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Síndrome do X-frágil

Informação adaptada de Preventive management of children with congenital anomalies and


syndromes, Wilson GN, Cooley WC

Este síndrome, descrito em 1943 por Martin e Bell, é a causa mais frequente do atraso mental
hereditário em indivíduos do sexo masculino, afectando também o sexo feminino.
Fenotipicamente estes indivíduos têm frequentemente uma estrutura corporal esguia, queixo
proeminente/protuberante, orelhas grandes, tecido conjuntivo laxo e nos rapazes aumento do
volume testicular após a puberdade. A suspeita clínica confirma-se recorrendo à caracterização
molecular do gene FMR1. É uma doença de hereditariedade ligada ao cromossoma X.

Incidência, Etiologia e Diagnóstico

A incidência é de aproximadamente 1 em 4000 nados vivos do sexo masculino e 1 em 8000


nados vivos do sexo feminino, sendo responsável nos rapazes, por 30-40% dos atrasos
mentais de hereditariedade ligada ao cromossoma X. O gene responsável por esta alteração
encontra-se na região Xq27 do cromossoma X e é designado por FMR1. Nos doentes o gene
tem mais de 200 repetições de um tripleto e está metilado e inactivo.

Face à sua associação com o atraso mental, sugere-se que todos os rapazes com alterações
psico-motoras sem microcefalia e sem causa aparente sejam sujeitos, para além do estudo
cromossómico, ao estudo molecular do gene FMR1 para confirmar ou excluir este síndrome.

Evolução

A esperança média de vida é considerada normal. O QI varia entre 25 a 69, com 50-75% dos
doentes com QIs inferiores a 39. Muitos têm comportamento autista, e em 7-15% dos casos de
autismo no sexo masculino é identificado o síndrome do X-frágil. Estas crianças podem ter
ecolalia, agressividade, automutilação e instabilidade emocional. No entanto, alguns estudos
não mostraram um fenótipo comportamental específico nas crianças com este síndrome. A
epilepsia está presente em 15% dos rapazes.

O crescimento normal é a regra na maioria dos casos. Em alguns, a má evolução ponderal está
associada ao refluxo gastroesofágico, recusa alimentar ou doença psiquiátrica materna. A
laxidez do tecido conjuntivo é responsável por anomalias como o peito côncavo (pectus
excavatum), hérnias inguinais, pé plano e prolapso da válvula mitral (PVM). A incidência do
PVM varia entre os 6-80% e pode ser responsável por palpitações e dispneia. As
irregularidades de implantação dentária são frequentes. Ambos os sexos são férteis.

Tratamento e Prevenção das Complicações

Os cuidados médicos são orientados para a prevenção/tratamento das possíveis complicações


associadas ao atraso mental e as malformações dentárias. É aconselhado o rastreio precoce
das complicações audiovisuais, tais como a otite média crónica, a miopia e o estrabismo. A
avaliação ecocardiográfica permite identificar o PVM e as complicações ortopédicas (pé plano,
escoliose) devem ser orientadas para uma consulta de ortopedia. A presença de testículos
grandes não é sinal de puberdade precoce ou disfunção sexual. Face à multiplicidade de
problemas nestas crianças, a intervenção precoce, terapia ocupacional, fisioterapia e avaliação
do desenvolvimento são apoios importantes nestas crianças. A epilepsia deve ser tratada, em
princípio, com carbamazepina. As alterações do comportamento e do foro psiquiátrico não
requerem orientação diferente de outros grupos. É importante o diagnóstico das raparigas
portadoras, visto estas terem um elevado risco de dificuldades na aprendizagem (15%) e de
atraso mental (35%), para além das alterações do comportamento.
Aconselhamento Genético

A hereditariedade do síndrome do X-frágil é complexa, dependendo do sexo do progenitor e


natureza das alterações encontradas no gene FMR1. Esta questão torna fundamental o estudo
molecular para um melhor aconselhamento em termos dos riscos de recorrência. O diagnóstico
pré-natal é possível tanto por amniocentese como por biópsia das vilosidades coriónicas. O
diagnóstico pré-implantatório é outra possibilidade que pode ser tomada em consideração.