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SANEAMENTO BÁSICO - UMA ENGENHARIA REVERSA DOS DIREITOS

HUMANOS FUNDAMENTAIS

Fabiane Sumiko Kimura Martins 1

Francisca Natalia Correia Martino2

RESUMO
Os acidentes históricos de grandes proporções envolvendo gás liquefeito de petróleo
(GLP) fizeram uma enorme quantidade de vítimas fatais, sejam trabalhadores das
plantas industriais, moradores do entorno dessas instalações ou até mesmo
bombeiros que diante de uma ocorrência são os primeiros a serem acionados para
extinguir ou minimizar os impactos do incêndio evitando um número maior de vítimas
ou danos maiores à propriedade. O objetivo do artigo, portanto, foi estudar o raio de
consequências de uma explosão tipo BLEVE estabelecendo uma distância segura
para o desenvolvimento habitacional no entorno de uma planta industrial com
potencial para explosões desse tipo, contribuindo para a elaboração de um
planejamento apropriado de combate a emergências e reduzir a exposição e danos
à comunidade, trabalhadores dessas plantas e equipe de resgate e combate.

PALAVRAS-CHAVE: Incêndio, Explosão, BLEVE, GLP.

1
RA:
2
RA: 2018032109
1

INTRODUÇÃO

METODOLOGIA E RESULTADOS

A 32ª edição do Relatório “Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos –


2016”,publicado no site do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre
Saneamento, aponta que 93,0% da população urbana brasileira possui acesso a
água potável, e somente 59,7% da população urbana possui coleta de esgoto
sanitário. O número jáé bem baixo, fica menor ainda se considerarmos que apenas
5.172 dos 5.570 municípios foram considerados na amostra para determinação do
percentual da população urbana com acesso a água potável e somente 4.084 dos
5.570 dos municípios foram considerados na amostra para determinação do
percentual da população urbana com acesso à esgoto sanitário. Se analisarmos por
macrorregião, observaremos que a região norte do Brasil é onde se concentra o pior
índice de esgoto tratado com apenas 16,42% dos municípios o que retrata ainda
mais a desigualdade. No Nordeste, 32,11% do esgoto é tratado. Na região Sul,
41,43% já no Sudeste 47,39% do esgoto é tratado tendo a região Centro-Oeste o
melhor desempenho com 50,22% do esgoto tratado.

O relatório segue demonstrando a deficiência do Estado brasileiro na entrega de


serviços básicos essenciais à saúde e a vida. São números bastante
desconfortantes ainda, dada a amplitude e alcance das consequências e seus
reflexos em vários índices, inclusive no recente aumento da taxa de mortalidade
infantil que voltou a subir depois de décadas, principalmente por doenças
proliferadas por deficiência no saneamento básico, de acordo com a Unicef.

A Ong ShildFund Brasil, realizou uma série de compilações de dados estatísticos e


conseguiu um ranking dos municípios brasileiros com os melhores e piores índices
de saneamento básico dos anos 2000 à 2015 de acordo com o SNIS. O ranking
inclui ainda dados do DATASUS - banco de dados do sistema único de saúde, sobre
o número de casos de doenças como diarreia, dengue e leptospirose por cidade
analisada. Na tabela a seguir, vimos que enquanto na região sul e sudeste temos
municípios com quase 100% de disponibilidade de água potável, coleta e tratamento
de esgoto, alguns municípios da região norte do País, não chega a 10%.
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Tabela 1 – Ranking dos 10 Municípios brasileiros com melhores e piores índices de


tratamento de água e esgoto.

SNIS (2015)
Índice de
atendimento
total de
Índice de Índice de esgoto
esgoto
Posição Município População referido aos atendimento tratado referido à
Ranking 2017 (hab) total de água água consumida
municípios
2015 IN055 (%) IN046 (%)
atendidos
com água
IN056 (%)
1º Franca 342.112 99,96 99,96 98,00
2º Uberlândia 662.362 97,23 100,00 81,20
3º São José dos 688.597 96,12 99,96 94,00
Campos
4º Santos 433.966 99,88 100,00 97,60
5º Maringá 397.437 100,00 99,98 96,30
6º Limeira 296.440 97,02 97,02 100,00
7º Ponta Grossa 337.865 100,00 99,98 85,92
8º Londrina 548.249 100,00 99,98 88,53
9º Cascavel 312.778 93,26 99,98 89,57
10º Vitória da 343.230 80,73 100,00 82,48
Conquista
Total +10 4.363.036 44,14 86,24 7,08
Duque de 882.729
91º Caxias
92º Nova Iguaçu 807.492 45,05 93,60 0,06
93º Várzea 268.594 27,30 96,97 23,54
Grande
94º Gravataí 272.257 25,55 82,21 15,82
95º Manaus 2.057.711 10,40 85,42 23,92
96º Macapá 456.171 5,44 36,39 18,01
97º Porto Velho 502.748 3,71 33,96 0,00
98º Santarém 292.520 SI 48,00 SI
99º Jaboatão dos 686.122 6,66 74,05 6,24
Guararapes
100º Ananindeua 505.404 2,09 28,81 8,75
Fonte: ShildFundBrasil

Nota-se que Franca é o Município Brasileiro com o melhor índice de tratamento de


água e esgoto com quase 100% de domicílios atendidos. Por outro lado, Ananideua
no Pará, possui apenas 28,81% dos Municípios atendidos com água e somente
2,09% de coleta de esgoto.
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Tabela 2 – Quantidade internações hospitalares por Diarreia nos 10 Municípios com


melhores e piores índices de tratamento de água e esgoto.

