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PRIMEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO

APELAÇÃO Nº 82242/2017 - CLASSE CNJ - 198 COMARCA CAPITAL
RELATOR: DES. JOÃO FERREIRA FILHO

APELANTES: FERNANDO JORGE SANTOS OJEDA
ESPÓLIO DE OSCAR HERMÍNIO FERREIRA FILHO
REPRESENTADO PELO INVENTARIANTE OSCAR
FERREIRA BRODA E OUTRO(s)
EFRAIM RODRIGUES GONÇALVES
APELADOS: FERNANDO JORGE SANTOS OJEDA
EFRAIM RODRIGUES GONÇALVES
ESPÓLIO DE OSCAR HERMÍNIO FERREIRA FILHO
REPRESENTADO PELO INVENTARIANTE OSCAR
FERREIRA BRODA

Número do Protocolo: 82242/2017
Data de Julgamento: 10-04-2018

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EMENTA
APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE RESOLUÇÃO DE
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS ATRELADO
A MANDATO COM CLÁUSULA “AD EXITUM” – CONTRATAÇÃODE DOIS
ADVOGADOS PARA A PROPOSITURA E ACOMPANHAMENTO DE
AÇÕES DESTINADAS À RECUPERAÇÃO DA POSSE DE VÁRIOS
IMÓVEIS RURAIS – REMUNERAÇÃO HONORÁRIA DE 15% SOBRE O
VALOR DE CADA ÁREA DEFINITIVAMENTE RECUPERADA –
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONDICIONADOS À VITÓRIA FINAL
DEFINITIVA – REVOGAÇÃO UNILATERAL DO MANDATO EM RELAÇÃO
A APENAS UM DOS ADVOGADOS CONTRATADOS – ALEGAÇÃO DE
INADIMPLEMENTO PELA DISPENSA UNILATERAL IMOTIVADA –
PRETENSÃO À RESOLUÇÃO DO CONTRATO E CONDENAÇÃO DO
MANDANTE AO PAGAMENTO DA INTEGRALIDADE DA VERBA
HONORÁRIA PACTUADA PARA AMBOS OS ADVOGADOS – PEDIDO
CONDENATÓRIO APOIADO EM CLÁUSULA CONTRATUAL QUE

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DETERMINA O PAGAMENTO INTEGRAL DA VERBA HONORÁRIA “AD
EXITUM” NO CASO DE REVOGAÇÃO DO MANDATO ANTES DO
TÉRMINO DAS AÇÕES – ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL OPOSTA
PELO ADVOGADO NÃO DISPENSADO CONTRA O PEDIDO DE
PERCEPÇÃO INTEGRAL DA VERBA HONORÁRIA FORMULADO PELO
SEU COLEGA RESILITÁRIO – PLEITO ASSISTENCIAL PROCEDENTE –
IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO DE RESOLUÇÃO
CONTRATUAL – CONTRATO JÁ EXTINTO PELOS EFEITOS DA
RESILIÇÃO UNILATERAL (REVOGAÇÃO) – CÓDIGO CIVIL, ART. 473 C/C
ART. 682, I – NÃO CONHECIMENTO DO PEDIDO RESOLUTÓRIO –
PRETENSÃO À CONDENAÇÃO DO MANDANTE AO PAGAMENTO DA
INTEGRALIDADE DA VERBA HONORÁRIA PREVISTA NA CLÁUSULA
“AD EXITUM” DO CONTRATO EXTINTO – IMPOSSIBILIDADE – PERDA
DE EFICÁCIA DA CLÁUSULA DE ÊXITO EM DECORRÊNCIA DA

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RESILIÇÃO – CONDENAÇÃO DO MANDANTE AO PAGAMENTO DE
HONORÁRIOS PELOS SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS PRESTADOS PELO
MANDATÁRIO NO PERÍODO DE VIGÊNCIA CONTRATUAL –
POSSIBILIDADE – RECEPÇÃO DA AÇÃO COMO AÇÃO DE
ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS – ATUAÇÃO DO ADVOGADO EM
VÁRIAS AÇÕES E RECURSOS EXPRESSAMENTE RECONHECIDA PELO
MANDANTE – ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA ORIENTADO
PELA TABELA DE HONORÁRIOS DA OBA/MT – UTILIZAÇÃO DA URH –
RECONHECIMENTO, EXCLUSÃO E PRESERVAÇÃO DOS DIREITOS DO
ASSISTENTE LITISCONSORCIAL – VITÓRIA TOTAL DO ASSISTENTE –
APELO DO AUTOR DESPROVIDO – APELO DO ASSISTENTE PROVIDO –
APELO DOS RÉUS PROVIDO PARCIALMENTE. 1. Resilição unilateral do
mandato pelo mandante (revogação), tal qual a renúncia do mandato pelo
advogado, não significa inadimplemento contratual, não derivando, portanto, as
consequências deste (CC, art. 475), mas simples exercício de direito potestativo

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legalmente previsto e que não se submete à prévia ocorrência de qualquer causa
legítima de justificação, bastando, e.g., que sobrevenha perda de eficácia da cola
fiduciária que unia mandante e mandatário (CC, art. 473 c/c art. 682, I). 2.
Condicionado o pagamento da verba honorária apenas no caso de vitória final
definitiva (“ad exitum”), com estipulação expressa do percentual de 15% sobre o
efetivo proveito econômico da demanda (recuperação definitiva de áreas de
terras), para repartição paritária desse valor entre os dois advogados contratados,
sobrevindo, porém, resilição contratual em relação a apenas um dos advogados,
descabe a condenação do mandante ao pagamento da totalidade dos honorários em
favor do advogado resilitário, mesmo havendo cláusula contratual prevendo essa
possibilidade, sendo cabível, por um lado, a intervenção processual do advogado
não dispensado, como assistente litisconsorcial (CPC, art. 125), para defesa de sua
quota/parte pretendida pelo colega dispensado, e, por outro lado, o arbitramento da
justa verba honorária devida pelos serviços prestados em proveito do mandante

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durante o período de vigência contratual, neste caso para que o mandante não
enriqueça indevidamente a troco do suor profissional do mandatário. 3. O
arbitramento pode ser feito imediatamente, estando a causa madura para tanto
(CPC, art. 515, §3º), e pode ser orientado pelo critério da aplicação da URH
previsto na Tabela de Honorários Advocatícios editada pela OAB. 4. Saindo-se o
assistente litisconsorcial ao final plenamente vitorioso, deve o autor responder
integralmente pela sucumbência, e, no caso de acolhimento parcial do pedido
condenatório formulado contra os réus, deve ter aplicação a regra do art. do CPC.

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FERREIRA BRODA

RELATÓRIO
EXMO. SR. DES. JOÃO FERREIRA FILHO
Egrégia Câmara:
Cuida-se de recurso de APELAÇÃO CÍVEL interposto pelo
ESPÓLIO DE HERMÍNIO FERREIRA FILHO, e também por FERNANDO JORGE

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SANTOS OJEDA e EFRAIM RODRIGUES GONÇALVES, contra a r. sentença
prolatada pelo MM. Juiz de Direito da 9a Vara Cível da Comarca da Capital, que nos
autos da “Ação de Resolução Contratual” (Proc. nº 19829-41.2012.811.0041 – Código
767032), ajuizada pelo apelante Fernando Jorge Santos Ojeda contra o Espólio de
Hermínio Ferreira Filho, figurando o apelante Efraim Rodrigues Gonçalves como
assistente litisconsorcial, julgou o pedido parcialmente procedente, para declarar
“rescindido” o contrato de prestação de serviços advocatícios, celebrado entre o Espólio
e os dois últimos apelantes, e condenar o réu “ao pagamento de 50% (...) sobre 15% (...)
do valor total da área de 142.605,00 (...) hectares, a qual foi atribuída à quantia de R$
10.859,61 (...) o hectares, fazendo incidir posteriormente 10% (...) da multa contratual,
e por fim deduzindo do montante alcançado o importe de R$ 250.000,00 (...) que foram
recebidos de forma antecipada”, ordenando, ainda, que, sobre o valor da condenação,
incidissem, a partir da citação, juros de mora de 1% ao mês e correção monetária pelo
INPC (cf. fls. 1.699/1.706).
A sentença condenou as partes ao pagamento de custas e

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honorários, estes que, na forma do art. 86, §2º, do CPC, arbitrou em 15% sobre o valor
da condenação, e distribuiu entre os litigantes “na proporção de 1/3 (um terço) para
cada” (cf. fls. 1.705).
O autor/apelante Fernando Jorge Santos Ojeda sustenta que faz
“jus ao recebimento do valor integral previsto contratualmente”, já que “a revogação do
mandato ocorreu somente em relação (a sua pessoa) e não em relação ao assistente”,
este que, inclusive, “continua atuando no objetivo contratual isoladamente”, não sendo
Efraim, portanto, “igualmente titular do direito estabelecido no contrato” (cf. fls.
1.713/1.715 – Vol. IX).
Sustenta que “não há motivo para (que seja reduzido) pela
metade o valor estipulado no contrato para (as) hipóteses de revogação do
mandado/rescisão contratual, até porque o instrumento não faz ressalva quanto à
revogação do mandato de apenas um dos patronos”, destacando, ainda, que “a
obrigação dos apelados para com o apelante (autor) é distinta da obrigação deles para

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com o assistente, já que a primeira decorre da rescisão do pacto, e em relação à
segunda prevalecem todos os termos do contrato vigente entre eles, notadamente o
recebimento dos honorários somente em caso de êxito nas demandas”.
Conclui, pois, que, enquanto a obrigação em relação a sua pessoa
“é plenamente exigível (...), a obrigação para com o assistente depende da
implementação da condição ad exitum pactuada, ou seja, está condicionada a evento
futuro e incerto (CC, art. 125)” – cf. fls. 1.716 – Vol. IX.
Sustenta, por fim, que não há “qualquer indício de efetivação do
adiantamento alegado (R$ 250 mil)”, eis que o documento apresentado pelos réus
menciona o “nome de uma pessoa jurídica estranha à lide (e o valor) nem se aproxima
(dos) propalados R$ 250 mil” (cf. fls. 1.720 – Voo. IX).
Pede, pois, a reforma da sentença para que os réus sejam
condenados ao pagamento “integral dos valores pleiteados”, sem “redução do montante
supostamente antecipado”, pois não houve adiantamento algum (cf. fls. 1.723 – Vl. IX).
Nas contrarrazões de fls. 1.870/1.882 – Vol. X, os réus dão

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combate pontual às razões e fundamentos do apelo autoral, pugnando pelo seu
desprovimento.
Os réus também apelaram (cf. fls. 1.735/1.758 – Vol. IX); de
início, chamam a atenção para uma estranha particularidade extraprocessual, destacando
que, em 09/03/2017, o MM. Juiz sentenciante disponibilizou (publicou) no sistema
judicial informatizado o conteúdo da sentença, e esta, naquele momento, estampava no
seu dispositivo “o valor (financeiro) total da condenação imposta (...), qual seja, R$
127.512.316,43”, mas, surpreendentemente, logo “em seguida, talvez vexado por
proferir a provável maior sentença condenatória de honorários advocatícios contratuais
da história do Poder Judiciário Brasileiro, o juiz sentenciante disponibilizou novamente
sua sentença, agora travestindo o estratosférico valor (financeiro) por ele deferido ao
recorrido” em percentual, fixando a condenação em “50% sobre 15% do valor total da
área de 142.605,00 hectares”, com ordem para que também incidisse a multa contratual
de 10% sobre o total dos honorários, e que, por fim, fosse deduzido o valor de R$ 250

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mil recebidos antecipadamente, dizeres estes que, na verdade, “nada mais são do que a
expressão matemática que leva ao (mesmo) resultado (financeiro) de R$
127.512.316,43” (cf. fls. 1.739/1.740 – Vol. IX).
Os réus argúem a nulidade da sentença por cerceamento de
defesa, caracterizado, segundo eles, pelo julgamento antecipado da lide, que teria
impedido a produção de provas que seguramente demonstrariam que, “ao revogar o
mandato do recorrido, a intenção dos recorrentes era salvaguardar seus processos dos
efeitos das investigações instauradas contra o (autor/recorrido) e que, em momento
algum, pretenderam deixar de honrar (...) o pagamento dos honorários contratuais”, o
que seria feito “tão logo fosse alcançada a condição implementada em contrato” (cf.
fls. 1.741 – Vol. IX).
Argúem, ainda, inépcia da petição inicial, dizendo que “dos fatos
nela narrados não (decorre) logicamente o pedido”, eis que “o contrato de prestação de
serviços advocatícios, apesar da revogação do mandato, continua vigente”, pelo menos
em relação ao advogado Efraim Rodrigues Gonçalves (assistente). Afirmam, ainda, que

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“não há fundamento fático ou mesmo contratual para a afirmação em que se arrimou a
inicial de que a revogação do mandato acarreta a rescisão contratual” (cf. fls.
1.742/1.743 – Vol. IX).
Insistem na preliminar de impossibilidade jurídica do pedido por
expressa disposição do art. 26 da Lei nº 8.906/94, que dispõe que “o advogado
substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a intervenção
daquele que lhe conferiu o substabelecimento” (cf. fls. 1.744/1.743 – Vol. IX).
No mérito, sustentam que, ao contrário do que disse a sentença, a
revogação dos poderes do mandatário não equivale à rescisão do contrato de prestação
de serviços advocatícios, sendo “imperioso reconhecer ter partido do recorrido a
iniciativa de rescindir (o pacto)”, seja “pela contranotificação à revogação do
mandato”, seja pelo “ajuizamento da presente ação” (cf. fls. 1.745/1.746 – Vol. IX).
Aduzem, ainda, que “o simples fato de o recorrido ter sido
contratado como parceiro profissional do corréu, Dr. Efraim (que já vinha atuando em

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favor dos recorrentes mesmo antes da celebração do contrato em questão), já joga por
terra o argumento em que se arrima a sentença (...) no sentido de que a revogação do
mandato representa a rescisão contratual por alijar o profissional da condução dos
processos”, alegando, ademais, que “em sendo a advocacia atividade de meio”, haveria
grave “distorção da realidade (na suposição de) que a participação do recorrido seria
decisiva para o resultado (positivo) das ações”, daí porque, sob qualquer enfoque, o
autor não faz jus “ao recebimento da integralidade dos honorários advocatícios
pactuados ‘ad exitum’” (cf. fls. 1.746 – Vol. IX).
Afirmam que, no caso, houve justa causa para a “revogação dos
poderes outorgados ao recorrido” (autor), pois, à época, “estavam sendo veiculadas
inúmeras notícias associando o recorrido e seus parentes a investigação de caso de
venda de sentença”, sendo factível, segundo eles, a constatação de que “a atuação do
recorrido nas ações de interesse dos recorrentes (que sabidamente envolvem complexos
embates jurídicos e têm grande repercussão no Estado de Mato Grosso), poderia
prejudicar a isenta análise do direito por eles sustentado” (sic – cf. fls. 1.748 – Vol. IX);

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afirmam e reafirmam a abusividade especialmente da cláusula 5a do contrato, que impõe
a obrigação do pagamento da integralidade dos honorários advocatícios contratuais em
caso de revogação do mandato, como se a revogação, por si só, importasse no
implemento imediato da condição futura prevista na cláusula “ad exitum”, “de forma a
dar amparo à cobrança integral dos honorários” (cf. fls. 1.751/1.752 – Vol. IX).
No mais, argumentam longamente para sustentar, na pior
hipótese, o cabimento da fixação por arbitramento da remuneração devida ao requerente
caso se entenda a mesma devida pelos serviços prestados (cf. fls. 1.752/1.754 – Vol. IX),
mas, voltando-se para o dispositivo sentencial, criticam o erro quanto “à base de cálculo
utilizada para cômputo dos honorários (valor por hectare de terra)”, explicando que,
“além de não guardar relação com a realidade das áreas em questão (todas ocupadas
por posseiros portadores de títulos de propriedade a serem anulados)”, o valor de R$
10.859,61/ha “está arrimado em declaração lançada pelo próprio recorrido em
impugnação ao valor da causa em desapropriação movida pelo INCRA” (cf. fls.

