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AVALIAÇÃO E READEQUAÇÃO BIOCLIMÁTICA DO BLOCO II DO

CAMPUS DE BARRA DO BUGRES DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DE


MATO GROSSO - UNEMAT

João C. M. Sanches (1); Grace B. Bortoluzzi (2); Marcella N. Carbonieri (3)


(1) Professor M. Sc. do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado de Mato Grosso –
UNEMAT. e-mail: sanchesjcm@hotmail.com
(2) Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado de Mato Grosso –
UNEMAT. e-mail: gracebortoluzzi_@hotmail.com
(3) Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Estado de Mato Grosso –
UNEMAT.

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo avaliar as condições de conforto ambiental e sugerir intervenções para
as salas de aula do Bloco II do campus de Barra do Bugres da UNEMAT, tendo como ponto de partida a
observação e a coleta de dados referentes ao entorno, estrutura e materiais utilizados no edifício em questão.
Após o levantamento, procede-se a análise dos dados obtidos a partir de softwares de simulação das
condições de conforto e métodos de cálculo específicos, visando resultados que possam comprovar as
deficiências desse edifício. Em seguida, apresentam-se sugestões de intervenção e respectiva simulação das
condições estudadas, de modo a estabelecer um paralelo com as condições atuais. A edificação estudada
apresenta uma temperatura interna simulada máxima de aproximadamente 36º C, caracterizando esses
ambientes por um extremo desconforto térmico. Para solucionar tais irregularidades, sugere-se a substituição
das paredes existentes por paredes de tijolos de oito furos, assentados na maior dimensão, o acréscimo uma
lâmina de alumínio polido à cobertura, de espessura de 2 mm abaixo da telha existente, ventilação cruzada
para os ambientes e a utilização de elementos de proteção solar para as janelas. Todas as moficações
propostas, fizeram com que ocorrece uma queda na temperatura interna simulada para 29,69ºC.

Palavras-chave: Conforto ambiental, sala de aula, universidade.

ABSTRACT

The present work has for objective to evaluate the conditions of ambient comfort and to suggest
interventions for the classrooms of Block II of the campus of Barra do Bugres of the UNEMAT, having as
starting point the comment and the collection of referring data of the surrounding area, structure and
materials used in the building in question. After the survey, proceeds the analysis from the data gotten from
softwares of simulation of the comfort conditions and specific methods of calculation, aiming at result that
they can prove the deficiencies of this building. After that, suggestions of intervention and respective
simulation of the studied conditions are presented, in order to establish a parallel with the current conditions.
The studied construction presents a maximum internal temperature simulated of approximately 36 ºC,
characterizing these environments for an extreme thermal discomfort. To solve such irregularities, it is
suggested substitution of the existing walls for walls of bricks of eight holes, seated in the biggest dimension,
the addition a blade of polishing aluminum to the covering, thickness of 2 mm below of the existing roofing
tile, crossed ventilation for environments and the use of elements of solar protection for the windows. All the
modification proposals, had made that occurs a fall in the simulated internal temperature for 29,69ºC.

Key-words: Ambient comfort, classroom, university.

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1 INTRODUÇÃO

A arquitetura é uma arte de se construir que sempre está em processo de modificação, mas que ao passar dos
anos enfatiza continuamente uma tendência, estando aberta às interferências das novas técnicas que surgem.
Com um caráter que geralmente ressalta a estética, muitas vezes são utilizados elementos que acabam por
prejudicar o conforto ambiental das edificações. Durante et al. (2006), coloca que na era do vidro e do aço
edifícios são construídos seguindo uma tendência única relacionada ao estereótipo, sem a preocupação com o
bem estar gerado pela construção aos seus usuários, não levando em consideração que para cada edificação,
para cada localização, as exigências projetuais são diferentes.

