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CORREIO BRAZILIENSE

OU

ARMAZÉM LITERÁRIO

JULHO DEZEMBRO, 1819

Imprensa Oficial do Estado
Diretor-Presidente em exercício
Luiz Carlos Frigerio
Diretor Industrial
Carlos Nicolaewsky
Diretor Financeiro e Administrativo
Richard Vainherg

Correio Braziliense
Diretor-Presidente
Paulo Cabral de Araújo

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Instituto Uniemp
Diretor-Executivo
César Ciacco

Observatório da Imprensa
Editor-Responsável
Alberto Dines

Laboratório de Estudos Avançados
em Jornalismo (Labjor)
Coordenador
Carlos Vogt
Pesquisador
Alberto Dines

fflPOLITO JOSÉ DA COSTA

CORREIO BRAZILIENSE

OU

ARMAZÉM LITERÁRIO

EDIÇÃO FAC-SMUAR

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C O R R E I O BRAZILIENSE IMPRENSA
SE**^ OFICIAL
PUBLICO DE QUALIDADE

2002

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paquete". Também comenta o episódio envolvendo Carlota
Joaquina e súditos ingleses que, ao cruzar com a rainha numa rua
do Rio de Janeiro, não apearam como de praxe. Um decreto de d.
João VI premia os índios do Ceará Grande, Pernambuco e Paraíba
por sua adesão às tropas do governo em conflito ocorrido em
1819. Hipólito também registra que foi lançada no Rio de Janeiro
a pedra fundamental da primeira capela protestante no Brasil.
Das campanhas pela independência da América
espanhola, a grande estrela agora é lorde Cochrane, que, entre
outras proezas, apresou uma canhoneira e dois navios espanhóis
no porto de Lima; decretou o bloqueio do Peru e tomou a ilha de
São Lourenço. Cochrane tomou também um navio mercante
espanhol carregado com 200 mil patacas e uma escuna americana
enviada pelo embaixador espanhol nos Estados Unidos ao vice-
rei do Peru.
Hipólito especula sobre as razões "dos mais ver-
gonhosos atos de opressão contra os judeus" que se verificaram
em várias partes da Alemanha. O mais provável, diz o jornalista,
é que se tratasse de rivalidade mercantil. Razão que lhe parece
descabida, já que a riqueza dos judeus redunda em benefício do
país. Lembra então o que acontecera a Portugal, cujos judeus
expulsos foram enriquecer a Holanda, e sonha com a possibilidade
de d. João VI vir a abrigar no Brasil os judeus da Alemanha.
Também da Alemanha chegam rumores da existência de uma
alarmante associação política de estudantes de várias
universidades. Para a Dieta germânica, a causa das desordens
era o abuso da liberdade de imprensa. Apesar da adesão de muitos
Estados alemães à proposta da Áustria de impor limites à
imprensa, a aprovação não foi geral. Na Prússia, os tribunais
protestaram porque viram na proposta o princípio de uma
ingerência da Dieta nos Estados alemães.
Dentre as novas publicações na Inglaterra, destaca-se
a Egyptian Mythology, de James Cowles Prichard, e o terceiro
volume da História do Brasil, de Robert Southey. Uma curiosidade
para os que estudam relações raciais no Brasil são as Reflexões
sobre a Capitania de Minas Gerais, de Antônio da Rocha Pitta,
que identifica os homens pardos como a "escória do gênero
humano": perversa, preguiçosa, viciosa e sem moral, e os pretos
como igualmente preguiçosos mas ainda menos aptos para os
"conhecimentos que ilustram os homens".

CORREIO RRAZILIENSE,

OU

ARMAZÉM LITERÁRIO.

VOL. XXIII,

LONDRES:

IMPRESSO POR R. GREENLAW, 30, HOLBORN.

1819.

CORREIO RRAZILIENSE
DE J U L H O , 1818.

Na quarta parte nova os campos ára
E se mais mundo houvera 1& chegara
CAMcu-Ns, c. vil. e. 14.

POLÍTICA.

REYNO U N I D O DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES.

Edictal da Juncta do Commercio em Lisboaxsobre as pre-
zas de Artigos.
Tendo a Real Juncta do Commeixio, Agricultura» Fa-
bricas, e Navegação, mandado publicar por Edital de
28 de Abril próximo pretérito a Deliberação Regia, pela
qual Sua Majestade foi servido ordenar que os proprie-
tários ou interessados nos Navios insultados, roubados, e
aprezados pelos Piratas, houvessem de legalizar os dam-
nos e perdas, que tem soffrido, para se fazer a reclamação
delles juncto dos Estados-Unidos d' America, a cujo fim
deveriam os mesmos interessados naquelles prejuízos apre-
sentar na dieta Real Juncta, em termo de trinta dias, todos
os documentos instruetivos das reclamaçoens para se

4 Politica.
rem presentes ao Mesmo Senhor; E havendo effectiva-
mente concorrido muitos Reclamantes, sem com tudo a
maior parte delles se qualificarem com documentos bas-
tantemente legalizados, e outros até sem requerimento
nem exposição dos motivos, em que fundam os seus Di-
reitos nem designação das quantias líquidas, que recla-
mam : tomou o Tribunal a deliberação de ir remettendo
ao Desembargador Conservador dos Privilegiados do
Commercio todos os papeis dos Reclamantes, depois de
ter ouvido a sua Contadoria; para se legitimarem Pe-
rante o dicto Ministro em fôrma legal, e attendivel satis-
fazendo cada um dos mesmos Reclamantes aos requi-
zitos, que faltarem para a boa instrucçaõ das Reclama-
çoens.
O que assim manda o dicto Tribunal fazer publico
por este Edital, a fim de que os Interessados possam di-
rigir-se ao dicto Ministro com os seus requerimentos, pa-
peis, e instrucçoens, que mais devam produzir sobre os
mencionados objectos, tendo em vista a brevidade pos-
sivel,—Lisboa 14de Junho de 1819.—José Accursio das
Neves.

INGLATERRA.

Falia do Orador da Casa dos Communs a S. A. R. o
Principe Regente, na prorogaçaõ do Parlamento, aos
13 de Julho.

Possa isto ser do agrado de Vossa Alteza Real.
Nós, os fieis Communs de Sua Majestade, no reyno
unido de Gram Bretanha e Irlanda junetos em Parlamen-

Politica. 5
to, nos apresentamos ante Vossa Alteza Real, com o bill
final para os subsídios.
Os objectos que occuparam a nossa attençaõ foram
mais numerosos, mais vários, e mais importantes, do que
ordinariamente se apresentam â consideração do par-
lamento em uma sessaõ.
Em muitos destes objectos nos empregamos, fazendo
longos e incançaveis exames; porem tal foi o aperto de
outros negócios, e particularmente daquelles, que ordina-
riamente pertencem á primeira sessaõ do Parlamento;
e tal a magnitude e perplexidade de muitas dessas inda-
gaçoens, que os da presente sessaõ naõ permittiram poder
conclui lias.
Porém, Senhor, entre as medidas, que se completaram,
as mais prominentes, as mais importantes e em suas con-
seqüências, como esperamos, as mais benéficas ao publico,
saõ aqueilas medidas que se originaram da consideração
do presente estado do paiz, tanto na sua moeda corrente,
como nas suas finanças.
Senhor, nos principios da presente sessaõ, instituímos
uma indagação sobre os effeitos produzidos delos câmbios
com paizes estrangeiros, e sobre o estado do meio circu-
lante, pela restricçaõ dos pagamentos do Banco a dinheiro
metálico. Conduzio-se esta indagação com muita anxi-
edade e grande deliberação; e o seu resultado levou á
conclusão de que éra muito para desejar, que se voltasse
depressa, mas com a precaução devida, ao nosso antigo
e saudável estado da moeda corrente, que, quaesquer que
possam ter sido as conveniências dos Actos, por que se
suspenderam os pagamentos a dinheiro, nos differentes
períodos, em que esses Actos foram promulgados, (e sem
duvida eram convenientes em quanto o paiz estava invol-
vido na mais dispendiosa contenda, que jamais opprimio

g Política.
as finanças de paiz algum) com tudo, havendo cessado
aquella necessidade para continuar estes actos; conveio-
nos o voltar ao nosso antigo systema, com a menor de-
mora possivel, e evitando cuidadosamente a convulsão
de uma transição demasiado rápida; e que, se em algum
periodo eem quaesquer circumstancias se podia effectuar
esta volta sem inconveniente nacional, éra ao presente,
quando esta poderosa naçaõ com um orgulhoso prospecto
do passado, depois de ter feito os maiores esforços, e al-
cançado os mais nobres, objectos, estava agora descançan*-
do em uma confiada, e, como muito esperamos que seja,
bem fundada expectaçaõ de uma paz solida e duradoira.
Considerando, Senhor, o estado de nossas finanças e
comparando miudamente a nossa renda com a nossa des-
peza: parece-nos que o excesso do nosso rendimento naõ
he adequado para os fins a que foi applicado; isto he a
reducçaõ gradual da divida nacional.
Parece-nos, que se devia por de parte para este objecto
um balanço liquido de é:000.000 de livras esterlinas.
Isto, Senhor, se féz,. por meio dé uma imposição addi-
cional de taxas, na somma de 3:000.000 de livras.
Senhor; adoptando. este curso, os fieis Communs de
Sua Majestade naõ occultaram a si mesmos, que chama-
vam a naçaõ a fazer um grande esforço; porém conhe-
cendo bem que a honra, character e independência tem
sido em todos os tempos o primeiro e mais charo objec-
to do coração dõs Inglezes se sentiram seguros de que
naõ havia difliculdade que o paiz naõ arrostasse, nem
aperto a que se naõ submettesse voluntária e contente-
mente, para o habilitar a manter puro e sem mancha,
aquillo que nunca foi abalado nem manchado; isto he, o
seu credito publico, e a sua boa fé nacional.
Assim, Senhor, tenho trabalhado, e conheço quam im-

Política. <j
perfeitamente, por mencionar as varias obrigaçoens que
se nos incumbiram, em uma das mais longas e árduas
sessoens, que se lembram nos registros do Parlamento.
O bill Senhor, que he do meu dever apresentar a
Vossa Alteza Real, se intitula:
" Um Acto para applicar certos diuheiros, nelle men-
cionados, ao serviço do anno de 1819; e para appropriar
outro sim os subsídios, concedidos nesta sessaõ do Par-
lamento."

Falia de S. A. R. no enceramento da sessaõ do Parla-
mento.

My Lords e Gentishomens.
He com o maior pezar, que sou outra vez obrigado a
annunciar-vos, a continuação da lamentável indisposição
de Sua Majestade.
Naõ posso fechar esta sessaõ do Parlamento, esm ex-
pressar a satisfacçaÕ, que me tem causado o zelo e as-
siduidade, com que vos tendes applicado aos diversos
importantes objectos, que vieram á vossa considera-
ção.
A vossa paciente e laboriosa investigação, sobre o
estado da circulação e moeda corrente do Reyno, requer
os meus mais ardentes reconhecimentos; e eu entretenho
uma confiada expectaçaõ de que as medidas adoptadas,
como resultado desta indagação, produzirão as mais be-
néficas conseqüências.
Gentishomens da Casa dos Communs.
Agradeço-vos os subsídios, que concedestes para o
serviço do presente anno.

que as leys me tem confiado. para tirar partido das penúrias lo- caes. quando voltareis para os vossos respectivos condados usareis dos vossos maiores esforços.S Politica. a fim de excitar o espirito de descontentamento e desaffeiçao ás instituiçoens e governo do paiz. e que. para encontrar-vos de uma vez com todas as difficuldades íinanciaes do paiz: e me re- sulta grande satisfacçaÕ de crer. que recentemente se tem feito. que ten- des meditado para este fim. mas anti- cipo as mais importantes e permanentes vantagens do es- forço. do que o promo- ver o bem e prosperidade de todas as classes de subdi- tos de Sua Majestade. realmente naõ tem outro objecto senaõ a subversão de nossa feliz conssituiçaõ. as tentati- vas. Ne- nhum objecto toca mais o meu coração. porém isto naõ se pôde fazer sem a manutenção da publica ordem e tranqüilidade. Podeis portanto descançar na minha firme determina- ção. Lamento sincerametne. que assim tendes feito. somente aggrava- riam os males. que existisse a necessidade de fazer alguma addicçaõ aos encargos do povo. e naõ tenho duvida de que. saõ calculados para fazer com que a imposição seja a mais leve possivel. cujos projectos. em cooperação com os dos magistrados para desfazer as machinaçoens daquelles. se fossem realizados. em tanto quanto se podia esperar. My Lords e Gentishomens Continuo a receber das potências estrangeiras as mais firmes seguranças de sua amigável disposição para com este paiz. em todas as classes da communidade. de- baixo do pretexto de reforma. que os meios. com grande sentimento. quando éra preciso fazer tam grande esforço. de empregar para este fim os poderes. que se propõem remediar. Tenho observado. . em alguns dos dis- trictos manufactores.

R. por um Acto. por e com o parecer de seu Conselho Privado. colônias ou lugares. pertencentes a Sua Majestade. N" 134. A. dar taes di- recçoens. para Leste do Cabo de Boa Esperauça (excepto somente as posses- soens da Companhia da índia Oriental) quaes a Sua Ma- jestade em Conselho parecessem mais convenientes e sau- V o t . 24 de Agosto próximo futuro. passado no anuo 57 de Sua presente Majestade. ou estando em sua posse na África ou Ásia. He do prazer e vontade de Sua Alteza Real. Porquanto. Presente S. e fazer taes regulamentos a respeito do trafico e commercio de todas as ilhas. XXIII. que este Parlamento se prorogue para terça feira. My Lords e Gentishomens. o Principe Regente em Conselho. para regular o trafico e commercio no Cabo de Boa-Esperança. e também para regular o trafico da Ilha das Mauricias:" he Sua Majestade authorizado. para entaõ se ajunctar: e este Parlamento he consequentemente prorogado até terça feira 24 de Agosto próximo futuro. g Prorogaçaõ do Parlamento pelo Lord Chanceller. obrando em nome e a bem de Sua Majestade. o Principe Regente. que se hajam de expedir de tempos a tempos. B . regulando o Commercio das Mau- ricias. Política. intitulado. por meio de ordem ou ordens. ate o dia 5 de Junho de 1820. Ordem em Conselho. e seus territórios e dependências. " Um acto para conti- nuar e extender as providencias de um Acto de Sua pre- sente Majestade.

e 8o. o Prin- cipe Regente. uma carga. chegando como fica dicto. que estejam agora em força a respeito das colônias e plantaçoens de Sua Ma- jestade. inti- tulado" um Acto para prevenir as fraudes. e regular os abusos no trafico das plantaçoens . ou laã de manufactura estrangeira) teraõ faculdade de entrar e desembarcar suas cargas e dispor dellas nos mes- mos portos. sugeitas aos direitos. que sobre elles se houverem de pagar: E he outro sim por esta ordenado. producto ou manufactura da ilha das Mauricias ou suas dependências. que desde e de depois da data desta presente ordem. naõ obstante quaiquer cousa que se contenha em um Acto para animar e augmentar os navios e na vegaçaõ. que esteja em amizade com Sua Majestade. A. os navios Britanni- cos. E he outro sim ordenado. teraõ permissão de exportar para qualquer paiz estrangeiro. leys. que os navios per- . consistindo de quaesquer ar- tigos do crescimento. daveis. ferro. usos ou custumes em contrario: S. ou qualquer outro Acto ou Actosdo Parlamento. por e com o parecer do Conselho privado de Sua Majestade he he servido ordenar e he por esta ordenado.10 Politica. producto ou manufactura de tal paiz (ex- cepto todos os artigos compostos de algudaõ. em amizade com Sua Majestade. R. pa- gando aquelles direitos. que pelas mesmas se hou- verem de pagar. que todos esses vasos Bri- tannicos. que ali se tenham legalmente importado. ou de outros quaes- quer artigos. carregados de quaes artigos do crescimento." nem qualquer outro Acto ou Actos do Parlamento. passado nos annos 7o. que chegarem a qualquer porto da ilha das Mauricias ou suas dependências. aço. em nome e a bem de Sua Majestade. do reynado de Sua Majestade El Rey Guilherme III." nem em um Acto. de qualquer paiz.

producto ou manufactura da ilha das Mauricias ou suas dependências. que se houverem de pagar por similhantes artigos quando forem importados de tal porto estrangeiro em va- sos Britannicos: e que todo o navio estrangeiro terá per- missaõ de exportar uma carga. E os Muito Honrados Lords Commissarios do Thesouro de Sua Majestade. nos mesmos termos como se fosse feito em vasos de tal Estado Estrangeiro. producçaõ ou manufactura de tal paiz (excepto todos os artigos com- postos de algudaõ. quaesquer artigos do crescimento. pa- gando os mesmos direitos. consistindo de quaesquer artigos do crescimento. porém. ferro. terá permissão de exportar tal carga para alguma das possessoens de Sua Majestade. por esta ordenado. aço ou laã de manufactura es- trangeira) e de dispor do mesmo nos portos da dieta ilha e suas dependências. a que o mesmo vaso pertencer. que pelos termos desta or- dem tenha permissão de exportar uma carga da ilha das Mauricias ou suas dependências. 11 tencentes a subditos de qualquer Estado Estrangeiro em amizade com Sua Majestade. pagando os mesmos direi- tos. seo tal Estado Estrangeiro permitir. entre os portos de tal Estado e a ilha das Mauri- cias. que os vasos Britannicos façam o trafico como fica dicto. outro sim. e os Lords Commissarios do Almi- . que se hajam de pagar por si- milhantes artigos quando forem exportados para taes por- tos estrangeiros em vasos Britannicos: He. nem para algum outro porto ou lugar senaõ um porto ou lugar pertencente ao Estado ou Potência. ou suas de- pendendias de qualquer porto do paiz a que tal vaso per- tencer. ou de outros quaes- quer artigos que ali se tiverem legalmente importado. Politica. teraõ de igual modo permissão de importar para os portos da ilha de Mauricias. e declarado que nenhum navio estrangeiro.

Têllo-heis entendido. que respectivamente lhes pertencerem. Decretos por que El Rey despede do Ministério dous Se- cretarios de Estado. Tenente General dos meus Reaes exércitos. sobre isto. ao Official Maior da mesma Secreta- ria d* Estado. e o communicareis a quem compe- tir para seu cumprimento. con- tinue por mais tempo neste cargo. JAIMES BULLER. Joaõ Lozano de Torres. que occorrem. Francisco de Eguia. D. Para D. Joaõ Lozano de Torres. hei resolvido exonerállo deste Cargo e do despacho interino da Marinha. Naõ tendo por bem que o Marquez de Casa-Yrujo. Jozé Maria de Alós. e quero que D. meu Secretario interino de Estado e do Despacho. A D.meu Secretario de Estado e do Despacho da Guer- ra. encar- regando-se ao mesmo tempo do despacho da Marinha. V. Rubricado pela Real Maõ. rantado daraõ as direcçoens necessárias. Têllo-heis entendido. para que possa realizar o séu restabelicimento. Rubricado pela real Mao. Manuel Gonzales Salmon. concedendo-lhe a Capitania Geral do Reyno e Costa de Granada. HESPANHA. Madrid 12 de Junho. e o communicaries a quem competir para seu cumprimento. 1819. 2o Attendendo à quebrantada saúde D.12 Politica. . tenho resolvido exone- rállo delle e habilitar por ora para o despacho dos assump- tos. desem- penhe interinamente o dicto Ministério da Guerra. Madrid 12 de Junho.

8p..exportação Tapioca Brazil. <C 6p. em navio Portuguez 1 Minas novas . Ipeoacuanha Brazil. Bahia por lb. l l j p . Caffe Rio 108s. 8s. on Inglez. LONDRES.Rio i Redondo . 4p. 148.em barra bengala 60s «2u . tA 7p. por Porto 20s. 6p. l l p . 4fp. 81. Annil. . l s . por 100. . l s . 6p. Algodam . Os. 8p. Chifres Rio Grande 20». .. a l s . por 1121b. Mascavado . ls. 25*. . frita. 6p. . Salsa Parrilha. 4s. 6|s. Pao AiuarelIo. 6Jd.. 7p. Ourocu Os. por lb. 50s. . por 100 lb. Hida 3Òs. Cebo Rio da Pi ata 65s. 42s. Gener Qualidade. | 9 j p . 4s. Ouro em barra £ 3 18 Brazil. 2[>. ls. 3p. Preços. Rio de Janeiro 60 Hamlimgo 35 10 Lisboa 53| Cadiz 37* Porto 54 Gibrillar 32 Paris • 25 Gênova 45 Amsterdam 11 17 Malta Espécie Seguros. 4p.. a 31». 6p. h a . salgados 54 s. Arroz Brazil ) Livre de direito* por Cacao i . por lb. < Maranham . ( direitos pagos pelos < comparado* livre por Tabaco -J e m f o .. Pará . 25 de Julho. pilha < B 6p. Assucar I Batido 36s. f comprador. ^•Pernambuco l s . . 7p... por cour* em Rio Grande <<B 9|P- navio Portuguez ou 7ÍP* Sfp. a Os. a 38s. 4P- Rio Grande. Pernambuco. 20s Peças de 6400 reis 3 18 20s Dobroens Hespa. Vinda 35» Lisboa 20s. . *} Ceará ^8s.. Inglez. 4«». Rio da Prata. de cavallo 4s. Is. 5£p. 1148. .Pará 57s. de 1819. a 3s.. Câmbios com as seguintes praças. . lOs. 5P. 25» nhoes ' onça. Op. 4p. 4p. 3. 3p..dictos 0 6 Rio da Prata 40». ljp. 6p. f Pará l s . ( 13 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. 3P. Madeira 20s. 60s exportaçam. a 35a. Direitos. a 45s. Pernambuco 61. ls. . 32». Pezos. S *C A Sfp. Óleo de cupaiba à 16s. Brazil (direitos pagos pelo Pao Brazil . 6 i p . Op. Açores 25s. í (Capitania.

Pelo Lord Joaõ Russell. Vida de Guilherme Lord Russell. preço 5s. . e estabelecer os termos médios dos preços. 6d. Por C. &c. Presi- dente da Meza do Commercio. Life of William Lord Russel 4t0* preço li. ( 14 ) LITERATURA E SCIENCIAS "NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. e sobre a necessidade de rever e emendar o ultimo Acto sobre o commercio do trigo. 6d. Secretario que foi do Governo de Java. lis. Assey on the Trade to China . Esc. e um retrato gravado por Fittler. sobre a politica e conveniência de proteger ainda mais o commercio do trigo na Gram Bretanha. Robinson on the Com Trade: preço 2*. Sobre o Com- mercio da China e Archipelago da índia. com uma noticia dos tempos em que viveo. Por ura commerciante de trigos. Assey. Carta ao Muito Honrado Frederico Robinson. par-* ticularmente no que respeita o modo de dar as contas officiaes. e da falta de segurança dos interesses Britannicos naquella parte. &c. Letter to Mr.

e pela vicissitude da fortuna. Leake*s Retearches in Gree*e. Notas sobre a lingua. e estudantes particu- lares. Por Cambriensis. Secçaõ I a . que a penúria nacional he impu- tavel ao nosso systema de moeda.preço 3/. Grammatica. preço 12Í. sobre principios didacticos. 1 vol 12mo. Por Alexandre Jamieson. A população e riqueza das naçoens consideradas junctamente. para uso das escholas. Cardeal Alberoni e Marquez do Pombal. Baronette. 4t0. tres distinctos aventu- reiros politicos do século passado. Jamieson's Grammar of Logic. Moore's Lives of Riperda. naõ só a respeito do seu augmento positivo e relativo. mas tam- bém a respeito de sua tendência na moral. Inda- gaçoens na Grécia. ou moeda corrente da Inglaterra. 15 Cambriensis on the operation of money: 8T0. durante uma considerável porçaõ daquelle periodo. 3Í. Esc. Literatura e Sciencias. Por George Moore. da Lógica e Philosophia intellectual. Alberoni and Pombal. prosperidade e felicidade. Destinadas estas notas a mostrar. com as vistas de elucidar os effeitos do presente meio circulante. Notas sobre a natureza e operação do dinheiro. preço . Bridge's on the Riches of Nations. exhi- bindo uma vista dos Reynos de Hespanha e Portugal. 8T0. igualmente notáveis por talentos volúveis. que . As vidas do Duque de Ripperda. Por Sir Egerton Bridges.

que a verdadeira pronuncia da lin- goagem de Homero e Thucydides se naõ deve buscar nas escholas Europeas. se falia hoje em dia na Grécia. que elle se pro- põem estabelecer. ador- nado de estampas. 5a. A doutrina. e collecçaõ de provérbios do Grego Moderno. Compêndio de Historia Natural. e das cautellas mais pre- cisas nos contractos e Testamentos. com um appendiz de notas. 2a. 2o. Manual doTabelliaõ. sobre a pronunciaçaõ antiga e moderna da lingua Grega. Por Guliherme Henrique Leake. Cap I o . um erudito Grego. mas sim entre os mesmos Gregos . LIERATURA GREGA. Sobre os Alba- nios. em verso e prosa. 3 a . Notas sobre a pro- nunciaçaõ do Grego moderno. Das línguas Wallachia e Bulgária. e divisão geographica do paiz. ou Ensaio de Jurisprudência Eu- rematica. abrio em Londres um curso de leituras. Exemplos de composi- çoens Romaicas. O Senhor Caibo. Observaçoens sobre o dialecto e literatura dos Gregos Modernos: cathalogos de seus authores e obras. com um esboço de grammatica e vo- cabulário. 4a. em 4 volumes. com o titulo de Thesouro de Me- ninos. PORTUGAL.15 Literatura e Sciencias. Sobre o dialecto Izakouico. com as traducçoens. contendo a collecçaõ de minutas dos contractos e Instrumentos mais usuaes. 3'. Sobre a lin- guagem Albanica. he.

que o povo mais polido e literato da terra copiassse as formas da falia. de que a con- quista da Grécia pelos Romanos afíectou a pureza da lingoagem Grega. Estas circumstancias podiam al- terar o character da Lingoa Latina. <. e deve portanto presumir-se. 144. ou os modos da pronunciaçaõ de bárbaros igno- rantes ? Em illustraçaõ deste argumento mencionou o Senhor Caibo como um facto. 17 modernos. que he a mesma da Grécia antiga. Literatura e Sciencias. produ- ziram jamais maior ou mais justa admiração do que a sua bella lingua. Expôs o engano da opinião. que conquistaram. que adop- taram todas as suas artes e literatura.ou deSpencer differemdosescrip- VOL. obraria como orgulhoso incentivo para manter incorrupto tudo o que lhes restava depois da perda da liberdade e poder nacional. daquelles que admiram. os Romanos. entre os escrip- tores da Grécia antigos e modernos. XXIII. Os Romanos se fizeram tam enthusi- asticos admiradores do povo. se naõ podem traçar de algum prototypo das línguas Latina ou Turca. se se pôde crer por um só momento. nem as suas sciencias. Elle insiste em que a differença doestylo. porem nos Gregos. porque os escriptos Inglezes de Sir Thomaz Moore. N°. os Turcos ? <j He provável. com que ab- horrecimento e desgosto naõ olhariam elles para os seus conquistadores. nem a sua philosophia. porque os homens se inclinam a imitar ainda as mais triviaes peculiaridades. nem as suas artes. e consideravam uma visita ás escholas de Athenas como de essência na educa- ção da sua mocidade. naõ he prova de al- guma corrupção na pronuncia. Entaõj se os Gregos desdenhavam imitar os seus imitadores. c . De todas as numerosas fontes de orgulho. e pergunta. tal respeito e veneração da parte de seus conquistadores. que as characteristicas da pronunciaçaõ do Grego moderno. que a Grécia se deleitava em fomentar.

sábado 3 de Julho cerca da meia noite. expressou grande desprezo. por um natural de Rotterdam. NOVO COMETA. que emprehendeo decidir como se devia pronunciar o dia- lecto Attico. 18 Literatura e Sciencias. quando o seu lugar se determinou da maneira seguinte:— Observaçoens feitas no Real Observatório de Green- wich. A matéria he mui interessante na republi- ca literária. no Real Observatório de Greenwich.h. 55". facilmente excusa- vel em um Grego. sobre que tanto trabalham os críticos da Grécia. Observaçam. 6m. Longitude. aos 3.-> dos da lingua Ingleza tivessem differente pronunciaçaõ Elle se esforçou em mostrar.9*>. Lati- 1819. 3'" 6h. 11. 51' 35" 6'" 43° 41' 13" 3s. porque naõ exprime nenhuma daquellas belezas da ver- sificaçaõ Grega. 7 3 14 55 53 11 53 2 0 7 8 9 5 48 17 4 1 3 12 28 51 2 5 3 3 5 4 11 J 3 1845 10 12 6 7 4 7 2 2 2 0 2 5 0 31 22 3 14 40 43 28 6 5 13 3 20 39 38 12 5 29 3 7 «8 34 5 51 7 31 3 15 40 15 28 51 30 .. tos Inglezes do presente dia. e 13 do mez se ob- servou no Meridiano abaixo do Polo. Ascençam Tempo médio de Recta do Co. Julho 3 3s. e se os argumentos nos naõ parecem conclusivos. com tudo saõ de muito pezo. foi construída sobre factos enganosos: e ao mesmo tem- po que concede o devido louvor ao eminente restaurador das letras. sobre o novo cometa.54 . Norte. e para os que saõ inclinados â literatura Grega. Longitude tude tempo. Observou-se em Inglaterra um cometa. que por isso os dous per. que a pronuncia Europea do Grego naõ pôde ser correcta. que passou o meridiano par baixo do polo.56'3" 20.Decliua.39. que a theoria de Erasmus. meta em çamNorte. Pelo menos he certo. sobre que he fundada a pronunciaçaõ Grega Europea. 1V> T 44"12.

em casos que lhes naõ saõ submettidos. as segundas. que actualmente existem na Europa da maneira seguinte :—(p. e mostrado a origem e progressos dos feudos. mas podem proceder ex officio. e concorrem nos deveres da magistratura . " Quanto ás instituiçoens judiciaes actuaes da Europa. segundo refere Tácito. as terceiras saõ as da França. 609) Vimos como o Author. p. nos casos em que se interesse a sociedade toda. em que as sentenças saõ dadas unicamente por juizes nomeados. XXII. aa de Alemanha. (Continuada de Vol. aquelles em que este direito he como propriedade e apanágio de corpos da magistratura. an- . 19 Espírit des Instituiions Judiciaires de V Europe $ «"*." " As primeiras destas instituiçoens saõ as da Inglaterra. seja pela parte publica." O Capitulo primeiro expõem a ordem judicial dos Ger- manos. e classifica as formas ju- diciaes. e naõ exclusivamente a magistrados . aonde os cidadãos intervém por si mesmos em todas as senten- ças. 252). aquelles. exercitam naõ somente as funcçoens judiciaes. mas que naõ podem interpor sua authoridade senaõ quando saõ requeridos. a espontaneidade . tanto antes como depois da con- quista do Império Romano. em fim. Literatura e Sciencias. No livro segundo passa o A. no livro primeiro de sua obra. seja pelas partes civis e particulares. havia traçado a historia dos estàbelicimentos feudaes. que elles prescrevem ás partes interessadas - onde a ley dá ao interesse geral da sociedade a preferencia sobi e os interesses de cada particular . ou segundo as formas. basta um momento de attençaõ para as achar repartidas em tres classes ensencialmente distinctas . a descrecrever. que reúnem ao direito de terminar os processos. nomeados de uma maneira ou de outra. " A ordem judicial dos antigos Germanos. aonde os Juizes. aqueilas em que o direito de julgar he confiado em parte á massa inteira do povo.

da ley Salica. que diz Tácito nesta matéria. a que chamavam Euva. A difficuldade de poder examinar bem estes custumes em sua origem. quando recu- peraram a sua liberdade. e por isso vem a ser mui importante entender bem as ins- tituiçoens daquelles povos. . que os Germanos se faziam j ustiça por suas maõs. como querem alguns dizer.que lhe estiveram sugeitos. segundo as quaes os ma- gistrados saõ unicamente constituidos para julgar a requirimento de quem a causa pertence. resulta da falta de escriptura naquelles povos. porém. naõ passam do século sexto. no fim do oitavo ou principio do nono século. modificados de varias maneiras. Carlos Magno. posto que em causas civis. sem poder de exceder os requirimentos formados. Do pouco. sem espontaneidade alguma. no principio do século quinto. e aonde a parte activa da magistra- tura forma um corpo distineto e separado. conhecido debaixo do nome de ministério publico. As suas leys passavam de pays a filhos por tra- dicçaõ oral. ou. tiga ou moderna e dos Paizes-Baixos. que até entaõ só andavam na me- mória do velhos." O A. e no conselho da naçaõ se fi- zessem as accusaçoens de crimes capitães. decidissem seus magistrados ou principes. tanto abhorresciam as dos Romanos que os poucos . que re- montam as leys escriptas a tempos mais antigos. mandou colligir as leys de muitos destes povos. aonde se deve ir buscar a ori- gem destes estàbelicimentos modernos. e as pessoas. se colhe. sem sair da ques- tão que lhes he sabmettida .20 Literatura e Sciencias. Quanto às formulas judiciaes. se vingavam dos advogados com mais crueldade do que de nenhuma outra classe de Romanos. o que naõ parece assás claro. pouco importantes. deduz todas estas differentes formas dos custu- mes dos Germanos.

porque destes naõ falia Tácito. a escolha de árbitros de consentimento de ambas as partes. e se cada uma das partes chamasse a si seus parentes e ami- gos. O primeiro passo. em uma nota a p. em geral: antes de entrar na historia da legislação a este respeito. para entrar na contenda. se- ria. considerando um povo livre. 21 No Cap. a que os Germanos. alias guerreiro de profissão. e por meio da força. Isto suppôem ja um melhoramento de civilização. teríamos a guerra particular. chamavam faida. que outrem lhe causase.. e cujos custumes indicam ainda a falta de civilazaçaõ. mostra o author a origem do poder judi- cial. 2. naõ ha nada mais natural do que o procurar cada indivíduo satisfazer por si mesmo. ao mesmo tempo que menciona as disputas e guerras-de familias. se elle existisse entre os Ger- manos. entre estas naçoens barbaras do Norte. as injurias ou damnos. e um author tam judicioso como Tácito. o poder desse juiz arbitro só lhe podia pro- vir da voluntária resignação das partes interessadas: porque o homem livre naõ podia reconhecer superior. 261. naõ deixaria de ter lembrado este custume. como temos visto. Os inconvenientes deste estado de sociedade deviam ser sentidos pela communidade. na hypothese do nosso A. para o estabelicimento judicial. ja na falta dos homens. No estado quasi inculto de um povo. guerreiro. que he errada a opinião daquelles. e ainda assim. que morressem nestas guerras particulares. Pelo que considera os rudimentos deste poder judicial em abstracto. tam estranho das leys Romanas. que deduzem a origem do faida dos combates judiciaes. sendo neces- sária a uniaõ de todos para qualquer guerra estrangeira. Logo devia ser matéria da maior ponderação para os ca- . Portanto mui bem observa o A. ja nos obstá- culos que taes dissençoens occasionariam. Literatura e Sciencias.

obrigallo a recebella. o procurar meios de extinguir. O meio mais obvio seria. parte 3. de que Marculfo nos deixou muitos monumentos. neste progresso de civilização.22 Literatara e Sciencias. como ainda depois de estabelecido o poder judicial. Com effeito. mas sim pelo povo nos Governos Republi- canos ou pelos reys nos Governos Monarchicos. como regra geral para todos os casos de uma mes- ma natureza. becas do Estado. 8. foi o deixarem os árbitros de serem nomeados pelas partes interessadas. considera o A. que se conheça: e esta circumstanciaserve para explicar. O ultimo passo. usando para isso do poder de todaa sociedade combinada. e terminar a faida por um jura- mento. a parte que se naõ quizer sugeitar. e este custume de pagar as offe nsas a d- nheiro era j a conhecido entre os Germanos. mas ao depois determinou-se por antici- paçaõ. deixaram as leys tantas excepçoens em que os particulares se po- diam fazer justiça a si mesmos. para mandar ao des- terro.* Cap. 0 castigo maior entre os Germanos éra a expulsão da . e a determinação destas indemniza- çoens fazia a maior parte das leys dos antigos Germanos. ou ao menos moderar. os males destas guerras particulares. N o Cap. as conseqüências das cir- cumstancias particulares dos Germanos. e forçar o oppressor a prestar esse sacrifício. acha-se isto emplificado no Capitular de Worms. ou remettendo ao Imperador.. segundo o nosso A. 3 o . nos tempos que Tácito descreve. A indemnizaçaõ éra fixa arbitrariamente em cada caso que acontecia. fixar a indemnizaçaõ ao lesado. que os Germanos eram mais afferrados â sua liberdade individual do que outro algum povo antigo ou modermo. pelo Imperador Luiz Debonaire. aonde se diz. que acontecendio algum homicídio o Conde do lugar fará pagar a composição. Nisto he sempre preciso ter em visita. em 829. e a jurisdicçaõ pessoal.

estrangeiro e inimigo eram synonimos. § fin. a que eram mui addictos: naõ conheciam senaõ estas condiçoens. lb. e o Inglez diz. era a mais singular. Antigamente estavam as suas naçoens circumscriptas a estreitos limites . sem os deixar viver segundo as leys do paiz: isto fizeram. que levavam em seu séquito escravos. ou livres por nascimento. ou sem elle. expõem a situação dos conquistadores nesta epocha. 3. e por outra parte naõ podiam conservar os con- quistados ein existência. diz expressamente. que se po- dia lançar fogo â casa do que recusasse obedecer ãs or- dens dos superiores. ainda hoje em dia. que tinham invadido o território Romano. como j a vi- mos. mas que se haviam sugeitado a esta condição por necessidade ou por satisfazer á sua paixaõ pelo jogo. contentando-se com lhe tirar as armas. 274. 23 sociedade. com rey. em suas mesmas pa- lavras. p. conheceram a superioridade de suas instituiçoens. eram compostas de nobres e homens livres. " A situação em que se achavam os Bárbaros. Quando os Germanos conquistaram as provincias Roma- nas. Literatura e Sciencias. O capitular dos Saxonios de 797 art. nascidos de pays escravos. Depois de haver tomado . ou feitos prisioneiros na guerra. do que as leys de Portugal mostram signaes em muitas partes: por exemplo a Ordenação do Liv. em que se declara nulla a citação feita por Porteiro ao que está em sua casa. cujos custumes se derivam dos antigos Germanos. my house is my castle. sendo necessário para isso um official de j u s - tiça de maior graduação: exepçoensestas a favor da casa própria. para as adop- tarem. mas eram demasiados soberbos estes bárbaros. a minha casa heo meu castello. Mas vejamos como o A. de que estaõ cheias as legislaçoens de todos os paizes da Europa. 8. o que ao mesmo tempocomprehendiaa guerra de todos contra o indivíduo expulso. quando a inviolabilidade do domici- lio de cada cidadão éra o privilegio mais sagrado. 9. porque.

que todas as posses- soens dos vencidos naõ foram occupadas a um mesmo tempo. e para poder trabalhar se lhe concedia o uso das leys Romanas. nos escriptos daquelle tempo.24 Literatura e Sciencias. entre estes dous povos. art. As vezes este gozo do direito Romano éra expressamente estipulado. a parte que lhes tocava destas conquistas. como os Godos na Itália. que os bárbaros exigiam. e deixassem a propriedade aos Romanos. que se chama Sors Barbarica. naõ deixavam aos infelizes habitantes senaõ o terço de suas possessoens : entre tanto parece que. aonde o nu- mero de habitantes excedia muito o dos vencedores. e se alguns se contentavam com o terço das propriedades territoriaes. vinha estabelecer-se como coproprietario pro indiviso. que em algumas se contentassem com uma parte das rendas. a parte que lhe tocava éra maior ou menor. 3. que os povos conquistados. de 844 a favor dos Hespanhoes. Esta parte. . com o os Visigodos. trabalhavam para ella." Assim temos. posse de provincias muito extensas e mui populosas. Naõ temos provas do que se passava em todas as provincias. e se chamava hospes. pela grande diversidade dos custumes. naõ entran- do a fazer parte da naçaõ conquistadora. como consta do Capilutar de Carlos o Calvo. mas sim uma parte integrante de cada possessão. e he mui possivel. outros. éra as- signada aos individuos. e aonde as propriedades passavam além de sua avidez. he crivei que esta imposição he o que os historiadores da- quelle tempo entendem por terticc. quer tomassem um para si. restando ainda bastante para satisfazer os Germanos. quer elles deixassem um aos vencidos. e se concedia aos refugiados. em geral. e como a parte. e o Bárbaro a quem tinha tocado uma parte da propriedade de qualquer Romano. naõ por provincias. que che- gavam depois. Se- gundo a avidez dos primeiros bárbaros. começaram a apos- sar-se de partes destas propriedades. se regulava sempre por terços. visto que as dos bárbaros lhes naõ podiam ser applicaveis. o numero dos primeiros éra tam pequeno.

1. estes naõ faziam parte da naçaõ conquistadora. e feita a conquista. e capitulares addidos á ley Salica. Galias. Romana e Gombella ou dos Bourguingons em 813. No meio desta confusão. Itália. no que respeitava os bens pessoaes. Havia mesmo leys pessoaes. N°. e só restos dellas establecidos em outros paizes. e enfraqueceo por tal maneira os que ficaram em seu paiz natal. nas leys geraes de Carlos Magno. que saio destas naçoens da Germania. e outras. 25 Aqui temos ja uma mixtura de duas Legislaçoens. que os vieram atacar em seus territórios. Hespanha e Gram Bretanha. os ecclesiasticos usaram sem- pre do direito Romano. Na- çoens inteiras ficaram assim extinctas no seu território. ou fosse feita por algum guerreiro particular. No capitulo 4o tracta o A. Succedia algumas vezes. 134. e se ficavam con- servando como separados. pela ley Lom- barda art. fez tanta falta no paiz. os capitulares dos Bávaros. ou por algumas das muitas naçoens de Germanos. XXIIT. que a invasão. da jurisdicçaõ voluntária e VOL. para as conquistas das provincias Romanas. e um ca- pitular contendo as disposiçoens relativas á ley Salica. que só diziam respeito a individuos. Literatura e Sciencias. A immensa população. e entaõ se fundavam as decisoens nas leys do paiz natal do indivíduo. na África. art. posto que vivendo na mesma provincia. obrigatórias somente para os Lombardos. a pezar de seu espi- rito guerreiro naõ puderam resistir a outros bárbaros do Norte. mas isto naõ he tudo. Daqui vem a grande mixtura na legislação. usando de suas leys e custumes. D . â ley dos Alema- nos. que. â ley Ripuaria. o que lhes foi expressamente concedido pela ley Ripuaria t t 58. o exer- cito invasor éra muitas vezes accompanhado por indi- viduos de outias naçoens.. dos Saxonios. 55. leys Lombardas do mesmo Imperador.

he o custume de admittir os reos. confuratores. E fundando-se nas provas colligidas por Eccard. tanto nas causas civis como nas criminaes a repellir as asserçoens de seu antagonista. Uma circumstancia peculiar da legislação dos Ger- manos. em suas notas ao titulo 50 da ley Salica. 5 o . nem pre- cisar de maiores provas: daqui veio. viam-se na necessidade de formalizar seus contractos particulares ante os magistrados. explica pela ignorância da escriptura naquelles povos. para que estes informados assim dos factos pudessem ao depois decidir as disputas originadas de taes actos. Neste objecto limitar-nos-hermos a notar. purgatores. e trazendo também a jurar sua innoeeneia outros homens livres. que este custume singular dos Germanos éra anterior â introducçaõ do Christianissimo entre aquelles povos. a grande influencia que deo aos magistrados na jurisdicçaõ voluntária. sa- cramentales. e de que naõ ha exemplo em outros povos. que se exigiam em diversos paizes. e nas diversas causas. As provas da innoeeneia. chamados confuratores. que dantes se faziam somente ante os magistrados. até que o conhecimento de lere escrever se fez mais geral. contenciosa. isto continou entre os povos Germanos. Naõ sabendo os individuos ler nem escrever. que na legisla- ção derivada destas naçoens se acham muitos mais actos particulares submettidos ã jurisdicçaõ dos magistrados para serem legaes. os testemunhos para a absol- vição. . entaõ se nomearam Notarios e Tabelliaens. prestando um juramento.26 Literatura e Sciencias. O A. do que se exigia pela legislação Ro- mana . he de opinião. ante os quaes se legalizavam muitos actos. compurgatores. consacramentales. chamadas furatores. col/audantes. saõ o objecto do Cap. que o A. se dilata neste capitulo a mostrar o numero des- tas testemunhas.

e a muitos outros. que entre grande parte dos Germanos éra olhado como ente sobre-natural: em tempos ainda mais remotos deram a Aurina. a tractar de outro custume dos Germanos ainda mais absurdo. Muitos outros authores da antigüidade confirmam este testemunho. e se elles. mas um culto Divino. Literatura e Sciencias. acima mencionada. . quando se naõ podia descubrir o perpe- trador. Como a superstição dos Germanos continuou ainda de- pois da sua conversão ao Christianismo. eram todos interessados em buscállo. a p. que o accusado éra innocente. commettido na sua divisão. em tempo de Vespasiano. Veileda. e Carlos Magno no fim do século 8. e condados. passa o A. Elles honravam as mulheres inspiradas. Os Germanos naõ adoptáram o Christianismo todos a um tempo. e obsevavam escrupulosamente os auspicios. e explidar sua origem pela divisão do povo. centúrias. no Cap. como vimos no livro primeiro. 6 o .) fez ja aos Germanos o re- proche de serem extremamente supersticiosos. deduz este custume da organização civil dos Ger- manos. Vimos diz elle. Achando-se o povo dividido por decurias. o êxito de um combate particular com um prisoneiro tomado ao inimigo. " Tácito (diz o A. daqui deduz o A. e o mesmo Tácito dá as provas. e davam pelo seu nu- mero maior ou menor pezo á sua deposição. Depois de expor este absurdo custume. os rinchos dos cavallos. 27 O A. nas suas obras históricas. Ramos de avores fructiferas. lhes serviam de indicios do futuro. que he o Juizo de Deus e a Orda- lia. naõ uma homenagem lisongeira. a origem dos processos judiciaes chamados Juízos de Deus. e sendo os habitantes de cada divisão responsáveis in soli- dum pelas conseqüências de qualquer crime. Tinham seus bosques sagrados. tomavam por isso sobre si a responsabilidade. 311. e davam-lhe um culto quasi divino. decidiam.

naõ como impostores. que uma destas varinhas devia ser mar- cada com uma cruz. a r t 3. julgando depois o advinhador pela combinação fortuita das varinhas. éra lançar sobre um panno branco uns pedacinhos de pão.28 Literatura e Sciencias. quando pelos signaes do advinhador naõ fosse acha- da (D°. Diz Tácito. mas como agentes do diabo: o que tudo prova a superstição. A crença nestes advinhadores he provada por todas as leys provenientes dos Germanos : em umas se determina qual devia ser seu salário (Leys dosBourguignons titulo 8o) . mesmo dos le- gisladores. t t 16. mal de que naõ eram isentos os mesmos legisladores.. isto foi a modificação causada pela adopçaÕ do Christianismo. 1. acha-se. o futuro. mas sup- pondo-se que os indicios tinham assas pezo. nas leys dos Frisons titulo 14. e todos accreditavam mais ou menos nos seus impostores adivinhadores. que um dos modos de advinhaçaõ entre os Germanos. N o tempo da sua idolatria recorriam os Germanos . Agora. que se desejava saber: Herodoto diz o mesmo dos Scytas: e Amiano Marcelino refere este custume do Alanos. que criam nestes poderes imaginários dos ad- vinhos. em outras se lhe manda pagar o valor da cousa fur- tada.) em outras em fim se prohibiam os advinhadores. art. naõ havendo provas bastantes para condemnar algum reo. accusado de crime grave. que. Com a introducçaÕ do Christianismo naõ se destruí- ram estas ideas. recorriam os Germanos aos advinha- dores ou Juizo de Deus. mas simplesmente se modificaram: o que mostraremos com um exemplo do A. obrigou os Saxonios à força d*armas a que se baptizassem: muitos continuaram em seu culto antigo apezar da ab- juraçaõ publica. outros misturavam com o Christianismo parte de seus ritos pagaõs. Daqui veio. para que naõ fosse logo absolvido.

Ughelli. para mostrar o modo de pensar daquelles tempos. e se tracta delia em muitas leys emonumentos daquelle tempo. Literatura e Sciencias. provadas pelas leys antigas. estas pro- vas. 5. tom. a p. que parecem favo- recer esta superstição. ou. ou outros actos similhantes: daqui passaram ás provas como se explica o A.p. ou de pôr as taes varinhas sobre o altar. 610. parece que os pretendentes eram postos em frente da Cruz. capitulares e ontros monumentos históricos: mas referiremos ura exemplo em suas próprias palavras. juízos por excellencia. que parece deduzirem-se do tempo do paganismo. con- vertidos depois ao Christianismo. sobre o gráo de culpa. . " Depois de ter adoptado a sorte como meio judicial. " Uma das provas mais communs êra a da Cruz: a 12 a . 316. Esta prova estava muito em uso. neste capitulo. das formulas antigas de Marculfo falia disto expressamente. usavam de relíquias de sanctos. ou confundia o crime: daqui veio conhecerem-se estas provas pelo nome de juízos de Deus judicia Dei. Itália Sacra. ordalia da palavra Holandeza oordeal. e admittia que o Ente Supremo sustentava a inno- eeneia do accusado. nos conserva a formula por inteiro." Os nossos limites nos naõ permittem seguir o A. naõ faltava senaõ um passo para admittir provas. 29 para este fim aos seus advinhadores e sacerdotes. Tractava-se de uma disputa entre o Bispo e Clero de Verona. juizo. e o que caia no chaõ primeiro se julgava condemnado pela intervenção divina. das quaes dependesse o juizo ou sentença. em Alemaõ urtheil. em que refere varias formas destes juízos de Deus. po- diam tanto menos ser regeitadas quanto a Escriptura Sa- grada offerece exemplos similhantes. A crença geral suppunha uma intervenção Divi- na.

e postos na igreja de S. como se vê pelo Concilio de Rheins Cap. naõ podendo manter-se de pé por mais tempo. e conveio-se era deixar a decisão ao juizo de Deus e do Espirito Sancto. assevera que lhe foi impossivel fixar com exactidaõ a epocha. p. e contraria á reverencia devida ao mysterio da crueificaçaõ. porque reconhece o prin- cipio da admissão de taes provas. e o Glossário das leys Inglezas de Wilkins. Joaõ Baptista. e naõ he applicavel aprohibiçaõ senaõ i prova de cruz. que começaram a apparecer decretos de Papas e de Con- cilios. 102. em uma nota a este Cap. &c. andar descalço por cima de ferros em braza. com o que ganhou a causa o Bispo e Clero.30 Literatura c Sciencias. na palavra Ordalium. Naõ deve omittir-se que a Igreja mesmo authorizava estes custumes. eo A. diante da Cruz. prohibe esta prova como sacrilégio. dá as formulas e o ritual da Igreja. eram muitas vezes illudidas.es irreprehensiveis. Foi só depois do século 13. que entaõ estava fixa em Aix-la-Cha- pelle. No em tanto Luiz de Bonaire nos capi - tulares ait. nas suas notas ao dicto capitular. caio como morto no meio da paixaõ. mas o que representava a cidade. 11. ambos de custuru. Alem disto como muito bem provou Ba- luzio. aonde fi- caram desde o principio da missa. prohibindo estas provas no exame da verdade dos processos. ou pelo coluio dos que tinham a seu cargo presenciallas. prohibiçaõ que prova assas o espirito do tempo. em . nisto. e nos paizes mais vizi- nhos á sede do Império. e o corpo da municipalidade da outra. para a consagração destes juízos. de metter o braço nú em agoa fervendo. a abolição na prova da cruz naõ foi observada senaõ na Itália. Outras provas mais cruéis. por uma parte. O que tinha sido escolhido pelo Bispo conservou o seu posto até o fim da paixaõ. sobre a obrigação de construir os muros da cidade. 322. pela habilidade do que passava por ellas. Dous clérigos moços foram escolhidos.

Cuidava-se em apanhar. Dise. he preciso buscar a sua origem em outra fonte commum a todos elles. Quan- do um povo estava em guerra. nos dá a sua opinião a p. em falta de outras provas. O A. assim como outras hypothe- ses. nos diversos tribunaes de um mesmo paiz. e sendo o custume dos duelos geral em todos os povos Germanos. segundo a opinião do A. deduzida dos custumes destes povos bárbaros j e vem a ser o combate judicial. havia o custume de interrogar os anspices sobre o seu êxito. regeitando a opinião daquelles. N o capitulo 7 m o tracta o a A. o faziam pelejar com um guerreiro escolhido da naçaõ. 31 que estas provas judiciaes deixaram de ser admittidas nos tribunaes. de qual- quer modo que fosse. que queria consultar a sorte. nos processos civis e criminaes. e julga ser provável. pondo-se pouco a pouco em desuso. um homem da naçaõ inimiga. depois de o ter aimado á maneira de seu paiz. descriptos por Tácito. uso este que he da mais remota antigüidade. 36) oattribua aGom- baud ou Gundebaldus. e. que esse custume proviesse do desejo de evitar os juramentos . que este custume se abolio gradualmente. 327 nas seguintes pala- vras. Do auspício ou meios de chegar ao conhecimento . Com effeito. sendo aquella ley somente para aquelle povo. que deduzem a origem do combate judicial do custume (na verdade geral entre povos bárbaros) de decidirem pela força suas dis- putas particulares. author da ley dos Bourguignons. posto que Muratori (Ant. Itali. Literatura e Sciencias. em diferentes epochas. nos custumes dos antigos Germanos. de outra espécie de prova judicial. o êxito deste combate singular éra considerado corno prognostico da guerra. " Cremos ter descuberto a origem do combate judicial. naõ adoptando também a conjectura de Montesquieu.

se achava algumas vezes ordenada em alternativa com a prova pela cruz. em que os monarchas podiam mostrar sua magnificência. e como as outras deste gênero. como ja vimos : no momento em que se créo. o que he mui differente do combate pessoal em duelo. e o fun- damento desta idea. os espectadores esti- mavam ver vencedor o que melhor manejava as armas e estas eram escolhidas segundo a graduação dos comba- tentes : os cavalheiros eram armados de todas as armas lança. deduzido da persuaçaõ da verdade dos auspicios ou ad- vinhaçoens. mas sim que o vencedor gozava do favor especial do Céo. que a mesma divindade se interesava na sorte dos combatentes. naõ deixava de ser mais moral do que commumente se sup- pôem. quando os disputantes se resolvem a decidir por sua força a questão. para chegar á advi- nhaçaõ das cousas ocultas. Por este mesmo espirito cavalleiresco dos tempos. e a outras circumstancias acciden- taes desta natureza. que o êxito do combate naõ dependia unicamente da força e habilidade dos combatentes. ao uso dos torneios e justas. e escudo: montados em seus ca- . mos- tra por muitos exemplos de capitulares. por mais deshonrosa que fosse á divindade. ao mesmo tempo que o resultado de tal combate se olhava como decisão da divindade. como o A. e por uma contradicçaó tam commum no espirito humano. foi isso devido ao espirito guerreiro da naçaõ. que a prova pelo combate judicial.32 Literatura e Sciencias das causas futuras naõ ha senaõ um passo. sobre as outras provas do juizo divino. Se o combate judicial teve a preferencia. e tanto assim. espada. Temos pois que o combate judicial he uma espécie de prova por juizo de Deus. adaga. aonde se acha aut in campo. aut in cruce. éra simples o ver na pes- soa do vencedor o triumpho da virtute sobre o crime .

mas por fim os Papas e os ecclesiasticos cederam a este custume geral. e naõ só o permittiram mas se sugeitaram a esta forma de decisão. que combatiam por elles. 33 vallos de batalha : os escudeiros tinham somente espada e rodella. Ao principio a Igreja oppoz-se a isto. do primeiro estado da or- ganização judicial dos Germanos. deviam ter a maõ cortada. e he bem sabido que. a questão sobre o admittir-se na Igrega o ritual Mosarabico. No capitulo 8. e distingue cinco epo- chas essencialmente differentes. XXIIT. Depois elevou-se isto a um ponto ainda maior. sendo os campeaens. Em Inglaterra. E . quando as causas cri- minaes eram decididas por toda a naçaõ e omaiorcasti- VOT. na Hespanha. para decidir os limites de bens de raiz. Literatura r Sciencias. sendo a ley do Alemanos a primeira em que se ordena esta prova. crian- ças. tinham seus advoga- dos. de maneira que foi preciso abolillo por um acto do Parlamento de 20 de Abril de 1818. corporaçoens. isto he. pelo I o .v0 tracta o A.. e foi allegado nos tribunaes recentemente. estes campeoens. que mui bem sabiam manejar. 124. I a . foram decididas por duello. como combate judicial. como as mulheres. nomeados ex officio. Foi somente no século 16°: que o Papa Jú- lio II prohibio os duellos. e na Itália a do direito de representação dos filhos na suecessaõ dos pays. pessoas. se perdiam a causa. em seus Estados. He porém essencial o observar com 0 A. de que o combate naõ éra só para provar a innoeeneia do accusado nos casos crimes. capitular de 819 art 10. ecclesiasticos. Naõ entraremos mais nos absurdos destes principios: os que naõ podiam combater. mas também nos casos pummente civis. &c. e combatiam a pé : os villoens pelejavam com cajados ou facas. N". nunca se abolio.

Os chefes destes estados nomeavam magistrados. quando o culpado nao indemnizava o queixoso. e se éra de interesse geral se remettia à assemblea geral da Naçaõ.fri borgos heo- fod. tanto para as cousas da guerra. O Conde presidia as assembleas da provincia que gover- nava.e como as apellaçoens foram introduzidas mui posteriormente. go era a expulsão da sociedade. que entaõ se chamavam pla- cita minora. A segunda epocha tracta o A. no capitulo 9 o . éra decidido pela assem- blea do condado. esta foi a origem da pena de morte. Depois para melhor distincçaÕ se chama- vam as assembleas de toda a naçaõ Estados Geraes e Parlamentos. &c.conhecidos pelo nome de idade media.34 Literatura e Sciencias. Com tudo nem por isso ficou em desuso a assemblea de toda a naçaõ. Assim vemos. E como a morte natural e civil interes- . para fazer suas vezes nas provin- cias. como para a decisão das causas civis ecriminaes. Acon- teceo isto. quando as pequenas naçoens dos Germanos augmentaram por tal maneira q u e j a os processos senaõ podiam fazer por todo o povo. e em cada uma dellas havia a sua assemblea particular. entaõ foi preciso introdu- zir nova organização judicial. que a natureza da causa éra quem deci- dia a jurisdicçaõ quedevia decidir. Com o andar do tempo os mesmos condados tiveram subdivisoens. Assim quando o negocio excedia por seu inter- esse os limites desta subdivisão. he pelos principios acima expostos que se podem explicar os differentes gráos dejurisdicçaõ. posto que este mesmo nome se estendeo depois as assembleas dos condados. nos primeiros seculos. 7 diz. fallan- do do ladraõ de estradas. e estes magistrados se chamavam Graffs ou Condes. debaixo do nome detynghadus. O decreto de Childeberi de 595 art. aque se chamava placita. quomodo sine lege involavit sine lege moriatur.

e dirigindo-se aos negociantes de uma grande cidade. mui bem prova por muitos capitulares daquelle tempo. que nos podeis fazer para distinguir a vossa administração. he esquecer-vos de nós: nenhum favor nos poderão fazer as Leys. perguntou-lhes <*que desejavam elles que sefizessepara aj udar os seos interesses? O melhor favor. ECONOMIA POLÍTICA DE MR. que elles pe- . 35 sava a toda a sociedade. Conta-se que um Membro mui distineto do Governo Britannico. t l M M O N D E . Que tracta dos Monopólios. se podiam condemnar á morte no tribunal do Conde. Eis aqui porque os es- cravos. estrangeiros e em geral os que naõ eram Arimans. LIVRO III. e fazer o bem da naçaõ inteira. animar o commer- cio. CAPITULO I. o que o A. que esti- memos tanto como a liberdade. Da Legislação do Commercio. em que nos deixará o seo silencio. por- que naõ faziam parte da naçaõ. Literatura e Sciencias. estes casos nunca eram decididos nas assembleas menores. a liberdade. pre- tendeo escorar-se no favor do commercio. Taõ nobre resposta faz a maior honra que he possivel aos nogociantes que a deram. responderam elles. para mais bem quisto se fazer do povo. Continuar-se-ha.

como aquelles com quem tivessem de tractar. quando saõ livres. se julgaria a propósito beneficiarem-lhe as terras. provindo da mania de quasi todos os Legisladores quererem dirigir o commercio.36 Literatura e Sciencias. naõ se deve esperar que os negociantes respon- dam sempre de uma maneira taõ nobre e desinteressa- da. diam para o Commercio hecom effeito o maior beneficio. que. que se poses- sem toda a casta de impecilhos. ou de estabelecer outros novos. seria o mesmo que perguntar ao que arrenda uma Commenda. tem-lhes. Quasi toda a Legislação actual do Commercio naõ he senaõ uma creaçaõ de dirlerentes monopólios. que lhe pertencem. que prefira sem- pre os interesses do publico aos seos próprios. he um manancial de opulencia para aquelle a quem se concede. tendem sem nenhum esforço ao bem geral. Naõ se pode esperar do homem. que nao he da competência das Leys. Perguntar a um monopolista se lhe conviria augmentarem-lhe os seos privilégios. e estes qua- si todcs o resultado das petiçoens dos negociantes. e quando elle fosse assas honrado para assim constantemente o fa- zer. assim aquelles que lhes podessem fazer concurrencia. O Monopólio. que um Governo pode conceder a toda naçaõ. os maiores obstá- culos ao desenvolvimento da industria. Entre os povos da Europa moderna. seria difficil que o seo juizo se lhe naõ offuscasse pela contrariedade destes dous interesses. Porém. Ainda se naõ tem chegado a entender. e que lhe causam maior damno. que. quando se tracta ou de os manter. e ter na maõ a balança des- tes interesses particulares. o interesse particular de cada um d' elles pediria muitas vezes. que se lhe propozesse. que he a ruina de uma naçaõ. posto que o interesse de uma naçaõ commerciante peça que os deixem em liberdade. por pouca duvida que admittisse uma questão. se deve con- .

na opulencia de alguns homens novos. único logar aonde esta- vam mais abrigados de vexaçoens directas da parte dos Senhores. e de todos os nobres. que atravessavam pelas suas terras. a quem se antolhavam. e formaram em fim com- panhias de milicias. redobravam as portagens sobre as mercancias. Literatura e Sciencias. por meio de associaçoens parciaes. em um século em que o Soberano perdia . deram força de Ley às suas deliberaçoens afiliaram os artífices que dependiam d'ellas. tractar primeiro de obter o consentimento daquelles que perdem. Entretanto a anarchia augmentando cada vez mais. a querer ser justo. e naõ percebiam que elles mesmos ou os seos vassallos pagavam depois como consumidores todas as sommas. retiravam-se os negociantes todos para as cidades. recahiam sobre si mesmos. que cobravam sobre o commercio. os primeiros germes da força que os havia de derribar algum dia. por quem tinham desprezo e inveja. Quando o commercio começou a renascer na Europa. os seos primeiros successos excitaram os ciúmes dos grandes Feudatarios. conjurados contra os negociantes. Estas nomearam Cônsules e muitas vezes Juizes. Quando o vinculo social está quasi dissolvido. mas quan- tos golpes cuidavam descarregar sobre estes. es- preitavam todas as oceasioens de os despojar. Com uma organização tam completa. e da importância politica das corporaçoens de offi- cios. 37 sultar o parecer dos consumidores. he que se deve buscar a origem commum da soberania d'estas ci- dades. Na historia das associaçoens das cidades de commercio. supprem os cidadãos à decadente energia da associação geral. Os grandes. muito antes que o dos negociantes: e que antes de se passar uma Ley desigual se deve. pela volta do século treze. do que daquelles que ganham com ella. multiplicavam os tributos. obrigadas a marchar debaixo do estandarte do officio dominante.

sobre as que lhes pareciam convenientes. De sorte que se os monopólios naõ pezam ainda mais sobre todas as necessidades da naçaõ. que naõ deve cau- sar admiração que no meio das trevas da idade media fosse absolutamente ignorada: mas cedo virá o dia. que naõ tem pedido quanto poderiam obter. mas a moderação dos negociantes. forças cada dia. Quando o poder legislativo passou das maõs dos cidadãos para as dos Parlamentos e dos Reys. que elles dictassem sós as do commercio. A sciencia da Economia Politica he tam difficil. que só elles pare- ciam entender: e quando julgaram a propósito fazer a estas Leys algumas emendas. quasi independentes. em que as cidades. porém ao menos obtivéram-a inteira. Quasi todos os usos e regulamen- tos municipaes do negocio datam d'esta epoca. em . Em um tempo em que os Negociantes impunham a ley à sua pátria. estes últi- mos cuidaram que naõ podiam fazer nada mais acertado. naõ deverá causar admiração. nesta lutca que deve existir constantemente entre o consumidor e o fornecedor. ao mesmo tempo que todas as outras tem feito progressos rápidos. eram governadas por nego- ciantes. como nunca chegaram a ser independentes. naÕ he à proteccaõ do Legislador que o deve agradecer. e ainda hoje tara pouco conhecida. He assim que o Governo. Estes corpos de officios figuraram muito nas Re- publicas de Itália. assentaram que era um de- ver consultar estes mesmos negociantes. viram em pouco tempo augmentar-se as suas.38 Literatura e Sciencias. também as corporaçoens de artes e otíicios nunca ali che- garam a possuir senaõ a parte da soberania que se tinham arrogado. se tem posto sempre da banda do ultimo. e o tem favorecido com todas as suas forças. do que confirmar o que as gente do officio tinham deci- dido sobre os seos próprios negócios. longe de cuidar em ter a balança igual entre elles. Em quanto ás cidades de França e de Inglaterra.

quando formarem a sua legislação commer- cial. assegura ao consumidor naõ somente que as artes. offrecerâ maiores lucros que ne- nhum outro. Este interesse exige imperiosamente. mas ainda todas as de mais. sem duvida. A mais impor- tante de todos a artes he. que a passagem dos capitães de uma industria para outra seja a mais livre que for possivel. Esta tendência dos Capitães a buscar os maiores lucros. Literatura e Sciencias. e em que por conseguinte o preço relativo se pode subir mais. A liberdade do commercio assegura por tanto aos consumidores o exercerem-se com mais actividade as artes de que mais necessitam. porque o mais útil he sempre aquelle de que as necessidades dos consumidores saõ mais obrigatórias. como todo o capitalista busca sempre os maiores lucros. que o interesse do consumidor he sempre o primeiro interesse da naçaõ. quanto mais fortes saõ as necessi- dades dos consumidores. e por isso o ramo de commercio. e naõ houver cousa que obste à industria daquelles que os possuírem e quizerem em- pregar. 39 que as naçoens se aproveitarão do progresso das luzes. e que nada estorve a sua circulação. a que procura ao homem o seo sustento. maior preço se resolvem estes a pagar. Porém. Temos visto que. e se todos os capitães de uma na- çaõ naõ chegarem senaõ para produzir justamente o que . que renderia mais que todos se nelle andassem empregados poucos capitães. será o primeiro em que os capitalistas procurem fazer emprego. que mais útil fôr à naçaõ. entaõ. se a passagem dos capitães de um com- mercio para outro for livre. já o gênero de industria. sejam exercitadas com uma actividade proporcionada aos capi- tães nacionaes e ás suas necessidades. e se lembrarão. que lhe saõ mais precisas. se naõ houver nelle empregada uma somma suíficiente de capitães.

a liberdade do commercio. e em qualquer delles a naçaõ experimen- ta uma perda. a arte que lhe corresponde virá a ser a mais lucrativa de todas. Portanto. desde que estes capitães forem sufficientes para procurar ao povo alguma cousa mais. a arte da la- boira estando bem supprida de capitães. que he d' ali para cima. Em um e outro caso obedece ã von- tade nacional. que se manifesta na subida ou na baixa dos lucros mercantis. e as outras naõ. além do seo sustento. Porém. e avan- tajar-se-ha a ellas. será essa a que offerecerá lu- cros mais consideráveis que as outras suas rivaes.40 Literatura e Sciencias. seraõ estoutras as que offereceraõ maiores lucros e cada uma dellas chamará a si uma porçaõ do capital nacional. abandone uma arte necessária para especular em uma de luxo. quer elle deixe uma arte de luxo por uma de necessidade. proporcionada ã sua independência. Portanto. a ponto de attrahir a si todos os capitães nacionaes sem excepçaõ. ora nós ja vimos que só este he o que forma uma parte da renda nacional e naõ causa per- da a ninguém. he necessário para o seo sustento. e o que he d' ali para baixo occasiona perda ao productor: no primeiro caso. em quanto o lucro. logo se entrarão a sentir outras necessidades. Em quanto alguma d' estas a naõ tivar obtido. porque a despeza augmenta. assegura â naçaõ estas duas cousas. e no segundo porque a re- ceita diminue. O equilíbrio entre os lucros de todos os commercios regula o lucro médio. ao mesmo tempo que as artes que mais lhe importam seraõ mais cultivadas e que o seraõ mais cultiva- . como esta necessidade he a mais imperiosa de todas. occasiona perda ao consumidor. vice versa. o capitalista. que naÕ consulta senaõ o seo próprio interesse. tabralha para o da naçaõ. so- bre que he fundado este quilibrio. ou.

tal qual ella subsiste hoje em dia. que andam na circulação. pode ser que de tal forma embarassem os seos movimentos e diminuam os seos proveitos. todas as suas partes seraõ applicadas a pôr em acçaõ um trabalho productivo de um modo proveitoso para ella. mas os empecilhos. sob pena de se privar do rendimento. que este muitas vezes preferirá empregâllos fora do Estado. N«\ 134. nem por isso o governo deixava de ter feito um passo imprudente em assegurar a sua duração. ou naquelle commercio para que o capitalista tem mais inclinação. Isto naõ he dizer. porém as leys por que se tem pretendido regulállos nunca podem ser pro- porcionadas a um estado futuro e verdadeiro: portanto. se um governo confirmasse e fizesse immudavel a distri- buição dos capitães entre os diversos commercios. que se pode ter a certeza de que. em quanto a naçaõ possuir um capital.. sempre ha o recurso para cada um de entrar com os seus fundos no abysmo dos empréstimos públicos. que a fazem boa. e ao das necessidades dos consumidores. he sobre tudo quando se deixa andar o commercio livre. Literatura e Sciencias. Depois que todos os Soberanos da Europa se entraram a endividar. podem mudar. visto que as circumstancias. e que o seraõ também pelo modo que lhe for mais conveniente e proveitoso. r . O lucros do commercio. 41 das. ou que seja taõ difficil entrar no commercio. que dirigem todas as espe- culaçoens dos capitalistas saõ sempre proporcionados ao estado actual dos capitães. que se dei- tam ao commercio. XXIII. o interesse do capitalista naõ o obrigue ainda a empregar o seo capital. Vol. e longe das oppressoens com que o querem entravar. Finalmente. mesmo quando o commercio he opprimido de todos os modos. que. por boa que fosse esta distribuição e a melhor possivel.

menos longos e menos dispendiosos: deve ter sempre as maõs sobre a execução de todas as convençoens. e aos obreiros produc- tivos. que vaãmente se haõ tido em vista ao estabelecêllos. Resta-nos agora a examinar os monopólios. O officio do Legislador e do Governo. deve em fim ter os olhos abertos para prevenir e dissolver todas as combinaçoens. O que elle deve fazer he promulgar leys claras e exactas. (Continua-se-ha. e assim roubâllos â pátria donde sahiram.) . fica ainda assaz importante. As duas primeiras partes desta tarefa pertencem mais propriamente â jurisprudência.42 Literatura e Sciencias que sempre está aberto para absorver os capitães. Fim do Capitulo I. que ali podiam alimentar. a respeito do com- mercio. somente a terceira he que he da competência da economia politica e do objecto deste livro. que as leys ou os regulamentos mercantis tem estabelecido. e destruir todos os monopólios em vez de os crear e de os manter. os seos inconvenientes particulares. que algum interesse particular possa tormar contra o interesse geral. com lhe tirarem um cuidado para que naõ he competente. pelas quaes os processos sejam menos freqüentes. a que o commercio der origem. as vantagens. e os meios deos destruir.

E com tudo a este sentimento attribuimos os artigos do Correo de Oronoco. contra o Correo de Oronoco. mal podemos explicar. " Quer o Correio Braziliense. Nós estamos tam longe de pensar assim.) Talvez supponham alguns Venezuelanos pouco instruí- dos em politica. que uma revolução no Brazil produziria o effeito de suscitar mais um inimigo aquella independên- cia. dirigidos aos povos do Brazil. A naõ ser esta supposiçaõ. (Continuada do Volume XXII. quaes quer que sejam os abusos e excessos de sua . que todo este artigo he um manifesto ao Brazil. ( 43 ) MISCELLANEA. recommendando-lhe a revolução. que j u l - g a m o s . que em nenhum caso tenham os povos acçaõ para levantar-se contra o Governo oppressivo. Justificação do Correio Braziliense. Parece-nos. e tirasse dessas invençoens suas oceasiaõ para fazer refutaçoens. e dahi introduzir principios revolucinarios. porque o escriptor nos imputasse cousas. p. que nunca dissemos. que uma revolução no Brazil poderia adjudar a causa da independência da America Hespa- nhola. a que nos propomos responder. Continuemos porém com seus ex- tractos. 624.

que aqui se nos imputa. que foram os primeiros em lavrar os ferros da escravidão. que isto éra um direito ordinário. ensinando a todo o mundo esta verdade. nem em outro algum. quando a sociedade está em . naõ desconheciam o direito ordi- nário de insurreição. para ter oceasiaõ de a combater. no lugar citado. devemos collocar no seu numero a de resistir á violência e oppressao. Naõ he peculiar aos entes animados esta inclinação natural ella he transcendente a todos os elementos. tracta ja mais a questão se havia ou naõ no povo o direito de insurreição. e mais cousas inanimadas.44 Miscellauea. e portanto a opinião.) estabelecendo esta mesma opinião. Mas se ja mais tivéssemos asseverado. Liv. que apontamos no nosso N°. insufficiente para os fins do mesmo Governo. passado. que falia do curso ordinário de direito e naõ daquelles recursos extraordinárias aos primeiros principios. que tem lugar. e magistralmente resolve. como diz o Escriptor. 7." O Correio Brazilense. e isto pela razaõ. erro e injustiça : j doutrina prazen- teira para todos os tyrannos. o poder da Corroa seria mera sombra. Em todas as partes achamos aberto o livro sancto da natureza. para melhorar a naçaS. authoridade. Se qualquer indivíduo pudesse de sua própria authori- dade resistir ao Governo. e merecedora de suas graças e re- conhecimentos ! Os mesmos reys. Vejamos porém as authoridades que tem contra si a opinião do escriptor. contralrindo-se ao acontecimento de Pernambuco. I. Se admittimos ideas innatas. Diz Blackstone (Vol. que o povo tinha o direito de insurreição. I. nunca teríamos cahido no ab- surdo de dizer. e. e da resistência ar- mada: que he um absurdo valer-se desta medida. Cap. o qualifica de precipitação. he inventada e attribuida a nós cavilosa- mente pelo Escriptor. que naõ pôde fazer-se nenhuma reforma por meio da revolução.

diz Blackstone no lugar citado. tinha declarado. sem haver obediência a algum poder soberano : a obediência he um termo vaõ. " Desapparecêram no Christianissimo estes semideoses. porque a liberdade civil. propriamente entendida. e a sociedade se naõ pôde manter. destruir ou moderar o seu Governo arbitrário. igualmente fataes á liber- dade civil. Continua o Escriptor. 45 perigo de dissolução. ungidos e ministros. que tanto o Governo como os individuos tinham o direito de obrarem fims oppostos. consiste em proteger os direitos dos individuos. he do dever do Governo o re- primir taes tentativas." Naõ pode negar-se. pelo orgaõ de Salo- mão. que eram creaturas suas. e S. Miscellanea. Se algum indivíduo ou combinação de individuos tentar perturbar a paz publica. e diametralmente oppostas entre si. tem dado origem a doutrinas productoras da anarchia. Paulo. e que o povo estava obrigado a obedecer cegamente á sua vontade. fraude e oppressao. substituíram outra invenção. e substituir-lhe outra forma mais con- . pela força unida da sociedade . por que uma das partes somente pôde ter o direito de seu lado nestas acçoens contradictorias. como a mesma tyrannia. e. " A falta desta distincçaÕ. quando as leys saÕ demasiado fra- cas contra a violência. seus vigários. porém os interesses sacerdotaes. David. que uma das principaes obriga- çoens do Governo he manter a tranqüilidade interna. logo os individuos naõ tem o poder ordinário de lhe resistir: do contrario seguir-se- hia. para supprir o de- feito da Mythologia : fingiram que Deus. se cada indivíduo tem o direito de decidir até que ponto elle deve obedecer. e prohibindo absolutamente o levantar-se contra elles. em conseqüência. animados do espirito de adu- laçaõ e cubiça. o que he absurdo. e por conseqüência naõ pôde dar protecçaÕ.

sobre a interpretação da Escriptura. e approvados nos livros de Moyses. para com ella provar- mos aos nossos Leitores." Correio Braziliense". e dirigillas aos povos do Brazil. meramente para ter oceasiaõ de introduzir suas doutrinas. nem elle merece refutaçaõ neste seu arrazoado: porque falia em geral. intitula os seus artigos. que se lêem nas paginos do Testamento Velho. Josué. ducente á sua prosperidade : colocaram esta ficçaõ entre os dogmas e preceitos da religião ChristaS. a justiça com que nos queixamos da insinceridade deste Escriptor." Copiamos esta longa passagem. Bem longe estamos de querer entrar com o Escriptor em controvérsias theologicas. e mesmo fazer-nos invectivas pessoaes. que seguem máximas oppostas ao Es- criptor. sem citar the- . sanccionadas pela constante tradicçaõ dos Estados. e expressivas do poder e soberania dos povos. mui desingenuamente tomou o pretexto de refutar nossos escriptos. reduziram a inspiiaçoens e privilé- gios singulares todos os exemplos de resistência. Nós naõ somos theologos. Esdras. nunca escrevem os commen- tarios à Biblia: nunca sustentamos nem discutimos esses pontos de theologia. contra o despotismo Monar- chico. Elle se propõem refu- tar-nos. Paralipome- nos. e deste modo despo- jaram o povo de sua soberania: naõ consultaram os lugares politicos da Escriptura. que o escriptor. Juizes. 46 Miscellanea. e escomungáram todos os que deixavam de conformar- se com suas violentas interpretaçoens : condemnáram proposi- çoens as mais saSs. e vem aqui com este longo cathalogo de accusaçoens con- tra os theologos. ^A que vem pois tudo isto quando se tracta de refutar o Correio Braziliense ? Isto pois serve de indubitavel prova do que dissemos. e Macabeus. ou que interpretaram a Sagrada Escriptura de modo differente delle.

dei- xa o Governo de ser Monarchico: e como repugnaá idea de Monarchia o haver mais de um Soberano. Sup- ponhamos que em um governo Monarchico o povo assu- me o poder Soberano. que attribua ao povo a So- berania. nas matérias de que tracta. e naõ o povo. Agora. ou passagem. nem se en- tende o Governo Monarchico. mas sim democracia: ou supponhamos que o po- der Soberano se passou para um corpo de Nobres. Falia elle da soberania do povo. se tira qual he a confusão de suas ideas. No entanto naõ ha publicista algum de nome. o Escriptor naõ mostra ter idéas claras. Naõ nos propomos manter os desvios da razaÕ. Na monarchia. como essa socieda- de he o que Deus prescreveo aos homens. porque elle naõ cita nenhum. nem o Democrático : se admittirmos que o Estado de sociedade he o que Deus prescreveo aos homens. que nós pudéssemos exami- nar. desde esse momento ja naõ he mo- narchia. em uma Monarchia. naõ podes Monarcha ser Soberano. os Aristocratas collectiva- mente saõ o Soberano. se o naõ he. que aqui se intromette na refutaçaõ do Correio Braziliense. neste caso. he outra opinião. em geral.e o povo ser também Soberano. Nisto. Que se achem na Escriptura Sagrada exemplos de mu- danças de Governos de umas para outras formas. entaõ será o Governo Aristocrático. 47 ologo algum. esses factos históricos naõ tem nenhuma connexaõ coma exis- tência da Soberania no Povo. Miscellanea. ou por outras palavras. Que a Soberania provém deDeus. e como essa so- ciedade naõ pôde existir sem soberania. que possam ter tido alguns theologos. que diz. quem . mas quando se tracta de Soberania. para ver se o Escriptor a tinha bem ententido ou naõ» mas disso mesmo. he de Direito Divino Natural. senaõ nos governos puramente democráticos. o Monarcha he o Soberano. nem o Aristocrático. outra vez. segue-se que a Soberania he também prescripta por Deus.

que se naõ tenham procurado por meio de revoluçoens ? i A quem senaõ a 200 annos de guerras civis he devedora esta grande Naçaõ. em todas as partes e em todos os tempos. ou. sem ideas claras do que tracta. se- gundo o custume. " He pelas revoluçoens que o homem tem podido libertar-se da tyrannia. de que se queixa. Volta-se agora o A. os direitos direitos desta seraõ sempre os mesmos. designam entaõ essas pessoas.inaltareveis. sem citar nossas passagens. deduzidos da formação da sociedade.em quem deve residir essa Soberania he de direito humano.48 Miscellanea. da estabilidade e firmeza de seu systema político ? ^Ig- nora accaso o escriptor daquelle periódico. Sem re- voluçoens ja mais os Europeos teriam quebrantado as cadêas do despotismo religioso e político que os affligia. tenha incurrido em erros oppostos á sua historia. contra nós. porque sem elles. escolhem a forma de Governo. reunidos os homens em sociedade. E como he que pôde desentender-se delia o Edictor do Correio Braziliense. character e constitui- ção ? i Que melhoras notáveis tem obtido a sua Magna-Char- ta. porque. sejam quem forem os que exercitem a Soberania. e todos elles a sociedade naõ pôde existir. A historia inteira he fiel testemunha desta verdade. debaixo do poder . escrevendo na Gram Bretanha. mudem essas formas quantas vezes lhes parece- cer. Escolham pois os homens as formas de governo que quizerem. que naõ tenha si- do obra de revoluçoens. que melhor julgam convir-lhes. o que he o mesmo. saõ as pessoas individuaes ou moraes. e seus fins. qual he a differença mais notável. que as dissensoens civis dos Romanos terminaram em sua escravidão. Naõ ha uma só reforma de primeira ordem. e as do po- vo Inglez ? i Naõ se diz a cada passo. quando gradua de aburdo o pensamento e esforço de melhorar as naçoens pela via da revo- lução ? i He possivel que. na linguagem de um mancebo fogoso. entre as agitaçoens internas de Roma.

sem ter o nome. Quando um povo. a pátria: mas { que melhoraram com isso ? Augusto foi eleito em seu lugar: porque os Romanos ja naõ eram Republicanos.. <. Miscellanea. Voi. e César. Quanta vezes naõ temos visto assassinados os monar- chas. adaptado a seus melhores cus- tumes . apparecelogo outro em seu lugar. tem padecido tal revolução em seus custumesto que nunca se pôde fazer senaõ gradualmente) que a ty- rannia lhe naõ pôde quadrar. por varias causas. que regemos governos despoticos das naçoens Bar- baras na costa de África Septentrional ? £ Accaso muda a forma de Governo ? Naõ: apenas um tyranno he morto ou expulso. com a morte de César. G . melhor governo. que ja naõ eram próprios para a Republica. entaõ qualquer explosão po- litica que aconteça. tinham- se mudado os custumes. e com elles forçosamente devia mudar a forma de Governo. Começa o Escriptor esta tirada dizendo que " pelas revoluçoens tem o homem podido libertar-se da tyrannia em todas as partes. outro entra em seu lugar. mas se a explosão naõ he mais do que um mo- vimento momentâneo contra o tyranno. pela qual se derribe o tyranno. Mudaram. destruído este. N° 134. A historia Romana nos dá disto um notável exemplo. e as dos Inglezes em uma liberdade bem constituída.e as repentinas. adquirio o poder de Monarcha: alguns enthusiastas Romanos quizéram remediar isto. 49 arbitrário dos Imperadores. XXII." Se o Escriptor fizera aqui a distinc- çaÕ entre as revoluçoens graduaes. li- vrando. sugeito á tyrannia de quaiquer Go- verno. os custumes dos Romanos a tal ponto. o povo escolhe. facil- mente conheceria aonde está o paralogismo que o hallu- cina.

50 Miscellanea. segundo o seu systema. que provém o melhoramento . logo a opinião geral foi que fe remediassem . pode- mos naõ so estudar sua historia. naõ dá nenhuma explicação desta difierença. e a sua ignorância da historia Ingleza. O exemplo da Inglaterra. que " as dissençoens civis dos Romanos terminaram em sua escravidão. Diz o escriptor.hebem fácil a sua solução. que as guerras civis ou revoluçoens naõ eram senaõ causas accidentaes. escrevendo nôs em Inglaterra. como as demais naçoens da Europa. Se he das revoluçoens. ou promotoras das mudanças. As re- voluçoens naõ foram as que produziram os melhoramen- tos: o que a historia prova he que as revoluçoens foram produzidas pela mudança dos custnmes. mas o A. mas naõ foi desta. achamos. o tempo e a diffusaõ das sciencias fez patente a todos os defeitos daquelles Governos. mas conhecer por suas leys as verdadeiras causas dos acontecimentos. cuja origem provém dos povos do Norte . e sim da mudança dos custumes. quando. debaixo do poder arbitrá- rio dos Imperadores. contra os cus- tumes introduzidos do novo. a opposiçaõ dos que queriam conservar as antigas formas. em que o escriptor insiste." Assim he. segundo o nosso. nem a podia dar suíficiente. causou a guerra civil. só prova o erro em que el- le está. A Inglaterra tinha adoptado o Governo Feudal. Exaqui porque. fazendo numerosas perguntas. e esta mudança fez necessária a introducçaõ de alteraçoens nas formas dos Governos. e medi- tando nellas. e as dos Inglezes em uma liberdade bem constituída. que re- sultaram os melhoramentos introduzidos no Governo. porque as causas reaes e efficazes foram sem- pre a mudança dos custumes. mante- mos as opinioens que temos: vivendo neste paiz.

que se introduziam de novo. segundo leys precisas. Assim todas as vezes que havia choque de partidos. os nobres e grandes senhores feudaes. que eram d' antes quasi independentes dos soberanos. e fazendo-os cada vez menos próprios para o Governo republicano. e a opinião e custumes públicos desviando-se delle. 51 dos Governos. eram sempre conformes a esta mudança na opinião publica: isto he. que as revoluçoens de Roma leva- ram sempre as cousas a peior estado: logo a sua bypothese. A explicação deste phenomeno he fácil em nosso syste-- ma. que acontece em Constantinopla a mais carniceira revolução. guerras civis ou revoluçoens. mas o mes- mo Escriptor confessa. Supponha o escriptor. a introducçaõ dassciencias Ia mostrando os vicios do systema feudal. sempre isso acabava por se introduzirem nas formulas do governo leys tendentes a destruir o republi- canismo . tirava-se ao monarcha parte de seu poder arbitrário. pois os custumes se iam inclinando à monar- chia. su- geitavam-se-lhe. de que os melhoramentos sempre se produzem pelas re- voluçoens. &c. que se corta a cabeça ao Gram Senhor. as formulas. que de um golpe se tiram as vidas a todos os Jani- zaros. Miscellanea. a todos os homens pode- rosos. tanto as revoluçoens de Roma como as de Inglaterra. deviam produzir melhoramentos. sediçaõ. e outras circumstancias. Na Inglaterra pelo contrario. O luxo. a todos os Baixas. fo- ram mudando os custumes de Roma. As- sim todas as vezes que havia alguma commoçaõ. deve ser falsa. as riquezas. porém que os custumes e ideas dos Turcos continuam como agora estaõ << Resultará accaso dessa revolução o instituir-se em Constantinopla um Parlamen- . e aproximando-se a uma monarchia mais regular. ou revolução.

e introduzir um Congresso de Representantes na Turquia: tanto o Presidente dos Estados Unidos. e se o Gram Senhor em Constantinopla. ou seriam feitos em pedaços pelo mesmo povo. composto de Rey. condemnados pelas leys do paiz. e deputados dos Communs ? So um mentecapto poderia esperar tal. faz um bem real a sua naçaõ. sem esperança de produzir por isso algum bem. para illustrar. e todo o indivíduo particular. Se o Presidente dos Estados Unidos. naõ foi esta quem os pro- duzio mas sim o melhoramento nos custumes. e das formas. como o Gram Senhor dos Turcos teriam o mesmo fim: isto he. ou fazer ou- trem qualquer Gram Sultaõ dos Estados Unidos. mor- reriam n' um cadafalso. Logo as revo- luçoens ou commoçoens violentas das naçoens. no Governo de paiz de algum . e estamos ainda convencidos. porque se taes melhoramentos appare- cem depois de uma revolução. nas ver- dadeiras ideas de Governo. e instruir seus compatriotas. que se esforça pelos meios que tem em seu al- cance. to. que se desejam introduzir. de Casa dos Pares. naõ po- dem produzir bem algum.52 Miscellanea. que mais podem contribui' para a fecilidade publica. porque saõ estas medidas outros tantos pas- sos para os melhoramentos. quizesse limitar seu próprio poder. de que as revoluçoens naõ saõ o meio de produzir melhoramentos. que nós dicemos. He pois simplesmente neste sentido. e os que promovem taes revo- luçoens tomam sobre suas cabeças a responsabilidade do sangue derramado em taes oceasioens. Pelo contrario todo o monarcha. persuadido de que o bem de sua pátria requeria ali um Governo despo- tico. fizesse uma revolução para se fazer a si. por igual convicção do bem de seu paiz. se os pu- desse colher às maõs. .

e em todos os tempos. tam longe estamos de convir com o escrip- tor. ou essa alteração dos custumes preceda a alteração das formas. tem encontrado as maiores difficuldades em reme- diar as conseqüências dessa relaxaçaõ. que sempre saõ acompanhadas de relaxaçaõ na administração das leys e da moral. de maneira que em todas as partes. que naõ ha uma só reforma de primeira ordem. e que as revoluçoens tem sempre ser- vido de impedir. que naõ tenha sido produzida pelo melhoramen- to dos custumes. porque da combina- ção dos factos históricos. deduzimos. Isto posto. As revoluçoens estaõ tam longe de poder introduzir nenhuma destas alteraçoens regularmente. respondendo á per- gunta que faz o escriptor "<" a quem se naõ a 200 annos de guerras civis he devedora esta grande naçaõ da esta- bilidade e firmeza de seu systema político ?" Respon- demos. que aca- bamos de expor. de convir nisto. dizíamos. que naõ ha uma só reforma de primeira ordem. se essa alteração naõ segue outra conrespondente nos custumes. Dizemos mais. que nenhuma alteração nos formas do Governo se pôde reputar melho- ramento. 53 Em geral pôde estabelecer-se a regra. introduzida pela revolução. que a nossa opinião he justamente a opposta. quando diz. que se tem seguido ás revolu- çoens. e das consideraçoens. para produzir a alteração dos custumes. Confirmaremos esta proposição. os Govesnos. adequada á alteração das for- mulas. ou se tomem as medidas conveni- entes. ou ao menos de demorar a introducçaõ dessas reformas úteis. que seja produzida pelas revoluçoens. . nos casos em que isso he possivel. Miscellanea. que " naõ ha uma só reforma de pri- meira ordem que naõ tenha sido obra de revoluçosns:" tam longe estamos. e guerra civil.

