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FRONTEIRAS da Globalização 1

O mundo natural e o espaço humanizado

Lúcia Marina Alves de Almeida

Bacharela e licenciada em Geografia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e


Letras de São Bento, da PUC-SP

Professora de Geografia no Ensino Fundamental e no Ensino Médio das redes


pública e particular do estado de São Paulo

Tércio Barbosa Rigolin

Bacharel e licenciado em História pela USP

Bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Unesp, campus de Araraquara

Professor de Geografia no Ensino Fundamental e no Ensino Médio das redes


pública e particular do estado de São Paulo

Geografia

Ensino Médio

MANUAL DO PROFESSOR

3ª edição

São Paulo, 2016

Diretoria editorial

Lidiane Vivaldini Olo

Gerência editorial

Luiz Tonolli

Editoria de Ciências Humanas

Heloisa Pimentel

Edição

Francisca Edilania de Brito Rodrigues


Gerência de produção editorial

Ricardo de Gan Braga

Arte

Andréa Dellamagna (coord. de criação), Adilson Casarotti (progr. visual de


capa e miolo), Claudio Faustino (coord. e edição) e Arte Ação (diagram.)

Revisão

Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula


Chabaribery Malfa, Célia da Silva Carvalho, Paula Teixeira de Jesus e Patrícia
Travanca; Brenda Morais e Gabriela Miragaia (estagiárias)

Iconografia

Sílvio Kligin (superv.), Denise Durand Kremer (coord.), Ana Vidotti (pesquisa),
Cesar Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem)

Ilustrações

Luis Moura, Alex Argozino, Ingeborg Asbach

Cartografia

Eric Fuzii, Julio Dian, Márcio Souza, Portal de Mapas, Allmaps e Juliana
Albuquerque

Foto da capa: Hora do rush em Berlim (Alemanha). Matthias Makarinus/Getty


Images

Protótipos

Magali Prado

Direitos desta edição cedidos à Editora Ática S.A.

Avenida das Nações Unidas, 7221, 3º andar, Setor A

Pinheiros - São Paulo - SP - CEP 05425-902

Tel.: 40 03-30 61

www.atica.com.br / editora@atica.com.br

2016

ISBN 978850817973 2 (AL)


ISBN 978850817974 9 (PR)

Cód. da obra CL 713364

CAE 566161 (AL) / 566 162 (PR)

3ª edição

1ª impressão

Impressão e acabamento

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Almeida, Lúcia Marina Alves de

Fronteiras da globalização / Lúcia Marina Alves de Almeida, Tércio Barbosa


Rigolin. -- 3ª ed. -- São Paulo: Ática, 2016.

Obra em 3 v.

Conteúdo: v. 1. O mundo natural e o espaço humanizado. -- v. 2. O espaço


geográfico globalizado -- v. 3. O espaço brasileiro: natureza e trabalho.

Bibliografia.

1. Geografia (Ensino Médio). I. Rigolin, Tércio Barbosa. II. Título.

16-02164

CDD-910.712

Índices para catálogo sistemático:

1. Geografia: Ensino médio. 910.712

Apresentação

A Geografia assumiu um papel muito importante nesta época em que as


informações são transmitidas pelos meios de comunicação com muita rapidez
e em grande volume. É impossível acompanhar e entender as mudanças e os
fatos ou fenômenos que ocorrem no mundo sem ter conhecimentos
geográficos.
É no espaço geográfico - conceito fundamental da Geografia - que se dão as
manifestações da natureza e as atividades humanas. Compreender a
organização e as transformações ocorridas nesse espaço é essencial para a
formação do cidadão consciente e crítico dos problemas do mundo em que
vive. O papel do professor de Geografia, nesse caso, é pensar no aluno como
agente atuante e modificador do espaço geográfico, formado dentro de uma
proposta educacional que requer responsabilidade de todos, visando construir
um mundo mais ético e menos desigual.

Organizamos uma obra com os conteúdos integrados, na qual estão


intimamente relacionados o físico e o humano, o local e o global. Procuramos
propor atividades que privilegiam a reflexão, a atualidade das informações e a
construção da cidadania. Acreditando que a busca do conhecimento é um
processo único e que a Geografia faz parte desse processo, incluímos
atividades interdisciplinares em todos os volumes.

Os dois primeiros volumes da coleção abordam os contrastes que marcam o


espaço geográfico: naturais, políticos, humanos, tecnológicos, econômicos e
supranacionais. Com isso pretendemos mostrar que, mesmo em um mundo
globalizado, encontramos inúmeras contradições e desigualdades. O terceiro
volume apresenta um retrato do Brasil, país vasto e com paisagens muito
variadas.

Agora é com você. Descubra uma nova forma de estudar Geografia e prepare-
se para contribuir para a construção de uma sociedade mais tolerante, mais
humana e mais solidária.

Os autores

Conheça seu livro

A obra

Antes de dar início aos seus estudos, veja aqui como o seu livro está
estruturado.

Abertura de Unidade
Em todas as aberturas de Unidade, uma imagem e um texto introduzem os
principais assuntos que serão abordados.

Abertura de capítulo

Cada capítulo tem início com imagem pertinente ao tema tratado.

Ao longo do texto principal há seções que vão dar dinamismo ao seu estudo.
Em muitas delas, você encontra textos de outros autores e gêneros (poesias,
letras de música, artigos de jornais, revistas e internet, pesquisas e textos
opinativos de estudiosos da Geografia).

Leitura e reflexão

Nesta seção você vai encontrar textos que exigem uma leitura atenta e
atividades que estimulam a reflexão sobre o tema.

Contexto e aplicação

Aqui você tem acesso a textos e atividades que o convidam a relacionar o


assunto estudado ao seu cotidiano.

Pesquise e reflita

Nesta seção há sugestões de temas para pesquisa e questões de reflexão


sobre o assunto estudado.

Ampliando o conhecimento

Aqui são apresentados textos que aprofundam e complementam um


determinado assunto.

Outra visão

Esta seção apresenta textos que trazem uma opinião diferente sobre o tema
estudado, favorecendo a análise imparcial.

Diálogos

Nesta seção você encontra conteúdos que são objeto de estudo de outras
disciplinas, principalmente das Ciências Humanas - História, Sociologia e
Filosofia -, e aprende como eles dialogam com a Geografia.
Ao final dos capítulos e das Unidades as seções de encerramento sintetizam
os assuntos estudados.

Refletindo sobre o conteúdo

Encerrando o capítulo, esta seção propõe um conjunto de questões para


análise, reflexão e interpretação dos assuntos estudados.

Concluindo a Unidade

No fim das Unidades, há uma série de testes e questões do Enem e de


vestibulares para ajudar você a se preparar para o ingresso no Ensino
Superior.

Este ícone indica que a atividade proposta é interdisciplinar, isto é, envolve


conhecimentos de outras disciplinas.

Sumário

UNIDADE 1. ESPAÇO GEOGRÁFICO: LOCALIZAÇÃO E TEMPO, p. 9

CAPÍTULO 1. Um espaço de lugares e paisagens, p. 10

Espaço geográfico: objeto de estudo da Geografia, p. 10

Lugar: a nossa geografia, p. 11

Sistemas e redes, p. 11

Paisagem: o espaço que nossa vista alcança, p. 13

Diálogos - Paisagem cultural e seus elementos, p. 14

Espaço, paisagem e tempo, p. 16

Refletindo sobre o conteúdo, p. 20

CAPÍTULO 2. A localização no espaço geográfico, p. 21

As direções no espaço geográfico, p. 21

Coordenadas geográficas: importância e aplicação, p. 22

Diálogos - A descoberta da longitude, p. 26

Refletindo sobre o conteúdo, p. 28


FONTE: Fernando Araújo/Futura Press

CAPÍTULO 3. A medida do tempo no espaço geográfico, p. 29

O movimento de rotação, os dias e as noites, p. 30

O movimento de translação e as estações do ano, p. 34

Refletindo sobre o conteúdo, p. 36

CONCLUINDO A UNIDADE 1, p. 37

Testes e questões, p. 37

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 41

UNIDADE 2. REPRESENTANDO O ESPAÇO GEOGRÁFICO, p. 43

CAPÍTULO 4. Representação do espaço geográfico: a construção de


mapas, p. 44

Cartografia e tecnologia, p. 44

A construção de mapas, p. 49

Refletindo sobre o conteúdo, p. 54

CAPÍTULO 5. Linguagem cartográfica e leitura de mapas, p. 55

Tipos de mapas ou cartas, p. 55

A linguagem dos mapas, p. 59

Refletindo sobre o conteúdo, p. 62

CONCLUINDO A UNIDADE 2, p. 63

Testes e questões, p. 64

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 69

UNIDADE 3. LITOSFERA E RELEVO TERRESTRE, p. 70

CAPÍTULO 6. Litosfera: evolução geológica da Terra, p. 71

As esferas da Terra, p. 71

O tempo geológico conta a história da Terra, p. 72

Origem, formação e camadas da Terra, p. 74


A origem dos continentes, p. 75

Refletindo sobre o conteúdo, p. 83

CAPÍTULO 7. A Terra: estrutura geológica e formas de relevo, p. 84

A constituição da crosta terrestre, p. 84

O relevo terrestre, p. 88

Refletindo sobre o conteúdo, p. 90

FONTE: Gilles Adt/Reuters/Latinstock

CAPÍTULO 8. Agentes formadores e modeladores do relevo terrestre, p. 91

A dinâmica interna da Terra, p. 91

A dinâmica externa da Terra, p. 98

Refletindo sobre o conteúdo, p. 104

CAPÍTULO 9. Erosão e contaminação dos solos, p. 105

Solo: resultado do intemperismo, p. 105

A erosão dos solos, p. 107

A contaminação dos solos pelo lixo, p. 113

Refletindo sobre o conteúdo, p. 116

CONCLUINDO A UNIDADE 3, p. 117

Testes e questões, p. 118

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 123

UNIDADE 4. A ATMOSFERA E AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, p. 125

CAPÍTULO 10. O tempo meteorológico e os elementos do clima, p. 126

A atmosfera e os fenômenos meteorológicos, p. 126

Refletindo sobre o conteúdo, p. 134

CAPÍTULO 11. Fatores do clima e tipos climáticos, p. 135

Fatores que modificam o clima, p. 135


Principais tipos de clima do mundo, p. 137

Refletindo sobre o conteúdo, p. 142

CAPÍTULO 12. A poluição do ar atmosférico e as mudanças climáticas, p.


143

A poluição do ar e os impactos ambientais, p. 143

Fenômenos naturais e novos padrões climáticos, p. 150

Refletindo sobre o conteúdo, p. 153

CONCLUINDO A UNIDADE 4, p. 154

Testes e questões, p. 155

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 160

UNIDADE 5. HIDROSFERA E BIOSFERA, p. 161

CAPÍTULO 13. Hidrosfera: o planeta pede água, p. 162

Um recurso esgotável, p. 162

A hidrosfera e a hidrografia, p. 162

Poluição e desperdício das águas continentais, p. 165

As águas subterrâneas e sua poluição, p. 166

Oceanos e mares e sua poluição, p. 168

Conflitos pela água, p. 169

Refletindo sobre o conteúdo, p. 171

CAPÍTULO 14. Biosfera: a esfera da vida, p. 172

A biosfera e o ser humano, p. 172

Os grandes biomas do mundo, p. 172

Refletindo sobre o conteúdo, p. 182

CONCLUINDO A UNIDADE 5, p. 183

Testes e questões, p. 184

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 188


UNIDADE 6. A POPULAÇÃO MUNDIAL E A TRANSFORMAÇÃO DO
ESPAÇO, p. 189

CAPÍTULO 15. A população da terra, p. 190

Crescimento demográfico ou populacional, p. 190

Estrutura da população mundial, p. 194

Distribuição da população mundial, p. 198

Diversidades culturais da população mundial, p. 200

Refletindo sobre o conteúdo, p. 201

FONTE: Thomas Coex/Agência France-Presse

CAPÍTULO 16. Migrações: diversidade e desigualdade, p. 202

Movimentos migratórios, p. 202

Diálogos - Rota do Mediterrâneo Ocidental, p. 208

Refletindo sobre o conteúdo, p. 212

CAPÍTULO 17. A urbanização mundial, p. 214

O fenômeno urbano, p. 214

Refletindo sobre o conteúdo, p. 222

CAPÍTULO 18. Desenvolvimento sustentável: um desafio global, p. 223

O mundo acorda para os problemas ambientais, p. 223

Refletindo sobre o conteúdo, p. 233

CONCLUINDO A UNIDADE 6, p. 234

Testes e questões, p. 235

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 240

UNIDADE 7. POPULAÇÃO E TERRITÓRIO: O ESTADO-NAÇÃO, p. 241

CAPÍTULO 19. O Estado-Nação: fronteiras, território e territorialidade, p.


242

País, Estado-Nação e nação, p. 242


Território, territorialidade e soberania, p. 243

Onde termina um país e começa outro?, p. 245

As redes e as escalas geográficas, p. 250

As relações entre os países, p. 251

Diálogos - Além do butim, p. 252

Refletindo sobre o conteúdo, p. 254

CAPÍTULO 20. Um mundo em conflito, p. 255

Conflitos do século XXI - áreas de tensão, p. 255

Agravantes nas áreas de tensão, p. 256

Áreas de tensão pelo mundo, p. 259

Refletindo sobre o conteúdo, p. 267

CAPÍTULO 21. Oriente Médio: rica região sem paz, p. 268

O território: posição estratégica e petróleo, p. 268

Fundamentalismo e extremismo, p. 270

Região de conflitos, p. 272

Refletindo sobre o conteúdo, p. 278

CONCLUINDO A UNIDADE 7, p. 279

Testes e questões, p. 280

Outras fontes de reflexão e pesquisa, p. 284

SIGNIFICADO DAS SIGLAS, p. 286

BIBLIOGRAFIA, p. 287

FONTE: Andrzej Kubik/Shutterstock

unidade 1. Espaço geográfico: localização e tempo

LEGENDA: Vista aérea de plantação de tulipas em Lelystad, província de


Flevolândia, nos Países Baixos, construída sobre um terreno artificial. Foto de
2014.
FONTE: Frans Lemmens/Alamy/Latinstock

Nesta Unidade, você vai conhecer o principal conceito da ciência geográfica - o


espaço geográfico -, compreendido como resultado das modificações
realizadas nos elementos naturais pelo trabalho humano através do tempo
histórico. Um espaço formado por lugares localizáveis, que tem como
expressão visível a paisagem.

10

capítulo 1. Um espaço de lugares e paisagens

LEGENDA: Vista de rua na cidade histórica de Penedo (AL), em 2015. Um dos


primeiros lugares com os quais nos familiarizamos é a rua onde moramos,
como a que podemos ver nesta imagem.

FONTE: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Espaço geográfico: objeto de estudo da Geografia

O conceito de espaço geográfico é complexo e abrangente. Entre as definições


possíveis, podemos considerar espaço geográfico a combinação entre
elementos naturais e construídos pelo ser humano (fixos) e as pessoas,
mercadorias, finanças e informações (fluxos).

O espaço geográfico pode ser definido como resultado das relações


econômicas, políticas e culturais, e tem como ator principal o ser humano.
Assim, a Geografia dedica-se ao estudo dessas relações e de seu papel na
construção e transformação do espaço.

Segundo o geógrafo Jacques Levy (1935-2004), a distância é o elemento


central do espaço geográfico. É preciso que fique claro que a distância aqui
mencionada não é a física - aquela medida por algum instrumento -, mas sim
uma dimensão ampliada, em que ocorrem as relações estabelecidas entre os
grupos sociais. Dependendo da maior ou menor capacidade desses grupos
sociais em percorrer ou diminuir as distâncias entre seus indivíduos e outras
coletividades, mais ou menos complexas vão ser as interações entre esses
grupos. Daí a grande importância dos meios de comunicação modernos e
atualizados.
O conhecimento da organização do espaço geográfico é fundamental para a
compreensão do mundo de hoje, pois suas várias etapas e transformações
explicam os atuais sistemas econômicos, sociais e culturais.

11

Para compreender como o espaço geográfico é construído e como ele se


transforma, partimos da análise da paisagem e do lugar, que expressam
espacialmente essas relações em diferentes arranjos.

Lugar: a nossa geografia

O conceito de lugar está relacionado aos espaços que nos são familiares e que
fazem parte do nosso cotidiano. Quando falamos em lugar, pensamos em
referenciais afetivos que desenvolvemos ao longo de nossa vida, os quais são
carregados de emoções e que nos dão a sensação de segurança, de
pertencimento, de identidade.

Durante a vida, podemos mudar de lugar várias vezes. Cada mudança exige
que passemos por um processo de adaptação, sem, no entanto, perder nossa
identidade, que está ligada ao nosso lugar de origem.

Ao recordar passagens de nossa vida, é natural evocar os lugares que fizeram


parte dela: a casa onde nascemos, a rua onde brincávamos na infância, a
primeira cidade para onde viajamos em férias, etc. A princípio, nos
familiarizamos com a nossa casa, e, mais tarde, passamos a explorar outros
lugares, como a rua onde moramos, o caminho para a escola, para o centro da
cidade, para cidades próximas ou mais distantes. Dessa maneira vamos
construindo a nossa própria "geografia".

É por meio dessa geografia dos lugares, do cotidiano, que começamos a


estabelecer relações entre os lugares. Isso significa que o conhecimento
geográfico não é exclusivo de geógrafos, cientistas e técnicos de planejamento;
ele envolve conhecimentos e impressões que vamos construindo e adquirindo
à medida que nos relacionamos com os lugares que compõem o espaço que
nos rodeia. Não é difícil observar que, embora os lugares apresentem
características próprias que os tornam singulares, eles estão também
interligados e se relacionam entre si em diversos níveis (local, regional,
nacional, global).
O lugar onde vivemos não é uma realidade isolada. Ele faz parte de um
conjunto de lugares, marcados por diferentes aspectos naturais e sociais, que
passaram por vários processos históricos e que fazem parte de uma realidade
mais ampla.

Sistemas e redes

As relações entre os diferentes lugares do espaço geográfico acontecem por


meio de sistemas que permitem a transformação e evolução desses lugares,
como os sistemas urbanos, rurais, econômicos, políticos, ecológicos,
climáticos, entre outros.

De um lugar para outro há uma constante troca de produtos, matérias-primas,


energia, capitais e também uma intensa movimentação de pessoas.
Chamamos esse fluxo de redes, pois ele permite a circulação contínua entre os
diversos lugares do espaço geográfico.

As redes se cruzam em pontos, geralmente cidades influentes que participam


ativamente da organização do território. Dependem basicamente de
infraestrutura eficiente em transportes e comunicação: ferrovias, rodovias,
aerovias, hidrovias, infovias (linhas telefônicas e internet), oleodutos,
gasodutos, etc. Quanto mais desenvolvida tecnologicamente é a sociedade,
mais complexas são as redes.

LEGENDA: Uma praça onde costumávamos brincar ou uma rua onde moramos
pode ser um dos primeiros lugares com os quais nos familiarizamos. Na foto,
crianças brincando em praça em Areado (MG), em 2015.

FONTE: João Prudente/Pulsar Imagens

12

Boxe complementar:

Leitura e reflexão

Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa.

Confidência do itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.


Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres

e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova


Aguilar, 2003. p. 68.

O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu e passou parte de


sua infância em Itabira, Minas Gerais. Nesse poema ele fala de Itabira e da
influência que essa cidade exerceu sobre ele.

- Agora que você já leu o poema, faça o que se pede.

1. Identifique o verso que indica a origem do autor do poema, considerado um


dos maiores poetas brasileiros do século XX.

2. Qual é o principal recurso natural encontrado na cidade do poeta?


3. Reproduza o verso em que o autor cita esse importante recurso natural e no
que ele será transformado.

4. Agora pense nas suas próprias experiências e responda:

- Onde você nasceu?

- Em que lugar você passou a infância?

- Descreva as principais características desse lugar.

- Relate uma experiência vivida nesse lugar.

- Em que lugar você vive hoje? De que maneira ele se relaciona com outros
lugares?

LEGENDA: Cidade de Itabira (MG), vista do pico do Amor. Pode-se ver o pico
do Cauê ao fundo, à direita. Foto de 2014.

FONTE: João Prudente/Pulsar Imagens

Fim do complemento.

13

Paisagem: o espaço que nossa vista alcança

Se estivermos viajando de avião, a uma altitude não muito elevada, teremos


ampla visão da porção do espaço que estamos sobrevoando. Em uma região
bastante transformada pela ação humana, poderemos perceber, entre outras
coisas, campos cultivados, pastagens, cidades grandes, médias ou pequenas,
interligadas por uma rede de rodovias e ferrovias.

O conjunto de elementos que podemos observar nesse voo hipotético e todos


os outros arranjos heterogêneos que observamos diariamente fazem parte do
que chamamos paisagem.

Assim como o conceito de lugar, o conceito de paisagem também é bastante


complexo. Paisagem pode ser considerada um conjunto de formas que, em
determinado momento, revelam as relações entre o homem e a natureza em
diferentes épocas.

O geógrafo Mílton Santos afirma:


Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é o conjunto de formas
que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as
sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas
formas mais a vida que as anima.

A palavra paisagem é frequentemente utilizada em vez da expressão


configuração territorial. Esta é o conjunto de elementos naturais e artificiais que
fisicamente caracterizam uma área. A rigor, paisagem é apenas a porção da
configuração territorial que é possível abarcar com a visão.

Podemos identificar nas paisagens todos os elementos que fazem parte do


espaço em interação:

- Elementos naturais: relevo, clima, vegetação, rios, oceanos.

- Elementos culturais: plantações, cidades, estradas, indústrias e muitas


outras realizações da sociedade.

Observe a paisagem abaixo e a que aparece na página 16. Nelas é possível


descrever não só os principais elementos naturais e culturais que as
constituem; mais ainda, é possível identificar, analisando os diversos arranjos
existentes entre esses elementos, as relações econômicas, sociais e culturais
expressas por eles em diferentes momentos.

Saber interpretar os processos naturais, sociais e econômicos que moldam as


feições de uma paisagem é o verdadeiro objetivo do estudo da Geografia. Essa
interpretação pode ser feita por meio de observação local, fotos, mapas,
fotografias aéreas ou imagens de satélites, como veremos no Capítulo 4.

LEGENDA: Vista da Lagoa da Conceição, em Florianópolis (SC), em 2014. Na


foto, podemos reconhecer elementos naturais (lagoa, vegetação) e elementos
culturais (construções, ruas) da paisagem.

FONTE: Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

14

Diálogos

Atividade interdisciplinar: Geografia, Sociologia e História.

Paisagem cultural e seus elementos


Os elementos culturais da paisagem são o resultado do trabalho humano no
espaço natural ao longo do tempo. Esses elementos são estudados também
por outras disciplinas, que, com a Geografia, fazem parte das Ciências
Humanas. São elas a História, a Sociologia e a Filosofia. A História da Arte e
da Literatura também são aspectos importantes nesse conhecimento.

Em 1992, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a


Cultura (Unesco), com sede em Paris, na França, criou um novo conceito de
Patrimônio Mundial como forma de reconhecimento dos bens culturais: o
Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural.

LEGENDA: Pintura rupestre representando um humano e um felino,


encontrada na Toca do Caldeirão dos Canoas, no Parque Nacional da
Capivara (PI). Foto de 2015.

FONTE: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

LEGENDA: O frevo é uma dança típica do folclore brasileiro. Na foto,


dançarinos se divertem na cidade de Olinda (PE). Foto de 2015.

FONTE: Hans von Manteuffel/Opção Brasil Imagens

LEGENDA: Vista do centro histórico da cidade de Ouro Preto (MG), Patrimônio


Cultural da Humanidade, com destaque para a Igreja do Carmo e o Museu da
Inconfidência. Foto de 2015.

FONTE: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

15

A paisagem cultural brasileira

O Brasil possui belezas naturais incomparáveis e uma diversidade cultural


única. Promover a proteção desse riquíssimo patrimônio é dever de todos os
brasileiros.

Desde 1937, o responsável oficial pela proteção e pela valorização do


patrimônio no Brasil é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan).

Atualmente, esse instituto regulamenta cerca de cem cidades históricas


protegidas, mais de mil bens tombados individualmente, 15 mil sítios
arqueológicos cadastrados e quinze manifestações culturais consideradas
patrimônio imaterial.

Segundo o Iphan, Paisagem Cultural Brasileira é uma porção peculiar do


território nacional, representativa da interação da humanidade com o meio
natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram
valores. São exemplos de paisagens culturais as relações entre o sertanejo e a
Caatinga, o candango e o Cerrado, o boiadeiro e o Pantanal, o gaúcho e os
Pampas, o pescador e os contextos navais tradicionais e o seringueiro e a
Amazônia. Como esses, outros tantos personagens e lugares formam o
"painel" das riquezas culturais brasileiras, destacando a relação exemplar entre
o ser humano e a natureza.

Para que determinada paisagem cultural ou manifestação imaterial seja


protegida pelo Iphan, é preciso que seja reconhecida como tal ou que tenha a
chancela do instituto.

Qualquer cidadão brasileiro pode requerer a chancela de uma Paisagem


Cultural ou manifestação cultural.

Texto elaborado com base em dados disponíveis em: http://portal.iphan.gov.br/.


Acesso em: mar. 2015.

Glossário:

Chancela: selo ou sinal gravado usado para validar um documento.

Fim do glossário.

LEGENDA: A pesca artesanal, visando ao sustento das pessoas, ainda é muito


praticada no Brasil. Na foto, pescador lança sua rede na praia da Armação, em
Florianópolis (SC), em 2015.

FONTE: Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

LEGENDA: Vaqueiros, figuras típicas do Sertão nordestino, cavalgando em


estrada em Serrita (PE), em 2015.

FONTE: Cândido Neto/Opção Brasil Imagens

LEGENDA: Seringueiro colhendo o látex para a fabricação da borracha, em


Neves Paulista (SP), em 2014.
FONTE: Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens

Ícone: Não escreva no livro.

- Em novembro de 2014, a Unesco conferiu à Roda de Capoeira o título de


Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

- Caracterize essa forma de arte. Pesquise suas raízes e explique por que ela
foi considerada clandestina durante o período inicial de sua manifestação no
Brasil.

16

Espaço, paisagem e tempo

A intervenção das sociedades humanas no espaço, intensificada pela evolução


do desenvolvimento tecnológico, vem transformando as paisagens terrestres.
Além da ação humana, a natureza também atua modificando as paisagens por
meio de fenômenos como o vulcanismo, o tectonismo, a ação das águas, dos
ventos, entre outros.

As paisagens revelam os variados graus de intervenção humana em diferentes


épocas. Ao observar uma paisagem, é possível reconhecer o trabalho humano
impresso em tempos passados e no tempo atual.

Para explicar as transformações das paisagens, o geógrafo pode utilizar


diferentes escalas de tempo:

- O tempo histórico, que é contado em séculos e assinala fatos históricos


marcantes, como o fim e o início de grandes civilizações, as Grandes
Navegações (séculos XV e XVI), a Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX).

- O tempo cíclico, que marca a ocorrência de um fenômeno que se repete em


ciclos, ou seja, em intervalos de duração variável. Podemos citar, por exemplo,
eventos sociais, como a migração de trabalhadores rurais do Agreste para a
Zona da Mata nordestina, nos períodos de safra; e eventos naturais, como
terremotos, erupções vulcânicas e o El Niño.

Glossário:

El Niño: fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico que se


manifesta no litoral do Peru.
Fim do glossário.

- O tempo geológico, calculado em eras e períodos. Marca acontecimentos de


duração muito longa, como a história da formação da Terra e dos continentes.

LEGENDA: Centro da cidade do Recife (PE), em 2014. Na foto, podemos notar


os contrastes criados pelo tempo: antigos casarões de séculos passados e
modernos edifícios com muitos andares.

FONTE: Veetmano Prem/Fotoarena

Em geral, as transformações realizadas pelo ser humano nas paisagens são


identificadas por meio de ações associadas aos tempos cíclico e histórico.
Podemos perceber as modificações causadas pela ação humana na paisagem
de um lugar do espaço geográfico observando os contrastes criados pelo
tempo, como mostra a foto acima.

As mudanças causadas pela natureza podem ser marcadas pelo tempo cíclico
ou pelo tempo geológico.

17

A formação de uma cadeia de montanhas ou a evolução de uma bacia


hidrográfica, por exemplo, podem ser explicadas pela história da formação da
Terra, medida pelo tempo geológico (veja a imagem abaixo).

LEGENDA: Cânion do Itaimbezinho, no Parque Nacional de Aparados da


Serra, em Cambará do Sul (RS), em 2015. Um cânion é o resultado da ação de
forças da natureza durante a história geológica da Terra.

FONTE: Zé Paiva/Pulsar Imagens

Algumas forças da natureza alteram muito rapidamente o espaço geográfico e,


por isso, são marcadas pelo tempo cíclico. Entre elas, podemos citar as
erupções vulcânicas, os furacões, os terremotos e os maremotos. Por meio da
observação de fotos do local atingido antes e depois de uma ocorrência,
podemos perceber as modificações causadas na paisagem pelas forças da
natureza.

Observe um exemplo disso nas imagens de satélite a seguir. Depois, leia o


boxe da página 18.
LEGENDA: Imagem de satélite da cidade de Tacloban, nas Filipinas, em 2012.

FONTE: DigitalGlobe/Getty Images

LEGENDA: Imagem de satélite da cidade de Tacloban, nas Filipinas, em 2013,


depois da passagem do tufão Haiyan.

FONTE: DigitalGlobe/Getty Images

18

Boxe complementar:

Contexto e aplicação

Ícone: Não escreva no livro.

Tufão mais forte do ano atinge as Filipinas

MANILA, Filipinas - O tufão Haiyan, o mais forte em duas décadas nas


Filipinas, atingiu nesta sexta-feira as ilhas centrais do país deixando ao menos
três mortos e obrigando a retirada de 720 mil pessoas de suas casas. Haiyan
registrou ventos de 315 quilômetros por hora, e já há previsões que o apontam
como a tempestade mais violenta já registrada na História.

Autoridades disseram que o tufão tinha ventos de 275 km/h quando tocou a
terra no povoado de Guiuan, na província de Samar do Leste. Pouco antes, o
Centro Conjunto de Advertência de Tufões da Marinha dos Estados Unidos no
Havaí informou que os ventos máximos da tempestade eram de 314 km/h, com
rajadas de até 379 km/h.

O tufão de categoria cinco provocou ondas gigantes de 4 a 5 metros de altura


que atingiram as ilhas de Leyte e Samar, e estava a caminho de destinos
turísticos.

[...]

O GLOBO, 8 nov. 2013. Disponível em: http://oglobo.globo.com/mundo/tufao-


mais-forte-do-ano-atinge-as-filipinas-10720605. Acesso em: 15 set. 2015.

- Com base no texto e no mapa abaixo, responda.

1. Qual é o tipo de transformação sofrida pelo espaço geográfico?


2. Qual é o tempo considerado para estudar essa transformação? Justifique
sua resposta.

FONTE: (mapa) Adaptado de: FOLHA DE S.PAULO. São Paulo, 5 nov. 2013.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora.
FONTE: (tabela) Adaptado de: FOLHA DE S.PAULO. São Paulo, 5 nov. 2013.

Fim do complemento.

19

Boxe complementar:

Outra visão

O meio técnico-científico-informacional

Uma palavra relativamente abandonada do vocabulário da Geografia volta


agora a ter evidência. Referimo-nos ao vocábulo "meio". Com os progressos
alcançados no conhecimento das galáxias, a palavra "espaço" passou a ser
utilizada com maior ênfase para designar espaço sideral interplanetário.
Também nessa fase da pós-modernidade, a mesma palavra "espaço" ganhou
um uso crescentemente metafórico em diversas disciplinas.

O meio resulta de uma adaptação sucessiva da superfície da Terra às


necessidades dos homens. Nos primórdios da História registravam-se
alterações isoladas, ao sabor das civilizações emergentes, até o processo de
internacionalização criar em diversos lugares feições semelhantes. Agora,
existe uma tendência à generalização à escala mundial dos mesmos objetos
geográficos e das mesmas paisagens.

A globalização leva à afirmação de um novo meio geográfico cuja produção é


deliberada e que é tanto mais produtivo quanto maior for o seu conteúdo em
ciência, tecnologia e informação. Esse meio técnico-científico-informacional dá-
se em muitos lugares (Europa, Estados Unidos, Japão, parte da América
Latina) de forma extensa e contínua, enquanto em outros (África, Ásia, parte da
América Latina) apenas pode se manifestar como manchas ou pontos. Cria-se,
desse modo, uma oposição entre espaços adaptados às exigências das ações
econômicas, políticas e culturais características da globalização e outras áreas
não dotadas dessas virtualidades, formando o que, imaginativamente,
podemos chamar de espaços luminosos e espaços opacos.

No caso do Brasil, o velho contraste entre o país costeiro e o país interior e a


mais recente oposição entre centro e periferia cedem lugar a uma nova
oposição: de um lado, esse meio técnico-científico-informacional, espaço do
artifício, formado, sobretudo, pelo Sul e pelo Sudeste; do outro, o restante do
território nacional.

SANTOS, Mílton. Entenda sua época. Folha de S.Paulo, São Paulo, 13 abr.
1997. p. 5-9. Disponível em: www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs130419.htm.
Acesso em: 15 set. 2015.

LEGENDA: Imagem noturna da América do Sul obtida por satélites em 2012.

FONTE: NOAA & Earth Observatory/Nasa

- Agora que você já leu o texto, faça o que se pede.

1. Observe a imagem e determine um espaço luminoso e um espaço opaco no


Brasil e na América do Sul.

2. Explique como pode ser definido o "novo meio geográfico", segundo Mílton
Santos.

Ícone: Não escreva no livro.

Fim do complemento.

20

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. O professor Aziz Ab'Sáber (1924-2012), importante geógrafo brasileiro,


descreve no trecho a seguir fatos e lugares de um outro grande escritor
brasileiro. Acompanhe.

No livro Infância, de Graciliano Ramos, há alguns fatos interessantes sobre sua


saída de Buíque, sertão de Pernambuco, até a zona costeira. O menino
Graciliano estava transpondo os aspectos de Pernambuco. Os rios estavam
secos e, à medida que caminhava, passava aquele pouquinho de água, um
fiozinho, a vegetação começava a ser maior, mais densa, e então as águas
ficavam mais caudalosas, mais propriamente rio. De repente, chega a lugares
em que não dava mais para pensar nos rios do sertão; era outro mundo...

AB'SÁBER, Aziz N. O que é ser geógrafo: memórias profissionais de Aziz


Ab'Sáber em depoimento a Cynara Menezes. Rio de Janeiro: Record, 2007. p.
17-18.

a) Identifique dois lugares citados no texto anterior.

b) Explique uma diferença entre o poema de Carlos Drummond de Andrade,


que você leu na página 12, e o texto de Aziz Ab'Sáber.

c) Lendo o trecho que comenta a obra de Graciliano Ramos, a que conclusão


podemos chegar?

2. A Geografia, ciência e matéria de ensino, se faz presente na vida de muita


gente, seja pela ânsia de conhecer o mundo, pelos desafios postos atualmente
pelo meio ambiente e todas as previsões apocalípticas ou sensatas a esse
respeito, pelas exigências de planejamento territorial, pelo turismo ou,
simplesmente, como tarefas escolares no ensino básico.

CALLAI, Helena C. A formação do profissional da Geografia. Ijuí: Unijuí, 2003.


p. 11.

- Cite duas situações recentes em que a Geografia se fez presente em sua


vida.

3. Como a Geografia pode contribuir para que possamos compreender melhor


a questão ambiental? Exemplifique.

4. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Leia a seguir o trecho de um


livro de um professor amazonense.

Foi por meio do Ciclo da Borracha que tivemos a "Fase Áurea de Manaus"
(1890-1912), que passa por uma transformação, sendo então denominada de
"Paris dos Trópicos", tal era o embelezamento da cidade pelos lucros
produzidos pela borracha, onde o Amazonas era o principal produtor. Destaca-
se nesse período o serviço de bondes elétricos, eletricidade e água encanada
nos palacetes e residências da pequena cidade, os cabarés e cassinos, lojas
de produtos importados e obras imponentes como o Teatro Amazonas,
considerado ao lado do Colombo [Colón], de Buenos Aires, la Scala, de Milão,
e Ópera de Paris, os mais belos e imponentes teatros do mundo...

MIGUEIS, Roberto. Geografia do Amazonas. Manaus: Valer, 2011. p. 72.

a) Identifique dois elementos naturais e dois elementos culturais presentes no


texto anterior.

b) Caracterize o Ciclo da Borracha.

c) Consulte um atlas geográfico e explique por meio de um aspecto natural os


lucros auferidos por Manaus durante o Ciclo da Borracha.

5. Que elementos compõem o espaço geográfico?

6. Cite fenômenos estudados por outras disciplinas que estão presentes no


espaço geográfico.

7. Descreva as paisagens que compõem o lugar onde você vive.

Agora, escolha um local no lugar onde você vive para observar. Pode ser uma
praça, um parque, um museu e seu entorno, um bairro característico, etc. Ao
escolher esse local, considere os aspectos a seguir.

a) Qual foi o local escolhido? Por que você o escolheu?

b) Descreva com detalhes o local escolhido.

- Esse local é formado por elementos naturais ou culturais? Ou é composto


desses dois elementos?

- É perto ou longe da sua moradia?

- É um local bastante visitado? Ou é mais isolado?

- Qual é a localização? (Informe o endereço e os pontos de referência para


chegar a esse local.)

c) Pesquise como era esse lugar antigamente. Depois descreva se esse local
sofreu modificações na paisagem ao longo do tempo e quais foram essas
alterações.

d) Descreva também qual é o estado de conservação desse local (se é limpo e


bem-cuidado, se tem boa sinalização, etc.).
e) Na sua opinião, o que poderia ser feito para melhorar as condições desse
local?

Sob a orientação do professor, apresente suas observações aos colegas de


sala. Converse com eles sobre os aspectos do espaço onde vocês vivem e
também sobre o papel que cada um tem na sociedade.

21

capítulo 2. A localização no espaço geográfico

LEGENDA: Se você fizer uma trilha na mata e se perder do grupo, poderá


achar o caminho de volta orientando-se por uma bússola. Se tiver acesso às
novas tecnologias, como um GPS - lembrando que esse equipamento tem a
desvantagem de depender do satélite e pode não conseguir a captação do
sinal -, será possível obter a localização exata do lugar de onde você partiu ou
aonde você quer chegar. Na foto, Parque Nacional do Monte Roraima, com o
monte Roraima ao fundo. Município de Uiramutã (RR), em 2014.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens

LEGENDA: Bússola

FONTE: Cordelia Molloy/Science Photo Library/Latinstock

LEGENDA: GPS

FONTE: Jana Mänz/Westend61/Corbis/Latinstock

As direções no espaço geográfico

Os instrumentos mencionados na legenda da foto utilizam duas maneiras de


orientação e localização no espaço geográfico: os pontos cardeais e as
coordenadas geográficas.

Embora o conceito de espaço geográfico envolva elementos concretos e


abstratos, para localizar qualquer lugar nesse espaço precisamos trabalhar
com algo concreto: um local onde podemos nos mover, levando em conta as
direções e a altitude.

Em Geografia, a ideia de direção nos é dada pela orientação, baseada nos


pontos cardeais, colaterais e subcolaterais.
As direções indicadas pelos pontos cardeais (leste, oeste, norte, sul) baseiam-
se no movimento aparente do Sol, desde o momento que ele desponta ao
amanhecer até desaparecer no horizonte.

22

Entre os pontos cardeais encontram-se os pontos colaterais e, entre estes, os


subcolaterais. Para relembrar, observe a seguir um modelo de rosa dos ventos.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 14. CRÉDITOS: Banco de Imagens/Arquivo da editora

Coordenadas geográficas: importância e aplicação

Desde que o mapa ou a bússola estejam com a direção norte representada


corretamente, qualquer ponto da superfície terrestre pode ser localizado com
exatidão, com o auxílio das coordenadas geográficas, que se baseiam em
linhas imaginárias traçadas sobre a Terra. Essas linhas são os paralelos e os
meridianos, que se cruzam formando um sistema de coordenadas geográficas:
a latitude, medida nos paralelos, e a longitude, medida nos meridianos.

Veja na página 25 um exemplo de localização de um ponto na superfície


terrestre utilizando coordenadas (planisfério "Latitude e longitude").

Ao longo da História, muitos aparelhos foram criados para facilitar o trabalho de


localização, como a bússola, o sextante e o astrolábio.

Glossário:

Sextante: aparelho óptico utilizado há mais de duzentos anos para auxiliar na


navegação marítima. Permite medir a posição de certas estrelas. Baseado nos
valores obtidos, o observador calculava a latitude da sua posição, ou seja,
quanto estava ao norte ou ao sul da linha do equador.

Astrolábio: aparelho astronômico, desenvolvido na Antiguidade, utilizado para


medir a altura de um astro acima da linha do horizonte. Também era usado
para resolver problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou
a profundidade de um poço.

Fim do glossário.
Hoje, porém, existe um sistema de localização muito preciso - o GPS (Global
Positioning System ou Sistema de Posicionamento Global) -, que fornece as
coordenadas geográficas e a altitude de um ponto a partir de sinais captados
por satélites artificiais que giram em torno da Terra. Veja mais detalhes sobre
esse assunto no Capítulo 4.

LEGENDA: Rede de satélites usados no Global Positioning System (GPS).

FONTE: ESA/CE/Eurocontrol/SPL/Latinstock

Os paralelos e a latitude

Como sabemos, o principal paralelo, a linha do equador, determina a divisão da


Terra em duas partes iguais, o hemisfério norte ou setentrional e o hemisfério
sul ou meridional.

A partir da linha do equador, traçamos os demais paralelos. Podemos traçar 90


paralelos no hemisfério norte e 90 no hemisfério sul. Eles são indicados por
graus de circunferência, sendo o equador o paralelo inicial, de 0º.

23

LEGENDA: Vista do marco zero da linha do equador, em Macapá (AP), em


2015.

FONTE: Paulo O. de Almeida/Futura Press

Além do equador, outros quatro paralelos, como sabemos, têm denominação


própria: o círculo polar Ártico e o trópico de Câncer, no hemisfério norte, e o
trópico de Capricórnio e o círculo polar Antártico, no hemisfério sul, conforme
se pode ver na figura a seguir.

LEGENDA: Paralelos, linhas imaginárias traçadas paralelamente ao equador.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas


geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación
Pública, 2014. p. 12. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

A latitude é a distância, medida em graus, de qualquer ponto da superfície


terrestre ao equador. Ela é expressa em graus e varia de 0º a 90º para o norte
(N) ou para o sul (S). Assim, todos os pontos situados ao norte do equador têm
latitude norte e os que ficam ao sul dessa linha têm latitude sul.
LEGENDA: Todos os pontos que se encontram ao longo de um mesmo
paralelo têm a mesma latitude, isto é, estão a igual distância do equador.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas


geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación
Pública, 2014. p. 11. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Os meridianos e a longitude

Conhecer apenas a latitude não é suficiente para determinar a localização


exata de um ponto na superfície terrestre. Por exemplo, as cidades de São
Paulo, no Brasil, e Alice Springs, na Austrália, estão quase à mesma latitude
(aproximadamente 23º S), mas em lugares muito distantes entre si. Saber a
localização exata dessas duas cidades só é possível com a ajuda dos
meridianos e das longitudes.

LEGENDA: Meridianos são linhas imaginárias que cortam perpendicularmente


os paralelos e vão de um polo a outro.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas


geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación
Pública, 2014. p. 12. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

24

LEGENDA: Longitude é a distância, medida em graus, de qualquer lugar da


Terra ao meridiano de Greenwich, e varia de 0° a 180° para leste (L) ou para
oeste (O).

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas


geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación
Pública, 2014. p. 11. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Nenhum meridiano circunda totalmente a esfera terrestre. Na outra face está o


meridiano oposto, ou antimeridiano. O meridiano inicial tem longitude 0º e, por
convenção internacional, foi adotado como ponto de partida para a numeração
dos demais meridianos. É uma linha que passa pelos jardins do Observatório
Real Astronômico de Greenwich, um subúrbio londrino (Reino Unido). Daí ser
chamado meridiano de Greenwich.
LEGENDA: Linha do meridiano de Greenwich, em Londres, no Reino Unido,
em 2014.

FONTE: Alex Segre/Moment Editorial/Getty Images

O meridiano oposto ao de Greenwich é a Linha Internacional de Data e tem


longitude 180º. Ambos marcam a divisão da Terra em hemisfério oriental (leste)
e hemisfério ocidental (oeste). Todos os infinitos pontos situados à direita do
meridiano de Greenwich têm longitude leste e os situados à esquerda têm
longitude oeste.

Todos os lugares atravessados por um mesmo meridiano têm a mesma


longitude e estão a igual distância do meridiano de 0º.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas


geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación
Pública, 2014. p. 11. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Latitude e longitude - mais aplicações

Latitude e longitude não são importantes apenas para determinar a localização


exata de um ponto na superfície terrestre. O clima de determinado lugar
depende bastante da latitude, pois esta define a maneira como os raios solares
atingem a superfície do planeta. Embora outros fatores, como a altitude e a
proximidade do mar, também interfiram para que ocorram as diferenças de
temperatura, de modo geral elas diminuem do equador para os polos.

Veja no planisfério a seguir alguns exemplos de localização de cidades


determinada por latitude e longitude.

25

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2014-2015.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 12-13; IL MONDO: grande
atlante geografico. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 1998. p. 287-387.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Os paralelos delimitam as zonas climáticas ou térmicas da Terra:

- Zona tropical ou intertropical. Localiza-se entre os trópicos de Câncer


(23°27' de latitude norte) e de Capricórnio (23°27' de latitude sul). Pelo fato de
os raios solares incidirem quase perpendicularmente durante o ano todo, é a
zona mais quente da Terra.

- Zonas temperadas. A zona temperada do Norte está localizada entre o


trópico de Câncer (23°27' de latitude norte) e o círculo polar Ártico (66°33' de
latitude norte); a zona temperada do Sul está localizada entre o trópico de
Capricórnio (23°27' de latitude sul) e o círculo polar Antártico (66°33' de latitude
sul). São zonas menos quentes do que a zona tropical porque recebem raios
solares mais inclinados (oblíquos).

- Zonas polares ou glaciais. Localizam-se ao norte do círculo polar Ártico -


66°33' de latitude norte (zona polar ou glacial Ártica) - e ao sul do círculo polar
Antártico - 66°33' de latitude sul (zona polar ou glacial Antártica). Os raios
solares atingem essas zonas de modo muito inclinado e somente durante parte
do ano, o que as torna as mais frias da Terra.

A longitude é essencial para saber as diferenças de horário de um lugar para


outro. Essas diferenças dependem da localização do lugar em relação ao
meridiano de Greenwich. Veja mais sobre esse assunto no Capítulo 3.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 18. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

26

Diálogos

Atividade interdisciplinar: Geografia e História.

A descoberta da longitude

Numa época como a de hoje, em que é possível saber a localização exata de


qualquer ponto do planeta simplesmente acionando o GPS, e viajar ao redor do
mundo ficou muito mais acessível, é quase impossível imaginar que muitas das
maiores descobertas realizadas pelos grandes navegadores ocorreram quase
às escuras, ou seja, sem uma noção precisa da posição da embarcação rumo
ao desconhecido.

Desde a Antiguidade, o ser humano tem se lançado ao mar, ao sabor dos


ventos e das correntes marinhas. Durante os anos de apogeu das conquistas
ibéricas, os navegadores dispunham somente da bússola e do astrolábio.
Todas as descobertas marítimas realizadas por Portugal e Espanha nos
séculos XV e XVI foram fruto de empreitadas que envolviam enormes riscos e
uma dose incrível de ousadia, pois ainda não havia o pleno domínio de
técnicas que permitissem definir o local exato em que se encontrava uma
embarcação. Apesar dos relatos de diversas viagens bem-sucedidas, são
inúmeras as histórias de naufrágios e incidentes trágicos provocados pela falta
de orientação dos navegantes.

A falta de direção

Saber a latitude não era problema. Os círculos que "cortam" o planeta


paralelamente à linha do equador, baseados na posição da Terra em relação
ao Sol ou à Lua, já eram conhecidos desde a Antiguidade. Estabelecer a
longitude sempre foi uma tarefa difícil; afinal, não havia um ponto fixo natural
que pudesse servir de referência. Com o crescimento do comércio marítimo
entre o Oriente e o Ocidente e a expansão do poder das nações mais
adiantadas para além de suas fronteiras, surgiu a necessidade de conhecer
rotas seguras. Era, portanto, vital conhecer um método para medir com
precisão a longitude.

Guiar-se pelas estrelas era a prática mais utilizada, mas resultava ineficaz
durante o dia ou em noites nubladas ou sob nevoeiro. Determinar a longitude
passou a ser uma das mais graves questões científicas dos séculos XVII e
XVIII, e grandes cientistas, como Galileu Galilei, Cassini e Isaac Newton,
dedicaram tempo e talento para solucioná-la. Na época, com a invenção da
luneta, havia um fascínio pela observação dos astros celestes, e muitos
buscavam nas estrelas as respostas para problemas terrenos. O próprio
Galileu deu um importante passo ao descobrir os satélites de Júpiter, cuja
trajetória ajudaria a estabelecer um parâmetro para medir a longitude.

LEGENDA: Astrolábio do século IX.

FONTE: Bridgeman Art/Keystone/Biblioteca Nacional de Cartografia, Paris,


França.

LEGENDA: Livros e instrumentos - entre eles, um relógio de pêndulo do século


XVII - que pertenceram a Galileu Galilei.

FONTE: Erich Lessing/Album/Latinstock


27

Devido ao incremento empreendido por países capitalistas como Inglaterra,


França e Holanda ao tráfego marítimo, era mais do que urgente tornar a
navegação uma atividade mais confiável e segura, sob o risco de se perder
uma carga valiosa ou, pior ainda, de ceifar vidas humanas. Foi justamente uma
tragédia que precipitou a busca por uma solução. Em 1707, quando a frota de
cinco navios de guerra ingleses comandada pelo Almirante Clowdesley Shovell
tentava retornar ao porto de Londres, após vencer um combate com tropas
francesas, formou-se um denso nevoeiro que durou doze dias. O capitão
consultou seus oficiais e, seguindo a intuição de todos, concluiu que apesar da
intensa neblina os navios estavam em posição segura e podiam seguir rumo ao
norte para atingir a Inglaterra. No entanto, eles estavam cerca de 32
quilômetros fora da rota pretendida. O engano foi fatal: três embarcações se
chocaram contra os rochedos e o acidente provocou a morte de 2 mil homens.

O Decreto da Longitude

Depois desse grave acidente, empresários, capitães e marinheiros e a força


militar naval da Inglaterra pressionaram o governo inglês para estabelecer
métodos mais seguros de navegação. Para isso, fazia-se urgente descobrir
como medir a longitude. Várias medidas foram adotadas, porém nenhuma de
efeito prático, até que, em 1714, o Parlamento Inglês promulgou o Decreto da
Longitude, uma lei que estabelecia um prêmio de 20 mil libras para quem
descobrisse como medir a longitude. Foi criado um comitê especificamente
voltado para avaliar as propostas, formado pelos mais renomados cientistas da
época, entre os quais, o astrônomo Edmond Halley, diretor do Observatório de
Greenwich.

Havia, na ocasião, duas vertentes para as quais as pesquisas se direcionaram.


Uma delas, defendida pelos adeptos da Astronomia, acreditava que, assim
como a latitude podia ser encontrada pela observação do céu, a longitude
também dependia de referências estelares. Outra corrente achava que, para
medir a longitude, era preciso construir um relógio preciso e resistente.

A longitude e as horas
A divisão da Terra em meridianos era um conceito conhecido havia muito
tempo. Sabia-se que, para dar uma volta completa em torno do seu próprio
eixo, o planeta levava 24 horas. Como a Terra pode ser representada por uma
esfera que pode ser dividida em 360 graus, em sua rotação ela avança 15
graus a cada hora. Assim, bastava comparar o horário local com a hora do
ponto de partida, naquele mesmo instante, para saber quantos graus se
avançou. Uma vez definido um meridiano como marco zero, seria possível
definir em que longitude a embarcação se encontrava. No entanto, para que se
pudesse medir esse percurso com uma margem razoável de erro, era
necessário um relógio muito preciso e que suportasse as condições adversas a
bordo de um navio, como variações de temperatura, balanço provocado pelas
tempestades, etc.

CHINEN, Nobu. Conhecimento prático - Geografia. São Paulo: Escala


Educacional, 2009. n. 24, p. 34-39.

LEGENDA: Relógio H4, primeiro cronômetro marinho, criado em 1759 pelo


inglês John Harrison.

FONTE: Oli Scarff/Getty Images

Ícone: Não escreva no livro.

- Com base no que você estudou no capítulo e no texto anterior, faça o


que se pede.

1. Explique o que foi o episódio conhecido como o "Decreto da Longitude".

2. Situe o contexto histórico-econômico em que o meridiano de Greenwich foi


definido como o meridiano inicial.

28

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

Consulte um atlas geográfico para responder às questões 1, 2 e 3.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia, História e Física. Leia abaixo um texto


de historiadores brasileiros sobre a bússola.

LEGENDA: Bússola
FONTE: AlexStar/istockphoto/Getty Images

A bússola, já integrada à navegação mediterrânea desde o século XI, ao que


parece, foi acoplada à rosa dos ventos pelos nautas portugueses e a partir daí
amplamente utilizada. Sua aplicação liberava os nautas de complicados
cálculos astronômicos e sua importância prática já foi comprovada à precisão
do relógio mecânico. Na verdade, a imposição da bússola como instrumento de
navegação pode ser enquadrada na tendência de superação de supersticiosas
influências medievais que o ciclo das navegações propiciou...

AQUINO, Rubim Santos Leão de et al. Sociedade brasileira: uma história


através dos movimentos sociais. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 81.

a) Comente qual foi a importância da bússola para as navegações.

b) Explique o que é um relógio mecânico.

c) Dê um exemplo do que se pode entender como uma "supersticiosa influência


medieval".

2. Indique o(s) principal(is) paralelo(s) ou meridiano(s) que atravessa(m) os


seguintes lugares:

a) Brasil.

b) Índia.

c) Austrália.

d) Finlândia.

e) África do Sul.

f) Argentina.

g) África.

3. Determine a latitude e a longitude aproximadas dos seguintes lugares:

a) Valência (Espanha).

b) Kiev (Ucrânia).

c) Sydney (Austrália).

d) Divinópolis (Minas Gerais, Brasil).


4. Em um planisfério político, trace as coordenadas geo gráficas indicadas a
seguir e identifique que lugares foram localizados, aproximadamente, em cada
uma delas.

a) 60° de latitude norte e 10° de longitude leste.

b) 32° de latitude sul e 116° de longitude leste.

c) 30° de latitude norte e 90° de longitude oeste.

d) 40° de latitude norte e 10° de longitude leste.

5. Leia o texto a seguir.

[...] ao longo de 85 anos, os marinheiros portugueses tinham procurado atingir


a Índia navegando em direção ao sul - eles foram descendo pela costa da
África até encontrar uma passagem que os levasse para o Oriente. E nada faria
com que, naquele momento, eles modificassem sua rota e seguissem para
oeste, tal qual fez o genovês Cristovão Colombo que, ao navegar em direção
contrária aos portugueses, não descobriu a Índia - como jurava ter descoberto -
mas sim a América.

VELHO, Álvaro. O descobrimento das Índias: o diário da viagem de Vasco da


Gama. São Paulo: Objetiva, 1998. p. 11.

- Explique o erro dos marinheiros portugueses.

6. Atividade interdisciplinar: Geografia e Matemática. A construção de coordena


das não é de uso exclusivo da Geografia. Procure aplicar o que você já
aprendeu em Matemática e as noções deste capítulo para escrever um texto
que estabeleça a relação entre coordenadas geográficas e coordenadas
cartesianas. Se necessário, converse com os professores das duas disciplinas.

7. Justifique a importância do conhecimento das coordenadas geográficas e do


traçado das linhas imaginárias para o estudo dos fenômenos geográficos.

29

capítulo 3. A medida do tempo no espaço geográfico

LEGENDA: Nestas imagens podemos notar que o tempo é um dos aspectos


fundamentais da transformação das paisagens no espaço geográfico.
A: Bairro da Cidade Velha com Catedral da Sé e baía do Guajará ao fundo. Na
imagem é possível distinguir também, em segundo plano, o mercado Ver-o-
Peso (construção de 1625). Belém (PA), foto de c. 1910.
B: A mesma vista de Belém, mais aproximada, com destaque para o mercado
Ver-o-Peso. Belém (PA), 2015.

FONTE: (A) Coleção particular/Arquivo da editora; (B) Fernando Araújo/Futura


Press

30

O movimento de rotação, os dias e as noites

A organização do espaço geográfico é resultado dos movimentos da sociedade


através do tempo. Para entender essa relação, pensemos nas diferentes
escalas de tempo.

Nossa vida é regulada por horas, dias, meses e anos; espaços de tempo que
definem períodos mais longos, como as eras, que medem o tempo geológico
desde as primeiras manifestações de vida na Terra, e os séculos, que usamos
para datar a história da humanidade.

Se considerarmos os fatores naturais, o tempo no espaço geográfico é


determinado pelos dois principais movimentos que a Terra realiza no espaço: o
movimento de rotação e o movimento de translação.

A Terra leva 24 horas para realizar o movimento de rotação em torno de si


mesma ou de seu eixo imaginário. Nesse movimento, o planeta gira de oeste
para leste, a uma velocidade média de 1.649 km por hora, na altura do
equador, e vai diminuindo em direção aos polos.

O tempo que a Terra demora para dar uma volta completa em torno de si
mesma é chamado dia solar e dura 24 horas, baseado no nascer e no pôr do
sol. Porém, a nossa vida diária é regulada pelo dia civil, estabelecido em 1925
em um acordo internacional. O dia civil tem a mesma duração de 24 horas,
mas, ao contrário do dia solar, não é marcado pelo aparecimento e
desaparecimento do Sol no horizonte. Pela convenção, ficou determinado que
o dia civil começa depois da meia-noite.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR (IGM). Atlas de la


República de Chile. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de Educación Pública,
2014. p. 12. Ilustração esquemática, sem escala. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Consequências do movimento de rotação

Quando há um campeonato mundial de futebol, de vôlei ou uma corrida de


Fórmula 1 em países do Oriente, quem quiser acompanhar a transmissão do
evento ao vivo, no Brasil, tem de levantar muito cedo ou ficar acordado de
madrugada.

Eventos esportivos em horários tão diferentes dos nossos podem ser


explicados pela diferença de horário existente entre os países. A hora local de
uma cidade é dada pelo fuso horário, recurso criado para medir o tempo nas
diferentes partes do mundo (veja mais detalhes sobre fusos horários no
próximo item). A cidade de Pequim (ou Beijing, como também é conhecida),
por exemplo, que está localizada a leste do meridiano de Greenwich e já foi
sede dos Jogos Olímpicos, tem seu horário adiantado em 11 horas em relação
à cidade de Brasília, capital do Brasil, que fica a oeste desse meridiano. Assim,
enquanto em Brasília são três horas da tarde (15 horas), em Pequim já são
duas horas da manhã do dia seguinte.

Além dos fusos horários, outro critério estabelecido pelo ser humano para lidar
com fenômenos e aspectos naturais do nosso planeta é a definição dos pontos
cardeais, que permitem a orientação no espaço geográfico: norte e sul, os dois
extremos do eixo de rotação da Terra; leste (onde o Sol desponta) e oeste
(onde o Sol se põe), fixados pelo próprio movimento de rotação.

São consequências do movimento de rotação da Terra:

- a sucessão dos dias e das noites, que regula a organização e o planejamento


das nossas atividades;

- o movimento aparente do Sol, que surge no Oriente e se oculta no Ocidente;

- a formação das correntes marítimas, que podem ser alteradas pelo desvio
dos ventos, influindo na navegação marítima e na localização de áreas
pesqueiras.

31
Além disso, vale também ressaltar que a comunicação entre os continentes
tem sido beneficiada pela utilização de satélites artificiais que acompanham o
movimento de rotação da Terra.

Os fusos horários

A diferença de horas entre os vários lugares da Terra criou a necessidade de


estabelecer uma forma comum de marcar a hora local. Foi definido um sistema
de 24 fusos horários, 12 faixas para leste e 12 para oeste, que resultam da
divisão da circunferência terrestre pelas 24 horas do dia. Esse sistema pode
ser explicado da seguinte maneira:

Ao girar, a Terra expõe ao Sol a superfície terrestre, que tem 360° de


circunferência. Considerando que o planeta leva 24 horas para realizar seu
movimento de rotação, veremos que, a cada hora, o Sol ilumina uma faixa de
15° na superfície terrestre (360° : 24 = 15°). Essas faixas são chamadas fusos
horários.

Exatamente no meio de cada uma dessas faixas (7°30') passa um meridiano


que determina a hora local do fuso, chamada hora legal. Geralmente, a hora
legal de cada lugar é determinada pela hora legal de seu fuso. Para
economizar energia, alguns países adiantam a hora legal no verão. É o horário
de verão, que altera ainda mais as diferenças entre os fusos.

A contagem dos fusos inicia-se no meridiano de Greenwich, o meridiano inicial.


A hora marcada nesse meridiano é conhecida como GMT (Greenwich Mean
Time - Hora Média de Greenwich), e o primeiro fuso - o fuso de Londres - está
compreendido entre 7°30' O e 7°30' L do meridiano inicial, totalizando os 15°
que formam um fuso horário. Levando em consideração que a Terra, em seu
movimento de rotação, gira de oeste para leste e que o Sol surge primeiro nos
lugares situados a leste, sempre que caminhamos nessa direção as horas
aumentam. No sentido contrário (oeste), as horas diminuem. Portanto, todos os
fusos a leste do meridiano de Greenwich têm seus horários adiantados e todos
os fusos a oeste têm seus horários atrasados em relação ao meridiano inicial.

Alguns países estabeleceram modificações no traçado dos fusos para que as


horas coincidissem dentro do limite de países, estados, etc. Essa modificação
distingue a divisão das faixas em fuso horário teórico (em que a divisão das
faixas é exata) e fuso horário político ou civil (em que ocorre a acomodação de
determinada faixa em relação aos limites estaduais ou nacionais de um país).
Observe a acomodação dos traçados dos fusos no mapa abaixo.

LEGENDA: A adoção do fuso horário político ou civil facilita as relações entre


comércio, bancos e meios de transporte.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 35. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

32

Boxe complementar:

Fusos horários do Brasil e horário de verão

A principal consequência de o Brasil estar localizado totalmente no hemisfério


ocidental é que os fusos horários do país são todos atrasados em relação ao
meridiano de Greenwich.

Em razão de sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta quatro faixas


de fusos horários. A hora oficial do Brasil é a de sua capital, Brasília.

Veja abaixo o mapa de fusos horários do Brasil.

Os fusos horários brasileiros são alterados durante a vigência do horário de


verão, adotado com o objetivo principal de reduzir o consumo de luz artificial.
Durante os meses de verão, o Sol aparece antes que a maioria das pessoas
tenha se levantado. Quando os relógios são adiantados, a luz do dia é mais
bem aproveitada, pois a maioria da população passa a acordar, trabalhar,
estudar, etc. em consonância com a luz do Sol.

Veja a seguir o mapa de fusos horários brasileiros com os estados que adotam
o horário de verão.

FONTE: Adaptado de: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Disponível em:


http://pcdsh01.on.br/Fus.br.htm. Acesso em: 20 set. 2015. * Fusos horários
adotados na hora legal brasileira em referência ao Tempo Universal
Coordenado (UTC). CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Disponível em:


http://pcdsh01.on.br/FusoBR_HVCorrente.htm. Acesso em: 20 set. 2015. *
Fusos horários adotados na hora legal brasileira em referência ao Tempo
Universal Coordenado (UTC). CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da
editora

O contexto internacional do horário de verão

A Alemanha foi o primeiro país a adotar o horário de verão, em 1916, pois


havia a necessidade de economizar energia a fim de se fortalecer para a
guerra. A partir de então, diversos países do mundo passaram a adotar a
medida, sempre com o objetivo de usar de forma racional a energia elétrica.

Atualmente, vários países no mundo adotam o horário de verão, alterando o


horário convencional para aproveitar a luminosidade natural. No Brasil, o
horário de verão tem vigorado anualmente desde 1985, embora a medida
tenha sido aplicada desde 1931/1932, em períodos não consecutivos. O
período de vigência é variável, mas em média a duração tem sido de 120 dias
por ano, nos últimos vinte anos.

Boa parte dos países que adotam essa medida está situada nas regiões
consideradas tropicais, como Brasil e Paraguai, na América do Sul; Cuba,
Honduras, Guatemala e Haiti, na América Central; México, na América do
Norte; Austrália, na Oceania; Egito e Marrocos, na África.

Nos Estados Unidos, o horário de verão começa geralmente no primeiro


domingo de abril e dura até o último domingo de outubro. No entanto, os
estados da Federação têm certa autonomia para definir as regras dessa
medida.

Na União Europeia também é adotado o horário de verão, que se inicia no


último domingo de março e finaliza no último domingo de outubro.

Fim do complemento.

33

A Linha Internacional de Data

A Linha Internacional de Data - oposta ao meridiano de Greenwich - determina


a mudança de data civil no planeta. Por isso, ao cruzar essa linha, a data deve
ser alterada, dependendo da direção para a qual se viaja. Por exemplo, quem
sai do México, do Brasil ou dos Estados Unidos em voo direto para Tóquio
numa segunda-feira chegará lá na terça-feira. Leia mais sobre esse assunto no
texto da seção Ampliando o conhecimento, a seguir, e você vai entender por
que isso acontece.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

O lugar onde o calendário muda

Existe uma linha que corta o globo de polo a polo, onde a data dá um salto de
um dia.

Imagine que você resolva fazer uma viagem diferente no fim do ano: uma
travessia pelo oceano Pacífico, a bordo de um transatlântico. Uma noite, no
final do jantar, o navio em mar aberto, o comandante anuncia: "Atenção,
senhoras e senhores! Vamos brindar o Ano-Novo!".

É exatamente meia-noite de 30 de dezembro. Como é possível pular o dia 31?


Os passageiros ficam intrigados. O que existe de diferente nesse pedaço do
mundo? É como se ali, num ponto qualquer, perdido em pleno mar, o tempo de
repente sofresse uma descontinuidade, fazendo o calendário pular de 30 de
dezembro para 1º de janeiro. O mais estranho de tudo é que a hora continua a
mesma: meia-noite. Você saberia resolver esse enigma?

É que, exatamente à meia-noite de 30 de dezembro, o navio cruzava a Linha


Internacional de Data. Essa linha corta o globo terrestre do polo norte ao polo
sul, seguindo mais ou menos o meridiano de 180°, do lado oposto ao meridiano
de Greenwich, na Inglaterra. A partir de Greenwich são acertados os relógios
de todo o mundo, pelos fusos horários. A leste dele, adianta-se uma hora, a
cada 15 graus.

Só que, quando se chega à Linha Internacional de Data, não é o relógio que


muda, e sim a folhinha: a leste da linha, voltamos 24 horas no tempo. Ou seja,
quem atravessa essa linha de oeste para leste volta para ontem. Sabe por
quê? Para acertar o calendário.

Veja a seguir o problema que teríamos, por exemplo, se apenas contássemos


as horas, a cada fuso horário.
Suponha que é meia-noite do dia 30 de dezembro e você está em São Paulo
(desconsidere o horário de verão). Se ligar para outra cidade, mais a leste,
digamos a Cidade do Cabo, na África do Sul, vai ver que lá serão 4 horas da
manhã do dia 31 de dezembro, porque a cidade fica cinco fusos horários a
leste. Quanto mais a leste mais tarde será. No Japão já será meio-dia, e, no
Havaí, 6 horas da tarde. Da mesma forma, no Peru seriam 23 horas, também
do último dia do ano. Assim, se completasse a volta ao mundo, você chegaria à
conclusão de que seu vizinho de oeste já estaria vivendo a meia-noite do dia
31, mas você ainda estaria no dia 30.

Para assinalar uma única data, é preciso fazer um acerto em algum ponto.
Então, por convenção, diminui-se um dia quando se passa pela Linha
Internacional de Data, de oeste para leste. Para evitar problemas no dia a dia
das pessoas, a Linha Internacional de Data não segue exatamente o meridiano
de 180°. Ela faz algumas curvas, desviando-se de ilhas e regiões em terra
firme onde possam existir comunidades.

Veja um exemplo da confusão que reinaria numa cidade cortada pela Linha
Internacional de Data. No caso de inflação alta, o cliente de um banco poderia
ganhar um bom dinheiro apenas atravessando a rua. Bastaria fazer um
depósito na agência bancária do lado leste da cidade e retirar o dinheiro em
outra agência, do lado oeste. Ele lucraria os juros de um dia em poucos
minutos. E mais: os compromissos teriam de ser marcados levando em conta o
lado da cidade onde cada pessoa mora. Ou seja, todos teriam de manipular
duas agendas.

DAMINELI NETO, Augusto. O lugar onde o calendário muda.


Superinteressante, São Paulo: Abril, n. 98, nov. 1995. p. 82-84.

LEGENDA: Placa em local turístico onde passa a Linha Internacional de Data,


em Taveuni Island, nas ilhas Fiji, em 2015.

FONTE: Bonnie Jackson/www.equatordiving.com

Fim do complemento.

34

O movimento de translação e as estações do ano


Observe as paisagens.

LEGENDA: Dia de sol e calor na praia de Jatiúca, em Maceió (AL), em janeiro


de 2015.

FONTE: Rubens Chaves/Pulsar Imagens

LEGENDA: Cidade de Boston, nos Estados Unidos, coberta de neve, em


janeiro de 2015.

FONTE: Matthew J. Lee/ Boston Globe/Getty Images

Essas imagens retratam situações vividas na mesma época do ano, porém em


países localizados em hemisférios opostos. Assim, enquanto os brasileiros, no
mês de janeiro, desfrutam do calor no hemisfério sul, os estadunidenses se
protegem do frio e da neve no hemisfério norte.

Nessa época do ano, o hemisfério sul fica mais exposto à luz e ao calor do Sol,
enquanto o hemisfério norte é atingido com menor intensidade pelos raios
solares. Por isso, no hemisfério sul é verão e no hemisfério norte, inverno. No
mês de junho ocorre exatamente o contrário.

Você sabe por que isso acontece?

Quando você vai para casa mais cedo para aproveitar as longas noites frias de
inverno, ou quando aproveita a luminosidade dos dias quentes de verão, você
está sentindo as consequências do movimento de translação da Terra, cujas
duração e características exercem influência direta sobre nossa vida.

O movimento de translação é o que a Terra realiza ao redor do Sol com os


outros planetas. Nesse movimento, ela percorre um caminho que tem a forma
de uma elipse, à qual chamamos órbita.

A Terra, em sua órbita, não mantém a mesma velocidade, que é maior quanto
mais o planeta se aproxima do Sol (periélio) e menor quanto mais se afasta
dele (afélio). O Sol não está no centro da elipse; por isso, a Terra não está
sempre à mesma distância do Sol.

Glossário:

Periélio: ponto da órbita em que um planeta está mais próximo do Sol.

Afélio: ponto da órbita em que um planeta está mais afastado do Sol.


Fim do glossário.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR DE CHILE (IGM).


Atlas geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de
Educación Pública, 2014. p. 13. Ilustração esquemática, sem escala.
CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

35

O tempo que o planeta Terra demora para dar uma volta completa ao redor do
Sol é chamado ano. O ano civil, adotado por convenção, tem 365 dias. Como o
tempo real do movimento de translação (ano sideral) é de 365 dias e 6 horas, a
cada quatro anos temos um ano de 366 dias, o ano bissexto. São bissextos
aqueles anos que são divisíveis por 4, e se o ano terminar em 00 (dois zeros) é
preciso que o número seja divisível por 400.

No seu caminho ao redor do Sol, a Terra segue realizando também o seu


movimento de rotação. O eixo imaginário, em torno do qual a Terra faz a
rotação, tem uma inclinação de 23°27' em relação ao plano da órbita terrestre.
Por esse motivo, a iluminação do Sol não é igual em todos os lugares da Terra
ao longo do ano.

Consequências do movimento de translação

O movimento de translação tem como consequência um fato fundamental para


a vida na Terra: as estações do ano, que condicionam as atividades
agropecuárias e a existência de variados tipos de vegetação e espécies
animais em diferentes lugares do planeta. Elas são determinadas pela posição
da Terra em relação ao Sol. Em razão da inclinação do eixo terrestre, as
estações não são iguais nos dois hemisférios, alternando-se em relação à linha
do equador.

Veja o quadro abaixo. As datas que marcam o início das estações do ano
determinam também a maneira e a intensidade com que os raios solares
atingem a Terra em seu movimento de translação. Esses dias recebem a
denominação de equinócio e solstício. Veja a ilustração a seguir.

Quadro: equivalente textual a seguir.


Hemisfério sul Entre os dias Hemisfério norte

Início da primavera 22 e 23 de setembro Início do outono

Início do verão 21 e 23 de dezembro Início do inverno

Início do outono 20 e 21 de março Início da primavera

Início do inverno 21 e 23 de junho Início do verão

FONTE: CENTRO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E CULTURAL. Disponível


em: www.cdcc.usp.br/. Acesso em: 20 set. 2015.

FONTE: Adaptado de: INSTITUTO GEOGRÁFICO MILITAR DE CHILE (IGM).


Atlas geográfico para la educación. Santiago (Chile): IGM/Ministerio de
Educación Pública, 2014. p. 13-14. Ilustração esquemática, sem escala.
CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Equinócio

Entre os dias 20 e 21 de março, os raios de Sol incidem perpendicularmente


sobre a linha do equador, fazendo com que o dia e a noite tenham a mesma
duração (exatamente 12 horas) na maior parte dos lugares da Terra. Daí o
nome equinócio (noites iguais aos dias). Nesse dia, no hemisfério norte, é o
equinócio de primavera e, no hemisfério sul, o equinócio de outono.

36

Entre os dias 22 e 23 de setembro ocorre o contrário: é o equinócio de


primavera no hemisfério sul, e o equinócio de outono no hemisfério norte.

Solstício

Entre os dias 21 e 23 de junho os raios solares chegam verticalmente ao


trópico de Câncer (23°27' N). Nesse momento, ocorre o solstício de verão no
hemisfério norte. É o dia mais longo e a noite mais curta do ano, que marcam o
início do verão. No hemisfério sul, acontece o solstício de inverno, com a noite
mais longa do ano, marcando o início da estação fria.
Entre os dias 21 e 23 de dezembro, os raios de Sol incidem verticalmente
sobre o trópico de Capricórnio (23°27' S). É o solstício de verão no hemisfério
sul, com o dia mais longo do ano e o início do verão. No hemisfério norte, é a
noite mais longa do ano e o início do inverno.

Nas regiões intertropicais, principalmente nas proximidades do equador, a


duração dos dias e das noites quase não varia, e as estações do ano são
pouco diferenciadas.

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Segundo o Atlas geográfico escolar do IBGE,

O movimento que a Terra realiza ao redor de seu próprio eixo imaginário é


chamado de rotação e leva aproximadamente 24 horas para se completar.
Chamamos esse período de dia. Durante este intervalo de tempo uma parte do
planeta está iluminada enquanto outra está escura, dando origem aos dias e às
noites.

IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 10.

a) Explique uma consequência para a vida no planeta Terra caso não


ocorresse o movimento de rotação.

b) Identifique um país em que neste exato momento seja dia e um em que seja
noite.

2. Leia abaixo o texto de uma professora de Geografia da Universidade Federal


do Ceará.

A localização do estado, próximo à linha do equador, favorece uma intensa


insolação durante o ano todo e, dessa forma, muito calor, caracterizando-o
como uma área típica de climas quentes.

ZANELLA, Maria Elisa. As características climáticas e os recursos hídricos do


estado do Ceará. In: BORZACCHIELLO, José; CAVALCANTE, Tércia;
DANTAS, Eustógio (Org.). Ceará: um novo olhar geográfico. Fortaleza: Edições
Demócrito Rocha, 2007. p. 170.
- Pesquise em um atlas geográfico e responda: por que o Ceará tem menores
variações de temperatura durante o decorrer do ano?

3. Identifique duas implicações políticas ou econômicas do fato de as principais


cidades do mundo terem diferença de horas e até mesmo de dias.

4. Atividade interdisciplinar: Geografia e Matemática. Um avião saiu de uma


cidade A , localizada a 135° L, às 12 horas, com destino a uma cidade B,
situada a 15° O. Sabendo que a viagem dura 9 horas, calcule:

a) a diferença de horas entre a cidade A e o meridiano inicial;

b) a diferença de horas entre a cidade B e o meridiano inicial;

c) a hora em que o avião chegou à cidade B.

5. Observe o mapa a seguir, depois responda às questões.

FONTE: Adaptado de: www.brasilescola.com/geografia/horario-verao.htm.


Acesso em: 16 set. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

a) O que se busca ao adotar o horário de verão no Brasil?

b) Por que muitos estados brasileiros não adotam o horário de verão?

37

Concluindo a Unidade 1

Leia os textos, reflita e depois responda às questões propostas.

TEXTO 1. Patrimônio natural, território e soberania

Numa abordagem geográfica, a história humana pode ser vista como uma
progressiva apropriação da superfície terrestre pelos diferentes grupos sociais.
Nesse movimento, tais grupos imprimem nos espaços que acolhem
características das relações que ordenam seu modo de vida. Portanto, as
formas espaciais criadas pelos homens expressam muito das relações sociais
vigentes na época em que foram produzidas.

A este relacionamento contínuo e progressivo entre as sociedades e a


superfície terrestre denomina-se processo de valorização do espaço.
Valorização, pois a relação objetivada pelo trabalho humano implica a
apropriação e criação de valores. Trata-se de riquezas naturais transformadas
em objetos de consumo e de formas constituídas que se agregam ao solo
sobre o qual estão erguidas. Em outras palavras, trabalho materializado na
paisagem, valor depositado nos lugares - é em função disso que os espaços
passam a se diferenciar: por características humanas, e não apenas por
condições naturais variáveis.

MORAES, Antonio Carlos R. Meio ambiente e ciências humanas. São Paulo:


Annablume, 2005. p. 35.

TEXTO 2. Geografia: sociedade-natureza

Considerando a Geografia uma ciência que estuda o espaço, no contexto da


relação sociedade-natureza, sendo esse espaço formado por elementos
artificiais e naturais, os que estudam tal campo do conhecimento sabem da
dificuldade de "fazer geografia" e "ensinar geografia", já que é uma ciência que
trabalha com fenômenos naturais e humanos.

Ao transformar a natureza por meio do trabalho, o homem começou a produzir


alimentos, ferramentas, habitações, estradas, ou seja, começou a produzir o
espaço geográfico. Esse espaço produzido pelo homem apresenta-se como
uma segunda natureza, uma natureza social, humanizada. Assim, há a primeira
natureza, aquela que é produzida sem a ação humana (rios, florestas,
montanhas, etc.); e a segunda natureza, aquela produzida pela ação do
homem (cidades, agricultura, estradas, etc.).

É pela apropriação e transformação da natureza que o homem produz os


recursos necessários para a sua sobrevivência, pois, desde o surgimento da
humanidade, a natureza sempre foi um recurso para a sobrevivência do
homem. Assim, o trabalho é visto como mediador universal na relação do
homem com a natureza.

A produção do espaço geográfico, sob as relações capitalistas de produção,


tem originado espaços desiguais e inter-relacionados, decorrentes
principalmente da ação do Estado e do capital, que cria espaços com níveis
diferenciados de desenvolvimento.

É importante ressaltar que o espaço geográfico não é só resultado da produção


social, mas também da ação da natureza transformando esse espaço. Assim,
tem-se um espaço historicamente resultante da interação sociedade-natureza.
RODRIGUES, Auro de Jesus. Geografia: Introdução à ciência geográfica. São
Paulo: Avercamp, 2008. p. 129-131.

1. Com palavras diferentes, os dois textos transmitem a mesma ideia principal.


Qual é essa ideia?

2. Identifique a importância do trabalho humano na valorização do espaço


geográfico.

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo sabe, está se
deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr do sol.
A diferença espacial citada é causada por qual característica física da Terra?

a) Achatamento de suas regiões polares.

b) Movimento em torno de seu próprio eixo.

c) Arredondamento de sua forma geométrica.

d) Variação periódica de sua distância do Sol.

e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita.

2. [...] Uma lâmpada aclarava a plataforma, mas os rostos dos meninos ficavam
na sombra. Um me perguntou: O senhor vai à casa do dr. Stephen Albert? Sem
aguardar resposta, outro disse: A casa fica longe daqui, mas o senhor não se
perderá se tomar esse caminho à esquerda e se em cada encruzilhada do
caminho dobrar à esquerda.

BORGES, Jorge Luis. Ficções. Rio de Janeiro: Globo, 1997. p. 96.

Quanto à cena descrita acima, considere que:

I. o Sol nasce à direita dos meninos;

II. o senhor seguiu o conselho dos meninos, tendo encontrado duas


encruzilhadas até a casa.

38
Concluiu-se que o senhor caminhou, respectivamente, nos sentidos:

a) oeste, sul e leste.

b) leste, sul e oeste.

c) oeste, norte e leste.

d) leste, norte e oeste.

e) leste, norte e sul.

3.

FONTE: Banco de imagens/Arquivo da editora

No primeiro dia do inverno no hemisfério sul, uma atividade de observação de


sombras é realizada por alunos de Macapá, Porto Alegre e Recife. Para isso,
utiliza-se uma vareta de 30 cm fincada no chão na posição vertical. Para
marcar o tamanho e a posição da sombra, o chão é forrado com uma folha de
cartolina, como mostra a figura:

Nas figuras a seguir, estão representadas as sombras projetadas pelas varetas


nas três cidades, no mesmo instante, ao meio-dia. A linha pontilhada indica a
direção norte-sul.

Levando-se em conta a localização dessas três cidades no mapa, podemos


afirmar que o comprimento da sombra será tanto maior quanto maior for o
afastamento da cidade em relação ao:

a) litoral.

b) equador.

c) nível do mar.

d) trópico de Capricórnio.

e) meridiano de Greenwich.

4. O mercado financeiro mundial funciona 24 horas por dia. As Bolsas de


Valores estão articuladas, mesmo abrindo e fechando em diferentes horários,
como ocorre com as Bolsas de Nova York, Londres, Pequim e São Paulo.
Todas as pessoas que, por exemplo, estão envolvidas com exportações e
importações de mercadorias precisam conhecer os fusos horários para fazer o
melhor uso dessas informações.

FONTE: Banco de imagens/Arquivo da editora

Considerando que as Bolsas de Valores começam a funcionar às 9 horas da


manhã e que um investidor mora em Porto Alegre, pode-se afirmar que os
horários em que ele deve consultar as Bolsas e a sequência correta em que ele
deve obter as informações são:

a) Pequim (20 horas), Nova York (7 horas) e Londres (12 horas).

b) Nova York (7 horas), Londres (12 horas) e Pequim (20 horas).

c) Pequim (20 horas), Londres (12 horas) e Nova York (7 horas).

d) Nova York (7 horas), Pequim (20 horas) e Londres (12 horas).

e) Nova York (7 horas), Pequim (20 horas) e Londres (12 horas).

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UTFPR) A relação Sol-Terra faz com que em qualquer lugar do planeta


existam diferenças no tempo atmosférico. Essas diferenças têm origem em
dois fatores principais, que são os movimentos de rotação e de translação.
Analise as alternativas a seguir e identifique a incorreta no que se refere à
influência desses movimentos no tempo atmosférico e climas da Terra.

39

a) É o movimento de rotação que determina os ciclos da produção agrícola e,


portanto, indica quando plantar, quando colher, quando guardar e quando
descansar.

b) O movimento de translação, combinado com a inclinação do eixo da Terra


sempre no mesmo ângulo, faz com que os hemisférios norte e sul sejam
expostos alternadamente de forma diferente à luz, proporcionando assim as
estações do ano.

c) Se a Terra não tivesse o movimento de rotação, a face iluminada seria


tórrida, e a face escura, gelada, sendo impossível a vida no planeta.
d) O movimento de translação é que determina a duração do fotoperíodo diário,
sendo que, para o hemisfério sul, a maior duração do dia iluminado ocorre em
22 de dezembro, quando inicia o verão.

e) O movimento de rotação é o responsável pela exposição do planeta à luz


solar, fazendo com que haja certo equilíbrio em relação à temperatura, pois
gera os dias e as noites.

2. (Ufam) Os dias e as noites têm igual duração, de aproximadamente 12


horas, nos:

a) equinócios.

b) solstícios de inverno.

c) solstícios de verão.

d) equinócios de verão.

e) anos bissextos.

3. (PUC-RS) Um objeto não identificado caiu sobre a Terra no dia 12 de março


de 2012. O ponto da queda foi identificado como 40°20' de latitude sul e 73°30'
de longitude oeste.

Nesse contexto, conclui-se que o objeto deve ter caído no:

a) território chileno.

b) setor leste da Austrália.

c) sul do Japão.

d) estreito de Messina, no mar Mediterrâneo.

e) oceano Pacífico, perto de Nauru.

4. (UEPB, adaptada) Teóricos da Geografia, entre os quais o professor Milton


Santos, afirmam que, hoje, o espaço geográfico pode ser chamado de meio
técnico-científico.

Sobre esta afirmativa, analise o que é verdadeiro e o que é falso e escolha a


alternativa que contém a sequência correta:

I. de a ciência e a técnica estarem cada vez mais a ser viço de novas


tecnologias voltadas para a produção.
II. de todas as inovações alcançarem todos os países e classes sociais com a
mesma velocidade e na mesma proporção.

III. de a revolução nas comunicações ter alterado a noção de tempo e espaço


pela quase instantaneidade nas transmissões.

IV. de as inovações tecnológicas terem sido incorporadas pela agropecuária,


alterando este setor, que se transforma (segundo alguns autores) em um ramo
da indústria.

a) F, V, F, V

b) V, F, V, V

c) V, F, V, F

d) V, V, F, F

e) V, F, F, V

5. (UEPB)

Toda paisagem que reflete uma porção do espaço ostenta marcas de um


passado mais ou menos remoto, apagado ou modificado de maneira desigual,
mas sempre presente.

DOLLFUS, Olivier, 1991.

De acordo com o texto, podemos afirmar:

a) Paisagem é um conjunto de formas heterogêneas, de idades diferentes.

b) A paisagem é estática, ao passo que o espaço é dinâmico.

c) As formas antigas da paisagem são sempre suprimidas, devido a seu


envelhecimento técnico e social.

d) As paisagens refletem, sempre, as marcas das desigualdades sociais, por


serem produzidas sob o modo de produção capitalista.

e) Paisagem é uma representação do espaço, mas não é espaço, portanto,


exibe as formas, mas esconde a essência de sua produção.

6. (Mack-SP) Um turista, em férias na cidade de Jacarta (+7 horas em relação


a Greenwich), programou, em seu roteiro, conhecer a cidade de Tóquio (+9
horas em relação a Greenwich).
Utilizando-se de uma pequena aeronave, decolou às 14h00 (horário local) do
dia 10 de março de 2011, com destino a Tóquio, em viagem que durou oito
horas.

Ao chegar, foi informado de que, por questões de natureza profissional, deveria


retornar imediatamente à cidade de São Paulo. Exatas três horas após ter
chegado a Tóquio, decolou com destino a São Paulo, em viagem que teve
duração de 20 horas.

Escolha a alternativa correta para a chegada desse turista a São Paulo.

a) 00h00 do dia 12 de março de 2011.

b) 11h00 do dia 11 de março de 2011.

c) 18h00 do dia 11 de março de 2011.

d) 01h00 do dia 11 de março de 2011.

e) 14h00 do dia 11 de março de 2011.

40

7. (UCS-RS) GPS é a sigla de Global Positioning System (Sistema de


Posicionamento Global), que se refere ao sistema desenvolvido na década de
1960 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com fins militares e,
posteriormente, disponibilizado para uso civil.

Analise se as afirmativas são verdadeiras ou falsas. Depois, escolha a


alternativa que indica a sequência correta:

I. O GPS é um aparelho apoiado por 24 satélites que refletem e emitem sinais


para o local onde ele está operando. O satélite envia ao GPS dados sobre a
localização de qualquer lugar.

II. Por capturar sinais de satélites artificiais, o GPS fornece coordenadas


geográficas e altitudes.

III. Nas lavouras europeias e norte-americanas desenvolveu-se a "agricultura


de precisão". Uma máquina agrícola dotada de receptor GPS armazena dados
que, lançados no computador, originam mapas do que foi produzido.

a) V, V, V
b) F, V, F

c) F, V, V

d) V, V, F

e) F, F, F

8. (UCS-RS) Os fusos horários são uma convenção internacional que


possibilita às pessoas de todos os países adotarem um padrão de horário,
utilizando-o como referência.

Sendo 13h a 120° de longitude E, que horas serão a 165° de longitude E?

a) 3h

b) 10h

c) 16h

d) 19h

e) 21h

9. (Udesc) Sobre as coordenadas geográficas, escolha a alternativa correta.

a) A longitude é determinada pelo ângulo formado pela posição de um


determinado ponto e o plano meridional, podendo variar de zero a 90 graus.

b) Coordenada geográfica é o ponto em que duas latitudes se cruzam.

c) Tanto as latitudes quanto as longitudes são medidas em graus, minutos e


segundos.

d) Os principais paralelos e meridianos que cortam o território brasileiro são:


Equador e Tordesilhas.

e) O paralelo é uma circunferência imaginária, que pode ser traçado até 180
vezes sobre a superfície terrestre.

10. (PUC-RS) Um avião que parte de Tóquio, no Japão, às 18h20min de uma


quarta-feira, aterrissa em São Francisco, costa oeste dos Estados Unidos da
América do Norte, às 10h50min do mesmo dia, após um tempo de voo de 9
horas e meia.

Sobre essa situação, é correto afirmar que ela


a) não é verdadeira, porque há uma diferença de 24 horas entre Tóquio e São
Francisco.

b) é possível, pois o avião atravessou a Linha Internacional de Data no sentido


de oeste para leste.

c) é verdadeira, e só foi possível porque tanto os Estados Unidos da América


do Norte quanto o Japão estão localizados no hemisfério sul.

d) é verdadeira, e só pode acontecer porque Tóquio está localizada no


hemisfério oriental e São Francisco está no hemisfério ocidental, e a rota
utilizada pela aeronave é a de menor distância entre os aeroportos, cruzando a
Linha Internacional de Data.

e) não seria possível porque, ao passar pela Linha Internacional de Data,


necessariamente os relógios devem ser adiantados ou atrasados em um dia,
portanto, o avião chegaria somente no dia seguinte a São Francisco.

11. (Vunesp-SP) Observe o planisfério:

FONTE: Adaptado de: VASCONCELLOS, Regina; FILHO, Ailton P. A. Atlas


geográfico, ilustrado e comentado, 1999.

As coordenadas geográficas (latitudes e longitudes) dos pontos 1 e 2,


indicados no planisfério, são respectivamente:

a) 30° L e 0°; 0° e 40° O.

b) 30° N e 0°; 0° e 60° O.

c) 0° e 30° N; 60° S e 60° O.

d) 30° N e 30° O; 60° S e 60° O.

e) 30° S e 30° O; 60° N e 60° L.

Questões de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UFBA, adaptada)

Durante a guerra fria, os laboratórios do Pentágono chegaram a cogitar na


produção de um engenho, a bomba de nêutrons, capaz de aniquilar a vida
humana em uma dada área, mas preservando todas as construções. O
presidente Kennedy afinal renunciou a levar a cabo esse projeto.

41

Senão, o que na véspera seria ainda o espaço, após a temida explosão seria
apenas paisagem. Não temos melhor imagem para mostrar a diferença entre
esses dois conceitos.

SANTOS, 1996.

Com base na leitura do texto, conceitue:

a) paisagem;

b) espaço geográfico;

c) tempo histórico;

d) tempo geológico.

2. (Unicamp-SP, adaptada)

O meio geográfico em via de constituição (ou de reconstituição) tem uma


substância científico-tecnológico-informacional. Não é um meio natural, nem
meio técnico. A ciência, a tecnologia e a informação estão na base de todas as
formas de utilização e funcionamento do espaço, do mesmo modo que
participam da criação de novos processos vitais e da produção de novas
espécies (animais e vegetais). [...] Atualmente, apesar de uma difusão mais
rápida e mais extensa do que nas épocas precedentes, as novas variáveis não
se distribuem de maneira uniforme na escala do planeta. A geografia assim
recriada é, ainda, desigualitária.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço e tempo. São Paulo: Hucitec. p. 51.

Considerando que ciência, tecnologia e informação estão na base do


funcionamento do espaço, cite dois países que podem ser considerados
centros hegemônicos da economia mundial. Justifique suas escolhas.

3. (Unicamp-SP)

Nos primeiros dias do outono subitamente entrado, quando o escurecer toma


uma evidência de qualquer coisa prematura, e parece que tardamos muito no
que fazemos de dia, gozo, mesmo entre o trabalho cotidiano, essa antecipação
de não trabalhar...

