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FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO

Revoluções Burguesas – influências


 Revolução Industrial
 Revolução Francesa (política do laissez-faire)
 Princípios: Autonomia da vontade,
Consensualismo,
Força obrigatória dos pactos (pacta sunt servanda).

Efeitos
 A autonomia contratual acabou gerando pactos não paritários.
 A utilização cega do princípio pacta sunt servanda formou pactos injustos.
 Dirigismo Contratual

Os pactos devem ser cumpridos


 “uma vez manifestada esta vontade, as partes ficariam ligadas por um
vinculo, donde nasceriam obrigações e direitos para cada um dos participantes,
força obrigatória esta, reconhecida pelo direito e tutelada judicialmente.”
(Claudia Lima Marques)

O contrato é lei entre as partes


 O contrato importa restrição voluntária de liberdade; cria vínculo do qual
nenhuma das partes pode desligar-se sob o fundamento de que a execução a
arruinaria ou de que não teria estabelecido se houvesse previsto a alteração
radical das circunstâncias.”
(Orlando Gomes)
Atualmente...
 A interpretação atual visa comportar a prestação contratada ao tempo da
sua execução, principalmente quando, devido a fato imprevisível, a obrigação
assumida onera em demasiado um dos contratantes.

A flexibilização na interpretação renasce de tempos em tempos

 Rebus sic stantibus


 Contratus qui habent tractum sucessivum et dependentiam de
futuro rebus sic stantibus intelligentur.
Para a resolução do contrato, é preciso:
 Excessiva diferença de valor do objeto da prestação entre o momento do pacto e o da execução.
 Onerosidade objetivamente excessiva (onerosa a todos que se encontrem na mesma posição)

 A onerosidade é oriunda de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis – anormal.


 A negligência do contratante não serve como causa para resolução.

Surgem, então, duas importantes teorias:


 Teoria da Onerosidade:
 Art. 6º, V, do Código de Defesa do Consumidor.
 Teoria da Imprevisão:
 Artigos 317 e 478 do Código Civil.
 Principal diferença: exige que o evento causador da onersidade seja imprevisível para os
contratantes.

O que é evento imprevisível?


“Art. 317. A interpretação da expressão ‘motivos imprevisíveis constante do citado artigo deve abarcar tanto
causas de desproporção não-previsíveis, como causas previsíveis mas de resultados imprevisíveis para
a economia interna do contrato. A razão encontra-se na aplicação do princípio do equilíbrio, acolhido
pelo Código.”
(CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL – Jornada de Direito Civil – org. Ministro Ruy Rosado de Aguiar.
Brasília, 2003.)

Função Social do Contrato


 Contrato é relação complexa solidária.
 Funções: econômica e social
 Econômica: é a causa de sua existência.
 Social: é o dever do contrato. Ser socialmente útil.

Função Econômica
 Circulação de riqueza;
 Colaboração;
 Prevenção de risco;
 Conservação;
 Prevenir ou dirimir controvérsia;
 Concessão de crédito;
 Constituir direitos reais de gozo ou de garantia.

Assim, temos:
 Contrato é o acordo de vontades para adquirir, resguardar, conservar,
transferir, modificar ou extinguir direitos.

Função Social
 Base teórica: Durkheim.
 Desenvolvimento: Leon Duguit
 Pretensão: mostrar que o Direito não é esse conjunto de ficções e de abstrusas regras abstratas que, construídas por
juristas, não tem finalidade e alcance nenhum. O Direito não pode ser constituído em um mundo à parte. (Antonio Jeová Santos
– Função Social do Contrato).

Código Civil
 Artigo 421.
 Segurança jurídica: aplicação da lei, de forma que as pessoas possam
saber quais são suas obrigações e seus direitos.

Segurança jurídica do contrato


 “A segurança jurídica do contrato não é mais decorrência da aplicação cega da lei do Código Civil,
que considera a verificação formal de uma vontade livremente emitida. Ela é material (concreta e histórica),
investida das condutas e dos resultados objetivos do contrato, escapando da concepção, superada, de que
a segurança estaria no adimplemento do contrato, pelo devedor. (…) Ela está em todos os momentos da
complexidade obrigacional em vista de ambos os titulares.” (Paulo Nalin)

FORMAÇÃO DOS CONTRATOS


TEMPO E LUGAR
ARTIGOS 427 a 435 CC
O contrato pode ser concluído instantaneamente, contudo não é o mais comum.
Por sua complexidade, pode envolver uma fase de negociação.

