You are on page 1of 2

Sector Público

Pode definir-se sector público como todas as entidades controladas pelo poder político. Neste caso tem-se uma definição abrangente que inclui não só a totalidade das administrações
públicas, como a totalidade do setor empresarial de capitais total ou maioritariamente públicos. Assim, para além dos subsectores das administrações públicas (central, regional, local e
segurança social), inclui-se o setor público empresarial, que integra as empresas públicas, as empresas municipais, as sociedades anónimas de capitais exclusiva ou maioritariamente públicos.
A prof. Maria D’Oliveira Martins define o setor público como um sector composto pelo conjunto de entidades públicas que exercem a atividade financeira. O sector público é caracterizado
pela existência de dois grandes sectores: o sector público administrativo e o sector público empresarial.

Sector Administrações Públicas – fazem parte deste sector as entidades qualificadas como produtores não mercantis (se as vendas cobrirem menos de 50% dos custos de produção), em
relação a cujos bens o consumo seja de natureza individual ou coletiva e dando azo a pagamentos obrigatórios. As suas instituições têm natureza redistributiva.
- Administração central ou estadual
Serviços integrados - dotados de autonomia administrativa – ABRANGIDOS PELO OE
Serviços e fundos autónomos – entidades com autonomia administrativa e financeira
- ABRANGIDOS PELO OE
- Administração regional – independência orçamental
- Administração local – independência orçamental
- Segurança Social - ABRANGIDO PELO OE

Sector Empresarial do Estado – integram este sector as entidades que sejam qualificadas como produtores mercantis (se mais de 50% dos custos de produção forem cobertos pelas vendas
– quando pelo menos 50% das receitas são próprias, ou seja, provenham da atividade que desenvolvem, e suficientes para fazer face às suas despesas). Adicionalmente, acresce a esta atuação
substancialmente empresarial, a adoção de uma forma jurídica empresarial e que os capitais respetivos sejam maioritária ou exclusivamente públicos.
- Empresas Públicas
- Entidades Públicas Empresariais
- Empresas Participadas

Distinção entre o Sector Administrações Públicas e o Sector Público Empresarial


A distinção entre o Setor Público Administrativo e o Setor Publico Empresarial do Estado assenta na qualificação jurídico-institucional do legislador. No entanto estará sempre sujeita a
correção de acordo com a verificação do duplo critério económico do SEC95:
- Critérios dos preços economicamente vantajosos;
- Critério dos 50% que exige um controlo dos custos de produção da entidade em causa, se forem cobertos em mais de 50% pelas vendas, as entidades serão mercantis, se não, serão não mercantis
e integradas no setor das administraçõespúblicas.
Ou seja, a primazia do critério jurídico-constitucional apenas se mantém enquanto o critério económico não o contradisser.

Independência orçamental

A independência orçamental caracteriza-se:

- Total separação jurídica de orçamentos entre a entidade considerada e o Orçamento de Estado (embora nada impeça as transferências de um para o outro);
- Existência de processos próprios de elaboração e aprovação do Orçamento;
- Administração Financeira própria e formas próprias de execução e controlo, perceção de receitas e realização de despesas;
- Existência de formas de responsabilidade próprias;

Duas razões fundamentais justificam a existência de independência orçamental:


- A participação dos representados nos diversos órgãos democráticos (ex: Regiões Autónomas; Autarquias Locais e Associações Públicas);
-Razões técnicas - contabilidade de grande complexidade (setor empresarial do Estado).

Os orçamentos anuais de cada uma das regiões autónomas e de cada uma das autarquias locais (freguesias e municípios) não constam do OE, logo estas possuem independência orçamental.
A autonomia financeira das autarquias locais resulta do artigo 238.º. Nos termos do nº1 deste artigo, as autarquias dispõem de património e finanças próprios. É, pois, por imposição
constitucional que as autarquias elaboram e aprovam, elas próprias o seu orçamento, plano e outros documentos previsionais e de prestação de contas; arrecadam e dispõem de receitas atribuídas
por lei, e gerem o seu próprio património. Gozam, portanto, de independênciaorçamental.
Tem-se vindo a assistir ao alargamento do perímetro orçamental, trazendo, não apenas a realidade orçamental das demais AP’s, como também o próprio Sector Público Empresarial, incluindo
o Sector Empresarial Regional e Local.

Apenas os serviços integrados, serviços e fundos autónomos e segurança social estão abrangidos pelo OE (art. 105.º nº1 CRP e art. 2.º nº1 LEO).