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. Campinas: Editora da Unicamp,


1994, v. II. p. 55.

a) Compare as características do outono em Portugal (terra natal de Fernando


Pessoa) com o outono da região Nordeste do Brasil.

b) Diferencie solstício de equinócio.

4. (UFJF-MG) Há muito tempo, a Geografia deixou de ser uma ciência que


apenas descreve paisagens. Para que estas possam ser consideradas um
dado geográfico, é preciso explicar as relações passadas e atuais, entre a
humanidade e a natureza, responsáveis pelo aspecto desses verdadeiros
retratos do espaço geográfico. Saber interpretar os processos naturais, sociais
e econômicos da paisagem é o verdadeiro objetivo do estudo da Geografia.

Observe a foto da cidade mineira de Juiz de Fora:

FONTE: Disponível em: www.cesama.com.br.

a) Cite duas ações da sociedade que modificaram a natureza.

b) Os elementos do quadro físico influenciam a ação do homem na


transformação da paisagem. Cite um desses elementos e explique como ele
interfere no desenho urbano.

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes

Sempre que você for assistir a um filme na sala de aula ou em casa, por
recomendação do professor, lembre-se de alguns passos importantes:

- Leia o texto do capítulo ou suas anotações sobre o assunto em questão antes


de assistir ao filme.

- Concentre-se e preste muita atenção. Se possível, anote os principais


acontecimentos.

- Caso o professor tenha sugerido um roteiro para você acompanhar a projeção


do filme, procure segui-lo e identificar os pontos principais.
- Anote os trechos que você não entendeu para esclarecer com o professor.

- Tire suas próprias conclusões e forme sua opinião sobre o que assistiu.

- Astronomia: O Sistema Solar (v. 2) / O planeta Terra (v. 4)

Produção: SBJ Produções; direção: Sérgio Baldassarini. Volume 2: Números e


características da Terra; movimentos da Terra; estações do ano; definições de
afélio e periélio. (24 minutos)

Volume 4: Primeiras teorias do geocentrismo; heliocentrismo; componentes do


Sistema Solar. (25 minutos)

42

- Interestelar

Direção: Christopher Nolan. Estados Unidos, 2014, 2h49min.

Após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo
de astronautas recebe a missão de investigar possíveis planetas que possam
abrigar a população mundial. Cooper é chamado para liderar o grupo e aceita a
missão, sabendo que pode nunca mais voltar para a Terra e ver os filhos. Ao
lado de Brand, Jenkins e Doyle, ele segue em busca de uma nova casa. Com o
passar dos anos, sua filha Murph também vai investir numa jornada para tentar
salvar a população do planeta.

- Navigator, uma odisseia no tempo

Direção: Vincent Waerd. Austrália/Nova Zelândia, 1988, 90 minutos.

Na Idade Média, durante a peste negra, uma criança de uma aldeia da atual
Inglaterra tem sonhos premonitórios. Na tentativa de evitar a doença, ela parte
com seu irmão e outros companheiros em uma viagem através do tempo e vai
parar na Nova Zelândia, em 1988.

- Viagem à lua de Júpiter

Direção: Sebástian Cordero. Estados Unidos, 2013, 90 minutos.

Um grupo de astronautas viaja em uma missão espacial até Europa, uma das
luas de Júpiter, com o objetivo de investigar a existência de vida alienígena
dentro do nosso Sistema Solar. Chegando ao destino, uma série de incidentes
faz com que a nave fique sem comunicação com a Terra, deixando os
astronautas isolados e sem esperança de retorno. Agora, eles precisarão
superar os danos e sobreviver a uma descoberta muito mais profunda do que
poderiam ter imaginado.

Livros

Estes livros poderão ampliar o assunto estudado.

- A vida de Galileu

Bertolt Brecht. São Paulo: Paz e Terra, 2001. Teatro completo, v. 6.

Considerado por grande parte da crítica o melhor texto da obra do dramaturgo


Bertolt Brecht, A vida de Galileu procura demonstrar o problema do intelectual
em conflito com a sociedade em que vive. Para além da experiência do
cientista incompreendido, Brecht põe no palco a própria transformação da
História por intermédio das ações dos homens.

- Bússola: a invenção do mundo

Amir Aczel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002. O autor narra a chegada
da bússola no contexto europeu do final do século XIII e as transformações
decorrentes de seu aparecimento.

- Cartografia de paisagens: fundamentos

Lucas Costa de Souza Cavalcanti. São Paulo: Oficina de Textos, 2014.

O livro trata, de forma clara, concisa e didática, do conceito de paisagem e dos


princípios metodológicos para sua classificação, assim como das técnicas de
representação e de observação em campo. Também aborda questões
específicas sobre a identificação das paisagens.

- O prêmio da longitude

John Dash. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Como medir com precisão a longitude no mar? Esse interessante livro conta
que essa foi a grande descoberta de um desconhecido e humilde relojoeiro
inglês. Com a invenção do primeiro relógio marítimo de alta precisão que
passou a determinar a longitude, o inglês John Harrison (1693-1776) tornou-se
imortal.

- Os desbravadores: uma história mundial da exploração da Terra


Felipe Fernández-Armesto. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Professor em universidades inglesas, Fernández-Armesto relata nessa obra


viagens de exploração, reconstituindo os feitos dos pioneiros que, ao longo dos
séculos, estabeleceram contato com povos até então desconhecidos,
percorrendo as mais diferentes regiões do planeta.

Sites

Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte de pesquisa.

- www.iag.usp.br.

Site do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da


Universidade de São Paulo, que apresenta informações e material didático
sobre Astronomia.

- http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/resolvendo-exercicios-
fusos-horarios.htm.

Site em que você encontra orientações para realizar exercícios sobre fusos
horários.

- www.miltonsantos.com.br.

Site em que é possível ler textos do geógrafo brasileiro sobre espaço


geográfico e Geografia.

- http://momentocurioso.com.br/um-ano-em-40-segundos/.

Site em que é possível encontrar o vídeo Um ano em 40 segundos, que mostra


as diferenças de tempo entre as estações do ano [em inglês].

43

unidade 2. Representando o espaço geográfico

LEGENDA: Pessoas consultando mapa em Gibraltar, território britânico na


península Ibérica, em 2015.

FONTE: Geography Photos/UIG/Getty Images

Os mapas nos auxiliam a localizar qualquer ponto na superfície da Terra,


facilitando nossa orientação no espaço geográfico. Para elaborar ou interpretar
um mapa, utilizamos a Cartografia: ciência e arte que se ocupa da composição
e da leitura de formas de representação do espaço geográfico, como mapas,
plantas e cartas. Nesta Unidade, veremos como são construídos e como
devem ser interpretados os diferentes produtos cartográficos que representam
o espaço geográfico.

44

capítulo 4. Representação do espaço geográfico: a construção de mapas

LEGENDA: Os mapas são representações de elementos que se encontram


sobre a superfície da Terra. Na foto, alunos com cerca de 13 a 15 anos
realizam um trabalho cartográfico, em Sorocaba (SP), em 2016.

FONTE: Paulo Ochandio/Arquivo da editora

Cartografia e tecnologia

Assim como a Geografia, a Cartografia é um conhecimento antigo e há muito


tempo faz parte da ciência geográfica.

A elaboração de mapas começou na Antiguidade. O mapa mais antigo do qual


se tem registro foi encontrado na Mesopotâmia, atual Iraque.

Anaximandro (610 a.C.-547 a.C.), discípulo de Tales de Mileto, é considerado o


primeiro cartógrafo. Em seu mapa, a Terra flutuava no espaço e não havia
referência à sua forma.

A partir do século XVI, época das Grandes Navegações, mapas traçados com
maior precisão passaram a abrir caminho para os exploradores europeus, pois
representavam o mundo de uma maneira bem próxima do real.

Houve uma revolução na ciência cartográfica a partir da segunda metade do


século XX, com o surgimento de técnicas modernas, como fotografias aéreas
colhidas por aviões especialmente preparados para isso, imagens captadas por
satélites artificiais (sensoriamento remoto), o uso do GPS para a elaboração de
mapas e a informatização de dados geográficos ou geoprocessamento.

Com o desenvolvimento dessas técnicas, tornou-se possível processar e


analisar as imagens obtidas e, com base nas informações, elaborar diferentes
tipos de mapa. Hoje, já podemos obter imagens tridimensionais da Terra.
Os mapas temáticos ou especializados, surgidos no século XIX, assumem
importância fundamental nas representações atuais do espaço geográfico. A
necessidade de levantar dados geográficos para diversos fins, como a
construção de estradas, de usinas, a avaliação de solos para a agricultura e até
mesmo a abertura de pequenas empresas, provocou o aparecimento de firmas
especializadas na prestação desses serviços.

45

Os mapas deixaram de ser apenas instrumentos para turistas, estrategistas de


exércitos e recurso em aulas de Geografia; tornaram-se ferramenta básica para
inúmeros outros profissionais, contribuindo para a análise das relações
políticas, sociais e econômicas entre os povos.

Atualmente, podemos distinguir dois tipos de cartografia:

- Analógica ou convencional, que apresenta mapas em papel, elaborados com


aparelhos manuais.

- Numérica ou computadorizada, que aplica a informática na confecção de


mapas e cartas.

Geomática: a cartografia computadorizada

De maneira simples, podemos definir geomática como a ciência e a tecnologia


de coletar, interpretar e utilizar informações geográficas. Utiliza dados
coletados por satélites e por trabalho de campo, reunidos e processados em
computadores. Seus principais produtos são mapas digitais e bases de dados.

O resultado mais completo obtido através das técnicas da geomática é o que


chamamos de geoprocessamento ou sistema SIG (Sistema de Informações
Geográficas), que permite a superposição e o cruzamento de informações. Sua
principal característica é integrar em uma única base informações diversas
(imagens, dados cartográficos, de população, etc.), de forma que seja possível
consultar, comparar e analisar essas informações, além de produzir mapas.

De fato, a geomática não é um campo novo, mas uma evolução das técnicas
cartográficas, cujos principais setores são o sensoriamento remoto, que reúne
a aerofotogrametria e as imagens de satélite, a tecnologia de mapeamento
digital e/ou cartografia digital e o sistema de posicionamento global (GPS). Leia
mais sobre isso na seção Ampliando o conhecimento, na página 48.

Boxe complementar:

Um bom exemplo em que o SIG pode ser utilizado, muito comentado em


notícias de televisão, revistas e jornais, é na área de saúde pública. Quando
uma epidemia é causada por um microrganismo que se reproduz em água
parada, como a dengue, em determinada região, é possível, cartografando os
casos de ocorrência da doença e com o auxílio das ima gens produzidas pelo
SIG, identificar com precisão quais são as fontes de água conta minada
causadoras da epidemia.

Fim do complemento.

LEGENDA: Neste exemplo vemos a montagem das camadas do MUB. Cada


número está relacionado a sua respectiva função. Todas as camadas são feitas
a partir da camada 1, que é uma imagem aérea e que pode ter sido feita tanto
de um satélite como de um avião.

FONTE: Mapa elaborado com base em: INPE/Banco de imagens/Arquivo da


editora

46

Sensoriamento remoto

Nem sempre os objetos podem ser medidos e observados no local onde estão.
No caso da superfície terrestre, por exemplo, o afastamento é um fator que
possibilita uma visão mais ampla e mais completa.

O conjunto de técnicas que permitem obter informações sobre a superfície do


planeta Terra por meio de câmeras e sensores acoplados em aviões e também
instalados em satélites artificiais é chamado sensoriamento remoto.

As técnicas de sensoriamento remoto caracterizam-se pela separação física


entre o sensor (câmara fotográfica ou satélite artificial) e o objeto de estudo que
está na superfície da Terra. Utilizando essas técnicas, obtêm-se informações
por meio de radiação eletromagnética, que pode ser originada de fontes
naturais ou artificiais.
As fotografias aéreas, resultantes da aerofotogrametria (veja tópico a seguir), e
as imagens obtidas através de satélites artificiais, colocados em órbita em volta
da Terra, são os principais tipos de produto do sensoriamento remoto. Com
eles, obtemos preciosas informações sobre os elementos naturais e
humanizados da superfície da Terra, na forma de imagens que podem também
ser convertidas em mapas.

Aerofotogrametria

Aerofotogrametria é a técnica de elaborar cartas, com base em fotografias


aéreas, utilizando aparelhos e métodos estereoscópicos, que permitem a
representação de objetos em um plano e sua visão em três dimensões.

Glossário:

Estereoscópico: relativo ao estereoscópio - instrumento que permite a


observação simultânea, através de uma objetiva binocular, de duas imagens de
um objeto, obtidas com ângulos ligeiramente diferentes, produzindo a sensação
de relevo, de terceira dimensão.

Fim do glossário.

Os primeiros registros de fotografias aéreas foram feitos por meio de balões,


em meados do século XIX, para serem utilizados em mapeamentos. Porém, o
uso das fotografias aéreas, desta vez utilizando aviões, tornou-se mais
frequente depois das duas Guerras Mundiais, por se tornarem importantes
aliadas da estratégia militar, revelando as posições inimigas e permitindo o
reconhecimento dos campos de batalha.

De modo geral, para um bom trabalho de levantamento por fotografias aéreas,


é preciso levar em conta a posição do Sol, pois um excesso de sombras pode
prejudicar a qualidade dos detalhes exigidos, e deve utilizar um avião com
velocidade e estabilidade previstas para o projeto. A câmera fotogramétrica é
aclopada ao avião e deve cobrir toda a área a ser mapeada.

As fotografias são tiradas na vertical, em velocidade constante, e sobrepostas


em intervalos regulares de tempo. Depois as fotos passam por um instrumento
denominado restituidor fotogramétrico, que as processa, eliminando as
imperfeições. Atualmente, todo esse processo é feito com câmeras digitais e os
restituidores, e as imagens resultantes são computadorizadas.

Alguns detalhes são essenciais para a interpretação de uma fotografia aérea: o


tamanho e a forma da área estudada, a tonalidade e as sombras existentes nas
fotos, entre outros.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 27. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

47

LEGENDA: Detalhe da Ortofotocarta Digital nos Estudos do AHE Simplício-


Queda Única (Furnas), novembro de 2006. Os atuais sensores não mais
realizam a tomada de "fotos", e sim de uma faixa contínua de pixels que pode
gerar imagens de qualquer tamanho em extensão por uma largura definida pela
altura de voo. O conceito de escala de voo não existe mais para as câmeras
aéreas digitais, sendo substituído pelo tamanho do pixel no terreno.

FONTE: © Direitos da imagem reservados para ESTEIO S.A./Arquivo da


editora

Os tipos mais usados de fotografias aéreas são os mosaicos cartográficos


(montagens de fotografias aéreas) e as ortofotocartas (imagens com escala
precisa, em que podem estar representadas curvas de nível, ruas, limites, etc.,
como podemos ver na imagem acima).

Imagens de satélite

Assim como a aerofotogrametria, as imagens de satélite ajudam a obter melhor


representação da superfície terrestre. As informações captadas pelos satélites
podem ser processadas digitalmente por modernos equipamentos e resultam
em imagens bastante precisas, embora com escala limitada pela capacidade
do sensor utilizado.

Os primeiros satélites utilizados com esse fim - como o Landsat 1, lançado em


1972 pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) -, surgiram na década de
1970. Depois disso, outros satélites foram colocados em órbita, incluindo o
Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês), um
projeto conjunto da China e do Brasil. Outros programas de satélites são o
francês Système Probatoire d'Observation de la Terre (Spot) e o European
Remote-Sensing Satellite (ERS), da Agência Espacial Europeia.

As imagens obtidas de satélites podem ser utilizadas para monitorar e avaliar


as alterações no meio ambiente e mapear recursos hídricos, tendo aplicação
na agricultura, na Cartografia, na Geologia, na geomorfologia, entre outras
áreas, como podemos ver na imagem e no mapa da página seguinte. Outro
exemplo de utilização dessas imagens são os mapas de previsão do tempo,
nos quais podemos ver os movimentos das massas de ar que influenciam o
clima de determinada região.

Glossário:

Geomorfologia: ciência que estuda as formas do relevo terrestre.

Fim do glossário.

Mapeamento ou cartografia digital

A adoção do uso de computadores e da informática na Cartografia tornou a


construção de mapas bem mais dinâmica e interativa. O mapeamento ou
cartografia digital utiliza a computação e o processamento gráfico para realizar
representações digitais da realidade geográfica mais precisas do que mapas,
que logo ficam desatualizados.

Para que representações digitais sejam feitas, é necessário usar técnicas


modernas de cartografia. Os dados são colhidos através de sensoriamento
remoto e armazenados em Sistemas de Informações Geográficas (SIGs).
Desse modo, a área cartografada pode ser sempre atualizada, para
acompanhar a velocidade das transformações ocorridas no espaço geográfico.
Essa é a principal vantagem da cartografia digital sobre a convencional ou
analógica: ela evita a obsolescência dos mapas.

48

Na cartografia digital, o uso de dados topográficos digitais (Digital Topographic


Data - DTD) tem sido cada vez mais comum na análise de solos de uma área,
na análise da biodiversidade, na administração de parques nacionais e áreas
de conservação ecológica e na avaliação de consequências de desastres
naturais, como enchentes, tempestades e terremotos.
LEGENDA: Imagem de satélite da cidade do Rio de Janeiro, em 2014.

FONTE: ESA-Agência Espacial Europeia/Arquivo da editora

LEGENDA: Esta é uma representação cartográfica da mesma área que se


observa na fotografia acima. Grande parte dos pormenores foi simplificada. As
localidades estão identificadas e assinaladas; as curvas de nível indicam a
altitude do terreno.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas nacional do Brasil. Rio de Janeiro, 2010. p.
127. CRÉDITOS: Juliana Albuquerque/Arquivo da editora

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Sistema de posicionamento global (GPS)

Além de fornecer a latitude, a longitude e a altitude de um lugar, o Global


Positioning System (GPS) é um importante recurso cartográfico, pois possibilita
o mapeamento de rotas marítimas e terrestres, de redes de transmissão de
energia elétrica, correntes marítimas, ecossistemas, bem como o
monitoramento de desastres ambientais e da fauna de certas regiões.

Esse sistema consiste em três partes:

- Satélites distribuídos em órbita para cobrir toda a superfície da Terra.

- Uma rede de estações de rastreamento espalhadas por todo o planeta, que


fazem o controle dos satélites em terra.

- O aparelho do usuário - o receptor GPS.

Desenvolvido a princípio com fins militares pelo Departamento de Defesa dos


Estados Unidos, esse sistema foi usado durante muito tempo como instrumento
de navegação marítima.

Atualmente, o uso do GPS está fortemente disseminado, e o dispositivo já se


tornou bastante acessível à população civil. É comum ver circulando por ruas e
avenidas veículos equipados com o aparelho receptor GPS, bem como seu uso
em aparelhos de telefone celular e nos tablets com acesso à internet.
Profissionais especializados, como engenheiros florestais, geólogos,
geógrafos, biólogos, cartógrafos e agrônomos, também utilizam o sistema nos
mapas que orientam seu trabalho.

Além do GPS, outros sistemas de posicionamento global estão sendo


desenvolvidos, funcionando parcial ou integralmente.

A União Europeia desenvolveu o Galileo, sistema concebido para ser operado


por civis, diferente do que ocorreu com os outros sistemas existentes, que
tiveram sua origem associada ao uso militar.

49

A previsão era de que em 2013 fossem lançados trinta satélites (27


operacionais e sobressalentes), posicionados em três órbitas circulares médias
a 23.222 km de altitude em relação à Terra e inclinação de 56° em relação ao
equador.

Outros dois sistemas são o Global Navigation Satellite System (Glonass), de


origem russa, composto de 24 satélites, espalhados equidistantemente em três
níveis orbitais, com oito satélites em cada; e o Compass (Beidou, em chinês,
oficialmente chamado Sistema Experimental de Navegação por Satélite
Beidou), o sistema chinês que pretende entrar em pleno funcionamento em
2020.

Desde 2006, a Índia vem desenvolvendo seu sistema de posicionamento


global, o Indian Regional Navigational Satellite System (IRNSS), que consiste
em uma constelação de sete satélites e um segmento de apoio em terra. Até
outubro de 2015, quatro satélites já haviam sido lançados, e a previsão era de
que o sistema estivesse pronto para operar em meados de 2016.

LEGENDA: Sistema Galileo de localização por satélite, desenvolvido pela


União Europeia. Imagem de 2015.

FONTE: Pierre Carril/ESA-Agência Espacial Europeia

LEGENDA: Aparelho de GPS muito utilizado em carros. Foto de 2015.

FONTE: Sérgio Pedreira/Pulsar Imagens

Fim do complemento.

A construção de mapas
Construir mapas é uma tarefa que requer o uso de técnicas especiais,
principalmente pela dificuldade que se tem de representar a forma da Terra.

A Terra pode ser definida como um geoide, uma superfície de características


muito complexas, bastante irregular e achatada nos polos, que não
corresponde a uma esfera perfeita. Devido a essa complexidade, os
profissionais que constroem mapas não usam o geoide, mas uma figura
geométrica semelhante, denominada elipsoide de revolução, que é obtida pela
rotação de uma elipse sobre seu eixo menor. Veja a figura abaixo.

LEGENDA: As protuberâncias ilustram as anomalias gravitacionais provocadas


pelas variações de densidade no interior da Terra. A cor azul representa os
locais onde a atração gravitacional é mais fraca, enquanto a amarela e a
vermelha, respectivamente, representam os locais com gravidade mais forte.

FONTE: German Geodetic Research Institute/Arquivo da editora

O primeiro desafio na construção de um mapa é como representar uma


superfície curva (a Terra) no plano. O segundo é como reproduzir áreas muito
extensas em tamanho reduzido. A solução encontrada para contornar esses
problemas foi o uso das projeções cartográficas, no primeiro caso, e da escala,
no segundo.

50

Projeções cartográficas

A rede de paralelos e meridianos sobre a qual desenhamos um mapa constitui


o que chamamos de projeção cartográfica. Sua aplicação envolve conceitos
matemáticos e geométricos.

As projeções cartográficas permitem representar uma superfície curva em uma


superfície plana com menor distorção que o simples achatamento do elipsoide.
Mas a representação nunca será perfeita. Teremos sempre alguma
deformação, seja em relação às distâncias entre os continentes, seja em
relação às áreas de países e oceanos. Isso porque não existe um tipo perfeito
de projeção, pois nenhum deles consegue manter ao mesmo tempo os três
elementos mais importantes para a elaboração de um mapa: distância, forma e
ângulos. Cabe ao cartógrafo decidir qual é a projeção mais adequada ao mapa
que vai construir. Para isso, ele deve avaliar as propriedades específicas de
cada projeção, considerando quais elementos devem ser preservados no
mapa. Os tipos de projeção podem ser classificados como:

- Equidistantes: representam as distâncias precisas (utiliza um ponto como


referência central e mede as distâncias a partir dele), mas apresentam
distorções nas áreas e nas formas terrestres.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 22. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

- Conformes: mantêm os mesmos ângulos das coordenadas geográficas,


conservando, assim, as formas terrestres. No entanto, apresentam distorções
no tamanho das áreas representadas. A escala utilizada para representar as
distâncias varia de lugar para lugar. Apenas nas áreas próximas ao equador é
possível utilizar a escala indicada no mapa. À medida que se afasta da região
equatorial, a distorção vai aumentando. Um bom exemplo de projeção
conforme é a de Mercator, representada na página 51.

- Equivalentes: apresentam formas e ângulos distorcidos, mas as áreas


mantêm o mesmo valor da área real. Uma projeção equivalente bastante
conhecida é a de Peters (ver página 51).

- Afiláticas: também chamadas de arbitrárias, são projeções em que as áreas,


os ângulos e os comprimentos não são conservados: a maior preocupação é
não distorcer muito as formas. Um exemplo de projeção afilática é a projeção
de Robinson, desenvolvida em 1961 e baseada em coordenadas. Esse tipo de
projeção procura diminuir as distorções de ângulos e de área. Veja a figura
abaixo.

Quanto ao método utilizado para a construção dos mapas, dependendo da


figura geométrica usada para sua elaboração, as projeções podem ser
cilíndricas (como a do exemplo abaixo), cônicas e azimutais (planas). Vejamos
cada uma dessas técnicas de projeção.

LEGENDA: Exemplo de projeção do tipo afilática cilíndrica.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 24. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora
51

Projeções cilíndricas

Nessa projeção, muito usada para representar planisférios, os paralelos e os


meridianos são projetados sobre um cilindro, que é planificado posteriormente.
Os paralelos, retos e horizontais, e os meridianos, retos e verticais, formam
ângulos retos. Com a projeção cilíndrica, podemos representar a Terra inteira.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 21. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Além da projeção de Robinson, outras projeções cilíndricas bastante


conhecidas e utilizadas são a de Mercator e a de Peters.

Projeção de Mercator: idealizada e construída no século XVI, na época da


Expansão Marítima, pelo geógrafo flamengo Gerhard Kremer, que ficou
conhecido como Mercator. É uma projeção conforme, pois não deforma os
ângulos. Nesse tipo de projeção as áreas do hemisfério norte, principalmente a
Europa, ficam muito ampliadas, mostrando uma visão de mundo eurocentrista,
própria da época.

Projeção de Peters: utilizando o mesmo método da projeção cilíndrica de


Mercator, em 1973 o historiador alemão Arno Peters elaborou um mapa que
refletia o momento histórico (Guerra Fria e endividamento dos países não
desenvolvidos) e que ele denominou "Mapa para um mundo mais solidário".

Glossário:

Eurocentrismo: visão de mundo que valoriza a Europa e seus aspectos


políticos e culturais.

Guerra Fria: período histórico que se estendeu de 1945 a 1989, durante o qual
o mundo ficou dividido em dois blocos opostos: o bloco capitalista, comandado
pelos Estados Unidos; e o socialista, comandado pela ex-União Soviética.

Fim do glossário.

Com uma projeção cilíndrica e equivalente, Peters ressaltava a ideia de


igualdade entre os povos, conservando relativamente reais as dimensões
continentais. Porém, para conseguir a equivalência, foi necessário sacrificar as
formas. Nessa representação, os países não desenvolvidos ganharam mais
destaque. Observe, no mapa de Peters (o segundo abaixo), como a África e a
América do Sul ficaram mais alongadas nessa projeção.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 23. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 21. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Projeção cônica

Nos mapas com projeção cônica, o globo terrestre (ou parte dele) é projetado
em um cone tangente à superfície de referência, que depois é planificado. Esse
tipo de projeção apresenta maior deformação na base e no vértice do cone, por
isso é usado para representar regiões menores.

52

Nessa projeção, os meridianos são radiais porque surgem de um mesmo


ponto, e os paralelos são círculos concêntricos, isto é, têm o mesmo centro. A
projeção cônica conforme de Lambert é muito utilizada nas cartas que cobrem
toda a Europa em escalas iguais ou inferiores a 1:500.000, além de ser a
projeção oficial de países como Bélgica e Estônia.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 21. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Projeções azimutais

Também chamadas de projeções planas, são elaboradas a partir de um ponto


tangente sobre a superfície da Terra. Meridianos e paralelos são projetados
sobre um plano apoiado em um ponto que geralmente está nos polos ou no
equador, mas encontramos projeções azimutais centradas em outros pontos da
Terra. Por isso, podemos considerar três modalidades de projeções azimutais:
oblíqua, polar e equatorial. O ponto de tangência torna-se o centro do mapa
construído dessa maneira. Geralmente, esse centro apresenta pequenas
deformações que se acentuam à medida que nos afastamos dele.
FONTE: Adaptado de: ATlANTE geografico metodico De Agostini. Novara:
Istituto Geografico De Agostini, 2011. p. 3. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Em geral, usa-se esse tipo de projeção quando se quer colocar um país na


posição central ou para calcular a distância entre esse país e qualquer lugar na
superfície da Terra. A navegação marítima e a aviação, por exemplo, usam
mapas com projeção azimutal.

A mais conhecida dessas projeções está no emblema da Organização das


Nações Unidas (ONU), cuja forma polar (polo norte) enfatiza o caráter de
neutralidade dessa organização.

LEGENDA: Emblema da ONU, na sede da organização, em Nova York. Foto


de 2015.

FONTE: ONU/Arquivo da editora

A escala no mapa

Para estabelecer a relação entre o tamanho real do fenômeno na superfície da


Terra e sua representação no mapa, usamos o recurso da escala, que pode vir
expressa em um mapa de duas maneiras:

Escala numérica: representada por uma fração, na qual o numerador indica a


distância no mapa e o denominador indica a distância na superfície real. Por
exemplo, a escala 1:100.000 (lê-se: escala um por cem mil) significa que a
superfície representada foi reduzida 100 mil vezes. Nesse caso, então, 1 cm no
mapa = 100.000 cm = 1 km na realidade.

Escala gráfica: linha reta graduada, na qual se indica a relação da distância


real com as distâncias representadas no mapa. Por exemplo:

53

A fórmula para calcular a distância real entre dois pontos em um mapa é:

D=E.d

D: distância real

E: escala

d: distância no mapa
Portanto, em um mapa cuja escala é 1:200.000, a distância em linha reta entre
dois pontos é de 20 cm (pode ser medida com a régua). Qual é a distância real
entre esses pontos?

D = 200.000 . 20 = 4.000.000 cm ou 40 km

Para saber a distância no mapa, usamos a fórmula a seguir:

d=D:E

d = 4.000.000 : 200.000 = 20 cm

As escalas podem ser pequenas ou grandes. Elas são consideradas pequenas


quando os objetos são reduzidos bastante para caber no papel. Nos mapas
representados com esse tipo de escala, não é possível apresentar detalhes. As
escalas são grandes quando não é necessário reduzir muito os elementos,
possibilitando assim um maior grau de detalhamento.

Quanto maior a escala cartográfica, menor a área representada, o que permite


a visualização de maior quantidade de detalhes. As escalas grandes (por
exemplo, 1:5.000) geralmente são usadas para representar a planta de uma
cidade, de uma propriedade rural, de um prédio. Já o mapa-múndi e os mapas
murais são elaborados em escala pequena (1:5.000.000). Os mapas com
escala média (1:100.000) representam regiões, estados ou países.

O mesmo lugar pode ser representado em escalas diferentes. Conforme a


escala utilizada, podemos ler uma maior ou menor quantidade de detalhes em
um mapa. Observe as representações abaixo.

LEGENDA: Este mapa foi elaborado em escala cartográfica pequena, por isso
mostra poucos detalhes - apenas nome de oceano, algumas cidades maiores e
siglas de estados.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 94. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

LEGENDA: Este mapa está em uma escala cartográfica muito maior do que o
primeiro. Podemos ver as principais estradas, nomes de muitos bairros, lagoa,
ilhas, baía, locais de interesse e um aeroporto.
FONTE: Adaptado de: OXFORD Atlas of the World. 18 th ed. New York: Oxford
University Press, 2011. p. 135. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

LEGENDA: Esta é uma planta das ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro.
A escala cartográfica é suficientemente grande para mostrar pormenores.

FONTE: Adaptado de: OXFORD Atlas of the World. 18 th ed. New York: Oxford
University Press, 2011. p. 135. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

54

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Leia o texto a seguir, depois faça o que se pede.

Atualmente, muitos fabricantes de mapas utilizam tecnologias


computadorizadas para projetos de mapeamento, os sistemas computacionais
são mais rápidos, mais eficazes e mais baratos que as técnicas cartográficas
desenhadas à mão... Os mapas digitais podem ser disseminados
instantaneamente e divulgados pela internet. Entretanto, ainda é importante
entender os princípios cartográficos básicos para elaborar um bom mapa, pois
um sistema computadorizado de elaboração de mapas descreverá apenas
aquilo que foi instruído pelo operador.

PETERSEN, James; SACK, Dorothy e SABLER, Robert E. Fundamentos de


Geografia física. São Paulo: Cengage Learning, 2014. p. 38.

a) Indique duas facilidades que os mapas digitais proporcionam no cotidiano


das pessoas.

b) O texto permite afirmar que a tecnologia também foi incorporada à


Cartografia? Dê um exemplo que justifique a sua resposta.

2. A seguir, leia um texto sobre imagens de satélite e outro com notícias


recentes sobre o desmatamento no Brasil.

Texto 1:

Em 1988, o satélite Landsat, ao mesmo tempo em que consagrava o resultado


do acelerado programa de assentamento rural nos estados de Mato Grosso e
Rondônia, registrava índices alarmantes na Amazônia ocidental.
ROSS, Jurandyr L. Sanches (Org.). Geografia do Brasil. 6ª ed. São Paulo:
Edusp, 2011. p. 69.

Texto 2:

Taxa de desmatamento aumenta 29% em um ano na Amazônia Legal

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou [...] a taxa de


desmatamento na Amazônia Legal no período de agosto de 2012 a julho de
2013. A avaliação consolidada mostra um crescimento de 29% em relação ao
período anterior - agosto/2011 a julho/2012. O resultado final do mapeamento
de 2013 apresentou uma taxa de 5.891 quilômetros quadrados (km2)
desmatados, comparados a 4.571 km2 do período anterior.

VERDÉLIO, Andreia. Agência Brasil: Brasília, 10 set. 2014. Disponível em:


http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2014-09/taxa-de-desmatamento-
aumenta-29-em-um-ano-na-amazonia-legal-0. Acesso em: 30 set. 2015.

a) Relacione os dois textos dessa questão ao texto da questão 1.

b) Relacione os textos 1 e 2 à questão ambiental brasileira.

c) Comparando as informações dos textos 1 e 2, o que podemos concluir?


Considere a importância das imagens de satélite em sua resposta.

3. Leia o texto e reflita sobre as questões propostas.

De uso tão antigo como a própria Geografia, o termo escala encontra-se de tal
modo incorporado ao vocabulário e ao imaginário geográfico que qualquer
discussão a seu respeito parece desprovida de sentido, ou mesmo de utilidade.
Como recurso matemático fundamental da Cartografia, a escala é, e sempre
foi, uma fração que indica a relação entre as medidas do real e aquelas da sua
representação gráfica.

CASTRO, Iná Elias de. O problema da escala. In: CASTRO, Iná Elias de;
COSTA, Paulo Cesar da; CÔRREA, Roberto Lobato (Org.). Geografia,
conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012. p. 117.

Sobre escalas cartográficas, responda:

a) De que forma podemos representá-las?


b) Por que não podemos representar um continente na mesma escala que
utilizamos para representar uma cidade?

4. Observe os elementos do mapa abaixo. Depois, faça as atividades


propostas.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar . 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 94. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

a) Dê um título ao mapa.

b) Classifique o tipo de escala.

c) O que o mapa representa?

d) Cite um estado situado a leste e um situado a sudeste em relação a Minas


Gerais.

e) É um mapa geral ou temático? Explique.

5. Atividade interdisciplinar: Geografia e Matemática. Em um mapa cuja escala


é de 1:6.300.000, a distância em linha reta entre as cidades do Rio de Janeiro
e de Belo Horizonte é de 7,5 cm. Qual é essa distância na realidade?

6. Atividade interdisciplinar: Geografia e Matemática. Um aluno precisou medir


uma sala retangular de 8 metros por 12 metros. Para representá-la em uma
folha de caderno, ele construiu um retângulo de 8 centímetros por 12
centímetros. Que escala esse aluno escolheu?

55

capítulo 5. Linguagem cartográfica e leitura de mapas

LEGENDA: Na hora de viajar é sempre útil ter um mapa da região que vamos
visitar ou das estradas que vamos percorrer. Muitas vezes também
precisamos, no dia a dia, consultar um mapa ou um guia da cidade para
localizar uma rua ou um bairro. Para ler um mapa ou uma carta, precisamos
conhecer a linguagem dos mapas, ou a linguagem cartográfica. Na imagem
acima, mapa turístico de João Pessoa (PB), 2016.

FONTE: Robério Eloy/Acervo do artista

Tipos de mapas ou cartas


Os mapas e as cartas são o resultado visível da representação do espaço
geográfico pela Cartografia.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mapa "é a


representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos
geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície
de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos ou político-
administrativos, destinada aos mais variados usos - temáticos, culturais e
ilustrativos".

O IBGE considera carta "a representação no plano, em escala média ou


grande, dos aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma
superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas
convencionais - paralelos e meridianos -, com a finalidade de possibilitar a
avaliação de pormenores, em grau compatível com a escala".

56

Portanto, a diferença entre as duas representações está na escala utilizada


para a sua construção. Os mapas são produzidos em escala menor e contêm
representações mais generalizadas. Essas características podem ser
observadas, por exemplo, no mapa do Brasil representado abaixo.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar . 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 90. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Já as cartas são construídas em escalas maiores e, por isso, apresentam alto


nível de detalhamento, como as cartas náuticas, as cartas cadastrais urbanas e
as de navegação aérea. Veja abaixo um exemplo de carta náutica.

Quanto à finalidade, tanto os mapas como as cartas podem ser classificados


em:

- Gerais: são produtos cartográficos elaborados em escala pequena, isto é,


com menor nível de detalhamento, pois mostram gran des regiões e contêm
informações sobre temas variados (divisão política, cidades, rios, montanhas,
etc.), como um planisfério, por exemplo.

- Topográficos: são mapas e cartas que, pelo alto nível de precisão e


detalhamento que apresentam, podem representar aspectos naturais, como o
relevo terrestre (por meio de curvas de nível), a vegetação e a hidrografia, e
também aspectos não naturais, como os meios de comunicação e de
transporte. Por servirem de base para estudos e para a elaboração de mapas
temáticos, eles são também denominados mapas ou cartas de base.

LEGENDA: Exemplo de carta náutica

FONTE: Anonymous Donor/Alamy/Other Images

57

Os mapas topográficos, por utilizarem escala pequena, representam a


superfície terrestre com menor precisão do que a carta topográfica, que utiliza
escala média ou grande.

- Especiais: geralmente representados em escala grande, esses produtos


cartográficos atendem às necessidades de profissionais de diferentes áreas,
fornecendo informações técnicas bastante específicas, como as cartas
náuticas, aeronáuticas, militares, e os mapas meteorológicos (veja abaixo um
exemplo), entre outros.

FONTE: Adaptado de: FORSDYKE, A. G. Previsão do tempo e clima. São


Paulo: Melhoramentos/Edusp. (Série Prisma). CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da
editora

- Temáticos: fazem referência a um assunto ou tema específico da Geografia e


apresentam várias formas de representação qualitativa e quantitativa, de
acordo com o assunto analisado. Existem vários exemplos de mapas e cartas
temáticos. Entre eles, podemos citar os mapas climáticos, demográficos,
geológicos, os que representam impactos ambientais, econômicos e
geopolíticos. Veja um exemplo abaixo.

LEGENDA: Mapa temático que aborda um tema polêmico: o uso de produtos


transgênicos e os países que assinaram o Protocolo de Cartagena - tratado
sobre biossegurança assinado durante a Convenção sobre Diversidade
Biológica (CDB), em Cartagena, Colômbia. O protocolo regulamenta a
pesquisa, a manipulação e o transporte de organismos geneticamente
modificados (OGM) entre os países-membros do acordo, entre eles, o Brasil.
FONTE: Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34ª ed. São Paulo:
Ática, 2013. p. 31. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

58

Boxe complementar:

Leitura e reflexão

Ícone: Não escreva no livro.

O que é a cartografia tátil?

Trata-se de uma área específica da Cartografia dedicada ao desenvolvimento


metodológico e à produção de material didático para a transmissão de
conceitos cartográficos para alunos deficientes visuais e de visão subnormal. O
material didático usual corresponde a mapas táteis e maquetes.

O que é o Mapavox?

O Mapavox é um software desenvolvido para ser uma ferramenta


complementar nas aulas de Geografia e Cartografia aos alunos com deficiência
visual, através da utilização de maquetes táteis que representem cenários do
mundo real.

Desenvolvido para ser utilizado em microcomputadores com sistema


operacional Windows 95 ou superior, ele possibilita a integração de maquete
tátil ao sistema de síntese de voz - Dosvox, permitindo assim, a emissão de
sons, textos e imagens pré-programados e a criação e a edição de novos
textos.

Bastante versáteis, as maquetes geradas acopladas a um computador munido


do programa Mapavox permitem ao usuário programar a inserção e a emissão
de informações sonoras sobre a área tocada. As informa ções são acionadas
por sensores presentes na maquete, que se conecta a um microcomputador
por meio do Mapavox. Desse modo, a transmissão dos dados pode ser iniciada
por um toque do usuário ou por comandos no micro.

Atualmente, no Brasil, o sistema Mapavox integra do à maquete tátil representa


o que há de mais avançado na área da cartografia tátil e o que mais se
aproxima dos produtos com recursos sonoros gerados em pesquisas
internacionais para pessoas com defi ciên cia visual. A inovação desse sistema
consiste, principalmente, nos métodos de inserção de informa ções sonoras, na
facilidade de operação do software Mapavox, nos métodos simples e eficientes
de construção e inserção dos circuitos sonoros nas maquetes e no baixo custo
da tecnologia empregada.

As informações sonoras podem ser gravadas pelo gravador de som do


Windows, com o auxílio de um microfone. Esse recurso permite que o usuário
grave as informações no idioma que deseja, bem como realize mixagens de
sons diversos disponibilizados em meio digital, como, por exemplo, rugidos de
animais, barulho de rios, chuvas, entre outros. O programa Mapavox também
possui um editor de texto, em português, no qual o usuário pode digitar as
informações que deseja. Essas informações são disponibilizadas através de
uma voz sintetizada.

[...]

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E CIÊNCIAS EXATAS (IGCE), UNESP.


Ceapla: Projeto cartografia tátil. Disponível em:
www.rc.unesp.br/igce/ceapla/cartografiatatil/ cartografia.php. Acesso em: 30
set. 2015.

Glossário:

Visão subnormal (ou baixa visão): caracteriza-se pelo comprometimento do


funcionamento visual dos olhos, mesmo após tratamento ou correção. Pessoas
com baixa visão podem ler textos impressos ampliados ou com uso de
recursos ópticos especiais.

Fim do glossário.

LEGENDA: Deficiente visual trabalhando com material utilizado em cartografia


tátil. Foto de 2015.

FONTE: Paulo Ochandio/Arquivo da editora

- Sobre o texto, responda às questões propostas a seguir.

1. Para que público foi pensada a cartografia tátil?

2. Descreva com suas palavras o que realiza um software de síntese de voz.


3. Relacione a cartografia tátil à política de inclusão de alunos com
necessidades especiais na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

Fim do complemento.

59

A linguagem dos mapas

Na representação da superfície terrestre, os cartógrafos usam uma linguagem


própria - a linguagem dos mapas, ou a linguagem cartográfica.

Glossário:

Linguagem cartográfica: conjunto de símbolos e convenções que permitem a


elaboração de mapas e facilitam a sua leitura.

Fim do glossário.

Por meio dos mapas podemos obter informações, analisar e interpretar os


fenômenos geográficos neles representados.

Para facilitar a leitura e a interpretação dos mapas, convencionou-se utilizar


uma padronização universal de símbolos e cores. Dessa forma, os mapas
podem ser compreendidos por todos, indiscriminadamente. Esses símbolos
podem representar aspectos físicos, humanos, sociais e econômicos, entre
outras realizações da sociedade no espaço geográfico. Permitem também
estabelecer relações entre esses aspectos e chegar a importantes conclusões.
Veja o exemplo abaixo.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 28.

A maior parte dos mapas apresenta a rosa dos ventos ou uma seta indicando o
norte. De modo geral, quando não há essa indicação, convencionou-se que o
norte situa-se na parte superior do mapa. Na verdade, a direção norte na parte
de cima do mapa é apenas uma convenção, estabelecida há alguns séculos
pelos países que primeiro organizaram os mapas mais precisos e detalhados,
na época das Grandes Navegações e da expansão colonial. Assim, os países
que são representados no norte são os que estabeleceram essa convenção.
Nada impede que os mapas sejam "invertidos", com outras partes do mundo do
lado "de cima". Muitos mapas-múndi usados na Austrália e na Nova Zelândia,
por exemplo, apresentam o mundo "invertido".

A legenda é a chave para a leitura dos símbolos ou convenções cartográficas,


que são o conjunto de sinais, figuras e cores que aparecem nos mapas e por
meio dos quais podemos entender as informações que eles contêm.

Para representar as condições atmosféricas, por exemplo, são utilizadas várias


linhas, como isoietas, que unem pontos de igual precipitação, e as isotermas,
que unem pontos de igual temperatura (veja um exemplo no mapa da página
60). O comportamento das temperaturas e das chuvas em um lugar pode ser
representado por gráficos denominados climogramas, que veremos com mais
detalhes no Capítulo 11.

Glossário:

Climograma: gráfico que utiliza as coordenadas cartesianas para representar


a quantidade de precipitação e as temperaturas de uma localidade, medidas
em uma estação meteorológica.

Fim do glossário.

As cores planimétricas (preto, vermelho, azul e verde) representam elementos


que não envolvem altitude. O preto indica cidades, casas, vilas, limites políticos
e ferrovias. O vermelho indica rodovias e correntes marítimas quentes. O azul
indica presença de água ou a hidrografia: oceanos, lagos, rios, mares,
correntes marítimas frias. O verde indica todos os tipos de vegetação.

Tanto o relevo terrestre como o submarino podem ser re presentados de várias


formas - por cores (altitude), hachuras, blocos-diagramas -, porém as mais
usadas são as curvas de nível e o perfil topográfico.

As cores convencionadas pela Carta Internacional do Mundo (CIM) para


mostrar as altitudes são as hipsométricas e as batimétricas. As hipsométricas
(verde, amarelo, marrom, e, em alguns casos, violeta, violeta-escuro e branco)
indicam as cotas acima do nível do mar.

60

FONTE: Adaptado de: OXFORD Atlas of the World. 18th ed. New York: Oxford
University Press, 2011. p. 81. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora
As batimétricas (tons de azul) indicam as cotas abaixo do nível do mar, como
pode ser observado no mapa a seguir.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 40. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Topografia

A técnica utilizada para analisar o relevo do solo e que representa as


diferenças de altitude por meio de curvas de nível é chamada topografia. A
imagem resultante desse processo é a carta topográfica, muito usada em
projetos de engenharia, agronomia, arquitetura e urbanismo. Veja um exemplo
abaixo.

FONTE: Reprodução/IBGE

Curvas de nível

As curvas de nível, também chamadas isoípsas, são linhas que unem pontos
de igual altitude na superfície representada. Os intervalos existentes

entre essas linhas são equidistantes, isto é, têm sempre a mesma medida.

61

FONTE: Adaptado de: IBGE. Disponível em:


www.ibge.gov.br/home/geociencias/
cartografia/manual_nocoes/elementos_representacao.html. Acesso em: 30 set.
2015. CRÉDITOS: Maspi/Arquivo da editora

A interpretação das curvas de nível exige o conhecimento de algumas noções


básicas.

- Quanto maior a declividade do terreno representado, mais próximas são as


curvas de nível. Na representação de terrenos pouco íngremes ou planos elas
são mais afastadas.

Glossário:

Declividade: grau de inclinação de uma superfície.

Íngreme: o mesmo que inclinado.

Fim do glossário.
- Entre duas curvas de nível há sempre a mesma diferença de altitude.

- Pontos situados na mesma curva de nível têm a mesma altitude.

- Os rios nascem nas áreas mais altas e correm para as áreas mais baixas.

Perfil topográfico

A interseção da superfície do solo com o plano vertical que passa em


determinada região é o perfil topográfico. Esse tipo de representação permite
perceber altos e baixos do relevo no corte horizontal da carta que representa a
região.

É possível desenhar o perfil topográfico de uma área com base nas curvas de
nível traçadas. Os perfis topográficos mostram mais detalhes do que os mapas
porque utilizam uma escala horizontal e outra vertical.

Em um perfil estão representadas:

- a altura: dimensão vertical;

- a forma das encostas e a declividade: dimensão horizontal;

- a orientação: indicada pelos pontos cardeais;

- a escala horizontal: geralmente igual à do mapa representado;

- a altitude: escala vertical.

Veja as representações a seguir.

FONTE: Adaptado de: ROSS, Jurandyr. Relevo brasileiro: uma nova proposta
de classificação. Revista do Departamento de Geografia. Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, n. 4,
1990. p. 12. CRÉDITOS: Maspi/Arquivo da editora

62

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Leia a seguinte afirmação e depois responda.


Inúmeras são as utilidades de um mapa. Para a Geografia, possivelmente a
ciência que mais faz uso desse processo, seu conhecimento e sua correta
utilização são de fundamental significância.

FITZ, Paulo Roberto. Cartografia básica. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. p.
86.

· Aponte uma utilidade de um mapa e comente.

2. Classifique os tipos de mapa desta página e apresente pelo menos duas


diferenças entre eles.

FONTE: Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. 34ª ed. São Paulo:
Ática, 2013. p. 114. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 34. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

3. Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Leia o texto a


seguir, sobre os mapas.

Se um quadro vale mil palavras, um mapa vale um milhão. Uma vez que os
mapas são representações gráficas e utilizam linguagem simbólica, eles
mostram relações espaciais e retratam informações geográficas com muito
mais eficácia. Os mapas possuem uma quantidade de informações gráficas
que necessitaria de várias páginas para descrevê-las.

PETERSEN, James; SACK, Dorothy; SABLER, Robert E. Fundamentos de


Geografia física. São Paulo: Cengage Learning, 2014. p. 29.

a) Você se lembra de ter utilizado algum tipo de mapa recentemente? Comente


sua resposta.

b) Elabore um texto que tenha como tema a frase:

"Se um quadro vale mil palavras, um mapa vale um milhão".

4. Um conjunto de curvas de nível define corretamente o relevo quando a sua


densidade é tal que a altitude de qualquer ponto do terreno pode ser obtida,
com a precisão desejada, através de uma simples interpolação linear entre
duas curvas contíguas.
GRANELL-PÉREZ, Maria del Carmen. Trabalhando Geografia com as cartas
topográficas. Ijuí: Unijuí, 2001. p. 54.

a) Que outro nome recebem as curvas de nível?

b) O que as curvas de nível permitem definir?

c) Quais profissionais utilizam representações que destacam as curvas de


nível?

63

Concluindo a Unidade 2

Leia o texto a seguir.

Espelhos do mundo

Mapa feito na França em 1748 delineou novas fronteiras do Brasil continental


depois do Tratado de Tordesilhas

LEGENDA: A Carte de l'Amérique Meridionale, de 1748, foi a primeira


configuração do Brasil próxima à de hoje.

FONTE: Reprodução/Biblioteca Nacional da França, Paris.

Na concepção iluminista do século XVIII, mapas eram espelhos perfeitos do


território, projeções gráficas sobre o mundo real, ainda que a própria região
retratada ou suas fronteiras não fossem completamente conhecidas. Assim
pensavam o embaixador português em Paris, dom Luís da Cunha, e o principal
geógrafo europeu do período, o francês Jean-Baptiste Bourguignon D'Anville.
Em 1724, ambos deram início a uma parceria que levou D'Anville a desenhar a
Carte de l'Amérique Meridionale, impressa em 1748. Trata-se do primeiro mapa
da América do Sul (ou América Meridional) que deu ao Brasil feições parecidas
com as que tem hoje. "O mapa concebido por eles - ao fundirem política,
diplomacia, geografia e cartografia - 'inventou' um Brasil continental ao traçar
as fronteiras que os portugueses desejavam para sua possessão na América
do Sul", diz a historiadora Júnia Ferreira Furtado, da Universidade Federal de
Minas Gerais e autora do livro O mapa que inventou o Brasil (Odebrecht/Versal
Editores, 2013), ganhador em primeiro lugar na categoria Ciências Humanas
do prêmio Jabuti desse ano.
A configuração do território brasileiro havia sido acertada antes mesmo de sua
descoberta. Em 1494, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Tordesilhas,
em que se convencionou que as terras a serem descobertas situadas até 370
léguas a leste da ilha de Cabo Verde, no oceano Atlântico, pertenceriam aos
portugueses, e as terras a oeste dessa linha demarcatória imaginária seriam
dos espanhóis. O descobrimento ocorreu em 1500, e no século seguinte, com
o avanço da colonização e a exploração do território, a situação começou a
mudar. As fronteiras acordadas em Tordesilhas foram empurradas para oeste
em virtude da descoberta de ouro e pedras preciosas na região mais central do
país. Dom Luís da Cunha (1662-1749) sabia da importância que os mapas
teriam nas negociações diplomáticas com os espanhóis para mudar as
fronteiras na América Meridional a favor de Portugal. Também conhecia o
esmero com que D'Anville (1697-1782) fazia seus mapas. Dom Luís era um
embaixador experiente, respeitado nas capitais europeias. Teve como pupilos
Marco António de Azevedo, que se tornou ministro de Assuntos Estrangeiros, e
Sebastião José de Carvalho, o Marquês de Pombal. Já o francês era um
desenhista com talento e gosto por mapas, que havia sido nomeado
engenheiro e geógrafo do rei da França aos 22 anos.

LEGENDA: O Mapa das cortes, de 1749, foi a base para a discussão do


Tratado de Madri, em 1750, entre Portugal e Espanha.

FONTE: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.

D'Anville era geógrafo de gabinete, erudito, que nunca saiu de Paris. Concebia
suas cartas coligindo e estudando dezenas de documentos - outros mapas,
relatos de exploradores e viajantes, dados de astrônomos, matemáticos e
cosmógrafos. Com essas informações ele montava mapas muito próximos da
realidade.

64

E foi assim, com a preciosa ajuda de informações sigilosas passadas por dom
Luís, além do conhecimento que o português dispunha sobre o território
brasileiro, que foi desenhada a Carte de l'Amérique Meridionale.

[...]
MARCOLIN, Neldson. Revista Pesquisa Fapesp, nov. 2014. p. 88-89.
Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/11/18/espelhos-mundo/.
Acesso em: 30 set. 2015.

Agora, responda às questões.

1. Qual a importância da Carte de l'Amérique Meridionale?

2. Explique a frase: "A configuração do território brasileiro havia sido acertada


antes mesmo de sua descoberta".

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1. Existem diferentes formas de representação plana da superfície da Terra


(planisfério). Os planisférios de Mercator e de Peters são atualmente os mais
utilizados.

Apesar de usarem projeções, respectivamente, conforme e equivalente, ambos


utilizam como base da projeção o modelo:

a)

b)

c)

d)

e)

2. Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço que deriva da corrente


do Golfo para o norte, lembrei-me de um vidro de café solúvel vazio. Coloquei
no vidro uma nota cheia de zeros, uma bola cor-de-rosa choque. Anotei a
posição e data: Latitude 49°49' N, Longitude 23°49' W. Tampei e joguei na
água. Nunca imaginei que receberia uma carta com a foto de um menino
norueguês, segurando a bolinha e a estranha nota.

KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
(Adaptado).

No texto, o autor anota sua coordenada geográfica, que é


a) a relação que se estabelece entre as distâncias representadas no mapa e as
distâncias reais da superfície cartografada.

b) o registro de que os paralelos são verticais e convergem para os polos, e os


meridianos são círculos imaginários, horizontais e equidistantes.

c) a informação de um conjunto de linhas imaginárias que permitem localizar


um ponto ou acidente geográfico na superfície terrestre.

d) a latitude como distância em graus entre um ponto e o Meridiano de


Greenwich, e a longitude como a distância em graus entre um ponto e o
Equador.

e) a forma de projeção cartográfica, usada para navegação, onde os


meridianos e paralelos distorcem a superfície do planeta.

65

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UFSC) A linguagem cartográfica é essencial à Geografia. Neste âmbito,


considere as afirmações adiante.

I. O mapa é uma reprodução idêntica da realidade.

II. São elementos que compõem os mapas: escala, projeção cartográfica,


símbolo ou convenção e título.

III. A escala é a relação entre a distância ou comprimento no mapa e a


distância real correspondente à área mapeada.

Considerando as três assertivas, pode-se afirmar corretamente que:

a) apenas I é verdadeira.

b) apenas II é verdadeira.

c) apenas III é verdadeira.

d) apenas I e III são verdadeiras.

e) apenas II e III são verdadeiras.


2. (UFG-GO) Para atingir o objetivo de ler e interpretar mapas, o leitor
necessita identificar e analisar os elementos de representação cartográfica.
Dentre esses, a escala cumpre um papel importante, visto que é a partir dela
que se tem

a) a localização de um fenômeno na superfície terrestre.

b) a apresentação da superfície esférica no plano.

c) os diferentes fusos horários no globo.

d) a identificação dos diferentes hemisférios terrestres.

e) o nível de detalhe das informações representadas.

3. (Ufes) As figuras a seguir mostram o mundo representado em projeções


cartográficas diferentes.

Analisadas as figuras anteriores, é correto afirmar que:

a) ambas as projeções são cilíndricas, sendo a de Mercator equivalente e a de


Peters conforme.

b) a projeção de Mercator conserva as áreas dos continentes e, por esse


motivo, é chamada de eurocêntrica.

c) a projeção de Mercator é conforme, ou seja, conserva as formas dos


continentes e é a mais adequada para a navegação marítima.

d) a projeção de Peters é a mais adequada para a representação dos países


do Terceiro Mundo, pois mantém as formas em proporção correta.

e) a projeção de Peters é equidistante, ou seja, mantém a proporcionalidade


real nas medidas de distâncias e ângulos.

4. (PUC-RS) Imagine que você tem diante de si dois mapas que representam a
área urbana do Município de Porto Alegre, de acordo com as escalas
seguintes:

- Mapa 1 - escala 1:50.000

- Mapa 2 - escala 1:1.000.000

Com base nesses dados, é correto afirmar que:


a) em ambos os mapas ocorre uma representação rica em detalhes, o que
facilita a leitura dos elementos urbanos que constituem a cidade.

b) a escala do mapa 1 é mais recomendada para planisférios que fazem parte


de atlas escolares.

c) um mapa na escala 1:500 possibilita a representação da área urbana de


Porto Alegre com mais detalhes que os mapas 1 e 2.

d) o mapa 2, por ser maior que o mapa 1, é mais favorável à representação de


detalhes que este último.

e) a riqueza de detalhes que um mapa pode representar não depende da


escala, e sim da qualidade da legenda.

5. (UCS-RS) Os mapas representam as superfícies terrestres. Para poder


visualizá-las numa folha de papel ou na tela de um computador, usamos
escalas. Uma escala constitui a relação de redução entre as dimensões
apresentadas no mapa e seus valores reais correspondentes no terreno
representado.

Considere que, em uma planta urbana, a distância entre dois bairros é


representada por 20 cm. Sabe-se que a distância real em linha reta entre eles é
de 4 km. Com base nessas informações, pode-se deduzir que a escala nesse
caso corresponde a:

a) 1:5.

b) 1:80.

c) 1:2.000.

d) 1:20.000.

e) 1:8.000.000.

66

6. (UFV-MG) Com base na análise das representações do espaço em


diferentes escalas cartográficas, escolha a alternativa correta:

FONTE: INPE/LANDSAT/CBERS-2
a) A figura 3 é a que representa a maior porção do espaço, pois apresenta o
estado de Minas Gerais.

b) A figura 3 tem uma escala maior que a figura 1, representando mais


detalhadamente o espaço.

c) A figura 1 apresenta menos detalhes do espaço que a figura 2, pois possui


uma escala maior.

d) A figura 2 possui uma escala menor que a figura 3, representando uma


porção maior do espaço.

7. (Unifesp-SP) Observe o mapa, centrado num ponto do Brasil, que pode ser
empregado para uma avaliação estratégica do país no mundo.

FONTE: M. E. Simielli, Geoatlas. 1991.

Esse mapa foi desenhado segundo a projeção

a) de Mercator.

b) cônica equidistante.

c) de Peters.

d) azimutal.

e) de Mollweide.

8. (Mack-SP) Em um mapa com escala de 1:70.000.000, foi traçada uma rota


de navegação aérea entre dois pontos, A e B. O ponto A está a 45° oeste de
Greenwich, enquanto o ponto B, a 75° oeste de Greenwich. Entre os pontos A
e B, a rota de navegação media, no mapa, 20 mm. Sabendo-se que um avião
partiu de A para B, às 14h, no dia 7 de novembro, em um voo de 2 horas, está
correto afirmar que a distância percorrida e o horário local de chegada foram,
respectivamente,

a) 14.000 km e às 16h.

b) 140 km e às 10h.

c) 1.400 km e às 14h.

d) 1.400 km e às 16h.

e) 140 km e às 16h.
9. (Fuvest-SP) Considere os exemplos das figuras a seguir e analise as frases
relativas às imagens de satélite e às fotografias aéreas.

FONTE 1: INPE/LANDSAT/CBERS-2; FONTE 2: Base Aerofotogrametria

I. Um dos usos das imagens de satélite refere-se à confecção de mapas


temáticos de escala pequena, enquanto as fotografias aéreas servem de base
à confecção de cartas topográficas de escala grande.

II. Embora os produtos de sensoriamento remoto estejam hoje disseminados


pelo mundo, nem todos eles são disponibilizados para uso civil.

III. Pelo fato de poderem ser obtidas com intervalos regulares de tempo, dentre
outras características, as imagens de satélite constituem-se em ferramentas de
monitoramento ambiental e instrumental geopolítico valioso.

Está correto o que se afirma em:

a) I, apenas.

b) II, apenas.

c) II e III.

d) I e II.

e) I, II e III.

10. (PUC-RS) A projeção cartográfica da Terra representada no desenho é do


tipo:

67

a) azimutal.

b) cilíndrica conforme.

c) cônica.

d) Mercator.

e) Peters.

11. (Uespi) O assunto esquematicamente exposto a seguir é de grande


importância para a representação do espaço geográfico. Observe-o.

O que este gráfico está representando?


a) As curvas do tipo isóbaras.

b) As curvas de nível.

c) As curvas de isohigras.

d) As curvas de delimitação de bacias sedimentares.

e) As curvas que demarcam a probabilidade de sismos.

12. (UEL-PR) Analise a imagem a seguir e responda à questão: sobre a


obtenção e interpretação de imagens como a apresentada, é correto afirmar:

LEGENDA: Imagem de satélite da ilha do Mel, no estado do Paraná, 2012.

FONTE: 2012 Google Earth/Digitalglobe

a) Dentre os diversos objetivos da utilização do sensoriamento remoto destaca-


se a obtenção e análise de informações sobre materiais, objetos ou fenômenos
na superfície da Terra, a partir de dispositivos situados a distância.

b) O sensoriamento remoto é uma sofisticação tecnológica entendida como


avanço técnico que realiza mapeamento e convenções cartográficas de
imagens adquiridas por sensores próximos de seus alvos.

c) Na utilização do sensoriamento remoto, os dispositivos de coleta de dados


têm função de digitalizar a informação proveniente dos materiais, objetos ou
fenômenos terrestres, para posterior processamento e interpretação possíveis
de serem realizados por qualquer pessoa.

d) As atividades de sensoriamento remoto excluem o processamento


digitalizado de imagens, pois a técnica por si mesma fornece instrumentos que
facilitam a identificação e extração de informações para posterior interpretação.

e) A transformação de imagens em dados que possam representar


informações úteis está inteiramente realizada, uma vez que o sensoriamento
remoto descarta a necessidade do especialista humano para identificar cada
uma das classes de objetos passíveis de reconhecimento.

13. (Ufal) Observe atentamente a figura a seguir. Trata-se de um esboço de


curvas de nível.

Assinale qual a forma de relevo que mais se aproxima do que está


representado pelas curvas de nível no trecho XY.
a)

b)

c)

d)

e)

68

14. (UFU-MG) O mapa topográfico contém informações de relevo, codificadas


em curvas de nível, dispostas de forma mais ou menos concêntricas, conforme
a representação cartográfica a seguir.

FONTE: Adaptado de: http://async.com.br/. Acesso em: abr. 2006.

A partir das informações contidas na figura, é possível afirmar que no local


assinalado pela letra A temos:

a) uma depressão.

b) as maiores altitudes.

c) uma depressão e um lago.

d) um rio.

15. (UFPE) Examine, com atenção, a figura a seguir.

FONTE: www.ilhadomelonline.com.br

Ela nos permite afirmar que:

1. nela estão representadas, esquematicamente, linhas que unem pontos os


quais possuem a mesma pressão atmosférica.

2. a situação A corresponde a uma topografia colinosa e simétrica.

3. nas situações A e B estão representadas linhas que unem pontos que têm a
mesma cota.

4. a declividade de um terreno pode ser indicada pelas chamadas "curvas de


nível".

5. a situação B indica uma colina assimétrica, com área de convergência de


fluxos d'água.
A sequência correta seria:

a) V, V, V, F, F.

b) F, V, F, V, V.

c) F, V, F, V, F.

d) F, V, V, V, V.

e) V, F, F, F, V.

Questões de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (Unicamp-SP) A ilustração abaixo representa a constelação de satélites do


Sistema de Posicionamento Global (GPS) que orbita em volta da Terra.

Um estudo histórico, ilustrado por mapas, revela como a extensão do território


brasileiro aumentou ao longo do tempo.

a) Qual a finalidade do GPS? Como esses satélites em órbita transmitem os


dados para os aparelhos receptores localizados na superfície terrestre?

b) Defina latitude e longitude.

2. (Unicamp-SP)

As cartas e as fotografias tomadas de avião ou de satélites [...] representam


porções muito desiguais da superfície terrestre. Algumas cartas topográficas
representam, mediante deformações calculadas e escolhidas, toda a superfície
do globo; outras, a extensão de um continente; outras ainda, a de um Estado,
de uma aglomeração urbana; algumas cartas representam espaços de bem
menor envergadura; uma pequena cidade, uma aldeia. Há planos de bairros e
mesmo de habitação.

LACOSTE, Yves. Os objetos geográficos. Em: Seleção de textos. n. 18. São


Paulo: AGB, 1988. p. 9.

a) Quais são os principais elementos cartográficos que ocasionam as


"deformações calculadas e escolhidas", mencionadas pelo autor?
b) Seguindo a sequência de raciocínio do autor na delimitação geográfica, que
vai da superfície do globo à habitação, indique quais as escalas cartográficas
mais apropriadas aos estudos geográficos nesses dois casos.

69

3. (UFG-GO) Observe as figuras a seguir.

As figuras anteriores apresentam dois tipos de representação do relevo. A


análise dessa representação orienta o uso e a ocupação do espaço. Tendo-as
como referência

a) Identifique o tipo de representação do relevo utilizado em cada uma das


figuras.

b) Identifique entre as áreas A, B e C, destacadas nas figuras, a área propícia


à realização da agricultura mecanizada e explique por que essa área é a mais
adequada para essa atividade e como esse aspecto pode ser observado nas
figuras apresentadas.

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes

- A batalha dos mares

Direção: Peter Berg. Estados Unidos, 2012, 119 minutos.

Filme de ficção científica e guerra norte-americano, baseado no jogo de


tabuleiro batalha-naval. Satélites, cartas de navegação, mapas digitais, GPS e
coordenadas geográficas são utilizados, permitindo que o uso desses
instrumentos seja mais facilmente compreendido.

- As montanhas da Lua

Direção: Bob Rafelson. Estados Unidos, 1990, 130 minutos.

Em 1850, dois oficiais britânicos, capitão Richard Burton e tenente John Speke,
começam uma aventura para descobrir a nascente do Nilo, ao mesmo tempo
que modificam os mapas da região.

Livros

- Cartografia básica
Paulo Roberto Fitz. São Paulo: Oficina de Textos, 2008.

Obra que aborda os principais conceitos e suas derivações sobre Cartografia;


problemas de representação geográfica e técnicas mais adequadas de
resolução, além de tecnologias mais avançadas, como o geoprocessamento.

- Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola - Coleção Caminhos da


Geografia

Rosângela Doin de Almeida. São Paulo: Contexto, 2006.

O livro reúne os principais conceitos relativos à Cartografia.

- Geoprocessamento sem complicação

Paulo Roberto Fitz. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. A obra atende à
crescente popularização do sensoriamento remoto para aquisição de dados por
meio das imagens de satélite, em programas televisivos e pelo Google Earth.
Mostra desde a conceituação das bases de dados para a construção de
Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), sua estrutura, seu
comportamento e suas principais funções, até as técnicas de
geoprocessamento, sem descuidar da base cartográfica e dos critérios de
decisão que alimentam o processamento.

Sites

- http://earth.google.com

Neste site é possível viajar pelo mundo por meio das mais modernas técnicas
de Cartografia.

- www.ibge.gov.br/ibgeteen/atlasescolar/index.shtm

Você encontra informações sobre a história da Cartografia, seus principais


conceitos e técnicas.

- www.ibge.gov.br/ibgeteen/atlasescolar/mapas_mundo.shtm

Aqui você pode consultar diversos mapas temáticos de países do mundo.

- www.ibge.gov.br

No site geral do IBGE, pode-se consultar mapas físicos, políticos, temáticos e


interativos (digitais), do Brasil e de outros países.
70

unidade 3. Litosfera e relevo terrestre

LEGENDA: Limites divergentes entre as placas tectônicas norte-americana e


europeia, em Thingvellir National Park, na Islândia. Foto de 2013.

FONTE: Wolfgang Pölzer/Alamy/Latinstock

Nesta Unidade vamos estudar a litosfera, camada externa da Terra que está
sempre em construção e em transformação pela dinâmica natural dos agentes
transformadores do planeta. Vamos conhecer as estruturas geológicas e as
formas de relevo que servem de suporte para as atividades humanas que nela
acontecem e que muitas vezes provocam impactos ambientais preocupantes,
como a erosão e a poluição dos solos. Veremos também que, apesar de todo o
avanço tecnológico, alguns fenômenos naturais, como os terremotos e as
erupções vulcânicas, não podem ser controlados, e acabam causando grandes
prejuízos e danos para a sociedade.

71

capítulo 6. Litosfera: evolução geológica da Terra

LEGENDA: Acima, uma montagem de imagens obtidas por satélites, em 2013,


mostra a configuração atual do planeta Terra. Entretanto, os continentes e
oceanos nem sempre foram como conhecemos hoje. Para entender como o
planeta chegou a essa configuração, é preciso compreender o processo de
formação da Terra e suas esferas, a Teoria da Deriva dos Continentes e a
Teoria das Placas Tectônicas.

FONTE: ESA-Agência Espacial Europeia/Arquivo da editora

As esferas da Terra

A litosfera é a camada mais superficial do planeta Terra. Formada por rochas e


minerais, ela faz parte do cenário onde se desenvolve a vida na superfície
terrestre. Esse cenário, porém, é mais complexo e envolve também outras
camadas, ou esferas, intimamente relacionadas entre si. Vejamos quais são
elas.

Glossário:
Litosfera: é a esfera da Terra formada por rochas e minerais.

Fim do glossário.

- Atmosfera: esfera gasosa que envolve a Terra.

- Hidrosfera: compreende as águas oceânicas, as águas dos rios e dos lagos,


as águas subterrâneas e as da chuva.

- Biosfera: esfera onde estão os seres vivos.

As relações entre a litosfera, a atmosfera e a hidrosfera envolvem importantes


processos: a erosão, que modela o relevo terrestre; o ciclo da água; os
fenômenos meteorológicos que podemos perceber no nosso dia a dia, como
chuva, nevoeiro, queda de neve; entre outros.

A biosfera, por sua vez, estabelece as inter-relações entre as demais esferas:


compreendendo toda a matéria orgânica pertinente à vida na superfície da
Terra, ela forma o que chamamos meio ambiente, que permite o
desenvolvimento da vida no planeta.

A ilustração da página 72 representa as relações entre essas camadas.

Neste capítulo estudaremos a formação e a evolução da litosfera, ou esfera de


rochas, ao longo do tempo geológico, a fim de entender como o planeta
assumiu a atual configuração.

72

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora

O tempo geológico conta a história da Terra

Para o estudo da formação da Terra, utilizamos uma noção de tempo bem mais
ampla do que dias, anos, séculos e milênios, usados para regular o tempo das
sociedades humanas; empregamos o tempo geológico, medido em milhões e
bilhões de anos.

Como se vê, a noção de tempo para a Geologia é muito mais ampla do que
para a História. Para a Geologia, um milhão de anos é um espaço de tempo
"relativamente curto". O tempo geológico é dividido em quatro unidades que se
diferenciam por sua duração temporal. Em ordem decrescente dessa duração,
temos: éons, eras, períodos e épocas.
O conjunto formado pelas unidades de tempo geológico é conhecido como
escala geológica. Observe abaixo a ilustração que representa essa escala.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 266. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

73

Tabela: equivalente textual a seguir.

FONTE: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto Alegre:
Bookman, 2006. p. 248.

Boxe complementar:

Contexto e aplicação

Atividade interdisciplinar: Geografia e Química.

Métodos de datação

Vários métodos são empregados para determinar a idade de fósseis e


estruturas geológicas, o que permite reconstituir a história da Terra, embora
nem sempre seja possível obter datações precisas. Os principais são: a
termoluminescência e os métodos de datação, baseados na medição da
radioatividade (carbono-14, urânio-238, tório-230, potássio-árgon). A
termoluminescência consiste na medição da luminosidade que algumas
substâncias apresentam quando aquecidas. Por exemplo, ao ser aquecido, um
objeto emite certa luminosidade em razão da radioatividade presente em sua
massa; essa luminosidade é que vai indicar o tempo decorrido desde sua
fabricação. Quanto aos métodos de medição da radioatividade, o principal é o
que mede o carbono-14, elemento radioativo que é assimilado pelos seres
vivos. Quando o ser vivo morre, a quantidade desse elemento começa a
decrescer, e com isso pode-se determinar a época em que ele morreu.

Glossário:

Termoluminescência: emissão de luz em virtude do aquecimento de minerais


entre 50 °C e 475 °C.

Fim do glossário.

- Em grupo, realizem a atividade a seguir.


- Façam uma pesquisa mais detalhada sobre os métodos citados no texto que
vocês acabaram de ler. Procurem saber que critérios são considerados na
escolha do método de datação, justificando sempre as afirmações. O grupo
deve apresentar suas conclusões para a classe.

Fim do complemento.

74

Origem, formação e camadas da Terra

A Terra teve origem há cerca de 4,6 bilhões de anos, muito tempo depois da
formação do Universo, que teria surgido há cerca de 13 a 15 bilhões de anos
com uma grande explosão: o big-bang.

A teoria que explica a origem do planeta Terra é apenas uma hipótese. No


início, ele foi, muito provavelmente, uma grande massa incandescente que
apresentava em alguns pontos frias camadas rochosas. Envolta em gases, a
Terra sofria ataques de pedaços de rochas, meteoritos e restos de planetas
mais antigos, que abriam grandes crateras em sua superfície.

Ao mesmo tempo que perdia pedaços, e estes afundavam no manto derretido e


se fundiam novamente, a crosta terrestre tornava-se mais grossa. Quando isso
acontecia, eram emitidas nuvens de gases que envolviam todo o planeta.
Esses gases deram origem a grande parte da atmosfera terrestre, porém essa
atmosfera primitiva ainda não continha oxigênio. O oxigênio só passou a fazer
parte da atmosfera quando os organismos fotossintéticos evoluíram.

Vulcões lançavam lavas e mais gases sobre a superfície que se formava, e as


lavas ajudavam a engrossar a crosta. Os gases eram lançados na atmosfera
juntamente com o vapor proveniente do resfriamento da Terra, e as nuvens
formadas condensavam-se, fazendo com que caíssem as primeiras chuvas na
crosta já resfriada, formando os primeiros lagos e oceanos nas partes mais
baixas do relevo. Posteriormente, nas porções mais elevadas da superfície
desenvolveram-se os primeiros continentes e as primeiras montanhas.

Em seu processo de formação, a Terra conheceu altíssimas temperaturas.


Grande parte do planeta se fundiu e houve uma acomodação desigual de seus
componentes. Os materiais mais pesados afundaram e formaram o núcleo; os
mais leves flutuaram para a superfície e formaram a crosta. Assim, o interior da
Terra formou-se com três diferentes camadas: a crosta, parte externa,
composta de materiais leves; o manto, a camada intermediária; e o núcleo,
composto de materiais mais densos, separados por um manto.

Na crosta distinguem-se duas porções: a crosta oceânica e a crosta


continental. Com a parte superior do manto, a crosta forma a litosfera, que
repousa sobre uma camada de material em estado de semifusão, denominada
astenosfera, como mostra a figura a seguir.

O manto é formado por minerais, principalmente ferro e magnésio; apresenta


temperaturas que variam entre 100 °C e 3.500 °C, e pode ser dividido em
manto superior e manto inferior.

O núcleo, a camada mais profunda, é formado principalmente por ferro e níquel


e apresenta alta temperatura e alta pressão.

Glossário:

Fotossintético: relativo à fotossíntese (processo no qual as plantas captam a


energia luminosa e a convertem em energia química).

Magnésio: metal empregado principalmente em liga com alumínio.

Fim do glossário.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 10-11. CRÉDITOS: 87Luis
Moura/Arquivo da editora

75

Boxe complementar:

Leitura e reflexão

Atividade interdisciplinar: Geografia e Física.

O princípio da isostasia

O princípio da isostasia (do grego isos = igual e stasis = equilíbrio) explica o


estado de equilíbrio dos blocos continentais que flutuam sobre o manto: os
blocos mais pesados (cadeias de montanhas) mergulham mais profundamente
no manto do que os mais leves (planícies e depressões). Por tanto, quanto
mais alto e mais pesado for o bloco terrestre, maior será a parte mergulhada no
manto, compensando sua altura.

Podemos dizer que o conceito de isostasia baseia-se no princípio do equilíbrio


hidrostático de Arquimedes, que diz: "um corpo, para flutuar, desloca uma
massa de água equivalente à sua própria massa". Porém, como o manto sobre
o qual repousam os continentes não é comparável à água, uma vez que é um
fluido mais viscoso, o equilíbrio não é tão perfeito como o hidrostático, daí a
denominação equilíbrio isostático.

A crosta continental (menos densa) flutua sobre o manto e se aprofunda nele


como um iceberg no oceano (observe as imagens abaixo). Nos locais onde o
manto é mais espesso, o mergulho da crosta continental é mais profundo.
Assim, o volume relativamente menos denso da crosta em relação ao manto
permite que as montanhas mais altas se equilibrem, do mesmo modo que o
volume submerso do iceberg, mais leve do que o volume de água deslocado,
permite que ele flutue.

LEGENDA: Iceberg

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora

LEGENDA: Isostasia

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora

- Dê um exemplo diferente do que foi citado no texto para ilustrar o


princípio da isostasia.

Fim do complemento.

A origem dos continentes

A atual configuração dos continentes na superfície da Terra resultou de um


processo que levou à fragmentação e ao afastamento das terras emersas a
partir de um bloco único, denominado Pangeia.

Desde o final do século XVI, outros cientistas já suspeitavam de que os


continentes se movimentavam. Em 1596, o cartógrafo holandês Abraham
Ortelius (1527-1598), em seu livro Thesaurus geographicus (Tesouros
geográficos), chamou a atenção para os vestígios de uma possível separação
dos continentes no passado, com base na similaridade geométrica das linhas
costeiras dos continentes europeu, africano e americano: o encaixe entre
Europa e América do Norte, e entre África e América do Sul.

No século XIX, suas ideias foram retomadas pelo geógrafo francês Antonio
Snider-Pellegrini (1802-1885), que inseriu, em sua obra A criação e seus
mistérios desvendados, um mapa elaborado em 1858, mostrando que a
América e a África já teriam formado um único continente. Snider-Pellegrini
baseou-se principalmente em evidências paleontológicas, como a presença de
fósseis de plantas e animais idênticos encontrados em diferentes partes da
Terra - hoje separadas -, por exemplo, mas que teriam vivido nos mesmos
lugares, em épocas anteriores.

Glossário:

Paleontológica: referente a formas de vida que existiram em períodos


geológicos passados.

Fim do glossário.

Apresentamos a seguir duas teorias que se complementam e que procuram


explicar as etapas desse processo, responsável também pela formação do
relevo da Terra e pelas transformações que ocorrem na crosta.

76

LEGENDA: Em 1858, o geógrafo Antonio Snider-Pellegrini fez esses dois


mapas para mostrar como a África e a América do Sul se encaixavam.

FONTE: Adaptado de: TERRE. In: FUTURA-SCIENCES.COM. Disponível em:


www.futura-sciences.com/magazines/terre/infos/actu/d/geologie-derive-
continents-alfred-wegener-100-ans-43241/. Acesso em: 10 out. 2015.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

- Teoria da Deriva dos Continentes, defendida pelo meteorologista alemão


Alfred Lothar Wegener (1880-1930), em 1912;

- Teoria das Placas Tectônicas, desenvolvida na década de 1960 pelos


geólogos americanos Harry Hess (1906-1969) e Robert Dietz (1914-1995), que
comprovaram e explicaram melhor a Teoria da Deriva dos Continentes, como
veremos a seguir.
Teoria da Deriva dos Continentes

Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener retomou as ideias de


Ortelius e de Snider-Pellegrini, elaborando a Teoria da Deriva dos Continentes.
Segundo Wegener, há 200 milhões de anos teria existido um único
supercontinente, a Pangeia (do grego, 'todas as terras'), cercado por um único
oceano, o Pantalassa (palavra grega que significa 'todos os mares'). Nessa
época, a Pangeia teria iniciado seu processo de fragmentação, dando origem
aos atuais continentes.

Assim como sugeriu Ortelius, a principal evidência da teoria de Wegener era a


possibilidade de um encaixe perfeito entre a costa ocidental da África e a costa
oriental da América do Sul. Mais perfeito seria esse ajuste se fossem
consideradas as plataformas continentais dos dois continentes. Além disso, a
teoria se fundamentava também em evidências paleontológicas,
paleoclimáticas e nas semelhanças das estruturas geológicas das terras
analisadas. As semelhanças maiores estariam entre Europa e América do
Norte e entre Austrália, África e Índia, além da citada anteriormente, entre
África e América do Sul.

Glossário:

Paleoclimático: referente a climas que existiram em períodos geológicos


passados.

Fim do glossário.

Outro grande defensor da Teoria da Deriva dos Continentes, Alexander du Toit


(1878-1948), professor da Universidade de Johannesburgo, na África do Sul,
propôs que, na Era Mesozoica, a Pangeia teria se dividido em dois continentes:
Laurásia (América do Norte e Eurásia), ao norte, e Gondwana (América do Sul,
África, Antártida, Austrália e Índia), ao sul. As duas partes eram separadas pelo
mar de Tétis.

A partir daí, as divisões foram se sucedendo até os continentes atingirem sua


configuração atual:

- Há mais ou menos 130 milhões de anos, a América do Norte separou-se da


Eurásia.
- Há cerca de 125 milhões de anos, a América do Sul começou a se separar da
África, formando o Atlântico Sul. A Antártida e a Austrália se afastaram da
África, formando o oceano Índico.

- Há aproximadamente 65 milhões de anos, a Índia soltou-se da África e


chocou-se com a Eurásia. Do choque surgiu a cordilheira do Himalaia. Com o
isolamento das águas do Índico, formou-se o mar Mediterrâneo.

77

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 12-13. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Apesar de seus estudos, Wegener não conseguiu explicar um ponto


fundamental: por que os continentes teriam se movimentado pela superfície
terrestre durante o passado da Terra. Por isso suas ideias foram recebidas com
desconfiança pela comunidade científica da época e consideradas fantasiosas
ou, até mesmo, absurdas. Após a morte de Wegener, em 1930, a Teoria da
Deriva dos Continentes caiu no esquecimento.

Teoria das Placas Tectônicas

A possibilidade de ter havido uma "Deriva dos Continentes" voltou a ser


considerada quando novas técnicas foram desenvolvidas e utilizadas na
fabricação de equipamentos como o batiscafo e o sonar, que permitiram
conhecer melhor o fundo dos oceanos.

Glossário:

Batiscafo: pequeno submarino utilizado no estudo das profundezas dos


oceanos.

Sonar: equipamento que recolhe ecos do fundo dos oceanos.

Fim do glossário.

Durante a década de 1960, os geólogos americanos Harry Hess e Robert Dietz


conseguiram a explicação para o que tanto intrigava Wegener. A resposta
estava no fundo dos oceanos. Por isso suas conclusões, expressas a seguir,
foram chamadas de Teoria da Expansão do Fundo dos Oceanos.
- As rochas do fundo dos oceanos são de formação mais recente do que as
das bordas continentais.

- Ao longo das cordilheiras submarinas (dorsais oceânicas), abrem-se fendas


por onde passa o material magmático, que após resfriar-se forma uma nova
crosta, causando a expansão do fundo dos oceanos.

- Existem diferentes tipos de limite entre as placas tectônicas, o que permite


que verdadeiras "esteiras rolantes submarinas" sejam responsáveis pela
movimentação das placas tectônicas.

Assim, a retomada das ideias de Wegener sobre a deriva dos continentes e as


descobertas sobre a expansão do fundo dos oceanos permitiram a elaboração
da Teoria das Placas Tectônicas.

78

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 54. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Glossário:

Rifte: fraturas na crosta oceânica e na continental, provocadas por forças


tectônicas, que levam ao desenvolvimento de vales profundos.

Fim do glossário.

As placas tectônicas e seus limites

A litosfera não é uma crosta contínua: ela está dividida em placas com
espessura bastante variada, as chamadas placas tectônicas ou litosféricas, que
flutuam sobre a astenosfera, onde o material pastoso está em estado de
semifusão (reveja a figura "Estrutura da Terra", na página 74).

As maiores placas tectônicas são: Norte-Americana, Sul-Americana, do


Pacífico, Antártica, Indo-Australiana, Euro-Asiática e Africana. Existem também
placas menores, como as de Nazca, de Cocos, do Caribe, da Anatólia, da
Grécia e outras.

Como vimos, as placas movimentam-se sobre o manto. A velocidade dessas


placas é de 2 a 3 cm/ano, com diferenças de uma placa para outra. No fundo
dos oceanos, novas extensões de crostas se formam.
FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:
Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 13. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

79

Nas regiões de contato das placas estão as zonas geologicamente mais


instáveis da Terra, onde ocorrem as atividades responsáveis pelas
modificações na crosta: as atividades vulcânicas e os terremotos, ou abalos
sísmicos. É por isso que regiões localizadas nos limites das placas tectônicas,
como Japão, México, Califórnia, Oriente Médio e Itália, entre outras, são mais
sujeitas a esse tipo de fenômeno. As áreas mais estáveis, como o território
brasileiro, localizam-se no interior das placas. Mas isso não exclui a
possibilidade de que ocorra algum tremor no país, associado a falhas e
deslocamento interno de blocos na parte superior da crosta. A maioria dos
tremores é, em geral, de baixa intensidade, e muitas vezes nem chegam a ser
percebidos pela população.

Os limites das placas tectônicas estão sempre em movimento, mas não


acontecem da mesma forma. Daí podermos considerar três tipos principais de
limites: convergentes, divergentes e transformantes.

Limites convergentes

Há pontos onde as placas se encontram e colidem, os chamados limites


convergentes, ou zona de subducção. Nesses limites, uma das placas
mergulha por baixo da outra e retorna à astenosfera.

Assim como há dois tipos de crosta (oceânica e continental), há também as


placas continentais, que formam as terras emersas, e as placas oceânicas, que
formam o fundo dos oceanos. Por isso, há diferentes tipos de limite
convergentes.

- Encontro de uma placa oceânica com uma placa continental. Quando isso
acontece, geralmente formam-se fossas abissais. Um exemplo é a fossa Peru-
Chile, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, como se
pode ver na figura abaixo.

Glossário:
Fossas abissais: são as depressões mais profundas encontradas no fundo
dos oceanos.

Fim do glossário.

- Encontro de duas placas oceânicas. Nesse caso, podem dar origem a arcos
vulcânicos, que são cadeias de montanhas ou ilhas vulcânicas formadas
próximo aos continentes, em limites convergentes de placas tectônicas. O
arquipélago japonês e a fossa do Japão resultam desse tipo de limite, como
mostra a primeira figura da página 80.

- Encontro de duas placas continentais. Nesse caso, a subducção do tipo


oceânica não ocorre. Em vez de uma placa mergulhar sob a outra, geralmente
elas se sobrepõem. O exemplo mais conhecido é o choque da placa Euro-
Asiática com a placa Indiana, que originou a cadeia do Himalaia (veja a
segunda figura da página 80).

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 57. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

80

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 57. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: PRESS , Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 57. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Limites divergentes

Esse tipo de limite também é chamado cristas em expansão, ou margens


construtivas. Nesses pontos as placas estão em processo de separação: o
magma vindo do interior da Terra causa o afastamento das placas tectônicas e,
consequentemente, a formação de uma nova crosta oceânica, ou seja, um
novo assoalho oceânico, como se pode ver na figura abaixo e na figura que
mostra a expansão do fundo dos oceanos, que apresentamos na página 78.
São exemplos de formações de limites divergentes as cordilheiras submarinas
Mesoatlântica e Mesopacífica.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 52. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora
81

Limites transformantes

Neste caso, as placas deslizam horizontalmente uma ao lado da outra, ao


longo de uma linha conhecida como falha de transformação. São as chamadas
zonas de conservação, uma vez que não há destruição nem formação de
novas crostas, e a área da placa permanece constante.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 52. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Nesses deslizamentos as placas podem se resvalar e causar terremotos de


grandes proporções na superfície terrestre, como o que provocou grave
destruição na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, em 1906.

Geralmente, as falhas transformantes estão no fundo dos oceanos. No


continente, a mais conhecida é a falha de San Andreas (Califórnia, Estados
Unidos). Com cerca de 1.300 km de comprimento, essa falha é limite da placa
do Pacífico com a placa Norte-Americana, que deslizam horizontalmente uma
pela outra cerca de 5 cm por ano.

LEGENDA: Vista aérea do planalto de Carrizo, com destaque para a falha de


San Andreas, na Califórnia, Estados Unidos. Foto de 2014.

FONTE: Kevin Schafer/Biosphoto/Minden Pictures/Agência France-Presse

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Terremotos: sem hora marcada

Poucas catástrofes naturais são tão devastadoras quanto os terremotos. Mas o


que mata não é o tremor do chão, e sim as coisas que o homem constrói em
cima dele.

Você pensa que está pisando em terra firme? Provavelmente, nunca passou
por um terremoto. É assustadora a sensação de que o chão onde seus pés se
apoiam se voltou, de repente, contra você. Charles Darwin (1809-1882), o
famoso biólogo inglês, foi pego por um tremor violentíssimo durante suas
pesquisas no Chile, em 1835. "Um terremoto destrói, em apenas um segundo,
a mais arraigada de nossas convicções, a de que caminhamos sobre terreno
sólido", comentou Darwin. "Isso gera um sentimento de insegurança que só
pode ser entendido plenamente por quem passou por essa experiência."

O terremoto acontece, quase sempre, sem aviso prévio. Primeiro, surge um


barulho abafado, como o de um trem se movimentando debaixo da terra.
Depois, o chão começa a sacudir. Na maioria das vezes, a turbulência dura
poucos segundos e causa, no máximo, um susto. A tragédia ocorre quando o
tremor é prolongado ou intenso. O mundo vem abaixo, literalmente. Prédios,
pontes e viadutos desmoronam. O solo se racha e, em alguns casos, passa
para o estado líquido, afundando tudo o que existe em cima dele. [...]

82

Da ira divina ao movimento das placas

A Terra chacoalha muito mais do que a maioria das pessoas imagina. Todo
ano, acontecem 50 mil terremotos, dos quais uns 100 são fortes a ponto de
provocar danos em áreas povoadas. Os abalos que arrasam cidades inteiras,
como este que você vê na foto abaixo, ocorrem com uma frequência de um por
ano, em média.

Os gregos antigos atribuíam os terremotos à fúria dos deuses. Já os chineses


acreditavam que o mundo repousava sobre o lombo de um boi - de vez em
quando, o animal trocava seu ponto de apoio de uma pata para a outra,
fazendo a terra balançar. Na tradição japonesa, quem sustentava o peso do
planeta era um peixe gigantesco, mergulhado na lama das profundezas e
vigiado de perto por um deus, Kashima, que o mantinha quieto. Quando Tóquio
foi destruída por um terremoto, em 1855, não foi difícil entender a causa da
tragédia. Kashima tinha saído de viagem, em peregrinação a um templo
distante. O peixe aproveitou para cometer uma de suas travessuras.

O primeiro a explicar os terremotos sem recorrer a deuses ou bichos


mitológicos foi o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.). O subsolo estaria
repleto de "vapores" que, ao emergir para a superfície, sacodem o chão. A
teoria de Aristóteles é furada, mas valeu pelo esforço de objetividade. Hoje se
sabe que os terremotos são causados pelo movimento das gigantescas placas
que formam a superfície terrestre, as placas tectônicas.
[...]

Um país que convive com a tragédia

Um em cada 10 terremotos acontece no Japão. É que o país está localizado à


beira de uma fossa submarina, com 6 quilômetros de profundidade. Lá, a Placa
do Pacífico afunda para o interior do planeta, empurrada para baixo pela Placa
da Ásia. O atrito entre as duas placas faz o chão tremer.

Escaldados pelo cataclismo que destruiu Tóquio e Yokohama em 1923, os


japoneses se tornaram mestres na prevenção de terremotos. O país possui 120
estações sismológicas, atentas às mínimas vibrações do solo. Do transporte
ferroviário às redes elétricas, tudo é projetado de modo a aumentar a
segurança em caso de tremores de terra. Mas a perfeição é impossível.

[...]

