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CONTABILIDADE

TRIBUTÁRIA
Pedro@ananadvogados.com.br
Pedro Anan Junior
Sócio de Anan Advogados
Especialista em Direito Empresarial pela PUC-SP
MBA Controller pela FEA-USP
Professor do Curso de Especialização em Direito Tributário na FGV, IBET,
LFG, CERS, FUCAPE, FUNDACE e Academia Tributária.
Autor do Livro Fusão, Cisão e Incorporação de Sociedades – Ed. Quartier
Latin
Coordenador do Livro Planejamento Fiscal, Vol ,1, 2 e 3, e IRPJ – Ed.
Quartier Latin, e Prestação de Serviços Profissionais - Aspectos Legais,
Econômicos e Tributários, IRPF e ITR – MP Editora.
Foi Membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF
Foi Juiz Substituto do Tribunal de Impostos e Taxas - SP
Foi Membro da 4 Câmara do Conselho Municipal de Tributos SP
Livros Publicados
Questões para Reflexão!
• Qual a importância da contabilidade para as
empresas?
• Qual relação do Direito x Contabilidade
• Como o fisco se utiliza dos dados contábeis?
• O conhecimento contábil é importante para o
Planejamento Tributário?
• Como as Leis 6.404/76, 11.638/07, Lei 11.941/09 e
12.973/2014 houve alguma mudança significativa
na contabilidade das empresas?
Contabilidade Tributária

Tributário

Societário Contabilidade

Contratos Economia

Penal Finanças

Cível
Outros
Trabalhista
A caminho da harmonização internacional

Objetivos das mudanças Introduzidas pelas Leis 11.638/07


, Lei 11.941/09 e 12.973/2014
• Atualizar as normas contábeis brasileiras.
• Avançar na harmonização com os pronunciamentos
internacionais.
• Maior entendimento do desempenho financeiro e
situação patrimonial pelos investidores internacionais.
• Aprimoramento das práticas de governança corporativa.
A caminho da harmonização internacional

A Lei nº 11.638/07 teve origem no Projeto de Lei nº


3.741/00, de iniciativa da CVM, com a finalidade de:
• Eliminação de barreiras regulatórias que impediam a
inserção total das companhias abertas no processo de
convergência contábil internacional.
• Aumentar o grau de transparência das demonstrações
financeiras em geral.
• Benefício: acesso das empresas brasileiras a capitais
externos a um custo e a uma taxa de risco menores.
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Pronunciamentos CPC

• Estrutura Conceitual para Elaboração e


Apresentação das Demonstrações Financeiras.
De acordo com a Deliberação CVM 538/08 e a
CFC – NBC T 1, Resolução 1.121/08
• CPC – 01 – Redução do Valor Recuperável de
Ativos.
• CPC – 02 - Efeitos das Mudanças nas Taxas de
câmbio e conversão de demonstrações contábeis.
• CPC – 03 – Demonstração do Fluxo de Caixa
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Pronunciamento CPC
• CPC – 04 – Ativos Intangíveis
• CPC – 06 – Operações de Arrendamento
Mercantil
• CPC – 07 – Subvenções e Assistência
Governamental
• CPC – 08 – Custo de transação e prêmios na
emissão de títulos e valores mobiliários
• CPC – 09 – Demonstração de Valor Adicionado
• CPC – 10 – Pagamento baseado em Ações;
• CPC – 11 – Contratos de Seguros
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Pronunciamentos CPC
• CPC – 12 – Ajuste a valor presente
• CPC – 13 – Adoção inicial da Lei 11.638/07
• CPC – 14 – Instrumentos Financeiros
• CPC – 15 – Combinação de negócios
• CPC – 16 – Estoques
• CPC – 17 – Contrato de Construção
• CPC – 20 – Custos e Empréstimos
• CPC – 21 – Demonstração Intermediária
• CPC – 22 – Informação por Segmento
• CPC – 27 – Imobilizado
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Pronunciamentos CPC
• CPC – 28 – Propriedade e Investimento
• CPC – 29 - Ativo Biológico e produto agrícola
• CPC – 30 – Receitas
• CPC – 31 – Ativo Não Circulante mantido para venda e
Operação Descontinuada
• CPC – 32 – Tributos sobre o lucro
• CPC – 33 – Benefícios a empregados
• CPC – 34 – Exploração e Avaliação de Recursos
Minerais
• CPC – 35 – Demonstrações Separadas
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Pronunciamentos CPC
• CPC – 28 – Propriedade e Investimento
• CPC – 29 - Ativo Biológico e produto agrícola
• CPC – 30 – Receitas
• CPC – 31 – Ativo Não Circulante mantido para venda e
Operação Descontinuada
• CPC – 32 – Tributos sobre o lucro
• CPC – 33 – Benefícios a empregados
• CPC – 34 – Exploração e Avaliação de Recursos
Minerais
• CPC – 35 – Demonstrações Separadas
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Pronunciamentos CPD