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1.754/1.755 – Vol. IX).
Pedem, pois, a anulação da sentença, com devolução dos autos à
instância de origem para regular instrução probatória, ou então para que, reconhecida a
inépcia da inicial ou a impossibilidade jurídica do pedido, seja o feito extinto sem
resolução do mérito; não sendo este o entendimento, pedem seja reformada a sentença
para que o pedido seja julgado improcedente, ou, quando muito, para que haja o
arbitramento judicial dos honorários advocatícios devidos ao requerente, além de
modificação dos parâmetros sucumbenciais adotados pela sentença (cf. fls. 1.757/1.758
– Vol. IX).
Contrarrazões do autor ao apelo dos réus lançadas às fls.
1.786/1.811 – Vol. IX e X.
O assistente Efraim Rodrigues Gonçalves também recorreu,
alegando, basicamente, as mesmas razões articuladas pelos réus, ou seja, cerceamento de
defesa pela ausência de produção de provas; violação à regra do art. 26 da Lei nº
8.906/94; falta de prova da efetiva prestação do serviço/enriquecimento sem causa e

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necessidade de redistribuição dos ônus sucumbenciais (cf. fls. 1.812/1.833 – Vol. X).
O recurso do assistente foi contra-arrazoado às fls. 1.918/1.933 –
Vol. X.
É o relatório.

VOTO
EXMO. SR. DES. JOÃO FERREIRA FILHO (RELATOR)
Egrégia Câmara:
As arguições de nulidade da sentença por cerceamento de defesa
– à falta de oportunidade para a produção de outras provas –; de inépcia da inicial – por
não decorrer pedido lógico e pertinente da exposição postulatória –, e de impossibilidade
jurídica do pedido – por contrariedade à regra do art. 26 da Lei nº 8.906/94 –, envolvem

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aspectos que se articulam diretamente com o mérito, com o qual, portanto, serão
mesclados, examinados e decididos.
Sucedeu que, em 05.07.2004, o ESPÓLIO DE MARIA
AMÉLIA FERREIRA e o industrial OSCAR HERMMÍNIO FERREIRA FILHO, este,
por si próprio, e também como representante do Espólio de sua falecida esposa,
celebraram com os advogados EFRAIM RODRIGUES GONÇALVES e FERNANDO
JORGE SANTOS OJEDA o “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
ADVOCATÍCIOS” cujo instrumento reside às fls. 40/42, e pelo qual os dois advogados
contratados se “obrigaram a cumprir na forma preceituada pela lei civil brasileiro, o
mandato que (que lhes fora) outorgado pelo “CONTRATANTE” (sic), com a
distribuição e acompanhamento dos processos perante qualquer instância ou tribunal
(destinados à recuperação da posse) de áreas de terras rurais (integrantes da)
denominada ‘Gleba Atlântica Grandes Matas’, (...) localizadas nos municípios de
Cláudia, Itaúba e Sinop, com (área total de) 142.605 hectares, sendo o
‘CONTRATANTE’ (sic) proprietário de 50% desta área objeto das matrículas”

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indicadas nas itens “i” a “xvi” da primeira cláusula contratual (cf. fls. 40 e vº.).
Quanto à contraprestação honorária devida pelos contratantes
aos contratados, a matéria foi regulada na cláusula segunda do contrato, com a seguinte
redação:

CLÁUSULA SEGUNDA – VALOR DO CONTRATO FORMA
DE PAGAMENTO.
Pela presente prestação de serviços advocatícios necessários ao
cumprimento do mandato a que se refere a cláusula anterior, o
CONTRATANTE (sic) pagará aos CONTRATADOS a quantia de 15%
(quinze por cento), ad exitum, sobre as áreas dos imóveis retro mencionada,
que deverão ser quitadas em espécie ou o equivalente em áreas de terras,
proporcionalmente e de acordo com o recebido, ou seja, a parte recebida em
espécie será paga da mesma forma, e a parte recebida em terras será paga

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também em terras (grifei).

E, para disciplinar o desfazimento do pacto e suas
consequências, as partes estipularam o seguinte:

CLÁUSULA QUARTA– PENALIDADES.
A parte que infringir quaisquer das disposições contratuais ora
estipuladas, ficará sujeita a uma multa correspondente a 10% (dez por cento)
do valor total deste ajuste.
CLÁUSULA QUINTA – RESCISÃO.
Em caso de inadimplência contratual, ou acordo celebrado
diretamente pelo CONTRATANTEcom a parte adversa, como por exemplo
a aquisição de posse, ou em caso de desistência, revogação de mandato, sem
culpa dos CONTRATADOS, este contrato poderá ser rescindido, cabendo
aos CONTRATADOS a percepção integral dos valores estipulados como

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honorários, além da multa estipulada (grifei).

Para que o autor/advogado Fernando Jorge Santos Ojeda pudesse
cumprir o objeto do contrato de prestação de serviços advocatícios (acessório), já que a
execução deste dependia da outorga de mandato (principal) que não fora operada pelo
mesmo instrumento de fls. 40/42, mas ali apenas referido, sucedeu que, em 30 de maio
de 2006, ou seja, quase dois (02) anos depois da subscrição do instrumento de fls. 40/42,
por meio de substabelecimento feito por Efraim Rodrigues Gonçalves em favor do autor
(cf. fls. 617-TJ e 866/868 e 870/871), este passou, enfim, à condição de mandatário dos
réus.
A prova documental mostra que, por meio da procuração “Ad
Judicia” outorgada no dia 14 de setembro de 2003 por Oscar Hermínio Ferreira Filho
aos advogados Efraim Rodrigues Gonçalves (OAB/MT nº 4.156) e Ana Zélia de Souza
Lima Gonçalves (OAB/MT nº 4.155), estes foram munidos de poderes de representação

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especialmente para a propositura e contestação de “quaisquer tipos de ações (...),
podendo praticar todos os atos necessários (...), podendo, inclusive, substabelecer, no
todo ou em parte, especialmente para defender os interesses do outorgante na área
denominada Gleba Atlântica Grandes Matas, cuja área global é de 142.605 hectares, no
Município de Nobres, Comarca de Rosário Oeste, Estado de Mato Grosso, cujas glebas
compõem o todo sido (sic) transcritas sob os números 6263, 6264, 6265, 6266, 6267
6268 6269 6270, 6271, 6273, 6274, 6275, 6276, 6277 e 6268 no Cartório de Registro de
Imóveis da Cidade de Rosário Oeste, Estado de Mato Grosso, devendo prestar contas do
exercício de tais poderes à eles outorgados” (cf. fls. 614-TJ e 861).
Há mais quatro outras outorgas formais de mandato feitas em
favor dos dois advogados (Efraim e Ana Zélia); uma em 05 de maio de 2004, feita por
Oscar Hermínio Ferreira Filho (cf. fls. 862-Vol. V), e outra em 31 de outubro de 2007,
feita já pelo Espólio de Oscar Hermínio Ferreira Filho, representado pelo Inventariante
Oscar Ferreira Broda (cf. fls. 863-Vol. V), ambas por instrumento particular; outra,
ainda, feita pela pessoa física de Oscar Ferreira Broda, por instrumento público lavrado

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em 22.10.2009 nas notas do 1º Tabelionato de Notas de Curitiba-Tabelionato
Giovannetti (cf. fls. 864-Vol. V), e, por fim, mais outra, feita em 16 de maio de 2014
pelos espólios de Oscar Hermínio Ferreira Filho, Maria Amélia Ferreira, Oscar
Hermínio Ferreira Junior e Sylvia Ferreira, todos representados pelo Inventariante Oscar
Ferreira Broda (cf. fls. 865).
Assim, friso que o advogado/autor Fernando Jorge Santos Ojeda
somente recebeu poderes de mando e representação dos outorgantes de fls. 862, 863,
864 e 865 (Vol. V), na data de 30 de maio de 2006, por meio de substabelecimento feito
separadamente por Efraim Rodrigues Gonçalves (cf. fls. 617-TJ e 866/868 e
870/871-Vol. V), sendo o instrumento do substabelecimento juntado aos autos do Proc.
nº 343/2005, em apenso aos autos do Proc. 561/1997, na data de 29 de junho de 2006
(cf. fls. 869-Vol. V).
O instrumento do substabelecimento dispôs que o advogado
Efraim Rodrigues Gonçalves substabelecia “com reserva de iguais poderes, ao

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advogado FERNANDO JORGE SANTOS OJEDA” (OAB/MT nº 8.419), “os poderes
outorgados por OSCAR HERMÍNIO FERREIRA FILHO e ESPÓLIO DE MARIA
AMÉLIA FERREIRA nos autos nº 521/2004 que tramita perante a segunda vara cível
da comarca de Colíder/MT” (cf. fls. 617-TJ e 866/868 e 870/871-Vol. V).
Assim, mercê de substabelecimento, o advogado Fernando Jorge
Santos Ojeda (autor) pôde enfim atuar profissionalmente a partir de 30 de maio de 2006
ao lado do advogado Efraim Gonçalves Rodrigues, para, conjuntamente, darem
cumprimento às obrigações indicadas no contrato de prestação de serviços advocatícios,
que havia sido celebrado pelos réus com os dois advogados cerca de dois anos antes
(05.07.2004), e cujo objeto consistia, essencialmente, na propositura e acompanhamento
de ações judiciais cujo sucesso levassem à recuperação da posse dos 15 imóveis
indicados na cláusula primeira do instrumento contratual de fls. 40/42.
Adotado, pois, o marco de 30 de maio de 2006, data do
substabelecimento e da efetiva outorga de poderes de mando e representação judicial
(“ad judicia”) necessários ao cumprimento do objeto do contrato de prestação de

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serviços, pois sem mandato o objeto contratual jamais poderia ser cumprido (ajuizar e
acompanhar ações judiciais), o enlace contratual entre o advogado/substabelecido
Fernando Jorge Santos Ojeda e os réus perdurou por pouco mais de quatro (04) anos,
pois, conforme mostra o documento de fls. 49, datado de 21.10.2010, o Espólio de
HERMÍNIO FERREIRA FILHO, ali representado pelo Inventariante Oscar Ferreira
Broda, encaminhou ao advogado/contratado Fernando Jorge Santos Ojeda, comunicação
de que, a partir daquela data (21.07.2010), e exclusivamente em relação à pessoa de
Ojeda, ficavam “revogados os poderes outorgados (ao advogado) para representa-lo em
todos os processos em trâmite que conste como procurador”.
Inconformado, em 22.06.2012 Ojeda ajuizou a presente ação de
“Resolução Contratual” contra os Espólios de Maria Amélia Ferreira e Oscar Hermínio
Ferreira Filho, solicitando provimento jurisdicional que decretasse a resolução do
contrato e condenasse os réus ao pagamento das verbas rescisórias.
Consta da petição inicial o seguinte:

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“No dia 29 de outubro de 2010, o mandato conferido ao Autor,
para a sua surpresa, fora expressa e unilateralmente revogado pelo Senhor
Oscar Ferreira Broda, representante do espólio à época, por meio de uma
notificação extrajudicial (Doc. 03).
Ante tal fato, o Autor, em contra notificação, ressaltou que, em
que pese a liberdade do Representante dos Espólios para poder revogar, a
qualquer tempo, os poderes conferidos ao Procurador, diante do caráter de
risco do contrato firmado, o ora Autor tem o direito a receber o valor
correspondente ao que restou convencionado por força de um contrato
firmado entre as partes, mais precisamente, com relação à cláusula penal,
acrescido de multa, em estrita observância às Cláusulas Segunda, Quarta,
Quinta e Sexta do contrato de prestação de serviços advocatícios (Doc. 08).
(...)
Desta feita, ante a rescisão unilateral do contrato pelos Réus, sem

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qualquer culpa ou participação do Autor, bem como, diante da negativa dos
mesmos em lhe pagar a quantia devida, a título de cláusula penal e multa
estipulados em contrato, não restou outra possibilidade ao Autor senão bater
às partes do Poder Judiciário a fim de garantir que tal situação não mais
perdure” (cf. fls. 10 - grifei).

E, para bem explicitar o conteúdo da pretensão, e bem
fundamentar juridicamente, especialmente, o afirmado direito à satisfação da cláusula
penal, o autor/apelante se reporta aos arts. 408, 409 e 410, todos do CC, acrescentando
que a pena convencional é um tipo de “reforço do vínculo obrigacional, por punir o seu
inadimplemento, e liquidação antecipada das perdas e danos” (cf fls. 11 - grifei).
Sob esse enfoque, ou seja, de que os réus descumpriram o
contrato (inadimplemento) – e sem se afastar da premissa fundante de que o contrato
ainda existia, e que por isso mesmo haveria de ser resolvido por ato sentencial

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constitutivo/condenatório –, o autor faz seguidas referências ao fenômeno do
inadimplemento, afirmando o descumprimento imotivado do contrato pelos réus em
praticamente toda a extensão do discurso postulatório da inicial.
Ele diz, por exemplo, que os “Réus deram causa à rescisão
injustificada do contrato, isto é, sem culpa do Autor” (cf. fls. 12); revogaram “sem justo
motivo os poderes conferidos ao Demandante” (cf. fls. 12); “unilateralmente –
revogaram o contrato e, de roldão, tolheram do Contratante (...) a possibilidade de ser
remunerado pelo serviço que contratou” (cf. fls. 13); os “Réus simplesmente impediram
que o Autor cumprisse integralmente com o contrato firmado e, dessa forma, pudesse
colher os frutos que lhe foram prometidos como remuneração do seu esforço
profissional” (cf. fls. 15); “os Réus, a partir do momento que optaram por resolver a
avença, mediante a revogação do mandado, sem qualquer culpa do Autor, assumiram
para si o ônus de arcar com a clausula penal” (cf. fls. 16); “os Réus (puseram) termo à
avença, unilateralmente e sem qualquer justificativa, razão pela qual deve incidir a
hipótese expressamente prevista no contrato para tal situação” (cf. fls. 16); os réus

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frustraram “a satisfação do negócio entabulado entre as partes (não sendo possível que)
saiam ilesos, deixando ao Autor todo o ônus pelo não cumprimento do contrato” (cf. fls.
16); “os Réus estariam se enriquecendo ilicitamente, às custas do Autor, o que é vedado
pelo ordenamento jurídico pátrio, a teor do artigo 884 do Código Civil” (cf. fls. 16); “os
Réus (...) sem justo motivo, rescindiram o contrato (...) antes de se ter o resultado
definitivo das demandas judiciais interpostas” (cf. fls. 17); “com a revogação do
mandato, os próprios Réus inviabilizaram o implemento da condição que remuneraria o
trabalho do Autor” (cf. fls. 18); “os Réus não cumpriram ao menos em parte a sua
obrigação” (cf. fls. 26); “o Autor busca a proteção judicial adequada para que os Réus
cumpram com a obrigação contratual” (cf. fls. 31 - grifei) e por aí vai, sempre na
mesma linha de imputação de inadimplemento aos réus.
Ao formular o pedido, não deixa dúvida quanto ao tipo de
provimento que espera obter, a saber, decisão judicial que decrete a “resolução
contratual” com a consequente condenação dos réus ao pagamento dos valores previstos

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nas cláusulas quarta e quinta do contrato.
Eis os tópicos do pedido:

e) A resolução contratual, com a consequente condenação dos
Réus ao pagamento de R$232.295.202,60 (duzentos e trinta e dois
milhões, duzentos e noventa e cinco mil, duzentos e dois reais e sessenta
centavos), devidos ao Autor, equivalente a 15% (quinze por cento) do valor
total de cada imóvel rural que viesse a ser recuperado em juízo, a título de
cláusula penal (Cláusula Quinta);
f) A condenação dos Réus ao pagamento da multa contratual, no
valor de R$23.229.520,26 (vinte e três milhões, duzentos e vinte e nove
mil, quinhentos e vente reais e vinte e seis centavos), equivalente a 10%
(dez por cento) sobre o valor do contrato (Cláusula Quarta).
g) Alternativamente, requer sejam os Réus condenados ao
cumprimento da obrigação contratual de transferência do percentual

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equivalente em área (terras) dos imóveis matriculados sob nº6274, 6273,
6264, 6278, 6271, 6267, 6269, 6275, 6277, 6272, 6270, 6276, 6268, 6265,
6266, perante o CRI de Rosário Oeste-MT, nos moldes das cláusulas
primeira, segunda e quita do contrato de prestação de serviços, consoante
dicção do artigo 461 do CPC, inclusive com a cominação de multa diária em
caso de descumprimento” (cf. fls. 35/36).