A aposta na prevenção

Uma vez por ano, em 1º de setembro, os japoneses suspendem o trabalho,


mas não descansam. É o Dia da Prevenção, quando a população participa de
exercícios que ensinam os procedimentos mais seguros em caso de terremoto.
Nos edifícios, os moradores praticam as instruções de evacuação rápida. Nas
escolas, os alunos são orientados a vestir capuzes e a se proteger embaixo
das mesas quando não há tempo de deixar o prédio. Bombeiros percorrem as
aldeias com os "caminhões-terremoto". Na carroceria, um mecanismo especial
simula abalos de 7 graus na Escala Richter.

[...] Nas cidades de maior risco sísmico, os prédios são especialmente


projetados para suportar os piores terremotos.

A ligação entre as partes é bem mais firme do que nos prédios normais e a
estrutura é toda de aço, que num abalo forte curva mas não quebra, como o
concreto.

FUSER, Igor. Terremotos: sem hora marcada. Superinteressante, fev. 1998.


Disponível em: http://super.abril.com.br/comportamento/terremotos-sem-hora-
marcada. Acesso em: 6 out. 2015.

LEGENDA: Moradores observam estragos provocados por tsunami e terremoto


na cidade de Coquimbo, no Chile. Foto de 2015.
FONTE: Pablo Rojas Madariaga/NurPhoto/Corbis/Latinstock

Fim do complemento.

83

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Em um de seus


romances, o escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de
1998, descreve um "acidente geológico", como reproduzimos no trecho a
seguir.

[...] que a península Ibérica se afastou de repente, toda por inteiro e por igual,
dez súbitos metros, quem me acreditará, abriram-se os Pireneus de cima a
baixo como se um machado invisível tivesse descido das alturas, introduzindo-
se fendas profundas, rachando pedra e terra até o mar... Quando se tornou
patente e insofismável que a península Ibérica se tinha separado por completo
da Europa [...]

SARAMAGO, José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das Letras,


2006.

LEGENDA: Imagem de satélite da península Ibérica.

FONTE: Seawifs Project, Goddard Space Flight Center, and Orbimage/Nasa

a) Relacione o episódio fictício narrado por Saramago com as informações


deste capítulo.

b) Explique duas situações em que o processo descrito ocorreu realmente.

2. Leia o texto a seguir, depois faça o que se pede.

Para ordenar e comparar eventos passados, os geólogos desenvolveram uma


escala de tempo padronizada e aplicada no mundo inteiro.

FAIRCHILD, Thomas R.; TEIXEIRA, Wilson (et al.). Decifrando a Terra. São
Paulo: Oficina de Textos, 2001. p. 306.

- Compare o tempo histórico ao tempo geológico.


3. O conjunto formado pelas unidades de tempo geológico é conhecido como
escala geológica. Observe novamente, nas páginas 72 e 73, a ilustração e o
quadro que representam essa escala e identifique duas características
presentes em sua constituição.

4. Leia o trecho a seguir para responder às questões.

As primeiras ideias a respeito da deriva dos continentes são muito antigas e


surgiram da observação das suas formas [...]. Segundo Wegener deixou
escrito, foi a semelhança dos perfis costeiros de ambos os lados do Atlântico
Sul que lhe despertou a suspeita de um afastamento entre [...].

BRANCO, Samuel; BRANCO, Fábio. A deriva dos continentes. São Paulo:


Moderna, 2009.

a) Formulada em 1912, a Teoria da Deriva dos Continentes só obteve


reconhecimento a partir da década de 1960. O que foi descoberto nessa época
que deu crédito à teoria de Wegener?

b) Quais continentes você nomearia para completar a citação?

c) Identifique duas evidências do fato de esses continentes terem formado uma


massa única no passado.

d) Com a fragmentação da Pangeia, em que continente ficou localizado o


território brasileiro?

5. Sobre a crosta terrestre, responda aos itens a seguir.

a) A humanidade vive na crostra terrestre e aí exerce suas atividades.


Caracterize essa camada e justifique sua importância.

b) Os vulcões fazem parte da crosta terrestre. Por um lado, representam um


risco iminente para a população que reside em suas proximidades, como se vê
na imagem abaixo; por outro, permitem o aproveitamento de seu solo. Explique
essa afirmação.

c) Relacione o Brasil com a atividade vulcânica recente.

LEGENDA: Equipes de resgate buscam sobreviventes após terremoto, na


cidade de Katmandu, no Nepal. Foto de 2015.

FONTE: Stephen J. Boitano/LightRocket/Getty Images


84

capítulo 7. A Terra: estrutura geológica e formas de relevo

LEGENDA: As montanhas são uma das diferentes formas de relevo que


modelam a superfície terrestre, local onde o ser humano vive e realiza suas
atividades. Na foto, montanhas no Parque Nacional de Djurdjura, na Argélia,
em 2014.

FONTE: Farouk Batiche/Agência France-Presse

A constituição da crosta terrestre

Para entender como as formas de relevo se originaram, é importante conhecer


os materiais que compõem a crosta terrestre, a camada mais superficial da
Terra. Esse conhecimento também ajuda a compreender melhor certos
fenômenos que podem ser devastadores para a vida humana, como as
erupções vulcânicas e os terremotos.

As rochas que compõem a crosta são um agrupamento de minerais, que


apresentam elementos químicos em sua composição. Sabe-se, por exemplo,
que o granito é uma rocha formada basicamente por três minerais: quartzo,
feldspato e mica. Entre os vários elementos químicos encontrados na
composição desses minerais, podemos destacar: silício, alumínio e oxigênio,
no quartzo; potássio, alumínio e oxigênio, no feldspato; potássio, ferro e
magnésio, na mica.

85

Uma característica das rochas é encontrarem-se em estado sólido, ainda que


não sejam necessariamente duras ou compactas. A areia, por exemplo, é um
tipo de rocha, ou, mais propriamente, partículas de rocha (os grãos)
desagregadas por diferentes processos.

Quanto à origem, as rochas podem ser classificadas em magmáticas,


sedimentares e metamórficas.

Rochas magmáticas ou ígneas

Também denominadas rochas primárias, porque não dependem de uma rocha


preexistente. Formaram-se pelo resfriamento e solidificação do magma, o
material em estado de fusão de que é constituído o manto. A solidificação do
magma pode acontecer no interior ou na superfície da Terra, dando origem a
rochas magmáticas intrusivas ou extrusivas.

Glossário:

Fusão: passagem do estado sólido para o estado líquido.

Intrusão: introdução de material magmático no interior da crosta terrestre.

Extrusão: passagem forçada de um material através de um orifício.

Fim do glossário.

As rochas magmáticas intrusivas ou plutônicas, como o granito (foto abaixo) e


o diorito, formam-se quando o magma se resfria lentamente nas profundezas
da Terra, dando origem a cristais relativamente grandes.

FONTE: Lou Avers/dpa/Corbis/Latinstock

LEGENDA DAS IMAGENS: Monsanto, Portugal, 2015. As habitações desse


vilarejo são um exemplo de uso de granito (veja o detalhe desse tipo de rocha)
em construções.

FONTE: Biophoto Associates/Photo Researchers, Inc./Latinstock

As rochas magmáticas extrusivas ou vulcânicas, como o basalto e a obsidiana,


são formadas pelo magma expelido em erupções (veja foto abaixo). Como o
resfriamento e a solidificação do magma ocorrem rapidamente, não há tempo
para a formação de macrocristais.

LEGENDA: Vista do vulcão extinto Diamond Head, em Honolulu, capital do


estado do Havaí, nos Estados Unidos. Foto de 2015.

FONTE: cleanfotos/Shutterstock

Rochas sedimentares

Também chamadas rochas secundárias, porque dependem de uma rocha


preexistente. Formaram-se a partir da compactação de sedimentos
procedentes da erosão, do transporte e da deposição de minerais pela água,
pelo vento, por reações físicas e químicas e pela ação dos seres vivos. As
rochas sedimentares derivam-se, portanto, de rochas que sofrem a ação de
processos erosivos. São rochas sedimentares a areia, o calcário e o arenito.
FONTE: Delfim Martins/Pulsar Imagens

LEGENDA DAS IMAGENS: O vale da Lua, na Chapada dos Veadeiros, em


Goiás, é um conjunto de formações rochosas de origem sedimentar, sobretudo
calcário. Foto de 2014.

FONTE: Charles D. Winters/Photo Researchers, Inc./Latinstock

86

Rochas metamórficas

O termo metamórfica vem de metamorfose, que significa 'transformação'. As


rochas metamórficas, também chamadas rochas secundárias, foram
originalmente rochas magmáticas, sedimentares ou metamórficas que, pela
ação do calor ou pressão do interior da Terra, adquiriram outra estrutura. O
gnaisse e o mármore são exemplos de rochas metamórficas.

FONTE: Andrey Rudakov/Bloomberg/Getty Images

LEGENDA DAS IMAGENS: Pessoa anda sobre um piso de mármore (um tipo
de rocha metamórfica), em um hotel em Moscou, na Rússia, em 2015. No
detalhe, o mármore em estado bruto.

FONTE: Mauro Fermariello/SPL/Latinstock

O ciclo das rochas

As diversas possibilidades de transformação das rochas estão representadas


no ciclo das rochas. A ilustração abaixo mostra o dinamismo existente na
crosta terrestre, que possibilita que um tipo de rocha se transforme em outro.

As rochas magmáticas, sedimentares e metamórficas sofrem a influência dos


fenômenos que alteram a crosta terrestre, como os dobramentos, os
falhamentos, os terremotos, as erupções vulcânicas e a erosão, que vamos
estudar no Capítulo 9. Erosão, transporte e sedimentação, bem como a
cristalização do magma, são processos que favorecem a transformação das
rochas.

O ciclo se inicia com o resfriamento do magma, que dá origem às rochas


magmáticas. Estas, ao sofrerem erosão e ação do intemperismo, podem formar
rochas sedimentares; se submetidas a diferentes condições de temperatura e
pressão, transformam-se em rochas metamórficas. Esses outros dois tipos de
rocha também sofrem desgaste e metamorfismo, sendo empurrados para as
camadas mais profundas da Terra até fundirem-se novamente, constituindo
parte do magma e recomeçando um novo ciclo.

Glossário:

Dobramento: formação de dobras ou rugas em certos tipos de rocha, de


estrutura mais maleável, provocada por movimentos provenientes do interior da
Terra.

Falhamento: o mesmo movimento ou força que promove os dobramentos em


certos tipos de rocha pode provocar falhas ou rupturas em outras, mais
resistentes.

Intemperismo: conjunto de processos (físicos, químicos e biológicos) que


provocam a desintegração e a decomposição das rochas.

Fim do glossário.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 105. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

87

A estrutura geológica da superfície terrestre

As rochas e os minerais não estão distribuídos de maneira uniforme na


superfície terrestre. Sua disposição depende da ação das forças internas e
externas que agiram na Terra no decorrer do tempo geológico.

A esse conjunto de diferentes rochas de um lugar e aos vários processos por


elas sofridos, dando aos terrenos desse lugar uma característica própria,
damos o nome de estrutura geológica.

Na crosta terrestre há três tipos básicos de estrutura geológica: os núcleos


cratônicos, as bacias sedimentares e as faixas orogênicas.

Núcleos cratônicos ou escudos cristalinos

São rochas magmáticas e metamórficas muito antigas, das eras Pré-


Cambriana e Paleozoica. Sofreram forte processo erosivo, apresentando-se
desgastadas e com baixas altitudes. Aparecem de duas formas na litosfera:
- escudos ou crátons aflorados, quando estão expostos à ação de agentes
erosivos;

Glossário:

Cráton: porção de qualquer idade geológica da crosta terrestre, relativamente


estável e imóvel, que forma o núcleo de um continente ou a base de um
oceano.

Fim do glossário.

- embasamentos cristalinos ou plataformas cobertas, quando estão recobertas


por terrenos sedimentares.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 110. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

São exemplos de escudos cristalinos: os escudos das Guianas, Brasileiro,


Canadense, Siberiano e Guineano. Essas áreas são ricas em recursos
minerais, principalmente as que se formaram no Período Proterozoico da Era
Pré-Cambriana.

Bacias sedimentares

Com o passar das eras, os escudos cristalinos sofreram a ação de processos


erosivos. Os sedimentos assim produzidos e transportados pelo vento e pelas
águas acumularam-se em depressões existentes na superfície dos escudos
(bacias). Essas depressões, preenchidas pelos sedimentos que formaram
rochas sedimentares, são chamadas bacias sedimentares. Existem bacias
originadas nas eras Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. As bacias
Amazônica, do Meio-Norte e do Pantanal, que se encontram em território
brasileiro, são exemplos de bacias sedimentares. Os combustíveis fósseis -
carvão mineral e petróleo - são encontrados nesse tipo de estrutura geológica.

Faixas orogênicas

Ao longo da história da Terra a crosta terrestre sofreu movimentos produzidos


por forças internas, que deram origem a cadeias de montanhas. Podemos
diferenciar as faixas orogênicas pela sua antiguidade, ou seja, pela era
geológica em que se formaram.
Glossário:

Orogenia: do grego óros, 'montanha', 'colina'; o termo refere-se ao processo


de formação das montanhas.

Fim do glossário.

LEGENDA: Vista da serra do Espinhaço. Na parte inferior da foto, podemos ver


o Santuário do Caraça, em Catas Altas (MG). Foto de 2015.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens

- Faixas orogênicas antigas: datam de eras geológicas muito antigas, como a


Pré-Cambriana e a Paleozoica. No Brasil temos vários exemplos de serras
desse período.

88

As serras da Mantiqueira (que ocupa áreas dos estados de São Paulo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro), do Mar (que se estende do litoral do estado de Santa
Catarina até o litoral do estado do Espírito Santo), do Espinhaço (em Minas
Gerais; veja a foto na página anterior) são exemplos de faixas orogênicas
antigas. O mesmo pode ser dito dos Alpes escandinavos (na Noruega e na
Suécia) e dos Apalaches (nos Estados Unidos).

- Faixas orogênicas modernas: ocorreram na Era Terciária e deram origem


às mais altas cadeias de montanhas da Terra - Himalaia (na Ásia), Andes (na
América do Sul), Alpes (na Europa) e montanhas Rochosas (nos Estados
Unidos).

O relevo terrestre

A superfície terrestre apresenta várias "fisionomias" ou irregularidades, que


chamamos relevo. Essas "fisionomias" são o resultado da ação de forças e
movimentos originados no interior da Terra e do trabalho conjunto dos agentes
externos do relevo.

O conhecimento do relevo, ou seja, o estudo da geomorfologia, é fundamental


para que a ocupação do meio ambiente seja feita para preservá-lo. Por
exemplo: a construção de estradas, usinas, indústrias, bem como o
planejamento urbano e o aproveitamento agrícola, são trabalhos que exigem
estratégias adequadas do uso do solo.

A superfície terrestre abrange o relevo continental e também o submarino.


Observe, na figura, as principais formas do relevo continental e os diferentes
níveis encontrados no relevo submarino.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 425-427, 450-452. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo
da editora

O relevo continental

A fisionomia dos continentes, com seus altos e baixos, nos é muito mais
familiar do que as formas do relevo submarino e, muitas vezes, interfere
diretamente em nossas atividades. Por exemplo, as ladeiras íngremes de uma
cidade montanhosa dificultam a nossa locomoção. De outro modo, quem mora
na cidade de São Paulo ou em Curitiba (Paraná) precisa descer a serra para
chegar ao litoral.

Conforme observamos na figura abaixo, as principais formas do relevo


continental são:

- Montanhas: formas de relevo que apresentam maior altitude. Quanto à


origem, podem ser montanhas de dobras, de falhas, vulcânicas e de erosão.
Quanto à idade, existem montanhas velhas, novas e rejuvenescidas.

- Planaltos: superfícies que podem apresentar diferentes aspectos e que


resultam do trabalho de erosão em rochas cristalinas e sedimentares. Segundo
o professor Jurandyr Ross, planalto é uma superfície irregular, com altitudes
acima de 300 metros.

- Planícies: na definição do professor Jurandyr Ross, são superfícies planas,


com no máximo 100 metros de altitude, formadas por processo de
sedimentação das águas de rios, mares e lagos. Algumas planícies fluviais
podem se formar em compartimento de planalto, não importa a altitude.

- Depressões: são áreas mais ou menos planas que sofreram prolongados


processos erosivos.

89
Geralmente têm entre 100 e 500 metros de altitude. Segundo o professor
Jurandyr Ross, "são áreas mais planas do que os planaltos". As depressões
relativas situam-se acima do nível do mar, mas abaixo das regiões vizinhas. As
depressões absolutas estão situadas abaixo do nível do mar.

O relevo submarino

Como mostra a figura abaixo, de acordo com a profundidade podemos


diferenciar no relevo submarino alguns níveis com características próprias:

- Plataforma continental: com até 200 metros de profundidade a partir do nível


do mar, é praticamente uma extensão do continente. Área de deposição de
sedimentos, a maior parte vinda do continente, tornou-se um importante local
de exploração e pesquisa de petróleo.

- Talude continental: declive acentuado, que marca o fim da plataforma


continental.

- Região pelágica: as formas de relevo dessa região encontram-se em


profundidades entre 1.000 e 5.000 metros.

LEGENDA: Vista do Pantanal, no município de Poconé, Mato Grosso, em


época de cheia. Foto de 2014.

FONTE: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

- Região abissal: com mais de 5.000 metros de profundidade, é a região menos


conhecida. Escuridão, frio e pressão provocada pelo enorme peso das águas
oceânicas são as suas características principais. Mesmo assim, alguns animais
se adaptaram a esse ambiente.

No fundo dos oceanos, encontramos formas de relevo semelhantes às do


relevo continental. Veja algumas delas na figura abaixo.

As rochas e as formas de relevo estão sujeitas à ação de forças que agem


tanto no interior como na superfície da Terra, como veremos no capítulo
seguinte.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 425-430. CRÉDITOS: Luís Moura/Arquivo da
editora
Glossário:

Monte marinho: montanha submarina cujos picos não alcançam a superfície.

Planície abissal: planície localizada no leito dos oceanos (região pelágica).

Guyot: monte submarino, de topo aplainado, de origem vulcânica, que se


ergue da planície abissal.

Dorsal mesoceânica: cadeia de montanhas localizada no fundo dos oceanos.

Ilha vulcânica: topo de vulcão submarino que alcança a superfície.

Fim do glossário.

Boxe complementar:

O nível do mar

O nível do mar marca o limite entre o relevo continental e o submarino. É o


nível zero, usado para determinar as medidas de altitude e profundidade.

O relevo continental, com altitudes acima do nível do mar (com exceção das
depressões absolutas), é chamado relevo hipsométrico (do grego hypsi, 'em
cima, no alto'). O relevo submarino é o relevo batimétrico.

Glossário:

Batimétrico: relativo à batimetria, ciência que determina o relevo do fundo de


área oceânica, lacustre, fluvial, etc.

Fim do glossário.

Fim do complemento.

90

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Apresente situações que comprovem a importância das rochas para o


desenvolvimento das sociedades humanas.

2. Identifique as estruturas geológicas representadas nas fotos abaixo e aponte


três diferenças entre elas.
LEGENDA: Cordilheira dos Andes, vista de San Pedro do Atacama, Chile, em
2015.

FONTE: Rob Francis/Robert Harding/Agência France-Presse

LEGENDA: Parque Nacional do Pico da Neblina, no estado do Amazonas, em


2013.

FONTE: Governo Federal/Instituto Chico Mendes de Conservação da


Biodiversidade (ICMBio), 2013.

3. Atividade interdisciplinar: Geografia e Química. Leia a citação abaixo, depois


faça o que se pede.

O termo rocha tem uma variedade de significados, mas para os geólogos ele
se refere a um agregado sólido de um ou mais minerais...

WICANDER, Reed; MONROE, James S. Fundamentos de Geologia. São


Paulo: Cengage Learning, 2009.

· Explique por que a estrutura geológica é importante para definir o tipo de


relevo e as riquezas minerais que existem em uma região.

4. Atividade interdisciplinar: Geografia e Química. Sob a orientação do


professor, faça uma pesquisa para organizar a montagem de um mostruário
com alguns tipos de rochas e sua classificação. Se for possível, trabalhe no
laboratório de Química.

5. Observe o mapa e, de acordo com seus conhecimentos e com o que você


estudou neste capítulo, responda às questões abaixo.

FONTE: Adaptado de: SIMIELLI, M. E. Geoatlas. 34ª ed. São Paulo: Ática,
2013. p. 66. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

a) Qual é a forma de relevo predominante na África meridional?

b) Qual é a forma de relevo da baía de Delagoa, em Moçambique?

c) O lago Vitória - maior lago africano, situado entre Uganda, Tanzânia e


Quênia - localiza-se sobre que forma de relevo?

Ícone: Não escreva no livro.

91
capítulo 8. Agentes formadores e modeladores do relevo terrestre

LEGENDA: Os vulcões são uma das forças responsáveis pela formação e


transformação do relevo terrestre, os chamados agentes modeladores do
relevo. Na imagem, erupção do Piton de la Fournaise, um dos vulcões mais
ativos do mundo, nas Ilhas Reunião - território ultramarino francês localizado no
oceano Índico, a leste de Madagascar, África. Foto de 2015.

FONTE: Gilles Adt/Reuters/Latinstock

A dinâmica interna da Terra

As forças que criam e alteram as formas de relevo podem agir no interior da


Terra (agentes internos) ou na superfície terrestre (agentes externos). Os
movimentos das placas tectônicas são responsáveis pelos agentes
modificadores do relevo originados no interior da Terra. A maior parte da
atividade de deformação das rochas por forças internas ocorre nos limites das
placas tectônicas, isto é, nos pontos de contato entre as placas, como vimos no
Capítulo 6.

São agentes internos do relevo: o tectonismo, o vulcanismo e os abalos


sísmicos.

92

Tectonismo

O tectonismo ou diastrofismo compreende todos os movimentos que deslocam


e deformam as rochas que constituem a crosta terrestre. Manifesta-se por
movimentos verticais ou epirogênicos (do grego épeiros = continente) e
horizontais ou orogênicos (do grego óros = montanha).

Movimentos epirogênicos

São movimentos que provocam abaixamento ou soerguimento da crosta


terrestre. Ocorrem, muito lentamente, em áreas geologicamente mais estáveis.
Não provocam alterações na disposição e nas estruturas geológicas locais,
mas alteram a fisionomia do relevo das regiões por eles atingidas. Isso
acontece porque a epirogênese ergue e rebaixa grandes áreas dos
continentes. Em algumas áreas, como no litoral do mar do Norte, há
rebaixamento do litoral pela invasão das águas do mar (transgressões
marinhas). Em outras, como na Escandinávia, ocorre o levantamento da costa
pelo recuo dos oceanos (regressão marinha).

LEGENDA: Fiorde, na Noruega, 2015.

FONTE: Thomas Trutschel/Photothek/Getty Images

Glossário:

Fiorde: palavra de origem norueguesa, que significa 'braço estreito e profundo


de mar', situado entre altas escarpas ou montanhas.

Fim do glossário.

Movimentos orogênicos

São movimentos que dão origem a montanhas. Dependem da maior ou menor


resistência oferecida pelas rochas das regiões atingidas pelas forças do interior
da Terra. Têm pequena duração no tempo geológico, mas transformam
profundamente a área atingida, tanto a estrutura das camadas rochosas como
o aspecto do relevo. Existem dois tipos principais de orogenia: os dobramentos
e os falhamentos.

- Dobramentos: sempre que são submetidas a uma força proveniente do


interior da Terra, as rochas sofrem deformações. Se elas não oferecem muita
resistência a essa força, formam-se dobras (ondulações do terreno em
estruturas maleáveis).

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 274; 283-284. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da
editora

LEGENDA: Estrutura dobrada, na ilha de Creta, Grécia. Foto de 2015.

FONTE: Marco Simoni/Robert Harding/Agência France-Presse

93

- Falhamentos: ao contrário dos dobramentos, quando as rochas são rígidas e


muito resistentes, elas acabam se partindo se o choque a que são submetidas
aumenta de intensidade. Após a fratura, ocorre o deslocamento dos blocos
resultantes. As falhas, portanto, caracterizam-se por desníveis do terreno.
Quando não há desnível, apenas fratura, temos as diáclases.
LEGENDA: Salvador, capital da Bahia, está situada em uma falha tectônica
que divide a cidade em dois níveis: Cidade Alta e Cidade Baixa. Na foto, vista
do Elevador Lacerda, em 2014.

FONTE: Sergio Pedreira/Pulsar Imagens

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 275. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Além da epirogênese e da orogênese, outros movimentos internos, bem mais


rápidos e também ligados aos limites das placas tectônicas, podem interferir no
relevo terrestre. São as erupções vulcânicas ou vulcanismo e os terremotos ou
abalos sísmicos. De modo geral, esses fenômenos ocorrem nos limites das
placas tectônicas.

Vulcanismo

Chamamos de vulcanismo os fatos e fenômenos geográficos relacionados com


as atividades vulcânicas, em que o magma do interior da Terra chega à
superfície. A manifestação típica do vulcanismo é o cone vulcânico e o
amontoado de pó, cinzas e lavas formado pelas erupções.

LEGENDA: Um vulcão expele grande variedade de materiais: lava, gases, lama


e materiais piroclásticos (fragmentos de vários tamanhos: poeira, cinza fina,
cinza grossa, pedras grandes e blocos).

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 144. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

94

Boxe complementar:

Contexto e aplicação

Ícone: Não escreva no livro.

Vulcão e alteração do meio natural

Erupção vulcânica forma pequena ilha em arquipélago no Japão

Uma erupção vulcânica formou uma nova ilhota na costa de Nishinoshima, uma
pequena ilha desabitada no arquipélago de Ogasawara, ao sul de Tóquio,
segundo afirmaram [...] a guarda costeira japonesa e especialistas em
terremotos ouvidos pela AP [Associated Press].

LEGENDA: Na foto de 2013, vemos a atividade de erupção formando uma ilha


próxima à ilha de Nishinoshima, em Ogasawara, no Japão.

FONTE: The Yomiuri Shimbun/AP Images

Segundo a guarda costeira e a Agência Meteorológica do Japão, a ilhota tem


cerca de 200 metros de diâmetro e fica em um arquipélago de 30 ilhas, mil
quilômetros ao sul de Tóquio. O conjunto de ilhas, junto com o restante do
Japão, faz parte do chamado "Anel de Fogo" do Pacífico, uma área
sismicamente ativa, onde ocorre um grande número de terremotos.

[...]

Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/ 11/erupcao-vulcanica-


forma-pequena-ilha-em-arquipelago-no-japao.html. Acesso em: 8 out. 2015.

Cresce ilha vulcânica que surgiu em 2013 ao sul de Tóquio

Uma nova ilha vulcânica que surgiu há pouco mais de um ano e fica mil
quilômetros ao sul de Tóquio segue crescendo depois de se fundir com outra,
segundo novas imagens divulgadas nesta semana pela guarda costeira
japonesa.

"Uma cratera segue lançando matéria entre 5 e 6 vezes por dia", e a ilha se
estende a leste, explicaram em um comunicado.

"A alimentação regular de magma prossegue", comentou o vulcanologista Kenji


Nogami.

Os barcos não podem se aproximar a um raio de 6 km da ilha devido ao risco


de erupção, segundo o especialista.

A nova ilha, que nasceu em meados de novembro de 2013 por uma forte
atividade vulcânica, não para de crescer. Agora mede aproximadamente 1.950
metros de leste a oeste e 1.800 de norte a sul, no total 2,45 km2 , segundo a
guarda costeira.

[...]
LEGENDA: Desde que surgiu, a ilha aumentou de tamanho. Observe a foto de
2015.

FONTE: The Yomiuri Shimbun/AP Images

Mas o país do Sol Nascente não tem a exclusividade desse tipo de fenômeno.
Em 2013, uma ilha surgiu no mar da Arábia após um poderoso terremoto de
magnitude 7,7 no Paquistão, a centenas de quilômetros.

Disponível em: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/02/cresce-ilha-


vulcanica-que-surgiu-em-2013-ao-sul-de-toquio.html. Acesso em: 8 out. 2015.

- Responda às questões.

1. Por que é importante o estudo das erupções vulcânicas?

2. Faça uma pesquisa e aponte duas áreas do conhecimento que podem


auxiliar na prevenção de danos em áreas sujeitas ao vulcanismo.

Fim do complemento.

95

Vulcões e placas tectônicas

A maioria dos vulcões localiza-se próximo dos limites das placas tectônicas.
São os chamados vulcões de limite de placas. Porém, alguns deles localizam-
se no interior de uma placa tectônica, sendo por isso denominados vulcões
intraplacas, cujo exemplo mais notório é o arquipélago havaiano, situado no
interior da placa do Pacífico, local conhecido como "ponto quente" do Pacífico
ou do Havaí. Veja a ilustração abaixo. As atividades vulcânicas no interior dos
continentes são raras, exceto na África, que tem uma faixa de vulcões ativos no
sentido norte-sul. O caso africano pode ser explicado por fraturamento causado
pela placa Africana.

LEGENDA: Apesar de não ser consenso, admite-se que os "pontos quentes"


sejam formados por pluma mantélica, que vem à superfície por convecção.
Essa lava forma vulcões nas terras emersas ou no fundo do mar.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 159-161. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Glossário:
Pluma mantélica: coluna de lava que ascende do manto inferior até a crosta
terrestre.

Fim do glossário.

Os vulcões de limite de placas alinham-se no "encontro" das placas tectônicas,


no chamado Círculo de Fogo, que se estende pelos oceanos Pacífico e
Atlântico e pelo mar Mediterrâneo. Podemos dividir essa área em:

- Círculo de Fogo do Pacífico, onde estão 80% dos vulcões. Estende-se


desde a cordilheira dos Andes até as Filipinas, abrangendo o litoral oeste da
América do Norte e o Japão.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 16-17. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

96

- Círculo de Fogo do Atlântico, compreende a América Central continental,


ilhas do Caribe, Açores, Cabo Verde, Mediterrâneo, e a região do Cáucaso, no
sudeste da Europa.

Existem vulcões tanto nos limites de divergência como nos limites de


convergência das placas tectônicas.

Quase 80% das manifestações vulcânicas da Terra ocorrem em limites de


convergência, geralmente no fundo do mar. O movimento do manto afasta as
placas, e o magma preenche o espaço que se forma entre elas, dando origem
às dorsais ou cadeias oceânicas. As principais são a Mesoatlântica e a
Mesopacífica.

A cadeia Mesoatlântica localiza-se no centro do Atlântico, tendo a leste a


Europa e a África, e a oeste o continente americano. Nessa cadeia, entre as
placas Sul-Americana e Africana, existe uma sequência de vulcões. Na
Islândia, onde a dorsal Atlântica está a céu aberto (veja o mapa abaixo), a
atividade vulcânica é visível e mais intensa que a submarina.

LEGENDA: O mapa mostra a dorsal Atlântica dividindo a Islândia e separando


a placa Norte-Americana da placa Euro-Asiática, e localiza alguns dos vulcões
ativos da Islândia (representados por triângulos vermelhos), incluindo o Krafla,
no nordeste do país. Também podemos localizar o vulcão Eyjafjallajökull, que
em 2010 entrou em erupção e obrigou as autoridades a fechar o espaço aéreo
europeu, causando um caos mundial nos transportes aéreos.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E-11. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Nas zonas de convergência (subducção) também ocorrem ilhas vulcânicas,


que podem se apresentar em forma de arco vulcânico, como o Japão, a
Indonésia, as Filipinas e as Marianas. Os vulcões dos Andes formaram-se na
zona de subducção entre as placas de Nazca (oceânica) e Sul-Americana
(continental).

Aspectos positivos do vulcanismo

Apesar do seu poder destrutivo, as atividades vulcânicas propiciam benefícios


à população que reside em áreas próximas a vulcões. Os solos originados de
materiais vulcânicos contêm nutrientes minerais que os tornam
extraordinariamente férteis. A água do mar que circula nas fissuras do sistema
vulcânico das dorsais oceânicas é um dos principais fatores responsáveis pela
formação de minérios e pela preservação do balanço químico dos oceanos. A
energia térmica do vulcanismo é atualmente aproveitada em regiões mais frias
da Terra, como na Islândia, onde a maioria das casas é aquecida por água
quente, encanada a partir de fontes quentes. Essa fonte de energia também é
explorada na produção de eletricidade em países da Europa, da América do
Norte e da Ásia.

Abalos sísmicos

Uma das manifestações mais temíveis e destruidoras dos movimentos da


crosta terrestre são os terremotos ou abalos sísmicos. Eles são causados pela
ruptura das rochas, provocada por acomodações geológicas de camadas
internas da crosta, ou pela movimentação das placas tectônicas, que produzem
ondas vibratórias que se espalham em várias direções, dando origem aos
sismos. O ponto onde o terremoto se origina recebe o nome de centro ou foco.
E o ponto da superfície terrestre situado diretamente acima do centro é o
chamado epicentro, onde o terremoto é sentido com maior intensidade.
O instrumento usado para medir a intensidade sísmica, ou seja, a energia
liberada durante um terremoto, é o sismógrafo, que segue a escala Richter
(veja a seguir boxe sobre o assunto), em princípio graduada de 1 a 9. Na
verdade, não existe uma medida máxima nessa escala, mas, como tremores
superiores a 9 graus são raros, atualmente pode-se considerar 9,5 o grau
máximo.

97

Boxe complementar:

Escala Richter

A escala Richter, criada em 1935 pelos cientistas Charles Francis Richter e


Beno Gutemberg, é uma escala logarítmica. Nesse tipo de escala, a diferença
de uma unidade (terremotos de 5 e 6 graus, por exemplo) é muito grande. Um
terremoto de magnitude 6 na escala Richter é 10 vezes mais forte do que um
de magnitude 5. Ainda em relação a um terremoto dessa magnitude, um
terremoto de magnitude 7 é 100 vezes mais destruidor e um de magnitude 8 é
1 000 vezes mais devastador.

Veja o quadro abaixo.

Quadro: equivalente textual a seguir.

Efeitos do terremoto na escala Richter

Menos de 3,5 Geralmente não é sentido, mas pode ser registrado.

Frequentemente não é sentido, mas pode causar pequenos


De 3,5 a 5,4
danos.

De 5,5 a 6 Ocasiona pequenos danos em edificações.

Pode causar danos graves em regiões onde vivem muitas


De 6,1 a 6,9
pessoas.

De 7 a 7,9 Terremoto de grandes proporções, causa danos graves.


De 8 graus ou Terremoto muito forte. Causa destruição total na comunidade
mais atingida e em comunidades próximas.

FONTE: Adaptado de: CAMPAGNER, Carlos Alberto. Disponível em:


http://educacao.uol.com.br/disciplinas/matematica/escala-richter-terremoto-e-
medido-em-escala-logaritmica.htm. Acesso em: 11 out. 2015.

Fim do complemento.

Em limites ou falhas transformantes, onde não há convergência nem


divergência de placas, como na falha de San Andreas, na Califórnia, é comum
ocorrerem terremotos.

Veja, no mapa abaixo, alguns dos maiores terremotos já ocorridos.

De modo geral, as consequências dos terremotos são mais graves quando


atingem países não desenvolvidos e mais pobres. Fatores diversos, como falta
de recursos, má distribuição de renda, governos corruptos e indicadores sociais
baixos, desequilibram a sociedade e resultam em ausência ou ineficácia de
infraestrutura para a prevenção desses tremores, baixa (ou falha) assistência
às vítimas, trabalhos de reconstrução demorados. A destruição provocada
pelos terremotos agrava a situação de pobreza desses países e vice-versa.
Como exemplos, podemos citar tragédias ocorridas recentemente na Turquia,
em El Salvador, no Haiti, no Paquistão e, em 2015, no Nepal.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 17. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

98

O impacto que eventos dessa magnitude tem em países desenvolvidos, como


Estados Unidos e Japão, também é enorme, mas o custo social e econômico é
diferente: governos e empresas privadas planejam construções que resistam
às oscilações provocadas pelos terremotos. Nessas nações, institutos de
pesquisa, providos de avançados aparelhos sismológicos, estão preparados
para detectar terremotos a tempo de alertar as populações e evitar catástrofes
de maiores proporções. O socorro e o atendimento às vítimas são mais
estruturados, e a reconstrução das áreas atingidas, mais acelerada.
Um exemplo recente da discrepância no enfrentamento dessas situações foi o
dos terremotos que atingiram o Haiti (7° na escala Richter), em 2010, e o Japão
(8,9º na escala Richter), em 2011. Não há dúvida em afirmar que as diferenças
socioeconômicas entre os dois países são fundamentais para entender essa
discrepância, pois as obras de reconstrução no Japão também têm sido muito
mais rápidas do que no Haiti.

FONTE: The Yomiuri Shimbun/Agência France-Presse

LEGENDA DAS IMAGENS: No Japão, em 2011 (foto 1), cidades foram


arrasadas pelo tsunami que se seguiu ao terremoto. O número oficial de
vítimas gira em torno de 15 700 mortos e cerca de 4 mil desaparecidos. No
Haiti, em 2010 (foto 2), estima-se que metade das construções da capital foram
destruídas, 250 mil pessoas foram feridas, 1,5 milhão de habitantes ficaram
desabrigados e o número de mortos ultrapassou 200 mil, apesar de a
magnitude do terremoto ter sido menor do que a do Japão.

FONTE: Tommy Trenchard/Demotix/Corbis

A dinâmica externa da Terra

O trabalho dos agentes internos do relevo é complementado ou modificado


pela ação de agentes externos que desgastam, destroem e constroem formas
de relevo, modelando a superfície da Terra. Os dois principais agentes
externos são o intemperismo e a erosão.

Intemperismo

O intemperismo compreende um conjunto de processos que causam a


decomposição ou a desintegração dos minerais que compõem as rochas. É
resultado da exposição contínua das rochas a agentes atmosféricos ou
biológicos. Pode ser físico ou químico.

Como exemplo de intemperismo físico, podemos citar o congelamento da água


retida em uma fenda de rocha. Como o volume da água aumenta quando ela
se congela, os sucessivos derretimentos e congelamentos podem causar o
alargamento da fenda e a desagregação das rochas. No intemperismo químico,
as rochas se decompõem a partir de uma reação química ocorrida com o
contato de elementos como o ar e a água. Também podemos dizer que a
matéria orgânica ou organismos produzem alterações químicas e físicas. Um
animal que escava e se movimenta em fissuras pode quebrar uma rocha,
assim como uma fratura de rocha pode ser alargada pela raiz de uma árvore.

Os solos, por exemplo, são resultado do intemperismo (assunto que veremos


no Capítulo 9).

Erosão

O trabalho de erosão compreende três etapas: desgaste, transporte e


deposição dos materiais que formam a crosta terrestre. Os principais agentes
erosivos são: a água das chuvas, das enxurradas, do gelo, dos rios, mares e
oceanos, o vento e as atividades humanas.

A erosão pluvial

A chuva é um dos agentes erosivos mais ativos: ao cair contínua ou


intensamente sobre uma área, pode abrir desde pequenos buracos até
enormes rachaduras no solo. Além disso, pode causar o desgaste do solo,
arrastando com as enxurradas parte do material que o compõe.

99

À erosão provocada pelas águas da chuva damos o nome de erosão pluvial.


Conforme o grau de agressão da força destrutiva dessas águas, podemos
considerar diferentes tipos de erosão pluvial:

- Superficial: leva partículas do solo, principalmente se não houver uma


cobertura vegetal para protegê-lo.

- Laminar: a quantidade de material carregado pela água é maior que na


erosão superficial.

- Erosão de sulcos: quando a enxurrada abre pequenos buracos no solo.

- Erosão de ravinamento: é a forma mais agressiva de erosão pluvial. Abre


verdadeiras "crateras" no solo, as perigosas voçorocas, que levam grandes
pedaços de terreno cultivável, pastos e até mesmo partes de ruas de cidades
(veja a foto). Leia, no boxe a seguir, um texto sobre alguns danos causados
pela erosão.

LEGENDA: Voçoroca em solo degradado em Cacequi (RS). Foto de 2015.


FONTE: Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Erosão é mais perigosa às cidades costeiras do que a elevação do mar, diz


estudo

Em algumas partes do globo, o solo está cedendo dez vezes mais rápido que a
elevação do nível da água. As causas geralmente estão relacionadas a
intervenções humanas na natureza.

Décadas de extração de água fizeram, por exemplo, o solo da cidade de


Tóquio ceder dois metros antes de a prática ser abolida. Discursando na
Assembleia Geral do Sindicato Europeu de Geociência, pesquisadores
disseram que outras cidades devem seguir o exemplo japonês.

Abaixo do nível do mar - Gilles Erkens, do Instituto de Pesquisas Deltares


(IPD), em Utrecht, na Holanda, disse que partes de Jacarta, na Indonésia, Ho
Chi Minh, no Vietnã, Bangcoc, na Tailândia, e uma série de outras cidades
costeiras podem chegar a patamares abaixo do nível do mar, a menos que
medidas sejam tomadas.

"A erosão do solo e a elevação do nível do mar estão ocorrendo ao mesmo


tempo e contribuindo para um problema em comum: inundações cada vez mais
graves", disse Erkens à BBC.

O grupo de cientistas do IPD analisou as soluções criadas por essas cidades


para o problema e identificou as melhores iniciativas, publicadas em um
relatório.

"A melhor solução é também a mais rigorosa: parar de extrair água potável do
subsolo. Mas, é claro, essas cidades precisarão de novas fontes de água
potável. Tóquio fez isso, e a erosão praticamente parou. Veneza, na Itália,
também fez isso."

Extração de água - A cidade italiana registrou uma intensa erosão no último


século por causa da constante extração de água do subsolo. Quando isso
parou, a erosão foi interrompida, segundo análises feitas nos anos 2000.
Um estudo do pesquisador Pietro Teatini, da Universidade de Padova, mostrou
que a erosão agora está restrita a certas áreas e associada a determinadas
práticas.

"Quando um edifício é reformado, seu peso aumenta. Isso pode fazer o solo
ceder até cinco milímetros por ano", afirma Teatini.

A intensidade da erosão depende de quão compacto é o solo abaixo dos


edifícios, de acordo com a pesquisa.

Erosão natural - Como todas as cidades, Veneza ainda tem de lidar com a
erosão natural do solo. Processos geológicos fazem o solo da cidade ceder
cerca de um milímetro por ano. Mas, de forma geral, o impacto gerado por
intervenções humanas é maior do que a erosão natural.

Agora, cientistas têm uma ferramenta poderosa para analisar essa questão.
Um equipamento conhecido como Interferometric Synthetic Aperture Radar
sobrepõe imagens de satélite captadas ao longo do tempo para identificar as
deformações do solo. O banco de imagens tem registros feitos a partir dos
anos 1990.

Enquanto isso, a Agência Espacial Europeia acaba de lançar um novo satélite


para ajudar nesse tipo de estudo.

BBC Brasil. Disponível em:


http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2014-04-30/erosao-e-
perigo-maior-as-cidades-costeiras-do-que-a-elevacao-do-mar-diz-estudo.html.
Acesso em: 10 out. 2015.

Fim do complemento.

100

Deslizamentos

O desgaste provocado pelas águas da chuva pode ser mais intenso com a
inclinação do terreno e a falta de vegetação. Chuvas fortes deslocam e
transportam materiais nas vertentes de morros, provocando deslizamentos e
desabamentos que colocam muitas áreas em risco. Geralmente, como são
áreas ocupadas pela população de baixa renda, as tragédias decorrentes
desses deslizamentos assumem proporções sociais muito graves.
Os deslizamentos ocorrem graças à tendência que a camada superficial do
solo tem de deslizar de cima para baixo. A velocidade e a intensidade desse
deslizamento vão depender da maior ou menor permeabilidade dos solos e do
declive.

O movimento mais lento desse material (rastejamento) costuma formar na base


da inclinação um acúmulo de fragmentos rochosos de tamanhos e formas
variáveis, que chamamos de tálus. Quando, por qualquer interferência, humana
ou natural, o tálus é rompido, toda a encosta vem abaixo. O ser humano pode
acelerar o processo ao "cortar" o tálus para abrir estradas, construir casas, etc.
O deslizamento de terra também pode ser acelerado por desmatamento.

LEGENDA: Deslizamento de terra em área afetada pelas chuvas, na


comunidade de Barro Branco, em Salvador (BA), em 2015. O desmatamento e
a construção de moradias em áreas como a mostrada na foto podem provocar
graves danos ao ambiente e à vida.

FONTE: Romildo de Jesus/Futura Press

A erosão fluvial

A ação das águas dos rios e das torrentes sobre a superfície terrestre é
chamada erosão fluvial. Esse trabalho compreende o escavamento do leito, o
transporte e a deposição ou acumulação de sedimentos.

Enquanto escavam seu leito e modelam as vertentes, as águas dos rios


formam os vales fluviais, que podem ter diferentes aspectos, como veremos a
seguir. Esse é o trabalho mais significativo da erosão fluvial.

Veja as principais formas de vales:

FONTE: Adaptado de: GATICA, Yasna; ARCE, Luis Alejandro. Geografía.


Santiago: Santillana, 2007. p. 45. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Ingeborg
Asbach/Arquivo da editora

101

As etapas da erosão fluvial

Como vimos, os rios cavam os vales. A profundidade, a largura e as formas


desses vales modificam-se com o tempo. As fases desse trabalho de
modificação do relevo realizado pelos rios podem ser comparadas com as
etapas da vida humana: juventude, maturidade e velhice. Observe:

LEGENDA: Nessa fase, o rio realiza o trabalho de erosão.

LEGENDA: Na fase de maturidade, o rio transporta sedimentos e começa o


trabalho de acumulação.

LEGENDA: Nessa fase, predomina o trabalho de deposição com formas como


as planícies fluviais e os meandros (curvas acentuadas).

FONTE: Adaptado de: GATICA, Yasna; ARCE, Luis Alejandro. Geografía.


Santiago: Santillana, 2007. p. 45. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Ingeborg
Asbach/Arquivo da editora

Boxe complementar:

A água subterrânea e o relevo calcário

Parte das águas das chuvas que caem sobre a superfície da Terra infiltra-se no
subsolo, formando a água subterrânea. Essa água realiza um trabalho de
erosão no subsolo, modelando formas bem características, principalmente em
terrenos constituídos por rochas de fácil dissolução. O calcário é uma delas, e
as regiões onde ele é trabalhado pelas águas formam um relevo típico
denominado karst (nome emprestado de uma região da Croácia).

Sem dúvida, as cavernas são as mais belas formações desse relevo, que
apresenta vários outros aspectos característicos, como os lapiás (formas
superficiais) e as dolinas (depressões).

Nas cavernas encontramos formações especiais - as estalactites e as


estalagmites, que também recebem o nome de espeleotemas (do grego
spelaion, que significa 'caverna').

Do teto da gruta goteja água, que contém bicarbonato de cálcio em solução. O


gás carbônico desprende-se, precipitando o bicarbonato de cálcio em forma de
calcita. As estalactites pendem do teto das cavernas, enquanto as estalagmites
sobem do chão. Dentro das cavernas correm também riachos subterrâneos,
que escavam espaços chamados galerias e salões.
LEGENDA DAS IMAGENS: Desenvolvimento de um terreno tipo karst
(calcário).

FONTE DA ILUSTRAÇÃO: Ingeborg Asbach/Arquivo da editora. Adaptado de:


PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto Alegre: Bookman,
2006. p. 330-331.

102

No Brasil, existem inúmeras cavernas dessa natureza, todas extremamente


belas. São muito conhecidas a Gruta de Maquiné, em Minas Gerais, e a
Caverna do Diabo, no estado de São Paulo. Também encontramos cavernas
no vale do São Francisco e no rio das Velhas.

LEGENDA: Espeleotemas em caverna na Gruta da Torrinha, em Iraquara (BA),


em 2015.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens

Fim do complemento.

A erosão marinha

O trabalho das águas do mar sobre os litorais pode ser construtivo ou


destrutivo.

O trabalho construtivo é chamado acumulação marinha. As praias são o


resultado mais marcante desse trabalho, do qual também resultam: as
restingas, cordões arenosos paralelos à costa; os tômbolos, cordões de areia
que ligam uma ilha ao continente; e os recifes, que se originam da
consolidação da areia de antigas praias (recifes de arenito) ou pela
acumulação de corais (recifes de coral). No Brasil, por exemplo, os recifes são
encontrados no litoral do Nordeste. Na maioria das vezes, na maré baixa,
formam "piscinas naturais" muito apreciadas por turistas brasileiros e de outras
partes do mundo. Veja a foto abaixo.

LEGENDA: Recifes em Japaratinga (AL), em 2015.

FONTE: Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens


O trabalho de desgaste realizado pelas águas do mar é chamado abrasão
marinha. As formas típicas da abrasão marinha são denominadas falésias ou
costas altas. Veja como elas se formam.

FONTE: Adaptado de: GATICA, Yasna; ARCE, Luis Alejandro. Geografía.


Santiago: Santillana, 2007. p. 46. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Ingeborg
Asbach/Arquivo da editora

103

A erosão glacial

O gelo modela o relevo através das geleiras - massas de gelo formadas nos
continentes, em regiões onde a quantidade de neve que se precipita é menor
do que a de neve que derrete. Existem dois tipos principais de geleiras:

- Continentais ou inlandsis. Localizadas em regiões de altas latitudes, cobrem


grandes extensões de terra, como a Antártida, a Groenlândia e outras regiões
árticas. Grandes blocos dessas geleiras podem se soltar e ser arrastados pelas
águas do mar. São os icebergs, formados de água doce e que constituem um
perigo para a navegação.

- Geleiras alpinas. Características das altas montanhas, também são


chamadas geleiras de vale, porque lembram um vale fluvial (veja foto abaixo).
Alimentam rios e lagos durante o degelo de verão. Seu poder de erosão fica
mais intenso quando carregam em sua massa gelada fragmentos de rochas,
que funcionam como uma "lixa" sobre o solo. O material rochoso arrancado
pelo gelo se acumula, formando as morainas ou morenas, que podem se
localizar nas laterais, no centro e onde a geleira termina. Os vales glaciais têm
a forma de U. Sua parte mais elevada tem forma circular e recebe o nome de
circo glacial.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 401-405. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

LEGENDA: Morainas em vale glacial (geleiras de vale) no Parque Nacional de


Wrangell-St. Elias, no Alasca, em 2015.

FONTE: NPS Photo/Alamy/Latinstock

A erosão eólica
O vento é um poderoso agente erosivo que atua principalmente nos desertos e
nas praias. Realiza um duplo trabalho sobre o relevo terrestre:

- Destruição, que compreende a deflação (quando ele retira e transporta


partículas finas das rochas) e a corrosão (quando lança essas partículas contra
outras rochas, escavando-as com violência). Desses ataques do vento às
rochas resultam grandes depressões, planaltos pedregosos ou formações com
aspectos exóticos, como cogumelos e taças.

- Acumulação, quando ele deposita os materiais que carrega. O trabalho mais


típico de acumulação dos ventos são as dunas - grandes elevações de areia
que podem ser fixas ou móveis, pois mudam de lugar conforme a direção do
vento. Outra consequência desse trabalho é a formação de sedimentos muito
finos, amarelados e muito férteis, formados por quartzo, argila e calcário - o
loess. Sua área de ocorrência mais conhecida é a China meridional.

LEGENDA: Dunas de Sossusvlei no deserto da Namíbia, em 2015.

FONTE: Jean-Luc Allegre/Only France/Agência France-Presse

104

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Leia o texto a seguir, depois


faça as atividades propostas.

A tragédia de Pompeia

[...]

De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante, todos estão na rua.
Espetáculo alucinante, o topo do Vesúvio havia se partido em dois. Uma coluna
de fogo escapa dali. É uma erupção! De início, todos se assustam e se
interpelam. Havia pelo menos 900 anos que o vulcão não dava sinais de vida.
Dizia-se que ele estava extinto. Logo depois é a agitação. Em volta começa a
desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes, lapíli e, às vezes, pedaços de
rochas - fragmentos arrancados do topo da montanha e da tampa de lava
resfriada que obstruía a cratera. [...]
GUERDAN, René. A tragédia de Pompeia. Revista História Viva. Disponível
em: www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/a_tragedia_de_pompeia.html.
Acesso em: 10 out. 2015.

a) Relacione atividade vulcânica com o movimento das placas tectônicas.

b) Quais são as consequências das erupções vulcânicas para as populações


que vivem em seu entorno?

c) Converse com o professor de História, consulte um atlas geo gráfico, sites e


livros para responder quando e em que país ocorreu a tragédia natural descrita
no texto anterior.

2. Observe a imagem e faça o que se pede.

LEGENDA: Vista do rio São Francisco, em trecho do município de Paulo


Afonso (BA), em 2015.

FONTE: G. Evangelista/Opção Brasil Imagens

a) Identifique o fenômeno natural retratado na imagem acima.

b) Caracterize esse fenômeno.

3. Leia os dois textos a seguir.

Texto 1

Moradores de Montes Claros, no norte de Minas, sentiram um novo tremor de


terra em diferentes partes da cidade na tarde desta terça-feira. O Observatório
Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) confirmou o registro de um
abalo sísmico na região, por volta de 14h09, com magnitude de 2,6 na escala
Richter.

MONTES Claros.com. Maio de 2012. Disponível em:


http://ojornaldemontesclaros.com.br. Acesso em: 8 out. 2015.

Texto 2

As atividades em fábrica de automóveis foram prejudicadas pelo terremoto de


5,8 graus na escala Richter que sacudiu a região da Emilia Romanha, no norte
da Itália, nesta terça-feira. A sede de uma equipe italiana de Fórmula 1, em
Maranello, não teve danos, mas a jornada de trabalho acabou suspensa.
Adaptado de: Terra notícias, 20 maio 2012. Disponível em:
http://esportes.terra.com.br. Acesso em: 8 out. 2015.

- Compare a situação do Brasil com a da Itália em relação às placas tectônicas


e à ocorrência de terremotos.

4. Observe a foto abaixo e faça as atividades propostas.

LEGENDA: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, em Barreirinhas (MA),


em 2015.

FONTE: Vitor Marigo/Opção Brasil Imagens

a) Identifique o agente, o tipo de trabalho realizado nessa região e a forma


resultante desse trabalho.

b) Que outro tipo de trabalho esse agente pode realizar?

105

capítulo 9. Erosão e contaminação dos solos

LEGENDA: Solo desgastado e rachado pela estiagem na cidade de


Gameleiras, norte de Minas Gerais, em 2015.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens

Solo: resultado do intemperismo

A camada superficial que cobre a crosta terrestre é o produto final da ação do


intemperismo (físico e químico) sobre rochas e minerais. Portanto, na sua
formação estão presentes elementos como água, gases e seres vivos (matéria
orgânica), assunto visto no capítulo anterior.

Podemos diferenciar, nessa camada, o regolito ou manto de intemperismo,


constituído de materiais rochosos erodidos e desagregados, e o solo, parte
mais superficial, rica em matéria orgânica, que comporta a vida. Essa matéria
orgânica, composta de restos de plantas, animais e bactérias, é denominada
humo.

Os vários tipos de solo são o resultado da ação de fatores como: o tempo


(chuvas, temperatura), o clima (seco, úmido, quente, frio), o relevo (acidentado,
plano), os tipos de rocha e a vegetação. Além desses aspectos, a fertilidade
mineral de um solo também é consequência da composição da rocha-mãe e de
seu grau de desintegração.

Os solos que se localizam no mesmo lugar em que são formados são


denominados residuais ou eluviais. Quando são resultado do trabalho de
transporte (vento, água, etc.) são chamados aluviais ou transportados.

Embora haja variações que dependem das características do lugar onde foram
formados, os solos, de modo geral, possuem camadas, denominadas
horizontes.

Vejamos, na figura da próxima página, horizontes de três tipos de solo.

106

LEGENDA: O solo (camada superficial) não é homogêneo. Nele podemos


distinguir horizontes com características diferentes.

FONTE: Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 186. CRÉDITOS DA ILUSTRAÇÃO: Luis
Moura/Arquivo da editora

Glossário:

Lixiviação: processo físico em que as rochas sofrem lavagem pela ação das
águas das chuvas, que carregam os nutrientes do solo para outro local.

Concreção: processo ou efeito de se tornar concreto, sólido. Em Geologia, diz-


se da massa formada de precipitações sucessivas nos depósitos sedimentares,
que varia de pequenos nódulos a blocos.

Fim do glossário.

Importância da conservação dos solos

O solo é fundamental para a vida na superfície do planeta Terra. O solo e os


processos de sua formação fazem parte da pedosfera (do grego pédon = solo,
chão), que está em constante interação com as principais esferas da Terra.
Veja a figura abaixo.

O solo é um recurso fundamental para a prática das atividades agropecuárias,


porém em algumas áreas encontra-se totalmente desgastado. A própria
natureza, com os chamados agentes de erosão (a água, o vento, a alternância
do frio com o calor, entre outros) encarrega-se também desse desgaste. E a
humanidade pode agravar ainda mais a situação.

FONTE: Adaptado de:


www.cnps.embrapa.br/noticias/banco_noticias/20121205.html. Acesso em: 10
dez. 2012. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

107

Nas últimas conferências sobre meio ambiente realizadas pela Organização


das Nações Unidas (ONU), muitos dos temas fundamentais - como produção
de alimentos para combater a fome, matérias-primas industriais, bioenergia,
conservação dos mananciais e biodiversidade - levavam em conta o debate
sobre a preservação dos solos.

A conservação dos solos pressupõe, para o bem da vida no planeta, a


utilização sustentável desse recurso, um esforço que inclui conhecimento,
pesquisa e redução das diferenças socioeconômicas entre as diversas regiões
do mundo.

O maior empenho está na conscientização das populações, tanto nas regiões


mais pobres, onde a falta de recursos adequados para o manejo agrícola pode
inviabilizar o uso do solo, quanto nas regiões mais ricas, em que a utilização de
modernas tecnologias esteja voltada para um aproveitamento sustentável do
solo, evitando a degradação desse e de outros recursos naturais.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação


(FAO), a quantidade de solo aproveitável por pessoa tem diminuído
consideravelmente a cada ano. Por esse motivo, a Organização declarou 2015
como o Ano Internacional dos Solos, com o slogan "Solos saudáveis para uma
vida saudável". Nessa ocasião, a FAO estimava que se perdem 50 mil km² de
solo por ano, extensão equivalente à área da Costa Rica. Também declarou
que 33% da área de solos do planeta já foi perdida. Essa situação foi causada
principalmente pela erosão e a má conservação, processo agravado pela
expansão urbana, que favorece a impermeabilização dos solos.

Uma preocupação que deve estar presente quando falamos em conservação


dos solos é o tempo necessário para sua formação. De modo geral, como esse
processo é muito lento, não é possível renová-los com rapidez depois que são
destruídos. Ainda que certos cuidados sejam tomados, em vários lugares os
solos estão sendo destruídos mais depressa do que se consegue repor.

Além de sofrerem erosão, os solos podem ser contaminados por diversos tipos
de poluentes: substâncias químicas despejadas em rios e esgotos pelas
indústrias; vazamento de produtos transportados por rodovias ou ferrovias,
extremamente prejudiciais ao meio ambiente; agrotóxicos usados na
agricultura; e lixo sólido produzido em residências, estabelecimentos
comerciais, industriais e usinas nucleares.

Como veremos neste capítulo, erosão e contaminação são as principais


agressões sofridas pelo solo.

A erosão dos solos

A erosão dos solos pode ser definida como a perda da camada superficial da
litosfera, rica em matéria orgânica, onde existe vida microbiana e ocorre o
desenvolvimento da vida vegetal.

O ser humano tem também sua parcela de responsabilidade, na medida em


que causa ou agrava a erosão dos solos com desmatamentos desordenados,
queimadas, uso intensivo do solo para a prática da agricultura sem os cuidados
necessários, e deslizamentos de terra provocados pela abertura de estradas e
construções em geral.

Erosão dos solos em áreas agrícolas

A agricultura, assim como a pecuária, é uma atividade muito antiga. Desde que
o ser humano aprendeu a cultivar plantas e a criar animais, tiveram início os
primeiros impactos ambientais, que foram se agravando à medida que a
população crescia e avanços tecnológicos eram conquistados.

A camada superficial do solo pode se desagregar no preparo do terreno para o


plantio ou por causa do desmatamento. A água das chuvas carrega partículas
do solo desagregado na preparação para o plantio e também parte do solo que
perdeu a vegetação, cujas raízes ajudavam a segurá-lo. O material levado
pelas chuvas é responsável pelo assoreamento (acúmulo de sedimentos no
leito dos rios) e pode causar enchentes.
LEGENDA: A atividade agrária já ocupou mais de um quarto da superfície
terrestre e destruiu cerca de 30% das florestas originais de todos os
continentes. Na imagem, podemos ver uma área de floresta Amazônica bem
próxima a uma extensa área que foi desmatada para dar lugar a uma plantação
de soja, em Mato Grosso. Foto de 2015.

FONTE: Paulo Whitaker/Reuters/Latinstock

108

Grande parte das terras ocupadas por atividades agrárias é formada por áreas
de solo de baixa fertilidade ou por terrenos acidentados com pouca
produtividade. Estima-se que mais de 60% das áreas agrícolas estejam em
processo de degradação. Entre os muitos impactos ambientais provocados
pela agricultura estão a erosão e a contaminação do solo por agrotóxicos, que
podem atingir lençóis de água subterrâneos, rios e lagos.

A modernização do campo e os avanços tecnológicos nos últimos anos devem


ser analisados sob diferentes ângulos. Se, de um lado, proporcionaram o
aumento da produção de alimentos e a adoção de novas técnicas para a
proteção do meio ambiente, de outro permitiram a desigual distribuição desses
benefícios. Além do mais, podemos dizer que a tecnologia que protege muitas
vezes também agrava a degradação ambiental.

Quando falamos em avanços tecnológicos, não podemos esquecer que ainda


há regiões da Ásia e da África, principalmente, e mesmo da América Latina,
que não têm acesso a essas melhorias, embora atualmente existam
experiências bem-sucedidas de utilização de tecnologias modernas na
agricultura (caso do Brasil, por exemplo). Além disso, muitos países situados
em regiões intertropicais apresentam milhões de hectares de savanas, campos
e florestas que sofrem queimadas todo ano. Nas regiões tropicais, é muito
utilizado o sistema de agricultura itinerante, que utiliza técnicas rudimentares.
Na agricultura itinerante, o trabalho é dividido em três fases: derrubada da mata
ou queimada, plantio e colheita. Completado o trabalho, o local é abandonado
e outras áreas são procuradas para dar início a um novo ciclo. O resultado é
que nas áreas abandonadas o solo fica empobrecido e, quase sempre,
ameaçado pelo aumento da erosão. As queimadas muitas vezes causam
incêndios de grandes proporções, aumentando o nível de CO 2 na atmosfera e
influindo no aquecimento global.

Nessas regiões onde as estações seca e chuvosa se alternam, é comum o


processo de laterização, que tem como consequência a formação de solos
muito ácidos, impróprios para a agricultura; no Brasil são denominados lateritos
ou cangas. A formação dos lateritos acontece da seguinte forma: a água da
chuva promove uma intensa lixiviação, que carrega os minerais do solo, como
a sílica, e causa a concentração de hidróxidos de ferro ou de alumínio na
superfície, formando uma crosta avermelhada e ferruginosa.

As queimadas, que tantos danos causam ao meio ambiente, não são uma
exclusividade do sistema de agricultura itinerante. Em muitas regiões, como
nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, são bastante utilizadas para a
derrubada da mata e a formação de lavouras e pastos.

A pecuária, principalmente a extensiva, é também uma das causadoras da


degradação de solos produtivos. O manejo dos animais deve ser feito de
maneira correta. É preciso limitar o número de cabeças para evitar o
superpastejo, que deixa o solo descoberto e mais vulnerável à erosão.

LEGENDA: Brasil, África, Sudeste Asiático e o norte da Austrália lideram em


número de queimadas. Na imagem, queimada em área de plantation, na
Indonésia. Foto de 2015.

FONTE: Ahmad Widi/Zuma Press/Corbis/Latinstock

109

Contaminação dos solos em áreas agrícolas

Além da erosão dos solos, a agricultura trouxe outro grave problema para o
meio ambiente. As técnicas agrícolas modernas ainda fazem uso de vários
produtos que, se por um lado facilitam a tarefa do homem do campo, por outro
agridem bastante a natureza. São os fertilizantes químicos e pesticidas,
conhecidos como agrotóxicos.

Os agrotóxicos causam sérios danos à saúde dos trabalhadores rurais, que


estão em contato direto com eles, e às pessoas que consomem os alimentos
tratados com esses produtos.
As águas das chuvas carregam os agrotóxicos usados nas plantações,
contaminando lençóis freáticos e rios. Além disso, podem afetar os solos,
tornando-os mais pobres, pois eliminam os microrganismos responsáveis por
sua fertilidade.

Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, tendo


ultrapassado os Estados Unidos. Em 2014, o consumo médio desses produtos
por habitante era de 5,2 litros, podendo ser maior nas regiões de grande
produção agrícola, como o estado de Mato Grosso, onde alguns municípios
chegam a 129 litros por habitante. Esse aumento do consumo está relacionado
à diminuição dos preços e à isenção dos impostos sobre tais produtos, o que
faz com que os agricultores utilizem maior quantidade por hectare.

O uso excessivo de pesticidas faz surgir pragas mais resistentes, o que obriga
os laboratórios a lançar produtos cada vez mais potentes.

Em relação a este último caso, está atualmente em discussão o aumento do


uso de agrotóxicos em lavouras de produtos transgênicos, principalmente da
soja. Sobre esse tema, leia um artigo de opinião no boxe a seguir.

Glossário:

Transgênico: organismo que apresenta em sua estrutura um ou mais genes


de outras espécies, inseridos por processo natural ou por técnicas da
engenharia genética.

Fim do glossário.

Boxe complementar:

Outra visão

Ícone: Não escreva no livro.

Consumo de herbicida aumenta com uso de plantas transgênicas

As plantas conhecidas como transgênicas - criadas para serem resistentes aos


herbicidas - foram desenvolvidas com o objetivo de simplificar o manejo de
ervas daninhas dentro do sistema de produção agrícola com uso de
agrotóxicos. As empresas de transgenia afirmam que as atuais variedades de
transgênicos reduzem substancialmente o uso de agrotóxicos. Entretanto, uma
avaliação recente feita por um especialista, dr. Charles M. Benbrook, sobre o
uso de agrotóxicos nos Estados Unidos nos primeiros sete anos de cultivo
comercial de transgênicos (1996-2003), mostra resultados bem diferentes.

Usando dados estatísticos do Departamento de Agricultura Norte-Americano


(USDA), o estudo mostrou que o cultivo de plantas transgênicas (milho, soja e
algodão) provocou um aumento no uso de herbicidas em mais de 30 milhões
de quilos ao longo desses primeiros sete anos. [...] A soja transgênica é a
principal responsável pelo aumento do uso de agrotóxicos.

[...] O aumento dramático no uso de herbicidas agrotóxicos nas lavouras de


plantas transgênicas se deve principalmente à redução da eficácia do glifosato,
causada por vários fatores, incluindo a alteração na população de ervas
daninhas resistentes ou tolerantes ao glifosato. O uso constante do glifosato
seleciona as plantas com menor sensibilidade ou com algum tipo de proteção
contra o herbicida. A redução do preço do herbicida associado a sua menor
eficácia leva o agricultor a usar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos
em sua lavoura transgênica.

Porém, o crescimento no uso de agrotóxicos não é surpresa: a comunidade


científica alertou, há anos, que o cultivo de plantas resistentes aos herbicidas
iria gerar mudanças na população de ervas invasoras e na sua resistência aos
produtos químicos, sujeitando as plantações a um maior número de
pulverizações e/ou a uma maior quantidade de herbicida para manter essas
ervas sob controle.

Essas adaptações ecológicas agora são bem documentadas e têm afrontado


as pesquisas apresentadas pela indústria de transgenia. Hoje, até mesmo as
empresas de transgenia advertem sobre o problema.

Disponível em: www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/ herbicida.pdf. Acesso


em: 14 out. 2015. (Adaptado).

Glossário:

Glifosato: substância química que bloqueia a enzima responsável por uma das
etapas da síntese dos aminoácidos, sendo considerada por isso um tipo de
herbicida, isto é, substância que mata vegetais.
Fim do glossário.

- O artigo do Greenpeace afirma que o cultivo de plantas transgênicas não


cumpriu um de seus principais objetivos: reduzir o uso de herbicidas em
plantações.

- Explique por que, de acordo com o texto, esse objetivo não foi alcançado.

Fim do complemento.

110

Técnicas para evitar a erosão e a contaminação dos solos em áreas agrícolas

Alguns cuidados podem evitar o desgaste dos solos cultiváveis. Há técnicas de


cultivo capazes de impedir que grande parte do solo das lavouras seja levada
pelas águas das chuvas.

O plantio em curvas de nível pode evitar o desgaste do solo, pois reduz


consideravelmente a velocidade do escoamento das águas da chuva. Esse
sistema, muito comum nos países desenvolvidos, é usado em terrenos com
pouca inclinação e que permitem o uso de tratores.

Em regiões montanhosas, com muita inclinação, é bastante utilizada a técnica


de terraceamento, que consiste em fazer cortes no terreno, formando degraus.
Esse tipo de plantio reduz a velocidade de escoamento das águas e permite
um bom aproveitamento do terreno em países muito populosos, onde falta
espaço. Por esse motivo, essa técnica de cultivo é muito empregada nos
países asiáticos, como Japão, Tailândia e China.

Algumas culturas, como a de café, costumam deixar grandes porções de solo


expostas à erosão. Para proteger o solo, costuma-se plantar feijão nesses
espaços vagos. Essa técnica é conhecida como associação de culturas.

Outra forma de proteger a terra é cultivar no mesmo terreno plantas diferentes,


mas em períodos alternados. Desse modo o solo sempre tem alguma cobertura
protetora. Esse "rodízio" de plantas é conhecido como rotação de culturas.

LEGENDA: Café plantado em encosta de montanha, seguindo curvas de nível,


em Alto Caparaó (MG). Foto de 2015.

FONTE: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


LEGENDA: Cultivo de arroz em terraços, na Província de Yunnan, na China.
Foto de 2015.

FONTE: Jin Liangkuai/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Também é possível evitar ou amenizar os efeitos da contaminação do solo por


agrotóxicos. Em alguns lugares, a solução encontrada foi substituir os
fertilizantes químicos pelos adubos orgânicos e fazer o controle biológico, que
consiste em introduzir predadores naturais no lugar dos pesticidas.

As chamadas biofábricas fazem parte de um programa da Embrapa (Empresa


Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e têm como objetivo "produzir" insetos
para combater pragas em diversos tipos de plantação. Um exemplo é a
"produção de vespas", utilizadas mundialmente no combate de uma das
principais pragas da fruticultura: a "mosca-das-frutas".

O uso de técnicas como essa pressupõe um profundo conhecimento do


ecossistema rural no qual vão ser empregadas para não causar problemas
ainda mais graves. Em regiões monocultoras, muitas espécies predadoras
naturais do ambiente desaparecem, o que pode aumentar a quantidade de
pragas e parasitas.

Desertificação

A ONU define desertificação como "a degradação das terras áridas, semiáridas
e subúmidas secas, resultante de fatores diversos, como as variações
climáticas e as atividades humanas".

Fatores como a erosão causada por desmatamentos, queimadas e uso


intensivo do solo na agricultura, bem como a fragilidade dos ecossistemas, a
pecuária extensiva e os deslizamentos ocasionados por essas atividades, são
reconhecidos como principais causas e agravantes da desertificação.

111

Essas questões, fundamentais para a preservação do meio ambiente,


motivaram a realização da Conferência Internacional das Nações Unidas para
o Combate à Desertificação, em 1977, em Nairóbi, no Quênia. Nessa
conferência os governos dos países reunidos consideraram esse fenômeno um
sério desafio e estabeleceram compromissos para reduzir suas consequências.
A Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação entrou em
vigor em 1996, depois de ter sido ratificada por mais de cinquenta países, e
seus objetivos são "lutar contra a desertificação e minimizar os efeitos da seca,
através da adoção de medidas eficazes em todos os níveis".

Os efeitos da desertificação são sentidos em todos os continentes: na região


que compreende a América Latina e o Caribe, por exemplo, mais de 25% são
terras secas. Destas, 70% mostram sinais de vulnerabilidade e graus
avançados de desertificação. Veja o mapa a seguir.

FONTE: Adaptado de: UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE.


Disponível em:
www.nrcs.usda.gov/wps/portal/nrcs/detail/soils/use/worldsoils/?cid=nrcs142p2_
054003. Acesso em: 14 out. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da
editora

A Agenda 21, documento firmado na ECO-92, Conferência Mundial das


Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro, determina
que se entenda por degradação da terra a degradação do solo e dos recursos
hídricos da vegetação, da biodiversidade e a redução da qualidade de vida.

Cerca de cem países possuem áreas com desertificação, em ecossistemas de


clima árido, semiárido e subúmido seco. Segundo a ONU, as áreas mais
afetadas pelo problema estão na África, Ásia, América do Sul, América do
Norte e Austrália. Na Europa, o problema mais grave acontece na Espanha.

Cumprindo o cronograma da Agenda 21, a Convenção da Desertificação, órgão


da ONU que discute o problema, realizou duas reuniões: em Roma (Itália), em
1997, e em Olinda (Pernambuco), em 1999. Nas duas ocasiões, cerca de 190
países definiram dois pontos importantes. O primeiro foi reconhecer que as
principais causas da desertificação são consequência de atividades humanas,
que provocam a erosão dos solos, a formação de areia e a redução da
biodiversidade, dos recursos hídricos e das terras cultiváveis. O outro é que
esse processo acarreta graves problemas sociais, como a fome, a migração
das pessoas que vivem nas áreas afetadas, o analfabetismo e a diminuição da
renda e do consumo. Desde 2001, a Conferência das Partes (COP) da
Desertificação tem se reunido a cada dois anos.
112

LEGENDA: Desertificação do solo pelo uso intensivo para agricultura somado à


ação dos ventos e da chuva. Município de Gilbués (PI), em 2014.

FONTE: Cândido Neto/Opção Brasil Imagens

Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a


Rio+20, realizada em junho de 2012, foi criado um fundo internacional, formado
por Brasil, França e África, para o combate à desertificação. Sobre
desertificação no Brasil, leia a seção Contexto e aplicação.

Boxe complementar:

Contexto e aplicação

Ícone: Não escreva no livro.

Desertificação já atinge uma área de 230 mil km² no Nordeste

Mapeamento feito por satélite pelo Laboratório de Aná lise e Processamento de


Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas lança alerta para o
fenômeno

SÃO PAULO - Como se não bastasse a falta de chuvas, o Brasil vê se alastrar


no Nordeste um fenômeno ainda mais grave: a desidratação do solo a tal ponto
que, em última instância, pode torná-lo imprestável. Um novo mapeamento
feito por satélite pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de
Satélites da Universidade Federal de Alagoas (Lapis), que cruzou dados de
presença de vegetação com índices de precipitação ao longo dos últimos 25
anos, até abril passado, mostra que a região tem hoje 230 mil km2 de terras
atingidas de forma grave ou muito grave pelo fenômeno.

A área degradada ou em alto risco de degradação é maior do que o estado do


Ceará. Hoje, o Ministério do Meio Ambiente reconhece quatro núcleos de
desertificação no semiárido brasileiro. Somados, os núcleos de Irauçuba (CE),
Gilbués (PI), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE) atingem 18.177 km2 e afetam
399 mil pessoas.

Num artigo assinado por cinco pesquisadores do Instituto Nacional do


Semiárido (Insa), do Ministério da Ciência e Tecnologia, são listados seis
núcleos, o que aumenta a área em estado mais avançado de desertificação
para 55.236 km2, afetando 750 mil brasileiros.

Os dois núcleos identificados pelos pesquisadores do Insa são o do Sertão do


São Francisco, na Bahia, e o do Cariris Velhos, na Paraíba, estado que tem
54,88% de seu território classificado em alto nível de desertificação.

Trata-se de um prolongamento que une o núcleo do Seridó à microrregião de


Patos, passando pela dos Cariris Velhos. Apenas na microrregião de Patos,
74,99% das terras estão em alto nível de desertificação, segundo dados do
Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da
Seca da Paraíba.

"A degradação do solo é um processo silencioso", afirma Humberto Barbosa,


professor do Instituto de Ciências Atmosféricas e coordenador do Lapis,
responsável pelo estudo. No monitoramento por satélite fica evidente que as
áreas onde o solo e a vegetação não respondem mais às chuvas estão mais
extensas. Em condições normais, a vegetação da Caatinga brota entre onze e
quinze dias depois da chuva. Nestas áreas, não importa o quanto chova, a
vegetação não responde, não brota mais.

Estão em áreas mapeadas como críticas de desertificação municípios como


Petrolina, em Pernambuco, que tem mais de 290 mil habitantes, e Paulo
Afonso, na Bahia, com 108 mil moradores. Barbosa explica que a
desertificação é um processo longo, e a seca agrava a situação. Segundo ele,
em alguns casos, a situação é difícil de reverter.

Na Bahia, numa extensão de 300 mil km2 no Sertão do São Francisco, os solos
já não conseguem reter água. Na região de Rodelas, no norte do estado,
formou-se, a partir dos anos 1980, o deserto de Surubabel.

Numa área de 4 km2, ergueram-se dunas de até 5 metros de altura. Segundo


pesquisadores, a área foi abandonada depois da criação da barragem da
hidrelétrica de Itaparica, usada para o pastoreio indiscriminado de caprinos e,
por fim, desmatada. O solo virou areia. O rio, que era estreito, ficou largo, e o
grande espelho d'água deixou caminho livre para o vento.

[...]
CARVALHO, Cleide. Revista Amanhã. Disponível em:
http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/revista-amanha/desertificacao-ja-
atinge-uma-area-de-230-mil-km-no-nordeste-8969806. Acesso em: 14 out.
2015.

- Sobre o texto que você acabou de ler:

1. Identifique, segundo a reportagem, os estados que apresentam núcleos de


desertificação.

2. Explique a frase: "Nestas áreas, não importa o quanto chova, a vegetação


não responde [...]".

Fim do complemento.

113

A contaminação dos solos pelo lixo

O lixo é o maior responsável pela poluição e contaminação do solo.


Residências, indústrias, hospitais e usinas nucleares produzem resíduos
distintos, que podem contaminar tanto o solo quanto as águas (subterrâneas,
de rios, lagos, mares). A decomposição da matéria orgânica do lixo produz o
chorume: resíduo fétido e ácido, que polui os solos e as águas.

O lixo urbano

O que fazer com as toneladas de lixo que diariamente as pessoas descartam


nas ruas, em áreas residenciais e comerciais?

Entre os inúmeros problemas que as grandes cidades enfrentam, este, sem


dúvida, é muito preocupante. É evidente que o problema do lixo não é
exclusivo das grandes cidades, mas é nelas que ele se torna um desafio para a
administração pública.

As formas mais comuns de destinação do lixo urbano são os lixões, os aterros


controlados e os aterros sanitários (veja as figuras abaixo). Mas é frequente a
ocorrência de acúmulo de lixo em terrenos abandonados, córregos, rios ou até
mesmo em calçadas.

Os lixões atraem pessoas abaixo da linha de pobreza à procura de objetos e


alimentos que possam aproveitar. Essas pessoas estão sujeitas à
contaminação, não só pelo manuseio do lixo como também pela utilização do
que encontram nele.

Em 2010, foi aprovada a lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos


Sólidos, programa que regulamenta o gerenciamento de resíduos. Pela lei ficou
determinada a responsabilidade dos geradores de resíduo e do poder público,
e foram criadas regras e me tas que devem ser seguidas pela sociedade em
geral.

Essa lei distingue resíduo - lixo que pode ser aproveitado - de rejeito - material
que não pode ser aproveitado. Além disso, trata de toda espécie de resíduo:
doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, hospitalar, etc.

Conforme a lei sancionada em 2010, a intenção era acabar com os lixões até
2014, com prazo máximo de 2 de agosto de 2015 para o fechamento de todos
eles, mantendo-se apenas os aterros sanitários. No entanto, em julho de 2015,
muitos lixões ainda estavam em atividade em cerca de 60% dos municípios
brasileiros, que não apresentaram planejamento para tratar os resíduos
sólidos.

LEGENDA: No lixão ou vazadouro os dejetos ficam a céu aberto. Não há


nenhuma preparação prévia do solo nem tratamento do chorume.

LEGENDA: Geralmente localizado ao lado do lixão, o aterro controlado recebe


uma cobertura de argila e grama. Não dispõe de impermeabilização de base (o
que compromete a qualidade das águas subterrâneas) nem de sistemas de
tratamento de chorume ou de dispersão dos gases gerados.

LEGENDA: Neste tipo de aterro, o terreno é preparado com nivelamento de


terra e uma camada resistente para a impermeabilização. Nos aterros
sanitários não há contaminação do lençol freático e as implicações no meio
ambiente são menores. O chorume é tratado.

FONTE DAS ILUSTRAÇÕES: Alex Argozino/Arquivo da editora, com base em:


Ibams - Instituto Brasileiro de Administração Municipal, 2009.

Glossário:

Lençol freático: reservatório de água subterrânea decorrente da infiltração das


águas da chuva no solo.
Fim do glossário.

114

LEGENDA: Apesar de ter encerrado as atividades em 2012, o antigo lixão de


Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), ainda recebe caminhões de lixo
clandestinos. Foto de 2015.

FONTE: Douglas Viana/Futura Press

A reciclagem é a preocupação fundamental nessa nova política, o que inclui


também a coleta seletiva e a separação do lixo. Por isso, estende a
responsabilidade dos resíduos ao gerador (empresas e pessoas físicas) e não
somente ao serviço de limpeza urbana. Dessa forma, quem produz resíduos,
como fabricantes, comerciantes e outros, deve se comprometer a fazer o que
se chama de logística reversa, recebendo o resíduo de volta. É o caso de
fabricantes de pilhas e de cartuchos de impressoras, que já recolhem o
material usado.

O lixo urbano pode ser classificado em domiciliar, comercial, público, industrial


e hospitalar, que veremos mais detalhadamente a seguir.

Boxe complementar:

Estudo encontra poluição de plástico em 88% da superfície dos mares

Até 88% da superfície dos oceanos do mundo está contaminada com lixo
plástico, elevando a preocupação com os efeitos sobre a vida marinha e a
cadeia alimentar, afirmaram cientistas [...].

Os produtos plásticos produzidos em massa para brinquedos, sacolas,


embalagens de alimentos e utensílios chegam aos mares arrastados pela água
da chuva, um problema que deve piorar nas próximas décadas.

[...]

"As correntes oceânicas carregam objetos plásticos, que se partem em


fragmentos menores, devido à radiação solar", disse o diretor das pesquisas,
Andrés Cozar, da Universidade de Cádiz, na Espanha.

[...]
Os cientistas avaliaram que a quantidade total de plástico nos oceanos do
mundo - entre 10 mil e 40 mil toneladas - atualmente é menor do que as
estimativas anteriores. No entanto, levantaram novas preocupações sobre o
destino de tanto plástico, particularmente os pedaços menores.

O estudo revelou que os fragmentos de plástico, "entre alguns mícrons e


alguns milímetros de tamanho, são sub-representados em amostras da
superfície do mar".

Mais pesquisas são necessárias para descobrir aonde estas partículas vão e
quais os efeitos que têm na vida marinha.

[...]

G1-Natureza, 1º jul. 2014. Disponível em:


http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/07/estudo-encontra-poluicao-de-
plastico-em-88-dasuperficie-dos-mares.html. Acesso em: 16 out. 2015.

Fim do complemento.

Lixo domiciliar e comercial

O uso de embalagens descartáveis aumentou o volume de lixo domiciliar, que


é composto de resíduos orgânicos (resto de alimentos, cozidos ou não - casca
de frutas, verduras, etc.) e inorgânicos (papel, metal, vidro, plástico).

Uma boa solução para os detritos inorgânicos é a reciclagem. Os adeptos da


reciclagem usam os 4 erres para defini-la melhor: Reduzir, Racionalizar,
Reutilizar e Reciclar. Papel, plástico, vidro, latas de alumínio, embalagens
plásticas de suco e de refrigerante (PET) são todos materiais recicláveis. Para
ser reciclado esse material deve ser separado na coleta seletiva de lixo. Mas
essa prática, embora venha crescendo nos últimos anos, ainda não é muito
utilizada, pois implica um gasto maior das empresas que prestam esse tipo de
serviço, por envolver maior número de caminhões e de funcionários. É preciso,
sobretudo, conscientizar a população.

115

No Brasil, cerca de 12% dos resíduos sólidos urbanos e industriais são


reciclados e somente 14% da população brasileira é atendida pela coleta
seletiva. Algumas comunidades optam pela reciclagem, pois a venda do
material reciclado pode servir de sustento para muitas pessoas.

Os detritos orgânicos do lixo domiciliar não podem ser reciclados, mas podem
ser transformados em adubo orgânico ou produzir gás metano. Existem usinas
de compostagem que fazem o processamento do lixo com esse fim.

Entre os resíduos do lixo domiciliar que necessitam de manuseio especial


destacam-se lâmpadas, remédios, pilhas, bateria de telefones celulares e de
outros eletrodomésticos. Para solucionar o problema de descarte de pilhas e
baterias, muitas empresas fabricantes desse tipo de produto têm realizado a
coleta, ajudando, dessa forma, a preservar a natureza.

O lixo comercial é formado por resíduos de restaurantes, açougues,


lanchonetes, escritórios, lojas, hotéis, etc. Além de alimentos, contém papel,
papelão, plástico, embalagens de madeira, vidro e outros materiais. Pode
conter também lâmpadas, baterias e pilhas.

LEGENDA: A coleta seletiva de lixo é indispensável para a reciclagem de


materiais inorgânicos, como metal, vidro, papel e plástico. Na foto, lixeiras para
coleta seletiva na praça do Bambu, em Alto Paraíso de Goiás (GO), em 2015.

FONTE: João Prudente/Pulsar Imagens

Lixo público, industrial e hospitalar

O lixo público é formado por resíduos da varrição, da capina, por resíduos


provenientes dos logradouros públicos (ruas e praças, por exemplo), bem como
móveis velhos, galhos grandes, aparelhos de cerâmica, entulho de obras e
outros materiais deixados indevidamente pela população nas ruas, ou retirados
das residências por serviço de remoção especial.

O lixo industrial e o lixo hospitalar são denominados lixos de fontes especiais


porque demandam cuidados especiais em seu acondicionamento, sua
manipulação e sua disposição final.

Responsável por vários impactos ambientais, o lixo industrial é formado por


resíduos de atividades industriais. Entre os produtos que formam esse tipo de
lixo destacamos ácidos, mercúrio, dióxido de enxofre, gases oxidantes,
alcatrão, benzeno, cloro, entre outros, presentes principalmente em recursos
hídricos.

O lixo hospitalar deve ser incinerado para que não haja perigo de
contaminação, embora frequentemente seja lançado no lixo comum. A
incineração, indispensável nesse caso, polui o ar com fumaça tóxica e grande
quantidade de cinzas.

O lixo atômico

O lixo atômico, gerado principalmente pelas usinas nucleares, constitui-se em


um enorme risco para as gerações atuais e mais ainda para as futuras
gerações. O destino incerto do lixo nuclear no mundo é uma das questões a
serem resolvidas neste século.

Os resíduos produzidos pelas usinas nucleares (urânio, césio, plutônio,


estrôncio, iodo, criptônio, entre outros) são, geralmente, colocados em caixas
de concreto lacradas, que são enterradas ou jogadas no mar. O perigo dessa
prática é a provável corrosão dessas caixas pelas águas marinhas ou elas
serem acidentalmente desenterradas. As consequências seriam as mais
trágicas possíveis.

Vários países, como Japão, Reino Unido, França e Estados Unidos, fazem o
reprocessamento do lixo atômico visando recuperar o urânio e o plutônio
utilizados pelas usinas nucleares. O urânio pode ser enriquecido e reutilizado
como combustível. O plutônio oferece mais riscos, porque pode ser usado na
fabricação de bombas atômicas. Além disso, o reprocessamento acaba
gerando mais lixo nuclear de alto risco.

Além das usinas nucleares, hospitais e arsenais bélicos também produzem


rejeitos atômicos.

O material radioativo usado em hospitais para tratamento de câncer deve ser


lacrado em recipientes de chumbo e enterrado longe de lugares habitados.

116

Em 1987, na cidade de Goiânia, a negligência com esse tipo de material e o


desconhecimento da população causaram um grave acidente de contaminação
com radioatividade. Uma cápsula de césio-137 (material radioativo),
encontrada dentro de um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas
dependências de um instituto especializado nesse tipo de tratamento, foi
quebrada com a ajuda de uma marreta. O cloreto de césio-137 exposto ao
ambiente provocou a morte de muitas pessoas. A contaminação em outras
tantas teve (e ainda tem) consequências de longa duração.

No Brasil, a cidade de Abadia de Goiás, que já abriga seis mil toneladas de


dejetos contaminados com césio-137 (elemento químico utilizado em aparelhos
de raios X) em dois depósitos, poderá receber mais um, para abrigar rejeitos
das usinas nucleares de Angra dos Reis.

Na zona rural de Caldas (MG) existe uma unidade de tratamento de minério de


urânio (UTM), desativada há quinze anos. São desconhecidos os riscos de
contaminação do lençol freático e demais recursos hídricos pelos materiais
radioativos.

Nessa unidade, durante o período de 1982 a 1995, foram produzidas 1,2 mil
toneladas de urânio para o abastecimento da usina Angra 1. A antiga mina se
tornou um lago de águas ácidas. Na área há um complexo desativado, formado
pela mina, pela bacia de rejeitos e pelos depósitos de material radioativo
(urânio e tório).

A justiça do estado de Minas Gerais e o Ibama cobram dos responsáveis


(antiga Nuclebrás) o tratamento adequado e o armazenamento dos rejeitos
nucleares, para que se evite a contaminação do meio ambiente.

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Leia o texto com atenção, depois faça o que se pede.

Existe uma definição simples que se adapta perfeitamente aos propósitos das
Ciências da Terra e que considera o solo como o produto do intemperismo, do
remanejamento e da organização das camadas superiores da crosta terrestre,
sob ação da atmosfera, da hidrosfera, da biosfera e das trocas de energia
envolvidas.

FAIRCHILD, Thomas R.; TEIXEIRA, Wilson et al. Decifrando a Terra. São


Paulo: Oficina de Textos, 2001. p. 157.
a) Explique duas características do solo.

b) Você se recorda de alguma característica do solo do lugar onde mora?

2. O Brasil é um dos líderes mundiais na reciclagem do lixo urbano. Isso se


deve à conscientização dos cidadãos brasileiros ou à possibilidade de
transformar o lixo em uma fonte de renda para os catadores de lixo?

3. Atividade interdisciplinar: Geografia, Biologia e Química. Pesquisa em dupla.

O que fazer com o lixo nuclear radioativo é a grande pergunta, sem resposta,
quando o assunto é tecnologia nuclear.

LERER, Rebeca, coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace.


Revista Aquecimento Global. São Paulo: On Line, ano 2, n. 8, p. 9.

Utilizando diferentes fontes de pesquisa, como revistas e sites especializados,


matérias de jornal, enciclopédias, entre outras, cada dupla deve redigir um
texto sobre os possíveis impactos causados pelo lixo nuclear. A consulta aos
professores das disciplinas relacionadas (Biologia e Química) com o estudo do
tema também pode ser útil. O professor vai sortear cinco du plas para expor e
discutir os trabalhos em classe.

4. Leia o relato de um pesquisador que estudou a destinação do lixo.

O destino dos resíduos sólidos é um dos grandes problemas enfrentados pela


maioria das cidades brasileiras. O aumento da urbanização e a concentração
da população acentuam a cada ano a gravidade desse problema [...]

JEFERSON, Mariano. Na lata do lixo. Geografia. São Paulo: Escala, n. 43,


maio 2012. p. 34. (Coleção Conhecimento Prático).

- Justifique a afirmação do pesquisador.

5. Leia o texto, depois faça o que se pede.

A cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de lixo são produzidas em cidades do


mundo todo. Essa quantidade ainda deve dobrar. De acordo com o Programa
da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), em 2025 o número chegará aos 2,2
bilhões, colocando-nos em uma espécie de crise global de lixo em que o
principal vilão é a má gestão por parte dos governos.
SANTOS, Priscilla. Nove soluções para o lixo. Revista Galileu. Disponível em:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI325029-17579,00-
SOLUCOES+PARA+O+LIXO.html. Acesso em: 2 mar. 2015.

- Aponte duas soluções para reduzir o impacto causado pelo lixo.

117

Concluindo a Unidade 3

Leia o texto, reflita e depois responda às questões propostas.

Antropoceno: a época da humanidade

Vivemos em um mundo no qual a humanidade pode ter se tornado uma força


geológica, ou seja, um fenômeno capaz de transformar a paisagem planetária.
Uma influência tão evidente que já se discute a inclusão de mais uma época - o
Antropoceno - na tabela do tempo geológico da Terra. No entanto, para que
essa nova época não traga, em si, a destruição da espécie que lhe dá o nome,
os seres humanos precisam utilizar sua capacidade intelectual para a
harmonização de suas sociedades com os limites ambientais do planeta que as
sustenta.

Bem-vindos à "época da humanidade"! Por séculos, a percepção do mundo, da


vida social e dos meios de produção esteve (e está) centrada nos seres
humanos. Chamamos essa visão de mundo de antropocêntrica.

