You are on page 1of 24

O caminho Um Mês Extraordinário

sinodal das POM para a Missão
Serviço de Informação Missionária
Ano 46 - No4 outubro a dezembro de 2018
Editorial

Índice
Editorial.................................. 3
Rápidas................................... 4 Serviço de Informação Missionária
Ano 46 - No4 outubro a dezembro de 2018

Destaque................................. 5
O caminho sinodal das POM
Pe. Jaime Luiz Gusberti

Nossos Missionários.................. 6
Abrir horizontes para a missão universal
Mons. Daniel Lagni

Foi um tempo de graça
Pe. Camilo Pauletti O SIM é uma publicação trimestral das POM,
organismo oficial de animação, formação e coope-
ração missionária universal da Igreja Católica, em
POM........................................ 8 quatro ramos específicos:

40 anos de missão • Pontifícia Obra da Propagação da Fé
Pe. Maurício Jardim • Pontifícia Obra da Infância e
Adolescência Missionária

Aprofundando a Missão........... 10 • Pontifícia Obra de São Pedro Apóstolo
• Pontifícia União Missionária
Um Mês Extraordinário para a Missão
Pe. Fabrizio Meronni
Expediente
Testemunhos.......................... 12 Direção:
Pe. Maurício da Silva Jardim
Missão de muitas mãos (diretor nacional das POM)

Propagação da fé.................... 14
Conselho Editorial:
Pe. Badacer Ramos de Oliveira Neto (secretário
A Vocação Missionária nas Juventudes nacional da Obra da Propagação da Fé e
e a cooperação das POM Juventude Missionária)
Ir. Patrícia Souza (secretária nacional da Obra da
Pe. Badacer Neto
Infância e Adolescência Missionária)
Pe. Antônio Niemiec (secretário nacional da
Missão em Contexto................ 16 Pontifícia União Missionária)
Jornalista: Fabrício Preto (Mtb 15907)
Programa Missionário Nacional:
Revisão: Cecília Soares de Paiva
Escuta, organização e potencialização da missão no país (Jornalista DRT/MS 280)
Joaquim Alberto Andrade Silva Projeto Gráfico e diagramação: Wesley T. Gomes
Impressão: Cidade Gráfica e Editora Ltda.

IAM....................................... 18 Tiragem: 12 mil exemplares.

Metodologia da IAM
Ir. Patricia Souza sds e Pe. Jaime Luiz Gusberti
SGAN 905 - Conjunto B
Pontifícia União Missionária.... 20 70790-050 Brasília - DF
Caixa Postal: 3.670 - 70089-970 Brasília-DF
COMISEs: uma luz no caminho
Tel.: (61) 3340-4494
Zorenilton Tavares Reis
Fax: (61) 3340-8660
Site: www.pom.org.br
Nas terras de missão da Amazônia E-mail: imprensa@pom.org.br
Carlos Antonio da Silva Carioca
Para pedidos de material, entre em
contato pelo e-mail: material@pom.org.br

2 outubro a dezembro 2018
Editorial

Celebrar e testemunhar a história
Chegamos à última edição do SIM deste 2018 repletos de esperança,
testemunhando o Evangelho da paz e tendo a oportunidade de viver mais
uma Campanha Missionária (outubro). Animados pelo horizonte de estar
em saída, somos convocados pelo Papa Francisco a viver, no mundo todo,
o Mês Missionário Extraordinário a realizar-se em outubro de 2019.
Em clima de celebração, as Pontifícias Obras Missionárias comemo-
ram seus 40 anos de fundação no Brasil. Uma história construída com
a vida doada de muitos missionários e missionárias, sendo sinal de es-
perança nos locais mais necessitados. O caminho
percorrido pelas POM é sinodal e de profunda
comunhão, interligando todas as forças vivas das
Igrejas particulares e dos conselhos missionários
em diferentes âmbitos.
Queremos fazer memória desse percurso histó-
rico e, para isso, trazemos alguns relatos de antigos
diretores e secretários das POM, testemunhas de
vivências, encontros, conhecimentos e situações
vividas entre nossos missionários.
Diante desses festivos 40 anos, relembramos
os passos dados e o caminho percorrido pelas ju-
ventudes animadas pela Pontifícia Obra da Pro-
pagação da Fé. Percebemos que o partilhar da
vida missionária é sempre um motivo de alegria e
de retorno ao que nos é fundamental, que é nossa
vocação.
A história do Conselho Missionário de Semi-
naristas (COMISE) ganha as páginas desta edição,
relembrando sua criação em 1985, em que os seminaristas se organizaram
para trabalhar na então denominada “dimensão missionária” da formação.
Com 33 anos de existência, a iniciativa foi pioneira em todo o Brasil, ten-
do por objetivo, desde o primeiro momento, animar a missionariedade na
formação dos seminaristas.
Trazemos também o caminho de construção do Programa Missionário
Nacional a partir de suas motivações e indicativos de concepção e orga-
nização. Ressaltamos alguns aspectos do processo de construção do Pro-
grama, dentre eles, a escuta, a organização e a potencialização da ação
missionária nas diferentes realidades de nosso país.
Relembrar essa trajetória oferece, a todos nós, uma oportunidade a
mais para mantermos viva e ativa a nossa consciência batismal missioná-
ria. Tenham todos uma ótima leitura!

2018 outubro a dezembro 3
Rápidas

Campanha Missionária 2018 ampliou sua comunicação

O mês de outubro, dedicado pela Igreja às missões, registrou
diversas atividades em todo o Brasil, levando a mensagem da pro-
moção da paz entre todos. Pelo tema “Enviados para testemunhar
o Evangelho da paz”, a Campanha Missionária deste ano esteve em
sintonia com a Campanha da Fraternidade.
Como diferencial em relação aos anos anteriores, ampliou-se
a distribuição do material às dioceses (novenas, cartazes, DVDs),
além de reforços à comunicação, com maior uso das mídias cató-
licas e redes sociais. Os resultados obtidos foram mais que apenas
numéricos, posto os registros de maior participação das pessoas na
animação missionária em todas as comunidades.

Cofrinho da IAM colaborou com dioceses da Oceania em 2017
O Cofrinho Missionário, ação tos de prestação de contas dos valo-

Arquivo POM
concreta realizada pela IAM para res enviados pelo Brasil. O valor ar-
colaborar com a missão no mundo, recadado é destinado integralmente
movimenta muitos projetos nos lo- para apoiar projetos que “protegem
cais de maior necessidade. No ano a vida”, tais como centros para
de 2017, o continente da Oceania foi crianças órfãs, casas de acolhida
escolhido pelo Brasil para receber as para crianças de rua ou assistência
doações realizadas pelas crianças e de saúde aos recém-nascidos e esco-
adolescente de nossa Igreja. las infantis. Para ter acesso a toda a
A Secretaria Internacional da prestação de contas, visite nosso site
Obra apresentou às POM documen- www.pom.org.br.

Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens de todo o mundo
O Sínodo dos Bispos de 2018,
Vatican News

ocorrido entre de 3 e 28 de outubro,
teve como centro de discussão o tema
"Os jovens, a fé e o discernimento
vocacional". Os jovens falaram aos
padres sinodais sobre os seus reais
desafios e sonhos. Essa intervenção,
acolhida pelos bispos delegados do
mundo inteiro e pelo Papa Francis-
co, é considerada histórica, pela pro-
ximidade e propensão à escuta.
Em sua carta de conclusão, os pa-
dres sinodais situam o processo de es-
cuta que permeou as três semanas de
assembleia, quando deram ouvidos à
voz de Jesus, “o Cristo, eternamen-
te jovem”. Por Ele, reconheceram
as vozes da juventude, seus gritos de
exultação, lamentos e silêncios.
Bispos brasileiros durante o Sinodo com o Papa Francisco

