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TÉCNICAS DE COLETA E CONTENÇÃO EM AVES

1. Contenção:
No mundo da Medicina Veterinária é muitas vezes necessário imobilizar os
animais, não só para procedimentos complexos, como uma cirurgia, mas também para
simples procedimentos, como um exame de estado geral. É por isso de extrema
importância saber como conter um animal, de uma forma segura tanto para este como
para o operador.

1.1 Contenção Física:


Aves de pequenas dimensões, como por exemplo rouxinóis e tentilhões, podem ser
contidas apenas com uma mão rodeando o seu corpo.
No caso de aves um pouco maiores, mas ainda assim inofensivas, como os pombos,
pode já ser necessário utilizar as duas mãos, cada uma rodeando um lado do corpo ou
apoiando-as na palma de uma mão e, com a outra, conter a cauda com o dedo polegar
e as patas entre os dedos médio e indicador.
No entanto, a maior parte das aves tenta defender-se da melhor forma que consegue.
Geralmente utilizam o bico, as garras ou ambos.
• Aves de bico longo ou garras afiadas pode-se fazer uso de panos, luvas de couro e uso
de puçá na captura.
1.2 Riscos e Problemas durante a contenção:
 Hipertermia – a hipertermia pode ocorrer devido a um aumento da atividade
metabólica basal. Os primeiros sinais clínicos são um aumento dos ritmos
cardíaco e respiratório e a respiração é auxiliada pela abertura do bico. As
reservas hepáticas de glicogénio são utilizadas, causando uma hipoglicemia.
Consequentemente as proteínas são mobilizadas para fins energéticos,
ocorrendo uma perda de peso e uma fraqueza generalizada. Ocorre
leucocitose e trombocitopenia. Em casos extremos o animal pode morrer,
mesmo já tendo a temperatura voltado ao normal, devido a efeitos residuais.
 Hipóxia – o esterno auxilia na respiração movendo-se para baixo e para a
frente durante a inspiração e para cima e para trás durante a expiração. É
necessário muita atenção para não apertar demasiado o tórax das aves
quando se segura nelas para não impedir estes movimentos, causando
dificuldades na respiração
 Lacerações, contusões e abrasões – são pouco comuns durante a contenção,
mas podem ocorrer caso haja descuido por parte do operador
 Fraturas , Lacerações e Distensão de ligamentos e tendões – podem ocorrer
quando não utilizada a técnica adequada ou um profissional não qualificado.
2. Colheita de sangue:
A colheita de uma amostra de alta qualidade é uma das partes mais importantes do
exame hematológico sendo essenciais a técnica e o cuidado no procedimento.

2.1 Cuidados na Colheita de sangue nas Aves:


 Reduzido volume da amostra sanguínea: O volume sanguíneo de uma ave
representa 10% do peso corporal, colheitas podem ser feitas em segurança
coletando 1% do peso corporal da ave. Em aves doentes deve-se reduzir esse
volume.
 Tempo de adaptação ao lugar, deixar a ave em local silencioso. Não coletar
quando animal encontra-se estressado, pois pode resultar em alteração no
exame hematológico.
 Valores de referência: Estes valores apresentam grandes variações em função
da espécie, habitat, sexo, idade, estação entre outros. Os valores também
podem variar dependendo do laboratório onde são processadas as amostras,
da técnica emp regada, bem como os valores de referência publicados serem
realizados em números pequenos de animais, nem sempre identificados por
idade e procedência e grau de higidez.
2.2 Local de Coleta nas Aves:
- Veia Ulnar ou veia da asa - Seio venoso occiptal
- Veia jugular - Punção cardíaca
- Veia metatárcica medial - Amostra Capilaridade
2.3 Anticoagulantes de escolha em Aves:
O anticoagulante mais recomendado para análise hematológica em aves é o ácido
etilenodiaminotetracético EDTA ( Tubo lilás ) , por ser o que menos provoca alterações
na amostra. No entanto, em algumas espécies da família corvidae e cracídeos, bem
como em avestruzes o EDTA provoca hemólise. Nestes casos deve-se usar heparina lítica
(Tubo verde) que tem como ponto positivo ser um anticoagulante versátil podendo ser
realizado tanto hemograma quanto bioquímico.
2.4 Contagem manual / Esfregaço sanguíneo:
A principal diferença entre aves e mamíferos é que as aves apresentam os eritrócitos e
os trombócitos nucleados, fato que pode interferir nas contagens automatizadas. Além
disso, o principal leucócito nas aves é o heterófilo, equivalente ao neutrófilo dos
mamíferos. Deste modo, as contagens automáticas de rotina realizadas em mamíferos
não são aplicáveis nas aves, sendo indicadas as técnicas manuais.
2.5 Morfologia Celular das Aves :
 Os eritrócitos das aves, diferente dos mamíferos, são nucleados. O tempo de vida
dos eritrócitos aviários é mais curto que o dos mamíferos, portanto a eritropoiese
é mais intensa.
 Os heterófilos são células semelhantes funcionalmente aos neutrófilos nos
mamíferos .
 Bursa de Fabricius: presente somente nas aves onde ocorre maturação dos
linfócitos B.