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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


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1-EXAMES DIAGNÓSTICOS E COLETA DE MATERIAL

1.1-Coleta do Material: A coleta deve ser realizada, sempre que possível, antes do início ou da modificação
da terapia antimicrobiana.
O material colhido deve ser representativo do processo infeccioso investigado, devendo ser eleito o melhor
sitio da lesão. Por exemplo: as crostas das feridas devem ser removidas, uma vez que a melhor amostra vai
localizar-se abaixo dessa crosta. Quando factível, preferir a coleta por aspiração com seringa e agulhas em
substituição ao swab, o que reduz o risco de contaminação e de dessecação da amostra. A coleta deve ser
feita dentro de uma técnica asséptica, utilizando recipientes de boca larga e materiais estéreis e evitando ou
diminuindo ao máximo a contaminação com a microbiota não representativa do processo infeccioso.

1.2-Acondicionamento, conservação e transporte do material


Todo material deve ser enviado ao laboratório em recipiente apropriado para o tipo de exame e material
(conforme indicado pelo Laboratório) e devidamente acondicionado para evitar extravasamento do material
durante o transporte. Para maior segurança no transporte do material, os vasilhames devem ser envolvidos
em saco plástico transparente ou invólucro equivalente. Após a coleta, o material deve ser transportado ao
laboratório no menor tempo possível. Observar a tabela a seguir:
Tabela I: Acondicionamento e tempo adequado para entrega da amostra ao laboratório
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1.3-Pontos Importantes:
• Material colhido com swab deve ser processado imediatamente ou imerso em meio de transporte.
O swab conservado em meio de transporte é mantido, geralmente, em temperatura ambiente até o
momento do processamento. Não ultrapassar o tempo indicado pelo laboratório (em geral, 8 horas).
• · Material em que há suspeita da presença de bactérias mais sensíveis às variações de temperatura ou
de umidade como: Neisseria meningitides, Neisseria gonorrhoeae, Haemophilus influenzae,
Streptococcus pneumoniae, etc. devem ser colhidos em meio de transporte ou no próprio meio de
cultura. Não refrigerar e enviar imediatamente ao Laboratório de Microbiologia.
· Material naturalmente rico em flora microbiana (fezes e escarro) ou obtido de sítios de difícil
descontaminação (urina, secreções de orofaringe, lesões superficiais) deve ser transportado com os cuidados
necessários à manutenção da proporção da flora original.Se o material for mantido à temperatura ambiente
por período superior a 30 minutos,pode ocorrer multiplicação bacteriana (microbiota endógena) e,
consequentemente, prejudicar o isolamento do agente infeccioso.
· Material clínico proveniente de sítios estéreis (sangue, líquor, líquido ascítico, sinovial, etc.) deve ser
colhido e semeado diretamente em meios de cultura, transportado à temperatura ambiente ao laboratório e
colocado em estufa entre 35° a 37°C. Na impossibilidade deste procedimento, coletar o material em frasco
esterilizado e conservá-lo à temperatura ambiente, até o momento do processamento.

1.4- Rotinas de coleta de material específico


Foram selecionados os materiais mais freqüentemente coletados para fins de exame microbiológico entre os
pacientes admitidos ou atendidos no hospital.
Para todas as rotinas, observar:
Explicar o procedimento ao paciente e posicioná-lo adequadamente.
Após anti-sepsia cutânea com álcool ou soluções alcoólicas de PVP-I ou clorexidina,
sempre aguardar até completa secagem espontânea.
Verificar antecedente de alergia ao anti-séptico, especialmente ao iodo. Independente de
história prévia de alergia, sempre remover o iodo no final do procedimento.
- Hemocultura
Momento da Coleta e número de amostras:
Não deve ser solicitada “coleta em pico febril”. Idealmente, a coleta deveria ser efetuada antes do início de
um episódio de febre (eventualmente é possível definir um horário na situação de picos febris regulares). O
número de amostras é relacionado à condição clínica do paciente e a idade.
Para adulto, observar as seguintes recomendações:
Infecções sistêmicas e localizadas (sepse, meningite, osteomielite, artrite, pneumonia): Duas ou três
amostras em locais diferentes antes do início do tratamento com antimicrobianos. Caso exista urgência
quanto ao início do tratamento antimicrobiano, coletar as amostras ao mesmo tempo, em locais diferentes
(Ex: braço esquerdo e braço direito).
Secreção de ferida cutânea ou cirúrgica, abscesso ou fístula
Preferencialmente, coletar material após lavar a lesão com soro fisiológico e/ou desbridamento. A secreção
pode ser coletada de duas maneiras: - por aspiração da secreção ou da coleção não-drenada utilizando
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seringa e agulha estéreis6 ou somente a seringa (o material deve ser encaminhado imediatamente ao
laboratório).
- com swab (é a técnica menos recomendada), tendo o cuidado de imergi-lo no meio de transporte ou
encaminhá-lo imediatamente ao laboratório. O termo “secreção de ferida” não é apropriado para informar o
tipo de material. Relatar no pedido o sítio anatômico e as informações adicionais (tipo de lesão,
secreçãosuperficial ou profunda, fístula, etc.).
Técnica de coleta de secreção com a seringa
Realizar anti-sepsia do local (pele íntegra) com solução alcoólica de PVP-I a 10%. Se lesão aberta, fazer
limpeza com soro fisiológico, de acordo com a técnica do curativo.
Aspirar o material com seringa e agulha estéreis ou somente com a seringa - As coleções drenadas podem ser
aspiradas diretamente na seringa tipo insulina ou por meio de um pequeno cateter - Quando não houver
secreção suficiente, injetar pequena quantidade de salina estéril e aspirar com a mesma seringa O material
deve ser transportado na própria seringa, com eliminação do ar e vedação (principalmente nos casos de
cultura para anaeróbio) ou em frasco estéril. Anotar o horário da coleta, identificar o material e encaminhar
ao laboratório.

Técnica de coleta com o swab:


Realizar a técnica do curativo, até a limpeza com solução fisiológica e secagem com gaze esterilizada Com o
swab, coletar amostra do local7 onde houver maior suspeita de infecção, porém evitando áreas de tecido
necrosado e pus, que preferencialmente devem ser removidos Inserir o swab no invólucro especial ou no
meio de transporte Realizar anti-sepsia da ferida e concluir o curativo Anotar o horário da coleta, identificar
o material e encaminhar ao laboratório
- Fragmento de tecido (pele, tecido subcutâneo, lesão, queimadura)
No caso de ferida ou lesão cutânea, a cultura de pequeno fragmento de tecido (biópsia) fornece resultado
mais representativo do processo infeccioso em relação ao 1swab.

- Urocultura
A urina na bexiga é estéril, porém, com exceção da coleta suprapúbica, todos os métodos propiciam a
contaminação da urina com a microbiota uretral. A coleta de urina do jato médio é o método mais utilizado,
por não ser invasivo e pela relativa confiabilidade, quando realizada dentro de técnica adequada. Os achados
dos exames - presença de piúria e o achado de bactérias ao exame microscópico da urina não-centrifugada
corada pelo Gram -devem ser correlacionados.
Técnica de coleta do jato médio
A coleta de urina deve seguir técnica rigorosa, evitando ao máximo uma importante contaminação da urina
com a microbiota da genitália. O ideal é a coleta da primeira urina da manhã, se isto não for possível, coletar
após ter passado 4 horas sem urinar.
Explicar o procedimento ao paciente, que deverá lavar a genitália e com água e sabonete (Não usar anti-
séptico, pois interferem com o crescimento bacteriano) Enxaguar com bastante água para retirar o excesso de
sabonete e enxugar com toalha limpa

1 O uso da agulha pode ser contra-indicado, nesse caso usar somente a seringa ou um pequeno cateter.
A depender da lesão, é indicado colher outra amostra com outro swab.
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Coletar a urina do jato médio, isto é, desprezando a primeira e a última porção de urina
Coletar o material diretamente em frasco estéril de boca larga
o No homem, expor bem a glande
o Na mulher, afastar os grandes lábios na hora da micção (preferencialmente, este procedimento deve ser
supervisionado por enfermeira ou técnico treinado).
Anotar o horário e identificar o frasco
Transportar ao laboratório imediatamente, ou refrigerá-la (a 4° C) até no máximo 4 horas, mantendo a
refrigeração durante o transporte (manter a temperatura com gelo ao redor do vasilhame)

OBS: Nos casos de crianças pequenas ou de pacientes incontinentes, aguardar a micção espontânea ou no
último caso usar o saco coletor estéril, refazendo os cuidados de higiene do períneo e a troca do saco coletor
de 30 em 30 minutos. Na pediatria a experiência da coleta de urina sem o uso do saco coletor é feita há
alguns anos e mostrou-se exeqüível. A criança pequena é deixada livre, sem a fralda, e o acompanhante
atento coleta
a urina diretamente no vasilhame estéril assim que a criança inicia a micção.
Cateterismo vesical
Paciente sem sonda vesical
O próprio cateterismo para coleta de urina implica em risco de infeção, porém esta técnica pode ser utilizada
quando não é possível obter urina espontânea ou a punção suprapúbica é contra-indicada.
Fazer o cateterismo vesical dentro da técnica asséptica
Pacientes com sonda vesical (pacientes cateterizados em sistema de drenagem fechada)
Trocar o cateter dentro da técnica asséptica e coletar a urina diretamente da luz do novo cateter, utilizando
um recipiente estéril.
Não havendo troca de cateter, após a desinfecção com álcool a 70% do local, coletar a urina (20 ml)
diretamente do cateter, por meio da punção com seringa e agulha estéril na proximidade da junção do
cateter com o tubo de drenagem.
Escarro
A orientação para a coleta deste material deve ser clara, evitando ao máximo coletar saliva ou material de
vias aéreas superiores, preferencialmente a coleta deve ser feita sob supervisão direta da equipe de
assistência.
Coletar pela manhã com o paciente em jejum, após higiene oral (escovar os dentes sem o uso de pasta dental
e fazer gargarejos)
O escarro deve ser coletado após tosse profunda e depositado diretamente em frasco esterilizado de boca
larga com tampa rosqueada
Encaminhar ao laboratório por período não superior a 30 minutos
Obs: Nos casos de suspeita de infecção por micobactéria ou fungo, coletar pelo menos três amostras, em dias
consecutivos (1 amostra diária). Nos casos de suspeita de pneumocistose ou quando a expectoração é
escassa, esta pode ser induzida por meio de inalação.

Secreção de Orofaringe (swab)


O principal objetivo é a recuperação do Streptococcus pyogenes.
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Técnica
Orientar higiene oral não utilizando anti-séptico ou pasta dental. Explicar o procedimento ao paciente e
orientá-lo a abrir bem a boca
Usar abaixador de língua e fazer esfregaços sobre as amígdalas e faringe posterior, usando swab evitando
tocar na língua ou na mucosa oral
Coletar material nas áreas com hiperemia, adjacentes aos pontos de supuração ou remover o pus ou placas
coletando o material na mucosa logo abaixo
Colher dois swabs e enviar imediatamente ao laboratório para evitar a excessiva secagem
- Secreção de Ouvido
No caso de avaliação do conduto auditivo externo, proceder da seguinte forma:
Retirar o excesso de secreção de drenagem espontânea com salina e gaze estéril
Introduzir o swab no conduto auditivo externo.
No caso de avaliação do ouvido médio com membrana timpânica rota ou íntegra, é
necessário espéculo e coleta por swab ou aspiração com seringa.
- Swab nasal (narinas anteriores)
A pesquisa de2 MRSA em narinas anteriores é feita em situações epidemiológicas
especiais, conforme orientação do NCIH.
Técnica
Introduzir o swab esterilizado10 cuidadosamente na porção ântero-superior de uma das narinas com
movimento giratório delicado e deslizá-lo lateralmente pela asa nasal interna.
Repetir o procedimento na outra narina com o mesmo swab
Inserir o swab no invólucro especial ou no meio de transporte
Anotar o horário da coleta e encaminhar o swab ao laboratório
- Secreção Ocular
Coletar o material do saco conjuntival, evitando contato com a pálpebra ou os cílios.
Técnica
Limpar a secreção purulenta superficial com gaze estéril
Afastar a pálpebra e coletar com o swab o material do saco conjuntival, evitando coletar a secreção
acumulada nos cantos
Introduzir o swab em meio de transporte, se não for possível a semeadura imediata.
Anotar o horário e identificar o frasco
- Fezes (e swab retal)
Devem ser coletadas no início ou fase aguda da doença, quando os patógenos estão usualmente presentes
em maior número. Preferir as porções mucosas e sanguinolentas do material. Na pesquisa de
enteropatôgenos (Salmonella, Shigella, E. coli enteropatogênica,
etc.) entrar em contato prévio com o Laboratório de Microbiologia ou o LACEN para orientação quanto ao
tipo de material a ser coletado e os cuidados de conservação e transporte.
Técnica swab retal

2MRSA (Methicillin Resistant Staphylococcus aureus) são cepas de S.aureus resistentes à meticilina (na prática, a oxacilina é
o antibiótico utilizado no teste de sensibilidade e é equivalente à meticilina). Esta resistência atinge automaticamente todos os
antibióticos beta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, carbapenems e monobactâmicos).
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Usar swab de algodão, certificando-se de que a ponta da haste que suporta o algodão está bem revestida
Umedecer o algodão em salina estéril (não usar gel lubrificante)
Inserir no esfíncter anal, fazendo movimentos rotatórios
Ao retirar, verificar se existe coloração fecal no algodão
Anotar o horário da coleta e encaminhar o swab ao laboratório imediatamente ou usar meio de 14

2-EXAMES CARDÍACOS:

✔ Hollter – É o aparelho utilizado para registrar a atividade elétrica do coração durante 24 horas.
✔ Cintilografia miocárdica: Consiste na introdução de radioisótopos (substâncias detectadas por
radiação) por via intravenosa com o objetivo de detectar o infarto agudo do miocárdio.
✔ Cateterismo cardíaco – Consiste na introdução de um ou mais cateteres pelas artérias até o coração,
a fim de medir as pressões nas diversas câmaras do mesmo.

✔ eletrocardiograma (ECG) registra a atividade elétrica do coração, permitindo diagnosticar uma


vasta gama de distúrbios cardíacos. Eletrodos são conectados aos pulsos, tornozelos e peito. São
ativados 2 eletrodos de cada vez. Cada registro representa a atividade elétrica de uma região do
coração.
✔ Angiografia:

3-EXAMES MENINGITES:
✔ Quimiocitológico - quando a celularidade liquórica está aumentada, com ou sem o diferencial
(neutrófilos, linfócitos, monócitos, etc.), sendo que os outros exames laboratoriais mais específicos,
ou foram negativos ou não foram realizados. Quando o diferencial é realizado permite apenas a
classificação genérica de meningite não determinada de provável etiologia (viral ou bacteriana);
quando nem o diferencial é realizado, a meningite é classificada como não determinada não
especificada.