54 Miscellanea. Como este escriptor nunca define os termos de que usa. à diffusaõ das sciencias. posto que alguns Imperadores. antes ficando tudo. Nem sempre a revolução. sem que haja revolução. e aos progressos de sua civilização. no mesmo estado em que se achava d' antes. somos obrigados a suppor o sentido que lhes dá: assim julgamos que elle confunde as ideas de revolução e de guerra civil. cujos objectos. As guerras civis de 200 annos só deve a Inglaterra o retardamento de todos estes benefícios. Da mesma forma temos visto muitas guerras civis na Europa. ja pelos pretendentes á coroa de algum estado. depois de Constantino. se valessem dos Christaõs em suas guerras civis. que he a grande naçaõ a que o escriptor aqui allude. ja por algum partido de nobres ou homens pode- rosos contra o soberano. sem nenhuma mudança. he ac- companhada da guerra civil. a passagem â índia pelo cabo de Boa-Es per anca. A Inglaterra. produzi- ram revoluçoens mui consideráveis em varias naçoens. ainda nestes casos. sem que taes guerras civis te- nham introduzido a menor revolução. tanto Christaã como Pagaã. ao melhoramento gradual dos custu- mes. . eram mui diversos dos interesses da Religi- ão. e por outra parte. A restauração das letras. deve a estabelidade e firmeza de seu systema político. ou mudança essencial nas formulas do governo e legislação. depois de passada a guerra civil. mas essa introducçaõ naõ teve connexaõ directa com as guerras civis. a invenção da imprensa. quanto as formas do Governo ou leys. sem que isso tudo tivesse por origem alguma guerra civil. A introducçaõ do Christianissimo na Europa causou uma grande revolução. muitas vezes ha a guerra civil. a descuberta do Código de Direito Romano em Amalfi.

que—o direito de resis- tência na Inglaterra. declarou so- lemnemente o direito que tinha o povo. para obrigallo á observância do juramento. quando por meio da resistência foi dethronizado Jacobo II. que o . que desde os tempos d' El Rey Joaõ foi elevado á classe de ley constitucional. nem deixar de mostrar a todo o mundo a falsidade de suas asserçoens. Henrique. Assevera este este esscriptor. para mostrar. sobre estes intrin- cados pontos da historia e da legislação Ingleza. Liv. O Parlamen- to tomou providencias contra este monarcha. Nova sancçaõ recebeo este direito. 7. Acontecimentos tam distinctos na historia naõ podiam escapar á contemplação do Author do Correio Bra- ziliense. para armar-se e revoltar- se contra a sua Real pessoa. destasprerogativas." A ignorância do nosso Escriptor. e diz assim :— ". naõ merceria tanta reprehensaõ. publicada em tempo d' El Rey Joaõ.Tam neceasario he o direito de resistência para remediar os abusos e melhorar a naçaõ. e substituída a actual dynastia reynante. que a Magna- Charta. Cap. desde os tempos d' El Rey Joaõ foi elevado â classe de ley constitucional. I. portanto. 55 O Escriptor confunde ao depois revolução com resis- tência. Blackstone. que tinha prestado em obséquio da Magna-Charta. se nelle nao citasse estes factos. havendo enumerado as prero- gativas do Rey diz assim:— *• N o exercicio. Miscellanea. como pretende. e a qualquer outra das mais applaudidas nos annaes sagrados e prophanos.. Esta asserçaõ he tam sem fundamento. e bem longe de assim o entenderem os jurisconsultos Inglezes. a falsidade de nossas asserçoens. naõ diz nada para estabelecer este direito de resistência. em honra de suas instituiçoens po- liticas. que naõ entende. Seu filho e successor. applicadas á revolução de Pernambuco.

por uma resolução de ambas as Casas do Parlamento. o Rey he irresistível e absoluto. Primeiramente." Eis aqui o motivo da dethronizaçaõ de Jaimes I I : o ter elle saido do Reyno. e nesse caso da vacância por força haviam escolher outro Rey. E m segundo lugar Jaimes II naõ foi dethronizado pelo direito de resistência. tem abdicado o go- verno. que por meio da resistência foi a presente fa- milia reynante substituída a JacoboII. quebrantando o contracto original entre El Rey e o Povo. . interpetraram aquelles actos do Rey como abdicação do governo. mas porque se suppoz que naõ havia . quando achou que naõ podia fazer os actos illegaes. e esta vacância foi declarada. dizendo." E á face disto atreve-se o nosso Escriptor a dizemos. direito lhe tem dado. e naõ deixar quem governasse o Reyno. Naõ foi logo por- que se supozesse existir tal direito de resistência na Con- stituição Ingleza. e pelos conselhos dos Jesuitas e de malvadas pessoas tendo-se retirado para fora do Reyno. que queria. segundo as formas da Constituição. e elle no Orinoco. Dahi assevera o nosso Escriptor outro erro histórico. que se acha nos Jor- naes da Casa dos Communs de 7 de Fevereiro de 1688 aonde se diz assim. naõ succedeo a Jaco- bo. que o direito de resistancia he ley constitucional em Ingla- terra. as duas Casas do Parlamento. mas sim por se achar o throno vago. estando nós em Inglaterra. que foi o primeiro da actual familia reynante.56 Miscellanea. depois a Raynha Anna. por isso que éra preciso ter um Rey. que reynaram junctamente.'. a este succedeo El Rey Guilherme e a Raynha Maria. e depois desta he que veio George I. que subio ao throno de Inglaterra. George L. ou Jaimes I I . e que o throno esta por isso vago.ten- do trabalhado por subverter a Constituição do Reyno.que El Rey Jaimes o Segundo.

que a fugida d' El Rey para fora do reyno. 124. julgando-se. Miscellanea. pois todos os mais naõ saõ senaõ seus delegados. e que os entende- mos e interpretamos. do que o nosso escriptor transia ntico. que mal a podemos reduzir a termos assas explícitos. com as outras violaçoens das leys fundamentaes montavam a uma abdicação. seria conceder a dissolução da sociedade. Se as leys Inglezas admittissem o direito de resistência ao Rey. feitas do direito Inglez mostram a falsidade de nossas assersoens. estariam em contradicçaó com sigo mesmo." Isto mesmo foi o que succedeo em Roma. 57 rey aquém se pudesse obedecer. pois. §. na mesma forma que os Jurisconsul- tos Inglezes. todas as vezes que isso aprouvesse a qual- quer indivíduo. seo Rey da Inglaterra he o único magistrado. N°. XXIII. que nos naõ es- caparam esses factos da historia Ingleza. Portanto. Gravina (Orig. 1. que naõ podem ser menor authoridade. que as allegaçoens. por uma accumulaçaõ dos poderes de todos os magistra- dos. Ja mostramos. Parece-nos. 105) diz que" na única pessoa do Rey se exprime ou re- presenta todo o poder e majestade da antiga republica. quando os Imperadores reuniram em si os poderes de todas as magistraturas ao mesmo tempo. &c. em uma de suas mais importantes máximas do direito publico: e he aquella. pela qual consideram o Rey como uma reunião de todos os poderes. que temos mostrado. e a qualquer outra das mais applaudidas. H . applicadas a revolução de Pernambuco. Con- clue dizendo. para lhe darmos competente resposta. A conclusão deste paragrapho do nosso escriptor. conce- der o direito de resistir-lhe. que o nosso escriptor naÕentendeoahis- VOL. neste caso. he tam obscura.

applicadas á revolução de Pernambuco. Logo. a dahi a qualquer numero de individuos. Em Pernambuco naõ houve revolução. e nesse caso deixariam as leys de terem força coactiva. que quer trazer como termo de com- paração ao motim de Pernambuco. com as revoluçoens mais applaudidas: principalmente porque no paragrapho seguinte falia expressamente da revolução de Portngal em 1640. Passaremos depois ao que diz sobre a revolução de Portugal. que as nossas asserçoens saõ falsas.58 Miscellanea. estas naõ seriam ja coactivas . se o escriptor quiz nisto fazer uma assimilhaçaõ da revolução de Pernambuco. (Continuar-se-ha. como direito ordinário de qualquer naçaõ. nem mesmo éra revolta de uma provin- cia . pelo que res- peita o Estado. suppomos que quer nisto comparar a revolução de Pernambuco. naõ passou do motim de uma cidade. pois tendo cada individuo o direito de resistirão supremo Legislador e executor das leys. e naÕ ha ra- zaõ por que se naõ applique também à mais pequena al- dea. quando se tracta de todo o Brazil. da- hi pode dizer o mesmo de qualquer cidade.) . toria. que a disproporçaõ he tam grande. ou a um só individuo. he preciso que lembremos ao es- criptor. Mas quando elle diz. que naõ ad- mitte comparação. ou que tem servido de crise á mudança de Cons- tituição de alguns. que desejou fa- zer applicaveis a este caso. nem os pontos de direito Inglez. o que he uma gota d* agoa no mar. em 1640. com as revoluçoens porque grandes Estados tem mudado violentamente de Sobe- rano . e só se fundariam na voluntária submissão dos individuos. e a quaqjuer outra das mais applaudidas. Se o escriptor quer dar este direito de resistência ou rebelião.

que fora incumbido deste Governo para plantar um Destacamento no Rio da Salsa. animados pelo Destacamento. que he por ora composto de trinta casaes de Sol- dados dos tres Regimentos de Linha desta Cidade. a fim de se abrir fácil communicaçaõ desta Capitania com a de Minas Geraes. e ahi fez Quartéis para o Destaca- mento. que já principiam a estabelecer-se naquelles lugares. O ouvidor escolheo os outeiros da Boa-vista. de cima. marcou a cada Familia o terreno. Miscellanea. 26 de Janeiro. Bahia. acaba de dirigir um Officio ao Illustrissimo e Excellen- tissimo Senhor Conde de Palma. 59 Melhoramentos no Braxil. Do lugar do destacamento ao Je- quitinhonha sobe-se em poucas horas. e logo acima fica a cachoeira do Salto Grande. que pro- mette os maiores bens assim á lavoura como ao com- mercio interior destas Capitanias limitrophes. nas mar- gens do Rio da Salsa. em o qual lhe dá conta dos fundamentos lançados aquella nova Colônia. para receberem as cargas dos Mineiros. Antônio da Silva Telles. aonde haja canoas da parte de baixo. os ares saÕ mui sadios. segundo o crescimento das Fa- milias dos Soldados. e a concurrencia dos Colonos. O ouvidor da Comarca dos Ilhéos. sem que seja pre- . Os Quartéis saÕ de tres braças de frente. que os põem ao abrigo de qualquer insulto dos Botecudos. e seis de fun- do. trans- portadas do desembarque. e as águas excellentes. e de- signou terras para as lavouras em grande. e as terras adjacentes saõ sobremaneira fecundas para qualquer gênero de cultura . que no andar do tempo se devem fazer. que ella poderia cultivar.

Francisco de A ssís. tem mostrado muito contentamento pela amenidade do clima. porque se assustam e fogem para o centro.60 Miscellanea. abundância de caça e peixe: e facilidade de colher em breve os productos do seu trabalho. Querendo o Ouvidor dar uma légua de fundo ás terras dos Soldados. ciso arrastar as canoas por terra. Segundo informa o Commandante do Destacamento do Salto Grande. foi dar com uma lagoa de meia circunferência. mas nunca appareceram Bc- tecudos. porque o Rio da Salsa naõ deborda em suas enchentes . He muito para notar. e naõ só os Soldados. a quem os desvélos sobre as formigas furtam metade do tempo e das plantas. para Canavieiras. que difficultam a passagem das canoas. que. e tudo isto Tedobra as esperanças dos lavradores. e batendo para este fim o terreno. com algodão e outros gêneros. como até aqui se prati- cava. sendo aqueilas terras cortadas em muitos sentidos. e seus infinitos braços. Também naõ se encontra ali o mais terrivel flagello da lavoura do Brazil. bordada de lin- dos oiteiros. a pezar de haver já alguns mandiocaes. pelas tortuosidades dos rios. e nestas lagoas achou portos muito limpos. a qual se seguiaõ duas pequenas. e os Soldados do destacamento do Rio da Salsa trabalhavam muito em limpar o rio dos grossos páos. esperavam-se por todo este mez muitos Combois de cima. que he a formiga chamada de mandi- oca. com a invocação de S. como os novos Colonos ali estabelecidos. aonde lhes naõ faltam as cousas necessárias â vida. naõ saõ com tudo alagadiças. Naõ ha . Deo-se a este novo Destacamento o nome de Palma. e signaes de que os Botecudos alli vinhaõ pescar. e por isso os novos Colonos naõ receiam plantar em suas mar- gens.

Foi com similhantes especulaçoens. outros por sua posição. se elles achassem no porto de Canavierias boas pousadas. Também informa o Commandante do Salto Grande. e nem ap- parecem naquelles lugares choupanas de habitação. e donde fica mais perto o transito para a Bahia. que enri- queceram consideravelmente muitos principiantes. e mesmo algumas lojas. Canavieiras deve pois ser para o Jequitinhonha. e Salsa o mesmo que he a Cachoeira para o Rio de Contas. que o Brazil ainda . Elles fogem da barra de Belmonte. aonde naõ ha o menor risco. ed' ahi vieram grandes casas de que ainda ha memória. cuja viagem lhe faz tanta repugnância. e que tem feito grandes plantaçoens de al- godão. e Cam- pos . mas naõ he a cultura só a que enriquece os lugares. assim como todas as costas do mar. que nas margens do Jequitinhonha se tem estabelecido mui- tos Colonos. quanto o porto de Canavieiras para o commercio. sem demandarem a Bahia. fazendo uns interessantes por sua fecundidade. e he da ordem das cousas que aquelle porto seja uma Villa considerável por seu commercio. e procuram Ca- navieiras. E quanto cresceria a concurrencia destes exportadores. Naquelles pontos podemos dizer. 61 vestígios de que elles plantem alguma cousa. dos quaes muitos pretendiam descer pelo Rio da Salsa até o fim de Janeiro. e para apertar mais os laços da sociedade he que a Providencia dá vantagens á todos os terenos. e vendas aonde permutassem o seus gêneros. para trazerem á Bahia as suas cargas. Tanto precioso he pois o Rio da Salsa para a lavoura. Miseoilanca. no co- meço das Villas desta Capitania. Que ajuizada especulação para um Negociante empre- hendedor. He verdade que o terreno alli naõ he próprio para a cultura.

que escrevemos sobre o Rio da Salsa. e a illimitada liber- lidade. e em quanto for difficil a communi- caçaõ com Minas Geraes. summamente pode- rosas. e favor que o Illustris- simo e Excellentissimo Senhor Conde de Palma tem mos- trado nestes novos estabelecimentos. e que podem fazer um grande commercio interior. e que fossem onerados de familia. he o mais próprio para esta cultura. I o . O algodão he hoje o ramo mais favorito da lavoura. que Sua Excellencia podesse mandar dos Solda- dos quasi inválidos da Tropa da Bahia. agora se descobre . Naõ fallaremos nos gêneros da primeira necessidade de que tanto abundam aqueilas terras. e naõ he preciso provar o quanto a Bahia he falta de mantimen- tos. que saõ o decidido empenho. Sua Majestade. conce- dendo. e sempre o será em quanto a Comarca dos Ilheos naõ for bem cultivada. que lhes designasse terreno conveni- ente para plantaçoens. e do commercio do Brazil. como que tractou logo de premiar com alta beneficência as familias do Destacamento. que devem animar os novos Colonos e novos Negociantes do Rio da Salsa. e a seus successores. que vai de Canavieiras até Mi- nas. e todos sabem que nos descobrimen- tos das cousas se fazem grandes fortunas. 2°. naõ BÓ approvou o feliz projecto deste Go- verno em facilitar a communicaçaõ com Minas pelo Rio da Salsa e Jequitinhonha. por uma Carta Regia de 4 de Janeiro do cor- rente anno.62 Miscellanea. os que lhe parecesse para aquelle Destacamento. sem dependendencia de outras formalidades practicadas nas Datas Sesmarias. e todo o terreno. A todas estas razoens physicas. porque ja expendemos este assumpto na pri- meira Gazeta. que El Rey Nosso Senhor ostenta sempre quando se tracta de augmentar a fortuna dos seus Vassallos. te- mos de acerescentar razoens moraes. ficando-lhes pertencendo. que naõ sejaõ as das .

pelos productos das suas lavouras. e que os novos Negociantes. com attestaçoens do Ouvidor da Comar- ca. e prosperidade daquella Comarca. XXII p. requerendo elles para esse effeito á Juncta da Fazenda desta Capitania. qnando por informaçoens authenticas do Ouvidor. e fi- xos nas Povoaçoens. e estas gratuitamente. nem um Soldado onerado de familia. e da Bahia. 63 demarcaçoens. com que possam bene- ficiar as lavouras. com grande proveito de Minas. e que se acham arreigados. mostrarem que tem formado os seus Estabe- lecimentos em lavoura. naõ lhe sobra tanto tempo. tenham de ser favorecidos com algum Rasgo da beneficência Real. que naõ saõ Soldados. nos via oecupar. Espalhados pelas suas fazendas e lavras. e servindo-lhes de Titulo de Propriedade: 3 o . e entaõ veremos em breve crescer a população. Reflexoens sobre a Capitania de Minas Geraes. Miscellanea. a que saõ pro- . que se estabelecerem em Ca- navieiras. subdivisão da classe branca. e entretidos com esse trabalho. (Continuadas de Vol. no fim de tres annos. E querendo subministar-lhes meios para poderem ir formando capital. pode esperar mais fortuna. demissão do Real Serviço. Talvez que os novos Colonos. para que possam cair nos mesmos defeitos. que mostrem que os ditos productos saõ propria- mente seus. pelos haver plantado. lhes concede a isenção de Direitos por tempo de dez annos. 633) Os mineiros e roceiros. Naõ nos consta que algum Soberano do Mundo fosse mais liberal em animar uma lavoura nascente.

com meia dúzia de escravos. que bem longe de . apenas lavra ou cultiva o que a sua familia. por conseqüência cecupam os lugares de pouca honra e de pouco interesse. em conse- qüência. Nella poucos ha. pois que os brancos abandonam aquelles officios. que a ex- emplo de seus amos as administram em geral. <* E porque razaõ ? Por causa da priguiça. Com tudo o seu estado em muitas cousas he o mesmo que o dos ou- tros . que os faz perder em grande parte o que por agi- lidade. tendo-se tornado mais difficultosa a mineração. podiam recuperar. com tanto desmazêllo. depois de terem os senhores comido. gasta: e muita vezes nada resta para sustento dos miseros escravos. e providencias dadas a tempo necessário. que sejam emprega- dos no Real serviço. Fállo por experiência: por quantas destas fazendas naõ tenho eu passado. He notório e sa- bido. pensos os moradores das povoaçoens grandes. e com os trabalhos mal administrados e peior dirigidos. por precauçoens. nem ha exemplo de que um branco pobre de baixa esphera houvesse até hoje pegado em uma en- chada para cultivar a terra. de ordinário numerosa. Vejamos agora se achamos mais alguma diligencia nos homens pardos. sugueito igualmente à priguiça. Os of- ficiaes mechanicos se encontram entre elles. e poucos fazendeiros e mineiros. que impede os do- nos das fazendas levantarem-se cedo. que tenham mais de doze escravos. que exportem os seus effeitos. saõ por necessidade menos viciosos. os seus próprios interesses naõ os esporéam a mais actividade : abando- nam as suas lavras e as suas roças a feitores.61 Miscellanea. que presente- mente. poucas lavras ha que paguem os jornaes dos escravos. por causa da igno- rância. e mui poucas fazendas. e igual priguiça e ignorância. NaÕ consta. que um mineiro ou fazendeiro.

que naõ podem prever uma similhante falta. Similhantes habitaçoens de mise- Tia. se encontra o mesmo desleixo e a mesma miséria. antes pelo contrario a grande priguiça dos habitantes o affirma. e nenhuma educação. a pezar de todo o dinhei ro que offercer. com a facilidade de sê terem as cousas necessárias á vida. resultado da priguiça. que nenhum viajante Portuguez ca- minha. aonde ella existe naõ ha o preciso. nas próprias terras. escoria do gênero humano. sem dis- farce. em nada contradizem o que assevero. chegando a tanto o seu desmazêllo que nem hortaliças plantam ao pé da casa. espe- cialmente decretadas para a cultura custumadado paiz. de terem Ido até Mato Grosso. que naõ practicar do mesmo modo. A moral desta classe. 134. muitas vezes. no publico e no interior das casas. tenho sido rogado pelo amor de Deus para lhes dar por esmola alguma farinha. tudo quanto he indispensável ao preciso alimento: e todo o viajante. e com um apurado talento para a maldade. he a mais abominável. XXHI. que tomam os practicos do ca- minho. ainda que toda a vantagem que possam alcan- V o i . segundo a phraze do paiz: isto he. e o que dizem alguns viajantes Portuguezes. elles os sobrepu- jam nos vicios: estes se mostram a toda a hora. o facto de naõ se achar em muitas partes cousa alguma. e todos comprovam. Com todos os defeitos dos brancos.o que acontece ordinariamente aos estrangeiros. Miscellanea. sem levar com sigo caldeirão. N°. todos em ge- ral trabalham sempre para causar prejuízos a ter- ceiros. C5 obter alguma cousa para comer. A pro- va desta asserçaõ he. i . com menos polidez. Mas esta providencia. e poder viver-se nesses pai- vez. naõ se encontram somente lá aonde se occupam com a mineração do ouro. Este foi o engano do Senhor Langsdorf. naõ achará que comer .

çar. naõ tendo escravos.66 Miscellanea. Os individuos da terceira classe. de modo que esta . A vista de uma tam depravada moral naõ he para admirar serem todos os sentenceados por crimes atrozes sessenta até oitenta pes- soas da classe dos pardos. uma desmedida paixaõ para o outro sexo da mesma classe. amancebados ir- maõs com irmaãs. os pretos. naõ respeitando nem o interior delia. que saõ mais disfarçados que aquelles. nem fazendas. Além dos que se empregam nos officios mechanicos. que naõ fazem caso de um prato de feijaõ. a fora os que escapam a execução da justiça por meio da fuga. se pôde considerar como excepçaõ alguns. sem trabalhar cou- sa alguma. ou em officios mechanicos. desconhecendo em tudo a virtude da con- stância de aturamos projectos. que. filhos envenenando os pays. seoccupam em cultivar a terra com seus próprios braços: os mais. Assim como os brancos. observando uma vida escandalosa no interior de suas casas. e da dos pretos. passam a vida na ociosidade. nem os de proveito. ou alugando-se a outros. Accresce a isto um gênio vingativo. que lhes assegure a subsistência por oito dias sem traba- lhar. que só vive do infame lucro. que promette al- gum lucro. sem reli- gião alguma. expondo a mãy as filhas. vadiando ou vivendo de suas espertezas. naõ occu- pam nem lugares de honra. e quando se dam um dia ao trabalho. submergidos na maior miséria. exigem um pagamento. trabalham só quanto exige a sua subsistência. naõ possuem nem lavras. e practi- cando outros muitos vicios horrorosos. ou como fais- queiros. seja meramente a folga de trabalhar. que lhe provem de se abandonarem aos apetites dos homens. com a só diflerença. ou da beneficência de outros mais ricos. ou plantando algum escaço terreno pertencente a outrem. emprehendem tudo.

queijo. mas em contrapoziçaõ saõ mais insensíveis ás vozes da humanidade. o Redactor da gazeta pôde ter a confiança de dizer. pois até de Trieste . e conhecendo-se a im- portação dos mantimentos no Rio-de-Janeiro. Rematarei o que tenho a dizer. e algum gado. Com tudo a justiça pede. menos apta aos conhecimentos. conhecendo-se o estado das fazendas de Minas. quando tractam da execução de barbaridades. sobre as tres classes dos habitantes de Minas. Sobre o sexo feminino das tres classes naõ tenho que expor. saõ uni- camente algum toucinho. e creio que em todo o mundo naõ se encontra uma similhante ã que se acha nestes homens. que fazem honra á naçaõ Portugueza. naõ podem de modo algum contribuir para o augmento da felicidade de um paiz. Paulo : sa- bendo todo o mundo. possue menos velhacaria. que a barateza dos mantimentos no Rio-de-Janeiro procede da grande importação das capitanias de Minas e de S. deixam de trabalhar logo que tem alguma cousa para comer: tem menos vicios refinados. 67 classe. que os mantimentos que estas Capitanias exportam para o Rio-de-Janeiro. o que previne para que ninguém se fie na palavra de um Mineiro : imprimindo-se desde a mais tenra infância esta inconstância nos seus filhos. pois até entregam o governo de suas casas ás mo- cambas e ás escravas de sua confidencia. Miscellanea. com o notar sua inconstância no modo de pensar e de dirigir as acçoens próprias. que. Vivendo da mesma forma na maior priguiça. vin- do todo o artigo graõ. Portanto naõ sei de que modo he. porque saõ conhecidos ho- mens e mulheres. ou do Rio Grande ou princi- palmente de paizes estrangeiros. que lembre haver excepçoens á regra geral em todas as classes. que illustram os homens. pois até sem pejo algum con- fessam esta inconstância.

dos trabalhos de 150. como dá a entender o Gazeteiro. como a todos os que pretenderem viajar na Ca- pitania de Minas. e que se venderam com grandes vantagens dos especuladores estrangeiros. Ora se a Capitania de Minas he tal. o clima he ja mais quente. A gente de Minas he mui priguiçosa. Naõ he indifferente a pes- . que a classe trabalhadora trabalha em toda a sua vida dez annos consecutivos.) Nos paizes do Norte da Europa se tem calculado por tempo médio. fundada nas observaçoens feitas com o maior escrúpulo. algum. Na Hespanha e Portugal sette annos. Em França nove annos . Pergunto agora se ha priguiça ou naõ nas Minas ? Toda a exportação das Minas resulta. os es- píritos saõ mais especuladores do que saõ os corpos ex- ecutores. naõ só lhe he dirigido por mim amiga- velmente. Façamos agora uma pequena comparação. por causa do seu temperamento vivo e fallador. e sem remédio. naõ sei o que se ha de dizer do resto do Brazil. Sem caldeirão naõ emprehendam a viajem. e os de Minas ou do Brazil—(Creio que as mais provincias em pouco differem. para eterna vergonha dos agricultores do Brazil. e o charac- ter geral delles he naõ ter character.000 forros. da Bahia. os brancos em toda a sua vida naõ tem um só dia de trabalho corporal. ja perdem mais tempo. No Brazil.68 Miscellanea. um sò queijo naõ resulta dos trabalhos e da in- dustria de 88.000 escravos. vieram no fim do anno passado embarcaçoens com trigos. que os seus habitantes saõ os menos priguiçosos. Deixemos pois toda a bazofia. Senhor Gazeteiro. por conseqüência. e o conselho que vou proferir. entre os tra- balhos dos homens dos paizes do Norte. do contrario disponham-se a padecer algumas vezes fome. e os do Sul da Europa.

que tal conselho lhes dá. os prisioneiros Hespa- nhoes. he chegada a tua ultima hora: toda a America esta perdida. e a resistência do povo em outros pontos. Coronel D. Luiz ao Governador da Provincia de Cuyo. Depois das custu- madas expressoens de cerimonia. A cidade de S. Tenente D. Burguillo e Morgado se arreme- çaram a mim com os punhaes. Luiz nos acaba de dar novo exemplo de heroísmo e fidelidade." Dizendo isto Carretero. A N T Ô N I O DA COSTA ROCHA P I T T A . ingratidão e barbaridade. d* onde dei a Morgado um golpe de que caio a terra. BUENOS-AYRES. justa- mente ao momento em que se começou a ouvir o fogo. que os prisioneiros trabalhavam por tomar. Lourenzo Morla. Joaquim Primo deRivera. Coronel D. vieram ter ã minha casa. e os outros se preparavam a seguir o seu exemplo. Entaõ me atacaram todos. Brigadeiro D. . e agora naõ podes escapar. eu cai. Juan Burguillo. e os Hespanhoes Europeos tem exhibido ao mundo nova scena de horror. e na luta para me levantar recebi algumas contusoens na face e di- versas partes do corpo. Gregorio Carretero. Antônio Morgado. Tenente-coronel D. A s duas horas. Por fim puz-me em pé. 1818. Carretero me dirigio es- tas palavras . he sim um Mineiro prac- tico do Paiz.em o I o . de Septembro. Jozé Ordonez. Eu corri para traz e ganhei um recesso. Villa de Piracatu. Antônio Morgado. 69 soa. e Tenente D. Capitão D. Carta do Tenente Governador de S.—"Picaro. Miscellanea.

procedeo o povo a ar- rombálla. o que convenceo aos que me atacavam de que se tinha frustrado o seu plano. e elles foram mortos. Burguillo ferio mortalmente o meu Secre- tario o Capitão D. Achando fechada a minha porta. imploraram de mim que lhes salvasse as vidas. Entre . que os tinha rece- bido com hospitalidade e bondade. e na resistência que fizeram os prisoneiros. A este mo- mento conheci. que. O coronel Morgado foi morto por minhas próprias maõs. agora. me deixaram sem recurso algum. tendo-me atacado de todo inesperadamente. e com tanta moderação quan- ta se podia esperar. expiaram o seu crime. excepto a confiança que eu punha na boa disposição do povo. Devo aqui observar. Naõ me enganei nas minhas esperanças. Ordenei que fos- sem instantaneamente mortos.70 Miscellanea. e comporta- mento. isto he. e o povo como se fosse por um toque electrico. as tropas saíram ao rebate. e á vista de um inocente e gênero o povo. e eu sai fora com o pretexto de aquietar o povo nas ruas. que elle tem sempre seguido em taes casos. Ao principio to- maram posse das armas. n' uma tentativa. foram as que desconcertaram o seu plano. que os deveres do meu officio se accorda- vam com ajusta indignação do povo. A gente entrou toda de roldaõ. com as suas armas nas maõs. e ganhado posse de minhas armas. porém estas logo se recobraram. e na minha presença. Os que foram tomados nos quartéis soffêrram a sorte dos outros. Cheios de terror. ao mesmo tempo que entraram e cer- caram a minha casa. correo ás armas. o seu movimento simultâneo. Jozé Manuel Riveros. Toda a cidade obrou com a maior energia. Eu naõ posso achar lingua para descrever a co- va dicerdestes seis assassinos. que as mesmas circumstancias de que os meus aggressores esperavam a segurança de bom suecesso. Havendo tentado sur- prenderos quartéis. que ameaçava as vidas de todos os habitantes.

Resposta do General San Martin ao manifesto do Gene- ral Brayer. Miscellanea. sobre a sua conducta militar e politica. 8 de Fevereiro. Da nossa parte tivemos. O Senhor Brayer appella. que se defenderam até que caí- ram mortos. tam repentinamente como fora interrompida. e vos darei uma conta do resultado. Luiz. se esta foi conheci- . 11 horas da manhaã. e o segundo com uma espingarda. (Assignado) VICENTE DUPÜV. que va começar. assim como sobre a veracidade de seu Mani- festo. e a minha confian- ça nas opinioens e sentimentos dos habitantes se forti- fica de dia em dia. 71 elles foi o Intendente do exercito. Tenho adop- tado todas as precauçoens necessárias. somente dous soldados feridos. Instituirei sem demora uma indagação judicial. 1819. um dos quaes he o meu camarada Ferreyra. o primeiro com uma espada. eu me conformo com o mesmo tribunal e lhe supplico que responda. Restabeleceo-se a tranquillidade publica. S. para o exercito unido. até que se conclua a investi- gação. O resto será guardado em lugar seguro. que naõ me intrometterei a provar se o ex- ercito unido tinha ou naõ disciplina. Assim he. CHILI. de cuja melhoria naõ ha esperanças. além da infeliz perca do Capi- tão Riveros. e o Tenente Coronel Arras. Mando-vos uma listados prisioneiros mortos na contenda com o povo e tropas. Miguel Barreta. D. parades- cubrir o resto dos conspiradores.

e adiantamentos feitos por esta Naçaõ em seus exércitos. xecutadas no decurso das campanhas tem sido ou naõ bem tomadas. que me impeliram a separállo do commando da cavallaria. e se o dicto Senhor lhes dirigia a pontaria: se se obedeciam ou naõ a suas ordens . quam admirador tenho sempre sido da organização tactica. Nada direi dos conhecimentos militares que nos 20 annos de combate tenha adquirido o Senhor Brayer: se os tem. He demasiado notório. co- mo o dicto Senhor assegura. que se citam. tenho ouvido dizer a vários officiaes de credito. deum Eugênio. &c. própria de sua honra. os factos. &c. Só me restringirei ás personalidades. se naõ cheguei na tarde de 19 a tempo opportuno com toda a infanteria do exercito: se a nossa direita. se tenho sabido aproveitar-me dos momentos favoráveis: se as vic- torias conseguidas tem sido effeito do accaso ou da mul- tidão . posiçoens e marchas. a minha ignorância os naõ terá descuberto . de um Turena. sobre as operaçoens do ex- . de um Washington. &c. até o dia do assumpto de Maipo. da e estabelecida na nossa America pelo Senhor Brayer: se o exercito estava ou naõ instruído: se os atiradores eram máos ou bons. se os movimentos. com a imparcialidade. & c . a quem novamente reclamo que manifeste. ao seu comportamento militar. como elle lhe cha- ma. de um Napoleaõ. Isto o dicidirá o Tribunal do exercito unido. antes e depois dos 19 de Mar- ço.72 Miscellanea. especialmente desde a sua revolução de 1789. O Senhor Brayer me ataca. se dispersou na noite de 19. que o Senhor Brayer affirma tenho tido para com elle. porem o Senhor Brayer naõ tem direito para se attribuir os conhecimentos de um Frede- rico. que em França existiam Marechaes que sem duvida alguma fariam um triste papel de simples capitaens na nossa America. aos motivos.

como saõ o Senhor Balcarce. que ja mais tive pretençoens de passar por um bom general? Eu conhe- ço a esphera de meus conhecimentos. Eu soffria com paciência o tempo que me tirava este novo regenerador. O Senhor Brayer crêo sem duvida. construc- çaõ de caminhos. Diga o publico se he castigo o mandar um militar a bater-se. facilitando-os todos com a mesma promptidaõ que os fa- zia. planos de campanha. naõ tendo eu encontrado nelle um servil admirador de minhas ideas. XXIII. Devo fazer justiça nesta parte aos que me subministráram suas luzes. acabrunhado com os negócios do Estado e do Exercito: pois até esta epocha naõ tinha eu tido com elle o menor incommodo. 73 ercito na ultima campanha: nao ha juiz mais parcial do que o amor próprio: se algum tenho he o de haver diri- gido bem as operaçoens desta campanha. es- tabelicimeutos militares. que fiz do Senhor Brayer. ou um ho- mem tal como eu desejava (esta ultima cláusula he a úni- ca verdadeira que diz este Senhor em sua exposição) o re- m etti a Talcahuano. alguns chefes do exercito. modificação de custumes. Miscellanea. naõ me acompanhou outra in- tenção senaõ a de alliviar o Excellentissimo Supremo Director de Chili. que me dava com seus planos de reformas. e os engenheiros Da- ble e Arcos. construcçoens de praças. O Senhor Brayer affirma que. i Porém quem disse ao Senhor Brayer. &c. que nós os Ameri- canos éramos uns verdadeiros Hotentes. porém como nada disto he essen- cial ao caso. Conhecia nelle um cha VOL. Porém juro pela minha honra. &c. N°. e desejaria que al- cançassem a saber mandar regularmente um regimento de cavallaria. com preferencia á batalha de Maypo. -Sec. K . tornemos ao nosso assumpto. 134. taes eram em summa os momentos tam incommodos. que na separação. remet_ tendo-o ao exercito do Sul.

racter superficial e charlatão. em quanto eu por minha parte digo. .74 Miscellanea. que vários chefes da- quelle exercito me tem assegurado. Conforme a estes precedentes ataca o Cavalleiro Brayer em seu manifesto a opinião do Senhor O* Higgins: po- rém este está bem escudado. A sua ousadia neste ponto chegou até o extremo de desacreditar o Senhor O' Higgins com os granadeiros de cavallo . Pouco tempo depois de sua chegada a Conception co- meçou a introduzir a discórdia entre os chefes daquelle exercito. que este Senhor se deitou de barriga. que nas acçoens em que se tem achado tem dado exemplo de coragem e de valor. que se tem inventado. os nossos juizes responderão igualmente a esta asserçaõ. que se o exercito unido tivera seguido o seu exemplo. como vários delles me affirmâram. o Commandante Escalada. o General Osório naõ só estaria em Chili. se o Senhor Brayer tivesse a milésima parte de suas vir- tudes. O Senhor Brayer falia de seu valor conhecido na cam- panha de Conceição. Diz também o Senhor Brayer. na presença do Supremo Director. mas até em Buenos Ayres. até que fe- lizmente se descubrio o seu manejo: este éra o mais ne- gro. sobre isto responderá o exercito unido: no entanto posso eu dizer. trabalhador rotineiro: que éra quanto podia desejar para o objecto a que me propunha. Porém voltemos outra vez ao ponto. que caio na suas vizinhanças. porém o julgava official cheio de coragem. com a geral que merece. e de todo o Quartel General. por uma bala de artilheira. naõ só eu me naõ veria na necessidade de escrever este pequeno papel (que na verdade escrever he o que mais aborreço) mas também me pouparia o gasto desta impressão. Todos elles podiam depor sobre este facto. que o presenciava se lhe lançou por fim em cima de maneira possante.

naquella situação: o Senhor Brayer o fez vergonho- samente. Na manhaã de 20. Miscellanea. retrocedeo para a Capital de Santiago. Por outa parte os officiaes de granadeiros a cavallo naõ necessitam do modelo do Senhor Brayer para se bater bem. as operaçoens do inimigo as sube eu por minhas espias. que elle com 60 granadei- ros carregasse o dous esquadroens de cavallaria inimiga. He uma falsidade. o meu Ajudante de Campo. encontrei com o Senhor O' Higgins. depois de estar com nosco um momento: o mes- mo Senhor Director. O* Brain. o Coronel Quintana. e outros vários officiaes poderão nformar sobre isto. para 80 . General de 20 annos de combates. o seu comportamento nesta jor- nada. He certo que lhe tirei o commundo da cavallaria. di- gam os motivos os Commandantes Freyre e Necochea. por sua covardia : os dictos chefes e os do resto da cavallaria poderão explicar este particular. Elle comprometteo a Freyre a taes termos. commandada por Blanco. sosti- vesse os movimentos. O exercito unido poderá dizer. e a ar- tilheira volante de Chili. que Freyre ia a emprehender. que foi reconhecer pessoalmente as linhas inimigas em Camarico. antes de amanhecer. O Senhor Brayer. Este Senhor naõ he para estas emprezas. na tarde de 19: e o he igualmente. os avisos que diz me remetteo. so- bre a vanguarda inimiga. eu naÕ podia abandonar a um amigo e a um chefe do Chili. e que vio o seu movimento. se vio separar-se o Senhor Brayer da força do exercito. e os fizesse retirar: o temperamento deste Senhor naõ he adequado para estes arrojos. Dei-lhe ordem para que com toda a do exercito. a tiro de peça. isto he. que só o valor o pôde extricar do empenho. he o mais vergonhoso. 75 He grosseiro equivoco affirmar o Senhor Brayer. gravemente ferido : as agudas dores que experimentava o faziam marchar a passo mui lento.

porém que olhando a que no termo de meia hora iamos a decidir a sorte de Chili. ás 11 horas da manhaã.76 Miscellanea. em dizer que nada vio: o seu cavallo galopava de- siádo. para que na marcha se fizesse saber ao exercito. porém naõ pude conter-me que lhe naõ naõ dicesse publicamente . Esta respos- ta me escandeceo. Diz o Senhor Brayer. S. Este he o exemplo que deo. e no entanto que estava carregando a sua equipagem com escândalo publico. e que os dictos banhos distavam 13 léguas. a minha resposta foi. com a mesma com que se tinha retira- do de Talca para Santiago. cocheando. e o inimigo meia. que o Senhor General de 20 annos de combates ficava sus- penso do emprego. Neste momento critico se me apre- sentou o Senhor Brayer. e os nossos atiradores estavam empe- nhados com os seus. o podia fazer para os banhos. que tiver o me- nor vislumbre de honra poderá apenas crer o facto que acabo de referir. batemos em Maypó essa mesma tarde. Estou certo de que nenhum homem. que naõ estava em estado de o fazer. abandonando indignamente o exer- cito. O Senhor Brayer me res- pondeo. porque a antiga ferida de sua perna naõ lho permittia. Deste este dia naõ se tornou a apresentar." Logo voltei o cavallo. e solicitando lhe con- cedesse licença para passar aos banhos de Colina. As columnas marcha- vam ao inimigo. que me naõ vio dar disposição al- guma no dia 20 de Março pela manhaã. Tem muita ra- zaõ. os inimigos de nossa liberdade. o meu primeiro impulso foi passa lio pelas armas." Senhor General o ultimo tambor do exercito unido tem mais honra que V. até os 5 de Abril. he verdade. e dei ordem ao Senhor Bal- carce. Iegua6 de distancia. porque naõ se pode conceber que . por indigno de o oecupar. O Senhor Brayer se retirou ao depois tranquillamente para a Capi- tal de Santiago. podia deixar-se ficar. que. se os seus achaques o permittissem.

Se ao Senhor Brayer lhe tivera ficado. por pouco que fosse. de que eu recusei entrar no assumpto de Maipó. Tanto desar indignava minha alma. M. no acto mesmo de irmos a quebrar as cabeças com os inimigos? V. e ausentei-me. digam-o o Coronel Quintana. e esquecendo-se elle da dignidade de seu character. Senhor Brayer. " Indig- namente se tem espalhado os rumores. diz. ter-se-hia batido pela felicidade destes paizes (com diz). e mais offi- ciaes. a calma e a moderação: olhei para elle fixamente. e a reflexão seguinte:— O Senhor Brayer. e a mim naõ se me nomeava. E m outro paragrapho da sua exposição. um resto de vergonha. diz: " Entre tanto se aproximava o inimigo. pensei ausentar-me. Eu lhe opuz a firmeza. mo- delo do valor do exercito unido <. e depois teria olhado para mim fixamente. que presenciaram este facto. que creio se achava presente: digam-o todos os meus ajudantes de Campo. tentei em pessoa o ultimo esforço com o General San Martin. Porém. me occorre a mesma confissão de Brayer. o meu Ajudante Aguirre. ja se iam ás maõs tinham-se distribuído os lugares. que houvera tido o mais abandonado dos homens. que proceda deste modo. i Naçoens todas! que . o seu ódio se manifestou entaõ com os acentos da intemperança. do delírio e do furor. Pergunto. 77 haja um mortal tam esqueido de si mesmo. em um dos paragraphos da sua ex- posição. mentira abominável! Além de que a minha conrespondencia com o General San Martin prova o contrario. porem conduzido por meu character. Para onde foi a sua ausência. Fui repulsado. Este he o comportamento. Em prova do quanto he verdadeiro. Miscellanea. me respondera (porque naõ pôde fazer outra cousa) que para o capital de Chili. se teria dirigido como um simples soladado a uma fileira.

como por que o cria em estado de ser- vir. manifeste este impostor a conrespondencia que cita. porém para que o publico julgue da moral do Senhor Brayer. que os Americanos teraõ sempre mui presentes. caia sobre mim a execração dos homens. e o Coronel Las Heras naõ neces- sitam dos elogios do Senhor Brayer. O Vampiro. em que attribue a las Heras a desgraça do ataque de Tal- cahuano : tal he o character do Senhor Brayer. assim por sua baixeza. mas porque este tinha . e naõ pôde vencer os impossíveis. Se atem. entre os meos papeis. Cirurgião Mor daquelle exercito) contra quem o Senhor Brayer desprega o fuior mais acre. e â das tropas que commandava. he que tem tomado uma parte activa na felicidade da America . Diogo Paroisienes. que a natureza e a arte oppuzéram á sua coragem.79 [78] Miscellanea. que tenho em Chili existe uma carta deste mesmo. e ini- migo da nossa csusa. he um sugeito.: este sim. em poder do General Balcarce existem officialmente (assim mo assegura o Coronel Quintana) as provas do dinheiro offerecido pelo Senhor Brayer ao fa- culativo Grajales. e naõ elle. filho de Francez. Este faculativo Hespanhol Europeo. e nascido na Inglaterra (D. he honrado e tem character: por conseguinte negou-se a tam insultante proposta. A minha delicadeza me tem feito guardar um pro- fundo silencio (excepto com o Supremo Director das Provincias Unidas) sobre o comportamento do Senhor Brayer: Este comportamento naõ éra por olhar para a pessoa do Senhor Tenente General. O General Balcarce.* elle tem feito serviços. Outra prova. para ter uma opinião recommendavel: este ultimo se distinguio no ataque de Talcahuano. que merece a opinião dos homens de bem. para que este lhe desse (antes da acçaõ de Maipó uma certidão de que naõ podia continuar na campanha.

D. . â classe de en e r a l : por tanto supplico a V. os erros. e sem conhecimentos. a que se refere. Mendoza 7 de Outubro. J O Z E D E SAN MARTIN. que tenha com- mettido. outros o tem sustentado com honra. própria de sua honra me aceusem todas as faltas e defeitos. Viel. Miscellanea. o manifesto juncto. muito menos eu. em nossa justa lueta. 1818. Tenho a honra de incluirá V. S. que de simples su- balterno me tenho visto elevado em pouco tempo. Officio do General San Martin ao General em Chefe do Exercito-Unido. que tem grangeado para si a esti- mação e o appreço de seus companheiros em armas. e os ajudam heroicamente. ou exposição feita por D. S. do Estado-Maior do Exercito-Unido. Antônio Gonzales Balcarce. 79 militado entre valentes: porem se houve um ou dous Francezes» que denegrissem a honra deste nome. como garante do seu e meu comportamento. que com aquella imparcialidade. S. mas também na anterior. que foi. Mignel Brayer. e mais officiaes dos exércitos de seu commando. que appella para este. chefe interino. desde a salda de Mendoza: isto servirá de instrucçaõ para nossos militares. e ao dicto Exercito. que outros te- nham commettido. Eu me conformo gostosamente com este tribunal. H e impossivel que exista nesta vida um homem perfeito na carreira militar. e por tanto rogo a V. Por elle verá V. e mais officiciaes desta naçaõ. S. como saõ Dable. e para que saibam corrigir para o futuro. naõ só no decurso da ultima campanha. que faça uma exposição publica dos factos.

só me tenho cingido aos incidentes. quan- do vé o Targini feito Visconde. o ver entre os despachos da Corte por oceasiaõ do baptizado da princeza. Antônio Gonzales Balcarce. Mendoza. que o Senhor Targini éra capaz para ser Thesoureiro Mor. para que o publico se informe. A.lhe os competentes ordenados por seu serviço. He indisputável a authoridade. dessem. Deus guarde a V. o que naõ concedemos. verá. BEYNNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. Como V. filha de S. S.80 Miscellanea. General em Chefe do Exercito-Unido em Chili. Senhor Brigadeiro D. Finanças do Brazil. S. pela minha resposta ao manifesto do Senhor Brayer. nomeassem- o para esse lugar. Despertou-nos a tornar a fallar nesta matéria. de. muitos annos. Reflexoens sobre as novidades deste mez. mas como essa authoridade. R. que tem occurrido entre elle e mim. em quanto o Exer- cito-Unido manifestao seu parecer. que tem El Rey. e de todo negamos. Tanto este como a minha resposta os mandei imprimir na capital de Buenos- Ayres. Mas porque carga de aguauin titulo de Vis- conde ? . o Principe Real. que tem El Rey de dar titulos e honras he sempre exercitada para premiar serviços extraordinários. razaõ tem o pblico. Até aqui transeat. 7 de Ou- tubro de 1818. porque serviços extraordinários mereceo aquelle individuo tam alta graduação ? Sup ponhamos. JOZE DE SAN M A R T I N . perguntar. que saio o Baraõ Targini feito Vise onde. e como todo o homem deve viver de seu em- prego. de dar títu- los e honras a quem lhe parecer.

pelo qual tenha tirado o Es- tado das difficuldades em que se acha. de maneira que se satisfaçam com módica regularidade. façamos esta comparação. Mas voltemos ao nosso novo Visconde. Se estes tres homens tem tempo de se oecupar em tres Junc- tas separadas . nem mesmo que tenha re- gulado a rotina ordinária dos pagamentos. mas se nt-lle faz uma negociação mui vantajosa. recebe o seu soldo.* para que se haõ de empregar os mesmos homens nas differentes Junctas? Isto só pôde servir de augmentar os ordenados a um sò homem. se acharão noticias particulares. por cumprir os deveres ordinários de Thesoureiro Mor. Um Ministro Diplomático recebe o seus ordenados pelo tra- balho ordinário de seu lugar. que elle tenha feito algum plano de finanças. 85 e p. No Vol. quaes saõ os serviços extraordiná- rios do Thesoureiro Mor Targini. Misreilniiea. ou a uns poucos d' homens do mesmo partido. X X I I . Depois. N». Naõ consta. XV. p. pergunta o publico. 134 4L . he nesse caso distinguido com um titulo. chamada Administrativa de outros rendimentos. fite . e pelo Escrivão. entaõ remunera-se isso com um titulo. assigna um tractado de importância. i Ora. este mesmo Thesoureiro mor e este mesmo Escri- vão formam outra Juncta. este mes- mo Presidente. e este mesmo Escrivão formam a Juncta ou Directoria Geral dos Diamantes. o que henotorioa todos. paia ser premiado com o titulo de Visconde ? O Erário Hcgio he manejado pelo Presidente. que até com razaõ se duvida que elle mereça o seu ordenado do lugar. Logo. porque naõ tmetam elles todos os negócios em uma só? E se he preciso tres junctas separadas . V O L . este mesmo Thesoureiro Mor. 81 Um general. porque merecesse um titulo de Visconde. que tem algumas contas com o Erário. este mesmo Presidente. 368. tam longe está de sa- bermos que o Senhor Targini tenha feito algum serviço extraor- dinário. porém se ganha alguma victoria distincta. pelo Thesou- reiro Mor. como paga pelos serviços ordinários de seu posto. Dahi.

ou refutando aquelle plano. elle comprou um navio para a Fazenda Real. Grande Thesoureiro Mor he o Visconde Targini. e entaõ diremos que devia ser feito Baraõ. para sair feito Visconde. mas mos- tre aonde estaõ os erros. e havendo elle sido examinado pela mes trança da Ribeira. practicou este hábil Thesoureiro Mor. ou em fim de-nos outro melhor. segundo nos informam do Rio-de-Janeiro. Foi corretor desta compra o Samuel. como he o Senhor Targini de dar conta da sua re- partição. que diz o Snr. Pedro de Mello Breyner. em que devia vir para Lisboa o embaixador nomeado para Roma. mas logo ao outro dia suspendêram- se os pagamentos do Erário. que. segundo nos dizem. No mesmo Vol. e tractou a matéria com o mais ceveniente des- dém. se he que ha falta de gente que queira ser Visconde. que o Erário pagaria a todo o mundo o que devia. Supponhamos. e desafiamos ao mesmo Senhor Targini. assim mesmo o achamos intromettendo-se com outras. que ainda no presente estado de receita e despeza. antes do dia do baptizado daPrinceza: e com effeito fez a todos um pagamento de dous dias antes do baptizado. que nenhum homem publico deve ignorar . está um plano directamente dedicado a mostrar. declarou esta. para que saísse a campo. 543 fizemos as nossas observaçoens ao dicto plano. de quem temos ja por outras vezes feito devida mençaõ : El Rey pagou por este navio. Incapaz. sobe as finanças do Brazil. e authenticas. i A que respeito se mette o Senhor Targini em comprar navios ? i E quem he Samuel.82 Miscellanea. Prometteo a El Rey. se podiam trazer as contas em dia. que estava incapaz de servir. seja assim. XV. porém até agora nada de novo. quanto podemos. p. Por exemplo. Foi isso no anno de 1815. que esse plano que ali transcrevemos naõ presta para nada. mais de 100. Targini. para andar com estas cor- retgaena do Thesoureiro Mor ? . e saio Visconde.000 cruzados. ou Visconde. Vamos agora á pelotica de Corte. 373. ou dando outro melhor. mas de que o Erário faz um mysterio a todo o mundo : e a p.

. se metterá em Monte-Video. e adquirirem depois credito na Europa. que as tropas de Monte-video sairiam a fazer um ataque contra Artigas. que aquelle Governo tinha concluído um armisticio com o povo de Sancta Fe e com Artigas. Miscellanea. Mas chegada a expedição de Cadiz. e declarado a guerra ao Brazil. sido ali elei- to Director Supremo. Segundo cartas de M onte-Video. Esperava-se também ali. e que cada uma das partes havia de nomear de- putados para fazerem uma paz difinitiva. e a que os malé- volos se aproveitem disso. Aquelle mal entendido silencio dá ocea- siaõ a que o povo conjecture sempre o peior. ou do máo systema de se naõ publicarem lá contas authenticas e regulares. que teve algum credito em Inglatera. em que este perdera 150 prisioneiros. que he preciso guardar-se para o caso em que realmente se verifiquem. no primeiro caso iraõ tomar alguma posição forte nas fronteiras. para fazerem acreditar as falsidades. de que Artigas havia derribado o antigo Governo de Buenos-Ayres. em quanto as do Rio-Grande o atacavam por outro flanco. procede do descuido. aproveitando-se da ausência deste exercito. outro para mostrar. 83 GUERRA DO RIO-DA-PRATA. Uma carta de Buenos Ayres de 19 de Abril diz. de 21 de Março. Cartas do Rio-de-Janeiro de 16 de Março mencionaram uma novidade. e entaõ Artigas. mas mencionamos o rumor por dous motivos: um para indicar a causa de taes boatos. A guerra entre o Brazil e Artigas. Tempo he ja que se faça alguma cousa. Nós sabemos que tudo isto naõ he verdade. tem sido uma guerra de procrastinaçaõ de ambas as partes. o General Curado tinha desbaratado Artigas em uma acçaõ. A causa de se levantarem estes mal fundados boatos no Rio- de-Janeiro. das operaçoens do exercito do Brazil naquellas fronteiras. ou as tropas Brazilienses evacuarão a praça ou a de- fenderão . e a demais arrostar as tropas que pude- rem vir de Buenos-Ayres e Chili. donde teraõ os Hes- panhoes de o expulsar.

e esperar até que chege o momento em que aquelles dous partidos se reconciliem. naõ estando de posse daquelle território naõ pôde por em exeeuçaõ estipulaçaõ alguma em que entre sobre aquelles objectos. Logo o direito da própria defensa pede. Hespanha. e naõ rom o Governo de. que lhe forem necessários para sua segurança. O Governo de Hespanha evidente- mente naõ tem meios de garantir S. Quanto á necessidade de se guardar para o caso em que se ve- Tefique o acontecimento. por mera civilidade com a Corte de Madrid. quer naô. por maior que seja a inimizade entre Artigas e o Go- verno de Buenos-Ayres. que naõ existe agora. em quanto Luiz XVIII. que decidam esse ponto. contra os males. naõ so está muito nos limites da pos- sibilidade. por- que entaõ crescerá muitíssimo a difliculdade de tractar o Brazil vantajosamente com o Governo de Buenos-Ayres. que inventam . que aquelles dous partidos se refinam. seja bem ou seja máo. que he necessário ter com a Corte de Madrid. devemos lembrar» que. for- çosamente o Governo do Brazil deve fazer os arranja meuto». tudo isso se remediava. naõ está de posse de Buenos-Ayres. one ali se acha.84 Miscellanea. i Que fizeram todas as naçoens da Europa a respeito da Fiança. as publicaçoens a que alludimos. que aquelle principe éra o le- . se achou fóra do throno? Quei elles julgassem. que o Brazil naõ comprometia seus interesses. com o Governo. Nem pôde obstar a isto a contemplação. Mais. sempre que appareça imminente perigo commum. de facto. Esta linha de comportamento naõ he por forma nenhuma in- tromettimento na questão entre a Hespanha e suas colônias . que lhe podem provir da actual revolução nas colônias Hespanholas. heindisculpavel o erro de deixar passar a oceasiaõ. permittindo-se. M. Fidelissima. Se as circumstancias passadas e presentes offerecem oppor- tunidade de a Corte do Rio-de-Janeiro fazer um arranjamento fixo e seguro com o Governo de Buenos-Ayres. mas he mesmo da probabilidade. no Rio- de-Janeiro. se a Hespanha. que. as partes contendentes.

Miscellanea. 85

gitinio Soberano Francez, os armisticios, as pazes, os tracta-
dos eram todos feitos com o Governo, que dominava em França.
Naõ que isso decidisse a questão de direito, mas porque o
Principe expulso naõ tinha em seu poder o executar ou fazer
executar estipulaçaõ alguma da parte da França.
He por estas consideraçoens de direito, e pelas outras de
prudência, contemplando a pouca probabilidade que ha, de que
a Hespanha recobre suas colônias, que insistimos no expediente
de fazer o Brazil com Buenos Ayres, em quanto he tempo, um
arranjamento tal, que assegure as fronteiras do Rio-da-Prata.
A politica assim o pede, e assim o pede a justiça que S.
M. Fidelissima deve a seus subditos, cuja segurança e quieta-
çaõ fazem ley suprema, acima de todas as coutemplaçoens de
civilidade, com as potências estrangeiras.

Prezas de Artigas.
Achamos nas gazetas dos Estados Unidos um artigo a respeito
das prezas feitas por Artigas, e levadas aos portos dos Estados
Unidos, que desejamos fazer conhecer a nossos Leitores. De-
pois de copiar o Edictal da Juncta do Commercio em Lisboa,
datado de 28 de Abril (veja-se o Corr. Bra/. Vol.XX. p. 557.)
diz a gazeta chamada New York Evening Post, de 22, o se-
guinte :—
" Isto éra o que se devia esperar; e na verdade he de admi-
rar, que até aqui se naõ tenham feito similhantes reclamaçoens
ao nosso Governo. He um facto diariamente provado nas nos-
sas Cortes de Justiça, que quasi todos os corsários, que por
tam longo tempo tem andado saqueando pilhando e rou-
bando no Oceano, saõ preparados em nossos partos. He
verdade que temos leys contra estes procedimentos, porém
ellas saõ publica e abertamente violadas. Qnamdo as pre-
zas, capturadas por algum dos corsários de Artigas, sao
trazidas para dentro dos limites de nossa jurisdicçaõ, os Re-
presentantes de Portugal lhes põem lrbéllonás nossas Cortes, as
quaes ordenam a restituição; mas a propriedade he deteriorada

86 Miscellanea.

no valoT ; he trazida a um mercado impróprio, e diminuída por
despezas, percas e sacrifícios ; e todos ganham com isso mais do
que os proprietários. Porém do grande numero das prezas mui
poucas se sabe que tenham chegado aos Estados Unidos: o res-
to he trazido escondidamente sob vários pretextos, e os infe-
lizes donos perdem milhoens de propriedade. He justo e de
equidade, que, se o nosso Governo naõ possue o vigor ou a acti-
vidade que he necessária, para previnir que os nossos cidadãos
roubem uma naçaõ, que está em paz com nosco, nós responda-
mos por isso, e paguemos os damnos. Apenas ha algum navio
que chegue de porto Portuguez, que nos naõ traga noticias do
desgosto e desprazer contra nós, que tem adquirido por esta
causa : e naõ será para admirar, se nos retorquirem da mesma
forma, authorizando ou fechando os olhos ás mesmas enormi-
dades contra nós, que elles crem, que nós permittimos contra
elles."
Nós estimamos muito vèr, que os argumentos de que nós usa-
mos no nosso N°. passado a este respeito, achem o apoio até
mesmo de escriptores nos Estados Unidos.
Um edictor Inglez (Times de 22 de Julho) copiando o que diz
o escriptor dos Estados Unidos accrecenta;—
" Se, portanto, os navios e subditos de Portugal tem sido ul-
trajados por esta classe de cidadãos Americanos, he bem claro
o curso que devia adoptar a Corte do Brazil, e o Gabinete de
Washington."
"APrimeira (aCorte do Brazil) naõ pôde fugir-se á obrigação
que tem, de obter remédio aos aggravos de seus subditos, sem
renunciar ao direito que tem á fidelidade e obediência delles. O
Governo Americano naõ pôde recusar o fazer reparação de males
perpetrados por seus mesmos cidadãos, a despeito de suas pró-
prias leys; sem induzir a indubitavel suspeita imaginaria, de que
taes leys eram destinadas a cubrir as más practicas, contra que
pretendem dirigir-se. O Governo dos Estados Unidos, ou deve
proteger seus vizinhos, ou pagar-lhes."
O Leitor naõ deixará de observar a conformidade das opinioens
destes escriptores estrangeiros ,com a nossa expressada no N°.

Miscellanea. 8?

passado, a p. 639. E deve nolar-se mui parücu}aiu'cMe, que
um destes escriptores he cidadão dos Estados Unidos, e que por
tanto deve saber se as leys do seu paiz permittem ou naõ, que a
Corte do Brazil adoptasse a linha de comportamento, que nós - ••-
conamendamos, e que he a mesma, que este escriptor indica; o
que elle naõ faria, se visse que éra inadmissível pelas leys de
seu paiz.
Isto posto, desejávamos ver as razoens, que os Ministros do
Rio-de-Janeiro alegam, para ter deixado estas pirateriasde cida-
dãos dos Estados Unidos entregues unicamente á leclamaçaõ dos
particulares injuriados, como em causa civil, sem tractar como
ponto principal da causa criminal, como injuria nacional, de Go-
v erno a Governo.

Segundo as informaçoens, que chegaram aqui do Rio-de-Ja-
neiro, os corsários, que trazem bandeira de Aitigas, entram dia-
riamente naquelle porto, a tomar refrescos, introduzindo-se com
a bandeira dos Estados-Unidos ; e, para melhor disfarce, deixam
a maior parte da tripulação nas ilhas chamadas de Sta. Anna,
que ficam fora da barra do Rio-de-Janeiro. De facto foi um
destes corsários descuberto; porque o official de Registo lhe
achou mais gente a bordo do que mencionava o passaporte ;
e fez signal á náo de registo, com o que foi logo a tripulação
preza ; mas taes foram os empenhos, que em poucos dias, naõ
só foi toda a tripulação do corsário solta, como pertencente aos
Estados-Unidos, mas até reprehendidos asperamente o official do
registo, e commandante da náo. O mais he, que esta mesma
embarcação, logo que saio a barra, recebeo a gente que tinha
deixado nas ilhas de Sta- Anna, e tomou um navio do Brazil,
que vinha a entrar no Rio-de-Janeiro.

Despachos no Rio-de-Janeiro.

Por oceasiaõ do baptizado da Senhora Princeza da Beira,
houveram na Corte rarios despachos. Entre outros, cinco

88 Miscellanea.

Bispos, dous arcebispos *. o filho do Marquez de Alegrete con-
firmado na mercê de juro e herdade; Conde de Tarouca ; o filho
do Marques de Bellas, Conde de Pombeiro: a Viuva do falle-
cido ministro, Bezerra, Vicondeça de Tagoahi: o Desembarga-
dor Salter, Visconde de Azurara : Manuel Ignacio de Andrade,
Baraõ de ltanhaenr: o filho do C onde da Ega, Viador da Ray-
nha; e o mesmo o segundo filho do Conde da Ponte: Targini
Visconde de : Para lugares Diplomáticos; Heleodoro
Jarynto Carneiro de Araújo Alvellos ; Ministro Residente juncto
á Republica Helvetica.

Roubos sacrilegos em Portugal.
Por uma portaria dos Governadores do Reyno, datada de 12
de Junho, dirigida ao Desembargo do Paço, se manda proceder
a devassas e diligencias, para se prenderem os perpetradores de
vários crimes sacrilegos, que consistem naõ só em roubar a pra-
ta e alfaias de muitas igrejas nas provincias do Minho e Beira,
mas até profanar as formas sagradas, espalhando-as para levar
os vasos dos sacrarios. Por outra portaria, dirigida ao Patriar-
cha Eleito, se mandam fazer preces por tres dias, e uma pro-
cissão de desaggravo.
No nosso N°. seguinte publicaremos estes documentos, que
nos chegaram ja demasiado tarde para serem inseridos neste. No
entanto devemos dizer, que lamentamos muito a existência de
tam atrozes crimes em Portugal, commettidos com a freqüência
indicada nestes documentos.
As necessidades e pobreza do paiz podiam induzir os mi-
seráveis ao roubo ; porém a natureza do desacato, só pôde pro-
vir da falta da moral religiosa, e da mais horrorosa depravaçaõ
do coração.
Entre as muitas desgraças, que affligem Portugal, naõ sus-
peitávamos que a irrelrgiaõ tivesse progredido até este ponto,
que todo o político deve saber que hede péssimas conseqüências
para o Estado.

Miscellanea. 89
O remédio em nossa opinião he obvio; m a s em vez de o se-
guirem, nos chamarão mil nomes opprobrio>os pelo indicar: no
entanto he do nosso dever fazéllo.
Reforme-se o clero : destrua-se o tribunal, que, perseguindo as
opinioens em matérias de religião, fomenta com isso os ódios
particulares, e faz odiosa e desprezível a mesma religião ; at-
tenda-se á instrucçaõ da moral, como a religião ensina ; e o res-
peito por ella deverá augmentar.
As fogueiras da Inquisição tem procurado mais inimigos á re-
ligião Catholica, do que quantos esforços tem feito seus mais de-
clarados opponentes. E a desgraça he, que, fazendo-se assim a
religião odiada, com ella se perde a moral, que lhe esta annexa:
e perdida a moral nenhum Estado se pôde manter.

AMERICA HESPANHOLA.

Depois dos grandes preparativos, que ambos os partidos
contendentes haviam feito da parte de Venezuella, deveríamos
j á por este tempo ter recebido algumas noticias de operaçoens
militares decisivas, entre Morillo e Bolívar. Com tudo, a única
informação a este respeito, naõ fazendo caso de meros rumores
que se tem publicado, he a seguinte :

Juan Griego, in Margareta, 21 de Maio.
Acaba de receber-se um officio do Presidente Bolívar, refe-
rindo, que 150 Inglezes de cavallo, pertencentes ao regimento
do Coronel Ustler sob o commando de Paez, que tinha ido pelo
Orinoco acima, atacara e derrotara a cavallaria de Morillo, con-
sistindo em 1.000 homens, e destruío 400 dos melhores delles.
Por mandado do Presidente receberam todos estes valorosos ho-
mens a Ordem dos Libertadores, única Ordem que ha neste paiz
(e que somente tinham o Presidente e Almirante Brion) por seu
valoroso comportamento.

VOL. XXII. N« 134. M

90 Miscellanea.
A empreza do General Mac Gregor, contra o Isthmo de Pana-
ma esbarrou inteiramete, depois da fácil conquista de Porto Bello.
O General Hore saio de Panamá com 1,000 ou 1.200 homens
para Porto-Bello, aos 20 de Abril: cruzou o Isthmo com alguma
dificuldade, e no I o de Maio pelas 6 horas da manhaS tomou
Porto-Bello completamente por surpreza. Mac Gregor estava
encaixotando parte do saque que tinha feito, e nretteo a bordo do
brigue Hero, que tinha no porto. As tropas, que souberam
ou suspeitaram isto, começaram a amótinar-se, contra o que jul-
gavam conducta atraiçoada da parte de Mac Gregor; e este para
as aquietar deo-lhes tanto a beber, que embriagou quasi todos os
homens; neste estado foram surprendidos, naõ tendo postos
avançados nem videtas, nem outra alguma precaução militar.
Mac Gregor, que estava na cama, saltou por uma janella fora,
foi ter a praya,e acolhendo-se a nado ao navio em que tinha de-
positado o seu roubo, deo à vela sem se saber para onde. Um
corpo de tropas, que acabava de sair dos quartéis para a praça
a fazer exercicio, foi atacado pelos Hespanhoes e completamente
derrotado. O segundo em commando depois de Mac Gregor
foi morto; o coronel O' Hara foi atravessado por uma bala pelos
peitos. O coronel Rattray metteo-se em um pequeno forte junc-
to á praya, mas em breve se vio obrigado a capitular. 100 ho-
mens foram mortos, e o resto, 70 Officiaes com 300 homens, fi-
caram prisioneiros, e fizéraru-os marchar para Panamá. So-
mente 12 se puderam escapar, imitando o seu General em preci-
pitada fuga.
Mac Gregor se intitulava General do Estado de Granada : mas
naõ ha tal Estado em existência ; o nome da independência da
America, éra o pretexto das piratarias de Mac Gregor. Aury,
o chamado Almirante de Mac Gregor, se intitulou Almirante de
Chili: ja vimos esta falsa denominação refutada pelo Deputado
de Chili em Londres (veja-se o nosso N°., passado p. 649) assim,
naõ tendo elles a menor authoridade de Governo algum exis-
tente, naõ podem olhar-se senaõ como piratas ; e o comporta-
mento agora de IMac Gregor, mostra quaes saõ suas vistas. A

Miscellanea. Dl
derrota destes homens deve por tanto ser olhada pelos Indepen-
dentes, como vantagem real.

Depois de recebidas estas noticias, chegou a Londres o Ma-
jor Besant, do corpo de artilheria do General Mac Gregor, e
trouxe cartas deste chefe, datadas de S. André aos 28 de Maio ;
em que se refere, que o General MacGregor levou de S. André
(aonde está o deposito) para Porto-Bello, duas companhias com-
pletas de Lanceros de Maceroni, todos soldados veteranos, dos
regimentos 9, 12, e 16 Lanceiros Britannicos; perfeitemente
bem armados e esquipados, e montados em Porto-Bello. O
General, concebendo que éra impossivel atacarem-o por nenhu-
ma outra parte que naõ fosse a estrada real de Panamá, man-
dou para aquella direcçaõ os seus piquetes, e postos avançados,
debaixo do commando do Major Baldwin, dos Lanceiros. Este
official e sua gente foram cortados da cidade e feitos prisonei-
ros, na distancia de tres milhas de Porto-Bello. O inimigo
desceo sem ser percebido, vindo pelos matos, que flanquéam
de mui perto ambos os lados daquella cidade. As duas com-
panhias de lanceiros teriam sido sufficientes para derrotar os
Hespanhoes, que surprehendêram a cidade, se elles tives-
sem opportunidade de carregar o inimigo, na praça grande e nas
ruas. Achou-se em Porto-Bello grande quantidade de dinhei-
ro. Poucos dias antes de ser Porto-Bello retomado, se acha-
ram no cemitério cinco mil dobroens em ouro. Mac Gregor
deve a preservação de sua vida, ao valor e presença de espi-
rito de seu ajudante-de-campo, o alferes Colclough, de Bel-
fast. Este moço dormia no quarto próximo ao de Mac-
gregor, ouvindo a bulha da gente, que sobia as escadas, pegou
n'uni par de pistolas, e na espada, e encontrou os assaltantes no
tope da escada, juncto á porta do quarto do General MacGre-
gor. Com as duas pistolas, que tinha, teve a boa fortuna de
matar um coronel e um capitão Hespanhoes, e com a espada
atravessou terceiro pelo corpo. Todos estes tres rolando pelas
escadas abaixo, impediram que o resto avançasse. MacGrego

9- Miscellanea.

no entanto, saltou pela jauella fora. Golclough recebeo uma
baila na maõ esquerda ; teve tempo para seguir MacGregor, e
chegou a salvamento a bordo da chalupa de guerra. Foi o al-
feres Semple dos lanceiros (filho de de Lord Semple) que
se offereceo para nadar do forte até o navio de MacGregor, le-
vando o recado do coronel Rafter. Elle nobremente tornou a
voltar a nado com a resposta; e depois de tudo voltou para
o navio, e está agora a salvo em S. André. O major Bezant
saio de Porto-Bello, no dia antes da retomada, encarrregado de
uma quantidade de artilheria e muniçoens, para as fortificaçoens
que se estaõ erigindo em S. André. Mac Gregor tinha cousa de
1600 homens quando o major Bezante o deixou. O Principe
e Henry, com 570 homens cada um, da Irlanda ; o Tarantula,
de Londres, com 150 veteranos de cavallaria e artilheria a ca-
vallo : um grande navio de 650 toneladas, com 430 homens, de
da Irlanda : o Samuel de Londres inteiramente carregado de ar-
mas e muniçoens : e outro vaso de Dublin, com 159 homens : e o
Lively Ann, de Londres, com 48 officiaes veteranos, e 110 sol-
dados de piques, eram todos o dias esperados em S. André.
Além disto 1000 homens de Nova York, e cousa de 700 da Ja-
maica. Quando tudo isto estiver juncto, será uma força con-
siderável e no decurso de um mez o exercito desembarcará em
Santa Fe de Bogotá, pouco distante de Cartagena Capital da
Nova Granada.

Descubrio-se em Buenos-Ayres uma conspiração, em que en-
travam quatro Francezes, que foram condemnados a serem fuzi-
lados. Dizem que os principaes agentes destas medidas, que
se imputam á Corte de Madrid, estavam postados no Rio-de-Ja-
neiro e em Monte-Video, aonde se aproveitaram de pessoas te-
merárias, que fossem semear discórdias entre os Independentes. A
parte, que nisto tinha a Corte de Madrid, consta por uma carta
do ultimo Ministro da Guerra Eguia, dirigida ao Vice Rey do
Peru.

Miscellanea. ys
O cônsul ou agente dò Brazil, residente em Buenos-Ayres,
foi prezo pelos fins de Fevereiro, porque se acharam em seu
poder algums papeis sediciosos, impressos em Monte-Video, por
Canera, Alveare outros. Esta circiunstancia deo motivo ao rumor
de que se ia a declarar a guerra entre Buenos-Ayres e o Brazil. Po-
rém Barrozo, o Agente acereditado do General Lecor em Buenos-
Ayres, foi posto em liberdade ; e o Presidente Pueyrredon com-
municou isto ao General Braziliense, em uma mui civil e ami-
gevel carta, em que desclarava, que o Governo de Buenos-Ayres
tinha sido obrigado a obrar como fizera, por algumas razoens
de natureza pessoal, connexas com o Senhor Barrozo, que as
mesmas razoens obrigavam o Governo de Buenos-Ayres a man-
dállo sair dali, mas que o Presidente estava prompto a receber
outra qualquer- pessoa, que o General em Chefe julgasse próprio
mandar, para oecupar o lugar do Senhor Barrozo.
O General Belgrano foi mandado de Tucumam contra os Mon-
toneros, que infestavam as estradas do Chili e Peru.
No mez de Março houve em S. Luiz de Ia Punta um desgra-
çado acontecimento. Havia naquelle lugar um deposito de pri-
sioneiros Hespanhoes, estes tentaram um levantamento, e tinham
quasi alcançado matar o Governador. Foram executados por
este motim alguns settenta, e entre elles o general Ordonez, que
ficara prisoneiro na batalha de Maipo.
Pueyrredon dirigio-se ao Congresso aos 25 de Fevereiro, pe-
dindo, que lhe nomeassem successor, e que escolhecem para o
lugar um militar : por ser o character mais appropriado para ter
as rédeas do Governo no periodo turbulento, que se espera.
As operaçoens do Exercito do Sul no Chili foram mui felizes.
0 General Balcarce, que as commanda, tomou posse dos fortes
de Los Angeles e Nascimento, nas fronteiras dos índios, sem resis-
sencia.
O Coronel Sanchez, com cerca de 480 homens, restos da expedi-
ção Hespanhola de Cadiz, ia-se retirando para Valdivia ; porém os
índios Araucanos recusaram deixallo passar ao longo da costa;
e assim se esperava que elle se rendesse. Perdeo toda sua ba-

g4 Miscellanea.

gagem, andava sobre carregado de mulheres, entre as quaes tam
as freiras de Conception. Balcarce tinha-lhe offerecido termos
honrosos de capitulação. Chili está completamente livre de
Hespanhoes,
Lord Cochrane mandou os botes de sua esquadra, a tomar
dous navios Hespanhoes, que se achavam na enseada de fora no
porto de Lima, e com efieito obteve aprezar estes navios, aos 20
de Fevereiro. Tomou também uma barca canhoneira carregada
de artilheria e muniçoens: mas naõ tentou nada contra as fraga-
tas, que estavam no porto interior, por que as protegiam dous
fortes bem artilhados. O povo de Lima estava tam descontente
do Governo, que fugiam para Lord Cochrane aos centos, até que
elle foi obrigado a declarar, que por falta de accommodaçoens
naõ podia receber mais.
O General San Martin marchava por terra com o seu exercito
para atacar Lima e no entanto Lord Cochrane expedio a se-
guinte :

Proclamaçaõ'
Por Lord Cochrane, Vice-Al mirante de Chili, Almirante e
Commandante em Chefe dos navios e vasos dos Estados, Sec.
Estando authorizado e tendo ordens do Supremo Governo de
Chili, para bloquear estrictamente os portos, bahias e enseadas
e toda a costa do Reyno do Peru por esta declaro o seguinte :—
.. Que o porto de Callao, e todos os outros portos, bahias e ensea-
das, assim como a linha de costa, desde o porto de Guayaquil,
até Alacama no Peru, estaõ em estado de bloqueio formal.
2. He estrictamente prohibido a todos os vasos, o fazer com-
mercio algum, ou ter communicaçaõ com os dictos portos e lu-
gares, dentro da sobredicta linha do bloqueio.
3. Nenhnm navio ou vaso, pertencente a potências amigas ou
neutraes, e que se ache agora na bahia de Callao, ou em algum
dos portos e anchoradouros, comprehendidos dentro do bloqueio

Miscellanea. 95
sobredicto, terá permissão de dar á vela dali, depois do lapso
de oito dias da data desta.
4. Naõ se sofFrerá que bandeira alguma neutral em caso algum
cubra ou neutralize propriedade de Hespanhoes, ou de habitantes
de paizes sugeitos a El Rey de Hespanha.
5. Qualquer vaso neutral, que navegar com papeis falsos ou
duplicados, ou que naõ tiver os documentos necessários para
provar o dono da propriedade, sofFrerá as penas applicaveis aos
bens e mercancias de inimigos,
6. Todo o vaso neutral que tiver a bordo officiaes militares,
mestres, sobrecargas, ou negociantes de paizes sugeitos a El
Rey de Hespanha, seraõ mandados para Valparaiso, para serem
ali julgados segundo o direito das gentes.
7. A presente notificação será transmittida a quem competir.
Dada a bordo do O' Higgins que tem a bandeira do Comman-
dante em Chefe, na bahiade Callao, em o, I o dia de Março de
1819.
(Assignado) COCHRANE.
Por ordem de Sua Senhoria.
A N D . A, J O N T E Sec.

ALEMANHA.

Tem circulado na Alemanha um papel, que se apresentou a
vários Governos, sobre a decadência do Commercio Alemaõ, e
meios de o proteger. Foi este papel arranjado por uma depu-
taçaõ de fabricantes e mercadores, que desejam a exclusão das
manufacturas estrangeiras, e particularmente as Inglezas.
Neste papel se assevera, que o valor dos productos coloniaes,
importados na Alemanha, he de 172:000.000, de Florins : manu-
facturas Inglezas 125.000.000: artigos Francezes, Italianos, vi-
hos, &c. 52.500.000, fazendo tudo a somma de 350:000.000 de
florins.
Recommendam, por tanto, para remediar este mal, o aboli-
rem-se todos os direitos internos, excepto o dos caminhos, e nas
fronteiras um direito de 10 por cento nos productos coloniaes, e

96 Miscellanea.
15 por cento nas manufacturas estrangeiras de Estados, que naõ
obrem segundo o systema prohibitivo ; e50 por cento nas manu-
facturas da Inglaterra, e outros Estados, que sigam o systema
prohibitivo.
He pouco provável, que estas medidas se ponham em execu-
ção; porque saõ tam multiplicados os Governos da Alemanha,
e os seus interesses tam oppostos uns aos outros, com diversas
vistas e com peculiaridades territoriaes, que faz quasi impossi-
vel urna uniaõ de todos elles, em qualquer systema desta natu-
reza.

Corre rumor, de que vários Governos da Alemanha tem re-
cebido informaçoens da existência de uma associação politica,
de tendência perigosa, entre os estudantes Alemaens, e que tem
afiliaçoens na maior parte das Universidades. Vários estudantes
em Heidelberg; Friberg, Giesen, Berlin, e outras Universidades,
tem sido prezos em conseqüência disto, e os seus papeis appre-
hendidos. Em Berlin também se apprehendêram os papeis de
um dos Doutores. Todo este negocio porém está envolvido em
grande mysterio, e naõ se permitte a publicação de nenhuma das
suas particularidades.

Ha algum tempo que tem corrido negociaçoens, entre varias
potências protestantes da Alemanha, como saõ Hannover, Wirt-
temberg, os dous Hesses, Baden, e Nassau, de uma parte, e a
Corte de Roma da outra parte. O objecto destas negociaçoens
he para que o Papa accêda a uma Sancçaõ Pragmática, para
regular definitivamente o exercicio do poder ecclesiastico na-
quelles respectivos Estados. Os principes garantirão o livre e
publico exercicio do culto Catholico Romano em seus Estados,
e se obrigarão a nomear cinco bispos ; um para o reyno de "Wir-
temberg; um para Baden : um para Hesse Electoral um para
o Gram Ducado de Hesse; um para o Ducado de.

Misi-rllauea. y,
Nassau, e cidade livre de Frankfort. Estes bispos ser;»õ eleitos
pelos conegos de cada uina das Sées e igual nunern de outros
ecclesiasticos da diocese ; na seguinte maneira:—Os eleitores
nomearão tres pessoas, das quaes o Soberano do paiz escolherá
uin; e pedirá ao Papa a confirmação * e se o Papa a recusar,
o bispo assim escolhido pelo principe ficará em plena posse de
sua Sée.
Os bispos prestarão juramento de fidelidade ao Principe, e se
obrigarão e naõ concurrer em alguma medida contra o bem
publico; e até a revelar qualquer circumstancia que saibam,
de similhante natureza, Teraõ poder de castigar os leigos de
sua comniunhaõ, e de pedir o auxilio do braço secular, para
pôr em vigor a authoridade espiritual. Poderão também pro-
hibir o uso de quaesquer livros, que julgarem reprehensiveis,
nas igrejas e escholas ; e lhes será garantida a propriedade das
grejas.

Baviera.

A nobreza de Baviera, que compõem a Câmara Superior, nos
Estados, tem manifestado grande anxiedade e ciúme, a respeito
da Câmara Inferior, aonde os deputados saõ compostos de mer-
cadores, lavradores, artistas, e gente de outros empregos, que
até aqui se naõ reputavam mui honrados na Alemanha. A Câ-
mara Inferior resolveo, que se diminuísse o exercito, e na dis-
tribuição dos subsídios appplicáram ao Ministério da guerra,
somente o que éra bastante para o numero de tropas contem-
plado. A Câmara Superior fez uma representação mui forte
aos 6 de Julho, a fim de induzir a outra Câmara a acceder á
proposição do Ministro, sobre os subsídios para o exercito >
e disse, " que estas proposiçoens eram justificadas pela inevi-
tável necessidade, e que a Câmara Inferior hesitaria tanto me-
nos concordar* nisto, quanto o seu benigno Soberano, penetrado
desta convicção, fora servido declarar officialmente, que no caso
V O L . X X I I I . N ° . 134. N

roeu charo Marechal. elle estava determinado a sup- prir o resto do seu rendimento da coroa. mas asseverou. Tenho. he a seguinte :-— " Devo ao meu Exercito. em que se votasse menor somma. respondam por isso os que desejam impe- dir-me de sustentar adignrdade de minha coroa. (Assignado) Maximiliano. este naõ negou o que tinha dicto. de Outubro próximo futuro. para que se practiquem todas as poupanças possíveis. e que se o Governo Bávaro naõ forçasse a ordem. dizem. Nymphenburg. 1819. fallára publicamente na sua msza. que Grandes Potências. concedeo 64. foi pedir ao Ministro uma explica- ção." A Câmara dos Deputados na sua resposta aos Pares. que. ao mesmo tempo que diminuio as despezas do exercito. que éra a sua opinião particular. desde o I o . e de preencher os meus deveres. e concluio as suas observa- çoens. 26 de Junho. naõ viarn sem inquietação esta tendência democrática. por tanto. Corre na Alemanha a anecdota de que o Ministro de Baviera. que aquelle se enfraqueça. asserçaõ que .000 fforins por mez á caixa militar. feito saber ao Ministro da Guerra. como membro da confederação. que S. contra a independência. sobre esta matéria. M. Infelizmente muita gente po- bre sofFrerá com isto. recorreriam a medidas sérias. Imperial naõ poderia ou- vir com indifferença tal asserçaõ sobre os seus sentimentos ex- pressada por um Estadista da graduação de S Exa. mas que vem to- da a razaõ e urgente necessidade.98 Miscellanea. e esperam que o Ministro do Exercito nem se quer entretenha a idea de tirar a me- nor somma da porçaõ que se concede á Corte. que tem mostrado a segunda Câmara. dizendo. naõ permittir. A carta que El Rey escreveo ao Principe Wrede. O Embaixador Russiano." A Câmara dos Deputados." que naõ vem razaõ para alterar a sua opinião. expressou a sua admiração.000 florins para as escholas populares. se pagara do meu Gabinete um fundo de 25. e ao meu Reyno. e declarou. e principalmente o Im- perador Alexandre. O Embaixador Russiano na Ba- viera logo que soube disto.

. Finalmente. Imperial. seja a Florida o degráo para Cuba. para ser nomeado Governador das Floridas. que naõ desejava ingerir-se de maneira algu- ma nos negócios internos da Alemanha. qual he o modo de pensar nos Esta- dos-Unidos. FRANÇA. M. Miscellanea. que o General Jackson resignaria o commando do exercito. complete-se a obra. que pensava ser do seu dever informar a sua Corte deste acontecimento. antes tem sido re- batidos por uma grande maioridade. e submetta-se aos senhores do Mississipi. o augmento. o Congresso só poderá dizer. e diz uma das gazetas isto : " Se assim for. Algumas gazetas dos Estados-Unidos referem. que tem. e quasi ao mesmo tempo que se fechou também a sessaõ do Parlamento Inglez. até receber novas ordens sobre é sta matéria. como prova. e siga a Havanah. que os Ministros foram obrigados a fazer na Câmara dos Pares. ESTADOS-UNIDOS. que vale um milhaõ de Pensacolas." Daqui se vê claramente. naõ tem occasionado distúrbio sério. sobre esta matéria. 99 éra directamente opposta ás solemnes e reiteradas declaraçoens ds S. que estaõ ja lançando as vistas sobre Cuba. No entanto o espirito publico parece menos agitado. tam longe estaõ de querer lar- gar as Floridas. e as opi- nioens excêntricas de uns individuos. mas em toda a Alemanha. ou os planos visionários de outros. Os procedimentos da Legislatura Franceza tem algumas vezes sido marcados por violentas commoçoens. As Câmaras concluíram a sua sessaõ. baste. o mesmo destino. e que éra calulada a es- palhar desinquietaçaõ naõ somente entre os valorosos Bávaros. que foi uma cousa boa feita por um modo máo. a fim de conservarem sua maioridade. e discontinuar todas as suas relaçoens officiaes com S Exa.

sollapando o Governo. quando sustentadas por muitos individuos da naçaõ. que El Rey tem de crear Pares. queremos dizer. e este he o que pa- rece levar mais probabilidade de sua duração . tanta attençaõ a proceder segundo as formas estabelecidas pelas leys. a uns poz os outros.100 Miscellanea. O Partido revolucionário mostrou a sua existência. todo o seu mal consiste em naõ serem conhecidas e rebatidas. Essas opini- noens encontradas em publico. Os Ministros puderam também suffocar os deste partido. qUe se tem feito nalegislaçaõ da França. he preciso dizer.procuram fazello por outro modo. mas a essa mesma circumstancia attribuimos nós os melhoramentos. até que o tal partido fosse satisfeito. com tudo. que ha 20 annos que se naõ tem observado na França tam pouco despotismo. tem o direito de serem represen- tadas e discutidas na legislatura. As mais extravagantes opinioens. mas sim unicamente com as leys. posto que algumas vezes entendidas com alguma largueza de mais. refutadas de maneira legal cessam de ser perigosas . que nas Câmaras existam pessoas destes extremos oppostos partidos . Se as opinioens extra- vagantes naõ acham este meio legal de se explicarem. assim suecumbiram todos esses Governos. Sobre tudo o pé em que se puzéram os regulamentos da im- prensa saõ mui superiores ao que os Francezes j a mais gozaram desde o principio da Revolução. principal- mente na questão sobre a admissão em França dos regicidas e mais banidos. porque o partido dominante queria supprimir pela força as opinioens de todos os de mais partidos. todas as proposiçoens dos Ministros. na casa dos Pares. classe desenfreada na França. Lamentam alguns. Os Governos anteriores da França naõ puderam nunca man- ter-se. Os militares. O partido dos Ultra-realistas tentou regeitar. tem igualmente sido contidos em seus deveres . mas o exercicio (certamente bem estendido nes- ta oceasiaõ) da authoridade. e como todos estes objectos tem alcançado os Ministros sem appellar para as vias de força . des- manchou aquelle projecto do partido Ultra-realista.

que também dirige o Ministério da Marinha. De Castellane. Joseph Maria Aloz. a p. O Marquez de Casa Yrujo estava na cama. Segundo outros foi esta mudança influída pela Inglaterra. HESPANHA. sem descubrir o menor signal da sorte que o esperava. Manuel Gonzales Salmon.foi também despedido por outro decreto. Atribue-se esta revolução ministerial ao ministro de Justiça Lozano Torres. que se oppoem ao tractado de cessaõ das Floridas. Mr. debaixo da côr de sua má saúde. de que o successor . El Rey. De Choiseul-Gouffier. encarregando-se provisional mente aquella re- partição ao official maior D. Os decretos por que EI Rey ordenou estas mudanças vám copiadas a cima. Ministro de Graça e Justiça. Na noite precedente tinha este ministro tractado negócios com El Rey. e o Visconde Malhieu de Montmorency. Eguia. quando se lhe intimou a ordem d' El Rey para ir desterrado para Ávila. Esta re- partição da Guerra ficou provisinalmente entregue ao Tenente General D. e o fizeram partir immediatamente. De Damas. na noite de 12 do corrente. por um decreto de 12 de Junho. O Ministro da Guerra. concluído debaixo dosauspicios de Casa-Yrujo: porem por isso mesmo naõ he natural o rumour que corre. 12. os Condes De lã Bourdonnaye de Blossac. para ser depois empregado no lugar de Capitão General de Granada. dirigido ao Secretario de Estado. mandou re- mover de lugar de Ministro e Secretario de Estado o Marquez de Casa-Yrujo. Lanjuinais. de Bois Gelin. que saÕ : o Mare- chal Marquez Gouvion Saint Cyr : os Marquezes de Louvois > de Ia Suze. 101 El Rey creou mais dez Pares do Reyno . Miscellanea. Temos de annunciar outra revolução no ministério da Hes- panha.

o seu Acto. quer o tractado se rati- fique quer naõ : as razoens. mal podemos conceber como seja pos- sivel que nenhum homem capaz para aquelles lugares queira nelles servir. como sacrifiei o. que fez com os Estados Unidos. por mais ministros que El Rey mude. para invadir a aquella provincia saõ as mesmas que milham para as con- .se que a Inglaterra se oppoem a que a Hespanha ceda as Floridas aos Estados Unidos. deste ministro seja M. que foi quem negociou e assignouo mesmo tractado na America. como estes estaõ de posse das Floridas nessa posse continuarão. o desterro e a prizaõ he sempre o galardão dos Ministros. El Rey D. cinco na de Graça e Justiça . Como quer que seja. que prohibe aos Inglezes servirem na causa da indepen- dência. sob pena. Deseja El Rey de Hespanha. ou offei ecendo. Se por qualquer destes motivos con- seguir a Inglaterra. tendo diante a si a continuada experiência. que a lnglater ra pôde e talvez o tenha feito. Mas tudo isto naõ pôde deixar de ser a final contra os inte- resses da mesma Hespanha. Onis. naõ he possivel. obstar a essa ceesaõ.102 Miscellanea. de qne a Inglaterra re- conhecerá os Independentes. como equivalente á cessaõ das Floridas para os Esta- dos Unidos. ou pedindo que se naõ ratifique aquelle tractado. No entanto a freqüência destas mudanças só provaria o character inconstante de Sua Majestade. da Hespanha.uas cinco reparti- çoens : a saber. mas quando vemos que além desta mudança freqüente. Presume. e seis nos Negócios Estrangei ros. mas como a naçaõ naõ tem meios. tres na Marinha : cinco na Guerra. se o ratificar a Hespanha. ou pedindo a cessaõ de Cuba para si. ou a sua ignorância do verdadeiro estado de sua monarchia. Fernando tem no decurso de cinco annos mudado vinte e cinco Ministros. seis na repartição da Fazenda. que naõ ratifique o tractado. que alcance o seu fim. que elles deram. Dizem os que pretendem estar ao facto dessas cousas. de a que nomeação para o Ministério he o primeiro passo para o desterro. que seus Ministros concluam a guerra das Colônias.

Repete-se outra vez. As finanças da Inglaterra naõ permittem que seus Ministros adoptem este passo inconsideradamente. e a de S. e quanto ao dinheiro. INGLATERRA. M. Com effeito El Rey de Hespanha deve dar uma decisão no fim de Agosto. que as estradas da Estremadura estaõ summamente infes- tadas por salteadores. . podendo accrescentar a ellas outra de novo. que se dizem andar bem armados . A audiência de Caceres foi obrigada a refugiar-se em Badajos. que se naõ mettaa Inglaterra n'uma disputa que lhe naõ pertence. se quizer insistir. Publicamos de p. e dam muitas esmolas. os Estados-Unidos reconhecerão logo a independência dos Governos na America Hespnahola.Miscellanea. 103 servar. A. partio para os banhos de Sacedon sem dar definitavamente a ninguém a pasta dos Negócios Es- trangeiros. repartem com os pobres. ao terminar a presente sessaõ. e parece fazer a guerra principalmente ás rendas do thesouro Real. R. os Estados-Unidos diraõ. só o pode fa/ei declarando a guerra. que he quando expira o termo para a ratifiçaõ do tractado. . e o Gabinete Britannico entaõ. 4 em diante as fallas do Orador da Casa dos Communs ao principe Regente. No entanto S. e se qui- rer oppór a elle. Se a Inglaterra chamar a isto um acto de violência. pelo que recebem sempre mui boa informação do que se passa. que he o es- tar ja d posse. a pezar das cont radieçoeus de alguns jor- naes. a ambas as Casas do Parlamento. He preciso satisfazer ou os Estados-Unidos ou a In- glaterra. estes ladroens naõ o guardam para si. Um certo Meletor varre o paiz coro 300 homens. e se o fize rem. as pequenas povoa- çoens tremem de medo de Meletor e seu bando: e com tudo elle naõ he cruel.

porque se prohibio allistar- se gente na Inglaterra. para quaesquer portos dos dominios de Hespanha: a fim de que assim se guarde melhor a neutrali- dade. prohibindo o alistar-se gente para servir nas colônias Hespanho- la. salitre.104 Miscellanea. Tendo passado revista ás tropas de sua Legiaõ. Em as ambas as Casas se discutio esse ponto com grande habilidade e erudição. ao resto do destacamento do Regimeuto de Lanceiros. Nós naõ vimos ainda tractado algum na data mencionada. A pezar do Arto do Parlamento. para urgirem esta medida no parlamento. entre a Hespanha e a Ingla- terra. Cinco regimentos da Le- . que se acabou de promulgar. e Tenente-Coronel Frederick . resta ainda a duvida se para a manter éra necessária a prohibiçaõ de que se tracta. o General vem a Dublin. chegou ao Hotel Gresham. em que esta se obrigasse a neutralidade nesta guerra das colônias Hespanholas . De todas as importantes matérias. O motivo porém desta medida querem alguns achar na cessaõ das Floridas aos Estados-Unidos. pelo que respeita o direito das gentes nesta questão. que as cousas passem cornodicemos acima no artigo de Hespanha. e toda a casta de muniçoens de guerra. para fazem a mesma honra. porém suppondo que existe esta estipu- laçaõ de neutralidade. que se discutiram no Parla- mento. he o acto. pelo tractado de 1814. acompanhado pelo connel Lyster. foi a necessidade de preservar inviolável a neutralidade. que estavam j a embarcadas em Liverpool. e actualmente no mar. e he mui provável. O fundamento allegado pelos Ministros. segunda feira pela noite . para servir na guerra presente euire a Hespanha e suas colônias revoltadas. de 12 de Julho se prohibio a exportação de pólvora. e pelo Cornmis- sario Geral M'Namara. a que mais directamente. revoltadas. Com tudo por uma ordem em conselho. affecta os interesses da America. durante esta sessaõ. que se embarcará esta semana ao nosso rio. achamos era uma gazeta de Dublin o seguinte annuncio:— " O Major-General D'Evereux. que o Govesno Inglez tinha promettido á Corte de Hespanha. na rua de Saekville.

de que o Brazil. pela qual o Governo Turco se obriga a reconhecer a Gram Bretanha como Protec- tora soberana das Ilhas Jonias. e armamento. quando se abrir a seguinte campanha. alem dos que j á deram á vela . e por tanto menos escrúpulo temos em registrar outra vez a nossa tanta vezes declarada opinião. dando-lhes terras em que pudessem fazer suas habitaçoens. o . nem as causas das faltas. que. 105 graõ. Liston obrou pelas rigorosas ordens. e estarão no mar antes do L° de Agosto O General sairá a campo em pessoa. para augmentar e fortalecer o estabelici- mento do Cabo de Boa Esperança. com uma grande força. que no interior do Brazil podiam ser de bastante utilidade : e se o mesmo Governo Inglez parece admittir a exuberância da população. As exageradas quiexas. naõ se poderia escadalizar. Se no Brazil tivessem os olhos um pouco abertos. deve ser do maior interesse para o Commercio Inglez. que se tem feito. se vaõ adiantando em sua formação. se aproveitasse desta que aqui sobeja. N \ 124. saõ as que lhes apraz mencionar aos que tem interesse em represen- tar as cousas a seu modo. Liston concluio uma " importante" convenção com a Porta. sobre a penúria da naçaõ. com a condição de se lhe entre- gar Parga. que existem. de que o tractado a que acima se allude he um tractado indigno: que a accessaõ da Tur- V o L . também se poderiam aproveitar disto mesmo. Sir T. no estado actual do Mundo. que se votasse um subsidio de50. Da gazeta Ingleza Times. assentamos que deste mesmo grito se valeram os ministros. afim de ajudar a passar o Inglezes. que estamos persuadidos que nem a penúria he tanta como se diz. Os Ministros propuzeram ao Parlamento. que desejarem sair da Inglaterra. Miscellanea. servio de motivo para este expediente dos Ministros. cm Cuyaba e Matto Grosso. X X I I I . de 3 de Julho extrahimos o se- guinte paragrapho:—" Dizem que Sir T.000 libras esterlinas. que tanto necessita de gente. para obter colonos Inglezes. que ti- nha . a riem formar uma colônia no Cabo de Boa-Esperança. Nós porem.

emuito menos de honra. a fim de ne- gociar com o Papa uma espécie de concordata." Sir Thomas Maitland. naõ merece sacrificio algum de interesses. á custa de um dever sagrado a nossos simi- lhantes Christaõs. Uma insignificante disputa.000 piastras. &c. residentes nas sette Ilhas. A policia de Warsovia prohibio as pateadas no theatro. censurou por isso os magistrados de Policia. em que declara o tractado feito entre a Inglaterrae a Turquia para a cessaõ de Parga.comprado um estéril cumprimento do Gram Senhor.000 piastras. que ella nem tinha direito nem poder para desfazer. que garante a liberdade da imprensa. Conde Bruno Kiciushi. expedio uma proclamaçaõ aos 7 de Junho. porém o Ali Pacha achou meios de fazer com que a somma se reduisse a 633.106 Miscellanea. despojados de seus bens pelos Turcos . que elles dizem ser evidentemente contraria ao artigo 16 da Constituição. a respeito dos Catholicos Romanos.e Theodoro Moraushi. para indemnizar os Parguinotas. deo origem a uma seria discuçaõ. Seguio-se daqui que o Governo poz a Quotidiana. que avàluaraõ as propriedades dos Parguinotas emigrados. . sobre o direito de dar pateadas no theatro. O mesmo Lord Commissario partio para Roma. POLÔNIA. e a nós mesmos. que envolve nada menos do que a existência da presente Constituição. Segundo este tractado deviam os Tur- cos pagar 660. Lord Commissaro da Republica das sette Ilhas Gregas. nós temos vergonhosamente . e convites para jantares. e que na destruição. quia a um arranjamento politico.dos Parguinotas. que deo aquelle reyno o Impedor Alexandre. expressa em cartas. Para a distribuição desta somma nomeou o Lord Pretector tres commissarios. haviam feito isso a uma má cantora. Uma gazeta chamada a Quotidiana. Os redactores quizéram antes a alternativa da responsabili- dade pessoal do que submetter-se a uma ordem. debaixo de censura sob pena de responsabilidade pessoal. Os redactores apparentes da- quella gazeta. ti- veram a approvaçaõ publica.

o exercito e marinha junctamente. O Governo Francez emprega pouco na sua marinha. e na Baviera menos de um terço das taxas. Em França custa o exercito menos de um quinto. porque a Prussia assim como a Áustria e Baviera. que com tudo se deve considerar como parte da força nacional: a Bariera naõ tem marinha. e daqui vem a necessidade de ter proporcionalmente maiores forças. que sejam seus dominios tanto menos defensáveis do que os de outro qualquer Estado da Europa . Todo este negocio foi referido ao Conselho de Ministros. mas calculando os estàbelicimentos defen- sivos da Inglaterra. o que se executou na noite de 19 de Maio. Indubitavelmente se deve olhar como uma desgraça para qualquer Soberano no throno de Prussia. que vem a ter tres quintas partes de tode a renda.000 de coroas: calcula-se o que custa o exercito a 21:000. e com effeito parece. . do que se emprega em algum outro paiz da Europa na força militar. Segundo as observaçoens de alguns jornaes do Continente. que naõ estaõ apropriadas ao juro da divida publica: ou em outras palavras tanto em proporção quanto se emprega das rendas Prussianas para a manutenção das tropas de Prussia.000. tende a enfraquecer. em vez de fortificar o reyno. Peters- burgo. que depois de grandes discussoens fez o seu relatório a S. Os Redactores protestaram contra esta violação addicional da con- stituição. Miscellanea. PRÚSSIA. Avaluam-se os rendimentos da Prussia em 35:000. limita a sua defensa ao serviço de terra. achar- se que custam á naçaõ mais de tres quintos aquella parte das rendas. o xe rcito Prussiano consome maior porçaõ das rendas publicas daquella monarchia. 107 Entaõ mandou o Governo fechar as portas da officina da- quella gazeta. que a accessaõ de territórios quasi desligados uns dos outros. Espera-se portanto agora a decisão do Imperador.

