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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

ENGENHARIA DE PETRÓLEO

BRENDON JOSÉ DE ARAÚJO ALVES FÉLIX

WANESSA FRANCIELE DE ANDRADE GOMES

AVALIAÇÃO DAS CORRELAÇÕES DE FLUXO MULTIFÁSICO EM POÇOS DE


PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

MACAÉ

2017
BRENDON JOSÉ DE ARAÚJO ALVES FÉLIX

WANESSA FRANCIELE DE ANDRADE GOMES

AVALIAÇÃO DAS CORRELAÇÕES DE FLUXO MULTIFÁSICO EM POÇOS DE


PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Estácio de Sá como parte das
exigências para obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia de Petróleo

Orientador: M.Sc. André Aleixo Manzela

MACAÉ

2017
FICHA CATALOGRÁFICA
BRENDON JOSÉ DE ARAÚJO ALVES FÉLIX

WANESSA FRANCIELE ANDRADE GOMES

AVALIAÇÃO DAS CORRELAÇÕES DE FLUXO MULTIFÁSICO EM POÇOS DE


PETRÓLEO DO PRÉ-SAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Estácio de Sá como parte das
exigências para obtenção do grau de
Bacharel em Engenharia de Petróleo

Aprovado em: ____/____/______

BANCA EXAMINADORA:

_________________________________________________________________________
M. Sc. André Aleixo Manzela – Orientador
Universidade Estácio de Sá

___________________________________________________________________
M. Sc. Júlio Cesar Pereira
Universidade Estácio de Sá

___________________________________________________________________
D. Sc. George Nocchi
Universidade Estácio de Sá
Às nossas famílias que nos apoiaram nessa jornada
AGRADECIMENTOS

Agradecemos primeiramente a Deus, por nos abençoar e conceder essa oportunidade de


realizar o sonho de cursar uma graduação em uma Universidade.

Em especial à nossa família, que nos apoiou a cada momento, nos motivando e nos
fazendo acreditar que poderíamos realizar os nossos sonhos.

Ao Orientador e Professor André Aleixo Manzela, que nos orientou nesse Trabalho de
Conclusão de Curso.
E a todos os nossos colegas que também participaram dessa jornada!
Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o
homem que adquire conhecimento;

Porque melhor é a sua mercadoria do que a mercadoria


de prata, e a sua renda do que o ouro mais fino.

Mais preciosa é do que os rubis, e tudo o que podes


desejar não se pode compara a ela.

Pv 3, 13-15.
RESUMO

O Escoamento multifásico pode ser definido como o escoamento de dois ou mais fluidos com
propriedades diferentes em uma tubulação. Esse tipo de fluxo pode ser encontrado nas fases
de produção e transporte de óleo e gás natural. Para entender melhor o seu comportamento
foram desenvolvidas correlações empíricas e modelos mecanicistas, que aplicados ao fluxo
multifásico podem determinar ou prever o gradiente de pressão e os tipos de fluxo no percurso
dos dutos de escoamento. O estudo dessas correlações é fundamental para uma melhor
compreensão dos escoamentos multifásicos, seus padrões de fluxo, queda de pressão. Além
dessas características as correlações são importantes na determinação do retorno econômico
da produção de campos de Petróleo, nas medições e vazões volumétricas, no
dimensionamento de equipamentos e no gerenciamento da produção de um poço. O objetivo
central desse trabalho é discutir as principais correlações que regem os regimes de fluxo
multifásicos de óleo e gás natural em dutos submarinos e alguns desafios nas aplicações
desses conceitos em poços de Petróleo do Pré-sal.

Palavra-chave: Engenharia de petróleo; Fluxo multifásico; Padrões de escoamento; Pré-sal.


ABSTRACT

The multiphase flow can be definition like the flow of two or more fluid with different
properties in a pipeline. This type of fluid can be found in production phases, transportation of
oil and natural gas. To understand better your behavior, were developed empirical correlations
and mechanistic model that applied to multiphase flow can be to determine or to predict the
pressure gradient and the type of flow on the path in flow ducts. The study this correlations is
essential for better understanding of the multiphase flow, their flow patterns, pressure drop. In
addition this characteristic, the correlations are important in determining return economic of
oil field production, in measurements and volumetric flow, in dimensions and equipment and
oil field production management. The main purpose this work is discuss the main correlations
governing the multiphase flow regimes of oil and natural gas in submarine pipeline and some
challenges Pre-salt oil fields applications of these concepts.

Keyword: Petroleum Engineering; Multiphase flow; Flow patterns; Pre-salt.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Elevação Natural – Produzindo por Surgência ...................................................... 23

Figura 2 - Gas Lift contínuo ................................................................................................... 25

Figura 3 - Gas Lift Intermitente .............................................................................................. 25

Figura 4 - Bombeio Mecânico por Hastes ............................................................................. 26

Figura 5 - Elevação pelo método de Bombeio Centrífugo Submerso ..................................... 27

Figura 6 - Elevação pelo método de Bombeio de Cavidade Progressiva ............................... 28

Figura 7 – Padrão de fluxo estratificado liso .......................................................................... 30

Figura 8 – Padrão de fluxo bolha dispersas ............................................................................ 30

Figura 9 – Padrão de fluxo estratificado ondulado ................................................................. 31

Figura 10 – Padrão de fluxo anular ......................................................................................... 31

Figura 11 – Padrão de fluxo golfadas ..................................................................................... 31

Figura 12 - Padrões de Escoamento Multifásico Vertical ....................................................... 32

Figura 13 - Pré-sal ................................................................................................................... 48

Figura 14 - Mapa de Extensão do Pré-Sal ............................................................................... 49

Figura 15 - Mapa da Petrobrás mostrando a região do Pré-Sal .............................................. 50


Figura 16 - A produção no Pré-sal .......................................................................................... 52

Figura 17 – Diagrama de Moody ............................................................................................ 64


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Estimativa de viscosidade para óleo para refino.....................................................53

Tabela 2 - Produção anual dos poços 7LL11RJS e 7BAZ6ESS..............................................54

Tabela 3 - Conversão de unidades de medidas.........................................................................54

Tabela 4 - Transformação de Mm3/d de gás para bbl/d............................................................55

Tabela 5 - Cálculo da densidade relativa, área da seção transversal e velocidade da mistura..56

Tabela 6 - Resultado do cálculo da perda de carga por fricção com a aplicação da correlação
de Beggs e Brill......................................................................................................56
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Produção de óleo e gás natural nos poços de 7LL11RJS e 7BAZ6ESS .............. 55

Gráfico 2 - Acompanhamento da perda de carga na produção anual nos poços de 7LL11RJS e


7BAZ6ESS ........................................................................................................... 57
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

API American Petroleum Institute


BCP Bombeio por Cavidades Progressivas
BCS Bombeio Centrífugo Submerso
BM Bombeio mecânico
CP Condição Padrão

GLI Gás Lift Intermitente

M. Sc. Master of Science

PE Pressão no Reservatório

PSI Pound force per square inch

PSIA Pounds per square inch absolute

PWF Pressão de fundo do poço

SPE Society Petroleum Engineer

UEP Unidade Estacionária de Produção


LISTA DE SÍMBOLOS

A Área da seção transversal do duto

Ag Área da seção transversal do duto ocupada pela fase gasosa

AL Área da seção transversal do duto ocupada pela fase líquida

Bo Fator volume de formação do óleo


BSW Basic Sediment and Water
Bw Fator volume de formação da água
°C Graus Celsius

D Diâmetro interno do duto

Gradiente de pressão em psi/pé(lbf/pol2/pé)

°F Graus Fahrenheit

Fator de fricção bifásico.

Fator de fricção de MOODY

Fator de atrito

Hg Fração de vazio ou hold-up de gás


HL Fração (ou hold-up) de líquido
Qg Vazão de gás in situ (numa determinada condição de pressão e
temperatura)

Qgdwsc Vazão de gás dissolvido na água em condições padrão.

Qgsc Vazão de gás em condições padrão

QL Vazão de líquido

QLsc Vazão de líquido (óleo mais água) em condições padrão

Qo Vazão de óleo in situ (numa determinada condição de pressão e


temperatura).
Qosc Vazão de óleo em condições padrão

Qqdosc Vazão de gás dissolvido no óleo em condições padrão

Qw Vazão de água in situ (numa determinada condição de pressão e


temperatura).