De acordo com Lamberts & Xavier (2002), pode-se considerar o corpo humano, como uma “máquina
térmica”, que dispõe de um mecanismo termoregulador, o qual controla as variações térmicas do organismo,
e, por ser o organismo humano homeotérmico, isto é, sua temperatura deve permanecer praticamente
constante, esse mecanismo termoregulador cria condições para que isso ocorra. Uma parte desse calor gerado
é necessário, para o funcionamento fisiológico do organismo, e outra parte é gerada devido ao desempenho
das atividades externas, sendo que essa geração deve ser dissipada para que não haja um superaquecimento
do corpo, uma vez que o mesmo é homeotérmico. A temperatura interna do corpo humano é praticamente
constante, variando aproximadamente de 35 a 37ºC. Para que uma pessoa esteja em estado de conforto
térmico, no desempenho das atividades, admite-se pequenas oscilações nessa temperatura interna, sendo que
em situações mais extremas admite-se variações um pouco maiores para se evitar os perigos de stress
térmico.

“O stress térmico, pode ser considerado como o estado psicofisiológico a que está
submetida uma pessoa, quando exposta a situações ambientais extremas de frio ou
calor. O ser humano, no desempenho de suas atividades, quando submetido a
condições de stress térmico, tem entre outros sintomas, a debilitação do estado
geral de saúde, alterações das reações psicossensoriais e a queda da capacidade de
produção” (LAMBERTZ & XAVIER, 2002).

Nesse contexto, insere-se a arquitetura bioclimática, que de acordo com Maragno (2002), é aquela que está
baseada na correta aplicação de elementos arquitetônicos e tecnologias construtivas em relação às
características climáticas, visando otimizar o conforto dos ocupantes e o consumo de menos energia. O
conforto ambiental de cada edifício leva em consideração aspectos singulares de cada região, e itens
diretamente ligados às características físicas do ambiente. Nessa preocupação, surgem conceitos como Eco
arquitetura, que por sua vez sugere a utilização de elementos naturais na construção de projetos, bem como o
melhor aproveitamento da luz natural, a escolha do envoltório correto para a construção, o tamanho de
janelas, o sombreamento de paredes, ventilação, qualquer que seja seu modo, entorno, entre outros.

Essa preocupação ganhou força no Brasil após a crise energética ocorrida no ano de 2001, na qual ocorreu a
brusca queda na produção de energia elétrica devido à escassez de chuvas. O grande consumo de energia, em
virtude do crescimento populacional e o aumento da produção pelas indústrias, também auxiliaram nessa
situação. Assim, a eco arquitetura toma força na tentativa de uma redução drástica de consumo energético
necessário à manutenção do conforto térmico.

Segundo Duarte (1995) apud Sanches & Zamparoni (2006), o clima quente domina a região Centro-Oeste.
Sua característica mais marcante é a freqüência quase que diária de temperaturas altas, sobretudo em Mato
Grosso e Goiás, onde nos meses mais quentes, setembro e outubro, podem ocorrer máximas superiores a
40°C. A maior parte da região não tem sequer um mês com temperatura média inferior a 20°C e as
temperaturas médias anuais são, em geral, elevadas. Outra característica importante é o ritmo sazonal de
precipitação bastante marcado, com uma nítida estação seca, no período de inverno É importante frisar que,
mesmo nessa estação, as temperaturas são constantemente altas.

Nesse âmbito, tem-se como objeto de estudo um dos prédios da Universidade do Estado de Mato Grosso, no
Campus de Barra do Bugres, que apresenta uma possível irregularidade em termos de conforto ambiental,

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visto que várias são as reclamações de seus utilizadores. O edifício, localiza-se na Av. Josefina Rocha de
Macedo esquina com a Rua “A”, no Bairro São Raimundo (Figura 1), sendo este composto por três módulos
de dois pavimentos interligados onde dois blocos comportam quatro salas de aula cada um, perfazendo o
total de oito salas de 48 m² cada, sendo quatro no pavimento térreo e quatro no pavimento superior. A análise
bioclimática se restringe apenas aos dois blocos que contém as salas de aula.

Módulos analisados

Figura 1 – Esquema de localização da edificação estudada e indicação dos módulos analisados.

A UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso – teve as atividades do campus de Barra do Bugres
iniciadas no ano de 1994. A princípio tinha-se apenas cursos que se detinham a Projetos de Licenciaturas
Plenas Parceladas. Hoje a Universidade conta com sete faculdades, desde licenciatura à bacharelado, estando
entre eles o curso de Arquitetura e Urbanismo (UNEMAT, 2006).

Para a região em questão, são utilizados dados e informações baseadas em Lamberts et al. (1998). Os autores
distinguem no país oito zonas bioclimáticas dividas de acordo com a homogeneidade climática de cada
região. Sendo assim, para cada zona existe um conjunto de recomendações técnico construtivas que
proporcionam um melhoramento do desempenho térmico das edificações, através de uma adequação
climática referente. A cidade de Barra do Bugres, localiza-se na zona bioclimática 7, que ocupa cerca de
12,6% do território nacional (Tabelas 1 e 2).

Aberturas p/ ventilação (% da área do piso). Sombreamento das aberturas.


10% a 15% Sombrear aberturas
Tabela 1: Aberturas para ventilação e sombreamento. Fonte: Lamberts et al. (1998).

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Vedações Externas. Transmitância térmica. Atraso Térmico. Fator de calor solar
Paredes: pesada U≤2.20 φ≥6.5 FCS≤3.5
Cobertura: pesada U≤2.00 φ≥6.5 FCS≤6.5
Tabela 2: Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis. Fonte: Lamberts et al. (1998).

2 OBJETIVO

O presente trabalho tem por objetivo avaliar as condições de conforto ambiental e sugerir intervenções para
as salas de aula do Bloco II do campus de Barra do Bugres da UNEMAT, tendo como ponto de partida a
observação e a coleta de dados referentes ao entorno, estrutura e materiais utilizados no edifício em questão.

3 METODOLOGIA

Visando a adequação das edificações ao clima e, assim, a melhora de seu desempenho térmico, utiliza-se
dados de Lamberts et al. (1998), que divide o território brasileiro em oito zonas climáticas através de uma
adaptação da Carta Bioclimática de GIVONI (1992), definindo assim o Zoneamento Bioclimático Brasileiro.
Essa classificação em zonas permite a identificação dos grupos de problemas climáticos dominantes e, para
cada grupo, oferecer recomendações técnicas a serem consideradas durante o projeto. As recomendações
estabelecem requisitos mínimos de projeto, considerando os seguintes parâmetros: a) tamanho das aberturas
para ventilação; b) proteção das aberturas; c) vedações externas (tipo de parede externa e cobertura
considerando-se transmitância térmica, atraso térmico e absortância à radiação solar); d) estratégias de
condicionamento térmico passivo.

As cartas bioclimáticas são gráficos que trabalham sobre uma base de dados climáticos para análise das
características do ambiente no ponto de vista do conforto térmico. A carta psicrométrica é um dos modelos
mais utilizados para cartas bioclimáticas, ela combina simultaneamente a temperatura e umidade em um
espaço de tempo associando esses valores para que haja uma definição das características físicas do
ambiente. Elabora-se então a carta bioclimática para a cidade de Barra do Bugres, obtida pelo software
Analysis Bio 2.1, desenvolvido pelo LABEEE – Laboratório de Eficiência Energética em edificações da
UFSC, que permite a partir de dados climáticos locais a construção de cartas bioclimáticas com estratégias
passivas e ativas recomendadas aos projetos de arquitetura.

Foram utilizados também softwares no apoio aos cálculos necessários à análise da edificação como: o
programa CTCA (Conforto Térmico, Cálculo e Análise) que serviu para determinar o desempenho térmico
das salas de aula estudadas, através da análise dos materiais e disposição das aberturas de ventilação, onde
foram determinados os índices de temperatura e sua localização dentro da Carta Bioclimática (neste caso de
Cuiabá, a cidade mais próxima disponível no software); o Lux 2.0 utilizado para o cálculo dos índices de
iluminância dos ambientes onde são dados os tamanhos das aberturas e seus distanciamentos, índices de
transmitância entre outros que compõe os materiais utilizados nas aberturas para entrada de luz; o Luz do Sol
e o Carta Solar utilizados para cálculo de sombreamento das aberturas relacionadas aos elementos de
proteção, as construções e a vegetação do entorno, e o FLUXOVENTO, que disponibiliza através da
inserção dos dados, o fluxo e o direcionamento dos ventos.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 Avaliação Bioclimática do Edifício Existente

