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CORREIO BRAZILIENSE

OU

JIRMAZEM LITERÁRIO.

VOL. XXIV.

LONDRES:
IMPRESSO POR R. GREENLAW, 36, HOLBORN,

1820.

4 Politica.
das mores exigir especificadamente dos Capitaens, ou
mestres das embarcaçoens, quando lhes tomarem as en-
tradas, todos os documentos, com que possa provar-se a
identidade das tripulaçoens e passageiros, e a qualidade,
quantidade, e procedência das Cargas, fazendo-lhes enten-
der, que o preciso termo de 24 horas, contadas daquella
em que se fizer a intimaçaõ, lhes he concedido para po-
derem fazer a entrega de qualquer dos referidos docu-
mentos, que tenham deixado de apresentar no acto da
entrada; e que todos, 09 que depois de findo o mencionado
prazo houverem de offerecer, naõ poderam ser attendi-
dos, para em virtude delles obterem despachos pela Juncta
da Saúde Publica, que assim como prompta e opportuna-
mente costuma deferir a todos os requerimentos legal-
mente documentados, naõ pode, nem deve tomar conhe-
cimento de documentos, que existindo em poder dos
Capitaens, ou mestres, quando dam entrada, nao podem
deixar de tornar-se suspeitosos pela demora, ou duvida
da entrega, quando os guardas mores os especificam nos
autos, que os Capitaens, ou mestres assignam, e que pon-
tualmente lhes saõ restituidos depois de examinados,
e muito mais, quando sejam apresentados por terceiras
pessoas, muito depois do tempo, e lugar, em que legitima-
mente deveriam produzir-se.
E para que chegue â noticia de todos e se naõ possa
allegar ignorância, se mandou affixar o presente edictal
em todos os lugares públicos dos portos deste Reyno, o
qual será também publicado na Gazeta, e se remeterão
exemplares delle a todos os cônsules Portuguezes nos
differentes Reynos, e aos Consultes, ou agentes estrangei-
ros residentes nesta capital. Lisboa 18 de Novembro de
1819.
MANOEL CYPRIANO D A COSTA.

Politica.

AMERICA HESPANHOLA.

Decreto da Republica de Venezuela, adoptando medidas
para o pagamento da divida publica.

Joaõ Baptista Arismendi Vice Presidente de Estado,
encarregado do Governo durante a ausência do Presi-
dente, Capitão General dos Exércitos, &c. considerando
o estado exhausto do Thesouro nacional e as augmenta-
das e necessárias despezas da guerra, que mantém Ve-
nezuela, para o estabelicimento de sua independência, e
os immensos pagamentos, que elle tem de fazer, naõ so-
mente para occurrer a sua divida principal, mas também
para satisfazer as que resultam de differentes contractos
com estrangeiros, para cujo sagrado cumprimento estaõ
empenhadas a honra e gloria da republica; em virtude
dos poderes extraordinários, que me fôram conferidos
pelo Congresso, tenho decretado e decreto o seguinte:—
Artigo 1.° Immediatamente depois da promulgação
deste decreto todas as peles de gado vacum, sejam quem
forem seus donos, saõ declaradas pertencer ao Estado sem
sem reserva ou excepçaõ, e somente o mesmo Estado terá
direito de dispor dellas.
2. Este imposto existirá em quanto o requererem
as urgentes necessidades do Estado, e cessará logo que
o Thesouro publico for alleviado das presentes obriga-
çoens, e tiver feito algumas collectas.
3. Os officiaes das principaes repartiçoens desta cidade
saõ encarregados de cobrar e metter em armazéns as
peles, nomeando para este fim aquelles agentes, que jul-
garem próprios, e daraõ ao Ministro da Guerra conta
mensal das que tiverem em seu poder.
Nas villas e cidades, excepto Soledad e Barrancas, e
divisoens do exercito, que obram no exterior, as respec-

6 Politica.
tivas authoridades. commandantes ou chefes, tomarão
sobre si a execução deste decreto, nomeando também
para este fim agentes, que recebam as peles, e as ponham
immediatamente à disposição Governo com uma conta
dellas.
5. Nos postos de Barrancas e Soledad, os respectivos ad-
ministradores dos direitos de alfândega seraõ encarregados
desta collecta, e armazenagem, e remesssa das peles ao
Governo, com a conrespondente conta, naõ se esquecen-
do de requerer uma nota das que forem recebidas antes
dapubliçaõ de3te decreto, que transmittiraõ á secretaria
de guerra, o mais breve que for possivel.
6. Os actuaes possuidores das peles nesta cidade pas-
sarão á Secretaria de Guerra, dentro em dous dias, uma
conta correcta das que tiverem recebido até a data deste
decreto.
7. O mesmo faraõ os possuidores nas outras partes das
provincias, entregando a dieta conta âs competentes au-
thoridades para a sua prompta remessa ao Governo.
8. Será do dever de todos os possuidores de peles o
entregallas ao Estado, logo que estiverem secas.
9. Qualquer violação deste decreto será punida, pela
muleta do dobro do valor do que se oceultar.
10. O Ministro do Interior e da Guerra, pro tempore, he
encarregado da execução deste decreto, que será impresso,
publicado, e circulado.
Dado no Palácio do Governo, na capital da Guayana,
aos 2 de Septembro de 1819—6o.

JOAÕ BAPTISTA A R I S M E N D I .

O Ministro do interior e da Guerra, pro tempore,

DIOGO BAPTISTA UJRDANEJA.

Politica.

ESTADOS-UNIDOS.

Mensagem do Presidente ao Congresso, em 7 de De-
zembro de 1819.
Concidadãos do Senado, e Casa dos Representantes!
Tendo-se adiantado os edifícios públicos ao ponto de
prestar accommodaçaõ ao Congresso, offereço-vos os
meus sinceros parabéns, por havereis tornado a comme-
çar vossos deveres no Capitólio.
Pondo á vista os incidentes, dignos de maior attençaõ,
que oceurrêram depois da vossa ultima sessaõ, sinto o
ter de referir, que varias de nossas cidades principaes
tem soffrido pelas moléstias: que uma seca extraordi-
nária affligio os Estados Médios e Occidentaes; e que se
tem sentido um desarranjo em algumas de nossas institu-
içoens pecuniárias, o que tem proporcionalmente affec-
tado o seu credito. Com tudo, sinto-me feliz em poder
assegurar-vos, que está completamente restabelecida a
saúde de nossas cidades, que as producçoens deste anno,
posto que menos abundantes do que o ordinário, naõ so-
mente seraõ amplamente sufficientes para o consumrao
do interior, mas prestarão grande excedente para sup-
prir as necessidades de outras naçoens, e que o desarranjo
no meio circulante (o papel moeda) 6endo deixado aquelles
remédios, que suas obvias causas suggerlam, e ao bom
senso e virtude de nossos concidadãos, tem ja dimi-
nuido.
Tendo informado o Congresso aos 27 de Fevereiro
próximo passado, que se havia concluído, entre os Es-
tados Unidos e a Hespanha, um tractado de amizade, de
ajuste, e de limites, e que esse tractado tinha sido atifi-
cado pelas authoridades competentes dos Estados Unidos,
havia plena confiança de que seria também ratificado por

8 Politica.
S. M. Catholica, com igual promptidaõ, e com simi-
lhante desejo de terminar, pelas condiçoens daquelle trac-
tado, as differenças., que haviam por tanto tempo exis-
tido entre os dous paizes. Todas as vistas, de que a ma-
téria éra susceptível, pareciam justificar esta conclusão.
Alguns cidadãos dos Estados Unidos tem soffrido
grandes perdas, por damnos que lhes causaram corsários
Hespanhoes, saõ agora passados mais de 20 annos, e a is-
to se naõ tem feito reparação. Estas perdas tem sido
reconhecidas, e providenciadas em um tractado, que
data ja do anno 1802, o qual, posto que fosse concluído
em Madrid, naõ foi entaõ ratificado pelo Governo de
Hespanha, nem ao depois disso até anno passado, quan-
do se suspendeo pelo ultimo tractado, substituindo-se
em seu lugar providencias de maior satisfacçaõ a ambas
as partes, como se presumia. Neste longo intervállo se
levantaram outras disputas, que affectavam seus grandes
interesses, e que fôram igualmente providas naquelle
tractado. O tractado éra formalizado com a maior cir-
cumspecçaõ, e sobre o perfeito conhecimento de todas
as circumstancias; o objecto de cada artigo esteve em
discussão por vários annos, e o Ministro Hespanhol re-
petidas vezes recorreo a seu Governo, sobre os pontos,
a respeito de que havia a maior differença de opinião.
Foi lavrado por um Ministro devidamente authorizado
para este fim, e que tinha representado o seu Governo
nos Estados Unidos, e sido empregado nesta mui pro-
longada negociação, por vários annos, e que, como se
naõ nega, seguio â letra estrictamente as suas instruc-
çoens. A fé da Hespanha estava portanto empenhada,
em circumstancias de peculiar força e solemnidade, para
a sua ratificação. Da parte dos Estados Unidos se acce-
deo a este tractado, evidentemente em um espirito
de conciliação e concessão. A indemnizaçaõ pelos dam-

Politica. g
nos e percas ha tanto tempo soffridos, e agora outra vez
reconhecidos, e providenciados, devia ser paga por
elles, sem ficar a cargo do Thesouro Hespanhol. Pelo
território, que a Hespanha cedia, davam os Estados, Unidos
outro território de grande valor, a que o nosso direito se
cria bem fundado, e em parte muito mais interessante
para a Hespanha. Com tudo esta cessaõ foi recebida,
como meio de indemnizaçaõ a nossos cidadãos, em somma
considerável, pela presumida totalidade de suas percas.
Outras consideraçoens de grande pezo urgiram a Hespa-
nha â cessaõ deste território. Estava cercado pelo terri-
tório dos Estados-Unidos, de todos os lados, excepto
pelo oceano. A Hespanha tinha perdido ali a sua au-
thoridade, e caindo nas maõs de aventureiros connexos
com os selvagens, tinha-se feito um meio de incessante
incommodo e damno á nossa Uniaõ, em muitos de seus
mais essenciaes interesses. Logo, por esta cessaõ, ce-
dia a Hespanha um território, na realidade, de nenhum
valor para ella, e obtinha concessoens da maior impor-
tância, pelo ajuste de differenças mui antigas com os
Estados-Unidos, affectando as suas respectivas pretenço-
ens e limites» e igualmente se aleviava da obrigação de
um tractado, que lhe dizia respeito, e que ella tinha
deixado de cumprir; e também a aleviava da responsa-
bilidade incidente aos mais flagrantes e perniciosos abu-
sos de seus direitos, aonde ella naõ podia manter a sua
authoridade.
Sabendo-se que o tractado éra formado nestas circum-
stancias, naõ havia duvida, que S. M. Catholica o ratifi-
caria sem demora. Sinto ter a dizer, que se frustrou esta
racionavel esperança; que o tractado naõ foi ratificado,
dentro do tempo estipulado, e que se naõ ratificou de-
pois disso. Como he importante que seja distinetamente
VOL. XXIV. N«. 140. B

20 Politica.
entendida a natureza e character desta inesperada occur-
rencia, julgo que he do meu dever communicar-vos to-
dos os factos e circumstancias, em meu poder, que lhe
dizem respeito.
Desejando anxiosamente prevenir toda a futura dis-
córdia com Hespanha, dando o mais prompto effeito ao
tractado, que assim se tinha concluído, e particularmen-
te pelo estabelecimento de um Governo na Florida, que
preservasse ali a ordem, o Ministro dos Estados-Unidos,
que tinha sido ultimamente mandado a S. M. Catholica,
e a quem este Governo tinha commettido a sua ratifica-
ção, que devia ser trocada pela de Hespanha, teve in-
strucçoens de a transmittir â Repartição de Estado, logo
que a rebebece, por um navio do Estado, posto ás suas
ordens para esse fim. Occurrendo demoras inesperadas,
na ratificação da Hespanha, requereo elle que o infor-
massem da causa disto. Foi-lhe dicto, em reposta, que
a grande improtancia da matéria, e o desejo de obter
explicaçoens sobre certos pontos, que se naõ especifica-
ram, produziram a demora, e que se despacharia um
Enviado aos Estados-Unidos para obter deste Governo
essas explicaçoens. O Ministro dos Estados-Unidos
offereceo dar plena explicação, sobre qualquer ponto, que
se desejasse: naõ se aceitou esta proposta. Tendo communi-
cado este resultado â Repartição de Estado, em Agosto
próximo passado deram-se-lhe instrucçoens, naõ obstan-
te o terem-se assim frustrado as esperanças, que havia, e
naõ obstante a surpreza que isso produzio, para informar
o Governo de Hespanha, que se o tractado fosse ratifica-
do, e remettido para aqui, a qualquer tempo, antes do
ajunctamento do Congresso, seria recebido, e teria o
mesmo effeito, como se houvesse sido ratificado no devi-
do tempo. Foi executada esta ordem: fez-se ao Governo
Hespanhola authorizada communicaçaõ, e pela suarespos-

Politica. 11
ta, que se acaba de receber agora somos officialmente in-
formados, pela primeira vez, das causas, que impediram
a ratificação do tractado por S. M. Catholica. Allega o
Ministro de Hespanha, que este Governo tentou alterar
um dos principaes artigos do tractado, por uma decla-
ração, que o Ministro dos Estados-Unidos teve ordem
de apresentar, quando entregasse a ratificação deste Go-
verno, em troca pela de Hespanha; o que elle notificou,
explicando o sentido em que e entendia o artigo. Alle-
ga-se mais, que etse Governo tem recentemente tolerado,
ou protegido, uma expedição dos Estados-Unidos contra
a provincia de Texas. A imputaçaõ destes dous factos
se allega como razaõ, que induzio S. M. Catholica a ne-
gar a sua ratificação do tractado, e para obter explica-
çoens sobre isso se despacharia immediatamente um En-
viado aos Estados-Unidos. Até que ponto estas allega-
çoens justificarão o comportamento da Hespanha, appa-
recerá olhando-se para os seguintes factos, e para as pro-
vas por que elles se mantém.
Ver-se-ha, pelos documentos, que com esta se trans-
mittem, que a sobredicta declaração se refere a uma
cláusula no oitavo artigo, a respeito de certas concessoens
deterras recentemente feitas por S. M. Catholica na Flo-
rida, que se entendia ser uma cessaõ de todas as terras,
que até ali naõ estavam dadas. Era da intenção de am-
bas as partes, que se annulassem estas datas, e se minutou
aquella cláusula para este expresso fim, e para nenhum
outro. Naõ se sabia a data destas concessoens, porém sabia-
se que éra porteriorâ que se inserio no artigo: na verdade,
deve ser obvio a todos, que se aquella providencia do
tractado naõ tivesse o effeito de annullar estas concesoens
seria totalmente nugatario. Immediatamente depois que o
tractado foi concluído e ratificado por este Governo, se
recebeo uma intimaçaõ, que estas concessoens eram de

12 Politica.

data anterior â que se fixou pelo tractado, que este, por
conseqüência, as naõ affectaria. A mera possibilidade de
tal caso, tam inconsistente com a intenção das partes
contractantes, e com o sentido do artigo, induzio este
Governo a pedir uma explicação sobre a matéria, que se
deo inmmediatamente, e que conresponde com esta ex-
posição. Quanto ao outro acto allegado, que este Go-
verno tinha tolerado ou protegido uma expedição contra
Texas, he absolutamente sem fundamento. Desanimou-
se, por todos os modos, e invaravelmente, esta tentativa,
dentro dos Estados-Unidos, como se mostra plenamente
pelos actos do Governo, e pelos procedimentos dos tri-
bunaes. Havendo, porém, causa para recear no decurso
do veraõ passado; que alguns aventureiros tinham vistas
desta qualidade, immediatamente se chamou a attençaõ
das authoridades constituídas naquella parte, para este
ponto, e he bem sabido, que o projecto, qualquer que
fosse, se frustrou.
Estes factos, se presume, satisfarão todo o espirito im-
parcial, de que o Governo de Hespanha naõ tinha causa jus-
tificável, para recusar-se a ratificar o tractado. Um tracta.
do, concluído na conformidade das instrucçoens, he obri-
gatório, pela boa fé, em todas as suas estipulaçoens, se-
gundo a verdadeira intenção e sentido das partes contrac-
tantes. Cada uma das partes he obrigada a ratificállo.
Se qualquer das partes se pudesse arredar delle sem o*
consentimento da outra, naõ haveria regras applicaveis a
taes transacçoens entre as naçoens. Por este procedi-
mento o Governo de Hespanha tem feito ao dos Estados-
Unidos novo e mui sério damno. Disseram, que se
mandaria um Ministro, a pedir deste Governo explica-
çoens. Porém, se tal se desejava i porque as naõ pedi-
ram, dentro do tempo limitado para a ratificação?
i Contempla-se abrir nova negociação a respeito de ai.

Politica. 13
gum artigo ou condição do tractado? Se isto se fizesse,
e que conseqüências se naõ seguiriam? J Em que tempo
ou por que maneira se terminaria a nova negociação ?
Por este. procedimento, tem a Hespanha formado uma
relação entre os dous paizes, que justificará quaesquer
medidas, da parte dos Estados-Unidos, que um senti-
mento da injuria e o devido respeito pelos interesses e
direitos da naçaõ, possam dictar. Na vereda, que se ha
de seguir, se teraõ constantemente em vista estes objec-
tos, e teraõ o seu devido pezo. A nossa honra nacional
deve ser mantida, e deve dar-se nova e distincta prova
daquelle respeito á justiça e moderação, que tem invari-
avelmente governado os conselhos deste povo livre.
Deve ser obvio a todos, que, se os Estados-Unidos dese-
jassem fazer conquistas, ou ainda mesmo quizessem en-
grandecer-se por este modo, naõ teriam motivo para for-
mar este tractado. Teriam muito mais causa para se
regosijar, com a linha de comportamento, que tem segui-
do a Hespanha. Abre-se-lhe amplo campo para a am-
bição. Porém tal carreira naõ he consistente com os
principios de seu Governo, nem com os interesses da
naçaõ.
Depois de uma completa vista de todas as circumstan-
cias, submette-se á consideração do Congresso, se será
próprio ou naõ, que os Estados-Unidos ponham em exe-
cução as condiçoens do tractado, da mesma maneira
como se elle houvera sido ratificado por Hespanha, exi-
gindo a sua parte em todas as vantagens do tractado, e ce-
dendo á Hespanha todas as que lhe pertencem. Seguin-
do este caminho, descançaremos no sagrado terreno do
direito, sanccionado da maneira mais solemne, pela
mesma Hespanha; por um tractado, que ella éra obrigada
a ratificar; e que, recusando fazêllo, deve incurrer na
censura das outras naçoens, mesmo as que saõ mais suas

14 Politica.
amigas: ao mesmo tempo que, circumscrevendo-nos
dentro daquelles limites, naõ podemos deixar de obter
a sua bem merecida approvaçaõ. Devemos ter paz nas
nossas fronteiras, aonde temos sido por tanto tempo in-
quietados: os nossos cidadãos devem ser indemnizados
das perdas, que ha tanto tempo tem soffrido, e cuja in-
demnizaçaõ se lhe tem tam injustamente negado. Com-
pletando estes grandes objectos, temos obtido o que he
para desejar.
Porém S. M. Catholica declarou por duas vezes a sua
determinação de mandar um Ministro aos Estados-
Unidos, a pedir explicaçoens sobre certos pontos do
tractado. r\ Obraremos nós, tomando o território cedido
e procedendo a executar as outras condiçoens do tractado,
antes d'este Ministro chegar e ser ouvido ? He este um
caso, que appuella mui fortemente para a candura, mag-
nanimidade e honra deste povo. Muito se deve á cortezia
entre as naçoens. Com a breve demora naõ perdere-
mos nada; porque, descançando no terreno da immu-
tavel verdade e justiça, naõ podemos ser desviados de
nosso propósito.
Deve-se presumir, que as explicaçoens, que se podem
dar ao Ministro de Hespanha, seraõ satisfactorias, e pro-
duzirão o desejado resultado. Em todo o caso, como a
demora para o sobredicto fim he ulterior manifestação do
sincero desejo de terminar da maneira mais agradável
todas as differenças com Hespanha, naõ pode isso deixar
de ser devidamente apreciado por S. M. Catholica, assim
como pelas outras Potências. Submette-se, portanto, á
consideração do congresso, se naõ seria próprio fazer
contingente a ley, destinada a pôr em execução as con-
diçoens do tractado, se elle for adoptado ; e suspender a
sua operação, debaixo da responsabilidade do Executivo,
de maneira, que dê a opportunidade para aquellas

Politica. 15
explicaçoens amigáveis, que se desejam durante a pre-
sente sessaõ do Congresso.
Communico ao Congresso uma copia do tractado, e
das instrucçoens ao Ministro dos Estados-Unidos em
Madrid, a este respeito; de sua conrespondencia com o
Ministro de Hespanha, e de outros documentos, que
saõ necessários; para dar plena vista da matéria.
He de satisfacçaõ o saber, que o Governo de Hespanha,
no comportamento, que julgou próprio seguir nesta
occasiaõ, naõ tem sido apoiado por outra alguma Potên-
cia Europea. Pelo contrario, a opinião e desejos tanto
da França como da Gram Bretanha se naõ tem negado,
nem aos Estados-Unidos nem á Hespanha, e tem inequi-
vocamente sido a favor da ratificação. Ha também ra-
zaõ para crer, que os sentimentos do Governo Imperial
de Rússia tem sido os mesmos, e que também se tem feito
saber ao Gabinete de Madrid.
Na Guerra civil, que existe entre a Hespanha e as
provincias Hespanholas neste hemispherio, tem havido
o maior cuidado em pôr em vigor as leys destinadas a
conservar imparcial neutralidade. Os nossos portos tem
continuado igualmente abertos para ambas as partes, e
com as mesmas condiçoens; e os nossos cidadãos tem
sido igualmente restrictos de ingerir-se a favor de qual-
quer dellas, em prejuízo da outra. Os progressos da
guerra, porém, tem operado manifestamente em favor
das Colônias. Buenos-Ayres ainda mantém inalterável,
a independência, que declarou em 1810', e de que tem
gozado desde 1810, Igual successo teve também ultima-
mente Chile, e as provincias ao Norte de La Plata, que
lhe saõ confinantes; e igualmente Venezuela.
Esta contenda tem sido, desde o seu principio, interes-
sante a outras Potências, e a nenhuma mais do que aos
Estados-Unidos. Um povo virtuoso pôde limitar-se e se

limitará dentro da linha de eslricta neutralidade. que naturalmente pertence a tal caso. mas naõ está na sua maõ ver um conflicto tam vitalmente im- portante a seus vizinhos. que esteja disposto a tirar partido . que. para subjugar aquellas provincias. seria difficil que a Hespanha pudesse superar. que Buenos-Ayres tem gozado por tanto tempo. o que se mostra mais particular- mente pela indisputada soberania. que se previnam todas as violaçoens de nossa neutralida- de. em que se acham as colônias da metrópo- le. Estes sentimentos da parte dos Estados-Unidos se naõ tem escondido ás outras potências. Naõ se deve dsixar aberta porta alguma. com que ellas tem se- guido o seu objecto. lhes dam vantagens. He da maior importância para o nosso character nacio- nal. sem a sensibilidade e simpathia. que naõ tem tomado parte na contenda. e a grande extençaõ de sua população e recursos. Tem sido o firme propozito deste Governo impedir. Vindo- se a esta determinação. A distancia. o sentimento do que he devido ao character e obrigaçoens da naçaõ. que aquelle sentimen- to seja levado a excesso . que tam forte tem sido em todo o paiz. para a evasaõ de nossas leys. naõ se deve dar alguma opportu- nidade a alguém.](j Politica. com quem he para desejar. como se anticipava nos principios. naõ se pôde duvidar que as naçoens amigas. teraõ a sua devida influencia. que se obre de concerto. Se for manifesto ao mundo que os esforços da Hespanha. evidentemente lhes dam grande direito á favorável consideração das outras naçoens. e indispensável para a moralidade de nossos cidadãos. A firme- za. e he mui grato o ter em meu poder o dizer. saõ ineficazes. pode-se presumir que o mesmo Governo Hespanhol deixará a contenda. consistência e bom successo. que poucos exemplos de natureza contraria tem oceurrido.

para a consideração deste Gover- no. se naõ seria próprio designar por ley. havia esperanças de que se pudesse concordar em um artigo. as proposiçoens. tanto nas IndiasOccidentaes como no continente da America Septentrional. sobre este importante interesse. 15 disso. que se lhes apresentaram como ulti- matum da offerta da parte do Governo Britannico. que naõ foi aceita. he novo motivo para esta medida. Por tanto submette-se á consideração do Congres- so. Os Plenipoten- ciarios dos dous Governos naõ puderam convir em um accordo. se serão convenientes mais provi- dencias prohibitorias. c . 140. A difficuldade de manter os re- gulamentos de nosso commercio e outros interesses im- portantes. XXIV. os diversos portos e lugares ao longo da costa. a communicaçaõ commercial entre os Estados-Unidos e as possessoens Britannicas. O Ministro dos Estados-Unidos teve instrucçoens para fazer outra proposta. e que elles naõ tinham faculdade para aceitar: Quando essas proposiçoens foram transmittidas aqui. tendo em vista este desejável resultado. de igual satisfacçaõ para ambas as partes. Submette-se também ao Congresso. regu- lando. N». Ao tempo em que se negociava a renovação da Coven- çaõ commercial entre os Estados-Unidos e a Gram Breta- nha. e o resultado foi novo es- forço para encontrar as vistas do Governo Britannico. debaixo dos principios de justiça e reciprocidade. Politica. aonde somente sejam admittidos os navios de guerra e corsários estrangeiros. para comprometter o interesse ou a honra da na- ção. nas leys que dizem respeito a esta VOL. livres de abusos. se naÕ seria útil o rever as leys. fôram examina- das com a devida deliberação. sem esta designação. e os dos Esta- dos-Unidos reservaram. Com tudo foi regeitada de maneira amigável. Recommendo â consi- deração do Congresso.

pa- gavel naquelle período. Ainda que os embaraços pecuniários. tenham consideravelmente augmentado no pre- sente. a respeito da verdadeira intenção e sentido do artigo quinto do trac- tado de Gand. mais de 2:500. que cada uma dellas verá da maneira mais amigável quaesquer regula- mentos. se estipulou. indicará as ulterores medidas. tal he a disposição de ambas as partes. relativamente aos escravos. O Ministro dos Estados-Unidos teve instrucçoens de nomear ao Governo Britannico um Soberano estrangeiro. com as sommas a ser pagas no restante do anno. excederão as exigências do Thesouro pelo mesmo período. de- pois da troca das ratificaçoens do tractado de paz. para a decisaõ desta questão. que tem affecta- do varias partes de Uniaõ. que. ainda que naõ tenha sido practicavel concordar em algum ar- ranjamento neste importante ramo de seu commercio. que se tinham levantado entre os dous Governos. aos 30 de Septembro passado. commum amigo de ambas as partes. o que chegou a 18:200. restaram no Thesouro. communicaçaõ. que foram le- vados dos Estados-Unidos.000 de dollars. Pelo primeiro artigo da convenção concluída aos 20 de Outubro 1818. com interesse. que os Esta- dos-Unidos deverão adoptar. As causas que tem operado para diminuir receita do . Depois de haver pago as despezas correntes do Go- verno. por officiaes Britannicos. durante a ultima parte do anno passado.000 dollars. incluído ojuro e reembolçoda divida publica. e ainda continuem a existir. que. que a outra possa fazer a respeito disso. a receita no Thesouro. A re- sposta daquelle Governo a esta proposição. fos- sem referridas á decisaõ de alguma potência ou Estado amigo. que se devia nomear para esse fim. naquelle dia.18 Política.000 dollars. quando ella se receber. que as differenças. montou a 19:000. Vê-se.

ig Thesouro. que recentemente .e a conseqüente queda no preço da maõ d'obra.aparen- temente tam favorável ao bom successo das manufactu- ras domesticas. e o viciado character dessa moeda cor- rente. e tonelagem. Quanto â receita provável do anno que vem. excedem 18:000. A grande diminuição no preço dos principaes productos de crescimento doméstico. Os embaraços pecuniários. provenientes da diminuição dos preços dos ma- teriaes em bruto. Este auxilio. que tem occurrido no presente anno. em conseqüência da perda da confiança individual. Politica.000 de dollars. e das falências. em vez de pôr ao capto desses estabelicimentos o auxilio pecu- niário. A grande diminuição da moeda corrente. que prezisàvam. que vos seraõ transmittidas do Thesouro. e da maõ d'obra. naõ podem deixar de ter um effeito conre- spondente nas rendas. E com tudo está averiguado. para se approveitarem das van- tagens. que os im- postos. as quaes vos habilitarão a julgar. se he necessário novo provimento. e os de todo o anno pro- vavelmente chegarão a 23:000. durante os três primeiros quartéis do pre- sente anno. naõ tem sido menos contrários aos nossos estabelecimentos fabricantes. em ordem a continuar os paga- mentos a metal. que os bancos foram obrigados a fazer. que até entaõ lhes adiantavam. em varias secçoens da Uniaõ. que tam profundamente affectaram os interesses com- merciaes da naçaõ. naõ se obteve de outras fontes.000 de dollars. que tem accrescido nos impostos. que os bancos recusaram. refiro-vos ás relaçoens. obrigaram os bancos a subtrahir-lhes uma porçaõ do capital. que se tem assegurado durante aquelle período. naõ as tem livrado de outras causas ad- versas á sua prosperidade. quando se naõ tentaram essas diminuiçoe s.

e até que ponto he isso practicavel. no porto de Nova York. em muitos casos. com as vistas de permanência. prestando a devida attençaõ a todos os outros grandes interesses da naçaõ. ficará completa no presente anno. em outros respeitos. por sua natureza. e. De que maneira se podem im- pedir os males. he mui de- sejável ao fabricante doméstico. com que se fazia principalmente o nosso commercio. que se mencionam. e sobre o Peapatch no Delaware. nem por isso he menos damnosa em seus effeitos. éra necessário que ellas fossem judiciosamente postadas e construídas. fôram enviadas pelos fabri- cantes para os Estados-Unidos. e espera-se que a fortificaçaõ nos estreitos. que recentemente aftectaram aquelles paizes. As suas manufacturas. no interior. O exame das costas. Para se obterem todas as vantagens con- templadas nestas fortificaçoens. Julga-se que he de grande importância animar as nos- sas fabricas domesticas. tiveram lugar em algumas das nossas principaes cidades commerciaes. As obras na margem oriental do Potomac. no lugar da manufactura. ven- didas a preços abaixo do seu valor corrente. A unifor- midade da precisão e do preço de um artigo. Outra causa mais do abatimento destes estabelecimen- tos. se achará provavelmente nos embaraços pecuniários. para lhes dar ulte- rior acoroçoamento. he o que se sub- mette á sabedoria do Congresso. se possa considerar como temporária e contingente. estaõ muito adiantadas. e tem-se feito considerável progresso na collecçaõ de materiaes para a construcçaõ das fortificaçoens no Golpho de México. e na Bahia de Chesapeake. Posto que esta practica. abaixo de Alexandria.20 Politica. por faíta de um mercado prom- pto e proveitoso. . em conseqüência. está quasi completo. para o estabelicimento de fortifica- çoens. Os progressos.

As tropas destinadas a occupar um posto na emboca- dura do S. para o futuro se irá nisto com maior brevidade. para a construcçaõ de vasos. Naõ se duvida que a nossa marinha de guerra se augmentará. Para protecçaõ do nosso commercio no Mediterrâneo. Logo que esteja completo o exame da costa. as fronteiras do Norte e No- roeste. estaõ vencidas. que esta medida tem sido executada. aonde ficarão até a primavera futura. e em ajunctar madeira. Também se tem feito grandes progressos na construc- çaõ dos navios de guerra. Tenho a satis- facçaõ de dizer. e espera-se o seu relatório no mez que vem. â cerca dos lugares aonde se devem fazer os dous depósitos navaes. A meza. todas as vantagens contem- pladas. a respeito delles. Pedro. composta de engenheiros e officiaes de ma- rinha. o que se espera ficará acabado no principio da primavera seguinte. e entaõ procederão para o lugar do seu destino. em breve tempo. ainda naõ apresentou o seu relatório final. Politica. 21 tem sido vagarosos. para o mesmo fim. e outros materiaes. estaõ ja ali postadas: e as que fôram mandadas para a embocadura do Yellow- Stone no Missouri. subiram por aquelle rio ao Council Bluffs. se achou que éra necessário manter uma . e será posta em todos os respeitos no pé que ella determina. até o numero providenciado pela ley. mas como as difficuldades. para o que tiveram instrucçoens. no Mississipi. e que promette produzir. nas partes até aqui menos exploradas e conhecidas. ao longo da costa no Atlântico do Sul e nos Oceanos Paci- fico e Indico. na conformidade das re- soluçoens de 18 de Março e 20 de Abril de 1818: mas tem examinado a costa ali designada. em amizade com as tribus de índios. os engenheiros empregados nisso procederão a exami- nar.

Ha muita razaõ para crer. em um feito brilhante na ultima guerra. e da grande responsabilidade connexa com elles. para appre- hender todos os navios.22 Politica. . sustentadas por actos similhantes de outras naçoens. a nossa communicaçaõ com as potências. Espera-se que estas medidas rigorosas. a qual parece conveniente continuar agora. como uma calamidade nacional. seria mui in- terrompida. ficaria este abandonado a ser preza daquella rapa- cidade. Tem-se dado ordens aos comman- dantes de todos os nossos navios de guerra. terminarão em breve tempo um commercio tam vergonhoso para o mun- do civilizado. e empregados naquelle trafico. força naval considerável. N a execução dos deveres. 7 de Dezembro. abusando das bandeiras amigáveis. que tem assumido. A sua ga- lhardia. 1819. he com profundo sentimento que tenho de referir a perca. A sua morte he deplo- rada. em execução da ley desta secçaõ. aug- mentou a nomeada de seu paiz. que estes actos impõem. navegados com bandeira nossa. quando naõ fosse de todo destruída. para se proceder contra elles da maneira prescripta pela ley. que se limitam por aquelle mar. JAIMES MONROE. por aventureiros de todos os paizes. Também se tem prestado devida attençaõ á suppressaõ do commercio de escravatura. que se soffreo com a morte do Commodoro Perry. que se qualquer porçaõ da esquadra até aqui postada no Medi- terrâneo se retirasse dali. que. se naõ se protegesse ali o nosso com- mercio. Washington. Tal tem sido também o augmento do espirito de pirateria nos outros lugares mencionados. e de os conduzir a porto.

as- sim pelo nosso rescripto de 26 deOutubro. Tendo communicado â assemblea provisional dos Esta- dos. em tanto quanto éra possivel. Politica. depois de sua dissolução: tendo ouvido a sua opi- nião sobre as disposiçoens. as bazes sobre que nos propomos estabelecer a as- semblea geral dos estados deste Reyno. depois da dissolução da assemblea provisional. a respeito dos pontos sobre que se propunha mudança. como pela nossa declaração de 11 de Novembro: em fim tendo convoca- do nova assemblea dos Estados. Rey da Gram Bretanha e Irlanda. e reconhecendo os direitos de soberania. e portanto decretamos o seguinte:—• 1. Patente para a organização dos Estados Geraes do Reyno. a todas as provincias. Principe Regente. &c. que passaram para príncipes do Império Ro- mano. para unir em um Reyno as Provin- cias previamente separadas. parte de membros.Que a assemblea dos Estados Geraes consistirá da- qui em diante. em nome e a bem de Sua Majestade George III. julgamos agora próprio fazer a seguinte ordenação sobie a sua constituição e organiza- ção. e tendo feito saber a nossa reso- lucçaõ. em duas Câmaras. &c. que se deviam fazer nesta matéria. que tenham direito pessoal a seu assento. e o Acto Fe- derativo tem feito. que as diffe- rentes provincias tem até aqui gozado. George. e . os seus desejos. conforme as estipulaçoens que o Congresso de Vienna. tomando em consideração. e será composta. Rey de Hannover. sobre estes objectos. 23 HANNOVER. prestando toda a attençaõ devida ã continuação dos estados.

excepto os indivíduos.24 Politica. em virtude de seu of- ficio. deve o Deputado possuir. Saõ excluídos do privilegio de serem eleitos. a Universidade. pelo Acto do Congresso de Vienna : que devem ter chegado á idade de 25 annos: e que de- vem possuir certa propriedade independente.000 rix-dollars por anno. livre de hypo- tecas e de outro qualquer encargo: para ser deputado na segunda Câmara. Os estabelicimentos. 4. pelo menos . e que todos os projectos que forem apre- sentados aos Estados do Reyno por El Rey ou seus Ministros. que viverem nos estados ou entrarem no serviço do Duque de Brunswick. 600 rix-dollars. mas tem a faculdade de ele- . Que os membros de ambas as câmaras devem pro- fessar uma das três confissoens Christaãs. que produza o rendimento liquido de 6. 300 rix- dollars. 3. durante o tempo porque he eleito. excepto se obtiverem assento na assemblea. seraõ dirigidos á assemblea convocada dos Estados. a mem- bros de suas corporaçoeus. na sua escolha. represesentando Cavalleiros.) Para ter assento na Primeira Câmara he necessário possuir um morgado. escolhidos como adiante se or- denará. os que residirem fora do Reyno. (O resto do artigo determina a qualificação dos mem- bros quanto á propriedade. e osConsisto- rios. e representando proprietários. e parte de Deputados. que tem o privilegio de mandar deputados para os Estados Geraes naõ saõ limitados. Que as duas Câmaras seraõ iguaes em seus direitos e privilégios. ou tiverem entrado no serviço de algum Estado estrangeiro. que sao pos- tas no mesmo pé. 2.

que reque- rem as necessidades publicas. que naõ sejam seguros pela experiência. e os objectos. D . que a eleição para deputado se faça perante o magistrado ou representante da corpora- ção de cidadãos. XXII. e que o ajunctamento dos cidadãos para esse fim será feito segundo a constituição de cada cidadã em particular. 140. 25 ger. os Estados Geraes do Reyno gozarão essencialmente para o futuro. (O resto dos artigos se omittem por serem de menor importância. Politica. sobre matérias que pertencem á sua deliberação. 5. debaixo da concurrencia constitucional do Sobe- rano: o direito de deliberar na mudança das leys. quem julgarem merecer a sua con- fiança. da mesma forma que os estados provisionaes do Reyno as tem até aqui ex- ercitado : a saber. de fora dellas. que antigamente pertenciam ás assembléas particulares das provincias. Sendo El Rey informado da petição que lhe fez o Ay- VOL. No. e he ordenado. Decreto sobre os direitos de exportação da cortiça. que se refirirem somente a alguma província. e o direito de fazer representaçoens ao Soberano. O mesmo privelegio de pre-eleiçáõ se extende ás cidades. Os Estados Geraes do Reyno tomarão conhecimento só daquellas matérias. que disserem respeito a todo o Reyno.) HESPANHA. E como naõ he por forma alguma da intenção do Principe Regente introduzir uma constituição fundada sobre prin- cipios. e ordenar a sua adminis- tração. o direito de votar as taxas. seraõ tractados ante os Estados provinciaes. 6. somente aquelles direitos.

que dali se cobraram. Deus vos guarde muitos annos. se pague pela exportação da cortiça em taboas. informando a S. (Assignado) SALMON Ao Ayuntamiento de San Felice. para as comparar com o resultado da presente Real resolução. quando tiveram obtido as dietas machinas. em na- vios Hespanhoes. e 1 real por quintal na cortiça ja cortada.26 Politica. em navios nacionaes. . e os fabricantes de cortiça da provincia de Catalunha. M.. pelo presente. as machinas que se usam nos paizes estrangei- ros para cortar a cortiça de uma pancada. resolveo ao mesmo tempo. de 1819. exportada durante os últimos cinco annos. que a Meza do Commercio de Barcelona providencee sem perda de tempo. Madrid. que se dem immediatamente contas da quantidade de cortiça em taboas. 2 de Dezem- bro. que. e 99 reales por dicto» em navios estran- geiros . e em quanto se naõ publica a tarifa. e cortada. Por ordem Real vos communico o sobredicto para vossa regra e guia. M. e S. untamiento de vossa cidade. 90 reales por quintal de Castella. e 3 reales por quintal em navios es- trangeiros. foi servido ordenar. declarando o valor de cada um. e das rendas. E finalmente. em que se acham com os competidores estrangeiros. requerendo serem aleviados da desvantagem. de Gnoxols.

0 — 75 D* de seda e ouro ou prata. por lb 0 — 40 Pano de linho. fustoens. 1 — 80 Algodoens pintados e chitas. por lb. Nova pauta da alfândega. bran- cos. 0 — 80 Meias. &c. branco e tingido. por lb. por lb. por lb. seraõ admittidas a despacho segundo o novo regula- mento. por lb. 7 — 80 . UM . O Governo Imperial vai a publicar nova pauta dos di- reitos da Alfândega: muitas fazendas. &c. até aqui prohibi- das. &c. por lb. também aqui se achará em alguns artigos uma diminuição de direitos considerável em alguns gêneros. por pude 2 — 50 Panos d'algudaõ. 0 — 37 i Musselinas. 0 — 30 Renda. Pelo que respeita os gêneros do Brazil. luvas. . <y o etf 3 •81 •% «» g Algudaõ fiado. de linha. toalhas. 5 — O IK ordinária. cambraias. e outros panos d'algodão transpa- rentes. 2 — 50 Estofos de seda 1 — 95 D» seda e algudaõ. por lb. por lb. ( 27 ) COMMERCIO E ARTES RÚSSIA.

Cameloens. 0 40 Caffé por pude 2 __ 0 Assucar bruto.° excedendo d. 1 — 35 Felanellas. Anil. por lb.° em achas. 0 — 60 Vigonia. 0 — 60 Casimiras. por lb. por pude 0 — 75 D° refinado por pude 3 — 75 Licores de todos os gêneros ficam no mesmo d'antes. 0 — 16 Fiado de laã. por lb. por lb. por lb. por 10 pudes 0 — 50 D. menos de 27 wershock de largo. 1 — 50 Cameletes. e luvas de laã. 2 — 25 Panos. por lb. por pude 1 — 60 Bronze. por pude 2 — 0 Loiça de barro. por lb. por lb.° e por mar. &c. por pude 2 — 50 Cochinilha 7 — 50 Pao Brazil. 3 — 0 Retrós por lb. por lb. por 10 pudes 2 — 2 . 0 _ 20 Estofos de laã fina de merino. 0 40 D. com ouro ou prata.28 Commercio e Artes. por terra. Meia seda. tapetes meias. baetas. .

Salsa Parrilha. Hida 30s. . a 41s. ( 29 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. . a l s . a 68s Caffe Rio 128s. ( l s . Pará l s . em navio Portuguez J Minas novas l s .J Maranham . 130B. . . . . direitos pagos pelo ( e m rolo. por 1121b. a 30 25s Dobroens Hespa. l i s Op. . . a 30s.livre por Tabaco I em folha. * exportação Tapioca. . a 50 42*. a 8|p. I Para l s . . 5s. Algodam. . v comprador. . à 13s. 8s. a 7p. 3Jp ou Inglez. Rio Grande por 1*23 48s. por couro k Rio Grande <B «C Pernambuco.. > direitos pagos pelo Páo Brazil . 3 s . por lb. 4p. C e b o . * Mascarado . LONDRES. l s . Assacar . . l s ... . Rio da Prata. Bengala 60s 62f. a ls. i Batido 40s. a 35» 35s. 27s. 2 p . ^ t^e&fti . a ls. de cavallo 5p. Pernambuco £ c omprador. Preços.Parâ 60s. . }p° rll2. 6ip Anil . Op Óleo de cupaiba • • • • • • • < ls l p . Brazil I20s. ÍA 10 p . 25 de Janeiro. Livre de direitos por Arroz Brazil exporta çaõ. Rio 5 por lb. a 132s. por 100 lb. Ipecacnanha Brazil.b - Ouroou 48 Op Páo Amarello. Ouro em barra £ 3 17 10} Brazil. . a 30 30s P e c o s . . a 7|p. a 46s. de 1820. 5p. 5p. a ls. Cacáo t. Rio da Prata 57s. Chifres. . 5p. Câmbios com as seguintes praças. salgados • Rio Grande. . . . Bahia por lb . pilha 1< B 6|P. a ls. 5p. . a ls. Gêneros. .. a ls. 5£p ÇCapitania. . a 14p 6& porlb. 7p. 3p. 'C a 6|p. v Pernambuco l s . . Peças de 6400 reis Lisboa 25s. a 2s.Brazil 9p. a 30 25s nhoes por Madeira 25s. dictos 0 5 0 onça Açores 25s.. 4p. a 52s. 42s. Qualidade. l p . Direitos. Redondo . Rio de Janeiro 56 Hambui go 36 21 Lisboa 52 Cadiz 34| Porto 52 Gibrillar 30 Paris 25 15 Gênova 44| Amsterdam 11 19 Malta 46 Espécie Seguros. 9p.. . . p o r 1121b. 4p. a 30 3Os Prato em barra 0 5 3 Rio da Prata 42s.. A 7jp. . 2p u.. . . Porto 25s.

B. S. M. Remarks on Insanity. Por Jaimes Burney. F. debaixo dos capítulos daquellas moléstias.6d. Ingle^ Domestic Medecine. Collegial do Collegio de Médicos: tendentes a illustrar os symptomas phisicos e o tractamento da moléstia. M. Burney on Planetary Motions: preço 2s. a que se applicam como curativo. ( ao ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. Collegial do Collegio de Oriel em Oxford. 6d. 8. . R. da Amada Real. para explicar os movimentos planetários. e com instrucçoens para a practica da mede- cina por hervas. que se tem até aqui produzido. Ingle. Observaçoens sobre a loucura. D. Por J. sobre os systemas. arranjadas em ordem alphabetica. Sys- tema completo de Medecina domestica. fundadas na practica de Joaõ Mayo. para o uso das familias: com instrucçoens para a applicaçaõ de hervasao curativo de todas as moléstias incidentes ao gênero hu- mano. 12. formando esta uma obra companheira do herbolario de Culpepper.TO. mo preço. 4s. Por Thomaz Mayo. Commen- tario. Escudeiro. preço 5s.

Corrobora elle isto pela opinião agora geralmente recebida. e ser o resultado das leys da gravidade. 6d. de que o sol e os planetas se adiantam para a constellaçaõ Hercules. he indicação clara de que tem mo- vimento progressivo. que Newton demonstrasse a gravidade universal. Membro do Real Col- legio de Cirurgioens. deve pertencer a todos os corpos celestes. que um corpo em um espaço livre. Re6tos orgânicos do mundo primitivo. Literatura e Sciencias. e â pos- teriori. que o movimento de rotação do sol foi descuberto por Galileo. muitos annos antes. diz elle. ou attracçaõ uni- versal. que todos reconhecem. As conseqüências. Diz o Capitão Burney. ou exame dos fragmentos mineralizados de vegetaes e animaes do mun- do antediluviano. em que se dà um esboço histó- rico da origeme progresso da sciencia. que resultam destas duas causas saõ vagarosas. Argumenta o A á priori. O Author deduz este movimento em todo o systema. que. A opinião de que o sol tem movimento progressivo. 3 vol. Por James Parkinson. qualidade. Parkison on Gas light: preço 21*. que annunciamos aqui. 31 O Capitão Burney publicou o folheto. que a rotação produz o movimento progressivo. e theorias da luz . que geralmente se denominam Fosseis extraneos. tendo rotação ao redor de seu eixo. Com 53 estampas. to preço 10*. 4. e se desenvolvem gradualmente pela combi- nada reflexão do gênero humano. do movimento de rotação do sol. Theoria e practica dà illuminaçaõ com gaz. Parkinsoris Organic Remains. naõ foi admittida senaõ muito depois qne se descubrio o seu movimento de rotação. combatendo o systema recebido do movimento dos planetas.

8™ preço lOs. P. &c. feita por ordem do Governo dos Estados Unidos. Arrowsmith. Viagem â Nubia e inte- rior do Nordeste da África. e distribuir o gaz do carvaõ. Elementos da Lógica de Medecina. e formação do carvaõ: com a descripçaõ dos mais approvados apparatos. Com estampas. Arrowsmith Deaf and Dumb. Blane's Medicai Logick.vo preço 7s. Medico do Principe Regente. Esc. 6d. para produzir. Burkardts Traveis in Nubia. . Bra- kenridge. preço 7s. 8TO. recolher. combustão. Ensaio sobre a natureza do Calor. incluindo uma relação das provas. Por Sir Gilbert Blane. on Heat and Light. L. Baronete. Burkardt. Por Carlos Carpenter Bompass. Brackenridge Voyage to South America. Peckston. na fragata Congress. Por J. 8. illustrados com provas e exem- plos practicos. A arte de instruir as crianças surdas e mudas de nascimento. para os fins da illuminaçaõ. Por J. Luz e Electricidade. Advogado nos Tribunaes de Ley.32 Literatura e Sciencias. &c. Bompass. S. Por T. Por H. Viagem â America Meredional. relati- vas á natureza contagiosa da febre amarella. Secretario da Missaõ. M.

destinada à instrucçaõ da mocidade Por. con- forme âs collecçoens. Collecçaõ Chronologica de leys Extravagantes." As idéas liberaes ultimo refugio dos immigos da Religião e do throno. Sebastião.. por J. accuradamente revistas. As quaes accrescêram as compi- ladas por F. E . Literatura e Sciencias. porJ. manuscriptos authenticos. provisoens e re- gimentos d' El Rey D. Collecçaõ Chronologica de varias leys. com algumas mais de Phillippe 2. 4. Obra traduzida da lingua Itariana. VOL. que daquellas se fizeram e inseri- ram na ediçaõ Vicentina destas do anno de 1747. Sahioá luz. 6 vol. da C. u o . I. I. e fre- qüentemente emendadas de muitos erros e faltas daquel- las e outras ediçoens. em 1603 Precedidas umas e outras da Ordenação da Ordem do Juizo. Desde este anno até o de 1761.. França em suas addiçoens e Appen- dix. 33 PORTUGAL. poste- riores á nova compilação das Ordenaçoens do Reyno publicadas em 1603. de F.° de 5 de Julho de 1526: ordenado tudo e correcto.": anteriores à publicação de suas Ordenaçoens. Joaõ 3. 400 reis.° e 3. 1810. de F. e seu Appendix do de 1790. d'El Rey D. conforme âs primeiras edi- çoens. 1919.° preço 6. XXIV. em 1570. para servir de Ap- pendix á nova ediçaõ das que collegira Francisco Cor- rêa. N . preço 600 reis. Recenciadas todas.

Daremos alguns extractos daquel- le artigo.273 francos. para dar-mos a conhecer sua tendência. a 1:480:244. e se tirarem o termo médio entre este calculo e o de Mr. na- turaes e adquiridos. Producto da agricultura 4:678:708. O termo médio destes cálculos he 1:478:461.370 Além deste calculo se produzem outros o primeiro tira- do dos tombos (cadastres) dos Cantoens. teremos 1:411: 582. de 1:626:000. A terceirahe conforme aos relalorios dos Commissarios especiaes. 176 fran- cos . he de 37:522:061.885 Despezas . por Joaquim Jozé Pedro Lopes: preço 4000 reis. preço 240 reis. Chaptal.470 . 3:334:005. comparando a Inglaterra com a França. segundo o qual esta mesma avaluaçaõ chega a 1:323:138.653 francos.34 Literatura e Sciencias.515 Producto liquido 1:344:703.877 francos. Este resultado geral de avaliação sobre o capital em- pregado em França na agricultura. e phisicos. traz um curioso artigo. ComparaçaõEstatistica da França e Inglaterra O Edinbourg Review. A segunda avaliação he tirada do producto médio de um acre. Pelo Bacharel Antonio Joaquim de Gouvea P i n t o . Memória. sobre o verdadeiro direito e melhor practica das licitaçoens nos inventários. publicado no fim do anno pas- sado. em seus recursos moraes.000 francos. tugueza.

segundo o calculo de Mr.748 | 26:542. 192:000.122 Total 430:521. velas &c# deixando um producto liquido de 182:005.925 Neste calculo se diz. Literatura e Sciencias. se deve attribuir ao estado do papel moeda na Inglaterra. que vem a ser quasi 10 por cento. ou cerca do duplo da Inglaterra.600 Commercio interno e estrangeiro 88:375. Mr. edifícios. carvaõ.000 de maõ d* obra. França. Chaptal diz.748 | 297:325. que parte dos 24 milhoens esterli- nos. e 186:000. Agricultura e Pescarias 128:917-624 | 194:946.203 Fabricas. 85 francos. Minasr e Mineraes 123:230.000 de ferramenta. e ainda assim o producto de sua agri- . Chaptal he de 130 milhoens. que a superfície das ilhas Britannicas he cerca de 64% milhoens de acres Inglezes.221. a obra do Dr.400 francos: desta somma se tira. que naõ tem feito menos progressos doque a agricultura. pelo auxillio da Chimica e damechanica. e a França. e a França tem a vantagem do clima a seu favor. Colquhoun contém o seguinte estado comparativo dos lucros annuaes da Inglaterra e França. e tomando a sua avaliação dos lucros annuaes. Mas pela tabeliã que daõ os Redactores. A proporção de terreno naõ cultivado na Inglaterra he para o da França como 3 para 7.000 j 75:837. como valor de materiaes em burtodo paiz 416:000:000. especificando 08 differentes ramos de manufacturas. que a somma total dos productos da industria fabricante em França. Mas a verdade he. Quanto ás fabricas. achamos em ultimo resultado. Agora. na seguinte forma:— Inglaterra. em que o producto da agricultura Franceza excede á Ingleza. dá umjuro de 3 j por cento. chega a 1:820:102.

em França. o valor do producto Inglez será para o da França como 15 para 19. por causa de sua raridade. daremos as mesmas palavras dos Reviso- res. porem a arte de cultivar he menos bem entendida. Se daqui se deduzir a depreciação do papel moeda Ing- lez. O paizano na França he particularmente ignorante. sendo as superfícies de 3 para 7. Reduzindo estas proporçoens a iguaes superfícies. que lhes tem preparado todas as vantagens. Os processos saõ menos illuminados. cultura comparado com o da Inglaterra he de 19 para 21. Sobre o estado comparativo da agricultura. ou cerca de 3 para 4. cujos nomes he verdade merecem grande veneração. e o motivo para reflexão providente. A classe mais elevada dos cultivadores. que um terreno menos propicio. a proporção de ter- reno inculto he menor do que na Inglaterra. e ha menos principios em sua practica. porém que naõ podem bastar para iIlu- minar uma população.36 Literatura e Sciencias. a quem a necessidade naõ impel- le a attender a seus conselhos. e ainda que tenha aprendido a ler e escrever. que toda a sciencia de agricultura do paiz. He â anxiedade. para lhe dar a solidez de sciencia. em fim. he ainda mais inferior nesie sentido. e a serenidade do clima lhes poupa o trabalho de providenciar contra a inclemencia do tempo. e um sol menos fomentador . em Ingla- terra e França. a saber i. e. nada o induz a reflectir. ou incerteza das estaçoens. o observador im- parcial deve confessar. te- remos um excesso de 3-7mos. que. excepto o estimulo para pensar. Descançam con- fiadamente nos dons da natureza. ** Temos visto. se tem concentrado em poucos homens. A fertilidade do terreno naõ obriga os habitantes da França a excogitar laboriosos methodos de o melhorar. a favor da Inglaterra.

e os esforços de nos- sos ilhiminados proprietários.° a cultura das batatas. porém meramente asseveramos. Chaptal. mais do que de conhecimentos ou esforços dos homens. du- rante os 30 annos passados. como se os rebentoens de cada raiz ou semente crescessem por uma medida commum.° a introducçaõ da be- arrabia: 3. Todo o campo apresenta uma superfície igual. nos tem tocado a apparencia das nossas searas lnglezas. No estado de madureza a espiga de trigo he mais densa mais comprida e mais pezada. quando falia do seu assucar. '* Os melhoramentos. que tem conservado o cal- cado caminho da practica. A côr." " Ha muitos annos a esta parte. Literatura e Sciencias. que antigamente desdenhavam os pobres. que tem tido a agricultura. e do man- timento que dà o seu refugo. principalmente:—1. 37 criam nos espíritos Inglezes. A nossa cevada. e nunca mais do que. Disto nos parece. Perguntar-lhe-hiamos quantos hectares de betarravia se tem cultivado em .° os merinos. no mesmo gráo que temos visto em França: o nosso trigo naõ he tam matizado com a papoula vermelha. que Mr. diz Mr. em tam grande porçaõ de nossa população. que saõ os seguintes. no presente anno. em vez de ser de um queimado amarello pálido. que nós attribuimos a dif- fusaõ geral dos conhecimentos da agricultura. mas agora se encontram nas mezas dos ricos: 2. he da mais rica côr de laranja: e o todo apresenta uma pintura de cui- dado e de attençaõ. aberto ás especulaçoens do philosopho. comparadas com as da França. Chaptal ultrapassa a importância da betarravia mui ex- travagantemente. e sustentada por um pé mais robusto. NaÕ intentamos depreciar o estado da agricultura Franceza. na primavera naõ he abatida com a grade. que 6e naõ acham era França. que ella deduz as suas principaes vantageus da fecundidade da natureza.

de Lima havia sido portador : toda a via este conselho prevaleceu. Ella consiste em que. p. França.a Coincidência de datas mui notável. 38 Literatura e Sciencias. que. e mui provável he que o leitor attento a tenha ja descuberto no discurso precedente. 618. e que naõ nos limitamos ao prazer da vaidade. e isto deve necessariamente falhar." AS QUATRO COINCIDÊNCIAS. (Continuadas de Vol. nao quadrava com o conselho. que elle mesmo conduz ? Até que o assucar desta planta seja um artigo de commercio commum. devemos considerar este ramo da industria como meramente the- orico. X*XIII. naõ traz nenhuma vantagem. e todos três em sentido op- posto.) 4 a . quando o vinho for abundante. porque essas medidas eram fundadas na ignorância em . em nossas especulaçoens de industria. que o tem tentado. de que Mr. que se achavam em Portugal. he a opinião de muitos. e quantos hectogramas de assucar se tem delia extrahido. excepto no estabelicimento. por- que me parece he digna da qualificação de feliz: dar-lhe- hei o nome de singular. Addicçaõ. Paris e Londres adoptou medidas decisivas para a negociação de que se tracta. e em 8 de Novem- bro se publicou o Decreto. sem a distilaçaõ dos espíritos. Alem disto. Coincidência feliz de datas. no mesmo dia (22 de Outubro de 1807) cada um dos três gabinetes de Lisboa. que nos apega- mos aos factos. nós os Ilheos. que ordenava o seqüestro de todas as propriedades lnglezas e a detenção de todos os vassallos Inglezes. A convenção. Supprimi uma 5. que eu tinha assignado.

&c. que successivamente recebíamos das hostilidades com- mettidas em França. Mas o que acabou de consternar-nos fôram as noticias. e começadas pelo seqüestro dos na- vios Portuguezes. que estavam nos portos de França e de Hollanda: a ordem dada á embaixada Portugueza em Paris. os rumores vagos do tractado de Fontainebleau. A. que recebe. S. as quaes continuaram sem interrupção nas quatro partes do mundo: ainda mesmo depois da partida de S. assignando comigo a Convenção de que acima faliei. para sair da capital e do território do Império em tempo determinado. e começa- ram as tomadias dos navios mercantes Portuguezes. M. Napoleaõ. Em conse- qüência da saida do Ministro Britannico. &c. isto he . &c. mos dos portos de Hespanha. R. e que até entaõ se tinha conformado com suas instrucçoens de naõ se apresentar de fronte de Lisboa. attento o que fica dicto. e em fim o Moniteur d e l i de Novem- bro. que cruzava na costa. R. 39 que cada um se achava á cerca dos verdadeiros sentimentos dos outros. A. para o Brazil. no acto mesmo em qae tomava sua resolução. Sir Sydney Smith ordenou o bloqueio do porto de Lisboa. &c. &c. unindo-se pelo decreto desta data a S. com tudo isso o Ministro Inglez tirou as armas de seu Sobera- no de cima da porta do seu palácio. Com este principio de hostilidades maritimas da parte dos Inglezes. Bem que o effeito deste Decreto houvesse de ser em grande parte illussorio. e no dia 11 retirou- se com todas as pessoas da sua Legaçaõ para bordo da esquadra de Sir Sydney Smith. que repetia a phrase celebre. que a Casa de Bra- gança havia cessado de reynar. combinávamos nós em Londres as noticias. O Gabinete de Londres. mandando retirar a embaixada Portugueza. &c. Literatura e Sciencias. no lado opposto. o Impera- dor dos Francezes.

Bilbao.. havia desguarnecido suas fronteiras de tropas. na direcçaõ de Portugal. A perda de S. que éra Mr. naõ éra certo que deixassem entrar Iog-o al- gum com bandeira parlamentar. He claro que. o que tirava todas as duvidas de quaes fossem suas intençoens. A. que pudesse lançar na costa de Portugal um correio. quando considerávamos que S. Os Ministros Inglezes de boamente se prestaram a quanto lhes pedi. R. que eu estava determinado a mandar com despachos. que o pudesse salvar. e uma carta di- rigida a S.. de o fazer entrar em Lisboa como par- lamentario. sylvestre. S. mui longe de ver o perigo. no dia . A. R. fizeram também partir Mr. e Santander. e as tinha mandado para as costas de mar. para o avizar do perigo que o ame- açava. e no caso presente a brevidade éra tudo. para se oppôrem a qualquer tentativa da parte dos Inglezes. as quaes nos certifi- cavam da marcha rápida. e de tudo quanto o General Junot. Menil entrou como Parlamentar em Lisboa. Mr. Menil levava instrucçoens para desembarcar em Cascaes. com ordem de expedir immediatamente Mr. dando-me uma embarcação veleira. Ambos embarcaram em um navio ligeiro. e. e outros Generaes e Offi- ciaes Francezes tinham dicto em Victoria. nos pa- receo inevitável. o que em tal momento éra impossível. Quando isto naõ fosse practicavel. a galope. Burgos e Val- ladolid. posto entre dous fogos. do exercito de Bayonna. Mr. Menil. e com o meu correio.40 Literatura e Sciencias. E muita maior razaõ tínhamos para temer. Eu roguei aos Ministros Inglezes me ajudassem a tentar um ultimo esforço. estando os portos fechados para os navios Inglezes. Sebastião. Menil. por assim dizer. e sendo possivel. a menos de intervir algum milagre. A.. R. dirigido ao Almirante Sir Sydney Smith. correio do gabinete Inglez.

A. R. foram recebidos pelos habitantes de Lisboa humana e amigavelmente. Em todo este V O L .N°. R. R. Todos os soldados. depois de 11 de Novembro. 140. em conformidade das instruc- çoens. A. R. R. S. 41 24 de Novembro. dormio a bordo da sua náo Almi- rante. com a vanguarda do seu Exercito. e caindo de frio e de fome. mas no dia 29 de manhaã mudou. a Re- gência. e toda a sua familia chegaram sem perigo ao Brazil. N o dia 28 o vento foi inteiramente contrario. A. ficava em segurança deixaram logo os ventos de lhe ser favoráveis. A. pelos votos unanimes de todos os membros do Conselho. R. e principalmente do General Lecor a noticia de que a Vanguarda do Exercito Francez ja estava em Abrantes. q u e a ellasejunetaram N o dia 30 entrou em Lisboa o General Junot. que S. Para este effeito tomáram-se logo rápidas medidas. e as instrucçoens. que deixava em Portugal. para receber as tropas Francezas como amigas. de Araújo no mesmo momento em que S. R. Estivemos nmito tempo em Inglaterra sem saber das mudanças. mor- tos de fadiga. recebia de de três pessoas differentes. Se os ventos*tivessem * Tanto que S. annunciou. sem çapatos. que lhe dava. No segundo dia de viagem soffreo 'una furiosa tempestade. mas S. A. Na Europa naõ fôram os negócios tam felizes. XXIV. que dispersou toda a esquadra combi- nada. que tinha h»vido em Portugal. F . esfarrapados. A. por um Decreto impresso. se fez ã vela com a esquadra Portugueza. R. e muitos navios mercan- tes. Convocou-se immediatamente um Conselho de Estado^ e S. e no dia 26. Literatura e Sciencias. isto he. tinha deixado. A. A. na distancia de vinte léguas de Lisboa. e S. No dia 27 j a S. e entregou seus despachos a Mr. decidio-se a embarcar para o Brazil.

R. pouco mais ou menos ja um mez depois que S. bem pelo contrario. A. em 29 de Novembro fosse sabida em Inglaterra. quando este ja estivesse ás portas e Lisboa. R. que a commandava. Menil. ejanaô queria ouvii nada de mim. A. por lá linha passado. Esta foi tomada. que ao menos se desse ao General Beresford.. A. . A. que S. por forma nenhuma queria ter guerra com os Francezes. e com Lord Strangford. seria ohrigado a receber do General Junot. e neste caso he impossível adivinhar quaes seriam as condiçoens. que naõ ousou interpretar ou suspender sua execução. R. e se a saida de S. pois éra portador da boa nova. R. ja estava conciliado com os Inglezes. Se os ventos houvessem sido tam favoráveis como antes. Debalde eu representei e pedi. R. A expedição deo á vela de Cork a 8 de Dezembro pouco mais ou menos. mui provavelmente sua ida teria sido inútil. Menil receava ja estar em guerra com os In- glezes. em 26 de Dezem- bro de 1807. e S. que. em nada fui atteudido. ex-pedio ordens paia a índia. Mas mui longe deste receio foi a segurança of- ficial.e Macao na China. ordem de tocar em Lisboa. inas suas ordens eram tam positivas. A expedição destinada para Ma- deira. e demorrada em Cork. se a convenção de 22 de Outubro passado fosse ratificada. a pezar de saber. que me custou a restituição da quella ilha. que S. para que se nos tomasse Goa. retardado três ou quatro dias a chegada do meu correio. O General Beresford ja a esse tem- po o sabia. a expedição naõ teria partido. R. O Ministério Jnglez dava-se ja por logrado. particular- mente se reflectirmos. se passasse ao Brazil. O ministério. tudo tempo eu bebia vagarosamente todo o cálice amargoso da minha situação. que S. nem eu por con- seguinte teria passado por todas as agonias. desde o mez de Agosto teve ordem de fazer vela. para informar-se do que neste intervalo tinha acontecido. na Irlanda. que lhe levou Mr. &c. A. A.42 Literatura e Sciencias. ou de fallar com Sir Sidney Smith. e que antes da che- gada de Mr.

(Continuada do Vol. e de as pôr em estado de exercitar as suas profissoens com maior intelligencia. naõ intento examinar outra cousa. por qualquer modo que a elles se diri- gisse. sobre o meio de communicar a instrucçaõ ás clas- ses industriosas da sociedade. mas seria necessário. Naõemprehendi tractar de todas as partes da Economia Politica. S. reunir uma massa de observaçoens e de conheci- mentos. Literatura e Sciencias. C35. XXIII. p. para entrar nisto. e felizmenee ainda a tempo. senaõ o monopólio. debaixo do pretexto de aprender os of- ficios. e mais bom successo. decidio- se a embarcar. Fim. por exemplo. Poder-se-hia. ja aos negoci- antes. ja aos mestres dos officios mechanicos. naõ menos importantes do que curi- osas. fazer muitas indagaçoens. e que muitos negociantes desejam que as leys tornem a renovar. Em cada officio fôram os estatutos sobre os aprendi- . R. Dos aprendizes dos officios. justamente receoso de cair em poder de Junot. A. ECONOMIA POLÍTICA DE SIMONDE.) CAPITULO IV. as minhas forças naõ bastariam pára andar tam vasta carreira. pois. 43 ficava esquecido. Tractando dos apren- dizes. que. e os Inglezes o receberiam com seus braços abertos. que me saõ entranhos. por um lado. monopólio este. concedem os estatutos mercantis. e por outro ladoja mui animado com a certeza de ser bem acolhido dos Inglezes. que a revolução destruio.

de toda a participação. que só podiam dar. que poderia ser suftbcado.44 Literatura e Sciencias. nem para o commercio. Como naõ ha escholas para as artes mechanicas. por meio de regras commums. e sua constante ap- plicaçaõ. que recebiam para aprendizes. homens de talento poderiam. nos officios que exercitavam. á condescendência que lhes aprouve ter. se naõ tivesse devidamente cumprido todas as condiçoens. naõ somente se obrigavam a trahalhar para elles sem retribuição. por uma parte. que se lhe negava. puzêram condiçoens. sempre longo. como. de fazer estas condiçoens tam duras e tam penosas. zes feitos originariamente pelos que ja tinham sido rece- bidos mestres. pómente pela força do seu engenho. que estes procuras- sem afastar os que de novo viessem. os moços. em cada um dos indivíduos. negando-lhes a instrucçaõ. Entre- tanto. Uma vez que ficaram senhores de abrir e fechar as pe- tas ás profissoens lucrativas. excluindo. supprir a instrucçaõ. e por outra parte o interesse de afastar os concurrentes vinha a ser para com os negociantes um interesse de corporação. que pudessem para o futuro rivalizar com elles. aquelles que lhes podiam fazer concur^ rencia por seus talentos naturaes. um o de impedir que nenhum homem exercitasse a sua profissão. durante um es- paço de tempo. as mais onerosas. e sempre disproporcionado . que lhes aprouve pres- crever : outro. julgaram a propósito ligar- se. dividindo- os: assim todos os officios tem procurado fazer diíficil a entrada em suas corporaçoens. e fazêllas sancionar pela authoridade soberana. Para isto escolheram dous expedientes . mediante esta mesma authoridade. e diminuir os seus lucros. naõ he de estranhar. pelo seu interesse particular. pois lhe podiam fazer concurrencia. quanto podiam ser. achavam-se estes mestres ja com o poder de regeitar todos aquelles. de ainda ensinarem a alguém o seu officio.

cujo nascimento e educação fariam com que se mos- trassem mais dedicadas a respeito da classe. 45 á instrucçaõ. que deviam servir os aprendizes. acompanhando-a até a porta das assembléas. que. mudou em muitos re- speitos a legislação Franceza sobre os dos aprendizes. com um archote na maõ. dobrar-se a uma obediência aviltante. a mulher de seu mestre. lhes podiam fazer a concurrencia mais perigosa para elles (mestres de of- ficios) porem a mais útil aos consumidores. Sabe-se que. mas até se deviam submetter a naõ ser mais do que criados de seus iguaes. que exigiam que os seus aprendizes servissem oito annos. que deviam receber. foi determinado pelos estatutos das seis corporaçoens de negociantes de Paris. Uma politica bem pouco honrosa suggerio sem duvida aos ne- gociantes Alemaens. osapredizes negociantes eram obrigados a ir buscar. de cinco para as mais estrictas. nas cidades de Alemanha. O período de tempo. Os negoci- antes Francezes naõ imitaram esta insolencia Alemaã. e re- duzio o tempo uniformemente a quatro annos. nem seguiram a rapacidade. bem como os de mais criados. Literatura e Sciencias. porque eram estes mesmos. que consen- tiriam occupar.* Os contractos. sobre os aprendizes. â excepçaõ dos corpos de ourives e joalheiros. até o ponto de pedir ao aprendiz. a abater-se até a funcçoens. o projecto de aviltar assim o estado por que todos tinham de passar. como os Inglezes. pos- suindo ordinariamente mais capitães. a que o uso da sociedade tem unido o ridículo ou o desprezo. eram sempre gratuitos de ambas as partes. alem do serviço de sette annos. Entretanto * O Edicto do mez de Abril de 1777. aonde o aprendiz naõ podia entrar. e éra de três annos para as menos rigorosas. Quizéram com isto assegurar-se de poderem afastar de sua profissão as pes- soas. uma compensação pecuniária. .

tem o direito exclusivo de exercitai. quando este estatuto se passou no parlamento: daqui vem esta distineçaõ arbitrária. 4(3 Literatura e Sciencias. senaõ nos ofticios. Seria difficil impedir. que asseguras- sem o monopólio dos negociantes. Naõ se re- quer este serviço de apprendiz. Na Ingla- terra. pelo estatuto 5 . os estatutos eram concebidos de maneira. formando maior numero de aprendizes. sem providenciar ainda na menor cousa a instrucçaõ dos aprendizes. 1. e contrario á liberdade natural. que se pudesse informar de suas cousas. c. que existiam ja no tempo do reynado de Elizabeth. ou os que antes queriam uma obediência implícita de um criado. porem a authoridade soberana naõ podia confirmallas. art. que he necessário ter servido o tempo de piendiz para fazer carrua - . sendo considerado este estatuto geralmente como oneroso. sem que fosse permittido a seus co-irmaõs supprir aquella negligencia. segundo a qual ninguém podia ser recebido mercador se naõ apresentasse a sua patente e cer- tidão de haver servido o seu tempo de apprendiz. éra prohibido ao mercador o ter mais de um aprendiz ao mesmo tempo. . § 3 1 . 3. as decisoens das cortes de j u s - tiça se tem inclinado a restringir os seus effeitos. do que a outra sempre incerta de um mancebo dotado de altivez.* * Na Fiança foi este estatuto mercantil sanecionado pela or- denação de 1673 tit. por quanto. segundo o qual as pes- soas.este commercio ou officio em toda Inglaterta. Entre- tanto. por uma parte. sem grande cegueira. e por outra parte elle naõ éra obrigado a ter nenhum: os que temiam introduzir em sua casa alguém. Elizab. que serviram por sette annos como apendizes no com- mercio ou em qualquer officio. que os negociantes ou os mes- tres de qualquer officio concordassem entre si ajustes ou convençoens de tal natureza. 4. podiam sepultar todos os seus conhecimentos no segredo.

com inquietação. de uma parte para ter em sua dependência a classe de gente industriosa. que pertencem ao homem. lhe he prohibido. que cada individuo tem ao desenvolvimento de toda a sua industria. que teria sido bastante para dar o primeiro movimen- to a seu trabalho. he um dos mais sagrados. e da outra parte para reduzir os consumidores ao jugo dos negociantes. Literatura e Sciencias. o direito de lhe vender a permissão de trabalhar. a liberdade de todos he ferida. Blackstone Comm. 1. que lhe quizer impor. O direito. que a ley lhe prefere. Systematical view ofthe laws of England. e naõ carrossas. e segurar a sua subsistência pelo resto de sua vida. Woodeson. que poderia supprir a sua perda. seja mediante o sacrifício de muitos annos de serviço infructuoso na idade de seu maior vigor. 17. formada contra toda a sociedade. quando as suas faculdades se restringem a este respeito. Ainda que cada cidadão naõ intente exercitar uma profissão. p. on the laws of Eng- land. Lect. que o servi- ço dos aprendizes põem a todas as profissoens. aquelle de quem o estado ja está seguro. p. vende-lha. o tra- balho. XXV. naõ a favor da segurança commum. mas para multiplicar os gozos de outro individuo. e determi- nar elle mesmo. 47 Com isto ella authorizava e consolidava uma duple liga. a quem he barbara esta ley. seja por uma somma de dinhei- ro. De facto. sobre tudo. as barreiras. O mesmo rico deve ver. porque se perder a sua riqueza. . sem vantagem para a sociedade. Mas he. t. e dos mais invioláveis. e quando um dos meios de prover a sua subsistência lhe he negado. C. Book I. 428. para lhe fechar a entrada. gens. ou entrar no commercio. de facto ella dá ao rico. ao pobre. 466. pelo preço.

Portanto. Os três effeitos reunidos. únicos que lhes restam livres. e augmento de salário. que lhes naõ produz nada. saõ obrigados a ficar em toda a sua vida meros serventes. cujo numero naõ tem padecido alteração. os ne- gociantes obrigam os consumidores a reembolçar-lhes naõ somente o salário mais alto. ou entre°ar-se aos trabalhos mais grosseiros e menos produc- tivos. e augmen- ta as suas despezas. que vivem de sua industria. e se confundem. que mui pobre para pagar o preço dos apren- dizes. estes es- tatutos diminuem tanto a producçaõ. e por conseqüência o seu salário. contra os que os empregam. que lhes tem avançado. Porém tendo-se assim augmentado as forças dos chefies das fa- bricas e dos negociantes. foi necessário que estas persuadis- . Por uma parte afastam do trabalho productivo gente laboriosa. diminuição de productos. quanto a elle. mais também um lucro maior para elles mesmo.4g Literatura e Sciencias. que se arrogáram as corporaçoens dos offici- cios e dos negociantes. oppressivos para todos os cidadãos. um dos elementos do preço dos seus productos. pézam todos june- tos sobre o consumidor. Para obter que a authoridade soberana confirmasse o monopólio. que produzem os estatutos so- bre os aprendizes. no augmento do preço de todas as mercadorias de que necessita. na sua lucta contra os consumi- dores. porque pòem entrávez á sua industria. Os estatutos sobre aprendizes. O monopólio. como augmentam as forças dos vendores contra os consumidores: por outra parte augmentam as forças dos mestres dos officios. he por isso duplicadamente oneroso á naçaõ. saõ igualmente oppressivos para todos os cidadãos como consumidores : com effeito contribuem de muitos modos a fazer subir os preços. ou para dedicar os mais bellos annos de sua mo- cidade a um trabalho. augmen- to de lucros.

Naõ tendo o rapaz nenhuma vantagem que espe- rar. lhes he VOL. em compensação de sua attençaõ ou de seus progres- sos. porque o trabalho. o methodo de serviço no tempo de aprendiz. De facto. do que com o desejo de ensinar da parte do mes- tre. e que he preciso annos para fazer que um homem seja capaz de executar uma ou duas ope- raçoens. naõ se propõem a outra cousa senaõ a desempenhar sua tarefa. para exercitar a agricultura. Entre os artistas. Dir-se-hia que está instrucçaõ he a cousa mais difficil no mundo. que muitas vezes se approxima mais ás machi- nas do q u e a entes racionaveis: ao mesmo tempo que nunca se creo que éra necessário servir tempo de aprendiz. que este éra o único meio practicavel de assegurar a instrucçaõ dos artistas. 140. muito maior do que arte alguma mecha- nica. a qual exige um concurso de conhecimentos e de aptidão para opera- çoens delicadas. durante o qual elle he obrigado a trabalhar para outrem. he de todos os modos de ensino o que mais deve retardar a instrucçaõ. Literatura e Sciencias. que se ha para adquirir. N°. e a fugir à instrucçaõ. quando se deveria fazer mais conta com este desejo. o mais depressa possivel a fim de se aproveitar disso o mais longo tempo que possa ser: mas entre os negociantes naõ acontece o mesmo. 49 sem ao Governo. XXIV. e . o aprendiz naõ he chamado a seu dever senaõ pela obediência: o obreiro livre trabalha por seu interesse. Um estuda em combater seu mestre. com o menor incomodo e fadiga que pode. que lhes fazem os aprendizes. e que o camponez naõ adquire. porque elle em- bota ou destroe absolutamente no aprendiz o desejo de aprender. he do interesse do mestre fazer o seu aprendiz próprio ao trabalho. o outro liga-se com seu mestre contra a própria priguiça. e vendo diante de si o longo tempo. senaõ depois de uma longa rotina.

naõ he mui freqüente que as possuam. escrevam os livros. nem . como quando se instruí m : tenham elles em boa ordem as fazendas. a arte de guardar ou escrever os livros de con- tas. descuidam-se muito de o communicar. empacotem bem. se elle naõ to- masse mestres particulares para o ensinarem. todos os que se destinam a um ou outro destes estados. que elles adquirem naõ he de alguma utilidade para os que os em- pregam. cuidem dos armazéns. Raras vezes lhes ensinam a conhe- cer a marca dos preços. compiem as car- tas. assim os negociantes naõ se embaraçam com a instrucçaõ de seus aprendizes. fica sem ter que fazer. que á força d' attençaõ lhe apa- nhem o seu segredo. nem ainda faliam dellas abertamente em sua pre- sença : quanto âs noçoens geraes do commercio. mas sim criados mui úteis no escriptorio. esperam que elles adivinhem: e ainda mais raras vezes lhes explicam os motivos de suas negocia- çoens.5o Literatura e Sciencias. que os aprendizes adquirem no armazém : naõ he sem duvida para elles conhecimento de pouca importância. Jamais se oecupam com os formar. naõ tem menos interesses do que antigamente em saber bem o seu officio. e todas as mais partes da educçaõ de um negociante. que lhes vem fazer. contentam- se com lhes permittir. porém como esse conhecimento. tam útil quando elles se naõ instruem. A Ari- thmetica. como o artista que naõ trabalha bem. e que o ne- gociante que naõ entende do commercio se arruina. e assim as naõ podem communicar. para o futuro. mas he provável que. e isto n' um excesso verdadeiramente escan- daloso. O conhecimento das mercancias he a única cousa. Daqui em diante que todas as portas estaõ abertas para chegar ao commercio e âs artes. o que entretanto deve servir de chave e de explicação a todas as operaçoens. seriam para sempre ignoradas do aprendiz. tudo isto os naõ fará bons nego- antes.

e faraõ delia seu único em- prego. . cujos conhecimentos seraõ mais extensos e mais profundos. e que respeitam os Interesses particulares dos instituidores. Estes mestres. um negociante estimado se associou com um homem de letras. em estado de ganhar sua vida. obrará no discípulo e no mestre. A necessidade de mestres. A sciencia do negociante virá a seus verdadeiros principios. do que aquelles que se formam apenas em três ou quatro annos. 2. e os seus decipulos poraõ toda a sua ambição em aprender promptamente.* Entretanto haverá sempre assas de gente moça. e observar-se-ha que em um anno ou seis mezes se formarão melhores apren- dizes. cuja condição he comprensar por um tra- * Ha pouco tempo. naõ poderiam freqüentar estas escolas dispendiosas: e continuarão a sugeitar-se â servidão dos aprendizes. De Re Rústica. p. ao momento em que parecia. a fim de supprir o tempo de serviço dos Aprendizes. Columela. desconhecido aos antigos. que naõ tivesse mestres particulares. L. nada se esquecerá do que delia faz parte. naõ tendo bens. pagarão por sua instrucçaõ. induzirá muitos negociantes e muitos artistas dis- tinctos a fazer da arte de formar promptamente discípu- los objecto principal de sua industria. fizeram abortar esta empreza. 1. que. para que se achem em breve. em seu tem- po naõ conhecia senaõ a agricultura. 51 todos chegarão a isso pelo mesmo caminho. Aquelles para quem o tempo he mais precioso que o dinheiro. Literatura e Sciencias. fundada pouco mais ou menos nos princi- pios acima expostos: circumstancias infelizes. para abrir em Genebra uma eschola prac- tica de commercio. mais seguro o seu bom successo. a emulação estimulada pelo interesse pesoal. que ensinem aquelle officio. consagrarão todos os seus cuidados a ensinar bem. Talvez houvesse em Roma escholas para as artes e para o commercio.

que a liberalidade fizer abrir. como o maximum. a creaçaõ. A conscripçaõ militar ou as requisi- çoens. das escholas. os tributos revolucionários. tinha a industria Fran- ceza estado sempre desanimada e em decadência. o incommodo que tem dado ao mestre. balho gratuito. para que o aprendiz possa saber melhor e em mais breve tempo a sua arte. Diraõ. que produzirá a população actual do Estado.52 Literatura e Sciencias. Talvez aconteça para o diante. Naõ he no meio dos revezes. Os golpes que se lhe tem des- carregado. donde vem que se naõ tenha formado eschola alguma para as artes ou para o commercio: naõ obstante haver a revolução destruído todos os entrávez. será mui augmentada : e por conseqüência crescerá a renda nacional. isto lhe será de grande vantagem . arrancando os apredizes de suas officinas. Desde o principio da revolução até os 18 Brumaire. quando muito: a massa de obras úteis. que o mestre pague a instrucçaõ de seu aprendiz. que por sua inhabili- dade tem occasionado na officina. Quanto á naçaõ inteira. Pelo menos ella se aproveitará das luzes. e o estrago. destruíram a energia das classes productivas. e destru- íram a confiança. que os antigos estatutos punham ao commercio? Muitas causas tem contribuído para isto. como as outras. e li- bertando de suas obrigaçoens os que tinham entrado no serviço de aprendiz. que se pôde pensar em novos estabelicimentos úteis. a um daquelles. e por um termo fixo. que seoccuparem somente deste ensino. à me- . por- que os seus moços artistas se aperfeiçoarão nas suas artes em dous ou três mezes. ultrapassaram o seu fim. de sorte que a classe a mais pobre se aprovei- tará. Cessando os tribunaes de manter a execução dos contractos voluntários. porém. que a emulação e augmento de actividade espalharão. quando começou o tempo de seu serviço. a queda dos assignados.

Em fim. e achariam mais proveito em ensinar bem e promptamente. O exemplo dado pelo Governo pode muitas vezes. que tiverem a formar. 53 d ida que elles adquiriam o conhecimento de sua arte. naõ fez isto porque se lisongeasse com a idea de instruir em taes cscholas um numero de artistas propor- cionado ás necessidades da população da França. ao mesmo tempo. Todos os artistas. nestes casos. pelo qual começariam. que o Ministro do Interior propoz o estabelicimento das es- cholas de instrucçaõ practica. e tirar partido. mostrar-lhes o seu espirito. para mudar os custumes das classes inferiores de um grande povo. nas artes chimicas. quando nenhuma destas causas tivesse existido. porém conheceo elle quam vantajoso seria o fazer ver aos jor- naleiros. servir de impulsaõ. He sem duvida para dar esta primeira impulsaõ. Voltando para suas aldeas ou lugares. desanimou tanto os discípulos como os mestres. certa instrucçaõ mais útil. que saõ os únicos que se podem proporcionar âs facul- dades e á posição dos discípulos. aprenderão ali o modo de pôr as artes ao alcance da gente moça. e menos dispendiosa. que aquella a que chegam hoje em dia. que lhes conviessem melhor. do trabalho em que se occupasse. . mais breve. e accelerarâ a forma- ção de uma classe de mestres ou professores particulares. De facto. sobre os meios de aprender. servindo o seu tempo de aprendiz: este raio de luz despertará a sua at- tençaõ. de dispor do trabalho de muitos braços. e de formar a sua officina independente. que elles podiam receber. Literatura e Sciencias. e para se pensarem formar-lhes estabelicimentos. seria sempre preciso largo espaço de tempo. elles se naõ limita- riam somente a exercitar seus officios. este ensino. instruídos nas escholas nacionaes. e trazer com sigo ao depois as mais felizes mudanças. em seus officios. seria para elles meio seguro de ajunctar um pequeno capital.

que contém o novo projecto de ley re- lativo âs manufacturas. e bom exemplo. em um paiz. a cumprir com seus ajustes. desta su- perioridade. quando tem acabado o seu tempo de aprendiz. em muitos respeitos. na qual patente se acharão também quitaçoens de todos os seus diversos ajustes. se veria marchar o aperfeiçoamento dos officios a passo igual com o das sciencias. para os obri- gar a cumprir seus ajustes. Naõ he seguro. promptamente. que se deve attribuir a invenção de uma espécie de carta. e á gente de trabalho. e assegura- rem-se as nossas manufacturas. e pa- rece que procura algum expediente novo: he sem duvida a este desejo. passando rapidamente do gabinete do chimico ás escholas publicas de instruc- çaõ practica. e destes professores ás officinas de todos os artistas.54 Literatura e Sciencias. e destas a todos os novos professores das aldeas e lugares. protecçaõ. as relaçoens entre os jornaleiros e seus mestres. e naõ se vê porque a demanda ante os tribu- naes. que esta innovaçaõ naõ embarasse. He assim que as descubertas novas. e sobre que o Ministro do Interior consultou o Commercio. assim como aos obreiros. que contrac- tam com um mestre. e o constrangimento civil naõ fossem bastantes. quando os aprendizes fossem de má fé. de que devem ser munidos todos os obreiros. O Ministério. aonde se mantém uma boa policia. que o espirito inventor dos Francezes lhes deve obter algum dia. Mas parece-me que se naõ pôde dispensar o fazer ai- . contractados sobre aprendizes. para os obrigar. Para alcançar este lisongeiro bom effeito naõ seria necessária coacçaõ alguma: perfeita li- berdade. seria tudo quanto o Governo tivesse a dar. ou patente. todo o seu antigo vigor. parece achar-se embaraçado. Este regulamento he um dos principaes. sobre o modo de os fazer executivos. desejando hoje em dia restituir aos ajus- tes.

todo o cidadão deve defender a sua pátria com o seu braço. e ás suas ri- quezas. porque naõ he verdade que o serviço pessoal seja conseqüência d'uma constituição livre . sem ver com magoa tudo quanto a naçaõ perde. Segundo os mesmos principios. atravessando . talvez até a zona torrida. e a obediência he limitada pela duração da expedição . deixar a sua familia. a menos que o naõ precipite inconsideradamente. o temor de deplo- rar ainda suas conseqüências. contentar-me-hei com notar. na França. que nos obrigava a desenvol- ver todos os nossos recursos. que diz respesto á conscripçaõ militar* Sendo muitas vezes o tra- Que matéria para reílexoens. visto serem os alistamentos voluntários. os seus custumes. deve seguir as suas bandeiras no meio de privaçoens. porque para o fazer naõ he obrigado a ir para longe de seus lares . 55 guma modificação naquella parte de nossas leys. e fazendo-se soldado naõ deixa de ser cidadão. nos peque- nos Estados da Grécia. da Itália. que. Literatura e Sciencias. amplamente suficientes para o entretenimento do exercito em tempos ordinários. deve renunciar ao casamento. os «acrificios. mas presentemente. de soffrimentos. Como naõ he em uma nota que se pôde profundar matéria tam complicada. aos seus custumes. de neces- sidades. naõ se podem comparar os dous modos de recrutamento. e da Suissa. saõ muito maiores doque nm homem pôde fazer: deve sair da terra que o vio nascer. os seus amigos. quanto á sua liberdade. a sua obediência he illimitada. a guerra dura somente poucos dias. éra preciso naõ atacar o mais ener-. e das milicias na Inglaterra e America : mas a tropa de linha está n'um pé bem differente. gico. que temos a paz. em um povo tam bellicoso como o Francez. pelo que tem adopta- do. talvez ao mo- mento em que o seu coração se abre para o amor. com os flagellos da guerra. Quanto a sua liberdade. naõ se pôde deixar de applaudir o estabelicimento das guardas nacionaes sedentárias. que se exigem do soldado. esta deve fazer com que desappareça. naõ he a conscripçaõ ! f e porque naõ terá j a chegado o momento de entrar nisso? Sem duvida durante uma guerra cruel.

56 Literatura e Sciencias. que o mancebo tem adquirido nas artes. de constância. sobre os progressos assustadores de uma enfermidade vergonhosa. servir e combater. Uma vista d'olhos sobre os hospitaes militares. e para que ? para ir obedecer. quem poderia calcular as percas que a conscripçaõ deve oceasionar ao Estado? perca d'instrncçaõ. que deve decidir da sorte da geração nascente. com a da fraqueza dos pays : perca de zelo. bailio a única propriedade do obreiro. sobre os tristes ro- chedos de Terra Nova . He vantajoso para os custumes reter similhantes homens no serviço. como para obter o que lhe he necessário em suas as áreas ardentes da Lybia. Infelizmente. Quanto o regimen militar eleva os primeiros acima da depravaçaõ. e inspira novo senti- mento de honra e restricçaõ. Saõ estes os direitos de um homem livre ? Quanto aos custumes. nas campanhas. e libertinos. e quando o homem he chamado pela natu- reza a prover com seu braço ás necessidades de seu velho pay. . A severidade da diciplina militar os contem nos limites do dever. no momento em que ella se aperfeiçoa. he abandonada e deixada no esquecimento : perca de trabalho no maior vigor da idade. tanto em troca pela instruc- çaõ. uo momento era que se formam os custumes. este sêllo deve tiazer a impressão da ociosidade : perca pecuniária. e de ardor pelo trabalho. he também a única. officios ou sciencias. os alistamentos voluntários conduzem principalmente ao exercito vadios. tanto elle abate ou segundos abaixo da innocencia. e em que toda a aptidão. mas he funesto fazer entrar nelle gente simples e virtuosa. Quanto á riqueza nacional. quando os emprega na defensa da pátria. muitas vezes rui- . se imprime para sempre em seu character. muitas vezes até consegue corrigir os seus vicios. e quando o sêllo. faz delles cidadãos úteis. porque a Sabedoria Eterna tem feito encontrar-se a epocha da maior desenvoluçaõ das forças dos filhos. aonde tinha d'antes sido desconhecida. dará a medida do que os pays tem a temer da perigosa educação dos campos. talvez até o Polo. aos que talvez haveriam deshonrado a naçaõ pelas suas desordens e crimes. que elle pôde alienar.

ou procura li- vnr-se delle pela fugida. 641. 14. Ah! sem duvida. 140. H .) Bsprit des Institutions Judiciaires de l' Europe. para o mandar para o exercito. uinguem pôde ser regularmente accusado.) Continua o nosso A. o que induzir a legislatura a por termo a tantos males. sobre alistamentos forçados. a tractar a importante matéria das instituiçoens judiciaes da Inglaterra. ou quando forma para si novo estabelicimento. (Continuar-se-ha. (Grand-Jury): e co- meça assim. quando o conscripto se resgata do serviço. (Continuado do Vol. Naõ emprehenderei indicar que outra marcha se deve seguir. antes que doze de seus iguaes. será benemérito da humanidade. Literatura e Sciencias 57 moléstias. o objecto do Gram-Jurado. " Segundo a legislação actual da Inglaterra. N°. p. XXIII. em matéria criminal. XXIV. destroe necessariamente toda a confiança da parte dos mestres. quando elle chega à idade de vinte annos. que lhes seraõ tirados. e a distinguir uma ley de circumstancia de uma ley fundamental. para que a volta da paz faça nas- cer uma legislação menos rigorosa. depois de terem tomado co- nosa. expondo no Cap. por Meyer. e os desgosta absolutamente de consagrar os seus capitães e seus cuidados a formar ou etabelecer obrei- ros. A ley. que annulla os seus contractos. e me contentarei com exprimir meus desejos. VOL. perante o ju- rado.

antes do processo. e da legisla- ção que lhe dizia respeita . queja se citou sobre a introducçaõ do jurado commum. em que a instituição do gram jurado se deduz da- quelles principios. que se lhes podia causar. porque livra os indivíduos do incommodo. senaõ nas accu- saçoens.) ou nas denuncias. que éra o principio funda- mental de toda a administração do Reyno. he composto de doze pessoas diversas das que servem no jurado do processo. que este exame prévio. em que se segue outro processo diverso do jurado. que o Procurador Geral da Coroa faz ex officio. e que concorrem a segurar a liberdade individual dos Inglezes. quando o gram jurado. que ha lugar para o processo. regeitando esta opinião. declarem. Esta legislação hea mesma dos doze Thans. tendo para isso ob- obtido a permissão do tribunal. nota o nosso A. d'entre os iguaes do accusado. concorda com tudo." He cíaro. He esta ainda outra institui- ção das quedistinguem a Inglatera dos Reynos do Continente. he da maior importância. garantia esta.. uhecimento das provas da accusaçaõ. que alguns Jurisconsultos suppoem o gram jurado co- nhecido ja nas leys Anglo-Saxonias» em tempo do Rey Ethelredo IL. O A. naõ ha nisto outra excepçaõ. Conresponde isto ao que na legislação de Portu- gal se chama pronuncia: com esta differença. e tanto uns como outros saõ escolhidos. e a garantia mutua dos cidadãos. sendo feito directamente (appeals. que desde os primeiros tempos tem dirigido a organização da Inglaterra. fazendo subir a sua origem ao fim do sé- culo décimo. com processos judiciaes. que a pronuncia he feita pelo magistrado que faz o processo. e que muitas vezes he o mesmo que dá a sentença. que determina haver fundamento para o processo. para os quaes naõ houvesse bastante funda- mento. Quanto ã historia desta a legislação.SS Literatura e Sciencias.

em algumas causas espe- cialmente protegidas. possam todos conhecer e decidir dos casos de equidade. ou como diziam os Romanos dar decisoens stricti júris s mas como esta regra geral trás com sigo evidentes injustiças em alguns casos particulares. em opposiçaõ aos outros tribunaes. a que os Juizes das Cortes de Justiça naõ podem dar remédio. 59 No cap. que tem admittido uma instituição particular para soecorrer aquelles. e muito mais ainda nas cha- madas arbitrarias: outros povos tem. authorizado o mo- dificar pela equidade. he a Ingla- terra. saõ obrigadas a decidir segundo a letra da ley. o Chanceller do Reyno em sua Corte da Chancellaria. como as do commercio. he por excellencia o Juiz nas causas de . explica as funcçoens das Cortes de ustiça e de Equidade: e a distineçaõ. nas acçoens chamadas de boa fé. Os Romanos concediam aos Juizes poderes extensos. que naõ obser- vam senaõ as regras de uma justiça severa e inalterável. Literatura e Sciencias. e o Vice Chanceller. 15. oa Inglaterra. O A. 234. As Cortes de Justiça de Inglaterra. " O único paiz. que em uma espécie singular fossem aggravados pela applicaçaõ dos principios geraes. a estricta observância de algumas dis- posiçoens legislativas: mas em nenhuma existem tribunaes en- carregados de decidir as questoens." Ainda que o tribunal do Exchequer. as leys lnglezas providenciaram os tribunaes de equidade. que ha nestes di- versos tribunaes. Tal he entretanto uma das instituiçoens lnglezas. segundo os principios de equidade. differente dos usos de tudo o Continente. aonde se podem remediar essas durezas da ley. se explica sobre esta legislação Ingleza da seguinte ma- neira^. o A. chamadas de Di- reito Commum. o Guarda dos Arohivos (Master of the RolsJ.

em intrometter-se com a jurisdicçaõ dos tribu- naes. explica as principaes differenças entre os processos nas Cortes de Justiça.que se apresentavam directamen- te ao throno. que succedêram a Eduardo I I I . equidade e por tal maneira he ampla a sua jurisdicçaõ. Entretanto as Cortes de equidade nas saõ su- periores ás leys. indicados pelos julgados anteriores . " As Cortes de equidade naõ podem suspender o progresso ordinário da justiça. porque estes julgados provam a disposição do di- . que datam a ori- gem deste tribunal de equidade do reynado de Edgar. e a attribue aos tempos. somente podem supprir algumas lacunas da legislação. que no anno 16 de Henrique V I . p. O A. isto he aos arestoa. por falta de formulas recebidas no seu exercicio. se fez um estatu- to restringindo a authoridade do Chanceller: e ao de- pois o Cardeal Wolseley. que até naõ he obrigado a cingir-se aos casos julgados. que se encontram na exe- cução das leys. O A. que se naõ poderiam intro- duzir nas outras cortes. naõ segue a opinião daquelles. 246. mas podem admittir acçoens. ex- tendendo por analogia a applicaçaõ da ley aos casos que nella naõ saõ especificados : estas cortes saõ igualmente restrictas ao direito commum. nem reformar as sentenças dadas nas outras cortes. o que se naõ prac- tica nas cortes de Direito Commum: ministra meios de coac- çaõ contra os que naõ querem comparecer pessoalmente: e con- cede recursos tui muitas difficuldades.00 Literaura e Sciencias. no paragrapho seguinte. de tal modo abusou delle. e per- mitte ás partes interrogarem-se mutuamente. a decisaõ das pe- tiçoens extraordinárias. nem tem a faculdade de as mitigar ou tempe- rar. ou guarda do sêllo. quando os reys remettiam ao seu Chanceller. pelo meado do século décimo. e tal foi o poder que os Chancelleres se ar- rogáram. segue differente marcha no exame das causas. e na Chancellaria. que occupou este emprego. que de entaõ por diante se co- meçaram a fixar melhor os seus limites.

que as sen- tenças tiravam a sua força obrigatória. parte do direito commum." A segunda apocha he aquella. com razaõ. he. e entaõ só o senhor tinha o direito e éra de sua obrigação pronunciar e executar as sentenças. em que a introducçaõ do Governo feudal deo a cada senhor jurisdicçaõ plena sobre seus vassallos. quando entre os Saxonios os ho- mens livres do Reyno se reuniam nos placita. que encarregam ao Rey a execução dos j ulgados. e esta ley ganha todos os dias terreno sobre a equidade. 16. e se ellas eram pro- nunciadas em nome do Rey. naõ éra isso senaõ como primeiro magistrado. que cada decisaõ de uma corte de equidade. Nisto distingue o A. " Nos primieiros tempos. vindo a ser regra de proceder para os casos seguintes. e repre- tante de toda a Sociedade. três epochas distinctas. éra da authoridade nacional. Literatura e Sciencias. e julgavam os casos contenciosos." . tomada collectivamente : he neste sentido. 61 reito naõ escripto : em fim estas Cortes saõ obrigadas a seguir a sua própria jurisprudência. de maneira que um jurisconsulto moderno disse. e recusar compa- decer em qualquer corte de justiça. que naõ fosse a do Senhor >«nuiediato. pelo que diz o A. se este éra encarregado se sua exe- ctiçaõ. faz o A. 250) ** Jamais algum Senhor podia ser juiz dos vassallos de ou- tro. que julgamos a propósito explicar com os seguintes extractos do mesmo A. que se devem entender as leys Anglo Saxonias. como tal. e talhe a disposição de Henrique I . (p. que he também obrigatória ás ou- tras cortes. O subvasallo podia cxceptuar a compentencia do tribunal do Rey." N o cap. algumas observaçoeus sobre a ju- risdicçaõ Real que foi a causa da concentração do po- der judical na Inglaterra.

e uma infinidade d'outros. o assassino ou outros crimes comme ti- dos contra as pessoas de seus criados. e que devia excitar muitos distúrbios. 251." Alem destas circumstancias. o que começou (como ja fica observado em outro lugar) em conseqüência da extençaõ de seus dominios pessoaes. jurisdicçaõ esta mui distincta dados tribunaes eeelesiasticos. para satisfazer aos Dinamarque- ses. que naõ tinham outro protector mais do que o Rey. 62 Literatura e Sciencias. com a reserva expressa da jurisdicçaõ. por occasiaõ do tributo chamado o Danegeld. ou aos sacrifícios que vo- luntariamente se impunham. deviam ser tractadas nos seus tribunaes. imposição conhecida no tempo dos Anglo-Saxonios. mas que podiam comprehender a maior parte da jurisdicçaõ crimi- nal. As causas dos pobres e dos estrangeiros. e que Guilherme o Conquistador restabeleceo. assim (p. mas tinha dado a feudo parte delles. assim como dos juramentos. os reys assumiram a si a jurisdicçaõ. isto he em que os ecclesiasticos eram inte- ressados. A terceira epocha he aquella em que. as injurias proferidas contra pessoa do Rey. Emfimnaõ somente tinha o Rey a sua jursidicçaõ em seus dominios. posto que naõ houvesse ja nada a temer do parte dos Dinamarquezes : contri- buição esta mui odiosa à naçaõ. matrimônio e extremaunçaõ. No numero destes casos reservados se achou o de- prezo ás ordens d o Rey . . mais consideráveis em proporção do que em outro algum reyno do Continente. que augmentâram a juris- dicçaõ do Rey. accresceo o conhecimento das causas ec- clesiasticas.) u Estas leys reservaram exclusimente ao Rey o conhecimento das infracçoens da paz. que difficultosamente se re- conhecem na compilação barbara e obscura destas leys. para occurrer as despezas da guerra. a adulteração das moé das e a do es- tanho. diz o A. E faltando das leys do mesmo Henrique I. os quaes só conhecem do que respeita os sacramentos do baptismo.

que saõ os únicos que exercitam este poder. mas indispensável em um paiz. por séculos?1 . "Esta prerogativa (dos Reys da Inglaterra) he única. quando nas cortes dos Baroens tudo era injustiça e confusão. quem faz executar em seu nome. escriptos. e delegada a pequeno numero de juizes. desejável em toda a parte. Esta unidade do poder judiciário. Desta uniaõ ou concentração de jurisdicçaõ no Rey resulta uma grande vantagem. conseqüência da revolução Franceza. Literatura e Sciencias 63 Depois da reforma continuaram os tribunaes ecclesias- ticos na Inglaterra no pé qued'antes. ainda sem requirimento da parte: porém o que mais favoreceo esta mudança. foi a superioridade em saber e em rectidaõ. antes de suas organizaçoens. concentrada na authoridade Real. e depois pelas avocaçoens de causas. e aonde a menor variação entre os tribunaes coexistentes confundiria toda a jurisprudência. primeiro pelas freqüentes appella- çoens aos tribunaes do Rey. Do que fica exposto se vê. mais importante talvez na Inglaterra do que em outros paizes. e que sem existir em parte al- guina^ sem estar registrada em nenhuma collecçaõ. que mostravam os tribunaes do Rey. aonde os exemplos dos julgados an- teriores saõ as únicas guias das decisoens judiciaes. He tam- bém o Rey somente. e que desejamos expor nas mesmas palavras do A. dirige com uma firmeza invariável. em com- paração do estado de todos os reynos do Continente. que invocam todos os jurisconsultos Inglezes. que naõ tem leys. mas osjuizes saõ nomeados por El Rey. Esta unidade he o único meio. que ajurisdicçaõ do Rey se formou gradualmente. nem ainda custumes. 255. que tem podido manter pura e uniforme esta celebre ley commum. as decisoens dos tribunaes Inglezes. em toda a extençaõ da Inglaterra. e por seus officiaes todas as sentenças pronunciadas em todo o Reyno. p. he seguro penhor da unidade da jurisprudência. e regulando-se pelo direito Canonico. em todos os grandes pontos de direito.

ou pôde negar o mesmo facto ao que chama plea not of gnilty. ou segundo a fraze dos juris- consultos. Quando o réo he reconhecido mudo voluntário. sem o esmagar. qual he o plea. " por Deus e por sua pátria ". p. a que se chama d em urer . O reo pôde entaõ alegar a excepçaõ declinatoria do foro.64 Literatura e Sciencias No capitulo XVII. pôem-se-lhe em cima do peito um pedaço de chum- bo o maispezado que possa ser. e a este se pergunta. (mutu s voluntarius) indagação que evidentemente naõ he ne- cessária. Se- gundo a forma do processo criminal na Inglaterra. e a resposta ordinária he. a que se chama inditement. Mas se o réo naõ quer responder a estas perguntas de uma maneira ou outra. he tornado a le- var á prizaõ. ou se a sua recusaçaõ de responder provém somente de sua obstinação. o A. faz examinar por um jurado destinado a este fim. o juiz o aconselha sobre o modo porque lhe he mais conveniente proceder. Eisaqui pois como o A. (by God and his country). ou por casos fortuitos . ha vendo o Gram Jurado decidido que ha motivos bastan- tes pura a accusaçaõ. 259. o qual he apresentado ao tri- bunal. Depois pergunta o Juiz ao réo por que maneira quer ser julgado. antes de pronunciar esta pena verdeiramente bar- bara. quando o accusado tem dado respostas incongruentes. aonde o deitam de costas. e se o reo se obstina a naõ escolher. que intenta oppôr á accusa- çaõ. descreve este procedimento singular. e communicado ao réo. a fim de o constrangir â escolha. com os pés descalços e em camiza. e sem lhe dar . se nega ou confessa o crime. se lhe applica o que as leys lnglezas chamam pena forte e dura. como he a pena forte e dura. " 0 Juiz. pode negar a culpabilidade do facto. se faz esta por um instrumento. se o prezo he mudo de nascença. que nao nega. explica algumas peculiari- dades do direito Inglez.

e alguma água amarga: esta pena con- tinua. O tormento. que a Pena forte e dura da Inglaterra. e que se usaram em tempo da Raynha Elizabeth. repetidas a suficientes intervallos umas das outras. éra segundo os custumes e leys ecclesiasticas.140. XXIV. como observa o A. como nos mais paizes aonde prevalecia o direito canonico: e atê consta da historia Ingleza. N. naõ tem o mesmo fim do tormento. segundo uns até que elle responda. O A. ainda hoje se conser- vam na torre de Londres os instrumentos de tortura. que tinha assassinado o Duque de Buckingam. conjectura. he desconhecida na legislação Ingleza. que a le- gislação de quasi todos os reynos do Continente admittio. que esta le- V O L . preparados por ordem de Henrique V I . 55 outro alimento mais do que um pedaço de paõ seco e molhado em dias alternados. os Juizes ananimemente regei- taram a proposição. Entretanto naõ se executa esta pena senaõ de- pois de três admoestaçoens. para dar ao réo tempo de refiectir: naõ se appli- ca no crime de alta traição. 1 . que propondo-se no conselho privado o dar-se tormento a Felton. como meios de policia. mas sim para que escolha a forma de processo. para extorquir do réo a confissão do crime. nem nos delictos menores. que naõ trazem com sigo pena corporal. que no Reynado de Henrique VIII se dava nos crimes de herezia. como contraria á sua honra. valido d* El Rey Carlos I. de maneira. Literatura e Sciencias. e nestes casos a recusaçaõ de responder eqüivale á convicção." Desta descripçaõ se vê. e âs leys lnglezas. segundo outros até que morra. antes do tempo de Eduardo I. Esta pena dura e forte. posto que por varias vezes se tenha tentado a sua introducçaõ. que naõ he para obrigar o réo » confissão do crime. que. O tormento nunca foi admittido pela legislação Ingleza.

QQ Literatura e Sciencias.

gislaçaõ se imitou de algum custume local; e que o moti-
vo fora o desejo de generalizar os processos por jurados,
que entaõ se tinham estabelecido, e que naõ tinham
outro fundamento, como fica dicto, senaõ o consenti-
mento das partes em se submetter á decisaõ per juratum,
A razaõ, pois, porque éra necessária esta escolha da
parte do réo, vinha a ser a diversa forma de processos,
que entaõ estavam em voga, podendo o réo offerecer
justificar-se por umduello, pelo juramento dos compurga-
tores, ou deixar a decisaõ á pátria, isto he aos jurados.
Com o andar dos tempos se considerou esta pena forte
e dura, naõ já como meio de obrigar o réo á escolha,
mas como verdadeiro castigo de sua obstinação, ese con-
tinuava até elle morrer. A pezar da pouca coherencia
desta pena forte e dura, com o resto das instituiçoens
liberaes da jurisprudência Ingleza, esta legislação naõ
está ainda abrogada, por ley, ainda que esteja em desuso.
Quanto a nós, o desuso de uma ley má, he um dos meios
de a perpetuar; porque faz esquecer ao legislador a ne-
cessidade de a revogar; e em quanto se nao revoga está
sempre a porta aberta, para se reviver o abuso; e para
se allegar a ley em desuso contra algum miserável, aquém
se queira opprimir.
N o capitulo seguinte veremos as consideraçoens do A.
sobre outra paricularidade das leys lnglezas, no exemplo
da corrupção do sangue.
(Continuar-se-ha.)

MISCELLANEA,

Justificação do Correio Braziliense contra o Correo de
Orinoco.

(Continuada do Vol. XXIII. p. 650.)
Se as naçoens, cujos Governos se acham ja consolidados,
ou por leys expressas, ou pela dilatada operação do tem-
po, precisam de ideas exactas sobre o direito publico, a
fim de prevenir as inquietaçoens; parece-nos que esta ne-
cessidade he muito mais evidente naquelles povos, que,
havendo-se emancipado de alguma sugeiçaõ precedente,
estaõ ao ponto de escolher sua forma de Governo, e esta-
belecer em seu paiz instituiçoens politicas permanentes,
de que deve depender a futura prosperidade ou infelici-
dade de seus vindouros.
A separação de qualquer Estado daquelle de quem
d'antes fazia parte, trás com sigo as dissençoens civis.
Todos os exemplos, que a historia aponta, nos mostram
isto. A dissolução do antigo Governo, e a creaçaõ de
outro, requer a passagem dos sentimentos de obediência,
de umas pessoas (phisicas ou moraes) para outras: e
como a obediência voluntária (sem a qual naõ bastaria a
coacta) da naçaõ ao Governo, resulta dos principios de
educação, e habito do povo, esta mudança naõ pôde
ter lugar, sem mui sérios inconvenientes.

68 Miscellanea.

Bastariam estes males, quando tal mudança vem a ser
inevitavelmente precisa, para abalar a fabrica da socie-
dade civil, sem que os pregadores da anarchia se occu-
passem em arrancar pelas raizes os principios de toda a
subordinação. Com effeito; se em um povo, que está
a ponto de escolher nova forma de Governo, continuarem
por longo tempo as devastaçoens da anarchia, deve espe-
rar-se a introducçaõ do despotismo: mostrando a expe-
riência, e dictando a razaõ, que os povos, cançados de
soffrer as desordens da libertinagem, se sugeitaraõ a
qualquer Governo, que a suffoque, antes do que viver na
anarchia.
O Escriptor, contra quem nos defendemos, está pre-
cisamente, na classe daquelles, que exclamam contra todo
o Governo, em vez de apontar os males daquelle que de-
sejam corrigir; eeste Escriptor tem ido ainda mais adi-
ante, como-temos visto, advogando abertamente a anar-
chia: e no resto dos escriptos, a que responderemos,
verá o Leitor, que elle se naõ desdiz do character que
assumio: seja ignorância, seja maldade, as suas máxi-
mas saõ da mais perniciosa tendência, tanto para sua
pátria, como para o resto do mundo, aonde se lhe pres-
tarem ouvidos. Continuemos pois com as palavras do
Correo dei Orinoco.

