You are on page 1of 32

Gestor CT&I

C i ê n c i a , T e c no l o g i a e I n o v a ç ã o
Ano 3 - Nº 4 - Out/Nov/Dez 2010

FUTURO PROMISSOR

Os desafios para os próximos governantes na consolidação de políticas de ciência, tecnologia e inovação

OPINIÃO
Especialistas respondem o que o Brasil ainda precisa para o pleno desenvolvimento científico e tecnológico

ENTREVISTA
Luiz Antonio Elias
Secretário Executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia

A recompensa chegou!

Em 1984 nascia a Anpei, a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras. Era uma época em que falar em inovação tratava-se de pura novidade. Em abril de 2010, quando completou seu 26o aniversário, o maior presente que a Anpei recebeu foi constatar que inovar tornou-se um conceito que cada vez mais se enraíza pelo País. O Brasil já tem políticas públicas de incentivo às atividades de P&D, enquanto a prática da inovação avança progressivamente no ambiente empresarial. Isso quer dizer que estão sendo recompensados os esforços da Anpei em ajudar o Brasil e as empresas brasileiras a acreditar e a investir na inovação.

Promove a capacitação de empresas para a prática e a gestão da inovação. Ensina as empresas como utilizar os mecanismos de incentivo à inovação. Desenvolve projetos que visam estimular a inovação e a qualificar as empresas para aumentar sua competitividade tecnológica no mercado. Realiza estudos sobre macro cenários da inovação, no Brasil e no mundo. Organiza, anualmente, a Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, o principal fórum de informações e discussões sobre o tema no Brasil. Incentiva a divulgação da inovação no Brasil, por meio de veículos de comunicação próprios e de parceiros.

Veja o que a Anpei faz:
• Colabora na elaboração e no aperfeiçoamento da legislação pró-inovação. •

Anpei, 26 anos no futuro.
www.anpei.org.br | anpei@anpei.org.br | (11) 3842-3533 Rua Helena 170, 13º andar. 04552-50 São Paulo, SP

Editorial

CT&I: pilar para o desenvolvimento
O País atravessa uma etapa muito rica de sua história, em que o desenvolvimento social e econômico avança pari passu com o fortalecimento das instituições democrá­ ticas. Há otimismo no ar, mas também uma vigilância crítica e uma cobrança de que o crescimento produza dividendos sociais e que a conduta ética pontifique em todos os setores da esfera pública. É nesse contexto que se realiza mais um processo eleitoral, envolvendo a esco­ lha do Presidente da República, senado­ res, deputados federais, governadores e deputados estaduais. O Brasil acompanha com atenção o embate democrático, em que é dado aos postulantes aclarar seus posicionamentos e explicitar suas plata­ formas de governo. É hora de colocar em pratos limpos o que cada um se propõe fazer pelo futuro do País. A comunidade dos que fazem Ciência e Tecnologia também se envolve nessa discussão, até porque vem sendo partí­ cipe da construção do novo país que está surgindo e não abdicam de suas respon­ sabilidades. Daí por que nossa revista resolveu criar um painel em que vozes representativas de importantes entida­ des nacionais ligadas à CT&I externam expectativas. A questão colocada é: “O que se espera dos futuros governantes para que o Brasil alcance um nível maior de desenvolvimento por meio da Ciência, Tecnologia e Inovação?”. A indagação fez surgir, nas páginas que se seguem, um repertório de ideias que se somam e se completam, constituindo preciosa resenha de opiniões. Em outras palavras: delineia­se um guia de suges­ tões para aqueles que postulam funções públicas e que estão atentos à importân­ cia cada vez maior da CT&I como suporte para o desenvolvimento sustentável. Enriquecem, ainda, esta edição, matérias sobre o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e sobre os investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento nos estados. Merecem destaque, também, as considerações finais da 4ª Conferência Nacional de CTI, evento que levou para a sociedade uma fecunda discussão sobre o desenvolvimento, encarando seus aspec­ tos econômico, ambiental e social. Desejo a todos uma boa leitura.

René Teixeira Barreira, presidente do CONSECTI

Ciência, Tecnologia e Inovação - Out/Nov/Dez 2010

|3

Edição Gestor CT&I C i ê n c i a . Tecnologia e Ensino Superior do Paraná. Tecnologia e Inovação Sumário Entrevista Secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. Jorge Santana Plano Estadual de CT&I Centro­Oeste ­ Mato Grosso Secretária de Ciência e Tecnologia. Ciência e Tecnologia do Acre. DF 70. João César Dotto Fábrica de preservativos de látex nativo Joaquim Olímpio Martins Diagramação Jornalista Responsável Paula Vianna JP­DF­1020 Tiragem 5. Flora Painter Nos estados: investimentos do BID em CT&I Diretor da Região Sul Secretaria Executiva Alberto Peverati Filho/ Laura Gomes Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de CTI Coordenador-Geral da 4ª Conferência Nacional de Ciência. Luiz Antonio Elias Por quais caminhos devem trilhar as políticas de CT&I T e c n o l o g i a e I n o v a ç ã o 5 10 14 16 18 20 22 24 26 28 30 Projeto em parceria com a Editora Elsevier Agência Comunica Lana Cristina Lana Cristina Marco Antonio de Alencar Realização Editora Opinião Especialistas respondem o que o Brasil precisa para o pleno desenvolvimento científico e tecnológico Os desafios em CT&I para os próximos governantes Redação Projeto Gráfico Fábio Pimentel Regional Norte ­ Acre Secretário de Desenvolvimento. Nildo Lübke Instituto de Tecnologia do Paraná . Ilma Grisoste Barbosa Sistema de Educação Profissional e Tecnológica Sudeste ­ São Paulo Secretário de Desenvolvimento. Tecnologia e Inovação.000 Editora Elsevier Impressão Nordeste ­ Sergipe Secretário do Desenvolvimento Econômico.322­915 Telefax: 55+61+3039-9446 www. Brasília.Out/Nov/Dez 2010 . da Ciência e Tecnologia e do Turismo de Sergipe.Tecpar Paulo Cesar da Costa (SC) Maurílio Abreu Monteiro (PA) 2º Vice-Presidente Diretor da Região Norte Plano Nacional de Banda Larga Presidente da Telebrás. Luiz Davidovich Dados preliminares do documento final Artigo SHS Quadra 06 Bloco E Conjunto A Sala 1109 Edifício Brasil XXI Asa Sul. Tecnologia e Inovação . Rogério Santanna Conexão para 14 milhões de usuários até o final de 2010 Diretor da Região Nordeste Jorge Santana de Oliveira (SE) Divino Valero Martins (DF) Diretor da Região Centro-Oeste Diretor da Região Sudeste Alberto Duque Portugal (MG) Paulo Cesar da Costa (SC) Banco Interamericano de Desenvolvimento Diretora de Ciência e Tecnologia do BID em Washington.br Siga­nos no Twitter @consecti Responsável pelo desenvolvimento de contas da Editora Elsevier na América Latina. Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência.consecti.org. Luciano Almeida René Barreira (CE) Presidente Sistema Paulista de Parques Tecnológicos 1º Vice-Presidente Lúcio Spelta (ES) Sul ­ Paraná Secretário da Ciência. Mariana Meyer Investir em informação é investir no futuro 4 | Ciência.

Tecnologia e Inovação . tecnologia e inovação: passado. presente e futuro O secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. . Luiz Antonio Elias.Out/Nov/Dez 2010 |5 Fotos: Marcello Casal Jr.Entrevista Ciência. fala das perspectivas do setor diante do caminho percorrido pelo país até o momento Ciência.

Por sua vez. uma vez mais. o CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. No início.Out/Nov/Dez 2010 . Gestor C. o secretário exe­ cutivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. Como se aumenta a capacidade Por Lana Cristina Q uais os desafios de curto prazo para o setor de ciência. Tecnologia e Inovação . e da percepção que a formação de recursos humanos. mas.Entrevista [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. é impor­ tante retomar um pouco a história da construção desse processo e a fase em que chegamos. Gestor C.T&I . como se pode agregar esse conhe­ cimento. inegavel­ mente. incrementando as universidades federais e permitindo o cresci­ mento da formação de mestres e doutores. à época mais voltado para a questão da infraes­ trutura e. na estruturação das políticas públicas que visam ao desenvolvi­ mento econômico e social. tem­se aí a intro­ dução da variável inovação. que colocam recursos cada vez mais efetivos no sistema. de forma mais estruturada. temos uma percepção importante da neces­ sidade da articulação dos atores envolvidos no sistema e de uma governança ampla dessa questão. Uma das etapas cons­ trutivas nesse processo. você não tinha alcançado uma institucionalidade forte no sistema. para a temática da inovação de maneira mais decisiva.Foi quando se começou a pensar num modo de como estruturar um meio permanente de financiar a ciência e a tecnologia e dar suporte estrutural. ele [o sistema] esteve muito voltado para a formação de recursos humanos. Hoje. até o fim desse ano. o processo demo­ crático de escolha dos represen­ tantes nas esferas governamentais. ao mesmo tempo. mais recentemente. de um lado. Tecnologia e Inovação] é muito recente no Brasil. que é a dos Fundos Setoriais. levar isso para o setor produtivo. ana­ lisa o cenário institucional do setor de ciência. o receio de que políticas que deram certo não tenham continuidade. Qual o desafio para o futuro de curto prazo para a ciência. Ele se forma a partir dos anos 50. na consolidação da infraestrutura de P&D. O sistema [Sistema Nacional de Ciência. Ou seja. Posteriormente. a impor­ tância do conhecimento científico e tecnológico? São indagações apro­ priadas para um ano em que se vive. assim como nas etapas de inovação. Mas. Nesta entrevista. posição medida pela indexação de artigos publicados em periódicos de alto renome. e o crescimento da ciência. Tanto que somos o 13º país e chegaremos. Luiz Antonio Elias. institucionalmente já consolidado como pasta desde 85. é o ambiente de recursos. para a pós­graduação. do Legislativo e do Executivo. tem uma enge­ nharia muito significativa também criada. são importantes para a geração de conhecimento no Brasil. com a Capes 6 | Ciência. não é isso? Elias – Na verdade. até a década de 90. tecnologia e ino­ vação? Que cenário os próximos governantes encontrarão e o que há por fazer para conso­ lidar. ampliando a capacidade e o ambiente favo­ rável para o investimento nas etapas de formação de recursos humanos. da relação forte entre a política industrial e a política de ciência e tecnologia. tecnologia e inovação e aponta os rumos que ainda estão por ser trilhados. tem-se um quadro institucional com um ministério exclusivo para a área.T&I . tecnologia e inovação brasileira? Luiz Antonio Elias – Para que eu possa responder na dimensão que você está perguntando. à 11º posição na produção do conhecimento científico. veio a criação da Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] em 1967. de outro. É normal que a mudança dos nomes que ocupam os cargos de decisão traga ao cidadão a sensação bené­ fica de possibilidade de mudança.Hoje.

