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O TRABALHO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL E A PREVENÇÃO DO

BULLYING NAS ESCOLAS1

Zulei Guedes Cardoso Trindade2


Francineides Morais do Nascimento3
Profª. Me. Raquel Matos de Lima Bento4

1 INTRODUÇÃO

Atos indisciplinados como a agressividade entre alunos, de forma física ou verbal,


sempre estiveram presentes na realidade escolar. Hoje a situação exige uma atenção ainda
mais cuidadosa de educadores e familiares, pois a violência escolar está transpondo os muros
da escola. A magnitude dos atos de violência cometidos apresenta uma configuração cada vez
mais agressiva chegando até mesmo à crueldade que, por vezes, pode levar até a morte.

A omissão educativa da família em situações de conflitos do cotidiano doméstico pode


promover em crianças e adolescentes comportamentos transgressores, infrações às regras e
aos limites estabelecidos e o desrespeito ao próximo dentro e fora de casa. A instituição
familiar encontra-se fragmentada e os valores fundamentais que deveriam ser transmitidos
pelas gerações mais velhas às novas gerações, dentro de um conceito de família padrão, não
estão sendo aceitas e muitas vezes atribuem mais esta função à escola. A instituição escolar,
por sua vez, não quer tomar para si mais esta responsabilidade e desta forma, culpam as
famílias, ou a falta delas, pela indisciplina dos alunos.

Com o grande impasse sobre as obrigações escolares ou familiares na formação


pessoal e social do indivíduo, a violência dentro e fora das escolas tem aumentado
consideravelmente, fato este que está deixando alunos, pais e profissionais da educação
amedrontados.

1
Artigo baseado no Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “O Orientador Educacional e bullying nas
escolas” apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Panamericana de Ji-Paraná –
UNIJIPA, em novembro de 2011.
2
Graduada em Pedagogia pela Faculdade Panamericana de Ji-Paraná – UNIJIPA.
3
Graduada em Pedagogia pela Faculdade Panamericana de Ji-Paraná – UNIJIPA.
4
Graduada em Pedagogia pelo Centro Universitário de Belo Horizonte UNI-BH. Mestre em Educação pela
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Professora e Coordenadora do Curso de Pedagogia da
Faculdade Panamericana de Ji-Paraná - UNIJIPA
Na sociedade contemporânea o termo violência foi substituído pela palavra bullying. O
bullying é uma palavra de origem inglesa utilizada para qualificar comportamentos violentos
no âmbito escolar. Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou
psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou
valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma
relação desigual de poder. (WIKIPÉDIA, 2011).

Observa-se que a sociedade tem esperado muito dos professores, que não sejam apenas
mediadores, mas que transmitam valores morais, princípios éticos e padrões de
comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal. Os pais justificam que
trabalham muito, não dispondo de tempo para cuidar dos filhos. É certo que os papéis da
família e da escola, antes prioritariamente repressores, modificaram-se ao longo das últimas
décadas. Uma das principais diferenças refere-se à transmissão do conhecimento, pois
antigamente, essa comunicação dava-se apenas na escola, já os valores e padrões de
comportamento eram ensinados e cultivados em casa. Mas as diretrizes educacionais estão
bem definidas e legitimadas. Estado e Família não podem inverter seus papeis na formação do
cidadão. “Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento
do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
(BRASIL, 1996).

Neste contexto percebe-se a importância de uma parceria entre a escola e a família


para que juntos possam realizar um trabalho que venha minimizar o problema da violência.

2. BULLYING

O bullying tema não recente, mas muito falado atualmente nas mídias informativas, é
uma problemática que perpassa décadas, fugindo ao controle das famílias e das escolas,
atingindo tanto meninos quanto meninas que se sentem acuados diante de seu agressor, física
e/oo moralmente.
O bullying é uma questão social, que deve ser revista por todos, principalmente nas
escolas, pois é na instituição escolar, costumeiramente que o aluno recebe grande parte de sua
formação pessoal e social para viver em sociedade. Perante a violência e o desrespeito de
aluno com aluno, aluno com professor, professor com aluno e demais profissionais da
educação, o ambiente escolar que deveria ser um lugar de formação de cidadão consciente,
crítico e ativo em uma sociedade igualitária, humana e justa, vêm se tornando um cenário
onde as pessoas estão receosas de frequentar, pois a escola não está sendo mais um lugar
seguro.