" Ficou o Correio Braziliense tam satisfeito da sua proposi-
ção, que assegurava, que, ainda quando faltasse a historia, bas-
taria o exemplo dos Francezes revolucionários, que fizeram em
todas as partes abusos escandalosos da boa fé e da ignorância
dos povos ; que os receberam esperando melhorias. A Itália e
Hollanda cita expressamente por testemunhas de sua asserçaõ ;
e nós citaremos, para provar o contrario o mesmo Correio Bra-
ziliense, que a p. 670. do N° Conrespondente a Dezembro de
1817 ; capit: de Roma, diz o seguinte :—" Depois que foi

Miscellanea. 69
restabelecido o Governo Papal tem os roubos e outros crimes
tornado a tomar aquella fatal ascendência, que haviam em
grande parte perdido, durante o Governo usurpado dos France-
zes."—Seguem logo os casos practicos, que manifestavam a
verdade do artigo. E se a conecçaõ dos custumes naõ he um
melhoramento, ignoramos qual seja a signifiçaõ desta palavra,
no entendimento do Correio Baaziliense. Porém se se referre
imparcialmente á historia da revolução Franceza, acharemos,
que o mesmo que se diz de Roma pôde também dizer-se de ou-
tros territórios da Itália e Hollanda."

A nossa questão éra, que nenhum povo devia esperar,
em suas dissençoens civis, melhoramentos úteis da inter-
venção dos estrangeiros. Citamos como exemplo, a todos
notório, o comportamento dos Francezes, durante a Re-
volução, maltractando povos, que os tinham recebido
como amigos, e que delles esperavam grandes melhora-
mentos politicos: apontamos a Itália e a Hollanda.
O Escriptor agora, para nos retorquir, cita factos, que
se acham no mesmo Correio Braziliense, dos quaes se
deduz, que a falta de policia do Governo Papal, depois
do seu restabelicimento nos Estados Ecclesiasticos, fez
reviver as antigas desordens dos roubos nas estradas.
Daqui, por uma estranha Lógica, quer que se conclua,
que o Governo intruso Francez éra melhor que o Papal, e
que por tanto, longe daquella ingerência estrangeira dos
Francezes ser nociva aos Italianos, segundo a nossa regra,
lhes foi de beneficio.
O conquistador mais tyrannico, e o exercito inimigo
mais desolador, podem accidentalmente trazer ao povo
conquistado um ou outro beneficio. Também se naõ
duvida de que o Governo legitimo do paiz se descuide
de medidas úteis a seus povos: mas os exemplos parciaes

•jO Miscellanea.

em um ou outro caso, nem encontram a regra geral, nem
aqui servem de argumento.
Os Francezes naõ destruíram o Governo Papal, para
darem aos Romanos um Governo livre e independente»
antes fizeram de Roma, uma colônia da França; logo a
ingerência daquelles estrangeiros, foi directamente pre-
judicial aos Romanos. Poderiam os Francezes, durante
a sua dominação, manter melhor policia, supprimir os
salteadores, abrir estradas, fazer aqueductos, &c. &c.
mas ninguém dirá que taes benefícios fossem equivalente
compensação á perca da independência nacional: redu-
zindo um povo livre a todos os inconvenientes de ser co-
lônia.
Agora, quanto aos descuidos, ou culpas do Governo
Papal, elles naõ derrógam a nossa regra, nem merecem
serem justificados: mas nisto voltamos outra vez â nossa
proposição, que os povos devem cuidar de remediar por
si mesmos os males de sua naçaõ; isto mesmo he admit-
tirmos, que pôde haver, e de facto ha males provenientes
dos Governos ainda os mais legitimos, mas o que dizemos
he, que, se, em taes circumstancias os povos esperarem
taes remédios de alguma potência estrangeira, esta trará
mais males do que se esperam de bems <; E aonde está a
negativa desta proposição no exemplo de Roma; e da
Hollanda, que o Escriptor accrescenta?
Tanto em Roma como na Hollanda fizéram-se levas de
gente, para servir, naõ nas guerras destes paizes, mas a
favor dos interesses de seus dominadores os Francezes.
Cobráram-se tributos extraordinários, para serem trans-
portados á França, e Francezes eram os que domina-
ram estes paizes, com sentida humiliaçaõ dos naturaes,
que se viam governados por estrangeiros.
A Hollanda e Roma naõ tinham liberdade de escolha,
em cousa alguma dos negócios públicos: nem nas pes-

Miscellanea. 71
soas nem nas medidas; e quando os enthusiastas engana-
dos de ambos aquelles paizes cuidavam, recebendo os
Francezes, que favoreciam a liberdade da França, que
lhes communicaria disso alguma parte, naõ faziam mais
do que ajudar os desígnios de um déspota, que pizou
primeiro a França e depois a elles em seu turno.
As humiliaçoens porque passou Hollanda, recebendo o
que julgava ser o auxilio dos Francezes, a fim de corrigir
os pequenos abusos do Governo Hollandez, saõ tam ma-
nifestas, e tam recentes; que apenas julgaríamos, que
éra necessário mencionallas, se naõ víssemos isso posto
em duvida por este Escriptor. Sugeitos os Hollandezes,
primeiro a um exercito conquistador Francez; depois a
um Directorio, imposto pelos Francezes, e uma juncta
de nome de Consulado; entaõ unidos á França; logo
tendo um miserável homem para seu rey, forçado no paiz
pelos mesmos Francezes; finalmente privados desse
mesmo phantasma de rey, e feitos colônia da França.
I Que abusos, no antigo Governo Hollandez, poderia
remediar a ingerência estrangeira dos Francezes, que
pudesse ser equivalente á serie de humiliaçoens que aca-
bamos de mencionar?
Se o author quizesse lembrar-se do que se passou no
tempo dos Romanos, com tantas naçoens, e tantos sobe-
ranos, que se arruinaram de todo por haver procura-
do a protecçaõ Romana, em suas disputas civis, ape-
nas se atreveria a combater ou duvidar de nossa propo-
sição. Mas a matéria he tam importante, que o Leitor
nos perdoará dilatar-nos alguma cousa mais, para produzir
um exemplo dos antigos.
Ptolomeo Auletes rey do Egypto, depois de haver
despendido grandes sommas em peitas a César e a Pom-
peo, para se assegurar da protecçaõ de Senado Romano,
vio-se obrigado a fugir, porque o povo se sublevou, em

72 Miscellanea.

conseqüência (entre outras causas) do pezo dos tributos,
que se cobravam, para occurrer aquellas mesmas peitas
aos Romanos: os Egypcios, julgando que o rey tinha
morrido, puzéram no throno sua filha Berenice.
Ptolomeo dirigio-se a Roma, e de caminho, desembar-
cando em Chipre, soube que ali estava Cataõ, e mandou
o chamar para lhe fallar. CataÕ respondeo, que se o ne-
gocio era do interesse de Ptolomeo este o buscasse; e
quando o rey foi ter com elle, CataÕ apenas lhe offereceo
assento, sem se quer se levantar do seu. Mas quando
o humilhado Ptolomeo expôz a Cataõ o motivo de sua
jornada a Roma, ficou tam admirado da resposta, quanto
se havia humilhado de sua situação.
'* Naõ deixes, disse Cataõ, o mais bello reyno do
mundo, para te ires expor â avareza insaciável e or-
gulho faustuoso dos grandes de Roma, aonde soffrereis
terríveis indignidades; tornai a embarcar-vos nos vossos
navios, voltai para o Egypto, e accomodai-voscom vossos
subditos. Se o julgardes conveniente, acompanharvos-
hei, e farvos-hei o maior serviço, que he ser mediador
entre vós e vossos povos."
Ptolomeo nao seguio isto; porque seus conselheiros
estavam comprados para o persuadir a obrar de outra
maneira. Ptolomeo entrou, depois de mil vexames, na
posse de seu reyno, que nunca gozou em paz; mas o
Egypto ficou para sempre arruinado.
<: Quem naõ vè, no conselho de Cataõ de Utica, neste
caso, uma confirmação de nossa proposição ? Aquelle
grande politico e moralista aconselhou o Egyptano a que
tractasse de acommodar com os seus suas differenças, e
expôz-lhe os perigos que corria, em appellidar a protec-
çaõ estrangeira. O successo j ustificou o conselho de Ca-
taõ; este dá authoridade â nossa opinião.

Miscellanea. 73
" Naõhe a nossa intenção fazer aapologia dos Francezes Im-
periaes, mas sim dos Republicanos. O império destruio a li-
berdade da França e dos mais paizes da Europa, republicaniza-
dos pela perspectiva afagadora do systema; porém este jamais
causou os desastres; que lhe imputam seus inimigos. Do
abuso das cousas mais sanctas resultam males, que a ignorância
ou a malicia attribuem ás mesmas cousas, e naõ a seus Verda-
deiros authores. Da religião abusamos tyrannos e seus minis-
tros contra a liberdade dos povos. O abuso algumas vezes
tem sido de tal condição, que exasperados com sua enormidade
muitos indivíduos tem accusado de seus soffrimentos a mesma
religião, e tem procurado abolilla inteiramente. Os tyrannos
inimigos da liberdade republicana tem empregado todo o so-
-phisma de seus aduladores para fazer crer á multidão, que
os males, que elles mesmos causam saõ conseqüências necessá-
rias do republicanismo. Da dissençaõ dos Realistas, habitua-
dos ás cadêas do Realismo, da liga dos Monarchas, que de-
testam a liberdade republicana dos povos, e de suas intrigas
e occultos manejos procedem gravíssimos males, que, sendo ex-
clusivamente o fructo de sua malignidade, capciosamente os
attribuem á arvore saudável da liberdade, ao melhor systema de
Governo. Esta tem sido e será sempre a cantilena dos déspo-
tas coroados, e esta he a mesma que reproduz o Braziliense—"
Et velerem in limo rance cecinere qucerelam"—Exaqui o
moto, que merece o seu discurso contra a revolução de Pernam-
buco"

Pretende o Escriptor aqui fazer uma distineçaõ, entre
4 França Republicana, e França Imperial, para nos
poder retorquir ! Futil e vaõ esforço ! O exemplo do
Egypto, que acabamos de referir, naõ éra de Roma
monarchica, mas de Roma republicana. E quanto â
Hollanda, naõ foi a França Imperial, mas a França repu-
blicana, quem arruinou os Hollandezes, pelos interesses
Francezes. Em uma palavra, naõ he aqui questão da
VOL. XXIV. N». 140. K

74 Miscellanea.
forma de Governo, mas da ingerência de um povo estran-
geiro, qualquer que seja o seu Governo, nas disputas
civis de outra naçaõ; neste caso, todos os exemplos da
historia justificam a nossa asserçaõ, de que a ingerência
dos estrangeiros, nunca serve de remediar os males políti-
cos nacionaes, quando a gente do paiz nao he capaz de
obrar por si mesmo o que lhe convém.
Insinua o escriptor, que, no caso dos Francezes, foi isso
um abuso, e o desculpa, dizendo que até das cousas mais
sanctas se abusa. Que se abuse das cousas mais sanctas
naõ be aqui o nosso argumento: mas a questão versa uni-
camente no ponto de que, cuidando as naçoens da Europa
que lhes viria dos Francezes a reforma, que suas instiui-
çoens políticas precisavam, de necessidade se haviam
achar enganadas ; naõ por um abuso extraordinário, que
pôde succeder até nas cousas mais sanctas, mas por uma
conseqüência necessária daquelle erro politico, de chamar
uma potência estrangeira em seu auxilio.
O resto da declamaçaõ do Escriptor, contra o despotis-
mo e a favor da liberdade, naõ he mais do que uma série
de allegaçoens produzidas sem Lógica ; porque a ques-
tão naõ éra sobre a forma de Governo, mas sobre a inge-
rência estrangeira, o que naõ tem nada de commum com
a forma de Governo.
Republicanos eram os Governos de Suissa; e nem por
isso se livraram do mais injusto tractamento da parte da
Franca republicana. Quando o General Montesquieu teve
ordem da França republicana para atacar a Suissa, re-
cebeo uma deputaçaõ dos Suissos, perguntando-lhe, o
que delles queria a França, e offerecendo-se para execu-
tar tudo quanto delles se exigisse. O General Francez,
naõ pôde deixar de demorar-se em sua marcha, dar parte
disto ao Governo Fraçcez, e pedir instrucçoens: a res-
posta da França republicana foi, que devia cumprir a

Miscellanea. 75
ordens de invasão, e decidio-se que o General Montesquieu
devia ser deposto de seu commando por se attrever a he-
sitar tia dessolaçaõ da Suissa. Eisaqui um povo repu-
blicano, querendo destruir com a maior injustiça outro
povo republicano.
Que a forma de Governo nada influe no procedimento
politico de. que tractamos, he mui provado, mesmo actu-
mente, no que se passa nos Estados-Unidos, a respeito
das Colônias Hespanholas em revolução. Lisongeáram-
se sempre os do partido independente na America Hes-
panhola, que os Estados-Unidos lhe serviriam de útil
e prompto auxilio: mas o facto he, que os Estados-
Unidos apenas tem mantido a mesma neutralidade, que
os mais soberanos do mundo; a que na fraze do Escrip-
tor se chama déspotas.
A razaõ disto he clara: as relaçoens políticas dos Esta-
dos-Unidos com a Hespanha naõ lhes permittiam, que se
declarassem a favor da independência das Colônias Hes-
panholas : quando estas, por seus próprios esforços, esti-
verem em circumstancias de fazerem inquestionável sua in-
dependência j a o seu reconhecimento naõ comprometterá
os Estados-Unidos com a Hespanha, e entaõ o Governo
de Washinton naõ hesitará na linha de comportamento
que tem a seguir; e entaõ também os soberanos de outros
paizes seguirão a mesma vereda. Temos pois que, neste
caso (que he justamente o de que tracta vamos) a differença
da forma de Governo naõ tem influencia alguma na
*egra, que estabelecemos; isto he, que toda a naçaõ deve
olhar para si mesma, e naõ para outra estrangeira, para
• reforma dos males políticos, que deseje remediar.
Nestes termos, toda a miserável caterva de palavras
insulsas deste paragrapho, naõ vem ao caso de que
tractamos : naõ falíamos aqui de realistas nem de repu-
blicanos, mas da proposição geral, confirmada pela histo-

7(5 Miscellanen.

ria.de que nenhuma naçaõ deve esperar de outra o remé-
dio de seus males internos.
Mas apraz-nos trazer aqui outro exemplo desta nossa
regra geral, que o Escriptor sem duvida entenderá;
porque também toca á sua Venezuela; e naõ o poderá
taxar de ser obra da malignidade e intrigas dos Rea-
listas.
Ha na America Hespanhola varias secçoens indepen-
dentes: e, em vários períodos desta guerra, tem existido
outias : agora, que nos mostre o escriptor o caso, em que
esses diversos governos independentes mandaram offere-
cer uns aos outros seus mútuos auxílios, ou ainda ajunc-
târam deputaçoens para consultar planos e obrar de con-
certo. Se exceptuarmos a liga de Chile e Buenos-Ayres,
naõ ha exemplo de tal harmonia ou combinação; e conv-
tudo naõ saõ esses governos déspotas tyrannicos, nem rea-
listas intrigantes; saõ republicanos, que professam a
mesma fé politica ; e o que mais he povos da mesma
origem; que faliam a mesma linguagem; que obram
pelos mesmos motivos de queixa; e que tem o mesmo
inimigo commum.
Como se explica este phenomeno? Naõ pela distine-
çaõ entre as formas de Governo, monarchico ou republi-
cano; naõ pelo que se chama politica insidiosa dos dés-
potas; mas sim pela simples razaõ de que, ao momento
em que uma das secçoens da America Hespanhola se
considerou naçaõ independente, esqueceo-se dos de
mais povos, como naçoens; e cuidou de seus interesses
próprios.
Naõ negamos, que esta linha de politica lhes seja per-
niciosa; porque poderiam ter cuidado melhor de seus in-
teresses, se urras secçoens da America Hespanhola se
interessassem mais pela sorte das outras; mas seja isso
como for; o facto prova a generalidade de nossa regra,

Miscellanea. 77
que nenhuma naçaõ deve confiar, ou esperançar-se n'outra,
para a sua prosperidade interna; e prova isto também o
absurdo com que o Escriptor pretende restringir a
nossa regra, fazendo distincçoens entre as differentes
formas de Governo.
Será isto um egoísmo mal entendido, nós naõ dispu-
tamos sobre a moralidade da acçaõ; mas se essa he a
marcha das naçoens, quem raciocinar contra ella, ou
quem calcular sobre o contrario principio, deve sempre
achar-se enganado.
O Escriptor começou este paragrapho, dizendo, que
naõ éra da sua intenção fazer a apologia da França
Imperial, mas sim da França Republicana. Mas
foi essa França Republicana quem fez a paz, com
Carlos IV, o rey, ou, como lhe chamaria o Es riptor,
o déspota da Hespanha; foi essa França Republicana,
quem, por essa paz, con firmou e apoiou todos os abusos
de Godoy, o estabelicimento da Inquisição, o systema
oppressor das colônias, &c, &c, <j e porque fez tudo isto ?
Porque achou que isso éra do interesse da França.
Deixemos pois essa palavrosa exclamação sobre liber-
dades e tyrannias, no caso em que tractamos : as repu-
blicas mais livres, como essa da França se suppunha entaõ
ser, manterão nos paizes estrangeiros o despotismo, a
Inquisição, o systema oppressivo colonial, e todos os
mais horrorosos abusos, com tanto que assentem que
isso lhes convém. O povo que deseja ser livre e feliz,
cuide da assegurar com suas virtudes próprias essa liber-
dade, e essa felicidade, que deseja, porque em quanto
se esperançar n'outras naçoens, para gozar esses bens,
será escravo, será infeliz. Naõ dispute sobre a forma de
Governo, reflicta no modo de melhorar seus custumes.
Um povo sem moral, se naõ tem liberdade, nunca a ob.
terá; se a tem certamente a perderá. Lea-se a historia

/jg Miscellanea.
sagrada e profana, e dellas se tirarão as líçoens necessá-
rias para refutar os erros deste escriptor; erros tanto
mais perniciosos, quanto tendem a desviar os povos do
verdadeiro caminho de alcançar sua felicidade.
Temos visto naçoens summamente felizes debaixo de
governos naõ só monarchicos, mas exactamente despo-
ticos, e vice versa; mas a historia naõ mostra exemplo
de naçoens, que continuassem na prosperidade, e ao
mesmo tempo nos vicios, e principalmente no egoísmo.
O mesmo General Bolivar lamenta, em sua falia ao Con-
gresso de Venezuela, que se attribua tanto bem à forma
de Governo dos Estados-Unidos, sem se tomar em consi-
deração o gênio do povo. Nós dissemos ja, a este
mesmo respeito, que tam impróprio, inútil, e ate perni-
cioso, seria um congresso de representantes em Constan-
tinopla, como um Gram Sultan em "Washington.
Primeiramente, a forma de Governo nunca he estável,
senaõ quando se conforma com a educação e custumes
do povo: em segundo lugar, os conselhos de qualquer
naçaõ, seja qual for a forma de seu governo, decidirão
sempre os negócios, a respeito da outra naçaõ estrange-
ira, naõ segundo a forma de governo; porque isso he
questão accidental ; mas segundo parecer mais útil aos
interesses próprios.
Os nossos limites naõ nos permittem passar ao seguinfr,
paragrapho do Correo dei Orinoco, que tem connexaõ
immediata com este assnmpto; mas no N.° seguinte,
Deo volente, continuaremos com elle, e com a mesma
matéria, ja que as observaçoens do Correio Brazili-
ense fazem tanto pezo em Venezuela, que exigem tam
longas refutaçoens.

(Continuar-se-ha.)

e temperados. desprezam ou desde- nham o augmento de força e prosperidade. que tinham chegado aqui com a intenção de se estabelecer no paiz. com a inclusa do Baraõ de Gagern. Mau- rice. que ti- verem formado idéas errôneas. Caria de Mr. mas ha um principio. Secretario de Estado. isto he. e uma copia do vosso relatório impresso. e que he um objecto permanente de conceder favores aos que de novo chegam. a respeito da emigração da Europa para este paiz. e que precisavam de particular auxilio para execu- tarem a sua intenção. laboriosos. Senhor! —Tive a honra de receber a vossa carta de 22 de Abril. Tem-se-vos mostrado clara- mente. Miscellanea. que a compõem. a Mr. robustos. Naõ he este . Nem o Governo da UuiaÕ. nem os defferentes Estados. nem saõ também indifferentes ás grandes vantagens. que este paiz tem tirado do concur- so de filhos adoptivos vindos da Alemanha. Nunca offereceo incentivos para attrahir para este paiz os subditos de algum Estado estrangeiro. 79 E M I G R A Ç Ã O P A R A OS E S T A D O S U N I U O S . que o Governo dos Estados-Unidos nunca deo passo algum para convidar ou animar emi- grantes. que viessem de alguma parte da Europa para a America. vosso parente. Washington 14 de Junho. de Furstenwaeter. Es- pero. e na verdade naõ tenho duvida. Al- gumas vezes motivos de humanidade o tem determinado a prestar certas facilidades a alguns emigrantes. em que se fundam todas as instituiçoens desta republica. que vós formates uma idéa exacta no vosso re- latório. que este seja de grande utilidade aquelles de vossos compatriotas. Adams. que a naçaõ pôde receber de uma massa de novos habitantes. 1819.

se saõ pobres mas laboriosos. que os naturaes do paiz. que os privilégios. para nunca mais a tornarem a tomar. o oceano At- lântico lhes está sempre aberto para voltarem a seus pa- izes naturaes. e sabem satisfazer-se com pouco. Este sentimento de superioridade sobre todas as outras . em moderação. devem despir-se. mas. que tem algum objecto de utilidade politica: porém a opinião geral aqui he. que elles mesmo tem notado com admiração no character geral deste povo. ou seguramente. e se naõ se puderem accommodar ao estado moral. concedidos a uma classe do povo. os de seus filhos seguramente se aproximarão mais aos hábitos do paiz. Os emigrantes da Alemanha ou de qualquer outro paiz. saõ neces- sariamente um damno a outra. antes â posteridade. devem dirijir os seus pensamentos. e talvez ainda mais particularmente nos indivíduos de origem Alemaã. do que aos antepassados. podem lisongear-se de gozar os mesmos direitos. que tem nascido neste paiz. por assim dizer. naõ tem que esperar favor al- gum dos Governos . mas de igualdade de direitos. que se lhes ha de seguir. e penosa. Os Soberanos da Furopa concedem a certas classes de in- divíduos certos privilégios. podem contar com achar meios de a aug- mentar. honrados. e talvez um pouco do sentimento de desprezo. mas com certeza . no caso em que desejem fazer- se cidadãos do Estado. um paiz de privilégios.80 Miscellanea. Devem accommodar o seu character á necessidade. de sua pele Europea. Se possuem propriedade. politico e phisico do paiz. passarão uma vida independente mas la- boriosa. e participarão alguma cousa da altivez. alcançarão o ganhar bastante para se sustentar a si e a suas familias. como Americanos. quaesquer que sejam os seus sentimentos. que lhes precederam : devem persuadir-se que. falha- rão em seus projectos de fortuna. quando aqui chegam.

entre as quaes a massa do povo he olhada como subordinada a certas classes privilegiadas. que naõ vem para cá por nossa vantagem. . que nunca os deixa.N°. ou por alguma affeiçaõ a um paiz. naõ para trabalhar em nossa prosperidade mas para melhorar a sua condição. Miscellanea. deixa de os conservar nas suas func- çoens. nenhum delles vem por osto. pois oS creâram e os podem depor. que do numero de estrangeiros. e quando o povo naõ está satisfeito com elles. Mas daqui resulta também. como o dos Estados Unidos. que tem visitado as nossas praias. 81 naçoens. como taes. XXIV. que lhe seja superior. saõ os que dependem constantemente da boa vontade do povo. procede de uma opinião. Os Governos saõ cervos do povo. e aonde os homens saõ grandes ou insignificantes. a que saõ totalmente estranhos. na razaõ inversa do que succede na Europa. Saõ eleitos para administrar os negócios públicos. por um breve espaço de tempo. mas pela sua delles. os meios de fazer mal saõ tam- bém limitados. saõ limitados. Porém se os meios. que o Governo tem de fazer bem. he. precisamente. que tem cada individuo. e que os Alemaens. 140. que ne- nhum Governo no mundo tem tam poucos meios de fazer favores. que todos os annos vem fixar a sua habitação no nosso naiz. e que tem sido tam des- agradável aos estrangeiros. e o povo olha para elles. de que na qualidade de membro da sociedade naõ ha pessoa neste paiz. como taes. Sabemos mui bem. O povo aqui naõ depende daquelles que o governam: estes. A dependência aqui nos negócios do Governo. olha com alguma altivez para aquel- las naçoens. Sabemos. pelo accaso de seu nascimento. nem a lingua entendem. que no seu paiz gozem de VOL. Orgulhoso com este sentimento. Assim esperamos ver mui poucos indivíduos da Europa.

e isso concordaria com as vossas disposiçoens e senti- mentos. Senhor. Política Americana. a dificuldade. grande porçaõ se achou descontente com os nossos custumes singulares. males que provém do errado systema de seus predecessores. por muitos . e depois de curta residência tornaram a voltar para suas terras. como fizemos ja em outros N. e que se venham estabelecer na America. &c. temos a boa fortuna de contar alguns indivíduos. para remover um homem de seu paiz natal. que se quizé- ram estabelecer no nosso paiz. Ha certamente algumas excepçoens. e do lugar da sepultura de seus antepassados. que lhe convém . Os que se acham felizes e contentes na sua terra. que a Corte do Rio-de-Janeiro adoptasse a linha de Politica Americana. como se verá pelo que temos dicto. Tenho a honra de ser. 82 Miscellanea. JOAÕ Q U I N C Y ADAMS. lá se deixam ficar: e requer um principio de movimento. Teríamos grande prazer em ver-vos a vós mesmo entre este nume- ro . senaõ tivessem passado para este seu novo paiz. imputar aos políticos actuaes. nem foi de nossa intenção. Do pequeno numero de emigrantes ricos. abastança. e outra porçaõ do mundo. ou ainda de algum prazer. e nas mais opulentas e distinctas classes dos nossos concidadãos. que teriam adquirido riquezas e distinçoens.os passados. felicidade.naõ menos podero- so do que a penúria. R E Y N O UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. que resulta da consideração dos dominios de Sua Majestade na Europa . naõ disfarçamos ou omittimos. Refiexoens sobre as novidades deste mez. Recommendando.

os povos fizeram a guerra aos invasores. como se tractam paizes conquistados. mas para se tornarem a submetter a seus antigos Reys: e isto he uma prova practica. e da África. Miscellanea. Depois deste rasgo de lealdade naõ podia haver in- justiça e oppressaõ mais desnecessária. e com direi- tos iguaes ás outras provincias do Reyno. naõ para se fazerem independentes de Portugal. O Brazil se restaurou. se levantam agora queixas contra o Brazil. mas nem por isso se deixou de continuar a chamar ao Brazil conquista. Quando os Hollandezes se apossaram de uma parte considerá- vel do Brazil. Sabemos que em Portugal. para tornar a entregar-se a Portugal. quanto as ordens da Corte até lhe prohibiam fazer a guerra aos Hollandezes. esta entrega vo- luntária foi tanto mais generosa. povoado por habitantes. e trac- tar os povos daquelle paiz como gente conquistada. como dizemos. mui de propósito. mas todos com a educação Portu- gueza. se o Brazil ti- vera sido olhado como uma provincia da Monarchia. pois com isto se mostrava a mais dosarrazoada suspeita. de quem he sempre de temer alguma rebelião. quando os que assim faliam . naõ teria agora Portugal de queixar-se de uma falta de recursos. naõ tinha razaõ alguma para se considerar senaõ como umaprovincia de Portugal: logo o chamar-lhe conquista. Se Portugal naõ tivesse tractado por tantos annos o Brazil. de quem se teme subleva- çaõ com a lembrança da antiga independência. e pelas geraçoens mixtas de gente do paiz. de naõ permittir que natural algum do Brazil pudesse subir a cima do posto de Capitão. proveniente de sua mesma má política. de que naõ havia rebelioeus a temer da parte daquelles povos. e tractar sua geute como conquistada. pelos descendentes destes. 83 annos passados: as nossas observaçoens tenderam. éra um procedimento tam ri- goroso como desnecessário. O Brazil. e foi. e a final os expulsaram do paiz. e tendem. do que o systema que se adaptou. expulsando os Hollandezes. que ali foram ter de Por- tugal . a mostrar a necessidade de obviar esses males para o futuro. ou expulsallos do paiz.

ou que pretender governar na America.g4 Miscellanea. que nenhum Braziliense tem parte nos feitos. e totalmente inad- missíveis no hemispherio Americano. naõ porque seus mem- bros succeda naô haverem nascido naquelle paiz. E senaõ. no mesmo pé do arroz do Brazil ? E se esse Ministério Americano. e he delle que provém os gritos contra o Brazil. devem mui bem saber. seria muito mais útil a Portugal. em ter ali um Ministério todo Europeo. Se o Ministério do Brazil fosse composto de Americanos. He ao systema e naõ ás pessoas a quem principalmente se deve objectar. essa circum- stancia he de mui pouca consideração. e nem se principiar a formar gente do paiz. que ainda se faz ao Brazil uma injustiça. com as ideas rançosas que dominavam em Lisboa. naõ tem cuidado dos interesses de Portugal i que culpa tem nisso o Brazil ? Porém. em nosso modo de ver as cousas. quanto a Portugal he de grande desvantagem. que quanto ao Brazil he uma injustiça . por trazer com sigo preocupaçoens Europeas. que servem de pretexto às accusaçoens: mas quiz a mi- séria de Portugal. que dos males que lhe imputam está innocente. O Ministério do Brazil he estrangeiro. que naõ he o presente. estranhas ao paiz. tomemos desapaixonadamente a seguinte con- sideração. e de certo he meramente accidental: mas aquelle Mi- nistério he verdadeiramente estrangeiro. que lhe consumiam o seu arroz e o seu assucar? He assim que um Ministério Americano. assim determinasse as cousas ^ naõ se lembraria ao mesmo passo de favorecer os vinhos e as poucas manufacturas dessas provincias de Portugal. que esta circumstancia. que chegassem as cousas ao ponto de haver ali um partido pela Hespanha. como veremos. quer em nascimento. como os mesmos accusadores naõ podem ignorar. . Julgamos. quer em principios s seria admittido em Lisboa o arroz dos Estados-Unidos. composto todo de Europeos. que seguir o actual systema. Mas se o Governo actual. dizemos mais. nem será outro algum. no Rio-de-Janeiro. que possa sequer para futuro preencher os car- gos de Estado.

Este monopólio. quepodia tirar. por exemplo. se deve olhar como fonte de sua pobreza. que alias se repartiriam em fomentar a agricultura e mais ramos de industria do paiz. o qual. o Algarve. por conseqüência. fôram empregados no commercio dessas chamadas conquistas. i Que diria qualquer provincia de Portugal. no ponto de visto em que se deve ver. deixa de attender aos recursos de seu paiz. se fazia respeita na Europa < naõ seria Portugal igualmente respeitado. por mais paradoxa. para que nenhum natural daquella provincia passasse do posto de ca- pitão ? ou que naõ fizessem nenhum commercio senaõ por inter- venção do porto de Setuval ? O monopólio commercial de que falíamos. sugeita Portugal aos mesmos e maiores inconvenientes. se se fizesse um regulamento. que esta asserçaõ pareça. e porque a situação de Portugal o faz dependente de outras na- çoens. pelos grandes lucros que dali tira- . sendo mui oppres- sor ao Brazil. Miscellanea. 85 Supponhamos. e Portugal naõ tira o partido. unindo-se aos Estados-Unidos. grande causa dos males. e se esta circumstancia se deve considerar. O commercio do Brazil éra monopólio exclusivo de Portugal. e olhando para a America Hepa- nhola. perdendo com isso sua consideração tanto na America como na Europa. ou a Beira. da independência do Brazil. e se obrigavam seus habitantes a usar das manufacturas es- trangeiras. O habitante do Brazil naõ podia mandar vender os seus productos senaõ a Portugal: naõ podia obter os productos de naçaõ alguma. como enormemente Iucroso ao commerciante de Portugal: pelo que todos os fundos de Portu- gal. a respeito de Portugal. fica o Brazil sugeito aos seus incommodos. porque naõ he Ame- ricano. como parte do mesmo império ? Mas quando aquelle mesmo Ministério. em nossa opinião. foi. que se formava no Rio-de-Janeiro um Minis- tério verdeiramente Americano. respeito ao Brazil. senaõ por via de Portugal: mais ainda. por conseqüência. de que se queixa agora Portugal. como pezado e injusto jugo. prohibia-se ao Brazil que tivesse fabricas. que fossem por via de Portugal. éra de tanta desvanta- gem ao habitante do Brazil.

que o mesmo acto de injustiça de Portugal para com o Brazil. He o systema de monopólio. que ainda ha em Portugal quem suspire pela renovação desse errado systema antigo. quem faz todo o mal a Portugal. . que em suas cabeças levaram para o Rio-de-Janeiro os estadistas que fôram de Lisboa. estas lhe fariam conhecer. que fomentem esse erro. attribuimos a essa politica Eu- ropea o naõ tirar o Brazil todo o partido. de que lhe naõ podem resultar senaõ males. e como o pede o interesse do paiz. He assim . O Brazil pôde e deve imitar em muitos respeitos. os pro- ductos do Brazil. e este serta novo laço. d'onde se espalhassem para o resto da Europa. ficando em completo descuido os ramos até os mais essenciaes da industria interna. e esperanças delle tornar a reviver. trouxe com sigo o castigo dos oppressores : mas a desgraça he. que éra de de seu interesse favorecer a industria de Portugal. porque nisso mesmo bene- ficiaria o Brazil. e ha também intrigantes mal intencionados. Naõ nos alleguem com a differença na forma de Governo: isso he mera questão de nome. deixando prejuizos e preocupaçoens. livres de todos os direitos. que uniria Portugal ao Brazil: e para trazer a Lisboa. o tractaria com a maior liberal idade. pelo contrario. porque disso naõ tira o Brazil o me- nor proveito. que este d'antes impunha ao Brazil. os planos dos Estados-Unidos. do que os Estados-Unidos nos dam um exemplo tam conspicuo. sem nenhuma coaçaõ. deveriam estes ter ali um porto franco. vam os indivíduos capitalistas . como lhe convém. quando se tracta dos interesses políticos da naçaõ em geral. e longe de lhe impor as restricçoens. e assim este monopólio e seus ganhos attrahiram todos os esforços dos indivíduos. Os productos de Portugal deviam entrar no Brazil. que podia. das cir- cumstancias actuaes da America. uma vez que o Gabinete do Rio de Janeiro se deter- mine a ser um Governo Americano. Se no Brazil houvesse um Gabinette imbuído das máximas da Politica Americana. 86 Miscellanea. sem que para isso mereça a menor contemplação a differença da forma de Governo .

Mr. Miscellanea. Socher.. havendo dobrado os Cabo de Home. Algumas gazetas Europeas tem publicado. 87 Viajantes scientijicos no Brazil. Pelo Gram Duque de Tascana. em permittir e patrocinar estas viajens sci- entiticas no seu paiz. pelo menos uti- lize-se a industria estrangeira. antigo reyno de Mecho- . e ja que as circumstancias naõ permit- tem que se aproveitem os talentos dos naturaes. como Naturalista. que viajam agora pelo Brazil varias pessoas scientiticas. Pohl. o Dr. como Botânico. Rasdi. Natterer. e o Professor Martinus. AMERICA HESPANHOLA. o Dr. porque vem pela via do mar Pacifico. rebelde e contumaz na provincia de Valladolid. que. e Botânica em particular: o Dr. Tem-se recebido em Londres noticias do México. sem o conhecimento cabal dos recursos na- turaes do paiz. e Tuscano. e á custa dos Governos Austriaco. e Assim a industria estiangeira supprirá a falta da nacional. por- que he certo. Sprix. fazer uso dos meios phisicos. mais cor- rectas do que até aqui tinha havido. como Caçador: Mr. como pintor de Historia Natural. porque estes sábios publicarão depois seus jornaes. mas de uma data mui an- tiga . Pela Bavária. Frick. As noticias officiaes Hespanholas tem reco- nhecido a existência de uma Juncta de Governo intrusa. como Mineralogista: Mr. para a Historia Natural em Geral. que se acharem á testa do Governo. como pintor de paizagens. Bávaro. como Zoologista. Ender. estes seraõ traduzidos na linguagem do paiz. Pela Áustria saõ o Professor Mikan. que a natureza de seu terreno lhes offerecer. protegidas pelo Governo daquelle paiz. mal poderão os homens. para a Zoologia: Mr. Schott como Jardineiro: Mr. Naõ podemos deixar de louvar as vistas de politica liberal do Governo do Brazil.

Queretaro. e o seu immediato em commando. que havia sustentado aquelles exércitos. que o tal Governo revolucionário reside na parte montanhosa do que se chama Tierra Calicute. e Mina: mas daqui se vê quam poderosa éra a parte dos insurgentes. A sua ascendência se extende ás provincias de Guaxanato. e essas esperanças con- servam acceso o fogo da revolução. entre Val- Iadolid e Nova Galiza. La Puebla. mas do que se tem podido saber por via tam remota. he difficul- toso o termos freqüentes noticias do que se passa no interior. e uma intima aliiança com os Estados- Unidos . Rayon. fica claro. cujas tropas montam a 12. senaõ a pacifi- cação do Governo Hespanhol com as secçoens da America que estaõ independentes. e Vera Cruz. D. presentemente o Padre Torres tem ás suas ordens 3. e nas outras se faz temível o general Guadaloupe Vitoria. No México tem o Clero sido sempre cabeça da revolução. que os Hespanhoes representam : e nada poderia obstar os pro- gressos do espirito revolucionário naquelle paiz. Real dei Monte. que tem em todos os pontos. e alguns ecclesiasticos tem commandado divisoens. Estes chefes seguem o systema pertinaz e amofinador das guerrilhas. Das noticias. Moran. Jozé Vergara. Como os Hespanhoes possuem os portos de mar. próximo ás costas do mar Pacifico. Morellos. que o México está bem longe de gozar daquelle estado pacifico. e por meio dos partidistas descubertos ou oc- cultos. e parte Septentrional do México. acan. e Potosi. e devastam o paiz.000.000 homens.000 homens. Os Hespanhoes destruíram no México as partidas de Hidalgo. Nas duas primeiras varrem os dous irmaõs do nome de Ortiz. aonde as montanhas saõ inaccessiveis aos Hespanhoes. parece. a qual sabemos agora he obedecida por 23 commandantes de guerrilhas. porque de uma ou outra destas partes esperam sem- pre os insurg-entes do México auxilios.88 Miscellanea. . tiram partido das occasi- oens favoráveis. O General Victoria occu- pa o território aonde se acham as minas de Pachuca. e o Cacique Bautista 2. a que alludiinos.

que o seu espirito emprehendedor naõ tem abatido. e como ha do México menos conhecimentos. por conhecermos quam importante he ao Brazil. e destes erros ne- cessariamente se lhe devem seguir os damnos e prejuizos. Borja. que existe na America.000 homens em armas . Miscellanea. A extençaõ do México. Diz-se que os Hespanhoes tem no México 20. do que destruir o espirito de insubordinação que os sustentava. 140. por naõ di- zer impossível. e por cartas. Mayos. que julgamos seraõ bem aceitas a nossos Leitores no Brazil. M . independentemente de Guatemala. e se o consegui- rem de certo se faraõ formidáveis. CarbajaJ. demos estas noticias. 89 e naõ he o mesmo destruir os chefes. Delgado. A falta de portos de mar tem até aqui feito com que essas guerrilhas estejam desprovidas d'armas. e VOL. a quem estas matérias devem tocar mui directamente. he sentida agora na Europa com todo o seu pezo. mas tentaram abrir communicaçaõ com Chile pelo mar Pacifico. Nestas noticias achamos uma longa lista de nomes de chefes de guerilhas. mas estes naõ podem estar em toda a parte . Temo-nos demorado nestas particularidades. aonde se tornam a reunir. e outros. ou suas tropas. que chegam até Março do anno passado. he á Hespanha o conquistar outra vez aquelles paizes. que de nenhuma outra secçaõ naquellas colônias. vemos. o conhecer-se ali o verdadeiro estado das Colônias Hespanholas. Gonzales. e o que se chama destruição ou dispersão de uma guerrilha. Gutierrez. XXIV. como o Padre Torres. e se naõ houver ali o meio de as contradizer. As falsas relaçoens dos Hespanhoes produzem sempre no Brazil tal ou qual impressão. Como a importância da contenda. Torracido. ideas errôneas levarão o Governo do Brazil a adoptar medidas também naõ acertadas. para dali fazerem novas incur- soens. e quam difficil. naõ he outra cousa mais do que a fugida desta gente para lugares inaccessi- veis. que sao inseparáveis de uma politica fundada em falsas informa- çoens . N°.

Os productos da agricultura do México excedem 35 milhoens de pezos duros. trinta milhoens. começaram aos 25 de Novem- bro. a . primeiro Plenipoten- ciario. 2 . único Plenipo- tenciario. de Leste a Oeste. a Cúria. saudável." 38' de latitude Norte . Prússia. e se lhe ajunctarem Guatemala. tendo cada uma das quaes um voto. e fértil. constitue uma extençaõ igual a metade da America Hespanhola. A população he de três milhoens de almas. As sessoens da Conferência geral dos Plenipotenciarios da Alemanha.gO Miscellanea. na largura desde o rio Colorado e Texas até á costa de Sonora. Somente metade deste paiz está situa- do na zona torrida. Ministro do Mesmo Soberano juncto da Corte de Wurtem- berg. O Principe de Metternich. por suas respectivas cúrias :— l . 365 léguas. A ordem por que votam os Ple- nipotenciarios. os dizimos montam a três milhoens: o pro- ducto de suas minas. o tenente General Krusemark. ALEMANHA. algums fazem chegar a população a sette milhoens e meio. terceiro Plenipotenciario. como na Commissaõ parti- cular da Dieta de Frankfort. divididas em três classes. he a que se acha na seguinte lista de seus nomes. Francisco em Nova Califórnia. reunidos em Vienna.a. Os Plenipotenciarios se acham classificados em 17 Cúrias. e Baden. a moeda corrente em 67. isto he desde Guate- mala até o porto de S. Enviado do Rey de Prússia em Vienna. e a maior parte delle goza de um clima temperado. O Baraõ de Zentner. O Conde de Bernstorff. Director General do Mi- . 3. Baviera. o Baraõ de Kis- ter. segundo Plenipotenciario. he igual a 600 léguas. Acham-se ali as producçoens de quasi todos os outros climas. começando de 15. O Commercio avalua- se em 60 milhoens. Áustria.

O Barão de Plessen. Ministro dos Negócios Estrangeiros do mesmo Gram-Ducado. a . Oldemburgo e Casas de Anhalt Mr. 14. junto da Dieta de Francfort. a . a . 12. de Salk. O Conde de Bernstorff. Hesse Eleitoral. a . Gram-Ducado de Hesse. 6. O Baraõ Duthil. Dinamarca (pelo Ducado de Holstein). Miscellanea. de Stain- lien. Ministro da nossa Corte em Diesden. Brunwick e Nassau. Enviado da Corte de Hannover nesta. de Berg. e Mecklemburgo-Strelitz. segundo Plenipotenciario. Mr. Q\ nisteriodo Interior. primeiro Plenipotenciario . Mr. Ministro daquellas Cortes juncto da Dieta de Francfort. O Baraõ de Berstett. Gram-Ducado de Saxonia-Weimar e Casas Ducaes de Saxonia. Baden. o Conde de Harden- berg. l l . Wurtemberg.". Saxonia Real. 4. único Plenipotenciario. a . Tenente General. O Baraõ de Marchall. M. O Conde de Munster. Paizes Baixos (por Luxemburgo). o Baraõ de Tettenborn. O Conde de Einsiedel. O Baraõ de Stretz. Mecklemburgo-Schwerin. Mi- nistro da instrucçaõ publica daquelle Reyno. e Enviado da- quella Corte nesta.». Ministro do Gram-Duque de Weimar. único Plenipotenciario. Enviado da- quella Corte nesta. único Plenipotenciario. . primeiro Plenipotencia- . Ministro d* Estado do Duque de Nassau. primeiro Plenipo- tenciario . o Conde de Schulemburgo. 7. único Plenipotenciario. 5. Ministro das duas Casas de Mecklemburgo. Enviado do Eleitor nesta Corte. 8. segundo Plenipoten- ciario. a . primeirio Plenipotenciario. 9. segundo Plenipotenciario. Ministio Bávaro nesta Corte. Hannover. 13. a . único Plenipoten- ciario. Enviado de S. Ministro d'Estado Hannoveríano. a . O Conde de Mandelslohe. O Baraõ de Munchausen. Conselheiro Particular do Gram-Duque. a . Dinamarqueza nesta Corte.». Ministro dos Negócios Estrangeiros da Corte de Dresden. segundo Plenipotenciario. 10. 15.

que alguns Soberanos da Alemanha | tem dado a seus povos. que se receberam depois. Considerando o presente estado da Alema- nha. portanto. 16. Estabeleceo. promove sua ruína fundando constituiçoens sobre bazes es- trangeiras . com a excepçaõ de quatro cidade livres." que esta interpretação fosse con- forme ao espirito do systema monarchico: 2.92 Miscellanea." que tendesse a supportar a uniaõ federal. de Marschall. e se cria que éra tendente a reconhecer as Constituiçoens ja existentes. recommendava á attençaõ dos interpretes do Artigo 13 dous pontos principaes: a saber. A natureza desta nova interpretação. Dizem as noticias de Vienna. de Berg. l.a Hohenzollern. 17. visto que. sem que apparecesse opposiçaõ de parte alguma. O ultimo objecto de discussão foi a interpretação do artigo 13 do Acto Federal. para todas as constituiçoens da Alemanha. que tendesse a um desvio do espiri- to monarchico. que se tem decidido no Congresso vários pontos de grande importância para toda a Alemanha. que a Commissaõ do Congresso de Vienna fizera o seu relatório. e cuja situação he total- mente differente. de Lubeck.a Pelas quatro Cidades livres.° Que todo o elemento. O Relator declarou. de 4 de Janeiro. que tiver historia sua pró- pria. sobre o artigo 13 do Acto Fede- ral . e que nunca pôde ser próprio aos Alemaens o adop- tar instituiçoens de qualquer paiz estrangeiro. na organização dos Estados da Alemanha . que ainda naõ tem constituição. o sys- . 1. como prin- cipio. e a Mr. se acha explicada nos jornaes Austríacos. Obser- vou a doutrina de que toda a naçaõ. éra inadmissível. porém que a sua existência naõ éra objecçaõ para o estabelecimento de alguns principios geraes. cuja historia naõ tem analogia com a da Alemanha. Minis- de Nassau. Litchtenstein. Um artigo de Munich diz. e Waldeck conferiram os seus poderes a Mr. o Senador Hack. que naõ havia intenção de ingerir-se nas Constituiçoens. e as Casas de Lippe. Ministro d' Oldemburgo. ficando a nova interpretação daquelle artigo so- mente applicavel aos Estados. que existem debaixo de governos particulares.

tem por objecio nova communicaçaõ entre a Itália e a Alemanha Meredional. para promover o commercio do paiz. O canal de Milan atè Pavia. que em 1796 tinha somente 61 milhas de estra- das feitas. Abrir-se-ha um canal desde Vienna até Trieste. ÁUSTRIA. A estrada. está completo aé as fronteiras de Hungria. que concederam as assembléas dos Estados em seus paizes. que seraõ annulladas ou me- lhoradas. para excluir todas as intrigas demagogas das deliberaçoens dos Estados dos diversos Governos Alemaens. o qual unirá o Danúbio com o mar Adriático. e para . 93 tema monarchico he somente quem governa os Estados da Con. federação. Dizem que se vam a adoptar na Monarchia de Áustria mui importantes regulamentos. O Governo naõ se tem es- quecido dos actuaes direitos.° Que reconhecendo todos os Governos. pelas mon- tanhas de Splutzen até os Grisoens. que faz as suas sessoens em Frankfort. Para destruir o egoísmo prejudicial. que se pagam nas passagens . Para facilitar o trafico. que tan- tas vezes divide as classes productivas umas das outras. tem agora 231 milhas de bons caminhos. Intenta-se promulgar uma pauta de direitos d'alfandega. A Bohemia. Miscellanea. 2. nem de outras contribuiçoens locaes. os direitos e poderes. entre a Itália e o Sul da Alemanha. assigando justos limites a seus direitos. representado pela Dieta. a Suprema au- thoridade do Corpo Germânico. naõ de- vem estar em opposiçaõ com os direitos e poderes da re- presentação geral da Confederação. ficará completo este anno: este canal unirá Milaõ com o mar Adriático. de accordo com o Governo Suisso. que he a Dieta de Frankfort* Estes dous principios bastam. que se tem determinado pelo Bornico e Tvrol. se abrirão as estradas de Chiavenna. que se havia determinado ha 40 annos. conce- bida nos principios mais liberaes.

bem constituídas. estaõ livres para os vassallos Aus- triaco. Daqui se vè. todas as leys e regulamentos. Hannover. Estes 528 vasos empregavam 6.443 tonela- das. Ancona. A navegação do Danúbio. e commercio com a Turquia.94 Miscellanea. e para este fim se mandarão de todas as partes á Commissaõ ou Juncta do Commercio. Nos últimos seis mezes de 1818. &c. se concluio novo tractado de commer- cio com a Turquia. nos portos de Tos cana 486 : nos das Duas Sicilias 1. de 504 toneladas. No anno de 1818. porque o prêmio de seguros nelles he o mais moderado de toda a Itália. organizada para o Reyno de Hannover. Em 1815. R. e montavam 2. Damos. . além de outros costeiros e barcos de pescaria. O maior éra a Astrea. 28. o Principe Regente de Gram Bretanha e Hannover. Ja na Lom- bardia se haviam formado pelo Imperador Jozé I L . e he de es- perar. sobre a livre navegação do Elbe.369 peças . Tractam-se negociaçoens com Dresden. e por direitos de transito naõ pagam mais do que três por cento. Deram-se também lilenças a 48 na- vios novos. Também se fará novo systema de regulamentos para a industria . que os Estados Geraes ficam dividos em duas Ca- . que exis- tem a este respeito. Somente 78 deste numero eram de menor porte do que 100 toneladas : 70 eram de mais de 300 toneladas. O commercio destes navios he activo: os vasos Aus riacos saõ desejados. criar um espirito commum. por S.248 : em Sardenha 219: Malta 6 1 : Barcelona 6 9 : Lisboa 2 9 : Ta- ganroch e Odessa 324. nada he mais importante do que haver câmaras de commercio. em Rimini. a p. que também se introduzam em outras partes do Estado.836 mari- nheiros. O numero de navios tem crescido muito. tinha o Estado somente 157 vasos com licença sua: em 1818 havia 528 navios mercantis. e continham 110. entraram 645 navios Austríacos. os artigos principaes da nova constituição representativa. A.

Neste caso. Catholica devia ratificar o tractado. e quaes saõ as mate- rias sujeitas á deliberação dos Estados. e para o Brazil he um documento que merece a mais séria attençaõ. a mensagem que deixamos copiada a p. mas naõ he menos clara a determina- ção daquelle Governo de obter posse da Florida. appareceram 1 5 0 . O Congresso se ajunctou em Washington aos 6 de Dezembro. Clay. e na conformidade de suas instrucçoens. O Presidente mostra todos os desejos de conservar a paz e amizade com Hespanha . de que as duas casas do Congresso estavam organizadas e promptas para receber as communicaçoens. se contar em perder as Floridas em todo o caso. Miscellanea. 36 a Hespanha tiver guerra com 03 Estados-Unidos por esta causa. o mundo dará razaõ a estes. e em quanto esta naõ responder ás asserçoens do Presiden- te dos Estados-Unidos. que tanto a França como a Inglaterra eram de opinião. haverá a paz. 95 maras. que accoropanbáram esta mensagem do . os quaes procederam a eleger o Orador. cuja eleição recaio em Mr. quer os Hespa- nhoes consintam nisso quer naõ. concluído por seu Ministro. Uma circumstanciamui attendivel he o asseverar o Presidente. O Presidente imputa toda a culpa de se naõ ratificar o tractado. Nomeou-se entaõ nma commissaõ. á Corte de Ma- drid. ESTADOS-UNIDOS. composta de membros do Senado e da Casa dos Representantes para informar o Presidente. M. Os documeutos. 7. 1819. A maior importância deste papel. se esperava consistisse na de- claração das relaçoens políticas daquelle paiz com a Corte de Madrid: e com effeito nelle acharão os nossos Leitores esta ma- téria tractada amplamente. Aos 7 do mesmo mez enviou o Presidente a ambas as Casas do Congresso. o havendo e escrivão chamado pela lista os nomes dos membros. que S. que lhes quizesse fazer. se achará sem protecçaõ estrangeira. assim a Hespanha. com iguaes direitos e privilégios.

o estar preparado para a guerra. pelos rumores de que a propriedade desta natureza naõ estava segura. porque a dis- puta dos Estados-Unidos com a Hespanha. e ao augmento de sua marinha de guerra.9(5 Miscellanea. Por elle se intenta dar aos comprado- res dos bens nacionaes ou seus successores. ou dos antigos possuidores.° a seguintes. alem do qual se naõ receberá reclamação al- guma. mas taro volumosos. Presidente. que he um dos mais poderosos meios de conservar a paz. o que com tudo tractaremos de fazer. O motivo desta medida parece ter sido. e he preciso confessar. Mr. o que causava grande abatimento no seu valor. faz os mais decisivos preparativos para se apromptar para a guerra . cs Ministro de Finanças. mas he bem explicito em mostrar a superioridade que tem na contenda. refere-se ás fortificaçoens daquelle paiz. plena e completa posse legal de sua propriedade. sobre a sua antiga metrópole: posto que o Governo Americano insista em conservar por agora estricta neutralidade. sobre o futuro des- tino das colônias Hespanholas ja independentes. interessa mui di- rectamente todo o Continente Americano. e por vezes. longe de adormecer neste ponto com a paz. A outra parte da mensagem do Presidente. nem de indivíduos. saõ mui interessantes. FRANÇA. livre de todas as pretençoens da parte do Governo. Para isto se fixa um periodo. apresentou um projecto de ley de bastante importância. o querer aquietar os receios de muitos. nem do Governo. que he digna de muita attençaõ. que só poderão ser inseridos nos N. O Presidente falia com bastante reserva. . Daqui se vê que o Governo dos Estados-Unidos. Na cessaõ da Câmara dos Deputados de 5 de Janeiro. Roy. para a justificar. e por conseqüência he de summa importância ao Brazil.

pertencentes á Coroa. saõ compatíveis com aquelle Systema. e de qual melhora- mento. 3.° Se a contribuição geral decaía. e íual he esse melhoramento. Se os direitos de alfadega. 97 HESPANHA. tem resultado a mais notória desigualdade na imposição dos tributos. Se os monopólios ou estancos reaes podem receber algum Melhoramento na sua natureza. N . e neste caso «e que forma e com que condiçoens. O Director D. proposto pelo ex-Ministro Garay. nos termos em que tem existido desde o seu estabelecimento. logo que foi chama- do para o Ministério. mas de todos os impostos he este o que requer os mais exactos e minuciosos conhecimentos do paiz. que al- leviando uns ao mesmo tempo que opprime outros. ou no modo de os dirigir. conti- nuem a ser administrados como agora saõ . ou pelo modo de sua distribuição : e quaes saõ esses vícios. 5. Anselmo Ribas. he a mais evidente causa do descontentemento da naçaõ e do discredito do Thesouro Publico. he ainda aquelle por que o Governo Hespanhol intenta levar a di- ante as suas operaçoens. V O L .N°. 1. e como se podem remediar. Se os regulamentos estabelecidos no decreto de 30 de Maio 1817. para a qual nomeou presidente D. Miscellanea. saõ susceptíveis de melhoramento. A esta Juncta propôs o Ministro as seguintes questoens. ou se seria mais van- taj oso commetter a sua administração ao Clero. A baze deste plano he uma contri- buição directa. na Hespanha. a fim de que o tributo recaia igualmente em todos os contribuintes . 2. Antonio Gonzales Salmon. Se he próprio que os dizimos. 140. O plano de Finanças. tentou remediar o mal da ignorância. por vicio na sua essên- cia. pelo que convocou uma juncta de pessoas de varias classes. X X I V . 4. e da falta destes conhecimentos. em que o Governo se achava sobre a estatística de sua naçaõ.

se assim lhe quizerem chamar. se encarrega ao Conse- lho de Castella a correcçaõ do Código criminal. e em que particulares. que. sem duvida ha entre seus crimes uma vasta diferença. desejando entregar a sua naçaõ a um Governo estrangeiro. aos 4 de Novembro do anno passado. Seja isso embora um crime aos olhos do partido da Corte . pelo que suppunham bem da pátria. Por outro decreto. o systema da admi- nistração das rendas em geral. he uma injustiça aos do partido das Cortes. Quanto á primeira medida. cujos defeitos o mesmo decreto indica. se tractou de reconciliar os emigrantes Hespanhoes. a quem se continua a tractar com indeminuto rigor. . Dizem que esta Juncta se occupa agora em procurar os co- nhecimentos estatísticos. para que o credito publico possa inspirar a devida confiança aos credores do Estado. Que baze se deve estabelecer. 7. que pudesse conduzir ao bem e prosperidade do povo. Tal crime. e em que termos. naõ se pódè considerar tam agravante como o daquelles. que se julgam ser de utilidade. porque se a Corte considera a ambos estes partidos criminosos. os partidistas das Cortes só queriam alterar ou mo- dificar a forma do Governo.£8 Miscellanea. sobre tudo o mais. Por um decreto expedi- do por aquella repartição. que a habili- tem a respoder a estas questoens. mas esse crime he sem duvida o re- sultado de um excesso de patriotismo. O novo Ministio de Graça e Justiça tem adoptado algumas me- didas. e informaçoens do paiz. parece-nos que o favor. isto he um excesso de vir- tude. um zelo enhtusiastico mal entendido. a fim de que os meios sejam em proporção de suas obrigaçoens : e que a sua administração e manejo se simplifique o mais que for possivel. mostrado aos partidistas Francezes. ou. pois. M. 6 . 8. Sehe próprio variar. Que a Juncta extendesseas suas observaçoens. e consultas- se a S. Os partidistas dos Francezes queriam entregar sua naçaõ a um jugo estrangeiro. e fazer a administração das finanças pura e simples. expedido pela mesma repartição aos 16 de Dezembro. partidários do intruso Governo Francez.

para se occuparem coma revisão do Código Criminal. mas como. porque as occupaçoens ordinárias daquella corporação naõ podem deixar a seus membros tempo bastante. Assim julgamos que a brandura practicada com estes. recebeo do Governo. accumulou-se ali grande numero de navios. que emprehendeo administrar o empréstimo. saíssem immediatamente. A reforma do Código criminal. e os direitos entaõ en. como hypotheca para o pagamento deste empréstimo. que se achassem naquelle porto. he uma decidida injustiça. os direitos de entrada de todas as mercadorias no porto de Cadiz. que. mal se pôde esperar do Con- aelbo de Castella. até a liquidação de toda a di- vida. Miscellanea. iriam desembarcar suas cargas em outros portos de Hespanha. carregados de qualquer mer- cadoria que fosse. em con- seqüência da epidemia. A causa de tam extraordinária medida ninguém sabia. A Juncta dos negociantes de Cadiz. para que todos navios. Chegou a Cadiz ordem de Madrid. comparada com o rigor a respeito dos outros. Como este porto esteve fechado por muito tempo. que fora expedida pela repartição de Saúde. importariam em grande somma os direitos que haveriam de pagar por suas mercadorias. gg davam amais decidida prova de sua falta de patriotismo. com que se havia de aparelhar a expedição contra as Colônias. só inclue aquelle porto : os navios assim prohibidos de descarregar alli. contra a execução deste mandado. . e assim tiveram os Cônsules estrangeiros tempo para mandar fazer a Madrid as suas representaçoens. quando um Governo perde a reputação. O Governador naõ quiz auxiliar a execução desta ordem. sempre os seus motivos se attribuem ao peior o rumor dá a seguinte explica- ção do phenomeno. sem se lhes per- mittir desembarcarem suas carrtgaçoens. e mais dinheiros adiantados ao Governo. sendo-lhes permittido descarregar. ainda sup- pondo que os Indivíduos sejam capazes daquella tarefa. Mas como a appropriaçaõ destes direitos á Juncta de Negociantes de Cadiz. e vi- leza de sentimentos.

para privar a Juncta de Cadiz do que lhe havia promettido. trariam directamente nos cofres reaes. sempre os seus actos se imputam aos peiores motivos. postado em Las Cabezas. achamos nas gazetas Francezas o seguinte artigo. que se suppoem ser inserido pela mesma Corte de Ma- drid. Granada. para as despezas do armamento destinado á America. e deram origem a planos de insurreição. e Sevilha.. suffocados pela actividade do Governo. Estas fôram. e se communicou a parte das tropas aquarteladas entre Espera e Villarmartin. a Juncta do Commercio ameaçou com uma contribuição forçada. quando um Governo naõ tem por si a opinião publica. impondo uma contribuição. Segundo as noticias de Cadiz. em vez de irem para a maõ daquelles credores do Estado. em data de 6 de Dezembro. que os agentes dos rebel- des da America semearam no exercito expedicionário. O movi- mento começou com um batalhão de infanteria. Nós naõ damos por certo o rumor desta fraudulenta evasaõ do Governo Hespanhol. aonde estava o quartel-general. e como as contri- buiçoens voluntárias fossem mui tardias. no mez de Julho passado. que naõ tinha com sigo outra tropa senaõ a sua guarda de honra. A parte des- tribuida a Cadiz foi de 18 milhoens de reales. que uma noticia de tal importância poderia produzir na Europa. e aprehendêram a pes- soa do General em Chefe. se se cressem todos os rumores. aonde estaõ os depósitos e armazéns . mas referimos isto para mostrar. juncto a Cadiz. aos 2 do mez. que se espalharam a este respeito. para prevenir as más impressoens. que se requer. tentaram surprender o Trocadero. Aos 3. que.100 Miscellanea. para realizar a somma. se havia ali publicado um edicto. apparecêram de novo no primeiro dia deste anno. Mas depois disto. " As sementes de insubordinação. para Arcos. e pela firmeza dos chefes. e produziram alguma desordem nas tropas da expedição. acantonadas nas al- deas intermediárias entre Cadiz.

Miscellanea. que o imputarem as authoridades Hespanholas . porem o ataque foi renovado com mais forças no dia 5. os insurgentes acharam. Manuel Freyre. nos acantonamentos juncto a a Cadiz. que E l Rey e sua Corte se preparavam a sair dali. debaixo do Commando do Tenente General D. estaõ em movimento deste os 5. estaõ ainda envolvidos na confusão de noticias contradictorias. No enquanto he claro. O numero das tropas revoltadas. nem de suas conseqüências. para que se possa formar idéa. aonde surprendêram e aprisionaram o Ministro da Mari- nha (Cineros). para segurar a tran- qüilidade. que tinham errado o golpe. que o susto em Madrid éra tam grande. que os projectos desta intentada expedição de Cadiz. nem da extençaõ uo levantamento das tropas. vam ao ponto de dizer. Os seus chefes se fôram para as montanhas de Ronda. o dahi atacaram a ilha de Leon. Havendo as tropas do exercito expedicionário sido unidas com as de Anda- luzia. que se retiras- sem a Portugal. Ao mesmo tempo outra columna de insurgentes marchou con- tra Se-vilha aonde se naõ esperava íesistencia." Segundo as noticias de Badajoz. se diz. apparentemente com a intenção de se escaparem para Gibraltar. Aos 2 do mez. um grande corpo dos insurgentes tomou posse do Puerto de Caneta Maria. atacaram Cadiz mas fôram repulsados . naõ se sabendo ainda o resultado. aonde se acham os Arsenaes. recebidas por via de Lisboa. que as noticias presentemente saõ demasia- do confusas. 101 para a expedição . Outias columnas marchavam para Madrid. A primeira medida foi prender o Conde Calderon (Calega) que éra o commandante em chefe. Mas parecce-nos. em armas. e com tudo assas se tem dicto para dar a co- nhecer. que nos naõ merecem ainda credito. e começaram a dispersar-se. estaõ de todo arruinados com a insurreição das tropas. Aos 4 do inez. porém tendo descuberto os soldados de ma- rinha e milicias de Cadiz. Algumas das noticias. que a insurreição das tropas começara no 1." de Janeiro. outros. No dia seguinte atacaram os insurgentes o Troca- dero. propondo uns que fizessem caminho para a Fiança. e suas operaçoens.

Catholica ver se induz o Go- verno dos Estados-Unidos a entrar em estipulaçaõ de naõ reco- nhecer os Estados Independentes da America Hespanhola: mas he natural. a determinação daquelle Governo de ficar com as Floridas em todo o caso. qual he o estado interior da Monarchia Hespanhola. que ha algum tempo se expediram. na mensagem do Pre- sidente dos Estados-Unidos. as duvidas do Governo Hespanhol para naõ ratificar o tractado. 1. Pelo que diz o Presidente. que tal estipulaçaõ nunca se obtenha. " o auxilio que se pretendera haverem recebido dos Estados-Unidos os insurgentes. e o Capitão Domingues. que. e he o querer S. que ninguém ouvirá com espanto. a dar e pedir explicaçoens. o qual ainda naõ partio de Madrid. he o General Vives. Se- cretario da Juncta de Inspecçaõ Geral de Milicias. des- . que El Rey de Hespanha teve outro motivo occulto de recusar a ra- tificação . que se estabeleceram em Texas. Deve notar-se. a que dizem ter direito. M. Na mensagem do Presidente verá o Leytor como o Presidente responde a estas objecçoens. fôram prezos por suspeitas. que o Brigadeiro Vargas. sabendo-se. que El Rey de Hespanha tem nomeado para ir aos Estados-Unidos. e agora ja dali naõ par- tirá antes que aquella Corte tenha lido. mas ha muifo quem suspeite. de que tinham tido parte nas ordens falsas. sobre o artigo que annulava as datas de terras feitas por El Rey de Hespanha na Florida.102 Miscellanea. em nome d' El Rey. largavam os Estados-Uni- dos todo o território da Louisiana. um official da mesma Secretaria. para adoçar noticias. A noticias de Madrid dizem. de- pois da assignatura do tractado: 2 . sobre o naõ se haver ratificado o tractado das Floridas. para fazer sair a campo as milicias. ou para melhor dizer os aventureiros. este movimento ás intrigas dos Insurgentes da America. como todos sabem. he a mais ridícula disculpa que podia excogitar-se. O embaixador. fôram ." a explicação dada pelo Ministro dos Estados-Unidos. por este tractado.

na esperança de que o Governo Hespanhol concederá a final. As cartas de Madrid em data de 22 de Dezembro. até 1819. sentida pelo publico. que apreciava suas boas qualidades. Miscellanea. desde 1786. Commissarios Britannicos em Vera Cruz.148. empregados era transmittir a prata do México para Inglaterra. as quaes fazem parte das provincias internas do México. para o suprimento de 10:000. que se mande para Inglaterra a somma desejada. Duque de Kent. que S. com muita razaõ. Catholica hesita em ceder á Inglaterra esta somma de dinheiro. que se prepara em Cadiz. depois de uma breve enfermidade: e a sua morte be. os Estados-Unidos continuarão a pretender aquellas terras. dizem. Com tudo dizem. A familia Real acaba de soffrer a perda de um dos seus Mem- bros. no anno passado. Dick e Park.000 de dollars das colônias Hespanho- las. incluindo os empréstimos á Áus- tria e a Portugal. se porém o tractado se naõ ratifica. M. naõ se concluio ainda. INGLATERRA. As negociaçoens entre o Governo Inglez e o Hespanhol. Desde aquelle anno tem augmentado constantemente. receberam instrucçoens para continuar ali. que em . que Messrs. 103 de o rio Sabine até o rio Bravo do Norte. e de maneira. Apresentou-se ao Parlamento uma conta do capital da divida fundida da Gram Bretanha. Sua Alteza Real faleceo em Sidmouth aos 23 de Janeiro. Destas contas se vê que o total da divida naõ remida em 1786 éra de 238:231. porque precisa delia para o armamento.248 hvras esterlinas: desde aquelle anno foi a divida diminuindo até 1793 } q Uan do a sua somma éra 227:989. na pessoa do Principe Eduardo.

. M. havendo Suas Altas Potências feito o seu relatório sobre as leys. de 819. e por outro pequeno período. se léo uma mensagem de S. foi resolvido remettellos immediatamente ás secçoens. que S. no anno de 1818: eno anno de 1819 foi de 21:838. PAIZES BAIXOS. e proceder logo ao debate : porém como um ponto das .362. sendo um aug- mento. para a execução do sobredicto ar- tigo da ley fundamental. para ouvir o relatório da secçaõ central.. que o Governo tem a pagar. para satisfazer o que éra devido aos credores públicos.484 vezes 4 pe- niques. pelas contas publicas do Governo. de- pois dos 31 de Dezembro 1819. que se haõ de promulgar. cujo objecto éra man- ter para o futuro as leys existentes. e o projecto de ley. se occupava em deliberar com toda a promptidaõ possivel. S.049.094. durante o qual naõ forem reguladas por outras leys. Na cessaõ da Segunda Câmara de 27 de Dezembro. éra impossivel fixar a despeza e receita (como prescreve a ley fuudamontal) para este anno : que éra necessário providenciar ás despezas ordinárias do Governo. M. 1819 a divida publica chegou a 1:181:502. mandava com esta mensagem um projecto de ley. de 791:867. que. dizendo. pelo espaço de 8 mezes. do q u e s e r e - mio 389:637.104 Miscellanea. M. que a importância da matéria permittisse.313 libras esterlinas. deixando um total de divida. sobre as medidas. pagando cada folha 4 peniques. que se haviam de propor aos Estados Geraes. a favor das rendas do Governo. na tarde da mesma secçaõ. que o numero de folhas de papel sellado. que lhe haviam sido propostas. uzado pelas gazetas na Inglaterra. Achamos. foi de 21:018.610. Sendo lida esta mensagem. conhecendo que he do seu deveT prevenir a estagnação nos negócios públicos.

os artigos re- lativos ao Real Estado de Prússia e seu Governo. me obrigam a ordenar o seguinte :— " 1. a pessoa. As medidas publicas de qualquer Governo daraõ sempre a conhecer o Estado interno do paiz. sendo isso descuberto. naõ obstante esta prohibiçaõ. uma muleta de dez dollars. pois.140." " A prohibiçaõ se extende a todas a gazetas e jornaes publi- cados no Reyno dos Paizes Baixos. com que estaõ cheios. Se os officiaes pú- blicos. na lingua Alemaâ". por cada jornal. publicada na In- glaterra ou em França. Miscellanea.° Nenhuma gazeta. tanto na lingua nacional como em Francez ou Alemaõ. principalmente as pessoas empregadas no Correio. por mais medidas que se to- mem para o occultar: assim como a legislação mostrará sem- pre os verdadeiros custumes da naçaõ. X X I V N. e. em vários jornaes estrangeiros. no mesmo crime. PRÚSSIA. a menos que se peça uma excep- çaõ ao meu Embaixador. 105 formalidades requer. que se adie o debate até a seguinte manhaã. nem será permittido que passe pelo paiz. que se acha na seguinte ordem:— " As falsidades e indecoroso estylo. que he prova do estado de inquietação. a Câmara se ajunctou aos 28. quando o projecto foi adoptado a unanimidade de votos. per- V O L . juncto a S. El Rey dos Paizes Baixos. será prezo por um tempo proporcionado. . e odiosa tendência. pagará. será admittida em parte alguma de meus dominios. e que elle a conceda: se algum desses jornaes se intro- duzir para ser lido. por maiü que o historia- dor os quizesse disfarçar. que o mandar vir. Julgamos. se dobrará a pena. M. Qualquer tentativa para fazer passar taes jornaes pelos Estados Prussianos será punida com a aprehensaõ dos jornaes. em que se acha a Prússia. no caso em que naõ possa pagar a muleta. No caso de reincidência. a medida adoptada contra os jornaes.

Von Krcheisin.. FREDERICO GUILHERME. que estava confiada ao Baraõ Von Hum- boldt. S. sob a direcçaõ do Principe Har- denberg . Von Haike. Von Berguie exercitava. se procederá contra elles segundo as leys penaes. em algumas pro- vincias. 1819. Ministro da Guerra. quer isso proceda de desígnio. pelo presente. A organização dos tribunaes de justiça. Von Berguie continuarão a ser empregados na revisão das leys. mittirem. pela qual se instituía a Commissaõ Criminal em Menlz. S. como Ministro de Justiça. Von Boyen. M. contra a resolução da Dieta. Gen. Principe Hardenberg. Duas causasse assignam para ter saido do Ministério o Baraõ de Humboldt. que forem destinados a nossos Ministros. contra o que he de esperar. e M. M. Ao Chanceller de Estado. M. a repre- sentação que fez o Baraõ. Von Berguie. por esta violação de seus deveres officiaes. que causou na Áustria. 30 de Dezembro. permissão de se retirar do seu em- prego. que estava confiada a Mr. uma o desgosto. foi também servido dispensar os Ministros de Estado Von Berguie e Baraõ Von Humboldt dos negócios do Conselho de Estado e do Ministério. está a cargo do Ministro de Estado e Justiça. ficará agora ao cuidado de uma commissaõ especial.106 Miscellanea.outra o desprazer . e até que se precisem outra vez os seus serviços. Berlin. e a superintendência que M. ou promoverem a impor- tação ou transito de jornaes prohibidos. Gen. que lhes estavam confiadas. O Baraõ Von Schurkman torna a entrar na repartição do Interior. quer de falta de atten- çrõ ou ignorância : somente aquelles exemplares dos sobredictos jornaes. e a repartição de Neufchatel tornará a ficar a cargo do Principe Hardenberg. assim como das repartiçoens. sobre os tribunaes. foi servido conceder benignamente ao Ten. saõ izentos desta prohibiçaõ. e nomeou em seu lugar o Tn.

° de Janeiro de 1820 em diante. impostos para a guerra. que a situação deslocada de muitos provincias. que um povo que se vê obrigado a viver em tal Estado. naõ se deve também achar estranho. com a abolição Landwehr. no anno de 1812. e terá isto lugar. Nos convimos. No dia dos annos do Imperador. 107 que teve o mesmo Baraõ. 27. A pauta dos direitos da alfândega. A diminuição dos direitos de entrada nas mercadorias estrangeiras. que publica- mos a p. um ukase. lamente com amargor a existência de um exercito tara desproporcionadamente grande. que absorbe todas as rendas. Miscellanea. que diminua as suas tropas effectivas. Falla-se de nova organização do exercito Prussiano. publicou S. RÚSSIA. pelo qual se abolem todos os tributos. o fazem cada dia mais popular. Alguns Políticos de Prússia estaõ convencidos de que a Prússia he na sua essência uma monarchia militar. faria crer aos políticos da escola antiga. I. e por isso se oppóem fortemen- te a toda a mudança de systema. na Rússia. Os benefícios que o Imperador incessante- mente concede a seus subditos. ou relaxe os custumes militares do povo. M. que esta medida éra tendente a fa- . lhe oceasiona maior necessi- dade de exercito do que a nenhnm outro Estado da Europa: e com tudo. que a Prússia adquirio. desde o 1. que deviam servir aliás para fomen- tar a industria: a qual he impossível que floreça em tal si- tuação de cousas. he nova prova do bem que o Imperador Alexandre entende os principios de Economia Politica. depois da paz. ou milicias locaes do paiz.

e isto seria decidida perda: mas como a medida he geral. para naõ desanimar o commercio estran- geiro. que quantas mais mercadorias estrangeiras entra- rem na Rússia. desse algum mal entendido privilegio a alguma naçaõ em particular. ou a uns ramos desta. segundo as circumstancias requerem . e se os indivíduos forem ricos também a naçaõ o será. e quando o Governo se intro- raette a querer dar preferencia a esta ou aquella linha de indus- tria . Os indivíduos especuladores saõ os melhores juizes do modo porque devem empregar seus capitães. pela maior liberdade que offerece ao commercio. único favor de que elle necessita para prosperar. . os indivíduos sempre attentos a seus interesses e sempre com mais promptos meios de informação do que tem o Governo. Se a Rússia. mas he claro. delia naõ pôde resultar senaõ bem. para os fazerem produzir a maior riqueza possivel. nestes casos. va- riam o emprego de seus capitães de uns ramos de industria para outros. por exemplo ás manufacturas em preferencia da agricul- tura. na admissão de mercadorias estrangeiras. e portanto tanta mais actividade terá o seu commercio. Esta pauta da Rússia impõem ás fazendas importadas os mais altos direitos de que ellas saõ susceptives. e quando acerte . ficando entaõ desacertadas as mesmas providencias. podem mudar as circumstancias de um anno para outro. vorecer as manufacturas estrangeiras. tanto mais de seus productos sairaõ para as pagar. em vez de outros. e desanimar as nacionaes . sem prohibir ou vexar a sua entrada. que naõ precisassem dos productos Russianos.108 Miscellanea. arrisca-se a naõ acertar com o methodo mais proveitoso. arriscava-se com isso a admittir fazendas de paizes. que talvez em sua origem fossem bem pensadas : pelo contrario.

pondo as tropa? auxiliares. Joaõ Bautista Arismendi Vice-Presidente da Republica. 1820. pelejando debaixo de nossas bandeiras. c . e 1 4 . em virtude dos quaes se embarcaram na Europa. XXIV. AMERICA HESPANHOLA. o justo direi- to que tem a remuneração por seus serviços. e a inviola- bilidade. Tendo tomado em consideração o distincto merecimen- to. Decreto. Na quarta parte nova os campos âra £ se mais mundo houvera lft chegara CAMOENS. na Republica de Venezuela. POLÍTICA. em igualdade com as do paiz. v i t . P . N°.CORREIO BRAZILIENSE DE FEVEREIRO. que as tropas estrangeiras tem adquirido na Republi- ca. que se deve observar nos contractos. 141. para virem a Vene- Voi.

O Ministro da guerra será encarregado da execu- ção deste decreto. por causa da dis- tancia do centro do Governo. que lhes foi decretada por ley. .HO Politica. 6. e como taes gozam dos mesmos direitos. Em conseqüência do dicto artigo gozarão de todas as distribuiçoens da propriedade nacional. As condiçoens estipuladas para o seu transporte. e cir- culado às authoridades a quem pertence. As tropas estrangeiras. Art. se naõ tiver satisfeito a totalidade das ra- çoens e subsistência concordada. o Governo fica respon- sável a pagar o que falta em dinheiro. promulgada aos 10 de Outubro de 1817. 2. preeminencias e privilégios dos naturaes do paiz. especificando as som- mas devidas a cada um. que cada individuo desejar. saõ. e assim em propor- ção as outras classes e officiaes do exercito. zuela. a fim de defender a nossa liberdade. Para este fim. 3. 5. assignando a cada soldado 500 pezos. a o Presidente. em conseqüência dos atrazados. que tenham em seu poder. ou da maneira. 3. e constituem parte do exercito da Republica. desde o dia da sua chegada a Venezuela. que tem vindo a Venezuela. e da difficuldade de com- municaçoens. entaõ Chefe Supremo. os Chefes e Commandantes dos des- tacamentos transmittiraõ immediatamente ao Governo os contractos. que ordinaria- mente tem lugar durante a campanha. pelos dictos commissarios. em virtude de contractos feitos pelos Com- missarios do Supremo Chefe. 1. me tenho mo- vido a decretar o seguinte. Se. seraõ exactamente cumpridas. publicado. e também uma lista exacta das tropas e officiaes. por Sua Ex. e os avanços feitos por cada individuo seraõ pagos por conta dos fundos nacionaes. que será impresso.

debaixo dos regulamentos que o Governo adoptar. que. na sessaõ de 25 de Agosto foi servido determinar a favor do T h e - souro. incorridas na contenda defensiva para a emancipação e liberdade deste paiz do depotismo Hespanhol. Politica. U R D A N E T A . de 1819. como saõ notórias a ne- cessidade e utilidade destas medidas. nos tempos tranquillos im- põem contribuiçoens sobre os artigos. e tabaco. especialmente aquelles que naõ saõ de priraeira. Portanto. durante a guerra.necessidade para a subsistência do povo. exhausto com as enormes despezas. na Capital deGuayana. a venda da cachaça fosse um estanco.) JOAÕ BAUTISTA A R I S M E N D I . Vice Presidente &c. mas antes saõ considerados na classe dos de luxo. assim como a venda do sal. sal. sendo livre a sua cultura e exportação. que saõ susceptí- veis de impostos. e ainda quando ellas em si mesmas fossem mais pezadas do que aquellas impostas pela Corte de Hespanha. 111 Dado no Palácio do Governo. Porquanto o Soberano Congresso. assim como a venda do sal. nem serviriam para reforçar mais nossos ferros: pelo contrario servem para derribar o império «* escravidão e restituir a America Meridional á alta ^gnidade de homens livres. estancando a venda da cachaça. Ministro da Guerra. &c. (Assignados. adminis- trado por Conta do Governo. Vice Presid. D I O G O B. Joaõ Bautista Arismendi. aos 11 de Outubro. adoptando a practica das naçoens civilizadas. estas teriam sempre a vantagem de naõ serem apropriadas á voracidade dos tyrannos. para sustento e ostentação dos oppressores da America. que. e pòr estas regioens na . Decreto. e tabaco.

A minha ambição tem sido somente libertar-vos dos horríveis tormentos. Os re- gulamentos e as leys. A victoria.—A uniaõ de Nova Granada e de Venezuela em uma Republica he o ardente desejo de . com o exercito libertador. Habitantes de Granada. Nem neste. de vender por miúdo a cachaça nesta cidade. de quem emana a minha authoridade. (Seguiam-se os artigos para o regulamento dos estan- cos. Habitantes de Nova Granada!—O gemido de vossas afflicçoens chegou a meus ouvidos. e duas vezes nos tem a vossa capital visto triumphantes.) Angostura 9 de Outubro. Proclamaçaõ do General Bolivar. O Congresso Geral. a que vossos inimigos vos su- geitáram. para vos servir. eu me apressei pela terceira vez. a que saõ chamadas pelos seus direitos naturaes. o privelegio que a Republica somente possue.112 Politica. residente em Guayana. e a quem obedece o exerci- to libertador. sao os que vos dirigem. que aquelle corpo legislativo tem dictado. nem nos exemplos passados. e que eu tenho posto em execução. o que me motivou a decretar o seguinte :— Art 1. a quem mais der. marchando sempre diante de nossas bandei- ras nos ten sido fiel em vosso paiz. e restituir-vos ao gozo de vossos direitos: para que possaes estabelecer o Governo de vossa escolha. classe. he a este momento o depositário do poder nacional dos habitantes de Venezuela e Granada. vim eu em busca de poder ou de gloria.» Aos 15 do corrente se arrematará. 1819. em praça publica. &c. em Nova Granada.

Novas victorias esperam o exercito libertador. espero a so- berana determinação do Congresso. naõ tendes nada a temer. &c. deve ser livre. Politica. tendes padecido. que determine a forma de governo permanente. Decreto. Simaõ Bolivar Presidente da Republica. por breve tempo. e sereis livres. 113 todos os cidadãos sensatos. até que o Congresso Geral resolva a convocação da representação nacional. Vós mandareis entaõ vossos deputados ao Congresso Geral. ja livres. ou formareis um Governo em Granada. sendo possivel. No entanto. . para convocara as- semblea nacional. e um Vice-Presidente digno da honra de vos governar. e de todos os estrangeiros. e vosso valor. (Assignado) Si MAÕ BOLÍVAR. e. que nao descançará em quanto houver um inimigo no Norte ou no Sul de Columbia. Desejando dar ás Provincias de Nova Granada. pelas vossas virtudes. Despeço-me de vos. Guartel General de Sancta Fé. vosso patriotismo. 8 de Septembro de 1819. será administrado por um Vice-Presi- dente. que decidirá da incorporação de Nova Granada. habitantes de Granada. um governo provisional. oito de vossas provincias res- piram libertas. O governo das provincias livres de Granada. Convervai intacta esta sagrada bençaõ. na nvinha ausência. unanime da vossa parte. Deixo-vos valentes soldados para vos de- fender. Porém este acto tam grande e tam sublime. Portanto. que. Habitantes de Granada. Vaõ vos esqueçais nunca da ignomínia dos ultragens. que amam e protegem a causa Americana. tenho decre- tado o seguinte:— 1. magistrados Íntegros para vos proteger.

do Conselho de S.114 Politica. que designará. Cavalleiro Gram Cruz da Real Ordem Americana de Izabel a Catholica. Senhor de Rayares. Luiz de Onis Gonza- lez Lopez y Vara. decorado com a Lys de La Vendee. tem determinado ajustar e terminar to- das as suas differenças e pretençoens. Tractado de amizade. a Joaõ Quincy Adams. e S. &c. e S. depois de haverem tro- . 3. Ca- tholica nomeou ao Ex. e S."10 Sn'r. os limites de seus respec- tivos confinantes territórios na America Septentrional. Catholica. com precisão. As fuucçoeus do Vice-Presidente. Mem- bro da Assemblea Suprema da dieta Real Ordem. Secre- tario de Estado dos dictos Estados-Unidos. seraõ as mesmas do Vice-Presidente de Venezuela. Com esta intenção. Cavalleiro Pensionista da Real e distincta Ordem Hespanhola de Carlos III. sobre uma baze permanente. ESTADOS-UNIDOS. Catholica. por um tractado. Os Estados-Unidos da America. entre os Estados- Unidos. Regidor Perpe- tuo da Cidade de Salamanca. Catholica. e seu Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciario juncto aos Estados-Unidos da America. ajuste e limites. M. M. a ami- zade e boa conrespondencia. E os dictos Plenipotenciarios. de- sejando consolidar. O General de Divisão Francisco de Paula Santan- der he nomeado Vice-Presidente de Nova Granada. que felizmente existe entre as duas partes. D. S. o Presidente dos Estados-Unidos munio de plenos poderes. M. (Assignado) SIMAÕ BOLIVAK. seu Secretario com Exer- cicio para os Decretos. M.

e dahi por aquelle parallelo de Latitude até o Mar do Sul: sendo tudo como se acha designado no Mappa dos Estados-Unidos de Melish. começará no Golpho do México na embocadura do rio Sabine. para o Occidente. ou officiaes dos Estados-Unidos. que naõ saõ propriedade particular. e dahi direita ao Norte. sem excep- çaõ de pessoas ou lugares. saõ incluídos neste artigo. e Sua Majes- tade Catholica. 115 cado os seus poderes. edifícios pú- blicos. M. Politica.' Haverá firme e inviolável paz. Os dictos artigos e documentos seraõ deixados na posse de Commissarios. ao longo da margem occidental daquelle rio. dependentes das dietas províncias. situados para o Leste de Mississipi. e correndo dali por uma linha direita- mente Norte até o rio Arkansas. seus successores e vassallos. todos os sítios e praças publicas. todos os territórios*.pu- . osarchivose documen- tos. continuando para o Norte. e sincera amizade. fortificaçorns. entre os Estados-Unidos e seus cidadãos. S. e 23 de "Washington: depois. conhe- cidos pelo nome de Florida Occidental. 2. ao gráo de Latitude aonde toca o rio Roxo de Natchitoches. no mar. cm Latitude 42 Norte. que lhe pertencem. 1. concordaram e concluíram os se- guintes artigos. Catholica cede aos Estados-Unidos. ao Occi- dente do Mississipi. terras baldias. cruzando o dicto rio Roxo. ou rio Vermelho: entaõ seguindo o curso do rio Roxo. As ilhas adjacentes. atê os 32 gráos de latitude. e Oriental. que dizem directamente respeito á propriedade e so- berania das dietas provincias. em ple- na propriedade e soberania. devi- damente authorizados para os receber. 3 A linha de limites entre os dous paizes. e dahi seguindo o curso da margem Meredional do Arkansas até âs suas vertentes. até os 100 gráos de Longitude do Meredi- ano de Londres. e outros edifícios. quartéis.

M. cedem a S.116 Politica. e dos dictos rios Roxo e Arkansas. seus herdeiros e successores. por este. e a averiguar a latitude das vertentes . em Natchitoches. da data da ratificação deste tractado. por toda a extençaõ dos dictos limites. renuncia a toda a pretençaõ aos dictos territórios para sempre. Para fixar esta linha com mais precisão. cada uma das partes contractantes nomeará um Commissario e um Medidor. até que encontre o dicto parallelo de Latitude 42. seraõ commums aos respectivos habitantes de am- bas as naçoens. e do rio Roxo até o rio Arkansas. Porém se as vertentes do rio Arkansas se acharem cair para o Norte ou para o Sul da Latitude de 42. blicado em Philadelphia. entaõ a linha correrá desde as dietas vertentes direi- tamente ao Sul ou ao Norte. os Estados-Unidos.° de Janei- ro de 1818. reclamaçoens e pretençoens aos dictos territórios a Leste e a Norte da dieta linha. e procederão a correr e demarcar a dieta linha. desde a embocadura do rio Sabine até o rio Roxo. Catholica cede aos dictos Estados- Unidos todos os seus direitos. que designem exactamente os limites de ambas as naçoens. e pôr os marcos. re- clamaçoens e pretençoens aos territórios descriptos pela dieta linha: a saber. os quaes se ajunetaraõ dentro do termo de um anno. nas suas respectivas mar- gens. jucto ao Rio Roxo. até o mar. que fica descripto. pertencerão aos Estados- Unidos. Catholica. S. porém o uso das águas e navegação do Sabine. As duas altas partes contractantes con- cordam em ceder e renunciar todos os seus direitos. e daqui ao longo do dicto parallelo até o Mar do Sul. por si mesmo. conforme for o caso. e. e renunciam para sempre todos os seus direitos reclamaçoens e pretençoens aos territórios que jazem ao Neste e Sul da acima descripta linha: e em igual maneira. todas as ilhas nos rios Sabine e dictos Roxo e Arkansas em todo o curso. 4. e melhorado atê o 1. M.

dentro em seis mezes depois da troca das ratificaçoens deste tractado. na conformidade do que acima fica concordado e estipulado. Politica. e admittidos ao gozo de todos os privilégios. Os officiaes e tropa6 de S. teraõ permissão para vender ou exportar os seus effeitos em qualquer tempo que seja. Catholica aos Commissarios ou officiaes dos Estados-Unidos. e terá a mesma força como se fosse nelle inserido. raõ jornaes de seus procedimentos. e sua bagagem para a Havannah. e o resultado. e a linha de Latitude 42 até o Mar do Sul: desenharão elles os planos. se retirarão. 5. Catholica. 141. se estas se julgarem necessárias. Os habitantes dos territórios. e escreve. sem restriçcao al- guma . e todos aquelles. que se haõ de minis- trar a estas pessoas. 6*. que desejarem mudar-se para os dominios Hespanhoes. em que elles concordarem. direitos e immunidades dos cidadãos dos Estados-Unidos. e os Estados-Unidos fornecerão os transportes e escolta necessária. No. Os habitautes dos territórios cedidos seraõ assegura- dos no livre exercicio de sua religião. 117 do dicto Rio Arkansas. e se dará posse das praças que elles oecupavam. Q . ou mais depressa se for possivel. pelos officiaes de S. devidamente nomeados para os receber. Catholica cede aos Estados-Unidos por este tractado. para conduzir os officiaes e tropas Hespa- nholas. nos terri- tórios por este cedidos aos Estados-Unidos. logo que isso for consistente com os principios da Constituição Federal. V O L . Os dous Governos concordarão amigavelmente a respeito dos artigos necessários. que S. será considerado como parte deste tractado. seraõ incor- porados na Uniaõ dos Estados-Unidos. M. XXII. e também a suas respectivas escoltas. M. sem que fiquem sugeitos a pagar alguns direitos em qual- quer dos casos. M.

A todas as reclamaçoens por causa de prezas feitas pelos corsários Francezes. na mesma ex- tençaõ. e condemnadas por Cônsules Francezes. por S. M. mencionadas na Convenção de 11 de Agosto. 8. dentro do território e jurisdicçaõ de Hespa- nha. em razaõ das recentes circumstancias da Naçaõ Hespanhola. aos Estados-Unidos.118 Politica. e de confirmar a boa intelligencia. se os territó- rios houvessem ficado no dominio de S. animadas pelo mais ardente desejo de conciliação. Porém os donos. em posse de taes terras. A renuncia dos Estados-Unidos se extenderâ a todos os damnos e injurias. até o tempo da as- signatura deste tractado. feitas antes dos 24 de Ja- neiro de 1818. que as dietas datas seriam válidas. e com o objecto de pôr termo a todas as differenças. M. 1802. Catholica. 9. 1. Todas as datas de terra. quando se fez a primeira proposição da parte de S. que saõ nullas e invalidas. M. Catholica. que. desde a data deste tractado: na falta do que. nos dictos territórios cedidos por S. renunciam reciprocamente a todas as suas pretençoens e reclamaçoens. tiverem sido impedidos de preen- cher todas as condiçoens de suas datas. respectivamente. que tem existido entre elles. M. Todas as datas feitas de- pois do dicto dia 24 de Janeiro de 1818. 2. se declara aqui e concorda. que ellas mesmas ou seus respectivos cida- dãos e vassallos possam ter soffrido. . As duas altas partes contractantes. ou por suas legitimas authoridades. e re- voluçoens na Europa. seraõ ratificadas e confirmadas ás pessoas que estiverem na posse das terras. por damnos ou injurias. que desejam manter para sempre entre si. as preencherão dentro do termo limitado para esse fim. Catholica para a cessaõ das Floridas. as dietas datas seraõ nullas e invallidas.

A todas as reclamaçoens de cidadãos dos Estados- Unidos ao Governo Hespanhol. 119 3. 4. ou dentro dos portos ou jurisdicçaõ ter- ritorial dos Estados-Unidos. A todos os damnos mencionados na Convenção de 11 de Agosto de 1802. M. A todas as reclamaçoens de vassallos Hespanhoes no Governo dos Estados-Unidos. Finalmente a todas as reclamaçoens de vassallos de S. 1. Ca- tholica. Politica. á Repartição de Estado. 2. E as altas partes contractantes respectivamente renun- ciam a todas as reclamaçoens e indemnizaçoens por qual- . por causa da suspensão do direito de deposito em Nova Or- leans. depois da data da Convenção de 1802. em 1802. 3. Catholica avançou. Catholica ao Governo dos Estados-Unidos. M. que se preparou e esquipou em Nova Vork. 4. procedentes de capturas illegaes no mar. M. Catholica se extende. A todos os damnos causados pela expedição de Miranda. M. solicitando a intervenção do Governo dos Estados-Unidos. e Colônias Hespanholas. procedentes de captu- ras illegaes no mar. em que se tem solicitado a intervenção do Governo de S. M. para a volta do Capitão Pike das Provincias Internas. A todas as reclamaçoens por indemnizaçoens. de que se tem apresen- tado contas. ou ao Ministro dos Estados-Unidos na Hespanha. A renuncia de S. que S. ou ao seu Ministro nos Estados-Unidos. A todas as reclamaçoens de cidadãos dos Estados- Unidos ao Governo de Hespanha. e até a assignatura deste tractado. 5. e nos portos e territórios da Hespa- nha. ou que se possam ter feito á Re- partição dos Negócios Estrangeiros de S. e depois da data da Convenção de 1802. antes da data deste tractado. A todas as sommas.

e a receber todos os teste- munhos authenticos convenientes. será o seu lugar supprido por outro Commissario. todas as questoens rela- tivas ás dietas reclamaçoens. nomeado como fica dicto. examinará. Para averiguar a somma total. quer dos recentes acontecimentos ou transacçoens de seus respectivos commandantes e officiaes nas Floridas. A Convenção. Os Estados-Unidos. 10. emprehendem dar satisfacçaõ pelas mesmas. e considerando-as inteiramente oblite- radas. cujas ratificaçoens fôram tro- cadas aos 21 de Dezembro de 1818. e validade destas recla- maçoens. durante o recesso do Congresso. atê uma somma. para o . debaixo de juramento.120 Politica. Os dictos Com- missarios prestarão juramento ou affirmaçaõ. a que se ex temi iam as renun- cias ali contidas. cidadãos dos Estados-Unidos: esta Com- missaõ se ajunctará na cidade de Washington. e decidirá sobre a somma e validade de todas as reclamaçoens. de fiel e di- ligentemente desempenharem os seus deveres: e no caso de morte. incluídas nas descripçoens acima mencionadas. que naõ exceda a cinco milhoens de dollars. Os dictos Commissarios seraõ authorizados a ouvir e ex- aminar. a qual se registrará nas actas de seus procedimentos. aos 11 de Agosto de 1802. nomeará uma Commissaõ. por parecer e consentimento do Senado. E o Governo Hespanhol fornecerá todos os docu- mentos e elucidaçoens. he annuliada. ou ausência necessária de algum destes Commissarios. consistindo em três Commissarios. e dentro do espaço de três annos desde o tempo de seu primeiro ajunctamento. moléstia. ajustada entre os dous Governos. que tiver era seu poder. o Presidente. 11. resultantes de recla- maçoens de seus cidadãos. exonerando a Hespanha de todas as prestaçoens para o futuro. receberá. que lhe disserem res- peito. pelo Presidente dos Estados-Unidos.

do tractado entre as duas partes. pagavel pelo producto das vendas das terras pu- blicas. que o Con- gresso dos Estados-Unidos possa prescrever por ley. O pagamento das reclamaçoens que forem admittidas e ajustadas pelos dictos Commissarios. ou pela maior parte delles.° 4. relativamente âs reclamaçoens. que tendo sido alterados por esste tractado. será feito pelos Estados-Unidos. excepto o 2. ou de qualquer outra maneira.. Pelo que respeita o artigo 15. fica confirmado em todos e cada um de seus artigos. que naõ exceda cinco mi- lhoens de dollars.° 3.° do mesmo tractado de amizade. ou tendo rece- bido sua perfeita execução. quando forem pe- didos. Os registros dos procedimentos dos dictos Commissa- rios. se forem pedidas. limites e navegação de 1795. que produza o juro de seis por cento. as duas altas partes contractantes concordam. e os dictos documentos seraõ especificados. ja naõ saõ validos. que a bandeira cubrirá a propriedade.°. e estipulaçaõ. Politica. O tractado de limites e de navegação de 1795. depois que acabarem as suas transacçoens. e copias delles. por este cedidos aos Esta- dos-Unidos. a requirimento dos dictos Commissarios. ou pela creaçaõ de um fundo. seraõ. junetamente com as provas e documentos pro- duzidos ante elles. 121 ajuste das dietas reclamaçoens. pelo seu Ministro nos Estados-Uni- dos. ou immediatamente no seu thesouro. em que isto se entenda a respeito daquellas potências. 12. que reconhecem este prin- . de 27 de Outubro de 1795. e a 2* cláusula do artigo 22. atê uma somma. depositados na Repartição de Estado dos Estados-Unidos." e 21. que se haõ de ajustar e decidir por elles. por anno. dentro dos territórios. e direito das gentes. ou de qualquer parte delles seraõ dadas ao Governo Hespanhol. em que se es- tipulou. segundo os principios de justiça.

M. 13. e entregues ao navio a que pertencerem. e nos portos de Hespanha. exhibindo os documentos do custume em sua naçaõ: a saber o Côn- sul Americano em um porto Hespanhol. Os Estados-Unidos querendo dar a S. que soffréram dos corsários delia. exhibirá o documento conhecido pelo nome de Artigos. convém em que os navios . que se re- clamam.122 Politica. que os reclamarem. seraõ prezos e entregues a requrimento do Côn- sul . M. que naõ tem recebido compensação da França. Os Estados-Unidos por este certificam. porém se alguma das duas partes contractantes es- tiver em guerra com uma terceira. desejando favo- recer o seu mutuo commercio. a bandeira do neutral cubrirá a propriedade dos inimigos. tem concordado. Ambas as partes contractantes. e de seus côn- sules e tribunaes. Catholica. para satisfacçaõ do que se dam providencias neste trac- tado . conservados em custodia.' e o Côn- sul Hespanhol nos portos Americanos a lista da equipa- gem : e se o nome do desertor ou desertores. 15.que subsistem entre as duas naçoens. e apresentarão uma conta authentica das prezas tomadas e do seu verdadeiro valor. cipio. que os desertores per- tenciam aos navios. nas costas. 14. e a outra for neutral. para que a Hespanha se possa aproveitar do mesmo e da maneira que julgar mais justa e própria. o qual com tudo provará. apparecerem em um ou outro. dando nos seus portos todo o auxilio necessário aos seus respectivos vasos mercantes. pelos damnos e injurias. cujo Governo reconhecer este principio. e favorecer os vassallos de S. e naõ de outros. seraõ elles prezos. Catholica uma prova de seu desejo de estreitar as relaçoens de amizade. que desertarem dos seus vasos nos portos da (outra parte. que os marinheiros.

Augustine. sem pagar outros direitos por suas cargas ou por tonelagem. que vierem carregados somente com os pro- ductos do crescimento ou manufacturas Hespanholas. seraõ admittidos pelo termo de doze annos nos portos de Pensacola e S. ajuste e limites. o presente tractado de amizade. pelas partes contractantes. assignamos. I9. Decreto. M. Em testemunho do que. e di- rectamente dos portos de Hespanha. em virtude de nossos pode- res. em devida forma. Du- rante o dicto termo nenhuma outra naçaõ gozará do mes- mo privilegio. em nome d?El Rey. e as ratificaçoens seraõ trocadas em seis mezes desde este tempo. nas Floridas. senaõ os que houverem de pagar os vasos dos Estados-Unidos. El Rey nosso Senhor naõ tem cessado desde a sua res- tituição ao throno de seus maiores de procurar com o maior desvelo o bem dos seus vassallos. nos os abaixo assignados. Os doze annos começarão três mezes depois da troca da ratificação do tractado. 123 Hespanhoes. que se expediram. Catholica. O presente tractado será ratificado. HESPANHA. Sêllo) Luís DE ONIS. (Sêllo) JOAÕ Q U I N C Y ADAMS. ou de suas colônias. ou antes se for possivel. Politica. Plenipotenciarios dos Estados-Unidos da America. e lhe affixamos os nossos sêllos repectivamente. desvelado dia e . sobre as falsas ordens. Dado em Washington aos 22 dias de Fevereiro de 1819. e de S. dentro dos territórios cedidos.

Este cruel inimigo do homem em sociedade. cora ter dado á administração da justiça o impulso de que era susceptível. tem-se oecupado com igual desvelo em prodigalizar seus benefícios entre os muitos que durante a sua chorada ausência tinham de- fendido heroicamente a religião ea pátria. que como nascido entre a desordem das paixoens. filho da fraqueza humana. impedindo-o sempre as repetidas convulsoens políticas. mas degraça- damente o grande numero destes. Naõ contente S.. com esquecimento das leys e desdouro dos tribunaes. a tinhaõ submer- gido. que se nutre da mais es- candalosa imraoralidade. tem impedido a geral re- compensa a que está resolvido o generoso coração de S. e a escacez de um erário esgotado pela delapidaçaõ. que nada tanto deseja como acumular de todo o gênero de bens todos aquelles que temos a ventura de vi_ ver â sombra da sua soberana beneficência. naõ pode soffrer a ley nem a authoridade que as refrèam. e como até agora nem o erário tem podido acrescentar-se. e cortar as prizoens em que por um lado a ritualidáde. nem se tem podido realizar todas as medidas adoptadas para a felicidade publica e prosperidade geral. M. fazendo a seus se- quazes (julgados capazes de reformar o gênero humano) . a naõ extinguir a raiz dellas. para fazer mais expedita a recta administração da justiça. e de a ter ti- rado do confuso cáhos em que jazia. naõ cessa de procurar meios que o con- duzam a seus depravados desígnios. noite em ouvir benigno os seus clamores. a que por espaço de seis annos esteve entregue a naçaõ. e por outra os transtornos nascidos da revolução. a que ellas tinhaõ confiado esta porçaõ taõ preciosa do Governo.124 Politica. M. he impossível conseguir uns fins taõ justos e gloriosos como desejados.

que veriam um mon- te de felicidades. acompanhadas de promes- sas e esperanças sobre quanto pode lisonjear os sentidos .um cáhosespantoso com fins os mais remotos da ordem e felicidade daquelles. que falsificando as firmas dos inspectores de mili- cias e Infanteria. aos bons costumes. cançados de soífrerem uma re- volução devoradora. procuraram reunir tropas. para introduzirem o descontentamento Wrtre as tropas beneméritas. que. fa- zendo crer aos mesmos que seduzem. as máximas mais errôneas e delinqüentes. se fossem conduzidos pelos que nem sabem governar-se a si mesmos. XXIV. suppondo Decretos e Ordens Reaes. Politica. mas jamais se esquecem de acrescentar sua fazenda. receando grandes males de medidas tam impremeditadas e violentas. 141. 125 declarar a guerra á religião. só aspiram a desfructar o repouzo e tranquillidade que lhes pode preparar um benéfico Go- VOL. nem apagar a mancha de sua obscuridade e de seus delictos. N°. a propagação das máximas ímpias e sub- versivas. conduzillas â insubordina- ção. Como por desgraça acaba de succeder ultimamente com eêtes gênios inquietos e inimigos da ordem e socego pu- blico. e saõ os que se deixam arrastar da novidade. R . cujos leaes habitantes naõ podiam deixar de se admirarem e de estremecerem. e â au- thoridade. semeando para isso em assembléas clandesti- nas. impondo castigos e removendo de seus legitimos commandos aos vassallos mais fieis ao throno e mais amantes da religião. e confe- rindo também graduaçoens e empregos a vários indiví- duos do exercito. que naõ existem. arrancar a paz em que vivem os povos. reduzir tudo a. e entre os que naõ penetram o veneno das idéas. com o maior escândalo. a criminosa falsificação de ordens d'El Rey e dos que representam sua authoridade soberana. supreza e confusão dos povos. e pollas em armas. Daqui vem as prati- cas secretas.

e sendo o que mais pulso requer o es- tabelecimento da pena aos delictos. a formação de . Como os povos naõ se fizeram para as leys. que. que as Leys impõem aos que atacam a tranquilli- dade do Estado. as relíquias da revolução passada em toda a Europa augmentou tanto o numero destes réos. E. que offendem a segu- rança publica ou a individual dos que unidos em socie- dade devem viver tranquillos debaixo da protecçaõ do soberano que os rege. por minha maõ. para que o faça con- star ás authoridades do Reyno. para dar conta a S. 8 de Dezembro 1819. naõ só para que todos vivam persuadidos de que as providencias verdadeiras de S. com escândalo. M. o participo a V. M. verno. que pede um remédio exemplar. e como o andar dos tempos costuma fazer estéril ou impracticavel hoje o que em outros sécu- los foi opportuno. di- rigido ao Presidente do Conselho de Castella. mas sim pelo contrario. pelo amor que professo aos meus povos. e para que vassallos tam dignos do paternal amor do Rey saibam que foram falsas as ordens. E. do que daraõ parte a V.126 Politica. sem omittirem diligencia nem indagação. E se bem nunca deixe de haver algum individuo. terminarão sempre no cumprimento da Ley e feli- cidade dos seus vassallos. que procure perturbar a ordem com seus crimes em todos os tempos. e procedam com activi- dade contra seus perturbadores. os pozeram em expectaçaõ e para que vivam socegados e persuadidos de que o Go- verno vela e tem tomado as medidas mais enérgicas para apresentar á face do vasto mappa do universo o exemplar castigo. mas também para que vigiem contra taes inimigos da ordem. Decreto para a formação de novo Código Criminal. tem conciliado a minha attençaõ.

sem mais fructo que fazerem perpetuamente desgra- çada uma familia. que o meu paternal desvelo deve extinguir. quando por a demonstração deveram ver-se cingidas á ley indubitavel: algumas leys penaes das Partidas. a expressão mal definida de prova privilegiada. que saõ a muda voz. que sempre indicou a ley que mais convém. A falta de classificação discreta em alguns crimes. assim como a facili- . saõ defeitos de legislação. em junta. requerem attençaõ. com que se perturba a or- dem publica e a segurança pessoal. a qualificação de indícios. e as defensas e suas decisoens se reduzem a problemas. depois de ouvido o parecer uni- forme dos meus Secretários d'Estado e do Despacho. 127 um Código Criminal. que. tem o defeito de severidade incompatível com a civilização e costumes actuaes. a outra faz arbitraria a applicaçaõ da pena com menos cabo da justiça: e por falta de expressão as causas se alongam. A confiscaçaõ absoluta de bens. as penas acerbas e de longo padecimento. que por ordem Regia celebraram para esse fim. no qual classificando-se com propriedade e exactidaõ as diversas espécies de delictos. a transcendência de infâmia aos filhos por delicto de um pay. feitas se- gundo as opinioens e circunstancias criticas daquelles tempos de continua agitação e turbulências. e que conduzem ao erro o que tem menos experiência em julgar. que as leys freqüente- mente indicam. pois se uma move a duvidar da verdadeira natureza do delicto. abrindo a porta â arbitrarie- dade saõ a origem de incalculáveis males. submergida em um insondavel pélago de opinioens em que vacilla o mais pratico Juiz. e a differença ao prudente arbítrio dos Juizes e Tribunaes para impo- rem as penas em muitos casos em que a ley naõ a deter- mina. se determinem de um modo claro e positivo as penas correspondentes para o castigo dos réos e escarmento dos outros. Politica. saõ defeitos taes.

se classifiquem devidamente os delictos.128 Politica. em que. tem com tudo isso dado occasiaõ a duvidas e interpretaçoens sobre o motivo e ob- jecto das leys. outras alteradas. arrancando ás vezes de seus lábios. o que naõ pode tranquillizar o Juiz em sua sentença. dade com que se admittem provas equívocas e falliveis com perigo de se fazer soffrer ao innocente a pena capital. ao passo que outra ley mais sabia do mesmo Código ordena que ninguém seja julgado por meias provas. e todas commummente sem concerto e methodo conve- niente para formarem um systema claro e singello. tem- se feito taõ penoso o seu estudo. O preâmbulo que precede os preceitos das mesmas leys. suspirando pela restituição ao throno de meus maiores para fazer a sua felicidade. como difficil e compli- cada a administração da justiça. especialmente no cri- minal . e máximas de saã moral e politica. que naõ pou- cas vezes tem prevalecido contra o sentido natural e genuíno da ley pátria a opinião dos glossadores. a pezar de se ter prohibido fazer uso dellas nestes Reynos: e fi- nalmente. que tem feito em grande parte arbitraria e controversa a Sciencia do direito. com um horror que o amedrenta. muitas dellas repetidas. precavendo-se os apontados defeitos e inconvenientes. se bem seja louvável por conter sentenças dos antigos. Desejando pois occorrer com opportuno remédio a de- feitos de tanta consideração. e convencido de naõ ser possivel conseguir a execução deste pensamento por me- didas parciaes. fundada commummente em leys dos antigos Romanos. . que de ordinário servem para augmentar o mal. achando-se dispersas em differentes Códigos as leys penaes. resolvi a coordinaçaõ de um novo Código Criminal. e desejando dar aos meus povos um testemunho do apreço que me mereceo a manifestação da sua lealdade ao lamentarem-me ausente em meu cativeiro. chegando a tal extremo este abuso.

