You are on page 1of 216

Relatório de Estágio Profissional em Treino Desportivo

Equipas de Minis e Infantis Masculinos de Andebol do


Académico Futebol Clube

Relatório Profissional apresentado à


Faculdade da Universidade do Porto, com
vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos
conducente ao grau de Mestre em Desporto
para Crianças e Jovens (2º do Decreto-Lei nº
74/2006, de 24 de Março, alterado pelo Decreto-
Lei nº 107/2008, de 25 de Junho, e pelo Decreto-
Lei nº 230/2009, de 14 de Setembro).

Orientador: Professora Doutora Maria Luísa Dias Estriga

Ricardo Veiga Marques


Porto, 2014
Ficha de Catalogação
Marques, R. (2014) Relatório de Estágio Profissional em Treino Desportivo.
Equipas de Minis e Infantis Masculinos do Académico Futebol Clube. Porto: R.
Marques. Relatório Profissional com vista à obtenção do grau de Mestre em
Desporto para Crianças e Jovens apresentado à Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto.

Palavras-Chave: Andebol, Desporto para Crianças e Jovens, Relatório de


Estágio, Formação, Treino.

II
Agradecimentos

A realização de um trabalho desta natureza não seria possível se para


tal não existir o apoio, o incentivo e também a colaboração de inúmeras
pessoas e distintas instituições, pelo que reconhecer a importância e o valor
que tiveram se torna vital que lhes seja feita devida justiça. Desta forma,
expresso o meu total e sincero agradecimento:

À Professora Doutora Luísa Estriga, pela permanente disponibilidade e


empenho (mesmo com uma agenda de trabalho completamente preenchida),
pelo seu sentido crítico, pelos conselhos, pelas correções e sugestões
efetuadas.

Ao Mestre José Ireneu Mirão Alves Moreira, pela sua disponibilidade,


pelos conselhos e sugestões.

Ao Académico Futebol Clube, em particular à secção de Andebol por


todo o apoio prestado durante a realização deste estágio.

Aos atletas e seus pais pela sua disponibilidade, pelas presenças


assíduas nos treinos e nos jogos, pela preocupação e confiança que
depositaram em mim. Sem dúvida que me ajudaram a crescer e a tornar-me
num melhor profissional e numa melhor pessoa.

Aos meus professores que me apresentaram as bases da minha


profissão, instigando-me a ser melhor.

À minha “segunda”, que na verdade é a primeira família. Por me


ajudaram a superar todas as fases menos positivas e me darem alento e
motivação para continuar e nunca desistir. Em particular aos meus “sogros” por
me darem abrigo, por me fazerem sentir como parte da família e estarem
sempre preocupados com o meu bem-estar.

A todos os meus cunhados, mas em especial destaque para o Sérgio e


Carla, por acreditarem, por confiarem e por verem em mim o potencial e a

III
vontade em concluir este meu percurso académico, cedendo-me parte das
suas poupanças.

Aos meus sobrinhos, pela alegria contagiante, pelo amor, pelos sorrisos,
pelos abraços, pelas brincadeiras e por todos os momentos únicos e
inesquecíveis que me deram.

Finalmente a ti, meu pilar, minha cara metade, meu porto de abrigo. Por
todos os momentos em que estiveste ao meu lado, pela tua força, pela tua
ajuda e sobretudo pelo teu amor incondicional. Obrigado por fazeres de mim
uma melhor pessoa e sobretudo uma pessoa feliz e absolutamente
apaixonada. Sem ti nada disto seria possível. Amo-te!

IV
Índice Geral

Agradecimentos ................................................................................................ III


Índice Geral ........................................................................................................ V

Índice de Figuras ............................................................................................. VIII

Índice de Gráficos ........................................................................................... VIX

Índice de Quadros ............................................................................................. XI

Índice de Tabelas ............................................................................................. XII

Índice de Anexos ............................................................................................. XIII

Resumo ........................................................................................................... XIV

Abstract ........................................................................................................... XVI

I. Introdução................................................................................................ 3

II. Revisão de Literatura............................................................................... 7

2.1. O Desporto de Formação ................................................................... 7

2.2. O Treinador de andebol na Formação ............................................... 9

2.3. Programação, Periodização e Planificação Anual ............................ 12

2.4. Modelo de Jogo ................................................................................ 15

2.4.1. Processo Ofensivo ...................................................................... 18

2.4.2. Processo Defensivo .................................................................... 20

2.5. O Treino ........................................................................................... 24

III. Enquadramento Biográfico .................................................................... 31

3.1. De onde venho? Quem sou? Para onde vou? ................................. 31

IV. Estágio Profissionalizante...................................................................... 37

4.1. Pertinência ....................................................................................... 37

4.2. Objetivos .......................................................................................... 38

4.3. Estrutura........................................................................................... 38

V
V. Enquadramento da Prática Profissional................................................. 43

5.1. Contexto Legal e Institucional .......................................................... 43

5.2. Caracterização da Instituição de Acolhimento ................................. 45

5.2.1. Breve Enquadramento Histórico ................................................. 45

5.2.2. Estrutura Física ........................................................................... 47

5.3. Secção de andebol........................................................................... 48

5.3.1. Recursos Humanos e Financeiros .............................................. 49

5.3.2. Objetivos da formação ................................................................ 51

VI. Equipa de Infantis .................................................................................. 57

6.1. Modelo de jogo ................................................................................. 57

6.1.1. Processo Ofensivo ...................................................................... 58

6.1.2. Processo Ofensivo ...................................................................... 62

6.2. Objetivos .......................................................................................... 67

6.3. Programação, Periodização e Planificação Anual ............................ 75

6.4. O Treino ........................................................................................... 77

6.4.1. Sessões e Processo.................................................................... 77

6.5. Resultados e Avaliação de Desempenho ......................................... 80

6.5.1. Calendário Competitivo ............................................................... 80

6.5.2. Avaliação Sumativa Trimestral (Treino e Jogo) ........................... 87

6.5.2.1. Equipa .............................................................................. 89

6.5.2.2. Atleta ................................................................................ 92

VII. Equipa de Minis ................................................................................... 103

7.1. Modelo de jogo ............................................................................... 103

7.2. Objetivos ........................................................................................ 105

7.3. Programação, Periodização e Planificação Anual .......................... 109

7.4. O Treino ......................................................................................... 111

VI
7.4.1. Sessões e Processo.................................................................. 113

7.5. Resultados e Avaliação de Desempenho ....................................... 115

7.5.1. Calendário Competitivo ............................................................. 115

7.5.2. Avaliação Sumativa Trimestral (Treino e Jogo) ......................... 120

7.5.2.1. Equipa............................................................................... 120

7.5.2.2. Atleta .............................................................................. 124

VIII. Exemplos práticos de exercícios transversais aos dois escalões ........ 135

8.1. Exercícios ....................................................................................... 135

8.1.1. Conteúdos táticos ofensivos ..................................................... 135

8.1.2. Conteúdos táticos defensivos ................................................... 137

8.2. Exercícios tipo segundo os objetivos pretendidos .......................... 139

IX. Conclusões e Sugestões ..................................................................... 145

X. Bibliografia ........................................................................................... 151

Anexos ......................................................................................................... XXVI

VII
Índice de Figuras

Figura 1. Primeiro exercicio tipo para a parte fundamental do treino. ............ 139
Figura 2. Segundo exercício tipo para a parte fundamental do treino. ........... 140
Figura 3. Terceiro exercício tipo para a parte fundamental do treino. ............ 141
Figura 4. Quarto exercício tipo para a parte fundamental do treino. .............. 142

IX
Índice de Gráficos
Gráfico 1. Evolução do desempenho da equipa ao longo da época desportiva.
......................................................................................................................... 90
Gráfico 2. Diferença entre golos marcados e sofridos ao longo da época
desportiva dos infantis. ..................................................................................... 91
Gráfico 3. Resultados globais de derrotas, empates e vitórias......................... 92
Gráfico 4, Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da
tomada de decisão sem bola............................................................................ 94
Gráfico 5. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da
tomada de decisão com bola............................................................................ 95
Gráfico 6. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da
recepção........................................................................................................... 96
Gráfico 7. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do
passe. ............................................................................................................... 96
Gráfico 8. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do
drible. ............................................................................................................... 96
Gráfico 9. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do
remate. ............................................................................................................. 97
Gráfico 10. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da finalização. .................................................................................................. 97
Gráfico 11. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do duelo individual............................................................................................ 98
Gráfico 12. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
interceção. ........................................................................................................ 99
Gráfico 13. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do desarme. ..................................................................................................... 99
Gráfico 14. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do contato adversário. ...................................................................................... 99
Gráfico 15. Avaliação da evolução do desempenho de equipa. ..................... 122
Gráfico 16. Diferença entre golos marcados e sofridos ao longo da época
desportiva dos minis. ...................................................................................... 123

XI
Gráfico 17. Avaliação dos resultados globais das vitórias, derrotas e empates.
....................................................................................................................... 124
Gráfico 18. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da tomada de decisão s/bola.......................................................................... 126
Gráfico 19. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da tomada de decisão com bola..................................................................... 126
Gráfico 20. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da receção...................................................................................................... 127
Gráfico 21. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do passe. ........................................................................................................ 128
Gráfico 22. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do drible.......................................................................................................... 128
Gráfico 23. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do remate. ...................................................................................................... 128
Gráfico 24. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da finalização. ................................................................................................ 129
Gráfico 25. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do duelo individual.......................................................................................... 129
Gráfico 26. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do desarme. ................................................................................................... 130
Gráfico 27. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
do contato adversário. .................................................................................... 130
Gráfico 28. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade
da interceção. ................................................................................................. 131

XII
Índice de Quadros

Quadro 1. Ações da 1ª linha defensiva para determinado posto específico. .... 64


Quadro 2. Ações da 2ª linha defensiva para determinado posto específico. .... 65
Quadro 3. Erros e limitações nos processos ofensivos e defensivos do escalão
de infantis masculinos. ..................................................................................... 68
Quadro 4. Período de treino semanal dos Infantis Masculinos. ....................... 79
Quadro 5. Calendário da 1ª Onda – Série A Campeonato Nacional Infantis
Masculinos. ...................................................................................................... 81
Quadro 6. Calendário da 2ª Onda – Série B Campeonato Nacional Infantis
Masculinos. ...................................................................................................... 83
Quadro 7. Calendário da 3ª Onda – Série C Campeonato Nacional Infantis
Masculinos. ...................................................................................................... 84
Quadro 8. Calendário da 4ª Onda – Série B Campeonato Nacional Infantis
Masculinos. ...................................................................................................... 86
Quadro 9. Quadro 15. Erros e limitações dos minis masculinos nos processos
ofensivos e defensivos. .................................................................................. 107
Quadro 10. Sessões semanais dos treinos dos minis masculinos. ................ 114
Quadro 11. Calendário da Competição PR 02 Torneio de Minis AAP
Masculinos. .................................................................................................... 115
Quadro 12. Calendário da Competição Fase PR 08 Prova Regional Minis
Masculinos - Andebol 7. ................................................................................. 118
Quadro 13. Calendário da Competição Fase PR 08 Prova Regional Minis
Masculinos - Serie B. ..................................................................................... 119

XIII
Índice de Tabelas

Tabela 1. Atletas do Académico Futebol Clube para a época 2013/2014. ....... 48


Tabela 2. Recursos Humanos do Académico Futebol Clube. .......................... 49

XV
Índice de Anexos

Anexo I – Regulamento Provas Infantis e Minis Masculinos Época 2013/2014


...................................................................................................................... XVIII

Anexo II – Avaliações trimestrais infantis masculinos .................................. XXIII

Anexo III – Avaliações trimestrais minis masculinos .................................... XXVI

Anexo IV – Planeamento anual infantis masculinos ..................................... XXIX

Anexo V – Planeamento anual minis masculinos ........................................ XXXII

Anexo VI –Torneios de infantis masculinos ................................................. XXXV

Anexo VII – Torneios de minis masculinos ................................................... XXIX

XVII
Resumo

Este trabalho pretende ser, acima de tudo, um exercício de reflexão


conceptual fundamentado em metodologias de treino integrais, norteadas para
a formação na modalidade específica de andebol, juntamente com os
conhecimentos adquiridos no decorrer da minha formação académica. Desta
forma, serão exploradas as vivências deste estágio, bem como os objetivos
definidos e metas alcançadas dentro de um clima de resolução de problemas,
superação de dificuldades e do delineamento de estratégias de resolução dos
problemas, construtoras da minha formação enquanto treinador.

O Estágio de Formação em Exercício na Faculdade de Desporto da


Universidade do Porto, enquadra-se dentro do modelo reflexivo da formação de
treinadores, que visa não apenas o desenvolvimento profissional, mas também
o desenvolvimento pessoal do estagiário. Deste modo, a reflexão foi assumida
como uma ferramenta fundamental e indispensável para dar sentido ao
desenvolvimento e melhoria da profissão de treinador. Este estágio foi
realizado no Académico Futebol Clube, clube centenário do Porto,
desempenhando funções de treinador nos escalões de Minis e Infantis
Masculinos de Andebol.

O presente relatório encontra-se estruturado em distintos capítulos, que


vão desde a revisão de literatura, passam pelo enquadramento biográfico e
pelo enquadramento da prática profissional e sua realização, até à conclusão e
sugestão final e sua síntese.

Em suma, considero que este ano se afigurou como uma das


experiências mais marcantes da minha formação, pois capacitou-me de um
enorme desenvolvimento das minhas competências profissionais, pessoais e
sociais, permitindo-me compreender a verdadeira essência de um treinador e
crescer como tal.

Palavras-Chave: Andebol; Desporto para Crianças e Jovens; Estágio


Profissional; Formação; Treino.

XIX
XX
Abstract

This work intends to be, above all, an exercise of conceptual reflection


based on integral training methodologies, guided for a specific type of formation
in handball, along with the knowledge acquired throughout my academic
training. Thereby, the experiences explored in this internship as well as the
goals set and targets achieved within an environment of problem solving,
overcoming difficulties and outlining strategies to overcome, crucial to my
preparation as a coach.
The Internship done at the Sport college of the University of Porto, fits
within the reflective model of training of trainers, which is focused not only in the
professional development but also in the personal development of the trainee.
Thereby, the reflection was assumed as fundamental and essential to give
meaning to the development and improvement of the coaching career. My
internship was conducted at Académico Futebol Clube, an centenary team from
Oporto, my role was coaching Handball to different groups of male children from
9 to 12 years old.
This report is structured in different chapters, going from literature review,
through the biographical framework and the framework of professional practice
and its implementation, the conclusion, final suggestions and its synthesis.
Overall, I consider that this year appeared as one of the most remarkable
experiences of my academic path, because it has allowed me to achieve an
huge personal, professional and social improvement, allowing me to understand
the true essence of a coach and grow as such.

Key-Words: Handball; Children and young people sport; Internship;


Coaching;Training.

XXI
Introdução
I. Introdução

O andebol é uma modalidade desportiva que integra o grupo de Jogos


Desportivos Coletivos, apresentando caraterísticas exclusivas, como é o caso
da cooperação-oposição, da disputa persistente pela posse de bola e também
pelo facto de ser uma modalidade dependente de um agente obrigatório, o
tempo.

Esta é uma modalidade ajuizada como sendo de caráter “aberto”, visto


estar dependente da imprevisibilidade e aleatoriedade, no que diz respeito às
situações de jogo e ao resultado final. Assumindo o contexto de variabilidade e
riqueza nas soluções táticas e nas suas ações técnicas, caraterísticas centrais
do jogo de andebol, importa implementar no treino vários fatores fundamentais
para uma formação adequada de jovens jogadores. Estes fatores
exponenciarão situações decorrentes do jogo, através de uma prática centrada
na tomada de decisão, na inteligência tática e na leitura de jogo nas situações
de treino.

A importância atribuída à tomada de decisão nos desportos coletivos é


frequentemente referenciada na literatura (e.g., Garganta, 1997; Adelino,
2000), particularmente no caso da modalidade de andebol (e.g., Cuesta, 2002;
Ribeiro e Volossovitch, 2004; Fonseca, 2005). No entanto, e com base na
literatura consultada, fica evidente a escassez de modelos de formação para
jovens jogadores desta modalidade com adequado suporte conceptual e
prático. Isto é, modelos com uma estrutura coerente, lógica, alicerçado em
fundamentações metodológicas, pedagógicas e biológicas inexoráveis ou, até
mesmo, no que diz respeito à aprendizagem e desenvolvimento das
competências técnicas e/ou prática.

Torna-se fundamental destacar que as regras de jogo sofreram algumas


alterações, provocando modificações pronunciadas no discernimento que é
atribuído à tática do jogo (Seco, 2006; Silva, 2008). Estas alterações surgiram
como forma de transformar esta modalidade num jogo mais apelativo para os
seus espectadores (Seco, 2006), aumentando a velocidade do jogo. Não

3
obstante, e apesar de alguns autores e técnicos terem uma opinião consensual
de que o jogo é hoje mais rápido, não existem dados objetivos que comprovem
estas mudanças (Seco, 2006; Aagaard, 2007; Pokrajac, 2008).

Na opinião de alguns autores (Seco, 2006; Silva, J., 2008) este aumento
da velocidade de jogo trouxe alguns inconvenientes, produzindo erros na
tomada de decisão (jogadores viram-se forçados a decidir e executar com
maior rapidez, dentro de contextos mais aleatórios e prolongados).

A árdua incumbência de formar jovens jogadores apoiada nas


exigências e constrangimentos dos modelos de jogo mais evoluídos, exige uma
maior e melhor acessibilidade a documentos orientadores específicos de como
educar, formar, jovens jogadores de sucesso. A conceção, planificação e
concretização do processo de treino na formação, aliada à orientação da
competição, articula-se na responsabilidade do estagiário e no compromisso de
autonomia. Estes assentaram numa base de conhecimento teórico adquirido no
decorrer da formação académica, aliado aos objetivos e modelo de formação
do clube de acolhimento.

Esta experiência tornou-se, acima de tudo, num exercício de reflexão


conceptual fundamentada em metodologias de treino integrais, por sua vez
norteadas para uma formação em Jogos Desportivos Coletivos, juntamente
com os conhecimentos adquiridos no decorrer da formação académica.

O cargo de treinador distingue-se em categorias plurais (Buceta, 2001).


No caso particular, o treinador de base obtém este desígnio caso esteja a
desenvolver a sua prática profissional numa etapa de iniciação desportiva ou
numa fase de aprendizagem e posterior aperfeiçoamento. Este estágio foi
baseado neste mesmo contexto de etapa de iniciação desportiva, com singular
ênfase na formação de minis e infantis masculinos.

4
Revisão de Literatura
II. Revisão de Literatura

2.1. O desporto de formação

O crescente valor que tem vindo a ser importado pela prática desportiva,
em união com o exponencial aumento do quadro competitivo, por sua vez,
crescente em especialização, tem-se evidenciado como sendo determinante
para uma preparação de jovens desportistas (Silva et al., 2001). Contudo,
embora seja inequívoco que a prática desportiva contribui para um
desenvolvimento físico, bem como psicossocial do ser humano, a
especificidade que o treino tem nos mais jovens, de acordo com o mesmo
autor, confere-lhe “nuances” que o distinguem claramente do treino com os
adultos.

Acresce que, e tal como refere Ferreira (1999), para se ser capaz de
treinar jovens é necessário conhecer minuciosamente as modificações que
ocorrem no decorrer do seu crescimento e desenvolvimento maturacional.
Neste sentido, Ferreira (1999) monitorizou cerca de 720 crianças (através
questionário de Baecke), tendo observado que uma criança (idade
compreendida entre os 10 e os 12 anos), possuía uma carga física mais
acentuada de atividade física (praticada diariamente) dentro de um ambiente
não orientado, ao invés de uma outra criança que produzia uma carga física de
uma hora a uma hora e meia num treino formal. Este resultado intrigou o autor
e levou-o a questionar-se se o aumento da performance está mais dependente
das atividades formais ou informais de treino.

Em pleno acordo com estas dúvidas colocadas face à prática desportiva


orientada, Bompa (1999) encontra uma resposta referindo que a prática
desportiva pode surtir efeitos favoráveis para cada grupo etário, desde que seja
devidamente orientada para a sua propensão biológica, e define-as do seguinte
modo: i) o período contemplado entre os 6 e os 9 anos de idade, é o período
considerado ótimo para que ocorra uma aquisição de habilidades motoras que
servem como propiciadoras de um conhecimento consciente do próprio corpo,
bem como das suas capacidades e potencialidades; ii) entre os 10 e os 12
anos de idade, é mais acentuado o grau de habilidades corporais, exigência da

7
técnica que a maioria das modalidades desportivas assume; iii) só a partir dos
13 anos é que se deve iniciar uma especialização pela modalidade em causa.

Não obstante, Bompa (1999) assume que uma especialização precoce


pode contribuir para que o jovem atleta adquira graves problemas de
adaptação, bem como de superação dos seus insucessos e frustrações ao
nível desportivo em idades posteriores. Assim, o autor refere que esta
especialização deve ocorrer apenas e só no exato momento em que a criança
se encontra física e psicologicamente preparada e assume claramente, e com
convicção, de que tenciona especializar-se na modalidade.

A importância da formação do treinador é referenciada por Mesquita


(2009, p. 5), com a seguinte afirmação: “treinar deve ser entendido como o
processo intencional e deliberado de fazer aprender e desenvolver
capacidades, ou seja, como um conjunto de ações organizadas, dirigidas à
finalidade específica de promover intencionalmente a aprendizagem, com os
meios adequados à natureza dessa aprendizagem. Neste contexto, o treinador
deve ser visto como o profissional que tem a função específica de conduzir
esse processo, o treino desportivo, fazendo-o no quadro de um conjunto de
saberes próprios, saberes esses que sustentam a capacidade de desempenho
profissional. As funções do treinador definem-se, assim, com base num
conjunto de competências resultantes da mobilização, produção e uso de
diversos saberes pertinentes (científicos, pedagógicos, organizacionais,
teórico-práticos, etc.), organizados e integrados adequadamente, em função da
complexidade da ação concreta, a desenvolver em cada situação de prática
profissional. ”
Face a esta complexidade proferida pelo autor acima referido,
mencionados no que concerne às exigências particulares do desporto de
formação, irrompe a grande discussão sobre a importância que deve ser dada
ao treinador destas crianças e jovens, assim sendo, torna-se fundamental que
se trate com seriedade o papel do treinador nos escalões de formação.

8
2.2. O Treinador de andebol na Formação

Descortinar um modelo de formação com estrutura e fundamentação nas


conceções metodológicas, pedagógicas ou na experiência prática de terreno
dos jovens jogadores de andebol, mostrou-se ser uma tarefa de certa forma
utópica. Este facto suscitou uma enorme perplexidade visto entender que é no
modelo de jogo e nos jogadores que atingem o mais alto nível de
desempenho/competência que nos devemos focar, pois devem ser, sem
dissidências, merecedores de reflexão por parte dos treinadores para que
tenhamos uma referência da preparação desportiva de excelência a longo
prazo.

As regras de andebol foram alvo de novas alterações que, embora


ligeiras, mudaram o rumo do jogo nos últimos anos, especialmente no que diz
respeito às interpretações táticas do jogo (Seco, 2006; Silva, 2008). Esta
mudança esteve intimamente ligada a um aumento exponencial da velocidade
de jogo, com a ambição de tornar mais atrativo, para que desta forma, angarie
novos espectadores para a modalidade (Seco, 2006). Estas novas regras
foram as impulsionadoras de um estilo de jogo mais rápido (Seco, 2006;
Aagaard, 2007; Pokrajac, 2008), que consequentemente incitou a um natural
aumento dos erros na tomada de decisão por parte dos jogadores, uma vez
que foi necessário decidir e executar com maior velocidade e em maior número
num contexto mais aleatório no decorrer do jogo.

O cargo de treinador distingue-se em categorias plurais (Buceta, 2000).


No caso particular, o treinador de base obtém este desígnio caso esteja a
desenvolver a sua prática profissional numa etapa de iniciação desportiva ou
numa fase de aprendizagem e posterior aperfeiçoamento. Este estágio foi
baseado neste mesmo contexto subsequente da condição de iniciação
desportiva, com singular ênfase na formação de minis e infantis masculinos.

O treino com crianças e jovens afigura-se como uma eminente


oportunidade para os inspirar e induzir de forma positiva, nas suas vidas
futuras. Este facto mostra-se ser de imperativa importância para que o
treinador possua a capacidade de se manter em constante desassossego e

9
consequente evolução no que diz respeito aos processos de ensino e
aprendizagem das crianças, e as vislumbre, desta forma, como únicas e
individuais no desenvolvimento das suas capacidades desportivas.

O papel de treinador de formação estabelece-se como sendo de


responsabilidade colossal e de persistente desafio. De acordo com Buceta
(2000), o treinador agrupa caraterísticas próprias, sendo elas: a) motivar os
seus jovens atletas para uma prática desportiva regular; b) ser um padrão de
caráter social; c) ter capacidade para desenvolver o potencial dos seus jovens
atletas na modalidade de eleição.

Diversos estudos têm vindo a expressar que as ações mais positivas da


ação dos treinadores, associam-se tendencialmente de modo irrefutável com a
satisfação pessoal e desportiva dos atletas, bem como com o contentamento
com a liderança transmitida pelos mesmos (Dwyer e Fischer, 1990;
Schliesman, Beitel e DeSensi,1994).

De acordo com Gilbert e Trudel (2001), o conhecimento adquirido pelo


treinador abrange aptidões distintas: i) o conhecimento científico alcançado no
decorrer da sua formação académica, bem como da sua própria investigação;
ii) o chamado conhecimento prático, ou conhecimento tático resultante da sua
experiência prática de treino acumulada; e por fim iii) o conhecimento
decorrente da prática desportiva como ex atleta.

Por sua vez, Côté (2009), por via de uma análise profunda, refere que
esse conhecimento é assente em três pilares: i) o conhecimento profissional,
que deriva da sua formação curricular, conhecimento pedagógico adquirido e
também da atividade específica; ii) o conhecimento interpessoal assente pela
relação que consegue estabelecer com os seus atletas e, finalmente; iii) o
conhecimento intrapessoal, ou seja, a sua própria auto reflexão fundada numa
ética deontológica, bem como da sua condição perante a vida.

Em forma de conclusão, Antón el al. (2000) sugerem que para impedir


que se continuem a cometer erros de forma constante e possivelmente
irreversível para as crianças e os jovens, é fundamental que o treinador de

10
andebol mantenha uma formação de conhecimentos constantemente
atualizada para desta forma ser capaz de desempenhar a árdua tarefa de
ensinar.

11
2.3. Programação, Periodização e Planificação Anual

A evolução dos desportos coletivos depende naturalmente da exigência


de jogadores com potencial elevado, mas a sua dependência assenta-se
também na intervenção do treinador pela sua capacidade de liderança,
planeamento e programação do processo de treino desportivo, com uma
exigência cada vez mais pronunciada.

Orientar, conduzir e controlar o processo de treino de uma equipa de


andebol é competência primordial do treinador. Estas tarefas colocam-no numa
constante e tremenda pressão, uma vez que terá de pôr em alternativa e ser
capaz de evitar que diversos fatores, alheios às suas ambições e à sua
disponibilidade, o controlem ou o conduzam a uma panóplia de problemas
incontroláveis.

Com a ambição de alcançar um nível óptimo de rendimento desportivo


por parte da sua equipa, o treinador e a sua equipa técnica deparam-se com
uma vital necessidade em criar as condições inerentes, sejam elas referentes à
qualidade ou à quantidade, para que tal nível seja alcançado.

A programação, avocada como um ajustamento do planeamento às


condições reais, requer uma fundação de modelos relativos aos aspetos
díspares do processo. Para que seja considerada eficaz é imperativo que
consiga satisfazer condições como: o reconhecimento da adaptação enquanto
processo biológico indutor do treino; o domínio do potencial de treino, dos
exercícios e dos métodos complexos (Satori e Tshiene, 1988).

Atualmente, um número preponderante de desportos vê a sua época


desportiva a ser dividida em diferentes períodos e ciclos, tendo por objetivo a
obtenção de um elevado rendimento, por intermédio de uma preparação
sistemática (Freitas, 1999). Dessa inevitabilidade de organizar o processo de
treino em ciclos, fases e períodos, eclodiu o termo periodização.

Periodizar significa, assim, conceber metas temporais sintéticas que


possibilitem aos treinadores, estruturar objetivamente o treino em cada
momento da preparação desportiva (Marques, 1993). Acresce, ainda, afirmar

12
que a periodização é tida como um instrumento axiomático na organização do
treino e da qual se subordina o controlo do desenvolvimento da capacidade de
prestação desportiva (Freitas, 1999).

No desporto de alto rendimento, a periodização é formalizada com base


nos momentos ou fases da competição, nos quais se intenta obter o
rendimento mais elevado, numa efémera estima pelas leis biológicas e
fisiológicas associadas ao exercício físico (Marques, 1993). O autor alerta
ainda que no Desporto para Crianças e Jovens as competições são igualmente
relevantes, sem que, entrementes, isso seja análogo para que a preparação
seja arbitrada pela necessidade de nelas obter o melhor rendimento.

A imposição para que se crie uma visão clara e objetiva acerca do futuro
acarreta necessariamente a existência de um processo de planeamento,
minimamente formalizado, para o caminho a que se aspira e que será
definitivamente antagonista (e mais benéfico) daquele que surgiria caso o
planeamento não tivesse ocorrência (Pires, 2005). Por conseguinte, os
resultados desportivos devem fundamentalmente ser arquitetados com base
num trabalho condignamente pensado e planeado, em função dos objetivos
definidos de antemão (Garganta, 1991; 2003), com a pretensão de reduzir à
mínima expressão os fatores que nos encaminham para uma incerteza
aumentada sobre o resultado (Garganta, 2003).

Segundo Freitas (1999), a planificação é assumida como um processo


edificado de auxílio à organização, coordenação e concretização dos objetivos
estipulados, com princípio nos conhecimentos atuais sobre o treino desportivo,
a modalidade em questão e os atletas visados, concedendo assim o controlo e
orientação de todo o seu processo, bem como os resultados desportivos.
Mesquita (1997) frisa que planear compreende uma delimitação antecipada
sobre aquilo que se pretende realizar, de que forma e por quem.

O planeamento assume um papel preponderante e necessário como


auxiliador e facilitador do trabalho do treinador (Teodorescu, 1984), sendo

13
assim estabelecido como categórico em toda a organização do processo de
treino (Silva, 1988).

Planificar assume-me como sendo um papel de extrema complexidade,


visto depender da versatilidade de fatores implícitos e pelo número e
caraterísticas dos atletas e técnicos enredados na competição (Calvo, 1998).
Deste modo, o mesmo autor, salienta que a imposição de uma flexibilidade e
adaptabilidade às distintas situações deve ser parte integrante de uma
planificação.

O exercício de planear não pode ser entendido como uma atividade


difusa e demasiado expansiva, deve sim, ser executado numa prática
constante e regular. Pires (2005) foca que o processo de planeamento que
consequentemente desencadear-se-á no plano em si, é um processo de
reajustamentos incessantes e deve ser edificado de forma diária,
impreterivelmente. Garganta (1991) relata que para ocorrer uma corporização
exequível do planeamento, é fulcral que o mesmo não se restrinja a uma
inalterabilidade e imutabilidade, mas sim que se permita adaptar, alterar e
reformular.

Aos olhos de Castelo (2003), a planificação assume um papel de


bússola de ação na organização, com o intuito de se tornar um facilitador na
obtenção dos objetivos propostos: (1) ascensão da sua eficácia; (2) melhoria
da sua estabilidade; e (3) incremento da sua adaptabilidade no núcleo do meio
competitivo.

Planear as ações é uma simples conjuntura de procedimentos


articulados entre si tendo em conta um objetivo. O planeamento é, portanto, o
método estratégico de capacitarmos temporalmente as ações a proliferar.

14
2.4. Modelo de Jogo

O processo e a produção de talentos assentam na criação de estratégias


patenteadas numa base de sistemas padronizados em comportamentos
imprevisíveis e descentralizados, por outras palavras, manifesta-se como um
desenvolvimento a longo prazo que prefigura no desencadear da autonomia,
criatividade, educação, inteligência e variabilidade (Bento, 2004; Frade, 1979).