ao complexo industrial da saúde.Out/Nov/Dez 2010 Eu permanentemente chamo a atenção de que o país é diverso. há dois anos. É necessário que a gente perceba a dimensão desse país. que é o conselho executivo entre o Ministério da Ciência e Tecnologia. na construção da governança com os estados e da federação com os municípios. apenas uma lei estadual de inovação existia. importante e aglutinador. ampliou­se o marco regulatório brasileiro. se antes nós tínhamos um ou Ciência. lançado em 2007]. Ou seja.Mostra uma prioridade. que era a do estado do Amazonas. Com o plano [Plano de Ação de Ciência. num ambiente favorável. Naquela época. com impacto na cadeia produtiva de bens de capital. Gestor C. há outra vertente. do Confap [Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa]. que foi fazer a articulação com as secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia e as funda­ ções de Amparo à Pesquisa. um conjunto de questões que possa trabalhá­la de forma perene. por meio |7 . foi a integração das carteiras e. Elias – Você coloca uma questão importante.T&I . Mas o sistema ainda não estava pronto. por sua capacidade de gover­ nança na área de petróleo e gás. são 14 leis esta­ duais de inovação e. que está se ampliando. É um salto significativo porque. ao agrone­ gócio. O que quero dizer com isso? Você não pode transportar elementos construtivos de um processo do Sudeste do Brasil para o Nordeste. pura e simplesmente. Você tem que respeitar a dimensão de cada região. portanto. dentro de um cenário amplo e transversal. ao Plano de Defesa. Além disso.de investimento. a capacidade de recursos. de modo a trazê­las para dentro desse processo. Eu permanentemente chamo a atenção de que o país é diverso.Afinal. Hoje. poste­ riormente. dos instrumentos. Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. a determinação foi a de organizar um conjunto de ações que desse conta de inter­ pretar essa matriz ciência. não bastava ter a capaci­ dade de formar recursos humanos. Tanto que se constituiu um conselho. Gestor C. portanto. os secretários. Depois. sensores ópticos. o geógrafo da USP [Universidade de São Paulo]. tecno­ logia e inovação.. E ele precisa ter um olhar integrado. Mas precisava de outro elo final para essa cadeia ser fechada. Ou seja. não é isso? Elias – Claro. desde que se saiba construir. Tecnologia e Inovação] e as FAPs [Fundações de Amparo à Pesquisa]. A ideia paralela a isso. por meio do Consecti [Conselho Nacional dos Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência. para a integração com o Cenpes [Centro de Pesquisas e Desenvolvimento] da Petrobras. A diversidade pode ser positiva. tem um pro­ cesso desigual de cons­ trução. Isso foi feito. Tecnologia e Inovação . de dispêndios em pesquisa e desenvolvimento [P&D]. Gestor C. tem um processo desigual de construção. que é de micro­ eletrônica. Conjuntamente à cons­ trução deste modelo. E ele precisa ter um olhar integrado. o país é grande e tem suas regionalidades. entre o BNDES e a Finep. mas olhando a dimensão do setor empresarial como um elo importante dessa cadeia. no estado. Isso permitiu construir um plano de ciência e tecnologia que pudesse dar dimensão aos aspectos rela­ cionados à educação. em cima dessa variável. olhar as agências de regulação com a capa­ cidade de ter uma agenda seletiva para estruturar políticas públicas voltadas para P&D nas cadeias produtivas que são inerentes à sua temática.Qual? Elias – As agências de regulação.T&I . de dar cons­ trução a esse processo com os secretários e as FAPs. como dizia Milton Santos. iniciou­se um processo de parceria. Daí veio a idéia dessa política. se não se tinha a governança do processo e a institucionalidade estabele­ cida. talvez sejam 17. que é a agenda estar incluída naquele estado como uma agenda estruturante. Isso foi feito de 2006 para 2007. Partimos. portanto. com o Fórum dos Secretários Municipais de Ciência e Tecnologia. E esse é um olhar diverso. até o final do ano.T&I . partiu­se para algo que é funda­ mental. além da insti­ tucionalidade estar consignada no território. Precisávamos. como um território integrado e não como um terri­ tório fragmentado.

precisamos esperar mais que esse percentual. Pode-se dizer que isto é Política de Estado de Ciência e Tecnologia? Está fortalecida como tal? Elias – Acho que sim. ao mesmo tempo. Nos Estados Unidos. participar de movi­ mento. de saneamento. que temos um marco regula­ tório suficiente e emparelhado com as grandes economias internacio­ nais. em todas as reuniões que tivemos com o setor empresa­ rial. O governo foi convidado para. Já nesse ano vamos conseguir chegar a uma média razoável de cresci­ mento e consolidação dos recursos e dispêndios para ciência. Veja o exemplo da 4ª Conferência Nacional de Ciência. elevando a capacitação pela via dos CVTs [Centros Vocacionais Tecnológicos]. a partir das suas quatro dimensões. a Lei de Inovação. temos a vertente que visa levar esse conhecimento para o desenvolvimento social brasileiro. Planejamos a conferência olhando a dimensão da construção desse sistema e sua interatividade com a sociedade brasileira. elevamos a capacidade da produção e.T&I . Esse quadro não poderá ser completo se a agenda de ciência e tecnologia não for introduzida como elemento construtivo nesse processo. 60% a 65% das empresas contem­ pladas com recursos são de pe­ queno porte.T&I . é de médias empresas e o restante é de grandes empresas. de construção e de salto da economia brasileira. em 2014.Out/Nov/Dez 2010 . Estamos caminhando para chegar próximos do nível dos grandes países que investem em P&D. isso está resolvido? Elias – Do meu ponto de vista. pela via dos arranjos produtivos com os estados. vendo quais são as áreas estraté­ gicas para a próxima década. vamos chegar muito próximos disso. em função do risco que é inerente a essa atividade. está completamente resolvido. no eixo 4. Hoje. Gestor C. certamente todos vão ganhar. agora. [esse investimento] é de quase 3% [do PIB]. Tecnologia e Inovação . no eixo 3.Ainda há muitas áreas carentes. por exemplo. Cito. Caminhamos agora para outra vertente. Gestor C. que é a interiorização Estamos caminhan­ do para chegar próxi­ mos do nível dos grandes países que investem em P&D. junto com a Confederação Nacional da Indústria [CNI]. à disposição das empresas e da pesquisa científica no nível nacional. não é mesmo? Nas engenharias. pela via das organizações consorciadas de trabalhadores.T&I . Em 2014. a Lei de Biossegurança. tecnologia e inovação. Em 2020. a dimensão da infraestrutura do conhecimento e da produção cien­ tífica. voltado para mobilizar os empresários na construção desta agenda de inovação. Primeiro. precisamos atingir os 2%. e a discussão que estamos finalizando sobre a Lei da Biodiversidade. a capacidade de formação de recursos humanos.T&I . E. Uma parcela. anali­ samos o Plano Nacional de Ciência e Tecnologia e o futuro.Sempre houve uma reclamação do setor produtivo que alegava não ter recursos para investir em inovação.Há empresas de médio e pequeno porte beneficiadas? Elias – Na subvenção econômica. do que chama­ mos Mobilização Empresarial pela Inovação [MEI]. por exemplo. Na área de ciência e tecnologia. Gestor C. Depois. ainda mais com as demandas do pré-sal que se vislumbram? Elias – Sim. Se o estado e o município se associam com a União nesse movimento. de 20% ou 15%. Gestor C. Precisamos atingir 2% do PIB [Produto Interno Bruto] em dispêndios de P&D. Tecnologia e Inovação [realizada em maio]. para que elas possam incorporar.É meta para quando? E em quanto está esse percentual hoje? Elias – É uma meta para 2020. Estamos participando. dentro desse cenário. E a conferência nos desafiou ainda mais a pensar elementos à frente. O senhor acredita que. a capacidade de inovação das empresas. ou seja. ampliamos a capa­ cidade do mercado do consumo de massa. Mas eu acredito que. cada vez mais. ou seja.T&I . No eixo 2. Verifica­se claramente. Gestor C.Entrevista dois instrumentos oriundos desse marco regulatório. a Lei do Bem. Um exemplo concreto do que estou falando é como melhorar as cadeias produtivas da 8 | Ciência. área de habitação. Nos Estados Unidos. nós estamos numa posição intermediária. contingentes de mão de obra ao mercado interno. hoje temos um conjunto vasto de instrumentos colocados à disposição do público. temos uma matriz importante no mercado interno brasileiro. compreendendo a dimensão da importância da tecno­ logia como um elemento cons­ trutivo de renda e emprego para aquela população. [esse investimento] é de quase 3% [do PIB]. que é a distribuição de renda com a via da produção. além de termos um ambiente de recursos muito favorável. a Lei de Informática.Vamos ter mudança de governantes num futuro próximo e o senhor falou da importância do pacto federativo nesse processo. Depois. por exemplo.

ao mesmo tempo.T&I . o plano para a cadeia da microeletrônica terá forte impacto na cadeia de semicondutores. por exemplo. aliás. pois leva o conhecimento para as fronteiras do Brasil. a construção da cadeia do pré­sal. revi­ sitar toda a formação de recursos humanos em toda a educação. além de apresentar outro desafio. olhando a dimensão da fronteira do conheci­ mento. E que nós tivéssemos. que está crescendo. Ele foi apontado como uma grande questão que a gente pudesse responder. gera­se renda e emprego e. para elevarmos a capaci­ dade da produção de princípios ativos no Brasil.T&I . extrai­se da floresta o que ela tem de melhor. com a biodiversi­ dade brasileira. A conferência tratou dessa dimensão com destaque muito significativo. da formação de recursos humanos. Nós introduzimos o eixo da educação como eixo estru­ turante do processo. Gestor C. certamente. O projeto de banda larga revisita esta questão. enfo­ cando. que tem que ser mais diversificada e tem que responder mais fortemente à inte­ gração do Brasil em todos os seus elementos construtivos. ou seja. pensar como nos desenvolvermos. Gestor C. a energia foto­ voltaica. não foi isso? Elias – Foi interessante isso. Tecnologia e Inovação . Mas essa ideia passa não somente pela questão dos recursos e da ambiência. o governo que virá dará continuidade a esse processo e perceberá que avançamos de forma significativa. Ciência. por força dessa construção e dessa institucionalidade. a energia eólica. é pensar como capacito as popula­ ções que vivem da floresta para que elas sejam empreendedoras. Por outro lado. ao mesmo tempo. na pós­graduação. um ambiente muito mais favorável de serem enfrentados do que há 10 anos. das questões temáticas e de alguns desafios. muito. Nós percebemos a importância de ter uma comissão organizadora ampla.Falou-se muito na importância de se investir na educação básica. Um deles. Temos alguns desafios. desde a primeira infância. da pesquisa no Brasil.E o outro complexo industrial. não só a área de telecomunicações no Brasil.E o olhar para o futuro? O que o senhor vê diante de tudo isso? Ainda há muito por fazer? Elias – Sim. E. de aces­ sibilidade. Em resumo. num exemplo concreto. Mas. mas esses desafios terão. Nós precisamos. com quase 40 entidades da sociedade civil. nessa dimensão da intensi­ dade tecnológica. como a da energia: os biocombustíveis. mantém­se o manejo sustentável e a floresta numa ambiência e numa condição climática favorável. Gestor C. de ampliar a infraestrutura científica no interior. É também.Por último. Estamos caminhando para isso? Elias – Com certeza.T&I . mais. Foi tratada. numa conferência de ciência e tecno­ logia. com os estados. um reforço das engenharias. Essa conferência teve um aspecto diferenciado das anteriores. Cada vez que se faz esse movimento. durante a conferência.T&I . E foi um bom debate. o hidro­ gênio e a questão do carro elétrico. como um elemento de inclusão. introduzir o elemento da sustentabilidade não só dos recursos. qual é? Elias – O outro é o da tecnologia da informação. o complexo industrial da saúde. E ainda: como pensar naquelas populações ribeirinhas. Identificou também dois complexos industriais muito significativos. Isso tem sido impor­ tante.Out/Nov/Dez 2010 |9 . E percebemos a importância de não apenas tratar a questão do marco legal. Era preciso mudar o paradigma. mantendo a floresta em pé e com manejo sustentável que permita a utilização daquela floresta. a importância do Plano Nacional de Banda Larga como elemento cons­ trutivo desta agenda e. como elemento impor­ tante de cidadania. como dar um novo padrão a esse processo de crescimento. E a socie­ dade respondeu colocando várias propostas para que se tivesse a . mas também da sustentabilidade da ambiência em si. As engenharias precisam ser revisi­ tadas. estamos cada vez mais fixando mestres e doutores por todo país. eu gostaria de lembrar que o eixo central da conferência foi discutir tudo isso dentro do espírito do desenvolvimento sustentável.questão científica focada desde o ensino fundamental e não apenas na pós­graduação. Você tocou num ponto que é muito importante. A confe­ rência também olhou para áreas estratégicas. hoje. Isso foi o norteador. Gestor C. A confe­ rência reconheceu isso e colocou essa como meta importante.