Politica. naõ se pode realizar. simples. para que com a maior brevidade tenham os meus vas- sallos o prazer de verem realizado tam justo desejo.—O que transmitto a V. especialmente nas universi- dades litterarias. pezando sobre os frutos da terra. âs mui- tas e repetidas instâncias de varias Corporaçoens e La- vradores. M. dando principio este Supremo Tribunal a uma obra tam própria da sua illustraçaõ e sa- hedoria. se vejam realizadas as benéficas miras de taõ digno Monarca. do modo mais claro. attendendo ao baixo preço dos graõs. a que a contribuição geral. Decreto permittindo a exportação do graõ e azeites da Hespanha. E. confiando que nesta occasiaõ me dará novas provas do seu constante amor á minha Real Pessoa. e confio a execução desta importante obra á notória illustraçaõ e e acreditado zelo do meu Conselho Real. e a fim do que. El Rey. deseja. e dos seus incessantes des- velos pela felicidade dos meus povos.—2 de Dezembro. que possam dar-lhe auxilio em tam deli- cado trabalho. se estes naõ tiverem um preço proporcionado que possa cobrir este encargo . para o que lhes communicaraõ as ordens competentes. e disporeis o necessário ao seu cumprimento. e methodico. dando-me noticia no fim de cada mez do que se adiantar neste ponto por vossa maõ. por ordem d'El Rey nosso Senhor para sua intelligencia. e pela mesma lhe communicarei o mais que for do meu Real agrado. As- sim o tereis entendido. entre os quaes achará sábios de saã critica. com o desvelo e promptidaõ que S. e do Con- selho. 129 e se determinem as penas proporcionadas a seu castigo. 1819.

a si o esta- belecer as bases sobre que se deva executar para o futuro. M. sem limitação alguma por ora. pagando o azeite de fora todos os direitos de rendas geraes e particulares. que se introduzirem em bandeira nacional. por ordem Regia para seu cum- primento. reservando S. além de outras medidas de líquidos. que pagará um quarto de real (10 réis) por arroba* sem outro direito algum. econformando-se com o parecer da direcçaõ Geral de Rendas. resolvido que o quintal de graõs estrangeiros e se- mentes. M. que serve na medi- ção dos azeites. e cuja capacidade pode conter 35 arrateis Caste- lhanos de água destilada. para a elevar â soberana consideração. que se usa na medição de vinhos e aguardentes. foi servido per- mittir a livre extracçaõ de azeite e de toda a espécie de graõs. O que communico a V. e sementes ou legumes. e os gastos da lavoura. Esta arroba menor anda por nove canadas nossas. Do mesmo modo tem S. e Arroba menor. e pode sua capacidade conter 27 arrateis e uma quarta Castelhanos de água destilada. e em estrangeira 20 reales. Arroba maior ou cantara. e a sua nivelaçaõ com os mais ef- feitos que entram no Commercio. para evitar todo obstáculo e paralizaçaõ em sua sabida : tendo o cuidado as respectivas A uthoridadeí de Alfânde- gas de remetter mensalmente á direcçaõ de Rendas a nota dos respectivos frutos que 6e extrahirem. * Ha em Hespanha. sendo o seu pezo 25 quartilhos Castelhanos ou de marco. e a maior por 18 I. com o fim de dar á agricultura toda a protecçaõ e impul- so que o interesse geral dos seus vassallos reclama. â excepçaõ do azeite. nem despezas de guias nem avenças. farinhas nacionaes. .paguem 18 reales. Madrid 24 de Dezembro de 1819.130 Politica. A qual extracçaõ será livre de direitos.

os três Lentes dos . pela graça de Deus. para o regulamento do Conservatório das Artes.° Estabelecer-se-ha no Conservatório das Artes e officios. na forma que se prescreve nos seguintes artigos. que está estabelecida ao pé delle. em que se ensinem as applica- çoens dos conhecimentos scientificos ao commercio e â in- dustria. 3. Ordenança. ° Administrador do Conservatório. l. o ensino publico e gratuito da applicaçaõ das Sciencias ás Artes de idustria.. &• A Juncta de aperfeiçoamento se comporá de 17 membros. O Conservatório das Artes e officios. temos ordenado e ordenamos o seguinte:— Art. 3. Politica. 2. ao qual o Reyno deve muitos serviços importantes. Luiz. &c. naõ tem podido preen- cher completamente o objecto da sua fundação. ouvindo o parecer do nosso Ministro Secretario d' Estado e do interior. Continuará annexa ao Conservatório a aula inferior de Geometria descriptiva e desenho. os quaes seraõ : o Par de França Inspector Geral do Conservatório e das escholas de Artes e Officios.° Economia industrial. Confirmamos as Junctas de aperfeiçoamento e de governo do Estabelicimento. com applicaçaõ a ambas as Sciencias e âs Artes. e a fim de supprir esta falta. por falta de uma aula superior.de Me- chanica: 2. 131 FRANÇA.° de Chimica. Constará este ensino de três cursos: 1. satisfazendo aos desejos dos homens illustrados e contribuindo com todo o nosso poder para os adiantamentos da industria na- cional . 4.

e seis Fabricantes Negociantes ou Lavradores. seraõ vogaes perpétuos da Juncta de A- perfeiçoamento. S. Os outros Vogaes seraõ nomeados pelo Ministro com approvaçaõ nossa: renovar-se-ha por sorte a terça parte delles cada três annos. que os estabetecem. e poderão ser outra vez eleitos. Sou. e successaõ de S. por proposta do nosso Minis- tro do Interior. 6. O inspector Geral. . Expi- rou aos 35 minutos depois das 8 horas p. (Assignado) FREDERICO Ao Muito Honrado Visconde Sidmouth. cursos.. George IV. M. que Deus Todo Poderoso foi servido levar para si El Rey meu amado Pay. Officio do Duque de York. m. que assistiram neste triste período. &c. 1820. &c. ao Secretario de Estado.—Incluo a certidão de todos os médicos. vosso. sinceramente. seis Sócios da Academia das Sciencias. My Lord. (O resto dos artigos contem as particularidades do Es- tabelicimento. My Lord!—He do meu penoso dever informar a V. e nosso benignissimo Soberano. e pelo segundo artigo desta Ordenança.) INGLATERRA Morte à* El Rey George III.132 Politica. W indsor 29 de Janeiro. o Administrador e os três Pro- fessores por Nós nomeados.

30 de Janeiro de 1820. nunca obliterou da lembrança de seus subditos a impressão cau- sada por suas muitas virtudes. e o seu exemplo. XXIV. David Dandas. os po- deres. M. expirou. M. éra ò primeiro desejo de meu coração. sem dôr. que vos ajunctasseis aqui hoje. O Todo Poderoso Deus foi servido determinar outra cousa. a saber:— " Ordenei. 29 de Janeiro. 141. Chamado. Bailly. em conseqüência da indis- posição de S. meu amado Pay. que a rigorosa enfermidade. Politica. 1820. a fim de cumprir com o penoso dever de vos annunciar a morte d' El Rey. Heberden.. Na Corte. que me tinham sido confiados. em Conselho. O Todo Poderoso foi servido aleviar a Sua Majestade de todo o sofírimento. aos 35 minutos depois das oito horas. queafíligio a S. 133 Castello de Windsor. He-ine impossível expres- sar adequadameute os meus sentimentos nesta triste occasiaõ. que me resultaram VOL. Roberto Willis. M. e eu naõ tenho sido insensível às vantagens. Para S. M. por tantos annos. Presente a Excellente Majestade d' El Rey. S. estando presente no Conselho foi servido fazer a seguinte declaração. N». que me fosse permittido restituir em suas maõs. mas tenho a consolação de saber. S.. W . . R. em seu nome. A. em o Palácio de Carlton.M. (Assignado) Henrique Halford. a exercitar as prerogativas da Coroa. esta noite. vivirá para sempre na grata memória de seu paiz. o Duque de York. como es- tou persuadido.

e manter em sua integridade a religião. as leys. (Assignado) J A s: BULLER. os Lords Espirituaes e Temporaes deste Reyno. M. e com um numero de outros cavalheiros principaes de qualidade. que exige a minha presente situação. satisfará a todas as classes. em promover a sua prosperidade e felicidade. M. Por quanto o Deus Todo Poderoso foi servido chamar para sua misericórdia. O apoio que tenho recebido do Parlamento e do paiz. e com unanime vóz e consentimento de lingua e de coração. foi somente quem me pôde inspirar aquella confiança. nos. por cuja morte a Coroa Imperial do Reyno Unido da Gram Bretanha e Irlanda vem legitimamente e só para o alto e poderoso Principe George. foi servido or- denar na mesma conformidade. o nosso defuncto Soberano Se- nhor Rey George Terceiro. Proclamaçaõ do Conselho. de administrar em nome de meu amado Pay o Governo deste Reyno.134 Politica. de abençoada memória. por esta. Vereadores. Principe de Gales. que esta sua benigna declaração a suas Senhorias se fizesse publica: o que S. e as li- berdades do Reyno. assistidos aqui com estes que foram do Conselho Privado de sua defuncta Majestade. com o Lord Mayor. e em circumstancias as mais árduas. publicamos e proclamamos. nos tempos mais cheios de grandes acontecimen- tos." Depois disto os Lords do Conselho requerêram humil- demente a S. do meu anxioso es- forço. por tanto. e cidadãos de Londres. A experiência do passado es- pero eu. que o alto e poderoso Princi- .

aos 30 de Janeiro de 1820. Politica. Dado no Palácio de Carlton. o nosso úni- co e legal supremo Senhor George o Quarto. rogando a Deus. pela graça de Deus. (seguiam-se as assignaduras de todos os membros da Familia Real. que abençoe o Real Prin- cipe. por quem reynam os reys e as raynhas. e mais pessoas presentes. . com longos e felizes annos de rey- nado sobre nós. George Principe de Gales. defensor da Fé. pela morte do nosso defuncto Soberano. A quem reconhecemos com toda a cordeal e humilde affeiçaõ. Rey do Reyno Unido da Gram Bretanha e Irlan- da. he agora. 135 pe. George Quarto. de feliz memória.

Rio da Prata. . l s . Op. j v fiiru • • * • • l s .. a 30 25» nhoes por Madeira 25». ls. 9p. l i s . . a 122». 6lp Anil Rio 5 por lb. 60s.1 Amsterdam 12 Malta 46 Espécie Seguros. 3|p ou Inglez. ls. >• Pernambuco l s . de 1820. Brazil 120s. „ 68s Caffe Rio 114s. pilha ] B 6|p. a 356 35». . por 1121b. 5s. a 7ip. 9p. . Algodam . 3s.J Maranham .. Qualidade. ( 136 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. f (Capitania. por couro k Rio Grande ] li I <C Pernambuco. por 100 lb. . Livro de direitos por Arroz Brazil exportação.2p. Ourocu 4s. 2|>. 6p. l s . » 6*P- <A 10 p . Peças de 6400 reis Lisboa 25». a 30s. direitos pagos pelo n." . 4p. a 50 42s* Bengala 60» 02». Rio Grande por 123 48s. ls. ls. . 7p. | <C 5èp. salgados Rio Grande. Porto 25». 42s. tA 7|p. 6p 48. 4p 2». em navio Portuguez 1 Minas novas l s . ) direito» pagos pelo Páo Brazil . ' exportação I em folha. 5p. Onro em barra £ 3 17 101 Brazil. 3p.. J a ls. 2s. 5p.dictos 0 4 11* onça Açore» 25». 5p.livre por Tabaco •< _ ... ( em rolo. â 12». Direitos. Ipecacuanha Brazil. Assucar . 4p. ( comprador. 14p 6£ porlb. . Bahia por lb . 4p.. . Gêneros. de cavallo 5p. 8s. . Preços. Redondo . ls. f Pará ls. . Pará . Salsa Parrilha. Cacáo Pará . a 30 25» Dobroens Hespa. lp. Hida 30s. . ls. a 46s.. Óleo de cupaiba l s . Tapioca. Pernambuco J comprador. l p . . . por lb. a 130s. . ' Mascarado • 27s. 25 de Fevereiro. . a 30 308 Prata em barra 0 6 1$ Rio da Prata 42». Rio de Janeiro 56 Hamburgo 36 4 Lisboa 51 Cadiz 34j Porto 51J Gibraltar 30 Paris 25 10 Gênova 44. . Brazil. . a 7p. 5p. L O N D R E S . Cebo Rio da Prata 61s. a 8Jp. a 30 30» Pezos. Chifres.!*. Páo Amarello. a l s . Câmbios com as seguintes praças.por 1121b. < Batido 38s. a 52s. a 4 Os. . . I por 1121b.

2 vol. Ao que se ajuncta um Appendiz dos Actos do Parlamento. que foi seu cirurgião em Sancta Helena. sobre a natureza. Systema das leys de Navegação da Gram Bretanha. Por Fran- cisco Ludlow Holt. Tractado sobre as adulteraçoens dos mantimentos e venenos culi- nares. preço 21Í. e principios do gosto. preço 10Í. e Advogado. Holt Navigation Laws.a Dos navios mercantes e marinheiros: 3. Accum on Adullerated food. 12m0. 0' Mearas Memoirs of Napoleon. e contractos marítimos: em três partes. Formulários. En- saios. em Francez e Inglez. 6d. Allisoris Nature of Taste. . 2/. Estas Memórias de Napoleaõ fôram publicadas." Das leys sobre navios e navegação : 2. relativas aos navios mercantes e marinheiros. 2 Í . &c. 8 vo . 8 vo . 1. 2 vol. do Templo. ( 137 ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. mostrando as fraudalentas falsificaçoens do paõ. por 0'Meara. preço 9s.a Dos con- tractos marítimos. Por Ar- chibald AUison.

Re- gras para o governo de prisoens. faz saber que S. Por uma sociedade para o melhora- mento da disciplina das prisoens. preço bs. doces. &c. do corrente. vinagre. Goldsmith. Por Frederico Accum. e penitenciárias. nata. cha. ao que se ajunctarn planos de prisoens. casas de correcçaõ. Rulesfor the government of Prisons. A sociedade Economia Ma- tritense em virtude de ordem Regia do Io. Present State of the British Empire in 1820. suas colônias e dependências. Estado presente do Império Britannico em 1820: consiste em uma suecinta e exacta conta do império Britannico. &c. com estampas. e fi- nanciaes da população. de um moinho de trigo. Pelo Reverendo J. sobre principios melhorados. rendas. preço 9s. com explicaçoens estatísticas. caffé.000 reales. producçoens.vinho. Madrid 24 de Dezembro. adoptado para o em- prego dos prezos. 138 Literatura e Sciencias. commercio. 6d. liquores espirituosos. cerveja. nas quatro partes do mundo. e uma descripçaõ. HESPANHA. pagos em meza- das com obrigação de ensinar conforme o plano e regu- . e methodos de as descubrir. Cadeira de Economia Politica. pimenta. se dignou ordenar se dê por oppo- siçaõ a Cadeira de Econômica Politica da dieta Socie- dade cuja dotação he de 12. M.

e delles escolherá um o Oppositor. cuja leitura ha de du- rar. só com um amanuense e os livros que pedir. no preciso termo de 24 horas formara uma dissertação em Castelhano. das corporaçoens dos officios. abrindo o Oppositor em três pontos avulsos. Os mercadores.) CAPITULO V. 57. pelos cinco Juizes Censores. nem menos de meia hora. e em presença dos Oppositores de todas as partes da Sciencia. escolha um dos pontos. Literatura e Sciencias. que deram as leys ao commercio. edicçaõ de Madrid. e concluída ella responderá ás questoens e ob- jecçoens que sobre o que leo lhe fizerem dous dos seus co-oppositores por espaço de meia hora cada um. e. nos séculos undecimo e duodecimo. (Continuada de p. O segundo exercicio consistirá. e dos seus estatutos. e encerrado na Biblioteca. cujo exame durara uma hora para cada oppositor. que deverá lér immediatamente depois na salla aonde se fizerem os exames. criam que naõ tinham . nas quaes estarão escriptos differentes pontos da Sciencia Econo- mia. ex- plicara com a competente especificação e clareza o seu conteúdo. nem mais de três quartos d'hora. o tractado de Economia Politica de Joaõ Baptista Say. 139 lamento desta cadeira : os que aspirarem a obtélla haõ de fazer os três exercícios seguintes: No primeiro tirarão por sorte três cédulas. passada uma hora de recolhimento. ECONOMIA POLÍTICA DE SIMONDE. Das mestranças. pelo tempo de menos de três quartos de hora. O terceiro consistira em um exame.

Os Decemviros imitaram esta deci- saõ de uma ley de Solon. 4. e fazendo o tempo desse serviço do aprendiz. de sorte que o Governo. Sodale. os seus regula- mentos fôram quasi por toda a parte sanccionados ao de- pois pela authoridade soberana. deveria ter procurado destruillas. ad Edictum Pro- vinciale. Pandectas. lon- go e fastidioso. tt. liv 47. na França. se oppunham á multiplicação destas mestranças. 1. penoso. Em Roma existiam collegios de ourives.atê a epocha da revolução. 4. Em fim as leys lnglezas foram ainda mais loDge . convencionar entre si certa subordinação. e as consti- tuiçoens dos Príncipes. e contra a Sociedade . fazer regulamentos. 1 Neque societas. 1. que as leys. longe de as confirmar. parece tam antigo como o mesmo com- mercio. de padeiros. Isto se tinha providenciado desde o tempo das eys das XII taboas. para que seus regulamentos se naõ repu- tassem validos. nota. Em toda a Europa.140 Literatura t Sciencias. nomear seus cabeças. tt. senaõ em quanto fossem conformes com as leys geraes do Estado. nos outros paizes até o dia de hoje. exigindo o ser- viço de aprendiz de todos os que o quizessem exercitar. sunt qui. e naõ obrigassem os membros da corporação uns para com os outros. Entretanto cada instituição de corporação he uma linha formada contra o consumi- dor. Pand. de homens do mar e outros: porém Gaius. 3 . quando armaram de difficuldades es- trada para o commercio e para as artes. e tem continuado em vigor. quasi todos os ramos de commercio se reuniram desta maneira. e fixar por uma ley expressa o numero daquelles que poderiam exercitar seu officio. tanto quanto isso se pudesse conformar com a liberdade de todos * * O estabelicimento das corporaçoens de officios e associa- çoens de negociantes. feito assas para assegurar o seu monopólio contra os consumidores. 22. julgaram conveniente reunir-se em cor- poraçoens. Liv. os Senatus Consultos. e destes collegios.

Syst. tom . 495. He verdade. os colligados. por esta mesma razaõ. isto he. 18. achando-se em um estado violento. ao mesmo tempo que uma liga de obreiros para fazer levantar os salários. Literatura e Sciencias. sem perderem suas rendas. que naõ pudesse crear monopólio. e continuar por muitos annos. que esta ley. pode assim tramar-se len- tamente. 141. augmenta essas forças consideravelmente. e que pôde regular as suas necessidades. T . nem em fim os consumidores a de naõ comprarem. Porém Wooddeson nos informa. N°. sem se privar do que lhes he mais necessário. Stat. ou de naõ comprar além de certo preço. está hoje em dia aquecida e desprezada. ou uma liga dos consumidores para fazer abaixar os preços naõ pôde ser mais do que uma eífervescencia mo- mentânea. nem os obreiros a de naõ trabalhar. mas os proprietários de terras naõ podem manter a resolução de naõ arrendar suas terras. mas uma liga entre a gente. 141 Uma liga entre os compradores ou os vendedores. 7. VOL. XXIV. Seos negociantes tomassem a resolução de naõ vender. Henr. view. Uma liga entre os negoci- antes para levantar os preços. que. ao mesmo tempo que os negociantes podem encubrir a sua com todas as ellas ordenaram. dam à sua coaliçaõ todos os characteres do tumulto e da sediçaõ. 1. Lect. anterior i fatal adopçaõ do systema mercantil. *H» cap. que dispõem de seu próprio numero. que as necessidades de cadaindiriduo devem acalmar. naõ augmentaria por longo tempo as suas forças. 19. p. podem mantêlla sem perda em cada ramo de commercio particular. que nenhum regulamento de qualquer corpora- ção mercantil pudesse ser nocivo ao interesse commum do povo . cujo numero ou necessidades saõ invariáveis e absolutas. e conhe- cendo que naõ pode durar. sem perder sua subsistência. Wooddeson.

he limi- tar o numero das mestranças. fornecem-se-lhes os meios de se combinarem. o direito de se ajunctarem. e guardar-se talvez mais contra aquellas que se cobrem com um véo. e de obrar em corporação. que nascem das deliberaçoens destas corporaçoens. O primeiro e mais ordinário destes entrávez. e sancionando ou reformando os seus estatutos. Os estatutos. e a desnaturalizar os preços. debaixo do pretexto de dar leys ao commercio. um Governo justo deve reprimillas igualmente. uma taxa geral sobre os seus agentes e os da industria: da mesma . que as acompa- nham. porém como umas e outras destas combinaçoens. de fazerem seus estatutos particulares. que se devia pro- curar libertar. e de se entenderem entre si. e naõ excitam perturbação no Estado. Os edictos de Henrique 111. intro- duziram.142 Literatura e Sciencias. impostas aos recipiendarios. para com- bater contra todo o resto da sociedade. por * A authoridade Soberana. saõ o mais das vezes viciosos em si mesmo. e de ligar o direito de che- gar a ellas a condiçoens mais ou menos difficeis de cum- prir. de ele- ger seus officiaes. e causam novos entrávez ao commercio. e mais perigosas. as desmascaram ao primeiro golpe de vista. que lhes anda annexo. apparencras de tranquillidade e de ordem. de 1581 e de 1597 sobre as mestranças. em que as desordens. longe de serem uma compensação do perigo. e augmentar as des- pezas ou diminuir as rendas nacionaes. Todas as vezes que se concede ás pessoas.* Representou-se ao depositário da Soberania. porque saõ ordinaria- mente as mais poderosas. que exerci- tam o mesmo officio. do que contra as outras. tendem igualmente a alterar o equilíbrio natural entre os compradores e vende- dores. tem feito em geral tornar em vantagem do Fisco as condiçoens onerosas. confirmando o monopólio das corporaçoens dos officios.

para encher o seu lu- gar. ou sairiam do paiz em busca de obra. Turgot. comparado forma. naõ he a maneira de impor um tributo ao commercio. tanto em uma como em outra supposiçaõ. naõ alcançarão entre todos senaõ o salário. se naõ se exigisse delles um exame para sua recep- ção. supprimidos um anno antes por Mr. que se naõ se limitasse o numero dos mestres. estes se multiplicariam ao infinito. e ninguém se apresentaria. em uma cidade. deve sempre proporcionar-se ás ne- cessidade do consumo. o edicto do mez de Abril de 1777. Literatura e Sciencias. Este imposto se aproximava muito do outro sobre as patentes. naõ fazendo estes mais obra do que aquella para que bastariam os dez. e que a industria cairia em decadência: induzio-se a erro. restabelecendo os ju- randes. o nume- ro dos obreiros em cada officio. o dos negociantes em cada ramo de commercio. e que se tein represen- tado como vantajosa á communidade. O mercado. até que se restabelecesse o equilíbrio entre os diver- sos officios. mas a instituição a que esta contribuição estava ligada. que ja examina- mos em outro lugar. fez disso um meio de prover ás necessidades do Fisco. 143 uma parte. elles negligenciariam instruir-se na sua arte. em que os carpinteiros exercitam a sua in- dustria» he excessivamente restricto. menos do que poderiam ganhar. ou elles trabalhem no lugar. e por outra parte. pois. no caso que se formem doze ou quinze. . ou passariam para outra profissão. Quando a industria e o commercio saõ livres. ou transportem as suas obras menos volumo- sas. á proporção do volume de suas producçoens. Se naõ ha obra senaõ para dez car- pinteiros. O que faz objecto deste capitulo. que. que se haveria dado aos dez: ganhariam. escolhendo outro qualquer officio: os menos hábeis delles. naõ he isso senaõ a uma pequena distancia: os ou- tros officios tem um mercado mais ou menos extenso.

naõ ha inconveniente em que esse numero se augmente. e que a sua vantagem se acha nestadisproporçaõ: mas acontece também algumas vezes que se restringe o mercado de um officio. ou se voltará a ella logo que se tenha ultrapassado.144 Literatura e Sciencias. seja porque os transportes se tornem mais difficeis. He o que acontece de ordinário. posta em suas casas. e ha mil para que se naõ ajustem. com o seu preço e da facilidade das communicaçoens em suas vizinhanças. ou aos commerciantes e artistas. e pode-se sempre estar seguro de que. naõ sendo esse mercado sufficientemente fornecido. porque os negociantes saõ quasi sempre os legisladores de sua mesma corporação. ou que a moda te- nha abandonado este ramo particular de consumo. he fixo por um estatuto abaixo do que pede o mercado. Se o numero das mes- tranças ou o dos mercadores. seja por se estabele- cerem novas fabricas mais a seu alcance. porque naõ ha senaõ uma sorte para que o numero conveniente e o numero legal se conformem. he tam baixo como o preço relativo: ora o numero de artistas de todos os officios deve necessariamente pro- porcionar-se ao mercado. para que trabalham. naõ se passará além da proporção que se requer. para que cada officio trabalha. Porem a instituição das mestranças impede que o numero dos artistas se pro- porcione ao mercado. Neste . deve necesseriamente fazer mal. para os quaes o preço intrínseco de sua mercadoria. cujo preço relativo he igual ao preço intrínseco do produetor. e augmentar assim as despezas da naçaõ. ou aos consumidores. se o commercio ea industria saõ livres. para que trabalham: submetten- do os a uma fixação arbitraria. O mercado de todo o produetor he circurriscripto pelo numero de consumidores. diminuindo o numero dos consumidores. Até que o forneça todo. os que o fornecem teraõ na sua maõ levantar o preço relativo de suas obras acima do preço intrínseco.

Meyer.) Esprit des Institutions Judiciaires. o qual cresce. sub- sistem na sua totalidade. 145 caso os productores seraõ demasiado numerosos compa- rativemente aos consumidores. Os mestres obtém um monopólio. inherentes às mestranças. e por conseqüência a soffrer a miséria. que vai cres- cendo na razaõ que o seu mercado se faz mais extenso. o das classes productivas. que se aproveita de todos os augmentos do mercado. restringindo o nu- mero dos mestres. naõ se fixa sempre o dos obeiros. He verdade que se pôde dizer. elles privam a naçaõ de uma parte de suas rendas. em relação à sociedade: em re- laçaS aos artistas. e outra que soffre por todos os accidentes. passado. (Continuadas de p. que a dimi- nuem. que a sua profissão ga- nha. que fallariamos de outra pe- culiaridade das levs lnglezas. fazem-se duas classes de artistas. 66. que he o que chamam . ligan- do os a seus corpos. e fechando-lhes a entrada a outras profissoens. e o dos mesmos artistas. (Continuar-se-ha.) Dissemos noN°. que. Portanto. Os inconvenientes. Literatura e Sciencias. e diminue proporcionalmente ás necessidades do mercado: isto he. dividem-se desigual e injustamente entre elles. uma. que exercitam cada officio. de T Europe. Elles saõ por tanto obrigados a trabalhar por alguma cousa menos do que o preço intrínseco. por Mr. fixando o numero daquelles. os obreiros saõ excluídos da faculdade de participar das vantagens deduzidas do credito. se im- pede o proporcionârem-se ao que pediria o interesse dos consumidores. ao mesmo tempo que pela supressão de seus lucros legitimos. e a legislação das mes- tranças retardará o restabelicimento do equilíbrio.

ainda que executado e morto.a famosa ley dos Imperadores Arcadio e Honorio (L. e o que mais he.. o Rey pôde perdoar a pena. mas. ad Legem Ju- . Sobre o que assim se explica o A. cujas disposiçoens sobre o crime de lesa majestade saõ conhecidas por sua atrocidade. ao mora ento de sua condemnaçaõ . Este castigo he uma exacerbação da pena de morte. em qualquer epocha que possa ser. que o Soberano pôde conceder. 5. em todas os legislaçoens conhecidas. naõ a traça ex- actamente . Segundo estes princi- pios. que lhe pertenceriam. naõ a respeito do criminoso mas dirigida a abranger seus filhos e descendentes. nunca se levaram tam longe. " Um custume tam injusto. Cod." Quanto a origem desta legislação o A. até o gráo mais remoto. El Rey tem o direito de perdoar. faz uma comparação com as leys antigas de outras na- çoens na mesma matéria. p. e prejudica- ria o direito de eseheat. quando saõ contrários ás leys. se julga vivo : todo o direi- to. mas por uma íicçaõ de direito. mas naõ pôde remittir a corrupção do sangue. he absolutamente sem exemplo. ou nos direitos de terceiro: todos os favores. ou ao Senhor. o condem- nado. inherentes á constituição Ingleza. avô. saõ nullos. ou dos direitos. e mais ascendentes. o pay. " Naõ he isto somente uma confiscaçaõ dos bens presentes do condemnado. que tem direito a aproveitar-se do confisco : he isto o que se chama escheat. e contém sempre a reserva ex- pressa ou tácita dos direitos de terceiro. naõ pô- de passar a seus descendentes. As leys Romanas. 271. que julgamos próprio dar nas mesmas palavras do A. mas pertence ou ao fisco. portanto. no capitulo 18 deste livro. a p. porque tal disposição seria contradictoria á ley commum. para mostrar a sua dureza peculiar. 272. corruption of the blood (corrupção do sangue): e he desta matéria que tracta o nosso A. mas naõ de dispensar nas leys existentes.146 Literatura e Sciencias. que lhe pertenceria ao depois. que pôde competir a um partieular. he sugeito áo confisco: este direito.

" Passaremos agora ao cap. que tenderia a suffocar toda a liberdade individual. por mais barbara que seja esta ley. Literatura e Sciencias. e este elevado a tal ponto. se deixar a vida aos filhos de um traidor. isto he as associaçoens e garrantias mutuas. e a morte de conso- lação •• mas. sejam elles reduzidos a tal estado. e todo o espirito pu- blico da naçaõ. por clemên- cia. que os Ingle- zes parece haverem muitas vezes consultado. lembra. Os custumes feodaes privavam igualmente o filho de um pay condemnado de todos os direitas no seu feudo. que a vida lhes sirva de supplicio. a menos que o Suzerano lhe concedesse de novo a investidura. e que põem o . A primeira e principal instituição desta natureza. mas ella naõ abrange os descendentes de gráo ul- terior. se. 19. e a uma indigencia continuada: determina. e confiscaçaõ de bens . 147 liam Majestatis) punio os culpados deste crime com a pena de morte. ella declarava os seus filhos inca- pazes de receber herança alguma. convinha agora examinar. que o A. a representação nacional no Parlamento. ainda que algumas vezes admittissem os collateraes. que a baze e fundamento da legislação Ingleza he o sys- tema feudal. das centú- rias e dos boroughs. e muito pelo contrario tem assegurado ao povo Inglez mais liberdade do que em nenhum reyno do Continente. quaes saõ as circumstancias. A segunda. Sendo certo. ella se naõ ex- tende além dos filhos do primeiro gráo. que tem impedido essa conseqüência do feudalismo. que se faz immediatamente pelo povo. recapitula as grandes vantagens das leys lnglezas. os quaes teriam merecido o ultimo supplicio. he a que ja mencionara em outro lugar. que. e esta liberdade com bazes mais sólidas e duradouras. do que nos offerece exemplo a historia de nenhuma republica. em que o A. e os entregava á infâmia. porque ha razaõ de temer que elles sigam o exemplo de seu pay .

que os faz superiores a toda a espécie de desejo: e sua irrevogável nomeação os põem ao abrigo de todo o temor: o direito de ter assento no primeiro corpo da naçaõ. e pessoas indepen- dentes. merecem a attençaõ dos que querem co- nhecer as suas instituiçoens. conclue assim p. sendo estes ti- rados da classe dos pares do accusado. em que consistem estas vantagens. que tomaram. e mesmo este perdaõ nunca pôde ter lugar. que naõ podem ser influídos pelo Governo. character dos candidatos exposto ao mais escrupuloso exame dos eleitores. A quarta he o estatuto. saõ em pe- queno numero. naõ recebendo delle nem emolumentos. segundo as leys. os seus ordenados saõ fixos de maneira. " Porém as leys lnglezas naõ se limitaram a estas disposi- çoens legislativas. e as precau- çoens. o que assegura completamente a sua imparciali- dade.148 Literatura e Sciencias. porque sup- posto que o Rey tenha o direito de perdoar. A quinta he o processo pelos jurados. nem sequer a nomea- ção. lhes asse- gura uma influeucia muito mais notável. ellas previram o caso. que se naõ encontra em outro algum paiz . Os Juizes Inglezes. e sen- tenceado. de for- ma que a ley naõ ordene. isto só tem lugar depois do delinqüente ter sido processado. A terceira he a inviolabilidade das leys. conhecido pelo nome de Ha- beas Corpus. era que as authori- dades pudessem abusar ou suffocar o direito. Depois do A. em prejuízo dos interesses de terceiro. mas cercados de uma consideração. a respeito do prezo. haver explicado. e os iodentifica com . nem do interesse immediato do publico. 285. segundo c qual ninguém pôde ser prezo senaõ pelo mandado de um magistrado. o qual he res- ponsável individualmente se abusar de sua authoridade. obrando de alguma maneira.

perigo este. com razaõ. que lhe for dirigida em nome d'El Rey. quem mata um official encarregado tle executar uma ordem con- traria ás leys fundamentaes. que se attrevesse a obrar em violação da ley. naõ emana do Soberano infalível. ainda queein nomed'El Rey. saõ obrigados a fazer saber a El Rey e á Naçaõ as razoens de sua desobediência. contraria ás leys fundamentaes. 149 este corpo depositário dos direitos do povo todo. he isto a Publicidade. que se qualquer official de justiça. 20. XXIV. e naõ succumbam aos ataques daquelles mesmos. Todos os procedimentos de justiça. que tem de suspeitar. O cap. ao ponto de que. que se olha. como o garante das liberdades do povo Inglez. a tractar do que faz que estas instituiçoens sejam permanentes. na Inglaterra. que similhante ordem. Este direito de resistência licita. 141. a ley lhe dá a faculdade. defeza. dedica o A. mas até accu- sállo. ou antes lhe im- põem a obrigação de desobedecer a toda . tanto an- tigas como modernas. No. Daqui se segue. he obrigatório aos juizes : he facultativo para todo o individuo. interogatorios. e em virtude do qnal cada Inglez julga-se verdadeiramente independente.i oídem. todas as sentenças saõ publicas. começando pela prizaõ do accusado. se julga ter commettido um homi- cídio em defeza legitima. Literatura e Sciencias. ou aos usos estabelecidos no Reyno . magistrado ou juiz quizesse obrar contra as leys. e proteger eíficazmente o individuo opprimido: além disto. e os moti- vos. até a execu- ção da sentença: assim o magistrado. que saõ encarregados de sua conservação. o . teria de ver logo no outro VOL. Naõ contente com esta garantia. cada um dos circumstantes naõ sô poderia servir de testemunha contra elle. que se tem realizado em todas as melhores instituiçoens de todas as naçoens. os jornaes e gazetas informam todos os dias a naçaõ de todos os processos criminaes.

Tanto se teme li- mitar o recurso. feita e por fazer. esta publicidade vem logo a ser um freio mui efficaz. " A publicidade naõ se limita aos procedimentos nas authori- dades. tem sido decidido da maneira mais conspicua. cessando a razaõ delle. e de conhecer por si mesmo o modo por que saõ conduzidas. que ninguém pôde ser processado pelo conteúdo das petiçoens. que expuzer. a explica nestas palavras. e boa fama. o A. e preservarem assim o seu character livre naõ só de imputaçaõ. seu character discutido. e a menos que os ne- gócios naõ sejam de natureza a exigir imperiosamente o segredo. além das conseqüências legaes." . que cada cidadão tem. dia o seu comportamento exposto nas gazetas diárias. mas até de toda a suspeita. para que os indivíduos possam convencer a todos da in- tegridade de sua administração. e por isso as contas saõ publicadas anticipadamente. a todas as authoridades. he matéria de tanta importância para os indivíduos de todas as classes. e da legislação.150 Literatura e Sciencias. nenhum cidadão he excluído de assistir ás de- liberaçoens mais importantes. qual- quer que seja a authoridade de quem se queixe. ou a exaggera- çaõ. e de todas as administraçoens. Mas esta publicidade quanto aos indivíduos. e mesmo no caso de segredo. tem o direito de expor em petição os seus aggravos. O mesmo succede a respeito das sessoens do Parlamen- to. 292. e sua reputação arruinada. se deve fazer publico o seu resultado. que dirigir ao Parlamento. p. e se he obrigado a guardar a decência em suas expressoens. E m um paiz aonde a pureza do character. para aquelles. nem pelos factos. que saõ encarregados de deffender os seus direitos. mas cada cidadão tem direito de interpor a sua opinião em todos os actos do Governo. que use na narração de seus aggravos. Cada administrador dá publicamente contas de sua ges- tão.

satisfazendo-nos com dizer. e de suas mais úteis instituiçoens. que o plano de nosso periódico nos naõ dê lugar a dar mais por extenso os raciocínios do A. que dá a todos os Inglezes a consciência das grandes vantagens de sua constituição e de suas leys. e naõ ha esforços. Assim como esta opinião publica he formada pelas discussoense raciocínio de todas as pessoas intelli- gentes. que. 151 Temos. a este respeito. que os leva á defeza de seus direitos contra toda a usurpaçaõ da authoridade. nem do despotis- mo. que lhes tem feito supportar com resignação.e sua liberalidade . e com coragem todos os sacrifícios. e á qual succumblram ou teriam succum- bido todas as outras potências da Europa: he esta opinião pu- blica. que a possam suffocar por longo tempo. a opinião publica he formada pela massa das opinioens particulares. Lamentamos. pois. " e a ella em fim que a Inglaterra deve uma magistratura tam res- peitável por sua imparcialidade. por todas as authoridades. " A opinião publica. e conclue assim:—p. em conseqüência desta publicidade. tem feito nascer este espirito publico. ella lhe tem procurado a victoria nalucta a mais terrível. que jamais sustentou povo algum. e á opinião publica. sem que exponha suas razoens. e posto que o erro possa prevalecer por al- gum tempo. sua justiça. assim como contra toda a invasão estrangeira . este character nacional. nem da demagogia. Literatura e Sciencias. com paci- ência. que o A. he ella soberanamente respeitada. e nenhum juiz se attreve a dar uma de cisaõ. a conservação das leys fundamentaes da Inglaterra. a fim de alcançar a approvaçaõ dessa opinião publica. a discussão geral e illimitada naõ tarda em descubrir a verdade. que com ella se forma. at- tribue a esta publicidade. que tem imprimido a seus custumes e a sua maneira de existir. 297. garantes os mais sólidos de sua exacta observação. este respeito cego pelas leys. que os tem preserva- do do contagio das ideas revolucionárias.

que o Jurisconsulto. 2 1 . he a recapitulaçaõ do que fica dicto. que se tem enumerado. 21. para se empregarem em buscar os casos julgados e arestos. mas daqui se segue. que saõ dignos de observação. compôem-se de uma mulctidaõ de usos e custumes dos tribunaes. que ainda se segue. Deve examinar as disposi- çoens de toda a ley. pela falta de um código. que servem ás espé- cies de que se oecupam. depois das vantagens. porque o seu objecto he sim- plesmente tractar das formas judiciaes. alguns de feitos da legisla- ção Ingleza. em conseqüên- cia de seus fins. porque outro. para conhecer por ahi o que o Legislador. saõ a principal guiados jurisconsultos: isto exige da parte dos advogados uma memória prodigiosa. porém naõ se faz cargo destes e d' outros defeitos. em cada espécie. haveria determinado. e uma sagacidade peculiar para discernir a conveniência ou disconveniencia dos casos.he o ultimo deste livro. e naõ á sua rotina mechanica. H e claro. a que no foro Inglez se chama precedent.152 Literatura e Sciencias. que em . como eminente pelo conheeimento o mais profundo da legislação civil e politica. aponta o A. que o mais espantoso defeito da legislação Ingleza he o naõ haver um Código de leys. antes da compilação do Digesto. e desenvolver os principios geraes que contém. He certo. abandonam o estudo dos principios geraes de direito. Os casos julgados. E neste cap. como succedia em Roma. que se naõ expressa na ley. Nisto se devem lembrar principalmente as ficçoens de direito. como fica j a apontado em outro lugar. e se ella naõ falia do caso de que se tracta. deve seguir outra vereda mui diversa. O A. que se applica á scien- cia das leys. O direito Inglez." O cap. que os jurisconsultos. na interpretação das leys. entaõ se applicarã o Jurisconsulto a penetrar o seu espirito.

que cremos ter notado. p. que o criminal: podem existir motivos para que o reo." . ou devedora ao Fisco. honra e liberda- de de um cidadão. mas admittida sem objec- çaõ na practica. estranhos a toda a influencia assim como a toda a consideração pessoal. ou ao Fiscal. 303. 153 vez de servir para abreviar e simplificar os processos. na causa civil. e que.para as causas civis.e oExchequer para as causas fiscaes. O civil apresenta muito menos interesse ao que he chamado a tomar delle conhecimento. nas in- stituiçoens judiciaes da Inglaterra. que he de todo desconhecida. e até parece incrível nos paizes estrangeiros. Por exemplo: a corte do Banco do Rey he para os casos criminaes: a Corte dos Pleitos Communs. que uma das partes litigantes he criminosa. naõ vem um culpa- do em cada accusado . imparciaes a respeito da mesma accusaçaõ. e maior varie- dade. e augmentam suas despezas por tal maneira. muito mais difficil. Por mais vantagens. Entretanto. mui pouca razaõ pôde existir era con- fiar o exame de um processo civil a pessoas. fingindo os letrados. Literatura e Sciencias. ao mesmo tempo que a sua deci- saõ he. e que tire partido de sua condemnaçaõ : naõ se pôde suppôr que o ju- rado preste tanta attençaõ a uma questão. ** Um dos primeiros defeitos. evidentemente falsa. nas matérias civis. que naõ offerece o mesmo gráo de importância. pôde trazer uma acçaõ meramente civil ao Tribunal cri- minal. Mas vamos ao defeito de que o A. os complicam. se faz cargo. cujas occupaçoens habituates naõ tem embotado a sensibilidade. tem as partes a escolha de trazerem as uas causas ante o tribunal que querem. naõ queira representar toda a sua defeza. que naõ tem o ha- bito destes negócios. sem que a sua culpabilidade seja declarada por certo numero de seus condidadaõs. naõ estado familiarizados com as instrucçoens e processos criminaes. que possa haver em nao se passar condemnaçaõ sobre a vida. e com esta supposiçaõ ou ficçaõ de direito. he o uso dos processos por jurado. de facto.

que reúnem em sua maõ os poderes exercitados pela Corte d' El Rey (aula RegisJ ou Câ- mara Estrellada (Star-Chamber) fazem as suas sessoens. o Gram Juiz e os três juizes da Corte dos Pleitos Commums. Mas naõ pára aqui o defeito que o A. que a verdicta do jurado neste processo civil heillusoria. na parte de Londres. deduz o A. que este segundo jurado fica sem liberdade de obrar. porque. e do que conclue o A. sem distineçaõ da somma sobre que ha a contestação. sem que se possa fazer a menor allusaõ ao primeiro processo. por varias razoens: neste caso. e res- ponde depois aos argumentos. devem vir pleitear as suas causas.154 Literatura e Sciencias. e o Chefe-Baraõ e os três Baroens puisnes da Corte do Exchequer ou tribunal do Fisco. perante outro jurado. com tanto que exceda quarenta shillings. se torna a mandar fazer o processo. Destas consideraçoens. e esta verdicta pôde ser annul- lada pelo tribunal superior. que se chama Westminster. e dá a sua verdicta. que se chamam com o nome Francezpuisnè na corte do Banco do Rey. bem como o Chanceller. porque allega. 307) de todos os tribunaes em um só lugar. a6ua objec- çaõ contra processo por jurados nas causas civis. pois. permanentemente em uma cidade. que se lhe podiam oppôr. saõ o Gram Juiz e os três juizes. He pois a Londres. nos termos na Magna Charta. pois tem visto annullada no tribunal superior a verdicta do primeira Isto porém naõ nos parece correcto. feita pelo j u i z . visto que o jurado dá a sua verdicta. neste proce- dimento judicial Inglez. he outro inconveniente da legislação Ingleza. e naõ he necessário fazer sentir as . " A concentração (diz o A. Os Verdadeiros e únicos juizes do Reyno da Inglaterra. que de alguns annos a esta parte he ajudado pelo Vice-Cauceller. p. depois da recapitulaçaõ do processo. Todos estes juizes. a pezar da decisaõ do tribunal superior. este segundo jurado conhece da cau- sa. acha. que todos os habitantes do Reyno. qualquer que seja a distan- cia de seu domicilio.

para deliberarem sobre os pontos difficeis. 311. Literatura e Sciencias. 311. as quaes ainda assim naõ tem lugar senaõ nos pontos de di- reito . e vaõ processar as causas em todas as provincias. como o A. pela reunião de todos os juizes. pôde haver ««as appellaçoens. alem do Chanceller e Vice Chanceller. Isto também nos naõ parece exacto. daqui se segue. que se chamam assizas. tem jurisdicçaõ original. porque os de facto saõ da competência do jura- do. naõ obstante o pequeno numero de juizes. A demais. a p." O A. confessa a p. só servem a exa- minar os casos. posto que delles haja appellaçaõ. segundo a legislação Ingleza. como ja fica ob- servado. O terceiro defeito. a grande vantagem de fixar a jurisprudência. e de todos os advogados. 155 conseqüências de uma disposição tam onerosa a todos os que vivem a grande distancia da capital. porque os Juizes. que o A. nas assizas. aponta. " Seja qual for a corte em que a causa se decida. só se deve considevar. assim. cada decizaõde uma causa. como se tem visto.10 as sentenças do Chanceller e Vice-Chancellér. que lhes saõ remettidos das cortes de Londres. he o numero de grãos de jurisdicçaõ. que naõ saõ mais que doze. he uma norma de ley. e portanto o supposto grava- men. com a circumstancia de que os juizes se dividem de dous em dous. Sobre isto diz o A. e visto que. (o A. quatro vezes no anno. e todas as . quanto ás appellaçoens. em um só lugar. A decisaõ pôde ser disputada por uma pro- vocação ás outras duas Cortes reunidas. diz duas vezes por anno)mas diz que estas sessoens das provincias. se faz ao depois cargo da grande modificação que esta objecçaõ soffre. que fornam entaõ a Corte 'iscai (Exchequcr-Chamber) aonde se podem examinar mes- 1.

156 Literatura t Sciencias.) As provincias de La Plata. similhante ao que se conhece nos outros paizes. como com o sêllo. he reunir as provincias de La . N a situação. neque auro parare que- as. verum araici quos neque armis cogere. se em cada causa a Corte naõ tornasse a mandar fazer novo exa- me pelo jurado.. pois. e causam aos litigantes despe- zas enormes.) Non exercitus. decisoens desta Corte Fiscal. saõ sugeitas a appellaçaõ para a Câmara Alta do Parlamento. que se requer nos differentes papeis do processo. mais do que o primeiro termo para a convocação dos jurados. ou Corte dos Pares do Reyno. se o processo geralmente usado naõ fosse. tira o A.. em um dos condados. (Traduzido do Original Francez. e uma mera formalidade. como he. debaixo da presidência de um juiz commissario. que estes gráos de jurisdicçaõ. Salust." Daqui. do Rio-de-Janeiro e o Governo de Buenos- Ayres. erigidas em Monarchia. a fim de obter a indispensável vacância para ter o conhecimento preliminar dos negócios. em que se acham hoje em dia as Cortes de Madrid. o único meio de estabelecer entre as três potên- cias uma paz durável. Estes três gráos de jurisdicçaõ naõ seriam mais do que um leve inconveniente. á que parece prestarem-se as leys lnglezas. (Continuar-se-ha. Jugurth. officio et fide pariuntur. que se devem terminar em cada assiza. neque thesauri presidia regni sunt. tanto com os procusadores e advogados. e as chicanas. perpetuam os processos. Con- sideraçoens políticas pelo C de S Paris 1820. de Bell.

e que o desejo geral dos habitantes pede «ta forma de Governo. pelo ex- emplo das revoluçoens Europeas. irmaã do Rey reynante. que VOL XXIV. Literatura e Sciencias. e de lhe dar para rey o Infante IX Sebastião de Bourbon-Bragança. 141. consolidar todos os direitos. parece destinado a ser laço que deve ferir todos os interesses: elle pertence ás duas Casas de Bourbon e Bragança. ella até mesmo se aparta tanto da democracia absoluta. éra irmaõ do rey de Hespanha Carlos IV. x . e que foi pay do Infante D. longe de experimentar difficuldades da parte do Governo de Buenos-Ayres. e pelas grandes esperanças queda. Deste casamento nasceo o infante D. Pedro. e casou com a Princeza Real de Portugal. civis e militares.N°. 157 Plata em monarchia. Gabriel seu avô. Este projecto. Sebastião. que tal he o sentimento dos princi- paes e do maior numero dos funccionarios públicos. O Infante D. e firmar as instituiçoens. Este Principe. tem por muitas vezes feito esta pro- posição ao Rey Portugal. uaõ teme assegurar. como se verá aqui abaixo Os homens. he inteiramente con- forme a suas vistas. que tem tido occasiaõ de se- guir e examinar de mui perto a disposição dos espíritos. instruídos pela experiência. por seu nascimento. e pela natureza do Go- verno Republicano. A constituição adoptado pelas Provincias de La Plata se prestaria bem facilmente á execução deste projecto. sobre que descança a liberdade publica. O author deste escripto. que tem mais influencia na administração desta Republica. que casou com a filha deste mesmo Rey. estaõ intimamente convencidos de que somente uma constituição monarchica pôde garantir a tranquillidade exterior e interior de um grande Estado. Esta constituição naõ tem nada de revolucionaria.

. duas mil léguas de mar. em todos os pontos. e a expor o seu credito. para os vir atacar. Mas aqui se apresentam para ella consideraçoens da mais alta importância. iinmensos meios de defensa. e t a l v e z a s u a existência politica. pra- ças fortificadas. anniliilou-se em seus portos. e ainda quando ella abordasse ás costas das Provincias de La Plata ? qual seria o provável successo desta temerária empreza ? O paiz he bem forte. quando os seus habitantes combatem contra inimigos. a expedição. que nenhum poder humano pôde mudar. antes de se determinar a repairaras infelici- dades da esquadra. este ardente amor da liberdade. que tem atravessado. A Hespanha. e este espirito nacional. Ellas tem armas. thesouro. ± Pôde a Hespanha esperar ainda o fazer entrar as colônias outra vez no seu dominio? Ha dez annos que dura a guerra da independência. sobre tudo. ao accaso de uma guerra ultramarina. governo. Portanto naõ se podem prever diíficuldades senaõ da parte da Corte de Madrid. o seu commercio. O Governo de Buenos- Ayres pôde desenvolver hoje em dia. as suas for- ças. marinha. artilheira. Pelo menos deve Hespanha calcular com a incerteza do successo. tem esgotado todos os seus recursos. e está seguro da victoria. as Pro- víncias Unidas de La Plata tem adquirido uma força prodigiosa.158 Literatura e Sciencias. para fazer delia uma constituição monarchica: tal he a opinião que disso fazem os mais celebres Publicistas da Europa. que tinha preparado com tam grande custo. cujas func- çoens se limitam a cinco annos. tem adquirido. quasi bastaria substituir ao Chefe Supremo. que recusaria consentir na in- dependência de suas colônias. alliados e relaçoens commerciaes. pelo contrario. um Rey hereditário.

de que pode esperar as mais grandes vantagens? Jamais povos. as Provincias de La Plata podem adquirir alliados. pelo menos ella lhe naõ presta senaõ uma fraca mediação. que delle deram á Inglaterra. naõ pôde senaõ perder os seus. em quanto se naõ terminar esta grande contenda. a vossa prosperidade. ja naõ permitte agitar esta questão. e fortificar esta uniaõ por uma reciprocidade de interesses. os interesses do outro he- mispherio lhe parecem estranhos. O Governo de La Plata conserva-se n'uma postura formidável: a resolução de se aproveitar dos immensos recursos. que se tem sublevado por sua liberdade. quando pedio a sua intervenção entre ella e a Corte do Rio-de-Janeiro. as vossas riquezas. naõ pôde largar Monte-Vedio. como a Hespanha 0 experimentou. ^ que esperança lhe resta? Mas suppondo que as potências alliadas tomam interesse por ella. Literatura e Sciencias. quando pudesse tractar com seus inimigos de potência a potência. e a solução. vem a ser uma resolução Americana. que fosse vosso alliado? Os Es- tados-Unidos da America resolveram este problema. Se for abandonada a si mesma. pelo contrario. A confederação Europea naõ garante senaõ os direitos dos Príncipes que a compõem. { Porque naõ entraria a Corte do Brazil nesta grande liga. o vosso poder. é o seu mais ardente desejo he unir-se a seus vizinhos. assim como os Estados-Unidos da America os acharam no seu tempo. íoram abandonados a si mesmos pelas outras naçoens . A Hespanha. A Corte do Rio-de-Janeiro. todo o paiz Meredional está animado deste sentimento. 159 Poderia perguntar-se-lhe: <. e no decurso da guerra. sem expor a segurança de seus Estados. este inte- . que a natureza offerece â America. do que se ellas formassem um reyno independente. por fim. seraõ maiores quando tivereis reconquistado vossas colônias? tf* será o vosso commercio mais florente.

debaixo do pretexto de que o Infante D. obteve d'El Rey Carlos IV. a herança do Infante D. em nenhum ponto de vista. que concilia a sua glo- ria com os seus interesses. a pezar das leys. que lhe foi impcssivel tornar a separar-se delle. naõ a pôde possuir. se unem outras tiradas da justiça. A estas consideraçoens. Sebas- tião está nas maõs do herdeiro presumptivo da Coroa de Hespanha. Esta contenda se acha a muito tempo submet- tida aos tribunaes Hespanhoes. Desde o momento em que D. pegar em armas a seu favor. nascendo e residindo no Brazil. apoiadas na politica. O Infante D. e seus immensos apanágios. pois. aonde casou com a filha do actual Rey. repudiar assim um principe de sua dynastia. e naõ auxilio real: o estado actual da Europa naõ lhe permittiría. irmaõ de Fernando VII. o Gram Priorado. Maria 1. permissão de crear juncto a si o moço principe. Pedro saio da Corte de Madrid. ante os quaes o herdeiro legitimo he demandado pelo irmaõ do Soberano. elle a seguio para o Brazil. ao momento em que seus inimigos lhe abrem uma via. incontestáveis. e sobre tudo. éra o herdeiro do Gram Priorado de Castella. Carlos IV. Sebastião. Os direitos de D. Sebastião a esta magnífica herança saõ. ^ Que justiça tem a esperar? i Naõ seria uma mancha na gloria do nome Hespanhol.160 Literatura e Sciencias. Tesse naõ terá jamais outra demonstração. senaõ seguran- ças verbaes. seu pay. foi metido de posse delia. Pedro. na qualidade de seu tu- tor. e lhe criou tal affei- çaõ. Sebastião. Este principe naõ tinha senaõ de- zoito mezes quando perdeo seus augustos pays. A Ray- nha de Portugal. e legar aos Portuguezes a honra de o vingar desta injustiça nacional ? . Car- los. a qual deo à luz D. administrou. Entretanto o Infante D." inconsolavel pela morte de sua filha valida.

extençaõ e immensas riquezas o chamam aos mais altos destinos: a elle pertence assentar as pazes e determinar os limites de um dos maiores e dos mais poderosos impérios. e naõ depende senaõ de sua vontade.parafundar um throno: do seu poder he o lancar-lhe os alicerces. He a S. naõ somente o amor. que lhe foi feita. que. Fidelissima a. e que naõ está em estado de o reembolçar: e vem a ser assentir ao desejo de quatro milhoens de Ameri- canos. Naõ he permittido a um vassallo fiel desenvolver aqui certas consideraçoens de uma alta politica. mostrou nestas circumstancias uma delicadeza sem exemplo . O Ministério Bra- ziliense. que lhe deve. que seu neto seja o tronco de uma dynastia. mas naõ está no poder de um vassallo. que inspiram resoluçoens tardias. i$\ Apresenta-se á Hespanha uma occasiaõ bem favorável de satisfazer a este principe. que ama o seu Sobe- rano. a proposição. que faz por um principe de sua casa. que unem as augustas casas de Bourbon ede Bragança. elevando a seu throno um principe. que a ellas pertence igualmente. que a Europa tem dedi- cedo a estes augustos nomes. M Fidelissima. e muitas vezes . estenderá naquelle vasto paiz da Ameri- ca Meredional a gloria e o amor. Os seus vizinhos se dirigem á sua sabedoria. Literatura e Sciencias. que o pedem para seu rey. tirando a sua origem das casas de Bragan- ça e Bourbon. que lhe retém. nem de acalmar os temores. que deveria ter induzido o ministro de S. reiterada pelo Governo das Provincias Unidas de Ia Plata. sem esperar a approvaçaõ da Corte de Madrid. o conter no seu coração os votos. único juiz do que lhe convém adoptar. e que querem assim estreitar os laços. cuja posição. que deixam quasi sempre escapar os vores da fortuna. que a Providencia confiou a felicidade e a gloria de um paiz. mas também igualmente os bens immensos. M. aceitar. .

assim como as que determinaram S. que tem por objecto uma accommodaçaõ das differenças. he a propósito passar em silencio as causas. Em um século tam humano como illuminado. no Congresso de Aix-la-Cha- pelle.152 Literatura e Sciencias. em que se divulgou este projecto. Fidelissima a fazer oc- cupar por suas tropas o território de Monte-Vedio. M. Fedelissima. que se tem suscitado entre as Cortes do Rio-de-Janeiro e de Madrid. que lhe foram feitas pelo Governo ac- tual das Provincias Unidas de Ia Plata. Fidelissima. unicamente á consideração do es- tado actual de cousas e de difficuldades. pelo Governo de S. em breve tempo. Li- mitar-se-ha. He para alimentar esta generosa emulação. ás quaes teremos. sobre as nego- ciaçoens relativas a Monte Vedio. Os Inglezes e os Francezes o applaudiram ás invejas um dos outros. e de todas as meditaçoens. occasiaõ de acerescen- tar grandes desenvolvimentos. o extracto da nota. e todos os amigos da humanidade tem feito votos por sua execução. que se oppóem a uma conciliação entre as partes acima mencionadas. M. os publicistas mais celebres reconheceram suas vantagens. a decla- rar-se independentes da dominação Hespanhola. e . contendo a communicaçaõ das proposiçoens. que tem levado as provincias unidas de Ia Plata. Desde o momento. aos Ministros das Potências Alliadas. diri- gida pelo Ministério de S. M. Fazendo ás altas potências alliadas uma communicaçaõ. Nota dirigida aos Ministros das Altas Potências Al- liadas. portanto. junctas no Congresso de Aix-la-Chapelle. tudo quanto toca a felicidade dos ho- mens vem a ser objecto de todos os estudos. que ajunctamos ás nossas consideraçoens políticas.

que tem experimentado: tem creado for- ças navaes e militares. durante um espaço de tempo consi- derável . Quanto ao seu estado in- terior. que saõ mais adaptados. lhes faltam muitas cousas para consolidar a sua existência politica. naõ se pôde dissimular que. Todas as partes desta repu- blica estaõ unidas em sua resolução de manter a sua in- dependência contra a coroa de Hespanha. em circum- stancias tam favoráveis. qualquer que seja a sua condição de direito. contra as Altas potências Alliadas da Europa. para effectuar um arranjamento. que assumirão uma graduação respeitável na escala politica das naçoens. Entretanto o Governo . 153 terminar-se-ha este exame por uma communicaçaõ franca dos meios. Ellas tem de com- bater contra o Governo do Rio-de-Janeiro. tem resistido ás difficuldades de todo o gênero. em fim. que saõ inseparáveis da exis- tência actual de seu Governo. e seria em vaõ que os Alliados se lisongearíam de destacar a menor destas provincias da liga geral. Entretanto. senaõ as desviarem de sua carreira. As Piovincias Unidas de La Plata se tem mantido na sua independência. em estado de as defender. Literatura e Sciencias. em sua reci- proca satisfacçaõ. naõ se pode dahi tirar algum argumento contra a duração de sua existência. tem formado para si uma constituição. pelo re- conhecimento de sua independência: e o que mais he. ellas apre- sentam de facto todos os characleres de um Governo mui bem organizado. e todos os signaes. contra o Governo de Hespanha. que devem fazer agourar. que du- rante todo este tempo. tem-se munido de abundantes recursos. pela posse de Monte-Vedio. para seus projectos de commercio: tem ja conrespondencias estabelecidas com as primeiras naçoens commerciaes do mundo. nas circumstancias presentes. pelo tri- umpho de seus principios.

nas discussoens. e ainda menos a tomar parte em sua defeza. a respeito de Monte-Vedio. proposiçoens . Elles tem necessidade de todos os seus recursos e de todas as suas forçus para si mesmos- Tal he a situação real deste novo Estado. dirigio toda a sua attençaõ ás proposiçoens. julgando que naõ podia esperar nenhum Tesultado deffinitivo da presente mediação.164 Literatura e Sciencias. que formam hoje em dia uma confederação de Soberanos. sobre Monte-Ve- dio. com a Republica dos Estados-Unidos. que lhe he hoje em dia necessária para sua segura- nça . cujo território reclama a de Madrid. mas ellas se tem feito insuperá- veis. como parte inte- grante destes Estados. Nesta situação das Provincias de Ia Plata. com a Hespanha. considerado era suas relaçoens com o Governo do Brazil. naõ lhe podem dar soccorro algum. a Corte do Rio-de Janeiro. durante as negociaçoens. sua irmaã em revolução. e pelo Governo de Buenos-Ayres. como possessão que lhe pertence. de que se falia acima. que tem tido lugar. que se lhe fizeram desde o principio. Os outros Estados-da America Meredional. dos Estados-Unidos naõ se tem resolvido areconh cèllas. as Altas Potências Alliadas entraram em uma mediação entre as Cortes do Rio-de-Janeiro e de Madrid. As difficuldades. e sua guia na carreira da independência. pela do Rio-de-Janeiro como posses- são. seu vizinho. sua metrópole. por terem ambas recusado uma occu- paçaõ armada neutra. JMeste estado. e que renovou no tempo presente o Go- verno da9 Províncias Unidas dela Plata. hoje em dia. assim como com os differen- tes Estados da Europa. tem sido suíficientemente desenvolvidas. que se oppóem a uma accommoda- çaÕ amigável entre as duas Cortes do Rio-de-Janeiro e de Madrid. que tem imitado o seu comportamento.

de tal maneira. por sua mãy. façam com ella um só corpo. Estas proposiçoens saõ: que se erija um throno nas Provincias Unidas de Ia Plata. e que de outra parte as provincias Unidas em vez de serem. Maria Thereza. e talvez de espalharem-se na mesma Eu- ropa. Sebastião he filho único de de D. como capazes de fazer a sua futura mediação útil a todas as partes. e. pela consideração de que este es- estabelecimcnto livrará inteiramente as altas potências da Europa do temor de ver propagar a forma de Governo eos principios demagogos. N°. O Infante D. que esta antiga colônia de Hespanhoes se uma com a sua metrópole. Sebas- tião. e por outra parte. Apenas tem chegado ao seu décimo anno de idade. IQQ que reunido todos os interesses. neto por uma parte do actual Rey de Portugal. por sua proxi- midade. no Continente da America Meredional. XXIV. sobre tudo. neto do Infante D. Pedro Carlos. Literatura e Sciencias. Gabriel terceiro irmaõ de Carlos IV. Princeza de Portugal. tem sido educado por sua m ãy. e que um Principe perten- cente ás duas Casas de Bourbon e Bragança se colloque sobre aquelle throno. estando unidas entre si pelos laços do sangue. para futuro monarcha das Provincias Unidas de Ia Plata. e pela natureza de seu Governo actual. 141. e por conseqüência uma paz durável. lhe parecem merecer que sejam levadas ao conhecimento das Altas Polencias Al- liadas. Y . que correrá nas veias de seus respectivos so- beranos. O Principe. he o Infante D. e de D. pela mesma forma de Governo. con- stante objecto de susto para a monarchia do Brazil. para lhe participar o beneficio de sua independência. princeza a mais iIlustrada e mais cheia de boas par- tes e desde sua mais tenra infância se tem imbuído Vot. que se pede. seus interesses geraes.

que . este julgou que éra tempo em fim de as tomar muito em consideração. e para dar a paz a uma parte do mundo. (Continuada de p. Tendo estas proposiçoens sido reiteradas pelo Gover- no das Provincias Unidas de Ia Plata. como um dos expedientes mais bem combinados. porque só se tractava da ingerência de um Governo estrangeiro. ao conhecimento dos Mnistros das Altas Potências Alliadas. nas disputas domesticas de outro paiz. ao Governo de S. se metteo escusadamente na questão das differentes formas de Governo. Fedelissima. como o Escriptor. 78.K36 Miscellanea.) Vimos no nosso N. para effectuar uma accommodaçaõ entre as Cortes do Rio-de-Janeiro e de Madrid.M. que o pódein fazer digno do throno para que he chamado. Fizemos ver. legitimando a independência das Provincias-Unidas de Ia Plata. Justificação do Correio Braziliense contra o Correo de Orinoco. e de as levar. Fim. das liçoens e impressoens.° passado. nas circum- stancias actuaes. MISCELLANEA. questão que naõ tinha connexaõ com a matéria em discussão. no Correo dei Orinoco.

e no entanto assim se estende sobre isto. na America Hespanhola. Os seus esforços todos se dirigem a tornar-nos a pôr na escravidão colonial: os nossos todos tem em vista reco- brar nossos direitos usurpados. A sua guerra he puramente defensiva. que tem desolado estes paizes. a mais dessoladora e barbara. julgaria. e suas hordes de assassinos. ao assumpto da guerra civil nas colônias Hespanholas. naõ tinha relação alguma com o objecto de que tractavamos. no artigo deste Periódico. Contra a ordem da Divina Providendia. flue nós havíamos feito alguma dissertação. saõ meros executores dos grandes desígnios. que nem uma só pa- . a que he chamada a America pelo Author da Natureza.' * Quem lesse este longo paragrapho. que a nós e naõ a elles saõ unputaveis os desastres de sua aggressaõ. e repor o homem Americano em sua graduação e dignidade : porem todavia diraõ os aggressores. Agora passa o A. cir- cumstancia. a destruir o império da tyrannia. 167 a differente forma de Governo. Do Governo Hespanhol nascem todos os males. sobre as circum- stancias da guerra. que se oppóem aos altos destinos destas regioens fecundas. em respeito a suas colônias. naõ saõ mais do que iustrumentos e ver- dugos do Inquisidor Coroado. que apresentam os annaes das naçoens. a que aquelle Escriptor se propôs res- ponder . e a mais justa de todas as recebidas na ordem politica: ella naõ tem outra tendência que a de obter todas as vantagens e bençaõs expressas na gazeta de Madrid de 7 de Julho de 1817. Tornemos ao Brazi- liense. a que nós nem sequer alludimos. 41 Morillo e os seus gazeteiros o adoptam constantemente em Venezuela e Nova Granada. a favor do «ysteraa da Corte de Madrid. contentamo-nos com dizer. Fernando e seus satélites nos fazem uma guerraof- fensiva. m as como isso só he fingimento do cérebro do tal Es- criptor. Miscellanea. Os heróicos defensores de sua eman- cipação e liberdade. Morillo.

" dizia respeito ao partido que a historia mostra tirarem as naçoens estrangeiras. e os Americanos do Norte. na questão entre Hespanha e suas Colônias: mas diz o Es- . sem entrávez. pelo que passaremos adiante com ella " A rio revuelto ganância de pescadores ." que nas águas envoltas aproveitam os pescadores. Concluiremos demonstrando outros erros de facto. e naõ nas circumstancias oppressoras em que se acha a America Hespanhola.168 Miscellanea. tudo quanto aqui refere o Escriptor. desde o seu principio até agora. que tiram de seu com- mercio os Inglezes. He. e o Correio Braziliense o applica ás colônias in- surrectas de Hespanha. e ao proveito. quando elle diz. nem monopólios em sua industria e trafico. das disputas civis de outras. que a applicaçaõ do provérbio seria tolerável em um estado regularmente constituído. Quando acontece uma guerra civil. nem ainda pela mais foraçda inter- pretação. impró- prio ao lugar. Porém em lu- gar desta applicaçaõ impertinente. logo. he absolutamente intolerável. sempre os partidos se queixam um do o u t r o : nisto naõ ha nada novo. diz um provérbio Hespanhol. de que adoece a censura do Edictor do Correio Braziliense" O provérbio de que usamos. em que se intromettem. e fora do nosso propó- sito. Seria tolerável a applica- çaõ do provérbio em um Estado bem constituído. alheio da questão. lavra temos dicto neste Periódico. porém em colônias taes como as de Hespanha. e as vantagens que deduzem de seu livre commercio os mesmos Insurgentes. Porém a má lógica deste Escriptor se patentea. que possa. a isto chama o Escriptor applicaçaõ impertinente do provérbio O Leitor decidirá entre nos. entender-se por tal maneira. que aqnellas recebem dos indivíduos particulares de uma e outra Potência. devia confessar o auxilio positivo. que se abrazasse em guerras civis.

a resolução dos Estados-Unidos. para fazer os seus negócios com a Corte de Madrid. Continuemos com o Escriptor.'* . e tendo força bastante para a manter: e esta he a questão de que tractamos. toda a culpa está da parte de Hespanha. nem por isso os Es- tados-Unidos se tem declarado a favor da Independência das Colônias. teria sido a mesma. em in- surreição. que a Inglaterra prohibio logo a exportação de armas. e quando o naõ fora. Seja assim. porém naõ cremos. e com effeito essa tem sido a nossa opinião: mas ^ que faz isso ao nosso caso? Seja ou naõ seja a Hespanha a oppressora. e vejamos quaes saõ os erros de facto. e nem por isso tem deixado de se aprovei- tar das circumstancias. com preju- ízo de sua Constituição.. pelo que se a nn une ia. e em todos os actos públicos do Go- verno dos Estados-Unidos se manifesta a sua intenção de naõ reconhecer a independência daquelles paizes. tendo as Colônias decla- rado a sua independência. que neste paragrapho ameaça de nos mostrar. pouco ou nada importaria isso. de que aproveitará a essas colônias Hespanholaã. acerescenta. e terem o direito por sua parte? Supponhamos. 169 criptor. o serem ellas as opprimidas. e o porte de cartas para aquella Provincia levantada : e que os Estados-Unidos passaram uma ley a requirimento do Ministro Portuguez para o mesmo fim. e de seu systema de commercio. Miscellanea. que ellas érara as culpadas t naõ a Hespanha. *' Querendo adiantar as suas provas sobre a vaidade das espe- ranças desoecorro estrangeiro. Naõ vimos a prohibiçaõ do Governo Inglez. que conceberam os revolucioná- rios de Pernambuco. em quanto elles mesmos se naõ mostrarem ca- pazes de sustentar seus direitos pela força d'armas: e en- taõ. que ella se extendeesse á conrespondencia epistolar. que no seu caso.

170 Miscellanea. e o Acto do Con- gresso. e no entanto attreve-se a notar isto como um erro de facto de nossa parte. tam pouco podiam dirigir-se a prohibidir a exportação de a rmas a este ponto. Temos lido a solicitude do Embaixa- dor Portuguez. o que por outras palavras quer dizer. a solicitação do Embaixador Portuguez a favor da neutralidade concedida em 1794. e o acto das Câmaras dos Senadores e Deputados do Povo. que. 0 Corpo Legislativo naõ passou similhante proposi- ção. foi de 20 de Dezembro de de 1816 . juncto aos Estados-Unidos. corroborando a neutralidade. prohibio o Governo Inglez toda a communiçaÕ entre seus subditos e os Insurgentes. quando suecedeo o mo- tim de Pernambuco. mas elle confessa. Aconteceo a revolução aos 6 de Março de 1817. se deo á luz em 3 de Março de 1817. que naõ crê. He neces- sário dizer mais : que sendo estes feitos anteriores á revolução de Pernambuco. e que naõ crê que ella se extendesse á con- respondencia epistolar. Nada disto he conforme ao que escreve o Correio Bra- ziliense. E por toda a refutaçaÕ se limita a dizer. dizendo simplesmente. Ignorada entaõ de todos a futura insurrecçaõ de Pernam- buco. nem em privar os revolucionários do soecorro das . devia dar mais alguma prova do que a sua crença. contra anossa asserçaõ. pouca impressão podem fazer ao credito de nossos es- criptos. " A respeito da outra prohibiçaõ podemos responder com no- ticia positiva dos factos. que naõ sabia nada da matéria. que tínhamos nisto com- mettido um erro de facto. que naõ tinha provas nem boas nem más. nem o Acto do Congresso a teve por objecto. Seguramente refutaçoens desta natureza. que naõ vio essa prohibiçaõ. Para este Escriptor mostrar. naõ podia influir de nenhnm modo na nova providencia de neutralidade. O primeiro erro de facto. de que nos accusa este Escri- ptor he o havermos nós dicto. por- que declara elle mesmo que naõ vira a prohibiçaõ.

como a resposta do Governo dos Estados-Unidos a léo este Escriptor no mesmo N. Sabíamos. a p. nem o Ministro Portuguez a pedio:" e logo depois accresenta " que estes factos fôram anteriores ã revolução de Pernambuco. pois. armas e muniçoens fabricadas nelles. Este corpo naõ pro- hibio. ou que as vendessem em seus mercados a qualquer comprador idôneo. que naõ foi prohibido aos . que nós naõ ignorávamos as suas datas. e que o motivo. Miscellanea. em quanto a sua sorte fosse dúbia. que tanto a representação daquelle Mi- nistro. mas nem por isso serviam elles menos para provar. Quaes factos. com que alegamos aquelles passos foi para mostrar." naõ passou similhante proposição. 171 armas He diminuta e minguada a traducçaõ que publica o Cor- reio Braziliense do Acto do Congresso. e de nenhuma maneira ficaram atadas as maõs do commercio e das manufacturas. que se propoz impugnar. pois. que as Américas Hespanhola snaÕ tinham que esperar auxílios dos Estados-Unidos." <. A prohibiçaõ recaio sobre outros capítulos. que o Governo dos Estados-Unidos naõ se ingeriria na guerra da America Meredional. nem pôde prohibir que os cidadãos dos Estados-Uni- dos levassem a qualquer parte do mundo commercial. se senaõ passou similhante proposição ? Se o Ministro da Corte do Brazil em Washington naõ pedio tal ? A verdade he. com a mais idisculpavel igno- rância do Direito das Gentes. aqui o erro de facto de que nos accusa ? Agora diz o Escriptor. que a data daquelles officios éra interior âo motim de Per- nambuco. 20: e portanto devia o Es- criptor por isso saber." diz o Escriptor. para exporrar e vender os seus effeitos militares a qualquer belligerente.° do Correio Braziliense. senaõ em tanto quanto isso lhe fizesse conta. { Aonde está. e isto he o que queríamos provar com este exemplo." " O Corpo Legislativo.

e por fim se destruiria a si mesmo. Soldados! este Governo destruiria a naçaõ. Este ponto he tam claro em todas as obras dos publi- cistas. Proclamaçaõ do General dos Insurgentes. pela escolha dos officiaes do exercito. desejo dirigir-me a vós. que dis- põem a seu bom prazer da propriedade. existência e li- berdade dos infelices Hespanhoes. muniçoens e petrechos de guerra ás colônias insurgentes. No en- tanto ficariam vossas familias na mais abjecta escravidão. A nossa Hespanha se aproxima á sua destruição. nada pôde ser mais contra ella do que levar a uma das partes belligerantes armas e muniçoens de guerra. cidadãos dos Estados-Unidos o levar armas. Soldados! Coilocado á vossa frente. posto que diz. do que a fazer a con- quista das colônias. a vossa ruina se completaria com a da pátria.se-ha. em refutar uma asserçaõ. que he agora impossível. que a vossa coragem lhe inspira.) HESPANHA. debaixo de um Governo arbitrário e tyrannico. (Continuar. que naõ julgamos necessário occupar mais espaço ou tempo.172 Miscellanea. que o Corpo Legislativo decretou ou corroborou a neutralidade. que só a crassa ignorância podia proferir. com aquella franqueza. Havendo o Go- verno dos Estados-Unidos declarado a sua neutralidade. antes para libertar o Governo do temor. Quiroga. he impossível soffrêllo por . que deve existir entre companheiros em ar- mas. aos 3 de Março de 1817. vós sois des- tinados á morte.

que o Governo pode ajunctar. Os inimigos da ordem põem em practica todos meios. e que a energia de um Go- verno. he o que eu vos recommendo. por uma parte violência e fraqueza: e pela outra nao excitando mais do que a indignação e o des- prezo. VOL. he sempre superior á do déspota. que a pátria entornará sobre nós em abundância. amor e respeito. e se houverem alguns tam vis. 1820. que que se nos opponha? Nao. provai que o sois. provarei que nao he em vaõ. A fim de que o paiz seja feliz. Soldados! Empreguemo-nos no nosso bem. Proclamaçaõ. Soldados! Eu descanço em vós. que a authoridade me foi confiada. vós sois dignos fi- lhos da pátria. A empreza he fácil e gloriosa. e no de nossos irmãos em armas. 173 mais tempo. que asseguraram a independên- cia da naçaõ contra o poder de Buonaparte. Soldados! A victoria nos espera. XXIV. e o seu resultado he a gloria e os prêmios. deve o Governo inspirar confiança. Fernando. indignos do nome de Hespa- nhoes. que procura o bem. que voltem as suas armas contra vós. (Assignado) ANTÔNIO QUIROGA. 5 de Janeiro. i Ha algum soldado Hespanhol. . Eu terei satisfacçaõ de re- munerar aquelles que se distinguirem. que es- taõ unidos com vosco. do Governador de Cadiz. achareis irmaõs. Miscellanea. porém se algum faltar ao seu dever. Mesmo nas fileiras daquelles. Quartel General de S. 141. uniaõ e disciplina. N". que morram como satélites da tyrannia. O General em Chefe do Exercito Nacional.

As tropas do segundo batalhão de Soria deram a mais positiva prova de sua fidelidade a El Rey. 14 de Janeiro. Naõ so- mente todos os officiaes do destacamento. Podem estar seguros de que naõ seraõ por forma alguma incommodados. para defensa do arsenal de Ca- racas. e Sub-Tenente D. eu os admoesto e lhes ordeno. que fôram nome- ados para guardar o armazém de pólvora no campo de Soto em S. que foi man- dado desta praça. que immediatamente entreguem todos os papeis de tal natureza. Fernando. pas- sando pela Torre Guido. porém. Ordem de 18 de Janeiro. a pezar desta ordem. e lhes forem achados.) ALONSO RODRIGUEZ VALDEZ. abandonaram o inimigo. porém na manhaã de hoje. 52 homens deste valoroso corpo. mas como pode haver outros. Pedro Mochet. intimidados. seraõ pu- nidos como réos d'alta traição. Cadiz. pela prova de fideli- . os guardarem. que. naõ se attrêvam a fazer o mesmo. se. Os que recebe- ram estes papeis instantaneamente mos entregaram. Honra a estes valorosos soldados! O Governador de Cadiz lhes dá os agradecimentos em nome d* EI Rey. tem recorrido â abominável manobra de mandarem pér- fidas proclamaçoens e escriptos a pessoas geralmente re- conhecidas por fieis vassallos d'El Rey. 1820. arrostaram todos os perigos. Sabendo^ que nada he capaz de alterar a fidelidade desta cidade. aos 12. (Assignado. pelo seu comportamento. Joaõ Catála. para nos desencaminharem de nossos deveres. Fôram com mandas estas tropas pelo Tenente D. para se unirem ás suas bandei- ras. assim como aos officiaes do Regimento Provisional da Lealdade.174 Miscellanea.

) VALDEZ. desejava perturbar a tranqüilidade publica des- ta nobre e illustre cidade. Um pequeno bando de pessoas facciosas. {Assignado) VALDEZ. [Assignado. e que fazendo uso de minha authoridade. Fernando. e eu me lisongeo de que as sementes desta discórdia se naõ reproduzirão outra vez. a fim de que todos os homens bons gozem descanço era suas casas . Entre os rumores seditiosos. e para introduzir a dissençaõ. que éra o official do dia na Porta do Mar. Proclamaçaõ de Governador de Cadiz. para prevenir que a cidade sotfra algum damno. que deram. e que. naõ tendo a confiança do Governo. mas deveis também saber que similhantes crimes naõ podem ficar impunes. a despeito das ephemeras vantagens. uin dos principaes he. e que a explosão destruirá esta cidade. J75 dade. que tem carregado as minas da Porta de Terra. que se frustrou a con- spiração. por amor da tranquillidade e bem de seus leaes habitantes. que lhes offerecêram os factiosos de S. sou obrigado a adoptar as medidas mais enérgicas. Tem-se tomado todas as medidas necessárias. " O Governador se acha penetrado de gratidão. Sabeis. capitaneadas pelo coronel Nicolao Santiago Rotalde. Miscellanea. pelo fiel e heróico comportamento dos dignos habitantes desta cidade. no deplorável acontecimento da noite passada. que os descontentes tem espalhado para desacreditaro Governo. O Governador se apressa a contradizer este rumor sem fundamento.

mas sairá. sobre pretexto de beber. e familias. que merece. logo que exceder este numero. daqui em diante. Estas pessoas naõ querem conresponder á affeiçaõ. que será igualmente applicavel ás casas de jogo estabelecidas com licença. tanto na cidade como fora delia. que eviteis todos os ajunetamentos. e. Ao mesmo tempo recommendo-vos. que seguiam o partido dos sediciosos. abusando de minha bondade. logo que tiver feito as suas compras. 1820. ordeno aos habitantes desta cidade. N o successo. para evitar o castigo. Habitantes de Cadiz. {Assignado) A. e espero que. agradeço-vos o vosso comporta- mento. obrareis da mesma maneira. Portanto. R. se algum se fizer. mando que seja disperso pela força d'armas. commettendo desordens. Tirar-se-ham das tavernas todas as mezas e bancos. e naõ será permittido a pessoa alguma o ficar ali. que. Nenhuma pessoa de qualquer sexo poderá parar nas tavernas.176 Miscellanea. havendo o dicto Rotalde fugido.me entreguem a pes- soa deste rebelde. conrespondendo á estimação e affeiçaõ que vos tenho. que lhe tenho. se viram vários cidadãos armados. e em ordem a fazêllas respeitar. ordeno. se o descrubirem. Que em nenhum lugar publico seja permittido um ajunctamento de mais de três pessoas. He além disso ordenado. seraõ dispersadas por força. V A L D E Z . Cadiz. que teve lugar na noite de 24 do cor- rente. continuam em seus excessos: ja naõ he possivel evitar o rigor das leys. sendo os donos dos caffés responsáveis pela infracçaõ desta medida. sob pena de morte. que todos . Proclamaçaõ do Governador de Cadiz. 25 de Janeiro. ou digam o lugar aonde se acha. Os cafés se fecharão ao anoitecer.

a cargo do commandante mi- litar daquella cidade D. ao Excellentissimo Senhor Secretario de Estado e interino do Despacho da Guerra o seguinte:— O Ten. en- carregandos-os de dar busca ás casas de seus respectivos bairros. aonde se apresentaram como facciosos. pertencentes a El Rey. sob sua responsabilidade. que mandei a Barcelona. escreve o Tenente General D. COLÔNIAS H E S P A N H O L A S . que lhes tenho previamente communicado. e do capitão de lanceiros Venezuelanos. que ao amanhecer de hontem conseguiram. sem serem vistos das avaçadas rebeldes. vigiarão na execução da presente ordem. Just. Artigo de Officio. Estes me dizem. quando for necessário. publicado em Madrid aos 25 de De- zembro. me escreve de Piritu. Maurício Ferrero. Miscellanea. Coronel D.) R. ^j os habitantes que tiverem armas brancas ou de fogo. A. e para o que lhes darei o auxilio que pedirem. o seguinte:—Excellen- tissimo Senhor. (Assignado. Paulo Morillo. e dizendo eram da quadrilha de Marinho . VALDEZ. Joaõ S. com penacho branco. entrar na praça de Barcelona. Acaba de chegar a partida de 30 cavallos. as entreguem aos Commissarios de seus respectivos bairros dentro em 24 horas. e os dictos commissarios. com data de 23 de Julho passado. Eugênio Arana commandante do batalhão ligeiro de caçadores da Raynha Isabel e da columna dos campos de Barcelona. 1819- Occupada pelos faciosos de Venezuela a praça de Bar- celona. depois da publicação deste edicto.

tendo o inimigo conhecido o engango. e estas saõ as causas. porque. depois deo terem maniatado mo traziam vivo. mas naõ o puderam verificar. Ramon Nadales. Urdaneta. e entaõ o traidor se refugiou em uma casa. dei parte ao Coronel Pereira. mas teve o desgosto de errar o golpe. e se acabávamos de uma vez com esta canalha: por ora naõ tenho tido resposta. que me impedi- ram atacallos. que se lançavam á água com a maior confusão. razaõ porque a partida se retirou com a melhor ordem e serenidade. o qual ao presente está invadiavel. No momento em que tive noticia. mas persuado-me. sem experimentar diminuição alguma. para vçr se se me reunia. pois saindo aturdido em camiza do seu aloja- mento. pelo que me persuado se afogaram muitos. e mui chegada ao Morro. e por um curral se lançou ao rio. fugioespavorida. aonde estavam alojados os officiaes. que causou aos inimigos esta surpreza tam bem dirigida: uma in- finidade de tambores e cometas naõ cessavam de tocar do outro lado do rio. e tiveram de o alan- ceár. que éra official. esteve quasi nas maõs dos nossos valorosos. e as avançadas. queja estaõ em marcha. com o qual ardil mataram dez homens. Os inimigos estaõ aquartelados no Morro. e fez um vivo fogo das janéllas das casas. sendo tal o seu terror. O chamado general insurgente. a ponte acha-se cortada. lhe atirou um bote de lança o subtenente do dis- tricto do Chaguaremal. A tropa. que pas- seava pela cidade. e o mesmo tenho feito de todos os acon- tecimentos posteriores. D. que a quadrilha rebelde se tinha apresentado á frente de Barcelona. que rodeavam a cidade. tocou a rebate. um dos quaes. . Naõ pode Vossa Excellenciafigurar-seo espanto. e da outra mar- gem do Neveri. A esquadrilha inimiga acha-se fundeada no porto de Barcelona. todas se dispersaram occultando-se nos bosques.—Cujo conteúdo levo ao conhecimento de Vossa.178 Miscellanea.

Miscellanea. . e tomei exacta conta do Estado da praça: acháram-se nella dous quin- taes de pólvora. pelo que naõ houve explosão. Elles queimaram o melhor vaso. que tinham con- struído. A precipitação desta fugida se mostra. PAULO MORILLO. Excellentissimo Senhor Secretario de Estado edo Despacho da Gnarra. 170. Os bastioens ficaram intactos. 1819. Eu marchei entaõ immediatamente. por nao ter elle concluído o incêndio da praça. Excellencia. e na sua confusão se esqueceo de dar fogo ao rastilho. (. durante a noite de 15 do corrente. e os armazéns cheios de sal e mantimen- tos salgados de todas as qualidades. AMERICA HESPANHOLA. Deus guarde a Vossa Excellencia muitos annos. datado de Achaguas 30 de Outubro. e por ter lançado as peças no rio. 13 de Septembro de 1819. Participação do General Paez. Fernando. Mandei destacamentos em todae as direçoens para descubrir a sua retirada. em que me annuncia a evacuação daquelle forte pelo inimigo. para que haja por bem elevallo ao d'El Rey nosso Senhor.Assignado) JOSÉ ANTÔNIO PAEZ. Senhor!—Acabo de receber carta official do com- mandante das forças em frente de S. Qnartel General de Valeucia. 80 arrobas de ferro em barra. 10. e communicarei o re- sultado.000 pregos de navio.

tomados em Porto Bello sob o General M'Gregor. 9 de Sept. Commandante em Chefe das For- ças d' El Rey em Carthagena. os officiaes de solados independentes. e isto pela centecima vez. que elles tem tanto vezes infligido a nossos soldados. e cidadãos pacíficos. A Angostura no Magdalena he o lugar aonde terá lu- gar este acto de justiça e de humanidade. Como naõ tendes em vossas maõs sufficiente numero . Officio do General Bolivar. 1819- Ao General Samano. e passar á espada os nossos prisioneiros. porém eu. Quartel General de Sancta Fe. longe de de- sejar contender com nossos inimigos. em pena de taliaõ pelas crueldades. Quarto. prisionei- ros em Carthagena e Sancta Martha. que defendia o Reyno de Sancta Fé. Terceiro. gradua- ção. Em segundo lugar. Peço em primeiro lugar. Os usos da guerra nos dam direito a fazer represálias. proponho uma troca de prisoneiros.180 Miscellanea. estou disposto a sobrecarregállos de generosidade. que tem sido condemnadoB ás gales por seu patriotismo. por graduação emprego por emprego. Esta troca será feita segundo os usos da gueara. os officiaes e tropas Inglezao. os prisioneiros. está todo prisioneiro de guerra. que tem sido forçados a servir debaixo das bandeiras Hespa- nholas. em crimes. propondo uma troca de prisioneiros ao General Hespanhol Samano. os officiaes e soldados. para que o General Barreyro seus officicaes e soldados possam obter a sua soltura. O exercito Hespanhol. Movido por estes sentimentos. Homem por homem. em conse- qüência da gloriosa victoria de Boyaca. entre as naçoens civilizadas.

neto por parte materna de S. sem serem con- trovertidos. R E Y N O UNIDO D E PORTUGAL BRAZIL £ ALGARVES. e pelo General Barreiro espero pelo menos doze. Miscellanea. e parece ser o propósito do A. O Leitor achará naquella publicação factos de natureza mui importante. Catholica. M. Sebastião. entre as Cortes do Rio-de-Ja- neiro e Madrid. cinco por um tenente. Uma gazeta da Paris (Journal des Debate) que havia. inserido extratos da publicação. BOLÍVAR. sobra as relaçoens políticas. Diz ali o A. na sua fo- lha de 27 de Janeiro. nove por üm Coronel. em que lhe propunha a independência de Buenos-Ayres. e para seu Rey o infante D. seis por um capitão. que se faça das Provincias de La Plata uma Monarchia. para o fim indicado. " As provincias de Ia VOL. os quaes com tudo naõ tem passado. 141. segundo um pequeno folheto intitulado. sette por um major. e sobrinho por parte paterna de S. três um por sargento. AA . 156.. na folha de 5 de Fevereiro. Deixamos traduzido. 181 de prisioneiros militares. quatro por um sub- tenente. Disputa com Hespanha. aceitarei dous paizanos por um soldado. XXIV. que a Corte do Rio-de-Janeiro mandara apre- sentar uma nota ás Potências Alliadas. que os factos avançados em um artigo do nosso Jornal de 27 de Janeiro. N°. para trocar por todos aquelles que estaõ em meu poder. oito por um Tenente Coronel. Refiexoens sobre as novidades deste mez. propor. um opusculo publicado em Paris. a p. Fidelissima. M. trás o seguinte -•— " Somos authorizados a declarar mui formalmente.

" Temos razaõ para conjecturar. pela reunião das provincias de Ia Plata em monarchia. no Erário Hespanhol. que nenhuma pessoa. deixaremos a questão sobre a autho- eidade daquella nota. a pedir indemnizaçoens a Corte do Brazil. e o di- reito. o qual dote foi de um milhaõ e oito centos mil cruzados. Plata erigidas em monarchia. he o Infante D. nota alguma a este respeito. e que se suppunha haver sido dirigida pelo Governo de S. Nesta rica herança ae comprehende um morgado. reunidos em Aix-la-Cha- pelle. . e muitos bens livres . logo esta he- rança pertence indubitavelmente ao Neto. e o dote da Princeza de Portugal. M. que casou com o dicto Infante D. O mesmo he a respeito da nota. Os rendimentos. Mas quanto ás reclamaçoens do Infante D. e tinha por objecto uma accommodaçaõ entre as Cortes do Rio-de-Janeiro e de Madrid. que tem. reunidos em Aix-la-Chapelle. o infante D. cujo sceptro se desse ao Infante D. entre o A. Sebastião de Bourbon-Bragança. e o seu único descendente vivo. depo- sitados a juro.Carlos. áo tempo do casamento. Esta peça he totalmente apocripha. Sebastião. qual merece mais credito. Fidelissima em Paris. e todo o principal e réditos está na ma& do Infante D. o Leitor decidirá. Gabriel. pôde nisso ter a menor duvida. Fidelissima aos mi- nistros das altas potências alliadas. e fazer o apanágio dos descendentes do dicto Infante D. e privado disso o herdeiro legi- timo. Ministro de S." saõ forjados e destituídos de todo o fundamento. Pedro. saõ factos tam notórios.Gabriel. que entaõ constituíram esta casa. O pay do dicto Infante D. para depois serem empregados em terras. éra o único herdeiro de seu pay o Infante D. Gabriel. e nunca se apresentou aos Ministros das cinco Cor- tes. excederam desde logo dous milhoens de francos por anno. Fidelissima. Sebastião. que esta contradicçaõ proveio do Marquez de Marialva. informada da historia destas transacçoens. e o Redactor daquella gazeta. cujo extracto se acha naquelle pequeno escripto. SfC. M. nem dada pelo Governo de S. Mas seja como for. Sebastião.182 Miscellanea. nem por seus mi- nistros plenipotenciarios na Europa. M.

Se porém o mesmo povo de Buenos-Ayres deseja esse arranja- mento. se estriba na mesma au- thoridade. Depois destes factos. em dar para pagamento de uma divida. que também a nota seja verdadeira. que nem saõ. Pelo que respeita ao projecto em si mesmo. entaõ dizemos. aquillo que ja naõ he seu? Quem nisso teria muito a perder seria a Corte do Rio-de-Ja- neiro. Miscellanea. que se tal proposição fizesse a Corte do Rio-de-Janeiro. como meio de firmar a sua independência. Agora se os de Buenos-Ayres convém nisso ou naõ. seja iudifferente á Hespa- hna. para o Infante D. e foi o tal Ministro o Desembargador Diogo Vieira de Thovar. que nega estes outros factos conhecidos. excepto na obstinação do Governo Hespanhol. pelo fica dicto. porque em fim nisto se naõ pro- põem outra cousa senaõ. Sebastião. Sebastião. logo s que mal podia fazer á Hespanha. assim como a rica mobília bai- xella e jóias. em revolução. que a co- roa de Hespanha tem ja perdido. nem nunca se intentou que ficassem em segredo. como indemnizaçaõ do que se lhe deve. e que merece toda a contemplação do Gabinete do Brazil. Sebastião . estamos bem longe de achar nisso que reprovar. que as colônias de La Plata. julgar do credito que merece a contradicçaõ official no Jornal des Debats. posto que. que importam em sommas avultadissimas. essas colônias perdidas. pois a esse fim expresso se mandou a Madrid nm Ministro encarregado somente deste negocio. antes saõ patentes a todo o Mundo. he cousa de que ja nenhum politico duvida. A independência da America Hespanhola. naõ só éra mui justa. e se a refutaçaõ da nota ás potências alliadas. e pôr fim á guerra . que deviam servir de compensação ao Infante D. mas até a julgamos liberal para com a Hespanha. se tivesse de ir tomar por força. he de con- jecturar. e com imraensas despe- zas. . faltando como po- líticos. como he D. pode o A. 183 Nem sabemos como se possa duvidar de que a Corte do Bra- zil reclama todos estes bens. se dem a um Infante dessa mesma Hespanha. sobre as asserçoens do folheto . he outra questão á parte .

Pueyrredon. como agradável a Buenos- Ayres. e de grande aversão á antiga dominação Hespanhola. que aqui houve no nosso Governo. como uma cessaõ da coroa de Hespanha daquillo. mais perto do lugar. que o seu projecto éra impracticavel. e que nunca o pôde tornar a vir a ser. deo um golpe mortal ao partido. a varias cortes estrangeiras. Agora. Pode-se arguillo disto como de um erro de sys- tema do Governo. mas esta mesma noticia traz com sigo a justificação do Ministério do Rio- de-Janeiro. O Director Supremo. e es- pecificamente á do Rio-de-Janeiro. que elle procurava introduzir. se fosse necessário ao Governo do Brazil entrar em uma . que se sondava a este respeito. he necessário confessar. que queria erigir a nossa republica em monarchia. que ja naõ he seu. que este Estadista he animado d'um ver- dadeiro patriotismo.) uma noticia de Buenos-Ayres em que se diz o seguinte:— " A mudança. Portanto." Naõ tendo nós meios de averiguar. sempre fizeram vaSs. que ha naquelle paiz um partido a favor do projecto de que se tracta. pôde julgar melhor do ponto até que tal projecto seja antendivel. do que nós estamos. conheceo em fim. A Corte do Brazil. se ellas lhes tem sido feitas por tam conspicuas pessoas de Buenos-Ayres. qual he o verdadeiro es- tado da opinião publica. que estava á frente deste par- tido. objecto sobre que s e tinham reiteradas vezes feito secretamente proposiçoens. se a questão se apresenta. sobre esta importante questão. como uma indemnizaçaõ do que a mesma Hespanha lhe deve . composto de mui pequeno numero de individuos. e com mais opportunos meios de ter informaçoens. mas que as disposiçoens do povo. e que o seu cabeça he de nada menos importância do que o Ex-Director Supremo.184 Miscellanea. e renunciou elle mesmo a direcçaõ dos negócios públicos. Sobre esta segunda questão lemos em um a gazeta Franceza (Constitutionnel de 28 de Janeiro. podemos com tudo concluir desta noticia. e se a pes- soa do Infante D. em ouvir essas proposiçoens. Entretanto he impos- sível deixar de convir. Pueyrredon. que naõ ha em tudo isto senaõ um projecto mui razoável. nas provincias de Ia Plata. Sebastião se nomeia.

que uma guerra entre o Brazil e as Colônias Hespanholas em revolução. sabemos. porque este partidário se tem feito igualmente incom- modo a Buenos-Ayres e ao Brazil. e nada a ganhar. Os partidistas de Artigas chamados Montoneros. 185 guerra. visto que ja naõ havia temor da chegada de tropas da Hespanha. paia proteger as fronteiras do Brazil naquella parte. e de tal modo in- festaram as estradas das Provincias de Ia Plata. para atacarem junctamente a Artigas. para se embarcarem as tropas. como Enviado do Ge- neral Commandante em Monte-Vedio. que os preparativos naquella praça tinham em vista marchar contra Artigas. Miscellanea. Com tudo achamos. e suas hostilidades. que está quasi . a questão seria de natu- reza differente . e daqui se seguio um rumor de que o exercito do Brazil evacuava aquelle território. saíram de Santa Fé. para abater Artigas. Guerra do Rio-da-Prata. seu inimigo commum. Mas se o comportamento de Artigas. que os dous Go- vernos conheceram por fim a necessidade de se ligarem. 1819. entaõ o plano de operaçoens devia ter sido conduzido por outra maneira. Pelas noticias de Buenos-Ayres. para o alcance destes fins. devia ser um acontecimento desastroso aos Brazilienses. em data de 28 de Outubro. Temos sempre sido de opinião. pelas ultimas noticias que recebemos. e entaõ-sem duvida nos decidiríamos pela nega- tiva. mas achan- do-se em Buenos-Ayres o Coionel Pinto. fizeram ne- cessário pegar em armas contra elle. que o Governo do Brazil fizera um ajuste com o de Buenos-Ayres. que teriam muito a perder. envolvendo-se em tal contenda. mui differente do que temos observado até aqui. tanto do Rio-de-Janeiro como de Buenos-Ayres. depressa se soube. Depois disto averiguou-se. que se tinham feito em Monte-Vedio preparos.

tal fauto- rização do corsário de Artigas. Se naõ duvidamos do excito desta operação combinada. e La Madrid. que andam roubando no mar. " Corsários. ou como se justifica de procedimento legal. Rondeau. e Luxan éra o ponto aonde se deviam ajunctar com Rondeau. e derrotado com perda de 400 homens. real ou pretensa. Estas circumstancias decidiram o Governo de Buenos-Ayres a obrar de concerto com o do Brazil. e se os dous Governos unidos obrarem com a devida energia. até Rosário: Ramirez commandava esta partida. e se avançou para a parte de Buenos-Ayres. O Director. E. Este mal he da primeira importância para o commercio Por- tuguez. com o exercito chamado do Peru. naõ só porque. por qual- quer authoridade que fosse. removendo- se o theatro da guerra para Entre Rios. outros de muito mais. e entrega de sua preza aos cap- tores. pelas circumstancias attendiveis. naõ pôde ser duvidoso o final abatimento de Artigas. ficam livres as fronteiras do Brazil das depredaçoens de Artigas . San Martin. copiado de uma gazeta Ingleza. Fuentes Ribero. tam- bém naõ hesitamos na sua politica. saio de Buenos-Ayres para tomar o commando das tropas contra Artigas. e como prova disto tem este comprado ali cavallos e mulas para a expedição .18(5 Miscellanea. foi ata- cado por um destacamento do exercito do Brazil. quando o Governo do Brazil representar isto ao Governo Inglez. um dos commandantes de Artigas. cora a capa da pretendida bandeira de Arti- gas. de todo interrompida a communicaçaõ entre Buenos-Ayres e Chile. debaixo da bandeira de Artigas. com o exercito de Mendoza. mas porque pela des- truição deste chefe se tira o pretexto aos piratas. que involve. ainda mesmo sem a formalidade de condemnaçaõ. veremos qual he a resposta. Um corpo dos partidistas de Arti- gas cruzou o rio em Baxada de Santa Fé. E entre os inumeráveis casos de prezas feitas debaixo daquella bandeira.—Caso do Bom- . que uns diziam ser de 500 homens. ja tam abatido por tantas outras causas. referiremos o seguinte.

em quanto existir Artigas. e deve abrir inteiramente os olhos ao Governo do Brazil. fôram entaõ para Nassau. e estes puzéram entaõ a proprie- dade. naõ reconhece Artigas. e por conseqüência aquellas authoridades recusaram inge- rir-se no negocio dos captores. que se naõ podiam intrometter com os captores. á nota das potências alliadas. com sua bandeira. que involve este procedimento. a qual patente foi admittida como documento authen- tico. ambos de Bal- timore. e ali apresentaram ante as authoridades do lugar uma patente. porsalvagem. O capitão do corsário. Miscellanea. foi to- mado. A questão. cujos nomes saõ Christie e Duval. nas maõs de um leiloeiro publico em Nassau. mercante Portuguez do Brazil. 137 successo. e nenhum outro remédio tem isto senaõ a total annihi- laçaõ de Artigas: porque só entaõ os corsários com tal bandeira •e reputarão universalmente como piratas. acharão sempre meios de illudir as leys do direito das gentes. Este navio. m u estes foram de opinião. contra a invasão de Monte- Vedio. em fazer naufragar a preza antes de condemnada. fez sobre isto requerimentos por meio de um Agente em Nassau. mas salvai am-se duas terças partes de sua carga. esta somma. que se pôde fazer. se o Governo Britannico. nos casos de prezas. e naõ esperar que da Europa lhe vá o remédio de seus males. deduzindo uma pequena quantia. que se salvou do vaso. por um corsário. mostra que. e mes- tre de preza. como uma potência independente. a quem o navio pertencia. ." Este caso he um dos melhores commentarios. os piratas. pela qual haviam tomado a preza. e pouco depois encalhado de propósito em uma pequena ilha juncto a Nova-Providencia . e reclamar a carga. aos Juizes da Corte de Vice Almirantado. O expediente do corsário. foi en- tregue a Christie e Duval. A casa Portugueza. de que a sua politica deve ser Americana. debaixo da bandeira de Artigas. o qual vendeo o producto por 30. que deve voltar as suas vistas. para aquella parte do mundo. por isto. no mez de Maio passado. he.000 dollars .

e entrar entaõ em Caracas. e para isto determinara Bolivar fazer uma juneçaõ. quanto o General Insurgente se suppoem superior a seu antagonista. que tinha o seu quartel-general em Valencia. a favor do Thesouro publico. AMERICA nESPANHOLA. marchando de Medellin. depois de haver instituído um Governo provisional. uma troca de prisioneiros. como consta do documento copiado a p. 109 dous decretos do Governo de Venezuela: o primeiro de 9 de Outubro. debaixo das ordens do General Anzoategui. em alguns destes lugares porém naõ puderam os Hespa- nhoes retirar-se tam a seu salvo. 180 se vê. igualando as tropas auxiliares ás nacionaes. a Capital de Neyva. que naõ ficassem alguns offici- aes prisioneiros. 112. D. to- mou 76 prisioneiros Hespanhoes. e aos 25 de Agosto o Tenente Coronel Cordoba. com as tropas que se achavam em vários pontos. Doronzoro. foi tomada aos 5 de Agosto. Publicamos a p. a cachaça. ficando derrotado o General Hespanhol La Torre. Candelária. e Sancta Anna. estancando. que ali commandava. Em Popayan suecedeo o mesmo nos vales deCauca. Dahi mandou o General Soublette a tomar Cucuta. La Plata. copiado a p . entre outros fôram IIlera. paia obrar contra Quito. em todos os direitos e privilégios. e aldeas de Llano grande. A provincia de Antioquia também foi evacuada. ao General Hespanhol Samano. e a proposição mesmo mostra. 113. e de- pois cooperar na libertação de Lima. e tendo feito a proclamaçaõ.188 Miscellanea. o que se executou aos 20 de Outubro. com . Uma divisão do exercito de Bolivar maichava. Josef Maria Ribua Olaya. a p. aos 6 de Novembro. O General Bolivar saio de Santa Fé. Daqui se vê que a capital e a maior parte do Reyno de Nova Granada estaõ j a pelos Independentes. e tenente Rodriguez. Pelo officio do General Bolivar. tabaco e sal: o segundo de 11 do mesmo mez. Bolivar intentava marchar contra Morilho. Jozé Bansa Governador de Pamplona evacuou precipitada- mente aquella provincia. que elle propuzéra.

até a data de 28 de Septembro. 189 12. considerando que todas as tropas.°. Pela chalupa de guerra Icarus. Entre os documentos ultimamente apresentados ao Congresso. NM41.000 Total 12. e tomara a seu bordo 800 homens de tropa. Limitando-nos porém ao calculo de receita e despeza para o V O L . Tinha-se ali recebido informa- ção de que Lord Cochrane chegará a Coquimbo aos 18 daquelle mez. BB . vem as contas das rendas e despezas dos Estados-Unidos. Miscellanea. Começamos. ESTADOS-UNIDOS. e por tanto seraõ cuidadoasmente inseridos nesta collecçaõ. neste N. que deviam atacar Morillo. por dar a saber o estado comparativo das rendas pu- blicas desde 1815. e agora ainda mais in- teressante. ma- téria de grande importância sempre.000 Exercito do General Marino 4. qne El Rey de Hespanha naõ quiz ratificar. na historia Americana. Estes papeis. se souberam noticias de Valparaiso.000 Cavallaria do General Paez 2. que chegou ao Rio-de-Janei- ro aos 20 de Novembro. que acom- panharam a mensagem do Presidente. As forças. e das for- ças que estaõ em Margarita. que pôde op- por-lhe Morillo naõ passam de 0. e Cedeno. X X I V . a série dos documentos. cora a integra do tractado.000. dando entaõ á vélla com toda a sua esquadra para Callao. se avaliavam no se- guinte :— No commaudo de Bolivar 6. posto que de data antiga. contém factos da maior importância.000 homens.000 Além da divisão dos Generaes Laraza.