Primeiramente interessa entender o conceito de Modelo de Jogo. Para


Frade (2003, p. 97), "o Modelo de Jogo consiste na aquisição de determinadas
regularidades no "jogar" da equipa através da operacionalização de
determinados princípios".

Frade (1985) refere que o modelo tem a forma de uma pedagogia de


projeto, dependente de uma visualização metódica no elemento causal do
futuro, por outras palavras, no referencial proposto a alcançar.

O modelo de jogo assume o papel de referencial, regulador do trabalho


desde o inaugurar da temporada até ao seu término, tornando-se assim
irracional o pensamento numa periodização tática sem que antes se considere
o modelo de jogo (Faria, 1999). Desta forma, “se tu queres instalar uma
linguagem comum com regras, princípios, uma cultura de jogo, num modelo de
jogo (…) é fundamental que isso seja através do jogo” (Faria, 2002, p. VIII).

Para que se assimile um sistema complexo é necessário que


primeiramente se conjeture uma modelação, que deve ser assimilada como a
ação da preparação e construção premeditada de modelos suscetíveis num
fenómeno complexo (Garganta, 1991).

O modelo de jogo não pode ser assumido como um dado adquirido, mas
sim construído ininterruptamente, recetivo à ideia de jogo da equipa, sem
descurar, contudo, as caraterísticas únicas e distintas dos jogadores, de forma
a possibilitar uma edificação de novas dinâmicas dessa mesma ideia sempre
que porventura tenha de ocorrer uma mudança de jogadores.

15
A operacionalização dos princípios de ação nos distintos momentos do
jogo, por intervenção dos atletas, é parte integrante do modelo (Silva, J., 2008).
Deste modo, o conceito de modelo de jogo não se patenteia numa ideia geral,
mas, sobretudo, numa configuração das interações dos jogadores.

Segundo Oliveira (2004, p. 130) o que se torna essencial é que “o


treinador saiba muito bem aquilo que pretende da equipa e do jogo, que tenha
ideias muito concretas relativamente às invariantes/padrões que pretende que
a sua equipa e os respetivos jogadores manifestem. ”

O modelo de jogo constitui-se numa representação de ideias, pautadas


numa específica forma de jogar, originando um “perfil” de jogo da equipa
(Graça e Oliveira, 1994). O mesmo deve incidir no mapeamento de um
reportório de referências essenciais, para delimitar a organização dos
processos organizacionais ofensivos e defensivos, transições ofensivas e
defensivas, obedecendo os princípios determinados (Castelo, 1994;
Mombaerts, 1991).

Em conformidade, Oliveira (2004) refere que o modelo é imprescindível


para delinear e desenvolver um processo específico e harmonioso, com a
preocupação em construir um jogar. Deste modo, Leandro (2003) explana
também que cada conceção de jogo desencadeia um modelo de jogo
exclusivo, uma vez que as ideias intrínsecas a uma determinada cultura de
jogo se distinguem. Castelo (1996) menciona, ainda, que cada modelo de jogo
circunscreve a sua evolução ativa e criativa no decorrer do seu processo de
desenvolvimento.

Mourinho (2001), por sua vez, dá nota de importantes elementos a ter


em conta para uma elaboração de um modelo de jogo, tais como:

 O clube (suas caraterísticas históricas, sociais e culturais);

 A equipa (nível do seu jogo);

 Os jogadores (o seu nível e suas caraterísticas pessoais);

 O calendário competitivo;

16
 Os objetivos a atingir;

 A organização estrutural ou sistemas táticos;

 A realidade estrutural e financeira do clube.

Oliveira (2008) menciona outros aspetos relevantes e que se devem ter


em conta:

 Modelo de Clube (estilo de jogo marcante);

 Número de Jogadores na equipa;

 Número de treinadores ou outros integrantes da comissão técnica;

 Número de treinos semanais.

Portanto, no momento que se arquitetura um modelo de jogo deve


colocar-se em evidência uma construção exponencial única, sujeita a
vicissitudes das interações entres os distintos agentes (treinadores, jogadores,
adeptos, aspetos históricos) e ao correspondente envolvimento cultural que o
jogar despontará (Oliveira & Paes, 2004).

Após as exposições patenteadas, subentende-se que, para que tal seja


exequível é relevante ter em conta um fio condutor, ou seja, um padrão cultural
determinado pelo modelo de clube, um modelo de treino e de jogador, cujas
conexões se efetuem corretamente entre as categorias de base, iluminando-se
no plantel profissional, bem como nas suas ideias de jogo (Maciel, 2008).

Deste modo, toda e qualquer equipa deve ambicionar homogeneizar a


modalidade em que se encontra integrado, construindo um modelo de jogo que
deve ser empregue em todas as categorias. Assim, consegue-se aperfeiçoar o
processo de formação e, no momento em que o jogador alcançar a equipa
profissional, sentir-se-á apto e preparado para desempenhar o seu papel
prazerosamente, uma vez que a sua experiência no decorrer da sua formação
base lhe garantiu as condições ideais para que possa, no futuro, vivenciar
esses mesmos padrões comportamentais.

17
Não obstante, torna-se basilar que a exigência caraterística de cada
faixa etária seja tida em conta. Para um mesmo modelo de jogo, utilizado em
todas as categorias, deverá ser diferenciado no que diz respeito aos exercícios,
às sessões semanais, ao tempo dessas mesmas sessões, bem como às
exigências criadas pelo resultado e pelo cumprimento dos padrões pré-
estabelecidos (seja de natureza tática, técnica, psicológica ou física), uma vez
que é imperativo que não se confunda desporto de base com desporto
profissional. Contextualizando, o modelo de jogo deve ser entendido, assumido
e interpretado como variável e dependente da situação onde se insere, sendo
assim impraticável que se assuma e o entenda como um modelo rígido
(Cardoso, 2006).

O jogo de andebol, como modalidade englobada nos Jogos Desportivos


Coletivos, é naturalmente descortinado através de uma sucessão de fases
intervaladas em que as duas equipas em confronto se deparam, com ou sem
posse de bola. Os momentos de jogo são facilmente distinguidos e clarificam
qual a fase do jogo em que a equipa se encontra: assumindo-se como sendo
um processo defensivo, sempre que a equipa se encontre numa situação sem
posse de bola; por sua vez, entende-se estar presente o processo ofensivo
assim que a bola já se encontra em posse. Não obstante, existem referências a
distintas subfases da defesa e também do ataque. A terminologia que é
aplicada para definir estas mesmas subfases é discrepante e provoca
frequentemente uma ambiguidade na compreensão dos conceitos que lhe
estão agregados (Fonseca, 1999; Mortágua, 1999; Prudente, 2006).

2.4.1. Processo Ofensivo

Para Antón Garcia (2002), o processo ofensivo encontra-se,


historicamente dividido em três fases: contra-ataque apoiado; organização do
ataque e por fim preparação do ataque. O autor faz alusão às duas primeiras
fases, mencionando que podem também ser designadas como contra-ataque
de primeira e segunda vaga ou então contra-ataque direto ou apoiado. Salvo
estas fases mencionadas, surgiu na última década uma inovadora possibilidade

18
para a construção de situações de finalização, a qual se passou a chamar de
contra-ataque sustentado (Antón Garcia, 2002).

No entendimento de Barbosa (1999) e Mortágua (1999) as fases do jogo


não devem ser referenciadas, mas sim os métodos de jogo ofensivos. Assim,
estes dois autores apresentam a três principais métodos de jogo ofensivo: o
contra-ataque, o ataque rápido e por fim o ataque posicional. Como se
evidencia, as grandes diferenças entre os autores anteriormente referidos,
dizem respeito exclusivamente à utilização das tão aclamadas expressões
como “Fases do Jogo” e “Métodos de Jogo”. Contudo, no que se refere aos
conceitos, as semelhanças encontradas na abordagem realizada são
evidentes.

Num outro prisma, Czerwinski (1993) afirma que apenas existem duas
fases de ataque: o ataque rápido/contra-ataque e o ataque posicional. Não
obstante desta divisão, o mesmo autor refere que os tipos de ataque
rápido/contra-ataque são diversos e coincidem com as ditas definições de
contra-ataque direto, contra-ataque apoiado e ataque rápido. Moya (2001)
apresenta, por sua vez, um conceito semelhante, ao considerar o processo
ofensivo como sendo constituído exclusivamente pelas fases de contra-ataque
e de ataque. Por fim, este autor contempla a hipótese para se distinguir o
desenvolvimento do contra-ataque por dois meios: o contra-ataque direto e o
contra-ataque coletivo.

Assim, conclui-se que não se encontram diferenças substanciais no


entendimento do jogo, quando nos guiamos por estes autores. É no entanto
possível constatar pequenas diferenças terminológicas, ou em alternativa,
classificações que atribuem categorias mais abrangentes.

O processo ofensivo no andebol é iniciado no exato momento em que a


equipa entra em posse de bola e o seu término ocorre no momento em que a
equipa adversária, ou neste caso a equipa defensora, recupera e reassume por
sua vez o controlo da mesma.

19
Naturalmente, em todos os processos ofensivos, as equipas procuram
construir inúmeras situações para que a finalização tenha grandes
probabilidades de sucesso, para isso, são utilizadas distintas fases e métodos
de jogo ofensivo, decorrentes de um contexto transitório criado não pela própria
equipa, mas também pelo adversário.

De modo geral, assim que o controlo da bola é obtido, todos os


procedimentos ofensivos daí decorrentes são norteados por uma fase
progressiva de encontro à baliza adversária, seguida imediatamente de uma
fase de construção da situação de finalização e têm o seu término na
finalização propriamente dita.

O emprego das distintas fases e métodos de jogo ofensivo submete-se


primitivamente a três fatores: i) a eficácia da defesa; ii) o tempo para assumir o
controlo real da bola; iii) a estratégia e sua evolução apresentada consoante o
marcador (Anti et al., 2006).

2.4.2. Processo Defensivo

No que diz respeito às fases do processo defensivo, autores como


Falkowski e Fernandez (1988) e Sousa (2000) discriminam quatro fases
fundamentais que ocorrem a partir do exato momento em que a equipa perde a
posse de bola até ao formular da defesa em sistema: i) recuperação e equilíbrio
defensivo; ii) defesa de cobertura – pressing temporário; iii) organização da
defesa; iv) defesa em sistema.

Existem, contudo, meios mais simplificados para compreender as fases


do jogo, que referem que a constituição do processo defensivo tem apenas
duas fases: a recuperação defensiva e a defesa organizada (Ribeiro &
Volossovitch, 2000). Esta mesma linha de pensamento é corroborada por Moya
(2001), quando afirma que as duas fases reais da defesa são: a recuperação
defensiva e a defesa propriamente dita. Em conformidade, o mesmo autor
refere ainda que a recuperação defensiva pode também ser interpretada como
transição rápida ataque-defesa. Por outro lado, Jorge (2003) entende que
existem não duas, mas três fases distintas que caracterizam a defesa, são

20
elas: a recuperação defensiva, a zona temporária e por fim a defesa
organizada. Num tempo mais recente, Gomes (2008) apresenta o processo
defensivo distribuído por quatro fases distintas: i) a ocupação do espaço
durante o ataque da equipa; ii) a ocupação do espaço de forma a perturbar a
organização ofensiva adversária logo após a perda da posse de bola; iii) a
organização do sistema defensivo; iv) a defesa organizada em sistema.

Como é constatável, pese embora as distintas perspetivas perante o


tema abordado, a estruturação dos distintos comportamentos a adotar aquando
uma situação defensiva, é naturalmente semelhante.

A fase defensiva no jogo de andebol tem início no exato momento em


que a equipa se vê com a perda da posse de bola e só termina na fase em que
o seu controlo é readquirido. Esta evidência, não invalida contudo, que a
preparação da defesa deve ser iniciada já no período do processo ofensivo. No
decorrer do ataque, a ocupação do espaço realizada pelos jogadores, é
condição fundamental para que ocorra uma recuperação defensiva eficaz
(Falkowski e Fernandez, 1988; Gomes, 2008). Nesse contexto, a equipa
quando se encontra em situação ofensiva, deve ter em consideração e ter
preparado distintas possibilidades de continuidade de jogo, sempre em função
dos cenários que eventualmente lhe vão sendo colocados (Cadenas, 2006).

Deste modo, as equipas que se encontram na sua fase de ataque


devem estar prontas para atuar em duas situações adversas: i) imediatamente
após a perda de bola, por ocorrência de uma falha técnica ou por uma falta
regulamentar sancionada pela equipa de arbitragem e também ii)
imediatamente após remate realizado. Neste primeiro caso, a perda de bola é
naturalmente irreversível e a ação defensiva deve ter início imediato, com dois
objetivos em mente: conseguir anular a transição rápida de defesa-ataque do
seu adversário e saber criar condições ótimas para a organização do sistema
defensivo escolhido para essa mesma fase do jogo.

Como é evidente, o objetivo primordial das equipas, quando se


encontram numa fase defensiva, é ser capaz de evitar que o seu adversário

21
finalize a sua jogada com um golo, pelo que desta forma, se pode considerar
este como o grande objetivo da defesa. O modo como as equipas tentam
alcançar esse propósito, enfrentou alterações profundas, em função da
exposição de um novo conceito de jogo, no que concerne à defesa. Na
verdade, a interpretação da defesa era caracterizada como sendo algo passiva,
em que sofria a ação posta em prática pelo seu oponente, tendo sido
posteriormente transformada para uma atuação mais ativa e mais interventiva
sobre o ataque adversário (Seco, 2005). Este autor reafirma que a defesa
deixou de ter uma interpretação passiva, para passar a ter uma completamente
análoga, mais reativa, que tem vindo a sofrer uma frequente evolução,
passando a ser denominada por defesa ativa.

Esta transformação das tarefas defensivas constata-se através de


inúmeros autores que chegam à conclusão que, de uma perspetiva inicial onde
o objetivo era simplesmente defender a baliza procurando evitar sofrer golo,
constatou-se uma evolução para a interpretação que atualmente se tem, uma
procura da intervenção sobre o ataque, visando a recuperação da posse de
bola por intervenção de erros cometidos pelo seu opositor (Silva, 2000; Seco,
2005). Desta forma, no decorrer das várias fases da defesa, as equipas
procuram constantemente evitar o golo por parte do seu adversário, sem que
no entanto, abdiquem da possibilidade de: i) ganhar a posse de bola; ii) obrigar
o adversário a cometer erros, que consequentemente os levem a cometer faltar
técnicas ou até mesmo regulamentares; iii) condicionar a finalização a zonas
e/ou jogadores com menor eficácia para a equipa adversária.

A importância do desempenho defensivo para o sucesso no jogo de


andebol é enfatizado tanto por investigadores como por treinadores, existindo
vários estudos que conseguem estabelecer uma relação direta entre a eficácia
do sistema defensivo e do guarda-redes com a vitória ou derrota no jogo de
andebol, bem como a sua classificação final nas competições (Silva, 1998;
2000; Volossovitch, Ferreira e Gonçalves, 2003). Para alguns treinadores a
eficácia contida na defesa é considerada como sendo a chave do sucesso,

22
sendo que a prestação do guarda-redes é tida em conta com particular
importância.

Para além deste aspeto referido, é reforçado o facto de que, quanto


maior for o equilíbrio entre opositores em confronto, também será maior o peso
que a prestação defensiva assumirá para um resultado final. Este testemunho
tem vindo a ser corroborado por intermédio de estudos realizados no domínio
académico.

Segue-se o exemplo do trabalho realizado por Silva (2000), no qual o


autor chega à conclusão que no que diz respeito aos jogos equilibrados, os
indicativos estatísticos que mais eficazmente distinguem as equipas vitoriosas
das derrotadas, são de natureza defensiva. Nesse mesmo trabalho, mostra-se
evidente que, à medida que os jogos se vão mostrando ser de cariz de maior
desequilíbrio entre as equipas, o peso relativo dos fatores de ordem defensiva
passa a dar lugar aos de ordem ofensiva. Esta mesma visão é também
corroborada no estudo realizado por Rodrigues (2005), em que o autor conclui
que nas situações de jogos a eliminar, geralmente jogos de maior equilíbrio, o
peso atribuído aos fatores defensivos mostra-se ser superior quando se
colocam em modo de comparação com os jogos disputados na fase de grupos.

A dimensão de uma prestação defensiva eficaz por parte das equipas,


não termina única e simplesmente na oposição ao ataque adversário. Através
de uma eficácia defensiva validada, a consequência será orientada para a
criação de condições ótimas para que o ataque que daí advêm seja finalizado
com sucesso. De certa forma, um desempenho eficaz no decorrer da fase
defensiva, terá contributo essencial para o sucesso do ataque, uma vez que
permitirá que ocorram concretizações de grau mais fácil, no que diz respeito
particular à sequência de transições rápidas de defesa-ataque (Varejão, 2004).

23
2.5. O Treino

O treino é visto como o momento em que nós, na função de treinador,


colocamos em prática os nossos conhecimentos e implementamos o nosso
plano de ação. Deste modo, Mesquita (1991, p. 65) sugere que "o treino
desportivo constitui uma atividade que tem por objetivo fundamental a
otimização das capacidades dos atletas, tendo em vista o melhor desempenho
competitivo".
Matveiev (1977, p. 280) refere que "a unidade elementar do processo de
treino é o exercício. Este está destinado ao desenvolvimento de uma ou mais
qualidades. É a relação entre os diferentes exercícios que constituem a
estrutura da sessão". Wrisberg (2007, p. 76), por sua vez, sugere que "para
mantermos os atletas motivados durante o treino temos também que lhes dar a
oportunidade de experimentar o sucesso e de se divertirem, desenvolvendo um
plano de treino o mais eficaz possível e seguindo os seguintes passos:
identificar as habilidades que os atletas precisam de aprender/desenvolver,
definir as capacidades dos atletas, definir prioridades, determinar os melhores
métodos de treino e elaborar o plano de treino”.

Segundo Castelo (1994), o treino desportivo, intimamente relacionado ao


fenómeno desportivo, é condição basilar para a execução com exatidão de
uma das facetas definidoras deste fenómeno: a superação.

Para Godik e Popov (1993) o treino desportivo assume-se como um


processo pedagógico, cuja finalidade é a obtenção de resultados desportivos o
mais elevados que se conseguirem alcançar.

O objetivo primitivo do treino passa por otimizar as capacidades dos


indivíduos, encaminhando-os a um estado de maior grau das suas prestações
competitivas (Mesquita, 1991).

Treinar deve ser reconhecido como um elenco de ações organizadas,


focalizadas na promoção intencional da aprendizagem e desenvolvimento de
algo por alguém, como os meios convenientes à natureza dessa mesma
aprendizagem e desenvolvimento (Rosado e Mesquita, 2009).

24
Na afiguração de Weineck (1999), a expressão “treino” é empregue em
distintos contextos com a designação de exercício, cujo propósito é o
aprimoramento em determinada área. Já Barbanti (1997) explana o “treino
desportivo” como sendo um processo ordenado e canalizado numa base de
preceitos científicos, que auspicia um estímulo de modificações funcionais e
morfológicas no organismo de modo a engrandecer a capacidade de
rendimento do desportista.

O treino, para Teodorescu (1984, p. 55), é determinado como sendo “um


processo especializado de desenvolver e formar a personalidade do jogador
sob o aspecto do seu aperfeiçoamento físico-desportivo, com vista à realização
duma capacidade máxima de «performance», duma disponibilidade para
alcançar resultados muito elevados, com carácter permanente”.

Garganta (2000) clarifica que, para se poder assumir o treino como um


verdadeiro treino e não apenas como uma simples exercitação, é imperativa a
existência de uma carta de intenções, uma agenda de compromissos, que
capacitem representações dos aspetos, que numa conjuntura e, sobretudo, no
seu relacionamento, confiram propósito ao processo, de forma a enveredar
pela direção ambicionada. O treino desportivo é um processo pedagógico
metódico e cientificamente fundamentado (Tschiene, 1987; Marques, 1990).
Queiroz (1986), por sua vez, determina que os objetivos pedagógicos do treino
são a aprendizagem, o aperfeiçoamento, o desenvolvimento e a manutenção.
Desta forma, o treino invoca exercícios sistemáticos e repetitivos com objetivos
meticulosamente definidos.

O treino desportivo estabelece-se numa preparação do atleta a distintos


níveis: físico, intelectual, tático, técnico e psicológico. O atleta é trabalhado
como um todo por interveniente do exercício físico. O treino assume o papel
mais influente e ilustre de preparação dos atletas para uma competição
(Garganta, 2004). Auspicia uma indução de modificações positivas objetáveis
na performance dos jogadores e das equipas (Garganta, 2008).

25
Levando em consideração que tanto a prática como a instrução são
componentes chave na procura do sucesso (Williams e Hodges, 2005), a
investigação sente-se incitada a perquirir quais as metodologias mais incisivas
e eficazes para aprimorar o rendimento desportivo (Braz, 2006).

Silva (1998) assume o planeamento do treino como imprescindível e


peça basilar de toda a organização do processo de treino. Desta forma, a
inquietude nuclear de qualquer treinador deve focar-se na problemática do
planeamento e periodização do processo de treino, sabendo de antemão que
haverá uma diversidade de enigmas de natureza metodológica que deverão ser
equacionados. Ao longo do tempo, verificou-se uma variabilidade acentuada no
que diz respeito aos procedimentos, aos métodos e sistemas perfilhados para
que se alcançasse uma maior eficiência do processo de treino (Cerezo, 2000).
São inúmeras as formas de jogar e de alcançar resultados, de igual forma
existem maneiras de treinar dissemelhantes (Garganta, 2004).

O foco da motivação, norteada numa formação orientada para o


desenvolvimento das personalidades e necessidades dos atletas, no caso
específico do andebol, é considerado por Ehret (2002) de maior importância.
Deve-se assim prescindir do treino específico e trilhar um caminho orientado
para uma formação múltipla e genérica do atleta.

Lima (1999) formula um conjunto de recomendações pedagógicas


generalizadas que se devem aplicar indispensavelmente, de modo a se obter
uma progressão no desenvolvimento das capacidades coordenativas para a
formação, sem deixar de apontar que também outros autores as defenderiam:

 Fomentar o desenvolvimento multilateral. Basear-se em exercícios


específicos e exercícios que funcionem de auxílio para as crianças
aprenderem habilidades que são fundamentais para a modalidade
escolhida no presente ou até mesmo futuramente;
 Introduzir habilidades diversificadas que englobem corridas, sprints,
saltos, preensão, receção de bolas, arremessos, batimentos, equilíbrios
e quedas, com rolamentos;

26
 Providenciar tempo útil para que cada criança seja capaz de
desenvolver habilidades, participar em jogos e em novas atividades;
 Fazer uso do reforço pedagógico em alturas que ocorra empenho nas
atividades e as mesmas deverão ser autodisciplinadas;
 Utilizar o elogio aquando os progressos são alcançados no
desenvolvimento das habilidades;
 Reforçar comportamentos e apreciações que glorifique a ética e o
espírito desportivo do jogo limpo;
 Fornecer condições ideais para inserir conceitos táticos de forma
simples no decorrer do jogo.

O treino deve ser considerado e visto como um processo de elevada


complexidade, devendo ser posto numa perspetiva do ponto de vista
metodológico, sem ignorar o seu semblante pedagógico. Para que ocorra um
desenvolvimento desportivo ótimo do atleta é imperioso organizar o processo
de treino de modo sistemático e metódico, no sentido de providenciar ao atleta
experiências contextualizadas de aprendizagem e devidamente estruturadas.
Por conseguinte, o processo de treino opera uma relação de cumplicidade
entre quem ensina (o treinador) e quem aprende (o jogador/atleta), própria da
matéria de treino (Mesquita, 2000).

O processo de formação constituiu-se como sendo um conjunto de


etapas nas quais o atleta vai ser capaz de assimilar, desenvolver e consolidar
as mais distintas capacidades, o que exige uma estrutura específica
(substância e método) e dinâmica (tempo) durante todo o processo de treino
(Nogueira, 2005).

No início de cada época desportiva, é objetivo fundamental do treinador


confrontar-se e ser capaz de chegar a uma resposta para um conjunto de
questões nucleares (O quê? Como? Quando?). Só desta forma, será capaz de
modelar as suas intervenções no treino, de acordo com as verdadeiras
necessidades dos seus atletas, para que contribua para um desenvolvimento e
preparação desportiva coerente de uma formação harmoniosa (Graça et al.,
2003.

27
Enquadramento Biográfico
III. Enquadramento Biográfico

3.1. De onde venho? Quem sou? Para onde vou?

A magnificência do ser humano reside na sua própria essência. O


Homem existe para ser um ser pensante e com objetivos claros. Como afirmou
Pascal (1988, p. 347), "O homem é uma cana [...] mas é uma cana pensante.".

Por isso, o ser humano é um ser que ininterruptamente busca algo e de


todas as questões que o homem levanta, três destacam-se claramente (De
onde venho?, Quem sou?, Para onde vou?). Estas perguntas são cruciais, pois
dependendo da sua resposta, o seu modo de vida e a relação que terá com os
outros, serão determinados.

Para responder às primeiras questões tive de recuar aos primórdios da


minha existência, às minhas raízes. Nos meus primeiros anos de vida o
contacto com o universo desportivo foi diminuto, fui uma criança obesa, com
baixa autoestima e algo introvertido. No entanto, fui uma criança que se
inquietava e florescia com o “grande palco” da minha geração, onde todas as
crianças se sentiam parte da equipa: a rua. Sempre que surgia uma
oportunidade, brincava e jogava com os meus “colegas de equipa“ (vizinhos e
até mesmo completos desconhecidos). A mim cabia-me o lugar da baliza,
obviamente, a posição de qualquer gordinho que se preze. Ainda assim,
avançava correndo vezes sem conta com a bola em direção à baliza
adversária, na esperança de fazer o golo vitorioso e ser assim a figura do jogo.
Esta necessidade intrínseca de me tornar melhor possibilitou-me a força que
necessitava para ser um jovem, um atleta, um ser humano melhor e mais
saudável. E assim, encontrei-me, perdendo-me no seio do desporto, no seio de
uma paixão antiga e inexaurível.

O desporto foi sem sombra de dúvida o meu grande mentor no que toca
à preparação para a vida em sociedade, aos valores e princípios pelos quais
me rejo até hoje. O desporto tem a capacidade de promover uma diversa
panóplia de experiências de partilha com o desígnio de ser o instigador de
hábitos de vida saudáveis, através do desenvolvimento psicossocial por

31
intervenção da disciplina, liderança, respeito e cooperação, bem como o de ter
um papel primordial no que toca à aprendizagem de habilidades e
competências motoras.

Foi com cerca de 13 anos que tive a minha primeira experiência


(formalmente) desportiva, decidindo, contra a vontade dos meus pais e num ato
de inocente rebeldia, experimentar este maravilhoso mundo do Desporto.
Ganhei coragem e apresentei-me num pequeno clube local para treinar à
experiência na modalidade conhecida como “O Desporto Rei”, o futebol.
Embora esta experiência se tenha vindo a revelar um insucesso, foi para mim o
pontapé de saída para o futuro que se avizinharia. Olhei em frente e decidi
mudar o rumo da minha vida.

Na fase de mudança do ensino básico para o secundário, decidi que o


caminho a seguir seria o ligado ao desporto, foi assim que entrei para o Curso
Tecnológico de Animação e Gestão Desportiva. Coloquei-me, pela primeira
vez, no papel de professor/treinador, sentindo a responsabilidade e a inevitável
vontade de fazer a diferença na vida das crianças com as quais me cruzava.

Os meus professores tiveram um papel fundamental nas minhas


escolhas futuras pois, através deles, consegui perceber que o papel de
treinador ou professor não se resume simplesmente à transmissão de
informações ou conhecimentos mas, principalmente, a uma partilha única de
aprendizagens e experiências, com a honra impagável de ver os nossos
pupilos a crescer, tornarem-se grandes atletas e acima de tudo grandes seres
humanos. A minha experiência como atleta iniciou-se, também, nesta fase
quando ingressei para as equipas de voleibol e de ginástica de grupo da escola
que frequentava (Colégio de Gaia), obtendo ótimos resultados a nível coletivo e
pessoal.

A transição do ensino secundário para o ensino académico foi para mim


uma entusiasmante e enigmática época, finalmente iria iniciar a minha
especialização. A minha licenciatura foi iniciada e findada no Instituto Superior
da Maia, onde vivenciei experiências únicas, extremamente enriquecedoras.

32
Com os ensinamentos que me foram sendo transmitidos, a perceção de que
me tornava cada vez mais ávido de conhecimento foi crescendo e assim a
necessidade de querer aprender cada vez mais aumentou.

Constatando a minha inquietação pelo conhecimento, o meu destino


académico estava uma vez mais traçado, o mestrado era o passo a seguir.
Assim, embarquei nesta nova viagem na Faculdade de Ciências da
Universidade do Porto e no 2º ciclo em Desporto para Crianças e Jovens. Foi
neste curso e nesta instituição que senti uma vontade reforçada para continuar
a trilhar este percurso, com ensinamentos e conhecimentos incrivelmente
compensadores. Cimentei as minhas convicções de que estaria no percurso
certo e que valeram a pena todos os percalços e “pedras no caminho” que
foram surgindo ao longo da minha vida, pois apenas fizeram com que toda esta
longa viagem fosse ainda mais prazerosa.

Por fim chego a última questão que se apresenta: Para onde vou?
Chegado a este patamar, em que me encontro a redigir o relatório de estágio
para a conclusão de um novo ciclo, o caminho é mais do que óbvio. A minha
paixão antiga, o andebol, será a minha ferramenta de trabalho, mas o meu
instrumento será composto por todo um conjunto de conhecimentos,
experiências e competências que adquiri e que pretenderei transmitir aos meus
atletas, as crianças e os jovens que cruzarem o meu caminho. A minha grande
ambição é proporcionar à “minha equipa” a possibilidade de se tornarem não
só em grandes atletas mas, principalmente, a de crescerem instigados pela
paixão avassaladora do desporto a tornarem-se homens e mulheres
preparados para enfrentar e ultrapassar todas as adversidades que o mundo
lhes vai oferecer. Pretendo transmitir aos meus atletas alguns princípios fulcrais
que formam um verdadeiro ser humano: o respeito (seja pelo próximo, pelo
meio envolvente ou pelo próprio), a conduta (disciplina, os preceitos e regras
de justiça e equidade), a autonomia, autossuficiência e tomada de decisão
(capacidade de resolver os problemas que surgem sem ser dependente,
tomando as decisões mais acertadas a cada momento), a autoestima (acreditar
em si próprio e nas suas convicções), a capacidade de viver em harmonia com

33
a sociedade e por fim a resiliência (serem capazes de combater e ultrapassar
da melhor forma todas as adversidades que surgirem no seu caminho e com
elas tornarem-se ainda mais fortes).

O Desporto é, assim, o caminho que quero trilhar, inspirando crianças e


jovens a conhecerem-se melhor, criando metamorfoses dentro de si.

34
Estágio Profissionalizante
IV. Estágio Profissionalizante
4.1. Pertinência

A realização deste estágio surgiu pela necessidade quase visceral de


querer aprender mais sobre a modalidade que me apaixona e ter como
ambição pessoal ser treinador de andebol de formação. Sendo esta uma
modalidade fortemente enraizada na cultura portuguesa, entendo que pode ser
amplamente trabalhada na formação servindo como veículo para o aumento da
diversidade da prática desportiva que vivemos presentemente. A escassez de
relatórios que esmiúçam a complexidade da preparação desportiva em jovens
jogadores de andebol, firmou-se como sendo um desafio para a realização do
presente trabalho.

Desta minha vivência como treinador, fica evidente o quanto é complexo


e difícil criar uma filosofia de treino coerente, eficaz e bem fundamentada.
Desde logo pelas dificuldades em se medir os resultados do método empregue,
dado que muitas vezes só a longo prazo se consegue perceber se determinado
jogador está apto para enfrestar as exigências do alto rendimento, por exemplo
(há também outras questões relativas ao facto de tratarem de crianças e jovens
em fase de crescimento também pela razão de se tratar de um processo muito
complexo o facto de medir as competências e aprendizagens em
andebol…etc.).