• CPC – 36 – Demonstrações consolidadas


• CPC – 37 - Adoção inicial das normas internacionais de contabilidade
• CPC – 38 – Instrumentos financeiros, reconhecimento e mensuração
• CPC – 39 – Instrumentos financeiros apresentação
• CPC – 40 – Instrumentos financeiros evidenciação
• CPC – 41 – Resultado por ação
• CPC – 42 - Contabilidade e Evidenciação em ambiente altamente
inflacionário
• CPC – 43 – Adoção inicial do pronunciamento técnicos CPC 15 a 41
• CPC – 44 – Demonstrações Combinadas
• CPC – 45 – Divulgação em participação em outras entidades
• CPC – 46 – Mensuração do valor justo
• CPC – 47 – Receita do Contrato de Cliente
• CPC – 48 – Instrumentos financeiros
• CPC PME – Contabilidade para pequenas e médias empresas
Lei 6.404/76 DL 1.598/77

Lei 11.638/07 LEI 11.941/09


Regime Tributário de
IFRS Transição

Destinam-se às Sociedades Anônimas e empresas de grande porte, assim


entendidas as sociedades ou conjunto de sociedades sob controle comum que
tiverem, no exercício social anterior, ativo total superior a R$ 240.000.000,00
(duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$
300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
Contabilidade Tributária
• PROCEDIMENTOS DAS AUTORIDADES FISCAIS
• CRUZAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES – DIRF, DCTF,
DIPJ, DACON, DIMOB, SINTEGRA, etc;
• SPED – ECD E EFD – CRUZAMENTO ENTRE CLIENTE, EMPRESA E
FORNECEDOR;
• MOVIMENTAÇÃO CPMF;
• MOVIMENTAÇÃO CARTÃO DE CRÉDITO;
• DENÚNCIA CONCORRENTE;
• OPERAÇÕES POLÍCIA FEDERAL;
• GRANDES CONTRIBUINTES,
• CONTRIBUINTES DIFERENCIADOS.
• Importância da correta contabilização e registro das
operações efetuadas pelos contribuintes!!!!!!
Contabilidade Tributária
-Análise jurídica da Operação
-Validade dos documentos/instrumentos
jurídicos
-Correta contabilização da operação
-Análise dos efeitos tributários
- Estou convencido dessa classificação!!
Casos envolvendo questões contábeis
• BANCO PANAMERICANO
• BANCO SANTOS
• BANCO NACIONAL
• DASLU
• SCHINCARIOL
• Reorganizações Societárias;
• Ágio
• Debentures
• Desmutualização – Bovespa/BMF
• Incorporação as Avessas
• Incorporação trava 30%
• Insumos/Repasse - PIS/COFINS
Conceito e Objetivo

 Usuários:

Os usuários são pessoas que utilizam da Contabilidade, que


se interessam pela situação da empresa e buscam na
Contabilidade as suas respostas.

Evidentemente, os administradores não são os únicos que se


utilizam da Contabilidade. Os investidores (aqueles que
aplicam dinheiro na empresa); os fornecedores de
mercadorias a prazo querem saber se a empresa tem
condições de pagar sua dívidas; os bancos, por sua vez,
emprestam dinheiro desde que a empresa tenha condições de
cumprir o pagamento; o governo quer saber quanto de
impostos foi gerado para os cofres públicos e etc.
Princípios Fundamentais de Contabilidade

 Princípio da entidade:
Reconhece o Patrimônio como o objeto da contabilidade e
afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da
diferenciação de um patrimônio particular no universo dos
patrimônios existentes, independentemente de pertencer a
uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou
instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem
fins lucrativos.
Assim, a Contabilidade registra somente os atos e fatos
ocorridos que se refiram ao patrimônio da empresa, e não os
relacionados com o patrimônio particular de seus sócios.
Princípios Fundamentais de Contabilidade

 Princípio da competência:

Consiste no fato de que as receitas e as


despesas devem ser incluídas na apuração do
resultado da empresa do período em que
ocorrerem, sempre simultaneamente quando se
correlacionarem, independentemente de
recebimento ou pagamento.
Princípios Fundamentais de Contabilidade

 Princípio da prudência ou Conservadorismo:

Determina a adoção do menor valor para os


componentes do Ativo e do maior para os do
Passivo, sempre que se apresentem alternativas
igualmente válidas para a quantificação das
mutações patrimoniais que alterem o patrimônio
líquido.
Princípios Fundamentais de Contabilidade

 Princípio da continuidade

A continuidade ou não da Entidade, bem como sua vida


estabelecida ou provável, devem ser consideradas quando da
classificação e avaliação das mutações patrimoniais,
quantitativas e qualitativas.
Princípios Fundamentais de Contabilidade

 Primazia da Essência sobre a Forma

Transações e Eventos devem ser


contabilizados de acordo com a
substância e realidade econômica.
Direito Contábil

• Os critérios de contabilização das


empresas tem fundamentação legal na
Lei nº 6.404/76 - Lei das S/A
• Artigos 176 a 188 da Lei das S/A
Direito Contábil
• Artigo 176
• Demonstrações Financeiras
• Com base na escrituração mercantil, ao fim de cada
exercício social
• Balanço Patrimonial
• Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados
• Demonstração do Resultado do Exercício - DRE
• Demonstração de Fluxo de Caixa - DFC
• Demonstração do Valor Adicionado – DVA – Cia Abertas
• Notas Explicativas
Direito Contábil
• Artigo 177
• Escrituração da companhia
• mantida em registros permanentes
• obediência aos preceitos da legislação comercial e a Lei das
S/A
• obediência aos princípios de contabilidade geralmente aceitos
• observar métodos e critérios contábeis uniformes no tempo
• registrar as mutações patrimoniais com base no regime de
competência
Direito Contábil
• Artigo 178 - Grupo de contas - Ordem
Descrescente
• Ativo
• Circulante
• Não Circulante
• Passivo
• Circulante
• Não Circulante
• Patrimônio Líquido - Cap. Social, Reservas de
Capital, Reservas de Lucros e Prej. Acumulados
Direito Contábil
• Critérios de Classificação

• Ativo - Artigo 179

• Passivo – Artigo 180


Exemplo de Balanço – Varia por Tipo de Empresa

ATIVO PASSIVO

Circulante Circulante
Caixa Empréstimos e financiamentos
Bancos Fornecedores
Clientes Impostos e taxas a recolher
Outros créditos Contas a pagar/obrigações
Estoques Provisões de risco fiscal/conting
Menos: Provisões
Passivo Não Circulante
Ativo Não Circulante Emprést e financ
Realizável a Longo Prazo Provisões
Permanente
Investimentos
Imobilizado
Intangível PL
C. Social
Reservas capital
Ajuste variação Patrimoniais
Reservas Lucros
Lucros/prejuízos acumulados
Direito Contábil
• Patrimônio Líquido - Artigo 182
• Capital Social
• Reservas de Lucros
• Reservas de Capital
• Prejuizos Acumulados
Direito Contábil

• Critérios Avaliação

• Ativos - Artigo 183


• Custo, mercado, reposição, valor presente ou justo.

• Passivos – Artigo 184


• Valor presente, atualizado até a data o balanço,
convertido taxa de câmbio.
Direito Contábil
• Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados -
Artigo 186
• Demonstração de Resultado Exercício - Artigo 187
• Demonstração do Fluxo de Caixa e Valor Adicionado
- Artigo 188
Demonstrações do Resultado do Exercício

Demonstração do Resultado do Exercício Findo

Receita Operacional Bruta (venda de produtos/serviços)


Deduções da Receita Bruta (Impostos/abatimentos)
Receita Operacional Líquida

Custo Produtos Vendidos e Serviços Prestados

Lucro Bruto

Despesas Operacionais (vendas/gerais e adm/financ)


Outras despesas operacionais

Lucro Operacional

Outras Receitas e Despesas


Resultado antes dos impostos
IRPJ/CSLL
Participações

Lucro do exercício

OBS: Depende de sociedade para sociedade – segmento econômico


O QUE É FATURAMENTO?
• FATURAMENTO = RECEITA?

• FATURAMENTO RECEITA?

• FATURAMENTO – ATO DE EMITIR FATURAS?

• O QUE É FATURAMENTO PARA UM BANCO?