000 Terras publicas 2:000. Alfândegas 19:000.000 dollars.823 . Para oceurrer a isto propõem o Presidente ao Congresso. que acabou aos 30 de Septembro de 1819." de Janeiro.996 A estimativa das despezas para este anno.033 França 8:108. parece. Pela conta official apresentada ao Congresso.000 Balanço no Thesouro uo 1. Suécia. que se espera de suas diversas fontes. e um módico imposto nas rendas em Ieilaõ publico. montou ao valor de 70:142.000 Segundo pagamento do Banco 500. Cidades Hanseaticas. segundo o mesmo relatório. d'onde resulta um déficit no thesouro de 4:665.521 dollars. durante o anno.000 Receitas accidentaes 50. que as exportaçoens dos Estados-Unidos. he de 27:000. o augmento de certos direitos da alfândega.971 Paizes Baixos 2:999.190 Miscellanea.332 Rússia.844 Dinamarca e Norwega 1:198.465 China 74.996 Total 22:334. Para a Gram Bretanha 26:908.0040. 1820 334. Alemanha 2:617.388 Portugal 1:950. o relatório expõem assim. o rendimento.886 Outros Paizes 3:014.000 Atrazados de impostos 450.922 Hespanha 4:404. e para os paizes seguintes.082 Total 50:976. presente anno de 1820. Prússia.

uaõ só confessou o facto. temos ordenado e ordenamos o seguinte . Assassinato do Duque de Berri. 191 FBANÇA. ou cousa similhante. e depois ao seu palácio. saõ ainda mais horríveis. Foi logo prezo. fará sem demora o processo de Luiz Pedro Louvei. e contra a segurança do Estado. &c. aonde morreo ás 6 horas da manhaS no dia seguinte. e ao ponto em que ia a entrar com a sua Duqueza na carruagem. O Duque foi primeiro condu- zido a um quarto da casa da opera. criado das estrebarias. A Câmara dos Pares. chamado Louvei. para se processar o criminoso :— " Luiz pela Graça de Deus. " Depois de ter ouvido o nosso Conselho de Estado. accusado do crime de attentado contra a pessoa de nosso amado Sobrinho o Duque de Berri. constituída em Corte dos Pares. senaõ o seu ódio pela Familia reynante na França. que. na mesma casa Real. o estendeo por terra. Miscellanea. de cuja existência tanto depende a ordem politica das naçoens. sem- pre atrozes e abhominaveis. £1 Rey enviou á Câmara dos Pares a seguinte ordenança. e que delle mesmo e delle só proviera o acto.— " 1. . " Porquanto o artigo 33 da Charta Constitutional assigna á Câmara dos Pares o conhecimento dos crimes de alta traição. como se define por ley. O assassino éra um homem da mais baixa esphera. mas regosijou-se nelle. " E porquanto o Código penal classifica no numero dos crimes contra a segurança do Estado qualquer tentativa ou conspiração contra a vida ou pessoa de algum membro da Familia Real. e cravando-lhe ura punhal no lado direito. e naõ deo outro motivo de sua acçaõ. sai ndo o Duque de Berri da Opera. e as- severou que naõ tinha complices. quando perpetrados contra pessoas. Temos de registrar aqui um daquelles attentados. chegou-se a elle um assassino. e sendo interrogado . Na noite de 13 de Fevereiro.

que seja absoluta- mente necessário explicar o assassinato do Duque de Berri. A lembrança de ura Ravaillac. contra que he impossível estar em guarda. Presidente do nosso Conselho dos Minis- tros . que o furioso assassino naõ éra ligado a nenhum plano de con- spiração. ao nosso Ministro da Guerra. A presente ordenança será encarregada ao nosso Secretario de Estado do Interior. O nosso Procurador-Geral da Corte Real de Paris. Minis- tro Interino de Justiça. mais do que a infame malicia. 4. e depois se assassinou o Ministro de Estado. de 1815. confessada pelo mesmo criminoso. outros os Bonapartistas. 8. Perceval. e ao Conde Simeon. na inquirição e sentença. Mr. fará as funcçoens de Procurador-Geral.192 Miscellanea. {Contrassignado) C O N D E DE CAZES. mas unicamente a malicia pessoal do perpetrador. Um acontecimento de tanta importância naõ podia deixar de produzir em França terrível abalo. quando em Inglaterra se tentou assassinar o Duque de Curaberland. e excitar conjecturase mo- ver rumores de todas as sortes. na nossa Corte dos Pares. Em conseqüência. com os regulamentos prescriptos por nossas ordenanças de 11 e 12 de Novembro. posto que disso ainda naõ haja . se nisto houver mysterio. mostram que em todas as naçoens e em todos os tempos ha destes tigres em figura de homens na so- ciedade. por motivos políticos. 2. também naõ vemos. sem que nisso houvesse a menor inge- rência de partido ou causa politica. A Câmara se conformará. com tudo os partidos políticos tem daqui tirado vanta- gem para se accusárem uns aos outros de cumplicidade naquelle crime: uns accusam o partido do Conde de Cazes. Ainda que seja a opinião geral. independentes da maldade do criminoso: o tempo porém he quem pôde explicar o mysterio. de se attribuir este assassinio a conspiração de algum partido. porém. outros os Liberaes: mas como em nossos dias temos visto o mesmo. e de outros abhominaveis ho- mens de igual character. {Assignado) Luiz.

que os Ministros mui destramente se apressaram a pro- por agora. . o qual também uaõ tem filhos. que preparava. que tem sempre regulado a successaõ na Dynastia reynante. O mais he. concedendo aos Ministros o poder de prenderem a quem quizerem e a seu arbítrio. e que valendo-se desse grito. A segunda he um projecto de ley. e depois da morte deste ao filho delle. Só no numero seguinte poderemos dar as integras destas im por- tantes leys . foi publicamente accusado de ser cúmplice do crime. o Duque d'Angouleme. a proposição. Monsieur. que também se unío ao grito geral de ser o assassino um expe- diente de partido politico. aproveitando-se do momento da calamidade. os Ministros por esta occasiaõ propuzéram três medi- das da mais importante natureza. que naõ tem filhos. ou sendo demittido por El Rey. Depois do Duque d'Angouleme. que o Duque de Berri deixou uma filha. Pasquier. resignando. no mesmo d i a : mas com a modificação de que cessará o effeito desta ley. para sugeitar á censura previa todos os jornaes: este projecto foi apresentado na Câ- mara dos Pares aos 15 de Fevereiro. 193 indicio. para a França e talvez para toda a Europa. e saio do seu emprego. O terceiro projecto. naô pôde sueceder na Coroa. que poderá trazer com sigo censequencias da maior seriedade. como dizem uns. Por tanto. e entaõ diremos alguma cousa mais a seu respeito. a coroa passará a seu irmaõ. na Camaia nos Deputados. A primeira heum projecto de ley. se naõ for renovada na sessaõ que vem. Assim calo ja na cova. e aqui se dividirão as opinioens entre EI Rey de Hespanha e o Duque de Orleans : contenda. para a constituição do Es- tado. propoz as dietas medidas . foi apresentada por Mr. Quanto ás conseqüências politicas deste acontecimento deve lembrar-se. que tanta consternação causou no publico. que o Primeiro Ministro de Estado Conde de Cazes. para este fim. Miscellanea. segundo a ley Salica. o parente mais próximo lhe deve sueceder . a qual po- rém. segundo querem outros : posto que esta demissão fosse suavizada nomeando-se Duque e em- baixador para Inglaterra. facelido o actual Rey. he o que estava ja annunciado sobre as elei- çoens. O Duque de Richelieu foi nomeado para o seu lugar.

que a iniciativa das leys só tivesse lugar nesta Câmara. 194 Miscellanea. Organizar-se-hiaõ duas classes de eleitores : a primeira comprehendendo os que pa- gam 300 a 600francos de taxas directas: a segunda. pay de Cailos r v . que segundo as melhores informaçoens affectávammui consideravelmente as leys das eleiçoens. que se haviam de crear expressamente para este fim. A primeira classe de eleitores elegeria um deputado por cada arrondissement. pay de Fernando VII. O direito de eleição ou voto se limitaria. Donde resulta. que foi pay do Dauphin. Os Ministros Francezes haviam ja proposto fazer importantes alteraçoens na Charta. pay de Phillippe V. E também. nem a promulga- ção solemne da Charta extinguiu ainda nos Francezes a mania de . rey de França. A Câ- mara dos Deputados se faria quinqup anual. que nem a volta d'El Rey. A idade para poder ser eleito se fixava em 30 annos. Os eleitores votariam nos seus respectivos arrondissements. que para completar o numero de Deputados. por seu filho Phillipe. O Duque de Orleans. e naõ nos arrondissements municipaes ja estabelecidos. Esta questão de successaõ naõ pôde deixar de interessara Europa. e o numero de arrondis- sements seria 370. os que pa- gam de 600 para cima. por patentes. e a eleição dos De- putados integral e simultânea. pela grande importância que todos veraõ. a que tanto se oppuzéram as P o - tências da Europa na guerra da successaõ entre Phillippe V e Carlos II. porque he descendente em linha recta de Luiz XIV. Assim parece. os lugares capitães elegeriam proporcionalmente mais deputados do que os eleitores da classe de 300. he parente mais remoto: porque des- cende de Luiz XIII. de quem foi filho Carlos III. e os eleitores votariam nos lugares capitães. mas em outros especiaes. na uniaõ das coroas de Hespanha e França. A Câmara teria o dobre de membros do que tem agora. Para a segunda classe se estabeleceriam Col- legios Urbanos. aos que ja o tivessem possuído por um anno. El Rey de Hespanha he o parente mais próximo na successaõ da Coroa de França.

por tanto a despeza da cobrança vem a ser 1 2 | por cento. e ao . Mr. O resultado he que as despezas im- portarão em 511:371. O successo do Duque Berri fez modificar estes intentados pro- jectos.300 Correio 11:693. que naõ foi ratificado por S.550 francos. a p.000 Miscellaneas 1:192. A despeza da cobrança dos direitos se calculou da maneira seguiute. Esta grande despeza na cobrança dos direitos explicou o ministro. que he 13 milhoens menos do que no anno passado. O Ministro de Finanças. Publicamos. HESPANHA. os seus cálculos de receita e despeza para este anno. desde que começou a sua revolução. Contribuição directa 30:126. primeiro de que o correio se naõ olha como fonte de renda do Governo. mas meramente como vantagem do commercio.000 Total 134:375. que requerem consideráveis despezas na sua cobrança. apresentou na Câmara dos Deputados. e direitos do sal 23:013. de que nos tem dado tantos exemplos.400 Alfândega. que resulta. como deixamos apontado acima. 195 mudar a Constituição Politica do Estado.130 A somma total das rendas publicas se avaliaram em 874 mi- lhoens . o systema de contribuiçoens indirectas.e conveniência da sociedade : depois. sêllo. aos 29 de Janeiro. M. Miscellanea. bens da Coroa 11:987.710 Loteria 5:000. e por outra parte accelerar a sua proposição ás Câmaras. Roy. 114 o tractado entre a Hespanha e os Es- tados-Unidos.500 Matos 3:047.000 Contribuiçoens indirectas 47:316. Catholica .220 Registros.

em que se acham as cousas em Hespanha. em que se prohi- be a importação do graõ estrangeiro. Mas parece que nos Conselhos de Hespanha reyna tal cegueira. A matéria he de tanta importância. de que similhante projecto se possa realizar. que tem ha . sobre a formação de novo Código Criminal. com a outra de Portugal. Havia-se dicto em toda a Europa. mas o presente decreto nos desengana. que publicamos a p. 129. Publicamos também a p. ainda quaudo houvesse verdadeira intenção de as executar de maneira justa. que actualmente naõ ha cousa demasiado absurda. que se buscam novas difficuldades. he medida. O Contraste desta medida do Governo Hespanhol. por toda a parte . que annunciamos no nosso N. quanto he peqneua e espe- rança que temos. depois continuaremos com os mais documentos relativos a esta importante negociação. sem que de nada disto fosse sabedor EI Rey ou o seu Governo. Nós naõ pudemos capacitar-nos de t a l . mas elles. no estado actual da Hespanha . em vez de remediar as j a ex- istentes. e com tal Governo. O decreto. devia fazer a face vermelha a Suas Excellencias os Senhores Governadores do Reyno se tal cousa fosse possivel. que. 177. O decreto. he um testemunho au- thentico. que homens em grandes em pregos tinham sido prezos.196 Miscellanea. naõ pôde deixar de acabar com grande desvantagem e desdouro daquelle Governo. damos a integra do decreto. ja naõ tem medo que o colorido do sangue appareça a travez da bacenta pele. que as Milí- cias de Hespanha se tinham posto em movimento. o que muito se pode duvidar. para se naõ poder verificar naquelle paiz. que sem duvida favore- cerá a agricultura daquelle paiz. 123. sobre a exportação do graõ e azeite da Hespanha. que publicamos a p. da confusão e desordem. 123. depois que se regalaram em tostar as bochechas nas fogueiras do campo de Sancta Anna. o único officio.° passado. as convulsoens políticas devem fazer abortar todos os projectos desta natureza. no actual estado de embaraços de que se acha cercado o Gabinete de Madrid. A p . ou- tros mandados executar.

porque a terem alguma cousa favorável a dizer. naõ seria a modéstia. Diziam mais as mesmas gazetas. que os faria estar cala- dos. Este facto só de per si prova. e outros. para sup- primir os insurgentes. XXIV. por quatro companhias de milicias. 197 muitos tempos apparecido na gazeta de Madrid. que foram prezas algumas pessoas de consideração. estava em Sevilha aos 22 de Janeiro. A insignificancia da acçaõ. 141. que ja naõ causam maior sensação no publico. he a mais decidida prova do estado das armas Hespanholas na America . que havia divi- dido em quatro brigadas. cc . As cartas particulares de Madrid dizem. no interesse do Governo Hespanhol. ou que o general Freyre VOL. dellas podemos concluir. que o General Freyre. que o officio relata com tanta pomposidade. disseram. Ugarte thesoureiro da expedição de Cadiz . Lozano Torres. Miscellanea. sobre a guerra nas colônias. para impedir que se communi- quem as noticias. aos 24. que he a revolta das tropas. e seriam seguidos. Estes acontecimentos saõ tam ordinários em Hespanha. As gazetas de Paris. que o General Freyre tinha de- baixo de suas ordens de 12 a 13 mil homens. que ou as tropas insurgentes saõ muito mais numerosas do que se diz. nomeado por El Rey. que as novi- dades lhe naõ saõ favoráveis. Mas a pezar desta precaução sempre tem escapado alguns avizos. N». Passaremos agora ao negocio mais importante da Hespanha. e que de todas as partes marchavam tropas a reforçallo: o regi- mento dei Principe tinha partido de Ronda aos 20 : e 400 ho- mens do batalhão de Zamora deviam também marchar aos 22. uma das quaes he composta de mili- cias provincianas. O Governo Hespanhol tem adop- tado as mais rigorosas medidas. que nos dam meios de ajui- zar de alguma sorte do progresso que as cousas vam levando. ex ministro de Justiça. Sendo estas as noticias dadas pelos mesmos partidistas d' El- Rey.

aliás naõ faria tamanha bulha por tam pequena vantagem. mandar fechar os cafés á noite. que aos 24 de Janeiro hou- ve em Cadiz quem gritasse " Viva a Constituição" com o que se originou um tumulto. em que se diz fôram mortos os cabeças do motim. 174. na sua empreza contra os Insur- gentes . Disse-se. e que o espirito publico naquella Cidade estava perfeita- mente tranquillo. A grande gloria e alegria. e que. pois com os seos 13 mil homens naõ tem ainda dado passo algum contra os insur- gentes. Consta também dos mesmos documentos. que o es- pirito publico naquella cidade naõ está tam tranquillo como as mesmas gazetas nos tem querido persuadir .198 Miscellanea. Depois disto he hnpossivel crer. teve com tudo meios de se escapar. Isto naõ prova absoluta tranqüilidade. que naõ menos personagem do que um coronel. prohibir que ninguém se demorasse nas tabernas. Porem as proclamaçoens do Governador. e que se naõ pudessem ajunctar nas ruas mais de três pessoas. que causou ao Governador de Cadiz. nem haveria aquella circulação de papeis sediciosos de que as pro- clamaçoens se queixam. Das proclamaçoens em Cadiz concluímos também. E com tudo podem haver mui boas razoens. segui- do o partido dos Insurgentes. do contrario. Veja-se a proclamaçaõ p. porque talvez espere reforços de outras partes da Hes- panha que o ponham em estado de naõ fazer dúbia a sua vic- . do segundo batalhão de Soria. o naô haverem 52 homens. falhando na empreza. naõ conta com lealdade das que commanda. quizéra abrir as portas aos Insurgentes. A demais consta. que o Governador se vio obrigado a tirar as armas aos indivíduos. 173 demonstram evidentemente o contrario Por essas mesmas proclamaçoens se vè. e em fim. para que o Gene- ral Freyre se tenha demorado. que gente da cidade se armara e seguira o partido dos amotina- dores. que o espirito publico esteja socegado. nem seria necessário a precaução que nellas se ordena. que este motim de Cadiz tinha sido mui insignifi- cante. mostra mais que os temores do Governador saõ grandes. estando de guarda. que publicamos a p.

Miscellanea. assim como do navio de guerra S. Publicamos a p. Miranda e Riego. nesta hypotheze. e seus movimentos nada se sabe com certeza : somente. e dos armazéns de mantimeutos. as conseqüências seriam fatáes para a causa d'El Rey. de uma fragata. 172 duas proclamaçoens do General Quiroga. por naõ conterem facto algum. O' Donnel. O' Lawlor. em Cadiz. o que he. que para ali mandasse. de que falia a proclamaçaõ do Governador de Cadiz. e vários vasos menores. Em nenhuma destas publicaçoens. 199 tona. Assim dizem os do partido opposto. que o Governador de Cadiz he culpado. louvável prudência. aonde acharam a grande quantidade de muniçoens de guerra. Outras mais proclamaçoens nos chegaram á maõ. nem das noti- . A guarniçaõ urúo-se aos rebeldes excepto os 52 homens. e suas vizinhanças ameaçando sempre a Cadiz. naõ fariam o mesmo ? Das forças dos Insurgentes. por ser de- masiado tardio em mandar segurar aquelle ponto . que ali estava de- positada. Michelena. pelas quaes se mostra o espirito e ten- dência da rebelião. e Valdez. preparados para o ex- ercito expedicionário da America. Juliaõ. As ordens do General Freyre se acham os Generaes Cruz Mur- geon em Cordova. copiada acima. para reforçar a guarniçaõ. Roque . e armazéns de mantimentos. em S. em Malaga. mas sim unicamente a linguagem violenta. porque naõ foi senaõ aos 12 que despachou 500 homens do regimento de Soria. Ferraz. que elles oecupam a ilha de Leon. Porém se a guarniçaõ se entregou aos Insurgentes i que certeza podia ter o Governa- dor de Cadiz de que outras tropas. Eguia. era Utrera: Caro. em Antiquera. em Ronda . Os Insurgentes saõ commandados pelos Coronéis Quiroga. chefe dos Insurgentes. em San Lucar . A maior vantagem destes consiste em se ha- verem apossado do arsenal Real de Ia Caraça. porque se se arriscasse e succedesse ser derrotado. e aos 13 tomaram os Insur- gentes pos e de todos os arsenaes. que ali se achava. que he usual em taes oceasioens. que omittimos publicar.

que ja lhe naõ podem convir as máximas de administração de Phil- lippe II. he uma verdade. e com tudo nunca até agora executou i s t o . foi restabele- cido ao throno de Hespanha.200 Miscellanea. Este he. com a menor esperança de ser útil a seus povos. e os castigos rigorosíssimos. assim se lhe pôde applicar aquelle dicto de Minerva. e ainda agora mesmo no decreto para a formação de novo código criminal. que deve entrar em consideração. Que o Governo e as leys devem ser adaptadas ao estado moral de qualquer naçaõ. e da naçaõ. se o Governo de Hespanha suppoem. Agora. Video meliora. saõ provas irrefragaveis de que a opinião publica esta lidando contra o Governo. que se acham rebeladas. sobre o re- sultado final da contenda : ha outro elemento de muito mais im- portância. de que parte está a razaõ. cias particulares achamos alguma conta do numero das tropas. O Governo Hespanhol tem por varias vezes reconhecido esta verdade. Depois que S. M. D. e todas as medidas de rigor. se no Governo se na opinião publica . he evidente. e a opinião publica tem variado de maneira. em que entraram os mlitares. deixando inteiramente de fora a questão. que nenhum politico ignora . Por exemplo: El Rey prometteo chamar as Cortes do Reyno. mas na practica tem seguido sempre o contrario. que em tal situação de cousas nenhum monarcha pôde levar adi- ante a sua administração. debaixo do Commando de Quiroga. deteriora sequor. proboque. Fernando VII. tem j a havido naqulle paiz nove rebelioens. a opinião e estado moral dos soldados. que se tem imposto. as innumeraveis prisoens de indivíduos. Agora. que se devem tirar os prognósticos ou conjecturas. porque vio que éra isso uma medida altamente agradável a toda a naçaõ. que o Governo tem adoptado. Naõ he porém do numero das tropas nos partidos oppostos. que pôde e deve . e a naçaõ Hespanhola tem tido tal mudança em seus custumes. Catholica. ou do século de 600.

sempre prompto a lançar maõ da occasiaõ favorável. Depois que os Imperadores Romanos. porque fica ainda com o mesmo inimigo. ou em Hespanha ou fora delia. para surTocar a insurrecçaõ. que he a opinião publica. que El Rey se valerá da força armada. e levar adiante. que lhe ficam. que commandava maior numero de soldados. para rebentar de novo em successivos actos de opposiçaõ ao Governo. dous. quer a opinião publica as appróve quer naõ. Miscellanea. seria preciso que estivesse certo. que julgar úteis ao go- verno de seus povos. todas as medidas. Em fim. óra o contrario disto provam as repetidas rebelioens e insurrecçoens. que ha nas tropas juncto a Cadiz. Mas. acha. Supponhamos. de que a opinião das tropas lhe éra mais favorável do que a opinião do povo. fôram os exércitos os que dispuzéram do Governo^ cada general. manifestos ou occultos. amado de suas tropas. demos mais por concedido. que se suppoem serem úteis á naçaõ. que S. desprezando todas as leys. do que se achou depois de reprimir as rebelioens passadas . éra eleito por ellas Impera- dor. -201 avrostrar contra a torrente da opinião . pois sugeitaria a sua estabilidade à volúvel arbitrariedade desses mesmos soldados. que naõ fica o Governo em melhor condição. para obrar esse bem. ainda nesse caso dizemos. um numero de tropas sufficieutes para derrotar todos os seus opponentes. três. porém. mesmo contra a opinião publica. este éra deposto por outro. para forçar os povos a sugeitarem-se a essas medidas. porque melhor que ella conhece o que mais convém ao bem da naçaõ. resta ainda a examinar. sem ser apoiado pela opinião. que tem havido nessas mesmas tropas. s Que poderá ganhar com isso ? Pôr o seu throno na mais precária baze imaginável. confiaram a mantença de sua authoridade unicamente aos soldados. assim como pôde desfazer as precedentes. para que o Governo se pudesse fiar neste apoio dos sol- dados. quaes saõ os meios. e até em uma occasiaõ trinta Impera- . que El Rey acha sufficiente numero de soldados. M. A resposta será.

que preparou o caminho para a invasão dos bárbaros. de que a naçaõ está contente e satisfeita.urha. como he a Inquisi- ção . aonde a força do exercito fora única baze do Governo. Oi partidistas do Governo Hespanhol se tem esforçado para persuadir o muudo. como he a corrupção da justiça. e elevam outro em seu lugar sem mais processo ou razaõ doque o mero capricho. e em prova disto citam muitos procedimentos errados. Os Estados de Morrocos. com tudo naõ duvidamos deridir-no* pela anuiu*- . Os do partido opposto asseveram. Tri- poli e Barca dam disto continuados exemplos . certos abu- sos vergonhosos. qne deve alienar- lhe a afiei çaõ dos povos. e até mesmo pelos Hespanhoes illustrados: mas a questão he. Argel. Tunes. que os Hespanhoes vivem no maior descontaiiieuto. ou a maioridade delia. cujo fundamento he unicamente a força armada. que as mesmas tropas. se acham muitos Governos. pelas respectivas divisoens do exercito. injustos e odiosos da parte daquelle Governo. que naõ tenhamos pessoalmente grande conhecimento da Hespanha. e todo o Império naõ foi senaõ uma scena de confusão e desordem. pôde dizer-se diariamente. certas leys cruéis. e de vez em quando as virtudes pessoaes do iiion-. que a maioridade da naçaõ Hespa- nhola estimasse certas instituiçoens diabólicas. que commandávam. 202 Miscellanea. Mas i para que he buscar exemplos de tempos remotos ? Ao pé da Hespanha. realmente se achaou naõdissatis- feita com o estado actual das cousas. dores se acharam acclamados ao mesmo tempo. que saõ o único apoio do Dey. que succede achar-se sobre o throno : mas a sorte desses Estados he a mais deplorável. como he a dos tormentos. e o mesmo acon- tecerá em todo o outro paiz. posto que taes males sejam justamente detestados por outras naçoens. se a naçaõ. e estaõ summainente desafectos ao Go- verno. porque podia muito bem ser. que até acabaram com o nome dos Romanos. porque acontece. do outro lado do Mediterrâneo. o depõem. Quanto a nós naõ he este nm argumento decisivo do farto. Ainda.

De tudo isto. que nessa falha se ori- gina. pelo nu- mero de instituiçoens viciosas que favorece. que o Governo Hespanhol tem che- gado ao ponto. he universal em todos os Hespanhoes com quem temos podido fallar. que naõ se destruirá ainda que se apa- gue de todo e vença a rebelião . pois. em que a sua conservação so pôde ter lugar com a mudança geral. e ainda assim. e continuará as- sim o descontentamento dos Hespanhoes. ou das preparadas para atacar os rebeldes. em termos geraes. Accresce a estas consideraçoens outra de grande momento. sem exceptuar os empregados públicos. 203 tiva. e supposto diffe- rentes indivíduos mantenham maior ou menor gráo de desafei- çaõ ao systema actual. naõ só na Administração (o que alguns annos atraz seria bastante) mas nas mesmas formas essenciaes do Go- verno. Miscellanea. e de varias classes e partidos. sem attender ao numero das tropas rebe- ladas. e he que esta rebelião das tropas põem fim ás expediçoens para a America. a reprovação delle. com a perda das colônias. assim naõ ficarão for- ças disponíveis para mandar para a America. sem o que j a agora nada remediará. e manter em ordem o resto descontente . nos parece que ha razaõ para concluir. e fixa o sêllo á sua independência: este mal. porque sempre parte das tropas naõ revoltadas seraõ empregadas em derrotar as outras rebeladas. que naõ lamentassse mais ou menos o que elles mesmos chamam o estado abatido em que o Governo tem a sua naçaõ. quem sabe as mudanças que seraõ necessárias para a mesma naçaõ conservar a sua existência independente ? . porque ainda naõ falíamos com um só Hespanhol dos muitos com que nos encontramos. que os Hespanhoes imputarão ao seu Governo (posto que era nossa opi- nião naõ tem El Rey toda a culpa delle) será uma fonte de des- contentamento na naçaõ.

annos. éra destinada a assassinar os Ministros d'El Rey. que se refere no cathologo dos reys da Inglaterra. M.204 Miscellanea. mas naõ só os pôde vencer. Encontrou ãif&cultosos tranzes George III. e todos taro pobres e faltos de meios. e sem duvida os de mais uaõ escaparão o rigor da justiça. A'maldade deste atroz projecto só pôde igualar a baixeza dos indivíduos conspirados. para ultimar seus infernaes planos. aos 24 de Fevereiro. que. Acham-se prezos os principaes. segundo se diz. qualquer que seja a diversidade de opinioens sobre a linha de politica. Eram todos homens da vil escoria do povo. que até quasi naõ tinham modo de vida. que seus ministros seguiram. Deixamos copiados a p. El Rey George III. 132 os documentos officiaes. uma terrível conspiração. que faz toda a justiça ás virtudes pessoaes do defuncto Rey. M. Descubno-se em Londres. e insignificancia de seus meios. Publicaremos no N. INGLATERRA. Aos 18 de Janeiro se havia de proclamar em Riga a nova Con- stituição. pela qual se emancipam os camponezes de sua servi- dão: devia isto ser acompanhado de certas cerimonias solemnes adaptadas a tam importante acto. de S. sendo o mais longo rey nado. se- naõ também obteve os mais bem merecidos créditos em sua na- çaõ. que annunciam a morte de S. RÚSSIA. havendo para essas suas pautas particulares.° seguinte um resumo dos novos regulamen- tos para as alfândegas de Rússia. e igualmente a aecessaõ ao throno. Extende-seatodas as alfândegas de mar e terra na Rússia e Polônia. O defuncto soberano reynou cincoenta e nove. durante vários perío- dos de seu rey nado. George IV. . excepto as das fronteiras Asi- áticas.

de ordem do mesmo Senhor. Edictal. N*. em Lisboa. DD . y Na quarta parte nova os campos &ra E se mais mundo houvera lâ chegara C AMO EN s . sobre a importação do trigo estran- geiro. POLÍTICA* REYNO UNIDO D E PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. que pagava antes de sua prohibiçaõ e continuando a pagar oi* tenta reis por alqueire o mole. A' Inspecçaõ Geral do Terreiro baixou o Regio Aviso do íheor seguinte:—Illustrissimo e Excellentissimo Se- nhoi. V I I .—El Rey nosso Senhor he servido. e cem reis o milho e cen- teio. pagando a mesma rendagem de duzentos reis por alqueire. para que VOL. e 1 4 . 142. que do primeiro de Abril em diante seja permittido nestes Reynos por mar e terra a entrada de trigo rijo estrangeiro. E. XXIV.CORREIO RRAZILIENSE DE MARCO 1820. tudo em quanto naõ ordenar o contraria O que participo a V. c .

lhes seria diíRcultoso consolidar-se." Que as provincias de Venezuela e Nova-Granada. em vez de poderem aproveitâr-se de tantas van- tagens. Com a rubrica do Illustrissimo e Excellentissimo Inspector Geral do Terreiro. por mais fortes que sejam os laços. sendo unidas em uma Republica. no mais alto gráo. se mandou af- fixar o presente Edictal. constituídas em Republicas separadas. Ley fundamental da Republica de Columbia.° Que. assim o tenha entendido e faça executar. E para que chegue á noticia de todos. . pos- suem toda a capacidade e meios de obter. 1820. recentemente libertados pelas armas da Republica. AMERICA HESPANHOLA. 1.—Cumpra-se e registe-se e se publique na forma da practica. Lisboa 29 de Janeiro de 1820. 3. Palácio do Governo em 29 de Janeiro de 1820—Joaõ Antônio Salter de Mendonça—Senhor Conde de Peniche. tem induzido os Governos das duas Republicas a concordarem em uma uniaõ.° Que estas verdades tam fortemente impressas no espirito de todos os homens de superior talento e illumi- nado patriotismo.206 Política. por que possam ser uni- das. a cuja authoridade tem voluntariamente concordado sugeitar-se as cidades e povos de Nova-Granada. poder e prosperidade: 2. que as vicis- situdes da guerra tem até aqui impedido. e fazer res- peitar a sua soberania. Lisboa 31 de Janeiro. Considerando. O Soberano Congresso de Venezuela.

tirando-se a addicçaõ de Sancta Fé. e se destinam para sua liquida- ção os mais productivos ramos das rendas publicas. e na sua falta por um vice-presidente. Quito e Bogotá. saõ reconhecidas in solidum. As republicas de Venezuela e Nova-Gra- nada. por esta ley. Cada departamento terá uma administração Superior e em chefe. pelo presente Congresso. As dividas." 2. 4. para cujo pagamento se teraõ por obrigados todos os effeitos e propriedade do Estado. saõ unidas em um só Estado. cujos sxactos limites se determinarão aqui adiante. a saber. e Cundinamarca. e na conformidade do rela- tório de uma commissaõ especial de deputados de Vene- zuela e Nova-Granada. Politica. As capitães destes departamentos seraõ as cidades de Caracas. 207 Portanto. que as duas Republicas puderem ter contrahido separadamente." . em nome e debaixo dos auspícios do Ente Supremo. o qual nome fica daqui em diante supprimido. impellido por estas consideraçoens de neces- sidade e reciproco interesse. O Poder Executivo da Republica será exercitado por um presidente. e estas duas ultimas comprehenderaõ as províncias de nova-Granada. ad ínterim. como divida nacional de Columbia. com o titulo de Vice-Presidente. abrangendo uma extençaõ de 115. 5. de hoje em diante. A Republica de Columbia será dividida em três departamentos maiores. 6. ao presente nomeada pelo existente Congres- so. 7. ambos nomeados. Quito. debaixo do glorioso titulo de " Republica de Columbia. A capital da Republica de Columbia será uma nova cidade. 3. tem decretado e decreta a seguinte ley fundamental da Republica de columbia:— Artigo 1.000 léguas quadradas. que terá o nome do libertador " Bolivar. e o Vice-reynato do Novo Reyno de Granada. Venezuela. O território do dicto Estado será todo o que com- prehendia a antiga Capitania General de Venezuela.

e no entanto se usarão das armas e bandeira de Venezuela. em todos os respeitos.° de Janeiro de 1820. que este opu- lento paiz possa chegar. como por ensaio. que se julga. O seu planoe situação seraõ determinados pelo primeiro Congresso geral. 11. A Constituição da Republica de Columbia será for- mada pelo Congresso geral. As armas e bandeira de Columbia seraõ decreta- das pelo Congresso Geral. 9. sobre o principio de ser proporcionada ás necessidades e conveniências dos três departamentos. como as mais conhe- cidas. para celebrar o nascimento do Salvador do mundo. e approvados pelo Congresso. com uma communicaçaõ dos regulamentos para as eleiçoens. tendo isto lugar nesta capital aos 25 do corrente Dezembro. o ponto mais coveniente O Presidente da Republica notificará a sua convocação. 10. Em lugar do Congresso ficará um Committé de seis membros e um presidente. e á grandeza. que se determinarem por decreto. que a natureza tem destinado.° de Janeiro de 1821. entaõ começarão as novas eleiçoens para o Congresso geral de Columbia. e que. junctamente com as leys promulgadas pelo mesmo. no 1. a que foi decretada pelo presente Con- gresso. O presente Congresso se dissolverá aos 15 de Janei- ro de 1820. na cidade do Rosário de Cucuta. 12. O Congresso geral de Columbia se ajunctará no l. debaixo do cujo patrocínio teve lugar esta desejada uuiaõ. com festividades e alegrias publicas. 13. seraõ immediatamente postas em execução. 8.208 Politica. a quem será apresentada. pela qual se regenerou o Estado. que seraõ formados por uma commissaõ especial. . A Republica de columbia será solemnemente proclamada nas cidades e exércitos. na vista de projecto. com aquelles attributos especiaes.

209 14. que a presente ley fun- damental da Republica de Columbia seja cornmunicada . JOAÕ H E R M A N R o s c i o . FRANCISCO CONDE.° de nossa Independência. EUSEBIO AFANADOS. O anniversario desta regeneração política será da- qui em diante celebrado como festa nacional. G. L U I Z THOMAZ PERAZA. A. D. inscripta em todos os registros públicos. ALZUM. M u NOZ. J. 17 de Dezembro de 1819. JOZE ESPANA. e depositada em todos os archivos das municipalidades e corporaçoens. Política. O. MANUEL CEDENO. MACHADO. tanto ecclesiasticas como seculares. URBANEJA. aos 17 de De- zembro de 1819. CARDOZO. Thomaz de Angostura. B. D. J. M. se remunerarão a virtude e o saber. BAZALO. Palácio do Soberano Congresso de Angostura. T. CADIZ. R. O Presidente do Congresso F R A N C I S C O A. na qual. na cidade de S. V. J. Dada no palácio do Soberano Congresso de Venezuela. Z E A . JUAN MARTINEZ. O Soberano Congresso decreta. como naquellas de Olímpia. A presente ley fundamental da Republica de Columbia será solemnernente promulgada nas cidades e exércitos. O Secretario DIOGO VALLENILLA. BRICENO. 9.

Imprima-se. Presidente da Republica. e como vós fostes servido dizer-me. ao Supremo Poder Executivo. Palácio do Governo. D I O G O B. O ministro do Interiore Justiça.210 Política. tenho a honra de vos participar. Como a maior ditnculdade. sou authorizado por S. para sua publicação e observância. que até aqui se tem op- posto a este desejável arranjamento. que acompanharam a mensagem do Presi- dente ao Congresso. e pelos olTicios. ainda que . M. que me trouxe. Senhor!—Acabo de receber um correio extraordinário do meu Governo. que divide ou deve dividir os dominios da coroa de Hespanha do território dos Estados-Unidos. c se lhe afiixe o sêllo do Estado. 17 de Dezembro 1819. que vos fiz. a dar grande extençaõ ás proposi- çoens. U R B A N E J A. Angostura. éra a falta de instrucçoens. que Sua Majestade. F R A N C I S C O A. navousa nota de 30 de Novembro passado. DIOGO DE V A L L E N I L L A . Secretario. Z E A . Carta do Embaixador de Hespanha. que o motivo principal. ao Secreta- rio de Estado dos Estados-Unidos. ESTADOS-UNIDOS Documentos. publiqüe-se e execute-se. SIMAÕ BOLÍVAR. Presidente. ao Occidente do Mississipi. para ajustar e terminar amigavelmente todos os pontos em disputa entre as duas potências. sobre as negociaçoens com Hespa- nha. que induzio o Presidente a arredar-se das proposiçoens. por meio de unia deputa- çaõ. he a exacta demar- cação da linha. que me authorizassem a ex- tender a linha de limites até o Oceano Pacifico. que vós metinheís feito por sua ordem.

entre as duas potências. e também em modificar. pede sentimentos conrespondentes da parte desta Republica: sendo a mantença da perfeita amizade e boa conrespon- dencia. 2J1 naõ estivesse informado das proposiçoens. que vós me fizestes. possamos em breve obter o desejado objecto. que eu vos referisse as proposi- . L U I Z DE O N I S Washington. isto he. e de admittir. foi servido authorizar-me a ajustar este ponto. com as vistas de dar uma prova eminente de sua sincera e generosa amizade por esta Republica. ou em conferên- cia. Caria do embaixador Hespanhol. Senhor!—Em conseqüência do desejo. as proposiçoens. na entrevista a que tivestes a bondade de me convidar. naõ podem deixar de reconhecer nesta disposição de Sua Majestade (antes que tivesse conhecimento das exorbi- tantes pretençoens de vosso Governo) a boa fé e generosi- dade de seu procedimento. na vossa nota de 31 de Outubro. 11 de Janeiro. que Vós me tendes feito.e os outros. que he a terminação deste interessante negocio. naõ duvido que ou por conrespondencia. permitti-me que vos renove as seguranças do meu profundo respeito. ao mesmo tempo tam franca e tam decidida. Na espe- rança de ser brevemente favorecido com a decisaõ do Presidente. Lisongeo-me de que o Presidente. que uma me- dida. de sua parte. Poiitica. obviamente calculada a promover os melhores interesses de ambas. Se o Presidente concordar em que vós en- treis no arranjo amigável delles. assim como todo o povo Americano. ao Secretario de Es- tado dos Estados-Unidos. que abrangem as primeiras proposiçoens. 1819. Deus vos guarde muitos annos. que hontem expressastes.

tanto com as vistas de uma prompta satis- facçaõ aos cidadãos dos Estados-Unidos. naõ obstante as proposiçoens. que tinha recebido. eu naõ hesitarei em concordar em um arranjo honroso e satisfactorio a ambas as naçoens. e ao longo do meio deste rio até o Oceano Pacifico. e de dilatar os dominios da Republica. nestas provas do espirito de conciliação por que Sua Majestade obra. a respeito da indemnizaçaõ. pelas novas instruc- çoens. se estenderá desde as vertentes do Missouri. por um mensageiro especial de meu Governo. e de accrescentar a isso. pelas forças desta Uniaõ. por quaesquer damnos. o Presidente tomaria em consideração as que eu pudesse de novo fazer. Se o Presidente aceitar esta baze. e do Oceano. até o rio Columbia. .212 Politica. pelos damnos resultantes da occupaçaõ dos territórios d'El Rey. pela acquisiçaõ de ambas as Floridas . p. sobre o ponto em que discordamos. como eu espero. M. Creio que vós. nao . como para remover comple- tamente toda a causa de futura discórdia entre as duas na- çoens. que S. um penhor seguro de seu desejo de fortalecer e ligar os laços de amizade com esta Republica. que se pede. çoens para que estava authorizado. naõ podem deixar de ver. assim como o Presidente e todo o povo Americano. e descançando nas vossas seguranças de que. para o fim de ajustar amigavel- mente todas as differenças pendentes. con- cordará em quea linha de limites. visto que ella apresenta os meios de realizar o seu grande plano. tenho a honra de vos confirmar as que vos fiz na minha nota de 16 de No- vembro p. para o Oc- cidente. que me havieis feito.que tenham soffrido. Mas se. em contrario de minhas esperanças. e espero que a resposta do Presidente conrespondera com os sacrifícios feitos por Sua Majestade. de extender a navegação desde o Pacifico até os mais remotos pontos dos Estados Septentrionaes. entre os dous Estados.

o Presi- dente julga que he inútil continuar a discussão sobre Communicada ao Congresso aos 14 de Dezembro. Washington. Luiz Noeli. N 142. Washington 29 de Janeiro. que julgar conve- nientes. pelos officios de que foi portador D. e rogo a Deus o guarde muitos annos. VOL. Tenho de acrescentar. desde as vertentes do Mis- souri até o rio Columbia. que vos dirigi aos 31 de Outubro p. Repartição de Estado. E se vos naõ estais authorizado a concordar nisso. Secre- tario desta Legaçaõ. L U I Z DE O N I S Carta do Secretario de Estado dos Estados-Unidos ao Embaixador de Hespanha. EE . de 16 do corrente. até que Sua Majestade. p. Porém se os vossos poderes saõ incompetentes para aceitar um ou outro destes offerecimentos. por cuja ordem tenho a honra de vos informar. Renovo as seguranças de minha distincta consideração. que. terei sincero pezar em ver dilatado este desejável arranjamento. deixando este para ser tractado ao de- pois. este Governo repete a proposição. contida na minha carta. entre os Estados-Unidos e os territórios Hespanhoes neste continente. que naõ pôde ser admittida a proposição de tirar a linha de limi- tes Occidental. de 1818. foi sub- mettida á consideração do Presidente dos Estados-Unidos. 213 for isto assim. Politica. 1819. me dè as ordens. nós de boa vontade entraremos no ajuste dos outros pon- tos de differenças. para o fim de um arranjamento immediato dos negócios com a Hespanha. 16' de Janeiro. XXIV. 1819 Senhor!—A vossa carta. sendo in- formado das extraordinárias pretençoens de vosso Governo.

elle vos deo ordem d. e com toda a probabilidade se naõ pôde esperar resposta a ella. tomando em consideração. no ajuste das indemnizaçoens. podemos a- justar os outros pontos de differença. por uma parte. com as vistas de um arranjamento immediato dos negócios da Hespa- nha. antes do meado ou fim de Março. J O A Õ Q U I N C V ADAMS. que. Com tudo. que saõ de 4 de Novembro. tendo posto ante o Presidente a minha nota de 16. em que naõ ha esperança de concluir algum acordo entre nós. e accrescentaes. deixando este para ser ajustado ao depois. A proposição. evitando assim ulteriores demoras de doze mezes. Senhor!—Recebi a vossa nota de 29 de Janeiro. que se naõ estou authorizado a condordar nisso. ponto?. vós me repetieis a proposição contida na vossa nota de 33 de Outubro próximo passado. Sede servido aceitar as seguranças da minha distincto consideração. e ao longo da corrente daquelle rio até o mar Pacifico. 0 Embaixador Hespanhol ao Secretario de Estado dos Estados-Unidos. á data dos últimos officios que recebi. he de 31 de Outubro precedente. em que sois servido dizer-me.e informar-me.214 Politica. Os meus poderes me authorizam a ajustar todas aquel- las differenças. mas que. a que vós vos referis. que éra inadmissível a minha proposição de fixar os li- mites entre os dous Estados por uma linha desde as ver- tentes doMissouri até o Columbia. que requerem ei- . o grande desejo que tem Sua Majestade Catholica de terminar estas matérias antes da separação do Congresso. de que Sua Mejestade estava informado.

como vós propondes. que deságuam no dicto rio Columbia. que me fôram feitas. animado por sentimentos conrespondentes. e ao longo daquelle rio até o mar Pacifico. nos limitemos ao ajus- te daquelles pontos. que nem o rio Vermelho de Natchitoches. de maneira que se façam consistentes e compatíveis com os interesses de ambas as potências. sobre este ponto. em pôr em execução os estabelimentos contemplados nas Floridas. como vós me tendes dado a entender. parece ser o desejo do Presidente de incluir nos limites da Uniaõ todos os ramos e rios. que cada uma das potências possa ter ao território em disputa. Este rio . tenho agora a dizer-vos. 215 dadaõs da Uniaõ. e convenho. e naõ deixe lugar para dis- putas aos habitantes de uma ou outra parte. Tendo-vos assim declarado a minha promptidaõ. que possam ser para mutuo interes- se e conveniência de ambos. da maneira mais satisfactoria. acquiesço nisso com vosco. Com estas vistas. em tanto quanto for possivel. e considerando que o moti- vo para se naõ admittir a minha proposta de extender a linha delimites desde o Missouri até o Columbia. pondo de parte os direitos. Política. estou preparado para tomar sobre mim o ajuste definitivo dos pontos controvertidos. com tanto que o Presidente. seja natural e claramente definida. sem perder de vista o objecto essencial: isto he. no ponto essenci- al do que pediam. em sa- tisfazer as vistas dos Estados-Unidos. eu adaptarei as minhas proposiçoens. formaram jamais os limites da Louisiana. que Sua Ma jestade naõ pôde convir na admissão do rio Vermelho até as suas cabeceiras. queira modificar as proposiçoens. portanto. mas. de maneira que satisfaçam plenamente o que pedem os Estados-Uni- dos. que. que he inútil continuar a dis- cussão. nem o Columbia. que a linha de limites. e por outra parte a provável anxiedade de vosso Governo. Tenho-vos provado.

e ao longo daquelle rio ate o Oceano Pacifico. e. com as vistas de dar aos Estados-Unidos uma prova mais convin- cente de sua generosidade. os Estados- Unidos naõ tem intençoens hostis a respeito da Hespa- nha. Sua Majestade. pelos damnos que soffreo o seu thesouro. como me lisongeo. mas satisfaz em todos os pontos essenciaes. até que toque a nascença do rio S. na latitude de 41 gráos. deve-lhes ser indifferente o aceitar para limites o Arkansas. ou Multozomah. Tudo con- forme o Mappa de Melish. No caso em que o Presidente admitta esta baze. consente em desistir da pretençaõ a indemnidades. capita do Novo México. tirando-se a linha de limites do Golpho México. ao momento em que estamos empregando todos os nossos esforços para fortalecer a amizade existente entre as duas naçoens. naquelle ponto correr por uma linha direitamente Norte. Clemente. em vez do rio Vermelho.216 Politica. como vós estabeleceis. pelo rio Sabine. que apenas he susceptível de melhora- mento. Esta opi- nião se fortalece pelo bem conhecido facto. e do seu desejo de fortalecer os laços de amizade com esta Republica. a qual naõ somente se approxima ás vossas propostas. até o Arkansas e ao longo deste até as suas vertentes : dahi por linha direita a Oeste. reservando somente para os habitantes dellas o . que. nasce a poucas léguas de distancia de Sancta Fé. vos propo- nho. e dahi pelos 49 gráos de Longitude até o rio Vermelho de Natchitoches. de que o es- paço intermediário entre aquelles dous rios he tam im- pregnado de nitro. siga a corrente daquelle rio até a sua nascença. cruzando-o. os desejos que me tendes communicado. e. em conseqüência da invasão das Floridas. e ao longo do mesmo até os 25 gráos . Em consideração destas obvias razoens.

movidos pelo mais sincero desejo de evitar para o futuro toda a causa de differença entre as duas naçoens. descrevendo os limites occiden- taes. pelo Secretario de Estado dos Estados-Unidos. Politica. 1819. Senhor. He concordado. que a Convenção de 1802. Bem entendido. 1819. 1 de Fevereiro. seraõ os seguintes:—Começando na embocadura do rio Sabine no Golpho México. seguindo o cuiso do dicto rio até os 32 gráos de latitude. e que os Esta- dos-Unidos. Renovo. as seguranças de minha distincta consideração. ao que pareça ser-lhes justamente devido. para cidadãos seus: por quanto se lhes fará por ellas plena compensação. L U I Z DE ONIS Projecto de um artigo. no que diz respeito ã indemnizaçaõ por damnos e percas reclamadas da Hespa- nha pelos Estados-Unidos. ultima- mente ratificada. Luiz de Onis. por suas percas. communicado a D. 217 seu direito. Washinton. cedidas por Sua Majestade em virtude daquelle tractado. aos 6 de Fevereiro. fica annullada. tomarão em consideração a necessidade de esta- belecer taes regulamentos. e rogo a Deus vos guarde muitos annos. que os limites occidentaes entre os Estados-Unidos e os territórios de Hespanha. em damno do commercio dos vassallos de Sua Majestade Catholica. pertencendo aos Estados-Unidos a . naquelle acontecimento. Artigo. com a venda das terras nas duas Floridas e com as immensas pos- sessoens para o Oeste do Mississipi. quaes na sua sabedoria julga- rem mais convenientes. para previnir a evasaõ das leys da Republica.

entaõ a linha das dietas cabeceiras correrá direitamente ao Norte ou ao Sul segundo for o caso. As margens do Norte e todas as ilhas nos dictos rios Roxo e Arkansas. até encontrar o dicto parallelo de latitude. e até que toque no rio Roxo. publicado em Philadelphia. que se naõ fará estabeleci- mento algum Hespanhol em parte alguma dos dictos rios Roxo ou Arkansas . e melhorado. 1818.218 Politica. para sempre. pertencerão aos Estados-Unidos . Porém se as ca- beceiras do rio Arkansas (ou Arkansaw) cahirem para o Sul ou para o Norte da latitude de 4 1 . a integra do tractado convencionado . até o ponto mais ao N o r t e da curvatura. e a Hespanha a margem occidental: daqui indo directamente ao Norte. N . por haver j a d a d o a p. até a sua nascença em latitude 41 N o r t e : dahi seguin- do o mesmo parallelo de latitude 41. até a parte mais Septentrional dos 33 gráos de Latitude Norte. na dieta linha de limites.° de Janeiro. nem jnncto a alguma das águas. Seguia-se aqui o projecto do tractado entregue pelo embaixador de Hespanha . no l. entre os mesmos gráos de Longi- tude 101 e 102: e entaõ seguindo o curso do rio Arkan- sas. entre as lati- tudes 31 e 41 inclusivamente . e que a navegação dos dictos rios pertencerá exclusivamente aos Estados-Uni- dos. ou rio Vermelho: dali seguindo o curso do dicto rio. e as margens Meredionaes á Hespa- nha : sendo tudo como se acha desenhado no Mappa dos Estados-Unidos por Melish. entre a longitude 101 e l 0 2 : dahi. B. o que omittimos. até o mar do Sul. que correm para os mesmos rios. pela linha mais breve até o ponto mais ao Sul da curva- tura do rio Arkansas. nem em qualquer parte a Leste da cordilheira de Snovvy Mountains. e dahi como fica dicto até o mar do Sul. margem oriental e todas as ilhas no rio . E he outro sim concordado.114.

um igual numero de eleitores. Duzentos e cincoenta e oito Deputados saõ esco- lhidos pelos collegios electoraes de arrondissement. cada collegio electoral de arrondissement escolherá. Quando a listados eleitores. conforme a tabeliã an- nexa á presente ley. 5. Em ordem a formar o collegio departamental. Titulo I.000 . O numero dos mem- bros do collegio para cada departamento he determinado pela tabeliã annexa á presente ley. Projecto de ley sobre a eleição dos Membros para a Câmara dos Deputados. 2. Politita. que pagarem 1. Cada arrondisse- ment electoral tem um collegio.) FRANÇA.000 fran- cos de taxas directas. que se haõ de eleger c formação dos collegios Electoraes. mas que naõ foi depois ratificado pela Hespanha. e de 100 pelo menos. Os Collegios departamentaes saÕ compostos de 600 eleitores pelo mais.) (Continuar-se-ha. segundo a dieta tabeliã. escolhidos pelos collegios de arrondissement. consistindo de todos os eleitores. e assignado. que tem o seu domicilio politico dentro do ar- rondissement. e pelos collegios departamentaes. 0. Os departamentos saõ divididos em arrondissements ellectoraes. 3. que pagarem 1. A Câmara dos Deputados he composta de 430 membros. da lista dos eleitores do departamento. 4. Numero dos Deputados. Art 1. 219 a final.

he completo para cada collegio. O numero dos membros dos collegios departamentaes. assignado para outros collegios. que tiverem nomeado o dicto eleitor. O collegio departamental he renovado tantas vezes quantas o departamento tiver de nomear toda a sua de- putaçaõ. A lista do collegio departamental he. em que o numero dos eleitores naõ exceder 150. para elle chamados. Nos departamentos. francos de taxas directas naõ exceder pelo maios uma quarta parte ao todo dos membros do collegio departa- mental. portanto. por vários collegios de arrondissement. pondo nella eleitores.220 Politica. naõ puder ser dividido pelos arrondissements electoraes sem fracçaõ. de todos os deputados do departamento. tomados em igual numero de cada arrondissement electoral. directamente â eleição. 7. 9. . que consiste do presidente e secretario de cada collegio de arrondissement. 8. tomando suecessivamente os eleitores. que tiverem obtido o maior numero de votos. sugeitos á mais alta contribui- ção. haverá somente um collegio. Se o numero de membros do collegio departamen- tal ou o numero dos eleitores sugeitos á mais alta contri- buição. por um committé. os membros frac- cionaes se daraõ aos arrondissements mais populosos. 11. for- mada das minutas dos collegios de arrondissement. a sua eleição será valida naquelle collegio em que obtiver o maior numero de votos. será a dieta lista angmentada naquella propor- ção. e presidido pelo pre- feito. que pro- cederá. 10. Quando o eleitor for nomeado para o collegio de- partamental.

e pessoas que saõ elegiveis. O possuidor de um ti- tulo de successaõ he unicamente o exempto desta condi- ção. 14. 221 Título II. se naõ levarão em conta. e na sua ausência o vice-presiden- Vor.N*. he obrigado a affirmar com juramento. ou como eligivel. Formando estas quotas. que he o actual proprietário ou legitimo usufructuario da propriedade real. que elle realmente exercita a occupaçaõ para que a tirou. Todo aquelle que se apresentar. 18. nem os centimes communaes. senaõ ao pro- prietário ou usufructuario. Metade da quota fixa. 16. Titulo III. ou para ser ellegivel ou para ser eleitor. A taxa de terra naõ se levará em conta. se a re- quisição se applicar a um deputado ja eleito. naõ obstante qualquer ajuste em contrario. nomeado por El Rey. Politica.. nem os centimes departamentaes. de quatro escrutinizadores. 15. Os elegiveis e eleitores devem ser rateados pelo anno corrente. Providencias relativas as quotas para os elei- tores. que ellas fixarem. no montante da quota fixada. que saõ. ou ante a Câmara. ou algum de seus officiaes. ou como eleitor. cujas taxas elle mette em conta. 141. e devem têllo pago pelo anno precedente. 12. As taxas pagas por viuvas poderão entrar em conta para aquelles de seus filhos. sendo a isso requerido por qualquer membro do collegio. XXIV. Formação das Mezas. de que o eleitor faz parte. A Meza de cada collegio consiste de um presiden- te. F . deve ser paga em taxas de terras. 12. 17. com os possuidores ou rendeiros. O juramento será prestado ante a meza do collegio. o presidente. mas que ainda naõ tiver tomado o seu assento. ou se allegar patente.

21. No caso de igual divisão dos membros da Meza. Forma das eleiçoens. se o houver no arrondissement (ou na sua falta o juiz de paz do cautaõ em que se ajuncta o collegio). Se. o membro mais antigo do conselho do arrondissement. que saõ. um dos presidentes ou conselheiros da Corte Real. e votar pela sua alma e consciência segundo seu entender e convicção pessoal.222 Política. o decano dos notarios do cantaõ. pela maioridade de votos. O escrutínio para esta nomeação será examinado diariamente. preencherão. e ás leys do Reyno. um secretario d'entre os eleitores. 22. e o mais antigo dos notarios do dicto arrondisse- ment. os membros da Meza. e maioridade relativa dos votos expres- sos. consistindo ella de um presidente nomeado por El Rey. faz o officio secre- tario. ser fiel a El Rey. com eleitores pertencentes ao collegio. t e ou o primeiro juiz do tribunal de primeira instância . e ficará aberto pelo mesmo tempo dos es- . A Meza escolhe. 23. Titulo IV. a Meza naõ estiver completa. 19. Em Paris haverá uma Meza para cada collegio. O juiz de paz mais antigo. o presidente do tribunal do commercio. em que se ajuncta o collegio. 20. o presidente tem o voto de Minerva. um dos maiorâes ou associados do arrondissement electoral. os lugares dos ausentes. antes de votar. tirado por sorte. A nomeação dos membros do collegio departamen- tal terá lugar nos collegios de arrondissement. no dia e hora fixa para as eleiçoens. Cada eleitor jurará. um dos presidentes ou mem- bros do tribunal de primeira instância. quatro escrutinizadores. pelo es- crutínio da lista. obedecer à Charta Constitucional. pela maioridade de votos. que estive- rem presentes.

Se houver de fazer-se a outra escolha por escrutí- nio. 26. 29. immediatamente depois do exame do es- crutínio. Os nomes alem deste numero seraõ riscados pela Meza. O que tiver obtido uma maioridade absoluta de votos dos eleitores. 28. 30. 24. a um membro da meza que o certificará. em um bilhete. Titulo V. que o deposita na urna. Elle o entrega ao presidente. na presença dos mem- bros da meza. 25. O eleitor. este se abrirá ao terceiro dia. Entaõ só se poderá vo- tar por um dos dous candidatos. que obtiveram o maior numero de votos no segundo dia. que compõem o collegio. No caso em que nenhum obtenha a maioridade absoluta de votos. he immedia- tamente proclamado Deputado pelo presidente. Cada bilhete só pôde conter um numero de nomes igual ao dos membros. que naõ souber. Providencias Geraes. Todo o bilhe- te. que compõem o collegio. he nullo. 27. Cada eleitor assigna o seu bilhete. Pelo que se examinará todas as tardes o estado do escru- tínio. que o collegio tem de eleger. que naõ for assignado ou certificado. a Meza nomeará outro escrutínio para o seguinte dia. que lhe será dado para esse fira. dictará o seu bilhe- te. Os bilhetes seraõ queimados cada dia. cada eleitor escreve o seu voto na meza ou o faz escrever por um membro da Meza. Ambos os escrutínios se fecharão ao mesmo tempo. Nenhuma pessoa pôde ser eleita Deputado poi um . Este escrutínio con- tinuará aberto por cinco dias. a menos que um dos can- didatos antes daquelle tempo obtenha a maioridade ab- soluta de votos dos eleitores. e o seu resultado se fará publico. Politica* 223 crutinios para a eleição do deputado do collegio. Para a eleição dos deputados. ou naõ puder escrever.

a annullaçaõ da eleição recairá na pessoa ou pessoas mais moças d'entre as escolhidas. cuja nomeação tal pessoa naõ aceitar. que naõ tiverem o seu domicilio politico no departamento. que tiverem o seu domicilio politiico naquelle departa- mento. Cada collegio departamental deve escolher metade dos deputados.224 Politica. que elege. d'entre os elegiveis. de mais de metade dos deputados. Deixando o membro eleito de declarar a sua opçaõ dentro do período fixado pelo artigo precedente se julga- rá ter feito a sua escolha pelo collegio. 24. Metade dos deputados seraõ nomeados pelo arron- dissement. que tiverem de nomear. departamento. Os collegios electoraes do mesmo departa- mento devem ser igualmente escolhidos entre os elegiveis. 35. A pessoa. seraõ convocados dentro do período de seis semanas. deve. saõ convocados a proce- der a nova eleição. 32. cujas eleiçoens forem assim annulladas. Os Collegios. 36. em que tiver obti- do o maior numero de votos. que para isso se abrirá na perfeitura. e fazêlla entrar no registro. que for escolhida por dous ou mais col- legios do mesmo departamento. a menos que pague naquelle departamento a metade da quota fixa para a sua eligibilidade. de maneira . para proceder a nova eleição. que tiverem o seu domicilio politico no departamento. 31. d'entre as pessoas elegiveis. No caso de dissolução da Câmara. 33. dentro do espaço de três mezes. dentro em quinze dias seguintes ã sua eleição declarar a sua opçaõ. em que naõ tem seu domicilio politico. Os collegios. Quando os collegios departamentaes ou de arron- dissement tiverem feito escolha. todos os depu- tados teraõ o seu assento por cinco annos. con- tando da decisaõ da Câmara.

dentro do período de um mez. será posto na lista dos eleitores do arrondisse- ment. começando da data da publicação da presente ley. e. 225 que a renovação por qnintos naõ começa senaõ no quinto anno. os departamentos. Nos departamentos. Para o futuro naõ poderá o eleitor transferir o seu domicilio politico de um arrondissement para outro. decla- rar ante o prefeito o arrondissement em que deseja exer- citar os seus direitos electoraes. cuja nomeação pertence aos collegios departamentaes. Nas sessoens seguintes. Os 172 deputados. 41. será escolhido pelos col- legios de arrondissement. 37. Portanto os collegios electoraes de arrondisse- ment seraõ convocados para formar a renovação para os departamentos. 38. 39. se viver fora do departamento. Politica. Todo o eleitor. prescriptos no artigo 3 da ley de 5 de Fevereiro de 1817. seraõ eleitos antes da futura sessaõ. Naõ fazendo essa de- claração. 40.0 quinto dos actuaes deputados. . Titulo VI. que se ha de reno- var na sessaõ próxima futura. Providencias temporárias. em que actualmente residir. o escrutínio para a eleição dos membros dos collegios departamentaes ficará aberto por três dias. excepto na conformi- dade dos regulamentos. pôde. que pagar taxas em diversos arrondissements do departamento. na lista dos eleitores do arrondissement. em que tem o seu do- micilio politico. em que pagar a maior somma de taxas. que ti- verem de renovar a sua deputaçaõ a elegerão no todo na conformidade da presente ley. aonde os collegios de arron- dissement naõ tem de nomear deputados.

42. ou pessoas da Real Familia. que tem de proceder â re- eleição de deputado. se o deputado. pelo menos. den- tro em 24 horas desde a chegada da pessoa preza. uma copia da ordem de prizaõ ao Procurador Geral. As providencias das leys de 5 de Fevereiro de 1817. que morrer ou resignar. porém. petiçoens. tiver o seu domicilio fora do de- partamento. e de 25 de Março de 1819. será determinado por sorte. se fará. saõ affectas pela presente ley. procederá á re-elei- çaõ. e assignada por três ministros. o arrondissement. Que os carcereiros seraõ requeridos a mandar. sem que seja necessário. No caso de morte ou resignação de um actual de- putado. O mesmo. em virtude de uma ordem passada ao Conselho de Ministros. Que qualquer individuo. 1. segurança do Es- tado. e os transmittirá ao Ministro de Justiça» que fará disso o seu relatório a El . Se.226 Politica. continuarão em vigor. em que tal deputado tinha o seu domicilio. e outros documentos. receberá os seus memoriaes. accusado de tramas ou conspiraçoens contra a pessoa do Rey. fazer-lhe pro- cesso. Projecto de ley para a suspensão da ley sobre a seguran- ça pessoal. Titulo VII. dous ou mais deputados de um depar- tamento tiverem tido o seu domicilio no mesmo arron- dissement. 2. possa ser prezo e de- tido em custodia. formará um processo verbal e do que elle disser. o collegio electoral do arrondissement. o qual ouvirâpimmediatamente o prezo. pelo que morreo ou resignou.

mandando ao mesmo tempo que os meus Conselhos de Guerra e índias me proponham immediatamente os termos em que deverá ter effeito igual graça para os réos militares e da armada de todos os meus dominios.—Querendo assignalar com um rasgo de minha Real piedade o venturoso dia em que. HESPANHA. reservando eu para mais ao diante o dar ás minhas bondades a ampliação que reclamam a minha sensibilidade e o ardente desejo com que procuro reunir ao redor do meu throno todos os meus amados vassallos. Politica. sem aliviar primeiro. Se a presente ley naõ for renovada na sessaõ próxima futura das Câmaras. relativamente aos que se tem afastado da ve- reda da razaõ. affiançando a paz e tranquillidade de meus dominios. cessará de ter vigor. a sorte dos desgraçados que gemem debaixo do pezo de seus crimes: tenho determinado conceder perdaõ geral aos delinqüentes. e também possessoens de Ultramar. 227 Rey em Conselho. e naõ podendo gozar completa- mente da felicidade que este dia me prepara. que forem capazes delle na Peninsula e Ilhas adjacentes. dou aos Hes- panhoes uma terna mãy em minha muito amada e que- rida Esposa a Raynha. e naõ . e que o possam gozar sem que resulte prejuízo a terceiro nem á vindicta publica. O ministro de Justiça fará saber ao prezo a decisaõ do Conselho. Em conseqüência determino: 1." Que gozem deste per- daõ todos os prezos que sendo capazes delle se acharem nas Cadeias de Madrid e nas outras do Reyno. M. El Rey. aos Senhores do Su- premo Conselho de índias. quanto pennittam as leys e a situação do Reyno. Real Cédula (ou Decreto) de S.

que naõ hajam sido ainda remettidos ou estiverem em caminho para o seu destino. de blasphemia.° Que só se conside- rem comprehe didos no perdaõ debaixo das excepçoens feitas no art. e hospícios 2. e de nenhum modo os posteriores: 4. tenham commettido crimes de lesa Majestade divina ou humana. os que se acharem em Hespanha. ainda que se haja procedido de officio. marinha. o communiquei ao meu Conselho das índias por minha Real Ordem de 26 de Outubro próximo passado para seu cumprimento. de falsidade. se naõ declare concedido o perdaõ sem que pre- ceda o da parte.228 Politica. de inceudiario. E sendo minha Real vontade que este perdaõ geral se estenda aos meus vassallos da America e Ilhas Filip- pinas. ede um anno os queestaõ fora destes Reynos. de homicídio de sacerdote. 1. também se naõ declare sem a satisfacçaõ ou perdaõ da mesma. e que naõ fossem condemnados pelos delictos ex- ceptuados no dicto art.° Que o indulto se estenda aos réos fugitivos. e tendo-me feito presente. para que dando estas conta aos tribunaes onde penderem as suas causas se proceda á declaração da graça : 3. deverá valer esta graça." Que nos delictos.°: 5. em que houver parte offendida. de resistência á Justiça." os delictos commettidos antes da sua publicação. que. se apresentarem a quaesquer Justiças. 1. de furto. e que nos que houver interesse ou penaa pecuniária.° Que gozem também do referido perdaõ os réos. de aleivosia. nem os vagabundos destinados ás armas. de extracçaõ de cou- sas prohibidas do Reyno. de malversação da minha Real Fazenda. no termo de seis mezes. que se acharem sentenciados a presídios ou arsenaes. de suborno e barateria. ausentes e rebeldes. em Consulta de 30 de Novembro ultimo. desodomia. os termos em que . mas quando o interesse ou pena com- petir ao Fisco ou ao denunciante. de fa- bricar moeda falsa.

N». entendendo se isto sem preju- ízo da faculdade concedida aos Vicereys e Presidentes na Ley 20. Politica. conformando-me com o seu parecer. tenho resolvido. e na 61. por delicto de insurreição commettido antes da publicação deste in- dulto nas dietas Capitães. Presidência. Feita em Madrid a 20 de Dezembro VOL. GG . da qual usaráõ os dictos Chefes relativamente aos réos de insur- reição comprehendidos no perdaõ.a Que sejam comprehendidos na graça os contrabandis- tas por introducçaõ ou extracçaõ de cousas prohibidas. Presidentes. eosde licito commercio serestituam a seus donos.° livro 3. livro 7. 229 poderá fazer-se extensivo aquelles meus dominios. presentes ou auzentes. dispondo que por todos os Juizes e Justiças delles tenha pontual e devido cum- primento. XXIV.°. Audiên- cias. 142. titulo 3. no caso e do modo que se previne na mesma Ley.a Que entre os delictos exceptuados do per- daõ se comprehenha ode furto. coino sempre o tem sido: 2. e Ilhas Phillippinas. Em conseqüência do que. a que se refere. e o queseassignalaaos fugitivos e ausentes. remittindo-se todos os mais interesses e penas de qualquer classe que sejaõ. 8. na conformidade e com as declaraçoens que ficam expressadas. por esta minha Real Cédula ordeno aos meus Vice-reys." E que se estenda aos réos processados ou naõ processados. tit.° das daquelles Reynos.°. e Governadores independentes de ambas as Améri- cas. 1 Que se conte o termo das perpetraçaõ dos delictos. pagando os direitos reaes: 3. que nel- les se ponha em devida execução. desde o dia da publicação na capital do Vice- reynado. Capitania. com a differença de que cs gêneros de illicito commercio e de estanque soffram a pena decommisso. ou Commandancia Ge- ral respectiva: 4. com as declaraçoens seguintes: i. e na Real Cédula de 13 de Março deste anno. façam publicar em seus respecti- vos districtos o referido indulto.

230 Politica. nossas ricas e immensas possessoens no Novo Mundo. uniforme e bem regulado. me restituio ao throno das Hespanhas. uma bella e integral parte da Monarchia Hespanhola. sustentando por sua espe- cial protecçaõ esta valente e generosa naçaõ. o meu coração naõ suspirou se- naõ pela felicidade de meu povo.—Por mandado d'El Rey nosso Senhor. os cuidados requeridos pela situação de nossas colônias de- sencaminhadas. que ne- cessariamente retardaram projectos os mais sabiamente concebidos. " Carta Regia.—SILVESTRE C O L L A R . infelizmente. Convencido ao mesmo tempo de que as melhores dis- posiçoens saõ infruetiferas. Desde que a Providencia. Eu El Rey. hei por muito tempo contemplado o piojecto de um systema geral. tem fo- mentado o espirito de partido. ainda que dictadas por um zelo louvável. e curar as feridas que uma guerra desastrosa e sem exemplo causou ao corpo politico do Estado. e conciliando todas as . a difficuldade de remediar abusos invetera- dos. dirigida ao Duque de S. especialmente sendo necessário estar em guarda con- tra inuovaçoens prematuras e perigosas. que tem confiado em meu paternal cuidado. Fernando. e cujos grandes fei- tos tem sitio a admiração do mundo. Mas. impediram até aqui que o meu coração go- zasse desta consolação. fonte dos maiores males na Sociedade. que combiuando todos os interesses. algumas das quaes. de 1819. e tem ardentemente desejado descubrir os meios de restabelecer a ordem em todos os ramos da administração. e em fim outras circumstancias. tam impacientemente desejada. para nova organização do Conselho de Estado. quando se adoptam separa- damente. as circumstancias da Europa.

que a felicidade de meu povo. tem finalmente fixado minha attençaõ. estas três fontes da riqueza publica. e as de um pequeno numero de homens. Mas para alcançar o objecto. naõ obstante a sabedoria das leys. obri- gando-as a adoptar medidas vigorosas. outros desencaminhados sem saberem que osaÕ. A organização do exercito. que obstam a seus progressos. vejo o gênio turbulento do mal. inspirando em toda a parte ideas subversivas e revolucio- nárias. e gloria que deve ser sua partilha. qne elle tem feito por minha pessoa. com unia affeiçaõ tam rara. e a affeiçaõ que lhe tenho requerem. Politica. alguns seduzidos. naõ posso deixar de sentir indizivel satisfac- çaõ. que as circumstancias im- periosamente exigiam . e a virtude des magistrados: a decadência da agri- c u l t u r a ^ os impedimentos. para remediar estes males. que se experimentam na administração da justiça. possa realizar as minhas vistas. para qualquer lado que lance os olhos. que sinto tam grande affeiçaõ para com elle. que me movo a redobrar meus esforços para sua felicidade. He por esta fidelidade de meu virtuoso povo. conhecendo que o povo Hespanhol. e em tempos tam difiiceis. para impedir seus progressos. mesmo entre as naçoens mais illuminadas. pelos sacrifícios. e exigem o meu cuidado. os quaes tem procurado em vaõ abalar a sua fidelidade. alguns dos quaes devem necessariamente cs- . e elevar esta naçaõ aquelle alto gráo de r r o s P e r i d a d e . nobremente repulsa suas instigaçoens. assim como o do commercio e da industria. E. de que resulta achar-se o povo sobre- carregado de tributos: as delongas. ainda que. e sobre tudo acon- selhando-me com o meu coração. 231 disposiçoens. o restabelecimento da ordem nas finanças. que em vaõ tenho tentado corrigir: e por abusos introduzidos na administração. uniformemente leal e constante. que soffrem pela desordem geral.

das Finanças. tomando em consideração as leys fundamentaes da Monarchia. que eu lhes procurasse por fim as vantagens e benefícios. con- forme ao objecto de sua instituição. ordenando que seja dividido em secçoens auxiliaresdo Ministério. desejando preencher minhas paternas intençoens. o In- fante D. que sempre acabam fazendo as na- çoens suas victimas. da Legislação. e se previna a effervecencia. que julga mais conducentes. vi com prazer. Estas secçoen3 seraõ sette. que façaes saber ao meu Real Conse- lho e demais Tribunaes. e que as medidas s<*jam dictadas pela prudência. causados ja pela commo- çaõ geral. que os meus fieis e pacíficos vassallos esperavam pacien- temente. Ensinado por tam infelizes exemplos. em ambos os he- mispherios. sob côr do sagrado nome da liberdade. Marinha e Industria. que em ou- tros paizes excitaram os inimigos da ordem. que. e as mudanças.232 Politica. Quero também. capar á vigilância do Governo. a informar-me dos meios. me devem propor tudo quanto julgarem conveniente â felicidade de meu povo. para exercitar suas funrçoens para o futuro. de maneira que. exaltando a imaginação com noçoens chimericas. de que as suas virtudes os fazem tam dignos: e. da Guerra. Carlos. dos negócios Ecclesiasticos. que o Conselho de Estado proceda immediatamente. e consi- derando o queja havia sido proposto. e outros se tem originado em acontecimentos anteriores. na conformidade do conselho de meu augusto Irmaõ. esta empreza requer tran- quillidade e descanço. que julgarem conduceutes ao bem da naçaõ. que o tempo e circumstancias possam reque- rer para a vantagem do Estado. e da Juncta a que elle preside. e á dignidade de minha coroa. dando . ja por paixoens. segundo suas respectivas repartiçoens. he minha vontade. e que me proponham todas as reformas. de Estado. em numero: a«aber.

3 de Março de 1820. E naõ somente ordeno a todos os tribunaes superiores. As suas armas. eobtenham todas as vantagens. por mais que diffiram de seus ante- passados. dos Cids. e as esperanças. O Exercito Nacional ao Povo Hespanhol. e todo e qualquer indivíduo. Madrid. os passos. que. dos Alfonsos. Naõ he da sua intenção trazer á lembrança da naçaõ as glorias passadas. foi celebre no mundo. os sen- timentos. (Assignado) Eu E L REY. dos Fernandos. Politica. Ao Duque de S. a essa mesma pátria. O seu bello terreno. a favor da naçaõ. Fernando. se deleitam ein admirar os momumentos. que forem úteis. O corpo do Exercito Hespanhol. dos Gonzales. que até aqui tem dado. industria. o mais fértil da Europa. 233 a sancçaõ necessária ás medidas. que se devem esperar da sabedoria de um Governo illuminado. sciencias e lite- . que pro- ponham tudo quanto julgarem útil. artes. no principio deste anuo. os motivos de seu comportamento. que o animam. mas também que to- das as Universidades. Corporaçoens. livre e francamente dirija as suas ideas e pro- posiçoens ao Conselho de Estado. e manadas de suas virtudes. que tem con- cebido. Manifesto dos Insurgentes em Hespanha. se declarou pela causa de sua pátria. se julga obrigado a expor. A pátria dos Pelagios. que attestam o seu heroísmo. para que a concurren- cia da sabedoria geral possa produzir o desejado efléilo. conresponde á grandeza de seus heroes. A his- toria as tem transmittido até à idade presente. de que saõ filhos. legislação. ve- nham ellas a ser muralhas invencíveis contra toda a idea subversiva. os Hespa- nhoes de nossos dias.

figurado na classe dos Estíidos subalternos e insignificantes? .234 Politica. que fôram tam arraigados em seus coraçoens. que uma vez governou a Itália. ratura. as immensas e ricas posessoens da America. do que nenhuma outra naçaõ. desde o tempo que Fernando V. Os príncipes da Casa de Áustria rivalizaram-se uns aos outros em levantar o edifício da dominação e do despotismo. que examina a phisiogtiomiadas naçoens? £ Como acontece. nada se apresenta digno de si? Hespanhoes! O problema he de fácil solução. por sua intelligencia. que em todos os respeitos devia obrar tam con- spicua parte no mundo. que saõ bemeo- . os Paizes Baixos. traição e perfídia saõ outros tantos gênios máos. . Como succede que esta naçaõ. que rodêítm o throno dos reys absolutos e arbitrários. tem. principiou a declinar desde o momento. A seducçaõ. por três séculos. em que obteve tam extenso dominio. a Costa d'Africa. e sentimentos de honra. Entaõ o bem publico ja naõ oc- cupa os coraçoens dos cidadãos. O desejo de engrande- cer o principe occupa o lugar dos sentimentos de patrio- tismo e de gloria. naõ tem que invejar ás outras naçoens. a maior parte das quaes foi objecto de inveja. as sciencias. e tam formidável poder? ^ Como succede que a industria. os Hespanhoes fôram nomeados por seu espirito. Quando as naçoens começam a ser possessão absoluta de um ho- mem. ma- chinaçoens sórdidas. em um paiz. as artes da intriga. em outro tempo a primeira da Europa. começou a forjar suas cadêas. generosos e amáveis na paz. Ineviniveis na guerra. ficam sepultadas. A Hespanha sollreo mais por estes males.. profundidade de seu gênio. eas artes naõ fizeram entre nós os mesmos pro- gressos que nas naçoens estrangeiras ? ^ Como succede que até o mesmo character dos Hespanhoes tem soffrido tam visível alteração aos olhos doobservador. que.J Como acontece que a naçaõ. espelho e modelo.

Os exércitos. Naõ contente de combater contra os inimigos externos. tudo parecia sacrifício insignificante. quando aquelle. que dava leys á Europa.quando se punha na balança com a vingança de sua honra insultada. e que tinham provocado a invasão passada. que mantinham seus direitos. que dava segurança á liberdade civil e á proprie lade. Que veio a ser do edifício que a ley exigo. por meio de um Governo. que lhes asseguram a sua felicidade e gloria. A espada. que dá força aos Estados. foi tido por alta traição. fôram tractados como criminosos e traidores. foram renovadas com fúria. e exaltadas . que vantagem tirou o povo Hespanhol de tantos sacrifícios e de tanto valor? <. nem com as virtudes. traba- lhou por exterminar os internos. que foram reprovadas pela intelligencia. Desde aquelle tempe se contou o povo por nada cm politica. 23à nhectdos. Mas . a devastação.. coma energia. e que deveria ser immovel ? O Rey. fez o primeiro ensaio de seu po- der em a derribar. que eram ainda mais rui- nosos. Dcsnpparecòmm cs representantes. que levaram o terror a todos os outros pa- izes. uma guerra inaudita. que podia ser o mais útil a naçaõ. que devia tudo â naçaõ.e enchêllos da idea de sua omnipotencia. e a naçaõ vio entaõ o termo de seu poder e de seus triumphos. Ninguém se importava com os direitos dos homens. Os pais da pátria. trabalhava para a escravizar por meio de machinaçoens e perfídia. com a feli- cidade do povo. que a erigiram. naõ puderam suffocar a voz generosa desta naçaõ. A Constituição recebeo a sua sancçaõ. em frente das bayonetas dos inimigos: estas bayonetas desapparecêram de seu terreno. o fogo. As instituiçoens. Em vaõ se mostrou a naçaõ grande e digna de seu nome. Politica. Amar e desejar um Governo. O principal objecto das producçoens do gênio éra lisongear as paixoens de seus reys.

até entaõ desconhecido na Europa. o abuso criminoso de seu poder em tantos funecionarios publicos. aonde quer que bafeja. que havia dado um vôo tam sublime? i Como permittio que o edifício. nem mais insultada. Naõ: naõ houve jamais naçaõ tractáda com mais ar- bitrariedade. vendo a corrupção de seus agentes. Coraçoens inflamados com sua gloria passada. fosse derribado? j Como correo ao jugo. foram cheios de terror. pela mais detestável hypocrisia. que dá vida aos Estados. mor- . Os que desejavam fazer crer que o seu enthusiasmo contra França havia sido effeito da superstição. Prizoens e desterros fôram o prêmio dos mais beneméritos da pátria. e se vos naõ despertares vos trará á vossa ruina. dá o exemplo de um soffrimento. ^ Por-vos-hei eu diante dos olhos a triste pintura dos resultados? Mas{ para que o farei eu. sem character. Quem se naõ tem movido á vista de um Governo fraco. aonde os que maior preza faziam eram tidos em maior consideração? j Quem naõ tem dado suspiros á vista das scenas de calamidades pu- blicas. triumpharam entaõ dos que o attribuíam a sentimentos menos genero- sos. quando vós mesmo o testemunhaes? <. e sem consistência. anuihilaçaõ do commercio. Inventou-se o crime de desaffeiçaõ á Pessoa Real. que erigira com tanto trabalho e tanto san- gue. e a conversão da Hespanha em um theatro de roubo e saque. poi«. De facto <j que causa de suspeita naõ dava esta in- acçaõ? i Quam repentinamente se submergio a naçaõ. depois dos sacrifícios.236 Politica. ao doce ar da liber- dade. com que o tinha sacudido? Hespanhoes ! Esta fatal inconsequencia vos trouxe a vossa presente escravidão. sem principios. campos incultos. que espantou a Europa. que traz com sigo a morte civil. que deixou a naçaõ como em branco a respeito das primeiras naçoens da Europa? d Quem deixou de se enfurecer. suecedeo o ar corrupto da escravidão. A Hespanha.

Os malvados triumpha- ram com este novo augmento de miséria. XXIV. que pronunciaram. ou morrer em sua causa. As misérias de sua pátria extorquiram delles a declaração. tomando tam resoluta decisaõ. de fazer feliz a sua pá- tria. Política. 237 te da industria. naõ intimidou os corpos do Exercito Nacional. violação da segurança publica. em uma palavra. corrupção da moral. foram os únicos motivos. que os induziram a levantar o estandarte da pátria. de pezar ede affeiçaõ. com accentos de admiração. que se converteo em um flagéllo para as naçoens. e suas necessárias consequen» cias. mas infelizes homens. triumpho dos denunciantes.N 14*. fôram as victimas da perfídia e da força armada. Os bons de- ploraram seus dignos defensores. O resto de suas acçoens ha sido conforme aos dictames de tam sagrada regra de com- Vot. O seu primeiro passo. impotência das leys. Vários Hespanhoes generosos. quando ellas permanecem na servidão. que se apresentou denoda- damente no campo da batalha. Os castigos e o desteno fôram os tristes ef- feitos de seus heróicos esforços. e repetiram seus nomes. que devem aquelles valorosos. objecto da predilecçaÕ e amor de todos os que anhelavam pela victoria da justa causa. H H . da vidae da opulencia? Estes males. de fixar sua sorte. a conversão em uma massa morta de uma naçaõ. O haverem falhado aquelles valentes. devoram os coraçoens de todos aquelles. cumulo a que tem chegado a miséria geral. impunidade da li- censiosidade. O re-estabelicimento do dominio da ley e o pôr a naçaõ em estado de exercitar seus direitos. de que apresentamos tam débil esboço. que abertamente se levantaram para os exterminar. que suspiram ao doce som de pátria. tam celebte em catastro- phes. foi publicar a constituição politica da M< marcbia Hespanhola. que deveria ter sido o theatro da activi- dade.

naõ pôde haver liberdade civil. frueto da intelligencia e da experiência de séculos. O exercito em si mesmo naõ soffreo mais alteraçoens do que as necessárias para sua organização. e o seu valor. sancionadas por corpos represen- tativos. generoso. { Em que pondes vossa esperança? ^ Que barreiras se vos op- póem ? . e o General. e a re-estabelecer o que tam solemnemente promulgastes. se naõ vos aproveitais de tam feliz . e fazei aquellas leys. que constituirão vossa prosperidade e grandeza. portamento. que por doze annos pôz toda a Europa em movi- mento. Sem leys naõ podem ha- ver Estados : sem leys. que distinguem as tropas deste exercito. sua energia e sua vida saõ somente consagrados á nobre ambição de serem sub- missos ás leys. e centos de milhares de armas dependem somente de vossa vontade. Dai ao mundo este grande espectaculo. segurou-se a tran- quillidade publica por meio da mais estricta disciplina. Unidos a vossos filhos. e que os ferros e a escravidão saõ somen- te o que vos convém. Naõ deixeis que se diga. que espera de uma naçaõ. e era de esperar dos coraçoens dos Hespanhoes o respei- to a todas as instituiçoens religiosas. povo chamado pelo vosso destino a ser o primeiro na face da terra. naõ assumio mais distineçaõ do que lhe éra d'antes permitlida. Apoios e baluartes da naçaõ.que impõem equidade e justiça. com o resto dos che- fes. valente e grande.238 Politica. uni-vos a vossos filhos. As suas armas e o seu sangue vos pertence. que a apathia he o vosso elemento. Atrevei-vos a usar de vossos direitos. que as- piram somente á Sublime honra de os quebrar. Respeitou-se a propriedade. Povo de Hespanha. As desordens e a violência naõ tem man- chado a gloria e o valor. Quem se opporá á vontade de todo um povo ? Naçaõ Hespanhola. Practicai essas virtudes. o maior bem que o cidadão pôde gozar. naõ saõ os seus legisladores.

Varias commoçoens. debaixo de cuja guarda a naçaõ. naõ suspireis. será invejada pelos que respiram o ar da op- pressaõ. pizou aos pés este monumento da sabedoria. e sacrifícios sem exemplo. que derramardes. em nome do Exercito Nacional a El Rey. se naõ apreciais. por meio de seus representantes. (Assignado) ANTÔNIO QUIROGA. deviam ter convencido a V. restituiram Vossa Majestade ao throno de seus antepassados. Senhor! O Exercito Hespanhol. e se por causa de vosso abatimento falhar-mos em tam nobre empreza. Como chefe e orgaõ do Exercito. Seis annos naõ fôram bastantes para apagar sentimen- tos tam profundamente gravados em seus coraçoens. que a sua ignomínia a cada instante lhe apresenta. cujo sangue. assim como o systema de Governo.. M. tentadas em differentes tempos e em vários lugares. que . naõ vos queixeis. Politica. M. naõ excitarão a compaixão de nin- guém. Memorial. merecidamente os sotfrereis. de a termos começado: e qualquer que for a nos- sa sorte. no dia em que V. fora algum dia objecto da geral adoração. a aurorada felici- dade. quebrantando as leys da gratidão e da justiça. e estigmatizou de crime o que naõ éra se- naõ a expressão dos mais legitimos direitos. sane- cionou o código de leys. cessou de o ser. pelo menos. 239 crise. teremos a gloriosa satisfacçaõ. o Exercito Hespanhol. destinadas a segurar para sem- pre a felicidade. M. achou-se ferido em sua honra e ardente patriotismo. Os males que soffrereis. e que se a pes- soa de V. que a naçaõ participava destes sentimentos. como deveis. As lagrimas. e sentem o remorso.

a mais favorecida pela natu- reza. que adoptãram as naçoens mais sabias. O povo requer outras instituiçoens.240 Politica. que conhe- cem o valor deste titulo. na Europa. Decidir também. tem adoptado. doce a todos os Hespanhoes. ja nao permittem. que nunca perdoam aos que rasgam o véo. que levan- taram uma voz. este he o seu objecto. e do qual nenhuma naçaõ he mais digna do que a Hespanha. que as naçoens sejam governadas. e a ultima gota de seu sangue he sacrifício dema- siado pequeno. Com tudo esta sorte tam terrível nao embotou os cor- pos do exercito da expedição ultra-marina. Restituir a Constituição de Hespanha. saõ indignas de vossos benefícios e confiança. Esta vóz. no 1. Senhor. O gênio máo fez cal- lar em todos elles sentimentos tam generosos e respeitá- veis . e os valarosos. da maneira mais solemne. a bem da importante empreza que tenta- ram. vieram a ser victimas de cortezaõs iníquos. o que todos desejam. legitimamente representada. e um Governo representa- tivo he o que parece mais análogo a grandes sociedades.° de Janeiro. e com os accentos do mais sublime enthusiasmo. que se pode conceder . elles levan- taram. Nada os fará ser per- juros. em uma palavra o gênero de Governo. quem somente tem o direi- to de lhe dar leys : este he o objecto que os inspira com o mais puro ardor. e as pessoas. como se fossem possessão absoluta dos Reys. cujos membros se naõ podem ajunctar individualmente para a formação das leys. que he a naçaõ. que vos levantaram. privada do maior beneficio. Os progressos do entendimento. i Porque será esta naçaõ. Senhor. He o gênero de Governo. este. que tem custado tanto sangue. que o cercam. com que elles enganam uma populaça ignorante e fácil de illudir. e declararam os 6eus sentimentos.

Com tudo este em- baraço se desfará. no momento em que se souber.Porque merece ella menos a liberdade civil. (Assignado) ANTÔNIO QUIROGA. Os Reys pertencem ás naçoens. que somentevivifica o corpo do Estado? Prejuizos antigos. ainda que o custume habitual da obediência e do temor tenham reprimido seus sentimentos. Estes gritos se espalharão por toda a Peninsula. resoa com acclamaçoens de alegria. Politica. 241 ao homem? c. e se os Governos affectam principios oppostos. Saõ estas verdades incontestá- veis. que elles oecupam. he a linguagem do engano. que tal linguagem cesse de existir. que os valorosos o tem feito. que emanam somente de um falso orgu- lho. e pérfidas suggestoens de validos. . que lhes parece preferrivel ao viver por mais tempo debaixo das leys e caprichos dos que seduzem o coração de Vossa Majestade. porém se tam doces esperanças se naõ realizarem. em 7 de Janeiro de 1820. Quartel General de S. O paiz. da hypocrisia. elles naõ julgam que por isso seraõ de todo baldados os seus trabalhos. que outra vez virá a ser o theatro da virtude e do heroísmo. prerogativas frivolas e vaãs. que somente adulam para opprimir. da humanidade e da justiça. e saõ Reys. porque as na- çoens assim o querem. Estes saõ exactamente os motivos de vi- olar as leys da razaõ. vendo proclamado outra vez o seu código. Fernando. He o desejo e intenção do Exercito. e naõ a do erro ou da ignorância. A naçaõ participa destes sentimentos. porém morrerão a favor de sua liberdade: sorte esta. Senhor: Como orgaõ do Exercito. systemas adoptados pela violência. e o levam ã sua infallivel ruína. se o Céo naõ for propicio a tam arden- tes desejos.

&c. Tudo o que se fará publico.° Que as dietas cidades sejam izentas. podem manifestar os sentimentos que os animam. .242 Politica. em nome da nossa pátria.° Que as fazendas de manufactura estrangeira.° Que o tabaco naõ seja daqui em diante monopólio. e que requerem promptos e efiicazes remédios. estando debaixo da guarda de suas armas. que. regulando as contri- buiçoens e direitos de Alfândega. as vantagens. 2. Ordem dos General do Insurgentes. in- cluindo os algudoens. desde a data do primeiro desde anno em diante. e pague somente um direito de importação de um real de vellon por libra. e para cujo recebimento se faraõ re- gulamentos. a respeito das rendas do Estado. de pagar a contribui- ção geral. 3. tenham entrada livre. {Assignado) RAFAEL RIEGO. pagando so- mente 12 por cento. Primeira Divisão do Exercito Nacional. publicando a Constituição da Monarchia Hespanhola. e sejam aleviados da- quellas restricçoens com que se acham abatidos. em tanto quanto for possivel. 4. Algeciras. e modo de seu pa- gamento. desejando que os lugares. que emanam de tam sagrado código. gozem. em quanto a naçaõ determina o que for pró- prio. 31 de Janeiro de 1820. tem resolvido o seguinte:— l.o Que seja livre a importação de todos os mantimen- tos. O General em Chefe do Exercito Nacional.

652 Chá Caixas 21.590 96. Gêneros de Exportação. Gêneros entrados no porto de Lisboa em 1819.338 20.067 Azues — 822 597 .201 77." 142. ( 243 ) COMMERCIO E ARTES.432 5.436 Café — 9.802 Anil da índia Caixas 954 543 Assucar — 22.635 12.850 14.343 Aguardente do Brazil Pipas 4. compara- dos com os entrados em 1818.069 3.393 Coiros secos e salgados N.158 Fardinhos 3.515 28.327 227. PORTUGAL.332 750 Arroz do Brazil Sacas 76.697 Vaquetas — 45.Em 1818.347 da índia Fardos 3. Entrados em 1819.736 Gangas Largas Caixas 426 509 Estreitas — 2.320 Canella Caixas 398 1.384 17.620 9.692 6. Algodão do Brazil Sacas 34.876 3.645 Fazendas da índia Fardos 4.287 Meios de Sola — 14.021 18.685 da índia — 6.393 Feixos 852 316 Barricas 2.643 Cacáo — 13.

895 Loira da índia Amarrados 323 4.545 Mel Barris 1.028 Manteiga — 69.113 71.915 Pimenta Sacas 4.° 89.607 170.497 Fardos 821 292 Xifres N.861 2.717 6.244 Commerciro e Ates.924 58.362 10.069 1.623 8.402 24.162 3.404 Rottira Molhos 9.341 Azeite Cascos 286 2 218 Bacalháo Quintaes 156.052 1.478 Tabaco Rolios 10.133 Senteio — 2.321 Queijos rlameng.900 Milho — 43.878 Sevada — 8. Austríacos Entraram 4 Sahiram 4 Americanos 22 24 Dinamarquezes 36 38 Francezes 12 10 Hespanhoes 45 47 Hollandezes 18 22 Hanoverianos 12 17 Hamburguezes 9 & .436 Farinha Barricas 13.774 6.720 198.° 104.867 111.603 Trigo Moios 65.163 Navios que entraram e saíram pela Barra do Porto em o anno de 1819. a grane IN.433 Salsaparrilha Panei ros 1.408 Carnes Barris 1.352 29.600 Dictos em caixa Caixas 4.400 Gêneros de Importação Arroz Estrangeiro Quintaes 33.334 1.004 Sebo Marquctas 801 568 Salitre Sacas 4. Gengivre da índia Sacas 2.072 75.

1820. importadas na Rússia em 1819. S. Imperial dirigido os seus cuidados a fundar a psosperidade de ambos os Estados. entre os subditos de ambos: portanto se concluíram tractados com Áustria. que desde o tempo. e pelas quaes se naõ tenham pago os direitos no 1. 2.° de Janeiro. e declara. pagallos-haõ segundo a pauta de 1816. na mais completa reciproci- dade de vantagens. Commercio e Aries. na Russsia e Polô- nia. Os principios geraes para a operação da nova pauta das alfândegas. M. i i . tem S. Petersburgo 12 de Janeiro. 3. excepto as que ficam na fronteira Asiática. 142. O decreto para estes regula- mentos he mui extenso. &c.° de Janeiro 1820. Extendem-se os effeitos desta pauta a todas as al- fândegas de mar e terra. em que o reyno de Polônia se unio ao Império Russiano. para as quaes ha pautas separadas. XXIV. As mercadorias estrangeiras. e fronteiras. 245 Inglezes Mechlemburguez 1 Napolitanos 2 3 Portuguezes 88 83 Prussianos 6 7 Russianos 1 2 Suecos 20 22 Sardos 1 l 451 474 RÚSSIA. Ao mesmo tempo que publicou a nova pauta da alfândega. saõ os seguintes:— 1. A pauta fica em vigor desde o 1. se fizeram novos regu- lamentos para as alfândegas. em tanto quanto res- peita o trafico e as fabricas. N». V O L . Prússia.

Nas alfândegas Russianas. segundo os princi- pios especificados na pauta. porque as outras fazendas secas. 4. a certo cambio fixo.° sobre o valor. se podem pagar os direitos nas fronteiras de terra da Rússia. ou em moeda de prata Russiana. Ainda que por esta pauta se imponhatn dous direi- tos . ambos se- raõ pagos de uma vez. medida ou nu- mero dos artigos: 2. segundo o cambio. na primeira parte da ordenança das alfândegas. quando se despacharem as fazen- das. he fixado por ta- bellas particulares da importação de todas as fazendas líquidas. isto he o de importação e o de consumo. e bar- reiras. quaes saõ as fazendas. que se ha de publicar cada anno. 6. e manufacturas de couro Prus- siano . Os direitos saõ fixados em moeda de prata. 5. Determina-se. 1. ou em notas do Banco. em moeda de prata Russiana. mas nas alfândegas do Império Russiano se pagarão em notas do Banco do Império. importadas. Pagar-se haõ dous direitos por todos os artigos de importação e exportação. O desconto. (em os negociantes a escolha de pagar os direitos por todas as fazendas. no Reyno da Polônia. que se podem im- portar segundo esta pauta. que se publicará no fim de cada anno. tem direito a requerer . porém nas fazendas secas. para o calculo dos direitos do anno seguinte.540 Commercio e Aries. laã e couro de origem Prussiana. mas ella se avaliará segundo as tabellas especiaes feitas para as alfândegas. ou na moeda corrente de Polônia. pelos quaes. Todo o negociante. quando se provar isso. que se dá pela tara.° o sobre pezo. que naõ concordar no abatimento por cento pela tara. segundo estas tabellas. á excepçaõ dos artigos de linho. e por que alfândegas. somente para os linhos. 7. estofos de laã. naõ tem tara fixa.

estaõ completados. sem excepçaõ. GOURIEF. que desde os 15 de Agosto dete anno em diante. e seu porto. se fixa certo abatimen- to pela tara. Contrassignado pelo Ministro de Finanças. 1819. que lhe per- tencem. Observando agora. que nos fôram apresentados. 247 que se pezem os artigcs por si sós. pelos relatórios officiaes. dirijidoao Senado Director. que o arranjamento da linha de porto- franco. conforme os principios expostos no Manifesto. e todos os outros estabelicimentos. o Porto-Franço de Odes- sa deve ficar aberto. próprios de um porto franco. e se annunciou. he do theor seguinte:— Pelo nosso Manifesto de 16 de Abril de 1817. em data de 4 de Julho. se con- cederam à cidade de Odessa. que a actual abertura do mesmo seria notificada a tempo sufficiente para informação do publi- co. O Ukase Imperial. Commercio e Artes. privilégios e franquezas de commercio. ordenamos. D . Para todas as expor- taçoens da Rússia. . Porto de Odessa.

I por 1121b.lis.1 1B. 42s. LONDRES. a 2s. Ipecacuanha Brazil. Op. direitos pagos pelo _ .. C a c á o .1 . de cavallo 5p. Algodam . 5s. . Livre de direitos por Arroz Brazil exportação. .. 2p. í em rolo > comprador. -Bahia por lb . .. 2p. a 7p.. . a ls. a 46s. Rio Grande por 123 48s. (A HP a 9p. 2p. l i s .. por couro iRio Grande <C Pernambuco. Ouro em barra nhoes £3 17 JOJ Peças de 6400 reis Dobroens Hespa- • Pezos. 62 • | Açores 25s. a a 40s.. . 25 de Março. 4s. a 130s. Câmbios com as seguintes praças. por 100 lb.Pernambuco J comprador. a 52s. . l s . 5p. a 126s. à 12s. 2p. 12s. Cebo Rio da Pi ata 65s. 30s 25s 25s 25s 30s 42» Prata «m barra 0 0 1 Porto 25s. 8s. . 30s. 3s. Chifres. Óleo de cupaiba. 14p 6£ porlb.por 1121b. 3p l Capitania. . Qualidade. 27s. 3p. Direitos. Op. Brazi 120s.. . 4p. . a 50 Bengala 60s . 3 | p Anil . ilida 30». a l s . Preços. salgados Rio Grande. .livrc por Tabaco > em Tolha * exporlaçaõ Tapioca Brazil. 9|i. 9p. a l s . pilha < B a 7fp. em navio Portuguez J Minas novas . ) direitos pagos pelo Páo Biazil . Op. a 2s.. por 1121b. í Pará ls. Pará ls. . Mascavado 36s. a ls. a 68s Caffe Rio 116s. ou Inglez. R i o 5 por lb. Rio de Janeiro 55$ Hambuigo 36 6 Lisboa 50J Cadiz 33} Porto 51 Gibraltar 30 Paris 25 35 Gênova 44£ Amsterdam 12 1 Malta 46 Espécie Seguros.. . de 1820 Crllfroi. í ' C 5èp a 6*p. a ls. l s . [ Lisboa 1 25s. ( 248 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. Í Batido .. 4p. 6p.. Op... . . Redondo . .J Maranham . 10 p. 2p. ^ Pernambuco • l s .t . Salsa Parrilha.dictos 0 4 11J por 'onça I Brazil. Ou roca. a ls.2p.: Madeira 25s. Pão Amarello. 3p. . a 30 Rio da Prata 42s. 7p. .. . Rio da Prata. por lb. 1 Ceará ls. .Pará 60».

2 vols. Por Carlos Mills. de que ha re- gistros authenticos. com notas. Com uma introducçaõ â Arithmetica decimal e duodeci- mal. Por F. adaptada á practica. Thuitle. author de uma Historia da França. Doutor em Leys. Preço 8. vo preço 1. Historia das Cruzadas. . ThurtWs History of Spain. Huttorís Compendious Measurer. no fim de cadareynado: e também os arranjamentos políticos da Europa.s 6. Mill7s History of the Cruzades. Por Carlos Hutton. e uma lista dos soberanos contemporâneos. em 1814: acompanhada de tabelas chronologicas e genealo- gicas dos príncipes e caliphes Visigodos e Hespanhoes. Breve e compre- hensivo tractado sobre MensuraçaÕe Geometria practica. ( 249 ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. Esc. 8.d Historia de Hespanha. desde as idades mais remotas. como fôram ajustados pelo tractado de Paris.' As. até à volta de Fernando VII. e Membro da Sociedade Real. para a recuperação e posse da Terra Sancta.

para obter delle a favor das corporaçoens dos officios o direito de admittir ou regeitar novos membros. desde a destruição de Jerusalém até o tempo presente. (Continuado de p. 145. naõ he mais bem fundado do que o outro que acabamos de exa- minar. fl.vo preço 12. WÍlliams's Historical Account of Discoveries.* Histo- ria dos Judeus. fazendo o seu primor d'obra. que devia ter a sua obra. 8. com uma multidão de regulamentos. sobre as qualidsdes. Adams^ History of the Jews. á vida polida. ECONOMIA POLÍTICA DE SIMONDE. Por Hannah Adams. além de com- paração. Lake Williams. 4. e he também por isto que escoraram esta primeira ley das corporaçoens dos officios. Por J. das corporaçoens dos officios. e dos seus estatutos. e ajudam ao conforto humano. 2 vol. naquellas artes e sciencias. CAPITULO V. sem o que se veria degene- rarem rapidamente as artes e a industria. e fazem o estado civilizado. preferível ao estado da natureza. e sobre as visitas .vo preço 1/. F.) O segundo motivo. que servem de uti- lidade eornato ao homem.250 Literatura e Sciencias. Deo-se-lhe a entender que éra necessário repulsar todos os que naõ dessem uma prova de sua habilidade. que se tem allegado ao Legislador.s Noticia histórica das invençoens e des- cubertas. Das mestranças.

e cartas patentes." o que. e mais 600 outros regulamentos. para a inspecçaõ das fabricas. o comprimento. fixam com a maior precisão. que commeçou verdadeiramente a mania regulamentar. em pouco tempo. Os regulamentos das fabricas de pano. por cartas patentes de Carlos VI. Vio-se apparecer. a qualidade da laã. aos quaes convém sugeitallos . que se devem empregar. Literatura e Sciencias. e cada regulamento contêm um artigo aná- logo ao§ 0 do regulamento de 20 de Novembro de 1708* o qual determina. no artigo Reglement. naõ fossem os me- lhores de todos os jurados. o regulamento geral dos panos de 22 de Julho de 1669 . pouco mais o menos. e os consumidores a conhecer os . ou do Conselho de Estado. comin. de 13 de Maio de 1667. e queriam li- vrar-se da concurrencia de seus rivaes. eo numero dos fios de ordidura. senaõ os das qualidades prescriptas pelo presente regulamento. O mais antigo he o do anno de 1401. de Ia Geog. o de Elbeuf. a largura. quer Acha-se no diecionario de Commercio de Savary. em 248 artigos. para ensinar os fa- bricantes a fazer o seu officio. ordens do Conselho do Commercio. Mas naõ foi senaõ no Ministério de Colbert. uma recopilaçaõ inui curiosa de todos os que se tem dado em França ás manufacturas : quasi todos saõ referidos de novo no Dict. que " os mercadores. o de panos Reaes de Sedan. de Peuchet. como se os consumidores para quem essa obra se destina. cuja reputação estava estabelecida. 2J1 dos jurados. por exemplo. De- pois delle os reys de França continuaram de tempos a tempos a dar regulamentos ás fabricas. do mez de Agosto de 16C6. na fabrica de cada cidade em parti- cular : elles impõem muletas a todo o desvio desta ordem estabelecida. e empreiteiros das fabricas naõ possam fazer outros panos para o levante. de 16 de Septembro de 1666. por lhes fazerem requirimentos fabricantes. o regula- mento das manufacturas de sayêtade Amiens. e que naõ compram senaõ o que lhes convém. fabricantes.

o anil. e que naõ progredisse em adiantamento. ou perigo de a perder de todo pela fraude de um só individuo ou de fazer perder a honra nacional. e quem anima a industria : he elle quem excita os aperfeiçoamentos. e a mais escrupulosa observância do regulamento fossem bastantes para induzir os Turcos a con- tractar outra vez como cegos. naõ se ordenaram os aperfeiço- amentos. Naõ ha probabilidade que o restabelicimento do sêllo. do que no exame e na critica de suas mercadorias : he este exame quem vivifica o gosto. a cochinilha.2Õ2 Literatura e Sciencias. ha muito mais inconvenientes do que vantagens nesta maneira de ne- gociar sobre confiança : sem duvida ella poupa tempo aos ne- gociantes . ou de conformar-me com o gosto dos consumidores* Para fazer similhantes regulamentos. mas ao depois abusou-se desta boa fé. mas o seu tempo naõ pôde nunca ser melhor empre- gado. que naõ he menos grande. que lhes eram enviados de Marse- lha. A uma confiança excessiva. Por fim. a que anda aunexa tam grande responsabilidade. com este re- gulamento. que naõ existiam. e muitas vezes se empregou o sêllo nacional como instrumento de fraude. O expresso fim destes re- * O fim a que se propunha o Governo Francez. suecedeo uma desconfiança. se cousultou o estado actual das cousas. munidas com o sêllo Real. e he elle em fim quem recompensa a habilidade e castiga o desmazêlo. dizer. éra conresponder á confiança dos Turcos. os panos. seja qual for a vantagem. . mas fez-se a arte estacionaria. que he prohibido aos fabricantes aproveitar-se de suas novas descubertas. naõ se renuncia. e garantir a qualidade das mercadorias. quando o habito de examinar tudo está de uma vez arraigado. pela malversação de um só inspector. bastaria para fazer temer um beneficio. somente pela inspecçaõ da marca. no commercio de Levante. que se possa tirar desta confiança. Demais. precavendo-se que naõ desse passos retrogados. por muito tempo os negociantes das Escalas compravam o recebiam sem exame. e do aperfeiçoamento da industria. Com effeito.

com materiaes menos bons. KK . que inventa novo estofo. poc- VOL. mas o de alguns fa- bricantes particulares. O Governo nesta occasiaõ. mas também asse- gurar a estes. XXTV. pois. e alcançar estofos. imitando e aperfeiçoando os seus processos. cadorias. Em Inglaterra. tanto que a fortuna publica foi em augmento. mas de maneira menos dispendiosa. o fazêllo mui bello e mui bom. as- segura elle. Para satisfazer a esta se- gunda classe de consumidores. que pareçam similhantes aos outros. 142. N-. querem entretanto imitállos. e a das mais perfeitas diminue. porque esta lhe paga um preço proporcional ao valor superior de sua mercadoria. a que as tinham submettido. cujas posses saõ inferiores ás dos primeiros. He da natureza das manufacturas o fazerem progressos: as de França tem prosperado. quanto à perfeição do seu trabalho. cada vez vai a peior. no seu discurso sobre a população. que. he bom examinar estas reclamaçoens. Como muita gente se queixa com elle. ainda que effectiva- mente naõ sejam os mesmos. que tem entrado em moda.mas a despei- to delles. de que a qualidade dos estofos e de outras mer. naõ por causa dos entrávez. queixa-se amargamente da declinaçaÕ das manufacturas. Em geral. a venda destes novos estofos faz-se mais rápida. naõ o interesse do commercio. Mr. que se naõ estabelece-se juncto a elles ou- tra fabrica de novo. Literatura e Scieucias. e destinállo ao consumo da gente mais rica e de melhor gosto. 253 gulamentos naõ éra somente impedirque os consumidores fossem enganados pelos fabricantes. pudesse fazer-lhes uma concurrencia perigoza. he do interesse do fabricante. todos os outros fabrican- tes se esforçam por imitar a nova manufactura. sustentava contra a na- çaõ. Todos aquelles. Herrenschwand. que as manufacturas se deterioram á medida que os impostos augmentam. e menos exacto trabalho.

As nossas modas variam todos os dias. que este aperfeiçoamento de qualidade deveria occasionar. e a nossa commodidade. que durassem trinta annos. ainda que naõ te- nham a mesma denominação que tem aquellas. mas naõ se achariam talvez freguezes dispostos a pagar o augmento do preço. no fim de dous annos. e com qne se vestem hoje as classes inferiores da sociedade. o nosso gosto. e a bom mercado. entretan- to que estes podem sempre achar mercadorias perfeitas. A pezar das declamaçoens de Herrenschwand. para servir os ricos. e que se lançariam entre a roupa velha. que os ricos ja naõ querem uma mercadoria. se aproveita sempre. Naõ se deve attribuir as nossas manufacturas uma mudança. traba- lha-se melhor em Inglaterra. Entretanto os nossos estofos naõ tem a mesma duração. Bem depressa se forma outra manufactura nova para elles. das descubertas. O povo pois. Se os regulamentos do commercio pudessem obrigar os . e a que tinham abandonado acha muitas vezes mais proveitoso fazer o mesmo que as outras. e trabalhar para a massa do povo. e de consultar cada dia a moda reynan- te. com que se vestiam ha cem annos seus antepassados.254 Literatura e Sciencias. que tinham os dos nossos antepassados: mas isto provém de que o nosso gosto e os nossos usos naõ exigem que os fabricantes dém tanta solidez aos te- cidos que preparam. do que se fazia ha cem ou duzentos annos. que depende dos nossos custumes: isto nasce do desejo de procurarmos o nosso commodo. e antes da revolução traba- lhava-se melhor em França. em vez de continuar a pôr muito cuidado na sua manufactura. contrafazendo sua primeira obra. Os nossos fabricantes os poderiam fazer. pelo que nós naõ acharíamos vantagem alguma em possuir estofos. se lhos pedis- sem . e adaptadas a todos os seus desejos. que se tem feito das artes. que se as- símelha â que todo o mundo compra.

que se podem pôr às artes. que seria sufficiente para obrar melhor. naõ he necessário que os regula- . se guarda- rá bem de entrar em tal. e as laãs da mesma denominação. porque os obrigariam a pagar uma qualidade. mas naõ se applicarà o mesmo cuidado a todas as operaçoens preparatórias. porque nunca perderá de vista as necessidades e o gosto dos consumi- dores. 255 nossos fabricantes a dar aos seus estofos a mesma força e a mesma duração. vara e meia. quando aperfeiçoa o seu officio. Haverá sempre o mesmo nu- mero de fios de urdidura e de trama. que lhes éra inútil. Mas ainda que os estatutos pudessem forçar os fabricantes a tecer os seus estofos segundo certas regras. uns dos quaes tenham uma vara de largo. e se elles tem necessidade de pannos. naõ os poderiam obrigar a dar-lhe um gráo de- terminado de bondade. e ou- tros. que se lhe davam ha um ou dous séculos. A única intenção do artista. Todos os entrávez. he pre- ciso viollállos para fazer alguma cousa nova e melhor. fariam nisso muito máo serviço aos consumido» res. os mesmos lissos. e se empregará em eludir o regulamento para fazer mal. do que o Soberano. ja por produzir a qua- lidade igual aos outros e a melhor mercado. Quando o commercio ea industria saõ livres. porém basta eludillos para fazer mal. o estudo. Estes sabem sem duvida muito melhor o que convém a cada um delles. Literatura e Sciencias. pois o seu único fim he vender-lhes. se oppóem mais ao seu aperfeiçoamento do que à sua decadência. he obter com isso certo merecimento para com o consumidor: se elle lhe deveoccultar esse aperfeiçoamento. cada ar- tista emprega toda a sua energia em aperfeiçoar sua arte pondo em obra processos novos. ja para pro- duzir igualdade de preço nas mercadorias de melhor qua- lidade: pouco importa que nesta intenção elle desnatura- lize as mercadorias das antigas fabricas.

o que naõ sabe satisfazer os gostos dos fregue- zes. ficará carregado com suas mercadorias. por isso. que naõ seja feita de modo que possa durar. ou os de Elbeuf para os primeiros. ainda que tivesse feito o primor d' obra mais applau- dido. se quizer ser mem- bro útil da sociedade. he mais seguramente um bom operário do que o outro que tem obtido a approvaçaõ dos Jurados: pelo contrario. deve reformar o seu trabalho. Os regulamentos commerciaes. Deixar os operários na obrigação de consultar incessantemente a vontade do publico. naõ saõ. que a podiam comprometter. ainda que o proprietário do terreno consinta em construir uma casa. que quando o consumidor o peça se faraõ os pannos da largura que lhe for mais commoda. contrários á liberdade do commer- cio. que naõ interessam somente os que os pagam. e por conseqüência aperfeiçoar sempre os seus officios. por- que nenhum cidadão pôde comprar o direito de pôr a perigo as vidas dos outros. que tem por fiin manter a segurança publica e providenciar que as obras. e de maneira pouco solida. Entretanto ha algumas excepçoens a fazer nesta regra. mas também á segurança publica: por exemplo. O primor d'obra do artista naõ he mais útil do que os estatu- tos regulamentares do commercio.256 Literatura e Sciencias. . sejam bem executados. he o meio mais seguio de os ver conformar-se sempre com ella. mentos ordenem a fabricação dos pannos de Sedan para os segundos. o que contenta os seus freguezes. e o que tiver mal consultado o gosto delles e suas necessidades. porque o mer- cadornaõ poderá vender senaõ o que convier aos consumi- dores. quanto aquelles officios. expondo a sua ao mesmo risco. sem que nisso se mètta a authoridade do Governo. naõ he duvidoso. o Soberano pôde mui bem pôr obstáculo a que se edifique ligeiramente.

Depois da espantosa dilapidação dos capitães Francezes. e esforçar-se em produzir muito. ci- rurgioens e boticários. a quem se prohibla o uso das mercadorias estrangeiras. Todas as nossas manu- facturas nacionaes se abastardaram depois da revolução. 2SI Pode-se fazer o mesmo raciocínio a respeito de certas profissoens. á dos ourives. e éra preciso obrar de maneira. sacrificar a perfeição do tra- balho á quantidade. assim como â habilidade dos médicos. Literatura e Sciencias. . porque aquelles. ao mesmo tempo que todas as causas de mina pareciam conjurar-se contra ellas. que o pouco que nos restava nos fosse sufficiente. para satisfazer às ne- cessidades dos consumidores. que recorrem ao seu auxilio. para ac- eusar de sua ruína a única ley que contribuía para as sustentar. He assim que he bom. porque esta he ainda mais importante do que a riqueza da naçaõ. naõ podiam ser bastantes para as manter. e talvez á dos agentes de câmbios. antes do que em produzir bem. que a authoridade Soberana dê certa garantia â hon- radez dos notarios. alterado como estava pelo regimento prohibiti- vo das alfândegas. vista esta coincidência de acontecimentos. he verdade: mas ellas tem consultado nisto o interesse nacional. melhor seria sugeitar-se a este inconve- niente. se os que as exercitam merecem a confiança dos particulares. a que convém inipôr o sêllo da confiança na- cional. Como a abolição de todas as mestranças tem assigna- lado a epocha em que começou a declinaçaõ de todas as manufacturas Francezas. do que Sacrificar a segurança geral. porque tinhamo-nos feito pobres. os meios de fazer com que lhes pagassem um preço de monopólio. daqui se tirou occasiaõ. difficilmente poderiam conhecer. foi mui preciso. os que ficaram em- pregados nas manufacturas. Ainda quando similhantes regula- mentos assegurassem aos que exercitam as suas profis- soens.

que a impericia. (Continuar-se-lia. o maximum. que anula mesmo quando se tives- sem conservado em todo o seu vigor os estatutos regu- lamentares dos corpos dos officios. longe de aceusar as leys. em tempo que os assignados. para sustentar.quea atacam. todo o poder do Legislador naõ o impede. Porque tal he a força da industria nacional. sem con- seguir conservar-lhe todo o seu brilhantismo.j . e requisiçoens as tinham arruinado. que tinham no tempo de sua riqueza. se teria re- tardado a sua queda. O que a imperiosa necessidade ordena. á abolição do tempo prescripto aos aprendizss e ás mestranças. ella repara bem depressa os males. que restam ainda á França tantas fabri- cas em actividade. Porém ter-se-hia encaminhado uma parte do capital mer- cantil. que devemos o gráo de prosperidade de que ainda gozamos.258 Literatura e Sciencias. além das necessidades actuaes da naçaõ. se deve convir no reconhecimento. de que he a esta libertação parcial. que tem em parte libertado o commercio. algumas de suas manufacturas de luxo. os desastres ou a tyrannia dos Governos tem oceasionado às naçoens. Quando se traz à lembrança a conta assustadora da dilapidação da riqueza publica. e se teriam ao mesmo tempo aug- mentado as despezas nacionaes. se tivessem podido impedir que todas as manufacturas se abastardassem. em que novas economias permitti- riam á naçaõ tornar a trazer às suas olficinas todo o lustre. diminuído as rendas e retardado o momento. com tanto que se naõ prenda a sua energia. que reage contra as calamidades. e que se vê. He mui duvidoso. e que he mui superior ao que o calculo nos podia fazer esperar. depois de seus desastres. e que. â liberdade da circulação interior. e tam grande massa de trabalho pro- duetivo posta em movimento.