na área de ciência. do ponto de vista do investi­ mento. também no desenvolvimento de produtos e processos inovadores. fomentos. aumentar o volume 10 | Ciência. Uma delas foi a implementação de fóruns permanentes de incentivo à inovação. mais especificamente há cerca de uma década. a Anpei coletou uma série de suges­ tões para a promoção de um ambiente mais favorável à inovação. incentivos e políticas públicas. “A indústria tem que participar direta­ mente. Ainda que o país tenha um cenário muito mais favorável do que 50 anos atrás. Em maio. com investimentos crescentes na produção de conhe­ cimento e. com base no incremento da ciência. mais que isso. para que o setor privado atue na avaliação de leis. em fóruns permanentes. governamental e empresarial nos fóruns de públicas voltadas para a decisão e elaboração de políticas públicas promoção da inovação. e inclusão das empresas na governança e na gestão dos instrumentos de fomento e políticas públicas de inovação. promoção de mais isenção fiscal para quem investe em inovação e. aumentar o investimento das empresas em pesquisa e desenvolvimento (P&D). na Foto: 123rf. Fóruns de decisão Para Guilherme Marco de Lima. tecnologia e inovação O Entre elas. tecnologia e inovação. estão: uma maior inte­ gração entre universidades e insti­ tutos de pesquisa com as empresas. vice­ ­presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) – entidade que representa indústrias que empregam 20 mil pesquisadores – o pilar­base para que o país seja competi­ tivo é envolver o setor acadêmico. empresa­ rial e governamental não só num processo de promoção do desen­ volvimento científico e tecnológico.com / sxc. que a inovação seja encarada como prioridade e a estra­ tégia que dará ao país competitivi­ dade no cenário global. traz uma série de desafios apontados tanto por entidades representativas do mundo acadêmico como do mundo empre­ sarial.Out/Nov/Dez 2010 Foto: Agência Diário do Nordeste/Waleska Santiago ano de 2011 começa com novos governantes nas esferas federal e esta­ dual e. os gover­ nadores e o novo presidente têm à frente diversas questões sobre as quais se debruçar e buscar resolver. aperfeiçoar o arcabouço legal e o sistema de controle.hu . Mas também aumentar a interação desses três atores na Guilherme Marco de Lima. Tecnologia e Inovação . invertendo os percentuais hoje regis­ trados diante do investido pela área governamental. de recursos para o setor na compa­ ração com o Produto Interno Bruto (PIB).Opinião Avançar ainda mais Entidades representativas dos mundos acadêmico e empresarial enumeram os desafios para tornar o país competitivo. com representação empresarial. das decisões de incentivo à inovação. da Anpei: integrar os setores geração de políticas acadêmico. na sua X Conferência.

produção um momento especial. com maior participação da indústria. O presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de Ciência. para que sejamos generosos na renúncia fiscal. defende Lima. mais incen­ tivos fiscais. para ter um movimento nesse sentido. de acordo com dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. melhores bases físicas para a universidade e a pesquisa. “É preciso mais recursos do orçamento. até 2020. para que o país cresça mais forte ainda.3% para 2% do Produto Interno Bruto a destinação de recursos para a produção científica e tecnológica. se faz presente em diversas instâncias. “Inovação é essencial para chegarmos a um acréscimo de valor agregado às exportações”. os próximos gover­ nantes têm que dar continuidade na priorização da inovação para o desenvolvimento. Para a Anpei. para fazer a inovação aqui”. os parâmetros para produção de trabalhos científicos como formação de doutores. a ABC atua como sociedade científica honorí­ fica e congrega cientistas das mais variadas áreas do conhecimento.7%. Palis considera um desafio para os próximos mandatários criar um ambiente estimulante de novas ideias. Segundo ele. Matemático. “Vivemos Somos o científica. Entidade independente sem fins lucrativos.T&I tem que estar até 5% maior que o crescimento econômico para que o país seja competitivo Recursos Humanos O presidente da ABC enfatiza que as cinco últimas décadas repre­ sentaram um avanço significativo na produção científica e na formação de mestres e doutores. por parte das empresas. O debate sobre a importância da maturidade institucional. entre duas a três vezes. Mas ele ressalta que. Países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) investem 2. técnicos de laboratório e também planejadores”. A lei exclui as empresas do Simples e outro limitador é a exigência de geração de lucro no exercício em que se tem acesso à isenção”. O presidente da ABC. Tecnologia e Inovação . para que haja estí­ mulo in loco. Palis tem na ponta do lápis todas as contas necessárias para avaliar a maturidade brasileira na produção de conhecimento e o que ainda é preciso fazer para aumentar os indi­ cadores. E. Países como os Estados Unidos e o Japão investem até 3% do PIB no setor. Lei que veio a somar. nesse cenário. investimentos privados estão prati­ camente emparelhados com os investimentos governamentais. René Barreira. ligados à área de pesquisa. Os acima em 4. Ele defende também que o cresci­ mento dos investimentos em ciên­ cia. Mas que o próximo governo precisa agir rapi­ damente no esforço de duplicar o conjunto de recursos humanos. Essa interação na geração de políticas públicas voltadas para os interesses das empresas é essen­ cial”. Jacob Palis. tais como laboratórios.Out/Nov/Dez 2010 | 11 Foto: Ricardo Lemos/Ascom/MCT . Tecnologia e Inovação (Consecti).3% da científica mundial. o ritmo do crescimento da produção do conhecimento cien­ tífico e tecnológico tem que estar acima do crescimento econômico. “é preciso que haja muita seriedade no cumprimento das medidas. Mas. os instrumentos de incentivo às empresas. Falta uma curva de amadurecimento na concessão de benefícios. “Precisamos qualificar o ensino como um todo desde a educação básica. por exemplo. Jacob Palis. tecnologia e inovação esteja Benefícios fiscais Mais benefícios fiscais também são defendidos pelo presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC). diz o matemático. o Brasil tenha as três esferas de governo unidas num pacto federativo em prol do desenvolvi­ mento científico e tecnológico e com um nível de interação com o setor privado não cogitado num passado recente. ainda que tenha cres­ cido o número de empresas que usam os benefícios da Lei do Bem. estru­ tura física. diz que o crescimento dos investimentos em C.elaboração de políticas públicas de fomento. O presi­ dente da ABC estima como ideal chegar a um percentual de 60% de investimento no setor. observa Palis. sem perder em qualidade. em P&D. observa o vice­ ­presidente da Anpei. hoje. que faz com que. mas há um potencial de empresas que poderiam estar inovando e não o fazem. Ciência. referindo­se à lei que concede isenção no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).5% a 5% do cresci­ mento econômico para que se chegue à meta de aumentar de 1. 13º país em produção produzimos 2. devem ser ampliados”. precisamos multiplicar.

T&I estão presentes na sociedade tiva” entre as empresas é o fato de enfrentarem riscos econômicos e os elevados custos para promoção da inovação. lamenta Borges. tecnologia e inovação. na Lei 8. a indústria e o comércio.T&I estão presentes na sociedade “perpas­ sando segmentos tão diversos quanto a educação. presidente do Consecti: os que postulam a um cargo público não podem se esquecer do quanto a C. o Confap reúne 23 fundações dos estados e do Distrito Federal.Out/Nov/Dez 2010 . Para ele. mas também as de nível operacional. ainda é preciso Cultura inovativa A cultura inovativa ainda não faz parte da rotina das empresas. Entidade sem fins lucrativos. segundo Lucchesi. Mario Neto Borges. O mesmo é defendido pelo vice­ ­presidente da Anpei. é preciso apoiar planos e programas de inovação dentro das empresas e não projetos. é uma legislação que não atende às necessidades da pesquisa e que serve para atender à demanda de atividades administra­ tivas. De acordo com ele. por exemplo. mas para ativi­ dades administrativas”. a saúde. para o presidente. da tecnologia e da inovação. “A maior parte dos municípios está engati­ nhando nessa área”. que tem por missão articular os interesses das agên­ cias estaduais de fomento à ciência. o presidente da Confap também destaca a importância da formação de recursos humanos. “Usam [os governos] uma lei tradicional que não foi criada para a ciência e tecnologia. no cenário da institucionalidade. o financiamento de projetos por meio de editais. Mas. Essa é uma tarefa para os próximos governantes: implementar políticas que estimulem as empresas a inovarem. diz. Para o diretor. para o controle das ações voltadas à ciência. Nenhum desses setores se desenvolverá de uma forma conti­ nuada e sustentável. os governos federal. por exemplo. se não contar com o decisivo apoio da ciência. Faltam ações e iniciativas para o setor em nível municipal. que estipula regras para as compras governamentais. Outro ponto destacado pelo presi­ dente do Confap são as amarras que impedem a desburocrati­ zação do acesso não só aos recursos. admite o diretor de Operações da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foto: Divulgação/Fapemig Aperfeiçoar o arcabouço legal e o sistema de controle do fomento à pesquisa científica e tecnológica é essencial na visão do presidente do Confap. Rafael Lucchesi. “Precisamos de uma enge­ nharia nacional forte e com quan­ tidade e qualidade suficientes de profissionais”. E. é um dos gargalos que o país tem. Mario Neto Borges René Barreira. Panela aumentar o envolvimento dos municí­ pios.Opinião lembra que aqueles que postulam a um cargo público não podem se esquecer do quanto a C. Outra questão. por exemplo. se o Brasil tem uma meta arrojada de crescimento da economia.” Foto: Jr. como inovação”. que dificultam as empresas a criarem focos nas áreas estratégicas. a área de engenharia. Ele cita. é o direcionamento quase carimbado dos instrumentos de apoio para o meio acadêmico. Com isso. Borges coloca como desafio para os futuros governantes o aperfei­ çoamento do arcabouço legal e do sistema de controle. e ainda a baixa subvenção econômica. que ressalta: Articulação Fortalecimento das agências de fomento à ciência e uma maior articu­ lação entre essas agências é o que defende o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). “Há tantos problemas macroeconô­ micos. Lucchesi acredita que um dos motivos para haver uma “baixa cultura inova­ 12 | Ciência. Segundo Borges.666/93. que não acompanham o fluxo industrial e o processo das empresas. como educação. estadual e muni­ cipal se baseiam. as empresas acabam tirando a inovação de produtos e processos do foco de seus planos de estratégia. Tecnologia e Inovação .