A formação deve funcionar como ponto de partida para um desporto


competitivo federado de qualidade e a implementação de métodos de treino
comprovados e eficientes servirá, sem sombra de dúvidas, como “rastilho” para
um desenvolvimento exponencial da modalidade em termos desportivos, bem
como para o crescimento da procura desta modalidade. Neste sentido,
procurarei ao longo dos próximos capítulos propor uma metodologia de
trabalho para as etapas de formação iniciais (Minis e Infantis Masculinos)
dentro da modalidade de andebol, de forma a evidenciar que o ensino, nesta
fase inicial, deve ser executado de forma simples e objetiva mas sempre com a
preocupação de manter presente o fator motivacional nos atletas para que,

37
desta forma, adquiram (ou pelo menos mantenham) um novo ímpeto de
interesse pelo desporto em geral, e pela modalidade de andebol em particular.

4.2. Objetivos

A missão do estágio reclamava uma integral responsabilidade pelo


processo de treino, bem como pela orientação na competição das equipas
masculinas de andebol dos escalões de minis e infantis masculinos
representantes do A.F.C.. Desta forma os principais objetivos deste estágio
encadearam-se da seguinte forma:

 Clarificar um modelo de jogo apropriado às equipas e às suas próprias


exigências competitivas;
 Desenvolver a capacidade de observação e de identificação das
dificuldades ou erros de execução técnicas e decisão tática;
 Estabelecer exercícios próprios para uma melhoria do desempenho
dentro de um registro das dificuldades e lacunas constatadas e
posteriormente apurar a sua competência;
 Aprimorar o nível tático e técnico dos jogadores auspiciando o
desenvolvimento de recursos indispensáveis para a sua evolução e
afirmação nos escalões superiores do clube;
 Despoletar um raciocínio tático coletivo preliminar, assente em princípios
de jogo.
 Adquirir capacidades/habilidades para orientar os atletas no decorrer
dos seus treinos e jogos.

Por conseguinte, transversalmente à sistematização da pesquisa da


revisão bibliográfica e da prática preconizada com estas equipas, o grande
intuito será o de construir um discurso coerente e lógico de forma a estabelecer
uma reflexão (antes, durante e após a ação) focada nas questões da
periodização e planificação do treino, a fim de apurar quais as metodologias
mais adequadas para estas etapas da formação, em particular na modalidade
de andebol.

4.3. Estrutura

38
O presente trabalho encontra-se estruturado de acordo com as normas
orientadoras de redação e apresentação de dissertações de Mestrado impostas
pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Desta feita, o presente
relatório encontra-se distribuído e ordenado por nove capítulos, apresentados
do seguinte modo:

O capítulo I refere-se à Introdução, na qual é apresentada uma


apresentação deste trabalho.

No capítulo II aborda-se o tema da Revisão de Literatura, onde se


pretende confirmar o andebol como uma modalidade desportiva, apresentar o
valor do desporto e do treinador na formação, efetuar uma síntese evolutiva
dos conceitos de programação, periodização e planificação, bem como
discorrer sobre a importância do modelo de jogo e do treino na formação em
particular.

No capítulo III insere-se o Enquadramento Biográfico, onde é feita


uma breve caracterização da minha pessoa sob a forma cronológica.

No Capitulo IV é apresentado o Estágio Profissionalizante, na qual se


descreve o enquadramento deste estágio, referindo a pertinência do mesmo,
bem como os objetivos e estrutura adjacentes.

No Capítulo V, será realizado o Enquadramento da Prática


Profissional, onde é expressado o contexto legal e institucional, analisando de
forma sucinta o clube, o seu enquadramento histórico, a sua estrutura física e
recursos humanos, bem como os seus objetivos fundamentais (especialmente
da formação, objeto de estudo).

O Capítulo VI e Capítulo VII são destinados ao trabalho preconizado


com as equipas de Infantis Masculinos e Minis Masculinos, respetivamente,
através de uma explanação dos seus objetivos: estruturação da programação;
periodização e planificação (nas dimensões macro e micro); ideologia do
modelo de jogo e estruturação do treino a aplicar, evidenciando as dificuldades
sublinhadas pelos atletas e equipa, e consecutivamente as sequências

39
metodológica dos principais conteúdos desenvolvidos de treino implementadas
nestas duas equipas do Académico Futebol Clube; finalizando com os seus
resultados e avaliação de desempenho, referenciando o método utilizado para
observar e analisar o desempenho não só da equipa mas também dos atletas
em situação de jogo e de treino, bem como os jogos disputados no decorrer
das suas épocas desportivas, assim como os seus regulamentos e resultados
atingidos.

O Capítulo VIII, Conclusões e Sugestões, encarrega-se de apurar as


principais conclusões alcançadas com este relatório de estágio, bem como
inspirar algumas sugestões para futuros estudos.

Por fim, no Capítulo IX está presente toda a Bibliografia utilizada para


a estruturação deste trabalho.

40
Enquadramento da Prática Profissional
V. Enquadramento da Prática Profissional

5.1. Contexto Legal e Institucional

O Estágio de Formação em Exercício (E.F.E.) enquadra-se no plano de


estudos do Mestrado em Desporto para Crianças e Jovens da Faculdade de
Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e é superiormente abrangida
pela Comissão Científica do Curso de Segundo Ciclo de Estudos conducente
ao grau de Mestre em Desporto para Crianças e Jovens, presidida pelo Diretor
do Curso.

A organização desta Unidade Curricular é da inteira responsabilidade do


professor regente, em restrita relação com a Comissão Científica e a Comissão
de Acompanhamento do Curso de Mestrado em Desporto para Crianças e
Jovens. O correspondente Relatório de E.F.E. rege-se segundo as normas da
instituição universitária em articulação com as normas da instituição cooperante
na qual venha a decorrer o E.F.E..

A realização do estágio é considerada como uma das condições


possíveis para a obtenção do grau de mestre pois, de acordo com a lei em
vigor à data da realização do estágio, o ciclo de estudos conducente ao grau de
mestre de um curso de especialização constituído por um conjunto organizado
de unidades curriculares, integra uma dissertação ou estágio de natureza
profissional objeto de relatório final (2º do Decreto-Lei nº 74/2006, de 24 de
Março, alterado pelo Decreto-Lei nº 107/2008, de 25 de Junho, e pelo Decreto-
Lei nº 230/2009, de 14 de Setembro).

No âmbito legal acima descrito e fruto de um protocolo de colaboração


celebrado entre a FADEUP, e o A.F.C. – Académico Futebol Clube, foi-me
concedida a possibilidade de poder realizar o estágio profissional nesta
instituição tendo como principal objetivo a obtenção do grau de mestre.

O E.F.E. representa assim a última Unidade Curricular do segundo Ciclo


de estudos conducente ao grau de Mestre em Desporto para Crianças e
Jovens e habilita o indivíduo para o treino, garantindo-lhe o reconhecimento
total para a cédula de Treinador de Grau II referente à modalidade escolhida.

43
O Treinador Estagiário (T.E.) assume uma equipa desportiva da
associação de acolhimento, pertencente ao professor cooperante. Todo o
processo de ensino-aprendizagem é levado a cabo pelo T.E., ou seja, toda a
concepção, planeamento e realização é da responsabilidade do T.E.

De acordo com o artigo 8.º, compete ao estudante estagiário realizar


todas as tarefas previstas nos documentos orientadores do T.E., elaborar o seu
projeto de formação, cumprir o serviço de treinador na (s) equipa (s) que lhe for
(em) designada (s) realizando as tarefas de planificação, realização e avaliação
inerentes. Para além disso, o T.E. deve elaborar e manter atualizado o portfólio
digital do Estágio Profissional. Por último, o T.E. deve compor e defender
publicamente o Relatório de Estágio, de acordo com o definido nos artigos 7º,
ponto 4 e 9º, ponto 3 do Regulamento do Curso de 2º Ciclo de Desporto para
Crianças e Jovens da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

44
5.2. Caracterização da Instituição de Acolhimento

5.2.1. Breve Enquadramento Histórico

O Académico Futebol Clube é um clube desportivo centenário (103


anos) e com ampla tradição na cidade do Porto. A sua origem remonta ao
século XX, sendo fundado a 15 de Setembro de 1911, por um grupo de
estudantes.

Entre os vários títulos e distinções alcançados por este clube ao longo


da sua existência, destacam-se algumas datas ilustres como: a de 5 de
Outubro de 1930, momento em que foi distinguido com o grau de Cavaleiro da
Ordem Militar de Cristo, passando assim esta condecoração a fazer parte do
seu emblema; a de 15 de Novembro de 1986 obteve nova distinção, desta vez
como Membro-Honorário do Infante D. Henrique.

Este clube estabeleceu-se, ao longo da sua primeira metade de vida,


como uma referência e integrou-se dentro de um contexto desportivo
restringido aos valores enraizados desta atividade, pensada e elaborada
exclusivamente por objetivos lúdicos e de formação física e cívica.

Com o seu crescimento, desenvolveu um compromisso de eminente


versatilidade, sendo mesmo decisivo na história, uma vez que se tornou o
percursor de distintas modalidades e consequentemente membro fundador de
inúmeras Associações Desportivas do Porto e respetivas Federações.

Foi também pioneiro no que diz respeito às infraestruturas desportivas,


sendo o primeiro clube português a construir um campo de futebol relvado. O
famoso Estádio do Lima era constituído por duas pistas, uma de atletismo e
outra de ciclismo, sendo uma das estruturas desportivas, até então no país (fim
dos anos sessenta), mais utilizadas e divulgadas. Este saudosista Estádio
contemplava também dois campos de Ténis, um ringue específico para a
prática do Hóquei em Patins e Patinagem, e ainda um recinto de Basquetebol
(o primeiro da cidade), onde aconteceu o primeiro jogo internacional a
24/05/1931 (Portugal-9 vs França-34).

45
No início dos anos 60 teve lugar a construção do pavilhão do Lima,
edificado sob as então ruínas do aclamado ringue, passando a ser a
“residência” das equipas da cidade para participar em todos os campeonatos
nacionais de andebol, basquetebol e hóquei em patins.

Mais recentemente, um dos ginásios deixou de ter a sua função inicial e


passou a dar lugar a uma sala mais polivalente, na qual já se praticou Ténis de
Mesa e atualmente é exclusiva para a competição de Bilhar e como gabinete
de Fisioterapia. Fazem também parte integrante das instalações do clube, um
bar/restaurante e uma sala de fisioterapia.

Atualmente, o clube envolve as modalidades de aikido, andebol,


basquetebol, hóquei em patins, montanhismo e campismo, karaté, bilhar,
ginástica, kung-fu, taekwondo, capoeira, tiro com arco e musculação, não
olvidando que a prioridade do Clube é assegurar uma a saúde e bem-estar dos
seus praticantes.

Entre o leque de atletas, dirigentes e sócios que já deixaram a sua


marca e contribuíram para a história do Clube, alguns ainda hoje se mantêm
pelo Académico Futebol Clube, contribuindo na construção da que é já
considerada uma instituição de utilidade pública de grande escala e com papel
desportivo e social na cidade do Porto, notoriamente distinto no que diz
respeito a clubes amadores.

Foi dentro de uma ideologia de clube eclético, com ambição de estar ao


serviço de uma população abrangente, que surgiu a aclamada MICA – Escola
de Desporto do A.F.C. Esta Escola insere-se num espírito jovem, desportivo e
de qualidade, filosofia universal nas atividades do Clube e, como tal, emerge
como alternativa conceptual com pretensões de fazer parte da história do
Académico Futebol Clube.

46
5.2.2. Estrutura Física

O Clube e as suas instalações estão localizados na Rua Costa Cabral,


na cidade do Porto.

As infraestruturas desportivas do Académico Futebol Clube são:


 1 Pavilhão de Jogos (Pavilhão “A”), com luz artificial que integra as
modalidades de andebol e basquetebol composto por:
 Balneários para os atletas;
 Balneário para os treinadores;
 Balneário para os árbitros;
 2 Salas para treinadores e secionistas da respetiva modalidade
(basquetebol ou andebol), com acesso à Internet. As salas servem
propósitos vários, nomeadamente para arquivar informação da secção e
guardar material e equipamento de treino e de jogo.
 1 Pavilhão de Treinos (Pavilhão “B”), com luz artificial, mais orientado
para a prática do Hóquei em Patins e Patinagem, sendo composto por:
 Balneários para os atletas;
 Balneário para os treinadores;
 Balneário para os árbitros;
 1 Sala para treinadores e secionistas da respetiva modalidade (Hóquei
em Patins), composta como acima referi para o pavilhão A.
 1 Pavilhão Multiusos Gimnodesportivo, com luz artificial que integra a
modalidade de ginástica;
 1 Ginásio de cardio e musculação;
 1 Sala de Fisioterapia;
 Edifício de apoio à atividade desportiva composto por:
 Receção;
 Secretaria;
 Museu e Sala dos Troféus;
 Parque para veículos;
 Arrumos;
 Bar/restaurante com esplanada.

47
5.3. Secção de andebol

O Académico Futebol Clube acolhe centenas de atletas de diferentes


faixas etárias e distintos níveis de desempenho desportivo. Apesar das muitas
dificuldades financeiras e limitações ao nível das instalações, com claras
consequências nos tempos de treinos, o número de praticantes não parado de
aumentar. Acresce que a secção tem dois setores, o Masculino e o Feminino,
que se dedicam fundamentalmente à formação de jovens praticantes (possuem
todos os escalões), ainda a competição sénior também seja importante, muito
embora de carácter exclusivamente amador.

A tabela 1, abaixo apresentado, apresenta de forma detalhada, o


número de praticantes por setores e escalões de prática na época desportiva
2003-14.

Tabela 1. Atletas do Académico Futebol Clube para a época 2013/2014.

ÉPOCA 2013/2014

DATA NASCIMENTO/SETOR Nº ATLETAS


ESCALÃO
MASCULINO FEMININO MASC FEMIN TOTAL

COMPETIÇÃO SENIORES 1992 1994 24 11 35

JUNIORES 1993/94/95 1995/96 23 15 38

JUVENIS 1996/97/98 1997/98 21 10 31

INICIADOS 1899/00 1999/00 22 10 32


FORMAÇÃO INFANTIS 2001/02 2001/02 15 12 27

MINIS 2003/04 2003/04 12 4 16

BAMBIS 2005/06 2005/06 2 1 3

TOTAL 182

48
5.3.1. Recursos Humanos e Financeiros

A estrutura do clube encontra-se devidamente hierarquizada,


estruturada, organizada e coordenada, oferecendo a todos os intervenientes
um ambiente profissional, estável, e rigoroso (ver Tabela 2).
A presente época desportiva foi iniciada com algumas mudanças em
relação à época transata, no que diz respeito à estrutura da equipa técnica de
alguns escalões da formação (Iniciados Masculinos, Juvenis Masculinos,
Infantis Masculinos, Minis Masculinos).
Atualmente, a secção de andebol do Académico Futebol Clube é
composta por vinte e cinco elementos (15 dirigentes e 10 treinadores),
distribuídos pelos dois setores e pelos diversos escalões, com diferentes
funções.

Tabela 2. Recursos Humanos do Académico Futebol Clube.

NOME FUNÇÃO A DESEMPENHAR Nº ELEMENTOS

ASSEMBLEIA – GERAL (CLUBE)

Sílvio Cervan Presidente 1

António Manuel Graça Torres Valente Vice-Presidente 1

Nélson Oliveira Pinheiro Vieira 1º Secretário 1

António José Cardoso Barros 2º Secretário 1

DIREÇÃO (CLUBE)

José Pedro Sarmento Rebocho Lopes Presidente 1

Alda Regina da Silva Pena Vice-Presidente 1

Assunção Armanda Sousa Pinto Vice-Presidente 1

Bruno Miguel Coelho Campos Leite Vice-Presidente 1

Francisco Fonseca Perdigão Vice-Presidente 1

José Luís Durães Rego Vice-Presidente 1

Paulo Alberto da Silva Teixeira Vice-Presidente 1

CONSELHO FISCAL (CLUBE)

António Manuel Martins Amaral Presidente 1

José Henrique Vahia Pinto da Cunha Vice-Presidente 1

Eduardo Valentim Basto Barbedo Ferreira Secretário 1

49
Augusto Rocha de Azevedo Relator 1

Maria Beatriz Ferreira Coelho Vogal 1

AGENTES DESPORTIVOS (ANDEBOL)

Jorge Crispim Martins Ferreira Esteves Vigario Oficial 1

Paulo Miguel Constante Rocha Gomes OFI Dirigente Nacional. 1

Serafim Alice Gonçalves Oficial 1

Maria Fátima Antunes Lopes Mendes Oficial 1

Rita Faria Pacheco Areias Riberio Oficial 1

Vitor Manuel Baptista Areias Carneiro OFI Coord. Segurança/Dir. Campo 1

Jorge Silva Duarte Oficial 1

Manuel Fernandes Pinheiro Oficial 1

Laurindo Jorge Lopes Oficial 1

José Miguel Cunha Sousa Lopes Oficial 1

Ana Paula Afonso Escaleira Ribeiro Silva Oficial 1

Jorge Joaquim Ferreira Silva Oficial 1

Filipe José Calisto Correia Oficial 1

Arlindo Jorge Jesus Freire Oficial 1

Pedro Miguel Mota Oliveira Oficial 1

TREINADORES (ANDEBOL)

Bruno Filipe Martins Maia Trei. Grau III Seniores Masc. 1

José Ireneu Mirão Alves Moreira Trei. Grau III Seniores Femin. 1

Paulo Miguel Constante Rocha Gomes Trei. Grau II Juniores Masc. 1

André Alexandre Costa Monteiro Trei. Grau II Juniores Femin. 1

Alexandre Rodolfo Costa Monteiro Trei. Grau III Juvenis Masc. 1

André Alexandre Costa Monteiro Trei. Grau III Juvenis Femin. 1

Bruno Filipe Baudouin Pinhao Freitas Master Coach/ Iniciados Masc. 1


Grau IV

Laura Maria Aleixo Alves Trei. Grau III Iniciados Femin. 1

João António Almeida Osório/Ricardo Veiga Marques Trei. Estagiários Infantis Masc. 2

Maria Joao Sa Balao Calisto Correia Trei. Estagiária Infantis Femin. 1

João António Almeida Osório/Ricardo Veiga Marques Trei. Estagiários Minis Masc. 2

Maria Joao Sá Balão Calisto Correia Trei. Estagiária Minis Femin. 1

Total 45

50
Material de treino disponível:
Embora o clube esteja a viver uma época bastante difícil no que diz
respeito às suas finanças, não deixa de ter ao dispor dos atletas material para
a prática desportiva, em particular o andebol. O A.F.C. faz um esforço para que
anualmente consiga renovar algum material que apresente maior desgaste
(mais especificamente as bolas de andebol de acordo com as normas da IHF).
De seguida passo a enumerar o material disponibilizado:
 Arcos: 4 com tamanhos idênticos;
 Balizas de andebol: 2 fixas e 6 móveis;
 Bolas de andebol: Várias com tamanhos 1, 2 e 3 segundo as normas da
IHF;
 Bolas Medicinais: 4 de 800 gr; 4 de 1kg; 6 de 3 kg; 4 de 5 kg;
 Bolas Plásticas: Várias de cores distintas e com dimensão de 6,5 cm por
6,5 cm;
 Cones altos e baixos: Vários de cor predominantemente vermelha;
 Coletes: Vários com cores distintas;
 Colchões: 2 colchões.
 Cordas: 4 cordas com tamanhos variados;
 Campo andebol: 1 campo interior com dimensões de acordo com as
regras estipuladas pela Federação;
 Sinalizadores: Vários com cores distintas.

5.3.2. Objetivos da formação

Segundo Antón el al. (2000), o objetivo de um processo de formação


desportiva e iniciação do jogador é o de transmitir uma aprendizagem de
rotinas essenciais à prática de andebol, que se manifestam em: i) fazer o atleta
compreender a essência do desporto; ii) criar no atleta hábitos de prática
desportiva de um modo progressivo; iii) fomentar corretas aprendizagens tática-
técnicas específicas; iv) promover um desenvolvimento amplo das qualidades
motoras nas suas distintas formas de manifestação; v) transmitir ao atleta um
vasto leque de diferentes experiências.

51
Por sua vez, Ehret (2002), tem uma visão menos restritiva, relembrando
que na formação ainda se verifica uma prática, em tudo errada, de treinos
desajustados e altamente especializados com crianças e jovens, com um único
objetivo em mente, o de alcançar o sucesso o mais rápido possível (vitória em
campeonatos).

Tendo em conta a especificidade da modalidade, que aporta requisitos


proprioceptivos de grau elevado, Antón el al. (2000), define como objetivo
fundamental da formação o refinamento da capacidade proprioceptiva,
retirando exclusividade ao valor geralmente atribuído à execução motora, e
realçando em contrapartida outros aspetos como: o desenvolvimento da
capacidade espaciotemporal (o aumento do campo visual), o desenvolvimento
da sistematização dos níveis de atenção e consequente seletividade, e por fim,
a promoção dos processos de antecipação e da melhoria da destreza e das
capacidades coordenativas em geral (expansão da imprevisibilidade das
ações).

Esta posição é suportada por Lima (1999), que defende que as etapas
iniciais de formação desportiva das crianças devem elevar o desenvolvimento
das capacidades coordenativas. Medidas essas que necessariamente
dependerão do grau de prontidão desportiva dos atletas para que tal
desenvolvimento ocorra, como referem Marques e Oliveira (2002).

Numa fase inicial, os objetivos centrais do treinador devem incidir


unicamente na motivação para a prática do andebol, de forma a garantir uma
formação global e multidisciplinar.

Os objetivos centrais estipulados para a formação neste período


competitivo foram invocados pelo diretor técnico da secção de andebol do
A.F.C. (Professor Ireneu Moreira), em consonância com os dirigentes dos
vários setores, no cumprimento da filosofia, missão social e desportiva do
Clube em questão:

52
Capítulo psicossocial:

a) Instigar e desenvolver nos atletas valores de respeito, responsabilidade,


fair-play e tolerância.
b) Fomentar o espírito de equipa, o espírito competitivo, autonomia e
cultura desportiva nos praticantes.
c) Aumentar o número de crianças federadas na modalidade de andebol no
clube, preferencialmente no que diz respeito aos escalões de formação
(minis, infantis e iniciados).
d) Promover, divulgar e disseminar a prática do andebol nas crianças e
jovens da região do Porto;
e) Captar, reter e incutir o gosto pela prática do andebol nas crianças e
jovens a partir dos 8 anos;
f) Contribuir ativamente para a formação de futuros cidadãos capazes de
enfrentarem as situações mais difíceis com que se vão deparando no
decorrer da sua vida;
g) Envolver a família e a escola, promovendo a sua interligação com o
Académico Futebol Clube, potenciando a valorização da formação
integral dos atletas;
h) Capacitar os praticantes para aceitarem a vitória e a derrota com
naturalidade, sabendo ganhar e perder, respeitando todos os
intervenientes do jogo, sejam eles dirigentes, técnicos, equipa de
arbitragem, atletas adversários, familiares, ou simples espetadores;
i) Qualificar e prestigiar o andebol do Norte do país junto da comunidade
nacional, incutindo uma “mística” pelo Académico Futebol Clube que
fortaleça a ligação afetiva entre todos os intervenientes.

Capítulo habilidades motoras (tático-técnica):

a) Formar jovens jogadores de sucesso, com bases sólidas com as


exigências motoras, táticas e técnicas de longo prazo, aspirando a uma
subsequente integração e valorização do escalão sénior;
b) Não promover a aceleração do processo de maturação.

53
Equipa de Infantis
VI. Equipa de Infantis

6.1. Modelo de Jogo

Uma vez perante a ausência de uma filosofia de um modelo de jogo para


os escalões de formação do A.F.C., foi realizada uma análise e observação dos
atletas para que posteriormente se formulasse um modelo de jogo coerente e
conciso para esta etapa da formação dos atletas em causa.

Desta forma, a definição do modelo de jogo a implementar no escalão de


infantis masculinos teve em conta os objetivos formulados pela secção para o
escalão em causa, além de ser suportada pela conclusão chegada através da
análise destes mesmos atletas. Não obstante, foi perentória a decisão de que
este modelo teria de ser aquele que melhor se adaptasse às necessidades de
aprendizagem e de desenvolvimento dos jogadores em causa, sem
negligenciar as exigências competitivas do escalão em causa.

Perante a inexistência de uma filosofia de jogo para seguir, a ideia de


modelo de jogo foi profundamente debatida e analisada pelos treinadores
responsáveis pelo escalão em causa. A ideia de jogo foi suportada em
princípios de natureza tática a implementar face às várias fases do jogo ou
métodos de jogo a privilegiar. Naturalmente que a implementação de princípios
e regras de atuação de natureza coletiva impõem a adoção de
comportamentos de cooperação que importa desenvolver para vencer a
oposição.

Conforme afirmam Ribeiro e Volossovitch (2004), o desenvolvimento de


um qualquer modelo de jogo, pretende descortinar as linhas orientadoras que
direcionam o comportamento dos jogadores em situação de jogo formal, no
sentido de garantir uma coerência, racionalidade e intangibilidade entre os
colegas de equipa, sem esquecer a imprevisibilidade do seu adversário.

Procurámos algum suporte conceptual, metodológico ou até


experimental para desenvolver o modelo de jogo a implementar no nível de
jogo em causa (escalão de formação), tendo-se verificado uma enorme
escassez de contributos para que tal fosse possível.

57
A forma de jogar desta equipa em particular, foi estruturada
essencialmente segundo as situações de igualdade numérica, no entanto,
foram também designados pressupostos para os momentos de inferioridade e
superioridade, tanto para o domínio ofensivo como defensivo.

Assim, o jogo ofensivo foi organizado em duas fases: i) transições; ii)


ataque posicional. Para cada uma destas fases definiram-se princípios e
conceitos que em seguida se se expõem.

6.1.1. Processo Ofensivo

i. Transição Ofensiva

Princípios:

 Rápida progressão da bola com o foco colocado em alcançar a baliza


adversária: (i) utilizar sempre que possível o passe (passes com
segurança, velocidade e de curta distância); (ii) uso do drible
exclusivamente como recurso (quando surge uma situação em que não
há linhas de passe mais ofensivas); (iii) o jogador sem posse de bola
deve ter capacidade de criar linhas de passe de rutura (especialmente
em zonas de progressão e finalização favoráveis para a sua equipa);
 Continuidade: evitar sempre que possível a interrupção das ações por
motivo de falta do adversário (evitar que o adversário crie o contacto
físico sempre que o atleta se encontra em posse de bola);
 Finalização em zonas de maior eficácia (procurar finalizar em zonas
próximas e com a máxima perpendicularidade à baliza).

A transição ofensiva rápida pode apresentar três formas distintas: a)


contra-ataque, ataque rápido e b) contra golo.

a) Contra-ataque e ataque rápido

A transição ofensiva foi estruturada sob a forma de duas vagas distintas,


cada uma composta por três jogadores. A primeira era constituída pelos pontas
(direito e esquerdo) e pelo defesa avançado (central). A segunda surge,
imediatamente, por intermédio dos jogadores laterais (lateral direito) e defesa

58
central (pivot). Assim que a equipa recupera a posse de bola, os jogadores
devem avançar no terreno de jogo de forma imediata, os atletas que constituem
a primeira vaga (pontas e central), salvaguardando sempre o ressalto defensivo
estão os jogadores que ocupam o espaço central do sistema defensivo (laterais
e pivot).

Quando a situação do primeiro passe ocorre pelas mãos do guarda


redes existem então duas opções dominantes a pôr em prática: i) passe direto
para os jogadores da primeira vaga, apenas se surgirem sem qualquer
oposição e em zona favorável; ii) passe para o jogador central da segunda
vaga, que por sua vez opta por passar a bola a um dos jogadores da primeira
vaga ou, caso impossibilitado para tal, procura de imediato uma linha de passe
segura na segunda vaga de jogadores.

No término da transição rápida, e não tendo sido possível criar uma


situação de finalização, o ataque deve estar estruturado num sistema 3:3. Os
atletas encarregues de executar a segunda vaga foram instruídos no sentido de
apenas tomarem a iniciativa de rematar em situação de fraca ou nenhuma
oposição. Não obstante, devem sempre demonstrar intenção ou predisposição
para atacar a baliza, podendo optar por dar continuidade às ações de ataque à
baliza, na vaga da transição rápida, sempre que o adversário demonstra
dificuldades de organização imediata, havendo assim algum desequilíbrio
defensivo e espaço que importa explorar rapidamente. Com efeito, podem ser
tomadas iniciativas de penetração no espaço entre defensores, para criar
situações de superioridade numérica, ou de fixação em amplitude para criar
espaço favorecendo a ação colegas.

b) Contra golo

Este método de jogo foi implementado no andebol como consequência


das alterações às regras do jogo praticadas em 1995 (Seco, 2006). Na sua
essência, expressa-se essencialmente por uma reposição rápida da bola a
meio campo após a sua equipa ter sofrido golo da equipa adversária, desta

59
forma, para tentar retirar imediatamente partido da desorganização defensiva
adversária e eventual inferioridade numérica relativa dos mesmos.

Na prática, após golo da equipa adversária, o atleta que defende na


posição mais avançada do terreno, deve deslocar-se rapidamente para o local
de reposição da bola em jogo, nesse momento o guarda-redes realiza um
passe rápido e direto para este mesmo jogador que, por sua vez, coloca a bola
em jogo e dá início à transição.

ii. Ataque em sistema

O ataque em sistema é desenvolvido quando surge a impossibilidade


para criar uma situação de finalização imediata, através da utilização de
qualquer método de transição ofensiva rápida (contra-ataque, ataque rápido ou
contra golo). No entanto, não houve intenção de mecanizar o jogo com base
em combinações ofensivas, ficando assim fora das opções quaisquer
combinações fechadas.

O jogo desta equipa está estruturado no sistema típico 3:3, com eventual
possibilidade de alteração de sistema para 2:4 (entradas a segundo pivot). As
entradas a segundo pivot deverão ocorrer essencialmente por indicação do
jogador central, assim que se apercebe que o momento é oportuno (adversário
se encontra numa defesa subida e cria espaços junto à zona de 6 metros; há
uma necessidade de desorientar a defesa adversária quando se encontra num
sistema mais fechado), podendo também ocorrer sempre que se verifiquem
situações favoráveis à receção da bola em condições de finalização, apelando
assim à inteligência tática.

Foi, ainda, pretendido desenvolver um sentido de cooperação na


construção do jogo de ataque em zonas/sectores a explorar, respeitando os
princípios de jogo definidos, e é dada alguma liberdade tática na resolução de
situações de 1x1, 2x2 e 3x3.

60
Princípios:

 Superioridade numérica: o jogador em posse de bola deve ter intenção


de atacar a baliza, caso fixe mais do que um jogador, deve passar a bola
ao colega melhor posicionado para o remate;
 Antecipação: capacidade dos atacantes interpretarem e preverem o
comportamento dos seus defensores adversários;
 Amplitude: realizar uma circulação de bola com grande amplitude, com o
objetivo de desequilibrar, desorganizar a equipa adversária, por forma a
aumentar o espaço de ataque e as possibilidades de finalização com
sucesso;
 Profundidade: constante agressividade das ações de ataque à baliza
adversária, procurando criar soluções maioritariamente de finalização
em situação favorável (1x GR);
 Continuidade: execução das ações com fluidez;
 Tomada de decisão: análise da melhor solução para cada ação a tomar
no decorrer do jogo;
 Receção da bola em movimento: saber posicionar-se e deslocar-se para
receber a bola em movimento e na direção da baliza adversária
(colocação dos apoios na direção da baliza) é crucial para criar um
aumento exponencial da velocidade das ações ofensivas e garantir
assim elevados índices de eficiência do ataque; para o caso específico
do jogador pivot, este deve ter preocupações particulares em relação
aos outros jogadores de campo. O pivot deve deslocar-se para o local
mais próximo do companheiro que têm a posse de bola (central ou
lateral), mantendo uma posição oposta aos seus colegas (deve ficar de
costas para a baliza e virado para os seus companheiros de equipa).
 Recolocação: após executado o ataque à baliza, o atleta deve
rapidamente ser capaz de reocupar o seu posto específico, de modo a
repor a amplitude e profundidade facilitando o desenvolvimento fluído do
jogo ofensivo.