4 outubro a dezembro 2018
Destaque

Arquivos POM
O caminho sinodal das POM

E
levamos a Deus nosso agradecimento pelos 40 no medo, na competência, no desejo de caminhar juntos,
anos das Pontifícias Obras Missionárias. O cami- na busca da verdade na liberdade, no reconhecimento da
nho percorrido das POM é sinodal e de profunda autonomia e na abertura à alteridade).
comunhão, interligando todas as forças vivas das Igrejas Uma Igreja onde todos são chamados a “caminhar
particulares e dos conselhos missionários em diferentes juntos”, é de fundamental importância valorizar a escu-
âmbitos, COMIREs, COMIDIs e COMIPAs. ta e o diálogo em todos os momentos. Em pleno Concí-
Sinodalidade e Comunhão, duas palavras carrega- lio Vaticano II, o Papa Paulo VI afirmou que “a Igreja
das de relevantes significados. Por mais que quisésse- se faz diálogo”, enfatizando a atitude de escuta. O Papa
mos aprofundar, não esgotamos a riqueza que cada Francisco retoma esse caminho da “escuta” como exi-
uma traz em seu conteúdo. gência fundamental para a sinodalidade: “Uma Igreja
O Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, sinodal é uma Igreja da escuta, ciente de que escutar é
tem assumido esse modo de exercer sua autoridade. O mais do que ouvir. É uma escuta recíproca, onde cada
caminho sinodal vem rejuvenescendo toda a ação evan- um tem algo a aprender, povo fiel, Colégio Episcopal,
gelizadora da Igreja. No Brasil, o 4º Congresso Missio- Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à
nário Nacional, realizado na Arquidiocese de Recife escuta do Espírito Santo”.
em 2017, dedicou o capítulo segundo do texto-base ao Para compartilhar a alegria do Evangelho e fazer discí-
estudo da Sinodalidade e Comunhão. pulos, somos chamados a “caminhar juntos”, conviven-
De acordo com o seu sentido etimológico, o termo do fraternalmente, trabalhando, dialogando, servindo e
grego “sínodo” significa “caminhar juntos”. A sinodali- revalorizando a dimensão comunitária da missão a ser
dade expressa a participação e a comunhão em vista da assumida como Igreja, na Igreja e com a Igreja.
missão. Pertence à própria natureza da Igreja. O Papa Um texto que nos ajuda a entender a pedagogia de
Francisco, no entanto, alerta-nos de que o conceito de Jesus no campo da sinodalidade encontra-se no Evan-
sínodo é “fácil de exprimir em palavras, mas não de ser gelho de Lucas 24,13-35, sobre os discípulos de Emaús,
colocado em prática”. Para tanto, é fundamental reto- quando Jesus se aproxima e caminha junto a dois discí-
mar à eclesiologia do Concílio Vaticano II que nos apre- pulos desanimados por verem suas esperanças desapa-
senta a Igreja como “mistério”, sinal e instrumento de recerem. Sínodo é “Caminhar juntos” - Jesus caminhou
comunhão, como “Povo de Deus”. junto com os dois. Exemplo do quanto é fundamental
No sentido etimológico, segundo o teólogo Hans Urs colocar-se um ao lado do outro na ação evangelizadora,
Von Baltasar, a palavra comunhão pode ter dois senti- escutando e dialogando.
dos com seus respectivos significados e consequências: a) Parabéns a todos quantos vivem sua missão junto
Cum-munio significa defender-se juntos (vivência defen- às Pontifícias Obras Missionários. Que o Espírito Santo
siva, com notáveis consequências negativas e de tensões de Deus continue iluminando a todos no caminho da
nas relações internas e externas na conivência cotidiana); sinodalidade e comunhão.
b) Cum-munus tem o sentido de pôr, juntos, os próprios
dons e qualidades (leva a um modelo relacional que se Pe. Jaime Luiz Gusberti
inspira na confiança, na estima pela outra pessoa e não Secretário Executivo do Centro Cultural Missionário
2018 outubro a dezembro 5
Nossos Missionários

“Abrir horizontes para a missão universal”
Testemunho de Monsenhor Daniel Lagni
Fotos: Arquivo pessoal

Diretor Nacional das POM de 1999 a 2010

"S
ou o Monsenhor Daniel Lagni, nascido em
16 de fevereiro de 1953, no município de Pa-
raí (RS), Diocese de Caxias do Sul, filho de
Difendi Ernesto Lagni e Maria Butelli Lagni – in
memoriam. Ordenado presbítero em 13 de dezem-
bro de 1981, na cidade de Sidrolândia (MS), sen-
do incardinado na Arquidiocese de Goiânia (GO)
desde 1988. Formado em filosofia e pedagogia,
com mestrado em Teologia Dogmática pela Ponti-
fícia Universidade Gregoriana de Roma em 1996.
Atualmente resido e atuo na Arquidiocese de
Goiânia (GO), sendo Pároco da Paróquia Nossa
Senhora Auxiliadora – Catedral Metropolitana de
Goiânia, Vigário Episcopal do vicariato do centro,
membro do Conselho Presbiteral, Diretor Presiden-
te da Fundação Aroeira. Até recentemente atuei
como Vice-Presidente da Santa Casa de Misericór-
dia de Goiânia e Vice-Presidente da Sociedade Goi-
ânia de Cultura, mantenedora da PUC- GO.
Em 1999 fui nomeado Diretor Nacional das
POM, assumindo efetivamente em janeiro de
2000, com missa de envio na sede da CNBB,
em Brasília, presidida pelo então Núncio Apos-
tólico Dom Lourenço Baldisseri. Permaneci na
função por um período de onze anos, em que a
experiência e a vida missionária abriram hori-
zontes para a missão universal, Ad Gentes, com
conhecimento e valorização das diferentes cul-
turas, povos, realidades e desafios.
Desse período destaco: Organização e con-
solidação das quatro obras missionárias, com
seus respectivos secretários; implementação e
crescimento em todo País da Infância Missioná-
ria; implantação da Adolescência e Juventude
Missionárias, com embrião das Famílias Mis-
sionárias; produção e publicação de subsídios
para a animação missionária, tais como a co-
leção “Série Missão” e “Teologia da Missão”;
animação missionária nos estados e regionais
do Brasil, com os EFAIMs, ERIMs; Formação
Missionária para Seminaristas; Assembleias das
POMs; trabalho colegiado com a Dimensão
Missionária da CNBB, CRB e Centro Cultural
Missionário; e ainda o crescimento gradativo
em relação à Campanha Missionária de cada
ano e consequente aumento da coleta no Dia
Mundial das Missões.”
6 outubro a dezembro 2018
Nossos Missionários

“Foi um tempo de graça”
Testemunho de Padre Camilo Pauletti
Diretor Nacional das POM de 2010 a 2016

"S
ou Padre Camilo Pauletti, diocese de Caxias
do Sul, tenho 59 anos de vida e 33 de minis-
tério. Atualmente Pároco da paróquia Santos
Apóstolos na cidade de Caxias do Sul e também
coordenador do Conselho Diocesano Missionário.
Estive como diretor das Pontifícias Obras
Missionárias, oficialmente de 23/11/2010 a
23/03/2016 e concretamente no período de
3/02/2011 a 03/08/2016. Foi um tempo de gra-
ça, tempo de crescimento pessoal e comunitário,
muitos contatos com missionários e realidades de
todos os estados do Brasil e todos os continentes
do mundo. Oportunidade de visitas, encontros,
conhecimentos, diálogos com pessoas e situações
vividas pelos nossos missionários. Encontros anu-
ais com diretores das POM de todo o mundo em
Roma, com os diretores dos Países da América e
do Cone Sul. Momentos fortes que nos faz sentir
a importância e o valor da Igreja missionária.
Na sede das POM em Brasília, procuramos
assumir as atividades numa coordenação colegia-
da com os Secretários das Obras e próximos às
forças missionárias da CNBB e da CRB, em espe-
cial, ao Centro Cultural Missionário. Juntos, bus-
camos viver a cooperação e animação missionária
para a Igreja no Brasil. Demos atenção especial à
produção de material em vista das necessidades
das Obras, do mês missionário, dos congressos e
na informação com os meios de comunicação.
Pelo período, destaco a gratidão de poder visitar
e encontrar tantos missionários brasileiros atuantes
em terras de missão, seja na África, Ásia, Europa
e nos Países da América. Visitas de conhecimento
e apoio a atividades realizadas em realidades desa-
fiantes. Os encontros com o Papa animam e estimu-
lam ao compromisso com nossas responsabilida-
des, olhando a Igreja como um todo. Os Congressos
Regionais, Nacionais e Americanos, sempre foram
eventos envolventes e impulsionadores do espírito
missionário de muitas pessoas na missão de Deus.
O trabalho nas POM tem desgaste, com exi-
gências e responsabilidades, entrega e desapego,
mas nos dá muitas alegrias e recompensas. Senti-
mos que a missão é a alma da Igreja. Fica marca-
da em nosso coração a doação de tantos missio-
nários que se dedicam aos mais pobres. Por isso
podemos dizer: a vida se fortalece quando é en-
tregue e assumida para dar mais vida aos outros."
2018 outubro a dezembro 7
POM