CONRESPONDENCIA. sobre a divida de Norwega. Principe Hardenberg. sobre o assumpto do trafico da Escravatura. para a final oboliçaõ daquelle trafico: e se bem que nas outras Gazettas se náõ põem do mesmo . em que se referem os Debates Parlamentares do dia 7. diz. M. SUECCIA. que S. e applicar estas sommas á liquidação da di- vida. Diz este artigo. Senhor Redactor Lè-se no Morning Chronicle do dia 8 do Corrente. se o projecto de liquidação da divida Norgueza for aceito da parte da Dinamarca.108 Miscellanea.000 dollars. da qual se collige. uma resposta de My Lord Castlereagh a Mr. As noticias de Berlin tornam outra vez a fallar do objecto da Constituição tantes vezes promettida. que se satisfará gradualmente. que se lhe assignaram pelo Soothing para man- tença de sua casa . e o principe seu filho a somma de 32. que a tal Constituição se publicará mui breveme . e que as medidas para se pôr em execução estaõ ja mui adianta- das nos pontos principaes. Agora se diz. Wilberforce. mas nunca verificada. e que tudo he obra do Conselheiro de Estado.000 dollars. Fidelissima tem fixado um prazo de 8 annos. qne se ter- minaram em bem ás negociaçoens com a Dinnamarca. Um artigo de Stockholmo de 14 de Junho. por pagamentos annuaes. El Rey de Sueccia se propõem a renunciar por dez annos a somma de 94. que.

no tempo do Congresso. Y paignent ce béros avec des traites de flarame. " que por ora se naõ concluio ajuste algum para a abolição final do trafico. com tudo. Parecendo-me que algumas pessoas acharão conveniente esta explicação. ROUSSEAU. (Assignado NB. a qual me asseverou positivamente. como sempre seo mui att". o que também se infere." Do que devemos suppór que My lord Castlereagh naõ disse tal cousa. De Ia Parque vainqueurs. oh Rocha. omitte-se a assignatura a desejo do nosso Conrespon- dente. que propriamente me podia nesta Corte dar informação sobre este caso. naõ poden- do ser indifferente para aquelles que ainda entre n ós continuam a fazer o dicto trafico. pelos Inglezes naõ quererem da sua parte conceder o que se lhes pedia. ses vertus rivantes dans nos coeurs. mas era como uma concessão da nosse parte para um ajuste que naõ teve lugar . obediente Criado. . IQQ modo esta asserçaõ na bocca de My lord . A abolição do trafico de escravos no fim de 8 Annos. do Livro 2. fui procurar a pessoa. podendo assegurar-lhe que he verdadeira. T. o suspirado objecto Dos pensamentos teus : demanda. em que se determine a epoca da sua duração. ou que se explicou obscuramente sobre este ponto . da differença com que se publicou a sua resposta nas outras Gazettas. ELEGIA. Ode I. Deaõ da Ilha da Madeira. Conrespondecia. Ses tatens. a certeza da existência ou naõ existência de tal ajuste. O árduo triumfo de virtudes tantas. Entra no Empirio. e sou. B. A' Morte do Illustrissimo Senhor Joaõ Francisco Lopes Rocha. como disse. rogo-lhe o favor de a inserir no seo Jornal. En depit de sa mort Wmage de son ame. em Vienna. contem- plou-se he verdade.

Quem tratava com tigo. Doce Religião assim houveste Suave azillo no immutaval peito Do sublime Varaõ.110 Conrespondencia. ao claro esp'rito Nos supriaõ na Terra o trato. Une-te a elles: a pureza tua. conselhos. Mal entendido refalsado zello ! Ferocidade atroz. que morto eu choro. Cujo punhal feroz. Que proclamando o Ceo. Bondade. dietas Trazer haõ vindo aos mizeros humanos. Beneficiente. Tartareo Orgulho Em celestes virtudes disfarçado ! Doce Religião naõ hé d'est'arte Que vens pouzar no coração do Justo. victima dos cultos Do verdadeiro Dêos. Do puro Christianismo o jugo amável Taõ querido te foi. E a vil superstição. quel luzes tantas. Para extermínio do implacável monstro. . quaõ mimozo. Quaõ opportuno desprender sabias De huma escolhida erudição enchentes ! Filozofo sem pompa. e naõ te amava ? Quem a teus dotes naõ ficava prezo? Ingênua condição. e atraiçoado. a Terra assolla : A cujos brados Cromuel erguia O cadafalso do trahido Carlos. uniste ás vozes Do Pórtico severo a voz do Eterno. Que nos apraz contemplar nos Anjos. as vozes Desses que cercaõ de Adonai o Throno. Que taõ vasto saber abrilthantava! Quaõ fácil. e meiga Em vez de raios. quanto era odiozo Aos olhos teus o Fanatismo indócil. E tal sem custo Sem faustoaglum em sacrifício adoras. e candidez. Entre os Humanos trasladaste os dotes. Do grande Henrique se embebeu no sangue. e a ferro. Mui pouco a vida Te parecera. Cujos negros frenéticos delirios Dessollaraõ Peru. e sem vaágloria. e fogo Huma infernal devastação fizeraõ De milhoens tantos de innocentes índios. tolerante. Messageiros de Deos. Que sem as manchas da fraqueza nossa Hospedes nossos vezes mil tem sido. puro mal esparges Dos virtuosos persuasivos lábios.

Minha consollaçaõ no Fado adverso. em nada havias Os invejados dons. Ameaçado de castigo injusto ! Ressoou o grilhão de ti naõ longe. sem honrar teu nome. as lagrimas saudosas Que derramámos com respeito. diversão suave. Para a benificencia os dons maiores Tênues te pareciaõ. Te lêm. oh Rocha. o Rocha. em longa idade Tua imaginação brilhava ainda No verdor juvenil. Conrespondencia. e foste. E foste perseguido. Com que ternura. De uma Penna facunda os ragos nobres Na ovante imprensa incógnitos entrarão. aspecto. has sido em gloria . a divinal brandura ! Com tigo duro s ó : ao bem dos outros Has applicado as dádivas da sorte. E os venerandos ásperos cilicios. em vez de inveja Te motivavaõ lastimas piedozas. em ti foi gosto. e vergonhozos. Qual foste na virtude. te admiraõ. oh Sábio. 111 Meu Tefrigerio em tenebrosos dias. Do Messias a lei que firme apoio Encontrava em teu seio ! O que hé mil vezes Esforço de hum dever. Alvo teu foi o Ceo. e cândidos transportes Dezenvolvias da Moral sagrada As fixas leis. Rafael guiava Do incauto Peregrino o passo incerto. e douto Nos teus Escriptos encontraste a miúdo Santo recreio. e dias de oiro. tranquillidade. Evangélico Rocha em paz fallavas Dos inimigos teus. e pasmo Nos monumentos da virtude tua. o leito pobre. Ja lá da Estância do Supremo Artista Digna-te. sem dôr ouvias Sem tédio algum prosperidades suas. Eternas sombras de improviza morte Dai que vejamos do Varaõ excelso O mesquinho aposento. Alem dos astros viajando absorto. que o mundo outorga Aos Satellites seus. Valor. Tal na Terra etrangeira. e ledo. na constância tua O meu rumo fitei. de observar. Nos teus conselhos.o afflicto Accezo culto. colhi. e nome De homem tomando. Probo na juventude. Tudo julgavas para ti sobejo.

112 Conrespondencia. "Tristes soluços. A quem consagro o feudo respeitoso D'estes. bom parente. Por hum Portuguez. Bom irmaõ. prazer. ornai-lhe a campa. Suspirai Versos meus. Qual dissipa a Manhaã da noite as sombras. exemplo inigne. e aos teus deveres. Venerando Anciaõ. Esteio da Virtude em quanto vivo. Facho brilhante de eternais verdades. choraõ-te parentes. oh Rocha. E os teus Amigos de continuo exaltaõ Saudosamente as qualidadus tuas. Naõ buscando o louvor. ventura. os teus dictames Inda ressóaõ nos ouvidos nossos. Naõ menos luminozo. Assim doiraste Luz espiritual. comnosco vivem. Evangélico Rocha. E aviventou o coroçaõ de tantos Illustres Chefes da nascente Igreja. O globo illuso. magoados versos. fervorosos prantos Dai que meus Versos languidos adejem Em torno do Sepulcro. Irmaons te choraõ. de impuros Deuzes . E desfazendo os horridos fantasmas Filhos da Escuridão. Aprendemos ainda. seu amigo. Seu s habitantes entre si unindo Aos bens da Creaçaõ trazendo esmalte. Se apraz o Pensamento. A saudoza Funchal. Naõ o deixas de ser depois da morte. descobrindo ao mundo Formozura. as vozes Esclareceste do Varaõ prestante. sagrada flamma. A Imagem tua Teus singulares aprazíveis dotes. . e se enche. e lustra De altas recordaçoens. Em vez do cahos. encantos. Raro Modêllo da amizade has sido. Com tigo. Se teu vivo claraõ encheu amente. a vida. ati levanta Ais dolorosos lugubres gemidos. honrai as cinzas Do egrégio Sacerdote. naõ cultos. e quasi todo escravo De um Gentilismo vaõ. e so attento Ao bem universal. em ti contempla Da primitiva igreja a luz rádios a Que dissipou do Paganismo as trevas.

Edictal do Conselho da Fazenda em Lisboa sobre o Real d' Água. para ser repartido entre o Provedor. a respeito do Imposto do Subsidio Literário das Co- VOL. que fossem nomeados pela Câ- mara. 135. 14. c. tomada em Con- sulta do Tribunal do Conselho da Real Fazenda de 21 de Fevereiro do dicto anno: que assim como concedia pela dieta Real Resolução. XXIII. Sua Majestade foi servido determinar. N°. e. na mesma conformidade houvesse um igual prê- mio. 1819.CORREIO BRAZILIENSE DE A G O S T O . por Sua Real Resolução de 19 de Junho de 1818. vil. quando elle se nao arrematasse e corresse por adminis- tração Regia. POLÍTICA* REYNO U N I D O DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES. e Cobradores. P . Es- crivão. e Subsidio Literário. Na quarta parte nova os campos àra E se mais mundo houvera lã chegara CAMOENS. o prêmio de seis por cento ex- trahidos do rendimento do Imposto do Real d' Água.

para poder conferir a Arremataçao. que só manda conferir as Ar- remataçoens do Imposto do Real de Agoa por tempo de um anno. Lisboa 8 de Maio de 1819. se faz publica por esta fôrma. que em alguma oceasiaõ fosse mais in- teressante à Real Fazenda fazer em Arremataçao separa- da.114 Politica. e corresse por Administra- ção Regia. que poderiam receber-se os Lanços. que aqueilas Arremataçoens fossem feitas pelos Provedores na Câmara da Cabeça da Comarca. se fez presente a El Rey Nosso Senhor naõ ter sido interessante á Real Fazen- da a Determinação do Real Decreto dedezeseis de Mar- ço de mil oitocentos e sette. no caso de haverem algum Ramo. ou Ramos. M I G U E L A N T Ô N I O DE M E L L O . dos Lanços que houveram. quando também se naõ arrematasse. e isto nos seus devidos tempos conforme o mesmo Regimento: E outro sim foi também servido . porém. para assim se practicar na oceasiaõ. E para que assim haja de constar. e por tem- po de quatro annos. que con- forme ao seu Regimento eraõ obrigados a dar conta no Conselho. marcas deste Reyno de Portugal. em massa de todas as Villas. D. D. revogando inteiramente o mencionado de- creto. expondo as jus- tas causas. E em consideração a tudo que lhe foi exposto na mesma Consulta : foi o sobredicto Senhor servido de- terminar por Sua Real Resolução de dezenove de Junho do dicto anno. que lhe respeitassem : Que. e do Algarve. Em Consulta do Conselho da Real Fazenda de vinte um de Fevereiro de mil oitocentos e dezoito. Edictal do Conselho da Fazenda em Lisboa sobre a arre- mataçao do Real d' Água. F R A N C I S C O M A N O E L D* A N D R A D E M O R E I R A .

que. se extrahisse do seu rendimento seis por cento para o Provedor. conforme se offere- cesse a maioria de Lanços: Que das pequenas Villas se pudesse formar um Ramo. E tendo-se feito publica a sobredicta Real Resolução por meio da Imprensa. que diminuís- sem a concurrencia dos Licitantes. que naõ fossem as da Cabeça do Ramo. em justa compensação de seu trabalho. MIGUEL ANTÔNIO DE MELLO. em data do primeiro de Março deste corrente anno de mil oitocentos e dezenove. se pudesse supprir pela com- parencia dos Procuradores do Concelho: E que havendo fianças idônea». Que em de- claração ao Decreto de dezeseis de Março de mil oitocen- tos e sette. pela qual " Sua Majestade foi servido Determinar por Sua Real Resoluhiçaõ de vinte e tres de Dezembro de mil oito- centos e dezoito. que se arrematar. ou por quatro annos. se faz publica por esta forma. mas tam- bém por tres. . e Cobradores. E para assim constar a sobredicta Real Resolução. Politica 115 revogar o §. con- cedendo. Lisboa sette de Junho de mil oitocontos e dezenove D. havia por bem que as Arremataçoens do Real d' Agoa 6e pudessem fazer naõ só annualmente. segundo o Local: Que a assistência das Câmaras. se naõ exigiriam mais formalidades. tomada em Consulta do Conselho da Real Fazenda de seis de Junhodo dicto anno. seu Escrivão. FRANCISCO MANOEL D' ANDRADE MOREIRA. no caso que por algum incidente naõ se arrematasse aquelle Imposto. que forem nomeados pelas Câmaras. e ficasse por administração Regia. treze do Regimento do Real d' Agoa de vinte e tres de Janeiro de mil seis centos quarenta e tres. ou segura abonaçaÕ aos Lanços offereci- dos. bai- xou a outra Real Resolução. D.

que os prezos sejam remettidos sem demora. El Rey N . e exigindo estes detestáveis crimes de Lesa Majestade Divina exactas a- veriguaçoens para se descobrirem e castigarem os ag- gressores com toda a severidade. e segurarem as pessoas sus- peitas. Excellentissimo. sobre os roubos e sacrilégios. que ultimamente se tem commettido em muitas Igrejas destes Reynos. ao Desembargo do Paço em Lisboa. a fim de prenderem os aggressores. para serem julgados pelas commissoens estabeleci- das para este effeito na Casa da Supplicaçaõ. passando os aggressores aos ex- ecrandos insultos. Portaria. e manda outro sim. manda Sua Majestade. ten-lo jn ordenado. que se acham profanadas e espoliadas das suas pratas e alfaias. em 12 de Junho de 1819. que se façam as diligencias mais ex- . e das Comarcas. Com as rubricas dos Governadores do Reyno. em algumas provincias de Por- tugal. e Rela- ção do Porto. e attentados de roubarem também os vasos dos sacrarios. e Reverendissimo Senhor. Avizo ao Patriarcha Eleito. e espalharem as Formas Sagradas. para se- rem perguntadas. S. sem temor de Deus nem das penas das leys. para procederem a todas as diligencias necessárias. especialmente nas das provincias do Minho e Beira. Sendo presentes a El Rey N . os horrorossimos sa- crilégios. logo que houverem indícios contra éllas.sobre o mesmo. Palácio do Governo.116 Politica. que a Meza do Desembargo do Paço passe logo as ordens necessárias aos Ministros desta Cidade. com as suas perguntas e summa- rios.

que na Sancta Igreja Patriarchal se fa- çam tres dias de preces successivos.que ficará por todo o dia. O que por ordem de Sua Majestade participo a V. Exa* Palácio do Governo em 15 de Junho de 1819. JOAÕ A N T Ô N I O SALTER DE MENDOÇA. Outro sim ordena. que no ultimo delles pelas cinco ho- ras da tarde se faça uma solemne procisaõ do desaggravo do Sanctíssimo Sacramento. e 27 do corrente. com religiosa piedade. Ex. he servido. commettidos em muitas igrejas destes Reynos. e que no dia de segunda feira immediata se celebre. de- pois de roubarem as suas pratas e alfaias. Politica. Ex a . com outros sacrilégios. e todas as irmandades do Sanctíssimo Sacramento das sobredictas parochias. convocando V. em todas a igrejas porochiaes do Patriarchado e dos mostei- ros de religiosos de sua jurisdicçaõ. 117 actas para se descobrirem e castigarem os malvados réos dos horríveis e sacrilegos desacatos. para que assim se execute. acompanhada pelo Governo destes Rey- nos. pelos quaes a Divina Majestade foi enormissimamente offen- dida : e querendo. . por meio de fervorosas e publicas depreea- çoens. que por ou- tros tres dias se façam igualmente as referidas preces. a para ella todo o clero das paro- cliias desta capital. que seraõ os dias 25 26. na mesma Sancta Igreja Patriarchal uma solemnissima Missa como Sacramento exposto. na conformidade do que se prac- tica nas quarenta horas. em que os aggressores. applacar a Di- vina Justiça. e das Ordens Regulares dos conventos delia. que ha de sair da Basílica de Sancta Maria. e espalhar mui- tas das Sagradas Formas. se atreveram a roubar também os vasos dos sacrarios. Deus guarde a V.

e no6 dias 25. e 27 do corrente mez se façam preces. Ely Re Nosso Senhor. foi servido ordenar que na Sancta Igreja Patriarchal desta cidade. Aviso. pois tem mostrado a experiência. depois de roubarem as suas pratas. S*. e muito prejudicial entrada de trigo estrangeiro. a Divina Justiça.guarde a V. que naõ basta o augmento da vendagem ordenada pelo Aviso de 11 de Maio próximo passado para equilibrar o preço . JOAÕ A N T Ô N I O SALTER DE MENDONÇA. e publicas deprecaçoens. espalhar as Formas Sagradas. e sacrilegos desacatos commetidos em muitas igrejas destes reynos. e al- faias. Aziso á Inspecçaõ do Terreiro do Trigo em Lisboa. augmentando a imposição sobre o trigo estrangeiro. ousaram também roubar os vasos dos sacrarios. e commetter outros sacri- légios com que muito oífendêram a Divina Majestade: e querendo applacar. 30. e desaggravar a sua of- fensa. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor:—Continu- ando os clamores dos Proprietários. para que os Theatros estejam fechados nos sobredictos tres dias—Deus. e Rendeiros das terras de lavoura. em que os aggressores.118 Politica. e Beira. para se fecharem os Theatros durante as preces. que se consideram perdidos pela continua- ção da extraordinária. por meio de fervorosas. passe as ordens necessárias. especialmente das Provincias do Minho. Palácio do Governo em 19 de Junho de 1819. S. penetrado do gravíssimo senti- mento que lhe tem causado os horríveis. e no ultimo delles uma solemne Procissão de desaggravo do Sanctíssimo Sacramento: e determina que V. Senhor Joaõ de Mattos e Vasconcellos Barbosa de Ma- galbaens.

para que assim o fique entendendo. manda in- terinamente. He o mesmo Senhor servido determinar. e que o novo augmento tenha a mesma applicaçaõ decla- rada no referido aviso. Politica. Senhor Conde de Peniche. os soccorros. Reconhecendo-se. em lugar de oitenta réis já estabelecidos. como inconveniente. JOAÕ A N T Ô N I O SALTER DE MENDONÇA. e Alfân- degas dos mesmos Reynos. que devem pres- tar-se por officios de hospitalidade. e Alfândegas o seguinte: 1. maiormente promettendo o bom estado das Searas uma colheita muito abundante El Rey nosso Senhor. em quanto o exigira necessidade da lavoura. Portaria dos Governadores do Reyno de Portugal. em attençaõ aoreferrido. e o modo de proceder-se nas Al- fândegas a respeito das mercadorias. a necessidade de regular de uma maneira uniforme em todas as terras marítimas. O que de Ordem do mesmo Senhor participo a Vossa Excellencia. pague duzentos réis por cada um alqueire. depois da publicação desta ordem por edictaes. e em quanto naõ baixar resolução de Sua Majestade so- bre a Consulta do Conselho da sua Real Fazenda. Deus guarde a Vossa Excellencia. que der entrada no Terreiro Publico. e objectos salvados. que o trigo estrangeiro. que se acha affecta com o objecto da dieta regulação. e faça executar. Que para os primeiros soccorros saõ com- . Palácio do Governo 18 de Junho de 1819. ou naõ determinar o contrario. 119 daquelle trigo. provi- denciando na arrecadação dos bens naufragados. as authoridades a quem elles incumbem. que interinamente se observe pelos respectivos Magistrados. a fim de o nacional sustentar a sua concurrencia. pela freqüência dos naufrágios nas Costas destes Reynos.

e ate á sahida da embarçaõ as cautelas determinadas pelas leys para similhantes casos. devendo estas fazer logo aviso ás Alfândegas do districto. se vendam somente as fazendas necessárias para a satisfacçaÕ dos trabalhos. ou dilficultando os dictos pagamentos. e os Juizes das Alfân- degas os inventários. seja o . II. seraõ en- tregues os papeis achados na mesma embarcação. V.120 Politica. pro- cedendo os mesmos officiaes a inventario dos salvados.ou Agentes da naçaõ. como Feitor Mor das mais do Reyno. os quaes devem pagar aos operários que trabalharem no salvamento. petentes as authoridades territoriaes. a que pertencer a embarçaõ naufragada. que devem regular-se pelo estado da terra. na fôrma do Aviso de oito de Fevereiro de mil settecentos settetenta e dous. com o rebate da quarta parte. a este tocará dar immediatamente as provi- dencias e soccorros. e requerendo aos Juizes de fora as devassas. e ao administrador Geral da Alfândega Grande de Lisboa. ou para serem re-expor- tadas sem direitos. para este dar as providencias e ordens que julgar a propósito. participando o necessário ao respectivo superintendente. III. ficando na terra. sendo bem entendido. que os gêneros e fazendas prohibidas devem ser infallivelmente re-exportadas. Que vendidas as fazendas. Que as mercadorias salvadas sejam conduzidas á Alfândega. IV. logo que seja possível. e practicando-se no embarque. Que duvidando elles. procurador. para cuidarem da arrecadação. e tirar a devassa. dando parte de tudo ao Conselho da Fazenda. quando dellas naõ appa- reça dono. ou consignatario. ou para os pagarem. Que acontecendo o nau- frágio no districto da Alfândega aonde reside o Superin- tendente. assim como as mercadorias salvadas. que estes de- vem remetter ao Superintendente. VII. Que os Juizes das Alfândegas deputem logo officiaes seus ao lugar do naufrágio. VI. Que aos Cônsules.

vos tem VOL. e Gram Official da Legiaõ do Mérito. nem requeridas no termo da Ley. me authoriza a dirigir- me a vós. Que as madeiras dos naufrágios. por termos legaes. Os acontecimentos. no qual caso seraõ deferidos. &c. commissarios. para se evitarem as despezas da conducçaõ. naõ havendo em caso al- gum emolumentos de officiaes. Jozé de San Martin. e mais termos judiciaes. e faça executar. Politica. se esta naõ for requerida por aquelles a quem tocar. «Sec. ou nos Trens a beneficio da Real Fazenda. Proclamaçaõ do General San Martin ao povo do Peru. XXIII. ou aos Cônsules. VIII. CHILE. N°. Palácio do Governo em tres de Julho de de mil oitocentos e dezenove. que tem todo o ho- mem livre de fallar ao opprimido. que naõ forem vendidas. ou seus apparelhos. Sua Excellencia D. Compatriotas!—O mesmo direito. sejam entregues ao Almoxarife d' El Rey. Q . que tem tido lugar em rá- pida suecessaõ. sem vencimento de Diários. e sendo os objectos salvados fragmentos da embarcação nau- fragada. durante os nove annos passados. além das custas por escri- ta. Com tres Rubricas do Governadores do Reyno. Aos Habitantes de Lima e Peru. 135. e de- baixo da sua responsabilidade. sejam vendidos no lugar do naufrágio. 121 seu producto entregue aos donos. Capitão Gene- ral do Exercito combinado dos Andes e Chili. seus procuradores. O Con- selho da mesma Real Fazenda o tenho assim entendido.

portanto. e os meios. o grande regenerador das sociedades políticas. que . em que appareceo na Ame- rica a determinação de ser livre. ou pelas maõs de atrai- çoados chefes. que sentisse o pezo e ignomínia de seus ferros. mostrado os títulos solemnes. se os escravos eram tam culpaveis como seus tyrannos. porém naõ obstante todas as combinaçoens do des- potismo. que em foram con- fiados para vos salvar. assim como com a causado gênero humano. principiou a considerar. fortalecida por no- bres traços nos fez triumphantes. o evangelho dos direitos do homem foi propa- gado no meio de contradicçoens. se apressaram os agen- tes do poder Hespanhol a extinguir aquella illuminaçaÕ mental. Desde o primeiro momento. pelos quaes os Estados In- dependentes de Chili e de Buenos-Ayres. Esta está identificada com a delles. em que o problema dos sentimentos Peruvianos e a sorte da AmericaMeredional devia ser decidida. trabalhou o Vice-Rey do Peru por persuadir ao mundo. O meu avizo. ou daquelles. mas a opinião publica. que faria que os Americanos conhecessem suas cadêas. Centos de Americanos morreram no campo da honra. que tinha podido extinguir nos habitantes de Lima até a alma. quanto saõ con- sistentes com tam sagrado objecto. dessolando este innocente paiz. A revolução começou a apresentar um aspecto respeitável em outras partes. que eram assas estúpidos e baixos para a naõ de- defender. me ordenam entrar no vosso território. ou se a liberdade se podia queixar mais daquelles. O mundo. escandalizado á vista do sangue Ame- ricano. saõ tam efficazes. que tinham a barbara coragem de a invadir. preparou o momen- to. Continuou a guerra. e defender a vossa liberdade. e assim o tempo. e em conseqüência de seus progressos. naõ hedeum conquistador. derramado pelas maõs dos Americanos.122 Politica.

Escrevi ao vosso Vice-Rey. em que se achava posto. Conhe- cendo os horrores. e a preponderância de seus exércitos. que o povo adoptasse livremente a forma de Governo que julgasse própria. Esta liberal proposição foi respondida com a- meaças e insultos. notando-lhe quaes eram os sinceros desejos dos Governos de Chile e Buenos-Ayres. 123 procura crear nova escravidão. para os evitar. em uma palavra. e um agente do destino. que o ameaçava. Depois de uma completa batalha nos campos de Maipõ sem attender aos incentivos da justa vingança pela barbara aggressaÕ. será somente o crime de tyran- nos. assim como a segurança commum. pelo que a ordem da justiça. a disparidade da lucta. O sangue. com que a humanidade he afflicta pelas guerras. e conce- der. e de seus satélites. que elle devia ouvir os seus direitos e queixas. lembrando-lhe a diffi- cultosa situação. A madureza das cousas tem preparado este grande dia da nosssa emancipação politica. lhe propuz que convocasse os illustres habitantes de Lima. me obrigam a adoptar o ulti- mo extremo: o uso de uma força protectora. que se derramar. e notando-lhe a extençaõ dos recursos dos dous Estados intimamente uni- dos. tenho sempre procurado alcançar o meu ob- jecto pelos meios mais conformes aos interesses e bem dos Peru vi anos. pelos effeitos da guerra. em em data de 11 de Abril passado. tenho dado plena prova de meus sentimentos pacíficos. e que o resultado de suas espontâ- neas deliberaçoens fosse a ley suprema de miuhas ope- raçoens. e. A sinceridade de minhas intençoens naõ tem sido me- . e eu naõ posso ser mais do que um instrumento accidental de justiça. Filio respon- sável aos habitantantes de vosso território. Politica. nem ao direito de indemnizaçaõ pelos grandes males causados a Chili. portanto.

elegendo livre- mente seu Governo. que a capital do Peru verá. Este exemplo somente he a mais se- gura garantia de meu comportamento.—Naõ procuro a vossa ruina. Fixa a primeira baze da vossa existência politica. porque esta he a vossa casa. O nosso interesse he o do povo.124 Politica. em ordem a accender o facho da discórdia. Americanos—Osexercitos victoriosos de uminsolente tyranno diffundem o terror entre o povo. He do interesse de todos que se expulsem de Lima os tyrannos e o resulta- do da victoria será. promettem amizade e protecçaÕ a seus ir- maõs. Eu me empenho em que esta promessa seja cum- prida. Debaixo do império de novas leys. Desappareceraõ vos- sas ruinas. Hespanhoes Europeos. sugeito a seus triumphos. que eu commando. Vos mesmos sois interessados na prosperidade da America. Naõ entro no território Peruviano para destruir. Tyrannos. nos evidente depois da batalha de Chacabuco. pela primeira vez. porém as legioens. que a mo- deração éra a guia do victorioso exercito de Chile. que a tem provocado. e os seus habitantes começam a gozar da segurança de sua propriedade. e assegurará a estimação e respeito das outras potências. um Congresso Central dos tres Estados dará a todos estabe- lidade. A uniaõ destes tres Estados inde- pendentes ensinará à Hespanha qual he a sua impotência. e dos fructos de sua libertação. obriga- das a fazer a guerra contra esses tyrannos. e apparecendo sobre a terra na classe das naçoens. O exer- cito Hespanhol foi completamente derrotado. aprendereis os benefícios da existência social. A Hespanha está no esta- . habi- tuados a desfigurar os factos. tem sido obrigados a confessar. Chili ficou um Estado independente. é seraõ suecedidas pela paz e pela abundân- cia. junetos os seus filhos.

125 do de envilecimento. que existe contra vós ha nove annos. O Peru livre vos ofle- rece melhor paiz do que aquelle em que nascestes. Uni- vos pois com nosco. (Assignado) José DE SAN M A R T I N Quartel General. Politica. perdidos no Peru por tantos séculos. a necessidade e importância de promover a Agricultura. e naõ satisfeito ainda o seu Real animo com ter restabelecido a cadeira publica desta Sciencia no Real Jardim Botânico de Madrid. debaixo de seus soberanos auspícios. e o Monarchainhabil para vos ajudar. eu serei feliz. Naõ confirmeis a suspeita. que os preservem. Officio do Secretario de Estado. 18 de Novem- bro 1818- HESPANHA. de Santiago de Chile. e em outras . o Estado carregado de uma enorme divida. houve por bem determinar. Nós respeitamos a propriedade e a religião. a transição será fácil. que tantos e taõ sazonados fructos vai produzindo. Os seus recursos estaõ dilapi- dos. nos vastos dominios da Monarquia Hespanhola. Habitantes do Peru—A vós collectivamente me dirijo. Naõ podendo perder de vista El Rey nosso Senhor. forem restabelecidos. Se vos aproveitais deste momento favorável. em ordem Regia de 31 de Janeiro de 1815. Omundo civilizado tem os olhos sobre vós. por todos os meios possíveis. sobre o ensino da Agri- cultura. e quando a obra se concluir terei satisfeitos os melhores desejos de meu coração. Quando os direitos do gênero humano. unindo-me na formação daquellas instituiçoens.

como se expressa no artigo 29 do regula- mento approvado por S. M. Attendendo El Rey nosso Senhor â utilidade de uni- formar o methodo de ensino da Agricultura. inclusa a de 26 de Novembro de 1818. para o adian- tamento de tam importante Sciencia. S. em beneficio dos seus povos. houve S. Badajoz. Valencia. que se erigissem seis cadeiras do mesmo ensino nas cidades de Burgos. para que intruam os lavradores e proprietários das die- tas Provincias nos bons principios. e entre si as mais inti- mas relaçoens. E como. Sevilha. posteriores. a real ordem se- guinte. por bem resolver. e praticas mais re- commendaveis da Agricultura. foi S. que se recommende a todas as Sociedades do Reyno. conservem com a da Corte um centro de unidade.—Senhor Secretario da Real Sociedade Econômi- ca Matritense. M. a cujo cargo existam cadeiras da indicada sciencia.126 Politica. M. com o adiantamento desta saudável classe de conhecimentos. para chegar ao termo a que aspiram os seus paternaes cuidados. Toledo. M. se naõ publica outra que apresente maiores vantagens. . e Leaõ. Antônio Sandalio de Árias. intitulada Liçoens de Agricultura. para conhecimento do Sereníssimo Senhor Protector desta Sociedade. em quanto. base solida da riqueza publica. e o mérito reco- nhecido por esse corpo patriótico da obra de D. e que ao diante se estabelecerem. e para que ella cuide do cum- primento do resolvido por S. Palácio 26 de Maio de 1819 Marques de Casa- Yrugo. que se tome a dieta obra elementar por texto do ensino. para o regime dellas. directora das outras do Reyno. Por ordem Real o aviso a V. servido communicar pela Primeira Secretaria de Estado e do Despacho á Real Sociedade Econômica de Madrid. seja mui vantajoso que todas as cadeiras e aulas de Agricultura até agora estabele- cidas.

000 reales de velhon (800. conformando-se em tudo com o projecto elevado á sua soberana consideração pela Real Sociedade Econômica de Amigos do paiz desta Corte. que tem dignado tomar em pro- veito dos seus amados vassallos. a que presidio o seu digníssimo e augusto Protector o Sereníssimo Senhor In- fante D. tudo debaixo de certos requisitos e disposiçoens con- teúdas em um regulamento que formou o dicto Real corpo. reconhecido aos benefícios de S. Francisco de Paula Antônio. sobre as cadeiras de Agricultura. e os 8. Politica. e lavra dos terrenos destinados a ensaios agronômicos..000 restantes para as despezas de ensino. aprecie como he devido as sabias medidas. e com a dotação annual de 20. estabelecer seis cadeiras de Agricultura em outras tantas Provincias da Península.000 réis) dos respectivos fundos de Próprios e Arbítrios. mandando S. a preparação e realização das dotaçoens das cadeiras. M. servido mandar. a saber. á sociedade procedesse a chamar e abrir o competente concurso de op- posiçaõ. M. Artigo de Officio. designando 12. na sessaõ de 29 de Maio próximo passado. prevenindo ao Conselho Real o cumprimento da dieta soberana resolução na parte que lhe tocava. Encarregava ao mesmo tempo S. M.000 reales daquella quantia para o Lente. e que se publique além d'isso na Gazeta do Coverno. 127 Inteirado este corpo patriótico. a fim de que chegue á noticia de todos. que. A.. amante e zela- . Apezar dos vivos desejos de S. Na Real ordem de 31 de Janeiro de 1815 foi S. e que o publico. M. se remetesse a todas as Sociedades Economias do Reyno. ordenou o devido e pontual cumprimento desta Soberana resolução.

quiz que a primeira das artes se estu- dasse por principios fundamentaes. a de Leaõ a D. celebrando-se as opposiçoens com a maior brevidade. se fez a proposta conforme o mé- rito dos oppositores. em conferir. M. para que os seus amados vassallos podessem tirar delia a utilidade de que he capaz este afortunado território Hespanhol. e a de Badajoz a D. Badajoz. José Lúcio Perez. E em cumprimento desta terminante resolução procedeo a Sociedade á convocatória por edictos. conveio S. mandar ao Consello Real. e se des- pozesse immediatamente o mais opportuno. nas capitães de Toledo. que animam esta Real Sociedade. tinham com tudo as suas paternaes miras ficado até agora em mero projecto. mas conhecendo novamente de quanta importância seria à naçaõ que quanto antes se realizas- sem os patrióticos sentimentos. M. que se remette- ram e affixaram para esse fim. E posteriormente por ordem Regia do I o . e practicados os exercí- cios de opposiçaõ pela ordem assignalada no regulamento approvado por S. as cinco primeiras cadeiras nestes termos: a de Toledo a D. a de Sevilha a D. designadas por S. Sevilha. de Maio próximo passado se dignou S. a fim de que. em ordem Regia de 26 de Novembro do anno pró- ximo passado.. Páscoa] Asensio. José Alonso Quintanilha.128 Politica. podesse principiar immediatamente o ensino da sciencia mais honorífica e antiga do homem. M. houve por bem S. debaixo da censura da Sociedade Econômica. que sem mais demoras nem pretextos se verificasse a sua soberana vontade neste ponto. Juliaõ de Luna. M. por ordem Regia de 18 de Abril ultimo. e approvada esta. Francisco Martines Robles. conceder em iguaes termos a cadeira de Valencia a D. a de Burgos a D. para estabelecer nellas as menciouadas cadeiras. Burgos. e Valencia. dor dos seus povos. Leaõ. M. . Francisco Gil.

e a le- vantar ciúmes sem fundamento e descontentamento no espirito dos fieis e leaes vassallos de Sua Majestade. que em um des- ses ajunctamentos. R. o Principe de Gales. por meio de fallas sediciosas e traidoras. Proclamaçaõ. Regente do Reyno Unido da Gram Bretanha e Irlanda. para similhantes fins illegaes. R. tem trabalho por trazer ao ódio e desprezo o Go- verno e Constituição estabelecida neste Reyno. em varias partes da Gram Bretanha se tem feito ajunctamentos de grande numero dos vassallos de Sua Majestade. VOL. tentaram constituir e nomear. A. para se assentar em nome delles. Por S. XXIII. e em tanto quanto delles dependia constituíram e nomearam uma pessoa entaõ nomeada. 129 INGLATERRA. R . e particu- larmente a Casa dos Communs do Parlamento. em flagrante violação das leys. a requirimento de pessoas. e exci- citar a desobediência ás leys. Politica. publicado e indus- triosamente circulado muitos escriptos máos e sediciosos. e a insurreição contra a au- thoridade de Sua Majestade. E porquanto se nos tem representado. tendentes a promover os diversos fins sobredictos. N° 134. em nome e a bem de Sua Majestade. e ha razaõ para crer que se estaõ para fazer outros ajunctamentos. E por quanto se tem impresso. Por quanto. e a seu bem na Casa dos Communs do Parla- mento . as quaes ou al- gumas das quaes junctamente com outros. as pessoas ali convocadas. dirigidas ás pessoas convoca- das. Proclamaçaõ contra os afundamentos sediciosos. George P.

. e derribar o Governo tam feliz- mente estabelecido neste Reyno: e que se abstenham de toda a medida inconsistente com a paz e boa ordem da sociedade. por e com o parecer do Conselho Privado de S. E por quanto o bem e felicidade deste Reyno. principaes Magistrados das Cidades. M. e segurar a todos os leaes vassallos de Sua Majestade o inteiro gozo de seus direitos e liber- dades. e com todas as suas forças evitem e desa- nimem todo o procedimento tendente a produzir os máos effeitos acima descriptos. que tam anxiosamente desejemos como preservar a paz e prosperidade publica. expedir esta nossa Real Proclamaçaõ avizando solemnemente a todos os fieis vas- sallos de S. debaixo da Divina Providencia. e atraiçoadas practicas sobrebictas. que em todo o tempo. M. e encarecidamente os exhortamos. villas e . em algumas partes do Reyno. do justo descanço e confiança na integridade e sabedoria do Parlamento. E estrictamente ordenamos a todos os amados vassallos de S. que. que se abstenham da practica de taes exercícios militares como fica dicto. resolvido reprimir as más. M.130 Politica. sediciosas. com as vistas de melhor poderem porem execução os máos pro- pósitos sobredictos. Justi ças de paz. julgamos conveniente em nome e a bem de Sua Majestade. portanto. e porquanto nada ha. que sempre tem pre- valecido no espirito do povo. E porquanto temos outro sim entendido. Tendo. se a- junctam homens clandestina e illegalmente para se exer- citarem e instruírem no emprego militar. que se guardem contra qualquer tentativa para subverter as leys. E encarregamos e ordenamos a todos os Sherifes. e na firme perseverança naquellla affeiçaõ ao Governo e constituição do Reyno. princi- palmente depende. porque do contrario responderão por isso em seu risco.

aos 30 de Jullho de 1819. Tenente Rey do Condado de York. e que façam os seus maiore sesforços para trazerem em justiça todas as pessoas. e 59 do reynado de S. para descubrir e trazer á justiça os authores e impressores dos sobredictos máos e sediciosos escriptos. M. My Lord—Tive á honra de receber a carta de V. demorei responder a V. até que tivesse recebido. mas perigosas aos- mais importantes interesses do Reyno. S. Deus guarde El Rey. passadas aos 13 do corrente em Ses- saõ Geral de trimestre. Politica. transmittindo-me as resoluçoens dos Magis- trados de Cheshire. façam diligente inquirição. de 16 do corrente. que forem ou puderem ser cul- padas de fazer fallas ou arengas sediciosas. S. que. que julguei me poderia dar os meios deformar uma opinião a respeito da importante consideração da tempera e dis- posição do povo daquella grande cidade e extenso districto. que qualquer que seja o seu pretexto se- jam naõ somente contrarias ás leys. Tenente Rey do Condado de Chester. 12 do corrente. 21 de Julho de 1819. Como estava fixo para segunda-feira. Carta do Conde Fitzwilliam. por cujas communicaçoens pe- ço a V. in- . Dada na Corte em Carlton House. cada um dentro das suas respectivas ju- risdicçoens. e a todos os que os circu- larem. ao Conde Stamford. e todas as pes- soas que intervierem em quaesquer motins ou assem- bleas illegaes. que aceite os meus agradecimentos. um ajunc- tamento do povo em Hunslet-moor. perto de Leeds. S. 131 corporaçoens. Wentworth. e a todos os outros Magistrados na Gram Bretanha.

mas a isto se acerescentou. S. muito grande porçaõ éra de mulheres mais do que nos passados. formaçoens do que se passasse naquella oceasiaõ. fundados sobre certos principios abstractos dos direitos dos homens. sem resultar mal a ninguém. machinadoras e perigosas. que compunha esta assemblea. com tudo se me tem dado a entender. penso que posso confiada- mente assegurar a V. E m geral. e da maneira mais or- denada e pacifica. que ainda que se achem neste districto certo numero de characteres ou pessoas mui sediciosas. logo que pudessem achar algum próprio para isso. que asisstio a este ajunctamento. outra resolução (de algum modo inconsistente com o espirito das primeiras. S. no tom mais humilde. O ob- jecto apparente deste ajunctamento naõ differia dos ou- tros. N o fim do negocio dissolveo- -se o ajunctamento. visto que até expressaram a inclinação de fazer petiçoens ao Parlamento. Era este a reforma Parlamentar. e nos meios propostos para obter seus fins. N a õ obstante que parece naõ haver abatimento na grande extençaõ de suas pretenqoens. que recentemente se fizeram no mesmo lugar. estes homens saõ poucos em . Porém. e que do numero presente. que appareceo em suas maneiras um manifesto espirito de humiliaçaõ. naõ excedeo metade do que assistio ao ultimo. que estaõ traba- lhando por imbuir o espirito dos ignorantes com doutrinas destruetivas de tudo quanto he precioso no nosso esta- belicimento constitutional. nesta oceasiaõ. e Parlamentos annuaes. e dispersou-se o povo. sem entrar nas particularidades do que se passou.132 Politica. que produziriam uma completamente nova Casa dos Communs) de mandar um Representante para a presente Casa. he para mim de grande satisfacçaÕ o poder informar a V. sem tumul- to. de que o numero. eleição por escrutínio. por meio do suffragio uni sal.

S. e pelo con- trario. Ao Conde de Stamford. cujo sustento diário depende de seu ganho também diário. está contente com o presente estado das cousas. S. de V. a massa da popu- lação naõ hepor nenhuma forma desaffecta. isso procede em grande gráo de falta de occupaçaõ: elles tem a desgraça de naõ terem emprego: por mais que desejem trabalhar. (Assignado) WENTWORTH FITZWILLIAM. pelo que ouço. Se assistem a taes ajunctamentos. Tenho a honra de ser. Politica. Acho que omitti. na pre- sente estagnação do commercio. estaria anxi- oso por saber a disposição geral de uma grande popu- lação tam contígua a partes de Cheshire. elles soffrem. em que deve estar cada homem. P. que os oradores segunda-feira foram pela maior parte os mesmos das oceasiones pre- cedentes : na verdade saõ uma espécie de oradores itine- rantes. S. muito em seu bom credito. . Tenho-me dilatado. «Sec. mas julguei que V. e estaõ assim reduzidos á cruel penúria. naõ podem achar que fazer. quando lhe falta emprego. My Lord. com paciência e resignação. a qual. «Sec. es- perando melhores tempos. sem character ou influencia. que assistem a quasi todos os diversos ajuncta- mentos. 133 numero. Esta he presentemente a sua dura sorte.

quando anteriormente do nosso algudaõ só éra admittido o de Pernambuco. pagando de direitos dez por cento sobre a avaliação de cinco reales (duzentos reis) por arratel. e o Brazil e Portugal. ( 134 ) COMMERCIO E A R T E S . em beneficio das suas fabricas. M. sobre o commercio do algodão em Hespanha. por uma ordem recente de S. residente em Cadiz. Noticias sobre o commercio entre o Porto de Trieste. he agora permittida indistinctamente a entrada de toda a qualidade de algodão em rama ertrangeiro no Reyno de Hespanha. vemos ter sido o valor da exportação do porto . Lisboa 1 de Julho. que. de Julho. Catholica. El Rey nosso Senhor e o porto de Trieste. ou aquelle que se introduzia debaixo deste nome. Edictal pela Juncta do Commercio em Lisboa. F. de 1810. Lisboa I o . que lhe foi communi- cada pelo Cônsul Portuguez. (Assignado. M. Por um mappa do Commercio entre os Estados de S. A Real Juncta do Commercio Agricultura Fabrias e Navegação manda participar ao publico. no anno de 1818.) J O S É A C C U R S I O DAS N E V E S .

4 para o Rio de Janeiro. sendo o balanço a favor do commercio Portuguez de956. ou 76:248. e 966 taboas de pinho. 1 vo- lume de missanga. ou 862:121. de palhetas. 31 fardos de seda em rama. 5 de lentilhas.605 cruzados. . nem tam pouco na exportação) a saber. 20 volumes de contaria.896 de milho. 3 bar. d'enxofre. 659 de feijam branco. trouxeram 5. 4 bar. 135 de Trieste para os dos estados Portuguezes de 1:198.640 cruzados.—Os navios. 47 caixotes de espelhos. 54 volumes-de drogas. talvez sejam relojos). Os 2 navios para o Porto conduziram 503 moios de milho. importando tudo em 190. ou 382:536:000 réis Fez-se a importação de Trieste em 50 navios de di- versas Naçoens (nenhum Portuguez. 532 caix. 93 caixotes de aço em barra.000 reis. que vieram para Lisboa. 7. 9. 8 barris de cremor tartaro.135 cruzados. e 10 cepos de páo magno. 235 de fava.963 cruzados. O que tudo importou em 925. Os 4 navios para Rio de Janeiro levaram 956 moios de trigo. 219 de hervadoce. 42 para Lisboa. ou 370:054.000 reis. 60 almudes de azeite. 63 caixotes de lençarias.200 réis. 1 barril de navalhas de barba. Commercio e Artes. 1 caixote de rosolio (julgamosequivocaçaõ. 32 de graõ de bico. 9 bar. 3 volumes de bonitos para crianças.340 cruzados. de birimbáos. ou 7:042. 1 para Pernambuco. 265 caixotes de aço em barra. 21 caixas de fundos para guitarras. 100 caixotes de papel de escrever. importando em 17. 248 de senteio.—0 navio para Pernambuco levou 9 vol. 97 sacas de cominhos.303 cruza- dos.200 reis. 2 para o Porto.lcaix. ou 479:585. 1 piano forte. e a importação dos por- tos de Reyno-Unido para o de Trieste 2:1*5. e 1 para a Madeira. de contaria. 833 de sevada. 20 volumes de misanga. 126 quintaes de arroz.048 moios de trigo.492 almudes de azeite. de navalhas de barba. de fezes de vinho. 2 barris de cremor tar- taro. 94 volumes de contaria.000 réis.

29 caix. 54 caixas de assucar branco. tudo no valor de 13.282 atanados. 1 caix. e 139 caix. de sabaõ. 401 caixotes de velas de cebo. 240 fardos d'algodaõ da índia. que sahiram. de madreperola.075 volumes de café.136 Commercio e Artes. de çapatos de mulher. 3 caix. 51 caíx.064 cruzados. 30 quintaes de cobre velho. 3 da Bahia. importando tudo 52. importando 79:417 cruzados ou 31:765. O navio que foi â Ma- deira levou 198 moios de trigo.200 réis. Fazendo iodas as sommas para os re- ferridos 5 portos o total de 1:198. de garafas e copos. e 251 caixas mascavado. 1 do Porto. d'algodão do Brazil.530 cruzados. 59 caix. d'enxofre.073 cruzados.108 caixas e 3 feixos de assucar branco. 2. 3 fardos de salsa parrilha. ou 332:825. 5.963 cruzados. 10 caix. a saber. 2 caixotes com vinhos Por- . 20 caix. de lençaria.171 caixas e 410 feixos de as- sucar branco.412. de gomma arábia. 260 sac.416 sacas de cacáo.—O na- vio que sahio do Porto levou. de gomma elástica. e 413 milheiros de" coquilhos. 13 caix. 11 de Lisboa. de macarrão. 18 couros em cabello. e 1 Pernam- buco.200 reis.000 chifres. de chá. 150 quintaes de arroz. e 5 barris de passas. A exportação dos nossos portos para Trieste fez-se em 23 navios. e 2. 2 barris de cravo da índia.600 réis.000. e 155 caixas mas- cavado. 120 caix. 55 caix.—Os 7 navios sahidos do Rio- de-Janeiro exportaram 1. acima dictos. 200 arrobas de raspas de cou- ros.029 vaquetas. de pedras de afiar. 279 sacas de algodão. 217 barris de sardi- nhas. 7 do Rio-de-Janeiro. tudo na impor- tância de 332. 37 fardos de canella do mato. 8 caixotes de vi- nhos. 595 afana- dos. de gomma de mirra. 30 sac. 144 caix. de gen- gibre. 259 sacas de pimenta. e 16 mascavado. 3 sac. ou 20:829.—Os 11 navios sahidos de Lisboa levaram 1. 1. 2. 214 sac. ou 479:585. 2.292 volumes de café.800 réis. ou 5.738 vaquetas. de aço. de te- cidos de seda. 1.

345 cruzados. somma incomparavelmente pequena â vista da immensa porçaõ de fazendas (graõ pela maior parte) trazidas por 44 navios. tudo no valor de 324.303 cruzados. ou 129:786. ou 3Q2. . quando só 12 sahiram dos portos de Portugal com carga: mas isto he naõ atten- dendo a que os mais dos gêneros exportados de Lisboa e Porto saõ de producto do Brazil. Por este mappa se vê que este commercio foi a favor do Brazil de um milhaõ pouco mais ou menos. Commercio c Artes. tudo importando em 74. e 134 mascavado.000 chifres . XXIII.121. e 194 arrobas de páo amarello.600 réis.—O navio que sahio de Per- nambuco levou 170 caixas e 7 feixes de assucar branco e 28 caixas mascavado. 137 tuguezes. 1.—O que tudo faz a somma exportada de 2:155.012 cruzados. Os 3 navios que sahiram da Bahia conduziram 738 caixas e 32 feixes de assucar branco. VOL. e 3. N°. e 340 arrobas de páo amarello. e que relativamente a Portugal (Lisboa e Porto) foi de prejuízo 12.200 reis. ou 338:138. ou 29:504:800 reis.465 cru- zados.895 couros em cabello.000 reis. 135.503. na importância de 945.000 réis.

Qualidade. Al-rodam . de cavallo Ipecacuanha Brazil. por l b . . 36 5 Lisboa Porto 53 54 í Cadiz Gibraltar . Hida 30s. por 100. por 100 lb. Pará 2s. 25s P e z o s . Câmbios com as seguintes praças. . -Bahia por lb. i 4 8 3. Ouro em barra £3 17 l O i Brazil. . salgados Rio Grande.. 71. l l f p . -. J Batido Mascavado . . Tapioca Brazil. i Redondo . ls.. Prata em barra 0 5 2 Rio da Prata 40s. Preços.. 20s Dobroens Hespa. 25 de Agosto. Rio Grande SB navio Portuguez ou «C Inglez. 20s nhoes por Madeira 20s. 7p. por 1121b. I Pará ^Pernambuco Annil . 25s. Salsa Parrilha. Cebo Rio da Prata tíip. l oomparador livre por Tabaco -* exportação I em folha. 428. por couro em . LONDRES. Bengala 150» 62s. Vinda 35s Peças de 6400 reis 3 17 1 0 | Lisboa 20s. Gêneros. Brazil. Cacao i Pará Caffe Rio 2p.jls f Capitania 1 Ceará 8s. Chifres Rio Grande Rio da Prata. Ourocu >•• 3s. Rio de Janeiro 58 Hambtugo . Direitos. Assucar . de 1819. Açores 25s. •< Maranham . ) direitos pagos pelo Pao Brazil . ( 13S ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. direitos pagos pelos C em rolo. . 10p. a 35a. . .. ' Livre de direitos por Arroz Brazil exportaçam. 6Jd. em navio Portuguez 1 Minas novas ou Inglez. por lb. Pernambuco. 3fiJ 32 Paris 25 30 Gênova 26 50 Amsterdam 12 Malta 48 Espécie Seguros. pilha < B -A 6Jp. Óleo de cupaiba. dictos 6 5 0 onça. . . 4p.Ri» 4 | p . Porto 20s. ls. . Pau Amarello. Pernambuco $ comprador.

Historia das viagens emprehendidas para descu- brir a passagem á índia pelo Nordeste. Presidente da Sociedade Geológica. em uma série de En- saios. Por G. 8T°. preço 9s. as differentes moléstias em que se indica util- mente. Sócio da Sociedade Real e Linneana. Greenough. preço 12í. Mapleson on cupping. S. Por . em que se traça a historia desta operação. e das primeiras descubertas dos Russos. F. Tractado sobre a arte de lan- çar ventosas sarjadas. R. 6d. preço 2s. ( 139 ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. e o methodo mais approvado de o executar. Dis- curso de um Italiano a respeito das cousas de Itália no Congresso de Aix-la-Chapelle. GreenougWs Geology. 8T°. Exame critico dos primeiros principios de Geologia. Bnrney^s North Eastern Passage to índia. Orazione di un Italiano sopra VItália. B. Pelo Capitão James Burne.

para cura dos pensionistas cegos. afflictos por varias moléstias dos olhos. descrevendo os casos de todos os pensionistas. Por um Agricultor Practico. exemplificando as imperfeiçoens das provas por indícios ? e registrando exemplos singulares de soffrimentos humanos voluntários. Sarjador de S. Seis curiosas narra- tivas authenticas. o Principe Re- gente. 6d. A isto se ajuncta o Primeiro Relatório Medico Annual. em que se fazem familiares ao cultivador experimentado a theoria e doutrina de Sir Humphry Davy e outros Chimicos agricultores. illustrativas da tendência para a creduli- dade e fanatismo. com a descripçaÕ do estado morboso dos olhos. durante o anno passado. e combinado com os principios fundamentaes da Agricultura. A. 8V0. Treatise on soils and manures. foram tractados e despe- didos da Instituição. Por Joaõ Cecil. R. Tractado sobre os methodos mais approvados de restabelecer a vista. transmittido officialmente à Secretaria de Guerra. preço 6s. Tractado sobre os terrenos e estrumes. Com uma gravura para illustrar a matéria.140 Literatura e Sciencias. CeciPs sixty narratives. formando uma pupila artificial. e occurrencias in- teressantes. fundada pelo Governo. . Adams on restoring vision. 8T0. preço. fundado em actual expe- riência. 1 vol. e anecdotas relativas a characteres ex- traordinários . a que esta practica he ap- plicavel. que. Thomas Mapleson. Esc. ls.

Historia dos Bri- tannos. averiguados por docu- mentos nacionaes. com as suas posiçoens longitudinaes correctas. 8T0. comprehendendo uma conta das estaçoens. bahias. Historia Brittonum. 6d. Svo. 141 Por Sir Guilherme Adams. publicada no século décimo por Marco o Eremita. Por Eduardo Bold. preço l&y. «Sec. e ilhas adja- centes a costa de Oeste de África. Pelo Reverendo W. preço 18Í. Guia dos mercadores e marinheiros Africanos : contendo uma de- scripçaÕ exacta das costas. que se adoptam na Costa do Ouro. prço. Pelo Reverendo Eduardo Davies. Literatura e Sciencias. Baldas African Guide. 7*. illustrados pelos mais emi- nentes antiquarios do nosso século. e principaes portos de Sotavento. commummente attribuida aNehnio. na sobredicta Instituição. Cirurgião de Ophthalmia. Gunn. 8V0. . ventos e correntes peculiares a cada paiz: ao que se ajuncta uma minuta explicação dos vários sys- temas de trafico. edictade um manuscripto ultimamente descuberto na Livraria do Pa- lácio Vaticano. com a versaõ Ingleza. Davies Britisk Druids. e comparados com as tradiçoens geraes e custumes do gentilismo. e notas ori- ginaes e illustraçoens. A mithologia e ritos dos Druidas Britannicos. em Roma. enseadas.

Saio á luz: Breves Instrucçoens sobre os Partos. Lis- boa 1819: a favor das parteiras das provincias. e a realaçaõ dos progressos da instituição Vaccinica. Lisboa 2 de Julho.—sobre aclutura . Viagens do Capitão Dampier. Academia Real das Sciencias em Lisboa. composta e offerecida a El Rey nosso Senhor. Grammatica Philosophica da Linguagem Portugueza.442 [142] Literatura e Sciencias. Lisboa 1819 8T0. &c. PORTUGAL. O Illustrissimo e Excellentis- simo Marquez de Borba. com uma relação dos Buccaneiros ou Piratas da America. grande: preço 360 reis. a que se seguio outro do Secre- tario. abrio a sessão com um breve discurso. Obra traduzida do Francez. e meios de os remediar. Seguio-se a leitura das seguintes memórias: sobre os defeitos mais communs das nossas balanças. por Joaõ Cbrisostomo do Couto Mello. Laulin. dando conta dos trabalhos Acadêmicos no anno decorrido. a que assistio nm grande numero de espectadores. No dia 24 de Juuho celebrou a Academia Real das Sciencias uma sessaõ publica. por Constantino Botelho de Lacerda. Vice-Presidente. por Joaquim Xavier da Silva. preço 800 reis. feitas por ordem do Ministério (de França) por Mr. Doutor em Medecina.

por Marino Miguel Franzini. Tomo 6. de Rodrigo Fereira da Costa: e terminou a Sessaõ com o Elogio do defuncto sócio Antônio Caetano do Amaral.. Outra Memória que também veio a concurso sobre uma nova forma de Lambiques. Entre as memórias que vieram este anno a concurso ao programma extraordinário Sobre as Desynterias Chroni- cas. Blas Martinez. sobre o modello remettido â Academia: logo porém que se remova esta difliculdade annunciarrse ha ao publico.—Memória sobre a cultura das Oliveiras em Portugal. 143 das Batatas. 1 vol. corregida pelo author. foi. em 4*»*. segunda ediçaõ. duas mercêram o accesit. e acháram-se ser.de Ignacio Antônio da Fonseca Benevides. sócio livre da Academia: ficou por tanto prorogado ainda o mesmo para 1822. uma de D. por Eustaquio Joaquim de Azevedo Franco —resumo das observaçoens Metereologicas feitas em Lisboa em 1617. e que pareceo fun- dada nos melhores principios da arte da Distillaçaõ. Publicou-se o programa para 1821. por Joaõ An- tônio Dalla-Bella. 1 vol. por Se- bastião Francisco de Mendo Trigoso. corregida e annotada por Sebastião Francisco de Mendo Trigoso. por Francisco Villella Barbosa.—Elementos de Geometria. naõ 6e lheconferrio o prêmio que julga meiecer. por naõ se te terem podido executar as experiências necessárias. por Fraucisco de Mello Franco. em 8V0.—Intro- ducçaõ e Plano do novo tractado de musica. sendo coroada. Vice-Secretario da Academia. segunda ediçaõ accrecentada pelo author.—Elementos de Hy- giene. segunda edi- çaõ. . Parte I a . e a outra. Medico em Pampolona. Literatura e Sciencias. Publicáram-se uo decurso deste anno as obras se- guintes: Historia e Memórias da Academia Real das Sciencias.

358. tanto na paz como na guerra. e este convo- cava os Arimans ou homens livres." Desta forma os queixosos. no cap. o chamamento para as funçoens civis de magistratura admini- strativa ou judicial. e darem sua sentença. o Rey presidia á naçaõ inteira. que pediam algum pro- cesso de justiça. o Conde a uma de suas grandes divisoens.144 Literatura e Scientias. (Continuada de p. para deliberarem sobre a decisão. " Sendo o dever dos homens livres servir a causa publica. por Meyer. <S-c. a menos que naõ tivesse uma excusa valida : e o que naõ obedecia éra condemna- do a uma muleta. e começa assim a p. e nos usos da idade media. ea multiplicidade des- . A convocação para o exercito se chamava heribanum . 42. em que tracta a forma dos plaids ou placita minora . assim no exercito como nas as- sembleas. e o Vigário ou Centuriaõ a uma fracçaõ menor. no nosso N°. naõ bastava m para a decisão de todas as causas. nas leys dos povos Germanos. O melhoramento da civilização. Esprit des Institutions Judiciaires de VEurope. de maneira. o serviço militar éra por tal forma ligado com o da justiça. e pelas mesmas formas com que se fazia a guerra. e o augmento da propriedade multipli- caram as causas judiciaes. seguillo-hemos agora. e as epochas fixas em que seajunetavam as assembleas.. Ninguém se po- dia dispensar de obedecer a esta convocação. passado. que o emprego de as julgar se fez mui pezado aos Arimans.) Deixamos o A. appareciam ante o Conde. se denominava maltum. 10 mo . que a justiça éra administrada pelas mesmas pessoas. examinando as differentes epochas do systema judicial entre os Ger- manos..

A ley Salica. que em vários monumentos do século 14 achou. e o primeiro passo. para alleviar os Arimans deste trabalho de decidir as causas. 135. para que os Condes administrassem bem a jus- ça. o que se acha ordenado na ley Lombarda de Carlos Magno art. Foi logo necessário remediar este inconveni- ente. que se deviam fazer ajunc- tando as assembleas em tres epochas determinadas. foi reduzir a sette o numero de Arimans. no Frioul. N«. necessários para decidir qualquer causa contenciosa. além dos sette por obrigação.. em que o numero de tres sò mostra qual éra o menos necessário para fazer o acto legal. impedia o cuidar nos negócios politicos e admini- strativos. de pedir aos que se achavam pre- sentes aos processos a sua opinião sobre a disposição das leys. offerece ja um exemplo deste custume. e outras. assim como para que todos fossem obri- gados a estar pela decisão. podendo todos os mais homens livres assistir ao processo. XXIII. que se ajunetavam. VOL. que eram também da competência destas as- sembleas. no caso de que se tractava. subsistia entaõ o custume. 69. reduzio os plaids a tres por anno. para que o acto fosse legal. e os demais fossem izentos de pagar muleta. Literatura e Sciencias. Parece que o numero sette. de se- rem as causas sentenciadas por todos os homens livres. aqui prescripto. mas que havendo sette presentes bastava. Agora. a pezar da prohibiçaõ do Papa Urbana V. que. O mesmo diz o A. que se deo para o atalhar. naõ éra exclusivo. custume este que só se podia originar no regulamento de que tractamos. 145 tas. a mais antiga das Germânicas. eram elles ao principio nomeados pelo mesmo povo. A segunda providencia. a respeito dos casos de jurisdicçaõ voluntária. Itália e outros lugares. e a tres os que se requeriam para os actos de jurisdicçaõ voluntária. Diz o nosso A. x .

que assistiam a estas julgaçoens. além da perca de seu tempo. Elles eram responsáveis pela j u s - tiça da decisão . que os Rachimbourgos. que por sua magnitude eram decididas nas assembleas geraes da na- çaõ. que sem duvida eram os tribunaes aonde de ordinário de decidiam as causas de maior importância. que o condemnado disputasse a justiça da sentença. desafiando o juiz para um duello. e quando ao depois a nomeação se fez pelos Imperadores. a ley Salica diz. Os homens livres. para fixar com precisão a sua marcha. estes mandavam ás provincias Corregedores (Missi Do- minici) a examinar o modo p o r q u e os condes administra- vam a justiça.146 Literatura e Sciencias. é so em raros ex- emplos se acha que elles participaram das muletas. eram tractados da mesma forma que os civis. que naõ sentenciassem segundo a mes- ma ley. Os homens livres. suíficiente numero de monumentos. Alem disto o Conde tinha interesse em naõ demorar a decisão das causas. em quanto os Imperadores se reservaram o poder de lhes tirar o lu- gar. se extende na descripçaÕ das for- malidades dos placita minora. Todas as penas se reduziam a muletas. porque lhe pertencia parte da muleta ao que naõ obedecia.que assistiam ájulgaçaõ das causas. Os processos criminaes diz o A. 4. N o capitulo 11 o A. estavam ainda sugeitos a outros incommodos. e he bem sabido que o uso daquelle tempo permittia. Alem disto ficavam expostos ao ódio daquelles. pôde dizer-se que naõ eram sugeitas a regras. o que naõ éra pequeno freio. porem. para o caso em que o Conde naõ fosse prompto na admi- nistração da justiça. das quaes uma parte éra destinadaa indemnizar . como se vê da ley Salica titulo 53. e demais havia castigos. A decisão das causas. naõ tinham emolumento. seriam condemnados â muleta de quinze soldos. ao me- nos naõ achou o A. contra quem davam as sentenças. art. ou homens livres.

que vamos a examinar por menor. em certo dia fixo pelo Conde. outras eram somente confuratores . ou testemunhas produzidas para affirmar em geral a innoeeneia do ac- cusado. livres. adul- tos. ordenava ás par- tes e ao publico. que guardassem silencio. Literatura e Sciencias. homens.as duas diver- sas espécies de testemunhas. " O que queria demandar em juizo outra pessoa. para que comparece nos plaids. menores. No primeiro caso admittlam-se para teste- munhas todas todas as pessoas. 147 o lesado. e lhes re- queria que dicessem direito as partes. O Conde presidia á sessaõ . mas notaremos uma distincçaÕ importante. e o mesmo Conde dirigia todo o processo. Quando o reo tinha dado suas razoens. o author se dirigia aos homens livres. e allegava sua defeza: se naò obedecia. considera como essencial na forma destes processo : isto he.. e explicava a causa de sua demanda : o réo citado apparecia. e parte para o queixoso. escravos. com respeito á justiça. éra citado de novo até tres vezes. que assistiam aos plaids. No segundo caso. na assemblea geral da naçaõ: vinha isto a ser uma deliberação de guerra contra o ini- migo condemnado.* os juizes proferiam en- taõ sua sentença." Naõ he do nosso objecto seguir o A. As leys e os monumentos provam igualmente esta marcha. a p. a descreve assim. só podia ser imposta pelo Rey. A pena de morte natural ou civil. que tal testemunha mere- cia. tomando em considera- ção somente o gráo de credito. com augmento de muleta por cada vez . porém. Como o primeiro passo para o processo he a citação da parte. que se produziam. Umas eram chamadas a provar ou negar algum facto controver- tido. em quanto se exami- nava a causa. e o resto pertencia a El Rey ou ao Conde. que o A. &c. o testemunho só podia . 472. mulheres. a citava em presença de testemunhas. como ja se observou. em todas as par- ticularidades desta parte do processo. e esta muleta éra parte para o Conde. o A.

que o Conde ou Magistrado. 12°. ou de o denunciar se fosse culpado. até que ponto saõ ellas legaes. que se tem produzido. que os Condes e Vigários saibam as leys. a pezar desta regra. ut ante eos infuste neminem quis fudiciare aut possit legem mutare. A ley dos Bávaros diz expressamente. se ordena. tracta da sentença. e como para esta seja ne- cessária a consideração do facto. para decidir. se limitasse unicamente a pedir a de- cisão dos homens livres. ou que julgassem contra a ley. e ajunctando os seus votos pronunciar o resultado. que isto assim éra. e da mesma nação ou condado. decide que éra a mesma que actualmente tem os Juizes na Inglaterra. O A. quando a negativa de ad- ministrar justiça ou excesso de poder nos Condes. art 3.148 Literatura e Sciencias. titulo 59. que estas leys impunham penas contra os Racinburgos. em que o A.). e . quod ei a Racimburgiis fuerit fudicatum. que pre- sidia ao processo. I. Com esta breve explicação pasaremos ao cap. se li- mita ao que respeita á convoçaõ destes placitos. art. em cujo favor dava a sua deposição.Que o nome destes actos de judicatura saõ sempre fudicium bonorum virorum. quer o nosso A. capitular de 803. que éra somente quem tinha interesse em vigiar o comporta- mento e direitos. pois no 3 o . e o nosso A. e 3 a . quando nos processos fazem o que se chama Chargé to the jury. Commarchanus esse debet. o Conde pede aos Ari- mans a sua decisão: 2a. que naõ quizessem julgar. Até que ponto chegava esta influ- encia naõ he bem claro. e depois a applicaçaõ da ley. em que o Conde. isto he uma recapitulaçaõ ao jurado das provas. ou exe- cução da sentença. Tres razoens aponta o A. porém convém. ser de homem livre. Rachimburgos ou Arimans. tinha influencia na sentença. I a . (Ley Salica. o que também éra da sua compe- tência. que em todas as formulas.

o Conde explicava aos juizes como se deviam portar. Se assim he. e que o Conde naõ pudesse nisso mudar cousa alguma. que elles fossem os responsáveis. posto que os Arimanos fossem os verdadeiros juizes. e dando os juizes a sua decisão. que só delles dependesse a decisão. para lhes dar mais authoridade e respeito. e que dahi vem a formula sub~ terscribentes corroboraverunt. Isto feito. de a deffender. que quando a sentença se la- vrava por escripto. e qual he a intelligencia da ley no caso de que se tracta. mas sim o direito a que estava sugeito o indivíduo: assim. a p. segundo a decisão dos juizes. 149 admissíveis em direito. 387. o qual a mandava pôr em exe- cução. naõ podia o Conde. a que chamavam prejudicial. que devia reger a decisão. antes de entrar na causa. mudar-lhe cousa alguma. que todos os assignantes tinham. ou manu firmaverunt. pela qual se averiguava. éra preciso concordar no direito. éra do seu dever somente pronunciar a sentença. porém se as partes naõ concordavam nisto. faziam o que hoje fazem os jurados entre os Inglezes. para fazer que as sentenças fossem mais obrigatórias. Literatura e Sciencias. assignavam nella todos os que eram da opinião do Conde. pois temos visto que o território naõ éra o contemplado. Parece que as partes concordavam entre si isto primeira- mente. e os juizes de entaõ. E com tudo. A pezar desta similhança entre a jurisdicçaõ dos Con- . decide o jurado como lhe parece. e que he provável que esta assig- natura implicava a obrigação. que nella naõ tinha tido parte. naõ entrava nellas senaõ o nome do Conde. Antes desta decisão final havia outra. os Condes tinham o officio dos Juizes actuaes da Inglaterra. isto feito. dahi pediam aos juizes que decidisssem segundo tal ou tal direito. Diz porém o A. por que direito havia a causa de ser sentenciada.

sentenciar á morte. nem se jul- gavam obrigados a defendêlla. e com effeito. o Conde ouvia de novo os Rachimbourgos. em . o Conde. mas naquelles juizes Germanos naõ só se naõ requeria a unanimidade. declarando-se a paz e a guerra só em nome do Rey. confiscando os bens do condemnado. como eram outros Condes. mas por of- ficiaes seus. nos actuaes jurados In- glezes requer-se a unanimidade. mas os que eram de voto differente nem assignavam a sentença. deputados para este fim. o modo da execução das sentenças. &c. Bispos. ou tomando outras quaesquer medidas necessárias para a mesma exe- cução da sentença. que havia excepçoens em vários paizes: por exemplo os Bourgignons. o que naõ éra um effeito necesssario ao principio. que elle cobrava dos condemnados. mas sim do Governo feudal. e fazendo-se. comtudo o A. ou decidir causas de grandes personagens. como ja vimos. nem também. E posto que esta fosse a regra geral. do con- trario logo que a parte o requeria procedia o Conde á ex- ecução. porém. como depois veremos . convém. assim naõ podia fora de delle fazer execuçoens. assim como naõ po- dia conhecer de causas de fora de seu condado. o qual éra sempre o mais interessado em sua execução. assim no Condado a execução das sentenças dadas pelos Arimanos éra feita unicamente em nome do Conde. explica o A. pelas muletas. naõ deduz esta daquella instituição. e os juizes daquelle tempo com o actual jurado da Inglaterra. Assim como o Rey éra o orgaõ da na- çaõ. aonde o Rey man- dava fazer as execcuçoeus naõ pelos Condes. Se na execução da sentença se levantava alguma du- vida. posto que ella fosse resolvida pela naçaõ. No capitulo 13°. em geral todos os actos executivos em nome somente do Rey. chamados Pueri Regis. o A. Na regra geral. des com os Juizes Inglezes.150 Literatura e Sciencias.

posto que o . Parece que foi Carlos Magno. que tanto fez pelo bem de seus subditos. de quem dependiam. pelo silencio das leys nesse ponto. na introducçaõ dos juizes chamados Scabina. e estes ho- mens se denominaram Scabina. a quem os Imperadores e Reys cometteram o que nós chamamos o direito de baraço e cu- tello . Havia porém Condes. considera o A. Escabini. para vexar uns. Serviam-se pois os Condes deste poder de nomear Arimanos. todas as vezes que fossem chamados. ja pela freqüência de certos crimes. 151 todos estes casos devia o Conde recorrer ao Impera- dor. já naõ ha- via este motivo de contemplação dos Condes para com os homens ricos. em ser obrigados a assistir a estes placita. e com tudo a escolha desses sette conjectura o A. Escapini ou Ju- dices. No capitulo 13. e extorquir dinheiro por esta forma. O in- conveniente. e se prohibio aos Condes obrigar outros alguns a que assistissem aos placita. Em quanto os Condes eram nomeados pelos povos. pelo menos naÕ se acha tal cousa antes de seu tempo. dimi- nuio pelo expediente de reduzir o numero necesssario a sette. a terceira epocha judi- cial. quem creou esta instituição. dispensar outros. Literatura e Sciencias. que soffriam os Rachimbourgos ou Arima- nos. que seria feita a arbi- trio dos Condes. Vigários ou Centuriroens: e por tanto podiam sempre vexar com essas nomeaçoens os homens livres que quizessem. mas quando a nomeação dos Condes proveio dos Imperadores e Reys. como éra o de ladroens de estrada. he claro que poupariam quanto pudessem o trabalho a seus eleitores. Para fazer cessar estas queixas creáram os Imperadores uma classe de homens livres. ja pela distan- cia dos condados. ja por contemplaçoens individuaes. obrigados a assistir aos pla- cita.

naõ possa fixar precisamente a epocha de seu estabelicimento. E com tudo. nosso A. um tajon ou official de justiça. e nomeia seis juizes Romanos. mas nem por isso eram os outros excluídos. e achar al- gumas pessoas de sua naçaõ entre os que serviam de juizes. 403 nestes termos. que quizessem. mas somente o dos juizes. e em fim muitos outros cujos nomes se naõ indicam/' . estavam seguros de serem julgados seguudo as leys do paiz. foi por tanto neces- sário attender á população do condado ou da centúria. como erradamente suppôem Ber- nardi. todos os que moravam no recinto do Condado ou do Centenário. Esta alteração na forma do processo trouxe com sigo outra mui importante nas leys da julgaçaÕ. como lhe chamam os Francezes. po- diam apresentar-se difficuldades para dizer direito a cada parte. que devia assistir aos pro- cessos éra também sette. e Rachibubourgos tanto Godos como Romanos e Salicos. e ás leys que seguiam pessoalmente os individuos. e que os outros Arimanos tinham a faculdade de se ausentar. no Bispado de Carcassonne. mas desde que a obrigação de assitir aos placita se limitou só aos Scabini. no anno 918. para poder julgar segundo todas as leys. como o prova A.que antigamente exercitavam os Arimanos. adoptadas por uma parte destes habitantes : assim um Placito de Auxonne. o lugar dos Condes. O numero destes Scabini. que pedia para ser julgado. as leys que prohibem aos Condes o chamar aos placitos outros homens. ex- põem a p. por muitos monumentos. que o A. quatro Godos. e oito Salicos além de 16 pessoas sem designação. segundo a ley. mas nunca elles tomavam. naõ prohibia que assistissem os Arimans. e que por conseqüência ali appareciam raramente. ou Echeoin. faz men- çaõ expressa demitirei echevins.152 Literatura e Sciencias. que naÕ fossem estes Scabina. " Em quanto todo o povo era chamado aos placita. e nomear um numero suficiente de Scabini.

para commetter os abusos mais horrorosos. que se observam nos differentes po- vos oriundos das naçoens Germânicas. Mas desta instituição resultou o tribunal secreto chamado Vehmico. e estabelecidos em varias partes da Europa. que esta mixtura de juizes devia trazer grande alteração na maneira de processa e julgar as cau- sas. XXIII. O A. pelo testemunho do mesmo Táci- to. e vassallos. N° 135. que ha- via sobre os servos ou escravos. aonde tracta do processo. TT . 17. e algumas vezes nomeava o Conde um destes Echevins para fazer suas vezes. 153 Daqui se vê. Os escravos entre os Germanos gozavam de mais suave condição do que entre os Romanos. que se estabeleceo depois a Inquisi- ção ou Tribunal chamado do Sancto Officio. chegando a fazer-se formidável até aos mesmos Imperadores. e que foi por longo tempo o terror da Alemanha. No Cap. que tinham os Romanos: os VOL. o qual chamava os Scabini próprios & qualidade dos demandantes. sentença e ex- ecução perante os Scabini. o A. con- tinuou sem alteração. 16. que nellas naõ tinha voto. passa no Cap. e entra na explicação de muitas excepçoens. e he isto que o A. como seu delegado. e valendo-se deste segredo. Foi em imi- tação deste tribunal. pre- sidindo ao Placito. faz algumas observaçoens geraes sobre o estado dajustiça nesta epocha. A forma do processo. se propõem mostrar no Capitulo 15. A execução destas sentenças éra sempre feita pelo Conde. presedido pelo Arcebispo de Colônia. aonde o segredo fazia a prin- cipal parte de seu poder. porque estes juizes se approximariam nas opinioens uns aos outros. Literatura e Sciencias. contra os herejes. a mostrar a jurisdicçaõ. no que dependia do Conde. naõ podendo os senhores exercitar para com elles o direito de vida e de morte.

que a justiça divina se manifestaria tam claramente a favor del- les como dos homens livres: mas os escravos naõ podiam pedir o combate judicial. sem que a parte livre per- desse sua liberdade. Os antrustions e vassallos naõ eram perfeitamente li- vres.154 Literrtura e Sciencias. entre outros privilégios era o de poderem casar o escravo com a mulher livre. porque senaõ podia duvidar. e como a cau- sa de um escravo nunca podia interessar toda a naçaõ. que naõ estavam sugeitos ao serviço de um chefe . o que naõ accontecia com os escravos communs. nos ho- mens livre? do Condado. em maior exten- çaõ do que o pecúlio dos escravos Romauos. Nisto differiam os antrustions . ou assemblea do Condado. supprimio o titulo 75. Os escravos seguiam a ley de seus senhores. porem esta relação entre o vassallo e o senhor mudou ao depois a natureza. porque se julgava perigoso conceder aos escravos o exercicio das armas. e se- ria sempre decidida no placita minora. e por isso. escravos dos Germanos adquiriam bens. mas estes os podiam abandonar. he claro que nunca seria levada ao placita maiora. ou o homem livre com a escrava. Os escravos dos reys gozavam ainda de mais privilé- gios que os outros escravos. pelo nome defiscalina. porém a sua sugeiçaõ éra voluntária. Também se lhes naõ concedia purgarem-se pelos jura- mentos dos conjurados. e saõ conhecidos na idade media. porque para com elles naõ existia a razaõ de admittir esta prova negativa. a que o escravo fosse condemnado. Os escravos eram admittidos a purgar-se pelas provas e juizo de Deus. e nos primei- ros tempos conservaram os mesmos direitos dos cidadãos. que tracta dos antrus- tions. quando Carlos Magno reformou a ley Salica. quando naõ quizessem pagar a muleta.

Esta revolução teve grande influencia na ordem judicial. para se unirem aos de seu senhor. O Senhor. e foi por tanto necessário buscar outros meios de decidir as questoens judiciaes entre elles.que quasi naõ havia homens livres. e servio a isto de pretexto a regra de que o Senhor éra responsável pelas acçoens de seus es- cravos e vassallos. nem se queriam sugeitar ao juizo destes. Com effeito. logo que elles começaram a separ- rar-se dos interesses da sociedade geral. e sentença pelos pares do reo. ficaram sem applicaçaõ todas as leys antigas. As antigas assembleas geraes ou parciaes da naçaõ deixaram de existir. e que o feudalismo se estabeleeeo firma- mente. por isso que faziam parte da cidade ou socie- dade civil. mudou assim in- teiramente de face a ordem judicial. cessando de ser Ari- mans naõ se podiam purgar pelo juramento dos conjura- tores. porque só o senhor fazia parte delia. a tractar no Cap. que eram destinadas a homens livres. e do clero. ja naõ podiam ter assento nos Placita. que dellas pudessem ser membros. que he a do feudalismo. de quem se haviam feito dependentes. . Quanto aos vassallos. da quarta epocha da ordem judicial. e substituio-se em seu lu- gar assembleas compostas de altos Baroens. que naõ participavam da sociedade senaõ ime- diatamente. e como a vassallagem se fez tam ge- ral . Reduzidos todos os homens a uma espécie de escravi- dão chamada vassallagem. 130 dos escravos: porque aquelles eram admittidos a todas as provas . assumio o direito de sentenciar suas causas. tomou a vassallagem mais characteres da escra- vidão : e os vassallos formaram uma classe particular de habitantes. Isto leva o A. Quando os antrustions ou vassallos cessaram de ser Arimans ou homens livres. 18. Literatura e Sciencias. para julgar os homens livres. e de quem esperavam toda a protecçaÕ. porque naõ havia homens livres.

" Preparadas as cousas. ou naõ. para pertencerem só a seu Senhor. e tendo cessado de serem homens da naçaõ ou do Rey. durante o intervallo que decorria entre as tres assembleas regulares annuaes de todo o povo : estes vexames. os senhores administravam ajustiça a seus vas- sallos. estabelecendo uma ordem separada de Scabini.156 Literatura c Sciencias. que conduzia a ambição dos nobres e do clero. Pouco a pouco estes mesmos foram divididos por seus .se na forma judicial aos custumes dos homens livres. con- formando. igualmente heredita- tarios. nem demandistas. éra ad- mittido. encarregados especialmente da administração civil e judicial. que viessem a pedir suas sentenças. e até o nome de Arimanou homem livre veio a ser objecto de desprezo. ou povo. Mudaram-se com esta servidão universal todas as ideas dos povos em outro tempo livres. e transmittindo suas dignidades a seus herdeiros. tudo em fim concurreo a fazer necessária uma grande mudança na ordem judicial. e antes da vassallagem se fazer tam geral. placita. a p. sob a presidên- cia de magistrados. para julgar os homens livres do Condado. e nada pôde obstar a torrente des- ta revolução. os missatica convertidos em Duques. nas quaes se alguém do terceiro Estado. Os Condes. 430. converteram em vassallos o que restava de homens livres : desde entaõ ja os Pla- cita naõ tinham lugar nas epochas fixas. só éra por especial favor. "Ein vaõ tentaram os Imperadoresp revenir os vexames dos Con- des. e por conseqüência naõ interessados em que houvesse. e de vexaçaõ. tendo-se feito inamoviveis. que viviam junctamente com os homens livres. independentes daquella authoridade. e as vantagens concedidas aos fieis e vassallos. ja naõ havia echevins. nem como administradores nem como juizes. Mas ouçamos o A. nobres e armados. e formando uma nova espécie de Soberania. os vassallos separados da massa do povo.

e serviço dos Placita: estes cessaram por fim de todo. por que menos trabalho dava a examinar a causa. eram meras creaturas do Senhor. Nestas Cortes os Senhores adminitravam a justiça. ja naõ eram como os echevins represen- tantes dos homens livres. Literatura e Sciencias. e por . aonde todos os individuos res- ponsáveis uns pelos outros se vigiavam mutuamente. éra a baze dos juramentos purgatórios dos conjuradores. em vez dos Placita. poz-se em desuso a sub- divisão das centúrias. O combate judicial foi julgado a melhor prova. Com a liberdade individual desappareceo também a garantia mutua. promptos a exe- cutar o que elle decidisse. e obedecer ao menor aceno seu. 167 Senhores em dous serviços. por meio de pessoas que para isso escolhiam. os Senhores. recusou-se nas Cortes dos Senhores o receber esta prova. aonde eram obrigados a apparecer todos os seus vassallos. como eram dantes os Arima- nos. foi substituída pela inspecçaõ de um superintendente. fizeram Cortes. conservando-se isto somente na Inglaterra. mas para conservar as apparen- cias. interessados na geral eboa ad- ministração da justiça do seu paiz. dispensados os habitantes de responder in solidum. tam útil. deci- dindo todas as contendas entre seus vassallos. meramente desejosas de lhe fazer a vontade em tudo. Como esta garantia mutua e responsabilidade commum. e reservando para si este trabalho de examinar as causas. e esta espécie de policia mutua. pelos crimes que algum delles comettia. nomeados por esses Senhores. istohe serviço da guerra. Assim o Senhor ja naõ obrava como os Condes respon- sáveis ao Imperador ou Rey: os juizes. Cada um começou a viver para si. a vantagem de dis- por como lhe parecia de todos os direitos daquelles que lhes eram sugeitos. que fazia a baze de toda a legislação an- antiga.

ou porque naõ soube defender a sua causa. executores das decisoens dos Placita. tomando todos por concedido que a culpa da des- graça he sua. naõ tendo influencia nos processos judiciaes. Mas quando estes males se fazem a cuberto de um procedimento judicial. decidiam tudo pelo seu próprio direito.1">8 Literatura c Sciencias. que acabavam de ser extinctas. para attribuir aos vassallos junetos na Corte doSenhoro direito de administrar a justiça em seu nome. a quem pela violência se roubam seus bens ou se attacam seus di- reitos. Os Condes e magistrados eram orgaÕs das assembleas dos Arimanos ou homens livres. Os Condes misturaram depois Vassallos com Arimanos nestes Placita. Naõ ha oppressao mais intolerável do que aquella que se cobre com a capa da justiça: o homem. o que soffre a sentença iníqua he condemnado até por seus amigos. que éra congenie ao espirito cavalleiresco do tempo: assim os livros de direito quasi naõ tractavam de outra cousa senaõ das regras destes combates. expondo seu oppres- sor á execração publica.. diz o A. se fizeram territoriaes. Assim as leys. ou porque naõ tinha razaõ. figurar ainda. Daqui. para que durasse muito tempo. quando estes deixaram de existir. assim os mesmos vassallos se viram na necessi- dade de promover uma alteração. que até entaõ eram pessoaes. O modo de remediar esta tyrannia se apresentou aos vassallos nas mesmas instituiçoens. naõ havia se naõ um passo mais a dar. e porque os Senhores. tem pelo menos o desafogo de quiexar-se e de ap- pellar para a opinião publica. ficando todos sugeitos á ley da Corte do Senhor ou Baraõ. . Este despotismo absoluto dos Baroens éra um estado de cousas demasiado violento. naõ se embaraçando com os direitos eleys dos individuos. e. vinham os vassallos ás Cortes de seus Senhores.

e dar execução ás suas sentenças. O espirito de cavallaria dos tempos fazia natural esta petição de que os vassallos naõ obedecessem a pessoas de inferior qualidade." Uma inovação de grande importância na ordem ju- dicial. 12. que o primeiro exemplo. inovação mui favorável e congenie com o systema feudal. 159 foi isso o que os vassallos conseguiram obter. " O processos e as formas judiciaes neste novo estado de cou- sas naõ differia exteriormente das que se haviam seguido. de que falia o A. mas com esta grande differença. que se tinham rebelado. 451. que o A. quando o povo éra livre . que en- controu deste privilegio. e que entaõ achavam neste privilegio uma segurança contra os abusos do poder. mas isto alcançado insistio-se em que os senhores naõ fizessem outra cousa mais do que approvar e sanecionar as decisoens da Corte composta de pares. porem interiormente as cousas tinham mudado inteiramente de figura . e também que fossem julgados por seus pares ou iguaes.. que esta tinha: e esta observação he ex- tiemamente essencial e ao diante teremos oceasiaõ de voltar a ella. e se. nos primeiros tempos. assim expõem a p. os Condes naõ tinham a sua authoridade senaõ da assemblea a que presi- diam.Esta revolução trouxe outra vez os Senhores ao ponto em que dantes se achavam os Condes. E deve observar-se que este capitular he uma verdadeira amnestia concedida aos Francos e Aquitanos. o Senhor pelo contrario éra quem dava á Corte de seus pares todo o poder. a p. no Cap. Nota o A. debaixo da forma do privilegio de naõ serem julgados senaõ por seus pares ou iguaes. dado por Carlos o Calvo em 895. 449. Literat ura e Sciencias. mas inadmissível na antiga forma do Go- . he o capitular de Cressy. foi a introducçaõ das appellaçoens.

Logo. que eram absolutamente incompatíveis com a legislação antiga. Nas Cortes dos Senhores. para justificar sua sentença ante seu superior. Mas . e que duvidassem da rectidaõdas sentenças nessas cortes inferiores. que começaram ir queixar-se ao Senhor Suzerano.160 Literatura e Sciencias. para destruirá grande influencia dos vassallos.e para segurar os direitos dos sub-vassallos. Nós limitar-nos-hemos a mostrar a opinião do A. neste estado de legislação. neste ponto . que se accu- sassem os Rachimbourgos. que dessem sentença injusta. a quem se fi- zesse esta quei xa. que de sua natureza se deviam ter por supremas.. porque o exame dos demais seria demasiado extenso. O nosso author. verno livre: emque. citando-se o primeiro. Foi ao depois. ou de seus representantes ninguém podia ter direito de rever ou revogar essfts sentenças. e prin- cipalmente de Montesquieu. emanando as sentenças do povo. qual foi a origem dessas appellaçoens? O A. e as appellaçoens: . de quem esse Baraõ tinha a investidura: e estas queixas contituiram depois as appellaçoens. que os Reys e Al- tos Baroens deram a seu poder. como accordaõs de toda a na- çaõ. naõ admitte esta hypothese. se podia congruentemente fazer e admittir appellaçoens. uma invenção nova. que lhes fossem superiores. que ha grande differença entre as queixas por dene- gaçaõ de justiça ou falsa sentença. Logo as appellaçoens (dizem vários authores) naõ foram senaõ uma conseqüência da extençaõ. ou ao Rey. cujas opinioens expõem. e diz. A ley Salica tinhaja permittido. o direito de julgar era derivado desses Senhores. discorda de vários outros. porém. os quaes podiam ter outros Senhores. mas naõ se falia de um tribunal superior. no tt. porém. 60. quando os vassalllos se achavam aggravados da sentença do Senhor ou Baraõ.

Literatura e. deve ser posta no momento em que os jus- tiças." No cap 20. que se apresentavam. vieram a ser senhoriaes. sendo mui essen- cial o lembrar. para os reys. a perca do espirito nacional e publico. fez transferir o poder judicial. apezar da simi- lhança exterior que nellas se observa . como na França e Alemanha. ja permanentes. faz algumas observaçoens geraes sobre as Cortes Senhoriaes: mostrando quaes saõ asdifferenças entre estas cortes e os antigos Placita. a p. eattribuir-se ás mesmas causas. no tempo da extençaõ dos limites do Império. que introduziram estas appellaçoens entre os Romanos. que naõ fazia mais do que representar o povo. e ainvestio em authoridades ja temporárias. 403. N°. Sciencias. para magistrados nomeados sem a concurrencia desta authoridade Soberana. o grande numero de negócios. As appellaçoens em Roma. que tinha estado inteira e exclusiva- mente nas maõs do povo e do Pretor. XXIII. o A.61 nas primeiras só se tractavade punir um magistrado. de quem éra mandatário. o augmento do nu- mero dos cidadãos. residente nos povos ou seus representantes. e da passagem do poder judicial. o que se colhe de suas pala- vras. O A. até entaõ nacionaes. x . que tinha faltado a seus deveres: nas segundas a questão éra o remediar um aggravo feito ao individuo. ja hereditárias. mas subordinadas. que os Placita tinham parte naõ só na VOL. 1. e senhores seus vassallos. talvez sem que fosse por culpa do primeiro juiz. de que as appellaço- ens foram instituídas pela mistura do direito Romano com o direito feudal. por uma serie de raciocínios citaçoens de monu- mentos antigos deduz a conclusão. 135. deveram a sua origem á revolução. " A primeira origem das appellaçoens dos povos descendentes dos antigos Germanos. que privou o povo de suas attribui- çoens judiciaes.

