
Filipenses 3:19; Colossenses 3:5). A Palavra de Deus nos proíbe
adorar aos homens (leia Atos 10:25–26; 14:10–15). Não se deve
adorar nem mesmo aos anjos (leia Apocalipse 22:8–9).
Deus é o único que é digno da nossa adoração. Ele é o único
Criador do céu e da terra, o único Ser infinito e perfeito em
tudo. A ele pertence todo louvor, glória, adoração e reverência.
Adoremo-lo em espírito e em verdade.

3. “Importa que os que o adoram o adorem em


espírito e em verdade” (João 4:24).
Deus deseja que o adoremos em espírito. Cristo falou dos fari-
seus: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos
dos homens” (Mateus 15:9). O fato de que eles preferiram as suas
próprias tradições aos mandamentos de Deus mostrou que não
eram sinceros em sua adoração. Note as palavras: “espírito” e “ver-
dade”. Pode ser que estejamos bem na doutrina e sejamos muito
precisos em nossas formas de adoração, mas caso não adorarmos
também em espírito, então, não adoramos realmente a Deus.

4. Deus não nos obriga a adorá-lo agora


Ainda que Deus nos ordena adorá-lo por meio de sua Palavra,
ele não nos obriga a fazê-lo. O fato de que a maioria das pessoas
não o adora sinceramente é evidência da verdade de que não nos é
obrigatório. Visto que Deus concedeu ao homem o livre-arbítrio,
ele pode fazer o que quiser nesse assunto. Josué disse isto em seu
discurso de despedida: “Se vos parece mal aos vossos olhos servir
ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais… porém eu e a minha
casa serviremos ao Senhor” (Josué 24:15). Nós temos o mesmo
privilégio hoje. Todos podemos adorar a Deus se escolhermos

370
A adoração

fazê-lo; do contrário, seremos idólatras como a maioria das pessoas.


Não obstante, não esqueçamos que um dia todo joelho se dobrará
diante de Jesus para a glória de Deus Pai.
Há outra coisa que devemos nos lembrar: Uma vez que Deus
nos deu o livre-arbítrio, ele também nos faz responsáveis pelo que
escolhemos. Ou seja: se adorarmos a Deus, moraremos com ele
na eternidade; se adorarmos aos ídolos, passaremos a eternidade
com o diabo. O céu ou o inferno será o resultado daquilo que
escolhermos (leia Gálatas 6:7–8).

5. Nós refletimos a imagem do que adoramos


Por que os muçulmanos têm as características de Maomé? Por
que os mórmons retratam o caráter de Joseph Smith e Brigham
Young? Porque os seguidores destas religiões prezam os ideais
que eles veem em seus líderes. Por isso, se tornam mais como eles
conforme vão seguindo as suas pisadas. Quem não ama a Deus
menospreza o cristianismo verdadeiro porque preza os valores de
seu líder, o diabo, o deus deste século. Mas, nós que amamos a
Deus, encontramos nele o nosso ideal: perfeição, justiça, santidade,
pureza, esplendor e glória celestial. E quanto mais tempo o adorar-
mos, mais perfeitamente levaremos a sua imagem (leia Romanos
8:29; 2 Coríntios 3:18; Efésios 4:11–16; Colossenses 3:10).
Leia Romanos 1:18–32. Desde o princípio até o fim do
capítulo você pode apreciar uma representação do que resulta da
idolatria. Isto traz como consequência que o idólatra siga uma
direção que desce até as profundezas da iniquidade e da ruína.
A história do mundo em todos os séculos manifesta que quanto
mais arraigada for a idolatria na cultura das pessoas, tanto mais
degeneradas serão. Todas as tendências dos costumes idólatras
conduzem ao inferno aberto que será eternamente habitado pelos
idólatras e por todo ser humano que os segue em sua corrupção
e idolatria.

371
A VIDA CRISTÃ

Por que adorar a Deus

1. Ele é digno!
O grande e poderoso Deus é digno de nossa adoração. Ao reco-
nhecer a sua grandeza, o adoraremos sem reservas (leia 1 Crônicas
29:10–13; Apocalipse 4:8–11; 5:12–14; 7:11–12).

2. A adoração nos guarda de toda forma de


idolatria
Deus se agrada da adoração de quem adora somente a ele. Deus
declarou: “Eu sou Deus, e não há outro” (Isaías 45:22). Quando
os israelitas adoraram ao bezerro de ouro no deserto Deus rejeitou
a sua idolatria imediatamente (leia Êxodo 32:1–29). Aquele que
adora a Deus em espírito e em verdade é resguardado da idolatria.

3. Ela promove a comunhão com Deus e com os


santos
Quando nos congregamos para adorar como as Escrituras
nos mandam (leia Hebreus 10:25) e quando reconhecemos que
Cristo está em nosso meio (leia Mateus 18:20) não somente temos
comunhão uns com os outros, mas juntos podemos dizer: “Nossa
comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1:3).
Esta comunhão é um antegozo da comunhão que espera os santos
de Deus no céu (leia Apocalipse 7:9–12).

4. Ela é essencial para sermos aceitos diante


de Deus
Vejamos a advertência de Moisés: “Porém, que, se de qualquer
modo te esqueceres do Senhor teu Deus, e se andares após outros
deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico
contra vós que certamente perecereis” (Deuteronômio 8:19–20).

5. Ela é essencial para uma vida santa e frutífera


A pureza, a justiça, a santidade e todas as virtudes nobres do
coração e da alma não podem separar-se da adoração verdadeira.

372
A adoração

O verdadeiro adorador mostra uma atitude de reverência para com


Deus que deixa uma forte impressão na mente e no coração dos
outros. Essa atitude de reverência leva o adorador a testemunhar
pelo Mestre com valentia. A lealdade e a devoção que estão no
coração se manifestam em orações fervorosas, hinos inspirados e
serviço fiel. Dessa maneira haverá uma comunhão genuína com
Deus e com outros santos. Existe, pois, uma conexão íntima entre
a adoração verdadeira e a vida santa. Recebemos poder quando
adoramos em Espírito e em verdade.

“A Deus, supremo Benfeitor,


Vós anjos e homens dai louvor;
A Deus o Filho, a Deus o Pai,
A Deus Espírito, glória dai.”

373
48
Capítulo

A abnegação
E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si
mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer
que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por
amor de mim, perder a sua vida, a salvará (Lucas 9:23–24).
Parece ser uma contradição, mas segundo nos dizem as Escri-
turas, para salvar a vida é preciso perdê-la; e para perdê-la basta
tentar salvá-la. Aos que estão vivos espiritualmente se diz: “Porque
já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”
(Colossenses 3:3). A vida eterna é só para aqueles que negam a
si mesmos, crucificando o primeiro Adão (o velho homem) para
que o segundo Adão (Cristo) reine na sua vida (leia Mateus 10:39;
16:25; Marcos 8:34–38; Lucas 17:33; João 12:25).

Por que negar-se a si mesmo?

1. É essencial para viver em Cristo


Esta é a razão principal pela qual devemos praticar a abne-
gação. Leia Marcos 8:34–35; Lucas 9:23–24; 14:27. Para
experimentar a vida do Cristo ressuscitado temos que ser par-
ticipantes da sua morte. Quer dizer que para nascer de novo, a
velha vida tem que morrer, e para andar na vida nova, é preciso
viver uma abnegação diária.
A carne e o Espírito Santo são inimigos. Não podemos viver
nos dois ao mesmo tempo (leia Romanos 8:1–2; Gálatas 5:17–23;
6:7–8). É inútil pensar que alguém pode viver uma vida agradável
a Deus sem ter o corpo sob sujeição, ou seja, crucificado.

375
A VIDA CRISTÃ

2. Satisfazer os desejos da carne corrompe a si


mesmo e a outros
Seguindo as concupiscências da carne, os homens tornam-se
alcoólatras, glutões, adúlteros, mentirosos, ladrões, assassinos e
escravos de todas as formas de pecados. Satanás chega aos homens
com tentações de ceder à “concupiscência da carne, a concupis-
cência dos olhos, e a soberba da vida” (1 João 2:16). Ainda que o
pecado lhes pareça desejável, o seu fim é a corrupção. O pecado
destrói aqueles que o cometem, os seus lares e as suas comunida-
des. Para o nosso próprio bem e pelo bem dos que estão ao nosso
redor, temos que negar a nós mesmos diariamente.

3. Somente assim podemos viver em vitória


Os apetites legítimos do corpo são de Deus, são essenciais para a
vida e são puros e sãos. Mas quando se permite que eles reinem em
nossas vidas, então Satanás entra na alma por meio deles e consegue
arruiná-la. Entre esses apetites estão a vontade de comer, o desejo de
descansar ou ficar ocioso e o apetite sexual. Caso esses apetites não
sejam controlados, eles produzirão todo tipo de devassidão e pecado.
Cristo “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado”
(Hebreus 4:15). Por quê? Ele praticava a abnegação; controlava
o seu corpo e nunca cedeu à tentação. Se você ceder aos impulsos
da carne, cairá no pecado. Mas se você pelo poder do Espírito
Santo mantém o seu corpo em sujeição, então, viverá uma vida
vitoriosa. O segredo da vida vitoriosa é manter cada desejo corporal
no lugar em que Deus o designou.

4. Os que se abnegam por causa de Cristo


encontram bênçãos
Os que praticam a abnegação podem ser felizes mesmo no meio
do sofrimento. Paulo disse: “As aflições deste tempo presente não
são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”
(Romanos 8:18). Em geral, quem desfruta de melhor saúde? Os
que controlam seus apetites ou os que se entregam ao descontrole?
Quem são os mais livres? Os que dominam as suas paixões ou

376
A abnegação

os libertinos? Quem são os mais prósperos materialmente? Os


que se negam a si mesmos ou os que compram tudo o que têm
vontade? Quem são os mais felizes? Os que negam-se os prazeres
pecaminosos dessa vida ou os que gratificam a carne e seguem
o prazer e a vaidade? Satisfazer-se a si mesmo gratifica por um
momento, mas no fim traz a derrota e os problemas.

5. Aquele que nega a si mesmo para seguir a


Cristo é útil para Deus
A obra de Cristo avança porque existem homens e mulheres que
se consagram a Deus. Essas pessoas dominam o seu corpo e vivem
uma vida que “está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses
3:3). O seu coração, os seus planos, o seu dinheiro, estão sobre
o altar do Senhor. A salvação das nossas almas foi possibilitada
pelo sacrifício de Jesus Cristo. Da mesma maneira, a obra de Deus
avança e se estende pelo sacrifício de homens e mulheres cujas
vidas estão sobre o altar do Senhor.

6. A abnegação produz fruto eterno


Sem dúvida Esaú desfrutou do seu guisado (leia Gênesis 25:34).
Mas, o que foi isso em comparação com a perda da primogenitura?
O homem rico desfrutou dos seus banquetes esplêndidos; mas,
como clamou no inferno! Leia Lucas 16:19–32. Os prazeres do
pecado são temporários, enquanto que as bênçãos da abnegação
por causa de Cristo são eternas. Não nos esqueçamos que a intem-
perança termina no inferno, enquanto que a abnegação por causa
de Cristo marca o caminho que termina na glória eterna.

O que se deve negar

1. A si próprio
Jesus disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo,
e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23). Os que
recebem a Cristo têm que entregar-se por completo a ele. “Não
vivam mais para si… Assim que, se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”

377
A VIDA CRISTÃ

(2 Coríntios 5:15 e 17). Negar-nos muitas coisas sem negar a nós


mesmos pode resultar numa vida ordenada, mas não numa vida
nova. Esse tipo de vida não tem qualquer valor perante Deus.

2. O pecado
“Filho meu, se os pecadores procuram te atrair com agrados,
não aceites” (Provérbios 1:10). “Mortificai, pois, os vossos mem-
bros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, a afeição
desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;
Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobedi-
ência” (Colossenses 3:5–6). Tenha o cuidado de dizer NÃO para
a carne cada vez que for tentado a cometer algum pecado, seja
coisa grande ou pequena, coisa popular ou coisa desprezada (leia
Gálatas 5:24; 1 Pedro 2:11; 4:3–4).

3. Coisas duvidosas
Muitas vezes nos deparamos com coisas que não sabemos se
são boas ou más. Antes de participar em algo duvidoso, procure a
vontade de Deus sobre o assunto. Quando somos tentados a fazer
algo somente porque outros o fazem, é melhor não fazê-lo sem
antes procurar a vontade de Deus para saber se é bom ou mau.
Depois, atue conforme o que Deus lhe revelar. “Mas aquele que
tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé;
e tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:23).

4. Coisas lícitas que são um tropeço para outros


Paulo não tinha a consciência pesada por comer carne porque
ele sabia que as normas da lei quanto a comer carne foram todas
anuladas no evangelho de Cristo. Contudo, Paulo estava disposto
a renunciar a esse privilégio caso fosse uma ofensa a outros. Ele
disse que “bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer
outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se
enfraqueça” (Romanos 14:21). Disse que “se a comida escandalizar
a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não
se escandalize” (1 Coríntios 8:13). Qualquer privilégio deixa de ser
privilégio quando se torna um tropeço para outros (leia Romanos

378
A abnegação

14:15). A palavra “comida” que é mencionada nesse versículo pode


ser substituir por qualquer privilégio que você insiste em praticar
ainda que saiba que, ao fazê-lo, outros irão se perder.

5. Coisas que impedem a nossa mais alta


utilidade
Deus lhe chamou para servi-lo. Por isso você deve deixar qual-
quer coisa em sua vida que impeça a sua mais alta utilidade para
Deus. Por que Abraão foi chamado para sair do seu lar e parentela
para tornar-se um peregrino? Deus tinha um propósito: convertê-
-lo no pai dos fiéis; convertê-lo em cabeça de uma grande nação;
fazer com que na sua semente todas as nações da terra fossem
abençoadas. Por que o missionário deve abandonar as amizades,
o seu país de origem, e passar a sua vida em terras distantes? Ele
o faz para obedecer à grande comissão dada à igreja por Cristo.
Paulo ficou sem se casar não porque lhe fosse incorreto “levar…
uma esposa crente” (1 Coríntios 9:5), mas porque a obra em que
se encontrava era tal que esse privilégio teria sido um obstáculo
para sua utilidade a Cristo e aos irmãos. Negar-se a si mesmo
abrange mais do que apenas dizer NÃO para as tentações da
carne e abster-se de certos privilégios que poderiam ser tropeço
para outros. Antes, negar-se a si mesmo inclui deixar coisas lícitas,
agradáveis e belas para servir a Deus.

Exemplos notáveis de abnegação

1. Cristo
Leia Filipenses 2:5–11. Cristo “não teve por usurpação ser igual
a Deus, mas fez a si mesmo de nenhuma reputação”. A comodi-
dade, a popularidade, as riquezas e a glória; ele sacrificou tudo
isto. A sua vida inteira foi sacrificada para fazer a obra para a qual
Deus o tinha chamado. Ao ver os resultados da sua abnegação per-
cebemos que ele não apenas livrou milhões de almas do cativeiro
do pecado, mas que, além disso, “Deus o exaltou soberanamente,
e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Filipenses 2:9).

379
A VIDA CRISTÃ

2. Abraão
Quando Deus chamou Abraão, ele deixou o seu lar, a sua
parentela e os seus amigos. Passou o resto da sua vida no estran-
geiro, e morreu sem receber o que lhe foi prometido. Abraão até
se dispôs a sacrificar o seu filho quando Deus lhe pediu isso. Por
fé ele abnegou-se e tornou-se o pai dos fiéis, e na sua semente são
abençoadas todas as nações da terra (leia Gálatas 3:8).

3. Moisés
Moisés sacrificou uma boa carreira (leia Hebreus 11:24–26)
para cumprir o propósito de Deus para a sua vida. Ele deixou a
glória e as riquezas passageiras da terra, ganhando assim a glória
e as riquezas eternas.

4. Os pescadores da Galileia
Leia Marcos 1:18; Lucas 5:10–11. Quando Cristo chamou
os pescadores da Galileia eles deixaram tudo e o seguiram. Ao
deixar suas redes, esses pescadores estavam deixando o seu meio
de ganhar a vida. Não conheciam o futuro, mas deixaram tudo
para seguir a Jesus.

5. Saulo de Tarso
Quando vemos a posição que Saulo havia conseguido em sua
carreira religiosa então compreendemos o que lhe custou deixar
essa carreira promissora para servir ao Deus vivo (leia Filipenses
3:1–10). Será que isto valeu a pena? Claro que sim! O próprio
Paulo dá o seu testemunho em 2 Timóteo 4:5–8.
Por meio desses e de outros exemplos vemos que mesmo que
negar a si mesmo seja um sacrifício, essa é a única maneira de
receber as ricas bênçãos de Deus. E é também a única maneira
em que podemos ser úteis a Deus no seu reino.

As recompensas
Negar-se a si mesmo não acaba em sofrimento e derrota. Antes,
é a libertação da servidão ao nosso ego para viver em Cristo e
tê-lo vivendo em nós. Ao deixar os prazeres passageiros da vida

380
A abnegação

pecaminosa recebemos a alegria do Senhor e finalmente obteremos


as realidades eternas do céu (leia Salmo 16:11). Ao renunciar a
nossa própria justiça, Deus nos justifica gratuitamente. Quando
nos negarmos as riquezas terrenas, trocamos as mesmas pelas
riquezas eternas do céu. E assim é com tudo que sacrificamos
por Cristo: é uma troca de coisas desejadas pela carne por algo de
muito maior valor. Jesus foi um exemplo perfeito de como negar
a si mesmo. Ele se entregou à morte na cruz. Por isso “Deus o
exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o
nome” (Filipenses 2:9). Não tenha medo de seguir os seus passos.
Algum dia Deus o recompensará por abnegar-se e você verá que
negar a si mesmo é na verdade trocar a terra pelo céu.

381
49
Capítulo

A NÃO CONFORMIDADE
com o mundo
E não sede conformados com este mundo (Romanos 12:2).
A doutrina de como a igreja deve manter-se separada e não ser
conformada com o mundo é um dos grandes princípios da Bíblia.
Mas, lamentavelmente, devido aos desejos da carne, muitos não
aplicam esse princípio na vida diária.