✔ Bacterioscopia – agrupa morfológica e tintorialmente os agentes, permitindo sua


classificação com pequeno grau de especificidade (bacilos Gram positivos, bacilos Gram negativos,
diplococos Gram positivos, diplococos Gram negativos, bacilos álcool–ácido resistentes, leveduras, etc. Pode
ser realizada no líquor ou no raspado de pele (na presença de lesões ou sufusões hemorrágicas) e escarro
(vide quadro VIII do SINAN - lista das etiologias de meningites para resultados de bacterioscopia).
✔ Cultura - exame de alto grau de especificidade quanto à identificação do agente etiológico (bactérias,
fungos e vírus), podendo ser realizada com diversos tipos de fluidos corporais, mais comumente
líquor e sangue (vide quadro VI do SINAN - lista das etiologias de meningites para resultados de
cultura do líquor e sangue). O resultado deve identificar a espécie e, na doença meningocócica, o
sorogrupo, que é de fundamental importância tanto para acompanhar a tendência como para a
investigação de surtos e/ou epidemias. As cepas vivas (oriundas de qualquer laboratório) devem ser
sempre encaminhadas ao Laboratório responsável por este exame.
✔ CIEF (contraimunoeletroforese ou IEC-imunoeletroforese cruzada) - permite a identificação de
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agentes etiológicos (meningococo e hemófilo b, por enquanto) através de seus antígenos, podendo
ser realizada no líquor, sangue (vide quadro IX do SINAN – lista das etiologias de meningites para
resultados de CIEF).
✔ Aglutinação pelo Látex - também permite a identificação do agente através de seus antígenos (vide
qiadro X do SINAN - lista das etiologias de meningites para resultados de Latex).
Obs1: tanto a CIEF como o Látex permitem a identificação do sorogrupo do meningococo e do sorotipo do
hemófilo. Quando o resultado for meningococo do sorogrupo A, ele deve ser reavaliado com o laboratório
pois se esse sorogrupo não estiver circulando, pode tratar-se de reação cruzada.
Obs2: se os diferentes exames revelarem etiologias diferentes ou não compatíveis, discutir os resultados com
o pessoal do laboratório; caso a dúvida não seja esclarecida, priorizar sempre a cultura > CIEF > Látex >
bacterioscopia.
Necrópsia - usada como critério quando confirma o diagnóstico e os dados laboratoriais são negativos, não
realizados ou menos específicos. Por exemplo, o achado de necrose aguda de supra-renais é altamente
sugestivo de doença meningocócica, ainda que não seja um sinal patognomônico. Fazer a notificação
sempre.

4-EXAMES TUBERCULOSE

✔ Escarro.
A amostra de maior rendimento para o diagnóstico da TB pulmonar é o escarro proveniente da árvore
brônquica, obtido após o esforço da tosse. A prática mais útil é a coleta em dias consecutivos, uma no
momento da consulta e outra na manhã do dia seguinte.
O escarro deve ser acondicionado e transportado cuidadosamente, para evitar o risco de contaminação das
pessoas e do ambiente. A amostra deve ser encaminhada ao laboratório no mesmo dia da coleta, ou em até 7
dias se mantido sob refrigeração, acompanhada da requisição do
exame (papeleta).
✔ Lavado Brônquico.
Este exame é reservado para casos especiais. A coleta é realizada em hospitais e clínicas especializadas. A
amostra deve ser coletada em frasco ou tubo limpo esterilizado e ser transportada rapidamente para o
laboratório. Se o transporte não puder ser feito imediatamente, conservar a amostra sob refrigeração.
✔ Lavado Gástrico.
Da mesma forma que o lavado brônquico, a coleta do lavado gástrico é realizada em hospitais e clínicas
especializadas, com o cliente em jejum. Esta coleta é indicada para casos especiais principalmente em
crianças, pois estas engolem o escarro. Deve-se coletar duas amostras em dias consecutivos. O pH ácido,
devido à presença do suco gástrico, pode destruir os bacilos. Portanto, a amostra deve ser processada até 4
horas após a coleta ou transportada em tampão fosfato dissódico a 10% (1,5 ml de tampão para até 15 ml da
amostra). Lembrar que o rendimento deste exame é baixo!

Amostras de origem extra pulmonar


Amostras supostamente estéreis
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✔ Fluidos (Líquido cefalorraquidiano, pericárdico, ascítico, pleural, sinovial, aspirado de gânglios e de
medula óssea).
Estas amostras são coletadas, principalmente, em hospitais e clínicas especializadas. Devem ser colocadas em
frascos ou tubos limpos esterilizados e enviadas ao laboratório o mais rápido possível.
✔ Sangue.
A hemocultura é indicada para clientes imunodeprimidos, principalmente para portadores de AIDS.
Usualmente coleta-se 5 ml de sangue após assepsia local, utilizando-se uma seringa sem anticoagulante. Esse
volume deve ser inoculado em 20 ml de meio líquido apropriado.
Quando utilizado o sistema bifásico, coleta-se 10ml de sangue, sendo 5 ml inoculado no meio sem PNB
(ácido p-nitrobenzóico) e 5 ml no meio contendo PNB. Os frascos devem ser encaminhados ao laboratório
para posterior incubação a 370C.
✔ Fragmentos de tecidos.
Os fragmentos resultantes de biópsia devem ser colocados em frascos ou tubos limpos, esterilizados,
contendo água destilada ou solução fisiológica 0,9% estéreis. NUNCA USAR FORMOL.
Amostras contaminadas
✔ Urina.
Após cuidadosa higiene local, coletar a 1ª micção da manhã, em frascos limpos, e esterilizados. Recomenda-
se a coleta em três dias consecutivos. As amostras devem ser mantidas sob refrigeração enquanto não são
encaminhadas ao laboratório. Uma vez completada a coleta, encaminhar todas as amostras ao laboratório
imediatamente. Obs. Não se recomenda a coleta de urina de 24 horas.

✔ Secreções em Geral.
A amostra coletada através de punção com seringa deve ser colocada em frasco ou tubo limpo esterilizado.
Quando utilizado .Swab., colocar o mesmo em tubo limpo e esterilizado, contendo água destilada ou solução
fisiológica estéril. Encaminhar ao laboratório até 24 horas após
a coleta.

EXAME DIFTERIA

✔ COLETA DE MATERIAL DE NASOFARINGE (NG)


1. FINALIDADE: identificação do Corynebacterium diphtheriae nos suspeitos e comunicantes de um
caso de difteria.
2. MATERIAL NECESSÁRIO PARA A COLETA EM UM PACIENTE:
2 “swabs”descartáveis ( 1 para o nariz e 1 para a garganta)
2 tubos com meio de cultura PAI ( 1 para o nariz e 1 para a garganta)
1 abaixador de língua descartável
máscara descartável
luvas descartáveis (ou de procedimentos)
fita crepe e etiquetas de identificação.
3. O MEIO PAI:
composição - ovos (clara e gema), glicerina, glicose e água destilada.
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os meios em condições de uso devem apresentar as seguintes características: cor amarela
pálida, consistência firme, não liquefeito, não ressecado (é transparente) e não contaminado.
4. ARMAZENAMENTO DOS MEIOS E “SWABS”: os meios PAI devem ser armazenados em
geladeira, em sacos plásticos fechados, para evitar a entrada de umidade e conseqüente contaminação. Deve
ser observada a data de fabricação do meio para o controle do vencimento, que é de três (3) meses. Deverão
ser guardados em geladeira Os “swabs” devem ser guardados a
temperatura ambiente e em local seco, para evitar a umidificação do algodão estéril.
5. CONDIÇÕES PARA A COLETA: para iniciar a coleta, se os tubos com o meio de cultura estiverem
vedados com algodão, verificar se os mesmos não se encontram molhados, o que os tornaria inviáveis para
uso. Caso isso ou outro evento ocorra que inutilize os meios de cultura, colocá-los em saco plástico
identificado como “inutilizados” e separá-los dos que ainda apresentam condições de uso, para posterior
envio ao laboratório. Nenhum tubo com meio PAI deverá ser jogado ao lixo, pois
há reaproveitamento da vidraria. Os meios não utilizados no momento da coleta e ainda em bom
estado de conservação, deverão voltar à geladeira em sacos plásticos fechados, para posterior
utilização ou devolução ao laboratório em boas condições de uso. Os “swabs” a serem usados não deverão
apresentar sinais de violação da embalagem, umidade do algodão ou qualquer outra anormalidade que
possa indicar contaminação, Caso isso ocorra, desprezá-los e proceder a coleta com material adequado.
Verificar sempre o prazo de validade na embalagem.
6. COLETA DO NG: no momento do uso, os meios não podem estar gelados, sendo necessário retirá-los da
geladeira uns 30 minutos antes para deixá-los à temperatura ambiente ou aquecê-los
nas mãos, que devem ser lavadas. Retire um jogo a mais, prevendo uma possível contaminação na
hora da semeadura. Explicar ao paciente ou comunicante qual será o procedimento, identificar os
tubos (utilizando a fita crepe e lápis) com N (nariz) e G (garganta) para facilitar o manuseio e evitar trocas;
colocar a máscara, calçar as luvas e iniciar a coleta. Se for em criança, haverá necessidade de alguém para
segurá-la, pois ela reagirá.
Nariz (N): utilizando o mesmo “swab” para ambas as narinas, introduzi-lo suavemente até o nasofaringe e
girá-lo, retirando-o rapidamente.
Garganta (G): com outro “swab”, fazer a coleta ao redor da garganta, passando-o pelas amígdalas,
úvula e retrofaringe. Utilize o abaixador de língua, pois o paciente reagirá.
Na coleta de doentes, o “swab” deve ser passado cuidadosamente apenas nas bordas das lesões para que
não ocorra descolamento da placa com liberação de toxina e conseqüente agravamento do quadro.

EXAMES ESPECIALIZADOS

1- ULTRASONOGRAFIA ABDOMINAL, PÉLVICA E TRANSVAGINAL

ABDOME TOTAL
Indicação: avaliação de fígado, pâncreas, vesícula biliar, vias biliares, baço, rins, retroperitônio e bexiga.
Preparo/Orientações para a realização:
Jejum de 8 horas;
Dieta leve no dia anterior (sopa de legumes, verduras, frutas, Chá com bolacha água-e-sal), devendo evitar
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refrigerante, água com gás, sucos, leite e derivados, pão, macarrão, ovo, doces e alimentos gordurosos;
TOMAR 8 COPOS DE ÁGUA 2 HORAS ANTES DO EXAME;
Manter a bexiga cheia até a realização do exame;
o se possível, tomar 1 comprimido de Dimeticona (Flagaz ou Luftal), via oral, de 6/6 horas, iniciando 2 (dois)
dias antes do exame.
ABDOME SUPERIOR
Indicação: avaliação de fígado, pâncreas, vesícula biliar, vias biliares e baço.
Preparo/Orientações:
Jejum de 8 horas;
Dieta leve no dia anterior (sopa de legumes, verduras, frutas, Chá sem açúcar com bolacha água-e-sal),
devendo evitar refrigerante, água com gás, sucos, leite e derivados, pão, macarrão, ovo, doces e alimentos
gordurosos;
NÃO É NECESSÁRIO TOMAR ÁGUA, NEM MANTER BEXIGA CHEIA;
Se possível, tomar 1 comprimido de Dimeticona (Flagaz ou Luftal), via oral, de 6/6 horas, iniciando 2 (dois)
dias antes do Exame.
U.S.G DAS VIAS URINÁRIAS
Indicação: avalia rins e bexiga Preparo/Orientações:
TOMAR 8 COPOS DE ÁGUA 2 HORAS ANTES DO EXAME;
Manter a bexiga cheia até a realização do exame;
PÉLVICA
Indicação: avalia bexiga, útero e anexos Preparo/Orientações:
TOMAR 8 COPOS DE ÁGUA 2 HORAS ANTES DO EXAME;
Manter a bexiga cheia até a realização do exame;
OBSTÉTRICA ATÉ 4 MESES (16 semanas)
Indicação: avaliação da sonoanatomia fetal Preparo/Orientações:
TOMAR 8 COPOS DE ÁGUA 2 HORAS ANTES DO EXAME;
Manter a bexiga cheia até a realização do exame
OBSTÉTRICA APÓS 4 MESES COMPLETOS (após 16 semanas)
Indicação: avaliação da sonoanatomia fetal
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
TRANSVAGINAL
Indicação: bexiga, útero e anexos
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
MAMA (COM OU SEM BIÓPSIA)
Indicação: avalia mama e seus prolongamentos axilares
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
Levar exames anteriores de mama (USG e Mamografia)
TIREÓIDE (COM OU SEM BIÓPSIA)
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Indicação: avalia tireóide
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
CERVICAL
Indicação: avalia glândulas parótidas, sub-mandibulares, sub-linguais e nódulos cervicais
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
PRÓSTATA SUPRA-PÚBICA
Indicação: avalia próstata, vesículas seminais e bexiga
Preparo/Orientações:
TOMAR 8 COPOS DE ÁGUA 2 HORAS ANTES DO EXAME;
Manter a bexiga cheia até a realização do exame;
ECODOPPLER DE CARÓTIDAS
Indicação: avalia carótidas
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
ECODOPPLER DE MEMBROS INFERIORES
Indicação: avalia fluxo arterial e/ou venoso de membros inferiores
Preparo/Orientações:
NÃO HÁ PREPARO ESPECÍFICO
CRIANÇA
ABDOME TOTAL PEDIÁTRICO
Indicação: avaliação de fígado, vesícula biliar, vias biliares, baço,
rins e bexiga.
Preparo/Orientações:
crianças menores de 1(um) ano = jejum de 3 horas;
crianças de 1(um) a 4(quatro) anos = jejum de 4 horas;
crianças maiores de 5(cinco) anos = jejum de 8 horas;
levar mamadeira ou lanchinho para pós-exame.
ABDOME SUPERIOR PEDIÁTRICO
Indicação: avaliação de fígado, vesícula biliar, vias biliares e baço
Preparo/Orientações:
crianças menores de 1(um) ano = jejum de 3 horas;
crianças de 1(um) a 4(quatro) anos = jejum de 4 horas;
crianças maiores de 5(cinco) anos = jejum de 8 horas;
levar mamadeira ou lanchinho para pós-exame.

VIAS URINÁRIAS PEDIÁTRICO


Indicação: avalia rins e bexiga
Preparo/Orientações:
TOMAR LÍQUIDO (EXCETO GASEIFICADOS) 1 HORA
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ANTES DO EXAME.

ELETROCARDIOGRAMA eletrocardiograma (ECG) registra a atividade elétrica do coração, permitindo


diagnosticar uma vasta gama de distúrbios cardíacos. Eletrodos são conectados aos pulsos, tornozelos e
peito. São ativados 2 eletrodos de cada vez. Cada registro representa a atividade elétrica de uma região do
coração. Quando auxiliar este procedimento, oriente a pessoa a ficar relaxada e imóvel, isto poderá acalmá-
la.