162 Ltieratura e Sciencias. que tinham as mesmas denominaçoens no tempo dos Placita. distribuição da justiça. naõ attender somente aos nomes. Assim. quando se estabeleceram tribunaes permanentes. . por- que elle he em si mesmo um resumo. &c. Echevins. todos nomeados pelo Soberano. Naõ podemos resumir a matéria deste capitulo. O di- reito de julgar competia a uma classe inteira de pessoas. da constituição das Cortes Senhoriaes. como observação essencialissima para a intelligencia dos au- thores e das leys antigas. depois passou a tribunaes compostos de certo numero de individuos. as funcçoens destas pessoas eram totalmente differentes das outras. O cap. Os serviços ordinários dos vassallos constavam do juramento de homenagem. mas mui com- pleto. que para este fim se convocavam. que muitos nomes se conserva- ram. mas devemos notar. para evitar a confusão em que muitos tem caído. ou por aquelle a quem elle cedia esse direito. mas na administração civil e po- litica do estado. como apparece entre outros monumentos pelo Liber eonsuetudinum Imperii Romani art. e suas diffe- renças a respeito dos Placita. mas sim nas assembleas de toda a naçaõ. nunca se fazia nestas cortes dos Baroens. mas também á epocha em que se faz uso desses nomes. 21 tracta da quinta epocha da ordem judicia]. He pois da primeira importância quando se quer averi- guar os direitos e funcçoens dos diversos officiaes de ju- dicatura. quando as Cortes dos Baroens eram uni- camente destinadas aos negócios forenses. As matérias de administração. 3. quando a natureza da instituição mudou de todo. e principalmente a imposição dos tributos. posto que nas Cortes dos Baroens se achem pes- soas denominadas Scabini. convém portanto axaminar como se operou esta importante revolução.

estes se acharam no có- digo de Direito Romano. a todos os que sabiam ler e escrever. no periodo mais forte da tyrannia feudal." Foi logo preciso providenciar á administração da justiça nas cidades mais ou menos livres. e o governo popular. . Literatura e Sciencias. 1<33 " A primeira razaõ (diz o A. ou pelo menos estes compunham a parte preponderante. e com ellas o estudo do direito Canonico e Romano. deo-se em geral o nome de celrigo ou clerc. As cidades da Itália e principalmente as de Lombardia. se acha nos progressos. e se escolheo um termo médio entre o go- verno monarchico. tinham sempre conservado maior liberdade que as campanhas. que a liberdade come- çou a fazer nas cidades. cujas desordens e abusos se temiam. á outra. p. que o estudo e conhecimentos das leys dava so- sobrea ignorância geral dos tempos. da experiência e da memória dos casos j ulgados. tinham tido o direito de uma administração particular. e mesmo. que muito contri- bulo para o melhoramento da ordem judicial. passa o A. aonde se sacudio o jugo do feudalismo. Assim se com- puzéram as Cortes de justiça inteiramente de letrados. que foi o renascimento das letras na Europa. e que se approximava ao regimen seguido no tempo do Império Romano." Desta primeira causa para o estabelicimento de tribu- naes permanentes. totalmente desconhecido nos tempos da barbaridade. que naõ ti- nham conhecimentos positivos das leys. e estes chegaram por fim a expulsar dos tribunaes os leigos. A jurisprudência tinha até entaõ sido o resultado da saã razaõ. adquirindo assim os juizes a in- fluencia. nomeada ou ao me- nos influída pelos habitantes. antes que as outras partes do povo participassem deste estimu- lo. 482). que levou ás mudanças na ordem judicial. em que os vexames dos Senhores tinham des- gostado a todos. mas sem conhecimentos preliminares. Como os ecclesiasticos foram os primeiros que cultiva- ram as letras.

se arrogaram pou- co a pouco o direito de decidir em quasi todas as causas. aproveitou- se da adopçaõ geral do direito Romano. que lhes éra tam incom- modo e nocivo. O clero. assistiam nos tribunaes. que o clero favoreceo com toda a sua influencia o estabelecimento dos tribunaes per- manentes. &c.164 Literatura e Sciencias. Os Reys acharam também nesta instituição os meios de diminuir o poder dos Baroens. e assim favorecêram. enumera. Estas saõ as cinco causas principaes. e cidades livres achavam nos tri- bunaes e nas appellaçoens melhor escudo contra as oppres- soens dos Baroens e por tanto ajudavam quanto podiam a introducçaõ dos tribunaes permanentes. ainda quando osjuizes. que o A. As communidades.de sua parte. como por exem- plo casamentos. aonde a força predoninava mais que a razaõ» mas nos novos tribunaes de justiça. porque com as appellaçoens se augmen- tava a dependência dos Senhores subalternos . como os mais instruídos. e que com industria e perseverança inal- terável naõ perdia oceasiaõ de se engrandecer. e fazendo justiça ás partes adquiriam o amor dos povos. debaixo do pretexto de tomar co- nhecimento das matérias ecclesiasticas. que tinha sempre mais ou menos seguido o di- reito Romano. os ecclesiacticos. . E. foi a parcialidade com que os Senhores escolhiam os juizes. levavam sem- pre a melhor . aque nós chamamos de capa e es- pada. todas as vezes que nellas podiam achar a mais distante connexaõ com objectos de consciência. daqui veio. este es- tabelicimento . O clero naõ podia contender com as Cortes dos Baroens. que concorreo para o estabelicimento dos tribunaes permanentes. disposiçoens testamentarias. compostos de letrados. fazendo admittir nos tribunaes o Direito Canonico. para segurar melhor sua influencia. para decidir as causas. tutellas. A terceira causa.

nella se conrespondiam os letrados em toda a parte da Europa. que se achava culpado. Na Inglaterra nunca se admittio o processo secreto: na França antiga e nos Paizes Baixos introduzio-se nos processos criminaes: a Alemanha admittio este horroroso mal tanto nos pro- cessos civis como nos criminaes. que era absolutamente incompatí- vel com as sentenças proferidas em todo o ajunctamento da naçaõ. como ao principio se usava. porque estas recusaçoens trariam com sigo guerras de familias e outros inconvenientes. nella se escreviam os com- mentarios. Naõ éra também possivel recusar os juizes por suspei- tos. que se supprimiram com a introducçaõ dos tribunaes perma- nentes. foi a introducçaõ dos processos secretos. Outra conseqüência. durante esta epocha. Mudou de todo o systema das accusaçoens cri- minaes. posto que nelles se admittissem as recusaçoens de individuos suspeitos. porque todos faziam parte da nação. N o Cap. as conseqüências desta ins- tituição. appareciam recusaçoens illimitadas. do estabelicimento dos tri- bunaes perpétuos. porém. O pretexto para o segredo dos processos resultou de serem feitos na lingua Latina: nella estava escripto o Có- digo de Direito Canonico. e mui prejudicial. seguindo-se dahi a decadência das Cortes Senhoriaes. e as- sim naõ éra possivel recusar ou dar por suspeito nenhum dos juizes . Literatura e Sciencias. quando se introduziram echevins em lugar dos Ari- mans. que originalmente se faziam ante toda a naçaõ. que precisavam ter con- . e que ordinariamente concluíam por uma declaração de guerra contra o individuo. naõ só porque uma lingua geral éra da mais evidente utilidade para a communicaçaõ principal- mente dos sábios e dos politicos. 22considera o A. 165 e explica profusamente. N o entanto. de que resultou a adopçaõ desta útil novidade.

o serem os processos públicos ou particulares. assim adquiriam uma con- sideração própria. . que fazia os juizes independentes.166 Literatura e Sciencias. sendo as leys em Latim. os echevins. Isto mudou inteiramente a face da magistratura. e mais juizes. c o m a introducçaõ dos tribunaes permanentes.e as formulas. pagos ou a dinheiro. Os Arimanos. nas epoenas precedentes à que tractamos. que se fallávam em vários paizes da Europa. que tem trac- tado. que apenas se podia nelles escrever. O A. e lhes dava influencia dimanada de si mesmos. nem considera- ção honorífica. E com tudo. e náo deri- vada dos Condes como suecedia aos Echevins. que lhes occupava todo o tempo. nem tinham por isso paga. por este serviço. pouco importava ao povo. obravam necessa- riamente debaixo da influencia deste magistrado. em que o A. independente dos magistrados presi- dentes. 23 he a conclusão deste livro. que a naõ entendia. de que ao principio naõ podiam os po- vos ter idea. nota ainda outra conseqüência desta importante alteração das formas judiciaes. estavam tam mal formados ainda. ou com honras. Neste estado das cousas. e como sempre tinham menos experiência dos negócios forenses do que o Conde. eram homens do commum. respondencias em paizes estranhos. O Cap. e todos os procedimentos judiciaes participaram desta mudança essencial. re- sume em um ponto de vista as matérias. obrigados a deixar seus empregos para assistir os Condes nos julgados. tudo na mesma lingua. mas porque os dia- lectos demibarbaros. o segre- do dos procedimentos judiciaes deo oceasiaõ a novos e terríveis abusos. os pro- cessos. antes de passar aos objectos dos seguintes livros. as citaçoens. Nos tribunaes permanentes os membros eram letrados. que naõ devemos omittir em nossa exposição geral desta obra.

acabava por suecumbir aos effeitos de sua mesma obra. faz aqui observar o que naõ pôde deixar de tocar a todo o Leitor. Eis aqui suas palavras. mas opprimíam muito mais os habitantes . e he. " Os Germanos livres (p.) e independentes escolhiam che- fes. e a introduc- çaõ das sciencias. e se acharam por isso envolvidos em todas as disputas pessoaes de seus Senhores. e estes pares foram o primeiro contra- pezo de seu poder : e estes naõ se quizéram submetter ao Sobe- rano. na sua historia das formas judiciaes. e foi aos progressos destas mesmas luzes. deixando aos pares o direito de julgar. 507. que meditadamente seguir o A. e proteger o povo contra os vexames dos condes. para assegurarem a sua independência exterior. e esta mesma precaução conduzio ás appellaçoens que os despojaram de sua grande influencia na administração da justiça . e fazerem-se assim absolutos. para dispensar-se do serviço do exercito nacional e dos Placita. que lhes impunham os grandes vas- sallos. que os homens lhe buscavam ou pela força ou pela astucia. os Mo- narchas cercaram-se de antrustions. e todo o que pro- curava introduzir uma novidade para engrandecer o seu poder. o clero favo- receo o estabelicimento dos tribunaes permanentes. que o excesso do abuso trazia sempre com sigo o remédio. e acharam-se na dependência de vas- sallos orgulhosos : os Missi Dominici foram enviados ás provin- cias para nellas manter o poder dos Imperadores. na espe- rança de libertar-se do jugo. sem que elle fosse assistido pelos altos baroens. que elles deveram a perda de grande parte de seu poder: os reys protegeram a instituição de cidades e communidades. mas foram estas mesmas communidades as que em muitos paizes da Europa fizeram ad- . para extender o seu poder sobre os homens livres . e naõ somente elles usurpa- ram as maiores porçoens do poder Imperial. Literatura e Sciencia. 167 O A. os homens livres fizeram-se vassallos. e obrigados a attender em suas Cortes: os Se- nhores se despiram de sua responsabilidade judicial. e bem de- pressa se viram opprimidos por seus reys e seus condes .

. nos preserva para sempre de tornar a cair na antiga barbaridade. que em outros fez nascer a necessidade de uma forma constitucional.168 Literatura e Sciencias. das sciencias e das artes. que temos visto. tan- to mais he de esperar que as reformas produzam um bem permanente. e principalmente dos últimos annos. vio-se privado da publici- dade dos processos judiciaes. que quanto mais graduáes forem as reformas. mittir um poder constitucional. poderão obter seu objecto Quanto a nós estamos persuadidos. segundo o A. que balança o poder real. se a experiência dos séculos passados. e em toda a parte se procura achar seus fundamen- tos. depois de ter conduzido â desenvoluçaÕ das idéas. de esperar. por um commercio de luzes mais fácil." He. Os legisladores. Esperamos mostrar a nossos Leytores na recopilaçaõ dos seguintes livros do A.pode e deve contribuir a amadurecer o nos- so juizo e a segurar-nos dos excessos. querendo seguir seus passos. única garantia da liberdade indi- vidual. que se propuzerem ir con- tra a torrente das opinioens do tempo. que o estado. quanto nossos antepassados tra- balharam por alcançar este fim. as circumstancias e o character dos povos. mais adiantado do que nunca. tenha dado ao século presente uma vantagem indubita- vel acima dos precedentes. porém. se as descubertas felizes tem facilitado os meios de communicaçaõ. se a imprensa. consultando sempre o gênio do tempo. os individuos. que .. o povo que tinha sempre esperado. Em toda a parte se observa que o maior bem da sociedade he a liberdade individual. e até que ponto os mo- dernos. que os tribunaes permanentes os livrassem das Cortes Senhoriaes. que he differente da liberdade civil ou politica. assim como fazer- nos regeitar toda a espécie de prejuízo.

passa agora a querer justificar a revolução de Pernraa*** Voi» XXIIL N-». como se os povos de qualquer paiz. naõ deve ser contemplado. em vez de obedecer ás leys pátrias. naõ fundados nas ideas geralmente adoptadas pelos povos. Deixamos o escriptor do Correo de Orinoco argumen- tando com as leys Inglezas. O enthusiasta. (Continuar-se-ha. (Continuada de p. 16D julgarem poder sustentar systemas. ou adoptar medidas para os fortificar. O le- gislador bem intencionado e instruído terá sempre em vista esta importante distincçaÕ. 58). Literatura e Sciencias. quetendaa perpetuar a influencia de no- çoens erradas . continuando em suas incoherentes comparaçoens. ou o malvado. e ainda que alcancem o seu fim temporariamente. nunca produzirão bem algum estável. houvessem de regular as suas ac- çoens pelas daí naçoens estranhas. quando se tracta de estudar os erros dos passados e melhorar a legislação. Y .* he mui differente o ceder ao obstáculo dos prejuízos. 135. Mas. Mas nem por isso se deve suppor que recommendemos medidaalguma. Justificação do Correio Braziliense. contra o Correo de Orinoco.) MISCELLANEA. encontrarão sempre obstáculos invencíveis. a favor da revolução de Per- nambuco.

com que foi desafiado o Duque de Bragança. contra Phillippe IV. convém mostrar que todos os termos da compara- ção saõ idênticos. e saõ os mesmos que sempre tem pronunciado os tyrannos contra o povo. seria o Duque de Bragança um criminosso. mostraremos nós aonde está a fallacia de seu argumento. sobre o le- vantamento de Pernambuco. em que he permittido ao homem matar outro ho- mem : tal he o da guerra legitima. na falta de iden- tidade nos termos de sua comparação: e primeiro ouça- mos o que elle diz. He um modello de sua doutrina o cartel. a censura e accusaçaõ. pela de Portugal em 1640. contra os Portugue- ze insurrectos. Pode dizer-se que ha casos. que hoje tem. quando a actual Casa reynante subio ao throno. e esta peça de experimento e prova foi obra do Pri- meiro Ministro de Phillipppe IV. buco. que serviam ao rey Phillippe. posto á frente da revolução de Portugal. E como este escriptor cuida que nos traz um argumento ad homi- nem na revolução de Portugal em 1640. saõ da mesma fabrica. que os do Correio Braziliense.170 Miscellanea. que lhe notemos aqui a distincçaÕ. e o do magistrado que executa a pena de morte imposta pela ley: mas daqui se naõ pôde tirar argumento para justificar todos os assassinios. na opinião dos Castelhanos. contra o corifeo da revolução de Portugal. que faz recair sobre tantos demagogos. Quando se faz um argumento de comparação ou ana- logia. a quem El Rey Joaõ do Brazil he de- vedor da coroa. em 1640. He por isso mui importante. por o de Medina Sidonia. " Se tivesse de prevalecer a sua absurda doutrina. o da defensa natural. Porém o escriptor desta accusa- çaõ e censura achará approvado» os seus erros. Qg sentimentos do Conde Duque de Olivares. do contrario calmos no absurdo de chamar absurdo ao que saõ verdades inegáveis. e todos os revolu- cionários daquella epocha gloriosa devem agradecer ao Edictor do Correto Braziliense. que tem aspirado a .

' todas as fortalezas de África. A revolução de 1640 foi a continuação da guerra de- fensiva. nem ainda em theoria. desde que Pernambuco he Pernambuco. todo o Portugal. que tinha direito a ella. Em Pernambuco foi somente aquella cidade. que El Rey de Hespanha éra usurpador da coroa de Portugal. com que os Portuguezes tentaram impedir a invasão de um rey estrangeiro. Miscellanea. todos os estàbelicimentos da índia. e com elle todos os Portuguezes. todas as ilhas. sem contendor nem rival. e o acclamáram Rey. e o motim de Per- nambuco. e esse motim começou pela tropa. que El Rey naõ éra o soberano legitimo do Brazil. parte na sediçaõ. E se naõ he este o caminho que conduz á liberdade . que nos opprime?" A revolução de Portugal em 1640. para que naõ tomasse o reyno de Portugal. qual éra Philippe II. . nenhuma outra cidade considerável se lhe unio. nem a maioridade delle. No motim de Pernambuco. com a única excepçaõ"de Ceuta. todas as pos- sessoens do Brazil. que naõ éra seu. que se amotinou. fallava-se de expulsar a au- thoridade do rey admittido. Em Pernambuco havia um rey só. que o povo dessa mesma cidade de Pernambuco tivesse todo elle. ultimamente succedido. que naõ admittem comparação. Na revolu- ção de Portugal achavam-se dous Principes pretendentes â coroa. de posse pacifica. e cada um asseverando. e estabelicido. Em Portugal asseverava o Duque de Bragança. Em 1640. Em Pernambuco nin- guém se atreveo a asseverar. differem entre si por tal maneira. e a penas se pôde dizer. 171 eximir-se da tyrannia por meios revolucionários. qual he o que nos propõem o censor da revolução de Pernambuco-? i Será por ventura o das petiçoens e rogos ao mesmo Governo. se declararam a favor das pretençoens do Duque de Bragança.

até o anno de 1640. o haverem-lhes cha- mado traidores. respondendo ao escriptor em outro ponto. que appareceo com o nome de Preciso dos Suc- cessos. segundo as quaes se julgavam authorizados a sacudir o jugo da Hespanha. e que servio de manifesto da revolução. em que invadiram Portugal. Ao depois veremos. fazem aquelle suecesso absolutamente diverso e disse- milhante do de Pernambuco. e de que este escriptor tanto se offende. a analogia entre a revolução de Por- tugal de 1640. cuidaram sempre em enfraquecer Portugal. mas até disseram que éra calumniar sua honra chamar-lhes traidores." como nós disemos. acclamar seu Rey. . fo- ram tam cheias de providencia. começa por alegar como motivo da sediçaõ. e o modo de obrar. por tanto naõ só naõ allegáram razaõ alguma. os motivos de prudência. Limitar-nos-hemos portanto. Os Hespanhoes. e o motim de Pernambuco? Se os motivos de direito allegados na revolução de 1640. o papel. ein defeza de seus direi-tos. e pôr em acçaõ os direitos. em que a sua authoridade foi expulsa." &c. e no reynado de tres monarchas suecessivos. Em Pernambuco. o que dizem sei "calumnia á sua honra. quanto o motim de Pernambuco foi " parto da inconsi- deraçaõ. e manter a guerra contra a Hes- panha. pelo de- curso de 60 annos. que as medidas e precauçoens adoptadas. em Portugal." e "negro labéo. que se pretendia querer vindicar em ambas as oceasioens. publicaram os Portuguezes ao mundo mani- festos. e bem consideradas. em que explicaram as razoens de direito e de facto. ao modo de obrar. pois. até marcam extremos oppostos. na pessoa do Duque de Bragança. para se levantarem contra a authoridade d' El Rey. para assegurar o bom êxito da revolução de 1640. neste lugar. Em J640.17* Miscellanea. i Aonde está. desde o anno de 1580.

Em Pernambuco começaram por onde todas as disputas neste mundo aca- bam. nunca tomou medidas algumas para pro- mover o seu remédio. até que resolveram fazer-se justiça por suas maõs. no Brazil. se o mesmo comportamento de Hespanha naõ provocara as medidas violentas. saõ logo dous actos. e isto para nada menos do que annihilar a authoridade estabelecida: um motim desta natureza. Pernam- buco. Contra estes procedi- mentos do Governo Hespanhol fizeram os Portuguezes repetidas. que naõ admittem comparação. oppressoens. e que saõ mencionadas por todos os historiadores daquelles tempos. e para conseguir este enfraquecimento do Reyno. Miscellanea. Deixemos por agora a questão. Em Pernambuco naõ havia rey intruso ou estrangeiro. Logo naõ obrou como Portugal em 1640. nunca fez re- presentaçoens. que nunca foram attendi- das. longe de soffrer oppressoens e vexames. com o resto da Monarchia. mantendo pelas armas aquelles direitos. éra o mesmo que tinha sempre ali governado. que se faziam manifes- tas a todo o inundo. os males conseqüentes aos defeitos da Ad- ministração. e re- correo á força em ultima appellaçaõ. porque este tentou todas as outras vias. queéram patentes a todo o Portuguez. pas- sava por ser a mais rica praça de commercio do Brazil. e vicios da adminis- tração. He verdade. 1*73 temendo-se de q u e os P o r t u g u e z e s se levantassem. porque ao diante vem mais a propósito. e a revolução de 1640. e formaes queixas. a que nenhum Estadista recommendasse a mudança na forma de Go- . se as faltas. que foi pegar logo em armas. e injustiças. mas disso nunca se queixou. que Pernambuco padecia. naõ se pouparam a vexames. que o fi- zessem mais humilde do que as outras provincias. a que aliás houveram renunciado pelo tácito consentimento. erros. justificavam em politica.

Consideremos meramente o modo. que todo o incançavel trabalho da redacçaõ. por muitos annos. que o Escriptor. verno. todas as noticiaes officias. ja para buscar os meios de subsistência. principalmente. e muitas pessoas da primeira respeitabilidade da naçaõ. &c. j a porque. acha digno de louvor. a quem nos propomos responder. e embaraçar-lhe os meios de ob- ter informaçoens authenticas.174 Miscellanea. deste periódico. que. edicçaõ. temos visto seguirem-se (ainda que ninguém o confesse. sendo accidentaes todas as outras ma- térias. posto que nisso tenhamos tido grandes diffi- culdades. Agora he essencial ao nosso argumento o declarar aqui. e temos tido o prazer de ver nossos trabalhos approvados por muitas. e mui distante do nosso. escrevendo contra os de- feitos da administração. e para isto se foram ajunetúndo nesta collecçaõ. só para esse fim. do que tem sido o Correio Bra- ziliense. conrespondencia. a muitos pareceo impossivel que tal aconte- cesse. em vários pontos da administração pública. Começou este periódico ha mais de onze annos. ja por que escrevemos em paiz estrangeiro. todas as pessoas em authoridade. Nesta tarefa temos continuado sem intermissaõ o Cor- reio Braziliense. as em que se falia directamente. por que se obrou. que naõ pôde ter nos escaços lucros da producçaõ literária . e o que nem he necessário nem nos importa). NiiiEruem tem atacado mais os defeitos da administra- çaõ d o Governo do Brazil. que aliás está carregado de outras muitas e mui diversas occupaçoens. &c. e temos a demais testemunhado melhoramentos em nossan açaõ. linhas traçadas pelo Correio Bra- ziliense . tem recahio so- bre um só individuo. quando principiamos a escrever este periódico. pertencentes á epocha era que escrevemos. devem ser inimigas desta obra. que se lhe fazem necessárias.

fosse pelos Negociantes. tem. em quanto por isso éra este periódico e seu Redactor assalta- do e accommettido por todos os lados *. e das mais praças commerci- antes do Brazil ? { Quem apoiou as queixas do Correio Brazilliense a esse tempo? ^ Quem fez representaçoens ao Governo sobre essa matéria? Ninguém 1 A pezar do Correio Braziliense lhes ter aberto a porta: metteram-se todos no silencio. ^ Quaes saõ as representaçoens. e nem esse mesmo Pernambuco. e sem tempo sufiiciente. que naõ havia outro remédio senaõ recorrer â força. ou directamente a El Rey. que fez Pernambuco. Por exemplo. se um individuo somente. e de me- lhor influencia o tivessem apciádo em seus esforços.com suas continuadas observaçoens e constantes representaçoens. e deve- mos accresientar em todo o Brazil. ou por via do Governador da Provincia. Isto posto. { aonde estava a Câmara de Pernambuco. fosse pela Câmara. seos de Pernam- buco tinham ou naõ razaõ de queixa bastante para dizer. e considerando os . fosse pelo Povo. j a para manter a sua situação no circulo publico. Depois deste comportamento em Pernambuco. em quanto o Correio Braziliense e x p u - nha os defeitos do tractado de Commercio de 1810. ninguém fez uma só representação contra a- quelle fatal tractado. e entaõ julgaremos. que elle estava em agi- tação por muito tempo . 175 deste jornal. mais poderosa. sem meios. se mais gente. muito mais se devia esperar. e por um miserável egoísmo. Sabia-se. conseguido alguns melhora- mentos na administração publica de seu paiz. Miscellanea. propondo melhoramentos ? Apparéçam esses esforços dos Pernambucanos para induzir o seu Governo a remediar os abusos introduzidos. mostrem-nos as respostas nega- tivas do Governo. o Correio Braziliense denunciou o mal antes de chegar. mas ninguém se movêo. ninguém se quiz expor ao perigo de desagradar o Ministro. ein que as circumstancias o obrigam a viver.

se o meio que nós propomos para as reformas he o das petiçoens e rogos ao Goveeno. restituindo ao povo a sua Soberania. que se fizeram em Portugal antes de 1640. em quanto as leysopermittiam. a que fez memorável para sempre o dia 10 de Abril de 1810. fazendo-se todas as repre- sentaçoens necessárias ao Governo Hespanhol. e tendo um Rey que houve a todos. Por esta via pretendeo Caracas fazei sua primeira . para obter da Hespanha o remédio de tantos males. em outro só testemnnhamos o egoís- m o . ou propondo-lhe a divisão de poderes. porém desenganados com esta liçaõ. " Tal parece ser a opinião do Correio Braziliense. Lemos na historia exemplos de pessoas. e recorreram á violência prematura. porém naõ se digna citar sequer um caso. em que um monarcha absoluto se tenha desprendido de sua authoridade arbitraria.revolução em Novembro de 1808. naõ pôde o Escriptor ter a menor razaõ. porque em um trasluzio o patriotismo. que nos opprime. sem primeiro tentar nenhum meio legal! Mas o Escriptor acaba o seu paragrapho com aper* gunta. seja por um acto espontâneo de sua vontade. que seus committentes lhe offereciam. das que chamam de Estado os inimigos da liber- dade . E por esta via se frustrou o seu projecto. o receio de desagradar ao Ministro reteve a todos. mas vejamos pri- meiro o que elle diz no paragrapho seguinte.176 Miscellanea. en- volvendo na pergunta uma espécie de ridículo. e mes- mo toda opposiçaõ a suas medidas perversas. porque suppôem uma contradicçaó na resposta : visto que quei- xas contra a oppressao naõ seriam attendidas pelo op- pressor. e leys que per- mittem as representaçoens de toda a natureza. Vamos j a a respoeder-lhe. a adula- çaõ ao Governador. elegeram e practica- Taro. para comparar os dous paizes ou as duas epochas. seja por mera ins- tância de seus subditos. e os pretendentes foram envoltos em uma causa criminal. immensos esforços. ou que a . que naõ tem querido aceitar a coroa.

e aonde o ridículo excede o absurdo. no rey- nado de Joaõ IV. contra o que o Escriptor asseverou sem fundadamento. z . em tempo de D. Dos muitos exemplos que ha de representaçoens feitas Voh. ja pelas representaçoens de individuos particulares. que. que- rendo que o único meio das reformas úteis seja pela re- volução. sendo tanto ou menos absoluto que o do Rio-de-Janeiro. ja pelas câmaras de varias cidades e villas. Temos mostrado pela authoride dos Interpretes da Con- stituição Ingleza. e as d* El Rey D. produzidos pelas representa- çoens das Cortes: as actas dessas Cortes naõ consistem em outra cousa. citar-lhes ex- emplos de melhoramentos. Sem sairmos da historia de Portugal achamos continu- adamente exemplos de leys promulgadas pelos Reys a requirimento de seus povos: ja pelos seus procuradores nas Cortes. Quanto ás Cortes. Pedro II. que este Escriptor deseja que um Rey fizesse. depois que o seu pezo os tem acabrunhado . Lembraremos somente as Cortes de Coimbra. e os meios suggeridos para os remediar. a que chama um direito ordinário. 134. que o povo tivesse a bem dictar-lhes. 177 tem renunciado. contentando-se com a mera execução das leys. Agora veremos se he possivel obter as reformas necessárias por meio de petiçoens e representa- çoens. senaõ no exame dos abusos introduzidos com o tempo na Administração. XXII. que tenha abdi- cado voluntariamente o despotismo. que conhecem a historia Portugal. Se o Edictor -io Correio Braziliense naõ o manifesta. Joaõ I : as de Lisboa. seria abusar da paciência de nossos Leitores. mas naõ apparece o caso de um rey despotico-. que nesta naõ se inclue o direito ordi- riode resistência. convocasse uma na- çaõ e lhe fallasse nos termos seguintes:—" Antes de transcrever a falia. examinaremos o que elle diz em nossa impugnaçaõ. Miscellanea. nos ignoramos que tenha havido monarcha. ou o de Hespanha. N*.

178 Miscellanea.
por particulares, citaremos a do procurador de Evor
que instou com El Rey D. Manuel, para que naõ impu-
zesse um tributo, sem ouvir as Cortes: D. Manuel havia
isso feito por causa da peste: e pela legal opposiçaõ da-
quelle individuo revogou o tributo.
Desafia-nos o Escriptor para que lhe citemos algum
exemplo de Rey absoluto, que, largando sua authoridade
arbitraria, restituise ao povo a soberania.
Se qualquer rey restituisseaopovo a soberania, deixava
de ser monarcha, pois, residindo a soberania no povo, ja
naõ ha monarchia, mas sim democracia. Logo o exemplo
que o escriptor pede, he um caso impossivel, porque con-
tem ideas contradictorias; isto he um monarcha sobe-
rano e povo soberano.
Se o Escriptor pede exemplos de reys, que tenham re-
signado a coroa; elle mesmo diz que os ha, e nós lhe po-
deríamos citar muitos, o que julgamos desnecessário fazer,
vista a sua admissão.
Se o Escriptor, porem, na confusão de suas idéas, quer
dizer, que lhe alleguemos algum exemplo, em que um
monarcha, possuindo todos os direitos da soberania, mas
em um Estado aonde naõ haja formas estabelecidas, e
tudo dependa da vontade momentânea do monarcha,
que este em tal situação tenha procurado substituir á sua
arbitrariedade formas regulares, fixas.e prescriptas a elle
mesmo e seus ministros, para a Administração e formação
das leys; disto lhe daremos nós muitos exemplos.
Augusto, achando-se na posse de um poder e comman-
do absoluto sobre os Romanos, quiz resignar sua autho-
ridade, e restituir ao Povo e Senado todos os poderes Ma-
jestaticos. Naõ o fez; porque seu Ministro lhe represen-
tou, que dahi se seguiria mais mal do que bem aos Ro-
manos, visto que os custumes destes ja naõconvinham
senaõ á Monarchia.
Trajano disse (segundo refere Xiphilino, p mihi 248,)

Miscellanea. 179
Hoc pro me utere, si rccte impero, si mate, contra me.
Quer dizer, " Obedecei-me em quanto governar bem,
senaõ sede contra mim." Declaração esta mui voluntária,
e naõ extorquida por ninguém. Marco Antônio determinou
de seu motu próprio naõ dispor das rendas publicas, sem
a intervenção do Senado. ( O mesmo Xiphilino p. 281.)
O Imperador Adriano jurou, que naÕ castigaria Se-
nador algum, sem uma sentença du Senado. (Spartian:
in vita ejus, Cap. 7.)
Dos reys dos Persas se diz (Valer. Max. lib. 19. cap.
5.) que alguns delles declararam, que tinham chamado o
Conselho de seus grandes, para naõ obrarem senaõ por
seu parecer.
De outros destes reys Persas se affirma, que juraram
naõ administrar o Governo, senaõ em conformidade de
leys estabelecidas; posto que absoluta fosse sua autho-
ridade. Veja-se Xenophonte naCyropedia, lib. 8. p. 580
e Daniel na sua historia.
Dos reys do Egypto se diz (Appiano lib. 3.) que,
obrando contra as leys, eram accusados depoisde mortos,
e se lhe negava a sepultura Real. A este exemplo obra-
ram os Judeus, com o Rey Jqash, que, havendo mal go-
vernado, o sepultaram na cidade de David mas naõ nos
sepulcros dos reys. (2 Chronicas, Cap. 24 .vers. 25.) O mes-
mo succedeo com o rey Ahaz (2 Chronicas. Cap. 28.
vera. 27.)
Passando a exemplos modernos. El Rey D. Affonso
Henriques, primeiro de Portugal, sem constar que a sua
authoridade fosse limitada por alguma forma, convocou
as Cortes de Lamego, e nellas com o povo fez as leys fun-
damentaes do Reyno, a que elle se obrigou, e a que
sempre se tem julgado obrigados todos os seus succes-
sores.
Em nossos tempos o Imperador de Rússia, senhor ab*-

180 Miscellanea.

soluto da Polônia, deo-lhe uma Constituição, em que ad-
mitte uma representação do povo, e pela qual se limita
a authoridade do Imperador a ser exercitada segundo cer-
tas regras prescriptas.
El Rey de Baviera, o dos Paizes Baixos, o Gram Du-
que de Baden, o Eleitor de Hannover, «Sec ; tem ultima-
mente feito o mesmo em seus Estados ; naõ sendo todas
essas Constituiçoens outra cousa mais do que o estabele-
cimento de regras permanentes, segundo as quaes esses
monarchas tem de exercitar sua authoridade.
Temos pois, segundo pensamos, dado os exemplos que
bastam, para mostrar que tem havido monarchas, que, de
sua própria vontade, ou pelas representaçoens e petiçoens
de seus povos, tem limitado a certas regras o exercio de
seu poder. Mas talvez isto naõ baste para satisfazer
aquelle escriptor, porque elle deseja que um rey seja rey,
e faça a seguinte falia a seus povos.
*• Venho a reunir-me com vosco, para fixar as bazes da
liberdade civil, e da independência nacional. Muito tempo ha
que a moral tem sido escandalizada, e a terra ensaguentada, pela
lueta entre os direitos naturaes imprescriptiveis do homem, e as
preocupaçoeus igualmeute antigas e ridículas. He ja tempo
de pôr fim a este açoite destruidor, e para obter tam saudável
objecto, he que o venho abjurar nomeio de vós um poder, que
os meus similhantes tem pretendido obter da maõ de Deus, com
o fim de o roubar aos homens. Ao deixar de ser rey despotico,
conheço, que todos os meus sentimentos se elevam á altura, em
que hoje se acha collocada esta naçaõ, na ordem social. Hon-
tem me arrastava eu debaixo do pezo de uma coroa sustentada
com a força e com a fraude ; hoje venho a dominar sobre todos
os reys da terra, pois que todos os povos se dispõem a contem-
plar-me e abençoar-me. Os direitos imaginários do throno naõ
eram senaõ uma usurpaçaõ, obrada pela violência, e consagra-
da pela ignorância: as luzes tem dissipado as trevas dest
ignoiancia, . as regalias do sceptro, o povo recobra o poder com

Miscellanea. 181
que se violavam seus direitos. Depois de ter tido a debilidade
de pretender inspirar terror; me tenho ousado a conceber a
esperança de fazer-me amar: direi mais, tenho ousado a entre-
ver a immortalidade, fazendo justiça aos homens, por todos 03
crimes da authoridade usurpada. Antes de consumar a abdi-
cação formal do poder arbitrário, a favor da liberade, e da liber-
dade tam somente, vos farei saber os motivos, que me tem in-
duzido a esta resolução de equidade. Nascido Principe, em-
briagado com o veneno de um funesto orgulho, e considerando
a pequenhez dos grandes, tenho crido desde a minha infância,
que os demais apenas eram homens. Cheio desta idea, fortifi-
cado pelos falsos oráculos da religião, tenho soffrido que se me
chamasse pelo blasphemo titulo de imagem viva de Deus sobre
a terra, vigário, ungido, e seu plenipotenciario; sem reftectir,
que naõ me tendo o Creador eximido de nenhuma das fraquezas
humanas, nem dotado de nenhuma força ou virtude particular,
tam ponco tinha tido sobre minha pobre pessoa algum desígnio
especial, pois eu naõ éra nem o mais forte, nem o mais sábio,
nem o mais feliz dos mortaes. As desgraças de outros déspotas,
de suas familias, e validos, tem despertado a minha razaõ,
e a minha sensibilidade. Em vez de seguir o exemplo dos
máos, como me tem aconselhado as paixoens, venho reclamar
a minha parte em todos os males, que a pátria deve ainda sof-
frer, para fundar o culto das leys e da liberdade, e a pedir o
generoso esquecimeuto de todos os que ella tem soffrido, por
mim, por meus pays, e avós. De vossa parte está nomear
depositários da authoridade soberana e da honra nacional, elles,
como agentes, e representantes da communidade, levantarão o
edifício da sua independência e prosperidade, sobre os princi-
pios eternos da justiça e da ordem. A vós toca approvar e
sanecionar a constituição, que traçaram vossos commissarios.
Se nella tivesse de subsistir o Governo Monarchico, se me con-
siderareis apto para o ramo executivo, me terei por mui hon-
rado, merecendo de vós esta confiança, e juncto com os minis-
tros e conselheiros da administração, eu serei responsável
pelas faltas, e excesso delia. Na repartição dos poderes, vos

182 Miscellanea.

aconselho, que reserveis o exercicio da authoridade judicial, por
meio de vossos jurados ; e o da censura por meio da imprensa
livre. Fazei conhecer aos reys, desde este momento, que nós
todos temos tornado a entrar na posse de nossos direitos na-
turaes, estamos circumscriptos em seus limites. De minha
parte far-lhes-hei saber, que antes de despojar-me livremente,
diante de vos, da authoridade illimitada, que, de commum
com elles, exercia sobre os povos, me tinha despojado delia
diante de Deus. He a vós, em fim, ou a vossos administrado-
res, que pertence proclamar um manifesto de amizade com
todas as naçoens da terra, e fixar nos nossos limites a espada
terrível de meus predecessores ao lado da arvore da paz."

Esqueceo a este escriptor o dizer no fim desta ridícula
rapsódia, que o tal rey, que tinha feito tal falia, se fosse
metter frade capucho: porque um rey, que taes sentimen-
tos declarasse, naõ mereceria nem a sorte de Joaõ Sem
Terra, aquelle pusilânime rey da Inglaterra, que metteo
o pescoço debaixo dos pés do Legado do Papa, e por es-
tas baixezas de tal modo attrahio contra si a indignação
do Reyno, que naõ houve ninguém que o quizesse ter por
seu rey.
Talvez alguém julgue que naÕ devêssemos oecupar nos-
sas paginas, transcrevendo por inteiro este cumulo de inep-
cias; mas nós consideranos, que convinha assim expor o
arrazoado destes violentos revolucionários, para fazer
conhecer, por seus mesmos dictos, o absurdo a que os levam
suas ideas confusas de governar. E se aqueilas gazetas
do Orinoco circularem no Brazil, para onde vemos que
saõ destinadas, tenham aqui juncto com oveneno, o antí-
doto que o remedeie.
O escriptor, que tanto nos insulta; porque recommen-
damos para as reformas o meio das petiçoens e represen-
taçoens, diz; que Caracas havia primeiro adoptado este

Miscellanea. 183
passo; mas que por esta via se frustrou o seu projecto, e
que, desenganados com esta liçaõ, elegeram o meio da
revolução, que practicáram no dia 19 de Abril de 1810.
Esta circumstancia de haverem as colônias Hespanho-
las representado suas queixas, ea falta de attençaõ a essas
representaçoens da parte do Governo de Hespanha, he
quem tem justificado aos olhos de todo o mundo a revo-
lução naquelles paizes: e se essa mesma gente de Caracas
julgou, que éra justo tentar primeiro a via das representa-
çoens, antes de appellar para a força, naõ devem agora
pretender que Pernambuco houvesse de seguir o caminho
opposto, que éra começar logo pela força.
Se he possivel reduzir a argumento esta suppostafalia,
que o escriptor deseja que algum rey faça, como prelúdio
a reformas úteis, diremos que se exige aqui do monarcha
uma confissão de que os seus direitos ao throno eram
imaginários, e todo o seu poder uma usurpaçaõ. Mas se
assim fosse, o tal rey naõ tinha nenhum direito, nem para
convocar a tal assemblea da naçaõ, a quem fizesse tal
falia.
Todo o monarcha, que governa uma naçaõ, he obrigado
a manter a forma de governo; e portanto manter-se a si
mesmo no lugar que occupa. Saõ raros na historia os
exemplos de Governos estabelecidos por pacto expresso
dos povos; o commum dos Governos tem sido fundados
por occurrencias fortuitas, mas ninguém duvida que o
tácito e continuado consentimento das naçoens os tem tor-
nado legítimos.
Esta proposição se acha provada em Grotius, de Jure
Belli et Pacis, lib. 2. Cap. 4. §. 14. e para as authoridades
ali citadas remettemos o Leitor.
Sendo isto assim, deseja o Escriptor um comporta-
mento inchoerente no rey, indicando nesta falia que o
monarcha se deve declarar usurpador, antes de se pro-

184 Miscellanea.

porem algumas reformas. O raciocínio geral, a respeito
de todos os monarchas, tem uma força e vigor mui trans-
cendente, quando se applica aos reys de Portugal, e por
isso fazem a sediçaõ de Pernambuco injustificável neste
ponto de vista.
O primeiro rey de Portugal, D. Affonso Henriques,
foi acclamado Rey, em sua pessoa, e na de seus descen-
dentes, pelas Cortes ou representantes da naçaõ, com
toda a solemnidade de que taes actos saõ susceptíveis.
Depois, fazendo-se nova eleição de rey na pessoa de D.
Joaõ I. por se declararem extinctos os successores, segundo
a ley ; foi outra vez reconhecida nas Cortes Geraes, em
Coimbra, a legitimidade daquelle rey e de seus descen-
dentes.
Dahi, em 1640, quando se devolveo a Coroa a El Rey
D . Joaõ I V , terceira vez se declarou em Cortes a legiti-
midade daquelle Soberano, e d e seus successores.
Isto posto, se qualquer Rey desta linha ajunctasseo seu
povo, para lhe dizer que éra um usurpador, faltava
á verdade, negava um principio tantas vezes admittido
pelo mesmo povo, e commetterla uma flagrante violação
de seus deveres, pondo em questão a legitimidade de seu
poder, que esta definido e estabelecido por pactos, naõ j a
tácitos, ou subentendidos na acquiescencia da naçaõ,
mas sim expressos nas Cortes Geraes do Reyno, e regis-
trados com a maior solemnidade nos Archivos da mesma
Naçaõ.
Se apezar de tudo isto El Rey podesse declarar, que o
seu Governo éra usurpado, naõ resta no mundo Governo
nenhum legal, porque naõ se conhece mais legitimo modo
de estabelecer Governos.
O Escriptor, nesta supposta falia, passa depois com
sua custumada incoherencia, a querer que El Rey pre-
gunte ao povo, se quer o governo monarchico; e se quer

Miscellanea. 185
que elle seja o monarcha; e neste caso que os poderes
administrativos e judiciaes sejam divididos da forma que
elle suggere.
Se pelas solemnes e repetidas declaraçoens das Cor-
tes Geraes do Reyno, o Governo estabelecido foi o monar-
chico, e se a pessoa do monarcha foi, pela mesma autho-
ridade da naçaõ, designada na linha de suecessaõ, que
todos sabem, o actual Rey naõ tem direito de pôr essa
matéria em duvida, nem fazer delia objecto de delibera-
çoens ; e o Escriptor, que tal aconselha, nada menos
exige, do que a violação da Constituição do Reyno, e
essa violação proposta pelo mesmo Rey, que na sua
accessaõ ao throno repete o juramento de a manter e
observar.
O Rey, que, pelas leys fundamentaes do Reyno, he cha-
mado ao throno, naõ tem portanto o direito de abjurar
o seu poder, nem invectivar contra a Constituição, que
elle he obrigado a manter. O mais que pôde fazer he,
achando, que, por algum impedimento invencível phi-
sico ou moral, naõ pôde reger o sceptro, declarallo assim ;
e, na sua falta, o successor immediato, designado pelas
leys fundamentaes, deve entaõ ser chamado a preencher
a vacância do throno, sem que o rey abdicante tenha di-
reito para o impedir.
Se o Escriptor, nesta imaginada falia, tanto claudicou
nos principios de direito, naõ menos mostrou a sua igno-
rância de politica nas expressoens, que suppôem que o tal
imaginado Rey devia usar; porque, admittindo' por-
argumento, que o rey em tal caso tivesse o direito de se
declarar usurpador, e allegar contra si os defeitos, que
nesta supposta falia se accumulam, he claro que um rey
que assim se abatesse a fallar contra si e seus direitos, se
faria tam depresivel ao olhos da sua naçaõ, e das estran-
Voh. XXIII. N-*. 135. A A

186 Miscellanea.
geiras, que ficaria moralmente destituído de todo o res-
peito, e daquella consideração que he essencial que ande
unida á pessoa que governa, naõ só soberanamente mas
até em qualquer repartição particular.
Porém o Escriptor, sempre inchoerente com sigo mes-
mo, depois de querer que o tal rey se vilipendie, e faça
despresivel com as mais degraduantes accusaçoens, se of-
fereça entaõ para exercitar o poder executivo da naçaõ:
primeiro deve mostrar-se fraco, e naõ conservar o poder,
que tem; e depois pedir que o nomêem para governar!
Continuar-se-ha.

CHILE.

Carta do General San Martin ao Vice Rey do Peru.
Santiago de Chile 16 de Novembro, 1818.
Muito meu Senhor, de minha particular attençaõ: Se
eu tivera de responder por menor aos pontos comprehen-
didos nas duas cartas de 11 de Junho, e na de 30 de Julho
passados, seria necessário remontarmos â origem das pre-
tençoens da America, recopilar a historia do comporta-
mento do Governo Hespanhol desde a conquista, e ana-
Jyzar as demonstraçoens d' esse benigno Pay, cujos de-
cretos fazem estremecer a humanidade.
Esta lembrança realçaria o contraste da politicada
Corte de Madrid, com o cândido manejo da America, e
apresentaria finalmente, por parte desta, a justiça, a razaõ
e a natureza.
Corra V.— o veo á preocupação, e o seu sentimento
intimo reconhecera, na serie dos successos do novo mundo,
os verdadeiros agentes das desgraças que o affligem; verá
V— entaõ, que a America tem tomando as armas para

Miscellanea. 187
defender-se, depois que seus sacrifícios receberam por prê-
mio a ingratidão dos governos insurgentes, que regeram
a Península, desde 1808; depois que cada um destes dis-
putou e sanccionou o direito de a dominar, e depois que
os seus clamores, justificados pela opinião das naçoens
cultas, foram rechaçados como um crime.
Desgraçadamente para a humanidade, nem o mesmo Pay,
quando entrou a oecupar o throno Hespanhol, no anno de
1814, encontrou meio de salvar a dignidade do sceptro,
sem o extermínio do Americanos, a que chamou rebeldes.
Recorra V.—as suas Reaes ordens, compare-se o numero
de victimas sacrificadas pelos decretos de Fernando, com
a moderação dos Governos da America, e o differente
character, que por ambas as partes se tem dado á guerra,
e decida a razaõ imparcial, se a America deve largar as
armas da maõ, até conseguir a sua independência. Pelo
que toca aos Governos das Provincias Unidas e de Chile,
cujos exércitos tenho a honra de commandar, estou seguro
de que naõ pararaõ em sua marcha, até chegar a este di-
toso termo. Naõ he o enthusiasmo da victoria, como V,
suppôem, quem tem formado e forma esta linguagem;
mas sim a convicção de que a razaõ e a força naõ devem
humilhar-se a títulos imaginários, Naõ pode V.— ter-se
esquecido, de que as derrotas de uma batalha tem sempre
sido entre nós ogermen de acçoens heróicas.
Restringindo-me ao contexto da carta de 11 de Julho,
fico agradecido á disposição favorável de V.— pelo alivio
dos desgraçados prisioneiros; e se me faz justiça deve
crer-me, que nada mortifica tanto o meu coração como a
sorte destes infelizes. Eu propuz a troca, por via do
Major Torres, e a tivera concluído, se a situação de V.—
lhe permittisse tractar comigo neste assumpto, com as for-
lidades da guerra. Uma linha, que divide os sentimen-

188 Miscellanea.
tos particulares de V.—e seus deveres públicos, o detém,
para naÕ estender aquelles com desar de sua dignidade; e
essa mesma paralyza os meus na execução do assumpto,
para que tenho olhado com interesse.
Por mais que o Cornmissario Olhaberricague e Blanco
tenham desfigurado os motivos, que inutilizaram a sua
commissaõ, elles estaõ fundados em principios estabeleci-
dos na ley commum das naçoens. Ate agora ninguém
tem dado a uma carta particular a validade de credencial
para nenhum convênio publico de naçaõ a naçaõ, a me-
nos que se pretenda que os Americanos fechem os olhos
á mera insinuação de um chefe Hespanhol. Quanto ao
tractamento, que recebeo Blanco, permitta-me V.— que
lhe assegure, que estes povos vitupéram a sua ingratidão.
Elle foi hospedado em casa de um dos primeiros chefes
do exercito, e distinguido como ainda até agora o naõ
tem sido nenhum dos nossos mais condecorados agentes,
desde o principio da revolução : ja mais se attentou ásua
segurança pessoal. V.— naõ ignora que os documentos,
que apresentou, mais infundiam a suspeita de uma ma-
nobra de espionagem, do que os que authorizavam o Ma-
jor Torres: e, se elle he cavalheiro, confessará a V.— que
foi obsequiado com mais commedimento, do que commu-
mente se faz a um official de paz.
O meu substituto, o Brigadeiro General D. Antônio
Balcarce, cumprio exactamente as minhas ordens, a res-
peito da troca: insisto no mesmo, e supposto que V.— naÕ
pôde negociar em forma este assumpto, tam pouco posso
eu admitirr os quatro officiaes prisioneiros do exercito
das Provincias Unidas, que V.—, me remette por igual
numero. Tenho ordenado ao Capitão D. Jozé Navarro,
Tenente D. Joaõ Grana, e Subtenentes D. Nicomedes
Martinez, que voltem para Callao, na primeira opportu-
nidade, à disposição de V.—, como prisoneiros que saõ

Miscellanea. 189

das tropas d' El Rey: elles o teriam feito pela fragrata
Andromache, se o Senhor Shirreff tivesse querido dar-
lhes passagem. Nada disto impede a que respectiva-
vamente appliquemos os meios de aliviar estes desgra-
çados : eu me prometto que V.—, tomando quantas pre-
cauçoens forem necessárias para sua segurança, os alivie
da oppressao, em que tem gemido, para que ao menos con-
servem a sua saúde, respirando outro ar que o das aboba-
das das Casas matas. De minha parte, os de igual classe do
exercito de terra, e os da fragata de guerra Reyna Ma-
ria Izabel, receberão o consolo compatível com as suas
circumstancias; em todo o caso, o comportamento de
V.— regularão meu.
O Senhor Commandante Shirreff da fragata de guerra
de S. M. Britannica Andromache, me tem informado da
favorável disposição de V.— para admittir um Cornmis-
sario de prisioneiros, nomeado por mim, para que os
auxilie com algum supprimento de dinheiro ; para este
effeito tenho nomeado ao Senhor D. Pedro Abadia, o
qual se for do agrado de V— subministrará mensalmente,
debaixo da minha responsabilidade, 35 pezos ao tenente
Coronel Tollo, e por sua via 25 aos Capitaens, 20 aos
Tenentes, 16 aos Subtenentes, 9 aos Sargentos, 7 aos
Cabos, e 5 a cada um dos soldados prisioneiros das Pro-
vincias Unidas, os quaes seraõ punctualmerte satisfeitos,
nos termos, que com a data desta providencêo. Do
mesmo modo poderá V.—— nomear um Commissario,
seja dessa ou desta capital, para que assista aos prisionei-
ros do exercito d' El Rey, segundo o tiver a bem.
Quizera que o tempo apressasse a terminação dos
males, que sente a America. Lisongeo-me de que ani-
marão a V.— iguaes sentimentos, e protesto que me
achará sempre prompto a meios pacíficos, em quanto
for compatível com a liberdade desses povos.

190 Miscellanea.
Aproveito esta oceasiaõ para ratificar a V.— a particu-
lar attençaõ com que tem a honra de ser de V.— seguro
servidor.
(Assignado) JOSÉ DE SAN M A R T I N .
Senhor Vice-Rey do Peru, D. Joaquim de Ia Pezuela.

Officio sobre as operaçoen» do Exercito de Chile.

Santiago, 1 de Março de 1819.
Tendo entendido que por causa da ausência do Excellen-
tissimo senhor Capitão General José de San Martin, em
Mendoza, fora para ali a carta, que continha a ultima parti-
paçaõ, que lhe dirigi, sobre as operaçoens do exercito do
Sul, tenho a honra de accompanhar a V. S. uma copia,
para conhecimento do Excellentissimo Senhor Supremo
Director.
Naõ posso incluir agora as copias dos bolletims, a
que se refere a dieta participação, porem cuidarei em
fazèllo, immediatamente que chegue o Chefe do Estado
Maior, em cuja Secretaria existem os originaes. Deus
guarde a V. S. muitos annos.
(AssignadoJ ANTÔNIO GONZALES BALCARCE.
Senhor Secretario de Estado da Repartição da Guerra.

Participação.
Excellentissimo Senhor,—O Commandante General
das armas Hespanholas, o Coronel D. Francisco Sanchez
constante oppressor do terreno de Chile, e o mais tenaz e
empenhado em conservar a occupaçaõ desta provincia,
fica expulso delia, de forma que he mui fundado o asse-
gurar que naõ tornará outra vez a repetir os horrores e

Nos primeiros dias do fomento deste novo plano. e. se puzessem dous mil destes à sua dispo- sição. e me prometteram entregállo. porque lhes faltou resolução para se lançar sobre os poucos cavallos e gado que tinha. Miscellanea. de quam desti- . retirãram-se precipitadamente. como havíamos ajustado. e acampar-se em suas terras. conseguio que algumas partidas delles. Pelas ínformaçoeus contestes. em que pelo dilatado tempo de oito annos a tem tido submergido. para tornar a passar o rio. que tinham ficado. Neste destino usou de quantos recursos estiveram a seu alcance. Em conseqüência disto desoecupou prompta- mente a posição de Angol. pelo caminho das planícies. que tem resolvido refugiar-se. Os índios. Quando effectuou a sua salda desta fortaleza. aproveitando-se da facilidade com que cruzam o rio. para isso. por onde deve ir sair a Tucapel. que comecei immediatamente. para que os dictos índios nos continuassem a guerra. o abandonaram. chegassem com suas correrlas até pòr-se á vista da povoaçaõ de los-Angeles. como éra interessante fazer. naõ alcançou vantagem alguma. o que se naÕ realizou. a fim de que os índios se negassem a levar adiante os projectos de San- chez. em quanto advertiam que se sala a perseguillos. se entranhou pelo território dos índios. e tomou posição em um lugar chamado Angol. Logo que houve tempo para produzirem seu effeito as diligen- cias. que tenho. querendo que. com a força que tinha salvado. por conseguinte. para seguir pela costa até ao lugar. so- mente se alcançou que accabassem de tirar os poucos restos de equipagem. e dirigio a sua viagem pelo fragoso caminho das Cordilheiras. em que todos os passados convém. 191 desgraças. distante daqui cousa de dez léguas. e que prohibis- sem absolutamente continuar suas marchas parar ValdL via. Eu tinha deixado este ponto bem guarnecido. nadando com seus cavallos. logo que teve a noticia de que o exercito estava passando o Bio-bio.

influindo os índios para invasoens. a maior parte segue a marcha a pé e sem çapatos. á sua salda de Angol: accompanham-o grande numero de mulheres. A equipagem de todos os que o accompanham tem ficado reduzida ao vestido que levam no corpo. incluindo as freiras de Concep- tion. os seus viveres naõ passavam de vinte rezes. Saõ tam horrendos os crimes. por meio de uma communicaçaõ. que lhe conduziram os Índios. Entre os últimos saõ os mais particulares os que tem sido declarados ini- go da causa da Pátria. tuido de recursos he o dicto caminho das Cordilheiras. A consideração de um quadro tam lamentável naõ podia deixar de me enternecer. que lhes interessa agora. suas muniçoens ás que tem podido conservar nas cartucheiras. aos prisoneiros naturaes do paiz. e que lbe entorpecem suas marchas. que tem commettido neste paiz.192 Miscellanea. e nos podem ser mui prejudiciaes. e precaver que acen- dam uma guerra. creio que he mui difficil que termine tam dilatada viagem. offerecendo a Sanchez a capitula- ção mais generosa. porém até agora naõ houve algum resultado. todas a pé e descalças. e me informam de que se encontram muitos nos bosques e cordilheiras destas redondezas e nas cabanas dos índios. A todos. Desde que os inimigos evacuaram este lugar. Eu practlco quanto me he posssivel para os attrahir. pelo temor que lhes infunde o comportamento que tem observado. que vam regando com suas lagrimas cada passo que dam. sem experi- mentar estrago mui considerável. que tem vindo buscar a protecçaÕ do exercito. e dos penosos passos que apresenta. que nada o poderá persuadir. se lhes tem dis- persado grande parte de suas forças e continuava a succe- der o mesmo na marcha que seguiam. que possa haver perdaõ para elles. Tem-se-me a presentado um numero crescido. e tra- tei de o remediar. tenho deixado em .

pôde calcular-se em mil e du- zentos homens de tropa de linha quando menos. debaixo do convoy do fragata de guerra aprezada Maria Isabel. N°. de mui boa qualidade : e algum assucar. pois se tinham augmentado com vários reclutas os batalhoens de Valdivia e Conception. De nossa parte.000 maços de tabaco. e o tenho interessado para que persiga os inimigos em sua retirada. e o corpo de dragoens da fonteira. Tem-se-lhe tomado onze peças úteis de artilheria. e que de os ter reunidos resultaria um gravamen infructuoso ao Estado. EustaquioBruix. tendo incendiado e inutilizado o resto das que tinham. Miscellanea. 193 plena liberdade. e oito soldados com um sargen- to. offerecendo-lhe as gratificaçoens que exi- gir. V a m também alguns particulares dos que sempre tem sido affectos a seu Rey Fernando. Todos vám sem equipagem. que acompa- nha a Sanchez. Antônio Matus. Com estes gêneros se fez uma gratificação á tropa. Do batalhão de ca- çadores dos Andes. nosdistinctos ataques que fizemos ao inimigo. se conseguir aprezallos. BB . nos ataques que soffrêram da outra parte do Bio-bio. e deixaram nos armazéns desta fortaleza quantidade considerável de tabaco. um cabo e dez soldados feridos. nos morreram. X X I I I . morto o Tenente D. consiste em quatro centos a quinhentos ho- mens. Consi- dera-se que j a naõ tem direcçaõ nem apoio para voltar a nossos inimigos. com dous soldados feridos: Da artilheira dos Andes um V N L . do regimento de granadeiros de cavallo. Tenho dirigido vá- rios próprios ao Cacique Venancio. A perda do inimigo entre mortos. fugidos e dispersos. e grande numero de muniçoens. ultimo resto da expedição vinda de Cadiz. A força. o Te- nente D . 135. e no Com- missariato se entregou a beneficio do Estado cousa de 200 arrobas de assucar 130. para que se restituam tranquillos a suas casas ou tomem o partido que mais lhes convier. que desde o principio da Revolução se tem mostrado inclinado á causa dos pa- triotas .

que se tem offerecido de vários rios caudalosos. e D. e que desse ponto partio para Concepcion. Joaõ Pedro Macharratini. O Chefe do Estado Maior. pela ordem com que tem condu- zido as tropas de seus respectivos cargos. Sancho Dias. se tem feito credor de toda a distincçaÕ. e me tem ministrado. para vencer os obstáculos. Pedro Barnechea. com o objecto de hostilizar. saõ todos credores de uma particular consideração. e Tenentes Coronéis D. os seus conhecimentos e rela- . D. Jozé Maria Rivera. e em quantas ocea- sioens se tem apresentado algum motivo de perigo. A sua constante actividade. Joaõ Paz dei Castillo. tem desempenhado as suas funcçoens com o maior acerto e efficacia. com utilidade do serviço. Ramon Freyre. e D. Coronel D. O Commandante da Artilheira o Capitão D. assim como o Capitão de enge- nheiros D. que abrio a camppnha com a feliz jornada de Chillan. Nas passagens. Coronéis D. e o mais ardente desejo de chegar ao inimigo. o merecimento alcançado pelo meu Ajudante de Campo o Sargento Major D. tem cumprido com os seus deveres do modo mais completo. Os chefes dos corpos. que tem accreditado o exercito em todo o decurso da campanha me merece o mais alto reconhecimento. e honra com que se tem desempenhado em todas as oceasioens em que tem sido empregados. Pedro Kursky. Manuel Enalada. Isaac Tompson. por aquella parte ao inimigo . soldado morto. destruindo-lhe algumas de suas principaes guerrilhas. Devo igualmente recommen- dar a V. O comportamento. O Coronel D. e tem dado justo motivo de recom- mendaçaõ a seu conhecido merecimento. como tem effectuado.194 Miscellanea. sem- pre se tem observado o maior entusiasmo. E. aspirando sempre á gloria de que- rerem ser os primeiros. no caso de atacar o inimigo. as suas luzes e conhecimentos. Rudezindo Alvarado.

aos 12 de Fevereiro de 1819. Consideraremos primeiramente a impro- babilidade desta ultima circumstancia. Excellentissimo Senhor D. que Sua Majestade man- dara declarar a sua intenção aos Alliados. Deus guarde a V. José de San Martin. E. RETNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL. E . Reflexoens sobre as novidades deste mez. Vinda d'El Rey para a Europa. E. para vir residir em Lisboa. porque lhe naõ tem dado. uma idea exacta dos movimentos do exercito. 193 çoens no paiz. Miscellanea. ocçasiaõ de hostili- . E ALGARVES. se fez também credor de maior apreço. Os buletins que se expedem pelo EstadoMaior daraõ a V. Tornou-se a suscitar de novo o rumor. que foi o primeiro que passou o Bio-bio. em Nacimiento. exigindo porém des- tes a garantia do Brazil. A garantia das Potên- cias Alliadas a favor do Brazil. e desta vez se acerescenta. me tem facilitado as mais importantes diligencias e serviços. (AssignadoJ A N T Ô N I O GONZALES BALCARCE. . Nella tenho regulado as minhas operaçoens.quanto me tem sido possivel. ou tendo em vista aggressoens da parte dos novos Governos Americanos. e do mais que tem succedido durante a campanha. e sem duvida alguma he de- vido a ellas o feliz êxito que tem tido. naõ tem o Brazil necessidade alguma de tal garantia : primeiro. Quanto ás potências Europeas. muitos annos. já tantas vezes repe- tido. Luiz Salvadores. O Sargento Mor graduado D. nem ha motivo algnm de presumir que lhe dê. com as instrucçoens de V. de que El Rey deixa o Rio-de-Janeiro. só podia ser com -respeito ás po- tências Europeas. Quartel General do exercito do Sul.

mas porque convinha aos arranjamentos de outras na- çoens. em que se acha da Europa. Por outra parte. seria tam inútil como escu- sado. levaria a tendência opposta. a mera presença de Sua Majestade no Brazil. pagou El Rey as favas. que he feito da garantia sobre a integridade dos Do- minios de S. naõ será máo perguntar. ficando sem Cayenna. nem ainda parte alguma delle. a fim d* estes cederem outras cousas. acharia em similhante empreza taes difficuldades. por outra parte. M. tidades. e sem nenhuma compensação por ella. elles estaõ por tal maneira oecupados com a sua guerra contra Hespanha. e se Olivença naõ éra comprehendida naquella garantia ? A garantia só servio de obrigar a El Rey a dar aos Fran- cezes Cayenna. assim. bastarão para ter os povos contentes. e dar á opinião publica a direcçaõ conveniente. Fidelissima. nesta crise. em 1810. que todas as mais potências tomadas junctamente. com a menor esperança de bom suecesso. esta garantia a tem o Brazil. nem todas quantas forças tem a Europa pode- riam bastar para obstar a torrente da opinião. Seria logo um manifesto absurdo exigir tam desnecessária garantia. em intruduzir ali algumas reformas úteis. Pelo que respeita os novos Governos Americanos. A mesma Inglaterra. o pedir tal garantia. na sua posição geographica. e um mediocre cuidado da parte de seus Ministros. e distancia. sobre a integridade de seu território. que possa hoje em dia mandar uma expedição a conquistar o Brazil. A auzencia <1' El Rey. quan- . que se restituisse Cayenna aos Francezes. As Potências Alliadas naõ tinham promettido nenhuma ga- rantia á Hespanha. em vez de causar algum bem. porque naõ ha Potência alguma Europea. que éra uma conquista feita com os títulos mais legítimos. Se este ten or se entende dos seus principios re- volucianarios. que tal pro- jecto se devia considerar uma perfeita quixotada. quando.19Q Miscellanea. e pelas consideraçoens presentes. Mas ja que se falia na utilidade das garantias. que he impossivel pensarem em uma irrupção ou acomettimen- to ao Brazil. que ja mais se podem allegar para uma con- quista . que possue mais meios marítimos.

clamando por completas reformas de uma vez. que se tire o arbitrio dos que exercitam alguma parte do poder delegado do Soberano. He assim que. Por aquella noticia se verá. i Accaso he culpa do Brazil. para de con- certo com ella cuidar n* uma regular marcha de administração para os seus Estados Europeos. que tremem até ao cair das fo- lhas secas das arvores : e naõ podemos deixar de lamentar. A p. que . que pessoas mal entendidas em politica levantem desconcertadas vozes. e outros depois chegaram a dizer. e a isto sem duvida attribuimos o naõ ter ido a diante a idea de convocar uma deputaçaõ de Portugal. pouco basta para assustar Ministros. contra as espoliaçoens daquelles que as administram. e sobre tudo. Indignamo-nos de ver. que isto se paõ começa. ao abrigo necessário. para Trieste. 197 do se mandou aquella celebre nota ao Gabinete do Rio-de-Ja- neiro. entre o porto de Trieste. Logo he escusado fallar na utilidade das garantias. nem uma combinação atilada no Ministério. 134 deste N°. quando se deviam dar por mui satisfeitos de ver algum principio. Miscellanea. para fazer que isso seja do interesse das outras naçoens. Ninguém mais do que nós deseja uma boa reforma no Brazil. que Portugal naõ tenha productos seus. e os dominios de Sua Majestade Fide- lissima. quando naõ ha uma força adequada. contra a invasão de Monte-Video. para as fazer pôr em vigor. e que se ponham as rendas publicas. Escriptores injudiciosos clama- ram que isto naõ bastava . mas julgamos que he obstar ao principio o pedir demasiado . daõ aos Ministros boa desculpa. que as exportaçoens de Lisboa e do Porto. para naõ concederem nada. Ha alguns mezes. que afHigem a Naçaõ. constaram meramente de pro- ducçoens do Brazil. pedindo tudo juncto.. publicamos uma noticia do commercio. Nós somos bem de opinião que taes clamores naõ deviam desviar El Rey de seu bom propósito: mas infelizmente. que annunciamos o projecto d' El Rey de convocar j uneto a si uma deputaçaõ de Portugal. que nem a mesma vinda d' El Rey para Lisboa remediaria os males. e alguma cousa da índia.

se deve achar em sua passada injustiça a respeito desse mesmo Brazil. que alguns de nossos Conrespon- . mas todos estes bens seraõ perdidos. e assim se tem obstado a uma lembrança de sua Majestade. do trabalho de seus escravos no Brazil. que pudera ser um canal legitimo para se fazerem representaçoens a El Rey. A sua Inquisição afugenta de seu paiz as riquezas de muitos. Con- tentes os Portuguezes com o que se pôde literalmente chamar. gritam em Portugal que morrem de fome. que as empregariam em fazer produzir a terra novas riquezas: os actos de arbitrariedade dos que governam. que os afflige. que se tem op- posto ao projecto de uma Deputaçaõ. transplantadas de Lisboa para o Rio-de-Janeiro. desprezaram a sua agricultura. Voltando. Portugal he um paiz bean rico. que tanto tem. para que os Portuguezes se aproveitassem exclusivamente do fructo de sua industria. se quizerem unicamente susten- tar-se. Aberto o commercio do Brazil a todas as Potências. pre- vinem que a industria se procure abrigar e recolher n' um paiz. deo-se a isto tal credito.198 Miscellanea. como até aqui faziam. que pudera ser productora de muitos bens.desacre- ditado na Europa o Governo do Brazil. he em todos os res- peitos injusta . naõ po- dia o Brazil negociar com mais ninguém do que com Portugal: os Brazilieuses deviam trabalhar. Euro- peos saõ aquelles escriptores e declamadores. exportar paia Trieste ? A queixa portanto que alguns injudi- ciosos Portuguezes fazem contra o Brazil. á noticia da vinda de Soberano para a Eu- ropa. <* Que culpa tem de tudo isto o Bra- zil ? i Que outra partilha tem até aqui tocado aos Brazilienses. Os Brazilienses nisso naõ tem outra parte mais do que ser victimas dessas absurdas ideas. tam próprio para ella. Antes da mudança da Corte para o Rio-de-Janeiro. e a causa do mal. viver do suor alheio. senaõ a sorte de obedecer i A ley contra as Sociedades Secretas. e todos os ramos de sua industria. e favorecido pela natureza : tem grande variedade e abundância de producçoens . porém. criado e educado em Portugal. he obra de um Ministro Europeo.

pelas ponderaçoens. O commercio Europeo está in- troduzido no Brazil. indisputável meu te legitimo. que El Rey tenha tirado disso todo o partido que pudera. he reconhecido por todas as potências estrangeiras. como he forçoso que o faça. naõ re- conhecidos por alguma potência estrangeira. passasse a sua Corte para Lisboa. apenas cóm a suíficiente authoridade sobre seus subditos . que havia de segurar a El Rey em Lisboa estas vantagens. que cercam seus Estados. que lhe resultam da sua residência no Rio-de-Janeiro ? Naõ queremos dizer. forma importantes ligaçoens. sugeitos a mudanças . na America Hespanhola. para acompanhar a El Rey. quanto á estipulaçaõ primordial de negociar no Brazil. que lhe provém destas circumstancias. O casamento do Principe Real com uma Archiduqueza de Áustria. se éra certo o que naquella cidade corria. a estada do Soberano no Brazil lhe dá a maior preponderância nos negócios da America. Ao mesmo tempo que consideramos o Governo de Sua Ma- jestade tam bem consolidado no Brazil. que acabamos de expor . em taes conjuneturas. acabando agora de nas- cer. porque naõ affectaria o commercio estrangeiro no Brazil. 199 dentes fios mandaram perguntar de Lisboa. vistos os tractados. de que se preparava em Inglaterra uma esquadra. para naõ parecer ambicioso. conservando-o á Inglaterra. talvez uma contem- plação demasiada paia com a Corte de Hespanha. que uaõ poderiam agora 6er ab rogados. até por tractados. Agora i qual seria a garantia. No momento actual. se. na sua viagem para a Europa. o tenham . O Governo d* El Rey. vemos que os novos Governos. antes que adquiram uma forma estável. e que aquelle Governo naõ poderia negar ás demais po- tências. Logo a vinda d' El Rey para Portugal naõ mudaria as circumstancias deste paiz. Miscellanea. que necessariamente devem soffrer. Talvez uma mal entendi- da moderação. e El Rey perderia toda a influencia. com uma das mais con- sideráveis Cortes da Europa. mal formados ainda. devem pela natu- reza das cousas muito depender do ja firme e reconhecido Go- verno vizinho do Brazil.

que em tam breve espaço de tempo Conheceram os Governadores do Reyno. que nenhum homem racio- navel desejaria tomar por modéllo. mesmo os fins a que se propunham . Mas. em que estribam as suas resoluçoens. he em ponto de formalidade. e desmanchando hoje por um aviso. Supponhamos. na substancia. Importação do trigo em Lisboa. Mas. dirigido ao Inspector do Terreiro daquella cidade. dahi virá uma prohibiçaõ total. que para o mez que vem diz alguém. prova que obraram sem suíficiente conhecimento de causa. explicam esses Senhores ao mundo os funda- mentos de área. quer o Governo do Brazil tenha feito quanto pu- dera quer naõ. a mesma emenda. ou acceleraçaõ. Para mostrar a ignorância dos que ordenaram esta medida. o que tinham determinado hontem por outro. o desamparar aquelle posto seria dar toda a van- tagem a seus rivaes . á que se haõ de ater. e tributos em gêneros da primeira necessi- dade. e estamos bem certos. por um mero Aviso. 113 um aviso do Governo de Lisboa. basta observar. que soubessem adiantar seus interesses. e depois outro. orde- nar uma medida de tal magnitude por um mero Aviso do Se- cretario do Governo. que naõ fazem honra ao character de nenhum Governante. he mostrar. Deixamos copiado a p. que outros monarchas postos em seu lugar naõ teriam hesitado approvei- tar. uma imitação dos Governos da Barbaria. impedido de tirar um partido das circumstancias. sem que os negociantes de trigos sáibfiin a regra. pelo qual se manda augmentar o tributo. que naõ faltariam naçoens estrangeiras. com a execução de tam errada medida. que se olhou para a matéria com uma leviandade.200 Miscellanea. tam promptamente seguida á sua primeira ordem. que ette mesmo tributo agora naõ basta. que o que tinham feito naõ éra capaz de obter. . imposto na importação do trigo estrangeiro. impôr-se-ha outro. Impor tributos.

porque o naõ ha mais próprio para a cultura Io trigo do que he Portugal. que está sem emprego. N*. a maõ d' obra he muito mais cara. No entanto. que em Portugal. Tomáramos ver um Aviso. XXIII. pois tam pouco o terá este para augmentar a cultnra do trigo em Portugal. vistos os grandes preparativos.Naõ se deverá examinar. porque o trigo em Portugal naõ he mais barato. e se isso assim he. se passam estes repe- tidos Avisos para impor tributos no que se importa. o que naõ duvidamos . aonde ha falta de gente. nas naõ se fará em quanto naõ ap- parecer o Aviso de que falíamos acima. que obstáculo ha para que essa gente vá cultivar a terra. As operaçoens da guerra. e se este se encarece impondo tributos no paõ ? Tudo isto se deve fazer. AMERICA HESPANHOLA. e se esse preço deve augmentar. que éramos levados a esperar. naõ vendo nós que se dem providencias algumas para augmentar as plantaçoens do trigo. he . sem que para isso se adoptem outras providencias. augmentando o do manti- mento . s Naõ valerá a pena de indagar a influencia. 135. cc . em Venezuella. e muito mais barato do que pode vir dos Estados Unidos ? Naquelle paiz. Miscellanea. e haja paõ em abundância. logo a questão que se deve examinar. Esta falta pois naõ provém da falta de gente. também naõ pode provir da má natureza do terreno ou do clima. que haviam annunciado terem feito ambas as partes VOL. que mandasse ter juizo aos que governam* : naõ teria effeito . se o preço dos jornaes influe na carestia dos produc- tos. e fazer que o povo coma o paõ mais caro. nas faltas da agricultnra ? tf. quando o podia comer mais ba- rato. que ha muita gente. e mais abundante do que nos Estados Unidos. 201 As queixas de Portugal saõ. que tem o recru- tamento das tropas. naõ tem tido oa progressos.

Eu vos escreverei brevemente. e extraordinária coragem. O único feito importante. sem.500 ho- mens. rompendo-a com a nossa carga. na direcçaõ do ini- migo.000 homens. cheios de enthusiasmo. porém. Elle soube. o nosso valente Santander recebeo um officio. 16 de Abril. aonde tomamos as posiçoens. consta da seguinte carta do Coronel Ildefonso Pare- des. Santander. n'um a breve e animada falia. por tudo. Meu Charo Monteburne:—Estando agora oecupado em re- colher os prisioneiros. que naturalmente possue grande pre- sença de espirito. com Iodas as particularidades." O inimigo nos apresentou a mais formi- dável apparencia: a sua força. declarar a sua força. em Angos- tura. Santander publicará logo um buletim a res- peito desta acçaõ tam gloriosa. em Nova Granada. informando-o de que o exercito de Sancta Fé de Bogotá vinha avançando contra nós . que consistia em um numeroso corpo. nem outras circumstan- cias. a significação da deviza. em tal maneira. montava a 3. porque todos que naõ foram mortos fcáram prisioneiros. contendentes. atacou furiosamente a do inimigo. que distin- gui a o exercito de Venezuela. que naõ po- dia montar a menos de 3.202 Miscellanea. e quando começou a acçaõ. Portas de Santiago de Poré. porque os Hespanhoes disputavam o terreno com tal valor. e derrotando-a interamente. No entanto contentai-vos com . naquella parte da America. e dirigida a um seu amigo. e a nossa linha. que nenhum se pôde salvar pela fugida. Quando estávamos na cidade de Trinidad. juncto ás portas de Santiago. confesso-vos que muito des- esperei de ter bom êxito. avançando. Com a maior actividade tomou as convenientes posiçoens e tendo saido do quartel ge- neral marchamos. que pareeêram mais van- tajosas e cada um de nossos soldados adoptou a divisa de " vencer ou morrer. Santander enviou logo uma partida a reconhecer o inimigo. que naõ se podia esperar de seus servis coraçoens. que he o chefe do Estado Maior do Exercito de Venezuela. Instantaneamente resoou de toda a parte o grito de vencer ou morrer. lembro** ás tropas. vos escrevo esta de cavallo.

que estava em Salinas. commandada pelo Coronel Arana. e a estação das chuvas. que fizesse uma soi tida. ILDEFONSO PAREDES. que se aproximava. Julgava Morilho. ítc. e se retirasse para San Carlos. donde dizem que proseguiria para Valencia e Carracas. Vosso. e Bolívar ia na direcçaõ de Varinas. Morilho despachou. Miscellanea. e destruísse de todo. cui brlam-a porem os generaes Marino e Cedeno. e acabaremos este negocio. fizeram com que Morillo deixasse a sua posição em Achaguas. ficara aquella capital desprovida de tropas. Temos ajunctado toda a sua artilheria. Depois desta acçaõ. marchava de Santa Fe a unir-se ao exercito de Morillo. e composta de todas as suas forças nesta pro- vincia. com as tropas.000 prisio- neiros : o resto esta estendido pelo campo da batalha. este desastre. e o regimento de La Reyna. e o resultado foi o que se descreve no seguinte:— Bullctim Official Tenho a honra de informar a Vossa Excellencia. o seguia. quando foi derrotada por Santander. destacamento do General Morilho. contra Ango- stura. que elles ali tem. O General Paez. O. e grande quantidade de armas e muniçoens. juncto a S. a qual se suppunha sem guarniçaõ. picando-lhe a retaguarda. que com a saida de Boliva- para o interior. com 1300 homens. e que a queimasse. contra a divisão Hespanhola. Diego. A divisão Hespanhola. um desta- camento de 1500homens. com tudo. muni- . todos os seus armamentos. de que falia esta carta. Santander marchava para Tunja. encontrou-se com os outros em Cantaura. Mais de mil corpos mortos. de uma completa victoria. Marchamos agora sobre Sancta Fe de Bogotá. aos 12 de Junho. 203 saber que do exercito do inimigo temos cerca de 1. em Maio. que acabou de alcançar o exercito debaixo do meu commando. que de Cumana se lhe veio unir.

e que se esperava fossem mandados recolher todos os des- terrados. cavallos. sabemos. de- baixo do commando do General Urdaneta. que se lhe propoz. ás ordens do Almirante Brion. instrumentos músicos. o que sem duvida será da maior utilidade para aquelle paiz. e manda commissarios a Ingla- terra com o fim de ajustar os emigrantes e determinar os ar- ranjamentos prévios . Dizia-se. Uma carta de Buenos-Ayres de 13 de Maio diz. para colonizar o paiz. grande facilidade em Inglaterra. ou território que está nominalmente debaixo do commando de Artigas. a fim de concluir um tractado definitivo . e Corrientes.500 a 3. que Pueyredon acabava o seu lugar de Director aos 25 daquelle mez. cairam em nossas maõs. e que encontrará. As tropas recrutadas em Inglaterra. saíram dali aos 13 de Junho. 12 de Julho. papeis. A Sua Excellencia o Vice Presidente do Estado. 1819. O Governo de Venezuela aceitou e ratificou um plano. AmanhaS escreverei a Vossa Exellencia as particularidades da acçaõ. que se aca- bava de publicar a Constituição formalizada pelo Congresso. que aos 8 de Maio tiveram a sua primeira conferência os Depu- tados de Buenos-Ayres. General em Chefe. çoens. excepto Alvear. que houvesse de assistir algum deputado. Cantaura. Este armamento constava de 2. (Assignado.204 Miscellanea. pela Banda-Oriental. embarcados em 13 navios de guerra. pelo numero de gente.000 homens. Por noticias de Monte-Video de 14 de Maio. que o seu destino éra Caracas. e consolando os feridos de ambas as partes. bagagem. e que estiveram muito tempo detidas em Margarita. neste momento. Entre-Rios. gado. Eu estou ainda exminando o campo de batalha. e 5 trans- portes. . Sancta F é . que se acha desoccupada. &c. por crimes politicos.) SANTIAGO M A R I N O . mas naõ se nos diz.

Chacábuca corveta. Naõ somente está todo o seu território livre de inimigos. para propor ao Vice-Rey a troca de prisioneiros. Lord Cochrane. Por noticias vindas pelos Estados Unidos se sabe. caio em poder de Lord Cochrane. 200 homens. que possue o Governo de Chile. e 480 homens. dará o ultimo golpe á domina- ção Hespanhola nas costas do mar Pacifico. 1 Francez. eram Hespanhoes. no o I de Março . ainda que os fracos meios do gabinete de Madrid lhe permittissem mandar algumas tropas para outra parte da America. Capitão Wilkinson. fragata (que foi o navio da índia Windham) de 52 peças e 350 homens . mas nem tem os rivaes internos. com um official e 40 soldados. Aos 8 de Março mandou Lord Cochrane uma bandeira de tregoa. consta agora dos seguintes vasos. que copiamos a p. que os amedrontem. 205 0 Governo de Chile parece ser. La Jore.. com a cerra- çaõ de nebrina. de todos os novos Governos da America Hespanhola. A perca dos Hespanhoes. que naõ havia senaõ dez vazos (6 Americanos. Inglezes Ameri- canos e Chilenos. Como esta parte da America he a mais distante da Europa. por se metter no meio de sua esquadra. San Martin (que fora um navio Inglez da índia. Capi- tão Guise. mostra a aproximação do ataque contra o Peru. 0'Higgins (que foi Hespanhol) de 44 peças. se for bem succedido. o que foi regeitado pelo Vice Rey. que ali se acha- vam. chama- do Cumberland) de 60 peças. A esquadra. quasi todos Inglezes. 121. no ataque feito por Lord Cochrane. e uma equipagem de 300 homens . 3 Inglezes) estrangeiros em Callao quando Lord Cochrane expedio a sua proclamaçaõ de bloqueio : todos os mais vazos. Capitão Foster. e foi repulsado. que ainda causam difficuldades ao Go- verno de Buenos-Ayres. que naõ chegarão ali da Hespa- nha soccorros. Capi- . que. 24 peças. Lord Cochrane fez um ataque contra o porto de Callao. A proclamaçaõ de San Martin. contam por isso os Chilenos. o que se acha mais consolidado. foi de 15 mortos e 3 ou 4 feridos. Uma barca canhoneira Hespa- nhola. Miscellanea.

brigue. Aricano. o seguinte he o mais notável nas ultimas noticias. 15 de Fevereiro de 1818.206 Miscellanea. que o Vice Rey do Peru. 10 peças. corveta. Esta circumstancia se acha re- ferrida na carta. 36 dicto. devem pre- cisar hoje em dia de suíficiente numero de religiosos. se encarrega aos Reverendos Padres Provinciaes de todas as Communidades. com o conhecimento de que ali sa5 muito mais necessários do que no resto do Estado. e tornou-lhe a enviar os seus que lhe tinha mandado. depois da batalha de Maipó. brigue. 16 peças. 18 peças. Se lhes imporá a obrigação de . em con- seqüência dos estragos. Horatio. Para remediar este mal opportunamente. nem tractar com estylo da guerra o General San Martin. que publicamos o a p. este recusou trocar somente os quatro of- ficiaes que pedia o Vice-Rey do Peru. e na qual o Gene- ral San Martin naõ tracta o Vice Rey do Peru por Excellencia. Decreto para a conservação dos Conventos. preferindo-se os vitruosos. 35 peças. e nomeou os quatro que se lhe deviam remetter : mas porque naõ quiz escrever officialmente. chalupa de guerra. escuna. Quanto ás medidas do interior. que nomeem promptamente prelados e conventuaes. 94 homens. no numero que for possivel. Santiago. mas simples mente por V como o outro o havia tractado. taõ Carter. Golvereno. que daquelle paiz recebemos. Capitão Speigh . 120 homens. 18 peças. Repartição de Governo. 186 . Mandou para a troca quatro officiaes. Rosa. Cu- raçoa. Chileno. P uchelon. pedira ao Governo de Chile uma troca de prisioneiros. As casas regulares da provincia de Conception. que tem feito a guerra. babeis e patriotas decididos. Capitão Ramsay. Havíamos annunciado. no político e mo- ral.

ALEMANHA. 207 pregar em cada convento. lhes manifestarão a justiça do systema liberal. (Assignado) 0'HIGGINS. depois de instruir os povos nos pontos da doutrina Christaã. (Contrasignado) ECHEVERIA. por meio da uniaõ e do respeito às authoridades con- stituídas. no nosso N°. que nomearem para cada convento (Assignado) 0'HIGGINS. ficando informa- dos de que devem dar-me parte dos prelados e religiosos. passado. como he natural quando procedimentos criminaes se fazem em segredo. além de seu instituto peculiar. nas quaes. (Contrasignado) ECHEVERRIA. p. e se envie aos dictos Reverendos Prelados para seu cumprimento. 15 de Fevereiro. 96. os ru- mores de uma associação politica. que ha de applicaçaõ para sua sub- sistência. que se diz medita em segre- do planos de tendência perigosa. e a ob- rigação. que lhe pareçam convenientes para isto se obter. Miscellanea. Haviamos annunciado. que tem todo o cidadão de co-operar para a felicidade da pátria. abandonado pela emigração de seus Conventuaes. Santiago. dando-me uma noticia documentada dos fundos. e. o Reverendo Padre Pro- vincial de S. Transcreva-se este decreto. Tem-se ao depois feito muitas prizoens principalmente em Prussia. Sendo de summo interesse á causa publica o restabelicimento do collegio da recollecçaõ Franciscana de Chilan. de 1819. ao menos duas practicas semanaes. Francisco me informará sobre os meios. os rumores tem . e de suas obrigaçoens particulares no político e moral.

a saber . se suppôem innocentes e perseguidos. que a qualidade respeitável de algumas das pessoas prezas. os prezos. o Principe de Merternich. mas um artigo das Gazetas de Vienna. diz. o Conde Spiegal. que pela mesma ignorância em que se está da natureza de seus crimes. Disse-se ao prin- cipio. e o silencio que se guarda a respeito de seus crimes. Qual o resultado. e do segredo do Governo. e servir-se deste prete xto. para ajunctar fundos. e os Se- nhores de Kamitz. mas todos os de Alemanha. . e que o Governo Prussiano se tem ap- proveitado de expressoens imprudentes de alguns poucos de in- dividuos. he im- possivel formar idéa clara do verdadeiro estado da questão. que as pessoas prezas saõ membros de uma extentissima conjuração. que tal idea deve ser errada. Outros dizem. e o ódio contra os Governos que os mandam prender : assi m se abriram subscripçoens na Alemanha. mas o certo he. Da parte de Áustria assistirão naõ menos de cinco Ministros . de certo tem servido para lhes attrahir muito ódio. e qual tem de ser o objecto de suas discus- soens naõ parece ser ainda bem conhecido. só o tempo poderá mostrar Vai ajunetar-se em Carlsbad um Congresso de Ministros de varias Potências . que fizera á sua naçaõ. visto que Rússia também enviará um Mi- nistro a Carlsbad. dado a estes acontecimentos characteres mui oppostos. que este Congresso só tinha em vista objectos relativos á Alemanha. para aceusar toda a Alemanha de conspiraçoens e tramas que naõ existem. para naõ cumprir as promessas. de Mercy . No meio destes rumores. Gentz. se he bem pensado para os fins de sua segurança. Dizem uns. tem excitado a compaixão geral a favor dos que saõ pre- zos.208 Miscellanea. que tem em vista nada menos do que destruir naõ só o Governo da Prussia. o que naõ sabemos. e essas subscripçoens se annunciáram ja também em Inglaterra. com que se soecorram. e Mr. Assim o segredo dos procedimentos daquelles Governos. que naõ ha tal.

com tanto que os mais Estados da Alemanha façam o mesmo. o que ordena o mesmo acto no artigo 1 9 . A Dieta resolveo sobre isto : I o . para comparar as declaraçoens. e posto que se disse a principio. Requerer outra vez aos diversos Governos. sobre esta matéria. parece agora que enviará a Carlsbad o Conde de Jaucourt: posto que algumas gazetas Francezas ainda negam esta circumstancia. Receber a proposição para discuçaõ : 2 o . que tiverem representaçoens a fazer. que as re- metiam com toda a brevidade posssivel: 3 o . e parece que a Corte de Prussia está prompta a cooperar nesta execução. Nomear uma com- missaõ. XXIIL N°. allegando a disposição do Acto de Confederação. 209 Esperam-se também em Carlsbad Ministros de muitas Cortes de Alemanha : O Conde de Buol. e que naõ podemos olhar senaõ como conjecturas. achamos um que diz. a fim de que VOL. As Casas Gram Ducal e Ducal entregaram á Dieta. na sessaõ seguinte. demorar os progressos do systema representativo. Miscellanea. o Conde de Goltz . e introduzir mudanças essenciaes na organização das Universidades de Ale- manha. sobre o objecto das conferências em Carlsbad. em Frankfort. Entre os diversos rumores. 135. relativa á liberdade do commercio e communicaçaõ entre os Estados da Confederação Alemaa. e referir á Dieta os seus resultados. em que se explica a razaõ. t> D . de Schauenstein . que o fim primário destas conferências he suspender a execução do artigo 13 da Confederação Germânica. e que convenham na prohibiçaõ das fazendas estrangeiras. que se receberem. em todos os seus dominios. uma proposta ou declaração. porque saõ tam peculiar- mente interessados nas memórias apresentadas aos Ministros sobre esta matéria. Os embaixadores tiveram ordem de re- querer a decisão deste ponto. Depois passaram a mostrar a possibilidade de pôr em practica. que a França naõ mandaria ali Ministro. Ministros das Cortes de Londres e Berlin.