Para as pessoas que vivem em sociedades com essa concepção, todos os


recursos naturais, e mesmo a própria história da Terra - e do cosmos -
convergem para apenas um foco: a nossa espécie. Isso criou a ilusão de que a
natureza existe para nos servir, e muitas sociedades orientaram suas ações
por essa crença. Os humanos, segundo essa perspectiva, teriam regalias como
possibilidade de expansão populacional ilimitada, usufruto contínuo de todos os
recursos naturais e domínio cego sobre um planeta infinito.

No entanto, nosso planeta não é infinito. A Terra é um sistema aberto, de ciclos


antiquíssimos, de variadas transformações ambientais - e podemos observar
muitas delas por meio do registro geológico. Alterações atmosféricas,
geológicas, químicas, biológicas, grandes erupções, grandes extinções e
outros acontecimentos do passado podem ser "lidos" nos chamados
"testemunhos geológicos", camadas de sedimentos (estudadas pela
estratigrafia) que guardam a história das modificações planetárias. O que
alguns cientistas discutem agora é quanto os sistemas de produção humanos
alteraram a superfície terrestre e se isso justifica a adoção de um novo tempo
geológico: o Antropoceno.

O crescimento da influência humana no ambiente foi reconhecido, já em 1873,


pelo geólogo italiano Antonio Stoppani (1824-1891), que falou sobre uma "nova
força telúrica cujo poder e universalidade podem ser comparados às grandes
forças da Terra", batizando essa era de "antropozoica". Outro geólogo, o norte-
americano Joseph Le Conte (1823-1901), sugeriu o nome "psicozoico" em
1879, no livro Elementos de geologia. Em 1926, o jesuíta e antropólogo francês
Teilhard de Chardin (1881-1955) e o geoquímico russo Vladimir Vernadsky
(1863-1945) chamaram de "noosfera" (o mundo do pensamento) o período em
que o poder intelectual humano gerou efeitos suficientes para ser considerado
uma força geológica.

Mais recentemente, em 2002, Paul Crutzen, químico holandês ganhador do


prêmio Nobel (em 1995), publicou um artigo chamado "Geologia da
humanidade", no qual sugeriu o termo "antropoceno", reacendendo a polêmica
na comunidade científica. Outras palavras, como "tecnógeno" e "tecnoceno",
são ocasionalmente utilizadas para denominar esse tempo contemporâneo,
que teria sucedido o Holoceno.

Segundo as estimativas mais acuradas, a Terra tem 4,57 bilhões de anos,


subdivididos em escalas de tempo geológicas ordenadas formalmente da maior
para a menor: éons, eras, períodos e épocas geológicas. Os tempos atuais
pertencem ao éon Fanerozoico, era Cenozoica, período Quaternário (que
começou há 2,58 milhões de anos) e época do Holoceno (iniciada há "apenas"
11,7 mil anos, com o fim da última glaciação). No entanto, a ideia de um novo
tempo geológico, dominado pela influência humana, vem ganhando força, em
especial devido ao trabalho de cientistas como Crutzen e o geólogo britânico
Jan Zalasiewicz, entre muitos outros.

Alguns pesquisadores defendem o estabelecimento do Antropoceno a partir da


Revolução Industrial, impulsionada pela máquina a vapor, aperfeiçoada na
segunda metade do século XVIII pelo escocês James Watt (1736-1819). Outros
argumentam que o Antropoceno teve origem mais tarde, com os primeiros
testes e o uso, em 1945, de armas nucleares, seguidos pela forte intensificação
de testes nas décadas de 1950 e 1960, durante a chamada Guerra Fria.
Também há quem apoie uma definição técnica, baseada em uma "fronteira"
estratigráfica específica, que evidencie mudanças causadas pela tecnologia
humana e possa ser reconhecida em nível global.

O que tornaria o Holoceno diferente da época em que estamos vivendo agora?


O fato é que não esperamos encontrar, em uma camada estratigráfica do
Holoceno anterior à Revolução Industrial, resíduos plásticos ou produtos
orgânicos persistentes, como certos pesticidas (DDT e outros),
policlorobifenilos (conhecidos como PCBs) e outros, além dos altos níveis
atuais de radioatividade e de gases responsáveis pelo efeito estufa. A partir de
meados do século XVIII, os humanos alteraram diretamente as paisagens em
40% a 50% do planeta, e marcas de sua influência afetam mais de 83% da
superfície terrestre (é a chamada "pegada antrópica"). A habilidade de rápida
locomoção humana faz com que apenas 10% da superfície global sejam
considerados "regiões remotas" (que ficam a mais de 48 horas de viagem, a
partir de uma grande cidade).

118

Somos hoje quase 7 bilhões de pessoas consumindo alimentos, combustíveis


fósseis e água potável; produzindo lixo, poluindo e predando; competindo por
recursos e por espaço com os outros seres vivos; introduzindo espécies
exóticas e alterando habitats, ecossistemas e biomas inteiros, de uma forma
que pouco poderá ser suavizada até 2050, quando provavelmente atingiremos
a marca de 10 bilhões de seres humanos. [...]

MARTINI, Bruno; RIBEIRO, Catherine Gerikas. Ciência Hoje, jul. 2011, v. 48, p.
40-42. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/283. Acesso
em: 15 out. 2015.

LEGENDA: Caso o Antropoceno entre na escala geológica, provavelmente


será como uma época geológica, compondo, com o Holoceno e o Pleistoceno,
o período Quaternário.

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora


Responda com base na leitura do texto.

a) Explique o que o autor chama de Antropoceno.

b) O que podemos entender por "visão antropocênica"? Explique por que ela se
constitui em um perigo para o meio ambiente.

c) Identifique três características que justifiquem a adoção desse novo tempo


geológico.

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1.

FONTE: Reprodução/Enem, 2013.

Na imagem, visualizam-se um método de cultivo e as transformações


provocadas no espaço geográfico. O objetivo imediato da técnica agrícola
utilizada é

a) controlar a erosão laminar.

b) preservar as nascentes fluviais.

c) diminuir a contaminação química.

d) incentivar a produção transgênica.

e) implantar a mecanização intensiva.

2. Suponha que o Universo tenha 15 bilhões de anos de idade e que toda a sua
história seja distribuída ao longo de 1 ano - o calendário cósmico -, de modo
que cada segundo corresponda a 475 anos reais e, assim, 24 dias do
calendário cósmico equivaleriam a cerca de 1 bilhão de anos reais. Suponha,
ainda, que o Universo comece em 1º de janeiro à zero hora no calendário
cósmico e o tempo presente esteja em 31 de dezembro às 23h59min59,99s. A
escala a seguir traz o período em que ocorreram alguns eventos importantes
nesse calendário.
Se a arte rupestre representada a seguir fosse inserida na escala, de acordo
com o período em que foi produzida, ela deveria ser colocada na posição
indicada pela seta de número:

FONTE: Reprodução/Enem, 2008.

a) 1.

b) 2.

c) 3.

d) 4.

e) 5.

119

3. Para o registro de processos naturais e sociais devem ser utilizadas


diferentes escalas de tempo. Por exemplo, para a datação do sistema solar é
necessária uma escala de bilhões de anos, enquanto para a história do Brasil
basta uma escala de centenas de anos. Assim, para os estudos relativos ao
surgimento da vida no planeta e para os estudos relativos ao surgimento da
escrita, seria adequado utilizar, respectivamente, escalas de:

a) Vida no Planeta: Milhares de anos. Escrita: Centenas de anos

b) Vida no Planeta: Milhões de anos. Escrita: Centenas de anos

c) Vida no Planeta: Milhões de anos. Escrita: Milhares de anos

d) Vida no Planeta: Bilhões de anos. Escrita: Milhões de anos

e) Vida no Planeta: Bilhões de anos. Escrita: Milhares de anos

4.

FONTE: TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo: Companhia


Editora Nacional, 2009. (Adaptado).

O gráfico relaciona diversas variáveis ao processo de formação de solos. A


interpretação dos dados mostra que a água é um dos importantes fatores de
pedogênese, pois nas áreas:

a) de clima temperado ocorrem alta pluviosidade e grande profundidade de


solos.
b) tropicais ocorre menor pluviosidade, o que se relaciona com a menor
profundidade das rochas inalteradas.

c) de latitudes em torno de 30° ocorrem as maiores profundidades de solo,


visto que há maior umidade.

d) tropicais a profundidade do solo é menor, o que evidencia menor


intemperismo químico da água sobre as rochas.

e) de menor latitude ocorrem as maiores precipitações, assim como a maior


profundidade dos solos.

5. O lixo orgânico de casa - constituído de restos de verduras, frutas, legumes,


cascas de ovo, aparas de grama, entre outros -, se for depositado nos lixões,
pode contribuir para o aparecimento de animais e de odores indesejáveis.
Entretanto, sua reciclagem gera um excelente adubo orgânico, que pode ser
usado no cultivo de hortaliças, frutíferas e plantas ornamentais. A produção do
adubo ou composto orgânico se dá por meio da compostagem, um processo
simples que requer alguns cuidados especiais. O material que é acumulado
diariamente em recipientes próprios deve ser revirado com auxílio de
ferramentas adequadas, semanalmente, de forma a homogeneizá-lo. É preciso
também umedecê-lo periodicamente. O material de restos de capina pode ser
intercalado entre uma camada e outra de lixo da cozinha.

Por meio desse método, o adubo orgânico estará pronto em aproximadamente


dois a três meses.

Como usar o lixo orgânico em casa? Ciência Hoje, v. 42, jun. 2008. (Adaptado).

Suponha que uma pessoa, desejosa de fazer seu próprio adubo orgânico,
tenha seguido o procedimento descrito no texto, exceto no que se refere ao
umedecimento periódico do composto. Nessa situação,

a) o processo de compostagem iria produzir intenso mau cheiro.

b) o adubo formado seria pobre em matéria orgânica que não foi transformada
em composto.

c) a falta de água no composto vai impedir que microrganismos decomponham


a matéria orgânica.
d) a falta de água no composto iria elevar a temperatura da mistura, o que
resultaria na perda de nutrientes essenciais.

e) apenas microrganismos que independem de oxigênio poderiam agir sobre a


matéria orgânica e transformá-la em adubo.

6. Como os combustíveis energéticos, as tecnologias da informação são, hoje


em dia, indispensáveis em todos os setores econômicos. Através delas, um
maior número de produtores é capaz de inovar e a obsolescência de bens e
serviços se acelera. Longe de estender a vida útil dos equipamentos e a sua
capacidade de reparação, o ciclo de vida desses produtos diminui, resultando
em maior necessidade de matéria-prima para a fabricação de novos.

GROSSARD, C. Le Monde Diplomatique Brasil. Ano 3, n. 36. 2010. (Adaptado).

1. A postura consumista de nossa sociedade indica a crescente produção de


lixo, principalmente nas áreas urbanas, o que, associado a modos incorretos de
deposição,

a) provoca a contaminação do solo e do lençol freático, ocasionando assim


graves problemas socioambientais, que se adensarão com a continuidade da
cultura do consumo desenfreado.

b) produz efeitos perversos nos ecossistemas, que são sanados por cadeias de
organismos decompositores que assumem o papel de eliminadores dos
resíduos depositados em lixões.

c) multiplica o número de lixões a céu aberto, considerados atualmente a


ferramenta capaz de resolver de forma simplificada e barata o problema de
deposição de resíduos nas grandes cidades.

d) estimula o empreendedorismo social, visto que um grande número de


pessoas, os catadores, tem livre acesso aos lixões, sendo assim incluídos na
cadeia produtiva dos resíduos tecnológicos.

120

e) possibilita a ampliação da quantidade de rejeitos que podem ser destinados


a associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis,
financiados por instituições da sociedade civil ou pelo poder público.
7.

FONTE: TEIXEIRA, W. et al. (Org.). Decifrando a Terra. São Paulo: Companhia


Editora Nacional, 2009. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Muitos processos erosivos se concentram nas encostas, principalmente


aqueles motivados pela água e pelo vento.

No entanto, os reflexos também são sentidos nas área s de baixada, onde


geralmente há ocupação urbana.

Um exemplo desses reflexos na vida cotidiana de muitas cidades brasileiras é:

a) a maior ocorrência de enchentes, já que os rios assoreados comportam


menos água em seus leitos.

b) a contaminação da população pelos sedimentos trazidos pelo rio e


carregados de matéria orgânica.

c) o desgaste do solo nas áreas urbanas, causado pela redução do


escoamento superficial pluvial na encosta.

d) a maior facilidade de captação de água potável para o abastecimento


público, já que é maior o efeito do escoamento sobre a infiltração.

e) o aumento da incidência de doenças como a amebíase na população


urbana, em decorrência do escoamento de água poluída do topo das encostas.

8. O lixão que recebia 130 toneladas de lixo e contaminava a região com seu
chorume (líquido derivado de decomposição de compostos orgânicos) foi
recuperado, transformando-se em um aterro sanitário controlado, mudando a
qualidade de vida e a paisagem e proporcionando condições dignas de
trabalho para os que dele subsistiam.

Revista Promoção da Saúde da Secretaria de Políticas de Saúde. Ano 1, n. 4,


dez. 2000. (Adaptado).

- Quais procedimentos técnicos tornam o aterro sanitário mais vantajoso que o


lixão, em relação às problemáticas abordadas no texto?

a) O lixo é recolhido e incinerado pela combustão a altas temperaturas.

b) O lixo hospitalar é separado para ser enterrado e sobre ele, colocada cal
virgem.
c) O lixo orgânico e inorgânico é encoberto, e o chorume canalizado para ser
tratado e neutralizado.

d) O lixo orgânico é completamente separado do lixo inorgânico, evitando a


formação do chorume.

e) O lixo industrial é separado e acondicionado de forma adequada, formando


uma bolsa de resíduos.

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (Mack-SP)

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora

Identifique a alternativa que relaciona corretamente os compartimentos do


relevo oceânico e seus respectivos patamares representados na figura.

a) A área representada pelo número 1 corresponde às Bacias Oceânicas e o


número 4 ao Talude, ambos pertencentes ao segundo patamar.

b) A área representada pelo número 1 corresponde à Plataforma Continental e


o número 2 ao Talude. Ambos pertencentes ao primeiro patamar.

c) A área representada pelo número 4 corresponde a uma Fossa Marinha e o


número 3 a uma Dorsal Oceânica. Ambas pertencentes ao primeiro patamar.

d) A área representada pelo número 1 corresponde a uma Dorsal Oceânica,


pertencente ao primeiro patamar, e o número 2 ao Talude, que compõe o
segundo patamar.

e) A área representada pelo número 2 corresponde à Plataforma Continental e


o número 3 a uma Bacia Oceânica, ambas pertencentes ao primeiro patamar.

2. (Facid-PI) Terremotos são gerados pelos movimentos naturais das placas


tectônicas da Terra, que causam ajustes na crosta terrestre, afetando a
organização das sociedades, como ilustra a figura a seguir. Em relação aos
sismos naturais, é correto afirmar que eles são causados por:

121

a) forças endógenas incontroláveis.


b) energias exógenas excepcionais.

c) forças antrópicas descontroladas.

d) energias antrópicas excepcionais.

e) forças endógenas e antrópicas.

3. (UTFPR) Verifique a figura a seguir e identifique as camadas da Terra que


ela representa e, na sequência, identifique qual das alternativas traz a
associação correta dessas camadas.

FONTE: Reprodução/Enem, 2013.

a) I - Núcleo interno, II - Núcleo externo, III - Manto e IV - Crosta.

b) I - Núcleo externo, II - Núcleo interno, III - Manto e IV - Crosta.

c) I - Crosta, II - Núcleo externo, III - Manto e IV - Núcleo interno.

d) I - Núcleo interno, II - Manto, III - Núcleo externo e IV - Crosta.

e) I - Crosta, II - Manto, III - Núcleo externo e IV - Núcleo interno.

4. (PUC-MG) A teoria da Tectônica de Placas explica como a dinâmica interna


da Terra é responsável pela estrutura da litosfera, sendo incorreto afirmar:

a) A litosfera é a parte rígida que compõe a crosta terrestre; é segmentada em


placas que flutuam em várias direções sobre o manto.

b) O movimento das placas pode ser convergente ou divergente, aproximando-


as ou afastando-as, ou ainda deslizando-as uma em relação à outra.

c) A tectônica é responsável por fenômenos como formação de cadeias


montanhosas, deriva dos continentes, expansão do assoalho oceânico,
erupções vulcânicas e terremotos.

d) As placas continentais e oceânicas possuem semelhante composição


mineralógica básica, uma vez que essas placas compõem a crosta terrestre.

5. (Uerj)

O lixo gerado especialmente nas cidades mais populosas se tornou, no último


século, um dos fatores causadores de impactos ambientais nem sempre
reversíveis a curto prazo.
Um dos problemas e uma das soluções relativos ao acúmulo do lixo em áreas
urbanas estão apresentados em:

a) poluição de ecossistemas fluviais - coleta seletiva.

b) aumento da emissão de gases - remodelação de áreas de risco.

c) destruição de reservas florestais - reciclagem de resíduos tóxicos.

d) diminuição dos reservatórios de água - redistribuição de núcleos


populacionais.

6. (Uesc-BA) Para a sociedade de consumo, os processos de reciclagem de


materiais destinados aos lixões são importantes do ponto de vista
socioeconômico e ambiental, porque

(01) os materiais descartados e depositados nos lixões, após a coleta seletiva,


contribuem para diminuir o volume do lixo depositado nos aterros sanitários.

(02) a matéria orgânica, como papelão e restos de vegetais, leva muito tempo
para ser biodegradada, a exemplo de borracha e de garrafas PET.

(03) a produção de metais, como o ferro e o alumínio, a partir de seus minerais,


tem menor custo do que a reciclagem.

122

(04) a indústria de reciclagem gera emprego e renda para toda a sociedade.

(05) os plásticos e os vidros são decompostos rapidamente por bactérias.

7. (Ufscar-SP) O lixo é um dos problemas ambientais mais preocupantes no


âmbito das cidades, não só brasileiras, mas de todo o mundo. Por outro lado,
gera emprego e renda. Sobre essa questão, assinale a opção correta.

a) A produção de lixo cresce na razão inversa do poder aquisitivo das


populações. Isso ocorre porque os segmentos de alto poder aquisitivo adotam
posturas mais conscientes em relação ao destino de lixo.

b) A participação do lixo orgânico em relação ao total de lixo produzido é menor


nos bairros de baixo poder aquisitivo e maior nos bairros de classe média alta.
Isso decorre das diferenças na qualidade de nutrição entre os estratos
populacionais.
c) O Brasil figura entre os países do mundo que mais reciclam latas de
alumínio e papelão. Esse resultado decorre da conscientização da população e
da implantação de programas de coleta de lixo seletiva nas principais cidades
brasileiras.

d) O lixo representa uma fonte de trabalho e renda para uma população cada
vez mais numerosa, sobretudo nos grandes centros urbanos do Brasil. Assim,
muitas pessoas retiram do lixo coletado nas ruas e nos lixões a principal fonte
de sua sobrevivência.

e) O lixo produzido nas cidades brasileiras tem um destino apropriado. Verifica-


se que, na grande maioria dos casos, ele é depositado em aterros sanitários
tecnicamente adequados ou é incinerado.

Questões de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UFG-GO) Observe a imagem a seguir.

FONTE: Reprodução/UFG, 2008.

O relevo terrestre é resultado da ação de agentes internos da litosfera,


responsáveis pela sua estrutura, e de agentes externos, que definem sua
forma. Com base nessas informações e na interpretação da imagem, explique
como esses agentes atuaram, ao longo do tempo, na constituição da forma de
relevo, conforme a foto apresentada.

2. (Unicamp-SP) Para o Ministério do Meio Ambiente, o processo de


desertificação gera uma perda de cinco bilhões de dólares por ano ao Brasil
(cerca de 1% do Produto Interno Bruto) e já atinge gravemente 66 milhões de
hectares no semiárido brasileiro e 15 milhões de pessoas em áreas do bioma
Cerrado e da Caatinga. No Brasil, 62% das áreas suscetíveis à desertificação
estão em zonas originalmente ocupadas por caatinga, sendo que muitas já
estão bastante alteradas.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente (2011).


http://www.mma.gov.br/sitio/index.php. Acesso em: 15/8/2011.

Considerando o texto acima, responda:


a) O que é desertificação e quais são as suas causas?

b) Quais os impactos sociais associados à desertificação?

3. (Unicamp-SP) A erosão dos solos é um fenômeno natural e acontece em


áreas onde existe certa declividade. O delta do rio Nilo, por exemplo, é
historicamente conhecido pela deposição de sedimentos férteis que provêm da
erosão dos solos na Etiópia, ou seja, em alguns lugares a erosão e a
deposição dos sedimentos contribuem para a manutenção da fertilidade natural
dos solos. Durante séculos a fertilidade do rio Nilo se manteve, mas a
construção de barragens, para controle do regime hídrico, alterou esse
equilíbrio. Os problemas relacionados à erosão são agravados quando as taxas
de perda de solo ultrapassam certos níveis naturais, o que normalmente resulta
da falta de práticas conservacionistas.

Adaptado de: A. T. Guerra e M. do C. O. Jorge. Processos erosivos e


recuperação de áreas degradadas. São Paulo: Editora Oficina de Textos, 2013.
p. 8.

a) Explique o que são erosão e assoreamento.

b) Em rios das áreas tropicais, que sinal evidencia a ocorrência de erosão?


Aponte uma causa da erosão em áreas urbanas periféricas das grandes
cidades de regiões tropicais.

4. (Unicamp-SP)

Sob uma perspectiva histórica, a incidência de fogo nas matas remonta a mais
de 22000 A.P. (antes do presente).

No final da última glaciação, antes da chegada do homem às Américas, o clima


era seco e frio, os incêndios só ocorriam por causas naturais, sendo em geral
causados por raios.

123

Ao lado da chuva, propiciava-se o manejo natural do material combustível


existente [...]. A sedentarização do homem no território nacional levou à prática
da queimada tipo "coivara" adotada pelos índios.
Posteriormente, com a colonização, adotou-se também a prática das
queimadas.

Adaptado de: Plano de Ação para prevenção e controle do desmatamento e


das queimadas: cerrado. Ministério do Meio Ambiente. Brasília: MMA, 2011. p.
56.

a) Quais as diferenças entre a coivara praticada pelo índio e o processo de


queimada adotado pelo colonizador?

b) Que impactos são decorrentes da queimada sistemática aos ecossistemas


naturais e ao homem?

5. (Unicamp-SP) Para compreender as características geomorfológicas de um


terreno, é necessário entender a influência dos agentes internos ou endógenos,
que definem a estrutura e geram as formas do relevo, e dos agentes externos
ou exógenos, que modelam as feições do relevo. O modelamento das feições
do relevo é realizado pelos processos de intemperismo físico e químico.

a) Aponte a ação de quatro fenômenos naturais responsáveis pela alteração do


relevo de determinada área: dois que correspondem aos agentes internos e
dois que correspondem aos agentes externos.

b) Explique o que são os processos de intemperismo físico e químico.

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes

Sempre que você for assistir a um filme na sala de aula ou em casa, por
recomendação do professor, lembre-se de alguns passos importantes.

- Leia o texto do capítulo ou suas anotações sobre o assunto, antes de assistir


ao filme.

- Concentre-se e preste muita atenção. Se possível, anote os principais


acontecimentos.

- Caso o professor tenha sugerido um roteiro para você acompanhar o filme,


procure segui-lo e identificar os pontos principais.

- Anote os trechos que você não entendeu para esclarecer com o professor.

- Tire suas próprias conclusões e forme sua opinião sobre o que você viu.
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes que abordam o conteúdo
tratado nesta Unidade.

- A caverna dos sonhos esquecidos

Direção: W. Herzog. Canadá/Alemanha/França/Rússia, 2010, 90 minutos.

Documentário sobre o complexo de cavernas De Chauvet, no sul da França,


um dos mais importantes sítios de arte pré-histórica do mundo, descoberto em
1994.

- Como implantar um programa de coleta seletiva

SBJ Produções, Brasil, [s.d.], 31 minutos.

Vídeo didático que mostra, em dez passos simples, como implantar um


programa de coleta seletiva.

- Introdução à reciclagem e ao problema do lixo

SBJ Produções, Brasil, [s.d.], 26 minutos.

Vídeo didático que foca na importância da reciclagem do lixo, passando pelos


conceitos de "lixões" e aterros sanitários, destacando a necessidade dos 3
erres: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

- Lixo extraordinário

Direção: Karen Harley, João Jardim, Lucy Walker. Brasil/Reino Unido, 2010, 90
minutos.

Indicado ao Oscar em 2011, o documentário aborda a experiência de um artista


plástico com catadores de material reciclável no aterro do jardim Gramacho, o
maior da América Latina, localizado no Rio de Janeiro e já desativado.

- O desafio do lixo - DVD 1

Produção Barsa Planeta, Brasil, 2005, 105 minutos.

Documentário dividido em duas partes; a primeira trata de assuntos como


produção de lixo e baixo índice de reciclagem no Brasil; trabalho e situação
precária dos catadores de material reciclável; esgotamento dos aterros;
panorama brasileiro da reciclagem de alumínio, sucatas metálicas, embalagens
de agrotóxicos e pilhas de baterias.
- Pompeia

Direção: Paul W. S. Anderson. Estados Unidos/Alemanha/Canadá, 2014, 104


minutos.

Retrata o período da erupção do Vesúvio e o cotidiano de um escravo que está


envolvido com a filha de um importante político de Pompeia.

- Trash: a esperança vem do lixo

Direção: Stephen Daldry. Reino Unido/Brasil, 2014, 104 minutos.

Obra de ficção, retrata a vida cotidiana de dois jovens que vivem em um lixão e
buscam objetos de valor entre os dejetos. Um dia encontram uma carteira e a
partir daí a situação deles se modifica.

124

- Tsunami: o segredo das ondas gigantes

Discovery Channel Brasil, 2005, 50 minutos.

A colisão de duas enormes placas tectônicas geram uma avassaladora energia


ao longo do leito do oceano Índico, a 30 km de profundidade. A água do
oceano é violentamente impulsionada para cima, criando poderosas ondas na
superfície e atingindo uma enorme faixa litorânea, que vai da Indonésia até a
Somália.

- Viagem ao centro da Terra

Direção: Eric Breviq. Estados Unidos, 2008, 92 minutos.

Baseado na obra de Júlio Verne. Durante uma expedição, um cientista e as


pessoas que o acompanham ficam presos em uma caverna e, na tentativa de
deixar o local, alcançam o centro da Terra, onde encontram um mundo exótico
e desconhecido.

Livros

Estes livros poderão ampliar o assunto estudado.

- Decifrando a Terra

Wilson Teixeira et al. (Org.). São Paulo: Ibep/Nacional, 2009.


Obra de referência, o livro apresenta quatro grandes unidades temáticas, em
escala global, continental, regional e local: a origem do Universo e da Terra,
composição terrestre, processos superficiais da Terra e recursos naturais,
numa visão que prioriza a sustentabilidade das atividades humanas.

- Desenvolvimento sustentável: educação ambiental

Wagner Feldmann. São Paulo: PAE Editora, 2012.

A obra enfatiza a importância da educação ambiental para a construção


coletiva de uma cultura de sustentabilidade.

- Geomorfologia: ambiente e planejamento

Jurandyr Luciano Ross. Coleção Repensando a Geografia. São Paulo:


Contexto, 2011.

O renomado professor universitário aborda um dos principais componentes da


natureza: o relevo. Identifica-o, descreve-o dentro do contexto do quadro
ambiental e o analisa.

- Minerais, minérios e metais: de onde vêm? Para onde vão?

Eduardo Leite do Canto. São Paulo: Moderna, 2010.

Nesta obra são apresentados os processos de extração dos metais, as


aplicações práticas, além de aspectos socieconômicos, como condições de
trabalho, tecnologias, políticas de exploração do subsolo, danos ao meio
ambiente, entre muitos outros tópicos sobre o tema.

- Rochas: manual fácil de estudo e classificação.

Sebastião de Oliveira Menezes. São Paulo: Oficina de Textos, 2013.

Obra escrita por um geólogo que apresenta um roteiro para o estudo das
rochas. As ilustrações facilitam a compreensão do tema abordado.

Sites

Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte de pesquisa.

- www.brasil.gov.br/sobre/meio-ambiente/gestao-do-lixo/reciclagem

Site do governo brasileiro com informações sobre reciclagem, gestão do lixo e


consumo consciente.
- www.classzone.com

Site, em inglês, com informações sobre a formação e a estrutura da Terra.

- www.ess.washington.edu/tsunami

Site, em inglês, com informações sobre tsunami.

- http://mundogeograficord.blogspot.com.br/

Site com informações sobre efeito estufa, deriva continental, placas tectônicas,
etc.

- www.cempre.org.br/

Site com informações sobre reciclagem.

- www.camara.gov.br/sileg/integras/501911.pdf

Site que traz na íntegra o arquivo da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

- www.vulcanoticias.com.br/portal/vulcanologia/vulcoes-e-a-tectonica-de-
placas/as-placas-tectonicas

Site com informações sobre vulcões e placas tectônicas.

- http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/swf/solo/3_at/

- http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/swf/solo/3_2/

- http://videoseducacionais.cptec.inpe.br/swf/solo/3_1/

Vídeos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre solos e


erosão.

125

unidade 4. A atmosfera e as mudanças climáticas

LEGENDA: Degelo no Ártico afeta habitat do urso-polar. Foto de 2015.

FONTE: US Coast Guard Photo/Alamy/Latinstock

A atmosfera, camada gasosa fundamental para a existência dos seres vivos,


também é afetada negativamente pelas várias atividades realizadas pela
humanidade na litosfera. A poluição do ar e as mudanças climáticas, causadas
principalmente pelas indústrias, a agricultura e o modo de vida nas grandes
cidades têm preocupado a comunidade global. A busca de soluções para esses
problemas envolve o conhecimento dos elementos do clima, dos fatores e das
diversidades climáticas para que esses impactos ambientais sejam
minimizados.

126

capítulo 10. O tempo meteorológico e os elementos do clima

FONTE: Rubens Chaves/Arquivo da editora

LEGENDA DA IMAGENS: Obelisco e Mausoléu ao Soldado Constitucionalista


de 1932, na cidade de São Paulo (SP). As duas imagens foram feitas em
fevereiro de 2016, em dias, horários e condições atmosféricas diferentes. O dia
claro, ensolarado e com poucas nuvens, e o dia cinzento com nuvens
carregadas, evidenciam o contraste resultante de diferentes estados do tempo,
expressão que difere de tipo de clima. Neste capítulo estudaremos essa
diferença.

FONTE: Rubens Chaves/Arquivo da editora

A atmosfera e os fenômenos meteorológicos

É comum confundir tempo e clima. Por que fazemos essa confusão?

O clima indica a sucessão das variações dos estados do tempo em um


determinado lugar durante um longo período.

Já o tempo, como mostram as fotos acima, não se apresenta sempre igual num
mesmo tipo de clima. Um dia pode ser ensolarado; outro pode estar nublado,
chuvoso ou com muito vento. O tempo muda de acordo com as condições
atmosféricas - temperatura, pressão atmosférica, direção dos ventos,
nebulosidade, umidade, etc. - registradas em determinado momento. Em outras
palavras, o estado momentâneo do ar, num determinado lugar da Terra,
caracteriza o tempo atmosférico desse lugar. Por isso dizemos, por exemplo:
"O tempo, hoje, está frio e chuvoso".

Por que isso ocorre?

127

A atmosfera - camada gasosa que envolve a Terra - não se apresenta de forma


homogênea em toda a sua extensão. Torna-se rarefeita e tem sua composição
alterada à medida que a altitude aumenta. Ao nível do mar, é constituída de
78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e apenas 1% de outros gases (argônio,
xenônio, neônio, gás carbônico, etc.), além de poeira. O oxigênio que existe no
ar atmosférico é indispensável para que haja vida na superfície da Terra.

Veja, na figura abaixo, como está constituída a atmosfera.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E9-10. CRÉDITOS: Alex
Argozino/Arquivo da editora

As variações da temperatura do ar, como umidade e pressão, precipitações,


ventos e movimentos das massas, são fenômenos que ocorrem na atmosfera e
caracterizam os estados ou condições do tempo atmosférico. São os
chamados fenômenos meteorológicos ou elementos do clima. A ciência que
estuda as causas e os efeitos desses fenômenos é a meteorologia.

O conhecimento das variações dos fenômenos meteorológicos é muito útil para


a realização das atividades humanas no espaço geográfico. Tais informações
ajudam a prevenir possíveis prejuízos e acidentes que eventos como as secas,
os furacões e as enchentes podem causar. Além disso, as previsões
meteorológicas podem ser de grande auxílio, por exemplo, para evitar o
transtorno de sair em uma manhã ensolarada e voltar debaixo de um temporal.

Vamos agora ao estudo de cada um dos elementos que definem o tempo e


caracterizam o clima de um lugar.

A temperatura do ar

A fonte de energia responsável pela temperatura da atmosfera, ou seja, pela


quantidade de calor que existe no ar, é o Sol. A radiação solar, ou insolação,
atravessa a atmosfera, que retém 19% do calor irradiado; 47% dessa radiação
é absorvida pelas águas e terras da superfície terrestre e refletida para o alto,
aquecendo a atmosfera de baixo para cima. Os outros 34% são refletidos
diretamente pela atmosfera e pela superfície da Terra.

A quantidade de calor que está presente na atmosfera, em determinado


momento, corresponde à sua temperatura, medida por um termômetro
meteorológico - o termômetro de máxima e mínima -, que, como o próprio
nome diz, registra as condições máximas e mínimas da temperatura do ar.

Podemos usar duas escalas para medir a temperatura do ar: Celsius ou


centígrado e Fahrenheit. A mais usada é a escala Celsius, que se baseia no
ponto de congelamento (0 °C) e no ponto de ebulição da água (100 °C). Na
escala Fahrenheit, o ponto de ebulição corresponde a 212 °F e o de
congelamento, a 32 °F. Desse modo, temos:

0 °C = 32 °F e 100 °C = 212 °F

128

Ao estudar a atmosfera, os meteorologistas preocupam-se em investigar


alguns dados importantes.

- A temperatura máxima, a mais elevada temperatura registrada em


determinado período. O registro pode ser diário, mensal ou anual.

- A temperatura mínima, a mais baixa temperatura registrada em determinado


período. Pode ser medida diária, mensal ou anualmente.

- A média térmica, isto é, a média aritmética das temperaturas. Pode ser


calculada diária, mensal ou anualmente.

- A amplitude térmica, que é a diferença entre a maior e a menor temperatura


registrada em determinado período.

A umidade do ar

A umidade atmosférica (quantidade de vapor de água existente no ar) varia de


um lugar para outro e até em um mesmo lugar, dependendo do dia, do mês ou
da estação do ano.

É comum ver ou ouvir, em boletins meteorológicos, afirmações como: "Tempo


bom, temperatura estável, umidade relativa do ar de 60%". Sabe o que significa
"umidade relativa do ar"?

A umidade da atmosfera pode ser considerada em números absolutos - g/m³,


ou seja, gramas de água existentes em cada metro cúbico de ar - ou
relativamente ao seu ponto de saturação, que é a sua capacidade máxima de
reter umidade. Portanto, umidade relativa de 60% quer dizer que faltam 40%
para atingir a capacidade de retenção total de vapor de água no ar e começar a
chover.

Quando o vapor de água da atmosfera atinge seu ponto de saturação, ocorrem


as precipitações, que podem se apresentar sob várias formas: chuva, neve e
granizo, que veremos a seguir. São as chamadas precipitações não
superficiais, porque a condensação acontece nas camadas mais elevadas da
atmosfera. Quando a condensação ocorre na superfície da Terra, formam-se o
nevoeiro, o orvalho e a geada, que não são considerados propriamente
precipitações, e sim condensações superficiais, porque não caem, isto é, não
se precipitam.

Precipitações não superficiais

Chuvas. Resultam da conjugação de dois fatores: o vapor de água em seu


ponto de saturação e a queda de temperatura da atmosfera.

As precipitações podem se formar de três maneiras:

- Chuvas convectivas ou de convecção. Ocorrem quando o ar, em ascensão


vertical, se resfria, se condensa e se precipita na forma de chuva. Esse tipo de
chuva é muito comum nas regiões equatoriais, como a Amazônia.

- Chuvas de relevo ou orográficas. Ocorrem com a ascensão e o resfriamento


do ar, quando este tem de ultrapassar barreiras montanhosas. No litoral do
Nordeste brasileiro, a barreira do planalto da Borborema provoca chuvas na
Zona da Mata e no litoral.

- Chuvas frontais. Resultam do choque de uma massa de ar frio com uma


massa de ar quente. As chuvas frontais são frequentes no litoral oriental
brasileiro, como consequência do encontro da massa polar atlântica (fria) com
a massa tropical atlântica (quente).

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E14-15. CRÉDITOS DAS
ILUSTRAÇÕES: Alex Argozino/Arquivo da editora

129

Boxe complementar:
Contexto e aplicação

Ícone: Não escreva no livro.

Frente fria deve provocar chuva em MS durante Carnaval, alerta Inmet

Pancadas de chuva serão durante todo o dia, segundo o órgão.

Corumbá, cidade com programações carnavalescas, pode ter chuva.

A chegada do Carnaval será com uma frente fria em todas as regiões de Mato
Grosso do Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Para o sábado (14), a previsão, segundo o instituto, é de chuva durante todo o
dia no estado.

Conforme um aviso meteorológico emitido pelo Inmet, entre 0h e 23h59 de


sábado, as condições serão favoráveis à ocorrência de chuvas fortes,
descargas elétricas e rajadas de vento, em áreas isoladas do estado.

O órgão também informa que, ainda nesta sexta-feira (13), entre a tarde e a
noite, haverá pancadas de chuva fortes no sul do estado. Isto porque uma área
de baixa pressão sobre o oceano atua no sul do Brasil, em conjunto com uma
frente fria.

[...]

G1, 13 fev. 2015. Disponível em: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-


sul/noticia/2015/02/frente-fria-deve-provocar-chuva-em-ms-durante-carnaval-
alerta-inmet.html. Acesso em: 15 out. 2015.

- Levando em conta os diversos tipos de chuva, indique qual deles caiu


sobre o estado de Mato Grosso do Sul. Se precisar, reveja o texto e as
ilustrações sobre os tipos de chuva na página 128.

Fim do complemento.

Neve. Precipitação de cristais de gelo, em geral agrupados em flocos e


formados pelo congelamento do vapor de água que se encontra suspenso na
atmosfera, antes que eles cheguem à superfície. A queda de neve é
característica de invernos de regiões temperadas e pode acontecer durante
todo o ano nas altas montanhas e nas regiões polares. Em regiões habitadas,
pode causar transtornos como o fechamento de estradas e aeroportos.
LEGENDA: Paisagem com neve em Toronto, no Canadá, em 2014.

FONTE: Steve Russell/Toronto Star/Getty Images

Granizo. Acontece quando gotas de água são levadas para camadas mais
frias e mais altas da atmosfera, pela ascensão vertical do ar, e transformam-se
em gelo. A queda de granizo pode trazer prejuízo para as lavouras, como
acontece no Sul e no Sudeste do Brasil.

Boxe complementar:

Medindo a umidade do ar

- A umidade do ar é medida por um aparelho chamado higrômetro.

- A quantidade total de umidade existente no ar, em determinado momento, é


chamada umidade absoluta.

- A relação entre a umidade encontrada no ar e o ponto de saturação é


chamada umidade relativa.

- Linhas que unem pontos da Terra com a mesma umidade atmosférica são
denominadas isoígras.

Fim do complemento.

Condensações superficiais

Nevoeiro. É a suspensão de gotículas de água ou cristais de gelo numa


camada de ar próxima à superfície da Terra. Forma-se quando o ar quente e
úmido, em contato com o solo frio ou com superfícies líquidas, perde calor e se
condensa. Ocorre em noites de céu limpo, ventos fracos e umidade relativa
razoavelmente alta.

Orvalho. O solo também pode se apresentar coberto de pequeninas gotas de


água, após uma noite de baixa temperatura. Ao entrar em contato com o solo
frio, o vapor de água passa para o estado líquido. Temos, então, o orvalho.

130

Geada. Se o resfriamento do ar for muito intenso e rápido, o vapor de água


passará diretamente para o estado sólido, formando uma fria camada de gelo,
conhecida como geada, que nada mais é do que o orvalho congelado.
LEGENDA: Geada no Parque Nacional de São Joaquim, em Urubici (SC). Foto
de 2013.

FONTE: Andre Arcenio/Olhar Imagem

Pressão atmosférica

O físico e matemático italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) provou que o


ar exerce uma pressão sobre os corpos, cuja força é igual ao peso de uma
coluna de mercúrio de 1 cm de diâmetro e 76 cm de altura, ao nível do mar.

O peso do ar sobre a superfície da Terra é chamado pressão atmosférica.


Como esse peso não é exercido de maneira uniforme em todos os lugares,
temos diferenças de pressão atmosférica na superfície terrestre. Dessas
diferenças se originam os ventos.

Damos o nome de vento aos movimentos horizontais e verticais do ar, cuja


formação depende da distribuição das temperaturas na superfície da Terra,
pois estas são responsáveis pelas desigualdades de pressão atmosférica que
iniciam esses movimentos. Nas regiões mais frias, o ar é mais pesado; nas
áreas quentes, é mais leve.

O mecanismo básico dos ventos depende da maior ou menor pressão do ar


sobre a superfície da Terra. Os ventos deslocam-se sempre das áreas de alta
pressão (áreas frias) para as áreas de baixa pressão (áreas quentes). As zonas
de alta pressão são chamadas anticiclonais, e as de baixa pressão, ciclonais.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E15. CRÉDITOS: Luis
Moura/Arquivo da editora

131

O instrumento usado para medir a velocidade dos ventos é o anemômetro, e a


sua direção é dada pelo anemoscópio (biruta). A velocidade dos ventos é
expressa em quilômetros por hora ou metros por segundo.

Boxe complementar:

Isóbaras

As isóbaras são linhas que unem pontos de igual pressão atmosférica.


O estudo do traçado das isóbaras é útil para localizar as áreas de alta ou baixa
pressão e, assim, conhecer a direção de frentes, ciclones, ventos e tornados. A
pesquisa das isóbaras, nos observatórios, é utilizada na prevenção de
catástrofes.

O barômetro é o aparelho usado para medir a pressão atmosférica de um lugar


e, a partir daí, traçar as isóbaras. O barômetro de mercúrio faz essa medição
geralmente em uma coluna de mercúrio (mmHg). Quando o objetivo é registrar
continuamente a pressão atmosférica, em milímetros de mer cúrio ou em
milibares (mb), usa-se então o barógrafo.

LEGENDA: Barômetro

FONTE: Paul Seheult/Eye Ubiquitous/Corbis/Latinstock

Fim do complemento.

A circulação geral do ar

Como vimos, a movimentação do ar atmosférico depende muito das diferenças


de temperatura entre as zonas climáticas, na medida em que formam as áreas
de alta e de baixa pressão, responsáveis pela dinâmica atmosférica.

A circulação do ar na superfície da Terra ocorre em três níveis: há "trocas" de


massas de ar entre as altas, as médias e as baixas latitudes. Podemos
considerar:

- Circulação primária. Determina as zonas climáticas e o padrão global dos


climas. Na circulação primária, destacam-se os ventos alísios, os contra-
alísios, os polares, os de leste e os de oeste. Esses ventos sopram durante o
ano, entre o equador e os polos, passam pelas áreas temperadas e são
desviados pelo movimento de rotação da Terra. Nas proximidades do equador,
tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul, existe uma área muito
chuvosa, denominada zona de convergência intertropical, ou ZCIT, para onde
se dirigem os ventos alísios de sudeste e de nordeste. A ZCIT muda de
posição durante o ano. No solstício de verão do hemisfério norte, as massas
polares do sul empurram a ZCIT para o norte do equador. Ocorre o contrário no
solstício de verão do hemisfério sul. Nos equinócios, a ZCIT coincide com a
linha do equador.
Glossário:

Alísios: ventos que sopram dos trópicos para o equador.

Contra-alísios: ventos que sopram do equador para os trópicos.

Fim do glossário.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E14-15. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

- Circulação secundária e terciária. Aliadas a outros fatores (relevo, latitude,


proximidade do mar, correntes marítimas, etc.), determinam os climas regionais
e seus subtipos. As brisas e as monções fazem parte da circulação secundária
e baseiam-se nas diferenças de temperatura entre continentes e oceanos.
Como mudam de direção, da manhã para a noite (brisas) e do inverno para o
verão (monções), são chamadas ventos periódicos. Na circulação terciária
estão os ventos locais, como o minuano (Rio Grande do Sul), o buran (Sibéria),
o mistral (França) e o siroco (Grécia e Itália).

132

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E14-15. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E15. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

133

As massas de ar

Dentro da atmosfera existem porções de ar que apresentam características


próprias de temperatura, umidade e pressão. Essas porções são as massas de
ar, as grandes responsáveis pelo comportamento da atmosfera, pois são
capazes de mudar repentinamente o tempo nos locais aonde chegam.

As principais massas de ar são:

- Polares (P)
Polar marítima (Pm): fria, úmida e instável.

Polar continental (Pc): fria, seca e estável.

- Tropical (T)

Tropical marítima (Tm): quente e úmida.

Tropical continental (Tc): quente e seca.

- Equatorial (E)

Equatorial marítima (Em): quente e úmida.

Equatorial continental (Ec): quente e úmida.

Ao encontro de duas massas de ar de temperaturas diferentes damos o nome


de frente. As frentes dependem de vários fatores, como: mudança de
temperatura, de direção dos ventos, de pressão ou umidade atmosférica.

Conheça os principais tipos de frente.

- Frente fria: forma-se quando o ar frio substitui o ar quente, trazendo frio para
a região.

- Frente quente: forma-se quando o ar quente substitui o ar frio, fazendo a


temperatura subir na região.

- Frente estacionária: ocorre quando há equilíbrio entre a massa de ar frio e a


de ar quente, ocasião em que uma frente fria ou quente deixa de se
movimentar.

- Frente em dissipação: ocorre quando uma das duas massas (de ar quente ou
de ar frio) começa a se afastar. Por exemplo, quando, depois de alguns dias
muito frios, a temperatura começa a subir, dizemos que "a frente fria está em
dissipação".

Vimos, portanto, que, diferentemente do tempo (estado momentâneo), o clima


indica a sucessão das variações dos estados do tempo em determinado lugar
durante um longo período. Essa sucessão de variações permite, por exemplo,
afirmar que o clima, na maior parte do território brasileiro, é tropical. Por
influência de alguns fatores, o clima varia de um lugar para outro (assunto do
próximo capítulo).
FONTE: Adaptado de:
www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer
,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=75603&blog=
245&coldi. Acesso em: 23 out. 2015. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Alex
Argozino/Arquivo da editora

134

Refletindo sobre o conteúdo

1. Diferencie tempo de clima.

2. Observe o tempo que está fazendo agora na cidade onde você mora.
Identifique uma característica da massa de ar que está atuando sobre ela.

3. Veja com atenção a imagem a seguir.

FONTE: Adaptado de: www.mundoeducacao.com/geografia/tipos-chuva.htm.


Acesso em: 30 out. 2015. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

a) Identifique o fenômeno natural ilustrado.

b) Explique como acontece esse fenômeno.

c) Indique um lugar onde ocorra a precipitação mostrada na imagem.

4. Observe o mapa a seguir, consulte um atlas geográfico e faça o que se


pede.

FONTE: Adaptado de: ATLAS Singapore and the World. Singapore: Longman,
2007. p. 57. CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo da editora

a) Que continente está representado no mapa anterior?

b) Identifique dois países que apresentam elevado índice pluviométrico.

c) Identifique dois países que apresentam baixo índice pluviométrico.

d) As áreas que apresentam maiores índices de chuva localizam-se em que


zona climática?

5. Leia a notícia, observe a foto e depois faça o que se pede.

Chuvas no Rio Grande do Sul provocam segunda maior cheia do Guaíba


As chuvas que atingem o Rio Grande do Sul desde o início da semana
provocaram hoje [17/10/2015] a segunda maior cheia do rio Guaíba, alagando
grande parte do cais do porto, no centro de Porto Alegre. No estado, quase 147
mil pessoas foram atingidas pelos eventos climáticos desde a quarta-feira
[7/10/2015] e cerca de 39 mil casas foram danificadas.

De acordo com a Defesa Civil, o nível do rio Guaíba chegou hoje a 2,93
metros, ultrapassando a marca registrada em 1967. A maior cheia da história
ocorreu em 1941, quando o Guaíba subiu 4,76 metros. Devido à alta, foram
fechadas todas as comportas construídas para tentar evitar que as águas
atinjam a capital gaúcha.

RICHARD, Ivan. Agência Brasil, 17 out. 2015. Disponível em:


http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-10/chuvas-no-rio-grande-do-
sul-provocam-segunda-maior-cheia-do-rio-guaiba. Acesso em: 21 out. 2015.

LEGENDA: Ruas cobertas pela água da chuva em Alvorada, região


metropolitana de Porto Alegre, em setembro de 2015.

FONTE: Everton Silveira/Ag. Freelancer/Folhapress

- Indique dois problemas causados pelos eventos climáticos que atingiram o


Rio Grande do Sul no final de 2015.

135

capítulo 11. Fatores do clima e tipos climáticos

LEGENDA: Praia no Parque Nacional de Manuel Antonio, na Costa Rica,


América Central, em fevereiro de 2015.

FONTE: Thierry Grun/Only World/Agência France-Presse

LEGENDA: Nova Prata, no Rio Grande do Sul, em julho de 2015.

FONTE: Luciano Leon/Raw Image/Folhapress

Fatores que modificam o clima

As imagens acima refletem as diferenças de temperatura na América. Na


realidade, as temperaturas na América Central, região de baixas latitudes, são
mais altas do que na porção sul da América do Sul (sul do Brasil e Argentina,
por exemplo), região de latitudes médias.
No caso dos locais mostrados nas imagens, o elemento modificado é a
temperatura, e o fator responsável pela modificação é a latitude. Outros fatores,
que chamamos fatores modificadores do clima, contribuem para a alteração da
pressão atmosférica, das chuvas e das massas de ar, como a altitude, a
maritimidade, a continentalidade e as correntes marítimas. Vamos ver, a seguir,
como cada um desses fatores modifica os fenômenos meteorológicos que
caracterizam o clima.

A latitude

As diferenças de latitude ou de localização das zonas climáticas podem alterar


tanto a temperatura como a pressão atmosférica. Sabemos que os raios do Sol
não atingem igualmente toda a superfície da Terra.

136

Por isso, nas áreas de baixas latitudes (próximas do equador) faz mais calor, e
nas áreas de altas latitudes (próximas dos polos) faz mais frio. Portanto:

maior latitude = menor temperatura

menor latitude = maior temperatura

As amplitudes térmicas aumentam com a latitude. No equador, as temperaturas


oscilam muito pouco, mas apresentam grandes diferenças nas regiões de altas
latitudes. Nas áreas de baixas latitudes, a pressão é menor porque o ar se
dilata e fica mais leve. Nas áreas de altas latitudes, onde o ar é mais pesado, a
pressão é maior. Portanto:

menor latitude = maior temperatura/menor pressão

maior latitude = menor temperatura/maior pressão

FONTE: Adaptado de: RODRÍGUEZ, Patrícia; PALMA, Marcela. Geografía


general. Santiago: Santillana, 2010. p. 111. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da
editora

A altitude

Como os raios solares aquecem a atmosfera através das radiações refletidas


pela Terra, à medida que nos distanciamos da superfície a temperatura diminui.
Há uma diminuição de cerca de 1 °C na temperatura para cada 200 m de
altitude. Portanto:

menor altitude = maior temperatura

maior altitude = menor temperatura

A pressão atmosférica é maior em lugares situados mais próximos do nível do


mar, em virtude do maior volume de ar sobre a superfície da Terra. Portanto:

menor altitude = maior pressão

maior altitude = menor pressão

FONTE: Adaptado de: RODRÍGUEZ, Patrícia; PALMA, Marcela. Geografía


general. Santiago: Santillana, 2010. p. 112. CRÉDITOS: Alex Argozino/Arquivo
da editora

A maritimidade e a continentalidade

A influência do mar, ou maritimidade, é um importante regulador do clima de


regiões litorâneas. Como as águas do mar se aquecem e se resfriam muito
lentamente, essas regiões têm temperaturas mais amenas e com pequenas
variações. Os ventos carregados de umidade vindos dos oceanos tornam
essas regiões mais úmidas e chuvosas.

As áreas situadas no interior dos continentes não têm essas características. As


rochas se aquecem muito rápido quando expostas ao Sol, mas também esfriam
rapidamente quando privadas da energia solar. Por isso, no interior dos
continentes, a amplitude térmica aumenta e as chuvas diminuem, pois os
ventos vão perdendo a umidade à medida que penetram nos continentes.

Boxe complementar:

Maritimidade é a proximidade e a influência dos oceanos sobre a temperatura


do ar de regiões litorâneas. Quanto mais próximo do mar, menor a variação da
temperatura.

Continentalidade é a distância de cada lugar em relação ao mar. Quanto mais


distante do mar, maior será a variação da temperatura.

Fim do complemento.

137
As correntes marítimas

As correntes marítimas são verdadeiros rios movendo-se pelo mar, com


temperatura diferente das águas situadas ao seu redor. Elas são consequência
das diferenças de temperatura e de salinidade e, principalmente, dos ventos
que sobre elas se deslocam.

Assim como os ventos, essas correntes são afetadas pela rotação da Terra,
sofrendo um desvio para a direita no hemisfério norte, e para a esquerda no
hemisfério sul, mas seguem direções bem determinadas: existe um fluxo
contínuo de água fria e pesada na direção dos polos ao equador, e uma
contracorrente quente e superficial, que vai em sentido contrário.

A existência de correntes frias e quentes se deve aos diferentes níveis de


insolação resultantes da inclinação do eixo terrestre. Próximo ao equador a
insolação mais intensa forma correntes marítimas quentes; nas regiões
polares, com menores índices de insolação, as correntes marítimas são frias.

As correntes quentes amenizam o clima, como a corrente do Golfo em relação


ao clima da Europa ocidental. Correntes frias, como a de Benguela e a de
Humboldt, podem ser responsáveis pelo aparecimento de regiões desérticas,
porque as águas frias fornecem menor umidade para a atmosfera.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 58. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Principais tipos de clima do mundo

Para definir o clima de um lugar qualquer, devemos considerar os fenômenos


meteorológicos e os fatores climáticos que o caracterizam; os principais são a
temperatura e as precipitações.

As variações anuais de temperatura e a quantidade de chuvas de uma


localidade podem ser registradas em um gráfico: o climograma. Pela leitura de
um climograma, é possível saber o tipo de clima nele representado. Veja, na
próxima página, como se constrói e se lê um climograma.

Como os elementos climáticos apresentam-se das mais variadas maneiras na


superfície da Terra, provavelmente não encontraremos dois lugares no mundo
que tenham o clima exatamente igual. Podemos considerar zonas climáticas
com algumas características comuns, sem levar em conta diferenças causadas
por fatores locais como a altitude e a dinâmica das massas de ar.

Nas páginas seguintes apresentamos as características desses principais tipos


de clima encontrados no mundo, ilustrados por meio de climogramas. Ao fim
deste tópico apresentamos também um mapa de tipos climáticos (veja a página
141).

138

Boxe complementar:

Aprendendo a ler climogramas

Atividade interdisciplinar: Geografia e Matemática.

Climogramas são gráficos que representam as precipitações e a temperatura


de uma localidade, medidas por uma estação meteorológica durante os doze
meses do ano. Para construí-los, usamos o sistema de coordenadas
cartesianas - eixo das ordenadas (y) e eixo das abscissas (x).

A leitura dos climogramas permite reconhecer as características do clima de


uma região e classificá-lo levando em conta aspectos como o total de
precipitações, sua distribuição ao longo do ano, os meses mais chuvosos e os
menos chuvosos, etc. Quanto às temperaturas, os dados mais importantes são
o mês de temperatura mais elevada e o de menos elevada e a amplitude
térmica. A distribuição anual é outro aspecto fundamental para caracterizar
mais facilmente o tipo climático.

O climograma do nosso exemplo mostra um longo período de aridez nos


meses de julho e agosto. Como as temperaturas mais elevadas coincidem com
esses meses, deduzimos que o período mais seco corres ponde ao verão.
Portanto, a cidade hipotética está no hemisfério norte e tem clima do tipo
mediterrâneo.

FONTE: Adaptado de: YEOH, Brenda S. A. Atlas Singapore and the World.
Singapore: Longman, 2010. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Fim do complemento.

Clima temperado
Ocorre na Europa, na América do Norte, na Ásia (menos no Oriente Médio, no
Sul e no Sudeste Asiático), no sul da América do Sul, na Nova Zelândia e em
parte da Austrália. Suas principais características são estações do ano bem
definidas e queda de neve no inverno. A distância ou a proximidade do mar
explicam a existência de três subtipos de clima temperado.

- Temperado mediterrâneo. Este tipo de clima ocorre na bacia do Mediterrâneo,


no litoral do Chile, da Califórnia, da África do Sul e da Austrália. Apre sen ta
verão quente e seco, e inverno não muito frio. As chuvas ocorrem
principalmente no outono e no inverno.

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17, 23. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

- Temperado continental. Este clima caracteriza-se pelas grandes amplitudes


térmicas.

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17, 23. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

- Temperado oceânico. Caracteriza-se por apresentar temperaturas mais


amenas no inverno.

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17, 23. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

139

Clima glacial ou polar

Clima típico das regiões polares. Caracteriza-se por apresentar temperaturas


muito baixas, com médias térmicas de cerca de -35 °C no inverno, atingindo -
10 °C no verão. Nessas regiões, as temperaturas são sempre negativas. É o
clima das neves eternas. Veja o climograma.

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E17. CRÉDITOS: Banco
de imagens/Arquivo da editora
Clima de montanha

O clima de montanha não está restrito a uma zona climática. Está associado às
grandes altitudes das cadeias montanhosas, como os Andes, o Himalaia, as
montanhas Rochosas e os Alpes. Caracteriza-se pelo frio e pela paisagem de
altas montanhas cobertas de neves eternas. Nesse caso, em alguns lugares o
fator altitude supera a latitude. O índice de chuvas nas regiões tropicais é mais
alto que nas latitudes médias (chove mais quanto maior a altitude).

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E17. CRÉDITOS: Banco
de imagens/Arquivo da editora

Clima desértico

As principais características desse tipo de clima são a pequena quantidade de


chuvas e a grande amplitude térmica. Extremamente seco, esse clima pode
apresentar temperaturas variáveis, ocorrendo tanto em áreas tropicais
(desertos quen tes) como em áreas temperadas (desertos frios): norte da África
(Saara), Oriente Médio (Neguev), oeste dos Estados Unidos e norte do México
(Sonora), litoral do Chile e do Peru (Atacama), Austrália (Gibson), sudoeste da
África (Kalahari) e noroeste da Índia (deserto de Tar).

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

Clima tropical

O clima tropical tem como características temperaturas médias altas e duas


estações marcantes: verão chuvoso e quente e inverno com períodos de seca.
Mesmo sendo tipicamente quente, apresenta variações, separadas em
subtipos, que apresentamos a seguir.

- Clima tropical típico ou continental. Este subtipo apresenta duas estações


bem definidas: verão chuvoso e inverno seco. Ocorre na porção central do
Brasil e em grande parte da África.
FONTE: Climograma adaptado de: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Disponível em: www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/graficosClimaticos.
Acesso em: 30 out. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

- Clima equatorial. As regiões de clima equatorial são áreas próximas da linha


do equador (Amazônia, África e Indonésia), de temperaturas altas, com
pequenas amplitudes térmicas e chuvas abundantes na maior parte do ano.

140

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

- Clima tropical de monções. Abrange áreas do sul e do sudeste da Ásia.


Caracteriza-se pelas chuvas torrenciais de verão - geralmente de agosto a
outubro no hemisfério norte e no início do ano no hemisfério sul, causadas
pelas monções oceânicas - e inverno seco.

FONTE: Climograma adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini


2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E16-17. CRÉDITOS:
Banco de imagens/Arquivo da editora

- Clima tropical de altitude. É, entre os subtipos do clima tropical, o que


apresenta as temperaturas médias menos elevadas, em razão do fator altitude
(regiões de altas montanhas).

FONTE: Climograma adaptado de: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).


Disponível em: www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/graficosClimaticos.
Acesso em: 30 out. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Climas de transição

São assim chamados por se encontrarem nas zonas de mudança de um clima


para outro. São eles:

- Clima subtropical. Típico das áreas de transição do clima tropical para o


temperado. Apre senta chuvas bem distribuídas ao longo do ano, aumento da
amplitude térmica e estações mais definidas. O clima subtropical é o clima
típico do sul do Brasil: inverno rigoroso, podendo alcançar temperaturas
negativas, e verão curto, mas muito quente.
FONTE: Climograma adaptado de: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Disponível em: www.inmet.gov.br/portal/index.php?r=clima/graficosClimaticos.
Acesso em: 30 out. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

- Clima semiárido. Encontrado tanto em regiões tropicais (Sertão do Nordeste


do Brasil, clima quente) como em áreas de clima temperado (Patagônia, na Ar
gen tina, clima frio). Sua principal característica é a escassez de chuva,
praticamente ausente num longo período do ano (cerca de seis meses). E as
chuvas, além de escassas, são mal distribuídas durante o ano. Veja o
climograma de uma cidade com típico clima semiárido.

FONTE: Climograma adaptado de: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).


Disponível em: www. inmet.gov.br/portal/index. php?r=clima/graficosClimaticos.
Acesso em: 30 out. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

141

Veja o mapa de tipos climáticos simplificado da classificação de Köppen, uma


classificação climática bastante utilizada, adaptada pelo IBGE.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 58. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Boxe complementar:

Pesquise e reflita

Ícone: Não escreva no livro.

Na orla do Rio, área está sob ameaça do clima

O Rio registrou 42,8 °C em 16 de outubro de 2015, a terceira maior


temperatura dos últimos cem anos, desde 1915, segundo o Instituto Nacional
de Meteorologia (Inmet)

Uma área avaliada em pelo menos R$ 109 bilhões no Rio de Janeiro pode ser
afetada até 2040 pela elevação do nível do mar. Esse é um dos principais
destaques do capítulo de infraestrutura costeira do estudo "Brasil 2040",
divulgado pelo governo federal [...]. O trabalho avalia os impactos, pelos
próximos 25 anos, que os mais diversos setores da economia vão sofrer com
as mudanças climáticas.
A avaliação dos riscos costeiros foi conduzida no Instituto de Tecnologia
Aeronáutica (ITA) pela equipe do engenheiro civil Wilson Cabral. Mapeou-se a
vulnerabilidade do Rio e de Santos, o aumento do nível do mar e o risco de
ressaca, fenômenos agravados pelo aumento das temperaturas globais e o
derretimento das calotas polares. Também se analisou a probabilidade de
ocorrências de deslizamentos e inundações.

Foram considerados dois cenários do IPCC (o painel da ONU de cientistas do


clima): um mais pessimista, em que o mundo não age para combater as
mudanças climáticas; e um intermediário, em que ações são tomadas, mas
ainda não são suficientes para evitar aquecimento de cerca de 3 °C até 2100.

142

Nesses dois cenários, as cidades foram, então, divididas em áreas de muito


baixa a muito alta vulnerabilidade. No caso do Rio, os pesquisadores cruzaram
o mapa de vulnerabilidade com o de valores imobiliários.

"É ainda uma análise preliminar, qualitativa, mas que aponta que, no cenário
mais brando, uma área de R$ 109 bilhões pode estar ameaçada nos próximos
25 anos [...] ", afirma Cabral.

Ele se refere à orla na zona sul, que inclui bairros como Barra da Tijuca,
Ipanema e Copacabana. "Em termos de vulnerabilidade, o risco nessas regiões
é médio. Há áreas no Rio muito mais vulneráveis, como a Ilha do Fundão e o
Aeroporto Santos Dumont, mas como a zona sul concentra os imóveis mais
caros, o valor em risco passa a ser mais proeminente", explica o pesquisador.

Hospitais alagados

Em Santos, a maior ameaça é justamente aos setores que precisam agir no


caso de um evento climático extremo. "Mais de 60% do município está em área
de alta vulnerabilidade, incluindo a chamada infraestrutura crítica", afirma
Cabral. "Com a elevação do nível do mar, se ocorrer um alagamento,
observamos que todos os hospitais de Santos podem ficar alagados. E isso
nos dois cenários."

Os pesquisadores avaliaram também os riscos dos portos. A maioria já sofre


com o aumento do nível do mar e passa por redução da borda livre - espaço
seco entre o cais e a água - e redução do calado (profundidade) por
assoreamento. [...]

Cabral defende que os governos precisam começar a inserir a variável das


mudanças climáticas no planejamento das cidades e de infraestruturas
estratégicas para o país, como os portos.

UOL notícias. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-


estado/2015/11/03/na-orla-do-rio-area-de-r-109-bilhoes-esta-sob-ameaca-
doclima.htm. Acesso em: 6 nov. 2015.

- Com base no que você leu, pesquise, reflita e responda às questões


propostas.

1. Por que a cidade do Rio de Janeiro foi citada na reportagem anterior?

2. Que tipos de impactos climáticos a cidade do Rio de Janeiro sofreria?

3. Segundo o texto, a principal cidade do litoral paulista, Santos, também seria


atingida por essa possível mudança climática. Explique o risco de esse
processo acontecer.

4. O que mais chamou a sua atenção na reportagem anterior? Comente.

Fim do complemento.

Refletindo sobre o conteúdo

1. Observe os climogramas das cidades de Atenas e Varsóvia, localizadas na


Europa.

FONTE: Climogramas adaptados de: TRABALHANDO com mapas: os


continentes. 26ª ed. São Paulo: Ática, 2011. p. 22. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Analise os dados dos climogramas das duas capitais e depois faça o que se
pede.

a) Identifique qual é o clima das duas cidades. Se precisar, consulte o mapa da


página 141.

b) Compare a distribuição das chuvas nas duas cidades.

c) Compare as temperaturas nas duas cidades.


2. As geleiras, os rios e os deslizamentos de terra - poderosos agentes
erosivos - operam em diferentes taxas e altitudes. Assim, o clima, que varia em
função da altitude, controla o intemperismo [...].

PRESS, Frank et al. Para entender a Terra. Porto Alegre: Bookman, 2008. p.
461.

a) Por que o clima varia conforme a altitude?

b) Exemplifique a situação descrita na citação acima.

c) Relembrando o que estudamos nos Capítulos 7 e 8, explique o papel do


intemperismo na modificação do relevo.

143

capítulo 12. A poluição do ar atmosférico e as mudanças climáticas

LEGENDA: Pequim (Beijing), capital da China, onde a poluição do ar alcança


níveis muito elevados. Na foto, pessoas visitando a Praça Tiananmen durante
um dia poluído, em 2015.

FONTE: Kim Kyung-Hoon/Reuters/Latinstock

A poluição do ar e os impactos ambientais

A poluição atmosférica ocorre quando o ar contém elementos nocivos à saúde,


que não entram naturalmente na composição da atmosfera.

As cidades não são as únicas responsáveis pela poluição do ar. Muitos


poluentes vêm de usinas termelétricas e de carvoarias instaladas fora do
ambiente urbano, além de queimadas em áreas agrícolas ou de florestas.
Porém, os grandes poluidores do ar atmosférico ainda são, sem dúvida, os
milhares de veículos automotivos que circulam pelas cidades e as indústrias
que se instalam nelas, ou nas suas proximidades.

O ar urbano contém um "coquetel" de poluentes assustador: dióxido e


monóxido de carbono, óxido nítrico, dióxido de enxofre, chumbo, ozônio, além
das partículas em suspensão no ar, como a poeira do solo. Esses elementos,
muito tóxicos, são resíduos eliminados por indústrias - como petroquímicas e
siderúrgicas - e pela queima de combustível em veículos. Esse material
particulado é prejudicial à saúde, pois, inalado com frequência, pode afetar os
alvéolos pulmonares.

144

Pesquisas recentes apontam que minúsculas partículas originárias de veículos


a diesel possuem um grande potencial cancerígeno e agravam
consideravelmente casos de asma e alergia. A mistura de poluentes no ar
forma o smog, que assusta os moradores das grandes cidades do mundo,
tanto em países ricos como em países pobres.

Glossário:

Smog: é um fenômeno caracterizado pela formação de uma espécie de


neblina composta por poluição, vapor de água e outros compostos químicos.
Os tipos mais comuns são o smog urbano, o industrial e o fotoquímico.

Fim do glossário.

A poluição do ar urbano também afeta monumentos históricos e atinge até


mesmo os cinturões verdes de abastecimento dos grandes centros urbanos,
localizados em seus arredores, como os cinturões hortifrutigranjeiros de Mogi
das Cruzes, Atibaia, Cotia e Mairiporã, próximos do município de São Paulo.

Uma das soluções encontradas para tentar diminuir a poluição do ar urbano foi
estabelecer o rodízio de veículos automotivos, em que parte da frota fica fora
de circulação um dia na semana ou em um determinado período do dia. Isso
acontece em cidades como São Paulo, Cidade do México, San tiago (Chile),
Roma (Itália) e Atenas (Grécia), entre outras.

Veremos agora que a grande quantidade de poluentes lançados na atmosfera


causa muitos impactos ambientais. Em escala local e regional, destacam-se as
ilhas de calor, a inversão térmica e a chuva ácida. Em escala global, são
preocupantes o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio.

O efeito estufa e o aquecimento global

O efeito estufa é um fenômeno natural necessário para manter a temperatura


constante na Terra. A radiação solar atravessa a atmosfera; parte dessa
radiação é refletida pela Terra e absorvida pela superfície terrestre. O calor
retido pelas partículas de gases e vapor de água em suspensão na atmosfera
aquece o planeta, permitindo a vida. Observe na primeira ilustração a
ocorrência natural desse fenômeno.

FONTE: Adaptado de: www.elpais.es. Acesso em: jul. 2012. CRÉDITOS DAS
ILUSTRAÇÕES: Alex Argozino/Arquivo da editora

145

A queima de combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo) por indústrias e


veículos automotivos e as queimadas em florestas e áreas agrícolas são os
principais responsáveis pelo aumento da quantidade de dióxido de carbono
(CO2) na atmosfera, o que faz intensificar a retenção do calor na superfície
terrestre, elevando a temperatura global. É a intensificação desse efeito estufa
que preocupa, conforme podemos ver na segunda ilustração da página 144.

Seis gases são considerados os principais responsáveis pelo agravamento do


efeito estufa:

- dióxido de carbono (CO2), o principal deles;

- hidrocarbonetos perfluorados (PFCs);

- hidrofluorocarbonetos (HFCs);

- metano (CH4);

- oxido nitroso (N2O);

- hexafluoreto de enxofre (SF6).

Os maiores emissores de CO2 são, historicamente, os países desenvolvidos.


Cresce, contudo, a emissão de poluentes em países emergentes, como
podemos ver no gráfico abaixo.

Em razão de seu acelerado crescimento econômico, a China passou a


consumir maior quantidade de fontes de energia, principalmente carvão, do
qual é o maior produtor e o maior importador mundial. Como consequência,
suas emissões de CO2 aumentaram e ultrapassaram as dos Estados Unidos.
Em termos percentuais, em 2013, a China contribuiu com 29% do total mundial
das emissões de CO2, seguida por Estados Unidos (15%), União Europeia
(11%), Índia (6%), Rússia (5%) e Japão (4%). Desde 1860, o aumento da
temperatura na superfície da Terra tem sido de 0,3 °C a 0,6 °C e, segundo o
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla do inglês
Intergovernmental Panel on Climate Change), ligado à ONU, até o ano 2100
poderá variar de 1 °C a 3,5 °C, se a emissão de gases não estiver controlada.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a
Administração Nacional Aeronáutica e do Espaço (Nasa), o ano de 2014 foi um
dos mais quentes desde 1880, com temperatura média de 0,69 °C acima da
média do século XX, superando as previsões feitas em 2005 e 2010, que foram
de 0,04 °C.

Temos experimentado verões bem mais quentes nas últimas décadas, o que é
preocupante. Teme-se que as consequências do efeito estufa, responsável
pelo aquecimento global, possam ser catastróficas. Essas projeções têm
motivado várias reuniões e conferências com o objetivo de conscientizar os
países poluidores da necessidade de reduzirem a emissão do CO 2 (leia mais
sobre o assunto no Capítulo 18).

FONTE: Adaptado de: OLIVIER, J. G. J. et al. Trends in Global CO2 Emissions:


2014 Report. Emission Database for Global Atmospheric Research (EDGAR).
Disponível em: http://edgar.jrc.ec.europa.eu/news_docs/jrc-2014-trends-in-
global-co2-emissions-2014-report-93171.pdf. Acesso em: 30 out. 2015.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

146

A preocupação com o aquecimento global é perfeitamente compreensível. Se


as geleiras continuarem a derreter por causa do aumento do calor, o nível do
mar poderá subir.

A projeção é de que no ano 2100 a elevação será em média de 60 centímetros,


com uma variação de 15 centímetros a 90 centímetros. Se o nível do mar subir
1 metro, 17,5% do território de Bangladesh ficará submerso. Alguns países
insulares poderão desaparecer. As ilhas Maldivas, no oceano Índico, que são o
país com menor altitude no mundo, têm seu ponto mais alto a apenas 2,4
metros acima do nível do mar. Além das Maldivas, Tuvalu e Kiribati, no oceano
Pacífico, também estão situados a poucos metros acima do nível do mar. Por
isso, esses países estão ameaçados.

Boxe complementar:
Contexto e aplicação

Ícone: Não escreva no livro.

Mudança climática fará com que países inteiros desapareçam

[...]

A mudança climática já está provocando efeitos em todos os continentes e em


todos os oceanos, segundo relatório apresentado em 31 de março [de 2014]
por cientistas reunidos em Yokohama, no Japão. Eles alertaram que o
problema tende a piorar substancialmente, a menos que as emissões de gases
de efeito estufa sejam controladas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, grupo das Nações


Unidas, concluiu que as calotas polares estão derretendo, o gelo marinho no
Ártico está em colapso, o abastecimento de água está sobrecarregado, ondas
de calor e chuvas fortes estão se intensificando, os recifes de corais estão
morrendo e os peixes e muitas outras criaturas estão migrando para os polos
ou sendo extintos.

[...]

No topo da pauta está a previsão de que o nível global do mar pode subir até
um metro neste século. Tal aumento será desigual por causa dos efeitos
gravitacionais e da intervenção humana, de modo que prever o seu resultado
em qualquer lugar é difícil. Mas nações insulares, como Maldivas, Kiribati e Fiji,
podem perder grande parte do seu território, e milhões de bengaleses terão
que ser deslocados. "Há muitos lugares no mundo sob risco de elevação do
nível do mar, mas Bangladesh está no topo da lista", disse Rafael Reuveny,
professor na Universidade de Indiana, em Bloomington.

[...]

HARRIS, Gardiner. Ambiente. The New York Times. Disponível em:


www1.folha.uol.com.br/ambiente/2014/04/1436488-mudanca-climatica-fara-
com-que-paises-inteiros-desaparecam.shtml. Acesso em: 30 out. 2015.

- Que alerta a situação de Bangladesh dá à humanidade?

Fim do complemento.
A destruição da camada de ozônio

O ozônio pode ser altamente tóxico. Próximo do solo, torna-se um perigoso


poluente, contribuindo para a formação da chuva ácida e do smog. Mas a cerca
de 20 km a 60 km de distância do solo, na estratosfera, a camada de ozônio
forma uma barreira que impede a passagem dos raios ultravioleta do Sol,
contribuindo para proteger a vida na Terra.

LEGENDA: A imagem mostra o buraco na camada de ozônio sobre o


continente antártico, em imagem obtida em 16 de setembro de 2013. As
baixíssimas temperaturas da Antártida aceleram a mudança dos
clorofluorocarbonetos em cloro, diminuindo a camada de ozônio. Por esse
motivo, o "buraco" da camada de ozônio é maior sobre o polo sul.

FONTE: Nasa/SPL/Latinstock

147

A pequena radiação que consegue atravessar essa camada é a principal causa


do câncer de pele, que atinge grande número de pessoas em todo o mundo.
Os raios ultravioleta do Sol afetam também as plantas e os plânctons que
flutuam nos oceanos e absorvem cerca de 50% das emissões de dióxido de
carbono do planeta.

Os grandes inimigos da camada de ozônio são os CFCs


(clorofluorocarbonetos), muito utilizados em gases para refrigeração, em
aerossóis, em material para estofamento de móveis, em carpetes e várias
outras formas. Os CFCs demoram cerca de 8 anos para chegar à estratosfera;
aí se rompem, sob a radiação ultravioleta, e liberam cloro. Este rea ge com o
ozônio, transformando-o em oxigênio comum. Desse modo, causam a
destruição da camada de ozônio, abrindo verdadeiros "buracos" nesse escudo
protetor.

Para impedir que a situação se agravasse, em 1987, 24 países assinaram o


Protocolo de Montreal, pelo qual se comprometiam a reduzir pela metade a
produção de CFCs até 1999. Nesse ano, a ONU marcou para 2010 o fim da
fabricação desses gases.
LEGENDA: Outras substâncias que agridem a camada de ozônio e têm seu
uso controlado são o halon (bromofluorocarboneto), utilizado em extintores de
incêndio, e o brometo de metila, empregado na agricultura como pesticida.

FONTE: Paulo Ochandio/Acervo do fotógrafo

O tratado entrou em vigor em janeiro de 1989 e foi revisto nos anos de 1990,
1992, 1997 e 1999, com a adesão de vários países; em 1992, na reunião em
Copenhague, Dinamarca, ficou acordado o banimento total da produção e
utilização dos HCFCs (hidroclorofluorocarbonos), que estavam sendo usados
como substitutos dos CFCs, até 2030. Em setembro de 2009, todos os
membros da ONU haviam ratificado o tratado. Em 2010, foram proibidas a
produção e a importação dos CFCs.

Considera-se que o Protocolo de Montreal é um dos acordos internacionais


mais bem-sucedidos, pois foi assinado por quase todos os países.

O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990, ratificando também todas as


alterações determinadas nas reuniões realizadas em Londres (1990),
Copenhague (1992), Montreal (1997) e Pequim (1999).

Em 16 de setembro (Dia Internacional da Proteção à Camada de Ozônio) de


2012, o Ministério do Meio Ambiente anunciou que o país havia avançado
muito nas metas estabelecidas pelo Protocolo de Montreal.

Desde 1999 já não se produzem mais veículos e condicionadores de ar com


CFC; não se fabricam mais refrigeradores domésticos e comerciais com esses
gases desde o ano de 2001.

Em 2000, passou a ser proibido o uso de CFC em novos produtos, sendo


mantida a exceção para usos considerados essenciais, como na fabricação de
medicamentos. Além disso, a eliminação dos CFCs foi concluída em janeiro de
2007, três anos antes do prazo previsto.

148

A inversão térmica

A inversão térmica é um fenômeno que ocorre naturalmente em vários lugares


da superfície terrestre. Porém, quando ocorre nas grandes cidades, contribui
para agravar o problema da poluição atmosférica.
As massas de ar movimentam-se verticalmente porque a atmosfera se resfria
nas camadas mais elevadas. Quando entra em contato com a superfície da
Terra - naturalmente mais quente - o ar se aquece, fica mais leve e sobe. À
medida que ganha altitude, ele se resfria, fica mais pesado e desce novamente.
Esse movimento constante do ar ajuda a dispersar os poluentes das camadas
próximas do solo.

No outono e no inverno, quando a temperatura do solo diminui, é muito comum


essa situação se inverter. Próximo do solo mais frio, o ar se resfria; nas
camadas superiores, é mais quente. Essa "inversão" da temperatura do ar
atmosférico é a chamada inversão térmica. Por algumas horas, até que o solo
se aqueça, não há movimentação vertical do vento. Os poluentes ficam retidos
bem perto do solo, agravando a poluição atmosférica. Quanto mais baixa for a
camada em que ocorre a mudança de temperatura, mais aumentará a
concentração de poluentes perto do solo. Em cidades muito poluídas, a
"camada quente" funciona como um "tampão" que "prende" os poluentes na
camada de ar frio. Observe esse efeito na imagem de abertura do capítulo.
Depois, veja a segunda ilustração abaixo.

FONTE: FRÉMY, Dominique; FRÉMY, Michèle. Quid 2007. Paris: Robert


Laffont, 2006.

FONTE: FRÉMY, Dominique; FRÉMY, Michèle. Quid 2007. Paris: Robert


Laffont, 2006. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Alex Argozino/Arquivo da
editora

A chuva ácida

A água da chuva é naturalmente ácida pela dissolução de dióxido de carbono


da atmosfera. Mas a mistura de poluentes existentes no ar atmosférico, como o
ácido sulfúrico, o ácido clorídrico, o dióxido de enxofre, o dióxido de nitrogênio,
pode torná-la ainda mais ácida.

A chuva ácida foi descrita pela primeira vez em 1872, por Robert Angus Smith,
químico e climatologista inglês, ao analisar os efeitos da precipitação ácida em
Man chester, na Inglaterra, que provocou a oxidação de peças de metal dos
prédios e monumentos da cidade.
Centrais termelétricas, caldeiras industriais e veículos automotivos são os
principais responsáveis pela chuva ácida. Por isso, os países desenvolvidos do
hemisfério norte são os mais atingidos. As chuvas ácidas que caem em
algumas regiões da América do Norte, da Europa e do Japão apresentam
valores médios de pH iguais ou menores que 4,3.

Glossário:

pH: escala usada para medir o grau de acidez de uma solução. Varia de 1
(muito ácida) a 14 (pouco ácida). O pH 7 corresponde à neutralidade (água
destilada). Uma solução é ácida quando seu pH é menor que 7; quando o pH é
maior que 7, ela é básica. A chuva ácida tem pH igual ou menor que 5.

Fim do glossário.

149

Os efeitos da chuva ácida muitas vezes são sentidos em regiões afastadas de


onde elas se formam. Rios, lagos e solos atingidos por esse tipo de chuva têm
sua acidez aumentada. Os solos podem perder nutrientes como potássio,
cálcio e magnésio, causando sérios danos à vegetação.

LEGENDA: O Grande Buda de Leshan, escultura de pedra corroída pela chuva


ácida e pelas intempéries, na cidade de Leshan, província de Sichuan, na
China, em foto de 2015.

FONTE: Zhang Peng/LightRocket/Getty Images

FONTE: Adaptado de: ALLEN, J. L. Student Atlas of World Geography. New


York: McGraw-Hill/Duskin, 2009. p. 91. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo
da editora

Ilhas de calor

Nos grandes centros urbanos, a temperatura nos bairros pode ser diferente da
temperatura no centro da cidade. As médias térmicas costumam ser bem mais
altas nas regiões centrais do que na periferia ou na zona rural. Isso acontece
em razão da grande concentração de prédios, que impedem a circulação do ar.
O asfalto, a falta de áreas verdes e a concentração de veículos também
contribuem para o aumento da temperatura. Essas áreas são chamadas ilhas
de calor.
150

Com o aumento da temperatura, as ilhas de calor passam a atuar como uma


zona de baixa pressão, atraindo ventos que podem levar maior quantidade de
poluentes para essa área. Por isso, a poluição aí também é maior (veja a
ilustração).

Embora predominem nas áreas centrais das grandes cidades, outros pontos
com muitas edificações e indústrias podem se tornar ilhas de calor.

FONTE: Adaptado de: Revista Pesquisa Fapesp. Disponível em:


http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/10/11/ilha-de-calor-na-amazonia/. Acesso
em: 19 fev. 2016. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Fenômenos naturais e novos padrões climáticos

Desde a formação da Terra, a atmosfera do planeta tem sofrido mudanças.


Menos radicais do que em tempos remotos, temos hoje alguns fenômenos que
são responsáveis por alterações no comportamento das chuvas, dos ventos e
da temperatura do ar em várias regiões.

Há alguns anos, certos lugares sofrem enchentes devastadoras, enquanto


outros enfrentam fortes estiagens, ondas de calor abrasador fazem contraste
com temperaturas muito baixas e tempestades de neve violentas. Todos esses
eventos naturais causam prejuízos à população das áreas atingidas, arrasando
plantações, danificando construções e estradas, matando animais e, muitas
vezes, pessoas.

Entre as causas dessas mudanças climáticas, destacam-se dois fenômenos: El


Niño e La Niña, que têm em comum o fato de se originarem no oceano Pacífico
e trazerem consequências para o clima de todo o mundo, embora de formas
diferentes.

El Niño

Percebido pela primeira vez na época do Natal, o El Niño recebeu esse nome
em homenagem ao Menino Jesus. Caracteriza-se pelo aquecimento anormal
das águas do oceano Pacífico, no litoral do Peru. Para entender a ação do El
Niño, precisamos relembrar como funciona o sistema de circulação geral da
atmosfera, visto no Capítulo 10, quando falamos dos ventos alísios de nordeste
e de sudeste, que sopram dos trópicos para o equador (veja o mapa "Ventos
principais", na página 132).

Em situação normal, os alísios sopram sobre o Pacífico ocidental, empurrando


as águas mais quentes da superfície em direção à Austrália. Desse modo, na
costa do Peru as águas frias da corrente de Humboldt vêm à superfície
(fenômeno conhecido como ressurgência), tornando a região uma das mais
ricas áreas de pesca do mundo, pois as baixas temperaturas permitem o
desenvolvimento de algas, que servem de alimento para várias espécies de
peixes. Há períodos em que a velocidade dos ventos alísios sobre o Pacífico
ocidental diminui.

151

Sem os ventos fortes, todo o oceano Pacífico equatorial começa a aquecer.


Com a evaporação, formam-se nuvens que dão origem a intensas chuvas no
Pacífico equatorial ocidental. Essa mudança no local de formação das nuvens
acarreta modificações no padrão de circulação do ar e da umidade na
atmosfera, alterando o clima no mundo. O fenômeno dura, em média, de 12 a
18 meses. Em ocorrência do fenômeno El Niño, a temperatura da superfície do
mar chega a ficar até 4,5 °C acima da média.

O El Niño ocorre com uma frequência de 2 a 7 anos e é difícil prever suas


consequências. Suas maiores ocorrências foram em 1982-1983 e em 1997-
1998.

Durante sua ocorrência, o fenômeno El Niño provoca alterações e mudam


radicalmente o comportamento esperado das chuvas e das temperaturas em
todo o mundo.

Por que isso acontece?

O aumento da temperatura das águas oceânicas faz aumentar a evaporação,


ocasionando a formação de nuvens e alterando o sistema global de circulação
de ar. Desse modo, chove mais que o esperado para o período em alguns
lugares e há secas prolongadas em outros. Por exemplo, uma massa de ar
quente causada pelo El Niño, na altura do Sudeste do Brasil, vai impedir a
passagem de uma frente fria que se concentra no Sul do país antes de desviar-
se para o mar. Com isso, ocorrem fortes chuvas causadoras de enchentes no
Sul e seca prolongada no Nordeste, pois as chuvas que deveriam cair na costa
leste do Brasil ficam restritas à região Sul.

As regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país sentem menos os efeitos do


El Niño, pois ele interfere pouco na circulação atmosférica dessas regiões. Em
São Paulo, por causa dessa barreira, as frentes frias deixam de atuar,
causando o aumento da temperatura. Por isso, faz muito calor no verão com o
El Niño.

A influência do El Niño não se restringe ao Brasil. Peru, Chile, Estados Unidos,


Austrália, Sul e Sudeste da Ásia (Índia, Filipinas, Tailândia e Indonésia)
também são atingidos por esse fenômeno, sofrendo excesso de chuvas ou
secas rigorosas.

LEGENDA: Circulação dos ventos observada no oceano Pacífico ocidental em


situação normal, sem a presença do El Niño: as setas vermelhas representam
os ventos alísios, que sopram próximo à superfície, de leste para oeste, ou
seja, da América para a Oceania; as cores avermelhadas representam as
águas mais quentes, e as azuladas, as águas mais frias.

Glossário:

Termoclina: região do oceano onde ocorre uma rápida mudança de


temperatura, ocasionando a separação entre as águas quentes, que ficam em
cima, e as águas frias, que ficam embaixo.

Fim do glossário.

LEGENDA: Circulação dos ventos observada no oceano Pacífico ocidental com


a presença do El Niño: os ventos alísios, que sopram com menos velocidade,
podem mudar de sentido, indo de oeste para leste, ou seja, da Oceania para a
América; as águas quentes, representadas pelas cores avermelhadas, podem
ser observadas em quase toda a sua extensão.

FONTE DAS ILUSTRAÇÕES: Alex Argozino/Arquivo da editora, com base em:


www.cptec.inpe.br. Acesso em: 30 out. 2015.

A ocorrência do El Niño, ao alterar o regime dos ventos e das chuvas, também


traz implicações sociais para as regiões atingidas. Em consequência das secas
e enchentes causadas pelas mudanças climáticas, pode ocorrer aumento do
preço de produtos agrícolas que tiveram sua safra comprometida, além de
desemprego e êxodo rural.

152

LEGENDA: Consequências de seca provocada pelo fenômeno El Niño. Na foto,


pessoas buscam água limpa em uma aldeia em Massakar, na Indonésia. Foto
de 2015.

FONTE: Agung Parameswara/Getty Images

La Niña

Sabe-se menos a respeito do fenômeno La Niña que do El Niño. La Niña é o


resfriamento das águas do Pacífico ocidental. O fenômeno foi assim chamado
por ter características opostas ao El Niño.

Sua ocorrência no Brasil se deu entre 1984-1985 e entre 1987-1988. Depois,


voltou a se manifestar somente em 1999-2000. A última ocorrência foi no
período de 2011-2012. La Niña faz cair a temperatura no Brasil, pois não há
barreira de ar quente que bloqueie a passagem das massas de ar frio vindas
da Antártida. O inverno se torna mais frio e seco no Acre, em Rondônia, no
Centro-Oeste e no Sudeste. No Sul, ocorrem secas de modo geral; em Santa
Catarina e no Rio Grande do Sul há queda de neve. No Nordeste, as chuvas
são mais frequentes do que o normal.

Sob a influência do La Niña, na América do Norte têm ocorrido mais chuvas,


tempestades de neve e invernos muito mais rigorosos no Canadá. No golfo do
México há maior incidência de furacões. Ásia e Austrália costumam passar por
períodos de secas rigorosas; Chile e Peru, por inundações.

FONTE: Mapas adaptados de: IBGE. Atlas escolar geográfico. 6ª ed. Rio de
Janeiro, 2012; INPE. Disponível em: www.cptec.inpe.br. Acesso em: jul. 2012.
CRÉDITOS DA CARTOGRAFIA: Allmaps/Arquivo da editora

153

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Observe a foto.
a) Identifique o problema ambiental representado e sua mais preocupante
consequência.

b) O aumento da população mundial implica também o aumento do número de


veículos em circulação no planeta. O que isso representa para o meio ambiente
global?

LEGENDA: Guarda de trânsito na cidade de Harbin, província de Heilongjiang,


na China, em 2015.

FONTE: ChinaFotoPress/Getty Images

2. Atividade interdisciplinar: Geografia e Biologia.

Leia o texto.

A contaminação atmosférica tem graves efeitos sobre a própria atmosfera,


sobre os seres humanos, os animais, as plantas e os materiais. A chuva ácida,
a inversão térmica, a destruição da camada de ozônio e o smog afetam de
maneira direta ou indireta todas as formas de vida e trazem consigo um arsenal
de riscos e perigos.

RÍOS, Magdalena. Contaminación: la Tierra agredida. Madrid: Equipo Sirius,


2005. p. 10.

O texto indica que a poluição do ar provocada por veículos e por resíduos


eliminados das fábricas e usinas gera o aumento de doenças respiratórias,
prejudicando a qualidade de vida das pessoas.

a) Agora reflita: o que você acha que deve ser feito para reduzir os efeitos da
contaminação atmosférica? Como você pode contribuir para isso?

b) Caracterize a chuva ácida e explique uma de suas consequências.

3. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Hoje, a China já se tornou o


maior emissor de CO2 do planeta. No entanto, o maior poluidor per capita
continua sendo os Estados Unidos.

Revista Aquecimento Global. São Paulo: On Line Editora, ano 1, n. 2, p. 47.

a) Que peso China e Estados Unidos têm na economia mundial?


b) A partir do século XVIII houve um aumento da concentração de CO2 na
atmosfera. Qual a relação entre desenvolvimento industrial e emissão de gás
carbônico?

4. A comunidade científica internacional faz constantes alertas sobre o


aumento do degelo no Ártico e na Antártida. Explique uma consequência desse
aumento.

5. Leia os dois textos a seguir e faça o que se pede.

Texto 1

Quando se reduz a área arborizada, isso contribui tremendamente para a


mudança na temperatura, além de reduzir a umidade relativa do ar. Quando se
faz a drenagem de regiões pantanosas - e isso é muito comum quando a
cidade se expande ou quando proliferam os aterros sobre áreas alagadas - há
alterações climáticas importantes, na medida em que a superfície passa a reter
mais calor. Uma outra razão são esses corredores de prédios [...] um paredão
de edifícios dos dois lados de uma avenida coberta de asfalto [...].