Conforme já relatado, a sentença apelada cortou a fazenda por
esse viés, ou seja, julgou o pedido parcialmente procedente, primeiramente para declarar
“rescindido” (sic) o contrato de prestação de serviços advocatícios, e depois para
condenar os réus “ao pagamento de 50% (...) sobre 15% (...) do valor total da área de
142.605,00 (...) hectares, a qual foi atribuída à quantia de R$ 10.859,61 (...) o hectares,
fazendo incidir posteriormente 10% (...) da multa contratual, e por fim deduzindo do
montante alcançado o importe de R$ 250.000,00 (...) que foram recebidos de forma

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antecipada” (cf. fls. 1.699/1.706-Vol. IX)
Antes de prosseguir, convém relembrar noções elementares de
Direito dos Contratos ministradas ainda nos bancos da Faculdade de Direito que todos
nós frequentamos com assiduidade, disciplina e total dedicação pedagógica.
A extinção regular do contrato se dá pela execução, quando
todas as obrigações de lado a lado são satisfeitas, seja a execução completa e instantânea
(ou imediata), ou seja ela completa continuada, periódica ou diferida. Em qualquer caso,
o conteúdo obrigacional do contrato resta completamente esgotado pela satisfação plena
da pauta de prestações/contraprestações constitutivas do conteúdo obrigacional da
avença.
O contrato também se extingue por hipótese/causa de
desfazimento ocorrente na fase antecedente à execução regular, tanto no momento da
formação quanto antes mesmo da própria constituição do pacto; assim, pode o contrato
ser desfeito por causa de nulidade (CC, arts. 166 e 167) ou de anulabilidade (CC, art.
171), ou pelo arrependimento previamente ajustado (e.g., arras penitenciais), ou, ainda,

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pelo efeito de cláusula resolutiva expressa condicionada à superveniência de alguma
condição (CC, art. 474, “caput”).
Mas, e aqui já estamos no campo da crise contratual, o pacto
também pode ser extinto por fato posterior à sua celebração, seja por inexecução
voluntária (inadimplemento); seja por inexecução involuntária decorrente de eventos
imprevisíveis e inevitáveis (caso fortuito ou força maior, embora, mesmo nestes casos,
incidem algumas ressalvas, como aquelas previstas nos arts. 399, 393 e 583, todos do
CC); seja pelo efeito de cláusula resolutiva tácita, como, por exemplo, na hipótese de
exceptio non adimpleti contractus – CC, art. 476, e na do art. 477 do mesmo Código);
seja pela configuração superveniente de onerosidade excessiva (CC, art. 478), ou, ainda,
e aqui chegamos ao ponto que nos interessa mais de perto e diretamente, por resilição,
que pode ser bilateral (distrato) ou unilateral (denúncia, revogação, renúncia etc). Parte
da boa doutrina ensina que “rescisão” é gênero de que “resilição” (desfazimento por ato
voluntário) e “resolução” (desfazimento crítico por ato judicial) são espécies.

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A resilição unilateral, que comporta várias flexões, permeia a
legislação civil erigindo hipóteses de desfazimento do contrato por vontade e iniciativa
unilaterais, como, por exemplo, nos casos de denúncia vazia ou cheia (v.g.: locação;
Código Civil, art. 599 etc); revogação, quando, em determinados tipos de contrato
constituídos sob o pilar da fidúcia sobrevém perda da confiança de um dos contraentes
na pessoa do outro (v.g.: mandato, comodato, depósito etc, feita a resilição, porém, pelo
mandante, comodante ou depositante); renúncia, geralmente também por perda da
confiança, mas neste caso o contratante/renunciante abdica de sua posição contratual
(v.g.: mandato), e, ainda, por exoneração unilateral, como no caso do fiador que
unilateralmente se desobriga da fiança, ficando, porém, responsável pela garantia nos
próximos 60 dias subsequentes.
Há, ainda, a extinção contratual por cessação, que se dá com a
morte ou interdição de um dos contratantes, mas o que nos interessa aqui considerar para
o reexame da matéria devolvida ao Tribunal é o problema dos efeitos da RESILIÇÃO
UNILATERAL do contrato de mandato, este, pacto principal em relação ao contrato de

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prestação de serviços advocatícios, e cujo alegado “descumprimento injustificável”
pelos réus foi invocado pelo autor como hipótese fático/jurídica de sustentação da
pretensão resolutória.
Ora, em relação à Resilição Unilateral como causa superveniente
de EXTINÇÃO contratual, não há dúvida ou dissídio algum a esse respeito, e nem
poderia, porque, segundo expressamente dispõe o art. 473, “caput”, do Código Civil, a
“resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera
mediante denúncia notificada à outra parte”, norma integrante da regulação legal que
trata justamente “DA EXTINÇÃO DO CONTRATO” (Código Civil, Parte Especial,
Livro I, Título V, Capítulo II, Seção I).
E, no caso específico do contrato de mandato, dispõe o art. 682,
I, do Código Civil, que a “EXTINÇÃO DO MANDATO” se dá “pela revogação ou pela
renúncia”; tratando-se especialmente de mandato outorgado a advogado, inclusive para a
execução de serviços advocatícios, a extinção contratual por renúncia ou revogação

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igualmente consta expressamente indicada na lei especial de regência (Lei nº 8.906/1994
– EOAB, art. 5º, §3º), cumprindo ao advogado, no caso de renúncia, apenas continuar,
“durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante,
salvo se for substituído antes do término desse prazo” (CPC, art. 112, “caput” e §1º).
Sendo assim, cuidando-se de mandato outorgado a advogado,
sobrevindo revogação dos poderes conferidos ao mandatário pelo mandante antes da
conclusão dos serviços advocatícios contratados – por perda da confiança profissional ou
por qualquer outra motivação, ou mesmo por nenhuma –, e sendo a revogação do
mandato hipótese legal expressa de resilição contratual (CC, art. 473 c/c art. 682, I;
EOAB, art. 5º, §3º e CPC, art. 112, “caput” e §1º), ou seja, causa de “EXTINÇÃO” do
mandato, então, sem dúvida alguma, só se pode estabelecer uma única conclusão
jurídica, lógica e acaciana possível: a revogação do mandato outorgado ao advogado
Fernando Jorge Santos Ojeda causou a extinção da vinculação contratual que existia
entre ele e os réus pelo efeito da resilição unilateral.
Cabe, então, diante da dogmática e da disciplina legal do tema,

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responder à pergunta que não quer calar: é possível resolver (desconstituir, desfazer,
extinguir etc) um contrato já resilido unilateralmente?
É possível rescindir, resolver, extinguir, enfim, tornar inexistente
aquilo que já não existe mais?
Não!
A notificação formalizada no documento de fls. 49, datado de
21.10.2010, encaminhada ao advogado Fernando Jorge Santos Ojeda pelo Espólio de
HERMÍNIO FERREIRA FILHO, ali representado pelo Inventariante Oscar Ferreira
Broda, comunicando que, a partir daquela data, e exclusivamente em relação à pessoa de
Fernando Ojeda, ficavam “revogados os poderes outorgados (ao advogado) para
representa-lo em todos os processos em trâmite que conste como procurador” (grifei),
produziu o efeito resilitivo do mandato ali expressamente indicado e desejado pelo
mandante.
Assim, sem qualquer possibilidade de interpretação criativa

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divergente, o contrato (principal) de mandato, constituído, via substabelecimento, para
que o mandatário Fernando Ojeda pudesse executar os serviços advocatícios objeto do
contrato (acessório) de prestação desses serviços, foi EXTINTO – nos termos do art. 473
c/c art. 682, I, do CC; art. 5º, §3º, do EOAB e art. 112, “caput” e §1º, do CPC –, pela
revogação formalizada no documento de fls. 49, e dessa feita, também sem possibilidade
de refutação jurídica séria, falece ao advogado Fernando Ojeda pretensão à resolução
contratual, simplesmente porque, a partir da revogação (cf. fls. 49), contrato algum
existia mais entre ele (mandatário) e os réus (mandantes), não sendo possível, agora, a
edição de algum tresloucado provimento jurisdicional devotado à rescisão, resolução,
desfazimento, extinção ou coisa equivalente daquilo que já não existe mais!
Vê-se, pois, que o autor deduziu, equivocadamente, pretensão
resolutória fundada no pressuposto falso de que a vinculação contratual ainda subsistia
entre ele e os mandantes, e que haveria de ser resolvida por ato judicial de cunho
constitutivo/condenatório, porque, na visão do autor, a contratação teria sido apenas
inadimplida, o que, data vênia, não corresponde à verdade factual e jurídica. O mandado

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foi extinto, e a extinção do mandato fez cessar a causa jurídica que dera origem e
sustentação à contratação da prestação de serviços, já que sem mandato o advogado
Fernando Ojeda não poderia mais continuar prestando serviços advocatícios para os
réus. Efeito dominó próprio da relação entre principal e acessório.
Essa falha postulatória setorizada, todavia, não invalida a
postulação como um todo, porque, além de se atrelar à mera nomeação errônea da ação,
o pleito equívoco para que seja decretada a resolução contratual (cf. fls. 35, III, “f”)
pode ser ignorado ou simplesmente refutado sem prejuízo do conhecimento do pedido
condenatório igualmente deduzido, este perfeitamente cabível e juridicamente
pertinente, pois, embora seja possível a resilição unilateral, é também cabível a
condenação do mandante que se beneficia dos serviços efetivamente prestados pelo
mandatário dispensado.
O autor pediu a condenação dos réus ao pagamento das verbas
rescisórias, e como tais verbas, segundo o próprio discurso postulatório, são exatamente

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aquelas previstas no contrato, o que, na visão do autor – conquanto igualmente
equivocada –, dispensaria arbitramento justamente porque a expressão econômica do
“quantum debeatur” já se encontrava indicada no instrumento contratual, então,
recepcionados em parte os termos do discurso postulatório inicial com alguns ajustes
necessários, a presente ação pode ser tranquilamente “aproveitada” como ação de
arbitramento de honorários advocatícios, apenas com abstração do pleito impertinente de
resolução contratual.
Extinto o mandato pela resilição unilateral (revogação), mas
deixando o mandante de honrar a contraprestação remuneratória pelos serviços até então
prestados pelo mandatário, pode este intentar ação de cobrança ou de arbitramento de
honorários, conforme o caso; aliás, a obrigação do mandante existe e subsiste mesmo
quando o advogado trabalha apenas pela sucumbência, de modo que, em qualquer caso,
sobrevindo revogação do mandato, o mandante deve remunerar o mandatário pelos
serviços até então realizados.
Quanto a isso, não existe qualquer dissenso jurisprudencial,

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especialmente no âmbito do eg. STJ, como exemplificam os seguintes julgados:

E M E N T A: RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. CONTRATO DE RISCO. CONDIÇÃO NÃO
IMPLEMENTADA. REVOGAÇÃO DO MANDATO. ARBITRAMENTO.
POSSIBILIDADE. Mesmo quando atua apenas pela verba de sucumbência
(contrato de risco), é lícito ao advogado que tem seu mandato revogado
antes do término da lide ajuizar ação de arbitramento, contra seu cliente,
para receber honorários proporcionalmente à sua atuação (STJ – Terceira
Turma - REsp 911441/RS – Relator Ministro HUMBERTO GOMES DE
BARROS - Data do Julgamento 18/10/2007 - Data da Publicação/Fonte DJ
31/10/2007 p. 333)

E M E N T A: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO

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ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS
ADVOCATÍCIOS. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PELOS
HONORÁRIOS. SUCUMBENCIAIS. DESTITUIÇÃO DO PATRONO
ANTES DO TÉRMINO DO PROCESSO. DIREITO AO
ARBITRAMENTO. 1. Apesar da previsão no contrato firmado entre a parte
e o seu advogado de remuneração mediante o recebimento de honorários de
sucumbência, a denúncia pelo cliente, de forma unilateral e imotivada, antes
do término do processo, frustrando a justa expectativa do profissional,
conduz à possibilidade de ser pleiteado, em juízo, o arbitramento da verba
honorária correspondente. 2. Aplicação do princípio da vedação do
enriquecimento sem causa. 3. Precedente específico desta Terceira Turma
em processo envolvendo as mesmas partes (REsp 945.075/MG). 4.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO (STJ – Terceira Turma - AgRg
no REsp 886504/MG – Relator Ministro PAULO DE TARSO
SANSEVERINO - Data do Julgamento 12/04/2011 - Data da

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RELATOR: DES. JOÃO FERREIRA FILHO

Publicação/Fonte - DJe 19/04/2011).

E M E N T A: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ROMPIMENTO ANTECIPADO DO
CONTRATO. VERBA DEVIDA. ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL DE
ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE AFASTAR AS
CONCLUSÕES DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Conforme a pacífica
jurisprudência do STJ, o rompimento antecipado do contrato autoriza a
cobrança da verba honorária, devida na proporção em que prestados os
serviços advocatícios. 2. Não merece trânsito o recurso especial quando o
entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a
jurisprudência do STJ. 3. Agravo regimental a que se nega provimento (STJ

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– Quarta Turma - AgRg no AREsp 118143/PA – Relator Ministro RAUL
ARAÚJO - Data do Julgamento 14/08/2012 - Data da Publicação/Fonte DJe
03/09/2012).