Hollter – É o aparelho utilizado para registrar a atividade elétrica do coração durante 24 horas.

Cintilografia miocárdica –
Consiste na introdução de radioisótopos (substâncias detectadas por radiação) por via intravenosa com o
objetivo de detectar o infarto agudo do miocárdio.

Cateterismo cardíaco – Consiste na introdução de um ou mais cateteres pelas artérias até o coração, a fim de
medir as pressões nas diversas câmaras

Ecocardiograma

O ecocardiograma é um exame complementar usado em cardiologia, que utiliza ultra-som para gerar No
ecocardiograma, o examinador manipula o transdutor na parede torácica do paciente, procurando direcionar
os feixes de ultra-som para a região do coração que deseja estudar. Imagens. Estuda os sons cardíacos.

OBS: A angiografia, a tomografia


computadorizada, a cintilografia, a punção lombar e o Dopller ultra-sônico de carótidas são exames que
têm por finalidade definir o tipo de AVC, a extensão e a localização da lesão e decidir se o tratamento será
clínico e ou cirúrgico. A existência de distúrbios motores de um lado do corpo costuma refletir lesão do lado
oposto do cérebro.

Broncoscopia
A broncoscopia é um exame visual direto da laringe e das vias aéreas com a utilização de um tubo de
visualização de fibra óptica (broncoscópio). O broncoscópio possui uma fonte luminosa em sua extremidade,
permitindo ao médico observar dentro do pulmão as grandes vias aéreas (brônquios). Esse exame pode
auxiliar o médico no estabelecimento do diagnóstico e no tratamento de determinadas doenças. Pode-se
utilizar um broncoscópio flexível para a remoção de secreções, sangue, pus e corpos estranhos, para instilar
medicamentos em áreas específicas dos pulmões e para a investigação da origem de hemorragia. No caso de
suspeita de um câncer pulmonar, o médico pode examinar e coletar amostras de qualquer área suspeita. A
broncoscopia é utilizada para a coleta de microrganismos causadores de pneumonia e cuja coleta é difícil
com outras técnicas. A broncoscopia é particularmente útil para a obtenção de amostras de indivíduos com
AIDS ou outras deficiências imunológicas. No caso de indivíduos com queimaduras ou que inalaram
fumaça, a broncoscopia ajuda a avaliar o estado da laringe e das vias aéreas.
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


Preparo:
O paciente não deve comer nem beber durante as 4 horas que antecedem a broncoscopia. Freqüentemente,
são administrados um sedativo para reduzir o nível de ansiedade do paciente, e atropina para reduzir os
riscos de espasmo da laringe e de redução da freqüência cardíaca, a qual ocorre algumas vezes durante o
procedimento. A garganta e a via nasal são anestesiadas com um spray anestésico e, em seguida, o
broncoscópio flexível é introduzido através da narina até as vias aéreas dos pulmões. A lavagem
broncoalveolar é um procedimento que os médicos podem utilizar para coletar amostras das vias aéreas
menores, que não podem ser observadas com o broncoscópio.

1.6- EXAMES DE ROTINA

• Hemograma
• Para que serve - Através do sangue, é possível dEtectar a existência de infecções e anemia. Quando
severa, el! precisa ser tratada com suplemejtos vitamínicos. Se isto for descuidado, pode trazer pr
%juízos para o desenvolvimento do feto.
Como se faz - Colhendo sangue (10ml, em média) de uma veia do braço. O resultado sai em poucas
horas.
Quando se faz - Obrigatoriamente, no começo da gestaæão. Será repetido outras vezes, a critério
médico.
Preparação - Jejum de quatro horas, no mínimo, exceto para água. Informe ao laboratório se estiver
tomando qualquer medicação, pois pode alterar o resultado.
• Tipo Sanguíneo :
• Para que serve - Saber se há incompatibilidade entre o sangue materno e o paterno. Dependendo da
combinação, o tipo sangüíneo do feto pode não ser o mesmo de seu pai e nem de sua mãe.
Como se faz - Aproveita-se, de preferência, parte do sangue colhido para o hemograma. Resultado
no mesmo dia.
Quando se faz - Logo no começo da gravidez.
Preparação - Jejum de quatro horas, menos para água
• Prova de Coombs
• Para que serve - Avaliar se a mãe, que tem Rh negativo, produz anticorpos contra o sangue do bebê.
Caso confirmado e, dependendo da quantidade de sangue do feto destruída durante a gravidez, faz-
se uma transfusão intra-útero ou logo que ele nasce.
• Como se faz - Através de coleta de sangue. O resultado demora cerca de dois dias.
• Quando se faz - É indispensável sempre que a mulher tem Rh negativo e o futuro pai, positivo.
Preparação - Jejum de quatro horas, menos para água.
• Urina –EAS
• Para que serve - Detectar uma possível infecção urinária. Se não for tratada, pode desencadear
anemia, ruptura prematura das bolsas amnióticas e parto prematuro.
• Como se faz - Lave a região genital, para que as bactérias da vagina não sejam confundidas com os
microorganismos da infecção, e colha a urina em frasco apropriado (o laboratório fornece). Não
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utilize o primeiro jato. O resultado sai no mesmo dia.
• Quando se faz - Praticamente durante toda a gravidez, em intervalos de um a dois meses. E sempre
que houver queixas como ardor ao urinar acompanhado ou não de febre.
Preparação - Beba bastante água na véspera e colha a primeira urina da manhã. Caso contrário, será
necessário ficar duas horas sem tomar qualquer líquido.
• PARASITOLÓGICO DAS FEZES
• Para que serve - Verificar se existem vermes roubando sangue e nutrientes da gestante, o que
ocasiona anemia.
Como se faz - Colha as fezes em recipiente esterilizado. Os laboratórios distribuem gratuitamente. O
resultado sai no dia seguinte.
Quando se faz - Normalmente o obstetra pede logo na primeira consulta. E avalia a necessidade de
se repetir o exame.
Preparação - Na véspera, orientar que o paciente evite alimentar-se demais ou ingerir comidas
condimentadas e gordurosas.
• BACTERIOSCOPIA DE SECREÇÃO URETRAL Secreção uretralPreparação : Estar há pelo
menos 2 hs sem urinar. Evitar relações sexuais e medicamentos tópicos nas 24 hs que antecedem o
exame - Preferencialmente não usar antibiótico nos 3 dias que antecedem o exame (ou seguir
orientação médica)
• BACTERIOSCOPIA DE SECREÇÃO VAGINAL Secreção vaginal Evitar relações
sexuais nas 24 hs anteriores ao exame. Evitar uso de cremes/óvulos vaginais, ducha/lavagem vaginal,
ultrassom vaginal ou toque ginecológico nas 48 hs que antecedem o exame - Preferencialmente não
estar menstruada e não usar antibiótico nos 3 dias que antecedem o exame (ou seguir orientação
médica)
• BACTERIOSCOPIA DE URINA Urina Colher urina no laboratório devido à necessidade de
assepsia - Estar há pelo menos 2 hs sem urinar - Preferencialmente não usar antibiótico nos 3 dias
que antecedem o exame (ou seguir orientação médica)
• COLPOCITOLOGIA ONCÓTICA / PAPANICOLAOU Material cérvico-vaginal
• Preparo : Evitar relação sexual, uso de cremes/óvulos vaginais, ducha/
• lavagem vaginal,ultrassom vaginal ou toque ginecológico nas 48 hs que antecedem o exame
• SOROLOGIA PARA CHAGAS Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA CHLAMYDIA
• Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA CITOMEGALOVÍRUS - IgG / IgM Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA HEPATITE A - IgG / IgM Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA HEPATITE B - 6 TESTES Sangue Jejum de 4 horas
• SOROLOGIA PARA HEPATITE C - ANTI-HCV Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA HERPES VÍRUS SIMPLES - IgG / IgM Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA HIV Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA LUES / SÍFILIS Sangue Jejum de 4 hs
• SOROLOGIA PARA RUBÉOLA
• IgG / IgM Sangue Jejum de 4 hs
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• SOROLOGIA PARA TOXOPLASMOSE
• IgG / IgM Sangue Jejum de 4 hs
• SWAB ANAL Material perianal Não usar medicamentos anti-parasitários (anti-helmínticos)
nos 30 dias que antecedem o exame
• T3 LIVRE - TRIIODOTIRONINA LIVRE Sangue Jejum de 4 hs
• T4 - TIROXINA Sangue Jejum de 4 hs
• T4 LIVRE - TIROXINA LIVRE Sangue Jejum de 4 hs
• TC - TEMPO DE COAGULAÇÃO Sangue Nenhuma
• TESTE DE ESTÍMULO COM CLONIDINA Sangue Jejum de 4 hs - Necessário agendar
previamente (consultar)

CAPÍTULO II –DOENÇAS CRÔNICOS DEGENERATIVAS

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM DOENÇAS CRÔNICAS DEGENERATIVAS

1-DIABETES : O diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia e


associadas a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos,
cérebro, coração e vasos sangüíneos. Pode resultar de defeitos de secreção e/ou ação da insulina envolvendo
processos patogênicos específicos, por exemplo, destruição das células beta do pâncreas (produtoras de
insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da insulina, entre outros.
CLASSIFICAÇÃO DO DIABETES
Há duas formas atuais para classificar o diabetes, a classificação em tipos de diabetes (etiológica), definidos
de acordo com defeitos ou processos específicos, e a classificação em estágios de desenvolvimento, incluindo
estágios pré-clínicos e clínicos, este último incluindo estágios avançados em que a insulina é necessária para
controle ou sobrevivência.
Tipos de diabetes (classificação etiológica)
Os tipos de diabetes mais freqüentes são o diabetes tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil,
que compreende cerca de 10% do total de casos, e o diabetes tipo 2, anteriormente conhecido como
diabetes do adulto, que compreende cerca de 90% do total de casos.
 Diabetes tipo 1
O termo tipo 1 indica destruição da célula beta que eventualmente leva ao estágio de deficiência absoluta de
insulina, quando a administração de insulina é necessária para prevenir cetoacidose, coma e morte..

 Diabetes tipo 2
O termo tipo 2 é usado para designar uma deficiência relativa de insulina. A
administração de insulina nesses casos, quando efetuada, não visa evitar cetoacidose, mas alcançar controle
do quadro hiperglicêmico. A cetoacidose é rara e, quando presente, é acompanhada de infecção ou estresse
muito grave.
A maioria dos casos apresenta excesso de peso ou deposição central de gordura.
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 Diabetes gestacional
É a hiperglicemia diagnosticada na gravidez, de intensidade variada, geralmente se
resolvendo no período pós-parto, mas retornando anos depois em grande parte dos casos. Seu diagnóstico é
controverso. A OMS recomenda detectá-lo com os mesmos
procedimentos diagnósticos empregados fora da gravidez, considerando como diabetes gestacional valores
referidos fora da gravidez como indicativos de diabetes ou de tolerância à glicose diminuída.

Principais sintomas de diabetes


Os sintomas clássicos de diabetes são:
 poliúria,
 polidipsia,
 polifagia e
 perda involuntária de peso (os “4 Ps”).
Outros sintomas que levantam a suspeita clínica são:
fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutâneo e vulvar, balanopostite e infecções de repetição.
Algumas vezes o diagnóstico é feito a partir de complicações crônicas como neuropatia, retinopatia ou
doença cardiovascular aterosclerótica.
Exames laboratoriais para o diagnóstico de diabetes e de regulação glicêmica alterada
Resumidamente, os testes laboratoriais mais comumente utilizados para suspeita de diabetes ou
regulação glicêmica alterada são:
 • Glicemia de jejum: nível de glicose sangüínea após um jejum de 8 a 12 horas;
 • Teste este oral de tolerância à glicose (TTG-75g): O paciente recebe uma carga de 75 g de glicose, em
jejum, e a glicemia é medida antes e 120 minutos após a ingestão;
 • Glicemia casual: tomada sem padronização do tempo desde a última refeição. Pessoas cuja glicemia de
jejum situa-se entre 110 e 125 mg/dL (glicemia de jejum alterada), por apresentarem alta probabilidade
de ter diabetes, podem requerer avaliação por TTG-75g em 2h. Mesmo quando a glicemia de jejum for
normal (< 110 mg/dL), pacientes com alto risco para diabetes ou doença cardiovascular podem merecer
avaliação por TTG.
 PARÂMETROS DO DIABETES:
GLICEMIA em jejum maior que 200.

RASTREAMENTO E PREVENÇÃO DO DIABETES


Rastreamento do diabetes tipo 2
Cerca de 50% da população com diabetes não sabe que são portadores da doença, algumas vezes
permanecendo não diagnosticados até que se manifestem sinais de complicações. Por isso, testes de
rastreamento são indicados em indivíduos assintomáticos que apresentem maior risco da doença, apesar de
não haver ensaiosclínicos que documentem o benefício resultante e a relação custo-efetividade ser
questionável.

Fatores indicativos de maior risco são listados a seguir:


• Idade >45 anos.
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• Sobrepeso (Índice de Massa Corporal IMC >25).
• Obesidade central (cintura abdominal >102 cm para homens e >88 cm para mulheres, medida na altura das
cristas ilíacas).
• Antecedente familiar (mãe ou pai) de diabetes.
• Hipertensão arterial (> 140/90 mmHg).
• Colesterol HDL d”35 mg/dL e/ou triglicerídeos e”150 mg/dL.
• História de macrossomia ou diabetes gestacional.
• Diagnóstico prévio de síndrome de ovários policísticos.
• Doença cardiovascular, cerebrovascular ou vascular periférica definida.
Indivíduos de alto risco requerem investigação diagnóstica laboratorial com glicemia de jejum e/ou teste de
tolerância à glicose, como discutido na próxima seção. Alguns casos serão confirmados como portadores de
diabetes, outros apresentarão alteração na regulação glicêmica (tolerância à glicose diminuída ou glicemia de
jejum alterada), o
que confere maior risco de desenvolver diabetes.
A caracterização do grau de risco não está padronizada. Para merecer avaliação laboratorial e colocar
um paciente assintomático sob suspeita, alguns sugerem a presença de vários dos fatores de risco acima. A
tendência crescente é a de se usar um escore de fatores de risco, semelhante aos empregados na avaliação do
risco cardiovascular. É bem provável que no próximo manual já esteja definido qual o escore
a ser adotado. Casos em que a investigação laboratorial for normal deverão ser investigados a cada 3-7 anos,
dependendo do grau de suspeita clínica.