TRIGUEIRO, André. Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um


planeta em transformação. Rio de Janeiro: Globo, 2005. p. 101.

Texto 2

A Unesco implantou em São Paulo o projeto Ilhas Verdes, com o objetivo de


equilibrar as condições climáticas da região, com foco em locais de grande
incidência de calor. Estudos indicam que a elevação da temperatura deve-se
ao avanço da urbanização e ao aumento do número de indústrias.

Conhecimento Geográfico, n. 35, p. 8.

a) Identifique o fenômeno citado nos dois textos.

b) Em relação ao segundo texto, qual seria a estratégia do projeto implantado


pela Unesco para amenizar o problema?

154

Concluindo a Unidade 4

Leia o texto, reflita e depois responda às questões propostas.

Migração climática também afeta os países ricos


O grupo de especialistas do clima (IPCC, na sigla em inglês) publica um novo
relatório sobre as consequências das mudanças climáticas. Ele contém um
aspecto muito importante: o impacto sobre os fluxos migratórios é um
fenômeno que não se limita às regiões mais pobres, adverte o especialista em
migrações Etienne Piguet, na entrevista a seguir.

Milhares de americanos fogem do gelo procurando refúgio no México. Pura


fantasia? Certamente. A cena está num filme hollywoodiano de alguns anos
atrás e ilustra, todavia, um fenômeno real: a migração climática. Em 2100,
centenas de milhões de pessoas abandonarão a zona costeira devido à alta do
nível dos mares, reitera o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre
Mudanças Climáticas (IPCC) no relatório que publica amanhã, 31 de março [de
2014].

O impacto do clima sobre o comportamento da população é bem conhecido,


explica Etienne Piguet, professor na Universidade de Neuchâtel (oeste da
Suíça). Todavia, em sua última pesquisa sobre migração climática no mundo
emergem aspectos surpreendentes e mesmo paradoxais.

[...]

1. É verdade que a migração climática é um fenômeno recente?

Etienne Piguet: Desde 2007, ano da publicação do quarto relatório de avaliação


do IPCC, de fato assistimos a uma espécie de volta da noção de migração
climática. Na realidade, trata-se de uma ideia muito antiga. Me vem em mente
o chamado "dust bowl" nos anos 1930: a tempestade de areia e a forte erosão
eólica do solo forçaram muitos cidadãos das Grandes Planícies nos Estados
Unidos a migrarem para a Califórnia.

Muito mais tempo atrás temos a carestia da batata na Irlanda, que favoreceu a
migração para os Estados Unidos. Certo, a causa foi a doença que reduziu a
colheita, mas ela foi provocada pelo clima particularmente muito chuvoso e
úmido que ocorreu durante várias estações.

2. Então o clima é um motor da imigração?

Etienne Piguet: Sim e não. Contrariamente ao passado, hoje se considera que


o clima é um dos múltiplos fatores que provocam a migração. O "dust bowl"
ocorreu depois da crise de 1929, que havia fragilizado a situação dos cidadãos.
Sem contar que, na Irlanda, foi a política da Grã-Bretanha que favoreceu a
migração. Além do clima, há outros aspectos políticos, sociais e econômicos.

Os estudos mostram um forte impacto da temperatura e dos períodos de seca


sobre a produtividade agrícola. Por duas razões: algumas plantas são menos
produtivas e a uma certa temperatura o trabalho físico do homem torna-se
difícil. As pessoas ficam muito vulneráveis, mas migram realmente? Difícil
dizer. Por vezes são ajudadas por seus governos a mudar de atividade
econômica e acabam ficando onde estão. Pensemos por exemplo na Holanda
e a alta do nível do mar. Se o governo não tivesse construído os diques, as
pessoas teriam sido obrigadas a partir.

3. Quando se fala de migração climática dos países pobres está correto?

Etienne Piguet: Os países pobres são os que têm mais dificuldade, por
questões técnicas e políticas, de enfrentar o desafio colocado pela mudança
climática. Porém, de nosso estudo emergiu, com um pouco de surpresa, que a
migração afeta também os países ricos.

Em termos de população, esses países estão em primeira linha. Basta pensar


na China e nos milhões de pessoas que vivem ao longo da costa. Qualquer
catástrofe brutal ou progressiva, forçando a transformação espacial da
atividade econômica, pode provocar importantes transformações na Europa e
na América do Norte, como se viu com o furacão Katrina em 2005.

JORIO, Luigi. Migração climática também afeta os países ricos. Disponível em:
www.swissinfo.ch/por/-migra%C3%A7%C3%A3o-
clim%C3%A1ticatamb%C3%A9m-afeta-os-pa%C3%ADses-ricos-/38262180.
Acesso em: 30 out. 2015.

1. O texto salienta a questão dos fluxos migratórios. Caracterize-os.

2. A expressão "migrações climáticas" é referente a um processo atual ou


antigo? Justifique sua resposta a partir do texto que você leu.

3. Ainda segundo o texto, o clima seria o único fator responsável pelos "fluxos
migratórios"? Comente sua resposta.

4. As migrações climáticas afetam apenas os países pobres?


155

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Reflita sobre o que você estudou nesta Unidade e resolva as questões


propostas a seguir.

Enem

1.

FONTE: Reprodução/ENEM, 2013.

No esquema, o problema atmosférico relacionado ao ciclo da água acentuou-


se após as revoluções industriais. Uma consequência direta desse problema
está na:

a) redução da flora.

b) elevação das marés.

c) erosão das encostas.

d) laterização dos solos.

e) fragmentação das rochas.

2. O ciclo biogeoquímico do carbono compreende diversos compartimentos,


entre os quais a Terra, a atmosfera e os oceanos, e diversos processos que
permitem a transferência de compostos entre esses reservatórios. Os estoques
de carbono armazenados na forma de recursos não renováveis, por exemplo, o
petróleo, são limitados, sendo de grande relevância que se perceba a
importância da substituição de combustíveis fósseis por combustíveis de fontes
renováveis.

A utilização de combustíveis fósseis interfere no ciclo do carbono, pois provoca:

a) aumento da porcentagem de carbono contido na Terra.

b) redução na taxa de fotossíntese dos vegetais superiores.

c) aumento da produção de carboidratos de origem vegetal.

d) aumento na quantidade de carbono presente na atmosfera.


e) redução da quantidade global de carbono armazenado nos oceanos.

3. O fenômeno de ilha de calor é o exemplo mais marcante da modificação das


condições iniciais do clima pelo processo de urbanização, caracterizado pela
modificação do solo e pelo calor antropogênico, o qual inclui todas as
atividades humanas inerentes à sua vida na cidade.

BARBOSA, R. V. R. Áreas verdes e qualidade térmica em ambientes urbanos:


estudo em microclimas de Maceió. São Paulo: Edusp, 2005.

O texto exemplifica uma importante alteração socioambiental, comum aos


centros urbanos. A maximização desse fenômeno ocorre:

a) pela reconstrução dos leitos originais dos cursos de água antes canalizados.

b) pela recomposição de áreas verdes nas áreas centrais dos centros urbanos.

c) pelo uso de materais com alta capacidade de reflexão no topo dos edifícios.

d) pelo processo de impermeabilização do solo nas áreas centrais das cidades.

e) pela construção de vias expressas e gerenciamento de tráfego terrestre.

4. Com base em projeções realizadas por especialistas, prevê-se, para o fim do


século XXI, o aumento de temperatura média, no planeta, entre 1,4 °C e 5,8 °C.
Como consequência desse aquecimento, possivelmente o clima será mais
quente e mais úmido, bem como ocorrerão mais enchentes em algumas áreas
e secas crônicas em outras. O aquecimento também provocará o
desaparecimento de algumas geleiras, o que acarretará o aumento do nível
dos oceanos e a inundação de certas áreas litorâneas.

As mudanças climáticas previstas para o fim do século XXI:

a) provocarão a redução das taxas de evaporação e de condensação do ciclo


da água.

b) poderão interferir nos processos do ciclo da água que envolvem mudanças


de estado físico.

c) promoverão o aumento da disponibilidade de alimento das espécies


marinhas.

d) induzirão o aumento dos mananciais, o que solucionará os problemas de


falta de água no planeta.
e) causarão o aumento do volume de todos os cursos de água, o que
minimizará os efeitos da poluição aquática.

5. A produção industrial de celulose e de papel está associada a alguns


problemas ambientais. Um exemplo são os odores característicos dos
compostos voláteis de enxofre (mercaptanas), que se formam durante a
remoção da lignina da principal matéria-prima para a obtenção industrial das
fibras celulósicas que entram na composição do papel: a madeira.

156

É nos estágios de branqueamento que se verifica um dos principais problemas


ambientais causados pelas indústrias de celulose. O cloro e o hipoclorito de
sódio reagem com a lignina residual, levando à formação de compostos
organoclorados. Esses compostos, presentes na água industrial, despejada em
grande quantidade nos rios pelas indústrias de papel, não são biodegradáveis
e acumulam-se nos tecidos vegetais e animais, podendo causar alterações
genéticas.

SANTOS, Celênia P. et al. Papel: como se fabrica? In: Química nova na escola,
nov. 2001, n. 14, p. 3-7. Adaptado.

Para diminuir os problemas ambientais decorrentes da fabricação do papel, é


recomendável:

a) criar uma legislação mais branda, a fim de favorecer a fabricação de papel


biodegradável.

b) diminuir as áreas de reflorestamento, com o intuito de reduzir o volume de


madeira utilizado na obtenção de fibras celulósicas.

c) distribuir equipamentos de desodorização para a população que vive nas


adjacências de indústrias de produção de papel.

d) tratar a água industrial, antes de retorná-la aos cursos de água, com o


objetivo de promover a degradação dos compostos orgânicos solúveis.

e) o recolhimento, por parte das famílias que habitam as regiões circunvizinhas,


dos resíduos sólidos gerados pela indústria de papel, em um processo de
coleta seletiva de lixo.
6. Em 1872, Robert Angus Smith criou o termo "chuva ácida", descrevendo
precipitações ácidas em Manchester após a Revolução Industrial. Trata-se do
acúmulo demasiado de dióxido de carbono e enxofre na atmosfera que, ao
reagirem com compostos dessa camada, formam gotículas de chuva ácida e
partículas de aerossóis. A chuva ácida não necessariamente ocorre no local
poluidor, pois tais poluentes, ao serem lançados na atmosfera, são levados
pelos ventos, podendo provocar a reação em regiões distantes. A água de
forma pura apresenta pH 7, e, ao contatar agentes poluidores, reage
modificando seu pH para 5,6 e até menos que isso, o que provoca reações,
deixando consequências.

Disponível em: www.brasilescola.com. Acesso em: 18 maio 2010. Adaptado.

O texto aponta para um fenômeno atmosférico causador de graves problemas


ao meio ambiente: a chuva ácida (pluviosidade com pH baixo). Esse fenômeno
tem como consequência:

a) a corrosão de metais, pinturas, monumentos históricos, destruição da


cobertura vegetal e acidificação dos lagos.

b) a diminuição do aquecimento global, já que esse tipo de chuva retira


poluentes da atmosfera.

c) a destruição da fauna e da flora, e redução dos recursos hídricos, com o


assoreamento dos rios.

d) as enchentes, que atrapalham a vida do cidadão urbano, corroendo, em


curto prazo, automóveis e fios de cobre da rede elétrica.

e) a degradação da terra nas regiões semiáridas, localizadas, em sua maioria,


no Nordeste do nosso país.

7. O gráfico abaixo ilustra o resultado de um estudo sobre o aquecimento


global. A curva mais escura e contínua representa o resultado de um cálculo
em que se considerou a soma de cinco fatores que influenciaram a temperatura
média global de 1900 a 1990, conforme mostra a legenda do gráfico. A
contribuição efetiva de cada um desses cinco fatores isoladamente é mostrada
na parte inferior do gráfico.

FONTE: solar-center.stanford.edu.
Os dados apresentados revelam que, de 1960 a 1990, contribuíram de forma
efetiva e positiva para aumentar a temperatura atmosférica:

a) aerossóis, atividade solar e atividade vulcânica.

b) atividade vulcânica, ozônio e gases estufa.

c) aerossóis, atividade solar e gases estufa.

d) aerossóis, atividade vulcânica e ozônio.

e) atividade solar, gases estufa e ozônio.

Testes de vestibular

1. (Famerp-SP) Em estudos de Geografia física, um dos fenômenos climáticos


que possui destaque é o efeito estufa, caracterizado como:

a) um fenômeno antrópico originado pela combinação de gás carbônico e água


na atmosfera, capaz de causar danos em coberturas vegetais durante as
precipitações.

157

b) um fenômeno natural que dissipa o calor presente em superfície, para que


as temperaturas médias do planeta não atinjam valores elevados.

c) um fenômeno natural que retém parte do calor irradiado pela superfície


terrestre e partículas de gases e de água em suspensão.

d) um fenômeno antrópico intensificado pela urbanização e industrialização


mundial, que absorve poluentes como o metano e os clorofluorcarbonetos.

e) um fenômeno natural intermitente de resfriamento das águas oceânicas, que


provoca alterações da direção dos ventos e das massas de ar.

2. (Mack-SP) "A neblina começou a se dissipar, em Porto Alegre, apenas ao


meio-dia. A cerração prejudicou as atividades do Aeroporto Internacional
Salgado Filho com atrasos e cancelamentos de voos. [...]".

Veja, na ilustração, a temperatura registrada hoje às nove da manhã em


diferentes níveis da atmosfera sobre a cidade de Porto Alegre.

FONTE: Luis Moura/Arquivo da editora


Em consequência da neblina, a temperatura se manteve baixa na capital
gaúcha durante toda a manhã. "Ao meio-dia, os termômetros indicavam 11,2
ºC no Jardim Botânico."

Boletim coletado do sítio Met Sul Meteorologia, no dia 23/9/2012.

De acordo com as informações do texto e da ilustração, está correto afirmar


que o fenômeno meteorológico a que se refere é:

a) Aquecimento global.

b) El Niño.

c) La Niña.

d) Inversão térmica.

3. (Fuvest-SP) O efeito estufa e o lixo são, talvez, as duas manifestações mais


contraditórias da vontade de dominação da natureza posta em prática pela
racionalidade instrumental e sua tecnociência. Com o objetivo de aumentar a
produtividade, que na prática significa submeter os tempos de cada ente, seja
ele mineral, vegetal ou animal, a um tempo da concorrência e da acumulação
de capital, esqueceu-se de que todo trabalho dissipa energia sob forma de
calor (efeito estufa) e que a desagregação da matéria, ao longo do tempo,
torna-a irreversível (lixo).

PORTO-GONÇALVES, Carlos W. A globalização da natureza e a natureza da


globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. Adaptado.

Conforme o excerto anterior, é correto afirmar:

a) Com o aumento da produtividade, será possível vencer o efeito estufa e


superar o problema da produção de lixo.

b) A humanidade superou os problemas decorrentes da produção de lixo,


graças à racionalidade instrumental e à tecnociência.

c) Os tempos da concorrência e da acumulação de capital vêm sendo


subordinados ao tempo da natureza.

d) A aceleração do tempo de acumulação de capital permite eliminar a


irreversibilidade da produção do lixo.
e) A busca pelo aumento da produtividade impõe a diferentes elementos da
natureza o tempo dos interesses capitalistas.

4. (UFRGS-RS) Observe o trecho abaixo.

Chovia meses inteiros, anos inteiros. A chuva caía em fios como compridas
agulhas de vidro que se partiam nos tetos, ou chegavam em ondas
transparentes contra as janelas, e cada casa era uma nave que dificilmente
chegava ao porto naquele oceano de inverno.

[...] Esta chuva fria do sul da América não tem as rajadas impulsivas da chuva
quente que cai como um látego e passa deixando o céu azul. Pelo contrário, a
chuva austral tem paciência e continua sem fim, caindo do céu cinzento.

NERUDA, Pablo. Confesso que vivi: memórias. Rio de Janeiro: Difel, 1977. p.
7-8.

Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a massa de ar


responsável pelo regime de precipitação descrito acima e o país onde ele
ocorre.

a) Massa de ar polar pacífica; Chile.

b) Massa de ar polar atlântica; Paraguai.

c) Massa de ar polar pacífica; Colômbia.

d) Massa de ar tropical continental; Uruguai.

e) Massa de ar tropical atlântica; Argentina.

5. (UEM-PR) Assinale a alternativa correta sobre a circulação geral da


atmosfera da Terra.

a) Os polos correspondem a zonas de baixa pressão atmosférica.

b) As zonas subtropicais de alta pressão dos hemisférios norte e sul estão


associadas, respectivamente, aos ventos alísios de nordeste e de sudeste.

c) A faixa equatorial da Terra corresponde a uma região anticiclonal de


divergência dos ventos.

d) As correntes de oeste originam-se na zona de baixa pressão subpolar,


estando associadas a ventos extremamente frios.
e) As zonas de alta pressão correspondem às áreas ciclonais, responsáveis
pelas instabilidades climáticas.

158

6. (Unicamp-SP) O clima urbano decorre do contraste entre o espaço urbano e


o campo circundante, evidenciando o caráter fundamental da cidade como
espaço localizado de contínua, cumulativa e acentuada derivação antrópica do
ambiente.

Adaptado de: MONTEIRO, Carlos Augusto de Figueiredo. Por um suporte


teórico e prático para estimular estudos geográficos do clima urbano no Brasil.
Revista Geosul. Florianópolis, ano V, n. 9, 1º sem. 1990.

Sobre o clima urbano é correto afirmar que:

a) ele resulta da interação da paisagem natural com o espaço construído pela


ação humana; a paisagem natural não é substituída pelo meio ambiente
construído; nas grandes cidades as temperaturas são mais elevadas nas zonas
de contato entre os espaços urbano e rural.

b) ele resulta da interdependência entre as condições naturais e as ações


humanas; a paisagem natural interage com o meio ambiente construído sem
grandes alterações; nas grandes cidades as temperaturas declinam da periferia
em direção ao centro.

c) ele resulta da permanência da paisagem natural pela interferência da ação


humana; a paisagem natural é substituída pelas atividades agrícolas; nas
grandes cidades as temperaturas são mais elevadas nas áreas circundantes
que nas áreas centrais.

d) ele resulta da alteração da paisagem natural pela interferência da ação


humana; a paisagem natural é substituída pelo meio ambiente construído; nas
grandes cidades as temperaturas das áreas centrais são mais elevadas que
nos campos circundantes.

7. (UFPB) A Terra, desde o seu surgimento, sempre esteve em constantes


mudanças de temperatura, em ciclos de milhares de anos de glaciações e
interglaciações. Recentemente, o advento da Revolução Industrial produziu a
poluição provocada pelas ações antrópicas, sendo o efeito estufa e o
derretimento das calotas polares consequências que vêm atingindo algumas
áreas no mundo. Com o aumento do nível do mar e o surgimento de áreas
submersas, nasce a figura dos exilados ambientais, populações assustadas
que desconhecem seus destinos.

O fenômeno acima descrito está ocorrendo nos seguintes pontos da Terra:

a) Litoral cubano e Caribe no oceano Atlântico.

b) Vales dos rios São Francisco e Parnaíba do Sul no Brasil.

c) Delta do rio Yun-Fei Ji na China e fossa das Marianas nas Filipinas.

d) Região de Mosquitia em Honduras e lago Titicaca na América do Sul.

e) Ilhas Maldivas e Tuvalu no oceano Índico.

8. (UEPB)

As variações do tempo atmosférico e o homem

No dia de ano-novo de 1978 uma onda de frio varreu a Europa, com


paralisação de rodovias e ferrovias, além de outros transtornos na vida dos
habitantes dessa importante região do mundo. O oposto também ocorreu na
região mediterrânea, em julho de 1987 quando a temperatura subiu a níveis
impressionantes. Os extremos de pluviosidade acarretam, da mesma forma,
verdadeiras calamidades. Cherrapunji, em Bangladesh, já registrou, num só
ano, 26.461 mm de chuva. Por outro lado, na região desértica do norte do
Chile, houve um período de 53 anos em que só foram registrados 0,8 mm de
chuva.

Adaptado de: ROSS, Jurandyr. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p.
84.

De acordo com o fragmento de texto acima, podemos perceber que:

a) as recentes alterações climáticas têm provocado catástrofes em várias


partes do mundo.

b) o aquecimento global é consequência da forma como o homem vem


tratando a natureza.

c) a natureza reage de forma violenta às agressões sofridas pela ação humana.


d) a sociedade moderna, apesar de todo o avanço tecnológico, não está imune
aos efeitos da natureza.

e) os danos provocados pelo homem ao planeta não são recentes, porém só


agora a população global se dá conta de que é preciso salvar a Terra.

9. (Fuvest-SP)

Em algumas cidades, pode-se observar no horizonte, em certos dias, a olho nu,


uma camada de cor marrom. Essa condição afeta a saúde, principalmente, de
crianças e de idosos, provocando, entre outras, doenças respiratórias e
cardiovasculares.

As figuras e o texto acima referem-se a um processo de formação de um


fenômeno climático que ocorre, por exemplo, na cidade de São Paulo. Trata-se
de:

a) ilha de calor, caracterizada pelo aumento de temperaturas na periferia da


cidade.

159

b) zona de convergência intertropical, que provoca o aumento da pressão


atmosférica na área urbana.

c) chuva convectiva, caracterizada pela formação de nuvens de poluentes que


provocam danos ambientais.

d) inversão térmica, que provoca concentração de poluentes na baixa camada


da atmosfera.

e) ventos alíseos de sudeste, que provocam o súbito aumento da umidade


relativa do ar.

10. (Uespi) Nas áreas costeiras, a direção dos ventos muda, em geral,
radicalmente no decorrer do dia. Esse fenômeno é explicado por dois fatores, a
saber:

a) as diferenças barométricas e de temperatura entre o continente e o mar.

b) as interferências do relevo costeiro e a homogeneidade das isóbaras.

c) as diferenças de salinidade entre oceanos e rios e as diferenças


barométricas.
d) as influências das correntes marinhas e as interferências do calor latente.

e) as diferenças barométricas sazonais e a cobertura vegetal de áreas


costeiras.

11. (UFPR) Sobre a variabilidade climática, é correto afirmar:

a) Os ventos monçônicos resultam das bruscas variações diurnas de


temperatura.

b) Durante a atuação do fenômeno La Niña, o Sul do Brasil costuma ser


afetado por índices pluviométricos superiores à média climática, que provocam
enchentes e inundações, enquanto o Nordeste permanece seco.

c) O movimento rotacional é o principal fator das mudanças climáticas ao longo


do ano em todas as regiões da Terra.

d) Apesar da variabilidade dos fatores climáticos, se for conhecida a latitude de


certo local, é possível determinar o seu clima.

e) O hemisfério norte apresenta mais contrastes climáticos do que o hemisfério


sul, posto que neste há uma menor concentração de terras e,
consequentemente, uma maior influência das massas oceânicas.

12. (UFMS) Clima é a sucessão habitual dos estados do tempo meteorológico.


A grande variação climática no planeta é resultante da interação dos fatores
climáticos, que são os responsáveis pela grande heterogeneidade climática da
Terra e estão diretamente relacionados com a geografia de cada porção da
superfície terrestre. Em qual das alternativas a seguir há apenas fatores
climáticos, isto é, aqueles que contribuem para determinar as condições
climáticas de uma região do globo?

a) Correntes marítimas, temperatura do ar, umidade relativa do ar e grau


geotérmico.

b) Temperatura do ar, pressão, altitude, hidrografia e massas de ar.

c) Hidrografia, correntes marítimas, latitude e relevo.

d) Altitude, continentalidade, maritimidade e latitude.

e) Temperatura do ar, umidade relativa do ar, insolação e grau geotérmico.


13. (Ufes) A altitude é um fator que influencia condições ambientais e, por isso,
é levada em consideração na prática esportiva. É correto afirmar que o
aumento da altitude causa:

a) aumento da longitude.

b) diminuição da latitude.

c) aumento da densidade do ar.

d) diminuição da pressão atmosférica.

e) diminuição dos valores de insolação.

Questões de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UFJF-MG) Leia o gráfico abaixo.

FONTE: Disponível em: http://imigre.me/lpbbi. Acesso em: 25 ago. 2014.


CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

a) Por que a zona intertropical possui os maiores totais de precipitação média


anual?

b) Cite dois tipos de precipitação.

2. (Unicamp-SP)

O buraco da camada de ozônio transformou mais uma vez em pesadelo a vida


de 120 mil habitantes de Punta Arenas, no sul do Chile. Eles foram alertados
de que, se tivessem de sair de casa entre 11 e 15 horas, deveriam
necessariamente utilizar mangas compridas, óculos escuros, chapéu e protetor
solar.

Adaptado de: revista Veja,18 out. 2000.

a) Por que o sul do Chile sofre com mais intensidade as influências do


fenômeno assinalado?

b) Por que o buraco da camada de ozônio exige das pessoas os cuidados


especiais mencionados?
c) Considerando a hipótese de que os danos na camada de ozônio sejam fruto
da ação humana, quais as ações que poderiam contribuir para estabilizá-lo no
tamanho atual, ou para diminuí-lo dentro de dez anos, aproximadamente?

160

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes

Sempre que você for assistir a um filme na sala de aula ou em casa por
recomendação do professor, lembre-se de alguns passos importantes:

- Leia o texto do capítulo ou suas anotações sobre o assunto, antes de assistir


ao filme.

- Concentre-se e preste muita atenção. Se possível, anote os principais


acontecimentos.

- Caso o professor tenha sugerido um roteiro para você acompanhar a projeção


do filme, procure segui-lo e identificar os pontos principais.

- Anote os trechos que você não entendeu para esclarecer com o professor.

- Tire suas próprias conclusões e forme sua opinião sobre o que assistiu.

Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes que abordam o conteúdo


tratado nesta Unidade.

- A era da estupidez

Direção: Franny Armstrong. Reino Unido, 2009, 90 minutos.

Imagine um mundo devastado pelas mudanças climáticas. O enredo se passa


em 2055 sob a forma de drama, documentário e animação. A indústria do
petróleo aparece como uma das responsáveis pela devastação ocorrida.

- Ciência - O ar - volume 3

SBJ produções, 26 minutos.

Os componentes da atmosfera.

Como o ozônio protege a terra dos raios ultravioleta. As divisões da atmosfera:


troposfera, estratosfera, ionosfera e exosfera.
- O dia depois de amanhã

Direção: Roland Emmerich. Estados Unidos, 2004, 124 minutos.

Nesta ficção científica o aquecimento global provoca devastação e uma nova


era glacial no planeta. Uma tempestade faz cair pedras de gelo do tamanho de
uma laranja, no Japão. O centro de Nova York é inundado. As condições do
tempo bastante exageradas estimulam a reflexão sobre as mudanças
climáticas.

- Uma verdade inconveniente

Direção: Davis Guggenheim. Estados Unidos, 2006, 94 minutos.

Documentário no qual o ex-vice-presidente americano Al Gore comenta mitos e


verdades sobre o aquecimento global, bem como sugestões de atitudes para
retardar esse processo.

Livros

Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto estudado.

- A atmosfera terrestre

Mário Tolentino, Roberto R. da Silva, Romeu C. Rocha-Filho. São Paulo:


Moderna, 2009.

O livro analisa os elementos da atmosfera (estrutura, composição, gases) e


avalia as alterações que ela vem sofrendo, como a poluição, as inversões
térmicas, entre outras.

- A poluição do ar

Samuel Murgel Branco, Eduardo Murgel. São Paulo: Moderna, 2011.

A obra mostra a complexa dinâmica dos fenômenos da atmosfera, as causas


principais da poluição do ar e as medidas que devemos tomar para impedi-la.

- Clima e meio ambiente

José Bueno Conti. São Paulo: Atual, 2011.

O livro explica os mecanismos do clima em escala global em períodos de


tempo mais longos e as múltiplas interações entre clima e meio ambiente.

- Introdução a climatologia
Felipe T. P. Torres. São Paulo: Cencage, 2011.

Trata-se de uma obra básica que aborda, entre outros, temas como: atmosfera
terrestre; principais elementos e fatores do clima; circulação de ar na
atmosfera; as massas de ar e as classificações climáticas.

Sites

Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte de pesquisa.

- www.cptec.inpe.br

Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos. Este site contém artigos


atuais sobre clima, além de gráficos e imagens de satélite.

- www.inmet.gov.br

Site do Ministério da Agricultura com informações, mapas e gráficos sobre


clima e mudanças climáticas.

161

unidade 5. Hidrosfera e biosfera

LEGENDA: O deserto do Atacama, o mais seco do mundo, estende-se do norte


do Chile até o Peru. Foto de 2015.

FONTE: Shanti Hesse/Alamy/Latinstock

LEGENDA: Paisagem de cachoeira e rio com água de degelo da geleira


Briksdalsbreen, na Noruega. Foto de 2015.

FONTE: Hinrich Bäsemann/dpa/Corbis/Latinstock

Com a litosfera e a atmosfera, as águas continentais e oceânicas que formam a


hidrosfera permitem a existência de vida animal e vegetal sobre a superfície da
Terra.

A biosfera, que compreende esses seres vivos, é integrada por grandes


conjuntos denominados biomas, termo proposto em 1916 pelo ecologista norte-
americano Frederic Clements para designar "uma comunidade de plantas e
animais, com formas de vida e condições ambientais semelhantes". Nesta
Unidade vamos estudar como as águas se distribuem no planeta Terra e,
paralelamente, como esse elemento, fundamental à vida, relaciona-se a outros
que, conjuntamente, formam os diferentes biomas.

162

capítulo 13. Hidrosfera: o planeta pede água

LEGENDA: Não são apenas os vazamentos as maiores causas do desperdício


de água. Isso também pode acontecer quando pessoas lavam calçadas e
carros com água corrente. Na foto pessoa lavando o chão na cidade do Rio de
Janeiro (RJ), em 2015.

FONTE: G. Evangelista/Opção Brasil Imagens

Um recurso esgotável

Durante muito tempo acreditou-se que a água doce da Terra não acabaria
nunca. Entretanto, o crescente aumento do número de habitantes do planeta, o
crescimento de cidades com planejamento inadequado ou insuficiente, e,
sobretudo, o desperdício e a poluição dos recursos hídricos vêm reduzindo a
disponibilidade de água para o consumo humano.

Mesmo sabendo que a água é fundamental para a manutenção da vida na


Terra, a humanidade ainda não conseguiu impedir o desperdício, tanto aquele
cometido por ações individuais, como vazamentos, torneiras pingando, banhos
demorados, lavagem de carros e calçadas, quanto aquele cometido por ações
em larga escala, como o de setores de serviços e de indústrias - construção
civil, usinas, etc. Esses fatos provam que a humanidade utiliza a água como se
ela fosse inesgotável, embora muitos sofram com o racionamento e a escassez
desse recurso, bem como com a disseminação de doenças em consequência
do mau uso dele.

Além da utilização inadequada, fatores como a distribuição irregular dos


recursos hídricos na superfície terrestre e o consumo desigual entre países e
entre setores econômicos tornam o abastecimento de água ainda mais
preocupante para as futuras gerações.

A humanidade precisa estar consciente de que a água limpa e potável pode


acabar. A escassez de água põe em risco toda a vida terrestre: plantas,
animais e o próprio ser humano, o principal responsável pela poluição e pelo
desperdício da água.

A hidrosfera e a hidrografia

A hidrografia é a parte da Geografia que estuda as águas que compõem a


hidrosfera, camada líquida da Terra. Essas águas podem formar rios, lagos,
oceanos e mares ou podem se infiltrar no solo, dando origem à água
subterrânea ou aquíferos.

163

A água, em constante circulação na natureza, apresenta-se sob três formas ou


estados: sólido, líquido e gasoso. Essa circulação contínua da água, à qual
chamamos ciclo hidrológico, é essencial para a vida na superfície da Terra.

A água dos oceanos, rios, lagos, vegetais e geleiras passa para a atmosfera
em forma de vapor, em um processo denominado evapotranspiração. As
baixas temperaturas da atmosfera fazem esse vapor de água se condensar,
passando para o estado líquido e, dessa forma, precipitar-se sobre a superfície
terrestre. Apenas uma pequena parte dessas precipitações forma os
mananciais de água doce.

FONTE: Adaptado de: RODRÍGUEZ, P. J.; PALMA, M. L. Geografía general.


Santiago: Santillana, 2010. p. 91. CRÉDITOS: Alex Argozino/Arquivo da editora

A distribuição dos recursos hídricos

Dos cerca de 120 mil km3/ano de precipitação que caem sobre os continentes,
apenas pouco mais de um terço não volta para a atmosfera; permanece nos
continentes, circulando como água doce. Essa diferença entre a precipitação e
a evaporação é chamada excedente hídrico, e corresponde à água que forma
rios, lagos (escoamento superficial) e lençóis subterrâneos e alimenta geleiras.

Esses recursos hídricos, porém, estão distribuídos de modo muito irregular na


superfície terrestre. Observe, nos gráficos abaixo, que a maior parte da água
doce disponível na superfície da Terra está localizada em reservatórios
subterrâneos ou em forma de gelo.

FONTE: Adaptado de: GLEICK, P. H. Recursos de água. In: Enciclopédia do


Clima e Tempo. Nova York: Oxford University Press, 1996. Disponível em:
http://ga.water.usgs.gov/edu/watercycleportuguese.html. Acesso em: 30 out.
2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

164

Se pensarmos na disponibilidade de água para uso humano, essa pequena


parcela de recursos hídricos economicamente aproveitáveis está concentrada
em algumas regiões da Terra, enquanto outras sofrem pela deficiência de
água.

As áreas mais áridas ocupam cerca de 40% da superfície dos continentes,


onde se localizam países como Emirados Árabes Unidos, Malta, Líbia,
Jordânia, Israel, entre outros. Em contrapartida, apenas nove países no mundo
possuem cerca de 60% da água doce da Terra: Brasil (12%), Rússia, Estados
Unidos, Canadá, China, Indonésia, Índia, Colômbia e Peru. O clima é
fundamental para explicar essas diferenças, pois influi diretamente na
evaporação e na distribuição das chuvas durante o ano. Veja na tabela a seguir
as dimensões consideráveis das regiões carentes de água no mundo.

Tabela: equivalente textual a seguir.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012.

Disponibilidade e consumo da água

Em razão da desigual distribuição dos recursos hídricos, a disponibilidade de


água por habitante nos continentes e países também é bastante desigual. Veja
o mapa na página 165.

Na última metade do século XX, a disponibilidade de água por habitante


diminuiu 60%, enquanto no mesmo período a população mundial cresceu cerca
de 50%. Estima-se que o consumo dobre a cada vinte anos. Por isso, a
disponibilidade das fontes de água e seu uso no futuro tornaram-se uma
grande incógnita. O equilíbrio entre a disponibilidade e o consumo de água
deve ser a grande preocupação da humanidade para que esse recurso não
falte para as próximas gerações.

O consumo de água per capita é um indicador da qualidade de vida. Em áreas


rurais de países não desenvolvidos ou em desenvolvimento, são consumidos
em média cerca de 30 litros por dia; em países desenvolvidos, são mais de 200
litros por dia.

Alguns fatores como o crescimento da população mundial e das cidades, bem


como as atividades industriais, agrícolas e mineradoras, têm aumentado o
consumo e a poluição das águas no mundo.

LEGENDA: Vista das rochas alaranjadas de Bayan Zag, no deserto de Gobi, na


Mongólia, onde fósseis de dinossauros foram encontrados. Foto de 2015.

FONTE: Wolfgang Kaehler/LightRocket/Getty Images

165

FONTE: Adaptado de: UNESCO/UN-WATER. The United Nations World Water


Development Report 2015: Water for a Sustainable World. Disponível em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002318/231823E.pdf. Acesso em: 5
nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Além do uso doméstico, a água é utilizada principalmente na agricultura e na


indústria e armazenada em reservatórios para usos diversos. A agricultura é o
setor que mais utiliza os recursos hídricos, principalmente para a irrigação. A
utilização para fim industrial e o crescimento da população mundial vêm
aumentando a necessidade de água para o abastecimento das cidades.

Desde 1981, a Organização das Nações Unidas (ONU) realiza estudos e ações
visando melhorar o acesso das pessoas à água limpa e ao saneamento básico.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco) declarou 2005-2015 a Década Internacional da Água para a Vida.
Alguns objetivos nessa década: proteger os sistemas hídricos vulneráveis;
abrandar os impactos dos riscos relacionados com a água, como inundações e
secas; garantir o acesso à água. Desde então, alguns progressos foram
conseguidos, mas ainda há muito a ser feito.

No fim da década de 2005-2015, havia no mundo 748 milhões de pessoas sem


acesso à água potável, concentradas principalmente em países não
desenvolvidos - entre esses os do sul da Ásia e da África subsaariana.

As principais causas da carência de água, e que devem ser levadas em


consideração nas próximas décadas, são desigualdade de oferta de água,
poluição dos rios e dos mananciais e falta de planejamento nos períodos de
seca.

O balanço do programa da ONU considera que atingiu a meta de diminuição de


número de pessoas sem acesso à água potável no período, mas não a do
saneamento básico, uma vez que 2,5 bilhões estão sem acesso, e, desses, 1,1
bilhão utiliza esgoto a céu aberto.

Poluição e desperdício das águas continentais

Todos os recursos hídricos que podem ser aproveitados, sejam eles


superficiais (rios, lagos, represas) ou subterrâneos (água subterrânea), são
considerados mananciais. Alimentados pelas águas das chuvas, os mananciais
dependem da vegetação e do tipo do solo. O desperdício e a poluição dos
mananciais por resíduos industriais e lixo doméstico orgânico são motivo de
preocupação de todos os países do mundo.

166

Os moradores das grandes cidades (principalmente dos países não


desenvolvidos) têm sido os mais prejudicados pelo mau uso dos recursos
hídricos. Racionamento de água e reflexos preocupantes na área da saúde,
como a transmissão de doenças pelas águas poluídas, são consequências da
negligência das autoridades e da falta de informação e educação ambiental da
população. As desigualdades sociais agravam a poluição dos recursos
hídricos. A falta de saneamento básico (água tratada e rede de esgotos), de
coleta regular de lixo e loteamentos clandestinos em áreas de mananciais são
fatores que muito contribuem para a poluição das águas.

A atividade agrícola também é responsável direta ou indiretamente pela


degradação dos mananciais, seja pelo uso de agrotóxicos, seja pela erosão do
solo, como já vimos no Capítulo 9.

Vimos que as principais fontes poluidoras das águas continentais são os


resíduos de indústrias, o chorume do lixo orgânico, os esgotos sem tratamento,
o lixo sólido e os resíduos agropecuários (agrotóxicos, ração para o gado).
Alguns dejetos líquidos ou gasosos, produzidos por residências e indústrias,
devem ser tratados antes de ser lançados na água. São chamados efluentes.
A poluição das águas subterrâneas, dos rios e lagos só piora as expectativas
de fornecimento desse recurso para as gerações futuras.

As águas subterrâneas e sua poluição

As águas subterrâneas são aquelas que se infiltram no solo após as


precipitações. Entre as rochas que formam os solos existem espaços vazios,
denominados poros, que são ligados entre si. Absorvida pelo solo, que
funciona como uma esponja, a água, graças à força da gravidade, passa por
esses poros e atinge camadas mais profundas, armazenando-se em um
reservatório, onde circula lentamente.

Toda formação geológica capaz de armazenar água em seus espaços vazios é


denominada aquífero.

Existem dois tipos de aquífero. O primeiro, denominado livre ou freático, está


mais próximo da superfície e pode ser facilmente aproveitado. No segundo tipo,
a água fica armazenada em profundidade e "presa" entre duas camadas de
rochas impermeáveis. São os aquíferos confinados, explorados por meio de
poços artesianos, que extraem a água utilizando bombas e compressores.

Como a água subterrânea se distribui no subsolo

Podemos notar, na ilustração a seguir, duas camadas bem diferentes no corte


feito para mostrar o solo que armazena as águas subterrâneas. A parte
superior, que se apresenta com poros, água e ar, é a zona subsaturada ou de
areação. A espessura dessa primeira camada vai depender, principalmente, da
maior ou menor permeabilidade das rochas aí existentes.

Quando, a partir de certa profundidade, todos os poros estão cheios de água


(não há mais ar), temos a zona saturada ou o reservatório de água
subterrânea.

FONTE: Adaptado de: LEINZ, V.; ESTANISLAU, S. Geologia geral. São Paulo:
Nacional, 2000. p. 78. CRÉDITOS: Ingeborg Asbach/Arquivo da editora

O limite entre as duas zonas é chamado nível hidrostático ou superfície


piezométrica. Sua altura depende de uma série de fatores, como tipo de rocha,
tipo de relevo, maior ou menor intensidade de chuvas. Quanto mais seco é o
clima, mais baixo é o nível hidrostático. Chuvas finas e passageiras penetram
apenas superficialmente no solo; desse modo, o nível hidrostático pode estar
mais alto em períodos com maior intensidade de chuvas, e mais baixo em
épocas em que chove pouco.

Glossário:

Piezometria: do grego piézo, 'comprimir', 'fazer pressão', a piezometria é um


ramo da Física que estuda a pressão dos fluidos ou da compressibilidade das
substâncias.

Fim do glossário.

167

As águas subterrâneas, como representam a maior parte da água doce líquida


do planeta, servem para abastecer cidades e indústrias, e favorecem as
atividades agrícolas. Por tudo isso, estão sujeitas à poluição e à contaminação.

Os depósitos de água subterrânea estão mais protegidos do que os de água


superficial, pois a camada de solo sobrejacente atua como filtro físico e
químico. Mesmo assim, é frequente a contaminação dos lençóis de água
subterrânea ou aquíferos, o que é uma consequência direta da poluição dos
solos.

Os poluentes capazes de atingir as águas subterrâneas têm origem variada.


Podem ser resultado de atividades humanas ou vir das rochas armazenadoras
de água. O elevado teor de flúor contido nas águas do nordeste do Paraná e na
região paulista de Águas da Prata, por exemplo, produz uma doença chamada
fluorose, que provoca a destruição dos dentes em crianças e adultos, em vez
de protegê-los. No estado de São Paulo, por exemplo, nas águas da região de
Ibirá, foi detectada a presença de vanádio, substância cuja absorção causa má
formação congênita em crianças.

Os maiores poluidores da água subterrânea são, a exemplo do que ocorre com


as águas continentais, praticamente os mesmos atores: o chorume de lixões,
de aterros sanitários e de cemitérios, as fossas sépticas ou esgotos, os
depósitos subterrâneos de postos de gasolina, os agrotóxicos, os fertilizantes e
os aterros industriais.
Há também casos em que a devastação da cobertura vegetal em áreas de
recarga dos aquíferos resulta no rebaixamento do lençol de águas
subterrâneas e consequente redução das disponibilidades hídricas da bacia.

Os rios e sua poluição

As águas que não se infiltram no solo escorrem pela superfície, em caráter


permanente, intermitente ou esporádico.

Podemos definir rio como uma corrente de água quase sempre permanente,
que leva o excesso das águas continentais superficiais até os oceanos, mares
e lagos. As águas das chuvas ou do degelo escoam, normalmente, dos pontos
mais altos para os mais baixos. Ao se juntarem com as águas que brotam das
fontes, formam pequenos cursos de água, que ganham volume, originando os
rios. Reveja no Capítulo 8 as ilustrações que representam as planícies e vales
fluviais.

Chamamos bacia hidrográfica as terras banhadas ou percorridas por um rio e


seus afluentes.

Os rios que formam uma bacia hidrográfica estão organizados


hierarquicamente, formando uma rede hidrográfica: rio principal, afluentes e
subafluentes.

FONTE: Adaptado de: PRESS, F. et al. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto
Alegre: Bookman, 2006. p. 315, 324-325. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da
editora

168

A linha de maior altitude que delimita a área da bacia hidrográfica é chamada


divisor de águas.

Os rios se diferenciam uns dos outros pelo tamanho, pelo tipo de terreno que
percorrem, por seu regime hidrológico, pela constância do escoamento de suas
águas e por sua fonte de alimentação. Por fonte de alimentação entendemos a
maneira pela qual o rio recebe suas águas.

Glossário:
Regime hidrológico: conjunto das variações do estado e das características
de uma massa de água que se repetem regularmente no tempo e no espaço,
alternando as cheias e as vazantes.

Fim do glossário.

Esses cursos de água geralmente atraem população e consequentemente


atividades econômicas para suas margens, seja pela água, seja pela facilidade
de transporte ou pela oportunidade de práticas de esporte e lazer. Por isso
suas águas sofrem todo tipo de poluição. Alguns deles se transformaram em
verdadeiros depósitos de lixo das populações que vivem em suas margens.

Como a maioria dos rios recebe as águas das chuvas, seu volume de água
(volume caudal) varia durante o ano. A poluição das águas fluviais agrava-se
na época da estiagem, pois, diminuindo o volume caudal, a capacidade de
diluição dos poluentes também diminui.

Certas substâncias - como o mercúrio, o chumbo e o cianeto - são um veneno


para as águas fluviais. O mercúrio, usado por garimpeiros para separar o ouro
de areia e pedras, é um dos mais tóxicos e perigosos poluentes. No Brasil, a
Amazônia é uma das regiões que sofrem contaminação por mercúrio, por
causa da intensa atividade de garimpo.

O mercúrio instala-se no organismo dos peixes e pode afetar as pessoas que


os consomem. Presente no organismo humano, o mercúrio causa graves
problemas neurológicos e até mesmo a morte.

O chumbo, por sua vez, causa envenenamento agudo (quando os sintomas


são muito fortes) ou crônico, chamado saturnismo. Os principais sintomas são:
sede intensa, secura na garganta, cólicas localizadas, convulsões e paralisia
nas extremidades inferiores. Já o cianeto é altamente tóxico e, em grandes
doses, leva à morte.

Outra forma de contaminação das águas dos rios está relacionada à


temperatura das águas utilizadas na refrigeração das usinas termelétricas, que
provoca alterações nos rios atingidos. É a "contaminação termal", que mata
inúmeras espécies de peixes e da flora aquática.
LEGENDA: Lixo acumulado nas margens do rio Capibaribe, próximo a um
shopping center, na área central da cidade do Recife (PE). Foto de 2015.

FONTE: Veetmano Prem/Fotoarena

Oceanos e mares e sua poluição

Os oceanos e mares ocupam importante papel na vida da humanidade e em


suas atividades econômicas. Utilizados para lazer, sobrevivência e transportes,
os mares e oceanos são responsáveis pela manutenção da vida na Terra.
Mediante a retenção de calor em suas águas, regulam os climas do planeta e,
por meio da evaporação de sua grande massa líquida, aliada aos demais
fatores climáticos, causam as precipitações que permitem o sustento e a
sobrevivência das sociedades e de toda espécie de vida na Terra. São também
responsáveis pela alimentação de rios, lagos e mananciais, além de nos
proporcionar inúmeros benefícios, como a pesca e a exploração de petróleo,
gás natural e outros minerais.

A ciência que estuda os mares e oceanos é a Oceanografia. Podemos defini-la


como a ciência que estuda os principais fenômenos físicos, químicos e
biológicos dos oceanos.

Dos 510 milhões de quilômetros quadrados da superfície terrestre, os oceanos


e mares ocupam 361 milhões, correspondendo a cerca de 97% de toda a
massa líquida do planeta Terra.

Nessa imensa massa líquida podemos considerar três grandes oceanos:


Pacífico, Atlântico e Índico. As águas ao redor do polo norte recebem o nome
de oceano glacial Ártico.

169

As águas que banham a Antártida foram reconhecidas oficialmente como


oceano glacial Antártico em 2000 pela Organização Hidrográfica Internacional,
da qual o Brasil faz parte. Regiões menores dos oceanos, mais próximas dos
continentes, são chamadas mares.

Apesar de sua importância, os oceanos têm sido a parte da esfera da vida mais
atingida e ameaçada por impactos ambientais. Muitas vezes, os rios poluí dos
levam até eles os dejetos que acumularam em seu curso. Dispersos na imensa
massa de água salgada, os poluentes podem ser levados pelas correntes
marinhas, afetando a vida em regiões distantes de onde foram lançados.

As áreas dos oceanos mais atingidas pela poluição são aquelas que ficam
próximas do litoral e de desaguadouros de rios, onde estão localizados portos e
cidades turísticas. Outra grave consequência da poluição dos oceanos é o
comprometimento da biodiversidade marinha.

Derramamento de petróleo e lançamento de esgotos urbanos e lixo atômico


são as mais sérias agressões sofridas pelas águas dos mares e oceanos. No
Brasil, a baía de Guanabara está entre as áreas mais atingidas.

O transporte de petróleo é realizado por navios especiais, os chamados


petroleiros. Muitas vezes, os petroleiros navegam sem as condições
necessárias de segurança e de conservação, o que provoca desastres
ambientais de proporções imensuráveis. As manchas escuras nas águas do
mar, formadas em decorrência de derramamento de petróleo, são conhecidas
como marés negras. As marés negras são um dos tipos de contaminação mais
graves, pois não só atingem o habitat de numerosas espécies marinhas, como
também alcançam litorais e praias, destruindo a vida à sua passagem, ou
alterando-a seriamente, além de a limpeza e a tentativa de regeneração das
áreas afetadas demandarem altos custos. Ao longo dos anos, violentas
catástrofes têm acontecido em decorrência do manejo inadequado de
petroleiros e oleodutos. Observe a foto desta página.

LEGENDA: Homem retirando petróleo derramado em uma praia nas


proximidades de Refugio Beach, em Santa Bárbara, na Califórnia, Estados
Unidos, em maio de 2015.

FONTE: Kenneth Song/Zuma Press/Corbis/Latinstock

O lixo atômico, armazenado em caixas metálicas hermeticamente fechadas no


fundo dos oceanos, ainda não causou impactos ambientais conhecidos, mas
constitui uma preocupação para a humanidade.

Como já vimos no Capítulo 8, há intensa atividade vulcânica no fundo dos


oceanos. Essa atividade produz dióxido de carbono, que tem tornado a água
dos oceanos cada vez mais ácida, ameaçando a vida de inúmeras espécies
marinhas.
Segundo pesquisas, estima-se que já nos próximos anos a água marinha
começará a afetar alguns organismos, e alguns tipos de corais não
conseguirão sobreviver.

Conflitos pela água

O abastecimento da população, a irrigação para o cultivo de alimentos e a


produção de energia elétrica são fatores que podem gerar muitos conflitos
pelos recursos hídricos. E as mudanças climáticas podem agravar ainda mais
essa disputa nos próximos anos, pois são as principais responsáveis por
extensos períodos de seca e poderão reduzir as reservas hídricas (rios, lagos,
aquíferos e geleiras) de algumas regiões em 30%. As disputas pela água já
acontecem em alguns lugares do mundo e devem se intensificar nos próximos
anos.

Os oceanos, por exemplo, são motivo de várias questões internacionais, pois


muitos países pretendem explorar as riquezas geradas pela extração de
petróleo, as jazidas de gás natural e também a pesca em alto mar.Os conflitos
por água doce ocorrem praticamente em todos os continentes. No entanto, em
três regiões do mundo eles são mais intensos, com tendência a se agravar nos
próximos anos, tanto pelo aumento de consumo como por mudanças climáticas
que reduziram as reservas hídricas.

170

No Oriente Médio, Israel, Jordânia, Síria, Líbano e Palestina disputam as águas


do rio Jordão e do rio Yarmouk, seu principal afluente. Na Ásia central,
Casaquistão, Turcomenistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão disputam
as águas das geleiras da região.

A seguir, vamos ler um texto sobre a disputa pela água na bacia do Nilo.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Bacia do Nilo: a disputa pela água

Considera-se bacia do Nilo não só o conjunto formado pelo rio principal e seus
afluentes, mas também um enorme conjunto de recursos hidrográficos que se
estendem pelo centro-leste da África: o Nilo Branco, o lago Vitória e seus
tributários e o Nilo Azul e seus afluentes.

FONTE: Adaptado de: STRATEGIC FORESIGHT GROUP. Blue Peace for the
Nile. Disponível em:
www.strategicforesight.com/publication_pdf/11374Nile%20concise.pdf. Acesso
em: 6 nov. 2015. CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo da editora

As populações de Egito, Etiópia, Sudão, Sudão do Sul, Burundi, Ruanda,


Quênia, Eritreia, República Democrática do Congo, Uganda, em maior ou
menor escala, dependem das águas desse sistema.

Trata-se de uma região problemática, sujeita a cheias e secas periódicas, além


de abrigar países com sérios conflitos étnicos e vários problemas derivados da
carência de suas populações, como fome, insegurança alimentar e doenças.

As mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente provocada por


variadas atividades econômicas (como mostradas na ilustração a seguir)
afetam negativamente a bacia do Nilo. Dentre elas, podemos destacar a erosão
do solo, a desertificação, o aumento das áreas cobertas pela areia e a poluição
dos rios, lagos e aquíferos, que resultam na piora da qualidade da água.

FONTE: Adaptado de: STRATEGIC FORESIGHT GROUP. Blue Peace for the
Nile. Disponível em:
www.strategicforesight.com/publication_pdf/11374Nile%20concise.pdf. Acesso
em: 6 nov. 2015. CRÉDITOS: Luis Moura/Arquivo da editora

Um dos principais pontos de tensão está entre Egito, Sudão, Sudão do Sul e
Etiópia, depois que este último país começou a construir a Represa do
Renascimento, desviando as águas do rio Nilo Azul. O Egito teme a diminuição
do volume do Nilo em seu território e Sudão e Sudão do Sul receiam uma
inundação de grandes proporções no caso de haver um rompimento da
represa.

Texto elaborado com base em: Blue Peace for the Nile. Disponível em:
www.strategicforesight.com/publication_pdf/11374Nile%20concise.pdf. Acesso
em: 6 nov. 2015.

Fim do complemento.
171

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia e Biologia. O Conselho Mundial da Água


- liderado por grandes empresas transnacionais - desenvolveu uma visão muito
sofisticada da água, uma visão que está fundamentada no conceito de que ela
é um bem mercantil necessário para a vida e a ecologia, funcional aos direitos
humanos e à sobrevivência e, portanto... um grande negócio. Como é possível
que o Fórum Mundial da Água negue-se a reconhecer o direito humano à água
e ao saneamento?

BELTRÁN, Elizabeth Peredo. A água novamente entre a vida e a morte.


Disponível em: http://cartamaior.com.br/?/EditoriaMeio-Ambiente/A-agua-
novamente-entrea-vida-e-a-morte%0d%0a/3/24793. Acesso em: 22 fev. 2016.
(Adaptado).

a) Identifique três necessidades humanas básicas que envolvam o uso de


água.

b) Na sua escola há orientação ou projetos que visem à conscientização sobre


o desperdício de água?

c) Reflita sobre a posição das transnacionais em relação ao direito humano à


água. Depois, escreva se você concorda com essa posição. Justifique sua
opinião.

2. Atividade interdisciplinar: Geografia e Biologia. O ser humano tem poluído


mares, rios, lagos, lagoas e represas num ritmo mais veloz do que é capaz de
limpá-los. Esses mananciais recebem esgotos, poluentes das indústrias, da
agricultura, da pecuária, da piscicultura e da navegação, além dos mais
variados tipos de lixo.

SALEM, Sonia. Água. São Paulo: Ática, 2006. p. 44. (De Olho na Ciência).

Reflita, pesquise e faça o que se pede:

a) Explique duas consequências da poluição dos rios para a humanidade.


b) Justifique a atual preocupação da humanidade com o provável esgotamento
dos recursos hídricos.

c) Explique a importância dos oceanos para a biosfera e para a vida humana.

3. Procure descobrir se há algum rio (ou alguns rios) que corta(m) seu bairro ou
sua cidade.

- Pesquise se esse(s) rio(s) é(são) poluído(s) ou não.

- Procure saber que uso a comunidade local faz dele(s).

- Pesquise também se há medidas de prevenção à poluição, etc.

- Anote tudo o que descobrir para depois apresentar o resultado da sua


pesquisa aos colegas.

Ao final, a classe pode discutir o papel da sociedade civil e dos governos no


que diz respeito à manutenção e preservação das águas que alimentam uma
comunidade.

4. Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Leia abaixo o


trecho de uma reportagem sobre a questão da água.

Água: a escassez na abundância

Hoje, 40% da população do planeta já sofre as consequências da falta de água.


Além do aumento da sede no mundo, a falta de recursos hídricos tem graves
implicações econômicas e políticas para as nações.

SEGALA, Mariana. Guia Exame Sustentabilidade. Disponível em:


http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/populacao-falta-agua-
recursos-hidricos-graves-problemas-economicos-politicos-723513.shtml.
Acesso em: 5 nov. 2015. (Adaptado).

- Escreva uma redação que aborde o texto anterior e proponha situações que
possam melhorar a realidade apresentada. Sua redação pode ser escrita em
formato de carta, dissertação, reportagem, ou outro que você escolher.

5.

LEGENDA: Pássaro coberto de óleo no Refúgio State Beach, em Goleta, na


Califórnia, Estados Unidos. Foto de 2015.
FONTE: Justin Sullivan/Getty Images

- Identifique o tipo de poluição caracterizado na foto e indique suas causas e


consequências.

172

capítulo 14. Biosfera: a esfera da vida

LEGENDA: O termo biosfera foi criado pelo geólogo Eduard Suess (1831-
1914), que a definiu como "o local na superfície da Terra onde a vida reside".
Na foto, revoada de guarás no delta do Parnaíba, em Araioses (MA), em 2015.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens

A biosfera e o ser humano

Há muito tempo, o trabalho humano interfere na dinâmica da biosfera e dos


elementos que a formam. O estudo dos impactos dessas alterações é
fundamental para que possamos compreender suas consequências no meio
ambiente. Também é preciso entender o funcionamento da biosfera, conhecer
os biomas que a compõem e as interações entre as esferas da Terra.

Os grandes biomas do mundo

A distribuição dos biomas terrestres e seus tipos de vegetação e fauna estão


estreitamente ligados ao clima: as diferentes condições de temperatura, chuva
e incidência de luz solar nas várias regiões do planeta facilitam ou impedem a
existência de qualquer tipo de vida. Assim, a cada tipo climático corresponde
um bioma, caracterizado por determinada cobertura vegetal.

Porém, devemos lembrar que outros fatores influenciam na distribuição dos


biomas na superfície terrestre, como o relevo (forma e altitude), as águas
continentais e oceânicas e os solos. Esses fatores, somados, determinam uma
distribuição dos biomas que não é aleatória, mas de certa forma sequencial,
tanto no sentido horizontal (latitude) quanto no vertical (altitude).

Em razão desses fatores, podemos encontrar, num mesmo bioma, variados e


inumeráveis ecossistemas, caracterizados pela presença de flora, fauna e
clima próprios, como a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica.

Glossário:
Ecossistema: sistema que reúne fatores bióticos e abióticos, caracterizado
pela inter-relação entre ambos. Dentro dos incontáveis ecossistemas que
integram a vegetação da Mata Atlântica, por exemplo, podemos dizer que há
outros, e inúmeros. Uma única gota de água pode ser considerada um
ecossistema, pois nela há elementos bióticos (seres microscópicos) e abióticos
(resíduos minerais microscópicos, por exemplo). E essa gota de água
representa um ecossistema único, diferente de qualquer outra gota de água de
outra região da superfície terrestre.

Fim do glossário.

173

Vamos agora estudar os diferentes biomas e como eles estão distribuídos nas
regiões de clima frio, temperado, tropical, em áreas secas e em áreas
montanhosas.

Biomas das regiões temperadas e frias

A Tundra, a Taiga, a Floresta Temperada, as Pradarias, as Estepes e a


Paisagem Mediterrânea são biomas das regiões temperadas e frias, como
veremos a seguir.

Tundra

Formada há cerca de 10 mil anos, a Tundra é o bioma mais jovem e mais frio
da Terra (ver mapa de climas do Capítulo 11). A maior área de ocorrência
desse bioma são as regiões próximas do oceano glacial Ártico: Alasca, norte
do Canadá, Groenlândia, norte da Rússia e da Escandinávia. Como a Antártida
é quase totalmente recoberta por uma calota de gelo, a tundra aparece
somente em pequenas áreas nesse continente. Em razão da localização dos
lugares onde se forma, também é chamada Tundra polar.

Nas áreas de Tundra polar, os solos permanecem gelados a maior parte do


ano, assim como os rios e os lagos. Esse tipo de solo é chamado permafrost. O
inverno é muito gelado, com temperaturas abaixo de 0 ºC. Em algumas
regiões, essa estação parece ser uma longa noite. Não há quase precipitações;
forma-se apenas gelo. Por isso, esse bioma apresenta-se basicamente como
um deserto gelado.
A estação mais quente dura mais ou menos sessenta dias e a temperatura
mais alta não ultrapassa 10 ºC. A tundra, portanto, só cresce nos períodos de
degelo (veja a imagem). Suas principais espécies são os musgos e os liquens,
plantas rasteiras, pois as árvores não sobrevivem nesse tipo de clima. É um
ambiente pouco apropriado para a vida humana e para a existência de fauna e
flora. Apenas as áreas de tundra no hemisfério norte são habitadas por
humanos.

Segundo especialistas, em razão de mudanças climáticas, provavelmente


causadas pelo aquecimento global, esse ecossistema está mudando,
apresentando árvores mais altas, que estão lhe dando características
semelhantes à Taiga.

Alguns cientistas consideram existir também a Tundra alpina, que ocorre em


montanhas muito elevadas. A formação de tundra nessas áreas depende,
portanto, do fator altitude, que interfere nas temperaturas, deixando-as mais
baixas. Na Tundra alpina, como a inclinação do terreno não favorece a
acumulação de água, o solo não fica congelado.

LEGENDA: A vegetação de tundra cerca a cidade de Kotzebue, no Alasca,


Estados Unidos. Foto de 2015.

FONTE: Jonathan Newton/The Washington Post/Getty Images

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E20-21. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

174

Taiga

Também chamada Floresta Boreal, porque ocorre apenas no hemisfério norte,


entre as latitudes de 50º N e 60º N. Nessa região, a incidência dos raios
solares é um pouco menos inclinada do que na região da Tundra.

Esse é um bioma típico de áreas de clima temperado continental, com invernos


muito rigorosos, queda de neve e verões quentes. Nas áreas de Taiga, os
solos, de modo geral, são pouco férteis e congelam no inverno. Porém, sob as
temperaturas mais altas do verão, os solos descongelam em sua camada
superficial.

Podemos dizer que a Taiga é uma floresta homogênea, pois é formada quase
só por coníferas, como os pinheiros, que possuem folhas aciculifoliadas,
resistentes ao frio e perenes. Cobre grandes extensões da Rússia, do Alasca
(Estados Unidos), da Noruega, da Suécia, da Finlândia e do Canadá. Na
Escandinávia e no Canadá sua madeira serve de matéria-prima para
importantes indústrias de papel e celulose.

Glossário:

Floresta homogênea: que é constituída de poucas ou de uma única espécie.

Aciculifoliada: diz-se de folha em forma de agulha.

Perene: refere-se a florestas sempre verdes, que não perdem as folhas em


nenhuma estação.

Fim do glossário.

LEGENDA: Taiga no lago Skazka, na Sibéria, Rússia. Foto de 2014.

FONTE: Andrey Nekrasov/Zuma Press/Corbis/Latinstock

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E20-21. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Floresta Temperada

A Floresta Temperada recobria áreas que hoje são as mais povoadas da


superfície terrestre - Europa, China, Japão e leste da América do Norte. No
hemisfério sul, pode ser encontrada na Austrália, na Nova Zelândia, na
Argentina e no Chile.

É uma vegetação típica de clima temperado oceânico. Recebe os raios solares


com uma inclinação bem menor do que nas regiões frias, portanto nas áreas de
ocorrência dessa floresta as temperaturas são mais altas.

As estações do ano são bem definidas: o inverno é frio, com queda de neve, e
o verão é quente e chuvoso. É uma floresta decídua; perde suas folhas no
inverno. No outono, as folhas mudam de cor, assumindo um tom avermelhado.
Esse é o bioma mais devastado do mundo: seus solos férteis foram muito
aproveitados para a agricultura e a água é seu principal agente erosivo. O
aproveitamento da madeira como fonte de energia e a urbanização também
contribuíram para a quase extinção dessa formação vegetal. O maior número
de espécies dessa floresta está na América do Norte.

Glossário:

Decídua: ou de folhas caducas; diz-se de planta que perde as folhas em certas


épocas do ano (sobretudo no inverno).

Fim do glossário.

As florestas temperadas não são todas iguais. Podem ser encontradas


espécies perenes entre as decíduas, bem como flores e tapetes de musgos e
cogumelos.

175

Suas principais espécies são o abeto, a faia e o carvalho. Nas regiões onde o
clima é mais chuvoso, encontram-se árvores de grande porte, como o eucalipto
gigante, na Austrália, e a sequoia, na costa ocidental da América do Norte.

LEGENDA: Fazenda em região de floresta temperada em Vermont, Nova


Inglaterra, nos Estados Unidos. Foto de 2015.

FONTE: Roy Rainford/Robert Harding/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E22-23. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Pradarias

Esse bioma recebe o nome de Pradaria, na América do Norte, e Pampa, na


América do Sul (Brasil e Argentina), onde o clima é mais úmido. É também
encontrado na Austrália. No hemisfério sul essa vegetação herbácea recebe
mais chuvas do que no hemisfério norte. Na América do Norte, ocupam uma
área que se estende desde o Canadá (Alberta, Saskatchewan e Manitoba),
continuando pelas planícies centrais dos Estados Unidos, até o estado do
Texas, ao sul, e o estado de Indiana, a oeste. Nessa área há importantes
cultivos agrícolas: o trigo, o milho e as culturas irrigadas transformaram as
pradarias estadunidenses nas maiores produtoras de grãos do mundo.

LEGENDA: Fazenda em região das Pradarias no condado de Cascade, em


Montana, nos Estados Unidos. Foto de 2015.

FONTE: Rob Francis/Robert Harding/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E22-23. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

176

Estepes

Bioma seco, geralmente frio e com vegetação rasteira, característico de climas


semiáridos, encontrado nas bordas de desertos de regiões temperadas ou
subtropicais. Nas áreas de ocorrência de Estepes as chuvas são escassas,
mas não tanto quanto nos desertos: chegam a 500 mm por ano, o dobro das
precipitações nas regiões desérticas.

Em geral, a vegetação de estepes está localizada na faixa de transição entre o


Deserto e a Savana, longe da in fluência marítima e perto de barreiras
montanhosas. É encontrada principalmente nos Estados Unidos, na Mongólia,
na Sibéria (Rússia) e na China. Nesse bioma, os verões são quentes e os
invernos, muito frios; em altas latitudes cai muita neve. Com um pouco mais de
chuva, as estepes poderiam ser classificadas como Pradarias; com um pouco
menos, como Deserto.

LEGENDA: Paisagem em região de Estepes, no Quirguistão, em 2015. Vemos


também um yurt, tenda ou cabana circular usada tradicionalmente por pastores
nômades mongóis e outros povos da Ásia central, como os quirguizes
retratados na foto.

FONTE: Muriel Nicolotti/Biosphoto/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E26-27. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora
Vegetação Mediterrânea

Bioma característico da região que fica às margens do mar Mediterrâneo, no


sul da Europa, no norte da África e no oeste da Ásia. Também ocorre em
outras partes do mundo, como o oeste dos Estados Unidos (Califórnia) e o
extremo sul da África do Sul. No oeste e sul da Austrália e no Chile, recebe o
nome de Bosque Esclerófilo.

LEGENDA: Propriedade rural cercada por vegetação mediterrânea, na região


de Balagne, norte da ilha de Córsega, na França. Foto de 2015.

FONTE: Pascal Pochard-Casabianca/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E24-25. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

177

O clima da região mediterrânea caracteriza-se pela alternância de duas


estações bem definidas: verão quente e seco e inverno suave e chuvoso. A
fertilidade dos solos depende, entre outros fatores, principalmente da maior ou
menor umidade. Os rios atingem no verão o seu nível mais baixo.

A vegetação da paisagem mediterrânea é adaptada a longos períodos de seca


e constituí da de arbustos com caules lenhosos, folhas duras ou esclerófilas e
raízes profundas, que chegam a atingir os lençóis de água subterrâneos. As
árvores encontram-se em regiões mais úmidas ou perto dos cursos de água.
Esse bioma se estende entre 30º de latitude norte e 40o de latitude sul.

Na região do Mediterrâneo, a vegetação de arbustos recebe as denominações


garrigue, formação bem aberta, encontrada em solos calcários; e maqui,
formação bem fechada, que cresce em solos ricos em sílica.

Na Austrália, as espécies dominantes nos Bosques Esclerófilos são árvores do


gênero dos eucaliptos. Na Califórnia, onde predominam várias espécies de
cacto, a vegetação recebe o nome de chaparral. No Chile, predominam os
Bosques Esclerófilos.

Glossário:
Esclerofilia: vocábulo de origem grega, que designa uma vegetação de folhas
duras.

Fim do glossário.

Boxe complementar:

Ecótonos

Entre as diferentes paisagens naturais existentes na superfície da Terra,


encontramos áreas onde os elementos naturais vão mudando gradativamente
até assumirem as características de outra paisagem. Esses "intervalos" são
chamados áreas de transição ou ecótonos, como a paisagem representada na
foto abaixo, que mostra uma vegetação típica da Mata dos Cocais, área de
transição entre a Caatinga e a Floresta Amazônica.

LEGENDA: Carnaúbas e vegetação de caatinga em São Lourenço do Piauí


(PI). Foto de 2015.

FONTE: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Fim do complemento.

Biomas das regiões tropicais, de montanhas e de desertos

Como já estudamos, a existência de paisagens com características tão


distintas pode ser explicada pela influência de fatores climáticos e pelo clima
das regiões em que esses biomas se desenvolvem: regiões de elevadas
temperaturas e grandes quantidades de chuva (vegetação tropical); grandes
altitudes (vegetação de montanha) e regiões onde as chuvas são escassas e
muito irregulares (vegetação de deserto).

Biomas das regiões tropicais

Uma das maiores ameaças às florestas tropicais - um dos biomas de maior


biodiversidade mundial - é o desmatamento provocado por práticas de
agricultura e pecuária e pela exploração de madeira.

A área de ocorrência dos biomas tropicais é delimitada pelos trópicos de


Câncer e de Capricórnio, e a linha do equador a atravessa. É uma região
dominada por massas de ar quente e em geral úmido, tropicais e equatoriais,
com temperatura média do mês mais frio igual ou superior a 18 °C. A
biodiversidade é uma característica das regiões tropicais, que é marcada por
dois grandes biomas: as Florestas Pluviais Tropicais e as Savanas.

Florestas Pluviais Tropicais

Ocupam uma extensa área na faixa tropical da América do Sul, América


Central, África, Ásia e Austrália.

178

Apresentam florestas heterogêneas e árvores latifoliadas; suas espécies


vegetais são higrófilas e suas árvores estão sempre verdes, pois não perdem
as folhas em nenhuma época do ano. As árvores, de diversas alturas, se
dispõem em "andares" ou camadas, chamadas estratos. As Florestas Tropicais
Pluviais concentram uma rica biodiversidade, com grande variedade de
espécies de plantas, animais e microrganismos encontrados em todos os
biomas da Terra.

Glossário:

Floresta heterogênea: vegetação composta de várias espécies.

Latifoliada: que tem folhas largas.

Higrófila: adaptada à umidade.

Fim do glossário.

A diferença na quantidade e distribuição de chuvas permite encontrar aspectos


diferentes nessas florestas, dependendo de sua localização na faixa
intertropical.

Nas áreas próximas do equador, as florestas são mais fechadas, apresentam-


se estratificadas em camadas, com árvores de diferentes alturas e vários tipos,
e muitos cipós em seus troncos e galhos. Os principais exemplos são a floresta
Amazônica, a floresta do Congo, na África (ver foto abaixo), e a da Indonésia,
na Ásia. Por sua localização e características, são denominadas florestas
equatoriais.

Mais afastada da linha do equador, a floresta recebe menor quantidade de


calor e chuva, por isso é menos exuberante do que a floresta equatorial. Nessa
área ela já foi quase totalmente destruída pelo ser humano. Ape nas pequenas
manchas de floresta foram conservadas. É o caso da Mata Atlântica, que já
recobriu uma grande faixa da área litorânea do Brasil, das florestas da Costa
Rica, do Sudeste Asiático e do norte da Austrália.

LEGENDA: Floresta tropical no Parque Nacional de Odzala-Kokoua, República


Democrática do Congo, África. Foto de 2014.

FONTE: Pete Oxford/Biosphoto/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E28-29. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Boxe complementar:

Desmatamentos e queimadas

As florestas tropicais e equatoriais guardam em seu interior grande parte da


biodiversidade da Terra. Regulam o fluxo de água, protegem os mananciais,
oferecem madeira de lei e plantas medicinais, sem falar que são o habitat de
muitos povos indígenas.

A destruição indiscriminada dessas florestas deve-se às várias atividades


humanas realizadas nessas áreas: a utilização do solo para agricultura, a
exploração de recursos minerais, a extração da madeira, a construção de
estradas e de hidrelétricas e as queimadas (incêndios propositais ou não).

Os países mais atingidos pelos desmatamentos estão localizados na faixa


intertropical do globo: Brasil, Equador, Nicarágua, Gana, Colômbia, Guatemala,
Haiti, Honduras e Nigéria. Além desses, outros países situados na mesma faixa
climática, como República Democrática do Congo, Sri Lanka, Tailândia,
Indonésia e Malásia, também são atingidos, porém em menores proporções.

179

Os desmatamentos provocam graves impactos ambientais: eliminação e


redução da biodiversidade, erosão e empobrecimento dos solos, assoreamento
do leito dos rios e rebaixa mento do lençol freático, causa da extinção das
nascentes de rios e fontes. Além disso, podem causar o desaparecimento das
comunidades indígenas que vivem nas florestas.
No Brasil, as queimadas são uma prática muito comum não só nas florestas
tropicais, mas em ecossistemas como o Cerrado e a Caatinga e em plantações
como a da cana-de-açúcar. As queimadas muitas vezes causam incêndios de
grandes proporções, aumentando o nível de CO2 na atmosfera e influindo no
aquecimento global.

LEGENDA: Queimada na Floresta Amazônica no município de Tucumã (PA),


em 2016.

FONTE: Delfim Martins/Pulsar Imagens

Fim do complemento.

Savanas

Geralmente localizadas nos limites das Florestas Pluviais Tropicais, as savanas


são formações típicas de regiões de clima tropical continental, com duas
estações bem definidas: uma chuvosa, que coincide com o verão; e uma seca,
nos meses de inverno. Apresentam dois "andares" de vegetação: um mais alto,
formado por árvores (arbóreo); e outro mais baixo, composto de gramíneas
(herbáceo). É a vegetação tropófila.

Na América do Sul, as Savanas ocupam áreas da Venezuela e da Colômbia


(llanos), na bacia do rio Orinoco; o cerrado, vegetação correspondente no
Brasil, cobre grande parte da região Centro-Oeste do país. Também
encontramos vegetação de savanas no norte da Austrália, onde se destacam
os eucaliptos, e na Índia, onde é denominada jungle. As mais conhecidas são
as savanas africanas.

As regiões de savanas são atravessadas por rios que têm suas cheias no
verão, quando recebem mais chuvas. A água e o vento podem desgastar as
rochas que formam o relevo. Com a umidade das margens dos rios, podem
crescer pequenas manchas de florestas: as chamadas matas galerias.

A fertilidade dos solos das savanas vai depender da quantidade de água que
recebem e da matéria orgânica (restos de vegetais ou animais) própria da
região. Os solos do Cerrado brasileiro, por exemplo, precisam de correção para
tratar sua acidez, quando a vegetação original é retirada para dar lugar a
plantações.
LEGENDA: Savana em parque nacional no Quênia, na África. Foto de 2015.

FONTE: Feargus Cooney/Lonely Planet/Getty Images

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E26-27. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

180

Bioma de Montanhas

Nas grandes altitudes (acima de 3.000 m) as montanhas não apresentam


vegetação. A cobertura vegetal alcança de 2.500 m a 3.000 m. É com posta de
plantas orófilas, que formam uma vegetação rasteira - os campos alpinos, com
cerca de duzentas espécies que se adaptaram às baixas temperaturas e à
seca. Esse bioma aparece nas grandes cadeias montanhosas, como os Andes
(na América do Sul), as montanhas Rochosas (na América do Norte), os Alpes
(na Europa), o Himalaia (na Ásia), entre outras.

Glossário:

Orófila: adaptada à altitude.

Fim do glossário.

Quando subimos uma área montanhosa, passamos por vários biomas. Na


parte mais baixa predomina o bioma da vegetação da região onde a montanha
está situada. Por exemplo, no sopé das montanhas Rochosas existe um
deserto. À medida que a altitude aumenta, temos sucessivamente a Floresta
Temperada, a Floresta de Coníferas, os Campos Alpinos e a Tundra alpina.
Conforme a localização da montanha, podemos passar também por Campos e
Estepes.

O fator climático que caracteriza esse bioma é a altitude, por isso encontramos
neve em altas montanhas, em plena zona tropical, como na parte central da
cordilheira dos Andes. O clima aí é muito frio, com temperaturas que variam de
10 ºC a 15 ºC no verão; no inverno, as temperaturas ficam abaixo de 0 ºC.

LEGENDA: Paisagem do Parque Nacional Tierra del Fuego, em Ushuaia, na


Patagônia Argentina. Foto de 2015.
FONTE: Jantzen Stéphanie/hemis.fr/Agência France-Presse

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E18-25. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Bioma de Desertos e de Semidesertos

Os desertos têm em comum o fato de receberem poucas precipitações


irregulares e apresentarem baixíssimas taxas de umidade relativa do ar, céu
com poucas nuvens e evaporação elevada.

As temperaturas do deserto apresentam grandes amplitudes térmicas: podem


atingir 50 ºC durante o dia e cair para -1 ºC à noite. Há desertos quentes, como
o Saara, na África, e desertos frios, como o de Gobi, na Ásia central. Os
desertos quentes estão situados nas proximidades dos trópicos de Câncer e de
Capricórnio, enquanto os desertos frios estão nas latitudes mais altas, em
regiões temperadas.

Os desertos frios enfrentam invernos extremamente rigorosos, com queda de


neve e ventos gelados e secos, que provocam grandes tempestades de areia.
As poucas chuvas caem na primavera, atingindo de 150 mm a 260 mm por
ano. As chuvas nos desertos quentes estão concentradas em curtos períodos,
intercalados com prolongados períodos de seca.

Os solos das áreas desérticas são sempre muito pobres, pedregosos ou


arenosos. Nessas áreas encontramos plantas xerófitas e, em algumas regiões
mais úmidas, existem "ilhas de vegetação", os chamados oásis.

Glossário:

Xerófita: adaptada ao clima seco.

Fim do glossário.

Correntes marítimas frias no litoral, altas pressões subtropicais, grandes


altitudes e barreiras montanhosas, que impedem a passagem de massas de ar
úmido vindas do oceano, são as principais causas da formação de desertos.

A vegetação de deserto é composta de plantas de pequeno porte, que se


espalham pela extensão arenosa. Os desertos cobrem cerca de um quinto da
superfície terrestre. Nas margens dos grandes desertos, encontram-se regiões
menos secas do que esses biomas, com climas semiáridos, consideradas
semidesertos, como a região do Sahel, localizada nas margens do deserto do
Saara.

181

LEGENDA: Paisagem de vila e oásis no deserto do Saara, na Argélia. Foto de


2014.

FONTE: DeAgostini/Getty Images

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. E22-23. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

O Programa MaB/Unesco

O Programa Homem e Biosfera (MaB - Man and the Biosphere) foi criado como
resultado da "Conferência sobre a Biosfera" realizada pela Unesco em Paris,
em setembro de 1968. O MaB foi lançado em 1971 e é um programa de
cooperação científica internacional sobre as interações entre o ser humano e
seu meio. Busca o entendimento dos mecanismos dessa convivência em todas
as situações bioclimáticas e geográficas da biosfera, procurando compreender
as repercussões das ações humanas sobre os ecossistemas mais
representativos do planeta.

O objetivo central do Programa MaB é promover o conhecimento, a prática e os


valores humanos para implementar as boas relações entre as populações e o
meio ambiente em todo o planeta.

O Programa MaB desenvolve, ao mesmo tempo, duas linhas de ação:

- O aprofundamento direcionado das pesquisas científicas, para o melhor


conhecimento das causas da tendência de um aumento progressivo da
degradação ambiental do planeta;
- A concepção de um inovador instrumental de planejamento, as Reservas da
Biosfera, para combater os efeitos dos citados processos de degradação,
promovendo a conservação da natureza e o desenvolvimento sustentável.

As Reservas da Biosfera

Reservas da Biosfera são áreas de ecossistemas terrestres e/ou marinhos


reconhecidas pelo Programa MaB/Unesco como importantes em nível mundial
para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável e que
devem servir como áreas prioritárias para experimentação e demonstração
dessas práticas.

As Reservas da Biosfera são o principal instrumento do Programa MaB e


compõem uma rede mundial de áreas voltadas à Pesquisa Cooperativa, à
Conservação do Patrimônio Natural e Cultural e à Promoção do
Desenvolvimento Sustentável.

Para tanto devem ter dimensões suficientes, zoneamento apropriado, políticas


e planos de ação definidos e um sistema de gestão que seja participativo,
envolvendo os vários segmentos do governo e da sociedade.

As Reservas da Biosfera devem cumprir de forma integrada várias funções:


conservação da biodiversidade, promover o desenvolvimento sustentável, a
educação ambiental e as pesquisas científicas.

Atualmente existem aproximadamente 450 Reservas da Biosfera, em cerca de


cem países do mundo. Ainda que sejam declaradas pela Unesco, as Reservas
da Biosfera são propostas por iniciativa de cada país e cabe integralmente a
este país sua administração, considerando-se os princípios do Programa MaB.

Ao todo são 7 Reservas da Biosfera no Brasil: Mata Atlântica, Cinturão Verde


de São Paulo, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia Central e Serra do
Espinhaço.

UNESCO - Brasil. Disponível em: www.rbma.org.br/mab/


unesco_01_oprograma.asp. Acesso em: 5 nov. 2015. (Adaptado).

LEGENDA: Preservação da Mata Atlântica no Parque Nacional do Caparaó,


em Alto Caparaó (MG). Foto de 2015.

FONTE: Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo


Fim do complemento.

182

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia, Biologia e Língua Portuguesa. Leia a


frase de Niro Higuchi, engenheiro florestal do Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (INPA).

A verdadeira riqueza da Amazônia é a biodiversidade. Sem a floresta não tem


biodiversidade. E se hoje não tiver alternativa para o desmatamento, essa
floresta "vai embora" mesmo.

HIGUCHI, Niro. Revista Ciência. Disponível em:


www.inpa.gov.br/arquivos/revistas/revista_ciencia_para_todos_n7-2.pdf.
Acesso em: 6 nov. 2015.

a) Converse com os professores de Geografia e Biologia, consulte livros,


revistas e sites para definir o que é biodiversidade e explicar sua importância.

b) Escreva, em seu caderno, uma redação que tenha como tema: "Sem a
floresta não há biodiversidade".

2. Leia o texto a seguir e faça o que se pede.

No filme A Bruxa de Blair, sucesso de bilheteria do cinema alternativo


americano, há uma cena que fez meu sangue de ecologista amador brasileiro e
defensor do crescimento sustentável literalmente borbulhar. Os três estudantes
do longa estão total mente perdidos numa floresta da Nova Inglaterra e a
garota começa a entrar em pânico achando que nunca mais iria sair daquela
selva.

Seu colega então diz algo parecido com:

"Não seja idiota, nós destruímos todas as nossas florestas temperadas. É só


andarmos meia hora em linha reta que logo sairemos daqui".

KANITZ, Stephen, consultor de empresas e conferencista. Disponível em:


www.blog.kanitz.com.br/florestastemperadas/. Acesso em: 6 nov. 2015.
a) Um cenário como esse poderia ser comparado ao das formações florestais
equatorial e tropical brasileiras? Justifique sua resposta.

b) Identifique dois fatores que contribuíram para o alto grau de devastação das
florestas temperadas.

c) Dos biomas estudados neste capítulo, identifique o único que não podemos
encontrar no Brasil. Explique por quê.

3. A África é um continente de contrastes climáticos. A árida África do norte


compreende o maior deserto quente do mundo... A vegetação nessa área é
constituída de plantas xerófitas, resistentes ao fogo.

ATLAS mundial ilustrado. Santiago: H. F. Ullmann, 2007.

a) Identifique os biomas tropicais africanos.

b) Caracterize as plantas xerófitas.

c) No Brasil, onde é possível encontrar plantas xerófitas?

d) O texto se refere ao maior deserto do mundo. Que deserto é esse?

4. Leia os climogramas abaixo e faça o que se pede.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2009-2010.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2009.

FONTE: Climograma adaptado de: INSTITUTO NACIONAL DE


METEOROLOGIA (Inmet). Disponível em: www.inmet.gov. br/portal/. Acesso
em: nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

a) Identifique os tipos climáticos representados nos climogramas e seus


respectivos tipos de vegetação.

b) Dê as características do tipo de vegetação do climograma 2.

5. As figuras abaixo representam dois tipos de biomas de montanha.


Identifique-os e justifique as principais semelhanças e diferenças entre eles.

FONTE: Adaptado de: SANTA DI LORENZO. Geografía escolar 6º año.


Montevideo: Monteverde, 2007. CRÉDITOS DAS ILUSTRAÇÕES: Alex
Argozino/Arquivo da editora

183
Concluindo a Unidade 5

Leia o texto, reflita e depois faça o que se pede.

Poluição e desperdício fazem da crise hídrica um problema de difícil solução

SP, RJ e MG pagam o preço da poluição descontrolada e do desperdício.

São Paulo

A represa Billings abastece 1,6 milhão de pessoas na região do Grande ABC,


na grande São Paulo. O governo do estado quer ampliar a captação das águas
do reservatório, mas a proposta gerou polêmica. Boa parte das margens da
represa está ocupada por invasões, e é grande a quantidade de lixo na água.

O maior ponto de poluição da represa fica na barragem que faz a transposição


da água do rio Pinheiros. A quanti dade de material orgânico é impressionante.

A bióloga Marta Marcondes fez a medição do oxigênio na água, em um braço


mais limpo da Billings. O ideal para que haja vida é acima de 8 mg/L, mas o
máximo registrado na represa foi 7,3 mg/L. Em uma região de água mais
poluída, a quantidade de oxigênio na Billings é de apenas 1,8 mg/L. Isso
significa que não há vida na água.

No ponto onde fica a usina de transposição de água do rio Pinheiros, região


mais poluída da represa Billings, nem as bactérias que se alimentam de lixo
orgânico conseguem sobreviver. O nível de oxigênio na água é de apenas 0,5
mg/L.

Embora a sujeira assuste, no lodo que se acumula no fundo da represa há um


perigo ainda maior. A presença de metais pesados e de coliformes fecais está
muito acima da quantidade tolerada.

Lixo e esgoto são jogados na represa Billings desde o início das ocupações, há
40 anos. Além das ocupações irregulares, a mata que cerca a Billings se
transformou em um cemitério de carros roubados, há carcaças e pedaços de
veículos espalhados por vários metros, a poucos passos da água.

[...]

Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, moradores de Mesquita quebram o asfalto da rua para fazer
ligação direta nas tubulações da Cedae, já que a água não chega às casas.
Além da água, eles constroem um sistema de esgoto por conta própria.

Na região, a Cedae instalou a tubulação e os relógios para a cobrança, mas a


água nunca chegou. Mesmo quem nunca teve a ligação recebe a conta
mensalmente. Os moradores se recusam a pagar e garantem que já foram
feitas inúmeras reclamações.

No recreio dos Bandeirantes, falta água na casa dos mais pobres e dos mais
ricos. Nem mesmo o poço artesiano resolve o problema, já que parte do bairro
não tem saneamento e o esgoto dos córregos contamina o lençol.

Em um condomínio do bairro, a conta mensal com a compra de água de


carros-pipa chega a R$ 24 mil. Os moradores dizem que já cansaram de
reclamar com a Cedae, que continua enviando a conta de água no valor de R$
4 mil.

A Companhia de Água e Esgoto do Rio de Janeiro mandou uma nota dizendo


que nos próximos quatro anos vai construir 17 novos reservatórios na Baixada
Fluminense.

[...]

Minas Gerais

O Sistema Paraopeba, que abastece a região metropolitana de Belo Horizonte,


também está com o nível de água baixo. Em fevereiro de 2015, a represa está
20,5 metros abaixo do nível normal.

O mês de janeiro levou chuva para a região. Mesmo em quantidade insuficiente


para encher uma represa tão grande, a água que vem do céu ajuda muito os
agricultores. Um produtor mineiro criou sua versão de represa na propriedade,
um lago artificial, e guarda água até em banheira velha para evitar a perda da
lavoura novamente.

Belo Horizonte desperdiça 40% de sua água tratada. Os profissionais da


Copasa responsáveis por procurar esses vazamentos são chamados "caça-
gotas".
Uma ligação clandestina é encontrada e o trabalho dos operários começa. Em
poucos minutos, os moradores de uma comunidade próxima se aproximam
para reclamar. Eles impedem o corte de água e dizem que a ligação
clandestina existe porque não há abastecimento regular.

PROFISSÃO Repórter. Disponível em: www.g1.globo.com/profissao-


reporter/noticia/2015/02/poluicao-e-desperdiciofazem-da-crise-hidrica-um-
problema-de-dificil-solucao.html. Acesso em: 6 nov. 2015.

1. A foto abaixo foi tirada na represa Billings, localizada entre a zona sul de São
Paulo e o município de São Bernardo do Campo. Relacione-a à reportagem
que você acabou de ler.

LEGENDA: Carcaça de carro descoberta com a descida do nível das águas na


represa Billings, em São Paulo (SP), em 2014.

FONTE: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress

184

2. Que situação ocorreu na cidade de Mesquita, município da Baixada


Fluminense, região metropolitana do Rio de Janeiro, conforme destacou a
reportagem que você leu?

3. Com base nas informações do texto, responda:

a) O que são os "caça-gotas"?

b) Que trabalho eles realizam?

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1. Segundo uma organização mundial de estudos ambientais, em 2025, duas


de cada três pessoas viverão situações de carência de água, caso não haja
mudanças no padrão atual de consumo do produto.

Uma alternativa adequada e viável para prevenir a escassez, considerando-se


a disponibilidade global, seria:

a) desenvolver processos de reutilização da água.


b) explorar leitos de água subterrânea.

c) ampliar a oferta de água, captando-a em outros rios.

d) captar águas pluviais.

e) importar água doce de outros estados.

2. Considerando a riqueza dos recursos hídricos brasileiros, uma grave crise de


água em nosso país poderia ser motivada por:

a) reduzida área de solos agricultáveis.

b) ausência de reservas de águas subterrâneas.

c) escassez de rios e de grandes bacias hidrográficas.

d) falta de tecnologia para retirar o sal da água do mar.

e) degradação dos mananciais e desperdício no consumo.

3. A falta de água doce no planeta será, possivelmente, um dos mais graves


problemas deste século. Prevê-se que, nos próximos vinte anos, a quantidade
de água doce disponível para cada habitante será drasticamente reduzida.

Por meio de seus diferentes usos e consumos, as atividades humanas


interferem no ciclo da água, alterando:

a) a quantidade total, mas não a qualidade da água disponível no planeta.

b) a qualidade da água e sua quantidade disponível para o consumo das


populações.

c) a qualidade da água disponível, apenas no subsolo terrestre.

d) apenas a disponibilidade de água superficial existente nos rios e lagos.

e) o regime de chuvas, mas não a quantidade de água disponível no planeta.

4. Na música "Bye, bye, Brasil", de Chico Buarque de Holanda e Roberto


Menescal, os versos "puseram uma usina no mar / talvez fique ruim pra pescar"
poderiam estar se referindo à usina nuclear de Angra dos Reis, no litoral do
estado do Rio de Janeiro. No caso de tratar-se dessa usina, em funcionamento
normal, dificuldades para a pesca nas proximidades poderiam ser causadas:
a) pelo aquecimento das águas, utilizadas para refrigeração da usina, que
alteraria a fauna marinha.

b) pela oxidação de equipamentos pesados e por detonações que espantariam


os peixes.

c) pelos rejeitos radioativos lançados continuamente no mar, que provocariam


a morte dos peixes.

d) pela contaminação por metais pesados dos processos de enriquecimento do


urânio.

e) pelo vazamento de lixo atômico colocado em tonéis e lançado ao mar nas


vizinhanças da usina.

5.

FONTE: Disponível em: http://clickdigitalsj.com.br. Acesso em: 9 jul. 2009.


CRÉDITOS: Reprodução/ENEM, 2009.

FONTE: Disponível em: http://conexaoambientalzip.net/ images/charge.jpg.


Acesso em: 9 jul. 2009. CRÉDITOS: Reprodução/ENEM, 2009.

Reunindo-se as informações contidas nas duas charges infere-se que:

a) os regimes climáticos da Terra são desprovidos de padrões que os


caracterizem.

b) as intervenções humanas nas regiões polares são mais intensas que em


outras partes do globo.

c) o processo de aquecimento global será detido com a eliminação das


queimadas.

d) a destruição das florestas tropicais é uma das causas do aumento da


temperatura em locais distantes como os polos.

185

e) os parâmetros climáticos modificados pelo homem afetam todo o planeta,


mas os processos naturais têm alcance regional.