• VENDA DE IMÓVEL É FATURAMENTO?


• Ativo = Bens e Direitos da Sociedade
• Passivo = Obrigações da Sociedade

PL = A - P = B + D – O

- Para cada aplicação de recursos na sociedade há


uma origem de recursos
- Propria, terceiros ou sócios.
Despesa x Custos
• Despesas
• São consumos de ativos incorridos com o objetivo de
obtenção de receitas.
• Despesas correspondem a reduções do Patrimônio Líquido.
• Custos
• Compreende todos os gastos incorridos na sua aquisição ou
produção, de modo a colocá-los em condições de serem vendidos,
transformados, utilizados na elaboração de produtos ou na
prestação de serviços que façam parte do objeto social da
entidade.
• Os custos tem a capacidade de serem atribuídos ao produto
final, despesas são de caráter geral, de difícil vinculação aos
produtos obtidos.
• Receita
• São acréscimos brutos de ativos que são obtidos
sem a ampliação das dívidas ou do capital da
empresa.
• Receitas correspondem a acréscimos ao
Patrimônio Líquido e resultam da venda de
produtos, bens ou serviços pela empresa.
• Representam a atividade/objeto principal da
sociedade
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Aquisição / Alienação

• Planejamento Tributário – Objetivos

• Vendedor - Redução do Ganho de Capital


Tributável

• Comprador - Tornar o Ágio em Despesa


Dedutível
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Aquisição / Alienação

• Atos Preparatórios

• Comprador - Constituição de
Sociedade

• Vendedor - Cisão, Redução de


Capital, Constituição de Sociedade
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Planejamento Tributário - Vendedor

• Alienação das Ações/Quotas p/ PF -


Tributação 15% x 34%

• Subscrição de ações com ágio


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Opções de Planejamento Tributário


Nas aquisições (aquisição da Cia B)
- Objetivos:
- Vendedor: redução do ganho de capital tributável
- Comprador: tornar o ágio despesa dedutível

PF C

B
42

Opção – venda direta

PF C
compra

A venda

Obs.: Ganho capital tributável 34%


43

Planejamento Tributário - Vendedor

- Alienação das Ações/Quotas p/ PF – Tributação 15% X 34%


- Redução capital social

Ganho de Capital
Tributável a 15%
compra
PF C
Red. venda
Capital
A

B
44

Opção – Subscrição de Ações com ágio

PF C
Emissão
A açoes

B Subscrição
com ágio
Reserva de capital - ágio
45

Opção – Subscrição de Ações com ágio

PF C ágio

A
Cisão Operação

$ B
46

Planejamento Tributário - Comprador

• Aquisição Investimento Ágio

• Incorporação do Investimento

• Aproveitamento do Ágio - Despesa


Dedutível
47

Planejamento Tributário - Comprador

-Aquisição Investimento Ágio


-Incorporação do Investimento
-Aproveitamento do Ágio – Despesa Dedutível

PF C

B
48

1º Passo
Constituição por C de uma New CO (Cash Company)

PF C
$

A New CO

B
49

2º Passo

PF C
Aquisição

A New CO

C adquire Cia. B de A com ágio


50

3º Passo

PF C
Incorporação
A New Co

B incorpora a Cia. NewCo


Ágio interno

A A Receita Diferida A
Capitalização
Valor Mercado Incorporação
B C Agio B
Rentabilidade
Futura
B

Consequências do Artigo 36 da Lei 10.637/02


-Diferimento da Tributação da Receita
-Dedutibilidade da Despesa com Amortização do Ágio
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SANTANDER
HISPANO
Aquisição

Acionista

BANESPA

Santander Hispano adquire BANESPA


53

Santander
Hispano
Aumento Capital

Banespa Santander
Holding

Santander Hispano aumenta capital do Santander


Holding com ações Banespa
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Santander
Hispano

Santander Cessão Meridional


Holding Holding

Banespa

Santander Hispano cede participação para


Meridional Holding
55

Santander
S/A
Incorporação

Meridional
Holding

Santander
Holding

Banespa

Santander S/A incorporou Meridional Holding


56

Santander
S/A

Santander
Holding

Incorporação

Banespa

Banespa incorpora Santander Holding


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Caso Santander
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA.
PREMISSAS.
As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e
8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição,
inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii)
seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a
expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não háespaço para a
dedutibilidade do chamado “ágio de si mesmo”, cuja amortização é vedada para fins
fiscais, sendo que no caso em questão essa prática não ocorreu.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7o E 8o DA LEI
No 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA.
No contexto do programa de privatização das empresa de telecomunicações,
regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto no 2.546/97, a efetivação
da reorganização de que tratam os artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97, mediante a
utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado
aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria
obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser
qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (Acórdão 140200.802)
Outros casos julgados envolvendo ágio:
- DASA
-Repsol
-Camil
-Telenorte
-Atica
-RDC
-Globo
-Carrefour
-Casa do Pão de Queijo
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Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Gerdau S/A