Qwsc Vazão de água em condições padrão

RAO Razão água-óleo


RGL Razão gás-líquido
RGO Razão de gás-óleo
Rso Razão de solubilidade do gás no óleo

Rsw Razão de solubilidade do gás na água


ud Velocidade de deslizamento ou escorregamento (ou drift velocity)
µf Viscosidade

Viscosidade do gás na pressão atmosférica

Relação entre a viscosidade em condições de reservatório e a viscosidade


a 1atm (14,7 psia)

ug Velocidade da fase gasosa in situ (numa determinada condição de pressão


e temperatura)

uL Velocidade da fase líquida in situ (numa determinada condição de pressão


e temperatura)

um Velocidade da mistura
usg Velocidade superficial de gás
usL Velocidade superficial de líquido
Vgdosc Volume de gás dissolvido no óleo em condições padrão

Vgdwsc Volume de gás dissolvido na água em condições padrão

Vgsc Volume de gás em condições padrão

VLsc Volume de líquido (óleo mais água) em condições padrão

Velocidade média da mistura


Vo Volume de óleo in situ (numa determinada condição de pressão e
temperatura)

Vosc Volume de óleo em condições padrão

Vw Volume de água in situ (numa determinada condição de pressão e


temperatura)

Vwsc Volume de água em condições padrão

w Vazão mássica

γ Densidade relativa ou gravidade específica


γf Densidade relativa

λg Fração de vazio (ou hold-up de gás) sem escorregamento


λL Fração de líquido sem escorregamento (ou no-slip hold-up)
ρf Densidade ou massa específica do fluido

ρfr Densidade de um fluido de referência


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 19
1.1. OBJETIVOS 20
1.1.1. Objetivo Geral 20
1.1.2. Objetivos específicos 20
1.2. JUSTIFICATIVA 21
1.3. PROBLEMÁTICA 21
1.4. HIPÓTESE 21
2. ELEVAÇÃO E ESCOAMENTO DO PETRÓLEO 22
2.1. ELEVAÇÃO DE PETRÓLEO 22
2.1.1. Elevação Natural – Produzindo por Surgência 22
2.1.2. Elevação artificial 23
2.1.2.1. Gas Lift 24
2.1.2.2. Bombeio mecânico (BM) 26
2.1.2.3. Bombeio Centrífugo Submerso (BCS) 27
2.1.2.4. Bombeio por Cavidades Progressivas (BCP) 28
2.2. ESCOAMENTO DE PETRÓLEO 29
2.2.1. Definições Básicas 29
2.2.2. Padrões de escoamento horizontal 29
2.2.2.1. Estratificado ou Segregado 30
2.2.2.2. Bolhas dispersas 30
2.2.2.3. Estratificado ondulado 30
2.2.2.4. Anular 31
2.2.2.5. Golfadas ou Intermitente 31
2.2.3. Padrões de Escoamento Verticais 32
2.2.3.1. Padrão de Bolha 32
2.2.3.2. Padrão de Golfadas 32
2.2.3.3. Padrão de Transição ou Caótico 33
2.2.3.4. Padrão Anular 33
2.3. FATORES QUE IMPACTAM NA PRODUÇÃO 33
2.4. FLUXO MONOFÁSICO, BIFÁSICO E MULTIFÁSICO 34
2.4.1. Fluxo monofásico 34
2.4.2. Fluxo bifásico 34
2.4.3. Fluxo multifásico 34
2.5. PROPRIEDADES DOS FLUIDOS 35
2.5.1. Densidade relativa ou gravidade específica (γ) 35
2.5.2. Grau API (American Petroleum Institute) 36
2.5.3. Basic Sediment and Water (BSW) 36
2.5.4. Razão de gás-óleo (RGO) 36
2.5.5. Razão gás-líquido (RGL) 37
2.5.6. Razão água-óleo (RAO) 37
2.5.7. Razão de solubilidade do gás no óleo (Rso) 37
2.5.8. Razão de solubilidade do gás na água (Rsw) 37
2.5.9. Fator volume de formação do óleo (Bo) 38
2.5.10. Fator volume de formação da água (Bw) 38
2.5.11. Fator volume de formação do gás (Bg) 39
2.5.12. Viscosidade (µf) 39
2.5.13. Velocidade superficial de líquido (usL) 39
2.5.14. Velocidade superficial de gás (usg) 40
2.5.15. Velocidade da mistura (um) 40
2.5.16. Velocidade de deslizamento ou escorregamento (ou drift velocity) (ud) 40
2.5.17. Fração (ou hold-up) de líquido (HL) 41
2.5.18. Fração de vazio ou hold-up de gás (Hg) 41
2.5.19. Fração de líquido sem escorregamento (ou no-slip hold-up)( λL) 41
2.5.20. Fração de vazio (ou hold-up de gás) sem escorregamento ( λg) 41
2.6. CORRELAÇÕES DE FLUXO 42
2.6.1. Correlação em fluxo monofásico 42
2.6.2. Correlação em fluxo multifásico 43
2.6.3. Principais autores e a classificação de suas correlações 43
2.6.4. Fatores que influenciam as correções 44
2.6.5. Principais correlações na indústria Petrolífera 44
2.6.5.1. Hagedorn & Brown 45
2.6.5.2. Beggs e Brill 45
2.6.5.3. Aziz e Govier 46
2.6.5.4. Mukherjee e Brill 46
3. PRÉ-SAL 48
3.1. FORMAÇÃO DO PRÉ-SAL 49
3.2. PRODUÇÃO 50
3.3. A QUALIDADE DO ÓLEO DO PRÉ-SAL 51
4. ESTUDO DE CASO 53
5. CONCLUSÕES 58
5.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 58
REFERÊNCIAS 60
ANEXOS 64
NÚMERO DE REYNOLDS 64
DIAGRAMA DE MOODY 64
19

1. INTRODUÇÃO

Uma das principais atividades que impulsionam a economia global são a exploração e
produção de petróleo, que é uma importante fonte de energia não renovável e apresenta uma
gama de variedades de subprodutos que são essenciais para outras indústrias. E as
perspectivas de escassez desse recurso, conhecido como “ouro negro”, estimula a busca por
novos campos petrolíferos viáveis economicamente para a sua produção. O Pré-Sal é a
descoberta mais recente no Brasil e para sua exploração e explotação exige-se uma
transformação progressiva nas máquinas e bases tecnológicas, assim como inovação e novos
modelos de gerenciamento para essa riqueza. (TERRA, 2014).

Com a descoberta e a exploração de campos do Pré-sal novos desafios financeiros,


científicos e tecnológicos surgiram, assim como as ferramentas que auxiliam nos controles de
produção e gerenciamento de poços (NASCIMENTO, 2013).

A produção no Pré-sal abrange longas distâncias para elevação e escoamento do


Petróleo até as Unidades de produção (plataformas). E é primordial a determinação da
composição do fluido nos dutos, os regimes de fluxo e as suas principais propriedades, além
da perda de carga durante o percurso, pois essas informações possibilitam o dimensionamento
das tubulações de produção e viabilizam o adequado projeto para o processo de separação nas
plataformas (VILLELA, 2004).

Nesse contexto, foram necessários à utilização de novos recursos provenientes de


pesquisas e trabalhos desenvolvidos e em evolução. Um dos principais fatores que impactam
na produção de óleo e gás é a perda de carga no escoamento devido ao choque do fluxo de
fluídos com a parede dos dutos o que acaba gerando uma fricção e consequentemente uma
perda de carga. Conseguir dimensionar o tamanho dessa perda se faz necessário para a o
cálculo de produção, analise de fluxo, simulações, redimensionamento de equipamentos, e
analise e aplicação de projetos

Através de pesquisas laboratoriais alguns autores conseguiram desenvolver modelos


matemáticos capazes de prever a perda de carga por fricção no escoamento em dutos de
fluídos em diversas situações. O que significou um enorme avanço para os sistemas de análise
do transporte de fluído e possibilitou o surgimento de novas ferramentas de dimensionamento
e modelagens de fluxos, assim como a criação de novos softwares.
20

As correlações de fluxo multifásico se dividem em modelos mecanicistas e modelos


empíricos que permitem obter o gradiente de pressão e o regime do fluxo de fluidos de um
poço. São importantes ferramentas para o gerenciamento da produção em poços de petróleo,
no cálculo da viabilidade econômica, na análise do comportamento do fluxo, no
dimensionamento de equipamentos e nas definições de projetos de poços em campos
exploratórios (UNISANTA SPE, 2016).

1.1. OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral

Este trabalho tem o objetivo de abordar as principais características dos fluidos, o


comportamento do fluxo do petróleo e o gás na elevação e escoamento em dutos submarinos
de poços em Campos do Pré-sal e as principais correlações desenvolvidas para prever o
gradiente de pressão e os tipos de fluxo no percurso das linhas de escoamento. Será abordado
também os principais desafios encontrados na aplicação desses conceitos em poços do Pré-sal.