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.


1. (Udesc) Assinale a alternativa incorreta quanto aos biomas terrestres.

a) A taiga se localiza em regiões de clima frio, com invernos rigorosos; nela as


coníferas predominam.

b) Nos desertos predominam as savanas, cujos solos áridos permitem a rápida


decomposição da matéria orgânica.

c) Nos campos, devido à quantidade de chuvas intermediária entre o deserto e


a floresta, a vegetação que predomina é constituída por gramíneas.

d) As florestas tropicais são caracterizadas por uma vegetação que cresce o


ano todo, devido à luminosidade, temperatura elevada e chuvas frequentes.

e) A tundra se desenvolve no hemisfério norte; é caracterizada por plantas


herbáceas, como o capim, musgos e liquens.

2. (Unicamp-SP) Em zonas de altas montanhas, como no Himalaia, a


vegetação se desenvolve em diferentes altitudes, a que se associam variações
das condições de temperatura, umidade, exposição ao sol e ventos. Após
examinar a figura a seguir, assinale a alternativa correta a respeito da
distribuição da vegetação em relação à altitude.

FONTE: Adaptado de: www.prof2000.pt/users/elisabethm/geo7/climas.htm.


Acesso em: 1º out. 2012. CRÉDITOS: Reprodução/Unicamp, 2013.

a) Até 2.000 m, floresta temperada; de 2.000 a 3.000 m, floresta tropical; de


3.000 a 5.000 m, gramíneas; de 5.000 a 6.000 m, floresta de coníferas; acima
de 6.000 m, terreno coberto por gelo.

b) Até 2.000 m, floresta de coníferas; de 2.000 a 3.000 m, floresta temperada;


de 3.000 a 5.000 m, floresta tropical; de 5.000 a 6.000 m, gramíneas; acima de
6.000 m, terreno coberto por gelo.

c) Até 2.000 m, gramíneas; de 2.000 a 3.000 m, floresta de coníferas; de 3.000


a 5.000 m, floresta temperada; de 5.000 a 6.000 m, floresta tropical; acima de
6.000 m, terreno coberto por gelo.

d) Até 2.000 m, floresta tropical; de 2.000 a 3.000 m, floresta temperada; de


3.000 a 5.000 m, floresta de coníferas; de 5.000 a 6.000 m, gramíneas; acima
de 6.000 m, terreno coberto por gelo.
3. (UFV-MG) A escassez de água no mundo torna esse recurso um foco de
interesses internacionais e de conflitos. A água tem se transformado em arma
de guerra. De acordo com o poder dos diferentes grupos, ela se torna
propriedade cada vez mais privada e menos comum, gerando graves conflitos
distributivos.

Com base em conhecimentos sobre recursos hídricos e sua distribuição na


Terra, assinale a alternativa em que a bacia hidrográfica indicada apresenta
conflito:

a) Bacia do rio Nilo, envolvendo o Egito, o Sudão e a Etiópia.

b) Bacia Platina, envolvendo o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai.

c) Bacia do rio Jordão, envolvendo o Líbano, a Síria, Israel e a Jordânia.

d) Bacia do rio Reno, envolvendo a Alemanha, a França e os Países Baixos.

4. (Fatec-SP) Analise a seguinte descrição geral de um tipo de vegetação.

Ocorre em climas estacionais com períodos frios e quentes bem marcados. As


temperaturas de inverno podem chegar abaixo do ponto de congelamento. As
plantas são úmidas, com estrutura e composição distintas conforme a área de
ocorrência. A queda das folhas nas estações secas equilibra as plantas para
que elas, transpirando menos, consigam atravessar os períodos de escassez
de água. As árvores têm em geral 40-50 m de altura e possuem folhas
delgadas e largas, como os plátanos. É vegetação das mais destruídas do
mundo.

CONTI, J. B.; FURLAN, S. A. Geoecologia: o clima, os solos e a biota. São


Paulo: Edusp, 1996. Adaptado.

Assinale o nome do tipo de vegetação correspondente à descrição.

a) Floresta tropical semiúmida.

b) Vegetação mediterrânea.

c) Floresta temperada.

d) Savana tropical.

e) Floresta boreal.
186

5. (Uespi) Uma das principais atitudes que prejudicam as florestas é o


desmatamento. Metade das florestas do mundo, segundo estimativas
internacionalmente aceitas, já foi destruída. Entre as consequências principais
desse processo, podem ser citadas as seguintes, exceto:

a) enchentes dos rios.

b) diminuição da biodiversidade.

c) decréscimo do assoreamento dos canais fluviais.

d) proliferação de pragas e doenças.

e) empobrecimento dos solos.

6. (Fuvest-SP) A diversidade de vegetação que acontece em cada um dos


sistemas indicados no mapa se dá principalmente em relação às diferenças de:

FONTE: Adaptado de HUDSON, 1999. CRÉDITOS: Portal de Mapas/Arquivo


da editora

a) continentalidade.

b) longitude.

c) maritimidade.

d) idade geológica.

e) altitude.

7. (FGV-SP) O gráfico a seguir apresenta a relação entre duas variáveis


climáticas e os seis principais biomas do mundo.

FONTE: Eugene P. Odum. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. p. 351.

Considerando essa relação e as características dos biomas, assinale a


alternativa correta:

a) Nas tundras ártica e alpina, a baixa precipitação é o fator limitante para a


ocorrência do estrato arbóreo.

b) Nas florestas de coníferas, a baixa amplitude térmica anual funciona como


fator limitante para o desenvolvimento dos estratos arbustivos e herbáceos.
c) As florestas decíduas ocorrem em climas quentes e úmidos, e, por isso,
apresentam grande biodiversidade, se comparadas às demais formações
florestais.

d) Os desertos, que apresentam extensas áreas sem cobertura vegetal,


ocorrem somente em climas quentes e secos.

e) As florestas tropicais são mais limitadas em termos de distribuição pelo


gradiente de temperatura e apresentam diferentes estratos arbóreos.

8. (Ufam) Quanto à taiga siberiana, podemos afirmar que:

I. Floresta relativamente homogênea, na qual predominam pinheiros.

II. É a maior floresta do mundo.

III. É denominada, também, de floresta boreal e possui folhas largas


(latifoliadas) que regulam o metabolismo da transpiração nos períodos frios.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

a) I e II.

b) I e III.

c) II e III.

d) I, II e III.

e) Apenas a I.

9. (UEPB) Observe o gráfico da distribuição da água doce na superfície do


planeta.

Com base nos conhecimentos sobre o tema e o auxílio do gráfico, podemos


afirmar:

I. A distribuição desigual dos recursos hídricos é apenas uma face da


problemática escassez de água potável no mundo; o desequilíbrio entre sua
oferta e demanda passa também pela poluição dos grandes mananciais e
pelas possibilidades das populações pobres de terem acesso à água tratada.

II. A América do Sul, que sozinha detém quase 1/3 da água doce do planeta, se
configura como área estratégica. Mas também enfrenta problemas, como a
ambiguidade entre o desperdício e a escassez de abastecimento de água
potável entre as camadas de suas populações.

187

III. Os recursos hídricos estão equitativamente bem distribuídos por todos os


continentes e dentro deles a carência de acesso a esse bem renovável se dá
não por escassez, mas simplesmente por questões políticas, como no
Nordeste brasileiro e no Saara, onde o subsolo guarda grandes reservas de
água doce que poderiam abastecer as populações e desenvolver a agricultura
irrigada sem problema.

IV. As estatísticas da distribuição da água pelo planeta por si não revelam toda
a realidade de acesso, ou não, das populações a esse líquido, tal como ocorre
com a Ásia, que, embora detenha um dos maiores percentuais da água doce
do planeta, também detém a maior população, parte vivendo em pobreza
absoluta e alguns povos em áreas de escassez, onde o acesso à água é causa
de conflitos.

Estão corretas apenas as proposições:

a) I, II e III.

b) I, II e IV.

c) II, III e IV.

d) I, III e IV.

e) II e III.

10. (Vunesp-SP) A barragem de Pirapora do Bom Jesus localiza-se no rio


Tietê, a 50 km da capital paulista e a menos de 300 m da cidade de mesmo
nome. Observe as duas fotos:

LEGENDA DAS IMAGENS: Memórias de Pirapora do Bom Jesus. O Estado de


S. Paulo, 2003.

Assinale a alternativa que explica o maior volume de espuma provocado pela


queda-d'água da barragem no período de junho a agosto, e a origem da grande
quantidade de lixo que o rio transporta.

a) Verão; época mais chuvosa; resíduos da agricultura do município.


b) Inverno; estação mais seca; lixo da capital paulista.

c) Outono; estação um pouco mais fria; lixo das áreas urbanas e rurais
periféricas.

d) Primavera; predomínio de altas temperaturas; apenas lixo industrial da


própria cidade.

e) Ano todo; chuvas anuais bem distribuídas; lixo do aterro sanitário das
cidades da região.

Questões de vestibular

1. (Uerj) As florestas contribuem com a fixação de parte do carbono


atmosférico do planeta, amenizando o processo do aquecimento global. As
queimadas realizadas nessas formações vegetais, contudo, possuem o efeito
inverso, agravando esse processo.

FONTE: Adaptado de: Atlas do meio ambiente. Le Monde Diplomatique Brasil,


2007. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

- Identifique os dois tipos de formações florestais com maior potencial para


amenizar o aquecimento global. Em seguida, aponte uma característica das
espécies arbóreas encontradas em cada uma dessas duas formações.

Ícone: Não escreva no livro.

2. (Unicamp-SP) A Política Estadual de Recursos Hídricos, a partir de 1991,


determina, para o estado de São Paulo, a Bacia Hidrográfica como unidade
físico-territorial de planejamento, tendo os Comitês de Bacias como os órgãos
gestores. Considerando essa afirmação, responda:

a) O que é uma bacia hidrográfica? Que elementos topográficos compõem uma


bacia?

b) Aponte dois tipos de conflitos de uso da água numa unidade de bacia


hidrográfica.

188

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes
Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes que abordam o conteúdo
tratado nesta Unidade.

- A enseada (The Cove)

Direção: Louie Psihoyos. Estados Unidos, 2009, 92 minutos.

Denuncia a matança de golfinhos na costa do Japão e recebeu o Oscar de


melhor documentário em 2010.

- A Lei da água

Direção: André D'Elia. Brasil, 2014, 78 minutos.

Este documentário aborda o impacto do Novo Código Florestal Brasileiro


aprovado pelo Congresso em 2012. Nele se discute a importância das florestas
para a conservação dos recursos hídricos de nosso país e a responsabilidade
que temos nessa tarefa.

- Explorando a Amazônia

Direção: James Smith, Rob Sullivan e Matt Brandon. Bruce Parry


(documentarista). Inglaterra, 2009, 354 minutos. 3 DVDs.

Com imagens que vão da nascente do rio Ama zonas até a sua foz,
percorrendo mais de 6 mil quilômetros, temos um retrato da vida das pessoas
que moram na maior floresta tropical do mundo.

- Oceanos

Direção: Jacques Perrin e Jacques Cluzaud. França, 2009, 99 minutos.

Documentário sobre a vida oceânica e as mudanças ambientais.

- Planeta Água (dublado)

Direção: Arthus-Bertrand. França, 94 minutos.

Este documentário mostra as características dos oceanos e as riquezas da


água. As imagens são o ponto forte e realçam a beleza dos locais filmados.

Livros

Estes livros poderão elucidar e ampliar o assunto estudado.

- A água
José Galizia Tundisi e Takako M. Tundisi. São Paulo: Publifolha, 2005.

Nesta obra os autores apresentam a água como um recurso estratégico para a


humanidade e ainda mostram os usos desse recurso natural fundamental.

- A floresta tropical úmida

Henri Puig. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.

Uma obra completa que estuda a origem, as características e distribuição das


florestas tropicais, abordando sua inadequada utilização e desmatamento.

- Água: origem, uso e poluição

Samuel Murgel Branco. São Paulo: Moderna, 2012.

O livro trata das características, da poluição e das estratégias para a


preservação desse recurso fundamental para a vida na superfície terrestre.

- Água, pacto azul

Maude Barlow. São Paulo: M. Books, 2009.

A obra apresenta a crise hídrica mundial fundamentando-a sobre três aspectos:


poluição e uso indevido da água doce; água potável e não acessabilidade
desse recurso a toda humanidade; políticas e uso comercial da água.

- Meio ambiente e florestas

Emilio F. Moran. São Paulo: Senac, 2010.

É uma obra sobre a importância das florestas para a vida humana, destacando
os aspectos ecológicos e econômicos.

- Sustentabilidade dos oceanos

Sônia M. F. Giansella e Flávia M. P. Saldanha-Corrêa. São Paulo: Blucher,


2010.

Nesta obra, as autoras destacam a importância dos oceanos para a vida no


planeta e relatam os impactos sofridos e suas temíveis consequências.

Sites

Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte de pesquisa.


- www.unesco.org/new/en/natural-sciences/environment/ecological-
sciences/biospherereserves/

Site da Unesco, em inglês, no qual você encontra as principais reservas da


biosfera e suas características.

- www.unwater.org/

Site da ONU, em inglês, no qual você encontra estudos sobre o estado das
reservas hídricas do planeta.

189

unidade 6. A população mundial e a transformação do espaço

LEGENDA: Milhares de pessoas se deslocando em trens, em Dacca,


Bangladesh. Foto de 2015.

FONTE: Mohammad Asad/Corbis/Latinstock

A população mundial é a maior responsável pela transformação das esferas da


Terra e seus biomas, construindo o espaço geográfico. Por isso, o
conhecimento da população mundial é muito importante para que sejam
implantadas políticas sociais (educação, saúde, saneamento, habitação), de
modo que haja previsão da produção de alimentos e do consumo em geral,
bem como se evite a degradação nas relações da população com o meio
ambiente.

Na busca desse conhecimento, utilizamos a demografia, que explica variáveis


como a dinâmica do crescimento populacional, suas características, sua
estrutura e sua mobilidade (migrações).

190

capítulo 15. A população da Terra

LEGENDA: A diversidade étnico-cultural é a característica mais marcante da


população mundial, como você pode verificar nas imagens mostradas acima.

FONTE DAS IMAGENS: Frank May/dpa/Corbis/Latinstock, Kirstin Sinclair/Getty


Images, Patrick Aventurier/Getty Images, Jean-Sebastien Evrard/Agência
France-Presse, Nicolas José/hemis.fr/Alamy/Latinstock, Samuel Borges
Photography/Shutterstock, Tang Ming Tung/The Image Bank/Getty Images,
Paul Garnier Rimolo/Shutterstock, Filipe Frazao/Shutterstock, Hu
Liu/Cpressphoto/Corbis/Latinstock, Len44ik/Shutterstock, Kelleher
Photography/Alamy/Latinstock.

Crescimento demográfico ou populacional

O aumento da população de um lugar ou de um país em determinado período é


chamado crescimento demográfico ou populacional, e pode ser explicado por
dois fatores: o crescimento vegetativo e as migrações.

Crescimento demográfico é, portanto, o resultado da soma dos nascimentos


com as migrações, subtraindo-se as mortes, em determinado período. A
diferença entre o número de nascimentos e o de mortes, em determinado
período, é chamada crescimento vegetativo ou crescimento natural.

O crescimento demográfico está associado a alguns fatores, como taxa de


mortalidade, taxa de natalidade, taxa de fecundidade, mortalidade infantil,
expectativa de vida, que por sua vez dependem de condições de saúde,
educação e acesso a recursos naturais e econômicos das sociedades.

A relação entre o número de nascimentos ocorridos no período de um ano e o


total de habitantes de uma cidade, um estado, um país ou um continente define
a taxa de natalidade. Essa taxa é obtida multiplicando por 1.000 o número de
nascimentos ocorridos durante um ano e dividindo o resultado pelo número que
representa a população absoluta. Por exemplo, uma taxa de natalidade de
25‰ significa 25 nascimentos em um grupo de 1.000 pessoas.

191

A taxa de natalidade de uma população está ligada à taxa de fecundidade, isto


é, ao número de filhos por mulher em idade reprodutiva dessa população.

A relação entre o número de óbitos ocorridos em um ano e o número de


habitantes do lugar define a taxa de mortalidade, que é obtida ao se multiplicar
por 1.000 o número de óbitos ocorridos durante um ano e dividir o resultado
pelo número que representa a população absoluta. Por exemplo, uma taxa de
mortalidade de 10‰ significa 10 mortes em um grupo de 1.000 pessoas.

Calculando o crescimento vegetativo com base nos dados exemplificados


acima, temos:
CV = 25‰ - 10‰ = 15‰ ou 1,5%

O crescimento vegetativo pode ser positivo, negativo ou até mesmo nulo. É


positivo quando o número de nascimentos supera o de mortes, negativo
quando acontece o contrário e nulo quando não há excedentes nem de mortes
nem de nascimentos.

Relacionadas às taxas de mortalidade e de natalidade temos duas outras


importantes variáveis que também influem no crescimento da população: a taxa
de mortalidade infantil, que diz respeito ao número de crianças mortas antes de
completar o primeiro ano de vida, e a expectativa de vida, que se traduz pelo
número de anos que um recém-nascido poderá viver, isto é, o número de anos
que se espera que um habitante de determinado lugar ou país possa viver.
Para esse cálculo levam-se em conta vários fatores, como o acesso a saúde,
educação e lazer, a situação econômica e outros aspectos, como violência,
poluição e criminalidade.

Crescimento populacional em países desenvolvidos e não desenvolvidos

As variáveis responsáveis pelo crescimento demográfico apresentam diferentes


índices nos países desenvolvidos e nos não desenvolvidos. Nos países
desenvolvidos, as taxas de natalidade e de mortalidade começaram a diminuir
a partir do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, com a melhoria
das condições de saneamento básico e a descoberta de vacinas e antibióticos.

Mais tarde, os métodos anticoncepcionais, a urbanização e a participação cada


vez maior da mulher no mercado de trabalho também ajudaram a reduzir as
taxas de natalidade. A brusca queda do crescimento demográfico nos países
desenvolvidos trouxe, porém, um problema que os governantes até hoje tentam
solucionar: o grande encargo para a previdência social provocado pelo elevado
número de idosos.

Nos países não desenvolvidos e emergentes, as taxas de crescimento


demográfico só começaram a baixar na segunda metade do século XX. Graças
aos avanços médico-sanitários alcançados pelos países desenvolvidos e ao
uso de inseticidas que combatem agentes transmissores de doenças, eles
conseguiram reduzir as taxas de mortalidade.
A redução das taxas de natalidade ocorreu a partir do processo de urbanização
empreendido por muitas nações. Esse processo provocou transformações
sociais, como o trabalho familiar, o custo da criação dos filhos, o trabalho da
mulher e o surgimento de métodos anticoncepcionais.

Os países não desenvolvidos têm crescimento populacional alto e alguns


países desenvolvidos apresentam crescimento populacional baixo ou até
mesmo negativo. Veja a tabela abaixo.

Tabela: equivalente textual a seguir.

FONTE: CIA. The World Factbook 2015. Disponível em:


www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html. Acesso em:
10 nov. 2015.

LEGENDA: Em outubro de 2015, o governo da China revogou a lei do filho


único, permitindo aos casais terem dois filhos. Essa resolução foi tomada em
razão do envelhecimento da população chinesa. A lei entrou em vigor em 1º de
janeiro de 2016.

FONTE: Imaginechina/Corbis/Latinstock

192

Países emergentes como China (0,44) e Rússia (-0,3) apresentam baixo


crescimento demográfico por diferentes fatores. A China, em razão do rígido
controle populacional feito pelo governo, marcado pela política do filho único,
até 31 de dezembro de 2015 só era permitido ter um filho por família. A Rússia,
antigo país socialista, apresenta baixas taxas de natalidade e de mortalidade,
além de ter passado por um processo intenso de migração, quando houve a
dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e as
populações regressaram às suas terras de origem.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

População mundial vai crescer 53% e chegar a 11,2 bilhões em 2100, diz
relatório da ONU
Estudo demográfico prevê que a Índia vai ultra passar a China e se tornar o
país mais populoso até 2022.

A atual população mundial de 7,3 bilhões de pessoas vai alcançar a marca de


8,5 bilhões até 2030, e de 9,7 bilhões em 2050. Com esse ritmo, o planeta
deve chegar a 2100 com 11,2 bilhões de seres humanos, um cresci mento de
53% em relação ao presente. Essas previsões estão no relatório "Perspectivas
da População Mundial: a Revisão 2015", publicado [...] pela Organização das
Nações Unidas (ONU).

China e Índia continuarão como os países mais populosos, cada um


atualmente com cerca de 1 bilhão de pessoas (19% e 18% da população
mundial, respectivamente), mas o estudo, divulgado durante uma entrevista
coletiva na sede da ONU, em Nova York, diz que a Índia deve ultrapassar a
China até 2022.

Com a maior taxa de crescimento populacional, a África deve responder por


mais da metade do avanço demográfico de 2015 a 2050. Hoje, 41% das
pessoas no continente têm até 15 anos, e 19% têm de 15 a 24 anos. Também
de acordo com o relatório, metade do crescimento populacional do planeta nos
próximos 35 anos vai se concentrar em nove países: Índia, Nigéria, Paquistão,
República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos,
Indonésia e Uganda. Ou seja, países com alta taxa de fertilidade ou que já têm
grandes populações.

"Entender as mudanças demográficas que provavelmente vão ocorrer nos


próximos anos, assim como os desafios e oportunidades que elas apresentam
para o desenvolvimento sustentável, é importante para a implementação de
uma nova agenda de desenvolvimento", afirmou Wu Hongbo, secretário-geral
da ONU para Assuntos Econômicos e Sociais, sobre os resultados apontados
no relatório.

Atualmente, dos dez países mais populosos do mundo, um está na África


(Nigéria), cinco na Ásia (Bangladesh, China, Índia, Indonésia e Paquistão), dois
na América Latina (Brasil e México), um na América do Norte (EUA) e um na
Europa (Rússia). Sétima maior população do mundo, a Nigéria é o país que
apresenta maior ritmo de crescimento, e deve ultrapassar os EUA até 2050,
ocupando a terceira posição entre os mais populosos.

Até 2050, segundo o estudo, a população dos 28 países africanos deve crescer
em mais de 100%. Até 2100, pelo menos dez dessas nações observarão um
avanço demográfico de mais de cinco vezes. São elas: Angola, Burundi,
República do Congo, Malauí, Mali, Níger, Somália, Uganda, República Unida
da Tanzânia e Zâmbia.

O crescimento da África será puxado por sua atual população de jovens, que
vão chegar à idade adulta nos próximos anos e começarão a ter filhos,
garantindo o papel central do continente no crescimento e na distribuição da
população mundial nas próximas décadas.

O relatório aponta ainda que as futuras taxas de crescimento populacional


dependem dos caminhos que os comportamentos de fertilidade irão tomar, já
que pequenas mudanças quando projetadas nas próximas décadas podem
gerar grandes diferenças na população total do planeta. Nos últimos anos, a
taxa de fertilidade do mundo vem se reduzindo em praticamente todas as áreas
do mundo, mesmo na África.

O GLOBO. Disponível em:


http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/populacao-mundial-vai-
crescer-53-chegar-112-bilhoes-em-2100-diz-relatorio-da-onu-
17003177#ixzz3hbh09uw9. Acesso em: 10 nov. 2015.

LEGENDA: Rua movimentada em Adis-Abeba, capital da Etiópia. Foto de


2015.

FONTE: Thomas Imo/Photothek/Getty Images

Fim do complemento.

193

Fases de crescimento da população mundial

Como o ritmo do aumento da população mundial não é uniforme, podemos


distinguir algumas fases, caracterizadas por diferentes dinâmicas:

1ª fase: Crescimento lento.


Período: IV a.C. até o início do século XVII (Revolução Comercial).

Havia altas taxas de natalidade, mas as taxas de mortalidade eram elevadas,


em razão das guerras e das epidemias. Por isso, a população crescia pouco.

2ª fase: Crescimento acelerado.

Período: 1800 a 1950.

Caracterizado por elevadas taxas de natalidade; os avanços na Medicina


começavam a reduzir o número de mortes.

O crescimento foi mais rápido: em um século a população mundial dobrou.

3ª fase: Explosão demográfica.

Período: de 1950 a 1980.

Nesse período ocorreu o êxodo rural, saída da população do campo para a


cidade. As taxas de natalidade continuaram altas; graças à melhoria das
condições médico-sanitárias, a mortalidade foi reduzida. Em trinta anos, a
população mundial dobrou mais uma vez. Nesse período se acentuou a
diferença na dinâmica demográfica dos países desenvolvidos e dos não
desenvolvidos, cujas populações cresceram em ritmo mais acelerado.

4ª fase: Transição demográfica, caracterizada pela diminuição das taxas de


natalidade, em razão de fatores como a descoberta de métodos
anticoncepcionais e a manutenção de baixas taxas de mortalidade. O resultado
foi um crescimento mais lento do que o do período anterior.

Observe atentamente o gráfico abaixo.

FONTE: Adaptado de: ONU. Department of Economic and Social Affairs. World
Population Prospects. Disponível em: http://esa.un.org/wpp/Other-
Information/faq.htm. Acesso em: 26 jan. 2013. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Ao analisarmos esse gráfico, fica evidente o extraordinário crescimento da


população mundial no século XX.

De 1800 a 1998, o número de habitantes da Terra passou de 1 bilhão para 6


bilhões e, de 1998 a 2011, saltou para 7 bilhões. O aumento foi maior a partir
da década de 1950 (cerca de 150%), sendo que as maiores taxas de
crescimento anual ocorreram na década de 1960 (2,04% ao ano).

Da década de 1980 para o ano de 2011, houve uma redução das taxas de
fecundidade de 4,9 para 2,5 filhos por mulher, o que resultou em uma menor
taxa de crescimento populacional: 1,2%. Mesmo assim, as previsões são de
que a população mundial continuará crescendo, porque 1,2% dos mais de 7
bilhões de pessoas é uma quantidade considerável. Calcula-se que, próximo
ao ano de 2050, teremos ultrapassado os 9 bilhões de habitantes na Terra.

Outro fato que fica evidente no gráfico é que, principalmente após a década de
1950, esse crescimento populacional foi muito maior nos países não
desenvolvidos do que nos desenvolvidos.

Teorias demográficas

Algumas teorias tentam explicar o crescimento populacional. Entre elas,


destacam-se a teoria malthusiana, a neomalthusiana e a reformista ou
marxista.

Teoria malthusiana

Segundo a teoria elaborada pelo economista inglês Thomas Malthus (1776-


1834), a população mundial cresceria aceleradamente, em progressão
geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, ...), e a produção de alimentos cresceria em ritmo
lento, comparado a uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, ...).

194

Assim, em determinado momento, não haveria alimento para todos os


habitantes da Terra. As maiores contestações a essa teoria eram as de que, na
realidade, ocorre grande concentração de alimento nos países ricos e,
consequentemente, má distribuição nos países pobres. Em nenhum momento,
porém, a população cresceu conforme a previsão de Malthus.

Teoria neomalthusiana

Elaborada após a Segunda Guerra Mundial (1939 -1945), argumentava que, se


o crescimento demográfico não fosse contido, os recursos naturais da Terra se
esgotariam em pouco tempo. Por esse motivo, foi sugerida uma rigorosa
política de controle da natalidade nos países não desenvolvidos, que envolvia
um planejamento familiar.

Os seguidores dessa teoria creditavam ao crescimento populacional a pobreza


dos países não desenvolvidos. Para contestá-la, foi proposto que se
melhorassem as condições de vida das populações menos favorecidas e
também a distribuição de renda, permitindo a essas populações maior acesso
ao mercado de trabalho.

Teoria reformista ou marxista

Diverge das teorias malthusiana e neomalthusiana. Os reformistas atribuem


aos países ricos ou desenvolvidos a responsabilidade pela intensa exploração
imposta aos países não desenvolvidos, que resultou em excessivo crescimento
demográfico e pobreza generalizada. Defendem a adoção de reformas
socioeconômicas para superar os graves problemas. A redução do crescimento
demográfico seria consequência dessas reformas.

Estrutura da população mundial

O estudo da estrutura de uma população envolve a distribuição dos habitantes


por idade, sexo e população que trabalha (população economicamente ativa),
dividida pelos setores econômicos, e pode revelar dados importantes sobre a
realidade socioeconômica de um país.

LEGENDA: Jovens voluntários no Festival da Juventude, em Telavive, Israel,


em 2014.

FONTE: Divulgação/ONU/UNFPA

Idade e gênero

O estudo da estrutura etária de um país é muito importante para a implantação


de políticas governamentais.

Por exemplo, uma população com elevada taxa de crescimento demográfico


contará com maior número de jovens e crianças. Por outro lado, países cuja
população cresce pouco, ou têm crescimento negativo de população, possuem
muitos idosos. Essas diferenças também se refletem na constituição da
população ativa, na expectativa de vida e nas necessidades do mercado de
trabalho.
O gráfico que representa a estrutura de gênero e idade de uma população é a
pirâmide etária. Cada metade da pirâmide representa um sexo; a base
representa o grupo jovem (até 19 anos); a área intermediária, o grupo adulto
(entre 20 e 59 anos); e o topo ou ápice, a população idosa (acima de 60 anos).

Veja a seguir a pirâmide etária da população mundial.

FONTE: Adaptado de: CIA. The World Factbook 2015. Disponível em:
www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html. Acesso em:
10 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

195

Na população mundial podemos notar um equilíbrio entre o número de homens


e o de mulheres, com um pequeno predomínio dos homens. Como você pode
ver na tabela abaixo, os homens são maioria (50,4%), principalmente nas
faixas etárias até 54 anos, perdendo para as mulheres nas idades mais
avançadas. Isso acontece porque nascem mais meninos do que meninas, mas
as mulheres têm expectativa de vida mais alta.

Tabela: equivalente textual a seguir.

População mundial: gênero por faixa etária

Faixa etária Homens Mulheres

Menor de 14 anos 956.360.171 893.629.520

15-24 anos 613.806.639 577.904.561

25-54 anos 1.478.739.525 1.447.244.791

55-64 anos 298.092.946 312.206.795

Maior de 65 anos 265.453.689 331.172.947

Total 3.721.482.970 3.562.158.614


FONTE: CIA. The World Factbook 2015. Disponível em:
www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html. Acesso em:
10 nov. 2015.

Podemos notar também que existe um predomínio de jovens de até 24 anos,


embora a média da população mundial seja de 29,6 anos.

LEGENDA: Jovens em aula de dança, no município de Sorocaba (SP), em


2016.

FONTE: Paulo Ochandio/Arquivo da editora

Também podemos perceber que aproximadamente 9 entre 10 pessoas na faixa


etária de 10 a 24 anos vivem em países não desenvolvidos, em razão das altas
taxas de natalidade e do elevado crescimento populacional que esses países
apresentam. Veja o mapa a seguir.

FONTE: Adaptado de: UNITED NATIONS POPULATION FUND (UNFPA).


State of World Population 2014. Disponível em:
www.unfpa.org/sites/default/files/pub-pdf/EN-SWOP14-Report_FINAL-web.pdf.
Acesso em: 10 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

196

Uma tendência mundial é o aumento da população com mais de 60 anos.


Outro fato que chama a atenção é o crescimento do segmento de pessoas com
mais de 80 anos. A população mundial, apesar do grande número de jovens,
está envelhecendo. Observe o gráfico a seguir.

FONTE: Adaptado de: ONU. United Nations/Department of Economic and


Social Affairs. Population Division. World Population Ageing - 1950-2050.
Disponível em:
www.un.org/esa/population/publications/worldageing19502050/pdf/90chapteriv.
pdf. Acesso em: 10 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da
editora

Isso acontece porque a estrutura etária da população mundial mudou nos


últimos anos em razão do aumento da expectativa de vida e da diminuição das
taxas de natalidade, consideradas de modo geral.
As pessoas estão vivendo mais e melhor, e o envelhecimento da população
mundial tem sido objeto de avaliação e estudo pela Divisão de População da
ONU. Esses estudos permitem reconhecer o papel dos idosos na sociedade:
essa população contribui com sua experiência para assumir papéis importantes
no mercado de trabalho, transmitindo conhecimento e ao mesmo tempo
usufruindo dos direitos estabelecidos pela Constituição.

LEGENDA: Guiomar Lopes, coordenadora-geral de Políticas para os idosos da


Prefeitura de São Paulo (em 2016), falando no 4º Seminário Contra a Violência
ao Idoso, realizado em São Paulo (SP), em 2015.

FONTE: Ricardo Bastos/Fotoarena

Como o número de pessoas com mais de 60 anos está aumentando, há um


crescimento mundial da população em terceira idade: a expectativa é de que o
número de pessoas com 60 anos ou mais deverá dobrar em todo o mundo até
2050, e triplicar até 2100. Na Europa, os idosos devem passar a representar
34% da população do continente nos próximos 35 anos. Já na África, que
possui a população mais jovem do planeta, a representatividade daqueles com
60 anos ou mais deve saltar de 5%, atualmente, para 9% nesse mesmo
período.

Diferentes pirâmides etárias

Países desenvolvidos, emergentes e não desenvolvidos costumam apresentar


estruturas populacionais diferentes.

O formato da pirâmide etária de um país considera fundamentalmente as taxas


de natalidade e de mortalidade da população. Encontramos países com altas
taxas de natalidade (não desenvolvidos) e países que apresentam taxas de
crescimento vegetativo muito baixas ou nulas (desenvolvidos). Portanto, temos
dois tipos básicos de pirâmide etária: a pirâmide de países não desenvolvidos e
a pirâmide de países desenvolvidos. Veja a seguir um exemplo de cada um
desses tipos.

LEGENDA: Observe que esta pirâmide de um país desenvolvido apresenta a


base estreita, em razão das baixas taxas de natalidade; a parte central mais
larga, por causa das baixas taxas de natalidade e de mortalidade; e o topo
também largo, em razão da elevada expectativa de vida da população.
FONTE: Adaptado de: UNITED NATIONS CENSUS BUREAU. Disponível em:
www.census.gov/population/international/data/idb/region.php?N=%20
Results%20&T=12&A=separate&RT=0&Y=2015&R=-1&C=IT. Acesso em: 10
nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

197

LEGENDA: A pirâmide de países não desenvolvidos apresenta a base larga,


por causa das altas taxas de natalidade; a parte central afunilada, em razão
das altas taxas de mortalidade; e o topo estreito, em decorrência da baixa
expectativa de vida.

FONTE: Adaptado de: UNITED NATIONS CENSUS BUREAU. Disponível em:


www.census.gov/population/international/data/idb/region.php?N=%20Results%
20&T=12&A=separate&RT=0&Y=2015&R=-1&C=IV. Acesso em: 10 nov. 2015.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Entre os dois tipos básicos de pirâmide etária, encontramos uma situação


intermediária: países cuja população está em transição para a fase adulta ou
madura, por exemplo, Brasil, México e China. Veja a pirâmide abaixo.

LEGENDA: A pirâmide etária de países em fase de transição mostra uma


situação intermediária, isto é, a base já é mais estreita (redução das taxas de
mortalidade infantil e de natalidade), mas o topo ainda afunila bastante, embora
menos que o das pirâmides de país não desenvolvido.

FONTE: Adaptado de: UNITED NATIONS CENSUS BUREAU. Disponível em:


www.census.gov/population/international/data/idb/region.php?N=%20Results%
20&T=12&A=separate&RT=0&Y=2015&R=-1&C=CH. Acesso em: 10 nov.
2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

A representação gráfica da pirâmide etária de países em fase de transição


reflete uma situação diferente: a base é mais estreita do que o corpo da
pirâmide, porque a taxa de natalidade foi reduzida e o número de adultos (entre
19 e 59 anos) já compõe a maior parte da população do país; o topo é mais
estreito do que a base, porque o número de idosos ainda não é tão grande. No
entanto, com o passar do tempo e o aumento da expectativa de vida, esse
número deverá ficar cada vez maior, o que fará aumentar o topo da pirâmide.
Pela leitura das pirâmides etárias, é possível conhecer a realidade
socioeconômica dos países e fazer algumas inferências. Uma população com
muitos jovens demanda elevados investimentos em educação, e outra com
grande número de idosos exige grandes investimentos em previdência social e
saúde.

A composição etária também determina a proporção de população


economicamente ativa de um país. Quanto maior o número de crianças, jovens
e idosos, menor será a população economicamente ativa.

População Economicamente Ativa (PEA)

A População Economicamente Ativa (PEA) é composta de pessoas que têm


ocupação remunerada. Os que não exercem atividade remunerada - crianças,
aposentados, idosos, mulheres que cuidam apenas do lar - constituem a
População Economicamente Inativa (PEI). São consideradas Pessoas em
Idade Ativa (PIA), ocupadas ou não, aquelas que se encontram na faixa etária
entre 14 e 65 anos.

A população que trabalha mantém a população inativa. A relação entre as


faixas inativas e a PEA é chamada taxa de dependência e expressa o ônus de
jovens e idosos para a população economicamente ativa.

A distribuição da PEA pelos setores de atividade econômica apresenta


diferenças entre os países desenvolvidos e os não desenvolvidos.

Nos países desenvolvidos existe uma concentração maior de trabalhadores no


setor terciário, que abrange as áreas de informática, a mídia, os serviços e o
comércio em geral. A concentração nesse setor já é verificada também nos
países emergentes. O setor primário, que reúne as atividades extrativistas e
agropecuárias, perde cada vez mais funcionários para a mecanização do
campo; e o setor secundário, que compreende as atividades industriais de
modo geral, está ocupando menor número de trabalhadores, em razão do uso
intensivo de máquinas e robôs.

198
As grandes companhias transnacionais também contribuem com essa situação,
ao transferirem suas unidades produtivas para outros lugares, fechando vários
postos de trabalho nos países desenvolvidos.

Muitos países não desenvolvidos e não industrializados ainda apresentam uma


elevada PEA no setor primário. Podemos citar como exemplos: Libéria (70%),
Malauí (90%), Chade (80%), Guatemala (38%), Honduras (39,2%), segundo
dados do The World Factbook, publicado pela Central Intelligence Agency
(CIA). De acordo com essa fonte, vemos que até alguns emergentes, como
Índia (49%) e China (33,6%), apresentam elevado índice de população rural,
principalmente se considerarmos que esses índices são calculados sobre
populações de mais de um bilhão de habitantes. Na maior parte dos países não
desenvolvidos, o processo de urbanização não foi efetivamente acompanhado
pela geração de empregos nos setores secundário e terciário. Esse fato criou
uma grande massa de trabalhadores subempregados, como os camelôs, os
vendedores ambulantes, os guardadores de vagas de carros e os limpadores
de para-brisas, que fazem parte da economia informal.

Glossário:

Subemprego: emprego não qualificado, de remuneração muito baixa e sem


vínculo empregatício.

Economia informal: compreende atividades que estão à margem da


formalidade. Não há registro de empregados nem pagamento de impostos.
Quem trabalha na economia informal "não existe" para a legislação trabalhista
e fiscal.

Fim do glossário.

LEGENDA: Vendedores ambulantes em rua da região central do município de


São Paulo (SP), em 2015.

FONTE: Andre M. Chang/Arduopress/Alamy/Latinstock

Distribuição da população mundial

Observe atentamente o mapa abaixo. Nele é possível constatar que a


distribuição da população na superfície da Terra é bastante desigual: o
hemisfério norte apresenta uma população muito mais numerosa, pois
concentra a maior parte das áreas dos continentes americano, africano,
asiático, além de todo o continente europeu.

FONTE: Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática,
2013. p. 34. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

199

Dentro dos próprios continentes existem áreas muito populosas e bastante


povoadas e áreas praticamente despovoadas. Um exemplo dessa distribuição
tão desigual é o fato de apenas dois países (China e Índia) reunirem cerca de
35% da população mundial.

A concentração da população mundial em determinadas áreas pode ser


explicada por fatores naturais, históricos e econômicos.

- Fatores naturais: algumas áreas, como os desertos, as regiões montanhosas


e as regiões polares, são pouco povoadas porque representam um meio
natural pouco propício para as atividades humanas. Por sua vez, meios
naturais com planícies férteis, áreas próximas do litoral ou vale de rios são
fatores de atração populacional.

- Fatores históricos: regiões de povoamento muito antigo, como o Extremo


Oriente e a Europa, são mais ocupadas do que as de povoamento recente.
Muitas áreas foram ocupadas em razão da expansão geográfica de grandes
impérios (Romano, Otomano, etc.) ou de levas de perseguidos políticos e
religiosos que saíram à procura de outro local para viver (diáspora judaica).

- Fatores econômicos: a procura por melhores condições de vida e o


desenvolvimento de novas atividades econômicas em determinadas áreas, em
certos momentos, explicam o aumento da população causado principalmente
pelos movimentos migratórios. As áreas urbanizadas e industrializadas
funcionam como polo de atração de população, como ocorreu, na região
Sudeste do Brasil, durante o processo de industrialização do país, na segunda
metade do século XX.

LEGENDA: Chegada de migrantes nordestinos na cidade de São Paulo (SP),


em imagem de 1958.

FONTE: Reynaldo Ceppo/Agência Estado


População absoluta e população relativa

População absoluta é o número total de habitantes de um lugar ou de um país,


sem considerar sua superfície ou área territorial. Dividindo a população
absoluta de um lugar ou de um país por sua superfície ou área territorial, em
quilômetros quadrados, obteremos a densidade demográfica ou população
relativa. Os países com maior população absoluta são populosos e os que têm
as maiores densidades demográficas são países povoados.

Veja, nas tabelas abaixo, quais são os países mais populosos e os mais
povoados do mundo.

Tabela: equivalente textual a seguir.

Países mais populosos

Países População

China 1,3 bilhão

Índia 1,2 bilhão

Estados Unidos 321,3 milhões

Indonésia 255,9 milhões

Brasil* 204,4 milhões

FONTE: CIA. The World Factbook 2015. Disponível em:


www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html. Acesso em:
10 nov. 2015. Brasil: * IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) 2013. Disponível em:
www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2013/de
fault.shtm. Acesso em: 10 nov. 2015.

Tabela: equivalente textual a seguir.

Países mais povoados


Países Habitantes/km2

Mônaco 24.728,20

Cingapura 7.436,30

Bahrein 1.803,30

Malta 1.338,60

FONTE: ONU. The World Population Prospect 2012. Disponível em:


http://esa.un.org/unpd/wpp/Excel-Data/population.htm. Acesso em: 10 nov.
2015.

População rural e população urbana

A população mundial se distribui em domicílios rurais (campo) e urbanos


(cidades). A Revolução Industrial, na metade do século XVIII, foi o principal
fator do grande aumento da população das cidades em relação ao campo.

200

Em termos globais, a população urbana demorou a ultrapassar a população


rural, mesmo tendo atingido altos índices em vários países. Alguns países,
como Mônaco, Cingapura e Vaticano, são formados por uma só cidade e
apresentam 100% de população urbana.

Estudaremos o processo de urbanização no mundo no Capítulo 17 desta


Unidade.

Diversidades culturais da população mundial

Denominamos cultura o conjunto de valores, instituições, tecnologia, tradições,


língua e religião característicos de um grupo social. Os traços culturais são
transmitidos de geração a geração e podem ser modificados no decorrer dessa
transmissão. Entre os elementos marcantes de uma cultura podemos destacar
a língua e a religião.

Línguas e religiões
A forma de expressão de um povo com suas manifestações escritas (por meio
de caracteres) e orais (por meio de sons) constitui a sua língua. Os Estados-
Nações adotam línguas nacionais ou oficiais, o que não impede que existam
línguas locais dentro de um mesmo Estado-Nação. Alguns países são
oficialmente bilíngues, isto é, adotam duas línguas oficiais. É o caso do
Canadá, onde oficialmente se falam inglês e francês (heranças coloniais). Por
vezes, a língua oficial assume características próprias em certas regiões do
país, formando dialetos, muito comuns na Itália e na França, por exemplo.

Algumas línguas são adotadas por mais de um país. Isso se deve ao


movimento colonial que levou as línguas francesa, inglesa, espanhola,
holandesa e portuguesa para diferentes partes do mundo.

Atualmente o inglês é a língua mais difundida no mundo, não só porque é o


idioma oficial de 58 países, mas pela importância político-econômica assumida
pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mun dial em âmbito global.

Nos últimos anos, com o crescente papel da Ásia na economia mundial, outras
línguas têm adquirido importância, como o mandarim (China) e o japonês.

De modo geral, na atualidade podemos considerar a influência de algumas


grandes civilizações: ocidental (greco-romana), islâmica, oriental (China,
Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão), indiana (hindu) e negro-
africanas (tribais).

A diversidade de civilizações envolve também as diferenças religiosas. Na


civilização ocidental predominam as religiões cristãs - o catolicismo romano e o
ortodoxo e o protestantismo -, além do judaísmo, em razão da diáspora do
povo judeu. O budismo, o taoismo e o confucionismo são as principais
filosofias religiosas da civilização oriental. A religião fundada por Maomé, o
islamismo, dá nome à civilização onde ela predomina: a civilização islâmica. A
civilização indiana tem como ponto forte o hinduísmo, corrente religiosa e
filosófica cujos princípios estão expressos em seu livro sagrado Vedas. As
religiões animistas (baseadas na divinização das forças da natureza) são a
marca das civilizações negro-africanas, apesar da grande expansão do
islamismo no continente.

Glossário:
Taoismo: doutrina mística e filosófica criada por Lao-tsé, na China, no século
VI a.C.

Confucionismo: sistema filosófico chinês criado por Kung-fu-tze (Confúcio).

Fim do glossário.

LEGENDA: Mesquita de Hazrat-e Masumeh, na cidade de Qom, no Irã. Foto de


2015.

FONTE: Jose Fuste Raga/Corbis/Latinstock

201

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Leia o texto de um demógrafo português que estuda a população, seus


movimentos e suas características. Se achar necessário, pesquise sobre o
assunto para fazer o que se pede.

A totalidade dos países desenvolvidos encontra-se na última fase da transição


demográfica, e em alguns países desenvolvidos já se entrou numa fase a que
se começa chamar de pós-transição, devido ao fato de seu nível de
fecundidade não garantir a substituição das gerações e de o número de óbitos
ser superior ao número de nascimentos.

NAZARETH, Manuel. Demografia: a ciência da população. Bacarena:


Presença, 2010. p. 41.

a) Indique dois países, e seus respectivos continentes, onde o número de


óbitos supera o número de nascimentos.

b) Explique uma consequência decorrente do contexto descrito anteriormente.

2. Analise a tabela e o texto a seguir.

Tabela: equivalente textual a seguir.

FONTE: CIA. The World Factbook 2015. Disponível em:


www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/xx.html. Acesso em:
10 nov. 2015.

Demografia explosiva
Atualmente a África é uma das únicas regiões do mundo que desafia a
chamada lei da transição demográfica. Ou seja, os africanos continuam
crescendo em ritmo acelerado, numa época em que o restante do mundo
marcha para um incremento inferior a 2% ao ano. [...] A natalidade
descontrolada compensa, com sobra, catástrofes, como a fome, as guerras e a
disseminação de epidemias, sobretudo a Aids, que tem sido um perverso
redutor populacional, ceifando milhões de vidas a cada ano.

OLIC, Nelson Bacic; CANEPA, Beatriz. África: terra, sociedades e conflitos.


São Paulo: Moderna, 2010. p. 18.

Após a leitura da tabela e do texto, faça o que se pede.

a) Compare as taxas entre os países desenvolvidos e os não desenvolvidos e


elabore suas conclusões.

b) Caracterize o período de transição demográfica.

c) Como se deu a transição demográfica em países desenvolvidos? Dê


exemplos de países não desenvolvidos que realizaram a transição
demográfica.

d) Justifique o grande crescimento demográfico da África.

3. Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Leia com atenção


os textos propostos.

Texto 1

[...] além da biodiversidade, não se pode deixar de lado a diversidade cultural,


uma das grandes riquezas da humanidade e motor das futuras mudanças que
possibilitarão outro diálogo com o mundo natural. É a diversidade cultural que
permite o surgimento de novas expressões artísticas e de diferentes maneiras
de se relacionar com a vida em seu sentido mais amplo. É ela que permite
apreciar e aceitar o estranho, o diferente, com seus conhecimentos e suas
virtudes, bem como com seus defeitos e fraquezas. Essa aceitação do outro
pode apaziguar conflitos cuja origem são as tradições e os elementos de
identidade de um grupo.

BARROS, Henrique Lins de. Biodiversidade e renovação da vida. Rio de


Janeiro: Fiocruz, 2011. p. 25.
Texto 2

O cinema falado é o grande culpado

Da transformação dessa gente que sente

Que um barracão prende mais que um xadrez [...]

Amor, lá no morro, é amor pra chuchu,

As rimas do samba não são "I love you".

e esse negócio de "alô, alô, boy", "Alô Johnny",

só pode ser conversa de telefone.

ROSA, Noel. Não tem tradução (1933). Songbook Noel Rosa. Lumiar, 1991.

- Analise o texto 1 e a canção descrita no texto 2. Depois, escreva um texto


procurando relacionar a ideia de diversidade cultural expressa pelo autor do
texto 1 com a que aparece na canção de Noel Rosa. Leve em conta no seu
texto os assuntos abordados no capítulo.

202

capítulo 16. Migrações: diversidade e desigualdade

LEGENDA: Voluntários ajudam refugiados sírios a desembarcar em sua


chegada à costa da ilha de Lesbos, na Grécia, depois de atravessar o mar
Egeu, vindos pela rota da Turquia, em dezembro de 2015.

FONTE: Ozge Elif Kizil/Anadolu/Getty Images

Movimentos migratórios

A população movimenta-se pelo espaço geográfico dentro de um mesmo país


e, muitas vezes, atravessando oceanos e mudando de continente. Esses
movimentos horizontais da população são chamados movimentos migratórios,
que compreendem a imigração (entrada de pessoas em uma região ou país) e
a emigração (saída de pessoas de uma região ou país). Quando acontecem
dentro de um país, as migrações são internas; quando se processam de um
país para outro, são migrações internacionais.

Migrações internacionais
Em 2013, segundo estimativa da Divisão de População da Organização das
Nações Unidas, havia 232 milhões de imigrantes internacionais. Esse número
constituiria o 5º "país" mais populoso do mundo. Desse número, 59% viviam
nas regiões desenvolvidas e 48% eram mulheres. Veja o mapa e o gráfico a
seguir.

203

FONTE: Adaptado de: WENDEN, Catherine W. de. Atlas des migrations: un


équilibre mondial à inventer. Paris: Éditions Autrement, 2012. p. 10-11.
CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: ONU. Divisão de População da Organização das


Nações Unidas. Disponível em: www.un.org/en/development/desa/population/
publications/pdf/migration/migrationreport2013/Full_Document_final.pdf.
Acesso em: 10 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Quando as pessoas procuram outro país para viver que não seja aquele onde
nasceram, elas o fazem por vários motivos. As desigualdades de renda, a
pobreza, o desemprego, as guerras e a fome foram as principais causas dos
movimentos migratórios na última década do século XX e na primeira década
do século XXI.

Praticamente o mundo todo convive com a pobreza e o desemprego, mas sem


dúvida esse problema se agrava nos países não desenvolvidos. Aliados às
questões de pobreza e desemprego os conflitos étnico-religiosos e as guerras
internas fazem com que muitos de seus habitantes procurem fugir dessas
situações em busca de novas oportunidades em outros países, às vezes nos
vizinhos ou nos mais ricos.

Essa movimentação, na segunda década do século XXI, apresenta duas rotas


bem definidas: uma do mundo não desenvolvido para o desenvolvido
(migrações Sul-Norte) e outra dentro do mundo não desenvolvido (migrações
Sul-Sul).

No mundo globalizado, nessas duas rotas, podemos considerar migrações por


motivos religiosos, políticos e econômicos.

204
Migrações por motivos religiosos e políticos: refugiados e IDPs

Atualmente, grande parte dos imigrantes pertence a um grupo especial: os


refugiados e os IDPs. Mas quem são eles?

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur, em


português; UNHCR, em inglês), agência da ONU, define como refugiados
"pessoas que saem de seu país de origem (podendo ou não regressar) porque
correm o risco de serem mortas por perseguições religiosas, políticas e raciais".
Esse órgão foi criado em 1951 para tentar solucionar essa situação, que é uma
das grandes tragédias da atualidade.

Os IDPs (Internally Displaced Persons, ou "deslocados internos") são pessoas


que sofrem perseguições ou ameaças dentro de seu próprio país sem poder
contar com a proteção do governo. É o grupo de imigrantes que mais cresce no
mundo.

Existe, portanto, uma diferença entre refugiado e deslocado interno. Quando


um civil ameaçado em seu país cruza a fronteira e recebe asilo e ajuda
internacional, torna-se um refugiado. Quando uma pessoa em circunstâncias
semelhantes é deslocada dentro do próprio país para sua segurança, torna-se
um IDP. Nesse caso, a assistência ou ajuda a essas pessoas pelo Acnur torna-
se difícil.

O Alto Comissariado realiza as seguintes tarefas:

- providencia asilo a refugiados que não querem voltar ao seu país de origem;

- ajuda os refugiados que decidem retornar ao seu país depois que a situação
se acalma;

- consegue recolocação para refugiados que não podem regressar ao seu país
de origem;

- presta auxílio aos chamados "deslocados internos".

No final de 2013, mais de 42,8 milhões de pessoas estavam sob a proteção do


Acnur, representando cerca de 21% dos migrantes no mundo.
Entre os migrantes que se exilam por motivos políticos, há os que não
possuem nacionalidade ou cidadania. Essa condição é denominada apátrida,
ou seja, quando o elo legal entre o Estado e um indivíduo deixa de existir.

Embora, em tese, os direitos humanos sejam válidos para todos, aos apátridas
pode ser negado o acesso à educação, aos serviços de saúde e ao emprego.

Dada a seriedade do problema, em 1954 a ONU adotou a Convenção Sobre o


Estatuto dos Apátridas, pela qual "é preciso garantir aos apátridas o
aproveitamento mais amplo possível dos seus direitos humanos e regular sua
condição".

Esse assunto vem sendo discutido desde a Convenção para Redução dos
Casos de Apatridia, de 1961. Segundo o Acnur, em 2015 havia cerca de 10
milhões de pessoas na condição de apátrida em todo o mundo.

FONTE: Adaptado de: REKACEWICZ, Philippe. Le monde diplomatique.


Disponível em: www.monde-diplomatique.fr/cartes/arcdesrefugies. Acesso em:
10 nov. 2015. CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo da editora

205

Migrações por motivos econômicos

A maior parte das correntes migratórias ocorre por motivos econômicos. Por
isso, as migrações internacionais no mundo globalizado realizam-se de regiões
não desenvolvidas para outras mais desenvolvidas - e mesmo em direção aos
países emergentes.

Os migrantes, além de procurar uma vida mais digna, costumam enviar


dinheiro aos parentes que ficaram ou aos bancos de seu país de origem. Em
consequência, contribuem com seu trabalho no país em que foram acolhidos e
também movimentam a economia do seu lugar de origem.

Segundo o Banco Mundial, as remessas em dinheiro feitas por esses migrantes


passaram de US$ 132 milhões em 2000 para cerca de US$ 528 bilhões em
2012. Veja na tabela abaixo como essas remessas se distribuem por países.

Conforme dados dessa organização, os países de origem de maior parte


dessas remessas foram Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Suíça.
Nem sempre os imigrantes são trabalhadores pouco qualificados. Um estudo
da Divisão de População das Nações Unidas indica a contribuição dos
imigrantes como empresários, começando novos negócios. Nos campos de
inovação e empreendedorismo, especialmente nas áreas de Ciência,
Tecnologia, Engenharia e Matemática observa-se a maior vinda de migrantes
altamente qualificados, como professores, estudantes universitários e doutores.
Esse aumento tem consequências negativas para os países de origem,
afetando a prestação de serviços básicos e a própria produção.

Tabela: equivalente textual a seguir.

Remessas de imigrantes - países receptores

Países Remessas (em milhões de dólares)

Índia 71.000

China 64.140

Filipinas 28.382

México 24.231

Nigéria 21.294

FONTE: THE GLOBAL KNOWLEDGE PARTNERSHIP ON MIGRATION AND


DEVELOPMENT (KNOMAD). Disponível em: www.knomad.org/. Acesso em:
10 nov. 2015.

LEGENDA: Tradicional Festa de San Genaro, evento realizado em Little Italy


(Pequena Itália), bairro formado por um grande número de descendentes de
italianos em Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos. Foto de 2015.

FONTE: Albin Lohr-Jones/Pacific Press/Getty Images

Migrações Sul-Norte

Estados Unidos, Canadá, Austrália e os países da União Europeia, regiões


mais desenvolvidas, são os "paraísos" mais procurados pelos migrantes da
globalização. Como esses países têm severas leis para regulamentar a entrada
de imigrantes, suas fronteiras são extremamente vigiadas e, muitas vezes, são
pontos de confronto entre policiais e aqueles que tentam entrar nesses
territórios burlando a lei.

Alguns desses países promovem campanhas para desestimular a entrada de


imigrantes ilegais em seus territórios. Veja a imagem da página a seguir.

206

LEGENDA: Cartaz de uma campanha do governo da Austrália que deixa claro


que quem chegar ilegalmente não permanecerá no país. A campanha foi
criticada e considerada xenofóbica por entidades de Direitos Humanos.

FONTE: Reprodução/Governo da Austrália

Entretanto os pontos mais tensos no que se refere à travessia de imigrantes,


quase sempre ilegais, estão na Europa (mar Mediterrâneo) e na América do
Norte (fronteira México-Estados Unidos).

Migrações na Europa

No final do século XX, a Europa, principalmente os países da União Europeia,


passou a ser o destino de levas de imigrantes de países da Europa oriental, do
norte da África, da Ásia, e de países da América Latina. Podemos ver no mapa
abaixo as principais rotas de imigrantes para o continente europeu.

Como a grande parte dessas migrações é ilegal, é difícil conseguir dados


oficiais sobre elas. Podemos trabalhar com alguns deles, todos de países da
União Europeia.

Segundo dados da Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional


nas Fronteiras Externas dos Estados-membros da União Europeia (Frontex,
sigla em inglês), as rotas mais movimentadas em 2014 foram a rota do
Mediterrâneo central, que inclui a rota da Calábria-Apúlia (170.760 imigrantes),
e a rota do Mediterrâneo oriental (50.831 imigrantes).

FONTE: Adaptado de: EUROPEAN AGENCY FOR THE MANAGEMENT OF


OPERATIONAL COOPERATION AT THE EXTERNAL BORDERS OF THE
MEMBER STATES OF THE EUROPEAN UNION (FRONTEX). Disponível em:
http://frontex.europa.eu/trends-and-routes/migratory-routes-map/. Acesso em:
10 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

207

Veja nas tabelas a seguir as principais nacionalidades desses imigrantes e de


onde saem as maiores remessas enviadas por eles.

Tabela: equivalente textual a seguir.

Principais nacionalidades de migrantes

Países Número de imigrantes

Síria 78.641

Eritreia 33.559

Outros países subsaarianos 30.456

Kosovo 22.059

Afeganistão 21.025

Albânia 8.225

Tabela: equivalente textual a seguir.

União Europeia - países emissores de remessas por imigrantes

Países Remessas (em milhões de dólares)

Alemanha 16.701

França 13.418

Luxemburgo 11.857

Holanda 11.391
Itália 10.075

FONTE DAS TABELAS: EUROPEAN AGENCY FOR THE MANAGEMENT OF


OPERATIONAL COOPERATION AT THE EXTERNAL BORDERS OF THE
MEMBER STATES OF THE EUROPEAN UNION (FRONTEX). Disponível em:
http://frontex.europa.eu/trends-and-routes/migratory-routes-map/. Acesso em:
10 nov. 2015.

Dentro da União Europeia há também movimentos migratórios no interior da


comunidade, principalmente em razão das diferenças econômicas entre os
países-membros. Entretanto, essas migrações têm diminuído, graças aos
benefícios concedidos a países-membros de economia mais fraca.

Na União Europeia, as leis sobre imigração e asilo político variam muito de um


país para outro, embora a tendência seja a sua uniformização. O Parlamento
europeu aprovou, em 2008, a diretiva do retorno: lei que harmoniza as regras
dos países europeus para a repatriação de imigrantes ilegais. A lei trata do
controle da imigração, notadamente a ilegal, e estabelece normas para a
expulsão dos imigrantes nessa situação.

A diretiva de retorno entrou em vigor em dezembro de 2010 e permite a


expulsão de imigrantes ilegais em todo o bloco. Segundo a nova lei, os
imigrantes ilegais podem ser presos em centros de detenção especiais por até
dezoito meses antes de serem expulsos.

Notadamente, depois de 2014, o bloco europeu tem sido destino de grande


número de refugiados que deixam áreas de conflito no Oriente Médio e na
África. De acordo com o Acnur, cerca de 438 mil pessoas pediram asilo aos
países do bloco de janeiro a julho de 2015. A Alemanha é o país com o maior
número de solicitações de asilo. As principais nacionalidades solicitantes são
Síria, Afeganistão, Eritreia, Nigéria, Paquistão e Iraque, sem contar com os
inúmeros migrantes que entram de forma ilegal. Alguns países da Europa
oriental tomaram medidas contra o fluxo de refugiados, fechando suas
fronteiras. Sobre esse assunto leia o texto a seguir.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento
Hungria fecha outra fronteira e força refugiados a procurar novas rotas

A Hungria anunciou [...] que reinstalará temporariamente os controles em sua


fronteira com a Eslovênia - embora os dois países sejam parte do espaço de
livre circulação do Schengen - para tentar frear a entrada de refugiados que
chegam através do território esloveno. Essa decisão foi anunciada um dia
depois que as autoridades húngaras decidiram fechar a fronteira com a
Croácia. Além disso, desde setembro as entradas a partir da Sérvia estão
suspensas. [...]

O governo húngaro afirmou que a decisão foi adotada porque a Eslovênia


transportava até a fronteira com a Hungria os refugiados que chegavam ao
território esloveno. Com controles fronteiriços cada vez mais duros, os
refugiados dos conflitos na Síria, no Afeganistão, no Iraque ou na Eritreia que
tentam chegar à União Europeia através da chamada rota balcânica foram
variando seus caminhos. Nos últimos tempos, a viagem, que passa pela
Turquia, Grécia, Macedônia e Sérvia, para cruzar a Hungria e depois seguir
para a Alemanha ou a Áustria, vinha se desviando para a Croácia e a
Eslovênia.

EL PAÍS-BRASIL. Disponível em:


http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/16/internacional/1445019134_419058.ht
ml. Acesso em: 17 nov. 2015.

Fim do complemento.

208

Diálogos

Atividade interdisciplinar: Sociologia, História e Geopolítica.

Rota do Mediterrâneo Ocidental

Ceuta e Melilla

Ceuta e Melilla são duas cidades espanholas localizadas no norte da costa da


África, em território marroquino. Elas são as últimas lembranças do
colonialismo europeu no norte da África. As duas cidades, com histórias
diferentes, fazem divisa com o Marrocos e estão muito próximas do estreito de
Gibraltar, intervalo oceânico que separa a Europa da África. Veja o mapa a
seguir.

FONTE: Allmaps/Arquivo da editora

As duas cidades são reivindicadas pelo Marrocos, mas são espanholas há


muitos séculos: Ceuta (XVI) e Melilla (XV).

A Espanha alega que ambas as cidades já pertenciam ao seu território antes


mesmo de haver um reino marroquino, o que somente aconteceu após a
independência do Marrocos, em 1956.

Mesmo assim, algumas organizações consideram essas cidades território


marroquino: a Liga Árabe, a União Africana e a Conferência Islâmica.

Ceuta

De origem remota, Ceuta foi criada como um entreposto comercial pelos


fenícios, sendo mais tarde ocupada por gregos e romanos. No século VIII, foi
dominada pelos muçulmanos e tornou-se importante centro de comércio,
favorecida pela posição estratégica na passagem do mar Mediterrâneo para o
oceano Atlântico e entre o norte da África e a Europa.

No século XV (1415), foi tomada pelos portugueses, que iniciavam suas


grandes descobertas marítimas. Quando Portugal passou para o domínio
espanhol (1580), o mesmo se deu com a cidade de Ceuta.

A partir de 1640, com o fim desse domínio, o governador de Ceuta manteve-se


fiel ao rei de Espanha. Durante séculos foi disputada por árabes, que nunca
conseguiram sua posse efetiva. Fez parte do Protetorado Espanhol no
Marrocos de 1812 a 1956.

Desde 1995 é uma Cidade Autônoma, não pertencendo a nenhuma das


comunidades que compõem a Espanha.

Com cerca de 84 mil habitantes, tem uma população muito diversificada, sendo
considerada um espaço multicultural e de convivência de quatro culturas e
religiões: cristãos, judeus, muçulmanos e hindus.

LEGENDA: Ceuta, com 18,5 km2, está situada na pequena península de


Almina, no continente africano, junto ao estreito de Gibraltar, no mar
Mediterrâneo. Do outro lado, na costa espanhola, está a cidade de Algeciras.
Foto de 2014.

FONTE: Juan Medina/Reuters/Latinstock

Melilla

Melilla, com 12,3 km2, está situada na costa ocidental da cadeia de montanhas
do Rift, às margens do mar Mediterrâneo.

209

Surgiu da colônia comercial fenícia Rusadir. Em 46 d.C., passou a ser


chamada "Flávia" sob o domínio dos romanos. No século XV, em 1497, foi
reconstruída pelos espanhóis e passou a pertencer à coroa hispânica.

A partir da segunda metade do século XIX (1860) passou a ser objeto de


disputa entre espanhóis e tribos marroquinas que resultou na Guerra do Rift ou
Segunda Guerra marroquina. Com a vitória da Espanha, fez parte do
Protetorado Espanhol no Marrocos de 1927 a 1956.

É também uma cidade multicultural, com maioria de população de origem


espanhola, com minorias de berberes e árabes, judeus e hindus. Desde 1995,
é uma Cidade Autônoma, não pertencendo a nenhuma das comunidades que
compõem a Espanha.

LEGENDA: O patrimônio arquitetônico de Melilla é considerado, com o de


Barcelona, um símbolo do modernismo espanhol do início do século XX. Foto
de 2015.

FONTE: Geography Photos/UIG/Getty Images

Fronteira movimentada

Até o começo da década de 1990, era uma fronteira em que o trânsito de


pessoas do Marrocos para a Espanha, e vice-versa, era normal. Com o
advento dos movimentos migratórios da globalização e a regulamentação das
fronteiras da União Europeia, a situação mudou. A Espanha comprometeu-se
perante o bloco a fazer uma severa vigilância das fronteiras, muito procuradas
por imigrantes da África. Foram construídos muros, tanto em Ceuta quanto em
Melilla, para coibir não só a imigração ilegal, mas também o tráfico de drogas e
as atividades terroristas. Veja a figura a seguir.

dissuasão*

* A barreira de dissuasão é um labirinto tecido com cabos de 6 mm a 12 mm de


espessura, colocados entre estacas de 1 m a 3 m de altura. Um sistema móvel
impede o uso de escada. Esse dispositivo faz com que as tentativas de cruzar
a barreira sejam lentas e complicadas, permitindo que as forças de segurança
intervenham antes que os migrantes consigam alcançar a cerca exterior.

FONTE: Adaptado de: WEDEN, Catherine W. de. Atlas des migrations: un


équilibre mondial à inventer. Paris: Autrement, 2012. p. 32. CRÉDITOS: Luis
Moura/Arquivo da editora

210

Migração estrangeira nos Estados Unidos

Os Estados Unidos sempre foram um país de imigração, tendo recebido cerca


de 20% dos imigrantes do mundo, o que representa cerca de 43 milhões de
pessoas.

No século XIX, os imigrantes tiveram papel fundamental na chamada "Marcha


para o Oeste", responsável pelo povoamento de grande parte do território.
Também colaboraram para o crescimento econômico do país.

Até os dias atuais, descendentes de irlandeses, italianos, chineses e outras


nacionalidades formam o mosaico étnico da população estadunidense. Porém,
nas últimas décadas, um grupo tem se destacado nos movimentos migratórios:
são os hispânicos, vindos principalmente de vários países da América Latina.

Segundo o U.S. Census Bureau, órgão que realiza os censos demográficos no


país, "hispânicos ou latinos se referem a pessoas cubanas, mexicanas,
portorriquenhas, centro ou sul-americanas, bem como qualquer outra pessoa
de origem espanhola, independentemente da cor".

Conforme dados dos censos demográficos do U.S. Census Bureau, em 1990,


os Estados Unidos tinham 253,9 milhões de habitantes, sendo 9,3%
hispânicos. Em 2013, dos 316,1 milhões de habitantes do país, os 51,7 milhões
de hispânicos representavam cerca de 17% da população. Essas etnias já
ultrapassam numericamente a população afrodescendente do país.

Na primeira década do século XXI, as taxas de crescimento de hispânicos no


país foram muito maiores do que as taxas de crescimento da população total.
Mais da metade do crescimento da população dos Estados Unidos entre 2000
e 2010 se deveu ao aumento da população hispânica. Veja o gráfico abaixo.

Para conter o fluxo de imigrantes ilegais, que somam mais de 11,5 milhões, o
governo americano construiu em alguns estados um muro de 3.200 km de
extensão, severamente monitorado por policiais na fronteira com o México.
Essa barreira existe na fronteira Tijuana-San Diego (Califórnia), no Arizona, no
Novo México e no Texas.

O México é o país latino-americano que fornece maior número de imigrantes


para os Estados Unidos (64%). Cerca de 20 milhões estão em condição legal
no país. Porém, muitos mexicanos entram ilegalmente, quase sempre
conduzidos por agenciadores, denominados "coyotes", que cobram altas
quantias para fazer a travessia da fronteira. Muitas pessoas perdem a vida
nessa tentativa. Além dos mexicanos, vive também no país grande número de
porto-riquenhos (9,4%), salvadorenhos (3,8%), cubanos (3,7%) e dominicanos
(3,1%).

FONTE: Adaptado de: UNITED STATES CENSUS BUREAU. Disponível em:


www.census.gov/content/dam/Census/newsroom/facts-for-features/2014/cb14-
ff22_graphic.pdf. Acesso: 10 nov. de 2015. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

LEGENDA: Trecho de fronteira entre os Estados Unidos e o México. A foto


mostra a cerca que separa as cidades de San Diego, Califórnia (Estados
Unidos), de Tijuana, Baja Califórnia (México), em 2015. A fronteira é um
constante foco de tensão entre os dois países, em virtude do grande número
de pessoas procedentes de vários países latino-americanos que tentam entrar
clandestinamente nos Estados Unidos.

FONTE: Charles Ommanney/Reportage/Getty Images

Os estados do sul e do oeste são os que concentram maior população


hispânica. O alto percentual de hispânicos na população dos Estados Unidos
não significa que eles estejam efetivamente integrados à sociedade americana,
apesar de seu expressivo poder de compra. Boa parte dos hispânicos, ou
melhor, os imigrantes da América Latina, vive segregada (embora haja
exceções, sobretudo em relação aos mexicanos), formando "colônias" de
acordo com a nacionalidade, nas maiores cidades do país.

211

Todavia, ainda que a integração dessa população não seja efetiva, a influência
da cultura dos imigrantes latinos é cada vez maior na sociedade americana,
com a língua espanhola, a religião católica e a culinária, principalmente
mexicana. Pratos típicos como "burritos", "tamales" e "guacamole" são muito
apreciados pela população não hispânica. Há também inúmeros artistas de
sucesso de origem hispânica na música, na televisão e no cinema americano.

Outra categoria de imigrantes tem aumentado muito nas últimas décadas: trata-
se da população negra nascida na África, que passou de cerca de 80 mil, em
1970, para mais de 1,5 milhão, em 2012. O país recebe também imigrantes de
países asiáticos (China, Taiwan e Filipinas) e do Leste Europeu (Romênia,
Rússia, Albânia).

Migrações Sul-Sul

Um aspecto importante que notamos nesta primeira década do século XXI é a


intensa movimentação entre países de regiões não desenvolvidas ou
emergentes. O mundo árabe, a África e a Ásia tornaram-se regiões de
imigração ou de passagem de imigrantes para países desenvolvidos.

O continente africano é afetado pela pobreza, pelos conflitos da África


subsaariana e pelas revoluções para promover a democracia nos países
árabes da África do norte.

Além das migrações internacionais, o continente apresenta uma intensa


movimentação interna de migrantes, seja de ordem econômica, seja política.

Os principais fatores que impulsionam essa migração são: o crescimento


demográfico, a pobreza, os conflitos e o êxodo rural.

O Oriente Médio funciona como região de saída em razão de seus muitos


conflitos, mas tam bém como região de atração, pelas oportunidades de
emprego nas áreas de produção de petróleo e nos polos turísticos, co mo
Dubai, nos Emirados Ára bes Unidos. Nessa região, os países que concentram
os fluxos migratórios são Turquia, Israel e países do golfo Pérsico, como Arábia
Sau dita e Catar.

Na Ásia, a China destaca-se como polo regional de atração de migrantes.

Dificuldades na imigração

Os migrantes enfrentam muitas dificuldades, tanto para entrar no país que


escolheram - quando a migração é ilegal, em razão de fronteiras vigiadas -
como para sua integração à nova sociedade.

Migrantes de países pobres geralmente não são bem recebidos em países


mais ricos. Esses países temem que esses migrantes venham não apenas tirar
os empregos da população local, mas também pedir benefícios ao governo.

Conforme a maneira como essas pessoas entram nos países, podemos


considerar as migrações legais e ilegais. Consideram-se migrantes legais as
pessoas que chegam a um país com visto de trabalho, de estudante ou para a
realização de negócios. Podem se transformar em ilegais se excederem a
validade do visto ou infringirem as condições expressas nele.

Mas a grande maioria burla as fronteiras para chegar a seu destino de forma
ilegal.

Vivendo geralmente na clandestinidade, os imigrantes realizam trabalhos que a


população local não se dispõe a fazer. A imigração ilegal traz também outro
grave problema: o tráfico de imigrantes, negócio lucrativo que cresce cada vez
mais. A prática é comum em países da América Latina, até mesmo no Brasil.
Um tipo de tráfico que tem crescido cada vez mais é o de mulheres, geralmente
para exploração sexual (veja o boxe da página seguinte).

A aversão ao estrangeiro (xenofobia) e o racismo crescem rapidamente no


mundo globalizado, principalmente em países desenvolvidos que recebem
imigrantes. A concorrência no mercado de trabalho tem sido a principal causa
da discriminação de imigrantes nos países ricos. Porém, grupos extremistas
unem a xenofobia à intolerância às minorias (negros, homossexuais, etc.) e
praticam atos de violência. Podemos citar como exemplo os skinheads,
organização neonazista que age principalmente na Alemanha.

A resistência à imigração parte também do governo desses países, que alegam


que os imigrantes têm acesso a seus sistemas de saúde e de educação. Os
Estados Unidos já ergueram barreiras na fronteira com o México para impedir a
entrada de imigrantes vindos da América Latina. A Austrália mantém campos
de detenção para imigrantes ilegais, onde estes podem permanecer por anos à
espera de visto para entrar legalmente no país.

Para muitos economistas, porém, esses milhões de trabalhadores geram um


efeito positivo na economia dos países receptores: contribuem para a
composição do Produto Interno Bruto (PIB) e constituem um significativo
mercado de consumo, apesar das remessas enviadas para seus países de
origem.

212

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Mulheres são 70% das vítimas de tráfico de pessoas em todo o mundo

Uma em cada três vítimas de tráfico de pessoas é criança, e duas delas são
meninas. Do conjunto de vítimas desse tipo de crime, praticado em pelo menos
152 países de origem e 124 países de destino, 70% são mulheres. Até o
momento, foram identificados mais de 510 fluxos de tráfico ao redor do planeta,
revela o Relatório Global 2014 sobre Tráfico de Pessoas, divulgado [...] pelo
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

De acordo com o relatório, o tráfico de crianças aumentou 5% na comparação


com o período entre 2007 e 2010. Em algumas regiões, como África e Oriente
Médio, as crianças são as maiores vítimas do tráfico de pessoas. No continente
africano e no Oriente Médio, elas representam 62% das vítimas de tal tipo de
crime.

O tráfico para trabalhos forçados, que abrange, entre outros, setores como o
industrial, o de trabalho doméstico e a produção têxtil, tem "aumentado
continuamente" nos últimos cinco anos. Nesse grupo, as mulheres
correspondem a 35% das vítimas.

Segundo o documento do UNODC, os motivos para o tráfico de pessoas


variam por região. Na Europa e na Ásia central, a maioria das vítimas é
traficada para exploração sexual, enquanto na Ásia ocidental e no Pacifico a
motivação é a prestação de trabalho forçado. No caso das Américas, foram
detectados casos de exploração sexual e de trabalho forçado em igual medida.

Apesar de a maioria dos fluxos ser interregional, 60% das vítimas cruzaram
pelo menos uma fronteira nacional. Outra constatação do relatório é que 72%
dos traficantes condenados são homens com origem no país onde praticaram
os crimes. No entanto, ressalta o UNODC, a impunidade continua sendo um
"problema sério", uma vez que 40% dos países registraram "apenas alguma ou
nenhuma condenação", não havendo, ao longo dos últimos dez anos,
"aumento perceptível" na resposta da Justiça global a essa prática criminosa.

[...]

AGÊNCIA BRASIL. Disponível em:


www.ebc.com.br/cidadania/2014/12/mulheres-sao-70-das-vitimas-de-trafico-de-
pessoas-em-todo-o-mundo. Acesso: em 4 abr. 2016.

LEGENDA: Protesto pedindo o fim do tráfico de pessoas em Toronto, Canadá,


em 2015.

FONTE: Roberto Machado Noa/LightRocket/Getty Images

Fim do complemento.

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Leia os textos, depois faça o que se pede.

Texto 1:

Cansados da miséria crônica, haitianos buscam nova vida no Brasil

De Porto Príncipe, 11/8/2014.

Sem perspectiva frente à escassez de postos formais de trabalho e à miséria


que assola de forma crônica o Haiti, centenas de haitianos buscam sair do país
que, desde 2010, tenta se reerguer do terremoto e, há dez anos, vive sob tutela
das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti
(Minustah). O Brasil é um dos países preferidos.

Nas primeiras horas da manhã de um dia comum, moradores de Porto Príncipe


e de outras regiões do país caribenho se amontoam em frente ao Hexagone, o
edifício onde fica a embaixada brasileira, com a esperança de conseguir uma
vida melhor no Brasil.

"Já faz dois anos que tento o visto para o Brasil", conta a vendedora de
amendoim e frutas Janette Joseph, 45 anos, na fila desde às 7h. "Tentei
permissão para viver nos Estados Unidos e no Canadá, mas hoje quero ir ao
Brasil e estar com minha família que vive lá."

O fato de ter parentes vivendo e trabalhando no Brasil também motiva Janvier


Wiffrid, 41 anos, a buscar a permissão para morar no país sul-americano.
Depois de dois de seus primos conseguirem se estabelecer em São Paulo,
Wiffrid decidiu arriscar. "Há um ano que tento o visto", conta o ajudante de
pedreiro. "Viver no Brasil deve ser melhor que em outros países próximos ao
Haiti, como a República Dominicana, onde sofremos discriminação."

GOMBATA, Marsílea. Carta Capital. Disponível em:


www.cartacapital.com.br/internacional/cansados-da-miseria-cronica-haitianos-
tentam-migrar-para-o-brasil-em-busca-de-uma-nova-vida-9882.html. Acesso
em: 17 nov. 2015.

213

Texto 2:

Seis imigrantes haitianos são baleados em São Paulo

Antes de disparar, o atirador teria gritado: "Haitianos, vocês roubam nossos


empregos!". 8/8/2014.

Seis haitianos foram baleados em dois ataques diferentes na Baixada do


Glicério, no centro de São Paulo [...]. Os feridos foram internados no Hospital
Tatuapé, na zona leste da capital. A suspeita é de que o crime tenha sido
motivado por xenofobia.
Os haitianos, entre eles uma mulher, teriam sido feridos em momentos
distintos, no mesmo dia. Dois foram baleados na rua do Glicério e outros quatro
na escadaria da paróquia Nossa Senhora da Paz. A instituição religiosa abriga
a Missão Paz, que acolhe os imigrantes na capital.

De acordo com as vítimas que estavam na escadaria, o atentado partiu de um


carro cinza, com quatro ocupantes. Antes de atirar, um deles teria gritado:
"Haitianos, vocês roubam nossos empregos!".

Disponível em: www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/ seis-imigrantes-


haitianos-sao-baleados-em-sao-paulo-9027.html. Acesso em: 17 nov. 2015.

a) O Haiti é uma nação pobre, e um fato natural ocorrido em 2010 agravou a


situação econômica dessa nação. Identifique que fato foi esse.

b) Justifique a causa de esse fato natural ser comum no Haiti. Responda com
base em seus conhecimentos e nos temas que você já acompanhou até este
capítulo.

c) Compare os textos anteriores e explique as visões que eles apresentam.

d) O que você pensa sobre a xenofobia?

2. Observe o trecho de uma matéria divulgada pela imprensa, depois faça o


que se pede.

Foto chocante de menino morto revela crueldade de crise migratória

[...] As imagens de um menino sírio morto numa praia da Turquia viraram


símbolo da crise migratória que já matou milhares de pessoas do Oriente
Médio e da África que tentam chegar à Europa para escapar de guerras, de
perseguições e da pobreza.

[...]

G1 MUNDO. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/ noticia/2015/09/foto-


chocante-de-menino-morto-vira-simbolo-da-crise-migratoria-europeia.html.
Acesso em: 17 nov. 2015.

a) Explique por que ocorrem mortes como a da criança citada no trecho da


reportagem e de outras centenas de pessoas.
b) Cite quatro nações e seus respectivos continentes onde o número de
refugiados é bastante significativo. Consulte um atlas geográfico.

c) Relacione a reportagem da Hungria, na página 207, ao tema dos refugiados.

3. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Com base em seus


conhecimentos prévios e no que foi visto neste capítulo, faça o que se pede.

a) Leia um texto sobre a consolidação dos Estados Unidos como potência


emergente no fim do século XIX.

Atraída pela "terra das oportunidades", entre 1870 e 1900, a população dos
Estados Unidos recebeu mais de 20 milhões de imigrantes vindos da Europa e
da Ásia, em sua maioria.

FERNANDES, Luiz Estevan; MORAES, Marcos Vinícius de. In: KARNAL,


Leandro (Org.). História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São
Paulo: Contexto, 2011. p. 153.

b) O texto é referente ao século XIX. No entanto, os Es ta dos Unidos ainda


podem ser considerados atrativos à imigração atualmente? Justifique sua
resposta.

c) É fato conhecido que, após o 11 de setembro de 2001, as políticas


imigratórias norte-americanas sofreram uma mudança radical. A fiscalização
aumentou nos estados do Arizona, Califórnia e Texas. Por que isso ocorreu?

4. Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Leia um texto


escrito por um dos mais importantes fotógrafos mundiais.

Quase sempre os imigrantes abandonam seus lares cheios de esperança: os


refugiados costumam fazê-lo por medo. Mesmo assim, cada um a sua maneira,
todos são vítimas de forças além de seu controle: a pobreza e a violência.

A maioria dos migrantes do Terceiro Mundo ruma para a cidade, mas os mais
ambiciosos têm os Estados Unidos e a Europa como meta. Suas jornadas são
longas e cheias de perigos, mas para mexicanos, marroquinos, vietnamitas,
russos e tantos outros, o sonho de uma vida melhor não morre facilmente.
Aqueles que se tornam refugiados, contudo, não o fazem por vontade própria.
Curdos, afeganes, bósnios, sérvios e kosovares tiveram de deixar seus lares
forçados pela guerra e, como os palestinos, que passaram décadas em
campos de refugiados, muitas vezes alimentam o desejo de voltar para casa.
Para alguns deles, porém, a ruptura com o passado é permanente: de
refugiados passarão a exilados, e de exilados também eles passarão a
migrantes.

Extraído de: SALGADO, Sebastião. Êxodos. São Paulo: Companhia das


Letras, 2000. p. 18.

a) Explique uma diferença entre um imigrante comum e um refugiado.

b) Escreva um texto que tenha como tema o drama dos refugiados.

214

capítulo 17. A urbanização mundial

LEGENDA: Tóquio, capital do Japão, é uma das cidades mais populosas do


mundo. E, como outras grandes cidades do planeta, apresenta uma enorme
diversidade porque preserva, em sua "fisionomia", a arquitetura, a história e o
modo de ser de seu povo. Porém, as cidades também têm, entre si, uma
característica comum: desenvolvem atividades muito diferentes daquelas
praticadas no meio rural. Na imagem, pessoas andam pelas ruas de Shinjuku,
um dos bairros de Tóquio, em 2015.

FONTE: David Mareuil/Anadolu/Getty Images

O fenômeno urbano

As grandes cidades existem desde a Antiguidade. Elas tinham, então, função


comercial, militar, política e religiosa, como Roma e Constantinopla.

Na Antiguidade oriental (cerca de 4000 a.C.-330 d.C.), foram importantes no


continente asiático as cidades de Ashur, Nínive, Babilônia, na Mesopotâmia;
Biblos, Sídon e Tiro, na Fenícia; Pasárgada e Persépolis, na Pérsia; no
continente africano, as cidades de Tebas e Mênfis, no Egito.

Durante o feudalismo (do século V ao século XV), as cidades tinham


importância secundária, pois a exploração da propriedade rural determinava
seu caráter essencialmente agrário. No século XIV (Baixa Idade Média), a
atividade comercial incentivou o ressurgimento da vida urbana, embora as
cidades estivessem situadas em áreas pertencentes aos senhores feudais. Aos
poucos, foram emancipadas, pacificamente ou por meio de lutas, e puderam,
assim, administrar seu destino (milícia, impostos, organização política). No
continente europeu, as cidades mais importantes eram: Florença, Gênova,
Veneza, Bruges, entre outras. Enquanto isso, na América, erguiam-se
imponentes cidades nos impérios Inca, Maia e Asteca. Na África, em reinos
como os de Mali e Gana, as cidades de Tombuctu e Zanzibar eram igualmente
importantes.

215

LEGENDA: Pessoas andam pelas ruas de Zanzibar, na Tanzânia. Foto de


2015.

FONTE: LMspencer/Shutterstock

Cidades: conceito, função e sítio urbano

A ONU considera cidade todo aglomerado com mais de 20 mil habitantes.


Porém, esse critério pode variar de um país para outro. Na Noruega, por
exemplo, todo núcleo de população superior a 200 habitantes é classificado
como cidade, enquanto no Japão é preciso ter 30 mil habitantes. Na Itália, o
critério é econômico. Para ser considerado cidade, mais de 50% dos habitantes
de um aglomerado devem trabalhar em atividades urbanas. No Brasil, não
existe um critério numérico. Todo aglomerado que seja sede de um município é
considerado cidade. O município é formado, de modo geral, por uma área rural
e outra urbana.

Se o aglomerado urbano surgir naturalmente de pequenos núcleos de


povoamento, dará origem a uma cidade espontânea. É o caso da grande
maioria das cidades do Brasil e do mundo, como São Paulo, Rio de Janeiro,
Nova York, Paris. Algumas vezes, porém, as cidades são planejadas, isto é,
são construídas seguindo projetos previamente concebidos. No Brasil, o
exemplo mais conhecido é Brasília, embora Belo Horizonte, Goiânia, Teresina,
Palmas e Aracaju também sejam cidades planejadas. No exterior, podemos
citar Camberra, capital da Austrália, Washington, capital dos Estados Unidos, e
Rawabi, que deverá ser a primeira cidade da Palestina.

A China pretende construir, nos próximos anos, cidades com planejamento


urbano sustentável ou "cidades verdes". Esses agrupamentos urbanos devem
contar com ciclovias, muitas áreas verdes, além de sistemas de reciclagem de
lixo e construções ambientalmente corretas, com reaproveitamento de água e
economia de energia.

O local onde uma cidade foi construída é chamado sítio urbano, e pode ser
uma planície, um planalto, um vale, uma área litorânea, entre outros.

Hoje, as cidades costumam desenvolver várias atividades (comércio, bancos,


escolas, mercado financeiro, etc.), mas algumas são conhecidas pela sua
função urbana, isto é, sua característica principal.

LEGENDA: A Sino-Singapore Tianjin é um dos projetos de "Cidade Verde", ou


Eco-Cidade, na China. Esse é um dos projetos apresentados no Fórum
Econômico Mundial, realizado em setembro de 2012, na China.

FONTE: Nelson Ching/Bloomberg/Getty Images

216

Existem cidades religiosas (Aparecida, em São Paulo; Lourdes, na França;


Fátima, em Portugal); industriais (Camaçari, na Bahia; São Bernardo do
Campo, em São Paulo; Detroit, nos Estados Unidos; Milão, na Itália);
administrativas (Washington, nos Estados Unidos; Tshwane, antiga Pretória, na
África do Sul); militares (Resende, no Rio de Janeiro; West Point, nos Estados
Unidos); turísticas (Porto Seguro, na Bahia; Veneza, na Itália; Dubai, nos
Emirados Árabes).

Alguns países são formados por uma única cidade e possuem 100% de
população urbana, como Vaticano, Cingapura e Mônaco.

Hierarquia urbana e rede urbana

As cidades são classificadas pelo número de habitantes, pela variedade de


serviços que oferecem e pelo papel que desempenham como centros
polarizados e/ou polarizadores, seja no próprio país, seja em escala global.

Em escala local ou regional, a área polarizada por uma cidade é sua área de
influência, que pode ser maior ou menor, conforme seu poder de atração. De
modo geral, uma cidade exerce influência sobre outras menores e suas áreas
rurais. No Brasil, as cidades são classificadas conforme o alcance de sua área
de influência. Os centros locais estão na base da hierarquia urbana, seguidos
dos centros de zona, dos centros sub-regionais, das capitais regionais e das
metrópoles, embora, hoje, com o avanço da economia global, coexistam
também pequenos núcleos que se relacionam e se conectam diretamente com
a metrópole (e não apenas com a capital regional), e mesmo com núcleos e
redes em escala planetária.

A rede urbana de uma região envolve as relações entre o campo e a cidade e


as relações entre os diferentes tipos de cidade. A existência de uma rede de
transportes e de comunicação é fundamental para que uma rede urbana seja
integrada.

Urbanização e crescimento urbano

Quando a população das cidades cresce mais que a das zonas rurais
configura-se o fenômeno da urbanização. Um país é urbanizado quando a
população urbana ultrapassa a população rural.

Mesmo nos lugares onde a população rural ultrapassa a população urbana, as


cidades crescem naturalmente (crescimento vegetativo) ou por receber
imigrantes. Esse aumento natural da população urbana é chamado
crescimento urbano.

O crescimento urbano gera a expansão das áreas edificadas e urbanizadas e


dá origem a aglomerações urbanas. Algumas cidades crescem tanto que
acabam por se unir a cidades vizinhas, sendo impossível perceber onde
começa uma e termina a outra. A esse processo de fusão entre duas ou mais
cidades vizinhas chamamos conurbação.

FONTE: Adaptado de: ONU. Divisão de População. World Urbanization


Prospect - The 2014 Revision. Disponível em: http://esa.un.org/unpd/wup/
Maps/CityDistribution/CityPopulation/CityPop.aspx. Acesso em: 15 nov. 2015.
CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

217

Urbanização e crescimento urbano estão relacionados e têm como


consequência o surgimento de áreas urbanizadas, como metrópoles, regiões
metropolitanas, megalópoles e megacidades.

Metrópole e megalópole
Em uma conurbação destaca-se a metrópole, cidade que exerce influência
sobre as outras. O conjunto formado pela metrópole e pelas cidades vizinhas é
a região metropolitana. As metrópoles exercem grande influência nas áreas
onde se localizam, e polarizam espaços mais amplos, até mesmo em escala
planetária.

Regiões metropolitanas conurbadas formam extensas regiões urbanizadas, nas


quais as áreas rurais são quase ou totalmente ausentes. O conjunto dessas
regiões, chamado megalópole, conta com intenso fluxo de pessoas e de
mercadorias e é bem servido de meios de transportes e de comunicação.

A primeira área a receber a denominação de megalópole foi o nordeste dos


Estados Unidos, onde se localiza a Bos-Wash, que abriga as metrópoles de
Boston, Nova York, Filadélfia, Baltimore e Washington, DC. Ainda nesse país,
há também a ChiPits, localizada na região dos Grandes Lagos, que reúne as
metrópoles de Chicago, Pittsburgh, Cleveland e Detroit.

Outros exemplos de megalópole são Tokkaido, no sudeste do Japão,


abrangendo as metrópoles de Tóquio, Kawasaki e Yokohama; na Europa,
temos a megalópole Renana, com as cidades de Düsseldorf, Colônia, Bonn e
Stuttgart.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 185. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da
editora

Cidades globais e megacidades

A urbanização do fim do século XX foi marcada pela existência de duas novas


categorias na hierarquia urbana: as cidades globais e as megacidades.

A noção de cidade global não envolve número de habitantes, mas leva em


conta a economia, os serviços, a rede financeira, as telecomunicações, as
empresas e os conhecimentos que, além de ligar essas cidades à economia
mundial, tornam-se dependentes dessa economia.