3. A VIOLÊNCIA NA ESCOLA

É considerada violência todo tipo de agressão destinada a um individuo ou a um


grupo, seja direta ou indiretamente. “Todo ato, praticado de forma consciente ou
inconsciente, que fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie
humana.” (FANTE, 2011, p.157).
A violência é algo que interfere na vida, causando danos muitas vezes irreparaveis e
vem acontecendo diariamente com um aumento desordenado no espaço escolar.

Para tentarmos entender quais são as determinantes da conduta violenta na escola, é


necessário voltamos nossa atenção para a agressividade do ser humano, sendo este o
ponto de discussão entre as teorias ativas: (aquelas que defendem a agressividade
como impulsos internos e inatos. A agressividade seria algo próprio da espécie
humana e, portanto, impossivel de se evitar) e as teorias reativas: (aquelas que
defendem que a agressividade tem influência ambiental. A agressividade seria uma
reação aprendida no ambiente). (FANTE, 2011, p. 162)

Conforme Fante (2011), a agressividade se determina ao estado emocional do individuo


agressor, estimulado por uma conduta errônea de comportamento adequado a uma sociedade.
Sua ira se direciona, se delimita a um estereótipo de pessoas em que seu ego afetivo não se
relaciona colocando toda sua má conduta em ação de forma violenta agressiva ou verbalizada
por perjorativo degradante.

3.1 Perseguição

Perseguição é a “ação ou efeito de perseguir.” (AMORA, 2009, p. 538). Esta atitude é


algo que estamos presente nas escolas nos ultimos tempos, na qual quem pratica não tem
consciência do transtorno que a pessoa perseguida vai levar para o resto da vida. Martinelli
(2009), refere-se a perseguição como componente do bullying. Lembrando de sua própria
experiência escolar, o autor remete a situações de violência em seu próprio cotidiano.
Claro que presenciei, em sala de aula, a prática do bullying – junto de atituides
agressivas, intencionais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento.
A perseguição pode ser através de apelidos maldosos como do personagem Leo,
pois ele sempre foi o mais gordinho da turma e motivo de brincadeiras de mau
gosto, (Era Leitão prá lá, Gordo prá cá, empurrões e comentários maldosos...) já a
personagem Malu era a melhor aluna da turma, (As colegas não perdião a
oportunidade de incomodá-la: cê-dê-fê, cabelo de espoja de aço; arame farpado,
cabelo duro, seco e ridículo...), sempre encontravam uma forma de humilha-los e
excluílos. (MATINELLI, 2009, p.103)

3.2 Bullying

Assim sendo, por definição universal, bullying é um conjunto de atitudes agressivas,


intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, abordado por um ou
mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos,
intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações
injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de
outros alunos levando-os à exclusão, além de danos fisicos, morais e materiais.
(FANTE, 2011, p. 28)
.

Diante a indagação do autor FANTE, 2011, percebe-se que o bullying é uma conduta
violenta utilizada pela força física ou verbal, sobre pressão emocional degradante e
depreciativa de um agressor a uma pessoa ou mais. Este agressor possui conduta e mau
comportamento dentro ou fora do ambiente escolar e muitas vezes exercendo dupla
personalidade, escondendo sua agressividade por trás de uma personalidade pacífica. Muitos
destes precisam sentir-se ovacionados por outros durante seu ato, impondo-se como poderoso
da turma, liderando e conduzindo outros, para agir conforme sua vontade atingindo o alvo
escolhido. Acredita-se que o agressor tenha sido uma vitima agredida em seu histórico de
vida, utilizando-se de meios que possam compensar as angustias e violências sofridas no
passado, escolhendo vitimas potencialmente frágeis, não se dão conta de seus atos.
É de suma importância conhecer as atitudes de uma pessoa que pratica o bullying ou
que sofre as agressões, pois os alunos estão ingressando nas escolas cada vez mais cedo e os
profissionais da educação estão assumindo cada vez mais um papel fundamental na formação
dos alunos. Conhecer sobre o bullying, suas diversas faces e conseqüências pode auxiliar na
prevenção contra este tipo de violência dentro e fora da escola.