210 Miscellanea. naõ segundo o seu entendei-. na dissolução da assemblea dos Estados. e dar-lhe conrespondente satisfacçaÕ pela gravíssima injuria de ser conservado em prisaõ. e por este meio chegou aos olhos d' El Rey de Baviera a narração de uma cruel injustiça. escusado he o deixar-se essa matéria á deliberação dos Estados. mas conforme á vontade do Gram Duque. examinou a verdade. Achamos um facto recém-acontecido em Baviera. pela razaõ de que elles naõ impuzéram tri- butos na somma. sem crime. O certo he. BAVIERA. practicada por sua ordem. o Morning Chronicle. of- ficial do Correio em Baviera. que se os Estados tem de impor os tributos. pelo espaço de cinco annos Consta pela carta do Avogado de Offner. sem sentença nem processo. que lhe fizera . Parece que se tem excitado em Baden mui grande sensação pela abruta terminação dos trabalhos dos Estados. El Rey com uma promptidaõ. e repenti- namente os disolveo. e agradecendo-lhe o beneficio. escripta ao redactor do Morning Chronicle. pela politica de Cortes estrangeiras. que o Gram Duque éra mui bem affècto aos Estados. BADEN. foi influído em seu comportamento. foi prezo. O Gram Duque de Baden. segundo um artigo das gazetas de Heildeberg. Houve quem fizesse publicar isto em uma gazeta de Londres. mas de cujas circum- stancias verdadeiras ninguém o tinha podido informar. Joseph Oiiner. que aquelle soberano desejava : mas he claro. conservando-se incommunicavel por muitos annos. e conhecido o caso mandou soltar Ofiner. que demons- tra os benefícios da liberdade da imprensa. se possa entrar na discussão com todo o conhecimento de causa. e seus papeis appre- hendidos. que faz honra ao seu character.

como estes limites naõ abraçam 400 milhas quadradas de território.OOO florins. porém. que o Governo Americano reclamava dantes. como inclusas na cmsaõ da Louisiana. antes do tractado. data de 2 3 de Junho. Miscellanea. 1819. pelos seus sofFrimentos. no dia em que casar. mas de toda aquella parte da Louisiana. reclamava. Percebereis. em forma militar. de lo. Naõ somente os Estados Uni- dos tomarão posse das Floridas. por toda a vida: a pensaõ annual a sua mulhei depois de sua morte : uma pensaõ vitalícia de 300 florins a seu filho. florins. e está tomando medidas em conseqüência disso. de que Fernando poderá naõ ratificar o tractado. que ella case : uma compensação ao mesmo Offner.000 florins. annuaes. Extracto de uma carta de Washington. pelas condiçoens do ultimo tractado. que se concordou nos limites da Louisiana . descontados de seu salário. que achamos publicado nas gazetas Inglezas mais accreditads.823 florins. be obvio que se o tractado nao . dentro em pou- cos mezes. pagos a sua filha. " O Governo dos Estados-Unidos está perfeitamente sciente. 211 com sua publicação . que se fez a Offner a compensação. e foi. Limitaremos o que temos a dizer a respeito dos Estados-Uni- dos.000. um dote de 3. para seu sustento na prizaõ : os atra- zados de 272 florins. uma pen- saõ vitalícia de 150 florins á mesma. ESTADOS-UNIDOS. se seu pay morrer antes. o pagamento de 1. Naõ achamos porém que se decretasse o castigo dos que ti- nham feito o mal. que se lhe deviam de umajornada a Brixen e Kempton : uma pensaõ de 900 a 1. que o Gover- no. que seu Advogado julgou justa. transcrevendo aqui o seguinte.

e dahi veio soffrerem os cida- dãos Americanos immensos damnos.000 àe . O simples facto he. sobre o theor literal e em espirito. Muitos Edictores de gazetas Inglezas e Francezas tem dado estranhas idéas. o Governo Americano conseguirá exactamente o que ha tanto tempo deseja. Estes escriptores parece que tem olhado para a questão somente por uma face. excedendo em valor a 20:000. se se permittir que as Floridas caiam debaixo do domínio desta Republica. Uma grande porçaõ dabella provincia de Texas. que se alguma das naçoens civiliza- das da Eropa houves se recebido a décima parte dos damnos. segundo a construcçaõ.212 Miscellanea. que a Hespanha tem feito aos Estados-Unidos. que nunca tem executado. naquele tractado. que o Governo dos Estados-Unidos tem mantido. sem cerimonia. e tremendas conseqüências. inquestionavelmente teriam declarado a guerra. que tem os Estados-Unidos. que respeitavam os interesses dos Estados-Unidos. ou pela falta de informação na matéria. sobre a ambição devoradora dos Estados Unidos. e particularmente a convenção de 1802. que. Percebereis. e possuísse os mes- mos meios. ou pelos prejuízos nacio- naes . mais do que promessas solemnes. que lhes deo um deposito com- mercial em Nova Orleans. lançar a culpa de duplicidade sobre o Governo Hespanhol. que se devem seguir. e mui considerável parte do Novo México estaõ comprehendidas na cessaõ da Lousiana. for ratificado. de obter amplo e prom- pto desaggravo nacional. por tanto. porém quasi todos os artigos. que os Estados-Unidos tem estado em controvérsia diplomática com a Hespanha. sendo as suas propriedades confiscadas. do instrumento da cessaõ. isto he. sem ter obtido ne- nhuma outra satisfacçaÕ. ficará a questão dos limites como estava antes do dicto tractado. e por tal maneira que somente se pôde explicar. Fizéram-se tractados subsequen- tes com a Hespanha. Antes da cessaõ da Louisiana fizeram os Estados-Unidos um tractado. Propriedade Americana. foram violados pelo Governo Hespanhol. Ha mais de 24 annos. no caso da naõ ratificação do tractado. Esta condicçaõfoi mui flagrantemente violada pelo Governo Hespanhol.

eram sugeitos a confiscaçaõ. com bandeira dos Estados- Unidos. vários navios. que tam essencialmente accelere a emancipação de todas as partes da America Hespanhola. por alguns passos sumniarios e decisivos. durante o periodo dos famo- sos decretos de Berlin e Milaõ. e que agora. [213] 113 dollars. em di- recta infracçaõ do tractado existente. do di- niinio de Hespanha. Esta longa lista de aggravos ficou totalmente sem remédio. exahi. que fosse capturado no alto mar por alguma potência belligerante. Estai certo de que. Miscellanea. o Governo dos Estados-Unidos ajustará os pontos em disputa. que recentemente negociou Mr. como prezas. Isto he copia literal de muitos dos decretos das passadas Cor- te* de Almirantado de Lima e Chili. Carholica. como he uma contenda aberta entre os Esta- . Durante aultima guerra com a Gram Bretanha. que faz desnecessário. que hesita ra- tificallo. mandaram para portos Hespa- nhoes. de maneira tam notória. ao presente. como contrabandis- tas. sem licença de Sua Majestade. taes como dizer-se que todo o Oceano Pacifico. e as equipagens de- viam ser condemnadas a trabalhar nas minas. e que todos os va- sos achados em qualquer parte daquelle Oceano. dizer sobre isso mais cousa algu- ma do que mencionar simplesmente o facto. levados para seus portos. grande numero de navios e cargas America- nos. e condemnados pelos mais absurdos pretextos . pa- rece ter tanto desagradado o Governo Hespanhol. que qualquer vaso ou propriedade Americana. e mandada para portos de Hespanha. foi confiscada e vendida em portos Hespanhoes. nem satisficçaõ alguma da parte da Hespanha. Talvez naõ haja acontecimento. foram capturados por corsários Hespanhoes. em conformidade de po- sitivas instrucçoens de seu Governo. se a Hespanha o naõ ratifica den- tro do termo prescripto. que ali foram condemnados e vendidos. fosse immediatamente resti- tuida aos proprietários. e todas as ilhas nelle eram propriedade d e S . M. No Oceano Pacifico. Em despeito desta especifica es- tipulaçaõ os corsários Francezes.de Onis. permittio a Hespanha que a neutralidade do território da Florida fosse violada. até o tractado. Estipulou-se expres- samente.

em um momento tam cri- tico como o presente ? Se Fernando persistir em sua obstinação. que aliás se naõ podiam effectuar pelos meios ordiná- rios. naõ ob- stante tudo o que temos ouvido a respeito da sua submissão. em todas as cidades e em todas as aldeas do paiz. A população dos Estados deKentuki. calculada a excitar uma ruptura com os Estados-Unidos. Naõ saõ os bandidos in- surgentes. e o povo do Antigo México. que saõ os inimigos do Governo Hespanhol: em varias partes do Império Mexicano. logo que se offerença oceasiaõ própria. Independente o México. entre os outros instrumentos. na presente lucta entre Hespanha esuas colônias. e mui importante aos futuros interesses dos Estados-Unidos. naõ somente se acharão exonerados do systema de neutralidade. a inimizade existe na classe mais alta assim como na mais baixa da socie- dade. e Louis- iana. para o fim de effectuar aqueilas importantes medidas nos negócios das na- çoens. brevemente decidirá a sorte do resto da America Hespanhola. mas até ficaráõ em liberdade para pro- mover uma causa congenie aos interesses do seus cidadãos. ese mos- trará. isso me induzirá a crer que elle he um. Ohio. está prompto a quebrar suas cadêas. para a libertação de México. entre Hespanha e os Estados-Unidos. que o Supremo Director do Universo julga próprio empregar.214 Miscellanea. como lhe chamam. do que a adopçaõ de uma carreira. A inde- pendência do império Mexicano será o primeiro e inevitável fructo de uma ruptura. mui gostamente forneceria 20 ou 25 mil homens. Tenessee. Portanto j pôde cousa alguma mostrar mais palpavelmente a loucura do Gabinete Hespanhol." . dos-Unidos e a Hespanha. porque entaõ. como pouco mais do que uma partida de caça. Os habitantes de todo o Novo México desejam anxiosamente sacudir o jugo Hespanhol.

se entregou á authoridade a formação dos jurados. de que se fez um crime a M. unido á formação dos jurados. fazia quasi segura a condemnaçaõ do réo. e sempre em effeito : a in- stituição dos jurados. assim auxiliadas pelos Prefeitos e pos- tas debaixo da influencia directa do Governo. Podiam privar os cidadãos de sua liberdade. Pelo que respeita a formação daquelle Código crimina]." Outra passagem. No entanto daremos a conhecer quaes eram as opinioens do Pro- fessor Bávoux. quando elles assim o quizessem. que dependia de sua vontade. mas teve asentença de absolvição. alguas vezes directamente. fo- ram perfidamente conservadas. O poder. o character desconfiadoe . diz M. Bavoux. e o Governo também julgou necessário castigar o Professor. que foi promulgado por Na- poleaõ causaram partidos e distúrbios entre os estudantes. no anno 4 o . proces- sos públicos. que res- tava. 215 FRANÇA. que tinha feito nos annos precedentes. foram armadas com mui grande poder. em suas liçoens. liberdade individual. e chegar ao nivel dos conhecimentos do século. he a seguinte:—" Apparece. As corporaçoens judiciaes. que motivaram os procedimentos contra elle. contra o Código Criminal actual. A humanidade perdeo todas as con- quistas. Miscellanea. longe de continuar em seus progressos. pareceo mover-se em uma direcçaõ retrogada. Tor- naram a admittir-se muitos dos defeitos de nossa antiga jurispru- dência. As pomposas palavras de jurados. ficava inteiramente privada de sua efficacia. Bavoux. " A legislação. que estava tam adiantada em 1791. e conservállos por long 0 tempo nas cadêas sem os processar. Tudo quanto havia de grande. mas ficaram sem sentido. e generoso no nosso direito criminal. foi indigna- mente riscado delle. com os mais leves pretextos.neste Código. para cujo fim foi processado. Até pelo temor da sombra delia. como temos visto. que se deixava á sua discrição. Algumas observaçoens do Professor Bavoux. independência judicial. a este respeito.

uina existência real. havia aquella manifestação externa. executado em Paris por ter pensado de assassinar Henrique I I I . que mostrava.216 Miscellanea. em quanto he possivel o mal que resulta de um crime e* Como pôde a concepção. suspeítoso do Governo Imperial (de Bonaparte) na primeira classe de crimes. ainda quando elle se parou pela livre vontade e reflexão do culpado. Ao menos pois. neste caso. actos que a posteridade tem carregado com a constante e universal execração ^ naõ saõ assim legalizados pelo nosso Código actual ? Desviar-se da regra com- mum no crime de lesa-majestade. mas indo mais adiante submergiino-nos na incerteza. que o criminoso naõ se limitava á imaginação. em Paschoal José de Mello. castigando o principio da exe- cução de um desígnio. que naõ tem produzido mal algum. ser objecto de castigo. e quando vemos na ." O Professor explicou entaõ a distincçaÕ. éra isto obrarem directa opposiçaõ á mais pura moral de todas as religioens . dam a um conheci- mento futuro. imagina planos e crimes contra o principe e sua familia. O legislador e o juiz se submergem a si mesmcs na falibilidade." Da natureza destes extractos eram os discursos daquelle Pro- fessor . fechar neste caso todot> cami- nho para o arrependimento. suas criticas rigorosas contra muitas leys Portuguezas. e d i z . e a executada. a pezar da enorme differença que existe entre elles. que Dionysio de Siracusa punio como crime de Lesa Ma- jestade. a morte do cavalheiro. e applicai-lhes os castigos pro- porcionaes á sua consistência ou realidade : além disto. O que achamos notável he. O sonho de Marsy- as. pezar os pensamentos em uma balança. " So- mente pertence aquelle. entre a acçaõ meditada. que elle puzesse na mesma graduação as tentativas e os actos consumados. e atacam uma sombra em vez de atacar uma substancia. mas éra um grande sa- crifício que exigia a sanctidade do monarcha. que se faz em todos os crimes. que lê o que naõ está escripto. se o fira das leys penaes he resarcir. contra a segurança interna e externa do Esta- do. Naõ nos admiramos de que o Legislador se occupasse com este crime mais do que com nenhum outro. e quando lemos.

foi in- formado da existência de uma conspiração. acantonadas juncto a Cadiz. e dispersou os regimentos por varias aldeas na Andaluzia. 217 Inglaterra. e em todas as mais naçoens civilizadas. naõ saõ muito conformes. El Rey publicou uma ordenança. Havíamos annunciado. Como as noticias particulares. Na verdade. Miscellanea.000 homens. que mostrava os dissençoens no Ga- binete: agora temos de mencionar outra. aos 11 de Septembro. Outra ordenança similhante manda covocar o collegio electo- ral de Corsica. naÕ sabemos quaes pos- sam ser as melhores fontes d'onde nos possam provir os mais puios conhecimentos de legislação . jnlgamos necessário dar o seguinte ex- tracto da Gazeta de Madrid: " Alguns movimentos. Effectuaram-se estas operaçoens sem a menor V O L . uma revolução no Ministério de Hespanha. que está determinada a seguir. cavallaria. para nomear os membros. ordenando a convocação dos CollegiosElectoraes da terceira série. O commandante em Chefe. tantos escrip tos dirigidos a mostrar os defeitos na legislação. em numero de 4. que patentèa p descon- tentamento entre as tropas . 135. e artilheria. e se isto naõ he permettido a um professor de direito. Saio de Cadiz na noite de 7 para 8 do corrente. e dá bem a conhecer quaes saõ as difficuldades contra que a Corte de Madrid tem que contender. e ajunctou algumas tropas na Ilha de Leon e Puerto Real. mal podemos entender por que justiça se julgasse isto um crime na França. e no porto de Sancta Maria. em conseqüência de systema político. sobre o importante aconteci- mento da rebelião das tropas. que se observaram em Cadiz. Fèllos depor as armas.000 homens. HESPANHA. Com esta força in- vestio o campo de Victoria. prendeo e degradou os officiaes. e tomou medidas para a supprimir á nascença. N°. Conde de Abisbal. pasado. EE . em Porto de Sancta Maria. X X I I I . sem mostrar os defeitos da actual. & c cerca de 7. nunca se pôde promover melhoria alguma na legislação. que se compunha de corpos de infanteria. no nosso N°. indicaram considerável fermentação no exército. que lhe competem.

para prevenir que as outras naçoens reconhecessem a independência da America. nem effusaõ de sangue.000 rebeldes. para cohonestar com as po- tências estrangeiras o naõ ter saido a grande expedição para a America. que elle só fingira isso paia poder saber quem eram os cabeças da rebelliaõ: por fim até se diz que a revolta fora mera bagatella. e foi nomeado Capitão General de Andalu- zia." O rumor disse primeiro.000 por que naõ pode haver nelles con- fiança . Desejávamos saber t* quantos ficam. em consideração do particular merecimento e servi- ços do Tenente-General Conde de Abisbal. de 14. o projecto de uma grande expedição para o Rio-da-Prata está abandonado. se havia tirado ao Conde de Abisbal o commando do exercito da expedi- ção para a America. de 9 e 10 do corrente.000 homens impossibilitados. Sua Majestade. tentativa que éra ja absolutamente essencial. que o Conde de Abisbal entrava na conspiração.00»» pela promessa. . e que este drama se puzéra em scena. faz um total. Agora. pelos mesmos motivos. quatro tenentes- coroneis. e das tropas destinadas aquelle serviço. O numero de ofliciaes prezos he de 123 . e depois. e magnificada de propósito pelo Conde de Abisbal. ao posto de Tenente General de seus Exércitos. com quem desarmou os 7." O General Abisbal.000 homens. para a grande empreza ? Segundo as noticias de Madrid. segue-se que ha ja 11. fundando a sua decisão. que naõ iriam 4 America. se dignou promover o Major General Sandfield.000 homens. dizendo-se que o Conde de Abisbal prometteo aos 4. e 7. por ordens que tivera da Corte. desordem. se destacaram 3. na impotência da Hespa- nha em a reduzir por força d' armas. cinco brigadeiros. 4. e que naõ entraram na rebelliaõ. e o General Sandfleld foram premiados pelo seguinte decreto :— «' El Rey. e com 3. Como quer que seja. que faltam para a grande expedição do Rio- da-Prata. e Governador de Cadiz.000 que foram para Morilho.000 para soecorro de Morillo em Caracas.«e dignou conferir-lhe a Gram Cruz da Ordem de Carlos III. entre os quaes ha cinco coronéis.218 Miscellanea.

e a organização destas guerrilhas pôde mui bem levar os mesmos caminhos daquellas. se assevera o facto de que muitos soldados. e diz assim:— ** Dentro destes poucos dias tem aqui apparecido nos orrt- dores desta cidade. Em uma carta de Badajoz datada de 20 de Julho se diz. tem commettido vários roubos." . em parte. que Abisbal de- via ir a Madrid. que commanda considerá- vel numero de gente." de Agosto. por- que s ó consta de declamaçoens. Melchiot um chefe de Guerrilhas. Compara o reynado de Fernando VII. 219 O seu successor no commando do exercito he o General D. armados e montados a cavallo. declarando aos Hespanhoes absolutos de sua obediência ao Rey. que Melchior tinha debaixo de seu commando 350 homens. em um artigo datado de Quada- laxara no l. as noticias sobre a audácia da partida de Melchior. Foram também tirados deste exercito os Generaes Saarsfield e Crux Mourgeon. e que se tinham mandado suspender os proces- sos dos ofliciaes prezos pela rebelliaõ. Conde de Calderon. Diz-se que saõ fugitivos da Estremadura. por fim. antes da revolta das tropas. Nesta proclamaçaõ. Dizia-se tambeui. pertencentes ao bando commandado por um tal Melchior. publicou uma proclamaçaõ impressa. cinco salteadores. e lhe accumula os mais oprobriosos epithe- tos . a expulsalla da Hespanha. O certo he. ou antes as querem convocar elles mesmos. no campo de Sancta Maria. da- tada do que chama o campo da liberdade juncto ao Guadiana. mas depois daquelle acontecimento se lhe tem unido até o nu- mero de 800. se tem unido a este partido. A Gazeta de Madrid confirma. ao de Calig-aki e Tiberio. que tanto incommodaram a dominação Franceza. e que chegaram. Miscellanea. juncto a Cadiz. que naõ julgamos necessário copiar. que foi Vice-Rey do México em 1813. dos que estavam juncto a Cadiz. em 18 de Julho. e o tracta como dethronizado. que todo o negocio da expedição parece estar envolvido em misteriosa cou- fusaõ. O descontentamento na Hespanha parece mui grande. Feliz Caleja. e querem obrigar o Governo a que convoque as Cortes.

e naõ permittida pelas leys do paiz. que em as- sembleas publicas tem tentado nomear membros para o Par- lamento. um dos Tenente-Reys de Condado. Uma carta deBilbao datada de 22 de Julho. se naõ tivessem a própria distancia maior força que os protegesse. Durante a guerra passada. ficou depois sem emprego. e todo o terri- torrio ao Ocidente do Fio Madeira e Norte do Amazonas. Publicamos a p. que muita gente até entaõ empregada na Ingla- terra neste commercio. em maneira illegal. e o que receberam faltou por conseqüência na Inglaterra. a preponderância da marinha de guerra Ingleza. tomaram cada uma a porçaõ desses lucros. que pouco ou nada restava para as ou- tras naçoens. e dára em troco á. de tal maneira voltou a favor deste paiz os in- teresses do commercio. visto que Guadalaxara só dista dali uma jornada. copiamos também uma carta de Lord Fitz- williams. o Prín- cipe Regente. contra as associaçoens de pessoas. diz. Isto naõ he peguena confissão na Gazeta de Madrid . A p. que se falia de um arranjamento entre Hespanha e o Brazil. Estas. 129. que se divertio paTa outros paizes. em que descreve a qualidade das pessoas. pelo qual este obterá a cessaõ da Banda Oriental do Rio-da-Prata. feita a paz. para representar como de todo arruinada a in- dustria Ingleza. á incerteza em que se acham os negócios de Monte-Video. . Nós naõ cremos na séria existência deste projecto. R.Hespanha a provincia do Rio-Negro. e o p ovo morrendo de fome.220 Miscellanea. porém somos de opinião que elle seria preferível. porque mos- tra a exageraçaõ que tem havido. que tem concorrido para similhantes actos illegaes. Esta carta he mui interessante . INGLATERRA. e desta circumstancia se tem valido al- guns demagogos. uma proclamaçaõ de S. A. que naturalmente lhe cabia. Daqui veio. fi- cando a navegação deste rio commum a ambas as naçoens. em representar os perigos dos ajunctamentos populares. 131. quanto aos inte- resses do Brazil. e que cinco ho- mens do bando de Melchior se naõ aproximariam assim da Capital.

Os Persas receberão da Inglaterra muni- çoens da guerra. occasionada pela repentina di- versão do commercio para outras partes. se naõ olhasemos para as vistas mais extensas. pequena reflexão basta para mostrar. que a torrente da opinião publica. O Embaixador Persiano em Londres. e a opinião geral he. que a Pérsia intenta estabelecer nas suas fron- teiras limitrophes da Rússia. POTÊNCIAS ALLIADAS. naõ só na Europa mas no resto do mundo. de que temos dado acima alguma noticia. Ao tempo da lucta para derri- bar o poder de Bonaparte. Sem nos metter a decidir entre a melhoria das diversas formas de Governo. De um cabo da Europa ao outro. naõ se trafctava senaõ de proscrever a distincçaÕ de classes privilegiadas. naõ se pôde remediar senaõ com o tempo. e illudir a nossos Leitores. que este conflicto annuncia uma crise. 221 E com tudo. que a falta de emprego de muitas pessoas. Miscellanea. O Congresso de Carlsbad. e ofliciaes militares. que se podem encubrir debaixo destas representaçoens dos negócios de Alemanha. muitos Soberanos da Europa parece- ram usar da mesma linguagem. mais ou menos modificado. Naõ pode occultar-se que a maioridade dos jornaes públicos da Europa exprime a existência de um conflicto de sentimentos politicos. Diz-se que a Inglaterra acaba de concluir uma intima alli- ança com a Pérsia. se acham diífun- didos por toda a Europa. quando pouco a pouco entrarem os diffe- rentes ramos de industria na sua distribuição ordinária: o que naõ admitte correção repentina nem he susceptível de remédio immediato. tanto na Europa como na America. tem apparentemente o fim de arranjar os negócios inter- nos da Alemanha . cujos resultados devem ser da mais vasta influencia. . contra o interesse commum. que sem rebuço se admittia em suas Cortes. que servirão na linha de fortificaçoens. que. se diz que tem ja feito a escolha de alguns officiaes de conhecida capacidade para aquelle serviço. porém seria illudirmo-nos a nós mesmos. he evidente. he a favor do Governo representa- tivo. se tem por foco a Alemanha.

Parecia.222 Miscellanea. que se fizeram aos povos. que naõ -fizessem coucessoeus algumas ao espirito do século. Infelizmente ambas as partes tem justas causas para olhar com temor o completo bom suecesso da parte opposta. introduzindo a anarchia. Passada aquella crise. e tal- vez a Ttüna de toda a fabrica social. contra a opinião popular. e unir-se com as modernas : mas naõ suc- cede assim . suppozeram muitos políticos oa jul- garam ser do seU interesse o aconselhar aos Governos. Nestes termos a questão he a da força contra a opinião . mais este desejaria. porque esta infalivelmente trará com sigo a total ruina da outra parte. que. Se a opinião publica tem de ser supprimida pela força militar. e de oppressao á obediência do povo. Estes exemplos tam recentes devem servir de liçaõ aos governos. sendo tam geralmente admittida na Eu- ropa a utilidade de um Governo Monarchico. A revolução da França produzio seus terríveis effeitos. se as promessas. e a determinação daquella parte de suas colônias. do Governo Inglez. ou por um governo militar. aquietando estas pretensoens com a força aimada. pelo choque do poder da Corte. devem agora tornar- se em uma resistência a tudo quanto he mudança. que até nem isso . pelo que se passou em alguns Governos da Europa. até que por fim quereriam extinguir a distincçaÕ entre governantes e governados. que as ideas antigas estavam dis- postas a modificar-se. antes da queda de Bonaparte. a ter uma porçaõ de iuflueneia nos seus negócios públicos. se o inundo deve ser governado por um governo civil. por outras palavras. entre o pretendido poder absoluto. A lucta pois será tam tre- menda. porque. quanto mais se concedesse ao povo. quanto seu objecto be importante. A desgraça he. asseverando que nenhuma mudança pode ser melhoramento * as conseqüên- cias devem ser as mais fataes ! A independência dos Estados-Unidos foi o resultado do com- bate. e a aristocracia puramente feudal sáe outra vea a campo com suas pretensoens. quando todo mundo está persua- dido de que tal aristocracia feudal só serve de incommodo ao governo do Rey. e que o único remédio éra obstar ao principio.

A dignidade Real he uma innovaçaõ introduzida na Alemanha. em vez de querer sustentar individuos no- nobres. em que se acharam envolvidos todos os Governos. e he apoiada por toda a Alemanha. se queiram alguns dos Mo- narchas Europeos ajudar do auxilio de tal espécie de aristo- cracia. mas os Reys promettêram estes. conlraa opinião do século. que delles provinha a gente e o dinheiro. A- lém desta humiliaçaõ de seu orgulho. quanto em vários esta- dos da Alemanha a inimizidade dos nobres he dirigida contra a Realeza. quando o exemplo da França lhes devia mostrar. Os embaraços de finanças. éra absoluto. no dia de hoje. sem a intervenção da Rússia. com privilégios feudaes . e se jul- . como usuipaçaõ insupportavel aos directos dos nobres. porque qualquer daquelles nobres. Miscellanea. Mas naõ he possivel. Nos gabinetes de Vienna e Berlin. ali estabelicidos. naõ formado corporação. muito contra vontade dos nobres . que interesses de tal magnitude se decidam. ainda que quizessevn. e na contenda passada ensinaram aos povos. Se os monarchas. quando estes.commodidades e influencia. da França e da Inglaterra. 223 entra em disputa. será a maior difliculdade para elles entrarem em lucta. depois da guerra passada. este foi envolvido na ruína dos obstinados nobres. o terem algums soberanos tomado a parte da arristocracia nesta questão. tal como se acha na Inglaterra e na França. naõ podem ser senaõ os zangaõs do Estado. que longe de poderem servir i causa do Rey. e alguns con- sideram os Governos Monarchicos. condecorados com a dignidade Real. sem lhe pode- rem prestar. se diz. He por estes motivos. que só podiam fazer se formassem uma corporação legal. accresce uma perda real de gozos. para quem olhavam como iguaes. se lhes avantagem agora como superiores. He tanto mais de admirar. e agora deve ser submisso ao Rey. que tanto se oppoem aos Governos Re- presentativos . apoiassem a instituição de um corpo de nobreza. Os principes mediatizados naõ podem soffrer de bom grado. a que podemos chamar um mal imaginário. que outros. os serviços. que constitue a força dos Estados. em seu pequeno castello. as utilidades da corporação serviriam de compensar os privilé- gios dos individuos. que a aristocracia feudal faz os seus maiores esforços.

acharão de- pois talvez maior empreza do que parece.* " Em ordem a formar e completar o exercito tem até aqui sido necessário trazer recrutas de todas as provincias {ou Governos) que se ex tendem por uma superfície de 350. pela maior pavte. desde o Baltico até o Euxino. para ser quem dê o ex- emplo de inconsistência nesta matéria. que se chama de colonização militar. e o seu districto para recrutar. O Jornal Militar de Áustria contém um interessante artigo. o reduzir á obediência tropas por meio das quaes se dictáram as leys. que fazia ali um ensaio. Taes saõ as ponderosas consideraçoens que se offerecem pe- los rumores dos objectos. gárem expediente appellar para os exércitos. que derri- báram de todo o Império Romano. precariamente. a sua propriedade. RÚSSIA. e se expressa nos se- guintes termos . fatigados. que se tem de discudir em Carlsbad. porém. pela maior parte se naõ ajunetavam aos regimentos senaõ quando ja naõ eram precisos. sobre a colonização militar da Rússia . para extender o mesmo beneficio a outros paizes. a supremacia mi- litar trará com sigo as mesmas divisoens e desordens. por conseqüência. e o Imperador Alexandre res- peita demasiado a gloria de seu nome. Daqui em diante.000 milhas AlemaSs quadradas ." Se entendemos bem este plano. a fim de com elles submetterem á obediência seus mesmos povos. que governa. .224 Miscellanea. distribuída e estabele- cida em certas porçcens de terra exclusivamente militares. e a sua habitação. a força militar da Rússia será. Esta zona mi- litar intesectará a Rússia em toda a sua largura. os soldados deverão subsistirão producto de sua pró- pria industria. chegavam aos lugares dos depósitos tarde. Mas i consentirá o Imperador da Rússia na total annihilaçaõ dos Governos Representativos ? Elle naõ somente deo esta espécie de Governo á Polônia. mas declarou em sua proclama- çaõ. e que seraõ ao mesmo tempo o seu paiz. quando os soldados se arro- garam o poder de pôr e tirar os Impedores.

r F . Aviso ao Conselho da Fazenda. [225] CORREIO BRAZILIENSE DF. vil. c. declarando a maneira com que os Capitaens dos Navios. sobre o des- pacho das Mercadorias estrangeiras. N-» 13í$.. que dizem respeito ao commercio estrangeiro. que sa- hissem de França para os portos de Reyno Unido. 14. que saõ obrigados a apre- Voi. com data de vinte e sette de Outubro próximo passado. R E Y K O UNIDO DE PORTUGAt. BRAZIL E ALGARVES. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor. que o mesmo Embaixador tinha feito publicar em Franca por edictaes as disposiçoens do Al- vará de vinte e cinco de Abril do corrente anno. Constando por officio do Marquez de Marialva. XXUI. 1819. Embaixador Extra- ordinário e Ministro Plenipotenciario de Sua Majestade na Corte de Paris. Na quarta parte nova os campos âra E He mais mundo houvera li chegara CAMOENS. POLÍTICA. SEPTEMBRO. deve- riam legalizar os documentos. e. em Lisboa.

que vaõ por mim verificados. e publicando junctamente os formulá- rios que os Cônsules de Sua Majestade devem practicar na Legalização dos Manifestos. na forma do parágrafo treze do men- cionado Alvará. I. sentar nas alfândegas. Formulários de que faz mençaõ o Aviso acima. Palácio do Governo em vinte e um de Novembro de mil oitocentos e dezoito. se observem os formulários publicados em França pelo dicto Embaixador. IL Formulário para a legalização dos despaches (acquits des payements des Douanes) das fazendas desti- nadas para os portos do Reyno Unido.220 [225a] Politica.) He o mesmo Senhor servido mandar remetter por copia ao Conselho da Fa- zenda os dictos formulários para que passe as ordens competentes âs respectivas estaçoens Fiscaes. . visto que os Capitaens se naõ podem jamais dizer delles ignorantes.—Com assignatura do Cônsul por extenso. e sellados com o Sello deste consulado—Tal—Portos—tantos de tal mez. para que assim se execute. a fim de que na literal execução que deve ter o referido Alvará. Senhor Visconde de Balsemaõ. A carga do navio Francez N de tantas toneladas (de que he Mestre Mr. e dos despachos das Mer- cadorias : (acquits des Douanes. acautelando-se assim o prejuízo que do contrario resultaria á Real Fazenda. &c. A L E X A N D R E JOSÉ F E R R E I R A CASTELLO. O que Vossa Excelllencia fará presente no Conselho. Deos guarde a Vossa Excellencia. para despacho das Mercadorias de sua3 Carregaçoens. N e que segue viagem para o porto de N ) he a que consta destes tantos despachos. Formulário para a legalização dos manifestos. e anno.

sem embargo de naõ poderem allegar ignorância a este respeito depois dos annuncios. expedida ao Conselho da Real Fazenda com os competentes for- mulários. e achando-se outrossim . que os dictos navios transportam para os portos deste Reyno. publicada por edictal do Conselho da Fazenda de sette do mesmo mez: manda El Rey Nosso Senhor de- clarar. Bra- zil. [225b] 221 Visto pelo Cônsul do Reyno Unido de Portugal. que naõ havendo no contexto do dicto parágrafo disposição alguma relativa ao Alvará de vinte e cinco de Abril. e postivas deserminaçoens pertextam a sua infrac- çaõ com o que se acha estabelecido no parágrafo terceiro da Portraria do primeiro de Julho de mil oitocentos e dezoito. que naÕ era ainda conhecido neste Reyno quan- do aquella portaria se expedio. Politica.—Com assignatura do Cônsul por extenso—revesti- tido do sello do consulado. e Algarves no porto de tal—aos tantos de tal mez e armo. e pelas Gazetas fez publi- car nos portos daquelle Reyno o Marquez de Marialva. Embaixador Extraordinário de Sua Majestade na Corte de Paris. e que aqui igualmente se ordenaram por Por- traria de vinte um de Novembro do dicto anno. que por Edictaes. e a identidade das Merca- dorias de que ellas se compõem. para legalizar a inte- gridade das Cargas. JOAQUIM ANTÔNIO X A V I E R ANNES JJA COSTA" Portaria. Constado que alguns Negociantes Francezes. para que só fossem admittidos á descarga os navios que viessem munidos com os referidos documen- tos . parecendo que os que assim tentam fraudar estas claras. e capi- taens de navios da mesma naçaõ. procuram subtrahir-se à exacta observância das formalidades prescriptas em execução do parágrafo 13 do Alvará de vinte e cinco de Abril de mil oitocentos e dezoito.

O que vossa Excellencia fará presesente no Conselho para que o faça executar.* he Sua Majestade servido ordenar. cujos capitaens naõ tiverem preenchido aquelles indispensáveis requisitos. pelo A vi- so de 21 de Novembro. em execução do Alvará de vinte e cinco de Abril do anno passado . .222 [225c] Politica. ou navios. e des- pacho os navios que naõ apresentarem os documentos requeridos. á excepçaõ dos da Gram Bretanha. naõ sendo admittidos k descarga. regulada a execução do dicto Alvará pelos annun- ciose formulários publicados pelo Marquez de Marialva. Aviso Ullustrissimo e Excellentissimo Senhor. e navios da Naçaõ Franceza. Deus guarde a Vossa Excellen- cia. e confirmadas pela Real Sancçaõ do mesmo Augusto Senhor. naõ se admittindo. as mesmas formalidades. O Conselho da Fazenda o tenha assim entendido. do anno passado. Palácio do Governo em dez de Maio de mil oitocentos e desenove. que se pratique exacta- mente com todos. mandados observar nestes Reynos pela mencionada Por- taria de vinte e um de Novembro. JOAÕ ANTÔNIO SALTER DE MENDONÇA. a despacho o navio. legalizados segundo os formulários. he esta a Le- gislação que deve pontualmente observar-se em simi- lhantes casos. que com a mesma Portaria foram remettidos. Devendo estabelecer-se uma uniformidade sobre o modo porque os capitaens dos navios estrangeiros devem legalizar nas al- fândegas destes Reynos as suas cargas. que se mandaram observar a respei- to das mercadorias. e Por traria de dez de Maio'do corrente. Com tres Rubricas dos Governadores do Reyno. Palácio do Governo em quinze de Junho de mil oitocentos dezenove. e faça executar com os despachos necessários. por motivo al- gum. Senhor Visconde de Balsemuõ.

que os habitantes do Peru soffrem pelas aggressoens dos agentes Hespanhoes. Eu Bernardo 0'Higgins. dos Estados Unidos. pelas facilidades que os vasos neutraes prestam aos ponos do Peru. M I G U E L A N T Ô N I O D E M E L L O . na confor- midade dos seguintes regulamentos: 2. desde Yquique até Guayaquil. ex- ercitado em prejuizo de todas as naçoens mercantis. que estaõ debaixo da dominação Hespanhola. que toda a potência independente recebe do Direito das Gentes. em virtude da authoridade. até 2.12. e de todas as possessoens Britannicas na America. a saber. sejam e saõ por este bloqueados pela esquadra Chilena. abrangendo desde a latitude Sul 21. Os navios neutraes de todas as naçoens. pelas presentes declaro e decieto:— l. Politica. para o bloqueio do Peru. e igualmente ao monopólio do commercio Hespanhol. experimentam incalculáveis damnos. O bloqueio come- çará desde o primeiro dia de Março de 1819. Decreto do Director Supremo. D. de diminuir os recursos do inimigo. etn cinco de Julho de mil oitocentos e desenove. Supremo Director do Estado de Chile. Lord Cochrane. CHILE. commandada pelo nosso Almirante. e a causa da liberdade na America. que se acharem entrando ai- . 48. e embaraçar as suas operaçoens. Lisboa.Que todos os portos e anchoradoruos no Oceano Pa- cifico. [225d] 223 E para assim constar se fez publico por este modo. e desejando pôr fim aos males. LÁZARO DA S I L V A F E R R E I R A . Como o Estado de Chili. vindos da Europa.

e julgados nessa conformidade. nem ter a menor communi- caçaõ com elles. Todos os navios neutraes. e circulado. seraõ considerados propriedade inimiga. se tem dado tempo suífi- ciente a todos os navios amigos. e contrasignado pelo . para informação daquelles a quem importa. Todos os vasos neutraes a bordo de que se acharem muniçoens de guerra. da sobredicta data. O presente decreto será publicado. sobrecargas ou negociantes. navegando debaixo de qualquer bandeira que seja. mestres. para ser jul- gado conforme o Direito das Gentes. officiaes. que se achar quebrantando este decreto. 4.221 [225e] Política. e tres mezes aos que vierem da costa do Rio-da-Prata. Dado no Palácio Directorial. e 3 o . ou com falta dos papeis necessários para estabelecer o character da propriedade. gum dos portos comprehendidos neste decreto. Igual notificação se fará dentro em cinco mezes. sellado com as armas do Estado. seraõ envia- dos a Valparaiso. para evitarem os portos assim bloqueados. seraõ notificados do blo- queio pelo Commandante em Chefe da esquadra Chilena. õ. será mandado para Valparaiso. ou propriedade inimiga. que se acharem navegan- do com documentos duplicados ou falsos. e depois desta notificação formal lhes naõ será permit- tido entrar nos dictos portos. a todos os navios neutraes. qualquer navio. 7. 3. em Santiago de Chile. pertencentes a paizes debaixo do dominio d* El Rey de Hespanha. que vierem dos portos do Brazil: seis mezes aos que vierem da costa ou ilhas de África: um anno aos que tiverem saldo de Portos da Ásia. Como nos artigos 2 o . para serem julgados segundo o direito das Gentes. 6. em 7 mezes depois da data deste.

grande massa de informação. e por varias outras fontes. tendo obtido as informaçoens. que seja para desejar em alguns . a respeito do pre- sente estado das medidas consuetudinarias. ac- tualmente existente. relativos aos pezos e medidas. e obtive- ftios pelos relatórios das provincias. Politica. conserva- dos noThesuoro (Exchequer). em ex- tençaõ tara considerável.V CL A T E R R A . que se tem promulgado nos Reynos Unidos desde os tempos mais antigos. ultimamente publi- cados pela Meza de Agricultura. que nos foi referida. (AssignadoJ BBRNARDO 0 ' H I G G I N S . Para melhor consideração da matéria. Examinamos tam- bém os padroens das medidas de capacidade. e temos inquirido o estado dos padroens de comprimento da melhor authoridade. Primeiro Relatório dos Commissarios nomeados para considerar o assumpto dos Pezos e Medidas. nomeados por Vossa Alteza Real. 1. aos 30 de Abril de 1819. para o fim de considerar até que ponto seja prac- ticavel e prudente o estabelecer dentro dos dominios de sua Majestade mais uniforme systema de pezos e medi- das. pedimos licença para submetter com toda a humildade os primeiros resultados de nossas deliberaçoens. que pudemos colligir.*» Secretario da Marinha. 2" anno da Independa. estamos penetrados da grande d iffi- culdade de effectuar alguma mudança radical. empregadas ein varias partes do Reyno Unido. Deliberando consideradamente sobre todo o systema. I. [225f] 22. Seja isto do agrado de Vossa Alteza Real. (ContrasignadoJ JOSÉ IUNACIO ZENTENO. procuramos um abstracto de todos os estatutos. Nós os Commissarios.

que sempre saõ. Pelo que respeita a magnitude actual dos padroens de comprimento. para completar qualquer quantitade. do que se poderia poupar nas operaçoens do commercio e correspondência externos. naõ nos parece que haja razaõ suffí- ciente para alterar os que geralmente se empregam. sem fracçaõ. que talvez algumas pessoas prefirirlam para fazer culos com quantidades ja determinadas. e sempre devem ser. As subdivisoens dos Pezos e medidas que presente- mente se empregam neste paiz. do que a escala deci- mal. naõ produza mais trabalho e inconve- nientes nas suas relaçoens externas. quarto e sexto de um pé em polegadas. a continua divisão por dous a faz practicavel. nas suggestoens. Mas o poder expressar o terço. 2. e que saõ remunerados de seu trabalho. conduzi- dos por pessoas. para quem a difliculdade do calculo he comparativamente inconsideravel. que to- dos os múltiplos e subdivisoens dos padroens. uma vez estabelicido universalmente. 3. para as operaçoens dos pezos e medidas de capa- cidade. que nos aventuramos a propor. he vantagem peculiar da escala duodeci- mal: e. ou que se imagine existir. excepto por dar algum pequeno induzimento â sua commum adopçaõ pelas na- çoens vizinhas. e neste respeito he muito mais preferivel a qualquer escala de- cimal. Porém he apenas possivel que o desvio de um padraõ.226 Politica. com o menos nu- mero possivel de pezos e medidas de padraõ. e portanto desejamos proceder com grande cautella. na natureza. Nós por tanto recommendariamos. Naõ ha vantagem practica. parecem ser muito mais convenientes para os fins practicos. em um grande paiz. ou pelos lucros de seus empregos com- merciaes. em ter uma quantidade commen- suravel de qualquer quantidade original existente. ou pelo credito de suas habilidades scientificas. respeitos. que se adoptassem. retivessem as mesmas proporçoens re- .

que se declare . pelo que pedimos licença para recommendar como de- terminação legal do padaraõ da yarda. que pudesse ser sensível nos casos communs. Politica. N°. quando se empregar a escala. nomeada para ajudar o Astrôno- mo Real. depois de minucioso exame. que ao presente estaõ em uso geral. pela repartição da Artilheria. As definiçoens das medidas de capacidade saõ ob- viamente susceptíveis de serem immediatamente deduzi- das de suas relaçoens com as medidas de comprimento • porém como o methodo practico mais prompto de aven- VOL. que vibre segundos de tempo médio solar em Londres. 136. como a decima-milionesima parte do arco quadrantal do meridiano. em mui pequeno grào uns dos outros. que o comprimento de um pêndulo. Propomos também. ainda que qualquer delles se podia preferir. no campo de Hounslow. 5. 6. que se tem continuado. se acham variar. pelo Commit- té da Sociedade Real. XXIII. para a escala do padraõ. a nivel do mar. oG . na determinação do comprimento do pêndulo t suppondo-se ser a temperatura de 62 gráos de Fahren- heit. 227 lativas umas ás outras. para servir de fundamento ás operaçoens trigonometricas. e que o comprimento de metro. e provavelmente um duplicado do mesmo se fixará. se achou igual a 39. na medida de uma baze. que se em- prega em França. sem nenhuma diffe- rrença. pela authoridade das experiên- cias feitas pelo Committé da Sociedade Real. 4. para o fim de identificar ou recobrar o compri- mento deste padraõ. no paiz. o que foi empre- gado pelo General Roy.3694 polegadas. que existem agora.1372 polegadas desta escala. Os padroens de comprimento mais authenticos. e em um vácuo. que he de 39. no caso em que se venha a perder ou deteriorar.

e que 7-000 destes graõs fazem uma libra Averdopezo. parece. ainda que naõ achamos algum acto particular do parlamento. declarando. sobre os pezos e medidas da Gram Bretanha. gradu- almente. As difiniçoens. Seria por- tanto conveniente começar pela definição do padraõ de pezo. Porém a respeito das medidas de capacidade. defminindo as medidas de capacidade t antes pelo pezo do água.) que os padroens legaes da me- lhor authoridrde variam consideravelmente uns dos outros: o padraõ do gallon. na nos- sa opinião» prudente o inverter neste exemplo a ordem na- tural de proceder. 7. naõ saõ calcu- ladas a introduzir variação alguma nos padroens exis- tentes de comprimento e pezo. porém.800 graõs. seria. na practica da Excisa. em que . devem pezar exacta- mente 10 onças de Troya. suppondo. tem sido. para aferir as medidas tanto do trigo como da cerveja. que as polegadas cúbicas se referem á medida de porçaõ de arame ou cobre aferida por uma escala de pa- draõ de arame. assim estabelecidas. he pezar a quantidade de água que pôde conter. que se guarda no Thesouro. na temperatura de 50 gráos. emprega- do. que saõ capazes de conter do que pelo seu coonteúdo solido em espaço. Esta definição he deduzida de algumas experiências mui exactas do falecido Sir George Shuck- burg. uma differença.228 Politica. aqueilas que parecem mais importantes. mas nós propômo-nos a repetir. que se podem considerar ja sufficientemente bem averiguados. segundo o relatório contido no appendiz (A. ao que parece. guar a magnitude de qualquer medida de capacidade. em futuro periodo. ou 4. quasi indistinctamente. quart. e de he suppòr que sem ser de propósito: o gal- lon de cerveja forte (ale) se entende que contém cerca de 4-| • por cento mais doque o gallon de trigo. e pint da Raynha Isabel. que 19 polegadas cúbicas de água dis- tilada. entre as quaes com tudo se introduzio.

seria de tanto menos importância. porc ausa da grande conveniência. Suppômos também. Julgamos próprio propor. e do gallon de trigo de Winchester. empregadas em diversas partes da Gram Bretanha. que se seguiria da fa cilidade de determinar o gallon e suas partes. e con- forme ao padraõ da pint. pela ope- ração de pezar certa quantidade de água. de 282 pollegadas cú- bicas. e estabeler o novo gallon. e alguns estatutos mais modernos calculam a 272* polega- das cúbicas. 8. no Thesouro. que se acha con- ter exactamente 20 onças de água. em lu- gar do custumado g-aWora de cerveja. que estas medidas sejam outra vez redu- zidas á sua igualdade original. 229 este excesso seja expressamente reconhecido. que o gallon de cerveja e trigo contenham exactamente 10 libras do Averdopezo de água disti liada. naõ temos ainda podido alcançar sufficientes funda- . pelos quaes ordinariamente se aférem as medidas do quart e pint de cerveja usadas em Londres. em 62 gráos de Fahren- heit. quando as medidas do cutume. saõ quasi universalment maiores do que o bushel legal de Winchester. que o leve excesso do novo bushel. nos aventuramos a recommendar fortemente. especialmente quando se considera que os pa- droens. acima da medida commum do triga. 9. que se propõem para ser geral. e ao mesmo tempo. Presumimos que mui pequeno inconveniente sen- tiria o publico. sendo quasi igual a 277. Quanto á questão sobre a propriedade de abolir to- talmente o uso do gallon de vinho. de 10 libras como único padraõ para todos os fins.2 polegadas cúbicas. naõ dif- ferem ao presente em gráo sensivel do padraõ. Politica. que um esta- tuto d' El Rey Guilherme ordena que contenha 269. montando a um numero inteiro de libras. com a introducçaõ deste gallon. e onças sem fracçoens.

Devemos porém reser- var para futura oceasiaõ. Soho Square 24 de Junho. e o abstracto destas leys. GEORGE CLERK. mas até que ponto seria mais sentido o inconveniente do que a vantagem. se achará no appendiz (B) deste relatório. que haveria uma vantagem ma- nifesta na identificação de todas as medidas do mesmo nome. devemos deixar á sa- bedoria do Governo de Sua Majestade o decidir.230 Politica. WOLLABTON THOMAS YOUNG. W . que se tem promulgado em vários tempos para regula- mento dos pezos e medidas. que temos obtido. empregados no commercio. 1819. porque ainda naõ pudemos reduzir o nosso abstracto á forma mais conveniente. HENRY KATER.) JOSEPH BANKS. DAVIES GILBERT. com tanto que a mudança se fizesse sem inconve- niente practico. que nos foi refe- rida. a respeito das medidas e pezos consuetudinarios dos dif- ferentes condados. que temos preparado. (Assignados. H . para dar uma vista connexa deste ramo da matéria. . mentos para chegar a uma determinação conclusiva: po- demos somente sugerir. No entanto poderá ser prudente o tomar em considera- ção o estado presente das numerosas e complicadas leys. a informação.

. . 3 97 . 8 . 4 • . costeiras. . . 14 Hannoverianos . 0 N. . . 48 • . . . desde o I o de Janeiro. ( 231 ) COMMERCIO E A R T E S . que entraram pela barra do Porto. . 13 Francezes . 6 . 5 Russianos . 18 Dinamarquezes . . 10 w . 22 . 17 . . 10 . e tam somente as do Brazil. . até o ultimo de Junho. 2 . de 1819. . B. Austriacos entraram 4 saíram 3 Americanos . . . . Naõ saõ aqui comprehendidas as embarcaçoens Portuguezas. . 25 Prusianos . . . . 11 Hamburguezes 1 . 1 • I 13 • . Ilhas e portos estrangeiros. 86 Napolitanos . 35 . . . . . . 2 Portuguezes . . 7 Hespanhoes . . Navios. : 33 Hollandezes .

20s Dohroens Hespa. Op. Assacar . I 6 i p . 4p. Os. de 1819. 4f p. navio Portuguez oa <C 6p. Os. Buli ia por lb. Pernambuco. k ' ' C 6p. a l s .dictos 0 5 0 onça Açores 25s. a SOs. Hida 30s. a 60s exportaram. a 35s. Gêneros. Qualidade. por 100. Op. . salgados 5ip. . . tA 8p. > cotnparador livre por Tabaco l em folha ' exportação Tapioca Brazil. 20s nhoes por Madeira 20s. 9 | p . a 7p.. de cavallo 5p. O ii roeu . .Rio < i Redondo . Rio da Prata. . Algodam .. . Op. Rio Grande. » direitos pagos pelos _ . 46». ls. à I6s. 25 de Septembro. 2s. Pará . . 56s. . Rio de Janeiro 58 Hamburgo 36 6 Lisboa 53 Cadiz 36 Porto 54 Gibraltar 30 Paris 25 35 Gênova 44 Amsterdam 12 1 Malta 48 Espécie Seguros. Vinda 35s Peças de 6400 reis 3 17 10j Lisboa 20s. 25s Pezos. em navio Portuguez J Minas novas ou Inglez. Pao Amarello. 42s. < Maranham . . Mascavado . . * -•Pernambuco l Annil . a 6£p. 81. 10p. Cebo Rio du Piata 56s. L O N D R E S . <A a 8p. . Câmbios com as seguintes praças. a 45s. a 45s. Porto 20$. . Brazil 71. Chifres Rio Grande 4 Os. Pernambuco J comprador. Óleo de cupaiba ls. por 1121b. a 9£p. 7p. 2p... 1 Ceará 8s. 25«. Inglez. 2|>. f 1* a r a . . 11 Os. Arroz Brazil Livre de direitos por Cacao Para . Salsa Parrilha. 3. t e m rolo. a 113s.. Direitos. a 5ip. ? direitos pagos pelo Pao Brazil . *j Batido 42s.6Jd. Bengala 60s 62s. . por 100 lb. Preços. pilha < B 7iP.lf>s Op. 28s. a 32s. . ( 232 ) Preços Correntes dos principaes Productos do Brazil. . a Sp. . por lb. Ouro em barra £3 17 10$ Brazil. l l f p . . Caffe Rio . l p . por lt>. Ipecacnanha Brazil. por couro em i Rio Grande -] H 7p. Prata em barra 0 5 2 Rio da Prata 4Os. . 3s. I Capitania.

preço 12Í. preço 6s. preço 2s. ( 233 ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. em Vandiemen's Land. DescripçaÕ estatística historcia e politica da Colônia de New South-Wales. se- . Picquot. para formar e conduzir escholas. "W. Esboço da His- toria Moderna. ao que se ajuncta uma taboada compendi- osa de Chronologia. e seus estàbelicimentos dependentes. WentwortWs New South Wales / 1 vol. com a particular enumeração das vantagens. desde a destruição do Império do Occi- dente. C. com um resumo do progresso das artes e sciencias. 476. Bevorfs Manual for the School System. A. desde a creaçaõ do mundo até o tempo presente. um natural da Colônia. e da cultura na Europa. que estas colônias oíferecem para emigra- ção. em muitos respeitos. Ma- nual de direcçoens. D. 8 vo . Esc. Went- worth. Author dos Elementos de Geographia Universal. ás que possuem os Estados da America. até o fim do anno de 1818 . Por. Por A. Picquefs Modem History. e sua superioridade.

usando substancias caliareas em lugar de carvaõ. Carnot. &c. tan- to na producçaõ do vapor ou gaz. assim como uma noticia do modo que elle adoptou para pou- par o combustível. preço Ss. mos- trando os defeitos do seu novo systema de fortificaçaõ. se achará que produz um efFeito dobrado. Douglas' on Carnofs Principies of Defence. Borisow. Com- mercio de S. ajunctando uma septima parte de pedra calcarea. &c. A. Congreve. que se pro- duz com os grandes fogos. Cheap Steam Engine/ preço os. J.234 Literatura e Sciencias. Baronette. Peterburg. com uma breve descripçaÕ do trafico do Império Russiano. ou de Madras. e as sérias conseqüências de adoptar um projecto totalmente . inventado por Sir W. a qualquer dada quantidade de carvaõ de pedra. exemplificado em contas de carregação e de venda. no qual o grande ob- jecto he a barateza c simplicidade de construcçaõ. ao que se ajunctam os en- cargos usuaes na importação e exportação. M. gundo o Systema Nacional. Por esta invenção. erro e ten- dência dos principios de Defensa de Mr. Bevan. Breve noticia de um engenho de vapor com movimento de rotação. Observaçoens sobre os motivos politicos. direitos da alfândega. Pelo Reve- rendo G. como geralmenre em toda a sorte de fornalhas. J. &c. ao mesmo tempo que esta ap- plicaçaõ diminue consideravelmente o fumo. Por C. Borisoufs S. Petersburg Commerce: preço 8*.

e falta de segurança aos interesses Britannicos naquella parte. Por Francisco de Borja Garçaõ Stockler. Lichtensteirís Traveis in Southern África. XXIII. Por C. entrevista com o seu rey Geika. pelo Coronel Sir Howard Douglas. compre- hendendo particulares noticias de varias tribus de Ca- fres. Assey. No. &c. PORTUGAL. 1819. Esc. &c. 235 destructor da real economia de defensa. em uma viagem ao interior da Cafraria. 2 vol 4to« preço 3/. Viagem na África Meredional. que aprendem a ler: preço 120 reis. FRANÇA. Dedicado a Sua Graça. Literatura e Sciencias. Contos Moraes. por uma Sociedade de Literatos. Sobre o Commercio da China. Secretario que foi do Governo de Java. HH . 136. &c. V O L . o Duque de Wellington. preço . e Archipelago da índia. Diccionario Universal da Lingua Portugueza. Director do Real Museo de Berlin. Pelo Professor Lichtenstein. Assey's on the China Trude. em Portugal. Paris. para uso das crianças de quatro a cinco annos. Baronete. des attendendo a sciencia. Sobre a origem e progressos das Mathematicas. 12Í. e esperdiçando desnessariamente ávida humana.

para que fique mais precisamente determinada a sua significação. A etymologia das palavras. accompanhados da sua definição analytica e indicação da Arte ou Sciencia a que pertencem. e a indica- ção dos termos antiquados. Artes. que os compi- ladores deste diccionario dessem a raiz. accentuadas segundo a melhor pronun- cia: com as suas diversas accepçoens. Os nomes próprios da Fábula. a explicação do sentido que encerram . Segundo o annuncio no frontispicio do I o . anti- gas e modernas. e ao mesmo tempo apresentar correctamente escriptos os vocábulos radicaes. donde a palavra se deriva. Officios. &c. assim como a compilação he bastante comprehensiva. Todas as vozes da lingua Portugueza. e de sons mui diferentes. éra para desejar. conterá esta obra. Esta obra se publica em N08-. posto que se use da pala- vra original. e se pronuncie talvez com sons análogos he preciso representar estes por letras diversas. 4o. 2o. que se naõ encontram na Portugueza. pelo uso dos authores clássicos. nos mesmos characteres da lingua original: se- guir-se-h ia dahi a vantagem de fixar com melhor autho- ridade a orthographia. em que a nossa opinião naõ coincide absolutamente com a dos compiladores.. O plano deste diccionario. principalmente de todos os termos technicos.236 Literatura e Sciencias. latinos. I o . 9. Historia. os diferentes estylos a que estaõ consagradas. 3 o . Todos os termos próprios das Sciencias. ou viciosa- mente introduzidos pelo neologismo. e temos visto até o No. e Geogra- phia antiga. N°. nos parece mui digno louvor. bárbaros. o que sempre faz difliculdade em traçar . Quanto a etymologia. e no qual caso. geralmente fallando. em que na lingua original ha letras e sons. Ha porém alguns pontos.

Como quer que seja. Notamos também. que dá ás palavras. aonde ha tantos vocábulos. que originariamente fo- ram Hebraicas. Parece-nos que esta ommissaõ he attendivel. de citar o Author. e depois á Portugueza. sem virem por meio da Latina. Literatura e Sciencias. até que ponto he correcta a opinião dos compiladores. seriam de grande utilidade para a boa definição da lingua. a que o diccionario refere a etymologia Hebraica. pois no Hebreo esta palavra naõ começa pela letra A. H a também muitas palavras. outras do Sueco. sem grande difficuldade. O fim do artigo diz assim. posto que se lhe dê terminação alatinada. porque a citação da authoridade daria ao leytor a oppor- tunidade de verificar. donde saõ tirados os vocábulos. do Arábico. mostraremos a necessidade. que este diccionario naõ cita os A. ninguém pela palavra Aalma." Por . he este methodo de peculiar importância. destes passadas á lingua Latina. 237 a etymologia da palavra. somente. N a palavra Aaram. Estas differenças pro- priamente marcadas. Hebr. Este he o caminho que tem seguido os melhores dic- cionarios das línguas cultas da Europa. " § Aaram montanhes. Seja exemplo a palavra Aalma . A. Outras tam- bém iramediatameute do Grego. quando no Hebreu esta palavra naõ principia por A mas por uma letra. ainda quando se diz a lingua d'onde ella se deriva. d'onde tira as differentes accepçoens. dahi usadas pelos Gregos. originalmente de- duzidos do Hebreo. e do Grego. que naõ tem conrespondente no nosso Alphabeto. e talvez se aproxime ao O mais do que a nenhuma outra. Outras passaram immediatamente do Hebreo ao Portuguez. ou do Arábico. poderia ir buscar no Diccionario Hebraico a conrespon- dente raiz. e na lingua Por- tugueza.

contra o consumidor. que os diccionarios Hebraicos dam a este vocábulo. ECONOMIA POLÍTICA DE MR. logo seria necesssario saber se isto éra mera signi- ficação ou sentido Portuguez. (Continuada de p. que nos temos esforçado a dar a conhecer no decurso desta obra. que varia todos os dias.) Eis-nos aqui chegados ao momento de applicar os principios. o que mostra a differença entre os pretéritos e futuros. mas em nenhuma das quatro accepçoens. que he sem divida a mais capaz de expressar o sentido dos vocábulos. CPITULO II. ou se com elFeito se acha em algum livro Hebraico. naõ hesitamos em dizer. e sem duvida promette uma compilação mui útil. Da iuflueneia das alfândegas nas manufactures Fran- cezas. que tem apparecido em Portuguez. 42. Quanto à Orthographia. livre do capricho da pronuncia. que acabam em am. o monopólio. achamos o de monta- nhez. e digna da protecçaÕ. que se adopta neste diccionario a útil distincçaÕ do dipthongo aõ. que este he o mais copioso vocabulário. Também achamos. os Compiladores seguem a derivativa. onde vemos. SIMONDE. á terminação am. publica. que a alfândega assegura ao fabri- cante e commerciante nacional. e as palavras Latinas. e aquelle que . Entre os monopólios. cuja influencia he mais extensa. citando o author de que fora tirado. que Aaram he termo Hebraico. quasi como as modas no vestir. a palavra Aaram em tal sentido. ao objecto mais importante de todos: isto he. e naõ em aõ. he o único que se tem mantido no meio das revoluçoens.238 Literatura e Sciencias. Pelo que respeita â copia dos vocábulos. que a ley tem creado. e he ainda aquelle.

Procurando de- pois. no capitulo se- guinte. sobre as dos departamentos. ainda mesmo quando se reconhe c e quam oneroso he â massa dos cidadãos. introduzir no paiz aquelles ramos novos de industria. que ainda se naõ tem descripto. Literatura e Sciencias. Passaremos em revista estas vinte e cinco estatísticas. por uma parte. isto he. que a ignorância somente impede o . Come- çarei pelo resumo da theoria da liberdade do commercio. procuraremos. qual tem devido ser a marcha do legislador. tanto quanto o perroittem os limites a que me devo restringir. Tractando matéria de tam alta importância. tanto a re- speito do consumidor como do Estado. em cujo favor se estabelece o monopólio. a fim de apresentar em um só ponto de vista as conse- qüências do monopólio creado pela alfândega. convém sobre tudo adquirir o exacto conhecimento dos factos. e estribar os cálculos da theoria em todas as minúcias da experiência. 239 mais se teme tocar. mas os Prefeitos da quar- ta parte dos departamentos tem ja publicado suas esta- tísticas conforme as ordens do Ministro do Interior. Illuminados entaõ por grande numero de factos. que vantagens resultam disso para aquelles. na persuasão de que uma multidão de manufacturas nacionaes naõ se apoiam senaõ na mantença delles. Naõ tenho a vantagem de possuir infor- maçoens de todas as da França. que delle se naõ aproveita. para distinguir uma manufactura favore- cida pelo monopólio d' outra manufactura. indicarei um sigual characteristico. poucos documentos saõ mais certos. ou merecem mais inteira con- fiança do que elles appresentam. Tenho procurado fazêllo. e que mere- ceria talvez ser por si só o objecto de uma obra. para produzir o effeito que se propõem obter pelas alfândegas. examinaremos que influ- encia tem as alfândegas nas manufacturas da quarta parte da França. e poderemos depois deste exame tirar con- fiadamente conseqüências.

isto he fazer impossi- vel que o consumidor compre aquillo. ha per- da para a naçaõ. no Liv. quer elle compre a mercadoria estrangeira. dar ao fabricante nacional um monopólio contra aquelle que o mesmo fabricante fornece. cujo preço relativo he elevado pelo monopólio. que lhe podiam fazer con- currencia : mas nós temos visto. I e III. que. e por conseqüên- cia. procurar ao Governo uma ren- da. adoptar. O prejuízo. Tal he o lim que professa ter o legislador. 1. de que necessita. cujo preço he augmen- tado pelos direitos do fisco. se ellas fossem admittidas livres no Estado. que os estrangeiros cedem a preço muito mais baixo que os Francezes. Segundo tudo quanto temos exposto nos dous livros pre- cedentes naõ pudemos hesitar em concluir. ao mesmo tempo que as de França naõ pagam nenhum: daqui procede também o augmento ex- cessivo destes direitos na importação. Cap. II. ou a prohibiçaõ da- quellas mercadorias. e mesmo á industria Franceza. que vera do estrangeiro. sobre tudo. que o fim he contrario ao interesse nacional. fariam cahir a manufactura Franceza.240 Literatura e Sciencias.° A alfândega occasiona um damno directo e mui considerável ao consumidor. que elle causa ao consumidor. ou seguro do contrabandista. Na legislação das alfândegas se propõem. de alguém que naõ seja o negociante Francez: daqui se ori- ginam os direitos impostos sobre as mercadorias. que procura concurrer com ella. obrigando-o a pagar caro.. quei elle se contente com a mercadoria nacional. neste caso naõ se pôde duvidar que o encarecimento de qualquer mercadoria naõ seja uma per- da para todo o consumidor c naõ augmente outro tanto . por um tributo sobre o consumo. por outra parte. ao que me parece. pôde. todas as vezes que se levanta o preço relativo. e o encareci- mento ou exclusão daquelles. aquillo que-elle poderia obter a bom mercado. arranjar-se era quatro artigos.

o faz da outra. Entre tanto. Acabamos de dizer. V. em todo o tempo e principalmente depois da dilapidação da riqueza . 3 o . A influencia da alfândega naõ pára nas rendas e despezas. cujo preço re- lativo livre fica acima do preço intrínseco. Cap. que a mer- cadoria. óia. por que ella mantém. produz um ou outro destes effeitos: todo o damno. naõ produzem senaõ um transporte de pro- priedade de uma maõ para outra. e a sua exportação para a mais po- bre naõ lhe he paga senaõ por um credito. 241 as despezas nacionaes. que a alfândega augmenta as despezas. óra as únicas mercadorias. em cujo valor se identificam estes dous preços. no Liv. que se lhe naõ volta. saõ as que dam uma renda nacional: aqueilas. ma- nufacturas que dam perda. ella diminue também as rendas da naçaõ. Cap. sobre que exerce a influencia de seu monopólio. a despeito da natureza das cousas. II. quando duas naçoens desigualmente ricas commer- cêam junctamente. a mais rica dellas vem a ser a que empresta. Literatura e Sciencias. que naõ causa de uma destas duas maneiras. no Liv. que naõ saõ outra cousa senaõ as despezas de todos os consumidores. e que serve a animar a industria da naçaõ que recebe o empréstimo ou que importa. ou entre si. que ella lhe enviou he um capital.. a alfân- dega naõ faz simultaneamente o effeito de augmentar a despeza e dimiuuir o rédito. 2o.e a somma deste damno he igual á differença entre o preço relativo e o preço accidenta]. e naõ um augmento de valor ou uma renda nacional. Temos visto. mas em cada manufactura. que. I. ainda mes- mo quando se obriga o comprador a pagar este preço intrínseco. cujo preço intrínseco he mais alto do que o preço relativo livre: he isto também o que vimos. ou preço relativo forçado de todas as mercadorias vendidas. ella diminue também os capitães empregados em manter a industria. 9..

os entraves. a França tem sido menos fornecida de capitães do que a Inglaterra. quando se naõ pôde nunca temer a sua concurrencia? He nesta posição. diminue as potências productoras do trabalho e da industria. qnando o Governo se tem empenhado a achar compradores.242 Literatura e Sciencias. e a entra- da dos capitães estrangeiros o que mais impedem. Em fim a alfândega. assim elle accrescenta. e que se recusa a todo o esforço generoso. posto que menos sensíveis: he sempre a importação que elles embaraçam. . que. logo que o fabri- cante ja naõ vê os seus interesses ligados com a sua re- putação. como monopólio. mas forçavam o que pedia emprestado a pagar uma usura. duranteo regimen do terror. 4o. em vez d' um juro legal. e a entorpecer o gênio e o talento. naõ se esquece daquelle de naõ offerecer es- timulo á emulação dos nossos fabricantes. mesmo para aquelles que peior o fa- zem ? i De que serve apanhar o segredo dos fabricantes estrangeiros. prohiblam ao commerciante o pedir emprestado os capitães. que elle descança na sua rotina. a França quem recebe o empresimo. pois tem uma tendência directa a extinguir a emulação. em geral. e o reduzem quasi ao de con- trabando. <i De que serve procurar obrar melhor. he. Estas leys absurdas naõ impediam absolutamente todo emprestino. tem effeitos análogos. quando enumera os in- convenientes annexos á prohibiçaõ das producçoens es- trangeiras. quero que os productos das fabricas estran- geiras venham concorrer nos nossos próprios mercados. tem logo o mesmo effeito daquellas. Franceza. em todo o commercio entre estas duas naçoens. que poderia fazêllo sair delia. postos ao commercio com as outras naçoens. O Ministro do Interior tem conhecido bem toda a influ- encia mortífera deste privilegio. as leys que constrin- gem o trafico entre ellas. nos séculos de barbarismo. de que tinha necessidade para o seu trafico.

he absolutamente illusoria. Se. I. estes vizinhos tomarem ao depois o par- tido de nos imitar. persuadidos pelo nosso bom suecesso. naõ seria menos impo- politico o mantêllo. se os seus fundos forem sufficientes. en France. 11 . Temos procurado fazer ver no Liv. 243 com os das nossas fabricas nacionaes. que tem posto ao commercio. 43.) He somente tendo de- baixo dos olhos estes productos. que augmentem as da naçaõ. estando em perpetuo susto a respeito de sua perfeição. para o abo- lir. (Chaptal. E pois a vantagem. e. pelo interesse dos consumidores. p. obter novas rendas. que no interior gozaremos. além dos fructos. augmentaremos as nossas rendas. XXIII. que os cabeças das fa- bricas comprehenderaõ o que podem. Essai sur les arts Chim. de vender mais caro. nos abrirem os seus mercados. dar-se a nova industria. que nós teremos ja colhido da liberdade. Cap. como devendo ser o resultado da liberdade do commercio. qualquer que soja a importância das manufacturas em cujo favor elle se estabeleça. e pelo seu próprio. e o que devem fazer. provendo os estrangeiros. e poderão. nós diminuiremos as nossas despezas. porque naõ he a vantagem de um mercado mais extenso. como nós lhes abrirmos os nossos. que o VOL. 7. attra- hiremos a nós capitães estrangeiros. veraõ os nossos fabricantes abrir-se ante si um mercado mais extenso. como se ouve muitas vezes aflírmar. mas sim a segurança de comprar mais barato : no mo- mento em que abolirmos o monopólio. que nos tem tocado. e despertaremos a emulação de nossos artistas. renunciando igualmente aos en- trávez. e pois o monopólio naõ causa proveito algum real mas sim uma perca bem real. 136. nem he a esperança. que se procura a algumas manu- facturas. Naõ he preciso esperar. N°. qualquer partido que adoptarem os nossos vizinhos. Literatura e Sciencias. o momento em que todas as naçoens.

ou melhores pelo mesmo preço. porém.244 Literatura e Sciencias. naõ podiam ser vendidas no estrangeiro. assim como as canquilherias de França. que naõ seriam nestes lugares mais caras que as Francezas saõ em França. Toda a manufactura. que paga o estrangeiro. A maior parte das telas de algudaõ. a pezar do custo do transporte. que naõ deve a sua existência se- naõ ás necessidades. naÕ se venderiam nunca. he sempre um preço relativo livre. Um fabricante. Isto pôde ser. que rivalizam com ellas. commercio de exportação naõ he mais vantajoso á naçaõ que o commercio interior. e que por conseqüência teriam sobre ellas muito maior vantagem do que jamais pode- riam ter no mercado interior o mais livre. encontrariam ali as mesma mercadorias In- glezas. e cujo lucro he real e legitimo. encarecidas pelo custo do porte e da alfândega. que temem a concurrencia das fabricas In- glezas. que o monopólio naõ tem affectado. ninguém que- reria comprar os productos da industria Franceza. que trabalha tanto para o estrangeiro como para o interior. he incontestável que as mercadorias. de 8 por cento por ex- . em outro ponto de vista. com tudo he de alta impor- tância. porque uma vez expostas no mercado de uma cidade da Itália ou da Alemanha. cujos pro- ductos podem ser exportados e vendidos no estrangeiro com lucro. e que naõ acha neste duplo com- mercio senaõ um lucro módico. de um commercio artificial. sem o recurso de prêmio. porque o preço. se naÕ houvesse o cuidado de excluir rigorosamente dos merca- dos Francezes as telas de algudaõ e a canquilheria In- gleza. pois estas sendo. ou a melhor mercado na mesma qualidade. he independente do monopólio. e cujo beneficio he illusório. como podendo somente servir para fazer distinguir um commercio fundado nas ne- cessidades mutuas. que tem creado o monopólio. nos asseguram. neste caso. mesmo nos lugares aonde se fabricam.

as sedas. será autho- rizado por isto mesmo a elevar o seu lucro. do que a augmentallas. se alcança. que lhe fazia concurrencia. porque os panos. seo monopólio lhe fizesse achar assas consumidores na sua pátria. nem os relógios da França. achando-se desarranjados em seus mercados. que se vendem aos Francezes: mas ser-lhe-hia impossi- vel encarecer aqueilas. naõ tira no exte- rior nenhuma vantagem deste monopólio. Um commercio que exporta. basta-lhe que estas mercadorias entrem livremente no seu paiz e se o monopólio de que o mercado Francez . se faz que elle se desgoste do com- mercio de exportação. a exclusão. que vende aos estrangeiros. no mercado interior. ao qual em breve renunciaria de todo. Literatura e Sciencias. por que estes se dirigiriam aos estrangeiros. e como se estima mais ganhar doze do que ganhar oito. as sedas ou os relógios de In- glaterra naõ podem entrar na França. de uma producçaõ estrangeira do mesmo gênero. o Francez ganharia portanto doze por cento. Para assentar o seu preço relativo sobre o mais baixo dos preços intrínsecos. e retiraria os seus fundos do com- mercio de exportação. o legislador se pro- poria o mesmo fim. e encareceria quatro por cento as mercadorias. ainda quando a alfânde- ga lhe assegura o monopólio do interior. ao fabricante que exportar uma parte de seus productos. Concedendo um privelegio exclusivo. do que se propõem fazer pela alfândega. e oito por cento somente vendendo aos estrangeiros. e se faz justamente o contrário. 245 emplo. por meio da alfândega. vendendo a seus compatriotas esses productos. Um Italiano naõ paga mais caro os panos. no mercado interior. que se houves- sem excluído de seu próprio paiz. Levaria esse lucro talvez a 12 por cento. vendendo a seus compatriotas. estariam mais dispos- tos a abater nas suas pretençoens. elle voltaria toda a sua industria para o commercio interior. e que.

que ellas lhes asseguram em França. aonde. Pode-se portanto establecer o principio de que toda a manufactura Franceza. ja suffocando a emulação. haverá interesse em examinar as estatísticas publicadas por ordem do Ministro do Interior. e ás circumstancias do commercio. e saõ por conseqüência emprezas imprudentes.246 Literatura e Sciencias. e dos relógios simi- lhantes. para reconhecer as manufacturas capazes de prosperar sem soccorros. . se definham. e pelo monopólio. a pezar do sacrifício. que a alfândega concede ao fabricante Francez. Pelo contrario. elle serviria de baze entre os mesmos estrangeiros. e as quaes entaõ ella causa damno: ja afastando dellas os capitães. que naõ tem sido adaptadas ao tempo. longe de florecer hoje em dia com o auxilio deste mono- pólio. este monopólio seria no- civo a sua venda. para fixar o preço relativo livre. longe de a favorecer. naõ sendo augmentado pelos custos do porte e alfândega. naõ traria prejuízo algum a estas tres fabricas. o animasse a pedir no estrangeiro um preço superior ao do Inglez. das sedas. e he claro que serviria de baze mesmo á França. que a naçaõ por ellas faz. Depois de nos termos assegurado de um signal cha- racteristico e infalivel. daquellas que ella naõ pode ajudar. ja augmentando os juros dos fundos. para distinguir as manufac- turas. que faz exportaçoens para o estrangeiro. O resultado desta comparação he digno de nota: veremos que as manufacturas. que a alfândega protege. que naõ subsistem senaõ pelas alfândegas. teria ainda maior vantagem sobre os preços estrangeiros. quasi todas. aos lugares. achando-se que o seu preço intrinseco he o mais baixo de todos os que entram em concurrencia. goza no interior. naõ tira proveito algum do monopólio. e às quaes he urgente renunciar. e que a liberdade a mais absoluta na importação dos panos.

. a das obras d' aço em Hestal. que j á naõ produzem cada anno. por Desmousseaux. a dos panos de Verviers. destinados ao com mercio de Guiné. puderem viver com mais abas- tança. até 44. por conseqüên- cia. pelo que o commercio deste Departamento naõ requer nem monopólios. elles se dirigirão para aqueilas. naõ sendo j a privados de uma parte do fructo de seus suores. sem occasionar perda aos consumidores . e naõ se tornarão a abrir sem novos avanços. Eis aqui pois fabricas Francezas em Liege. que dam aos commerciantes um lucro legitimo. 60 a 70 mil peças de pano. e occasionar. Se naõ se forçarem os capi- tães Francezes a alimentar manufacturas. logo que os obreiros. nem das fraudes prac- ticadas nas alfândegas. nem acoroçoamento. O departamento do Sambre e * Veja-se a estatística do Ourthe. Poucos departamentos contém mais manu- facturas que o do Ourthe. em Verviers. Eupen.. &e. Será preciso mais ca- pital para animar a fabrica dos fuzis. lugar de Ensival. menos custos aos fabricantes** SAMBRE E MEUSE. porque muitas dellas se fecharam durante a revolução. e estas fabricas poderiam empregar capitães muito mais consideráveis do que aquelles que as alimentam . assim como para o interior. que se deverá seguir. nem privilégios. que dam perda. O debito destas manufacturas se poderá augmentar na razaõ do rebaixe do preço intrínse- co. pelo encarecimento que as alfândegas occasionâram em todos os objectos de consumo. e naõ se queixa do contrabando. Pre- feito. 247 O U R T H E . em Malmedi. e á naçaõ uma renda. aonde o seu lucro he tam seguro como legitimo. como faziam antes da revolução. 4 1 . ha poucos em que ellas se mantenham com mais actividade : todas sem excepçaõ trabalham para o estrangeiro. em Havelot. Literatura e Sciencias. e com salário menor. p .

poderiam chegar até os Paizes Baixos. excluindo da França os ferrros conhe- cidamente melhores. que. que pela maior parte saõ de ferro. O valor das exportaçoens do Departamento. servindo de lastro aos navios. que carregasse estes ferros com um direito de tres fran- cos por quintal. isto he quasi ao quinto do producto das minas. que utilidade podia nisto ter o condado de Namur. ou a deteriorar a sua qualidade: en- * Statistique du Departement de Sambre e Meuse. quasi sem despezas de transporte. ou mesmo que se augmente. tem visto como elle formárem-se e florecerem as suas manufacturas. que éra estrangeiro â França em 1790. . Como os ferros. e comni. se produz a tendência de encarecer todos os in- strumentos das artes e da agricultura. na sua entrada para o condado de Na- mur. que naõ eram nem mais bem nem mais mal tractados do que os Narau- rezes: estes vendiam na mesma epocha. e ainda hoje em dia se eleva a 520. sem ter necessidade da protecçaÕ das alfândegas Francezas: na verdade ellas naõ saõ muito numerosas. &3. em cujos mercados tinham de sustentar a mesma concurrencia.782.000. a pezar da concurrencia dos Suecos e Alemaens.218 Literatura e Sciencias. ferro ás outras naçoens estrangeiras. e o author da estatística do departamento* pede que se mantenha este direito. os proprietários das forjas obtiveram do Governo Austríaco. éra em 1790. As duas principaes tem por objecto a preparação dos vnetaes e dos couros. Meuse. de 835. por 835. em ferro trabalha- do fora do território da Republica. arts. superiores em qualidade. e permittindo-se aos donos das for- jas do Sambre e Meuse fazer subir seus lucros e seus preços.000 libras.000 francos os seus ferros. e lhe ven- dia por 2. p. de Sueccia e Alema- nha. Entretanto. par le cit.000 francos. Reflicta-se. estando situado como o do Ourthe fora dos anti- gos limites da França. Membre do Cons. JardrinH. d' agric.

e com a calamina de Limbourg. p. Literatura e Sciencias. naõ se tem annihila- do inteiramente pela alfândega. posto que leves. tanto na entrada como na salda dos couros. 249 carecer o ferro e os instrumentos.000 libras. A cutelaria de Námur achava em outro tempo grande saída na Hollanda. que tomou o seu respeito o Governo Francez. 89. que importava no valor de 1:134. enviava dous quintos para o estrangeiro.000 peças. arruinou este commercio. Departamento do Ourthe: mais de um quinto deste cobre manufacturado he exportado para o estrangeiro. . 186. e que está diminuído quasi um quinto f. he conjurar-se contra a industria Franceza. ella damnifica este commercio. que trabalham com o cobre de Drotheim. 2. f Ibid. eTableau. E m fim o departamento do Sambre e Meuse fazia um immenso commercio com os couros das ilhas Hespanho- las e Portuguezas. p. mas uma prohibiçaõ do Governo Ba- tavo de importar mercadorias das fabricas Francezas. cujos lucros tem diminuído tanto. de Sambre et Meuse. IV. e o resto para a França. e até mesmo nem pretende dizer que o favorece. Hoje em dia j a se naõ trabalham neste Departamento mais do que 12. O mesmo departamento contém cinco fundiçoens de lataõ. * Ibid. 78. D e 42. * He assim que a legislação das alfândegas consegue proteger as manufacturas. Como a alfândega recebe os direitos. Custa-me a comprehender como este commercio. e naõ se manda mais do que um quinto para o estrangeiro*}:. em represálias das medidas. p. que recebe direitos tanto da entrada como da saída dos Cobres.000 peças de couro que fabricava. + Slatist.

mas quando saímos dellas com a consciência de havermos cumprido com os nossos deveres. sente-se grande consolação em recordar todas as suas circumstancias . que as conservasse e perpetuasse na memória da minha familia. vi que ellas vos ti- nham interessado. neste periódico. (Continuar-se-ha). As outras manufacturas do Sambre e Meuse saõ mui pouco importantes. Estas circumstancias nos induziram a tentar a sua pu- blicação um pouco por extenso. que se suppôem uma carta dirigida a certa Senhora. impresso com o titulo. j a pela importância das matérias de que tracta. nos ler- mos seguintes:— " Madama!—Quando tive a honra de contar casualmente diante de vós algumas circumstancias notáveis da negociação entre Portugal e França. A leitura deste opusculo ex- citou-nos interesse naõ commum. até vem ." " Ha comefleitosituaçoens bem peniveis na vida. Depois de passada a tormenta. contentando- nos por agora simplesmente com a introducçaõ. como ao depois veremos. pois mui vivamente me recommendastes.250 Literatura e Sciencias. j a porque vem de pessoa au- thorizada. e particularmente quando seu resultado he feliz para o soberano e para a pátria. nenhuma parece ter relação com a alfândega. relativo aos negó- cios politicos de Portugal. Appareceo este anno em Paris um folheto. Continuare- mos com elle nos números subsequentes. maiormente aqueilas em que por um modo extraordinário nos favoreceo a fortuna. AS QUATRO C O I N C I D Ê N C I A S D E DATAS. que annunciamos acima. me dissestes vos . no anno de 1807. a fim de lhe poder-mos fazer algumas observaçoens.

o segundo Volume da interessante obra de Mr. de dias e quasi minutos. 1818.) Temos de dar a conhecer a nossos Ley tores. o que ainda he grande felicidade. por Mr. 251 a ser um entretenimento fallar nella. que mais admiração vos causaram. porque naõ tenho á maõ os meus papeis. O Capitulo 1.° começa pelo periodo do feodalismo en- tre os Inglezes. Esprit des Institutions Judiciaires de VEurope. que contém o seu Livro Segundo. (Continuada de p. de escrever cousa alguma. Meyer. 169. em que pre- sentemente estou. <5-c. quando temos de que nos queixar da parte dos homens. tiramos dahi grande confiança para o futuro. Paris. e mesmo. XXIII. a referir as quatro coincidências de datas. e sem essa difliculdade abra- çai ia logo vosso conselho. ou temos que temer da incerteza dos successos. e até de marcar a epocha em que poderei ?. 135. 16 de Septembro. KK ." " Naõ podendo escrever agora senaõ o que conservo na memó- ria . limi- tei-me só no escripto. Meyer. se naõ fosse a impossibilidade.char-me com vagar. que se propõem a examinar. sobre este suecesso memorável da historia moderna. N°. primeira das legislaçoens moder- nas. com a esperança de ainda vos dedicar este trabalho meu. que tenho a honra de vos offe- recer. e menos ainda os documentos officiaes. e nelle tracta das Instituiçoens Ju- diciaes da Inglaterra." Tal he o objecto do escripto. porque he nesta epocha que se descobre o premeiro systema de instituiçoens judiciaes. sem o sabermos. Literatura e Sciencias." " Convenho com vosco. Madama. e cm VOL. para tentar uma obra que pelo menos merece o titulo de um Ensaio Histórico. que de necessidade deveria consultar. que com esta vos remêtto.

comohe. E outros. O direito consuetudinario se prova ordinariamente pe- pelas decisoens dos juizes. como o direito naõ escripto faz a prin- cipal parte da legislação. a noçaõ de um direito naõ escripto. daqui vem que todas as sentenças a arestos saõ compilados cuidadosamente. fora da Inglaterra um estudo da maior diflicul- dade. vem esta a ser para um estran- geiro. pelo custume chamado gavel- kind. antes da conquista dos Normandos. entre a 6ua viuva. que se respeita na Inglaterra com o nome de Direito Com- mum. alguns sábios Jurisconsultos Inglezes de- duzem dos custumes dos Druidas. cada uma das quaes introduzia no paiz alguma cousa de suas leys e custumes. em que he moralmente impossivel. do que a ellucidar. Depois mesmo da quella epocha. por exemplo. he tam pouco interessante á matéria que mais pode servir á curiosidade do Antiquario. no ponto de que se tracta. antes da conquista dos Normandos. o que naquelles tempos forçosamente havia de succeder. sem a residên- cia neste paiz. como os descreve César. em tem- pos passados. e que he só conhecido pela tradicçaõ e pelo cus- tume. que ainda se practica em muitas partes da Ingla- terra. em casos similhantes. de maneira que he impossivel traçar uma perfeita historia de legisla- ção. os progressos das leys: ou sua influencia. pontos mui importantes de seu Direito. chegar á sua perfeição. effeito a historia da legislação Ingleza. porque os Druidas naõ tinham espécie alguma de escriptura. que os juristas saõ obrigados a con- . de alguma maneira. Depois daquella epocha foi a Inglaterra invadida por naçoens estrangeiras. A este remoto periodo se attribue também a igual divisão das terras.252 Literatura e Sciencias. filhos e parentes mais próximos. A antiga divisão dos bens do que morria intes- tado. e á immensa collecçaõ de obras deste gênero. E com tudo.

expondo a administração civil da Ingla- terra." . q u e j a antes da epocha. " Occupando-nos do estado administrativo da Inglaterra. como ja observados acima. ainda que seja o paiz da liberdade individual. que vam succedendo.) A collecçaõ das leys dos Dinamarquezes. a respeito desta parte do Governo Inglez. Estes tres distinetos corpos de legislação. que. Mas o certo he que hoje em dia só se conhecem por leys escriptas os Actos do Parlamento. como proemio â matéria das instituiçoens judiciaes. e seu filho Edwardo o Confessor. depois que estes invadiram a Inglaterra. que os possuem. 253 sultar. que éra dos Saxonios Oceidentaes (West Saxons. As constituiçoens do antigo reyno de Mercia. por mais volumosos que sejam. foram depois reunidos em um geral. depois de tocar nestas difficuldades come- ça o seu trabalho. He verdade. se accrescentam todos os annos mais volumes. chamadas Mercen-Lage. pe- las decisoens.. 8. de p. que a propriedade dos bens de raiz naõ pode ser allodial. naõ saõ senaõ uma mui pequena parte do direito do paiz. do que o seguinte para- grapho. pelo Rey Edgar. se fazem mençaõ de alguns códigos de legislação. he ao mesmo tempo aquelle em que existe a feudalidade mais absoluta. o que mais nos fere a respeito deste reyno he. Literatura e Sciencias. Todos os jurisconsultos Inglezes saõ unanimes neste ponto. que. que tractamos. e nada pôde explicar melhor as suas ideas. aonde. se incorporariam provavelmente muitos dos cus- tumes dos Bretoens. collecçaõ que se denominou Dane-Lage. pela sua vizinhança ao Paiz de Gales. naõ os tem senaõ a ti- tulo de feudo mediato ou immediato da Coroa : este ponto tam interessante merece ser examinado historicamente. assim como a de Alfredo se intitulou depois West-Saxon-Lage. e que todos os proprietários. taes saõ o Liber Judicialis do Rey Alfredo. O nosso A.

mas a questão he quanto á his- toria desta legislação. para entender a matéria. 2. e 1086) naõ só o tempo e lugar. e 200 annos depois. estabelecida por seus predecessores Saxonios. Cap. na Inglaterra. quem generalizou o feudalismo. o generalizou Guilherme o Conquista- dor. que o feudalismo. no anno de 600. p. se introduzio gra- dualmente. Consta de um monumento histórico mui antigo (Chro- nica Saxon. mas também as causas ou pretextos. 34. No anno l9do reynado de Guilherme. 1085. English Law chp. a que nos referimos naõ nos sendo possivel extender- mo-nos mais sobre este ponto. que foi Guilherme o Conquistador. existisse desde o tempo dos Saxonios . A causa desta revolução foi a seguinte Como Guilherme (depois da victoria de Hastings. que se oppunham a elle tomar posse do reyno) abandonou a constituição militar. D. bem como nos mais paizes da Europa. Em Inglaterra ha provas de haver principiado o feudalismo no tempo dos Saxonios. outros dizem que este modo de ob- ter as terras só da Coroa. Este facto he inegável. foi introduzido pela comquista dos Normandos. que para isso houve. em que derrotou todos os Baroens. A.) que fizera isto por uma ley expressa. segue a primeira opinião. Como quer que seja concordam todos e até o nosso A. visto que os principios do feudalismo naõ abrangem as pessoas. do que achará nosso Leitor um suíficiente resumo. indo pouco a pouco confiscando as terras dos Baroens. quanto â posse dos bens de raiz. em Blakstone (Comm. 2.254 Literatura e Sciencias. e dando-as a outros a titulo de feudo. e El Rey . Querem alguns que este feuda- lismo. ficou o paiz sem meios de defeza. pelo que respeita as proprie- dades territoriaes. A nossa opinião he. 4. on the law of England Liv. O nosso A. que se rebelaram. receou-se unia invasão dos Dinaroarquezes.). e ha quem diga (Reeve's Hist.. em que Guilherme completou isto.

mas a sua divisão em duas casas. as vistas occultas de induzir os sub-vassallos dos Altos Baroens a sacudir o jugo de seus senhores. Desta circumstancia deduz o A. mas os grandes senhores naõ podiam soffrer vèr-se assentados com os pequenos vassallos immediatos do Rey. e outros. contra a invasão que se esperava. e o . deixaram de existir homens livres. os senhores feudaes eram as únicas pessoas admittidas aos conselhos da naçaõ. pois a instituição da garantia mutua éra summamente favorável á segurança e tranqüilidade individual. foi esta introduzida pelos reys em seus domi- nios. Destruídas. a dos Pares. as instituiçoens próprias dos homens livres... entre seus vassallos immediatos. e a dos Communs. Depois desta generalização do feudalismo. recebendo-as de novo delle mesmo. na Cidade de Salisbury. Literatura e Sciencias. assim diz o A. as centúrias os borovghs. que por esta qualidade somente eram chamados a taes asembleas. em tempo d' El Rey Joaõ. para satis- fazer o desejo geral. 19. em suas differentes divisoens de decurias. nesta me- dida. oufriborgi. Assim se estabeleceo o feudalismo geral." " Admittindo esta origem. para conciliar éstaâ disposiçoens. como expediente para prover a sua defeza.eali todos os principaes proprietários de terras as submettêram ao Rey. e fazerem-se vas- sallos immediatos do Soberano. naõ só a formação do Par- lamento. foi somente obra dos grandes Baroens. que a Magna Charta. todos eram vassallos. mas a titulo de feudo. de consenti- mento de toda a naçaõ. pri- meira baze das liberdades da Inglaterra. 255 chamou aConselho os Baroens. centúrias e condados. que naõ podiam entrar na alta classe dos Baroens: tinham outro sim os reys. por tanto. porque ja os naõ havia. Eis aqui as palavras d o A. " Parece que. e para obter as vantagens importantes da garantia mutua. e naõ dos Arimanos ou homens li- vres . os vassallos immediatos consti- tuíam as decurias. a p. e com obrigaçoens de serviços militares.

§. 1. 2°. fálla somente da ori- gem do Parlamento. 3. consta (Mirour. naõ tivessem nada de commum com o povo do reyno inteiro . naõ éra composto de duas câmaras. ainda que ao principio estes representantes dos vassallos immediatos.) que este mo- narcha ordenara a convocação destes conselhos geraes da naçaõ duas vezes por anno. com tudo os membros de que se compunha entaõ o conselho da naçaõ eram de tal modo diversos entre si. dirigidas ás suas pessoas : os menos importantes. cap. segundo a Magna Charta." Deve observar-se aqui. especialmente em tempo do Rey Alfredo. que. porque muito antes disso ja em Inglaterra. que pos- suíam feudos do domínio da coroa. que o A. se propõem o A. e que. assim como entre todos os mais povos descendentes dos Germanos. devia compôr-se de todos aquelles que dependiam im- mediatamente do Soberano: aquelles que tinham feudos impor- tantes. Contende o A. havia estas assembleas da naçaõ. eram convocados pelos magistrados . depois do estabelecimento do feu- dalismo. que o Parlamento Inglez. bem pelo con- trario. se pôde suppor. como ordenança perpetua. mandavam seus representantes. ainda depois da Magna Charta. eram convocados por cartas fecha- das. e sendo muito numerosos e pouco apoderados para assistir pessoalmente. e mostrar as differenças entre aquelles Parlamentos. No cap. e os elementos de que se formava este conselho eram tam pouco homogêneos. aonde se faziam as leys e tractavam todos os mais negócios pú- blicos de maior importância. ou do Rey como particular. e os de hoje em dia. a explicar a authoridade dos Parlamentos. éra este povo que reclamava o apoio dos Altos Baroens* contra a authoridade sobeiana . que o conselho éra dividido em duas câmaras. Por conseqüência. e de todos os historiadores do tempo. conselho geral da naçaõ conhecido depois pelo nome de Parla- mento. procedentes da coroa. .256 Literatura c Sciencias. a pezar do silencio da Magna Charta.

que o Rey tinha. O direito de herdar os etrangeiros que morriam in- testados. 257 uma hereditária. Do producto das muletas e confiscaçoens: 7o. Dos estrangeiros. ja como senhor de seus bens particu- lares forma\Fam tantos ramos das rendas fiscaes. Estes réditos provinham dos seguintes direitos feudaes. Literatura e Sciencias. explica depois as fontes de rendimentos. que o Rey naõ podia ter necessidade de diaheiro. Dos laudemios das mesmas terras: 3°. Da tutella nobre dos menores (balia) •. Isto posto. mesmo quanto aos tributos. e que. que os reys recebiam. Do direito de dar as or- phaas e herdeiras de seus vassallos em casamento a quem quizessem (maritagium): 6o. para lhe dar casa. em. a p. recebidas do Rey a feudo: 2o. o rey só éra obrigado a pedir o conselho ou consentimento do Parlamento. 25. I o . para assim mostrar a pouca influencia que os com- mums tinham no Parlamento. para seu resgate. O A. que o Parlamento naõ participava da authoridade legislativa. 5 o . quando casava sua filha mais velha. a quem se fazia pagar mui charo a protecçaÕ que se lhe concedia: 10°. ja em virtude de sua prerogativa Real. para lhe dar dote. E ainda mesmo nos subsídios (auxiliumJ El Rey podia cobrallos de sua própria authoridade. assim. conclue o A. sem precisar dos subsídios ou concessoens do povo. e tanto menos quanto as prin- . Das luctuosas. certos casos definidos pelas leys feodaes: quando se achava prisioneiro de guerra. &c. quando seu filho mais velho éra armado cavalleiro. chamadas hereotum: 4o. Da parte do saque tomado ao inimigo: 8o. para as duas sortes de imposiçoens chamadas auxilium e scu- tagium. Dos animaes perdidos ou que commettiam algum damno (deodandum): 9o. Dos foros que se pagavam pelas terras. outra de deputados da naçaõ. " Estas e outras rendas.

podiam bastar ás suas necessidades. os commums naõ tinham o direito de assistir ao Parlamento. e no anno de 1258. fosse por desconten- tamento. Quanto aos sub-vassallos. As finanças naõ oecupavam. expõem a p. o primeiro lugar entre os interesses geraes do paiz. tanto os grandes vassallos como os pequenos. que o rey a respeito dos pequenos feudatarios de suas terras parti- culares. a quem havia sub-infeudado terras. que necessitavam despezas extraordi- nárias. as terras que elle vendia." Contende depois o A. como o A. lhe davam oceasiaõ a cobrar impostos. 30. Quanto ás imposiçoens. e a Administração se poderia dispensar disso por longo tempo. e foi somente no reynado de Henrique III. como hoje em dia. Cada Alto-Baiaõ tinha seu feudo a respeito dos sub-vassallos. quando a forma da convocação dos grandes e pe- quenos vassallos he minuciosamente descripta. As- sim o Conselho do Reyno. que se achavam expressas nas estipulaçoens do feodo. relativa á convocação dos procuradores das villas e ci- dades. fosse para o obrigar a fazer algum sacrifício. Aiem disso. só eram obrigados ás prestaçoens.. e tinha os mesmos direitos. que os famosos estatutos de Oxford fixaram a convocação do Parlamen- to todos os tres annos para fazer regulamentos a bem do Reyno. naõ tinha sessoens regulares. ainda mesmo quando os buroens recusassem a contribuição pedida. ou que hypothecava quando lhe parecia. se a authoridade do Parlamento se limitasse somente aos impostos. cipaes circumstancias.258 Literatura e Sciencias. e as leys Anglo- . quando as necessidades publicas exigiam re- cursos além daquelles serviços ordinários. éra preciso obter o consentimento desses mesmos vassallos. estavam estes sujeitos aos seus suzera- nos. que. o que elle conclue de se naõ achar naquelle importante documento disposição alguma. ou dos grandes vassallos da Corda. daqui veio. que ao tempo da promulgação da Magna Charta.

mesmo em maté- rias de finanças. XXIII. zb9 Saxmiías. Tal éra também o Estado dos outros paizes da Europa. os Reys ao mesmo tempo queriam. e outros direitos similhantes a respeito daquelles. e os pequenos vassallos do Rey. O Senhor administrava o seu feudo e fazia justiça. a primeira dos Altos-Baroens. em considerar o Rey. anno de 1000. e o de casar as filhas." Daqui se vê. iam consul- tar seus sub-vassallos. naõ da Coroa. sobre o modo da collecta. a que elle presidia como Rey. que os seus Baroens os naõ pudessem exceder para com seus inferi- ores. e promulgara para este feudo regulamentos como o Rey para as suas terras. na qualidade de senhor de suas terras. entre os quaes en- trava também El Rey. bem como as de uma epocha posterior. aonde só compareciam os Altos Baroens seus superiores. Mais ainda. Como porém havia uma inconsequencia manifesta. que estes vassallos naõ podiam ter voto nas grandes assembleas da naçaõ. A charta concedida por Henrique I. membro de uma assemblea. Literatura c Sciencias. que se o rey tinha o direito da tutella nobre. que tinham suas terras directamente da co- roa. em razaõ de suas terras particu- lares. se adoptou o expediente de fazer duas convocaçoeus. os altos-baroens exercitavam estes mesmos direitos a respeilo de seus sub-vassallos. ou de possuir os feudos dos menores seus vassallos até a maioridade. uo dia de sua coroaçaõ. N» 136. destinadas a moderar o exercicio deste poder senhoria!. mas do Rey em particular. sem se embaraçar com a authoridade Real. naõ entravam senaõ os Altos Baroens. Assim a convocação V O L . depois de terem dado o seu consentimento para os subsídios. irmaSs ou sobrinhas de seus vassallos com quem quizesse. LL . os quaes. ou possuidores dos grandes feudos. a segun- da dos pequenos vassallos. estaõ cheias de disposiçoens. que. no Parlamento. dependiam. prova. e circumscrevendo o exercicio de seus po- deres a limites fixos.