» tracta do estado politico e administrativo da França: mui differente da Inglaterra. pelo que respeita a França. pelo que respeita as Instituiçoens Judiciaes da Inglaterra. até a revolução. 156. que nem tiravam o exemplo. A antigüidade. a p. durante a legislação. tem elle sempre sido occupado por ama série nao interrompida de Monarcas da mesma dynastia: o seu governo se tem conservado estável e sem outra alteração mais do que as mudanças occasionadas pelas circumstancias. aoccupar-se primeiro com suas Instituiçoens Judiciaes. que existia antes da Revo- lução. e influencia da Monarchia Franceza induziram o A. por Mr. nem eram imitadas pelos outros povos do Continente: e assim ficaram sempre sendo pe- culiarmente lnglezas. . tem freqüentís- simos traços de similhauça." E depois a p. grandeza. " Desde qne Hugo Capoto subio ao throno. Meyer expõem a mesma matéria. tendo a tractar das naçoens do Continente: sobre o que diz o A.) Na breve resenha analytica. (Continuado de p. do volnme precedente do nosso Author. em que Mr. qoe vimos em nossos dias. demos a conhecer a nossos Leitores. entre os quaes houve sempre conuexoens. quando o Estado insulado da Inglaterra lhe causava aadopçaõ de leys. que temos feito. 2. 3. a maneira por que elle tractou a matéria. com os dos outros Estados do Continente. Meyer. que fariam assimilhar sua legislação. Passaremos agora ao seu terceiro volume. Literatura e Sciencias. 259 Esprit des Institutions Judiciar es por TEwope. O capitulo 1.

exercitou a França uma notabilissima influencia no resto da Eu- ropa. e por muitos séculos a urbanidade e a polidez tem assegurado aos Francezes uma graduação mui elevada en- tre as naçoens Europeas. as leys mais positivas. se existem instituiçoens particu- lares em cada paiz. Dando uma vista d'olhos à historia da Monarchia de França. o que se augmentou muito ao depois pela universalidade da lingua Franceza. como pela das maneiras. das sciencias e das letras. porem quando se compara a historia deste Reyno com a de toda a outra qualquer parte do Continente. desde os primeiros séculos da terceira dynastia. que o poder dos reys he muito mais segu- ro. " A. Em fim. e as instituiçoens mais fortes." Depois diz o A. ou que a França tenha sempre tido dias serenos e puros. a França tem sempre brilhado na classe das primeiras potências da Europa. pezar de alguns instantes de obscuridade. como o foco da civilização. muitas vezes ha ella sido a primeira por sua influencia politica ou militar. seus successores perderam logo o commando de toda a Europa.260 Literatura e Sciencias. depois de restabelecido o Império do Occidente em Carlos Magno. que aquelle Imperador havia adquirido. He ainda mais particularmente pela legislação. acha-se. que. deve-se esperar o achar na França o typo do que he commum a todas as partes do Continente. e sobre as ruinas daquelle grande Im- . " Naõ quero dizer que os reys de França tenham sempre go- zado pacificamente da mais bella coroa. que desejarem informar-se das fontes remotas da legislação de seus respectivos Es- tados. p. 4. Toda a Europa olhou por muito tempo para a França. Eis aqui razoens bastantes para que estudem as Insti- tuiçoens Judiciaes da França antiga os Jurisconsultos dos outros paizes do Continente.

mas que a fraqueza da administração de Luiz X V . a p. de Vermandois. todas as instituiçoens saõ dirigidas a este fim. por falta de força sufficiente para a manter como monarchia. Borgonha. a Pro- VOL. os condados de Flandres. das quaes a principal foi a França. que eram os ducados de França. Aquitania. de os reduzir a justos limites. pelos diversos aconteci- mentos políticos. 261 perio se erigiram varias potências. os reys da França seguiram a incessante politica. pois. XXIV. se viram obrigados a luctar. 8. depois contra o corpo da nobreza. com as naçoens vizinhas. primeiro con- tra os grandes vassallos . tiveram de os subjugar. o Bearn. N°. o Delphinado. e a França veio a ficar um Estado despotico. até a administração dos Cardeaes Richelieu e Mazarin. de abater o poderio subal- terno. na familia Carlovingians.) os reys." Quando a historia Franceza começa a ter um lugar dis- tincto do resto da Europa. Literatura e Sciencias. Nor- mandia. " Em França (diz o A. que conduzio Lviz XIV a exercitar o mais absoluto Governo. que reynousem interrupção ate 1792. mas he sem duvida que depois de Hugo Capeto. posto que entaõ mui de mixtura. e abrir com notável constância o caminho. começou em HugoCapeto uma dynastia. que por ultimo alcançaram em tempo de Luiz XIV. acha-se que a França estava dividida em sette grandes dominios Senhoriaes. a Bretanha. a qual. derribaram com mais facilidade do que se havia procurado. Desde Phillippe Augusto e S. 142. Com tudo a historia do reyno de França deve começar antes daquella epocha. de 987. em 987. depois de varias alternativas. e de Toulouse. uu . e as desgraças de Luiz XVI. em fim contra a magistratura: em vez. paraque naõ obedecessem senaõ aos reys. destituídos da au- thorídade necessária. Luiz.

principalmente depois do scisma do Occidente. naõ recebia sufficiente apoio de Roma. cuidou em diminuir-lhes a influencia que tinham. estabelecendo companhias de ordenança e outras tropas continuadamente em pé. o Franche Conte. arros- trar a authoridade Real: assim. Duque de França. a que assistiam os subvassallos. em vez d' um equilíbrio racionavel de poder. Quanto á nobreza secundaria. porque muitas vezes os grandes Senhores puderam. usando dos meios practicados com bom successo na Inglaterra: protegendo os subvassallos. Com tudo os effeitos destas medidas naõ fôram na França iguaes aos de Inglaterra. o clero. para fazer som- bra a El Rey. e principalmente porque naõ tinha como na Alemanha possessoens territoriaes. principalmente com auxilio estrangeiro. vence. Hugo Capeto. e Provença. Guienna. creados pelos reys de novo. libertando as corporaçoens ou communi- dades.262 Literatura e Sciencias. eleito rey pelos outros grandes Senhores do reyno. aonde todos os bispos tem assento na Câmara dos Pares. naõ foi outra cousa senão uma caterva de corte- . a Lorena. O Clero. e convocando Estados Geraes. posto que tinha assento nos Esta- dos Geraes. a Alsacia naõ lhe pertenciam entaõ. No século 16 tinham ja desapparecido os duques de Borgonha. como foram ao depois os Imperadores de Alemanha. introduzindo juizes per- manentes. que toda esta nobreza. Champanha. sem mais que seus títulos hono- ificos. os reys de França naõ tinham outra escolha senaõ ou de abandonar a sua authoridade. tal foi a alluviaõ de Du- ques. e Conde de Paris. ou abatêllos inteiramente. Bretanha e Toulouse. nem influencia politica como na Iinglaterra. Marquezes e Condes. e estabe- licimento da cadeira Papal em Avinhaõ. e o terceiro Estado. e con- stituir-se chefes d' uma confederação de pequenos sobera- nos.

e por isso trazendo a si os outros da mesma natureza. se naõ podendo empregar-se os mes- mos meios para o reprimir. tanto para morti- ficar e abater a antiga nobreza. e fazêllos suspeitos.* he assim que. 263 zaõs. Literatura e Sciencias. a nobreza pelo terceiro estado. á medida que os outros 6e abatiam. " He assim que os reys de França abatendo successivamente os Pares pela nobreza. Os Parlamentos foram supprimidos depois durante este mesmo reynado. e sendo até obrigados asupprímir estes corpos. que se chamava de espa- da. porém. que ella pretendeo formar um Estado diverso dos outros três. tanto elevou a classe da ma- gistratura. aquelles que estavam á frente do povo. obteve o Parlamento de Paris o ser arbitro das questoens mais importantes da naçaõ. se deixou de convocar os Es- tados Geraes. a quem naõ podiam ceder. se acharam contrariados pelos Parla- mentos . O terceiro estado crescia em poder. a poderiam ter. sem ter força bastante para con- servar o que estas instituiçoens podiam ter de útil. nas seguintes palavras p. como para desligar os magistrados do partido popu- lar. sem influencia no Estado por sua classe. e votar nos Estados Geraes. ao menos nas circumstancias dadas. depois de ter estabelecido a maxi- . e se creou uma nobreza de toga. únicas assembléas a que as communidades ou corporaçoens eram admittidas. Este estratagema. Esta autho- ridade do Parlamento foi supitada durante o reynado de Luiz XIV. mas naõ deixou de reviver durante a maori- dade de Luiz XV. que. mas Luiz X V I os tornou a instituir. e o ter- ceiro estado pela magistratura. se acharam em opposiçaõ contra a authorí- dade do povo . Daqui conclue o A. por sua antigüidade e possessoens territoriaes. junctamente com a Nobreza: e como mais bem instruída que as ou- tras classes. 17. Para isto se peitaram com honras pessoaes.

se assim quer o Rey. todas as barreiras. para provar suas asserçoens. depois de ter dado por motivo nas ordenaçoens . uma depois de outra. que a França passou do depotismo mais absoluto á licenciosidade mais desenfreada. que tem a America Hespanhola de se fazer independente da sua Metrópole na Europa. de que a historia naõ tinha offerecido exemplo. e com ella toda a authoridade. ma. . julgou o partido Hespanhol conveni- ente estabeler em Londres uma gazeta publicada na lin- gua Hespanhola. Foi por todos estes meios. ou salvar suas partes isoladas. sorte inevitável de todas as perturbaçoens. assim o qner a ley .que he assas ex- tenso. depois de ter destrnido. Naõ foram os Americanos Hespanhoes tar- dios em responder-lhes. com o titulo de Carta ai Observador em Londres . fez cair a realeza.e agora estoutro. o primeiro golpe. e destinada a combater a revolução da America. Primeiramente apparecêo um bem escripto opusculo. quando os poderes se naõ acham divididos entre os que governam e os que saõ governados. que abalou o throno. por que tal he o nosso bom prazer. a qual em seu turno tornou a chamar o despotismo. todas as instituiçoens intermediárias. Como a opinião publica se tem declarado em Inglaterra. vem munido de muitos documentos importantantes. e põem em claro ponto de vista. com o titulo acima. envolvendo em suas ruinas tudo quanto houvera podido sustentar o edihcio social. Literatura e Sciencias. O primeiro. que tem ja adquirido para obter este fim. altamente favorável á causa da independência das Colô- nias Hespanholas." (Continuar-se-ha. que se oppunham ao poder illimitado. como as vantagens. tanto a necessidade. e submergio o povo Francez em uma anarchia.) Carta dei Mosca ai Observador en Londres.

que a Hespanha tem enterrado quarenta mil homens só em Venezuela. MISCELLANEA* Justificação do Correio Braziliense contra o Correo de Orinoco. 172. que desejava- . e mostra que continuou o mesmo systema. depois da volta d' El Rey. que soffreram. durante a passada invasão dos Francezes. mas exacta narração histórica. da parte dos governos Hespanhoes. das provocaçoens. e do injusto tractamento. asseverando. a parte mais fraca e mais exposta da Ameri- ca Hespanhola. e constantemente observamos a franqueza de copiar seus paragraphos por inteiro para que nem se quer parecesse. como he verdade. sem poder conseguir a posse pacifica de um só palmo de terra. 265 Literatura e Sciencias. (Continuada de p.) Temos de continuar ainda em responder às dilatadas declamaçoens do Correo dei Oronoco. he absurdo suppôr que restem na Hespanha forças. que suc- cessivamente exercitaram o Poder Supremo. No segundo folheto se faz uma succinta. com que possa tornar a subjugar to- das as suas colônias. que receberam as Colônias Hespanholas. Em uma palavra. que tanto empenho mostrara em atacar nossas doutrinas.

que o defuncto deixou vago. que refere o Correio Braziliense em apoio de sua opinião contra o acontecimento de Pernambuco. e achamos discordante na passagem que alega o Edictor. de Inglaterra. mas nem por isso que ou- tros a excrevessem de differente modo. " Referido o caso desta maneira. Temos lido sua historia. foi colorado Ricardo á frente dos revoltosos. alcançou que dissipassem o campo. que me admittais por successor.'* Aceita a sua offerta. marchavam tumultuariamente a tomar vingança dos homicidas : El Rey entaõ mui opportunamente se foi só pa- ra elles. e que cessasse o tumulto. pelas mesmas pa- lavras. mos occultar seus argumentos. Irritados estes contra a comitiva de Ricardo. qual he vossa intenção ? (. "Parece-nos também equivocada a anecdota de Ricardo 11. dizendo-lhes:" . que referimos. de Ricardo II de Inglater- ra. altera o sentido em que a citaraos. quando eu venho a propôr-vos. conduzios para fora da cidade . no lugar. por que a exprimimos. neste mesmo sentido co- piamos o seguinte. porém naõ a aplacou dizendo . acha-se nos Historiadores Inglezes." A anecdota. posto que bem pouco pertinente. por ter mor- to a seu coriféo. pa- ragrapho. como o Escriptor aquia expõem.vingar a morte de vosso conductor ? Naõ façais tal cousa. afastando-os do objecto de suas iras." quereis matar a vosso Rey? quem reme- mediará entaõ vossos aggravos ? " Nem a commoçaõ foi popu- lar.. nem estas fôram as palavras com que socegou os amotina- dos. e á in- . Aplaccu Ricardo a commoçaõ popular de Londres . 266 Miscellanea. se faz mais verosimil : o mais repugnava ao systema constitucional da Inglaterra . e cançados da fadiga e da marcha. escripta pelo melhor historiador daquella na- çaõ.Mas ve- jamos como elle mostra a differença.

e fugitivo de suas garras . nos termos em qne a traz o Correio Braziliense. que de Londres. e procuremos que. e o Estados- Unidos. devia o conceito de irreconciliavel com ella.° que impug- namos. de um iptor. e tantos adoradores he para nós summamente repugnante. O Governo. no N. imploremos a sua conversão. naõ fiquem nem vestigios do idolo da tyrannia. Para nós este comportamento he mais estranho. naõ queriam destruir a monarchia. porém que a sua prevaricação tenha acon- tecido em paizes aonde o Deus da liberdade tem tantas aras. que o de outro philosopho refugiado ás Republi- cas da America do Norte contra os furores inquisitoriaes de Por- tugal. por conseguinte a reconvençaõ de Ricardo. que infringindo a Con- stituição. naõ he ja mais o remediador es- pontâneo delles. a sua intenção éra remover as pessoas dos authores do mal que os ir- ritavam. o importante he." Eis aqui um aranzel fora de propósito. perseguido pela Inquisição. nem a ordem de sueceder á coroa. na America. e delle naõ dos Reys se derivou sempre o remédio de taes males. e que em nada muda a essência do facto. e de chegar a ser jamais o seu adulador. éra de todo impertinente e insuficiente para desarmar o tumulto . irroga os aggravos. Se acolhido a outro clima. tantos templos. naõ nos seria tam chocante. ao Parlamento tocava esta nobilissima funcçaõ. erigido sobre as falsas dou- trina. e parece inventada uni- camente pelo gênio da lisonja. 267 tençaõ dos tumultuarios. Miscellanea. que até á leitura de seu artigo lisongeiro á tyrannia." " Nada de quanto contém o artigo desta impugnaçaõ em ob- séquio da monarchia arbitraria éra de esperar-se de um literato. Os amotinados naõ intentavam tirar do meio da naçaõ o Corpo Legislativo nem alterar a sua forma do Governo. Compadeçamo-nos de taes extravios. que reproduzio o Correio Braziliense. e com . que o rey ccommodou os amotinados com sua presença. e consagrado posteriormente ao serviço da Corte do Bra- zil. tivessem prevaricado a favor do despotismo.

A casa dos Communs em Inglaterra. e tendo em vista a causa publica. e que aquelle Rey. até o tempo de Jacob II. Mas como a ignorância he sempre attrevida. Se o Escriptor deste paragrapho tivesse lido seguida- mente o Correio Braziliense. nos termos em que falia. Igualmente revogavam os Reys essas patentes a cidades. que as tinham. offerecer-lhes o pôr-6e à sua frente para procurar o remé- dio dos abusos. nunca existio antes de Eduardo I. nunca teria para com elle sido isso razaõ bastante para . composta só dos Nobres. que a nossa anecdocta. às Universidades de Oxford e Cambridge. tinha sido inventada por nós. que este Jornal tem sempre sido conduzido com o mesmo e con- stante espirito de independência. que elle quiz que man- dassem deputados ào Parlamento na casa dos Communs. quando isso convinha. e de sua vontade emanaram as patentes para as cidades e villas. unicamen- te pelo gênio da lisonja. e se he que o tem assim lido. e naõ motivos seus pessoaes. O que até entaõ se chamava Parlamento éra uma assemblea. com effeito cuidou em reme- diar. entaõ de mui pouca idade. naõ admi- ra que o escriptor concluisse este paragrapho dizendo.268 Miscellanea. o que convocou os communs ao Parlamento. Fallando aqui o Escriptor do Parlamento Britannico e do Rey. foi o Parlamento Inglez constituído. mostra ignorar o modo. Que o Re- dactor deste Jornal tenha sido perseguido pela Inquisição. de que se queixavam. em que achamos que concedera este direito de nomear deputados no Parlamento. posto que a copiássemos dos au- thores Inglezes. e grandes feudatarios da Coroa: foi Eduardo I. haveria conhecido. se o tivesse entendido. e por quem. e os Reys seus successores foram concedendo depois essas mesmas patentes a outras cidades e villas.

que impugnamos. e se o Escriptor. am. e contanto que esta forma de Governos seja adaptada ao gênio e mais circumstancias dos povos. debaixos de Governos Monarchicos. MM . a que he applicada. N°. quer diffira quer naõ da nossa opinião. retorquir-lhe-hemos. acharia naõ de que se admirar do que dissemos. 269 fallar contra essa instituição. Vice-versa o mesmo se deve dizer da Republica : mas estas doutrinas nunca as applicamos ao Governo despoti- co e arbitrário. Miscellanea. Que se admire agora o Escriptor de que este Jornal falle em favor da Monarchia. assim como nunca louvamos o despotico. XXIV. he outra prova de o naõ ter lido com reflexão. assim como disse do Redactor deste Jornal. teria o Escriptor achado. nem contra os que a apôi. tivesse olhado para ellas. Quanto á accusaçaõ de outro individuo que serve a seu Rey nos Estados-Unidos. que entaõ também lhe naõ cabia o emprehender refutar-nos. como dizemos. e tanto mais quanto. Escrevendo nosso Jornal para um Estado monarchico principalmente. que naõ vale a pena de assim o ler. pelo mesmo que neste periódico se propoz a tractar da causa publica e naõ da sua. 142. a injustiça do accusador he igualmente manifesta. suppoem que aquelle in- VOL. mas sim de notar a conseqüência dos mesmos principios constantemente seguidos. e se disser. com menos verdade. Estamos persuadidos. que nenhum publicis- ta ignora. que nunca declamamos contra o Governo Monarchico. distincçoens estas.como elle. cuidamos sempre de o conduzir segundo estas regras. quer insinuar. que muitos povos tem vivido felizes. naõ vemos porque a forma Republicana lhe mereça entaõ a prefe- rencia. Se tivese lido este jornal.

270 Miscellanea.que nenhum Republicano das Republicas mais celebres o adoptaria. julgou logo que reprovávamos a independência das Américas Hespa- nholas. A Revolução da America Hespanhola he outro caso differente. que existe em seu paiz. porque a sua guerra civil naõ he sobre a for- ma de Governo mas sim questão sobre a dominação. . que succedesse estar em poder e mando ao tempo em que fosse injuriado. Tal conselho será tal- vez seguido por aquelle Escriptor. e na verdade isso só acontece de dous modos. Todo o cidadão se deve conformar com a forma de Go- verno. irritou-se com este phantasmade sua imaginação. assim como he Monarchia. ignorando estas distincçoens. naõ fallando na invasão de um inimigo externo. Lembre-se de um Coriolano. entaõ e só entaõ convém também ao individuo se- guir a sorte da Pátria. que obre em sua vida publica. por mais bom ou virtuoso que seja. E se o Escrip- tor se pica de republicano. Naõ está no poder de um só in- dividuo mudar a forma de Governo de seu paiz. edeo por páos e por pedras. tendo em vista seus resentimentos particulares. 2. sem nos entender. A Hespanha podia ser Republica. O Escrip- tor. dividuo devia adaptar sua vida publica. ouvindo-nos fal- lar contra as revoluçoens. mas deverá saber. ja o antigo Governo lhe naõ serve. 1. mas sim con- forme ao resentimento particular e indvidual deste ou daquelle sugeito." Quando conrompendo-se o Governo. pois. Essa forma pôde mu- dar.° Quando conrompendo-se os custumes do povo. ja naõ pôde quadrar aos custumes do povo. envergonhe-se de aconselhar a ninguém. naõ segundo os principios de um Philosopho ou Estadista. e os motivos da guerra com as suas antigas Colônias Americanas seriam naõ obstante os mesmos.

tem tanto (e em alguns casos mais) poder. sobre a tal forma de Governo. naõ será dillicil o prognosticar. se alguns individu- . estando independentes. a Hespanha. As con- stituiçoens ja publicadas. em que devem parar. que a forma de Governo. pois. resultará das ideas dos povos: e se attendermos á antiga educação. mas sim sobre sua iudependencia. e por tempo limitado. A forma de Governo. custu- mes. por isso mesmo deixamos a esses povos sua escolha: mas por isso também julgamos que esses. nem damos ainda a nossa opinião. naõ for ella análoga aos custu- mes dos povos. Isto acontecerá mui provavelmente. que o Rey de Inglaterra ou França. até mesmo em Venezuela. com lembrar a este Escriptor. quando escolherem. do que a uma Democracia. o Supremo Director neste. 271 A separação da America Hespanhola. Concluímos. de sua antiga Metrópole. Segundo a constituição de Columbia. mais se pôde dizer que se assimelham a um Governo Monarchico Constitu- cional. e o Presidente na- quella. que escolherão depois de independentes. e de Buenos Ayres. que o da Metrópole. que nem ainda um Governo estável temem seu paiz. que a sua guerra naõhe sobre a forma de Governo. naõ será demasiado Republicana. que nao for análogo ao seu. se arro- jam demasiado. Miscellanea. e que se. Combumbia. porque como o nosso principio he. que o Governo para ser durável deve ser adaptado ao gênio da Naçaõ. posto que electivo. como agora se chama. e outras circumstancias daquelles paizes. para bem de seus patrícios. quando declamam contra todo o Gover- no. resulta necessariamente do poder phisico e moral daquellas colônias ser ja igual ou maior. uma forma de Governo. Sobre esse ponto nunca demos. teraõ entaõ uma guerra civile entre si. ou.

em data de 19 de Outubro. ordenou o mesmo Tenente General ao Marechal de Cam- po Jorge de Avillez Zuzarte de Souza Tavares. como ja outrem disse. . Conclusão. e a tomada de 1451 cavallos. que se propõem fazer uma revolução. que ha- vendo Artigas formado um campo no Paço de Arenas. Guerra do Rio-da-Prata. a fim de o destruir. sendo o resultado a dispersão do campo e partidas soltas. e 864bois. e bater o ini- migo. e ensinar doutrinas. o Esta- dista nunca o fará no Governo. sob o commando de Filippe Duarte. Rio-de-Janeiro 10 de Novembro. queja existe na mente dos povos. e sabendo-se que Fructuoso Ribeiro devia ser reforçado com aquella força. porque.272 Miscellanea. e 1 Tenente. só mostram a sua presumpçaõ efatuidade. O individuo ou indivíduos. 70 prisioneiros entrando 1 Capitão. incluso 1 Tenente. ainda que era difficultoso surprehendello. consta. outros um Presidente Rey: e se aos pintorese poetas he per- mittido compor impunemente entes monstruosos. composta de todas as armas. mas naõ he o mesmo dos que se propõem a dar impulso ou direcçaõ a uma revolução. que constava de 400 homens. Por officio do Excellentissimo Tenente General Baraõ da Laguna. e a destruição de alguns milhares de couros. os visionários se metterem a prescrever regras. sobre objectos de que naõ tenham ideas ex- actas. sobre 0 mencionado campo. que mar- chasse com uma força. 7 mor- tos. e ninguém as faz. sem causar a ruína de sua pátria. 21 legoas de Monte-Video. 6 feridos. as revoluçoens fazem-se a si mesmas. Entaõ uns quererão um Rey Presidente.

HESPANHA. fi- cando em nosso poder uma porçaõ de armas. sem a menor perda da nossa parte. e pelos Coronéis Graduados Antonio Cláudio Pimentel. 12 legoas da Praça da Colônia do Sacra- mento. e o valor de todos os indivíduos das differentes classes. em que se dividiram as tropas. e Manoel Mar- ques de Souza. e pelas guerrilhas esta- cionadas em Víboras. Cadiz! Cadiz! i Aonde está o teu patriotismo? <j Aonde estaõ as virtudes civis. 1 ferido e 8 prisioneiros ficando mais em nosso poder algum armamento e 50 ca- vallos . O General elogia o zelo e intelligencia com que o dicto Marechal executou a operação. que te distinguiram? . Proclamaçaõ do General dos Insurgentes á cidade de Cadiz. e do Brigadeiro Apparicio. pelo Brigadeiro Graduado Antonio Feliciano Telles de Castro e Apparicio. commandadas pelo Major Pedro Sepeda. e a ordem e actividade com que foram conduzidas as três columnas. debaixo das ordens do res- pectivo Coronel Vasco Antunes. sendo o resultado ser morto o commandante da mesma partida. Tivemos 1 morto (das Milicias de S. 273 que tinham roubado aos vizinhos. e do acampamento. Miscellanea. Outro officio de 20 de Outubro refere que no dia 26 de Septembro fora apprehendida uma partida inimiga na Vilha do Colha. Paulo) e 2 extra- viados. e em particular do Estado maior do Marechal Avillez. e 3 Soldados. tendo sido atacada por uma partida do Regimento de Milicias da dieta Praça.

Levanta-te e atreve-te a ser livre. livre e delicioso ar da liberdade. Cadiz! accórda. e promulgou aquellas leys. Tu ouvistes seu generoso chama- mento. livre. que te ligam. Que força vos opprime? <\ Que bayonetas suffócam vossos genero- sos gritos ? Ah! Tu mesmo estás forjando tuas cadêas.274 Miscellanea. que os filhos da pátria te offere- cem. . he o refugo da humiliaçaõ e da miséria. e ainda estás parada. Cadiz em escravidão. e vê o abysmo. tam fatal como incomprehensivel ? ^ Que escusa podeis dar ao mundo. (Assignado) ANTÔNIO QUIROGA. Fernando <f e naõ vos inspira isto com ardor? ^ Que fructos esperais colher da apafhia. seria a raynha das cidades opulentas. Le- vanta-te e quebra esses fracos trambolhos. que vê este lethargo de indolência ? <. Cadiz. aonde ha poucos annos a naçaõ achou refugio. e tu ainda dormitas. 11 de Janeiro de 1820. e no fim de seis annos será outra vez atua sorte respirar o puro. A constituição foi procla- mada na cidade de S. e repellindo o abraço. que vos deviam fazer para sempre felizes? Como succede. Quartel General de S. quea lembrança de tam grande acontecimento naõ te inflama i Vez tu com indifferença os gloriosos destinos. a que te guia o teu fatal torpor. Sois vós aquelle glorioso azylo.Fernando. que te esperam ? i Porque hesitas ? A liberdade está ás tuas portas. Une-te com nosco : abre tuas portas aos que tem jurado morrer pela liberdade civil de sua pátria.

Deve-se-lhes ensinar. e mil reales de vellon: aquelles. e tem direito aos futuros meios de vida. quando estaõ em difficuldades.° Que este beneficio se extende a todos os soldados. O soldado. dentro em dous annos. na presente campanha. depois de certo tempo deve recompensar seus serviços. qou que ajudarem a sua empreza em outros pontos. Soldados! Vos ja sabeis que essa gente pro- mette muito. juncto á ci- dade a que pertencerem. que tem acabado de servir o seu tempo.500 reales: 20 annos. recebendo delia uma pro- priedade. todo o exercito em actual serviço será desbandado. mas ao depois mandam-vos para a America. 4. mãys. unindo-se ao exercito nacional. 2. 15 fanegas e 1. e que esta. deve ser recompensado. que os ligue ao terreno. e filhos daquelles que morrerem. que o Governador de Cadiz vos faz em suas insidiosas procla- maçoens. e eu conheço que o melhor espirito reyna em todos os cor- pos. e em nome da pátria vos asseguro:— 1. 83 fanegas e assim por diante. Cheio destas ideas. este he o prêmio que dâm. que todo o Hespanhol he obriga- do a servir a sua pátria. a fim de contribuir para a sua libertação. Soldados! O vosso General está satisfeito com vosco. . 3.° Que todas as viuvas. eu me dirigo a vós em outra lin- guagem. 275 Proclamaçaõ do General dos Insurgentes ao Exercito Nacional. Miscellanea. Vós sabeis. que provarem oito annos de serviço se daraõ dez fanegas de terra baldia. gozarão plenamente do mesmo beneficio. que tiverem servido 15 annos. Em nome da Naçaõ.° Que aos soldados. que abraçarem a causa da pátria. e que vós desprezais as ridículas promessas. Eu me empenho. para ali morrer.° Que. que tem uma pátria.

con- siderados por todas as naçoens como a milicia da liber- dade .. como tem feito todas as que o tem podido fazer. Fernando. que seguimos as mesmas bandeiras.276 Miscellanea. Quartel-General de S. que somente deveis desem- bainhar a espada contra um inimigo invasor. debaixo daquella Constituição. cidadãos pacificios. vós. univos com nosco. Contra quem tomais as armas ? Vós. em breve se nos uniraõ. Milicianos! Estamos seguros de que vós naõ tendes outro objecto em vista. Proclamaçaõ do General dos Insurgentes ás Milicias. vós. Soldados! Tende confiança. As tropas. sendo nós Hespanhoes. senaõ assegurar a felicidade da Hespanha. Aqui no . Milicia Provincial! . nós salvaremos a nossa pátria e as minhas promessas se cumprirão. e elles vos declararão. e que estamos protegendo a vossa causa e a de vossas familias. e ellas vos diraõ qual tem sido o nosso comportamento: lede os nossos manifestos. Atê aqui tendes sido um modelo de valor de disciplina e de enthusiasmo. quaes tem sido e saõ nossas inten- çoens. Uni-vos. Perguntai ás ci- dades. (Assignado) ANTÔNIO QUIROGA. vós certamente naõ vindes fazer-nos a guerra. nem contra os legitimos direitos do Rey. que sois destinados à defeza de vosso paiz natal. 1820. Milicianos! Irmaõs. que ainda naõ estaõ com nosco. em que vivemos. ja jurada por toda a naçaõ. portanto. 15 de Janeiro. Bem depressa colhereis os fructos de vossos trabalhos. Naõ nos levantamos contra a religião de nossos antepassados. nem contra a propriedade.

vos prote- gerá na vossa nobre occupaçaõ de cultivar a terra livre da Hespanha. e o realizará. NN . 15 de Janeiro 1820. e à illustre classe a que pertenceis. e a pôr fim a um systema iníquo e oppres- sivo de contribuiçoens. Proclamaçaõ do General dos Insurgentes na Galliza. 277 campo da liberdade. que Ia a perecer: e talvez enterrar em suas ruinas o monarcha. a viver em paz. a segurar a felicidade de vossos filhos. como de- fensores de vossa pátria. Fernando. VOL. N 142. a qual o promette. o que he de mais importância. e bem depressa voltareis para os vossos trabalhos. Temos cumprido com o primeiro de nossos deveres. os vossos compatriotas vos esperam com os braços abertos. cujos verdadeiros direitos nos esfor- çamos por vindicar. talvez vossos pa- rentes. De hoje em diante podeis contar com os esforços do Governo. Quartel-General de S. para acabar com vossas misérias e privaçoens e. Como chefe e orgaõ do Exercito (Assignado) ANTÔNIO QUIROOA. Soldados: Chegou em fim o importante momento. e participai de nossa gloria. Vinde. Vinde a libertar a vossa pátria. debaixo de um Governo justo. de unir os nossos esforços com os das tropas nacionaes. e libertado-nos das approbriosas notas de tropas nacionaes. vossos amigos. que primeiro mostraram o heróico valor de aspirar á salvação de um paiz. que. em vez de vos opprimir. XXIV. e da amarga accusaçaõ das potên- cias da Furopa. podeis calcular com ver-vos avançar para uma fortuna proporcional a vossos serviços. A milicia provincial sempre participou das honras do exercito. Miscellanea.

Dada em Corunha. desejando adop- tar nas circumstancias singulares. Para a contenda. e este sentimento pre- dominante de meu coração. (Assignado. combatendo contra o clima e contra vossos irmaõs. he em conrespondencia de vossa offerta da mais segura garantia da salvação da pá- tria. o Cápitaõ General. aos 23 de Fevereiro. nomeado pela Cidade e cidadãos armados. e vós vos achareis livres da necessidade de ir morrer na America. que até aqui occupaveis. confundidos com os po- bres e mendicantes. de 1820. ou despedaçar vossos grilhoens. Pela minha parte prometto naõ a abandonar até á morte. pelo Com- mandante General das tropas. o segundo alcarcer do patriotismo Hespanhol. que se prostitua ao partido da ignorância. em que se acha este . e a de um povo. se a necessidade o pedir. a pá- tria põem em vossas maõs as invencíveis armas da honra e da justiça.278 Miscellanea. No entanto naõ tendes mais nada a fazer senaõ attender às vossas posessoens. em que vos achais empenhados. quando as Cortes da naçaõ se estabelecerem . cujo triumpho completara nossa gloriosa carreira. Ides pois sustentar a causa de um Rey. que até aqui tem prevalecido. se alguma pessoa se acha. que tem sido privado de seus gozos e direitos: um povo que se unirá com vosco. apresen- tando seus generosos peitos a seus e vossos inimigos. e sereis libertados da vergonhosa con- dição. que desceram do Cêo para nossa guia.) FELIX ACEVEOO. Sua Excellencia. e ap- provam a nossa causa. e vos porá em plena posse do justo prêmio a que aspirais. que tem estado enganando-vos. Proclamaçaõ do General Castanhos na Catalunha.

naõ nos lembremos de nada. e Mas. Miscellanea. comprados pelo nosso sangue. Proclamaçaõ da Juncta Provisional de Barcelona. chefes do exercito. libertando-o da anarchia. procedam em suas deliberaçoens. em conformi- dsde da opinisõ publica e bem do Estado. con- vocar uma Juncta. generosos Catala- ens. que naõ seja glorioso . hoje pelas duas horas de tarde. escondamos na obscuridade da noite aquelle desastroso período: naõ. que isto naõ he um acto de insurreição. debaixo da artilheria do invasor. e também saõ passados seis annos depois que ouvimos o grito vivificador de " Viva a Constitui- ção. de todas as authoridades. restabelecido por nosso heróico valor e constância. e Representantes da Hespanha Europea a Americana. mas o exercicio de direitos. a fim de que. Catalaens! Chegou em fim o feliz momento. e a desconfiança cercaram o throno. em que sois chamados a jurar aquella sabia Constituição. resolveo. os melhores meios de saber a opinião publi- ca. (Assignado) X A V I E R DE CASTANHOS. Barcelona 10 de Março 1820. e preservados por nosso heroísmo. coporaçoens &c. com a devida ordem e regularidade. a hypocrisia. Saõ passados seis annos depois que as praias do Mediterrâneo viram um monar- cha estimado. e desejando também anxiosamente dar este novo testemunho de seu amor ao exercito e povo da Catalunha. escriptos pela maõ da sabedoria." que deveria continuar a resoar nesta capital: porém o engano. forma- da pelos pays da pátria. 279 Principado. a fim de que lhe possa servir de guia. H e bem sabido a toda a Europa. e sem algum detrimento â tranqüilidade publica.

juremos o código Cons- titucional. que unirá outra vez os Hespanhoes da America e da Europa. ou a trazer sobre nós a desunião e os desastres. consagrado igualmente ao apoio de sua de sancta religi- ão. que se attreve a pizar aos pés a sanctidade das máximas da religião. e as leys da prosperidade e da Justiça: chama-nos. ainda quando nós mes- mos consolidemos a independência de algum districto. una-se a sua voz com a do legislador. na presença do nosso Creador. igualmente. removendo aquella immoral e fatricida guerra. neste feliz dia. &c. e honroso a nosso character. para despertar a moralidade e virtudes pacificas nos coraçoens de todos os nossos cidadãos. em uma palavra. Sejam reverenciados os ministros do sanctuario. Barcelona 10 de Março. ja esmagado pelo pezo do despotismo . Viva a Naçaõ! Viva a Constituição ! Viva El Rey! {Assignado) Pelos Patriotas de Barcelona. Teste- munhe o Todo Poderoso os nossos votos. .280 Miscellanea. Juremos a ley fundamental. industria e commercio. em ordem a manchar a terra com sangue. a salvar e legi- timar o throno de Fernando. como nossos primeiros mestres. transformando- os em uma só e immensa familia. será punido o hypocrita. divestamo-nos de todos os interesses particulares e paixoens vergonho- sas. de 1820. porem. a espada da ley o derribarâ . e restabelecer assim o nosso poder e grandeza. Respeitemos as leys. A nossa patna exige de nos unidade nacional: chama-nos a jurar o nosso código de direitos e de obrigaçoens. Miserável he aquelle máo homem. e a abrir os obstruídos canaes da agricultu- ra. que invocar o Ceo.

trastes e alfaias de casa.000 francos. He. Depois. A im- portância da matéria parece ter sido bem conhecida pelo Go- verno do Brazil. e notamos também. As conseqüências destes desperdícios saõ. em que se quer fundar a nova colônia. Por diversas vezes temos tractado o assumpto de augmen- tar a população do Brazil. REYNO VNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. que mostra ter por objecto principal o fa- cilitar a emigração de Suissos para o Brazil. no Rio-de-Janeiro. porque será sempre da mais conhecida utilidade. em somma de mais de 50. Miscellanea. para certos empregados públicos. o individuo. naõ se pôde fazer na Europa escolha de melhor gente. no desarrazoado preço por que se comprou o terreno. e nos informam entre outras cousas. em matéria de tam permanentes interesses ao Brazil. Emigração para o Brazil. e a repiza. que se mostrou logo ao principio grande falta de eco- nomia. e fi- cará a colonização dos Suissos como as obras de Sancta Engra- cia em Lisboa. e com boa gente Europea. interessante o indagar as causas por- . Mas naõ basta a adopçaõ de uma boa idéa. he também neces- sário pensar no melhor modo de a pôr em execução. em Paris. que mandaram á Suissa negociar o anno passado a partida de alguns colonos. que nos parecem de todo alheias de sua missaõ . que diremos agora mais alguma cousa. naõ fora o mais bem escolhido. nunca pôde ser fastidiosa. tem entrado em despezas. que o Governo no Rio-de-Janeiro se desgotará de um plano tam dispendisso. vista a circumstancia de se haver nomeado para a Suissa um Ministro. Ja observamos. e os gastos com os trans- portes dos colonos montaram a sommas immensas. 281 Rejlexoens sobre as novidades deste mez. e sem duvida. que o lugar destinado para esta colônia de Suissos no Brazil. que comprara. He sobre isto. pois.

e a connexaõ bem pensada de todas as partes do plano fossem bem explicadas ao mundo. porque toda a publicidade lhe he essen- cial para seu bom êxito. que . e que estas fossem de natureza adaptada a remediar os inconvenientes pessoaes. de que mais se queixam as classes trabalhadoras na Europa. Havendo assim muita gente. deveriam ser traduzidas nas diversas linguas da Europa. e proporcionado á extençaõ do território e recursos do Brazil. naõ deve limitar-se somente a um punhado de indivíduos da Suissa. que emigravam á sua custa para os Estados-Unidos. O plano de attrahir ao Brazil população Europea. aonde naõ ha as facilidades de se estabelecerem. mas que pela perversidade dos que lhes furtaram o dinheiro. na ultima dessolaçaõ e miséria. bem organizadas. que deseja emigrar para os Esta- dos-Unidos. As leys. que vieram para a Inglaterra muitas fa- milias indigentes da Alemanha. que se encontram no Brazil. E quando as condiçoens razoáveis de tal medida. que pagaram pot suas passagens. A primeira fonte do mal nos parece existir. naõ se poderia fa- zer demaziado publico . que as cousas assim succedem. nem mesmo offerece terras de graça aos emigrantes que lá vam ter. em que estes attractivos se especificassem. e os immigrados no Brazil deveriam entaõ achar toda a facilidade de transportar-se aos lugares do interior. fôram lançadas em teria neste paiz. para se lhe poder applicar o conveniente remédio. destinados ás novas povoaçoens. em naõ se faze- rem leys geraes a favor da emigração da Europa para o Brazil: leys que segurassem aos immigrados certas vantagens. dizendo-se. de maneira que a introducçaõ de oito mil pessoas cada anno. que sempre deveriam ser juncto aos rios navegáveis. para este paiz se faria a maior emigração. visto que o Governo dos Estados-Unidos naõ dispende um só real. ou estradas freqüentadas. se as medidas para isso adoptadas fossem as conve- nientes. livrar-se-hia o Gover- no do Brazil da satyra. Naõ ha muito tempo.282 Miscellanea. fosse o miniuio deste calculo. deve ser executado em escala grande. que se tem espalhado. Um plano desta natureza bem formalizado.

em vez de ser crime de lesa-majestade como agora querem que seja. Todo o empregado publico na nossa terra. desde o maior até o mais pequeno. em tornar a con- seguir a mesma influencia nos conselhos da Corte do Brazil. que fal- lar mal delles he fallar mal de Deus. assim como succede em todas as mais re- partiçoens no Brazil. como aquella que muito deve obstar á execução deste plano de emigração para o Brazil. Fidelissima. Vimos entaõ um Ministro Diplomático tomar sobre si o enviar outros ministros a Cortes estrangeiras. ou da Divina Providencia. aonde as distancias fa- cilitam tanto os meios de fazer passar gatos por lebres? Lembremos unicamente as negociaçoens para o tractado de 1810. para levar ao cabo aquella medida. assim teriamos de uma vez. Miscellanea. que quem lhe apontar algum defeito. que houve a todo o mundo. e naõ por crimes meramente de opinião. em sua vida publica. que se poriam em practica. para com elles augmentar a população do Brazil. Se dessem um pequeno passo mais adiante. sobre que temos de reflectir. e será fácil conjecturar as multiplicadas falsas represen- taçoens. que tam nociva tem sido. M. seria logo blasphemia. que o nomeou para o lugar que occupa. que permittio. que. Mas he agora o mesmo partido. . que os póz neste mundo. o que naõ he pequeno desdouro aquelle paiz. o que tra- balha. que será pois isso cá por fora. qne occupassem seus lu- gares . lá mesmo no seu paiz. Mas uma das principaes causas. adopta a máxima godoyana de dizer. e por tal condemnados a morte em Portugal. e um Soberano. e que sinceramente deseja conhecera Verdade . para naõ terem responsabilidade . he a falta de responsabilidade nos em- pregados neste plano. notar alguém uma pe- tulância de um merinho. como se esse ministro fora o Rey : vimos empregar nessas agencias diplomáticas ho- mens réos do crime de lesa-majestade. podiam também dizer. 283 manda buscar os degradados das galés de Napoies. e infelizmente com bastante successo. aos vassallos de S. falia mal d'El Rey. aonde tem a felicidade de possuir o seu Soberano. Com esta capa tractam todos os empregados de se abrigar. e será.

o fazer as despezas como quizer. escrevendo para o Brazil a metter medos com as potências estrangeiras. Eis aqui como. que tem arruinado a naçaõ. nem da continuação do mesmo sys- tema da falta de responsabilidade. que cabem em seu poder. Mas houve Minisrto.284 Múcellanea. tarde ou nunca surtem effeito ? Exemplo. O plano da emigração da Suissa. e outros da mesma estofa. e continuar a Administração em Londres. com o fim de o desviar de seu pro- pósito. que se pas- sasse de Inglaterra para Lisboa. que nada temem. a pezar do plano ser approvado por El Rey. Marfim. j á com lugares effectivos. a administração dos contractos reaes do Páo-brazil. que em vez de se prestar e au- xiliar o plano da emigração o retarda quanto pôde. e as queixas particulares. para ajustar os emigrados como lhe parecer. manifestados em matar a seus mesmos patrícios por servir os Francezes. naõ podemos duvidar. ja defeituoso na origem como vimos acima. que pudesse haver. a empenhos do partido desses diplomatas. que fez com que os velhos Administradores fizessem representaçoens a El Rey. mas por crimes contra a pátria. Ha outro ministro na Europa. que por accaso falhou. Ha em França um homem de nenhuma representação. soffrerá ainda novos estorvos por estas causas que acabamos de apontar. i Que plano poderá ir a diante com tal systema. E quando vemos agora esses mesmos homens. nem dos bem succedídos esforços dessa gente para firmar o poder de sua oligarchia. que. ja com situaçoens nominaes nas Legacias da Europa. para goza- rem dos privilégios das Embaixadas. ou antes fal- ta de systema nesses empregados. Urzella e Diamantes : a fim de deixar entre seus vassallos os lucros provenientes de se admi- nistrarem esses ramos de Commercio em Portugal. póem todos os entrávez e difficuldades. outros ainda sem o perdaõ empregados. Mandara El Rey. para assim dizer com charta assignada em branco. uns perdoados. com a mais decidida justiça. Ha um ministro no Brazil. porque naõ tem responsabilidade publica. pela falta de responsabilidade publica se for- . que se mandou á Suissa.

agouramos mal desta medida. segundo o som de seu pádar. Sem estas circumstancias cada Ministro se opporá na Europa ás vistas dos outros. os fundos. em prova disto. no caminho que ella vai levando. . para que se façam publicas as condiçoens. porém. conforme as vistas de cada um . se pôde ainda assim dizer. que indirectamente se tem opposto ao plano da emigração para o Brazil. Em fim. gloza. que se taes ministros tem mui boas ra- zoens para naõ irem para os lugares a que saõ destinados. quem tem observado o que se tem passado ha tantos annos na legaçaõ de Londres. ou algum de seus satélites. de poder nunca a verdade chegar aos ouvidos d' El Rey. que dahi se segue. e das contrarie- dades. em um só facto. e como tudo isso se faz em segredo. que cega- mente lhes obedeçam. que reúne no pequeno numero de pou- cas familias todos os lugares de maior importância. as maõs porque tem de passar. Mui plausíveis razoens teraõ allegado ao Soberano. que tem ja apparecido. e he. Reflicta-se. Miscellanea. naõ he possivel discutir a bondade ou disconveniencia dessas razoens. e eva- VoL. e na difficuldade. OO . sobre a naõ execução. naõ dando os empregos senaõ aos seus. e logo depois de sua morte. demoradas e illudidas. 285 ma um partido oligarchico. que para este fim se applicam . Este negocio naõ he um segredo de Estado : logo naõ pôde haver inconveniente. 142. { Ha quantos mezes se nomearam. para assim obrarem. Das circumstancias. e assim se estabelece uma barreira im- penetrável entre os Soberanos e os vassallos em geral. X X I V . Ministros para as Cortes estrangeiras ? Com tudo até agora ainda nenhum des- ses foi para os lugares do seu destino. as ordens d' El Rey seraõ glozadas. Uma cousa. fundando-se na falta de responsabilidade publica. ou- tros se deveriam nomear. com que no Brazil se receberão os emigrados. e todos contarão com a impunidade em sua desobediência. ao tempo do Ministro Bezerra. e as precauçoens para fazer efficaz a responsabilidade de cada um dos individuos nisto empregados. que he notório a todo mundo. N ° . que naõ tivessem tam boas razoens para deixar de ir cumprir com o seu dever.

°s dicto assas sobre este ponto. assim como a respeito de outros assumptos. dahi tomadas a pôr em practica. sug- çere medidas apressadas e indigestas. que cm outros paizes faz assumpto das mais sérias deliberaçoens. sido tractado como insignificante. mas o avizo. revo- gaçoens. No principio deste N. e mudanças.° copiamos um avizo dos Governadores «le Portugal. até nas formalidades. como »aõ as counexas com o systema agrário do paiz. de- terminando-se e revogando-se por um mero avizo do Secretario do Governo de Lisboa. com a mais indecente leveza. hoje. sem que contra taes procedimentos hou- vesse ainda a conveniente demonstração. como he a imposição de tributos. se a matéria naõ fosse de tanta seriedade.. que em tempo opportuno tere- mos occasiaõ de explicar. como se por acintes o Governo governasse por escameo. Temos ja em outros N. posto que naõ possa deixai de lamentar. de que tractamos he mais outra prova. se mais prova he necessária. que a impulso de mal concebidas idéas. e de leys de tanta importância. de recorrer a outros meio9 para a formação de leys. tem sido sugeito a disposiçoens prohibitivas. sobre a importação do trigo em Lisboa. da necessidade que ha. O fornecimento do paõ para a naçaõ. que saõ annihiladas logo depois. o que se fez hontem . logo modificadas. saõ das ordens d'ElRey. Isto bem fácil- . r ao mesmo tempo de conseqüências tam deploráveis. Importação do trigo em Portugal. E o paõ. alterando os seus regulamentos.286 Miscellanea. o que se está practicando hoje em dia. sem a devida pre- íneditaçaõ. em que tal vez apaieçam boceadus. Objecto de tanta importância. he deixado em Por- tugal ao arbítrio de um ou outro individuo. Causaria riso esta inconseqüente repetição de ordens. naõ se pôde admirar. a respeito do plano de que tractamos . que sejam de mui difficil digestão. principal alimento do povo. tem. revogando-se por isso. ja tantas vezes alterados. entaõ t< i nadas a mudar. se he que naõ de peiores motivos.

ou Sancta Fé de Bogotá. como agora se denomina o território de Venezuela e Nova Gra- nada. para fazer legislação sobre taes matérias. que commandava Lá Torre. 287 ineute se remediava. de que uma cidade se chame Bogotá simplesmente. e consistia em 5. que exigem longa deliberação. nem podeiu reunir em si os conhecimentos necessá- rios. o descer á minudencia. Este documento importante. podem as suas oecupaçoens diárias da administra- ção dar-lhes tempo. juncto ao Apure . com a mais fácil communicaçaõ de uns a outros. e taes quaes saõ. naõ admitte exame mui escrupuloso . nem quando isso assim fosse. de reunir em um só Estado os terirorios de Venezuela e Nova Granada. Com tudo a medida.000 recrutas de Nova Granada. para meditar coin a devida reflexão. na sua marcha . Miscellanea. o que Soublette executou em conjuneçaõ com Paez. pôde lançar os fundamentos a um commercio da Ásia com a Europa. he da mais transcendente utilidade aquelle paiz . para que nenhum outro povo do mundo pôde ter as mesmas fa- cilidades. e a combinação de vários talentos. que reunam informaçoens de muitos ramos. &c. commandando portos no Oceano Atlântico e Pacifico. Parece que o General Soublette alcançou abrir sua passagem por meio do exercito Realista. que este documento annuncia. 20G damos a ley fundamental da Republica de Columbia. porque forma uma naçaõ. pela única e obvia razaõ de que tam poucos homens. porém a outra divisão do exercito de Bolivar. quando naõ fosse por outros tantos motivos que ha. depois de se haverem reunido em um só Estado. A p. encontrou-se com La Torre. a quem Morilho tinha mandado. impedindo que os Governadores legislassem só por s i . que este commandava em pessoa. que. sobre assumptos. porque lá he um pouco abaixo da grandeza de uma ley funda- mental. AMERICA HESPANHOLA. para impedir que voltasse para Venezuela.

Bolivar foi ter a Angostura. Fernando." Aacquisiçaõ de Cuba. ESTADOS-UNIDOS. e ordenou ao General Paez. e esperar até que se pudesse fortalecer antes de atacar os Realistas. a tomar o commando do exercito em S. quando perdeo o seus navios bombardeiro. que parece fallar se- gundo o espirito publico daquelle paiz. Uma das gazetas dos Estados-Unidos. e recebeo grande damno nos demais. que mar- chasse na direcçaõ de Truxillo. e nunca abandonar: a saber. Se La Torre. naõ fosse informado a tempo deste plano. três dias de- pois. que consiste da Legiaõ Britannica e tropas do paiz. e posto que naõ houvesse batalha. postando-se no caminho.288 Miscellanea. que chegam até 12 de Ja- neiro. se explica. com dez mil homens . e trabalhasse por suas manobras para metter La Torre entre elle e o exercito de Bolivar. de Cucuta. e voltou para o Apure. e fogueteiro. que Lord Cochrane tinha falhado em sua tenta- tiva contra Callao. aonde os Realistas naõ tem sem duvida forças bastantes para se oppór a tal exercito. Isto he necessário á Republica . se sabe. e outra vez. para o disputar com seu antagonista." de Outubro. Bolivar julgou mais prudente fazer halto. Pelas noticias do Rio-de Janeiro. no 1." " 1. seria sem duvida cor- tado. para que ambos assim o atacassem. aonde se demorou somente dez dias. sobre as suas relaçoens com as colônias vizinhas da Hespanha. A intenção éra de marchar contra Caracas em Fevereiro. na se- guinte maneira:— " Ha três objectos que o Estadista Americano deve ter sempre diante dos olhos. que estava em Merida. adiantar constantemente. das provincias de Cumana e Barcelona. Em conseqüência veio por outra estrada para o Apure.

que esta augusta descendência tem por tronco a Roberto. Miscellanea. esperança do throno e da legitimidade. para proteger o commercio do vale do Mississipi." " 2. passa- va a Fernando VII. depois do irmaõ e sobrinho do actual Rey.° O commercio para a índia pelos rios do Mississipi. j ulgamos próprio dar aqui o seguinte extracto de uma gazeta Franceza (Le Drapeou BlancJ sobre o mesmo assumpto. que reyna em França. cremos que nada he mais próprio a rectificar as ideas sobre este ponto. as mais errôneas noçoens. " O golpe execrável. e este traria o commercio do ouro e prata do México para o ceio da Republica. que acaba de roubar á França um Principe. sobre os diversos ramos da Casa de Bourbon. Luiz. 1820. 6 de Março. Isto nos daria um com- commercio livre. he sufficientemente co- nhecida de todo o homem. que a successaõ da coroa de França. que abaixo damos. Isto voltaria a mais rica veia do nosso commercio estrangeiro para um canal exclusivamente Americano. suppómos também. e fornecer café á Republica. e o poria além do alcance de obstrucçoens Europeas. que se chama Francez. sexto filho de S. Suppómos que ninguém ignora. hábilitando-nos a tirar toda a vanta- gem de nossa posição superior entre a Europa e a Ásia." FRANÇA. que a filiação do ramo. do que o quadre genealogico. naõ tractare- mos pois aqui neste quadro senaõ dos ramos collateraes. deo lugar a que uma folha liberal espalhasse." " 3.° A independência do México. agora Rey de Hespanha." . e para comman- dar o do México.° passado. seja por ignorância seja por designio. Conde de Clermont. 289 para manter a uniaõ entre os Estados Occidentaes e Atlânticos. Havendo dicto no nosso N.

Este principe era genro de Luiz XV. Carlos III." " He assas commum ouvir fallar da renuncia dos Bourbons em Hepanha. Fernando. " Vê-se. qne f» investido nos Ducados de Parma. neto de Luiz XIV. Maria Luiza de Áustria. rece- beo. sem que a gente tenha ideas claras sobre este ponto." " Pelas cartas patentes de 3 de Fevereiro de 1701. O Duque actual. Ramo de Orleans. (d' Etruria) S. ratificadas no Parlamento. Luiz XIV. Luiz XIV. conservou e grantio a Phillippe V. Monsieur (irmaõ de Luiz XIV) Monseigueur. intitulava-se (1'antes Fernando IV. Phillippe. Ramo de Hesponha. D. Monseigneur..290 Miscellanea. he pay da Senhora Duqueza de Berry. O Delphim. Este ramo da Casa de Bourbon. Phillippe V. depois da solemne reunião das Duas Sicilias. seu » Este priocipe. Luiz XIV. pois. . O Duque d' Orleans (Regente) Phillippe V. descendem em linha recta deste monarcha. Carlos III. Luiz XIV. Ramo de Napoies.* Fernando VII. c foi outro sim reconhecido herdeiro immediato na Duqueza de Parma. o Duque de Reichstadt. * Fernando I. O Duque Luiz. mas tomou o titulo de Fernando 1. Luiz II. Luiz I. o das Duas Sici- lias. Ramo de Parma. 1. como indemnizaçaõ provisória. Seu filho. O Duque Luiz Phillippe. A. á exclusão de seu filho. pela paz de 1748. que os ramos de Hespanha. quando o ramo de Orleans descende somente de seu irmaõ se- gundo.O infante de Hespanha D. Placencia e Guastnlla. tendo por tronco commum Phillippe V. o Principe Hereditário. o principado de Luca. Carlos IV. Phillippe V. Monsieur. e o de Parma. Phillippe he o primeiro Bourbon. Seu neto Luiz 1. foi de- clarado Rey de Etruria em 1801. S.f O Duque Luiz Phillippe.

um cabeça de parti- do. renunciasse a todos os seus direitos de Prin- cipe Francez. Mas Phillippe V. para triumphar da oppo- siçaõ no seu Parlamento. suppondo que fora valiosa a renuncia de Phillippe V . 2 vol. 291 nelo. que o que renun- cia por si renuncie por seus successores. . foram authorizados a aceitar o artigo proposto. e além disso. pois. . que precedeo á paz de Utrecht. a Assemblea Nacional repulsou duas vezes esta proposição termeraria. Este opusculo faz parte da introduc- çaõ das Memoires secrets du Cardinal Dubois. mas que lhe éra absolutamente necessária. que. Alguns ora- dores. todos os os seus direitos de successaõ ao throno de França. regeitou esta cláusula como iu- juriosa.. que tem por titulo. Sevelinges. que desde * Esta importante questão das renuncias foi trartada a fundo. que. pedio que a renuncia dos Bourbons de Hespanha fosse solemnemente consagrada pela nova Constitui- ção Franceza. que naõ permitte. ella naõ ataca o principio. para ir em pessoa revindicar os seus direitos ao throno de França: além disto. Precis ilcs rejocialions de Ia pair íTUtreckt par Mr. havendo-se espa- lhado durante a minoridade de Luiz XV. Miscellanea. fez logo preparativos em Madrid. sempre assustada com a perspectiva da'reunião das duas coroas.* " Este axioma politico he de tal modo reconhecido. um rumor de que este Rey tinha morrido. entaõ todo poderoso." " Durante a negociação do armistício. sobre uma só cabeça. observaram mui judiciosamente. o primeiro cuidado de sua politica. quando no principio de nossa revolução. naquella grande crise.. o Ministério Britannico. e até illusoria. em uma dissertação politica. devia ser desapegar a Inglaterra da coaliçaõ. que ella olhava igualmente a renuncia pedida como illusoria. Esta re- união nunca tinha entrado nos projectos de Luiz X I V . tam pouco se suppoz li- gado por esta formalidade diplomática. Os negociadores Francezes. Louis XIV. pelo contrario. principe mui religioso. A Raynha Anna respondeo. e assegurar o throno de Hespanha a seu neto. Svo. votando a ordem do dia. pedio que Phillippe V. estadistas.

Os departamentos saõ divididos em arrondissements electoraes. Também se naõ approvou a Commissaõ de Censura previa. por uma maioridade de 136 votos. fica sendo electiva." ou que providencêam sobre o modo de pôr em exe- cução o projecto. saõ izentos de sua operação. o momento em que coroa hereditária deixa de seguir a ordem da primogenitura. O quarto contém disposiço- ens geraes. pelo que respeita os 172 deputados da Câmara. e a du- ração desta medida se limita até o fim da sessaõ seguinte.292 Miscellanea. agora existentes. com um sentimento da dignidade nacional. O projecto de ley para suspender a liberdade da imprensa foi approvado na Câmara dos Pares. e estabelece que.. que forem elleitos. O segundo titulo do projecto refere-se ás quotas ou contribui- çoens dos eleitores. 600 dos quaes he o maximum e 100 o minimum. e dos que saõ elegiveis. cada anno. e só do interesse destes. sendo todos os presidentes nomeados por El Rey. mas coimervou-sc uma parte do projecto. O Sexto titulo contém o que se chamam " disposiçoens tran- sitórias. a Câ- mara se renovará naõ simultaneamente. porém com algumas alteraçoens." A ley. contra o que se havia antes projectado. que seraõ 430. 219. imposta pelos estrangeiros. he volumosa. O terceiro . conservarão os seus lugares por cinco annos: mas." o numero dos de- putados. todos os deputados. 258 dos quaes seraõ eleitos pelos col- legios de arrondissement. contra 74 . nomeados pelos collegios dos ar- rondissements. e se distribue em seis titulos. Assim ha uma representação. >|ue naõ estava bem aos Francezes o armar-se com uma cláusula. ou presidência dos collegios. sobre as eleiçoens. Os collegios departamentaes saõ compostos de certo numero de eleitores. 1. cada um dos quaes tem um collegio composto de membros resi- dentes no arrondissement. de representa- ção. tm que se determina . mas por quintas partes.'amara dissolvida. e 172 pelos collegios departamentaes. e acrescentaram. á for- mação da meza. sendo a (. Os jornaes. que publicamos a p.

Miscellanea. que se imprimem na Islã de Leon. Recebemos uma serie das gazetas. uma carta a El Rey copiada a p. por considerar que Mr. e por isso daremos aqui. 142. que. e grande numero de documentos . As noticias da revolução de Hespanha adquiriram tal gráo de importância depois da publicação do nosso N. O Baraõ Mounier para Director Geral da Repartição de Policia : e o Conde Portales. PP . Sub-sécretario de Estado no Ministério de Justiça. 239. em que obra esta revolução. El Rey tornou a mandar chamar o Duque Decazes. por uma maioridade de 117 votos. para reasumir as suas funcçoens no Ministério. ja porque os que copiamos saõ bastantes para dar a conhecer o espirito. foi regeita- da na Câmara dos Deputados. como saõ a proclama- çaõ aos habitantes de Cadiz. O projecto assim arranjado foi apresentado á Câmara dos Deputados. 233. e vários outros docu- mentos. De- cazes éra a pessoa mais adaptada a encontrar estas difficul- dades. ja porque nos falta o lugar. HESPANHA. Julga-se que os ne- gócios da Hespanha. apenas dam lugar á consideração de outro algum objecto politico. uma proclamaçaõ á Armada Naval. o mani- festo. 273. Vòh. alguma cousa por extenso. 293 que os jornaes séjáin sugeitos a censura. que publicamos a p. M. contra 122. S. com o titulo de Gazeta Patriótica dei Exercito Naci- onal. que deixamos a p. A accusaçaõ contra o exministro Duque Decazes. por ordenanças de 21 de Fevereiro. para Ministro e Secretario de Estado da Repartição do Interior. resposta a esta carta . X X I V . N». a carta pastoral do Bispo de Cadiz . nomeou o Conde Si- meon.° passado. e o estado presente da França induziram El Rey a tomar esta resolução. o resumo do que naquelle paiz tem acontecido. que deixamos de publicar.

e commroandado por D . Raphael Riego. o qual. e Blanco. pagando o direito de 12 por cento. e. e marchou logo para o Quartel- General em Arcos. procedeo para o mesmo ponto de Arcos. que foi ter a Algeciras. em Algeciras. aos 31 de Janeiro. No entanto o batalhão de Sevilha. Estaordemheassignada pelo general Riego. extinguindo também o monopólio do tabaco. Em Arcos o General Riego prendeo os Generaes Conde Calderon. posto qne a esse tempo estivesse prezo. com o batalhão de Asturias. aonde chegou primeiro. destacou uma colum- na commandada pelo General D. como éra de suppôr. o que foi notificado officialmente pelo Governador de Gibialtar aos 7 de Fevereiro. Antonio Muniz. de Janeiro.294 Miscellanea. Riego foi destinado a obrar em primeiro lugar. commandante em chefe de todas as tropas. reunido-se na villa de S. e admittiram a importação de todas as mercadorias estrangeiras. aonde publicou a Constituição. Juan. pelas 8 horas da manhaS. depoz as authorida- des Reaes. Salvador. que o General Quiroga fora escolhido pelos outros officiaes para o com- mando em chefe. 242 se vê. o General O' Donnel declarou este porto em bloqueio. por tomar diverso caminho. Nomeou entaõ magis- trados constitucionaes no lugar. j urada em 1812. O exercito insurgente na Islã de Leon. proclamou na frente das tropas a Constituição. Fournaz. e se assevera. Na manhaã do dia seguinte ignoravam ainda os habitantes o que se havia passado. que os Insurgentes aboliram todos os impostos. O primeiro movimento da revolução foi no 1°. com . que commandava. mas. e substituio-lbes as populares. os ne- gociantes começaram logo a mandar para ali suas fazendas. Nas gazetas achamos uma narração bastante cireumstanciad t do principio e progressos da revolução. fixaram na sua importação o direito de um real de vellon por libra. aquartelado em Villamar- tin. Em conseqüência de haverem entrado as tropas insurrecciona- rias em Algeciras. que o batalhão de Asturias. Pela proclamaçaõ copiada a p.

A artilheria. O coronel do regimento de milicias de Murcia marchou contra Carthagena. O chefe de guerrilhas Nebot. póz-se í frente de 400 homens armados em Valencia. Venegas. e induzio aquella cidade a seguir o exemplo de Murcia. que na guerra passada contra os Francezes s« distingui o muito com o nome dei Fraile. na direcçaõ de Malaga. que se observava nestas tropas. que habilitou Riegoa marchar sem demora para o seu destino. Em Malaga. e o Bispo foi o primeiro a jurar a Constituição. com 500 homens. A columna. que parece ser um dos principaes objectos do ódio geral. commandada pelo General Riego. segundo a Consti- tuição. e adian- tando-se algumas partidas até Puerto Real. dirijindo-se a Granada. partio de Al- geciras. de maneira que o General Freyre se naõ attrevia a tra- zêllas a contacto com os seus compatriotas Insurgentes. com uma força ja augmentada a 4. e Couil. que a retaguarda teve em Marbella com uma partida do General 0'Donnel. e entrou naquella cidade aos 18 de Fevereiro. chegou ao Puerto de Sancta Maria com 6. voltou as suas peças contra o palácio da Inquisição. mandada a proteger os direitos d' EI Rey. começou a revolução em Corunha. No Norte da Hespanha. para se unir a Riego. e outras nomeadas em seu lugar. Z95 o que tal foi o rendimento da alfândega. Miscellanea. excepto uma escaramuça. e que se elle.000 homens. Os habitantes de Alcantarilla e Algezares entraram em Mur- cia. foram logo depostas as authoridades Reaes. aos 20 de Fevereiro.000 homens : estando o General 0'Donnel postado em Alcala de los Gazules. sem opposiçaõ. O corpo dos officiaes militares. No entanto o General Freyre. que em Sevilha havia recebido d' El Rey a nomeação de commandante em chefe do exercito. Riego saio de Malaga. se . e com tu- do crescia todos os dias a desaffeiçaõ. se apresentaram ao Capitão General. Venegas. presididos pelo commandante da Artilheria. e o informaram de que a guarniçaõ estava a ponto de proclamar a Constituição.

290 Miscellanea. O Marquez de Valladares. Isto feito. o General Mina. proclamou-se a Constituição. voltou para a Hespanha. Feliz Acevedo. A insurreição em Sant-Ander teve lugar aos 27 de Fevereiro. e a Vigo. e reunindo logo um corpo de insurgentes. Manuel Latre. aonde se naõ tenha proclamado a Con- stituição. Negociante. Presidente. D . em Gal- liza. que se achava refugiado em França. . General das tropas nacionaes. no vale de Büstan. Com a maior rapidez imaginável se espalhou este movimento revolucionário por toda a costa até Sant Ander. Procurador d' El Rey em Corunha. Este sugeito tinha sido um dos da Regência no tempo das Cortes. Pedro Agar. para as fronteiras de Castella. e se estabeleceo uma Juncta de Governo. e éra agora prezo de Es- tado. entrando em serviço alter- nadamente com as tropas de linha. composta dos principaes habitantes. que juraram de novo. M. Joaquim Freyre. D . Dous mil habitantes se formaram logo em um corpo de Milicia. Carlos Espinosa. Coronel d' Artilheria. Isto habilitou Acevedo a destacar um batalhão de Infanteria. As authoridades Reaes fôram despedidas. Bustos. D. com algumas peças de campanha. e entrou na Navarra aos 24 ou 25 de Fevereiro. ficaria prezo : o Capitão Ge- neral escolheo esta alternativa. e outras postas em seu lugar. Antonio de Ia Vega. nas Asturias. D . Em quanto estas cousas se passavam no Sul e Norte de Hes- panha. partio dali com 500 homens a apossar-se de Orbaiceta. chamado os Granadeiros Nacionaes. D . cujos nomes saõ os seguintes :— D. naõ puzesse para isso á sua frente. de maneira que apenas ha algum lugar considerável. e proclamaram a Constitui- ção. nas fronteiras de Portugal.

000 homens. e convi- dou Mina para jantarem junetos. e os instrumentos de tortura fôram publi- camente destruídos pelo povo. e as alfaias. vendo que a torrente popular em Bar- celona. Assim tóram soltos todos os prezos. porque os Inquisidores naõ se attre- vêram afazer opposiçaõ aos habitantes da cidade. Aos 10 de Março. que foi conduzida com a maior tranqüilidade. Joaõ Pie- de-Port. 278. noti- ficou ao Governador de Pamplona. que ali tinha. fôram tirados por quem quer que os quiz levar. se dirigio o povo á Inquisição.000 homens. e resto da Catalunha. que elle achou que lhe convinha resignar o seu lugar. e proclamar a Constiuiçaõ. aonde fôram todos admittidos sem resistência . ia toda pelo partido da Constitui- ção. naõ sem morte de al- guns. que ali se achavam. e expedio um navio para ir em alcance de ou- tro. A Juncta. publicou a Constituição naquella cidade. quizéram aproveitar-se do momento para escapar-se. em que o General Castanhos havia mandado os prezos de Estado. publicou a proclamaçaõ para formar uma Juncta Provsio- nal de Governo. e foi nomeado para o substituir o general Villacampa. logo que foi estabelecida. que elle mesmo estava ao ponto de o fazer. que havendo ajunc- tado um corpo de 2. tomara a fundição Real de Ar- tilheria em Aizzabal. que damos a p. Os criminosos. forçado pelos prin- cipaes habitantes de Barcelona. ja á frente de 2. Este passo de Castanhos o fez tam impopular. o General Castanhos. O General Castanhos. o General Mina. Aos 11. que ia a entrar naquella cidade. Dizem. fez a proclamaçaõ. No resto de Catalunha seguio-se o exemplo de Barce- lona. 279. a fim de o os pôr em segu- rança. Miscellanea 297 e começou a organizar um exercito. e no fim da cerimonia. nem mesmo a apparecer. para Majorca. livros e papeis. que dista quatro léguas de S. como publicamos a p. que se achavam confundidos com as inocentes victimas da perseguição. que fora Governador de Ma- . O Conde de Espeleta res- pondeo-lhe. mas impedio-se-lhe isso.

que éra o que marchava contra Riego. que se salvasse em quanto éru tempo. para escoltar um comboy destinado ao General Freyre. O segundo D. se elle to- masse o commando do exercito. para o encarregar deste serviço. tomara juramento á Constituição e marchava contra Astorga. e repre- sentou-lhe. o mesmo fizeram seus três irmaõs : o primeiro. que tomasse. formou com elle uma j une çaõ. declarou. A- bisbal achava-se fora de Madrid e El Rey o mandou buscar. seguio o mesmo. o que ao depois se executou. se declarou a favor da Constituição. quando ali se proclamou a constituição. que se achava deterrado em Valladolid. Ballesteros foi ter com El Rey. El Réy expedio entaõ uma ordem ao General Ballesteros. drid quando ali chegou El Rey. fora mandado de Madrid. Neste comenos che- gou notica a Madrid. que éra o Governador de Castella. e prendeo os mensageiros do Governo. e proclamar a Constituição. mas chegando a Ocana. que éra coronel no Regimento em Ocana. O Conde de Abisbal. e que se offereceo para apoiar naquella epocha a defensa da Constituição. até para a mesma segurança d' El Rey. que o regimento de Malaga. aceitando a Constituição. M. que as cousas estavam em estado. que. proclamou a Constituição. seria em breve tempo obrigado a marchar contra Madrid. immediatamente lançou maõ do dinheiro pertencente a El Rey. 0'Donnell. Assim recotnmendou a S.Carlos 0'Donnell. que só dista de Madrid dez léguas. O terceiro D. Por fim todo o exercito commandado por Freire.2QS Miscellanea. para que tomasse o com- mando do exercito. Como o General 0'Donnel tomou o partido dos insurgentes. Despedindo-se d' El Rey e beijando-lhe a maõ. que derramaria até a ultima gota de sangue em seu serviço . Nestes termos naõ restou a El Rey outro partido. Joze 0'Donnell. á frente do regimento Imperial de Alexandre. Ballesteros aconselhou também a que se mandassem soltar todos os prezos por crimes políticos. commandado pelo Brigadeiro Piquero. que estava de guarniçaõ em Ciudad Rodrigo. .

M. Eis aqui confessados por El Rey motivos mais que bastantes para causar o desgosto geral na naçaõ. e corporaçoens. M. e expressou a mesma opinião. Aos 7 pela manhaS se publicou uma Gazeta Extraordinária. Catho- lica suas boas intençoens para com o povo de Hespanha. Entretanto recebia S. a desordem geral das finanças. logo. e ronformando-me com a sua opinião . El Rey nomeou primeiramente uma Juncta Suprema. naõ podia servir senaõ de mostrar a fraque- za da causa d' El Rey. naõ èra senaõ a promessa de ouvir o parecer des- tes Conselhos. Aos 5 de Março escreveo El Rey aos differentes Conselhos. 2í)9 senaõ fazer-se também insurgente. das Universidades. a decadência da agricultura. para que lhe apresentassem sem demora o seu parecer. 2 3 0 . para o bem da Monarchia. O Conselho de Estado ajunctou-se aos 6. os abu- sos. assim pôde também fazer mais que nimjuem a favor da insurreição. a penosa frustração de seus planos de Governo. E com tudo o remédio aqui proposto. que Sua Majestade julgou próprio adoptar. que quizessem metter-se a Conselheiros . estabelecidos pelo referido decreto da noite precedente.. que se tem introduzido na administração: os excessivos impostos : as demoras na execução da justiça. Miscellanea. que o ameaçava. e que as tropas seguiam o partido do povo. lembra as difficuldades com que tem luctado.- esta medida. que poderia produzir a convocação das Cortes. sobre as medidas que se deviam adoptar. e por elle assevera S. e como tinha mais poder do que nenhum outro individuo. e até de to- dos os individuos. Este docu- mento vai publicado a p . do commercio e da industria. annunciando o seguinte decreto:— " Havendo o meu Real Conselho de Estado deliberado a favor das vantagens. de todas as partes a noticia de que a Constituição éra recebida e proclama- da. e todos estes corpos deliberaram que se convocassem promptamente as Cortes. para ver se com ella podia arrestar o perigo. Eis aqui as medidas.

assignou El Rey ou- tro decreto. a fim de que naõ haja difficuldade ou de- mora. e a< hando-a conforme ás leys fundamentaes. e conforme á vonlade geral do povo." Este decreto apparecêo aos 7 pela manhal. cuja manutenção tenho jurado. que possam impedir o alcance deste objecto. me acharão prompto a fazer tudo quanto exigir o interesse do Estado. na execução deste decreto. mas o publico naõ deo credito ás expressoens vagas. para a immediata convocação das Cortes. relativamense á execução do De- creto da data de hontem. de maneira que. que as funcçoens de . Concedendo-se assim tudo quanto requer o bem geral. e a felicidade do povo. que me tem dado tantas provas de sua lealdade." Aos 7 de Março recebeo também o Inquisidor Mor um decreto de Sun Majestade. pela noite do mesmo dia 7. depois de haverem sido munidos dos poderes neces- sários na conformidade desta medidas. produzio maior fermento. Para este fim o Conselho adoptará as medidas que jul- gar mais opportunas para realizar esta minha intenção. pelo que. O Conselho me dará o seu parecer. e em ordem a que possam ser ouvidos os legitimos representantes do meu povo. que se publicou n'uma Gazeta Extraordinária aos 8 pela manhaS. e he o seguiute :— " Para prevenir qualquer demora. no anno de 1812. em vez de acalmar os espíritos. era que lhe intimava. ordeno. que se convoquem iininediatamente as Cortes. que nelle se usavam. tenho determinado prestar juramento á Constituição promulgada pelas Cortes.300 Miscellanea. que possa resultar das du- vidas que tenha o Conselho. sobre as duvidas.

M. e que EI Rey tinha mandado arrancar. Uma deputaçaõ deste Ayuntamiento foi no dia seguinte as- sistir á ceremonia de tomar El Rey o juramento á Constituição ante a Juncta Provisional. naõ devendo existir mais a Inquisição. para offerecer a El Rey auxílios. havendo o povo gritado altamente por esta medida. Voi. da parte do Governo Inglez. Com tudo a inquietação popular em vez de diminuir augmen- tou-se pelo seguinte incidente. ja se intitulou im- pressa na Impressão Nacional. A pedra. A Gazeta Extraordinária publicada no dia 9 pela manhaS. Estes passos naõ acalmaram entaõ todos os temores do povo. quando se averiguou a falsidade da nova. Q Q . para a re-estabelecer. como todas as precedentes. mas a que se publicou algumas horas depois. se dizia. de estabeler logo um Governo provisional. naõ satisfeito com isto. em que se tinha gravado a Constituição. segundo a ley fundamental da Naçaõ. ficaram porem excluidos os membros. mas El Rey. Correo em Madrid um rumor de que havia ali chegado o Du- que de Wellington. Miscrlla>ieu. com o que houve illuminaçaõ geral no Palácio de S. e em toda Madrid. que tinham sido do partido de se abolir a Constituição. impressa na Impressão Regia. apresentou-se ao povo em uma janella. 3o 1 Inquisidor Mor tinham cessado. no pé em que se achava em 1814. o que se fez pelo se- guinte. 142. e ali repetío publica- mente o juramento.. XXIV. Esta noticia causou alguma commoçaõ no povo. e principal- mente porque El Rey condescendeo com o que lhe pedia o povo. que começou tudo a pegar em armas. Aos 8 o General Ballesteros foi por ordem d' El Rey ter á Casa do Ayuntamicnto de Madrid. N°. sem ver que al<nl- Bias de suas promessas se punham em practica.. que mal podia crer na sinceridade d' El Rey. mas parou o dis- túrbio. foi tornada a por em seu lugar.

D. Bernardo Tarrien. Mateo Valdemoros. . O Tenente General D. Francisco Crespo de Tejada. 44 Tendo decidido. prestei o juramento provisional perante a Juncta. As authoridades. D. no anno de 1812. D. Manuel Abud y Guerra. em todas as partes do nosso Reyno aonde se commnniear o presente. na forma que ella prescreve. Decreto. Francisco Ballesteros. nomeados para compor esta juucta saõ:— O Reverendissimo Cardeal de Bourbon. D. que emanarem do Governo. na pre- sença das Cortes. D.302 Miscellanea. e composta das pessoas. Presidente. Vice Presi- dente. D. que gozam a confiança do povo. atè que. O Reverendissimo Bispo de Valladolid de Mechoacan. Todas as medidas. pelo decreto datado de 7 do corrente. EL REY." Os indivíduos. Coronel de Engenheiros. Joseph Garcia de Ia Torre. jurar a mantença da Constituição. D. possa solemnemente ratificar o meu juramento. Ignacio Pezuela. Vicente Sancho. seraõ submettidas a esta Juncta. O Conde de Taboada. até a convoca- ção das Cortes Nacionaes. saõ obrigadas a dar-lhe prompta e mmediata publicação e execução. Dado em Palácio aos 9 de Março de 1820. conforme a dieta Constituição. e promulgadas com sua concurrencia. D. publicada em Cadiz pelas Cortes Geraes e Extraordinárias. Arcebispo de Toledo. nomeada ad ínterim. que me proponho convocar. A. Manuel Lardizabal.

pelo presente. pois. V. saõ réos de alta traição. prestando o juramento á Constituição . voltar para suas casas. El Rey cedido assim. Deo-se com tudo a seguinte ordem para se soltarem os prezos de Estado. pelo menos á força armada. um dos que mais con- tribuíram para que El Rey estabelece o systema até agora adop- tado. he o Brigadeiro Torrijos. os que aconselharam a El Rey o deitar abaixo a Constituição. segundo o artigo 172 da mesma. (e algums delles descabcçados) he natutal que . Sua Majestade tem resolvido. Miscellanea. e como tantos dos membros das pas- sadas Cortes e outras pessoas de importância se achavam pre- sos. he servido que esta determinação se expessa por correio extraordinário a todos os Capitaens Gene- raes . o que vos transmítto por ordem d' El Rey. Deus vos guarde muitos annos. que as Cortes se vám ajunctar immediatamente ou de um modo ou de outro. que fôram libertadas da In- quisição. naõ pôde ha- ver duvida. que incorreram. M. por- que. que. lhe dissera :—" Senhor. se acharem fora do Reyno." Isto allude sem duvida á pena. estamos todos perdidos. Deverão. deterrados. salvou-se a si. assim como também todos aquelles. Havendo. Entre as innumeraveis victimas. 303 R*jfere-se. pelas mesmas causas. mas. e todos os da Inquisição. que a apoiava. e tinha esta- do prezo na Inquissçaõ por mais de dous annos. em qualquer parte do Reyno que fôr. e por sua probidade na naçaõ . bem conhecido por sua co- ragem no exercito. C ireular do Secretario de Estado e Despacho. e o fareis executar. e vós vos con- formareis com o mesmo. senaõ á vontade da na- çaõ. M. quanto a nós. S. que es- taõ prezas ou detidas por opinioens políticas. sejam immediatamente postas em liberda- de. que o Duque dei Infantado. que todas as pessoos.

Os homens faliam e ouvem. que de suas naçoens rece- bessem. mas até nenhum jornal estrangeiro éra permittido entrar ali. mas esta seguramente naõ pôde ser accusada de ter parte no movimento insurreccionario dos Hespanhoes. e até dos gestos. e impossível he que se estabeleça um superintendente para cada lingua . que naõ só se naõ imprimia ou publica- va cousa alguma no Reyno. Vendo a generalidade da insurreição na Hespanha. além da censurada imprensa houvesse a cen- sura das palavras. a scena seguinte seja o ajuste de contas entre as Cortes. mas todos tem meios de se explicar. desde que El Rey entrou na Hespanha. A imprensa communica factos aos que sabem ler. que naõ he nella aonde existe o mal de que se temem. que se tem feito em vários paizes. contra a liberdade da imprensa. e isto deve fazer ver aos Governos. e os Conselheiros d' El Rey . em uma palavra. Catholica impoz taes res- tricçoens á impressa. Para que as pro- hibiçoens de coinmunicárem os homens seus sentimentos uns aos outros pudesse ter a efhcacia. que as gazetas. por que he mui capaz de dar assumpto a nova scena de grandes conseqüências. seria preciso que. sem ser a escriptura. naõ deviam ser vistas por nenhum dos naturaes do paiz. e principalmente na mesma Hespanha. . O Governo de S. M. com que os homens se ex- plicam . pro" hibidos todos de fallar ou communicar uns com outros. A imprensa. em sua repentina e forçada submissão.304 Miscellanea. a duvida sobre a sinceri- dade d' El Rey. naõ pode- mos deixar de nos lembrar dos repetidos ataques. Cha- mamos este episódio importante . pois. que tem havido. ninguém poderá reduzir um Estado a um convento de frades cartuchos em petinencia. para que pudesse ser lido pelos poucos que o entendessem. que tam zelozos se mostram contra a imprensa. naõ teve parte na propagação do espirito insurreccionario na Hespanha. e vem soffrer a seus similhantes. O episódio mais importante será. Aos mesmos Embaixadores residentes em Madrid se intimou. pelos procedimentos. e naõ podem deixar de ser sen- síveis aos males que soffrem. que esses Governos desejam.

305 Os meios de coèrçaõ usados em Hespanha. Era um paiz tam abundante de castellos. M iscellanea. e como segundo essa constituição o Rey he uma personagem essencial. que. para apagar o des- contentamento. e he . levou com sigo aquelle Governador duzen- tos prezos de Estado que tinha a seu cargo. Depois disto he mui notável nos mesmos documentos.) se El Rey sair do Reyno sem o consentimento das Cortes. e um ex- ercito desesperado contra El Rey. e que por tanto deve continuar no throno de Hespanha. emanando elles de varias pessoas. qnanto mais nocivas deviam ser á causa Real. Primeiramente. e admittir ao Rey. He logo claro. que. saõ com tudo idênticos nos principios de insistir pela Constituição. que referimos. segundo o artigo 172 da mesma Constituição (que se pôde ver no Correio Braziliense Vol. que temos copiado neste N. em tal numero. tomam por concedido. quando o capitão General se vio obrigado a fugir dali. e jurada pela naçaõ em 1812. como he a Hespanha. que tem abdicado a Coroa.° (e para isso escolhemos o mais importantes a este fim) se verá qual he o systema. A outra conseqüência favorável áos insurgentes desta sua . 512. ou pessoas desaffectas ao Governo. que El Rey quererá continuar. fortalezas e prizoens. que naõ havia cidade ou villa considerável aonde se uaõ tivessem conver- convertido em prisoens dous ou três conventos. Somente em Granada. e de diversos pontos da Hes- panha. Em fim só os presos de Estado formarão em Hespanha um exercito. naõ podiam deixar de o augmentar. se entenderá por isso. e quaes saõ as vistas dos amotinados. querem que se ponha em vigora Constituição publicada pelas Cortes. Pelos documentos dos insurgentes. O insistirem os Hespanhoes na mantença daquella Constituição. Apropriáram-se a este fim conventos. que as medidas de coerçaõ e de rigor tanto mais multiplicaram. naõ havia ja lugar bastante aonde accomodar os pre- zos chamados de Estado. todos os documentos. VIL p. induz a uma consideração da maior importância para EI Bey. por se aproximarem as tropas insurreccionaiias commandadas pelo General Riego.

&c. Salmon Mi- nistro das Colônias. e Salazar da Marinha. A. G. sem haver occasiaõ para discussoens. ao tempo que se estava negociando o tractado com os Estados-Unidos : e isto para satisfazer a ambição de Cortezaõs. a guarniçaõ da capital pres- tou o juramento á Constituição. que os Hespanhoes agora tanto applaudem. para cujo fim se ajunetou no Prado. Expe- diram-se ordens para a formação de municipalidades.° seguinte. com todos os Generaes á frente. Falta-nos ja o tempo e lugar para referir-mos os actos sueces- sivos do Governo Hespanhol. No entanto contentamo-nos com referir em summa. que ao mesmo tempo que representavam seus serviços ao Rey. . &c. sobre a Consti- tuição. de Ia Torre foi nomeado Ministro do Interior. assim como também daremos a nossa opinião. Cadiz abrioas portas aos insur- gentes. e também um decreto. Assim se observa. compromettiam a honra de seu Amo. he o terem nella ja estabelicido o plano que tem de seguir. Miguel de Rubianes foi no- meado Chefe Politico de Madrid. Que El Rey publicou aos 10 de Março o seu manifesto á naçaõ. o que faremos no N. fazendo-o apparecer nas naçoens estrangeiras na luz mais desvantajosa.30ô Miscellanea. Mr. 210. Aos 11 D. Aos 10. D. que logo que ha em al- gum povo força bastante para obrar. e D. se- gundo as formas constitucionaes. C. e as novas estabelecidas em seu lugar. expedio também uma Proclamaçaõ recommendando ordem. se vê a má fé com que fôram concedidas as datas de terra nas Floridas. sem dis- túrbio nem disputa alguma. 0'Connorfoi feito Ministro da Guerra: Arguelles de Graça e Justiça. julga-se que em conseqüência de ordens de Madrid. moderação. A Juncta Provisional. Pelos documentos publicados a p. Estabeleceo-se formalmente a liberdade da imprensa. congruência em admittir a dieta Constituição. J. as authoridades existentes saõ removidas. por que mereciam prê- mios. para a total abolição da Inquisição.

406 Excisa 18:948. Excisa 3:399. 1819 1820 Alfândegas 7:886.015.495 19:768.682 1:234.539 Total 3:880. .232. Taxas de Guerra.000 1:475.001 Total 42:445.566 3:424.083 392. e 5 de Janeiro de 1820.239 Correio 1:339. na Inglaterra.732 Taxas de guerra 85.000 Taxas directas 6:217.549 Renda total 48:982.740 400.549 Propriedade 401.810 3:023.134 Direito Annuaes Permanentes 45:102.100 166.318 Sèllo 6:390.325 Miscellaneas 368.416 6:325.270 6:184.629 Taxas de terra 1:209.594 6:176.260 3. Miscellanea.161 45:146.511 Pensoens 16 • m ' • Total 2:656.595 41:722. nos annos que aca- baram aos 5 de Janeiro 1819. 307 INGLATERRA. Conta das rendas publicas.623 Excisa 546.799 3:015. Fundo consolidado. Alfândegas 2:109.550 Direitos Annuaes.684.960 48:162.

Carta ao Redactor sobre as disputas entre a Corte de Madrid e do Rio-de-Janeiro. o haver inserido no seu Jornal. e pelo credito do seu Jornal. que possa fazer. que V. porque naõ podia haver tal segredo em uma nota apresentada perante tantos ministros. pelas maõs de tantos secretários e officiaes de secre- tarias. com o titulo de Colônias do Rio-da-Prata. houvesse dado a esta producçaõ muito mais pezo do que merecia. que naõ podia ser inventado senaõ pelos invejosos da gloria d' El Rey. uma peça meramente phantas- tica. P. traz com sigo o character de apocripha. 8 de Março 1820. e até me parece que naõ Valia a pena de tal contradicçaõ ." de Fevereiro. e passando. que ali se cita em abstracto. M. como verdadeira. Senhor Redactor do Correio Braziliense. Paris. que ninguém julgou a propósito contradizer o libello injurioso. estime aproveitar-se desta informação. que passasse. ( . alias de boa votade o inseriríamos. . um fo- lheto que aqui saio. O documento do Procurador da Coroa naõ nos che- gou á maõ. naõ posso deixar de lamentar. e da prosperidade do Brazil. para povoar aquelle paiz: libello. A genuidade da tal aprocripha nota foi contradicta nas gaze- tas Francezas por authoridade.íus ) CONRESPONDENCIA. (Assignado) X. principalmente considerando. Vi. como erá necessário. He natural. que se inventou. para remediar a impressão. T.. no seu N. A pretendida nota official. que V. copiado e commentado. Sou &c. até pelo affectado segredo. M. de que o governo do Brazil mandara buscar os degradados e facinorosos de Napoies.

em quanto eu nao mandar o contrario. Havendo julgado por conveniente que os soldados e marinheiros empregados nas tripulaçoens dos navios da minha Armada Real. e serviço: hey por bem. que fizerem prezas. que tenho mandado cruzar contra os Piratas. determinar. Decreto sobre o que pertence ás tripulaçoens dos navios. BRAZIL. e marinheiros o que dispõem o paragrapho quinto do Alvará de sette de Dezembro de mil settecentos noventa e seis. Na quarta parte nova os campos ãia E se mais mundo houvera là chegara CAMOENB. e ampliando em favor dos refe- ridos soldados. e 14. e. vantagens mais correspondentes a suas fadigas. que infestam as costas dos meus reynos.CORREIO RRAZILIENSE DE ABRIL. que contra elles fizerem. 1820. E ALGARVES. POLÍTICA. que a elles fique pertencendo. RFEYNO UNIDO DE PORTUGAL. tirem das prezas. alterando. a totalidade do RR . naõ somente. v n .

e seis mil e quatrocentos por cada um prisioneiro . que a taes Piratas se tomarem. e viuvas dos que nelle falleçam. que arrearem bandeira. especificando o caso em que he permittido aos navios de guerra o arrear bandeira em combate. Palácio do Rio de Janeiro. trinta e seis mil réis por cada uma de maior calibre. O Conselho Supremo Militar o tenha assim entendido. como gratificação. em que se acha conce- bido o artigo quarenta e quatro dos de guerra. e soldados da tripulação. Com a Rubrica de Sua Majestade. dos termos vagos. à honra nacional. e aos interesses de meus fieis vassallos. declarando- se nelle incursos em pena capital os commandantes de embarcaçoens de guerra. vinte e quatro mil réis por cada peça de artilheria de quatro a doze. e podem ainda seguir-se ao meu Real serviço. em quatro de Outubro de mil oitocentos e dezenove. mas também ordenar que pelo cofre da marinha se haja de dar. naõ se designou como convinha quando se deva entender e julgar toda a defensa desesperada: e que. e ás demais estaçoens mando expedir as ordens necessá- rias. sem que se tenham defendido até ao ponto de naõ haver já nenhuma probabilidade de de- fensa . confirmados em resolução de consulta de vinte e cinco de Septembro de mil settecentos e noventa e nove. havendo tomado em consideração os gravissimos inales que se tem seguido. Alvará. divi- dindo-se metade destas vantagens pelos estropiados no combate. ou se renderem aos inimigos.310 Politica. armas. Eu El Rey faço saber aos que este Alvará virem : que. pois que.e a outra metade por todos os mais marinheiros. valor da artilheria. e muniçoens de guerra. sendo de urgentíssima necessidade occorrer a tam grave .

que. Politica. ou ofizeremem outro qual- quer caso. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor. do Almirantado. que naõ seja este aqui designado. adoptando a legislação já promulgada na Europa em igual caso. que tem embaraçado a venda da cevada. incorram ir- remissivelmente na pena estabelecida no referido artigo. e que os commandantes dos navios da minha Real Armada. e que o seu effeito haja de durar mais de um e muitos annos. em trinta de Outubro de mil oitocentos e dezenove. Magistrados. Pelo que. em que uma pirataria. e mais pessoas. e guardem. muito mais nas circunstancias actuaes. e atrocidades. a quem o conhecimento deste Alvará possa. e valerá como Carta passada pela Chancellaria. naõ obstante a ordenação em contra- rio. que naõ há nenhuma probabilidade de defensa. ou deva pertencer. REY. quando as embarcaçoens. Dado no Palácio do Rio de Janeiro. commette diariamente roubos. sendo inevitável o irem a pique. arrearem bandeira. 311 inconveniente. reste apenas o tempo necessário para se salvar a equipa- gem . em que se combater. depois da publicação do presente Alvará. ou se renderem aos inimigos antes de haver chegado a este extremo. Avizo ao Conselho da Fazenda em Lisboa sobre a impor- tação das favas. que. e guardar tam inviolavelmeute como nelle se contém. sem exemplo na historia. com muito prejuízo dos lavradores. posto que por ella naõ ha de passar. mando aos Conselhos Supremo Militar. assas gravados . e façam cumprir. que o cumpram. como poreste declaro: que só se deve entender e julgar. CONDE DOS ARCOS. tiverem tanta água no poraõ.—Sendo pre- sente a El Rey Nosso Senhor as excessivas importaçoens de favas estrangeiras. declarar. com inaudito detri- mento do commercio nacional: hey por bem.

pelo qual o mesmo Senhor houve por bem mandar que no fim de quarenta dias da data do mesmo avizo. assim como paga o milho e centeio. " Para o Conde Peniche—Illustrissimo e Excellentis- simo Senhor. Copia do Avizo a que se refere o Avizo Supra. fique prohibida a entrada do trigo rijo e milho estrangeiro nestes Reynos.312 Política. em quanto naõ mandar o contrario. prohibindo a importação do trigo rijo. com as extraordinárias entradas de trigos e milhos. por . por mar e terra. Inspector do terreiro publico. Palácio do Governo em 3 de Março de 1820.—El Rey Nosso Senhor manda remetter ao Conselho da Fazenda o avizo da copia juncta expedida ao Conde de Peniche.—Palácio do Governo ein dezoito de Março de mil oitocentos e vinte. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor. que salvem a lavoura destes Reynos. a qual se acabará de arruinar com a licença concedida para a entrada do trigo rijo estrangeiro. Avizo ao Conselho da Fazenda. pague cem reis por cada alqueire. Para que o Conselho ficando na intelligencia do seu conteúdo o faca executar pela parte que lhe toca. J O A Õ A N T Ô N I O S A L T E R DE M E N D O N Ç A . Senhor Visconde de Balsemaõ. em Lisboa. O que Vossa Excellencia fará presente no Conselho da Fa- zenda para sua intelligencia.—Foi presente a El Rey Nosso Senhor a representação em que os Proprietários e Lavradores pe- dem novas e efficazes providencias. Senhor Visconde de Balsemaõ.—Deos guarde a Vossa Excel- lencia. man- da Sua Majestade que toda a fava estrangeira. (Assignado) J O A Õ A N T Ô N I O S A L T E R D E MENDONÇA. con- tados da data desta sua Real Ordem. que entrar nos portos destes Reynos depois de quarenta dias.

O que participo a Vossa Excellencia de Ordem do mesmo Senhor para sua intelligencia e execu- ção.ilitares. Politica. e dar que fa- zer aos Artistas. ha por bem mandar. he servido mandar decla- rar. em quanto naõ ordenar o contrario. JOAÕ ANTÔNIO SALTER DE MENDONÇA. que os Officiaes promovidos devem começar a ser satisfeitos dos seus respectivos vencimentos. desde a data da ordem do dia. por mar e terra. que. se haja de pôr termo âs representaçoens. que os Colonos tem abandonado. Sendo conveniente. abandonado a Lavoura. e com a practica. fi- que prohibida a entrada de trigo rijo. 313 estarem cheios os celeiros das Provincias. que no fim de quarenta dias. em que os seus despachos foram annun- . que fre- qüentemente fazem os Officiaes do Exercito. tendo uns dos se- gundos arruinados já. sobre o venci- mento dos Officiaes M. que por isso an- dam mendigando o sustento necessário.—Palácio do Governo em dezoito de Março de mil oitocentos e vinte. e Officiaes mecânicos. contados da data deste. sobre o modo de se lhes contar os seus ven- cimentos : e conformando-se El Rey Nosso Senhor com o parecer do Marechal General Marquez de Campo Maior. E Sua Majestade. naõ podendo os primeiros suppli- cantes receber as suas rendas indispensáveis para fabricar as terras. tomando em consideração o referido. e milho estrangeiro nestes Reynos. que se acha estabelecida na Thesouraria Geral das Tropas. e estando outros sem meios para as sementeiras serôdias. JOAQUIM GUILHERME DA COSTA POSSER.—Deos guarde a Vossa Excellencia. que saõ as que mais abastecem esta Capital. por meio de uma declaração geral. quando saõ promovidos. Portaria dos Governadores de Portugal. sem que bas- tem os mercados territoriaes para dar consumo aos restos da colheita passada.

Miguel Pereira Forjaz. que naõ excederá 1000 toezas. que se restitue ao Rey de Baviera. houve por bem conceder licença para que os officiaes do Exercito. o tenha assim entendido. Na Ordem do Dia de 11 de Março de 1820. sem que possa prejudicar esta disposição o direito de Soberania sobre esta cidade. do Conselho de Sua Majestade. ciados. Secretario dos Negócios Estrangeiros Guerra e Marinha.314 Politica. que atravessa este mesmo rio com um braço da sua margem esquerda. Catholica a contemplação de os condecorar com uma Cruz de distineçaõ. Fi- cará com tudo a França de posse de Weissemburgo. e expeça as commu- nicaçoens necessárias. Palácio do Governo em 26 de Fevereiro de 1820. Os Officiaes saõ os que constam da lista que abaixo se segue:— (Seguia-se a lista. pelo benemérito comportamento que tiveram na batalha de Albuhera. separam a Alemanha dos departa- mentos do Mosella e do Baixo Rheno até o Lauter. por tractado assignado aos 20 de Julho 1819. S. que serve depois de fronteira até sua entrada no Rheno. . declarar ao Exercito. Com três Rubricas. 5. e fazer uso da respectiva insígnia. D. segue os limites. Art. Marquez de Campo Maior. possam aceitar esta condecoração. Artigo 3. M. conforme o tractado de Paris de 20 de Novembro de 1815.) ALEMANHA. que.° " A cidade de Landau se declara uma das fortalezas da confederação Germânica.° " A linha de demarcação. que Sua Majestade El Rey N. entre os Estados Bá- varos da margem esquerda do Rheno e a França. mandou o Illustrissimo e Excellentissimo Marechal General. Resumo das deliberaçoens da Commissaõ territorial em Frankfort. que mereceram a S.

7. M. Política. de cinco em cinco annos." " Em conseqüência do artigo 15. Art. 16. e de modo . uma cláusula onerosa ao Gram-Ducado de Baden. A. 5. tendo porém rejeitado aquella potência a indemnizaçaõ. Art.° " As Potências contractantes reconhecem o direito de successaõ.° " He commum a S. 10. em attençaõ a que os empenhos que contrahíram com ella naõ fôram senaõ condicionaes. 15. que se lhe offe- receo em conseqüência destas negociaçoens. e se cumpriram pela sua parte do modo possivel. tal como hoje existe. 315 Art. Art. e successores. S. e se annulla a obrigação. que contrahíram de cum- prillos o Gram-Duque. e fica formalmente reconhecido o estado de possessão do Gram-Ducado. Art. alternativamente. A guarniçaõ desta praça se com- porá de numero igual de tropas Austríacas e Prussianas. seus herdeiros. inteiramente esta se revoga. 9. R. as Altas Po- tências contractantes se consideram inteiramente livres de toda a responsabilidade a respeito da Baviera. ainda que era um justo equivalente aos terrenos cedidos. o Imperador d'Austria e o Rey de Prússia teraõ direito para nomear o Governador e o commandante da praça de Moguncia.° " Contendo os artigos addicionaes do tractado de Frankfort de 20 de Novembro de 1813. M. e porá na guarniçaõ um batalhão de Infanteria. o Rey de Prússia o direito de guarnecer a for- taleza de Moguncia.* " As negociaçoens que se celebraram anteriormente em Frankfort tiveram por objecto assegurar á Baviera uma compensação por sua desistência a favor da Áustria de suas posessoens contíguas. o Imperador d'Austria e a S.° Iin. estabelecido no Gram-Ducado de Baden a favor dos Condes de Hochberg. filhos do falle- cido Gram-Duque Carlos Frederico. o Gram-Duque de Hesse participará do mesmo direito.

22. a ordem da administração da justiça. desempenhe o de Commandante um Ge- neral Prussiano. que. Naõ se porá nenhum obstáculo para que se ponha em effeito a con- scripçaõ na cidade. Igualmente e convencionou que a direcçaõ da Artilheria pertença como nos tempos passados á Áustria. e em quanto tiver relação com a defensa da praça lhe estarão subordinadas as authoridades Hessezas. debaixo da intervenção do Presidente da Policia da Cidade. e a dos Engenheiros á Prússia. e seraõ illimitadas as facul- dades do Governo Militar. Em caso de rompimento de guerra. e o direito das Gentes. poderá também estabelecer postos avançados fora da praça." . Os edictos e regula- mentos de policia seraõ publicados peloGoverno. compete a S. ou quando esta ameace a Alemanha.310 Poltica. a cobrança das con- tribuiçoens. Correrá por tanto a seu cargo a direcçaõ da policia. A. e naõ poderá reunir-se sem seu consentimento. Sendo responsável o Governo Mili- tar pela defensa da praça e conservação da ordem interior. e gozando do direito de tomar para este fim as medidas que julgar necessárias. o Governo Militar da fortaleza terá todas as faculdades necessárias para o livre e independente exer- cicio das suas funcçoens. A Milicia urbana desta. estará âs ordens do Governo Militar. e assim reciprocamente. os usos. Com tudo. porém de modo que toda a vez que se tracte de assumptos desta natureza. tomará parte nas conferências do Governo um empregado civil. sem mais restricçoens que as que prescrevem a prudência. assim como se practica em todas as praças fortes. se declarará a praça em estado de sitio. Art.° " Pertencendo o direito de Soberania na cidade de Moguncia ao Gram-Duque de Hesse. quando obtenha o emprego de Governador um Ge- neral Austriaco. e quanto respeita â administração civil.

Erving. 317 ESTADOS UNIDOS. 26 de Fevereiro 1818. Os papeis inclusos A. Do mesmo ao mesmo: datada de Madrid. Todas as terras naõ cultivadas. 219) Extracto de uma carta de Mr. Extracto. Ministro Pleni- potenciario dos Estados-Unidos. como extractos das doaçoens feitas aos principaes donatários. e tenho informação crivei de que dentro destes poucos dias. me foram dados. tem dado o total das terras. em Hespanha. um dos seus Camaristas. e B. 1818. na Florida Oriental. â Mr. E m fim levo-me a crer. e naõ doadas na Flo- VOL. Mr. Capitão da Guarda de Corpus. Adams: datada de Madrid 10 de Fevereiro. e Conde Punon Rostro. Ao Duque de Alagon. a vários de seus validos. Politica. (Continuados de p. Documentos sobre a negociação das Floridas. Capitão de suas guardas. N° 143. por uma concessão geral. naquella paragem. deo todo o restante ao Duque de Alagon. Thesoureiro da Casa Real. Este he tal- vez o seu modo de se preparar para uma cessaõ barata do território aos Estados-Unidos. teve outra data. que naõ tinham sido dadas previamente. Vargas. XXIV. um dos Camaristas. A. e ao Conde de Punon Rostro. o Duque de Alagon. El Rey tem ultimamente concedido grandes datas de terras. M. que S. ss . El Rey concedeo ultimamente grandes datas de terras a vários de seus criados validos.

a linha de demarcação com os Estados-Unidos e pelo Sul o Golpho de México. e descendo ao longo da estrada do rio S. que jaz entre as margens dos rios Sancta Luzia. tirando uma linha desde o lago Macao. no lado Oriental. Erving a Mr. e ilhas adjacentes com a boca do rio Hijuelos. da- tada de Madrid em 5 de Abril. N o meu officio N. seguindo a sua margem esquerda até as suas vertentes. com- prehendidas entre o rio Perdido. e do Conde de Punon Rostro. ultimamente concedidas por El Rey de Hespanha a vários de seus Cortezaõs. Todas as terras incultas naõ cedidas na Florida. Ao Conde de Punon Rostro. pelo Norte. incluindo as ilhas deser- tas na costa. Acabo de alcançar uma copia da doaçaõ a favor de D. cru- zando outra linha do extremo do Norte do dicto lago até as cabeceiras do rio Amurama. com todas as ilhas adjacentes. Pedro de Vargas. nos 16 gráos de Latitude. e S.318 Politica rida Oriental. e correndo ao longo da costa de mar. B. nos 28 e 25 gráos de Lati- tude . e o Occidente do Gol- pho de México. Joaõ. e a costa do Golpho de Florida. seguindo a sua margem direita até a suaembocaduia. até a embocadura do rio Hijuelos. . Adams. Extracto de uma carta de Mr. e os rios Amarujo e S. Joaõ até o lago Valdez. até as embocaduras por ondedfságuam no mar. 1818. e in- clui os extractos das doaçoens a favor do Duque de Ala- gon. Joaõ de Popa até aonde deságuam jio mar.° 60 (26 de Fevereiro) mencionei as datas de terra na Florida.

como se pôde fazer ao presente por algumas terras daquelle paiz. continuando ao longo do Mobile. que pertencem ou possam pertencer á Hespanha. Espero poder em breve obter integras das doaçoens a Alagon e Punon Rostro. Pe- dro de Vargas. no território da Florida. que actualmente pertencem á Hespanha. D. 319 Thesoureiro da Casa Real. Thesoureiro Geral da Casa Real e Patrimônio de Vossa Majestade. até que chegue á linha Occidental dos Estados-Unidos: entaõ. a saber:—Da embocadura do rio Perdido. nem prejuizo de terceiro. comprehendendo todos os ribeiros entradas e ilhas adjacentes. pôde sem o menor carrego ao Thesouro publico. Meu Governador e Capitão General da Ilha de Cuba e seu districto: em data de 25 de Janeiro p. e estaõ em disputa ou reclamação dos Esta- . D. com o mais profundo respeito aos seus reaes pés. M. M. e subindo pelos rios de Buon Soccorro. passados e as provas que tem dado de sua leal- dade. até que toque a linha Septentrional dos Estados-Unidos. e seguindo o rio Mobile na sua parte inferior. e descendo por ella em linha recta até as vertentes do rio Perdido. se dignar remunerar os seus ser- viços. e a bahia daquelle nome. e desejando que. representa. voltando pela sua linha do Norte. El Rey. Politica. que jazem comprehendidas dentro dos seguintes limites. Cavalleiro da Real Ordem Militar de Al- cântara. e sua bahia no Golpho México. se V. roga a V. que ha uma quantidade de terras baldias e despovoadas. e Mobile. por um effeito de sua soberana bondade seja servido conceder- lhe a propriedade das terras. voltando pela costa do mar para o occi- dente. que. a qual com esta transmitto. seguindo a costa domar. Pedro de Vargas me representou o seguinte:—Senhor. comprehendendo todas as terras baldias. p.

em ordem Real de 2 de Fevereiro próximo pas- sado. tomando todas as medidas. Ao Governador e Capitão General da Ilha de Cuba e seu districto. Considerando o conteúdo desta representação. em quanto naõ for contraria às leys de meus dominios. que resultam ao Estado. assim como as vantagens. e seguindo. em 10 de Março de 1818. efficazmente ajudeis a execução da dieta doaçaõ e graça. tenho julgado próprio conceder a graça que solicita. que regulam estes negócios. e dobrando este pela costa do Golpho de Florida até a em- bocadura do rio Sancta Lúcia. e seu accreditado zelo em meu Real serviço. porque tal he minha vontade. na repartição da Contadoria Geral das índias. assim como também ao augmento da população. e o rio Sancta Lúcia. que existem entre o rio Hipuelos na Florida Orien- tal. dando conta de tempos a tempos dos progressos que se fizerem. agricultura e commercio das dietas pos- sessoens. segundo o theor dos tractados. e que se registre esta cédula.) Dirigida. desde a embocadura do Hipuelos. que. a fim de que a graça concedida a D. para que faça o que for conve- niente. na conformidade das leys. e também. até a ponta de Tancha. tirando uma linha das vertentes do outro. por esta minha cédula Real. de se povoarem os dictos paizes. Pedro Var- .—Eu El Rey. dos-Unidos. Consequentemente vos ordeno e encarrego. Palácio. e o communiquei ao meu Conselho das índias para sua exe- cução. com as ilhas. pela costa do Golpho México. He rubricado por ordem d'El Rey nosso Senhor Estevam Varea. todas as terras baldias naõ doadas a algum outro indivi- duo. &c. He rubricado—propinas 340 reales de prata. e atten- dendo ao merecimento do individuo. adja- centes.320 Politica. e sem prejuizo de terceiro. que possam ser conducentes ao seu devido effeito. (Seguem-se mais quatro assignaturas.

Mr. Rubricada-gratis: segue-se outra assignatura. prova- velmente seriam liquidadas pelos Estados-Unidos em tal forma. mas que. qual for mais conveniente a elles mesmos. e outras cousas ali con- teúdas tenham seu devido effeito. Elle respondeo vagamente. &c. a respeito de soberania. Portanto pedi-lhe que se preparasse nas instruçoens a Mr. se se propuzer alguma transacçaõ daquel- la sorte. Josef de Texa- da. o que se tinha dicto a respeito da Florida. Com estas vistas lhe perguntei o outro dia. para o seu prompto ajuste em Washington. que as reclamaçoens. Politica. em compensação das reclamaçoens.—Seguem-se as assigna- turas—Registrada na Repartição da Contadoria Geral das índias. de que se tracta. que se annullassem todas aquellas doaçoens. 321 gas de varias terras nas Floridas. Percebo que Mr. propriedade territorial. por Commissaõ ou de outra maneira. 26 de Abril. de- viam ser pagas pelo producto das vendas das terras. Erving a Mr. para completar a transac- çaõ. mas eu percebi que havia alguma questão de a passar aos Estados-Unidos. por tanto. Pizarro estimaria bastante terminar a negociação aqui. seria absolutamente necessário. como eu havia informado o meu Governo em devido tempo. Onis. Pizarro teve aqui um longo discurso comigo. que naturalmente se deve levantar. 1818. de Onis sejam o mais favoráveis possivel. Agora. a final. No entanto continuarei a trabalhar com elle. El Rey tem ultimamente feito doaçoens de todas aquellas terras. a fim de que as suas communicaçoens a Mr. &c. Madrid 13 de Março de 1818. Eu disse-lhe. para uma difficuldade. Adams da- tada de Madrid. Extracto áe uma carta de Mr. que entre nós naõ .

mas que o seu erro estava em suppôr. antes da partida do correio: naõ posso dizer positivamente se produzi ou naõ o desejado effeito. que naõ ven- dessem as terrras. Nós naõ avaliamos isso tam alto como elle imagina : eu me dilatei muito sobre o que respeita estes pontos. Pizarro e eu. e indemnizarem-se os donatários em Nova Hespanha. e trabalhar por apertar a minha opi- nião. e trouxe-o a consentir. que soube por um canal particular. sobre este ponto. Duque de Alagon. na mesma conformidade. em tal maneira que. por este correio. sobre a matéria das datas de terra na Florida. que lhe haviam sido dadas.322 Politica. ordenando-lhes. a respeito destas distinçoens. N a minha carta particular (que era datada de 26 de Abril) vos referi o que se passou entre Mr. que estas doaçoens poderiam ser annulladas. datada de Madrid 14 de Maio. Naõ estou seguro de que o persuadisse a mandar. Eu lhe fal- lei aos 27. obstivesse delle o mandar adiantadamente instruc- çoens a Mr. averiguei hon- tem em conversação com Mr. que nós tínhamos tençaõ de pa- gar pela soberania somente. que façam desnecessário recorrer outra vez a este Governo: porém proponho-me a vêllo outra vez a manhaã. e mencionei que o havia de ver no dia seguinte. nem de outra matéria connexa com ellas. taes instrucçoens a Mr. Onis. Este facto. Naõ tenho po- . Onis. havia differença de opinião. e Conde de Punon Rostro. Extracto de uma carta do mesmo ao mesmo. como me tinha proposto. mas immediatamente depois elle escreveo ao Conselho das índias. Pizarro. ultima- mente feitas por El Rey. 181S. e tornar a ur- gir a matéria. ou em outra parte. se possivel fosse.