Diarreia

Total Taxa de internação


Pico e ano de
Internações (internações/100 mil hab)
Internações
Posição Município (2007-2015) média 2007-2015
Ranking
2017
1º Franca 460 68 (2008) 16
2º Uberlândia 3.107 623 (2014) 55
3º São José dos 1.560 213 (2014) 27
Campos
4º Santos 565 104 (2007) 15
5º Maringá 1.667 340 (2007) 53
6º Limeira 946 145 (2010) 37
7º Ponta Grossa 3.408 863 (2007) 120
8º Londrina 1.551 232 (2008) 33
9º Cascavel 808 211 (2012) 31
10º Vitória da 8.674 1.227 (2009) 303
Conquista
Total+10 - 22.746 - 68,9 47
Duque de 3.681 902 (2007)
91º Caxias
92º Nova Iguaçu 8.801 1.634 (2009) 118
93º Várzea 5.343 1.114 (2010) 235
Grande
94º Gravataí 629 94 (2010) 27
95º Manaus 17.417 2.331 (2011) 106
96º Macapá 3.119 446 (2007) 88
97º Porto Velho 3.444 659 (2007) 92
98º Santarém 5.835 1.095 (2007) 229
99º Jaboatão dos 7.596 1.523 (2008) 126
Guararapes
100º Ananindeua 36.473 8.628 (2010) 831
Fonte: ShildFundBrasil

Observamos mais claramente no quadro 2 a correlação entre saneamento básico e


saúde pública, visto que enquanto no período de 2007 à 2015 o Município de Franca
registrou 460 internações por Diarreia, o Município de Ananindeua registrou no
mesmo período 36.473, um número absurdamente maior.

Outra doença que observamos que está correlacionada com a deficiência no


saneamento básico é a Dengue. Conforme tabela 3 a seguir.
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Tabela 3 - Quantidade internações hospitalares por Dengue nos 10 Municípios com


melhores e piores índices de tratamento de água e esgoto.

Dengue

Total Valor médio por


Pico e ano
Internações internação
de
(2007- 2015
Posição Município Internações
2015) (R$/internação)
Ranking
2017
1º Franca 23 15 (2015) 483,60
2º Uberlândia 477 205 (2015) 383,94
3º São José 430 214 (2015) 312,98
dos
Campos
4º Santos 969 578 (2010) 381,31
5º Maringá 1.246 355 (2014) 351,38
6º Limeira 220 115 (2015) 521,42
7º Ponta 6 3 (2012) ...
Grossa
8º Londrina 939 331 (2011) 304,06
9º Cascavel 33 7 (2011) 342,38
10º Vitória da 385 104 (2009) 329,89
Conquista
Total+10 - 4.728 - 379,00 336,99
Duque de 2.597 1.664
91º Caxias (2008)
92º Nova 2.105 1.092 357,08
Iguaçu (2008)
93º Várzea 2.404 1.367 502,62
Grande (2009)
94º Gravataí 3 1 (2014) ...
95º Manaus 4.953 1.851 342,65
(2011)
96º Macapá 1.168 399 (2007) 403,49
97º Porto Velho 796 255 (2010) 306,16
98º Santarém 347 130 (2008) 516,18
99º Jaboatão 1.016 363 (2010) 455,64
dos
Guararapes
100º Ananindeua 3.713 759 (2011) 361,74
Fonte: ShildFundBrasil

A tabela acima nos traz mais um dado alarmante e que correlaciona a deficiência no
saneamento básico com o adoecimento da população.

Enquanto o Município de Franca em São Paulo teve 23 internações por Dengue


entre os anos de 2007 e 2015, Ananindeua no Pará teve absurdamente 3.713 casos.
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Tabela 4 - Quantidade internações hospitalares por Leptospirose nos 10 Municípios


com melhores e piores índices de tratamento de água e esgoto.

Leptospirose
Total Total
Posição Ranking Município Internações Internações Total
2017 Internações
(2007- (2007-
(2007-2015)
2015) 2015)
1º Franca 1 1 1
2º Uberlândia 8 8 8
3º São José 46 46 46
dos
Campos
4º Santos 66 66 66
5º Maringá 11 11 11
6º Limeira 5 5 5
7º Ponta 33 33 33
Grossa
8º Londrina 31 31 31
9º Cascavel 10 10 10
10º Vitória da 1 1 1
Conquista
Total+10 - 212 56 212 56 212 56
Duque de
91º Caxias
92º Nova 81 81 81
Iguaçu
93º Várzea 0 0 0
Grande
94º Gravataí 82 82 82
95º Manaus 250 250 250
96º Macapá 238 238 238
97º Porto Velho 68 68 68
98º Santarém 108 108 108
99º Jaboatão 181 181 181
dos
Guararapes
100º Ananindeua 60 60 60

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO. Portaria n° 47. Estabelece a
regulamentação para execução das atividades de projeto, construção e operação de
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transvasamento de sistemas de abastecimento de gás liquefeito de petróleo – GLP a


granel. 24/03/1999.

ABNT -ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR-11708:


Válvulas de segurança para recipientes transportáveis, para gases liquefeitos de
petróleo. Especificação. Publicação: 30/12/1991.