O entendimento prevalecente é o de que o mandatário
dispensado unilateralmente deve propor ação de cobrança ou de arbitramento de
honorários para obter a condenação do mandante recalcitrante ao pagamento do valor
correspondente aos serviços prestados até o momento da resilição.
A propósito:

E M E N T A: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART.
544 DO CPC) - AÇÃO REVISIONAL - REVOGAÇÃO DE PODERES
ADVOCATÍCIOS - ACORDO JUDICIAL HOMOLOGADO MEDIANTE
ASSISTÊNCIA DE NOVO PATRONO - PLEITO DE EXECUÇÃO DE
HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS NOS PRÓPRIOS AUTOS -

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DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA
NEGAR SEGUIMENTO AO RECURSO DA PROCURADORA.
IRRESIGNAÇÃO DA AGRAVANTE. 1. A relação contratual existente
entre o advogado e o cliente é dotada de autonomia em relação à lide
submetida à apreciação jurisdicional. O litígio específico relativo ao
pagamento de honorários devidos em proporção ao tempo em que este atuou
no feito deve ser dirimido pelas vias adequadas mediante própria.
Precedentes. A pretensão do advogado que teve seus poderes revogados
antes do término do processo de execução forçada dos honorários de
sucumbência proporcionais à sua atividade no feito deve ser dirimida em
ação autônoma. 2. Agravo regimental desprovido (STJ – Quarta Turma -
AgRg no AREsp 275001/RS – Relator Ministro MARCO BUZZI - Data do
Julgamento 04/02/2016 - Data da Publicação/Fonte DJe 16/02/2016).

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Todavia, mesmo sendo possível a recepção da ação como ação
de arbitramento, mesmo assim será preciso ajustar a postulação para que a pretensão à
satisfação da verba honorária devida possa ser acolhida sem qualquer traumática
violação à lei; quando se examina a pretensão condenatória, deduzida, equivocadamente,
com apoio nas cláusulas contratais, ali se vê uma conclusão estranha e fácil que diz que,
nos termos da cláusula quinta, os réus devem ser condenados ao pagamento de mais de
R$ 232 milhões (cf. fls. 35, III, “e”) – montante correspondente à “percepção integral
dos valores estipulados como honorários”, estes que, nos termos da cláusula segunda,
foram fixados na “quantia de 15% (...) ad exitum, sobre as áreas dos imóveis retro
mancionada” (grifei) –, além de pouco mais de R$ 23 milhões (cf. fls. 36, III, “f”), valor
da “multa correspondente a 10% (dez por cento) do valor total (do) ajuste”, prevista na
cláusula quarta.
Os dois advogados (Efraim Gonçalves e Fernando Ojeda) foram
instituídos mandatários de Oscar Hermínio Ferreira Filho e do Espólio de Maria Amália
Ferreira para, a partir da outorga da representação, que, no caso de Fernando Ojeda, teve

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início em 30 de maio de 2006 (cf. fls. 617-TJ e 866/868 e 870/871-Vol. V), prestar
serviços advocatícios consistentes na “distribuição e acompanhamento” de ações
judiciais destinadas à recuperação das áreas dos imóveis relacionados nos itens “i” a
“xvi” da primeira cláusula contratual, ficando ali também estipulado que os mandatários
(advogados) fariam jus à “quantia de 15% (...) ad exitum, sobre as áreas dos imóveis”,
quer dizer, receberiam em espécie montante correspondente a 15% do valor de cada área
efetivamente recuperada, ou igual percentual em terras, porém – frise-se bem esse ponto
–, condicionada essa contraprestação remuneratória, necessariamente, ao êxito final
conquistado pelos mandatários, de modo que, nos termos expressos da cláusula segunda
do contrato, só haveria pagamento pelos serviços prestados se a prestação dos serviços
fosse exitosa; se não, não!
O “êxito” a que se refere esse tipo de contratação – sempre de
acordo com a livre vontade das partes – pode se traduzir em contraprestação
remuneratória devida gradativamente ao mandatário na medida do sucesso obtido

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durante o desdobramento da causa, ou seja, em cada etapa superada com êxito (e.g.,
reversão de situações provocadas por interlocutórias drasticamente prejudiciais; sentença
favorável; reversão da derrota em 1º Grau pelo provimento de apelação etc), até o
desfecho final triunfante da ação, ou pode ficar condicionada exclusivamente à obtenção
de proveito exitoso final, caso em que a avença se qualifica como típico contrato de
risco (quota litis) e, por isso mesmo, absolutamente jungido aos movimentos caprichos
da deusa Álea.
Significa dizer que, cuidando-se de típico contrato de risco
(quota litis), com cláusula “ad exitum” expressa, a contraprestação devida ao mandatário
só será satisfeita se o resultado final for definitivamente favorável ao mandante, até
porque referida contraprestação será destacada, extraída, deduzida da própria quota
proveitosa ao final conquistada, ou, como se dizia na terra natal: do mesmo couro com
que se fará a sandália serão tiradas as tiras para a confecção das correias de amarração; a
opção das partes, no caso, foi por essa última formatação, já que a cláusula segunda não
permite dúvida ou margem à interpretação divergente: a contraprestação remuneratória,

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seja em espécie ou in natura, só seria adimplida “proporcionalmente e de acordo com o
recebido, ou seja, a parte recebida em espécie será paga da mesma forma, e a parte
recebida em terras será paga também em terras” (cf. fls. - grifei).
Se ficássemos adstritos à literalidade da cláusula segunda,
cuidando-se, como de fato se cuida, de típico contrato de risco (quota litis), enfatizada
essa natureza pela locução “ad exitum” incluída no tópico clausular que trata justamente
da contraprestação devida ao mandatário (cláusula segunda), então, rigorosamente, não
seria devida qualquer contraprestação ao mandatário no caso de revogação antes de
qualquer “êxito” final.
Ocorre, porém, que a cláusula quinta – inserta no tópico relativo
à “RESCISÃO” contratual – desdiz a disciplina remuneratória do mandatário prevista na
cláusula segunda, levando a contradição que instaura ao mais completo absurdo pela
inclusão de uma ressalva que praticamente neutraliza a infeliz consequência prevista
para o caso de resilição unilateral pelo mandante antes do implemento da condição

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(êxito).
A cláusula quinta dispõe que, no caso de resilição unilateral, ou,
na dicção literal da própria convenção, para o “caso de desistência, revogação de
mandato, sem culpa dos CONTRATADOS”, caberá aos advogados “a percepção integral
dos valores estipulados como honorários, além da multa estipulada” (grifei e
destaquei).
E foi assim, cego de paixão pela literalidade da cláusula quinta,
que o autor deduziu a pretensão condenatória contra os réus, exigindo, conquanto sem a
prestação integral dos serviços contratados, a condenação dos mandantes ao pagamento
da integralidade dos honorários, uma soma estimada em módicos estratosféricos R$ 250
milhões de reais brasileiros...
Ou seja, o que era contrato de risco para mandante e mandatário,
transmutou-se em pacto de altíssimo risco integral apenas para o mandante, já que este,
se ousar risilir a avença no intermédio, revogando licitamente o mandato (CC, art. 473
c/c art. 682, I), ficará obrigado ao pagamento integral dos honorários advocatícios

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mesmo não tendo recebido a integral prestação dos serviços assecuratórios da vitória
final definitiva colimada inicialmente por ambos os contratantes sob regime de risco
também para ambos, ao passo que o mandatário, caso não lhe interesse mais representar
o mandante, poderá notifica-lo da renúncia imotivada e dispensá-lo sem maiores
consequências, já que a multa prevista na cláusula quarta também não incidiria na
hipótese de renúncia (resilição unilateral).
A resilição unilateral do mandato pelo mandante antes do
implemento da condição prevista na cláusula “ad exitum” (êxito final), quase sempre
suscita a ira advocatícia produtora de litígios contra o mandante resilidente, sobretudo,
quando, sendo elevada a expressão econômica da demanda e plausível a chance de
vitória, a resilição deixa no ar um certo clima de dúvida, suspeição e sensação de
ludibrio, que também se instaura quando a parte faz transação, renuncia ao direito sobre
que se funda a ação, reconhece a procedência do pedido ou simplesmente desiste da ação
ainda na fase inicial do processo, frustrando, assim, a percepção pelo mandatário

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daquela altíssima e sonhada cota honorária que certamente defluiria do julgamento final
e favorável da causa justamente pelo implemento da condição prevista na cláusula de
êxito.
Nestes casos, todavia, a cláusula de êxito perde a eficácia, já que
a revogação do mandato impedirá o possível e futuro implemento da condição pactuada
como causa de percepção integral dos honorários.
Na verdade, ainda que a revogação seja desmotivada – e a
resilição unilateral independe de motivação –, não se pode falar em inadimplemento
contratual pelo mandante só porque a revogação do mandato (ou a transação, ou a
desistência da ação), impedirá o possível implemento da condição prevista na cláusula
de êxito, já que o mandante não pratica qualquer ilicitude ao promover a resilição
unilateral (revogação), antes, pelo contrário, apenas exercita faculdade que a lei civil
expressamente lhe confere (CC, art. 682, I).
Assim, a santa ira advocatícia contra o mandante que decide, ao
bel prazer, no meio do caminho, resilir unilateralmente o mandato, só se justifica quando

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se traduz na exigência para que o mandante satisfaça a justa contraprestação pelos
serviços até então executados, pois não pode haver trabalho gratuito favorecedor do
enriquecimento sem causa, salvo o caso extraordinário da prestação gratuita e voluntária
de serviços advocatícios em ações humanitárias (pro bono), o que nada tem a ver com o
caso julgando.
No caso de resilição unilateral do mandado, mesmo quando o
advogado/mandatário renuncia ao mandato e, tal como se dá na revogação, o contrato de
prestação de serviços perde eficácia, é sempre devida a remuneração pelo trabalho
efetivamente prestado; essa pretensão pode ser viabilizada por meio de ação de
cobrança, quando houver parâmetros objetivos à pronta definição do quantum devido,
ou por meio de arbitramento, operando-se, neste caso, aplicação adaptada da regra do
§3º do art. 22 do EOAB, eis que inexiste regramento sistêmico específico para o caso de
resilição do mandato.
Volto a insistir num ponto que julgo relevantíssimo: a resilição

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unilateral do mandato pelo mandante – lembrando sempre que a resilição é faculdade
legal atribuída tanto ao mandante (revogação) quanto ao mandatário (renúncia) –, não
pode ser interpretada, quando houver cláusula “ad exitum”, como manobra sub-reptícia
destinada a obstar o advento da condição que tornaria devida a elevada contraprestação
honorária almejada em virtude do futuro e possível implemento da condição.
Assim, é inteiramente despropositada a imputação de má-fé,
deslealdade, malícia, engodo ou coisa que o valha à pessoa do mandante, descabendo,
portanto, a incidência da regra do art. 129 do Código Civil, porque, como já frisado, a
lei autoriza a resilição unilateral desmotivada, sendo irrelevante que a revogação tenha
sido operada ou não sob amparo de causa de justificação legítima.
E, sendo a resilição unilateral do mandato pelo mandante
(revogação) medida legalmente autorizada, não decorrerá dela quaisquer das
consequências que normalmente defluem do inadimplemento, e isso simplesmente
porque, repita-se, resilição é causa lícita de extinção contratual por ato unilateral de
vontade (CC, art. 473 c/c art. 682, I), ao passo que o inadimplemento significa

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inexecução contratual inescusável, cujos efeitos, diferentemente da resilição, autorizam
a parte lesada (pelo inadimplemento), nos termos do art. 475 do CC, a “pedir a
resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer
dos casos, indenização por perdas e danos”.
Cuidando-se de resilição unilateral do mandato, descabe,
convém ressaltar bem, a resolução do contrato, porque, obviamente, o contrato já se
extinguiu pelo efeito da revogação (CC, art. 682, I), como igualmente descabe, com
apoio na regra do art. 475 do CC, condenação indenizatória a qualquer título
(ressarcimento de perdas e danos; pagamento de cláusula penal; multa moratória etc), já
que referidas consequências decorrem exclusivamente do inadimplemento, e resilição é
causa lícita de extinção contratual.
Esse enfoque, ajustadíssimo aos ditames das normas jurídicas de
regência estrita da matéria, conduz à rejeição peremptória da pretensão de condenação
dos réus ao pagamento da multa contratual prevista na cláusula quarta do contrato, já

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que a pena convencional, tal qual o dever de reparação de perdas e danos, só é devida no
caso de inadimplemento (CC, art. 475), e resilição, repita-se mais uma vez, é causa lícita
de extinção contratual (CC, art. 682, I).
Todavia, conforme já destacado, mesmo no caso de mandato
com cláusula “ad exitum”, a ruptura contratual unilateral antes do implemento da
condição impõe ao mandante o dever de satisfazer em prol do mandatário/resilitário a
justa contraprestação pelos serviços até então executados; essa satisfação, porém, de
modo algum implicará pagamento da integralidade da verba honorária prevista para ao
caso de “êxito” final definitivo, ainda que referida disposição, como no caso, conste
expressamente do instrumental contratual.
Ora, se a liberação gratuita do mandante o enriqueceria
ilicitamente em detrimento do suor do mandatário, por outro lado o pagamento integral
dos honorários, que só teria lugar na hipótese de futura vitória definitiva final do
mandante (quota litis), consagraria, exclusivamente em prol do advogado, um desfecho
mercantilista iníquo e espoliativo incompatível com a dignidade do labor advocatício, e

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de resto com qualquer noção elementar de equilíbrio, reciprocidade e justeza que deve
submeter todo e qualquer enlace contratual.
No presente caso, a literalidade da cláusula quinta do contrato,
focalizada de modo acrítico, situa a avença à margem do regime de regulação legal e
principiológica dos pactos privados, já que a drástica imposição ali prevista
exclusivamente em desfavor do mandante para o caso de resilição unilateral representa
uma sanção econômica aberrante, desarrazoada e injusta na medida em que, ao revogar o
mandato, o mandante simplesmente exercita uma faculdade legal exoneratória, de resto,
outorgada a quaisquer das partes (CC, art. 682, I).
Ali se diz que, mesmo quando ainda não alcançado o êxito final
planejado; mesmo quando ainda não definitivamente recuperado um mísero centímetro
de terra; mesmo quando sequer esgotada a fase instrutória em 1º Grau, mas sobrevindo a
permitida dispensa do mandatário em qualquer etapa anterior à conclusão final e exitosa
dos serviços (contrato de risco, com expressa cláusula “ad exitum”), o mandatário

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dispensado pela resilição unilateral (revogação) fará jus à “percepção integral dos
valores estipulados como honorários, além da multa”.
Trocando em miúdos, a resilição unilateral, no caso, só seria
permitida exclusivamente ao mandatário, já que o mandante, se ousar praticá-la, pagará
a integralidade da verba honorária para deixar de ser besta...Na outra ponta da equação,
caso o mandatário desista do patrocínio da causa, nenhum arranhão ou dessabor lhe
afetará a paz de espírito e o patrimônio!
O eg. STJ há muito já se pronunciou sobre essas questões,
proclamando em vários julgados ao longo de longo tempo, e neste passo, aliás,
simplesmente explicitando os termos explícitos da própria lei civil (CC, art. 682, I), que
o direito que tem o mandante à revogação do mandato é tão incondicional e potestativo
quanto o de renúncia atribuído ao mandatário, pois esse tipo de pacto se constitui sob a
cola da fidúcia, é estritamente intuitu personae, e, sendo personalíssimo, quando a cola
fiduciária perde a eficácia por qualquer razão ou por nenhuma, pode a parte se despedir
da outra unilateralmente.

