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1. Introdução

O presente trabalho tem como objetivo, analisar o fenômeno social da homofobia.


Fenômenos sociais são acontecimentos que transcursam da vida social e do comportamento
do ser humano em sociedade.

Etimologicamente, a palavra homofobia é composta por dois radicais gregos: o termo


homo que significa igual e o termo fobia, que é designado para classificar uma patologia,
caracterizada por uma aversão exagerada a objetos, coisas ou pessoas. O termo teve origem
em 1971, quando foi cunhado pelo psicólogo norte-americano, George Weinberg. Alguns
teóricos propõem que o termo mais aceitável, etimologicamente falando, seria o termo
"Homofilofóbico", que caracteriza o medo de quem gosta do igual.

Segundo Borrillo (2010, p. 24-30), a conceituação de homofobia não pode ser restrita, pois há
vários tipos de homofobia, como: a homofobia irracional que caracteriza o repúdio a
homossexuais, trata-se de uma manifestação emotiva, e com esse efeito, representa a forma
brutal de violência correspondente a uma atitude irracional; a homofobia cognitiva
que caracteriza a manifestação menos grosseira, porém não menos insidiosa e de cunho social,
onde há a tolerância à existência de homossexuais e práticas homoafetivas, mas, pretende
perpetuar a diferença entre homossexuais e heterossexuais, não há a aceitação que
homossexuais tenham os mesmos direitos que as pessoas heterossexuais, além da “violência”
presente em insultos, linguagem cotidiana, etc.; a homofobia geral que caracteriza toda e
qualquer forma de sexismo na sociedade e que tem a necessidade de fazer a divisão biológica
do sexo e a homofobia específica que refere-se as práticas homofóbicas em relação a
homossexuais.

Alguns, portanto, aceitam a homossexualidade como algo natural, e defendem a


igualdade de direitos. Outros, porém, rebelam-se contra o fato e sentem uma aversão quase
que patológica, levando a casos extremos de agressões físicas, psicológicas e, em muitos
casos, até a morte.
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2. Desenvolvimento

O termo homofobia significa a discriminação ou preconceito negativo em relação a


homossexualidade, ou seja, refere-se à atitudes ou comportamento negativos direcionados a
indivíduos cuja orientação sexual foge do que se é considerado padrão numa sociedade,
reduzindo-o a estereótipos.

Segundo Rodrigues (1933, p. 150) os estereótipos (crenças sobre características


pessoais que atribuímos a indivíduos ou grupos) estariam na base cognitiva do preconceito.
Ele explica que os sentimentos negativos em relação a um grupo constituiriam o componente
afetivo, e a discriminação, o componente comportamental do preconceito. Sentimentos hostis
somados a crenças estereotipadas podem resultar em expressões verbais de desprezo e até atos
de agressividade.

A homofobia, assim como as outras formas de preconceito negativo, tende a colocar o


homossexual na condição de inferioridade e anormalidade, visto que o padrão já estipulado
pela sociedade seria a heterossexualidade. E uma vez que algo foge do que é considerado
padrão, a reação quase que natural do ser humano é tentar erradicar o grupo praticante de tal
ato/comportamento.

Freud (1969) considerava a homossexualidade como um aspecto natural e não


patológico, e não deveria ser qualificada como doença e nem deveria ter algum tipo de
tratamento ou cura, já que considerava a homossexualidade como uma variante da função
sexual. Para Freud, todos os seres humano nascem com uma predisposição a bissexualidade, e
ao longo de seu desenvolvimento, o indivíduo poderia tornar-se então, heterossexual ou
homossexual. Acreditava que as reações homofóbicas (exorcismos, tentativa de cura,
agressões, etc.) não passavam de histeria coletiva.

Em 1903, o jornal vienense Die Zeit pediu que Freud se pronunciasse sobre um
escândalo envolvendo uma importante personalidade acusada de práticas homossexuais. A
resposta de Freud foi sem ambiguidades:

A homossexualidade não é algo a ser tratado nos tribunais. [...] Eu tenho a firme
convicção de que os homossexuais não devem ser tratados como doentes, pois uma
tal orientação não é uma doença. Isto nos obrigaria a qualificar como doentes um
grande números de pensadores que admiramos justamente em razão de sua saúde
mental [...]. Os homossexuais não são pessoas doentes (FREUD, 1903 apud
MENAHEN, 2003, p. 14).
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Em Abril de 1935, Sigmund Freud respondeu a uma carta, onde uma mãe
preocupada pedia a “cura” para seu filho que apresentava características homossexuais. A
resposta do psicanalista foi incisiva e concluiu seu posicionamento em relação à
homossexuais e práticas homofóbicas:

[...] Não tenho dúvidas que a homossexualidade não representa uma vantagem. No
entanto, também não existem motivos para se envergonhar dela, já que isso não
supõe degradação alguma. Não pode ser qualificada como uma doença e nós a
consideramos como uma variante da função sexual [...]. É uma grande injustiça e
também uma crueldade, perseguir a homossexualidade como se esta fosse um delito.
[...] (FREUD, S.,1967. Lettre de Freud à Mrs N. N...: Correspondance de Freud
1873-1939.)