O
Papa Francisco, em junho
de 2018, gravou um vídeo
para a Assembleia Interna-

de missão
cional das POM em Roma, onde
destaca: “As POM é uma realida-
de importante para a missão da
Igreja, mas pouco conhecida”. De
fato, ainda hoje, em nossas visitas e
formações missionárias nas Arqui- As POM são organismos oficiais Elas se desenvolvem com o apoio da
dioceses e Dioceses do Brasil, en- da Igreja Católica que trabalham para Santa Sé que, ao fazê-las próprias,
contramos essa realidade. As Obras intensificar a animação, a formação concede-lhes caráter universal.
Pontifícias são pouco conhecidas e e a cooperação missionária em todo Duas palavras resumem a iden-
até confundidas como congregação o mundo. Os elementos comuns às tidade das POM, para além de seus
religiosa ou comissão da CNBB. quatro obras são a mística missioná- elementos comuns: A Universalidade
Contudo, a história das Pontifícias ria e seu caráter pontifício. A mística – todas as obras para todos os povos;
Obras Missionárias (POM) vem de que as identifica tem um tripé: ora- e Pontifícias – são obras do papa para
longa data. Festejamos, em 2016, o ção, sacrifício e ofertas. Ou seja, a toda a igreja. Conforme documento
centenário da Pontifícia União Mis- primeira obra é rezar pelas missões, Cooperatio Missionalis da Congrega-
sionária; neste ano os 175 anos da pois o protagonista é o Espírito San- ção para Evangelização dos Povos, as
IAM; em 2022, iremos celebrar os to, a segunda é a oferta existencial da POM “têm o objetivo de promover o
duzentos anos de fundação da Obra própria vida e a terceira é a partilha espírito missionário universal no seio
Propagação da Fé e os cem anos econômica para a missão universal. do povo de Deus” (CM,5). Têm a
que o Papa Pio XI as elevou à natu- O caráter pontifício significa que são vocação de manter vivo e circulante,
reza Pontifícia e Universal. obras do papa para toda a Igreja. nas comunidades eclesiais, pastorais

Memória dos diretores das Pontifícias Obras Missionárias:

Pe. João Panazzolo
Pe. Gaetano Maiello (PIMI) Pe. Giancarlo Coruzzi (SX)
(Diocese de Caxias do Sul, RS)
26/03/1977 a 02/12/1982 03/12/1982 a 19/05/1989
20/05/1989 a 22/11/1999

8 outubro a dezembro 2018
POM

e movimentos, o espírito de solidarie- missionária e envelope) é enviado para operação intereclesial e Comissão
dade e de universalismo missionário. todas as Arquidioceses, dioceses e pre- Episcopal para a Amazônia. Além
No Brasil, as Pontifícias Obras lazias do país, fortalecendo a proposta das comissões, a comunhão acon-
Missionárias foram criadas como de nosso Papa Francisco que nos pede tece com os Organismos eclesiais:
personalidade jurídica em 20 de no- uma Igreja em saída. A colaboração Conselho Missionário Indigenista
vembro de 1978, na cidade de São no Dia Mundial das Missões (penúl- (CIMI), Centro Cultural Missioná-
Paulo, por iniciativa dos superiores timo final de semana de outubro) tem rio (CCM) e Conferência dos Reli-
provinciais das congregações: Mis- como finalidade a Evangelização, giosos do Brasil (CRB). Na prática,
sionários da Consolata, Missionários Animação e Cooperação Missioná- a comunhão realiza-se pela partici-
Combonianos, Missionários do Ver- ria. Dessa coleta, 80% são destinados pação na equipe executiva e assem-
bo Divino, Missionários Xaverianos, a auxiliar atualmente 1.050 dioceses bleias do conselho missionário na-
Missionárias da Imaculada e PIME pobres nos “territórios de missão” e cional (COMINA) e nos conselhos
(Pontifício Instituto das Missões ao diversos projetos na África, Ásia, Oce- missionários em âmbito regional
Exterior). Foi inicialmente registrada ania e América Latina. Os outros 20% (COMIRE), diocese (COMIDI) e
como sociedade civil sem fins lucra- restantes são para a ação missionária paróquia (COMIPA).
tivos, posteriormente alterada para no Brasil. Somados esses anos todos, so-
associação e, em 2017, passou a ser A comunhão das POM com a mos gratos a tantos colaboradores
reconhecida com natureza jurídica Igreja do Brasil acontece por meio e colaboradoras que contribuíram
de organização religiosa. Contudo, da Comissão Episcopal Pastoral para a formação dessa história. São
antes do seu caráter jurídico, as Pon- para Animação Missionária e Co- secretários(as) nacionais das Obras
tifícias Obras Missionárias, em âmbi- Pontifícias, equipe de colaborado-
to nacional, já contavam com secre- res(as) e instituições que compõem
tários nacionais da Pontifícia Obra "As POM são o Conselho Nacional das POM. Por
da Propagação da Fé e da Infância e organismos oficiais intercessão de São Francisco Xavier
Adolescência Missionária. e Santa Terezinha do menino Jesus,
da Igreja católica
Entre tantas atividades, destaca-se padroeiros da missão, Deus aben-
a importância de organizar, produzir que trabalham çoe a todos e nos dê força e perseve-
e motivar a Campanha Missionária para intensificar a rança na missão. Gratidão a todos e
da Igreja do Brasil. As POM realizam animação, a formação todas que colaboraram e colaboram
essa importante atividade em comu- com as Pontifícias Obras Missioná-
nhão com o Conselho Missionário e a cooperação rias nos seus 40 anos de criação.
Nacional (COMINA). O material missionária em todo o
produzido (novena, DVD com teste- mundo" Pe. Maurício da Silva Jardim
munhos missionários, cartaz, oração Diretor Nacional das POM

A eles somos imensamente agradecidos. Deus os recompense por tanto bem realizado.

Pe. Daniel Lagni Pe. Camilo Pauletti Pe. Maurício da Silva Jardim
(Arquidiocese de Goiânia, GO) (Diocese de Caxias do Sul, RS) (Arquidiocese de Porto Alegre, RS)
23/11/1999 a 22/11/2010 23/11/2010 a 22/03/2016 Diretor atual

2018 outubro a dezembro 9
Aprofundando a Missão

ACI Digital
Um Mês Extraordinário para a Missão
Aventura de fé no caminho da missão ad gentes

O
Papa Francisco anunciou publicamente para de proclamar o Evangelho combinam com a solicitu-
toda a Igreja, durante o ângelus do dia 22 de de pastoral do Papa Bento XV em Maximum Illud e a
outubro de 2017, Dia Mundial das Missões, vitalidade missionária expressada pelo Papa Francisco
a sua intenção de proclamar um Mês Missionário na Evangelii Gaudium: “A saída missionária é o paradig-
Extraordinário em outubro de 2019, para celebrar o ma de toda obra da Igreja” (EG 15). Trata-se de “por a
centenário da carta Apostólica Maximum Illud de seu missão de Jesus no coração da Igreja, transformando-a
predecessor o Papa Bento XV. Nesse mesmo dia, o san- em critério para medir a eficácia de suas estruturas, os
to Padre enviou uma carta ao Cardeal Fernando Filoni, resultados de seu trabalho, a fecundidade de seus minis-
prefeito da Congregação para Evangelização dos Povos tros e a alegria que eles são capazes de suscitar. Porque
e presidente do comitê supremo das Pontifícias Obras sem alegria não se atrai ninguém” (Reunião do Comitê
Missionárias (POM), encomendando “a tarefa de pre- diretivo do CELAM, Bogotá, 7 de setembro de 2017).
parar esse evento, especialmente a partir da ampla sen- O compromisso pela conversão pessoal e comunitá-
sibilização junto às Igrejas particulares, dos Institutos ria a Jesus Cristo crucificado, ressuscitado e vivo em sua
de vida consagrada e Sociedades de vida apostólica, Igreja, renovará o ardor e paixão por testemunhar ao
assim como associações, movimentos, comunidades e mundo, pela proclamação e experiência cristã, o Evan-
outras realidades eclesiais”. gelho da vida e da alegria pascal (Lc 24, 46-49).
Para reavivar a consciência batismal do Povo de São quatro dimensões indicadas pelo Papa para viver,
Deus em relação à missão da Igreja, o Papa Bergoglio mais intensamente, o caminho de preparação e realização
escolheu, para o Mês Missionário Extraordinário, o do Mês Missionário Extraordinário de outubro de 2019.
tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em mis- • O encontro pessoal com Jesus Cristo vivo em sua
são no mundo”. Despertar a consciência da missio ad Igreja: Eucaristia, Palavra de Deus, oração pessoal
gentes e retomar, com novo impulso, a responsabilidade e comunitária.
• O testemunho dos santos, dos mártires da missão
A saída missionária é o e os confessores da fé, expressão das Igrejas dis-
persas em todo mundo.
paradigma de toda obra da • Formação missionária: escritura, catequese, espi-
Igreja” (EG 15) ritualidade e teologia.
• Caridade missionária.