Uma doutrina fundamental da Bíblia


Citaremos algumas escrituras que ensinam esta doutrina:
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis
os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus,
que é o vosso culto racional. E não sede conformados com
este mundo, mas sede transformados pela renovação do
vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável, e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:1–2).

Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são


do mundo, assim como eu não sou do mundo (João 17:14).

O que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação


(Lucas 16:15).

Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que


sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a
luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou
que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo
de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente,
como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei

383
A VIDA CRISTÃ

o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e
apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos
receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos
e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso (2 Coríntios 6:14–18).

O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a


iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de
boas obras (Tito 2:14).

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta:


Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se
incontaminado do do mundo (Tiago 1:27).

Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra


Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo
constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4:4).

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o


povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos
chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1 Pedro 2:9).

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama


o mundo, o amor do Pai não está nele (1 João 2:15).

O por que dessa doutrina


Através destas e outras escrituras concluímos que:
Ø O povo de Deus e o mundo são dois tipos distintos de
pessoas. Mesmo havendo pessoas no mundo que não estão
tão profundamente submersas no pecado como outras, há
somente dois tipos de pessoas: as que pertencem a Deus
e as que pertencem ao diabo. O cristão anda segundo o
Espírito Santo; o mundano anda segundo a carne. Nisso
consiste a linha que separa o cristão do mundo.
Ø A amizade com o mundo é inimizade contra Deus. “Porque
tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a con-
cupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas
do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas
aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”

384
A não conformidade com o mundo

(1  João 2:16–17). O mundo é governado pelos desejos


carnais. Quando as pessoas usam determinada coisa para
expressar ou divulgar esses desejos, essa é uma coisa mundana.
Enquanto o mundo ama tais coisas, a igreja as odeia porque
representam os desejos que se opõem a Deus.
Ø Para o povo de Deus é pecado conformar-se com os costumes
pecaminosos e carnais desse mundo. Satanás, o deus deste
século, domina o mundo. Tão completo é o seu domínio que o
mundo inteiro está sob o maligno (leia 1 João 5:19). A pessoa
que se conforma com esse mundo é dominada pelo diabo e
caminha para a devassidão de pecados e para as profundezas
da iniquidade. Deus nos livrou do domínio do mundo e de
suas modas e seria pecado voltar a servir a esses deuses.
Ø O povo de Deus tem sido chamado para a santidade, justiça,
pureza e fé para poder ganhar o mundo para Deus. O cristão
mundano tem muito pouco que oferecer ao mundo. Uma
vida livre do mundanismo testifica de um entendimento
renovado e governado por Deus. Tal vida brilha como luz
no meio de uma geração corrompida e perversa, assim
direcionando a mente das pessoas a Deus.
Ø A religião pura exige que haja uma separação completa do
mundo. Deus não aceita como seu filho aquele que ama e
toca naquilo que é imundo. Temos que negar-nos os desejos
mundanos para receber uma herança no reino dos céus.

Traços característicos
da vida mundana

1. A desobediência a Deus
“Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus,
pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser”
(Romanos 8:7). O mundo foi desobediente a Deus nos dias de
Noé, de Abraão, de Moisés e de Cristo. É desobediente hoje e será
assim enquanto estiver sob o controle de Satanás.

385
A VIDA CRISTÃ

2. A impiedade
“Todo o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19). Qualquer forma
de impiedade; blasfêmia, homicídio, mentira, roubo, excesso,
profanação, orgulho, devassidão e etc. na vida de alguém, põem
em evidência a verdade de que está seguindo ao deus deste século.

3. O orgulho
“A soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 João 2:16).
A pessoa mundana se veste, se penteia e gasta até o seu último
centavo para elevar a sua pessoa diante dos olhos do seu próximo.
Tal soberba é orgulho e Deus odeia isso.

4. A impureza
Romanos 1:21–32 pinta um quadro verdadeiro de como é o
homem que rejeita a Deus e se entrega aos seus desejos carnais. O
mundo é dominado pelos mesmos desejos carnais, e suas modas,
suas revistas, seu comportamento e seu modo de falar promovem
a impureza na mente, no coração e no corpo.

5. A cobiça
Cobiça é outro nome para a avareza. Paulo a chama de “idolatria”
(em Colossenses 3:5; Efésios 5:5). O mundo trabalha muito e até
comete crimes para enriquecer. O amor ao dinheiro é a raiz de toda
a espécie de males (leia 1 Timóteo 6:8–10).

6. A ambição
A ambição é um desejo veemente de obter coisas como poder,
honra, fama ou riquezas. Esse desejo muitas vezes aumenta até
causar a ruína de muitos. A destruição do jovem ambicioso,
Absalão, deveria servir como aviso a todo jovem sobre o destino
final da ambição. Não devemos buscar a própria glória, mas a
glória de Deus. A nossa missão é servir; não ser servido. “Amai-vos
cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos
em honra uns aos outros” (Romanos 12:10).
Um desejo ardente de ser útil não deveria ser confundido com
a ambição. A pessoa que mantém o amor, a glória de Deus e o

386
A não conformidade com o mundo

bem-estar dos demais em primeiro lugar jamais se desviará por


ambição (leia Lucas 9:23–24; Gálatas 6:14).

7. A intemperança
“O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo
aquele que neles errar nunca será sábio” (Provérbios 20:1). Heran-
ças inteiras foram desperdiçadas nas bebidas alcoólicas, no fumo,
nas drogas e em outras coisas que destroem a humanidade. Onde
existe a falta de moderação também há miséria, dor e pobreza.
Essas coisas indicam o naufrágio terrível ocasionado pelo monstro
destruidor que é chamado de intemperança.

8. O adorno e a moda
As roupas que as pessoas vestem demonstram o que há em seus
corações. O orgulho, a soberba, a impureza e outros pecados do
mundo, podem ser vistos por meio da maneira como as pessoas
se vestem. Leia Isaías 3:16–24; 1 Timóteo 2:9–10; 1 Pedro 3:3–4.

9. Os prazeres mundanos
“Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração
nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração,
e pela vista dos teus olhos” (Eclesiastes 11:9). Os bailes, teatros,
cinemas, circos e etc., oferecem os prazeres mundanos e um grande
número de pessoas (especialmente os jovens) aceitam as suas
ofertas. Salomão disse que tudo isto pode se fazer, “porém, que
por todas estas coisas te trará Deus a juízo” (Eclesiastes 11:9). A
pessoa “que vive em deleites, vivendo está morta” (1 Timóteo 5:6).

10. A irreverência
Nenhum homem pode andar nos caminhos do mundo sem ter
uma atitude de irreverência para com Deus. Essa atitude produz
a falta de respeito, a profanação e outros frutos perversos.

11. A desonestidade
“Não mintais uns aos outros” (Colossenses 3:9). Isto inclui a
falsificação, fraudes, exageros e toda espécie de engano, hipocrisia e

387
A VIDA CRISTÃ

pecado baseado na falsidade (leia 2 Coríntios 4:2). Toda espécie de


mentira e desonestidade procede do “pai da mentira” (João 8:44).

12. As contendas
As contendas são naturais para qualquer pessoa incrédula
porque ela procura defender a si própria. A pessoa que não quer
humilhar-se e reconhecer as suas faltas produz contendas por
onde quer que vá.

Traços característicos de uma vida


incontaminada pelo mundo
“A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta:
Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se
incontaminado do mundo” (Tiago 1:27).
Concluímos: (1) que Deus requer a religião pura; (2) que a
religião pura somente poderá ser mantida guardando-se inconta-
minado do mundo, quer dizer, é preciso abandonar e evitar todas
as corrupções mundanas já mencionadas.
Para cada característica mundana que deve ser evitada, existe
uma virtude ou característica positiva que deve ser cultivada.
A seguir mencionaremos, resumidamente, algumas dessas
características:

1. A obediência a Deus
Assim como a desobediência é uma das características natu-
rais da pessoa mundana, assim também a obediência caracteriza
os filhos de Deus. “Senhor, que queres que eu faça?” é o clamor
contínuo da pessoa que procura servir a Deus.

2. A piedade
“Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupis-
cências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e
piamente” (Tito 2:12). Essa é a verdadeira não conformidade com
esse mundo perverso e profano. “Segui a paz com todos, e a san-
tificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor” (Hebreus 12:14).

388
A não conformidade com o mundo

3. A humildade
Quando alguém não pensa “de si mesmo além do que
convém” (Romanos 12:3), então consegue seguir o exemplo de
Cristo na humildade.

4. A pureza
A pureza afeta os pensamentos, o modo de falar e toda a vida
de alguém. Os cristãos devem ser livres de toda forma de impu-
reza. “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão
a Deus” (Mateus 5:8).

5. O amor
Se compararmos essa virtude cristã com o pecado da cobiça,
então vemos claramente o contraste entre o caráter do mundano
e o do cristão verdadeiro. A cobiça trabalha por si própria, e o
amor para abençoar os outros; a cobiça busca a sua própria glória,
e o amor busca a glória de Deus e o bem do próximo. “O amor…
não busca os seus interesses” (1 Coríntios 13:4–5).

6. A abnegação
A abnegação é o fruto natural do amor. A ambição nos
impulsiona a buscar honra e autopromoção; a abnegação procura
promover a causa de Cristo e dos irmãos. Ninguém pode estar
verdadeiramente consagrado a Deus sem negar-se a si mesmo.
Quando vivemos uma vida “escondida com Cristo em Deus”
(Colossenses 3:3), a nossa velha natureza egoísta terá passado e
será substituída por um desejo humilde de ser um bom servo de
Deus e do próximo.

7. A temperança
“Todo aquele que luta de tudo se abstém” (1  Coríntios
9:25). A temperança significa abster-se totalmente de qualquer
coisa que seja prejudicial e pecaminosa, tais como as drogas,
as bebedeiras e a imoralidade sexual. E nas coisas lícitas, como
comer e descansar, a temperança significa controlar-se.

389
A VIDA CRISTÃ

8. A roupa decorosa
Visto que o filho do mundo se veste por motivos diferentes
aos do filho de Deus, haverá um contraste entre a sua roupa e a
roupa dos cristãos.

9. O gozo do Senhor
Muitas pessoas ignoram o fato que este mundo não oferece
nada que possa comparar-se com o “gozo ndescritível e glorioso”
(1  Pedro 1:8) que somente os filhos de Deus podem ter. Os
prazeres deste mundo são passageiros, enquanto que o gozo do
Senhor é para esta vida e para a eternidade. “Regozijai-vos sempre
no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos!” (Filipenses 4:4).

10. A reverência
A comunhão com Deus e com os santos gera uma reverência
para com Deus e com a sua Palavra. Quanto mais entendemos a
respeito de Deus, tanto mais impressionados ficamos com a sua
benevolência, grandeza, santidade, majestade e graça. Os que
andam com ele o servem com temor e reverência.

11. A integridade
Uma das qualidades marcantes do filho de Deus é que ele é
veraz. A honestidade e a retidão indicam o seu andar diário. Essa
qualidade faz parte da verdadeira natureza cristã.

12. A paz
“E ao servo do Senhor não convém contender” (2 Timóteo
2:24), porque “as armas da nossa milícia não são carnais” (2 Corín-
tios 10:4). “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão
chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9).

390
A não conformidade com o mundo

Ensinamentos bíblicos sobre o vestuário

1. A Bíblia condena a conformidade às modas do


mundo
A seguir temos uma lista de escrituras que tratam desse assunto:
João 17:14 e 16; Romanos 12:1–2; 2 Coríntios 6:14–18; Tiago
1:27; 4:4; 1 Pedro 2:9; 1 João 2:15–17. Em 1 Timóteo 2:9–10 e
1 Pedro 3:3–4 a Bíblia contém instruções específicas que dizem
como devemos nos vestir. Nós violaremos todas estas instruções
se nos conformarmos com as modas do mundo. Conformar-se
com essas modas em vez de obedecer às instruções da Palavra de
Deus é desobedecer a Deus. Se mudarmos o nosso vestuário para
acompanhar a última moda, isto mostra que damos mais valor
em agradar aos homens do que a Deus.
Há quem diga que não é correto que o cristão seja destacado
como “estranho” pela sua roupa. Mas visto que o mundo segue
à moda, os poucos cristãos que não o fazem parecerão estranhos.
A pessoa incrédula perceberá através da nossa aparência, que
somos daqueles que saíram do mundo (leia 2 Coríntios 6:17–18)
e que estamos andando no caminho da justiça e santidade. Nor-
malmente, os que reclamam das regras práticas da igreja sobre o
vestuário querem conformar-se mais com o mundo.

2. A Bíblia ensina que deve haver uma distinção


entre os sexos no vestuário
Na lei de Moisés, Deus deu aos israelitas o mandamento de
vestir-se de uma maneira que a diferença entre os sexos fosse apa-
rente (leia Deuteronômio 22:5). O Novo Testamento instrui as
mulheres a usarem um véu e os homens a não usá-lo. As pessoas
que promovem a aparência unissex estão se rebelando contra
a diferença feita por Deus entre os sexos. Homens e mulheres
cristãos desejarão sempre honrar essa diferença, até pelo modo
em que se vestem.

391
A VIDA CRISTÃ

3. A Bíblia ensina que a roupa deve ser decorosa,


não indecente
1 Timóteo 2:9–10 e 1 Pedro 3:3–4, falam de como deve ser a
roupa da mulher cristã. Esses mesmos princípios se aplicam a todo
cristão. De acordo com 1 Timóteo 2:9–10, o cristão deve vestir-se:
1. “Com pudor e modéstia”, o qual é totalmente oposto ao
modo em que o mundo se veste.
2. “Não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos
preciosos.” O vestuário indecente e o desejo de exibir o
corpo são expressões de orgulho, de concupiscência e do
desejo de seguir a moda.
3. “Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir
a Deus) com boas obras.”
A pessoa modesta deve desejar ataviar-se com “roupa decorosa”.
Enquanto que o mundo se veste para adornar o corpo, Deus quer
que o seu povo se vista para cobrir o corpo. Visto que os cristãos
não usam a roupa para destacar-se, mas para cobrir o corpo em que
mora um coração humilde, convém que se vistam com humildade.
Eles não menosprezam a ideia de parecer com as demais pessoas
que levam a sério os ensinamentos bíblicos sobre a modéstia ou
de não ter muitos tipos de roupa com que expressar-se.

4. A Bíblia proíbe as joias e os adornos


Leia 1 Timóteo 2:9–10 e 1 Pedro 3:3–4. A mulher cristã não
usa joias porque chamam atenção para o corpo. O que a mulher
cristã deve e pode adornar é o espírito.

O que significa
a não conformidade com o mundo

1. Significa viver separado do mundo


Deus nos “chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”
(1 Pedro 2:9). Os discípulos “não são do mundo” (João 17:14),
como tampouco Cristo é do mundo. Deus nos recebe com a

392
A não conformidade com o mundo

condição de que saiamos do “meio deles” (leia 2 Coríntios 6:17–


18). É verdade que vivemos no mundo, mas não somos do mundo.

2. Significa guardar-se dos jugos desiguais com


os incrédulos
Em 2 Coríntios 6:14–18, encontramos as seguintes perguntas:
Ø Que sociedade tem a justiça com a injustiça?
Ø Que comunhão tem a luz com as trevas?
Ø Que concórdia há entre Cristo e Belial?
Ø Que parte tem o fiel com o infiel?
Ø Que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?
Amós 3:3 pergunta: “Porventura andarão dois juntos, se não
estiverem de acordo?”
As respostas a essas perguntas demonstram que muitas pessoas
que dizem que são cristãos estão envolvidas em jugos desiguais na
política, nas organizações sociais e nas associações comerciais. O
cristão não deve ser membro de nenhuma organização que tem
propósitos que não são bíblicos ou que usa métodos que não são
bíblicos para conseguir os seus propósitos.

3. Significa testemunhar de Jesus


A separação do mundo não significa recusar a ajudar o mundo.
Os discípulos, mesmo não fazendo parte do mundo, foram enviados
ao mundo por Jesus (leia João 17:18). Assim como é preciso saber
nadar para resgatar alguém que está se afogando, assim os filhos
de Deus só podem resgatar almas do mundo se eles mesmos esti-
verem livres dos envolvimentos do mundo. “Ninguém que milita
se embaraça com negócios desta vida” (2 Timóteo 2:4). Os que na
verdade estão livres do pecado são os que mais desejam que outros
tenham essa mesma liberdade. Leia Romanos 12:2; 1 Pedro 2:9.

4. Significa viver na santidade


É notável que muitas das escrituras que falam da separação e
não conformidade também mencionam a santidade. O requisito

393
A VIDA CRISTÃ

de Deus para receber-nos é: “Saí do meio deles, e apartai-vos,


diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei”
(2 Coríntios 6:17). Leia também Romanos 12:2 e 1 Pedro 2:9.

5. Significa uma continuidade desta separação


por toda a eternidade
Ao sermos chamados das trevas, se continuarmos andando na
luz reinaremos com Cristo para todo o sempre (leia Apocalipse
22:5). O juízo final dos perversos significará simplesmente isto:
Por terem escolhido seguir ao deus deste século, continuarão com
ele por toda a eternidade. Para os justos a sentença será: “Sobre
o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei” (Mateus 25:21). A
humanidade anda em dois caminhos (leia Mateus 7:13–14) e em
direções opostas. “E irão estes [os injustos] para o tormento eterno,
mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46).

394
50
Capítulo

A não resistência
Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com
os homens! (Lucas 2:14).
O termo “não resistência” vem da instrução de Cristo dada
aos discípulos: “Não resistais ao mal” (Mateus 5:39). Cristo e
os apóstolos ensinaram a doutrina da não resistência. Cristo é o
“Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).

O fundamento desta doutrina

1. A profecia declarou que Jesus seria o Príncipe


da paz
Isaías profetizou: “Um menino nos nasceu, e se chamará…
Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). Na noite do nascimento de Jesus as
hostes celestiais declararam: “Paz na terra” (Lucas 2:14). Jesus é
o Príncipe de um reino de paz na terra. As pessoas do seu reino
seguem o seu exemplo e quanto depender deles, viverão em paz
com os demais.

2. Cristo ensinou a não resistência


No Sermão do Monte, Cristo ensinou a não resistência:
Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu,
porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te
bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que
quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também
a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai
com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que
quiser tomar emprestado de ti. Ouvistes que foi dito: Amarás

395
A VIDA CRISTÃ

o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo:


Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei
bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos
perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva
desça sobre justos e injustos (Mateus 5: 38–45).
Vejamos algumas outras escrituras:
Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão
(Mateus 26:52).