Prevenção
Está bem demonstrado hoje que indivíduos em alto risco (com tolerância à glicose diminuída),
podem prevenir, ou ao menos retardar, o aparecimento do diabetes tipo 2. Por exemplo, mudanças de estilo
de vida reduziram 58% da incidência de diabetes em 3 anos. Essas mudanças visavam discreta redução de
peso (5-10% do peso), manuntenção do peso perdido, aumento da ingestão de fibras, restrição energética
moderada, restrição de gorduras, especialmente as saturadas, e aumento de atividade física regular.
Intervenções farmacológicas, p.ex., alguns medicamentos utilizados no tratamento do diabetes, como a
metformina, também foram eficazes, reduzindo em 31% a incidência de diabetes em 3 anos. Esse efeito foi
mais acentuado em pacientes com IMC > 35 kg/m2. Casos com alto risco de desenvolver diabetes, incluindo
mulheres.
Indivíduos com hiperglicemia intermediária apresentam alto risco para o desenvolvimento do
diabetes. São também fatores de risco para doenças cardiovasculares, fazendo parte da assim chamada
síndrome metabólica, um conjunto de fatores de risco para diabetes e doença cardiovascular. Um momento
do ciclo vital em que a investigação da regulação glicêmica alterada está bem padronizada é na gravidez, em
que a tolerância à glicose diminuída é considerada uma entidade clínica denominada diabetes gestacional.

6-Plano terapêutico:
6.1-Diabetes Tipo 1
Pela maior complexidade do cuidado, esses pacientes são em geral acompanhados por especialista
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endocrinologista. O encaminhamento deve ser imediato, com o cuidado de evitar demora no atendimento,
pois, eles apresentam risco elevado de descompensação metabólica.
Hiperglicemia Intermediária
Pacientes classificados como portadores de hiperglicemia Intermediária devem ser informados sobre seu
maior risco para o desenvolvimento de diabetes e doença aterosclerótica e orientados sobre hábitos
saudáveis para sua prevenção. Programas de intensificação de mudanças de estilo de vida devem ser
oportunizados, especialmente, àqueles mais motivados ou sob maior risco. Pacientes com glicemia de jejum
alterada, por apresentaram maior risco de desenvolver diabetes, devem receber também
orientação preventiva.
6.2-Diabetes Tipo 2
os dois planos básicos do tratamento clínico paciente com diabetes tipo 2, o controle glicêmico com a
prevenção das complicações agudas (abordados detalhadamente nas próximas três seções) e a prevenção das
complicações crônicas.

7-Cuidados gerais no manuseio da insulina


O envolvimento da pessoa é determinante no sucesso da terapia. A sua aceitação da insulina e o
aprendizado das técnicas de 3automonitoração têm melhorado, em muito, o controle da doença.
! manipular o frasco de insulina delicadamente, sem agitá-lo, pois isso pode provocar alteração na ação do
medicamento;
! manter a insulina sob refrigeração não muito intensa – entre 2º e 8ºC.
Merecem destaque quatro orientações :
! observar os locais apropriados para a aplicação;
! fazer o rodízio das áreas de aplicação, evitando o uso do mesmo local, antes de duas semanas, mantendo
um espaço mínimo de três centímetros entre eles;
! inserir a agulha de insulina na posição de um ângulo de 90º, após a realização de um leve pinçamento da
pele, garantindo que a insulina seja injetada no tecido subcutâneo;
! evitar o massageamento do local da aplicação.
O objetivo do rodízio das áreas de aplicação é evitar uma complicação chamada de lipodistrofia, que é uma
alteração da gordura subcutânea, causando depressão ou o aparecimento de massas no local afetado.

8-cliente hospitalizado
A hospitalização é uma condição bastante freqüente na vida dos diabéticos descontrolados, seja em
decorrência das complicações agudas, como a cetoacidose diabética ou o coma hipoglicêmico, ou em função
das complicações crônicas, como
as insuficiências renais, as doenças cardiovasculares e as infecções.
O diabético não deve ser excluído das decisões de seu tratamento. O enfermeiro responsável,
certamente, deverá fazer um planejamento que contemple suas opiniões. Uma boa comunicação entre as
diversas pessoas envolvidas (familiares, equipe de enfermagem e nutricionista) pode facilitar o seu ajuste ao

3Automonitoração - É a avaliação dos níveis glicêmicos, realizada através dos testes de glicosúria, glicemia capilar e
cetonúria, pela própria pessoa diabética.
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


tratamento, encontrando uma alternativa que lhe seja mais favorável, enquanto estiver hospitalizado. O
portador de diabetes, que está habituado a fazer o seu próprio controle, demonstra insegurança em transferir
essa responsabilidade para outras pessoas. A verificação da glicemia e a administração da insulina poderão
continuar sob sua responsabilidade, desde que o mesmo se encontre em condições para tal e que estas ações
sejam acompanhadas pela equipe de enfermagem e sob a supervisão do enfermeiro.

Figura- Fonte: PROFAE

2-Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um problema grave de saúde pública no Brasil


e no mundo.

2. 1-Considerações gerais
Ao estudar a anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular, pode-se compreender que o coração
bombeia o sangue para os órgãos do corpo por meio das artérias. Desta forma, o sangue é “empurrado”
contra a parede dos vasos sangüíneos. Esta força, que é gerada na parede das artérias, é chamada pressão
arterial, que é a contração do coração a cada batimento e da contração dos vasos quando o sangue por eles
passa. A pressão que é necessária para que o sangue ser enviado aos locais mais distantes, como, por
exemplo, os pés.
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Com o critério atual de diagnóstico de
hipertensão arterial (PA 140/90 mmHg), A principal relevância da identificação e controle da HAS reside
na redução das suas complicações, tais como:
• Doença cérebro-vascular
• Doença arterial coronariana
• Insuficiência cardíaca
• Doença renal crônica
• Doença arterial periférica
Os profissionais de saúde da rede básica têm importância primordial nas estratégias de controle da
hipertensão arterial, quer na definição do diagnóstico clínico e da conduta terapêutica, quer nos esforços
requeridos para informar e educar o paciente hipertenso como de fazê-lo seguir o tratamento.

Procedimento para a medida da pressão arterial


1. Explicar o procedimento ao paciente, orientando que não fale e descanse por 5-10 minutos em ambiente
calmo, com temperatura agradável. Promover relaxamento, para atenuar o efeito do avental branco
(elevação da pressão arterial pela tensão provocada pela simples presença do profissional
de saúde, particularmente do médico).
2. Certificar-se de que o paciente não está com a bexiga cheia; não praticou exercícios físicos há 60- 90
minutos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 minutos antes; e não está com as
pernas cruzadas.
3. Utilizar manguito de tamanho adequado ao braço do paciente, cerca de 2 a 3 cm acima da fossa
antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial. A largura da bolsa de borracha deve
corresponder a 40% da circunferência do braço e o seu comprimento, envolver pelo menos 80%.
4. Manter o braço do paciente na altura do coração, livre de roupas, com a palma da mão voltada para cima e
cotovelo ligeiramente fletido.
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5. Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio ou do mostrador do manômetro aneróide.
6. Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, para a estimativa do nível a pressão
sistólica; desinflar rapidamente e aguardas um minuto antes de inflar novamente.
7. Posicionar a campânula do estetoscópio suavemente sobre a artéria braquial, na fossa antecubital,
evitando compressão excessiva.
8. Inflar rapidamente, de 10 em 10 mmHg, até ultrapassar, de 20 a 30 mmHg, o nível estimado da
pressão sistólica. Proceder a deflação, com velocidade constante inicial de 2 a 4 mmHg por segundo.
Após identificação do som que determinou a pressão sistólica, aumentar a velocidade para 5 a 6
mmHg para evitar congestão venosa e desconforto para o paciente.
9. Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff),
seguido de batidas regulares que se intensificam com o aumento da velocidade de deflação.
Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff). Auscultar cerca de
20 a 30mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à
deflação rápida e completa. Quando os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão
diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff).
10. Registrar os valores das pressões sistólicas e diastólica, complementando com a posição do
paciente, o tamanho do manguito e o braço em que foi feita a medida. Não arredondar os valores de
pressão arterial para dígitos terminados em zero ou cinco.
11. Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas.
12. O paciente deve ser informado sobre os valores obtidos da pressão arterial e a possível necessidade
de acompanhamento.
A importância do tamanho do manguito para a medida adequada da pressão arterial
Um dos aspectos mais importantes para garantir a acurácia das medidas de pressão arterial é a utilização de
manguitos de dimensões recomendadas para o uso nas diversas faixas etárias e locais de medida da PA. A
utilização de aparelhos de pressão com manguitos de dimensões fora das recomendadas acarretará
imprecisão dos resultados obtidos.
Situações especiais para a medida da pressão arterial
Em crianças:
A determinação da pressão arterial em crianças é recomendada como parte integrante de sua
avaliação clínica. Critérios a serem observados:
• A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço;
• O comprimento da bolsa de borracha do manguito deve envolver 80% a 100% da circunferência do braço;
• A pressão diastólica deve ser determinada na fase V de Korotkoff.
Em Idosos:
No idoso, há dois aspectos importantes:
• Maior freqüência de hiato auscultatório, que consiste no desaparecimento dos sons na ausculta
durante a deflação do manguito, geralmente entre o final da fase I e o início da fase II dos sons de
Korotkoff. Tal achado pode subestimar a verdadeira pressão sistólica ou superestimar a pressão
diastólica;
• Pseudo-hipertensão, caracterizada por nível de pressão arterial falsamente elevado em decorrência
do enrijecimento da parede da artéria. Pode ser detectada por meio da manobra de Osler, que consiste na
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


inflação do manguito no braço até o desaparecimento do pulso radial. Se a artéria for palpável após esse
procedimento, sugerindo enrijecimento, o paciente é considerado Osler-positivo.
Em gestantes:
Recomenda-se que a medida da pressão arterial em gestante seja feita na posição sentada. A determinação da
pressão diastólica deve ser realizada na fase V de Korotkoff.

TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO:
Controle de peso
O excesso de peso é um fator predisponente para a hipertensão. Estima-se que 20% a 30% da prevalência da
hipertensão pode ser explicada pela presença do excesso de peso. Todos os hipertensos com excesso de peso
devem ser incluídos em programas de redução de peso. A meta é alcançar um índice de massa corporal
(IMC) inferior a 25 kg/m2 e circunferência da cintura inferior a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres,
embora a diminuição de 5% a 10% do peso corporal inicial já seja capaz de produzir redução da pressão
arterial.

Adoção de hábitos alimentares saudáveis


A dieta desempenha um papel importante no controle da hipertensão arterial. Uma dieta com conteúdo
reduzido de teores de sódio (<2,4 g/dia, equivalente a 6 gramas de cloreto de sódio), baseada em frutas,
verduras e legumes, cereais integrais, leguminosas, leite e derivados desnatados, quantidade reduzida de
gorduras saturadas, trans e colesterol mostrou ser capaz de reduzir a pressão arterial em indivíduos
hipertensos.

Redução do consumo de bebidas alcoólicas A relação entre o alto consumo de bebida alcoólica e a elevação
da pressão arterial tem sido relatada em estudos observacionais e a redução da ingestão de álcool pode
reduzir a pressão arterial em homens normotensos e hipertensos que consomem grandes quantidades de
bebidas alcoólicas. Recomenda-se limitar a ingestão de bebida alcoólica a menos de 30 ml/dia de etanol para
homens e a metade dessa quantidade para mulheres, preferencialmente com as refeições.

Abandono do tabagismo
O risco associado ao tabagismo é proporcional ao número de cigarros fumados e à profundidade da
inalação. Parece ser maior em mulheres do que em homens. Em avaliação por MAPA, a PA sistólica de
hipertensos fumantes foi significativamente mais elevada do que em não-fumantes, revelando o importante
efeito hipertensivo transitório do fumo. Portanto, os hipertensos que fumam devem ser repetidamente
estimulados a abandonar esse hábito por meio de aconselhamento e medidas terapêuticas de suporte
específicas.

Abandono do tabagismo
O risco associado ao tabagismo é proporcional ao número de cigarros fumados e à profundidade da
inalação. Parece ser maior em mulheres do que em homens. Em avaliação por MAPA, a PA sistólica de
hipertensos fumantes foi significativamente mais elevada do que em não-fumantes, revelando o importante
efeito hipertensivo transitório do fumo. Portanto, os hipertensos que fumam devem ser repetidamente
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


estimulados a abandonar esse hábito por meio de aconselhamento e medidas terapêuticas de suporte
específicas.

TRATAMENTO:
Agentes anti-hipertensivos
Os agentes anti-hipertensivos exercem sua ação terapêutica através de distintos mecanismos que interferem
na fisiopatologia da hipertensão arterial. Basicamente, podem ser catalogados em cinco classes,
Classes de anti-hipertensivos
• Diuréticos.
• Inibidores adrenérgicos.
• Vasodilatadores diretos.
• Antagonistas do sistema renina-angiotensina.
• Bloqueadores dos canais de cálcio.

CÂNCER OU NEOPLASIA
O câncer é a denominação genérica para as neoplasias malignas.
Apresenta algumas características que o diferenciam do tecido normal, tais como distúrbio na maturação,
imortalidade e perda de inibição por contato, que levam a um crescimento desordenado e descontrolado.
Isto compromete o equilíbrio normal do organismo, com o aparecimento de sintomas e, muitas vezes, leva a
pessoa à morte. O câncer é, atualmente, a segunda causa de morte no mundo.
As causas do câncer ainda não estão claramente definidas, mas existem evidências de que as
influências de fatores ambientais sejam as principais. Acredita-se que 80 a 90% dos cânceres tenham alguma
influência desses fatores, os quais determinam, direta ou indiretamente, modificações no material
genético das células, que resultam no câncer. Além dos fatores ambientais, as alterações genéticas podem ser
herdadas e transmitidas de uma geração à outra, aumentando muito as chances de câncer nos descendentes.
Dessa forma, pode-se dizer que todo câncer é originado por modificações nos genes, as quais podem
ser herdadas ou adquiridas ao longo da vida. Existem inúmeros fatores ou agentes carcinogênicos, alguns
claramente relacionados ao desenvolvimento do câncer e outros com forte associação. Muitos dos agentes
têm comprovação in vitro (laboratório) e em animais.
Os agentes carcinogênicos podem ser divididos em: químicos, radiação, vírus e outros. Entre os agentes
químicos, temos os alquilantes, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, aminas aromáticas, corantes azo,
nitrosaminas, amidas, afloxina, asbestos, etc. Nesta categoria, encontram-se o cigarro e outros produtos do
tabaco, relacionados com mais de 30% das mortes por câncer. O cigarro é responsável por cerca de 80% dos
cânceres de pulmão e laringe, sendo a maior causa de câncer de boca e esôfago e está envolvido no
desenvolvimento de câncer de bexiga, rim, pâncreas e colo de útero. A metástase é uma das principais
características do câncer. É a capacidade de o tumor emitir células na circulação sangüínea e linfática e para
superfícies cavitárias, determinando a formação de um novo foco tumoral independente, à distância. É um
indicativo de doença avançada e marca inequivocamente uma neoplasia maligna, sendo uma das principais
causas de morte no paciente oncológico.
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


Os sinais e sintomas indicadores de neoplasia geralmente são:
• manchas na pele e pintas escuras com crescimento anormal de pêlos,
• feridas superficiais de difícil cicatrização e manchas esbranquiçadas e avermelhadas que podem
indicar um câncer de pele ou de mucosas.
• Azia, dispepsia, queimação no estômago,
• Flatulência,constipação ou diarréia crônicas, dor abdominal, alteração no formato das fezes
• e perda de sangue, tudo isso pode ser sintomas de neoplasia no sistema digestivo.
• Corrimento, sangramento e secreção no mamilo, alteração na cor da urina podem ser indicativos de
câncer geniturinário, bem como
rouquidão e afonia (vias aéreas), aumento do tamanho de gânglios
(linfomas), anemia e astenia (leucemia), entre outros.
• Para a maior parte das neoplasias, após o exame clínico, o principal fator de diagnóstico é a biópsia,
associada ao estudo anatomopatológico do material, que pode ser obtido através de cirurgia, por
punção com agulha, guiado ou não por método de imagem (tomografia, ultra-sonografia,
endoscopia, etc.).