61
6.1.2. Processo Defensivo

O modelo de jogo do processo defensivo adotado para a equipa de


infantis contempla três sistemas defensivos essenciais: a defesa individual; a
defesa 5:1 e a defesa 3:3. Todos estes processos iam de encontro com as
exigências emitidas pela Federação. Os sistemas defensivos referidos, apesar
de possuírem características de funcionamento distintas, uma vez que diferem
no que diz respeito à disposição inicial dos elementos e zonas de atuação
preferenciais, com uma disposição e profundidade variadas, possuem um
conjunto de princípios que são comuns e complementares.

i. Recuperação Defensiva

Princípios:

 Participação ativa de todos os atletas em jogo: imediatamente após a


perda da posse de bola, os atletas devem deslocar-se rapidamente na
direção da sua baliza, sem contudo perder o contato visual com a bola.
Os atletas devem ter em conta preocupações redobradas neste
momento do jogo, sendo elas: i) impedir a organização do contra–ataque
adversário; ii) recuperar a bola, por intermédio de intercepções,
desarmes e cortes da linha de passe.
 Pressionar sempre o adversário que surge em posse da bola, atrasando
ou impedindo o desenvolvimento do ataque rápido/contra-ataque
adversário.
 Evitar a inferioridade numérica: a ação de recuar por parte dos
defensores deve ser executada de forma estruturada, para que se evite
situações de inferioridade numérica, com especial atenção às zonas
favoráveis de finalização.

62
ii. Defesa em Sistema

Princípios:

 Atitude “ofensiva” dos defensores: criar condições ótimas para que surja
uma rápida recuperação da bola (interceções, corte de linhas de passe e
desarmes), sem nunca pôr em causa a proteção da própria baliza.
 Pressionar constantemente o portador da bola: o portador da bola deve
ser rapidamente pressionado pelo seu defensor direto, de forma a
impedir ou simplesmente dificultar, de forma antecipada a sua ação.
 Assegurar os chamados “triângulos defensivos”: Um dos vértices
corresponde ao defensor que se encontra a pressionar o portador da
bola, enquanto os outros dois defensores assumem os restantes vértices
criando uma situação de ajuda mútua mais eficaz.

iii. Sistema Defensivo - Defesa Individual

Neste tipo de defesa, a habilidade de cada defensor é fundamental, uma


vez que assume um papel de responsabilidade direta perante o atacante
adversário. Caso este defensor falhe a sua marcação, toda a equipa deverá ser
capaz de dar a cobertura necessária para colmatar essa falha, através de
trocas de marcação. Esta situação ou condição favorece a que cada defensor
não fique limitado à sua ação individual de simplesmente marcar um dos
atacantes, mas estar concentrado no jogo para desenvolver uma visão
periférica observando todo o jogo e aprendendo, assim, a fazer trocas e
coberturas quando necessárias.

Numa fase inicial foi priveligiado este sistema defensivo, mas perante a
incapacidade dos atletas a se adaptarem à exigência deste sistema, bem como
às limitações que apresentavam, passou a ser privilegiado em momentos
decisivos de jogo (normalmente últimos 5/10 minutos de jogo) em que o
resultado nos era desfavorável e se pretendia recuperar a bola rapidamente
para reduzir essa desvantagem para que os níveis motivacionais da equipa se
mantivessem elevados.

63
iv. Sistema Defensivo 5:1

O sistema defensivo 5:1 é o sistema base utilizado nesta equipa, tendo


como objetivos fundamentais: i) perturbar a clareza de jogo ofensivo do
adversário, particularmente, através da ação do defesa mais avançado; ii)
condicionar as ações da 1ª linha do adversário, obrigando a remates de longa
distância e em zonas de maior dificuldade de finalização; iii) criar uma
superioridade numérica (defensiva) na zona do lateral com bola provocando
constantes indecisões e erros, de modo a poder intercetar o passe e recuperar
desta forma a posse de bola; iv) impedir sempre a finalização na zona central
do terreno de jogo;

Este sistema defensivo era executado de uma forma muito ofensiva,


sempre que a equipa adversária se aproximava da zona dos 9 metros, e menos
ativa quando o adversário ainda se mantinha a uma distância considerada
segura.

a) Ações por Posto Específico

Nos Quadros nº 1 e 2 encontram-se referenciadas as ações que cada atleta


deve executar, de acordo com o posto específico que ocupa, sempre que a sua
equipa se encontra num sistema defensivo 5:1.

 1ª Linha defensiva (Pontas, Laterais e defesa Central):

Quadro 1. Ações da 1ª linha defensiva para determinado posto específico.

POSTO ESPECÍFICO AÇÕES

- “Fechar a defesa” (evitar criar espaços abertos para o adversário poder


finalizar);
Pontas
- Auxiliar os laterais;
- Estar sempre preparado para a saída em contra-ataque.
- Troca de marcação;
- Marcação ao pivô em zona exterior;
Laterais
- Ajudas aos jogadores: central, defesa-avançado e ponta;
- Saída ao braço do rematador.
- Marcação ao Pivot;
Defesa Central
- Saída ao braço do rematador.

64
- Ajudas no lado da bola;
- Capacidade de comunicar e liderar a defesa;
- Atleta base na condução para o contra-ataque.

 2ª linha Defensiva (Defesa-avançado):

Quadro 2. Ações da 2ª linha defensiva para determinado posto específico.

POSTO ESPECÍFICO AÇÕES

- Dissuasão e corte de linhas de passe;


- Fechar o espaço defensivo na zona central;
Defesa Avançado - Ajudas aos laterais e defesa central;
- Saída para o contra-ataque;
- Saída ao braço do rematador.

b) Reação às Entradas

Qualquer defensor deve realizar uma marcação a uma curta distância


sobre o seu opositor direto (mesmo quando a bola está muito distante),
retardando a sua entrada na zona de finalização.

v. Sistema Defensivo 3:3

O 3:3 é o sistema defensivo alternativo utilizado com maior frequência


nos jogos em que o índice de dificuldade é menor, visto que a equipa não
possui ainda este sistema consolidado. A opção de inclusão deste sistema foi
entendida como sendo um meio privilegiado para trabalhar as competências
defensivas individuais, uma vez que aumenta o espaço entre os defensores,
criando maior exigência defensiva individual e nas trocas, bem como obriga a
uma maior comunicação.

Finalidades e vantagens do sistema:

 Provocar uma ininterrupta inadaptação e descontinuidade do jogo


ofensivo do adversário;

65
 Estimular a utilização de passes longos (adversários) que por sua
vez favoreçam as intercepções;
 Criar condições favoráveis ao desenvolvimento do contra-ataque;
 Aprimorar a técnica individual defensiva dos atletas.

a) Reação às entradas

Os defensores devem realizar uma marcação à distância (controlada) ao


seu opositor direto, tentando atrasar a sua entrada e realizar troca defensiva
quando adequado (defensores alinhados).

b) Trocas de Marcação

Neste sistema defensivo em particular, uma vez que se trata de um


sistema mais aberto e com a criação de maior espaço entre os defensores, a
troca de marcação era frequentemente incentivada. A prática desta situação
ocorre essencialmente em situações que os defensores de 2ª linha (laterais ou
central) se vêm perante uma situação em que o seu opositor direto ganha
vantagem perante ele, nessa altura o seu companheiro deve fechar o espaço
ganho pelo adversário de forma a evitar que houvesse uma vantagem para a
finalização.

66
6.2. Objetivos

Antes de se estabelecerem objetivos para esta equipa, foi importante


perceber o nível de entendimento e de compreensão do jogo andebol por parte
dos jogadores desta equipa. Verificou-se que existia uma ideia de jogo
centrada exclusivamente na bola (posse de bola), ou seja, o essencial era fazer
golos, remetendo para segundo plano a proteção do alvo (evitar sofrer golos),
por exemplo.

As dificuldades, problemas e até evolução foram observadas/analisadas


no contexto de treino e de jogo. Durante os treinos a observação foi realizada
apenas em tempo real, no caso dos jogos, e sempre que possível, recorreu-se
também em registo das situações em vídeo, o que permitiu fazer uma análise
mais e aprofundada do desempenho dos jogadores e até das estratégias
utilizadas. As análises com recurso a videio, foram uma espécie de meio
essencial para o controlo da evolução e da adequação do processo de treino
às necessidades de aprendizagem e desenvolvimento dos jogadores.
No Quadro nº 4 apresentamos os problemas encontrados com base no
primeiro jogo oficial da equipa, referente ao Campeonato Nacional (12 de
Outubro de 2013).

67
Quadro 3. Erros e limitações nos processos ofensivos e defensivos do escalão de infantis masculinos.

PROCESSO OFENSIVO PROCESSO DEFENSIVO

- Incorreta posição dos


- Reduzida continuidade de apoios;
jogo; - Ajudas desnecessárias;
- Pouca profundidade de jogo; - Colocação errada entre
- Circulação de bola com atacante direto e a sua baliza;
ERROS jogadores pouco móveis; - Colocação errada entre a
- Ataque à baliza iniciado com bola e atacante direto;
drible; - Inexistência dos triângulos
- Tomada de decisão errada, defensivos;
após fixação de dois - Pouca agressividade
defensores não libertam a defensiva;
bola. - Saída ao portador de bola
inexistente.
- Tomada de decisão frequentemente errada;
- Transições defesa–ataque efetuadas em drible ou em ritmo
lento;
LIMITAÇÕES - Ritmo de jogo lento;
- Reduzida eficácia na finalização;
- Fraca noção de controlo defensivo;
-Reduzida mentalidade “ofensiva” na defesa.

Deste modo, facilmente se detetou que estes jogadores não praticavam


um jogo dentro da sua lógica racional desse período, praticavam sim um jogo
em que ter a posse da bola (atacar) era o principal e único objetivo. Assim,
tornou-se patente que uma série de objetivos que teriam de ser abordados
dentro do núcleo desta equipa, de forma a melhorar o seu desenvolvimento e
compreensão do jogo:

 Objetivos Gerais:
 Desenvolver a consciência de que o andebol se trata de uma inter-
relação entre os intervenientes do jogo e a bola, enfatizando que a
posse de bola é positiva, sendo até mesmo considerada uma das
possíveis formas para se poder criar golo na baliza adversária.

68
 Desenvolver nos atletas valores de responsabilidade e cidadania;
 Fomentar o espírito competitivo, espírito de equipa e de entreajuda
nos praticantes;
 Instigar e desenvolver nos atletas valores de respeito, fair-play e
tolerância.

 Objetivos de natureza coletiva - ofensivos:


 Desenvolver o “jogo de ataque sem bola”, explorando os espaços
vazios de modo a receber a bola, sempre em progressão para a
baliza adversária;
 Incentivar a ajuda oportuna aos seus companheiros (aclaramentos,
criação de linhas de passe, criar uma situação de amplitude de jogo);
 Adquirir a capacidade para ser objetivo sempre que se encontra na
posse da bola, ou seja, procurar atacar a baliza tentando ocupar os
espaços vazios e mais favoráveis para uma finalização.

 Objetivos de natureza coletiva - defensivos:


 Apresentar uma intenção para obter a posse de bola a todo o
momento;
 Ajustar a pressão ao adversário consoante o perigo que apresenta;
 Consolidar a noção de proteção da sua baliza, ganhando a posição
inicial para ser a “barreira” entre a baliza e o adversário de forma a
manter sempre a bola o mais afastada possível da mesma;
 Compreender que sempre que ocorre uma situação de reposição de
bola (ocorrida por uma falta ou saída da bola do espaço de jogo), o
atleta deve manter-se em contato, visual ou físico, com os
adversários (sem bola) aquando o grau de proximidade/pressão, em
função do perigo que cada situação comporta;
 Familiarização com contato físico regulamentar (atleta deve
compreender que num jogo de andebol o contato físico é algo natural
e que existem regras para se defender);

69
 Aceitar que nunca em situação alguma deverá ter uma postura
inapropriada e incorreta no momento defensivo, ou seja, deve ser
capaz de evitar faltas sem qualquer sentido tático (faltas em alturas
que o adversário se desloca para uma zona afastada da baliza, à
exceção do contra-ataque, ou quando o adversário ainda se encontra
a uma distância considerável da mesma e não demonstra qualquer
intenção de executar um movimento que crie perigo).

 Objetivos de natureza individual - ofensivos:


a. Central
 O atleta deve assumir a responsabilidade do jogo, sendo ele que decide
a jogada a executar (informar qual o momento em que os pontas
deverão fazer entradas a segundo pivot; realizar um cruzamento com o
lateral; realizar uma situação de passe e receção com o pivot);
 O atleta deve deslocar-se para uma zona mais próxima do colega para
quem acabou de passar a bola, de forma a dar uma linha de passe mais
fácil;
 O atleta deve criar, sempre que se apresenta oportuno, situações de
fintas com ou sem bola perante o seu adversário, de modo a que a sua
equipa ganhe uma superioridade numérica.

b. Laterais
 O atleta deve ser capaz de travar bruscamente a sua trajetória no
momento que precede a recepção da bola e se vê confrontado com a
recepção da mesma, deparando-se com um adversário (fixação do
adversário, finta sem bola);
 O atleta deve ganhar a consciência de qual o melhor momento para
finalizar (remate próximo da linha dos 9 metros, preferencialmente em
suspensão, caso o defesa adversário se encontre numa posição de
defesa próxima dos 6 metros e não demonstre intenção de procurar
bloquear o remate; remate em progressão para a zona dos 6 metros,

70
caso a defesa adversária se encontre “aberta” e crie espaços para a
ocorrência de uma finalização o mais próxima possível da baliza).

c. Pontas
 O atleta deve criar uma amplitude no espaço de jogo, mantendo-se em
zonas próximas das linhas laterais, numa posição entre a zona dos 6
metros e dos 9 metros;
 O atleta deve realizar entradas a segundo pivot, sempre que a situação
é oportuna (a defesa adversária se encontra subida e deixa espaços nas
suas costas) e existe a indicação do jogador central;
 O atleta deve ser o primeiro jogador a partir para uma situação de
contra-ataque rápido (iniciando o seu percurso numa zona próxima e
paralela à linha lateral até à zona central do campo, mudando
imediatamente para zonas mais centrais, logo que se encontra na
segunda metade do campo), de forma a finalizar numa zona mais frontal
em relação à baliza adversária.

d. Pivot
 O atleta deve manter uma postura imponente de forma a ganhar sempre
que possível uma vantagem perante a defesa adversária (fixar bem os
apoios no chão, impedir que a defesa adversária o desiquilibre, manter-
se sempre visível perante os seus colegas de equipa para que a
qualquer momento consiga receber a bola nas melhores condições);
 O atleta deve ser capaz de, através dos seus deslocamentos, criar uma
situação de superioridade numérica para a sua equipa (o jogador
bloqueia o defesa direto e cria um espaço para o seu colega de equipa
avançar e finalizar com maior facilidade).
 O atleta deve acompanhar constantemente a direção da bola, realizando
movimentos rápidos e ganhando sempre a posição perante o defesa;

71
e. Guarda-redes
 O atleta deve avançar no espaço para criar uma nova linha de passe,
sempre que a situação é oportuna (momento em que os colegas de
equipa recuperam a bola ainda próximos da baliza e estão a sofrer uma
marcação intensa da defesa adversária);
 O atleta deve executar um passe rápido e tenso para a zona da
reposição de bola assim que a sua equipa sofre golo;
 O atleta deve ter a intenção inicial de iniciar o contra-ataque rápido
sempre que o adversário falha a finalização e o mesmo ter a bola
controlada (deve verificar sempre qual o atleta que se encontra melhor
posicionado e sem marcação para receber a bola);
 O atleta deve executar um passe para o jogador central, caso este se
encontre desmarcado, sempre que se torna impossível criar uma
situação de contra-ataque rápido direto.

 Objetivos de natureza individual - defensivos:


a. Defesa avançado
 O atleta deve ter uma capacidade para antecipar passes, controlando o
seu adversário;
 O atleta deve ter uma postura sempre ativa e deve deslocar-se sempre
para o local mais próximo da zona da bola (caso a bola esteja nos
laterais ou central) de forma a poder intercetá-la ou bloquear o seu
passe.

b. Laterais
 O atleta deve manter uma distância segura, nunca superior a um braço
de distância, para que desta forma crie dificuldades ao adversário em
realizar passes com segurança e possa assim intercetar o passe;
 O atleta deve procurar um contato imediato com o adversário assim que
o mesmo recebe a bola (preferencialmente bloquear o braço de remate
e manter-se de frente para o seu oponente direto).

72
c. Pontas
 O atleta deve manter uma distância controlada perante o seu adversário
e nunca deve virar as costas à bola (esta deve estar sempre dentro do
seu campo visual e o seu corpo deve estar direcionado para a bola).

d. Defesa central
 O atleta deve ter uma visão constante e direcionada para bola,
mantendo no entanto o contato com o seu adversário direto (pivot
adversário). O atleta deve colocar a mão no tronco do adversário para
que desta forma tenha uma consciência da posição em que se encontra
o adversário;
 O atleta deve tentar sempre bloquear o passe para o pivot adversário,
mantendo-se à sua frente e nunca deixando ficar-se nas suas costas.

e. Guarda-redes
 O atleta deve realizar movimentos de deslocação lateral, acompanhando
sempre a direção da bola;
 O atleta deve manter uma posição base constante (braços elevados,
com as mãos acima da cabeça, espaçadas entre si e sempre dentro do
campo de visão do guarda-redes);
 O atleta, após remate do adversário, deve tentar adquirir o controlo da
bola sempre que possível;
 O atleta deve comunicar e dar indicações aos seus colegas para que
consigam bloquear o melhor possível a finalização por parte do
adversário.

Todos estes pontos enfatizados só fazem sentido se para tal


considerarmos que os atletas se encontram, ainda numa fase muito inicial da
sua formação e ainda não estão completamente capacitados da forma como o
jogo de andebol é jogado. A grande preocupação para a transmissão destes
objetivos está na capacidade para compreender que o andebol é uma
modalidade com duas balizas, depende naturalmente de situações de ataque e
de defesa.

73
Sabendo de antemão que utilizar situações defensivas mais abertas,
provavelmente não traria um melhor resultado competitivo numa fase inicial
(permite que surjam mais golos por parte das equipas e cria um maior desgaste
físico nos atletas), o nosso foco foi sempre direcionado para uma evolução dos
atletas. Desta forma, perante este tipo de defesa (defesa em sistema
individual), se o atleta falhar defensivamente saberá que toda a sua equipa
será prejudicada e, para corrigir essa situação, tem de ser capaz de conhecer,
inteligentemente, a importância de se posicionar entre a sua baliza e o seu
adversário, em oposto do que ocorreria caso a equipa jogasse unicamente em
zonas mais próximas da zona de 6 metros.

Quando tratamos da fase ofensiva, esta deve ser executada com uma
preocupação constante para as referências zonais (zona dos pontas, zona dos
laterais, zona do pivot e zona do central), uma vez que é desta forma que o
jogo de andebol é praticado. Houve também uma imediata consciência de que
nesta equipa deve estar sempre presente a intenção de procurar espaços
vazios com e sem bola (que eventualmente forçaria a uma perda da referência
zonal).

74
6.3. Programação, Periodização e Planificação Anual

A periodização apresentada reporta-se à época de 2013-2014, na qual


exerci funções técnicas (treinador) numa equipa de andebol do Académico
Futebol Clube nos escalões de Infantis Masculinos, que se encontrava a
disputar o Campeonato Nacional.

Esta equipa apresenta uma grande heterogeneidade ao nível dos anos


de prática que inevitavelmente se repercute nas competências evidenciadas
por cada um. Assim, oito jogadores apresentam um nível de jogo bastante
evoluído, sendo que quatro revelam competências acima da média enquanto
jogadores de campo e um no posto específico de guarda redes. Os restantes
atletas, por via do pouco (ou nenhum) contato anterior com o andebol revelam
muitas dificuldades ao nível motor e de entendimento do jogo.

Numa perspetiva coletiva, tendo em conta a forma como se organizaram


e constroem soluções táticas, verificou-se alguma homogeneidade tanto nos
momentos ofensivos, como nos momentos defensivos.

Desta forma, o planeamento formulado para esta equipa foi executado


seguindo uma lógica de ciclos e períodos, mesmo tendo em consideração que
se trata de uma equipa da formação. As diferentes fases da competição
serviram de critérios para temporizar os períodos, uma vez que representava
um determinado nível de exigência. Houve uma preocupação em criar ciclos de
preparação focados na aprendizagem e consolidação dos conteúdos a abordar,
dentro de uma harmonia de continuidade e de formação a longo prazo. Com
efeito, as inquietações do foro formativo sobrepuseram-se às preocupações
que usualmente se verificam para um rendimento imediato (ganhar jogos).

O plano anual deste escalão (infantis masculinos) edificou-se segundo


um registro de premissas iniciais, por outras palavras, de acordo com a
informação obtida acerca da equipa e dos atletas no seu passado mais
recente, da sua participação competitiva, análise e consequente diagnóstico
executado dentro dos primeiros treinos e jogos. Por cada ciclo competitivo
delimitaram-se objetivos transversais e específicos, de cunho tático, técnico e

75
motor. Foram realizadas também observações trimestrais para cada atleta e
para a equipa no decorrer da sua época desportiva a fim de analisar a sua
evolução e desenvolvimento.

A época desportiva dos infantis iniciou-se com um período pré-


competitivo (Agosto e Setembro), onde os objetivos primários foram os de
elevar os níveis de condição física, coordenação motora e tática-técnica dos
atletas. Com o término deste período, surgiram os períodos competitivos
(Outubro, Novembro, Dezembro, Fevereiro, Março e Maio), com objetivos muito
mais focados para a correção de lacunas detetadas no decorrer dos seus
jogos, ou seja, eram objetivos fundamentados nas estratégias edificadas com o
intuito de criar um desenvolvimento de princípios inerentes ao modelo de jogo
delineados para esta equipa, no início da sua época.

Nas fases de interrupção da competição, foram criados períodos de


transição (Janeiro, Junho e Julho) com foco na melhoria das capacidades
coordenativas e condicionais, bem como no aperfeiçoamento da técnica
individual dos atletas.

Deste modo, este plano anual funcionou, de certa forma, como um fio
condutor para as decisões que foram tomadas, dentro de uma dimensão mais
macro ou micro do processo (ver Anexo IV).

Tempo de preparação

A época desportiva desta equipa teve uma duração de 11 meses e meio, o que
perfaz um total de 50 semanas. As sessões de treino eram realizadas durante
3 dias semanais, o que dá um total de 150 sessões de treino. Os treinos eram
ministrados à terça-feira, quinta-feira e sexta-feira, sendo que os jogos foram
realizados exclusivamente aos sábados e domingos (variando entre as manhãs
e tardes).

76
6.4. Treino

O treino resume-se a um conjunto de estímulos organizados, planeados


e realizados, ao longo do tempo, com único objetivo de aprimorar o
desempenho numa determinada atividade.

Citando o autor Teodorescu (1987, citado por Castelo, 2002, p. 100): “O


Exercício de Treino pode ser definido como um ato motor sistematicamente
repetido cuja essência assenta na realização de movimentos de diferentes
segmentos do corpo, executados simultaneamente ou sucessivamente,
coordenados e organizados numa estrutura segundo um determinado objetivo
a atingir. Cada movimento e o exercício, no seu conjunto, devem ter, entre
outras especificidades: direção, amplitude, velocidade, duração, ritmo e tempo
de duração”.

De acordo com conceituados estudiosos do fenómeno desportivo, entre


os quais se destacam Matviev (1997), Teodorescu (1984) e Bompa (1990), o
pilar de todo o processo de treino desportivo é o exercício de treino,
responsável por todas as alterações no rendimento dos atletas. Encarado como
a ferramenta indispensável do treinador para potenciar a formação e o
desenvolvimento dos seus atletas, a sua utilização torna-se fulcral para que se
alcance o objetivo de um modo eficaz. Para que ocorra uma resposta
adequada e eficaz por parte dos atletas às exigências competitivas, é
necessário ter em consideração que o sucesso obtido no treino, tal como na
competição, está dependente de uma relação direta com a eficácia do exercício
exclusivo.

6.4.1. Sessões e Processo

A sessão de treino representa a unidade mais reduzida de uma


estruturação temporal dentro da representação do processo de periodização do
treino. E é segundo ela que se organizam, dentro de uma sequência lógica e
respeitadora dos princípios biológicos e metodológicos do treino, os inúmeros
exercícios escolhidos para promover o desenvolvimento do atleta ou
simplesmente a sua preparação para a competição em causa.

77
No fundo, é através da sessão de treino que os atletas vão adquirir
novas destrezas táticas e técnicas, não esquecendo também as melhorias ao
nível da condição física, da autoconfiança, motivação e segurança, todos estes
elementos indispensáveis para que os atletas consigam levar a bom termo os
objetivos individuais, coletivos e desportivos.

Para que se garanta uma sessão de treino eficaz, é fundamental que


ocorra uma congruência entre a sua constituição e os objetivos principais que
foram definidos inicialmente. Bompa (1999), afirma que a relação necessária
de todas as partes de uma sessão é formalizada da seguinte forma:

 Parte introdutória: até 5%;


 Parte preparatória: entre 15 a 20%;
 Parte principal: entre 50 a 70%;
 Parte final: entre 5 a 10%.

O processo de treino desta equipa, passou necessariamente por uma


série de etapas que foram adoptadas para que se possibilitasse determinar,
planificar e consequentemente aplicar as ações idealizadas inicialmente. Desta
forma, foi realizado um esforço categórico para colmatar as falhas evidentes
nos jogadores. Foi efetuada uma análise e avaliação da situação dos atletas,
seguida de uma aplicação dos princípios de treino e por fim uma apreciação
das ações tomadas para determinar o grau da sua eficácia.

O processo de treino é fundamentado segundo um modelo de jogo


estabelecido e organizado segundo princípios, subprincípios e subprincípios
dos subprincípios de jogo (Oliveira, 2002).

A essência do treino aplicado ao longo desta época desportiva foi criar


situações para uma repetição coerente, sistemática, progressiva e organizada
de uma panóplia de exercícios fundamentais e entendidos como sendo os mais
apropriados para que se atinja um modelo individual e coletivo ótimo ao nível
das capacidades motoras, das capacidades tático-técnicas e também das
capacidades psicológicas.

78
Deste modo, realizou-se por cada microciclo, três treinos distribuídos ao
longo da semana (terça-feira; quinta-feira e sexta-feira), sendo que o primeiro
treino da semana tinha uma duração de 75 minutos, o segundo 60 minutos e o
último 120 minutos.

A época prolongou-se 46 semanas consecutivas, perfazendo um total de


148 sessões de treino, ou seja, 210 horas de treino anuais.

Quadro 4. Período de treino semanal dos Infantis Masculinos.

TREINOS
DIAS Terça-feira Quinta-feira Sexta-feira
DURAÇÃO 75 minutos 60 minutos 120 minutos
Esc. Irene
LOCAL Pavilhão Lima Col. Dom Duarte
Lisboa

79
6.5. Resultados e Avaliação de Desempenho

6.5.1. Calendário Competitivo

A equipa infantil masculina competiu a nível nacional, participando no


campeonato nacional masculino – PO15, onde o regulamento da prova (ver
Anexo I) é apresentado na seguinte forma:

1ª Fase da PO15 – Prova da FAP organizada pela AAP por delegação de


competências.
Antes do início de competição, foi realizada uma inscrição das equipas
na Federação Portuguesa de Andebol de modo a terem permissão para
participar em competições federadas a nível nacional. Seguidamente foram
apuradas as equipas que iriam disputar os jogos do Campeonato Nacional de
Infantis Masculinos, sob a forma de sorteio aleatório. O sorteio teve início no
dia 17/09/2013 e consequentemente o campeonato arrancou no dia 12/10/2014
e teve o seu término no dia 26/05/2014.
Esta prova (campeonato nacional infantis masculinos) foi disputada por
distintas fases com o objetivo de permitir a entrada de novas equipas e assim
ser possível ajustar os níveis competitivos das equipas em competição.
Constituíram-se grupos que jogaram TxT a 1 volta.
No início da época (mês de Outubro) teve início a competição a nível
nacional (1ª Onda – Série A Campeonato Nacional Infantis Masculinos),
constituída por cinco jornadas. Os jogos desta competição serviram, desde
logo, como preparação e integração de novos jogadores, tendo sido para
alguns a primeira experiência competitiva.

No decorrer destes jogos, observou-se rapidamente que os jogadores


apresentavam grandes lacunas e dificuldades no processo defensivo (postura
defensiva incorreta, falta de “ofensividade” na defesa, incapacidade e
desconhecimento de como defender). Apesar de apresentarem também uma
notória falta de entrosamento no que diz respeito ao processo ofensivo,
revelavam ser uma equipa com objetividade e alguma facilidade na finalização,
em particular da zona dos pontas (1ª linha).

80
Com o término desta 1ª Onda do Campeonato Nacional, notou-se uma
crescente melhoria ao longo das jornadas, especialmente em termos
defensivos, onde a equipa mostrou ter uma visão clara sobre como se
movimentar e como responder à ação do adversário. No entanto, apesar de
também ter ocorrido uma evolução no processo ofensivo, esta foi mais ténue,
uma vez que a utilização do drible era uma constante e a circulação da bola
demasiado prolongada, retirando objetividade ao ataque (perdiam capacidade
para criar situações de contra-ataque ou ataques rápidos). Assim, neste ciclo
de época foi dado particular ênfase à exercitação e consolidação da transição
ofensiva, consequência das dificuldades constatadas.

Nestas cinco jornadas que a equipa realizou, saiu vitoriosa em três jogos
(dois deles jogados em casa) e foi equipa derrotada nos dois restantes jogos
(um deles jogado em casa). Abaixo segue-se o Quadro 5, ilustrativo desta
competição:

Quadro 5. Calendário da 1ª Onda – Série A Campeonato Nacional Infantis Masculinos.

Mês Outubro Novembro


Onda-Série 1ª Onda – Série A
Data 12/10/2013 19/10/2013 26/10/2013 02/11/2013 09/11/2013
Local Pavilhão Mun. Pavilhão Lima Pavilhão Lima Pav. FC Gaia
Lima Gueifães
Hora 10:00 11:00 10:00 10:00 15:00
Jogo Macieira CDC Santana Padroense FC Gondomar FC Gaia
Andebol Club Cultural
Jornada 1 2 3 4 5
Resultado 25-20 26-14 20-18 22-31 19-28
Classificação 3º classificado
Final

No decorrer da competição nacional, a equipa apurou-se para a 2ª Onda


e passou a pertencer ao lote da Série B, uma vez que não ficou nos dois
lugares cimeiros que lhe garantiam a presença no grupo da Série A. Nesta
Onda, a equipa sofreu várias derrotas e revelou, uma vez mais, as suas
fragilidades defensivas e emocionais.

O desempenho no processo ofensivo mostrou melhorias ao nível de


circulação de bola e redução da utilização drible (forte instrução nos treinos
para uma prática mais frequente de contra-ataque e ataque rápido), contudo a

81
equipa apresentava claras dificuldades na finalização (jogadores apresentavam
uma deficiente postura de remate, pouca convicção e falta de preparação para
finalizar). Quanto ao processo defensivo, a equipa mostrava sinais
preocupantes, uma vez que não era capaz de recuar para linhas defensivas, no
momento imediato à perda da posse de bola, ou após finalização, o que dava
origem a que as equipas adversárias conseguissem finalizar com facilidade
(através de contra-ataque, ataque rápido, penetrações nos espaços vazios).
Nesta Onda a equipa conseguiu apenas um empate (jogo em casa) e os
restantes jogos acabaram em derrota (duas delas jogadas em casa).

Os jogos realizados pela equipa sempre que saiu na condição de


derrotada mostraram-se demasiado dilatados e uma vez mais evidenciaram a
enorme instabilidade emocional da equipa (jogadores sempre que se viam a
perder por um resultado com diferença superior a 4 golos, facilmente se
descontrolavam, perdendo a noção do espaço, deixavam de defender após
atacarem, cometiam faltas desnecessárias e protestavam frequentemente com
os intervenientes do jogo).