Além disso. depois disso. como essencial na consolidação e ampliação de uma política de Estado que tem a ciência como recurso fundamental para o desenvolvimento econômico e social sustentável do país. depois. então.05% do PIB. Entre a faixa etária de 25 a 34 anos. no Japão. O estímulo à educação e à formação de pesquisadores com uma cultura voltada ao mercado também são ques­ tões defendidas pela Anpei. não reembol­ sável. que prevê redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). mas é necessário aproximar mais esses profissionais das empresas. viria a subvenção econômica. a 54%. Tecnologia e Inovação . segundo ele. entre quatro principais. Na Coreia do Sul. a 19% e no Chile. Foto: Miguel Ângelo/CNI dessas empresas. Ao contemplar projetos. docu­ mento­carta aos presidenciáveis em que a tônica principal era “O Brasil precisa de uma revolução na educação”. da CNI: a cultura inovativa ainda é baixa nas empresas por causa do risco e dos altos custos Em documento divulgado em maio. Guilherme Marco de Lima dá como exemplo concreto a ideia de produzir uma caneta com uma nova tecnologia. defendem a SPBC e a ABC. a 18%. conta. Na China. especialmente enge­ nharia. Sem o apoio previsto na Lei de Informática. na sequência. na Rússia. a Academia Brasileira de Ciências assinou. escolheram esse tema. 80% desses profissionais estão nas empresas e 13% nas universidades. “Temos 36 mil formados em mestrado e doutorado [dados de 2008] no país. para desenvolver o protótipo da caneta. diz Lima. Para a CNI. A título de comparação. no México. é item partilhado entre as instituições acadêmicas. antes das eleições. ou seja. Rafael Lucchesi. valor bem abaixo de outros países e semelhante ao do México. “É preciso inverter essa lógica no Brasil e ter mais pesquisadores nas empresas”. não é uma lei que incen­ tiva a pesquisa e a inovação. apenas 10% são formados em ciências e engenharia. e. Ciência. simplificar procedi­ mentos para seleção de indústrias beneficiadas pela subvenção e alterar o cronograma de concessão do benefício para permitir que haja um fluxo operacional contínuo. Estamos avançando na formação de recursos humanos. “A revo­ lução educacional que se busca tem de ser de qualidade. Dados da OCDE. Na China.investir em programas significa olhar do início ao fim da cadeia do processo inovativo. a 55%. científicas e empresariais como essencial para o fortalecimento do desenvolvimento de uma ciência voltada para o salto de qualidade que se pretende para o Brasil. a CNI colocou na agenda da inovação o estabelecimento de metas para o número de empresas inovadoras e apoiar planos de inovação dentro . apontam que 67% dos pesquisadores no Brasil trabalham em universidades e 27% nas empresas. os editais esta­ riam focando só numa dessas fases. As duas entidades. Dados divulgados na conferência da enti­ dade. no Brasil. representativas do meio acadê­ mico. Inclusão social e sustentabilidade A educação. o percentual é de 39%. precisa alcançar toda a população brasi­ leira e se dar um todos os níveis. com o título “A Indústria e o Brasil”. no entanto. a interação universi­ dade­empresa. do mercado de trabalho”. pois é direcionada a tornar os produtos de informática competitivos para a Zona Franca de Manaus. em maio. o índice chega a 56%. numa última instância. 67% do apoio do governo à P&D provêm da Lei de Informática. a escolaridade é conside­ rada baixa. incluindo o ensino técnico e as diversas formas de educação supe­ rior”. essa. outra constatação: dos que completaram o nível superior. Lá. apenas 10% têm curso superior completo.Out/Nov/Dez 2010 | 13 . o recurso reembolsável para a produção em escala piloto. com sustentabilidade no crescimento econômico e inclusão social. Junto com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). para se apro­ ximar da oferta média dos países desenvolvidos. melhorar e fortalecer o ensino público. trazidos no docu­ mento. esse índice é de 28%. o fomento à P&D fica em 0. o vice­ ­presidente da entidade mostra dados brasileiros: o Brasil forma em torno de 4% daqueles que saem das universidades na área das ciên­ cias duras. a pro­ porção é inversa. “A primeira parte desse processo é a geração do conheci­ mento. que é o desenvolvimento do produto em si. valori­ zando o professor. No país. principalmente quando se compara à de outros países. mostram que. enquanto nos Estados Unidos. seria necessário dispor de outra forma de recurso para potencializar o produto no mercado”. aumentar em 50% os recursos para subvenção à P&D no setor privado.

entre outras instituições públicas. por ser o primeiro preservativo de látex oriundo de seringueiras nativas. quando inicia­ ram­se os estudos de viabilidade técnica e econômica para instalação de uma indústria de preservativos em Xapuri. pela tecnologia adotada. e uma fábrica ajudaria a reativar essa cultura de mais de 100 anos. Os investi­ mentos em ciência e tecnologia no estado viabilizaram a instalação da primeira fábrica do mundo a produzir camisinhas do látex das árvores nativas.Norte De Xapuri para o Brasil Tecnologia viabiliza produção de preservativos de látex natural e melhora vida de seringueiros no Acre Foto: Divulgação/Preservativos Natex Fábrica de preservativos de Xapuri reativa a cultura centenária da extração do látex natural m produto inusitado. chamou a atenção dos participantes da 4ª Confe­ rência Nacional de Ciência. Naquela região. de pouco mais de 15 mil habitantes. Outros objetivos eram contribuir para o desenvolvimento do estado e reduzir a importação de preservativos pelo Ministério da Saúde. produtos cuja confecção teve o apoio ou o estí­ mulo das secretarias de Ciência e Tecnologia de todo o Brasil. Tecno­ logia e Inovação (4ª CNCTI). que ocorrem naturalmente nessa pequena cidade do Acre. João César Dotto. Tecno­ logia e Inovação (Consecti). E quem levou para U casa uma das camisinhas distri­ buídas na 4ª CNCTI pode não ter se dado conta de que tinha em mãos um produto inovador. A história desse empreendimento começou em 2000. Os preserva­ tivos masculinos produzidos na cidade acreana de Xapuri foram o brinde que se esgotou mais rapi­ damente no estande do Conselho Nacional dos Secretários Nacionais para Assuntos de Ciência. Parcerias estratégicas Dotto explica que foram necessários vários anos e diversas parcerias do governo do Acre com os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia. “Mas o principal mesmo que a gente focava era a melhoria da qualidade de vida do seringueiro”.Região . no evento.Out/Nov/Dez 2010 . Ciência e Tecnologia do Acre (SDCT). 14 | Ciência. que promoveu. explica o secretário de Desenvolvi­ mento. Tecnologia e Inovação . morto em 1988. Estima­se que mil preservativos tenham sido distribuídos no primeiro dia do evento. a economia extra­ tivista da borracha encontrava­se estagnada. mais conhecida como a cidade do ativista ambiental Chico Mendes. ocorrida em maio deste ano.

Dirlei Bersch. Instalada em 2008. o secretário João César Dotto conclui: “O alcance social desse empreendimento é muito maior que [a produção] dos preser­ vativos. é a melhoria da qualidade de vida da população de seringueiros e do município”. foram investidos R$ 30 milhões e quem coordena a gestão desse empreendimento é a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac). Certificadas pelo Inmetro e pela Anvisa. As certificações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) comprovam a qualidade e a segurança do látex de borracha natural. Além disso. todos destinados ao Ministério da Saúde para distribuição gratuita em postos de saúde e nas campanhas de prevenção a Doenças Sexual­ mente Transmissíveis e Aids (DST/ Aids).para viabilizar o empreendimento em todas as suas etapas: desde a reti­ rada do látex das seringueiras. ganharam novos utensílios e se beneficiaram da infraestrutura de logística que foi instalada na reserva para o melhor escoamento da produção. Eles passaram por cursos de capacitação. foram feitos investimentos em saneamento e energia elétrica e o poder aquisitivo dos seringueiros também aumentou. as camisinhas de Xapuri têm comprovadas a qualidade e a segurança do látex de borracha natural A fábrica produz anualmente 100 milhões de preservativos.Out/Nov/Dez 2010 | 15 Foto: Divulgação/Preservativos Natex Foto: Divulgação/SDCT . instituição ligada à SDCT. Tecnologia e Inovação . conta como o empreendimento bene­ ficiou o povo e a economia de Xapuri. 92% são moradores do município de Xapuri. A gerente da fábrica. O secretário João César Dotto destaca a melhoria da qualidade de vida dos seringueiros com o resgate da atividade de extração do látex natural para a fabricação de preservativos . “A fábrica tem 160 empregados e. Sobre a importância da instalação da fábrica para o desenvolvimento de Xapuri. da Reserva Extrativista Chico Mendes. produz anual­ mente 100 milhões de preservativos. e um cuidado especial foi dado a esses trabalhadores. gerando o aque­ cimento da economia do município e atraindo novos investimentos do setor privado”. até a logística de distribuição dos preservativos para toda a Região Norte e outros estados do Brasil. adquiridos pelo Ministério da Saúde para distribuição gratuita em postos de saúde e nas campanhas de prevenção às DST Ciência. que tem o nome de Natex. Ao todo. pois o preço do látex subiu cerca de 250% após a implantação do complexo fabril. Já na Reserva Chico Mendes. cerca de 700 famílias de seringueiros trabalham na coleta do látex. Foto: Divulgação/Preservativos Natex desse total. a fábrica.

hoje. incentivam a competitividade econômica em Sergipe estado de Sergipe já aprendeu a lição: investir em Ciência. Novos equipamentos também foram comprados. Jorge Santana de Oliveira. as empresas precisam Foto: Divulgação/SEDETEC O Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe: laboratório compartilhado pelas empresas sergipanas de pequeno porte recebeu investimentos de R$ 1. esse tema é cada vez mais importante para a competitividade empresarial. Sergipe vem ampliando as ações e os inves­ timentos na área.Nordeste Um novo olhar para o desenvolvimento Ciência e tecnologia. criado a partir das discussões da I Conferência Estadual de Ciência. E sempre utili­ zando recursos não reembolsáveis. O Plano Estadual de CT&I. Para ampliar e qualificar as ativi­ dades do instituto. da Ciência e Tecnologia e do Turismo de Sergipe (SEDETEC). Segundo o titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico. Outro local estratégico para levar a temática de CT&I ao setor produtivo é o Parque Tecnológico SergipeTec. da ordem de R$ 1. ocorrida em 2008. Tecnologia e Inovação (CT&I) é um dos fatores mais relevantes quando o assunto é tornar mais competitiva a economia de uma região. Ampliando ações Com o objetivo de ajudar as empresas a cumprir essa tarefa. como incentivos fiscais e acesso ao crédito. principal­ mente as de menor porte.Out/Nov/Dez 2010 . A autarquia esta­ dual funciona como um grande laboratório compartilhado pelas empresas sergipanas. garantiu mais rapidez e confiabilidade às análises realizadas pelo ITPS. Um exemplo ocorre no Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe (ITPS). nos processos e nos produtos”. um espaço estraté­ gico para o desenvolvimento de novas políticas públicas. é fazer com que as empresas coloquem ações de CT&I em suas agendas. O parque é uma espécie de habitat para empre­ endimentos inovadores e acolhe empresas da economia do conhe­ cimento. foi desenvolvido um trabalho para atração e fixação de doutores. começam a perder rele­ vância. aquelas que trabalham 16 | Ciência. antes conhecidos como recursos a fundo perdido. como política pública. e até para ter sua sobrevivência assegurada. um estado ou país. ainda que continuem tendo seu espaço na consolidação de um cenário favorável ao desenvolvi­ mento científico e tecnológico.3 milhão. a questão central. deu base para um amplo conjunto de ações que vêm sendo desenvolvidas no estado nordestino. ao mesmo tempo em que fatores. “Para se tornarem competitivas.3 milhão se atualizar tecnologicamente e adotar um perfil inovador na gestão. O inves­ timento. em Sergipe. desde a reestru­ turação de órgãos estratégicos. Tecnologia e Inovação . ao financiamento de pesquisas e à concessão de bolsas.Região . Como a pesquisa científica e tecno­ lógica ainda está muito concen­ trada nas universidades. elas encontram prestação de serviços e suporte tecnológico. Surge. Tecnologia e Inovação. então. Lá.