Serviços integrados
Estão sujeitos ao regime de Autonomia Administrativa (nos termos da Lei de Bases da Contabilidade Nacional). O regime de Autonomia Administrativa é o regime regra a que estão sujeitos todos os
serviços e organismos da Administração Pública que não dispõem de autonomia administrativa e financeira. Estes podemterounãopersonalidadejurídica. Aautonomiaadministrativaconsubstancia-sena
atribuiçãodecompetênciasaosdirigentes dos serviços e organismos da Administração Pública para a prática de atos administrativos definitivos e executórios apenas de gestão corrente e para a realização
das respetivas despesas e ordenação do seupagamento. Estas entidades não dispõem de orçamento próprio. O seu orçamento está integrado no Orçamento de Estado. Para o pagamento das suas
despesas, efetuam levantamentos mensais junto da Direção Geral do Tesouro. As entidades dotadas de autonomia administrativa não podem contrair empréstimos.

Serviços e Fundos Autónomos


Para a definição dos serviços e fundos autónomos deve-se contar com um requisito positivo e negativo:
por um lado, não são serviços e fundos autónomos os serviços e organismos da Administração Pública que também tenham natureza e forma de empresa, fundação ou associação pública; por
outro lado, apenas poderão ser serviços e fundos autónomos os serviços e organismos da Administração Pública que tenham autonomia administrativa e financeira. Há 3 formas de obtenção
do regime de autonomia administrativa e financeira:
1. Nos termos da Lei de Bases da Contabilidade Pública (nos termos da lei referida existem 3 requisitos cumulativos, entre eles, a obtenção de receitas próprias que cubram, pelo menos, dois
terços das despesas);
2. Por imperativo constitucional (art. 76 nº2, gozam de autonomia administrativa e financeira, independentemente do cumprimento dos requisitos da Lei de Bases da Contabilidade Pública,
as universidades);
3. Por imperativo legal excecional;
• A autonomia financeira e administrativa consubstancia-se na competência dos seus dirigentes realizarem despesas e ordenarem o seu pagamento mesmo que de fora dos atos de gestão
corrente;
• Esta autonomia financeira e administrativa permite-lhes uma maior liberdade de atuação
• Executam o seu orçamento contando apenas com um controlo sucessivo por parte do Ministério das Finanças;
• Dispõe sempre de património próprio;
• Tendencialmente, dispõem de personalidade jurídica;
• A cessação do regime de autonomia administrativa e financeira será operada nos termos do artigo 7º da Lei das Bases da Contabilidade Pública:
- A não verificação dos requisitos do artigo 6.º nº1 durante dois anos consecutivos determinará a cessação do regime de autonomia administrativa e financeira; Esta
cessação será constada por meio de portaria; este preceito levanta duvidas sobre a sua constitucionalidade, visto que caso se considere que a portaria procede à
revogação do decreto-lei que determina a autonomia administrativa e financeira esta padecerá de inconstitucionalidade por violação do 112.º nº5 CRP (proibição do
regulamento delegado).

Segurança Social
Segundo o art. 2.º nº3 LEO, entende-se por subsector da segurança social o sistema de solidariedade e segurança social, constituído pelo conjunto dos sistemas e dos subsistemas definidos
na respetiva lei de bases, as respetivas fontes de financiamento e os organismos responsáveis pela sua gestão.
O orçamento da Segurança Social foi até à revisão constitucional de 1982 um orçamento independente do OE. A partir desta altura, viria a ser incorporado no OE. No entanto, o sector da
Segurança Social mantém uma considerável autonomia relativamente à gestão orçamental do Estado central.
Segundo o artigo 105.º CRP, a segurança social integra o Orçamento de Estado. Deste artigo se extrai a necessidade de sujeição das suas receitas e despesas ao principio da autorização politica
parlamentar, tal como se sucede em relação às restantes despesas do Estado.
Por outro lado, o artigo 63.º CRP esclarece que “todos têm direito à segurança social”. É neste artigo que se encontram elencadas as funções do Estado neste domínio. É nele, também, que
estão contidos os princípios fundamentais nesta matéria, os quais têm uma natural incidência no direito financeiro que à sua volta se constrói.
Assim, no âmbito da Segurança Social, a atividade financeira do Estado manifesta-se na obtenção de receitas, gestão de recursos e realização de despesas, tendo em vista a cobertura obrigatória
e universal das carências sociais por prestações compensatórias. Por força do artigo 105º CRP, as suas receitas e despesas estão previstas no Orçamento de Estado. A relação que se estabelece
entre as despesas e as receitas da segurança social permite-nos notar que a Segurança Social vincula obrigatoriamente os membros ativos da sociedade como financiadores diretos do sistema
através de contribuições sociais sobre os rendimentos do seu trabalho, tendo por contrapartida serem beneficiários das prestações e dos serviços correspondentes tanto na fase ativa das
suas vidas como na reforma.