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Esse aspecto – caráter intuitu personae (personalíssimo) do
mandato – desmerece complemente a arguição de nulidade da sentença por cerceamento
de defesa à falta de produção de provas que, na visão dos réus, demonstrariam a causa
legítima motivadora da revogação; os réus mencionam que só decidiram revogar o
mandato porque, na época, pipocaram denúncias de venda de sentenças envolvendo o
advogado Fernando Ojeda, inclusive com investigação instaurada contra ele, o que
poderia afetar a reputação pessoal dos mandantes, então ligados profissionalmente ao
advogado, e possivelmente lançar dúvidas e prevenções contra a viabilidade jurídica de
seus direitos e postulações judiciais.
A produção de provas para demonstrar a veracidade desses fatos
e, assim, justificar a revogação do mandato sem maiores consequências, em
absolutamente nada impactaria a higidez da pretensão autoral ou a defesa dos réus, pois,
por um lado, a revogação é ato potestativo e unilateral de vontade que causa,
independentemente do respaldo de razão legítima ou da aceitação do mandatário, a

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extinção irremediável do mandato (CC, art. 473 c/c art. 682, I); por outro lado, qualquer
que fosse a causa motivadora da revogação, e cuidando-se estritamente de revogação, ou
seja, não sendo o caso de inadimplemento do contrato pelo mandatário, então, de todo
modo, cumpriria ao mandante satisfazer a justa remuneração devida ao mandatário pelos
serviços até então executados, daí porque, em qualquer cenário, tratando-se de
revogação, a instrução probatória não sofreria qualquer acréscimo cognitivo relevante
por conta da pretendida dilação.
Ou seja, tal qual ocorre no desenlace traumático de num
casamento apaixonado – apenas com diferença acidental de que no mandato não há
amor, paixão e loucura, apenas estrita confiança profissional –, o problema são as
consequências que decorrem da ruptura unilateral...Vá alguém contrariar os humores de
uma mulher, ou de um advogado, despedindo um desses dois sem mais nem menos,
sobretudo quando a dispensa frustra expectativas de fruições patrimoniais de grande
monta, e veja a desgraça que se abaterá sobre esse resilidente temerário!
Sobre o tema:

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EMENTA: RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. RESCISÃO
UNILATERAL. PRETENSÃO DE INCIDÊNCIA DA CLÁUSULA
PENAL. PREVISÃO CONTRATUAL DA MULTA EM CASO DE
REVOGAÇÃO DO MANDATO. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO
POTESTATIVO DO CLIENTE, ASSIM COMO É DO ADVOGADO, DE
RENUNCIAR AO MANDATO. ESTATUTO DA OAB E CÓDIGO DE
ÉTICA DOS ADVOGADOS. RELAÇÃO JURÍDICA INTUITU
PERSONAE, LASTREADA NA EXTREMA CONFIANÇA. QUEBRA DA
FIDÚCIA. DIREITO DE REVOGAÇÃO/RENÚNCIA SEM ÔNUS PARA
OS CONTRATANTES.1. Em razão do papel fundamental do advogado, por
ser indispensável à administração da Justiça, prevê o Estatuto da OAB
normas deontológicas, que devem nortear o exercício do profissional,

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inclusive na relação advogado/cliente, remetendo a regulação para o Código
de Ética e Disciplina. 2. Justamente em razão da relação de confiança entre
advogado e cliente, por se tratar de contrato personalíssimo (intuitu
personae), dispõe o Código de Ética, no tocante ao advogado, que “a
renúncia ao patrocínio deve ser feita sem menção do motivo que a
determinou” (art. 16). 3. Trata-se, portanto, de direito potestativo do
advogado em renunciar ao mandato e, ao mesmo tempo, do cliente em
revogá-lo, sendo anverso e reverso da mesma moeda, do qual não pode se
opor nem mandante nem mandatário. Deveras, se é lícito ao advogado, por
imperativo da norma, a qualquer momento e sem necessidade de declinar as
razões, renunciar ao mandato que lhe foi conferido pela parte, respeitado o
prazo de 10 dias seguintes, também é da essência do mandato a potestade do
cliente de revogar o patrocínio ad nutum. 4. A cláusula penal é pacto
acessório, por meio do qual as partes determinam previamente uma sanção
de natureza civil - cujo escopo é garantir o cumprimento da obrigação

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principal -, além de estipular perdas e danos em caso de inadimplemento
parcial ou total de um dever assumido, podendo ser compensatória ou
moratória, a depender do cumprimento total ou parcial da obrigação. 5. No
contrato de prestação de serviços advocatícios, em razão do mister do
advogado, só há falar em cláusula penal para as situações de mora e/ou
inadimplemento e desde que os valores sejam fixados com razoabilidade,
sob pena de redução (CC, arts. 412/413). 6. Não é possível a estipulação de
multa no contrato de honorários para as hipóteses de renúncia ou revogação
unilateral do mandato do advogado, independentemente de motivação,
respeitado o direito de recebimento dos honorários proporcionais ao serviço
prestado. 7. Recurso especial não provido (STJ – Quarta Turma – REsp
1346171/PR – Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO - Data do
Julgamento 11/10/2016 - Data da Publicação/Fonte DJe 07/11/2016).

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A cláusula quinta acorrenta para sempre o mandante ao
calcanhar do mandatário, e por isso fere de morte, sobretudo, o princípio do equilíbrio
contraprestacional dos pactos privados, apanágio da bilateralidade atributiva que de
modo algum pode ser dissociada do tipo contratual em exame, daí porque referida
cláusula deve ser neutralizada, ou, na melhor hipótese, relida com o circunlóquio de que,
para que não ocorra a proibitiva prestação gratuita de trabalho profissional efetivamente
desempenhado pelo mandatário/resilitário em proveito do mandante, deve este adimplir
– jamais a integralidade dos honorários submetidos à cláusula de êxito –, mas a
contraprestação remuneratória na justa medida do trabalho profissional efetivamente
realizado por aquele em proveito deste.
O ag. STJ já analisou esse mesmo tipo de situação – resilição
unilateral de mandato com cláusula de êxito e previsão de pagamento integral dos
honorários no caso de revogação –, e a conclusão estabelecida, como não poderia ser
diferente, recusou validade/eficácia à cláusula que previa o pagamento integral dos
honorários em caso de resilição unilateral (revogação) antes do implemento da condição

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(êxito), concluindo, inclusive, que, não sendo possível a pronta definição do justo valor
devido ao advogado segundo os dispositivos contratuais, então que se fizesse o
arbitramento dos honorários devidos.
A propósito:

EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO
ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. CLÁUSULA DE ÊXITO.
CONDIÇÃO SUSPENSIVA. REVOGAÇÃO DO MANDATO. TERMO
INICIAL DA PRESCRIÇÃO. PRINCÍPIO DA ACTIO NATA. NÃO
CUMPRIMENTO INTEGRAL DO CONTRATO. REVOGAÇÃO
IMOTIVADA DO MANDATO. NECESSIDADE DE ADEQUAÇÃO AO
SERVIÇO EFETIVAMENTE PRESTADO. ARBITRAMENTO DOS

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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Ação ajuizada em 15/12/2008.
Recurso especial interposto em 15/08/2012 e atribuído a este gabinete em
25/08/2016. 2. Na hipótese dos autos, discute-se a validade de cláusula em
aditamento contratual que previa o pagamento integral dos honorários
advocatícios inicialmente contratados, mesmo se os serviços não fossem
integralmente prestados ao cliente. 3. Ausentes os vícios do art. 535 do
CPC/73, rejeita-se a existência de negativa de prestação jurisdicional. 4.
Prescrição: utilização do princípio da actio nata, segundo o qual passa a fluir
o prazo prescricional apenas a partir do momento em que existir uma
pretensão exercitável por parte daquele que suportará os efeitos do
fenômeno extintivo. 5. Cláusula de êxito como condição suspensiva de
exigibilidade que faz postergar no tempo o início da contagem prescricional.
6. Não se aplica o art. 22, § 4º, da Lei n. 8.906/1994 quando o advogado não
mais representa a parte, devendo para tal fim ajuizar ação autônoma para
cobrança dos valores. 7. Os advogados têm direito ao arbitramento judicial

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de honorários na hipótese de resilição unilateral do contrato por parte do
cliente. Precedentes. 8. Possibilidade de arbitramento judicial em ação de
conhecimento que versa sobre o próprio contrato de prestação de serviços
advocatícios. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte,
parcialmente provido. (STJ – Terceira Turma – REsp 1.632.766/SP –
Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI - Data do Julgamento 06/06/2017 -
Data da Publicação/Fonte DJe 12/06/2017).

O entendimento prevalecente no Tribunal da Cidadania, sempre
quando o mandato for revogado antes do implemento da condição indicada na cláusula
“ad exitum” (quota litis) e houver previsão de pagamento integral dos honorários, é o de
que referida estipulação perde eficácia, dando lugar ao arbitramento dos honorários
pelos serviços até então efetivamente prestados, até porque, nessa situação, o pagamento
integral dos honorários hostilizaria a regra d’ouro do art. 38 do Código de Ética da

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OAB, que diz que o valor dos honorários advocatícios, somados os contratuais e os
sucumbenciais, não pode superar o montante obtido pela parte em decorrência do
sucesso processual, quer dizer, o advogado não pode receber mais do que o proveito
econômico obtido pelo seu próprio cliente, o que, para muitos, deixa implicitamente
disposto que o causídico só poderá auferir até 50% do proveito total final obtido pelo
seu cliente.
Solução contrária poderia favorecer um desfecho extremamente
iníquo e drasticamente espoliativo em desfavor do mandante, beneficiando,
exclusivamente, interesses egoísticos de apenas uma das partes contratantes (advogado).
Veja-se, por exemplo, que, no caso presente, revogado o
mandato e dispensado o advogado Fernando Ojeda no intermédio de uma causa sob
patrocínio “ad exitum” (quota litis), mas ocorrendo, no ato da revogação, o pagamento
integral dos honorários previstos na cláusula segunda do contrato (15% do valor da área
total a ser possivelmente recuperada, estimado, esse valor total, em mais de R$ 230
milhões), porém sobrevindo, ao final do processo, o insucesso demanda – desfecho

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perfeitamente factível –, e nenhum palmo de chão tenha sido conquistado pelo autor da
ação, então, nesta absurda hipótese, o mandatário dispensado ficaria isento dos efeitos da
álea e somente ele acresceria desmedidamente o seu patrimônio. Ora, o contrato de risco
(quota litis) deve enriquecer ou frustrar em medida paritária os dois contratantes, e não
apenas e exclusivamente um deles.
Em resumo, resilição não é inadimplemento; é causa lícita de
extinção contratual por ato unilateral de vontade (CC, art. 473 c/c art. 682, I), e, no caso
de mandato outorgado para patrocínio de causa com remuneração honorária
condicionada ao êxito final (ad exitum – quota litis), sobrevindo, porém, revogação do
mandato no intermédio, i.e., antes do implemento da condição (êxito), mesmo havendo
cláusula prevendo o pagamento integral dos honorários para o caso de revogação do
mandato, referida estipulação perde eficácia e deve ceder lugar ao arbitramento da justa
verba honorária devida em virtude dos serviços até então efetivamente realizados pelo
mandatário em prol do mandante.

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Neste caso, cabe apenas o arbitramento do valor dos honorários
(STJ – Terceira Turma – Resp. 1.632.766/SP), que é exatamente o que deveria ter sido
feito pelo MM. juiz sentenciante, daí porque julgo completamente improcedente a
condenação dos réus ao pagamento integral dos honorários previstos na cláusula quinta
do contrato, bem como, porquanto inadimplemento inocorreu, ao pagamento da multa
prevista na cláusula quarta.
A sentença apelada deve ser reformada para que, recepcionada a
postulação inicial com os necessários circunlóquios de adaptação, os réus sejam
condenados, sim, mas ao pagamento do justo valor decorrente do arbitramento dos
honorários pelo labor profissional proveitoso efetivamente realizado pelo autor até a
data da revogação do mandado (cf. fls. 49).
Destaquei que o enlace contratual entre o advogado Fernando
Jorge Santos Ojeda e os réus perdurou por pouco mais de quatro (04) anos, já que no dia
21.10.2010 Ojeda foi notificado de que, a partir daquela data, e exclusivamente em
relação à sua pessoa, o Espólio dava por “revogados os poderes outorgados para

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representa-lo em todos os processos em trâmite que conste como procurador”.
Essa situação, friso novamente, torna sem sentido a objeção de
que o contrato de prestação de serviço subsistiu à revogação do mandato, sendo
descabida, portanto, a pretendida resolução do mesmo; a resolução descabe, com efeito,
mas não porque o contrato subsistiu, eis que, operada a resilição unilateral do mandado
pela notificação de fls. 49, operou-se, consequente e fatalmente, a extinção do pacto de
prestação de serviços ao qual este estava existencialmente atrelado.
Pela mesma razão também improcede a sustentação de que o
feito deve ser prematuramente extinto pela incidência do art. 26 do EOAB; ora, os
contratos de mandato e de prestação de serviços foram extintos exclusivamente em
relação à pessoa do autor Fernando Jorge Santos Ojeda, sendo perfeitamente possível a
exigência de honorários apenas pelo resilitário afetado pela revogação sem a
co-participação necessária do advogado Efraim Gonçalves Rodrigues, pois o direito
daquele à remuneração honorária – conquanto juridicamente impossível nos moldes

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contratuais e na extensão colossal pretendida na inicial –, decorre, autonomamente (Lei
nº 8.906/1994, art. 22), do fato da prestação de serviços entre a data da outorga
(30.05.2006) e a da revogação (21.07.2010), sendo o arbitramento cabível em virtude da
proibição legal e principiológica do enriquecimento gratuito em detrimento do suor
alheio, estando a medida expressamente autorizado pelo §2º do art. 22 da Lei nº
8.906/1994.
O direito do advogado Efraim Gonçalves à sua sacrossanta
quota/parte remuneratória continua hígido, e, como não houve alteração contratual
alguma em relação à sua pessoa, continua firmemente ancorado nas cláusulas quarta e
quinta do contrato de prestação de serviços.
Os réus afirmam que, desde a “assinatura do contrato de
prestação de serviços advocatícios até a notificação de revogação do mandato foram
ajuizadas 6 ações ordinárias e 11 cautelares (...), originando-se delas 44 recursos” (cf.
fls. 487), e esclarecem que as ações propostas envolveram apenas “7 dos 16 lotes
mencionados no contrato” (cf. fls. 487), ou seja, a atuação profissional do autor teria

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sido apática, diminuta e inexpressiva, mencionado, a propósito, que, após “a notificação
da revogação do mandato do autor foram propostas 57 ações ordinárias e 10
cautelares” (idem).
O autor objeta dizendo que, na verdade, ao longo do período de
vigência contratual (entre a data do recebimento dos poderes de representação, via
substabelecimento, em 30 de maio de 2006 (cf. fls. 617-TJ e 866/868 e 870/871-Vol. V),
e o advento da notificação revogatória, feita em 02.10.2010 pelo Tabelião Substituto do
1º Serviço Notarial e Registral de Cuiabá/MT – Registro de Título e Documentos e
Pessoas Jurídicas (cf. fls. 518/520)), praticou numerosos atos privativos de advogado
caracterizadores de combativa e exaustiva atuação protetora de preciosos
direitos/interesses dos os réus.
E, para comprovar esse alegado exercício profissional
proveitoso, ofertou a documentação de fls. 58-Vol. I usque 318-Vol. II; 1.339/1.400-Vol.
II e 1.401/1.488-Vol. VIII, afirmando que sua participação nos feitos ali indicados deve