O número de cidades globais varia de 31 a 55. Todas as listas mencionam


Tóquio, Londres e Nova York; em algumas aparecem São Paulo, Cingapura e
Cidade do México.
Já o conceito de megacidade não envolve necessariamente poder político ou
econômico, mas o número de habitantes (acima de 10 milhões). Como a
população dos países não desenvolvidos cresce em escala mais rápida do que
a dos países desenvolvidos, as maiores cidades do mundo nos próximos anos
não serão cidades globais. É o caso de Lagos (Nigéria), Dacca (Bangladesh) e
Karachi (Paquistão). Com mais de 10 milhões de habitantes, elas são
consideradas pela ONU megacidades, mas não têm a mesma importância nem
o poder das cidades globais.

São Paulo, Tóquio e Nova York são ao mesmo tempo cidades globais e
megacidades. Com menos de 1 milhão de habitantes, Zurique, na Suíça, é uma
cidade global, mas está longe de ser uma megacidade.

218

O aumento das desigualdades entre cidades de países ricos e de países


pobres se reflete no aumento da exclusão social da maior parte da população
nas cidades dos países não desenvolvidos. É forçoso lembrar, porém, que,
mesmo nas cidades de países ricos, a desigualdade existe e está presente,
visível no progressivo aumento do desemprego, da pobreza, da segregação.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Uma nova tipologia das aglomerações urbanas

Em razão do grande crescimento das cidades e de suas marcantes


transformações, nesta segunda década do século XXI, o Programa das Nações
Unidas para os Assentamentos Humanos (Habitat) incluiu mais alguns tipos de
aglomerações urbanas surgidas a partir da urbanização e do crescimento das
cidades.

Megarregiões: aglomerações urbanas que ultrapassam as megacidades em


população e em produtividade econômica, combinando grandes mercados,
experiência e capacidade de inovação de mão de obra, reunindo várias cidades
da região em sua órbita. Um exemplo de megarregião localiza-se no Japão:
Tóquio-Nagoya-Osaka-Kyoto-Kobe, com uma população de 60 milhões de
habitantes.
Corredores urbanos: um conjunto de centros urbanos de vários tamanhos
localizados ao longo de eixos de desenvolvimento, ligados entre si e muitas
vezes também a algumas megacidades, abrangendo uma grande região.
Exemplo: o corredor Kuala Lumpur-Klang, em Klang Valley, na Malásia.

Cidades-regiões: esta classificação refere-se a grandes cidades que,


ultrapassando seus limites administrativos, juntam-se a cidades meno res e
médias, abrangendo áreas suburbanas e rurais, criando grandes conurbações,
que formam eventualmente outras cidades-regiões. Exemplos: São Paulo
(Brasil); Cidade do Cabo (África do Sul); Bangcoc (Tailândia).

ONU. Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos -


Habitat. A situação das cidades no mundo - 2072 -2073. p. 31. Disponível em:
http://www.unhabitat.org/pmss/listItemDetails.aspx?publicationID=3387. Acesso
em: 15 nov. 2015. (Adaptado.)

LEGENDA: Vista de Kuala Lumpur, capital da Malásia, em 2015.

FONTE: Alexander Bayurov/Shutterstock

Fim do complemento.

Urbanização: países desenvolvidos e não desenvolvidos

Somente no século XXI a população urbana ultrapassou a população rural no


mundo. Segundo a ONU, isso aconteceu em 2008. Foi um longo caminho para
passar de taxas de 80% de população rural para a explosão das cidades, na
época que está sendo chamada "novo milênio urbano". A ONU também estima
que, em 2045, cerca de 65% da população mundial esteja morando nas
cidades. Veja no gráfico a seguir um panorama dessa evolução.

219

FONTE: Adaptado de: ONU. UN-Habitat Global Country Activities Report: 2015.
Disponível em: http://unhabitat.org/books/un-habitat-global-countryactivities-
report-2015-increasing-synergy-for-greater-national-ownership/. Acesso em: 16
nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Como vimos, o processo de industrialização, também chamado Revolução


Industrial, foi o grande responsável pelo desenvolvimento da urbanização em
escala mundial. O crescimento das cidades e a importância que elas passaram
a ter na vida das sociedades praticamente se consolidaram com o
estabelecimento da indústria como atividade essencialmente urbana. Houve
um grande deslocamento de trabalhadores do campo para a cidade, o que fez
aumentar a população nas cidades e surgir uma nova classe social: o
proletariado urbano.

Glossário:

Proletariado: classe social que se caracteriza sobretudo por ser composta de


indivíduos destituídos de meios de produção. Eles contam apenas com sua
força de trabalho, que vendem aos capitalistas em troca de sobrevivência.

Fim do glossário.

Como esse processo de industrialização não aconteceu de maneira uniforme


em países desenvolvidos e não desenvolvidos, encontramos diferenças
marcantes na urbanização desses tipos de países.

O processo de urbanização dos atuais países desenvolvidos acelerou-se na


Revolução Industrial e segue, apesar de mais lento, até os dias de hoje. Alguns
fatores contribuíram para esse processo, sobretudo a atração exercida pelas
cidades (indústria, oferta de emprego e de melhores salários, mais condições
de saúde e educação) e a mecanização agrícola, que expulsou trabalhadores
das áreas rurais.

Esses países, em sua maioria, já têm uma população urbana estabilizada,


alguns com mais de 90%. Segundo previsões do Fundo de População das
Nações Unidas, de modo geral, a população urbana dos países não deve
atingir 100%. Sempre haverá um percentual de população rural, ainda que
pequeno, com exceção de países formados por uma única cidade, como
Mônaco, na Europa, e Cingapura, na Ásia. Veja na tabela a seguir a evolução
da população urbana em países desenvolvidos.

Tabela: equivalente textual a seguir.

População urbana em países desenvolvidos

% de população urbana % de crescimento (1990-


Países
(2014) 2014)
Reino Unido 82 0,9

Japão 93 0,4

Estados
81 1,0
Unidos

Canadá 82 1,3

Austrália 89 1,7

Dinamarca 88 0,6

Bélgica 98 0,4

FONTE: THE WORLD BANK. World Development Indicators 2015. Disponível


em: http://wdi.worldbank.org/table/3.12. Acesso em: 15 nov. 2015.

A industrialização e a urbanização tardia de países com elevada população


total pode explicar a demora da urbanização da população mundial.

Essa industrialização tardia de alguns países não desenvolvidos e os


problemas enfrentados pela sua população rural (concentração de terra,
desemprego e falta de política agrária adequada) levaram ao grande e,
sobretudo, rápido crescimento de sua população urbana. Por isso as cidades
nesses países crescem mais do que nos países desenvolvidos.

Com exceção de Tóquio, capital do Japão, as dez maiores e mais populosas


cidades do mundo estão em países não desenvolvidos: Kinshasa (República
Democrática do Congo), Dacca (Bangladesh), Lagos (Nigéria), Karachi
(Paquistão), Délhi (Índia), Manila (Filipinas), São Paulo (Brasil), Mumbai (Índia),
Cidade do México (México) e Cairo (Egito).

220

LEGENDA: Vista da cidade de Dacca, Bangladesh, em 2015.

FONTE: Munir Uz Zaman/Agência France-Presse


O processo de urbanização dos países não desenvolvidos e emergentes
começou somente após a Segunda Guerra Mundial e não foi uniforme. Alguns
desses países industrializaram-se; outros permanecem predominantemente
agrários e com uma população rural bastante expressiva. Por esse motivo,
entre os países não desenvolvidos, podemos encontrar alguns com altas taxas
de população urbana; outros com altas taxas de população rural, mas também
altas porcentagens de crescimento da população urbana. Observe a tabela a
seguir.

Tabela: equivalente textual a seguir.

População urbana de países não desenvolvidos

% de população urbana % de crescimento (1990-


Países
(2014) 2014)

Etiópia 19 4,8

Uganda 16 5,4

Venezuela 89 1,4

Bahrein 89 1,0

Burkina Fasso 29 5,8

Níger 18 5,4

Arábia
83 2,5
Saudita

Malauí 16 4,1

Eritreia 22 4,2

Burundi 12 5,8
Afeganistão 26 4,6

FONTE: THE WORLD BANK. World Development Indicators 2015. Disponível


em: http://wdi.worldbank.org/table/3.12. Acesso em: 15 nov. 2015.

Apesar de elevada participação da população rural, chama a atenção a relativa


rapidez com que a população urbana vem aumentando nesses países. Mesmo
na China, país mais populoso do mundo, em 2011 a população urbana
ultrapassou pela primeira vez a população rural. Em 2015, 55,6% dos
habitantes moravam nas cidades. Apenas a Índia, entre os países emergentes,
nesse mesmo ano possuía elevada população rural.

Problemas urbanos

Tanto cidades de países desenvolvidos como de países não desenvolvidos


apresentam problemas causados pelo crescimento acelerado da população
urbana. Todos esses problemas exigem soluções urgentes. Trânsito
complicado, poluição visual e auditiva, poluição do ar, do solo e das águas,
violência, vida cara e difícil têm atormentado os habitantes das cidades
grandes. Observe a foto a seguir.

LEGENDA: Smog causado pela poluição do ar cobre o céu de Londres,


Inglaterra, no Reino Unido, em foto de maio de 2014. Um dos graves
problemas das cidades dos países desenvolvidos é a poluição atmosférica.

FONTE: Velar Grant/Citizenside/Agência France-Presse

Nos países desenvolvidos, o crescimento das atividades industriais exigiu o


aprimoramento e até mesmo a criação de atividades de apoio ou
complementares ao setor secundário. Essa necessidade engendrou o
desenvolvimento do setor terciário, estruturado - com bancos, comércio e
serviços cada vez mais sofisticados - e preparado para a geração de
empregos.

221

Nesses países, as cidades cresceram com um planejamento mais adequado,


contando ainda com um organizado sistema de transportes, além de
saneamento básico, moradia, iluminação pública, pavimentação - condições
que seus habitantes, muitas vezes, conseguiram por meio de lutas e
reivindicações feitas ao longo de anos. Entretanto, nos últimos anos, elas têm
conhecido uma escalada do crescimento da pobreza, com a presença de
moradores em situação de rua e trabalhadores informais. Crises econômicas
que provocam desemprego e migrações em massa têm contribuído para essa
situação.

LEGENDA: Sem teto sentada na fachada de uma loja na Quinta Avenida, em


Manhattan, Nova York, Estados Unidos, em 2015. No cartaz está escrito: "Sem
teto e grávida: qualquer coisa ajuda". A imagem mostra a desigualdade que
ainda existe no mundo, inclusive nos países desenvolvidos: no mesmo lugar
onde se pode comprar artigos caros e luxuosos nas lojas de grife, pode-se ver
pessoas pedindo ajuda para suprir suas necessidades básicas.

FONTE: Jewel Samad/Agência France-Presse

Nos países pobres, os setores secundário e terciário não são suficientemente


fortes para oferecer emprego a todos, embora atualmente venham
demonstrando maior capacidade para oferecer oportunidades. Ainda assim, o
sonho de uma vida melhor na cidade muitas vezes é ilusão. A realidade é
sobreviver como é possível. É grande a proporção de atividades informais
(subemprego), como a exercida por vendedores ambulantes, por lavadores e
guardadores de carro, entre outros.

As administrações urbanas em países pobres lutam principalmente contra a


falta de recursos e de políticas públicas para realizar os melhoramentos
necessários. As cidades crescem sem que haja rigor no controle e na
infraestrutura, permitindo o surgimento de loteamentos clandestinos, muitos
deles em áreas consideradas de risco.

A favelização, portanto, é outra marca dessas cidades, independentemente do


nome que receber esse tipo de habitação com precárias condições de vida. A
falta de moradia ou seu elevado preço fazem surgir comunidades, cortiços e
moradores em situação de rua. Ao lado de habitações paupérrimas, erguem-se
casas e prédios de luxo, como ocorre em alguns bairros do município de São
Paulo, no Rio de Janeiro, ou em Mumbai, na Índia (veja imagem abaixo).
LEGENDA: Comunidade do Cantagalo, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Ao
fundo, prédios residenciais do bairro de Ipanema. Foto de 2015.

FONTE: Donatas Dabravolskas/Shutterstock

Segundo a ONU, a população que vive em comunidades diminuiu


razoavelmente nas últimas décadas, mas o número desses moradores
continua bastante expressivo em muitas partes do mundo, como podemos ver
no gráfico a seguir.

FONTE: Adaptado de: ONU. UN-Habitat 2014. Disponível em:


http://mirror.unhabitat.org/pmss/listItemDetails.aspx?publicationID=3552.
Acesso em: 16 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

222

Refletindo sobre o conteúdo

1. Identifique duas características comuns das cidades com base nas fotos.

LEGENDA: Vista da famosa praça Jemaa el-Fnaa, em Marrakech, cidade do


Marrocos, muito procurada pelos turistas. Foto de 2014.

FONTE: Pavliha/iStockphoto/Getty Images

LEGENDA: Vista da famosa rua Graben, em Viena, na Áustria, com


construções imponentes, lojas, cafés e restaurantes. Foto de 2015.

FONTE: Radu Bercan/Shutterstock

2. Com base no texto do capítulo, faça a distinção entre os conceitos de


metrópole, cidade global e megacidade. Dê exemplos.

3. Nas metrópoles, ricos residem em amplas casas com baixo impacto da


poluição e distantes do mau cheiro das fábricas. Os países ricos "exportam"
para o Terceiro Mundo as fábricas mais poluidoras.

SPÓSITO, Eliseu S. A vida nas cidades. São Paulo: Contexto, 2007. p. 76.

· Que problema ambiental urbano é salientado no texto acima?

4. Leia um trecho do relatório da ONU sobre as Perspectivas da Urbanização


Mundial de 2014.
Hoje, 54 por cento da população mundial vive em áreas urbanas, uma
proporção que se espera venha a aumentar para 66 por cento em 2050. As
projeções mostram que a urbanização associada ao crescimento da população
mundial poderá trazer mais 2,5 bilhões de pessoas para as populações
urbanizadas em 2050, com quase 90 por cento do crescimento centrado na
Ásia e África, de acordo com o novo relatório das Nações Unidas.

CENTRO REGIONAL DE INFORMAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (UNRIC).


Disponível em: www.unric.org/pt/actualidade/31537-relatorio-da-onu-mostra-
populacao-mundial-cada-vez-mais-urbanizada-mais-de-metade-vive-em-zonas-
urbanizadas-ao-quese-podem. Acesso em: 15 nov. 2015.

- Elabore duas conclusões a partir do trecho do relatório da ONU.

5. Nas cidades do planeta, colidem a riqueza e a pobreza. Na Índia isso é mais


verdadeiro do que em qualquer outro país.

KAMDAR, Mira. Planeta Índia: a ascensão turbulenta de uma nova potência


global. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 236.

· Que fatores levam o autor do texto a afirmar que "nas cidades do planeta,
colidem a riqueza e a pobreza"? E por que na Índia esse fato seria "mais
verdadeiro"?

6. Saskia Sassen, nascida na Holanda em 1957, é uma respeitada socióloga e


professora da Universidade de Colúmbia, em Nova York (Estados Unidos). Em
1991, ela escreveu o livro Cidade global, no qual descreve o conceito de uma
cidade assim classificada. Esse conceito fez oposição ao de megacidades. Ela
descreveu uma cidade global como a plataforma de operação de empresas
transnacionais e o ponto de encontro de conhecimento e talentos que fazem a
ponte entre atores globais e empresas nacionais.

· Dentro desse conceito, a autora incluiu São Paulo na categoria de cidade


global. Aponte características dessa cidade que justifiquem sua inclusão na
categoria descrita anteriormente. Dê exemplos.

223

capítulo 18. Desenvolvimento sustentável: um desafio global


LEGENDA: Paisagem da cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde aconteceu a
Rio+20. Foto de 2015.

FONTE: Hans Von Manteuffel/Pulsar Imagens

LEGENDA: Selo do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.

FONTE: Reprodução/ONUBR

LEGENDA DAS IMAGENS: O Centro Mundial para o Desenvolvimento


Sustentável surgiu das discussões da Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável - Rio+20, realizada em 2012. Resultado de uma
parceria entre o governo brasileiro e o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud), foi estabelecido em 2013 e tem como objetivos
"influenciar políticas e práticas que levem a melhorias concretas no bem-estar
humano, atuando como um centro global de referência para a promoção do
desenvolvimento sustentável e equitativo" e "estimular a participação dos
países do Sul nos esforços internacionais pelo desenvolvimento sustentável".

O mundo acorda para os problemas ambientais

De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês), "se
todos os seres humanos adotassem o padrão de consumo de recursos naturais
e emissão de gases dos Estados Unidos, seriam necessários dois planetas
Terra".

Toda essa agressão à natureza não ficou impune, como já vimos. Os inúmeros
impactos ambientais tornaram-se uma ameaça não só para a nossa
sobrevivência na Terra como para a sobrevivência dos demais seres vivos. Em
toda parte, rios, lagos e águas subterrâneas são contaminados por vários tipos
de poluentes. Em quase todos os continentes grandes extensões de terra são
consumidas pela desertificação. O ar das grandes cidades está irrespirável.
Inúmeras espécies animais e vegetais foram extintas ou estão em vias de
extinção. Calcula-se que 25% das espécies existentes na superfície terrestre
podem se extinguir nos próximos cinquenta anos. Cabe à humanidade saber
aproveitar os recursos oferecidos pela natureza, conhecendo-os e usando-os
de forma racional. Veja quais são esses recursos no esquema a seguir.

224
Boxe complementar:

Recursos naturais e atividade humana

Os recursos naturais fazem parte da atmosfera, da litosfera, da hidrosfera e da


biosfera, grandes esferas da Terra que estudamos nos capítulos anteriores.

Podemos considerar três tipos de recursos naturais.

LEGENDA: Energia fotovoltaica

FONTE: zhu difeng/Shutterstock

LEGENDA: Energia dos mares e das ondas

FONTE: EpicStockMedia/Shutterstock

LEGENDA: Energia eólica

FONTE: IM_photo/Shutterstock

LEGENDA: Água doce Energia hidráulica

FONTE: Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

LEGENDA: Ouro, ferro, cobre, bauxita, etc.

FONTE: Rogério Reis/Pulsar Imagens

LEGENDA: Carvão, gás natural, petróleo, xisto, etc.

FONTE: Kevin Frayer/Getty Images

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2015.


Novara: Istituto Geográfico De Agostini, 2015. p. 38.

Fim do complemento.

225

A busca do desenvolvimento sustentável

Apesar dos protestos isolados contra as armas nucleares (depois da Segunda


Guerra Mundial) e do movimento hippie, foi só a partir de 1970 que,
preocupada com o futuro do planeta, a ONU passou a organizar uma série de
conferências para debater questões sobre desenvolvimento e meio ambiente,
em âmbito global, tentando encontrar soluções para as principais questões
ecológicas que ameaçam o futuro da humanidade.
O fato de poucos anos antes os países não desenvolvidos terem iniciado seu
processo de industrialização tardio e dependente intensificou os impactos
ambientais, fazendo o mundo sentir mais necessidade de colocar em discussão
as relações entre desenvolvimento econômico e meio ambiente.

LEGENDA: Christiania, localizada em Copenhague, Dinamarca, foi fundada na


década de 1960 por adeptos do movimento flower power ou hippie. Alguns
anos antes da realização da Conferência de Estocolmo, esse movimento já
clamava por um mundo com paz e uma vida em comunhão com a natureza. De
certa maneira (mas sem usar o termo), já pregava uma ideia próxima do que
viria a ser a noção de desenvolvimento sustentável. Foto de 2014.

FONTE: Serg Zastavkin/Shutterstock

A Conferência de Estocolmo, realizada na capital sueca em 1972 e


denominada oficialmente Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente
Humano, foi a primeira a discutir questões sobre desenvolvimento e meio
ambiente.

Nesse encontro foram discutidas duas propostas diferentes no que se refere a


desenvolvimento x destruição do meio ambiente: desenvolvimento zero e
desenvolvimento a qualquer preço. A primeira, defendida pelos países
desenvolvidos, propunha frear o crescimento econômico em âmbito mundial,
para evitar maior degradação ambiental. A segunda era sustentada por países
não desenvolvidos que se industrializavam e defendiam o crescimento
econômico, mesmo à custa de impactos ambientais mais graves.

Com posições tão antagônicas, a Estocolmo-72 chegou ao fim sem nenhuma


solução conciliatória. Entretanto, a crise do petróleo iniciada em 1973 mostraria
que os recursos naturais são esgotáveis, e o tema voltaria a ser discutido na
década seguinte.

No início da década de 1980, a ONU formou a Comissão Mundial sobre Meio


Ambiente e Desenvolvimento, encarregada de estudar o tema. Essa comissão
publicou, em 1987, um estudo denominado Nosso Futuro Comum ou Relatório
Brundtland*. Esse documento propunha uma alternativa às duas propostas
apresentadas na Conferência de Estocolmo: o desenvolvimento sustentável,
que busca combinar desenvolvimento e preservação do meio ambiente.
Também apontava as relações entre os países ricos e pobres como a causa do
desequilíbrio ecológico, estabelecia uma ligação entre pobreza e degradação
ambiental e falava da necessidade da cooperação financeira e tecnológica
entre os países ricos e pobres.

LEGENDA: Gro Harlem Brundtland, presidente da comissão responsável pelo


relatório que definiu o conceito de desenvolvimento sustentável, em foto de sua
conferência na Rio+20, junho de 2012.

FONTE: Andre Durao/Agência France-Presse

* O Relatório Brundtland leva o nome da então primeira-ministra da Noruega,


Gro Harlem Brundtland, que presidiu essa Comissão.

226

Segundo esse relatório, desenvolvimento sustentável é "aquele que atende às


necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações
futuras terem suas necessidades atendidas".

O conceito de desenvolvimento sustentável envolve, entre dezenas de


recomendações, duas preocupações fundamentais: a preservação do meio
ambiente para as gerações futuras e atuais e a diminuição da pobreza no
mundo. Fica muito claro, nessa nova visão das relações entre seres humanos e
meio ambiente, que não existe apenas um limite mínimo para o bem-estar da
sociedade, mas também um limite máximo para a utilização dos recursos
naturais, a fim de garantir que eles sejam preservados.

Com base nos resultados do Relatório Brundtland, a ONU convocou a


Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
(Cnumad), realizada em junho de 1992, no Rio de Janeiro, e que ficou
conhecida como Cúpula da Terra ou Eco-92.

Eco-92

Objetivos: promover o desenvolvimento sustentável. Representantes de quase


todos os países do mundo reuniram-se para decidir que providências tomar
para diminuir a degradação ambiental e preservar o legado das gerações
vindouras, seguindo um modelo de crescimento econômico menos consumista
e mais adequado ao equilíbrio ecológico.
Resultados: redação da Carta da Terra ou Declaração do Rio (Agenda 21).
Essa carta atribui aos países ricos maior responsabilidade pela conservação do
meio ambiente, estabelecendo metas para a preservação da biodiversidade e
para a diminuição da emissão de gases na atmosfera. As resoluções da
Agenda 21, que prevê um desenvolvimento sustentável para o século XXI,
podem ser resumidas nos seguintes itens:

- Dimensões sociais e econômicas: combate à miséria, mudança nos padrões


de consumo, melhoria da saúde e da qualidade de vida.

- Conservação e gestão dos recursos naturais: disciplina o uso da água e o


controle de resíduos e substâncias tóxicas.

- Papel da sociedade: educação e participação de toda a sociedade.

- Meios de implementação: instrumentos financeiros e legais para que projetos


e programas sejam executados.

Outra resolução divulgada na Agenda 21 foi o estabelecimento de convenções


para tratar de problemas que devem receber a atenção de toda a comunidade
internacional: Convenção das Mudanças Climáticas, Convenção da
Biodiversidade e Convenção da Desertificação.

Em razão das decisões tomadas na Eco-92, várias reuniões ou "cúpulas" foram


realizadas, nos anos seguintes, para debater os principais problemas
levantados nessas convenções. São as chamadas Conferências das Partes,
designadas pela sigla COP mais o número que indica a sequência em que
foram realizadas.

Dentro da Convenção das Mudanças Climáticas, uma das mais importantes foi
a Conferência do Clima (COP-3), realizada em 1997, no Japão.

Convenção das Mudanças Climáticas e Kyoto-97

O efeito estufa e sua principal consequência, o aquecimento global, são


preocupações anteriores à Eco-92. Em 1988, por determinação do Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e da Organização Mundial
de Meteorologia (OMM), o Painel Intergovernamental sobre Mu dan ças
Climáticas reuniu 2 mil cientistas do mundo todo para discutir o assunto.
Durante a Eco-92, após discussões sobre mudanças climáticas, dirigentes de
mais de 150 países ratificaram o tratado Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudanças do Clima, tornando-o lei internacional. Em
consequência das resoluções desse tratado, foi realizada, em 1997, a
Conferência do Clima de Kyoto, que reuniu 159 países e decidiu pela redução
das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa.

Entre os principais pontos do Protocolo de Kyoto, o documento mais importante


da Convenção das Mudanças Climáticas, ressaltamos estas determinações:

- Entre 2008 e 2012, os países desenvolvidos deveriam reduzir pelo menos


5,2% dos índices de emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa, em
relação aos índices de 1990.

- O documento previa níveis diferenciados de redução para os 38 países


considerados, na época, os maiores emissores de gases estufa.

- Os Estados Unidos deveriam reduzir 7% de suas emissões; a União


Europeia, 8%; e o Japão, 6%.

227

- Não foram estabelecidas metas para a China nem para os países em


desenvolvimento, como México, Brasil e Índia.

- Foram sugeridas várias medidas e alternativas para atingir a redução prevista,


entre elas: substituir o uso de carvão e de petróleo pelo uso de gás natural;
incentivar projetos de energia solar e energia eólica; melhorar o transporte
público; cortar subsídios ao carvão e ao petróleo; elaborar projetos que
poderiam, aos poucos, substituir motores de combustão interna.

O Protocolo, porém, ficou sujeito a ratificação posterior. O maior problema foi a


decisão unilateral do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de
não ratificá-lo. Para entrar em vigor, o Protocolo de Kyoto necessitava da
ratificação de 55 países responsáveis por 55% das emissões de gases estufa,
em 1990. Essa meta só foi alcançada em fevereiro de 2005, com a ratificação
da Rússia. O Brasil já havia ratificado o protocolo em agosto de 2002.

As discussões sobre o Protocolo


As principais críticas ao documento relacionavam-se às metas modestas de
redução da emissão dos gases estufa e à indefinição de um prazo para que
elas fossem alcançadas.

O Protocolo de Kyoto foi aberto à assinatura em 16 de março de 1998, em


Nova York. No mesmo ano, em Buenos Aires, reuniu-se a COP-4 para discutir
sua implementação e ratificação. No ano seguinte, a COP-5, realizada em
Bonn, na Alemanha, deu continuidade aos trabalhos iniciados em Buenos
Aires.

Em 2000, a reunião de Haia, na Holanda (COP-6), terminou sem uma decisão


definitiva, em virtude de divergências entre União Europeia, Estados Unidos e
Canadá sobre o fato de que reflorestamentos realizados pelos norte-
americanos em seu território pudessem eximi-los de diminuir as emissões de
gases estufa. Outro ponto polêmico foi a sugestão da União Europeia de adotar
a "implementação conjunta", ou seja, de dois países-membros somarem suas
emissões para atingir a meta exigida.

Em 2001, a Cúpula do Clima (COP-6,5), realizada em Bonn, foi marcada pela


intransigência do então presidente norte-americano George W. Bush em não
aceitar a proposta de redução das emissões de gases de efeito estufa pelo seu
país, além de sugerir que países emergentes também tivessem cotas de
redução, o que impossibilitou o sucesso da reunião.

Na COP-7, realizada em Marrakech, no Marrocos, os principais pontos


discutidos foram a regulamentação dos mecanismos de compensação de
redução de emissões de gases estufa, entre eles o Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo e a mudança do uso de florestas e da terra, evitando
procedimentos que causem emissões.

O Mecanismo do Desenvolvimento Limpo beneficia os países em


desenvolvimento, pois permite que um país industrializado que não atingir
totalmente as metas de redução em seu próprio território invista em países não
obrigados pelo Protocolo (caso do Brasil), implementando projetos que
resultem em efetivas reduções, como o uso de fontes energéticas alternativas.
LEGENDA: Manifestação de diversas Organizações Não Governamentais
(ONGs) contra a Conferência do Clima de Kyoto, logo após o encerramento.
Kyoto, Japão, em 1997.

FONTE: Thierry Orban/Sygma/Corbis/Latinstock

228

Essas reduções de emissões poluentes, verificadas nos países emergentes,


podem ser certificadas e utilizadas pelos países obrigados pelo Protocolo para
cumprir parte de seu compromisso.

As demais COPs sobre o clima foram realizadas, entre 1998 e 2008, na


Argentina, na Holanda, na Ale manha, no Marrocos, na Itália, no Canadá, no
Quênia, na Indonésia e na Polônia.

Com essas conferências, termina a primeira fase das discussões do Protocolo


de Kyoto. Veja as ratificações do Protocolo no mapa abaixo.

A Conferência das Partes das Mudanças Climáticas, realizada em Durban, na


África do Sul, em 2011, determinou uma segunda fase do Proto colo de Kyoto.

No documento, denominado Plataforma de Durban, foi estabelecido o


mecanismo que deve reger o Fundo Verde para o Clima e traçado um roteiro
para um novo acordo global. A cúpula obteve a aprovação de um segundo
período desse tratado, com início em 2013, que fixa obrigações de redução de
emissões aos países desenvolvidos, exceto aos Estados Unidos, que não
ratificaram o Protocolo. Canadá, Rússia e Japão ficam fora desse período.

O Fundo Verde para o Clima é um caixa financeiro de US$ 100 bilhões anuais
disponíveis a partir de 2020, dinheiro fornecido pelos países ricos para ajudar
as economias não desenvolvidas a financiar ações para reduzir suas emissões
de gases estufa e combater as consequências da mudança climática.

A COP-18 realizou-se entre os meses de novembro e dezembro de 2012, no


Catar, país que é o maior emissor mundial de CO2per capita, e terminou com o
adiamento das questões mais relevantes. Nessa conferência foi aprovado um
segundo período do Protocolo de Kyoto (2013-2020), que deverá propor um
corte de 18% dos gases de efeito estufa sobre os dados de 1990.
A COP-19 foi realizada em Varsóvia, na Polônia, em 2013. O principal objetivo
era iniciar o planejamento de um novo tratado para substituir o Protocolo de
Kyoto. Esse documento foi elaborado na COP-21, realizada em Paris, na
França, de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2015.

A COP-19 terminou apenas com a promessa de que o assunto seria discutido


na COP-20, em Lima, no Peru, em 2014.

FONTE: Adaptado de: SCIENCES PO - Atelier de Cartographie. Disponível em:


http://cartographie.sciences-po.fr/en/node/2895. Acesso em: 15 nov. 2015.
CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo da editora

229

A Conferência foi tumultuada, com muitas discussões entre países


desenvolvidos e emergentes. O documento final tenta dar as diretrizes para a
Conferência de Paris, que deve definir o acordo que substituirá o Protocolo de
Kyoto, que se extingue em 2020, e abrangerá todos os países, enquanto as
metas de redução de emissões em vigor se aplicam apenas às nações
desenvolvidas.

Os países desenvolvidos deveriam apresentar seus compromissos até março


de 2015, os demais até junho. Embora nem todos sejam considerados
desenvolvidos, Noruega, Suíça, Rússia, União Europeia (28 países), Estados
Unidos e México o fizeram, em março de 2015. Japão, Canadá e Austrália não
apresentaram suas metas.

China e Estados Unidos foram fundamentais para um acordo em 2015, em


Paris. Os Estados Unidos, segundo maior poluidor do mundo, formalizaram em
março o compromisso de cortar 28% de suas emissões até 2025, em relação
aos números de 2005. Essa resolução confirma o acordo feito com os chineses
em novembro de 2014. Naquela ocasião, a China se comprometeu a atingir o
limite de suas emissões de CO2 no máximo até 2030, quando, então, elas
deverão começar a cair. Para isso, o país pretende fazer investimentos para
que 20% de sua energia tenha origem em fontes não poluentes.

O documento final da Conferência de Clima de Paris - Transformando o


mundo: a nossa agenda de Desenvolvimento Sustentável para 2030 - propõe
um acordo que deve "garantir um aumento da temperatura média global inferior
a 2 °C". O texto reconhece a ameaça que as mudanças climáticas representam
para a humanidade e, o que é mais importante, o caráter irreversível dessas
mudanças. Recomenda maior cooperação entre todos os países para
promover a redução das emissões globais dos gases que provocam o efeito
estufa. Por esse motivo, estabelece a urgência de limitar o aumento da
temperatura em 1,5 °C, recomendando o acompanhamento e a revisão do
acordo a cada cinco anos, começando em 2023. O documento deverá ser
ratificado pelos países participantes da conferência.

Boxe complementar:

Hotspots

O termo hotspot é utilizado em várias áreas do conhecimento. Em Ecologia se


refere a áreas de grande importância ecológica e com espécies endêmicas.
Segundo a Conservation International, ONG que estuda a biodiversidade,
"hotspot é toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade
e ameaçada no mais alto grau. É considerada hotspot uma área com pelo
menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4
de sua vegetação original".

Desde 2005, há 34 hotspots no planeta, sendo dois brasileiros: a Mata Atlântica


e o Cerrado.

FONTE: Adaptado de: REVISTA Nova Escola. Disponível em:


http://rede.novaescolaclube.org.br/planos-de-aula/biodiversidade/hotspots-
ambientais. Acesso em: 19 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo
da editora

Fim do complemento.

230

Convenção da Biodiversidade

Os trabalhos da Convenção da Biodiversidade iniciaram-se com a criação das


Conferências das Partes (COPs), em 1993. A maior preocupação dessa
Convenção são as espécies ameaçadas de extinção, sobretudo nas regiões
intertropicais, onde estão as maiores diversidades biológicas do mundo. O
número de espécies ameaçadas depende da diversidade de cada região. As
reuniões da Convenção da Biodiversidade vêm se realizando em várias partes
do mundo ao longo das duas últimas décadas.

Convenção da Desertificação

A Convenção das Nações Unidas de Com bate à Desertificação (UNCCD, sigla


em inglês) entrou em vigor em 1996, depois de ter sido ratificada por mais de
cinquenta países.

Objetivos: "lutar contra a desertificação e minimizar os efeitos da seca,


mediante a adoção de medidas eficazes em todos os níveis".

Resultado: em 1994, a Assembleia Geral da ONU designou 17 de junho como


o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca.

Depois de duas importantes reuniões da Convenção da Desertificação,


realizadas em Roma, Itália (1997), e em Olinda, Pernambuco (1999), como
vimos no Capítulo 9, os trabalhos prosseguiram em outros encontros: Bonn,
Alemanha (2000); Genebra, Suíça (2001); Havana, Cuba (2003); Nairóbi,
Quênia (2005); Madri, Espanha (2007); Buenos Aires, Argentina (2009).

Declarado pela ONU como o Ano Interna cional dos Desertos e da


Desertificação, 2006 teve uma extensa agenda de eventos locais, nacionais e
internacionais para atrair a atenção do mundo para o problema: publicações,
um festival de cinema em Roma, conferências, cursos, etc. A intenção da ONU
foi sensibilizar a comunidade internacional para o avanço dos desertos, a
ameaça que a desertificação representa para a humanidade, as maneiras de
preservar a biodiversidade, bem como proteger os conhecimentos e as
tradições dos povos que vivem em regiões áridas.

Em 2010, na Conferência Interna cional sobre Clima, Sustentabilidade e


Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas, realizada em Fortaleza, a
UNCCD determinou os próximos dez anos como a Déca da sobre Desertos e
de Combate à Desertificação.

LEGENDA: Milhares de voluntários estão trabalhando para fazer um controle


da desertificação em Wuwei, Gansu, na China. Foto de 2014.

FONTE: TPG/Getty Images

Johannesburgo-2002 - Rio+10
Dez anos depois da Eco-92, representantes de quase todos os países do
mundo (não compareceram Chade, Nauru, São Vicente e San Marino)
reuniram-se em Johannesburgo, África do Sul, para avaliar quais metas
estabelecidas na Agenda 21 tinham sido alcançadas. Foi a Cúpula Mundial
sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10,
promovida pela ONU. Os temas programados para essa conferência foram:
crescimento demográfico, uso de fontes alternativas de energia, uso da água,
mudanças climáticas e conservação da biodiversidade.

A Rio+10 revelou, de forma mais evidente, as diferenças que separam o


mundo não desenvolvido do mundo desenvolvido, o que o presidente do país
anfitrião chamou de "apartheid global". Grande parte da população mundial não
tem acesso a energia e água potável, dois importantes temas da reunião.

231

Fontes de energia renováveis e não poluentes e o combate ao desperdício no


uso dos recursos hídricos também foram considerados. Essas diferenças
puseram em xeque o atual modelo de globalização, que privilegia os países
ricos, deixando à margem de suas vantagens o mundo não desenvolvido.

O Brasil, dono da maior área florestal e da maior biodiversidade do mundo,


teve papel importante na defesa do interesse dos países emergentes. Estes
reuniram-se em um grupo chamado G-77, que, de fato, é formado por 133
países e se opõe ao G-8, que congrega as maiores economias do mundo
(Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá),
mais a Rússia, que está suspensa do bloco desde 2014 por problemas
geopolíticos.

Outro ponto de divergência entre países ricos e pobres foram os subsídios


concedidos por países ricos aos seus produtores agrícolas, o que prejudica os
paí ses pobres no mercado mundial desse setor.

Ficou claro, após a Rio+10, que o período decorrido entre a Eco-92 e a Cúpula
de Johannesburgo pode ser considerado a "década perdida" do meio ambiente.
Muito pouco das resoluções da Agenda 21 foi concretizado efetivamente. O
Protocolo de Kyoto foi ratificado por vários países, mas é rejeitado pelos
Estados Unidos, um dos grandes poluidores mundiais; o consumo do petróleo
como combustível aumentou; a pobreza diminuiu, mas em escala tão pequena
que não melhorou o padrão de vida das populações menos favorecidas. Além
disso, o documento aprovado pela Conferência não contém os instrumentos
necessários para agir contra a miséria nem para proteger o meio ambiente da
destruição gradativa.

Rio+20

Em junho de 2012, realizou-se no Rio de Janeiro a Conferência das Nações


Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Objetivo: determinar quantas metas estabelecidas na Eco-92 e em


Johannesburgo-2002 já foram alcançadas.

Temas: combate à pobreza, cidades, crianças e jovens, economia verde,


desigualdades de gêneros, educação, meio ambiente, mudanças climáticas,
biodiversidade, agricultura, água, energia, oceanos e povos tradicionais.

Resultados: redação do documento O futuro que queremos, que traça metas


para o desenvolvimento sustentável. O texto conduzido pelo Brasil é um
consenso entre quase duzentos países, mas foi muito criticado por
organizações não governamentais, especialistas e pela sociedade em geral,
por não estabelecer objetivos a serem atingidos em curto prazo.

Quadro: equivalente textual a seguir.

Resumo do documento O futuro que queremos (Rio+20)

Reforça um dos Objetivos do Milênio, que pretende reduzir


Água pela metade a população sem acesso a água e saneamento
básico.

Prevê a importância de as regiões metropolitanas


Cidades implementarem políticas de planejamento urbano
sustentável para atender seu crescimento populacional.

Coloca para 2014 um plano para o resgate das águas em


Oceanos
alto-mar.
Determina que os países que ratificaram o Protocolo de
Mudanças
Kyoto cumpram seus compromissos firmados na
climáticas
Conferência de Durban.

Energia Levar energia sustentável para todos.

Instrumento para a erradicação da pobreza e para o


Economia verde
desenvolvimento sustentável.

Foram reafirmados os compromissos já estabelecidos por


Biodiversidade
esta convenção.

Povos Aumentar o bem-estar das populações indígenas e das


tradicionais minorias étnicas.

Não foram definidos novos financiamentos, apesar de se


Pobreza
reafirmar que este é o maior desafio mundial.

Revitalizar a agricultura em países em desenvolvimento de


Agricultura
maneira social, ambiental e economicamente sustentável.

232

Defensores da natureza

Existem associações que não têm ligação com nenhum governo ou partido
político, mas se mobilizam, de várias formas, em defesa da natureza. São as
ONGs, que desenvolvem vários projetos pela preservação ambiental. As
principais são o Greenpeace e o WWF. No Brasil, destacam-se a Fundação
Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), com sede no Rio de
Janeiro, e a SOS Mata Atlântica, com sede em São Paulo.

Boxe complementar:

Leitura e reflexão

Ícone: Não escreva no livro.

A sociedade de consumo
A abundância dos bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema
industrial, é considerada, frequentemente, um símbolo do sucesso das
economias capitalistas modernas. No entanto, essa abundância passou a
receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o
consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais
modernas.

Os bens, em todas as culturas, funcionam como manifestação concreta dos


valores e da posição social de seus usuários. Na atividade de consumo se
desenvolvem as identidades sociais e sentimos que pertencemos a um grupo e
que fazemos parte de redes sociais. O consumo envolve também coesão
social, produção e reprodução de valores. Desta forma, não é uma atividade
neutra, individual e despolitizada. Ao contrário, trata-se de uma atividade que
envolve a tomada de decisões políticas e morais praticamente todos os dias.
Quando consumimos, de certa forma manifestamos a forma como vemos o
mundo.

Há, portanto, uma conexão entre valores éticos, escolhas políticas, visões
sobre a natureza e comportamentos relacionados às atividades de consumo.
No entanto, com a expansão da sociedade de consumo, amplamente
influenciada pelo estilo de vida norte-americano, o consumo se transformou em
uma compulsão e um vício, estimulados pelas forças do mercado, da moda e
da propaganda.

A sociedade de consumo produz carências e desejos (materiais e simbólicos)


incessantemente. Os indivíduos passam a ser reconhecidos, avaliados e
julgados por aquilo que consomem, aquilo que vestem ou calçam, pelo carro e
pelo telefone celular que exibem em público. O próprio indivíduo passa a se
autoavaliar pelo que tem e pelo que consome. Mas é muito difícil estabelecer o
limite entre consumo e consumismo, pois a definição de necessidades básicas
e supérfluas está intimamente ligada às características culturais da sociedade e
do grupo a que pertencemos. O que é básico para uns pode ser supérfluo para
outros e vice-versa.

A felicidade e a qualidade de vida têm sido cada vez mais associadas e


reduzidas às conquistas materiais. Isto acaba levando a um ciclo vicioso, em
que o indivíduo trabalha para manter e ostentar um nível de consumo,
reduzindo o tempo dedicado ao lazer e a outras atividades e relações sociais.
Até mesmo o tempo livre e a felicidade se tornam mercadorias que alimentam
este ciclo.

Em suas atividades de consumo, os indivíduos acabam agindo centrados em si


mesmos, sem se preocupar com as consequências de suas escolhas. O
cidadão é reduzido ao papel de consumidor, sendo cobrado por uma espécie
de "obrigação moral e cívica de consumir".

Mas se nossas identidades se definem também pelo consumo, poderíamos


vincular o exercício da cidadania e a participação política às atividades de
consumo, já que é nestas atividades que sentimos que pertencemos e que
fazemos parte de redes sociais.

O consumo é o lugar onde os conflitos entre as classes, originados pela


participação desigual na estrutura produtiva, ganham continuidade, através da
desigual dade na distribuição e apropriação dos bens. Assim, consumir é
participar de um cenário de disputas pelo que a sociedade produz e pelos
modos de usá-lo. Sob certas condições, o consumo pode se tornar uma
transação politizada, na medida em que incorpora a consciência das relações
de classe envolvidas nas relações de produção e promove ações coletivas na
esfera pública.

Consumo sustentável: manual de educação. Brasília: Consumers


International/MMA/ MEC/IDEC, 2010. p. 14-15.

- Depois de refletir sobre o assunto, responda à questão.

- O que você faz no seu dia a dia para se tornar um consumidor menos
predatório do meio ambiente?

Fim do complemento.

233

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. O que representou a Conferência de Estocolmo, em 1972?


2. De acordo com o texto deste capítulo, quais são as preocupações
fundamentais envolvidas no conceito de desenvolvimento sustentável?

3. Leia com atenção:

Desde a Eco-92, todavia, a questão ambiental foi sendo assimilada pelas


relações sociais e pelas relações de poder hegemônicas, sobretudo pelo poder
econômico, o único em que, diga-se de passagem, o controle democrático por
parte da sociedade é frágil e os que trabalham com a matéria não
necessariamente conhecem a fórmula com que lidam no dia a dia, em que o
proprietário é protegido pelo sigilo comercial, e não a sociedade e o ambiente.
É como se só pudéssemos discutir os efeitos, estufa ou outros, mas jamais as
causas que os produzem [...]

HAESBAERT, Rogério; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A nova


desordem mundial. São Paulo: Unesp, 2006. p. 123.

a) Você concorda com o que dizem os autores do texto acima? Justifique sua
resposta.

b) Que relação os autores fazem entre o poder econômico e a sociedade?

c) Identifique dois fatores responsáveis pelo efeito estufa.

4. Leia as palavras do subsecretário-geral da ONU e diretor executivo do


Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em um artigo escrito
durante a Rio+20, realizada em junho de 2012, na capital fluminense.

Sustentabilidade em um mundo de 9 bilhões. A população mundial superou 7


bilhões de pessoas em outubro e deverá crescer para 9 bilhões até meados
deste século [...]. Conforme a população mundial cresce, a demanda por água,
árvores, alimentos e combustíveis aumentará.

A atividade humana alterou todos os aspectos do nosso planeta, incluindo o


clima. A escassez de água potável e terras cultiváveis já é um problema em
muitas partes do mundo, e a resiliência dos ecossistemas está ameaçada.

OSOTIMEHIN, Babatunde. O Globo, 17 jun. 2012. Caderno Especial, p. 6.

a) Relacione o texto citado ao que foi visto neste capítulo.


b) Identifique um lugar no mundo e um estado brasileiro onde já ocorre
escassez de água potável.

c) Atividade interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa. Escreva uma


redação expondo a sua opinião sobre o seguinte tema:

Qual é a maior ameaça à sustentabilidade do planeta?

- Depois, na classe, o professor pode selecionar algumas redações para serem


lidas aos colegas. No final da leitura, a classe pode se organizar em um grande
círculo para debater as diferentes opiniões.

5. Analise o texto a seguir.

O grande desafio que o mundo vive hoje é descobrir como preservar a


existência da diversidade, biológica e cultural, a fim de garantir um futuro
saudável não só para os humanos.

BARROS, Henrique Lins de. Biodiversidade e renovação da vida. Rio de


Janeiro: Fiocruz, 2011. p. 24.

- É possível uma convivência pacífica entre os interesses capitalistas e um


mundo que busque um futuro saudável para toda a humanidade? Justifique sua
resposta.

6. Atividade em grupo. O professor vai dividir os alunos em grupos. Cada


grupo, mediante sorteio, vai pesquisar os impactos ambientais decorrentes dos
empreendimentos, projetos ou eventos naturais listados a seguir:

a) Rompimento das barragens com rejeitos de minério em Mariana, Minas


Gerais (novembro de 2015).

b) Incêndio no porto de Santos, em São Paulo (abril de 2015).

c) Construção da usina Belo Monte, no Pará (início da construção em junho de


2011).

d) Acidente nuclear de Fukushima I, no Japão (março de 2011).

e) Transposição do rio São Francisco, no Nordeste brasileiro (iniciada em


2007).

Cada grupo vai pesquisar as principais informações:


- Quais foram as causas desse acontecimento? E as consequências?

- O que aconteceu com a população que habitava os lugares atingidos e os


arredores?

- O que foi feito (ou está sendo feito) para reparar os danos causados pelo
evento?

- Outras informações pertinentes e interessantes.

Os grupos podem utilizar variadas fontes de pesquisa (jornais, revistas, sites,


etc.). Também podem reunir imagens para compor um painel sobre o tema. No
final da pesquisa, cada grupo vai fazer um breve relato do seu trabalho e deixá-
lo exposto na classe.

234

Concluindo a Unidade 6

Leia o texto, reflita e depois faça o que se pede.

O que é Pegada Ecológica

No início da década de 1990, os especialistas William Rees e Mathis


Wackernagel procuravam formas de medir a dimensão crescente das marcas
que deixamos no planeta.

No ano de 1996, os dois cientistas publicaram o livro Pegada Ecológica:


reduzindo o impacto do ser humano na Terra, apresentando ao mundo um
novo conceito no universo da sustentabilidade.

A Pegada Ecológica foi criada para nos ajudar a perceber o quanto de recursos
da natureza utilizamos para sustentar nos so estilo de vida, o que inclui a
cidade e a casa onde mora mos, os móveis que temos, as roupas que usamos,
o transporte que utilizamos, aquilo que comemos, o que fazemos nas ho ras de
lazer, os produtos que compramos, e assim por diante.

A Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia


a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais.
Expressada em hectares globais (gha), permite comparar diferentes padrões
de consumo e verificar se estão dentro da capacidade ecológica do planeta.
Um hectare global significa um hectare de produtividade média mundial para
terras e águas produtivas em um ano.

Já a biocapacidade representa a capacidade dos ecossistemas em produzir


recursos úteis e absorver os resíduos gerados pelo ser humano.

Sendo assim, a Pegada Ecológica contabiliza os recursos naturais biológicos


renováveis (grãos e vegetais, carne, peixes, madeira e fibras, energia
renovável, etc.), segmentados em agricultura, pastagens, florestas, pesca, área
construída e energia e absorção de dióxido de carbono (CO2).

Veja os gráficos a seguir.

FONTE: Adaptado de: WWF. Living Planet Report 2014. Disponível em:
http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_ report/.
Acesso em: 15 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: WWF. Living Planet Report 2014. Disponível em:
http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_ report/.
Acesso em: 15 nov. 2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Três tipos de pegada

A Pegada Ecológica é o indicador mais conhecido quando se fala em medir os


impactos da ação humana sobre o meio ambiente. Mas ela não está sozinha e,
juntamente com a Pegada de Carbono e a Pegada Hídrica, forma o que
chamamos Família de Pegadas.

Os três indicadores dessa família são complementares e permitem analisar os


múltiplos aspectos das consequências das atividades humanas sobre o capital
natural.

- Pegada Ecológica - Mede os impactos da ação humana sobre a natureza,


analisando a quantidade de área bioprodutiva necessária para suprir a
demanda das pessoas por recursos naturais e para a absorção do carbono.

235

- Pegada de Carbono - Mede os impactos da humanidade sobre a biosfera,


quantificando os efeitos da utilização de recursos sobre o clima.
- Pegada Hídrica - Mede os impactos que as atividades humanas causam na
hidrosfera, monitorando os fluxos de água reais e ocultos.

É importante destacar que nem tudo pode ser capturado por esses indicadores.
É possível mapear apenas a utilização direta dos recursos naturais. Já os
recursos indiretos que são oferecidos pela natureza, como os serviços de
ecossistemas ou os valores de opção de usos futuros dos recursos naturais,
não podem ser mapeados.

Todas as pegadas tentam capturar de diferentes formas as pressões do


consumo humano sobre os recursos naturais.

Os três indicadores revelam a distribuição desigual do uso de recursos entre


habitantes de diferentes regiões do mundo.

Pegada Ecológica Global e Brasileira

Estudos mostram que desde o final dos anos 1970 a demanda da população
mundial por recursos naturais é maior do que a capacidade do planeta em
renová-los.

Dados mais recentes demonstram que estamos utilizando cerca de 50% a mais
do que o que temos disponível em recursos naturais, ou seja, precisamos de
um planeta e meio para sustentar nosso estilo de vida atual.

Podemos dizer que essa é uma forma irracional de exploração da natureza,


que gera o esgotamento do capital natural mais rápido do que sua capacidade
de renovação.

Essa situação não pode perdurar, pois, desta forma, enfrentaremos em breve
uma profunda crise socioambiental e uma disputa por recursos.

A Pegada Ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante,


indicando que o consumo médio de recursos ecológicos pelo brasileiro é bem
próximo da média mundial da Pegada Ecológica por habitante, equivalente a
2,7 hectares globais.

Adaptado de: WWF-BRASIL. Disponível em:


www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/. Acesso em:
15 nov. 2015.
1. Dê sua opinião sobre a validade desse texto. Identifique os argumentos que
você considera procedentes ou improcedentes.

2. Você se considera um credor ou um devedor ambiental? Justifique sua


resposta.

3. Que risco corre nosso planeta se nenhuma mudança for feita para reduzir a
velocidade de consumo mundial?

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1. Trata-se de um gigantesco movimento de construção de cidades, necessário


para o assentamento residencial dessa população, bem como de suas
necessidades de trabalho, abastecimento, transportes, saúde, energia, água,
etc. Ainda que o rumo tomado pelo crescimento urbano não tenha respondido
satisfatoriamente a todas essas necessidades, o território foi ocupado e foram
construídas as condições para viver nesse espaço.

MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana.


Petrópolis: Vozes, 2001.

A dinâmica de transformação das cidades tende a apresentar como


consequência a expansão das áreas periféricas pelo(a):

a) crescimento da população urbana e aumento da especulação imobiliária.

b) direcionamento maior do fluxo de pessoas, devido à existência de um


grande número de serviços.

c) delimitação de áreas para uma ocupação organizada do espaço físico,


melhorando a qualidade de vida.

d) implantação de políticas públicas que promovem a moradia e o direito à


cidade aos seus moradores.

e) reurbanização de moradias nas áreas centrais, mantendo o trabalhador


próximo ao seu emprego, diminuindo os deslocamentos para a periferia.

2. Taxa de fecundidade total: Brasil - 1940-2010


FONTE: Banco de imagens/Arquivo da editora

O processo registrado no gráfico gerou a seguinte consequência demográfica:

a) Decréscimo da população absoluta.

b) Redução do crescimento vegetativo.

c) Diminuição da proporção de adultos.

d) Expansão de políticas de controle da natalidade.

e) Aumento da renovação da população economicamente ativa.

236

3. Embora haja dados comuns que dão unidade ao fenômeno da urbanização


na África, na Ásia e na América Latina, os impactos são distintos em cada
continente e mesmo dentro de cada país, ainda que as modernizações se
deem com o mesmo conjunto de inovações.

ELIAS, Denise. Fim do século e urbanização no Brasil. Revista Ciência


Geográfica, Bauru, ano IV, n. 11, set./dez. 1988.

O texto aponta para a complexidade da urbanização nos diferentes contextos


socioespaciais. Comparando a organização socioeconômica das regiões
citadas, a unidade desse fenômeno é perceptível no aspecto

a) espacial, em função do sistema integrado que envolve as cidades locais e


globais.

b) cultural, em função da semelhança histórica e da condição de modernização


econômica e política.

c) demográfico, em função da localização das maiores aglomerações urbanas


e continuidade do fluxo campo-cidade.

d) territorial, em função da estrutura de organização e planejamento das


cidades que atravessam as fronteiras nacionais.

e) econômico, em função da revolução agrícola que transformou o campo e a


cidade e contribuiu para fixação do homem ao lugar.

4. Tendências migratórias
O relatório anual de 2002 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) revela transformações na origem dos fluxos migratórios.
Observa-se aumento das migrações de chineses, filipinos, russos e ucranianos
com destino aos países-membros da OCDE. Também foi registrado aumento
de fluxos migratórios provenientes da América Latina.

Trends in International Migration 2002. Disponível em: www.ocde.org.


(Adaptado).

No mapa a seguir, estão destacados com fundo verde os países que mais
receberam esses fluxos migratórios em 2002.

As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, à:

a) ameaça de terrorismo em países pertencentes à OCDE.

b) política dos países mais ricos de incentivo à imigração.

c) perseguição religiosa em países muçulmanos.

d) repressão política em países do Leste europeu.

e) busca de oportunidades de emprego.

5. A questão ambiental, uma das principais pautas contemporâneas,


possibilitou o surgimento de concepções políticas diversas, dentre as quais se
destaca a preservação ambiental, que sugere uma ideia de intocabilidade da
natureza e impede o seu aproveitamento econômico sob qualquer justificativa.

PORTO-GONÇALVES, C. W. A globalização da natureza e a natureza da


globalização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006. (Adaptado.)

Considerando as atuais concepções políticas sobre a questão ambiental, a


dinâmica caracterizada no texto quanto à proteção do meio ambiente está
baseada na

a) prática econômica sustentável.

b) contenção de impactos ambientais.

c) utilização progressiva dos recursos naturais.

d) proibição permanente da exploração da natureza.

e) definição de áreas prioritárias para a exploração econômica.


6. Em material para análise de determinado marketing político, lê-se a seguinte
conclusão:

A explosão demográfica que ocorreu a partir dos anos 1950, especialmente no


Terceiro Mundo, suscitou teorias ou políticas demográficas divergentes. Uma
primeira teoria, dos neomalthusianos, defende que o crescimento demográfico
dificulta o desenvolvimento econômico, já que provoca uma diminuição na
renda nacional per capita e desvia os investimentos do Estado para setores
menos produtivos. Diante disso, o país deveria desenvolver uma rígida política
de controle de natalidade. Uma segunda, a teoria reformista, argumenta que o
problema não está na renda per capita e sim na distribuição irregular de renda,
que não permite o acesso à educação e saúde. Diante disso o país deve
promover a igualdade econômica e a justiça social.

I. Qual dos slogans abaixo poderia ser utilizado para defender o ponto de vista
neomalthusiano?

a) "Controle populacional - nosso passaporte para o desenvolvimento."

b) "Sem reformas sociais o país se reproduz e não produz."

c) "População abundante, país forte!"

d) "O crescimento gera fraternidade e riqueza para todos."

e) "Justiça social, sinônimo de desenvolvimento."

237

II. Qual dos slogans abaixo poderia ser utilizado para defender o ponto de vista
dos reformistas?

a) "Controle populacional já, ou o país não resistirá."

b) "Com saúde e educação, o planejamento familiar virá por opção!"

c) "População controlada, país rico!"

d) "Basta mais gente, que o país vai para a frente!"

e) "População menor, educação melhor!"

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.


1. (Fatec-SP) Em junho de 2012, foi realizada na cidade do Rio de Janeiro a
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a
Rio+20. O objetivo desse encontro foi a renovação do compromisso político
com o desenvolvimento sustentável, que apresenta como uma de suas
propostas:

a) Evitar o uso de recursos naturais e de matérias-primas nas indústrias para


não comprometer o meio ambiente.

b) Investir em pesquisas sobre alimentos geneticamente modificados com a


finalidade de acabar com a fome no mundo.

c) Desenvolver economicamente todas as nações para que estas possam ter o


mesmo padrão de consumo dos Estados Unidos.

d) Atender às necessidades da atual geração, sem comprometer a capacidade


das futuras gerações em prover suas próprias necessidades.

e) Incentivar os países desenvolvidos a ampliar o setor agroindustrial para


garantir que não faltem alimentos para os países subdesenvolvidos.

2. (Ufal) Desde o século XIX, as taxas de mortalidade de vários países da


Europa começaram a diminuir. Esse processo só chegou aos países
subdesenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial. Essa rápida queda da taxa
de mortalidade

a) foi acompanhada na mesma intensidade pela diminuição das taxas de


natalidade e de fecundidade.

b) promoveu um forte crescimento populacional que os neomalthusianos


denominaram explosão demográfica.

c) deu início à transição demográfica adotada pela maior parte dos países
africanos e asiáticos.

d) deu início à estabilização da população mundial, que passou a crescer


menos desde os anos de 1960.

e) representou mudanças na estrutura etária da população dos países pobres,


que passaram a ter altas porcentagens de velhos.

3. (UFPE) Leia atentamente o texto a seguir.


A população, sem limitações, aumenta em proporção geométrica. Os meios de
subsistência aumentam em proporção aritmética. Um pequeno conhecimento
dos números mostrará a imensidade do primeiro poder em comparação com o
segundo. Pela lei de nossa natureza que torna o alimento necessário à vida do
homem, os efeitos dessas forças desiguais devem ser mantidos em pé de
igualdade.

O texto acima refere-se a uma concepção:

a) neoliberal.

b) neomarxista.

c) possibilista.

d) marxista-leninista.

e) malthusiana.

4. (Unesp-SP) As previsões de especialistas para 2015 projetam que cerca de


33 cidades do mundo terão, pelo menos, 8 milhões de habitantes ocupando
0,4% da área do planeta. Assinale a alternativa que contém o processo descrito
e alguns impactos ambientais importantes dele resultantes.

a) Envelhecimento da população; favelas; voçoroca.

b) Globalização; efeito estufa; assoreamento dos rios.

c) Urbanização; segregação espacial; enchentes.

d) Emigração; chuva ácida; migrações pendulares.

e) Favelização; secas; erosão eólica.

5. (Unemat-MT) A globalização da produção transformou algumas metrópoles


em centros da economia internacional. Esses centros urbanos formam uma
rede urbana por onde transita a maior parte do capital que circula pelos
mercados financeiros mundiais. São as empresas sediadas nestes centros que
lançam inovações tecnológicas e comandam os serviços especializados para a
indústria, como a publicidade e o marketing.

(GUIMARÃES et al., 2007).

Como esses centros urbanos são denominados?


a) Megacidades.

b) Centros Regionais.

c) Cidades Globais.

d) Conurbação Urbana.

e) Megalópoles.

6. (PUCC-SP) Os cenários metropolitanos em todo o globo têm muitos


aspectos em comum: grande concentração de pessoas, um ou mais centros de
negócios onde a vida econômica pulsa com intensidade, variada atividade
cultural, etc.

238

No entanto, observe as figuras e leia as afirmações a seguir.

LEGENDA: Mariman Point, em Mombai (Índia)

FONTE: Reprodução/PUCCAMP, 2005.

LEGENDA: Sem-teto em Nova York (EUA)

FONTE: Reprodução/PUCCAMP, 2005.

I. Embora, atualmente, com ritmos diferentes de crescimento, muitas das


metrópoles dos países capitalistas ricos e pobres apresentam problemas
ligados à pobreza e marginalização de parte de seus habitantes.

II. As questões ligadas à violência e ao desemprego fazem parte do cotidiano


das megacidades subdesenvolvidas, mas não existem nos países ricos.

III. As sub-habitações representam a mais antiga solução para o problema de


moradia e, de modo geral, estão situadas em áreas decadentes, nas
proximidades do centro das cidades.

Está correto somente o que se afirma em:

a) I.

b) II.

c) III.

d) I e II.
e) I e III.

7. (Fuvest-SP) Sempre deixamos marcas no meio ambiente. Para medir essas


marcas, William Rees propôs um(a) indicador/estimativa chamado(a) "Pegada
Ecológica". Segundo a Organização WWF:

Esse índice calcula a superfície exigida para sustentar um gênero de vida


específico. Mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a
capacidade do planeta de oferecer e renovar seus recursos naturais e também
de absorver os resíduos que geramos. Assim, por exemplo, países de alto
consumo e grande produção de lixo, bem como países mais industrializados e
com alta emissão de CO2 , apresentam maior Pegada Ecológica.

www.wwf.org.br. Acesso em: 17 ago. 2009. (Adaptado).

Assinale a anamorfose que melhor representa a atual Pegada Ecológica dos


diferentes países.

Nota: Considere apenas os tamanhos e as deformações dos países, que são


proporcionais à informação representada.

a)

b)

c)

d)

e)

239

8. (Uece) A questão ambiental deve ser compreendida como um produto da


intervenção da sociedade sobre a natureza. Diz respeito não apenas a
problemas relacionados à natureza, mas às problemáticas decorrentes da ação
social.

RODRIGUES, Arlete Moysés. Produção e consumo do e no espaço:


problemática ambiental urbana. São Paulo: Hucitec, 1998. p. 8.

A partir do excerto acima, pode-se concluir corretamente que os problemas


ambientais globais residem
a) na forma como o homem em sociedade apropria-se da natureza.

b) nas relações de consumo e não nas relações de produção.

c) principalmente na forma de exploração dos recursos naturais não


renováveis.

d) apenas nas relações de produção, porque estas não têm vinculação com o
consumo.

9. (UFRRJ) A inevitável devastação ambiental decorrente do processo de


desenvolvimento industrial é um "quadro" que começa a se modificar a partir da
defesa pública de um novo conceito: O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.

O uso dessa expressão tem a finalidade de:

a) sustentar a inevitável necessidade do desenvolvimento.

b) garantir que o desenvolvimento contemporâneo não se sustenta.

c) sustentar o meio ambiente em detrimento do desenvolvimento.

d) propor a conciliação do desenvolvimento com o meio ambiente.

e) divulgar a insustentável situação do meio ambiente.

Questões de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (Unicamp-SP)

FONTE: BANCO MUNDIAL, 2013. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da


editora

Segundo dados da ONU (2013), em 2011, 51% da população mundial (3.6


bilhões) passou a viver em áreas urbanas, em contraste com pouco mais de
um terço registrado em 1972. Essa mudança tem implicado grandes
metamorfoses do espaço habitado, levando à formação de megacidades
(aglomerados urbanos com mais de 10 milhões de habitantes) em todos os
continentes.

a) Indique os fatores que impulsionam a urbanização mundial, levando à


formação de megacidades nos países menos desenvolvidos.
b) Aponte, ao menos, três problemas relacionados à dinâmica do espaço
urbano das megacidades de países menos desenvolvidos.

2. (PUC-RJ) Os dados do IBGE mostram que o crescimento vegetativo da


população está diminuindo em todas as regiões brasileiras, tanto nas zonas
rurais como nas áreas urbanas. Apresente dois argumentos que justifiquem a
afirmativa acima.

240

Outras fontes de reflexão e pesquisa

Filmes

Apresentamos a seguir algumas sugestões de filmes que abordam o conteúdo


tratado nesta Unidade.

- Mudanças do clima, mudanças de vida

Greenpeace, 2006, 51 minutos.

Aborda os principais impactos causados pelo aquecimento global, no Brasil e


no mundo.

- O dia depois de amanhã

Direção: Roland Emmerich. Estados Unidos, 2004, 124 minutos.

Nesta ficção científica o aquecimento global provoca devastação e uma nova


era glacial no planeta. Uma tempestade faz cair pedras de gelo do tamanho de
laranjas, no Japão. O centro de Nova York é inundado. As condições do tempo,
bastante exageradas, estimulam a reflexão sobre as mudanças climáticas.

- Terra

Direção: Alastair Fothergill, Mark Linfield. Reino Unido e Alemanha, 2007, 96


minutos.

Documentário dos estúdios Disney que aborda a interação entre animais e o


meio ambiente. As fotografias impressionam pela beleza e nos deixam um
alerta sobre a importância da preservação das espécies animais do planeta
Terra.

- Wall-E
Direção: Andrew Stanton. Estados Unidos, 2008, 98 minutos.

Animação na qual um robô chamado Wall-E passa a limpar o lixo que cobre o
planeta Terra em um futuro distante. Apesar de o filme se passar no futuro, a
questão do lixo está cada vez mais presente em nosso cotidiano.

Livros

Estes livros poderão ampliar o assunto estudado.

- A questão ambiental na América Latina

FERREIRA, Leila da Costa (Org.). Campinas: Ed. da Unicamp, 2011.

A obra procura apresentar resultados de discussões acerca de temas de


grande importância para a América Latina.

- Biodiversidade e renovação da vida

Henrique Lins de Barros. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2011.

Esse pesquisador explica como a existência da vida no planeta depende de


sua extrema diversidade, atualmente ameaçada pelo consumismo desenfreado
e pela mentalidade de curto prazo da produção capitalista. Aborda também o
surgimento e a evolução dos seres vivos.

- População e geografia

Amélia Luísa Damiani. São Paulo: Melhoramentos, 2009.

Uma retomada da questão populacional segundo a Geografia clássica. A fome


e a miséria de parte substancial da população humana fizeram renascer as
ideias contidas nas teorias marxista (superpopulação relativa) e malthusiana
(superpopulação absoluta).

Sites

Os sites indicados a seguir constituem uma boa fonte de pesquisa.

- www.agenda21local.com.br

Site com informações sobre a Agenda 21 e a Rio+10.

- www.pnud.org.br/rdh
Site em português, em que é possível consultar os Relatórios do
Desenvolvimento Humano.

- www.unep.org/

Site da ONU em que é possível encontrar informações sobre mudanças


climáticas, desastres naturais, conferências sobre o meio ambiente. Em inglês,
espanhol e francês.

- www.unfpa.org.br/novo/

Site da ONU em que é possível encontrar informações e estatísticas sobre a


população mundial. Em português.

- www.unhabitat.org

Site em inglês, com informações e estatísticas sobre as diversas cidades do


mundo.

241

unidade 7. População e território: o Estado-Nação

LEGENDA: Mulheres palestinas andando ao lado de muro em Belém, na


Cisjordânia. Na parede, um grafite mostra uma mulher palestina acenando a
bandeira nacional entre soldados israelenses que apontam suas armas e
manifestantes palestinos em posição de luta. Foto de 2015.

FONTE: Musa Al-Shaer/Agência France-Presse

Ao se estabelecer em determinado local no espaço geográfico, uma população


se organiza na forma de instituições sociais e culturais que delimitam a sua
identidade: a língua, a história e o território, cujas fronteiras coincidem com o
processo de construção social do espaço geográfico. Um território é o produto
do trabalho de uma sociedade em certo espaço geográfico com toda a sua
complexidade histórica e cultural. Um território também é formado pelas
relações de poder que diversos agentes exercem no espaço geográfico. Ao
transformar o meio natural e organizar esse espaço, esses agentes passam a
disputar o controle dos diversos territórios. O Estado-Nação é apenas um
desses agentes.

242
capítulo 19. O Estado-Nação: fronteiras, território e territorialidade

LEGENDA: Em 18 de julho de 2014, um grande número de pessoas se reuniu


nas ruas de Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, para um protesto pacífico contra
os ataques israelenses na Faixa de Gaza.

FONTE: Kemal Zorlak/Anadolu/Getty Images

País, Estado-Nação e nação

A imagem escolhida para abrir este capítulo é de uma cidade emblemática,


considerando o assunto de que vamos tratar agora. Sarajevo, fundada no
século XV pelos otomanos, possuía, em 2015, cerca de 696 mil habitantes.

Glossário:

Otomano: povo pertencente ao antigo Império Turco.

Fim do glossário.

Atualmente a cidade de Sarajevo é capital da Bósnia-Herzegovina, país


localizado no sudeste do continente europeu. Entretanto, essa cidade já fez
parte de outras divisões políticas, como o Reino da Iugoslávia (de 1920 a 1941)
e a Federação da Iugoslávia (de 1946 a 1992).

Isso significa que essa mesma cidade já pertenceu a diferentes países ao


longo de sua história. E isso ocorre porque a divisão política do mundo se
modifica de acordo com a sucessão de fatos e acontecimentos históricos, como
guerras, tratados de paz ou movimentos de independência.

Para entender como e por que mudam as divisões políticas e como os países
se relacionam entre si no século XXI, é preciso conhecer alguns conceitos,
como nação, Estado-Nação, território, territorialidade, soberania, fronteiras
políticas e redes.

243

Do ponto de vista político, o espaço geográfico é atualmente dividido em países


que mantêm relações políticas e econômicas entre si. A maioria dos países são
Estados soberanos, como o Brasil. Existem dependências, isto é, territórios que
dependem de um país soberano. Como exemplos, podemos citar Curaçao e
Bonaire - ilhas do Caribe administradas pelos Países Baixos. Um país é
independente quando o poder que o Estado exerce sobre a população e sobre
o território é reconhecido por outros Estados soberanos. O Estado é soberano
no território delimitado pelas fronteiras, onde exerce seu poder a partir de uma
cidade, que, por sua vez, abriga os órgãos governamentais, a capital.

Os conceitos de país e Estado são semelhantes, mas não são iguais. Ambos
definem um território social, político, cultural e geograficamente delimitado. O
Estado, entretanto, é uma entidade jurídica que exerce soberania sobre o
território e é reconhecido por outros Estados. Existem Estados constituídos por
um único país, como o Brasil, e Estados formados por mais de um país, como
o Reino Unido, constituído por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do
Norte.

Nação e Estado-Nação são conceitos diferentes. Uma nação é formada por


pessoas que possuem pontos em comum, como língua, tradições, costumes,
valores e história. Quando uma nação é organizada politicamente e exerce
soberania sobre um território, é também um Estado-Nação.

Há nações que não possuem territórios e Estados soberanos, como os curdos,


no Oriente Médio, e os bascos, na França e Espanha, por isso não são
consideradas Estados-Nações. São nações (isto é, são a soma de cultura e
território, mas sem poder político de Estado).

LEGENDA: Vista de rua em Edimburgo, na Escócia, um dos países que


formam o Reino Unido. Foto de 2015.

FONTE: Albert Pego/Shutterstock

Existem Estados onde vivem mais de uma nação, como muitos países
africanos onde se encontram vários grupos étnicos. Há também nações que se
espalham por mais de um Estado. É o caso dos palestinos em Israel, na
Jordânia e na Autoridade Palestina (Cisjordânia e Faixa de Gaza).

Um Estado-Nação é o resultado de uma série de processos históricos por meio


dos quais uma sociedade estabelece uma organização política e uma
organização jurídica. A organização política implica a criação de um governo
que tenha poder, por um determinado período, sobre toda a sociedade e que
administre o Estado. A organização jurídica é o conjunto de normas que
permitem que o Estado seja administrado.
Território, territorialidade e soberania

Uma determinada área, em qualquer ponto do espaço geográfico, pode ser


definida por seu tipo de governo, sua cultura, seu sistema econômico e outros
agentes que influenciam a sua organização e a individualizam nesse espaço.
Essa área, delimitada no espaço geográfico, pode ser considerada um
território. No entanto, por ser o produto do trabalho de uma sociedade no
decorrer de sua história, um território apresenta grande complexidade
econômica e cultural. A noção de poder, domínio ou influência de vários atores
(políticos, econômicos e sociais) e a forma como eles moldaram a organização
desse território no espaço geográfico expressam uma determinada
territorialidade. Por esse motivo, não só os Estados exercem a territorialidade.
Outros atores, como as metrópoles mundiais, os organismos econômicos
mundiais - como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco
Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) - o Banco Mundial -,
grandes empresas transnacionais e até mesmo organizações criminosas
exercem a territorialidade, ou domínio, em várias frações ou porções do espaço
geográfico.

As fronteiras territoriais estabelecem os limites do alcance das relações de


poder exercidas pelos diversos agentes.

244

Entretanto, elas não são apenas políticas, porque nem sempre o território é
marcado por fronteiras exatas. Os lugares, os territórios e as paisagens são
delimitados ou separados por fronteiras que podem ter um significado mais
amplo do que faixas de separação entre países.

No mundo atual observam-se outros tipos de fronteira, além das políticas: há


também fronteiras naturais, econômicas, tecnológicas e supranacionais.

Para alguns analistas, as fronteiras econômicas e tecnológicas tendem a


desaparecer, em meio ao surgimento de atores sociais uniformizadores, como
as companhias transnacionais e as redes tecnológicas, que tornam o mundo
mais conectado e urbano, regido pelos mesmos sistemas tecnológicos.

Além disso, podemos identificar territórios em escalas diferentes, como


veremos mais adiante.
Glossário:

Fronteira supranacional: fronteira que reúne vários países dentro de


determinada área, ou da área que delimita.

Fim do glossário.

Boxe complementar:

Leitura e reflexão

Ícone: Não escreva no livro.

O Estado-Nação

O Estado-Nação é essencialmente formado por três elementos: o território, um


povo e soberania.

A utilização do território pelo povo cria o espaço. As relações entre o povo e


seu espaço e as relações entre os diversos territórios nacionais são reguladas
pela função da soberania [...].

A ação das sociedades territoriais é condicionada no interior de um dado


território:

1) pelo modo de produção dominante à escala internacional;

2) pelo sistema político;

3) pelos impactos dos modos de produção e dos momentos precedentes ao


modo de produção atual.

SANTOS, Mílton. Por uma Geografia nova. São Paulo: Edusp, 2008. p. 232-
233.

- Reflita, pesquise, se necessário, e depois faça o que se pede.

1. Identifique o modo de produção dominante em escala mundial.

2. Alguns povos não possuem nem soberania nem território. Identifique um


desses povos.

LEGENDA: Vista do Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo, em


Brasília (DF). Foto de 2014.

FONTE: Andre Dib/Pulsar Imagens


Fim do complemento.

245

Onde termina um país e começa outro?

Dentro de um continente, um país é separado de outro país - ou de outros


países - por uma linha divisória denominada limite, e por uma faixa
denominada fronteira política. Os limites que marcam as fronteiras políticas
podem ser representados cartograficamente, como mostra o planisfério político
da página seguinte.

Os limites internacionais representados nos mapas políticos indicam até onde


se estende o território de um país. Alguns têm um grande território, como
Rússia, China, Estados Unidos e Brasil. São os chamados países continentais.
Outros são muito pequenos, como Vaticano, Mônaco, Andorra (foto abaixo) e
Cingapura, denominados micropaíses.

Um país pode ter limites internos, caso seja subdividido em partes menores,
que podem ser departamentos (na França), províncias (na Argentina) ou
estados (no Brasil).

Há países que fazem parte de arquipélagos e são limitados pelo mar. Os


limites muitas vezes são elementos naturais: rios, lagos, mares, cadeias de
montanhas. Outras vezes, o limite pode ser marcado apenas por uma rua ou
estrada.

LEGENDA: Pessoas andando pelas ruas de Andorra-a-Velha, no principado de


Andorra. Foto de 2015.

FONTE: Pascal Pavani/Agência France-Presse

LEGENDA: Fronteira Brasil-Uruguai, em Santana do Livramento, no estado do


Rio Grande do Sul. Foto de 2014.

FONTE: Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

246

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 32, com atualização no site do IBGE: www.ibge.gov.br. Acesso em: 20
nov. 2015. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora
247

Fronteiras políticas

Se, por um lado, as fronteiras e os limites são elementos de separação de


povos e culturas, por outro, podem significar uma aproximação entre nações
vizinhas, quando essa separação territorial não implica disputas e rivalidades
étnicas ou religiosas.

As fronteiras políticas podem ser:

- Efetivas, quando representam limites territoriais reconhecidos


internacionalmente, como a fronteira entre Brasil e Uruguai.

FONTE: Mapa elaborado pelos autores com base em: IBGE. Atlas geográfico
escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 177.

- Em litígio, quando existe um limite territorial de fato, sobre o qual não há


acordo, ou que está sujeito a arbitragem, como ocorre com Venezuela e
Suriname em relação à Guiana.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2015.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 165.

- Indefinidas, quando não há limites fixos demarcados entre os Estados; os


limites mostram apenas áreas aproximadas de soberania; por exemplo, entre
Iêmen e Arábia Saudita.

FONTE: Adaptado de: ATLAS of the World. Washington D. C.: National


Geographic, 2006. p. 72. CRÉDITOS DAS CARTOGRAFIAS: Allmaps/Arquivo
da editora

As fronteiras políticas e os limites que se alteram

A extensão dos territórios estatais e seus limites internacionais são produto das
diferentes formas de relações entre as sociedades que habitaram e habitam -
e, por conseguinte, transformaram e transformam - o espaço geográfico.
Criados pela natureza ou não, esses limites foram estabelecidos após séculos
de um passado construído à custa de guerras, acordos, conquistas e tratados.
Daí os limites e as fronteiras entre os países terem mudado radicalmente com
o passar do tempo e da história dos povos. Isso explica por que a divisão
política do mundo está sempre se alterando.

No século XX, dois fatos mudaram profundamente os limites e as fronteiras de


alguns continentes:

- O processo de descolonização da África e da Ásia, depois da Segunda


Guerra Mundial (1939-1945).

- O fim do comunismo no Leste Europeu e a desintegração da URSS (União


das Repúblicas Socialistas Soviéticas), na década de 1990.

A descolonização da África e da Ásia modificou profundamente o traçado das


fronteiras e dos limites desses continentes. O planisfério ficou muito diferente,
sobretudo após as décadas de 1950 e 1960, quando muitas colônias africanas
e asiáticas conquistaram sua independência.

Na África, os limites dos novos países são o reflexo da divisão territorial


colonial. Para delimitar esses traçados, as metrópoles europeias não levaram
em conta

a existência de tribos nativas, etnias e culturas diferentes e, não raro, inimigas


irreconciliáveis. As rivalidades étnicas conduziram a sangrentos conflitos após
a descolonização das colônias africanas. Veja nos mapas da página seguinte
como os limites e as fronteiras dos países africanos se alteraram durante o
século XX.

248

LEGENDA: A partir do século XV os europeus dominaram as áreas costeiras


da África. No século XIX, com a partilha do continente e sua distribuição entre
as nações europeias mais importantes, ocorreu a ocupação efetiva de todo o
território africano. Essa partilha foi conflituosa em razão basicamente dos
interesses dos países colonizadores e também dos povos que habitavam a
África. A descolonização mais efetiva realizou-se nas décadas de 1950 e 1960,
mas muitos dos conflitos que ainda persistem na África são consequência da
formação colonial de seus territórios.

FONTE: Adaptado de: DUBY, G. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2006.
p. 263. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora
FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.
Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. 60-61. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Na década de 1990, o Leste Europeu foi muito afetado por mudanças de limites
e de fronteiras políticas. Depois da queda do comunismo, o mapa dessa região
mudou profundamente de fisionomia. Países ficaram independentes, muitos se
desmembraram ou se juntaram. Veja algumas dessas mudanças nos mapas a
seguir.

FONTE: Adaptado de: DUBY, G. Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2006.
p. 106. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2015.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 139. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

249

Os oceanos e as fronteiras políticas

Os oceanos também são objeto de legislação internacional, uma vez que são
muito ricos em recursos pesqueiros e servem para a exploração de petróleo,
além de serem via de circulação de comércio internacional e de turismo.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar é o instrumento mais


importante para a regulamentação da exploração dos oceanos. Entrou em vigor
em 1994 e foi ratificada por 138 países, entre eles o Brasil. Segundo a
Convenção, os países costeiros têm completa soberania até 12 milhas (mais
ou menos 19 km) de seu litoral. A esse espaço denomina-se mar territorial.
Além disso, estabelece direitos sobre o mar patrimonial ou zona econômica
exclusiva, que se estende por cerca de 200 milhas (mais ou menos 320 km)
mar adentro. Nessa área, esses países asseguram a livre navegação, mas se
reservam o direito exclusivo da exploração dos recursos, como a pesca e o
petróleo.

O continente sem fronteiras políticas

A Antártida é o único continente que não tem fronteiras políticas. Existe um


acordo internacional, o Tratado da Antártida, assinado em 1961, que rege a
situação jurídica do continente antártico. Seu principal objetivo é garantir o uso
pacífico da área, sua preservação e o conhecimento de suas características
por meio de pesquisa científica. O Brasil tem uma base com esse fim no
continente gelado, a base Comandante Ferraz, que foi parcialmente destruída
por um incêndio em 2012, mas já foi restabelecida. Apesar do acordo, alguns
países reivindicam o controle de uma parte da Antártida. O mapa abaixo
mostra quais são esses países.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini 2012.


Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. 184, com atualizações do site:
www.lib.utexas.edu/. Acesso em: 20 nov. 2015. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo
da editora

250

As redes e as escalas geográficas

A noção de territorialidade não está apenas relacionada ao conceito de


território. Também pode ser relacionada ao conceito de rede e a uma
abordagem transescalar (escalas geográficas).

Isso significa que o espaço também está organizado em redes, que vão além
das fronteiras e ao mesmo tempo são o limite das fronteiras. Segundo o
geógrafo Mílton Santos, "através das redes podemos reconhecer, grosso
modo, três tipos ou níveis de solidariedade, cujo reverso são outros tantos
níveis de contradições. Esses níveis são o nível mundial, o nível dos territórios
dos Estados e o nível local".

Leia o texto do boxe a seguir para entender melhor esses assuntos.

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

Redes e escalas geográficas

Severina Sarah Lisboa

As redes geográficas adquirem importância cada vez maior no contexto atual.


O sociólogo espanhol Manuel Castells define a rede como "um conjunto de nós
interconectados, e nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta". Os nós das
redes podem ser representados por vários elementos do espaço, como, por
exemplo, centros urbanos, bolsas de valores, sistemas de televisão, etc. As
redes são o meio através do qual se desenvolvem e se manifestam os
diferentes tipos de fluxos, conforme o tipo de rede e de seus nós.

A rede urbana é uma forma simples de compreender a organização em redes.


Neste caso, identifica-se uma hierarquia de cidades conforme seu porte e sua
importância econômica, sendo seus nós compostos de cidades globais,
metrópoles nacionais, metrópoles regionais, centros regionais, subcentros
regionais e cidades locais. Há uma interligação entre esses nós da rede
urbana, entre os quais se estabelecem fluxos de mercadorias, pessoas,
serviços, etc.

A nova economia mundial está cada vez mais se organizando em torno das
redes globais de mercadorias e de capital. A sociedade em redes em suas
várias expressões é uma sociedade capitalista em que este modo de produção
dá forma às relações sociais em todo o planeta. O desenvolvimento da
tecnologia da informação favorece a base material para a expansão das redes
em toda a estrutura social a ponto de que a tendência seja de que cada vez
mais a sociedade se organize em forma de redes geográficas materiais e não
materiais.

As escalas geográficas são compreendidas como níveis em que o espaço é


"subdividido" para melhor ser compreendido e analisado. As diferentes escalas
são interligadas, uma vez que todas elas são maneiras de compreender o
espaço geográfico. O termo escala pode ser associado à escala cartográfica,
mas deve ultrapassá-la, pois não envolve apenas análise numérica,
quantitativa, mas também análise qualitativa dos fenômenos analisados.

Quando associamos os conceitos de redes e escalas ao conteúdo de


Geografia, verificamos que a organização em redes pode ser analisada por
meio das discussões sobre a estrutura urbana de um país, da compreensão do
funcionamento mundial das redes de tráfico de drogas ou da acessibilidade à
internet. A rede de transporte também pode ser entendida como estratégia de
ação de empresas logísticas e distribuidoras de mercadorias.
Em relação às escalas, o fenômeno pode ser considerado em uma escala
primária e se relacionar a outras análises escalares, quando se adquire a
habilidade de reflexão transescalar. A influência dos EUA pode ser pensada
internacionalmente e chegar à identificação de elementos dessa atuação nas
pequenas cidades brasileiras; da mesma forma, um fenômeno que a princípio
pareça apenas de nível local pode ganhar proporções mundiais, como o gás
carbônico liberado localmente, que pode contribuir para o fenômeno do
aquecimento global.

LISBOA, Severina S. A importância dos conceitos da Geografia para a


aprendizagem de conteúdos geográficos escolares. Revista Ponto de Vista, v.
4, p. 30-31, 2002. Disponível em:
www.coluni.ufv.br/revista/docs/volume04/importanciaConceitosGeografia.pdf.
Acesso em: 13 fev. 2012. (Adaptado).

Fim do complemento.

251

As relações entre os países

Os países sempre se relacionaram ao longo da História. Mas, no mundo atual,


as relações econômicas, políticas e culturais são cada vez mais necessárias.
Os países precisam vender e comprar produtos no mercado internacional.
Além disso, procuram se unir para tentar resolver problemas globais, como o
aumento da temperatura do planeta.

As relações entre os países são estabelecidas por acordos e tratados, ou pela


participação em organismos internacionais. Desses organismos, o mais
representativo é a ONU, que reunia, em 2015, 193 Estados-Membros. O
Vaticano (Santa Sé) e a Palestina são chamados membros observadores e
possuem uma missão permanente na sede da ONU. Taiwan não faz parte da
ONU, porque não é reconhecida pela República da China, que a considera
uma "província rebelde" e parte de seu território.

Fundada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, a ONU tem como


objetivos:

- preservar e manter a paz e a segurança no mundo;


- promover a cooperação internacional para a resolução de problemas
econômicos, sociais, humanitários e culturais;

- mediar disputas territoriais e de fronteiras entre os países.

LEGENDA: Conselho de Segurança das Nações Unidas votando uma


resolução sobre a luta contra o terrorismo, na sede da ONU em Nova York, em
20 de novembro de 2015. O Conselho de Segurança pede a todos os países
que coordenem esforços para prevenir novos ataques terroristas perpetrados
pelo autodenominado Estado Islâmico e outros grupos semelhantes.

FONTE: Li Muzi/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Boxe complementar:

Pesquise e reflita

Ícone: Não escreva no livro.

Como é formada a ONU

O órgão mais importante dessa associação é o Conselho de Segurança. É


formado por representantes de cinco países (Estados Unidos, Inglaterra,
França, China e Rússia), membros permanentes com o poder exclusivo de veto
às decisões da organização, e de dez países eleitos a cada dois anos.
Qualquer decisão do Conselho de Segurança só é válida se houver consenso
entre os cinco membros permanentes.

A função do Conselho de Segurança é manter a paz e a segurança no mundo.


Por isso, ele tem o poder de investigar qualquer ameaça de conflito, sugerir
soluções para acordos de paz e adotar sanções, como o corte de relações
diplomáticas e embargos econômicos.

A Assembleia Geral é o órgão central que discute os problemas de interesse da


ONU. É composta de delegações de todos os países-membros. Entretanto,
esse órgão não decide sobre questões de segurança e cooperação
internacional. A Secretaria-Geral, a Corte Internacional de Justiça e o Conselho
Econômico e Social são os outros órgãos integrantes da ONU. A organização
possui ainda agências especializadas que se ocupam de problemas
específicos, como saúde, educação, trabalho e outros.
- Faça uma pesquisa em livros, enciclopédias ou sites para conhecer mais
detalhes sobre a ONU. Depois, responda às questões a seguir.

1. Quais são as funções da Secretaria-Geral e da Corte Internacional de


Justiça?

2. Cite pelo menos três agências subordinadas à ONU e suas respectivas


funções.

Fim do complemento.

252

Diálogos

Atividade interdisciplinar: História, Sociologia e Geopolítica.

Além do butim

Glossário:

Butim: produto de saque, pilhagem.

Fim do glossário.

Os europeus apoiavam os ataques de corsários à costa brasileira como forma


de contestar a divisão do Novo Mundo por Portugal e Espanha

Filho de uma família nobre da Inglaterra, Thomas Cavendish teve sorte ao


chegar com sua esquadra à vila de Santos, em 1591, e encontrar todos os
moradores reunidos para a missa de Natal. Já conhecido como "franco ladrão
dos mares", Cavendish prendeu todos, instalou-se na sacristia do colégio dos
jesuítas e durante dois meses saqueou a vila com seus homens e queimou
arquivos públicos e engenhos de cana-de-açúcar. Era mais um ataque de
piratas à costa brasileira. Mais do que uma simples aventura, esse tipo de
invasão representava uma contestação do governo inglês à divisão das terras
do Novo Mundo entre Espanha e Portugal, formalizada por meio do Tratado de
Tordesilhas em 1494. Depois dos ingleses, os franceses, que já haviam
atacado o Rio de Janeiro, invadiram o Maranhão e, mais tarde, os holandeses,
depois de uma tentativa fracassada na Bahia, ocuparam Pernambuco por
quase 30 anos.
LEGENDA: Louis Chancel de La Grange. Plan de La Baye, Ville, Forteresses et
attaques, de Rio de Janeiro, 1711. A esquadra francesa alinhada na baía de
Guanabara: sem resistência das forças locais, em ataque ao Rio de Janeiro,
em 1711.

FONTE: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.

"Não respeitar os limites territoriais era uma forma efetiva de questionar a


divisão do Novo Mundo imposta por Espanha e Portugal", diz o historiador Jean
Marcel Carvalho França, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp),
em Franca. [...] Segundo ele, a pirataria ganhou força e a estratégia de invadir
as colônias ibéricas, de certa forma, deu certo porque Espanha e Portugal não
tinham capacidade militar para defender seus domínios nas Américas. Pelo
mesmo motivo, suas frotas eram atacadas com frequência, resultando em
perdas imensas de ouro, pau-brasil e marfim da África com destino à Europa.
Mesmo que não tenham conseguido se fixar no Brasil, franceses e ingleses
formaram colônias nas Américas Central e do Norte.

Os ataques às colônias não eram uma justificativa forte o bastante para os


governos das terras invadidas romperem relações diplomáticas com os
invasores. Espanha e Portugal - nessa época amalgamados por meio da União
Ibérica, implantada em 1580 e desfeita em 1640 - sabiam que o domínio sobre
as terras da América era frágil, ressalta o historiador. [...] Por esse motivo,
Portugal preferia aceitar pacificamente o papel de vítima em vez de guerrear
em desvantagem com outros reinos. Para evitar problemas maiores, valia até
mesmo pagar indenizações, como fez com Nicolas Villegagnon, em
compensação pelos prejuízos causados pela expulsão dos franceses do Rio de
Janeiro em 1567. Outra indicação do interesse em manter a paz e os negócios
é que os comerciantes portugueses continuaram vendendo suas mercadorias
para os holandeses que ocuparam Recife de 1630 a 1654. [...]

França e sua colega Sheila Hue, pesquisadora do Real Gabinete Português de


Leitura, do Rio, depois de 20 anos analisando e traduzindo narrativas de
viajantes europeus que visitaram o Brasil [...] escreveram Piratas no Brasil - as
incríveis histórias dos ladrões dos mares que pilharam nosso país, publicado
no final de 2014 (Ed. Globo). O livro descreve dois ataques ingleses - de
Thomas Cavendish a Santos, em 1591, e de James Lancaster a Pernambuco,
em 1595 - e dois franceses - de Jean-François Duclerc, em 1710, e de René
Duguay-Trouin, no ano seguinte, ambos ao Rio.