3.2.1 A Lei n. 2.621, de 04 de novembro de 2011


Preocupados com as incidências de casos de bullying que vem acontecendo nos
últimos tempos, em quatro de novembro de 2011, o Governo do Estado de Rondônia
sancionou uma lei que autoriza o Poder Executivo a instituir o programa de combate ao
bullying, de ação interdisciplinar e de participação comunitária, nas escolas da rede de ensino
público e particular do Estado de Rondônia.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE RONDÔNIA:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1º. Fica o Poder Executivo autorizado a instituir o Programa de Combate ao
bullying nas escolas da rede pública e particular do Estado de Rondônia.
Parágrafo único. As escolas públicas e particulares do Estado de Rondônia deverão
incluir em seu Projeto Político Pedagógico e no Regimento Interno ações de
conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar.

Art. 2º. Cria o Programa de Combate ao bullying na Rede de Ensino público e


particular do Estado de Rondônia.
I – o Programa de Combate ao bullying deverá ser elaborado e executado pela
Secretaria de Estado da Educação – SEDUC, através de Equipe Multidisciplinar,
criada especificamente para este fim; e
II – a Equipe Multidisciplinar será responsável pela execução e acompanhamento do
Programa, além da capacitação dos membros que fizerem parte da Equipe
Multidisciplinar de cada unidade de ensino.

Art. 3º. A violência física ou psicológica pode ser evidenciada em atos de


intimidação, humilhação e discriminação, entre os quais:
I – insultos pessoais;
II – comentários pejorativos;
III – ataques físicos;

Art. 4º. Entende-se por bullying a prática de atos de violência física ou psicológica,
de modo intencional e repetido, exercida por indivíduo (bully) ou grupo de
indivíduos, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidar, agredir, causar
dor, angústia ou humilhação à vítima.
§ 1º O bullying pode ser classificado de acordo com as ações praticadas:
I – verbal: apelidar, xingar, insultar, ofender, zombar;
II – emocional: excluir, difamar, disseminar rumores, caluniar;
III – física: chutar, bater, morder, beliscar, empurrar, espancar;
IV – racista: caçoar da cultura e costumes, comentários depreciativos relacionados à
cor da pele;
V – sexual: assediar, contato físico indesejado, ameaçar, induzir, coagir e/ou abusar;
VII – cyberbulling: criar comunidades, divulgar imagens, enviar mensagens, invadir
a privacidade para denegrir a pessoa, utilizando meios tecnológicos, expondo-o
sobre qualquer tipo de situação constrangedora.

Art. 5º. Para a implementação deste Programa, a unidade escolar criará uma equipe
multidisciplinar, com a participação de docentes, equipe técnica, alunos, pais e
pessoal de apoio, para promoção de atividades didáticas, informativas, de orientação
e prevenção. (DIÁRIO OFICIAL, ESTADO DE RONDÔNIA.)

3.2.2 Formas de Bullying


SILVA (2010, p.23-24) descreve critérios pejorativos das formas ou atitudes agressivas
e ofensivas dirigidas a um individuo ou grupo de pessoas como:
• VERBAL: Insultar, ofender, xingar, fazer gozações, colocar apelido pejorativo,
fazer piadas ofensivas, zoar.
• FÍSICO E MATERIAL: Bater, chutar, espancar, empurrar, ferir, beliscar, roubar,
furtar ou destruir os pertences da vítima, atirar objetos contra as vítimas.
• PSICOLÓGICA E MORAL: Irritar, humilhar, ridicularizar, excluir, isolar, ignorar,
desprezar, fazer pouco caso, discriminar, difamar, aterrorizar, ameaçar, chantagear,
intimidar, tiranizar, perseguir, dominar, passar bilhetes e desenhos entre os colegas de
caráter ofensivo, fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comuns entre as meninas).
• SEXUAL: Abusar, violentar, assediar, insinuar.

3.2.3 Vítimas de Bullying

São vitimas de bullying, pessoa(s) individual ou grupos definidos como diferente


a padronização perfeita de uma sociedade, com regras, pudores e comportamentos morais
adequado, designando-se como o parâmetro ideal de sociedade. Sendo escolhidas por seu(s)
agressor(s) por sua condição sexual, físicas, vestimenta, racial, étnico ou potencialmente
fragilizado. Enquadram-se como vítima(s) por diversos fatores como:

Vitima típica: São os alunos que apresentam pouca habilidade de socialização.