Concluio esta matéria dizendo. que o devia ter feito. Datata de Madrid. a população e cultura do território. que os donatários de grandes terrenos (com a prohibiçaõ de os vender) naõ tem possibilidade de satisfazer. Seja isso como for. com tudo. S. Pizarro) entrou entaõ na matéria principal da discussão. Politica. de natureza onerosa. d'onde éra racionavel esperar. ainda que El Rey. e primeiramente fallou dos limites do lado da Florida. Ha também obrigaçoens. e. ab initio. e fazêlla o mais preciosa que pudesse ser para os Estados- Unidos. pelo desejo de se accommodar ás vistas dos Estados-Unidos. nos territórios que se haviam de ceder. impostas por estas leys a todos os donatários. que naõ tem um real de seu. porém Mr. que o valor das terras publi- cas. Obrigaçoens. menos de todos. Do mesmo ao mesmo. Majestade sabia mui bem. segundo as minhas suggestoens. donatários como estes. segundo as leys das índias. seria infinita- mente alem do que os Estados-Unidos podiam pedir. 323 dido saber se o Conselho escreveo ao outro donatário Vargas. e estaõ carregados de dividas. aos 12 de Junho de 1818. tinha concluído em fazer a cessaõ. Elle (Mr. que se igualasse a differença. relativamente âs ultimas doaçoens (como especialmente vos foi communicado. que. como eu tinha visto na promptidaõ com que elle tinha obrado. todas as vendas feitas pelos donatá- rios saõ nullas. a titulo de indemnizaçoens. Extracto. na minha carta particular de 14 de Maio). por concessoens da outra parte. a saber. e dado or- dens ao Conselho das índias. que tinham em vista. destinadas ao fim de obter os objectos. . Pizarro disse.

por um officio da Reparti- ção das Tndias. que resultaria de tal pro- cedimento. 1818. Esta novidade me assustou. Extracto de uma uma carta do mesmo ao mesmo. Pizarro. Agora sou informa- do. que os Senhores Alagon. lembrando-lhe o mal. Temos ja concordado sobre a importância desta medida. debaixo de certas prohibiçoens. que El Rey tinha revogado a prohibiçaõ imposta sobre as ultimas doaçoens na Florida. Erving a Mr Pizarro—Particular. Apenas tinha a Convenção sido ratificada. 18 de Julho.324 Politica. relativa- mente ás terras. Vargas recebeo outro officio pela mesma Re- partição das índias. porque prevêjo que esta . que Mr. Mr. quando me assustaram com a informação. que El Rey lhes havia dado. pelo qual officio se remove a difficul- dade. Estas prohibiçoens fôram consideradas por vós e por mim. como revogação das doaçoens. 1818. Punon Rostro e Vargas se puzéram. e para me confirmar na opinião de sua boa fé. quanto a elle: isto he. Madrid. Ex. ou aproveitar-se dellas (sempre em conformidade das leys) como melhor lhe convier. a V. vinda de boa parte. Nesta occasiaõ escrevi uma nota confidencial a Mr. Naõ sei se os senhores Alagon e Punon Rostro receberam similhantes officios: he isso de presumir. Incluo aqui copias desta conrespondencia. Elle respondeo-me de maneira que me tran- quillizasse. se lembrará. datada de Madrid VI de Julho. está elle actualmente livre para vender as terras em questão. como vos communiquei na minha carta particular de 14 de Maio.

sabendo que V Ex. e fará infinito mal. por canal indi- recto. julguei que éra do meu expòr-vos tudo isto. que abraçasse todos os pontos em discussão: a cessaõ da Florida deve necessariamente formar um artigo nesta transacçaõ. estas reclamaçoens poderão montar á enorme som- ma de vinte e cinco milhoens de piastras. que acabo de receber de Philadelphia.Ex*. sem uma trans- acçaõ. e mim. e naõ pôde ter re- sultado de nosso ultimo accordo. e que o negocio he digno de vossa attençaõ. O officio. que tomará esse character ou ap- parencias. Política. re- lativamente ao negocio dos senhores Alagou e outros. em tal caso. porém V. e a quem elle cedeo uma porçaõ de seu in- teresse nas terras. antes de receber o primeiro officio. porém tenho a minha informação de pessoa. XXIV. que eu tenha sido mal infor- mado. que está interessada com Mr. VOL. a está de boa fé. Ex a . TT . relativamente ao facto em questão. como indemnizaçaõ por suas reclamaçoens. estou persua- dido que foi feito sem vós o saberdes. E com tudo espero ainda. N M 4 3 . com muito respeito e estima GEORUE W. depois da data da Convenção (1802) naõ forem annulladas: segundo a informação. Em vaõ se esperaria que chegássemos a um estado de harmonia. Vosso. ERVING. Tenho ja informado a meu Governo do que se passou entre V . 325 transacçaõ deitará novas difficuldades no caminho dane- J gociaçaõ em Washington. que se escreveo a Mr. Seja isto como for. I Devo eu agora pensar que tudo se mudou depois da ra- tificação ? Naõ posso lamentar demassiado os resultados. Vargas. e he absolutamente certo que os Esta- dos-Unidos. naõ podem receber a Florida. perce- berá instantaneamente. se todas as doaçoens a indivíduos. Vargas.

Renovo. de for- . &c. e me lisongeo de que naõ succederá cousa alguma. que me dirigistes em data de hontem. B. he copia da doaçaõ de terras. para dar uma eminente prova de sua generosidade. Erving a Mr Adams. da sinceridade que dirige a marcha e politica do Governo Hespanhol. a respeito da alienação das terras na Florida. 19 de Julho. Senhor l—Acabo de receber a vossa estimada carta. da- tada de Madrid. por meio de um arranjamento amigável. e de seu ar- dente desejo de uma feliz terminação de todos os pontos em discussão. os quaes devem estar persuadidos. Ommittimos este documento. ha muito tempo.) Extracto das proposiçoens de D. feitas aos 20 de Outubro. Besposta de Mr. que tem. JOZE PIZARRO. Extracto de uma carta de Mr. por que somente contém a especificação dos limites da doação. communicando- me os vossos receios. 2. que ja se acham descriptos em geral. Luiz de Onis ao Secre- tario de Estado. de 1818. 1818. 20 de Septembro. O papel incluso. Sacedon. feita por El Rey de Hespanha ao Conde de Punon Rostro. Sua Majestade Catholica. Pizarro. que possa fazer mal ás negociaçoens com o Governo dos Estados-Unidos. doadas a vários indivíduos. 1818. Repito-vos tudo quanto tenho dicto nesta matéria: consequentemente po- deis estar socegado. e do desejo.326 Política. (N. em outro documento.

Vos. datada da Repartição de Estado em Wash- ington. em 1783» e com os limites que as designam no tractado de limites e navegação. Politica. concluído entre a Hespanha e os Estados- Unidos. que o Ministro dos Estados- Unidos em Hespanha notificou ao vosso Governo. de Onis. Pela resposta de D. as provincias da Florida Oriental e Occidental. pelas reclamaçoens a que se allude. por damnos e injurias. 1818. com todas as suas cidades e fortes. a menos que o vosso Governo providenciasse outro fundo adequado. temos razaõ de esperar. Jozé Pizarro a esta notificação. em plena pro- priedade e soberania. d'onde os Estados-Unidos e seus cidadãos pudessem ser satisfeitos. 327 talecer os laços de amizade e boa intelligencia com os Estados-Unidos. que elles tem sof- frido. feitas pelo Governo de Sua Majestade. aos 27 de Outubro de 1795: as doaçoens ou vendas de terras. 31 de Outubro. que vós conhecereis a necessidade disto. Luiz. Senhor. depois da . seraõ com tudo reconhecidas por validas. e ao mes- mo tempo renunciar todas as suas reclamaçoens^ e as dos seus cidadãos. lhes cede. dentro daquelles territori os. que todas as doaçoens de terras. e pôr fim às differenças que existem agora entre os dous Governos. e que se concorde em alguma epocha. deviam ser annulladas. ou pelas authoridades legaes. Extracto de uma carta do Secretario de Estado a D. e por cuja reparação he a Hespanha responsável. taes quaes fôram cedidas pela Gram Bretanha. que ultimamente se allegà- ram ter sido feitas por vosso Governo. Nem podem os Estados-Unidos reconhecer por vali- das todas as doaçoens de terra até esta epocha . bem sabeis. até este tempo.

he. de as ceder aos Estados-Unidos. por ser offensiva da dignidade e imprescriptiveis direitos da coroa de Hespa- nha. que todas as datas e vendas de terras feitas por Sua Majestade Catho- lica. M. desde os 24 de Janeiro passado. fossem nullas e invalidas. que tem adquirido. Extracto de uma carta de D. povoado. annunciando a disposição de S. e naõ para as alienar) sejam declaradas nullas e invalidas.328 Política. como de facto assim he. naõ posso eu assentir. data da minha primeira nota. com esta modificação. qual se naõ reconheçam por validas as datas de terras dentro do território de que se tracta. (tendo as dietas doaçoens sido feitas com as vistas de promover a população. que. desde o anno de 1802 até o presente. A extençaõ daquillo. datada de Washington 16 de Novembro 1818. que as ultimas doaçoens feitas por Sua Majestade nas Floridas. Luiz de Onis do Secretario de Estado. outro sim. no seu absolu- to sentido. tem direito de dispor daquellas terras como lhe aprouver. A minha segunda proposição tinha sido admittida por vosso Governo. porque a dieta modificação produziria incalculável damno e injuria aos possuidores de boa fé. . em consideração de naõ haverem os donatári- os cumprido com as condiçoens essenciaes da cessaõ. ou pelas authoridades legaes da Hespanha. e melhorado aquellas porçoens de terreno. nas Floridas. como legitimo dono de ambas as Floridas. A esta modificação. cultura e industria. E . em que posso concordar.

13 de Septembro. mas que a importância da matéria agora. depois de tudo. 1810. Quaes possam ter sido os pretextos com que a Hespa- nha tenha commettido estes novos actos de injustiça e procrastinaçaõ. que Mr. tendiam a differente êxito ." Disse elle entaõ. da maneira mais ine- quívoca. a que se referia aquelle officio. que. que Mr. Onis. mas que naõ o ouviram. For- syth. que soube por canal indubitavel. isto he. As nosas incli- naçoens. que se naõ havia ratificado o nosso tractado em Madrid. em todos os pontos. que a recusaçaõ de ratificar o tractado naõ éra ab- soluta . 329 Extracto de uma carta de Mr. he o de que eu naõ tenho a menor infor- mação. nesta conjunetura. porém oceorre-me o dizer. mas que o Governo Hespanhol meramente dese- java ulteriores explicaçoens. De boa vonta- de me aproveitei disso.estava seguro.a importante matéria. datada de Londres. como espero que estejais convencido. como objecto immediato. tive opportunidade de ver Lord Castlereagh. Eu repliquei. porém. que. Eu observei. quando aqui esteve. " Assim parece. Eu ainda naõ vi copia das providencias do mesmo tractado. Sua Senhoria respondeo. . assignando o tractado. o que talvez pareça supérfluo. Rush ao Secretario de Estado. para introduzir. eu . Politica. offereceria as explicaçoens ne- cessárias . de 4 deste mez. aífirmou. se achou estricta e plenamente justificado por suas instrucçoeus. me obriga a mencio- nar. pelas communica- çoens recebidas de Sir Henrique Wellesley se inclinara a inferir. e somente posso aceresentar o meu desejo de que a cousa houvesse suecedido de outra sorte. que apparecia. Depois do meu segundo officio.

Londres 17 de Septembro. Penso que este officio era da- tado de 21 de Julho. Estas. mas que nunca viera. de uma intentada visita de certo Mr. e eu observei com proporcionada satisfacçaõ a sua espontânea explicação. de Madrid. Sua Senhoria (Lord Castlereagh) se aproveitou desta occasiaõ. que entaõ existia. seriam ja mais atíendidas. Elle assim o fez.330 Pvlitica. Elle disse que também tinha ouvido isso. fôram pedir um empréstimo para pagar as recla- maçoens reconhecidas pelo tractado. Rush a Mr. Foi pela primeira vez. continnou elle. no qual se expressava uma opinião inequívoca. para imaginar que as proposiçoens. Toledo a Londres. Eu respondi-lhe que sim. que se fizesse a ratificação do tractado. de que os in- teresses da Hespanha se naõ podiam melhor promover do que com a ratificação. Perguntou-me se eu tinha ouvido. Leo pas- sagens de duas dellas. Adams. O Governo Hespa- nhol muito bem sabe as opinioens deste. que aquelle embaixador havia feito saber ao Gabinete Hespanhol os desejos da Corte Britannica. sem nenhum prévio convite de minha parte. e indagar se a Gram Bretanha consentiria em fazer causa commum com Hespa- . de que Toledo se diz vinha en- carregado. tendentes a mostrar. 1819. Sua Senhoria leo-me também uma pas- sagem de um de seus mesmos officios a Sir Henrique. Ambos indicavam a crença. Tirou de sua meza um masso de cartas de Sir Henrique Wellesley. como eu logo vi. durante o veraõ. a fim de reforçar com provas a previa communicaçaõ que me havia feito. para mencionar a matéria das Floridas. fundada no estado de cousas. Ura dos officios éra datado de 6 Junho. de que o tractado seria ratificado. o ou- tro de 9 <le Julho. Extracto de uma carta de Mr.

331 «ha. Esta offerta. entre esta e os Estados-Uni- dos. para mediar entre os Estados-Unidos e a Hespanha. de que a cessaõ destas provincias. Mensagem do Presidente ao Congresso. que a boa vontade que tinha a Corte Britannica em acceder a que nos viéssemos a possuir as Floridas. «e podia colligir da offerta indirecta. naõ como um tractado perfeito (por- que a ratificação he uma formalidade essencial) mas como . tenho a honra de expor. o que nós naõ aceitamos. para nós. e que foram re- cebidos na Repartição de Estado. observou elle. como obrigatório á honra e boa fé de Hespanha. Sua Senhoria disse entaõ distinctamente. Washington 8 de Março 1820. foi feita na supposiçaõ natural. mas ainda naõ tinham sido communicados ao Senado. se o Executivo considera o tractado da Florida como subsistente. Repartição de Estado. a respeito das Floridas. entre os Estados-Unidos e a Hespanha. Politica. Transmitto ao Senado copias de vários papeis. (Assignado) JAIMES MONRO. que tinha feito ha dous annos. Washington 16 de Dezembro 1819. sobre os negócios com Hespanha. formaria a baze da negociação: e a tal estava a Gram Bretanha preparada a assentir. que o Presidente considera o tractado de 22 de Fevereiro passado. Senhor I Quanto à questão proposta pelo Committé. que dizem respeito ao tractado de 22 de Fevereiro de 1819. e valido segundo o Direito das Gentes. no caso de ruptura.

naõ ratificando a Hespa- nha o tractado. para o induzir a negar a ratificação do Tractado. que seguissem os Estados-Unidos. mas sim por conselho amigável. que El Rey de Hespanha. Repartição de Estado 21 de Dezembro 1819. ainda que naõ por um canal directo. Como naõ ha Tribunal de Chancellaria entre as naçoens. A França e a Rússia nos tem encarecidamente dissuadido. Fernando a Mr. que a Hespanha éra obrigada a ratificar. naõ por alguma communicaçaõ regu- lar. Senhor! Em resposta â pergunta. além dos que se allegâ- ram na carta do Duque de S. que se tem obtido. solemnemente prometteo approvar. das Provincias da America Meredional." Que o Governo dos Estados-Uni- dos recebeo informaçoens. Por todas as informaçoens. Ao Committé das Relaçoens Estrangeiras. de que outros motivos. das vistas prospectivas dos Governos Francez e Russiano. (Assignado) JOAÕ Q U I N C Y A D A M S . pelos plenos poderes. he claro. pois isso promoveria . tenho a honra de dizer. que havia dado a seu Ministro. Forsyth. um compacto. de se- guir este caminho. e como um ajustamento das differenças entre as duas naçoens. que elles muito receavam a immediata e forçada occupaçaõ das Floridas pelos Estados-Unidos. para informa- ção do Committé: 1. o receio de que a ra- tificação seria immediatamente seguida de um reconheci- mento. operaram no Gabinete Hespanhol. a saber. que elles julgavam provável. dentro do tempo estipulado. estas differenças somente se podem ajustar ou por convênio ou pelaforça. 2. por parte dos Estados-Unidos.332 Politica. que se contém na vossa carta de 10. re- lativamente ao caminho. ratificar e cumprir.

As copias de cartas inclusas contém informaçoens relativas aos objectos mencionados. esperando ao menos ouvir o Ministro. exercitando a paciência um pouco mais. No mez de Septem- bro chegou da Hespannha ã Havanah um corpo de 3. he o armamento de corsários em França e na Inglaterra. mas esquipados de todas as naçoens. os direitos a que se admittia termos nós titulo. Que. que tem de vir como Ministro. 3. sem recorrer á força. Que as medidas de violência poderiam naõ somente provocar Hespanha á guerra. debaixo de bandeira Hespanhola. que nenhuma parte destas forças havia de ser empregada nas Floridas. Naõ se espera. no decurso do presente mez. For- syth naõ tinha informação positiva. que se pôde esperar sua chegada aqui. nem se quer da nome- ação da pessoa. e nos apresen- tariam ao muudo como aggressores. mas mudariam o estado da questão entre nós. 333 uma guerra geral. mas naõ ha duvida. assim como nas índias Occidentaes e Orientaes. que o principal apoio. que elles temiam fosse a conseqüência de uma guerra entre os Estados-Unidos e a Hespanha. VOL. u u .N \ 143. (Assignado) JOAÕ Q U I N C Y ADAMS. fôram ja victimas das moléstias: mas asseguram-nos.000 homens. Política. Indirec- tamente se nos tem assegurado. naõ podíamos deixar de obter ultimamente. alguma Potência Eu- ropea tome abertamente parte nella contra os Estados- Unidos. e nas nossas costas. Mr. que se annunciava vir para dar e receber explicaçoens. a terça parte dos quaes. Ao tempo em que o capitão Reid saio de Madiid. com que conta a Hespanha. XXIV. que no caso da guerra com Hespanha. se diz.

tudo quanto vi e ouvi. mesmo entre as classes menos elevadas do Esta- do. de que se reestabele- . em ordem a segurar aquella con- veniente harmonia entre o povo e as leys. Hespanhoes! Quando os vossos heróicos esforços al- cançaram pôr fim ao captiveiro. Manifesto d"El Rey d Naçaõ. que a Naçaõ desejava ver restabelecida a sua antiga forma de Governo. concurreo em per- suadir-me. depois que tornei a pizar no meu paiz natal.334 Politica. de que necessariamente devem emanar novas e imperiosas necessidades: naõ deixava eu de saber. e também conforme à organização de outros paizes illuminados. nestas mudanças de nosso código fundamental. em que eu estava retido pela mais inaudita perfídia. porém. temia ainda mais os horríveis males da discórdia intestina. tinham exci- tado idéas e desejos desconhecidos a nossos antepassados. e esta persuasão me in- duzio necessariamente a consentir. e ao estado pre- sente das differentes porçoens da monarchia. que seria indis- pensavelmente requisito amoldar nossas instituiçoens con- forme a estes elementos. sobre que se apoia a estabilidade e repouso das Sociedades. vós me fizestes saber vossos desejos. no que parecia ser o desejo geral de um povo magnânimo. que pareciam mais congenies ao character nacional. e os mais espantosos acontecimentos. a mais freqüente communicaçaõ entre os differentes paizes do globo. a universal diffusaõ dos conheci- mentos. depois de ha- ver triumphadode um inimigo estranho. HESPAM1A. que. Porém em quanto meditava maduramente. Naõ ignorava eu. que os rápidos progressos da civilização Europea. e com to- da a solicitude natural a meu paternal coração. que ficaram reservados para a presente geração.

pacatos e felizes. tenho consentido no que meus filhos julgam conducente á sua felicidade. ardilosamente mascaradas. de vossos rivaes. como terno pay. N o seu seio. excitada pelas circumstancias. pelo caminho constitucional. faça- mos com que se admire e respeite o nome Hespanhol. que a Providencia lhe impõem. n'um período. e dando á Europa um exemplo de sabedoria. Tenho j a adopta- do as medidas necessárias para a prompta convocação das Cortes. porque anhelaveis. me regosijarei em concurrer na grande obra da prosperi- dade nacional. Repelli as insidiosas insinuaçoens. e pela intima convicção daquelles altos deveres. e eu em primeiro lugar. O meu único desejo e alegria he ver-vos unidos ao redor de meu throno. . em que estais collocados. Evitai a effervescencia de paixoens. que demasiadas vezes transformam em inimigos aquelles. que. que freqüentemente impede o alcance do que he real. Pres- tei o juramento â Constituição. que somente procuravam ter o lugar de irmaõs. O vosso bem dependerá. tem sem- pre sido acompanhada com lagrimas e desgraças. que se di rije a vós com aquella since- ra effusaõ do coração. assim como con- cordais em religião. no meio do estrondo das arma3 inimigas. e serei sempre o seu mais firme apoio.'135 cesse aquella constituição. concordando em affeiçaõ. ordem e perfeita moderação. foi promulgada em Cadiz em 1812. Hespanhoes! O meu coração naõ aspira senaõ á vossa gloria. Marchemos todos francamente. Ouvi os vossos desejos. em grande parte. em que com a admiração da Europa. daqui em diante. pe- lejavas pela liberdade de vossa pátria. que. de vós mesmos. Confiai por tanto em vosso Rey. . linguagem e custumes. em outras naçoens. Politica. Guardai-vos de ser desencaminhados pela falsa apparencia de um bem ideal. e. n'uma crise. unido a vossos representantes.

soldados. ao mesmo tempo que vos abre uma brilhan- te carreira. saõ as nossas sagradas obrigaçoens. aquella nobre letra do guerreiro Hespanhol em todos os tempos. (Assignado) FERNANDO. He isto o que vos fará beneméritos do amor de vossos concidadãos em tempo de paz. declarastes vossa plena adhesaõ â Con- stituição Politica da Monarchia. e formidáveis ao inimigo em vossos combates. serei sempre o vosso amigo. estar prompto para fazer todos os sacrifícios pelo bem geral.336 Politica. Soldados!—O acto solemne. que saõ essenciaes ã condição militar. Carlos ao Exercito. que El Rey me testemu- nhou. vos impõem grandes obrigaçoens. Palácio de Madrid. de que podeis esperar immortal gloria. conservar a tranquillidade publica. na carreira que vos guia pelo caminho da honra e do dever Amar e defender a nossa pátria. Taes. He isto o que El Rey . conferindo-me a honra de vos commandar. que hoje prestei em sua augusta presença. Eu me felicito pela confiança. preservar aquella exacta disciplina e subordinação. ser unidos em affeiçaõ e sentimentos com a naçaõ Hes- panhola . Fiel ao juramento. debaixo de vossas bandeiras. ao mesmo tempo que por séculos trabalharemos para nossa felicidade e gloria. Proclamaçaõ do Infante D. respeitar as leys. pelo qual. manter com inconcus- sa lealdade o throno e a sagrada pessoa do Monarcha. que he o apoio da liberdade civil e da grandeza nacional. Valor e constância. 10 de Março. 1820. he seguro penhor da in- violável fidelidade com que cumprireis vossa promessa. concurrer com ella no estabelicimento e conso- lidação do Systema Constitucional.

e em todas as circumstancias. o pay de sua pátria. Madrid 14 de Março. com esplendor desconhecido nas mais bellas idades da Monarchia. Política. He assim que o antigo Throno dos Alfonsos e dos Fernandos brilhou nesta heróica naçaõ. M. M. Em todos os vossos perigos. 1820. Fernando VIL. será o mais feliz. no caso em que S. minutar imediatamente os regulamentos e instrucço- ens para as eleiçoens dos deputados. Senhor! Communiquei a El Rey a carta. aos 16 deste mez: nella me referis as medidas. e de que o vosso primeiro camarada em armas vos dará o exemplo. Soldados de todas as graduaçoens. para fazer saber ao publico os motivos constitu- cionaes por que se adoptàram as medidas propostas. examinou com muita satisfacçaõ as ideas apre- . S. a me dirigio. o fundador da liberdade na Hespanha. una-nos um grito ao redor do Throno. haja um só senti- mento entre todos os Hespanhoes. nosso benigno Monarcha. e offereceis. á Juncta Provi- sional de Governo. que a Juncta Provisional julgou próprio adoptar. visto que pôde fundar a sua authoridade nas indisputataveis bazes do amor e veneração de seu povo. (Assignado) CARLOS. que V. Ex. assim como o mais poderoso dos reys. 337 espéraá de vós. para a prompta convocação das Cortes. se sirva approvar as proposiçoens da Junc- ta. e publicar um ma- nifesto. Ordem Real pelo Ministro do Interior. Viva El Rey: Viva a Naçaõ! Viva a Constituição.

E x . e da maneira mais conveniente. e o mais assignalado afferro de todos os membros. Proclamaçaõ da Juncta Provisional de Governo. assim como cora o Manifesto. que se vam adoptar. em que se consagraram. para informação da Juncta Pro- visional. nem os direitos do throno. a Juncta naõ tem manifestado alguma opi- nião. que he destinado a elevalla aquelle alto gráo de gloria que lhe esta reservado. que annuncie a V. os direitos da heróica naçaõ Hespanhola. que elle approva. o chama- mento das Cortes do Reyno. e do throno constitucional. como izenta de timidez e baixeza. Tam inimiga da lisonga e do interesse. que deve ter por objecto dar conta ao publico dos motivos das medidas. as medidas propostas pela Juncta. em todas as suas partes. estabelecido o systema constitucional em todos os ramos administrativos e judiciaes da capital da mo- . e Sua Majestade me ordena. em que sejam violados. e que deseja que ella se occupe sem demora com os regulamentos e instrucço- ens necessárias. para nunca serem violados. seguio sem hesitação a car- reira que lhe dictou a confiança. a como agora faço. para a eleição dos Deputados. dentro em pou- cos dias. nem os do povo: seguirá este systema em quanto exis- tir. Cidadãos!—A Juncta Provisional. para providenciar im- mediatamente. immediatamente depois de sua inauguração. com aquella tranquillidade. que o tetemunho de sua própria consciência dá ao homem justo. objecto do primeiro desejo de S.338 Politica. A Juncta tem visto com satisfacçaõ. que a compõem. com que o povo â ti- nha revestido. á Carta Constitucional: do- cumento este. sentadas pela Juncta Provisional. M .

Havendo-se dado este primeiro passo. 339 Monarchia. que seu amor á Charta e sua consien- cia dictaram. abolio-se o tribu- nal da Inquisição. tem visto as medidas tomadas para estabele- lecer o mesmo systema por toda a Hespanha. mas que se fazem mui complicadas. restituio-se a propriedade â administra- ção da divida publica. em ordem a que pelo menos o espirito . que devem formar a égide da liberdade. Porém. que podiam dar-lhe luzes. foram tornados a chamar. tanto quanto a prudência humana per- mittia: porém o que exclusivamente exigio a attençaõ da Juncta he o laborioso e perigoso emprego de preparar a convocação das Cortes. Supportada por sua fraca informação tem dado a El Rey aquelles conselhos. e os homens beneméritos da pátria. Tem-se emprehendido muitas outras obras importantes. quando he necesssario atê crear as suas bazes ? A Juncta tem sido obrigada a trac- tar estas graves questoens. e em uma palavra as difficuldades. sem ter tempo de consultar os homens sábios e escriptores. e os directores nomeados pelas Cortes fôram chama- dos á execução de seus deveres: effeituou-se o restabelici- mento do Conselho de Estado. se tem alhanado. que se oppóem ao repenti- no e pacato estabelicimento do systema constitucional. pelo parecer da Juncta. e impor eterno silencio ás paixoens e contra- riedade de opinioens. se o syste- ma constitucional naõ houvesse soffrido alteraçoens. organizou-se a câmara de contas. cidadãos! { quantas difficuldades e espinhosas questoens se apresentam á Juncta. examinando esta im- portante matéria. que teriam sido simplices. e a Juncta tem reconhecido a necessidade de escolher para todos os officios homens virtuosos affeiçoados â Charta. estabele- ceo-se a liberdade politicada imprensa. Politica. em execu- ção dos decretos expedidos por El Rey. que delia tinham sido expulsos. separado este ramo do thesouro geral.

excitada pelos grandes acontecimentos. porque conservam o pu- blico em continuo estado de agitação. que somente se podem considerar como fructo da mais pura affeiçaõ á Constituição. se deve publicar. M. entaõ. circulando pela naçaõ. a Juncta se reconhece obrigada. e da firmeza de princípios.. que vos distinguem de todas as outras naço- ens. Consequente- mente está ja occupada em esboçar os regulamentos para a convocação das Cortes. em que deve ao diante progre- dir He pois. de uma consciên- cia pura. que apre- sentavam os menos inconvenientes. que em todas as mudanças políticas saõ a origem das calamidades. masque. a recommendar-vos a cautella. neste grande dia. N o entanto. deste precioso código fosse seguido. fôram appre- sentados ao Ministro para inspecçaõ de S. que. essa impa- ciência vem a ser uma poderosa arma nas maõs do malé- volo artificioso. que characteriza os que a compõem. Estes trabalhos. excitar os te- mores e os ciúmes. do mais sincero desejo de ser bem succedido. naõ influída por vistas pessoaes. e agitada por espíritos sem reflexão. cheio de confiança no vosso amor da or- dem. he o melhor indicio da constância das resoluçoens geraes. que cança os ho- . de que a impaciência. depositário da vontade geral. amados concidadãos. e naquellas virtudes singulares. para desunir a opinião. que a Junc- ta. quando he levada a excesso. com a candura e boa fé. o anniversario da constituição.340 Politica. e mostrará o caminho da gloria e prosperidade. manifestará a escolha dos meios. e a Juncta tem a satisfacçaõ de annunciar. M. dif- fundirà o balsamo da confiança. na vossa adherencia á Charta. que acaba de ser offícial- mente informada da approvaçaõ de S. ja que éra impossível adherir á letra delle em alguns pontos. e das inspiraçoens. e o em que aquelle precioso código. quando naõ se aparta dos limites da razaõ e da prudência.

que varre tudo com sigo. Arcebis- po de Toledo. Tendo resolvido chamar immediatamente as Cortes VOL. O estabelicimento de novo systema sobre as ruinas de outro derribado. Politica. de Março de 1820. a mais difficil e a mais la- boriosa operação. que o homem conhece. o socega- do e constante movimento de novas instituiçoens conso- lida em vez de destruir. Podemos comparar um aos re- sultados da tormentosa inundação de uma torrente. 19. (E os outros Membros da Juncta. e o outro ao majestoso e benéfico levantamento do Nilo. 341 mens bons e os impelle a abandonar o leme do estado com irreparável desgraça de sua pátria. Cardeal de Ia Scala. e para mos- trar quam dignoâ somos da liberdade. e o exemplo da França. e exercita e eleva as virtudes sociaes. {Assignado. pelo contrario. niostrar-vos-haõ. A historia de to- das as revoluçoens. D. e que. he a maior. Cidadãos ! Sigamos o sublime impulso. para nos fazermos objecto da admiração e respeito da Europa. x x . se tem causado lagrimas que correm por séculos. Resumo do decreto para o chamamento das Cortes.) Luiz DE BOURBON. que tudo fertiliza e nada destróe. 143. Presidente. que em todas as revoluçoens. pela graça de Deus e pela Constituição da Monarchia Hespanhola. Exhaure to- dos os recursos do entendimento e prudência humana. XXIV. &c. vos deverá fazer prudentes e moderados em vossa impaciência. Fernando VII.) Madrid. com a ordem e tranquillidade até aqui observadas. N». &c. que a im- paciência termina em um dia. Rey das Hespanhas.

segun- do a Constituição que tenho jurado observar. considerando quam urgentemente necessário he pôr em actividade a Constituição em todos os seus ramos. Naõ podendo as Cortes deste anno ajunctar-se. . por esta occasiaõ somente. de concerto com a Juncta Provisional. cap. 4. 4. conforme ao que se acha prescripto pela Constituição nos capítulos 1. e 5 do titulo terceiro. teraõ lugar Domingo. Para este fim se começarão immediatamente as eleiçoens em todas as communs da Monarchia. 3. que se observem os intervàllos. na epocha fixa pelo artigo 106 da Constituição. para os annos de 1820. e 1821. na conformidade dos artigos 104. 3. 21 do mesmo mez. Todos os Membros das Cortes Extraordinárias de Cadiz de 1813 e 1814 saõ elegiveis para deputados das Cortes de 1820 e 1821. 2. NaÕ permittindo a necessidade de se ajunctarem as Cortes promptamente. principiarão as suas sessoens aos 9 de Julho de 1820. promulgada em Cadiz aos 19 de Março de 1812. e as terceiras na distancia de 15 dias. Districtos e Provincias. no Domingo 7 de Maio . na forma que ao depois se determinará. que acompanham o presente Decreto. creada pelo meu decreto de 9 do corrente. 6. entre as assembléas das Junctas das Paróchias. no Do- mingo. 30 de Abril. hei ordenado. que a Constituição prescreve. 2. e 108. pelas Coites Geraes Extraordinárias da Naçaõ. que se devem ajunctar todos os annos. conformando-se em tudo ás instrucçoens. as primei- ras. ordinárias. titulo 3. e convocar a Re- presentação Nacional. Saõ chamadas as Cortes Ordinárias.342 Política. que exigem as circumstancias . o seguinte:— A r t i g o ] . tendo respeito âs modificacoens. as segundas uma semana depois. da Constituição Politica da Mo- narchia Hespanhola. 5.

para a eligibilidade de um Depu- . na Deputaçaõ Permanente. o nu- mero dos substitutos será de 30 indivíduos: a saber. Domingos. Os deputados titulares da Peninsula. a sua absenciaserá provi- denciada por meio de substitutos. Como as incertezas do mar podem occasionar impe- dimentos imprevistos nas eleiçoens das ilhas Baleares e Canárias. para a convocação das Cortes Geraes Extraor- dinárias. e faraõ registrar seus nomes. 11. Havendo chegado os Deputados da Peninsula se apresentarão na Repartição do Governo da Peninsula. na conformidade do artigo 11L da Constituição. Conforme ao mesmo decreto. 5 pelo Vice-reynato de Lima. da maneira que foi ar- ranjado pelo Conselho de Regência. As condiçoens. e ilhas adja- centes. 9. Quanto às representaçoens das provincias de alem mar.2 6. 1 pela Ilha de S. 3 pela de Sancta Fé. Politica. 7. da mesma forma que o haveriam feito na Secretaria das Cortes. 7 pelo Vice-reynato de México. até que possam tomar o seu assento em Cortes os deputados que ellas elegerem. 1 por Puerto Rico. aos 8 de Septembro de 1810. e até que as Cortes tenham determinado o que for mais conveniente. 10. se ella existisse. 2 pela Capitania General de Chili. 2 pela Capitania General de Guatimala. devem vir munidos com os poderes dos eleitores. 8. e os das Provincias. que os tiverem elegido. 12. 2 pela de Cuba. a sua vereficaçaõ procederá com toda a promp- tidaõ possivel. os Depu- tados teraõ um mez para chegarem á capital. e 2 pela Capitania General de Ca- racas. Quando se tiverem verificado as eleiçoens. naquelle tempo. 24. segundo as formulas inseridas no artigo 100 da Constitui- ção. 2 pelas Phillippinas.

e mandarão a justificação a Madrid.344 Politica. seraõ as mesmas que a Constituição re- quer para os Deputados Titulares. que. 28 de Maio. para as Piovincias Transmarinas. (segundo o artigo 18. 18. (O mesmo regulamento. para este fim. aquel- les que tiverem a maioridade. formarão uma Juncta. na assemblea constitucional da Commum aonde residirem. 14. 15. 17. os de Guatimala e Phillippinas aos do México. os eleitores das Provincias mais próximas umas ás outras se uniraõ. segundo a Constituição. examina- rão os votos. o Presidente. Para que a falta de eleitores de algumas das Pro- vincias Transmarinas se naõ opponha á uniaõ de seus Representantes nas Cortes. As condiçoens requeridas para ser eleitor dos Sub- stitutos Transmarinos. e declararão eleitos como Substitutos. eleitos pela Juncta. se faraõ da maneira seguinte:—Todos os cidadãos daquellas provincias. Os eleitores dos substitutos justificarão seu titulo ao voto. tem gozado o direito de ser eleitores nas suas respectivas provincias. antes de Domingo. os de Venezuela ou Caracas aos de Sancta F é . 16. os cidadãos destas mesmas provincias. Todos cs cidadãos. As eleiçoens dos 30 Substitutos. quando terá lugar a eleição dos Substitutos. seraõ eleitores dos Substitutos. eos de S. que se acham em Madrid. Se- cretario e escrutinizadores. presidida pelo cabeça civil de Castella. do ja citado regulamento de 8 de Septembro de 1810) na seguinte ordem :—Os de Chili aos de Buenos-Ayres. tado-Substituto. 13. seraõ as mesmas requeridas pela Constituição. para os eleitores dos Deputados Titulares. que esti- verem em outras partes da Península. Domingos e Puerto-Rico aos de Cuba e Duas Floridas. quanto ao registro dos . mandarão os seus votos por escripto ao cabeça politico.

o Pesidente. de que se falia no artigo 112 da Con- stituição: nomearão entaõ duas Commissoens de três. Politica. 122. Como naõ existe a Deputaçaõ permanente. 121. feito em Cadiz. o mesmo edifício. se sup- prirâ esta falta ajunetando-se os deputados e substitutos aos 26 de Junho próximo futuro. do Regulamento interior das Cortes. que de- via presidir aos ajunetamentos preparatórios das Cortes. e para este objecto somente. em que se ajunctàram as ultimas Cor- tes. 1813. saõ indispensável conseqüência . conforme ao artigo 100 da Constituição. 120. 21. A segunda Juncta preparatória se fará até os 6 do mesmo mez. relativas ao que se acha estabelecido pela Constituição. Depois disto as Cortes se considerarão con- stituídas e formadas. e Escrutinizadores. e dará poderes aos Deputados Substitutos. e 123 da Constituição. pelas Cortes Geraes Extraor- dinárias.e colligir os nomes dos Deputados das Provincias. dia em que se convocará a ultima Juncta preparatória. 345 Deputados Substitutos. 115. da Constituição. aos 4 de Septembro. e começarão a sua sessaõ aos 9 de Julho. que se observam neste Decreto. em seus nomes. como se acham prescriptas no artigo 113. he destinado para a sua presente sessaõ. para o exame da legalidade dos poderes dos Depu- tados. tudo conforme aos artigos 114. Na conformidade do artigo 104. quanto a convocação das junctas electoraes. verifi- cará o excrutinio dos votos. em uma Juncta prepa- ratória. 19. Como as modificacoens.) 20. e nomearão d'entre si pela maioridade de votos. (A Juncta Geral de Eleitores. 118. e epocha do ajunctamento das Cortes. 117. em Madrid. como pelo artigo 7 sobre os ou- tros Deputados. Secretários. 119. 1. e cinco membros. e para este fim se disporá. segundo os arranjamentos indicados no Cap.

do Intendente.346 Politica. e Ilhas adjacentes. excepto o que diz respeito á deputaçaõ permanente. e de dous Letrados nomeados pelas pessoas acima dietas. Artigo 1. deve ser dali em diante es- crupulosamente executado tudo quanto a este respeito prescreve a Constituição Politica da Monarchia. que tenho provisionalmente prestado. porque conforme o juramento. &c. para facilitar as eleiçoens. Ordena que se reimprlmam os artigos da Consti- . formará im- mediatamente uma Juncta preparatória. 4 e 5. pelo Ministro do Inte- rior. e que prestarei so- lemnemente ante as Cortes. Pelo que mando a todos os Tribunaes Juizes.— Resumo das instrucçoens para as eleiçoens na Peninsula. do Syndico Procurador Geral. do Arcebispo ou Bispo. A Juncta enviará immediatamente o Decreto da Convocação das Cortes a todas as cidades capitães dos districtos. para os Deputados das Cortes. que estará em ac- tividade neste ultimo anno. e do Regedor mais antigo. e daqui seraõ expedidos ás respectivas com- muns. quando receber o decreto de Convocação das Cortes. O cabeça superior de cada provincia. e na sua falta do Ec- clesiastico inais distincto. estas modificacoens somente se extenderaõ aos annos de 1820 e 1821. Esta Juncta será composta do Cabeça Superior da Provincia. N a sua formação cada Juncta preparatória participará a EI Rey de assim o haver feito. do Alcaide. nos annos de 1820 e 1821. &c. 3. 2. do presente estado da naçaõ.

12. 11. Estas junctas mandarão ás Cortes.577 habitantes da Peninsula. relativos á convocação das Cortes. Ha um regulamento particular para a eleição dos Deputados da Galliza. somente pela morte de um De- putado Titular. ou achando-se ser impossível que al- gum destes tome o seu assento. para cada 10:498. que dà 149 deputados. 7.000 almas. 6. e 1821. com o Decreto. os quaes saõ chamados a ter assento nas Cortes. na Nova Hespanha: Guadalajara. ate o encerramento das Cortes: tam- bém se lhes pagarão as despezas das viagens. pelo Ministério do Interior. em Yucatan: Guatimala. 8. Artigo 1. A Juncta preparatória da Provincia fixará o numero dos eleitores do districto. 9. As Junctas preparatórias naõ se podem ingerir em nada mais do que o determinado nos artigos precedentes. A distribuição dos Deputados será na proporção de um para cada 70. em cada uma das seguintes capi- tães:—México. 10. Formação de uma Juncta prepaiatoria. na Nova Galliza: Merida. para falicitar as eleiçoens. 347 tuiçaõ. (Assignado por) E L RET. na pro- . e que se dis- tribuam copias ás Communs. Resumo das instrucçoens. Esta consignação lhes será paga a contar de sua chegada na capital. um processo verbal circunstanciado de seus procedimentos. Assignar-se-haõ aos Deputados 110 reales por dia á custa de suas respectivas provincias. Asturias e Canárias. Politica. para as Cortes de 1820. para a eleição dos Deputados pelas províncias Transmarinas. a estes se devem accrescentar 54 substitutos.

sobre matérias relativas áa eleiçoens. vincia do mesmo nome: Monterey. no Peru: Santiago. Este artigo he comprehendido nos termos do ar- tigo 9- 13. em La Plata: Manilha. As Junctas preparatórias naõ entrarão em outia . 7. a mesma. Composição da Juncta preparatória. 9. em Venezuela: Lima. O mesmo em substancia dos artigos 4 e 5 das instrucçoens precedentes. para a divisão e demar- cação do território. ò. Se o estado politico do paiz naõ permittir o ajuuc- tamento na capital. que se prescreve no artigo 2 das instrucçoens para a Peninsu- la. na Nova Biscaya. Domingos. nas ilhas Phillippinas. uma das quatro provincias interiores orientaes: Durango. Fará também a mais conveniente divisão das pro- víncias. a respectiva Juncta preparatória determinará os lugares e formas de proceder com ellas. 4. Se o estado politico de alguma provincia puzer ob- stáculo á execução das eleiçoens. He quasi repetição do artigo 4. Prescreve outras medidas. uma do interior das piovincias Occiden- taes: Havannah.348 Politica. 3 . 6. na ilha do mesmo nome: Sancta Fé de Bogotá. 8. As Junctas preparatórias pronunciarão sem appella- çaõ. em Nova Leon. 12. 2. em Chile: Bue- nos-Ayres. em C u b a : S. em Nova Granada: Caracas. ajuncta se convocará na commum aonde residir o cabeça politico. A Juncta preparatória indicará o numero dos elei- tores conrespondente á população da provincia. 10 e 11. fixando os lugares principaes dos districtos. na ilha do mesmo nome: Puerto-Rico. em todas as duvidas. aonde os eleitores de devem ajunctar.

Os artigos 14. 16. Politica. de concerto com a Juncta Provisio- nal de Governo. que con- stantemente tem dirigido o seu comportamento. El Rey. 18. ordena. com todas as solemnidades. N» 143. (Assignadopor) E L REY. conformando-se com o parecer da Juncta Pro» visional. e 19 saõ quasi os mesmos dos artigos 10. restituindo a suas honras e empregos. e com as vistas de consolidar o estabelicimento da ordem e uniaõ geral. senaõ a determinada por estes arti- gos. que todas as pessoas incluídas nos pro- cessos. Circular do ministro da Interior para a celebração do anniversario de Constituição. as pessoas processadas pelos crimes políticos passados. Com- Voi. e Tenente General D. 15. julgou conveniente ordenar. M. Francisco Espoz y Mina.11. Ordem Regia. que as Cortes Geraes e Extraordinárias tinham ordenado. 17. S. XXIV. segundo o decreto de 8 de Março. Luiz Lacy. 340 alguma matéria. pelo Decreto de 15 de Março 1815. Marechal de Campo D. que se ordenaram contra o Marechal de Campo D. (Assignado) D. que aos 19 do corrente se celebre o an- niversario da publicação da Constituição Politica da Monarchia Hespanhola. YY . 12.. Joaõ Dias Porlier. de 1820. em conformidade dos principios. Palácio em 17 de Março.13 e 14 das instrucçoens preceden- tes. JOSEPH GARCIA DE LA TORRE.

Madrid 25 de Março de 1820. e a todas as vantagens reconhecidas por qualquer sociedade. connexa com aquella ordem. ou indicaçoens contrarias a seu espirito. e outros da mesma na- tureza. e posse de todos os seus empregos. na conformidade do decreto das Cortes Geraes e Extraordinárias. Vincente Richard. e Marechal de Campo D. que dimanam do poder civil.e seja banido do território da Monarchia. e conjunetameute com a Juncta provisional. que a constituição da Monarchia a que tenho prestado juramento. Decreto de comminaçaõ de penas aos que iwõ quizerem. Mariano Renovales. e applicaçaõ das penas que elle impõem.350 Politica. renunciam por es3e acto á protecçaõ da ley. a respeito do throno. ou que o fizer com protestos ou reservas. he a ley fundamental. que os que recu- sam reconhecer a ley fundamental do Estado. nos procedimentos de Valencia em 1817 e 1819. Os Chefes Políticos. até a de viver em seu território: declaro. que todo o Hespanhol que se recusar a prestar juramento â Constituição Politica da Monarchia. da naçaõ. missai io de. e. Considerando.Guerra D. relativamente aos aconteci- mentos. que tiveram lugar aos 8 de Julho de 1S19. e dos cidadãos uns para com os outros: considerando também. que regula os direitos e deveres de todos os Hespanhoes. jurar a Continuação. seja privado de todas as honras. no exercito expedicionário de Cadiz. de 17 de Agosto de 1812. se fôr ecclesi- astico. sejam restituidos ao gozo de todas as suas hon- ras. emolu- mentos e prerogativas. será outro sim privado de toda a propriedade. e outras Authoridades Constitu- cionaes saõ encarregadas da execução do presente Decre- to. .

a menos que todos os Hespanhoes sejam iguaes nas suas faculdades de gozo. {Assignado) A. Política. e a mais heróica contenda. seus encargos. Considerando também. que. provas in- equívocas do desejo. sejam cobrados pelos Chefes Políticos das respectivas provin- . debaixo do titulo de Patrimônio Real. que fizeram em commum com toda a naçaõ. desejando dar a todas as partes da naçaõ He- spanhola. de 9 de Julho de 1813. naõ somente de confe- rir a esta porçaõ do povo toda a prosperidade de que he susceptível. JACOB M A R I A PARGA. se execute em todas as suas partes. a fim de manter a mais justa a mais obstinada. até os 9 de Março próximo passado. que lhe he tam essencial. que delles dependiam. por seu Decreto de 19 de Julho de 1813. fiquem abolidos daqui em diante todos os Privilégios do Patrimônio Real. dia em que jurei a Constituição. de que os séculos fazem lembrança. mas também recompensar os heróicos sacri- fícios. em conseqüên- cia. e a que pôde aspirar. Pela maõ d' El Rey. seus direitos e seus deveres. que as Cortes Geraes e Extra- ordinárias tinham abolido os dictos privilégios do Patri- mônio Real. e com generosidade sem exemplo. Decreto para abolir os privilégios chamados de Patrimô- nio Real. de accordo com a Juncta Provisional: Que o dicto decreto das Cortes. e que os atrazados. 351 Dado em Palácio aos 26 de Março 1820. D. e a cobrança das imposiçoens. El Rey. que saõ sugeitas aos privilégios exclusivos e outros. tenho determinado. e estando plenamente persuadido de que he impossível que a monarchia possa obter aquella uniaõ e felicidade. que o anima.

(Assignado) A. Luiz.&c. que a constituição dos Estados. Edicto para a Constituição representativa do Gram Du- cado. naquelle tempo. ou as pretençoens que havia para nellas parti- . G R A M D U C A D O D E HESSE. JOSEPH GARCIA DE LA TORRE. sem prejuizo a outro qualquer soccorro. &c Quando resolvemos promulgar o nosso edicto do 1. uma nova Constituição commum a todo o Gram Ducado. e no Ducado de Westpha- lia. pela graça de DeusGrara Duque de Hesse. Que a tentativa de formar. em Cadiz. éra incarpaz de assegurar a todos os nossos fieis vassallos uma administração regu- lar e igual. as vis- tas e desejos. Certificado pela maõ d* El Rey.352 Politica. Deve ser evidente. que co- nheça a natureza daquellas antigas constituiçoens. para fazer a sua sorte menos infeliz. aos 3 de Abril. cias.° de Outubro de 1806. de 1820. que moviam as pessoas entaõ connexas com ellas. e em que naõ tinham parte os paizes in- corporados na antiga Hesse. Dado em Palácio. com tam differentes systeraas. naõ puduziría o desejado re- sultado. D. e minhas vistas paternaes. que entaõ existia. que previamente subsistira em nossos antigos territórios Hessezes. he o que naõ pôde duvidar ninguém. que se lhes possa conceder pela gene- rosidade nacional. obramos pela consoladora reflexão de que a maiori- dade dos observadores socegados e imparciaes participa- vam em nossa convicção da necessidade e propriedade daquella medida. e o seu importe applicado ao soccorro das famillias das victimas do dia 10. sendo os Estados differentes nas duas divi- soens do paiz.

naõ éra possivel emprehender a formação de nova Constituição. 03 mais cheios de aconteci- mentos notáveis. que tempos. no aperto de uma guerra. remover muitos obstáculos â liberda- de das pessoas e da propriedade. e fundar e promover o estabelicimento de instituiçoens de utilidade geral. em tanto quanto éra possivel. nos tempos mais difficeis. Temos fundado nossa remuneração nas numerosas e inequívocas provas de amor e affeiçaõ de nossos fieis vas- sallos . obter para o nosso povo o imperturbável gozo de seus mais importantes benefícios. temos sempre fomentado igual amor a todos os nossos fieis vassallos: também adherimos fir- memente. Com prazer e grato reconhecimento lhes damos este publico testemunho. e também re- conhecemos que os nossos constantes esforços para fazer. pelas calamidades daquelles tempos. por variosan- nos. Elles conrespondêram ao chamamento com a mais louvável resolução e incon- cussa fidelidade. Com pezar nosso fomos obrigados. naõ sem sacrifícios. succedêram â publicação do nosso Edicto para abolir a Constituição dos Estados. . He notório. os quaes tem estado somente por breve tempo debaixo do nosso governo. quasi nunca interrompida. a chamar por grandes esforços e sacri- fícios de nossos amados vassallos. uma igual distribuição dos encargos públicos . e. o termos recebido provas de affeiçaõ naõ menos sinceras de nossos vassallos do Ducado de Westphalia. Em retribuição. às máximas de go- verno. e fôram unidos com nossco em um pe- ríodo infeliz. e collocamos entre as nossas mais agradáveis lem- branças. calculadas a promover o seu bem . Politica. fundadas em novas relaçoens que o tempo tinha produzido. nos tem tam- bém adquirido justos direitos a grato reconhecimento. 353 cipar.

e também ajustar todas as relaçoens rro antigo território. Quando se estabeleceo a Confederação Germânica. remover mais completamente as duvi- das. em quan- to o Governo naõ se achar plenamente informado das ne- cessidades de seus novos subditos. o primeiro cuidado de um Governo pru- dente deve ser o averiguar a situação actual das provin- cias novamente adquiridas. até o mez de Maio do presente anno. naquelle período. . que nos unem a nossos fieis vassallos. se ao mesmo tempo naõ acontece- cesse em nossas possessoens uma importante mudança. e que a experiência lhes tenha ensinado a pôr confiança em seus governan- tes. e que a convocação de die- tas naõ pôde produzir resultados satisfactorios. Por ésla razaõ. Acustumados a guardar nossa palavra de Príncipe sa- grada e inviolável. Porém naõ podíamos deixar de perceber que.364 Politica. adaptada ás circumstancias dos tempos. que voluntariamente declararam em Vienna a sua resoluta de terminação de conceder aos seus povos a davida de nova Constituição. Esperávamos que naõ somente o intentado objecto se alcançaria entaõ completamente. nos achamos entre os Príncipes Alemaens. concluir todos os difficeis trabalhos preparatórios. a execução de nossa determi- nação de estreitar mais os laços. pelo estabelicimento de nova Constitui- ção. por nosso edicto de 18 de Fevereiro. e pareceo que se realizava a esperança de tempos mais tranquillos. consideramos que era necessário dilatar. mas também que o nosso Ministério haveria podido. qual requer a situação denosso paiz. quando resolvemos. que. apre- sentariam obstáculos ao estabelicimento de tal represen- tação. que lhe orde- namos emprehender. sendo deixadas por ajustar. na troca de territórios. procederíamos immediatamente â exe- cução desta promessa.

e todo nosso povo. No entanto.° Os Estados do nosso Gram Ducado formarão duas Câmaras 2. II. pelo presente decreto. como penhor de nosso antigo amor. nem se exercitariam os de- veres representativos de maneira saudável. toda a outra consideração deve ceder ao sagrado denossa promessa. Os novos e melhores ajuste das relaçoens da Nobreza de nosso Gram Ducado (sem o que estes im- portantes membros do Estado naõ teriam a conrespon- dente parte na representação. Com o desejo de que nossos fieis vassallos possam re- ceber agradecidamente este documento. se fcsse pioposta para o anno seguinte. Art 1. e a nossos fieis vassallos.) só recente- mente chegaram á condição de receber a nossa alta sanc- çaõ . nossa Casa Gram Ducal. que nos fossem mais favo- ráveis. temos ordenado e ordena- mos o seguinte. A primeira Câmara he formada. esta esperança só se tem realiza- do em parte. de cujo acabamento espera- mos mais simples e exacta administração. Dos Príncipes da nossa Casa Gram Ducal. e foi justamente agora que se acabou de lançar as bazes a vários regulamentos. I. Por esta causa estamos persuadidos que a primeira Dieta produziria resultados. 1'olítUu 355 Naõ obstante os maiores esforços dos principaes minis- tros de nosso Governo. a nova Constituição de nossos territórios. Movidos por estas consideraçoens temos resolvido es- tabelecer. e com a esperança de que a Todo Po- derosa Providencia fará desta nossa resolução uma fonfe de bençaõs e de prosperidade para nós. como temos publicamente declarado a nossa intenção de convocar nossos fieis Es- tados no mez de Maio do presente anno. Dos Cabeças das familias. que formam os Estados e que possuem um ou mais senhorios» conforme a secçaõ .

ou de honrosa memória. III. tanto para os . que até aqui tem possuído a honrosa dignidade de Marechal Hereditário de Hesse. que seraõ escolhidos pelos dis- trictos electoraes. formados de villas e communs. I.356 Politica. III. por este concedemos o particular direito de eleição. Estas cidades saõ. a nossa capital de Darmstdt.° A segunda Câmara he formada. sobre as relaçoens dos membros dos Estados. Do Chanceller da Universidade de nossos Estados. 16 do ultimo Edicto. com a dignidade de prela- do. No caso de Sé vagante re- solvemos escolher um distincto clérigo Catholico. VI. 3. Do mais antigo da familia do Baraõ Riedesal. Worms. V . cada uma das quaes escolherá dous deputados. que naõ tem outro direito de eleição. I I . para supprir o lugar do Bispo na Dieta. que nomearemos para aquelle lugar vitaliciamente. V I I . e modo de sua execução. De 34 deputados. 1III. Bingen cada uma das quaes elegerá um deputado. De seis deputados escolhidos pelos Nobres. Alsfeldt. Offenbach. que possuem sufficiente qualificação de propriedade real no nosso Gram Ducado. Daquelles cidadãos distinctos. que chamarmos para esta dignidade vitaliciamente. As condiçoens do di- reito de eleição. Do Bispo Catholico. Friedberg. De dez deputados das cidades a que nós. De um Clérigo Protestante. em con- sideração dos interesses do commercio. Naõ estenderemos estas nomeaçoens além do numero de dez. a nossa cidade de Mentz. ou seu substituto. As nossas cidades de Giesen.

antes que a Dieta se ajuncte: que cada três annos de- verá a haver nova conta de receita e despeza. que tenham chegado aos 36 annos de idade. teraõ o direito de entrada. 4o. O resto dos artigos. que se extendem a 27 inclusive. que haja sido processado perante algum tribunal de justiça. 7. quando nenhum impedimento legal se oppuzer ao gozo de seus direitos políticos.° Os deputados da segunda Câmara devem ser cida- dãos. Os que saõ membros da primeira Câmara por nasci- mento. N \ 143 zz . que nenhum membro de alguma das Câ- maras terá direito de votar por procuração. o que se naõ pode executar sem o consentimento dos Estados: que no caso de differença de opinião entre as duas Câmaras. se- raõ fixados em regulamentos particulares. o calculo ou contas de receita e despeza será discutido em uma assemblea formada pela uniaõ VOL. e que possuam um rendimento sufficiente para assegurar a sua independência. Literatura e Sciencias. somente podem exercitar os seus direitos chegan- do â idade de 25 annos. Os membros do nosso Ministério. providencêam. 03 Commissa- rios na Dieta por nós nomeados. e deve haver novas eleiçoens. 357 nobres como para as cidades e districtos eleitoraes. a menos que tenha sido absolvido. que pela dissolução todos direitos das eleiçoens passadas ficam extinctos. que as elei- çoens se faraõ todos os seis annos. que nenhum membro. XXIV. possa appa- recer na Dieta. prorogar e dissolver a Dieta: que o Soberano deve con- vocar as Câmaras ao menos uma vez cada três annos. 6.° Providencêa. 6o. mas naõ de voto. ainda quando naõ tive- rem proposiçoens a fazer nas Câmaras. e se permitte o direi- to de re-eleiçaõ: que o Soberano tem o poder de convocar.

e que a decisão será tomada pela mai- oridade absoluta dos votos: que a divida publica será garantida por uma ley particular. de natureza regulamentar. mas o direito de petição. apresentar-se âs Cama- r t s . tanto para os indivídu- os como para as corporaçoens. (Assignado) Luiz. das duasCamaras. que o Soberano sub- metterà aos Estados. As leys de poli- cia e todas as que disserem respeito á administração e serviço do Estados. sobre cousas publicas. Pelo artigo 26 se prescreve a forma de juramento. sem a con- currencia das Câmaras. sob a presidência do Presidente da primeira Câmara. seraõ feitas e postas em execução pelo Soberano. relativas a seus interesses particulares podem. he negado: os Estados naõ saõ responsáveis ao Soberano por seu comportamento nas Câmaras. quando se ajunctarem as Câmaras. (Conlrassignadó) VON GROLMAN. e a aua remissão será assegurada por um fundo de amortização: que naõ se augmentará a divida sem o consentimento dos Estados.358 Commercio e Artes. Que as petiçoens de indivíduos ou corporaçoens. com certas restricçoens. Darmstadt 18 de Março 1820 . e nenhum dos dominios patrimoniaes do Soberano se poderá hy- pothecar sem o mesmo consentimento. que os membros devem prestar.

Membro da Commissaõ Mixta. da Guerra. cuja copia he do theor seguinte : Illustrissimo e Excellentissimo Senhor:—Tenho a honra de participar a Vossa Excellencia acharem-se de- cididos três casos. ( 359 ) COMMERCIO E ARTES Lisboa 27 de Março.. 11. dando conta das deci- soens de três casos pendentes na referida Commissaõ.565 — 8 — 1 Dois Amigos . 16. e aos quaes se determinaram as seguintes in- demnisaçoens. A Real Juncta do Commercio mandou affixar o seguinte Edictal: " Com Aviso da Secretaria d' Estado dos Negócios Estrangeiros. Conde de Palmella.L. a saber: Ao Navio S. escrevera o commissario Juiz Anto- nio Juliaõ da Costa. baixou à Real Juncta do Commercio agricul- tura. 3.. estabelecida na mesma cidade.686 — 1 0 — 0 Como os reclamantes naõ abateram nas contas. datado de 17 do corrente..nem a mortandade provável. Joaquim . fabricas e navegação a Copia de uma carta que ao Ministro d* El Rey nosso Senhor na Corte de Londres. que apre- sentaram áCommissaõ. e da Marinha. . dos que se acham pendentes nesta Commissaõ.237 — 6 — 0 Boa Uniaõ . gastos.

(Assignado) ANTÔNIO JULIAÕ DA COSTA. . em conformi- dade da Convenção. objectos de deducçaõ. e juros á conta da somma concedida nesta Commissaõ. estipulados em favor das partes inte- ressadas de uma forma liberal. conforme o theor da convenção. Os Câmbios que se tem estipulado . que teriam de incorrer. saõ os que ultimamente tem regulado. José Accursio das Neves. se os Escravos chegassem a salvo. os preços porém. Londres vinte e cinde Fevereiro de mil oitocentos e vinte. aonde liia destinada. tendo sido retomado pela Equipagem. E para que o referido chegue ao conhecimento das pessoas a quem interessar. fôram a meu ver.360 Literatura e Sciencias. em pagamento dos escravos tomados. forçosa- mente as sommas concedidas differemdasque se pediram. em lugar de Santos. ou differença de preços entre sexos e idades. Os reclaman- tes do navio S. naõ podíamos admittir outros. Joaquim já tem recebido da Corte do Al- mirantado L. O Navio Boa Uniaõ só esteve detido pelos Aprezado- res dous dias. os importes julga- dos. foi-lhe concedida uma indemnizaçaõ adequada por ter vendido a Escravatura em Pernambuco. mas justa. 1573—7—8—de principal. Deos guarde a Vossa Excellencia. se mandou affixar o presente Edictal Lisboa 27 de Março de 1820.

. Qualidade. 4p Ourocu 4s. Chifres. l s . Redondo. ' Mascavado . Ouro em barra £ 3 17 10J Brazil. em navio Portuguez 1 Minas novas ls. a l s . 9p. Op Páo Amarello. 20s P e z o s . . Porto 20s.. 3p. . a l s . a ls. por 1121b. 2p. ^Pernambuco l s . por couro iliio Grande <A <c Pernambuco.J Maranham .. 10 p. 5s. . . Bahia por lb l s . a 7p.. Pará . a 68s Cafte Rio 108s. . Rio Grande por 123 48s. a 4<>s. à 12s. a Mp . . . Câmbios com as seguintes praças. Cebo Rio da Prata 63s. . I CCapitania. . f Para ls. . 6p 4s. . • ideara . 29s. 2p..a 6ip. . ( 361 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil.. a 130s. pilha < B «IP. > direitos pagos pelo Pâo Brazil . 42s. LONDRES. a ls. a 52s. a 2 s . Op. 2p. Anil Rio 5 por lb.livre por Tabaco J e m folha ' exportação Tapioca Brazil. . Direitos. a 31s. . a l s . Assucar • . por 1121b. <A 7|p. .. ls. Volta 30* Peças de 6400 reis Lisboa 20s. saldados 5p. 3 s . | 6£ porlb. a 4 Os. Rio da Prata. a 112s. a 50 42s Bengala 60s 62» . Op. Cação. Preços.dictos onça Açores 25s.. Brazil exportação. 3p. por 100 lb... . 7p. 9p.. 25 de Abril. de 1820 Gêneros. Hida 30s. 20 s nhoes por Madeira 20s. 3*P. . . . . Rio de Janeiro 54 Hambmgo 36 7 Lisboa 51 Cadiz 33| Porto 51 Gibraltar 30 Paris 25 40 Genora 44| Amsterdam 12 1 Malta 46 Espécie Seguros. ls. . j direitos pagos pelo í comprador. Op. a 7ip. ls. Algodam . a 9p. Livre de direitos por A r r o z . Óleo de cupaiba. 4p.. . ' C &èP. 4p. a l s . . 5p. por lb 2s. 8s. Brazil I20s.. 20 j Dobroens Hespa. .. I por 1121b. ou Inglez. • 1 Batido 38s. a 30 30s Prata em barra 0 5 $ Rio da Praia 42s. a l s . Ipecacuanha Brazil" ! cavall 12s. 2 p . . 4p. Salsa Parrilha..Pernambuco } comprador.Pará fiOs.

Por F. 8. e trouxe da America (aon- de se naõ podiam publicar] por Mr. W Cooke. A. 12. que Mr. 3 vol. Traduzido do Francez. Cordiner's Voyage to índia. Mollien ás vertentes do Senegal e Gâmbia. ( 362 ) LITERATURA E SCIENCIAS SOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. Cazeiro de T. Viagem á índia. . Pelo Rev. B. Blaikiefs on Edges: preço 2s. Viagens de Mr. preço 18$. Blaikie. feitas por ordem do Governo Francez. Fairfax possue. Tractado sobre o mane- jo das sebes vivas.mo. Mcmoirs of Oliver Cromteel. Memórias de Oliveiro Cromwel e 6eus filhos. que se suppoem serem escriptas por elle mesmo. Jaimes Cordiner. e madeiras plantadas nas sebes. Estas memórias saõ compiladas de alguns papeis curio- sos. M. Eccudeiro.—com amplas notas &c. Author de uma Descripçaõ de CeilaÕ.v0 preço 7*. Mollierís Traveis in África.

pelas 3 horas. ministros &c. he a seguinte. preço 9s. 8 vo . a carta por que se an- iiuncia o descubrimento de algumas ilhas no Mar Paci- ficio. com a difTerença de 3 milhas. e procedemos para Oeste. Ficamos ali dous dias para fazer lenha e aguada. 188 Oeste. de que até aqui naõ havia noticia. com anecdotas de seus validos. e aos 26 de Ahril anchorei em Porto Anna Maria. que apenas resvalou para fora. ou alqueive de veraõ. Long. que concordaram. sem cal. Na manhaã de 17 de Maio. no Mar. no . Pelo Major General Alexandre Beat- son.° 58' S. 8V0. 363 Memoirs of the Court of Westphalia. sob Jeronimo Bona- parte. e Membro Honorário da Meza da Agricultura. Memórias da Corte de Westphalia. Navio Rebeca. Lat 6. Beatson's New System of Cultivation. com os meus chronometros. Ilhas novamente descubertas no Mar Pacifico. e ao meio dia reduzi a latitude e longitude deste grupo (porque pareciam ser 14 pequenas ilhas e baixos de arêa) por muitas observaçoens lunares. He digna de registrar-se aqui. preço 9s. no Con- dado de Sussex. e orçou instantaneamente. 25 de Março 1819. Novo systema de cultura. e entaõ dirigime â terra. tinha quasi terminado o corso do Rebeca: o homem do leme vio primeiro alguns arbustos baixos a menos distancia de três cumprimentos do na- vio pela proa. Aos 28 de Março parti de Valparaiso. Literatura e Sciencias. estéreo. uma das Marquezas. Ex-Govenador da Ilha de Sancta Helena. Capeei até amanhecer o dia. e posso dizer com verdade. como se practica na granja de Knowle. Novahceva.

que apparentemente consistia de 17 pequenas ilhas. tenho razaõ para julgar. Oeste e a viagem em busca de La Perouse. Escape Island: outra adjacente. pelo meu chronometro eram 207. concordando com os chronometros. Fui outra vez feliz em obter obser- vação lunar. devo dizer-vos." 54' Oeste. A estas me fizeram os meus officiaes a honra de nomear De Peyster's Islands. Sul. que nunca fora ate aqui seguida. que ao chegar ao Cabo de S. Naõ me pareceram habitadas. George. Todas estas ilhas saõ mui baixas. . que. mesmo de dia. e de que apenas escapei. seguinte:—Longitude do centro 180. puz-lhes o nome de Grupo de Ellice: à primeira ilha. deo Longitude da ponta do Sul 181:° 43'. Sul. que Horsburg pòem em Longitude 207.° 29.° 1'.364 Literatura e Sciencias. Ao meio dia velejamos. e as 8 da tarde descubrimos pela proa um grande fogo.° Oeste. o mesmo.° 5'. que o commodoro By- ron tivesse corrido pelo mesmo parallelo de Latitude até mui pequena distancia do primeiro grupo. Eu fiquei tam atacado de nervos depois de ter escapado disto. e entaõ se fi- zesse na volta do Norte: e que o Capitão Wallis tivesse passado por juncto do segundo. Sendo os descobridores. de maneira que senaõ podem descubrir da da cuberta. Latitude dicto 8. Esta derrota de Chili. que vi. Nova Irlanda. Como ulterior corroboraçaõ da exactidaõ da Longitude. que por varias noites naõ velejei. demos de ló. Ao amanhecer apparecêo outro grupo. senaõ chegado a ellas. Latitude 8. He singular. Oeste. Rebeca Island.

3 A . He provável que o Legislador. Certas emprezas commerciaes naõ se podem executar. ainda mesmo os de uma sociedade de quatro ou cinco negociantes. ha muito tempo a esta parte.. porque o mesmo nome de mouopolio tem sempre recebido na nossa lingua uma accepçaõ desforavel. revestidas de um privelegio exclusivo. que um privilegio exclu- sivo e um monopólio. quando sanccionava os regulamentos das alfândegas. que estabelecia um destes mono- pólios. e naõ sabia. 258. como o teria feito um só nego- Voi. Mas quando o mesmo legislador tem creado as companhias de commercio. saõ uma e a mesma cousa. senaõ com capitães mui consideráveis: os de um particu- lar.ajunctando em com- mum uma somma mui grande. 365 ECONOMIA POLÍTICA PE S1MONDE. e submettendo os seus interesses a uma direcçaõ nomeada por elles obrassem com os fundos communs. saõ explicava a si mesmo claramente o effeito de suas leys. que se formas- sem companhias de accionistas. nao seriam bastantes para os levar adiante foi logo necessário. parece difficil que tenha po- dido dissimular a si mesmo. he pois chegado o momento de discutir de novo as vantagens e os inconvenientes deste quarto monopólio. para se entregara isto.) CAPITULO Vi.NM43. que. En- tretanto assim o fez. Literatura r Sciencias. contra que a opinião publica se tem enfurecido. dos aprendizes e dos jura- dos. (Continuada de p. o mais estricto e mais severo de todos.XXIV. Das Companhias de Commercio. e parece hesitar se ainda o deve con- tinuar a fazer.

ciante. por outra parte. que exigem capitães considerabi- . a menos que o Legislador naõ venha em seu soccorro. quan- to mais os Direitores forem personagens importantes no Estado. e mais facilmente se obtém o fazêlla considerar como mesquinha uma atten- çaõ minuciosa aos interesses. se substitue uma successaõ continua de pequenas perdas âs quaes a Direcçaõ se faz um dever de fechar os olhos. os mais brilhan- tes bons sucessos do commercio naõ saõ compostos se- naõ de pequenas poupanças. a sua attençaõ naõ he tam bem mantida. e por conseqüência naõ he tam vivo. Mas uma sociedade de accionistas naõ obra com a mesma economia. pelas suas despezas e seu fausto. e a compa- nhia até se devera achar em estado de bancarrota. no bom successo das emprezas mercantis. que lhe saõ confiados. e tanto mais. tanto mais os pequenos arranjos parecerão des- merecer o cuidado da Direcçaõ. Entretanto. nem com a mesma intelligencia. mais incapazes se acharão de uma applica- çaõ constante às minudencias. Quanto mais rica e poderosa for a com- panhia. Quando a esta accumulaçaõ continua de pequenas vantagens. o de um Couselho de Direcçaõ. todos os lucros da empreza desappareceraõ.366 Literatura e Sciencias. para os quaes todo o lucro do monopólio da Companhia he uma perda. Entre as emprezas. e o direito de augmen- tar indefinitamente os lucros á custa dos consumidores. ao trabalho habitual. como a de um negociante que traba- lha para si mesmo. e pequenos lucros. naõ he tam immediato. que pôde obrar um só negociante: o interesse de uin Direc- tor. ou lhe dê um privilegio exclusivo. que representam. se julgarão obrigados a sus- tentar a honra da corporação. Atê aqui similhante associação poderia mui bem haver sido o resultado da liberdade do commercio e naõ conseqüência de seus entrávez.

com pouca differença. as de seguros. que dellas dependem. Neste caso. ainda que os seus lucros naõ sejam regulados senaõ pela taxa ordinária do lucro mercantil. e mesmo al- gumas daquellas. e se podem submetter a uma regra tam unifor- me. he a de ou- tra companhia. e que tem dado lugar â formação de companhi- as. se conduz. Taes saõ por exemplo as companhias de bancos. ha algumas. ainda a menos disposta a prestar attençaõ á economia. do que luctar pelos lucros umas contra as outras. em que todas as operaçoens saõ tam simples. con- tra os consumidores. ellas acharão que lhes faz mais conta ligarem-se entre si. que se naõ possa sustentar senaõ pelos fundos reunidos d'uma sociedade de accionistas. nem privilegio exclusivo. que tal companhia pode temer. que dá á Com- panhia o seu immenso capital. a vantagem. lhe compensa os incon- venientes inherentes ao fausto e inatençaõ de seus Direc- tores . Ainda mesmo quando o commercio. 367 lissimos. porem se naõ houverem senaõ duas ou três em um Estado. Entretanto. se realmente he de natureza. que se forma á sua imitação. como lhe prestaria um negociante particular. de quem se tinha aílirmado serem as únicas próprias a certo commer- . como elle o teria feito. que lhe fazem os outros emprehendedores naõ a expõem a fazer bancarota. que emprebendem a lavra de alguma mina. acon- tece freqüentemente. que as companhias. as que se encar- regam em commum de alguma grande obra. a concurrencia. bem que o naõ tenha de direito: porque naõ tem a temer a con- currencia dos negociantes particulares. a com- panhia possue sempre um monopólio de facto. que a Direcçaõ. que tem empre» hendido uma companhia. de maneira que. sem ter nem monopólio. que se acham na impossibilidade de seguir o mesmo commercio: a única rivalidade. he de outro gênero. Literatura e Sciencias.

para contrabalançar as vantagens. como ella encarece suas mercadorias na razaõ das percas. por isso mesmo que a companhia he livre.368 Literatura e Sciencias. que lhe ministra a superioridade de seus capitães. em sua vez. que os de uma sociedade de accionistas. que lhe fazem os negociantes independen- tes. Uma companhia. concedido a uma companhia de accionistas. naõ desvia os capitães d'um commercio para outro: naõ pôde eirgir-se. eos obriga a coriglllos. a sociedade goza de um privilegio exclusivo. até certo ponto. Mas se. uma . ficam os accionistas por muito tempo sem perceber os abusos. loge que armadores particulares podem enviar âs índias vasos avulsos. e a esta dilapidação. que se forma e que subsiste sem pri- vilegio exclusivo. vem a ser. pôde melhor supportar a liberdade. e até mesmo os particulares. tem muito a soffrer da concurrencia. põem limites a suas despezas. que ella abraça. que lhe oceasionam os roubos ou as dissipa- çoens de seus agentes. naõ traz com sigo inconveniente algum. seja sempre a conseqüência da administração de uma companhia mui rica. chama a attençaõ dos accionistas aos vícios da administração. pelo contrario. cio. que lhe podem fazer outras companhias. levantando o preço relativo livre das mercadorias. prova evidente de que o commercio. a perca immediata. ja naõ acham meios de os reprimir. e quando começam a soffrer. O privilegio exclusivo. que dahi resulta. que saõ o seu ob- jecto. que se tem introduzido na administração. Se a leva assas longe. a concurren- cia. que ellas em- prehendem. deixam-nos lançar profundas raízes. de sorte que. o da índias em particular. pouco mais ou menos. senaõ quando a necessidade publica pede a existência do commercio. e fazer o mesmo negocio que ellas. pôde exercitar-se com fundos menos con- sideráveis. ao nivel do seu preço intrínseco: ainda que a dis- sipaçaõ.

a historia das companhias Fran- cezas. e os accionistas se arruinam. que tem existido até aqui. ao me- . sem escrúpulo. Literatura e Sciencias. Ha razaõ para crer. e até seus roubos . mais ricos e mais populosos do Universo. desde a primeira. até os nossos dias. e.na segurança de que naõ seraõ os accionistas. sua inattençaõ. mesmo dos monopolistas. tem mais poder para os sustentar. porém. ainda mesmo quando a desordem chega a este ponto. suas dilapiduçoens. Mas sem ter necessidade de Ir buscar exemplos fora. naõ se pôde esperar de a vèr corrigir: o interesse pessoal da gente. aquella em que as dilapidaçoens dos agentes e feitores tem sido elevada a maior grào. quaesquer que sejam os vícios dos Directores. as rendas de um dos mais extensos impérios. de que ella he soberana no Industan : e ainda assim. que só querem o bem. se acha quasi sempre alcançada. fundada aos 26 de Maio de 1664. que possue o monopólio de quasi toda a Europa. e naõ aquelles. he a companhia Ingleza das índias Orientaes. de todas as companhias. em que os lucros. ao mesmo tempo que seus sgentes se enriquecem . fazendo o commercio mais vasto que ja mais se fez. e unindo aos lucro do commercio. do tem para os destruir que o interesse tepido e distante dos accionistas. oceasionadas senaõ pelos roubos. e na necessidade de solicitar auxílios da Thesouraria. a naçaõ soffrerá suas con- seqüências. 369 authorizaçaõ a seus agentes. mas sim os consumidores. em vez de offerecer dividendos aos accionistas. quem soffra. naõ he senaõ um tecido de per- cas e fallencias. naõ bastam para cubrir tantos roubos e dilapidaçoens : entaõ a companhia faz banca rota. que. que lhes tiverem confiado seus interesses. que tira proveito da mantença dos abusos. com um capital reunido. para elevar ao ultimo ponto. Entretanto he verdade que chega um termo.

naõ deixou a companhia de cair. se as especulaçoens fossem mal succedidas. que os negociantes particulares se empregassem neste ramo de trafico (Meu . que se tornariam a reembolçar dentro em dez annos. p. par Garonne uiné. Mas estas duas companhias para o commercio da índia naõ empre- henderam nunca uma só expedição . renovado em 1652. As cartas patentes expedidas em Vincennes. lhe dam os mais brilhantes privilégios. sem juros. edescarregarem no Reyno: em fim adianta-lhe entre a primeira epocha do seu estabe- licimento. por todas as mercadorias em que fizer somente o commercio de transporte. EI Rey renuncia. e pol. durante todo este espaço de tempo. cedeo o seu privilegio *Antes desta companhia houve outros dous privilegio s exclu_ sivos. 1668. eutaõ prohibida a todos os mais. que expirou em 1027 : outro em 1G42. e verefica- das em Parlamento. e as sugeita somente a meios direitos: permitte-lhe a exportação do numerário. a somma de qua- tro milhoens. 37. sur le commurce de l'lnde. e a respeito dos quaes El Rey con- sentia o tomar sobre si toda a perda que houvesse a Com- panhia.370 Literatura e Sciencias. pelas mercadorias que os seus vasos levarem aos paizes de sua concessão. e promette-lhe 50 livras por tonellada de gratificação. em 1708. imprudência e incúria de seus diver- sos Directores. a posse de Madagascar. e 75 livras pelas que dali trouxerem. que puder fazer. Com todas estas vantagens. e naõ tiveram outro effeito mais doque impedir. nos pela ignorância. hist. e os21 de Septembro. no !•• de Septembro de 1664. . em favor da companhia. concedidos para o commercio da índia: um em 1604. para o estabelicimento da companhia das índias Orientaes*. izenta-a de de pagar direitos. e além disso lhe cede as conquistas. até a epocha em que. e nas que importar para o consumo do Reyno.

e que se deviam augmentar até 15 um estes pedidos. Maio.000. que obtinha nas fazendas. éra quem o fazia ruinoso. pedido aos accionistas.* Crer-se-hia. além de todo o lucro do monopólio. in foi. naõ subiam a mais de 2:100. Póde-se. 1075. Em 1701 obteve d'EI Rey um empréstimo de 850. avaliar em mais de 30 milhoens a dissipaçaõ dos capitães nacionaes. quando a Companhia se reunio.000 no mez de Abril de 1687.000 livras. que occa- sionou esta primeira companhia das índias. que vendia. Literatura e ScienciaSi 371 a armadores de St. Tom. entretanto seria isto um grande engano: a empreza de conquistar. em 1719. porém se achou. e traficar. . Aos 13 de Março de 1675 El Rey a desobrigou dos quatro milhoens que ella lhe devia. Em 1684. que ellaemprehendèra éra de de natureza tam perigosa e tam ponco proveitosa. vendo que uma Companhia revestida de tam vantajosos privilégios havia feito uma perda tam enorme. pois. de 1750 p. e que eqüivalia a um imposto no consumo dos subditos do Estado. que todas as gratificpçoens do Rey naõ podiam compensar os riscos.966 livras. A pezar de com novosupplemento de 728. para augmentar os seus fundos. e outro de 320. sobre as companhias de commercio. que lhe eram ínherentes. e dos accionistas um supplemento de 50 por cento. que naõ montavam a mais de 3:353. governar. En- tretanto. com a Companhia do Occidente. se achou que os seus fundos. dos seus Directores uma nova entrada de 800. nesta epocha. que ao tempo do estabelicimento da companhia eram de 8 milhoens.000 livras. IV.975 livras. que o commercio. tudo ao mesmo tempo. a dissertação de Jacques Savary des Bruslons. •Pode-se consultar. o que lhe deviam a ella era mais de dez milhoens. fizéram-se vários vários pedidos e appellaçoens aos accio- nistas. impressa depois do seu diccionario do commercio. edit.

obrigando-se a trazer por sua conta. no mez de Agosto de 1717 . A segunda companhia das índias. Nenhuma assemblea do mundo he menos própria a exercitar a soberania. Quizéram estes particulares dar mais consistência a seu commercio. Naõ compete âs mesmas pessoas o encaregarem-se de operaçoens tam contrarias. particularmente de St. sem pagar frete. faziam com a índia o commercio mais lucrosu.372 Literatura e Sciencias. feito com o Sieur Jourdan e seus associados. Foi estabelecida para o commercio do Mis- sissipi. A prospe- ridade destes negociantes teve por termo o de sua inde- pendência : logo que elles adquiriram consistência e pri- v elegios exclusivos começaram em seu tumo a decair. a pezar de terem que luctar contra a zelosa vigilância de seus feitores. he a mais poderosa de todas as que se creâram em França. ajuncl aram- se a esta concessão condiçoens mui onerosas. confir- mado por ordem do Conselho de 22 de Janeiro: e o tractado de Dezembro de 1708 com Crezat e Companhia. do que uma assemblea de negociantes e nenhuma sociedade he menos própria a ser bem succedida no commercio do que uma companhia de soberanos. e que exigem qualidades de espirito tam differentes. confirmado por ordem de 15 do mesmo mez- . que El Rey concedia por cada tonelada empregada neste commercio*. e ce- dendo â Companhia o prêmio. Maio. obtendo da mes- ma companhia o direito de negociar na índia. e contra todo o rigor das ordenanças quan- do voltavam para a França. exertada na do Oc- cidente. porque os particulares cederam á Companhia 15 por cento do producto da vendadas mercadorias que traziam da índia. dez toneladas de mercadorias da índia em cada navio. Mesmo no tempo em que a mais antiga companhia das índias se esgotava em guer- ras desastrosas. os navios avulsos. para o commercio da China. e o seu privelegio se •Veja-se o tractado de 4 de Janeiro de 1698.

por meio dos quaes elle pagou as dividas do Estado. ha treze artigos deste gênero. 3B . Na sua ori- gem montou o seu cappital as seis milhoens. um dos acontecimentos mais notá- veis da historia do commercio do mundo. Com a rápida queda do systema. conseqüência necessária d'um crescimento. XXIV. uma vez libertada do syste- ma monstruoso. a que se achava aassociada. fez os maiores sacrifícios para a manter. e reunio ao mesmo tem- VOL. com que a naçaõ tinha jogado com tanta extravagância. conhecida pelo nome do Occidente a 1. dé que a Com- panhia he dispensada de dar conta. ou como devedor da companhia das índias. por sommas enormes: umas vezes saõ trezentos milhares e settenta milhoens. somma em que o fixou uma ordem do Conselho. e do immenso capital. ou como pro- tector de milhares de particulares. de Junho 1725. Ora.600 milhoens. um empiestimo de 1. a que chegou o espirito de epeculaçaõ usuraria. Ella se approveitou desta breve prosperidade. aos 6 de Septembro. outras vezes retrocessaõ de cincoenta mi- lhoens de acçoens pertencentes a Sua Majestade. ficou proprie- tária de um capital prodigioso. que dependia da loucura. 373 registrou no Parlamento. Literatura e Sciencias. para o dezem- penho da Companhia das índias. Entaõ se vio Venderem-se as acçoens da Companhia. outras vezes saõ quinhentos e oitenta e três milhoens. Aos 6 de Outubro de I7I9 chegou a 300 milhoens. O edicto Real. Era esta a epocha do systema } e deste estranho furor de especulaçoens. N \ 143. em diversos pagamentos. que se apoderou da naçaõ. que naõ tinha nenhuma baze real. de que El Rey lhe faz donativo. que podem dar uma idéa do furor. o Governo. contém recibos e regu- lamentos de contas. que lhe tinham confi- ado os seus haveres. A companhia das índias. para fazer a El Rey.000 por cento de seu valor.

todas as quaes haviam estado era •Veja-se o edicto d' El Rey. e de Ia Bourdonaie. que decorreram áté á sua suppressaõ. em 1785. a da Louisiana edo Castor e a das costas de Barbaria: cedeo-se-lhe na mesma epocha o monopólio do tabaco. que foram reunidas á Companhia das índias. que obteve depois a Companhia Ingleza. esta nova experiência. de Junho 1725. Acabo de nomear 6ette. por muito tempo. *Peo-se a liberdade ao commercio da índia. tinham procurado a esta Companhia o mesmo gênero de bom successo. a do Senegal. a de Guiné. e do café. igualmente revestida d'um privelegio exclusivo: a revolução e a guerra marítima naõ deixaram de perse- guir. Com tam grandes privilégios. a Companhia das índias susteve as- sas longo tempo um commercio prospero. em 1763 a penúria da Companhia éra ja extrema. adoOccidente.*. a arruinou e em 1769. os Francezes lhes de- veram a acquisiçaõ de seiscentas milhas de paiz. que confirma oa privilégios e concessoens da Companhia das índias. de estabelecer terceira Companhia das índias. por sua vez. longe de dar-lhe os meios de se restabelecei.* Depois de haver deixado o commercio da índia livre por 16 annos.374 Literatura e Sciencias.* O numero de companhias. por um decreto da AssemWea Constituinte no mez de Maio 1790. entre tanto a guerra. *0s talentos militares de Dupleix. e as rendas de seu território chegaram a doze milhoens : entretanto. e o Governo se vio obrigado a supprimilla. que tem sido successi vãmen- te revestidas de privilégios evclusivos em França. o Governo tomou o partido. po o monopólio concedido a todas as companhias. a das índias. . que a tinham precedido . a todos os Francezes. he mui considerável: todas ou quasi todas tem feito banca rota. a da China. naõ fizeram mais do que assegurar a sua ruina. a saber. e os seis annos de paz.

sem os quaes os fei- tores e os agentes de commercio estariam incessantemen- te expostos a ser victimas das revoluçoens de povos fero- zes. &c. que se naõ forme alguma companhia para as grandes índias. da Acadia. como a do Assiento. Do- mingos. que ella sem isto teria des- prezado. que se pôde suppôr a um Go- verno. sempre onerosos aos que pagam o monopólio. O único fim racionavel. para fundar uma companhia. e que quasi nuu- ca se acham ser vantajosos. 375 decadência. das escalas do Levante ou do mar do Norte. se opporíam muito a isso. de S. Naõ ha que temer. Ora. no exame desta que nos deve- mos demorar presentemente. paia isso neces- . Literatura e Sciencias. com privilegio exclusivo para o commercio da America. podendo o exemplo de outras naçoens a este respeito illu- dir o Governo: he. Tantas experiências deviam bastar. entre os quaes se pudessem achar. da Bahia de Hudson. do Norte. e ser mantidos por elle: mas comprehende- se. he o de chamar a naçaõ para um commercio. Os fortes. para formar entre ellas esta- belicimentos susceptíveis de defensa. as guarniçoens e todos os postos militares estabelecidos em paizes distantes. do Cabo Verde. o que se faz com as naçoens Barbaras ex- ige um avanço de capitães. desde a sua formação haviam ja ex- istido muitas outras precedentemente suppritnidas. que este tem antes preferido deixar ao commercio. pois. Mas naõ he igualmente certo. aos que o tem recebido. do Levante. do Mar do Sul. sem duvida. o cuidado de fazer as primeiras despezas. para fazer desgostar do estabelicimento de privilégios. que se estabeleçam com pa- nhias. penso eu. As reclamaçoens de nossas colô- nias e as dos negociantes Francezes. para ali proteger o commercio na- cional deverão sem duvida depender sempre do Poder Executivo. das costas de África. e ruina. a cuja vantagem esses estabelicimentos saõ destinados.

por tempo limitado. O Commercio da Bahia de Hudson. de companhias exclusivas. pode defender-se em politi- ca . e em que a companhia che- gasse ao termo final de seu privelegio. e o commercio das índias tem menos necessidade que outro algum de ser sustentado por similhantes meios. os Fran- cezes estabelecidos ou nas suas colônias. he mais segura que a de Pondicheri. vir a ser em suas maõs o mercado de toda a índia. mettendo nas maõs do Poder Executivo. A cidade de Pondicheri. acham-se em estado mui florente para virem a ser. durante a sua existência.376 Literatura e Sciencias. o encarecimento das mercadorias. e que naõ saõ assas policiadas para que se possa tractar com ellas directamente. cujo commercio pôde ser vantajoso. Mas hoje em dia tem os Europeos estabelicimentos. que emprehende o commercio de tal gênero. pôde. os seus fortes e as suas feito- rias. a uma companhia. senaõ desde o momento em que o commercio se fizesse livre. estaõ quasi seguros. que a naçaõ obtivesse por este commercio: he sacrifício feito por uma vez. As colônias das ilhas de Ia Reunion. Neste ponto de vista. sendo mu- dada em porto franco. cuja conservação. em caso de nova-guerra. Talvez obteriam elles attrahir a si os navegantes Indicos. por exemplo. poderia ter necessidade. Os negociantes ja ali estabelecidos. e os que ainda ali se estabelecerem ao de- pois. para o seu estabelicimento. um dos depósitos geraes do commercio da índia. com o auxiloda liberdade. bem como esta cidade. ficarão assas próximos á índia. como quer que seja. que se en- tregou á França pelo tractado de paz. em todas as naçoens. de . ainda que dahi resulte. se o commercio for inteiramente libertado. sarias. ou na mesma índia. para obter ao depois certa vantagem: mas esta vantagem naõ começaria para a naçaõ. para entreter relaçoens habituaes em todos os seus portos. um privilegio exclusivo.

. e de fazer. circulará com maior rapidez. que estas ricas sociedades naõ podiam sustentar a concurren- cia dos particulares emprehendedores e activos. e estreitar mais as suas ligaçoens com Pondichery. entretanto que os habitantes destas ilhas poraõ toda a sua actividade em exercer o commercio de índia em índia. dividido entre dous depósitos. e que deviam suc- cumbir Iuctando contra elles. com possessoens mui limitadas na índia. que naõ seria acompanhada de nenhum dos riscos. Os navios mercantes. poisos Francezes teriam sobre todas as outras naçoens da Europa a mesma vantagem. que possuem vasta extençaõ de paiz. a despeito de todas as suas precauçoens. naõ seria estranho vêllos em poucos annos vender aos mesmos Inglezes. naõ teraõ necessidade de irem todos até á índia. do que as naçoens. tem demonstrado. para dispor de suas carregaçoens. que saõ conseqüência necessária da administração das grandes companhias. as producçoens de Bengala e deSurate. se naõ fossem apoiadas por toda a severidade das levs. que por fraude faziam o mesmo commercio. e trazer o troco dellas : muitas vezes acharão mais van- tagem em prover-se nas ilhas de Ia Reunion. 377 illudir os privilégios exclusivos das companhias de todas as outras naçoens. e forçar assim esta a renunciar o seu privilegio. Literatura e Sciencias. que n'um mesmo paiz tem os vasos avulsos sobre as companhias privilegiadas. O capital deste commercio. eserá mais depressa substituído: os Fran- cezes. Ora o exemplo de todas as com- panhias. o commercio avulso com todos os subditos de Europeos nas índias. porque o preço intrínseco de suas mercadorias naõ será augmentado pela profusão e falsas despezas. mais baratas do que as vende a Companhia das índias. vantagem esta. que correm estas ultimas. faraõ ali o commercio de maneira mais vantajosa. que par- tirem dos portos da França. que traficam nas índias.

» Que o inte- resse década naçaõ he o mesmo que o dos consumidores. que dictaram a legislação das alfândegas. que tenho procurado desenvolver nes- ta obra. mas. em tanto quanto os seus capitães pudessem a isso bastar. A libertação do commercio da índia. tenderia logo a dar-lhe a segurança da maior parte. em trocar o numerá- rio da Europa. sendo também um dos partidistas do systema mercantil. a quantidade de mercadorias. Blanc de Volx. augmentando as forças. pelo menos. pelo contrario. a respeito do commer- cio^ convir-lhe-ha favorecer o da índia? Fica-se com razaõ admirado do acoroçoamento. Consiste. porque este commercio he absolutamente opposto a suas máxi- mas. que diminue a quantidade do numerário. que naõ gozam da mesma vantagem. condemnam um negocio. tanto entre nós como nos mercados da Europa para que nós traba- lhamos. que a exportação absorva o excedente das producçoens das minas da America. que a quantidade do numerário cresça pelo commercio. raciocina de maneira mui con- seqüente a seus principios. em ultima analyze.* * 0 principal raiupuaú dos privilégios das Coiupauhias para o commercio da índia. senaõ admittindo. e que augmenta. pelas mercadorias manufacturadas entre trópicos: as mesmas regras. Mr. Naõ se pôde responder a estas objecçoens. que náõ he do interesse das naçoens. que os Francezes poderiam oppor âs naçoens. Mas no systema. quando declara que este commercio he nocivo á França. que lhe tem dado po» vos. e propõem o estabelicimento de uma com- . com Adam Smitb. que tinham abraçado o systema mercantil. 2. e que he melhor comprar barato de fora. que actualmente segue o Governo. as duas máximas.378 Literatura e Sciencias. que comprar caro dentro da naçaõ. e que minam os fundamentos do systema mer- cantil : a saber. que fazem concur- rencia ás que nós produzimos.

para due possam empregar tam longe de si capitães consideráveis. sem que o capital nacional soffresse muito. quando ellas estaõ maduras para o fazer: isto he. os fundos dos capitalistas e naõ os do commercio para similhantes emprezas. naõ para o favorecer mas sim para o restringir: somente seria ainda mais conseqüente se o prohibisse inteiramente. Entretanto ha razaõ para crer. de Saint Maio. e caem com elle. os capitalistas Inglezes e Hollandezes. Literatura e Sciencias. únicos que os põem a cuberto das vexaçoens das companhias de suas naçoens. por meio da discussão. Veja-se o Cap. he como qualquer outro vantajoso âs naçoens Europeas. como se chamariam. II. p. Quando se souber na Europa. que naõ po- dem negociar directamente com este rico paiz. de Xantes. tendo enchido as primeiras vias da circulação. T. que o com- mercio da índia. aos mesmos resultados. . lucro mercantil. XII. conforme a seu desejo. procuram fora novo em- prego. panhia. pois os capitães tirados á França seriam directa ou indirectamente tirados do commercio. seria impossível chegarmos. que se pôde fazer de Brest. Os Francezes acham-se demasiado exhaustos pelas suas recentes percas. que naõ poderiam obter no mercado interior. e rendimento. quando os seus capitães. Naõ eniprehenderei responder a seus outros argumentos a favor de uma companhia: todos elles saõ connexos com o systema mer- cantil. do Estado com- mercial da França. e fazer dellas carre- gaçoens sobre fundos Francezes.179 Segundo estas duas máximas acharemos. sem que por isso soffra a pro- ducçaõ interior. de TOrient. Por fim. Como nós partimos de principios con- tradictoríos. se viraõ estabelecer nestas diversas cidades. armamentos particulares e independentes para a índia. que a liberdade do commercio daria mui grande actividade a nossa navegação nas índias. seria difBcil comprehender. . 208.

dá hoje. que tem também companhias das índias. tem ella vinte sortes de fazer mal por uma em que a sua intervenção seja somente inútil. afastando-as do emprego de seus fundos. destina- das a commerciar ali. que. que tem capitães iramensos. pelo contrario. He mui provável. Priva as ricas de uma parte de suas rendas. assim como em suas relaçoens econômicas: as riquezas daquelles negociantes se diffun- diriam pelos portos aonde viessem habitar. que devia manter a sua indus- tria. acham- se impedidos pelo monopólio. quanto. de applicar ao commercio da índias. e a França se aproveitaria. que destroe o e- quilibrio. a naõ ser isso. de duas maneiras tam differentes. sub- trahindo parte do capital. Todas as vezes que a ley quer regular o que se re- gula a si mesmo. logo que estas se offerecessem c os Suecos e os Dinamarque- zes. O monopólio. em razaõ do monopólio. aonde nunca teriam entrado natu- ralmente. para participar em um commercio. de suas economias. he nocivo a umas e outras. em suas relaçoens militares.380 Literatura e Sciencias. Os Inglezes e Hollandezes. que para elles tem vindo a 6er o mais lucroso: diminue os recursos das pobres. O monopólio das companhias naõ tem os mesmos ef- feitos nas naçoens. a quem o segura. que estas duas naçoens ainda pobres naõ tivessem nunca enviado um só vaso ás índias. poderiam fazer: assim elles se approveitariam das accasioens indirectas. a naõ ser o monopólio. A navegação Franceza se animaria com os seus capitães. vem que parte de seus capitães nacionaes he at- trahida para canaes. . vantagem que se deve considerar. naB naçoens pobres e nas naçoens ricas. que naõ estaõ no mesmo gráo de pros- peridade. em breve tempo. e mui superiores ás suas necessidades. para se poder dispensar delles. o lucro de 200 ou 300 por cento. se os seus Governos naõ tivessem animado a formação de Companhias.

companhia regulada na França. naõ saõ compostas de accionistas. para que taes companhias saõ estabe- lecidas. se limitam a poder trazer as suas balêas e derretellas na costa da Groelandia. a de África. 143. conhecidas de- baixo do nome de companhias de commercio. que tem os patroens dos navios pertencentes a esta companhia. O priveligio. destinada á pesca da balêa. que se distinguem no primeiro paiz pelo nome de compa- nhias reguladas: ellas saõ compostas de negociantes inde- pendentes. saõ a companhia de Turquia. ou espécies de corpora- çoens de officios. tanto na Inglaterra como na Hollanda. e a promessa de se sub- metterem a seus regulamentos. 381 He talvez conveniente notar. Literatura e Sciencias. As que subsistem hoje em dia em Inglaterra. que fre- qüentam o rio de Loire. que exercitam esta occupaçaõ. consolidada por uma declaração d'El Rey. 3 c . que todas as associaçoens de negociantes. ao mesmo tempo que os particulares. a de Rússia. sobre todos os outros. a menos que naõ seja a dos negociantes. A companhia Hollandeza do Levante he precisamente do gênero das companhias reguladas. Nunca houve. Por fim VOL. que eu saiba. dada em Marly aos 24 de Abril de 1705 a qual se pode considerar como sendo deste numero. terminando este capitulo. que lhe naõ per- tencem. outras. devem deferi resta preparação até á sua volta para a Hollanda. os que naõ saõ membros da sua companhia. parece que também lhe pertence. naõ tem direito de participar daquelle commercio. a do Norte. e da nova Zembla. que ponham os seus fundos em commum. a de Hamburgo. Existem. exigem dos que se querem affiliar a seu commercio uma contribuição. e a de Leste.. que traficam cada um para s i . Estas companhias. quea muitos respeitos naõ saõ outra cousa senaõ os jurandos. para serem administrados por uma Direcçaõ. XXIV N*.

que o tinham eleito.» tracta o A. (Continuada de p. O A. (Continuar-se-ha. 29. descrevendo particularmente o estado politico da França. " Debaixo do pretexto de que o pequeno numero de grande* vassallos. 2. que formavam com o Rey uma espécie de Regência» .) Espirit des Institutions Judiciaires de VEuropepar Mr.. que éra composto desses eleitores: e nesta delicada em- preza seconduzio da maneira. dos Estados Geraes da França Grande jours. como os demais paizes da Europa. que o A. que extin- guio quasi todas as instituiçoens dos antigos Germanos seus antepassados. e para isto usou do estratagema de augmen- tar o numero das pessoas do seu conselho de Estado. e á gente.. neste período. passa a mostrar os suecessos e causas. sobre o damno. assim descreve a p. que fizeram com que Hugo Cape- to fosse eleito Rey. inteiramente sub- mergida no feudalismo.388 Literatura e Seienciau o que tenho dicto no capitulo precedente. cujo pri- vilegio he perfeitamente do mesmo gênero. pôde perfeitamente applicar-se a estas companhias. a França se acha- va. Mas o Rey cuidou logo em diminuir a influencia dos seis grandes senhores. e Assembléas dos Notáveis. No tempo dos últimos reys da segunda familia. Meyer. 246) No cap. que as mestranças e jurandos causam aos consumidores nacionaes. pela revolução lenta. que vive de sua iudustria.

pela incorporação de varias cidades. Estes motivos dos Reys de França. se chamou aos outros de toda a naçaõ Estados Geraes. como se fez na Inglaterra. ou subsídios extraordi- nários de guerra. com os quaes nenhum dos Senhores se attrevería a compromeUer- se. e aos de cada Senhorio particular simplesmente Estados. aonde se determinavam as contribuiçoens. para distinguir esta assemblea das outras que cada Senhor fazia em seus dominios. Com tudo havia três ordens differentes. sendo o estrata- gema politico da França confundir os grandes senhores com os demais vassallos da Coroa . 383 de seus poucos conhecimentos além do que dizia respeito à guer- ra. foi fácil o segundo de intro- duzir no Conselho alguns grandes feudatarios da Coroa. e á administração directa de seus bens. podendo ser admittidos como iguaes a todos os grandes vas- sallos dos primeiros monarchas da Europa. como na Inglaterra. a da nobreza. talvez também de sua incompetência em matérias de religião. Literatura t Sciencias. e que também se chamavam Parlamento: e tomando estes também de- pois o nome de Estado. El Rey augmentou o seu Conselho. que eram devotos a El Rey. conduzio também a um resulta- do differente do da Inglaterra. mas foi em tempo de Phillippe . e algu- mas vezes Estados Provinciaes. assim como as outras grandes medidas do Estado. no estabelicimen- to dos Estados Geraes. por isso se naõ divi- diram os Pares dos Communs. porque. e esta assemblea. a dos ecclesiasti- cos. Este terceiro estado começou em tempo de Luiz o Gordo. no prin- cipio do século 12. admittindo nelle alguns grandes ecclesiasticos. ou Estados particulares. posto que a principio se chama-se Parlamen- to. e a outra a que se chamou terceiro es- tado : distineçaõ que continnou até o tempo da revolu- ção. mudou ao depois o nome^para o de Estados." Dado este primeiro passo.

quando lhes parecia. impediam que se convocassem os Estados Geraes. inas naõ podendo o Rey dispensar nas prerog-ativas de seus vassallos. " As communidades naõ podiam ser libertadas. delegados da Universidade de Paris. que ao depois estas libertaçoens feitas pelos grandes vassallos. 40. podia fazer o mesmo nos seus dominios. Mas nestas ereaçoens de corporaçoens das cidades havia uma distineçaõ e mui importante. aos Estados Geraes. As ptituibaçoens internas da França. Nestes casos convocava El Rey só os que julgava poder assistir. naõ podia por isso exercitar este direito senaõ nas cidades e vil- las de seus dominios particulares . &c. eram isto. Normandia. assim explica a p. Bello. que possuíam em França os extensos feudos da Bretanha. porém. e principalmen- te as guerras com os reys de Inglaterra. que éra o mesmo in- dividuo que El Rey. e dos corpos Judicaes (Chamados Parlamentos)que os mes- mos Reys haviam creado. O nome de Grands Jours. . que nellas tinham o senhorio : os giandes vassallos li- beitavam as cidades de seus feudos. de Assemblea dos Notáveis. por conseqüência.384 Literatura e Sciencias. ou seus delegados. que o A. estes admittiram depois também aos Estados Geraes. senaõ por aquelles. libertaçoens feitas pelo Duque de Fiança. tendia sempre a diminuir a influencia dos No- bres e do Clero. que ellas fôram definitivamente admittidas aos Es- tados Geraes. pois o Duque de Borgonha. ou que se suppunham favoráveis a suas vistas. mas o podei Real naõ entrava de frrma alguma nesta medida . mas em todos os casos a admissão destas communidades. se sugeitaram á approva- çaõ do Suzerano. e entaõ se dava á assemblea o nome menos pomposo. por exemplo. E como esta medida augmentava a in- fluencia dos Reys." H e verdade.

que umas vezes eram verdadeiros Estados Geraes. e isto de maneira. e as cidades. como eram as cidades livres da Itália ." As associaçoens. quanto o mesmo nome se dava a certas Cor- tes Supremas de Justiça.. naõ faziam um estado livre e independente. ou universidades. a matéria da libertação das communidades. a feodalidade ex- cita uma ambição desmarcada. o que causa alguma confusão no exa- me do direito publico da França. Literatura c Sciencias.— " O despotismo pôde embrutecer os espíritos. Aqui achamos claramente explicadas as consequencias fataes do feudalismo. o destacava de seu Soberano e até de sua naçaõ. No cap. 50.° expõem o A. mas a feoda- lidade conrompe os princípios: o despotismo conduz á apathia. que nesta epocha se libertavam. por meio das quaes se deo o mais fatal golpe ao feudalismo. e tanto mais. ligando o subvassallo a seu senhor immediato. 385 diz o A. a feodalidade aoegoismo: o despotismo anima o desprezo da vida e offerece exemplos de sacrifícios sem limites. e erigiam em corporaçoens. que. do que se observa nos governos mais despoticos da Ásia. 3. p. que. levava o mal a muito maior gráo. se reservava para algumas destas assembléas. naquella epocha. mas os historia- dores daquelles tempos naõ nos dám ideas assas claras desta distineçaõ. fazendo um acadêa systematica de oppressores e opprimi- dos. e pôde fazer nascer traços de ardidez ou de valor. que. aonde o soberano rege sem ligar sua vontade a regras algumas. Assim diz o A. eram chamadas communs. communidades. convocadas por oceasioens ex- traordinárias. com suas liberdades e izençoens. outras simplesmente Assembléas dos Notáveis.

os que tinham entrado nestas conspiraçoens illicitas e clandestinas. portanto. deviam causar descontentamento a todos aquelles. mas dependiam só d'El Rey. ja as formas feudaes. fossem mui ze- losos contra essas corporaçoens: portanto. mas sim corporaçoens. crimes de rebelliaõ e de lesa-majestade. a quem facilmente haveriam reduzido á submissão. quando separados. e bem longe das antigas associaço- ens livres dos Germanos. e castigavam.que se julgavam demasiado fracos para opprimir seus inferiores. 54. " Entretanto." Era pois para se livrarem destas accusaçoens e violên- cias. logo que se formava alguma destas associaçoens entre pessoas. olhavam para isto como attentados contra sua soberania. Estas as- sociaçoens pois eram olhadas pelos taes poderosos de ma- neira mui desfavorável. de admirar. e pôr-se em estado de repellir a força pela força. que os Senhores. quando se incorporavam. as commu- nidades. a p. sendo a associação assas forte para se oppór á usurpaçaõ ou tyrannia de qualquer vassallo poderoso. com as mais severas penas.*°" Literatura e Sciencias. ou felonias. Estas corporaçoens foram consideradas collectivamen» . como ja naõ ha- via senaõ ideas confusas da antiga liberdade. imitando ja os regula- mentos das ordens monasticas. ou de algum grande vassallo. que naõ tinham outro objecto senaõ a defeza commum dos direitos dos associados. as ordens de cavallaria. que as cidades e villas procuravam a protecçaõ d'El Rey. que naõ obedeciam a um Senhor segundario. como os subvassallos. como diz o A. sobre quem estes vassallos tinham ou predendiam ter direitos. Porém. as corporaçoens dos oífi- cios e as universadidades. úni- cas entaõ conhecidas. moderna. principalmente os que naõ tinham muito poder e influencia. fa- ziam para si novas constituiçoens. estas associaçoens. naõ he.

e que ma- gistralmente desenvolve. mas daremos uma idea disso com o seguinte extracto. diz a este respeito. que defendiam. que naõ possuíam o direito de pertencer á communidade. senaõ por meio da corporação a que pertencia : o que éra uma imperfei- ção da Sociedade de fatais conseqüências. que pro- curavam extender a sua authoridade sobre os outros. com muito mais utili- dade dos reys. *' As mesmas causas deviam produzir os mesmos effeitos. cada uma destas éra. 62. um pequeno Estado se- parado. que lhe incumbiam como cidadãos. e a quem de- viam sua existência . Vê-se. 387 te no mesmo ponto de vista dos indivíduos vassallos : assim eram sugeitas ás mesmas contribuiçoens e serviços. para assim dizer. pareciam soffrer com im- paciência o jugo desta cidade: nao deixavam passar occasiaõ . Seria demasiado extenso copiar o muito que o A. governado por pequeno numero de associados. para naõ vêr senaõ a sua communidade. pois que pelas ideas erradas daquelles tempos se concedia ao corpo moral. p . tanto para o Rey como para os indivíduos. vendo-se assim um expectaculo opposto ao que se devia esperar de um governo bem constituído. pelo contrario. egozavam dos mesmos direitos de sessaõ nos Parlamen- tos e mais privelegios feudaes. se os vassallos esquecendo-se dos deveres. os membros das communidades deveriam igualmente pôr de parte tudo quanto deviam ao Estado. que o naõ co- nhecia senaõ por meio do vassallo immediato seu superior. Os vassallos e os membros das communs naõ formavam todos junetos a Cidade. que tinham escolhido. Bem como o subvassallo naõ tinha com- municaçaõ alguma immediata com o rey. os quaes em seu turno se vingavam sobre os infelizes habitantes. o que se deveria dar aos indivíduos. assim também o cidadão ou membro de qualquer cor- poração naõ tinha relação com El Rey. se uniaõ unicamente ao senhor. Literatura e Sciencias. e a quem estavam ligados por sua homenagem .

e destempera os espí- ritos. alguma de se subtrahir a sur. que tinham seus fins separados. que nellas tinham parte. por assim dizer. mais incapazes de conhecer seus benefícios. que fazíamos vassallos ás corporaçoens. tractando da legislação feudal da . e que se furtavam. mais indignos de gozar delles. ainda que pouco importantes. 388 Literatura e Sciencias. todo o espirito nacional: assim fôram estas associaçoens insufficientes para assegurar a tranquillidade interior e a confi- ança mutua daquelles. e as corporaçoens entre si. tanto mais vexadoras. as sob-as- sociaçoens de cada commum. os collegios nas universidades. estes vexames contínuos.s obrigaçoens: a feodalidade nos paizes naõ libertados. quanto menos objec- tos tinham para exercitar sua actividade. aoligarchia nas communs faziam estragos com pouca differença similhantes. as pequenas paixoens. no que he em grande parle applicavel o que sobre esta matéria ja tinha dicto. vieram a ser novas socie- dades. e. a falta de ligação moral entre os membros da mesma commum occasionáram novas difficuldades : a conseqüência foi instituirem-se sob-associaço- ens nessas communidades . nutrem a oli- garchia. o incommodo geral. aos encargos communaes. que permittem. que enerva o character nacional. a quem tem ideas liberaes. e dos juízos pelos pares. despertadas pelo egoísmo a mais illimitado. em geral. esta opposiçaõ de pequenos interesses. tan- to quanto podiam. que faz tam desagradável a morada das pequenas povoaçoens. para os fazer recair sobre seus vizinhos. os zelos tam naturaes entre os que naõ eram animados pelo amor do bem publico. do que o despotismo Asiático o mais absoluto " No capitulo quarto expõem o A. as corporaçoens de officios nas com- muns. produziram o espirito de sociedades particulares. e pe- quenas aristocracias. a jurisdicçaõ das jus- tiças Senhoriaes. Esta guerra surda e lenta. e suffocávam todo o amor da ordem. e faz o homens menos próprios á liberdade. a falta de objecto commum a todos. as confrarias em cada corpo de officio. e que se acha por toda a parte nas communs da idade media: he esta divisão.

os Senhores naõ podiam despachar as causas nas suas Cortes Senhoriaes. Mas. ainda que. Diz. e na corte do Suzerano commum se dicidia a con- tenda. e a queixa. que neste período ti- vessem as partes o direito de recusaçaõ. VOL. sem que estivesse presente certo numero de pares. naõ he bem averiguado este numero necessário na França: mas o Senhor podia escolher para isto quem quizesse. no exame circumstanciado deste ponto. 143. cada um destes tomava a defensa de seu sub- dito. O estabelicimento das commums e corporaçoens deo origem a nova espécie de vassallos. Quanto aos servos. e isto nos dispensa de entrar com o A. éra obrigado o recusante a provar por combate a justiça de sua suspeita. mas essas cor- poraçoens obravam a respeito de seus subditos exacta- mente da mesma forma que os Senhores. para com seus amos. que se po- deria fazer ao Suzerano. o A. porém. naõ produzia quasi remédio al- gum. 389 Europa. 3D . N°. e mesmo todos quantos lhe obedeciam. Segundo o uso. quan- do a questão éra com o mesmo Senhor. naõ havia Corte. que he provável. d'entre os seus subvas- sallos . dando por sus- peitos aquelles de quem temessem parcialidade na sen- tença . que pudesse sentenciar a causa. XXIV. Literatura e Scieneias. porque cada um dos que assis- tiam eram depois obrigados a sustentar pela força. Esta escolha feita pelo Suzerano. quando a causa éra entre pessoas poderosas. porque toda a resistência de sua parte éra tractada como rebe- lião. naõ ti- nham outro remédio senaõ obedecer cegamente. neste caso. a jus- tiça de sua decisaõ. éra sempre encami- nhada a que as sentenças se dessem segundo seus desejos. Se a questão éra entre dous vassallos de differentes Senhores. e sempre convocavam considerável numero.

como porque se consideravam infrac- çoens de sua fidelidade. isto he avo- caçaõ da causa á Corte do Suzerano. a opinião de Mon- tesquieu (Liv. nomeava um deputado.° tracta o A. em geral sobre a origem desta instituição. 28 cap. e pelo tempo que o Senhor queria. em que a theoria das appel- laçoens éra pouco firme. sobre a questão. lo2. e esta maté- ria he idêntica. Is a verdade. julga o A. naõ se podia consi- derar appellaçaõ este combate judicial. que o recurso ordinário dos que se achavam aggravados pelas sentenças. das appellaçoens. Eis aqui pois a opinião do author sobre o principio das appellaçoens. 27 do Espirito das Leys) queattri- bue a origem das appellaçoens. antes se suppunha isto um recurso â decisaõ de Deus. a este deputado se chamava Baillio. •* Paliando dos primeiros tempos. que este uso das appellaçoens se introduzio gradualmente. 6.390 Literatura e Sciencias Como o Senhor naõ podia sempre presidir nas cortes de justiça. responder afirmativamente pelo facto. que éra feito pe- rante o mesmo tribunal do Senhor. na França. éra desmen- tir e desafiar os juizes ou pares. Porém como estas ap- pellaçoens saõ directamente contrarias ás ideas feudaes. No cap. para o combate judicial. e negativamente pelo direito. p. que si presidisse por elle. a este modo de disputar a decisaõ dos juizes. Com estes fundamentos refuta o A. O que disputava ou . pelo testemunho uniforme dos historia- dores daquelle tempo se sabe. no que senaõ julgava offendida a superioridade do senhor. que identificavam o vassallo com seu Senhor. de saber se a appellaçaõ do juizo dos pares éra devolutira. póde-se. tanto porque as appellaçoens eram olhadas como injurias feitas aos Senhores. e sempre antes de elle pronunciar sua sentença. ao que ja se disse. o qual nao tinha senaõ esta jurisdicçaõ delegada. posto que depois do juiz ou par ter dado o seu voto. Alem disto.