Cavendish, Lancaster, Duclerc e Trouin, os líderes de quatro grandes ataques


à costa brasileira, "faziam o mesmo que Vasco da Gama, Cabral e outros
exploradores, eram até mais profissionais", afirma França. A única diferença é
que os navegadores portugueses estavam dentro de uma suposta legalidade,
descobrindo terras ainda sem dono ou explorando os domínios ibéricos
definidos pelo Tratado de Tordesilhas, enquanto os piratas - ou, com mais
exatidão, corsários - agiam fora da lei imposta por outros países, embora com
apoio de suas Coroas.

253

Segundo França, o famoso pirata inglês James Cook, que visitou o Rio em
1768, "não tinha nada de pirata, era um burocrata". [...] A má fama da categoria
resulta em boa parte dos piratas independentes que se concentravam no mar
do Caribe, atacando quem pudessem, de preferência galeões espanhóis
carregados de ouro extraído das minas americanas. Aos olhos dos padres
católicos, ingleses e franceses também eram uma encarnação do mal, por
serem "hereges e luteranos, ministros das trevas licenciosos", observam
França e Sheila em Piratas.

"O corso, diferentemente da pirataria e da ação dos flibusteiros, era um


empreendimento legal e muitas vezes oficial, praticado pelas potências
europeias nos momentos de guerra", registrou Maria Fernanda Bicalho em A
cidade e o império - o Rio de Janeiro no século XVIII (Civilização Brasileira,
2003), escrito com base em sua pesquisa de doutorado, realizado na
Universidade de São Paulo (USP). "Os capitães dos navios corsários recebiam
uma carta de marca, concedida pelo rei, que os autorizava a atacar, a tomar os
navios e a saquear os domínios das nações inimigas. Seu objetivo não era a
destruição do comércio e das riquezas do adversário, mas a sua apropriação
por meio do apresamento de embarcações mercantis, do confisco de suas
mercadorias, do assédio e do saque às vilas e cidades pertencentes aos
estados beligerantes."
Nem sempre os mais fortes venciam. Como relatado por França e Sheila,
Cavendish se apossou do ouro e do açúcar saqueado dos armazéns e dos
navios ancorados no porto (um poeta e soldado da tripulação roubou um
manuscrito jesuítico, usado na alfabetização dos nativos, e o doou a uma
universidade de Oxford), incendiou a vila vizinha de São Vicente e partiu rumo
ao sul. Seu plano era atravessar o estreito de Magalhães e prosseguir no seu
ataque ao monopólio ibérico das riquezas da América, mas fortes tempestades
atrapalharam os planos e dispersaram sua frota. A tripulação, faminta e
exausta, se revoltou e Cavendish voltou a Santos. Os moradores, dessa vez,
haviam se organizado e conseguiram repudiar os ingleses. Dos 75 homens
embarcados um ano antes, somente 16 voltaram à Inglaterra.

Quatro anos depois, Lancaster atacou o porto de Recife com três navios e 275
tripulantes. A defesa foi pífia. "Os soldados pernambucanos, ainda maus
artilheiros, erram os tiros, cedendo à disciplina inimiga e ainda mais à falta de
munições", relatam França e Sheila. "Os defensores se retiraram,
acovardados." Um mês depois, Lancaster voltou com os navios abarrotados de
açúcar, pau-brasil, algodão e mercadorias de alto preço saqueadas de um
navio português, como pimenta, cravo, canela, maçã, noz-moscada, tecidos e
minerais preciosos. "Foi o mais rico butim da história da navegação de corso da
Inglaterra elisabetana", concluem os autores de Piratas.

[...]

FIORAVANTI, Carlos. Revista Pesquisa Fapesp. 227ª ed. Disponível em:


http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/01/19/alem-do-butim/. Acesso em: 20
nov. 2015.

LEGENDA: Olinda, a rica cidade vizinha de Recife, alvo de Lancaster: para os


ingleses, expedição bem-sucedida. Olinda (1647), gravura de Frans Post
(1612-1680).

FONTE: Frans Post/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.

- Depois de ler o texto, faça as atividades propostas.

Ícone: Não escreva no livro.


1. Com base no texto que você leu, relacione a pirataria com as colônias
ibéricas.

2. Caracterize a União Ibérica.

3. Descreva a fama dos piratas.

4. Os acontecimentos relativos aos piratas ocorreram em quais séculos?

254

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Podemos, então, sintetizar afirmando que o território é o produto de uma


relação desigual de forças, envolvendo o domínio ou o controle político-
econômico do espaço e sua apropriação simbólica, ora conjugados e
mutuamente reforçados, ora desconectados e contraditoriamente articulados.
Esta relação varia muito, por exemplo, conforme as classes sociais, os grupos
culturais e as escalas geográficas que estivermos analisando.

Extraído de: HAESBAERT, Rogério. Territórios alternativos. São Paulo:


Contexto; Rio de Janeiro: Editora da UFF, 2002. p. 121.

a) O autor cita o termo território. Podemos afirmar que todos os povos têm um
território? Justifique sua resposta.

b) Identifique dois fatos que comprovem o texto acima.

2. Leia o texto e depois responda à questão.

Geógrafos dos Urais renovam debate sobre fronteira Europa-Ásia

Pesquisadores russos estão fomentando a polêmica acerca da fronteira entre


Europa e Ásia. Para eles, o limite não deveria ser demarcado por uma linha,
mas por uma faixa de terras nos arredores das cidades de Iekaterimburgo,
Revda e Pervouralsk, cerca de 1.600 km a leste de Moscou.

KÉSINA, Dária. Gazeta Russa. Disponível em:


http://br.rbth.com/arte/viagem/2014/11/15/geografos_dos_urais_renovam_deba
te_sobre_fronteira_europaasia_28219.html. Acesso em: 20 nov. 2015.
- O trecho da reportagem acima, sobre os Montes Urais, refere-se à fronteira
natural ou à fronteira política entre a Europa e a Ásia? Consulte um atlas
geográfico.

3. O sistema capitalista permite que um investidor turco, indiano ou israelense


compre ações de empresas brasileiras ou mexicanas apenas utilizando seu
computador. Para essa situação não existe fronteira.

Entretanto, um brasileiro não entra no território estadunidense, canadense ou


japonês sem antes passar pelo processo de retirar um visto que permita sua
visita. Ainda assim, ele pode ser barrado pelas autoridades que cuidam das
fronteiras.

- O conceito de fronteira pode ter significados diferentes. Explique-os com base


no texto apresentado.

4. Atividade interdisciplinar: Geografia, História e Língua Portuguesa. Leia o


texto de Kofi Annan, diplomata de Gana e ex-secretário-geral da ONU entre
1997 e 2007.

Quando civis são agredidos ou mortos em razão de sua etnia, o mundo espera
que as Nações Unidas falem por eles. Quando se nega a mulheres e meninas
o direito à igualdade, o mundo espera que as Nações Unidas tomem uma
posição. Num mundo onde a globalização reduziu a capacidade dos países de
controlar a própria economia, regular suas políticas financeiras e imunizar-se
contra o dano ambiental e contra migrações humanas, os Estados não podem
e não devem ter o direito de escravizar, perseguir ou torturar seus próprios
cidadãos.

ANNAN, Kofi. Intervenções: uma vida de guerra e paz. São Paulo: Companhia
das Letras, 2012. p. 112.

a) A partir do que foi estudado neste capítulo, das explicações em sala de aula
e de seus conhecimentos, relacione a ONU ao texto acima.

b) Qual é a sua opinião sobre a capacidade da ONU de solucionar os


problemas mundiais?

5. Observe o mapa político da América do Sul e elabore duas conclusões sobre


as fronteiras políticas brasileiras.
FONTE: Banco de imagens/Arquivo da editora

255

capítulo 20. Um mundo em conflito

LEGENDA: Soldado brasileiro das forças de paz da ONU faz parte da Missão
de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH). O Brasil comanda
as forças de paz no Haiti, que conta com tropas de outros 15 países, de acordo
com o Ministério da Defesa. Porto Príncipe, Haiti, em 2014.

FONTE: Hector Retamal/Agência France-Presse

Conflitos do século XXI - áreas de tensão

Como você viu no capítulo anterior, a afirmação do poder - em nível mundial,


nacional ou local - e a busca da soberania acabam dando origem a inúmeras
disputas ou conflitos pelo território ou pela territorialidade, criando inúmeros
pontos de tensão. Alguns desses pontos são novos, outros são mais antigos,
em que a esperança de paz ainda é remota.

Há muitas explicações para essas áreas de tensão, entre elas as rivalidades


étnicas e religiosas, as questões de fronteiras políticas, as disputas por
recursos minerais e pela água, o narcoterrorismo e a ameaça nuclear.

No século XXI, as guerras entre países não constituem mais a única forma de
luta pelo poder territorial. Como as origens dos conflitos são variadas e mais
amplas, suas manifestações também assumiram diferentes formas, como
guerras civis, ações de grupos terroristas, guerrilhas, genocídios, disputas
nucleares e lutas religiosas.

Glossário:

Guerra civil: luta interna entre facções de um país.

Guerrilha: luta armada empreendida por um movimento revolucionário,


caracterizada por ações descontínuas, emboscadas ou ataques-surpresa. As
guerrilhas são praticadas por grupos que pretendem inquietar e desestabilizar o
inimigo.

Genocídio: extermínio proposital de grupo étnico, religioso ou racial de forma


total ou parcial.
Fim do glossário.

Quaisquer que sejam as formas nas quais esses conflitos se manifestem, suas
consequências atingem profundamente a população civil, sujeita a fome,
abusos de todos os tipos e deslocamentos forçados, criando uma enorme
massa de refugiados e asilados políticos.

No fim do século XX, a ONU contava com 54 missões de paz em regiões


atingidas por guerras civis, conflitos entre Estados ou em vias de pacificação.
Em 2012, esse número caiu para 15. Em novembro de 2015, havia 16
operações de manutenção da paz. Veja o mapa a seguir.

256

FONTE: Mapa elaborado com informações disponíveis em:


www.un.org/fr/peacekeeping/operations/current.shtml. Acesso em: 20 nov.
2015. CRÉDITOS: Banco de imagens/Arquivo da editora

Agravantes nas áreas de tensão

As diversas áreas de tensão existentes hoje, no mundo, apresentam condições


que vão favorecer ou agravar uma situação delicada ou que se encontram no
limite do estado de conflito. A seguir, citamos algumas dessas condições.

Falência de Estado

Do ponto de vista jurídico, é impossível um Estado falir, porque ele não é uma
entidade econômica nem uma empresa.

No entanto, quando a sua estrutura administrativa é incapaz de assegurar um


controle eficiente do território e a violência explode por todos os lados e de
todas as formas, podemos dizer que estamos diante de um Estado falido.

A insegurança gerada por essa situação apresenta características como: alto


crescimento demográfico, grave crise econômica, altos índices de
criminalidade, fracas instituições públicas, alto índice de corrupção e aguda
violação dos direitos humanos.

LEGENDA: Refugiados e migrantes em Idomeni, Grécia, fronteira com a


Macedônia, em 2015.

FONTE: Tasos Markou/Corbis/Latinstock


A presença de grupos paramilitares que dominam parte do território e a
situação caótica do país favorecem a eclosão de guerras civis e a proliferação
de grupos terroristas.

257

Pirataria

Um problema grave e de abrangência internacional é a pirataria, ato que


promove ataques a navios para roubo de carga ou sequestro de reféns,
principalmente no oceano Índico. Inúmeros barcos pesqueiros, navios de carga
ou cruzeiros de lazer têm sido vítimas desses piratas do século XXI.

Outras áreas críticas de ação desses piratas são o estreito de Málaca, o golfo
de Áden, o golfo de Bengala, o golfo da Guiné, bem como o litoral da Tanzânia,
das ilhas Maldivas e das Seychelles.

Sobre esse assunto, leia o texto a seguir.

Boxe complementar:

Pirataria no Sudeste Asiático

O Sudeste da Ásia substituiu a Somália como a capital da pirataria no mundo

Depois de uma iniciativa internacional que diminuiu o ataque de piratas nos


mares da Somália, o Sudeste da Ásia resgatou sua antiga reputação de capital
da pirataria no mundo.

Nessa região, os sequestros acontecem notadamente no estreito que separa


Cingapura e a Malásia da Indonésia, rota de passagem de cerca de um terço
do comércio marítimo mundial.

Segundo o International Maritime Bureau, em 2014, quinze navios foram


atacados por piratas, um número bem superior ao do ano anterior. Nos últimos
seis meses nove navios foram vítimas de sequestros. Esses incidentes são o
sintoma mais alarmante do aumento da pirataria na região, desde pequenos
furtos nos portos a roubos mais audaciosos no mar.

Há dez anos os países do Sudeste da Ásia conseguiram reprimir a atividade


dos piratas, graças em parte à ação coordenada do patrulha mento naval no
estreito de Málaca, na costa sudoeste da Malásia. Mas, desde então, os
incidentes recentes ocorreram perto de Cingapura, onde os canais com
movimento intenso permitem que os piratas se escondam sem dificuldade; o
mesmo acontece na área sudoeste mais selvagem e escondida do mar da
China meridional.

Ao contrário dos piratas somalis, que sequestravam a tripulação para depois


negociar o resgate e, com frequência, também raptavam o navio, os piratas do
Sudeste Asiático querem roubar petróleo, óleo de palma e produtos químicos
de pequenos navios-petroleiros mais lentos e quase sempre liberam o navio e
a tripulação assim que terminam a pilhagem.

OPINIÃO & NOTÍCIA. Disponível em:


www.opiniaoenoticia.com.br/internacional/pirataria-no-sudeste-asiatico/. Acesso
em: 24 nov. 2015. (Adaptado).

Fim do complemento.

Separatismo

O nacionalismo separatista é uma das principais causas de conflitos no mundo.


O desejo de soberania, de ter seu próprio território e administrar seu próprio
destino leva comunidades nacionais que vivem em um Estado-Nação,
governado por outro povo que não é o seu, a lutar.

As reivindicações separatistas podem ser feitas por meio de conflitos ou de


forma pacífica. Em relação aos conflitos, há alguns grupos que já depuseram
as armas e assinaram acordos de paz com os governos de seus países, como
os guerrilheiros tâmeis, do norte do Sri Lanka, a Frente Moro Islâmica de
Libertação Nacional, das Filipinas, e o Pátria Basca e Liberdade (ETA), do país
basco, na Espanha. O Exército Republicano Irlandês (IRA), grupo terrorista da
Irlanda do Norte, iniciou, em 2001, o processo de desarmamento, renunciou ao
terrorismo e em 2005 anunciou o fim da luta armada. Contudo, em 2012, três
dos quatro dissidentes do IRA que se opõem ao processo de paz anunciaram a
criação de um novo IRA, com o objetivo de prosseguir a luta armada, fato que
pode pôr em risco o processo de paz. São eles: Ira Autêntico, Ação
Republicana contra as Drogas (Raad) e os Soldados ou Guerreiros da Irlanda.

LEGENDA: Encontro inédito na história recente do Reino Unido: um aperto de


mãos entre a rainha Elisabeth II e o ex-líder e guerrilheiro do IRA Martin
McGuiness, selando o fim dos ataques terroristas e da luta armada do grupo.
Foto de 2012.

FONTE: Paulo Faith/Agência France-Presse

Entre as regiões que pretendem uma separação pacífica, podemos citar a


província separatista de Quebec, de colonização francesa, no Canadá, e o
movimento separatista na Bélgica.

258

Na Bélgica, o poder econômico concentra-se sobretudo na região de Flandres,


no norte do território, cuja população, de idioma flamengo, representa 58% do
total do país. É essa parcela que reivindica a separação da porção sul do
território, a Valônia, região onde predomina a língua francesa e cuja economia
é mais frágil.

Em 2014, a Escócia rejeitou, em consulta popular, a sua separação do Reino


Unido. A Espanha não deu o mesmo direito de escolha à sua Comunidade
Autônoma Catalunha, que quer se separar e procura outra alternativa para
fazê-lo.

Terrorismo

Uma das formas de manifestação de alguns grupos separatistas e de todo tipo


de extremistas em defesa de sua causa é o terrorismo, tipo de ação que tem
sido responsável pela morte de milhares de inocentes.

A "causa" defendida pelos terroristas geralmente é de natureza política ou


religiosa. Durante muitos anos, o grupo separatista basco ETA aterrorizou a
Espanha e a França com seus violentos atentados a fim de chamar a atenção
para a causa de sua independência. Hoje esse grupo já assinou a deposição
das armas. Outros têm motivação religiosa, como as organizações extremistas
islâmicas e os hoje inativos tâmeis, do Sri Lanka, na Ásia. Muitas vezes, as
duas modalidades se confundem na ação de grupos que defendem uma causa
política e se apresentam sob a bandeira de uma religião. Nesse caso, podemos
incluir o IRA, que já foi um ativo grupo católico da Irlanda do Norte, ou os
muçulmanos da Caxemira, na Índia, e da Chechênia, no sul da Rússia.
Não existe um conceito internacional do que sejam organizações terroristas.
Elas existem em várias partes do mundo e são assim consideradas por
utilizarem o terror na luta por seus ideais: explosão de bombas (homens-
bomba, mulheres-bomba, carros-bomba) em lugares públicos de grande
movimento, ou sequestro de pessoas e de meios de transporte, como ônibus
de turistas, navios e aviões.

Terrorismo islâmico

O terrorismo é uma das formas de manifestação do fundamentalismo islâmico,


do qual falaremos mais detidamente no próximo capítulo. Os atentados
realizados pelos grupos jihadistas têm como objetivo atingir o modo de vida e
os costumes do Ocidente representados por países como os Estados Unidos e
por membros da União Europeia, que interferem e enviam tropas para evitar os
conflitos nos países do Oriente Médio.

Em alguns países que adotam a religião muçulmana, os grupos terroristas


islâmicos causam inúmeros problemas aos governantes e à população local.
Entre esses países podemos citar: Sudão, Líbia, Argélia, Egito, Palestina,
Iêmen, Quênia, Mali e Iraque. Há também países, como Irã, Síria e
Afeganistão, que são acusados pelos Estados Unidos de abrigar e proteger
terroristas.

LEGENDA: A mais recente expressão de terrorismo islâmico ou jihadista é o


grupo autodenominado Estado Islâmico, que será tratado no próximo capítulo.
Na foto, pessoas homenageando as vítimas do atentado à casa de shows
Bataclan, em Paris, na França, no dia 13 de novembro de 2015.

FONTE: Hristo Rusev/Corbis/Latinstock

259

Áreas de tensão pelo mundo

Encontramos áreas de tensão em todos os continentes, com exceção da


Oceania. Veja a seguir um mapa atual sobre os principais conflitos pelo mundo.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 98. CRÉDITOS: Portal de
Mapas/Arquivo da editora
Áreas de tensão na Europa

A Europa conheceu no final do século XX uma profunda mudança em suas


fronteiras após o fim da União Soviética e dos regimes comunistas. Nem
sempre as mudanças ocorreram de maneira pacífica.

Atualmente, o Cáucaso é a região mais instável do continente, em razão de


sua posição estratégica - é passagem dos dutos que transportam petróleo da
Ásia Central.

Na Europa também está localizada Chipre, uma ilha do Mediterrâneo dividida


por gregos e turcos, que disputam o controle total do território. Só a parte grega
está integrada à União Europeia (veja mais detalhes na próxima página).

A região do Cáucaso

Governadas com mão de ferro pela União Soviética, as antigas repúblicas


soviéticas europeias (atuais Geórgia, Armênia e Azerbaijão, mais as repúblicas
do sul da Rússia - Chechênia, Daguestão, Ossétia do Norte e Inguchétia) só
tiveram seus problemas étnicos e religiosos aflorados após a desintegração da
antiga potência comunista.

De ocupação muito antiga e de grande diversidade étnica, essa região teve


duas influências religiosas fundamentais: a cristã ortodoxa, legado do Império
Russo, e o islamismo, herança do Império Otomano.

Os principais problemas estão nas repúblicas separatistas da Geórgia, na


tensão entre Azerbaijão e Armênia e nas repúblicas de população islâmica do
sul da Rússia. A Rússia também se envolve nas questões da Geórgia porque
tem a preocupação de manter sob seu domínio uma região estratégica, tanto
pela localização, na passagem do Ocidente para o Oriente, como pelas suas
reservas petrolíferas. Veja o mapa acima.

Na Geórgia, existem duas regiões separatistas: Ossétia do Sul, que quer se


juntar à Rússia, onde está a Ossétia do Norte; e Abkhazia, que quer a
independência. Em agosto de 2009, a Rússia reconheceu a independência de
Abkhazia e da Ossétia do Sul, acirrando as tensões com a Geórgia.

Nas repúblicas russas da Chechênia e do Daguestão há o agravante da ação


de terroristas islâmicos. Com o fim da União Soviética, a Chechênia proclamou
unilateralmente sua independência, que não chegou a ser reconhecida pela
comunidade internacional.

260

Desde então, Rússia e Chechênia se envolveram em violentas guerras. Em


2003, após um referendo muito contestado, a república foi submetida à
administração russa, com relativa autonomia. Apesar da aparente calma que
passou a vigorar depois do referendo, foram frequentes os atentados
terroristas. Visando normalizar a situa ção, o governo russo, em 2009,
suspendeu o regime especial de operação contra o terror, que vigorou durante
dez anos na república da Chechênia.

Glossário:

Referendo: consulta popular por meio de voto secreto sobre decisão já tomada
pelo Poder Legislativo; cabe ao povo ratificar a decisão ou não.

Fim do glossário.

FONTE: Adaptado de: ATLANTE geografico metodico De Agostini. Novara:


Istituto Geografico De Agostini, 2015. p. 170. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

As repúblicas russas do Daguestão e da Inguchétia e o território de Nagorno-


Karabakh (Azerbaijão), disputados por armênios, são outros pontos de tensão
na região.

A questão de Chipre

Chipre (em grego Kypros; em turco, Kibris) localiza-se no mar Mediterrâneo, na


costa da Turquia e da Síria. O país foi colonizado pelos gregos e depois
invadido pelos turcos, por isso é dividido em uma área grega, ao sul, e uma
turca, a República Turca do Norte de Chipre, reconhecida apenas pela Turquia.
A fronteira entre as "duas Chipres", patrulhada pelas tropas da ONU, é
denominada Linha Verde. A capital, Nicósia, é a única no mundo que é
dividida, o que ocorreu após a queda do Muro de Berlim, na Alemanha, em
1989.

LEGENDA: Torre de vigia da ONU na fronteira da cidade partilhada de Nicósia,


Chipre. Foto de 2015.
FONTE: fritz16/Shutterstock

Áreas de tensão na África

O continente africano, em sua porção subsaariana, é palco constante de


guerras civis desencadeadas por golpes de Estado, rivalidades tribais, lutas
pelas riquezas minerais. A divisão artificial do continente pelos europeus, que
reuniu tribos rivais em um mesmo território, acabou levando a essa situação
conflitante. Veja, na página anterior, o mapa "Principais conflitos pelo mundo" e
observe os vários pontos de tensão no continente africano.

Grande parte das guerras é incentivada ou apoiada por países ricos,


interessados nas riquezas do território, que são utilizadas também na compra
de armas. Muitos foram os países arrasados por guerras civis na década de
1990, como Serra Leoa, Somália, Guiné-Bissau, Libéria e, principalmente,
Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo. O século XXI trouxe mais
instabilidade política para o continente. Vários países foram atingidos por novas
guerras civis ou pelo prosseguimento das já existentes (Serra Leoa, Costa do
Marfim, Somália, Chade, Sudão, Libéria e Mali). Em 2011, começou a se
espalhar na região do norte da África um movimento denominado Primavera
Árabe, como veremos a seguir.

261

A Primavera Árabe

Como parte da onda de movimentos que derrubou governos autoritários em


países árabes do norte da África - a Primavera Árabe -, diversas rebeliões
tomaram corpo em 2011 e 2012. Esse movimento, caracterizado por
manifestações de rua em diversos países árabes, incluiu também o Egito, a
Tunísia e a Líbia, onde regimes ditatoriais foram derrubados. Na Líbia, a crise
política deu origem a uma guerra civil que se encerrou apenas com a execução
do ditador Muanmar Kadafi. A guerra na Líbia contou com a presença de uma
coalizão de forças europeias e estadunidenses no apoio aéreo aos rebeldes. A
crise aumentou a instabilidade na região do norte da África e não garantiu o
processo de democratização da região.

Boxe complementar:
Ampliando o conhecimento

Grupo extremista Boko Haram surgiu como seita e virou grupo armado

O grupo radical islâmico Boko Haram, que intensificou seus ataques nas
últimas semanas na Nigéria e assumiu a autoria do sequestro de mais de 200
estudantes, nasceu de uma seita que atraiu jovens do norte do país.

Seus líderes são críticos em relação ao governo nigeriano e querem


estabelecer a lei do islã no país. Além disso, condenam a educação ocidental e
são contra mulheres frequentarem a escola. Boko Haram significa "a educação
ocidental é pecaminosa" em hausa, a língua mais falada no norte da Nigéria.

Para Mohammed Yusuf, fundador da seita, os valores ocidentais, instaurados


pelos colonizadores britânicos, são a fonte de todos os males sofridos pelo
país. Ele atraiu a juventude de Maiduguri, capital do estado de Borno, com um
discurso agressivo contra o governo da Nigéria. [...]

Segundo informações da agência AFP, o grupo recruta novos membros


principalmente entre os "almajirai", estudantes islâmicos itinerantes, que não
tiveram acesso a uma educa ção de qualidade. Também recebe apoio de
intelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o islã
tradicional.

[...] Em julho de 2009, eclodiram confrontos entre a polícia e os membros do


Boko Haram no nordeste da Nigéria, região onde tem maior atuação. Em uma
grande operação, o Exército matou 700 pessoas e capturou Yusuf, que foi
executado.

O movimento passou a agir na ilegalidade e alguns de seus integrantes fugiram


para o exterior, onde foram influenciados por um movimento jihadista
internacional que os convenceu a deixar os protestos pacíficos.

Nesse estágio, o objetivo do grupo já não era apenas impor a lei islâmica na
Nigéria, mas desestabilizar o Estado com uma estratégia terrorista de medo e
pânico. Abubakar Shekau, que era o braço direito do líder executado, assumiu
então o comando do Boko Haram.

[...]
A violência que atinge tanto muçulmanos como cristãos aumentou nos três
estados do nordeste da Nigéria desde o estabelecimento do estado de
emergência, em maio de 2013, e da brutal ofensiva do Exército, considerado
responsável por massacres em localidades suspeitas de abrigar o Boko Haram.
Em resposta, o grupo destrói aldeias inteiras suspeitas de colaborar com o
Exército.

Segundo diplomatas, membros do Boko Haram foram treinados pela AQMI (Al-
Qaeda no Magrebe Islâmico) no norte do Mali entre 2012 e 2013. Além disso,
afirmam que o Boko Haram está presente em Níger, Chade e Camarões,
países que serviriam de base para o grupo.

[...] Em termos de financiamento, o Boko Haram recebe apoio de fiéis nas


mesquitas e organiza assaltos a bancos.

G1 mundo, 6 maio 2014. Disponível em:


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/05/grupo-extremista-boko-haram-
surgiu-como-seita-e-virou-grupo-armado.html. Acesso em: 20 nov. 2015.

LEGENDA: Casas queimadas pelo grupo Boko Haram, em Zabarmari, vila


agrícola e pesqueira situada no nordeste da Nigéria. Foto de 2015.

FONTE: Stringer/Agência France-Presse

Fim do complemento.

262

Sudão e Sudão do Sul

A guerra ainda se prolonga no Sudão, palco de duas guerras civis com


décadas de duração. Os conflitos começaram quando o governo islâmico do
norte pretendeu estender o domínio da Charia no sul animista e cristão. A
guerra causou milhões de mortes; além disso, gerou milhões de refugiados,
que procuraram asilo em paí ses vizinhos, como o Chade. Os combates foram
encerrados com o Tratado de Naivasha, assinado em janeiro de 2009, com o
apoio da ONU e da União Africana. Esse tratado previa a independência do
Sudão do Sul, submetida a referendo e concretizada em 9 de julho de 2011.
Nesse mesmo mês, o país entrou na ONU e na União Africana. Sua capital,
Juba, é também sua cidade mais populosa. Com um acordo de paz muito frágil,
o Sudão declarou guerra ao seu novo vizinho do sul, em 2012, pois os dois
lados não chegam a um acordo sobre a marcação da fronteira, que envolve a
propriedade dos territórios ricos em minérios, e sobre quanto o Sudão do Sul
deve pagar para exportar seu petróleo através do Sudão.

Glossário:

Charia: código de leis islâmico, adotado por várias sociedades. O termo


significa 'caminho' ou 'rota para a fonte de água' e é a estrutura legal dentro da
qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são
regulamentados.

Fim do glossário.

Outro ponto problemático no Sudão é a região de Darfur. Localizada no oeste


do país, essa província sofre com problemas como guerra, fome e secas
frequentes. A luta acontece entre uma milícia (os janjawids), formada por
indivíduos de tribos nômades que falam árabe, e a população não árabe.
Nesse caso não há, como nas duas guerras civis, muçulmanos lutando contra
não muçulmanos. A maioria da população é muçulmana, incluindo os janjawid.
Trata-se de um conflito de origem política, impulsionado por interesses
econômicos, como o fortalecimento das relações comerciais com outros países
e a questão do petróleo.

Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo

Hutus e tútsis, etnias que habitam principalmente Ruanda e Burundi, são


protagonistas de um dos mais violentos e longos conflitos da África central. O
genocídio de Ruanda, limpeza étnica promovida por hutus contra tútsis, expôs
um contexto de rivalidade étnica que se acentuou com o tempo, culminando
num dos maiores massacres da História. Estima-se que as guerras que
envolveram hutus e tútsis provocaram, direta ou indiretamente, a morte de
cerca de 5 milhões de pessoas, provavelmente o maior conflito em número de
vítimas fatais desde a Segunda Guerra Mundial.

O que no início caracterizava uma guerra doméstica entre os dois países


misturou-se ao conflito da República Democrática do Congo, que envolveu
países próximos, como Angola, Chade, Zimbábue, Uganda e Namíbia, e que
ficou conhecido como Primeira Guerra Mundial Africana (1998-2003).
LEGENDA: Compradores em mercado na cidade de Al Fashir, capital do Darfur
do Norte. Foto de 2015.

FONTE: Zekeriya/Gunes/Anaddu/Getty Images

263

Embora a guerra tenha terminado em 2003, os combates continuaram a


acontecer. Em 2008, rebeldes tomaram a província de Kivu do Norte,
desafiando o governo da República Democrática do Congo. Os combates
nessa província e na província de Katanga continuavam em 2014. Em 2015, a
situação no país se caracterizava pela instabilidade e pela falência do Estado.

FONTE: Adaptado de: DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas de la


mondialisation. Paris: Sciences Po, 2013. p. 91. CRÉDITOS: Banco de
imagens/Arquivo da editora

Mali

Esse país se apresenta "dividido" pela natureza e por diferenças étnicas: o sul,
chamado Mali Verde, banhado pelo rio Níger, onde está a capital, Bamako, tem
população predominantemente negra; o norte, localizado na área do Sahel,
região de transição entre a savana e o deserto do Saara, é habitado por
populações árabes e pelos tuaregues, povo de origem nômade (veja a
localização no mapa "Principais conflitos pelo mundo", na página 259). Há
muito tempo, esses povos reivindicam a independência da região, que
denominam Azawad.

A luta pela autonomia dessa região - de governo secular - é chamada "rebelião


tuaregue" ou "guerra de Azawad", liderada pelo Movimento Nacional de
Libertação da Azawad (MNLA).

Em 2012, um golpe derrubou o governo e lançou o país no caos.

Os grupos radicais islâmicos Ansar Dine (Defensores da Fé) e o Movimento


para a Unidade e Jihad na África ocidental (Mujao), que pretendem manter o
Mali unido, mas sob um governo regulamentado pela Charia, entraram em
confronto com o MNLA no norte do país.

Os extremistas islâmicos destruíram grande parte das relíquias da cidade de


Tombuctu, declarada Patrimônio Cultural pela Unesco. A cidade abriga
mausoléus de líderes espirituais do sufismo, uma corrente do islã. Os radicais
alegam que as relíquias precisam ser destruídas porque a linha mais tradicional
dessa religião proíbe a adoração de ícones. Também proibiram a execução de
músicas populares, tradicionais na cultura do Mali.

Glossário:

Sufismo: corrente mística e mais contemplativa do islã. Adota práticas


condenadas pelos grupos mais radicais, como música, dança e representação
em ícones.

Fim do glossário.

No início de 2013 a França enviou tropas para a região, buscando evitar a


tomada da capital, Bamaco. Os investimentos estrangeiros em mineração
explicam em parte a influência política desse país africano.

O "Chifre da África"

Localizada nas proximidades de uma das regiões mais instáveis do mundo em


razão de conflitos étnicos e religiosos, a região conhecida como "Chifre da
África" é considerada estratégica por estar na passagem do oceano Índico para
o mar Vermelho, rota internacional do petróleo vindo do Oriente Médio.

Aí encontram-se países que se envolveram em inúmeros conflitos e guerras


civis. Entre eles, destacam-se as guerras entre Eritreia e Etiópia (1998-2000) e
entre Etiópia e Somália (1977-1978).

No entanto, o maior problema da região ocorre na Somália, país que vive há


quase trinta anos em guerra civil, iniciada em 1986 em razão da oposição de
vários grupos ao regime totalitário que vigorava no país. De 1986 a 1992, a
Somália viveu um período tumultuado, quando vários movimentos se deram
pela posse de territórios. Os líderes desses movimentos, chamados senhores
da guerra, controlavam o país. O Movimento Nacional Somali (SNM) proclamou
a independência do território da região noroeste do país, a Somalilândia, mas
esta não é reconhecida internacionalmente.

264

Ao longo da guerra civil, a Somália se dividiu em estados autônomos (mas não


independentes, como se autoproclamou a Somalilândia): Puntlândia (1998),
Maakhir (2007), Galgamudug (2006). Com vários governos autônomos mais as
ações dos senhores da guerra e de uma milícia fundamentalista (União dos
Tribunais Islâmicos) e, ainda, a presença de piratas no oceano Índico - cuja
ação constitui uma ameaça à navegação internacional -, a Somália é o país
com o mais alto índice de falência do Estado.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 45. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Áreas de tensão na América

Neste continente, as disputas mais graves dizem respeito às guerrilhas da


América Latina, sobretudo as que se relacionam ao narcotráfico. Reveja
também o mapa "Principais conflitos pelo mundo", na página 259.

As guerrilhas na América Latina

As guerrilhas na América Latina iniciaram-se durante a Guerra Fria. Eram, em


sua maioria, de esquerda, de ideologia marxista ou maoista, e tinham por
objetivo instalar Estados socialistas nos países em que atuavam. Por meio de
movimentos organizados, os guerrilheiros procuravam desestabilizar os
governos locais, que, por sua vez, formavam grupos (de direita) para contra-
atacar. Os países que conheceram as ações desses grupos de forma mais
intensa foram Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras, todos na
América Central. Na América do Sul, os grupos Sendero Luminoso e Tupac
Amaru foram muito ativos no Peru nas décadas de 1970 e 1980. O Sendero
Luminoso voltou a agir no Peru em 2005 e 2008, sem grandes repercussões.

Embora enfraquecidos, os grupos de guerrilha mais ativos na América Latina


estão na Colômbia e no México, como veremos a seguir.

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Guerrilha de


inspiração comunista, surgida em 1964 como braço armado do Partido
Comunista. Membros fundadores das Farc tentaram estabelecer repúblicas
independentes nas zonas rurais do país. A partir daí as guerrilhas passaram a
lutar por "profundas reformas sociais e pela redistribuição da riqueza na
Colômbia". Foram excepcionalmente ativas até meados dos anos 1980,
quando declararam trégua ao governo colombiano.
Desde 1987, as Farc romperam o acordo de cessar-fogo com o governo e
passaram a controlar grande parte da zona do narcotráfico no país. A
desestruturação dos cartéis das drogas de Cali e Medellín, com a prisão de
seus líderes, facilitou esse controle, e o narcotráfico passou a ser uma
importante fonte de recursos para as guerrilhas, que haviam perdido o apoio
financeiro depois do fim da União Soviética.

O grupo é acusado de terrorista pelo governo colombiano. Sua principal


estratégia é realizar sequestros de políticos ou desconhecidos para depois
exigir resgates milionários. Em outubro de 2015, o governo colombiano
retomou as negociações de paz com o grupo.

Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). A organização atua em


Chiapas, o estado mais pobre do México. Além de lutar contra o governo
mexicano, seu principal objetivo é obter mais direitos constitucionais e
melhores condições de vida para a empobrecida população indígena da região.

265

As guerrilhas, tanto na Colômbia como no México, estão relacionadas ao


narcotráfico, que controla grandes regiões desses países.

LEGENDA: Membros do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) em


um protesto em 22 de outubro de 2014, em Oventic, estado de Chiapas, no
México, para exigir o aparecimento de 43 alunos desaparecidos.

FONTE: Elizabeth Ruiz/Agência France-Presse

Áreas de tensão na Ásia

Índia, Paquistão e China são as áreas de grande tensão no continente.


Entretanto, localiza-se também na Ásia a região mais conturbada do planeta - o
Oriente Médio, que estudaremos no próximo capítulo.

Veja, no mapa abaixo, os principais pontos de tensão no continente asiático.

FONTE: Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6ª ed. Rio de Janeiro,
2012. p. 47. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Índia e Paquistão
O principal ponto de tensão entre esses dois países é a disputa pela região da
Caxemira. Veja a localização dessa região no mapa acima.

O conflito da Caxemira tem raízes na divisão do Vice-Reino da Índia, em 1947,


que pertencia ao Império Britânico e do qual já fizeram parte Índia e Paquistão.
A longa dominação inglesa não conseguiu evitar - em razão da grande
diversidade cultural, religiosa e linguística - a fragmentação do Vice-Reino da
Índia, na ocasião de sua independência, em 1947. Isso porque, na verdade, por
trás das rivalidades entre esses dois países, existem a diferença religiosa e um
ódio secular entre muçulmanos, que são maioria no Paquistão, e hindus,
majoritários na Índia.

266

Logo após a independência, formaram-se dois países autônomos: Índia e


Paquistão (Oriental e Ocidental). Veja o mapa. Na década de 1970, o
Paquistão Oriental tornou-se independente, adotando o nome de Bangladesh.
Região localizada ao norte da Índia, a Caxemira luta pela independência ou
anexação ao Paquistão. Cerca de 75% da população da região é muçulmana,
o que a identifica mais com esse país. A disputa pela região da Caxemira
envolve ainda uma situação muito preocupante, que é a rivalidade entre duas
potências nucleares que gostam de exibir seus artefatos bélicos.

China

Taiwan. O principal ponto de tensão na China, embora as diferenças estejam


adormecidas, é com Taiwan, que a China considera uma "província rebelde" e
não um país independente. Por esse motivo, só a República Popular da China
pertence à ONU.

A existência de Taiwan está ligada à rivalidade entre o Partido Nacionalista ou


Kuomintang (fundado em 1900) e o Partido Comunista (fundado em 1922). A
longa disputa entre nacionalistas e comunistas pelo poder na China durou de
1927 até 1949, com apenas uma trégua para expulsar os japoneses (1931-
1945) - o inimigo comum - do norte do país na década de 1930. Vitoriosos, os
comunistas, liderados por Mao Tsé-tung, proclamaram a República Popular da
China, que ocupa a porção continental.
Derrotados, os membros do Partido Nacionalista do Kuomintang, liderados por
Chiang Kai-shek, refugiaram-se na ilha de Formosa ou na de Taiwan, a alguns
quilômetros do litoral chinês, onde estabeleceram a República da China
Nacionalista, que adotava o modo de produção capitalista.

Xinjiang. Região autônoma localizada no oeste da China. Habitada por uma


população muçulmana (uigures), essa região é um barril de pólvora, pois nela
atua uma organização separatista fortemente reprimida pelo governo chinês.
Trata-se de uma região estratégica porque possui 20% das reservas de
petróleo e 15% do gás natural do país.

Tibete. O governo tibetano discorda da legitimidade do domínio chinês na


região, que foi anexada à força, em 1950, pelos comunistas chineses.
Representado pelo líder religioso Dalai Lama, o governo no exílio tenta obter
apoio da comunidade internacional para a causa da independência do Tibete.

LEGENDA: Agricultores chineses colhem cebolas, em Xinjiang Uygur, na


China. Foto de 2015.

FONTE: Imaginechina/Corbis/Latinstock

Ilhas da discórdia

Ilhas Spratly. Arquipélago localizado no mar da China meridional, a oeste das


Filipinas e a leste do Vietnã (veja o mapa "Principais conflitos pelo mundo", na
página 259). São cerca de quatrocentas pequenas ilhas espalhadas por uma
área de 180 mil quilômetros quadrados. Esse estratégico arquipélago é
disputado por vários países: China, Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan.
A China quer todo o arquipélago; o Vietnã reivindica a maior das ilhas. Os dois
países já se enfrentaram em 1998. A região desperta grande interesse porque
possui reservas potenciais de petróleo, gás natural e minerais no fundo do mar.

Ilhas Kurilas. Há muito tempo essas ilhas são a causa de problemas entre a
Rússia e o Japão. Localizadas ao norte do arquipélago japonês, entre a ilha de
Sacalina e a península de Kamchatka (Rússia), as Kurilas foram ocupadas pela
União Soviética em 1945. Apesar da aproximação entre russos e japoneses
nos últimos anos e das promessas de acordo por parte da Rússia, nada foi
decidido.
Ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês). São ilhas desabitadas
localizadas no oceano Pacífico. As ilhas, controladas pelo Japão, são
disputadas pela China, fato que se agravou no início de 2013, provocando uma
tensão diplomática. Veja a localização dessas ilhas no mapa "Conflitos na
Ásia", na página 265.

267

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia, Língua Portuguesa e História. Leia com


atenção um poema de um autor português.

Darfur - Sudão

Rogério Martins Simões

Era noite, tão noite,

nem uma só luz existia,

as velas acesas, não brilhavam,

Lá fora nem luar havia...

Metia medo!

Ninguém dizia!

Ninguém murmurava...

O silêncio era gélido!

Esperavam o dia

e os corações sangravam...

Medrosa agonia,

Metia medo!

Ninguém diria...

Vieram os cavaleiros de negro...

Despedaçaram as portas!
Violaram! Mataram!

Derramaram o sangue!

Verteram-se as lágrimas!

Levaram os moços!

Incendiaram o chão!

Queimaram os corpos em pira!

Envenenaram os poços!

E partiram sedentos de ira!

que tragédia é essa, Sudão?

Voltou o dia!

Fez-se noite!

Viram-se de novo as estrelas!

que é do teu povo, Sudão?

Disponível em: http://poemasdeamoredor.blogs.sapo.pt/darfur-sudao-316975.


Acesso em: 20 nov. 2015.

a) Explique o conflito que envolve a área mencionada no poema.

b) "Metia medo!" é o primeiro verso da segunda estrofe. O que metia medo?

c) O eu lírico (quem narra o poema) retrata nos versos o sofrimento do povo


sudanês diante do inimigo. Retire do poema dois versos que comprovem as
atrocidades inimigas para com o povo sudanês.

d) Conflitos internos no Sudão provocaram a criação de um novo país na


África. Identifique-o.

2. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Leia a seguir o trecho de uma


reportagem publicada no jornal El País.

Terrorismo do Boko Haram e a crise econômica oprimem a Nigéria

Há um ano, a Nigéria estreava como primeira potência econômica da África. No


entanto, nem sequer a euforia de superar a África do Sul no ranking continental
pôde adoçar o amargo sabor da difícil situação na qual se encontra mergulhado
este gigante: país mais populoso da África (cerca de 175 milhões de
habitantes) e primeiro produtor de petróleo, mas ao mesmo tempo ameaçado
pela violência terrorista do Boko Haram no nordeste, corroído por uma
insuportável corrupção e em plena queda livre econômica pelo descenso dos
preços do petróleo, o que piorou ainda mais as condições de vida dos
nigerianos.

[...]

NARANJO, José. El País. Disponível em:


http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/29/internacional/1427659035_390834.ht
ml. Acesso em: 20 nov. 2015.

Converse com o professor, consulte livros, revistas e sites e responda:

a) Quando a Nigéria tornou-se um país independente? De quem ela era


colônia?

b) Consulte um atlas geográfico e dê a localização da Nigéria.

c) Que importante fonte de energia existe em seu território, segundo o trecho


da reportagem que você leu?

d) Cite duas características do grupo terrorista Boko Haram.

3. BELFAST, 27 Jun [2012] - Um inédito aperto de mãos entre a rainha


Elizabeth II e o ex-comandante guerrilheiro do IRA Martin McGuinness marcou
simbolicamente, nesta quarta-feira, o fim definitivo do conflito separatista que
ao longo de décadas matou milhares de militares e civis, incluindo um primo da
rainha.

UOL. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-


noticias/reuters/2012/06/27/rainha-elizabeth-cumprimentaex-comandante-do-
ira.htm. Acesso em: 15 fev. 2013.

a) Depois de ler a notícia acima, reveja a imagem da página 257. Por que esse
cumprimento é considerado simbólico?

b) Por que esse gesto foi considerado inédito?

4. Leia o texto e depois faça o que se pede:

"Um de meus sonhos sempre foi ir a Tombuctu antes de morrer".


O interesse de Umberto Eco era o de visitar as bibliotecas localizadas no
centro desse país, "onde floresceu, antes do Renascimento europeu, o maior
núcleo acadêmico e comercial da África".

OLIVEIRA, Ana Paula F. Carta Capital. São Paulo, 18 jan. 2013. (Adaptado).

- Identifique o país onde está Tombuctu e explique as causas do conflito que o


atingiu em 2012.

268

capítulo 21. Oriente Médio: rica região sem paz

LEGENDA: Jerusalém é a cidade sagrada de três religiões: cristianismo,


judaísmo e islamismo. Na foto, destaca-se o Muro das Lamentações, um dos
santuários religiosos mais importantes do mundo. Jerusalém, Israel. Foto de
2015.

FONTE: badahos/Shutterstock

O território: posição estratégica e petróleo

Berço das três religiões mais praticadas no mundo, o Oriente Médio é uma
região muito importante do ponto de vista econômico e geopolítico. Se, por um
lado, abriga imensa riqueza natural e importantes reservas de petróleo, por
outro, é a região mais conturbada do mundo, palco de inúmeros conflitos
étnico-religiosos.

Rota de passagem entre o Extremo Oriente (Japão e China), o Sudeste


Asiático e a bacia do Mediterrâneo, o Oriente Médio está estrategicamente
posicionado entre três continentes: Europa, Ásia e África.

A posição estratégica da região é atestada pelos limites do território, marcados


por pontos geopolítica e economicamente muito importantes:

- Canal de Suez: construído pelos ingleses em terras do Egito, faz a ligação


artificial entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho.

269

- Estreito de Ormuz: liga o golfo Pérsico ao oceano Índico, sendo rota


obrigatória dos petroleiros dos países árabes que se dirigem a todos os
mercados do mundo.
- Estreito de Bósforo: ponto de comunicação entre o mar Mediterrâneo e o mar
Negro, é passagem da Europa a vários países asiáticos.

- Estreito de Tiran: única ligação de Israel com o mar Vermelho, através do


golfo de Aqaba.

- Estreito de Bab el Mandeb: separa o Oriente Médio da instável região


conhecida como "Chifre da África" (Somália, Eritreia, Etiópia e Djibuti), no
encontro do mar Vermelho com o oceano Índico.

Dezessete países, mais a Autoridade Nacional Palestina, ainda não


efetivamente instalada, mas reconhecida pela ONU como Estado-membro,
integram o Oriente Médio.

CRÉDITOS: Anton Balazh/Shutterstock/Glow Images

FONTE DAS IMAGENS: As informações da imagem de satélite e do mapa


foram extraídas e adaptadas de: ATLANTE geografico metodico De Agostini
2012. Novara: Istituto Geografico De Agostini, 2012. p. 106. CRÉDITOS:
Allmaps/Arquivo da editora

Na península Arábica estão localizados os "países do petróleo" (Omã, Catar,


Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iêmen). Outro "país do
petróleo" é o Bahrein, formado por trinta e cinco ilhas situadas no golfo Pérsico.

Na costa banhada pelo Mediterrâneo estão localizados os países que se


destacam pela instabilidade que a criação, em 1948, do Estado de Israel, em
território palestino, trouxe para a região: Jordânia, Síria, Líbano e o próprio
Estado de Israel. Todos, com exceção da Jordânia, se localizam em terras das
antigas Fenícia e Palestina. Na costa mediterrânea também se localiza Chipre,
pertencente ao continente europeu.

Com uma pequena porção de seu território situada na Europa, a Turquia tem
uma localização geográfica privilegiada e é o país de maior estabilidade política
da região. A posição geográfica aproxima a Turquia mais da União Europeia do
que do Oriente Médio.

No centro do Oriente Médio estende-se a fértil planície da Mesopotâmia,


atravessada pelos rios Tigre e Eufrates. Berço das mais antigas civilizações do
mundo, a região é ocupada hoje, em grande parte, pelo Iraque, mas abriga
também áreas da Síria, da Turquia, do Irã e do Kuwait. A Jordânia não possui
jazidas de petróleo, sofre problemas de abastecimento de água e se localiza
em uma das áreas mais conturbadas do mundo.

O Egito, apesar de ter a maior parte de seu território na África, tem a península
do Sinai localizada no continente asiático e já esteve envolvido em vários
conflitos no Oriente Médio.

As importantes rotas comerciais que existem no Oriente Médio, como a rota do


petróleo, o fato de a região se limitar com outras áreas ricas em petróleo, como
os países da Ásia central (Casa quis tão, Usbequistão e Quirguistão), e com
países que vivem em conflito, como o Paquistão e a Índia e os países do
"Chifre da África", são determinantes para a sua grande importância
estratégica. Veja novamente o mapa e a imagem desta página.

O Oriente Médio é também uma região estratégica na economia mundial, uma


vez que detém cerca de 54% do total mundial de petróleo. Das sete maiores
reservas mundiais do produto, cinco estão localizadas na região.

270

Veja a tabela a seguir.

Tabela: equivalente textual a seguir.

Maiores reservas mundiais de petróleo - 2014

País Bilhões de barris

Venezuela 299,9

Arábia Saudita 266,5

Irã 157,5

Iraque 143,0

Kuwait 101,5
Emirados Árabes Unidos 97,8

Rússia 80,0

FONTE: Elaborada com dados de: OPEP. Anual Statistic Bulletin 2015, p. 26.
Disponível em: www.opec.org/opec_web/static_files_project/media/
downloads/publications/ASB2015.pdf. Acesso em: 22 nov. 2015.

A região tem importante participação na Organização dos Países Exportadores


de Petróleo (Opep), com seis países-membros: Irã, Iraque, Catar, Emirados
Árabes Unidos, Kuwait e Arábia Saudita. Como membros da organização, os
países produtores do Oriente Médio conseguem controlar a produção e o preço
do petróleo no mercado mundial.

Essa fonte de energia é utilizada quase totalmente para exportação, uma vez
que as outras atividades industriais dos países não demandam grande
consumo. Apesar do clima pouco favorável, no Oriente Médio predominam as
atividades agropecuárias tradicionais. O turismo é outra atividade importante
nesses países, apesar dos conflitos que acontecem na região.

LEGENDA: Vista de edifícios modernos em Dubai, nos Emirados Árabes


Unidos, em 2015.

FONTE: Andrzej Kubik/Shutterstock

Fundamentalismo e extremismo

O Oriente Médio tem sido palco da ação de organizações fundamentalistas


extremistas, que muitas vezes realizam ataques terroristas a fim de chamar a
atenção para suas causas. A concentração dessas organizações na região tem
origem na grande diversidade étnico-religiosa, raiz da maioria de seus conflitos.

O fundamentalismo, como crença absoluta nos preceitos de uma religião e a


necessidade de impô-los a outros, sempre existiu em todas as correntes
religiosas. Podemos falar em fundamentalismo no cristianismo, no judaísmo, no
islamismo. Porém, o fundamentalista não é necessariamente extremista.
Apenas os fundamentalistas que recorrem a ações extremas, como o
terrorismo, podem ser chamados assim.
Chamamos de fundamentalismo islâmico a pretensão do islã de instituir
Estados islâmicos e tornar-se uma nova força mundial, exigindo unidade entre
religião e política nos países por ele dominados. Os fundamentalistas querem
fundar Estados nos quais a Charia, interpretada de forma rígida, seja aplicada
no cotidiano político, econômico e social.

Nos países islâmicos mais ortodoxos, particularmente Irã (xiita) e Arábia


Saudita (sunita), as leis islâmicas chegam a ser incorporadas aos códigos civil
e penal do Estado. Em outros, tidos como moderados, como Egito e Jordânia,
o fundamentalismo religioso funciona como partido de oposição ao governo.

Glossário:

Xiita: corrente do islamismo que atribui a liderança religiosa à descendência do


profeta Maomé.

Sunita: corrente do islamismo que reúne mais de 90% dos islâmicos.

Fim do glossário.

A separação entre Estado e religião, que não é aceita pelos fundamentalistas,


é uma das principais causas da luta dos grupos extremistas islâmicos.

O fundamentalismo judaico só aceita a criação de um Estado judeu na


Palestina sem a participação da população árabe.

Tanto fundamentalistas islâmicos como judaicos formaram grupos extremistas,


que recorrem ao terrorismo na região.

Hamas (Palestina), Hezbollah (Líbano), Al Jihad (Egito), HUM (Paquistão e


Afeganistão), Al-Qaeda e o Estado Islâmico (assunto do boxe da página 271)
são as principais organizações terroristas islâmicas. Entre as judaicas,
podemos citar Kach e Kahane Chai, Ateret Cohanim e Movimento pela
Integridade de Israel.

271

Al-Qaeda e Osama bin Laden

A Al-Qaeda é uma organização terrorista islâmica com ramificações em vários


países do mundo.
Fundada e financiada pelo milionário saudita Osama bin Laden, foi a
responsável por vários ataques terroristas a alvos ocidentais. O maior deles foi
o ataque às torres gêmeas, em Nova York, nos Estados Unidos, em 11 de
setembro de 2001. Nesse atentado, quatro aviões de companhias
estadunidenses que transportavam passageiros foram sequestrados em
diferentes aeroportos do país. Dois deles atingiram, com intervalo de dezoito
minutos, as torres gêmeas do World Trade Center, centro de poder econômico
onde funcionavam bancos e escritórios de algumas das maiores empresas do
país. O terceiro jato comercial foi arremessado contra o edifício sede do
Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, em Washington. O
quarto avião, que supostamente tinha outro alvo, foi derrubado sobre uma
região florestal, no estado da Pensilvânia.

Outros importantes ataques que o grupo realizou atingiram embaixadas norte-


americanas na África (1998); o navio US Cole, que estava fundeado no Iêmen
(2000); vários trens suburbanos em Madri (2004); a embaixada da Austrália em
Jacarta (2004); o metrô de Londres (2005); e o jornal francês Charlie Hebdo,
em Paris (2015).

Em maio de 2011, Osama bin Laden foi morto em uma ofensiva das forças dos
Estados Unidos, próximo a Islamabad, capital do Paquistão.

LEGENDA: A imagem mostra o momento em que o segundo avião se


aproximava do World Trade Center, em setembro de 2001. Segundo o
Departamento de Estado do governo norte-americano, morreram 2 749
pessoas no atentado às torres gêmeas, em Nova York. O impacto sobre a
economia estadunidense e mundial foi avassalador.

FONTE: Masatomo Kuriya/Corbis/Latinstock

Boxe complementar:

Ampliando o conhecimento

O Estado Islâmico

Estado Islâmico é a mais recente denominação de um grupo radical islâmico


(sunita) que pretende instituir um califado - um Estado dirigido por um único
poder político e religioso regulamentado pela lei islâmica, a Charia. Ainda
limitado ao território conquistado na Síria e ao norte e oeste do Iraque, promete
expandir-se e "quebrar as fronteiras" da Jordânia e do Líbano e "libertar" a
Palestina.

Resulta do vazio de poder nos últimos quatro anos de guerra síria. Domina
campos de petróleo, de onde se financia. Algo como 30% da Síria e cidades
importantes do Iraque estão em seu poder. Muçulmanos sunitas matam xiitas,
impõem a conversão a cristãos e escravizam mulheres. Meta: criar um
"califado" para todos os muçulmanos professarem a religião conforme seus
preceitos.

É liderado por Ibrahim Awad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai, conhecido como
Abu Bakr al-Baghdadi, desde 2010, época em que o grupo se chamava Al-
Qaeda do Iraque e depois Estado Islâmico do Iraque. Em abril de 2013 o nome
foi alterado para Estado Islâmico do Iraque e Levante, quando agrupou a Al-
Qaeda do Iraque e um ramo dissidente do grupo sírio Frente al-Nusra,
constituído para combater o presidente sírio Bashar al-Assad. A designação
Estado Islâmico foi anunciada em junho de 2014 com a instituição do
autodenominado califado, e al-Baghdadi foi proclamado califa Ibrahim.

Com cerca de 200 mil integrantes, o grupo é responsável por ações de extrema
violência, como decapitações de indivíduos de outras religiões e militares, bem
como queima de aldeias, de pessoas e destruição de Patrimônios da
Humanidade no Oriente Médio.

272

Sobre o Estado Islâmico

FONTE: Adaptado de: SIC Notícias. Disponível em:


http://sicnoticias.sapo.pt/Infografias/2015-03-13-Da-Al-Qaeda-do-Iraque-
aoEstado-Islamico. Acesso em: 24 nov. 2015. CRÉDITOS: Julio Dian/Arquivo
da editora

Em 2015, o Estado Islâmico se aliou ao grupo extremista africano Boko Haram.


O pacto foi firmado pela internet. É a união dos dois grupos responsáveis pelos
atos mais selvagens dos últimos tempos.
Nesse mesmo ano realizou atentados em Beirute, no Líbano, e em Paris,
França. Nas duas cidades foram atingidos lugares públicos. Em Beirute foram
realizadas explosões próximo a um centro comercial no sul da cidade. Em
Paris houve sete atentados, mais ou menos simultâneos, com execuções a
tiros e explosões de homens-bomba. Entre os lugares atingidos estavam os
arredores do Stade de France, a casa de shows Bataclan e um restaurante
cambojano.

Texto elaborado com base em: SIC Notícias e ZH Notícias. Disponível em:
http://sicnoticias.sapo.pt/Infografias/2015-03-13-Da-Al-Qaeda-do-Iraque-ao-
Estado-Islamico; http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/04/entenda-
como-as-novas-organizacoes-terroristas-se-disseminam-4733102.html. Acesso
em: 24 nov. 2015.

Fim do complemento.

Região de conflitos

O Oriente Médio é a região onde as disputas pelo território e pela


territorialidade são mais intensas. A mais violenta e de difícil solução é a
Questão Palestina, que teve início com a criação do Estado de Israel, em 1948.
Nessa região também estão os representantes da maior etnia sem território do
mundo na atualidade: os curdos. Outros exemplos de luta pela territorialidade
no Oriente Médio são a luta pela água (por exemplo, no vale do rio Jordão,
entre Síria, Israel, Jordânia e Cisjordânia), a luta entre o fundamentalismo
islâmico, que pretende a territorialidade político-religiosa, e as transnacionais
do petróleo, controladas pelos Estados Unidos e por países europeus que aí
exercem uma territorialidade econômica. Fazem parte da região também o Irã,
que desenvolve um programa nuclear criticado internacionalmente, e dois
países invadidos pelos Estados Unidos no início do século XXI: Iraque e
Afeganistão.

A Questão Palestina

Há mais de sessenta anos, a faixa de terra pequena e desértica que se


estende ao longo do Mediterrâneo, entre o Líbano e o Egito, tem sido objeto de
violenta disputa, cujas raízes são muito antigas. Os conflitos nessa região, a
Palestina, envolvem árabes e judeus, povos profundamente ligados a ela.
Os judeus são descendentes dos hebreus, antigos habitantes da Palestina, que
haviam sido expulsos pelos romanos no início da Era Cristã. Dispersos pelo
mundo num movimento conhecido como Diáspora, os hebreus passaram a ser
chamados judeus. Hoje preferem a designação israelenses.

Os árabes ocuparam a região durante a expansão árabe entre os séculos VII e


XV e aí permaneceram sob o Império Otomano e, depois, sob o protetorado
britânico. São também chamados palestinos.

Os israelenses alegam direitos históricos sobre a Palestina, e os árabes têm


certeza de ter direito adquirido pelo longo período de ocupação da região.

Durante muito tempo, o povo judeu permaneceu espalhado por diversos


países, sempre acalentando o sonho de ter o seu próprio território. No final do
século XIX, surgiu na Europa um movimento conhecido como movimento
sionista ou sionismo, que elegeu a Palestina, antiga pátria dos hebreus, como o
território sonhado. A Inglaterra, responsável pela região na época, passou a
permitir a entrada de colonos judeus na Palestina. Os choques com a
população local foram inevitáveis e tornaram-se cada vez mais intensos. O
fluxo migratório dos judeus para o Oriente Médio aumentou durante a Segunda
Guerra Mundial, em virtude da perseguição imposta a eles pelos nazistas.

Com o fim da guerra e a independência dos protetorados ingleses


(Transjordânia, Palestina e Iraque), a situação entre os árabes e os colonos
judeus ficou insustentável.

273

Coube, então, à recém-criada ONU realizar em 1947 a partilha da Palestina,


dividindo a região assim: um Estado árabe e um Estado judaico - o Estado de
Israel, instalado oficialmente em 14 de maio de 1948. Inconformados com a
decisão da ONU, os palestinos declararam guerra aos israelenses, com a
intenção de expulsá-los das terras que faziam parte do novo Estado de Israel.
A primeira guerra entre árabes e judeus na Palestina (1948-1949) terminou
com a vitória de Israel e o fim da territorialidade árabe no Estado que lhes fora
designado pela ONU. A partir daí outros conflitos se sucederam e Israel
conseguiu aumentar cada vez mais seu território; a criação do Estado Palestino
aconteceu só no final do século XX. Veja essa evolução nos mapas a seguir.
FONTE: Adaptado de: L'ATLAS du monde diplomatique: mondes émergents.
Paris: Le Monde Diplomatique, 2012. p. 157-158; ATLAS Universal y de México
Macmillan Castillo. Ciudad de México: Ediciones Castillo, 2015. p. 63.
CRÉDITOS: Portal de Mapas/Arquivo da editora

Conflitos entre árabes e judeus

Após esse conflito, os palestinos iniciaram seu êxodo e, em 1959, Yasser


Arafat, líder desse povo, criou na Jordânia a Al-Fatah, organização terrorista
que não reconhecia o Estado de Israel e que passou a lutar para obter os
territórios palestinos de volta. Em 1964, a Al-Fatah transformou-se na
Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Reconhecida pelos países
árabes, a OLP foi proclamada por Yasser Arafat, seu dirigente desde 1969, "um
Estado no exílio".

As guerras entre árabes e israelenses tornaram-se frequentes. Entre os


principais conflitos destacam-se: a Guerra de Suez (1956), a Guerra dos Seis
Dias (1967), a Guerra do Yom Kippur (1973) e a Intifada (1980, 2000 e 2012).
O termo "intifada" começou a ser usado para designar os confrontos entre
israelenses e palestinos. Nas intifadas há um enfrentamento entre a população
árabe, que muitas vezes utiliza pedras como arma, e soldados israelenses. A
cada conflito, as fronteiras dos Estados delimitados pela ONU se modificam e a
paz parece estar longe. A Guerra dos Seis Dias foi a que mais alterou as
fronteiras na região, ampliando os territórios ocupados por Israel.

LEGENDA: A imagem mostra um confronto da Terceira Intifada, ocorrida em


2012.

FONTE: Abbas Momani/Agência France-Presse

Na ocasião, o Conselho de Segurança da ONU votou pela devolução dos


territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias: Cisjordânia e
Jerusalém Oriental (Jordânia), península do Sinai e Faixa de Gaza (Egito),
Colinas de Golã (Síria). O país nunca obedeceu à organização. Apenas o Sinai
foi devolvido, em um acordo estabelecido separadamente com o Egito, em
1979.

Em 1988, a OLP renunciou ao terrorismo e reconheceu oficialmente o Estado


de Israel. A partir daí, a organização mudou seu discurso radical. Além de
renunciar ao terrorismo, Arafat aceitou o diálogo com representantes
israelenses e a intermediação dos Estados Unidos nas negociações de paz.

274

O início dos anos 1990 trouxe uma pequena esperança de paz na região, pois,
além da mudança de atitude do líder palestino, líderes moderados assumiram o
poder em Israel.

Em 1993 foi assinado, em Washington, um Acordo de Reconhecimento Mútuo


entre Arafat e Israel, representado por Yitzhak Rabin e Shimon Peres, após
negociações realizadas em Oslo, capital da Noruega, com a intermediação do
então presidente norte-americano Bill Clinton (1992-2000). Os líderes Yasser
Arafat, Yitzhak Rabin e Shimon Peres foram agraciados com o prêmio Nobel da
Paz em 1994, pelo esforço conjunto pelo fim dos conflitos na Palestina.

LEGENDA: O histórico acordo de paz entre israelenses e palestinos foi


assinado na Casa Branca, em Washington, em 13 de novembro de 1993.
Presentes, entre outros, Bill Clinton, Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak
Rabin.

FONTE: J. David Ake/Agência France-Presse

Em 1994 e 1995 foram assinados novos acordos (Oslo I e Oslo II,


respectivamente). Yitzhak Rabin aceitou a gradual devolução dos territórios
ocupados por Israel (Faixa de Gaza e Cisjordânia) para o futuro Estado
palestino. Em troca, os palestinos se comprometeram a colaborar para o fim
das hostilidades entre as duas comunidades e a reconhecer o Estado de Israel.
Entretanto, o preço por tentar restabelecer a paz na Palestina foi alto. Rabin foi
assassinado, em 1995, por um extremista judeu que não aceitava que "terras
públicas de Israel" fossem cedidas aos palestinos.

O Estado palestino

Pelos acordos de Oslo, o Estado palestino seria formado pela Faixa de Gaza e
por parte da Cisjordânia e deveria ter sido instalado até 13 de setembro de
2000.

A Faixa de Gaza é um território árido e retangular de 360 km2, localizado na


ponta sudeste do Mediterrâneo. Limita-se, ao norte e a leste, com Israel e, ao
sul, com a península do Sinai (veja mapa na página 273). Com mais de 1,5
milhão de habitantes, dos quais mais de 95% palestinos, a Faixa de Gaza
apresenta uma das maiores densidades populacionais e uma das maiores
taxas de crescimento demográfico do mundo.

Com 5.400 km2 , a Cisjordânia abriga cerca de 1,5 milhão de palestinos e 120
mil colonos judeus. Localizada entre o território israelense e a Jordânia, há
décadas a região é disputada por israelenses e palestinos, que reivindicam o
direito à totalidade da soberania e da posse da terra, atual mente ocupada por
ambos os povos. Tanto israelenses quanto palestinos reivindicam sua parte da
terra com base na história, na religião e na cultura. O Estado de Israel tem
soberania sobre grande parte do território, que foi conquistado após a derrota
dos árabes em duas guerras - o Conflito Árabe-Israelense, de 1948, e a Guerra
dos Seis Dias, de 1967.

O Acordo de Oslo I deu aos palestinos apenas o controle da cidade de Jericó.


O direito total à Cisjordânia foi resultado do Acordo de Oslo II.

Entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia há uma distância de 40 km (área


ocupada por Israel). Unir as duas áreas é o grande desafio do futuro Estado
palestino.

Pelos mesmos acordos ficou estabelecido que a Autoridade Nacional Palestina


(ANP) exerceria um governo provisório até a formação do Estado palestino. A
administração da Faixa de Gaza e da Cisjordânia também coube à ANP. A data
para o estabelecimento do Estado palestino não foi respeitada.

LEGENDA: O governo de Israel iniciou em 2002 a construção de um "muro de


proteção" separando territórios palestinos e israelenses na Cisjordânia. O muro
corta áreas rurais e urbanas palestinas, limitando a livre circulação desse povo
em seu próprio território. Na imagem, a barreira em área próxima a Jerusalém.
Foto de 2015.

FONTE: Thomas Coex/Agência France-Presse

275

Em janeiro de 2005 foram realizadas eleições que resultaram na vitória de Abu


Mazen (Mahmoud Abbas) para o comando da ANP. O novo líder se declarou
aberto a novas negociações com Israel. Nesse mesmo ano, Israel promoveu
uma conturbada retirada de seus colonos da Faixa de Gaza.

Embora os conflitos entre as populações árabe e israelense e os


desentendimentos entre seus governantes continuem a acontecer, impedindo a
paz efetiva na região, em 2012 os territórios ocupados pelos palestinos foram
finalmente reconhecidos pela Assembleia-Geral das Nações Unidas na
categoria de Estado observador, não membro, mesmo status do Vaticano.

LEGENDA: Estudante palestina é detida na fronteira por soldados israelenses,


perto de Ramallah. A jovem protestava contra a detenção de universitários
palestinos em prisões de Israel. Foto tirada na vila de Betunia, na Cisjordânia,
em 2015.

FONTE: Abbas Momami/Agência France-Presse

Boxe complementar:

Jerusalém: o ponto de discórdia

Um dos obstáculos à paz no Oriente Médio é a disputa pelo controle da cidade


de Jerusalém, localizada na Cisjordânia. Jerusalém oriental é o centro da vida
palestina: aí estão as mesquitas de Domo da Rocha e de Al-Aqsa. É também o
local onde o profeta Maomé subiu aos céus, segundo a crença muçulmana.

Jerusalém foi, ao longo dos séculos, a única capital e centro da vida judaica
quando esse povo habitava a Palestina. É a cidade do rei David, onde se
encontra o lugar sagrado dos judeus: o Muro das Lamentações, vestígio do
Segundo Templo, destruído pelos romanos em 70 d.C. É também a cidade
sagrada do cristianismo, cenário da paixão e morte de Jesus Cristo.

Fim do complemento.

Israel e os países árabes

A Questão Palestina envolveu também outros países árabes do Oriente Médio


na luta contra Israel. Egito, Jordânia, Síria e Líbano participaram dos conflitos
de 1956, 1967 e 1973, ao lado dos palestinos. O Egito foi o primeiro a assinar,
em 1979, um acordo de paz com Israel, em Camp David, residência de verão
do presidente dos Estados Unidos. A Jordânia selou a paz com os vizinhos em
1994.
Os problemas entre Israel e Líbano se acirraram quando este país abrigou os
palestinos expulsos da Jordânia. Em 1978, o sul do Líbano foi ocupado por
Israel. Em 1985, uma "faixa de segurança" foi demarcada para prevenir
ataques de guerrilheiros a territórios israelenses. Foram milhares as mortes de
ambos os lados. Em maio de 2000, finalmente, Israel terminou de retirar suas
tropas do sul do Líbano. Entretanto, continua o enfrentamento entre a
organização tida como terrorista, o Hezbollah, e Israel na fronteira entre os dois
países.

A Síria é o único país que não assinou nenhum acordo de paz com Israel.
Como só aceita negociar se os israelenses devolverem as colinas de Golã,
território ocupado em 1967, e como estes se recusam a fazê-lo, criou-se um
verdadeiro impasse.

As colinas de Golã são uma região estratégica por dois motivos:

- Por meio delas é possível controlar uma das principais fontes de


abastecimento de água de Israel: o rio Jordão e as correntes que descem do
monte Hermon e das próprias colinas, alimentando o lago Tiberíades.

- A localização e a conformação das colinas permitem ter controle visual do


vale de Huleh, uma das mais ricas áreas agrícolas de Israel.

A disputa pela água

Uma questão que está por trás dos conflitos entre israelenses e palestinos pelo
território é a escassez de água.

A região com menor disponibilidade de água por habitante é o Oriente Médio,


problema que pode se agravar nas próximas décadas.

Os principais mananciais que abastecem a Palestina são as reservas de água


da bacia do rio Jor dão, que abrangem as águas superficiais do rio Jordão, o
mar da Galileia (lago Kinneret) e o rio Yarmuk. Além disso, existem águas dos
aquíferos da Montanha (quase todo no subsolo da Cisjordânia), de Basin e
Costeiro (que se estende por quase toda a faixa litorânea israelense, até a
Faixa de Gaza).

276
Israel controla os recursos hídricos e, por legislação internacional, tem de
fornecer água potável para os palestinos. Entretanto, o país é extremamente
seco e desenvolveu um sistema de indústria agrocomercial que utiliza
intensamente esses recursos. Por isso, sempre priorizou projetos que
garantissem o controle da água na região. Um exemplo é o do Aqueduto
Nacional (1953), que canaliza o curso de mais da metade dos afluentes do rio
Jordão para os projetos de irrigação do deserto de Neguev. Mais tarde, com a
posse dos territórios ocupados em 1967, Israel garantiu o controle de áreas
com recursos hídricos.

A construção do "muro de segurança" permitiu o controle israelense da quase


totalidade do aquífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia.

A disputa pela água mostra que um acordo de paz não é possível sem um
consenso sobre a divisão dos recursos hídricos.

Curdos

Maior grupo étnico sem território, os curdos, de maioria muçulmana sunita, não
são turcos, árabes nem persas. Espalham-se principalmente por terras da
Turquia, do Irã e do Iraque, onde sofrem as mais duras perseguições, embora
ocupem também pequenas áreas da Síria e da Armênia. Veja o mapa abaixo.

FONTE: Adaptado de: SMITH, Dan. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo:
Nacional, 2007. p. 62. CRÉDITOS: Allmaps/Arquivo da editora

Irã: do xá aos aiatolás

Apoiado pelos Estados Uni dos entre 1941 e 1979, o xá Reza Pahlevi dirigiu o
Irã e procurou implementar um processo de ocidentalização no país, mantendo
um regime de forte repressão a seus opositores. Seu principal foco de oposição
foi o setor fundamentalista iraniano, que acabou por tomar o poder em 1979
sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini. Líder religioso, Khomeini
declarou o Irã uma república islâmica. Como uma teocracia, o Irã é regido por
leis religiosas.

Glossário:

Aiatolá: o mais alto dignatário da hierarquia religiosa no islã xiita.

Fim do glossário.
A importância do Irã vem de sua posição estratégica de fácil acesso à Ásia
central e ao mar Cáspio (veja o mapa da página 269) e de suas grandes
reservas de petróleo. O país é acusado pelos Estados Unidos de apoiar o
grupo terrorista xiita libanês Hezbollah, responsável pelo ataque à base norte-
americana de Khobat, na Arábia Saudita, em 1996, que matou dezenove
soldados estadunidenses. Além disso, o Irã desenvolveu um programa nuclear
que preocupa a comunidade internacional, uma vez que detém tecnologia para
a fabricação de armas nucleares. O país é o principal inimigo do Estado de
Israel, que está na mira de alcance de mísseis iranianos, no Oriente Médio. Em
2012, Israel testou um míssil que pode atingir as instalações nucleares
iranianas.

Em razão de seu programa nuclear, o Irã sofreu, em 2006, duras sanções


econômicas e militares por parte dos Estados Unidos, da União Europeia e da
ONU. Essas sanções envolvem maior rigor na vigilância dos bancos iranianos
e na inspeção das cargas vindas do Irã, além de vetos aos investimentos
estrangeiros vindos desses países para setores estratégicos da economia
iraniana e da proibição da compra de armamentos pesados.

Em julho de 2015, o Irã e o Grupo 5+1 (os cinco países do Conselho de


Segurança da ONU mais a Alemanha), reunidos em Viena, chegaram a um
acordo que garante que o Irã não produzirá uma bomba atômica e que vai
receber como contrapartida um levantamento das sanções econômicas que lhe
foram impostas. Algumas dessas sanções já tinham sido levantadas em 2013,
após um acordo com os Estados Unidos. Esse pacto impede que pelo menos
por dez anos o Irã produza material para fazer uma bomba atômica e impõe
novas condições para a inspeção das instalações iranianas, incluindo as
militares. Os Estados Unidos, por não manterem relações diplomáticas com o
Irã, não podem participar das inspeções.

277

A duração do embargo de armas imposto pela ONU é de cinco anos e prevê


que o Irã vai diminuir seus estoques de urânio para 300 kg e reduzir a
porcentagem de seu enriquecimento.

Afeganistão e Paquistão e o fundamentalismo Talibã


A origem do grupo radical sunita, majoritariamente da etnia pashtun,
denominado Talibã, foi a reunião de pouco mais de mil estudantes da doutrina
islâmica na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. O Talibã tomou o poder
no Afeganistão em 1996. A milícia extremista, a princípio, tinha certo prestígio,
pois prometia combater a corrupção e restabelecer a ordem no país, devastado
pela guerra civil. Porém, o poder do Talibã impôs severas normas ao país e
aos seus habitantes. As mulheres foram as mais sacrificadas. Só podiam sair
às ruas cobertas pela burca, da cabeça aos pés. Proibidas de estudar e
trabalhar, só podiam receber atendimento médico de outras mulheres. Como
dificilmente há médicas no país, o número de óbitos femininos aumentou com
essa restrição.

LEGENDA: Mulheres afegãs andando perto de um local onde ocorreu uma


avalanche, na província de Panjshir, ao norte de Cabul, em fevereiro de 2015.

FONTE: Shah Marai/Agência France-Presse

Os homens deviam deixar a barba crescer e corriam o risco de ser punidos


pela escola de reeducação se desobedecessem às regras. Além disso, o Talibã
proibia todas as representações de seres vivos (homens e animais) e símbolos
de outras religiões. Eram também vetadas fotografias de pessoas. Por isso,
poucos possuíam máquina fotográfica ou fotos de família. A população era
vigiada por uma força policial religiosa conhecida como Departamento-Geral
para a Preservação da Virtude e Eliminação do Vício.

O governo Talibã foi derrubado por tropas estadunidenses que invadiram o


país à procura de Bin Laden, logo após os atentados de 11 de setembro. Em 5
de dezembro de 2001, na Conferência de Bonn, foi proclamado o fim do Estado
teocrático e o país voltou a ter governo republicano. Em 2004, foram realizadas
as primeiras eleições presidenciais da história do país. Eleito presidente, Hamid
Karzai enfrentou inúmeros problemas, como as rivalidades étnicas, a
resistência do Talibã e a intensificação do cultivo da papoula, que fazem a paz
parecer quase impossível no Afeganistão.

LEGENDA: O cultivo da papoula, da qual se extrai o ópio para a fabricação da


heroína, emprega grande parte da população do Afeganistão e tem importante
participação no PIB do país. O dinheiro da droga ajuda a financiar as atividades
de grupos terroristas. Na foto, policial afegão destrói plantação de papoula na
província de Kunar, em 2014.

FONTE: Noorullah Shirzada/Agência France-Presse

Após a queda de seu governo, em 2001, a milícia Talibã refugiou-se na


fronteira com o Paquistão. Estreitamente ligado à Al-Qaeda, o Talibã continuou
sua escalada terrorista no país vizinho, onde tem o apoio de líderes tribais e do
grupo fundamentalista Movi mento para o Reforço da Lei Islâmica - em árabe,
Tehreek-e-Nafaz-e-Shariat Muhammadi (TNSM).

Em 2015, o Afeganistão continuava sofrendo com instabilidades internas. As


tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixaram o país
em 2014, mas a presença militar dos Estados Unidos ainda pode ser vista no
país.

Guerra civil na Síria

Como vimos no Capítulo 20, as guerras civis são um tipo de conflito muito
frequente no século XXI. Elas tendem a ser cada vez mais longas e acabam
por se internacionalizar, envolvendo países vizinhos ou grandes potências,
como é o caso da guerra na Síria.

278

Esse país enfrenta, desde janeiro de 2011, uma guerra civil travada entre
defensores do regime totalitário do presidente Bashar al-Assad (cuja família
governa o país desde 1971) e a oposição, que quer a renúncia do chefe de
governo.

As desavenças lançaram o país em uma violenta guerra civil, resultante da


política de repressão do presidente. Os confrontos provocaram milhares de
mortos, mas, apesar do massacre, o presidente não renunciou. Em todo o país,
as milícias se multiplicam, a oposição está dividida e os combates e os
atentados terroristas se sucedem.

No seu processo de internacionalização, a guerra civil na Síria envolveu vários


países - Estados Unidos, Rússia, Turquia, países do golfo Pérsico - e também
organizações fundamentalistas, como o Hezbollah e o Hammas.
Em 2014, a situação piorou com a entrada em cena do autodenominado
Estado Islâmico (EI), que atua contra governistas e rebeldes.

LEGENDA: Soldados sírios caminham em rua severamente danificada, na


cidade de Aleppo, Síria. Foto de 2015.

FONTE: George Ourfalian/Agência France-Presse

Em 2015, a queda de um jato russo, no Egito, e os atentados realizados em


Paris, ambos assumidos pelo EI, trouxeram mais instabilidade ao país, que
passou a sofrer bombardeios realizados pelos Estados Unidos, França e
Rússia (aliada de Assad, mas contra o EI).

Essa situação na Síria deu origem a um número muito grande de refugiados


que, fugindo dos horrores da guerra e das perseguições por parte dos
membros do EI, buscam outros países, resultando na polêmica recepção em
países da União Europeia, destino mais procurado.

Refletindo sobre o conteúdo

Ícone: Atividade interdisciplinar.

1. Atividade interdisciplinar: Geografia e História. Leia o texto a seguir.

Seis fatos sobre o grupo Estado Islâmico, que domina parte de Iraque e Síria

Movimento rivaliza com a Al-Qaeda a liderança da jihad muçulmana e é hoje


uma das organizações terroristas mais ricas do mundo.

Após autoproclamar um califado no Iraque e na Síria, o EI (Estado Islâmico),


anteriormente chamado EIIL (Estado Islâmico do Iraque e Levante), agora
busca ampliar seus territórios e estender sua influência até a capital iraquiana,
Bagdá. O grupo ganhou notoriedade internacional devido à crueldade com que
trata os prisioneiros e à perseguição de "infiéis", que são crucificados,
obrigados a pagar taxas e a se converter ao islã.

No final de semana, enquanto o mundo muçulmano comemorava o fim do


Ramadã, o grupo divulgou um vídeo mostrando a crueldade com que supostos
soldados iraquianos são mortos pelos integrantes do EI. As imagens revelam
dezenas de soldados sendo executados um a um, como relatou a agência
Reuters.
[...]

SILVA, Vanessa Martina. Opera Mundi. Disponível em:


http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/37244/seis+fatos+sobre+o+gru
po+estado+islamico+que+domina+ parte+de+iraque+e+siria.shtml. Acesso em:
22 nov. 2015.

a) Consulte um atlas geográfico e dê a localização dos países citados no texto.

b) Caracterize o grupo terrorista conhecido como Estado Islâmico.

2. Os Estados Unidos se preocupam exclusivamente com o potencial militar do


programa nuclear iraniano, ignorando sua utilização com finalidades civis e
outras necessidades comerciais do Irã; durante muitos anos a União Europeia
ignorou as atividades nucleares ilícitas e o terrorismo promovido pelo Irã,
solapando as sanções americanas para se transformar no maior parceiro
comercial desse país; e a Rússia vendeu tecnologia de reatores nucleares ao
Irã, muito pouco preocupada com a reação em cadeia que poderia estar
provocando.

KHANNA, Parag. O Segundo Mundo: impérios e influência na nova ordem


mundial. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2008.

a) Consulte um atlas geográfico e caracterize o Irã. Dê a localização


geográfica, golfos e mares principais, hemisférios, população, capital, religião e
clima predominantes.

b) Relacione o Irã à Opep.

c) Por que o programa nuclear iraniano deixa grande parte do mundo em


estado de alerta?

3. Determine a importância estratégica e econômica da península Arábica


caracterizando a economia dos países da região.

279

Concluindo a Unidade 7

Leia o texto, reflita e depois responda às questões propostas.

Estado Islâmico vira inimigo comum dos rivais Israel e Hamas


O avanço da facção radical Estado Islâmico (EI) criou uma aliança improvável
no Oriente Médio.

Há sinais de que israelenses e palestinos, envolvidos em décadas de conflitos


e de agressões mútuas, começaram a estabelecer uma estratégia conjunta
contra o inimigo comum.

Governos dos dois lados agem contra o aparecimento de milicianos do EI,


animados com as vitórias na Síria e no Iraque.

O principal ponto de preocupação é a Faixa de Gaza, controlada pelo grupo


islâmico Hamas.

Para alguns, essa preocupação conjunta pode levar a uma cooperação,


mesmo que indireta e secreta, entre Israel e Hamas.

Segundo relatos não confirmados, nos últimos meses Israel tem conversado,
de maneira indireta, com o Hamas no Catar e na Europa. A mediação estaria
sendo feita pelas Nações Unidas.

A ideia seria chegar a uma "hudna" (calmaria) entre os dois lados para que
ambos possam tomar medidas contra discípulos do EI sem retomar o conflito
do ano passado, que deixou mais de 2.300 mortos (2.251 palestinos e 73
israelenses).

"Não sei se o Hamas e Israel vão negociar diretamente, mas sim existe um
interesse dos dois lados em colaborar para evitar o fortalecimento do Estado
Islâmico na região", diz Anat Hochman-Marom, especialista israelense em
contraterrorismo e em marketing estratégico.

"Para o EI, se você não pensa como eles, vai ser morto. Como o Hamas
funciona mais em termos políticos e pragmáticos e não defende a criação de
um califado em todo o Oriente Médio, torna-se um inimigo natural."

O Hamas, de orientação sunita, tem promovido prisões em massa em Gaza


para tentar evitar que salafistas sunitas ganhem força no território. Mas há cada
vez mais bandeiras negras do EI aparecendo entre a população.

Em Israel, além do temor quanto ao destino de Gaza, há preocupação quanto à


formação de células do Estado Islâmico na Cisjordânia, governada pelo partido
moderado Fatah, em cidades árabes dentro do próprio país e na fronteira com
a Síria.

Mais de cem jovens palestinos se juntaram às fileiras do Estado Islâmico na


Síria e no Iraque desde 2014.

Em Gaza, grupos identificados com o EI têm aterrorizado cidadãos com


panfletos nos quais ameaçam quem não seguir a charia (lei islâmica) ao pé da
letra.

Numa das brochuras, advertem mulheres a vestir um véu que "deve ser largo e
folgado, nem apertado, nem transparente, sem chamar a atenção por beleza
ou perfume".

Já os israelenses contam mais de 30 voluntários árabe-israelenses que se


uniram ao Estado Islâmico.

[...]

Para o analista político jordaniano Raedi Omari não seria surpresa se o EI


declarasse Gaza como sua nova região administrativa de seu suposto califado.

"Isso poderia ser feito pelo método tradicional do EI. Primeiramente ganhando
apoio em áreas desprivilegiadas, depois expandindo sua presença recrutando
combatentes, vencendo inimigos mais fracos e, finalmente, declarando o
território como uma filial", diz Omari.

A maior inspiração do EI em Gaza é o deserto do Sinai, no norte do Egito.

Lá, há uma presença ativa de militantes, incluindo a fronteira com Gaza. Só há


pouco tempo, o EI executou dois supostos "espiões sionistas".

Em Israel, o nervosismo também aumenta no norte do país.

Informações sobre massacres de drusos do lado sírio das Colinas de Golã têm
feito com que correligionários do lado israelense (anexado por Israel depois da
Guerra dos Seis Dias, em 1967) entrem em desespero.

Os drusos de Golã estão divididos entre o tradicional apoio ao regime sírio de


Bashar al-Assad e o suporte aos insurgentes, entre eles o Estado Islâmico.
LEGENDA: Membros da minoria drusa de origem israelense protestam,
levantando suas bandeiras, contra o bombardeio realizado por forças da Al-
Qaeda que matou cerca de 20 pessoas, no norte da Síria. Foto de 2015.

FONTE: Jalaa Marey/Agência France-Presse

280

Já os drusos que vivem em outras partes de Israel são considerados cidadãos


leais do país, servindo normalmente no Exército.

No vilarejo druso-israelense de Yarka, centenas de manifestantes saíram em


passeata em 14 de junho [de 2015] pedindo intervenção internacional para
salvar seus conterrâneos sírios.

Líderes comunitários pediram até mesmo ajuda aos EUA. A marcha fez com
que a vice-chanceler israelense, Tzipi Hotovely, anunciasse estar cogitando
abrir as fronteiras do Golã com o lado sírio - o que raramente acontece - para
receber refugiados sírios.

KRESCH, Daniela. Folha de S.Paulo - Mundo, 23 de junho de 2015. Disponível


em: http://www1.folha.uol.com.br/ mundo/2015/06/1646529-israel-e-hamas-
podem-se-unir-contrao-estado-islamico.shtml. Acesso em: 22 nov. 2015.

- Reúna-se em grupo e discutam as consequências prováveis dessa possível


ação do Estado Islâmico na região de Israel e da Palestina.

Testes e questões

Ícone: Não escreva no livro.

Enem

1. No mundo árabe, países governados há décadas por regimes políticos


centralizadores contabilizam metade da população com menos de 30 anos;
desses, 56% têm acesso à internet. Sentindo-se sem perspectivas de futuro e
diante da estagnação da economia, esses jovens incubam vírus sedentos por
modernidade e democracia. Em meados de dezembro, um tunisiano de 26
anos, vendedor de frutas, põe fogo no próprio corpo em protesto por trabalho,
justiça e liberdade. Uma série de manifestações eclode na Tunísia e, como
uma epidemia, o vírus libertário começa a se espalhar pelos países vizinhos,
derrubando em seguida o presidente do Egito, Hosni Mubarak. Sites e redes
sociais - como o Facebook e o Twitter - ajudaram a mobilizar manifestantes do
norte da África a ilhas do Golfo Pérsico.

SEQUEIRA, C. D.; VILLAMÉA, L. A epidemia da liberdade. Istoé Internacional,


2 mar. 2011. (Adaptado).

Considerando os movimentos políticos mencionados no texto, o acesso à


internet permitiu aos jovens árabes

a) reforçar a atuação dos regimes políticos existentes.

b) tomar conhecimento dos fatos sem se envolver.

c) manter o distanciamento necessário à sua segurança.

d) disseminar vírus capazes de destruir programas dos computadores.

e) difundir ideias revolucionárias que mobilizaram a população.

2. Um jornalista publicou um texto do qual estão transcritos trechos do primeiro


e do último parágrafos.

"Mamãezinha, minhas mãozinhas vão crescer de novo?" Jamais esquecerei a


cena que vi, na TV francesa, de uma menina da Costa do Marfim falando com
a enfermeira que trocava os curativos de seus dois cotos de braços. [...]

Como manter a paz num planeta onde boa parte da humanidade não tem
acesso às necessidades básicas mais elementares? [...] Como reduzir o
abismo entre o camponês afegão, a criança faminta do Sudão, o Severino da
cesta básica e o corretor de Wall Street? Como explicar ao menino de Bagdá
que morre por falta de remédios, bloqueados pelo Ocidente, que o mal se
abateu sobre Manhattan? Como dizer aos chechenos que o que aconteceu nos
Estados Unidos é um absurdo? Vejam Grozny, a capital da Chechênia,
arrasada pelos russos.

Alguém se incomodou com os sofrimentos e as milhares de vítimas civis,


inocentes, desse massacre? Ou como explicar à menina da Costa do Marfim o
sentido da palavra "civilização" quando ela descobrir que suas mãos não
crescerão jamais?

UTZERI, Fritz. Jornal do Brasil, 17 set. 2001.


Apresentam-se, abaixo, algumas afirmações também retiradas do mesmo
texto. Aquela que explicita uma resposta do autor para as perguntas feitas no
trecho citado é:

a) "tristeza e indignação são grandes porque os atentados ocorreram em Nova


York".

b) "ao longo da história, o homem civilizado globalizou todas as suas mazelas".

c) "a Europa nos explorou vergonhosamente".

d) "o neoliberalismo institui o deus mercado que tudo resolve".

e) "os negócios das indústrias de armas continuam de vento em popa".

Testes de vestibular

Ícone: Não escreva no livro.

1. (UFRGS-RS) A ocupação e colonização da Faixa de Gaza, Cisjordânia e das


Colinas de Golan por Israel sobre seus vizinhos árabes foi iniciada a partir da

a) Guerra dos Seis Dias (1967).

b) Guerra do Yom Kippur (1973).

281

c) Revolução Islâmica (1979).

d) Intifada (1987).

e) Guerra do Golfo (1991).

2. (UFRR) Até o final da década de [1980], existiam na África treze conflitos


regionais (Angola, Etiópia, Libéria, Sudão, Chade, entre outros). Um ano
depois, esse número diminuiu para seis, diante dos altos custos de sua
manutenção. Com o relaxamento das tensões EUA-URSS (distensão), os
países africanos também deixaram de ser o desencalhe de armas
convencionais dos dois países. Entre 1984 e 1987, as despesas militares
diminuíram de 5,2% do PNB, acumulado dos países em conflito, para cerca de
4,3%. O cenário que resulta é desolador. Destruição econômica e destruição
social, com a disseminação da fome e da epidemia da Aids.
OLIVA, J.; GIANSANTI, R. Espaço e modernidade: temas da Geografia
mundial. São P