Normalmente são: mais frágeis fisicamente; são gordinhos (as) ou magros (as)/Altas
ou baixas demais; usam óculos e apresentam sardas ou manchas na pele deficientes
físicos usam roupas fora de moda; são de raças, credo, condição socioeconômica ou
orientação sexual diferentes... Em fim, qualquer coisa que fuja ao padrão imposto
por um determinado grupo.

Vitima provocadora: São aquelas capazes de insuflar em seus colegas reações


agressivas contra si mesmas. No entanto, não conseguem responder aos revides de
forma satisfatória. Elas, em geral, discutem ou brigam quando são atacadas ou
insultadas. Normalmente são: crianças ou adolescentes hiperativos e impulsivos ou
imaturos.

Vitima Agressora: A vítima agressora faz valer os velhos ditos populares “Bateu,
levou” ou “Tudo que vem te volta”. Ela reproduz os maus-tratos sofridos como
forma de compensação, ou seja, ela procura outra vitima ainda mais frágil e
vulnerável, e comete contra esta todas as agressões sofridas. (SILVA, 2010, p. 37)
3.2.4 Cyberbullying

“Conjunto de ameaças, coações, ou outros atos, de intimidação ou de humilhação


exercido de forma continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou mais vulnerável e
feito através da Internet.” (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).
Além de estar presente no dia a dia de milhares de estudantes cotidianamente, os
praticantes de bullying também encontram na internet um vasto campo de atuação. A
tecnologia utilizada por inúmeras pessoas como meio de pesquisa, trabalho e principalmente
lazer está sendo palco de diversos casos. Os sites de relacionamento são os locais preferidos
pelos agressores, pois atingem inúmeras vítimas ao mesmo tempo e propagam humilhação e
informações mentirosas para um número cada vez maior de usuários.
É preciso estar atentos com os acessos que as crianças e adolescentes têm na internet,
pois não se sabe ao certo quem está do outro lado e qual a influência está exercendo sobre
quem amamos. Como aponta Maldonado (2009, p. 96):

Se, por um lado, há o reconhecimento do grande valor dessa ferramenta, por outro
há riscos de uso excessivo, em detrimento de outras experiências de vida, e de
potencializar comportamentos violentos, como acontece no cyberbullying. O
trabalho conjunto entre famílias e escolas é essencial para criar uma cultura de não
tolerância à pratica do bullying e do cyberbullying, desenvolvendo uma rede
saudável de relacionamento em que fique claro para todos que “agressão não é
diversão”.

4. A ESCOLA NESSE CONTEXTO

O ambiente escolar esta sendo palco de atos violentos provocados por desrespeito
mútuo sobre os alunos e de aluno direcionado aos demais profissionais, tais como aos
professores e a outros integrantes da escola. É necessário modificar esta realidade o mais
rápido possível, pois a escola é um lugar para auxiliar na formação do cidadão consciente,
pensante e critico e preparado para viver em sociedade.

É necessário modificar não somente a organização escolar, os conteúdos


programáticos, os métodos de ensino e estudo, mas, sobretudo, a mentalidade da
educação formal. Essas mudanças devem redefinir papéis, funções e expectativas de
todas as partes envolvidas no contexto educacional. (SILVA, 2009, p. 63)
(Acreditamos que foram necessárias as mudanças que ocorreram até agora, pois antes os
alunos eram conduzidos a decorar e não podiam perguntar nada para o professor, pois este era
considerado o detector do saber, que estava em sala para transmitir conhecimento e o aluno
um mero receptor, outro ponto a se abordar é sobre os castigos severos contra os alunos, que
em alguns casos chegava a violência física dentre da sala de aula pelo próprio professor, que
antes era visto por todos como fato necessário, porém, percebe-se que algumas foram boas,
mas outras precisam ser revistas, pois só os profissionais da escola não poderão mediar os
conteúdos e educar, disciplinar, oferecer valores para os estudantes, é preciso uma parceria e a
participação de todos. Através da escola, a contribuição do poder público e família podemos
juntos trabalhar com projetos que contribuirão no combate a todos os problemas do bullying
que estão afetando a todos no ambiente escolar.