1.1.2. Objetivos específicos

Para atingir o objetivo geral proposto, tem-se os seguintes itens:

✓ Demonstrar os conceitos do escoamento multifásico de Petróleo;


✓ Apresentar as principais propriedades dos fluidos que interferem no escoamento
multifásico em tubulações;
✓ Estudar as principais correlações de fluxo multifásicos;
✓ Apresentar os desafios das avaliações das correlações de fluxo multifásicos em poços
do Pré-sal;
21

1.2. JUSTIFICATIVA

Através da descoberta de campos no Pré-Sal, novos desafios surgiram, e nesse cenário


há a necessidade do estudo de correlações que auxiliem na análise do comportamento dos
fluxos na elevação e escoamento em poços.

1.3. PROBLEMÁTICA

Com a produção de óleo e gás em áreas cada vez mais profundas, tem-se a necessidade
de um maior monitoramento e controle. Através da análise de padrões de escoamento é
possível fazer previsões da produção de fluxo multifásicas através de modelos matemáticos.
Mas como as correlações podem influenciar no gerenciamento de poços no Pré-sal?

1.4. HIPÓTESE

Neste trabalho são abordados conceitos e as principais aplicações de padrões de


escoamento no gerenciamento de poços em campos do Pré-sal, inclusive com estudo de caso,
visando ao melhor entendimento do fenômeno e suas implicações no gerenciamento da
produção de poços.
22

2. ELEVAÇÃO E ESCOAMENTO DO PETRÓLEO

2.1. ELEVAÇÃO DE PETRÓLEO

Elevação é o termo utilizado na indústria petrolífera para caracterizar o processo de


ascensão do fluido (Gás, Óleo e Água) contido em um reservatório até a subsuperfície. Este
processo é aplicado em poços produtores de petróleo, onde os fluidos existentes no
reservatório de um poço são elevados do fundo do poço, vencendo a gravidade, até a planta de
processamento primário, localizado na unidade estacionaria de petróleo (UEP), utilizando a
própria energia existente no reservatório (elevação Natural) ou através de métodos externos
que fornecem energia para realizar esta elevação (Elevação Artificial). Boas escolhas de
plantas e métodos de elevação e escoamento estão associadas diretamente a maiores vazões de
fluidos e menor dispêndio de energia (GOMES, 2001).

Essa elevação pode ser feita de duas formas diferentes, a elevação natural e a elevação
artificial.

2.1.1. Elevação Natural – Produzindo por Surgência

A elevação natural, ou seja, aqueles poços de petróleo que não necessitam de métodos
artificiais para realizar a sua produção (Figura 1). Ela ocorre quando a pressão interna do
reservatório é suficiente para que o fluido vença a gravidade e alcance livremente a superfície,
utilizando a própria energia do reservatório, sem a necessidade de um método que forneça
energia adicional externa, neste tipo de caso pode-se afirmar que o poço em questão é um
poço surgente (LEONEZ, 2011).
23

Figura 1 - Elevação Natural – Produzindo por Surgência

Fonte: THOMAS, (2004)

Normalmente ocorre no início da vida produtiva das jazidas, porém com o passar do
tempo e o aumento da produção acumulada, a pressão do reservatório vai declinando
tornando-se insuficiente para deslocar os fluidos até a superfície numa vazão econômica ou
conveniente de tal modo que se faça necessário à utilização de métodos de elevação artificial
(THOMAS, 2004).

Utilizam-se até mesmo na elevação natural, os métodos de elevação artificial como


forma de complemento para a energia do reservatório, aumentando sua vazão. Os principais
fatores que influenciam na escolha dos métodos de elevação artificial dentre eles:
características dos poços e dos fluidos, número de poços contidos num reservatório,
disponibilidade de energia e principalmente o fator econômico (MANZELA, 2015).

2.1.2. Elevação artificial

A elevação artificial pode ser realizada por meio de métodos bombeados, realizando a
instalação de bombas especiais, ou por métodos pneumáticos, quando ocorre a injeção de gás
natural dentro da coluna de produção, diminuindo a densidade do fluido, reduzindo
24

necessidade de energia necessária à elevação, de tal modo que a energia do reservatório seja
suficiente para a elevação até a superfície (THOMAS, 2004).

Quando há necessidade de uma energia auxiliar para que os fluidos sejam conduzidos
até a superfície, chamamos de elevação artificial. Para esse processo, utilizam-se diversos
métodos, dentre eles, os mais conhecidos são estes:

 Gas Lift: Contínuo e Intermitente;

 Bombeio Mecânico com Hastes (BM);

 Bombeio Centrífugo Submerso (BCS);

 Bombeio por Cavidades Progressivas (BCP) (ESTEVAM, 1993).

2.1.2.1. Gas Lift

O Gás–Lift é uma técnica de elevação que usa a energia de um gás pressurizado para
elevar o fluido contido em um poço, de um nível mais baixo até a superfície. O gás injetado
reduz a densidade do fluido produzido, tornando-o mais leve e, consequentemente, mais fácil
de escoar, uma vez que a pressão requerida para o deslocamento torna-se menor (THOMAS,
2004).

Este tipo de processo pode ocorrer de duas formas: Gas Lift contínuo ou Gas Lift
intermitente.

No gás lift contínuo (Figura 2), o gás é injetado a alta pressão continuamente na coluna,
através de uma válvula instalada no interior de um mandril. O gás mistura-se ao óleo
gaseificando o mesmo e diminuindo a sua densidade, tornando sua pressão suficiente para a
elevação do fluido até a superfície. Este processo é parecido com a elevação natural. Os poços
assim equipados possuem uma linha de gás natural comprimido, conectada a uma das saídas
laterais da cabeça de produção (SILVA, 2012).
25

Figura 2 - Gas Lift Contínuo

Fonte: Adaptações de SILVA, (2012)

No gás lift intermitente (Figura 3) o gás é injetado intermitentemente. É instalado na


linha de gás um aparelho intermitor e o tempo de injeção de gás. Este processo injeta gás na
coluna de fluido com o intuito de desloca-lo. Quando injetado vai abrir a válvula operadora
(calibrada com uma determinada pressão) que também é alojada em um mandril,
arremessando para a superfície a coluna de óleo que se acumulou no interior da mesma no
intervalo de injeção. É um método de elevação artificial parecido com os outros, onde se cria
uma diferença de pressão ideal capaz de produzir a vazão desejada (SILVA, 2012).

Figura 3 - Gas Lift Intermitente

Fonte: Adaptações de SILVA, (2002)


26

2.1.2.2. Bombeio mecânico (BM)

O bombeio mecânico é um dos métodos de elevação artificial utilizados apenas em


campos terrestres, cerca de 80% dos poços produtores mundiais são equipados por esse
método. Seu princípio de funcionamento se baseia no movimento rotativo de um motor
elétrico ou de combustão interna, que é transformado em movimento alternativo por uma
unidade de bombeio localizada próxima à cabeça do poço. Esse movimento alternativo é
transmitido por uma coluna de hastes para o fundo do poço, acionando uma bomba que eleva
os fluidos produzidos pelo reservatório para a superfície (GOMES, 2001).

O bombeio mecânico (Figura 4), mais conhecido como “cavalo de Pau” é o método de
elevação artificial mais utilizado em todo o mundo, aplicado em poços rasos para elevar as
vazões médias, enquanto em poços mais profundos só é possível elevar baixas vazões. Esse
método de elevação é razoavelmente problemático em poços que produzem areia, em poços
desviados e em poços onde parte do gás produzido passa pela bomba. A areia desgasta mais
rapidamente as partes móveis e a camisa da bomba devido a sua abrasividade. O gás passando
pela bomba reduz sua eficiência volumétrica, podendo até provocar um bloqueio de gás.
Contudo, o efeito do gás no bombeio mecânico é menos problemático que no bombeio
centrífugo submerso ou no bombeio de cavidades progressivas (BEZERRA, 2007).

Figura 4 - Bombeio Mecânico por Hastes

Fonte: Adaptações de SILVA, (2002)


27

2.1.2.3. Bombeio Centrífugo Submerso (BCS)

Neste tipo de bombeio, a energia é transmitida para o fundo do poço através de um cabo
elétrico. A energia elétrica é transformada em energia mecânica através de um motor de
subsuperfície, o qual está diretamente conectado, através de um selo mecânico (eixo), a uma
bomba centrífuga de múltiplos estágios. Neste eixo está conectado um Impelidor, componente
responsável por transferir energia na forma cinética para o fluido. O difusor, tem a função de
converter parcialmente essa energia fornecida pelo Impelidor em energia de pressão, a qual é
utilizada no deslocamento do fluido, elevando-o para a superfície (BEZERRA, 2007).