Estudos realizados demonstraram que a homossexualidade era comum e tratada com


respeito na Grécia Antiga, sendo considerada um ritual de passagem da adolescência para a
vida adulta. (Pastore, 2011, p. 46-47)

Contudo, desde longa data até os dias de hoje a homossexualidade é vista de forma
preconceituosa e discriminativa. A homofobia tem se apresentado de forma crescente e o
aumento da violência contra pessoas LGBT pode ser atribuído a diversos fatores sociais,
como a perpetuação de valores e crenças de uma comunidade (normas sociais passadas de
geração para geração), ausência de proteção às vítimas, a conformidade (as pessoas se
acostumam com a desigualdade), dentre outros. Em função disto, o preconceito e a
discriminação contra os homossexuais tendem a se perpetuar, nos deixando sem a esperança
de uma erradicação.
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3. Considerações Finais

Conclui-se então, que assim como Freud declarou em diversos registros, a


homossexualidade não se trata de uma doença ou perversidade. A perseguição a pessoas
homossexuais, como o próprio psicanalista disse, é injusta e cruel, além de violar
intensamente os direitos humanos e constitucionais dos homossexuais, enquanto cidadãos.

Além da agressão física, que muitas vezes leva a morte, os homossexuais


frequentemente são alvos de agressões psicológicas e morais, desde brincadeiras com teor
maliciosos até comentários extremamente discriminatórios, que podem causar danos graves
na saúde mental do alvo, podendo levar até ao suicídio. É comum o pensamento de que a
violência simbólica (brincadeiras, piadas, comentários, etc.) seja menos agressiva e nociva,
mas é necessário o conhecimento de que podem ser fatais. Infelizmente, é comum nos
depararmos com notícias de crianças, jovens e adultos que cometem o suicídio por não se
aceitarem, ou por não serem aceitos perante o núcleo social em que está inserido.

Acredito que a base da homofobia está na cognição social, vem do próprio núcleo
social em que o homofóbico está inserido. No contato social com o núcleo frequentado, são
coletadas muitas informações que influenciam diretamente nosso processo cognitivo e
comportamental. Muitas vezes, a própria família reforça valores e atitudes homofóbicas, e
isso vai se disseminando através de gerações e então, pelo mundo. A família é o primeiro
contato social do indivíduo, é a base para efetuar o processo cognitivo de um ser, se a criança
for fortemente reforçada a indicar repúdio a homossexuais, a tendência é de que ela passe a ter
atitudes e comportamentos homofóbicos também.

A partir da ideia de que a homofobia é um “combo” de atitudes, comportamentos,


estereótipos, discriminação, rotulações e preconceitos negativos direcionados aos
homossexuais, cabe apenas e unicamente a sociedade como um todo, a mudança da norma
social de que a heterossexualidade é um ideal afetivo, e entendendo que o homossexual é tão
digno de respeito e afeto quanto um heterossexual.
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4. Referências Bibliográficas

Freud, S. (1969d). Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (Edição Standard Brasileira das
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. 7). Rio de Janeiro: Imago.
(Originalmente publicado em 1905).

Freud, S. (1969j). O ego e o id (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas
de Sigmund Freud, Vol. 19). Rio de Janeiro: Imago. (Originalmente publicado em 1923).

Freud, S. (1967). Lettre de Freud à Mrs N. N...: Correspondance de Freud 1873-1939. Paris:
Gallimard. (Originalmente publicado em 1935).

FERRARI, Juliana Spinelli. "Homofobia"; Brasil Escola. Disponível em


<https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/homofobia.htm>. Acesso em 25 de marco de 2018.

Rodrigues, Aroldo. (1933), Psicologia Social / Aroldo Rodrigues, Eveline Maria Leal Assmar,
Bernardo Jablonski. 29 ed. Reform. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

Borrillo, Daniel. Homofobia: história e crítica de um preconceito / Daniel Borrilo; [tradução


de Guilherme João de Freitas Teixeira] – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010. – (Ensaio
Geral 1)

FAZZANO, Leandro Herkert. Análise do fenômeno da homofobia: identificando


contingências envolvidas / Leandro Herkert Fazzano. – Londrina: Universidade Estadual de
Londrina [S.N.] 2014.