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ser reconhecida como efetivo cumprimento do contrato e, portanto, efetiva e proveitosa
prestação de serviços advocatícios, alegando atuação profissional, entre outros,
especialmente, nos seguintes feitos: RAI nº 131/2006 (cf. fls. 58/87-Vol. I e fls.
619/648-TJ – vol. II); RAI nº 44907/2005 (fls. 88/99-Vol. I); Medida Cautelar no STJ nº
12.162-MT (100/105-Vol. I e 650/655-TJ – Vol. II); AgRg no RAI 895.445-MT; Ação
Reivindicatória nº 67/2006-4a Vara de Sinop/MT (fls. - fls. 112/115-Vol.I); Impugnação
ao Valor da Causa nº 80653, 80697, 80816, 80905, 81930 e 82459, todos da 4a Vara
Cível de Sinop/MT (cf. fls. 117-Vol. I); Interdito Proibitório nº 16781 (fls. 119); RAI nº
16.787 (fls. 119-Vol. I); Produção Antecipada de Provas – Proc. Código nº 60873 (fls.
119-Vol. I); Produção Antecipada de Provas – Proc. nº 60.874 (fls. 119-Vol. I);
Embargos de Terceiro Proc. nº 78.979 (fls. 119-Vol.I); Impugnação ao Valor da Causa –
Proc. Código nº 79178 (fls. 119-Vol. I); Ação (pelo procedimento ordinário) – Proc. nº
79945-Comarca de Cláudia/MT (fls. 120-Vol. I); Produção Antecipada de Provas –
Proc. nº 80.272-Comarca de Sinop/MT (fls. 120-Vol. I); Produção Antecipada de Provas
– Proc. nº 80273-Sinop/MT (fls. 120-Vol. I); Produção Antecipada de Provas – Proc. nº

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80.275-Comarca de Colíder/MT (fls. 120-Vol. I); Produção Antecipada de Provas –
Proc. nº 80.276-Comarca de Colíder/MT (fls. 120-Vol. I); Ação de Sequestro – Proc. nº
80.279-Comarca de Colíder/MT (fls. 120-Vol. I); Impugnação ao Valor da Causa – Proc.
nº 80.321-Comarca de Sinop/MT (fls. 120-Vol. I); Impugnação ao Valor da Causa –
Proc. nº 80.374-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I); Impugnação ao Valor da Causa
– Proc. nº 80.377-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I); Impugnação ao Valor da
Causa – Proc. nº 80.381-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I); Incidente de Falsidade
Documental – Proc. nº 80.434-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I); Embargos de
Terceiros – Proc. nº 80.760-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I); Ação de
Procedimento Ordinário – Proc. nº 92.969-Comarca de Sinop/MT (fls. 121-Vol. I);
Recurso de Embargos de Declaração nº 18.990/2007 (fls. 124-Vol. I); Recurso de
Embargos de Declaração nº 19.488/2007 (fls. 124-Vol. I); Recurso de Agravo de
Instrumento nº 47.880/2004 (fls. 125-Vol. I); Recurso de Apelação Cível nº 10.253/2005
(fls. 125-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº 10.659/2005 (fls. 125-Vol. I);

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Recurso de Agravo de Instrumento nº 77.263/2006 (fls. 125-Vol. I); Recurso de
Embargos de Declaração nº 32.711/2005 (fls. 125-Vol. I); Recurso de Embargos de
Declaração nº 44.404/2005 (fls. 125-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº
44.405/2005 (fls. 126-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº 46.154/2005 (fls.
126-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº 52.347/2006, 53.400/2006,
53.403/2006, 84.017/2006 e 84.018/2006 (fls. 126-Vol. I); Recurso de Apelação Cível nº
55.211/2004 (fls. 126-Vol. I); Recurso de Apelação Cível nº 55.212/2004 (fls. 127-Vol.
I); Recurso de Apelação Cível nº 55.213/2004 (fls. 127-Vol. I); Exceção de
Impedimento nº 97.594/2006 (fls. 126-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº
32.874/2007 e 32.875/2007 (fls. 127-Vol. I); Recurso de Agravo de Instrumento nº
37.072/2005 e 37.073/2005 (fls. 127-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº
17.154/2007 (fls. 128-Vol. I); Reexame Necessário nº 83.990/2011 (fls. 128-Vol. I);
Protocolos referentes à interposição de Recurso Especial para o STJ nº 72.150/2006,
69.396/2006, 61.476/2006 e 32.818/2007 (fls. 128-Vol. I) e 72.150/2006 (fls. 129-Vol. I)
e 61.476/2005 (fls. 131-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº 92.959/2006

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(fls. 129-Vol. I); Recurso de Agravo de Instrumento nº 37.073/2005 (fls. 129-Vol. I);
Recurso de Embargos de Declaração nº 19487/2007 (fls. 129-Vol I); Recurso de
Apelação Cível nº 10253/2005 (fls. 130-Vol. I); Recurso de Embargos de Declaração nº
10659/2005 (fls. 130-Vol. I); Recurso de Apelação Cível nº 55212/2004 e 55213/2004
(fls. 130-Vol. I); Recurso de Apelação Cível nº 45694/2005 (fls. 131-Vol. I); ações de
Embargos de Terceiros, Sequestro, Cautelar Inominada, Habilitação e várias outras
referenciadas apenas pelo tipo de procedimento (“Procedimento Ordinário”) enumeradas
às fls. 133/134-Vol. I, todos perante a Justiça Federal de 1º Grau de Mato Grosso;
Recursos em trâmite pelo TRF-1: Recurso de Agravo de Instrumento nº
2007.01.00.022138-2 – Sexta Turma (fls. 136/139-Vol. I); Recurso de Agravo de
Instrumento nº 2008.01.00.0025851-1 – Sexta Turma (fls. 140/141-Vol. I); Recurso de
Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.025850-8-Sexta Turma (fls. 142/143-Vol. I);
Recurso de Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.055371-8 (fls. 144-Vol. I); Recurso de
Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.055605-6-Quinta Turma (fls. 145-Vol. I); Recurso

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de Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.055606-0-Sexta Turma (fls. 146-Vol. I);
Recurso de Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.055604-2-Sexta Turma (fls.
147/148-Vol. I); Recurso de Agravo de Instrumento nº 2008.01.00.055603-9-Quinta
Turma (fls. 149-Vol. I); Recurso de Agravo de Instrumento nº
2008.01.00.055360-9-Sexta Turma (fls. 150-Vol. I); Recurso de Agravo de Instrumento
nº 2008.01.00.055359-9-Sexta Turma (fls. 151-Vol. I); Recursos em trâmite pelo STJ:
MC nº 12162-MT (fls. 153/154-Vol. I); Ag nº 895445-MT (fls. 155/156-Vol. I); Ag nº
854239-MT (fls. 157/159-Vol. I) e REsp. nº 998119-MT (fls. 160/161-Vol. I);
Impugnação ao Valor da Causa nº 81930/2006 – Quarta Vara de Sinop/MT (fls. 178/179
e 182/198-Vol. I); Impugnação ao Valor da Causa nº 2007.36.03.004194-4 – TRF1 (fls.
180-Vol. I); Impugnação ao Valor da Causa nº 80.697/2006 (fls. 199-Vol. I);
Impugnação ao Valo da Causa nos Autos nº 350/2006 (200/202-Vol. II); Impugnação ao
Valor da Causa – Proc. Cód. nº 80.653/2006 (fls. 203/206-Vol. II); Inventário e Partilha
–Proc. nº 0526416-66.1991.8.26 – 4a Vara de Família e Sucessões do Foro Central Cível
da comarca de São Paulo (fls. 208/219-Vol. II); Representação Interventiva – Proc. nº

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24.739/2007 – Sinop (fls. 223/234, 321/324, 369/376, 379/383-Vol. II); Recurso de
Agravo de Instrumento nº 4.269/2006 (fls. 279/290-Vol. II); Recurso de Embargos de
Declaração nº 50336/2006 (no RAI 4.269/2006) – (fls. 292/297-Vol. II); Recurso de
Agravo de Instrumento nº 44.907/2006 (fls. 299/240-Vol. II); Notícias sobre o
desdobramento das causas envolvendo as partes (fls. 163/176-Vol. I e 269/281-Vol. II);
Providências requeridas à Polícia Militar do Estado de Mato Grosso e a outros órgãos
públicos e Pedido de Providências (fls. 247/255, 325, 326, 327, 328/329 e 330/331-Vol.
II, 352/360, 257/267, 284, 286/318-Vol. II). Outros documentos foram juntados pelo
autor para a mesma finalidade às fls. 1.339/1.400-Vol. VII e fls.1401/1.488-Vol VIII.
A primeira observação que impõe seja feita – e aqui firo aspecto
absolutamente essencial à definição da extensão da responsabilidade dos réus pela
remuneração do trabalho realizado pelo autor –, é que muitos dos feitos a que se referem
os registros burocráticos constantes da documentação de fls. 58-Vol. I usque 318-Vol. II;
1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol. VIII, têm data de registro anterior à outorga do

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mandato.
Destaquei anteriormente que o autor/advogado Fernando Jorge
Santos Ojeda só poderia bem cumprir o contrato de prestação de serviços advocatícios –
já que a execução deste dependia da outorga de mandato, e esta não fora operada pelo
mesmo instrumento de fls. 40/42 –, se ele, Ojeda, recebesse o necessário mandato dos
réus, e não por outra razão foi preciso que o advogado Efraim Rodrigues Gonçalves, que
já vinha atuando, ao lado de sua mulher Ana Zélia, como procurador judicial dos réus
desde 14.09.2003 (cf. fls. 531), substabelecesse em prol de Fernando Ojeda os mesmos
poderes recebidos dos réus, conforme se vê do instrumento de substabelecimento
formalizado em 30 de maio de 2006 (cf. fls. 617-TJ e 866/868 e 870/871-Vol. V).
Ora, conquanto o “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS” (grifei) tenha sido celebrado em 05.07.2004 (cf. fls.
40/42), referido pacto, exclusivamente em relação à pessoa do advogado Fernando Jorge
Santos Ojeda, remanesceu ineficaz por cerca de dois anos, isto porque o objeto
contratual consistia precisa e exclusivamente no ajuizamento e acompanhamento de

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ações judiciais, ou, na dicção precisa da cláusula primeira, na “distribuição e
acompanhamento dos processos perante qualquer instância ou tribunal” destinados à
recuperação da posse dos imóveis indicados nos itens “i” a xvi” da mesma cláusula. O
contrato era de “prestação de serviços advocatícios”, e não para o desempenho de
qualquer outra atividade paralela ou afim (cf. cláusula primeira – fls. 40 e vº).
Todos nós bem sabemos que, sem mandato, não é possível o
exercício válido e legítimo da representação judicial da parte pelo advogado; no caso,
então, não seria possível ao advogado Fernando Ojeda, em nome e proveito dos réus,
distribuir qualquer ação e/ou acompanhar o desdobramento de qualquer processo
judicial em cumprimento à cláusula primeira do contrato, pois, embora o advogado
possa ter acesso livre a autos de processos judiciais (CPC, art. 107, I), sem mandato, e
sem exibição de seu respectivo instrumento (procuração), o advogado não pode atuar
judicialmente em nome e proveito da parte (CPC, art. 105, “caput”; EOAB, 7º, XIII
etc).

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Aliás, no regime mais rigoroso instituído pelo CPC/2015, não
apenas a outorga formal do mandato, mas também a qualificação precisa do advogado
(CPC, art. 105, §§2º e 3º), e a extensão e limites de sua atuação devem ser explicitados
da forma mais minudente e objetiva possível (CPC, art. 105, §4º); o objeto do contrato
de prestação de serviços advocatícios, repita-se mais uma vez, permaneceu sem
cumprimento pelo autor até a data de 30 de maio de 2006, pois foi só a partir daí, graças
ao substabelecimento de fls. 866/868 e 870/871-Vol. V, que o advogado Fernando Jorge
Santos Ojeda recebeu poderes de mando e representação para atuar judicialmente em
nome e proveito dos réus e, assim, dar cumprimento às obrigações e encargos previstos
na cláusula primeira do contrato de fls. 40/42vº.
Antes disso, não! Salvo se solicitado a empreender alguma
atividade informal, sem mandato e à margem da atuação advocatícia regular, mas neste
caso teríamos labor atípico, quer dizer, não teríamos exercício regular de advocacia
judicial.
A segunda observação fundamental cabível, frente aos

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documentos de fls. 58-Vol. I usque 318-Vol. II; 1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol.
VIII, é a de que referidos elementos não foram impugnados pelos réus de modo pontual
e específico, antes, e muito pelo contrário, foram recepcionados ou com indiferença, ou
como demonstrativos de uma verdade histórica que apenas não teria a amplitude ali
retratada.
Uma reação um pouco mais incisiva, embora nem tanto, foi
esboçada na Contestação ofertada pelo assistente Efraim Rodrigues Gonçalves; ele diz
que, à luz da prova documental apresentada nos autos, “fica fácil estipular os honorários
devidos ao requerente. Nada, pois nenhuma foi prova apresentada de serviços
prestados”, afirmando desconhecer “qualquer peça elaborada pelo requerente”; embora
admita “a existência de algumas peças firmadas” pelo autor, esclarece, porém, que essas
peças “foram totalmente elaboradas pelo subscritor e impressas” no escritório dele,
assistente (cf. fls. 852-Vol. VIII).
E acrescenta que, quando se dá “um rápido olhar nas petições

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iniciais (doc. Anexo)”, pode-se afirmar com segurança que “EM TODAS AS INICIAIS
CONSTAM APENAS OS NOMES DOS PROCURADORES: EFRAIM RODRIGUES
GONÇALVES e ANA ZÉLIA DE SOUZA LIMA GONÇALVES”, destacando, a esse
respeito, exemplificativamente, o caso do recurso de Agravo de Instrumento nº
131/2006, “onde se observa apenas que o advogado Efraim Rodrigues Gonçalves
subscreveu e elaborou tal peça” (cf. fls. 852-Vol. VIII).
E mais adiante lembra que, como “a advocacia se completa com
o acompanhamento dos pedidos junto ao poder judiciário, a farta documentação ora
anexada, consistente em passagens aéreas desde 2006 até 2015, despesas com
fotocópias dos autos de 2006 até 2014, despesas com deslocamento de documentos via
transportadores de Cuiabá para Sinop, Curitiba e São Paulo desde 2006 até 2015,
comprovantes de protocolo integrado de petições dos anos de 2005 até 2008, pedido de
certidões em cartórios de 2006 até 2013 – dão conta dos trabalho desenvolvido pelo
subscritor (assistente), em acompanhamentos mensais e consecutivos junto a comarca
de Sinop/MT, atendendo exclusivamente aos interesses dos espólios requeridos” (cf. fls.