As guerras civis. 3 o . ou deputados. nestes reynados turbulentos. Em pouco tempo pois foi assas grande o numero de cidades incorporadas. daqui a ori- gem da introducçaõ dos Communs. de que seus habitantes . que entaõ adquiriam o direito de mandar seus deputados ao Parlamento. os segundos as terras do Rey: uns eram pares do Reyno. Estas Charlas vieram agora a ser mais freqüentes. Henrique III. Os primeiros representavam a naçaõ. como o A. as vantagens. estes que se queriam servir disso contra os Reys. naõ tem nada de commum com o Parlamento ac- tual. que tinham necessidade de dinheiro e de apoio contra os Baroens. em tempo de Henrique III. que a Magna Charta naõ he a baze da Consti- tuição Ingleza. desenvolve o A. e os reys. que a erigia em communidade ou corpora- ção.260 Literatura e Sciencias. N o cap. «' Ja antes desta epocha havia a cidade de Londres obtido uma Charta Real. éra feita por cartas selládas. diri- gidas a cada um delles. senaõ a forma da convocação. e lhe concedia importantes liberdades e privilégios. e que o Conselho do Reyno. J o a õ : mas neste documento se omittio a cláusula de que se naõ cobrassem impostos sem o con- sentimento do Grande Conselho do Reyno. que lhes mandava nomeassem representantes. dos Grandes Senhores. a historia da admissão dos Comraums no Parlamento. e conciliar o amor do povo. que tinham o direito de formar uma communidade legalmente reconhecida . Daqui con- clue o A. rivalizavam-se. de que ella falia. isto he. em vender liberdades. concedendo-lhe prerogativas. os pequenos vassallos eram cha- mados por convocatórias de um magistrado. confirmou a Magna Charta promulgada por seu pay. daquellas. outros do domínio Real. expõem a p. 38. obriga- ram este monarcha a conceder cartas de incorporação a Londres e outras cidades.

em rigor. Foi entaõ que se determinou. El Rey naõ poderia. Este estabelicimento caio. Passemos agora a outra al- teração na coustituiçaõ do Parlamento. Literatura c Sciencias. no mez de Janeiro de 1265. que se deviam prestar. que o A. e por fim enumerou-se o direito de crear estas corpora- çoens entre os direitos Reaes. eram 120. 261 gozavam. viessem estipular com El Rey os subsídios. e levantados contra El Rey. o Conde. senaõ a seus vassallos immediatos. nem os vassal- los immediatos quizeram assistir. 43. á custa de suas respectivas commu- nidades. que em cada sessaõ do Parlamento ellegessem as corporaçoens certo numero de deputados. conceder estas chartas de incorporação. os quaes. que sobre elle alcançou Henrique I I I . apon- ta a p. as fizeram assas ricas e poderosas. As cidades incorporadas convo- cadas ao primeiro Parlamento. " Outra inovação do mesmo Rey favoreceo a revolução começada. em 1295. com outros Baroens sediciosos. e foi a introducçaõ do que se chama ainda agora Barons by writ (Baroens por um rescripto) na câmara . com a derrota do partido do Conde de Leicester. sem a approvaçaõ do Rey. para dar maior pezo a esl a assemblea convocou dous cavalleiros de cada Shire ou Condado. nem os Altos Baroens aos seus sub-vallos. Ed- wardo I. nem os Baroens de seu partido. e mui diferente do que havia sido nos tempos passados. mas esta approvaçaõ se confundio coma concessão. convocou um Parlamento em Londres. para que servis- sem de pezo na balança politica. mas como naõ éra fácil esquecer uma instituição tam popular. em 1295. e como nem El Rey. compoz o Parlamento na conformi- dade deste exemplo." O Conde de Leicester. e victo- rias.

e tm virtude da confiança. ainda que naõ fossem Altos-Baroens. e que daqui em diante adquiriam influ- fluenoia sobre a administração dos negócios públicos . que naõ ti- nham a sua authoridade senaõ do rescripto Real. ou para aspirar á insubordinação. podiam ser assi- milhados á potência dos Baroens do Reyno: o Rey os introduzio na Câmara Alta. continua a mostrar as alteraçoens progressivas que soffreoo Parlamento. que ao depois adqui- . na nullidade de que ti- nham saldo. estavam bem longe de pretender á authoridade. que os deputados das corporaçoens. e que em razaõ da revocabilidade de seu mandado podiam tornar a entrar. mesmo nesta epocha. elle re- servava com isto. sobre tudo em razaõ do numero de seus iguaes. e os fez assentar com os Altos Baroens. que representavam. um meio poderoso de dispor «Io Gram Conselho da Naçaõ.262 Literatura e Sciencias. e dos pequenos vassallos do Rey. naõ tinham propria- mente nada de commum com a naçaõ . Estes pequenos vassallos." O A. dando voto nelle a senhores. que nelles punha El Rey. eram com tudo senhores. que se faziam representar por deputados. que naõ tinham assas poder para sacudir o jugo.pelo qual eram nomeados representantes de uma certa extençaõ das terras d' El Bey. somente desta delegação lhe provinha o direito de sessaõ. Naõ somente por este meio conciliava EI Rey os espíritos daquelles. para si. como gram proprietário. que até entaõ naõ tinham tido ligaçoens senaõ com elle somente. O antigo Parlamento éra composto dos grandes vassallos da Co- roa. davam nelle o voto que o mesmo Rey poderia dar. isto he do rescripto real. que de- pendiam immediatiimente do Rey. dos Pares: he a este uso que se refere o direito de que actual- mente gozam os reys de Inglaterra de crear Pares do Reyno. que compareciam em pessoa. elles naõ podiam votar senaõ a respeito das terras Reaes. os quaes. feudatários do Rey. e que. . que os investia. e faz ver. que depen- diam immediatamente do rey. com uma só palavra.

. que em nenhum paiz da Europa goza o povo de maior diberdade. eram tam pouco apreciadas. vieram por fim a attrahir a si a maior parte da authoridade do Parlamento. e olhava para o direito de se fazer representar como um pezado encargo. que mais de uma corporação as naõ considerava. como equivalente das despezas oceasionadas pela eleição. como nota o A. e governadas por seus magistrados. que ficou em directa commu- n icaçaõ com o Rey. que a Câ- mara dos Communs he composta de deputados destas pe- quenas associaçoens. e por isso em nenhuma parte he mais forte o es- pirito publico. Literatura e Sciencias. A razaõ he. verdadeiramente na- cional. lnsensivelmente se transferioa representação nacional dos Altos Baroens para a Câmara dos Communs. principalmente pela penúria em que ee achavam os So- beranos nas suas dissensoens com os Baroens. e pouco a pouco todos os sub-vassallos se consideraram vassallos imme- diatos da coroa. as conseqüências desta representação. Com tudo. authorizadas pelo Soberano. e a Inglaterra se vio representada pela Câmara Baixa. a p. 49. pouco a pouco se fizeram poderosas as corpo- raçoens. e como se precisava dellas para os subsídios. Daqui se seguio o que deve ser objecto da mais im- portante observação. . Em uma palavra. como bem observa o A. Os Altos-Baroens perderam todas as suas relaçoens com o povo. Libertaram-se e incorporaram-se maior numero de cidades. nem exercita maior influencia no Governo. formadas contra a força e violência dos grandes. nella se discutiram os direitos mais importantes. a saber. pela viagem e pela mantença dos deputados. com maior utilidade do que o tinha sido pela Câmara dos Altos Baroens. 263 riram. nem ha tanta energia verdadeiramente na- cional. do que acontece na Ingla- terra.

62. que nomêam os deputados. o condado ficava obrigado a indicar a centúria do culpado . " Todos os antigos Germanos. a p. e quando esta éra violada. delles se tirava a somma. assim esta vem a ser geral em toda a extençaõ do Reyno. e reparar o damno causado. mas verdadeiramente nacional. em cen- túrias de dez decurias. as pessoas eleitas naõ precisam ser residentes no lugar da eleição. e as centúrias do mesmo condado po- diam ser demandadas in solidum pelo pagamento daquellas.° explica o A. e por isso reüne as qualidades de uma repre- sentação naõ local. que naõ podiam satisfazer a condemnaçaõ. que transcrevamos aqui o principio deste capitulo. e em shires ou condados de muitas cen- túrias: o nome de friborgus se applicava já ao homem livre. Esta matéria. para nos occuparmos aqui com ella. 5.264 Literatura e Sciencias. que se reduz aos differentes modos de pos- suir os bens de raiz em Inglaterra. O grande objecto destas reunioens éra a paz e a tranqüilidade pu- blica .° tracta da conservação das antigas associa- çoens. tem tido uma espécie de garantia mutua. N o Cap. de que temos noticia. do contrario os ou- tros membros da decuria eram responsáveis in solidam: as decu- rias da mesma centúria. ja a toda a associação. qne fazia parte desta associação. sob pena de pagar a muleta incorrida. como entre os Anglo-Saxonios. Quando o culpado tinha bens sufficientes. mas o mesmo povo." Ja vimos que deste principio nascia a mutua superin- tendência dos cidadãos» uns no comportamneto dos ou- . Em Inglaterra naõ saõ os Administradores ou Magistra- dos. os antigos feudos Inglezes. O Cap. todas as primeiras sociedades. porém em nenhuma parte foi tam bem estabelecida. nas mesmas palavras do A. tam regular- mente organizada. He essencial. a centúria devia designar a de- curia. Os homens livres estavam reunidos em decurias de dez familias. 4. e esta entregar a sua pessoa. he de natureza dema- siado local.

Assim. e que as corporaçoens adquiriram influencia. Estas instituiçoens. tanto no Parlamento como fora delle. continuou sempre a instituição antiga. o Rey ali mandasse somente como senhor particular. Assim o Sheriff (esta palavra vem de shire condado. ficaram incompatíveis com o estabelicimento do feudalismo e vassallagem. porque éra um meio de segurar o pagamento das muletas. no fim do cap. Estas instituiçoens se conservaram princi- palmente nas terras immediatamente dependentes do Rey. sendo a mesma pessoa. mas isto que no resto das naçoens Germânicas foi o resultado de causas fortuitas. Assim. presidia na centúria. e julgava seus filhos menores e seus servos. Com tudo. Cada pay de familias fazia o mes- mo em sua caza. Literatura e Sciencias. depois se veio a fazer em nome dos respec- tivos Senhores e Baroens. postoque segundo as leys feudaes. e reef magistrado) presidia ás assembleas do condado ou shire. e nellas tractava os negócios da administração eco- nômica e judicial. 265 tros. de fazer as decurias responsáveis.. mesmo ainda depois da conquista dos Nor- mandos se conservaram estas associaçoens. O centuriaõ. deduzidas do estado livre. como representante da socie- dade inteira. porque. e daqui se tornou depois a espalhar por todo o reyno. até por estrangeiros que lhes naÕ pertenciam. o decuriaõ na decuria. se estabelecêo entre os Anglo-Saxonios por effeito de uma organização regularis- sima. que as mesmas formas escrupulosamente conservadas desde o tempo dos . observa o A. e os con- quistadores levaram a oppressao ao ponto. e conservando-se as mesmas formas exter- nas. administrando-se antigamente a justiça só em nome do Rey. á proporção que foi decaindo o systema feudal.

e he isto o que faz apparecer no systema de legislação Ingleza desvios e anomalias. que as rebellioens eram péssimo modo de procurar melhoramentos a uma naçaõ. do que copiar suas palavras. parecia comprehen- derem também a reprovação do novo Governo de Vene- zuela. segundo mostramos no nosso N. que os termos geraes por que cen- suramos a sediçaõ de Pernambuco.° antecedente: e por isso. Justificação do Correio Braziliense. usa de tantas declamaçoens em vez de raciocínios. .) MISCELLANEA. para nos justificarmos. quando se considera. tendo de oppor argumentos a um declamador.) O Escriptor. (Continuada de p.266 Literatura e Sciencias. cuja explicação só se pôde achar nas antigas tradiçoens. encerraram em si. principios in- teiramente differentes . como vimos pela supposta falia. O motivo de se escandalizarem. naõ he difficil de conjecturar. que acon- selha a um rey reformador. e ao seu Campeão. (Continuar-se-ha. o Escriptor aque respondemos. Saxonios. Foi a nossa proposição. naõ ha outro meio melhor para o dar- mos a conhecer. contra o Correo de Orinoco. 186. a que nos propuzemos responder. E foi isto o que tanto escandalizou aos republicanos de Venezuela. fallando da sediçaõ de Per- nambuco. muitas vezes.

Miscellanea. e a revolução de uma naçaõ. na distincçaÕ essencial. em quan- to naõ estiverem bem equilibrados estes poderes. que fizemos. . " He este um esboço imperfeito da reforma. em quanto naõ houver outra ley mais que a de seu capricho. o mesmo escrip- tor. Nesta injusta queixa do Escriptor Venezuelano. que exige um Governo tal como o do Brazil. E crera o author da opinião contraria. faz agora uma applicaçaõ delia directa- mente ao Brazil. vera que naõ tínhamos em vista confundir a revolução de toda a America Hespanhola. se passou com toda a naçaõ Portugueza em 1640. que dei- xamos estabelecidos. he ephèmera e superficial. porem. para que este abandonasse o seu poder arbitrário. que seria bem recebido na Corte de seu Rey um me- morial . confundidos em uma só maõ todos os poderes do povo. No. naõ houver distincçaÕ entre o legislador e os administradores e juizes da ley. toda a outra reforma he insignificante. Em quanto um só homem houver de ser o arbitro da sorte da tantos milhoens. 136. ou da America Septentrional ? sH encarregar-se-hia da apresentação deste memorial o Edictor do Correio Braziliense. que " em casa de ladraõ naõ se pôde fallar em corda. ou o de suas creaturas e aduladores. que lhe desse o povo do Brazil ? i Contentar-se-hia com uma copia da Ingleza.° passado . entre o motim de uns poucos de homens. que deixe ille- zas as raízes do mal. em quanto." Ja vimos que nós. e a assuáda de Per- nambuco. segundo expomos no N. entre o que." Mas no entanto. que aconselhou. XXIII. qualquer outra. e mui decidi- da a responsabilidade de todos os funcionários públicos. nem suas causas com o insignificante reboliço em Pernambuco. no que dissemos a respeito de Pernam- VOL. e se sugeitasse á constituição. MM . se verefica bem o provérbio. depois da falia. com se vê do seguinte. por exemplo. 267 Se o Leitor. reflectir nos principios.

porque mais imperfeita producçaõ naõ se podia fazer. Na Cappadocia. do contrário naõ será monarchia. Diz o Escriptor. porque. Nestes termos. que naõ pode nunca existir o Governo Monarchico. segundo este Escriptor. em quanto houver monarcha. naõ tínhamos em vista o caso de Venezuela. e começa por aquella de que naõ haja um só homem que seja o arbitro da sorte de tantos milhoens: isto quer dizer. se faz manifesto. se o seu fim foi dar um esboço do Brazil imperfeito. Assim como differentes homens escolhem diversos modos de vida. que he insignificante toda a reforma. expulso o domínio dos . que a falia. agora. nunca lhe pode convir. o Escriptor chegou com effeito nesta falia ao seu fim. passado. Explica elle agora. seus custumes. por outras palavras. assim as naçoens escolhem varias formas de Governo. o Governo Mo- narchico." Na verdade naõ podiaser mais im- perfeito o tal esboço. que naõ haja no Brazil Monarcha. que naõ comprehender o que elle aponta. que compoz " he um im- perfeito esboço da reforma que exige um Governo tal como o do Brazil. tem em vista atacar o Governo do mesmo Brazil. éra preciso que o Escriptor estivesse preparado para nos provar.268 Miscellanea." devem estar na maõ de um so indviduo. pois a elle expressamente applica suas doutrinas. que o Escriptor. que he o que cremos entender o Escriptor por" sorte de milhoens. os poderes todos do Governo. seja qual for o gênio de um povo. sua educação. Parasustentar similhante proposição. com o pretexto de refutar o Correio Braziliense. pela passagem acima transcripta. e no resto de seus escriptos. buco. pois elle affirma. que com o Governo de um individuo toda a re- forma he insignificante. na falia que copiamos no N°.

XLII.) que vistas as dissençoens do povo. Os mesmos escriptores republicanos referiram muitos exemplos de povos. Contra taes abusos tem os povos Portuguezes representado. 269 Romanos escolheram os povos ter um rey que os gover- nasse. diz. XXXVIII. outros o Democrático. 6. outro remédio senaõ escolher o Governo de um só homem. Outros povos escolheram o Governo Aristocrático. outros o Mixto. diz Tácito (Hist 1. escriptor Romano. (Livio 1. VII. Tito Livio. desde Aristóteles até Montes- quieu a forma de Governo Monarchico. c. que naõ haja aduladores na Corte. 1. naõ tinha a pátria. isto he. contra isso tem . aos Mysos. que o Escriptor aqui exige. do que lembrare- mos algums exemplos. E assim diz Philostra- to na vida de Apollonio (lib. 5. A s outras condiçoens. em Cortes e fora deilas. Porém segundo este Escriptor seria preciso riscar dos livros de todos os politicos. Cicero diz mais (De Officiis Cap. sugeitarem-se os homens ao Governo de um só.) que éra locura querem dar aos Thracios. que naõ tem nada com a forma de Governo. que ns cidades go- vernadas por Eumene naõ quereriam trocar a sua sorte com nenhuma cidade livre. ou aos Getas uma liberdade. 3.) que em taes casos naõ só se pode. & Justin. mas sempre se custuma. c. para que possa haver reformas úteis . XII. de que naõ podiam gozar.) e até nega- ram. que pudessem viver sem rey. (Strabo.) Dos mesmos Romanos. que haja responsabilidade efficaz nos funecionarios públicos : tudo isso saõ partes da ad- ministração publica. que viveram felizmente por muitos séculos debaixo do Governo de reys. lib. que o poder legislativo e judi- cial sejam separados. no tempo de Augusto. Miscellanea.

e vejamos qual seria o comportamento de seus con- selheiros e ministros. indicassem aos povos a necessidade de fazer as de- vidas representaçoens a El Rey. e no mesmo tom tem sido sempre escripto o Correio Braziliense. Desta classe de gente sempre as proposiçoens de reformas úteis encontrarão opposiçaõ. que os clamores do Correio Bra- ziliense naõ tem produzido nenhuma reforma de conside- ração. alegaremos o voto do Correio Braziliense. escripto muitos escriptores nacionaes. e elle nos dará oceasiaõ a desenvolver mais esta matéria. as pessoas interessadas nos abusos. emais faria. senaõ em toda a parte do Mundo. de 1819. Aqui se volta o escriptor para os conselheiros e mini- stros. que representassem legal- mente a naçaõ ou alguma parte delia. naõ só no Brazil. porem. argumenta-se. se em vez dos revolucionários aconselharem rebeli- oens. porém para demonstrar o dos empregados na Corte do Brazil. na sua folha de 20 de Fevereiro.270 Miscellanea. com o escriptor. Continuaremos. Bem sabido he o de todos que servem estes lugares nos governos despoticos. He verdade. mas alguma cousa tem feito. " Supponhamos que El Rey Joaõ fosse indifferente a esta petição. isto he. senaõ em todas as idades. ^Masencarregar-se-hia o Redactor do Correio Brazili- ense (pergunta o escriptor) de apresentar a El Rey um memorial contra taes abusos ? Sim: Comtanto que o Me- morial fosse feito por pessoas. e naõ só no epocha presente. porque as paixoens dos ho- . Mas isto se naõ remedea com a mu- dança da forma de Governo. E quanto ã opinião individual do Redactor <* que mais clara a pôde expor do que se acha em todos os números deste periódico ? Mas.

que se pedem. porque perturbam os gozos dos mal ganhados prazeres destes egoístas. naõ saõ senaõ pretexto para destruir o Governo. qual he a conclusaõ> que dellas se deve tirar ? Que he preciso representar estes males a El Rey. e por conseguinte chamam revolução a toda a reforma. e jacobinismo a toda a demonstração de abusos. naõ convém ao Bra- zil descolonizado. tanto no legislativo como no administrativo. isto saõ as doutrinas do Correio Braziliense i Mas. porque a gente ignorante vai com a corrente. e despovoada. pelo contrario. que saõ necessárias muitas refor- mas. temem pe/der as suas commodidades. tanto nas Monarchias como nas Democracias. em que . e que as leys do Brazil quando éra colônia. e neste mesmo N. Saõ sentenças do Correio Braziliense.° adiante se achará um exemplo." Assim he. que convém destruir. que estamos impugnando. com isso se fortalecem as intrigas dos adula- dores. Se. de forma legal e efficaz. principalmente na forma da ad- ministração publica do Brazil. Infelizmente tem ja acontecido mais de uma vez. do que as histórias nos dam demasiados exemplos. no mesmo numero. e comam e bebam descançados. " Confessa que ha abusos. Perturbadores do socego publico saõ chamados os que. se a conselha uma revolução." " Diz. animados de patriotismo denun- ciam estes males . que as pretendidas reformas. e convencer de suas intençoens de melho- ramento nas cousas publicas . que os homens bons e espirituosos saõ os que o Gover- no deve contemplar. com tanto que recebam o seu soldo. tudo o mais he indiffe- rente: os que estaõ em poder e authoridade. Miscellanea. 271 mens os induzem a obrar mal e abusar do poder que tem. logo que se lhes falia de reforma. e se lhes da bom azo para dizerem. e os empregados e aduladores do Governo ou egoís- tas naõ cuidam do bem geral.

e portanto só o Rey tem o poder de despachar taes peti- çoens. Uma parte. os abusos de que nos queixamos. que representam a El Rey. porque o naõ alle- gou. apontando com dedo para escriptores desta classe. Mas em quanto naõ apparecerem ante elle senaõ os advogados dos abusos. que dizem. que naõ pôde haver reforma útil sem revolução. Continua. como pois esperar delles o bom suecesso da petição ?" O primeiro erro deste escriptor está em suppôr. he que he o único juiz: logo o arbi- trio he. advogar perante El Rey a boa causa. que desmonte seu despotismo . e os mais oppostos a toda a reforma. esses aduladores. e naõ elles. e persua- di lio da verdade. só podem valer-se de seus lugares. que naõ alléga seu dirreito. que deixa ir a sua causa á revelia. visto que ellas tendem á revolução. " E se os que haõ de prover a petição saõ esses mesmos em- pregados egoistas e aduladores do Governo.272 Miscellanea. El Rey. . o Governo he Monarchico. que abhorrecem e de- testam a reforma. e de sua commu- nicaçaõ com El Rey. co- mo justos e como bons. naõ nos podemos queixar de que El Rey tem desattendido as razoens da outra parte. elles saõ os que governam em nome d' El Rey. Desta perniciosa doutrina ti ramos contrários a conclusão. esses agois- tas. Esses empregados. Saõ elles os advogados. que he preciso obstar ás reformas. para o persuadir a que naõ atten- da a taes petiçoens de reforma. os antrigantes tem conseguido obstar a melhoramentos. naõ se deve queixar de que o juiz naõ attendeo a seu direito. que os empregados saõ os que haviam despachar taes petiçoens. i como poderá ella ter lugar ? Mais claro : o Governo se compõem destes mesmos empregados. Isto naõ he assim : no Brazil.

e sem os entrávezde uma Constituição. mais forte que Hercules. mais virtuoso que Trajano. Em todo o caso. que se naõ deduza deste principio. he sem fundamento dizer que as petiçoens de reforma se- riam regeitadas por El Rey. E quando fosse mais sábio que Salomão. Miscellanea. que os advogados pela boa causa queiram e saibam allegar sua justiça. El Rey tem Ministros. antes de se resolver nos negócios de importância. que os homens. que naõ redunde em utilidade dos governados. Todo o Go- verno. o destinou ao serviço e utilidade de certo numero . e recebe memoriaes de qualquer individuo. deviam depender da vontade e paixaõ de um individuo. he illegitima e tyrannica. creados á imagem e similhança de Deus. 273 Diz o Escriptor. mas El Rey dá audiências publicas. que naõ se pôde esperar bom sue- cesso de taes petiçoens. a melhor existência de todos os congregados. melhor que os seus oppo- nentes o fazem ante o mesmo Rey. variando posteriormente seus desígnios na creaçaõ do homem. porque naõ podia governar sem elles: tem conselheiros. Nem a philosophia nem a revelação podiam ensinar ao Edic- tor do Correio Braziliense. porque todo o homem pru- dente deve ouvir o parecer de outros. He um crime de blasphemia dizer que Deus. Logonisto naõ pôde haver outra diffi- culidade senaõ. Este naõ he o facto. porque os que as tem de des- pachar saõ os mesmos que governam abusivamente em nome d' El Rey. deve ser abolido ou reformado. dictada pelo povo ou seus representantes. tal como o que está reynando no Brazil. Toda a authoridade. Naõ se congregaram os homens em sociedade para sacrificar os seus direitos e interesses ás com- modidades e prazeres de uma só pessoa ou familia. ouve a todo o mundo. e antes de ninguém lhe provar a falsidade e in- justiça do que lhe representam os da parte opposta. antes de lhe serem apresen- tadas. a sua saúde e felicidade foi o alvo de sua congregação. tam pouco teria direito para mandar como quizer.

deste periódico a p. devia ter lido o que ali dissemos. qué faz derivar immediatamente de Deus o poder dos monarchas absolutos. Rylance. julgamos que naõ he necessário responder-lhe aqui. e se transmittem a seus herdeiros. que os homens dependam da vontade de um homem. despojando o povo de sua So- berania. porque ja demos a conhecer qual éra o miserrimo folheto de Mr. nem a revelação nós podiam ensinar. Este escriptor. que por brevidade omittimos. que se tem observado sempre no mundo. diz o escriptor. nas matérias de que se propoz fallar. que naõ pôde haver Governo Monarchico." Nem a philosophia. quiz nisto limitar-se ao individuo. I. mas contra a practica.274 Miscellanea. por mais poderoso. por mais virtu- oso que seja. Estes saõ os effeitos e estas as conseqüências da falsa doutrina. de seus similhantes. que seus argumentos podem ter) que o Monar- . 203. por mais sábio. isto he repetir outra vez. como mostramos ser Mr. Sobre esta falsa doutrina tem gyrado os disparates. cuja igno- rância expozemos no Vol. Ry- lance. Se o Es- criptor. abatendo-o á classe dos brutos. e se envergonharia de nos citar a authoridade de tam ignorante author. que reproduz o Correio Braziliense. antes de tentar refutar-nos. naõ só contra a opinião de todos os publicistas. tal qual o que reyna no Brazil. que nenhum ho- mem. como se pôde presumir de uma citação que faz do folheto de Mr. Se o Escriptor quiz dizer (porque na confusão com que se explica. e p. e mais cousas que formam a propriedade dos ricos. he preciso buscar com hypotezes os sentidos diversos. Se porém este Escriptor quer dizer. desde que en- contramos monumentos históricos. 120. deve exercitar só por si o poder soberano. Rylance. quando censura a revolu- ção de Pernambuco. o que temos mostrado ser.

sem examinar primeiro. 111. 31. § 14. 136.) que submettêram ao senhorio dos Romanos. por acharem isto mais conveniente. D. no principioda cidade. que tem havido muitos governos monarchicos. Agora mostraremos. porque na historia achamos repetidos ex- emplos do contrario. para li- mitar o modo de exercitar o poder soberano. 275 cha nunca tem direito de governar sem o que elle chama entrdvez de uma Constituição. Vil. porém naõ lhe chegou a lingua. que a sua independência. Dos Capuanos diz Tito Livio (L. Mais. Diz Tácito (Ann. wv . ha exemplos de povos. quaes saõ os cus- tumes. os seus campos. Continuemos com elle. os templos dos deoses. que naõ seja do custume dos homens constituir governos mo- narchicos. tinham todo poder. e se as Constituiçoens politicas dos Estados só servissem de entrâvez ao Governo. Depois destes factos históricos ^quem poderá dizer. Miscellanea. XXIII. Consta que os Reys. tidos e havidos por legítimos. e todas as mais circumstancias do povo para quem se designa o Governo: mas o nosso Aris- tarco do Orinoco decide. VOL. N°. tudo o divino e humano. a educação.J Pomponio diz (L. que se submettêram inteiramente a outros. 2. em vez de úteis seriam mui preju- diciaes: mas talvez o Escriptor em lugar de entrâvez quizesse dizer formulas. e absolutos ? Agora i qual das formas de Governo he a mais útil e conveniente & naçaõ? Nenhum político responderá a tal pergunta. Por entra vez se entendem obstáculos e impedimentos. De origine Júris).) Romulo nos governava como queria (ad libitum. outra vez argumenta con- tra o facto. 26. a sua cidade. sem essas formulas de Constituição prescriptas pelo povo. que o Governo Monarchico naõ convém a nenhum.

276 Miscellanea. e obra do momento. para recuperar seus direitos usurpados. deixando de parte a justiça ou injustiça da acçaõ. Que naõ havia pre- parativos para uma revolução em Pernambuco se prova. tal como a de Pernambuco. que se intentasse esta- belecer: naõ havia depósitos de armas. Mas vejamos como este escriptor nos combate. porque. Se estes nobres sentimentos naõ eram geraes em todo o Brazil." Nada ha mais natural do que characterizarmos a sedi- çaõ de Pernambuco como fizemos. " Os antigos elementos de toda a revolução. as beija . administra- ção e modo de conduzir os negócios públicos. á vista dos factos e do re- sultado. naõ vimos que houvesse alguma combinação me- ditada. naõ saõ outra cousa senaõ os sentimentos naturaes contra a oppressao. " Adiantando a sua critica. e desde logo lhe chama obra do momento. O Leitor decidirá. naõ appareceo plano algum de governo. ao systema de seu Governo se deve at- tribuir essa mingua : ao habito inveterado das cadêas he impu- tavel a inditFeiença e apathia com que o povo as tolera. que houvessem elementos antigos para esta empreza. se julgamos ou naõ com razaõ. e naõ ignorantes quaesquer. queixa-se da precipitação. erro e injustiça de seus conduetores. nem de mantimentos : naõ havia combinação ne- nhuma politica. parto da inconsideraçaõ. depois do motim e da prizaõ do Governador. e os tacha de ignorantes em matérias de Governo. muniçoens de guerra. Responder-lhe-he- mos capitulo por capitulo. mas com uma ignorância total. Portanto. o escriptor deste periódico duvida. por isso a characterizamos como parto da inconsideraçaõ e da ignorância. para segurar os fins a que se propunham : se he que tinham fim determinado. para segurar o existo da empreza. e o desejo innatoda liberdade no homem he a mola principal que dá impulso á machina.

contra ella. e tributando incenso á Casa de Bragança. longe de favorecer a se- diçaõ de Pernambuco. A esta degraduaçaô brutal deveo o déspota. vemos aqui. Attribue isto á forma de gover- no. suas pessoas e bens. confessa o Escriptor. logo o querer forçar essa innovaçaõ. pelo voto da maioridade. como nós dissemos. taes como a de Portugal. accusando os patriotas de Pernambuco. que a maior parte dos habitantes daquellas provincias se tivessem declarado contra a revolução.* E . porque todos se conspiram em dizer. a que desceo sua penna. donde nasce principalmente este embrutecimento ? De doutri- nas taes como a do Correio Braziliense. que o Escriptor confessa. Miscellanea. quem favorece as revoluçoens» Mas seja isto como for. que he o Cor- reio Braziliense. dos perversos. 277 e as abençoa. saõ os sentimentos naturaes do homem contra a oppres- sao. e âs doutrina do Correio Bra- ziliense. Quando isto acontece. A ser assim amainentado deve o Edictor daquelle Correio a baixeza. que mamam quantos tem a desgraça de nascer em inonarchias. que a maio- ridade dos habitantes do Brazil. Diz elle. só podia ser parto da incon- sideraçaõ e da ignorância. áos hábitos dos povos. . que o sen- timento da maioridade éra contra a innovaçaõ annuncia- da em Pernambuco. Isto naõ he assim : os elementos de uma revolução saõ os custumes e a opinião geral do povo. Nesta ultima causa differe o Escriptor. deve mudar a forma de Governo: . com a maior promptidaõ possivel. offereceo a El Rey." Deixando os impropérios. em opinião. e tractando só dos argumen- tos. seus bens e suas vidas. Este heo leite. que os antigos elementos de toda a revolução. de que a for- ma de Governo lhe naõ quadra. sem o apoio da maioridade. que favorecem os abusos do Governo naquelle paiz . ofièrecendo em obséquio do tyranno.

Se isto tende a perpetuar a escravidão dos Brazilienses. sem isto. Seja ou naõ seja embrutecimento no povo do Brazil. sem que a opinião publica esteja preparada para ella. e ainda assim. que em opposiçaõ aos pouquíssi- mos. só narramos factos." Nisto que dissemos. sempre se observa uma espécie de compromisso entre o poder do conquistador. tentar uma revolução. a favor da monarchia que os rege. ou em fim por outra qualquer causa.978 Miscellanea. Quando nós narramos circumstancias existentes. e os cus- tumes dos. Assim se explica a p. que se suppu- nha contra a dynastia reynante. mostra toda a historia da na- çaõ. nôs naõ pode- mos alterrar o facto. (da Casa de Bragança) diz que he a mais popular. e assim co-opéra para perpetuar a escravidão dos Brazilienses. se podia allegar a immensa maioridade ou a totalidade dos habitantes do Brazil. Joaõ IV. só pode ser parto da precipitação e da igno- rância. que naõ estava em nosso poder disfigurar. desde a aclamação de D . Que a Casa de Bragança hea mais popular. queja mais governou os Portuguezes. também . que a arrastam. só a força superior de um conquistador pode al- cançar o fazer que a naçaõ se submetia a novas formu- las. quando dizemos verdades. pelas cadêas. que o Escriptor con- fessa existir. 210 do Correio de Fevereiro do anno passado. e soja esse embrutecimento produzido pelas doutrinas do Correio Braziliense. *' Delia. queja mais governou os Portuguezes : que a revolução de Per- nambuco nada tinha de commum com o ódio. se ha na maioridade essa disposição. povos conquistados. offe- recendo em defeza d' £1 Rey suas pessoas e bens. pelo leite que mamam. que se declararam contra elles. com a maior promptidaõ possível. pelas quaes se desacredita a administração do Brazil. que elevaram o seu descontentamento até o ponto de re- belliaõ.

Sem attender a esta. do erro. Esta he a sorte de todos os escrip- tores moderados. do modo que pretende o Correio Braziliense. «*• Que fosse obra do momento a revolução. Os homens bons e espiri- tuosos saõ em todas as partes os que concebem e formam as re- voluçoens . serem atacados por ambos os extremos. em todas as partes saõ poucos os individuos desta qualidade . nem pomos rey. parto da incon- sideraçaõ. como revolução naõ bem meditada nem combinada. sempre que seus promotores as tem querido meditar e continu- ar. 279 os do partido conrompido do Governo nos accüsam de fomentar revoluçoens. Porém quizéramos que nos mostrasse. para augmentar o numero de adeptos e de medidas. que se tem lisongeado de estabelecer systemas politicos. e da precipitação. que induza mudan- ças nos governos das naçoens. Na tardança tem perigado todas as que se tem preparado e amadurecido. porque a força está da parte da multidão: e esta força. e quaes saõ as fataes conseqüências. tanto mo- ral como phisica. quaes saõ as que tem tido bom êxito. quer dizer o mesmo no conceito do escriptor. nem ti- ramos rey. que se devem esperar. sem mudar esta opinião naõ ha poder no mundo. todos os esforços saõ vaõs. quando reprovava a de Pernambuco. só mostramos qual he a opinião publica. seja para melhor. he dirigida pela opinião. Todas as vezes que se tem prolongado o tempo da irrupção. Miscellanea. na historia das revoluçoens. mas quando narramos os factos. saõ elles os que devem traçar e executar as opera- . seja para peior. e neste escolho tem esbar- rado todos os governantes e todos os sediciosos. seja da parte dos que intentam innovaçoens. de querer ir contra a torrente da opinião publica. conforme o methodo que lá em sua mente tinha concebido o Edictor. seja da parte dos que governam. tudo se tem malogrado pelas dilaçoens e perfidias de algum dos confidentes. naõ análogos aos sentimentos dos povos. além do que se custuma em similhantes emprezas.

feita sem o menor preparo. que tem sido bem succedidas. deve acabar dependurando-se na força os cabeças. quaes saõ as que tem tido bom êxito. sejam as suas victimas quem forem. mas a polí- tica vexadora e humilhante da Corte. Respondemos. porque tinha sido estabelicido em Portugal á força d* armas . e diz." Tal he a conta que o escriptor julga fazer-lhe a revolu- ção no Brazil. segundo os principios e razoens. que lhe mostre na historia. que deixamos expendidas. Mas para que naõ fiquemos sem dar algum exemplo dos que nos pede o escriptor . ou tumultos. mas que se faça jâ. a naçaõ irritada con- tra o governo dos reys de Hespanha. contra o despotismo. haja revolução. Quer o escriptor que se façam revoluçoens sem tomar para isso medidas. Naõ falamos de sediçoens. o segredo dellas naõ se deve fiar da multidão: esta vai com a torrente. çoens insurreccionaes. e pre- cauçoens adaptadas às circumstancias. em todo ou em parte. que naõ só aconselha a revolução. pelas quaes se haja de mudar a forma de governo. lembrar-lhe-hemos dous. porque essa revolução no Brazil poderá ser diversão útil a Caracas. quando seus authores as quizéram combinar e meditar. Seja o primeiro a revolução de Portu- gal em 1640.280 Miscellanea. mas isso naõ im- porta ao Escriptor. mas sim de revoluçoens. padeça quem padecer. e sem se tomarem medidas: he verdade que uma revolução. e quasi nunca deixa de seguir o grito e o brado ás armas de seus cori- féos.além de serem fundadas na opinião publica. que todas as revoluçoens. o seu êxito foi sempre assegurado por medidas bem calculadas. e a perversidade de . naõ só se achava. que saõ de casa. que tem por fim alguns assassi- nos ou roubos. Neste exemplo.

Vieira esperou todo aquelle tempo. Miscellanea. e porque foi assim meditada teve o melhor êxito possivel. a cujo abrigo se amaduràram os planos . Quasi todas as revoluçoens co- meçam pelo rompimento de mui poucos individuos. tinham preparado amplamente a opini- ão publica. e favorecêllos em suas inten- çoens de melhoramento. seja porque os naõ conheça. em uma palavra dando a seus planos aquella madureza. e naõ obstante. Agora ouçamos o Escriptor. para receber com applauso a empreza que se meditava. que a revolução arrebentou. que importava entrassem na conjuração. nas cousas publicas. as- segurou-se a protecçaÕ de uma importante naçaõ estran- geira. ajunc- tando mantimentos e muniçoens. Seja o outro exemplo nesse mesmo Pernambuco. sobre estes mesmos factos. A pezar disto. e attribue a mera obra do accaso. e vejamos como raciocina errado. consultâram-se as pessoas principaes do Reyno. para dizer. o que naõ foi senaõ resultado de profun- da meditação. quando tudo estava preparado desta maneira. 281 seus instrumentos. seja pelos querer desfigurar . que allega o Correio Brazi- liense. &c. porque a gente ignorante vai com a corrente. e se achará comprovado o facto . a opinião publica éra decididamente contra os invasores. que os homens bons e espirituosos saõ os que o Governo deve contemplar. e pelo irrito de uma fruteira : a de . a dos Hespahoens contra Buonaparte foi iniciada por um punhado de gente em Madrid. e foi só entaõ. quando Joaõ Fernandes Vieira se levantou contra os Hollandezes. Lea-se a do Duque de Bragança em Portugal. Ja em 1642 tinha aquelle homem lança- do os fundamentos a sua empreza. fazendo preparativos. " Valemo-nos da mesma razaõ. em 1645. que lhe assegurou o bom suecesso. &c. os preparativos para a revolu- ção duraram annos.

e de um ponteiro. que este en- genho consta de um mostrador com doze figuras. que um Castelhano. habitantes da capital. dizendo. Venezuela contra as authoridades. e naõ premeditadas. que o tal Castelhano éra como o sandeu. e morram os Franceze6. somos obrigados a applicar ao nosso Escriptor do Orinoco o mesmo epitheto do expli- cador da machina do relógio. e de mui poucas semanas de concerto: a de Hespanha. que se inclinavam a estar e passar pelas cessoens e abdicaçoens de Bayonna. naõ teve outro principio mais que o de um official. e lhe falta o mais admirável da obra. Parto da inconsideraçaõ. A este propósito se notou ja.282 Miscellanea. a . bem longe de ser obra do momento. e que seu amo tinha a infelicidade de ser às maõs lavadas expulso de tantas bellas províncias. ou qualquer dos authores. éra felicíssimo." Sobre a revolução de 1640 diz o conde da Ericeia no seu Portugal restaurado. como dissemos a cima. e seus servidores. Lea-se o Portugal Restaurado. que entaõ estava em Lisboa. que exclamou dizendo "Viva Fernando VII. Joaõ IV. porque lhe naõ custava o Reyno mais do que uma illuminaçaõ de prazer. e a de Caracas em Julhodo mesmo anno. Com o devido respeito. em Maio de 1808. que referem a historia daquelles tempos. que julgava ter ex- plicado o mechanismo do relógio. e se achará. e a de toda a America insurrecta merece o mesmo conceito a Fernando. exclamara que El Rey D. do erro e precipitação éra a de Hespanha no juizo de Napoleaõ e seus partidários. que passando de uma à outra vai mostran- do as horas: isto assim he. tinha raizes mui profundas: que o Doutor Joaõ Pinto Ribeiro. que aquella revolução em Portu- gal. mas naõ he tudo o que ha. foram obra do mo- mento." A outra revolução de Venezuela por sua independência e liberdade foi obra de um numero mui pequeno de pessoas.

Pitt. XXIIL N°. tam interessada em derribar o partido Francez na Hespanha. uma vez accesa. conser- varam sempre em Inglaterra e nos Estados Unidos. 283 quem se attríbue o merecimento do plano. 136. O contiuuado máo governo dos Hespanhoes. pois. Mais que tudo he reprehensivel o erro do Escriptor. que os despotis- mos de Godoy tinham inspirado contra este valido. com- Voi*. havia um grande partido contra os Franezes. naõ he possivel admittir neste es- criptor alguma desculpa de ignorância. Este projecto. aonde nunca se extinguio a chama. e as opressoens do systema colonial fomentaram desde aquella epocha as ideas de independência em Caracas. sem correr perigos e vencer muitas difficuldades. que se fortalecia na opinião publica. quando falia da revolução de Caracas. a separação e independência de Cara- cas. attribuindo-a a obra do momento. que moveram aquella revolução. feita pelo grito de uma fruteira. pelo ódio. e que a empreza se naõ executou. Na Corte de Madrid. naõ foi. das importantes e numerosas molas occultas. como diz o Escriptor. e era todo o Reyno de Hespanha. As familias pricipaes de Caracas. e eram manifestamente apoiados pela opinião geral. ja em 1790 tinha proposto ao Ministério Inglez. teve sem- pre partidários em Caracas. com incancavel industria e notável prudência: que na conjuração entraram os homens mais capazes do Reyno. Micellanea. naõ a attribuiria ao grU to de uma fruteira. a revolução da Hespanha. e naõ apremeditaçaõ: fallando dos mesmos negócios de Caracas. Ademais entrava nisto a poderosa influencia de Ingla- terra. Se o Escriptor. obrou nelle por muito tempo. o o . O General Miranda. que eram a favor da independência. quizera lembrar-se. favorecido por Mr. como devia. A revolução dosHespanhoes contra Buonaparte.

assim se manifestaram elles.284 Miscellanea. Fernando VII. escrevendo naquelle paiz. em Pernambuco. e em circumstancias favoráveis os chefes desse partido tornariam a começar suas hostilidades contra os Hespanhoes. naõ tendo a opinião publica apoiado innovaçoens. naõ se acham estes planos suffocados ou extinetos. tanto como a de Hespanha pro- duzida pelo grito de uma fruteira. esses mesmos elementos tornariam a appa- recer. pudesse dizer. Depois destes factos tam notórios a todas as pessoas. em que se ponham em acçao. atirando-nos com essas duas más authoridades. municaçoens tendentes a preservar estes elementos da re- volução. Pelo contrario. e esperando oceasiaõ favorável. pois muito pelo contrario estamos persuadidos de que essa revolução he conseqüência necessária da mudança na opinião publica daquelles habitantes. logo que houve ocea- siaõ. eheguiada por pla- nos mais bem ou mais mal conduzidos. porque nós nunca chama- mos à revolução da America parto da inconsideraçaõ. mas unicamente dormentes. e o nosso Escriptor parce ser da mesma opinião. naõ podíamos . que tem algum conhecimento da historia de Venezuela. pa- rece incrível que este Escriptor. nos sirva de reproche. que os seus cabeças põem em execução. pôde dar o mes- mo nome â da America Hespanhola. Mas naõ vemos como o dicto de Napoleaõ ou de Fernan- do VII. que a revolução de Caracas tinha sido obra do momento. e ainda que os Hespanhoes conquistassem agora toda a Venezuela. naõ existindo a combinação de planos. querendo de algum modo refutamos. Napoleaõ podia chamar â revolução de Hespanha parto da inconsideraçaõ. naõ havendo ne- nhum destes elementos de revolução. e que mesmo aonde estaõ em poder as authoridades Hespanholas. que nella se naõ fundavam.

Impelido pelo mais ardente amor da liberdade. me lisongeo de nao apparecer infiel nem inconstante. a honra de offerecer sinceramente ao Su- premo Governo de Venezuela os meus serviços. para realizar a independên- cia e liberdade daquellas Provincias. contra o nosso com- mum tyranno. Ao Poder Executivo das Provincias Unidas de Venezue- la. que as iegioens Colombianas apresentam aos amantes delia o mais brilhante theatro de honra e gloria. EXPOSIÇÃO DO G E N E R A L RENOVALES. parto da inconsideraçaõ. pois. quando me apresento a combater no novo . o cidadão Dr. Tenho jurado fazer a guerra. até o ultimo alento. Luiz Lopez Mendez. leal e conseqüente sempre a meus principios. aos olhos dos homens sensatos. que naõ duvido em assegurar está entranhado em meu coração. (Con tinuar-se-ha). aspirando à honra de unir os meus es- forços com os desses bravos patriotas. no que nos julgue ser mais úteis para a destruição de nosso inimi- go commum. Tenho. e vendo. por meio do seu Deputado em Londres. 285 deixar de chamar a esta sediçaõ obra do momento. para que na presente lucta se digne empregar a minha pessoa e as de meus bravos companheiros de armas. que tam galharda como constantemente a defendem. tenho determinado consagrar-me a tam nobre causa. Miscellanea. Antes sim. com summo prazer. ao que a todos nos intentou escravizar: e offerecendoá Ame- rica o meu braço e o meu coração. e fructo do erro e da precipitação.

que. e pois naõ tenho duvidado essegurar. quando tenha sido inútil o uso daquella. e as minhas bandeiras as que tremulam pela causa da liberdade. porém talvez naõ esteja ainda inteiramente fora do primeiro. causam o da emigração. E. A este segun- do caso tem chegado sem duvida Venezuela. que muda aleivosamente de bandeiras e de inimigos. A guerra. ou saõ paizanos ou militares: aquelles por si e por suas re- laçoens. longe de experimentar para futuro o seu fecundo e delicioso terreno o mal da emigração de seus habitantes. Neste conceito. empregamdo-se esta. repito. com os seus cabedaes para a Europa. entre outros damnos. e liberdade de todos os cidadãos. por effeito da funesta preocupação. podem vencer-se com a persuasão ou com a força. Os inimigos da independência e liberdade dos Americanos. de que a revolução dos Americanos se dirigia contra elles. attendido o espirito liberal e beneficio do Governo de Venezula. Nesta rainha decidida re- solução. que tam gloriosamente mantém as suas Pro- vincias contra o exercito Realista tem por objecto a in- dependência dellas da dominação Hespanhola. me apresento a combater pela liberdade e independência das Provincias Unidas de Venezuela. quando na realidade o seu único objecto he a emancipação da do- minação Hespanhola. que se oppo- em ao êxito de empreza tam gloriosa. que os tem apossado. tenho crido ser de meu dever elevar as seguintes observaçoens á alta consideração do Governo de Venezuela.286 Miscellanea. pelo que pode conduzir a tam digno objecto. Os obstáculos. mundo contra os agentes da tyrannia do antigo. nada se tem mudado senaõ o campo da batalha : os meus inimigos saõ todos os que apoiam o despotismo Hespanhol. estou bem longe de ser um transfuga. e a liber- dade de todos os cidadãos. tornarão . e em- pregar mais utilmente a nossa cooperação.

até me naõ faltam entre elles parentes bem próximos. cuja horrível arbitra- riedade e ingratidão para com Americanos e Europeos. irre- prehensivel em seu patriotismo e amor â liberdade. saõ bem notórios ao mundo: naõ menos que seus esforços contra déspota actual doméstico. para o feliz êxito de sua presente lucta. naõ pode deixar de accender a mais justa indignação em todos os habitantes do novo mundo. Miscellanea. Os seus sacrifícios e os de seus valentes companheiros. O trazer a favor da causa de Venezuela as tropas. que tem aban- donado a causa da independência e liberdade. a uns lhes procurei accessos. por conseguinte todos me saõ bem ac- cessiveis. naõ he menos a que se empregue em desarmar os inimi- gos. He pois um dos importantes serviços. contra um tyranno estrangeiro. que intento fazer a Venezuela. Neste ponto justamente me lisongeo de obter o mais feliz resultado: afortunadamente sou bem conheci- do no exercito do General Morillo. e em mui breve será o azylo da virtude e talentos dos ho- mens livres da escravizada Europa. posta em manifesto. dirigida à mais estreita uniaõ e constância de esforços em todos os paizanos. como o tem sido em circumstancias taes a pátria do immortal "Washington. o de contribuir de minha parte em anticipar esse tempo ditoso: estando certo de que nos ânimos assim dos Europeos como dos demais. a outros talvez creei officiaes. que lhe forem dirigidas por um Hespanhol. que . como o exponente. Se com effeito he importante a negociação. 287 promptamente os que tiveram a desgraça de o deixar. muitos officiaes tem servido debaixo de minhas ordens em differentes cam- panhas . faraõ fa- vorável impressão as cordeaes insinuaçoens de uniaõ e concórdia em sentimentos e operaçoens. pe- la de sua terra natal.

ou guerra de corpos francos. tamjgeral a deserção. Quem considerar os muitos auxílios. que o exercito inimigo ficará.288 Miscellanea. porque em honra da verdade he preciso confessar: que a guerra. que. Tendo estas previas disposiçoens nas tropas expedici- onárias se alcançaria facilmente a decisão. fosse necessário recorrer ás armas contra o inimigo. Se. para cujo effeito estavam de intelligen- cia comigo) ou saõ tropas sorteadas. debaixo da garantia solemne do Go- verno. entaõ devia a guerra ser sanguinolenta. ali envie Fernando VII. incapaz de batalha. e dirijo a palavra às tropas realistas. será. para o seu prompto e com** . que necessita um exercito. que aquelle Governo quer afas- tar de si por suspeitos (como que estavam embandeirados para a insurreição ccucertada contra o despotismo actu- al da Hespanha. frustrados os meios indicados. só com arvo- rar um estandarte. quanto a maior parte das que formam agora e podem formar para o diante as expediçoens contra a America. ou saõ chefes e soldados dos corpos. Eu naõ temo assegurar. para ella o systema que a experiência me tem demonstrado naõ menos seguro ao paiz do que destructivo do inimigo. á frente de um escolhi- do numero de meus companheiros em armas. Esta guerra por sua popularida- de suppôem tam alheados contra os inimigos os ânimos dos naturaes. que cada qual procura hostilizàllo segundo a sua possibilidade. he o das partidas. como se os quintassem para ser fuzili- dos. me será tanto mais fácil. para garantir-lhes a honra e segu- rança de suas pessoas. que para ali passam violentamente. dentro em mui pouco tempo. se ditosamente chego a ver-me em Venezuela. sem duvida alguma. authorizado competentemente pelo poder executivo. naõ he popular na Hespanha. que se faz na America. e que consideram esta sorte quasi tam fatal para elles. o que naõ creio.

as ideas. até que se tenha um exercito Patrio- ta. capaz por seu nu- mero e disciplina de conservar o paiz. qualquer destino. he o amor da independência e liberdade dessas provincias (chamadas certamente pela natureza a alternar dignamente com as demais naçoens) e o desejo ardente de servir a tam justa e nobre causa. Ao mesmo tempo que se exercita felizmente em Ve- zuela este gênero de guerra popular. estando no paiz e tendo presentes os ob- jectos. conhecerá que a nenhum habitante faltam meios de o hostilizar. que o objecto que me anima. n' um paiz inimigo. e os ou- tros mencionados. que. 289 pleto serviço. que ficam manifestadas. que exceda em numero e circumstancias ao do ini- migo. Eu estou mui certo de que o Supremo Governo de Ve- nezuela estará mui convencido da importância denaÕdar uma acçaõ decisiva. no entanto. e as de meus decididos companhei- ros. será considerado por mimhonrificoe glorl- . talvez seriam úteis algumas observa- çoens mais. até reduzir o solado ao estado de que naõ tendo descanço. nem achando paõ para seu sustento. Sobre este particular. Miscellanea. que devem servir de baze. livre de ser inva- dido por tropas inimigas. Entretanto. que desgraçadamente está seguindo. se deve fatigàllocom açcoens parciaes e freqüentes. sustentada tam heroicamente pelos bravos Venezuelanos. ou perecer nelle rapidamente. e de que. se resolva a abandonar as bandeiras de maldi- ção. naõ pôde o seu Go- verno deixar de haver prestado seriamente a sua atten- çaõ a formar um exercito respeitável. Resta-me por conclusão assegurar ao Supremo Governo de Venezuela. que se tenha a bem dar á minha pessoa. Deste modo he mui fácil reduzir um exercito â alternativa de evacuar o paiz. me proponho expor ao Supremo Governo de Venezuela. tenho a honra de offerecer-me a realizar com minha pessoa.

e da Nova Granada 4rc. se- guindo a sua sorte e as armas de Venezuella. por quem agora tem a honra de dirigir a presente expo- sição : tendo ao mesmo tempo a de offerecer ao Supremo Governo de Venezuela "a justa homenagem da mais alta consideração. 1817- MARIANO DE RENOVALES. que lhe faça saber a sua reso- lução sobre o assumpto exposto. em 20 de Maio de 1818. por meio de seu De- putado nesta Capital. O General Renovales supplica attentamente ao Supre- mo Governo de Venezuela. Fernando de Apure. justiça e liberalidade do mesmo Governo. doque empregan- do cada um o fructo de sua experiência e conhecimentos militares. seraõ mais úteis â causa. 13 de Dezembro. que vossa Excellencia me fez a honra dirigir. se o General Renovales com a escolhida officialidade. que levará com sigo. sobre o papel official datado de 13 de Dezembro do anno passado. Londres. Mariano Renovales. Ao Excellentissimo Senhor Tenente General D. Desgraçada- mente esta communicaçaõ tem sido retardada até este momento. Simaõ Bolívar Chefe Supremo da Republica.290 Miscellanea. o cidadão Dr. Luiz Lopez Mendez. como simples soldados. por meio do nosso Deputado em Londres. . oso. por causas que ignoro e sinto. deixando á sabedoria. a resolução da questão. Tenho a satisfacçaÕ de respondera Vossa Excellencia. Quartel General de S. <5-c. Capitão Ge- neral dos exércitos de Venezuela.

Sendo Vossa Excellencia um desses entes benéficos. na justa guerra que a Hespanha manteve contra os seus invasores. que por meu orgaõ lhe paga a pátria. sem profundo sentimento. qual he hoje em dia a Hespanha. espero aceitará gostozo os tribu- tos da gratidão. naõ menos do que a minha. e agora affligido pelas armas de sua naçaõ. XXIII. para o Governo de Venezuela. desprendendo-se com uma virtude singular de tudo que tem attractivos para o coração humano. ÍP . e este será maior VOL. que sempre fogem para longe de uma habitação de escravos. que vem como anjos tutelares a sustentar a sancta causa da liberdade neste paiz. Eu naõ posso lembrar a Vossa Excellencia. antes assolado. que characterizam o homem grande: valor para arostrar o perigo. Vossa Excellencia nos faz um verdadeiro serviço of- fe recendo-nos a sua activa cooperação para o restabeli- cimento da independência da America. e que a Hespanha se honra de ter pro- duzido em seu seio almas generosas. tem sabido desprezar os bens da for- tuna para conseguir a honra. quando contemplo que nem todos os Hespanhoes saõ nossos inimigos. amor á pátria. para continua- ção de uma lucta. Nella desenvolveo Vossa Excellencia as qualidades eminentes. 135. eodio à tyrannia. Vossa Excellencia. a horrí- vel situação a que tem reduzido esse ingrato Rey Fer- nando a pátria de Vossa Excellencia. Miscellanea. Porém sinto immenso prazer em meu coração. e espíritos sublimes. que naõ pôde deixar de reanimar-se de nossa parte. a gloria. que Vossa Excellen- cia lhe faz de seus importantes serviços. e a liberdade. a offerta generosa. N». com o apoio dos talentos e virtudes mili- tares de tam distineto General. 293 He indizivel o prazer que tenho em manifestar a Vossa Excellencia quam lizongeira tem sido. O nome de vossa Excel- lencia tem sido conhecido com gloria. intelligencia para vencer.

Catholica. e mais chefes e officiaes. M. Seraõ admittidos com as graduaçoens. que correspondem a seus merecimentos e serviços. temos informação. sobre este par- ticular. experimentados. leys. Representam aquelles agentes revolucionários. que se chamam os independentes da America Meredional. aos officiaes e soldados Bri- tannicos. exércitos e população. que se tem submettido a tal . Vossa Excel- lencia e os valentes. BOLÍVAR. se Vossa Excellencia alcança trazer à nossa causa o maior numero possivel de militares Hespanhoes. as estipulaçoens. O Governo de S. que jul- guem convenientes. antes de emprehender a sua viagem para Venezuela. que quizerem adoptar uma pátria livre no hemispherio Americano. que tiveram a generosidade de o ac- companhar seraõ recebidos com a honra que merecem os bem feitores da republica. Na- da he tam precioso para nós. Carta do General Morillo.294 Miscellanea. M. VENEZUELLA. e iguaes a nós em lingua e religião. e eu em particular. Britannica tem sido seduzidos na Inglaterra por Mendez e outros traidores. com todas as seguranças que deseja. como a acqusiçaõ de mili- tares expertos. O Senhor Luis Lopez Mendez. que existe ali um bem estabelecido Governo Republicano. accustumados a nossos usos. poderá concluir com Vossa Excel- ência. para o fim de unirem a sua sorte à daquelles. Vossa Excellencia deve contar. Deus guarde a Vossa Excellencia muitos annos. da maneira por que muitos Vassallos de S. no serviço dos Insurgentes.

M. que muitos daquelles desencaminhados In- glezes e outros estrangeiros se acham impedidos de se- parar-se desta injusta causa. e tendes-vos unido a uma horde de bandidos. A amizade. Estais servindo debaixo do com- mando de um homem. quam miseravelmente tem sido enganados. que saõ abhorrecidos pelo mesmo paiz aonde nasceram. O povo de Venezuela deseja somente a paz. e. e os sabichoens. deveis estar convencidos de que vos tem egregiamente enganado.que reyna entre a Gram Bretanha e a Monar- chia Hespanhola. queja tem conhe- cido aquella famosa personagem. que saõ famosos pelo exercicio das mais barbaras crueldades. Quem retiver a menor scintilla de honra e justiça naõ pode continuar unido a tal bando de esfarrapados. Miscellanea. que compõem o seu Governo. as quaes saõ tam aversas a vosso character nacional. propriedades. Por tanto eu vos offereço e affianço aquelles que se apresen- tarem ao exercito debaixo do meu commando. Sabei. segurança pessoal: seraõ admittidos no serviço de S. tudo quanto pode constituir uma naçaõ. conhecerem o Supremo Chefe. tendo visto o heróe desta desprezível republica. Com taes attractivos. mas. assim como a minha affeiçaõ à naçaõ . aquelles. segun- do escolherem. e a exterminaçaõ destes monstros. por falta de meios. e obter como remu- neração de seus serviços. fortuna e honra. e cujo terreno elles tem manchado com crimes de todas as descripçoens. que as deveis abhorrecer. muitos poderão ter dei- xado suas casas. para o fim de se estabelecerem neste paiz. 295 Republica. Catholica. de facto. Inglezes !—A vós me dirijo. em todos os respeitos insignifi- cante . ou seraõ mandados era liberdade para seu paiz. mas agora. que vós sem duvida (em quanto estáveis na Inglaterra) camparaveis a um Washington pelos menos.

P. requer uma resposta daquelle corpo. que vos faz um General Hespanhol. Resposta dos officiaes e soldados Britannicos do Exercito Independente de Venezuela ao General Morillo. al- guns dos quaes me poderão ter conhecido na Hespanha. espero eu que considereis como sincera e invio- lável. Quartel-General de Achaguas. A mesma reverencia pela virtuosa liberdade. na divisão do valoroso general Hill. M O R I L L O . os anima agora no novo mundo: e seja em socorro de thronos. que espero seja útil. 1819. Britannica. que pelejou a vosso lado pela liberdade da Europa. e porque alguma deshonra pessoal se lhe tem feito. que assim no antigo mundo restabeleceo a liberdade de vosso paiz. Esta offerta de segurança. seja de re- . Saõ elles aquelles mesmos homens. e libertaram da escravidão vossa op- primida pátria. os que offerecêram o seu sangue em defeza de vosso território violado. que ali se vilependiam. pela idéa que vos pareceis ter formado de seu character. e dêo um throno a vosso Rey. e foram os castigadores do despo- tismo.296 Miscellanea. me induzem a dar este passo. se apresentaram como Campeoens dos males feitos â naçaõ. e bem aceito aos militares dignos de melhor sorte. 26 de Março. na vossa Hes- panha natal. em justificação das personagens. Senhor! A vossa carta á porçaõ Britannica do Excercito de Venezuela. O General em Chefe do exercito d' El Rey em Vene- zuela. que.

os acharão faltos de gratidão e boa fé. e cujos principios admiram. que o preside. como crédulos. e preservarão uma fé sagrada aquelle offen- dido povo. e igualmente impróprios á consistência do Governo Independente. que repar- tem com elles os resto daquellas vastas e em outro tem- po lindas possessoens. Vos julgastes próprio. na vossa universal reprovação destes " sabichoens e esfarrapados. mui bem. insultando aquelles prin- cípios. 297 publicas. a qual (como vos confessaes) tendes muitas vezes testemunhado servindo a vossa pátria: de- vieis. Miscellanea. attrahidos por peitas ou denunciados com ameaças. elles sustentarão igualmente a causa da afflicta humanidade. o seu character nacional. requer esta justificação dajustiça de seus amigos Britannicos. que dar. O Governo independente. seus chefes e officiaes. cuja causa tem adoptado. Elles regeitam estes. que achais esperanças de sua integridade. por isso. que nelles confia. he em serviços e sentimentos como estes. deixando suas casas para pelejar nas batalhas da Indepen- dência Americana. e que tinheis delles recebido mui notáveis be- nefícios. porque a perseguição lhes naõ tem deixado nada mais. Os Officiaes Britannicos e Soldados de Venezuela. trazem com sigo a sua honra. e tem . paia os naõ insultar. e á dignidade do vosso. Por tanto. que os naõ podeis sus- peitar. enganados por promessas e expectaçoens vaâs. e o elevado homem. que deviam desafiar o respeito até de um inimigo? Quando offereceis a Inglezes o soldo da deserção. e os bons desejos de seus compatrio- tas: nem os valentes e generosos republicanos. saber. ^ que podeis propòr-vos a vós mesmo. ten- tando seduzir aquella honra. como inappli- caveis a si." (como vos servis chamar-lhes) considerar as tropas Britannicas.

Senhor. com mais justiça do que intentaveis. na verdade. reconhe- cido por todo o mundo excepto Hespanha. que auxiliou a independência das Colônias Britanni- cas Septentrionaes. ainda degra- duando e humilhando com o titulo de Estado. portanto. e suas virtudes. que vos chamaes instrumentos de outros. suíficiente discernimento para formar por si mesmos a sua impressão da solidez de um. seus sacrifícios. quanto éra o mesmo Washington. que o Washington do Norte estabeleceo em oito annos a liberdade de sua pátria. agora virtualmente. Bolívar he tam merecedor das oraçoens de sua pátria. perverte agora o termo. Foi com o auxilio de vosso paiz. em acceleraçaõ daquella gloriosa epocha. como dependente de sua propriedade. com a liberdade de sua afflicta pátria. e sua confiança na inte- gridade delle. que lhe deve pagar os seus soffrimentos. tam injusta como impotente. . isto he o de Povo independente. e tem igual direito à reverencia e admiração de todos os homens bons. desejaria abater o queja naõ pôde possuir. em conjuncçaõ com a França. Muitos destes homens tem visto e conhecido o heroe desta combatente Republica. em taes expedientes politicos do outro. Aquella mesma Hespa- nha. que o tempo e a consistência tem amadurecido em nome mais nobre. Taes. e no favor Real. e livremente lhe offerecem suas vidas e serviço. que 6e tem justificado na experiência e processo de nove annos de guerra. Mas a Hespanha.298 Miscellanea. Rebelião. em naõ ter um inimigo gene- roso. e como puro em patriotismo. senaõ politicamente. a quem o tendes comparado. aquelles gloriosos principios. saõ os homens. para assim mais facilmente os -fazer vossos. doque o homem nobre. Menos feliz. todos o que compõem este exercito o admiram mui profundamente.

REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL. e os clamores da hu- manidade . justos aos principios. atterrando o mundo civilizado. nas finanças e na justiça. que tem até aqui prevalecido em toda esta triste contenda JAS. os princi- pios naõ civilizados. Reflexoens sobre as novidades deste mez. na próxima libertação do Sul. como alliadade seu paiz. os officiaes e soldados das for- ças Britannicas requerem o benefício moral do exemplo delia. nem animarão com seu exemplo. he objecto de reproche geral no Brazil: naõ ha quem se attreva a louvar estes . Miscellanea. du- rante as campanhas de 1818. ao exemplo dicto. nem podiam os desejos delia naquelle periodo ter sido mais ardentes pela emancipa- ção do Norte. 299 e exterminar aquelles que naõ pôde governar: perseguin- do nas pessoas de seus chefes com sanguinária sede de sangue. Com os devidos sentimentos de consideração pela anti- ga Hespanha. E ALGARVES. General de Brigada Commandante da Legiaõ Bri- tannica. Partidos Politicos na Corte. e do que em muitos exemplos foram testemunhas as tropas Britannicas. em que tem sido educados. No entanto. do que o saÕ os das tropas Britanni- cas. A má administração. nem a sua confiança na realização do pla- no mais completa. J. ENGLISH. os subditos da Gram Bretanha nunca mancha- rão o seu character com actos de actividade e assasinios: elles respeitarão as leys da guerra. e como theatro de seus mais esplendidos feitos.

Quando a corrupção he geral. do que fazer com que ellas possam ser exami- nadas e discutidas em publico. he também necessário e essencial. pois. isto he. e todos os que nelles faliam. e todos. dous ramos do manejo dos negócios públicos . ainda que haja algum. exprimindo-se com mais ou menos gráo de vehe- mencia. que a introducçaõ dos jurados seria uma medida geral. e a cujas practicas corruptas he também essencial obviar. que a natureza da matéria permittir. nem podem estes servir para estabelecer as regras geraes. ou alguns empregados justos e Íntegros. que nos authoriza a tomalla em hypotese: para lhe propor algum remédio. que he verdadeira a accusaçaõ contra os Magistrados do Brazil: se naõ he verdadeira. para ali o atalhar.300 Miscellanea. porque do estabelicimento deste systema de corrupção se segue. sem exceptuar . Neste caso. Os empregados subalternos conrompidos. tendente a cohibir em grande parte a corrupção dos magistrados: mas restam ainda os Governadores. e por mais de uma vez neste nosso periódico. em vez de louvar. que por falta de meios vive na pobreza. que ha nisto a maior razaõ de queixa. quando os outros se fartam na opulencia: e uma vez que tal estado de cousas se estabelece como systema. concordam em dizer. tiram de sua mesma corrupção os meios de peitar seus conrompidos superiores. Tomemos. com aquelle gráo de publicidade. lie inútil procurar o remédio no castigo de um ou outro individuo . Nestes ramos naõ se pôde achar meio mais efficaz de cohibir as más practicas. nem a sua influ- encia para com os outros conrompidos pôde produzir bem algum. os Officiaes da Fazenda. em cujas repartiçoens naõ podem entrar os jurados. e outras pessoas. que só será punido aquelle. escarnecem o homem honrado. pelo menos he tam geral. que naõ tiver com suas injustiças acumulado dinheiro suíficiente para comprar sua impunidade. naõ basta applicar remédios aos casos particulares. como hypothese. Lembrámos já. o buscar o mal em suas fontes. que possam vir ao conhecimento do Governo.

devia ser discutido em um Conselho assas numeroso. e he rejeitada. que outro Secretario de Estado. porque he a medida adoptada. obtém delle a sua sancçaõ. Na actual rotina suecede. e quanto aos Ad- ministradores subalternos. se he nella bem versado. chega a conseguir arruinar o projecto do outro. se boa pareceo ao único homem que a concebeo. ainda nestes mesmos caáos . SOI disto nem mesmo os procedimentos dos Ministros de Estado." visto que mui bem sabido he. que a natureza da matéria permittir. para mostrar a vanta- gem deste systema. que o compor- tamento dos Ministros de Estado. Porém. que ha muitos pontos da Administração. naõ se instaram os argumentos de uma parte e d'outra: e tndo se estriba somente na opinião certa ou errada. segnndo a practica actual. Acontece. porém. nem qu aes os opponentes de sua medida. e por conseqüência naõ se ouviram as razoens contra e a favor. N ° 136. E h e com estas vistas. Como este opponente naõ tem. quaes fossem as objecçoens. ou personagem de influencia. sobre o que actualmente se practica. V O L . quer desbaratar aquella medida de que falíamos . a adopçaõ ou regeiçaõ de qualquer medida publica. sem incon- veniente. de que se imbuio o Secretario de Estado. que dissemos pensadamente. e tem meios. que naõ convém revelar a todo o mundo. podia o seu proceder ser. naõ depende de forma alguma de sua conveniência ou disconveniencia com o interesse publico. Nestes termos. Parece-nos que pequena reflexão basta. meio algum legal de fazer a sua opposiçaõ recorre á intriga oceulta da Corte. Esta medida naõ foi discutida. que projecta um Secretario de Estado qual quer medida. Miscellanea." o grilo de publicidade. seja por julgar que ella he prejudicial ao publico. e representando-a como útil ao Soberano. se a cabala oceulta pôde achar meios de a frustrar. seja por espirito de partido ou personalidade contra o Ministro projectista. algumas vezes. objecto da mais publica discussão. X X I I I . e. para que os pontos discutidos tivessem ao menos este pequeno gráo de publicidade. sem que este possa nem se quer saber. QQ . julgamos.

porque todo o systema tende a occultar a corrupção dos homens públicos. e estas saõ freqüentíssimas. Ja que ha tanta repugnância em submetter as medidas pu- blicas á discussão de um Conselho da Naçaõ. aonde se supprime toda a expressão de opinião nos negócios pú- blicos. na moral de to- das as naçoens. e reys subordina- dos : óra isto sem duvida naõ he. mas tam- bém daqui resulta a origem de facçoens e cabalas occultas. nem nunca foi.302 Miscellanea. Deste estado das cousas. . que quando os homens naõ podem expor suas opinioens ou seus resentimentos. quando no estado presente das cousas. Mas he essencial neste plano. que. tem grande influencia na cor- rupção dos custumes. A esta causa attribuimos nós a mudança. em publico modo ou maneira legal. rarissiraas vezes suecedem conspiraçoens occultas . que obra cada um na sua repartição como se fosse rey. a fim de evitar a intriga oceulta. Daqui vem. recorrem á intriga e machinaçoens escondidas. e todos os mais crimes. i Naõ se remediaria isto. que ha um Rey Supremo. recommendariamos esta discussão em um Conselho d' El Rey. e até diríamos na mesma Constituição . e he essencial para seu maduro exame . espalhando-se depois pela naçaõ. que se requer. para o poder remedi- ar. que se observa. na forma de administração. se o comportamento dos homens pú- blicos fosse objecto de publica discussão? Entaõ poderia El Rey ser bem informado de tudo o que se passa. nos paizes aonde he permittido a todos o dizer os seus sentimentos em publico. He verdade bem conhecida pela experiência. e que se permitta tudo á apposiçaõ manifesta. porque he tal a arbitrariedade dos empregados públicos. he-lhe moralmente im- possivel saber o qne vai de máo em seus estados. que. e dahi aos assassinatos. assim quasi se pôde dizer. que as discussoens sejam publicas a todos os do Conselho. naõ somente se segne o mal de naõ passarem as medidas publicas por aquelle escrutínio de discussão. por que aventem suas paixoens. a forma de Go- verno de Portugal.

con- tra a má administração do Erário. ja para me- lhorar a raça humana no Brazil. mas de certo nenhum particular tomará sobre si o ir requer á Corte e queixar-se a El Rey. em todos os sentidos. o Monsenhor Miranda. que para isso se escolheo. Isto he assim : e concedamos mais ex abundanti. para situar a colônia. lmpôz-se um tributo. que se acham oflendidos. que applicaremos a um exemplo recente. e o terreno. Adoptou-se por fim esta útil idea. e até se nomeou um Ministro para residir na Suissa. ja para obviar a falta de trabalhadores. como um paiz. Elle escolheo o terri- tório do Canta-Gallo. e que nos obrigaram a escrever este artigo. contra a má ley sobre o com- mercio. que El Rey pôde acudir ao remédio de todos esses individuos. que El Rey ouve a todo o individuo quei- xoso. que podia ministrar ao Brazil a mais útil população. que dilaceram a Corte do Rio-de-Janeiro. a im- portância deste objecto. excepto o povo que naõ he ouvido. que se deve seguir á extincçaõ da escravatura. summamente damnificada pela mixtura do sangue Africano. e com muita razaõ se olhou para a Suissa. Suggerio-se a idéa de attrahir para o Brazil população da Europa. ou contra a falta de providencias a favor da agricultura. para . Miscellanea.000 reis. por vários números. saõ isto matérias do mais alto interesse á naçaõ. que se espera da Suissa. custou a seu proprietário. He desta fonte que nascem as cabalas e partidos occultos. dista da Capital somente vinte léguas. que éra o Mon- senhor Almeida. por falta da discussão publica. que. e o comproou a Fazenda Real. como senhor despotico desta repartição. A impor- tância do objecto merecia todo este cuidado: vejamos porem como se houveram na matéria. 500. Poderão dizer-nos. naõ ha meios de fazer chegar a verdade aos ouvidos do Rey. 303 visto que todos tem niso interesse. a fim de promover a emigração dali para o Brazil. e com tudo. Neste periódico repetimos. na importação dos escravos. para com o seu producto occurrer as despezas do plano : mas puzeram-se esses fundos á discrição de um individuo.

desembarcada dos navios para a Ilha das Cobras : d'onde se torna a vender.000 cruzados. sabe a quem. dos quaes entraram no Rio-de-Janeiro.304 Miscellanea. Quando se quizéram estabelecer correios marítimos para Lis- boa. mas as accommodaçoens saõ tam más. Para occurrer a estas despezas se impóz um tributo de 400 reis por cada negro. que he preciso aclimatizar ou como se naõ houvessem nos sertoensdas Minas. em vez de se construírem lá. nenhuma necessidade havia de gastar 10:000. por 10:000. este fim. que Joaõ Pereira de Almeida edificou.000. que daquella immensa bacia correm ao oceano. quando tem no Brazil o excellente salitre de Minas. que os donos dos escravos os naõ deixam lá estar por muitas horas. com umas casas. diremos aqui de passagem. Thesoureiro Mor. se compraram no Rio-de-Janeiro dous navios Inglezes. nos annos de 1810. Julgou-se necessário estabelecer armazéns no Rio-de-Janeiro. Por aqui começou a eco- nomia.000 de reis na compra de tal terreno.000 de reis. Lourenço. para nellas se estabelecer a Museo do Rio-de-Janeiro. mesmo a pessoas. e nas mar- gens dos inumeráveis rios. mas naõ sabe. mais de 30. immensas terras baldias. que naõ tem meios de as cultivar. como razaõ desta escolha. e por quanto comprou os taes navios. que todos os dias se dam de graça. Fizéram-se com effeito os taes armazéns. e 1811. para accommodaçaõ dos escravos. como se os Suissos fossem plantas melindrosas. e que lhe custaram 45. por menos preço do que aquelles cus- taram. a cansai de ser a tempera- tura do Canta-Gallo mais fria e análoga á Suissa . O Monsenhor Miranda he também o Inspector deste Museo. que se pôde comprar a 500 reis : mas contra isto está o interesse dos que administram a pólvora. do contrario morreriam todos. dando- se por ellas 80 mil cruzados. Deo-se. que se importam da África. que pára na . A fabrica Real de pólvora está em decadência. Mas o mesmo succedeo. Nestes termos. e que foram compradas pela Fazenda Real. e os barris voltam para bordo cheios de areia. O Visconde de S.

Que vergonha para a Administração do Brazil!! Que contraste com a Ingleza !!! Arde o Brazil em recrutas para a tropa: a agricultura do Rio- Grande soffre os mais decididos incommodos com as levas. falta este no mer- cado. De tudo isto. porque elles pro- curariam por si mesmos estabelecer-se. e por mais abun- dante que tenha sido a colheita do algudadõ. mas que no caso. que vendo os taes navios na qual elle declara. se pôde ajustar por menos. e se permittisse aos alistados levarem sua mulheres. coma introducçaõ de taes formas. concluímos. Esta carta nos veio parar á m a õ . pois. . Miscellanea. que o preço regular para obter as sentenças he de tantos por cento. a instâncias do Senhor fulano. que mais os incommóda. e os naturaes do paiz se veriam livres do flagello. teriam soldados. nas differentes re- partiçoens. Nisto teremos oceasiaõ de insistir outra vez. 305 nossa maõ uma carta desse mesmo sugeito. que a Administração no Brazil naõ pôde melhorar-se em quanto existirem os partidos occultos da Corte. de- pois cidadãos. porque da boa vontade do Soberano estamos mui seguros. que he o temor de se ser prezo para soldado. embrenham-se pelos matos. que sejam úteis . que favorecem a prepotência dos empregados. que se tiram para a guerra do Rio-da-Prata : em Pernambuco naõ querem os sertanejos v i r á cidade. sem custar nada ao Erário. porque naõ ha quem se attreva a conduzillo. e que igualmente publica fosse a investigação do com- portamento dos empregados pelo Governo. que as medidas publicas recebessem mais ou menos publica discussão previa. e naõ desesperamos de ver ainda neste ponto reformas. com medo de que os prendam para soldados. se as levas fossem feitas na Suissa. com medo de que lhe assentem praça. de que falia a tal carta. em quanto elles servissem. e com isso a corrupção de toda a sorte : e nos parece que esse systema se extinguiria. porque no caso de um processo judicial em Londres foi preciso apresentalla ao Tribunal. Tudo se remediava.

no anno de 1819. com um grande corsário Insurgente. " Por decreto de 3 de Agosto de 1818. de Araújo. aos 2 e 5 de Julho. cujas toneladas montarão a 13." Ao mesmo tempo. O navio Princeza do Brazil Cap. porque. e no Brazil apenas se falia nella . Agora he bem digno de reflectir-se e indagar a cansa. a útil invenção dos barcos movidos a vapor se tem tanto extendido nos Estados-Unidos. vimos uma exposição dos melhoramentos progres- sivos dos Estados-Unidos . de porte de 40 ate 443 toneladas. servido con- ceder ao Marechal de Campo Felisberto Caldeira Brant. cuja somma total monta a 7. M. depois de ter pelejado duas acçoens muis vivas. e achamos nessa exposição uma lista com os nomes e toneladas dos barcos movidos com vapor. Melhoramentos necessários ao Bra zil. sem privilégios exclusivos. e costas da provincia da Bahia. que . que lemos o paragrapho acima. e até para sua adopçaõ se julga necessário dar um privilegio exclusivo.250 tone- ladas. aos que introduzirem no Brazil esta invenção de tantos annos conhecida. debaixo da condi- ção expressa de realizarem a introducçaõ do primeiro barco. outro navio Portuguez. e ao Capitão Mor Manuel Bento de Souza Guimaraens. o privilegio exclusivo por tempo de quatorze annos. transmit- tida pelo Cônsul Inglez na Ilha de S. nas outras partes do mundo. para que só elles possam ter barcos de va- por nos rios. O Hercules.306 Miscellanea. ao Com- mendador Pedro Rodrigues Bandeira. B. e refiramos a seguinte noticia. Estaõ-se fabricando outros. nas noti- cias do Brazil. que se empregam nos Estados-Unidos : saõ 35 em numero.257. Mudemos de scena. Miguel. e sem incentivos do Governo. foi S. P. entrou no Fayal. que foi repulsado com muita galhardia.

mui valorosamente. e que havia ja tomado o navio Portuguez Flora. couros. 292. para se refugiarem em Caracas. e di- nheiro. e que muito convém saber. que tinha antes do terremoto de 1812. para julgar depois de ouvir ambas as partes. que foi levado para bordo do Corsário. teve 9 homens mortos. que servem nos exércitos dos independentes de Venezuela. escripto por um Realista. Pelo que disse o Capitão do Hercules. com uma carga de assucar. Miscellanea. Publicamos a p. indo do porto para o Rio-de-Janeiro. que saíra de Baltimore havia 20 dias. e se com- portou. dirigida aos officiaes e soldados Inglezes. cousa de 50. AMERICA HESPANHOLA. entre os primeiros foi o segundo piloto. que aquelle navio seria retomado. do contrario pouca duvida ha. e 12 feridos. fora do alcance da artilheria do Princeza do Brazil . uma carta ou proclamaçaõ do General Morillo. convídando-os a que desertem do serviço dos insurgentes . este disse. O capitão do Princeza. O Corsário içou varredouras. caffé. dando toa ao Hercu- les. Nesta . a ponto que con- tém agora quasi o mesmo numero de habitantes. porque naõ tinha senaõ 2 peças e 30 homens a bordo . Segundo este artigo muitos dos Realistas tem abondanado o interior do paiz. cala no poder do corsário. Venezuela. isto he.000. 307 vinha em companhia do Princeza do Brazil. sobre o presente estado de Caracas. he official da marinha Real. ia para o Porto. o que tem ser- vido de augmentar a população desta cidade. assim como a sua equipagem. e também a reposta do General English. commandante de uma destas divisoens das tropas Inglezas. O Leitor verá por esses documentos o espirito que anima os partidos contendentes. Achamos nas gazetas dos Estados-Unidos um artigo.

naõ tem sido mui extensas . Fernando. porque saõ terras pouco habitadas. em Nova Granada.308 Miscellanea. e o dinheiro. ajunctaram no presente anno S. O General Bolívar formou a sua juneçaõ com o General Santander. mais commodo do que o actual. Paes voltou entaõ para o Apure. vindo dali os mais importantes provimentos militares.000 milicianos do paiz." As operaçoens dos exércitos. que ac- tualmente dirigem a sua attençaõ aos melhoramentos internos. tanto no exercito coino entre o povo. aonde os Hespanhoes tinham concentrado as suas forças. para cubrir aquella marcha de Bolivar. cidade reside o Governo realista . e marcharam para Sancta Fe. tem sido a favor dos republicanos. A posse das planícies. e aos muitos lugares fortes. e 4. e sugeitas a freqüentes inundaçoens do Apure e do Oronoco. que o Ge- neral Morillo he mui popular. Realista e Independente. Os recursos de Cuba tem muito contribuído para o sustento da guerra em Venezuela. La Guira existe sem nenhuma apprehensaõ de ataque dos insur- gentes em Margarita: tam segura se acha a gente ali. pelo caminho de Cabo Blanco. Diz mais este artigo. Em geral os realistas se consideram fora de todo o perigo. mas tem promovido vários dos naturaes. aos 13 de Junho. inas o pouco. presente- mente . a lugares importantes: a maior dignidade ecclesiastica he actualmente servida por um pa- dre natural do paiz. excepto um ponto forte. O grande fim da conquista de Sancta Fe he a . que sem feito. cunha o dinheiro para as despezas da guerra. até a cidade de Caracas. e ha uma Casa de Moeda em actividade. naõ he de nenhuma vantagem . que posuem.000 homens de tropas Hespanholas. aonde tinham uma guarniçaõ de 600 homens. de que tanto se gabam os patriotas. revivendo o antigo projecto de abrir uma estrada para carros. e que foi membro do Congresso Republi- cano : isto mostra a disposição de conciliar a gente do paiz. O ex- ercito d' El Rey consta de 2. abandonando inteiramente o resto do paiz. Para isto naõ só protege os divertimentos públicos.

depois que cruzamos o rio. que perdeo 1. como eu tinha calculado. e 100 prisioneiros. e Ber- gara. foram estas as mesmas tropas. se resolveram os Independentes a ir sitiar Cumana. Extracto de uma carta de certo official no exercito Patriótico. procurar emigrados Inglezes. e grande numero de gente se VOL. datada " da margem Occidental do Sabine. 136. juncto a EI Pao. Com a tomada deste importante porto de mar. Pelas gazetas dos Estados-Unidos consta. 309 posse das minas de prata d' onde Morillo tirava os seus prin- cipaes recursos pecuniários. Penalver. desembarcou em Barce- lona. Foi necessário demorar isto até os 12. RR . Em conseqüência disto. a expedição que saio de Margarita aos 13 de Junho. e a esquadra partio a bloquear o seu porto. Miscellanea. quando vos escrevi a minha ultima. Naõ atravessamos o Sabine aos 10. que o partido dos Independentes medita outra invasão do México. Uma divisão do exercito de Venezuela. e negociar um empréstimo. A nossa força se tem augmentado consideravel- mente. debaixo do commando dos Generaes Marino e Sedeno tomou depois a cidade de Barce- lona .000 homens mortos. N°. O objecto de sua missaõ se suppôem ser o que se annun- ciou ha algum tempo . Aos 24 de Septembro chegaram a Londres dous Commissarios extraordinários da Republiba de Venezuela. para se estabelecerem em Venezuela. Commandava os Hespahoes o Coronel Arana. o General Marino se encontrou e pelejou com uma partida Hespanhola. que haviam derrotado Ara- na aos 12 de Junho. XXIII. provinciade Texas Junho 23. Aos 12 de Junho. o que vemos pelo seguinte artigo: " Richmond 26 de Julho. a seu amigo nesta cidade. a quatro dias de marcha do Orinoco.

Macgregor. e em cujo nome se ordenaram estas expediçoens. depois de se ter separado de Mc. e ver se podia recobrar o seu navio. porém. mas os officiaes naõ lhe quizéram obedecer. com uma salva de 21 tiros. nem acreditar o que Macgregor dizia de esperar ulte- rioies soccorros da Inglaterra. Com o seu novo nomeado Almirante partio Macgregor para Port-au-Prince. qne tem. Popham. do navio em que se escapara. Labodie. depois da sua derrota. Ouvimos. O Capitão Hudson foi depois para Jamaica ter com o Almirante Sir H. resol- veram passarem-se com os restos das tropas. assim que tocamos nas praias de Texas. Gregor. mandou outro official a render Macgregor. A nossa marcha foi demorada. foi. o primeiro lugar tem uma fraca fortifi- caçaõ. em Portobello. O Almirante Inglez naõ se quiz intrometter na questão. ou Monterey .—mansa submissão. contra-almirante da ban- deira branca da Republica de Nova Granada. e expedio uma patente. depois de sair fugido de Porto Bello chegou á ilha de San André. nomeando o Capitão Hudson." O General Macgregor. para Aux-Cayes. . senaõ o que se pode geralmente esperar dos Hespanhoes. une diariamente á nossa bandeira. Podeis esperar que a minha seguinte seja datada de Sancto Antônio. aonde o General deixou em terra doente o seu Almirante.310 Miscellanea. com o navio em que escapara. em conseqüência de naõ termos recebido supprimento de pólvora. e ahi esperar noticias da Inglaterra. O Commodoro Aury. o que esperamos a cada hora. que o Deputado de Granada (cujo Governo naõ existe) residente em Londres. A questão he se elle quererá ou naõ obedecer ás ordens do De- putado. guarnecida por alguns soldados estropiados. a queixar-se do roubo de Macgregor. Naõ espe- ramos desses lugares. aonde éra o deposito desta expedição. a qual se arvorou. Depois de vários debates. para a ilha La Hope. e foi-se com o navio para Aux-Cayes.

Ministro da Guerra e Marinha. dirigindo-se ao rio Dolce. Phills. que deviam obrar na invasão do Peru. Pueyrredon resignou o seu lugar de Supremo Director. Entaõ marchou um destacamento para lsabella. José Ignacio Zenteno. e supprir-se de mantimentos. como razaõ desta medida. e com quem devia cooperar Lord Cochrane. mas . que éra o assessor do Governo. dá. e marchou para o lugar de S. O General Ron- deau succedeo no lugar de Director Supremo. que foi tomada sem resistência: os Independentes tomaram muita propriedade. mas elle naõ se amedrentou. aonde chegou. Aury esta agora em Old Providence. em companhia de outros dous vasos. Aqui abriram contra elle uma bateria de peças de 24 . e os Realistas fugi- ram em pouco tempo. 311 se embarcou aos 29 de Abril em Old Providence. e agora serve somente no seu posto de Coronel. a bordo do brigue Buenos-Ayres. San Martin foi a Bue- nos-Ayres. ainda que con- serva grande iufluencia nos negócios públicos. aonde será regularmente condemnado o anil que tomou. aos 10 de Maio. substituio á Gascon no Ministério da Fazenda. He natural. Miscellanea. deixando os Patriotas em plena posse dos dous fortes. dirigida a D . temporariamente. Corio. e só por quatro mezes. naturalmente a tractar sobre o exercito daquellas provincias da Prata. As gazetas de Buenos-Ayres dizem. a necessidade de fazer aguada. que devia marchar por terra á conquista do Peru. Na tarde do mesmo dia tomou posse de um forte na embocadura do mesmo rio: isto fizeram com promptidaõ. Buenos-Ayres. distante 30 milhas. que Lord Cochrane fora obrigado a levantar o bloqueio de Callao : na sua carta de 10 de Abril. Aos 13 o General se poz á frente de 140 homens. que o levantamento do bloqueio seja devido a naõ se achar o Estado de Chile em circumstancias de mandar o ex- ercito.

4.126 Cornos. temendo-se da expedição annunciada de Cadiz. do que naõ tinham ideas claras. Também desceo do Chile a divisão do exercito de Buenos-Ayres.254 Arrobas de crina de cavallo. 232. 9.075 Dúzias de peles de lontra.977 Arrobas de cebo.000 pessoas se passaram para as planicies vizinhas. 4. no anno de 1818. extrahida dos livros da alfân- dega. Nas mesmas gazetas de Buenos-Ayres achamos a noticia de tres grandes terremotos. 4 e 11 de Abril: a cidade ficou inteiramente arruinada: mais de 3.934 Couros de cavallo.753 Dúzias de plumas de avestruz. em Buenos-Ayres julgavam que naõ o deviam despachar para aquelle serviço.026 Couros de boy. 2.693 Fanegas de trigo e milho. 634 Peles de tig r e e leaõ. que ali se achava.076 Peles de phoca. 1. e chapas . 49.524 Peles de veado 654 Dúzias de peles de arminho. O exercito do General Belgrano desceo para Sancta Fé. 13. Achamos publicada a seguinte conta das exportaçoens de Buenos-Ayres. posto que geralmente se cresse que tal expedição se naõ realizaria. situado juncto a um rio do raesno nome. 38. 726.456 Libras de pennas brancas.165 Arrobas de laa*. 4. mas parece que todos os habitantes puderam salvar as vidas. 464 Mulas. aos 3. 5. porque o partido do General Artigas ainda naõ deixa seguros os de Buenos-Ayres por aquella parte. em Copiapo. Copiapo he um porto de mar do Chile. 420. e o quartel general de Belgrano estava em Los Ranchos. 490 milhas ao Norte de Valparaiso.312 Miscellanea.124 Peles de carneiro. pontas.

Chile. e esses navios se converteram em canhoneiras. O bloqueio do Peru ordenado pelo Almirante. 223. que os regulamentos da alfândega saõ fre- qüentemente evadidos.000 patacas abordo. com 200. mas . Tabem se naõ conta aqui a exportação do ouro e prata. ALEMANHA. que escolhesse. que necessitassem mantimentos.459 pezos duros: mas deve observar-se. enviava ao Vice Rey do Peru. Tomou também este Almirante um navio mercante Hespanhol. a esquadra do bloqueio tinha feito algumas prezas de pequeno valor. que o Embaixador Hespanhol nos Estados-Unidos. mas parece que se intimou ao Almirante. e barcos incendiarios. J a notamos acima. ou outro. Onis. Lord Cochrane tomou posse da ilha de S. Mr. como se vê pelo decreto que deixamos copiado a p. e uma escuna Americana carregada de muniçoens de guerra. que o bloqueio de Callao fora levantado. Lourenço. calculado em 2:590. e que por isso se pôde seguramente avaliar a exportação real a um quarto ou terço mais. Miscellanea. para nelle se recolherem os navios da pesca das baleas. foi confirmado pelo Governo de Chile. Lord Cochrane. que se sus- penderam as conferências do Congresso naquella cidade. 313 O valor actual desta exportação foi de 3:343.000 pezos duros. Segundo as noticias de Callao de 26 de Março. que exceptuasse o porto de Payta. As noticias de Carlsbad de 28 de Agosto dizem.

nunca tiveram intenção de consentir na introducçaõ de corpos representativos. apenas se podem tomar estes artigos como outra cousa mais do que meros rumores do dia. As noticias de Alemanha continuam a informar-nos dos mais vergonhosos actos de oppressao contra os Judeus. com modificaçoens. . á maneira de árbitros. que naõ olhamos para ellas senaõ como meras conjecturas. Hamburgo. que nelle concor- daram. as dis- putas entre os membros da confederação: 3°. A execução dõ artigo 13 do Acto Federal. em systema democrático. para previnir os abusos. somente. que o principal fim das conferências éra a interpretação do artigo 13 do Acto Federal da Alemanha. a respeito dos Governos representati- vos. A extençaõ da competência da Dieta: 2". Perseguição contra os Judeus. Bayreuth e Dusseldorff. com relação á liderdade da imprensa. O estabelecimento formal dos tribunaes. Hanau. Frankfort. que as Potências. Como estes ataques foram quasi simultâneos. e que ficasse ao arbitrio dos Soberanos. tem a populaça commettido os maiores excessos contra os Judeus residentes naquelles lugares. declarando-se. Em Warte- burg. mas que os di- reitos estabelecidos das differentes classes naõ fossem infligidos. datado de Rastadt. conjecturou-se que eram execução de algum plano concertado. Outro artigo. diz-nos. que os Ministros 6e tornariam a ajunctar em Vienna dos 15 até os 20 de Outubro. o arranjamento de uma ley.314 Miscellanea. Darmstadt. chamados Austragal. Bamberg. pretende um artigo de Hamburgo. que delia podem resultar. para o fim de julgar. Quanto ao objecto destas conferências ha tam várias relaçoens. Como nada se tem publicado official a este respeito. e 4°. o estabelecer systemas representativos. que as conferências tem os seguintes objectos : 1°. En- tre outras.

os Judeus. como tem acontecido em todos os tempos e em todos os paizes. naõ se attrevem a propor hoje em dia taes planos.os seus principios pelo ferro e fogo. assim como as de todo o outro capi- talista. as perseguiçoens por esta causa saõ diametralmente oppostas ás ideas tolerantes do nosso século. a inimizades políticas. Em uma palavra. para ex- plicar o mal em toda a sua extençaõ. que elles tenham a menor parte. se tem elles contentado. a quem se naõ permitte exercicio algum activo dos direitos de cidadão. em que naõ consta. em que as luzes tem feito esconder o fanatismo. dando emprego a muitos ha- . Oa poucos religionistas furiosos. A's mais atrozes e injustas perseguiçoens. a rivalidade mercantil. vivem nos differentes Estados da Europa. a que alguns escriptores imputam os actuaes soffrimentos dos Judeus. Resta. 315 Conjecturando as causas de tam inesperada perseguição. que ainda existem. Naõ se pôde negar a possibilidade desta hypothese. como estrangeiros. sendo meramente protegidos pelas leys. As riquezas dos Judeus. nem se quer mencionam a differença de religião. na obscuridade. cusia a atinar com alguma razaõ suíficiente de tal phenomeno^* Será o ódio contra a religião dos Judeus. e que desejari- am propagai. Naõ he logo possivel attri- buir agora estes seus novos males. como causa accidental. ha muitos séculos. differente da maioridade dos habitantes dos paizes aonde elles residem ? < Será isto effeito das agitaçoens politicas. que naõ tem outra pátria senaõ aquella em que reside. naõ tem opposto senaõ a paciência e o retiro. suppondo que as suas riquezas e a sua industria tem excitado a inveja dos mais negociantes Alemaens. ou como a Inquisição. pois. satisfeitos de que os deixem seguir. deve redundar em benéfico do paiz. Miscellanea. nem empregos públicos. Quanto a causas politicas. como os Ma- hometanos. como pessoas de uma residência temporária: com esta mera faculdade de existir. que os faria objecto do desprezo publico. estas perseguiçoens da Alemanha. as practicas de sua religião. mas nem ainda nella achamos razaõ cabal. que existem na Alemanha ? ^ Será effeito da rivalidade do Commercio ? Quanto á differença de religião.

que se transferiria ao Brazil. que parece tam . que com a expul- são dos Judeus. Voltando. A emigração. que se temer. Quaesquer. com seus haveres. levaria ao Brazil um immenso capital. e servindo de produzir novas riquezas. que El Rey podia vencer os prejuízos de seus Conselheiros. desde a margem do Rheno até Copenhaguen. bitantes. Mas supponhamos. e até á mesma agricultura . que seria bastante para fazer apparecer as producçoens daquelle fértil paiz. pois. Daqui concluímos. mas isto naõ se podia extender a toda a populaça . em que elles residem. porém. daquelles paizes em que saõ perseguidos: nesse caso. naõ tem a Alemanha. lavrar as minas. O Governo do Brazil está ainda muito atrazado em principios de politica. pois ellas saõ de grande beneficio aos paizes. Supponhamos que os Judeus Alemaens se retiravam. para os avanços de fundos necessários em limpar as terras. por meio de boas leys abria no Brazil um azylo seguro a todos os perseguidos Judeus da Ale- manha. que a generalidade desta perseguição se naõ explica pelo ódio contra as riquezas dos Judeus. ás causas da perseguição. e da parte ignorante do Clero. 8cc. Logo o ódio contra as riquezas dos Judeus. como saõ aqueilas por que esta perseguição se tem diffundido.316 Miscellanea. abrir as communicaçoens. e que precisa de novos capitães. Mas disto. a Alemanha perderia um immenso fundo de rique- zas. nem abranger tantas cidades. e estes foram enri- quecer a Hollanda. pela razaõ que demos acima. naõ só importante em numero. que dellas resulta a toda a Sociedade: um ou outro negociante individual poderia entreter este ódio contra o rico negociante Judeu seu vizinho. naõ só a população soffreria. como bem palpavelmente se experimentou em Portugal. paia que julguemos. seria dirigido contra o beneficio. e que. mas a falta de seus capitães traria a ruina a muitas fabricas. que elle saiba tirar partido desta perseguição dos Judeus na Alemanha. que fossem as causas destas perseguiçoens dos Judeus. pelo espirito de rivalidade . tornando-se ali rivaes e ao depois inimigos dos capitães e commercio de Portugal. perdeo os seus cabedaes.