Desta forma, na tentativa de colmatar estas falhas foi colocado o foco no


processo defensivo de forma a instruir os atletas a terem percepção da sua
posição no terreno de jogo, bem como a serem capaz de dar resposta
adequada à ação praticada pelo seu adversário (foram realizados exercícios
que privilegiavam fortemente a defesa e essencialmente a forma correta de
defender). O fator emocional foi, também, preocupação assente no decorrer
dos treinos, de forma a criar nos atletas uma maior maturidade de modo a
conseguirem dar a melhor resposta em situações de adversidade
(eventualmente eram criadas situações nos treinos em que, intencionalmente,
se deixava por marcar algumas faltas que fossem ocorrendo em situação de
exercício de jogo; sempre que o jogador protestava, toda a equipa sofria uma
penalização).

No fim desta 2ª Onda, ocorreu uma paragem no campeonato, de cerca


de um mês, tendo-se aproveitado para trabalhar afincadamente os seus
processos ofensivos e defensivos. Durante esta paragem, a equipa participou,

82
também, no Torneio Kaky Gaia 2013 (ver Anexo VI), o que possibilitou reavaliar
o nível de desempenho dos alunos, que diz respeito às dificuldades detetadas
e ao trabalho realizado.

A equipa mostrou sinais evidentes de evolução, essencialmente no


processo ofensivo, mostrando uma maior capacidade de perceber quais os
momentos ideais para uma saída para o contra-ataque e ataque rápido e qual o
momento ideal para realizarem um ataque organizado. Quanto ao processo
defensivo, a equipa evoluiu, embora que numa menor escala, adquirindo
noções de como contatar corretamente o adversário, além de compreenderem
a importância de se reposicionarem defensivamente após uma situação de
ataque (ganharam uma taça que privilegiava a equipa que menos sansões teve
ao longo de todo o torneio).

Em seguida segue-se o Quadro 6, onde se dá conta da competição


nacional de infantis masculinos.

Quadro 6. Calendário da 2ª Onda – Série B Campeonato Nacional Infantis Masculinos.

Mês Novembro Dezembro Janeiro


Onda-Série 2ª Onda - Série B
Data 23/11/2013 01/12/2013 08/12/2013 14/12/2013 21/12/2013 12/01/2014
Local Col. Pavilhão Est. Vig. Pavilhão Lima Esc. Sec. Pavilhão
Carvalhos Lima Sport Baltar Lima
Hora 14:00 11:45 17:00 11:45 10:00 11:45
Jogo Col. GC Santo Estrela Padroense CAAEBaltar AA São
Carvalhos Tirso Vigorosa FC Mamede
Jornada 1 2 3 4 5 6
Resultado 32-13 25-33 41-29 24-24 27-17 18-29
Pontuação 11 pontos
Final
Classificação 7º classificado
Final

Com o reiniciar do período competitivo, a equipa chegou à 3ª Onda e


mais uma vez reposicionou-se na série C, visto os resultados obtidos na Série
anterior terem sido negativos. Nesta nova Onda, a equipa realizou um total de
seis jogos, dos quais quatro deles foi a equipa vitoriosa (dois desses jogos
foram em casa) e nos restantes dois jogos saiu derrotada (um deles em casa).
Apesar das quatro vitórias obtidas nesta fase, a equipa não foi capaz de

83
apresentar resultados satisfatórios face aos seus adversários, sofrendo
“derrotas pesadas”.

Nesta 3ª Onda (equipas com nível mais baixo) a equipa mostrou uma
notória evolução ao nível emocional e foi capaz de manter a estabilidade na
maioria dos jogos disputados (deixaram de protestar com os intervenientes do
jogo, não se descontrolavam mesmo quando se viam a sofrer por uma
diferença grande, mostraram uma atitude sempre positiva nos jogos).

O processo ofensivo mostrou alguma evolução no que diz respeito à


circulação da bola, à ocupação racional dos espaços e às saídas para o contra-
ataque (equipa fazia corretas saídas para contra-ataque com grande eficácia,
dispunham-se corretamente pelo campo sabendo cada um em que posição
deveria colocar-se e circulavam a bola com maior velocidade e objetividade).
Quanto ao processo defensivo, a equipa mostrou sinais evidentes de uma
melhoria ao nível da recuperação defensiva e uma consolidação evidente do
sistema defensivo 5:1 (a equipa fechava mais as linhas e defendia com maior
agressividade), contudo sempre que sistema defensivo era alterado a 3:3 ou a
um sistema de defesa individual, a equipa sentia grandes dificuldades em
movimentar-se e acompanhar os seus adversários.

No mês de abril, ocorre nova paragem do campeonato nacional com a


duração de um mês. A equipa não teve qualquer participação em torneios.

Segue-se abaixo o Quadro 8, ilustrativo desta competição:

Quadro 7. Calendário da 3ª Onda – Série C Campeonato Nacional Infantis Masculinos.

Mês Fevereiro Março


Onda-Série 3ª Onda - Série C
Data 08/02/2014 15/02/2014 22/02/2014 08/03/2014 16/03/2014 22/03/2014
Local Esc. Irene Pavilhão Col. Pavilhão Mun. Pavilhão Lima
Lisboa Lima Carvalhos Lima Amarante
Hora 15:00 16:30 15:00 10:00 16:45 11:30
Jogo GC Padroense GD Col. ADA Maia- AD C.A.Penafiel
Universal FC Carvalhos B Ismai Amarante
Jornada 1 2 3 4 5 6
Resultado 19-29 8-23 19-18 23-22 20-26 22-19
Pontuação 14 pontos
Final
Classificação 3º classificado
Final

84
Na 4ª e última Onda onde se dá o reinício do período competitivo, com
mais cinco jogos disputados. Mais uma vez a equipa entra numa nova Onda, e
transita para a Série B (com nível mais elevado de equipas), visto ter ficado nos
lugares cimeiros da Onda anterior. Infelizmente, nesta última fase competitiva,
a equipa não teve o melhor dos resultados, saindo derrotada em todos os jogos
que disputou (a evolução e supremacia das outras equipas tornou-se evidente,
a equipa não teve capacidade para criar situações de resposta ás ações
criadas pelos seus adversários).

No entanto, a equipa demonstrou ter adquirido um leque de soluções


para os seus processos ofensivos e defensivos que não possuía anteriormente.
Mostrou-se ser uma equipa mais coesa, com um correto sentido de orientação
espacial, uma boa capacidade na transição ofensiva, com forte utilização de
ataques rápidos, com penetrações nos espaços vazios, criação de
superioridade numérica (décalage) e rápida perceção do contra-golo.

No que se refere ao processo defensivo, esta equipa ainda mostrou ter


algumas limitações, especialmente quando se privilegiava o sistema defensivo
individual (jogadores tinham grande dificuldade em acompanhar e impedir o
adversário de atacar o alvo). Em contrapartida, adquiriram uma forte
consciencialização e consolidação do sistema defensivo 5:1 demonstrando boa
agressividade e controlo do adversário.

O Campeonato Nacional de Infantis Masculinos dá-se por encerrado no


dia 24/05/2014, com a equipa a ficar colocada no sexto (e último) lugar da 4ª
Onda da Série B.

85
O Quadro 9, é referente a esta competição:

Quadro 8. Calendário da 4ª Onda – Série B Campeonato Nacional Infantis Masculinos.

Mês Abril Maio


Onda-Série 4ª Onda – Série B
Data 27/04/2014 01/05/2014 10/05/2014 17/05/2014 24/05/2014
Local Mun. Mun. Canidelo Pavilhão Mun. Padrão Pavilhão Lima
Ermesinde Lima Légua
Hora 15:00 10:30 11:00 15:00 17:00
Jogo C. P. Natação IC GD Col. Padroense Gondomar
Madalenense Carvalhos B FC Cultural
Jornada 1 2 3 4 5
Resultado 27-13 32-22 16-17 29-17 24-26
Pontuação Final 5 pontos
Classificação 6º classificado
Final

Com o término desta fase de competições nacionais, inicia-se uma nova


fase de competição, desta vez sob a forma de torneios. O primeiro torneio
disputado, após o encerramento da competição nacional, foi o Torneio do
“Lagarteiro pela Igualdade – 2014” (ver Anexo VI). Este torneio teve a duração
de apenas um dia, onde a equipa disputou um total de 5 jogos, chegando a
disputar a semifinal da competição, classificando-se na terceira posição.

Em seguida, ocorreu a participação no Torneio “Garci Cup 2014”, em


Estarreja, durante 5 dias. Nesta competição a equipa debateu-se com distintas
equipas, disputando um total de cinco jogos, tendo vencido 2 e perdido 3. Com
o encerramento do Torneio, a equipa ficou classificada no 13º lugar, num total
de 16 equipas (ver Anexo VI).

De volta a casa, a equipa teve a oportunidade de participar num Festand


de andebol de Praia aclamado por “Festand Andebol 4Kids“, que decorreu nas
praias de Matosinhos e de Canide Norte, respetivamente. Nesta competição
(meramente lúdica) a equipa foi primeira classificada, ganhando todos os jogos
(8) disputados nos dois dias deste torneio, mostrando-se bastante superior às
restantes equipas (ver Anexo VI).

A época desportiva encerrou com o último torneio em que a equipa se


fez representar, o Torneio “Maia Handball Cup 2014” (ver Anexo VI). Neste
torneio a equipa teve a oportunidade de defrontar adversários não só

86
nacionais, mas também internacionais (equipa espanhola-SD Teucro). Este
torneio foi extremamente produtivo e a equipa deu uma óptima resposta às
exigências transmitidas no decorrer dos treinos executados ao longo desta
época desportiva. Com um total de nove jogos, a equipa venceu sete deles e
perdeu apenas dois (incluindo o jogo da final).

Com efeito, esta equipa, no decorrer da sua época desportiva, realizou


um elevado número de jogos, indispensáveis para criar condições óptimas de
evolução da equipa e dos próprios jogadores. Desta forma, como facilmente se
consegue observar, a distribuição do número de jogos no decorrer da época
desportiva não se mostrou ser de todo uniforme.

No decorrer dos meses de Dezembro e de Julho o número de jogos


realizados pela equipa foi muito elevado, o principal fator para que tal
acontecesse foi o facto da equipa ter participado em torneios nesses períodos.
Quanto aos meses seguintes, verificou-se que a equipa realizava uma média
de um jogo a cada sete dias, à exceção dos meses de Janeiro e Abril (a equipa
apenas realizou um jogo em cada um destes meses), o que se mostra ser um
número adequado para que a equipa tenha tempo de assimilar toda a
informação transmitida no decorrer dos treinos e poder assim corrigir as falhas
e consolidar os seus conhecimentos ao longo de toda a sua época desportiva.

6.5.2. Avaliação Sumativa Trimestral (Treino e Jogo)

A análise do jogo deve ser interpretada de acordo com o estudo do


próprio jogo, assumindo como essencial a observação da atividade dos
jogadores e suas equipas (Garganta, 2001).

Garganta (1998) afirma que a análise do jogo varia em distintos aspetos:


i) característica e especificidade da modalidade; ii) desempenho da própria
equipa; iii) condição do adversário. Acresce que, e como refere Araújo (1995),
a simples ação de observar e analisar deve centrar-se, particularmente, na
incumbência de formar integralmente os atletas, utilizando o jogo
exclusivamente como um meio para alcançar esse objetivo. Assim, e dado que
se tratava de uma equipa de formação, a análise do jogo realizada visava

87
clarificar o comportamento e dificuldades dos jogadores e da equipa. Não
sendo possível realizar um registo minucioso de todos os comportamentos,
alvo de atenção por parte dos treinadores, optou-se por fazer uma análise
estatística apenas aos golos marcados e sofridos ao longo da sua época
desportiva e em situação de jogo, que serviu à realização de uma base
avaliação formativa de cada um dos jogadores, de forma trimestral. Esta
informação tinha acima de tudo um objetivo motivacional. Paralelamente,
procedeu-se à realização de relatórios individuais mas de natureza mais
apreciativa e subjetiva, mas com enfoque mais condicional, coordenativo,
técnico, tático ou até disciplinar.

Assim, o registo e análise de número de golos marcados, foram


efetuadas de forma contínua e sistemática, desde o 1º jogo realizado na
primeira fase do campeonato nacional até ao seu último jogo da última fase da
competição. Deve ser referido ainda que todos os jogos disputados sob a forma
de torneios não foram incluídos para esta análise.

Não obstante, a literatura revelou ser escassa em termos de métodos de


avaliação e controlo do treino com foco essencialmente para o jogo de andebol,
particularmente para a formação.

Assim, a análise subjetiva e apreciativa do desempenho da equipa e de


cada jogador em particular, realizada de forma contínua, englobando os treinos
e os jogos, foi sempre acompanhada de procedimento reflexivos acerca da
adequação do processo de treino e orientação dos jogadores. Na verdade, as
dificuldades detetadas em competição foram determinantes para reajustar os
planos de treino e a orientação do trabalho. Certo de que este tipo de que a
observação e análise do jogo é um método decisivo na regulação do processo
de treino, como defende Garganta (1997).

Naturalmente que a aplicação de métodos de observação e análise


validados, rigorosos e de forma sistemática poderiam facultar ao treinador outro
tipo de informação, muito provavelmente mais realista e adequada, contudo tal
não foi realizado dadas as exigências técnicas e de tempo.

88
6.5.2.1. Equipa

Precedeu-se, ainda, a uma análise da distribuição de golos marcados e


sofridos ao longo da época desportiva (Gráfico 1), tendo-se verificado um saldo
negativo entre os golos marcados e sofridos.
O primeiro momento (1) é referente à primeira fase competitiva (PO 15
Campeonato nacional infantis masculinos - 1 onda - série A), disputada num
total de 5 jogos. Nesta fase a equipa foi capaz de marcar 109 golos em toda a
prova, sendo que, sofreu um total de 114 golos. Neste período, a equipa foi
capaz de vencer 3 jogos e perder apenas 2.
No segundo momento (2), a equipa transitou para uma fase
aparentemente de menor grau de dificuldade (PO 15 Campeonato nacional
infantis masculinos – 2 onda – série B), desta vez tendo disputado um total de
6 jogos. A equipa marcou um total 126 golos em toda a prova, sofrendo um
total de 186 golos. Neste período competitivo a equipa apenas empatou 1 jogo
e perdeu os restantes jogos que disputou.
O terceiro momento (3), faz parte de uma nova fase competitiva, por sua
vez, com um grau menos elevado de dificuldade do que a fase anterior (PO 15
Campeonato nacional infantis masculinos – 3 onda – série C). A equipa
disputou um total de 6 jogos. A equipa foi capaz de fazer um total de 116 golos
em toda a prova e sofreu um total de 186 golos. Nesta fase da competição a
equipa perdeu 3 jogos e ganhou os restantes 3.
Por fim, o último momento (4) é referente à última fase competitiva (PO
15 Campeonato nacional infantis masculinos – 4 onda – série B), com a equipa
a deparar-se com um grau mais acentuado de dificuldade. Nesta fase da
competição a equipa disputou um total de 5 jogos. A equipa fez um total de 92
golos e sofreu um total de 131 golos. Nesta fase da competição a equipa não
ganhou qualquer jogo que disputou.

89
Gráfico 1. Evolução do desempenho da equipa ao longo da época desportiva.

O gráfico retratado abaixo (Gráfico 2), faz alusão às diferenças entre os


golos marcados e sofridos por esta equipa ao longo da sua época desportiva.

Quanto ao primeiro momento (1), a maior diferença de golos alcançada


foi de 9 golos, sendo que a equipa venceu o jogo por 28-19. Quanto à maior
diferença obtida em derrota foi de 12 golos (a equipa perdeu por 14-26).

No segundo momento (2), a equipa não venceu nenhum jogo,


empatando apenas um. Quanto à maior diferença obtida, na forma de equipa
derrotada, foi de 19 golos (a equipa perdeu por 13-32).

No terceiro momento (3), a maior diferença alcançada como equipa


vencedora foi de 6 golos (a equipa ganhou por 26-20). Quanto à maior
diferença obtida como equipa derrotada foi de 15 golos (a equipa perdeu por
8-23).

No quarto e último momento (4), esta equipa não obteve nenhuma


vitória. Quanto à maior diferença obtida como equipa derrotada foi de 14 golos
(a equipa perdeu por 17-29).

90
No cômputo geral, esta equipa foi capaz de marcar um total de 443
golos ao longo de toda a sua época competitiva e sofrer um total de 501. Como
é possível verificar, o saldo tende a ser negativo, com uma diferença de 58
golos entre os golos sofridos e marcados.

Gráfico 2. Diferença entre golos marcados e sofridos ao longo da época desportiva dos infantis.

Como é possível verificar no Gráfico 3 (representativo da percentagem


de vitórias, empates e derrotas globais desta época desportiva), a equipa
perdeu a maioria dos jogos realizados (6 vitórias, 17 derrotas e 1 empate). A
equipa obteve uma percentagem de 27% de vitórias, 5% de empates e 68% de
derrotas. De notar, também, que o maior volume de derrotas foi registado no
término da época (situação em que a equipa se viu a competir com equipas
adversárias com nível superior).

91
Gráfico 3. Resultados globais de derrotas, empates e vitórias.

6.5.2.2. Atleta

O método de avaliação é aquele que mais eficazmente permite tomar


uma decisão no que diz respeito à retenção ou progressão do atleta, uma vez
que confronta resultados absolutos, facultando uma examinação da progressão
do atleta face aos objetivos antecipadamente estabelecidos (Mesquita, 2012).

As avaliações realizadas, em forma de ficha (ver Anexo II), foram


estruturadas ao longo destes três trimestres (perfazendo uma época desportiva
completa e exclusiva nas competições referentes à Federação, ficando
excluíndo assim todos os torneios em que a equipa participou). Estas
avaliações supracitadas tiveram como base uma análise qualitativa de um
conjunto de comportamentos técnico e/ou táticos selecionados. O método de
avaliação adotado teve a virtude de complementar a informação retida
diariamente e servir como meio de aferir, de forma um pouco mais
sistematizada, a adequação do processo de treino a cada um dos jogadores,
procurando maximizar as suas potencialidades.

A época desportiva chega ao fim e inicia-se uma fase de retrospeção


acerca do trabalho desenvolvido, tendo-se concluído que a maioria dos
objetivos e metas traças para cada jogador foram alcançadas, que se
traduziram, grosso modo, na melhoria das suas competências e nível de jogo

92
Uma fração considerável dos atletas apresentaram patamares bastante
satisfatórios na qualidade do seu nível de jogo, no entanto, alguns atletas
precisavam de trabalhar mais arduamente, nomeadamente no que diz respeito
à predisposição para o jogo, sem descurar os aspetos táticos e técnicos
individuais, essenciais para solucionar os problemas que surgem nesta etapa
(fintas com e sem bola, criação de linhas de passe, noção espacial, entre
outros). Estas condicionantes explicam a dificuldade na implementação de uma
maior predisposição ofensiva e defensiva nesta etapa de jogo.

Detetou-se uma melhoria nos distintos índices de performance de jogo,


uma vez que a grande maioria dos atletas sofreram melhorias substanciais no
seu resultado final:

Tomada de decisão com e sem bola

 Executam passes para o colega livre;


 Progridem para a baliza e tinham intenção de rematar;
 Executam penetrações nos espaços vazios;
 Rematam em zonas de finalização mais favoráveis;
 Fixam o seu opositor direto de modo a criar uma superioridade
numérica;
 Defendem corretamente a baliza, colocando-se entre a sua baliza e o
seu adversário;
 Marcam o adversário direto, tentando impedir a sua progressão, com ou
sem a posse de bola;

Execução motora (ofensiva)

 Executam o passe corretamente, direcionado para o colega e com força


adequada;
 Controlam a bola, recebendo-a sempre com as duas mãos e mantendo
contato visual;
 Finaliza com maior sucesso (faz mais golos e com melhor colocação);
 Supera o adversário direto em distintas situações de jogo (com ou sem a
bola), através de fintas de corpo.

93
Execução motora (defensiva)

 Controla corretamente o seu adversário direto (mantém o contato visual


com a bola, aborda o seu adversário de frente e executa o contato de
forma correta, bloqueando o braço de remate);
 Movimentam-se corretamente para criarem maior possibilidade de
desarme do drible, ou para executar uma interceção da bola.

Considerando as preocupações fundamentais subjacentes, o trabalho


permanente que foi posto em prática, bem como o tempo de exercitação que
foi inteiramente dedicado ao conteúdo “tomada de decisão”, seria de esperar
que este fosse um dos conteúdos onde evolução fosse de maior evidência. As
tomadas de decisão sem bola melhoraram consideravelmente na etapa de jogo
dos atletas.
A melhoria do índice da tomada de decisão sem bola, estendeu-se pelo
maior dinamismo que foi atingido nos exercícios mais próximos à situação de
jogo (exercícios como o “bola na linha”, “jogo dos 10 passes”, jogos reduzidos),
fazendo oposição à inércia inicial que era perceptível em alguns. Foi evidente a
evolução nos movimentos considerados indispensáveis para manter a posse
de bola e progressão em direção à baliza, particularmente nas situações de
criação de linhas de passe e execução do “passe e vai” de adiamento e rutura,
obrigando os atletas a procurar criar situações constantes de desmarcação
para zonas mais favoráveis para uma finalização sem oposição.
O Gráfico 3, evidencia claramente o que foi supracitado, relativamente à
tomada de decisão sem bola, apresentando a sua avaliação global (ao longo
dos trimestres) no seio da equipa.

Gráfico 4, Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da tomada de decisão sem
bola.

94
Na tomada de decisão com bola observaram-se igualmente melhorias,
particularmente nos comportamentos considerados fundamentais para manter
a posse de bola, progressão e finalização apropriada (ver Gráfico 4).
Evidenciou-se uma maior disposição relativa à seleção do passe para os
colegas de equipa que se encontravam livres ao invés de realizarem passes
para colegas que se encontravam sob uma marcação adversária.

Gráfico 5. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da tomada de decisão com
bola.

No que diz respeito à execução motora, foram notórias as melhorias


obtidas. Obviamente que a evolução deste parâmetro apenas se proporcionou
devido ao abundante tempo de exercitação e desenvolvimento da tática e
técnica individual que foi empreendido. Deste modo, para que o seu jogo de
andebol fluísse com maior facilidade, dinamismo e eficácia foi essencial que os
atletas adquirissem um reportório motor que lhes facilitasse a colocação em
prática das suas intenções não só ofensivas mas também defensivas.
Deste modo, o passe e a receção tornam-se dois dos comportamentos
que maior evolução apresentaram. Apesar disso, existem ainda alguns
componentes críticas a apontar nestes aspetos, como o controlo da força e a
direção do passe (ver Gráficos 5 e 6). É também um sinal de destaque o facto
dos atletas terem adquirido maior consciência dos momentos de utilização do
drible, compreendendo que o mesmo deveria ser utilizado exclusivamente em
situações de recurso, como forma de finta ao seu adversário direto, progressão
para a baliza sempre que as linhas de passe eram inexistentes (ver Gráfico 7).
Estes três parâmetros produziram um crescimento das competências
dos atletas principalmente pela introdução de exercícios que naturalmente
obrigavam a que estes parâmetros estivessem constantemente presentes (ver
Figuras 3, 4 e 5).

95
Gráfico 6. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da recepção.

Gráfico 7. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do passe.

Gráfico 8. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do drible.

Quando se fala no padrão motor do remate e consequente finalização,


nomeadamente a escolha da utilização do remate em salto em aproximação
para a baliza, a correta colocação do “Braço em cima” e do salto com o pé
contrário ao membro superior do remate, a sua evolução foi considerável (ver
Gráficos 8 e 9). Estes dois princípios sofreram uma evolução no desempenho
dos atletas, especialmente pela utilização constante e necessária de feedbacks
dos treinadores nos momentos ideias de remate e consequente finalização.

96
Gráfico 9. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do remate.

Gráfico 10. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da finalização.

O duelo individual foi uma das grandes preocupações presentes no


decorrer da época desportiva, uma vez que este aspeto seria também
fundamental para que a situação ofensiva pudesse ter índices positivos de
sucesso. Apesar da maior eficácia visível na finta sem bola em momentos de
fuga de uma defesa individual, a finta com bola revelou algumas falhas no que
diz respeito ao ataque ao espaço e numa mudança abrupta de direção (ver
Gráfico 10).
Desta forma, o aspeto do duelo individual mostrou melhorias
consideráveis ao longo desta época desportiva, tendo como fator de maior
contribuição para tal o leque de exercícios tipo escolhidos para que estas
situações de finta com e sem bola estivessem presentes na maioria das vezes
(ver Figuras 2, 3 e 4).

97
Gráfico 11. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do duelo individual.

A fase das questões defensivas, evidenciou-se como a que criou


maiores dificuldades na aprendizagem e desenvolvimento dos atletas, contudo
não foi por essa razão que os resultados deixaram de ser positivos. As grandes
dificuldades que os atletas sentiram desde início visavam sobretudo as noções
de posicionamento e movimentação (como abordar o atacante adversário).

Desta forma foram criados exercícios que promoviam o contato entre os


atletas de forma a adquirirem mais rapidamente e com maior facilidade as
noções básicas defensivas, tais como o controlo do adversário propriamente
dito (estar sempre entre o adversário e a sua própria baliza) e a forma de o
contatar (frontalmente e especialmente na zona do peito e ombros).

Face ao investimento sobre a questão do controlo do adversário seria de


esperar um resultado ligeiramente superior neste aspeto, sendo assim
comprovado como o comportamento que se mostrou ser mais regular e com
eficácia do ponto de vista da paragem do ataque adversário. No que diz
respeito ao desarme e à interceção, apesar da sua melhoria, foram parâmetros
que não sofreram uma evolução tão acentuada mesmo sabendo serem pontos
de referência no que diz respeito a uma maior eficácia para a recuperação da
posse de bola (ver Gráficos 11, 12 e 13).

98
Gráfico 12. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade interceção.

Gráfico 13. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do desarme.

Gráfico 14. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do contato adversário.

Face aos níveis apresentados nas avaliações iniciais destes atletas, era
espectável que os atletas mais dotados seriam capazes de manter os
resultados superiores face aos restantes colegas. Como acréscimo, devo
constatar que os atletas com melhor nível de desempenho tiveram um papel
muito importante e contribuíram determinantemente para a evolução dos
atletas menos dotados, incentivando-os, deste modo, a melhorarem
significativamente o seu nível de jogo. Também não se mostrou nenhuma
surpresa que os atletas que no decorrer da época se mostraram ser os mais
empenhados e com maior vontade para treinar fossem também aqueles que

99
tiveram uma maior evolução e, consequentemente, melhoria da sua
performance.
Tendo em consideração o nível atingido destes atletas, num futuro
próximo, acredito que a equipa, de um modo geral, se encontra preparada para
uma introdução de novos modelos ofensivos e defensivos no seu jogo. Ainda
assim é necessário refinar vários aspetos, especialmente, no que diz respeito à
dinâmica e predisposição para o jogo, bem como nos aspetos relacionados
com a tática e a técnica individual, fundamentais para criar soluções para os
problemas que surgem nesta etapa da sua formação.

100
Equipa de Minis
VII. Equipa de Minis

7.1. Modelo de Jogo

Analisando a iniciação desportiva de um modo geral, facilmente se


constata que a sua evolução tem ocorrido lentamente. Verifica-se
frequentemente que a influência aplicada no fenómeno desportivo tem vindo a
ser encaminhada para uma visão da criança como um futuro campeão,
construindo-se a partir dessa ideia todo o seu processo de formação segundo
uma replicação do modelo de competição (modelo adulto).

Para evitar esta insustentável forma de trabalho, o modelo de formação


de qualquer clube deve necessariamente ter uma coerência e uma aplicação
racional, tornando-se fundamental que o processo de formação se norteie
segundo princípios e objetivos bem delineados e capazes de serem aplicados a
todos os escalões representantes do clube (Lemos, 2005). Deste modo, torna-
se fundamental que qualquer clube tenha de “ser alicerçado numa filosofia que
contemple a existência de um Modelo de Jogo, o qual, por sua vez, orientará a
concepção de um Modelo de Treino e de um complexo de exercícios, de um
Modelo de Jogador e mesmo de um Modelo de Treinador. ” (Leal & Quinta,
2001, p. 27).

O Modelo de Jogo deve basear-se nos princípios de jogo, respeitando


uma relação entre os comportamentos táticos ofensivos, defensivos e de
transição ofensiva e defensiva, entendidos pelo objetivo que o treinador tem,
para além de todo um conjunto de atitudes, comportamentos e valores
indispensáveis para que possibilitem uma caracterização e organização de
todos os processos quer respeitando os termos pessoais, quer respeitando os
termos fundamentais da equipa. Resumidamente, segundo a óptica do clube
formador, o modelo de jogo terá necessariamente de ser a base de sustento da
formação e desenvolvimento de jogadores capazes de interpretar e vivenciar
as exigências e particularidades patenteadas (Leal & Quinta, 2001), para que
consigam alcançar futuramente uma maior probabilidade de sucesso seja na
equipa principal do seu clube, ou mesmo noutras equipas em que fique
inserido.

103
No decorrer do treino, os jogadores devem necessariamente ser
conduzidos a uma compreensão do jogo, bem como à forma como se pretende
jogar (Oliveira, et al., 2006). Deste modo, fica evidente que ter em posse uma
referência do modelo de jogo é um dado imprescindível para se poder construir
um processo de treino eficaz.

No que diz respeito à formação, apesar de haver uma consciência que


cada escalão apresenta as suas próprias características e singularidades,
torna-se imperativo que se forme uma base orientativa capaz de nortear o
treino e estabelecer assim uma ligação com os restantes escalões do clube.
Assim, para obtenção do sucesso, objetivo basilar de qualquer clube, através
da implementação de um modelo de formação, será alcançado se para tal se
uniformizar um modelo de treino de modo a criar um método de trabalho
semelhante em todos os escalões de formação e até mesmo de um modelo de
exercícios, obviamente adjudicados ao modelo de jogo implementado (Leal e
Quinta, 2001).

104
7.2. Objetivos

A prática desportiva assume um papel elementar para a formação de


qualquer indivíduo, seja enquanto pessoa ou atleta. Porém, não é suficiente
praticar desporto para que o processo de formação garantidamente
desencadeie uma promoção desse desenvolvimento (Mesquita, 1997).

A formação desportiva de crianças e jovens afirma-se como uma


reprodução completamente oposta à posta em prática com adultos, deve ser
caracterizada como um processo que beneficie de forma geral a sua formação,
por intermédio de atividades físicas e desportivas proveitosas a um
desenvolvimento das capacidades e qualidades físicas, tornando-se assim um
fator indispensável para a realização particular do ser humano (Lima, 1988).

Corroborando com esta mesma linha de pensamento, Constantito (2002,


p. 152) sugere que o trabalho aplicado na formação desportiva não é exclusivo
para tarefas centradas numa aprendizagem de habilidades técnicas de uma
qualquer modalidade, mas deve ser também encarado como um processo de
desenvolvimento de condições físico-desportivas que facilitem ao jovem, assim
que atingir a idade adulta, adquirir “a expressão máxima de rendimento no
domínio dessas técnicas”. Não obstante, a ânsia de ganhar obriga a uma
incorreta forma de ensino e treino, criando erros tático-técnicos frequentes que,
numa etapa subsequente, forçarão a correções constantes e que naturalmente
se vão refletir na competição, onde aqui sim se procuram objetivos imediatos
(Pacheco, 2001).

Para contrariar esta tendência, Mesquita (1997) refere que é imperativo


assumir e encarar a formação como uma ação precedente à especialização, a
qual, para que tenha sucesso no futuro, alvitra a existência de alicerces
conquistados no decorrer do período de formação dos atletas. Estas bases
devem ser sistematizadas precocemente, tendo como principal pressuposto a
qualidade do processo de treino e também da intromissão das pessoas
encarregues dessa orientação. Segundo Marques (1991), a implementação
de uma preparação desportiva numa fase inicial, não implica que seja
necessariamente interpretação para uma especialização precoce, “desde que

105
sejam respeitadas as leis do treino e o processo de desenvolvimento do atleta.
” (Mesquita, 1997, p. 39).