Açominas Gerdau Internacional

Situação Inicial
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Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Receita Diferida – R$ 10 Bi
Gerdau S/A Art. 36 Lei 10.637/02
Capitalizacão
Com ágio Ágio Rentabilidade Futura
Valor de Mercado R$ 9 bi
Gerdau Participações

Açominas Gerdau Internacional

29/12/2004
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Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Gerdau S/A Itaú

Alienação 3,39%
Gerdau Participações Para o Itaú

Açominas Gerdau Internacional

06/05/2005
62

Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Gerdau S/A

Incorporação Gerdau Participações

Açominas Gerdau Internacional

Ágio passa a ser Receita Diferida


Amortizada 1/60 ao mês

09/07/2005
63

Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Gerdau S/A

Açominas Gerdau Internacional

Situação Após Incorporação


10/05/2005
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Caso Gerdau – Ac. 1101-00.708 – Ágio Interno

Gerdau S/A

Cisão Açominas Gerdau Internacional


Parcial
Am. Do Sul

Aços Especiais Com. De Aços

Aços Longos

19/07/2005
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA


JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO.
O art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1997, retratado no art.
385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os
requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre
o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das
ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de
participação societária e o fundamento econômico do valor de
aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser
da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal
prevê as formas como este fundamento econômico pode ser
expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras
razões) e como deve ser determinado e documentado.
66

ÁGIO INTERNO.
A circunstancia da operação ser praticada por
empresas do mesmo grupo econômico não
descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais
decorrem da legislação fiscal. A distinção entre
ágio surgido em operação entre empresas do
grupo (denominado de ágio interno) e aquele
surgido em operações entre empresas sem
vinculo, não é relevante para fins fiscais
67

ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA.


AMORTIZAÇÃO.
Para fins fiscais, o ágio decorrente de
operações com empresas do mesmo grupo (dito
ágio interno), não difere em nada do ágio que
surge em operações entre empresas sem
vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o
ágio poderá ser amortizado nos termos
previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532,
de 1997.
Operação Ágio ou Casa e Separa

• A empresa X que é S/A que tem como


acionistas C e D, emite ações;
• A empresa B adquire essas ações por valor
valor superior ao preço de emissão;
• A S/A registra a diferença como reserva de
ágio; e,
• A S/A efetua uma cisão/resgate de ações
onde C e D saem da sociedade com $$$
69

Julgamento no CARF “Operação Ágio” ou “Casa e Separa”

Caso 1 - Acórdão nº 101-94.771 (11/11/2004)

“DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO. Devidamente demonstrado nos autos que os


atos negociais praticados deram-se em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso
de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária
(art. 149 do CTN), cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a
exigência do tributo incidente sobre a real operação.
SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO – Configura-se como simulação, o comportamento do
contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica
sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente
realizado, ou seja, dá-se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por
ele praticado para exteriorização dessa vontade, ao passo que a dissimulação contém em seu
bojo um disfarce, no qual se encontra escondida uma operação em que o fato revelado não
guarda correspondência com a efetiva realidade, ou melhor, dissimular é encobrir o que é.”
70

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Aspectos relevantes do julgamento:

 fator tempo: operação realizada em questão de horas;


 simulação;
 falta de propósito negocial;
 havia contrato firmado entre as partes onde demonstrava a real intenção das partes em
efetuar a compra e venda da participação societária;
distorção da finalidade dos institutos de direito privado para elidir o fato gerador; e
 manutenção da multa qualificada de 150%.
71

Caso 2 - Acórdão nº nº 101-94.340 (09/09/2003) – Operação Ágio

“DESCONSIDERAÇÃO DO ATO JURÍDICO. Não basta a simples suspeita de fraude,


conluio ou simulação para que o negócio jurídico realizado seja desconsiderado pela
autoridade administrativa, mister se faz provar que o ato negocial praticado deu-se em
direção contrária à norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as
características essenciais do fato gerador (...).
SIMULAÇÃO. Configura-se como simulação o comportamento do contribuinte em que se
detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se
apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dá-se
pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para
exteriorização dessa vontade.
NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Configura-se negócio jurídico indireto quando um
contribuinte se utiliza de um determinado negócio, típico ou atípico, para obtenção de uma
finalidade diversa daquela que constitui a sua própria causa (...).”
72