Hornet. mas sem duvida augmenta a probabilidade. datado de Carlsbad aos 24 de Agosto. que deviam obrigar os magistrados a prestar efficaz protecçaÕ aos Judeus. s s . Sobre esta matéria achamos um curioso artigo. que se faziam naquella cidade. chegou a Nova-York. se fariam accessorios e correos dos mesmos crimes . A fragata dos Estados-Unidos. em que se diz. Miscellanea. que tenha a vontade e o poder de co- hibir taes excessos. que se aquelles Governos naõ castigassem os Magis- trados. Este facto somente naõ prova. Pretende mais este artigo. 136. 317 geral na Alemanha. parece que a protecçaÕ dos respectivos Go- vernos naõ tem sido tam efficaz como devera ser. M. N<>. e que seria preciso que os seus territórios fossem occupados militarmente por tropas da Áustria ou da Prussia. como todo o Governo he obrigado a fazer. de que S. vem cheias de conseqüências. tomaram em con- sideração a perseguição contra os Judeus . como se as Floridas. Catho- lica naõ ratificará aquelle tractado. ESTADOS-UNIDOS. aos que vivem em seus territórios. sem levar a dieta ratificação. e com tudo as gazetas dos Estados-Unidos faliam deste negocio. diziam os Americanos. aonde taes ultragens se tem commettido. em V O L . pela falta de protecçaÕ dos Judeus. que será pre- ciso ceder os territórios. que esperava na bahia de Cadiz. para conduzir a Washington a ratificação do tractado da cessaõ das Floridas. e que notificaram aos respectivos Governos. que estas perseguiçoens populares contra os Judeus. sem dis- tincçaÕ de classes. Assim parece. que os Ministros intimaram. X X I I I . que naõ apparecem á primeira vista : pois no mesmo artigo se insinua. a algum Estado vizinho. que os Ministros nas conferências.

mas naõ se duvidava. Mr. que a linha de comportamento seria em tom decisivo. visto que. para que nisso occupemos nossos Leitores no Brazil. A. quando parecia que mais serenos dias se seguiam ás tempestades. Arcebispos e Bispos de França escreveram uma carta ao Papa. pelas 6 horas da manhaS.318 Miscellanea. veio a ser. naõ podemos fazer esta exposição sem o mais profundo sentimento. Sanctíssimo Padre. Concluio-se a eleição para os Membros. até a próxima sessaõ do Con- gresso . Forsyth. a respeito da naõ ratifica- ção do tractado sobre as Floridas. e de dia em dia he ainda mais deplorável. A qualificação. que tem de servir na terceira classe da representação. e as cartas dos Estados-Unidos dizem. Naõ somente as nossas angustias se naõ tem alliviado. o estado da Igreja. a Duqueza de Berry. na Câmara dos Deputados. que se publicou em Francez e Latim . mas he matéria de interesse mui local. R. nella achamos a seguinte passagem:— " Na verdade. sobre o estado daquella Igreja. o Ministro dos Estados-Unidos. aos 22 de Agosto. aos 21 de Septembro. e tal vez naõ . Entre tanto pelas noticias de Hespanha sabemos. longe de se melhorar na França. mas pezam ainda mais sobre nós. deo á luz uma Princeza. tem sido objecto de longos paragraphos nas gazetas Fran- cezas. S. nunca tivessem de voltar mais ao dominio da Hes- panha. Os Cardeaes. que o Presidente naõ poderia adoptar medidas algumas. com que por tantos annos fomos acomettidos. todo o caso. FRANÇA. que El Rey de Hespanha naõ quiz ratificar o tractado. e partidos politicos a que os nomeados perten- cem. em Madrid man- dou o seu Secretario com officios para Washington.

Miscellanea. que foram impostos por uma tyrannica dominação estrangeira: re- duzidos a combater por si somente. O Papa consentio em suspender a execução da bulla. e diminmo algumas Sées do numero de 92. e a calumnia. Para completar a nossa afflicçaõ temos visto até banido o mesmo nome de religião. a satyra. No entanto os Tilutares das antigas Sées. que. os fieis andam errantes como gado sem pastor. pregando a volta da fé." Fosse effeito destas representaçoens ou outros motivos. os que saõ destinados ás sées actualmente vagas. e consequentemente da paz e da felicidade. nunca pôde repairar. tomaraõ immediatamente posse de suas . que o pequeno numero de pupilos do Sanctuario. saõ as armas com que se assaltam os pastores apostólicos. A disciplina ecclesiastica está relaxada. muitas vezes restringidos na sua vacaçaõ. e em determinado tempo. os estàbelicimentos ecclesiasticos estaõ languidos. que governam as dioceses. sendo subjugados e opprimidos debaixo dos mesmos regulamentos. estabelecidas pela concordata de 1817. grande numero de dioceses naõ estaõ suficientemente governadas. e regeitada assim a pedra fundamental. o corpo do clero enfraquecido pelas percas. Livros ímpios voam e cir- culam. antigamente tam ch ris taõ e tam fiel. e desgostos que os esperam no exercicio do ministério sagrado. naõ podem obrar de concerto. A derrisaõ. inquietados nos seus estudos. devem infallivelmente suc- cumbir. cheios de zelo. A Igreja de França cairá. Os seus inimigos parece unirem todas as suas forças contra ella. segundo a concordata de 1801. 319 está mui distante o tempo. perniciosas doutrinas se espalham como a gangrena. para nunca mais se levantar. e os missionários. Os Bispos. A religião he atacada por todos os lados. talvez mais breve do que aquelle que marcou a usurpaçaõ. se consumem com notável bom suecesso. em leys repressivas. a Corte de Roma veio por fim a consentir em um arranjamento. e se propõem a nada menos do que a sua annihilaçaõ neste Reyno. sem a qual naõ pôde existir edifício social. em que será impossivel levantar nossas ruínas. ou desanimados pelo aspecto da miséria. para a circumscripçaõ das dioceses na Igreja de França.

M. chegaria a Bayonna aos 24 de Septembro. o seu casamento com a Princeza Josephina de Saxonia. S. que tinha servido aquelle lugar interinamente. porém. e a nova Raynha partio immediatamente para Hespanha. O Duque de S. porque Sua Sanctidade deseja manter a concordata de 1817. Lacy. com isso se naõ tem destruído o espirito de descontentamento. até que se fixe nova circumscripçaõ como diocese metropoli- tana. conserva o titulo de Arcebispado . antiga possessão da Sancta Sé. desde a demissão e degredo do Marquez de Casa-Yrujo.320 Miscellanea. que o Papa mantém de jure a sua concordata de 1817. contra o Governo actual. M. Catholica. na Côrtc de Dresden. Salmon. Fernando foi nomeado Ministro e Secretario de Estado dos Negócios Estrangeiros. e por outra parte o Governo Francez recorre de facto á concordata de 1801. por procuração. se absteraõ de exercitar os direitos que tem por sua instituição. Os titulares de novas Sées. será administrada por um Vigário Capitular. que cada vez se generaliza mais. foi nomeado Ministro Plenipotenci- ario. e Valencia tem sido supprimidas. que chegam da Hespanha. e no caso que morra o presente titular. S. M. . modificada com a nova circumscripçaõ. aos 28 de Agosto. Todas as noticias. HESPANHA. nos informam da organização do systema das guerilhas. O resultados destas disposiçoens provisionaes he. e entraria na Hes- panha aos 28. e se as repetidas insurrecçoens de Porlier. celebrou. dioceses. Avignon.

mettida a tormentos. ou Relação. em que proclama a insurrecçaõ. As prisoens estaõ tam cheias de gente. em que se acha a monar- chia Hespanhola: as repetidas prisoens e castigos por crimes politicos. e dellas se uniram 80 homens a Merino. se diz que chega a 140. he o symptoma mais decisivo da opposiçaõ em que a naçaõ está com o Governo. foram derrotadas. A Inquisição porém apoia o General. Mas. até que expirou no meio dos tormentos. que foi preciso mandar alguns dos prezos para Murviedro. lhe deslocaram quasi todos os membros. e protegem os contrabandistas. na pre- sença do mesmo General Elio. foi levada ás prisoens da Inquisição. similhante ao de Melchior. depondo por um pouco os sentimentos de huma- nidade. com- mandando 200 homens de pé e 60 de cavallo: as tropas do Rey. que dez dias de- pois de ter dado á luz dous filhos gêmeos. Miscellanea. e entre outros casos se refere o de uma senhora. ha dous chefes de guerrilhas. 321 Entre outros. foi toda demittida. O General Elio tem adoptado em Valencia medidas mui vigo- rosas. Estes dous chefes unidos formarão uma força. Marino. porque se nos arri piam as carnes. por se attrever a naõ executar as ordens do Governador. que prova o estado de desorganização. 400 em numero. e Mel- chior. que. em Puebla de los Infantes. O numero de pessoas prezas pelo General Elio em Valencia. para a destruir. Destes procedimentos de Elio se tem publicado nas gazetas Inglezas alguns factos. pendurada pelos pés. naquella provincia: as mesmas authoridades tem objectado a executar suas ordens. que talam as campos. Naõ se perdoa a sexo nem a idade. Mas naõ he somente a existência destes corpos levantados. e nua. ao ponto de que a mesma Audiência. Omittimos dizer mais sobre isto. para supprimir o espirito de descontentamento. Este chefe publicou um manifesto. que saõ verda- deiramente horrorosos. de novo inventados. Merino teve um ataque com as tropas d' El Rey. será preciso organizar uma verdadeira guerra civil. em aberta rebelião contra a authoridade do Rey. para raciocinar com socego se tal he possivel com taes .

novos castigos. será um labéo. sobre a approvaçaõ ou desapprova- çaõ do tractado. se estes pro- cedimentos saõ necessários. naõ lemos decreto. por que severidades de tal natureza. El Rey decidio. e talvez esse dia naõ esteja mui distante. se se ad- mittem serem necessárias. ou in- dicar. que no Escurial. que El Rey naõ tem culpa no ódio geral. ou ordem ou me- dida do Governo Hespanhol. Suppunhamos. novos tor- tormentos. porque se haviam ceder as Floridas aos Estados Unidos. se os prezos. Nós naõ decidimos a alternativa . saõ realmente inimigos do Governo. éra do dever deste indagar as causas desse tam geral e comprehensivo ódio .322 Miscellanea. desejávamos perguntar. um descontentamento geral da na- çaõ. para se manter o Governo de Hes- panha ? Se o saõ. porque em fim reynar sobre uma naçaõ. que o actual Monarcha gover- na uma naçaõ. he preciso confessar. que nada apagará. tendente a procurar destruir as causas nem indagar os motivos desta geral rebelliaõ. Depois de longa demora. Sobre este . que mais lhe valera viver em uma choupana. e atormentados. que lhe manifestam seus vasallos : diríamos entaõ. contra elle. que se lhe vai a dar algum remédio. deve ser um continuado e pun- gente incentivo de dôr para toda a alma sensível. em quan- to seu nome se mencionar. provam. que tantas mostras tem dado da repugnância com que se submette ás medidas de seu governo. naõ ratificar o trac- tado : deo a elle nesse dia a sua decidida negativa. em cujo throno elle naõ pôde estar seguro. Por outra parte. Se Fer- nando VIL naõ sente asssim . entaõ a sentença da Europa illu- roidada. mas ao mesmo tempo que to- dos os correios nos trazem noticias de novas prisoens. que a sua situa- ção he tam infeliz e desgraçada. mas a verdade appere cera algum dia em toda a luz. quando d' antes tantos sacrifícios fez por sua pessoa. e taõ geraes. relaçoens diante dos olhos . aos 22 de Agosto.

M. em ambas as Floridas. que esta merece naõ éra tanto para favorecer Vargas e sus amigos. pertencentes á coroa. para se livrar de difficul- dades por esta parte. Vargas o Thesoureiro particular d' El Rey. sabendo-se destas manobras nos Estados-Unidos. se fosse forçoso ceder-lhes as Floridas. O Conde Punon Rostro. 323 objecto achamos publicadas algumas noticias. Os Cortezaõs de Madrid murmuraram desta concessão iUimitada. e que considerando as participaçoens de Onis. As datas principaes foram as seguintes. Mr. mas tapou-se-lhes a bocca. teve uma data quasi das mesmas dimensoens . Adams. que se julgava poder ser vendido a re- talho. e que se calculava ser de alguns milhoens de acres: o tereno éra do melhor da Florida. Miscellanea. adquiriria um valor. uma porçaõ de terra. e pediram a El Rey datas de terras. debaixo do Governo dos Estados-Unidos. para que estes naõ tivessem terras de que dispor. Os Cortezaõs aproveitáram-se disto para pescar nas águas envoltas. que esta concessão éra a mais segura. em que eram conce- bidos os officios do Secretario de Estado dos Estados Unidos. grande valido. e de tal maneira situado. no mez de Junho passado. dizendo-se-lhes. que o Governo Hespanhol éra incapaz de dar-lhe. que julgamos úteis expor a nossos Leitores. Ao Duque de Alagon. Com tudo. que comprehendia todas as terras. que naõ admi ttiria como validas as datas recen- . conhecendo mui bem que aquelle paiz. bem demarcada. porque foram estas datas em conseqüência de serviços feitos á coroa. se achou que naõ só os Estados Unidos insistiam no pagamento do que ha muito tempo lhes deve a Hespanha. e que naõ fossem incluídas nas duas datas acima men- cionadas. mui vantajosamente. Catholica. teve uma data. mas que até ameaçavam favorecer aberta- mente a insurreição das Colônias Hespanholas. resolveo o Gabi- nete de Madrid em ceder as Floridas. o Gabinete de Washington fez saber a S. Mi- nistro Hespanhol em Washington. e se considerava em Madrid. nas Floridas. Quando El Rey soube do tom decisivo. na Florida Oriental. como para servir de contrapezo político aos Estados-Unidos.

e tem vencido os fretes de oito mezes. porém o Duque de Alagon representou. tes das terras na Florida. Os navios eram em numero de 36. El Rey. foi nomeado o General Calleja. e que. que esperavam em Cadiz. porém. recebeo um em- prego na Andaluiza. ao mesmo tempo que o Conde foi nomeado Capitão General da Provincia. e lhes ordena. que. que se suppunham com melhor direito a esta nomea- ção . revoga as concessoens feitas aos tres individuos acima mencionados. que os obriguem a largar as Floridas ? Os transportes Inglezes. depois d'EI Rey recusar a ratificação do tractado. O General Saarsfield. feita com estes preparati- vos. Mas . revogar as vendas feitas ja de boa fé. que ja tinha mandado um agente á America para vender aqueilas terras. que restituam immediatamente as datas. em que diz. que foi promovido a Tenente General. A nomeação do General Calleja. para commandar a expedi- ção de Cadiz. em lugar do Conde de Abisbal.324 Miscellanea. foram despedidos. He pois digno de nota. que o Governo Hespanhol. O mais notável de tudo isto he." O Conde Punon Rostro. ordenou-lhe que obedecesse sem replica. em quanto . tem sido desapprovada por muitos dos mesmos partidistas da Corte. naõ somente porque ha vários outros generaes. e assim se inutilizou a despeza considerável. que a ambos estes officiaes se desse differente destino da expedição. e o Theoureiro Vargas acquiescêiam promptamenle. para levar a grande expedição á America. em conseqüência de apoiar o Conde de Abisbal. para abrir novas nego- açoens. mas porque o comportamento de Calleja. seria em quebra do character nacional. resolveo mandar um embaixador a Washington. que propostas se faraó aos Estados-Unidos. na prizaõ das tropas amotinadas no Porto de Sancta Maria. por imperiosas razoens politicas. ou Conde de Calderon. e El Rey expedio por isso uma ordem Real.

136." O Governo Hespanhol diminuio 50 por cento. nos direitos de exportação da laS. pelo qual se restringio o Banco da Inglaterra de pagar as suas notas a metal. causou alguma sensação desagradável em Inglaterra. 325 servio de Vice-Rey no México. Uma. aonde os Chilenos naõ tinham actual força V O L . da Havanah ou Vera-Cruz. reduzindo de 80 a 40 reales por arroba de 25 libras. que bloqueava portos. para o supprimento de certa quantidade de prata. e he detestado no território Mexicano. provavelmente em contemplação da expiração do Acto. e em seu lugar se o impoz direito de 2 peniques por libra. Miscellanea. em primeiro lngar. N°. TT . de avarento e cruel. Revogou-se o importo de 33 por cento nos mineraes estrangei- ros . por Lord Cochrane. lhe attrahio a fama. e ao depois dez milhoens. INGLALERRA. que a penas he de presumir que possa dispensar algum para Inglaterra. Algumas cartas de Cadiz dizem o seguinte:—" Continuam- se negociaçoens entre o Governo de Hespanha e o da Inglaterra. A pro- posição foi. que se trariam nove. que se occupa no provimento dos portos do Peru. Esta reducçaõ he igual a 4 peniques por libra. Duas objecçoens se fizeram contra este bloqueio. porque pareceo que esta medida embaraçaria aquella parte do commercio Inglez. XXIII. A noticia do bloqueio do Peru. em navios Britan- nicos : mas a Hespanha carece tanto para si de ouro e prata.

que o bloqueio do Peru he authorizado pelo Governo de Chili. vista a publicação. com o exem- plo da mesma a Inglaterra. como Official Britaunico mais antigo nesta estação. o receber o unanime testemunho de todos os mestres de vasos Britannicos. a Inglaterra. a respeito do comportamento de Lord Cochrane. se espalharam contra elle vários rumores em Inglaterra.outra que esta medida se devia reputar illegal. para pôr em vigor o bloqueio. que a introduzio.durante a guerra passada . tanto Britannicos como Americanos. como se mostra pelo decreto. quando se começou a adoptar o regulamento. Sobre o modo por que Lord Cochrane se portava a respeito dos vasos neutraes. que os comman- dantes de navios Britannicos mercantes. Boa ou má esta innovaçaõ. que negocéiam em portos estrangeiros. e agentes commerciaes residentes neste porto. julgamos que naõ será do vosso desagrado. que apparece. e naõ pelo Governo de Chili. do seguinte docu- mento. na falta de navios de guerra. se vêm obrigados a fazer as suas representaçoens ao primeiro Official de Marinha. que deixamos copiado a p. até o dia em que se fez a . 1819.. aonde naõ ha Cônsules nomeados residentes. até entaõ desconhecido no Direito das Gentes Europeo de declarar bloqueados portos e costas. aonde naõ existia actualmente força naval capaz de por em vigor o bloqueio. A' segunda objecçaõ respondem agora os Chilenos. por ser adoptada pelo Almirante. tem uniformemente protegido os direitos neutraes de todos os vasos mercantes. Desde o dia em que aivorou a sua bandeira. o qual. 17 de Abril.283. como Comman- dante em Chefe da Esquadra Chilena.326 Miscellanea. que copiamos. mostran- do. mal se poderá queixar de ser imitada. naval. « Valparaiso. A' primeira objecçaõ responderam os Chilenos. " Senhor !—Como acontece freqüentemente. os quaes com tudo parece serem destituídos de funda- mento.

sabendo nós dos muitos rumores. Esc. Os únicos Mestres dos navios que restam neste porto. foram restituidos. J N . que se tem espalhado. e naõ sabemos de exemplo algum. Shirreff. i$27 vela. Temos a honra de ser. JOAÕ ILINQWORTH. e que poderiam chegar aos vossos ouvidos. na oceasiaõ dos últimos acontecimentos. e Official mais antigo no Mar Pacifico. BLEST. HlGGENSON. M. 0'BRIEN & C o . HUMPHREY BUNSTER. A N D W . o An- dromache. em Lima. John & George. PRÚSSIA. Rose. W M . que se offerecè- ram voluntários. Artigo de Berlin . vossos obedientes criados. em que elle permittisse a qualquer marinheiro o entrar na sua esquadra. marinheiros. e receberam prêmio. para que a difficul- dade de tripular os seus navios lhe podia dar pretexto. contra elle. T E M P L E T O N . em 16 de Agosto. Julgamos. que ba tanto tempo e tam justamente gozava da esti- mação e confiança geral. Capitão do Navio de S. Senhor. T U R N E R . JOSH. Anna. A W. íriiòLcuurica. mas actu- almente concedeo todo o auxilio possivel.. Os Únicos Agentes residentes em Valparaiso. com tal gráo de energia. dos que nelle entaõ estavam. que particularmente . que este testemunho voluntário seria somente um acto de justiça para com Lord Cochrane. B O W E N . que se poderia esperar de nossos próprios navios de guerra. assim que foram reclamados. contra os desejos daquelles em cujo serviço estivesse . antes ein vários casos. naõ somente se absteve de todo o acto. Lord Lyndoch. portou-se. A. H. " A nossa Câmara de Justiça.

entraram naquella empreza tam vigorosamente. os effeitos devem também ser geraes. adoptadas em alguns . sem que seja necessário suppôr conspiração alguma. quando só era natural conseqüência da opinião commum . por mais pessoas que Se prendessem. os proce- dimentos de M. que tem o mesmo modo de pensar sobre os negócios públicos. dizem. estas esperanças se fortificaram pelas promessas de alguns Soberanos. que até aqui se naõ tem verificado. naõ tem a policia descuberto conspiração alguma. vinha a ser impossivel traçai o foco de conspiração alguma. e. porém. que só uma aceitoistou. e outras noticias da Alemanha. que o seu bem conhecido zelo pela tranquillidade do Estado. que se naõ se adoptasse immediatamente um modo de procedimentos estric- tamente legal. o tem levado a dar passos impróprios. Aqui temos pois uma causa geral de descontenta- mento. naõ obstante isto." Segundo este paragrapho. tomou ao livreiro Reimer cartas do anno de 1803 . e provavelmente he errônea a idea de uma conspiração. Nem podemos suppôr. agora deve ser altamente louvada. e o Principe Wittgenstein desappróvam também. Enganadamente se tem tomado por conspiração. em que entras- sem formas representativas. que as medidas. ani- mados com a esperança de estabelecer Governos. O Principe Chanceller. naõ tem a policia descuberto cousa alguma que pareça conspiração. segundo se diz. o que somente he effeito da opinião publica: tem-se achado em muitas partes pessoas. e portanto tem offerecido a varias das pessoas prezas a sua li- berdade com certas condiçoens. de que os povos de Alemanha. Temos já por varias vezes referido o facto. A policia tem seguido os traços até bem longe . a Câmara se verta na necessidade de fazer queixa a Sua Majestade em pessoa. neste caso.328 Miscellanea. e saõ de opinião. e quando as causas saõ geraes. quando se combinaram para expulsar o jugo Francez. que elle concebe estar em perigo. e suppoz-se que isto éra o resultado de combinação systematica. Von Kampz. por exemplo. Em tres officios suceessivos representou ao Ministro de Justiça e lhe declarou.

lt CW. em vez de a oppôr directamente. O principal objecto do Summo Pontífice he o sanccionar o estado presente da Igreja de França. que se dimittissem de seu serviço. . em Consistorio de 23 de Agosto. mas até quer que seja crime o asseverar. visto que aquella declaração naõ dizia outra cousa. e alguns dos Ministros saõ op- postos ao systema adoptado. ÍVA # * I C lH. confirmando os Prelados nomeados por El Rey. e supprir as Sées vagas. porque neste mesmo paragrapho de Berlin nota- mos. pelo crime. annunciou a conclusão da negociação a respeito da Igreja de França. senaõ pela concessão prudente á opinião publica. ROMA. contra a torrente da opiuiaõ publica. todos os funcionários públicos. nem ainda mesmo por todos os Ministros daquelles mesmos Governos. Sua Sanctidade. que se publicou nas gazetas Francezas. a qual se naõ poderá obviar. que elle he homem de bom character. e pro- nunciou uma allocuçaõ sobre esta matéria. aonde taes medidas se practícam. que a Câmara de Justiça. naõ só quer que se castigue o Professor Jahn. que se lhe im- puta . paizes. que El Rey orde- nara. que assignaram a declaração publicada na Gazeta de Bremen a favor do Dr. que muitos politicos pres- sagiam uma convulsão. sejam approvadas pelos Ministros de todos os paizes. pelo menos dando-lhe alguma direcçaõ favorável. He desta concussaõ de opinioens. Jahn : de maneira que El Rey. Um artigo de Berlin de 4 do corrente diz.

que a Suécia pague 3:000. he talvez extraordinária. Tudo que he bom dura pouco! Terminou sua gloriosa car- reira o Sapientissimo Investigador.000 de dollars (Banco de Hamburgo) em 10 pagamentos annuaes . em resposta á Memória sobre o Cha- racter dos Habitantes de Minas-Geraes. M. porém S. Carta ao Redactor. sendo as obrigaçoens de pagamento. O tractado. e habitantes de Minnas Ge- raes. Embaixador Britannico. diz um artigo de Stockholmo. como Ministro da Potência Media- dora.330 Miscellanea. Sueca a concedeo. para o ajuste final das disputas entre Suécia c Dinamarca. SUÉCIA. O arranjamento contêm. CONRESPONDENCIA. e viajante que fora mui bem acolhido pelos Mineiros. e posto que muitas pessoas sensatas sejam de opinião que similhantes destemperos naõ mereçam reposta. publicando em Fevereiro por despedida uma carta de nome supposto. Esta ultima condição. em ordem a dar novas provas de sua confiança e amizade a seu Augusto Alliado. aos quartéis . Rio de Janeiro. com uma serie de calum- nias contra o Gazeteiro da Bahia. . I o de Junho. em casa de Lord Strangford. foi assignado aos 3 de Septembro. 1819. depositadas nas maõs de Lord Stranford. na Corte de Stockholmo. Senhor Redactor do Correio Braziliense. com tudo julgo da minha obrigação como condíscipulo do Redactor da Idade de Ouro. e também 4 por cento de juro annual. tanto do principal como dos juros.

também seremos agora exactos em expor a verdade. porque a ambição do Ouro distrahia os homens de todos os objectos. que sempre estaõ mais baratos na quella Cidade. e que fornecem a Corte do Rio-de- Janeiro de tantos viveres. ou passou como caõ por vinha vendi- inada. que naõ gavasse a facilidade de viver alli com as cousas necessárias á vida. Para que os Leitores entendam bem o estado desta frívola questão ahi vai copiado fielmente o artigo da Gazeta. e Matto Grosso. que um artigo taõ apoucado. foi o artigo da Gazeta da Bahia de 13 de Março de 1818. Hé verdade que n'outro tempo havia grande indolência na cul- tura daquellas terras. M. transportados dos sítios mais remotos. em que tropeçou o supposto Rocha Pitta. Todos sabem hoje que Minas Geraes. Começando porem a crescer a população de Minas. e cahido do bico da penna sem segundas intençoens. e se expõem por este modo á fome. e fazendo-se o Ouro mais escaço. Ainda naõ conversamos com Portuguez algum. e por outras mais distantes até Goiazes. que servio de pomo á discórdia :— " Na folha passada copiamos as reflexoens do estrangeiro im- pressas na Gazeta de Bremen. e deffender os habitantes de Minas daquella nota de preguiça. Mal sabia o Redactor. Verdade he que quem lá vai só com vistas de enriquecer. que andasse por aqueilas terras. ou lêo as reflexoens de algum Viajante de outras eras. para fazer publicar no seo jornal as seguintes observaçoens. Assim como formos fieis em copiar aquelle artigo. Paulo saõ as terras mais abundantes do Brazil. lhe grangearia um Juvenal indignado. e á miséria. a qual. que naõ promettlam rápida for- tuna . mudaram as cousas de figura. segundo aquelle Viajante. sobre a incúria. cujo Apollo hé um furor indiscreto. Apedra de escândalo. e também porque a abundância do Ouro dava para todas as despezas dos gêneros comestiveis. que nas outras Cidades marítimas do Brazil. O Viagante. e naõ leva nada de seo. que elle notou na Gente de Minas. naõ cultiva as suas terras com a cobiça do Ouro. JÍJI recorrer a V. naõ se dá bem . e S. \.onrcsponaencia.

63. os quaes naõ plantavam man- dioca. 527. como he próprio de huma Gazeta ? Aonde está alli o estillo figurado. conti- nuado a p. hoje porem plantam mandioca. 628. más nesse caso nós lhe inculcamos o Paiz d'Eldourado. ao qual elle dá o titulo de Quadro fiel. . do que o nosso conrespondente agora nos desonera. que augmentam afartura do Rio-de-Ja- neiro? Isto hé por ventura injustiça? Que direitos alheios saõ ofiendidos nesta asserçaõ. e o assucar dava para tudo. e exacto por ser muito ex- tenso. e até tractado com certo desleixo. na sua especulação ." &c. ainda naõ era injustiça: era sim um louvor pouco merecido. e exacto. para se lhe chamar injustiça ? Quando isto naõ fosse verdade. ou Raynald ? Qual hé a injustiça da causa? Dizer-se que os Mineiros já cultivam as terras. Redactor. e passa depois a insultar os Mineiros com um longo aranzel de maledicencias. porque a farinha era barata. como Tá- cito. desde que o Ouro escaceou. Em conseqüência deste Artigo principia o Senhor Antônio da Costa Rocha Pita a descompôr o Gazeteiro. mas apontaremos quanto baste para que se conheça a indiscreta cólera do Author. carnes. Que empenho se divisa no Redactor em um parágrafo tam pequeno. em que o escriptor mostra empenho d'alma. que so inculcava generosidade da parte • Acha-se publicado no Correio Braziliense. p. XXII." " Os Mineiros d'outro tempo faziam o mesmo. Naõ imprimimos * o quadro fiel. que os Pro- prietários de Engenho cá de baixo. O Senhor Rocha Pita lamenta que o Redactor da Gazeta da Bahia se empenhe a favor de uma causa injusta. p. maculada com tanta injustiça por um patrício Apóstata. assim como os Mineiros cultivam as suas terras ao ponto de transportarem para longe muito milho. XXIII. quejos. Vol. em estillo familiar. e vehe- mente. e sobre maneira indecente. Inserimos aquella diatribe para lhe poder responder.332 Conrespondencia. e concluído no Vol. e se reven- dique a honra dos habitantes de Minas. e que até fazem muitas exportaçoens.

e com ore rotundo. a Gente de Minnas hé mui preguiçoza. e da mais vil adulaçaõ. más agora já sabemos. Diz elle. He dizer que Minas Geraes cultiva de sobejo para seo sustento. á qual o Gazeteiro naõ tem a honra de dever o nascimento ! Mas que muito. que ao primeiro golpe tudo des- cortina. e pelo que sei de Minas reconheço. " Deixemos toda a bazófia Senhor Gazeteiro. 333 do Redactor. a quem lhe chama confiado por dizer bem da sua terra. e as Naçoens pelo V O L . Nunca podemos atinar qual éra o pecado irremissivel. quando estudamos á Eschólastica. contínua o Escriptor do Piracatu. Um Naturalista pode estar muito tempo em um Paiz. e baixa adulaçaõ ! Que crime imper- doável ! " Naõ conheço. se elle remata as suas reflexoens dizendo. Este elogio hé similhante ao que fáz Homero dos olhos de Júpiter: exaqui o que se chama fallar com empenho em estyllo poético. Aqui temos questão Theologica sobre pecados irremis- siveis. e próprios de um Naturalista. e que commette um crime imper- doável. Vamos a diante. que elle viajou com olhos bem abertos. Que vil. At qui nullutn caracter prwdicas de tuis. e para exportar. e o seo caracter geral he naõ ter caracter algum. que o Redactor se reveste da mais baixa. naõ conheço ao Senhor Conselheiro Langsdorf. X X I I I . e ha de ser em Latim da Idade Férrea Quod pradicatur de totó prcedicatur de singulis . como se descrevesse a melhor praça de Roma? He bem para lastimar que um filho de Peracatu descomponha um Gazeteiro. quando de uma maneira exaggerada descreveo o terreiro de Jesus da Bahia. N°. Por ventura alguém calumniou de injusto a Mo- reri. mas pela sua carta. u u . Conrespondencia. e lhe faça um syllogismo argumentando ad hominem. Erg © nullum prcedicas de te. e quasi nada saber delle. porque a Historia Natural naõ ensina a conhecer os homens." O Senhor Rocha permittirá sem duvida que me lembre agora da Escola de Scoto. 136.

muito milho. Legislação. e por isso as artes mechanicas eram entre elles grosseiras. imperdoável. A preguiça hé o vicio mais geral dos homens em todo o mun- do. e Minas Geraes. ou naõ estes gêneros. que anda excluída a preguiça. Porém se diz que em Minas naõ há cultura relativamente ao numero dos habitantes. concedo totum. os comestíveis naõ sobiram de preço. e revestido da mais baixa. Apezar do considerável augmento de população no Rio-de- Janeiro. De tudo que fica ponderado infere-se. pode conhecer alguma cousa do reyno vegetal. e maiormente nos paizes de escravidão. que saõ escravos. O primeiro peccado dos habitautes de Minas. e mineral: alem de que a nossa questão nada tem com os Naturalistas. que o Author do Pira- catu foi inconsiderado em chamar ao Gazeteiro da Bahia injusto. lado moral. Paulo naõ só fazem amiudadas exportaçoens de viveres. quando introduziram o systema de escravos. na qual basta ter olhos.000 almas. Isto aconteceo entre os Romanos. e desta classe diz elle. e pelos effeitos da Politica. assucar. mas entaõ diga o mesmo de qualquer Reyno da Europa sem exceptuar a França. Vejamos agora o que diz dos Mineiros no seo quadro fiel. feijaõ. &c. Tudo se reduz a saber. mas muito de vagar. na3 reflexoens hé a preguiça. e acabe-se já acontenda . e outros gêneros de Minas Geraes. porque no Brazil ninguém o crê. muito gado. se em Minas há. e S. e se os Mineiros exportam. porque o trabalho cahe em desprezo para gente livre. Se o Senhor Rocha quer dizer que em Minas naõ há cultura relativamente á extensão do terreno. ou naõ. e exacto. muitos porcos.000. como de algodão. e só trabalhaõ 150. porque segundo o Senhor Pita hé composta aquella Capitania de 400. &c. e experimentos. por mais que ao contrario chame baixa. Uzos. e vil lisonja. e as terras . O Naturalista. Tracta-se de uma questão de facto. e agora acabam de chegar á Bahia pelo Rio da Salça cargas de algodão.. &c. &c.334 Conrespondencia. entaõ vá dizer isso na Tartaria. e vil lizonja. e ajudado de instrumentos. debaixo do xicote. e assucar. naõ ao primeiro golpe.

que os Mineiros saõ mui dados á murmuraçaõ. Minas Geraes naõ tem importaçoens de viveres. O povo rege-se pelos sentidos. que saõ de todos os homens. O povo nunca se in_ strue nas máximas essenciaes da Religião. A religião de Minas se reduz segundo o Senhor Rocha a naõ comer carne em dia de jejum. e paizes. dizendo. montes. além de muitos livres. e se naõ diga o Author de donde vaõ para lá os mantimentos. que elle tem campos. similhante vicio hé dominante nas pe_ quenas Cidades. ou descrever. Naõ he desta maneira que se aprende a definir. 335 mal cultivadas. arvoredos. quando descreve os Germanos. e também naõ se pode tomar como característico de um povo. Devia pois o Author das reflexoens. que. Quem pôde porém negar. matos. rios. sementeiras. que naõ entrando importaçoens. a pezar desta mania universal. . e almas a quem Tertu- liano chama—naturalmente Chi istans ? A respeito dos costumes. Isto hé falso. mas em tal cazo naõ se deve atribuir a preguiça ao caracter nacional. cujos incon- venientes já foram prevenidos pelas vistas benéficas de S. e naõ dos Mineiros. a quem a necessidade obriga a plantar. Mas o Author bem diz que he de outra Escolla. que hé toda fundada no regulamento das paixoens. &c. Descrever o caracter dos Mineiros por aquelles vicios. e criar. e sim ao systema dominante. e intriga.000 almas . Com tudo aonde 150. Esta nota naõ hé característica dos Mineiros. existem em todos os lugares da Christandade Coraçoens verdadeiramente Religiosos. diz o Author das reflexoens. naõ pode haver miséria em uma população de 400. Fidelissima em seos últimos tractados. e o Senhor Conselheiro Langsdorf murmurar do systema. e a ouvir Missa em dias de Festa. por irso mesmo que elle hé universal. he gorai na grande parte do povo em todo o Orbe Christaõ. he o mesmo que descrever a geo- grafia de qualquer Reyno. uonresponaencia.000 trabalham de baixo do Xicote. He preciso pincel mais philosophico como o de Tácito. e Villas . más quando fora verdade. e Ba abnegação do amor próprio. e he refi- nada impostura dizer o Author. e mallinas tudo morreria de fome em poucos dias. Maj. e de ordinário só tem asexteriori- dades de Religião.

V. emprehendedor. que o Author nota em Minas. Sou com amaio consideração. e no Brazil ? Quantos elevados a altos empregos. e probo naõ conhecemos nós todos em Portugal. Ainda naõ lemos Escriptor. briôzo. Quem quer ser acere- ditado deve ser mais justo. Quantos Mineiros recommendaveis por seo caracter serio. A Capitania de Minas Geraes he tal vez. qua elle faz aos Mineiros he dizer. se comettem em todas as partes do mundo civilizado. que tam mal o hospedaram em seo degredo ! Conclui- rei esta carta com um sentença que naõ hé da Escolla do Senhor Rocha—NU probat. UM CONSTANTE LEITOR. e por conse- guinte nunca desacreditam um povo nem o podem fazer responsá- vel de delictos individuaes. e classificados na Republica das Letras ? Que grande mal fariam elles ao Senhor Rocha ? Nem Ovidio se atreveo a dizer tanto dos Getas. que o seo caracter he naõ ter caracter algum. a que foi povoada de roilhor Gente Portugueza. A nota mais insultante. que proferisse tal proposição sobre um povo. qui nimis probat. M ce. . e commedido. sem tom. As immoralidades atrozes. e os Portuguezes na Europa fazem honra aos Mineiros. Aqui o Author excede- se a si mesmo no talento de mal dizer.336 Conrespondencia. ou Viajante taõ atrabiliário. D. nem som.

R E Y N O UNIDO D E P O R T U G A L BRAZIL E ALGARVES. que pela totalidade da importância dos pa- cotilhos ou facturas de diversos carregadores parciaes lançadas nos autos de juslificaçoens das prezas feitas pelas embarcaçoens Britannicas. XXIIL No.MOEN9. e também pela totalidade das soldadas das tripulaçoens. 137. Edictal da Juncta do Commercio do Brazil. 1819. Na quarta parte nova os campos &ra E se mais mundo houvera lá chegara CA. e . Agricultura. VII. tomada em Consulta da mesma Real Juncta. x x . foi servido determinar. sobre os pagamentos de certas partes das prezas. 1 4 . e Nevagaçaõ deste Reyno do Brazil e Dominios Ultra- marinos. POLÍTICA. A Real Juncta do Commercio. dando cada um dos Pro- VOL. que foram tomadas por embarcaçoens Britannicas. por sua immediata resolução de dez do corrente mez de Fevereiro. faz saber. C.CORREIO BRAZILIENSE DE OUTUBRO. fabricas. que El Rey Nosso Senhor.

que lhe determinará a quem. ou darem procu- ração para receber aos Proprietários dos Navios. em quanto se manda vir o dinheiro de Londres. a que possam ter direito. que ja ha muito tempo expirou. e na da Bahia. comparecerão quaesquer interessados perante o dicto T r i . bunal da Real Juncta. para este receber o valor por desposito â ordem da mes- ma Real Juncta. expedindo para isso ao dicto Banco a necessária provisão: E outro sim. se expedissem pelo deputado inspector da contadoria letras sobre os recebedores das trezentas mil libras sterlinas em Londres.. debaixo da comminaçaõ e pe- na de cahirem em commisso.338 Política. e quanto devem entregar. vir pedir pagamen- to . e no periodo de tres annos contados da data da referida Regia Resolução. Rio de Janeiro 15 de Fevereiro de 1819. M A N O E L M O R E I R A DE F I G U E I R E D O . pela qual tem incorrido por virtude do an- tecedente Edictal de 27 de Septembro de 1817 na perda do seu direito. a quem se devem. e de perderem para o Real Fisco as quantias. negociando alli a impor- tância. uma vez que faltem á dieta comparencia dentro do referido tempo. . e a identidade das pessoas. a pedir com documentos compe- tentes os seus embolços. que lhes possaõ dever. a enviem em letras a favor do Banco desta Corte. E para que chegue â noticia de todos. que obtiverem. dignando-se o mesmo Augusto Senhor de relevar por Sua Alta Clemência a omissão dos mencionados in- teressados. fícando-lhes livre fazer cessaõ. mandou a mesma Real Juncta affixar o pre- sente nesta Praça. e com as sentenças. prietarios dos Navios uma lista a contestar o vencimento dellas. nao comparecendo no periodo. e a estes convencellos pelas dividas. que. dirigindo-lhes a sobredicta Real Juncta do Commercio Provisão para que.

devem inde- fectivelmente vir acompanhados dos Bilhetes originaes de despacho da alfândega do Porto da sahida. empate. para que mais naõ possa allegar-se ignorância para o futuro: manda declarar que todos os gêneros. e avaria das fazendas importadas: O mesmo Augusto Senhor. resultan- do dahi naõ serem os mesmos Navios admittidos a des- pacho. e cobertos com um attesta- do do Cônsul. sem que se deixe conhe- cer o extravio ou falsificação. attendendo às representaçoens. à excepçaõ dos Dominios Britannicos. nem os Mestres e Capi- taens tinham ainda o necessário conhecimento. em que certifique a authenti- cidade. e effeitos. sendo além disto legalizado também pelo Cônsul ou Vice-Consul o Manifesto da Carga. que subiram â Sua Real Presença. perten- centes a cada Navio. Politica. •que experimentam os Navios. querendo fixar a regra sobre esta ma- téria. cosidos junetos. sobre o grave prejuízo. sem se acharem munidos com os documentos. de forma que delles naõ possa separar-se algum. . para poderem ser admittidos* a despacho nas Alfândegas destes Reynos. nem substituir-se. sendo nellas permittida a sua introducçaõ. e outros Portos Estrangeiros vem aos deste Reyno. merca- dorias. em Lisboa. e numero dos mesmos bilhetes. El Rey Nosso Senhor. que re- quer o Alvará de -25 de Abril do anno próximo passado. que se expedirem dos paizes estrangei- ros. e sellados com o sello Consular ambos os papeis. Sue- oia. sobre o des- pacho das Mercadorias estrangeiras. 339 Edictal do Conselho da Fazenda. que de Hamburgo. ou Vice-Consul Portuguez no districto a que pertencer o tal Porto. com gravíssimo prejuízo dos commerciantes. ou ser introduzido outro de novo. numerados progressivamente. dos quaes nem os Carregadores. ru- bricados.

se manda fazer publico por esta forma.340 Politica. em que o Conselho da Fazenda repre- senta que. e Portaria de dez de Maio do presente anno. e Pessoas a que tocar. o tenham assim enten- dido. por haverem sido competentemente annunciadas pelos Ministros de Sua Majestade. Palácio do Governo em quatorze de Agosto de mil oitocentos e dezenove. publicadas em Edic- tal de cinco de Julho precedente. a respeito dos quaes estaõ j á em observância as dietas providencias. Sendo presente a EI Rey Nosso Senhor a Consulta de seis do corrente. residentes nos mesmos Paizes. No primeiro de Janeiro do anno próximo de mil oito- centos e vinte começará a ter effeito em todas as alfân- degas destes Reynos o declarado na presente Potaria. tendo cessado por vinte annos os privilégios de isempçaõ de direitos na forma do Alvará de vinte e cinco de Abril do corrente . N a õ devendo porém este espaço ser concedido aos Navios. J O A Q U I M J O S É D E SOUSA. O mesmo Conselho da Fazenda. segundo o seu parecer. Com quartro Rubricas dos Governadores do Reyno E para que assim haja de constar. Edictal do Conselho da Fazenda em Lisboa . L Á Z A R O DA S I L V A F E R R E I R A . que vierem dos Portos de França e dos Paizes baixos. segundo a qual deverão ser entendidas as ordens expedi- das ao Conselho da Real Fazenda. sobre os direitos de importação. Lisboa em 18 de Agosto de 1819. e mandadas observar pelo Aviso de vinte e um de Novembro de mil oitocentos e dezoito.

Com tres Rubricas dos Governadores do Reyno. contados da data desta Portaria. Lisboa vinte e um de Agosto de mil oitocentos e dezenove. conformando-se com o parecer do Conselho. como providencia interina. à excepçaõ somente dos que se im- portarem do Reyno (Jnido da Gram-Bretanha. se manda fazer publico por esta forma. e Irlanda: Manda Sua Majestade. e de Setú- bal continuem a pagar aquelles quinze por cento a res- peito dos mesmos gêneros que existirem nellas. com declaração que nas Alfândegas desta cidade. tomada na mencionada Con- sulta de seis de Agosto do dicto anno. devem pagar trinta por cento de todos os que vierem de quaesquer Paizes. e faça executar. em todas as Alfândegas destes Reynos. que assim se observe interinamente. L Á Z A R O DA S I L V A F E R R E I R A . na fôrma do fofal. 341 anno. Palácio do Governo em vinte e dous de Agosto de mil oitocentos e dezoito. foi Sua Majestade servido deter- minar por Sua Real Resolução de treze de Dezembro de mil oitocentos e dezoito. D. E para assim constar. que assim effecti- vamente se cumprisse. Politica. cinco e doze de Agosto de mil oitocentos e deze- sette. O mesmo Conselho o tenha assim entendi- do. em lugar dos quinze por cento nelles mencionados. os gêneros mencionados nas Portarias de oito de Julho. ou entra- rem dentro de quatro mezes. FRANCISCO M A N O E L D' A N D R A D E MOREIRA . E tendo baixado a Portaria acima declarada.

Palácio do Geverno em 14 de Sep- tembro de 1819. M. para que assim o faça executar com os despachos necessários. Senhor CONDE DE PENICHE . como Represen- tantes do Clero. Sua Majestade. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor. sobre a importação do Trigo estrangeiro. e rendei- ros das terras de lavoura das commendas. as suas representaçoens pela continuação da entrada do trigo estrangeiro. e Povo dos seus districtos. mas findo este tempo seja prohibida por quatro mezes a importação do trigo rijo estrangeiro. e permitti- da a do molle com a vendagem de 80 réis por alqueire. Comarcas do Norte e Sul do Tejo. O que participo a V. de ordem de S. e almoxa- rifados Reaes. Repetindo na Real Presença d' EIRey Nosso Senhor os Proprietá- rios. naõ tendo sido bastantes as providencias com que tem procurado oceorrer sobre estes objectos: e tendo também sido pre- sente ao mesmo Senhor a Consulta do Conselho da Fazen- da de 23 de Julho a bem da Fazenda Real eda Naçaõ contra a continuação da entrada do trigo estrangeiro. Exc a . Junctas das fabricas das lizirias. que por quarenta dias continue a entrada dos trigos estrangei- ros com o pagamento da vendagem de 200 réis por al- queire . lavradores. Deos guarde V. manda interi- namente. Aviso do Governo ao Inspector do Terreiro de Lisboa. Exc.34-2 Politica. em quanto naõ determinar o contrario. Nobreza. que embaraça a venda dos nacionaes com a ruina da agricultura. JOAÕ ANTÔNIO SALTER DE MENDONÇA. em attençaõ ao referido.

para com os subditos Portuguezes. .° do decreto de 12 de Agosto. Siciliana. Castro. e das quaes se ajuncta copia ao presente Decreto. Gram-Prin- cipe hereditário de Toseana. Ministros de Graça e Justiça. do Direito d* Albinagio.° A contar do dia 31 de Maio de 1819 naõ será practicado no nosso Reyno das Duas Sicilias o Di- reito d' Aubaine (Albinaggio).° Os nossos Conselheiros. etc. Secretários d' Es- tado. naõ he practicado para com os subditos dos nossos Reaes Domínios. Decreto de S. daquelle mesmo modo que. e Secretario d' Estado Ministro de Graça e Justiça: Temos resolvido decretar. Visto o artigo 2. e do censo d' emigração relativamente aos subditos do Reyno-Uni- do de Portugal. Fernando I. pelo qual se estabeleceo que os estrangeiros naõ podem come- çar a gozar neste Reyno das Duas Sicilias dos effeitos resultantes da abolição do direito d' Albinaggio (Aubaine) senaõ desde o dia em que a Potência a que pertencem tiver manifestado por uma declaração official conce- der reciprocidade aos nossos subditos : Vistas as declaraçoens feitas pelo Enviado de Sua Ma- jestade Fidelissima de 31 de Maio do corrente anno. ou d" Aubaine. M. Politica. e dos Negócios Es- trangeiros saõ encarregados da execução do presente Decreto. etc. etc. Placencia. graça de Deos Rey do Reyno das Duas Sicilias. sobre a abolição. 343 NÁPOLES. Duque de Parma. Por proposta do nosso Conselheiro. de Jerusalém. nos termos das dietas declaraçoens. de detracçaõ. Brazil. e decretamos o seguinte: Artigo l. etc. e Algarves. Infante d' Hespanha. Artigos 2. pela.

J MARQUEZ TOMMASI. Officio do General Simaõ Bolívar. Minis- tro dos negócios estrangeiros. Ministro Chanceller. voaria. O Secretario d' Estado. como tenho sido convidado. Por Copia exacta. (Assignado. O Secretario d* Estado. {Assignado. e civil. acho-me opprimido com o cumulo de sentimentos de res- peito. VENEZUELLA. Uma dolorosa experiência tem mostrado. porém a convicção. Se naõ consul- tasse mais do que a minha obediência e os votos do meu coração. Estou confuso. que me inspira a benevolência do Soberano Congresso. ao Congresso de Ve- nezuela. (Assignado) MARQUEZ TOMMASI. Ministro de Graça e Justiça. em que estou de ser incapaz de pre- encher devidamente as obrigaçoens de primeiro Ma- gistrado. de consideração.344 Politica. (Assignado.) FERNANDO. que me impedem servir a Republica no poder Executivo. Com o Sello Real. para annunciar-me a minha con- tinuação na presidência do Estado. Neste instante me tem honrado o Congresso Soberano com segunda deputaçaõ. e gratidão. presidida pelo honoravel Se- nhorGeneral Urdaneta. O Secretario d' Estado. Visconde de Torrebella. Por Copia conforme.) O MARQUEZ DE CIRCELLQ. me força a representar submissamente as justas causas. a tomar posse da dignidade de Presidente de Venezuela. por que um homem . quam in- compatíveis saõ as funcçoens de Magistrado e de defensor da Republica: muitos revezes temos soffrido por estarem reunidos o poder militar.

e um homem só dificilmente reúne as virtudes e os talentos. muitos annos. Deus guarde a V. Os Representantes do Povo devem saber. e sendo tam acer- tada e sábia a eleição.. Resposta do Secretario do Congresso ao General Bolívar. Excellentissimo Senhor! NaÕ tendo o Soberano Congresso Nacional accedido V O L . que faço. que se dignem admittir a respeituosa renuncia.) BOLÍVAR. 345 só naõ pôde attender á conservação da paz e ao exercicio da guerra. actual Presidente do Congresso. para supprir a minha ausência da capital. que requerem o Tribunal e o Campo. que apenas seriam bastantes todas as fa- culdades de todos os nossos cidadãos para compor um Governo reparador de tantas calamidades . A demais. me instam imperiosamente a representar o que tenho a honra de communicar a V. por meu estado. da Presidên- cia do Estado. N° 137 Y Y . ausente da residência do Go- verno . Angostura 16 de Fevereiro de 1819. que as minhas forças saõ insufficientes para suppor- tar a formidável carga de um Estado militante. que pode- ria pois reparar um soldado ? O Soberano Congresso nomeou um Vice-Presidente. me attrevo a rogar aos representantes do Povo. Politica. S. S. Eu devo estar sempre. he reconhecida na practica dos negócios públi- cos. por conseguinte este Vice-Presidente será sem- pre o primeiro Magistrado da Naçaõ. que tem recaído no Honoravel Representante Zea. o meu desejo de contribuir para a expulsão dos Tyrannos de Venezuela. X X I I I . (Atoignado. e ao mesmo tempo na infância. . O meu amor pela Pátria.—9 o .

O vogai Secretario Interino D I O G O B A U T I S T A U R B A N E J A Excellentissimo Senhor Presidente Republica. lhe pertence: . e em con- seqüência da communicaçaõ. que se conferio a Vossa Excellencia. Palácio do Congresso em Angostura. 1. Tenho a honra de o transmittir assim a Vossa Excellen- cia por ordem do Soberano Congresso. 17 de Fevereiro de 1819.346 Politica. Deus gnarde a Vossa Excellencia muitos annos. pela de hoje. Simaõ Bolívar.—9 o . na sessaõ or- dinária de hontem. se mande illuminar geralmente esta capital. em quanto o Congresso naõ dictar outras. que se publi- quem as suas nomeaçoens. e a de Vice-Presidente do mesmo. &c. ás repetidas renuncias da presidência interina do Es- tado. &c. e que para este fim Vossa Excellencia communique as suas respectivas ordens ã Commandan- cia Geral. até que estes lugares sejam constitucionalmente providos. se dê por ellas uma salva de artilheria. sua organização e disciplina. para a Presidência da Republica. prestado j a o juramento devido. e confirmado esta nomeação. que a Vossa Excellencia se fez desta deliberação. na pessoa do Senhor Depu- tado Francisco Antônio Zea. Presidente da Republica de Venezuela. conforme as regras observadas até agora. tem o Soberano Congresso accordado. na noite de hoje. Por quanto o Congresso Nacional tem decretado o seguinte Regulamento.° O mando supremo das armas de mar e tena. Excellentissimo Senhor. Decretos sobre as formalidades do Governo.

ou seus Deputados: 9 o .» Nomea todos 03 empregados da Republica. esta- tutos. ou seus Delegados. que sup- puzer culpados defelonia. e naÕ de- decretarà o perdaõ. o- missaõ. que esta nomear em sua ausência. decretos.° Nos casos de injustiça notória.° He chefe da administração geral da Republica. até que o Congresso declare os que reserva : 3. que for conducente ou necessária ã guerra. cuja determinação será decisiva: 12. 5. ou modificação.* Envia e recebe Ministros e Agentes Diplomáticos: 8 o . de máo comportamento. mal- versação nas rendas do Estado. que a pronunciou. 347 2. senaõ quando o seu dictamen for favorável: . A favor da humanidade pôde mitigar. ou inaptidaõ no exercicio de suas funcçoens : 6. e submetten- do tudo á ratificação do Congresso. Se este insiste nella. ou Deputaçaõ. Celebra tractados de alliança. corrupção. Manda cumprir e faz executar as sentenças do Congresso ou seus Delegados. Promulga. que tiverem de julgar-se militarmente. usurpaçaõ. ainda que sejam capi- tães: porém antes consultará o Poder Judicial. e em quanto o Corpo Le- gislativo naõ prover outras: 7. emanda executar as leys. commercio. 4. e as do Poder judicial: 11.° Accusa ante o Congresso. commutar e ainda perdoar as penas afflictivas. pondo-lhes o sêllo da Repu- blica : 10.° Desta regra se exceptuam os crimes puramente militares. os altos empregados. contrahindo com elles todo o empenho ou negociação. e com particulares. consulta o Congresso. Politica.° A conservação da ordem e tranqüilidade do Esta- do lhe está especialmente commettida. con- forme as ordenanças recebidas. amizade e neutralidade com outros Estados. e actos do Congresso. e devolver a sentença ao tribunal. pôde suspender a sua execução.

° Dará ao Congresso ou sua Deputaçaõ. . instrucçoens e regulamentos até aqui observados. novos corpos ou divisoens. de palavra ou por escripto. se lhe commettem. que vierem ao serviço da Re- publica. publique- se. e exigir tudo o necessário para a manutenção da força ar- mada de mar e terra: Palácio do Congresso Nacional em Angostura. Secretario de Estado. SimaÕ Bolívar. sem- pre que sejam conducentes á pacificação do paiz occu- pado pelo inimigo. e particulares. por agora. Francisco Antônio Zea.—Palácio do Congresso Nacional. Mendez. 13.—O vogai Secretario Interino. a 18 de Fevereiro de 1819—9 o .—Pedro B. que julgue necessário nomear para o despacho. e em quanto a Legislatura naõ dis- puzer outra cousa. as de levantar novas tropas. debaixo dos pactos e condiçoens anteriores. daraõ ao Congresso. em 18 de Fevereiro de 1819—9 o . 17.° Pôde publicar indultos geraes. de 1819—. e inserte-se na gazeta desta Capital. admittir as estrangeiras. Communique-se ao Supremo poder Executivo. para que chegue â noticia de todos.° Despachará patentes de corso e represálias con- forme o direito das gentes. O Presidente. mas poderá reservar as que por entaõ naõ convier divulgar. as noticias e informaçoens. Diogo Bautista Urbaneja. que se lhes pedirem com a reserva j a expressada : l6.348 Politica. O Presidente Francisco Antônio Zea.° Por uma delegação especial das faculdades que saõ privativas do Corpo Legislativo. com tanto que naõ sejam con- trarias ás que d e r : 15. ou a terminar a guerra: 14. quantas informaçoens pedirem .9°.—Angostura Feve- reiro 21. Diogo BautistaUrba- neja. Guarde-se e cumpra-se. Angostura.° Os ministros Secretários. e durante as actuaes circumstancias da guerra.—O Vogai Secretario Interino.

tanto civis como militares e ecclesiasticas. 2. 9o. 2. a Interior e Justiça. 3. . Secretario de Estado. Por um decreto especial se regularão por menor as attribuiçoensde cada ministro. Secretario de Estado. Presidente da Republica de Venezuela.—Datado no Palácio do Governo em Angostura. M E N D E Z . o Senhor Coronel Pedro Brizeno Mendez. aos 25 de Fevereiro de 1819. 4. BOLÍVAR.—Do Interior e Justiça.—Pedro Brizeno Mendez. 3. decretei e decreto o seguinte:— l. Chefes e mais authoridades da Republica.o O Ministério fica dividido em tres repartiçoens. Desejando dar ao Ministério regulamentos e organiza- ção provisional. Seraõ Ministros—de Estado e Fazenda. &c. a saber. Publique-se. aos 27 de Fevereiro de 1819. Politica. em Angostura. P E D R O B. &c." Marinha e Guerra.—1. e referendado pelo Secretario de Estado. e circule-se. Simaõ Bolívar.» Estado e Fazenda. que tenham entendido e façam entender aos habitantes de suas respectivas juris- dicçoens o regulamento inserido. Simaõ Bolívar. Dado e assignado de minha maõ. &c. Cada uma destas tres repartiçoens estará debaixo da direcçaõ de um Ministro Secretario.—de Marinha e Guerra. para que che- gue â noticia de todos. 349 Portanto mando âos Governadores de Provincia. imprima-se. o Honoravel Senhor Manuel Palácio. o Honoravel Senhor Diogo Bautista Urbaneja.

em sua ausência. tanto de officio como particulares. Ha assumptos. E. como emanadas immediatamente do Supremo Poder Execu- tivo. do Vice-Presidente. sobre qualquer assumpto que sejam. que a com- munica. devem dirigir- se para todo o gênero de assumptos. Excellentissimo Senhor! O Senhor Presidente da Republica houve por bem expedir o decreto sobre a organização provisional do Ministério e nomeação dos Ministros encarre- gados de suas tres Repartiçoens. e outros.—publi- car immediatamente. resolvem por si mesmos. em qualquer classe. pretençoens. e circular em todos os povos de sua jurisdicçaõ (ou corpos de seu mando). solici- taçoens e negócios. Circular de S. o Senhor Vice-Presidente da Republica. em que a resolu- ção he privativa do Presidente. e á sua firma se dará a mesma fé e cre- dito. e. manifes- tando-lhes. em que se achem. Naõ tocando ao publico. que todos os cidadãos. a todas as Authoridades Civis. no qual caso fica assignada no registro do Gabinete. em que os Ministros. nem a authoridade al- guma fazer esta distincçaÕ. aos ministros respectivos. que saÕ o orgaõ de communi- caçaõ com o Governo. Faça-o V. e se refere a ella o Ministro. Organizado ja o Ministério. se acautela como regra geral. que toda a ordem ministerial deve ser obedecida e exe- cutada. que por meio delles expressa as suas resoluçoens. o Presidente da Re- publica só assignarâ os Decretos.350 Politica. dirigindo- Iheso Decreto anterior. e Militares. emprego ou dignidade. Os Ministros conhecem as suas attribuiçoens . irão assignadas pelo Ministro da Repartição a que pertencem. e a cujas ordens e disposiçoens se deve dar o mais punctual e exacto cumprimento. Todas as ordens e disposiçoens. que â do Presidente do Estado. Títulos e Patentes. cada um em seu ramo.

Saõ as Primeiras dignida- des na ordem governativa. para a direcçaõ de todas as suas solicitaçoens. se elegerão somente tres. nos casos necessários. Só o Ministro da Marinha e da Guerra sairá delia. 351 e deveres. que resida na Capi- tal. e as qualidades de vi- . He da sua obrigação dar curso aos negócios e solicita- çoens. e. e nos demais tribunaes establecidos. muitos annos. Politica. Pelo decreto de attribuiçoens.—9. e o Soberano Congresso Nacional exige delles uma enorme responsabilidade. 3. para o estabelecimento do Po- der Judicial. a cargo de um Official Maior. prefixa pela ley. Os ministros devem considerar-se como os braços do Supremo Poder Executivo.° FRANCISCO A N T Ô N I O Z E A . fará as funcçoens de Ministro. A residência fixa dos Ministros he na capital do Es- tado.° A Suprema Corte de Justiça se comporá de cinco Membros. se instruirá o publico de quanto deve saber. Deus guarde a V. por falta de Advogados recebidos na Republica. 2.° Teraõ de idade trinta annos. porém sempre a Secretaria permanecerá na Capital. a 2 de Março de 1819. ou que se es- tabelecerem no território da Republica. em Angostura. aonde quer que se ache. que brevemente se ex- pedirá. accompanhando o Presidente quando tiver de marchar para a campanha. que. Ao Senhor! •• Regulamento provisório. por agora.o O Poder Judicial da Republica estará depositado em uma Corte Suprema de Justiça.- l. Palácio do Governo. cuja determinação esteja reservada ao Presidente.

.° Conhecerão em primeira instância de todos os casos chamados de Corte: dos concernentes a Enviados.0 Haverá um Procurador Geral da Republica. na ordem judicial. zinhos. 6. para que requeira e mantenha a observân- cia das leys.352 Politica. que se interpuzérem dos outros tribunaes.° Naõ será executiva nenhuma sentença dos julga- dos subalternos. com noticia do Excellentisimo Senhor Presidente do Estado: das competências suscitadas. assim como no modo de conhecer e proceder. probidade. se conformarão ás leys. con- forme o artigo 5. e das controvérsias resultantes dos tractados e negocia- çoens. IO.° Fundarão as suas sentenças com expressão da ley applicada ao caso. 11. que contenha pena corporal afilictiva. que faça o mesmo Poder Executivo. ou de outros Advogados. Mi- nistros.° das attribuiçoens do Poder Executivo. conforme o Art. 7-° Em segunda instância conhecerão de todos os recursos. conceito. 8. que se autuarem contra algum de seus Membros. Cônsules e Agentes Diplomáticos. 4. e que sejam Advogados re- cebidos na Republica. ou que se suscitarem entre os demais tribunaes. de suas attribuiçoens.0 Podem ser eleitos dos Membros do Congresso. 9.° No julgar e sentenciar. depois que tiverem sido destituídos pelo Congresso ou seus Delegados. 12. sem que preceda a sua approvaçaõ ou confirmação. in- clusos os de força e protecçaÕ: 8.° Conhecerão também em gráo de supplica. que seja Letrado. das causas criminaes.0 Exercitarão os seus empregos até que se faça a nomeação Constitucional. que naõ estiverem revogadas. nos casos em que este recurso for admissível. 5.

e o despacho de seus títulos. 14°. N*\ 137.° Usará do sêllo da Republica.—O Deputado Secretario. sugeitos a este prévio requisito. nos despachos. que.° Nomearão os dependentes ou officiaes necessá- rios para o despacho. Diogo de Vallenilla. Palácio do Congresso Nacional. em Angostura.— He copia.°—O Presidente. no Acto de sua installaçao. Senhor! Ditoso o cidadão. 26 de Fevereiro de 1819—9. 16. Discurso pronunciado pelo General Bolívar ao Congresso Geral de Venezuela. 353 13. Palácio do Congresso Nacional. pois. tem convocado a Soberania Nacional. Diogo de Valle- nilla. e mais Curiaes. XXIII. Transmittindo aos Representantes do Povo o poder VOL. Eu. ja que tenho tido a honra de reunir os Representantes do Povo de Venezuela neste augusto Congresso. para o seu regimen interior. Politica. zz .° Ao Poder judicial conresponde o exame e appro- vaçaõ dos Advogados. Formarão um regulamento econômico. para que exercite a sua vontade absoluta. deposito da vontade soberana. com a prevenção de recorrer ao Poder Executivo para o passe. 15. em Angostura.—O Deputado Secretario. fonte da authori- dade legitima. e arbitro do destino da Naçaõ. em 25 de Fevereiro de 1819—9. me conto entre os mais favorecidos da Divina Providencia. debaixo do escudo das armas de seu mando. Francisco An- tônio Zea. que exijam esta formalidade.°—Passe ao Supremo Poder Judicial —Zea.

e prudência. assim como da responsabilidade illimitada. nem uma guerra popular. que se me havia confiado. Quando cumpro com este doce dever. nem uma guerra sanguinolenta. que podem affli- gir um corpo social. Forças irresistíveis tem dirigido a marcha de nossos successos.354 Politica. me liberto da immensa authoridade. e o dominio estrangeiro: observai os primeiros actos do Governo Republicano. restituindo-vos esta authoridade. Attribuillos a mim naõ seria justo. da America e de Venezuela. A epoca da Republica. que me op- primla. que naõ mereço. e um homem como e u . ^ Quereis conhecer os authores dos accontecimentos passados e da ordem actual ? Consultai os annaes da Hespanha. e seria dar-me uma importância. o regimen dos antigos mandatários. que com tanto risco. preencho os votos do meu coração. que me arrebatava como uma dé- bil palha. i que diques poderia oppôr ao ímpeto destas devastaçoens ? N o meio deste pelago de angustias naõ tenho sido mais que um vil brinco do fu- racão revolucionário. Naõ tenho podido fazer nem bem nem mal. em que tenho presidido. a ferocidade de nossos . e os de nossas futuras geraçoens. o desenfreamento de todos os elementos desorganizado- res: tem sido a innundaçaõ de uma torrente infernal. rectidaõ. tem sido. naõ tem sido uma mera tempestade politica. Examinai as leys das índias. Somente uma necessidade forçosa. sim. Porém ja res- piro. unida â vontade imperiosa do Povo. no meio das tribulaçoens mais horrorosas. difliculdade e pena tenho alcançado manter. os de meus concidadãos. supremo. a influencia da re- ligião. me teria submettido ao terrível e perigoso encargo de Dictador Chefe Supremo da Republica. que tudo esperam de vossa sabedoria. Um homem. que pezava sobre minhas débeis forças. que tem submergido a terra de Venezuela.

Vosso he agora o augusto dever de consagrar-vos à felicidade da Republica: em vossas maõs está a balança de vossos destinos. o meu comportamento. terei alcançado o sublime titulo de bom cidadão. que em todas as epochas tem mostrado valor para arrostrar os perigos. capa- zes de dirigílla: talentos. Se mereço a vossa approvaçaõ. 355 inimigos. . Estes illustres varoens merceraõ sem duvida. a medida de vossa gloria: ellas sellaraõ os decretos. que me deo Cundinamarca. preferível para mim ao de Libertador. Servirei com tudo na carrei- ra das armas. que tam cordeal e sinceramente acabo de renunciar para sempre. que me deo Venezuela. Uma multidão de filhos beneméritos tem a pátria. experiência. e quanto se requer para governar homens livres. e aos que o mundo interio pôde dar-me. todas as minhas acçoens publicas e particulares estaõ sug-eitas ã censura do povo. nada ajunctarei para a escusar: ja disse quanto pôde fazer a minha apologia. os suffragios. apenas se me pode suppor semples instrumento dos grandes moveis. ao de Pacificador.—Representantes! vós deveis julgálas. e o character nacional. e em fim a arte de governar-se e governar a outros. em quanto houver inimigos em Venezuela. Neste momento o Chefe supremo da Republica naõ he mais do que um simples cidadão. saõ o patrimônio de muitos dos que aqui representam o povo. que fixem a nossa liberdade. virtudes. e fora deste Soberano Corpo se encontram cidadãos. Legisladores! Eu deposito em vossas maõs o comman- do supremo de Venezuela. a minha vida. e a elles se encar- regará o Governo. Politica. Eu submêtto a historia do meu commando á vossa decisão imparcial. Naõ me pergunteis sobre os effeitos destes trantornos para sempre lamentá- veis. e tal quer ficar até á morte. do Congresso. Sem embargo. que tem obrado sobre Venezuela. prudência para os evitar.

posso aspirar á gloria de ser con- tado entre os seus mais fieis amantes : permittí-me. Sei mui bem que a vossa Sabe- doria naõ tem necessidade de conselhos. que exponha. Um zelo justo he a garantia da liberdade Republicana. a minha respeituosa opinião neste projecto de constituição. Senhor. que tomo a liberdade de vos ofíerecer. e nossos cidadãos devem temer com demasiada justiça. do que o effeito de uma leviandade presumpsosa. talvez o grito de um cidadão pôde advertir a presença de um perigo encuberto ou es- condido. As repetidas eleiçoens saõ essenciaes nos systemas populares. que mais he o tributo de minha sincera submis- são ao Congresso. at- trevo-me a crer. e sei também que o meu projecto talvez vos parecerá errôneo. em testemunha da sinceridade e da candura dos meus sentimentos. ou im- practicavel. A continuação da authoridade em um mesmo indi- viduo. que. Como se tracta da salvação de todos. acetai com benignidade este trabalho. que o mesmo magistrado. O povo se accustuma a obedecer-lhe. o poder em um e o mesmo cidadão. sendo das vossas func- çoens a creaçaõ de um corpo político. e elle se accustuma a governállo d'onde se origina a usurpaçaõ e a tyrannia.356 Politica. pois. Se- nhor. por longo tempo. tem sido freqüentemente o termo dos Governos Democráticos. e até se poderia dizer a creaçaõ de uma sociedade inteira. Porém. porque nada lie tam perigoso. que os tem governado por muito tempo. Por outra parte. que tenho direito para ser ouvido pelos Representantes do Povo. com a franqueza de um verdadeiro Republicano. Ja. como deixar permanecer. rodeada de todos os inconvenientes. que apresenta uma situação a mais singular e difficil. por este acto de minha adhesaõ á liber- dade de Venezuella. . os governe perpe- tuamente.

naõ somente se nos tinha roubado a li- berdade. N o regimen absoluto. Elles estaõ encarregados das funcçoens civis. encontrou-se similhante ao Império Romano. A vontade do déspota he a ley suprema. naõ somos índios. quando aquella enorme massa calo dispersa. porém em fim saõ Persas os Satrapas da Pérsia. 357 Dando uma vista d' olhos pelo passado. A China naõ manda buscar mandarins ao berço de Gengis- . Americanos por nascimento. Desprendendo-se a America da Monarchia Hespanhola. militares e religiosas. mas sim uma espécie media entre os Abo- rigines e os Hespanhoes. saõ Tartaros os Sultoens da Tartaria. executada arbitrariamente pelos subalternos. Politica. que nos vio nascer. Per- mitta-se-me explicar este paradoxo. se naõ também a tyrannia activa domestica. que partici- pam da oppressao organizada. e de manter-nos no paiz. ha nisto alguma cousa mais : a nossa sorte tem sido sempre puramente passiva. Cada desmembraçaõ formou entaõ uma Na- çaõ independente. o poder authorizado naõ ad- mitte limites. achamo-nos no conflicto de dispu- tar aos naturaes os títulos de possessão. politicas. e Europeos por direitos. quan- to estávamos collocados em um grão inferior ao da ser- vidão. Com tudo. no meio do antigo mundo. e nos achamos em tanta mais difliculdade para alcançar a liberdade. porém com a differença de que aquelles mem- bros tornavam a restabelecer as suas primeiras associa- çoens. conforme â sua instituição ou seus in- teresses. contra a opposiçaõ dos in- vasores : assim o nosso caso he o mais extraordinário e complicado. Nós nem se quer conservamos os vestígios do que fomos em outro tempo : naõ somos Europeos. veremos qual he ábaze da Republica de Venezuela. saõ Turcos os Baxás do Gram Senhor. porque. a nossa existência politica tem sido sempre nulla. em razaõ da authoridade de que gozam.

e dando em todos os escolhos naõ pôde rectificar seus passos. naõ temos podido adquirir. que inspira o brilhantíssimo do poder aos olhos da multi- dão. saõ os mais destrücto- res. econômicos. as liçoens que temos recebido. que. que temos estudado. e mais pelo vicio do que pela superstição se nos tem degraduado. au- zentes do universo. a intriga abusam da creduli- dade e da inexperiência dos homens. instigado pelos sentimentos de suas for- ças. Direi. Jungido o povo Americano ao triple j u g o da ignorân- cia. Pelo contrario a America. Discípulos de tam perniciosos mestres. alheios de to- dos os conhecimentos politicos. porque em vaõ se esforçarão a mostrar-lhe. U m povo pervertido se alcança a sua liberdade. rece- bia tudo da Hespanha. kan que a conquistou. nem virtude. a traição pelo pa- triotismo. estávamos abstraídos. Similhante a um ro- busto cego. da tyrannia e do vicio. e que he de tanta importância nas grandes revolu- çoens. que a felicidade consiste na practica da vir- . nem poder. Esta abnegação nos tinha posto na impossibilidade de conhecer o curso dos negócios pú- blicos : tam pouco gozávamos da consideração pessoal. ou civis. em tudo quanto éra relativo á Scien- cia do governo. um povo ignorante he um instrumento cego de sua pró- pria destruição: a ambição. a vingança pela justiça.358 Politica. marcha com a segurança do homem mais perspicaz. por uma vez. e os exemplos. A escravidão he a filha das trevas. que realmente a tinha privado do gozo e exercicio da tyrannia activa: naõ permittindo as suas funcçoens em nossos assumptos domésticos e admi- nistração interior. nem saber. mui de- pressa torna a perdêlla. tomam a licencia pela liberdade. Tem-se-nos dominado mais pelo enganho do que pela força. adoptam como realidades o que saõ puras illusoens.

he um alimento succulento. para a felicidade do povo. que poderá elevar-se á grandeza. mas todos para os opprimir. Assim. repito. que a na- tureza lhe tem assignalado. Legis- ladores. Nossos débeis concidadãos teraõ de dar robustez a seu espirito. e contemplareis afflictos. porém de dif- ficil digestão. Entorpecidos seus membros pelas cadêas. porque saõ mais inflexíveis. muito antes que alcancem digirir o saudável nutrimento da liberdade. Legisladores. Observareis muitos systemas de manejar os homens. A liberdade. que deve inspirar-vos o acerto ao escolher a na- tureza e a forma do Governo. e tudo deve sub- metter-se a seu benéfico rigor: que os bons custumes. a vossa empreza he tanto mais improba. Os annaes dos tempos passados vos apresentarão mi- lhares de governos. que ides a adoptar. Se a vossa eleição naõ está presidida pelo gênio tutelar de Vene- zuella. quan- to tendes que constituir a homens pervertidos pelas il- lusoens do erro. e por incentivos nocivos. e anniquilados pelas pestilencias servis. que o espera. e ainda he. debilitada sua vista com as som- bras das masmorras. victima de seus Governos. Politica. se vós proporcionaes a sua baze á eminente graduação. se naõ acertais. e naõ a força. que quasi toda a terra tem sido. saõ as columnas das leys: que o exerci- cio da justiça h e o exercicio da liberdade. 359 t u d e : que o império das leys he mais poderoso que o dos tyrannos. que tem brilhado sobre a terra. a escravi- dão será o termo de nossa transformação. i SeraÕ capazes de marchar com passos firmes para o Augusto templo da liberdade? Seraõ capazes de admirar de perto seus esplendidos rayos. e respirar sem oppresaõ oéther puro que ali reyna? Meditai bem. a vossa -eleição. e se o custume de . diz Rousseau. Trazei á imaginação as naçoens. N a õ vos esqueçais de que ides a lançar os fundamentos a um po- vo nascente.

por séculos e séculos? . pasmaríamos de ver a nossa dócil espécie apascentar- se na superfície do globo. que mais custa manter o equilíbrio da liberdade. como vis rebanhos destinados a alimentar seus cruéis conduetores. que a maior parte dos homens tem por verdadeira aquella humilhante máxima. dictadas por sua própria vontade.360 Politica. os mais sagrados! Muitas naçoens antigas e modernas tem sacudido a oppressao. na verdade. nos dota. Oxalá que esta máxima. seja priguiça. debaixo da tutella das leys. porém saõ rarissimas as que tem sabido gozar de alguns preciosos momentos da liberdade: mui depressa tem tornado a cair em seus antigos vicios poli- ticos. no meu conceito. A o contemplálla neste estado de prostituição. a respeito de seus direitos. porque saõ os povos e naõ os Governos os que arrastram a poz de si a tyrannia O habito da dominação os faz insensíveis aos encantos da honra e da prosperidade nacional. seja propensão inherente á humanidade. do que supportar o pezo da tyrannia. porem < qual he o governo de- mocrático. Só a democracia. que tem reunido. ao mesmo tempo. e permanência. olhar para o gênero humano. he susceptível de uma liberdade absoluta. fosse falsa! Oxalá. poder. do incentivo da liberdade. conduzido por pastores dos povos. pelo contrario.«j E naõ se tem visto. naõ diminuísse o horror de tam tocante expectacu- lo. ainda que ligada com os laços que lhe impõem. e monarchia consolidarem grandes e poderosos Impérios. mas. ao nascer. Os factos do Universo proclamam é6ta espantosa verdade. parece que temos razaõ para persuadir-nos. o certo he que ella descança tranquilla. contraria à moral da natureza. prosperidade. A natureza. e olham com indolência para a gloria de viver no movimento da liberdade. que esta máxima naõ estivesse sanecionada pela indolência dos homens.*. a aristocracia.

e de nossas leys. tem recobrado a sua independência. proscreveo a monarchia. com characteres indeléveis. Necessito recolher todas as minhas forças. que se naÕ podem conter no peito de um amante da pátria. a magestade do povo. a liberdade de obrar. o supremo bem que encerra em si este Código immortal de nossos direitos. ao separar-se Venezuela da naçaõ Hes- panhola. A Pezar de tam cruéis reflexoens. para sentir com toda a vehemencia. de que sou susceptível. á de Veneza? ^ O Império Romano naõ conquistou a t e r r a ? ^ N a õ tem a França quatorze séculos de monarchia? i Quem he mais grande do que a Inglaterra ? Estas na- çoens. sinto-me arrebata- do de prazer. Con- stituindo-se em uma Republica Democrática. a sua liber- dade. 137. a nobreza. de pensar. os privilégios. O primeiro Congresso de Venezuela tem estampado nos annaes da nossa legislação. N«. 3A . declarou os direitos do homem. animada do mais justo. de fallar. e aspiran- do ao mais perfeito. e de escrever. Q_ue Re- publica tem excedido em duração â de Sparta. Politca. mais capaz de formar a dita de uma na- çaõ. Porém ^ como ousarei dizêllo? ^attrever-me-hei eu a profanar com a minha censura as ta- boas sagradas de nossas leys ? H a sentimentos. 361 •J Que governo he mais antigo que o da China ? <. Amando o mais útil. a sua soberania nacional. ao entrar em sua nobre carreira. Estes actos eminentemente liberaes jamais seraõ de masiada- mente admirados pela pureza que os tem dictado. e a pezar V O L . as distincçoens. ao cellar o acto social. sem embargo. pelos grandes passos que tem dado a nossa República. X X I I I . dignamente expressada. os foros. a sua igualdade. tem sido ou saõ Aristocracias ou Monarchias. elles trasbordam agitados por sua própria violência.

e naõ se transtorne ao prospecto do primeiro embaraço ou perigo. e em que ha demasiada audácia. .362 Politica. Estou penetrado da idéa de que o Governo de Venezuela deve reformar-se. E segundo o meu modo de ver he um prodígio. he um prodígio. que nem remotamente tem entrado na minha idea assimilhar a situação e natureza de dous Estados tam distinctos como o Inglez-Americano . tanto mais me persuado da impos- sibilidade de sua applicaçaõ a nosso Estado. em circumstancias tam difficeis e delicadas como as passadas. do mesmo que os abriga. ^ Naõ diz o Espi- rito das Leys. Esta consideração me insta a tomar a iniciativa. e se alimenta de pura liberdade:— direi tudo. para quem se fazem? <*que he uma grande casualidade. que um systema tam débil e complicado como o Federal. . repito. tenha podido regêllo. naõ obstante que a liberdade tem sido o seu o berço. Quanto mais admiro a excellencia da Constituição Federal de Venezuela. devo dizer. em dar pareceres aos Conselheiros do povo. civil e religiosa de Inglaterra? Pois ainda he mais difficil adaptar em Vene- zuela as leys da America do Norte. A pezar de que aquelle povo he um modelo singular de virtudes politicas e de illustraçaõ moral. nem todos tem o arrojo necessário. seja o que for deste Governo a respeito da Naçaõ Americana. que o seu modelo na America Septentrional subsista tam prosperamente. em um assumpto da maior gravidade. se tem creado na liberdade. e o America- no-Hespanhol. Porém. Naõ seria mui difficil applicar á Hes- panha o código da liberdade politica. este povo he único na hitoria do gênero humano. ainda. sob muitos respeitos. para professar publicamente a adopçaÕ de novos principios. e ainda que muitos il- lustres cidadãos pensam como eu. uma força emperiosa os com- munica.. que estas devem ser próprias ao povo.

participa de alguns dos attributos do Poder Executivo. constante. e um Governo. á qualidade do terreno. a suas riquezas. O Con- gresso de Venezuela. e de responsabilidade individual. á sua extençaõ. deferlo essencialmente da Americana em um ponto cardeal. que a Constituição lhe attribue. a seu commercio. de responsabilidade im- mediata. á religião dos habitantes. de vida continua. á sua situação. e ao gênero de vida dos povos? preferir-se ao gráo de liberdade. 363 que as de uma naçaõ possam convir a outra? <. do que a de um poder dissemina- do entre vários indivíduos. de unidade de continuação. e aos effeitos benéficos de sua administra- ção.que as leys devem ser relativas ao phrisico do paiz. está privado de acçaõ momentânea. sugeito por conseqüência aos in- convenientes de fazer periódica a existência do Governo. e he indubitavel que a sua administração deve ser mais uniforme. cujo composto naõ pôde ser menos que monstruoso. que a Constituição pôde soffrer. e ver- dadeiramente própria. a suas maneiras? ^Heis aqui o código. a seus custumas. ao clima. se se attende á correcçaõ dos principios. nós subdividimos este poder. Politica. naõ obstante ter tomado as suas bazes da mais perfeita. e naõ o de "Washington!!! A Constituição Venezuelana. a suas inclinaçoens. que devíamos consultar. O nosso triumvirato carece. que naõ possue quanto consti- tue a sua moralidade. para assim dizer. de uniformidade real. deve chamar-se nullo. havendo-o commettido a um corpo collectivo. A demais. Ainda que as faculdades do Presidente dos Estados- Unidos estaõ limitadas com restricçoens excessivas. de a suspender e dissolver. exerce por si só todas as funcçoens governativas. 0 poder judiciário em Vene- . como o Americano. sempre que se separam seus membros. e sem duvida he o mais importante.

este magnífico systema federativo. ao mesmo tempo.*Quem pode resistir ao império de um Governo bem feitor. por mais lisongeiro que pareça. O primeiro Congresso. dá a morte quando vem súbito. que as bençaõs. todos os seus recursos á perfeição social. e effectiva- mente seja. saõ devidas ex- clusivamente á forma de Governo.364 Política. pensando. em sua Constituição Federal. Indefinito em dura- ção. seduzidos pelo deslu- brante brilhantismo da felicidade do povo Americano. e em todas as partes. ao sair das cadêas. com uma maõ hábil. naõ he dado aos Venezuelanos o gozar delle repentinamente. para que naõ fosse seguido. Naõ estávamos preparados para tanto bem: o bem. que inspira um Governo intelligente. os direitos par- ticulares aos direitos geraes. do que a idea solida de formar uma Republica indivisível e central. que he o único fim das instituiçoens humanas? Com tudo. da independência. éra de- masiado lisongeiro. . e naõ ao character e custumes dos cidadãos. o exemplo dos Estados-Unidos por sua peregrina prosperidade. que forma da vontade commum a ley suprema da vontade individual? . que lhe corresponde. A nossa constituição moral naõ tinha ainda a consistência necessária para receber o beneficio de um Governo completamente representativo. assim como o mal. Aqui cederam os nossos legisladores ao empenho incon- siderado daquelles provincianos. d Quem pôde resistir ao attractivo victorioso do pleno e absoluto gozo da soberania.* Quem pôde resistir ao amor. activa e poderosa. Com effeito. e excessivo. mais consultou o espirito das provincias. temporal e naõ vitalício. de que goza. goza de toda a independên- cia. dirige sempre. que liga. e da liberdade? . zuela he similhante ao Americano. que.

de leys e de custumes. A vós pertence o corrigir a obra de nossos pri- meiros legisladores: queria eu dizer. e todos differem visivelmente na epi- derme: esta dissimilhança trás um effeito da maior transcendência. O li- vro dos Apóstolos. o Europeo se tem mixturado com o Americano e com o Africano. que pôde ser de uma importância vital. pois até a mesma Hespanha deixa de ser Europea por seu sangue Africano. Tenhamos presente. Politica. ou supprimir. a que familia humana pertencemos. que he antes um composto da África e da America do que uma emanação da Europa. Nascidos todos do seio de uma mesma mãy. 365 e tam sublime como o que podia ser adaptado a uma republica de sanctos. tam sublime. Os cidadãos de Venezuela gozam todos pela Consti- . tam sancta. He impossivel assignar. a moral de Jezus. a obra Divina. A maior parte do indíge- no se tem anníhilado. saõ estrangeiros. quanto vos pareça digno de ser con- conservado. Representantes do povo!—Sois chamados para consa- grar. e a Ásia inteira arderia em vivas chamas. nossos pays differentes em origem e em sangue. que o nosso povo naõ he o Europeo. que nos enviou a Providencia para melhorar os homeus. Seja-me permittido chamar a attençaõ do Congresso para uma matéria. nem todos os olhos saÕ capazes de supportar a luz celestial da perfeição. ou regeitado no nosso pacto social. com propriedade. porque nem todos os coraçoens estaõ forma- dos para amar a todas a belezas. he um dilúvio de fogo em Con- stantinopla. nem o Americano de Norte. que á vós toca cu- brir uma parte das bellezas. reformado. que contém o nosso código político. e estes se tem mixturado com o Europeo. se este livro de paz se lhe impuzesse repentinamente por código de religião. por suas instituiçoens e por seu cha- racter.

como tam- bém o está. as artes. alhanando as difficuldades. que o principio fundamental do nosso systema depende immediata e exclusivamente da igualdade esta- belecida e practicada em Venezuela. que o menor tropeço ou transtorno o arruina. e nem todos o saõ. está sanccionado pela pluralidade dos sábios. tuiçaõ. a industria. para que a educação. A s leys corrigem esta dif- ferença . tempera- mento. que se observa. de- veríamos nós consagrallo. em que a difliculdade s* multiplicava. porque collocam o individuo em sociedade. He uma inspiração eminentemente benéfica. cumpramos agora com a politica. A diversidade de origem requer um pulso infinitamente . em França e na America.366 Politica. Daqui vem a distincçaÕ effectiva. e ódios se tem evitado? Tendo ja cumprido com a justiça. todos devem ser valorosos. Que os homens nascem todos com direitos iguaes aos bens da sociedade. lhe dem uma igualdade fictícia. pois todos devem practicar a virtude. queoppòemum systema tam débil. em razaõ da pro- pagação da espécie. entre os indi- viduos da sociedade mais liberalmente estabelecida. rivalidades. e nem todos os possuem. os serviços. a reunião de todas as classes em um Estado. forças e characteres. e naõ todos a practi- ticam. ^ Quanto zelos. Legisladores. Por este só passo se tem arrancado pela raiz a cruel discórdia. que. propriamente cha- mada politica e social. de uma perfeita igual- dade politica. interprete da natureza. para corrigir a differença que apparentemente existe. as vir- tudes. Se o principio da igualdade politica he geralmente reconhe- cido. nem todos os homens nascem igual- mente aptos para obterem todas as graduaçoens. naõ o he menos o da desigualdade physica e moral: a natureza faz aos homens desiguaes em gênio. a minha oppi- niaõ he. todos devem possuir talentos. Quando esta igualdade naõ tivesse sido um dogma em Atlienas. com a sociedade. com a humanidade.

as opinioens politicas e os custumes públicos. estendendo a vista pelo vasto campo. a divisão dos poderes. dizia Homero. he. que nos da o exemplo mais brilhante de uma demo- cracia absoluta. que a segurança e a estabilidade eter- nizarão esta fortuua. que devemos evitar. Pelas leys. cujo complicado artificio se des- loca. que a fe- licidade seja o dote de Venezuela: e pelos vossos deve- mos lisongear-nos. A vós toca resolver o problema. e deve ser o de Venezuela: as bazes devem ser a Soberania do povo. tem purifídado o ar que respiramos. Nossas maõs j a estaõ livres. Necessitamos da igualdade para refundir. a liberdade civil. fixemos a attençaõ sobre os perigos. que nos falta a decorrer. e a maior somma de estabilidade politica. um tacto infinitamente delicado para manejar esta sociedade heterogênea. antes que cheguemos a annihilállas : o contagio do despotismo tem impregnado a nossa atmosphera. Logo. que dictou o primeiro Congresso. que os restos de nossos antigos ferros naõ se mudem em armas liberticidas ? As relíquias da domi- nação Hespanhola permanecerão muito tempo. perde a metade de seu espirito. podemos fazer a obra maravilho- sa de evitar. nem o especifico de nossas saudáveis leys. O systema de Governo mais perfeito he aquelle. Sirva- nos a historia de guia nesta carreira. depois de ter rompido todos os entrâvez de nossa antiga oppressao. e dissolve com a mais leve alteração. Um Governo Republicano tem sido. e com tudo os nossos coraçoens padecem as do- enças da servidão. temos direito a esperar. se divide. e nem o fogo. nem a guerra. Politica 367 firme. i Como. e logo a mesma Athenas nos offerece o ex- . em um todo. abolição da Monarchia e dos privilégios. proscripçaõ da escravidão. a espécie dos homens. digamóllo assim. O homem ao perder a liberdade. Athenas he a primei- ra. que produz a maior somma de segurança social.

porque só brilha com relâmpagos de liberdade. 2 o . emplo mais triste da extrema debilidade desta espécie de Governo. Quanto ao N°. na conformidade do plano apresentado para a matença e execução dos decre- tos que se haõ de adoptar. e das medidas necessárias em conseqüência do A rt. e lhe tem ensinado. Reconheçamos pois que Solon tem desenganado o m u n d o . em conseqüência de deliberaçoens ulterioresque se contemplam. e soffreo a humiliaçaõ de reconhecer a insufficiencia da Democracia absoluta. Resolução da Dieta Germânica. para reger nenhuma espécie de sociedade. os Estados da Confederação publicarão. morigerada e limitada. Até que se possa fazer um regulamento difinitivo de execução. em conseqüência das proposiçoens do Ministro de Áustria. se concordou em um regulamento provisional. nem ainda a mais culta. para a segu- rança interna da Coufederaçaõ. 2 o . Pelo que respeita o N°. e para a matença da Uniaõ Federal. Relativamente ao N°. papeis periódicos e folhe- . a sua declaração sobre a própria interpretação e explicação do Artigo 13 do Acto Federal.—Para a necessária superin- tendência das obras impressas. no sentido do prin- cipio monarchico. O mais sábio legislador da Grécia naõ vio con- servar a sua Republica dez annos. do Acto Federal. 4 o . ALEMANHA. Coutinuar-se-ha. quam di- fficil he dirigir por simples leys aos homens. e para prevenir os abusos que saõ manifestos nos jornaes. I o .368 Politica.—Quando se abrir a sessaõ da Dieta.

Conde Von Goltz. Baraõ Are- tiu. 4. sobre matérias relativas á imprensa. 3°. que está adoptado. Baraõ Breckheim. e se nomeie pelos seguin- tes Governos. Todos os capítulos da Resolução acima. Baraõ Plessin. M. encarregada exclusivamente das ulteriores indagaçoens sobre as conspi raçoens revolu- cionárias descubertas em vários Estados da Confederação. Resolução da Dieta. Martens. e relatar à Dieta. a saber. e isto será feito em conseqüência do plano para uma ley. Conde Goltz. Baden. Áustria. Que os membros da Commissaõ para superintender as leys sobre a imprensa. I o . and M. e M. Que os membros da Commissaõ de inquirição fa- çam as suas sessoens em Mentz. Baviera. a que se haõ de re- ferir todas as queixas e relatórios sobre a execução das resoluçoens. Hanno- ver. 369 tos. Von Harmer. 2°. cada um segundo o seu theor. se introduzirá uma medida legislativa provisional. Conde Eyben. Se nomeará uma commissaõ cen- tral da parte da Confederação. XXIII.° Que os membros da Commissaõ. sobre a nomeação de Commissoens. No. nos cassos em que se requeira recurso a ella. seraõ presen- temente applicados e executados em todos os Estados da Confederação. Von Bergh. 5°. 137. nomeada para preparar as resoluçoens. Baraõ Assetin. 3B . Politica. segundo o plano apresentado a este respeito. VOL. Quanto ao N°. Que os membros da Commissaõ. e relatar sobre as applicaçoens á Commisaõ Central de Inquirição em Mentz. seraõ o Conde Buol-Schauenstein. Gram Ducado de Hesse e Nassau. Prussia. seraõ o Conde Buol Schauenstein. seraõ o Conde Buol-Schauestein.

está persuadido de que todos os membros da Con- federação participam com elle do desejo de que a Dieta. sobre que nenhum Gover- no pôde obrar directa e efficazmente. M. cujos symptomas ha j a algums annos se vám de dia em dia manifestando cada vez mais na Alemanha. Presi- dente da Dieta. tem conferido aos seus povos. dirija a sua particular attençaõ ao espirito de inquietação e fermentação. que esta assemblea examine seriamente as causas destas desordens. he verdade. Proposição do Ministro de S. e desarranjos pro- duzidos pelas circumstancias. Imperial Real Apostólica. e maduramente combi- nadas.370 Politica. antes de separar-se. ou se preparam para lhes conferir. debaixo da protecçaÕ da paz garantida solidamente à Europa. Imperial Real Apos- tólica. e os meios convenientes. em parte. a confiança no Governo. o contentamento e socego geral. S. O Ministro de S. e a tranquilla posse de todos os benefícios. mas também em parte estaõ connexas com os defeitos. ros embaraços momentâneos. deseja. existe. M. que indubitavelmente he possivel remediar. . para daqui em diante segurar a ordem publica. por medidas bem concertadas. conspi- raçoens criminosas. e atrozes actos de violência. cuja extirpaçaõ tam altamente reque- rem os Governos da Alemanha. que os Principes Alemaens. As fontes do mal. M. e que por fim se tem ma- nifestado abertamente em escriptos sediciosos. Presidente de Dieta Germânica. M. em crimes individuaes. S. tem recebido ordens da sua Corte. para fazer a seguinte communicaçaõ a esta assemblea. vicios e abusos positivos. o respeito ás leys. abrangendo mais de uma parte da Alemanha.

de que os membros da Confederação acharão nestes pro- jectos. tem sido exclusivamente guiado neste procedimento. I. M. S. e dos meios necessários para os esta- belecer. quanto ao Artigo 13 do Acto da Confederação. 2. aquelles princípios de justiça e moderação. o ministro de S. 4. chamados pela Uniaõ Federal a deveres.° A falta de definição exacta dos direitos e poderes da Dieta Federal. que neste ultimo respeito merecem a particular attençaõ da Dieta. nem o vivo e sincero interesse. M. que apparecem nos jornaes. 371 Entre os objectos.° Os dí feitos da educação publica nas escholas e uni- versidades.° Interpretação do Artigo 13. que nunca tem cessado de tomar. e particularmente os exces- sos. se podem olhar os se- guintes como mais urgentes. que tem constantemen- te sido a sua guia. M. e publicaçoens ephemeras. 2. cujo objecto se achará explica- do no decurso da presente proposição. e vantagens commums. N a esperança de que a Dieta se occupará immediata- mente com estes importantes objectos. se lisongea. esforços. Politica. Qando os augustos fundadores da Uniaõ Germânica. e que a gente bem disposta em todas as partes da Alemanha nem interpretarão mal os moti- vos por que S. 1. que existe. na . e para o estabelicimento de uma Commissaõ Central. Imperial teve ordem de apresentar vários planos de decretos a esta assemblea.° Os abusos da imprensa. na felicidade de cada um dos Estados. e nas observaçoens que os accompanham. e papeis periódicos. assim como medidas relativas aos pontos acima indicados.° A incerteza.