10 outubro a dezembro 2018
Aprofundando a Missão

PROPAGAÇÃO DA FÉ E AS comum o objetivo de promover o espírito missionário
PONTIFÍCIAS OBRAS MISSIONÁRIAS universal no Povo de Deus” (Redemptoris Missio, 84).
A Congregação da Propaganda Fide, fundada em A POPF, fundada em Lyon (França) em 1822, pela
1622 por vontade do Papa Gregório XV, é respon- venerável Pauline Marie Jaricot, promove entre os fiéis
sável por promover, coordenar e dirigir o trabalho a oração, o sacrifício de si mesmo e a ajuda material
da evangelização dos povos e a cooperação mis- para a missão, invocando a Deus o dom de homens e
sionária da Igreja. O Papa São Paulo VI em 1967, mulheres que consagrem suas vidas à missão Ad Gentes.
confirmando a validade de seu serviço apostólico, A IAM, fundada oficialmente em Paris em 1843
outorgou à Propaganda Fide a denominação de Con- pelo bispo de Nancy (França), Dom Charles Auguste de
gregação para Evangelização dos Povos (CEP). A Forbin Janson, convida a todas as crianças do mundo
eficácia concreta da fé cristã por meio da caridade para que ajudem outras crianças, com a fé e a carida-
faz com que todos os batizados sejam responsáveis de, pela oração e o saber repartir, traduzidos pelo lema:
por apoiar e ajudar o Papa em sua missão como Pas- crianças ajudam crianças.
tor Universal. A oração, o sacrifício de si mesmo, as A POSPA, fundada por Jeanne e Stéphanie Bigard
vocações missionárias e a ajuda material continuam em 1889 em Caen (França), anima e coordena a co-
representando o compromisso das Pontifícias Obras laboração missionária por meio da oração e da oferta
Missionárias (POM), nascidas nos séculos XIX e de ajuda materiais, para manter a formação de futuros
XX graças ao zelo missionário de cristãos leigos, presbíteros, aspirantes à vida consagrada e seus forma-
leigas e clérigos. dores, nas Igrejas jovens.
Juntas, CEP e POM, estão requalificando o “esfor- A PUM, inspirada no beato Paolo Manna, padre
ço de arrecadar e distribuir ajudas materiais à luz da missionário do Pontifício Instituto das Missões Estran-
missão e da formação que se requer, para que a consci- geiras (PIME), foi aprovada pelo Papa Bento XV em
ência, o conhecimento e responsabilidade missionária 1916. É a alma das outras obras missionárias e propõe
voltem a ser parte da vida ordinária de todo o Povo de
despertar, nas Igrejas, a paixão pela missão e contribuir
Deus” (Papa Francisco aos diretores das POM, 1º de
na formação missionária e estimular a cooperação nas
junho de 2018).
comunidades cristãs, sendo parte orante e concreta da
“As quatro Obras: Propagação da Fé (POPF), São
atividade evangelizadora.
Pedro Apóstolo (POSPA), Infância e Adolescência Mis-
sionária (IAM) e União Missionária (PUM) têm em
ANO 2022: ANIVERSÁRIOS PARA
A MISSÃO DA IGREJA
No ano de 2022 celebraremos alguns aniversários im-
portantes. Entre eles, 400 anos de fundação da Con-
gregação para Evangelização dos Povos; 200 anos de
criação da Pontifícia Obra da Propagação da Fé; e 100
anos de elevação à natureza pontifícia e universal das
três primeiras obras missionárias: Pontifícia Obra da
Propagação da Fé, Pontifícia Obra da Infância e Ado-
lescência Missionária e Pontifícia Obra de São Pedro
Apóstolo. Essas celebrações podem oferecer provi-
dencialmente, para toda a Igreja, uma oportunidade a
mais para manter viva e ativa sua consciência batismal
missionária. Se a crise da missão é uma crise de fé, a
maturidade da fé da Igreja se manifesta com coragem
em sua missão de atrair todos a Cristo. O Mês Missio-
nário Extraordinário de outubro de 2019 pode ser oca-
sião para dar início a uma aventura de fé, de oração, de
reflexão e caridade que não termina com outubro de
InfoVaticana

2019, mas que pode culminar em formas apropriadas
de um apaixonado e cada vez mais renovado compro-
misso com a missão Ad Gentes, como motor e paradig-
ma de toda vida e missão da Igreja.

Francisco anuncia o Mês Missionário Extraordinário em 2019 Pe. Fabrizio Meronni,
Secretário-Geral da Pontifícia União Missionária
2018 outubro a dezembro 11
Testemunhos

Missão de
muitas mãos
Conheça os testemunhos da experiência
vivida por alguns secretários das POM

Testemunho Pe. Manoel Aparecido Monteiro (Néo)
Secretário Nacional da IAM de 1997 a 1999
“Sou Padre Manoel Aparecido na Colômbia, e em 1975-1976 em
Monteiro (Néo), 66 anos, Missio- Erexim (RS), minha grande inspira-
nário da Consolata, e fui o Secre- ção foi o Padre Fabiano Kachel (In
tário Nacional da Infância e Ado- Memoriam), que atuava em Curitiba
lescência Missionária. Atuo como e Região. Um verdadeiro mestre
Animador missionário e vocacional apaixonado pela causa da IAM. Foi
da congregação na Arquidiocese de graças a sua intercessão junto à Di-
Cascavel (PR) há cinco anos. Na reção das POMs, logo após a cele-
Arquidiocese, trabalho como As- bração dos 150 anos da fundação da
sessor do COMIDI e da IAM. Pelo Obra da Santa Infância nos cinco
CAM, Centro de Animação Mis- continentes, que Padre Fabiano co-
sionário, onde resido, busco irra- meçou a acompanhar as primeiras
diar o ardor missionário para toda a formações nos diferentes regionais.
Arquidiocese e região. Por meio da Ele era como espécie de baluarte a
formação missionária, procuro dar quem tínhamos um grande respei-
suporte aos COMIPAs e multiplicar to e referencial para essa primeira
os grupos da IAM. etapa envolvendo todo o Brasil. Na
Fui secretário da IAM entre sequência, contamos sempre com
1997-1999, curto período, mas de secretários(as) cada vez mais efi-
uma experiência gratificante. Tudo cazes. Por conta disso, hoje pode-
era novidade: a equipe e o caminho mos dizer que a IAM está presen-
a ser percorrido. Desafios não falta- te em quase todas as dioceses do
ram, mas após os primeiros encon- país, buscando fazer “amiguinhos”
tros regionais, os frutos surgiram para Jesus. Criança Evangelizando
mais rápido do que o esperado. Criança! Contagiando a todos com
Gostaria de ressaltar que apesar seu Amor a Jesus e à Missão.
de boa experiência com grupos da Das Crianças e Adolescentes do
IAM em 1983, em Bucaramanga, Mundo? Sempre Amigos!”
12 outubro a dezembro 2018
Testemunhos

Testemunho Dom Vítor Menezes
Secretário Nacional da Propagação da Fé de 2006 a 2010
“Sou Dom Vítor Menezes, Bis- e organização dos primeiros grupos Parabéns as POM pelos 40 anos
po de Propriá – Sergipe. Em 2006, de Juventude Missionária e Grupos de apoio e animação missionária no
depois de alguns anos animando a Missionários em todo o Brasil. Os Brasil.”
Obra da Infância Missionária no grupos de juventude missionária se

Fotos: arquivo pessoal
Regional Nordeste 3 da CNBB, fui espalharam rapidamente. Quando
convidado pelo então Diretor das retornei para a minha Diocese em
Pontifícias Obras Missionárias no 2010, já existiam centenas deles es-
Brasil, Padre Daniel Lagni, para co- palhados por todos os Estados da
laborar na Sede Nacional das POM, Federação, em várias dioceses.
em Brasília (DF), como Secretário Trabalhar nas POM foi uma das
Nacional da Pontifícia Obra da Pro- melhores experiências da minha vida
pagação da Fé (POPF). sacerdotal e missionária. Tudo o que
Naquela época, a POPF necessi- vi e vivi pelos caminhos da Missão
tava de uma reorganização geral para como Secretário da POPF me marca-
animar as atividades que são pró- ram profundamente e me ajudam hoje
prias da Obra: Grupos Missionários, a compreender melhor o que significa
Juventude Missionária, Famílias conversão pastoral e renovação mis-
Missionárias e Enfermos e Idosos sionária na prática. Assim como eu,
Missionários. Aos poucos, juntos, centenas e milhares de pessoas vive
toda equipe das POM, que era um hoje a vocação missionária graças ao
só coração e uma só alma, deu início serviço prestado pelas Obras Missio-
à elaboração dos primeiros subsídios nárias do Papa no Brasil e no mundo.