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Aspectos relevantes do julgamento:

 Houve intenção da empresa 1 ano antes de emitir ações e ter um novo acionista
estratégico;
fator tempo: operação não foi realizada em questão de horas;
 Havia acordo de acionistas firmado entre as partes, onde havia intenção dos acionistas
em permanecer na sociedade;
 A rescisão do acordo de acionistas foi efetuada posteriormente ao ingresso do novo
acionistas;
 Não foi comprovada a simulação na operação.
Debêntures com Participação nos Resultados

-A empresa S/A emite debêntures visando captar


recursos, cuja remuneração é variável –
participação nos lucros;
-As debêntures são adquiridas por investidor;
-A S/A passa a reconhecer uma despesa
dedutível para fins de IRPJ e CSLL com o
pagamento da remuneração das Debentures.
74

3) Debêntures Participativas

1 - Acórdão nº 103-21.543 (27/03/2004)

“ DESPESAS DE DEBÊNTURES. DEDUTIBILIDADE. A dedução das despesas


decorrentes das obrigações relativas a debêntures está condicionada, entre outras, à efetiva
captação de novos recursos financeiros inerentes à emissão desses títulos.”

Aspectos Relevantes do
Julgamento:
 redução de capital dos recursos antes da aquisição
 capitalização das debentures 6 meses após aquisição
não houve ingresso de recursos novos na empresa, do
que se concluiu pela desnecessidade da emissão das
debêntures e, por conseguinte, das respectivas despesas.
75

3) Debêntures Participativas

1 - Acórdão nº 107-08.028 (13/04/2005)

“IRPJ/CSLL – PARTICIPAÇÕES DE DEBENTURES – DEDUTIBILIDADE – ANOS-


CALENDÁRIOS DE 1998 A 1999. Não estando provado nos autos que o negócio jurídico
foi simulado ou engendrado com fraude a lei e, principalmente, não restando claro que os
recursos ingressados na sociedade pertenciam aos sócios, as participações de debêntures,
regularmente registradas e emitidas, reduzem o lucro líquido do exercício, por expressa
previsão legal. Sendo capital financeiro, a remuneração das debentures participativas não
gozam do status de lucro distribuído a que refere o art. 10 da Lei 9.245/95”

Aspectos Relevantes do
Julgamento:
 houve efetivo ingresso de recursos novos na empresa
 autoridade fiscal não conseguiu comprovar que quem
adquiriu as debentures foram os acionistas da empresa
INCORPORAÇÃO AS AVESSAS

-Grupo de Empresas possue uma empresa


com prejuízo fiscal e outra com lucro real;
-Empresa com prejuízo fiscal incorpora
empresa que apura lucro real.
77

Incorporação às Avessas

Acórdão nº 107-07.596 (16/04/2004)


Mantido pela CSRF – Ac. nº 01-05.413 (30/03/2006)

“INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS – GLOSA DE PREJUÍZOS – IMPROCEDÊNCIA. A


denominada “incorporação às avessas”, não proibida pelo ordenamento, realizada entre
empresas operativas e que sempre estiveram sob controle comum, não pode ser tipificada
como operação simulada ou abusiva, mormente quando, a par da inegável intenção de não
perda de prejuízos fiscais acumulados, teve por escopo a busca de melhor eficiência das
operações entre ambas praticadas.”

Aspectos Relevantes do
Julgamento:
 legalidade da operação;
 dotada de propósito negocial: reorganização estrutural;
e
 submissão aos efeitos do negócio;
78

Incorporação as Avessas - Acórdão CRSF/01-02.107 (02/12/1996)

“ IRPJ – “ INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS ” – MATÉRIA DE PROVA –


COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. A definição legal do fato gerador é
interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Se a
documentação acostada aos autos comprova de forma inequívoca que a declaração de
vontade expressa nos atos de incorporação era enganosa para produzir efeito diverso do
ostensivamente indicado, a autoridade fiscal não está jungida aos efeitos jurídicos que os
atos produziriam, mas à verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes .”