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao


que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses (Lucas 6:29).

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o
mundo a dá (João 14:27).

O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste


mundo, pelejariam os meus servos (João 18:36).
O Príncipe da paz não somente ensinou essa doutrina com
palavras, mas por meio do seu exemplo nos mostrou como viver
em paz. Durante toda a sua vida, Jesus foi poderoso na sua luta
contra o pecado, mas manso como um cordeiro e simples como
as pombas no seu trato com os pecadores. Quando o arrastaram
do jardim de Getsêmani, ele tinha o poder para pedir doze legiões
de anjos, mas não desejava resistir (leia Mateus 26:53). Ele nunca
se envolveu nas coisas do estado ou na política. Ele é o nosso
exemplo perfeito da não resistência.

3. Os apóstolos ensinaram a não resistência


Paulo nos ensina como reagir ao maltrato, dizendo:
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante
todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz
com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados,
mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu
recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome,
dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo
isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes
vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Romanos 12:17–21).

396
A não resistência

Paulo teve que repreender fortemente os coríntios porque


levavam os seus pleitos diante dos juízes (leia 1 Coríntios 6:1–8).
Perguntou-lhes: “Por que não sofreis antes a injustiça? Por que
não sofreis antes o dano?” Na sua segunda carta aos coríntios ele
expressou uma verdade fundamental ao dizer: “As armas da nossa
milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus” (2 Coríntios
10:4). Paulo, enquanto ensinava contra as armas carnais, também
ensinou enfaticamente contra o pecado, animando os crentes a
lutar “a boa milícia da fé” (1 Timóteo 6:12). Leia também Efésios
6:10–18; 1 Tessalonicenses 5:15; 2 Timóteo 4:7.
Pedro ensina que o cristão deve ser não resistente, dizendo:
Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e
sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é
agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também
Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais
as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca
se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava,
e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que
julga justamente (1 Pedro 2:20–23).
Tiago ensina contra o conflito, dizendo:
De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não
vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros
guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos,
e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes,
porque não pedis (Tiago 4:1–2).
Quando tentamos vencer o pecado com forças carnais surgem
contendas, demandas, pleitos, queixas, juízo e guerras. Encon-
tramos paz quando recebemos de Deus sabedoria, amor, graça e
poder espiritual para vencer o pecado.
Os apóstolos, como o Príncipe da paz a quem eles seguiam,
ensinavam e também praticavam a não resistência. Eles sofreram
perseguição em vez de resistir. Sofreram encarceramentos e mar-
tírios em vez de maltratar os outros.
Segundo os historiadores, a igreja primitiva seguiu essa senda da
paz. Eles concordam que não existiam soldados entre os cristãos no
primeiro século da era cristã. O escritor pagão, Celso, escrevendo

397
A VIDA CRISTÃ

no final do segundo século, acusava os cristãos de recusar o uso de


armas, inclusive para defender a si próprios. Os cristãos da igreja
primitiva, Tertuliano, Orígenes, Cipriano e Lactâncio escreve-
ram a respeito disso e defenderam a doutrina da não resistência.
Durante os primeiros dois séculos, quase toda a igreja acreditava
e ensinava a não resistência. Contudo, mais tarde alguns deixaram
essa doutrina. Ao início do quarto século, Constantino fez do
“cristianismo” a religião oficial do estado romano. Que contradi-
ção! Constantino buscou poder, por meio da cruz de Cristo, para
derramar sangue. Mas, Cristo, através da sua cruz demonstrou o
seu amor não resistente para com os seus inimigos ao deixar que
o matassem… e os perdoou pelo que iam fazer.

O Antigo Testamento
e a não resistência
Notemos algumas verdades quanto à época do Antigo
Testamento:
Ø No princípio era a vontade de Deus que os homens se
amassem uns aos outros e que respeitassem a vida humana
(leia Gênesis 4:4–14).
Ø Para refrear os desejos carnais do homem, Deus instituiu a
pena de morte (leia Gênesis 9:6). No Antigo Testamento
o povo de Deus era uma nação civil à qual Deus deu a res-
ponsabilidade de castigar os que desobedeciam à lei. “Toda
a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição”
(Hebreus 2:2). Os criminosos eram castigados com a pena
de morte (leia Levítico cap. 20).
Ø O Antigo Testamento foi uma época de justiça. Deus usou
o seu povo no Antigo Testamento para julgar outras nações
perversas, e até para exterminá-las (leia 1 Samuel 15:2–3, 18).
Há muita gente que tenta justificar a participação dos cristãos
na guerra com o fato de que Moisés, Josué, Davi e outros homens
de Deus lutaram. No entanto, há muitas diferenças entre o Antigo
Testamento e o Novo Testamento.

398
A não resistência

Ø No Antigo Testamento os israelitas odiavam os seus


inimigos (leia Deuteronômio 23:3 e 6). Mas, no Novo
Testamento Cristo nos instrui a amar a todos. Ele nos
manda amar, abençoar, fazer o bem e orar pelos que nos
maltratam (leia Mateus 5:43–46). Isso reflete a vontade de
Deus no princípio que todos os homens se amem uns aos
outros.
Ø No Antigo Testamento os israelitas tinham a responsabilidade
de castigar os maus. Eles retribuíam o mal aos que lhes faziam
o mal. Eles executavam a vingança. Mas Cristo mudou isto
com estas palavras: “Não resistais ao mal” (Mateus 5:38–42).
A vingança já não pertence ao povo de Deus (leia Romanos
12:17–21). Em vez de levar os malfeitores a juízo, o povo
de Deus tenta levá-los ao arrependimento.
Ø O Antigo Testamento foi uma época de justiça. O Novo
Testamento é uma época de misericórdia e graça. “Pôs em
nós a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5:19). Deus agora
usa o seu povo não para julgar nações perversas, mas para
levar até elas o evangelho de amor e reconciliação. “A lei foi
dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”
(João 1:17). “O Filho do homem não veio para destruir as
almas dos homens, mas para salvá-las” (Lucas 9:56).

O poder da paz
O homem ímpio confia no poder da guerra para resolver os
conflitos. Ele pensa que os que sofrem o maltrato com paciência
e amor são fracos e covardes. Mas o Príncipe da paz dá aos seus
seguidores um poder mais forte do que o que tem um exército no
campo de batalha. Ele lhes dá o seu evangelho que tem poder para
conquistar o espírito do homem, convertendo-o por completo. A
guerra pode conquistar o corpo, e nada mais.
Quando Cristo enviou os seus discípulos, não os armou com
espadas nem com lanças, mas os mandou “como ovelhas ao meio
de lobos” (Mateus 10:16). Assim eles se foram, operando com
poder, e até os demônios os obedeceram.

399
A VIDA CRISTÃ

Depois que foi estabelecida a igreja, os discípulos saíram pregando


o evangelho. Eles sofreram grande perseguição, primeiramente dos
judeus e depois dos romanos. Muitos morreram como mártires da fé.
Contudo, a igreja cresceu rapidamente. A espada nunca pode apagar
o poder do evangelho de paz, enquanto que “todos os que lançarem
mão da espada, à espada morrerão” (Mateus 26:52).

Argumentos dos que defendem


a participação na guerra
O argumento: Se a guerra é má para o povo de Deus, por que
Davi, sendo um homem segundo o coração de Deus, foi muito
valente na guerra?
A resposta: Como já foi dito nesse capítulo, aquela foi uma época
de justiça na qual Deus julgou as nações por meio de seu povo. Hoje
vivemos na época de misericórdia. Por isso, Deus já não usa o seu povo
para julgar ou trazer juízo sobre os maus. Leia o Sermão da Montanha
em Mateus capítulos 5 ao 7. “Porque, mudando-se o sacerdócio,
necessariamente se faz também mudança da lei” (Hebreus 7:12).
O argumento: O que aconteceria se uma nação inteira fosse
não resistente?
A resposta: Os fariseus disseram algo muito parecido para refu-
tar os ensinamentos de Jesus: “Se o deixamos assim, todos crerão
nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação”
(João 11:48). Eles reconheciam que os seguidores de Jesus não
defenderiam a sua nação com armas. Mas não reconheceram que
quando fazemos o que é correto não temos que nos preocupar
com os resultados. Deus cuida dos que lhe são fiéis, ainda que
muitas vezes não sabemos como.
O argumento: O que você faria se um ladrão entrasse na sua casa?
A resposta: Em tal caso o cristão verdadeiro deve descansar na
promessa de Deus de estar com os seus em qualquer situação. Se
matarmos o ladrão, não somente desobedecemos à lei divina de
Deus, mas também mandamos uma alma para o inferno e elimina-
mos para sempre a sua oportunidade de arrepender-se. Se o ladrão
o matar, então você pode entrar no céu de imediato e o ladrão
ainda teria a oportunidade de arrepender-se e entregar-se a Deus.

400
A não resistência

O argumento: O que aconteceria se todos praticassem a não


resistência?
A resposta: Teríamos um paraíso na terra e todo o mundo
viveria em paz.
O argumento: Não devemos submeter-nos ao governo?
A resposta: Sim. Leia Romanos 13:1. Devemos ser submissos
a toda autoridade superior, lembrando que, primeiramente,
devemos a nossa lealdade a Deus (leia Atos 5:29). O espírito
submisso faz parte do coração não resistente. Existem leis as quais
não podemos obedecer, porque são contrárias à lei superior, a lei
de Deus. Em tais casos devemos submeter-nos até onde podemos
sem desobedecer a Deus. Devemos ser como os apóstolos; eles
sofreram encarceramentos e martírio pela causa de Cristo.
O argumento: Deus me culpará se eu for para a guerra caso o
meu país me peça para ir?
A resposta: Se para o cristão é errado tirar a vida de um ser
humano, por que seria correto ajudar outras milhares de pessoas
tirar a vida de muitos seres humanos? O que você faria se o seu
país lhe pedisse ajuda para matar todos os cristãos?

A conclusão bíblica
Não resistais ao mal (Mateus 5:39).

Se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a


outra (Mateus 5:39).

Ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe


também a capa (Mateus 5:40).

Amai a vossos inimigos (Mateus 5:44).

Bendizei os que vos maldizem (Mateus 5:44).


Fazei bem aos que vos odeiam (Mateus 5:44).

Todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão


(Mateus 26:52).

401
A VIDA CRISTÃ

Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os


homens (Romanos 12:18).

Não vos vingueis a vós mesmos (Romanos 12:19).

Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem


(Romanos 12:21).

Porque as armas da nossa milícia não são carnais (2 Coríntios 10:4).

E ao servo do Senhor não convém contender (2 Timóteo 2:24).

402
51
Capítulo

O juramento
Vos digo que de maneira nenhuma jureis (Mateus 5:34).

Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis (Tiago 5:12).


O ensinamento de Cristo sobre o juramento encontra-se no
Sermão da Montanha:
Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás,
mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. Eu, porém, vos
digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é
o trono de Deus; Nem pela terra, porque é o escabelo de seus
pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um
cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim;
Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna
(Mateus 5:33–37).
Encontramos o mesmo ensino na epístola de Tiago. Ele diz:
Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem
pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a
vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em
condenação (Tiago 5:12).
Nessas duas escrituras vemos claramente por que o cristão não
precisa jurar: O cristão sempre diz a verdade. O seu sim é sim; o
seu não é não.
Ainda que o juramento seja muito utilizado atualmente,
parece que não é muito útil, pois é como alguém comentou: “O
juramento não obriga o enganador ou mentiroso, e um homem
honesto não necessita dele”.

403
A VIDA CRISTÃ

Definições
O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa define
juramento como (1) “Ato de jurar”, (2) “Afirmação ou promessa
solene, em que se toma por testemunha uma coisa que se tem
como sagrada”.
Há vários tipos de juramentos. Por exemplo: o juramento
judicial, que é utilizado nas cortes; o juramento profano ou de
maldição, que é usado sem nenhuma sinceridade. Tudo isso Deus
proíbe no Novo Testamento.
Notamos que há uma grande diferença entre um juramento e
uma afirmação. As leis de alguns países permitem que os que não
juram por motivos de consciência possam afirmar em vez de jurar.
Os elementos do juramento que estão ausentes na afirmação são:
A declaração “Eu juro…”, a mão levantada ao alto e a súplica a
Deus. Quer dizer, que quando alguém afirma algo, simplesmente
promete que dirá a verdade tal como a entende, sabendo que caso
não cumpra com essa promessa, então, estará sujeito às mesmas
penas implicadas no juramento.
Em conclusão, novamente dizemos: A Bíblia claramente proíbe
o juramento, e para o cristão verdadeiro ele é desnecessário, pois
ele sempre diz a verdade.

404
52
Capítulo

O amor
Se me amais, guardai os meus mandamentos (João 14:15).
Neste capítulo trataremos do amor de Deus para com a huma-
nidade, especialmente para com os seus filhos, e do nosso amor
para com Deus e com os outros. Não se trata do amor romântico.

A origem do amor
A origem do amor que se vê nos filhos de Deus é explicado com
essa frase: “O amor é de Deus” (1 João 4:7). Nós entendemos isso
mais a fundo quando lembramos que “Deus é amor” (1 João 4:16).
A pessoa que “está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses
3:3) está cheia e transbordando com o amor de Deus que tem
sido derramado em seu coração pelo Espírito Santo (leia Romanos
5:5). Por isso podemos dizer: “Nós o amamos a ele porque ele nos
amou primeiro” (1 João 4:19).

Manifestações do amor de Deus


1. Jesus Cristo
“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo
morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8). Leia
também João 3:16. A evidência mais convincente do amor é que
uma pessoa esteja disposta a sacrificar-se pelo bem de outra pessoa.
Quando o amor de Deus nos completa, então seremos capazes de
nos sacrificar por outros, inclusive por nossos inimigos.

2. Sua paciência para conosco


Pedro nos lembra em 2 Pedro 3:9, que a longanimidade de
Deus para conosco o comove a atrasar a sua vinda porque ele não

405
A VIDA CRISTÃ

quer “que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-


-se”. Deus é muito paciente conosco. Ele muitas vezes suporta
as nossas fraquezas e a nossa natureza obstinada. E muitas vezes
nos tem abençoado ricamente apesar de que não somos dignos
da menor das suas bênçãos. Deus é o exemplo perfeito do que
Paulo quis dizer quando disse: “O amor é sofredor, é benigno”
(1 Coríntios 13:4).

3. O que ele faz pelos seus inimigos


“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas” (Isaías
53:6). Éramos inimigos de Deus. No entanto, foi quando nós
éramos inimigos de Deus que ele nos reconciliou consigo mesmo
por meio de seu Filho (leia Romanos 5:10). A verdadeira prova
do amor não é o que alguém faz pelos seus amigos, mas o que faz
pelos seus inimigos. Leia Mateus 5:38–48.

4. Suas abundantes providências para nossa


alegria e bem-estar
Deus não se deu por satisfeito apenas por tornar possível a nossa
salvação, a qual era muito mais do que merecíamos, mas ele fez
muito mais. A sua atitude não é: “Agora já fiz a minha parte; se
você morrer e for para o inferno será culpa sua, não minha”. Às
vezes ouvimos os homens dizerem coisas assim, mas Deus nunca.
Tudo o que Deus fez por nós surgiu de um coração transbordante
de amor. Ele nos remiu do pecado, da morte e do inferno, sacri-
ficando o seu Filho unigênito para realizar o seu propósito. O
céu e a terra foram feitos para a nossa alegria e bem-estar tanto
quanto para a sua glória. Ele nos deu o evangelho, selando-o com
o sangue do seu Filho e nos enviou o Espírito Santo para nos
guiar em toda a verdade. Tornou-nos parte da sua igreja e nos
capacitou para levar o evangelho a todas as nações a fim de que
todos tenham a oportunidade de conhecer a sua salvação bendita.
Em todas as partes há evidências do amor generoso de Deus para
com as suas criaturas.

406
O amor

Como se manifesta
o nosso amor para com Deus

1. Obedecer a Deus
Cristo disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”
(João 14:15). E expressou a mesma verdade de outra maneira
quando disse: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos
mando” (João 15:14). E outra vez: “Aquele que tem os meus
mandamentos e os guarda esse é o que me ama” (João 14:21).
Em João 14:23, ele diz: “Se alguém me ama, guardará a minha
palavra”. O amor e a obediência são inseparáveis.

2. Amar os irmãos
“Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é men-
tiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode
amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que
quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 João 4:20–21).
Isso concorda com o ensinamento de Jesus em Mateus 22:34–40,
onde ele declarou que o mandamento de amar o próximo é seme-
lhante ao mandamento de amar a Deus.

3. Amar os nossos inimigos


Lemos sobre isto em Mateus 5:38–48. Esse amor é a rocha
sobre a qual está fundada a doutrina bíblica da não resistência. A
prova de fogo do nosso amor não é se amamos aqueles que nos
amam, mas se amamos aqueles que nos ultrajam e nos perseguem.
Nisso há uma diferença importante entre o santo e o pecador.
Depois que Cristo nos ensinou a amar os inimigos tanto como
os amigos, disse: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso
Pai que está nos céus” (Mateus 5:48).
Como é o nosso amor para com os nossos inimigos? Estamos
livres da maldade, inveja e de um desejo de “vingar-nos” de nossos
inimigos? Estamos devolvendo bem por mal? Essa é a verdadeira
prova do nosso amor.

407
A VIDA CRISTÃ

4. Servir fielmente
Os filhos que amam os seus pais submetem-se a um fiel
serviço; não porque são obrigados a fazê-lo, mas porque o amor
os compele a fazê-lo. Como filhos de Deus não somos escravos,
mas livres. “O amor de Cristo nos constrange” (2 Coríntios
5:14) a prestar um serviço fiel, obediente e voluntário. Onde
quer que encontremos servos voluntários de Deus, podemos
saber que estamos vendo pessoas que o amam.

O amor em ação
A primeira carta aos Coríntios capítulo 13 explica o que o amor
realmente faz. No início do capítulo, Paulo ensina que tudo o que
fazemos que não seja motivado pelo amor de Deus não tem valor.
Depois continua dizendo:
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor
não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta
com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita,
não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com
a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O
amor nunca falha.
Aplique esse ensinamento na vida diária, na vida doméstica, na
vida social, nos negócios… O amor de Deus é mais que somente
uma teoria; ele produz ação na vida.