Testemunho Pe. Sávio Corinaldesi sx
Secretário Nacional da Propagação da Fé de 2002 a 2014
“Sou Pe. Sávio, Missionário Xave- A Igreja da América Latina vi- Já se sabe: se documento mu-
riano, e moro Parma (Itália). Em de veu durante 500 anos recebendo dasse o mundo, já estaríamos no
18 fevereiro de 2002 apresentei-me nas missionários da Europa. Foi neces- céu. Os treze anos que passei nas
POM, enviado pelo superior regional sário o banho de “universalidade” POM foram alimentados por es-
dos Missionários Xaverianos da Ama- recebido pelos bispos no Concílio sas palavras, na esperança de que
zônia, a pedido do Diretor Nacional Vaticano II para mudar a situação. a Igreja da América Latina pas-
das POM. Disseram-me que seria um Veio Puebla e sua solene pro- sasse de objeto para sujeito da
serviço de caráter emergencial (!). Fi- clamação: missão.
quei até 21 de dezembro de 2014. - Finalmente chegou para a Eu me sentia na plenitude das
América Latina a hora de intensi- minhas forças, mas não tardou a
ficar os serviços recíprocos entre aparecer o “Dr. Parkinson” que foi
as Igrejas particulares, e de estas se apoderando de mim, obrigando-
se projetarem para além de suas me a desistir. Em dezembro de 2014
próprias fronteiras, ad gentes. É cer- voltei à minha comunidade xaveria-
to que nós próprios precisamos de na do Pará.
missionários, mas devemos dar de Nos doze meses passados ​​ em
nossa pobreza. (Puebla, 368) Belém percebi que, para cuidar de
Veio Aparecida e reforçou: mim, várias pessoas, incluindo mis-
- Para não cairmos na armadilha sionários jovens e saudáveis, tinham
de nos fechar em nós mesmos, de- que sacrificar seu trabalho.
vemos formar-nos como discípulos Então, desde dezembro de 2015,
missionários sem fronteiras, dispos- estou internado numa residência
tos a ir “à outra margem”, àquela para missionários idosos e doentes
onde Cristo ainda não é reconheci- que procuram servir a missão entre
do como Deus e Senhor, e a Igreja quatro paredes no estilo de Santa
não está presente. (Aparecida, 376) Terezinha."
2018 outubro a dezembro 13
Propagação da fé

A Vocação Missionária nas
Juventudes e a cooperação das POM
Queremos fazer memória dos passos dados e do caminho percorrido pelas juventudes
animadas pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé

O chamado de Deus acolhido e o caminho iniciado Na celebração desses quarentas anos, queremos fa-
pela jovem Paulina Maria Jaricot (1799-1862), na Fran- zer memória dos passos dados, do caminho percorrido
ça de 1822, cresceu, floresceu e tornou-se a Pontifícia pelas juventudes animadas pela Pontifícia Obra da Pro-
Obra da Propagação da Fé. Junto a ela, o Espírito de pagação da Fé, pois, como nos diz São João em sua pri-
Deus suscitou outras três que, colocadas à disposição meira carta, “o que vimos e ouvimos, vos anunciamos”
da vocação missionária, fizeram nascer as Pontifícias (1Jo1,3).
Obras da Infância Missionária (D. Carlos Augusto Ma- Partilhar a vida missionária é sempre um motivo de
ria de Forbin-Janson), Pontifícia Obra de São Pedro alegria e um voltar ao que nos é fundamental, que é nos-
Apóstolo (Joana Bigard) e Pontifícia União Missionária sa vocação. Trata-se de pensar sobre a nossa identidade,
(Beato Pe. Paulo Manna), as quais, juntas, tornaram-se aquilo que nos define dentro de nossa história. Obvia-
as Pontifícias Obras Missionárias ou POM, como cos- mente que tal consciência tende a crescer durante o pro-
tumamos chamar no Brasil. cesso formativo e à medida que nos lançamos na vida
Essas Obras se espalharam pelo mudo como orga- missionária, pois, “ao início do ser cristão, não há uma
nismos oficiais de animação missionária da Igreja, li- decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com
gadas diretamente ao Papa. São obras de animação e um acontecimento, com uma pessoa que dá um novo
cooperação missionárias propostas pelo pontífice para horizonte à vida e, dessa forma, o rumo decisivo” (Ben-
toda a Igreja, a fim de estimular e a se colocar sempre to XVI, DCE1), Jesus Cristo. Mas, infelizmente, ainda
em atitude orante pela ação missionária, bem como a se persiste a mentalidade de que a missão é apenas uma
abrir materialmente, em solidariedade concreta, para a tarefa confiada a um pequeno grupo dentro da Igreja.
difusão da Boa Nova e a promoção da vida. A vida missionária se centra nesse encontro decisi-
Este ano, no Brasil, as POM celebram seus 40 vo em que somos chamados a anunciar. A comunidade
anos de presença, motivando a Igreja no Brasil a não cristã, Igreja, nasce para isso, para testemunhar profe-
se fechar em si mesma, mas a manter sua identidade ticamente a pessoa de Jesus Cristo. Passamos, ou de-
de discípula-missionária por meio de inúmeras ativi- veríamos passar, a vida inteira a testemunhar que Ele
dades e pela Campanha missionária, com a novena e viveu, morreu, ressuscitou e continua presente em nos-
coleta missionária realizadas todo ano durante o mês sa história, sobretudo no meio daqueles que, por causa
de outubro, ajudando-nos a testemunhar aquilo que das injustiças e das maldades dos corações humanos,
nos ensina o magistério: “A Igreja é essencialmente ficam às margens do caminho, condenados às periferias
missionária” (AG2). geográficas e existenciais.
14 outubro a dezembro 2018
Propagação da fé

A Pontifícia Obra da Propagação da Fé (POPF),

Fotos: arquivo POM
buscando tornar a pessoa de Jesus Cristo, bem como
todo o seu ensinamento ainda mais conhecido e amado,
desenvolve atividades de animação, formação, informa-
ção e cooperação missionárias no Brasil junto às juven-
tudes, famílias, idosos e enfermos, sendo a atividade
com as juventudes a de maior expressividade, pois está
presente em todos os estados do Brasil.
Dentre as atividades desenvolvidas pela POPF aqui
no Brasil, nesses quarenta anos, destacamos a Juventu-
de Missionária (JM) que busca despertar, animar e for-
mar as juventudes em seu ser missionário, uma vez que
a missão não é apenas um adorno ou uma dimensão do
ser cristão, mas sua própria essência, aquilo sem o qual
não somos nós mesmos, pois a “atividade missionária é Juventude em missão nas comunidades
a principal e a mais sagrada atividade da Igreja” (AG 29).
Se utilizando da metodologia das quatro áreas in- Dessa maneira, a JM tem seguido seu caminho que,
tegradas (realidade missionária – Ver, Espiritualidade por meio de seus pequenos grupos espalhados pelo país,
missionária – Julgar, compromisso missionária – Agir, forma uma verdadeira constelação que ilumina e ani-
e o testemunho missionário – Celebrar), a JM vai tra- ma a vida missionária juvenil, despertando para uma
duzindo, no hoje de nossa história, as inspirações que consciência de fraternidade e solidariedade universal,
outrora a Jovem Paulina Jaricot teve no seio de seu lar. por meio de inúmeras experiências missionárias desen-
Contribuir com a atividade missionária da igreja por volvidas em suas realidades locais, desde suas comuni-
meio de uma vida de oração intensa no meio do mundo dades paroquiais, passando pela experiência diocesana,
e de ofertas semanais, fruto do sacrifício pessoal (como estadual, regional, interestadual e nacional, com a Ex-
testemunho e comprometimento da vida) para coope- periência da Missão Sem Fronteiras, já em sua quarta
rar com a missão no Oriente, ajudando no anúncio do edição, e internacional, como é o caso do Projeto Juven-
Evangelho e na garantia da vida de muitas crianças chi- tudes Ad Gentes que este ano enviou duas jovens para
nesas que estavam em perigo de morte. uma experiência missionária de três meses no Haiti.
No Brasil, esse caminho iniciou-se junto às juventu- Esses grupos se reúnem semanalmente para rezar e
des, de modo específico, no primeiro encontro de jovens se formar sobre sua fé, bem como sobre a realidade atu-
oriundos da Infância e Adolescência Missionária e dos al e a missão universal da Igreja, realizando trabalhos
diversos estados, desejosos de continuarem firmes na missionários em suas comunidades e, mensalmente, de-
vida missionária. Esse encontro aconteceu nos dias 27 a positando em um “cofrinho” o fruto de seu sacrifício
29 de maio de 2005 na sede das POM em Brasília, com pessoal em prol das missões no mundo, como um gesto
o então diretor padre Daniel Lagni, o qual expressou: de solidariedade concreto.
“Neste encontro pretendemos trabalha a partir das ex- Assim, as meninas que estiveram no Haiti, represen-
periências de JM já existentes. E isto já é uma realidade, tando a JM do Brasil, oferecem suas vidas como testemu-
por isso a importância de organizarmos uma equipe de nho profético na ajuda em inúmeros projetos desenvolvi-
coordenação de âmbito nacional. Sendo assim, o objeti- dos pela comunidade intercongregacional da CRB que lá
vo deste encontro é dar início à organização articulada está, e o fruto da corrente solidária foi destinado ao pro-
da JM”. jeto de geração de renda da juventude haitiana. Tal ação
nasceu simples e ainda parecer, mas se mostrou eficaz
na tradução concreta do mandamento novo de Jesus de
amar ao próximo como a si mesmo. Oxalá nossa POM
continue sendo fiel a sua vocação de despertar, animar,
formar e informar a vida missionária no seio do povo
de Deus que é toda a Igreja. Que outros quarenta anos
sejam construídos com o nosso testemunho missioná-
rio. Que nossos padroeiros, Santa Terezinha do Menino
Jesus e São Francisco Xavier, continuem a nos inspirar
para “não nos deixarmos roubar o entusiasmo missioná-
rio” (EG 80).