Aspectos Relevantes do  incorporadora de direito foi a incorporada de fato;


Julgamento:  manutenção do objeto, razão social, sócios, local de
atividade da incorporada e extinção daquelas da
incorporadora; e
 realização de várias operações da espécie com
artificialismo.
LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO

Sócios da Empresa A que é tributada pelo Lucro Real


constituem uma empresa B prestadora de serviços que é optante
pelo lucro presumido.
A empresa A passa a ter uma despesa para fins de dedução do
lucro real; e,
A empresa B tributa essa receita pelo lucro presumido.

Sócios

Despesa

A B
Receita
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Lucro Real x Lucro Presumido

- Acórdão nº 101-95.208 (19/10/2005)

“ IRPJ – CSL – CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA COM ARTIFICIALISMO –


DESCONSIDERAÇÃO DOS SERVIÇOS PRETENSAMENTE PRESTADOS – MULTA
QUALIFICADA – NECESSIDADE DA RECONSTITUIÇÃO DE EFEITOS
VERDADEIROS – Comprovada a impossibilidade fática da prestação de serviços por
empresa pertencente aos mesmos sócios, dada a inexistente estrutura operacional, resta
caracterizado o artificialismo das operações, cujo objetivo foi reduzir a carga tributária da
recorrente mediante a tributação de relevante parcela de seu resultado pelo lucro presumido
na pretensa prestadora de serviços. Assim sendo, devem ser desconsideradas as despesas
correspondentes. Todavia, se ao engendrar as operações artificiais, a empresa que
pretensamente prestou os serviços sofreu tributação, ainda que de tributos diversos, há de se
recompor a verdade material, compensando-se todos os tributos já recolhidos.”
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PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Aspectos relevantes do julgamento:

 mesma sede, mesmos sócios, mesmo objeto social;


falta de substrato econômico: estrutura reduzida da contratada: um único funcionário;
preço do serviço contratado: em média, 80% do resultado das operações;
falta de propósito negocial: única finalidade era a diminuição da carga tributária;
artificialismo da operação: não basta ser formalmente verdadeiro, levando tais
operações ao conhecimento do Fisco; e
multa qualificada de 150%.
82

Acórdão nº 101-96.072 (29/03/2007)

DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO DE CESSÃO DE


CRÉDITOS FIRMADO ENTRE CONTROLADORA E
CONTROLADA – FINALIDADE ÚNICA DE RECOLHER MENOS
TRIBUTO.
Os atos praticados com a finalidade única de promover a economia
tributária através do não recolhimento dos tributos devidos, em prejuízo à
Fazenda Pública, denotam a ocorrência de fraude e devem ser
descaracterizados.
(...)
MULTA QUALIFICADA DE 150% – A conduta do contribuinte ao tentar
impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal em
sua pessoa, que estava operando com lucro, através da cessão a sua
controlada dos direitos aos vultosos rendimentos oriundos da aplicação
financeira efetuada junto ao ABN AMRO BANK, de modo a reduzir o
montante do imposto devido através do instituto da compensação de
prejuízos fiscais, já que a controlada vinha acumulando-os, confirma o
cabimento da aplicação da multa qualificada de 150%
83

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Aspectos relevantes do julgamento:

Cessão de direito de aplicação financeira de uma empresa para outra através de


instrumento particular;
 O valor teria sido usado para aumentar o capital social da controlada, mas os
documentos e fatos não comprovam isso;
falta de propósito negocial: única finalidade era a diminuição da carga tributária;
artificialismo da operação: não basta ser formalmente verdadeiro, levando tais
operações ao conhecimento do Fisco; e
multa qualificada de 150%.
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Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO - DEDUTIBILIDADE -


LIMITE TEMPORAL - O período de competência, para efeito de
dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do
imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou
pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos,
podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor
existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios
e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou
crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP -
desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de
distribuição-, levando em consideração os parâmetros existentes
no ano-calendario em que se deliberou sua distribuição.
(ACÓRDÃO 101-96.751 )
85

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO

Aspectos relevantes do julgamento:

 Valores provisionados e adicionados em 1996 a 1999


 Valores foram pagos em 2001
 Gerou prejuizo fiscal
 Foi objeto de glosa os valores não pagos em 2001 a 2005
 Lei não veda e impõe que o pagamento tem que ser por competência.
Caso Light