Citando Marques (1991, p. 11): “O facto de em todas as modalidades


desportivas se iniciar a preparação desportiva cada vez mais cedo revela-se
positivo, constituindo um processo permanente de vários anos, com objetivos
claros e distintos para cada uma das fases do processo”.

Desta forma, torna-se evidente que a formação desportiva da criança


perpetua um traço basilar na globalidade da sua preparação desportiva, sendo
que as definições de objetivos se mostram fundamentais em cada etapa do
processo de formação, de modo a despoletar o seu desenvolvimento
harmoniosamente (Mesquita, 1997).

Se o trabalho de base (formação) for esquecido, a possibilidade de


progressão do atleta no futuro será ínfima. É pelas mãos dos treinadores de
base, preocupados num desenvolvimento das crianças, que imergirão os
grandes protagonistas do nosso futuro desportivo.

O andebol apresenta-se com uma estrutura de jogo complexa, através


de uma exigência notória de execuções técnicas particulares, bem como de
desenvolvimento tático e estratégias intrínsecas. Contudo, aos olhos da
criança, as exigências desportivas tornam-se, por norma, num obstáculo ao
seu objetivo (diversão) visto não haver clara facilidade em reproduzir essa
satisfação no jogo formal.

Todos os problemas e lacunas desta equipa foram sendo detectados ao


longo das sessões de treino e dos jogos que se iam realizando. A observação
do jogo foi uma ferramenta fundamental para detectar e sistematizar os erros e
as limitações que a equipa ia demonstrando no aspeto tático. O primeiro
momento de observação do jogo tinha como função esboçar um diagnóstico
minucioso do desempenho da equipa e dos jogadores em situação de
competição. Nos restantes momentos foram realizadas inúmeras observações
que tiveram como base o controlo da evolução e do ajustamento do processo
de treino.

106
A observação nesta equipa em particular, foi utilizada como um
instrumento auxiliar para fornecer indicadores relevantes para a construção de
propostas de trabalho. A necessidade de manipulação e apropriação da bola,
assim como a ânsia de jogar por parte destes pequenos atletas, vem reforçar a
importância dos momentos de carácter lúdico nestas idades.

No Quadro nº 15 estão ilustrados os problemas encontrados com base


no primeiro jogo oficial da equipa, referente ao Torneio de Minis Masculinos da
Associação de andebol do Porto (03 de Novembro de 2013).

Quadro 9. Quadro 15. Erros e limitações dos minis masculinos nos processos ofensivos e defensivos.

PROCESSO OFENSIVO PROCESSO DEFENSIVO


- Pouca profundidade de jogo; - Incorreta posição dos
- Circulação de bola com apoios;
jogadores pouco móveis; - Colocação errada entre
- Ataque da baliza iniciado atacante direto e baliza;
ERROS
com drible; - Colocação errada entre a
- Tomada de decisão errada, bola e atacante direto;
após juntarem dois - Pouca agressividade
defensores não executam o defensiva;
passe. - Saída ao portador de bola
inexistente.
- Tomada de decisão frequentemente errada;
- Transições defesa–ataque efetuadas em drible ou em ritmo
lento;
LIMITAÇÕES - Ritmo de jogo lento;
- Reduzida eficácia na finalização;
- Fraca noção de controlo defensivo;
-Reduzida mentalidade “ofensiva” na defesa.

A criança não pode ser encarada como um adulto em miniatura, desta


forma, o trabalho realizado na formação e em particular com os Minis
Masculinos, não pode ser comparado com o praticado com adultos. Os
objetivos devem concentrar-se em criar atividades atrativas para os atletas e,
consequentemente, criar e exponenciar uma vontade de continuar a praticar

107
andebol e sentir prazer em fazê-lo. Deste modo, tornou-se claro quais seriam
os objetivos e aspetos que teriam de ser abordados dentro do núcleo desta
equipa, para que fosse notório um desenvolvimento e compreensão do jogo:

Capacidades físicas de desenvolvimento prioritário

 Capacidades coordenativas: coordenação motora, ritmo, equilíbrio,


orientação espacial e tempo de reação;
 Condição física geral.

Capacidades psicológicas de desenvolvimento prioritário

 Motivação e gosto pela prática do andebol.


 Capacitar-se de saber agir numa dinâmica de grupo;
 Adquirir uma atitude de disciplina no treino;
 Consolidar a capacidade de resiliência (superação das dificuldades);
 Estimular a auto-confiança;
 Moderar e regulamentar a agressividade.

Solicitações técnicas específicas da modalidade

 Consolidar e desenvolver habilidades motoras básicas (lançar, saltar e


correr).

108
7.3. Programação, Periodização e Planificação Anual

A periodização apresentada reporta-se à época de 2013-2014, na qual


exercia funções técnicas (treinador) na equipa de andebol do A.F.C. no escalão
de Minis Masculinos que se encontrava a disputar uma Prova Regional.

Garganta (1995, p. 13), citado por Costa, Lima, Matias e Grego (2007, p.
6), refere que “os jogos desportivos coletivos são caracterizados pela presença
frequente de situações de grande imprevisibilidade, fazendo com que os seus
praticantes necessitem adotar permanentemente atitudes táticas e
estratégicas”, tornando-se crucial que se adopte um processo de tomada de
decisão de forma célere.

É evidente que é inviável apropriar-se do modelo utilizado na alta


competição e transportá-lo para a formação, especialmente nesta fase de
iniciação, uma vez que as ações aplicadas nesta fase são de caráter lento,
intermitente e a informação transmitida é centrada exclusivamente na bola, ao
invés do que sucede no alto rendimento, que exige que as ações sejam
rápidas, harmoniosas e com objetivos pré-estabelecidos.

Desta forma, a planificação formulada para esta equipa seguiu uma


lógica transversal à implementada com a equipa de Infantis Masculinos.

A época desportiva dos Minis iniciou-se com um período pré-competitivo


(Agosto e Setembro), onde os objetivos primários seriam os de elevar os níveis
de condição física, coordenação motora e capacidade tática-técnica dos
atletas. Com o término deste período, surgiram os períodos competitivos
(Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro, Fevereiro, Março, Maio e Junho),
com objetivos muito mais focados para a correção de lacunas detectadas no
decorrer dos seus jogos, ou seja, eram objetivos fundamentalmente táticos com
o intuito de criar um desenvolvimento de princípios inerentes ao modelo de jogo
delineados para esta equipa no início da sua época. Nas fases de interrupção
da competição, foram criados períodos de transição (Abril e Julho) com foco
para uma melhoria no que diz respeito às capacidades coordenativas e
condicionais, bem como num aprimorar da técnica individual dos atletas. Este

109
plano anual funcionou, de certa forma, como um fio condutor para as decisões
a serem tomadas, dentro de uma dimensão macro e micro deste processo (ver
Anexo V).

Tempo de preparação

A época desportiva desta equipa teve uma duração de 11 meses e meio,


o que perfaz um total de 50 semanas. As sessões de treino eram realizadas
durante 3 dias semanais, o que dá um total de 148 sessões de treino. Os
treinos eram ministrados à terça-feira, quinta-feira e sexta-feira, sendo que os
jogos seriam realizados exclusivamente aos sábados e domingos (variavam
entre as manhãs e tardes).

110
7.4. O Treino

Oliveira e Franceschini (2009), defendem que todas as crianças têm o


direito imprescindível de brincar e corroboram essa certeza através das teorias
psicológicas realizadas que sugerem que as atividades lúdicas são um fator de
contribuição para um desenvolvimento infantil. A formação do desenvolvimento
para crianças, deve ser praticado com um foco principalmente lúdico
(brincadeiras). Assim, a prática desportiva, deve ser ministrada com um âmago
lúdico e prazeroso.

Knijnik (2004), recomenda que a iniciação à prática do andebol deve ser


executada num ambiente de pura ludicidade. Qualquer momento de prática
desportiva deve ser executado de modo a que a criança obtenha e compartilhe
situações prazerosas enquanto está a aprender a modalidade.

Exigir um aperfeiçoamento dos movimentos ou gestos motores, ou


invocar um leque de soluções táticas complexas nesta fase precoce da criança
deve ser algo a evitar. A iniciação do atleta deve fundamentar-se numa
conjectura aberta. (Gallahue; Ozmun, 2003).

Contudo, Greco (1998) entende que a criança, nesta faixa etária, por
meio do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central, transita para uma
melhoria da sua capacidade coordenativa. Desta forma, despoletará uma
captação e assimilação de informações adequadas, propiciando uma melhoria
da capacidade motora. Tendo estes dados em consideração, o treinador deve
promover na criança um vasto repertório de atividades e exercícios,
ambicionando o aumento da capacidade motora, que se tornará num facilitador
do processo de ensino-aprendizagem nas posteriores fases. É essencial evitar
um treino específico, devendo ter unicamente em mente e como objetivo
fundamental a formação geral dos atletas.

Para os autores Gallahue e Ozmun (2003), as habilidades motoras, na


sua maioria, devem estar bem definidas no que diz respeito a esta faixa etária,
visto ser o período em que reitera a transição das habilidades motoras
fundamentais para outro tipo de habilidades, mais focadas para jogos de

111
liderança e atléticas. É no intervalo de tempo entre os 8 e os 10 anos que
desponta o processo de harmonização das habilidades, permitindo assim, a
formação das técnicas motoras imprescindíveis para a prática do andebol
(Knijnik, 2004).

Na sua óptica, Bompa (2002), sugere que o desenvolvimento multilateral


deve ser evidenciado através da implementação de exercícios específicos que
instruam para as habilidades desportivas fundamentais. Assim, devem ser
incluídas nas habilidades multilaterais um leque de competências como a
corrida, os saltos, as paragens, os lançamentos, o equilíbrio e os rolamentos.

Para tal, devem ser providenciados equipamentos que sejam adequados


especificamente para o universo infantil (bolas com diâmetro e peso mais
reduzidos, balizas e delimitações do campo menores aos dos praticados nas
etapas de competição, uma simplificação das regras de jogo), para que desta
forma, propiciem as condições adequadas para um nível de desenvolvimento
da criança.

Knijnik (2004) afirma que não faz qualquer sentido pôr em prática um
escrutinamento de regras e táticas, que na sua maioria são em tudo
incompreensíveis e impraticáveis pelos atletas nesta idade e nesta fase de
iniciação.

Resumidamente, compete ao treinador habilitar e incentivar os atletas a


fazerem parte de exercícios que amplifiquem e desenvolvam a concentração,
uma vez que trará benefícios para uma boa preparação para o treino e
consequentemente para a competição, devendo enquadrar-se no estágio de
desenvolvimento na formação dos atletas (Bompa, 2002).

Knijnik (2004) apresenta três conceitos indispensáveis para se aplicar na


iniciação ao andebol: i) atividade de oposição: sendo o andebol uma
modalidade desportiva em que a oposição é uma das suas características,
deve ser dessa forma, um dos primeiros conceitos a abordar na iniciação. Esta
modalidade assume ainda outra característica particular, o contato físico,
exigindo assim que a criança crie uma adaptação desde cedo a situações de

112
contato, para que seja capaz de desenvolver o seu jogo com maior sucesso
nas fases posteriores; ii) automatismos inconscientes: mecanizar movimentos
básicos, por outras palavras, permitir que a criança realize movimentos de
forma natural, sem que exista uma preocupação em demasia. Desta forma a
criança terá maior facilidade para desenvolver outras habilidades e, essa
automatização, será propiciada por um repertório de movimentos mais amplo;
iii) jogar para aprender: nos jogos, a criança será confrontada com inúmeras
situações em que terá necessariamente de tomar decisões e executar
movimentos que só pela experiência do jogo os irá retratar. Assim, o exercício
do jogo assume uma importância fundamental para o desenvolvimento
cognitivo e motor da criança, potencializando a desenvolvimento da
modalidade e, consequentemente, a consciencialização nos distintos extratos
de jogo, sem que para isso seja ignorada a coerência do conceito com o todo,
neste caso o jogo.

7.4.1. Sessões e Processo

De acordo com Bompa (2005) é importantíssimo que qualquer indivíduo,


capacitado para trabalhar com crianças, deva reconhecer as mudanças físicas,
emocionais e cognitivas dos seus atletas durante o seu processo de
desenvolvimento, para que desta forma planifique treinos ajustáveis às
necessidades do atleta.

Citando Adelino, et al. (1999, p. 137): “a preparação desportiva deve


respeitar as etapas do crescimento e maturação das estruturas e funções do
indivíduo, ou seja, do seu desenvolvimento biológico”. Desta forma, segundo as
funções que preconizam e o contato próximo com a criança, o treinador é sem
dúvida uma figura determinante não apenas para a formação desportiva da
criança, mas sobretudo num plano pessoal e social.

A instrução de modalidades coletivas, como é o caso particular do


andebol, exige uma abordagem didática e pedagógica adequada, sem que
para tal implique o risco de se tornar vão no seu sentido (Graça e Mesquita,
2009). Para impedir que isso ocorra, é imperativo que se planeiem e recriem
exercícios de aprendizagem/treino coerentes para que, desta forma, fomentem

113
o interesse das crianças pela sua aprendizagem e deste modo haja uma
melhoria da capacidade de jogar e contribuam para uma formação desportiva
de sucesso.

Para se ensinar andebol, é necessário enfatizar uma cooperação entre


os seus praticantes, uma vez que as ações coletivas são condicionadas pelas
ações individuais, impondo deste modo, um desenvolvimento da capacidade de
jogar em equipa bem como, uma adaptação às inúmeras situações complexas,
dinâmicas e de imprevisibilidade a que o jogo obriga.

Esta equipa realizou por cada microciclo três treinos que se distribuíram
ao longo da semana (terça-feira; quinta-feira e sexta-feira). O primeiro treino da
semana tinha uma duração de 75 minutos, a segunda 60 minutos e por fim, a
última 90 minutos.

A época prolongou-se por um total de 46 semanas, perfazendo um total


de 148 sessões de treino, totalizando 185 horas de treino anuais.

Quadro 10. Sessões semanais dos treinos dos minis masculinos.

TREINOS

DIAS Terça-feira Quinta-feira Sexta-feira

DURAÇÃO 75 minutos 60 minutos 90 minutos

LOCAL Pavilhão Lima Col. Dom Duarte Col. Dom Duarte

114
7.5. Resultados e Avaliação de Desempenho

7.5.1. Calendário Competitivo

Numa fase anterior ao início de competição, procedeu-se a uma


inscrição das equipas na Federação Portuguesa de Andebol de modo a terem
permissão para participar em competições federadas a nível nacional. A época
desportiva desta equipa teve início com a participação no seu primeiro torneio,
o Torneio Regional de Minis Masculinos da Associação de Andebol do Porto.

Este torneio caracterizou-se por ser uma nova forma de jogar o Andebol. As
equipas eram apenas compostas por cinco elementos de campo, sendo que
um deles teria de ir necessariamente para a posição de Guarda-redes.

As regras deste Torneio tinham algumas diferenças em relação à


competição normalmente aplicada (Campeonato Regional). Os atletas, para
além de se depararem com dimensões de campo mais reduzidas, vivenciaram
novas regras neste estilo de jogo (após golo não era executada a reposição de
bola na zona central do terreno, mas sim era efetuado um passe direto do
guarda-redes para retomar o jogo), que se mostrou ser mais veloz e mais
adequado a este nível de iniciação. O torneio teve a participação de um total de
seis equipas, disputando-se assim um total de cinco jogos. Esta equipa
conseguiu sair vitoriosa em quatro destes jogos e foi derrotada em apenas um
jogo.

Abaixo segue-se o Quadro 16, ilustrativo desta competição:

Quadro 11. Calendário da Competição PR 02 Torneio de Minis AAP Masculinos.

Mês Outubro Novembro


Onda-Série PR 02 Torneio de Minis AAP Masculinos
Data 27/10/2013 02/11/2013 03/11/2013 09/11/2013 17/11/2013
Local Mun. Pavilhão Pavilhão Lima Pavilhão Mun. Crestuma
Amarante Lima Lima
Hora 11:00 14:30 14:30 12:00 16:00
Jogo AD IC CA Leça GC Santo CJ A.Garret
Amarante Madalenese Tirso
Jornada 1 2 3 4 5
Resultado 7-30 27-23 25-22 21-22 4-54
Pontuação 13 pontos
Final
Classificação 2º classificado
Final

115
Seguidamente, iniciou-se a competição regional onde primeiramente
foram apuradas as equipas, sob a forma de sorteio aleatório, que iriam disputar
os jogos do Campeonato Regional de Infantis Masculinos. O sorteio teria início
no dia 17/09/2013 e consequentemente o campeonato arrancaria no dia
12/10/2014 e teria o seu término no dia 26/05/2014.

Esta prova (campeonato regional) foi disputada por distintas fases, tendo
como objetivo permitir a entrada de novas equipas e um adequado ajustamento
dos níveis competitivos das equipas em competição. Foram constituídos
grupos que jogaram TxT a 1 volta, de acordo com um regime de jornadas
concentradas.

No início da época (mês de Outubro) a equipa arrancou com a sua


competição a nível regional (Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos),
constituída por cinco jornadas. Os jogos desta competição serviram desde logo
como preparação e integração de novos jogadores, muitos deles a vivenciarem
a sua primeira experiência competitiva. No decorrer destes jogos, observou-se
que os jogadores não apresentavam qualquer consciência do processo
defensivo (não sabiam acompanhar e controlar o seu adversário, eram
incapazes de bloquear o braço do remate do adversário, frequentemente
atacavam e “esqueciam-se” de se reorganizar defensivamente). No entanto,
mostrava-se ser uma equipa com bons momentos de jogo ofensivo e com
alguma facilidade na finalização, em particular da zona da 1ª linha (faziam
penetrações no espaço vazio, executam fintas com e sem bola, tinham
facilidade em realizar o contra-ataque e o ataque rápido).

Com o término desta primeira fase da Prova Regional, notou-se uma


crescente melhoria ao longo das jornadas, especialmente em termos
defensivos onde a equipa mostrou progressivo poder de resposta à ação do
adversário. Apesar de também ter ocorrido uma evolução no processo
ofensivo, este mostrou-se ser menos eficiente, uma vez que a utilização do
drible era frequente e a circulação da bola entre a própria equipa se mostrava
bastante reduzida (havia frequentemente a tentativa de um só jogador fazer
todas as jogadas).

116
Assim, neste ciclo de época foi dado particular ênfase à exercitação e
consolidação da transição ofensiva, bem como da circulação de bola e tática
defensiva, consequência das dificuldades constatadas.

Nas cinco jornadas que a equipa realizou, saiu vitoriosa em quatro jogos
(dois deles jogados em casa) e foi equipa derrotada em apenas um jogo (este
também realizado em casa). A equipa mostrou uma notável capacidade de se
impor perante os seus adversários, revelando uma enorme estabilidade
emocional e uma atitude bastante interessante para esta faixa etária (era
notória a vontade de ganhar, de ajudar os seus colegas de equipa sempre que
um deles cometia um erro, e festejavam efusivamente os golos, bem como as
defesas obtidas).

Em seguida segue-se o Quadro 17, representativo da primeira


competição a nível regional:

Quadro 17. Calendário da Competição Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos.

Mês Dezembro Janeiro


Onda-Série Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos
Data 08/12/201 14/12/201 15/12/201 04/01/201 11/01/201 12/01/201 19/01/201
3 3 3 4 4 4 4
Local Esc. Pavilhão Mun. STº Pavilhão Mun Pavilhão Esc. Sec.
Ribeirinha Lima Tirso Lima Póvoa Lima Abel
Macieira Varzim Salazar
Hora 15:00 10:00 17:00 10:00 17:00 10:00 10:00
Jogo G.D.C. ADA Maia AD AD C.A. CA Leça FC Infesta
Azurara ISMAI Amarante Amarante Povoa
Varzim
Jornada 1 2 3 4 5 6 7
Resultado 17-3 5-20 13-9 27-4 20-17 12-13 4-37
Pontuação 11 pontos
Final
Classificaçã 6º classificado
o Final

No decorrer da competição regional, a equipa transitou para a próxima


fase da competição, desta vez chamada por Fase PR 08 Prova Regional Minis
Masculinos - Andebol 7.

117
Segue-se abaixo o Quadro 18, ilustrativo desta competição:

Quadro 12. Calendário da Competição Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos - Andebol 7.

Mês Fevereiro Março


Onda- Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos - Andebol 7
Série
Data 01/02/2 09/02/2 15/02/2 23/02/2 08/03/2 09/03/2 14/03/2 15/03/2 22/03/2
014 014 014 014 014 014 014 014 014
Local Esc. Sec. Mun. Pavilhão Escola Mun. Esc. Viso Pavilhão Mun. Pavilhão
Baltar Amarant Lima Secundá STº Tirso Porto Lima Maia Lima
e ria Abel
Salazar
Hora 17:00 17:00 11:30 10:30 16:30 10:00 21:30 10:00 10:00
Jogo CAAEBal AD AA FC GC C. A, CA Leça ADA G. D. C.
tar Amarant Águas Infesta Santo Póvoa Maia Azurara
e Santas Tirso Varzim iSMAI
Jornada 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Resultad 14-11 5-21 21-20 3-29 29-18 13-18 13-17 25-14 11-11
o
Pontuaçã 16 pontos
o Final
Classifica 7º classificado
ção Final

Chegando à 4ª e última prova deste Período Competitivo, onde se


disputaram oito jogos, a equipa transitou para a Série B, uma vez que a sua
classificação não foi suficientemente favorável para se manter na Série A.

A Prova Regional de Minis Masculinos dá-se por encerrada no dia


10/06/2014, com a equipa a conquistar o lugar mais ambicionado por todos, o
1º lugar desta 4ª Onda da Série B. Nesta fase, a equipa foi capaz de mostrar
toda a sua evolução no decorrer da época. Mostrou uma grande combatividade
em todos os jogos e uma forte disciplina tática (todos os jogadores sabiam
quais as suas posições específicas de campo).

A equipa demonstrou ter adquirido um leque de soluções, especialmente


no seu processo ofensivo, com noções claras de ocupação espacial, entradas
para o espaço vazio, rápida transição ofensiva e correta tomada de decisão.
Nos seus momentos ofensivos teve ainda pequenas noções de entradas a 2º
pivô. No processo defensivo a equipa apresentou uma sólida consolidação do
sistema defensivo individual, ocupando corretamente os espaços, seguindo o
seu adversário em todos os momentos e tendo uma correta postura corporal,

118
destacando-se por fim e principalmente a capacidade de trabalhar em mútua e
constante entreajuda de modo a evitar que o adversário fizesse golo, todos
estes parâmetros que não dominavam anteriormente.

Desta forma, mostrou-se ser uma equipa mais coesa, com um correto
sentido de orientação espacial, uma boa capacidade na transição ataque-
defesa e defesa ataque, bem como criação de superioridade numérica e rápida
percepção do contra-golo.

Abaixo segue-se a representação, através do Quadro 19 desta


competição:

Quadro 13. Calendário da Competição Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos - Serie B.

Mês Abril Maio Junho


Onda- Fase PR 08 Prova Regional Minis Masculinos - Serie B
Série
Data 27/04/20 01/05/20 03/05/20 17/05/20 25/05/20 31/05/20 07/06/20 10/06/20
14 14 14 14 14 14 14 14
Local Mun. Esc Mun. S. Pavilhão Esc. Pavilhão Pav. Pavilhão
Amarant Irene Pedro Lima Sec. Lima Eduardo Lima
e Lisboa – Fins Abel Soares
Paranho Salazar
s
Hora 17:00 15:00 15:00 17:00 10:30 14:30 15:00 10:00
Jogo AD DFFC ADA CAAE FC Gondom AA São CDC
Amarant Maia Baltar infesta ar Mamede Santana
e ISMAI Cultural
“B”
Jornada 1 2 3 4 5 6 7 8
Resultado 10-32 14-8 4-25 13-13 5-26 17-15 6-20 22-10
Pontuação 23 pontos
Final
Classificaç 1º classificado
ão Final

Com o término desta fase de provas regionais, iniciou-se uma nova fase
de competição sob a forma de torneios. O primeiro torneio disputado, após o
encerramento da competição nacional, foi o Festand de Andebol de Praia, o
“Festand Andebol 4Kids” (Praia Matosinhos e Praia de Canide Norte). Nesta
competição meramente lúdica, a equipa tomou conhecimento de uma nova
forma de praticar andebol, com regras distintas do andebol praticado ao longo
desta época. A equipa disputou um total de 4 jogos neste torneio, tendo ganho
dois deles e saído derrotada nos dois restantes, sendo que uma das suas
derrotas aconteceu após o “golo de ouro”.

119
Após a representação no Festand, a equipa fez-se representar no “2ª
Gondomar-Andebol7 Challenge 2014”. Num total de 4 jogos, a equipa venceu
apenas 1, empatou 1 e perdeu 2, ficando classificada na 2ª posição.

No decorrer do mês de Maio o número de jogos realizados pela equipa


foi muito elevado e com pouco espaço para recuperação e preparação para os
jogos. Quanto aos meses seguintes, verificou-se que a equipa realizava uma
média de um jogo a cada sete dias, à exceção dos meses de Outubro e Abril (a
equipa apenas realizou um jogo em cada um destes meses). Este mostrou-se
ser um número adequado para que a equipa tenha tempo de assimilar toda a
informação transmitida no decorrer dos treinos e para que possa assim corrigir
as falhas e consolidar os seus conhecimentos ao longo de toda a sua época
desportiva.

7.5.2. Avaliação Sumativa Trimestral (Treino e Jogo)

A análise subjetiva e apreciativa do desempenho desta equipa de minis


masculinos e de cada jogador em particular, foi realizada transversalmente à
implementada para o escalão de infantis masculinos, englobando também os
treinos e os jogos disputados (à exceção dos torneios), sendo sempre
acompanhada por procedimentos reflexivos sobre a adequação do processo de
treino e orientação dos jogadores em causa. Também para esta equipa, as
dificuldades detetadas em competição foram determinantes para reajustar os
planos de treino e a orientação do trabalho.

7.5.2.1. Equipa

Precedeu-se, também, a uma análise da distribuição de golos marcados


e sofridos ao longo da época desportiva deste escalão em particular (Gráfico
15). Conforme é possível constatar pela análise do mesmo, verificou-se não só
um saldo positivo entre os golos marcados e sofridos, bem como uma evolução
positiva desses golos na equipa (Minis Masculinos), consequência do trabalho
realizado nos treinos e nos respetivos jogos disputados (sob a forma de
organização de exercícios mais próximos às exigências das dificuldades

120
detetadas e do próprio jogo, feedbacks mais adequados nos treinos e nos
jogos).
No primeiro momento competitivo (1) a equipa disputou um total de cinco
jogos. Facilmente se verificam diferenças bastante significativas no que diz
respeito aos golos marcados e sofridos, quando comparado com os restantes
momentos competitivos (2, 3 e 4). Este facto deve-se unicamente pela diferente
forma de jogar com que a equipa se deparou neste período competitivo (jogos
eram disputados com apenas 5 elementos em campo, sendo um deles o
guarda-redes, as dimensões de campo eram bastante mais reduzidas e não
havia reposição de bola ao meio campo após golo, mas sim uma reposição de
bola pelo guarda-redes). Esta fase mostrou-se ser muito mais intensa, rápida,
com maior número de jogadores a terem influência no resultado e
consequentemente verificou-se um maior número de golos marcados.
Nos restantes momentos competitivos (2, 3 e 4), a equipa disputou todos
os seus jogos segundo o regulamento da Federação Portuguesa de Andebol
(ver anexo I).
No primeiro momento de competição (1), está representada a primeira
fase competitiva (PR 02 – Torneio de minis AAP masculinos – 1 onda – série
B). A equipa disputou um total de 5 jogos, tendo feito um total de 157 golos
marcados e 78 sofridos.
No segundo momento (2), a equipa transitou para uma fase
aparentemente de maior grau de dificuldade (PR 08 – Prova regional minis
masculinos), desta vez tendo disputado um total de 7 jogos. A equipa marcou
um total 110 golos em toda a prova, sofrendo um total de 91 golos.
O terceiro momento (3), faz parte de uma nova fase competitiva, por sua
vez, com um menor grau dificuldade do que a fase anterior (PR 08 – Prova
regional minis masculinos – Andebol 7). A equipa disputou um total de 9 jogos.
A equipa foi capaz de fazer um total de 151 golos em toda a prova e sofreu um
total de 142 golos.
Por fim, o último momento (4) é referente à última fase competitiva (PR
08 – Prova regional minis masculinos – série B), com a equipa a deparar-se
com um grau mais acentuado de dificuldade. Nesta fase da competição a

121
equipa disputou um total de 8 jogos. A equipa fez um total de 169 golos e
sofreu um total de 71 golos.

Gráfico 15. Avaliação da evolução do desempenho de equipa.

O gráfico retratado abaixo (Gráfico 16), faz alusão às diferenças entre os


golos marcados e sofridos por esta equipa ao longo da sua época desportiva.

Quanto ao primeiro momento (1) a maior diferença de golos obtida,


como equipa vencedora, foi de 50 golos (a equipa venceu o jogo por 54-4). A
maior diferença obtida numa situação de derrota foi de apenas 1 golo (a equipa
perdeu por 21-22).

No segundo momento (2), a maior diferença alcançada sob a forma de


equipa vencedora, foi de golos 33 golos (a equipa venceu por 27-4). Quanto à
maior diferença obtida como equipa derrotada foi de 15 golos (a equipa perdeu
por 5-20).

No terceiro momento (3), a maior diferença alcançada como equipa


vencedora foi de 26 golos (a equipa ganhou por 29-3). Quanto à maior
diferença obtida, em derrota, foi de 11 golos (a equipa perdeu por 14-25).

122
No quarto e último momento (4), a maior diferença de golos obtida como
equipa vencedora foi de 22 golos (equipa ganhou 32-10). A equipa não sofreu,
neste momento competitivo, nenhuma derrota.

No cômpito geral, esta equipa foi capaz de marcar um total de 587 golos
ao longo de toda a sua época competitiva e sofrer um total de 382. Como é
possível verificar, o saldo tende a ser positivo, com uma diferença de 205 golos
entre os golos marcados e sofridos.

Gráfico 16. Diferença entre golos marcados e sofridos ao longo da época desportiva dos minis.

Conforme é possível verificar no gráfico que se segue (Gráfico 17), a


equipa ganhou a maioria dos jogos realizados (16 vitórias, 11 derrotas e 2
empates). A equipa obteve uma percentagem de 55% de vitórias, 7% de
empates e por fim 38% de derrotas. De notar, também, que o maior volume das
vitórias foi registado no término da época (momento em que as equipas eram
mais equilibradas e o seu nível de jogo era mais homogéneo).

123
Gráfico 17. Avaliação dos resultados globais das vitórias, derrotas e empates.

7.5.2.2. Atleta

O método de avaliação é aquele que mais eficazmente permite tomar


uma decisão no que diz respeito à retenção ou progressão do atleta, uma vez
que confronta resultados absolutos, facultando uma examinação da progressão
do atleta face aos objetivos antecipadamente estabelecidos (Mesquita, 2012).

As avaliações realizadas, em forma de ficha (ver Anexo III), foram


estruturadas ao longo destes três trimestres (perfazendo uma época desportiva
completa). Estas avaliações supracitadas tiveram como base uma análise
qualitativa de um conjunto de comportamentos técnico e/ou táticos
selecionados. O método de avaliação adotado teve a virtude de complementar
a informação retida diariamente e servir como meio de aferir, de forma um
pouco mais sistematizada, a adequação do processo de treino a cada um dos
jogadores, procurando maximizar as suas potencialidades.

A época desportiva chega ao fim e inicia-se uma fase de retrospeção


acerca do trabalho desenvolvido, tendo-se concluído que a maioria dos
objetivos e metas traças para cada jogador foram alcançadas, que se
traduziram, grosso modo, na melhorias das suas competências e nível de jogo

124
Uma fração considerável dos atletas apresentaram patamares bastante
satisfatórios na qualidade do seu nível de jogo, no entanto, alguns atletas
precisavam de trabalhar mais arduamente, nomeadamente no que diz respeito
à predisposição para o jogo e à sua coordenação motora, sem descurar os
aspetos táticos e técnicos individuais, essenciais para solucionar os problemas
que surgem nesta etapa.