As maravilhas do amor de Deus

1. A maravilha da sua graça para conosco


A graça de Deus é a maior de todas as maravilhas do seu
amor. João disse: “Vede quão grande amor nos tem concedido o
Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus” (1 João 3:1). Davi
sem dúvida tinha sentimentos semelhantes quando exclamou:
“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estre-
las que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres
dele?” (Salmo 8:3–4). O nosso Deus Todo-poderoso pode criar
inumeráveis seres celestiais para louvar o seu nome; tem o seu

408
O amor

trono nos céus enquanto que a terra é o escabelo para os seus


pés; a sua grandeza e glória infinita estão além da compreensão
humana. Por que deveria prestar a menor atenção a uma criatura
tão fraca, vil e indigna como o ser humano? Mas não apenas
prestou atenção em nós, mas também nos adotou na sua família
gloriosa, convertendo-nos em seus filhos e filhas. Temos que
concluir, dizendo: ele realmente nos ama.

2. A maravilha do poder de seu amor


Os céus e a terra foram feitos por Deus para o bem e a felici-
dade do homem. O amor trouxe Cristo ao mundo e o levou ao
Calvário. O amor de Deus faz com que ele receba todo aquele
que recorre a Cristo. Sim, o amor de Deus é forte. O seu poder
se verá também nos milhões de almas que louvarão o nome de
Deus pelos séculos dos séculos. As hostes remidas na eternidade
estarão ali pelo maravilhoso e incomparável poder do amor de
Deus. No amor há um poder que a força física nunca poderá
igualar. Podemos compreendê-lo? Estamos utilizando esse poder
nos relacionamentos com nossos concidadãos?

3. A maravilha de que seu amor lança fora o


temor
Aqueles que têm paz com Deus podem enfrentar as realidades
do mundo vindouro em plena certeza de esperança e amor. Podem
enfrentar a morte sem temor. Os que têm a sua atenção voltada nas
coisas de cima, vivem numa comunhão tão íntima com Deus que
não têm nada a temer. “No amor não há temor, antes o perfeito
amor lança fora o temor” (1 João 4:18).

409
53
Capítulo

A pureza
Conserva-te a ti mesmo puro (1 Timóteo 5:22).

Sê o exemplo dos fiéis… na pureza (1 Timóteo 4:12).


Nosso Senhor Jesus Cristo é o nosso exemplo perfeito da
pureza. Foi tentado em tudo como nós, “mas sem pecado”
(Hebreus 4:15).
Nós não podemos alcançar a pureza perfeita por meio de nosso
próprio esforço. Paulo mostrou a fraqueza dos esforços humanos
quando disse: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e
procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à
justiça de Deus” (Romanos 10:3). Qualquer um de nós que tenha
procurado alcançar a pureza por meio da sua própria força deve
arrepender-se e pedir a Deus que o purifique mediante o seu poder.
Jesus “se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade,
e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (Tito
2:14). “O sangue de Jesus Cristo… nos purifica de todo o pecado”
(1 João 1:7). É possível que mesmo o mais fraco de nós ande nos
caminhos de verdadeira pureza, caso se entregue a Deus e deixe que
ele faça o milagre da graça seu coração. Isso é a pureza segundo Deus.

O tudo que está incluído na pureza

1. Inclui a mente e o caráter


Pensemos nas antigas ampulhetas que eram utilizadas para marcar
o tempo. Quando a parte de cima estáa cheia de areia, então, começa
a cair e com o passar do tempo toda a areia se encontrará na parte de
baixo. Assim também ocorre com a mente e o caráter. Mantenha a

411
A VIDA CRISTÃ

parte de cima (a mente) cheia de pensamentos puros, e esses fluirão


para o caráter. Por outro lado, deixe que a sua mente abrigue pensa-
mentos maus e impuros, e não demora muito para que a sua língua
e a sua vida mostrem aos outros a sujeira que se abriga na sua mente.
Lembre-se também que até o pensamento mau é pecado.

2. Inclui o falar
“A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal”
(Colossenses 4:6). “A palavra de Cristo habite em vós abundan-
temente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos
uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando
ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3:16).
“Nem torpezas, nem tolices, nem zombarias, que não convêm;
mas antes, ações de graças” (Efésios 5:4). Aqui há várias coisas
que não pertencem ao vocabulário dos que querem ser puros:
palavras ociosas, vulgaridades, profanações e intrigas. Duas
coisas são essenciais para que alguém elimine essas coisas do seu
vocabulário: (1) um coração transformado por Deus, “porque
da abundância do seu coração fala a boca” (Lucas 6:45); (2) um
esforço constante em oração para vencer os maus hábitos.

3. Inclui o companheirismo
Você próprio tem que viver uma vida pura para que seja
digno de ser companheiro de pessoas puras e para que você
saiba escolher companheiros puros. Guarde-se de companheiros
de caráter duvidoso. “As más conversações corrompem os bons
costumes” (1 Coríntios 15:33). Não convém a você associar-se
com pessoas ímpias (leia Provérbios 13:20).

4. Inclui os relacionamentos sociais


A Bíblia condena a impureza social. Existem coisas nas quais
algumas pessoas não veem nada de errado, mas são essas coisas que
lhes fazem cair em pecado. Se você quiser manter a pureza, não
tenha nada a ver com essas coisas: novelas românticas, conversas
impuras e piadas vulgares, amizades íntimas com pessoas do sexo
oposto e namoros em horas avançadas da noite ou em lugares

412
A pureza

solitários. Também deve evitar circos, teatros, cinemas e outros


lugares de perversão e entretenimento mundano. Essas coisas
incitam as paixões más e arruínam a vida de milhares de pessoas.
O jovem que nunca toma o primeiro gole jamais chegará a ser
um beberrão; da mesma forma, a pessoa que não se deixa enlaçar
pela impureza nunca será uma pessoa depravada e pervertida.

5. Inclui a consciência
A consciência é o guarda que Deus colocou dentro de nós
para nos lembrar o que é o bem e o mal. Mantenha sempre uma
consciência pura e sensível. Ensine-a ouvir a voz de Deus e nunca
desconsidere as suas advertências. Se a sua consciência é dirigida
por Deus e obedece a Deus, você tem uma consciência pura. Leia
Atos 24:16; 1 Timóteo 1:5–6; Hebreus 9:14; 1 Pedro 3:16 e 21.

6. Inclui a religião
Tiago 1:27 define a religião pura: “A religião pura e imaculada
para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações, e guardar-se incontaminado do mundo”. Você nunca
deve sentir-se satisfeito com qualquer coisa menor que a religião
pura de Jesus Cristo, sem adulteração e sem as manchas do mundo.

Como conservar-se puro

1. Arrependa-se de qualquer impureza em sua vida


Caso tenha caído na impureza não deve permanecer nela.
Deus nos ama, e nos perdoa quando nos arrependemos. Se
tivermos caído na impureza, ele pode nos limpar e pode nos
dar uma vida nova (leia 1 Coríntios 6:11). Basta recorrermos
a Deus com fé, arrepender-nos da nossa impureza, confessar
os nossos pecados e viver uma vida nova por meio da graça de
Deus (leia 1 João 1:9).
Talvez você esteja vivendo com algumas sequelas da impureza
da sua vida passada. Deus quer dar-lhe paz e descanso. É verdade
que todos temos que colher aquilo que semeamos, mas Deus nos
ajuda nisso também. Se você está lutando com algumas sequelas

413
A VIDA CRISTÃ

da impureza, procure primeiramente a Deus e depois algum cristão


maduro que possa ajudá-lo a encontrar a plena vitória.

2. Viva na pureza
Pratique a pureza na sua vida pessoal diária por meio do que
você pensa e fala, por meio dos relacionamentos sociais que tem,
por meio da vida doméstica que leva, por meio da sua religião.
Você é a “Bíblia” que os seus vizinhos leem; eles observam como
é seguir o Evangelho ao observar a sua vida pura e santa. Leia
Mateus 5:14–16; 1 Timóteo 4:12; 1 Pedro 2:11–12.

3. Leia literatura saudável


A literatura que você lê deve promover a pureza, a justiça e a
santidade verdadeira. O mundo promove a sua literatura perversa.
Muito mais nós, os cristãos, devemos promover a literatura que con-
tribui para o crescimento do caráter cristão! Leia 1 Timóteo 4:13.

4. Não frequente lugares de ociosidade


Nos lugares de ociosidade na comunidade muitos jovens recebem
as suas primeiras doses do veneno da impureza. O costume quase
universal de frequentar pontos de vadiagem à noite e nos fins de
semana é uma fonte de vícios e de todo tipo de impureza. Mantenha-
-se afastado de tais lugares (leia o Salmo 1).

5. Mantenha a mente ocupada com coisas


edificantes
O diabo obtém as suas colheitas mais abundantes no cérebro
ocioso e pecaminoso das pessoas impuras. Mas se você sempre manti-
ver a mente ocupada com coisas puras, não somente terá um antídoto
forte contra a impureza, mas também promoverá a pureza na vida
de outros à sua volta. As crianças e os jovens devem ser ensinados
a ler a Bíblia ou qualquer outra literatura saudável, a trabalhar e a
fazer outras coisas que tragam algo útil e nobre à mente e ao caráter.
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que
é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é
amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se
há algum louvor, nisso pensai (Filipenses 4:8).

414
54
Capítulo

A humildade
O galardão da humildade e o temor do Senhor são riquezas,
honra e vida (Provérbios 22:4).
A humildade é uma característica da alma que nos prepara
para ter fé. Muitas pessoas louvam a virtude da humildade e
consideram-na uma joia formosa; mas elas próprias não querem
possuí-la, pois ela acaba com o seu ego e seu orgulho.

O orgulho e a humildade
A Bíblia muitas vezes contrasta o orgulho com a humildade.
Notemos alguns dos seus contrastes:
Ø “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”
(Tiago 4:6).
Ø “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humi-
lhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado”
(Lucas 14:11).
Ø “A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o
humilde de espírito” (Provérbios 29:23).
Ø “Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que
repartir o despojo com os soberbos” (Provérbios 16:19).
Ø “O Senhor desarraiga a casa dos soberbos” (Provérbios
15:25). “Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão
na abundância de paz” (Salmo 37:11).
Ø “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito pre-
cede a queda” (Provérbios 16:18). “Aquele que se tornar
humilde… esse é o maior no reino dos céus” (Mateus 18:4).

415
A VIDA CRISTÃ

Ø “E tu… que te ergues até aos céus, serás abatida até aos
infernos” (Mateus 11:23). “Humilhai-vos perante o Senhor,
e ele vos exaltará” (Tiago 4:10).
Outro contraste entre o orgulho (considerar-se alguém superior
aos demais) e a humildade (reconhecer a própria indignidade)
é apresentado em Lucas 18:9–14. O fariseu que se exaltou a si
próprio não conseguiu o favor de Deus, enquanto que o publicano
que confessou ser pecador alcançou a misericórdia.
Deus sempre condena o orgulho, mas sempre aprova a
humildade.

Evidências da humildade

1. Ser como uma criança


Mateus 18:1 contém uma ilustração. Quando os discípulos
queriam saber quem era o maior no reino dos céus, Jesus colocou
um menino no meio deles, dizendo: “Portanto, aquele que se
tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos
céus” (Mateus 18:4). Jesus é o nosso exemplo perfeito de alguém
que sempre andava com o espírito de humildade. Filipenses 2:6–7,
fala de Jesus: “Que… não teve por usurpação ser igual a Deus,
mas fez a si mesmo de nenhuma reputação”. Jesus não procurou
a grandeza, mas depois de humilhar-se “Deus o exaltou soberana-
mente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Filipenses
2:9). Aqueles que, como Cristo, manifestam um espírito manso,
submisso e humilde pertencem a Deus e serão exaltados no seu
devido tempo. A simplicidade semelhante à de um menino, a
inocência e a capacidade de não guardar rancor são evidências da
verdadeira humildade.

2. A mansidão
Efésios 4:2  diz que “com toda a humildade e mansidão”
devemos suportar-nos com paciência uns aos outros em amor.
Os humildes nunca caem de um lugar muito alto porque não se
exaltam a si próprios. Mas os que se exaltam a si próprios caem
e sofrem. Seria bom observar aqui que há uma diferença entre a

416
A humildade

humildade e a humilhação: a humilhação muitas vezes não passa


de um orgulho ferido.
Os mansos não se ofendem facilmente. “Da soberba só provém
a contenda” (Provérbios 13:10). Quando o orgulho do homem
é ferido, ele sente isso rapidamente e o resultado é a contenda.
Mas com os mansos é diferente. Como o seu Salvador, ao serem
criticados eles não reagem com maldição; quando são perseguidos,
sofrem tudo com mansidão; quando injuriados, suportam tudo
sem responder. Os mansos oram pelos seus inimigos e lhes fazem
o bem, assim amontoando “brasas de fogo” sobre suas cabeças
segundo Romanos 12:18–20. Isso, sim, é humildade.

3. A modéstia
A modéstia se manifesta no semblante, nos costumes e no
vestuário da pessoa humilde. Alguém que tem um coração
humilde não tem olhos altivos e não segue a moda. Os humildes
são conhecidos pelo seu modo de ser; são modestos na aparência
e nos costumes. Eles não se jactam de ser mais importantes do
que os outros e não ostentam roupa de gala. Quando o coração
está cheio de humildade o “grande eu” não é visto. A modéstia é
o fruto natural da humildade e se manifesta em todas as áreas da
vida da pessoa humilde.

Por que ser humilde

1. Deus ordena isso na sua Palavra


Deus instrui os santos: “Humilhai-vos, pois, debaixo da
potente mão de Deus” (1 Pedro 5:6) e “Revesti-vos… de benig-
nidade, humildade, mansidão” (Colossenses 3:12). Ele diz aos
jovens: “revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos sober-
bos, mas dá graça aos humildes” (1 Pedro 5:5); e pede a todos que
andem com toda humildade (leia Efésios 4:1–2).

2. Deus se satisfaz com a humildade e a abençoa


Leia Provérbios 16:19; Mateus 5:3 e 5. Deus dá graça aos
que são humildes (leia Tiago 4:6). Os que possuem a humildade

417
A VIDA CRISTÃ

são os maiores no reino de Deus. “O galardão da humildade e o


temor do Senhor são riquezas, honra e vida” (Provérbios 22:4).

3. A humildade é precursora da verdadeira


exaltação
Você notou que a Bíblia com frequência fala da exaltação
junto com a humildade? No entanto, não devemos nos humilhar
com a esperança de sermos exaltados. É importante saber que
o caminho do orgulho sempre conduz ao desastre, enquanto
que o caminho da humildade sempre conduz à exaltação. Mas
não devemos preocupar-nos de quando e como seremos exal-
tados. Deus se encarregará de tudo isso. O que convém a nós é
continuar na humildade, confiar nele, obedecer à sua Palavra,
manter-nos ao pé da cruz e lembrar que as promessas de Deus
aos humildes são seguras.

4. Deus ouve as orações dos humildes


“Não se esquece do clamor dos aflitos” (Salmo 9:12). Os nini-
vitas vestiram-se com roupas rústicas feitas de saco e com cinzas
diante de Deus (leia Jonas 3:4–8). Ezequias humilhou-se diante de
Deus e orou para que fosse livrado do poder de Senaqueribe (leia
2 Reis cap. 19). O publicano rogou a Deus por misericórdia (leia
Lucas 18:9–14). Todos esses recorreram a Deus em humildade
e ele ouviu as suas orações. O nosso Deus Todo-Poderoso tem
prazer em atender às orações dos mansos e humildes que vêm a
ele com súplicas e orações.

A humildade fingida
Como Paulo fala em Colossenses 2:18, há algo que parece
ser a humildade, mas na verdade não é. Essa é a humildade fin-
gida, a qual devemos evitar. Alguns, ao perceberem os méritos
da humildade, cobiçam-na pela sua excelência ou pela exaltação
que procuram. Procurar a humildade por razões egoístas traz
como resultado a humildade fingida. Quem sentir orgulho da
sua humildade um dia perceberá que essa não passava de uma
humildade fingida.

418
A humildade

É a vontade de Deus que sejamos exaltados. Mas o seu caminho


para a exaltação é diferente do caminho levado pelos que querem
exaltar a si próprios. A sua direção é diferente; o seu destino
também. A exaltação ambicionada pelo homem sempre exalta a
sua própria vontade carnal, enquanto que Deus deseja exaltar o
homem segundo a sua imagem e propósito. Para isso, a carne tem
que estar morta de tal maneira a não atender aos desejos carnais.
Há quem pense que os dons espirituais exaltam a pessoa que os
possui e por isso, os buscam com empenho. Mas a verdade é que
quem recebe dons espirituais autênticos tem que humilhar-se mais,
crucificar mais a carne e entregar-se mais a Deus. Deus não dá dons
espirituais para promover as nossas próprias metas e aspirações.
“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que
a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6).

419
55
Capítulo

A esperança
do cristão
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que,
segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma
viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não
se pode murchar, guardada nos céus para vós (1 Pedro 1:3–4).
Para o cristão a esperança nas coisas de Deus abrange mais do
que o melhor que essa vida pode oferecer. A esperança mais pre-
ciosa para o cristão está no que o espera na eternidade. O servo de
Deus espera com alegria o tempo glorioso quando, liberto de seu
corpo mortal, terá parte no reino eterno de Cristo. Dessa forma,
compartilhará a alegria e a glória do céu para sempre.