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858-Vol. VIII).
Apenas esses breves tópicos hostis, extraídos da Contestação
apresentada pelo assistente litisconsorcial, esgotam praticamente toda a resistência
processual mais incisiva e específica contra a aptidão da prova documental apresentada
pelo autor para demonstrar o exercício profissional realizado em proveito dos réus; mas
esses elementos, alguns dos quais realmente imprestáveis, se não têm força para
neutralizar o direito do assistente à sua quota/parte honorária, têm força probante
subsidiária à confissão, feita pelos próprios réus, de que o autor efetivamente realizou
trabalho profissional proveitoso durante o período de vigência contratual.
Explico!
Na Contestação apresentada pelos réus (cf. fls. 484/500-Vol. III),
no tópico denominado “Do arbitramento” (cf. fls. 494/495-Vol. III), os contestantes
afirmam que, ante a “abusividade das cláusulas 2a, 4a e 5a, a aferição de honorários
eventualmente ainda devidos ao autor deverá ser feita por meio de arbitramento, à luz

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do que dispõe o art. 22 do Estatuto da OAB que assegura ao profissional a remuneração
convencionada, desde que prestados os serviços contratados” (cf. fls. 494-Vol. III -
grifei), lembrando que o arbitramento “deverá levar em consideração não apenas os
serviços efetivamente prestados pelo autor, mas também, o proveito que tais serviços
geraram em favor dos réus e, principalmente, os valores adiantados ao autor” (cf. fls.
495-Vol. III - grifei).
Ou seja, os próprios réus admitem, sem papas na língua, que
houve efetiva prestação de serviços, mas alegam que “os poucos serviços por ele (autor)
efetivamente prestados (...) (deverão) ser (considerados quitados) por meio dos valores
já pagos ao autor” (cf. fls. 495-Vol. III). E, no desfecho da resposta, aquiescem
resolutamente a que – não sendo o pedido julgado improcedente –, seja feita “a
apuração da eventual existência de honorários em favor do autor por meio de
arbitramento” (cf. fls. 499/500-Vol. III - grifei), encarecendo, ainda, que “o
arbitramento seja feito de forma que a base de cálculo para apuração dos honorários
eventualmente devidos não considere a totalidade dos imóveis, o valor da terra

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atribuído pelo autor (a ser apurado por perícia), a integralidade dos honorários em
favor do autor e o percentual da multa fixado em contrato, de forma a restringir
eventual indenização aos serviços efetivamente prestado pelo autor” (cf. fls. 500-Vol. III
- grifei)
Apenas diante do pleito autoral de averbação da ação à margem
da matrícula dos imóveis, os réus opuseram alguma resistência protocolar, dizendo que
ainda não houve desocupação efetiva de todas as áreas, mas, não sendo esse o
entendimento, pelo menos que “tais averbações (se restrinjam) aos lotes cujas ações
foram propostas no período em que vigorou o mandato do autor, quais sejam:
transcrições ns. 6264, 6278, 6263, 6275, 6277, 6272 e 6270 do Cartório de Registro de
Imóveis de Rosário Oeste” (cf. fls. 496-Vol. III).
Eles também objetaram, mais especificamente, contra a inserção
no rol das atividades profissionais proveitosas realizadas pelo autor, do “despacho
proferido no inventário (que tramita na comarca de São Paulo) (...) no sentido de

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autorizar o inventariante a receber proposta de interessados na aquisição dos lotes que
compõem a ‘Gleba Atlântica Grandes Matas””, já que “tal decisão apenas (autorizou) o
inventariante a receber proposta de compra, consignando, expressamente, que qualquer
alienação deverá ser antecedida de avaliação e autorização judicial”, ou seja, não teria
havido efetiva atuação proveitosa do autor neste caso específico.
Na verdade, ainda que não se considere a documentação de fls.
58-Vol. I usque 318-Vol. II; 1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol. VIII, toda ela, prova
consistente e confiável da prestação de serviços advocatícios pelo autor em proveito dos
réus na extensão quantitativa e no grau qualitativo emergentes daqueles elementos
documentais, constato, todavia, que foram os próprios réus que golpearam qualquer
possível objeção contra a realidade da prestação desses serviços, sobretudo no tocante ao
aspecto quantitativo do trabalho realizado.
No número 7 do tópico II da Contestação, denominado “Da
realidade dos fatos”, os réus afirmam textualmente que, desde “a assinatura do contrato
de prestação de serviços advocatícios até a notificação de revogação do mandato foram

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ajuizadas 6 ações ordinárias e 11 cautelares (cópias anexas), originando-se delas 44
recursos” (cf. fls. 487-Vol. III - grifei). E acrescentam: as “ações propostas no referido
período são relativas a apenas 7 dos 16 lotes mencionados no contrato. Após a
notificação da revogação do mandato do autor foram propostas 57 ações ordinárias e
10 cautelares”, destacando, “ainda, que nenhuma das ações interpostas foi
definitivamente julgada, como maliciosamente sugere o autor” (cf. fls. 487-Vol. III).
Ao mencionarem, sem que ninguém perguntasse, o trabalho de
propositura e acompanhamento de “6 ações ordinárias e 11 cautelares”, bem como de
“44 recursos” originários dessas demandas, circunscrevendo essa atividade tipicamente
advocatícia no interregno da vigência contratual, e sem fazer qualquer ressalva,
especialmente quanto ao período de dedicação – se antes ou depois da outorga do
mandato, e, neste particular, sem individualizar o desempenho de cada um dos
advogados contratados –, os réus praticamente inviabilizaram qualquer discussão a esse
respeito.

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Aliás, os réus nunca negaram o direito do autor à percepção da
justa remuneração devida pelo trabalho proveitoso e efetivamente realizado durante o
lapso de vigência contratual; quando, após a revogação do mandato, o autor os
contranotificou para dizer que fazia jus à remuneração integral prevista na cláusula
quinta do contrato, além da multa da cláusula segunda, a resposta dada por eles,
conforme se vê na singela epístola de fls. 56, concordou com o direito à justa
contraprestação, porém, jamais, na extensão pretendida; admitiram que os honorários
devidos ao autor, “se e quando houverem de ser pagos”, haveriam de recair apenas
“sobre 50% do valor do contrato e não sobre a totalidade”, sendo óbvio que a locução
condicionante “se e quando” pretendeu sublinhar o caráter “quota litis” da contratação,
de modo que, na visão dos réus, sobrevindo futuramente o êxito final definitivo, a
quota/parte honorária a ser extraída do proveito econômico efetivamente obtido seria de
apenas “50%” do valor contratado, já que a outra metade, por Direito, seria atribuída ao
segundo advogado.
De todo modo, tendo o autor ofertado a documentação de fls.

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para demonstrar (comprovar) a extensão e a qualidade do trabalho profissional realizado
em proveito dos réus durante a vigência contratual, e como os réus admitiram
tacitamente, pelo menos em parte, a aptidão probatória desses elementos, balbuciando,
apenas, que, conquanto os atos ali possam ter sido praticados com suporte no mandato
outorgado, toda e qualquer atuação profissional do autor fora exercida em função de 6
ações ordinárias, 11 ações cautelares e 44 recursos (cf. fls. 487), temos aqui, então, uma
base material segura, praticamente consensual e inquestionável, que torna possível o
imediato arbitramento dos honorários.
Com efeito, porque, como os próprios réus admitiram que os
atos processuais (e demais atividades) retratados às fls. 58-Vol. I usque 318-Vol. II;
1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol. VIII, em alguma medida considerável retratam a
extensão e a qualidade técnica do trabalho proveitoso efetivamente realizado pelo autor,
embora ressalvando que esse trabalho estaria todo ele inserto e se exaurido inteiramente
no âmbito dessas 6 ações ordinárias e 11 ações cautelares, e dos 44 recursos, então,

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diante da expressa aquiescência dos réus, se torna possível desde logo operar o
arbitramento da verba honorária, pois, havendo segurança quanto aos aspectos mais
fundamentais da pretensão (extensão quantitativa e grau da qualidade técnica do
trabalho), despicienda se mostra qualquer complementação probatória/cognitiva.
Sobre o problema da nulidade da sentença por cerceamento de
defesa, necessidade de dilação da instância para produção de outras provas, carência de
esclarecimento mais específicos e coisa e tal, caba observar, quanto a isso, que, com a
contestação, os réus ofertaram os documentos de fls. 502-Vol. III; 601/800-Vol. IV;
801/848-Vol. V e outros afins, e na ocasião realmente protestaram pela produção de
outras provas, mencionado a necessidade da realização de prova “pericial de
arbitramento” (cf. fls. 1.407, “ii” – Vol. IX) e de prova “pericial avaliatória” (cf. fls.
1.407, “iii” –Vol. IX), mas, no que havia de mais essencial e decisivo, a manifestação foi
de assentimento (cf. fls. 1.406/1.408-Vol. IX), pois reconheceram a prestação de
serviços advocatícios pelo autor durante a vigência contratual, indicando, inclusive, a
quantidade de as ações e recursos abrangidos por essa atuação, e concordaram com o

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cabimento do arbitramento da verba honoraria devida.
De sua parte, o autor foi mais peremptório quanto a
desnecessidade de outras provas e esclarecimentos; às fls. 1.405-Vol IX, ele diz que,
“por versar a matéria sobre (questões) eminentemente de direito, sem a necessidade de
produção de outras provas em audiência”, deveria ocorrer “o julgamento antecipado da
lide, nos moldes do artigo 355, I, do NCPC”. O MM. Juiz optou pela imediata prolação
da sentença (cf. fls. 1.699/1.706 – Vol. IX).
A Tabela de Honorários editada pela seccional mato-grossense
da OAB prevê que, para cada ação ordinária proposta, a contraprestação honorária
devida pelo cliente ao seu advogado será de no mínimo “20% sobre o valor real da
causa ou do benefício que advier ao cliente” (Tabela IX, nº 2.1), ou o mínimo de 8
URH, prevendo, para as “medidas cautelares específicas ou inominadas”, idêntico
percentual de “20% sobre o valor real da causa ou do benefício que advier ao cliente”,
ou o mínimo de 4 URH (Tabela VIII, nº 1.1).

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Tratando-se de advocacia perante os Tribunais, pela oferta de
“razões e contra razões de qualquer recurso”, a Tabela de Honorários da OAB/MT
prevê remuneração mínima de 9 URH pela prática de quaisquer desses atos (Tabela
XXI, nº 3).
A avaliação do serviço profissional prestado pelo autor, frise-se
bem esse ponto, ficará circunscrita às atividades confessadas pelos réus (6 ações
ordinárias, 11 cautelares e 44 recursos – cf. fls. 487), mas com inclusão complementar
daqueles atos demonstrados pela prova documental exibida pelo próprio interessado (cf.
fls. 58-Vol. I usque 318-Vol. II; 1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol. VIII); assim,
observada a remuneração prevista na Tabela de Honorários editada pela OAB/MT para
cada tipo de ato privativo de advogado constante daquela regulação, o arbitramento
seguirá a precificação da referida Tabela para cada ato ou grupo de atos praticados,
sempre segundo a confissão dos réus e a estampa probatória de fls. 58-Vol. I usque
318-Vol. II; 1.339/1.400-Vol. II e 1.401/1.488-Vol. VIII, embora sem perda de
referência às exigências declinadas no art. 36 do Código de Ética e Disciplina da OAB e

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sem olvido da proporcionalidade a que alude o §3º do art. 22 da Lei nº 8.906/1994.
O arbitramento também sopesará o grau de zelo do trabalho
realizado (observância rigorosa de prazos; correção técnica das postulações; definição de
estratégias eficientes etc); o peso do renome e da qualificação do advogado Fernando
Ojeda como atributos atrativos à contratação do patrocínio; o local da prestação dos
serviços (áreas a serem recobradas situadas no extremo norte do Estado de MT em locus
inóspitos e perigosos); complexidade e alto grau de litigiosidade das demandas (áreas
ocupadas por gente bélica e aparelhada, e, segundo se diz, em vários casos ostentando
títulos de propriedade fakes); a expressão econômica da demanda (além do limite
astronômico de R$ 1 bi na totalidade) e os interesses jurídicos defendidos (prevalência
do direito real de propriedade violado por usurpações possessórias e falsidades material
e ideológica), além de vários outros aspectos relevantes normalmente considerados pela
experiência forense histórica de arbitramento de honorários em casos assemelhados.
Mas o arbitramento da verba honorária pela adoção do primeiro

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critério previsto na Tabela de Honorários da OAB/MT (incidência do percentual de
“20% sobre o valor real da causa ou do benefício que advier ao cliente”), não pode aqui
ser realizado em razão da absoluta falta de conhecimento atual e seguro quanto ao “valor
real” de cada ação ajuizada, bem como do “benefício” econômico a ser alcançado pelo
cliente em cada medida proposta, benefício este que, sabe-se deus quando e em que
medida, poderá ou não sobrevir futuramente...
O critério mais seguro e justo reside na alternativa ofertada pela
própria Tabela justamente quando não for possível a pronta mensuração do “valor real”
da causa e a definição do “benefício” econômico, ou seja, quando absolutamente
desconhecidos os elementos quantitativos componentes das duas grandezas
mencionadas; a Tabela prevê, alternativamente, um valor mínimo de remuneração
financeira expresso em Unidade Referencial de Honorários (URH) para cada tipo de ato
profissional privativo do advogado; no Estado de Mato Grosso, na época da revogação
do mandato (2010), uma URH correspondia a R$ 447,82 (quatrocentos e quarenta e sete
reais e oitenta e dois centavos), sendo este, precisamente, o valor que deve ser aplicado

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no cálculo de conversão para reais (R$) do valor dos honorários arbitrados em URH à
remuneração do trabalho realizado pelo advogado Fernando Jorge Santos Ojeda ao
longo do período de vigência contratual.
Observo que, embora a aplicação da Tabela de Honorários da
OAB não seja obrigatória, sendo, na verdade, mero indicativo adminicular, conforme já
decidiu o eg. STJ, admito que, diante das circunstâncias do caso, a prévia mensuração
nela contida já se mostra perfeitamente adequada à fixação equânime do quantum
mínimo devido ao advogado/autor, e por essa razão referido parâmetro corporativo será
aqui adotado como porto seguro de partida.
Todavia, não será atribuído o valor mínimo da URH para cada
uma das 6 ações ordinárias e para cada uma das 11 ações cautelares, nem para os 44
recursos interpostos, já que o valor mínimo só tem cabimento quando o advogado
deflagra a execução dos serviços, praticando atos iniciais ou preparatórios e logo se
afasta do caso, e não àquelas situações em que, além da elaboração da petição inicial ou

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recursal, a demanda é instaurada e segue se arrastando sob tratamento zeloso dispensado
pelo advogado ao longo de vários anos de árdua conflagração sem trégua.
O arbitramento aqui operado, que também fiquem bem claro, se
restringirá exclusivamente à contraprestação honorária devida pelos réus ao autor, não
envolvendo, portanto, em qualquer medida, a quota/parte cabível ao advogado Efraim
Rodrigues Gonçalves, primeiramente porque, em relação à pessoa deste, os contratos
(mandato e prestação de serviços) ainda subsistem, e como referidos pactos continuam
sendo cumpridos pelo Dr. Efraim, sobrevindo, ao final, o implemento da condição “ad
exitum” (êxito final definitivo), ele fará jus aos honorários segundo a fórmula
remuneratória pactuada (cláusula quinta); é só ele aguardar o venturoso implemento da
condição (êxito final) para ficar rico!
Depois, como ainda não é possível dimensionar o valor dos
honorários segundo o critério da cláusula quinta (15% sobre o proveito final obtido), e
bem assim porque referida cláusula perdeu eficácia por conta da revogação, obviamente
não é possível fazer meação de algum todo econômico, para atribuição do valor certo