A violência dentro das escolas tornou-se uma problemática corriqueira, e tais atitudes
passam despercebidas diante as agressões verbalizadas como prenomes desagradáveis, bem
como pequenas ações violentas que fogem ao controle pacífico. As relações conflituosas entre
alunos exigem atenção se decorrentes. O papel da escola e dos profissionais é procurar os
fatores implicantes à atitude do bullying em seu contexto.

4.1 O Orientador Educacional

Segundo Grinspun (2003), o trabalho realizado pela Orientação Educacional se divide


em seis momentos distintos, datados e caracterizados.

1) Período implementador – 1920 a 1941, onde o orientador começa aparecer no cenário


educacional brasileiro timidamente associado à orientação profissional. Tendo como foco os
trabalhos de seleções e escolhas profissionais.

2) Período institucional – 1942 a 1960, considerado como o período que está subdividido em
funcional e instrumental, é onde ocorre toda a exigência legal da orientação nas escolas, que,
por meio do esforço do Ministério da Educação e Cultura buscou dinamizá-la, efetivar os
cursos que cuidavam da formação dos Orientadores Educacionais.

3) Período Transformador – 1961 a 1970 que traz consigo uma Orientação Educacional
caracterizada como educativa, começam a aparecer em eventos da classe, em congressos, e
ganha espaço nesse período as questões psicológicas. Tendo em seu bojo, um fazer de
orientação, de fora para dentro, a partir da dinâmica do grupo e das atividades que fomentava
conflitos dentro da escola.

4) Período Disciplinador – 1971 a 1980, onde a orientação estava sujeita à obrigatoriedade da


lei 5692/71 que determina, inclusive, o aconselhamento vocacional, ou seja, de vocação. Ao
mesmo tempo, a Orientação deveria trabalhar com o currículo da escola, levando os seus
orientadores a questionar a sua pratica pedagógica. Nesse cenário, as diretrizes indicavam
para uma visão sociológica e coletiva, ao contrario, os profissionais enquadravam-se em uma
visão psicológica. Grinspun (2003, p. 19), pondera que é nesse período que "desloca-se a
análise da escola, das relações internas desta instituição e da dinâmica do processo de ensino-
aprendizado, para compreender o que se passava no eixo social [...]." para então questionar o
fazer diário dos serviços de responsabilidade da escola.

5) Período Questionador - década de 80. Como o próprio nome já indica é neste período que
mais se questiona a Orientação Educacional, tanto em termos de formação de seus
profissionais, quanto da prática realizada, pois, o cenário dos anos 80 trouxe grandes
modificações que refletiu na educação e logo na forma de fazer orientação. Isso levou a ser
caracterizado como período onde se realizou muitos cursos de capacitação voltados para os
profissionais. Contudo, inicia –se o momento onde o orientador educacional se viu na
necessidade de "[...] participar do planejamento- não como benesse da orientação, mas sim
como um protagonista do processo educacional procurando discutir objetivos, procedimentos,
estratégias e critérios de avaliação [...]," com isso, trazer a realidade social do aluno para
dentro das ações da escola. De forma a pode refletir a ação do aluno, baseado na relação
escola e meio externo (sociedade). (GRINSPUN, 2003, p. 20)

6) Período Orientador – a partir de 1990, assim denominado este período, por acreditar que,
principalmente a partir de 1990, temos a "orientação" da Orientação Educacional pretendida.
Também caracterizada como uma prática a ser construída cotidianamente. E ainda, cogita-se
no sentido de saber se esse profissional subsistirá.

Atualmente o trabalho desenvolvido pela Orientação Educacional engloba o trabalho


diretamente com os alunos, seu compromisso é com a formação permanente dos educandos
no que diz respeito a valores, atitudes, emoções, sentimentos e suas relações pessoais, sociais
e escolares.
4.2 O Orientador Educacional e o trabalho preventivo nas escolas

O Orientador Educacional tem o papel de dar assistência ao aluno e a família,


identificando problemas existentes no comportamento e na aprendizagem dos alunos, e
encaminhar às instancias competentes com vistas à segurança e ao bem estar social.