391 negava o juizo dos pares naõ tinha direito de levar a sua causa á Corte do Suzerano. eram admittidas como excepçoens da regra geral. as appellaçoens das Cortes Senhoriaes para as do Rey. Com tudo diz o A. (Continuar-se-ba. admittindo as ap- pellaçoens de uns tribunaes a outros superiores. ligando-se em certo modo com os subvassallos. e com esta capa se tomava conhecimento da appellaçaõ: os reys fomentaram pois estas appellaço- ens. et como a classe mais illus- trada éra o Clero. e por isso tinham relaçoens directas com a admi- nistração da justiça secular. Depois disto inventáram-se pretextos. que o senhor fizesse sessoens de sua Corte aonde o Suzerano se achava. que foi o seguirem os ecclesiasticos em suas causas o direito Romano. a elle se recorria em todas as questoens scienti ficas." Porém o que fazia mais commum a passagem da causa da Corte do Senhor para a do Suzerano. o que se facilatava. para generalizar o custume das appellaçoens. Literatura e Scieucias.) . para qualificar de desobediência ao Suzerano. éra a presença deste no lugar da disputa! porque se julgava pouco de- coroso. que até o tempo da revolução. Accresceo outra causa. para abater o poder e influencia dos Senhores. porém muitas vezes punha a seu Senhor na impossibilidade de sentenciar. a injustiça particular da Corte do Senhor. porque os mesmos ecclesiasticos possuíam feudos.

Permitti-me. em primeiro lugar. em Portugal. Posso assegurar-vos. 1820. Londres. de que todos os mais im- portantes e lucrativos empregos. artigos sobre Portugal ten- dentes a insinuar. Os inventores desses artigos naõ ces- sam de exaggerar. que presentemente naõ ha naquelle paiz empre- go algum civil occupado por estrangeiro. que os boatos de haver S. e callumniosas asserçoens que avançam. aoEdictor do Times. he matéria de publica noto- riedade. Carta de Um Braziliano cm Londres. contradiga estes falsos rumores. Devemos também pôr na lista das falsidades. 9 de Abril. pelo contrario. Senhor. M. ( 392 ) MISCELLANEA. no exemplo actual. que. e Inglezes. assim como naõ posso duvidar de sua perniciosa intenção. cuja fonte. que existe naquelle Reyno um fermen- to de inquietação. a asserçaõ. com propósito maligno. que se tem avançado. Fidelissima feito a declaração que se lhe attribue. a excitar aquelle descontentamento com as falsas novas que espalham. ou antes. naõ podemos ignorar. de que pretendem que Portugal viera a ser pre- za . em vários jornaes Francezes. Ha algum tempo a esta parte tem aparecido. he inteiramen- te falsa. . se dam estrangeiros. relativamente a sua intenção de fixar irrevocavelmente sua residência no Brazil. Senhor. por meio de vosso respeitável jornal. o desconten- tamento.

mas . forma necessariamente em toda a parte uma classe miserável de pessoas descontentes.Qual he o paiz presentemente izento de embaraços commerciaes e financiaes? Grande numero de indivíduos reduzidos á penúria. 393 Finalmente.. Miscellanea. os paizes mais livres e poderosos. as quaes as revoluçoens. quando se une ás causas geraes. disse-se. que Por- tugal somente fosse izento delles.. . a circum- stancia particular da concusaõ. emancipação. e de um mui pequeno numero de officiaes Inglezes. He causado pelos em- baraços do commercio. direito que ninguém pôde justamente disputar. e que por seu comportamento obtiveram o direito de natura- lização. durante os últimos trinta annos na Europa e na America. que se fez justa c indispensável. com a mesma contradicçaõ da verdade. t* Acaso a Gram Bretanha e os Estados-Unidos da America. á excepçaõ do Marechal Beres- ford. que aquelle paiz deve ter experimentado. que operam em todos os outros Estados. que durante a ultima guerra derrama- ram o seu sangue. que ameaçam a tranquillidade dos Estados. Como se poderia suppôr. Se realmente existe algum gênero de descontentamento em Portugal. que se formaram entre as naçoens de ambos os hemispheri- os. para manter a independência de Portugal. quando naõ ha estran- geiros no nosso exercito. pela emancipação commercial do Bra- zil. pelas mudanças nas fontes da in- dustria. naõ experimentam a este momen- to embaraços políticos e pecuniários da mesma natureza. juncto com os nossos valorosos compa- triotas. restos daquelles. que todos os postos militares em Portugal esta- vam occupados por estrangeiros. que tem tido lugar. e naõ saõ seus Governos ameaçados mais ou menos com os mesmos perigos ? . neces- sariamente desarranjâram. he da mesma natureza do que existe pre- sentemente em todos ou paizes. pela desorganização das communicaçoens.

muito bom senso e lealdade. possue. que tam justa confiança naõ he enganada. pelos re- sultados daquellas revoluçoens. Senhor. Depois de limpos os cinco rios principaes. Melhoramentos no Brazil. que annunciarnos os vantajosos resultados. ainda que softYa tanto quanto outra qualquer naçaõ. além da experiência do pas- sado. e . incumbindo ao Con- selheiro Intendente Geral da Policia o melhoramento fí- sico daquelle fertilissimo terraõ. as paternaes providencias.394 Miscellanea. para naõ perceber que novas revoluçoens só podem aggravar em vez de re- mediar suas penúrias. aquella valorosa naçaõ espera. Tendo-se annunciado. na Gazeta de 3 de Septembro de 1817. que seu Soberano certa- mente prepara. U M BRAZILIANO ESTABELECIDO EM LONDRES. Foi-nos communicado o seguinte artigo. que voltaram o mundo de cima para baixo. que o povo de Portugal. de cujo tra- balho foi conseqüência o habilitarem-se para a lavoura. que nos obriga a põr sobre novas bazes todo o officio ad- ministrativo e social da Monarchia Portugueza? Estai seguro. Rio-de-Janeiro 8 de Dezembro. que nos a- pressamos a publicar. que se tem seguido da incansável solicitude e actividade da policia sobre aquelle objecto importantissimo. e que elle julgará mais convenientes para a felicidade e prosperidade da Monarchia: lisongeo-me de que Portugal conhecerá dentro em pouco tempo. as medidas. que Sua Majestade havia empregado para promover a felicidade dos habi- tantes dos Campos dos Goitacazes. cheia de confiança. he com o maior prazer.

que a . e rompimento de uma nova. e a prac- tica da boa moral. que até ao meio do século passado era quasi vedada aos povos. Salvador até ao registro do rio da Pompa. que se descobrirão. pelo qual aquelles povos transmittiraõ â posteridade em fieis tradicçoens o nome Augusto e as doces memórias de um Soberauo. naõ só o progresso da agricultura. e facçoens conten- ciosas dos primeiros. já pelo monopólio. para com- municar com a Capitania de Minas Geraes. que aoecupavam. pela facilidade do cambio dos excedentes de ambas as provincias. em que assenta a perfectibili- dade social: o que resultará sem duvida da travaçaõ de relaçoens mais fáceis. que ahi se domi- ciliaram. e submergido no lodo. um novo pro- jecto de vantagem naõ menos considerável foi emprehen- dido. Naõ será ocioso dizer. que a contornavam. e poucos colonos. o polimento da civilização. e por conseqüência a abundância. que desta oiigem vaõ a manar para aquelles habitantes naõ só o augmento do commer- cio. da industria. estava reduzida a um estado de languor. por serem estes embargados já pela opposiçaõ dos índios. que até alli jazia inerte. que arras- tavaõ as caudaes. e da população pelas commodidades. e mais freqüentes com os povos. quasi trinta léguas de bom terreno. maninho. A provincia de Campos. mas até. Tal foi o me- lhoramento das estradas de toda a provincia. Miscellanea. principal- mente a abertura. 395 pastos. a quem de mais tempo tocara o verniz dos apurados custu- mes dos povos cultos. e perennes inundaçoens. e que taõ forte electricidade communica às causas segundas para fazerem sahir do ca- bos os elementos da publica prosperidade. o que he mais de prezar. bazes. desde a Villa de S. quasi na foz do rio Parahiba. e executado. que tanto anhela pelo bem dos seus vassallos.

Fidelis. ficando já estas 8 léguas de estrada em toda a perfeição e livres das voragens. Reduzia-se portanto o seu commercio aos objectos indispensáveis ás primeiras necessidades. ea parte central recebeo novo e maravilhoso impul- so. e florestas espessas. e a tornava. deixava na escuridão as preciosidades. borbulham ja novas fontes de riquezas. que a May Natureza lhe liberalizara. tendo sido beneficiada toda esta extençaõ. Fidelis até ao registro do rio da Pomba. naõ com pequeno desvelo. e cerradas. Mas hoje tem raiado um novo Sol para aquelles ho- rizontes. ficando todo o interior inteiramente morto para o com- mercio por naõ haver meios. e abismos. e os trabalhos ruraes florecem consideravel- mente. que se tem empregado em taõ impor- tante objecto. que os povos se tem. cresceo a industria. dado a uma generosa e voluntária cooperação. e que eram reservadas para pagar os suores de agricultores. e o fogo da actividade do commercio apenas começava a accender-se nas pequenas povoaçoens marí- timas. Graças ao zelo infatigavel. que embaraçavaõ o transito. de que aliás seria victima pelos estragos. o qual já salvou aquella provincia de uma calamidade. Tanta. e taõ visível tem sido a utilidade destes traba- lhos.396 Miscellanea. fazia quasi ignorada. A policia tem feito construir 18 pontes de 40 a 60 palmos de comprimento desde S. que tinham algumas commodidades de navegação. des- conhecida. Salvador até S. â excepçaõ de duas léguas. mas para as quaes se tem expedido as provi- dencias necessárias. estaõ communicadas as provincias circumvizi- nhas. para assim dizer. Mais 12 pontes do mesmo volume se assentaram desde S. nem facilidade de transpor- tes. que em melhores tempos a devassariam. e duradora secca do presente . que lhe causaria a longa. e 375 braças. Atravessada toda por pântanos immensos. que formam as testadas de sesmeiros ausentes.

N°. e derribado o arvoredo de um e outro lado em distancia de tiro de pistola. sobre a utilissima obra do rompi- mento de uma nova estrada. devemos esperar a perfeição do edifício politico. Miscellanea. Braz VOL. a prosperidade. e por conseqüência. e desvélos quanto pezo e consideração lhes naõ augmentam os ou- tros. 397 anno. que os possue. que a estrada pela esquerda do Ribeirão de S. co- mo se disse na referida Gazeta. e para o bem dos seus conci- dadãos. que pelas antigas tortuosidades se conta- vam de distancia. diffi- culdade que fazia descoroçar na empreza começada. desde o Rio Parahiba até ao Ribeirão de S. a Serra das Cruzes. se concluio pela Fazenda do Feliz Desengano uma estrada muito boa. a gloria. Esta indagação custou suores. apta para transito de carros. ficaram reduzidas a duas léguas e meia as quatro. Além de immenso trabalho e despeza. attenden- do para a honra d'aquelles. Braz do Norte. e continuando-se um caminho para a po- voaçaõ de Valença. XXIV. que lhes saõ confiadas. Todavia por meio de muitas picadas se conseguio conhe- cer. e mais facilidade de communicaçaõ en- tre os povos desta Corte. e de carruagens. e bom exercicio da policia. e aberta por entre mattós virgens. Mas se por estes incansáveis trabalhos. Quando os Soberanos assim olham pela felicidade dos vassallos. em que Sua Ma- jestade se esmera com todas as suas forças. e os de Minas Geraes? Naõ tendo sido de pequena importância ó ter-se evitado. e os subalternos desempenham com patrio- tismo as commissoens. em que tanto transluza actividade. foi de muito custo o encaminhar-se a estrada por onde encon- trasse menos obstáculos. e por se terem arrancado os troncos enormes. e a grandeza saõ o futuro da nação. que se principiaram a referir na Gazeta de 17 de Septembro de 1817. que absorveu esta obra naõ só por ser a estrada muito larga. 143 3E .

Ilha do Gevernador. faltando já pouco espaço para ficar concluída A estrada da Cidade Nova. e podendo conseguir-se assim uma estrada amplíssima desde Valença até ao Pre- sidio do Rio Preto. e despezas nos reparos das estradas de Santa Cruz. julgou conveniente o Director Cus- todio Ferreira Leite voltar os trabalhos para a Freguezia da Sacra Familia. e apta para todo o gênero de transito Conseguido este fim.se deste modo os trabalhos feitos pelo Tenente Coronel Goulart. e se tem le- vado a um ponto incrível a que conduz á grande Cascata da Tejuca. ser- ras. podia embocar pela garganta do morro do Bonito. embebe serviço . evitadas todas as escabrosidades. do Norte. sendo uma toda de pedra. e S. Em todas ellas se tem feito aterros. No decurso dos annos de 1818 e 1819 se tem empregado muitos braços. que estavam em ruina. reformaram-se quasi inteira- mente de novo oito. e pela sua intelligencia e actividade se conseguio ficar a estrada livre da Serra de Santa Anna em direitura á Fazenda das Palmas. Se taõ incansavelmente se tem mostrado a Policia na- quelles trabalhos. que estaõ abertas em torno desta Corte. e da ponte do Rio de Sancta Anna. que pelo demasiado trilho soflre muito nas occasioens de chuvas. para quando se concluir em grande adiantamento. Nesta paragem estaõ concluídas duas léguas de bom caminho para bestas e tropas : faltam apenas ou- tras duas até a estrada novamente aberta. três pontes novas. que em curto resumo acabamos de ex- por. naõ se tem mostrado menos vigilante no reparo das pontes e estradas. que pela distan- cia dos transportes absorve grandes sommas. e já além da Serra da Viuva. Christovaõ. e pântanos. aproveitando. e se reservam as construcçoens de ranchos.398 Miscellanea. e que apezar do acréscimo de despeza se mandou cobrir de telha para sua maior duração. Macaco. adiantou-se immenso a formosa estrada de Taguahy.

Por outro lado as calçadas e aterros. para fecundar de saudáveis águas todo aquelle bairro. Mas para que ao embelesamento da Cidade naõ faltassem os objectos da primeira necessidade. dá uni resultado sobejo para fazer saltar aos olhos o immenso cabedal de actividade. que está construindo nas Larangeiras. e o do Catete. das Flores. e de S. que está concluída. além dos chafarizes que se tem levantado. que só vive para a vida da Pátria. desde a residência do Excellentissimo Conde dos Arcos até ao canto da rua de Sancta Anna. que foram de 5 palmos de aterro em toda a extensão e largueza dellas. que eclipsarão as que foram o timbre. que saõ de muita importância para uma grande povoaçaõ. que se fizeram desde a esquina do Excellentissimo Conde de Cavalleiros até ao Quartel da Policia do Campo de Sancta Anna. virtudes estas taõ acrisoladas. Antonio Pobre. em que se atulharam dous a três palmos de altura para formar a cal- çada de 40 palmos de largo. AndarohiGrande. Miscellanea. 399 quasi diário. e Larangeiras. onde havia escassez de boas águas. que se emprega pela Policia para melhoramento daquelles ob- jectos. que lhe tributaõ saõ o amor e a fidelidade. Catete. e de que já se fez mençaõ em ou- tras partes. que eternizam a memória de um Soberano. o que unido aos trabalhos executados nas estradas do Engenho Velho. que nos seus votos os mais so- Iemnes a menor offerta. e felicidade do seu povo! Assim elle tem attrahi- do o amor dos vassallos. ajudam a idéa que temos dado da vigilância da Policia: e isto sem ainda termos feito mençaõ dos aterros das ruas For- mosa. se emprega a Policia com todas as forças e actividade no grande aqueducto. e o Brazaõ das idades heróicas da Monarchia! . Monumentos immortaes estes. e Pequeno.

N. Governador.° QUANTIAS RECEBIDAS.495 57.040 \ Soldados 349 9. CLASSES. Sargentos 14 a 21.208 l 92.595 371.667 937. TOTAL. segundo as ordens do Illustrissimo Marechal de Campo Joaquim de Mello Leite Cogominho de Lacerda.595 139.0361 J .667 Bahia Soldados.980 í Cabos 12 11.667 1:044. 97 9. ( 400 ) MAPPA DEMONSTRATIVO Da Distribuição de 32:000.901 306.760 ? 1:205. Cabos 8 8 21.535 Sargentos 6 21. Furrieis 4 14.406 È 1.Ajudantes J f çadores da Ba.901 131.595 175. QUE O CORPO DOS NEGOCIANTES DE PERNAMBUCO Offereceo á divisão das tropas da Bahia.802 >4:175. e reduzio aquella Provincia ao Legitimo Dominio d' El Rey Nosso Se- nhor.699 S Tenente 1 44.614 Furriel Mor 1 21. CORPOS. e Capitão General de Bahia. e mandado publicar pelo Illustrissimo e Excellentis- simo Senhor Conde de Palma.901 Legiaõ de Ca.493 57.998 Bahia.de Cirurgia 2 21.901 43.901 11. quando em Maio de 1817 suffocou a rebelliaõ.970 í Cabos 32 11.667 3:373.783 Cavalaria da Legiaõ da Sargentos. feito pelo Commissario Pagador Joaquim Bento Pires.140 1 Soldados 1081 9.112 hia.000.901 >1:438.° Regimento Ajudantes r de Linha da de Cirurgia 1 21. Furrieis 4 14.

986 Bahia.667 2:658.943 Espirito Sancto.000 40.° Quantias Recebidas TOTAL.425 Cavalaria Mili Furreis 2 14.231.667 1. 16 21.349 homens Pardos Furrieis da Villa do Cabos 26 11.000 Cinco Pontes.465 s2:401. CLASSES N .542 Milicias dos Sargentos.387 Capitães 3 59.595 46. Soldados 74 8. Miscellanea.595 Soldados 58 9.515 5 14.007 Dito de dieta a Cabos 11.000 711.493 28.901 87.131 cario. e 4 11.785 gunda Restaura.595 bordo do Navio 436.493 28.050 nhaem.622 Regimento de Sargentos 2 20. Transporte 7:819.675 Milicias de Porto Alferes 14 35.437 ção de Pernam.535 133.165 1:309. Una.040 buco. Soldados 52 9. Soldados 21 9. 161 9.628 71.140 A] udantes 1 44.667 1:556. 15 21.250 Alferes 2 homens bran.000 30.355 Cabos 9 11.667 425.Cabos 32 11.684 Guarniçaõ do Alferes 1 35.901 do do Navio Mer 272.493 130.535 44.111. que fez Cabos 1 11.000 Porto de Milicias 1 14.380 Ipojuca.559 Sargentos 10 cos da Villa do 14.000 Regimento de Alferes 4 35.348 Regimento de Tenentes 5 44.Furrieis 9 14.493 57.667 203.682 de Sesi nhaem na Furrieis Fortaleza das Cabos 3 10. e Por.986 liciana de Sezi Cabos 578.901 328.000 592.667 560.991 350.470 Penedo.705 Destacamento de 2o Tenente 1 35. 21.380 178.460 7 11.595 371.535 Regimento de Tenentes 3 44.667 502.010 . 401 CORPOS.Sargentos to Calvo na se. Soldados 275 9.493 72.595 serviço em terra.1:369.535 222.595 Soldados 115 9. Soldados. Soldados 44 9.972 Furrieis 4 Penedo 104.604 Artilheira da Fnrrieis 2 14.595 301.416 4.628 142.680 .605 Milicias dos 35.777 Sargentos 4 21. Cabos 81.628 498.901 219.792 de Pedras.628 Artilheira a bor Sargentos 1 21.

613 Regimento de Capitão 1 79.901 43.Cabos 16 11.854 Bahia 10 de Julho do 1818.380 118.380 Cavalaria Mi. 32:000.472 de Saucto Sargentos 2 43.901 175.808 Capitão 1 59. CORPOS.595 322.723 >5:776.25( 21.000 J O A Q U I M B E N T O .760 goas.760 29:395.49.667 812. CLASSES.028 71.Cabos 11.667 2:503.397 Companhia d'A Furrieis 3 14.027 Commissa- Caixa Militai rio Pagador 142.Tenentes 2 59.140 Regimento de Tenentes 5 44.208 '3:153.Tenentes o 44.493 28.595 69.380 718. Transporte 19:130.595 185.675 Milicias de Alferes 6 35.667 725.493 43.570 852. 14. Soldados 256 9. Commissario Paçador.901 . N".402 Miscellanea.535 222.595 115.1:280.753 Major 1 106.901 503.892 gipe d'El Rey Soldados 9.535 89.880 Capitaens 3 59.000 Soldados 424 9.380 118. 59.070 liciana da Villa Alferes •i 35.'j 130.493 Furrieis liciana de Ser.667 4:098.028 Sargentos 21.520 ças.43' Cabos 28 11. Officiaes átr Bofte.981 Grotas. Uluantias Recebidas.802 Cavalaria Mi. e differentes destinos naõ compacêram no dia da distribuição 2:604.504 da mesma Villa Sargentos 8 21.628 213.768 Sancto Amaro Sargentos 23 21.170 Milicias das Al.479 talai e Ordenan. P I R E S .80'/ Amaro das Furrieis 2 14. que por ansencia.140 Sobra que ficou quando se fez o dividendo por se ter cal- culado sobre um maior numero de praças. .95C Soldados 84 9. Cabos 10 11.431 das Grotta» Furrieis 9 14.512 261:272 da divisão. Destaca mento de Linha Alferes 1 47. TOTAL.

e Excellentissimo Senhor General dividílla pelos Corpos de Linha. . mandou o Illustrissimo.601 Artilheria 103 — 340. 403 OBSERVAÇOENS Naõ aparecendo até Janeiro de 1819 soldado algum a requerer a cota que lhe pertencia daquella sobra. que a qualquer tempo fosse justamente reclamada. e a distribuição se fez de maneira seguinte:— I o Regimento 138 Praças 456.728 Legiaõ ^Cavallaria 122 — 403. e um 2. e este generoso procedimento foi seguido por todos os Coronéis. Miscellanea.067 2:604.662 Despeza com a Impressão do Mappa 24.854 Os Officiaes de Linha (á excepçaõ de um Tenente do 1. cedendo de tudo a beneficio dos Sol- dados . ficando as Caixas Regimentaes na obrigação de restituir a quantia. e alguns Officiaes de Milicias.° Tenente de Artilheria) naõ quizeram receber a parte que lhe pertencia.769 C Infanteria 417 — 1:379. segundo a proporção das forças com que cada um mar- chou.° Re- gimento.

sábio o inimigo a encon- trar estas ultimas tropas e dando primeiro elle o signal do combate as atacou impetuosamente. que a Vossa Ex- cellencia antecipei no meu Officio de 9 do corrente. da mesma sorte que sessenta e uma cla- vina. contra quem se dirigio o Major Bento Manoel Ribeiro. que o tenente Coronel Jeronymo Gomes Jardim. cujo theor he o seguinte:— Illustrissimo e Excellentissimo Senhor—As participa- çoens officiaes que acabo de receber do Excellentissimo General Curado. pouco mais. e 5 subalternos. Dispondo o Excellentissimo General Curado. sendo Fructuoso Ribeiro completamente batido. Guerra do Rio-da-Prata. acampado no Arroyo Grande. Rio de Janeiro 4 de Dezembro. No dia 28. que se achava com seis centos ho- mens. confirmam a noticia. treze pistolas. que em pouco tempo se decidio a acçaõ a nosso favor. porém foi recebido com o grito da Fidelidade Portugueza. vinte e quatro espadas. com duzentos homens fizesse uma correria de gados na frente do campo do ini- migo. e posto em fuga. e settecentos cavallos. para lhe distrahir a attençaõ da sua retaguarda. mandou no dia 25 do próximo pretérito Outubro. que par- te das suas tropas verificassem umasortida contra a força de Fructuoso Ribeiro. Recebeo-se ultimamente um despacho do Excellentis- simo Baraõ da Laguna. e em nosso poder no- venta e seis prisioneiros. com seis centos homens a marchas forçadas e nocturnas. e deixando no campo tento e oito mortos entre estes um Capitão e um Ajudante. quatro destes . e com tal valor. ao nascer do Sol. A nossa perda consistio em seis feridos. inclusos um Major. 7 Capitães.404 Miscellanea.

e Manoel Ignacio de Souza Salazar. destinados agricultar o excellente terreno da Nova Friburgo. 405 gravemente. dos Capitaens Effectivos José da Sil- va Brandão.N \ 143. Tenho portanto a honra de enviar. e do Porta Estan- darte Antonio Xavier de Azambuja. e Joaquim Antonio de Alencastre. Deos guarde a Vossa Excellencia muitos annos. Miscellanea. que lhes encarregaram. chegada de Rother- <lam no dia 30 de Novembro com 76 dias de viagem. VOL. Na Galera Hamburgueza. Monte Video 20 de Novembro de 1819. e que o Excellentissimo General Curado louva expressivamente. XXIV. e bem que só tivéssemos um morto. foi este desgraçadamente o Capitão José Cardozo de Souza. para ser elevada ao soberano conhecimento de Sua Majestade. do Alferes Luiz Godinho Leitaõ. Urania. pelo valor. dos Ca- pitães Graduados Oliverio José Ortiz. que tem mostrado. para Berem presentes a Sua Majestade. que Sua Majestade houve por bem dar para aug- mento da população e riqueza deste abundantíssimo Con- tinente. vie- raÕ mais 437 Suissos.—Illustrissimo e Exeellentissimo Senhor Thomas Antonio de Villanova Portugal. e recommendar a Vossa Excellencia esta participação. do Tenente Gabriel Gomes Lis- boa. 3 r . que tem com tanta valentia como acerto desempenhado todas as commissoens. cujo valor e conducta louvável merecem os maiores elogios ao Excellentissimo General Curado que recommenda.—Baraõ da Laguna. segundo as sabias providen- cias. os nomes do Ma- jor Bento Manoel Ribeiro.

T u d o indicava o seu desejo de se escapar. Truxillano. que provavelmente éra escapar-sc. e Maipo. começando ali immediatamente a descarregar os foguetes. Esmeralda. A Resolucion e Cleopatra. que augmentou muito quando se aproximou o navio de fogo Victoria. Senhor!—Na noite de 3 do corrente. Cleopatra. 6 de Outubro 1819. com as vistas de preve- nir a fugida do inimigo. seguindo o conselho do Arcebispo de Lima. Officio do Almirante Lord Cochrane. ao Ministro do Guerra em Chili. proce- desse para o seu destino. Sebastiana. dei ordem para que os brigues de guerra conduzissem as jangadas dos morteiros e foguetes para a sua posição.406 Miscellanea. AMERICA HESPANHOLA. que estavam unidos ou amarrados para balravento da sua linha de defensa. Resolucion. assim como os castellos nos atiravam continuadamente com balas ardentes. e a este tempo puz em linha a esquadra para a praia oriental. ou se tivessem incendiado os vasos mercantes. sem duvida com a intenção de nos enganar. porque as tornaram a ferrar logo que escureceo na tarde de 4 : mas estando os nossos botes da praia oriental assustaram o inimigo. Bahia de Callao. A bordo do náo almirante O' Higgins. o inimigo des- ferrou as velas de seus navios de guerra. quando elles começaram a arrojar sobre nos um vivo fogo. for- mada pelos navios Venganza. o qual de- sistio de seu fim. se os foguetes tivessem posto a perigo a sua segurança. Pezuelo. Estando completas as novas preparaçoens hontem pela tarde. eque o na- vio de fogo. Estando j a ao alcance de tiro . commandado pelo Tenente Morgell. Apenas tinham os brigues avançado a tiro de peça dos vasos e baterias dos inimi- gos.

officiaes. vendo que os foguetes naõ produziam melhor effeito esta noite do que na primeira. todos se comportaram com a maior distineçaõ. Os Capitaens. que o acom* panhàram no Victoria merecem prêmio por seu valor. cri que éra inútil fazer se» gunda tentativa. . O zelo e cooperação do Almirante Blanco saõ dignos de todo o louvor. O Capitão Spry e o Capitão Crosbie e Tenente Pruni- er. marinheiros. Tenho determinado obrar em differente plano. de maneira que o Victoria pudesse ter pas- sado a bateria com mais velocidade. Miscellanea. ar- tilheria e tropa de marinha. que espero pro- duzirá melhor eíFeito. mas estando quasi calma. retive o Gorga» na. 407 de metralha das baterias. por ter infelizmente sido feita de madeira cheia de nós e quebra- diça. em conseqüência dos tubos ou cylindros serem mal soldados. Os damnos que estes va- sos receberam foram de pouca monta. dos brigues Galvarino. O Tenente Morgell. que continuamente reynam em Callao. e entrando-lhe a água no poraõ em tor- rentes. e ja estaõ repai* rados. o Tenente Morgell largou-lhe fogo (havendo cor- tado todo o aparelho) e em dez minutos voou pelos ares: o que teria annihilado a força naval de Callao se houvera mais vento. e dous marinheiros. con- duzlram-se com o maior valor. e juncto á catléa. que cerca os vasos do inimigo. e outros quebrava-se-lhe a cauda. aggravadas pelas cal- madas. A causa disto heja demasiadamente palpável: alguns arrebenta- vam. Esperando pela explosão do Victoria. Naõ posso deixar de manifestar-vos o meu sentimento com estas infelizes circumstancias. Araucano e Pueyrredon.

A formação de um corpo municipal constitucional. que o compuzéram em 1814 fôram nomeados pelos vossos vo- tos. no meio de virtuosos cidadãos e verdadeiros amantes de sua pátria. Proclamaçaõ pelo General Freyre. Ponde de parte toda a lem- . Habitantes de Cadiz!—A vossa decidida vontade se tem pronunciado a favor do juramento da Constituição politica da monarchia Hespanhola. que desejem introduzir o monstro da anarchia. (Assignado) COCHBANE. de vossa propriedade. Os indivíduos. nos obriga a tomar medidas para assegurar a ordem e previnir os màos desígnios de indivíduos. que formam a baze de seu character. em que esta- mos postos. Porém a ex- traordinária natureza das circumstancias. cessem os actos. Ao Senhor Coronel D. Tenho a honra de vos assegurar que sou com a maior consideração de respeito &c. HEPHANHA.408 Miscellanea. O povo de Cadiz tem dado nesta occasiaõ nova prova de seu bom senso e das virtu- des. que he tam importante manter. que saõ desapprovados pelo código. Este acontecimen- to naõ tem causado lagrimas. Jozé Ignacio Zenteno. Minis- tro da Marinha do Estado de Chile. que raras vezes deixam de acompanhar as convulsoens políticas. nem produzido nenhuma das desordens. e daquella ordem pu- blica. Ficai tranquillo». Habitantes de Cadiz!—Desde este momento gozais uma representação constitucional. que tendes procla- mado. Tornem pois a tomar cargo da segurança de vos- sas pessoas. em Cadiz. deve ser a primeira destas medidas.

e- que o prisioneiros tomados da columna de D.) MANUEL F R E Y B E . dirigio-se a tranqüilizar o povo. chegando aquella cidade. achou-a em grande fermentação. datado de Puerto de Sanc- ta Maria. Lembra como circumstancia. como . e o mesmo succedia na esquadra: peloque. Extractos de cartas officiaes do General Freyre. 409 branca de odíos passados. 2. ao Ministro de guerra. e sem nenhum distúrbio. mas vío-se obrigado a publicar a constituição. datada de 10 aununciado-lbe que a Constituição tinha sido proclamada naquella cidade. 1. M. eaugmentaria os ina- les do povo. Raphael Riego. em data de 10 de Março. enaõ se ouça outro grito entre vós se naõ o de " Viva a Naçaõ.° Por outro oíficio de 11.' D. Miscellanea." Cadiz 10 de Março 1820. que na noite precedente. a este comportamento pois éra o único meio de evitar a guerra civil. publicadas na gazeta de Madrid de 23 de Março. Freyre accrescenta. Manuel Freyre escreve de Cadiz. do exercito e da esquadra. O general em chefe pede a approvaçaõ de S. cuja chegada fomentaria a agitação. a marcha do General Conde d' Abisbal. que influio neste procedimento. (Assignado. M. que as circumstancias exi- giam imperiosamente a convocação das Cortes. assim como os prezos da Inquisição haviam sido po stos em liberdade. o General Freyre transmitte uma carta do Go- vernador de Sevilha. o que effectuou no meio das mais vivas demonstraçoens de ale- gria. D.

e que os habitantes os olhavam com horror. que a guarniçaõ e os batalhoens de Leatad. Aos 14 o General Freyre estava ainda em Sancta Maria. que compõem o exercito expedicio- nário. e mandallos para o exercito. e representa a S. que se ajunctara na praça de San Astonio. que continuava a avançar em sua marcha. sobre o Conde d' Abisbal. O ódio entre as tropas e os habitantes de Cadiz ainda subsistia. 3°. Ainda que a guarniçaõ de Cadiz.410 Miscellanea. para evitar males ulteriores. ede Guias. aos 12. M. que. em conseqüência das ordens d'El Rey. a necessidade de reduzir o exercito. Declara éntaõ que naõ pôde responder por suas tropas. ede evitar a guerra civil. gritando " Viva El Rey. promptos a sacrificar-se para alcançar a nova ordem de cousas. estavam ainda furiosos. e além disto ha no exercito grande numero de ofliciaes. estas tropas saõ in- suficientes . que excitaram a raiva do povo : pedia o Gene- ral também instrucçoens. para poupar despezas. se o Conde de Abisbal appa- recer na sua vizinhança. annuncia. único meio de impedir trabalhos." disperso a populaça. que tinha ja começado. cujo tempo está acabado. que a guar- niçaõ de Cadiz tinha. gritando " Viva a Constituição. e a primeira e segunda divisão do exercito (cotinúa o General) hajam dado tes- temunho de sua devocaçaõ a El Rey. e desban- dar os soldados. e ti- nha o General repetido as ordens para o embarque dos ba- talhoens. e mandar os regimentos provinciaes para suas respectivas capitães. Pela uma hora da manhaã escreve o General. dè reunir a opinião pu- blicar. Freyre. tendo este General grande in- fluencia nas tropas. . O General em Chefe. tinha dado ordens para se retirarem estes batalhoens da cidade." Acaba o seu officio annunciando que recebera noticias do Governador de Cadiz.

até averiguar se obra em conformidade das ordens d'El Rey. para se oppor a seus projectos. e tivesse cuidado em que a Marinha naõ perdesse por um só instante a boa re- putação. Eu escrevi ao General Commandante. adquirida por um comportamento tam sábio. brevemente desapparecerla. sobre o estado de algumas provincias. quanto tinha sido uniformemente mantido. Miscellanea. que me annunciávam haver grande inquietação nas equi- pagens da esquadra. puz a primeira divisão do exercito em movimento. que estaõ na Islã. O Ministro da Guerra respondeo aos 15 ao General Freyre. Antes de hontem recebi informaçoens de muitas partes. que corriam. Aos 18 o Ministro informou o General de que El Rey tinha aceitado a proposição de deban- dar algumas tropas . O povo estava também em estado de effervesccncia: . para que vigiasse em manter a ordem. por causa das fataes e contradicto- rias novidades. e lhe ordenava. e tirasse de Cadiz o corpo que ti- nha causado os distúrbios. Procurei ganhar tempo. Co- mo o General Conde de Abisbal parece (diz o General Freyre) que ainda vem avançando para a Andaluzia.n nome d'El Rey que proce- desse legalmente contra os que saõ accusados dos distúr- bios em Cadiz. ordenando-lhe e. Continuarei os seus movimentos. e se naõ o atacarei como a rebelde. que se unisse ás tro- pas. Officio do Almirante Villavicencio ao Ministro da Guer- ra. quedu- vidávam da verdade dos decretos de 9 e 7 de Março. ejulguei que o pretexto de que se valiam os agitadores. sobre as desordens em Cadiz. 411 que se havia oecupado todo o dia precedente em tran- quillizar a furiosa disposição das tropas e officiaes.

veio ter co- migo. para sondar a disposição dos dous par- tidos. A este momento o General em Chefe D. Com tudo naõ havia disposição positiva. pensou remover com sua presença os males com que todos estávamos ameaçados. passamos pela praça de San Antonio. que se esperavam. desejando. que estavam atrazados. e trabalhar por obter alguma sorte de trégua até que se soubesse positivamente a vontade da naçaõ. assim como eu. seguir o mesmo plano de ganhar tempo. e este rumor éra demasiadamente bem fundado. e fomos para casa jantar Eu dei-me pressa em voltar ao General. com uma força. para que esperasse tranquillamente novas do que se passava no interior do Reyno. Pensamos que o melhor meio seria voltar outra vez para a praça de San Antonio. e que a ci- dade ficaria em estado de combustão. E. e convidar o povo ali juncto.412 Miscellanex tudo annunciava uma terrível explosão. que se mostrava em todas as caras. que iam a opprimir os habitantes. que. que outro sim in- spirava inteira confiança. Disse-se. Porem todas as informaçoens nos convenciam de que logo que chegas- se a noite as tropas deixariam a obediência. e por ordens da authoridade. do estado em que se achava o espirito da gente. Freyre. antes que chegasse a noite. Era necessário salvar Cadiz dos males. por uma parte. Apenas o General Freyre começou a fallar. annunciávam a emoçaõ dos espíritos. Eu informei-o das medidas que tinha ja tomado» e elle as approvou . porque tudo. e outras pessoas. me fazia sentir a necessidade de tomar uma resolução. que a guarniçaõ estava prompta a levar tudo diante de si. por dous correios. se fez um . quando o susto. com os nossos Ajudantes de Campo. sem se oppòr directa- mente a um povo. destacou alguns officiaes a di- versos quartéis. e até que se recebecem da capital as ordens. sendo informado. O General Freyre e eu.

para dar ordens. tendo-se as tropas geral- mente declarado a favor d'El Rey. e em poucos minutos. o que se anuunciou no Diário daquelle dia. Fui para casa a tomar algum alimento. Estas vozerias seguiram o toque dos sinos nas igrejas da praça. Passou-se a noite em alegrias: o povo se entregou a ellas com transportes: illuminou-se a cidade. Eu fui para a cortadurade S. Houveram numerosas victimas. mas ouvia-se o fogo de todos os lados. XXIV. Fernando. O General Freyre correo ao quartel-general. 413 grito universal de " Viva a Constituição. ás 11 horas. porque. e immediatamente me uni ao quartel-general. e trabalhar em restabelecer a disciplina. muitos roubos e outros crimes. e prometter que âo outro dia se proclamaria a Constituição." que suffocou a sua voz. e exhaurimo-nos em esforços para restringir o ar- dor da tropa. para testemunhar a festividade. éra necessário acalmar a efTervescencia geral." Conservou-se a melhor ordem até o dia seguinte. que eu estava prezo. as tropas da Marinha Real. e fez uma descarga contra a multidão. Repentinamente o batalhão de Guias do General se apresentou ali. bandos de mu- sica corriam as ruas. commetten- do todos os horrores de que he capaz uma soldadesca desenfreada. nada se ouvia senaõ " Viva a Con- stituição. 3G . quando o povo correo á praça de San Antonio. Naõ havia outra cousa a fazer senaõ ceder á torrente. Miscellanea. estavam muito agitadas. que cubriam este posto. Eu cheguei a este momento com Freyre. donde successivamente saíram muitas VOL. havendo-se ja espalhado o rumor. os cidadãos corriam para as ruas adjacen- tes para escapar da morte. se espalharam tumul- tuosamente por differentes partes da cidade. surda ás vozes de seus commandantes. promettendo-se cada um a si o prazer de estar presente. aonde a minha presença naõ foi inútil. N° 143. coutra as pessoas e propriedade.

com a esperança de encontrar as tropas de Pol. de que os poderia induzir pela persuasão. Realizou-se esta esperança . sem duvida. Os primeiros tiros desordenados dos des- naturados filhos de nossa amada pátria. o qual. Officio do Coronel Espinosa. como veieis pela narração desta accaõ particular. que compõem este exercito. O Commandante deo or- dens. e eu voltei para minha casa ás 11 da noite. Quaitel-General em Requejo. Refirindo-vos os infelizes resultados das operaçoens deste exercito. nos privaram da interessante vida do nosso General Commandante. ao Governo de Corunha.414 Miscellanea. para que a columna de caçadores. de que se tracta. naõ sei como expresse o meu sentimento por um acontecimento. fôram descubertos. a noite passou toleravelmente quieta. debaixo das minhas ordens. seraõ mandados para suas casas. desde o dia 6. De Xeivio passou o exercito para Monterey. Christoval. que se aban- donavam a toda a sorte de excessos. D. e animado pelos nobres sentimentos que o characterízam. encarregados de restabelecer a ordem. e fôram condu- zidos para a cidade de Orense. e ajunctar os soldados. antes de chegarmos ao lugar. a abraçar a causa nacional. avançasse. aonde deixando os seus uniformes e pretrechos. Fizemos 80 prisioneiros. As 5 estava a ci- dade quasi tranquilla. patrulhas. Dous delles assentiram a isto mas naÕ o terceiro. indo-os perseguindo até S. tanto sentem. commandadas por officiaes. Os últimos receberão passaportes para o mesmo fim. 10 de Março 1820. avançou â frente d a columna. cheio de intrepidez. porque. que tanto eu como todos os indivíduos. . entre os quaes havia 3 officiaes: desarmaram-se os primeiros. persuadido.

fez immedia- tamente disposiçoens para os desalojar. e o General em chefe naõ hesitou em dar-lhe passaporte. Aos 6 se poz o exercito em marcha. porém che- gando a Padornela vimos postadas as tropas de Pol. Miscellanea. logo que se aproximaram as guer- rilhas de Aragaõ. continuou o exercito a sua marcha sem outra occurrencia particular. Aos 7. Lourenço. com- mandas pelo Conde de Torrejon. e o General Commandante Ia á frente tam lon- ge como a dieta guerrilha. tomou posse das alturas da esquerda com as vistas de os flanquear. e que seria tractado como tal. A columna de caçadores e a primeira divisão. naõ pa- rar até que chegasse ao ponto de direcçaõ. sob pretex- to de que tinha com elle um filho. a qual marchava a mui pouca distan- cia da vanguarda da columna. passaram a noite de 7 em La Gudina. senaõ o encontrar algums extraviados das tropas de Pol. que foi aban- donado pelas milicias. e a companhia de caçadores de Granada. Capitão do regimento de Orense. exortan . se tornasse a cair outra vez nas maõs das tropas na- cionaes. Esta columna avançou com extrema rapidez. e avaançou galope. e a noite de 8 em S. Christoval e o resto do Exercito em Verio. na seguinte forma : meia hora depois do meio dia a columna de caçadores e a primeira divisão na direcçaõ de Requejo. 415 Manuel Sierra. Como o objecto do General Commandante éra. A columna passou a noite em S. pouco valor e disposição militar. os quaes fôram despachados com passaportes para suas casas. declarando-o ao mes- mo tempo inimigo da pátria. sustentada pela companhia de artilheria. em quanto o resto das tropas avan- çava em columna ao ponto de direcçaõ. sem dar tempo a chegar a ala es- querda. o qual manifestou desejo de ir unir-se a Pol. homem de medíocres talentos. O enthusiasmo de nos- sas tropas a este momento excede toda a descripçaõ.

continuando um fogo. cabos de esquadra e soldados. &c e seraõ demittidos para que voltem a suas casas.416 Miscellanea. que tenho a honra de incluir com a sua explicação. Ra- mon Árias. officiaes e soldados. iritadas por tam atroz comportamento. do as milicias fugitivas a que parassem. provavelmente se naõ unirá a Pol. e os primeiros tiros tiveram o calamitoso re- sultado. ainda que alguma cousa tarde. Antonio Espinei- . com 81 indivíduos. por quea naçaõ e a constituição eram victoriosas. Joaõ Casalmorte. vos satisfará quanto ao resto da transacçaõ desta nossa primeira ac- çaõ. e a artilheria chegou a este ponto. o primeiro de Tuy. o segundo de Monterey: o Tenente D. ja mencionado. persuadidos de que as hostilidades tinham sido accasionadas meramente por alguns cabos de esquadra e sargentos. a depositar ali os seus uniformes. lhes inspi- rou o mais ardente desejo de a vingar. e D. longe de diminuir a intrepideze valor de nossas tropas nacionaes. Nesta disposição al- gumas das milicias. sem ordens de seus officiaes. o seu mais zeloso de- fensor. atacaram-os com grande fúria. O resultado desta acçaõ foi a dispersão da maior parte das milicias. que tendo-se perdido no caminho entre as montanhas. Este fatal acontecimento. As tropas nacionaes. sar- gentos. A segunda divi- são pernoitou hontem em Lubian. Pedro Pinero. que fôram manda- dos para Orense. fize- ram fogo. Os offi- ciaes ficam aqui para responder por D. Chefes. que se esforça- ram a pôr-lhe termo. cada dia estaõ mais determinados na defen- so da justa causa que tem abraçado. Joaõ José Salgado. Caíram em nossas maõs os capitaens D. e o Subtenente D. feliz seguramente se a pátria naõ tivesse perdido na morte de nosso benemérito chefe. O esboço annexo. ambos de Tuy. que naõ cessou senaõ com os mais instantes rogos de nossos officiaes.

ao mesmo tempo que annuncía ao publico o feliz resultado obtido pelas tropas nacionaes. na presente lueta desta provincia contra a tyrannia. morto por um tiro de um dos fugitivos soldados ou cabos de esquadra do ex-general Pol. debaixo do commando de D. (que dscança era paz. pela irreparável perda deste benemérito filho da pátria. em quem o povo perdeo um de seus melhores representantes. porque todos excederam os limi- tes de seu dever. que como primeiro martyr da li- berdade Hespanhola. dia de sua morte. que foi prezo por Pol. no glorioso dia 9. Feliz de Acevedo. como declara o dicto D. os 9 de Março. que conhece as virtudes cívicas do de- functo D. infeliz victima de seu valor e patriotismo. ainda que sente a sua inhabilidade para cum- prir seu mais alto e mais sagrado dever nesta occasiaõ. e os patriotas o mais cordeal e ze- loso irmaõ. em Padornela. Feliz Alvares Acevedo sex Benemérito da Pá- tria em grão Heróico . e ainda que sua intensa dôr se naõ possa mitigar concedendo todas as recompensas merecidas por tam illustre defensor da causa da naçaõ. (Assignado) CARLOS ESPINOSA. Seria injusto recommendar-vos algum individuo deste exercito em particular. Esta Juncta. en- tre em character particular no Kalendario. Deus vos guarde muitos annos &c. o exercito nacional um denodado cabo. Miscellanea. 417 ra. Feliz de Acevedo. Proclamaçaõ do Governo na Cor unha. e mostraram o seu characterisüco valor e enthusiasmo. tem resolvido declarar. quando trazia os officios de Vossas Excellencias. A Juncta Suprema de Governo. para trans- .) está cheia de dòr.

e assignada pelo antigo Conrespondente " Um Bra- ziliano estabelecido em Londres. e finalmente. e de distincto cidadão. aonde elle foi admirado pelos mais ardentes patriotas. de 11 de Abril." e. considerando a authoridade com que o escriptor daquella carta custuma fallar. REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. dando-se or- dens. mittir sua eterna memória á posteridade: que os signaes de lucto se observem por três dias. este papel . e que a pompa fúnebre e honras funeraes tenham lugar de maneira conrespondente âs suas três qualidades de Membro do Su premo Governo. que se erija nesta cidade um monumento. e nas suas principaes igrejas : que seu corpo seja desenterrado e trazido com o maior respeito e acompanhamento a esta heróica cidade. Volta <f El Rey para Lisboa. erigido pelo amor e gratidão nacional ao mais infeliz. com as de- vidas honras e preparativos. PEDRO DE AGAR. Refiexoens sobre as novidades deste mez. pasa preservar das injurias do tempo este templo de me- mória. uma carta publicada na gazeta Times. Corunha 13 de Março 1820. na provincia e exer- cito . 392. mais virtuoso e mais determinado defensor da pátria. dentro do qual se depositem suas amadas cinzas. pela ele- vação de sua alma nascido como foi para grandes feitos. de General Comman- dante do Exercito. Presid. e sobre o qual se gravem em bronze apropriadas inscripçoens. Copiamos a p. e em todos os postos militares.418 Miscellanea. para que também se celebre nas outras seis cidades da provincia.

" re- futa directamente como falso. Miscellanea. E com tudo o mesmo escriptor admitte. sobre os negócios de Portugal. " que se ponha sobre novas bazes todo o edifício administrativo e social da Monarchia Portugueza. que se tem propagado em algumas gazetas Francezas e lnglezas. tanto no interno como no ex- terno . em revolução. e inútil o declarar formalmente. que se naõ podem fazer de um dia para o outro planos de alteraçoens essenciaes. que a Corte reside no Brazil ha mais de doze annos. fixar a sua resi- dência." alludindoao que dissera antes. e entre outros um.~ merece bastante attençaõ. que o gênio máo tinha feito procrastinar as benéficas in- tençoens do Soberano bem facejo. Daqui se vê ser i mprovavel a noticia. que tem de seguir. de que El Rey naõ podia deixar o Brazil e vir para a Europa. que a emancipação commercial do Brazil exige. continuam sua guerra. que " Um Braziliano estabelicido em Londres. quando naõ pôde agora saber-se. dentro em pouco tempo. Longo tempo ha.. Dirige-se a carta a refutar vários rumores. que adoptaraõ. se haverá para o futuro ra- zoens. " que se lisongea de que Portugal conhecerá. que o movam a vir á Europa. no Governo de uma Naçaõ. mas por isso mesmo. que as circumstancias actuaes im- pediam a El Rey o voltar para Europa. em quanto as colônias Hes- panholas. e mais incertas ainda no syste- ma politico. quando isso desejasse fazer. que El Rey contemplava planos de summa utilidade a Portugal . que os ministros devem pensar. incertas na for- ma de Governo. que as suas esperanças naõ seraõ frustradas. e que he este um espaço de tempo demasiado longo. vinha a ser desnecessário. no Rio-de-Janeiro. e ainda que conheçamos muito bem. que o Soberano certamente preparava medidas nesta matéria. mas também vimos. que fixava irrevocavelmente a sua Corte no Rio-de-Janeiro. e . para se conservar o Reyno de Portu- gal com um Governo provisional. . ineficaz de sua natureza. Temos sempre mantido a opinião. de que Sua Majestade havia decretado a final. que nòs mesmo annunciamos." e couclue a carta dizendo. com tudo naõ se pôde disfarçar.

Por fim chegou o tempo. mas. será sempre motivo de sentimento para o outro. naõ pôde sup- pór-se consolidada. ao ouvido e ao coração de todos os homens. composto de pessoas. Nestes termos. que se devem mudar as bazes a todo o edificio . e que os Governadores de Portugal tenham prohibido o mesmo Jornal a instigaçoens de Avizos dos Souzas. a mu- dança d' El Rey. o Re- dactor deste Jornal. mas sugeitos ao mesmo Rey . que naõ he pouquidade o dizer. mas naõ o remédio dos males. clara e distinc- tamente. a naõ se fazer mais alguma cousa. &c. para a Europa. em um delles. &c.420 Miscellanea. naõ tem cuidado dos interesses do seu mesmo Portugal. e se o muito menos disto. assim. a pezar de que outros escriptores de par- tido tenham atacado. Que os Senhores de Portugal. A uniaõ dos dous Reynos de Portugal e Brazil. Todo o systema de administração está hoje em dia arranjado por tal maneira. por mando dos que os empregam. contra quem se objecta. como quem previne a introducçaõ da peste : isso naõ tira que os factos naõ fállem por si. pelo mero facto de que a Corte do Rio-de- Janeiro nomeie os Governadores de Portugal. como Caraquenho. a mais decidida falta de capacidade. que he preciso pôr sobre novas bazes todo o edificio administrativo e social da Monarchia. nós nun- ca levamos as cousas tam longe. trará com sigo a mudança do lugar dos queixosos. que temos dicto. Cáspite. assim como uaõ entendem os do Brazil. se acha assas registrado nas paginas deste Periódico. revolucionário. nos obteve desses Senhores o nome e o tractamento . nomeie a Corte de Lisboa os Go- vernadores do Brazil. Obrigado pela limitação. em que até o mesmo Senhor " Braziliano estabelecido em Londres" declarasse. tni que começou a publicar-se : mais alguém do que nós tem tido boa parte em combater os que á força nos querem persuadir. mudan- do-se El Rey para a Europa. que tudo vai bem . que estaõ governando no Brazil. desde o anno de 1807. nem tem feito cousa alguma do que seria a bem commum de ambos. que Portugal e Brazil saõ dous Estados diver- sos. ou que. a residência do Sobe- rano.

de que a forma de administração de Portugal e Brazil deve ser alterada porque a presente necessariamente ha de produzir os males de que todos se queixam. Como quer que seja. &c. ou por outras palavras uma revolução." os ultras do partido opposto nos tem feito a guerra. nem tal esperam. para mudar a Inquisição de Lisboa para Lon- dres. a nossa opinião." aconselham com efFeito a El Rey. Quando nós dizemos. Joaõ. naõ se pôde fazer sem convulsoens desastrozas . e fazer uma negociação com o Governo Inglez. e só dizem isso para embalar o povo. &c. naõ deve ter faculdade V O L . e olhados como perversos por sua deshumanidade. lisongeiros. N \ 143. uaõ bastaria o tractar-nos de Jacobinos. e induzillo a continuar no soffrimento de males. Por outra parte. Miscellanea. tal vez nesse caso se julgasse de mais a mais necessário fazer uma negociação. merecem ser enforcados. que mandasse a ninguém o Braziliense. por machioarem a ruína do Estado. he ainda a que tem sido ate aqui. X X I V . com cuja authoridade parece fallar o " Braziliano estabelecido em Londres. e por isso esperam. se se mudarem as bazes de todo o edificio administrativo e social da Monarchia. Se tal naõ aconselham. entaõ merecem ser apedrejados pelo mesmo povo. 421 de Jacobiuo. com uma longa lista de. e ig- norante Secretario do Governo de Lisboa. sobre o importante ponto de se que tracta. chamando-nos cortezaõs. que se podem e devem remediar. defensores do Governo despotico. essa mudança das bazes de todo o edificio social. desejando revoluçoens. pelo insulto que lhe fazem em sua desgraça : devem ser marcados com ignomínia por sua falta de patriotismo . porque nunca dissemos tanto. por exemplo. mas também naõ queremos uma revolu- ção : e uma revolução será. como agora diz o " Braziliano estabelecido em Londres. que um fanático. Se esses Senhores. e he por isso que naõ a desejamos. alugar em Lisboa frades e exfrades para escrever contra nós. 3 H . e uma revolução tal e repentina. e fazer de nossa ossada uma foguerinha a S. se tivéssemos recommendado essa mudança de todo o edificio social. para se prohibir ao Ad- ministrador do Correio.

nem se quer nas outras partes da mesma Monarchia Portugueza) como um ferrete vergonhoso con- servado em Portugal. deste ignomioso estabe- lecimento. naõ precisava de doze annos de deliberaçoens. qtie se faz com Inquisidores. se naõ mudassem todas as bazes do edificio administrativo e social da Monarchia? Nós julgamos que siin . confessamos. de passar Avizos com que se derróguem as leys. (quando naõ existe em nenhuma outra parte do Mundo civilizado. porque o mesmo Tribunal foi extincto em Gôa . e pela outra. pois. de mesquinho e servil cortezaõ. A abolição. e no Brazil declarou EI Rey. por uma parte . muito bastantes para estes casos.422 Miscellanea. Jacobinismo. nem o poder Real. comparado com esta generalidade de reforma. que nos daõ os ultras da outra parte. seria poupada pela naçaõ. a despeza. com suas penas ecclesiasticas. o seu desejo immoderado de possuir a maior porçaõ de authoridade possivel sobre os seus similhantes. sem que o Erário seja carregado com as despezas da Inquisição. e. e que contra isso naõ está outra cousa senaõ a falta de applicaçaõ dos que governam. que naõ olhe para a exis- tência deste Tribunal. que merecemos o nome. poudo obstáculos aos abusos do poder. A ley de 30 de Março de 1818. Alem disto. principalmente depois de extincto no Brazil. naõ ha Portuguez sensato. Mas quando " Um Braziliense estabelecido em Londres" diz que he preciso mudar as bazes de todo o edi- ficio administrativo e social da Monarchia. Por exemplo: nenhuma difficuldade ha. em que. para que delle se riam e façam mofa as naçoens estrangeiras. porque se metteráa fazer disposiçoens. por esse partido cha- mado. que nunca seria estabelecido. he claro que deita a barra tam adiante de nós. ou que esse mesmo Governo de Lisboa naõ deve ter faculdade de legislar. por um tractado solemne. porque os Bispos podem e devem cuidar de castigar os crimes de Religião. que se extingua o Tribunal da Inquisição . em que se fulminam desconte- . que o nosso. fica atraz a perder de vista . sobre o que naõ entende: naõ queremos com isso atacar nem todos os principios de Governo. Por outra parte . Mas i seria possivel achar um termo médio. essa extincçaõ naõ he contra a Reli- gião do paiz .

naõ aponta os meios de temperar a crueldade. e como isso se naõ possa verificar. Miscellanea' 423 das penas. os Ministros se por- tem com a moderação que tam ponderosas medidas requerem. sem as mudanças na Administração e na escolha das pessoas. deve ser de muito maior atflicçaõ a Por- tugal . e de seus Secretários. Naõ consta. desnecessariamente. tem os condemnados de appellar á clemência do Soberano . e a administração do Erário. Ha um meio. e grande augmento da po- breza. que El Rey prepara planos. e do que nisto se tem feito por uma parte. porque multiplicando. e só nos resta desejar. tem resultado a decadência da industria. deixados ao arbítrio dos Governadores. O estabelicimento e cobrança dos tributos. que salta aos olhos . para a prosperidade e felicidade da Monarchia. que os Governadores de Portugal tenham feito propostas de melhoramentos a este respeito. que isto se realize. que tantas vezes temos indicado. he um mal. devemos agora esperar. e da mesma forma impôrem todos os castigos. os crimes de Lesa Majestade. o qual somente e nada mais desejamos. dif- ficultando esse recurso natural. e a distancia em que este se acha de Portugal deve por isso. que tal docu- mento minutaram . produz as mais lastimáveis conseqüências practicas em Portugal. e supposto seja de igual gravidade em todas as partes da Monarchia. ao mesmo tempo que referem á Corte do Rio-do-Janeiro todas as partes. entre o despotismo e a anarchia. nem que o Ministério do Brazil se tenha applicado a ellas. . que verdadeiramente se consideram de Lesa Majes- tade. que nos casos. e todos os males acharão seu remédio quando esse meio for seguido. contra as sociedades occultas indiscriminadamente he de uma severidade deshonrosa aos Ministros. e deixado de fazer pela outra. na sua execução. que requerem alguma remuneração ou favor. se o escriptor da carta nos aflirma um facto. Paremos aqui : como se assevera nesta carta. fazer ali mais pezada a severidade da Ley. em nome do Soberano. de passarem os Governadores de Portugal suas portarias. O abuso. no formulário. que. e com certa au- thenticidade.

prohibe-se. era que fica sem ali- mento ? Morrer de fome. falta para o consumo de três mezes no anno. Portugal poderia ter agora. que a utilidade publica pede. E também nada accrescentaremos ao que fica dicto em outros números. que precisão desses lucros. que observemos aqui a causai. dizem estas ordens do Governo de Portugal. limitado. Supponhamos. paõ bastante para o alimento de seus habitantes .424 Miscellanea O resto desta carta naõ carece de outra explicação senad re- commendar a sua leitura. mais pelo que tem de prognostigadora. prohibe-se a entrada do paõ estrangeiro. que venha do estrangeiro i que deve sueceder ao povo nesses três mezes. para dar mais lucros aos agricultores. do que pelo conteúdo da refutaçaõ de rumores. Os . e as favas. que ha no Reyno. legislaudo-se em matérias de tam alta importância por meros Avizos do Secretario do Governo. pro- hibiudo a entrada do trigo estrangeiro. que. porque de certo he interessante. um Avizo. Os Governadores de Portugal. Porém he preciso. e com menos cabo do respeito que he devido ás mesmas leys. per- mittido. Mas. Supponhamos. mas concordam todos. por um momento. Naõ he necessário repetir aqui. notando a leviandade. para se prohibir a entrada das favas estrangeiras em Portugal. pois sem elles se arruinariam. que se encareçam os mantimentos. para encarecer o paõ do paiz. que ibto assim he. Publicamos a p. com manifesta desat- tençaõ á dignidade d'El Rey. com que se tem prohibido. sobre a indecência do for- mulário. depois de consumido o paõ. 377. que actualmente o naõ tem. e tornado a prohibir a entrada deste neces- sário alimento em Portugal. porque os Governadores de Portugal dizem. encarece-se o paõ. como ja o teve em outros tempos. o que já temos dicto a este respeito. e logo depois outro Avizo. prohibindo que venha o paõ do Estrangeiro.

que tem augmentado essas despezas. e dar-lhe o conveniente re- médio. para favorecer uma classe (por mais útil e necessária. e he decidida injustiça. 42ò agricultores constituem somente uma classe de cidadãos. gravando todas as de- mais. . por que em fim. Mas naõ he verdade. seja qual for o interesse de uma classe. ou elle ha de vir de fora. he promover directamente a ruina de todo o povo. Quaes quer sejam os desejos dos lavradores de reputar bem os seus trigos . quaes saõ as causas. he o que cha. para favorecer esta. no amanho das terras. Isto. ou a gente deve morrer á fome. que o rendimento dos productos naõ chega para os avan- ços prévios. e a terra naõ produz mantimento bastante para sustentar seus habitantes. poderão requerer esta espécie de monopólio ao Governo. inam os Lógicos um sophisma de non causa pro causa: Os lavradores. e o mais barato possivel. cuja primeira necessidade he a subsistência. em abundância. que a introducçaõ do paõ estrangeiro. para alliviar as difficuldades da classe agricultora. seja a causa da decadência dos agricultores: ás avessas . seria sempre um remédio injusto o attender ao inconveniente. que allegam os Governadores de Portugal. ou que ignoram os princípios de Economia Politica. que seja) vexar todas as mais. Miscellanea. mas este deve saber. Se os agricultores incorrem tantas despezas. mas o paõ he um alimento necessário a todos os individuos. de que os lucros de sua agricultura naõ chegam para as despezas do amanho das terras. enca- recendo-lhe o mantimento. de todas as classes. deve o Governo indagar. encarecendo-lhes os mantimentos. que desejam ver augmentados os seus lucros. expondo-as a morrer de fome. para que subam os lucros dos lavra- dores. epor mais bem fundadas que sejam as queixas. que o matar a gente á fome. a in- troducçaõ do paõ estrangeiro he necessária. que soffre essa classe. e cujo primeiro conforto he ter que comer. opprimir todas as outras. naõ se deve. por que agricultura esta decahida. e até pondo todos a perigo de mor- rerem de fome . logo naõ havendo mantimento no paiz.

que. que indagaram as causas da decadência da agricultura. ou corem os seus mandados. talvez naõ seja culpa delles . e começando (como se introduzio no Ministério do Marquez de Pombal) por allegar o seu poder absoluto. com vexame geral de toda a naçaõ. deve a philáucia dos Governadores de Portugal. i Tem-se augmentado as despezas da agricultura. ou seu Secretario ignorem os principios de Economia Politica. e que nas suas deter- minaçoens seguiram o parecei dessas pessoas consultadas. que assim lhe pedem os aggricultores. mas nunca cuide em augmentar os lucros para os elevar a pár das despezas. nem se tirem esses mesmos lavradores ás suas occupaçoens. porque faltam braços? Naõ se tirem os filhos aos lavradores para os fazer soldados. Encarecem os jornaes pela carestia dos mantimentos ? mandem-se vir esses mantimentos de fora. allegando. i Ha augmento nos jornaes. vexando-os com o serviço das milicias. que os devia guiar nestes casos. pleno e supremo. Em uma palavra.426 Miscellanea. que saiam com a sua legislação de Avizos sobre Avizos. diminua o preço dos jornaes. fazendo que diminuam essas despezas . porque ninguém he obrigado a saber o que naõ estudou . em . para que assim a sua barateza. pois. neste ponto. que saõ parte interessada. que rendondamente admittem existir. suppôr. legislando sobre matérias de importância. pela diffi- culdade dos transportes ? Concertem-se as estradas. em tam importante matéria. e reme- deie o mal. Que os Governadores do Reyno. e nem se quer digam os Governadores. mas he imperdoável. e cuide-se dos canaes navagaveis. naõ se envergonham de declarar. e opposta aos interesses da naçaõ. porque tem crescido além dos lucros as despezas da agricultura. encarecendo o preço do paõ. i Porque razaõ. que saõ mais sábios que El Rey. indague o Governo as causas. tornando em espadas os ferros dos arados. que consultaram pessoas intelligentes sobre o que legislam. . referindo-se a pessoas bem informadas que os aconselhassem. Os mesmos Reys de Portugal.

Lembrem-se agora esses. mostra que he honrado. por que do contrario pôde cair a pedaços o tal edificio. Temos notado. e apontar-lhes o obvio remédio. revogar sua legislação. e tornar a mandar o que revogaram. muito ha. no papel. que indagaram as causas da decadência da agricultura. e que havendo com esses dados consultado pessoas intelligentes. e comparada a sua moderação com o que ao depois se tem escripto . em quanto Mordomo Mor do Hospital de S. e até a serem chamados claramente. ja assas gravados com as extraordinárias entradas de trigos e milhos . faz o mesmo ou mais a respeito do trigo ! Eis aqui abusos de poder. como temos lido. sem se dignar dizer-nos. " e portanto impede a introducçaõ das favas . que " a importação das favas estrangeiras embaraça a venda da cevada. Quem assim obra. o Correio Braziliense tem o di- . em jornaes públicos. dam aberta a todas as suspeitas. que julgamos mui fáceis remediar. intro- duzio ali o louvável custume de publicar as contas de receita e despeza daquelle estabelicimento. 427 matérias tam importantes para o bem commum da Naçaõ. os que insistem no systema contrario. mas vistas as persegui- çoens contra este jornal. contentando-se unicamente com designar os males. sem que seja preciso mudar " todas as bazes do edificio adminis- trativo e social. com prejuizo dos lavradores. e depois. os conselhos que lhes deram para remediar esses males fôram taes e taes ? Nada disto : diz o Secretario do Governo. que D. Jozé em Lisboa. Ladroens . Conta dos dinheiros públicos. se quer. por outro Avizo. po- dem legislar. que essas causas se acha- ram ser taes e taes. se o dei- xarem apodrecer de todo. 400. que tanto se tem enfurecido contra o Correio Braziliense. que este jornal nunca applicou tal nome. que publicamos a p. Agora damos outro exemplo. Miscellanea." Mas remediar esses abusos he preciso. Francisco d' Almeida.

reito de dizer a esses poderosos infractores do direito e dajustíça. a fim de cortar a retirada aos bandos de Artigas. Luiz de Ia Punta. que occasionam as rigorosas mas infructuosas me- didas de prohibiçaõ de certas mercadorias estrangeiras da pri meira necessidade. sobre a matéria de abrir os portos daquelle Reyno ao commercio estrangeiro. que faria uma diversão. Nas gazetas de Havanah se acha um memorial. ao Vice Rey do México. Retiecte no adiantamento sem exemplo. Por noticias de Buenos-Ayres de 24 de Dezembro passado se sabe. que infestavam o território de Buenos-Ayres. a qual em 1762 recebia somente duas cargas de fazendas Europeas. sobre a necessi- dade de adoptar esta medida.° passado. dirigido por D. Pedro dei Pasoy Trancoso. que se practicam. Rodeau devia unir-se a um destacamento do exercito do Brazil. porque a considera como a mais bem calculada para destruir o descarado contrabando. e para prevenir as numerosas fraudes. que o General Rondeau se achava com seu exercito juncto a Sancta Fé. como maior empenho." AMERICA HESPANHOLA. que fora mal succedido na empreza contra Callao. em conseqüência disso. O Presidente insta. Presidente da Meza de Commercio de Vera Cruz. senaõ incendiar e destruir a esquadra Hespanhola naquelle porto. pelo qual refere o que j a annunciamos no N.428 Miscellanea. Parece que o seu destino naõ éra outro. — " atraz de mim virá quem bom me fará. Martin. A damos o officio de Lord Cochrane. 1819. quando este chegasse com a cavallaria de S. O General Rondeau intentava dar o commando ao General S. e mandados pelos rios Urugay e Paraná acima. para todo o seu supprimento. datado de 12 de Outubro. que dentro em poucos annos tem tido a ilha de Cuba. no Thesouro Real. . tendo com sigo um corpo formado de emigrantes da Banda Oriental e Entre Rios.

Miscellanea. 429
e exportava uma mera bagatella: quando por outra parte em
1816, dando entrada ás bandeiras de todas as naçoens, entraram
em Havannah mais de mil vasos no porto de Havannah, e o ca-
pital empregado somente naquella florecente cidade chegou á
grande somma de 21.500.000 pezos duros.
Os 60:000.000 de pezos, que se calcula perderem-se annual-
mente pela existência do commercio do contrabando, enchendo
os cofres Reaes, habilitariam a Metrópole a pagar suas dividas,
manter o seu decoro, e sustentar uma poderosa marinha.
Conclue protestando contra o systema actual de restricçoens.
e apertando pela adopçaõ da medida, que he somente quem
pôde fazer preciosas as possessoens Americanas á Metrópole, e
restabelecer no México a sua antiga prosperidade.

A revolução da Hespanha tem revivido a idea, de que seja
possivel obter agora a submissão da America Hespanhola revol-
tada ; visto que a moderação e justiça, que se espera do presente
Governo Constitucional, alhanaría difficuldades, que durante o
Governo passado formavam obstáculos invenciveis. Isto nos
induz a fazermos algumas observaçoens sobre a matéria.
No decieto de chamamento das Cortes de Hespanha, que pu-
blicamos a p. 341, se vê a grande difficuldade, que ha, em re-
conciliar os interesses da America Hespanhola, mesmo neste
único ponto da representação das Cortes. Primeiramente, vista
a impossibilidade de se poderem fazer, na America, as eleiçoens
de deputados, a tempo de poderem ser enviados, e ter assento
nesta sessaõ das Cortes, se recorreo ao expediente, ja usado
pelas Cortes de Cadiz , de fazer nomear substitutos, eleitos
pelos naturaes da America, que se acharem na Peninsula, e o
modo de isto se executar, vem prescripto nas instrucçoens que
damos em resumo a p. 347. Aqui temos pois que se tractaraõ
nestas Cortes objectos da mais essencial importância á Monar-
chia Hespanhola, sem que os povos da America sejam ouvidos,
nem por si, nem por seus procuradores : porque os deputados
VOL. XXIV. N c . 143. 3 i

430 Miscclla?iea.
nomeados naô o saõ por aquelles povos, e o argumento da neces-
sidade e aperto do tempo, tam longe está de destruir o princi-
pio, que mostra practicamente os inconvenientes de serem os
povos na America governados por um Governo representativo,
residente na Europa.
Em segundo lugar, a toda a vasta extençaõ da America naõ
se dam mais do que trinta Deputados, incluindo ainda assim
nestes, os das ilhas Phlllippinas. No papel, que copiamos
a p. 243, naõ se menciona Buenos-A j res ; mas isto attriboimos
a ommissaõ da copia de qne nos servimos, pois faltam, contando
o numero das outras provincias, três, para formarem os trinta,
e estes três suppómos seraõ os de Buenos-Ayres.
Ora; de que serve á America ter nas Cortes trinta votos, que
seraõ sempre desfeitos, nas questoens sobre a America, pela
maioridade de 172 ?
Este plano portanto das Cortes com 30 Deputados da America,
naõ nos parece bastante para induzir os povos Americanos a su-
geitarem-se a ser outra vez colônias da Hespanha.
Mas i considerando a questão maduramente, naõ vemos que
a Hespanha possa offerecer ás suas ex-colonias vantagens algu-
mas, que possam induzillas a largar sua independência, e tor-
nar a ser colônias.
Se lhe offerecerem o commercio livre, isso o tem com a inde-
pendência : se lhe derem faculdade de escolher todos os seus
magistrados, isso também lhes dá a independência. Em fim,
ainda que lhes dessem uma representação nas Cortes com pro-
porcional numero de Deputados, em razaõ da população, como
os das províncias Europeas; o que faria nas Cortes uma maiori-
dade de Deputados Americanos, ainda nessa hypothese (impos-
sível de suppôr que seja admittida pelos Hespanhoes) naõ ganha-
vam nada as provincias Transatlânticas, que lhe compensasse
o largarem a independência; porque nesse caso teria a America
o seu Governo representante na Europa, quando pela indepen-
dência o teriam juncto a si-; pelo que, dizemos, que naõ des-
cubiiraos cousa algnraa vantajosa, que os Hespanhoes possam
offerecer á America, em troco de sua independência.

Miscellanea. 431

Tememos, pois, que o único recurso dos Hespanhoes seja a
força: esta tem sido até aqui ineficaz; mas a guerra naõ aca-
bará, sem que os Hespanhoes se convençam de que essa inefi-
cácia se naõ pôde remediar.

ALEMANHA;

Publicamos a p. 314 um resumo das deliberaçoens da Commis-
saõ territorial, que se ajunetou em Frankfort. O resultado des-
tas deliberaçoens foi incorporado em um tractado, assignado
aos 20 de Jnlho de 1819. Nelle se incluem as cessoens, que os
differentes Soberanos tem feito uns aos outros, de vários terri-
tórios e seus habitantes, segundo convinha a seus arranjamen-
tos.

A p. 352 damos também a nova Constituição rep resina ti va,
que o Gram Duque de Hesse deo a seus Estados. Matérias
mais importantes, e que nos tocam mais de perto, nos naõ per-
tnittem entrar no exame desta peça politica.

Por uma circular da Regência de Baviera, que faz as suas
sessoens em Spira, se determina aos magistrados no Circulo de
Baviera do Rheno, que naõ obedeçam a ordens algumas dirigidas
pela Commissaõ Central em Mayence, seja para obter informa-
çoens relativamente ás practicas dos demagogos, seja para outro
qual quer fim, destinado contra algum subdito da Baviera.

ESTADO8-UNID0S.

Concluímos neste N.° de p . 317 em diante, os documentos
justificativos, que fôram apresentados ao Congresso pelo Piesi-

432 Miscellanea.

dente dos Estados-Unidos, sobre a negociação com Hespanha
a respeito das Floridas; e ninguém os lera sem se persoadir,
que a Hespanha foi neste caso a aggressôra ; assim as conse-
qüências, que vam ja apparecendo, saõ as que se deviam espe-
lar.
O Committé das relaçoens Estrangeiras na Casa dos Repre-
sentantes dos Estados-Unidos, fez um Relatório, era que expõem
o estado das negociaçoens com a Corte de Madrid, e conclue
com propor que se passe nm Acto, em que se providenceie :—
1. Que o Presidente dos Estados-Unidos seja authorizado a
tomar posse e occupar o território das Floridas Oriental e Occi-
dental, e a empregar qualquer parte do Exercito e Marinha
dos Estados-Unidos, e as Milicias de qualquer dos Estados, que
julgar necessário.
2. Que até o tini da Sessaõ futura do Congresso, se revista
de todos poderes, militar civil e judicial qualquer pessoa ou
pessoas, que o Presidente dos Estados-Unidos d eterminar, para
manter os habitantes dos dictos territórios, no livre gozo de sua
liberdade, propriedade e religião. As leys sobre os impostos,
e as leys relativas á importação de homens de côr, se entende-
rão aos dictos territórios.
3. Fazem-se as appropriaçoans necessárias, para por em exe-
cução esta ley.

FRANÇA.

O projecto sobre a liberdade individual, que por tam longo
tempo esteve em discussão nas Câmaras passou em fim como
ley, e recebeo a sancçaõ Real.
O outro projecto sobre a liberdade da imprensa, causou mui
vivos debates na Câmara dos Deputados, mas em fim concluio-
se com ficarem todos os jornaes e mais obras politicas sugeitas
á censura prévia; por um termo, que ao depois se ha de fixar.
Em conseqüência disto se publicou uma ordenança d' El Rey,

Miscellanea. 433

para estabelecer a Commisaõ de Censura, a qual exercitará as
suas funcçoens na Secretaria do Ministro do interior, e a pre-
sença de cinco membros bastará para authorizar os seus proce-
dimentos. Em todas as capitães dos departamentos, se estabe-
ceraõ similhantes commissoens de Censura. El Rey nomea pe-
la recomraendaçaõ do Guarda dos Sêllos Ministro de Justiça,
um Conselho de nove magistrados para vigiar a censura, e a
este Conselho deve a Commissaõ de Censura de Paris participar
os seus procedimentos todas as semanas, e o mesmo faraõ as
commissoens de censura dos departamentos todos os mezes.
Os membTos nomeados para esta Commissaõ de Censura em
Paris saõ D' Andresel, Inspector Geral dos Estudos: Auger,
Membro da Academia Franceza: Bandus D ' Erbigny, Ex-Rey-
tor da Academia de Grenoble ; Lageard de Cherval : Lourdou-
eix : e Mazure Inspectores Geraes de Estados : Raoul Rochette,
Pariset Landrieux, e Viellard.
Os membros do Conselho da Superintendência da Censura
saõ; Boyer, Verges, OUivier, Voisin de Gartempe ; todos con-
selheiros do tribunal de cassação : Briere de Surgy, Presidente
da Corte de contas : Tarrible, Mestre das Contas : De Merville,
Presidente ; e Lepoitevin e Larrier, Conselheiros na Corte Real
de Paris.
Em conseqüência de se haverem promulgado estas leys ajunc-
tou-se um partido de pessoas, membros da Camaia dos Deputa-
dos, Banquerios, Negociantes, e outros, e propuzéram fazer
uma collecta voluntária, para soccorrer os que fossem prezos
pelos Ministros em conseqüência destas leys. Malesherbes,
um dos promotores do plano, expôz que isto éra necesario; por
que ninguém he tam elevado em graduação que seja superior
á vingança de um Ministro, nem tam insignificante, que seja
abaixo da inimizade de um official de Secretaria: uma vez que
os Ministros tem o poder de prender individuos sem processo,
ninguém pôde estar ao abrigo de uma perseguição injusta.
Por outra parte, para escapar á censura dos jornaes, propuzé-
ram-se os Francezes a publicar suas ideas em folhetos avulsos
em vez de jornaes periódicos.

434 Miscellaneti
Entre outros effeitos da introducçaõ da Censura em França,
promovida pelos inimigos da liberdade da imprensa, ha um mni
curioso, que recáe directamente sobre os mesmos promotores do
tal plano.
O Conde Fernan Nunes, Embaixador Hespanhol em Paris,
teve ordem de seu Soberano, para representar a El Rey de Fran-
ça que ; " visto haver-se introduzido em seus dominios a Cen-
sura da imprensa, seu alliado e primo, Fernando VII, devia in-
sistir em que S. M. Christianissima prohibisse a insersaõ, nos
jornaes Francezes de qualquer ataque contra a presente revolu-
ção de Hespanha.
Sem duvida os que instigaram a ley da Censura naõ previam
que estava tam próximo o caso era que essa ley serviria para im-
por silencio aos mesmos advogados do poder arbitrário; mas
quando todas as publicaçoens saõ feitas com licença do Estado,
este he sem duvida responsável ás naçoens estrangeiras pelo
que se publica, a respeito dellas. Eis aqui o que exprime o ri-
faõ Portuguez, por voltar-se o feitiço contra o feiticeiro.
O Duque de Richelieu publicou nma longa carta circular a
a fim de explicar a natureza, das leys, que ultimamente se pas-
saram nas Câmaras, restringindo a liberdade da imprensa, e dos
indivíduos; e se esforça o Duque por mostrar a necessidade des-
tas medidas. Houvéramos inserido, se tivéramos lugar, este do-
cumento ; porque se propõem a mostrar qual seja o estado da
da opinião publica ein França, e a situação moral do povo pelo
que respeita as leys. O Duque pinta com as mais vivas cores
a felicidade de que os Francezes gozam, e com esta considera-
ção julga que naõ devem de lembrar-se do pouco que se lhe
tirou, negando-lhe o direito de irem para onde quizerem, ede di-
zerem a sua opinião.
Os Francezes, que tem o feliz talento de se accommodarem ás
circumstancias, talvez se mostrem mui contentes, e satisfeitos
com estas consolaçoens do Duque de Richeleiu ; mas como na-
quelle paiz as cousas naõ duram muito tempo no mesmo estado,
principalmente quando este he violento, he natural o presumir

Miscellanea, 435
que antes de passado um anno, vejamos alteraçoens consideráveis
nessas medidas repressivas agora adoptadas.
O projecto de ley, sobre as eleiçoens, que publicamos, no
nosso N." passado (p. 219) foi ja substituído por outro, o que
cousou vivo debate, na na Câmara dos Deputados, aos 17 de
Abril, e até uma disputa tumultuaria, de que ha poucos exem-
plos em assembléas publicas deliberativas. No nosso N.° se-
guinte daremos este projecto, se antes disso os Ministros Fran-
cezes nos naõ favorecerem com outro, porque he difficil pre-
dizer quaes saõ as formas constitucionaes, que naquelle paiz
durarão de um mez para o outro.

HESPANHA.

Os progressos da revolução Hespanhola, que damos, com
algumas noticias especificadas, no nosso N.° passado, tem con-
tinuado em importantes mudanças, assim nas pessoas dos em-
pregados, como em medidas essenciaes do Governo.
A Juncta Provisional representou a El Rey, que éra próprio
excluir de toda a ingerência nos negócios públicos as 70 pessoas,
que, em 1814. assignâram o memorial a El Rey, pedindo a Sua
Magestade a dissolução das Cortes. Com effeito vários dos
maiores empregados tem ja sido demittidos.
Os membros, que devem compor o Conselho de Estado, saõ os
seguintes.
D» Joaquim Blake, Presidente. D. Pedro Agar. D. Gabriel
Ciscar. O Cardeal de Bourbon. D. A. Garcia. D. Martin
Garay. D. F. Xavier de Castanhos. D. J. Mariano Almanza.
D. Pedro Cevallos. O Marquez de Pedrablanca, D. Justo
Maria Sear Navarro. D. J. Aycinona. D. Antonio Ranz Ro-
manillas. D. Francisco Requena. D. Esteban Varca. D. J.
Lyando, Secretario; e D. Joaõ Martin Madrid Davela, Secre-
tario.
M. Perez de Castro, que estava Ministro Residente em Ham-

436 Miscellanea.

burgo, foi nomeado Secretario de Estado; aceilando-se a resig-
nação do Duque de S. Fernando, que exercitava aquelle lugar,
e que foi nomeado Embaixador Extraordinário para Vienna.
O Duque Frias foi nomeado para render, na Embaixada de
Londres, o Duque de S. Carlos.
M. Alvares, que se achava prezo em ferros, na foitaleza de
Ceuta, foi nomeado Secretario de Estado do Interior de Ia Go-
bcrnacion de Ia Peninsula.
D. Antonio Porcel foi nomeado Ministro do Interior para a
America.
O Marquez de Lis Ama ri 11 as foi nomeado Ministro da Guerra.
O Duque dei Infantado, Coronel do Primeiro Regimento das
Guardas Hespanholas, foi substituído pelo Principe de Angloua,
filho do ultimo Duque de Ossuna.
O Duque de Alagon foi deposto do commando das Guardas
de Corpus, e succedeo-lhe o Marquez de Valparaiso.
M. Pando he o Ministro nomeado para Portugal; em lugar do
Conde de Casa Flores.
S. M. confr mou nos seus lugares e honras ao Tenente General
Villa Campa, e ao Marechal de Campo D. J. Espoz y Mina.
O primeiro foi nomeado Capitão General de Catalunha, o se-
gundo Capitão General da Navarra. O Tenente General Mar-
quez de Campo Verde foi nomeado Capitão General de Granada,
e o Conde Almodovar, Capitão General de Valencia.
O Conde de Montijo foi nomeado Governador General de
Castella a Velha, em lugar do Tenente General Carlos O' Don-
nell. e o segundo em commando debaixo de suas ordens he D.
Juan Martin Diaz, bem conhecido pelo nome de Empecinado,
durante a ultima guerra.
El Rey conferio o posto de Major-General aos cabeças da In-
surreição na lsla de Leon; a saber, Quiroga, Arco Arguero, e
Riego. Alem disto, o Ministro da Guerra dirigio a todas as au-
thoridades militares : a ordem Regia, que publicamos a p. 349.
Com tam importantes mudanças, nas pessoas dos principaes
empregados do Governo, uaõ podia deixar de seguir-se a adop-

Miscellanea. 437
çaõ de medidas, conformes ao espirito da revolução, que Sua
Majestade tem abraçado.
A primeira he o chamamento das Cortes, que, pelo Decreto, que
copiamos a p. 341 e instrucçoens, que se lhe seguem, se haõ de
ajunctar no 1." de Junho. Esta convocação naõ deixava de ter
difficuldades, para se fazer promptamente, como o mesmo De-
creto insinua, e em fim foi necessário dispensar nos interstícios»
prescriptos pela Constituição para as eleiçoens, e também pro-
curar deputados substitutos, para as provincias Transmarinas,
visto que éra impossível obter a tempo deputados, propriamente
eleitos pelos povos daquelles remotos paizes.
A segunda medida importante he a que se refere ao Thesouro
publico, e sobre isto mal podia uin Governo provisório adoptar
planos permanentes, mas déram-se algumas providencias, para
regular estas cousas até o ajunctamento das Cortes.
Dous Decretos sobre as finanças declaram, que S. M. havia
sempre desejado separar a direcçaõ do credito publico, da ad-
ministração do Thesouro, mas que as circumstancias lhe haviam
impedido realizar estas ideas. Mas agora manda, que sem de-
mora se ponha em execução o artigo 355 da Constituição, em
que se prescreve esta separação. Em conseqüência se ordenou
que tornem a entrar nas suas funcçoens D. Beruardino Temes y
Prado, e D. Antonio Barata, a quem as Cortes tinham nomeado
Administradores do Credito Publico.
O Segundo Decreto dispensa no artigo 338 da Constituição,
pelo qual se ordena que as Cortes fixem as contribuiçoens, e an-
nuncia que El Rey, considerando a necessidade de occurrer ás
despezas do Estado, e pelo parecer da Juncta Provisional man-
da continuar o presente systema de taxas, até o futuro ajuncta-
mento das Cortes Geraes.
El Rey, pelo parecer da Juncta Provisória, expedio alguns
regulamentos sobre as rendas publicas, de que os principaes
artigos saõ os seguintes :—
1.' Em ordem a aliviar o Thesouro, no intervallo que decorrer
até que as Cortes Geraes fixem as rendas e despezas, se daraõ
V o u XXIV. N M 4 3 . 3K

438 Miscellanea.

aos soldados dos differentes corpos do exercito tantos licenças,
quantas sejam consistentes rom o serviço militar.
2.° Os rendimentos de todas as commendas vagas das Ordens
militares, seiaõ applicados ao fundo de amortização da Divida
Nacional.
3." A propriedade da ultima Duqueza d'Alva será transferida
á Coroa, e applicada na mesma forma.
4." Em quanto as Coites naõ examinam a propriedade, que
pertence ao Patrimônio Real, e se naõ faz a separação do que
pertence á Naçaõ. El Rey ordena, que todas as rendas e produc-
tos do Lago e Várzeas de Albufera e Alcudia, a contar de 7 de
Março, dia em que accedeo á Constituição, sejam pagas na
Thesouraria da Divida Publica.
O pouco, que a Naçaõ confiava na Administração passada,
e o muito que espera das Cortes, se conhece bem do seguinte
facto.
Antes de começara revolução estava o papel moeda, chamado
Vales Reales, ao giande desconto de 86 por cento: logo que se
soube a proclamaçaõ da Constituição na lsla, desceo o desconto
a 72 ; quando se soube que o mesmo tinha acontecido na Corunha
desceo mais o desconto a 6 2 ; isto indubitavelmente prova o
pouco conceito que a naçaõ faria do credito do Governo, e o
que esperava do chamamento das Cortes. Sobre o desarranjo
em que estavam as finanças, naõ he preriso dizer mais nada ;
porque he confessado por todas as partes, que a dilapidação e
o desperdicio naô podiam chegar a maior gráo.
Por um decreto de 2 de Abril, (que damos a p. 351.) mandou
El Rey executar o das Cortes, de 19 de Julho, 1813, pelo qual
se aboliram os privilégios exclusivos e prohibitivos do Patrimônio
Real; e os atrazados que se devessem, pela naõ execução deste
decreto, até os 9 de Março, em que El Rey jurou a Constitui-
ção, se mandam applirar ao soccorro das familias, que padece-
ram pela violência das tropas em Cadiz, aos 10 de Março.
Para promover a agricultura se supprimio também a contri-
buição, chamada " o voto de Santiago."
Por um decreto de 12 de Março, se deo nova forma á ad-

Miscellanea. 439

ministraçaò da Justiça : entre outras cousas, restabeleceo-se o
Supremo Tribunal de Justiça, instituído pelo artigo 259 da
Constituição ; e por outros decretos se aboliram todos os outros
Tribunaes conhecidos pelo nome de Conselhos : como éiam o de
Castella, das Índias, das Ordens, e da Fazenda; no que se
oçcupávaiu quasi 300 conselheiros. O conselho da Inquisição
tinha 36 conselheiros, o antigo Conselho de Estado, também
supprimido, tinha 47.
Por um decreto de 9 de Março foi a Inquisição formalmente
abolida como instituição incompatível com a constiluiçaõ pro-
mulgada em Cadiz em 1812 : ordenando-se, que todas as pes-
soas, que se achassem naquellas prisoens fossem postas em li-
berdade ; e os que tivessem crimes em matérias de religião fos-
sem entregues aos bispos, para os julgarem segundo as leys ec-
clesiasticas.
Por outro decreto, contrassignado De Ia Torre, se ordenou
que se procedesse á eleição dos Alcaldes, e outras authoridades
locaes, segundo as formas da Constituição.
Por outro se nomeou D. Miguel deMcndoza deRiibiauas Che-
fe Politico de Madrid,
De todas as partes da Península, se tem os Hespanhoes diri-
gido a El Rey, dando-lhe os parabéns de haver adoptado a Cons-
tiluiçaõ .- mas nenhum dos Embaixadores estrangeiros naquella
Corte havia até as ultimas noticias feito cumprimentos a El Rey,
dando-lhe parabéns de haver aceitado a constituição das Cortes :
Suas Excellencias esperavam sobre isto instrucçoens de seus
respectivos Governos. Fez, porém, uma excepçaõ o Ministro
dos Estados-Unidos, que naõ esperou pelas ordens de seu Gover-
no, para este fim.
O exercito, que havia formado em Galliza o Conde San Rc-
inan foi desbandado pela seguinte ordem Regia :—
El Rey determina, que o exercito chamado de Galliza, que
se formou debaixo das ordens do Tenente General Conde de
San Rornan, seja immediatamente desbandado. O Corpo de
Milicia Proviucional, que pegou em anuas, e que formou parte
deste Exercito, voltará para suas casas ; e o regimento de iufan-

440 Miscellanea.

teria de Victoria de Castella Velha, será posto debaixo das or-
dens do Capitão General desta provincia."
O exercito de Andaluzia teve quasf a mesma sorte; porque
por uma ordem do General O' Donojhu, os regimentos que o
compunham fôram dispersos por varias provincias.
Aos 13 de Março os Infantes D. Carlos Maria Isidoro, e D.
Francisco de Paula prestaram o seu juramento á Constituição
na presença d'El Rey, da Juncta Provisional, &c : ao depois,
prestaram o mesmo juramento o Cardeal Presidente da Juncta,
os Secretários de Estado, e varias outras pessoas de gradua-
ção.
O Infante D. Carlos, havendo sido nomeado Commandante
em Chefe do Exercito, publicou a proclamaçaõ que deixamos
copiada a p. 336.
Alguns partidistas d' El Rey espalharam, que Sua Majesta-
de fora violentamente obrigado a jurar a Conststuiçaõ: nesta
supposiçaõ alguns soldados das guardas vociferaram contra a
Conssituiçaõ, e certo frade entregou a El Rey um memorial,
em que se esforçava a provar, que El Rey podia aunullar o ju-
ramento, que prestara á Constituição. El Rey mandou o ori-
ginal deste papel á Juncta, e publicou o seguinte.—

Decreto.
" El Rey, tem visto com mágoa, que um individuo de sua
guarda, por expressoens indiscretas, se naõ criminaes, deo hon-
tem occasiaõ a alguma agitação momentânea nesta capital; e em
ordem a qne falsas supposiçoens naõ dera daqui em diante origem
a desordens mais sérias, quer S. M. que o Commandante em
Chefe faça saber a todas as pesoas da guarda Real, que Sua
Majestade jurou a constituição espontaneamente, e de maneira
voluntária, e que he agora a ley fundamental do Estado ; e que
S. M. está firmemente resolvido a mantèlla, por todos os meios
em seu poder."
" S. M. tractará como criminosos, todos aquelles, que por
suas acçoens ou palavras faltarem á submissão devida ao compac-
to social, que estreita os laços por qne S. M. se acha ligado ao

Miscellanea. 441
seu povo, He de esperar que os que estaõ mais próximos á
pessoa de S. M. seraõ os mais fervorosos em dar provas de sua
fidelicidade ao seu Soberano, e de affeiçaõ ao Governo existen-
te,"

Alguns officiaes Hespanhoes, que se haviam refugiado em
paizes estrangeiros, pediram passaportes ao Governador de Na-
varra (Mina) para voltar á Hespanha, Mina consultou El Rey
sobre isto, e a decisaõ foi que a permissão dada aos emigrados
para regressarem á pátria, naõ devia obstar aos decretos das
Cortes, sobre os que tinham servido o Governo intruso; e que
éra preciso esperar o ajunctamento das futuras Cortes, para a
determinação final neste ponto. Consequentemente deram-se
ordens ás fronteiras, para que estes taes naõ pudessem entrar na
Hespanha.
Pelo que toca aos incidentes desta revolução, o mais lamenta"
vel he o successo desastroso de Cadiz, cujas causas ainda naõ es-
taõ averiguadas : mas o successo he o seguinte.
O General Freyre foi ter a Cadiz aos 9 de Março, e mandou
publicar no Diário, um jornal de Cadiz, que no dia seguinte
intentava proclamar a constituição. Para isto mandou armar
um tablado na praça maior, convidou a municipalidade, e pes-
soas principaes, e escreveo ao General Quiroga na Islã, para
que viesse também assistir. Este General desculpou-se do con-
vite, dizendo, que os seus deveres no Exercito naõ lhe permittlam
por entaõ deixallo. No dia seguinte, 10 de Março, apparecêo
a proclamaçaõ, que publicamos a p. 408, fixada pelas esquinas,
e ao meio dia se ajunetaram as tropas na praça maior, e um
grande concurso de povo, curioso de ver a cerimonia de jurar a
Constituição ; porém, quando o relógio soou a determinada
hora, em vez da cerimonia esperada, a tropa fez uma descarga
sobre o povo, e começou uma matança geral, naõ distinguindo
a homens, mulheres ou crianças: 500 pessoas ficaram mortas,
e grande numero feridas. Depois, a soldadesca entrou a roubar
as casas commettendo todas atrocidades imagináveis. Durou

442 Miscellanea.

esta terrível scena até a noite, como consta dos officios, que de-
ixamos copiados a p. 409.
O Governador interino de Cadiz, Valdez; o Commandante
das tropas, Campana; e o General em Chefe, Freyre, saõ os
accusados desta maldade, e com a intenção principal de colher,
com este engano, o General Quiroga, o que se naõ conseguiof
por elle naõ querer ou naõ poder vir a Cadiz ao tempo emque
o chamaram. Depois se accnsou também o Bispo de Cadiz.
Mas a verdade he, que, no presente estado das cousas, tudo
isto saõ rumores vages, indignos de credito algum.
A Juncta Provisional nomeou o General O' Donojhu General
da provincia de Andaluzia, e este official começou ja uma in-
vestigação legal do successo ; he so quando apparecer o seu
resultado que poderemos ajuizar da verdade.
El Rey ordenou também que o General 0'Donojhu desse con-
ta todos os dias ao Ministio da Guerra, do progresso de sua de-
vassa em Cadiz, para se punirem os cnlpados.
Parece que o commandante das tropas de Cadiz acha-se pre-
xv, porque se julga ser um dos implicados nas desordens, que os
soldados commetteram ; e como indicação disso se allega a se-
guinte ;—
Ordem do dia de 11 de Março.
" Viva El Rey ! Viva a nossa Religião ! Honra ás valentes
eTeaes tropas da guarniçaõ desta praça no decurso do dia de
hontem merece todo o reconhecimento dos vassallos d' El Rey,
e o do General, que tem a honra de os commandar."
«' Em nome de Sua Majestade offereco aos chefes, officiaes
e todas as outras pessoas, pertencentes á guarniçaõ os meus
mais ardentes agradecimentos, por seu brilhante comportamento
militar."
(Assignado) CAMPANHA.
Rieffo recebeo carta de um official, O' Donuel (José) annunci
ando-lhe a sua determinação de se declarar pela Constituição, e
convidando-o para fraternizar com a sua divisão. Mais confiado,
ou menos feliz do que Quiroga, Riego aceitou a offerta, naõ
obstante a disparidade de suas forças. Chegando ás linhas de

Miscelhtneti. 443
0'Donnel, com a pequena partida, que o acompanhava, com
grande admiração sua, se achou cercado por numerosas forçaç,
que se formaram em columna cerrada e Riego se vio obrigado
a abrir caminho á ponta da bayoneta, para se escapar, perdendo
com tudo alguma de sua gente, uns mortos outros prisioneiros :
estes porém sendo levados maniatados para Sevilha, fôram ali
libertados pelo povo, q u e j a s e tinha declarado pela Constitui-
ção.
Como isto suecedeo aos 9 ou 10 de Março, quando teve tam-
bém lugar o caso de Cadiz, a coincidência do tempo fez suspei-
tar arranjamento de plano.
O projecto de armar as tropas contra os cidadãos he claro que
se naõ limitava a Cadiz; porque, havendo o regimento de Va-
lençay, que estava em Xeres, deelarado-se no dia 10 de Março,
pela Constituição ; 400 dragoens do regimento d'El Rey, e ou-
tros tantos sapadores do regimento de Soria, participando ao
principio nos mesmos sentimentos, obraram depois lio sentido
opposto. Revoltáram-se, quizéram deitar fogo á cidade, matar
seus officiaes, e marchar contra o regimento de Valençay. A
firmeza porem do Cornei, Montalvo Tabares, e a boa displina
do regimento salvou Xeres de um desastre, similhante ao de Ca-
diz ; e do furor dos soldados, que á maneira dos de Cadiz, se
haviam embebedado, como preparativo, para as desordens, que
tam a commetter.
Pelo officio, que publicamos a p. 414 se Vê que a moderação
dos constitucionalistas tem encontrado com outros desastres
além dos de Cadiz ; porque o General Acevedo, a tempo que
exortava seus antagonistas a pacificarem-se, foi marto por elles.
A p. 417 damos o documento; por q u e a Juncta de Corunha
decreta as honras posthumas ao General Acevedo.
Com tudo estes factos produziram taes suspeitas de haver al-
gum plano atraiçoado, da parte dos inimigos da Constituição,
que os Generaes Insurgentes, como Quiroga e outros, estaõ dis-
postos a naõ largar as armas, até que as Cortes se ajunetem, e
esteja consolidado o systema Constitucional.
O Conde de Abisbal, O'l)onnell, publicou um memorial, paia

444 Miscellanea.

justíficar o seu comportamento ; mas a equi vocação deste Gene»
ral tem arruinado seu character; e o modo porque delle se pensa
em Hespanha, o achamos curiosamente expresso, em um
dos jornaes de Madrid, referindo em summa as boas e más
acçoens do Conde :—
" Em 1812, publicou a nossa Constituição politica com ea-
thusiasmo, na Islã de Leon; e deo publicas demonstraçoeus de
patriotismo. Boa acçaõ.
*' Em 1814, proclamou, em Logrono, a sua adhesaõ ao poder
absoluto d'El Rey, sendo a esse tempo General do Exercito, que
Sua Majestade lhe confiara para proteger seus direitos. Má ac-
çaõ.
" Em 1819, formou a determinação de fazer com que o Ex-
ercito expedicionário se revoltasse; tendo-lhe El Rey confiado
o commando desse exercito. Boa acçaõ.
" Aos 8 de Julho prendeo os mais decididos chefes daquelle
exercito, e deixou-os expostos aos eastigos de conspiradores :
pelo que obteve a Gram Cruz da Ordem de Carlos III. Md ac-
çaõ.
" Voltou para Madrid, e conduzio-se de maneira pouco con-
conforme aos principios de moderação, que tinha promattido ob-
servar Md acçaõ.
" Adoptou a resolução deficarpassivo na obscuridade, até
que a naçaõ, formando exacta idea das mudanças annunciadas,
e até que os Generaes Quiroga, Arco, e Aguero o restit&am
á sua estimação e confiança. Este ponto fica em suspenso.
Nas ilhas de Majorca e Minorca, abraçou-se o systema
Constitucional, com a mesma rapidez e facilidade das
demais provincias de Hespanha. Em Mojorca o primeiro passo
foi abrir as prisoens da Inquisição, e levar os prezos em uma
procissão pelas ruas em triumpho. Em ambas as ilhas, logo
que chegou a noticia do que se passava em Hespanha, se depuzé-
ram as authoridades existentes, e se estabeleceram em seu lugar
Junctas Constitucionaes.
O General Elio estava ab ponto de ser assassinado pelo povo
em Valencia, que violentamente pediu a sua cabeça. Foi ne-

Miscellanea. 445
cessario, para o livrar, escoltállo para uma prizaõ, na cidadella ;
e o povo ainda assim exige, que o processem e condemnem.
Em S. Sebastian, o General Arizaga morreo de paixaõ, vendo
que éra derribado o partido, que se oppunha ás Cortes.
Dizem que o Duque dél Infantado, um dos que mais promo-
veram o systema passado, se prepara a sair da Hespanha, e ir
viver na Itália, aonde tem consideráveis propriedades. Muitos
dos ex-Inquisidores tem ja tomado refugio em França, receando,
que ainda se levante contra elles em Hespanha alguma tempes-
tade mais seria.
Uma gazeta de França observa, que se suspenderam as pen-
çoens, até aqui pagas pelo Governo Francez aos refugiadas
Hespanhoes ; porque estes podem ja voltar á Hespanha ; e per-
gunta, se naõ seria justo transferir agora estas pensoens a outra
classe de refugiados Hespanhoes, que se acolherão á França, e
saõ os partidistas do systema até aqui seguido por El Rey. Mas
o motivo das pensoens, dadas ao primeiros refugiados éra o have-
rem aquelles individuos seguido o partido Francez: quando que
os segundos, partidistas do systema de El Rey Fernando, nada
tem de commum com os interesses da França.
Os Jezuitas em Madrid naõ julgam a propósito sair fora de
seu convento; e julga-se que para ali se mudarão os Conegos
de Sancto Isidoro.
Como no saque geral, que sé deo ao Palácio da Inquisição em
Barcelona, cada qual levou os papeis que quiz, muitos autos
caíram em maõs, que nos daraõ talvez para o futuro algumas
contas authenticas das desastrosas scenas, qne se tem passado
nos segredos impenetráveis daquella instituição tenebrosa : no
entanto achamos ja publicada a seguinte Usta, pela qual se vê,
que as victimas da Inquisição diminuíam, á proporção que as
luzes da Europa augmentavam, e por isso crescia o horror contra
o tribunal, faltando-lhe por isso espias e denunciantes, e por
tanto faltando também vistiraas que sacrificar.

V O L . X X I V . N». 143. 3L

446 Miscellanea.
Ia. classe 2a. classe 3a. classe
Inquisidores Mores queimados queimados presos e
Epochas. e Soberanos vivos, em estatua confiscaçaõ

l.de 1481 até 1498 Torquemada 10.220 6.860 97.321
2.— 1498 — 1507 Arcebispo Diza 2.592 826 34.952
3.— 1507 — 1517 Cardeal Ximenes 3.564 1.232 48.059
4.— 1517 — 1522 Card. Adriano 1.520 560 21.845
5.— 1522 — 1523 Interregno 324 112 4.369
6.— 1523 — 1538 Cardeal Manriquei 250 1.125 11.250
7.— 1538 — 1545 Cardeal Tala vera 840 420 5.464
8.— 1546 — — Cardeal Loiasa 120 60 600
9.— 1556 Carlos V. 1.200 600 6.000
10.— 1556 — 1597 Phillippe II. 3.690 1.845 18.450
I I . — 1597 — 1621 Phillippe III. 1.840 820 13.848
12.— 1621 — 1665 Phillippe IV. 2.816 1.408 10.386
13.— 1665 — 1700 Carlos II. 1.728 864 6.912
14.— 1700 — 1746 Phillippe V. 1.564 782 11.730
15.— 1746 — 1754 Fernando VI. 10 5 170
16.— 1759 — 1788 Carlos III. 4 — 56
17.— 1788 — 1808 Carlos IV. — 1 42
Total 32.382 17.690 329.145

Promettemos, no nosso N.° passado, dizer alguma cousa
sobre a presente Constituição, tam gavada a este momento ; e
be nossa opinião, que tam consideráveis saõ seus defeitos, que,
eom ella, naõ poderá ir adiante o Governo Hespanhol.
Porque esta Constituição se chama Monarchica, admitte um-
Rey, mas tal Rey compoz, tanto o privou de authoridade, que
um rey em tal situação naõ pôde servir de bem algum a seus
subditos ; e pela sua falta de poder occasionará sérios males á
naçaõ; porque se deixa a perogativa Real, sem meios de se de-
fender contra as usurpaçoens da parte democrática da Constitui-
ção, e por tanto sugeita a ser annibilada, e por isso annihilar-se
a mesma Constituição, sem lhe poder dar remédio.
Declara a Constituição, no artigo 3.°, que a soberania resi-
de essencialmente na Naçaõ; e em conseqüência destas idéas
as Cortes de Cadiz, como representantes da Naçaõ, decretaram
para si o tractamento de Majestade : nesse caso, < que he feito
da Majestade d' El Rey ?