3-Hipotireoidismo e Hipertireoidismo
A tireóide é uma glândula endócrina importantíssima para o funcionamento harmônico do organismo. Os
hormônios liberados por ela, T4 (tiroxina) e T3 (triiodotironina) estimulam o metabolismo, isto é, o conjunto
de reações necessárias para assegurar todos os processos bioquímicos do organismo.
Os principais distúrbios da tireóide são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o
hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios), doenças que incidem mais nas mulheres do que nos
homens.

Sintomas
a)Hipotireoidismo -diminuição dos hormônios tireoidianos
·Cansaço
·Depressão
·Adinamia (falta de iniciativa)
·Pele seca e fria
·Prisão de ventre
·Diminuição da freqüência cardíaca
·Decréscimo da atividade cerebral
·Voz mais grossa como a de um disco em baixa rotação
·Mixedema (inchaço duro)
·Diminuição do apetite
·Sonolência
·Reflexos mais vagarosos
·Intolerância ao frio
·Alterações menstruais e na potência e libido dos homens.
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA

b) Hipertireoidismo – aumento dos hormônios tireoidianos


·Hiperativação do metabolismo
·Nervosismo e irritação
·Insônia
·Aumento da freqüência cardíaca
·Intolerância ao calor
·Sudorese abundante
·Taquicardia
·Perda de peso resultante da queima de músculos e proteínas
·Tremores
·Olhos saltados
·Bócio
·Comprometimento da capacidade de tomar decisões equilibradas

Causas
a)Hipotireoidismo
·Tireoidite de Hashimoto, uma doença auto-imune que provoca a redução gradativa da glândula;
·Falta ou excesso de iodo na dieta.

b)Hipertireoidismo
·Doença de Graves, doença hereditária que se caracteriza pela presença de um anticorpo no sangue que
estimula a produção excessiva dos hormônios tireoidianos;
·Bócio com nódulos que produzem hormônios tireoidianos sem a interferência do TSH, hormônio produzido
pela hipófise.

Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito pela dosagem do hormônio TSH produzido pela hipófise e dos hormônios T3 e
T4 produzidos pela tireóide. Níveis elevados deTSH e baixos dos hormônios da tireóide caracterizam o
hipotireoidismo. TSH baixo e alta dosagem de hormônios da tireóide caracterizam o hipertireoidismo.

Tratamento
Em ambos os casos o tratamento deve ser introduzido assim que o problema é diagnosticado e depende da
avaliação das causas da doença em cada paciente.
No hipotireoidismo, deve começar de preferência na fase subclínica com a reposição do hormônio tireoxina
que a tireóide deixou de fabricar. Como dificilmente a doença regride, ele deve ser tomado por toda a vida,
mas os resultados são muito bons.
No hipertireoidismo, o tratamento pode incluir medicamentos, iodo radioativo e cirurgia e depende das
características e causas da doença. Deve começar logo e ser prescrito principalmente na 3ª idade a fim de
evitar a ocorrência de arritmias cardíacas, hipertensão, fibrilação, infarto e osteoporose.
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Recomendações ao paciente de ambas patologias


·A dosagem do TSH deve ser medida depois dos 40 anos com regularidade;
·Hormônios tireoidianos não devem ser tomados nos regimes para emagrecer (produzem maior queima dos
músculos do que de gordura);
·Procure adotar uma dieta alimentar equilibrada. É engano imaginar que o hipotireoidismo seja fator
responsável pelo ganho de peso, porque as pessoas costumam ter menos fome quando estão com menor
produção dos hormônios tireoidianos;
·Atividade física regular é indicada nos casos de hipotireoidismo, mas contra-indicada para pacientes com
hipertireoidismo; ·Fumar é desaconselhável nos dois casos;
·Não minimize o mau funcionamento da tireóide. Discuta com o médico a melhor forma de tratamento para
seu caso e siga suas orientações.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM DISTÚRBIOS CARDÍACOS:

1-ARRITMIAS:

1.1-Def: é um distúrbio cardíaco relacionado ao ritmo cardíaco , alterando a sua frequência

1.2--Considerações Gerais :
As arritmias são distúrbios da freqüência e do ritmo cardíacos causados por alterações no sistema de
condução do coração. Podem ocorrer em pessoas com o coração normal ou ainda como resposta a outras
doenças, distúrbios eletrolíticos ou intoxicação medicamentosa.
A freqüência cardíaca normal varia de acordo com a idade quanto menor a idade, maior a
freqüência. No adulto, pode oscilar entre 60 a 100 batimentos por minuto (bpm). As arritmias de freqüência
podem apresentar-se como taquicardia (acima de 100 bpm), bradicardia (abaixo de 60 bpm), fibrilação e
flutter atrial (freqüência igual ou acima de 300 bpm).

1.3-Manifestações clínicas englobam dor no peito, palpitações, falta de ar, desmaio, alteração do pulso e do
eletrocardiograma (ECG), podendo chegar à hipotensão, insuficiência cardíaca e choque.

1.4-Diagnóstico:
ECG;

1.5--Tratamento:
Marcapasso; dispositivo eletrônico para manter a freqência cardíaca normal.
Cardioversão; utilização da eletrecidade para interromper as arritmias.
Desfibrilação.usada em situações de emergência para a realização da cardioversão.
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1.6- Ações de Enfermagem: manter débito cardíaco e anotar; apoio psicológico nas ansiedade; No caso do
marcapasso- observar aterramento;
1.7--Ações de enfermagem devem estar voltadas para:
! transmitir segurança à pessoa que apresenta arritmia, estabelecendo diálogo, possibilitando à mesma expor
seus sentimentos de impotência e insegurança, a fim de diminuir sua ansiedade;
! proporcionar sono e repouso adequados, garantindo ambiente livre de ruídos;
! monitorizar sinais vitais;
! oferecer oxigênio, se necessário, para reduzir a hipóxia causada pela arritmia;
! observar os cuidados com a administração de antiarrítmicos (verificação de pulso antes e após a dosagem
prescrita);
! orientar a família e a pessoa acometida sobre os procedimentos a serem realizados; e, quando a alta for
dada,
! destacar a importância do controle do estresse, de se evitar o uso do fumo e reduzir a ingestão de cafeína
(café, chá mate, chá preto, refrigerantes a base de cola).

2-INSUFICIÊNCIA CARDÍACA:
2.1-Def: Esta patologia é também chamada - ICC-INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA. É a
incapacidade do coração bombear sangue para o corpo.
2.2-Manifestações clínicas :Confusão , fadiga, intolerância ao esforço e ao calor, extremidades frias e
oligúria.

2.3-Tratamento clínico :medicamentos digitálicos.

2.4-ações de enfermagem: -Promover repouso; -Administrar medicamento prescrito; Eliminar o excesso de


líquido corporal acumulado através de diurético, dieta e repouso.

3-MIOCARDITE:

3.1-Def: É um processo inflamatório que envolve o pericárdio, sendo um processo infeccioso de origem viral
(caxumba, gripe, rubéola), parasitária (Doença de Chagas), radiativa (radioterapia) ou por agentes tóxicos
(chumbo) e outras drogas (lítio, cocaína). As pessoas mais susceptíveis são as que apresentam infecções
sistêmicas agudas, as tratadas com medicamentos imunossupressores ou portadoras de endocardite
infecciosa. A miocardite pode apresentar-se de forma aguda ou crônica, tendo como complicações a
insuficiência cardíaca congestiva (ICC),
hipertrofia do ventrículo e arritmias graves e letais.

3.2-Manifestações clínicas:

As principais manifestações clínicas são: fadiga, dispnéia,palpitação cardíaca , bulhas cardíacas fracas, febre
e ICC.
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3.3- Tratamento: Antibióticos e medicamentos para ICC se estiver associada.

3. 4- As ações de enfermagem têm como objetivos:


! controlar os sinais vitais, como pulso, temperatura, para avaliar a evolução da doença;
! observar sinais de toxicidade digitálica (arritmia,anorexia, náusea, vômitos, bradicardia, cefaléia e mal
estar),pois essas pessoas são sensíveis aos medicamentos digitálicos;
! estimular o uso de meias elásticas e a prática de exercícios passivos para diminuir o risco de embolias
decorrentes de trombose venosa;
! orientar no sentido de evitar esportes competitivos e consumo de álcool.

4-DISTÚRBIOS DE VÁLVULAS CARDÍACAS:

4.1-ESTENOSE MITRAL: é o espessamento e a retração progressiva das válvulas mitral .

4.1.1-Manifestações clínicas: fadiga progressiva; hipertensão venosa pulmonar; tosse e infecção respiratória
progressiva;

4.1.2-Diagnóstico: eletrocardiograma, ecocardiograma; cateterismo cardíaco com angiografia- para avaliar o


grau de lesão mitral.

4.2-ESTENOSE VALVULAR AÓRTICA:

4.2.1-DEF: consiste no estreitamento do orifício do ventrículo esquerdo e a aorta.

4.2.2- manifestações clínicas: dispnéia de esforço, refluxo do sangue cerebral, hipertrofia do miocárdio,
sonolência.

4.2.3-tratamento e diagnóstico: o tratamento é cirúrgico, e o diagnóstico feito pelo cateterismo cardíaco.

4.3-SÍNDROME DO PROLAPSO VALVULAR /MITRAL:

4.3.1-Def: disfunção do folheto da valva mitral , ocasionando o refluxo sanguíneo .


4.3.2- Manifestações clínicas: sopro e ICC.
4.3.3- Tratamento: clínico através de drogas antiarrítmicas e cirurgias em estado avançado.

4.4-INSUFICIÊNCIA MITRAL:

4.4.1-Def.: incompetência das valvas durante a sístole, desta forma o folheto da valva fecha incompleto.

4.4.2- Manifestações clínicas: incluem palpitação cardíaca , dispnéia a esforço e tosse.


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4.4.3- Tratamento: intervenção cirúrgica.

4.5- INSUFICIÊNCIA AÓRTICA:

4.5.1- Def: causada por inflamação que impedem de fecharem os folhetos da valva , possibilitando o fluxo
retrógrado durante a sístole.

4.5.2- Manifestações clínicas:


Pulsação no pescoço é notável;
Dispnéia ao esforço e fadiga fácil;
Pressão diastólica acentuadamente reduzida.

5-ENDOCARDITE:

5.1-Def: É um processo infeccioso do endocárdio (membrana que envolve as cavidades e as válvulas


cardíacas), causado por uma invasão direta de bactérias e de outros microorganismos provenientes de uma
contaminação da corrente sangüínea.
endocardite bacteriana pode ser decorrente de intervenções odontológicas (extrações dentárias), no
sistema geniturinário (colocação e retirada de sondas), no sistema gastrointestinal (endoscopia
digestiva alta) e no sistema respiratório (entubação orotraqueal). As pessoas mais susceptíveis são os idosos,
com baixa imunidade, as portadoras de cateteres e próteses valvares e as viciadas em drogas endovenosas.
5.2-Manifestações clínicas variam de acordo com a gravidade da doença e os sinais e sintomas podem ser:
! agrupados de acordo com a sua origem, ou seja, decorrentes de infecção sistêmica (febre, calafrios, mal-
estar geral, fadiga, fraqueza, anorexia); relacionados à lesão intravascular (dispnéia, dor torácica,
extremidades frias e úmidas, petéquias e hemorragias na forma de chama de vela);
! característicos de reação imunológica (dor nas articulações, proteinúria e hematúria, entre outros).
5.3-Complicações, pode-se destacar a lesão da válvula mitral, levando à insuficiência cardíaca congestiva
(ICC), à embolia pulmonar e aos abscessos cerebrais.

5.4-Tratamento visa combater o microorganismo com o uso de antibioticoterapia e fazer a correção cirúrgica
da válvula lesada. Na fase aguda, o tratamento é basicamente hospitalar.

5.5-Ações de enfermagem relacionadas às manifestações apresentadas e à gravidade da doença. No alívio da


dor, a enfermagem deve manter o cliente de forma mais confortável possível, favorecendo o sono e repouso
adequados. O controle da febre deve ser feito através de medidas de resfriamento corporal (compressas e
bolsas frias) e administração de líquidos e antitérmicos. Para controlar a função cardíaca, é necessário avaliar
o pulso, observar sinais de fadiga, dispnéia e inquietação. À medida que a pessoa melhorar, deve ser iniciado
um programa de atividade física progressiva, o que requer controle da pressão arterial, pulso e a observação
de vertigem e de fraqueza.
As orientações para a alta incluem: evitar o contato com pessoas portadoras de infecções de vias
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aéreas e procurar assistência imediata ao apresentar sinais e sintomas de infecção.

6-INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO

6.1-Considerações Gerais :
A incidência de infarto ainda é maior nos homens acima de 40 anos. Porém, mulheres no climatério
que utilizam anticoncepcional e fumam apresentam uma mortalidade maior ao ter infarto. Observa-se que,
hoje, há um aumento de pessoas infartadas com faixa etária menor, em decorrência do estilo da vida
moderna.

6.2-Def: O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma situação grave que pode ser confundida com sintomas
mais corriqueiros, tais como: flatulência, dor muscular, tensões, dentre outros. É causado pelo estreitamento
de uma artéria coronária pela aterosclerose, ou pela obstrução total de uma coronária por êmbolo ou trombo,
ocasionando a necrose de áreas do miocárdio. A redução do fluxo sangüíneo também pode ser resultante de
choque ou hemorragias. Vale lembrar que na angina o suprimento de sangue é reduzido temporariamente,
provocando a dor, enquanto no IAM ocorre uma interrupção abrupta do fluxo de sangue para o miocárdio.
A dor torácica é o principal sintoma associado ao IAM. É descrita como uma dor súbita, subesternal,
constante e constritiva, que pode ou não se irradiar para várias partes do corpo, como a
mandíbula, costas, pescoço e membros superiores (especialmente a face interna do membro superior
esquerdo).