O que é a esperança
Ø Ela é a “âncora da alma, segura e firme” (Hebreus 6:19).
Ø É “boa” (2 Tessalonicenses 2:16).
Ø É “viva”. Deus nos gerou de novo “para uma viva esperança,
pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pedro 1:3).
Ø É a “completa certeza” do filho de Deus, dando coragem para
prosseguir na fé e no amor “até o fim” (Hebreus 6:11).
Ø É fonte de “alegria” na alma do justo, e é segura e firme, mas “a
expectação dos perversos perecerá” (Provérbios 10:28).
Ø É “a bem-aventurada esperança” que enche e alegra as nossas
almas enquanto esperamos confiantemente “o aparecimento

421
A VIDA CRISTÃ

da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo”


(Tito 2:13).
A fé em Deus nos faz crer em sua Palavra e nas suas promessas,
e nos faz esperar que realmente se cumpram em nós. Leia Salmo
33:18; 39:7; Atos 26:6–7; Tito 1:2; 1  Pedro 1:21. Quando o
salmista diz: “Senhor… a minha esperança está em ti”, ele dá
a conhecer os sentimentos e experiências de cada filho de Deus.
A fé em nosso Senhor Jesus Cristo inspira confiança nele como
Autor da salvação, a cabeça da igreja, as “primícias dos que dormem”
e, portanto, a nossa esperança. Leia 1 Coríntios 15:19–20; 1 Timó-
teo 1:1. A nossa esperança em Cristo vai além do túmulo. Por isso,
temos uma esperança muito preciosa.
Por meio do poder do Espírito Santo (leia Romanos 15:13)
podemos ter a esperança de alcançar a justiça baseada na fé (leia
Gálatas 5:5). A esperança do cristão, portanto, é fundamentada
numa fé firme na trindade: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A esperança do incrédulo termina com essa vida; a do cristão
vai mais além e abrange as coisas eternas. Na realidade, este
mundo não passa de um degrau para alcançarmos a eternidade.
“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as
primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20). As nossas almas
se comovem com a esperança bendita, e falamos como Paulo:
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo
se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por
mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5:1).

Como se obtém a esperança

1. Ela é obtida pela graça de Deus


A esperança do cristão é baseada na graça de Deus; nós não a
merecemos. Paulo escreveu: “E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo
e nosso Deus e Pai, que nos amou, e em graça nos deu uma eterna
consolação e boa esperança” (2 Tessalonicenses 2:16). Se não fosse
pela graça de Deus uma morte obscura e triste nos esperaria porque
“todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos

422
A esperança do cristão

3:23). Mas por meio da graça abundante de Deus ele providenciou


todo o necessário para a nossa redenção eterna. O futuro está repleto
de esperança para todos os que aceitaram as condições da redenção.

2. É pela Palavra de Deus que sabemos o que


devemos esperar
O salmista disse: “Mas espero na tua palavra” (Salmo 119:81).
Ao estudar a Bíblia e considerar o que Deus tem feito na nossa
própria vida por meio da sua Palavra, adquirimos confiança que
as promessas de Deus em sua Palavra são seguras e firmes. “Porque
tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para
que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos espe-
rança” (Romanos 15:4).

O que a esperança faz

1. Ajuda a vencer as dificuldades


A esperança é mais do que um simples sentimento. A espe-
rança é uma ajuda real e uma prática da vida cristã. Em Romanos
capítulo 4, Paulo relata a prova que Abraão enfrentou quando
ofereceu o seu filho Isaque. Paulo diz que Abraão “em esperança,
creu contra a esperança” (Romanos 4:18). Hebreus 11:17–19 diz
que Abraão tinha tal confiança em Deus que teve fé no poder de
Deus para ressuscitar Isaque dentre os mortos. A sua fé e esperança
não diminuíram quando a situação parecia ser impossível.
O que foi que animou Paulo a continuar diante das circuns-
tâncias difíceis? A esperança. Por que ele pôde dirigir-se para a
própria morte com confiança e alegria? Porque tinha esperança.
No meio das provas ele pôde dizer: “Porque para mim tenho por
certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar
com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18).
Quando Paulo esteve a ponto de morrer exclamou: “Desde agora,
a coroa da justiça me está guardada” (2 Timóteo 4:8).
O que anima o agricultor a suportar as dificuldades da seme-
adura? A esperança de uma boa colheita! O que impulsiona o
soldado da cruz a sofrer penalidades e pelejar a boa batalha da fé?

423
A VIDA CRISTÃ

A esperança de um galardão! A esperança nos estimula a seguirmos


firmes, fiéis e animados, perseverando até o fim.
A esperança sustenta o filho de Deus enquanto ele enfrenta as
tempestades da vida. Com razão o escritor do livro de Hebreus a
chamou de “âncora da alma” em Hebreus 6:19.

2. Nos impulsiona a evangelizar


“Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar”
(2 Coríntios 3:12). “Não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação” (Romanos 1:16). Uma
esperança forte em Deus anima o coração, libera a língua para
que falemos com confiança as maravilhas de Deus e nos ajuda a
prestar um serviço fiel ao nosso Pai celestial.

3. Promove a unidade entre os fiéis


Aquele que viaja a certo lugar desfruta do companheirismo
dos outros viajantes que vão com ele ao mesmo lugar. Da mesma
forma, os viajantes que vão para a Nova Jerusalém desfrutam da
comunhão e unidade com os outros que se dirigem para o mesmo
lugar porque eles têm uma mesma esperança. “Há um só corpo
e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só
esperança da vossa vocação” (Efésios 4:4).

4. Traz prazer e alegria


Qual foi o testemunho do apóstolo Paulo? “Porque para
mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não
são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada”
(Romanos 8:18). Cristo disse aos seus discípulos: “Exultai e
alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mateus
5:12). Somente essa esperança viva pode dar-nos o verdadeiro
gozo e alegria. “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo,
regozijai-vos” (Filipenses 4:4).

5. Produz paciência
“Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o
esperamos” (Romanos 8:25). Já notou como as pessoas perdem

424
A esperança do cristão

a esperança quando ficam impacientes? A esperança e a paci-


ência são inseparáveis. Quanto mais esperança tivermos, mais
pacientes seremos.

6. Nos incentiva a levar uma vida pura e nobre


A esperança do cristão baseia-se na pureza, na formosura, no
esplendor e na glória da vida vindoura. Portanto, a esperança
nos ajuda a seguir as coisas nobres e puras: “E qualquer que nele
tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é
puro” (1 João 3:3). Pedro, depois de relatar as coisas que aconte-
cerão no futuro, diz: “Por isso, amados, aguardando estas coisas,
procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em
paz” (2 Pedro 3:14).
A esperança que temos nos ajuda a manter o nosso olhar vol-
tado para o céu. Estamos na expectativa de que algum dia a nossa
esperança será realizada numa gloriosa realidade.
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o
vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados
irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tes-
salonicenses 5:23).

425
A DOUTRINA
DO FUTURO
Há três grandes divisões do tempo: o passado, o presente e o
futuro.
O passado já passou. O presente é o nosso tempo de opor-
tunidade. O futuro está escondido da nossa vista por um véu, a
menos que Deus veja por bem tirá-lo para dar-nos uma visão do
mesmo. Esses capítulos tratam de algumas coisas que Deus nos
revelou do futuro.
Ao estudar a doutrina do futuro na Bíblia, recordemos que
Deus não nos revelou todas as coisas na sua Palavra; ele nos reve-
lou algumas coisas em parte e nos mostrou outras claramente.
Portanto, obteremos um maior proveito do nosso estudo se
reconhecermos que não sabemos muito e que, como discípulos
humildes e estudantes diligentes, recebemos pela fé o que Deus
quer nos revelar. Quanto mais examinarmos a sua Palavra, tanto
mais aprenderemos.
Ao observarmos as riquezas insondáveis e a glória vindoura
que Deus nos revelou, isso deve nos estimular a adorá-lo pela sua
grandeza e amor. Ainda que sejamos indignos e miseráveis, ele
preparou para nós um futuro glorioso se o servirmos de coração.

427
56
Capítulo

A segunda
vinda de Cristo
Aí vem o esposo; saí-lhe ao encontro! (Mateus 25:6).
Um dia os discípulos do Senhor encontravam-se no Monte
das Oliveiras. Jesus acabava de ascender para a glória, e os
discípulos estavam ali “com os olhos fitos no céu” (Atos 1:10).
Logo ouviram uma voz e viram ao seu lado dois homens ves-
tidos de branco que lhes disseram: “Esse Jesus, que dentre vós
foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu
o vistes ir” (Atos 1:11).
Então eles lembraram que Jesus tinha lhes mandado permane-
cer em Jerusalém até que recebessem poder do alto. Os discípulos
se dirigiram imediatamente para a cidade. Ali continuaram em
oração e ação de graças até que todos ficaram cheios do Espírito
Santo. Desde aquele dia todos os cristãos verdadeiros estão aguar-
dando a segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

A promessa da sua vinda

1. Cristo prometeu que virá outra vez


“E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos
levarei para mim mesmo” (João 14:3). Ele se referiu muitas vezes
à realidade da sua segunda vinda nas instruções dadas a seus dis-
cípulos (leia Mateus cap. 25; Lucas 19:12–27).

429
A DOUTRINA DO FUTURO

2. Os dois homens vestidos de branco disseram


que ele voltaria
Leia Atos 1:9–11. Sem dúvida eles eram mensageiros celestiais
que Deus enviou naquela ocasião para dar essa mensagem tão
alentadora aos discípulos.

3. Os apóstolos anunciaram a sua vinda


Paulo (leia 1 Tessalonicenses 4:14–18), Pedro (leia 2 Pedro cap.
3), João (leia 1 João 3:2) e também muitos outros aguardavam
com toda confiança a segunda vinda de Cristo. Um dos temas
mais destacados em todas as epístolas é a segunda vinda de Cristo.

Os sinais que precederão a sua vinda


Não sabemos quando o nosso Senhor virá. Ele mesmo nos diz
na sua Palavra que somente o Pai sabe quando isto acontecerá.
Muitos homens marcaram datas para a sua vinda, mas com o passar
destas datas sem que Cristo retorna-se, comprovou-se que esses
homens eram falsos profetas. No entanto, a Bíblia não deixa de
dar instruções com relação aos sinais que antecedem a sua vinda.
Notamos por meio dos sinais que são observados no mundo de
hoje, que a vinda do Senhor não tardará muito (leia Mateus cap.
24; Marcos cap. 13; Lucas cap. 21; 1 Timóteo 4:1–3; 2 Timóteo
3:1–5). Notemos alguns destes sinais:

1. As pessoas estarão muito envolvidas nas coisas


deste mundo
“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho
do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio,
comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em
que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio,
e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem”
(Mateus 24:37–39). As pessoas estarão tão absortas com as coisas do
mundo que não prestarão atenção nem no profeta nem na profecia,
mas correrão na sua carreira louca por riquezas, fama, prazer e poder
até que de repente se ouvirá a voz de Deus e toda oportunidade de

430
A segunda vinda de C risto

arrepender-se e reconciliar-se com ele terá terminado. “O Filho do


homem há de vir à hora em que não penseis” (Mateus 24:44).

2. O evangelho será pregado em todo o mundo


“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em
testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14).

3. Haverá grandes acontecimentos


Cristo fala de fomes, pestes, guerras e outras coisas que aconte-
cerão antes da sua vinda (leia Mateus cap. 24). Estas coisas já estão
acontecendo em todo o mundo. A vinda do Senhor está próxima!

4. Muitos apostatarão da fé
“Não será assim [a vinda do Senhor] sem que antes venha a
apostasia” (2 Tessalonicenses 2:3). Será que alguém duvida que esse
dia tenha chegado? Hoje muitas igrejas pregam e praticam muitas
coisas que antes todos os cristãos verdadeiros rejeitavam. Muitas
igrejas são levadas por esta onda de incredulidade, aumentando
o ateísmo. Sabemos que estamos aproximando-nos das condições
das quais nos advertiu Jesus: “Quando porém vier o Filho do
homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).
O que diremos a respeito de todas essas coisas? Já vemos muitos
dos sinais da vinda do Senhor, mas não sabemos o tempo exato da
sua vinda. Por isso, devemos ter certeza que estamos prontos e espe-
rando o Senhor. Devemos trabalhar com diligência para conseguir
que outros também estejam prontos para a sua vinda. Peçamos a
Deus que nos dê sabedoria para que não caiamos nos laços do diabo.

Como será a sua vinda


Não sabemos todos os detalhes sobre a segunda vinda de Cristo,
mas a Bíblia nos diz o suficiente para um estudo proveitoso do assunto.

1. “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o


verá” (Apocalipse 1:7).
Jesus disse que viria “sobre as nuvens do céu” (Mateus 24:30).
Os dois homens vestidos de branco confirmaram esse fato (leia
Atos 1:9–11).

431
A DOUTRINA DO FUTURO

2. Ele virá acompanhado de seus santos e dos anjos


O próprio Cristo disse que virá na sua glória “e todos os santos
anjos com ele” (Mateus 25:31). Falando dos santos, Paulo disse:
“Aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.
Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que
ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que
dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e
com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram
em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:14–16).
A conclusão lógica é que na segunda vinda de Cristo, ele trará
consigo os espíritos dos santos que haviam morrido. Cristo
ressuscitará os seus corpos e por meio do seu poder eles viverão
eternamente em corpos espirituais (leia 1 Coríntios 15:44). Nós,
os justos que estivermos vivos quando ele vier “seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e
assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

3. Ele virá “com poder e grande glória”


(Mateus 24:30)
Na sua primeira vinda Cristo veio como um bebê. Ele dependia
dos cuidados de seus pais terrenos. Mas na sua segunda vinda ele
virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores, vestido de poder e
majestade, e como Juiz de todo o mundo.

O propósito da sua vinda

1. Ele virá para levar os seus


Na noite em que Cristo foi traído, ele consolou os seus discí-
pulos dizendo-lhes: “Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e
vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo,
para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:2–3).
Paulo descreveu com alguns detalhes o que acontecerá quando o
Senhor vier (leia 1 Tessalonicenses 4:14–17). A última frase desta
escritura, “e assim estaremos sempre com o Senhor”, destaca o
fato que a vinda de Cristo será para buscar os seus. Nessa hora os
justos serão recompensados pelo seu fiel serviço ao mestre.

432
A segunda vinda de C risto

2. Ele virá para julgar o mundo


Paulo diz que Cristo aparecerá “como labareda de fogo,
tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que
não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (leia
2 Tessalonicenses 1:7–10). As Escrituras ensinam claramente que
haverá um juízo. Este ensinamento é tão claro quanto o da vinda de
Cristo (leia Mateus 25:31–46; Romanos 14:10; 2 Coríntios 5:10).

3. Ele virá para reinar


Sabemos que Jesus tem autoridade como rei agora e que reina
hoje nos corações daqueles que se entregam a ele. Quando Pilatos
perguntou a Jesus: “Logo tu és rei?” (João 18:37), Jesus lhe res-
pondeu: “Tu dizes”, que quer dizer: “Sim, o sou”. Jesus também
disse isso quanto ao reino de Deus: “O reino de Deus está entre
vós” (Lucas 17:21).
Mas existe outra fase do reino de Cristo que ainda está no
futuro. Nas parábolas dos talentos (leia Mateus 25:14–30) e das
minas (leia Lucas 19:12–27), Cristo representa a si próprio como
um homem nobre que viaja para um país distante para receber um
reino. Essas mesmas parábolas esclarecem que o reinado literal de
Cristo, no qual ele pessoalmente conduzirá o seu povo, será algo
que pertence ao futuro. João ouviu a respeito desta futura fase do
reino de Cristo quando o anjo do Senhor lhe trouxe a mensagem
inspiradora de que o povo de Deus reinará “para todo o sempre”
(Apocalipse 22:5).

A falta de entendimento

1. A falta de entendimento do homem não muda


a verdade da Bíblia
Deus não especificou todos os detalhes de como será a vinda de
Cristo. Por isso, existe uma variedade de opiniões quanto a esses
detalhes. Mas a verdade da Bíblia continua sendo a mesma. A
Palavra de Deus é a mesma, eternamente veraz, não importa quais
sejam as opiniões dos homens sobre ela.

433
A DOUTRINA DO FUTURO

2. A nossa falta de entendimento deve levar-nos


a um estudo mais constante e profundo da
Palavra de Deus
Não é uma desvantagem, mas uma vantagem, que nem sempre
é possível entender plenamente tudo o que está escrito na Bíblia. A
Palavra de Deus é tão profunda que o homem finito pode estudá-la
por toda a vida e achá-la cada vez mais rica e de maior inspiração
quanto mais fizer a leitura dela. Alguns de nós podemos pensar
que aprofundamos bastante o nosso entendimento da Palavra
de Deus. Contudo, nunca chegaremos ao fim, pois sempre nos
restarão verdades por descobrir. Cada vez que lemos uma porção
das Escrituras que é difícil de compreender, devemos sentir o
desafio de orar com mais fervor e estudar com mais diligência
para que Deus nos dê uma compreensão maior e mais completa
da sua vontade para nós. A Palavra de Deus nos será mais clara
e mais doce à medida que a estudemos mais. Devemos estudar
a Bíblia inteira.

3. É mais importante estarmos preparados para


a vinda de Cristo do que saber todos os
detalhes da sua vinda
A instrução principal do nosso Salvador com relação aos
sinais da sua vinda foi: “Estai vós também apercebidos” (Lucas
12:40). Uma pessoa pode dedicar-se a estudar durante toda sua
vida a respeito de todos os detalhes da vinda de Cristo. Contudo,
quando no final Cristo aparecer nas nuvens, tal pessoa poderá
encontrar-se como as virgens insensatas, sem ter tirado nenhum
proveito de todos os seus estudos. Preparemo-nos enquanto é
tempo! Examinemo-nos à luz da Palavra de Deus a fim de que
estejamos preparados para esse grande evento. Depois, dedique-
mos as nossas vidas a levar a mensagem de salvação aos que não
conhecem ao Senhor. Assim eles também estarão preparados para
a vinda de Cristo.

434
A segunda vinda de C risto

O efeito que a esperança


da sua vinda tem no crente

1. “E qualquer que nele tem esta esperança


purifica-se a si mesmo” (1 João 3:3)
Para o cristão, a esperança da vinda de Cristo é mais do que um
tema de teologia; é um elemento prático na sua vida. Alguém que
aguarda a vinda de Cristo vive com uma atitude de sobriedade. E
quanto mais tal pessoa espera a vinda de Cristo, tanto mais forte
será o seu desejo de estar preparado para recebê-lo quando ele
vier. “Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele
sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz” (2 Pedro 3:14).

2. “Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis


quando será o tempo” (Marcos 13:33).
“Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que
hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua
casa” (Lucas 12:39). A esperança nos faz vigiar, pois nos estimula
a querermos ser “achados imaculados e irrepreensíveis em paz”
(2 Pedro 3:14). Leia também Lucas 21:34–36; Tiago 5:8.