285 auxílios para a divulgação científica e 573 bolsas foram concedidas. editais públicos e de recursos inves­ tidos em projetos de pesquisas também é fundamental na consoli­ dação desse novo olhar para o desen­ volvimento de Sergipe. fortalecer a pesquisa científica e tecnológica e assegurar o capital humano indispensável para o presente e para o futuro”. com o lançamento do edital do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas (Pappe). foram firmados convênios para o financia­ mento de ações de extensão tecno­ lógica e outras ações estruturantes Jorge Santana: “Para se tornarem competitivas. Tecnologia e Inovação . o parque tecno­ lógico foi transferido para o campus principal da Universidade Federal de Sergipe (UFS). sendo 164 pioneiras de mestrado e doutorado. e até para ter sua sobrevivência assegurada. sete vezes mais que do que era captado há apenas três anos.Out/Nov/Dez 2010 | 17 Foto: Divulgação/SEDETEC . . já ultrapassam R$ 20 milhões. aprovada em 2009. Por isso. em 2010. como o ITPS e a Universidade Federal de Sergipe (UFS).com o desenvolvimento de tecnolo­ gias da informação e comunicação. Participam desse processo instituições locais. e o governo do estado. agência de fomento vincu­ lada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A Fundação de Apoio à Pequisa e à Inovação Tecnológica (Fapitec). Os recursos investidos. inclusive. as empresas precisam se atualizar tecnologicamente e adotar um perfil inovador na gestão. “Os resultados contribuem para tornar a economia sergipana mais competitiva.T&I certamente vão se refletir cada vez mais no desenvolvimento regional. a partir dos editais lançados. a primeira aplicação prática da Lei Estadual de Inovação se dará ainda em 2010. uma parceria da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Segundo o secretário Jorge Santana. Essa ligação. captou junto às agências federais de fomento à pesquisa. em 2007. O SergipeTec também é um espaço de interação com instituições de ensino e pesquisa. Novo olhar A ampliação do número de bolsas. Como forma de consolidar as ações de CT&I voltadas às empresas. criou condições para que as parcerias entre empresas e instituições de CT&I do estado fossem viabilizadas. Nesse período. A Finep também é parceira em outras iniciativas.9 milhões. oriundos de emendas ao Orçamento Geral da União e do Tesouro Estadual. A infraestru­ tura continua sendo reformulada ao longo deste ano. A Lei Estadual de Inovação. O Pappe facilitará a transferência de recursos de subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) dire­ tamente para os empreendimentos. é vista como fundamental para o desenvolvimento do estado. por exemplo. foram contratados 273 projetos de pesquisa científica e tecnológica. Na avaliação do secretário. nos processos e nos produtos” em ciência e tecnologia. Sergipe instituiu o marco legal da inovação. os avanços da política estadual de C. Com a entidade. A lei aumentou o volume de recursos públicos para projetos inovadores e favoreceu o incremento da geração de negócios com foco em inovação tecnológica. R$ 21. Ciência.

Antes disso. É dentro dessa visão que Mato Grosso tem investido em polí­ ticas públicas voltadas à formação profissional e tecnológica gratuita em diversos municípios do estado. ainda. O cenário começou a mudar com a definição dos primeiros marcos legais. uma rede de 17 escolas de educação profissional. Não havia investi­ mentos estaduais nessa modalidade de ensino. o Ceprotec inclusão social e a inserção do cidadão no mercado de trabalho visando. agora Instituto Federal de Educação Tecnológica ­ Ifet). uma entidade autárquica. e com o compro­ misso do governo de Mato Grosso de investir 0. responsável pela gestão de uma rede de escolas de educação profissional e tecnológica. em 2004.Centro-Oeste Capacitar para desenvolver Foto: Divulgação/SECITEC Educação Profissional e Tecnológica leva capacitação à mão de obra mato-grossense Mato Grosso tem. ao desenvolvimento econô­ mico. Essa tarefa foi assumida pelo governo estadual em 2003. o que existia de oferta em educação profis­ sional e tecnológica no Mato Grosso A se restringia à atuação do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet. Tecnologia e Inovação . Em 2008. Criou­se. então.Out/Nov/Dez 2010 . o Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Ceprotec). do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).Região . a entidade foi extinta e a gestão da educação profis­ sional e tecnológica passou a ficar 18 | Ciência. hoje.5% do orçamento em ensino profissional e tecnoló­ gico ainda naquele ano.

“Onde eles [os empresá­ rios] chegam. de São Paulo. Poxoréo. Ilma Grisoste Barbosa. uma das grandes contribuições para esse crescimento é a formação. a SECITEC já deve oferecer cursos tecnológicos de nível superior. “É feito um levantamento com o conselho local. Sinop. hoje. não há como fazer atendi­ mento [presencial] em todos eles”. a capacitação de pessoas qualifi­ cadas para os empreendimentos que têm vindo para cá”. Sorriso e Várzea Grande. depois. Cáceres. Diamantino. por exemplo. a partir de investimentos que ultrapassam R$ 84 milhões. O perfil dos cursos oferecidos é variado e as comunidades de cada região participam do processo de definição de cursos. Ilma Barbosa também lembra a impor­ Ensino a distância Cada região estabelece o perfil dos cursos de educação profissional que atendem às suas demandas. Tecnologia e Inovação . para que isso dê um know-how para nossas escolas. a rede de escolas do estado está presente nas localidades de Alta Floresta. explica Ilma Barbosa. não só os cursos de formação inicial e continuada. a gente já tem ido de encontro a eles. devido aos investimentos que foram feitos na ampliação dos equi­ pamentos de atendimento. Então. “Um frigorífico que se instala. Rondonópolis. “Nós temos 141 municípios aqui e cada um pode estar a 1. Matupá. para que não tenha que trazer profissionais de outras regiões e haja geração de emprego e renda naquele local”. Água Boa. como também cursos técnicos de ensino superior. Em 2011. O Centro Paula Souza é a instituição que administra a rede de Faculdades de Tecnologia (Fatecs) no estado de São Paulo.500 quilômetros de Cuiabá [a capital]. . Assim. Barra do Garças. caminhar com nossas próprias pernas”. Formar para desenvolver Progressivamente. Tem local que [o perfil] é agropecuária. informática ou enfermagem”. destaca que a formação e a qualificação profissional são essenciais para a promoção do desenvolvimento econômico. assim como sua impor­ tância para o desenvolvimento do estado e. Ciência. Também já começaram as licitações para instalação da estrutura de ensino a distância (EAD). A gente já vai atrás de oferecer o tipo de curso que aquele frigorífico precisa e qualifica a mão de obra daquela região. A secretária de Ciência e Tecnologia. pela modalidade a distância.sob a responsabilidade direta da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (SECITEC). a expec­ tativa é ofertar. Segundo a secretária. Juara. turismo. a secretaria responde pela formulação e execução da Política Estadual de Educação Profissional e Tecnológica. com o conselho diretor de cada escola. Campo Verde. essencial para levar educação a todas as regiões de um estado de dimensões territoriais do porte de Mato Grosso.000. explica. o programa de formação e qualificação profissional da SECITEC se tornou uma importante estra­ tégia das políticas educacional e de desenvolvimento cientí­ fico e tecnológico do governo para promover o desenvolvi­ mento econômico e social. ofertando os nossos cursos. nossa ideia é fazer parceria com o Centro Paula Souza. meio ambiente. o Sistema de Educação Profissional e Tecnológica se expandiu significa­ tivamente. para que a gente possa. Em outros. Cuiabá. Lucas do Rio Verde. explica a secretária Ilma Barbosa tância em atender a demandas provocadas por indústrias que querem se instalar no estado. conta a secretária. “Num primeiro momento. 1. Foto: Divulgação/SECITEC Hoje. os investi­ mentos na área foram aumen­ tando. Tangará da Serra. junta­ mente com o Fundo Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (FEEP). passando de seis para 17 escolas. montante que deve aumentar para 20 mil nos anos seguintes. com o conselho de trabalho dos municípios e eles levantam qual a demanda por quali­ ficação”. Primavera do Leste. A partir de 2007.Out/Nov/Dez 2010 | 19 . “Por ser um estado em pleno desenvolvimento econômico. A expectativa é de fechar 2010 com um número de matrículas superior a 16 mil. por meio da Superintendência de Educação Profissional e Tecnológica.

