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No século X astrônomos árabes já tinham dúvidas sobre o sistema geocêntrico de Ptolomeu

[1]. A partir do século X muitos sábios islâmicos questionavam a aparente imobilidade da


Terra [2] E questionavam também se a Terra era o centro do Universo [3]
Abu Sa'id al-Sijzi astrônomo do século X, inventor do al-zūraqī (astrolábio), levou à descoberta
de que a terra tem rotação em torno de seu próprio eixo e que também levou alguns de seus
contemporâneos a questionarem que era a Terra que se movia e não o Céu.
Abu Rayhan Biruni (nascido em 973) discutiu a possibilidade da Terra ter rotação em torno de
seu próprio eixo e de também de girar em torno do Sol [4]
No século XI (em 1028 foi publicada) Alhazen escreveu uma crítica ao modelo de Ptolomeu que
implicava uma contestação ao geocentrismo.
No século XII alguns astrônomos islâmicos já haviam desenvolvido alternativas ao sistema
ptolomaico, mas que ainda não eram heliocêntricos. Por exemplo, Nur ad-Din al-Bitruji que
considerava o modelo de Ptolomeu totalmente irreal [5]
No século XIII já estava bem estabelecido pelos geômetras (nossos atuais engenheiros e em
árabe muhandisīn) que a Terra estava em constante movimento e que o que aparentava ser
movimento do céu e estrelas era, na verdade, movimento da Terra [6].
Qutb al-Din Shirazi (nascido em 1236) chegou refletir sobre a hipótese do heliocentrismo, mas
rejeitou-a.
Nos observatórios de Maragha e de Samarkand, a rotação da Terra foi discutida pelos
astrônomos al-Kātibī (morto em 1277), al-Tusi (nascido em 1201) e Qushji (nascido em 1403).
Os argumentos de al-Tusi e Qushji se assemelham àqueles utilizados por Copérnico para o
movimento das Terra.
Alguns historiadores sustentam que a escola Maragha influenciou Copérnico, em particular,
nos aportes matemáticos para sua teoria.
Alguns epiciclos de planetas usados por Copérnico foram retirados da obra de Ibn al-Shatir
(morto em 1375) de Damasco [7]
Copérnico menciona antigos astrônomos islâmicos para corroborar seus argumentos
matemáticos e de filosofia natural no De Revolutionibus: al-Battani, Thabit ibn Qurra, al-
Zarqali, Ibn Rushd, e al-Bitruji [8]

[1] Discussão apresentada na página 60 do livro de Michael Hoskin (The Cambridge Concise
History of Astronomy. Cambridge University Press).
[2] Ragep, F. Jamil (2001a), "Tusi and Copernicus: The Earth's Motion in Context", Science in
Context (Cambridge University Press) 14 (1–2): 145–163, também, Ragep, F. Jamil; Al-Qushji,
Ali (2001b), "Freeing Astronomy from Philosophy: An Aspect of Islamic Influence on Science",
Osiris, 2nd Series 16 (Science in Theistic Contexts: Cognitive Dimensions): 49–64 & 66–71.
[3] Adi Setia (2004), "Fakhr Al-Din Al-Razi on Physics and the Nature of the Physical World: A
Preliminary Survey", Islam & Science 2).
[4] E. S. Kennedy, "Al-Bīrūnī's Masudic Canon", Al-Abhath, 24 (1971): 59–81; reprinted in David
A. King and Mary Helen Kennedy, ed., Studies in the Islamic Exact Sciences, Beirut, 1983, pp.
573–595.
[5] Samsó, Julio (2007). "Biṭrūjī: Nūr al‐Dīn Abū Isḥāq [Abū Jaʿfar] Ibrāhīm ibn Yūsuf al‐Biṭrūjī".
In Thomas Hockey; et al. The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer.
pp. 133–4.
[6] Alessandro Bausani (1973). "Cosmology and Religion in Islam". Scientia/Rivista di Scienza
108 (67): 762
[7] Swerdlow, Noel M. (1973-12-31). "The Derivation and First Draft of Copernicus's Planetary
Theory: A Translation of the Commentariolus with Commentary". Proceedings of the American
Philosophical Society 117 (6): 424
[8] Freely, John (2015-03-30). Light from the East: How the Science of Medieval Islam Helped
to Shape the Western World. I.B.Tauris. p. 179.