Com o término destas avaliações (1º, 2º e 3º trimestres), após o


tratamento e análise dos dados obtidos, bem como através de uma
comparação dos três momentos, observou-se ainda uma certa
heterogeneidade nesta equipa, contudo a evolução de todos os atletas nos
distintos parâmetros de jogo foi evidente, revelando uma melhoria nos distintos
índices de performance de jogo, consequência das melhorias substanciais que
grande parte dos atletas demonstrou no seu resultado final.

Colocando em consideração as preocupações essenciais para esta


época desportiva, aliadas ao trabalho extenso trabalho posto em prática e ao
tempo de exercitação dedicado ao conteúdo “tomada de decisão”,
naturalmente seria expectável observarem-se níveis de superiores de evolução
por comparação com os restantes As melhorias ao nível da tomada de decisão,
em especial sem bola, explicam-se em parte pela ênfase colocada nos
exercícios e nas correções (feedbacks). O “jogo de ataque sem bola” era
claramente um problema na equipa, pelo que se utilizaram muitas situações
jogadas (tipo jogo pré-desportivos), que funcionaram como espécie de
catalisador para aprender a explorar os espaços livres, aumentando a
amplitude e profundidade de jogo, e posicionar-se em condições de ajudar o
colega com bola (criar linha de passe de apoio).
Assim, a evolução dos movimentos/comportamentos considerados
indispensáveis para que a manutenção da posse de bola e consequente
progressão para a baliza foram evidentes, com especial destaque para as
situações de movimentos como o “passa e vai” que obrigavam os atletas a
procurarem constantes situações de desmarcação, para zonas mais favoráveis
à finalização.

125
O Gráfico 18 põe em evidência os resultados obtidos ao longo da época
no que à avaliação da tomada de decisão sem bola diz respeito.

Gráfico 18. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da tomada de decisão
s/bola.

Quanto à tomada de decisão com bola, observaram-se igualmente


melhorias, especialmente nos comportamentos tomados como indispensáveis
para se manter uma posse de bola, progressão e finalização adequadas. A
decisão relacionada com o passe para o colega livre em oposição ao passe
para o colega sob marcação foi uma das que mais se evidenciou (jogadores
passaram a ler melhor o jogo e a compreender que o risco era menor quando o
passe era efetuado para um colega desmarcado, o passe para o colega sob
marcação era efetuado com menor frequência e só perante situações de maior
favorecimento para a finalização). O Gráfico 19 demonstra a evolução
registada ao longo desta época.

Gráfico 19. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da tomada de decisão com
bola.

Quando se aborda o tema execução motora, faz-se referência a distintos


parâmetros. Também neste aspeto, as melhorias obtidas pelos atletas foram
notórias. Claramente que esta evolução apenas ocorreu pelo tempo

126
considerável de exercitação que foi aplicado no que diz respeito à tática e
técnica individual dos atletas. Assim, para que fosse adquirido um jogo de
andebol com mais fluidez, dinamismo e eficácia, foi fundamental que estes
atletas fossem adquirindo um reportório motor capaz de lhes facilitar e permitir
que coloquem em prática não só as suas intenções ofensivas mas também as
defensivas.

O passe e a receção, eternos aliados, destacaram-se como dois dos


comportamentos que maior evolução apresentaram. Foi também um sinal
positivo o facto dos atletas terem ganho maior consciência dos momentos de
utilização do drible, compreendendo que o mesmo apenas deveria ser utilizado
em situações de recurso e não de uma forma constante (ver Gráfico 22).
Contudo, ficam ainda alguns componentes críticos a apontar nos aspetos
referentes ao passe e receção, como o controlo da força e a direção do passe.
(ver Gráficos 20 e 21).

Em suma, estes três parâmetros produziram um crescimento das


competências dos atletas fundamentalmente pela implementação de exercícios
que frequentemente obrigavam a que estes parâmetros estivessem sempre
presentes (ver Figuras 3, 4 e 5).

Gráfico 20. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da receção.

127
Gráfico 21. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do passe.

Gráfico 22. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do drible.

Fazendo referência ao padrão motor do remate e consequente


finalização, a constante referência feita para a correta colocação do “braço em
cima”, bem como a preocupação da colocação do pé contrário em oposição ao
braço do remate, tornou-se fundamental para que a sua evolução se tornasse
evidente (ver Gráficos 23 e 24).

Gráfico 23. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do remate.

128
Gráfico 24. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da finalização.

O duelo individual foi um dos aspetos que exigiu maior preocupação ao


longo dos treinos. A razão para isto foi por se considerar que este aspeto é
fundamental para criar um momento ofensivo com maior probabilidade de
sucesso. Desta forma, a finta sem bola foi aquela que maior eficácia se fez
sentir, especialmente nas situações de defesa individual, já por sua vez, a finta
com bola mostrou alguma relutância na sua evolução, uma vez que o ataque
ao espaço e a mudança repentina de direção foram dois fatores que criaram
maior dificuldade de execução nos atletas (ver Gráfico 25).
Assim, o duelo individual apresentou melhorias evidentes no decorrer
desta época desportiva, sendo que a causa para que tal acontecesse se
devesse ao facto de terem sido escolhidos exercícios que impulsionassem este
aspeto grande parte do tempo (ver Figuras 2, 3 e 4).

Gráfico 25. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do duelo individual.

O aspeto das questões defensivas foi aquele que mais preocupante


evolução teve, no entanto os níveis de evolução dos atletas não deixaram de
se mostrar positivos. A grande preocupação que surgiu nos atletas visava
essencialmente a preocupação de posicionamento e movimentação, ou seja,
os atletas não tinham presente a conceção de como abordar o adversário.

129
Deste modo, alguns exercícios tiveram de ser desenvolvidos para
melhor promover o contato entre os atletas para que mais facilmente
ganhassem as noções básicas defensivas, especialmente no que diz respeito
ao controlo do adversário (ganhar noção de colocação entre o adversário e a
sua baliza) e o modo de o contatar (contato deverá ser feito de frente para o
adversário e tentar imobilizar a zona do peito e ombros).

Uma vez que esta questão do controlo do adversário foi uma das que
maior investimento necessitou, seria de esperar que o resultado da evolução
dos atletas fosse ligeiramente superior aos outros parâmetros.

No que diz respeito ao desarme e à interceção, apesar de serem pontos


de referência no que diz respeito a uma maior eficácia para a recuperação da
posse de bola, estes foram dois parâmetros que não sofreram uma evolução
tão vincada (ver Gráficos 26, 27 e 28).

Gráfico 26. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do desarme.

Gráfico 27. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade do contato adversário.

130
Gráfico 28. Avaliação global da equipa relativamente à evolução de qualidade da interceção.

Uma vez apresentados os níveis iniciais da avaliação realizada com


estes atletas, seria presumível que o nível dos atletas que apresentavam
índices superiores aos restantes, sofressem uma evolução mais acentuada no
decorrer da época desportiva. Acresce ainda que estes mesmos atletas foram
importantes para o contributo da evolução dos atletas que apresentavam
patamares inferiores. Outro dos aspetos que deve ser destacado foi o de que
os atletas que mostraram mais empenho e mais vontade de treinar foram
também os que tiveram uma maior evolução e melhoria da sua performance.

Realizando uma retrospectiva do nível atingido nestes atletas, deve


considerar-se que esta equipa se encontra preparada para enfrentar novos
desafios no seu jogo, tanto nos aspetos ofensivos como defensivos. Existem
ainda aspetos que necessariamente precisam de refinamento, particularmente
na dinâmica e predisposição para o jogo, para além dos aspetos relacionados
com a tática e a técnica individual indispensáveis para criar soluções para os
problemas forem surgindo nas suas etapas de formação.

131
Exemplos práticos de exercícios
transversais aos dois escalões
VIII. Exemplos práticos de exercícios transversais aos dois escalões

8.1. Exercícios

O exercício de treino assume-se como sendo um meio operacional e


prioritário para obter um melhor rendimento desportivo e, deverá ser construído
de modo a abranger diversos capítulos (como a tática, a técnica, a fisiologia).

Ulatowski (1975), distingue quatro fases essenciais para o processo de


aprendizagem e aprimoramento das ações competitivas: i) demonstração e
explicação; ii) aprendizagem e aprimoramento em condições simples; iii)
aprendizagem e aprimoramento em condições similares às da competição; iv)
aperfeiçoamento no decorrer da competição.

8.1.1. Conteúdos táticos ofensivos

Antes de mais, não nos podemos esquecer que a oposição é importante


para a introdução ou aperfeiçoamento dos comportamentos individuais e
cooperativos no ataque. Assim, esta aprendizagem não se pode fazer de forma
isolada, sintética, mas sim integrada e relacionada, apesar de se enfatizarem
mais as soluções de ataque a empreender.

A ação ofensiva é, naturalmente, dependente da leitura que a equipa, e


os jogadores em particular, são capazes de fazer em contexto de situacional.
Assim, nas suas ações ofensivas, a equipa tem necessariamente de estar
alerta e preparada para as possíveis alterações estratégicas a que o seu
adversário obriga.

Desta forma, o primeiro preceito colocado nestas equipas no momento


da sua fase ofensiva foi o de serem capazes de se consciencializar que para
poderem atacar, tinham antes de tudo de estar sob a posse da bola (deviam ter
uma mentalidade sempre focada para a recuperação de bola e manutenção da
mesma), no entanto, foi também clarificado que a posse da bola não era
exclusiva de um único atleta, mas sim para todos aqueles que estariam a fazer
parte da equipa que realizava uma determinada ação ofensiva.

135
O intuito destas informações seria o de transmitir aos atletas que no
decorrer de um jogo, as ações ofensivas ocorrem maioritariamente por
intermédio dos jogadores sem a posse da bola e não do atleta que se encontra
com a bola em sua posse. Assim, conseguiríamos fazer com que os atletas
entendessem que é importante estar com a bola em sua posse, mas é mais
importante ainda ajudar o colega que tem a bola de forma a criar uma situação
de finalização coletiva (através de linhas de passe, aclaramentos, fintas sem
bola, amplitude do espaço de jogo).

Imediatamente se impôs uma questão. De que forma conseguimos fazer


com que os nossos atletas compreendam o que lhes foi explicado?

Antón (1998) abriu o caminho para esta resposta, referindo que certas
formas de ataque se podem construir através de duas formas: jogo livre e jogo
dirigido. No jogo livre os atletas atacam de forma mais criativa, e as respostas
às suas ações surgem apenas de acordo com as ações defensivas que o
adversário cria (surge de imediato a leitura, a observação e a criatividade).
Nesta segunda forma de jogo dirigido, as ações estão mais focadas no jogo
posicional, apontado para as respostas possíveis decorrentes das ações dos
jogadores ofensivos (dá espaço a uma menor criatividade). Em ambos os
processos de aprendizagem, existe uma (maior ou menor) liberdade criativa,
com uma descoberta e reconhecimento dos distintos conteúdos dentro de uma
relação de maior proximidade da competição formal.

Foi neste sentido que se pensou e criou situações de jogos/exercícios


onde as intenções táticas e sistemas ofensivos se evidenciassem,
possibilitando aos atletas uma transição de um princípio para outro, em função
dos acontecimentos, de uma forma mais eficaz e de fácil compreensão. Este
contexto baseou-se tanto na ação individual como numa colaboração coletiva,
de forma a desencadear naturalmente um sistema de jogo e uma organização
tática, enfatizando a criatividade destes atletas.

Resumidamente, a tática foi trabalhada segundo exercícios que se


aproximassem sublimemente à situação de competição, visto ser no jogo que

136
todo o conhecimento adquirido pelo atleta será aplicado. Desta forma o atleta
será capaz de, perante um conjunto de situações ou problemas, terá de ser
capaz de encontrar a melhor solução para os superar (Graça, 2007). Assim, as
ações táticas individuais e coletivas dos exercícios formulados para os treinos,
tentaram aproximaram-se o melhor possível do jogo formal (respeitando
contundo os níveis referenciais da equipa em geral).

8.1.2. Conteúdos táticos defensivos

A grande dificuldade na implementação de um sistema defensivo


decorreu da dificuldade de levar os jovens praticantes a entenderem
importância e significado de “defender”. Naturalmente, como em qualquer outra
modalidade desportiva coletiva, a atenção dos jovens praticantes está centrada
maioritariamente na marcação de golos, sendo que no andebol existe uma
maior facilidade no controlo e domínio da bola (utilização das mãos para jogar),
o que favorece a concretização com sucesso.

Os sistemas defensivos são implementados com o objetivo de promover


uma organização coletiva para as ações defensivas que terão de
desempenhar, através das delimitações das zonas de atuação dos jogadores.
Para que tal aconteça, é indispensável que se compreenda a dinâmica de
funcionamento do sistema preterido, as regras de atuação e o motivo para o
seu posicionamento.

A literatura encontrada que aborda estes aspetos ligados aos sistemas


defensivos no andebol mostra que existe um pensamento divergente no que
diz respeito ao sistema que deve inicialmente ser posto em prática.

Tanto Antón (1990) como Ehret et al. (2002), sugerem que o primeiro
sistema defensivo a ser posto em prática, desde logo nas primeiras etapas da
formação, como é o caso destes escalões (Infantis e Minis Masculinos), é o
sistema defensivo individual.

No caso particular destas equipas, estiveram constantemente presentes


objetivos dentro dos aspetos tático-técnicos, como as constantes pressões aos
atacantes (“ofensividade” na defesa, tentar adquirir a posse de bola

137
rapidamente, ficar sempre numa posição em que se encontre entre a sua baliza
e o seu adversário), indispensáveis para desencadear um desenvolvimento de
uma série de táticas individuais (finta, desmarcação, marcação direta com foco
na intercepção de um passe ou em situação de drible por parte do adversário),
que servirão de auxílio para uma construção e estruturação, tanto física como
mental, dos posteriores sistemas defensivos zonais.

O sistema defensivo individual promove nos jogadores o


desenvolvimento de uma série de características fundamentais e relevantes
para uma aprendizagem correta de sistemas defensivos mais complexos e
exigentes taticamente (como sejam os sistemas zonais). Este tipo de sistema
defensivo obriga à adoção de determinadas condutas defensivas, a saber:

 Cada defensor deve possuir e assumir a sua responsabilidade (é


responsável pelo seu oponente direto, quer este tenha a posse de bola
ou não);
 Deve encontrar-se posicionado entre o adversário (atacante) e a sua
própria baliza, sempre respeitando uma relação de proximidade (manter-
se a cerca de um braço de distância do seu adversário), para que
dificulte as ações do seu oponente ou da equipa adversária (passes e
receções);
 O desenvolvimento de uma noção espacial do atleta na sua fase
defensiva é transmitido por intervenção dos deslocamentos realizados
pelos adversários (atacantes), bem como pela colocação dos seus
colegas de equipa (fechar os espaços que possam existir). Ou seja, o
atleta deve ser capaz de acompanhar o seu adversário, sem com isso
perder a noção do espaço (evitar deixar espaços abertos na defesa que
possam facilitar uma finalização mais favorável do adversário).

Deve ser reforçado e assumido o ímpeto inicial da ofensividade na fase


defensiva neste escalão, uma vez que, o principal conceito é o de manter
constantemente uma intenção ofensiva (recuperar a bola para poder marcar
golos e evitar sofrer) nos sistemas defensivos.

138
8.2. Exercícios tipo segundo os objetivos pretendidos

Aqui ficam presentes os exercícios referentes à parte fundamental dos


treinos, entendidos como tendo maior destaque e mais adequados à evolução
dos atletas destes escalões:

EXERCÍCIO 1: “Defende o Castelo”

Objetivos tático-técnicos:
 Criar situações de oportunidade de finalização.
 Garantir ocupação racional do espaço;
 Criação de superioridade numérica e ampliação do espaço de ataque;
 Desenvolver competências de remate em função da posição em campo e da ação defensiva.
 Adquirir noção de zona defensiva;
 Desenvolver perceção de pressão alta (garantir interceções e dificultar passes);
Descrição:
 Atletas dividem-se em dois grupos de 4 elementos cada;
 É formado um círculo com um objeto no meio (cone ou bola medicinal), a equipa que se encontra
a defender deve impedir que a equipa que está a atacar circule a bola e consiga derrubar ou
acertar no objeto;
 A equipa que ataca deve fazer circular a bola à volta do seu adversário, de forma a obter um
espaço entre a defesa e poder assim derrubar ou tocar no objeto livre de oposição;
 Cada equipa tem direito a executar 3 ataques seguidos;
 Ganha a equipa que executar maior número de pontos por cada ataque.
Variante:
 Determinar um tempo específico para a equipa que se encontra a atacar poder acertar no alvo;
 Equipa que está a defender se for capaz de impedir o adversário com posse de bola de a passar,
ganha um ponto;
 Ganha a equipa que obtiver maior número de pontos totais (ataques concretizados e defesas
bem efetuadas).

Legenda:

Atacante; Passe;

Defensor; Deslocamento;

Alvo; Bola.

Figura 1. Primeiro exercicio tipo para a parte fundamental do treino.

139
EXERCÍCIO 2: ”BOLA AO CAPITÃO”
Objetivos tático-técnicos:
 Melhorar a relação passador/recetor;
 Diferenciar e adequar a passagem lenta e/ou rápida para o terreno de ataque;
 Adequar a forma de transição às circunstâncias de jogo; contra-ataque, contra-golo e
ataque rápido;
 Reforçar o conceito de amplitude;
 Garantir a circulação de bola como meio tático fundamental;
 Potenciar o recurso a penetrações sucessivas.
Descrição:
 Formam-se duas equipas de 5 atletas (1 atleta de cada será denominado de capitão);
 Os jogadores devem passar a bola entre si até serem capazes de passar a bola ao seu
capitão e recebê-la novamente;
 Caso a bola seja interceptada, a equipa que estava a defender passa a atacar;
 Só é considerado ponto se a bola for recepcionada pelo “capitão” e novamente enviada
para o atleta que fez o passe para o “capitão”.
Variante:
 Para que possam passar a bola ao seu “capitão”, os atletas devem fazer um mínimo de
5 passes entre si, sendo que se encontram impedidos de fazer o passe ao colega que
acabou de lhes passar a bola.
 Se a equipa que está a defender for capaz de agarrar o adversário, dentro das normas
estipuladas pelo treinador, nesse caso a equipa que estava a defender ganha a posse
de bola e passa assim a atacar.

Legenda:

Atacante; Passe;

Defensor; Deslocamento;

Bola.

Figura 2. Segundo exercício tipo para a parte fundamental do treino.

140
EXERCÍCIO 3: “BOLA NA LINHA”
Objetivos Tático-técnicos:
 Identificar e construir situações de jogo favoráveis ao avanço rápido em direção à
baliza adversária;
 Adoptar comportamentos/atitudes adequadas quando se tem a bola e quando não está
na posse da mesma;
 Garantir linha de passe de apoio ou em desmarcação;
 Construir situações de jogo favoráveis à finalização contra defesas abertas;
 Organizar a recuperação para parar ou atrasar a transição rápida do adversário e
recuperar a bola;
 Atuar em antecipação sobre as ações ofensivas para impedir a finalização e recuperar
a bola.
Descrição:
 2 grupos de 5 atletas com 1 bola;
 Bola deve ser circulada entre a equipa até chegarem à linha lateral (golo) e poderem
assim pontuar;
 Passe só é considerado correto se o atleta for capaz de executar o passe com o braço
bem levantado e a bola acima da cabeça, de outra forma a equipa perde a posse de
bola;
 Duração de 5 minutos de jogo entre equipas.
Variante:
 Colocação de apoios ao longo do espaço de jogo (aumento da superioridade numérica
no ataque);
 Diminuição no número de passes efetuados antes de poder pontuar;
 Impedição de poder passar a bola ao mesmo colega;
 Equipa que se encontra a defender se interceptar a bola ou executar uma falta que
impeça o adversário de passar ou avançar, ganha a posse de bola;
 Sempre que a equipa for capaz de pontuar mantém a posse de bola e ataca
novamente.

Legenda:

Atacante; Passe;

Defensor; Deslocamento;

Bola.

Figura 3. Terceiro exercício tipo para a parte fundamental do treino.

141
EXERCÍCIO 4: “APANHADA” (3vs1)
Objetivos tático-técnicos:
 Desenvolver a relação passador-recetor;
 Adoptar comportamentos/atitudes adequadas quando se tem a bola e quando não está
na posse da mesma;
 Garantir linha de passe de apoio ou em desmarcação;
 Garantir a circulação de bola como meio tático fundamental;
 Garantir ocupação racional do espaço.
Descrição:
 Grupo de 4 atletas com 1 bola;
 3 atletas executam passe de ombro entre si e tentam, ao mesmo tempo aproximar-se
do restante atleta (fugitivo);
 Impedição do uso do drible.
Variante:
 3 atletas que executam passe de ombro passam a executar passes picados e podem
utilizar apenas 1 drible por cada atleta;
 Fugitivo passa a ter uma bola consigo e desta forma foge dos seus colegas utilizando
sempre o drible.

Legenda:

Atacante; Passe;

Defensor; Deslocamento;

Bola.

Figura 4. Quarto exercício tipo para a parte fundamental do treino.

142
Conclusões e Sugestões
IX. Conclusões e Sugestões

Esta época desportiva mostrou-se repleta de vivências positivas, tanto


do ponto de vista profissional como humano, que se conservarão para sempre.
Sendo que o facto de ter alcançado o objetivo que sempre ambicionei, ser
treinador de andebol, aliado à circunstância de ter contribuído para a formação
de jovens jogadores, foram, sem qualquer dúvida, os aspetos que mais
fortemente me marcaram no decorrer deste ano.
O primeiro confronto com a realidade do treino e a orientação de uma
equipa de andebol tornou-se numa experiência repleta de momentos
inesquecíveis: desde os primeiros sentimentos de inquietação, até ao primeiro
contato com as equipas, à preparação e realização dos treinos e jogos. De
facto, todos estes momentos se tornaram motivos para uma aprendizagem
contínua e profunda reflexão. Contudo, nem tudo se tornou fácil e houveram,
também, momentos de grande dificuldade, como o juízo de valor formulado
inicialmente e a relutância em confiar nas minhas capacidades, aquando da
minha entrada no clube, uma vez que não tinha experiência prática como
jogador ou treinador.
Durante esta época desportiva senti, realmente, que cresci em distintos
aspetos, particularmente como profissional, através da minha intervenção no
processo de treino e na relação com a comunidade do clube (dirigentes,
secionistas, atletas, pais). Com um persistente e ininterrupto esforço de
reflexão e autoavaliação, reconstruindo e desconstruindo conhecimentos,
técnicas e habilidades que fui aplicado, desenvolvendo e adquirindo, penso que
hoje já me sinto um “verdadeiro” treinador. Não obstante, estou consciente de
que este é um processo dinâmico e que implica uma renovação constante de
conhecimentos, competências e aprendizagem ao longo de toda a carreira.
Devo ainda salientar que todas as conversas com os dirigentes das
distintas secções (Minis Masculinos e Infantis Masculinos), bem como com os
treinadores dos restantes escalões deste clube, revelaram ser momentos de
notável aprendizagem, permitindo-me desenvolver a minha capacidade não só
de reflexão, mas também de argumentação acerca das competências

145
essenciais para o sucesso da função de treinador, bem como da evolução das
duas equipas.
A qualidade de reflexão constante sobre a função e perfil do treinador de
formação e tudo o que lhe é inerente, revelou ser numa tarefa fundamental
para melhorar a qualidade minha intervenção e aquisição de conhecimentos. É
indiscutível que estas reflexões contribuíram imenso para a construção da
minha identidade profissional, para a aprendizagem dos jogadores com quem
trabalhei e, essencialmente, na forma como atuei, no sentido de procurar
estratégias pedagógicas e metodologias que funcionassem como soluções
para os problemas emergentes da prática. Neste preceito, tornou-se
fundamental olhar para todas as dificuldades e lacunas como desafios, para
potenciar não só a minha aprendizagem como também a dos jovens jogadores.
No decorrer desta época desportiva constatei que a tarefa do treinador é
demasiado abrangente, não podendo resumir-se ao simples papel de treinar os
jogadores. O treinador deve acima de tudo preocupar-se com a pessoa integral
que é o jogador, em especial nos escalões de formação.
A principal ilação que retiro deste ano de estágio, é que adquiri saberes
e competências necessárias ao exercício da profissão de treinador e adquiri um
claro entendimento e domínio nas distintas áreas do conhecimento da
formação profissional e do planeamento. Contudo, apesar de ter consciência
que desenvolvi várias competências pedagógicas e profissionais, tenho perfeita
consciência que o meu percurso ainda está longe de estar completo.
Fazendo uma retrospetiva, reparo que o tempo passou a voar, e é com
um imenso orgulho que revejo todo este percurso. Este foi um processo
extremamente trabalhoso, no qual me desafiei a fazer tudo o que estava ao
meu alcance, para que esta época desportiva decorresse de um modo
prazeroso e enriquecedor. Desta forma, afirmo convictamente que esta
experiência demonstrou ser um dos momentos mais memoráveis da minha
vida, dela guardo recordações que me irão acompanhar para sempre.
Foi um ano, absolutamente, inesquecível repleto de alegrias e
dificuldades, com experiências únicas e aprendizagens constantes, que sem
dúvida me transformaram. Enquadro os resultados obtidos por estes atletas e a

146
satisfação que demonstraram ao longo dos treinos como os aspetos mais
enriquecedores. Foi para mim, o momento mais gratificante deste ano de
estágio.
Chegado o término desta fulcral fase de aprendizagem como treinador,
tenho plena consciência que esta aprendizagem não terminou, a sua evolução
é constante e interminável. Desta forma, o fim desta etapa é na verdade o
início de um futuro que se avizinha e, desta forma, neste exato momento sinto
estar preparado para exercer esta profissão. De facto, esta profissão é algo
que se irá construindo e moldando ao longo de toda a minha vida, daí que seja
essencial que me mantenha atento e acompanhe a evolução dos tempos.
Portanto, considero que é essencial continuar a investir na minha formação
para que mantenha uma constante atualização de conhecimentos.
No futuro espero continuar a ter a oportunidade de exercer este cargo,
sendo que me cabe o papel de continuar a trabalhar arduamente para ser
capaz de continuar a fazer a diferença na vida daqueles (jogadores) que forem
surgindo no meu percurso como treinador.

147
Bibliografia
X. Bibliografia

Aagaard, K. (2007). 7th Women Euro - Trend Analysis. EHF Web Periodical.
Vienna/Áustria. Disponível em: http://www.eurohandball.com/publications,
consultado a 5 de Novembro de 2013.

Adelino, J. (2000). Treino da técnica nos jogos desportivos. Horizontes e


Orbitas no Treino dos jogos desportivos. Centro de Estudos dos Jogos
Desportivos. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da
Universidade do Porto.

Adelino, J., Vieira, J., Coelho, O. (1999). Treino com jovens, o que todos
precisam saber. Centro de Estudos e Formação Desportiva. Lisboa.

Amieiro, N.,Oliveira, B., Resende, N., & Barreto, R. (2006). Mourinho – Porquê
tantas vitórias? Lisboa: Gradiva.

Anti, T., Kada, A., Quintin, E., Delafuente, O., Petreski, T., Basny, Y. et al.
(2006). Quelle attaque placée dans le jeu qui s'accélère? Approches du
Handball, 96, 16-23.

Antón Garcia, J. (2002): Balonmano. Táctica Grupal Defensiva. Concepto,


estructura y metodología. Grupo Editorial Universitário. Granada.

Antón, J. L., Chirosa, L. J., Ávila, F. M., Oliver J. F., Sosa, P. I. (2000).
Balonmano: Alternativas y factores para el mejora del apredizaje. Madrid:
Gymnos, Editorial Deportiva.

Araujo, J. (1995). Manual do Treinador do Desporto Profissional: Campo de


Letras. Porto.

Barbosa, J. (1999). A organização do jogo em Andebol. Estudo comparativo do


processo ofensivo em equipas de Alto Nível, em função da relação numérica
ataque-defesa. Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto, Porto.

151
Barnanti, V. J. (1997). Treinamento Esportivo (2ª ed.). São Paulo: Edgard
Blucher Ltda.

Bento, J. (2004). Desporto Descurso e Substância. Porto: Campo das Letras.

Bompa, T. (1990), Theory and Methodology of Training - The Key to Athletic


Performance, Dubuque-Iowa, Kendall/Hunt Publishing Company, 2ª Ed.

Bompa, T. (1999). Planeamento a longo prazo: O Caminho para a Alta


Competição. Comunicações do Seminário Internacional Treino Desportivo.
Lisboa.

Bompa, T. (2002). Periodização: teoria e metodologia do treinamento. São


Paulo: Phorte.

Bompa, T. (2005). Entrenamiento para jóvenes desportistas. Barcelona:


Editorial Hispano Europea.

Braz, J. (2006). Organização do jogo e do treino em futsal: estudo comparativo


acerca das concepções de treinadores de equipas de rendimento superior de
Portugal, Espanha e Brasil. Dissertação (Mestrado em Ciências do Desporto) -
Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do Porto,
Porto, 2006. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CB8
QFjAA&url=http%3A%2F%2Frepositorio-
aberto.up.pt%2Fbitstream%2F10216%2F14267%2F2%2F4822.pdf&ei=gBoYVI
CpEoSzyATZiYL4Dg&usg=AFQjCNHWwRbps-F-
M1O3HYvFB61Wr6LfPA&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 06 de
Fevereiro de 2014.

Buceta, J.M. (2001). “O comportamento do treinador de jovens no treino”, in


Seminário Internacional Treino de Jovens. Lisboa - Secretaria de Estado do
Desporto. 15-28.

Cadenas, M. (2006). Los consejos de...Manolo Cadenas. Área de Balonmano


nº 38.

152
Calvo, A.L. (1998). Adecuacion de la preparacion fisica en el entrenamiento
tecnico-tactico en baloncesto. Revista Digital, 12. Disponível em:
http://www.efdeportes.com/efd12/acalvo.htm , consultado a 25 Novembro 2013.

Cardoso, F. (2006): A Necessidade de Contextualizar a Dimensão Táctica no


Futebol. Dissertação de Licenciatura apresentada à Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CCEQFjAA&url=http%3A%2F%2Fsigarra.up.pt%2Ffadeup%2Fpt
%2Fpubls_pesquisa.show_publ_file%3Fpct_gdoc_id%3D2430&ei=AxIYVIGTBI
WVauylgvAF&usg=AFQjCNF-
hVt6CtwSlUZRgsI_D00ag4xh8w&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 19 de
Dezembro de 2013.

Castelo, J. (1994). Futebol, Modelo técnico-táctico do jogo. Edições FMH.


Universidade Técnica de Lisboa.

Castelo, J. (1996). O Estudo do Factor Táctico Desportivo. In Castelo et. al.


(Eds.) Metodologia do Treino Desportivo. (pp. 189-250). Lisboa: Edições FMH.
Disponível em: http://www.jorgecastelo.com/pt/article/22, consultado a 12
Dezembro de 2013.

Castelo, J. (2003). Futebol Actividades Físicas e Desportivas, Lisboa: Edições


FMH-UTL.

Constantino, J. M. (2002). Um novo rumo para o desporto: Ainda a Formação.


In (pp. 152-153): Livros Horizonte.

Costa, H. C. M.; Lima, C. O. V.; Matias, C. J. A. S.; Greco, P. J. Efeito do


processo de treinamento técnico-tatico no nível de conhecimento declarativo de
jovens praticantes de voleibol. Revista Mineira de Educação Física, v. 15, n. 2,
p. 5-19. 2007. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.revistamineiradeefi.ufv.br
%2Fartigos%2Farquivos%2F1701057128d16e3f4179ffc7d56c1854.pdf&ei=bPIj

153
VPKgJ-
G07QaQuYG4BQ&usg=AFQjCNGBZdSc8sV18Ez2yRgBqeR0MKyXPg&bvm=b
v.76247554,d.ZGU, consultado a 27 de Janeiro de 2014.

Côté, J. (2009). Para uma teoria sobre a qualidade do treino. Prelecção no 10.º
Seminário Internacional de Treino de Jovens.