3. “Convém que eu faça as obras daquele que me


enviou, enquanto é dia” (João 9:4).
A razão: “A noite vem, quando ninguém pode trabalhar”. Visto
estarmos neste momento às margens da eternidade, prontos para
partir a qualquer momento, usemos bem a nossa oportunidade
para servir a Deus enquanto durar o dia.

4. “Portanto, consolai-vos uns aos outros com


estas palavras” (1 Tessalonicenses 4:18)
Por quê? Porque se aproxima a manifestação gloriosa de nosso
Senhor Jesus Cristo. Leia Hebreus 10:25; 1  Tessalonicenses
4:14–18; Tito 2:11–14; 2 Timóteo 4:6–8. Visto que almejamos
esse glorioso evento, devemos continuar na esperança, alegria e
fidelidade. Devemos continuar louvando e glorificando a Deus
pelas riquezas que nos esperam no céu.

435
57
Capítulo

A ressurreição
Vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão
a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição
da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da
condenação (João 5:28–29).

A doutrina declarada
A Bíblia ensina claramente que depois dessta época todo ser
humano será ressuscitado (leia João 5:28–29; 11:24; 1 Coríntios
cap. 15; Apocalipse 20:13). Então, a alma se reunirá com um
corpo novo e aparecerá diante do Senhor.

O Antigo Testamento
ensina a ressurreição
Ainda que essa doutrina seja vista com mais clareza no Novo
Testamento, notamos que o povo de Deus nos tempos do Antigo
Testamento acreditava na ressurreição. Vejamos algumas profecias
do Antigo Testamento que falam da ressurreição:
Ø Jó: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por
fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a
minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus”
(Jó 19:25–26).
Ø Isaías: “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão
e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó,
porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a
terra lançará de si os mortos” (Isaías 26:19).

437
A DOUTRINA DO FUTURO

Ø Daniel: “E muitos dos que dormem no pó da terra res-


suscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e
desprezo eterno” (Daniel 12:2).
Ø Oseias: “Eu os remirei da mão do inferno, e os resgatarei
da morte. Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está,
ó inferno, a tua perdição?” (Oseias 13:14).
O leitor que conhece os ensinamentos do Novo Testamento
sobre esse assunto ficará impressionado ao perceber a maravilhosa
harmonia entre os escritores do Antigo e do Novo Testamento. A
doutrina da ressurreição não se limita aos ensinamentos de uma
época, mas é uma das verdades eternas reconhecidas pelo povo
de Deus em todos os tempos.
Entre os judeus, os da seita dos saduceus eram os únicos dos
quais sabemos que não acreditavam na ressurreição (leia Mateus
22:23; Marcos 12:18). As palavras de Marta em João 11:24 expres-
sam a opinião popular dos judeus quando ela disse que esperava a
ressurreição de seu irmão “na ressurreição do último dia”. Quando
Paulo declarou a sua crença na ressurreição dos mortos (leia Atos
23:6) ele ganhou o apoio dos fariseus neste ponto porque declarou
a doutrina judaica, assim como a cristã.

O Novo Testamento
ensina a ressurreição
Cristo não apenas ensinou essa doutrina, mas ao ressuscitar cor-
poralmente do túmulo ele foi feito as “primícias dos que dormem”
(1 Coríntios 15:20). A ressurreição foi uma das doutrinas proe-
minentes nos ensinamentos dos apóstolos (leia Atos 1:22; 2:31;
17:18; 24:15; 1 Coríntios cap. 15; Filipenses 3:10; Hebreus 11:35;
1 Pedro 1:3). Os judeus se ressentiram, não porque os apóstolos
ensinassem a ressurreição dentre os mortos, mas pelo fato de que
“anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos” (Atos
4:2). Paulo pregou a doutrina da ressurreição com clareza e poder
diante dos epicureus e dos estoicos (duas escolas de filósofos gregos)
no Areópago em Atenas (leia Atos 17:16–34). A ressurreição foi
sempre um tema fundamental na pregação dos apóstolos.

438
A ressurreição

Provas da ressurreição
A prova mais maravilhosa da ressurreição é o próprio Jesus.
Ele “se apresentou vivo, com muitas provas infalíveis” (Atos 1:3).
Depois de ter ressuscitado, mostrou-se a muitos crentes (leia
1 Coríntios 15:5–8). Jesus disse: “porque eu vivo, e vós vivereis”
(João 14:19). Lázaro também, havendo sido visto por muitos
judeus depois que ressuscitou dentre os mortos (leia João 12:2 e
10–11), permanece como uma prova indubitável do poder de
Deus para ressuscitar os mortos. Outra prova da ressurreição dos
santos foi o aparecimento de muitos que saíram de seus túmulos
quando Jesus morreu (leia Mateus 27:50–54).
A ressurreição é o resultado do poder maravilhoso de Deus.
Visto que Jesus ganhou a vitória sobre o pecado e a morte, será
fácil para ele, no seu devido tempo, fazer-nos ressurgir do túmulo.
Para ele não será mais difícil realizar esse milagre do que lhe foi
criar o homem no princípio. A doutrina da ressurreição não é
mais difícil de crer do que a doutrina da criação. A vida de uma
semente seca quando brota, serve de ilustração do poder de Deus
para ressuscitar os mortos. Paulo usou essa ilustração em 1 Corín-
tios 15:35–44 ao falar desse assunto.
A alma de todo crente verdadeiro é ressuscitada na vida
presente. Mas não é desta forma com o corpo, porque isso
será efetuado somente quando o nosso Redentor destruir por
completo a morte e libertar os cativos dos túmulos. A Bíblia
diz que “o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”
(1 Coríntios 15:26). Isso ensina com clareza a ressurreição da raça
humana. E “então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada
foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde
está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:54–55).

Algumas opiniões errôneas


Como todas as outras grandes doutrinas bíblicas, a doutrina
da ressurreição corporal tem sido escarnecida, desprezada e
contrariada de muitas maneiras pelos incrédulos. Não obs-
tante, sobre essa doutrina descansa a credibilidade de todo o

439
A DOUTRINA DO FUTURO

evangelho de Cristo. Quando alguém deixa de crer na ressur-


reição, deixa de crer também na verdade de todo o evangelho,
em seu fundamento e em tudo o que a ele se refira. Aquele que
ensina que não existe uma ressurreição corporal quer dizer que
a Bíblia não passa de um sistema piedoso de engano. Não é de
se surpreender, portanto, que os inimigos de Cristo ataquem
ferrenhamente essa doutrina. Alguns negam a ressurreição.
Outros a distorcem como algo que não tem importância, de
maneira que poderia ser rejeitada totalmente. Notemos alguns
desses erros:
Opinião errônea: “Não há ressurreição”.
O que a Bíblia diz: Essa era a crença dos saduceus (leia Mateus
22:23), mas Cristo rapidamente os fez calar (leia Lucas 20:27–
38). Paulo também prova que se abandonarmos essa doutrina,
então todas as outras doutrinas cristãs serão vãs (leia 1 Coríntios
15:12–20).
Opinião errônea: “A ressurreição já aconteceu”
O que a Bíblia diz: Paulo declarou em 2 Timóteo 2:18 que
essa heresia corrompia as partes vitais da fé em Cristo como a
gangrena faz nas partes vitais do corpo humano. Constitui um
argumento enganoso que tem uma aparência de piedade dizer que
a ressurreição não é nada mais do que ressuscitar do pecado quando
alguém se converte. Paulo denunciou essa heresia. Ela contradiz o
que está escrito em João 5:28–29; 1 Coríntios 15:51–52; 1 Tes-
salonicenses 4:16, e muitos outros relatos que falam diretamente
da ressurreição corporal.
Opinião errônea: “O próprio corpo de Cristo não foi res-
suscitado”
O que a Bíblia diz: Se realmente o corpo de Cristo não foi
ressuscitado, por que Pedro e João não encontraram o seu corpo
quando entraram no sepulcro? (leia João 20:6–8). Por que Cristo
pediu que prestassem atenção especial no seu corpo ferido? (leia
João 20:26–28). Atualmente as pessoas que negam a ressurreição
corporal de Jesus não estão duvidosas ao estilo de Tomé, mas
estão resistindo a verdade ao estilo dos que são mencionado em
Mateus 28:11–15.

440
A ressurreição

Opinião errônea: “Não haverá ressurreição corporal, mas em


seu lugar nos serão dados corpos glorificados”.
O que a Bíblia diz: É verdade que os santos ressuscitados
receberão corpos glorificados (leia 1 Coríntios 15:42–54; 1 João
3:2). Contudo, esse fato de maneira alguma anula a verdade
de que esse corpo natural será transformado em um corpo
glorificado. Não podemos explicar como será tudo isso porque
será algo milagroso que as nossas mentes limitadas desconhecem,
por enquanto. Aqueles que negam a transformação de um tipo
de corpo em outro, negam por completo a ressurreição corporal.
Há duas certezas com relação à ressurreição: (1) haverá uma
ressurreição literal do corpo; (2) haverá uma transformação
por meio da qual esse corpo mortal se transformará num corpo
espiritual, semelhante ao corpo ressuscitado de Cristo (leia
1 Coríntios 15:42–47).

Resumo da doutrina da ressurreição

1. Jesus Cristo ressuscitou corporalmente do túmulo


Este fato foi demonstrado aos discípulos “com muitas provas
infalíveis” (Atos 1:3). Por causa dessas provas eles deixaram de ter
uma atitude de dúvida e indiferença, acreditaram e pregaram a
ressurreição com sinceridade.

2. Há uma ressurreição espiritual para todo


crente verdadeiro
Há uma ressurreição para uma vida nova para todos os que
são “sepultados com ele pelo batismo na morte” (leia Romanos
6:3–6; 1 Coríntios 12:13; Colossenses 2:11–13). Toda alma per-
dida está morta em “ofensas e pecados” (Efésios 2:1). Essas almas
mortas são vivificadas quando ouvem “a voz do Filho de Deus”
(João 5:25). Todos os que vêm para a vida nova já ressuscitaram
“com Cristo” (Colossenses 3:1). Se não ressuscitarmos para a
vida nova em Cristo, quando a trombeta de Deus soar e houver
uma ressurreição do túmulo, nós iremos para a “ressurreição da
condenação” em vez de ir para a “ressurreição da vida” (João 5:29).

441
A DOUTRINA DO FUTURO

3. Haverá uma ressurreição corporal de justos e


de injustos
Não resta dúvida que todos ressuscitarão (leia João 5:28–29;
Apocalipse 20:13). Cada um ressuscitará e receberá “segundo o
que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (2 Coríntios
5:10). Todas as pessoas de todas as regiões e épocas ressuscitarão,
sem importar como morreram ou o que fizeram enquanto estavam
no corpo. Todos ressuscitarão, quer seja a “ressurreição da vida” ou
a “ressurreição da condenação”. Todos ressuscitarão, quer sejam
justos e injustos ao mesmo tempo, como alguns creem, ou que
os justos ressuscitarão primeiro e os injustos mil anos mais tarde,
como outros creem. A ressurreição do corpo será um evento na
experiência de toda pessoa, exceto as pessoas que estiverem vivas
na hora da volta do Senhor. Falando dos que estarão vivos quando
o Senhor voltar, o apóstolo Paulo diz: “Depois nós, os que ficar-
mos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens,
a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o
Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

O que a ressurreição significará

1. A ressurreição da vida
Para os justos a ressurreição será uma ressurreição de vida: “E os
que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida” (João 5:29).
Todos os que escreveram sobre esse tema na Bíblia ensinaram que
será um evento glorioso. Paulo, ao falar da ressurreição, diz: “Eis aqui
vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas
todos seremos transformados; Num momento, num abrir e fechar de
olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos
ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque
convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e
que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que
é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se
revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita:
Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:51–54). Ao referir-se

442
A ressurreição

aos crentes que ainda viverem quando o nosso Senhor vier, Paulo diz:
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de
arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo
ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos
arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor
nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses
4:16–17). Seremos glorificados junto com Cristo (Colossenses 3:4)
quando ele nos levantar com o poder e a glória do Altíssimo. Nós, os
santos de Deus, receberemos corpos incorruptíveis, gloriosos, podero-
sos, espirituais (leia 1 Coríntios 15:42–44), e seremos “como os anjos
de Deus no céu” (Mateus 22:30). Ascenderemos com grande alegria
para encontrar-nos com o Senhor e estar com ele para sempre. Que
glorioso! Que Deus apresse a sua vinda, e que nem o sofrimento, nem
o sacrifício nos faça vacilar na obra importante de advertir a quantas
pessoas seja possível para que participem desse evento maravilhoso.

2. A ressurreição da condenação
A ideia mais triste que poderia passar pela mente dos filhos de
Deus é a de que nem todos terão parte na ressurreição da vida.
Daniel nos diz que quando os maus despertarem, será “para ver-
gonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2). Que nenhum incrédulo
volte as costas para essa cena horrível e que desperte antes que seja
tarde demais, e ouça com atenção a voz celestial (leia João 5:25).
Arrependa-se e resolva em seu coração passar o resto de seus dias na
obra de resgatar almas perdidas desse caminho horrível que conduz
à destruição, indicando-lhes a luz gloriosa do evangelho de Cristo.

3. A natureza da ressurreição
Paulo a descreve com exatidão em 1 Coríntios 15:35–58, da
qual citaremos algumas partes:
Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que
corpo virão?… Há corpos celestes e corpos terrestres, mas
uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres… Assim
também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo
em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em
ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza,

443
A DOUTRINA DO FUTURO

ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará


corpo espiritual… E, assim como trouxemos a imagem do
terreno, assim traremos também a imagem do celestial.
Assim como quando se semeia o milho e pelo poder de Deus
brota uma nova planta, assim também se enterra o corpo morto,
que volta ao pó, e na ressurreição um novo corpo se levantará ao
som da trombeta de Deus. Não sabemos exatamente quando nem
como ocorrerá tudo isso. Mas o que sabemos é que desse corpo de
barro corruptível sairá um corpo glorioso e incorruptível como o
do nosso Cristo ressuscitado. Aleluia! Nós “seremos semelhantes
a ele; porque assim como é o veremos” (1 João 3:2).

444
58
Capítulo

O juízo
Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois
disso o juízo (Hebreus 9:27).

Uma doutrina do Antigo Testamento


Davi fala do tempo quando o Senhor “vem julgar a terra”
(1 Crônicas 16:33) e diz que ele “já preparou o seu tribunal para
julgar” (Salmo 9:7). Também diz que ele “vem a julgar a terra;
julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade”
(Salmo 96:13). Salomão disse: “Deus julgará o justo e o ímpio”
(Eclesiastes 3:17). E para advertir os jovens do perigo dos prazeres
pecaminosos, ele diz: “Sabe, porém, que por todas estas coisas
te trará Deus a juízo” (Eclesiastes 11:9). Dessas citações bíblicas
concluímos que os escritores do Antigo Testamento entenderam
que existia uma recompensa para os justos e um castigo para os
ímpios. Eles sabiam também que viria o dia em que “muitos dos
que dormem no pó da terra ressuscitarão” (Daniel 12:2) e no qual
os maus receberão o castigo merecido.

Uma doutrina do Novo Testamento


Cristo disse: “De toda a palavra ociosa que os homens disserem
hão de dar conta no dia do juízo” (Mateus 12:36). Falando do Espí-
rito Santo, ele disse: “Convencerá o mundo do pecado, e da justiça
e do juízo” (João 16:8). E quanto ao significado do juízo de Deus
para os ímpios, ele disse: “E irão estes para o tormento eterno”, e
acrescenta: “mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46).
Paulo proclamou essa doutrina de forma clara e precisa. Félix
ficou assustado quando Paulo pregou “da justiça, e da temperança,

445
A DOUTRINA DO FUTURO

e do juízo vindouro” (Atos 24:25). Paulo também escreveu aos


romanos: “Todos havemos de comparecer ante o tribunal de
Cristo” (Romanos 14:10). Leia também 2 Coríntios 5:10.
Hebreus 10:27 diz que para os que pecam voluntariamente há
“uma certa expectação horrível de juízo”. Esse juízo não é apenas
um peso na consciência como alguns o interpretam, pois o escritor
mostra para essas mesmas pessoas que “está ordenado morrerem uma
vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27).
Pedro também testifica do juízo de Deus sobre o mundo peca-
minoso, dizendo: “Mas os céus e a terra que agora existem pela
mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o
fogo, até o dia do juízo” (2 Pedro 3:7). Judas fala do “juízo daquele
grande dia” (Judas v. 6). E João, na sua visão na ilha chamada
Patmos, viu “os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante
de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da
vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas
nos livros, segundo as suas obras” (Apocalipse 20:12).
Podemos resumir esta doutrina citando 2  Coríntios 5:10:
“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo,
para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do
corpo, ou bem, ou mal”.

É justo que Deus nos julgue


Quase todo o mundo crê em alguma forma de juízo. Mesmo
o ateu crê que deve haver justiça e fica contente quando um cri-
minoso cruel recebe o que merece.
Nessa vida nem sempre é recebido o castigo ou a recompensa
segundo os pecados ou as virtudes de cada um. Muitas vezes os
maus têm saúde, riqueza, prazer, honra e tudo o mais, enquanto
que alguns que temem a Deus estão aflitos, sofrem dor e enfer-
midades, e morrem na pobreza e na necessidade. Na história do
homem rico e de Lázaro, os dois não receberam a recompensa dos
seus atos nessa vida, mas depois que faleceram.
As calamidades e as aflições que nós, os crentes padecemos
nesse mundo nem sempre são um castigo pelo pecado, mas um
sinal do amor de Deus para o nosso próprio bem ou pelo bem

446
O juízo

de outros (leia Hebreus 12:1–13). Por exemplo, os sofrimentos


de Jó não foram um castigo para ele. Há uma grande diferença
entre a disciplina e a retribuição. A primeira serve para corrigir,
enquanto que a segunda é para castigar.
O juízo futuro confirma a justiça de Deus. A Palavra de Deus
e a própria justiça sustentam a doutrina da retribuição e a recom-
pensa futura.