O bombeio centrífugo submerso (Figura 5) é considerado um método de elevação


artificial para poços que produzem altas vazões, com alto teor de água a baixa razão Gás-
Óleo. Atualmente é aplicado também em poços com fluidos de alta viscosidade e poços com
altas temperaturas. O gás é o inimigo número 1 do BCS, por causar cavitação (queda de
eficiência da bomba) ou até mesmo ocasionar parada da mesma por gás lock. A areia é outro
componente indesejável, pois pode promover a abrasão nos internos da bomba (SILVA,
2012).

Figura 5 - Elevação pelo método de Bombeio Centrífugo Submerso

Fonte: Adaptações de SILVA, (2002)


28

2.1.2.4. Bombeio por Cavidades Progressivas (BCP)

O bombeio por cavidades progressivas (BCP) (Figura 6) é um método de elevação


artificial em que a transferência de energia ao fluido é feita através de uma bomba de
cavidades progressivas, baseando-se na elevação dos fluidos da formação através destas
bombas do tipo deslocamento positivo que trabalha imersa em poços de petróleo (LOPES,
2009).

Figura 6 - Elevação pelo método de Bombeio de Cavidade Progressiva

Fonte: LOPES, (2009)

A geometria do conjunto é tal que forma uma série de cavidades herméticas idênticas. O
rotor ao girar no interior do estator origina um movimento axial das cavidades,
progressivamente, no sentido da sucção para a descarga, realizando a ação de bombeio. O
acionamento da bomba pode ser originado da superfície, por meio de uma coluna de hastes e
um cabeçote de acionamento, ou diretamente no fundo do poço, por meio de um acionador
elétrico ou hidráulico acoplado à bomba (ESTEVAM, 1993).
29

2.2. ESCOAMENTO DE PETRÓLEO

2.2.1. Definições Básicas

Quando nos referimos a escoamento de gás, óleo e água, inicialmente chamamos de


escoamento multifásico. Porém, a verdade é que este escoamento pode ser tratado de forma
bifásica, onde encontramos uma fase líquida e outra gasosa.

O escoamento bifásico é comumente encontrado na coluna de produção dos poços e


dutos de produção de petróleo. Este fluxo de escoamento bifásico pode ocorrer em trechos
verticais, inclinados ou horizontais. Alguns métodos foram desenvolvidos a fim de permitir a
determinação da queda de pressão ao longo do escoamento dentro das tubulações com
qualquer ângulo de inclinação, chamamos isso de correlações (PALADINO, 2005).

A produção destes fluidos em alto mar faz com que gás e fase liquida sejam
transportados por longas distancias antes de serem separados na planta de processamento
primário, localizada na UEP. Mediante tal fato, precisa-se ter atenção não somente ao
dimensionamento dos dutos de produção com base nesta perda de carga, como também é
necessário determinar a composição dos fluidos que estão percorrendo esta distância nos
oleodutos, em diversas condições de fluxo. Dessa forma, é possível um planejamento mais
adequado ao tipo de fluido que chegará ao sistema de separação na planta de processo da UEP
(VIEIRA, 2009).

Num escoamento multifásico, ou bifásico, diferentes configurações geométricas dos


fluidos dentro dos dutos podem ocorrer, essas diferentes configurações são conhecidas como
padrões de escoamento, também denominado como arranjo de fases (forma como os fluidos
se organizam dentro do duto de produção) (SOUZA, 2010).

2.2.2. Padrões de escoamento horizontal

O padrão de fluxo depende principalmente das velocidades do gás e do líquido, e da


relação gás/liquido. Em um escoamento horizontal temos 5 padrões de escoamento são eles:
30

2.2.2.1. Estratificado ou Segregado

Em um escoamento horizontal onde tanto o gás quanto o líquido escoam em baixas


velocidades, o gás por ser mais leve e menos denso e por isso escoará pela parte superior do
duto e a fase líquida (óleo mais água) escoará pela parte inferior do duto, esse padrão é
chamado de Estratificado (Figura 7) ou Segregado (Separado).

Figura 7 – Padrão de fluxo estratificado liso

Fonte: VIEIRA, (2009)

2.2.2.2. Bolhas dispersas

Se o líquido escoar a altas velocidades, irá distribuir e carrear a fase gasosa, onde
acontecerá uma turbulência dentro dos dutos. Quando ocorre esta turbulência o gás é disperso
na forma de pequenas bolhas, chamamos esse padrão de bolhas dispersas (Figura 8).

Figura 8 – Padrão de fluxo bolha dispersas

Fonte: VIEIRA, (2009)

2.2.2.3. Estratificado ondulado

A fase liquida na parte inferior do duto e a fase gasosa na parte superior, muito parecido
com o padrão estratificado (Figura 9), porém com algumas ondulações na interface líquido-
gás.
31

Figura 9 – Padrão de fluxo estratificado ondulado

Fonte: VIEIRA, (2009)

2.2.2.4. Anular

O gás passa a ser a fase contínua e o líquido flui na forma de gotas dispersas no núcleo
central com velocidades de gás muito altas (Figura 10). A parede do tubo é coberta com um
filme líquido, mas a fase de gás tem influência predominante no gradiente de pressão, ou seja,
a fase líquida envolve a parte gasosa.

Figura 10 – Padrão de fluxo anular

Fonte: VIEIRA, (2009)

2.2.2.5. Golfadas ou Intermitente

Na fase intermitente, mais conhecido como golfada, apresenta uma vazão maior de
líquido do que gás (Figura 11). A fase líquida fica na parte inferior do duto, mas com pontos
de ocupação total da seção transversal do duto. Dessa forma, podemos observar uma grande
vazão de líquido com algumas bolhas maiores de gás dentro da fase líquida.

Figura 11 – Padrão de fluxo golfadas

Fonte: VIEIRA, (2009)


32

2.2.3. Padrões de Escoamento Verticais

A maioria dos pesquisadores e escritores sobre o assunto consideram em sua


metodologia que o escoamento vertical se divide em quatro fases, os regimes passíveis de
acontecer em um duto de produção vertical (Figura 12). São eles:

Figura 12 - Padrões de Escoamento Multifásico Vertical

Fonte: VIEIRA, (2009)

2.2.3.1. Padrão de Bolha

O duto é preenchido quase por completo de líquido e a fase gasosa está presente na
forma de pequenas bolhas, movendo-se em diferentes velocidades. Exceto pela densidade, é
pouca a influência do gás no gradiente de pressão. A parede do duto está sempre em contato
com a fase líquida.

2.2.3.2. Padrão de Golfadas

As bolhas de gás fundem-se e formam bolhas com formato de “projéteis” ou golfadas,


que preenchem parcialmente a seção transversal do duto. A fase gasosa é mais evidenciada do
33

que a fase líquida, embora esta seja constante. A velocidade das bolhas de gás é maior que a
do líquido. Tanto o gás quanto o líquido têm influência significativa no gradiente de pressão.

2.2.3.3. Padrão de Transição ou Caótico

Este padrão é similar ao intermitente, porém com bolsões deformados. Ambas as fases
são descontinuas, não existindo formas características. Ambas as fases têm influência no
gradiente de pressão.

2.2.3.4. Padrão Anular

O padrão anular acontece da mesma forma tanto no escoamento vertical quanto


horizontal. A fase líquida envolve a fase gasosa no centro do duto de produção.

2.3. FATORES QUE IMPACTAM NA PRODUÇÃO

Os principais fatores que influem na produção acumulada a ser obtida de um poço por
elevação são:

 Propriedades dos fluidos;

 Índice de produtividade do poço;

 Mecanismo de produção do reservatório;

 Dano causado à formação produtora durante a perfuração ou durante a


Completação do poço;

 Aplicação de técnicas de estimulação;

 O adequado isolamento das zonas de água e gás adjacentes à zona de Óleo;

 Características dos equipamentos utilizados no sistema de produção (Coluna e


linha de produção, restrições ao fluxo, etc.);
34

 Adequado controle de produção dos poços através de testes periódicos de


produção;

 Estudo e acompanhamento da queda de pressão do reservatório.

O caminho percorrido pelos fluidos desde o reservatório até a facilidade de produção


pode ser dividido em três etapas distintas que influem decisivamente na produção de Petróleo:

 Fluxo de fluido no reservatório, denominada fluxo no meio poroso ou


recuperação;

 Fluxo do fluido no poço, denominada de fluxo na coluna de produção ou


elevação;

 Fluxo do fluido através da linha de produção e/ou restrições, denominada de


fluxo na superfície ou coleta.

2.4. FLUXO MONOFÁSICO, BIFÁSICO E MULTIFÁSICO

2.4.1. Fluxo monofásico

Pode ser definido como o fluxo em dutos de um fluido homogêneo, ou seja, de apenas
uma fase. Por exemplo, o fluxo de água nas tubulações residências ou o fluxo de gás em uma
tubulação de gás em um prédio residencial.