Czerwinski, F.; Taborsky, F. (1997). Basic Handball – Methods/ Tactics/


Technique. Austria: European Handball Federation. Disponível em:
http://www.eurohandball.com/publications, consultado a 15 de Novembro de
2013.

Czerwinski, J. (1993). El Balonmano. Técnica, Táctica y Entrenamiento.


Barcelona: Paidotribo.

Dwyer, J. M., & Fischer, D. G. (1990). Wrestlers’ perceptions of coaches’


leadership as predictors of satisfactionwith leadership. Perceptual
andMotorSkills, 71, 511-517. Disponível em:
http://www.amsciepub.com/doi/abs/10.2466/pms.1990.71.2.511, consultado a
17 de Novembro de 2013.Ehret, A. et al. Manual de handebol: treinamento de
base para crianças e adolescentes. São Paulo: Phorte, 2002.

Espar Moya, F. (2001). Balonmano (1ª ed.). Barcelona: Ediciones Martínez


Roca.

Estriga, .M.; Moreira, I. (2014). Ensino do andebol na escola. Ensinar e


aprender. FADEUP. Porto.

Faria, R. (1999). “Periodização táctica.” Um imperativo concepto-metodológico


do rendimento superior em futebol. Dissertação de Licenciatura (não
publicado). Porto: FCDEF-UP.

Faria, R. (2003). Entrevista, in Leandro, T. Modelo de Clube: da Concepção à


Operacionalização. Um Estudo Caso no Futebol Clube do Porto. Monografia de
Licenciatura. FCDEF-UP. Porto.

154
Fernandez, E., Melendez-Falkwoski, M. (1988): ”Los Sistemas de Juego
Ofensivos”, Coleccion Handball, n.º 8, Editorial Esteban Sanz Martinez.

Fernandez, E., Melendez-Falkwoski, M. (1988): ”Los Sistemas de Juego


Defensivos”, Coleccion Handball, n.º 9, Editorial Esteban Sanz Martinez.

Ferreira, A. (2001) "Ensinar os jovens a jogar… a melhor solução para a


aprendizagem da técnica e da táctica", in Revista Treino Desportivo. Disponível
em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.fmh.utl.pt%2Fagon%2Fcpf
mh%2Fdocs%2Fdocumentos%2Frecursos%2F276%2FArtigo_APF.pdf&ei=rv8
XVIuaMYnoaK36guAO&usg=AFQjCNHYk6BKyo6LJS01nO41NJQluoRb-
A&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 12 de Novembro de 2013.

Ferreira, J. (1999). Aptidão Física, Actividade Física e Saúde da população


Escolar do Centro da Área Educativa de Viseu. Estudo em crianças e jovens de
ambos os sexos dos 10 aos 18 anos de idade. Tese de Mestrado da Faculdade
de Ciências do Desporto e de Educação Física, Porto.

Ferreira, P.F., Volossovitch, A., & Gonçalves, I. (2003). Methodological and


Dynamic Perspective to Determine Critical Moments on Sport Game.
International Journal of Computer Science in Sport, 2, 119 -122.

Fonseca, A., Maia, A., Mota, J. (1999): Objectivos de realização e motivação


intrìnseca para a prática da Educação Física. In Livro do 1º Congresso
Internacional de Ciências do Desporto. FCDEF.UP.Porto.

Fonseca, O. (2005). Estudo comparativo do processo ofensivo de equipas


femininas de alto rendimento. In Estudos 5. (Jorge Pinto, eds.). FCDEF, 42-47.

Frade, V. (1979). Disciplina de "Opções - Futebol". Esboço analítico de


programa. Universidade do Porto.

155
Frade, V. (1985). Alta Competição – Que exigências do tipo metodológico? –
Comunicação apresentada ao Curso de Actualização – Futebol. Porto: ISEF –
UP.

Frade, V. (2003). A Periodização Tática segundo Vitor Frade: Mais do que um


conceito, uma forma de estar e de refletir o futebol. Dissertação de
Licenciatura, pp. 97- FCDEF-UP. Porto

Freitas, R. (1999). Treino de força em andebol :um estudo exploratório sobre o


planeamento e periodização da força em equipas da 1ª Divisão Nacional .
Dissertação de Mestrado apresentado à Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto, Porto. Disponível em: http://repositorio-
aberto.up.pt/handle/10216/9920, consultado a 23 de Novembro de 2013.

Gallahue, D. L., Ozmun, J. C. (2003). Compreendendo o desenvolvimento


motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 2. ed. São Paulo: Phorte
Editora Ltda.

Garcia Cuesta, J. (2002). Processos de Aprendizagem – Da iniciação à alta


competição. Seminário Internacional Treino de Jovens. Melhores treinadores
para uma melhor prática, pp. 47-59. Centro de Estudos e Formação
Desportiva. Lisboa.

Garganta, J. (1991). Estudo descritivo e comparativo da força veloz e da força


explosiva em jovens praticantes de futebol. Dissertação apresentada às provas
de aptidão pedagógica e capacidade científica, Faculdade de Ciências do
Desporto e Educação Física. Universidade do Porto.

Garganta, J. (1993). Programação e Periodização do Treino em Futebol: das


generalidades à especificidade. In A Ciência do Desporto, a Cultura e o
Homem: 259-270. J. Bento & A. Marques (Eds.). FCDEF - UP. CMP.

Garganta, J. (1997). Modelação Táctica do jogo de Futebol. Estudo da


organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento. Dissertação de
Doutoramento apresentada à Faculdade de Ciencias de Desporto e de
Educação Física da Universidade do Porto. Disponível

156
em:http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rj
a&uact=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Frepositorio-
aberto.up.pt%2Fbitstream%2F10216%2F10267%2F3%2F752_TD_01_P.pdf&ei
=m_UXVOTqKIbtaJeKgbgO&usg=AFQjCNEwHMC5eX__Ip85235PSGqRVLjEh
g&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 01 de Novembro de 2013.

Garganta, J. (2003). Fútbol: del juego al entrenamiento, del entrenamiento al


juego. Training Fútbol, 85, 14-17.

Gilbert, W., Gilbert, J.N., Trudel, P. (2001). Coaching strategies for youth
sports. Part 1: athlete behavior and athlete performance. Journal of Physical
Education, Recreation and Dance, Reston, v.72, n.4, p.29-33. Disponível em:
http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07303084.2001.10605736?journal
Code=ujrd20#.VBgBqRaOSZQ, consultado a 18 de Novembro de 2013.

Godik, M. A., Popov, A. V. (1993). La preparación del Futbolista: Paidotribo.

Gomes, F. (2008). Análise do Jogo no Andebol. Caracterização do processo


defensivo, em situação de 6x6, dos três primeiros classificados no Campeonato
da Europa 2006, seniores masculinos. Unpublished Mestrado, Universidade
Técnica de Lisboa, Lisboa. Disponível em:
https://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&
uact=8&ved=0CB8QFjAA&url=https%3A%2F%2Fwww.repository.utl.pt%2Fbitst
ream%2F10400.5%2F389%2F1%2FTese%2520M_F.Gomes.pdf&ei=XxUYVO
3BHoHbaNu2gNgE&usg=AFQjCNE2LbsKMKrlVe63VdZJHV7C9qgPnQ&bvm=
bv.75097201,d.d2s, consultado a 17 de Janeiro de 2014.

Graça, A., Oliveira, (Ed.) (1994). O Ensino dos Jogos Desportivos, Porto,
FCDEF-UP.

Graça, A. (2007). Modelos e Concepções de Ensino no Jogo. 1º Congresso


Internacional de Jogos Desportivos. Universidade do Porto: Faculdade de
Desporto.

Greco, P. J. (1998). Iniciação esportiva universal II – Metodologia da iniciação


esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: Editora UFMG, p.310.

157
Jorge, P. (2003). O Contra-ataque no andebol português de alto rendimento.
Estudo realizado com a selecção nacional de seniores masculinos. Lisboa: P.
Jorge. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Técnica de
Lisboa.

Knijnik, J. D. (2004). Conceitos básicos para a elaboração de estratégias de


ensino e aprendizagem na iniciação à prática do handebol. Revista Ludens –
Ciências do Desporto, Lisboa, p. 75-81. Disponível em:
http://pt.scribd.com/doc/58104181/CONCEITOS-BASICOS-PARA-A-
ELABORACAO-DE-ESTRATEGIAS-DE-ENSINO-E-APRENDIZAGEM-NA-
INICIACAO-A-PRATICA-DO-HANDEBOL, consultado a 23 de Abril de 2014.

Latyshkevich, L.A. (1991): Balonmano; Editorial PaidoTribo. Barcelona.

Leal, M., Quinta, R. (2001). O Treino no Futebol: Uma Concepção para a


Formação. Braga: APPACDM.

Leandro, T. (2003): Modelo de clube: da concepção à operacionalização: um


estudo de caso no Futebol Clube do Porto. Tese de Licenciatura. FCDEF-UP.
Disponível em:
https://sigarra.up.pt/feup/pt/publs_pesquisa.formview?p_id=1887, consultado a
07 de Dezembro de 2013.

Lima, T. (2000). Competições para Jovens. O melhor da revista Treino


Desportivo. Dir. António Fiuza Fraga. Centro de Estudos e Formação
Desportiva.

Maciel, J (2008). A incorporacção precoce dum jogar de qualidade como


necessidade (eco)antroposocialtotal: Futebol um Fenómeno AntropoSocial
Total, que primeiro se estranha e depois se entranha e logo, logo, ganha-se!
FADEUP.

Marques, A. (1990). Treino desportivo: área de formação e investigação.


Horizonte, Lisboa, v.VII, n.39, p.97-106.

158
Marques, A. (1993). A periodização do treino em crianças e jovens. Resultados
de um estudo nos centros experimentais de treino da FADEUP. A Ciência do
Desporto, a Cultura e o Homem. Faculdade de Desporto da Universidade do
Porto.

Marques, A., & Oliveira, J. (2002). O treino e a competição dos mais jovens:
Rendimentos versus saúde.: In: Esporte e Atividade Física. Manole, pp. 51-78.

Matveiev, L. P. (1977): Principios del entrenamiento deportivo (pp. 280). Moscú,


Cultura Física y Deporte.

Matviev, L. P. (1997). Treino desportivo: metodologia e planejamento.


Guarulhos: Phorte, 136-137.

Medina, A. A., Ortín, N. U. (2002). Guía didáctica de balonmano. Murcia.

Mesquita, I. (1991). As ciências do desporto e a prática desportiva – Desporto


de Rendimento e Desporto de Recreação e Tempos Livres (Vol. 2). Editores:
Jorge Bento e António Marques– FCDEF, UP. A importância da análise do
processo de treino em Voleibol, pp. 65-70.

Mesquita, I. (1997). Pedagogia do Treino: A formação em Jogos desportivos


colectivos. Lisboa: Livros Horizonte.

Mesquita, I. (2012). Apontamentos das aulas de Didática do Desporto.


Avaliação das Aprendizagens em Educação Física (não publicado). Porto:
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Mesquita, I., Graça, A. (2009). Ensino dos Jogos Desportivos: concepções,


modelos e avaliação. In Rosado, A. e Mesquita, I. (2009) Pedagogia do
Desporto (131-163). Cruz Quebrada: Edições FMH.

Mombaerts, É. (1991) Football – De l’analyse du jeu à la formation du joueur de


football. Éditions Actio. Joinville-le-Pont. Paris.

Mortágua, L. (1999). Modelo de jogo ofensivo em Andebol. Estudo da


organização da fase ofensiva em equipas seniores masculinas de Alto

159
Rendimento portuguesas. Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto,
Porto. Disponível em: http://dited.bn.pt/29089/index.html?%26cmd=id/,
consultado a 07 de Janeiro de 2014.

Mourinho, J. (2001). "Programação e periodização do treino em futebol" in


palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina de POAEF.

Nogueira, M. (2005). Análise da estrutura do treino, no escalão de iniciados e


juvenis, em Futebol. Dissertação para provas de Mestrado no ramo de Ciências
do Desporto. FCDEF-UP. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Frepositorio-
aberto.up.pt%2Fbitstream%2F10216%2F23305%2F2%2F19226.pdf&ei=OBsY
VJ66BISQyAT4yYCQBQ&usg=AFQjCNG6UYr01Iz3XKTHzMs9yfgPgfhFDg&bv
m=bv.75097201,d.d2s, consultado a 01 de Março de 2014.

Oliveira, G. (2003). Organização do jogo de uma equipa de Futebol. Aspectos


metodológicos na abordagem da sua organização estrutural e funcional.
Documento de apoio das II Jornadas técnicas de futebol da U.T.A.D.

Oliveira, G. (2008). Psicomotricidade: Educação e Reeducação num enfoque


psicopedagógico.13ª Edição. Petrópolis. Editora Vozes.

Oliveira, I. C. C. e Francischine, R. (2009). Direito de brincar: as


(im)possibilidades no contexto de trabalho infantil produtivo. Psicologia-USF,
Itatiba, 14 (1). Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fpdf%2Fpusf
%2Fv14n1%2Fa07v14n1.pdf&ei=eR4YVKLWKoKmyATpx4CYDQ&usg=AFQjC
NHxYdACB_hAbH8L5BBZEjRBSAIt-A&bvm=bv.75097201,d.aWw, consultado
a 12 de Março de 2014.

Oliveira, V., Paes, R. (2004). A pedagogia da Iniciação Desportiva: um Estudo


sobre o Ensino dos Jogos Desportivos Colectivos, Paris. Disponível em:

160
http://www.efdeportes.com/efd71/jogos.htm, consultado a 03 de Outubro de
2013.

Pacheco, R. (2001). O ensino do Futebol de 7: Um jogo de iniciação ao futebol


de 11. Grafiasa.

Pacheco, H. (2011). Académico Futebol Clube: Um século na vida portuense,


ao serviço do desporto. Edições Afrontamento.

Pascal, Blaise. (1988). Pensamentos. Os Pensadores. São Paulo, Nova


Cultural.

Pinto, D., Esteves, A., Costa, A., Graça, A. (2003). Estudo de caso,
planeamento do treino de jovens basquetebolistas, análise das “cargas” de
treino, em dois escalões diferenciados, de um treinadorde referência. In: La
enseñansa y el entrenamiento del baloncesto. II Congreso Ibérico de
Baloncesto. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.eweb.unex.es%2Feweb%
2FCIB2007%2Fanteriores%2Fcib2003%2Fdocumentos%2Fcomunicaciones%2
FCLPinto1.pdf&ei=ChwYVJjYOM-
OyATAv4L4DQ&usg=AFQjCNHk1sYE5RbVNr_12u3YGBgGb2UgUA&bvm=bv.
75097201,d.d2s, consultado a 04 de Março de 2014.

Pires, G. (2005). Gestão do Desporto: desenvolvimento organizacional.


Apogesd, 2ª edição. Porto

Pokrajac, B. (2008). EHF Men’s Euro 2008 – Analysis, discussion, comparison,


tendencies in modern handball. EHF Periodical. Disponível em:
http://www.eurohandball.com/publications, consultado a 5 de Novembro de
2013.

Prudente, J. (2006): Análise da Performance Táctico-Técnica no Andebol de


Alto Nível. Estudo das acções ofensivas com recurso à análise sequencial.
Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Doutor em
Educação Física e Desporto na especialidade de Ciências do Desporto,

161
Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física. Universidade do Porto.
Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=9&ved=0CE4
QFjAI&url=http%3A%2F%2Frepositorio.uma.pt%2Fbitstream%2F10400.13%2F
123%2F1%2FDoutoramentoJo%25C3%25A3o%2520Prudente.pdf&ei=8hIYVL
T4EJfUaoKlgsAC&usg=AFQjCNF-
dtZ8QUGD3S_Wo3nUUcFF79iaNA&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 10
de Janeiro de 2014.

Queiroz, C. (1986). Estrutura e organização dos exercícios de treino em


futebol. Lisboa: Federação Portuguesa de Futebol.

Ribeiro, M. & Volossovitch , A. (2004). Andebol 1: O ensino do Andebol dos 7


aos 10 anos. Lisboa. FMH Edições.

Román Seco, J. (2005). Los inicios del siglo XXI: Evolución y tendencias del
juego. Comunicação apresentada em Seminario Asociación de Entrenadores
de Balonmano, Zaragoza. Disponível em: http://www.e-
balonmano.com/ojs/index.php/revista/article/view/7, consultado a 20 de Janeiro
de 2014.

Romero Cerezo, C. (2000). Hacia una concepción más integral del


entrenamiento en el fútbol.Educación Física y Deportes. Revista Digital, 19.
Disponível em: http://www.Efdeportes.com/, consultado a 11 de Fevereiro de
2014.

Rosado, A.; Mesquita, I. (2009). Melhorar a performance optimizando a


instrução. In:. Rosado, A.; Mesquita, I.. Pedagogia do Desporto. Lisboa:
Edições FMH, p. 69- 130.

Schliesman, E. S., Beitel, P .A. & DeSensi, J. T. (1994). Athlete and coach
gender, leader behavior, and follower satisfaction in sport. Unpublished
manuscript, University of Tennessee Knoxville, TN. Disponível em: , consultado
a 17 de Novembro de 2013.

162
Seco, J.D. (2006) Los inícios del siglo XXI evolucion y tendências del juego.
Revista Digital, 23-29. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CCIQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.e-
balonmano.com%2Frevista%2Farticulos%2Fv2n1%2Fv2-n1-
a1.pdf&ei=svoXVKe_JoviaMHSgqgD&usg=AFQjCNFG__h7sKQ8ka_a4t9OPlk
M8YJxHg&bvm=bv.75097201,d.d2s, consultado a 03 de Novembro de 2013.

Silva, F., Fernandes, L., Celani, F. (2001). Desporto de crianças e jovens – um


estudo sobre as idades de iniciação. Revista Portuguesa de Ciências do
Desporto, 1(2): 45-53. Diponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CCEQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.fade.up.pt%2Frpcd%2F_a
rquivo%2Fartigos_soltos%2Fvol.1_nr.2%2F06.pdf&ei=N_4XVLDfI8nsaM-
VgIAK&usg=AFQjCNHwNHKK6OuncjcFvpTOVxfeoalHPQ&bvm=bv.75097201,
d.d2s, consultado a 10 de Novembro de 2013.

Silva, J. (2008). Modelação Táctica do Processo Ofensivo em Andebol - Estudo


de situações de igualdade numérica 7 vs 7, com recurso a Análise Sequencial
Dissertação de Doutoramento apresentado à Faculdade de Desporto da
Universidade do Porto, Porto. Diponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Frepositorio-
aberto.up.pt%2Fbitstream%2F10216%2F21090%2F2%2F14942.pdf&ei=mvwX
VMT1DdDOaJfbgfAJ&usg=AFQjCNFNrQfiZDWP0Ki0o1gEW0YKBBFMhg&bvm
=bv.75097201,d.d2s, consultado a 06 de Novembro de 2013.

Silva, J., Garganta, J. & Rodrigues, M. (2005). Análise dos indicadores de


rendimento em jogos de Andebol. Jogos a eliminar vs jogos em grupo. Revista
técnica de Andebol – Technical Handball Magazine. 1: 26-30. Disponível em:
http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&u
act=8&ved=0CB8QFjAA&url=http%3A%2F%2Frepositorio-
aberto.up.pt%2Fbitstream%2F10216%2F14232%2F2%2F4683.pdf&ei=3xYYVI

163
aDEInYapvngagK&usg=AFQjCNHjeQ5Vc2uker5iAI3uCBP9vyAoSw&bvm=bv.7
5097201,d.d2s, consultado a 26 de Janeiro de 2014.

Silva, M. (1988). Caracterização do esforço em modalidades desportivas


mensuráveis e não mensuráveis: o judo como caso exemplar. Treino
Desportivo, Lisboa, n.10, p.36-46.

Silva, M. (2008). O desenvolvimento do jogar segundo a periodização táctica.


Pontevedra: Mcsports. Disponível em: Silva, M. (2008). O desenvolvimento do
jogar segundo a periodização táctica.

Sousa, R. (2000). Modelação do processo defensivo em Andebol. Porto: R.


Sousa. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências do
Desporto e de Educação Física.

Teodurescu.L. (1984). "Problemas da teoria e metodologia nos jogos


desportivos". Livros Horizonte. Lisboa.

Tschiene, P. (1987): El Sistema de Entrenamiento. Revista de Entrenamiento


Deportivo. Vol. 1, N° 4-5 , pp. 2-11, Ideasport. Barcelona.

Varejão, J. (2004). Performance diferencial no Andebol: Uma análise de Jogo


de tempo e movimento em equipas que disputam o campeonato do mundo
(Portugal 2003). Porto: J. Varejão. Revista Portuguesa de Ciências do
Desporto. 2004, vol.4 nº 2.

Verkhoshansky, I. V. (1990). Planificacíon y programación. Barcelona: Martinez


Roca S.A.

Volossovitch, A. (2000). Aspectos metodológicos da selecção de talentos


desportivos. Treino Desportivo, Lisboa, p.2-7.

Weineck, J. (1999). Treinamento ideal (9 ed.). São Paulo: Manole.

Williams, A.; Hodges, N. (2005). Practice, instruction and skill acquisition in


soccer: challenging tradition. Journal of Sports Sciences, London, v.23, n.6,
p.637-50.

164
Anexos
Anexo I
Anexo I – Regulamento Provas Infantis e Minis Masculinos Época
2013/2014.

Infantis Masculinos
PO15 – Campeonato Nacional
1ª Fase da PO15 – Prova da FAP organizada pela AAP por delegação de
competências.
Equipas Inscritas: Equipas que se inscrevam.
Equipas a apurar para Encontro Nacional: A indicar em CO da FAP.
Sorteio: 17/09/13 Inicio: 12/10/2013 Fim: 26/05/2014
Forma de disputa:
Esta prova será disputada por ondas de forma a permitir a entrada de novas
equipas e de ajustar os níveis competitivos das equipas em competição.
Serão constituídos grupos que jogarão TxT a 1 volta.

Minis Masculinos
PR02 – Prova Regional
Prova regional organizada pela AAP.
Equipas Inscritas: Equipas que se inscrevam.
Sorteio: 17/09/13 Inicio: 12/10/2013 Fim: 26/05/2014
Forma de disputa:
Esta prova será disputada por ondas de forma a permitir a entrada de novas
equipas e de ajustar os níveis competitivos das equipas em competição.
Serão constituídos grupos que jogarão TxT a 1 volta Irá ser utilizado o regime
de jornadas concentradas.

XXVI
ÉPOCA 2013/2014
PO15 – ENCONTRO NACIONAL – INFANTIS MASCULINOS
(Regulamento aprovado em Reunião de Direção de 03 de Junho de 2012)

REGULAMENTO DA PROVA
Artigo 1
Prémios
As recompensas e prémios serão indicados em Comunicado Oficial a ser
publicado.
Artigo 2
Participantes
1. Clubes
a. Participam todos os Clubes que se inscreverem.
2. Atletas
b. Podem participar os atletas de acordo com o anexo 3 do Comunicado
Oficial nº 3 época 2013/2014.
3. Treinadores
a. Treinadores, de acordo com o estipulado no anexo 8 do Comunicado
Oficial nº 1 época 2013/2014.
Artigo 3
Modelo Competitivo
1. 1ª Fase - Campeonatos Regionais ou Inter-regionais
2. Fase Final – Prova Nacional de acordo com comunicado a ser
publicado.
3. No caso de igualdade pontual no final de qualquer Fase a classificação é
estabelecida de acordo com o estipulado no RG da Federação e
Associações (Artº 13- Título 11).
Artigo 4
Diretor de Campo
1. Os Clubes, nesta prova, deverão inscrever, nos jogos realizados na
situação de visitados, um Coordenador de Segurança/Diretor de Campo.

XXVII
2. Se o Clube visitado não tiver Coordenador de Segurança, terá
obrigatoriamente que requisitar Força Policial.
Artigo 5
Oficiais de Mesa CROM
1. Os Clubes “CROM” garantem, as funções de Oficiais de Mesa nos jogos
na situação de visitado, podendo o visitante, caso possua estatuto
“CROM”, colocar um oficial de mesa.
2. Nos jogos em que o Clube visitado não seja “CROM”, será a entidade
com competência para a organização da Prova a designar os oficiais de
mesa.
3. Nos jogos em regime de concentração, os Árbitros e Oficiais de Mesa
são designados pela entidade com competência para a organização da
Prova.
Artigo 6
Homologação de Campos
1. Os campos a indicar deverão possuir todas as condições
regulamentares.
2. Os pedidos de homologação de campos, deverão ser efetuados no
Portal do Andebol através do Sistema de Informação;
3. Nas Fases em Concentração a indicação do campo é da
responsabilidade da FAP.
Artigo 7
Regras Técnicas Especiais
1. De forma a desenvolver as capacidades dos atletas mais jovens, as
seguintes regras técnicas vigoram nesta competição:
a. Substituição só em posse de bola.
b. Proibição de defesas mistas.
Artigo 8
Disposição Final
1. Este RE anula as disposições que o contradigam na Regulamentação
em vigor.

XXVIII
2. A tudo o que não vem especificado neste RE aplica-se o RG da FAP e
Associações.
3. Este regulamento vigora para a época 2013/2014.

XXIX
Anexo II
Anexo II – Modelo das fichas de avaliação trimestrais dos Infantis
Masculinos.

XXXIII
Anexo III
Anexo III – Modelo das fichas de avaliação trimestrais dos Minis
Masculinos.

XXXVII
Anexo IV
Anexo IV - Planeamento anual infantis masculinos.

P. P.
Conteúdo Perío Período
Pré-Competitivo Período Competitivo Transiç Transiç Período Competitivo
s do Competitivo
ão ão
Técnica
Mese agos setem outub novem dezem fevere mar mai jun julh
individual janeiro abril
s to bro ro bro bro iro ço o ho o
defensiva
Controlo
adversário
Colocação
Apoios
Ajuda
Desarme
Noção de
Bloco
Sub-
utilização
da Bola
Deslocame
ntos
Técnica
individual
ofensiva
Passe e
recepção
Dif. Téc.
remate
Fintas c/ e
s/ bola
Tática
Defensiva
Sist.
Individual
Defensivo
3:3
5:1
Recuperaç
ão
defensiva
Troca de
marcação
Tática
Ofensiva
1:5
2:4
Ataque ao
espaço
Criação
sup.
numérica
Ocupação
racional
espaço
Cruzament
os
Saída
contra-
ataque
Ataque
rápido
Contra golo

XLI
Anexo V
Anexo V - Planeamento anual minis masculinos

P.
Perío
Conteúdos Pré-Competitivo Periodo Competitivo Transiç Período Competitivo
do
ão
Técnica
Mese agos setem outub novem dezem janei feverei mar mai junh julh
individual abril
s to bro ro bro bro ro ro ço o o o
defensiva
Controlo
adversário
Colocação
Apoio
Ajuda
Desarme
Deslocame
ntos
Técnica
individual
ofensiva
Passe e
recepção
Remate
Fintas c/ e
s/ bola
Tática
Defensiva
Sist.
Individual
Defensivo
3:3
Recuperaç
ão
defensiva
Tática
Ofensiva
Ataque ao
espaço
Criação
sup.
numérica
Ocupação
racional
espaço
Saída
contra-
ataque
Ataque
rápido
Contra golo

XLV
Anexo VI
Anexo VI – Calendário Torneios Infantis Masculinos.

Torneio Kaky Gaia 2013


Data 27/12/2013 a 30/12/2013
Local Pavilhão FC Gaia
Hora 09:00 as 18:00
Jogo S. Gondomar ADA Maia ADA Estarreja FC Gaia Estarreja
Pedro Cultural ISMAI Maia
Sul ISMAI
Fase 1ª Fase Grupos (Grupo 2) Grupo 2 Challange 5º e 6º lugar
Jornada 1 2 3 4 5 6 7
Resultado 20-12 17-23 13-25 12-19 13-18 8-12 23-17
Classificação 5º classificado
Final

Torneio Lagarteiro pela Igualdade – 2014


Data 07/06/2014
Local Pavilhão do Lagarteiro
Hora 09:00 às 19:00
Jogo Águas CPN Gondumar FC Gaia
Santas Cultural
Fase Grupo A Semi-final
Jornada 1 2 3 4
Resultado Empate Vitória Derrota Vitória
Classificação 3º classificado
Final

Torneio Garci Cup 2014 – Estarreja


Data 25/06/2014 26/06/2014 27/06/2014 28/06/2014 29/06/2014
Local Municipal Secundária Secundária Pardilhó Secundária
Hora 12:45 16:00 13:00 18:30 11:15
Jogo AA Avanca GM 1º CDB Perestrelo Cister Sport CJS Brito
Dezembro Alcobaça
Fase Fase Grupos Fase Grupos Fase Grupos 4º Grupo A 1º eliminatória
(Grupo B) (Grupo B) (Grupo B) VS 4º Grupo vs 2º
B eliminatória
Jornada 1 2 3 4 5
Resultado 30-17 17-17 13-29 6-20 23-6
Classificação 4º lugar Vencedor Vencedor
Fase Grupos encontro encontro
Classificação 13º classificado
Final

XLIX
Torneio Festand Andebol 4 Kids
Data 13/07/2014
Local Praia Matosinhos
Hora 09:00 09:30 10:00 10:30
Jogo CALE Padroense FC Mac 1 Os Mineiros
“B”
Fase Grupo A
Jornada 1 2 3 4
Resultado Vitória Vitória Vitória Vitória
Classificação Final 1º classificado

Torneio Festand Andebol 4 Kids


Data 20/07/2014
Local Praia Canide Norte
Hora 09:00 09:30 10:00 10:30
Jogo Padroense BH Madalenese Minions Padroense FC “B”
Fase Grupo A
Jornada 1 2 3 4
Resultado Vitória Vitória Vitória Vitória
Classificação Final 1º classificado

Torneio Maia Handball Cup 2014


Data 19/07/2 20/07/2 21/07/2 22/07/2 22/07/2 23/07/2 24/07/2 25/07/2 26/07/2
014 0124 014 014 014 014 014 014 014
Local Pavilhã Pavilhão Pavilhã Pavilhã Campo Pavilhã Campo Pavilhã Pavilhã
o da Esc. o da E. o da exterior o da exterior o o da E.
Municip Sec. B. 2/3 Esc. da E. Esc. da Esc. Municip B. 2/3
al do Maia da Sec. B. 2/3 Sec. Sec. al do da
Formigu Maia Maia da Maia Maia Formigu Maia
eiro Maia eiro
Hora 16:00 09:30 12:00 11:00 15:00 15:00 15:00 10:00 15:00
Jogo CALE Estarrej Macieir NAAL Acadé Dragon SD Dragon CS
a AC a Paços mico Force Teucro Force Marítim
Manuel Funcha o
l
Fase Grupo A Oitavos Quarto Meia- Final
-final s-final final
Jornada 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Resultad Não se
27-25 17-24 14-19 realizou
21-19 18-24 21-19 14-15 22-23
o
Classific
ação 2º classificado
Final

L
Anexo VII
Anexo VII – Calendário Torneios Minis Masculinos.

Torneio Festand Andebol 4 Kids


Data 13/07/2014
Local Praia Matosinhos
Hora 09:00 09:30 10:00 10:30
Jogo Mac 2 CPN Padroense Os Doutores
BH
Fase Grupo B
Jornada 1 2 3 4
Resultado vitória derrota derrota vitória
Classificação Final 3º classificado

Torneio 2º Gondomar-Andebol7 Challenge 2014


Data 14/06/2014 14/06/2014 14/06/2014 15/06/2014
Hora 10:30 14:00 17:00 15:30
Local Escola Secundária de Rio Tinto
Jogo FC Infesta ADA – Maia Gondomar ISMAI
ISMAI Cultural
Fase 1ª Fase Grupo Final 1º e 2º
Jornada 1 2 3 4
Resultado 28-6 25-18 22-22 21-17
Classificação Final 2º classificado

Torneio Festand Andebol 4 Kids


Data 20/07/2014
Local Praia Canide Norte
Hora 09:00 09:30 10:00 10:30
Jogo Padroense FC Académico Padroense Madalenense
“B” BH
Fase Grupo A
Jornada 1 2 3 4
Resultado vitória derrota derrota vitória
Classificação Final 3º classificado

LIII