Pe. Badacer Neto
Caminho iniciado por Paulina Jaricot Secretário Nacional da Pontifícia Obra da Propagação da Fé

2018 outubro a dezembro 15
Missão em Contexto

Programa Missionário Nacional:
Escuta, organização e potencialização da missão no país

N Organizar
a edição anterior do SIM, sobre a organização missionária no
a construção do Programa Brasil, por meio da sistematização As atividades regionais de escu-
Missionário Nacional foi do Programa Missionário Nacional. ta e construção coletiva têm contri-
apresentada a partir de suas moti- O processo de construção de um buído com alguns aspectos no âm-
vações e indicativos de concepção e programa NACIONAL tem, como bito organizacional dos COMIREs
organização. Nesta edição, ressalta- pilar principal, a escuta da realidade e sua atuação missionária.
remos alguns aspectos do processo LOCAL como fermento que dará Pode-se destacar a sistematiza-
de construção do Programa, dentre liga à missão da Igreja no Brasil. ção de informações acerca das re-
eles a escuta, a organização e a po- As escutas, realizadas durante alidades existentes nas esferas ecle-
tencialização da ação missionária as assembleias dos Conselhos Mis- siais e sociais, em olhares internos
nas diferentes realidades de nosso sionários Regionais (COMIREs), e externos à atuação missionária
país, acompanhe: têm sido feitas pelos membros local. Importante também salientar
da equipe executiva do Conselho o exercício feito, em cada regional,
Escutar Missionário Nacional (COMI- de uma sistematização acerca das
A construção do Programa NA), grupo que tem coordenado informações relacionadas às mo-
Missionário Nacional já tem feito a organização do Programa, jun- tivações da atuação missionária;
a diferença na atuação e organiza- tamente com uma assessoria me- sobre o que se deve abandonar; e
ção missionária da Igreja no Brasil. todológica. o que não se pode abrir mão. Cada
Antes mesmo de sua conclusão, A pluralidade cultural e a regional também tem sistematiza-
aprovação e início do Programa, os multifacetada organização missio- do informações sobre o porquê de
principais agentes de dinamização nária dos regionais contribuem, construir um Programa Missioná-
da missão em todo o país já estão significativamente, com elementos rio Nacional, além de indicativos
envolvidos no processo de escuta, enraizados nas realidades existen- sobre o que não se pode faltar e
partilha e construção coletiva. tes em nosso país. Elementos que quais são as expectativas acerca do
Tem sido um tempo opor- darão, para o Programa, um las- caminho a ser desenvolvido.
tuno e fecundo para centenas de tro que parte da realidade de cada Cada regional, com suas
pessoas de todas as regiões do país, regional. Programa que respeitará dezenas de lideranças, também tem
envolvidas nas mais diversas experi- e dialogará com as diversas reali- organizado informações quanto aos
ências e organizações missionárias, dades e conjunturas existentes em cenários existentes, sistematizando
contribuindo com olhares, opiniões, nossas Igrejas particulares e suas quais forças e fraquezas, assim
questionamentos e possibilidades organizações regionais. como as possíveis ameaças e opor-
16 outubro a dezembro 2018
Missão em Contexto

missionária ainda mais coerente e
Fotos:Arquivo POM

eficaz em prol do anúncio do Evan-
gelho e que dialogue e corresponda
aos apelos existentes na sociedade
contemporânea.
Nesta partilha sobre o proces-
so de construção do Programa
Missionário Nacional, podemos
ainda apresentar a preocupação
dos regionais em potencializar os
processos formativos; a animação,
articulação e organização das di-
versas instituições missionárias;
o fortalecimento da cooperação
missionária; o compromisso so-
cial da Igreja no Brasil; e a missão
como identidade da Igreja, perme-
A escuta da realidade local impulsiona a missão
ada por uma enraizada espirituali-
dade missionária.
tunidades que possam interferir, de alidades locais, que dialogue com Para além de escutar, organizar
alguma forma, na ação missionária as realidades das periferias exis- e potencializar, a construção do
de maneira micro e/ou macro. tenciais e sociais. Da existência Programa Missionário Nacional
Ainda no âmbito da orga- de uma proposta de organização tem fomentado um lindo e intenso
nização, cada grupo é provocado a da missão que contribua como tempo de SONHAR! Sonhar com
sistematizar indicativos sobre quais orientação e potencialização do uma Igreja cada vez mais missio-
as prioridades para a atuação mis- trabalho que já é desenvolvido. nária. Igreja em saída, em missão.
sionária no país. A partir da reali- Que apresente pistas e possibili- Que o Programa Missionário Na-
dade local/regional, o grupo é sen- dades dos caminhos trilhados e cional possa suscitar muitos sonhos,
sibilizado a olhar para a missão a desbravados pelas missionárias e muita fé, esperança e amor (1 Cor
ser feita no país e a elencar possíveis
pelos missionários nos mais di- 13,13).
prioridades e atividades que pode-
versos contextos brasileiros.
rão ser desenvolvidas.
O Programa também contribui-
O grande legado da construção
rá como instrumento de provocação Joaquim Alberto Andrade Silva
do Programa é contribuir, local-
mente, para que cada equipe regio- de mudanças e possíveis correções Assessor Metodológico do
nal faça uma análise aprofundada de rotas, em favor de uma atuação Programa Missionário Nacional
da realidade existente e que, para
além do Programa, utilize a fer-
ramenta de escuta e organização
como caminho de potencialização
da ação missionária.

Potencializar
A partir do caminho da escuta e
da organização, a ação missionária
da Igreja no Brasil está sendo poten-
cializada. Tem mais vida, e vida em
abundância (Jo 10,10).
A alegria do Evangelho, pau-
tada pelo Papa Francisco e tema
de tantas reflexões nos diversos
espaços eclesiais, é experimenta-
da na oportunidade de vislumbrar
um Programa Missionário Na-
Os caminhos trilhados iluminam o Programa Missionário Nacional
cional que ecoe pela voz das re-
2018 outubro a dezembro 17
IAM

METODOLOGIA DA IAM Ir. Patricia Souza sds e Pe. Jaime Luiz Gusberti

Primeira Semana: REALIDADE MISSIONÁRIA
No encontro do grupo Primeiro compromisso:
(previamente agendado Tornar conhecido o re-
para um dia da semana), sultado do seu trabalho
as crianças e adolescen- apresentando-o: às suas
tes partilham o que cada famílias, Igreja e escola,
um(a) conseguiu realizar e também aos amigos e
durante a semana. Juntos vizinhos.
organizem as informações
e o material coletado em
forma de painel ou cartaz,
para obter uma visão mais Em seguida, dirigir preces
ampla da realidade. espontâneas ao Pai,
ligando-as com a realida-
de local, onde vive cada Segundo compromisso:
criança e adolescente. Ao Procurar na Bíblia textos
final do encontro, lembrar que revelem o pensa-
as dois compromissos a mento de Deus sobre
serem vividas durante a a realidade vista no
próxima semana: encontro anterior.