R$ 41. Cada parque tecnológico cre­ denciado ao SPTec é gerenciado por uma empresa ou um órgão da prefeitura. e as empresas instaladas usufruem de incentivos fiscais. quando o SPTec foi criado.5 milhões já foram investidos pelo estado nos parques tecnológicos. destaca o secretário de Desenvolvimento do Estado. para aquisição de equipa­ mentos ou materiais de construção. destaca o papel dos parques tecnológicos de gerar inovação e transformar conhecimento em riqueza. Essa união atrai investimentos”. faculdades e laboratórios com o setor produ­ tivo e. com o objetivo de gerar inovação e transformar conhecimento em riqueza. “Com a Lei de Inovação. “Nos Estados Unidos. é o contrário. auxiliando na ampliação do leque de pesquisa aplicada”. atualmente.Estadual de Desenvolvimento de São Paulo m vários estados brasi­ leiros. secretário de Desenvolvimento. cresce a quanti­ dade de projetos para implantação de parques tecnológicos e a razão é que esses espaços reúnem os ingre­ dientes básicos para impulsionar a inovação. Luciano Almeida. em 2008. Já na esfera municipal. o que pode multi­ plicar esses valores. Eles dispõem de infraestrutura de ponta e recursos humanos alta­ mente qualificados. ao disciplinar a atuação dos parques tecnológicos e facilitar as ques­ tões burocráticas que dificultam parcerias entre os institutos de pesquisa e a iniciativa privada. estão elegí­ veis a abatimentos no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) São Paulo desponta como o estado com mais iniciativas de implantação de parques tecnoló­ gicos. Lei de Inovação A adoção da Lei Paulista de Inovação. Além disso. Tecnologia e Inovação .Out/Nov/Dez 2010 . “O principal atrativo [dos Parques Tecnológicos] é a sinergia exis­ tente entre as várias empresas e instituições que estão reunidas em um mesmo local. geralmente. 16 iniciativas já estão credenciadas no Sistema Paulista de Parques Tecnológicos (SPTec). 20 | Ciência. pelo governo federal e pelas próprias empresas que ali se instalam. Aqui.Região . elas podem uti­ lizar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) acu­ mulado. No âmbito estadual. E Desde 2006. observa. Nos parques.Sudeste Berços da inovação e do desenvolvimento Sistema Paulista de Parques Tecnológicos impulsiona aplicação de pesquisas em produtos e serviços Foto: Divulgação/Sec. diz o secretário. Apenas 20% das pesquisas viram produtos”. Luciano Almeida. integram escolas. 80% das pesquisas em universidades viram produtos e serviços. sem contar com os investimentos aplicados pelas prefeituras. pretende­ ­se eliminar os entraves burocrá­ ticos. acelerou o desenvolvimento do SPTec. concedem incentivos fiscais para os empre­ endimentos instalados. encontram­se empresas de base tecnológica e com objetivos semelhantes. uma união que atrai investimentos Ele acredita que essa aproximação proporcionada pelos parques tecnológicos pode contribuir para o desenvolvimento do país e destaca a necessidade de cooperação entre o setor produtivo e o acadêmico para a geração de riqueza. Um total de 32 localidades planejam instalar parques e.

que desenvolve softwares ino­ vadores para internet dentro da incu­ badora de empresas do Cecompi (Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista). ambos voltados para tecnologia da informação e comuni­ cação. as pessoas Os outros dois parques em funcionamento são o CPqD de Campinas e o ParqTec de São Carlos. que estamos dentro do parque tecnoló­ gico. ao setor aeroespacial. Uma das empresas lá instaladas é a WF7. . destaca Almeida. um dos parques tecno­ lógicos mais avançados do Brasil. química. que será o primeiro voltado à extração de petróleo na camada do pré­sal. estão a Embraer. já está se beneficiando da infraestrutura e do ambiente de negócios presente no Parque Tecnológico de São José dos Campos. o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Faculdade de Tecnologia (Fatec) do município. Confira a relação completa no quadro abaixo. energia eólica e farmacêutica Status Em funcionamento Em funcionamento Em funcionamento Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Em implantação Ciência. mídia e inteligência de mercado Metal­mecânica. a Vale Soluções em Energia e dezenas de pequenas e médias empresas. Mas os outros não ficam atrás em vocações inovadoras. Muitas vezes. dependendo da cidade. biotecnologia e tecnologia biomédica TI. petroquímica e TIC Petróleo. Um deles é o de São José dos Campos. Mas. a WF7 está prestes a adquirir seu Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e iniciar de fato suas atividades no mercado. é amplamente compen­ sado em ganho de competitividade e produtividade”. diretor da WF7. Complementam o quadro de exce­ lência respeitadas instituições de ciência e tecnologia como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Estabelecida há nove meses.Estadual de Desenvolvimento de São Paulo ou no Imposto sobre Serviços (ISS). explica Cláudio Laky. o que o estado deixa de arrecadar.Out/Nov/Dez 2010 | 21 Foto: Divulgação/Sec. As portas se abrem mais facilmente. voltado.Setor aeroespacial Apesar dos diversos projetos credenciados no SPTec. Um dos parques tecnológicos pioneiros no SPTec é o de São José dos Campos. bioenergia e biotecnologia Biocombustíveis e energias renováveis Metalurgia. geotecnologia e geoprocessamento Bioprocessos e serviços ambientais TIC. mesmo antes de começar. gás e logística TIC e energias renováveis TIC. vêm nos procurar pelo fato de ser uma empresa incu­ bada”. Entre os parques em desenvolvimento. o respaldo é muito grande. “Sempre que vamos a uma reunião e falamos que estamos incubados. agroindústria e saúde Agroindustrial. TI. Tecnologia e Inovação . A resposta do cliente é mais favorável e a chance de conseguir o trabalho é muito maior. Lá. biotecnologia e nanotecnologia Têxtil e moda. “Com os incentivos fiscais. em um primeiro momento. principalmente. apenas três parques estão funcionando de fato. Centro Paula de Souza. com uma vocação voltada ao setor aeroespacial . farmacêutica. fármacos. PARQUES TECNOLÓGICOS DO SPTEC Cidade Campinas (CPqD) São Carlos (ParqTec) São José dos Campos Barretos Barueri e Santana de Parnaíba (Mackenzie­ Tamboré) Botucatu Campinas (Pólo de Pesquisa e Inovação da Unicamp) Ilha Solteira Piracicaba Santo André Santos São Carlos (Eco­ Tecnológico Damha) São José do Rio Preto São Paulo (Jaguaré) São Paulo (Zona Leste) Sorocaba Vocação Tecnologia da informação e comunicação (TIC) TIC Aeroespacial e aeronáutica Agrotecnologia TIC. des­ taque para o de Santos.

Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI). graças à possi­ bilidade de integração da ciência e tecnologia com as mais diversas áreas. Tecnologia e Inovação . quando foi criado. E. os pesquisadores do Tecpar trabalham agora numa nova versão da vacina. o produto é resul­ tado de parceria entre o Tecpar.Out/Nov/Dez 2010 . à qual o Tecpar está vinculado. conta Nildo Lübke. trabalhando para tornar o país menos dependente na área de biofármacos Vacina antirrábica Há mais de 30 anos.Sul Tecnologia e inovação a serviço da saúde Foto: Divulgação/TECPAR Tecpar. águas e minérios. em diversas áreas da ciência. enquanto o correspondente importado varia de R$ 100 a R$ 150. com investimentos de R$ 3. Com o passar dos anos. hoje. feita por cultivo celular. Lançado em junho deste ano. A previsão é de que ela seja fornecida ao ministério já em 2011. o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). E “Os avanços conseguidos pelo Tecpar. A versão brasileira traz inovações em comparação ao kit fabricado no exterior. titular da Secretaria da Ciência. como uma das instituições mais importantes no desenvolvimento tecnológico de produtos estratégicos para o sistema de saúde do país. que dispensa o uso de cobaias. produzido no campus do Tecpar. o Tecpar é o fornecedor exclusivo das 35 milhões de doses da vacina antirrábica animal que o Ministério da Saúde utiliza anualmente no Programa Nacional de Profilaxia da Raiva. que passou de oito para quatro horas com o kit Linha de produção: Tecpar reduz necessidade de importação do kit de diagnóstico da gripe suína m 1940. o instituto foi expandindo o seu campo de atuação e se consolida. Outro importante produto desen­ volvido pelo Tecpar é o kit nacional para diagnóstico da influenza A (H1N1) – gripe suína. na Cidade Industrial de Curitiba. visando a aprimorar os seus produtos. Prova disso é o Tecpar ser o principal fornecedor de vacina antirrábica para o Ministério da Saúde”.Região . o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) iniciou suas atividades focado na análise de terras. O kit nacional. se destaca por custar aproximadamente R$ 45. Uma delas é a agili­ dade no diagnóstico. o que ajuda a reduzir a necessidade de impor­ tação do produto pelo governo federal. colocam o instituto em compasso com as novas exigên­ cias e demandas de diversos segmentos da sociedade e o tornam referência nacional em ciência e tecnologia.36 milhões para a produção de 80 mil testes mensais. 22 | Ciência. o suficiente para atender à demanda brasileira.

em apenas um produto. Outra novidade é que o kit brasileiro reúne. evitando a necessidade de misturar os insumos e diminuindo o risco de falha humana. o insti­ tuto tem como parceira a empresa Biomm S. que serão utili­ zados nas unidades do SUS da cidade de Campo Largo. Ciência. Atualmente.Out/Nov/Dez 2010 | 23 Foto: Divulgação/TECPAR . teremos uma ferramenta que será disponibilizada ao Sistema Único de Saúde para a gestão clínica do processo todo de saúde do país”. A expectativa é de que a plataforma torne o Paraná destaque nacional no fornecimento de insumos para a saúde pública do país e. conta que o desenvolvimento de produtos como a vacina antirrábica e o kit de diagnóstico da gripe suína mostram como é importante que os institutos de CT&I tenham uma visão de atuação em nível nacional. que vai transferir tecnologia e dar assistência na implantação do empreendimento. Alemanha e Estados Unidos – esses materiais são vendidos de forma separada e precisam ser misturados por técnicos de laboratório. em diversas áreas da ciência. estarão prontos os estudos sobre a viabi­ lidade de produção dos primeiros biofármacos. município de 120 mil habitantes da região metropolitana de Curitiba. uma plataforma de produção de multifármacos. é que “da colocação do primeiro tijolo até a saída do primeiro frasco de medicamento. o que terá importância estratégica para a saúde pública brasileira. focará na produção de fármacos de características complexas. serão cerca de três anos”. vai instalar. equipamentos e insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Tecnologia e Inovação .. “Em 70 anos de atuação. brevemente. Multifármacos O diretor­presidente do Tecpar. os reagentes biomolecu­ lares usados para detectar o vírus. o Brasil gasta. que ocupará uma área de cerca de 20 mil metros quadrados. explica o diretor do Tecpar. “Em um curto espaço de tempo. Luiz Fernando de Oliveira Ribas. Outra área que está recebendo atenção especial no Tecpar é o desenvolvimento de softwares de gestão da saúde. “Nós já temos isso como uma lógica interna da insti­ tuição. O Tecpar Foto: Divulgação/TECPAR Lübke: avanços conseguidos pelo Tecpar. Na execução do projeto. sim. com o uso da biotecnologia. na Cidade Industrial de Curitiba. prevê Ribas. de Belo Horizonte. hoje. Nos países que são os princi­ pais fornecedores de insumos para o diagnóstico da gripe suína – como França.do Tecpar. mas. cerca de US$ 8 bilhões por ano na importação de medicamentos. cidade ou determinado grupo do setor privado. segundo Ribas. de os desenvolvimentos ocor­ rerem não para o estado. Mas por que esse empreendimento é tão importante? Segundo Ribas. o tornam referência nacional em C&T O Banco Nacional de Desen­ volvimento Econômico e Social (BNDES) é o agente financiador do projeto e a previsão. Tecpar se destaca no desenvolvimento de produtos estratégicos para o sistema de saúde” .A. para o país”. O empreendi­ mento. “O ministro da Saúde percebeu que parte desse dinheiro deveria ser investido desenvol­ vendo a indústria nacional de medi­ camentos e equipamentos”. de seis meses a oito meses. que devem ser o interferon (o hormônio do cresci­ mento) e a insulina. o instituto se prepara para ampliar sua área de atuação.