2.4.2. Fluxo bifásico

É definido como o fluxo de dois fluidos de interfaces distintas, por exemplo, o fluxo de
gás-óleo ou água-óleo em tubulações.

2.4.3. Fluxo multifásico

É o fluxo de fluidos composto de mais de duas fases com propriedades diferentes e


imiscíveis em uma tubulação. Por exemplo, o fluxo de água-óleo-gás que vem de um
35

Reservatório, passando pelo poço de Petróleo, Risers até a plataforma e distribuído para as
devidas separações e tratamentos.

Nesse tipo de fluxo, devido a diferenças de densidades, alguns fluidos se diferenciam


em relação ao seu comportamento na tubulação. Isso ocorre devido a diferenças de pressões,
temperaturas e propriedades específicas desses fluidos. Por exemplo, a elevação e escoamento
de óleo e gás com água nos poços de petróleo, onde devido à diferença de pressão do
reservatório (PE), Pressão de fundo do poço (PWF) e a perda de pressão nas tubulações o gás
se desassocia do óleo ganhando massa, volume e velocidade de fluxo em relação às fases
líquida óleo-gás dos fluidos (NASCIMENTO, 2013).

2.5. PROPRIEDADES DOS FLUIDOS

As propriedades dos fluidos são parâmetros definidas para análise e comparações de


condições pré-estabelecidas de pressões, temperaturas e valores nos fluidos.

Esse conhecimento é fundamental para o melhor entendimento do comportamento dos


fluidos óleo e gás na elevação e escoamento, pois os mesmos sofrem alterações por variações
de pressões e temperaturas no percurso de sua origem (Reservatório), pelo poço até o seu
processamento nas plataformas (MANZELA, 2015).

Segue algumas propriedades que são definidas por correlações, que serão fundamentais
para esse trabalho:

2.5.1. Densidade relativa ou gravidade específica (γ)

É a razão entre a densidade (massa de uma unidade de volume) de um fluido e


a densidade de um fluido de referência nas condições padrão, como mostra a equação
(1). Para o fluido na fase líquida o fluido de referência é a água a 1 atm e temperatura de 4°C.
Já para o fluido na fase gasosa a referência é o ar.

(eq. 1)
36

Onde, γf é a densidade relativa, ρf é a densidade ou massa específica do fluido e ρfr é a


densidade de um fluido de referência.

2.5.2. Grau API (American Petroleum Institute)

É utilizada para qualificar o óleo quanto a sua densidade, ou seja, quanto menos denso
maior será o Grau API e mais valorizado economicamente será esse óleo. Como mostra a
equação (2).

– (eq.2)

Onde, API é o grau API do fluido e d é a densidade relativa do fluido.

2.5.3. Basic Sediment and Water (BSW)

É a medição da parte líquida do reservatório diferente do óleo, ou seja, a água e


sedimentos, como mostra a equação (3).

(eq. 3)

Onde, BSW é a fração de água, Vwsc é o volume de água em condições padrão, Vosc é o
volume de óleo em condições padrão, Qwsc é a vazão de água em condições padrão e Qosc é a
vazão de óleo em condições padrão.

2.5.4. Razão de gás-óleo (RGO)

Faz referência à porção de gás no óleo, como mostra a equação (4).

(eq. 4)

Onde, RGO é a razão gás-óleo, Vgsc é o volume de gás em condições padrão e Qgsc é a
vazão de gás em condições padrão.
37

2.5.5. Razão gás-líquido (RGL)

É a quantidade da fase gasosa no líquido (óleo mais gás), como mostra a equação (5).

(eq. 5)

Onde, RGL é a razão gás-líquido, VLsc é o volume de líquido (óleo mais água) em
condições padrão e QLsc é a vazão de líquido (óleo mais água) em condições padrão;

2.5.6. Razão água-óleo (RAO)

É a porção de água contida no óleo, como mostra a equação (6).

(eq. 6)

Onde, a RAO é a razão água-óleo.

2.5.7. Razão de solubilidade do gás no óleo (Rso)

É a porção do gás dissolvido no óleo, como mostra a equação (7).

(eq. 7)

Onde, Rso é a razão de solubilidade do gás no óleo, Vgdosc é o volume de gás dissolvido
no óleo em condições padrão e Qqdosc é a vazão de gás dissolvido no óleo em condições
padrão.

2.5.8. Razão de solubilidade do gás na água (Rsw)

É a porção do gás dissolvido na água, como mostra a equação (8).


38

(eq. 8)

Onde, Rsw é a razão de solubilidade do gás na águal, Vgdwsc é o volume de gás dissolvido
na água em condições padrão e Qgdwsc é a vazão de gás dissolvido na água em condições
padrão.

2.5.9. Fator volume de formação do óleo (Bo)

Pode ser definido como o volume da fase óleo nas condições de reservatório dividido
pelo volume de óleo nas condições padrão, como mostra a equação (9).

(eq. 9)

Onde, Bo é o fator volume de formação do óleo, Vo é o volume de óleo in situ (numa


determinada condição de pressão e temperatura) e Qo é a vazão de óleo in situ (numa
determinada condição de pressão e temperatura).

2.5.10. Fator volume de formação da água (Bw)

É o volume da água nas condições de reservatório dividido pelo volume de água nas
condições padrão, como mostra a equação (10).

(eq. 10)

Onde, Bw é o fator volume de formação da água, Vw é o volume de água in situ (numa


determinada condição de pressão e temperatura) e Qw é a vazão de água in situ (numa
determinada condição de pressão e temperatura).
39

2.5.11. Fator volume de formação do gás (Bg)

É definido como a relação entre o volume do gás em condições de reservatório e o


volume do mesmo gás em condições padrão de 14,7 psia e 60 ºF, como mostra a equação
(11).

(eq. 11)

Onde, Bg é o Fator volume de formação do gás, Vgf é o volume de gás da formação in


situ (numa determinada condição de pressão e temperatura), Vgfsc é o volume de gás da
formação em condições padrão, Qgf é a vazão de gás da formação in situ (numa determinada
condição de pressão e temperatura) e Qgfsc é a vazão de gás da formação em condições
padrão.

2.5.12. Viscosidade (µf)

É a resistência interna de um fluido a tensão que impulsiona o fluxo ou a oposição


interna oferecida pelo fluido ao movimento das camadas deste fluido, como mostra a equação
(12).

(Eq. 12)

Onde, é a viscosidade do gás na pressão atmosférica (cp), e é a relação entre a

viscosidade em condições de reservatório e a viscosidade a 1atm (14,7 psia).

2.5.13. Velocidade superficial de líquido (usL)

É a velocidade que a fase líquida teria se estivesse escoando sozinha no duto, como
mostra a equação (13).

(Eq. 13 )
40

Onde, usL é a velocidade superficial de líquido, QL é a vazão de líquido e A é a área da


seção transversal do duto.

2.5.14. Velocidade superficial de gás (usg)

É a velocidade que a fase gasosa teria se estivesse escoando sozinha no duto, como
mostra a equação (14).

(Eq. 14 )

Onde, usg é a velocidade superficial da fase gasosa, Qg é a vazão de gás in situ (numa
determinada condição de pressão e temperatura).

2.5.15. Velocidade da mistura (um)

É a velocidade média de escoamento, como mostra a equação (15).

(Eq. 15)

Onde, um é a velocidade média de escoamento.

2.5.16. Velocidade de deslizamento ou escorregamento (ou drift velocity) (ud)

É a velocidade da fase gasosa em relação à fase líquida, como mostra a equação (16).
(Eq. 16)

Onde, ud é a velocidade de deslizamento ou escorregamento, ug é a velocidade da fase


gasosa in situ (numa determinada condição de pressão e temperatura) e uL é a velocidade da
fase líquida in situ (numa determinada condição de pressão e temperatura).
41

2.5.17. Fração (ou hold-up) de líquido (HL)

É a fração da seção transversal do duto ocupada pela fase líquida, como mostra a
equação (17).

(Eq. 17)

Onde, HL é o hold-up de líquido, AL é a área da seção transversal do duto ocupada pela


fase líquida.

2.5.18. Fração de vazio ou hold-up de gás (Hg)

É a fração da seção transversal do duto ocupada pela fase gasosa, como mostra a
equação (18).

(Eq. 18)

Onde, Hg é a fração de vazio ou hold-up de gás, Ag é a área da seção transversal do duto


ocupada pela fase gasosa.

2.5.19. Fração de líquido sem escorregamento (ou no-slip hold-up)( λL)

É a fração da vazão de líquido em relação à vazão total, como mostra a equação (19).