Tema Gerador (Por escolha do grupo, conforme a sensibilidade e o interesse das crianças e adolescentes)

Terceira Semana: COMPROMISSO MISSIONÁRIO
As propostas, pensadas Ao final do encontro, lem-
durante a semana pelos brar as dois compromis-
integrantes do grupo, são sos a serem vividas duran-
colocadas em comum e te a próxima semana:
discutidas. Será escolhida
aquela que — dentro das Primeiro compromisso:
Irá enriquecer a todos,
possibilidades do grupo Realizar o compromis-
o acompanhamento da
— alcançar mais de perto so decidido no grupo.
vida dos missionários
os(as) missionários(as).
(as), lendo suas revistas,
convidando-os (as) a
passar pela região e visitar
o grupo, mantendo cor-
respondência com algum
deles (as), etc. Segundo compromisso:
Viver de forma bem Cada membro do grupo
significativa o momento da pensar numa maneira
partilha do sacrifício ma- para envolver outras
terial feito pela criança e pessoas na caminhada
adolescente participantes. missionária.

18 outubro a dezembro 2018
IAM

P
ara contribuir com a formação dos missionários/as, a IAM utiliza a metodologia disposta por quatro áreas
integradas. Para isso, realiza-se um encontro para escolher o assunto a ser tratado nas próximas quatro eta-
pas. Durante a semana seguinte, cada criança e adolescente compromete-se a juntar informações, recortes
de jornais, fotografias, objetos, etc., sobre o tema a ser trabalhado.

Segunda Semana: ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA
Provavelmente, o painel Segundo compromisso:
será enriquecido de citações decidir em grupo qual é
bíblicas, de modo que a vida o compromisso, ou ação
cristã ficará cada vez mais a ser realizada durante
próxima à vontade de Deus, a semana, para que a
isto é, de acordo ao que é realidade em que se vive
bom, ao que a Ele é agradá- torne-se cada vez mais
As crianças e adolescen- vel e perfeito.
tes do grupo colocam semelhante ao Projeto de
Ao final do encontro, Deus.
em comum o que pes- lembrar as dois compro-
quisaram na Bíblia e em missos a serem vividas
outros textos para, assim, durante a próxima semana
conhecer o que Deus Primeiro compromisso:
pensa sobre essa reali- testemunhar com a
dade. Ajudar as crianças vida e com a Palavra, na
e adolescentes da IAM a família, com os amigos
“sentir como Jesus sen- e na escola, o que se
tia e via a realidade”. aprendeu e se vivenciou
Essa é a espiritualidade no encontro da Espiritu-
missionária. alidade Missionária.

Tema Gerador (Por escolha do grupo, conforme a sensibilidade e o interesse das crianças e adolescentes)

Quarta Semana: VIDA DE GRUPO
Concluir o encontro enca- Terceiro compromisso:
minhando três compro- Juntar informações e subsí-
missos: dios para formar o quadro
da realidade do novo tema
Primeiro compromisso: a ser estudado, pensado,
Preparar e realizar a cele- modificado e celebrado nas
bração combinada. próximas quatro etapas.

É um encontro festivo,
aberto a todos, sobre-
tudo a quem nunca é
festejado, nunca é lem-
brado, nunca é chamado a
participar. Segundo compromisso:
São colocadas em Escolher o tema a ser
comum as propostas pen- trabalhado nas próximas
sadas durante a semana. Quatro Áreas Integradas.

2018 outubro a dezembro 19
Pontifícia União Missionária
Fotos:Arquivo POM

COMISEs: uma luz no caminho
Com 33 anos de existência, o Conselho Missionário de Seminaristas
é como fermento missionário entre os futuros presbíteros

O
Conselho Missionário de teve por objetivo animar a missiona- O COMISE quer conscientizar
Seminaristas (COMISE) foi riedade na formação dos seminaristas o seminarista que, antes da vocação
criado em 1985 no Seminá- dentro do Seminário, em vista que sacerdotal, a vocação à missão é a
rio Maior Interdiocesano Sagrado essa é uma realidade indispensável identidade de todo futuro missioná-
Coração de Jesus, no Piauí, onde os em nosso contexto atual. A Igreja rio-pastor. Portanto, o seminarista
seminaristas se organizaram para é missionária e sente a necessidade está chamado a criar convicção de
trabalhar na então denominada “di- de formar discípulos missionários que “o discípulo-missionário-pres-
mensão missionária” da formação. para o serviço e condução do povo bítero deve cultivar sempre os mes-
Criou-se, nos seminaristas, uma de Deus. O documento de Aparecida mos sentimentos e as virtudes do
identidade de ser Igreja missioná- afirma: “Missão não é tarefa opcio- Sagrado Coração de Jesus, o Bom
ria, graças ao método formativo do nal, mas parte integrante da identi- Pastor” (PFP, p.49,2013).
Seminário, a partir dos grandes re- dade cristã” (n. 144). Com isso, entra A atuação do Conselho Mis-
ferenciais eclesiológicos pós-conci- a missão do COMISE: despertar no sionário é como fermento na casa
liares, tais como: Igreja comunhão, jovem formando (o seminarista), e de formação, ajudando o semina-
Igreja povo de Deus, práxis da fé. no formador, a necessidade de maior rista a enxergar a ação missioná-
Com 33 anos de existência, a ini- impulso na vivência da missionarie- ria como causa primeira e o fim
ciativa foi pioneira em todo o Brasil, dade à qual foi chamado. último do exercício de sua voca-
nascida com o incentivo do padre Fá- Inicialmente, apesar de se tratar ção, colocada a serviço da Igreja.
bio Bertagnolli, missionário Combo- de uma animação missionária inter- Desperta o formando a perceber
niano que, desde 1984, atuava como na, rapidamente ganhou também que um missionário-presbíte-
diretor espiritual do Seminário Sagra- proporções externas por meio da ro, que possui verdadeiro ardor
do Coração de Jesus. Como profes- participação nos movimentos po- missionário, dispôs-se à doação
sor, dedicou-se à formação intelectual pulares da época, na reivindicação total de si, ao cultivo da intimi-
dos seminaristas e à animação mis- por melhores condições de vida, dade pessoal divina e à alegria na
sionária do ambiente de formação. principalmente aos mais pobres. missão; capacitado para compre-
Em suas pregações, recordava aos vo- Exemplo disso foi a participação ender os novos desafios no plane-
cacionados que os missionários são dos seminaristas junto ao povo no jamento da ação evangelizadora,
“o microfone de Deus no mundo”. grito dos excluídos, e nas reivindi- e aberto à adesão aos pobres e ao
Desde o primeiro momento, o cações por água no bairro Angelim, serviço missionário nos lugares
Conselho Missionário do Seminário em Teresina. de riscos e marginalizados.
20 outubro a dezembro 2018
Pontifícia União Missionária