A empresa ficará responsável pela infraestrutura da rede. O pedido de capitalização da empresa já foi enviado ao Congresso Nacional. segue para Sergipe. Mais do que conexão. poten­ cializa a democratização do acesso à informação promovida pela internet. Ceará. Rio Grande do Norte. a empresa anun­ ciou os primeiros 100 municípios que serão cobertos pelo PNBL. Tecnologia e Inovação . a Telebrás usou R$ 80 milhões do caixa da própria empresa e mais R$ 160 milhões foram internalizados pelo governo federal. GO DF Fibras óticas No final de agosto. Entre as cidades. como instrumento de redução das desi­ gualdades regionais sociais. Paraíba. 24 | Ciência. Centro­Oeste e Sudeste. São 21 mil quilômetros de uma rede que passa na Bahia. foram pedidos R$ 400 milhões para este ano. São Paulo. Eletronorte e Chesf). num total de 14 milhões de usuários. foi incluído o Distrito Federal na lista. o PNBL terá a Telebrás como sua gestora. até o fim do ano Foto: Divulgação/Presidência da República/Brasil Conectado PNBL: Distribuição de municípios por estado PA MA CE RN PB PI PE AL SE ESTADO ALAGOAS BAHIA CEARÁ ESPÍRITO SANTO GOIÁS MARANHÃO MINAS GERAIS PARAÍBA PERNAMBUCO PIAUÍ MUNICÍPIOS 6 8 6 7 6 6 8 7 6 6 8 7 7 6 6 100 TO BA A empresa foi reativada para gerir o PNBL e. Inicialmente. pediu de volta funcionários cedidos para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). ao longo da extensão por onde passa o anel de fibras óticas da Petrobras e da Eletrobras (Furnas. o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) é definido pelo presidente da Telebrás. Rogério Santana. telecentros comunitários e centros de pesquisa. Norte. fazendo a articulação com empresas privadas que vão levar a conexão ao usuário final. passa em Goiás e no Distrito Federal. isso é ser democrático”. A relação contempla cidades das regiões Nordeste. Maranhão. hospitais. do Rio de Janeiro e Espírito Santo. o plano. afirma. Lançado em maio.Plano Nacional de Banda Larga Interiorizando o acesso à informação Plano Nacional de Banda Larga vai conectar 100 cidades de 15 estados e o Distrito Federal. lembra ele.4 bilhão. estão as capitais dos 15 estados que serão atendidos. por meio da inclusão digital. Piauí. provendo a internet de alta velocidade da administração pública federal e prestando suporte a políticas de conexão à internet em banda larga a universidades. Pernambuco. sendo que a previsão do governo é que o total da capitalização fique em R$ 1. escolas. Além disso. para ficar opera­ cional. desce para o Tocantins.19 agosto 2010 M ais que universalização da internet rápida no Brasil. “É interiorizar o conhecimento. e segue para os estados de Minas Gerais.Out/Nov/Dez 2010 . MG ES SP RJ RIO DE JANEIRO RIO GRANDE DO NORTE SÃO PAULO SERGIPE TOCANTINS TOTAL GLOBAL Estados PR SEeNR Total . Além disso. Alagoas. para começar a operar o PNBL.

são aquelas onde é baixa a densidade de acesso à banda larga. a penetração da banda larga comercial chega a cerca de 12 milhões de pessoas. não pode ficar no século 19. por exemplo. O interesse demonstra como é preciso “a velha e boa concor­ rência” para que um serviço seja massificado. ou seja. estudos do governo apontaram que. de acordo com o presi­ dente da Telebrás.Out/Nov/Dez 2010 | 25 Foto: Ministério das Comunicações . em 579. onde há poucas pessoas com internet de alta velocidade a cada grupo de 1. o acesso à internet do PNBL será de uma velocidade de 512 kilobytes por segundo (kbps). observou o presidente da Telebrás. São ao todo. em termos da disse­ minação desse conhecimento. diz o presidente da Telebrás. o presidente da Telebrás destaca que os crité­ rios para inclusão de cidades com pouca penetração da internet rápida mostra que não dar continui­ dade a um plano de universalização seria um retrocesso. Ciência. A penetração da rede de alta velo­ cidade. tendo como teto de cobrança pelo serviço R$ 35. Entre os selecionados. com uma classe média aumentando e demandando serviços. ou seja.19%. 10%. E o Brasil. Concorrência Santanna explica que a ideia do governo é chegar a 4. o modelo adotado. respectivamente 35% e 32%. Mas. 35 têm pontos de presença de internet e 25 deles têm densidade de acesso menor que 0. há alguns com 5 mil habitantes. No início. “A gente cria uma intranet do governo federal e potencializa o governo eletrônico. tenha uma demanda reprimida em termos de acesso à rede de alta velocidade”. inicialmente. dentro deste pré­requisito. Dos 1. As cidades escolhidas para a primeira fase. cuja previsão é estarem conectadas até o final do ano. Tecnologia e Inovação . Com a rede mais veloz. segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). exemplifica Santanna. Informação é dinheiro e democratizar o acesso a ela é promover uma participação democrática”.163 municípios. O objetivo é dar capilaridade à rede e implantar o governo eletrô­ nico interestadual. minha caixa de e­mail lotou. Segundo Santanna. em quase a metade (49. a densidade de acesso é de duas pessoas para cada 1. “No dia em que anunciamos os 100 primeiros muni­ cípios. por meio do Siconv [Sistema de Convênios]. 1.7%) deles. em 11 POPs. no entanto. foi feita a opção de atender a localidades distantes apenas 50 quilômetros dos pontos de presença (POPs) do anel de fibras óticas. no atual estágio do desenvolvimento cientí­ fico e tecnológico. Ao comentar a crítica que o PNBL não promoveria a inclusão social propagada. “região que cresce a uma taxa de 9%. A Telebrás. no Nordeste é de 13%. convênios com os muni­ . por exemplo. São taxas equi­ valentes ao crescimento da China”.000 habitantes. fará parceria com os estados para operacionalizar o PNBL no âmbito da administração pública.163 municípios. segundo Santanna. cípios. é o ideal para começar o plano de universalização.000 habi­ tantes. com mensagens de empresas interessadas em participar do processo”.Foto: Ilkens Oliveira de Souza PNBL interioriza e democratiza o acesso à informação. Dentre os 100 sele­ cionados para a primeira fase. Rogério Santanna Atualmente. O Sudeste e o Sul têm a maior taxa de penetração da banda larga. “Países em todo mundo têm implantado planos de banda larga. O Brasil precisa dessa infraestrutura para diminuir as desigualdades regionais sociais e promover a inclusão digital. são feitos eletronicamente. em que as empresas privadas vão comprar o direito ao acesso para distri­ buição ao usuário. revelou Santanna. até transfe­ rências para estados e municípios poderiam ocorrer por meio dessa rede compartilhada”. Hoje.278 municípios até 2014. Para ele. é desigual. “Não é possível que o Nordeste cres­ cendo como está.

a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e. “Percebemos que cada uma terá seus projetos específicos”. F Como parceiros. o Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência. a Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria (ABDI). tecni­ camente. é explorar dois itens básicos: a articulação e a formação de redes institucionais.Banco Interamericano de Desenvolvimento Projeto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai investir R$ 4 milhões para fortalecer os sistemas de inovação nos estados Foto: Divulgação BID/ sxc. seja por estarem mais preparados ou pelo interesse em si”. Ao longo do ano passado. promover o diálogo entre governos – os respon­ sáveis pela elaboração de políticas públicas. A iniciativa envolve R$ 4 milhões de apoio a quatro estados na primeira fase do projeto. e universi­ dades – onde se produz conheci­ mento e tecnologias. Minas Gerais. empresas – onde está focada a ação do BID. de acordo com ela. nos articulamos com a CNI e o Consecti. Tecnologia e Inovação (Consecti). azer com que o tema da inovação seja prioritário nos estados brasileiros é a meta do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com o projeto piloto Sistemas Regionais de Inovação (SRI). a dire­ tora de C&T do BID visitou os quatro estados para conhecer suas reali­ dades. ou seja. o critério foi contemplar unidades da Federação menos e mais desenvol­ vidas economicamente. De acordo com a diretora de Ciência e Tecnologia do BID. 26 | Ciência. Paraíba e Santa Catarina. Flora Painter.hu Inovação nas empresas em foco O passo inicial do BID no sentido de apoiar os estados foi a escolha dos primeiros beneficiados pelo projeto. Articulação O objetivo. A presença in loco. o que é normal. que nos ajudaram a identi­ ficar estados com potencial de parti­ cipar do projeto. As primeiras unidades federais contempladas são Alagoas. “Além disso. segundo Flora Painter. ajudou a identificar as realidades regionais e a concluir que não há uma fórmula de apoio técnico que se encaixe no perfil das quatro unidades. Tecnologia e Inovação .Out/Nov/Dez 2010 . e também uma dinâmica muito interessante nesses estados”. o BID tem institui­ ções representativas da cooperação técnica nacional e internacional. explicou a diretora. da indústria e dos governos esta­ duais: a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid). relata Flora Painter. do setor inovativo empresarial. que começou neste ano e tem prazo para apresentação de resultados até 2013. “Observei que há uma hete­ rogeneidade entre eles.

Um compromisso do país forte foi que precisamos focar em com a inovação. fazer um plano estratégico de investimento nos estados com foco nas empresas. vamos apoiar os estados”. Como o projeto SRI está na sua fase inicial de arti­ culação e prospecção. é criar um fundo para apoiar os projetos de inovação que os estados apresentarão a partir de agora. talvez o componente de mais peso no projeto. “O Ela vê.O projeto piloto dos Sistemas Regionais de Inovação tem como foco principal fortalecer a articu­ lação entre o governo. Por isso. de cionalmente consolidado. esta por parte do setor empresarial. parceria com o governo federal para apesar de uma boa base legal. explica a diretora. com seminário representantes do Acre. baseada na análise competitiva das empresas”. “Para que ele ainda não se traduz em ações espe­ [o programa] seja uma política de cíficas. com foco na volvidos a partir do inovação promovida pelas empresas” projeto piloto. é necessário articular”. O objetivo é identificar competências e dar os instrumentos para que elas saibam avaliar as demandas de mercado. por ter Goiás. Além dos estados que já estão no Flora Painter lembra que o país projeto SRI. e está institu­ Distrito Federal. Ciência. diretora de C&T do BID: “Nosso interesse projetos foram desen­ é fortalecer o desenvolvimento regional. a academia e as empresas. acres­ centa Flora Painter. no seminário. Por isso.Out/Nov/Dez 2010 | 27 Fotos: Marcello Casal Jr. também participaram do tem avançado no marco legal. é uma demanda prospectiva. O projeto SRI tem três grandes linhas de ação. Tecnologia e Inovação . do Rio Grande entidades de fomento e apoio à do Sul e de São Paulo. efetiva­ mente. que. ainda não há. que essa maturidade ainda não se traduz em ações específicas. para um futuro próximo. a diretora do BID conta que umas das conclu­ sões foi que poucas empresas brasi­ leiras inovam “ou têm no seu DNA a atividade de inovação”. é promover a capacitação e a sensibilização das empresas para a importância da inovação e sua gestão. Para promover a inovação. Brasil vive um momento muito opor­ a possibilidade de buscar uma tuno. “É preciso fortalecer o sistema. inves­ tem em pesquisa e inovação. Por isso. Mas repre­ da Federação que poderiam ser sentantes dos estados concluíram trazidas para o projeto SRI. o BID vai avaliar o anda­ mento dos projetos no decorrer dos próximos três anos para saber o que está dando certo e identificar se é necessá­ rio fazer ajustes. A primeira é trazer todos os atores para uma parceria. a Lei de Inovação. Espírito Santo. Pernambuco. vamos inovação nas empresas. a segunda. inovação. Inovação em foco Em seminário realizado para uma avaliação inicial do projeto piloto. em Brasília. A diretora de C&T enfatiza que o próximo passo é analisar que resultados tiveram as primeiras ações e que Flora Painter. com inves­ procurar também o Ministério da timentos e arranjo institucional”. ela ampliar o programa. Flora Painter destaca que o BID planeja conso­ lidar a parceria com o Consecti na Nacional de Desenvolvimento Social identificação de outras unidades e Econômico (BNDES). uma conclusão Estado. nos quais enumeram o que querem fazer e quanto de financiamento preci­ sam”. é que há necessi­ dade de mais financiamentos para a inovação. projetos dos estados sendo financia­ dos. . como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco . geralmente de grande porte. na sede da CNI. que é muito dinâmico. Segundo Flora Painter. constata Flora Painter. conta. Concluiu­se. “Eles [os estados] vão nos enviar os proje­ tos a partir de agora. Ciência e Tecnologia”. Por isso. Não existem estatísticas levantadas. ou seja. e a terceira. “Mas o BID não vai tratar das necessidades urgentes das empresas. mas estima­ ­se que apenas 1% das empresas. Outra constatação. “A preocupação do BID é com o desenvolvimento regional.