63-Manifestações Clínicas : a dor é acompanhada de taquipnéia, taquisfigmia, palidez, sudorese fria e


pegajosa, tonteira, confusão mental, náusea e vômito. A qualidade, localização e intensidade da dor
associada ao IAM pode ser semelhante à dor provocada pela angina. As principais
diferenças são: a dor do IAM é mais intensa; não é necessariamente produzida por esforço físico e não é
aliviada por nitroglicerina e repouso. Os profissionais de saúde precisam estar atentos para um diagnóstico
precoce, tendo em vista que esta é uma das maiores causas de mortalidade. O atendimento imediato, ao
cliente infartado, garante a sua sobrevivência e/ou uma recuperação com um mínimo de seqüelas.
O idoso nem sempre apresenta a dor constritiva típica associada ao IAM, em virtude da menor resposta dos
neurotransmissores, que ocorre no período de envelhecimento, podendo assim passar
despercebido.
6.4-Diagnóstico do infarto do miocárdio geralmente se baseia na história da doença atual, no
eletrocardiograma e nos níveis séricos (sangüíneos) das enzimas cardíacas. O prognóstico depende da
extensão da lesão miocárdica.

6.5-Tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, dependendo da extensão e da área acometida.

A assistência de enfermagem deve englobar os seguintes aspectos:


! proporcionar um ambiente adequado para o repouso físico e mental;
! fornecer oxigênio e administrar opiáceos (analgésico e sedativo) e ansiolíticos prescritos para alívio da dor e
diminuição da ansiedade;
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! prevenir complicações, observando sinais vitais, estado de consciência, alimentação adequada, eliminações
urinária e intestinal e administração de trombolíticos prescritos; ! auxiliar nos exames complementares, como
eletrocardiograma, dosagem das enzimas no sangue, ecocardiograma,
dentre outros;
! atuar na reabilitação, fornecendo informações para que o cliente possa dar continuidade ao uso dos
medicamentos, controlar os fatores de risco, facilitando, assim, o ajuste interpessoal, minimizando seus
medos e ansiedades;
! repassar tais informações também à família.
A equipe de enfermagem tem a possibilidade de criar oportunidades para que esse cliente compartilhe suas
preocupações e seus temores. Uma atmosfera de aceitação auxilia-o a reconhecer que seus sentimentos são
reais e também normais.
As principais complicações do infarto são as arritmias fatais, choque cardiogênico, edema agudo de pulmão
e morte súbita. A seqüela principal é a insuficiência cardíaca.

7-ANGINA PECTORIS

7.1- Def: Angina pectoris ou ainda angina do peito é a síndrome clínica caracterizada por crises de dor,
queimação ou sensação de pressão na região do tórax. É causada pela obstrução transitória das
coronárias. A causa da dor é o fornecimento inadequado de sangue ao coração, resultando no suprimento
insuficiente de oxigênio e de nutrientes para o miocárdio.

7.2-Fatores podem provocar a dor anginosa, como, por exemplo, o esforço físico, a ingestão de refeição
copiosa, a exposição ao frio e a situações estressantes.
A dor da angina deve cessar com repouso ou com o uso da nitroglicerina, num período de vinte minutos,
caso contrário, a indicação é de infarto agudo do miocárdio. Uma característica importante
da dor anginosa é que ela regride quando o fator que a causou é afastado. As pessoas idosas podem
desenvolver sintomas anginosos mais rapidamente do que as mais jovens. A dor se manifesta como fraqueza
ou desmaio quando expostas ao frio, já que elas têm menos gordura subcutânea para proporcionar o
isolamento térmico. Os idosos devem ser orientados a usar roupas extras e alertados para reconhecer o sinal
de fraqueza como indicativo de que devem repousar ou tomar os medicamentos prescritos.

7.3-Diagnóstico da angina é freqüentemente estabelecido pela avaliação das manifestações clínicas da dor e
pela história da pessoa. De acordo com a gravidade dos sintomas de angina, da idade do
portador e das patologias associadas, exames diagnósticos poderão ser solicitados, como o
eletrocardiograma, Hollter, cintilografia miocárdica e/ou cateterismo cardíaco.

7.4-Tratamento para a angina: o tratamento clínico, a angioplastia coronariana e a cirurgia de


revascularização miocárdica. O objetivo do tratamento é aumentar a oferta de oxigênio
ao miocárdio, utilizando-se da nitroglicerina, e controlando os fatores de risco (fumo, obesidade, hipertensão
arterial, hipercolesterolemia e hiperglicemia). Os nitratos ainda são a principal medida terapêutica no
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


tratamento da angina do peito, por produzirem dilatação das coronárias com o conseqüente aumento do
fluxo sangüíneo ao miocárdio. A nitroglicerina administrada por via sublingual alivia a dor anginosa em até
3 minutos, devendo ser observadas as seguintes orientações: o usuário deve ter sempre o medicamento
consigo; esse medicamento deve ser conservado em recipiente escuro e fechado, pois sua ação é alterada na
presença de luz; ao usar o medicamento, manter a língua imóvel e não deglutir a saliva; para evitar as crises
de angina, utilizar nitroglicerina antes de qualquer atividade intensa, como, por exemplo, as relações
sexuais. Alguns efeitos indesejáveis podem surgir, tais como: rubor, cefaléia, hipotensão e taquicardia. Se as
crises de angina persistirem, apesar da medicação e do controle dos fatores de risco, ou se for constatado que
a obstrução nas artérias coronárias é muito grave, poderá ser indicada a angioplastia coronariana, ou a
cirurgia de revascularização. No caso de cirurgia de revascularização do miocárdio, uma veia (safena) é
retirada da perna e colocada sobre a artéria do coração
que está entupida, ultrapassando o local do bloqueio, como se fosse uma ponte - é o que se chama de ponte
de safena.
A angioplastia consiste em “esmagar” a 4placa de ateroma, dilatando a coronária, através de um
procedimento com um cateter especial, com um balão na ponta.
9.5- Ações de enfermagem incluem as seguintes orientações que devem ser prestadas ao portador de angina
pectoris, bem como a seus familiares, em nível ambulatorial ou durante a alta hospitalar:

8-ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL

8.1-Causas: aterosclerose , a sífilis também pode ocasioná-la , quando não tratado pode ocasionar ruptura e
morte.

8.2-Fatores de risco: hipertensão , o fumo, predisposição genética.

8.3-Manifestações clínicas:

Na maioria são assintomáticos , alguns relatam o coração bater no abdômen, o sintoma que os leva ao
hospital é dor abdominal forte, outro sintoma é a dor intercostal , a maioria tem hipertensão.

8.4- Diagnóstico:
Angiografia;
Tomografia computadorizada;
Ultra-som e Ressonância magnética.

8.5-Tratamento:

Cirurgia – retirada do aneurisma abdominal.

4-Placa de ateroma – É o acúmulo de gordura na parede do vaso, obstruindo a passagem do sangue.


34

ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


8.6- Ações de enfermagem:
Ações de observação direta do paciente em relação a ruptura do aneurisma;
Ações no preparo do paciente para a cirurgia ;
Administração de medicamentos ;
Ações no pós-operatório: observar complicações tais como: oclusão arterial, hemorragias , infecção do
enxerto e cólon isquêmico , impotência.

9-ARTERIOSCLEROSE E ATEROSCLEROSE

9.1- Definições:
✗ Arteriosclerose : significa literalmente o endurecimento das artérias.
✗ Aterosclerose- significa o processo generalizado de alterações na íntima das artérias grandes e de
tamanho médio. Raramente uma ocorre , sem a outra.

9.2-Fatores de risco:
Dieta rica em gordura;
Hipertensão- acelera o aparecimento, devido a alta pressão nos vasos.
Fumo- a nicotina diminui o fluxo de sangue nas extremidades e aumenta a frequência cardíaca e arterial.

9.3- Manifestações clínicas:


Os sinais e sintomas resultam de acordo com o grau da lesão , sendo assim temos: isquemia cerebral
transitória, ataques cardíacos.

9.4-Tratamento:

Depende da mudança de hábitos;


Angioplastia pelo laser;
Administração de medicamentos á risca;
Dispositivo de ateroma rotacional : remove as placas através de abrasão.

10-DOENÇA DE CHAGAS

10.1-Descrição
Doença parasitária que se manifesta sob várias formas: aguda, indeterminada e crônica.

10.2- Manifestações clínicas:


Fase aguda: quando aparente, é caracterizada por uma miocardite, na maioria das vezes só
traduzível eletrocardiograficamente. As manifestações gerais são de febre (pouco elevada), mal-estar geral,
cefaléia, astenia, hiporexia, edema, hipertrofia de linfonodos, hepato-esplenomegalia, meningoencefalite
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA


(rara). Pode apresentar sinal de porta de entrada aparente: Sinal de Romaña (edema ocular bipalpebral
unilateral) ou Chagoma de Inoculação (lesão cutânea semelhante a um furúnculo que não supura).Passada a
fase aguda aparente ou inaparente, o indivíduo permanece na Forma indeterminada: infecção
assintomática, que pode nunca se evidenciar clinicamente ou se manifestar anos ou décadas mais tarde da
infeção inicial. As Formas crônicas com expressão clínica podem ser:
Sinais e sintomas são: palpitação, dispnéia, edema, dor precordial, dispnéia paroxística noturna, tosse,
tonturas, desmaios, acidentes embólicos, desdobramento de segunda bulha, sopro sistólico, hipofonese de
segunda bulha e sopro sistólico. (forma cardíaca)
Alterações ao longo do trato digestivo, ocasionadas por lesões dos plexos nervosos (destruição neuronal
simpática), com conseqüentes alterações da motilidade e morfologia, sendo o megaesôfago e o megacólon as
manifestações mais comuns. No megacólon: constipação intestinal (instalação lenta insidiosa), meteorismo,
distensão abdominal, fecaloma. (forma -crônica).
Os sinais clínicos são a hepatomegalia e esplenomegalia, presente em todos os casos, icterícia, equimoses e
convulsões decorrentes da hipoglicemia. Não há relato de ocorrência de febre.(Forma congênita).
10.3-Sinonímia
Tripanosomíase Americana.
10.4-Agente etiológico
É o Trypanosoma cruzi, protozoário flagelado da família Trypanosomatidae.

10.5-Complicações
Na fase aguda: miocardite, ICC grave e meningoencefalite. Na fase crônica: fenômenos tromboembólicos
devido a aneurisma de ponta do coração. Esofagite, fístulas e alterações pulmonares (refluxo), em
conseqüência do megaesôfago. Volvos, torções e fecalomas, devido a megacólon.

10.6-Diagnóstico
Clínico-epidemiológico e/ou laboratorial. Os exames específicos podem ser parasitológicos para identificação
do T. cruzi no sangue periférico: pelo método de Strout, exame a fresco, gota espessa, esfregaço corado,
creme leucocitário, xenodiagnóstico; ou sorológicos: hemaglutinação

10.7-Tratamento
Depende das formas da doença: se for congênita ou aguda (transmissão vetorial ou por transfusão), o
tratamento específico pode ser feito com o benzonidazol, em cardiopatias: cardiotônicos, diuréticos,
antiarrítmicos, vasodilatadores, dentre outros. Por vezes, é necessária a colocação de marcapasso. Nas
formas digestivas, pode-se indicar tratamento conservador (dietas, laxativos, lavagens) ou cirurgias, na
dependência do estágio da doença.

10.8-Ações de Enfermagem :

Na presença de um portador da doença de Chagas, cabe à equipe de enfermagem monitorar as queixas do


mesmo, buscando relacioná-las às formas de apresentação da doença. Quanto antes se fizer a detecção,
melhor será o prognóstico.
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ENFERMAGEM EM CLÍNICA MÉDICA

Todos os casos agudos suspeitos devem ser imediatamente notificados aos órgãos responsáveis, para
orientação quanto às providências a serem tomadas, de acordo com o sistema de vigilância
epidemiológica. Segundo norma do Ministério da Saúde, os casos suspeitos ou confirmados de doença de
Chagas em fase crônica não precisam ser obrigatoriamente notificados. É importante tentar controlar a
população de insetos vetores, tanto os triatomídeos como os de outros gêneros e espécies cuja existência tem
sido ultimamente relacionada à transmissão do Trypanosoma cruzi ao homem.

11-PERICARDITE

Def: é a inflamação do pericárdio , ou saco menbranoso que envolve o coração.

Manifestações clínicas:
dor precordial, fazendo o paciente assumir postuta sentado ou inclinado para frente.

Diagnóstico:
ECG
Tratamento: Terapia medicamentosa para infecção.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS CLIENTES COM DISTÚRBIOS GASTROINTESTINAIS

1-CONSIDERAÇÕES GERAIS

A degradação dos nutrientes passa pelas seguintes etapas:


➔ ingestão - o alimento vai da boca para o tubo digestivo;
➔ digestão – a quebra do alimento se inicia na boca (enzima amilase salivar), continua no estômago
(suco gástrico) e termina no intestino delgado por intermédio de seus sucos; os nutrientes são
absorvidos pela corrente sangüínea, onde serão utilizados pelas células ou armazenados pelo
organismo; os resíduos não utilizados serão transformados em fezes, que serão excretadas. Caso haja
alteração em algum dos órgãos do sistema digestório, a pessoa pode desenvolver alguma das
seguintes doenças:
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1.1-Gastrite

É um distúrbio inflamatório da mucosa gástrica. Ocorre de forma súbita, podendo ser de curta duração,
tornar-se crônica ou ainda evoluir para uma úlcera.
A gastrite aguda, freqüentemente, é causada por agressores com ação direta na mucosa gástrica. Entre eles
estão: medicamentos como antiinflamatório e aspirina, álcool, fumo, enzimas digestivas
do duodeno, alimentos condimentados, frituras, gorduras e frutas ácidas, situações de estresse em pessoas
muito nervosas ou então hospitalizadas.
As gastrites crônicas estão mais relacionadas com a presença do 5Helicobacter pylori.

Manifestações clínicas, destacam-se:


dor epigástrica,vômitos, náuseas, 6eructação, 7pirose após as refeições, digestão difícil e demorada e até a
anorexia. E em casos mais extremos, pode apresentar hemorragia digestiva.
O diagnóstico pode ser feito através da endoscopia, com realização de biópsia e de radiografia contrastada.
O tratamento está baseado na utilização de antiácidos que atuam na acidez gástrica.
Nos casos mais graves, além dos antiácidos, são administrados medicamentos que bloqueiam a secreção do
suco gástrico. Se a gastrite for causada pelo H. pylori, deverá ser indicada a antibioticoterapia.
Ações de enfermagem deverá orientar o cliente no tocante a:
! ingerir dieta branda e fracionada, com ausência de alimentos irritantes à mucosa gástrica;
! desenvolver atividades físicas com a finalidade de reduzir o estresse;
! evitar a ingestão de álcool, de café e o uso do tabaco.