“O Orientador Educacional deve buscar os subsídios, a fundamentação teórica


específica de sua área, bem como os conhecimentos necessários para entendimento
desse novo tempo que vivemos na sociedade e, portanto, na própria Educação”.
(GRINSPUN, 2010, p. 33)

O Orientador Educacional faz intervenções junto aos alunos com dificuldades de


aprendizagem, aos que apresentam comportamento atípico no convívio escolar, problemas na
relação com professor, com os colegas e até mesmo com a família, visando uma melhor
compreensão e auxílio para as dificuldades encontradas em sala de aula. Este profissional
analisa as fichas de queixas dos professores em relação ao aluno, nesta ficha contém:
dificuldades específicas de aprendizagem, não realização de tarefas, ou de outras atividades,
comportamentos prejudiciais ao rendimento escolar. Com essas informações o Orientador
Educacional realiza as medidas sócio-educativas necessárias. Antigamente este profissional
não era valorizado pelos pais ou mesmo pela equipe gestora, pois tinham um olhar sobre ele
como mais um cargo ocupado na educação, mas hoje este profissional é reconhecido por
todos pela sua dedicação e responsabilidade na intervenção junto aos problemas e aos déficits
dos alunos.
A análise dos comportamentos familiares e sociais que influenciam e desencadeiam as
dificuldades educativas que o aluno apresenta durante as aulas e também no seu convívio com
os demais, é de suma importância no trabalho do Orientador Educacional. Este profissional
lida diariamente com pessoas e essa atuação deve estar calcada em princípios éticos, por essa
razão a Federação Nacional dos Orientadores Educacionais redigiu e publicou em 1979 o
Código de Ética dos Orientadores Educacionais.
O presente Código de Ética tem por objetivo estabelecer normas de conduta
profissional para os Orientadores Educacionais. Somente pode intitular-se Orientador
Educacional e, nesta qualidade, exercer a profissão no Brasil, a pessoa legalmente habilitada,
nos termos da legislação em vigor.
5 CONHECENDO DE PERTO O TRABALHO DO ORIENTADOR
EDUCACIONAL

Para ilustrar o tema abordado teoricamente neste artigo, optou-se por realizar uma
pesquisa de campo com Orientadores Educacionais de três redes de ensino do Município de
Ji-Paraná, Municipal, Estadual e Particular, uma escola de cada segmento.
Durante a pesquisa de campo foram realizadas observações e entrevistas semi-
estruturadas com os Orientadores Educacionais a fim de conhecer as medidas preventivas de
combate à violência e ao bullying nas escolas.

6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS EM CAMPO

Vários fatores que podem desencadear o bullying nas escolas. Questão


econômica, “abandono dos pais” quando precisam trabalhar deixando seus filhos sem
qualquer controle em casa, falta de limites, atitudes agressivas ou violentas dentro da própria
família que normalmente são repetidas por aqueles que as vivenciam, falta de disciplina que é
muitas vezes confundida com livre arbítrio, falta de tolerância, a falta de informações dos
responsáveis, além disso, alguns profissionais que de certa forma descontam em sala de aula a
sua insatisfação.
Conforme os dados obtidos em campo, o melhor meio que a escola dispõe para
combater a violência é levar informação aos seus alunos e professores. Também a prática de
oficinas e terapias ocupacionais contribui positivamente, pois tira a criança e o adolescente da
ociosidade, além de propor uma educação para o trabalho e para o convívio social.

6.1 Analisando os dados coletados em campo

Na Escola Municipal o Orientador Educacional relata que em sua escola trabalha-se de