Miscellanea. 447
As Cortes, pelo artigo 131, podem dar ordens ao exercito;
óra como o exercito he uma parte essencial dos meios, que tem
o poder Executivo, para pôr as leys em vigor, esta ingerência
do Legislativo, deve tender directamente para a subversão do
Executivo.
Pelo artigo 131, El Rey carece também da approvaçaõ das
Cortes para os tractados de aliiança &c, com as naçoens estran-
geiras ; òra se as Cortes podem ter esta ingerência em parte
tam importante do Executivo, as Naçoens estrangeiras negocia-
rão, com uma Democracia, e naõ com uma Monarchia. Assim
se poraõ em practica as manobras diplomáticas, que nas demo-
cracias fazem estragar as melhores negociaçoens, que podem de-
pender de segredo.
Pelo artigo 239 o Conselho de Estado he proposto pe Ias
Cortes, uo que se póem a El Rey á frente do Executivo, mas
com um Conselho, que naõ sendo nomeado por elle naõ pôde,
senaõ accidentalmeute, alcançar a sua confiança; e que bem
pôde fazer El Rey, ou que medidas úteis e efficazes se podem
delle esperar, assim cercado de um Conselho de pessoas que naõ
saõ suas ?
Naõ contente com isto, o artigo 160 deixa uma deputaçaõ das
Cortes permanente, para vigiar El Rey, isto he para o embaraçar
na execução dos deveres, que a mesma Constituição lhe in-
cumbe.
Finalmente El Rey perde a coroa, quando se disqualificar
para o Governo; sendo a expressão disqualificar tam vaga, que
se pôde dizer que o reynar ou naõ reynar El Rey depende, naõ
de alguma ley, mas só e unicamente da opinião dos que o hou-
verem de julgar.
Com taes circumstancias he um abuso da palavra chamar á
Constituição Hespanhola Monarchica.
Mas naõ param os seus defeitos em ter admittido um Rey, e
privallo de ser de alguma utilidade ; ha outras faltas, que saõ
da maior importância para o socego e bem da naçaõ, e inconse-
qeentes com uma Monarchia bem constituída, que deve sempre ser

448 Miscellanea.
em conformidade dos custumes e ideas dos povos, para que tal
forma de Governo he destinada.
O Corpo da Nobreza, deixa de ter consideração alguma nesta
constituição. A nobreza em Hespanha he rica, e numerosa ; e
os titulos honoiificos saõ conformes ao gênio e custumes da
iiuçaõ, em tudo diversos da Ihanez, mediocridade, e desejo de
igualdade dos povos democratas. Naõ he pois possivel, que a
poderosa classe da Nobreza consulta de boamente, que a redu-
zam á nullidade. Assim, conservando a Constituição esta classe,
e naõ lhe dando consideração, ou emprego, offendendo por isso
o seu orgulho, deixa no Estado um formidável corpo de inimi-
gos, em pessoas que pudera aproveitar, e que lhe poderiam ser
de grande utilidade ; porque nos parece, que, a pezar de ser
isso contra os custumes da naçaõ, mais fácil seria decretar a ex-
tincçaõ de todos os titulos de nobreza, do que conservar os
nobres tranquillos e contentes, quando reduzidos pelas leys
a naõ ter mais participação nos negócios públicos, do que o
mais humilde cidadão. Esta nobreza desprezada, e ao mesmo
tempo conservada pela Constituição, he um cancro, que lhe fica
encravado, e que lhe roerá as entranhas*
Outra cousa seria, se essa Nobreza fosse constituída em uma
Casa de Pares, nas Cortes, como o he no Parlamento da Ingla-
terra, on nas Câmaras em França.
O artigo 11 define o território da Hespanha, e outra vez isto
naõ pôde ser objecto de leys fundamentaes ; porque a força ex-
terna, e as circumstancias domesticas, podem induzir ás naçoens
a augmentar on a privar-se de territórios, e como as leys funda-
mentaes he preciso que naõ estejam sugeitas ao poder legislati-
vo ordinário, e este caso pôde freqüentemente sueceder ; o uso
das naçoens, fundado na experiência, tem deixado a diffiniçaõ
do território naõ ja somente ao poder legislativo ordinário mas
até mesmo ao Executivo, para aoudir ás urgências das ocea-
sioeiis.
Naõ passaremos adiante nestas obervaõoens; porque o espaço
o naõ permitte; mas do que fica dicto apparecerá a natureza das
razoens que temos para cojecturar, que a presente Constituição

Miscellanea. 449
de Hespanha naõ pôde ir a diante ; porque seus defeitos lhe im-
pedirão subsitir, e a experiência, quando naõ seja a violência
dos partidos, deve forçosamente occasionar nella mudanças es-
senciaes, ou a actual forma de cousas será destruída.
Quanto ás medidas adoptadas, pelo presente Governo Cons-
titucional, devemos muito louvar a moderação com que até aqui
tem obrado, e que recommendam a toda a naçaõ; mas estamos
bem longe de approvar procedimentos, que trazem com sigo o
ferrete da precipitação, e do espirito de partido.
Aludimos nisto, principalmente ao Decreto, que publicamos
a p. 350, pelo qual se manda, que todos os Hespanhoes jurem
a Constituição sem reserva ou protesto algum ; e que os desobe-
dientes a este mandado sejam banidos do Reyno, e se possuírem
bens, emolumentos, ou honras emanados do poder civil ou eccle-
siastico, os percam também, como indignos do nome Hespa-
nhol.
Se agora devem todos os Hespanhoes jurar esta Constituição
sem reserva ou protesto, perguntamos < se em virtnde desse jura-
mento devem oppôr-se ás Cortes, quando estas para o futuro de-
cretarem alguma alteração na Constituição. S e n a õ ; aqui vai
incluída a reserva e excepçaõ, das modificacoens, que ao de-
pois se fizerem ; e nem sequer esta reserva lembra o Decreto.
O Decreto assume, por provado, que os que naõ jurarem a
Constituição, saõ indignos do nome Hespanhol. Mas bem longe
desta disposição geral ser verdadeira, a julgamos de todo incon-
cludente.
Pôde um Hespanhol ser muito honrado, e julgar em sua cons-
ciência, que essa Constituição he defeituosa e incapaz de pro-
mover o bem de sua pátria. Se o Hespanhol, que assim pensar,
se sugeitar, em conseqnencia deste Decreto, antes a banir-se
do seu paiz, e perder suas honras e officios, do que ser perjuro,
tomando a Deus por testemunha, quando assevera, que he
boa aquella Constituição, que julga ser m á ; Quem poderá di-
zer, senaõ um tyranno, que tal homem naõ he honrado, ou como
podem dizer os do actual Governo de Hespanha que elle he in-
digno do nome Hespanhol i

450 Miscellanea.
Por outra parte, o hypocrita, que jurar como boa, essa cons-
tituição, que reprova em seu coração, terá em prêmio de seu
perjuro o ser considerado com o Hespanhol honrado.
Nestes termos, s e o Governo Constitucional quer tyrannizar
as opinioens sob pena de extermínio, e perdimento de honras e
bens, diremos, que tira as suas liçoens da passada Inquisição e
dos mesmos Godoyanos. Agora, quanto a obedecer á Constitui-
ção, e ás leys existentes, isso he cousa mui diversa ; porque naõ
somente os Hespanhoes, mas até os estrangeiros, que viverem
na Hespanha, lhe devem prestar obediência.
Se o fim politico deste Decreto foi, o querer estabelecer uma
marca distinctiva, para conhecer os amigos ou inimigos do syste-
ma Constitucional; dizemos que esta medida, longe de alcançar
tal fim, he tam ineficaz como injusta ; porque, prestado o jura-
mento, teremos confundido o homem honrado com o perjuro, e
este mais em estado de ser nocivo, por isso que se acha cuberto
com acapa de amigo ; e se ainda depois disto se baõ de pro-
curar outros meios para distinguir os amigos dos inimigos, escu-
sado éra prostituir assim inutilmente a respeitável solemnidade
de um juramento.
Esta medida, restricta aos funcionários públicos, com a limi-
tação de deixar livre sua opinião, e com ornais moderado cas-
tigo de perder o emprego publico no caso de desapprovar o sys-
tema actual, seria o mais, que em tal caso se podia adoptar.
O presente Decreto, deve ser considerado por todos os homens
imparciaes, como parto da intolerância, resultado das paixoens
e inimizades políticas, e como uma proscripçaõ indistincta, que
he directamente opposta ao character de moderação, que se pre-
tende dar a esta revolução Hespanhola.

MisculIaiiCii. A:>\

PI1USSI A .

Os progressos, que fazia a emigração de Prússia, obrigaram
El Rey a expedir o seguinte decreto.
" Informados de que em alguns pontos de nossos domínios
existem varias pessoas, que procuram persuadir a emigração aos
habitantes; e naõ tendo este delicto pena assignalada pela leys,
ordeno, depois de ter ouvido o parecer do Conselho d'Estado,
que qualquer pessoa, que incorrer nelle, seja castigada com a
pena de prizaõ, a qual naõ será de menos de um mez, nem pas-
sará de um anuo."
Mal, e muito mal, vaõ as cousas, quando he preciso estabele-
cer castigo para que a gente uaõ saia de sua pátria.

RÚSSIA.

Em um artigo de Vienna, de 17 de Março, achamos um impor-
tante artigo sobre o commercio da Rússia, que diz assim .-—
" A intima connexaõ commercial, que se tem estabelecido,
desde o 1." de Janeiro deste anno, entre o Reyno de Polônia e o
Império Russiano, he tam importante, que nossos leitores rece-
berão de bom grado as particularidades deste systema novamente
adoptado. O estabelicimento dos direitos de portagem nas fron-
teiras de Rússia da parte da Polônia, ainda se conserva, mas so-
mente pelo que respeita as que vam ou vem de paizes estrangeiros,
ícc. como sal, tabaco, aguardente, cartas de jogar, &c. Em
todos os mais respeitos a Polônia cessa de ser considerada como
paiz estrangeiro. A passagem cruzando as fronteiras he livre
e naõ interrompida : 1.° para todas os materiaes crus de um dos
dous paizes, que se destinam ao uso do outro respectivamente,
com a unira condição de os especificar nas fronteiras, eisto para

452 Miscellanea.

lins estatísticos : 2.° As manufacturas e producçoens deindustria
dos dous paizes, sendo accouipanhadas da certidão de origem,
e as manufacturadas com os materiaes crus dos dous paizes res-
pectivamente, livres de direitos: as manufacturas fabricadas
com materiaes crus fornecidos por outros paizes, com as condi-
çoens ao depois especificadas. O Ministro de Finanças Russia-
no, e o Governo Polaco concertarão junctamente as posiçoens
mais adequadas para cobrar os direitos de exportação das pro-
ducçoens Russianas, que se exportarem para paizes estrangeiros
pela Polônia.
Para manter a superintendência na importação de manufacturas
estrangeiras para a Rússia pela Polônia, e ao mesmo tempo aug-
mentar o trafico, e especialmente as feiras de Warsovia ; ordena-
se: 1." Que, para prevenir as fraudes, as inezas de alfândegas
superiores, na Rússia, recebam do Governo Polaco um cathalogo
completo (que se completará successivamenie segundo o pedirem
as circumstancias) de todas as manufacturas Polacas, com a de-
claração da residência do proprietário, qualidade e quantidade
das fazendas manufacturadas, addindo o sêllo e marca da manu-
factura : 2.° Todas as fazendas, que vierem das feiras de War-
sovia para a Rússia, teraõ, por três annos junetos, um abati-
mento de 10 copiques por ruble, pagando o direito da pauta na
alfândega Russiana em Warsovia ; e cinco copiques por ruble
pagando-o nas barreiras da fronteira Russiana.- 3.° Todas as
fazendas Polacas manufacturadas (excepto as de partes mui re-
motas) seraõ importadas para a Rússia somente por via de War-
sovia, e teraõ certificado da alfândega Russiana.
Todos os subditos de um dos dous Reynos, tem direito a ser
admittidos nas corporaçoens dos mesteres ou companhias do ou-
tro Reyno. Os viajantes de Rússia para a Polônia e vice versa,
naõ saõ sugeitos a outras formalidades mais do que os de um Go-
verno do Império Russiano para outro.
Por noticias officiaes de S. Petersburgo de 21 de Fevereiro (4
de Março) se sabe que houve uma alteração nos direitos de ai-

Petersburgo de 31 de Março consta. . d. mas com a condição de naõ rece- ber discípulos em suas escolas. segundo as differentes provas dos licores. M . que os Jesuítas foram expulsos totalmente do paiz. nos espíritos de 7 até 10 gráos. . sobre os licores es pirituosos. d. . em consequeucia de um relatório do Ministro dos Cultos e Educação Publica. . do seguinte modo:— R. O Impera- dor. 143. . yiiscellanea. e abolir as suas Academias em Polock e Wilua. . Descubrio-se. sendo banidos de S. . .* acima de 15 Por noticias de S." 10 até 15 18 d." . Estes di rei tos seraõ diversos. . . . Petersburgo. Vol. mandou expulsallos do Império. senaõ dos Catholicos Romanos. que naõ obstante as bullas do Papa e as leys do Império seduziam Gregos-Unidos para a Religião Catholica e continuavam suas intrigas na Sibéria e em Suralou. permittio-se-lhes residir nos Gover- nos de Mohilieu e Witepsk. 453 fandega. XXIV.° . . d. 9 de prata por anker. N».° . Em 1815. d. 1 3 | dicto . em conseqüência de uut novo ukase do Imperador.

282 do dicto N. que correo por todas as gazetas da Europa - tractou-a de incrivel. 3 5 9 [4541 CONRESPODE1VCIA. que V. (o que pouco iraporra saiba por outras) canaes que chegou a Lisboa ja o primeiro convoy desses facinorosos Napolitanos. Senhor Redactor do Correio Braziliense N'uma carta. M. se adoptasse as medidas. e esperava-se por segunda remessa breve _ mente." 139. pois tracta a noticia de satyra. recommenda sobre a emigração. qne trou- xeram oito centos. do Brazil. V. M. para povoar o Brazil. me lembro. Agora tenho de informar a V. a p. . mesmo. V. man- dados buscar para povoar o Brazil. No seu N. mente desta noticia. faltando da emigração para o Brazil. publicou no seu N. de que se livraria o Governo do Brazil. naõ julgando os Ministros do Rio-de-Janeiro capazes de fazer tal mal e affionta ao Bra- zil. que V." passado (142) assevera o seu Conrespondente. fallando expressa. M. M.° (142) parece adoptar como verdadeira a informação do seu Conrespondente. e improvável. em duas fragatas. que naõ podia ser inventado senaõ pelos in- vejosos da gloria d' El Rey. M. que. e da prosperidade. que a noticia de se man- darem buscar a Napoies degradados. éra um libello injurioso. Carta ao redactor sobre os degradados de Napoies.

passou por maõs de alguns tilhos do Brazil. nem por que desejem subtrahir-se de servir a El Rey . devo lembrar. entre um Ministério composto todo de Europeos. e talvez venha tempo. na Ame- rica. e que se repugnam tomar parte com aquelle Gover- no. como o nome do seu jornal indica. " seriam os inimigos mais vin- gativos e atrozes ?" No entanto. saõ devotos amigos do Brazil. em que me seja licito. Se a noticia éra tam deshonrosa que só parecia satyra . diz V. que posto que Europeas. ao menos indirectamente. que espero do seu subtil engenho a selucaõ destas perguntes. que nome lhe dará V. qne desapprovam cordealmente. aonde se- lhes ha de imputar a culpa de um systema. A dis- tineçaõ naõ vale . naõ he nem por falta de patriotismo. quando puderem ter mos- trado ao publico. ? Se os Ministros do Rio naõ eram capazes de fazer tam grande mal ao Brazil. Conrespondencia. M. <. naõ o desejo de servir grandes empregos. e assim só servirão. quer fazer. agora que se verifica. mas para naõ se indignar contra pessoas. em tal situação os induz a aceitállos . por que sei que este plano dos degradados de Napoies. Isto também lhe servirá de cautella naõ so para o critério so- as noticias de seus conrespondentes. produzir-lhe as pro- vas do que assevero. como he " impor aquelle paiz o permanente e hereditário ferrete de ser povoado com os criminosos de Ná- poles. e um Ministério em que entrasse gente do Paiz. M. sem inconveniente. que a pura necessi- dade. que naõ he applicavel a isto a distineçaõ. que. que se propõem a tractar principalmente dos interesses políticos daquella parte da Monarchia. tractando da Politica Americana. homens ja empregados em situaçoens eminentes . mas porque naõ podem. 455 Este assumpto deve pertencer senaõ exclusivamente de certo mui particularmente ao Correio Braziliense. sem expor-se a perder sua reputação servir empregos." ifque nome dará agora a esses Ministros. que se tives- sem feito tal cousa.

c UM AMIGO DO BRAZIL. a parte existe . mas por systema de seu próprio Governo. nem se quer impedir-lhe os males. com a introducçaõ de gente. Londres. . e isto naõ por alguma casualidade. que lhe desejam todo o bem. mas que naõ lho podem fazer. cujos habitantes tem de ver o 6angue de seus descendentes manchado. tirada da escoria das outras naçoens. que queiram servir de carcereiros.. 28 de Abril 1820.ninguém pôde gostar de ser Ministro em paiz. Sou &. tem na Europa amigos. mas se o Brazil tem Iafilhosseus perversos. Gente má em toda. *56 Conrespondencia. e sentimentos delicados. Custará a achar homens de honra.

e nome dos sobredictos generaes. BRAZIL. Decreto para a condecoração dos officiaes.CORREIO BRAZILIENSE DE MAIO. N°. e sítios prin- cipaes. POLÍTICA. XXIV. 144 3 N . Na quarta parte nova os campos Ara E se mais mundo houvera lá chegara CAM0KN8. R E Y N O UNIDO DE PORTUGAL. E ALGARVES. na Hespanha. que restituio o meu Reyno de Portugal. VM. e dos alli- ados. e sítios tiveram no êxito de uma guer- ra. tias batalhas. que houveram no Reyno de Portugal. e especialmente pela influencia que taes batalhas. e 1 4 . Tendo Eu tomado na minha Real consideração o dis- tincto serviço que me fizeram os generaes Commandantes de corpos. e officiaes. t . 1820. e o da Hes- panha à sua antiga liberdade. e tanto contribuíram para a paz geral da Europa: e querendo Eu perpetuar a me- mória. que serviram na guerra da Peninsula. e outros officiaes. dis- VOL. contra as Francezas. e na França da parte das tropas Portuguezas.

Com a Rubrica do Excellentissimo Marquez de Aguiar. aonde se gravem os nomes dessas acçoens. este collar pertencerá somente aquelles generaes. tenho destinado uma medalha. que tivessem patente de Ma- rechal de Campo pelo menos. encarregado interina- mente da repartição dos Negócios Estrangeiros e da Guer- ra. circundada de tantas folhas de Oliveira. ou mais.458 Politica. quando se acharam nas ba- talhas. que vão junctas a este. Com a Rubrica de Sua Majestade. Palácio do Rio-de-Janeiro 1. com uma ou duas folhas de Oliveira atravessadas. e onde pelo seu valor mereceram es- pecial lembrança : fui servido destinar para os generaes. e instrucçoens. ou mais até nove uma medalha com a minha Real efígie. Ministro Assistente ao despacho. que se tiverem achado em dez acçoens principaes. . e assignadas pelo Marquez de Aguiar. ou sitios em que se tiver achado o General. e sitios. e o faça executar. tinguindo cada um delles conforme o numero de acçoens em que se acharam. ou official a quem se der. e nel- las gravados os nomes das acçoens em que se achou. e sitios memoráveis na dieta guerra. porque lhes he concedido. um collar formado das quinas das armas do meu Reyno Unido. Cumpra-se e Registe-se. e para os que se tive- rem achado em três. O mesmo Marquez de Aguiar o tenha assim enten- dido. Palácio do Rio-de-Janeiro em vinte e oito de Junho de mil oitocentos e dezeseis. e inscripçoens de cada uma das batalhas. como tudo se verá mais miudamente nos dese- nhos.° de Junho de 1816. quantas forem as batalhas. do meu Conselho de Estado. Ultimamente para os que tiverem cooperado somente para uma ou duas das referidas acçoens.

* Talavera.» Condiçoens. 16.* Fuentes de Honor. 14.* Corunha.» Nive.* Cerco de Badajoz. 2. Artigo 2. 10.* Pyrinéos.* Nivelle. em que entraram as tropas Portuguezas- 1.» Vitoria. ou sitios assim designados. 2.» Vimeiro. para serem credores das distincçoens determinadas no sobredicto decreto.* As batalhas.* As insígnias. 459 Instrucçoens determinadas no Decreto com data de 28 de Junho de 1816 como nelle se contém. Sebastião. ou me- dalhas: todos os outros combates particulares.* Orthes. ou medalhas pertencerão privativa- mente aos officiaes combatentes. 3. 9.* Bussaco.° Batalhas e sitios principaes que houveram na Peninsula e França.* Toulouse.* Albuhera. 12. ou ser- viços naõ poderão ser allegados para obter distinctivos . 11. 5. 4. 13. 6. 15.' Salamanca.* Cerco de S. Artigo 1. 1. 8. 7/ Cerco de Cuidad Rodrigo. servirão unicamente de titulos para se darem os collares. Politica. que se exigirão nos Generaes e officiaes.

» As distincçoens seraõ dadas ao commandante de um Regimento de Cavallaria. 8. ou feridas do Chefe. ou a maior parte. e tive- rem a graduação de Major. 6. sem com tudo prejudicar ao Chefe. e Quartel Mestre General. que por tal batalha se der. e pele- jando conforme a natu reza da arma. ou de um batalhão de Caçadores. que se retirou em conseqüência das feridas recebidas. como acima se disse. como fica dicto. que se tiver achado com o seu corpo em uma das acçoens acima especificadas. em algumas das refe- ridas batalhas. que durante a batalha ti- verem commandado as repartiçoens Militares. 7. ou brigadas. que tiverem pela maior parte sido empregadas e combatido como fica dicto nas sobreditas acçoens. que tiverem feito as obrigaço- . e esta tropa tiver combatido na mesma acçaõ.a Os officiaes da repartição do Ajudante General.460 Politica. por occasiaõ de morte. concedidos pelo decreto. ou commandante. teraõ direito igualmente à distineçaõ determi- nada por cada uma dellas. ou tiverem estado a testa dellas teraõ direito ao distinetivo de honra. ou de Infanteria de linha.* Todos os offiiciaes de Estado Maior de um Gene- ral que receher o distinetivo. que se tiverem achado com elle na Batalha porque o seu General o receber. tendo effectivamente combatido nella todo o corpo. que tiver commandado uma força de tropas tal. que tiverem commandado divisoens. teraõ direito ao distintivo. 4. 3.* Os officiaes Generaes.1 Os officiaes Superiores. a que pertencia o dicto corpo. e depois deste official ser o commandante delia. por lhe haver recahido o commando em boa fé. 5. ou outra maior. ou de uma brigada de Artilheria. de que e9ta instrucçaõ faz parte.* Todo o official. terá direi- a distineçaõ que lhe competir como tal.

° Os officiaes. dos nomes. e da Guerra. a quem Sua Majestade conceder o col- lar de distineçaõ. declarando igualmente as batalhas. a quem igualmente for concedida a Medalha. Da fôrma porque se usará do Collar e das medalhas de distineçaõ.» O Marechal General commandante em Chefe do Exercito informará com a brevidade possivel a Sua Ma- jestade. Palácio do Rio de Janeiro 28 de Junho de 1816. que o fará subir â Sua Real Presença. com que Sua Majestade se dignou honrar os offici- aes. tendo a gra- duação de Major teraõ direito á insígnia de distine- çaõ. 10. seja por naõ ter sido contemplado ou por se ter omittido alguma das acçoens em que se tiver achado. (Seguia-se a relação dos officiaes condecorados. tendo as condiçoens apontadas. 9. em que cada um as mereceo. Marquez de Aguiar. se ache depois lezado. a quem pertence a distineçaõ ordenada. Politica. ou sitios.) . que se acharem nas circumstancias determinadas nos parágrafos acima. pela Secretaria de Estado dos Negócios Estrangei- ros. que algum dos Officiaes. e o seu requerimento virá j á infor- mado pelo Marechal General. usaraõ delle sobre o peito pendente dos hombros. 461 ens em Chefe da repartição em uma divisão. representará a Sua Majestade pelas regras estabelecidas. a quem conforme as regras acima competem as distineço- ens." Os Generaes. 1.a Acontecendo. e graduaçoens das pessoas. usaraõ delia pendente de uma fita preza na Farda ao lado direito do peito. 2.

* . a saber: 1. 1809 2. 1. . nas Campanhas de 1809. terá uma cruz de prata. segundo o model. 1812 5. .° Uma cruz de prata. ou três das referidas Campanhas. conforme as restricçoens. Regulaçoens para a distribuição das Cruzes de Condeco- ração propostas a conferirem-se ao Exercito que effec- ticdmente servio contra o inimigo na grande Geurra Peninsular. conforme o modelo annexo N.» . .462 Politica. 29 Para cada Companhia de Artífices Engenheiros. * 1813 6.°2 . que da mesma maneira tiver ser- vido duas. ou no Estado maior. conforme o modelo annexo N." 3.* .1811. 120 para cada Batalhão de caçadores. e Soldados.». 1813 e 1814. ou mais Campanhas nas proporçoens seguintes de cada arma: 200 Para cada Regimento de infanteria de linha. a qual se trará sobre o peito esquerdo. 25 Para cada esquadrão de cavallaria. 1812.° Todo o official de qualquer graduação. pendente de uma fita da côr nacional.1610. a qual se trará como a de ouro.° Todo o offiicial. 3.* 1 annexo. .* Campanha . 1811 4. que tiverem servido em duas.abaixo prescriptas.* . .o N. 1814 Terá. ou mais das seis Campanhas se- guintes . 2. . será conferida aos officiaes inferiores. 1810 3. uma cruz de ouro. . que esteve presente. nas operaçoens contra o inimigo durante quatro. e effectivamente servindo com o seu respecti- vo corpo. 30 Para cada Brigada de Artilheria.

direito pela mesma acçaõ ao distinetivo conferido por Sua Ma- . 463 Os Regimentos. (seis mezes) seraõ considerados como servindo' naquella Campanha. e 100 Cruzes se daraõ a cada Regimento para distribuir pelos officiaes inferiores. seraõ compre- hendidos na distribuição destes distinetivos. ou as da segunda ordem. que estiveram guarnecidas. O ter estado ausente em razaõ de moléstia (salvo o caso em que a moléstia proviesse de feridas recebidas na mesma Campanha) naõ será considerado motivo suffi- ciente para ter direito ao distinetivo por uma Campa* nha. ou por espaço de seis mezes. 4 / Nenhum official terá direito a ser contemplado por qualquer destas Campanhas. ou no Estado maior. que serviram em duas. Os officiaes dos Regimentos de milicias. ou sitos principaes de qualquer Campanha (tendo o tal corpo. Quando porém um official tiver estado presente no seu corpo. ou Estado maior. ou no Estado maior. Politica. destas regulaçoens. salvo aquelle cuja ausência fosse em razaõ de ferido. ou mais destas campanhas. quando na mesma naõ tenha servido. com tanto que a dieta praça naõ fosse tomada. e que foram ameaçadas pelo ini- migo pelo espaço de tempo arbitrado para um Corpo servir em Campanha. ou desta- cado delle em serviço de Campanha. na qual naõ estivesse effec- tivamente reunido. e presente no seu corpo. e tiver eflecl ivamente assis- tido a uma das Batalhas. em que a proximi- dade do inimigo teve lugar. nas operaçoens contra o inimigo: nem se depois de estar reunido se tiver ausentado delle antes da conclusão da mesma Campanha. do principio até ao fim.e armadas regularmente. como acima se requer. segundo as restric- çoens prescritas no § 4. que guarneceram as Praças principaes. e Soldados.

Estas Batalhas e sitios saõ os seguintes. na qual tenha tido nota no seu corpo. uma vez que naõ tenha sahido deste por motivo de má conducta. ou que tenha sido culpado de um crime deshonroso. 1S09 Talavera 1810 Bussaco Fuentes de Honor 18115 Albuera Fuentes de Honor S Badajoz Snlamanca Victoria iPyrinéos 1813 s S . venha a ter direito a esta condecoração. 464 jestade pelo Decreto de 28 de Junho de 1816) será con* siderado como tendo servido aquella Campanha. terá direito a um distinetivo por qual- quer Campanha de guerra. que. ou de guerra o tenha honrosamente absolvido de tal imputaçaõ. . senaõ quando um Conselho de averiguação. por má conducta na presença do inimigo. debaixo destas regulaçoens. Politica. ou fora delle. e que o naõ deixasse durante a guerra. senaõ quando a sua má saude o incapacitasse de servir. a receberá ainda mes- mo quando esteja fora do serviço. Sebastião Nivelle Nive 1 8 1 4 COrthès l Toulouse Nenhum official terá direito â condecoração por qual- quer Campanha. ou que finalmente tenha sido sentenciado a dous annos ou mais de prisaõ. naõ ob- stante naõ ter servido até ao fim ou por seis mezes. Todo o official. que subseqüentemente tiver sido de- miti ido do serviço por sentença de um conselho de guer- ra. Nenhum official.

e entrando em duvida se deviam abolir-se os encargos e legados deixados ás Irmandades do Sanctissimo. e ainda mesmo as capellas. que se achavam na sua Administração. N" 144 3o . conforme o tbeor do 3. porém naõ poderão ser usadas senaõ pelos mesmos indivíduos. e valor. a quem fôram originalmente conferidas. e valorosos serviços. e soldados. que depois da conclusão da guerra tenham obtido regularmente a sua baixa. Estas condecoraçoens ficarão depois da sua morte em poder das familias dos officiaes.° Os officiaes inferiores. em lembrança de seus bons. Em quanto ao resto. e soldados. XXIV. a quem foram concedidas. seraõ pre- ferivelmente escolhidos. impostos em bens de raiz. que tenham direi- a este distinetivo.. todas as restricçoeus mencionadas no 4. e attençaõ. duvi- dando-se igualmente se se deviam abolir e extinguir as pensoens. sobre os legados a obras pias. que. d'entre aquelles. forem os mais beneméritos.°§.°§. e soldados. em primeiro lugar. se applicaraõ igualmente aos officiaes inferiores. combinando os mais longos serviços activos com a deligencia. e em segundo. d'entreaquel- les mais conspicuos por sua intelligencia. 465 5. Politica. Na distribuição destas condecoraçoens se comprehen- derá uma porçaõ destes beneméritos officiaes inferiores.. e encargos estabelecidos a favor do Culto Dt» VOL. e seus encargos. e soldados. Resoluçoens ás Consultas do Desembargo do Paço. officiaes inferiores. e anni- versarios a pedirem a abolição dos vinculos insignifican- tes. Occorrendo vários administradores de capellas. sisudeza.

depois de ser ouvido o Procurador da Coroa. ou estilos em contrario. e das Imagens de Nossa Senhora. que regia sobre a abolição dos encargos pios. ou para se cria- rem. e encargos deixados às misericórdias. que a Meza devia observar litteralmente as leys esta- belecidas. que instaurara o parágrafo vinte e um da de nove de Septembro de mil settecentos sessenta e nove. a favordas ur- gências do Estado. e para se distribuírem em esmolas a pobres. nenhum exceptuára: antes expressamente havia dis- solvido todos. que habilitou as Confrarias do Santíssimo . e mulheres honestas. por que parecia deverem subsistir os sobredictos encar- gos. e existentes. tomada em nova Consulta. e até os próprios vínculos. naõ seguindo prácticas. por isso que a ley de vinte de Maio de mil sette- centos noventa e seis. por ser a causa pública superior a todas. declarando por outra es- pecial resolução de quatro de Dezembro de mil oitocen- e dous. vino. e necessitados. sem fazer excepçaõ. que a legislação. sem que possa servir de ar- gumento o Alvará de vinte de Julho de mil settecentos noventa e três. ainda depois do mencionado Alvará de vinte de Maio de mil settecentos novente e seis: Foi o mesmo Senhor servido determinar por sua Real resolução de vinte e seis de Junho de mil oitocentos e um. e educarem meninos desamparados de um e outro sexo. E sendo presentes a Sua Majestade em Consultada Meza do Desembargo do Paço os motivos. as pensoens. e Capellas adquiridas pelas confrarias do Sanctissimo.466 Politica. nem usos. tomada na dieta Consul- ta. como também os consti- tuídos a favor de collegios de educação. como já havia de- clarado em outra especial resolução de treze de Novem- bro de mil oitocentos e um. e quaesquer outras causas pias. que subio á sua Real Presença. e edu- cação de expostos. criação. declarara por abolidos todos os encargos. os deixados para dotes de orfaãs.

Politica 467 Sacramento para reterem os bens e capellas. e o Estado. a requerimento dos juizes do officio de livreiro. nos quaes logo 6e refundiriam todas as outras confrarias. Edictal prohibindo. para consegui- rem indirectamente por este meio o que pelos meios legi- timos naõ poderiam obter. que pelo referido Alvará fossem a mesmas Irmandades habilita- das para novas. querendo Sua Majestade beneficiar o Commercio. abolindo para este effeito geral. que saõ da sua immediata Protecçaõ. Lisboa 20 de Março de 1820. tanto porque esse Alvará naõ tra- tara de encargos pios. e indistinctamente todos os sobre- ditos encargos. maiores. se mandam pu- blicar por esta maneira as sobredictas Reaes resoluçoens. ALEXANDRE JOSÉ F E R R E I R A CASTELLO. O Senado da Câmara. ainda que fossem impostos em beneficio das Misericórdias. faz público: que Sua Majestade Fi- delissima. como porque elle na sua letra e espirito naõ deve estender-se além dos bens. em que tanto interessa a Ireja. houvesse de permittillos a estes corpos. e das leys posteriores. nem sendo verosimil que. por sua immediata resolução de 3 de Novem- . naõ podendo entender-se sem offensa dos mais sólidos principios da administração pública. E para que assim se haja de observar. e necessária subsistência de seus Povos. e illimitadas acquisiçoens. e cultura das terras destes Reynos para a justa felicidade. que ninguém venda litros em Lisboa senaõ os livreiros com loge aberta. que lhes tinha reservado a Provisão de treze de Fevereiro de mil settecentos e settenta. que essas Irmandades possuíam até aquelle tempo. ANTÔNIO GOMES R I B E I R O .

que nenhuma pessoa. e dos da irmandade dos homens cegos para poderem ven- der somente os livros usados. folhinhas. que tudo se registasse no livro do seu regimento. foi servido determinar. e velhos. e possa ter a sua precisa execução. e se af- fixasse o presente. com pena de perdimento dos livros. o Senado. ordenou. para que chegue á noticia de todos o que Sua Majestade houve por bem resolver. como saõ os reportorios. e por mercador de livros Estrangeiro. em que estaõ. e nunca os novos. para seu sustento. por sentença: por virtude de cuja provisão. MANOEL CYPRIANO DA COSTA. a qual ordena. que se affixassem e dictaes. que se tomem sobre este artigo as mais sérias. que tenha casa estabelecida nesta Corte: ficando porém izemtos desta prohibiçaõ os papeis miúdos. bro do anno próximo passado. passada em observância da ley de 24 de Julho de 1713: e da novíssima. sem of- ença dos dictos privilégios da corporação dos livreiros. sobre consulta da Meza do Desembargo do Paço e provisão de 3 do corrente. por lhes estar julgada a posse. e sizudas precauçoens. possa vender livros enca- dernados pelas ruas. os quaes fizessem reviver o decretado na provisão de 22 de De- zembro de 1735. e sem serem encadernados. e lugares públicos desta cidade. . que forem examinados. autos e outros similhantes. que lhe forem achados. e que tiverem licença para isso. a beneficio dos livreiros j podendo ser vendidos somente nas lojas destes. de qualquer condição. em que Sua Majestade ha por bem determinar.468 Politica. que costumaõ vender os cegos. Lisboa 24 de Março de 1820. que seja. e algumas pessoas miseráveis. por seu despacho de 16 do corrente.

M. e a interceder com seus bons officios. Remetto ao Congresso extractos de uma carta do Mi- nistro Plenipotenciario dos Estados-Unidos em S. Mensagem do Presidente dos Estados-Unidos á Casa dos Representantes. e indicando os sentimentos do Imperador da Rússia a respeito de naõ ter S. Imperial toma em promover a ratifica- ção daquelle tractado. Tenho outro sim a dizer. a instâncias do Encarregado de Negócios da Rússia.de data posterior ás que ja tenho communicado. para promover a sua ratificação. paritlra para sua missaõ.° de Novembro próximo passado. que S. de que o Ministro. 469 EST A D OS-U N I D OS. Peters- burgo. sobre o principio de represálias. Catholica ratificado o ultimo tractado. concluído entre os Estados-Unidos e a Hespanha. so- bre as nossas relaçoens com Hespanha. sem demora. com plenos po- deres para ajustar todas as nifferenças de maneira satis- factória a ambas as partes. pela qual parece. que. pelo Ministro Russiano aqui residente. Remetto também ao Congresso o extracto de uma carta do Ministro Plenipotenciario dos Estados-Unidos em Madrid. Este Governo recebeo. deo o Governo Hespanhol novas seguranças. que pudesse tender a pettirbar . ao presente. datada do 1. depois disso. M. que os Governos da França e da Gram Bretanha continuam a manifestar os sentimen- tos até aqui communicados. a respeito de naõ haver a Hespanha ratificado o tractado. Politica. que os Governos da França e da Rússia expressaram encarecidos desejos de que os Es- tados-Unidos naõ dessem passo algum. e o grande inte- resse. He próprio accrescentar. a mais cabal segurança destas amigáveis disposiçoens. ultimamente nomeado.

470 Política. sobre as questoens agora pendentes com a Hespanha. pela delicada maneira em que se ex- pressaram estes sentimentos. Petersburgo: extracto de uma carta do Conde Nesselrode a Mr. As necessidades da naçaõ. se naõ seria para desejar que se demorasse a decisaõ. Tomando em plena consideração estas circumstancias. ao mesmo tempo que assim fazemos justa retri- buição ás Potências. Poletica. que naõ deixará de ser devidamente apreciada. e a nossa posição a seu respeito naõ será menos favorável na ses- snõ futura do que he ao presente. Induz-me ainda mais a suggerir este modo de proceder. Forsyth. 27 de Março. augmentamos. por nova e assignalada prova de mode- ração. assim como no desejo. Ministro Russiano em Wash- ington: extracto de uma carta de Mr. o conhecimento de que. Washington. de que nossos justos objectos se alcancem. a seu Governo: uma carta do . JAMES MONROE. que accompanhavam esta mensagem consistiram do extracto de uma carta do Ministro Ame- ricano em S. a paz entre os Estados-Unidos e a Hespanha. Nestas circumstancias se poderá distrahir a attençaõ do Governo Hespanhol de seus negócios externos. os nossos direitos para com a Hespanha. sem o risco de ir a extremida- des. cujos bons officios estaõ reconheci- dos. julguei ser do meu dever submetter ao Congresso. Ministro Americano em Madrid. até á sessaõ seguinte. dam motivo para esta paciente espera. Os documentos. Ha boa razaõ de presumir. que elles saõ fundados na crença. nesta conjunctura. e nao se demorará por mais tempo a chegada de um PJinistro aqui. 1820.

e colherão. Everitt. por outra parte. portanto. datada da Haya. para que sejam enfraquecidos por modos violentos de proceder. ao Ministro Russiano em Washington. que por fim ceda á força da evidencia. Forsyth eram positivas. Aquelle Governo he demasi- ado illuminado para dar passos com acceleraçaõ. Elle. Desta conrespondencia official o seguinte he o mais importante. tal he o character das consideraçoens. para com o Governo de Washington. os fructos de sua sabedoria. 16 de Dezembro de 1819. deseja. com segurança. que exigem a ratificação. E com tudo o Imperador naõ se intromette nesta discussão. se ainda he tempo. pela Hespanha. datada de Madrid. e os seus direitos parecem ser mui sólidos. 471 Duque de S. se as ultimas instrucçoens do Presidente a Mr. Política. a de sua moderação. que he de esperar. Forsyth. porém elle vos en- carrega de orar. Extracto de uma carta do Conde Nesselrode. 22 de Janeiro: e extracto de uma carta de Mr. datada de Paris. S. Sem duvida podereis ter havido informaçoens. que as circumstancias na verdade podem suggerir. Fernando a Mr. que. a causa da paz e concórdia. aos 25 de Janeiro. vós induzais o Governo de Washington a dar ao Ministro Hespanhol uma prova de paciência. dos arranjamentos relativos âs Floridas. Imperial. sobre tudo. extracto de uma carta de Mr. e até que ponto. datada de 9 de Dezembro 1819. M. e. . naõ tem pretençoens a exercitar alguma influencia nos Conselhos de uma Potência Estrangeira. O Imperador naõ tomará agora sobre si justificar a Hespanha. Gallatin. Entaõ os Estados-Unidos te- raõ acerescentado á reputação de sua hábil politica.

para ajustar todas as difficuldades que obstam â ratifiçaõ do tractado das Floridas. Projecto de ley Sobre as eleiçoens. Mr. aos 15 de Fevereiro próximo passado. Francisco Vives fora nomeado para partir para Washington. &e.472 Politica. que o projecto de ley. Temos ordenado e ordenamos. e observa. que characteriza o Go- verno dos Estados-Unidos. e que elle seja apresentado em nosso nome á Câmara dos Deputados. que mandamos apre- sentar â Câmara dos Deputados. relativa ao novo modo de eleição. seja retirado e substituído pelo seguin- te projecto. Forsyth. com plenos poderes. Forsyth queixa- se de que o General Vives ainda naõ tivesse saldo de Madrid. aos 3 de Janeiro. e de outra subsequente do Duque de S. Paris e Londres . Elle meramente expressa o desejo. Extracto de uma carta de Mr. Luiz pela Graça de Deus. Bulgary. . o Encarregado de negócios Russiano em Madrid. Esta carta refere uma conversação de Mr. Desta carta. e que assim a sua " rápida viagem" a Washington provavel- mente acabaria em Maio. Forsyth com Mr. Fernando parece. pelo nosso Ministro Secretario de Estado. dictado pelo bem geral e digno da generosa boa fé. que D. &c. datada de 3 de Janeiro 1820. que elle devia proceder pela via de Baionna. TRANÇA.

á excepçaõ do depar- tamento do Sena. nem mais de 600. 473 Artigo 1. nos departamentos. 3. unir-se-haõ elles ao districto vi- zinho. Se o mesmo candidato for nomeado por vários colle- gios de districtos. 2. cujo collegio departamental consiste de 800 eleitores. O collegio electoral de cada districto. com tanto que naõ seja menos de cem. Cada collegio de districto notnea. que tiverem de nome- ar só um deputado. a sua nomeação se tomará pelo dis- tricto aonde houver tido mais votos. aonde o collegio for mais numeroso. Todas as vezes que naõ houver mais do que 50 eleito- res em um districto. O Collegio electoral de cada departamento he com- posto de eleitores. Com tudo. Pulitica. e no de Corsica. 3P . que tiver obtido mais votos. ti.. Escolhe-os dentre os candi- datos nomeados pelos collegios dos districtos. 4. Em cada departamento ha um collegio elec- toral de departamento. VOÍ. e collegios electoraes dos dis- trictos. pela maioridade absoluta. Naõ he importante. que paguem as mais altas contribui- çoens. O Collegio electoral de cada departamento nomea deputados para a Câmara. N« 144. tantos candidatos para a deputaçaõ quantos fô- Tem os deputados que o departamento tiver que esco- lher. O numero de membros de cada collegio he igual ao quinto de todos os eleitores. XXIV. 5. e será subtituido nos outros districtos pela pessoa próxima elegivel. que tem o seu domicilio politico dentro do districto. he composto de todos os eleitores. e que naõ pertencem ao collegio do departamento. todos os eleitores se unirão em um só collegio. e formarão com os seus eleitores um só e mesmo collegio.

y. de que nos tínhamos incauta- mente desviado. que se accumuláram por aquelles meios. ou o faz escre- ver por um membro na meza. Americanos Hespanhoes!—Quando se annunciou a minha chegada na capital de Hespanha em 1814. os quaes se julgou produzirem. no grande theatro do mundo. cada eleitor escreve o seu voto na meza. a felicidade geral—as queixas geraes do povo em ambos os hemispherios. que devia gozar erttre as outras naçoens. em conseqüência de certas espécies de propriedade. Continua em operação as disposiçoens da ley de 1817. vendo a vontade geral da naçaõ. e jurar. e. á altura. preparada para este fim. a fata- lidade induzio o restabelicimento de instituiçoens. que. A infeliz experiência de seis annos. Refere-se ao direito de votar. 8. identificando-me. a Consti- . Da-o ao Presidente. Proclamaçaõ d' El Rey aos seus vassallos na America. com elles. o que me fez adoptar. e os desgraçados males. que o longo e confirmado custume nos tinha feito olhar como superiores a outras. mui sincera e cordealmente. me resolvi a adop- tar estes sentimentos. em uma tira de papel. reconhe- cer. e suas enérgicas de- monstraçoens. me coventeram da necessidade de tornar a voltar para aquella linha. Procedendo a eleição dos candidatos e deputados. HESPANHA. que o mette na urna. e se naõ podiam mo- dificar em formas distinctas. por uma proposição espontânea.474 Politica. com probabilidade. 7. sendo mais antigas eram irre- conciliaveis com prejuizos actuaes. im- pellida por aquelle principio que a tinha distiuguido e elevado.

475 tuiçaõ formada em Cadiz. segundo requere- rem as circumstancias. a ceitando e jurando unia Constituição. que justamente aprecia os deveres recíprocos entre a naçaõ e o throno. Politica. e promettendo restabelecer todas as cousas aquelle respeito e consideração que tinham perdido. e fundado 6obre as bazes mais duráveis. riscará brevemente da lembrança os males passados.. que he formada para a felicidade de vós e dos vossos. hoje em dia. combinando o estado melhorado das scien- cias com os dictames da solida politica. e eu vosexhorto a apressar-vos a gozar de tam immensos benefícios. que naõ sacrifico cousa alguma. Novo raio de luz resplandece em ambos os hemispherios Hespanhoes. em- penhando-se solemnemente no seu Systema Constitucio- nal. apresen- tam um espectaculo de admiração a toda a Europa. e estabelecendo a força militar e naval da naçaõ sobre principios. Nada pôde exceder a minha satisfacçaõ. He este uin Estado seguramente equilibrado. sobre que assentam tanto a verdadeira liberdade como o credito publico. Eu me dou os parabéns como o primeiro em sentir esta doce e generosa ernoçaõ. e a verdadeiramente he- róica generosidade do povo. que lhe suecedeo. confir- mando esta ley fundamental. nem o ardor que se sente pelo sagrado fogo do patriotismo. que ja illumina. que he susceptível de erros mas naõ de crimes. pela alegria universal. e proclamada naquella cidade em Março 1812. quando sinto que. também me alegro em ter deaannunciar. que a faraõ mais efficaamente applicavel. segurarei a vossa felicidade. e nada pôde exceder o refulgeute hrilhan- tisimo. promettendo que as novas instituiçoens acharão sua melhor segurança em resultados favoráveis e permanentes. pelas Cortes Geraes e Extraor- dinárias. e. ainda que me pudesse produzir algum mal. eu teria . Os Hespanhoes. Affirmo-vos.

virtudes. sois adornados das mesmas virtudes. sobre tudo. que re- querem as novas luzes de hoje em dia. Os dous hemispherios naõ tem em si nada inherente. Foliais a mesma linguagem. I Que podeis vós esperar de tal? Ouvi a suave vóz de vosso Rey e pay. cessai daquella destructora guerra que tem occasionado . devastaçoens horrorosas. infinitos perigos. Americanos! Vos tendes-vos desviado demasiado da linha de vossos verdadeiros interesses : vós sentis. Renovai também aquellas reciprocas relaçoens. e da suprema eleva- ção de almas grandes. que vos desassocega. e horrores inauditos. que saõ a verdadeira progenie do valor. e. cruéis prizoens. professais a mesma religião. e substituí- lhe em vosso seio sentimentos affectuosos e generosos. Renovai com a pátria nifiy aquellas relaçoens. nem he da na- tureza que vós. trabalharam por estabelecer. fomes. Repulsai aquella desinquietaçaõ e agitadora desconfiança.476 Politica. que sois verdadeiros irmaõs. o que vos tem custado o vossso máo comporta- mento. destruiçoens pelo fogo. Nada vos tem resultado senaõ lagri- mas e pezares. sois governados pelas mesmas leys. turbulências e amarguras. estes resultados naõ podem deixar de acai- retar o desdouro sobre vós e vossas geraçoens futuras. a saber. possáis ser inimigos. quando posta em competência com o liem publico. persuadido de que a honra da Majestade naõ pezaría cousa alguma. nem para a odiosa inimizade como obrigação. vossos progenitores. e o systema de um Governo representativo. da generosidade. immensas fadigas. gerras sanguinárias. os filhos validos da victoria. a este tempo. por três séculos. devastaçoens. que. igualmente acquiescido. Naõ olheis mais para a vingança como para uma vir- tude. Deponde vossas armas. que prohiba permanente e reciproca amizade. e o extremo de todos os males. ten- des os mesmos custumes.

e o bem geral con- cordam com todos os vossos desejos. das mesmas familias. Com as armas assim mane- jadas se devem sacrificar as vidas de indivíduos parentes. que vós vos apressareis a fraternizar e unir-vos com elles em conferên- cia. pelo cumprimento de seus desejos. que as necessidades da pátria. que por suas combinaçoens falsas e in- trincadas raras vezes pôde esperar resultados favoráveis. Toda a naçaõ está nniversalmente penetrada destes meus desejos. observar religiosa- mente. em um século tam cheio de acontecimentos grandes e extraordinários. elle naõ pôde deixar de assegurar a vossa felicidade pre- sente e futura : dai á pátria mãy fundamento de esperar. conci- . As Cortes. que devem ser registrados na his- toria com letras de sangue. segul-o. estaõ a ponto de seajunetarem. que a pá- tria tem jurado. â face do Universo. sem violência. a segurança de vossas pessoas he garantida pelas leys da honra nacional. cujo nome somente he um penhor favorável de importantes benefícios e bons suecessos para todos os Hespanhoes. com os pays da pátria. 477 tam terríveis males. e conforme ao que vós mesmos desejais: o nosso character distinetivo he a reciproca observância de um comportamento franco e leal. reque- rem . que. o amor da ordem. opposto ao de uma enganada e demasiadamente ardilosa politica. e as vossas em particular. e pelo sagrado código. como iguaes vassallos. daquelles obstáculos. e me habilitará por todos os meios a triumphar. sobre aquelles remédios. e com os resultados de vossas uniformes opinioens. pois. Vossos ir- maõs na Peninsula esperam anxiosamente. com os braços abertos. Temos adoptado um systema mais amplo em seus principios. sacrifícios estes que devem en- volver a desesperaçaõ e abhorrescimento de si mesmo. Politica. que prolongam um estado de calamnidade publica. A pátria mãy vos dá o exemplo: Americanos. Reuni-vos.

com brilhantismo sem exemplo. a agricultura. commum a todos.Que benefícios. com as vistas de arrebatar para suas maõs o sceptro do Governo: saõ estes instigadores os saqueadores sem principios. 478 Política. A justiça e a politica pres- crevem igualmente este comportamento. e se esta verdadeira e amigável maõ. em que naõ possa ex- istir nada injusto nem arbitrário. e que tem authoridade de prescrever. naõ forem aceitos. ein fim espéram-vos todos os horrores e couvulsoens. que os Estados soffrem na» crises mais violentas. a industria. destituído de seu natural e legitimo Governo. contribui para a se- gurança do Estado. que naõ trabalham senaõ para dividir. estrangeiros intrusos. nesta feliz terra: e a tranquillidade universal e imperturbável será o precioso effeito da mutua concórdia. e um Governo Constitucional. que he conferida pelas bençaõs de uma grata posteridade. esta pátria. todos aquelles males. produzidas pela effervescencia de principios políticos e paixoens em conflicto. que o homem he capaz de obter. que promovem os horrores da anarchia. dados do intimo do meu coração. e que naõ dividem senaõ para dominar. que felicidade naõ produzirá esta tam desejada uniaõ! O commercio. que produz o furor de uma guerra civil. . liai as sabias predilecçoens do povo. aventureiros desconheci- dos. que se devem . a sciencia. que buscam avidamente as occasioens para semear o germen da discórdia e da con- fusão. tereis de temer todos aquelles males. nos elevará ao mais alto ponto de prosperidade. e sobre tudo adquiri um titulo aquella coroa immortal. fixai para sempre os felizes destinos dos dous mundos. e a arte floreceraõ. que tem produzido tantos de vossos pays. Mas se estes conselhos saudáveis. queacomettem o Estado. E entaõ senüreis todos aquelles terríveis effeitos. e que resultam da in- sidiosa seducçaõ de homens ambiciosos. que a vossa amada pátria vos offerece.

da Naçaõ e da Eu- ropa. que tam freqüentemente influem nas ac- çoens dos homens. unicamente. Nem a ambição. FERNANDO. se appressa a le- var aos pés do throno de Vossa Majestade os sentimentos de amor e respeito. Senhor!—D. Raphael dei Riego. porque. pois. Raphael dei Riego. tentarão jamais aos olhos de Vossa Majestade. foi dirigido. a pungente dòr. que deve produzir. por breve espaço. nem o desejo de celebridade. inimigos jurados do bem publico. que no l. que marcharam . e que he certa garantia de sua pros- peridade. a Constituição sanc- cionada pela Naçaõ. fôram os motivos que induziram estes a publicar primeiros. 479 esperar da indignação nacional. Commandante da primeira divisão do Exercito Nacional. Manifesto de D. que naõ olham para os objectos a travez dos caprichos. tam essencial á sua reputação. Os homens im- parciaes. e dirigido segundo os prin- cipios que o movem. O h ! Que nunca chegue o momento de obstinação inconsiderada! Nunca chegue. O seu comportamento.° dia do Anno se declarou pela causa da pátria. O Céo he testemunha de sua sinceridade. e cie um Governo justa- mente offendido: um Governofortissimoe poderosíssimo. Politica. pelo mais puro amor de sua pátria. e grandeza. nem alguma das paixoens. e pelo mais ardente desejo da felicidade delia. Chefe da columna movei dos patriotas. a sofírerá vosso terno e indulgente pay. sendo supportado pelo povo. e o seu comportamento nunca desmentido. e que somente homens perversos. dirigida a El Rey. que o coração das tropas tem sempre nutrido. podem dar alto testemunho desta verdade. naquelle dia.

Os minis- tros do altar viram respeitado o seu character. nem soffrer que fosse manchada a grande pureza de sua honra. que os animava. que usualmente acom- panham qualquer mudança. a rapina. foi servido fazer da Hespanha theatro de scenas conformes a tam digno ob- jecto. eu nunca perdi de vis- ta aquella importante missaõ. As vantagens. para der- ramar o espirito. que as tropas tinham a soffrer. As cidades por que passa- ram fôram testemunhas de sua subordinação. alcançadas contra os que se chamavam apoiadores de Vossa Majes- tade. nunca por um só momento de- moraram os planos tam zelosamente concebidos. e todas as mais desordens. Vossa Majestade . na agricultura. e na industria. as privaçoens. que desdourasse sua execução. nem se commetteo acçaõ alguma. cederam sem se desanimar. Accendeo-se repentimente a chama do patriotismo em todas as provincias da Peninsula. Quando conquistadores naõ insultaram os vencidos. e quando in- habeis para resistir ao superior numero de seus adversá- rios.480 Política. e invaria- velmente se respeitaram as leys da humanidade. os árduos sacrifícios. Mui enfranquecidos por uma concurrencia de cir- cumstancias infelizes. e na estima que mereciam de todos os homens bons. obediência e disciplina. Os cidadãos naõ fôram perturbados em sua propriedade. A violência. Fernando. da cidade de S. Os trabalhos. e os ár- duos deveres da guerra naõ fizeram mal aos trabalhadores. aos 27 de Janeiro. nos laços que unem a so- ciedade. O Céo naõ podia deixar sem prêmio os seus trabalhos: e sempre interessado no bem das naçoens. nunca offuscáram o lustre das armas da pátria. ainda assim se julgaram fortes na approvaçaõ de seus próprios coraçoeus. nem por suas opinioens: os magistrados continuaram no exercicio de suas funcçoens. e tam denodadamente executados. naõ fôram seguidas pelo menor abuso.

a que he chamada pelo destino. Senhor. da humanidade e da Justiça? <.. ouvio o juramento de Vossa Majestade. que a lisonja e a traição vos tinham im- posto ? Recebei. a revivificaçaõ da industria. e em plena sinceridade achou nelle a esperança da futura felicidade e gloria. 481 rasgou o véo que escondia os traidores. um Rey jurando aquella constituição. naõ saõ estes objectos interessan- tes ao coração de Vossa Majestade. Nunca o throuo de S. cheia de alegria. vendo a brilhante perspectiva. que o priva do triste poder de fazer mal á pátria. que naõ tem outra pátria senaõ o seu interesse. Aquelle código sagrado. e cedeo aos im- pulsos de um coração. e naõ vos fazem dar os parabéns a vós mesmo. que levan- tou este monumento de sabedoria. passado â posteri- dade com tanta gloria . que inunda o meu coração. 3Q . d que objecto mais magnífico aos olhos da razaõ. a que tanto se ha- viam opposto homens. a protecçaõ da agricultura. por haver sacudido o igno- minioso jugo.Quem pode pensar nisto sem se encher de enthusiasmo. Jamais apresentou a Hespanha tam grande espectaculo. N°.. e o coração de todos os valo- Vor. Senhor. os sentimentos da indizivel alegria. XXIV. e o nome de Fernando VII. digno do pay do povo. por longo tempo desejada. Pclitica. como pertencente a uma naçaõ. objecto do amor de todos os bons Hes- panhoes recebeo da boca de Vossa Majestade aquella sancçaõ. as bençaõs do povo. 144. A naçaõ. as sciencias e as artes liberaes reassumindo o seu lustre. que apresenta tam nobre e generoso com portamento ? O restabelicimento da ley e da moral. nem outro Deus mais do que as igno- rantes suggestoens de seu orgulho. Um Rey unido com a naçaõ. que ha sido theatro de tal ac- çaõ ? ^ Quem se naõ moverá. o commercio levantando-se de suas ruínas. Fernando apparecêo tam esplendi- do e glorioso.

O mundo os tem visto marchando sempre pelo caminho da justiça e da honra. quando se soffrerem na execução de seu dever. que continuarei sempre a imitar seu grande exemplo. reiteradas seguranças de sua amigável disposição. Tenho recebido das Potências estrangeiras. Recebei seus ardentes votos por sua felicidade e grandeza. Todas as fadigas seraõ despre- zadas. de- pois de ter appellado para a opinião do meu povo.482 Politica. com que o seu Chefe roga ao Céo. depois da morte de meu amado pay. nem os do mais profundo amor e respeito. (Assignado) RAPHAEL DEL RIKC. por tam feliz mudança. pela primeira vez. Todo o sangue de suas veias será gostosamente derrama- do por sua pátria. e seu ardente de . que se chama seu pay. desejo anxiosamen- te assegurar-vos. e pelo throno constitucional. Recebei os seus juramentos. aos 27 de Abril. 1820. INGLATERRA. na incessante attençaõ aos interesses pú- blicos. Abracei a primeira occasiaõ de vos ajunctar aqui. 21 de Março. de serem inteiramente dedicados á sua pátria e ao Rey. na abertura do Parlamento. para bem e prosperidade da Monar- chia Constitucional. Vindo pessoalmente ter com vosco. My Lords e Gentishomens. rosos homens da columna. que preserve longo tempo a vida de Vossa Msjestade. debaixo do meu commando. pelo bem e felicidade de todas as classes de meus subditos. Falia de Sua Majestade. 1820. que a co- bre com suas azas tutelares. O mundo nunca verá contradictos estes sentimentos. e na paternal solicitude. Sevilha.-O.

Por mais profundamente que deplore o haverem as machinaçoens e desígnios dos Desaffectos occasionado. A sabedoria e firmeza. Gentishomens da Caza dos Communs. em algumas partes do paiz. a somma das reducçoens incidentes á minha subida ao throno. actos de aberta violência e insurreição. cujos esforços foram chamados á acçaõ. que se faça nenhuma ad- dicçaõ qualquer ao estabelicimento (de casa) adoptado pelo Parlamento. Tem ellas sido calculadas sobre principios da mais rigida economia. bem longe de desejar algum ar- ranjamento. e pela zelosa cooperação de todos aquelles de meus subditos. que possa conduzir á imposição de novos carregos sobre o meu povo. no anno de 1816. que. que o estado do paiz me naõ permitta dispensar daquellas addiçoens da nossa força militar. que manifestou o Parlamento . para apoiar a authoridade das leys. por minha causa. My Lords e Gentishomens. naõ desejo. Politica. naõ posso deixar de exprimir a minha satis- facçaõ. ou sequer diminuir. Ser-vos-haõ apresentadas as estimativas do presente anno. Deixo inteiramente à vossa disposição os meus inte- resses nas rendas hereditárias. e a hon- ra e tlignidade da Coroa. pela vigilância e actividade dos magis- trados. O primeiro objecto. 483 sejo de cultivar comigo as relaçoens de paz e amiza- de. e naõ posso negar-me o prazer de declarar. mas he matéria de grande pezar. he o provimento para sustentar o GovernoCivil. a que se chamará a vossa attençaõ. em circumstan- cias taes como as presentes. que annunciei no principio da sessaõ passada do Parlamento. pela promptidaõ com que essas tentativas tem sido supprimidas.

passado.484 Politica. por todos os meios confiados a minhas maõs. Deplorando. he. despertando-se o conhecimento dos pe- rigos. assim como de prosperidade e feli- cidade. e dos artifícios. contribuíram grandemente para restabelecer a confiança por todo o Reyno. no entanto. como todos devemos deplorar. a penúria. proteger efficaz- mente as pessoas leaes. aquelle effecto á Constituição. debaixo das bençaõs da Providencia Divina. Confio no continuado apoio do Parlamento. aquella devida sub- missão ás leys. que se tem empregado para os seduzir. que tem incorrido. que se haviam disseminado com tam maligna perserveança. nosso commum dever. a segurança e tranqüilidade publica. e desacoroçoar aqueles principios de sediçaõ e ir- religiaõ. pacatas e industriosas. que ainda infelizmente prevalece. e a devida execução das leys. entre varias das classes trabalhadoras da communidadade. se converterá a maior parte dos que infelizmente fôram desencaminhados. e pelas quaes se tem incalculavelmente aggravado a mes- ma penúria. em minha determinação de manter. do que tem cabido em sorte a alguma naçaõ do mundo. contra a- quellas praticas de turbulência e intimidação. e tinham envenenado os espíritos dos ig- norantes e desacautelados. que naõ podem servir senaõ de alongar o período do alivio. Confio em que. quando será removida ou mitigada. e olhando anxiosa- raente para o diante. e que. que sub- siste indeminuto nos coraçoens do grande corpo do povo. e revivi- rá nelles aquelle espirito de lealdade. tem assegurado á Naçaõ Britannica o gozo de maior porçaõ de liberdade practica. .

3. nos círculos electoraes. Refere o modo de se elegerem os deputados. que a commissaõ abrirá estes votos. a que dem os seus votos para seis deputados. ou de ser eleitos. por uma proclamaçaõ especial. 485 GRAM D U C A D O DE HEHSE DARMSTADT. Esta lista será publicada an- tes de cada eleição. e marcar os bilhetes de eleição com certo numero. a Commissaõ de- cide por sorte. 4. O protocolo. N o caso de igualdade. no dia determinado na proclamaçaõ. Artigo 2. O protocolo da eleição contém todos os votos. e Commissarios por elle emprega- dos. promette o Gram Duque uomear uma commissaõ especial. e os que se acharem na vizinhança saõ expressamente obrigados a estar presentes. que o dever desta Commissaõ he. A Commissaõ occulta os nomes dos vogaes. Todo o eleitor pôde estar presente a este acto. que aquelles nobres proprietários. será mandado ao Conselho Privado. que a eleição primaria nomèe somente pes- soas. Ordena. e o resultado hedeterminado pela maio- ridade de votos. 6. O presente regulamento providencéa. Para ser eligivel. 6. Devem ser nomeados por três elei- çoens separadas. que teraõ lugar debaixo da superinten- dência do Governo. Para determinar as listas dos que saõ capazes de ser elei- tores. com o numero dos bi- lhetes marcados. e pagar annualmente 300 tlorins de taxas directas ao Es- tado. deve o Candidato ter chegado á idade de 26 annos. Resumo do Decreto Supplementário da Constituição. Determina. e possuir uma renda similhante. Para . Politica. que tem o privilegio de eleger deputados devem ter chegado á idade de 30 annos. assignado pelos presentes. chamar os nobres proprietários. Providencéa. que sejam authonzadas a nomear eleitores.

Estando iunetos os bilhetes. pelo menos quatro quintos dos eleitores . depois de cada um ter reconhe- . a eleição será decidida votando-se terceira vez. O pagamento de 100 florins em taxas direc- tas. Sessenta habitantes. tem faculdade de nomear uma pessoa. e que haja uma illimitada maioridade de votos. 7. no caso de igualdade de votos. 8. e. Providencéa. Para este fim se ajunctam no districto.486 Politica. e que mais pagarem de con- tribuiçoens saõ elegiveis. cada commum.000 florins. devem concorrer três quartas partes dos plenipotencia- rios. com ple- nos poderes. A lista se publicará previamente. Os eleitores de cada districto escolherão um deputado. que tiverem chegado â idade de 30 annos. este fim. Neste estado do processo saõ os eleitores nomeados por plenipotenciarios. se naõ houver maioridade na segunda vez que se votar. ou. dá a eligibilidade. para nomear os eleitores. Estes plenipotenciarios escolhem de cada districto electoral dez deitores e vice-eleitores. Fixa o modo por que se deve fazer a segunda elei- ção. possuída por uma pessoa no serviço do Estado. comparados os nomes de fora com as listas dos vogaes. ou renda annual de 1. para serem eleitores. pagando annualmente 20 florins de taxas directas. Para que a eleição seja valida. Nesta eleição todos os habitantes tem voto: e qualquer delles he ele- givel. por sorte. a nomeação de deputados pela tercei- ra eleição. Escreve o seu nome por fora. que consistir de 250 até 500 almas. ou pela maioridade re- lativa. Para fazer uma eleição valida he necessário que nella tenham parte. Dous terços delles se deverão ajunctar para fazer valida a eleição. Cada eleitor recebe um bilhete marcado com um numero em seqüência. em casa do Com- missario do Governo.

que tem sufficiente propriedade. Politica. 12. 13. para os fazer eligiveis. e podem ser reeleitos. . que tiver de eleger dous deputados. Ordena que o deputado. Exclue os membros da primeira Câmara. Requer que os plenipotenciarios e eleitores execu- tem o seu dever pessoalmente. den- tro em três dias depois da notificação da eleição. de votar nas sobredic- tas três eleiçoens. Na cidade. e se mixturaraõ. que. 14. por quem os deputados seraõ escolhidos. 487 cido a signatura do seu nome. que tiverem de escolher menos de 20 também lhes será permittido aquelle nume- ro. A nomeação dos plenipotenciarios tem lugar debaixo da particular superintendência do Commissario do Governo Toda a cidade. 11. e os que escolhem deputados da Nobreza. naõ obstante escolher os 40: e as cidades. o Gover- no da provincia decidirá por elle á sorte. Faz os regulamentos relativos á escolha de deputa- dos nos districtos electoraes applicaveis ás cidades. que for escolhido por vários districtos. segundo a proporção. e ordena que ninguém vote por si mesmo. 10. e varias outras pessoas. tiver de esco- lher menos de 40 plenipotenciarios. Prohibe que se elêjam para deputados os membros do Conselho Privado. Os deputados saõ re-elegiveis. 9. de- terminará por que lugar escolhe ter o seu asserto. 15. se tirarão as capas aos bilhetes. Se naõ declarara sua escolha dentro em três dias. ou por um districto e uma cidade. Declara que a eleição dos deputados da nobreza e dos districtos electoraes e das cidades he por seis annos. os plenipotencarios nomearão 20 eleitores. Saõ escolhidos por seis annos. poderá. e 4 substitutos. Promette uma ordenação particular para regular a maneira por que os capitalistas haõ de provar.

e outros estabelicimentos. alguns indivíduos daquel- la ordem religiosa acharam meios de penetrar no Império. Providencéa. BARAÕ VOL GRUBEN. a Câmara dos De- putados declarará invalida a eleição. assim como de sua propriedade. As leys do Império prohibíam antigamente a entrada dos Jezuitas na Rússia. collegios.4B8 Política. M. que. a bulla do Papa Clemente XIV. Dado em Darmstadt aos 22 de Março. supprimio a Ordem dos Jezuitas. assim como o resto do clero regular. 17. pela qual os Jezuitas e seus criados foram mandados sair das cidades e território do Império. do que o seguinte he o resumo. em 1719. o re- latório do Ministro dos Cultos e Instrucçaõ Publica. (Assignado) VON GOLMAN. RÚSSIA. . suas escholas. publicada em 1773. para a expulsão dos Jezuitas. Estas contravençoens de uma prohibiçaõ expressa deram motivo. 1820. que os procedimentos de cada elei- ção sijam limitados ao objecto prescripto. Pouco depois deste acontecimento. Ordena. e os sugeitou á ju- risdicçaõ dos bispos. S. a uma ordenação de Pedro I. nos casos em que se tenha violado ou impedido a liberdade da eleição. 1820. que estavam domiciliados naquella pro- vincia. Imperial approvou aos 13 de Março. privou-os dos seus empregos e dig- nidades. e de- e debaixo de vários pretextos. com tudo em certas epochas. o providencéa o Castigo dos culpados. Como voltasse depois a Rússia Branca para o sceptro Russiano. trouxe com sigo os Jezuitas. Resumo do Decreeo do Imperador. 16..

obtiveram os Jezuitas permissão. aonde dentro em pouco tempo recebeo discípulos sem distineçaõ. passando além de seus limites. Pondo-se estes constantemente acima das leys. e de- pois de a ler obtido. assim como outras pessoas. Por uma série de ukases. que lhes ordenava obedecer ao Arce- bispo de Mohileu. Depois de haver transgredido este regula- mento. 489 A Ordem. Com tudo este tam grande favor lhes foi concedido condicionalmente. destinado á Igreja Catholica Romana. ape- sar do ukase Imperial de 14 de Maio 1801. Peters- burgo. XXIV." de Fevereiro de 1769. para o fim de abraçar a dos Jezui- tas. N M 4 3 3R . Os Jezuitas nunca cessaram de traba- lhar. assim dissolvida por seu cabeça supremo. preservaram os Jezuitas a sua pro- priedade de raiz. se destacassem da communhaõ da igreja estabelecida no paiz.. empregaram os Jezuitas toda a sorte de seducçaõ. O Padre Geral dos Jezuitas. Politica. em um dos templos de S. recorreo à protecçaõ da Imperatriz Catherina II. confiando nos regulamentos promul- gados no 1. oppon rlo-se suas regras delles tanto áos mandados do seu cabeça espiritual. Em 1800. pelo que respeita ás regras de sua Companhia. formou um collegio. Uma sabia providen- cia dictou a ordenação de 1792. que somente admittia a Companhia de Jezus. tiveram os Jezuitas ordem de se submetterema jurisdic- çaõ do bispo diocessano. debaixo da expressa cláusula. persistiram em naõ dar conta da administração dos fundos da com- VOL. para manter a sua independência em contravenção do ukase de 1782. para ce- lebrar os officios divinos. como as leys do Império. de que se conformariam com as leys do Império. desde 1772 até 1782 na con- formidade das disposiçoens concordadas pela Sancta Sé. para fazer com que os moços discípulos encarregados a seu cuidado.

de que a igreja estava car- regada. éra pouco calculada para justificar sua fé por suas obras. Tantos abusos. As dividas. offerecendo. que recebessem nas suas escholas outros discípulos mais que os de sua persuaçaÕ. Provou-se logo. e que chegavam a 200. nem ás leys do Estado. ainda que sufficientemente admoestados pelas censuras em que tinham incurrido. e se deo provimento para que nao houvesse interrupção no exercicio do culto publico. que se impõem a uma communhaõ tolerada. Petersburgo os Jezuitas. nas terras as que lhes fôram deixadas. os . prohibindo também que nunca tornassem a entrar nas duas capitães. dispuzéram arbitrariamente dos beneficios. naõ mudaram de comportamento. aos quaes se tinham substituido pensoens. e tantas violaçoens das leys ecclesias- ticas e sociaes. determinaram S. A indolência e a má condicçaõ dos paizanos nas suas terras. a ordenar. Em fim pode-se dizer. nao escrupulizáram contrahir outras de novo. Entretanto. e isto a despeito das obri- gaçoens. pelas participaçoens das authoridades civis. o Imperador foi servido prevenir qualquer conseqüência. M. munidade Catholica. EntaÕ se prohibio aos Jezuitas. que prohibem a aggregaçaõ dos Gregos Unidos á jurisdicçaõ do ritual Romano. que pudesse ser prejudicial ao culto Romano. que estu- davam no collegio de Mohilew. longe de pagar as dividas de que a igreja estava sobre car- regada. que a caridade funda ainda cá no mundo. Os Jezuitas. fôram pagas pelo thesouro Imperial. em 1815. o modelo daquella pacata prosperidade.490 Política.000 rubles. Sem respeito ás bullas da Sancta Sé. que saíssem de S. pela protecçaõ de que goza. que continuavam a sednzir para a sua communhaõ os discípulos da fé orthodoxa. e. fosse qual fosse a manifesta urgência da- quelle acto de justiça. que os Jezuitas nao sabiam con- ciliar a confiança de um governo paternal.

que a fazem agora necessária. ellas se apresentam a todo o espirito bem con- stituído. no Governo de Witepsk." O extermínio definitivo dos Jezuitas. de que o seguinte he extracto:—• 1. se introduziram em districtos. M. os Jezuitas continuaram a semear trabalhos naquellas colô- nias. Em Saratoff. e até procede- ram. Naõ descemos aqui á narração minuciosa de circumstancias. Porém agora o Ministro dos Cultos pensa que he de seu dever sub- metter ao Imperador um systema de providencias. Porém a nobre repugnân- cia de revogar uma graça. 491 Jezuitas trabalharam para puchar a si essas pessoas. O Ministério do Culto Publico naõ deixou de notar estas transgressoens ao Gerai da Ordem. em 1815. de que seus subditos Catholicos Roma- nos naõ fossem privados dos padres Jesuítas de sua com- munhaõ. até que o seu lugar fosse supprido por outros ecclesiasticos. a sua expulsão. e o seu espirito de proselytistno se paten- teou por novas suggestoens. e em algumas partes da Sibéria. que professam o culto Protestante. teria obviado graves inconvenientes. antes de que as graves causas mostrassem sua absoluta necessidade. e a paternal soli- citude de S. em que a Ordem tinha incurrido. como os da igreja estabelecida (a Grega) de todos os meios de seducçaõ. mes- mo aonde a presença dos padres Gregos fazia inadmissível esta usurpaçaÕ. sob pretexto de exercitar suas funcçoens. Talvez. aonde o seu ministério os naõ chamava. determinaram o Imperador a mitigar as penas. com a prohibiçaõ de tornarem . que os aggrávam. Longe de se absterem. Politica. á violência de seduzir de seus pays meninos Judeus* Tal he a simples exposição dos factos. Foi infructitiera a ad- moestaçaõ. para além das fron- teiras do Império. para além das fronteiras do império.

naõ sendo fácil achar pessoas próprias para esta situação. Os que pertencem ao Clero regular estudarão nos conventos. cujos habitantes naõ sabem nem a lingua Russa nem a Polaca . para supprir o lu- gar dos Jezuitas. 3. Os estudantes destes estabelicimentos. Contém medidas de precaução. porém. seraõ postos a juros. seraõ mandados para além das frontei- ras sem demora. que os Jezuitas entregarem. Os Jezuitas domiciliados nos Governos de Mohileu e de Witepsk. 6. que se haõ de observar no modo de entrega da propriedade tanto movei como de raiz. que administrarem propriedades da Ordem. nas parrochias. porém. se demorará a partida dos presentes beneficiados.492 Politica. nas parrochias aonde o conhecimento da lingua Polaca he necessário ao clero. ou no que se acha estabelecido na Universidade de Wilna. em vantagem da Igrega Romana. debaixo de qualquer forma ou denomina- ção que seja. nelle a entrar. Ella tornará a ser empregada. antes de entregarem os seus fundos. Aquelles. e em obras pias. que os haõ de substituir. e 6. 8. 5. As Câmaras de Finança saõ encarregadas da admi- nistração da propriedade de raiz da Ordem. Seraõ também substituídos por outros ecclesiasticos. Os fundos. e das escholas suas dependentes. Estabelecer-se-haõ nova3 casas de educa- ção no Governos da Rússia Branca. que eram destinados para o clero secu- lar. se for necessário. até a chegada daquelles. 4. se naõ mandarão sair. 2. . na repartição do soccorro publico. O Arcebispo Metropolitano providenciará immedia- tamente sufficiente numero de padres.° A suppressaõ da Academia dos Jezuitas em Polotsk. continuarão os seus estudos nos seminários diocesanos.

aos 23 de Fevereiro. Entre-Rios e Sancta-Fé. e do caminho. a fim de obter permissão para entrar em outra ordem monastica. As partes contractantes declaram. 1820. O Imperador. que forem nascidos na Rússia. 1. ordenou ao Ministério dos Cultos e Instrucçaõ Pu- blica. PROVÍNCIA DE LA PLATA. que re- . que fizesse sobre isso um relatório ao Senado Di- rector. Aquelles Jezuitas. encarregando-as da expulsão final dos Jezuitas. que tomam nas fronteiras. e que naõ tiverem ainda tomado ordens poderão ficar no Império. S. Imperial ordenou ao mesmo tempo ao Ministro do Interior. Politica. e particularmente das províncias. ou procu- rando admissão em outras ordens monasticas. 10. 11. ou secularizar-se. O mesmo privilegio se concede aquelles. dignando-se approvar todas estas medi- das. desejarem recorrer á Sancta Sé. Resumo do tractado concluído pelas provincias de Bue- nos Ayres. Estes poderão di- rigir os seus requirimentos. Art. voltando para o seio de suas familias. e os apoiará com a sua in- tercessaõ. M. O Governo provera ás despezas da remoção dos Je- zuitas. tendo ja pronuncia- do os seus votos e tomado ordens. que os transmittirá ao Papa. Os Governadores civis daraõ conta do perido da partida. que requerem a humanidade e os perceitos da religião. que expedisse estrictas ordens ás authoridades locaes. que a von- tade da naçaõ. e de terem cuidado vigilante em que os velhos e enfermos obtenham toda a consideração e delicada at- tençaõ. que. 493 9. ao Governo. a este respeito.

na Provincia de Sancta Fe. calcular a somma de sacri- fícios. aos sessenta dias depois da ratificação deste tractado. Tendo-se removido todos os obstáculos. o estado de difficuldade e perigo. presentam. que usurparam o po- der da naçaõ. que custará a estas provincias. e Entre-Rios. para suas respectivas províncias. cada provincia elegerá seus respectivos representantes. E como estaõ persuadidos de que todas as provincias da naçaõ aspi- ram a uma uniaõ com uma das partes contractantes. em tanto quanto dellas depender. 2. a que se acham reduzidas as provincias suas irmaãs. desde a data desta convenção. retirando-se as tropas belligerantes de Sancta-Fé e Entre-Rios. Para este frm. Os Governos de Sancta-Fé e Entre-Rios. tanto em seu nome como no de suas provincias. o resistir a um ex- ercito possante . tam interessados na indepen- dência e felicidade nacional. escolhidos pela livre elei- ção do povo. Sancta-Fé. 3. berço da liberdade nacio- nal. por seus respecti- vos deputados. as convidam e rogam a que concorram. que se op- punham á amizade e boa harmonia das províncias de Buenos-Ajqes. excitada pela ambição e vistas criminosas de certos homens. Deixam á reflexão dos cidadãos. Lourenço. a fim de que promovam o bem geral.494 Política. pela invasão com que as ameaça uma potência estrangeira. e esperam da sua generosidade e patrio- tismo auxilio proporcionado á difficuldade da empreza. que seajunctaraÕ no Convento de S. e desprezaram as instrucçoens. que lhes haviam dado as cidades e villas. lembram á herói- ca provincia de Buenos-Ayres. que ellas agora formam: mas que he necessário que esta vontade seja expressada por deputa dos. he a favor de uma uniaõ federal. a qual op- prime com grandes forças a Banda-Oriental. . que representavam no congresso: cessarão todas as hostilidades. creadas por uma guerra cruel e sanguinolenta.

Determina. Jozé Artigas. que esta medida hemais particular- mente devida aos chefes do exercito federal. cujo território he banhado pelos dictos rios. Nos rios Uruguay e Paraná se naõ permittiraõ nave- gar outros barcos. saõ conformes aos sentimentos e desejos do Capitão General da Banda-Oriental. ainda que tenham tomado armas contra os seus compatriotas. 7» Declara. acima con- cordados. Politica. O commer- cio. que naõ sejam os das provincias amigas. devem responder ájustiça publica. Providencéa a liberdade do trafico. Accrescenta-se. que os impelliram à guerra contra Buenos-Ayres em Novembro passada 8.. por que essa Administra- ção pôz em perigo a liberdade. Os membros dessa Ad- ministração. e seu restabelicimento ás provincias a que pertencem. 9. 6. perante um tribunal. que os limites das provincias. supposto que as partes contrac- tantes estejam convencidas de que os artigos. em armas e mu- niçoens de guerra. D. em conseqüência dos crimes. Estipula a libertação dos prisioneiros de guerra. e gozar de sua propriedade particular. que desejam justificar os poderosos motivos. 10. o voltar para as suas respectivas províncias. que a deposição da Administração prece- dente em Buenos-Ayres. em conseqüência de dissençoens políticas. 4. 495 convencidos de que se fará tudo quanto estiver dentro dos limites da possibilidade. que . por tanto. segundo as vistas das partes contractantes. 5. será ao depois regulado pelo Congresso. seraõ ajustados pelo Congresso Geral de depu- tados. o qual diz. Providencéa. nomeado para os processar. nestes rios. que se acolheram a Bue- nos-Ayres. co- mo reterío o Governador de Entre-Rios. no caso de duvida. Concede aos indivíduos. que. foi operada pela vontade geral.

o Baraõ da Laguna. que as chaves da cidade de Monte-Vedio se naõ entregarão aos Hespanhoes nem a outra potência estrangeira. e S. l i e 12. se for de seu agrado. foi concordado que se lhe mandasse uma copia do instru- mento. commandantes. recebera instrucçoens particulares do dicto Excellen- tissimo Capitão General. Ex». em posse da Banda Oriental do Rio-da-Prata. para sustentar os seus direitos. segundo as circumstan- cias : fornecer-se-lhes-ha muniçoens e outras cousas neces- sárias. Providencêam á retirada das tropas. e especialmente seraõ izentos de todas s contribuiçoens. que está debaixo de seu commando. O artigo da dieta capitulação.496 Politica. Art 1. 3. que estipula. . e cuja incorporação com as outras pro- vincias federaes seria olhada como feliz acontecimento. Os habitantes deste departamento conservarão todos os seus privilégios. naõ havendo sufficientes plenos poderes para o incluir. será igualmente applicavel a este districto. como estaõ ao presente e se poderão augmentar. 2. possa entrar immediatamente naquellas relaçoens. ratifi- cada pelo General em chefe do Exercito do Brazil. e os Deputados do districto de S Jozé . officiaes e tropas deste dis- tricto continuarão armados e organizados. Convenção entre os Commissarios do Cabildo de Monte- Vedio. para este effeito. com tudo. O chefe. e ratifica- ção da convenção. e a honra da pro- vincia. no caso de evacuação pelas tropas de Sua Majestade Fidelissima. na conformidade do espirito da capitulação entre o Cabildo de Monte-Vedio. que saõ consisten- tes com os interesses da provincia. a fim de que.

para os productos deste districto. se abrirá o porto de Valdes para os vasos costeiros. e se lhes permittirá o continuar a servir em qualquer dos dis- trictos. 1820. fora dos limi- tes do chefe do districto. a menos que tenham crimes naõ connexos com a guerra. 144 3s . 497 4. (Assignado) O BARAÕ DA LAGUNA. dando-se-lhes permissão para voltarem para suas casas. Os sobredictos artigos. VoL. 9. Considerando as difficuldades de transporte. dependendo porém do relatório do chefe e authoridades. 7. Confirmada.N". aos 2 de Feve- reiro. Politica. 6. dentro do qual se conservará a tranquillidade. fôram apresentados a S Ex*. Os habitantes deste districto. e que servirem nos corpos de guerrilhas. sendo concordados pelos Commissarios. XXIV. agora prisioneiros. Naõ seraõ obrigados a serviço activo. comprehendendo o que pediram os Deputados a bem do Districto. Os desertores Portuguezes seraõ perdoados. o Ba- raõ da Laguna. se- raõ considerados como milicias provinciaes. que voltarem para suas casas. Os habitantes deste districto. e seraõ incor- porados nellas . 8. no caso em que desejem assentar praça. em S. se lhes daraõ passaprotes para esse fim. 5. (Assignado pelas partes contractantes) Em virtude dos poderes. para sua approvaçaõ e ratificação pela authoridade Real. se- raõ immediatamente postos em liberdade. que me foram conferidos por Sua Majestade. Todos os officiaes e soldados. Jozé. que desejarem a qual- quer tempo partir para outra provincia.

salgado» Rio Grande. 20» por Madeira 20».Pará 60». dictos Prata em barra 0 * i Rio da Prata 42». Livre de direito* por Arroz Brazil exportação. . 10 p. Preço». por 100 lb. a IA. 420 Bengala 60» 02* . A 7fp.. pilha < 6Jp. 2p. 14 p tíj porlb. 12s. Óleo «le cnpaiba l s . Oebo Rio da Prata 57a 6 a 58* 3B. { Batido Mascavado 48a. por 1121b. 7p. 4p. Op. a 36s. a l s . f Pari l s . Porto 20s. Rio de Janeiro *5 Hambiug-o 36 • Lisboa & ' Cadiz 35 Porto »°* GibrtltHr 30 Pari. ls.. 9p. . de cavallo Ipecaotianha Brazil. 3 2 B .. 54p. 25 de Maio. 9 20» llobropos Hespa. Op Páo Amarello. LONDRF. . ou Inglez. 4p 2s. por eour» Rio Grande í B «< ' Pernambuco. a 68» Cafle. a l i . Rio 110»..por 1191b. 4p. Cacfo . Direito*. a I30s. 1 Ceara Ia.. Op. . Rio Grande por 123 48s. a 9p. 2p.. 1 Capitania. 5p. SaJía Parrilha. Volta 30» Peça* de 0400 reis Liabua Ias. 6p. Câmbios com as seguintes praças. a 3s. a 116s. i comprador. Ourocu 4s. 5s. 8».Brazil. a 7£p. à 12». 44». -Bahia por lb :ls. a H .Urre por Tab c0 * l em folha * exporta ca& Tapiuca. 4p. ^Pernambuco l i . em navio Portuj u*j 1 Minas nova» l s . tlgodatn . Op. Qualidade. Ia. 20» nborir ' o n ç a | Açore» 20a.. . 3p. } direitos pagos pelo _ t em rolo. Hida 2a».S. ..Pernambuco j comprador. Anil Rio 5 por lb. . a 47s.. < Maranham . 3p. Op. Rio fia Prata. Redondo .. } direito» papa» pele P a o Brazil . . a 52». Brazil 120A. Ouro em barra £ 3 17 10} Brazil. . a 1».. ( 408 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Braxil. 25 45 Gênova "i Amsterdã» *2 1 Malta 45 Espécie Seguros. a l s . 2p. 4s. 5p. Para . a ls. Chifres. a 6Jtp.. por lb.Sp. de 1820 Gvucra*. | por 1121b.. 4p. a 55». 30» P e z o » .

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Por Luiz Bona- parte Ex-Rey de Hollanda. 8. S. . 8. Annaes do reynado de George III. M. sobre o Governo da Hollanda.SOO Literatura e Sciencias. 8. Grécia. e notas autho- graphas de Napoleaõ.s Viagens ao Egypto. com cinco retratos. Por Luiz Bonaparte Ex-Rey. Louis Bonaparte. Por Joaõ Aikin. &c. e com numerosas anec- dotas de pessoas distinctas.de Hollanda. em uma série de cartas. A. Syria. Morea. 4. Bramsen's TraveVs in Egypt Src. Por Joaõ Bramsen. Adamsons lifeof Camoens. desde a sua origem no anno de 1234 até o anno VII da Repu- blica Franceza. par Luís Bona- parte. preço 28. Documents historiques sur Ia Hollande. George the Third his Court and Family. F. Por Joaõ Adamson.™ preço 1/. 8V0 preço 21.s Me- mórias da vida e escriptos de Luiz de Camoens. 2 vol. seguida da Magna Charta. &c. 3 vol.í George III. Esc. 1 vol. sua Corte e Familia com dezoito retratos. Historia do Parlamento Inglez.vo preço IO*.vo preço 10. Histoire du Parlement Anglais. 1 vol. e varias estam- pas.Í Documentos historios e re- ílexoens. Cypre. Itália. D.

que a bem da criação e educação dos expostos e engeitados se tem publicado. passamos em re- vista os differentes expedientes. encadernado com mappas 8 guinés. 501 Louis Bonaparte ConresdoKdance inedite. Blair's Chronology.* Conrespondencia. 7 vol. e outras. preço. ECONOMIA POLÍTICA DE SIMONDE. des- de a creaçaõ até fim do anno de 1814. que os soberanos tem . e do Estado. Pelo Barechal Antonio Joaquim de Gouvêa Pinto. e acham espalhadas em differentes artigos da Legislação Pátria. PORTUGAL Saio à luz: Compilação das providencias.) CAPITULO VIL Das Colônias. 8 vo . Preço 360 reis. Historia do mundo. Nos primeiros capítulos deste livro. cuja utilidade tem provado a experiência. Alemanha. preço 3/. ainda naõ publicada até agora. Prncipes. 382. 10. As duas ultimas folhas contém os mais notáveis acontecimentos dos últi- mos 14 annos. official e confidencial de Napoleaõ Bonaparte. Literatura e Sciencias. sem mappas 9 guinés. Ministros e Generaes Francezes e estrangeiros na Itália. com as Cortes Estrangeiras. (Continuada de p. e Egypto* Por Luiz Bonaparte. para utilidade dos mesmos.

mas esta authoridade Soberana naõ se extende ao exterior. posto em uso. Em quanto se naõ fizer alguma differença entre prote- ger o commercio. contra os con- sumidores nacionaes: os quaes todos. para aftra- hir ou vivificar o commercio no interior de seus Estados. Foi preciso. ou ao de transporte. A authoridade Soberana pôde com facilidade criar monopólios no interior do Estado. que todos elles. que o soberano concedia aos negociantes. ou diminuir suas rendas. Mas o systema mercantil. e o commercio de exportação. pela suggestaõ dos negociantes. Temos visto. e enriquecer alguns commerciantes. naõ se acharão outros meios de chegar a isso. assim como o de transporte . por conseqüên- cia. mais ou menos rigoroso. em ultima analyze. segundo o qual se traçaram todas as leys relativas ao commercio. pro- curaros meios de favorecer também este ultimo commer- cio. mas ao mesmo commercio que se achava sacrificado ao interesse de alguns de seus membros. senaõ os de criar novos monopólios. o filho mimoso da politica moderna. leys severas executadas rigorosamente podem sempre favorecer aquelles que o Governo tem determinado enriquecer. naõ eram mais que um monopólio. nos quaes somente faz descançar a esperança de augmen- tar a prosperidade publica. pelo que naõ considera o commercio interior senaõ como meio de che- gar ao commercio de exportação. que a maior parte tinha demais o inconveniente de estreitar a indus- tria.502 Literatura e Sciencias. portanto. admitte por prin- cipio. longe de enriquecer a naçaõ devem ou augmentar as suas despezas. que se que- rem fazer prosperar. e portanto naõ so faziam mal aos consumidores. que o Estado se naõ pode enriquecer. a favor daquelles. senaõ por balanços favoráveis com outros Estados.

teria posto em execução. Por exemplo. se tal foi a intenção. l. esta intenção he soberanamente ab- . que o character distinetivo do systema mercantil éra de offuscar o espirito. quando se fundaram colônias. e isto para lhes vender as suas mercadorias ao depois um pouco mais caras. que. edificar-lhes suas casas. que assegure aos negociantes nacionaes o monopólio de suas mercadorias. e fazer de seus filhos os freguezes de seus mercadores. Tenho dicto muitas vezes. que o legislador quizêra conceder-lhes. que o simples bom senso responderia sem hesitar. para favorecer estes commercios. 2. para obter do reconhecimento. que o bom senso haveria dictado.c Fun- dar colônias. Parece-me.° Desenvolver com politica a sua for- ça ou a sua arte. 503 parecem furtar-se os favores. pela con- fusão detodasas regras. crear novas naçoens. saõ estes os que nos resta a examinar. quando ficarem ricos. que os outros. que se deve attribuir a creaçaõ dos portos francos. Literatura e Sciencias. nos três últimos capitulosdesta obra. lhe comprem sem- pre a elle o que necessitarem." Em fim. e por fim enriquecêllos. do te- mor. que fiquem assas na dependência da metrópole. nos lugares aonde se tem desejado ver grande commercio estrangeiro. dar-lhes bens. obrar de maneira que lhe naõ faça mal. isto he. isto he. ou da ignorância das outras naçoens um tractado de commercio. nenhum negociante particular. para lhe assegurar nellas o monopólio. para se assegurar de ter freguezes. com a única condição de que. ou abolição dos entraves mercantis. 3. para se enriquecera si mesmo o expediente que elle faz adoptar ao Governo de sua naçaõ. certamente. A presentáram-se ao Governo três expedientes. He a esta volta para os verdadeiros principios de economia politica. que houve. na im- impotencia de favorecer o commercio exterior.

antes de tudo. isto he. ou naõ fazem. Ha sem duvida grandes vantagens na formação de colônias. I. pelo con- trario. e que se tem occupado muito mais em obter leys para o sustentar do que em escrever livros para o defender. respondem. Cap. porque. que todos os favores. a Liv. que a balança de commercio entre a metrópole e algumas de suas colônias. uma grande superioridade no valor das car- regaçoens das remessas sobre a dos retornos. que saõ os authores deste systema. que pedem. que esta objecçaõ naõ tem vigor. uo pôde pelo contrario o mal destas ser um bem para a ou- tra? Os negociantes. VII.504 Literatura e Sciencias. parte do império que as fundou ? <j Devem as vantagens das colônias considerar-se como vantagens da metrópole. passando as riquezas de uma par- te de seu território para outra: quando ao depois se lhes observa. deixam ellas a seus olhos de fazer parte do Estado. . fazendo as colônias parte do Estado. segundo as noçoens mercantis . He necessário. deo sempre um balanço mui favorável. sobre que elles naõ estaõ de acordo com sigo mesmo ^ Fazem as colônias. he sempre desfa- vorável á primeira. para tornar a haver depois uma pequena parte por meio de trocas. este naõ se empobrece. Veja-se a nota I. saõ onerosos ao commercio e â industria das colônias. tanto á França como á Inglaterra. surda pois se começou por dar tudo. partindo de seus principios. O commercio com as ilhas do Golpho México apresentou sempre. Quando. se lhes observa. elucidar aqui uma questão. eja naõ acham inconveniente em se enriquecer á custa dellas. nunca fôram chamados a pôr grande uniformidade em seus raciocínios. um balanço mui des- favorável : o commercio com as colônias continentaes. mas ellas saõ de natureza bem differente das que lhes suppoem os fautores do systema mercantil.

3T . VOL. e tinham meios rápidos de adiantamento. offerecêram-lhe nova terra. Aquelles de seus filhos. que somente nellas se reúnem. Com effeito ellas saõ povoadas de gente. simplices e laboriosos. para onde naõ trans- plantavam todas as instituiçoens extravagantes da Euro- pa. A prosperidade de todas as colônias. quando povoaram à America. ao mesmo tempo. que naõ tem proprietários. menos con- tra a aspereza do clima e difficuldades da cultura. ellas abriram a seus subdi- tos um campo mais vasto para desenvolverem sua in- dustria . fundadas pelos Europeos. e tem alcançado fazer com seus braços cem ou mil vezes mais obrado que poderiam fazer povos grosseiros ou ignorantes. portanto. que tivessem em vista as naçoens da Europa. XXIV N° 144. Litera lura e Sciencias. Os Europeos tem chamado ao auxilio das artes e da agricultura. que tinham a luctar. qualquer que tenha sido o objecto. o pecúlio de conheci- mentos. do que contra sua própria ignorância e privaçoens. senaõ as que receberam da natureza. procede principalmente do concurso de três circumstancias. Os colo- nos tinham centuplicado suas forças pela experiência d'outrem. que possue todos os aperfeiçoamentos das artes e da industria. que enviaram á America. os primeiros homens naõ conheciam outras forças. que seus antepassados tinham accumulado Estes novos fundadores de naçoens. os conhecimentos herdados de seus antepas- sados. que se deve apreciar a importância das colônias. 505 Não he por estas vistas sórdidas. saindo da casa paterna. cujos custu- mes saõ. eram muito mais favorecidos do que os primeiros pays dos nossos povos da Europa. e depois aperfeiçoados: reduziram a sciencia o em- prego das forças humanas. receberam delles como por dote. e que saõ admittidos a ter parte das terras férteis.

que produz em toda a parte: a agricultura tornou a trazêllos aos custumes das naçoens nascentes. e a temperança mãy do vigor: de sorte que estas contém. tornou a chamállos aos sentimentos de sua liberdade. de sorte que. e fazendo-lhe achar em si mesmo os seus recursos. o effei- to.506 Literatura e Sciencias. Os colonos. que gera a moleza. entre as naçoens de longo tempo civilizadas. como os povos na sua infância. e de sua independência. o amor ao trabaldo. istohe terras bastantes para cultivar. que só pertence a homens livres. ou fazem alguma cousa. e que. saídos em busca de fortuna. e desenvolveo em seu characterésta ener- gia. apresentando-lhe os puros gozos da natureza. proporcional- mente â sua população total. bem depressa trouxeram com sigo os vicios. Mas os Europeos pagaram bem caro os conhecimentos que tem adquirido : devêram-os ás suas riquezas. que naõ redunda em proveito da sociedade. se um só artista pôde fazer facilmente dez vezes mais obrado que poderia fazer antes de sua civilização. que se lhe seguem: isolando o homem. que por longo tempo se tem aperfeiçoado nas . banio o luxo. e éstas- produzindo o luxo. O trabalho dos campos produzio no seu character. a moleza. e os vicios. por outra parte a metade ou três quartas partes dos homens ou naõ fazem nada. e cuja propriedade podiam adquirir. entre- gavam-se quasi todos à agricultura. achando lá o que se naõ encontra nunca na Europa. como acontece nas naçoens. gran- díssimo numero de obreiros productivos. e obtendo gratuitamente o trabalho da natureza que augmentava a força productiva do delles. levaram para sua nova pátria o desejo do trabalho. e a occiosidade. porque. em fim tem dado por character distinetivo ás naçoens nascentes das colônias. naõ po- diam exercitar sua industria de maneira mais proveitosa. naõ pagando Tenda. fez-lhes perder o desejo dos falsos prazeres.

he mui superior ao de toda a outra naçaõ. parece indubitavel que lhe importa fazêllas florecer. que sempre fez o character da gente industriosa. que os poêm em movimento.prospe- ridade de sua nova pátria deve augmentar com a celeri- dade de uma progressão crescente. a sua riqueza naõ depende senaõ do emprego de um capital Europeo. proporcionalmente ao salário necessário. a felicidade que procurara a uma parte de seus filhos. que os ren- dimentos das colônias. o Governo desta deveria considerar.. Com effeito. e cujo capital montasse á mesma somma. composta de igual numero de indivíduos. o valor do producto do trabalho destes obreiros he mui grande. por mais que se duvide. tanto no salário supérfluo como em lucros e rendas. como se vê. a uniaõ de vanta- gens d'uma naçaõ" velha com outra nova. se ella se voltar realmente. aonde. com viva satisfacçaõ. como creio. por causa da frugali- dade. 507 artes. Mas deve ter ainda mais a peito o augmento desta prosperidade. devem enriquecer-se rapidamente. e a. Os Gregos enviavam freqüentemente colônias para * Isto naõ he applicavel ás colônias das Antilhas. nem desenvoluçaõ da in- dustria . e que o seu consumo ou a sua despeza he muito menor. d'onde resulta. As rendas dos colonos sobrepujam muito além de suas despezas. em vantagem da metró- pole.entretanto. fazendo-se o trabalho com escravos. sempre ha. uma vez que estaõ fundadas. Literatura e Sciencias. se convém ou naõ ás naçoens da Europa o fundar colônias.* Ainda mesmo que se naõ pudesse confundir a prospe- ridade da colônia com a da metrópole. naõ ba energia nos homens livres. . assim nunca a sua prosperidade foi completa: naõ se tem ali visto augmento de população. nas campanhas desertas do mais fértil paiz do mundo.

desde a origem de ambas as republicas) e por ahi se vê . de sorte que as colônias dos Gregos nasceram da necessidade. ellas se auxiliavam mutuamente. para assegurar a continuação de sua obediên- cia. as nossas da avareza. e um augmento de força para o Estado.* * Os Carthaginezes. ja mais se pensou em assegurar por seu meio a obediência dos povos. no meio dos povos sugeitados. que ella se descarre- gasse de parte de seus filhos: julgava-se que os laços de parentesco uniam ambas as naçoens. As nossas colônias d'alem mar differem d'umas e d'ou- tras. mas um augmento de riquezas.508 Literatura e Sciencias.que atravessaram o Atlântico. mas sim expulsâllos. os que ficavam no paiz achavam- se mais folgados: e os que partiam encontravam nos seus novos estabelicimentos mais facilidade de viver. mas nao dependiam uma da outra. e dos paizes bárbaros submettidos a seu poder. e incorporâllos para sempre em seu vasto império: propunham-se na sua fundação a uma vantagem particu- lar para seus colonos. e occupar o seu lugar. porém succedia isso quando o excesso de população na metrópole exigia. As colônias dos Romanos naõ eram do mesmo gênero constavam de guarniçoens. A vantagem reciproca havia sido quem presidira ao nasci- mento destas colônias. naõ havia na Europa um excesso de população. cujo espirito éra totalmente mercantil. entre que se estabeleciam. em fim naõ se tem visto neste estabelicimento um augmento de for- ças. parce que tiveram intençoens de gozar o monopólio do mer- cado de suas colônias. que estabeleciam de maneira permanente depois de suas conquistas. as dos Ro- manos da ambição. Polybio conservou-nos todos os seus tractados com os Ro- manos. occupar desertos. que necessitasse da saldados exames.

e vizinhanças de Bisacium. e algumas vezes um official da Casa Real. Desde os primeiros tempos da Monarchia Franceza. ou Conde de Palácio. a que depois se substituio o Preoot de Chotel-. se acham traços desta dignidade. se extendeo mais longe o monopólio dos Carthaginezes. parecêram-me merecer ser postos ante os olhos do Leitor. ao mesmo tempo que os admittia no seu porto. naõ lhes permittiam. posto que o officio conresponda de algum modo ao de Mordomo Mor d* El Rey. dos bailiados e senescaes. Pelo primeiro tractado concluído no anno de Roma 245. Literatura e Sciencias. para presidirem ao processo. ainda que concluído muito antes da primeira guerra entre estes dous povos. e o Senescal. assistir nas cortes de justiça. como nas suas posses- soens de Sicilia. um gram se- nhor. 509 que a cidade mercantil tomava particular cuidado em excluir os negociantes Romanos da Sardenha e da Lybia. sob o Consulado do primeiro Bruto. daqui veio a introducçaõ de seus delegados. por um tractado posterior. os Carthagenezes naõ prohibíram aos Romanos senaõ a approxima- çaõ á pequena Syrta. C. dignidade esta para que naõ achamos termo conrespondente na lingua Portugueza. N o capitulo decimosexto. principalmente em tempo de guerra. (Continuar-se-ha. 509. Depois. para este fim se designava particularmente o Conde Palatino. Meyer. tracta o A. um principe. Estes primeiros symptomas da influencia do espirito mercantil na diplomacia. A. par Mr.) Esprit des Institutions Judiciaires de VEurope. como um bispo. Este delegado éra sempre uma personagem de importância. hoje em dia. As occupaçoens dos monarchas e dos grandes senhores. Carthago. como j a vimos. e o titulo de conde designava as suas .

os reys de França passaram estas funcçoens para o Senescal ou Maitre d'hotel. nas oceasioens de grande ceremonia. mas os Imperadores CaTlovingianos tinham um Conde com este officio judicial. com as funcçoens judiciaes. e posto que o nome do officio de Senescal fosse de natureza medíocre. que havia per- tencido ao Conde Palatino. que tinha a seu cuidado o provimento da meza d'El Rey. cujo officio perpetuo éra exercitar as funcçoens judiciaes por El Rey. que foi suprimido. funcçoens judiciaes. e apre- sentar-lhe os pratos. de que ainda se conserva memória na Inglaterra. talvez por isso se lhe concedesse também o poder judicial. como éra. pois indicava meramente o Mordomo. o Senescal a principio só exercitava juris- dicçaõ delegada pelo principe. Phillippe Augusto dividio os dominios Reaes em qua- tro provincias. em cada uma das grandes divisoens do Império. mas como tinha certa superintendência e jurisdicçaõ so- bre os demais criados da Casa Real. Entretanto. o encargo connexo. com o nome de bailios. veio a ser tam im- portante. confiando a sua administração a outros tantos Senhores. quando este se achava impedido. aonde existem quatro condados Palatinos. porque o Se- nescal naõ podia aceudir a todas as partes. além disto . mas do tempo de Phillippe Augusto em diante. quando os Reys começaram a exercitar uma authoridade mais limitada. se criaram em França magistrados. o qual a principio naõ éra mais doque o official. A exemplo dos Reys os Gram Senhores deram também a seus Senescaes este emprego judicial.510 Literatura e Sciencias. Abandonado este titulo de Conde Palatino. Os primeiros decidiam as contro- vérsias entre os domésticos e séquito de Palácio. que a podia a dar quem qui- zesse.

" Os Gram Bailios e Senescaes naõ eram juizes : nenhum vassallo se submetteria a uma jurisdicçaõ dependente só da von- tade do Rey ou do Gram Vassallo . A razaõ publica desta instituição éra falicitar a ad- ministração da justiça. posto que em feudos menores somente se declararam os Senes- caes Gram justiciarios. os pares das partes contendentes. conservaram-se estas denominaçoens. cujo cargo conrespon- dia com pouca differença. mas naõ os Bailios. Quanto á administração judicial destes officiaes. assim a descreve o A." . commandando o bando feudal no seu districto. a quem encarregavam a administração judicial. na accepçaõem que hoje se toma esta palavra. recolhia os seus votos e pronun- ciava a sua sentença na conformidade desses votos. e quando os feudos se reuniram á coroa. e tinham também a seu cuidado a cobrança das rendas Reaes. e os Senescaes naõ eram magistrados. ao dos Governadores no tem- po de Henrique I I I . mas sim Gram Senhores. a p. convocava para ella os homens do Cantaõ. mas elle presidia na sua Corte Senhorial. Literatura e Sciencias. 511 dèram-se ao Bailio outras attribuiçoens. 121. Nota o A. e nestes casos o Senescal trazia o pendaõ Real. Como o nome de Bailio éra co- nhecido em outras substituiçoens de poder. que nao competi- ram nunca ao Senescal. que naõ tinham bandeira particular. estes foram agora denominados Gram-Bailios. e minar assim surda- mente a influencia dos Gram-vassallos immediatos. e com a permanência dos magis- strados fazer mais uniforme a intelligencia das leys: mas a razaõ occulta éra pôr os subvassallos em contacto mais próximo com a authoridade Real. conduzindo â guerra os vassallos immediatos. e Senescalatos. que os Gram Bailios. e ficou a França dividida em Gram-bailiatos. Cada gram vassallo nomeou também bailios em suas ter- ras.

de fazer justiça só aos vassal- los immediatos. avocando a si as causas. et prog. 123. e. (Bernadi Orig. quanto um author moderno. em conseqüência de suas instrucçoens se- cretas. ao principio. en Franc. fundar diffinitivamente a su- premacia da justiça Real. Na nota a este paragrapho o A. 4. ajuncta muitas authori- dades. da leg. conseguiram. com que prova a sua asserçaõ. Daqui de segue. e alcançaram por fim consolidar a doutrina das appellaçoens. que naõ podiam ou naõ deviam ser julgadas nas Cortes Senhoríaes. 5. regulando os conflictos de jurisdicçaõ. .) tira desssas mesmas authoridades uma conclusão opposta. e preparar assim a reforma total da administração da Justiça em França. ap. julgando as faltas de di- reito. naõ perdiam nunca occasiaõ de extender a juris- dicçaõ Real. levantando disputas entre elles. naõ éra uma mudança na forma da ad- ministração da justiça: mas as conseqüências políticas deste estabelicimento fôram de summa importância. por que os bailios. referencia tanto mais necessária.512 Literatura e Scie7icias. como diz o A. " Encaregados. sem nenhuma excepçaõ. que a instituição dos Gram Bailios e dos Senescaes. Liv.

Officio do Conde da Figueira. que marchasse com a sua divisão. depois que André Artigas as tomou. e assestou V O T XXIV N. por um momento. os communique a S. a fim de que V. por estarem as águas crescidas. para atacar o inimigo em frente. e Pantaleaõ Sottello (commandante das Missoens Hespanholas. na margem superior do Taquarimbo. e tendo debaixo de suas ordens Manuel Cahire. O inimigo estava acampado em uma posição natural- mente forte. í 513 j MISCELLANEA.° 143 3u . e por este rio. Ex*. A sua força éra de 2. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor! Os gloriosos suecessos que as tropas desta Capitania alcançaram. para atacar o inimigo em flanco. na batalha de 22 do corrente. como general em chefe. e cruzasse o pântano. que forma uma curva.500 homens. e fiz que o Brigadeiro Câmara passasse os ramos do Taquarimbo com a sua divisão. naõ se devem ocultar a V. GUERRA DO RIO-DA-PRATA. debaixo do meu commando. e cujas passagens eram poucas. cuberta na frente por um pântano. commandados por La Torre.) Eu ordenei immediatamente ao Brigadeiro Abreu. A este tempo formou-se o inimigo no seu campo. e no flanco por um ramo do Taquarimbo. Majestade. E x a . e os váos dificultosos. ao Secretario de Estado.

" e derrotaram completamente o inimigo. que este immediatamente perdeo a sua posição. Mandei 200 homens. abandonando a sua artilheria. e grande numero de feridos e prisioneiros. dando eu ordem para avançar. mas retiroa-se depois para Mataijo. Tomáram-se 4 peças d* artilheria. Eu testemunhei com a maior satisfacçaõ o valor de nos- sas tropas. a fixar os lugares . e ordenei ao Brigadeiro Abreu que varresse o resto do paiz até o Uruguay. o qual fugio precipitadamente. para pôr fim ao partido de Artigas neste lado. Artigas (segundo dizem os prisioneiros) achou-se presente no principio da batalha. deitando por terra as armas. Officiaes 21 : subalternos e soldados 469: Total 290. quatro peças d'artilheria que conservaiam vivo fogo contra nós. para lhe tomar todo o trem e bagagem na sua marcha.514 Miscellanea. que vendo-me á sua frente. naõ obstante o fogo da artilheria e mosqueteria do inimigo. cruzaram o rio gritando " Viva El Rey.305. defendida pelo rio. 705 subal- ternos e soldados. o Bri- gadeiro Abreu executou o movimento com tal impetno- sidade. Prisioneiros. Gram total 1. e se retirou para outra mais forte. debaixo das ordens do Tenente Coronel Da Silva. O seguinte he o total da perca du ini- migo :— Mortos. muniçoens e bagagem. e eu vou para a fronteira. Feridos. Total 800. 1 general: 4 officiaes superiores. A nossa perda foi somente de um morto e cinco feridos! La torre fugio em tal desordem que deixou o seu caval- lo epístolas. Subalternos e soldados 16. para aquelle ponto. porém. e grande quantida- de de muniçoens &c. O General Pantaleaõ Sottello ficou morto no campo de batalha.

tendo Sua Ex- cellencia já ha quasi um anno annunciado a Sua Majes- tade a suatençaõ de se apresentar em a Sua Real Presen- ça. Ordem Do Dia. como os soldados do ex- ercito naõ duvidarão de que as suas vistas em esta viagem lhes diga respeito a todos. e ajusta consideração. que se distingui- ram. o que por causa de consideraçoens ha pouco mo- tivadas. e a cada um em mais. e guardar o lado do Uru- guay e Arapuy. e por tudo quanto toca â honra do exercito. e nascidas. com o seu bom senso. pelo exemplo do passado. com grande pezar. e com seus generosos sentimentos. que nenhum individuo possa duvidar do inte- resse que elle sente. porque Sua Excellencia espera. e esta justiça.) LISBOA. 515 próprios a serem guarnecidos. Sua Excellencia nunca ja mais cessou de fazer tudo quanto delle dependia para lhe procurar esta consideração. pela felicidade. que todas as suas tentativas naõ tive- ram o effeito que elle desejava. e tanto os Senhores officiaes. elle faz com bastante pezar: mas naõ he agora que elle tomou esta resolução. Sua Excellencia o Senhor Marechal General Marquez de Campo Maior se acha em as circumstancias de ainda ter que annunciar ao exercito a sua ausência temporária delle. . que elle merece. conforto. Quartel General do Pateo do Saldanha 2 de Abril de 1820. ou em menos. (Seguiam-se os nomes dos officiaes. naõ obstante. Miscellanea. e posto que tenha visto. o exercito.

e consequentemente. e em todas eilas as vio. e tanto tem sentido as privaçoens que vários excellentes. ainda as circumstancias. e beneméritos officiaes tem soffrido. que elle naõ deseja maior honra que a de o commandar. aniinosas e bravas contra o inimigo. e ao menos pôde o Exercito estar certo que taes saõ os seus desejos. Tal he o testemunho. como em o de paz. que circumstancias infelices tem feito tanto retardar. estimará voltar o mais cedo possivel a este Reyno.516 Miscellanea. que sempre Sua Excellen- cia terá de dar deste exercito de Portugal. e em outros as impossibilidade?. Sua Excellencia o tem visto em todas is situa^oens tanto em o tempo da Guerra. que os Excellentissimos Senhores Governa- dores do Reyno fazem todos os esforços possíveis para melhorar o estado dos pagamentos dos soldos. e a elle Sua excellencia reconhece ser devedor. Sua Excellencia asse- gura ao exercito. naõ se pôde duvidar que Sua Majestade com o seu custumado favor para com o seu exercito. Ha presentemente mais de onze annos que serve com este Exercito. e em todo este tempo naõ tem tido senaõ motivos de se gloriar deo ter commanda- d o . se apresentaram para tornar futeis os esforços feitos em conseqüência das suas representaijOens. e Prets. em alguns casos. e privaçoens. Sua Excellencia com tudo separando- se temporariamente do exercito. e pelo qual retardamento Sua Excellencia sabe. pacientes em os trabalhos. tem a consolação de lhe poder segurar. desse pouco ei édito . e fieis á sua Pátria. e achou subordinadas aos seus superio- res. e sobre este ponto. sendo do agrado de Sua Majestade. verá que por bons que tenham sido os desejos de todos para com elle. mas os quaes sempre se devem submettera vontade de Sua Majestade El Rey Nosso Senhor. dará decizivas providencias. leáesao seu Rey. em que he possivel para tropas de se acharem involvida*.

Aoexercito em geral Sua Excellencia o Senhor Ma- rechal General naõ precisa recomendar senaõ que tenha a mesma conducta. á qual tudo deve ceder. que pode ter adquirido: Sua Excellencia naõ pôde pois deixar de an ar esta tropa. 517 ou da reputação militar. para chegar ao estado actual. e Sua Excellencia naõ pôde omit- tir de declarar aqui. e tanta reputação na Europa. nem pôde Sua Excellencia tam bem deixar de mencionara SegundaLinha. e naõ cessará de solicitar em seu favor tudo o que a justiça permitte. e leal- dade. e felicidade da Pátria. nao duvida de o achar na sua volta. e elle o confessa. e que seja compatível com as circumstancias. officiaes e soldados a con- tinuação dos mesmos esforços. em que os Regimen- tos de Milicias se acham geralmente.que a Primeira Linha está em perfeito estado de disciplina. e de lhe segurar que naõ faltará a pôr na Presença de Sua Majestade o zelo. como já ex- perimentou mais de uma vez. que evidentemente tem feito. assim como a sua segurança. respeito. e este naõ poderá deixar de se augmentar com os e timu