org. a educação.Out/Nov/Dez 2010 . Tecnologia e Inovação . Concluiu­se que mecanismos de fomento como a Lei do Bem e a Lei de Inovação ainda têm um impacto reduzido. promovida em maio. tecnologia e ino­ vação tem despertado na sociedade. De acordo com o coordenador­geral da confe­ rência. observou Davidovich. ao longo de outubro. no endereço www. “Como o Brasil pode agregar valor à produção e à exportação. setor empresarial e governamental. O primeiro deles. A 4ª Conferência Nacional de Ciência. pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. principalmente. A valorização e a qualificação do professor da educação básica foram apontadas como desafios a serem resolvidos no curto prazo.br. Chamado de Livro Azul. Inovação Outro grande tema foi a inovação. teve 3. recorrentes em encon­ tros onde se reúnem academia. justamente por serem instrumentos novos nesse cenário. Sua realização foi pre­ cedida de conferências regionais e a comissão organizadora envolveu 40 entidades representativas dos traba­ lhadores. “Educação de qualidade em todos os níveis. empresários e da sociedade civil.cgee. No livro principal. os grandes temas do momento. Uma preocupação que permeou vários debates da confe­ rência foi a qualidade da educação básica. a ênfase será dada às grandes questões. a educação vista como importante para o desen­ volvimento social e para o desenvol­ vimento da ciência e da tecnologia”. o texto preli­ minar estará disponível na página do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). “É um momento em que aqueles que participaram da conferência. mais de 39 mil acessos online ao portal do evento e 220 palestrantes. Os participantes defenderam que as 28 | Ciência. na consulta pública. podem apresentar sugestões.574 pessoas cre­ denciadas. Luiz Davidovich. mas não da comissão organizadora. O documento com as propostas dos participantes ficará à disposição de todos aqueles que quiserem incluir sugestões ou modificar ideias ali contidas.Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de CTI O Livro Azul da CTI Foto: Ricardo Lemos/Ascom/MCT Documento com propostas colhidas na 4ª CNCTI será lançado em novembro 4ª CNCTI: sociedade organizada sugere investir na qualidade da educação básica. pesquisadores. Queremos garantir que não fique de fora nenhuma conside­ ração importante”. o documento terá um anexo com as propostas de vários setores. governos estaduais e municipais. em tecnologias emergentes e na inovação O s números são expres­ sivos e mostram o inte­ resse que o tema da ciência. Tecnologia e Inovação.

Luiz Davidovich.Out/Nov/Dez 2010 | 29 . tecnologia e inovação têm elementos para isso”. não imagi­ navam que esse conhecimento ia ter Tecnologias emergentes O investimento em tecnologias emergentes é outro ponto a ser abordado no Livro Azul. comenta Davidovich. por meio do CGEE. tecnologia na qual o . trazer riqueza para o país”. mas também do ponto de vista institucional. Quando jovens cientistas desenvolveram estudos na área da física quântica em 1920. “Parece algo que não faz diferença. com isso. país tem investido e aplicado no monitoramento do clima com uso na agricultura e na implementação de projetos do setor energético. “Com isso. Nano­ tecnologia. “Se soubermos explorar este tesouro que é a Amazônia. a chamada Lei de Licitações.T&I. Mas faz toda a diferença”. o Brasil oferece ao mundo algo que ninguém tem. o alerta é que não se pode esquecer da ciência pura em detrimento da ciência aplicada. com a C. sem desmatar e. diz Davidovich. Tecnologia e Inovação . “Não podemos depender de países que têm acesso a dados estratégicos antes da gente”. com isso. o livro trará também a sugestão de disseminar projetos de parques tecnológicos pelo país e ter mais doutores trabalhando nas empresas. tendo como exemplo o desenvolvimento de satélites. Esse debate trouxe a constatação que as universidades têm sido a grande fonte do conhecimento no Brasil e. Não podemos ficar sempre imitando os modelos de desenvolvimento de países ricos. Mata Atlântica. cons­ tata Davidovich. no Cerrado. que não seja predatório e oferece à huma­ nidade um legado. poderemos ter tecnologias para explorar a floresta em pé. “Ela amarra o processo porque ou a universidade escolhe o mais barato. Ciência. na produção de fármacos. na costa brasileira. “Quando se fala disso. Temos que construir nosso próprio modelo e ciência. ou então ela prepara um processo licitatório todo cheio de detalhes para direcionar a compra. Isso tudo dificulta a pesquisa”. e energias alternativas que podem ser desen­ volvidas a partir dos biomas.666/93.empresas estabelecidas no Brasil instalem laboratórios para desen­ volver pesquisa”. Depois de incorporar as sugestões das entidades que compuseram a comissão organizadora da 4ª CNCTI e da consulta pública. certamente. mostrar ao mundo outro modelo de desenvolvimento Instrumentos legais O desembaraço no acesso a instru­ mentos de fomento e o aperfeiçoa­ mento do marco legal que estimula a inovação e o desenvolvimento científico foram pontos também abordados. no uso da biodi­ versidade presente na Amazônia. Além do uso da biotecnologia. conta o coorde­ nador do evento e organizador do Livro Azul. temos que pensar em grandes temas tais como formas de geração de ener­ gias alternativas ao petróleo. É preciso que tenhamos uma cultura científica para que fiquemos prepa­ rados para as revoluções. o Ministério da Ciência e Tecnologia. Nesse aspecto. merecem apoio não só financeiro. Um exemplo citado pelo coordenador­ -geral da 4ª CNCTI foi um decreto assinado recentemente que faci­ lita os trâmites orçamentários das universidades ao permitir que o que não foi gasto do orçamento no exer­ cício seja usado no ano seguinte sem a necessidade de pedir auto­ rização ao Ministério da Educação. do desenvolvimento tecnológico. Davidovich lembrou que. que. O coordenador da 4ª CNCTI enfa­ tizou que se um país não procura outras áreas na fronteira do conhe­ cimento para investir e dar suporte corre o risco de ser superado. O coordenador­geral. por exemplo. por exemplo. quando também deverão ser publicados os anais do evento. Foto: Ricardo Lemos/Ascom/MCT a aplicação que tem hoje no laser. deve lançar a versão final do Livro Azul em novembro. destacou. “Esse conhecimento não pode ter uma motivação só com base na aplicação. A Lei 8. destaca que o Brasil pode. por isso. foi duramente criticada como forma de aquisição de equipamentos para pesquisa. tanto que não teve repercussão no noticiário. que normatiza as compras públicas. Um modelo dife­ rente de desenvolvimento. A gente gera grandes revoluções tecnológicas a partir da produção de conhecimento”. não é o melhor. atividades espaciais e outras áreas que se situam na fronteira do conhecimento têm que ser exploradas. como o hidrogênio”. ele citou como exemplo o desenvolvi­ mento de tecnologias em saúde. Os participantes lembraram que a inovação pode ser aplicada em tecnologias estraté­ gicas.

desenvolvida também pela Elsevier.1% m tempos de eleições.Artigo Mariana Meyer. Tecnologia e Inovação . Hiroyuki Tomizawa. da economia do nosso país. Entre os três países com maiores índices em economia (China. além de ferra­ mentas bibliométricas que auxiliam no desenvolvimento das pesquisas. Em entrevista à revista Library Connect afirmou que. passando de pouco mais de 23 mil para mais de 41 mil atual­ mente. Recente boletim publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que a economia bra­ sileira continuará a crescer e chegará a 6. os números atestam que o país está na direção certa – independentemente da plataforma política que ganhar a maioria dos votos este ano. sabe­se que ainda é necessário um forte empenho para colocar o Brasil no nível mais alto da pesquisa e da economia mundial.1% 15. da Editora Elsevier. para a OCDE.5% 3.5% 4. novos cursos e titulados.89% 3. é im­ portante que se saiba que está comprovado que o investimento em pesquisa e em informação reconhe­ cida e de qualidade é fundamental para o desenvolvimento da ciência e. 30 | Ciência. Por outro lado.3% 9. os dados abaixo comprovam o quanto o inves­ timento em informação e pesquisa científica de qualidade está direta­ mente relacionado ao crescimento econômico e vice­versa. O principal responsável pela diretoria de Ciência. o Plano Nacional de Pós-Graduação cresce à ordem de 10% a 12% ao ano em número de novos alunos.Out/Nov/Dez 2010 . .5% 13. é possível comparar a relação entre o crescimento econômico atual e o crescimento da produção científica nos últimos quatros anos.oecd.2% 0. Para ajudá­los nas análises científicas que promovem para seus países membros.org Crescimento da produção científica de 2005­2009 Fonte: Scival Country Map Através dos dados da OCDE e do Scival Suite. solução eletrônica que faz análises da produção científica mundial. também acredita nesta máxima de que a pesquisa é fun­ damental para o crescimento. as bolsas de es­ tudos oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) quase do­ braram. Mas para além da política. Apesar dos bons resultados.0% 6.1% 11. E 8.0% -2. responsável pelo desenvolvimento de contas da Editora Elsevier na América Latina Investir em informação é investir no futuro Estados Unidos México 4. Tecnologia e Indústria da OCDE. Brasil e Índia). No entanto. a organização investe na base de dados online Scopus. “a inovação em ciência e tecnologia cumprem um papel crucial no crescimento econômico dos países”. no mundo (ver figura).5% de crescimento em 2010. que oferece cobertura de revistas científicas de mais de 100 países. a máxima de que “educação é fundamental para o crescimento do país” tem sido recorrente no horário eleitoral. por consequência.5% Índia Japão Chile Brasil Crescimento da economia previsto pela OCDE para 2010 Fonte: OCDE:www.57% China 11. o Brasil desponta como aquele que apresenta a melhor taxa de crescimento em investigação científica comparativamente.3% 4. Os números acima não surpre­ endem quando postos lado a lado com outros dados: em pouco menos de uma década.