forma preventiva, com participação de palestrantes de diversas áreas para falar sobre as causa
e conseqüências do bullying, os alunos fazem leituras bibliográficas de autores que levantam
hipóteses sobre o tema, além de haver incentivo aos professores de cada turma para abordar o
assunto de forma dinâmica, buscando melhor compreensão dos alunos.
Na Escola Estadual o Orientador Educacional vê o bullying como uma ação comum
em todas as escolas e embora nos últimos tempos tenha se dado mais ênfase ao assunto, o
mesmo existe desde muito tempo, porém, ultimamente a agressividade e a violência estão
mais afloradas na escola. Ainda segundo o Orientador busca-se conversar com os alunos
envolvidos em atos violentos, tanto com o causador como com a vítima, dependendo da
gravidade, fazem encaminhamentos a outros profissionais ou órgãos competentes. Já houve
casos de bullying na nossa escola e nos casos mais graves, onde ocorre à agressão física,
convoca os responsáveis pelos alunos e orienta-se a fazer denúncia junto a autoridade policial,
além de punição interna. O trabalho de orientação na escola é desenvolvido com palestras,
trabalhos em grupo e individualizado, quando o caso requer. A escola trabalha sempre de
forma preventiva.
O Orientador Educacional da Escola Particular relata que frente ao indicio do
problema os envolvidos são orientados e conscientizados sobre as causas e consequências do
bullying, pois a escola trabalha sempre de forma preventiva. A escola convida palestrantes de
diversas áreas para abordar o assunto sobre o bullying envolvendo todos os alunos e
profissionais da escola. Este ano foi realizado um trabalho envolvendo os do 8º e 9º ano, com
leituras sobre o tema, onde os próprios alunos se prepararam para palestrar em outras turmas
da escola, o trabalho surtiu tanto efeito que foram apresentar o tema em uma escola próxima.
Diante dos dados recolhidos em campo, apesar de parecer uma prática recorrente na
escola, pode-se perceber que o bullying ainda é um fato difícil de ser abordado pelos
profissionais da educação. Em relação à agressão física há poucas informações, pois os
conflitos existentes são considerados fatos isolados. A maioria dos profissionais das escolas
relata que as agressões psicológicas são fatos existentes e que prejudica diretamente na
aprendizagem e no relacionamento do aluno, mas apesar disso não admitem existir bullying
em suas instituições. Embora os profissionais envolvidos na pesquisa relatem que não há
bullying em suas escolas, afirmam que frente a menor suspeita de casos de violência, a
medida preventiva é colocada em prática através de trabalhos, palestras, leituras e vídeo.
Decerto, a equipe gestora, juntamente com os demais profissionais que trabalham na
escola deve estar atenta e observar o comportamento do educando. Ao perceber qualquer tipo
de alteração no comportamento ou atitude do aluno dentro ou fora de sala de aula o professor
deve convocar uma reunião com a Orientadora Educacional para que possam observar este
estudante e buscar soluções. É preciso estar precavido tanto em relação a vitima, quanto ao
agressor, procurar descobrir quais as causas que levam o aluno a agir de determinada forma,
conversar com os familiares, vizinhos e colegas de classe para solucionar a situação da melhor
forma possível.
Em sala de aula é preciso aperfeiçoar o ambiente de amizade entre o docente e os alunos,
de forma que ao ocorrer qualquer problema o mesmo possa ser solucionado no mesmo
instante sem causar tumultuo, passando confiança e liberdade para que qualquer um consiga
relatar o acontecido e juntos busquem a melhor solução.
Para Melo (2011) é extremamente importante que toda a comunidade seja escolar,
jurídica e pública, se conscientize das causas da violência em que geram o bullying, pois as
vítimas, não somente sofrem agressão na escola, mas ficam passíveis a sofrê-las em outro
ambiente. Deve-se levar em conta as causas geradoras e levar em todo e a qualquer lugar
medidas de combate e prevenção ao bullying, buscar ajuda junto à sociedade civil e
organizada, as entidades filantrópicas e outros segmentos do Estado, a fim de abrir os portões
das escolas para a comunidade, voluntários, associações e órgãos públicos e juntos buscar
medidas eficazes no processo de sociabilização do problema, como forma preventiva a
alcançar soluções viáveis ao problema que cresce ao longo dos anos, assustadoramente, em
todo meio. Em certos casos tornam-se necessárias intervenções criminais especializadas pela
forma trágica em que o bullying se finda.

É a necessidade de envolver a comunidade para além dos muros da escola. As ações


de intimidação ou agressão que caracterizem o bullying também ocorrem fora da
escola: a caminho dela, nos meios de transportes para chegar até ela ou nos pontos
de encontro. (MELO, 2011, p. 61)