1.2 Úlceras Pépticas


Essas úlceras são definidas como lesões erosivas com perda de tecidos. Caracterizam-se por surtos de
ativação e períodos de calmaria, com evolução crônica. As áreas mais acometidas são as do estômago e do
duodeno.
A úlcera duodenal constitui a forma predominante de úlcera péptica. Está associada à hipersecreção de
ácido e pepsina pelo estômago que, ao chegar ao duodeno, gera as erosões. Já a úlcera gástrica

A assistência está a relacionada ao aparecimento de uma lesão, devido à deficiência dos fatores de proteção
da mucosa gástrica contra a ação do ácido clorídrico.

5 Helicobacter pylori é uma bactéria que está presente em grande número de clientes com gastrite e úlcera duodenal. Ela vive abaixo
da camada de muco (tipo de saliva que os órgãos do aparelho digestivo produzem) para se protegerem da ação ácida do estômago.

6 Eructação – É a eliminação de gases por via oral, sendo popularmente conhecido como “arroto”.
7 Pirose - É a sensação de queimadura na região gástrica.
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Tanto as úlceras duodenais quanto as gástricas resultam da interação de fatores genéticos, ambientais (fumo,
álcool, café, ácido acetilsalicílico, da presença da bactéria Helicobacter pylori) e de
fatores emocionais (estresse, emoções, ansiedade, manifestações da vida afetiva).
De todos os sintomas da úlcera, a dor é o mais freqüente, levando o indivíduo a procurar assistência.
Manifesta-se através de uma dor em queimação e corrosiva - tipo cólica - relacionada, quase sempre, à
alimentação.
Na úlcera gástrica, a dor inicia-se no epigástrio e irradia-se para o rebordo costal. A presença do alimento no
estômago causa a dor, enquanto que os vômitos podem aliviá-la.
A dor na úlcera duodenal irradia-se para o flanco direito e acontece quando a pessoa está com o estômago
vazio. A ingestão de alimentos alivia o sintoma. Outras manifestações clínicas que podem ser observadas
são: náusea e vômito. Em casos mais graves, observa-se hemorragias nas fezes (melena) ou vômitos
(hematêmese).

Tabela 2 - Diferenças entre Úlcera Duodenal e Gástrica -PROFAE

O tratamento medicamentoso da úlcera péptica consiste na:


redução da acidez gástrica até a cicatrização da úlcera e na erradicação da bactéria H. pylori, quando esta
estiver presente.
A equipe de enfermagem deverá orientar o cliente a:
! fazer o mínimo de 4 refeições diárias, em intervalos regulares,
mastigando bem os alimentos;
! evitar frituras, condimentos (pimenta, alho, cebola), refrigerante, café, chá e bebida alcoólica e uso do
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tabaco;
! modificar o estilo de vida, visando diminuição do estresse ;
! não fazer uso de comprimidos sem prescrição ;
! observar a presença de sangue nas fezes e nos vômitos.
2-Pancreatite
Considerações
O pâncreas é um dos órgãos acessórios do sistema digestório. Encontra-se situado no abdômen, atrás do
estômago. Ele é responsável pela produção do suco pancreático que ajuda na digestão e pela produção de
hormônios como insulina e glucagon.
A inflamação do pâncreas é denominada pancreatite e pode manifestar-se de forma súbita (aguda) ou de
forma contínua (crônica).
A pancreatite aguda é definida como um processo inflamatório agudo do pâncreas. Suas causas são: pedras
da vesícula que se deslocam e impedem o escoamento das substâncias produzidas pelo pâncreas;
Fatores que levam a Pancreatite
ingestão abusiva de álcool e de alguns medicamentos como corticóides e imunodepressores; tumores que
obstruem os canalículos do pâncreas; traumatismo pancreático; níveis elevados de colesterol e triglicérides e
fatores genéticos.
Manifestações clínicas apresentadas pelos clientes, primeiramente podemos destacar a dor severa que se
inicia subitamente na região epigástrica, após excesso de ingestão alimentar ou de bebida alcoólica. Irradia
para a reborda costal, piorando ao andar e deitar. Melhora quando o cliente senta ou se inclina para frente.
Ocorrem vômitos, náuseas, febre, icterícia. Os casos mais graves podem apresentar manifestações clínicas
de choque: taquicardia, hipotensão, desorientação, extremidades frias e sudorese.
A manifestação mais visível é através das fezes, que se apresentam esbranquiçadas, fétidas e volumosas.
Para o diagnóstico, é indispensável a realização de exames complementares, como o exame de sangue, onde
é avaliada a dosagem da enzima amilase sérica, leucocitose e a glicemia. Os exames radiográficos mais
solicitados são: RX do abdômen e do tórax; ultra-som abdominal; tomografias computadorizadas.
O tratamento inicial da pancreatite aguda é basicamente clínico.
É indicada a manutenção do jejum para inibir a estimulação e secreção de enzimas pancreáticas. Caso seja
necessário, o aporte calórico será mantido pela nutrição parenteral total (NPT). A sonda
nasogástrica aberta objetiva aliviar náuseas e vômitos. Medicamentos, como analgésicos, antibióticos e
antiácidos, são administrados conforme prescrição. Deve-se administrar insulina, caso seja preciso.
O tratamento cirúrgico consiste em remover total ou parcialmente o pâncreas. É indicado, entre outros, em
casos de necrose ou de grave infecção bacteriana.

Ações de enfermagem
! administrar analgésico, conforme prescrição, para o alívio da dor;
! explicar a finalidade e importância do jejum;
! manter a hidratação hídrica e de eletrólitos, prevenindo a desidratação
decorrente de vômitos ou diarréias;
! manter aberta e pérvia a sonda nasogástrica;
! realizar higiene oral, mantendo os lábios umidificados;
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! orientar a necessidade do repouso no leito;
! medir a circunferência abdominal, atentando para alterações;
! pesar diariamente;
! monitorizar os sinais vitais;
! controlar glicemia capilar;
! realizar balanço hídrico;
! encaminhar o cliente a um grupo de apoio de alcoólicos anônimos ou de autocuidado para Diabetes
Mellitus;
! orientar a auto-aplicação de insulina, quando indicada.
A pancreatite crônica caracteriza-se pela perda progressiva do tecido pancreático, com presença de fibrose e
lesões anatômicas irreversíveis. A pancreatite crônica não significa o desenvolvimento da
forma aguda da doença, a menos que estejam presentes complicações como os pseudocistos (coleções de
secreções pancreáticas).
3-Cirrose Hepática
Trata-se de uma degeneração difusa, progressiva e crônica do tecido hepático, com destruição dos
hepatócitos. No processo de cicatrização, o tecido normal é substituído por tecido fibrosado,
incapacitando o fígado de manter suas funções.
Os fatores etiológicos mais importantes são: álcool, exposição a substâncias químicas, (clorofórmio),
insuficiência nutricional, infecção pelo vírus da hepatite B e esquistossomose.
As pessoas com cirrose apresentam manifestações clínicas decorrentes da disfunção hepática e da necrose
das células hepáticas. Os sinais e sintomas mais freqüentes são: náusea, icterícia, colúrria, dor no fígado,
edema, ascite (barriga d’água) e hérnia umbilical.
Ações de enfermagem enquanto o cliente encontrar-se hospitalizado, a equipe de enfermagem
deve:
! oferecer refeições pequenas e freqüentes com a finalidade de facilitar o processo digestivo;
! restringir a ingestão de sal e água;
! monitorar os sinais vitais;
! pesar e medir a circunferência abdominal, diariamente, com o cliente em jejum;
! manter a pele limpa e hidratada, aliviando pruridos e o ressecamento;
! realizar o balanço hídrico;
! avaliar o nível de consciência e administrar os medicamentos conforme prescrição.
Para a alta, o cliente deve ser orientado quanto à dieta e medicação, salientando-se a importância do
acompanhamento.

3-Acalasia
É a peristalse ausente ou ineficaz do esôfago distal, acompanhada por ausência de relaxamento do
esfincter esofagiano, resultante da dilatação pregressiva do esôfago.

Manifestações clínicas
dificuldade de deglutir tanto líquido quanto sólido;
regurgitação
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dor torácica
sensação de queimação

Avaliação diagnóstica

A deglutição de bário ou a endoscopia são usados para a realização do diagnóstico.


Manometria que é o exame da mensuração do esôfago, confirma o diagnóstico.

Terapia medicamentosa
Os bloqueadores do canal de cálcio são muito utilizados para reduzir a pressão esofageana e melhora a
deglutição.

Cirurgia
cardiomiotomia – constitui a abordagem cirúrgica através de uma incisão longitudinal com cerca de 12cm , e
1 cm dentro da área gástrica para melhorar o estreitamento do esôfago.

Ações de enfermagem : Administrar medicamentos prescritos; Avaliar sinais de choque e hemorragia na


atenção ao pós-operatório.

4-Refluxo gastroesofágico
É a transferência do conteúdo gástrico para o esôfago, causado pelo relaxamento do esfincter esofágico
inferior.

Manifestação clínica

sialorréia , vômito em grande quantidade e em jato,perda de peso, sufocação no final da alimentação,


problemas respiratórios e hematêmese , melena, anemia , pirose , irritabilidade, apnéia( que pode ser fatal).

Complicações
esofagite, aspiração,pneumonia, sangramento,estenose, varizes esofágicas,e desnutrição.

Diagnóstico
Radiografia contrastada; Endoscopia; pHmetria.

Assistência de enfermagem
orientação de alimentação fracionada em intervalos maiores
Manter decúbito elevado após dieta
Avaliar intercorrências pós-operatória, pois pode ocorrer obstrução do intestino delgado, vômito seco e
síndrome do esvaziamento rápid.o
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Tratamento
Farmacológico- ranitidina-prepulsid
tratamento cirúrgico-funduplicatura- realiza a fixação do fundo do estômago em torno do esôfago terminal
– e gastrostomia – abertura de fístula na região gástrica para a alimentação do paciente que não pode ser
pela boca.

5-Esofagite: É uma inflamação da mucosa esofágica causada, na maioria das vezes, por refluxo de conteúdo
gástrico. A mucosa do esôfago, mais sensível, não é adequada para receber conteúdo extremamente ácido
como o suco gástrico.
Fatores da Esofagite: O refluxo ocorre na dependência de diversos fatores, desde alimentares até
anatômicos, estando muitas. O refluxo ocorre na dependência de diversos fatores, desde alimentares até
anatômicos, estando muitas vezes associado à hérnia hiatal, mas a falha do Esfíncter Esofagiano Inferior
parece ser a principal causa.

6-Colecistite: A colecistite é uma inflamação da vesícula biliar, um pequeno órgão com o formato de um
balão vazio localizado no lado superior direito do abdome, debaixo do fígado.
A colecistite se desenvolve quando uma pessoa tem cálculos biliares, pedras resultantes do depósito de
substâncias químicas (colesterol ou sais contidos na bile) que se formam dentro da vesícula. Se um cálculo
biliar desprender da vesícula e bloquear o ducto cístico, a bile fica represada na vesícula. Tanto as
substâncias químicas da bile retidas na vesícula como uma infecção bacteriana na bile podem conduzir à
inflamação da parede da vesícula biliar – chamada colecistite. Uma crise súbita de bloqueio da bile, com ou
sem infecção associada, é chamada de colecistite aguda. Porém, se crises leves e repetidas de colecistite
aguda acontecerem, chamamos de colecistite crônica. Na colecistite crônica, os efeitos dos múltiplos
episódios de inflamação, irritação e lesão da vesícula levam a um espessamento de suas paredes pelo
processo cicatricial. Finalmente, este processo pode fazer com que a vesícula encolha e possa perder sua
capacidade de armazenar e liberar a bile. Os cálculos biliares causam dor periódica através da obstrução
intermitente sem qualquer infecção, e isto é tipicamente chamado de cólica biliar.
O risco para formação de cálculos biliares é maior em:
Homens e mulheres acima dos 60 anos de idade
Mulheres que estão grávidas ou tiveram várias gravidezes
Mulheres que tomam terapia de substituição estrogênica (reposição hormonal) - ou pílulas anticoncepcionais
Indivíduos obesos
Pessoas que perderam peso rapidamente
Pessoas que ingerem uma dieta rica em gordura.

ASSISTÊNCIA AOS CLIENTES COM DISTÚRBIOS RESPIRATÓRIOS

1-Insuficiência Respiratória

A insuficiência respiratória é uma condição caracterizada pela incapacidade do sistema respiratório em


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fornecer oxigênio necessário para manter o metabolismo, ou quando não consegue eliminar a quantidade
suficiente de dióxido de carbono.
A insuficiência respiratória aguda pode ser uma complicação da DPOC, ou ser causada em pessoas com
pulmões normais em conseqüência dos distúrbios do sistema nervoso (overdose de drogas
ilícitas, lesões cerebrais); pneumonia; anestesia e procedimentos cirúrgicos (destacando-se o pós-operatório
imediato).
Sinais e sintomas que caracterizam esta complicação são: a dispnéia, taquipnéia, cianose, cefaléia,
taquicardia e arritmia cardíaca, ansiedade, inquietação e confusão mental, crepitações, sibilos e hipoxemia.
Cuidados de enfermagem junto ao cliente com insuficiência respiratória devem considerar:
monitoramento da função respiratória: através do controle dos
sinais vitais, avaliação da coloração e temperatura da pele e mucosa e do nível de consciência;
! oxigenoterapia: colocar à disposição os materiais para instituir a ventilação mecânica que poderá ocorrer
por exaustão
respiratória e/ou alterações metabólicas (desequilíbrio dos níveis de oxigênio/dióxido de carbono);
! alívio da ansiedade e medo: fazer companhia, proporcionando segurança e conforto;
! umidificação e fluidificação de secreções: promover a fluidificação e limpeza das vias aéreas, utilizando
técnicas assépticas;
! mudança de decúbito: promover a mudança de decúbito em intervalos regulares, atentando para conforto
físico;
! aspiração de secreção de vias aéreas.

2-DPOC

É uma classificação ampla para distúrbios tais como : bronquite crônica, bronquiectasia, enfisema,
asma. É uma condição irreversível associada a dispnéia ao esforço.
As duas das formas mais comuns de DPOC são a Bronquite Crônica e o Enfisema Pulmonar que apesar
dessas doenças estarem habitualmente presentes no mesmo paciente, podendo predominar os sintomas de
uma ou outra, dificilmente encontradas na sua forma “pura”.

Fatores que levam a DPOC


genéticos e ambientais.

Pessoas com DPOC têm geralmente sintomas de bronquite crônica e de enfisema pulmonar.