No Seminário Sagrado Coração
de Jesus, o COMISE busca prover,
de forma gradual e em sintonia com
o Projeto Formativo do Seminário,
a missionariedade no espaço de for-
mação. O período de formação divi-
de-se em seis tipos de ação pastoral-
missionária, que devem alimentar
no seminarista o ardor, o espírito,
o planejamento e o empenho mis-
sionário, a saber: Pastoral da Mise-
ricórdia, Administração Paroquial,
Pastorais Sociais, Pastoral Paulina,
Pastoral Específica e Pastoral Pe-
trina. É importante salientar ainda
que é de interesse do COMISE des-
pertar ou alimentar nos formandos
e formadores uma cultura para a Seminaristas em visita às famílias da comunidade
missão Ad gentes; daí o motivo que
fez surgir o projeto missionário de negra, dia do índio, noites culturais, nia com o Pe. Fábio para as reflexões
cooperação entre a Igreja no Piauí shows missionários, celebrações li- sobre a espiritualidade missionária e
e Amazônia, dentre tantos outros túrgicas vivas e participativas, etc. contexto social da época.
projetos que estão sendo desenvol- Um outro fator que vale a pena Em suas atividades de formação
vidos nos Regionais da CNBB. destacar, nesses primórdios do CO- para a missão na vida do presbíte-
Encontramos mais algumas in- MISE, foi a celebração do ano mis- ro, o COMISE ajuda a transformar
formações sobre a fundação e a ca- sionário no Seminário Sagrado Co- vidas por meio do encontro com a
minhada do COMISE no Livro de ração de Jesus. Um dos textos do pessoa de Jesus.
Tombo do Seminário, onde está o arquivo relata: “Com uma gincana O Regional Nordeste 4 da
relato das atividades desenvolvidas vocacional-missionária, entre filóso- CNBB se prepara para acolher, em
pelo COMISE desde o ano de 1985, fos e teólogos, e com a presença do 2020, o 11º FORMISE do Nordes-
sendo parte ordinária da vida do “júri” dos missionários Combonia- te, no qual serão celebrados os 35
Seminário. Para incentivar a identi- nos, foi aberto o Ano Missionário anos de COMISE.
dade e a espiritualidade missionária que pretendia conscientizar e criar Aproveitamos a oportunidade
entre os seminaristas, estavam as um ambiente e consciência missio- para felicitar as POM que, neste
atividades do mês missionário, as nária no Seminário. Foi organizado ano de 2018, completam os 40 anos
gincanas missionárias, vigílias pe- e coordenado pelo COMISE”. Des- de missão no Brasil. Certamente fo-
las missões, encontros formativos, tacamos ainda que, todas as quintas- ram inúmeros encontros proporcio-
celebrações do dia da consciência feiras, a equipe do COMISE se reu- nados nesse tempo da graça; a men-
sagem do Evangelho proclamada
e vivida por uma multidão de mis-
sionários chegou àqueles que esta-
vam desanimados. Hoje, colhemos
os frutos e fazemos memória agra-
decida da história, lembrando que
fazemos também parte desse grupo
de mulheres e homens que evange-
lizaram e foram evangelizados. Tão
fecundas na animação, cooperação
e ação missionária, desejamos às
POM, no Brasil, que Deus lhes con-
ceda a graça de continuar levando,
com entusiasmo e ousadia, o Evan-
gelho a todas as nações.

Zorenilton Tavares Reis
O ardor missionário nos leva a quem mais necessita Seminarista
2018 outubro a dezembro 21
Pontifícia União Missionária
Arquivo POM

Nas terras
de missão da
Amazônia
D
esde a primeira Semana encontro com famílias acolhedoras, a primeira a chegar. O seu Ademar,
Missionária que participei, que nos recebem em suas casas e ministro extraordinário da palavra
em 2015, ficou gravada partilham conosco seu local de des- que, embora sem muitos estudos,
a frase “vocês não vão levar Deus canso, alimentação e experiências. traz profundas reflexões. O Jovem
para as famílias, Ele já está lá, vo- Em todas as casas que acolhem João Júnior, coordena a comunida-
cês irão encontrá-lo”. O encontro é a visita, temos como sentir que de com muito esmero.
a primeira atitude do missionário, Deus habita lá, que realmente es- A Semana Missionária faz um
ir de coração aberto para acolher tamos encontrando-O. As famílias, bem enorme para nós, seminaristas,
as realidades que encontrará, pois em suas falas, testemunham Deus e atende ao apelo do Papa Francis-
se for cheio de si não deixará agir que está sempre presente e dá forças co de uma Igreja em Saída. Saímos
o protagonista da missão, o Espírito para continuar mesmo com as difi- de nossas estruturas físicas e até
Santo. O encontro com as pessoas culdades do cotidiano. A presença psicológicas, construindo-nos, en-
modifica o missionário, que se abre de Deus é real, o povo nos ensina
tre nós, com e como povo. Mesmo
à ação de Deus. isso e, se estivermos abertos à Sua
que seja por apenas uma semana,
Nos últimos anos, a Semana ação, também poderemos senti-Lo.
são construídas amizades que se
Missionária promovida pelo Con- Somos agraciados com testemu-
estendem na troca de lembranças,
selho Missionário de Seminaristas nhos de vida maravilhosos, como o
(COMISE), do Seminário Arqui- seu Isaías, homem que está tetraplé- mensagens pelas redes sociais e a
diocesano São José (Regional Nor- gico e continua a esbanjar alegria, promessa de retorno para visita. A
te I), não é somente uma atividade com uma fé tamanha que suas li- semana, para além do encontro, é
a mais. É momento de encontrar mitações físicas parecem peque- ocasião de amizades.
novas realidades nestas terras aben- nas. A dona Maria que, apesar de Por fim, a cada experiência mis-
çoadas da Amazônia, na alegria do dificuldades físicas, muitas vezes é sionária, volto animado para conti-
nuar o caminho de discernimento
vocacional. E convicto de que que-
ro ser padre, aberto à novidade do
A Semana Missionária faz um bem enorme Espírito Santo, bem como agradeci-
do pela presença de Deus em minha
para nós, seminaristas, e atende ao apelo vida e por tantos missionários que
do Papa Francisco de uma Igreja em saída. doaram e doam suas vidas em favor
Saímos de nossas estruturas físicas e até do Reino de Deus.

psicológicas, construindo-nos, entre nós,
com e como povo. Carlos Antonio da Silva Carioca
Seminarista da Diocese de
Roraima, 1º de Teologia.
22 outubro a dezembro 2018
Cursos 2019
PARÓQUIA MISSIONÁRIA CURSO AD GENTES
Data: 20 a 24 de maio de 2019 A Igreja peregrina é por sua natureza missionária.
Tema: A sinodalidade na vida e na missão da Igreja. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão
do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus
SEMINÁRIO DE MISSIOLOGIA Pai (Ad Gentes, 2).
Data: 10 a 14 de junho de 2019 Data: 10 de novembro a 6 de dezembro de 2019.
Tema: Batizados e enviados: A Igreja de Cristo em
missão no mundo. CCM-CENFI
Objetivo: Preparar o Mês Missionário INICIAÇÃO À LÍNGUA PORTUGUESA
extraordinário de outubro de 2019. Data: 03 de março a 19 de abril de 2019.
Público-alvo: Missiólogos/as com pós-graduação, Duração: 6 semanas
mestrado ou doutorado. Para pessoas que vêm para viver a missão no
Brasil por um tempo mais curto (seminaristas,
COORDENADORES DE PASTORAL religiosos/as, padres etc.), oferecemos o curso
Data: 12 a 16 de agosto de 2019
de Iniciação à Língua Portuguesa que contempla
Tema: Atualização e estudo das Novas
duas áreas integradas: Vida comunitária e estudo
Diretrizes da CNBB.
da Língua Portuguesa.
DIÁCONOS PERMANENTES
121º CENFI
Data: 09 a 13 de setembro de 2019
Data: 21 de julho a 31 de outubro de 2019.
Tema: Batizados e enviados: A Igreja de Cristo em
missão no mundo. Duração: 100 dias
Público-alvo: Missionários/as de Congregações,
PASTORAIS SOCIAIS Dioceses, Institutos que vêm para viver a
Data: 07 a 11 de outubro de 2019 missão no Brasil por um tempo mais longo.
Tema: Identidade e missão das pastorais sociais. Vida Comunitária, Ensino Sistemático da Língua
Portuguesa, Estágio em Família e Introdução
ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA sobre a sociedade brasileira.
Data: 21 a 25 de outubro de 2019
Tema: Seguimento de Jesus Cristo na Alegria do APRIMORAMENTO – PORTUGUÊS
Evangelho. Data: 02 a 28 de junho de 2019.
Público-alvo: Missionárias e missionários
FORMAÇÃO - COMIREs, COMIDIs e COMIPAs estrangeiros que desejem aprimorar a Língua
Data: 04 a 08 de novembro de 2019 Portuguesa em missão no Brasil e vida
Tema: Programa Missionário Nacional. comunitária.

INFORMAÇÕES
Centro Cultural Missionário (CCM)
SGAN 905 - Conjunto C - Asa Norte - 70790-050 - Brasília - DF
www.ccm.org.br / ccm@ccm.org.br / (61) 3274.3009
Quer informação
sem sair de casa?

Saiba como é simples 3.
Pronto!
receber o SIM: As três edições do
SIM produzidas em
2019 chegarão em
2. suas mãos
Preencha o
cadastro de
interesse em
receber o SIM em 4.
sua casa Doação
Para contribuir com
esse serviço, doações
podem ser feitas
por depósito
bancário em:

1.
Acesse nosso site: Banco do Brasil
pom.org.br/SIM Ag 3413-4
Poupança 200293-0
Operação 51

O ano de 2019 chega repleto de coisas boas. Além do Mês Missionário Extraor-
dinário, convocado pelo Papa, a revista SIM, instrumento eficaz de informação
e formação, terá novidades. Queremos estar mais próximos das lideranças dos
pom.org.br conselhos missionários, assessores e coordenadores das Obras Pontifícias.