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bullying não pode ser tratado como uma ação comum nas escolas, pois nos últimos
tempos, há um aumento considerável em relação à agressividade e a violência dentro e fora
das instituições escolares, no entanto a escola deve trabalhar este tema de forma preventiva.
Levando em consideração as particularidades deste tema, pois cada caso é único e é preciso
saber identificar para saber conduzir.
Cabe ao Orientador Educacional trabalhar em conjunto com professores na observação
sagaz de possíveis casos que possam ocorrer dentro de sala de aula, pois não se pode dizer
que tudo é bullying. Às vezes os alunos colocam apelidos nos colegas por pura brincadeira e
muitas vezes o outro não se importa, por isso é importante o docente perceber se o estudante
que recebeu o apelido começou a mudar o comportamento e se este passou a se prejudicar no
ato da aprendizagem. Diagnosticando alterações comportamentais, o professor deverá
encaminhar o caso para a Orientação Educacional, para então dar inicio a um trabalho
individual com o educando.
Quando se percebe que existe uma incidência muito grande de brincadeiras, fofocas,
bilhetinhos, apelidos com um estudante em específico, o professor precisa fazer um trabalho
de conscientização, conversando com os demais alunos e orientado sobre o bullying suas
causas e consequências. Persistindo a perseguição o orientador Educacional deve convidar os
responsáveis de ambas às partes a comparecer na escola, comunicando o ocorrido e
procurando buscar soluções em conjunto.
Para desenvolver um bom trabalho nas escolas de prevenção ao bullying é preciso muito
estudo e pesquisas para saber amenizar e principalmente prevenir, buscando conhecer as leis e
penalidades que podem ser aplicadas, no trabalho da escola. Deve ser desenvolvido um
trabalho com medidas disciplinares, palestras com advogados, trabalhos em grupos e/ou
individuais quando o caso requerer, leituras e debates sobre o tema envolvendo todos os
participantes da vida escolar, gestores, professores, funcionários, alunos, pais e comunidade
em geral.
Decerto, não se pode esquecer que a escola é o espaço onde o aluno revela a educação
que recebe da família, do meio onde vive, do modelo que tem e daquilo que ela aprende.
Quando os alunos passam a conviver em conjunto, mesmo que por um período curto, suas
diferenças aparecem e então começam os conflitos. Frente a estas situações a escola, na figura
principal do Orientador Educacional, em conjunto com todos os seus profissionais, não pode
se omitir, pois a omissão frente à violência pode gerar marcar profundas em todos os
envolvidos. Pode se dizer que hoje o papel da escola não é apenas ensinar ou transmitir
conhecimentos, mas mediar às informações e as relações, formando o aluno para exercer sua
verdadeira cidadania.

“O bullying é como a maldade do mundo, se enraíza e se fortalece no


desconhecimento, na minimização do problema, na confusão com a brincadeira
sadia e alegre da infância ou na brincadeira de afirmação pessoal no adolescente,
mas, sobretudo, sai vitorioso na omissão. Na omissão de quem precisa, mas não quer
conhecer, na omisso de quem conhece, mas não quer se envolver, na omissão de
quem está envolvido como espectador, mas não quer se posicionar contra a maldade.
Omissão é fingir não ver, não acolher no sofrimento, não apoiar na denúncia, não
ajudar quando mais se necessita. Omissão também é negação, não participação, dar
as costas, não chegar próximo, não se comprometer. Omissão é não querer. Omissão
é negar a vida.” (MELO, 2010, p.65)
REFERÊNCIAS

AMORA, Antônio Soares, 1917-1999. Minidicionário Soares Amora da língua portuguesa/


Antônio Soares Amora – 19ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2009, p. 538

DIÁRIO OFICIAL ESTADO DE RONDÔNIA. Disponível em:


http://www.diof.ro.gov.br/doe/doe_04_11_11.pdf. Acesso em 10 nov. 2011.

FANTE, Cleo. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas educar para a paz.
6 ed - Capinas –SP: Verus, 201, p. 28-157-162

GRINSPUN, Mirian P. S. Z. A orientação educacional: conflito de paradigmas e alternativas


para a escola-4 ed. – São Paulo: Cortez, 2010. p. 20-33

MALDONADO, Maria Tereza. A face oculta: uma história de bullying e cyberbullying-1.


ed.São Paulo: Saraiva, 2009, p. 96

MATINELLI, Tânia Alexandre. Perseguição – 1 ed. Saraiva, São Paulo, 2009, p.103

MELO, Josevaldo Araújo de. Bullying na escola: como identificá-lo, como preveni-lo, como
combatê-lo-3 ed. – Recife: EDUPE, 2010, p 61-65

PIBERAM. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=cyberbullying


Acesso em: 08 nov. 2011.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Bullying: mentes perigosas nas escolas - Rio de Janeiro:
Objetiva, 2010, p. 23-24-37