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devido a cada advogado, seja em dinheiro ou em área de terras, e isto também porque,
além de tudo, resultado final definitivo algum foi alcançado.
Essa questão remete ao problema da responsabilidade processual
do assistente Efraim Rodrigues Gonçalves, notadamente no tocante à distribuição dos
ônus sucumbenciais.
O tópico de fls. 35, III, letra “e”, da petição inicial, mostra que o
autor pediu fosse decretada a “resolução contratual, com a consequente condenação dos
Réus ao pagamento de R$232.295.202,60”, afirmando expressamente que referido valor
correspondia “a 15% (quinze por cento) do valor total de cada imóvel rural que viesse a
ser recuperado em juízo, a título de cláusula penal (Cláusula Quinta)”, pleiteando,
ainda, “R$23.229.520,26, equivalente a 10% (dez por cento) sobre o valor do contrato
(Cláusula Quarta)”.
Como se vê, o autor pretendeu a totalidade dos honorários, e,
para que não pairasse dúvida, reportou-se direta e expressamente à cláusula quinta do

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contrato, pretendendo também o valor total da multa contratual, invocando, com a
mesma ânsia, o teor da cláusula quarta; assim pretendendo, excluiu a legítima
co-participação do seu colega de sina contratual (Dr. Efraim Rodrigues Gonçalves) do
proveito econômico final atribuível pela cláusula quinta a ambos os advogados no
importe de 15% sobre a dimensão econômica desse proveito.
E foi justamente essa lambança autoral que motivou o advogado
Efraim Rodrigues Gonçalves a pedir autorização para, corretamente (apoiado nos
documentos de fls. 860/1.000-Vol.V; 1.001/1.200-Vol. VI e 1.201/1.290-Vol. VII),
integrar a lide na condição de assistente litisconsorcial (CPC, art. 124), pois, ao
pretender a integralidade da verba honorária (15% sobre o valor total da área a ser
recuperada, ou igual percentual em terras), sem deixar um mísero tostão ou um único
grão de areia à remuneração de seu colega, esvaziando por inteiro, e só para si, a
retribuição honorária que haveria de ser repartida paritariamente entre os dois
advogados, caso a sentença acolhesse essa pretensão, restaria afetado o direito do
advogado Efraim Rodrigues Gonçalves (assistente) à metade dos honorários, ou seja, a

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sentença influiria “na relação jurídica entre ele (assistente) e o adversário do assistido”
(autor).
A intervenção do terceiro foi solicitada, “nos termos do at. 54 do
CPC, (como) ASSISTÊNCIA LITISCONSOCIAL” (cf. fls. 849/859-Vol. V); Fernando
Ojeda se manifesta sobre o pedido do assistente às fls. 1.318/1.326-Vol. VII, quando
então pediu fossem repelidas as arguições preliminares (incapacidade postulatória,
inépcia da inicial e ilegitimidade ativa), e, no mérito, suplicou fossem “afastadas todas
as alegações do Assistido” (sic), afirmando a existência de “conluio (entre o assistente e)
os Requeridos na nítida intenção de locupletar-se da integralidade dos honorários
contratuais” (sic); no mais, reiterou fosse “julgado totalmente procedente os pedidos
formulados na presente demanda” (sic – cf. fls. 1.325 – Vol. VII).
A decisão de fls. 1.402/1.409-Vol. IX reconheceu que o
advogado “Efraim Rodrigues Gonçalves (possuía) legitimidade para discutir o direito
em litígio e interesse jurídico na decisão final do feito”, e, assim, deferiu “o pedido para

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ele (fosse) admitido nos autos como assistente litisconsorcial” (cf. fls. 1.403vº- Vol. IX).
Não há qualquer reparo a ser feito quanto a isso; a intervenção
pleiteada e autorizada, diante dos termos usurários do pedido autoral, haveria de ser
mesmo a título de assistência litisconsorcial (CPC, art. 124), já que o assistente, por si
só, poderia autonomamente figurar como parte passiva, para, ao lado da pugna
coadjuvante para que a sentença fosse favorável aos réus (CPC, art. 119, “caput” c/ art.
121, “caput”), sobretudo para que prevalecesse a tese de que a verba honorária ainda não
era devida, defender o seu direito/interesse próprio afetado pela pretensão desmedida do
autor, agindo, assim, não como mero coadjuvante escudeiro de combate dos réus, mas
como parte igualmente legitimada a se contrapor à extensão desmedida da pretensão
autoral.
Em qualquer cenário final que se descortinasse, ou seja, ainda
que o autor vencesse a peleja contra os réus e obtivesse o absurdo reconhecimento de
que, apesar da revogação do mandato, a cláusula quinta do contrato de prestação de
serviços haveria de surtir efeitos para dar sustentação à condenação dos réus ao

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pagamento de honorários advocatícios tal como previstos na aludida cláusula, mesmo
neste cenário hipotético e bizarro, metade do valor dos honorários apurados segundo a
cláusula quinta haveria de ser resguardada e atribuída ao Dr. Efraim Rodrigues
Gonçalves, pois “a regra é clara” quando diz que os dois “CONTRATADOS”fariam jus
a 15% do proveito final obtido (cláusula segunda), e não apenas um deles, de modo que,
dispensado um dos advogados antes do implemento da condição (êxito final), e caso se
decidisse pela convalidação de uma cláusula já extinta pela revogação do mandato, ainda
assim o mandatário/resilitário só teria direito à metade da verba honorária.
Mesmo na imaginária hipótese de total cumprimento de todas as
obrigações contratuais, restando o pacto exaurido por execução regular, e, ao final da
jornada litigiosa, o resultado final e definitivo obtido fosse a recuperação da área total
com plena efetividade da condição prevista na cláusula “ad exitum”, mesmo neste feliz e
improvável desfecho celestial, os dois advogados, segundo a dicção expressa da cláusula
segunda, receberiam o naco de 15% do proveito final obtido (7,5% par cada um), o que

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desnuda o caráter injusto e espoliativo da pretensão autoral à satisfação da totalidade da
verba honorária, prevista, em verdade, apenas para o caso de execução regular do
contrato.
Esse quadro mostra, por um lado, o cabimento processual da
intervenção do advogado Efraim Rodrigues Gonçalves efetivada a título de assistência
litisconsorcial; e mostra, por outro lado, a justeza do combate dado pelo assistente à
pretensão autoral descabida e excessiva, e, por fim, justifica a responsabilidade do autor
pelo pagamento de honorários advocatícios em proveito do assistente.
Ao julgar parcialmente procedente o pedido, e mesmo
proclamando que “...o autor (fazia) jus apenas a metade, tendo em vista que no contrato
também (figurava) o assistente como titular do direito nele estabelecido” (cf. fls.
1.704vº-Vol. IX), reconhecendo, portanto, o caráter desmedido do valor pretendido, e
por isso mesmo restringindo à metade a expressão quantitativa da pretensão, já que a
outra metade pertencia ao “assistente como titular do direito” estabelecido no contrato, a
sentença condenou “as partes e o assistente ao pagamento das custas e despesas

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processuais, mais honorários advocatícios”, estes fixados “em 15% (...) sobre o valor
da condenação, nos termos do que preceitua parágrafo 2º do art. 85 do CPC, na
proporção de 1/3 (um terço) para cada” (cf. fls. 1.705vº, letra “d”-Vol. IX - grifei)
Ora, se o assistente obteve o reconhecimento do seu direito à
metade da verba honorária, metade esta que o autor pretendia abiscoitar quando pediu a
condenação dos réus ao pagamento da integralidade dos honorários sem ressalvar a parte
devida ao seu colega de contrato, então, sem dúvida, saiu-se plenamente vitorioso no
mérito, tendo o autor sucumbindo, e neste caso deve o sucumbente responder
integralmente pelas custas e honorários em favor do litigante vitorioso (assistente).
Observo, por fim, que o documento de fls. 56 menciona
“depósitos feitos na (...) conta corrente (do autor)”, algo “em torno de R$ 250.000,00”
(letra “c”), e também se reporta a “outros valores em espécie” que teriam sido entregues
diretamente ao requerente (letra “d”). A prova dos autos, todavia, não ampara
completamente essas sustentações, e sem provas temos apenas alegações unilaterais

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infecundas.
O documento de fls. 513-Vol III traz a cópia do comprovante de
um depósito bancário no valor de R$ 200 mil feito no dia 24.07.2006, em dinheiro vivo,
em conta bancária da titularidade do autor Fernando Jorge Santos Ojeda em agência do
Unibanco S/A. O fato, e o documento que respalda a sua ocorrência não foram
infirmados pelo autor, devendo, portanto, haver o abatimento compensatório do
montante estampado na peça de fls. 513-Vol. III.
Já o documento de fls. 514-Vol. III mostra apenas uma
“autorização”, subscrita pelo Inventariante Oscar Ferreira Broda, ali designado, porém,
Diretor Superintendente da empresa Calcit Calcáreos Industrializados Tamandaré S/A
(?), para que, na data de 23.06.2006, o gerente “Nelson” da agência 0099-8 do Banco
HSBC S/A fizesse resgate de aplicação financeira em fundo de investimento e
transferisse o valor e R$ 50 mil da conta da empresa para uma conta bancária de
titularidade de Fernando Jorge Santos Ojeda; todavia, não há prova de que essas
operações bancárias tenham sido efetivadas.

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Não há prova, por outro lado, de quaisquer outros
pagamentos/adiantamentos feitos em espécie, direta e informalmente à pessoa do autor;
aliás, os réus sequer têm certeza do montante que teria sido adiantado, afirmando,
vagamente, que teria sido entregue ao autor algo “em torno” de R$ 250 mil, o que torna
inviável a pretensa ordem de restituição/abatimento na extensão afirmada, já que não se
tem outra prova confiável do alegado pagamento parcial antecipado de honorários além
daquela representada pelo comprovante bancário de fls. 513-Vol. III.
Assim, com base no que dispõe o subitem 2.2. da Tabela IX da
Tabela de Honorários da OAB/MT, arbitro em 120 (cento e vinte) URH (Unidade
Referencial de Honorários), esta ao valor unitário de R$ 447,82, o valor dos honorários
devidos pelos réus em virtude da atuação profissional do autor em cada uma das seis
(06) ações ordinárias, totalizando o valor de R$ 322.430,40 (120 x R$ 447,82 = R$
53.738,40 (cada ação) x 6 = 322.430,40); com base no subitem 1.1. da Tabela VIII da
Tabela de Honorários da OAB/MT, arbitro em 80 (oitenta) URH (Unidade Referencial

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de Honorários), esta ao valor unitário de R$ 447,82, o valor dos honorários devidos em
razão da atuação profissional do autor em cada uma das onze (11) ações cautelares
propostas no período, totalizando R$ 394.081,60 (80 x R$ 447,82 = R$ 35.825,60 (cada
ação) x 11 = R$ 394.081,60), e, pela atuação do autor em cada um dos 44 (quarenta e
quatro) recursos interpostos no período, com apoio no que dispõe o subitem 3 da Tabela
XXI da Tabela de Honorários da OAB/MT, arbitro em 40 (quarenta) URH (Unidade
Referencial de Honorários), esta ao valor unitário de R$ 447,82, o valor dos honorários
para cada uma dessas interposições, totalizando R$ 788.163,20 (40 x R$ 447,82 = R$
17.912,80 (cada interposição recursal) x 44 = R$ 788.163,20), no valor total arbitrado de
R$ 1.504.648,20 (um milhão e quinhentos e quatro mil e seiscentos e quarenta e oito
reais e vinte centavos), sendo absolutamente irrelevante, à definição e exigência do valor
dos honorários ora arbitrados, o resultado final dessas ações e recursos.
“Ex positis”, desprovejo o apelo interposto pelo autor, mas dou
parcial provimento ao recurso interposto pelos réus e pelo assistente, fazendo-o,
primeiramente, para recepcionar a ação como ação de arbitramento de honorários, e

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depois para, com base no art. 22, §2º, da Lei nº 8.906/1994, cuidando-se de causa assaz
madura (CPC, art. 515, §3º), julgar o pedido condenatório parcialmente procedente,
condenando os réus ao pagamento do valor de R$ 1.504.648,20 (um milhão e
quinhentos e quatro mil e seiscentos e quarenta e oito reais e vinte centavos), resultante
do arbitramento dos honorários devidos pelo trabalho advocatício realizado pelo autor
em proveito dos réus ao longo do período de vigência contratual, devendo, porém, ser
abatido o valor atualizado de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), adiantado pelos réus
ao autor/apelante em 24.07.2006 (cf. fls. 513-Vol. VIII); sobre o valor da condenação
incidirão juros de mora de 1% ao mês a partir da citação, e correção monetária pelo
INPC a partir deste julgamento.
Atento aos parâmetros do §2º, I a IV, do art. 85 do CPC, arbitro
os honorários sucumbenciais em 20% sobre o valor atualizado da condenação, e, em
decorrência do acolhimento parcial da pretensão condenatória, rendendo homenagem à
regra do art. 86, “caput”, do CPC, condeno os réus ao pagamento de 70% do valor das

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custas e despesas processuais, inclusive honorários advocatícios, ficando o autor
responsável pelos 30% restantes.
Em relação ao assistente litisconsorcial, embora a sentença o
tenha sagrado plenamente vitorioso no mérito, o apelo interposto pelo Dr. Efraim voltou
a pelejar contra a condenação dos réus, endossando, inclusive, as mesmas arguições
preliminares, mas ele também combateu a equívoca distribuição dos ônus
sucumbenciais, pois, mesmo tendo a sentença restringido pela metade a expressão
econômica da pretensão autoral, o assistente foi condenado juntamente com os réus ao
pagamento de parte (1/3) dos ônus da sucumbência, daí o cabimento do provimento
parcial do recurso assistencial para que o autor responda integralmente, nos moldes do
art. 85, “caput”, e §2º, do CPC, pelos honorários advocatícios sucumbenciais devidos ao
assistente, cujo montante arbitro em 10% do valor atualizado da condenação, ficando o
assistente isento de quaisquer despesas processuais.
É como voto.

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RELATOR: DES. JOÃO FERREIRA FILHO

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a PRIMEIRA
CÂMARA DE DIREITO PRIVADO do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso,
sob a Presidência do DES. SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS, por meio da Câmara
Julgadora, composta pelo DES. JOÃO FERREIRA FILHO (Relator), DES.
SEBASTIÃO BARBOSA FARIAS (1º Vogal) e DESA. NILZA MARIA PÔSSAS DE
CARVALHO(2ª Vogal), proferiu a seguinte decisão: RECURSO DE FERNANDO J.
SANTOS OJEDA DESPROVIDO E PROVIDO PARCIALMENTE OS
RECURSOS DO ESPÓLIO DE OSCAR HERMINIO F. FILHO E EFRAIM
RODRIGUES GONÇALVES. DECISÃO UNÂNIME.

Cuiabá, 10 de abril de 2018.

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Usaram da palavra os Srs. Drs. Marcos Souza de Barros -
OAB/MT - 17623; Fabian Feguri - OAB/MT - 16739 e o Sr. Dr. Efraim Rodrigues
Gonçalves - OAB/MT - 4156/MT.

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DESEMBARGADOR JOÃO FERREIRA FILHO - RELATOR

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