1. Fases para formação do contrato


• 1ª Fase: DAS NEGOCIAÇÕES PRELIMINARES, DA PUNTUAÇÃO OU
DAS TRATATIVAS
• São as conversas prévias, sondagens, reuniões pessoais ou por vídeo-
conferência ou por telefone ou e-mail.
• Sugere base para o negócio.
• Não gera direito ao contrato final.
Em regra, não gera direito a perdas e danos se não consumado o contrato,
salvo se
• As negociações forem de tal magnitude que incutiram na outra parte que o contrato
seria ultimado, convencendo-se a não celebrar contrato com terceiro.
• Um dos negociantes assume despesas de locomoção, estada ou mesmo com
implementação do negócio em razão da atitude que indica proximidade de fechamento do
negócio.

Ou seja, é passível de perdas e danos se,


• Ocorrer o rompimento abusivo e arbitrário.
• As negociações já imbuíram o espírito dos postulantes da existência do futuro
contrato.
• Gera frustação moral e material.
• Deve ser verificada a existência do abuso de direito, com base nos artigos 186 e 187
CC.
• Situa-se, dessa forma, no campo da responsabilidade extracontratual. Não temos o
inadimplemento contratual e sim a prática de um ilícito civil.
2ª Fase: Da Proposta ou Policitação
• É uma declaração de vontade pela qual uma pessoa propõe a outra os
termos para a conclusão do contrato.
• É declaração unilateral de vontade.
• Partes: proponente ou policitante.
• Tem força vinculante (vincula o proponente) e só o libertará com a
negativa do oblato ou caducidade da proposta.

Proposta
• A proposta é vinculativa e assim se constitui em obrigação, transmissível
aos herdeiros do proponente.
• A sua retirada sujeita o proponente a perdas e danos.
• Art. 427 – a proposta obriga o proponente, se o contrário não resultar dos
termos dela, da natureza do negócio , ou das circunstâncias do caso.

Proposta
• Dos termos dela – se contiver cláusula expressa a respeito (Ex: “não vale
como proposta”, sujeita a confirmação”, “apenas para divulgação”)
• Da natureza do negócio – é o caso das chamadas propostas abertas ao
público, que se consideram limitadas ao estoque.
• Das circunstâncias do caso – são as mencionadas no artigo 428, CC.

Proposta não obrigatória


• Art. 428, I – feita sem prazo a pessoa presente. Deixa de ser obrigatória
se não aceita de imediato. Ex: telefone, videoconferência.
• Art. 428, II – feita sem prazo à pessoa ausente. Deixa de ser obrigatória
se decorrido tempo suficiente para chegar a resposta. Neste caso, importa a
verificação do caso concreto.

Proposta não obrigatória


• Art. 428, III – feita a pessoa ausente e a resposta não é expedida no
prazo dado.

3ª Fase: Aceitação
• É o ato de aderência à proposta feita.
• A aceitação deve equivaler à proposta, ou seja, deve aceitar a proposta
em seus termos exatos.

RETRATAÇÃO
• Art. 428, IV, CC – A proposta deixa de ser obrigatória, se antes dela, ou
simultaneamente, chegar ao conhecimento do oblato a retratação.
• Artigo 433 – retratação da aceitação. A aceitação torna-se inexistente se a
retratação chegar antes ou simultaneamente a ela

Aceitação
• Artigo 431, CC – cuida de 4 situações que tornam a aceitação uma nova
proposta.
• Uma contraproposta.

RETRATAÇÃO
• “Questão que pode surgir na prática é acerca da contemporaneidade da
chegada da retratação: a carta ou telegrama (ou e-mail) com a proposta e a
carta ou telegrama (ou e-mail) com a retratação chegam na mesma data. Temos
de entender que o requisito da retratação foi cumprido, embora as
características do caso concreto possam forçar interpretação diversa.” (Venosa)

Oferta ao Público
• Artigo 429, CC – a oferta equivale a proposta quando encerra os
requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das
circunstâncias ou dos usos.
• Em geral, entende-se que a oferta é limitada ao estoque existente.
• É verificável também no CDC (artigos 30 a 35)
Oferta ao Público
• No Cód. Civil, a recusa indevida de dar cumprimento à proposta, resolve-
se em perdas e danos.
• No CDC, este fato dá ensejo à execução específica, consistindo opção
exclusiva do consumidor a resolução em perdas e danos – art. 35 e parágrafos.

Lugar de celebração do contrato


• Artigo 435, CC, e 9º, §2º, LICC.
• A regra geral dita que o local de celebração do contrato é o da proposta.