O edifício existente apresenta alguns itens analisados que o impedem de enquadrar-se nas normas descritas
em Lamberts et al (1998). Seu fechamento lateral caracteriza-se por uma parede simples de tijolos de oito
furos assentados na menor dimensão, disponibilizando uma transmitância térmica de 2,24 w/m.k, e um atraso
térmico de 3,7 h, quando deveriam ser de U≤2,20 e φ≥6,5. Seu fator de calor solar é de 2,24%, utilizando um
α(coeficiente de absorção) igual a 0.25, referente a cor branca utilizada e chegando-se ao resultado através da

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fórmula 4.α.U. Sua cobertura é de fibrocimento, com laje de concreto de 12cm de espessura, possuindo um
atraso térmico de 3,6, quando deveria ser φ≥6,5. A transmitância térmica é de1,93 w/m.k, e fator de calor
solar de 3,86 %, com um α igual a 0,72 referente a cor cinza.

A edificação apresenta ventilação unilateral, com aberturas e vedações de 3,20m x 1,5m / 1,10m, tendo uma
área de ventilação de 2,25m², não atendendo as exigências de 6m² indicadas em Lamberts et al (1998). A
falta de ventilação cruzada, ou por diferença de pressão, acaba prejudicando as renovações de ar, que por
este motivo não atingem a necessidade de 15 renovações por hora, ficando na média de 3,66 renovações por
hora em uma das salas, e resultando nula em outra. Esses resultados foram obtidos com dados conseguidos
através de cálculos específicos de desempenho térmico de ventilação, feitos da relação entre o fluxo de ar
(Q) e o volume total da área (V) em análise, baseando-se em informações retiradas da Zona Bioclimática 7.
Os dados podem ainda ser percebidos através do gráfico obtido pelo software Fluxovento (Figura 2).

Figura 2 – Esquema da Planta Baixa da edificação com indicação de fachadas e respectiva simulação da
passagem do vento pelas aberturas a partir do Software FLUXOVENTO.

Através do software CTCA e das relações entre os elementos arquitetônicos utilizados na construção obtém-
se uma temperatura interna de 36ºC para a edificação. Tal resultado dispõe o ambiente na Zona H (Figura 3),
a qual apresenta um extremo desconforto térmico, necessitando da utilização de recursos mecânicos para o
abrandamento da temperatura, causando um aumento nos gastos energéticos.

Figura 3 – Carta Bioclimática do software CTCA, indicando a temperatura simulada para os ambientes.

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Com relação à iluminação do edifício, fica comprovada a sua insuficiência através da utilização do Software
Lux 2.0, que dispõe os gráficos alertando a baixa incidência de luz, que ocorre devido ao posicionamento
errôneo das aberturas, acarretando uma má distribuição da luz natural no interior da edificação (Figura 4).

Figura 4 – Gráficos de distribuição da iluminação natural gerados a partir do software Lux 2.0.

Através do software Sol-ar, obtêm-se as cartas solares das fachadas da edificação e seus respectivos períodos
de sombreamento (figuras 5 e 6; tabelas 3 e 4). Nelas comprova-se a necessidade da utilização de brises, o
que não ocorre, pois as aberturas das fachadas 2, 4, 5 e 8 estão localizadas em uma direção com grande
incidência de radiação solar, sendo quase paralelas as fachadas Norte e Oeste. O vidro utilizado serve de
instrumento de aumento de temperatura, pois possibilita a passagem de radiação de ondas curtas para o
interior da edificação, e impossibilita a saída das radiações de ondas longas que se formam no ambiente,
causando o aquecimento.