Quadro Clínico:
Bronquite:
✗ Tosse com catarro matutina (é o sintoma mais encontrado): pode preceder a falta de ar ou aparecer
simultaneamente.
Persistência e progressão da tosse ao longo do dia e não somente no inverno mas ao longo do ano,
com crescente produção de muco.
✗ Falta de ar,
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✗ Cianose (uma cor azulada na pele - devida à falta de oxigênio) e Taquipnéia (respiração rápida),
✗ Insuficiência cardíaca por sobrecarga do coração tentando vencer a resistência pulmonar causando
dor torácica, inchaço (edema) nos tornozelos, pernas e às vezes do abdome (ascite).
Enfisema:
 Falta de ar precoce relacionada aos pequenos esforços,
 Progressão da falta de ar aos mínimos esforços,
 Respiração rápida e curta (taquipnéia),
 Tosse,
 Dor torácica,
 Aumento do diâmetro do tórax (torna-se distendido como um barril),
 Cansaço constante,
 Dificuldade para dormir e
 Perda de peso.

Assistência de Enfermagem
orientar treinamento respiratório;
educação do paciente e cuidado domiciliar
medidas de adaptação – é útil o paciente ter atividade física direcionada
Prevenção de infecções bronco pulmonares
Administração de medicamentos

3-Embolia Pulmonar: é a obstrução súbita de uma artéria pulmonar, geralmente devido a um coágulo
sanguíneo que viajou de uma veia da perna até o pulmão. Um coágulo que se forma em uma parte do corpo
e viaja pela corrente sangüínea até outra parte é chamado de êmbolo.

A embolia pulmonar é uma condição grave, que pode causar:


* Dano permanente ao pulmão devido à falta de fluxo sangüíneo no tecido pulmonar.
* Baixos níveis de oxigênio no sangue.
* Danos a outros órgãos do corpo por falta de oxigênio.
• Se o coágulo for muito grande, ou se houver vários coágulos, embolia pulmonar pode causar morte.

Causas da embolia pulmonar

De cada dez casos de embolia pulmonar, nove começam com um coágulo nas veias profundas da perna, uma
condição chamada de trombose venosa profunda. O coágulo é liberado da veia e viaja pela corrente
sanguínea até os pulmões, onde pode bloquear uma artéria. Coágulos nas pernas podem se formar quando
o fluxo sanguíneo é restringido e diminui. Isso pode acontecer se a pessoa não se mover por muito tempo,
como quando:
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* Depois de algumas cirurgias.
* Durante longas viagens de carro ou avião.
* Se ficar na cama por um período longo de tempo.
Outras formas de formação de coágulos são veias danificadas por cirurgia ou lesão.

Sinais e sintomas da embolia pulmonar: Os sinais e sintomas da embolia pulmonar incluem perda de
fôlego sem explicação, dificuldade de respirar, dor no peito, tosse ou tosse com sangue. Arritmia (batimento
cardíaco rápido e irregular) também pode indicar embolia pulmonar. Em alguns casos, os únicos sinais e
sintomas são aqueles relacionados à trombose venosa profunda, os quais incluem: inchaço da perna ou ao
longo da veia na perna, dor ou sensibilidade na perna, sensação de calor na área da perna com inchaço ou
sensibilidade, e pele vermelha ou descolorada na perna afetada. Também é possível ter embolia pulmonar
sem apresentar nenhum sinal ou sintoma.

Assistência de Enfermagem:

Dar conforto respiratório ao paciente;


Ministrar oxigênio e medicamento prescrito;
Preparo e cuidados no Pré-operatório, transoperatório e pós -operatório;
Verificar sinais de complicação pós-cirúrgica, tais como: sangramento, hipovolemia, hipotensão e choque.

ASSISTÊNCIA AOS CLIENTES COM DISTÚRBIOS HEMATOPOIÉTICOS


1-Anemia
É um distúrbio resultante da redução da quantidade normal das células vermelhas do sangue (hemácias) e
da concentração de hemoglobina. Do ponto de vista fisiológico, há anemia quando existe produção
diminuída ou ineficaz de hemácias ou hemoglobina, por insuficiência da medula óssea, acarretando prejuízo
da oferta de oxigênio aos tecidos; diminuição ou destruição prematura das hemácias (hemólise); perda
aumentada de sangue (hemorragias); déficit de ferro e outros nutrientes; fatores hereditários e doenças
crônicas, tais como: artrite reumatóide, abscessos pulmonares, osteomielite, tuberculose e câncer.
A anemia é comum nas pessoas idosas, sendo considerada parte de processo patológico, e não do resultado
do envelhecimento, podendo apresentar efeitos graves na função cardiopulmonar, quando não tratada
corretamente.
Quadro clínico incluem: dispnéia aos esforços e de repouso, fraqueza, palidez, cefaléia, tonteira, desmaio,
irritabilidade, inquietação e taquicardia.
O tipo e a causa da anemia podem ser determinados por exames hematológicos, além de estudos
diagnósticos, como a aspiração e a biópsia da medula óssea, para determinar a presença de doença aguda ou
crônica e a origem de qualquer hemorragia também crônica.
Tratamento
é voltado para as causas da anemia e reposição da perda sangüínea.
Ações de enfermagem junto à pessoa anêmica incluem:
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! encorajar a deambulação e a participação nas atividades da vida diária, conforme tolerado, enfatizando os
riscos da imobilidade (má circulação sangüínea);
! avaliar queixas de fadiga, fraqueza, desmaios, tonteiras ou marcha instável, aconselhando- a evitar
movimentos súbitos;
! incentivar períodos adequados de repouso;
! orientar a redução de atividades e estímulos que causem taquicardia e aumento do débito cardíaco;
! monitorizar os sinais vitais;
! elevar a cabeceira do leito em caso de dispnéia;
! administrar oxigenoterapia quando necessário;
! observar e relatar sinais e sintomas de retenção hídrica (edema periférico, distensão das veias do pescoço,
cansaço aos esforços e queda da pressão arterial);
! evitar alimentos formadores de gases (a distensão abdominal pode aumentar a dispnéia);
! oferecer alimentos ricos em proteínas, calorias, vitaminas e sais minerais, conforme orientação nutricional,
além de refeições fracionadas para ajudá-la a enfrentar os problemas de fadiga e anorexia.
Existem anemias causadas por deficiências na produção das hemácias (anemias hipoproliferativas) e as
decorrentes da destruição dessas (anemias hemolíticas). Dentre estas, podemos destacar a aplásica, a
ferropriva e a falciforme.
Os exames hematológicos
incluem pesquisa de hemoglobina e 8hematócrito, estudos dos leucócitos, nível sérico de ferro, vitamina B12,
tempo de sangramento e de coagulação em amostra de sangue.

Tipos de Anemia
! Anemia aplásica – Pode resultar de certas infecções ou ser causada por drogas, substâncias químicas ou
radiação. As manifestações clínicas incluem: fraqueza, palidez, falta de ar e
sangramento, que é o sintoma inicial em cerca de 1/3 das pessoas.
! Anemia ferropriva –É uma condição na qual o conteúdo de ferro orgânico encontra-se inferior ao nível
normal, pois o ferro é necessário para a síntese de hemoglobina, sendo o tipo mais
comum de anemia em todos os grupos etários. A causa habitual é o sangramento excessivo decorrente de
úlceras, gastrites ou menstrual, como também a má absorção de ferro. As pessoas com deficiência de ferro
podem apresentar: língua lisa e dolorida e unhas delgadas e côncavas. Pode ainda ocorrer a perversão do
apetite – denominada pica - que leva a pessoa a ingerir substâncias incomuns, como argila, terra, talco ou
gelo. A orientação preventiva é importante, porque a anemia ferropriva é muito comum nas mulheres em
idade fértil e que estão grávidas. Os alimentos ricos em ferro incluem: vegetais folhosos, passas, melado e
carnes que, ingeridos
juntamente com a vitamina C, aumentam a absorção de ferro. As manifestações clínicas são: fadiga,
irritabilidade, dormência, formigamento das extremidades e língua saburrosa. O tratamento inclui o
aconselhamento nutricional e a administração de ferro oral ou intramuscular.
! Anemia falciforme – É uma anemia hemolítica grave, resultante de um defeito na molécula de
hemoglobina que assume uma forma de foice. A doença é incapacitante e é mais comum em

8-Hematócrito - É um teste que possibilita aferir o volume, exame que verifica o percentual de hemácias
presente
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pessoas de raça negra. Os sinais e sintomas incluem: icterícia, observada principalmente na esclerótica,
alargamento dos ossos faciais e cranianos, taquicardia, sopros cardíacos e, com freqüência, cardiomegalia
(aumento do coração). Os idosos podem apresentar arritmias e insuficiência cardíaca. Uma característica
importante dessa patologia é a dor de forte intensidade,
principalmente nas articulações. Em geral, os pacientes com anemia falciforme são diagnosticados
na infância, pois já são anêmicos e começam a ter crises de dores intensas com 1 ou 2 anos. Não existe
tratamento específico para tal anemia. Os fundamentos da terapia da crise falciforme são a hidratação e a
analgesia.
Ações de enfermagem consistem em:
! incentivar o repouso;
! apoiar as articulações afetadas;
! administrar analgésicos prescritos;

Assistência Clínica
! administrar líquidos;
! monitorizar a hidratação.
Em clientes em processo de alta hospitalar, prestar orientação no sentido de:
! observar febre, tosse, taquipnéia, sintomas urinários, quaisquer áreas abertas, avermelhadas, doloridas, !
procurar um pronto atendimento caso elas se desenvolvam;
! evitar infecções, desidratação, atividade física extenuante, estresse emocional, roupas restritivas ou
apertadas, altitudes elevadas;
! participar de grupos de apoio.
2-Leucemia
São distúrbios malignos dos tecidos formadores do sangue, caracterizados por uma proliferação não-
controlada de leucócitos na medula óssea, substituindo os elementos medulares normais. Com
freqüência, as leucemias são classificadas em linfocíticas e mielocíticas e em agudas ou crônicas. A causa é
desconhecida, mas existe influência genética, viral e por exposição à radiação ou a substâncias químicas.
Manifestações clínicas podem incluir: petéquias (pequenas manchas hemorrágicas); equimoses (manchas
azuladas decorrentes de extravasamento de sangue para a pele); epistaxe (sangramento nasal), sangramento
gengival, hemorragias na retina ou em qualquer orifício corporal; palidez; fadiga; dispnéia; febre; infecção;
esplenomegalia (aumento do baço); hepatomegalia (aumento
do fígado); dor óssea e nas articulações; efeitos neurológicos secundários à infiltração no sistema nervoso
central, tais como: desorientação, sonolência, torpor. A principal forma de tratamento é a quimioterapia,
porém o transplante de medula também é utilizado, quando existe um doador
compatível.
Ações de enfermagem incluem:
! reconhecer que o cliente está sob alto risco de infecção e ficar atenta para as medidas de segurança, como o
uso de máscara, lavagem das mãos;
! monitorizar a temperatura;
! iniciar antibioticoterapia prescrita;
! proporcionar alívio da dor, conforme necessário e prescrito;
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! assegurar nutrição e hidratação adequadas.
! manter o conforto do cliente;
! evitar barulhos;
! manter a integridade da pele e das membranas mucosas;
! esclarecer a família quanto aos sinais e sintomas de infecção
(febre, presença de hiperemia em qualquer parte do corpo);
! proporcionar informações sobre os tratamentos prolongados;
! promover mecanismos positivos de enfrentamento do estresse para ajudar o cliente e a família a lidar com
os fatores relacionados à doença;
3 -Hemofilia
É um distúrbio do mecanismo de coagulação do sangue, que pode resultar em incontroláveis hemorragias.
Trata-se de uma deficiência genético-hereditária, quase exclusiva do sexo masculino. A ocorrência é de um
caso em cada 10 mil habitantes. Desde os primeiros meses de vida, o hemofílico é identificado pelos
sintomas hemorrágicos que apresenta. Um pequeno traumatismo pode desencadear dor intensa,
hematomas, episódios hemorrágicos importantes em órgãos vitais, músculos e articulações. A repetição das
hemorragias nas articulações pode gerar seqüelas
graves que afetam a mobilidade dos membros atingidos. Muitas pessoas tornam-se inválidas pela lesão
articular antes de se tornarem adultos. Pode ocorrer hematúria e sangramento digestivo
espontâneo.
Existem dois tipos de hemofilia identificados:
! Hemofilia A - conhecida como clássica, atingindo cerca de 85% das pessoas e caracteriza-se pela deficiência
de fator VIII da coagulação.
! Hemofilia B - também conhecida como fator Christma; atinge 15% das pessoas e caracteriza-se pela
deficiência de fator IX de coagulação.
Ações de enfermagem incluem:
! orientar quanto à não-ingestão de aspirina e administração de injeções intramusculares;
! cuidar durante a higiene dentária para que não haja sangramento;
! administrar analgésicos para aliviar a dor causada pelas hemorragias das articulações;
! prevenir ou minimizar a dor causada por atividade física, incentivando o cliente a movimentar-se
lentamente e a evitar trauma nas articulações;
! oferecer talas, bengalas, muletas, pois são dispositivos de ajuda e desviam o peso corporal das articulações
afetadas;
! ficar atenta a sinais de choque hipovolêmico, como agitação, ansiedade, confusão, palidez, pele fria e
pegajosa, dor torácica, oligúria, taquicardia e hipotensão;
! monitorizar sinais vitais;
! orientar quanto ao risco de hemorragias e as precauções necessárias a serem tomadas;
! esclarecer quanto à necessidade de modificar o ambiente domiciliar para prevenir o traumatismo físico.
Com freqüência, os hemofílicos necessitam de ajuda para superação da condição crônica que restringe suas
vidas. O hemofílico bem atendido e bem orientado pode e deve ter uma vida normal, passando da condição
de eterno dependente, para a condição de cidadão ativo e produtivo.
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4-Coagulopatias:

As coagulopatias são doenças hemorrágicas resultantes da deficiência quantitativa e/ou qualitativa de


uma ou mais das proteínas plasmáticas (fatores) da coagulação. Têm como característica comum a redução
da formação de trombina, fator essencial para a coagulação do sangue. Pacientes acometidos por
coagulopatias hereditárias podem apresentar sangramentos de gravidade variável, espontâneos ou pós-
traumáticos, presentes ao nascimento ou diagnosticados ocasionalmente. No entanto, as coagulopatias
hereditárias apresentam herança genética, quadro clínico e laboratorial distintos entre si.
A coagulação do sangue é um processo complexo no qual o sangue forma coágulos sólidos. É uma
parte importante da hemostasia (o cessamento da perda de sangue de um vaso danificado) na qual a parede
de vaso sanguíneo danificado é coberta por um coágulo de fibrina para parar a hemorragia e ajudar a
reparar o vaso danificado. Desordens na coagulação podem levar a uma hemorragia aumentada e/ou
trombose e embolismo.
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REFERÊNCIAS:

LIVRO PROFAE- CADERNO CLÍNICA MÉDICA


BRUNNER & SUDDART/2004
MANUAL DE HIPERTENSÃO ARTERIAL -PSF-MINISTÉRIO DA SAÚDE
MANUAL DE DIABETES-PSF—MINISTÉRIO DA SAÚDE