(Eq. 19)

Onde, λL é o no-slip hold-up.

2.5.20. Fração de vazio (ou hold-up de gás) sem escorregamento ( λg)

É a fração da vazão de gás em relação à vazão total, como mostra a equação (20).

(Eq. 20)

Onde, λg é o no-slip hold-up.


42

2.6. CORRELAÇÕES DE FLUXO

2.6.1. Correlação em fluxo monofásico

As correlações são modelos matemáticas que visam prevê a perda de carga no


escoamento e elevação de fluidos em dutos.
O gradiente de pressão representa a perda de pressão por unidade de comprimento do
duto. Onde o mesmo é composto por três componentes, fricção, elevação e aceleração como
mostram nas equações (21, 22, 23, 24 e 25). E para o fluxo monofásico podemos representar
como:

( ) ( ) ( ) ( ) (eq. 21)

Onde, os temos ( ) (eq. 22), ( )

(eq.23) e ( ) (eq.24), correspondem aos gradientes de

pressão por fricção, elevação e aceleração, respectivamente.


Substituindo as derivadas temos:

( ) ( ) –( ) (eq.25)

A perda de carga por fricção ocorre devido ao atrito do fluido com as paredes da
tubulação, que corresponde de 5 a 20% da perda de carga total de pressão em dutos verticais e
inclinados. Além das características do fluido, a perda de carga por fricção é função do
diâmetro e rugosidade da tubulação. Devido à elevação o gradiente equipara-se ao peso da
coluna hidrostática do fluido no duto. Isso é responsável por 80 a 95% da perda de carga em
tubulações verticais. E a perda de carga devido à aceleração, acontece quando os fluidos
sofrem variações de velocidade em seu fluxo na tubulação, é considerável desprezível, mas é
relevante para a análise no escoamento de fluidos, pressões baixas e compressíveis (BEGGS
& BRILL, 1978).
43

2.6.2. Correlação em fluxo multifásico

No fluxo multifásico as correlações desenvolvidas para o escoamento líquido-gás, ou


seja, a interação das fases água e óleo são combinados em uma única fase e o gás é a segunda
fase, como mostra a equação (26). Logo a equação do gradiente de pressão sofre alterações na
sua massa específica e o fator de atrito e será reescrita da seguinte maneira:

( ) –( ) (eq. 26)

Onde, é a velocidade média da mistura, é o fator de atrito, e o subscrito “n”


indica que tais propriedades foram calculadas sem considerar o escorregamento entre estas
fases enquanto que “s” indica que as propriedades da mistura são calculadas considerando o
escorregamento entre a fase líquida e gasosa. (NASCIMENTO, 2013).

2.6.3. Principais autores e a classificação de suas correlações

Alguns autores definiram correlações que através de princípios físicos e propriedades


dos fluidos podem auxiliar no cálculo da perda de carga e na determinação das PVT’s no
escoamento de fluidos.

Os principais autores são:

 Poettmann & Carpenter; Baxendel & Thomas; Fancher & Brown; Hagedorn &
Brown; Beggs & Brill; Duns & Ros; Orkiszewski; Aziz, Govier & Fogarasi;
Chierici, Ciucci & Sclocchi; Palmer etc. (Escoamento vertical) (MANZELA,
2015);

 Dukler et alii; Dukler & Eaton et alii; Dukler & Minami etc. (escoamento
horizontal) (MANZELA, 2015);

 Mukherjee & Brill etc. (escoamento inclinado) (MANZELA, 2015).

Existem ainda três classificações para as correlações de escoamento vertical e são elas:
44

1. Não trabalham com o escorregamento entre as fases líquido e gás ou padrões de


escoamento. Poettmann & Carpenter; Baxendel & Thomas; e Fancher & Brown
(MANZELA, 2015);

2. Não abordam o escorregamento entre as fases líquidas e gasosas, porém


consideram padrões de escoamento. Hagedorn & Brown (MANZELA, 2015);

3. Abrangem o escorregamento entre as fases líquidas e gasosas e consideram


padrões de escoamento. Beggs & Brill; Duns & Ros; Orkiszewski; Aziz, Govier &
Fogarasi; Chierici, Ciucci & Sclocchi; e Palmer (MANZELA, 2015).

2.6.4. Fatores que influenciam as correções

As correlações são influenciadas por fatores, onde alguns foram testados em pesquisas
laboratoriais, como:

 Propriedades dos fluidos:

 Diâmetro do duto;

 Rugosidade do Duto;

 Variações de pressão no percurso do fluido;

 Interação entre as fases dos fluidos;

 Variação de Temperatura;

 Tipo de escoamento.

2.6.5. Principais correlações na indústria Petrolífera

Neste trabalho serão abordadas as principais correlações utilizadas na indústria


Petrolífera. Segundo Tackacs (2001) as principais correlações utilizadas na indústria de
petróleo são: Hagedorn & Brown, Beggs e Brill, Aziz e Govier e Mukherjee e Brill.
45

2.6.5.1. Hagedorn & Brown

Esse trabalho foi realizado em 1965, considerando o escoamento vertical, com


escorregamento e sem padrões de escoamento. Os dados dessa correlação foram recolhidos de
testes num poço experimental de 1.500 pés de profundidade, com colunas de 1, 1 ¼ e 1 ½”.
Não houve medição direta da fração volumétrica do líquido, apenas o seu calculo e
posteriormente sendo assim calculado os gradientes de pressão por fricção e aceleração.
(Manzela, 2015).

A expressão dada por Hagedom e Brown, devido à fricção, é apresentada pela equação
26 abaixo:

( ) (eq. 26)

Onde, dp/dz é o gradiente de pressão em psi/pé (lbf/pol2/pé), w é a vazão mássica,

lbm/dia, é dado por (eq. 27) em lbm/pé3 e é o fator de

fricção bifásico.

2.6.5.2. Beggs e Brill

Foi desenvolvido em 1973, considerando o escoamento em duto inclinado, com


escorregamento e com padrões de escoamento. Seus dados foram obtidos através de
experimentos em uma instalação de 1” e 1 ½” de diâmetro e 90 pés de comprimento que se
inclinava a qualquer ângulo. A variedade de testes com diversos ângulos, possibilitou a
observação dos tipos de regimes de escoamento com o tubo na horizontal que foram
agrupados em SEGREGADO, INTERMITENTE E DISTRIBUIDO (Manzela, 2015).

Baseados nos experimentos Beggs e Brill desenvolveram a correlação para cálculo de


pressão por fricção representada pela equação (eq. 28):

( ) (eq. 28)
46

Para realização desse cálculo são necessários os auxílios do diagrama de MOODY e


outros correlações. Seu uso é adequado para fluxo descentende como ocorre em risers de
plataformas (Manzela, 2015).

2.6.5.3. Aziz e Govier

Foi desenvolvida em 1972, considerando o escoamento em duto vertical, com


escorregamento e com padrões de escoamento. Seu método calcula a gradiente de pressão em
dutos verticais em relação ao tipo de regime de escoamento (Manzela, 2015).

 Quando o fluxo for a regime de bolha, o gradiente de pressão devido à fricção é


apresentado pela equação (29):

( ) (eq. 29)

Para a realização desse cálculo é necessário achar o número de Reynolds para a


interpretação do fator de fricção no diagrama de MOODY.

 Quando o fluxo é em golfadas, o gradiente de pressão devido à fricção é apresentado


pela equação (30):

( ) (eq. 30)

Onde o é determinado pelo uso do número de Reynolds no diagrama de MOODY.

 Quando o fluxo for transiente, o gradiente de pressão devido à fricção é apresentado


pela equação (31):

( ) ( ) ( ) (eq. 31)

Onde, A e B estão relacionados com os limites lineares de cada tipo de fluxo.

2.6.5.4. Mukherjee e Brill

Foi desenvolvido em 1979, considerando o escoamento em duto inclinado, com


escorregamento e com padrões de escoamento. Tendo como foco o estudo do fluxo bifásico
47

inclinado, foi realizado na Universidade de Tulsa uma pequena instalação com um tubo em U
de diâmetro de 1,5” e apresentava 32 pés de comprimento em cada perna (Manzela, 2015).