(a) (b)

Figura 5 – (a) Mascara Solar Fachada das fachadas 7 e 6 e (b) Mascara Solar Fachada das fachadas 8 e 5.

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Dias do ano Período de sombra – Fachadas 7 e 6 Dias do ano Período de sombra – Fachadas 8 e 5
22 junho Sombra a partir de 12:50h . 22 junho Sombra até 12:50h .
16 abril Sombra a partir de 12:40h . 16 abril Sombra até 12:40h .
21 março Sombra a partir de 12:30h . 21 março Sombra até 12:30h .
23 fevereiro Sombra a partir de 12:10h . 23 fevereiro Sombra até 12:20h .
21 janeiro Sombra a partir de 12:00h . 21 janeiro Sombra até 12:10h .
22 dezembro Sombra a partir de 12:00h . 22 dezembro Sombra até 12:00h .

Tabela 3: Período de sombra nas fachadas 7 e 6 / 8 e 5.

(a) (b)

Figura 6 – (a) Mascara Solar Fachada das fachadas 1 e 3 e (b) Mascara Solar Fachada das fachadas 2 e 4.

Dias do ano Período de sombra – Fachadas 1 e 3 Dias do ano Período de sombra – Fachadas 2 e 4
22 junho Sombra total. 22 junho Sem sombreamento.
16 abril Sombra a partir de 07:00h . 16 abril Sombra até 07:30h .
21 março Sombra a partir de 08:50h . 21 março Sombra até 09:30h .
23 fevereiro Sombra a partir de 10:00h . 23 fevereiro Sombra até 11:30h .
21 janeiro Sombra a partir de 12:30h . 21 janeiro Sombra total.
22 dezembro Sombra a partir de 13:00h . 22 dezembro Sombra total.

Tabela 3: Período de sombra nas fachadas 1 e 3 / 2 e 4.

4.2 Proposta de intervenção

Para solucionar o problema existente nos fechamentos verticais, optou-se pela utilização de uma parede de
tijolos de oito furos, assentados na maior dimensão, conforme indicação de Duarte (1995), apud Sanches
(2005). A escolha se deu, pois esse fechamento atende as necessidades descritas em Lambertz et all (1998).
atingindo valores como: 5,9 w/m.k para transmitância térmica, 1,52 h para o atraso térmico. Mesmo não
atingindo o valor da transmitância necessária, sabe-se através de estudos de Duarte que essa aplicação é
perfeitamente possível para a Zona Bioclimática 7.

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Considerando a interferência necessária em todas as aberturas e suas remoções, fica evidente o menor custo
em se construir novos fechamentos, sem o aproveitamento do antigo. Propõe-se que as paredes internas
sejam pintadas na cor amarela, com um α = 0.4, seguindo conceitos da cromoterapia, que pressupõe tal cor
para o estímulo do raciocínio. As cores externas foram mantidas. Além dessas modificações, acrescenta-se à
planta original, um espelho d’água de 5 cm de largura por 30cm de profundidade.

Para a cobertura, propõe-se acrescentar uma lâmina de alumínio polido, de espessura de 2 mm abaixo da
telha existente – fibrocimento, mantendo-se a laje existente. Situação esta que irá ajustar o atraso térmico
para 7,9 h, enquadrando-se assim, nas exigências de conforto ambiental.

Segundo Brown e Dekay (2004) a taxa na qual o ar flui através de um cômodo, retirando o calor consigo, é
uma função da área das entradas e saídas de ar, da velocidade e direção do vento em relação às aberturas. À
medida que o ar circula em torno de uma edificação, ele cria zonas de alta pressão (+) no lado que recebe os
ventos diretamente e de sucção (-) no lado oposto. A ventilação cruzada mais eficaz ocorre quando as
entradas de ar são localizadas na área de alta pressão e as saídas na área de sucção.