O juiz

1. “O Pai… deu ao Filho todo o juízo” (João 5:22)


Jesus Cristo foi “desprezado, e o mais rejeitado entre os
homens” (Isaías 53:3). Foi cravado na cruz e morreu em desonra
e afronta. Mas ele ressuscitou triunfante sobre todo adversário,
ascendeu com majestade para a glória e está à direita do Pai, como
advogado e intercessor de todos os que confiam nele. Quando se
cumprir o tempo ele voltará para julgar “os vivos e os mortos”
(2 Timóteo 4:1).

2. O nosso Juiz é competente e digno em todos os


aspectos
Cristo é infinito em sabedoria, conhecimento e juízo. Ele nunca
muda (leia Hebreus 13:8) e, por isso, é completamente digno de
toda confiança. Ele nos demonstrou a sua amizade ao morrer por
nós. Sendo assim, não temos que temer que ele seja um Juiz sem
compaixão. Ele é perfeito em justiça, e desse modo, não esperamos
dele outra coisa que não seja pura justiça. Ele é imparcial e por
isso, não faz acepção de pessoas. Esse é o caráter do grande Juiz
diante de quem todos nós teremos de comparecer. Se nessa vida
somos prudentes e nos julgamos a nós mesmos de acordo com a
sua Palavra da verdade, então podemos ter a segurança que naquele
grande dia o nosso juízo será uma alegria e não uma sentença de
morte eterna pelos nossos pecados (leia Mateus 25:34). Estamos
muito agradecidos que o assunto de decidir o destino eterno de
cada ser humano está reservado para aquele cujo conhecimento
é infinito e cujo juízo é perfeito.

447
A DOUTRINA DO FUTURO

O juízo

1. Será segundo a lei e a evidência


Cristo deixa bem claro na sua Palavra que ele não é um tirano
arbitrário que condena a quem quer que seja, mas que a sua missão
no mundo foi salvar os homens, não condená-los (leia João 3:17;
12:47). Quando ele vier pela segunda vez virá com o mesmo cora-
ção de amor porque ele é o mesmo Amigo da humanidade. Ele
julgará segundo a Palavra (leia João 12:48) e conforme os nossos
atos (leia 2 Coríntios 5:10). Como um homem numa corte justa
é colocado diante do tribunal para ser justificado ou sentenciado
segundo a lei e a evidência, assim também a nossa posição diante
do grande Juiz depende de como se compara a nossa vida com a
Palavra eterna de Deus. A lei está estabelecida para sempre (leia
Salmo 119:89). A única coisa que será necessária decidir é a nossa
inocência ou culpa diante da lei. Se tivermos aceitado a graça de
Deus em Jesus Cristo, estaremos justificados; se não tivermos
feito isso, seremos condenados. Somos nós que escolhemos o
nosso destino eterno. Por mais misericordioso que seja um juiz,
a justiça requer que todos os que diante dele comparecer para
serem julgados, deverão ser declarados inocentes ou culpados
dependendo da lei e da evidência.

2. Será para os anjos caídos


“Deus não poupou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os
lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando
reservados para o juízo” (2 Pedro 2:4). Judas também testifica que
os “anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua
própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao
juízo daquele grande dia” (Judas v. 6). No final os anjos caídos terão
o mesmo destino que os homens caídos. Ambos serão enviados “para
o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).

3. Será para “todas as nações” (Mateus 25:32)


Deus é “o juiz de todos” (Hebreus 12:23). Ele não fará vista
grossa aos pecados de quem quer que seja e tampouco favorecerá

448
O juízo

alguma nação ou pessoa, porque “Deus não faz acepção de pes-


soas” (Atos 10:34).

4. Será para “grandes e pequenos” (Apocalipse


20:12)
João estava na ilha chamada Patmos quando teve uma visão
que demonstrou-lhe claramente que o juízo será para todos, sejam
grandes ou pequenos. Nessa visão ele viu que grandes e pequenos
estavam de pé diante do trono de Deus. Os livros foram abertos
e todas as pessoas foram julgadas. O conquistador, o rei, o servo
mais humilde, o político, o estudante, o analfabeto, o pedinte, o
milionário, os velhos, os jovens… todos serão julgados pela mesma
lei; todos serão julgados com justiça. Deus julgará o mundo sem
distinção de raça, cor, idade ou posição social. O destino eterno de
cada pessoa será determinado pelo que fez com as bênçãos, com
os talentos e com as oportunidades que Deus lhes deu enquanto
viveu no corpo. “E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe
pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”
(Lucas 12:48).

5. Será para “os vivos e os mortos” (2 Timóteo 4:1)


Em 1 Tessalonicenses 4:14–18, Paulo nos mostra uma repre-
sentação viva de como será para os justos que dormem e para
os justos que estiverem vivos quando Cristo vier pela segunda
vez. Quando ele vier, todos, os vivos e os mortos, serão julgados
segundo as obras feitas enquanto no corpo.

6. Será para o justo e para o ímpio


(Eclesiastes 3:17)
Não há favoritismos com Deus. A diferença entre os justos e
os ímpios é que o justo aceitou a expiação por meio do sangue
de Cristo e vive segundo a sua lei, enquanto que o ímpio não
a aceitou e nem obedece a Cristo. Malaquias fala do “grande e
terrível dia do Senhor” (Malaquias 4:5). A segunda vinda de
Cristo, a ressurreição e o juízo vindouro são coisas gloriosas para
os justos, mas para os ímpios essas coisas trazem horror e tristeza.

449
A DOUTRINA DO FUTURO

O futuro aterroriza os ímpios porque são culpados diante de Deus.


Quando João estava na ilha de Patmos, orou assim: “Amém. Ora
vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20). Mas os ímpios gemem
e suspiram porque lhes resta “uma certa expectação horrível de
juízo” (Hebreus 10:27). Muitos deles vão clamar aos montes e
aos rochedos: “Caí sobre nós” (Apocalipse 6:16).
“Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele
sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz” (2 Pedro 3:14).

450
59
Capítulo

O inferno
Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e
aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras
e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com
fogo e enxofre; o que é a segunda morte (Apocalipse 21:8).
A Bíblia ensina que há um lugar de castigo eterno. Esse lugar
foi preparado para o diabo e seus anjos (leia Mateus 25:41). No
entanto, os ímpios também serão enviados para esse lugar porque
escolheram seguir ao diabo e seus anjos. Esse lugar de castigo e
tormento é o inferno.

Como é o inferno
As seguintes frases da Palavra de Deus descrevem o inferno:
Ø “Desprezo eterno” (Daniel 12:2)
Ø “Fogo que nunca se apagará” (Mateus 3:12)
Ø “Fogo do inferno” (Mateus 5:22)
Ø “Fornalha de fogo” (Mateus 13:50)
Ø “Condenação do inferno” (Mateus 23:33)
Ø “Trevas exteriores” (Mateus 25:30)
Ø “Fogo eterno” (Mateus 25:41)
Ø “Tormento eterno” (Mateus 25:46)
Ø “Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga”
(Marcos 9:44)
Ø “A pena do fogo eterno” (Judas v. 7)

451
A DOUTRINA DO FUTURO

Ø “E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre”


(Apocalipse 14:11)
Ø “Lago de fogo que arde com enxofre” (Apocalipse 19:20)
Para que entenda essas descrições mais a fundo, você deve
estudá-las em seus contextos. É de estremecermos ao pensar quão
horrível o inferno será e ficamos atônitos ao saber que há pessoas
que dizem crer na Bíblia, mas desacreditam a existência do inferno.

O inferno é um lugar
Uma das coisas importantes que devemos lembrar é que o inferno
é um lugar (leia Lucas 16:28) e não uma condição. Alguns nos dizem
que “fazemos o nosso próprio inferno”, referindo-se às condições
deprimentes que criamos às vezes para a nossa própria desgraça.
Mas a Bíblia ensina que o inferno é um lugar e não uma condição.
Esse fato é tão claro que nenhum crente verdadeiro duvida disso. O
inferno é um lugar tanto como o é esse mundo em que vivemos.

Quem irá para lá

1. O diabo e seus anjos


Cristo disse especificamente que o inferno foi “preparado para
o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41). Os demônios sabem para
onde vão. Quando Cristo se encontrou com alguns deles, estes
clamaram: “Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” (Mateus
8:29). Mesmo que eles “creem, e estremecem” (Tiago 2:19),
também conhecem a sua própria sentença e temem o lugar para
onde serão mandados. Leia também Judas v. 6; Apocalipse 20:10.

2. Os pecadores que se recusam a arrepender-se


Cristo está preparando um lugar diferente para a humanidade:
o céu. No entanto, se não nos arrependermos, Deus nos mandará
para o lugar preparado para o diabo e seus anjos na eternidade (leia
Mateus 25:41). “Antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo
perecereis” (Lucas 13:3). A entrada aos céus é possível somente por
meio do arrependimento (leia Lucas 24:47). Quando os pecadores

452
O inferno

morrem sem ter se arrependido de seus pecados, a sentença divina


se aplica a eles: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4).

3. Aqueles que creem ser bons, mas não obedecem


a Deus
Não é necessário que alguém seja culpado de homicídio, de
roubo, de fornicação ou de bebedeira para que seja condenado ao
inferno. O simples fato de desobedecer a Deus em algo simples
condena a pessoa, assim como o mais vil pecado condena.
2 Tessalonicenses 1:7–9, fala da vingança com que se castigará
aos que não estão no redil de Cristo. Aqui não diz que essas pessoas
foram grandes pecadoras. Apenas diz que “não conhecem a Deus”
e “não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo”, dos
quais diz que “padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor
e da glória do seu poder”.
Há quem tropece nesse ponto, dizendo que Deus jamais envia-
ria para o inferno um homem que é honrado em seus negócios,
que cuida bem da sua família e que vive uma vida mais pura que
muita gente nas igrejas, mas sem submeter-se a Deus numa coisa
pequena. Os que defendem tal homem estão confiando mais nas
boas obras do que na verdade da Palavra de Deus. Cristo disse
que no dia do juízo será mais tolerável o castigo para Sodoma
e Gomorra do que para os religiosos que haviam conhecido a
Palavra de Deus, mas não a obedeceram (leia Mateus 11:20–24).
Não que os de Sodoma foram melhores do que os religiosos, mas
que esses sabiam mais da vontade de Deus e mesmo assim não a
obedeceram. Diante de Deus é muito grave o fato de conhecer a
sua vontade e não obedecê-la (leia Lucas 12:47–48). Não deve-
mos apresentar desculpas pelo homem “bom” que sabe a verdade,
mas a rejeita. Antes, devemos adverti-lo que se não se arrepender,
perecerá como todos os outros pecadores (leia Lucas 13:2–5).

4. Os hipócritas
Um hipócrita finge ser o que não é. É algo triste que existem
hipócritas nas igrejas que fingem ser bons cristãos. Fora das igrejas
também há hipócritas, que dão uma e outra desculpa pela qual

453
A DOUTRINA DO FUTURO

dizem que não querem ser cristãos. Os hipócritas, estejam dentro


ou fora da igreja, estarão todos juntos na eternidade no lago de
fogo. Cristo fala a respeito do homem que foi negligente em
preparar-se para a vinda do Senhor, dizendo que Deus “destinará
a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes”
(Mateus 24:51).
A violência e a deliquência que vemos no mundo atual resul-
tam do fato que os homens se fizeram de surdos com relação a
mensagem de Deus e escolheram o pecado e a iniquidade. O fim
do pecado é a morte; não há outro fim que seja justo. Quando os
homens voluntariamente rejeitam a Deus, ele estará lhes dando
aquilo que merecem ao enviá-los para o inferno. Em muitos tri-
bunais atuais cometem-se erros judiciais onde os culpados saem
sem receber o seu merecido castigo, enquanto que os inocentes
sofrem injustamente por coisas que não fizeram. Mas no tribunal
de Cristo haverá justiça perfeita; nenhum justo será lançado no
lago de fogo e nenhum perverso poderá evitar aquilo que merece.

Algumas ideias errôneas


É natural para os homens desobedientes tentar fugir das
verdades que são desagradáveis. Eles gastam fortunas tentando
encontrar alguma substância capaz de prolongar a vida. Muitos
tentam escapar da terrível realidade do inferno utilizando a
filosofia humana em vez de aceitar a salvação que Deus lhes
oferece. Queremos notar alguns erros com respeito ao inferno
com os quais muitas pessoas se enganam:
Erro: Não há inferno.
Verdade: Muitos creem nesta mentira. Mesmo entre os que
dizem crer na Bíblia, há alguns que dizem que o inferno se refere
apenas à sepultura. Se fosse assim, teríamos que revisar toda a
Bíblia para acomodá-la a esse ponto de vista. Por que a Bíblia
afirmaria que os maus serão lançados no inferno se é verdade
que todos os outros irão para lá também? Por que disse o rico:
“estou atormentado nesta chama”, quando todos sabemos que um
defunto não pode sofrer tormento, ainda que tivesse chamas em
sua sepultura? Por que diz a Bíblia que “a fumaça do seu tormento

454
O inferno

sobe para todo o sempre”? Para que alguém creia que não há um
lugar de tormento eterno para os ímpios, teria que rejeitar todo
o conteúdo da Bíblia.
Erro: Os ímpios terão uma segunda oportunidade depois da
morte.
Verdade: Não há nada na Bíblia para apoiar essa ideia. Quando
o rico rogou para que Lázaro fosse enviado com água, Abraão lhe
informou que havia entre eles um grande abismo que nenhum
homem podia cruzar. A morte não põe fim à nossa existência, mas
elimina a nossa oportunidade de nos reconciliarmos com Deus.
“Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois
disso o juízo” (Hebreus 9:27).
Erro: Os maus não sofrerão tormentos para sempre.
Verdade: A Bíblia ensina que o castigo dos maus no inferno
é eterno. Os sacerdotes católicos dizem que há um “purgatório”
onde os sofrimentos purgam a alma até que possa entrar no céu.
Esse engano oferece uma esperança falsa aos maus e os incentiva
a arriscarem-se a continuar em seu pecado. Eles pensam que
poderão purificar-se no purgatório, e por isso, não levam a sério
a necessidade de arrependerem-se de seus pecados agora enquanto
têm a oportunidade.
Erro: Os maus serão consumidos ao serem lançados no lago
de fogo.
Verdade: A teoria de que os maus serão consumidos por com-
pleto e que deixarão de existir não se harmoniza com as frases
bíblicas como “fogo que nunca se apagará” e “o seu bicho não
morre”. A Bíblia diz que os perversos “padecerão eterna perdição,
longe da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessaloni-
censes 1:9), e que permanecerão pela eternidade no lago de fogo.
O mais triste em todas essas ideias errôneas é que oferecem uma
esperança falsa para as pessoas que vivem em pecado. Essas mesmas
ideias errôneas dão aos perversos a esperança de que haverá uma
maneira de escapar do castigo horrível que a Bíblia ensina que
lhes espera a menos que se arrependam. Amados amigos cristãos,
sejamos diligentes em advertir as pessoas a respeito do inferno.

455
A DOUTRINA DO FUTURO

O que os maus
experimentarão no inferno
Se o mundo de fato acreditasse na realidade de sofrer no inferno
por toda a eternidade, milhões de pessoas buscariam o perdão de
Deus enquanto há oportunidade. Quais são as coisas que estão
para ocorrer aos ímpios?

1. “Onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca


se apaga” (Marcos 9:44)
Assim será o castigo sem fim. Enquanto estamos aqui na
terra sofremos, mas sempre temos esperança de alívio. Mas lá o
sofrimento continuará para sempre, sem esperança de terminar.
Ainda que você sofresse alguma enfermidade terrível todos os dias
da sua vida, isso não seria nada em comparação com o que está
reservado para as almas condenadas ao inferno!
O fogo do inferno trará uma dor aguda e eterna aos conde-
nados. A nossa alma tem uma existência eterna e nunca poderá
ser aniquilada, mesmo que sofra para sempre no castigo do
fogo eterno.

2. “Ali haverá pranto e ranger de dentes”


(Mateus 13:42)
Note as palavras pranto e ranger. Os condenados ao inferno
chorarão e amaldiçoarão, lamentarão e se desesperarão… Essa
terrível cena não pode ser descrita com palavras. Somente os
condenados conhecerão a profundidade da agonia desse sofri-
mento. É uma pena que não a reconhecem agora para poderem
arrepender-se!

3. Não terão “repouso nem de dia nem de noite”


(Apocalipse 14:11)
Os que aqui sofrem, de modo geral encontram algum alívio
quando ficam exaustos e dormem. Mas não haverá tal alívio para
os condenados no inferno.

456
O inferno

4. Estarão “nas trevas exteriores” (Mateus 22:13)


A luz traz felicidade ao homem. A verdade, a justiça, a santi-
dade e o conhecimento de Deus trazem luz e alegria para a alma.
Mas o pecador no inferno estará sem essa luz para sempre. Estará
nas trevas exteriores; sem Deus, sem a verdade, sem a santidade,
sem a glória. Estará eternamente fora da presença do Senhor nas
trevas do pecado e da angústia. Ali ele terá que passar a eternidade
sofrendo “eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do
seu poder” (2 Tessalonicenses 1:9).

A condenação
no inferno pode ser evitada

1. Deus quer que todos escapem


Não é a vontade de Deus “que alguns se percam” (2 Pedro 3:9).
“Deus não nos destinou para a ira” (1 Tessalonicenses 5:9). Antes,
ele fez o maior sacrifício que jamais foi feito (leia João 3:16–17;
Romanos 5:8) para que os homens sejam salvos. Apesar do fato
de que os homens se rebelaram contra Deus e lhe acusam de
crueldade e injustiça, o seu proceder com o homem sempre tem
sido de amor, sacrifício e benevolência.

2. Devemos proclamar que há uma saída


Graças a Deus há uma saída, uma maneira de escapar do cas-
tigo eterno. Saiba todo o mundo que por meio da graça de Deus
há uma oportunidade para “o arrependimento e a remissão dos
pecados” (Lucas 24:47). Pois “o sangue de Jesus Cristo, seu Filho,
nos purifica de todo o pecado” (1 João 1:7). “Deixe o ímpio o seu
caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta
ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus,
porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).
Certo incrédulo, ao tentar convencer uma grande multidão de
que “a eternidade” não existe, disse assim: “Suponha que uma ave
viesse à terra ao final de cada mil anos e levasse daqui um grão de
areia. Ainda que a ave demorasse milhões de séculos, finalmente

457
A DOUTRINA DO FUTURO

o mundo seria deslocado para outra parte. Mas se existisse a tal


‘eternidade’, ficaria ainda assim uma eternidade de sofrimento e
dor para as almas condenadas no inferno.” Um jovem pensativo,
ao ouvir essas palavras, ficou comovido por elas de uma maneira
muito diferente da que desejava o incrédulo. Se essa é a verdade,
disse para si mesmo, passarei toda a minha vida avisando os peca-
dores a fugirem da ira vindoura. E nós, por que não tomamos
a mesma decisão? Digamos a verdade para o mundo. O diabo
tem sussurrado e causado uma sonolência tal que os pecadores
sentem uma grande e falsa segurança. Esforcemo-nos para des-
pertar os milhões que dormem para que reconheçam o perigo da
sua condição.