O cálculo do gradiente de pressão por fricção proposto por Mukherjee e Brill é realizado
conforme o regime de escoamento representado pelas equações 32,33 e 34 abaixo:

( ) { } (eq. 32)

( ) { } (eq. 33)

( ) { } (eq. 34)
Onde, a equação 32 é usada para o regime de bolha e golfada, a equação 33 para o
regime estratificado e a equação 34 para o padrão anular.
Para auxilio no desenvolvimento do cálculo é necessário o uso do diagrama de
MOODY e o número de Reynolds, onde é o fator de fricção de MOODY.
48

3. PRÉ-SAL

Segundo a Petrobras Petróleo SA. o Pré-sal (Figura 13) é uma área de reservas
petrolíferas encontrada sob uma profunda camada de rocha salina, que forma uma das várias
camadas rochosas do subsolo marinho. As reservas se situam em águas profundas e
ultraprofundas do litoral brasileiro, estas reservas são as mais profundas em que já foi
encontrado petróleo em todo o mundo. É composta por grandes acumulações de óleo leve, de
excelente qualidade e com alto valor comercial. Uma realidade que coloca o Brasil em uma
posição estratégica frente à grande demanda de energia mundial. Representam também o
maior campo petrolífero já encontrado em uma profunda região abaixo das camadas de rochas
salinas ou evaporíticas. Tornando-se assim umas das mais importantes descobertas em todo o
mundo na última década (PETROBRAS, 2017).

Figura 13 – Pré-sal

Fonte: PETROBRAS, (2017)


49

3.1. FORMAÇÃO DO PRÉ-SAL

A cerca de 150 milhões de anos, quando ocorreu a separação dos continentes


Americano e Africano formaram-se, inicialmente, grandes depressões que deram origem a
grandes lagos, ao longo dos milhões de anos as rochas geradoras de petróleo de Pré-sal foram
sendo depositadas. Como todos os rios dos continentes que se separavam corriam para as
regiões mais baixas, grandes volumes de matéria orgânica foram ali se depositando
(PETROBRAS, 2017).

À medida que os continentes se distanciavam, os materiais orgânicos então acumulados


nesse novo espaço foram sendo cobertos pelas águas do Oceano Atlântico, que então se
formava. Dava-se início, ali, à formação de uma camada de sal que atualmente chega até 2 mil
metros de espessura. Essa camada de sal depositou-se sobre a matéria orgânica acumulada,
retendo-a por milhões de anos, até que processos termoquímicos a transformasse em
hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) (PETROBRAS, 2017).

No atual contexto exploratório brasileiro, o Pré-sal encontra-se por aproximadamente


800 km de extensão por 200 km de largura, no litoral entre os estados de Santa Catarina e
Espírito Santo (Figura 14). A área total da província do Pré-sal (149 mil km2) corresponde a
quase três vezes e meia o estado do Rio de Janeiro (PETROBRAS, 2017).

Figura 14 - Mapa de Extensão do Pré-Sal

Fonte: PETROBRAS, (2017)


50

3.2. PRODUÇÃO

A produção diária de petróleo no Pré-sal passou da média de aproximadamente 41 mil


barris por dia, em 2010, para o patamar de 1 milhão de barris por dia em meados de 2016. Um
crescimento de quase 24 vezes. A marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia no Pré-sal
foi atingida em menos de dez anos depois da primeira descoberta nessa camada geológica e
apenas dois anos depois de ser alcançada a produção nesta mesma camada geológica de 500
mil barris diários, em 2014 (PETROBRAS, 2017).

A Petrobrás Tem perfurado poços no Pré-sal (Figura 15), em tempo cada vez menor,
sem abrir mão das melhores práticas mundiais de segurança operacional. O tempo médio para
construção de um poço marítimo no Pré-sal da Bacia de Santos era, até 2010, de
aproximadamente 310 dias. Com o avanço no conhecimento da geologia, a introdução de
tecnologias de ponta e o aumento da eficiência dos projetos, em 2015 esse tempo baixou para
128 dias; e nos primeiros cinco meses de 2016, para 89 dias (PETROBRAS, 2017).

Figura 15 - Mapa da Petrobrás mostrando a região do Pré-Sal

Fonte: PETROBRAS, (2017)


51

3.3. A QUALIDADE DO ÓLEO DO PRÉ-SAL

O petróleo da camada Pré-sal é mais leve do que o petróleo encontrado no restante do


Brasil, como o petróleo da Bacia de Campos, geralmente considerado petróleo pesado. O
petróleo é um tipo de hidrocarboneto fóssil, mais precisamente, uma mistura de várias
substâncias em que predominam cadeias de carbono e hidrogênio, mas também aprecem
diferentes porcentagens de enxofre e nitrogênio, dependendo da qualidade (OLIVEIRA,
2011).

A densidade do petróleo permite classificá-lo em leve, mediano, pesado e ultrapesado.


Esta classificação é baseada nas características físico-químicas do petróleo, considerando a
análise da densidade do óleo (grau API) e a viscosidade do óleo (medida em cP ou
centipoises). O petróleo do Pré-sal tem densidade ou grau API superior a 28° API, sendo que
a maior parte do óleo encontrado possui grau API maior que 31°, sendo classificado petróleo
leve. A Petrobrás também identificou que este óleo tem baixo teor de substâncias poluentes
como enxofre e nitrogênio, normalmente encontrados em grande quantidade no petróleo
pesado (OLIVEIRA, 2011).

Conforme a classificação da ANP:

 Petróleo Leve – densidade igual ou inferior a 0,87 (ou grau API igual ou superior a
31°).
 Petróleo Mediano – densidade superior a 0,87 e igual ou inferior a 0,92 (ou grau API
igual ou superior a 22° e inferior a 31°).
 Petróleo Pesado – densidade superior a 0,92 e igual ou inferior a 1 (ou grau API igual
ou superior a 10° e inferior a 22°).
 Petróleo Extrapesado – densidade superior a 1 (ou grau API inferior a 10°).

Assim, o petróleo da camada Pré-sal (Figura 16), é estratégico para o Brasil, pois:

 É mais fácil de ser refinado, produzindo uma porcentagem maior de derivados finos;
 Tem menos enxofre, poluindo menos quando é refinado;
 É comercializado por um valor maior no mercado internacional.
52

Figura 16 – A produção no Pré-sal

Fonte: JGB, (2014)


53

4. ESTUDO DE CASO

Neste estudo de caso, para a introdução da equação de cálculo perda de carga por
fricção, foi utilizada a correlação de Beggs e Brill. A escolha dessa correlação se devido a sua
possibilidade de aplicação em poços de petróleo no Pré-sal e a obtenção de dados claros para
o seu estudo.

Para aplicação da fórmula de Beggs e Brill, foram levados em considerações dados


reunidos de publicações e artigos acadêmicos e científicos. Dessa forma os resultados obtidos
refletem os dados teóricos encontrados em literatura, porém não são descartados para uma
posterior comparação com dados experimentais e um acompanhamento prática de campo.

Observações do estudo de caso:

Diâmetro interno do Duto em poços do Pré-sal

Segundo o Portal São Francisco em sua reportagem sobre o “Pré-sal”, o diâmetro


médio em dutos utilizados para o escoamento e elevação do Petróleo em poços do Pré-sal
pode variar de 10 cm a 20 cm.

E com base nessas informações, para o estudo de caso foi admitido um duto de
diâmetro interno de 20 centímetros, equivalente a 7,87402 polegadas.

Viscosidade do óleo

Baseado na pesquisa “ESTIMATIVA DA VISCOSIDADE DE


HIDROCARBONETOS PRESENTES NO PETRÓLEO UTILIZANDO
CONTRIBUIÇÃO DE GRUPO” de NETO. E.; SILVA. G.; ALMEIDA. S.; OLIVEIRA.
R.; MARQUES. J.; SILVA. G. sobre a viscosidade do óleo, admitiu-se a tabela (1) abaixo:

Tabela 1: Estimativa de viscosidade para óleo para refino.