Mercado Internacional
Captação Recursos

LOI LIR
Emprestimos 96 meses

LIGHT

Privatização
Eletropaulo
Caso Light

Mercado Internacional
Pagamento

LOI LIR
Aumento de Capital

LIGHT
INVESTIDORES
Debentures
Ações
Caso 1 - Light

A Autuada realizou duas operações de emissão de Fixed Notes no


exterior. Em setembro/1997 em Eurobonds, com vencimento para
março de 2008 e em setembro/1998 em Intercompany bonds, com
vencimento para abril de 2010.
As notes foram adquiridas pelas subsidiárias da Autuada com sede
nas Ilhas Cayman (LOI e LIR), constituídas em julho de 1997 e abril
de 1998.
A LOI emitiu commercial paper com vencimento de 6 meses.
Em março de 1998 a LOI realizou refinanciamento garantido pela
Autuada.

88
Caso 1 – Light (cont.)

Em abril de 1998 a LIR contraiu empréstimos junto a instituições


financeiras estrangeiras com o prazo de 1 ano, garantido pela
Autuada.
Em 22.4.1999, após quitar parte do empréstimo, a LIR refinanciou a
dívida restante, com prazo de um ano.
Em novembro de 1999, utilizando-se de novo aumento de capital e
de recursos captados no exterior a LIR pagou parte da dívida
restante.
Abril e novembro de 1999 a Autuada remeteu recursos ao exterior
com o intuito de aumentar o capital das subsidiárias LOI e LIR, no
valor dos compromissos assumidos.

89
Caso 1 – Light (cont.)

Decisão: “RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO


EXTERIOR – OPERAÇÕES DE EMPRÉSTIMOS REALIZADAS
ENTRE EMPRESAS CONTROLADAS E EMPRESA CONTROLADORA
– REMESSA DE JUROS – TÍTULOS DE CRÉDITO INTERNACIONAIS
– COLOCAÇÃO DE FIXED RATE NOTES NO MERCADO
INTERNACIONAL – INCIDÊNCIA NA FONTE REDUZIDA À ALÍQUOTA
ZERO – CONTRATOS EM VIGOR EM 31/12/1999 – PRAZO MÍNIMO
MÉDIO PARA AMORTIZAÇÃO DE 96 MESES – As operações de
captação de recursos financeiros a curto prazo realizadas entre as
empresas subsidiárias da contribuinte no exterior e banqueiros
internacionais não se confundem com as operações de empréstimo a
longo prazo realizadas entre as empresas subsidiárias no exterior e a
empresa controladora no Brasil – são negócios jurídicos distintos.
(...)

90
Caso 1 – Light (cont.)

Incorre resgate antecipado das Fixed Rate Notes em razão de


transferência internacional de Reais realizada entre a empresa
controladora no Brasil (emitente dos títulos de crédito) para as suas
empresas subsidiárias no exterior (adquirentes dos títulos de crédito) a
título de aumento de capital, inclusive se as empresas subsidiárias
utilizarem estas transferências de Reais para liquidar seus empréstimos
de curto prazo frente aos banqueiros internacionais que financiaram a
aquisição destes títulos de créditos internacionais. Desta forma, as
remessas de pagamentos de juros decorrentes de colocações no
exterior de títulos de créditos internacionais, a exemplo das Fixed Rate
Notes, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, cujo
prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 meses e
cujos contratos encontravam-se em vigor em 31.12.1999, estão com
incidência na fonte reduzida à alíquota zero.”

91
Caso 1 – Light (cont.)
– Fundamentos da decisão
 O investimento realizado pela Autuada nas suas subsidiárias
não se confunde com o pagamento dos empréstimos, pois
suas características econômicas são totalmente distintas.
 O fato de recursos terem sido usados por LOI e LIR para
saldar seus compromissos de curto prazo não significa que os
compromissos de longo prazo da Autuada para com as suas
subsidiárias tenham sido saldados.
 As operações permanecem registradas com prazo de
amortização superior a 96 meses e, por isso, continuam a
produzir todos os efeitos que lhe são próprios.

92
Caso 1 – Light (cont.)
– Fundamentos da decisão (cont.)
 Não há desvio na declaração de vontade das partes. A
declaração é real, verdadeira, efetiva, condizente, portanto,
com a vontade das partes.
 O aumento de capital das subsidiárias não ocorreu com o
intuito de amortizar a dívida da Autuada, mas sim para
cumprir exigências das instituições financeiras estrangeiras.
 Os valores captados no exterior foram utilizados na forma
como declarado no momento de seu ingresso no país.

93
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