458
60
Capítulo

O céu
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus
(Mateus 5:12).
Deus nos abençoa aqui na terra com muitos favores que na
realidade não merecemos. Mas por mais agradável que seja a nossa
vida, sempre enfrentamos frustrações e tristezas que às vezes não
entendemos. Não obstante, há um lugar preparado para o cristão
onde não há pecado nem tristeza. Naquele lugar é abundante a
bem-aventurança e a glória. Esse lugar é o céu.

Como Deus descreve o céu

1. É um “lugar” (João 14:1–3)


Cristo consolou os seus discípulos dizendo-lhes: “Vou preparar-
-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e
vos levarei para mim mesmo” (João 14:3). Através dessa e outras
escrituras entendemos que o céu não é uma condição, mas um
lugar. É a morada eterna de Deus, a habitação de Deus, nosso
Salvador, onde os santos e os anjos passarão a eternidade com ele.

2. É um lugar “alto e santo” (Isaías 57:15)


Isto nos ensina que de todos os lugares, o céu é o mais alto e
o mais santo. É alto porque está acima de tudo; é santo porque
somente os que são santos habitam ali. Os serafins clamaram:
“Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).
Para quem quiser entrar no céu, Deus diz: “Sede santos, porque
eu sou santo” (1 Pedro 1:16). Nenhum pecador entrará naquele
lugar porque a Bíblia diz que “não entrará nela coisa alguma que

459
A DOUTRINA DO FUTURO

contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão


inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apocalipse 21:27). Sem
a paz e a santidade “ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14). O
céu é santo. A habitação de Deus é eternamente santa.

3. É uma pátria melhor (Hebreus 11:14–16)


Muitas pessoas têm neste mundo a sua pátria. Isso se vê pela
importância que elas dão às coisas desse mundo e pelo amor que
têm por elas. Mas quem, pelo olho da fé, tem uma visão do céu,
sabe que ele é uma pátria melhor, pois:
Ø “Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a
concupiscência dos olhos e a soberba da vida, passará”; mas
as coisas do céu durarão eternamente (leia 1 João 2:15–17).
Ø Aqui os tesouros estão expostos ao perigo da traça, da ferru-
gem e dos ladrões. Lá no céu estarão seguros. Os tesouros
celestiais durarão e serão preservados eternamente (leia
Mateus 6:19–20).
Ø Aqui toda carne, como a erva, se seca; lá viveremos para sempre
(leia 1 Pedro 1:24; 1 Coríntios 15:54; Apocalipse 21:4).
Ø Aqui temos doenças, tristezas, dores, frustrações e morte.
No céu não haverá doenças nem dor nem morte, e Deus
limpará de seus olhos toda a lágrima (leia Apocalipse 21:4).
Ø Aqui os pobres são oprimidos. Por todos os lados há homicí-
dios, guerras, devassidão, orgulho e corrupção; lá tais coisas
não serão conhecidas (leia Apocalipse 7:16–17; 21: 22).

4. É um lugar de “muitas moradas” (João 14:2)


Do mesmo modo que Deus faz providências para o bem-estar
do seu povo aqui, assim também o fará no mundo vindouro. A
pergunta não é: Deus já preparou uma morada lá? A pergunta
deve ser: Estamos nós preparados para viver lá?

5. É um “celeiro” (Mateus 3:12)


Deus “recolherá no celeiro o seu trigo”. Isto quer dizer que
Deus enviará os seus ceifeiros (leia Mateus 13:39) para trazer os

460
O céu

feixes. Ele lançará o joio no fogo, mas recolherá o seu trigo no


celeiro. Todas essas palavras são simbólicas, mas não são difíceis
de entender.

6. É um lugar onde há prazeres eternos


Os mundanos se entregam à loucura dos prazeres. Contudo,
os prazeres mundanos duram por pouco tempo e terminam em
miséria e desilusão. E os que se entregam a eles serão condenados
ao inferno. Mas os cristãos estarão na presença do Rei na glória e
participarão de prazeres eternos. “Exultai e alegrai-vos, porque é
grande o vosso galardão nos céus” (Mateus 5:12).

7. É um lugar de verdadeira pureza e cheio de


glória
O pecado não será admitido no céu. A Bíblia diz que “ficarão
de fora os cães e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas,
e os idólatras, e qualquer que ama e comete mentira” (Apocalipse
22:15). “Mas, quanto aos covardes, e aos incrédulos, e aos abo-
mináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros,
e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago
que arde com fogo e enxofre” (Apocalipse 21:8). Quem pode
compreender a profundidade da santidade e da pureza do céu?
Ali os filhos remidos de Deus estarão livres da presença de todo
pecado, tentação e corrupção. A glória que experimentaremos lá
é mais do que a língua humana pode descrever. Há dois mil anos
apareceu uma multidão das hostes celestiais proclamando a glória
de Deus, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa
vontade para com os homens” (Lucas 2:14). Os santos e os anjos
de Deus ainda proclamam essa glória. Em nossos dias olhamos
além desse mundo de lágrimas, e com os olhos da fé vemos o Rei
em seu trono rodeado por uma multidão inumerável de santos e
de anjos. Ali esperamos ver a glória que envolve o trono de Deus.
Almejamos contemplar a majestade, o poder, a bondade, a pureza,
a sabedoria e o domínio do onipotente Rei dos reis e Senhor dos
senhores. Uniremos as nossas vozes às vozes dos santos de Deus e
aos inumeráveis anjos, adorando e glorificando o santo e altíssimo

461
A DOUTRINA DO FUTURO

nome de Deus. Cantaremos o hino da redenção eterna. Desfru-


taremos o espaço sem limite, a formosura inexplicável, a pureza
incomparável e a felicidade perfeita do céu. Regozijaremos-nos
na luz celestial que brilha mais do que o sol do meio dia, a luz
que emana do Cordeiro (leia Apocalipse 21:23).

Como chegar no céu


Somente os que obedecem aos mandamentos de Deus
entrarão no céu. Os que tomam o seu próprio caminho nunca
chegarão lá. Naquele lugar só entrará quem recebeu a salvação
por meio de:

1. A inocência
Jesus disse que as crianças são aptas para entrar no reino dos
céus (leia Mateus 18:1–3, 10; 19:14). As crianças são inocentes,
remidas pelo sangue de Cristo enquanto não chegaram à idade
da razão na qual são responsabilizadas perante Deus pelos seus
próprios atos. Da mesma forma, é preciso que os filhos de Deus
se tornem como meninos (Mateus 18:3). Eles têm que lavarem-
-se no sangue de Jesus, dessa forma fazendo-se inocentes perante
Deus. Assim poderão entrar no reino celestial.

2. O novo nascimento
“Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de
Deus” (João 3:3). Ninguém pode entrar no céu sem ser um filho
de Deus. É necessário nascer de novo. “Porque em Cristo Jesus
nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas
o ser uma nova criatura” (Gálatas 6:15).

3. O caminho, Cristo
Qualquer um que se arrepende de todos os seus pecados e os
abandona, pode entrar no céu por meio do Senhor Jesus Cristo,
que sofreu na cruz. Ele é “a porta” (leia João 10:7) pela qual entra-
mos (leia Atos 4:12). Quando Tomé perguntou: “Como podemos
saber o caminho?” Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, e a
verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João

462
O céu

14:5–6). Cristo Jesus “para nós foi feito por Deus sabedoria, e
justiça, e santificação, e redenção” (1 Coríntios 1:30).

4. A “porta estreita” (Mateus 7:13–14)


Cristo nos admoesta: “Entrai pela porta estreita; porque larga
é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos
são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado
o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus
7:13–14). Lucas 13:24 diz: “Esforçai-vos para entrar pela porta
estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não
poderão”. Cristo advertiu seus discípulos acerca dos ensinamen-
tos dos falsos profetas. Muitos são enganados por eles e viajam
pelo caminho espaçoso onde podem levar consigo o seu orgulho,
luxúria, cobiça, diversões, falsidade, egoísmo e coisas semelhantes.
O caminho estreito é apertado demais para admitir qualquer um
desses pecados. Contudo, é suficientemente largo para todo ser
humano que quiser seguir a Deus. O caminho ao céu é tão largo
como a verdade; nem mais largo, nem mais estreito. Nós devemos
nos empenhar em saber a verdade e obedecê-la por completo!

5. A santidade
“E ali haverá uma estrada, um caminho, que se chamará o
caminho santo; o imundo não passará por ele” (Isaías 35:8). Se
não estivermos no caminho santo quando a morte nos alcançar,
na eternidade estaremos fora do céu. Somente as pessoas santas
podem caminhar no caminho santo. “Mas, se andarmos na luz,
como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o
sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado”
(1 João 1:7). Os que andam por esse caminho verão o Senhor
(leia Hebreus 12:14).

Os habitantes do céu

1. Deus
Deus está no céu; ele estará ali eternamente com poder e
glória (leia Salmo 11:4; 1 Reis 8:27 e 30; Mateus 11:25). O céu

463
A DOUTRINA DO FUTURO

é o trono de Deus Pai, e ele enche o céu e a terra (leia Jeremias


23:24). Cristo entrou no céu (leia Atos 3:20–21) onde ele tem
todo o poder (leia Mateus 28:18). A presença e o poder de Deus
na sua totalidade é o que faz com que o céu seja um lugar de glória
e felicidade infinita.

2. Os anjos
Os anjos estão no céu (leia Mateus 18:10; 24:36). Quando nós,
os santos, chegarmos no céu, ali conheceremos aqueles que nesta
vida foram para nós “espíritos ministradores” (Hebreus 1:14).

3. Os santos
Os santos também estarão lá. Isso inclui todas as crianças que
morreram na inocência. Também inclui todos os cristãos que pela
fé em nosso Senhor Jesus Cristo experimentaram o novo nasci-
mento e “hão de herdar a salvação” (Hebreus 1:14). Os espíritos
dos santos que já morreram no Senhor estão agora na presença
de Deus. Cristo trará esses consigo quando vier para buscar a sua
noiva, a igreja. Eles e todos os justos que ainda estiverem vivos
serão revestidos com corpos glorificados. Juntos encontrarão ao
Senhor nos ares (leia 1 Tessalonicenses 4:14–18) e estarão sempre
com ele. “Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor
do firmamento… como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel
12:3). Isso deve incentivar todos os santos na terra a ganhar outras
almas para Deus.

Conclusão

1. Temos apenas um conhecimento limitado do céu


“Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então vere-
mos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei
como também sou conhecido” (1  Coríntios 13:12). A Bíblia
descreve como serão algumas coisas no céu. Mas há muitas coisas
das quais não sabemos nada, pois Deus não quis revelá-las a nós
agora. Isso não deve ser motivo de desânimo. Antes, deve nos
animar a estudar mais a Bíblia para conhecer a fundo as coisas

464
O céu

que Deus nos revela nela. Também deve nos servir de ânimo
saber que Deus tem preparado para nós algo muito mais belo do
que nós podemos compreender. Há pessoas que gostam de fazer
perguntas que não podem ser respondidas com a Bíblia. Tais
perguntas são de pouca importância. Mas há algumas perguntas
que são importantíssimas, como por exemplo: “Se Cristo viesse
agora, eu estaria pronto para ir com ele?”

2. Nós almejamos a eternidade no céu


Nós, que por experiência pessoal sabemos o que significa
ser salvo do pecado e ser adotado na família de Deus, ficamos
comovidos ao pensar na eternidade no céu. Ficamos maravilhados
diante da graça de Deus que nos faz herdeiros da glória. Esperamos
ansiosos a passagem das eras sem fim na presença de Deus, em
comunhão com os santos e com os anjos. Ali experimentaremos
a plenitude da felicidade e da glória. Não haverá lágrimas nem
tristezas. Ao meditar sobre essas coisas oramos a Deus para que
nos dê oportunidades de ensinar aos outros o caminho para o
céu. Desejamos a hora de podermos ir para o céu, mas enquanto
isso, queremos fazer todo o possível para que outros também
cheguem lá.
Eternidade, eternidade, eternidade! A hora indica que devemos
nos preparar para estar no reino bendito onde “os maus cessam de
perturbar; e ali repousam os cansados” (Jó 3:17).
Visto que a eternidade é tão gloriosa para os filhos de Deus,
podemos entender por que os patriarcas se focaram no céu e
buscaram “a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e
construtor é Deus… [e] confessaram que eram estrangeiros e
peregrinos na terra” (Hebreus 11:10 e 13). Também entendemos
por que os apóstolos glorificaram a Deus com tanta alegria e fervor.
E, além disso, por que exortaram outros a estarem firmes e fiéis
no caminho de Deus. Eles fizeram tudo isso porque pela fé viam
as coisas maravilhosas que Deus preparou para os que lhe amam.
Nós também esperamos o “aparecimento da glória do grande Deus
e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13), que virá para levar os
seus para estarem com ele eternamente.

465
A DOUTRINA DO FUTURO

Chegando ao fim do último capítulo desse livro, a nossa sincera


oração é que a esperança do céu nos impulsione a levar o evangelho
da salvação eterna aos confins da terra. Então, tendo o céu como
nosso objetivo, cantemos todos juntos:

O doce lar
Na pátria celeste, de Deus doce lar,
Prepara Jesus para os seus um lugar,
Pois longe do mal, do pecado e da dor,
Consigo pra sempre quer ter seu Senhor.

No lar sacrossanto de paz e de amor,


Verei sobre o trono eternal meu Senhor,
O meigo Cordeiro, reinando na luz,
Por todos louvado, bendito Jesus.

Que puras delícias se encontram em ti,


Que gozos eternos me esperam ali;
Àqueles que Deus junto a si quis trazer,
Agora e pra sempre vai satisfazer.

Mas desses prazeres que anseio gozar,


O que eu mais espero é com Cristo ficar,
Sem mais contristá-lo, sem mais ofender,
A quem pra salvar-me, por mim quis morrer.

466
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XVI, deu início a uma restauração espiri-
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Colinas de Zurique nos leva a Zurique, na
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acompanhar a vida dos cristãos daquele
lugar e as perseguições que sofreram,
inclusive o martírio em alguns casos. 352
pág. #31151

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mártires anabatistas contadas neste livro
representam os milhares de homens e
mulheres que testemunharam da sua fé
durante o século XVI. As histórias são ilus-
tradas com gravuras por Jan Luyken e reti-
radas do livro Martyrs Mirror, compilado por
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meira vez em 1660. 224 pág. #37136

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era apostólica. Foi por isso que alguns
crentes começaram a se reunir para buscar
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anabatistas que até hoje distinguem eles
do cristianismo nominal. 96 pág. #37228
Como derrotar o gigante
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o leitor a uma viagem imaginária para o
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como as pessoas entram em depressão,
como é a vida do deprimido — e felizmente
— como voltar a ter uma vida normal. 172
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Que falem os primeiros cristãos
David W. Bercot. Uma análise da Igreja
moderna sob a luz do cristianismo primi-
tivo. Este livro nos mostra quais eram os
costumes e as crenças religiosas dos cris-
tãos no período pós-apóstolos, e nos dá
uma nova visão sobre os problemas que
a igreja enfrenta atualmente, oferecendo
uma solução para eles. É um chamado
para que busquemos a santificação per-
dida, o amor sincero, e a infinita paciência
dos cristãos primitivos. 208 pág. #37105

O reino que alvoroçou o mundo


David W. Bercot. Este livro leva o leitor aos
ensinamentos de Jesus sobre o reino. Não
há lugar no reino de Cristo para o cristia-
nismo superficial, pois este é um reino que
historicamente causou um alvoroço, uma
reviravolta no mundo. 255 pág. #81550

Gloria em vez de cinza


John Coblentz. Ajuda prática da Biblia
para pessoas que sofreram abuso sexual.
Depois de explicar por que o abuso sexual
é tão devastador, Gloria em vez de Cinza
utiliza a palavra de Deus para curar e dar
esperança. Claro, franco e prático, este
livro será apreciado por pastores, con-
selheiros, e acima de tudo, por aqueles
que tenham amargurado a experiência de
Tamar. 92 pág. #37082

O que diz a Bíblia sobre casamento,


divórcio, e segundas núpcias
John Coblentz. Abordando este assunto
em forma de perguntas e respostas, o
escritor deste livro nos mostra o que o
Autor da Bíblia tem a dizer sobre os prin-
cípios eternos do casamento e do lar. 96
pág. #21131

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Conselhos práticos para a família cristã
John Coblentz. Este livro é para pais e
jovens que procuram direção e conselhos
bíblicos para suas vidas. Contém páginas
de instruções práticas para as inúmeras
situações da vida familiar, com perguntas
que podem servir como guia de estudos.
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O que a Bíblia diz sobre a educação de filhos


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com sabedoria divina, confiança renovada
e a bênção de Deus. Uma análise bíblica
altamente necessária para a educação de
filhos em uma época em que muitos pais
estão sendo influenciados por princípios
humanistas sobre a educação de filhos
promovida pelo mundo. 344 pág. #37211

A vida vitoriosa
John Coblentz. Os passos para a vitória
nem sempre são fáceis, porem, valem o
sacrifício, porque nos conduzem ao céu.
Neste livro encontrará um guia prático
e detalhado da Palavra de Deus que lhe
mostrará como viver vitorioso contra o
pecado. 96 pág. #37198

Um mês com os sábios


Pablo Yoder, compilador. Este estudo do
livro de Provérbios, dividido em 28 lições,
ajudará o leitor a aplicar a sabedoria dos
Provérbios de uma maneira prática em sua
vida diária, e assim ter uma vida marcada
pela sabedoria divina e abençoada por
Deus. 128 pág. #37143

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