Sendo assim, propõe-se a troca das janelas existentes por novas, de dimensões 4,80 m x 1,00m / 1,10m para
as aberturas de entrada de ar, que devem ser 2/3 das janelas de saída, ficando assim, estipulada uma
dimensão de 4,5 m x 0,80 m / 1,90m para estas. Tal situação determina uma ventilação cruzada para os
ambientes (Figura 7), ficando as janelas de entrada voltadas para a face Norte e Oeste, pois os ventos
predominantes da região são NNO. Isso causa um fluxo de ar considerável, que aumenta as renovações de ar
para 20,5 renovações por hora nas janelas de menor incidência, e para 23,25 renovações por hora nas de
maior incidência de ventos, fazendo com que haja um intenso fluxo de ar dentro das salas, promovendo uma
sensação térmica interna mais agradável.

Figura 7 – Esquema da Planta Baixa proposta e respectiva simulação da passagem do vento pelas aberturas a
partir do Software FLUXOVENTO.

Todas as moficações promovidas na edificação fizeram com que ocorrece uma queda na temperatura interna
das salas, passando a ser 30,09ºC para as salas com menor fluxo de ar, e 29,69ºC para as salas com maior
fluxo de ar (Figura 8).

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Figura 8 – Carta Bioclimática gerada a partir do software CTCA, indicando a temperatura simulada para os
ambientes em questão.
Esse redimensionamento proposto mostra sua importância também na questão da correção da iluminação
interna. A partir dele tem-se resultados significativos na melhoria da distribuição da iluminação natural nos
ambientes e no sombreamento das aberturas (Figuras 9 e 10 e Tabela 3).

Figura 9 – Gráficos de distribuição da iluminação natural gerados a partir do software Lux 2.0.

(a) (b)

Figura 10 – (a) Mascara Solar Janelas J1 e (b) Mascara Solar Janelas J2.

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Dias do ano Período de sombra – Janelas J1 Dias do ano Período de sombra - Janelas J2
22 junho Sombra até 16:00h . 22 junho Até 16h00min.
16 abril Sombra até 16:50h 16 abril Até 16h05min.
21 março Sombra total. 21 março Até 16h10min.
23 fevereiro Sombra total. 23 fevereiro Até 16h15min.
21 janeiro Sombra total. 21 janeiro Até 16h20min.
22 dezembro Sombra total. 22 dezembro Até 16h20min.

Tabela 3: Período de sombra nas Janelas J1 e J2.

Além das modificações já indicadas, utilizou-se brises para o bloqueio da incidência solar direta nas janelas
durante as horas mais críticas do dia, o que gera mudanças no aspecto formal externo da edificação (Figura
8).

Figura 11 – Imagem do edifício existente e perspectiva da proposta de intervenção.

5 REFERÊNCIAS

BROWN, G. Z; DEKAY, M. Sol, Vento e Luz: estratégias para o projeto de arquitetura. 2.ed. Porto Alegre:
Bookman, 2004.

DURANTE, Luciane Cleonice; NOGUEIRA, Maria Cristina de Jesus Albuquerque; SANCHES, João Carlos
Machado. Habitações de Interesse Social, Aspectos de conforto térmico e recomendações de projeto para
Cuiabá/MT, Cuiabá: CEFETMT, 2006.

LAMBERTS, R. et al. Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações


unifamiliares de interesse social Florianópolis: UFSC/ FINEP, 1998. (Normalização em conforto ambiental).
LAMBERTS, R. & XAVIER, A. Conforto térmico e stress térmico. LABEEE – Universidade Federal de
Santa Catarina – UFSC. Florianópolis, 2002
MARAGNO, Gogliardo Vieira. Adequação bioclimática da arquitetura de Mato Grosso do Sul. Ensaios e
Ciências, ano/vol. 6, n. 003. Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal.
Campo Grande. 2002.
SANCHES, João Carlos Machado; ZANPARONI, Cleusa Aparecida Gonçalves Pereira. Intervenções
urbanísticas Baseadas em Diagnósticos Climáticos: o caso do centro histórico de Cuiabá/MT. In: NUTAU
2006. USP. Anais...São Paulo, 2006.
UNEMAT. Histórico. disponível em: http://bbg.unemat.br/index.php?page=historico.php. acesso em: 14 de
dezembro de 2006.

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