Temperatura (°C) Viscosidade (cP)
20 0,315
30 0,284
40 0,258
50 0,236

Fonte: NETO. e al, (2010)

Para o estudo de caso na aplicação das correlações foi admito uma temperatura de 40°C
e uma viscosidade de 0,258.
54

Acompanhamento de Produção de petróleo

Foi levado em consideração à produção de óleo e gás natural do poço 7LL11RJS


localizado no Campo Lula e o poço 7BAZ6ESS localizado no Campo Baleia Azul, no mês de
janeiro dos anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017, segundo os dados dos Boletins mensal da
produção de petróleo e gás natural da ANP, conforme tabela (2) abaixo:

Tabela 2: Produção anual dos poços 7LL11RJS e 7BAZ6ESS

Nome ANP do Produção de óleo Gás natural Produção Total Grau API
Campo Bacia
Período Poço (bbl/d) (Mm³/d) (boe/d) médio

31/01/2017 7LL11RJS Lula Santos 30.858 1.211 38.477 26,3

31/01/2017 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 6.883 257 8.497 26,3

31/01/2016 7LL11RJS Lula Santos 16.051 686 20.365 25,5

31/01/2016 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 10.639 368 12.957 25,5

31/01/2015 7LL11RJS Lula Santos 22.335 968 28.425 24,7

31/01/2015 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.084 590 19.797 24,7

31/01/2014 7LL11RJS Lula Santos 22.802 936 28.691 24,6

31/01/2014 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 13.939 0 17.011 24,6

31/01/2013 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.770 603 20.562 24,2

31/01/2013 7LL11RJS Lula Santos 0 0 0 24,2

Fonte: ANP/SDP/Sigep

Transformação de unidades
Com a finalidade de adequar as unidades para o correto manuseio matemático, utilizou-
se a tabela (3) abaixo:

Tabela 3: Conversão de unidades de medidas

Conversão de Unidades
1m3 6,28981 bbl
1bbl 0,158987 m3
M 1000 Milhares
1bbl 42 gal
1000m3 de
6,28981 bbl
gás
1 cm 0,393701 pol
lbm.pé/libra-
gc 32,2
peso.s2
55

Aplicação das equações


Fazendo a equivalência do gás natural em Mm3 para bbl foi adicionado mais uma
coluna na tabela anterior, conforme nova tabela (4) abaixo:

Tabela 4: Transformação de Mm3/d de gás para bbl/d

Produção
Produção Gás Grau
Nome ANP de Gás
Período Campo Bacia de óleo natural API
do Poço natural
(bbl/d) (Mm³/d) médio
(bbl/d)
31/01/2017 7LL11RJS Lula Santos 30.858 1.211 7.616,96 26,3
31/01/2017 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 6.883 257 1.616,48 26,3
31/01/2016 7LL11RJS Lula Santos 16.051 686 4.314,81 25,5
31/01/2016 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 10.639 368 2.314,65 25,5
31/01/2015 7LL11RJS Lula Santos 22.335 968 6.088,54 24,7
31/01/2015 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.084 590 3.710,99 24,7
31/01/2014 7LL11RJS Lula Santos 22.802 936 5.887,26 24,6
31/01/2014 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 13.939 0 0 24,6
31/01/2013 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.770 603 3.792,76 24,2
31/01/2013 7LL11RJS Lula Santos 0 0 0 24,2

Gráfico 1: Produção de óleo e gás natural nos poços de 7LL11RJS e 7BAZ6ESS

Através das fórmulas do grau API, eq. (2), área de seção transversal de um duto, e a
velocidade da mistura, eq. (15) foram adicionadas três colunas:
56

Tabela 5: Cálculo da densidade relativa, área da seção transversal e velocidade da mistura

Produção Densidade Área da seção


Produção Gás Grau Velocidade
Nome ANP de Gás relativa transversal de
Período Campo Bacia de óleo natural API da mistura
do Poço natural média do um duto (A)
(bbl/d) (Mm³/d) médio (Um)
(bbl/d) fluído (ρ) pol2

31/01/2017 7LL11RJS Lula Santos 30.858 1.211 7.616,96 26,3 0,90 48,69 790,12
31/01/2017 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 6.883 257 1.616,48 26,3 0,90 48,69 174,55
31/01/2016 7LL11RJS Lula Santos 16.051 686 4.314,81 25,5 0,90 48,69 418,23
31/01/2016 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 10.639 368 2.314,65 25,5 0,90 48,69 266,02
31/01/2015 7LL11RJS Lula Santos 22.335 968 6.088,54 24,7 0,91 48,69 583,71
31/01/2015
7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.084 590 3.710,99 24,7 0,91 48,69 406,51
31/01/2014 7LL11RJS Lula Santos 22.802 936 5.887,26 24,6 0,91 48,69 589,16
31/01/2014 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 13.939 0 0 24,6 0,91 48,69 286,25
31/01/2013 7BAZ6ESS Baleia Azul Campos 16.770 603 3.792,76 24,2 0,91 48,69 422,28
31/01/2013 7LL11RJS Lula Santos 0 0 0 24,2 0,91 48,69 0

Na etapa seguinte, foram calculados os números de Reynolds, equação do anexo (1),


verificado através do Diagrama de Moody (Figura 17) os fatores de fricção (levando em
consideração a rugosidade de duto liso) e aplicado a correção de Beggs e Brill, equação (28),
para cada produção de Petróleo nos poços do Pré-sal obtendo como resultado os dados
apresentados na tabela (4) abaixo:

Tabela 6: Resultado do cálculo da perda de carga por fricção com a aplicação da correlação de Beggs
e Brill

Produção
Produção Viscosidad Fator Constante Equação
Nome ANP de Gás N° de
Período Campo Bacia de óleo e do óleo a de gravitacional - Beggs e
do Poço natural Reynolds
(bbl/d) 40°C (cP) fricção (gc) Brill
(bbl/d)
Baleia
31/01/2017 7BAZ6ESS Campos 6.883 1.616,48 0,258 4,78x1003 0,0380 32,20 2,05
Azul
31/01/2017 7LL11RJS Lula Santos 30.858 7.616,96 0,258 2,16x1004 0,0250 32,20 27,60
Baleia 03
31/01/2016 7BAZ6ESS Campos 10.639 2.314,65 0,258 7,32x10 0,0323 32,20 4,06
Azul
04
31/01/2016 7LL11RJS Lula Santos 16.051 4.314,81 0,258 1,15x10 0,0300 32,20 9,33
Baleia
31/01/2015 7BAZ6ESS Campos 16.084 3.710,99 0,258 1,12x1004 0,0301 32,20 8,89
Azul
31/01/2015 7LL11RJS Lula Santos 22.335 6.088,54 0,258 1,61x1004 0,0270 32,20 16,43
Baleia 03
31/01/2014 7BAZ6ESS Campos 13.939 0 0,258 7,92x10 0,0321 32,20 4,70
Azul
04
31/01/2014 7LL11RJS Lula Santos 22.802 5.887,26 0,258 1,63x10 0,0270 32,20 16,75
Baleia
31/01/2013 7BAZ6ESS Campos 16.770 3.792,76 0,258 1,17x1004 0,0295 32,20 9,43
Azul
31/01/2013 7LL11RJS Lula Santos 0 0 0,258 0 0 32,20 0
57

Gráfico 2: Acompanhamento da perda de carga na produção anual nos poços de 7LL11RJS e


7BAZ6ESS
58

5. CONCLUSÕES

O Pré-sal tem como desafios a perfuração e a produção de poços cada vez mais
profundos e a distâncias expressivas da Costa do Brasil. Dessa forma há a necessidade do
desenvolvimento de novas tecnologias, equipamentos e o gerenciamento desses ramos da
indústria.

Os modelos matemáticos mecanicistas estudados visam à previsão da perda de carga na


elevação e escoamento de Petróleo nos poços de produção. Sendo assim utilizados como base
de dados técnicos para a avaliação da viabilidade de um projeto, no dimensionamento de
equipamentos e no acompanhamento do fluxo de óleo e gás e a sua perda de massa, por isso
contribui para uma melhor analise e definição no gerenciamento de projetos em poços
localizados em campos no Pré-sal.

Com o estudo de caso apresentado foi possível observar que a perda de carga é
proporcional ao fluxo de óleo e gás natural, e foi verificado que à medida que a produção de
petróleo aumentava havia uma maior perda de carga por fricção no escoamento, e quando a
produção diminuía a perda de carga também era reduzida no escoamento e elevação nos
poços do Pré-sal estudados.

É importante ressaltar que os valores inseridos nesse trabalho foram adquiridos através
da literatura e outros trabalhos acadêmicos, o que pode acarretar em um desvio de valores se
comparado com resultados práticos e experimentais, porém são de grande relevância para à
análise da aplicação da correção de Beggs e Brill em poços de produção de petróleo em
campos do Pré-sal.

5.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Como sugestão para trabalhos futuros, segue a lista de temas abaixo:

Analise experimental das correlações de fluxo multifásicos em poços de Petróleo;


A influência financeira da análise da perda de carga em projetos em poços de Petróleo;
Simulação da produção de óleo e gás natural versus a previsão da perda de carga na
elevação e escoamento;
59

Analise da perda de carga na elevação e escoamento de petróleo e a influência dos


tipos de reservatórios na energia de produção;
Dimensionamento de equipamentos em poços de Petróleo com a previsão da perda de
carga e o uso das correlações de fluxo multifásico.
60

REFERÊNCIAS

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64

ANEXOS

NÚMERO DE REYNOLDS

Eq. (1 )

Onde, é o Fator de fricção de MOODY, um é a Velocidade da mistura, D é o diâmetro


interno do duto e é a µn é a viscosidade do fluído.

DIAGRAMA DE MOODY

Figura 17- Diagrama de Moody

Fonte: Nascimento, (2014)