Foi em consideração deste estado das cousas. antigas instituiçoens. tem. éra necessariamente calculada a conduzir a uma igualmente sensivel differença na maneira de cumprir o Artigo 1 3 . e se o silencio até aqui guardado em tam importante matéria. nem (em periodo mais recente. nem por isso éra menos injusto desattender aos tam honrados motivos. isto he. membros da Confederação queriam ceder ao de- sejo. em todos os Estados confe- derados. como se naõ pôde disfarçar. ou que os tinham perdido em períodos an- teriores. e que para este fim se introduzio o Artigo 13 no acto da federa- ção. em ordem a dar a seus subditos um penhor de sua affeiçaõ e sua confiança. que as novas demarcaçoens terri- toriaes tendiam a augmentar. o temor de invadir os direitos de todos os Estados da Confederação.372 Politica. pondo debaixo de um mesmo Governo.e em outras par- tes. sobre o modelo dos antigos Estados de differentes paizes. naõ ignoravam que éra impossível fazer uniforme a execução daquelle artigo. resolveram manter. que impozeram este sileucio aos Principes e á Dieta. A differença na situação dos paizes. de determinar por um regulamento geral a forma e os poderes de Artigo 13. ou em todo ou em parte. alguns dos quaes tinham conservado suas. assembleas representativas. quando se estabeleceo a Dieta) os Principes. ou crear em toda a parte. epocha da regeneração politica da Alemanha. que nem os fundadores do presente systema da Alemanha. sido oceasiaõ de sérios inconvenientes á Alemanha. em regular seus negócios inter- . reestabelecer. paizes dissimilhantemente organizados e unindo territoros naõ acustumados aasembleas dos Es- tados a outros. differença. freqüentemente expressado na Dieta. ao mesmo tempo que outros ti- nham sido privados dellas pelos acontecimentos dos últi- mos annos. em que ellas tinham existido por longo tempo.

legalmente reconhecida. durante os últimos annos. para levantar duvidas (como agudamente se tem tentado) relativamente ã authoridade do Corpo Germânico. e que uma concatenaçaõ de circumstancias fataes tem feito que elles se afferrassem por tal maueira no espirito publico. He com tudo certo. contraria ao espirito e letra de seus arranjamentos. e dissolver assim o único laço. a que elles dam o maior valor. insistindo em uma maneira demasia- do rigorosa. sobre tal engano se fundassem pretençoens incompatíveis com o espirito dos Governos Monarchicos. Era também fácil de prever. mas todo o Acto Federal. que se houvesse de dar ao Artigo 13 interpretação alguma. na applicaçaõ do principio geral. talvez insuperáveis. aos direitos e poderes da Confedera- ção geral. que se conoeberia ou ad- mittiria um plano na Alemanha. 373 nos conforme a seus conhecimentos e necessidades. que o principio naõ equivoco de uma representa- ção dos Estados. e todos ao systema Europeo. Politica. que todos estes deploráveis erros se tem desenvolvido. . que com tudo (com a incon- sideravel excepçaõ de poucas cidades livres associadas na liga) devem formar os únicos elementos da Confede- caçaõ Germânica. ou que dali se deduzissem conseqüências para annu lar naõ somente o Artigo 13. e que. Com tudo. e de crear para alguns Governos embaraços e complicaçoens. para oppôr constitui- çoens particulares. Nunca podiam ter imagi- nado. se houvesse de confundir com princi- pios e formas democráticas . e fazer assim a existência da mesma Confederação absolutamente problemática. os fundadores da Confederação Germânica nunca podiam ter presumido. em todas as suas partes fundamen- taes. que une os Etados da Alemanha uns com outros.

374 Politica. adoptado por muitos membros de assembleas ja constituídas. ou determinados a lisongear illusoens populares. Taes saõ as causas. nas repartiçoens mais essenciaes de suas funcçoens. As razoens. até aqui tam nobremente celebrada pela solidez e profundidade no pensar. se a Alemanha naõ deve vir a ser preza da anarchia. ou cegos elles mesmos. deviam por fim ceder a mais poderosas considera- çoens. o mais depressa possivel. que até aqui tem determinado a Dieta a abster-se de toda a influencia directa na formação de sys- temas constitucionaes. O enthusiasmo por theo: ias chimericas. a Dieta he convidada a proclamar. que o verdadeiro sentido do Artigo 13 se tem quasi per- dido de vista. As mesmas causas tem opperado naõ menos. a má inten- dida ambição de transplantar para o chaõ da Alemanha muitas instituiçoens de paizes estrangeiros. e que os tem desencaminhado de tal modo. a respeito da natureza e limites de seu poder. para que se estabeleçam sobre alguma baze fixa e uni- versalmente reconhecida. que. oprimeiro de seus commums interesses he a organização de relaçoens constitucionaes no interior de cada um de seus Estados. que os Governos devem ter con- sideravelmente soffrido. naõ tem analogia com a nossa. a influencia dos escriptores. está no perigo de se destruir e annihilar a si mesma. cuja situação presente e historia antiga e moderna. de crises igualmente fataes aos direi- tos individuaes e â prosperidade publica. e . sobre o modo de ver e obrar. de dissensoens cruéis. tem produzido a vasta confusão de idéas e linguagem. com outras. nos differentes Estados da Confede- ração. o sentido authenti- codoActo Federal. Se aUniaõ Germânica naõ deve ser rompida. porque uma na- çaõ. talvez ainda mais penosas. pondo de parte theorias abstractas. Para alcançar este objecto. conjunctamente.

a respeito da execução do Artigo 13. por mais necessário que seja. em tudo quanto diz respeito á preservação directa e objectos essenciaes da Uniaõ. em ordem a evitar novas mas intelli- gencias. seja a primeira authoridade legislativa na Alemanha. Direito e poderes da Dieta Federativa. aonde aqui naõ tem estabelicimento fixado. 375 modelos estrangeiros: e consultando 6Ómente a historia. eao que lhe he inseparável. que estaõ agora pendentes em diversos Estados da Confederação naõ se levem a resultados incompatíveis com opinioens previamente expressadas na presente proposição. Segue-se. quando se referem â se- gurança externa ou interna do corpo da Uniaõ . E . o direito publico. e sobre tudo em conformidade com a mantença do principio monarchico (de que a Alemanha nunca se pôde separar impunemente) e com a uniaõ federativa. con- dição indispensável á sua independência e desanco. do Acto Federal. naõ he também menos desejável. que a declaração da Dieta promptamente apresen- tará. como se expressam no Artigo 2. á matença da ordem legalmente estabe- . ou com as desenvoluçoens ulterio- res. H e da natureza da Confederação Germannica. Politica. que as assembleas dos Estados se organizem sem mais demora. mesmo com du- plicada actividade. que a representa. que as delibera- çoens sobre está matéria. a inde- pendência e inviolabilidade de seus membros. e as antigas doutrinas do povo da Ale- manha para interpretar o dicto Acto de maneira applica- vel á presente situação de todos os Estados da Confede- deraçaõ. naquellas partes da Alemanha. e a facilitar um arranjamento geral e diffinitivo. 2. pois que os Decretos da Dieta. que a assemblea.

o traçar uma regra de execução. em si mesma. e sua execução naõ deve ser opposta por ne- nhuma legislação particular ou acto algum de poder lo- cal. a Dieta naõ deve estar privada dos meios sufficientes para executar das medidas. A attençaõ da Dieta e de todos os Governos Alemaens . A sua applicaçaõ positiva á eompleta defi- nição dos direitos e poderes da Dieta. do Acto federal. ainda que indubi- tavel. que devem oe- cupar a Dieta. e S. qualquer que seja o resultado destas delibera- çoens . que tem julgado próprias para ministrar uma regra provisional de execução. sobre a desen- voluçaõ das relaçoens creadas pelo acto Federal. que decorrer em quanto esta obra se naõ completa. he agora reconhecido por todos os lados. H e impossível conceber. e o seu ministro tem ordem de apre- sentar o plano á assemblea. Durante o intervallo. sem a vigorosa observância deste principio. está persuadido de que todos os Membros da Confede- ração concorrerão em reconhecer a urgente necessidade de tal procedimento. que diga exclusivamente respeito ao artigo 2. Portanto será um do primeiros objectos. 3 . se naõ se pu- zer á disposição desta assemblea o poder e os meios ne- necessarios para asseguar o effeito de suas decisoens.076 Politica. Estado da instrucçaõ publica e universidades. Mas. deve entrar em consideração no decurso das deliberaçoens. Jecidana Alemanha. eque as leys e decretos da Dieta seraõ iIlusórios. carece com tudo de baze firme. que a supremacia da authoridade legislativa. devem possuir em toda aparte força obrigatória. M. nem a estabilidade nem a exis- tência da confederação. e submêttello ás suas deli- beraçoens.

Arrebatadas pela tor- rente do século. porque a Alemanha he devedora a estas in- stituiçoens scientificas por grande parte de sua gloria. em mais de um respeito. que observadores illuminados tem visto e lamentado. e lhe tem dado uma direcçaõ arbitraria e freqüentemente perniciosa. que tem até aqui gozado entre as naçoens da Europa. he um dever de qne nenhum Governo illu- minado se pôde dispensar. M. e do espiritoem qüe seus illustres fundadores as creáram. hon- rosas. fomentando nelles aquelles sentimentos de afiei. porque na Alema- nha a tarefa de educar a mocidade paia o serviço publi- co se devolve unicamente ás univeisidades: depois. tem peculiar inte- resse os Governos da Alemanha. porque. N M 3 7 . e a cada parte individual da Alemanha. que eram destinados a oecupar no Estado. Mas nisto. sendo estas universidades os principaes pontos de reunião de todos os que faliam a lingua Alemaa.. A saudável direcçaõ da instrucçaõ pu- blica. encarregados ao seu cuida- do. e consequentemente pela elevada graduação. estas instituiçoens se tem desvi- ado do seu character primitivo. em cuja conser- vação S. XXIII. As universidades Alemaãs com algumas poucas. porá sempre o mais vivo interesse. 3c . Em vez de formar os estudantes. que preparam immediatamente a entrada da mocidade para a vida antiga. que. cu- ja preeminente importância tem tocado fortemente to- dos os espiritos. Em primeiro lugar. o mal assim como o bem que ellas produzem necessariamente se faz com- mum ao todo. ja naõ con- respondem â sua antiga reputação. e geralmente reconhecidas excepçoens. e tem extraordinária responsabilidade. Politica. VOL. particularmente naquelles estàbelicimentos. 377 tem ha muito tempo estado fixada no objecto acima. muitos professores acadêmicos tem mal ententido o objecto real das universidades. e finalmente. Ha ja muito tempo. para as situaçoens.

sua honravel anxiedade em respeitar a liberdade de instrucçaõ. O resulta- do desta falsa doutrina tem sido de tanto detrimento aos interesses do Estado como aos da geração vindoura. e muitos moços. sobre que des- cança a paz e segurança da Alemanha. em segurar a felicidade futura de seu povo. em quanto se naõ compromettia directamente a ordem publica. ao menos uma decidida aversão a tu- do quanto vem estabelecido em. pela benigna influencia da paz geral. ou por criminosa connivencia da parte dos professores. tem creado nesta o orgulho de uma perfeição imaginaria. e lhes tem inspirado. Mas presentemente.annos de guerra edesastres. sobre as bazes de um systema impracticavel. que foram ali mandados para apprender. e pelos auspícios de Prín- cipes sincera e activamente empenhados. tem saido da- quellas mesmas universidades. em que antigamente com tanta honra serviram a causa do seu paiz e da humanidade. porque. se tem constituído mestres e reformado- res de seu paiz. as mais nobres faculdades da mocidade se tem pervertido em favor de extravagantes projectos e em- prezas. contra os principios. os tem impedido de se oppòr aos progressos do mal com remédios efficazes.378 Politica. des- prezo por toda a doutrina positiva. Esta perigoza mudança naõ escapou a observação dos Governos. e o emba- raço occasionado por 20. tem enchido de perigosos sonhos espíritos igualmente acces- siveis ao erro e á verdade. de que seu paiz colheria os fructos. ou por excessi- va cegueira. se naõ disposiçoens hostis. torno de si. os ataques mais hostis. que as universidades seriam outra vez postas den- tro daquelles limites. e com tudo. çaõ e devoção. elles a tem visto e deplora- do ha muito tempo. tem seguido o phantasma de uma educação cosmopolita. quando. e pretençoens a rees- tabelecer a ordem social. estávamos authorizados a suppòr. que ainda que impotentes e absurdas naõ saõ por .

que prevalece em algumas univer- sidades. ou inimigos declarados da ordem estabelecida naõ tirem partido do estado de agitação. tal qual he. sem duvida. para que os fanáticos. mas os Governos confederados naõ se limitarão unica- mente â esta primeira parte de seu dever. indicando algumas medidas provisionaes. (Continar-se-ha. a restituir as universidades á sua utilidade e pureza origina!. Se a Dieta participar nos sentimentos. queentretem S. e á posteridade. 379 isso menos reprehensiveis e criminosas. e nunca relaxará seus esforços. até que as suas deliberaçoens tenham conduzido a um resultado satisfactorio. M. que foi apresentado sobre esta ma- téria. a este res- peito. e á estabili- dade dos Estados. tendo tomado em considera- ção o relalorio prévio. he necessário combater o perigo. ella consagrará incessantemente a sua attençaõ a uma questão igualmente importante ás sciencias e a vida publica. julgou próprio ordenar. A indulgência degeneraria em fraqueza. Neste estado das cousas. Politica. a natureza da ordem publica deve. fo- mentar projectos criminosos e ameaçar a segurança in- dividual. e ter cuidado. elles delibera- rão constantemente sobre os meios de curar radicalmente os erros da instrucçaõ publica. vistoque estas fataes illusoens tem dado origem a crimes deshonrosos ao character Alemaõ. S. e a Dieta be requerida a deliberar sobre isso sem demora. Presentemente.) . aonde quer que estejam profundamente arraigados. M. Imperial. para com este cruel e desnatural abuso de um privilegio. preceder a toda a outra consideração. faria a todos os Governos Alemaens responsáveis as seus contemporâ- neos. e a prolongada indiflerença. para augmentar a effervecencia dos espiritos. Imperial. relativas ao governo das universidades. ao bem das familias. que se minutasse um De- creto.

um povo independente tem somente de consultar a sua des- cripçaÕ. e organizar nova constituição e fôrma de Governo. As pretençoens dos Estados-Unidos. e mais adaptada a seus sentimentos. quando reclama a admissão â immunidade das naçoens. todas as vezes que o Governo existente em qualquer communidade falha em effectuar os fins para que foi instituído. elles seriam incluídos nos limites destes. deve a si mesmo a exposição dos motivos. MÉXICO. assim como dos principios. O novo tractado. Os cidadãos de Texas tem ha muito tempo entretido esperanças. Como todos os Governos foram originalmente estabe- lecidos pela vontade do Povo. para beneficio da socie- dade. entre a Hespanha e os Estados-Unidos da America. Porém ainda que naõ sugeito a tribunal algum por seus actos municipaes. que o induziram a rei- vindicar seus direitos. pelo Supremo Conselho da Provincia de Texas. um Estado livre. que pretende vindicar. mais consistente com seus interesses. e dos teritorios dos Estados- Unidos. e tem depertado os cidadãos de Texas do . ha muito tempo vehe- mentemente urgidas. ainda que nunca pôde reprimir algumas rebellioens parciaes contra uma tyrannia odiosa. Declaração de independência.384 [380] Politica. ha muito tempo fomentada com grande inclinação. tem dissipa- do uma illusaõ. animavam estas esperanças. no ajuste dos limites das possessoens Hespanholas na America. de que. Exercitando este direito indisputável. Uma expectaçaõ tam lisongeira havia impedido os esforços para sacudir o jugo da dominação Hespanhola. compete á communidade em geral rescindir a sua fidelidade tácita ou expressa ao poder governante.

e a fiel adminis- tração da justiça. Presidente do Supremo Conselho. com todo o mundo. e deixados em preza. leys iguaes. aos 23 de Junho. tem resolvido. em que naõ eram parte. 381 torpor. em que os embalava uma imaginaria segurança. Despresando os ferros da vassallagem colonial. literalmente abandonados ao domínio da coroa de Hespanha. sem restricçaõ. JAMES LONG. 1819. qualquer conflicto em que esta declaração os involva. os direitos da consciência e liberdade da imprensa. Poliiica. por uma convenção. e para manter com firmeza. Secretario. . queja mais abateo os annaes da Europa. com a bençaõ de Deus. estimulados pelo alto objecto. Elles se tem visto. sobre o caminho que devem se- guir. de uma communicaçaõ commercial. mas a todas aqueilas exacçoens. Os cida- dãos de Texas teriam provado. naõ somente ás imposi- çoens já intoleráveis. indignos de seus antepassados. para cuja mantença empenham suas vidas e bens asseguram para si mesmos um Governo electivo e representativo. que a rapacidade Hespanhola he fértil em inventar. nesta emergência. no anno de Nosso Senhor. se tivessem hesi- tado. se tem preparado pava arrostrar sem re- troceder. Por esta magnâ- nima resolução. Dada em Nacogdoches. serem livres. desdenhando submetter-se ao mais atroz despotismo. que se ha de obter pela contenda. Animados por uma justa confiança na bondade de sua causa. e as vantagens de uma educação liberal. que eram indignos do século em que vivem. da bondade das republicas Americanas. BISTE T A R I N .

e 8. pela somma de300. entre Dinamarca e Norwega. -Sec. e a obrigar oStorking.°de Julho de 1821. no 1.° de Julho de 1820.o. SUÉCIA. Obriga El Rey de Norwega a passar uma obrigação expedida pela sua Repartição de Finanças da Norwega. na somma completa de tres milhoens de rixdollars. se pagarão os Juros a quartéis. a sanecionar a circulação das apólices pelo resto dos paga- mentos. em dez pagamentos iguaes annuaes. . 70. que pertence â Norwega.0 estipulam a entrega dos archivos.382 Politica. Os juros seraõ contados do 1.000 dollars. para o ajuste da Divida de Norwega.« de Fevereiro de 1821. Banco de Humburgo. a primeira metade.000 dollars. pela divida commum. mapas.*» de Julho de 1820. desde aquelle dia até o l. principiando no 1. 4. 2. 5. 9. para sanecionar a circu- lação de obrigaçoens ou apólices pelo resto dos paga- mentos. Resumo da convenção entre Suécia e Dinamarca. Os 60. que estes tres milhoens seraõ pagos.° de Julho de 1820. 3. pagaveis nol. com 4 por cento de juros. ou 30. Art. que possam ter origem na antiga união.000 dollars. 6. que se ha de ajunctar no l. Estipula. Desde o 1. no l. Fixa a parte.° de Julho de 1829. 1820. e a segunda metade. que saõ a somma dos juros. 1. a saber.0 Comprehende os mútuos ajustes de todo o gênero de reclamaçoens. e accabando no 1.° de Julho de 1820.°de Julho. depois da troca das Ratificaçoens.° de Janeiro. seraõ pagos em dous pagamentos iguaes.

. e os Agentes e Officiaes dentro em um anno. renun- cia por S. Um artigo separado estipula a entrega das obrigaçoens. a este respeito se estipula o presen- te:— " A Monarchia Dinamarqueza na Europa cessa de usar o emblema. 383 10. ou apólices." A contra-declaraçaõ dos Plenipotenciarios da Norwe- ga accede aos períodos acima descriptos. M. antes do 1°. e nas colônias Dinamarquezas dentro em dous annos. nas maõs do Ministro da Potência Mediadora em Stockholmo.° Troca da ratificação dentro em 20 dias. El lley de Dinamarca do uso do Leaõ Nor- weguez nas Armas. de Janeiro do anno próxi- mo futuro. Politica. Declaração do Plenipotenciario Dinamarquez.

foi servido ordenar. Senhor! Os Commissarios ordanam. que fo- rem da sua competência. E para que chegue á noticia de todos "se mandou pu- blicar. Lisboa. do Para c Maranhão. a exemplo do que se practica com a Casa da Supplicaçaõ. (Assignados) W. se limite aos vasos de tone- lada legal. Edictal da Juncta do Commercio de Lisboa. confirmando- se com o pirecer do tribunal. El Rey nosso Senhor. na conformidade do Alvará adoptado no outro de 5 de Julho de 1816. INGLATERRA. que a importação do cor- deal. tomada em consulta da Real Juncta do Commercio destes Reynos. e espíritos perfumados. JOSÉ Accunsio DAS NEVES. Cartada Secretaria da Excisa aos Collectores Alfândegas. ( 384 ) COMMERCIO E ARTES. 27 de Septembro 1819. mas também todos os mais negócios. por sua immediata resolução de 19 de Maio do corrente anno. Sobre a importação dos licores. W A R D L E Y . que haõ somente as matrículas dos negociantes das Capita- nias do Pará e Maranhão se pudessem requerer pelo seu expediente". affixar e imprimir o presente edictal. e que os importadores destes artigos sejam iníormados de que para o futuro naõ seraõ admittidos em vasos de menor porte cio que cem toneladas. PORTUGAL. . 2 de Septembro 1810. sobre os Negociantes. Secretaria da Excisa.

Lisboa . \ Batido ) Mascavado Livre de direito* por Arroz Brnz. 20s Dobroeu Hespa. Jivre por _ . . . por 100 lb. > comprador. 3 D .. Pao Brazil .Pará Caffe Rio. 1 Ceara . por 1121b. Chifre Rio Grande 6§p. Cebo Rio da Prata 2p. 8s. Porto 20s. 25s. por couro em iRio Grande \ B navio Portuguez ou l Inglez.Pernambuco .. Brazil $ comprador. 26s Pezoi dictos 0 5 0 l <mçn Açores 25s. Preço» Direitos.l l f p . Tapiuca. Hida 3Òs. Óleo de cupaiba Ourocu 61. Gene Qnal idade. 20s nhoes > P° r Madeira 20s. Is. de cavallo 3. 137. . 6 | d . 42s. .. Redondo Assucar ..Brazil Câmbios com as seguintes praças. N°. 44 Amsterdam . < Maranhnm em navio Portuguez 1 Minas nova» on Inglez. . Vinda 35s Peças de 6400 reie-3 17 10J Lisboa 20s. Prata em barra 0 5 2 Rio da Prata 40s.il. Cacao .. pilha < 9 j p . . ÍA Rio da Prata. Onro em barra £3 17 ÍOJ Brazil. . Algodam . f Pará Pernambuco Annil Rio 4 | p . 25 de Outubro. direito» pagos pelo Salsa Parrilha. por lb. 36 Porto 54 | Gibrilliir . . Ipecacuanha Brazil. 30 Paris . ( 385 ) Preços Correntes dos principaes Productos do BraziL L O N D R E S . exporta çam. a 35s. 12 0 H Malta . 46 Espécie Seguros. ? direito» Paff<»» pelo Pao Amarello. de 1819. salgados Rio Grande. V O L . í em rolo * expor taçam Tabaco -J e m f o I h a 4p. por 100. I < Pernambuco. . Rio de Janeiro . 7p. 25 20 fi Gênova . 36 . Bahia por lb l jCapitania. por lb. Para . 57$ jj Hambmgo . Hengnl» fi<H 62s. 63£ I Cadiz . XXIII. .. Os.. . ...

em seu augmento. 8T°. Trinidad. em 1818. publicadas no 7-no. preço 3s. 2 vol. Marga- rita. Exposição estatística commer- cial e politica de Venezuela. Por M. com estampas de vários objectos importantes. preço 10s. Pelo General Baraõ Odeleben. Lavayse on Venezuela. das Novas viagem. agora impresso em Paris. Odeleben French campaign In Saxony. ( 386 ) LITERATURA E SCIENCIAS NOVAS PUBLICAÇOENS EM INGLATERRA. Tobago. Com introducçaõ e notas do Edictor. Princípios de População examinados. e a questão * sea população regula a subsistência. Count Forbiris Traveis in Egypt. N°. Lavayse. Nar- ração circumstanciada da Campanha dos Francezes em Saxonia. a tendência de augmentar ou diminuir o termo médio do empregoe da riqueza?— . Grey versas Malthus. Via- gens do Conde Forbin no Egypto. ou a subsistência a população ?— ^ Tem esta. &*?. 8V0. D. traduzidas do magnífico volume. 6d.

PORTUGAL. Esc. escríptas durante uma viagem naquelle paiz. 4/. Literatura e Sciencias. li. C. 337 i Deve o Governo animar ou prevenir os casamentos em idade tenra ? Por George Purvis. Indagação sobre as causas do presente estado de penúria no paiz. Contém o ." vol. mostrando que a liberdade do commercio he essencial â felicidade da Gram Bretanha. 8™. Elementos da Grammatita Portugueza: ordenados segundo a doutrina dos melhores Grammaticos. Observa- çoens sobre o Estado da Irlanda. Curwen. Dr. para aplanar â mocidade o estudo da sua lingua. Curwen on Ireland. Clay's on Free Trade. 2 vol. Practica dos Juízos Divisórios: 1. principalmente dirigi- dos á sua agricultura e população rural: em uma serie de cartas. Membro do Parlamento. preço 3s. preço. Esc. Memória sobre a cultura das Oliveiras em Portugal / por Joaõ Antônio Dallabella. em Leys. por Fran- cisco Soares Ferreira. professor de Primeiras Letras na Cidade do Porto. Por J. segunda edicçaõ corrigida e annotada por Sebastião Francisco de Mendo Trigozo: preço 400 reis. Por Joaõ Clay.

° a Divisão Civil. Ephemerides Náuticas. tutor.° a Noticia da origem. Serras. escrivão. morte.° a Divi- são Militar. e parti- dores. preço 240 reis. para o atino de 1820. ou Resumo de Chronologia e de Geographia. reynado. o 3. S. advo- gado. N . formulário dos inventários.° a Noticia dos Montes. tombos. acclamaçaó. Arte de estabelecer e conservar uma caudelarla perfeita. partilhas. e sepultura dos Au- gustos Predecessores d' El Rey. calculadas para o meridiano do Observatório Real da Marinha de Lisboa. e demonstração anatômica da organização do corpo do cavallo: preço 600 reis. o 4.388 Literatura e Sciencias. contas. nasci- mento. Introducçaõ á Leitura da Historia. .° a Noticia Chronologica do nome. o 2. conforme a Jurisprudência Portugueza e uso forense: obra destinada a facilitar a practica dos que principiam no officio de julgador. contendo o 1. o 5. Seu Author o Desembargador Alberto Carlos de Menezes : preço 900 reis. e outros processos summarios. Por Antônio Diniz do Couto Valente. corrente.° a Posição Geographica das Cidades e principaes villas. foz. com seis mappas relativos a Portugal. O Perfeito Caudel. testamenteiro. e transito dos nove rios princi- paes. e o 6. navegação. e Promontorios mais notáveis. que Deus-guarde. procurador.

que produz aquelle paiz. em fim o de muitas fabricas de vidros e de loiça. ECONOMIA POLÍTICA 'DE SIMMONDE. cujos productos tem decaído do valor de um milhaõ em anno commum. que se deve também contar entre os departamentos manufactores. e entaõ se a sua attracçaõ for igual á da terra.) VOSGES.000 annos se encontrará com a terra. 250.000 pés. e he fácil determinar quaes seraõ as conse- qüências de tal choque. e necessariamente haverá um dilúvio: depois do lapso de 220:000. A alfândega naõ anima de forma alguma estas producçoens importantes. Mr.000 . CAPITULO II. abaixo de 500. ella naÕ favorece mais as fabricas de papel. Literatura e Sciencias. Olbers. as águas do oceano subirão 13.700 milhas geographicas. he do pequeno numero daquelles. 389 Cometas Segundo os cálculos do sábio Astrônomo de Bremen. passados 88. na mesma distancia em que se acha a lua: passados 4:000.000 annos. A insdustria do Voges tem sido alimentada principalmente pela quantidade de madeira. se aproxima â terra um cometa.000 de annos o cometa se aproximará da terra na distancia de 7. daqui vem o estabelicimento de 126 manu- facturas de serrar. que reclamam a manu- tenção do monopólio das alfândegas: algumas observa- çoens sobre estas manufacturas faraõ ver se elle lhes he favorável. (Continuada de p. e o considerável numero de forjas de ferro.—O Departamento de Voges.

e se mantiham por conseqüência sem o mono- plolio. p. I L L E ET V I L L A I N E . que ellas poderão reviver. que fazem uso das telas de algudaõ. perderiam mais de 10 por cento em suas mercadorias. francos. 86 e seguintes . deve-se crer que os capitães. mas como antes desta epocha todas ellas trabalhavam para o estran- geiro. cujos productos valem. — A s manufacturas de Ille et Vi- laine estaõ quasi annihiladas pela revolução. e dar * Veja-se Estatística do Voges. por Deegouttes. e produz cerca de 1700 peças de tecidos. Parece que os empre- hendedores tinham tam mal calculado a proporção entre o preço relativo e o preço intrínseco. que lhes saõ necessá- rios lhes seraõ dados. que a pezar de que a alfândega lhes assegura o monopólio do interior. es- tabelecida em Rambervilliers. estabelecidas em opposiçaõ à razaõ» <Jue prohibe o manufacturar a mais alto preço o que se se pôde comprar mais barato. Mas as duas fabricas novas. 40. que occupa cincoenta tear. para sustentar estas duas ultimas fábricas tamponco importantes.390 Literatura « Sciencias. que se fossem reduzidos a vender pelo preço relativo livre.000 francos: a outra he uma fá- brica de siameses. e panos d' algudaõ. Por certo que a naçaõ seria bem desgraçada. A priiaeira he uma fabrica de tecidos d' algudaõ. ainda assim se arruinam pela concurrencia que lhe fazem as fabricas Alemaãs por meio do contrabando. H e portanto provável. Prefeito. em anno commum. e que a guerra lhes naõ fechará seus antigos mercados. se. para manter sua miserável in- dustria. . lenços. tivesse de impor quinze ou vinte por cento sobre a consumação de todos os cidadãos Francezes. e as tabellas no fim. re- querem que se imponha uma contribuição sobre todos os consumidores Faancezes. estabele- cida em S Diè.

que de facto. Pelas contas da balança do commercio se vê. As principaes eram as de panos para velas.como se tem visto. e seguintes. excedia muito o valor dos panos comprados por ella. e de linho crú. p. a França exportou. A de 1664 carregava os panos Francezes com um direito de exportação de 10 francos por quintal. Pela pauta de 21 de Dezembro de 1739. 4 1 . Literatura e Sciencias. que possa tam facilmente vendêllos aos estrangeiros. Pre- feito. em fim as de linhas de Paimpout. e os panos curti- dos 30 francos. . que mais se tem te- mido a concurrencia dos panos estrangeiros. que produza tantos panos como a França. Os seus teceloens tinham prosperado. os panos de S. Os Fa- bricantes da Bretanha. o preço das matérias primas e o sallario. entram no preço total. as de Hollanda 2 francos por peça de 15 aunes.* * Veja-se a Estatística de 1'Ille e Vilaine. Em 1784. Os panos saõ de uma manufactura. em quanto as antigas pautas das alfândegas os naõ favoreciam assim. que os panos de linho canhamo.. em Rennes e lugares circumvizinhos. que podem melhor prospe- rar nos paizes pobres. o valor dos panos vendidos pela França. ainda que os consumidores Bre- toens saõ por ella postos em contribuição. e as çarapilheiras em Fougeres. e panos de laize em Vitré. as diver- sas qualidades de panos commums pagavam na entrada de 2 a 5 francos por quintal. Ve-se na pauta da alfândega. por Borie. naquelles. naõ saõ prote- gidos pela Alfândega. 391 aos capatalistas um lucro legitimo. entre tanto naõ há ne- nhum paiz no mundo. cujos direitos eqüivalem a uma prohibiçaõ. e á naçaõ um rendi- mento verdadeiro. por uma parte muito mais considerável do que os lucros. segundo as contas da alfândega. parece pois. George. antes da revolução. na entrada. o que sem duvida punha grande obstáculo á sua exportação. pagam 25 francos por quintal.

pagam de entrada 7 francos lOs. que a todo o tempo estaõ seguros da venda de seus azeites . e os que lhe chegam saõ carregados por um direito de entra- da. 4 francos lOs. mas entre- tanto naõ igualava e exportação das fazendas do mesmo gênero Pode-se logo afoitamente concluir. O que mais tem contribuído para esta queda das fabricas de Provence. . — O s productos de industria do Departamento do Var.573.768. por quintal: os do Levante e Hespanha.000 francos. V A R .918. contrario a todo o systema de economia politica. O chumbo da Inglaterra.392 Literatura e Sciencias. Panos de linho e canhamo 1.700 francos.200 Batistas de panos finos 6.800 francos. Panos de linho e canhamo 12. Os azeites da Itália e do Levante j a naõ chegam ás nossas saboarias . em fim o ferro chega a grande custo a este departamento Panos de linho 1. e o se- riam ainda quando colhecem muito mais. Este direito he mui contrario aos interesses de nossas fabricas . que a pauta das alfândegas naõ procurou nenhuma vantagem ás fabricas de pauos da França.200 A importação do mesmo anno montou Panos de linho 4. naõ he necessário aos cultivadores Provençaes. e a exportação dos capitães.600 Total 6. parece que tem de caído a quarta parte do que eram antes da revolução.849. cujos productos valiam cada anno 400.300 A importação dos panos foi muito maior em 1787.173. como a naõ importação das matérias primas. causada pela guerra civil.* os couros em cabelo da Rússia faltam áos curtumes. * Os azeites de azeitona da parte de Itália.200 Total 20. he igualmente excluído pelas nossas alfândegas.727. que alimentava uma fabrica de sal de Saturno. naÕ he tanto a im- portação das matérias trabalhadas no estrangeiro.374.

do que privar os habitantes do Var de um gozo? Entretanto he provável que elles nada fariam. em vez de chegar por mar de Sué- cia e da Rússia. que tem adquirido mais abastança. porque o Var está privado de tres quartos de seus capitães mer- cantis. 393 do Norte da França. naõ compram senaõ veludos d' algudaõ de Gênova. apenas o faz por 20. a do ponto de França e de Alençon.0000libras. a fim deofferecer aos consumidores melhores vestidos do que os de algu- daõ. tanto para o estrangeiro como para a França. Prefeito. depois da emigração de Toulon. 3E . sem tirar alguma cousa a industria mais útil. p. N°. Ex aqiti certamente males mui consi- deráveis. * ORNE. e o direito de entrada nos * Veja-se a Estatística do Var por Fauchet. hoje. A de panos gyrava com um capital de quatro a cinco milhoens. XXIII.. V O L . tinham uma fabrica de panos grossos. e naõ poderiam dar aos teares os panos. carregando-os de grandes direitos. quasi todas. 137. quasi um quarto do que eram antes da revolução. Literatura e Sciencias.* Naõ seria mais útil que os emprehendedores da manufactura de laã a aperfeiçoassem. propoem-se desgostar estes. que ocasionam as alfândegas no Departamento do Var ^ He pois proporcional o serviço que dellas se requer? Os Provençaes. 105 até 114. com que os camponezes se con- tentavam para os seus vestidos. e por conseqüência podiam sustentar a concurrencia das outras naçoens. o que reanimaria a venda dos panos grossos. em vez de fazer tra- balhos pela somma de dous milhoens. os curtumes estaõ reduzidos ásexta parte doque eram antes da guerra. tem decaído mais de metade. As suas manufacturas trabalhavam. antes da revolução.—Os productos do Departamento do Orne tem também decaído.

A segunda nasceo no anno IX.* CHER. que mantinha 6. ou para a naçaõ. para manter a manufactura. que a abolição do monopólio naõ teria outro effeito sobre a industria do Departamento do Orne.000 obrei- roa. e na primavera do anno X devia ter. um dos quaes ja calo. que o Governo foi obri- gado. cem officinas em acti- vidade. que sempre devem ser ruinosos. parece que lhe faltam capitães * DescripçaÕ abreviada do Departamento dó Orne por Lycée d' Alençon. e o outro cairá sem duvida com elle. ou para os emprebendedores. ao mesmo tempo que esta abolição tornaria a dar a todos os cidadãos. couros crus tem feito mais difficil os seus suprimentos. que deve dissipar suas rendas. mesmo forçado. 39 até 51. e quando se lhe tirou este prêmio ella cessou seus traba- lhos.—O Departamento de Cher naõ tem nenhuma manufactura importante. e muito antes da re- volução. em Alcnçon. Por fim vê-se. segundo se diz. mas o seu preço intrínseco éra tam superior ao preço relativo. . e fazer bacias e piques tam bons como as de In- glaterra. Como os negociantes naõ saõ obrigados a estudar a economia politica. podia antes da guerra soffrer a concurrencia livre com a Inglaterra. nenhuma destas manufacturas. Mas este monopólio tem por fim feito nascer dous. em fim a fabrica dos alfinetes. pois. a livre dispo- sição do que he seu. tem parado em sua declinaçaõ pelo monopólio das alfândegas. a dar-lhe um prêmio. quando os animam a formar estàbelici- mentos deste gênero. que ali habitam. O primeiro estabelecido em 1772. os Governos saõ talvez obrigados a indemnizallos. mas que provavelmente naõ sairiam pelo mesmo preço.p. senaõ suflbear no berço a única fabrica.394 Literatura e Sciencias. fabricava mui bons panos de col- chão .

Cap. nunca se estabelecem senaõ aonde estaõ seguras de achar salda. que funda o Go- verno . durante os vinte e cinco annos por que se mantiveram. que resulta do máo estado de todas as communicaçoens tanto por terra como por água. receberam cada anno do Governo quinze mil francos. até mesmo animando com um prêmio a ultima estabelecida em Bourges. como destas mesmas fazendas pintadas. 395 mais do que a nenhum outro. se contentavam com lucros mais moderados. ainda até hoje. Literatura e Sciencias. ao mesmo tempo que as fabricas. que a manufactura de telas pintadas que he de todas aquella para que a França tem feito maiores sacrifícios. em 1760. a que a natureza das cousas e as necessidades do commer- cio dàm nascimento.* * DescripçaÕ do Departamento do Cher por Luçay Prefeito. em conseqüência das alfândegas. que os accionistas. mas o que os arruinava éra o custo dos transportes. e naõ começou a decair. e até este ponto se recusa ser guiado pelas leys. que eram mui ricos. se naõ tem podido aproveitar dos favores. estes obstáculos fizeram cair uma manufactura de panos. o commercio he a este ponto ob- stinado. Em Gênova se tem constantemente sustentado sem mono- pólio. As fabricas de Bourges e Issoudum. tem ellas quasi sempre de luctar com as locali- dades desíavoravies. pag. III. . e que mais tem protegido. a sorte das manufacturas. e que lhes vinham dos portos de mar. 40 até 47. as quaes tinham de pintar. que enviavam as feiras de Beaucaire e Guibray: tal he. Assegura-se mais. que se lhes acumulam. e outra de telas pintadas. senaõ depois que a re- união desta cidade á França lhe fez participar dos seus favores das alfândegas . A gente industriosa tem a luctar contra a separação. em geral. He digno de nota. tanto das fazendas de algudaõ. para as quaes se tinham feito grandes sacrifícios.

% Statistique du Departament d' Ailier. pelo menos quanto ás qualidades inferiores. 66. A sua estatística. p. O Departamento de Ailier tem mui poucas manufacturas. Perfeito. N O Departamento de Vendée naõ se ma- nufacturam senaõ algums panos grossos de laã. por tanto naõ tem necessidade do monopólio. V E N D É E . mas ainda exporta. Prefet.* A L L I EU. par P. La Bretoniere. naõ menciona senaõ suas fabricas de vidros. t Statistique de ia Vandée. parece que naõ alcança grandes vantagens.396 Literatura e Sciencias. até- um quarto do que era. pareciam levar-lhes a vantagem na baiateza. quando quer proteger a in- dustriai. panos de linho para o consumo dos habitantes. uma tute- laria de nome: d acaso terá decaído ? Esta fabrica he do numero daquellas que as alfândegas protegem.000 peças. uma fabrica d' armas. que o Departamento do Aude possue. C. 50 a 51. Decaio. As fabricas de pano saõ as únicas. os Ingle- zes trabalham o aço melhor que nós. A alfadega. — A fabrica de panos de Carcassone. L. por Barante. naõ podia com tudo conservar assas importância ás fabricas de Moulins. em Moulins. segundo o que nota o Perfeito. t * Observaçoens sobie o estado e situação do Departamento do Aude. os Bourbonezes» no entanto. em anno commum. des potits et chauss. par Borie. os es- trangeiros naõ lhe fazem concurrencia alguma. . e alguns. Departa- mento do Aude. e naõ cairiam se elle se supprimisse: assim ellas naõ re- querem nem privelegio nem acoroçoamento. pouco a pouco. que do- brando o rigor contra as mercadorias Inglezas. A U D E . p. Ingén. e muitas forjas. Havia. em outro tempo. enviava para o estrangeiro. e poderiam arrostar a sua concurrencia. 6 ate 10.

tinha vigor maior do que esta industria estrangeira. e haviam ali subsistido por muito tempo sem o monopólio. As alfândegas naõ podiam deixar de ser nocivas ao seu restabelicimento. antes de 1789. 397 MONT BLANC. O Departamento de Mont-Blanc. poderiam soffrer o com- mercio livre desta mercadoria: mas j a naõ existe senaõ uma. assim como a todo o commercio estran- geiro . sette fabricas de telas pintadas produziam. cora um capital de mais de vinte milhoens: este com- mercio tem sido destruído pela guerra. p. cem mil peças por anno. foram depois arruinadas pela revolução. O Departamento do Loire-Infe- rieur se tinha reanimado por um commercio muito acitvo com as colônias e Potências do Norte. Procurou-se substituir-lhes outras. que. * Statistique du Mont Blanc. e uma de limas. et suiv. estabelecida em Annecy. quarenta de demitins. Nantes tinha antigamente treze fabricas de refinar as- sucar . se ainda existissem. Literatura e Sciencias. e pela revolução.* LOIRE INFERIEUR. que eram fabricas d* armas. que exportavam seus productos para Lyon e Tarin. A industria natural deste Departameuto e que ali subsistia sem monopólio. que se lhe substituio. par Saussay. & c . publicados pela cidade de Nantes.e que os privilégios naõ puderam manter ali. fazem gyrar o commercio exterior desta cidade. prefet. Os balanços de importação e exportação. 52. . pos- suía em Chamberry duas fabricas de seda transparente. Contavam-se tambemmais de duzentos teares de pa- nos de colchão. que se naõ pôde sustentar. assim como uma fabri- ca de telas pintadas. que se vendiam nas feiras de Bourdeaus ou Beaucaire. mas todas estas officinas estaõ fechadas. que também ja caíram. os^seus favores naõ se extendem alem das manu- facturas do interior.

todas destinadas ao consum- mo interior. he talvez o lugar de França aonde melhor podem prosperar simihantes manufacturas. e as aguas-ardentes. 37. et suiv. fazendo cada uma dellas pouco mais ou menos dous hectolitros. naõ pro- duzem senaõ 25. Nenhuma das outras manufacturas deste De- partamento parece ter nada a temer de um commercio livre. conhecidas debaixo do nome de Cognac. p. 22 et 38—40 . par Delaistre. exportavam-se destas. sesuccede outra cousa he isso um signal de que tal industria naõ convém á França. nem assim se escusavam a esta lucta. principalmente se as desemba- raçarem do monopólio de uma companhia. Com estas manufactu- ras trabalhavam antigamente para o estrangeiro. B. de Ia Charente. antes da revolução.000 peças. As cinco. o que naõ obteremos das outras naçoens. que ainda existem.f * Veja-se Stat. de Ia Loire Inferieure. o que tem diminuído o seu consumo: assim este Departa- mento reclama do Governo a liberdade do commercio no estrangeiro. p. e sobre os algu- doens. he mui provável. Huet. pelos direitos de entrada. A cidade de Nantes. Quanto às águas ardentes. tendo mais ã maõ do que nenhuma outra os algudoens e os panos da índia. e de outras naçoens. os ferros. 15. Prefet. os quaes direitos saõ igualmente contrários a todos os systemas de economia. t Stat. Os primei- ros. que naõ tenham nada a temer da concurrencia das Indianas. Secre- taire general de Préfecture. impostos sobre estas águas ardentes pelos Estados que as compram. temendo a concurencia dos Hollandezes nos merca- dos estrangeiros. e no ultra mar.398 Literatura e Sciencias. em quanto nós o naõ concedermos também entre nos. Esta exportação está reduzida a um sexto. par J.000 peças. e dos direi- tos de entrada impostos sobre as telas. O S productos de industria do Charente saÕ os papeis.* CHARENTE.

Naõ obstante as perdas. quando as antigas prohibiçoens se man- tinham em todo o seu vigor. Ainda resta uma em Troyes. 399 AUBE. Os de Troyes foram obrigados a diminuir progressivamente o numero de suas officinas. fez dar grandes brados a todos estes fabricantes. que lhe havia causado a ley do maximum. Estabele- ceo-se na cidade de Troyes uma fabrica de panos de al- gudaõ.800. a pezar da delapidaçaõ de seus capitães. Depois que se prohibi- ram as mercadorias Inglezas. mas esta ja naõ exporta cousa alguma. A fabrica de Barretes. fustoens. pelo monopólio. naõ podiam nem podem ainda sustentar a concurrencia dos Inglezes. e que libertou os consumidores de grande numero de extorsoens. que em outro tempo pros- perava muito. apontuados. e os seus productos se consumem no Departamento. os seus productos eram conhecidos no commercio debaixo do nome de estofos de Rheins. á imitação dos Inglezes. restituio-se a estas fabricas o sen vigor. tem decaído . O Departamento do Aube he do pequeno numero daquelles. A fabrica pois floreceo principalmente. que saiam desta fabrica. e pa- nos d* algudaõ. cujas manufacturas saõ favorecidas. que trabalham melhor e mais barato. a queda dos assignados. porque por meio do monopó- lio tem attrahido a si os capitães da agricultura. Literatura e Sciencias. que se fez ao depois com a Inglaterra. O anno de 1784 foi a epo- cha de sua maior prosperidade: o tractado de commer- cio. eque orcupa ainda 750 ou 800 teares. e ellas se sustem. que as obrigaram a pagar. a quem se queria riva- lizar. desde aquella epocha até 1792.* Parece * Champaigne tinha fabricas de laS mui nomeadas. cuja pros- peridade éra artificial.000 francos em nu- merário. e dos outros commercios realmente mais úteis ao paiz. o seu commercio he tam activo como em 1791. que lhes dám as alfândegas. porém os dimitins. e um imposto revolucionário de 1.

" a sorte das fabricas de Troyes he tal. Pelo monopólio se tem obrigado os fabricantes de Troyes a produzirem. que trabalham para esta fabrica." O que entretan- to poderia mudar.403 Literatura e Sciencias. Se a completa queda desta manufactura foi prevenida pela renovação do monopólio. antes do tractado de commercio de 1786. XI. os seus productos naõ teriam valido senaõ dous milhoens. ella ocupava entaõ 324 officinas ou teares. Ve- ja-se Necker. de que o accusamos. e produzia um valor de 9:933. que procuram elevar a importância da fabrica. I. e o citado Beugnot pela outra: se acreditarmos os primeiros. Naõ se pôde saber com exactidaõ o seu numero. por uma parte . As lençarias. Naõ se adoptáram. e curtumes parecem igualmeute decair. e que restam ainda sem ocupação 367. . que lhes saõ inúteis. que seguem sempre uma progressão decrescente. que ha ali actualmente 1103 officinas ou teares. Conforme o segundo. naõ parece que vam actualmente muito alem de um milhão de francos. entre o citado Loiselete Descolins. des Fin. fa- bricas de papel. quan- do se obriga os consumidores a que se contentem com a sua mechanica grosseira. porque ha a este respeito grande contradicçaó. seja por que preço for. nem as felizes applica- çoens daChimicaaos processos das fabricas. ainda quando ficam no mesmo ponto. se se fizesse o commercio mais livre. ch.600 francos. da maneira mais sensível. este expediente produzio. se tem im- pedido que empreguem alguma parte de seu capital um quarto ou um quinto do que éra d'antes. T. todos os máos effeitos.nem a somma dos productos. que substituíam os braços •' assim o Prefeito nota. Até entaõ naõ necessitam os fabricantes de apressar-se a adoptar os aperfeiçoamentos. Adm. nem as das Mathematicas às machinas.

Os ferros que saõ mui bons e que podem sustentar a concurrencia com os de Suécia e de Alemanha. du Departament de Ia Haute-Saone. Deve-se pois accresentar este Departa- mento à lista daquelles que a pagam sem que um sô de seus habitantes tire delia a menor vantagemf. 22. meias retinas. no valor de tres milhoens. 3F . mas ella forçaria os negociantes a ser- servir melhor o publico dali em diante. V O L . seguindo a mar- cha. uma parte dos quaes sô passa por ali em seu transito. par Vergues. e panos. X X m . sergêtas. da Republica. que os sábios lhes tem traçado. nas tres fabricas de telas pintadas deste departamento. f Memoire sur Ia stat. A principal. DKÒME. 401 em aperfeiçoar suas officinas. Literatura e Sciencias. Prefet p. conhecidos pelo nome de retinas. que se naõ se adoptam novos mechanismos. N°. A mesma causa impede a adopçaõ do cylindro. que produzem qua- torze mil peças por anno. sem duvida naõ tem necessidade do auxi- lio da alfândega. e trigos. ainda que os productos desta fabri- ca sejam mais particularmente destinados ao consumo do * Memoire sur Ia stat de 1'Aube par Brusle. HAUTE-SAONE—O Departamento de Haute-Saone he um dos menos commerciante**. 137. a cul- pa he menos dos conhecimentos do que dos fundos. 6—12. obras de ferro fundido. fabrica de Drôme he a de panos grossos. e a sua sub- stituição às chapas de impressão. e folhas de lata: no valor do cinco milhoens. A suppressaõ das alfândegas causaria certamente uma estagnação momentânea nas fabricas principaes da ci- dade de Troyes. A sua ex- portação se reduza dous objectos. Prefet. Porque o cidadão Bruslé nota. e daria aos capitães seu verdadeiro destino.—26. que he o de prestar uma renda á naçaõ*.

que tran- * Observations sur Ia situation du Departament de Ia Drôme. exadministrador das Alfândegas eque tinha estado em situação de apreciar o systema so- bre que ellas saõ fundadas. mas as difficuldades para sair bem me pareciam in- vencíveis. que tinha formado sobre a Península.) AS QUATRO COINCIDÊNCIAS. Colin. e o resultado das negociaçoens de paz. e como ellas ali man- tém a concurrencia com as de Alemanha. R. (Continuar-se-ha. naõ pedia para reanimar estas manufacturas senaõ a liberdade e protecçaÕ. e naõ tardaria em desenvolver os planos. p. e todos a tinham ouvido. par le cit. Prefet.402 Literatura e Sciencias. e achava-me em um embarraço tal. como cuido nunca tive em toda a minha vida. á excepçaõ do Governo de S. . A noticia da batalha de Friedland éra ja publica. estava previsto ou éra pouco duvidoso. principiadas em Tilsit. voltaria immediatamente para Paris. como se exportavam por Genebra retinas de Vi- enna para a Suissa a Piemonte. sem receios do Norte.) Eu estava em Londres no mez de Junho de 1807. (Continuadas de p." " A hora de Portugal ja tinha dado . Ella tem soffrido muito pela diminuição dos capitães mercantis. Via bem que Napoleaõ. O Prefeito. interior. O desejo de sair delle éra extre- mo.. 29—31. 051. Eis aqui o facto. A. naõ tem esta manufactura nada a temer da rivalidade dos estrangeiros.

que Inglaterra queria enviar-lhe. fosse uma continuação da precedente. que havia comprado quatro annos antes. 403 quillamente descançava sobre a fé de um tractado de neutralidade*. e obrigállo a ceder sobre al- guns pontos da negociação. Pinto e pelo General Lasnes. dos quaes foram cinco para Luciano. quando esta noticia chegou a Inglaterra. e Luciano Buonaparte. enviaram ordens a Lord S. e sobre isto lhe fez uma nota mui enérgica. seus collegas assustados. que a guerra. t Naõ erá com effeito mais do que um estratagema de Mr. " O acontecimento de 1807. O tractado foi assignado em Ma- drid. por M. I. Em Lisboa julgou-se. que era melhor fazer o primeiro tractado. . com tudo. em conseqüência do ter- ror pânico que cobrou Lord Lauderdale. por M. de Talleyrandf mas refusou ainda os soccoros pe- * Este tractado foi assignado em Lisboa no mez d e . Fox. Mr. perante Lord Lauderdale. . se fallou do que defender-se contra uma aggres- saÕ tam injusta. Mr. ^ E como poderia mesmo es- sperállas ? Ainda no anno antecedente (1806) o Governo Portuguez naõ só havia regeitado os soccorros militares. Portugal tinha feito uma paz separada com a França. De Talleyrand. que Napoleaõ pe- dio. o exer- cito de Bayonna se poria logo em marcha para conquistar Portu- gal. que se a paz naõ se fazia.] Custou dezlmilhoens de Francos. com os ameaços de Mr. Custou deza- sette milhoens de francos. e todos os favores commerciaes. R. 1804. Fox ja estava quasi a morrer. C. Vincente. Mr. Napoleaõ pertendia. para . e annunciou-lhe a divisão do Reyno. e um ataque tam desavergonhado. De Lima cuidou logo de advogar a causa de Portugal. em 29 de Septembro de 1801. que a Inglaterra lhe fazia em 1803. em vez de cederem nos pontos da negociação. De Talleyrand declarou for- malmente a Lord Lauderdale. M. E u naõ tinha consequentemente instrucçoens algumas nem positivas nem eventuaes. quasi tal como no anno seguinte se regulou no tractado de Fontainebleau. de que aeima. para assustar Mr. Literatura e Sciencias. e qi|e assim Portugal se achava em estado de guerra com a França. . naõ estava previsto. Freire.

R. Sabia que to- dos os homens de bem em Portugal estavam acustuma- que immediatamente se dirigisse a Lisboa. menos importante por seus resul- tados do que a de 1807. como Enviado Extraordinário. de que tudo éra um terror pânico: quizéram com tudo tirar partido delle. Eu via. sob o pretexto de que naõ se queria comprometter a neutralidade. á cerca das medidas. cuniarios illimitados.nd se tinha explicado provava. . todos tres deviam tractar com o Governo Portuguez. que o máo estado de seu Exercito e Erário éra no- toriamente sabido. R. fez quanto pôde para obrigar S. mais cedo ou mais tarde. e por este modo preparar-se para um acontecimento. R. Representou-se a S. Merecia bem que o fosse melhor.. por conseqüência. e a minha pátria. o que eu naõ approvei. e propuzéiam-me. A. ao menos. que os mandasse eu im- mediatamente para Portugal. Lord Rosslyo também para lá partio. que aceitasse as offertas pecunarias illimitadas da Gram Bretanha. a tormenta.404 Literatura e Sciencias. que convinha tomar. Talleyis. com uma divisão da esquadra que bloqueava Brest. Tudo se regeitou. para restabelecer seu Exercito e seu Erário. que parecia inevitá- vel. A. Esta negociação de 1806. Em Inglaterra suspendeo-se a saida de dez mil homens desti- nados para a Sicilia. mas as particularidades saõ mui longas para entrarem em uma nota. Eu mesmo foi requerido para transmittirá minha Corte as mesmas offertas. que Inglaterra lhe offereceo. Muito tempo se passou primeiro que Mr. e rogou-se-lhe. o pouco caso que elle fazia do tractado de neutralidade. e pedio-se-lhe. para resta- belecer aqueilas duas repartiçoens. e a missaõ extraordiná- ria residente em Lisboa. que estava a des- carregar sobre S. he mui pouco conhecida. a tomar medidas efficazes para o futuro . porque o modo porque Mr. A. e dellas com Lord Grenville organizei as condiçoens pelo modo o mais amplo amais claro. em companhia do Ceneral Simcoe . d'Araújo e eu pudéssemos convencer o Ministério Inglez.

Depois da . ^ Que podia eu fazer em tal caso? Levantava os olhos para o Céo: mas dahi naõ baixava luz alguma. viéram-me dar parte da visita do Corronel Humphrey. porque tinha curiosidade de ver o que se passava no Meio-dia. Trazia-me novas de meus parentes e conhecidos em Paris. se o exercito Francez lá entrasse sem achar a mais pequenas resistência. senaõ querer determinar-me sobre a qualidade de civili- dades. ou se tinha tençaõ de demorar-se algum tempo em Londres. em tempo de veraõ. se teria tempo para lhe dar um grande jantar. que me esclarecesse. que contava com estar em Lon- dres algum tempo. de quem muito tempo havia naõ sabia nada. que lhe poderia fazer. meu antigo conhecido. eu perguntei ao Coronel se elle voltava logo para os Estados-Unidos. tal qual pudesse achar â pressa. cousa que em Londres. e estava certo que me imputariam a falta. Literatura e Sciencias. em que me achava. Depois de mil perguntas e re- spostas sobre este assumpto. Por outro lado naõ me attrevia a pedir ja cousa algu- ma ao Governo Inglez. impos- sivel de descrever-se. A minha pergunta naõ tinha outro fim nem motivo. antes de partir para a America. Elle respondeo-me j " A cousa he clara. ^ E que quereis vós dizer nisso ? lhe repliquei eu. com medo de ser desmentido pelo meu Ministério. haviam algu- mas semanas. e Deus sabe qual nódoa. he preciso prevenir com antícipaçaõ. Respondeo-me. e outro tempo Côn- sul e Ministro dos Estados-Unidos em Lisboa e Ma- drid. 405 dos a esperar soccorros de Inglaterra nos embaraços da pátria. eu de- sejava saber. Recebi-o com muito prazer. ou se me limitaria a apresen- tar-lhe uma sociedade limitada. em poucas palavras. Neste comenos e no estado de perplexidade.

cataslrophe do Norte. naõ éra possivel duvidar. e interpretei-a como se elle tivesse dicto. que seria preciso u m milagre. ou Jt is to be erpected. e disse-lhe que tal phraze naõ lhe estava bem." O dialogo éra cm Inglez. tam vivo. que tinham caído no poder dos Inglezes. ou it is to be hopedfor. Elle respondeo-me. bem como os Hollandezes tinham practicado em 1797 c o m o Directorio. Mas eu comprehendi mal a expressão. que me poderia cá demorar mais de trez mezes. para que as cousas naõ suecedessem como elle previa. que o ultimo cairia mais facilmente do que o primeiro. a fim de lançar maõ de nossa navegação. em Portugal. Em uina palavra o nosso dialogo passou a ser. " Pois esse milagre se fará. Eu repliquei. . pode-se esperar por outra simi- lhante no Occidente. cuidando que elle dizia eu esperof. fazendo-se o paralello das forças do Norte coro as de Portugal. Também a minha estada em Londres vai para cinco annos he um verdadeiro milagre. e eu interpretei mal as pala- vras pode-se eperar. I hope. que o corronel. pegando do seu * O coronel provavelmente disse: / erpect. contra os Americanos. em que as cousas sempre acontecem mui differentemente do que antes se imaginava. que elles atiçavam Napoleaõ contra Portugal. pois nunca eu suppuz.406 Literatura e Sciencias. que ha muito tinha. porque naõ convinha desejar uma cousa como esta. Entaõ repliquei-lhe eu fortemente. para ver se assim recobravam suas colônias. respondi eu: nos estamos em um tempo. escandeci-me um pouco. que. e revive- ram entaõ vivamente em mim as desconfianças. em 1803. E u desconfiava. nós nos inflam mamos tanto. mas a sua resposta foi. E m conse- qüência voltei algumas expressoens duras contra os que procuram pescar nas águas turvas.

&c. I a Coincidência feliz de datas. Canning: e com elle houveram os mesmos signaes de admiração. Mui bem: ^ mas que podemos nós fazer neste caso. en- * O Correio de Mr. R. e sem saber o que fi- zesse. o que acabo de mencionar. &c. Sub-Secretariode Estado. assim que este chegar a Paris. Canning: e dizei-lhe isso mesmo. á Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Quero mandar para a minha Corte alguma cousa. Hammond. e narração do caso. no mesmo dia ou um dia antes de receber as proposiçoens*. A minha participação foi entregue a S. e contei-lhe miudamente o que aca- bo de referir. as mesmas perguntas. que vós tolerais. Lima chegou a Lisboa. e naõ tractei mais de civilidades nem jantar. saio pela porta fora sem mais cumpri- mento. se Napoleaõ se con- tenta com isso. que se fechem os portos. que S. pasmado de ver a agi- tação em que eu estava. Literatura e Sciencias. e que me havia acontecido ? Respondi-lhe : o diabo de um Americano. que quereis fazer neste caso ? perguntou-me Mr. R. Em fim elle me autho- rizou para eu poder mandar dizer à minha Corte. o qual. entro em casa de Mr. Eu fiz o mesmo. no dia 9 ou 10 de Agosto. i E entaõ. Sai de casa furioso. que possa adoçar o effeito dos primeiros ameaços. 407 chapeo e bengala. A. Entro em casa de Mr. Pois esta bem : ide fallar com Mr. vai receber de Napoleaõ. Hammond. A. ou que podemos dizer-vos ? Eu quizéra ao menos mandar dizer. Corro direito a Downing Street. respostas. perguntou-me o que eu tinha. .

que se achas- sem em Portugal. (Continuar-se-ha. dentro de 20 dias: 2 a •• fechasse logo seus portos aos Inglezes: 3a*» ajunc- tasse seus navios de guerra com os navios Francezes e Hespa- nhoes : 4 a * seqüestrasse todas as propriedades Inglezas: 5*. viadas por Mr. de Hauterive. que tiveram em a negociação. M. e Campo-Alange. R. A. S. as quaes lhe tinham sido communicadas verbalmente por Mr. e mandou-me dar os agradecimentos por seu ministro de Estado. H e evidente que esta feliz coincidência de datas. R. no I o . S. ellas saõ ainda bem notáveis. isto he. foram meramente o ef- feito da casual e naõ esperada visita do Coronel Umph- rey. Rayneval. tomasse logo as suas medidas. assignado em 1804. Em tudo isto nem se quer se fazia mençaõ do tractado de neutralidade. As coincidências de datas. Lima Embaixador de Portugal em Pari». de Septembro. que no veraõ favore- cem a passagem de Inglaterrra para Portugal: toda a via. atterrou-se conseguintemente menos com os ameaços que lhe fizeram. datadas em 12 de Agosto.. As proposiçoens de Napoleaõ eram: la-. procederam mais particularmente dos ventos. levou muito a bem a medida que eu havia tomado em Londres.408 Literatura e Sciencias. A. de Ray- neval e Campo-Alange enviassem a Mr. .. para se achar em estado de guerra com Inglaterra. em virtude de uma ordem verbal de Napoleaõ: e um dia ou dous antes que M. foram remettidas nesse mesmo dia. As notas de M. que.or- denasse a detenção de todos os vassallos Inglezes. que produzio. como se vai ver. e o resultado favorável. Araújo suas no- tas ameaçadoras. pela in- fluencia. M. que se seguem.

No. ou por algum de seus membros . mostrado a conservação das associaçoens particulares da Inglaterra. Agora no Cap. a estas instituiçoens particulares. he o exame das contas publicas. Em vaõ preten- deria qualquer magistrado ou administrador ocultar aos asso- ciados." desta segunda parte havia o nosso A. naõ hesita em attribuir grande parte da liberdade individual. que o A. e que cada membro de uma sociedade cantonal res- ponde em solidum pelas culpas commettidas pela sociedade intei- ra. de que he fiador. a p. XXIII. e se por um momento conseguisse offuscar as cousas. em suas mes- mas palarvras.° Mr. em vários períodos de sua historia. que characteriza esta naçaõ. N o capitulo 5. 76. " Outro efleitoimportante destas associaçoens e responsa- bilidade mutua. Literatura e Sciencias. 409 Espirit des Institutions Judiciaires de l' Europe. o que se faz em nome commum . e do espirito publico. elle naõ tem direito a oc- cultar-lhes nada . de que os Inglezes gozam. 6. 137. Estes effeitos saõ tam importantes. Assim o Inglez se identifica com a naçaõ toda. as conseqüências do que elle pretendesse esconder pa- tenteariam bem depressa seus segredos. na administração e na justiça. Meyer. desde as contas das parrochias até ás do Parlamento. que cada cidadão tem o direito de conhecer de tudo quanto diz respeito ás obrigaçoens. Meyer mostra os effeitos dessas associaçoens. « Desde o momento ein que os cidadãos saõ responsáveis uns pelos outros. «S-c. e com cada uma V O L . como pelos excessos de authoridade commettidos enganando seus commi 1 ten- tes. 3c . por Mr. ex- plica o primeiro effeito destas associaçoens. Vejamos como o A. e o fariam dobrada- mente responsável tanto pelos seus mesmos factos. segue-se necessariamente.

as estalajens rece- bem toda a gente sem serem obrigados os estalajadeiros a tomar nenhum registro. de suas partes. ou ja condemnadas. que naõ he necessário nenhum dos estabelecimentos de policia. mas realmente integrante da soberania. que tem. com o que o commercio interno adquire a mais extensa prosperidade. se for falso. que tanto vexame causam nos demais paizes da Europa. e cada individuo julga que os seus esforços saõ tam necessários ao bem publico. a independên- cia em que os povos se acham da nobreza hereditária. Como o Inglez está por estes motivos tam identificado com a naçaõ. tam fatal em outros paizes. o cus- tume saudável de exigir fianças de qualquer pessoa. o direito. E daqui vem a grande facilidade de communi- caçoens. ju- rada pela pessoa que faz a denuncia. e de todo o Reyno. na marcha progressiva dos negócios da centena.410 Literatura e Sciencias. Viaja-se por toda a Inglaterra sem passaportes. que tem dado razaõ para recear delia que pertubarà a tran- . Ultimamente daqui deduz o A. do Condado. e todos os dias he chamado a exercitar uma parte imperceptível. e o custume importantíssimo de exigir fianças das pessoas suspeitas de crimes. e que saõ pos- tas em liberdade. sem que seja em virtude de uma alegação de crime. Desta garantia mutua resulta. de- pois de expirar o tempo de seu castigo. como se a prosperidade nacional só delle dependesse. a qual desde logo fica sugeita às conseqüências de seu juramento. Destas mesmas associaçoens deduz o A. Daqui vem que naõ ha necessi- dade de prisoens arbitrarias. de nomear varias magistraturas im- portantes. o egoísmo e falta de espirito publico. e nenhum magistrado pôde expedir mandado de prizaõ contra algum individuo. nem fazer alguma pergunta aos viajantes. desapparece na Inglaterra.

que he de diversa opinião. em primeiro lugar.0 começa o A. Literatura e Sciencias. que conquistaram a Gram Bretanha. queja mencionamos em outro lugar. " As diversas hordes de Germanos. motivadas por sua origem. relativamente aos indi- viduos. deviam por conseqüência es- tabelecer-se na Inglaterra. No Cap 7. Quasi todos os authores Inglezes pretendem. que invadiram o Império Romano. 100. mas o nosso A. e seus custumes par- ticulares. 411 quillidade publica. que os outros Germanos e Bárbaros. ou Vamos. ou Frisoens . ja passagei- ramente. que successiva ou simultaneamente ha- bitaram este paiz. naõ se achavam reunidos no mesmo terreno senaõ pelo accaso. Jutos. ainda que admittam tres grandes di- visoens da Inglaterra. Anglos. como deduzido de factos históricos indubitaveis. que naõ houve nunca na Inglaterra diversidade de leys. pelas diversas naçoens. expondo suas ideas pelas palavras seguintes. começa este capitulo. a tractar da administração da justiça. nos parece mui concludente. que os tinha feito participar na mesma expedição. ja fixos. em que haviam tres legislaçoens differentes. assim como nos demais paizes da Europa. Pertencendo a naçoens dis- tinctas cada uma das quaes tinha suas leys. e que o A . p. e cada um continuava addido ás leys de seus antepassados : as jurísdicçoens pessoaes e a differença de legislaçoens. Dinamarquezes e Normandos." Este raciocínio do A. tinham to- dos os mesmos principios. com o que se chama na Inglaterra Direito Commum. e principal- mente porque ainda existem os monumentos das tres legis- laçoens. que habitaram o paiz. Saxonios. a fim de que se esteja reguro de seu bom comportamento. ou que os tinha guiado para a Gram Bretanha: naõ tinham elles razaõ alguma para adoptar uma ley geral e uniforme. e que fundaram na ilha um Reyno. e neste capitulo se occupa.

se. porem depois da reunião dos tres Estados. cita muitos exemplos. o rey Edgar.412 Literatura e Sciencias. chamado Dom-bec. se naõ temos nem as pretensas leys de Alfredo. restabeleceo as disposi- çoens daquelle código de Alfredo. asseveram. que Alfredo o Grande promulgara em Saxonio um Código. Alguns escriptores Inglezes. mas naõ alcançou fazêllo . se em fim todos os Jurisconsultos Inglezes convém . 108 " Se he verdade. As differencas entre estas legisla- çoens saõ mui notáveis. Eduardo. elle naõ fez mais do que ordenar a redacçaõ por escripto das disposiçoens consuetudinarias. de qualquer naçaõ que fossem. o Confessor. O A . como julgamos haver demonstrado. para explicar a origem deste Direito Consuetudinario. cujos títulos eram West-Saxon laga. que as leys eram pessoaes . principalmente nas muletas pe- cuniárias de que o A . pelas palarvras seguintes. aqui lembra. explica a sua opinião. que deviam resultar da differença de legislação. e isto constituio o Direito Commum. quiz reviver aquelle código. ou Consuetudinario. bem longe de que Eduardo o Con- fessor desse leys uniformes. porém. Mar- celaga. a distincçaÕ entre o Direito commum (commom law) a que poderíamos chamar em Portuguez Direito consuetudi- nario. pelas quaes alguns dos reys antigos da Inglaterra ordenavam a sua observância a todos os habitantes. com as variedades. a p. que naõ chegou à posteridade senaõ por tradicçaõ. e Danelaga. como o attesta o compilador do esboço dos custumes . que segue outra vereda. Acham-se porem exemplos de disposiçoens e leys ge- raes. nem as de Eduardo o Confessor . o qual com o andar dos tempos se perdera. mas que depois da divisão do paiz em tres Estados diffe- rentes. e daqui deduz o A. e Estatutos (statute law) a que poderianos chamar Direito escripto.

debaixo da . 113. " Os Jurisconsultos Inglezes nos ensinam. geraes. N o Cap 8. que Alfredo promulgasse leys. que muitae das disposiçoens actuaes do Direito Com- mum se unam a essas lembranças . neste sentido até o Rey éra considerado como o primeiro magistrado conservador da paz. e por conseqüência os Grám Officiaes do Reyno. 413 que a ley commum naõ se compõem senaõ de antigas tradicçoens. bem como o mesmo Rey. entre os quaes achamos estes magistrados denominados custosdes pacis. os Gram Officiaes da naçaõ. do que en- contramos em todo o resto da Europa. ou conservatorespacis." Assim temos. que a origem que elles dam he fabulosa. e tithingman na decuria. e inherentes a seus bens. he mui provável. que correspondem aos capitulares geraes. expõem assim. p. que. a ley. ja em fim por eleição feita pelos homens livres do condado. os cabeças dos condados. muitas das quaes.° achamos a matéria dos Juizes de paz. naõ he outra cousa mais do que os antigos usos dos habitantes. e mantidas até hoje. deduz dos antigos custumes Germanos. nem que Eduardo renovasse essas leys. o coroner nos condados. mas naõ cremos que o Direito Commum de Inglaterra tenha origem dissemilhante. em virtude de seus lugares. o A. segundo o nosso A. ja em virtude de seus direi- tos adquiridos por prescripçaõ. o condestavel na centúria. que antigamente os conservadores da paz eram taes." " Naõ intentamos pôr em duvida. cada um na exten- çaõ de seus limites . Literatura e Sciencias. quanto ao direito sobre o isto. que na sua origem éra pessoal e que eqüivale ás antigas leys dos Germanos: quando o Direito de Esta- tuto saõ leys as expressas e geraes. ou particulares a cada naçaõ. poderiam haver sido confirmadas pelo uso. os Sheriffes. ou promulgasse outras. O Direito Commum ou Consuetudinario da Inglaterra. Na Inglaterra. que o A. das centúrias e das decurias .

" " Esta extençaõ de authoridade naõ he a única. tenham tocado nisso. " Parece que Eduardo se achou mui satisfeito. para designar suas novas attribui- çoens." Esta alteração augmentou muito o poder do R e y . 115. obrada sem que a historia faça delia mençaõ." Quanto á legislação moderna. e outros. condecorados com o nome de juizes.414 Literatura e Sciencias. denominação. presidência do sheriff. a respeito dos Juizes de Paz. por- que generalizou suas leys e estatutos do Parlamento. usur- pou o throno de seu P a y . ha outra muito mais importante. Os novos conservadores da paz. que mantivessem a paz em seus condados. que os Juizes de paz devem a Eduardo III. com os servi- ços. que commettessem de- lictos : ao mesmo tempo. Este monar- cha auxiliado por sua Mãy. talvez também para fazer cessar as queixas dos condados. diminuindo a influencia dos Baroens em suas jurisdic- çoens particulares. sem ferir as opinioens recebidas. mudou o nome destes conservadores da paz. foi isto a suppressaõ das legislaçoens pessoaes. em Juizes de paz. ella data do tempo de Eduardo III. que tem escripto sobre as leys Inglezas. e encarregou aossheriffes. que lhe fizeram estes magistrados. que tinha nomeado. e se lhes conferio o direito de processar os felons. e que. que reclamavam o direito de eleição. os quaes nomeavam para estes lugares algumas pessoas das mais notáveis e poderosas do condado. a p. e debaixo de formulas antigas. causou na Jurisprudência Ingleza uma revolução total. e por fim obteve que o Parlamento sanccionasse o nomear El Rey os con- servadores da paz. e sem que algum dos authores. a Raynha Izabel. Sobre esta matéria diz o A. porque. authorizados a processar os culpados. que se tem conservado até hoje na Inglaterra. por um estatuto do anno 34 do seu neynado se aug- rnentáram os poderes destes magistrados. naõ por si só mas junetos todos .

e de que. que os Inglezes affectáram sempre desprezar. seguiam os mesmos principios de justiça e administração daquelles. e principalmente para cultivar a terra. as leys dos antigos Anglos e Varnes. (diz o A. nota. em fim os mesmos conquistadores naõ teriam sido em numero suíficiente para tornar a provoar a ilha. privando-se do trabalho dos vencidos : depois. Naõ cremos que toda a geração dos Bretoens fosse exterminada . tanto menos quanto em sua pátria estes vencedores desdenhavam taes empregos. O cap 9.) que passaram á Gram Bretanha. que foram imitadas do estran- geiro : o que he verdade ainda mesmo a respeito da legislação Romana. no entanto. as dos Frisoens. O A. mas a identidade dessas formulas em outras naçoens prova bem. teriam soffrido uma perca considerável. porque. e mostra a conformidade do estabelecimento dos Juizes Inglezes daquelle tempo. que os escriptores Inglezes. 124. com os das mais naçoens da Europa originárias dos Germanos. tem copiado muitas in- stituiçoens. 415 os Juizes de paz de um Condado. e obter as primeiras cousas necessárias á vida. as dos Saxonios naõ deixam nenhuma duvida a este respeito." . " Os primeiros Germanos. a p. que fundaram os reynos do Conti- nente . primeiramente porque este comportamento seria contrario aos custumes dos Germanos e aos seus interesses. porque o numero dos habitantes da Gram Bretanha devia ser demasiado considerável para soffrer uma mortandade geral. que hoje seguem. ainda que tam cruel matança fosse possivel. e naõ pelas leys pessoaes dos induviduos accusados. attribuem a seus reys e habitantes do paiz todas as formulas e leys. mas pelas leys geraes do Reyno quasi destruíram de todo as Jurisdicçoens locaes dos Baroens. Literatura e Sciencias.° tracta dos antigos Justiças da Inglaterra. sendo o terreno assas extenso para sustentar ambas as naçoens.

em conseqüência da organização mais completa das decurias. éra mais fácil na Inglaterra do que em outros paizes. dos vassallos immediatos da coroa por outros vassallos immediatos . O Imperador Conrado considerava este custume ja como antigo. asim como os do condado. ainda depois de conquistados pelos Germanos. e condados. que os Bretoens. nas causas de sua competência. ou toda a naçaõ. Na Inglaterra. mas naõ havia appellaçoens: os homens livres da decuria julgavam em final instância. pelo Conde ou seu Sheriff. como. e estas deviam ser análogas ás dos Gaulezes. isto he. como no Continente. a Justiça éra administrada pelos homems livres. Temos visto ja em outro lugar. que esta legislação se naõ adoptou na Inglaterra senaõ dous séculos depois. o nosso A. que o sub- stituía. conservariam suas leys. por esta razaõ mui simples. a conclusão. Destes principios. éra de direito commum em toda a Europa. « O juizo pelos pares. como uma condição. se veio a adoptar a legislação de que cada individuo fosse julgado somente por seus pares. porém mostra aqui. reunidos nos placita. e em fim por ummagitrado inferior. que o sys- tema feudal se naõ introduzio entre os Inglezes senaõ muito . nos primeiros tempos do estabelicimento dos novos reynos de origem Germânica. e governados em grande parte por suas leys. superiores e subordinadas..416 Literatura e Sciencias. Eis aqui as palavras do A. depois da intro- ducçaõ do direito feudal na Europa. Mas o arranjamento methodico destas jurisdicçoens. 129. a p. por outros subvassallos do mesmo Baraõ. muito antes que disso se achem vestígios na Inglaterra. presididos pelo Rey ou seu delegado. diz o A. deduz o A. quando os Baroens impuzéram a El Rey Joaõ esta máxima. cada um em sua jurisdicçaõ. dos subvassallos de cada Baraõ. que igualmente eram provincias dos Ro- manos.

as leys Anglo-Saxonias do nono e décimo século. 137. presi- dia a dous tribunaes differeiites: um o dos Baroens. na mesma epocha. O A. em conseqüência da grande extençaõ dos dominios privativos do Rey. nos tempos feudaes. 417 mais tarde. Literatura e Sciencias. XXIII. assim como nos mais paizes da Europa. éra este obrigado a mandar delegados ás differentes provin- cias para administrarem a justiça a seus vassallos imme- diatos. mas fosse pelos gastos. que occasionâvam. que muito con- tribuio. ou justitiarii in eyre. N*. A' imitaçaõ. para fixar a uniformidade da ordem judicial por toda a Inglaterra. fosse porque abusassem de V O L . ou o seu Justiça Mor. e foi que. que tomaram o nome de justitiarii itinerantes. 3H . o Rey." Na Inglaterra. naõ se acham mais adiantadas do que as do Continente. no que os Baroens naõ tinham parte: e como estes vassallos immediatos do Rey eram proporci- onalmente muito mais numerosos na Inglaterra do que nos outros paizes da Europa. daqui vinha que os Reys da Inglaterra tinham uma influencia muito mais extensa na administração da Justiça. ja éra conhecida havia muito tempo.dos Missi dominici. no septimo e mesmo no sexto século. Ha quem diga (Revees Hist of the English law) que a instituição destes Juizes data ja do tempo de Guilherme o Conquistador. do que tinham os reys no Continente. sem duvida no tempo de Henrique II.que os Imperadores Francos da familia Carlovingiana mandavam ás provinci- as do Império assim os Reys de Ingleterra enviavam para administrar a justiça em seus dominios os dous justiças. em que o Rey como Suzerano presidia ao processo destes grandes vassallos da coroa: outro o dos vassallos imme- diatos do Rey. menciona uma circumstancia.

Ha alguns authores (Lord Hale juridiction of the House of Lords) que dizem poder haver appellaçaõ da casa dos pares para todo o Parlamento. afíirma. da centúria. mas tal practica naõ prevaleceo. provém deste mesmo principio do direito feudal. ou para melhor dizer davam o seu parecer nas cortes. Alem da falta de . naõ havia appellaçaõ das sentenças. do condado. naõ tinham por si mesmo authoridade alguma. da primeira pretençaõ algums exem- plos se citam. No tempo feudal a administração da justiça tinha lugar. a segunda County-Court. ainda naõ se antepondo appellaçaõ. Houve tempo em que a Casa dos Commums disputou. ou da decuria.418 Literatura e Sciencias. Os pares. na superintendência que exercitavam sobre os outros magistrados locaes. que a Câmara dos Par- res conhece em ultima appellaçaõ. que o direito que tem a Câmara dos Pares para conhecer por appellaçaõ das decisoens de todos os tribunaes do Reyno. e actual- mente naÕ entra em controvérsia. nem sempre eram ectes justitiarii itinerantes bem recebidos nas provin- cias. Para esta Corte se faziam as appellaçoens e ella assumio ao depois o direito de avocar a si causas. Em quanto os processos se faziam nos placita da na- çaõ. que em outro lugar temos lembrado. nem as podia haver. e pretendeo ter direito a conhecer também destas apellaçoens. pelas ra- zoens. Introduziram-se depois as appellaçoens das decisoens das Cortes dos Baroens para as do Rey. que julgavam. sua authoridade. mas das deci- soens das Cortes dos subvassallos naÕ se appellava senaõ ás Cortes dos Baroens. O A. e o seu julgado naõ éra obrigatório senaõ em virtude da sancçaõ que o Baraõ lhe dava. ou na Corte do Baraõ ou na Corte do Rey: assim a primeira se denominava Court-Baron. Desta segunda opinião naõ ha nem ley nem exemplo.

Entretanto os actos authenticos eram sempre em latim. e que as partes naõ entendiam a lingua. 419 conhecimentos naquelle tempo. Esta Corte do Rey quer o nosso A. quanto. que usava a Corte Real. tanto mais necessários na Inglaterra. ao mesmo tempo que os Juizes da coroa levavam sempre comsigo escri- vaens. excepto algumas causas privi- legiadas em pequeno numero. Literatura e Sciencias. conselheiros e juizes propriamente dictos. lingua desconhecida aos lei- gos. que por politica or- denou usar nos tribunaes a lingua Ingleza. Por longo tempo se processaram as causas em Francez. os letrados. aula regia. Despojava os Senhores de sua jurisdicçaõ. como saõ as que suppôem um conhecimento local. ignoravam a lingua do paiz. chegou a terá jurisdicçaõ exclusiva de todas as causas civis e cri- minaes de todo o Reyno. . com seus grandes Baroens. nos primeiros tempos depois da conquista. Daqui veio que a Corte do Rey. o que fazia necessária a multiplicação das provas. o Rey e a maior parte dos Altos Baroens. e as que se consideram abaixo de sua attençaõ. e se faziam as traducçoeus necessárias por meio de letra- dos e escrivaens. que fazia com que nos tri- bunaes inferiores naõ houvessem registros. que registravam suas decisoens e que por isso faziam estas cortes muito mais convenientes aos liti- gantes. e lhe inspirava o desejo de pre- ferir a sua administração á dos Baroens. composta do Monarcha. as causas ecclesiasticas. aos quaes se ajunctavam os Gram officiaes da coroa. Foi Edwardo III. que seja a mesma que se encontra em todas as monarchias da Europa. Com isto se fazia agradável ao povo. ordenando-lhe o uso de uma lingua estrangeira. e os antigos custu- mes.

nas suas sessoens periódicas. Assim a authoridade do Gram Jniz se veio a fazer tam ampla. que pareceo entaõ trivial aos Baroens. a jul- .) distinguia a Corte do Rey da Inglaterra . muitas vazes se devia recorrer ás mesmas pessoas . e éra que os juizes faziam regu- larmante o circuito dos dominios do Rey.420 Literatura e Sciencias. que em breve ficaram aban- donadas aos juizes togados. e todas as ferias que ti- nham passavam em seus estados. (diz o A. e os conselheiros de toga. em um século em que os conhecimentos eram tam raros. a p. porque os Baroens. " Uma só particularidade. com o que deixavam de assistir ás cortes de justiça em Westminster. sendo tirados dos con- selheiros do Rey versados nos usos do paiz. e se fixou para isto a cidade de Westminster. Mas esta circumstancia. e tendo este uso produzido mui grandes vantagens. cuidando de seus interes- ses pessoaes. que faziam as funcçoens de asses- sores de toga na Corte plena. ja por inclinação ja por obrigação. se viram exclusivamente investidos do poder de ir em epochas fixas abrir em cada condado as assizas ou cortes. para presidirem nas cortes de assiza nos condados . trouxe com sigo a im- portante mudança no pessoal da Corte. A Corte do Rey seguia a pessoa do monarcha. a que presidiam em conseqüência de uma delegação Real. como porque os juizes a quem tocava o turno estavam plena- mente instruídos da jurisprudência da Corte. e como a freqüente mudança de lugar ocasionava muitos incon- venientes. tanto porque os juizes da corte {justitiarii de banco) se instruíam dos custumes locaes. accompanhavam El Rey na guera. para quem se olha como fundador das instiuiçoens judiciaes da Inglaterra. que faziam parte da Corte Real. ou assistiam as sessoens do Parlamento. que ficasse estável em um lugar. e por isso a fixa- vam derfinitivamente. que o Rey Eduardo I. 142 . quando a isso eram chamados. estabeleceo-se por um artigo da Magna charta.

e supprimio este lugar. 186. Miscellanea. Justificação do Correio Braziliense contra o Correo de Orinoco. eem fim conservou a Câmara dos Altos Baroens na Câmara dos Pares do Parlamento. Pela mesma razaõ dividio o poder da Corte dos dominós do Rey.) MISCELLANEA. que se continha na aula regis. em tres câmaras ou tribunaes distinctos. para conhecerem em ultima e final instância das causas de maior entidade. com faculdade de se reunirem todos na Câmara do Exchequer. para qne dous delles pudessem julgar das appellaçoens do terceiro (Court of Exchequer Chamber). menos acha de argumentos para nos atacar. Exchequer (Court of Exchequer) para as causas fiscaes. com attribuiçoens peculiares. 421 gou perigosa ao Governo. e portanto mais se . Quanto mais se adianta o Correo de Orinoco. Instituio mais um Chanceller. Cada uma destas Câmaras ou Cortes foi composta de quatro Juizes. e a Corte das causas commums (Coari of Common Pleas) para as causas civis. o Banco do Rey (Kings Bench) para as causas crimes . ou que os doze juizes reunidos pudessem con- sultar entre si sobre as questoens árduas. (Continar-se-ha. (Continuada de p.

e a saã razaõ sempre soube distinguir en- tre o abuso dos termos e a sua justa applicaçaõ." Quer os tyrannos usem. necessárias para abolir a tyrannia. O escriptor do Correo do Oronoco sem se fazer cargo desta distincçaÕ. quer naõ. o juiz injusto cobre um acto arbitrário coma capa das leys . nem conhecendo as circumstancias peculiares. com que o Correio Braziliense enegrece a insurrecçaõ de Pernambuco. ou pelo êxito das emprezas. o tyranno opprime os povos com o pretexto do bem publico. fraco modo de produzir a convicção. pela superfície das cousas. isso nunca pôde servir de reproche à nossa opinião. Porém na verdade.422 Miscellanea. e em invectivas pessoaes. " Os epithetos. que accompanhàram aquelle acontecimento. entre o motim de uma cidade. graduállas pelo resultado he uma vulgaridade alheia de literatos. saõ os mesmos que em todos os tempos tem os tyrannos applicado ás acçoens. Pouco importa que o assassino chame oppressao à sentença que lhe ordena o castigo. que ha. e a revolução de toda a naçaõ. continua a tractar como revolução nacional o motim de Pernambuco. o ob- jecto e intenção do agente saõ o critério de suas operaçoens. e escriptores de profissão. O criminoso chama-se in- nocente. Temos ja explicado a grande differença. . Ouçamos o que mais diz. alarga em declamaçoens. naÕ attendendo a tam impor- tantes differenças. as suas phrazes saõ as daquelles que julgam da bondade e malícia dos actos humanos. como nas conseqüências practicas. tanto no direito. impropriamente das phrases do Correio Braziliense. o mundo moral julgará sempre do facto como elle merece ser characterizado. mas esta confusão estudada nunca il- ludio ninguém. ou outra qualquer parte minima de uma monarchia.

" Cremos que. 423 Que he uma vulgaridade alheia de literatos. que . nem por isso dei- xaríamos de raciocinar como fizemos. Logo. graduar as empre- zas pelo resultado. que diversa cousa succedesse. rebeldes e traidores. nem um sô argumento produzimos fundado no mao existo do motim. mas sim pelo injudicioso de suas disposiçoens. Deixemos por agora. e de impru- dência. administração e modo de conduzir os negócios pú- blicos. a questão do Direito. assassinado pélosfacciosos e demagogos Portuguezes. que propõem. naõ havendo probabilidade de bom suecesso a sua empreza se pôde e deve characterizar de temeridade. que inconsideradamente dá uma batalha. logo éra um impossivel moral. e se a via. melhor a recommendaria inserindo em seu periódico uma copia dos memoriaes do Duque de Bragança. quando o Correio Braziliense chama aos re- volucionários de Pernambuco totalmente ignorantes em matérias de Governo. quando a reforma tem por objecto o estabelecimento de uma magistratura constitucional. Miscellanea. Seja assim. Pernambuco éra uma só cidade.. mas sim pelo caminho da petição. que os re- voltosos se pudessem manter contra El Rey. Um general. El Rey commandava as forças de todo o Brazil. buscando por este caminho o remédio aos males politicos. e a remoção de Miguel de Vasconcellos. insiste em que naõ deviam procurar a reforma. que naõ adoece de injustiça. mas no que nós dissemos sobre o motim de Pernambuco. porém o homem intelligente naõ julgará da sciencia ou prudência daquelle general pelo êxito fortuito. e de escriptores de profissão. ou do systema de Governo Repre- sentativo . Eram estes os nomes. diz o es- criptor. e alcança a victoria a pezar de seu erro. que padecia Portugal. e seus parti- dários a Phillippe IV. pelo caminho da revolução. poderá ser applaudido pelo vulgar. porém esquece-se da insuffiencia deste meio nas monarchias absolutas. he a única. se fôra possivel.

mas com argu- mentos capazes de estabelecer a distincçaÕ essencial.424 Miseellanea. pelo que naõ julgamos necessário dizer mais a este respeito. envolve o seguinte argumento con- tra nôs. ou do systema de Governo Represen- tativo. à revolução de Portugal em 1640. naõ appareceo um só facto que mostrasse sua combinação prévia. e elles saõ da approvaçaõ do Correio Braziliense. enesse caso todo o Governo tem o direito e he do seu dever manter a sua existência. porque depois dos revoltosos estarem de posse do Governo da cidade de Pernambuco. em um montam de palavras confusa. que se. e he de que o nosso conselho de promover as reformas úteis por via das petiçoens. acha governando uma mo- narchia. que demos ào motim de Prenambuco. Nestes termos. propõem um meio insufficiente nas monarchias absolutas. mas sim da destrucçaõ total do Governo existente. lhe dava a Corte de Hespanha. naõ com frivolos dicterios. que se deve admittir. hereditária por tantos séculos. A o sarcasmo insignificante. Neste sentido o resultado demonstra o argumento. applicando os epithetos. vendo um ataque dirigido á sua destrucçaõ. naõ se tracta ja de reforma. entre aquelles dous acontecimentos." O êxito só serve para demonstrar ajusteza deste racio- nio. quando a reforma tem por objecto o estabelicimento de uma magistratura constitucional. ja res- pondemos. Um rey. que envolve este paragra- pho. tanto delle rey. Mas a outra parte deste paragrapho. esperanças de soccorros internos ou externos. em fim cousa nenhuma que nelles mostrasse previdência ou conhecimentos dos meios necessários para obter seus fins. como da forma . precauçoens anticipadas.

Responderá o Correo de Orinoco. porque o primeiro dever de seu cargo he manter essa authoridade *. e passou-o pelas armas. Mas nem por isso hesitou em manter essa authori- dade. Miscellanea. N». como Bolívar mantevea sua. e quando muito éra dú- bia. que a ella se oppunha. i . mandando arcabuzar o geral Piar. cuja authoridade he reconhecida por todo o mundo. que os de Pernambuco chamavam a authoridade do Rey tyrannica. e a legitimidade do poder e authoridade que possuía lhe éra questionada. que entaõ comman- dava todas as tropas insurreccionarias. e quiz retirar-se da obedi- ência do General Superior. X X I I I . mostrou-se descontente. naõ pôde exer- citar nenhumas das funcçoens. e exerci- tada por séculos. Bolívar. que possuía. em uma mo- narchia existente ha séculos. Mas tiremos um exemplo. 425 de Governo. mesmo de Venezuela. deixe de manter essa authoridade. que naõ pôde ser desconhecido ao escriptor do Correo de Orinoco. um dos chefes daquelle Es- tado. Bolívar naõ éra um monarcha hereditário. que por essa authoridade lhe saõ cominettidas. mas V O L . e pois sem a manter. O General Piar. pois até naõ existia um acto do povo todo. por que um rey. mas também Piar chamava a autho- ridade de Bolívar naõ só tyrannica mas illegal e usurpa- da. e naõ concedida a elle Bolívar por nenhum titulo le- gitimo. com todas as forças que puder. naõ tem outra alternativa mais do que de- fender a coroa. da parte de seus subdi- tos. seja assim. Agora naõ vemos o argumento. 137. i Que fez o Chefe Supremo Bolívar? Mandou processar o general Piar em um Conselho de Guerra. Para isto até naõ precisa ser rey: nenhum homem em authoridade pôde ou deve soffrer um ataque directo para a destruição dessa authoridade. éra chefe de um Estado re- volucionário.

nma magistratura constitucional. que os que nelle entraram primaria ou segundariamente. a que use com os Per- nambucanos de todo o rigor. . para devassar daquelle motim. acabando tudo por um perdaõ geral. de manter a authoridade de sua coroa. em vez do actual Governo. pelas leys do paiz. somente de uma porçaõ infiinitamente pequena.e um Governo Represeu- tativo. obra- ram por impulsoens momentâneas.426 Miscellanea. mas se essas saõ suas vistas sinistras. e que as suas expres- soens. prendesse tanta gente. naõ pode o escrip- tor do Correo de Orinoco esperar. entaõ todo o rigor contra os revoltosos he justifi- cado. que El Rey ao depois com summa prudência mandou metter na escuridão que merecia. que este escriptor tem. j a El Rey as acau- tellou concedendo o perdaõ . a pezar de que o Geneial Piar a chamasse tyrannica e usurpada. e outra vez o dizemos. Talvez o fim. de que seus authores nem conheciam o verdadeiro sentido. uma uma revolução para introduzir. E oxalá.mandada a Per- nambuco. que possuía. naquelle paiz. Porém se aquillo éra. em que está El Rey. Nós continuamos a suppôr. e fizesse parecer tam avultada uma sediçaõ insig- nificante. e se faça assim odioso. nos mi sorrimos papeis. como pretendeo Escriptor. e pela forçosa necessidade. Se pois o General Bolivar éra obrigado a manter a autho- ridade. Fundados nisto. que ali se expediram depois do levantamento. que um Rey fizesse menos. que a authoridade de Bolívar tivesse reconhecido na- quelle tempo. he o de instigar com isto o Governo do Brazil. foram palavras desatinadas. que as ordens d 'El Rey fossem interpretadas como deviam ser. que o motim de Pernam- buco naõ tinha fim nem objecto determinado. lamentamos que a alçada .

e destruir a antiga. *** Total ignorância em matérias de Governo. he outro justo motivo para levautar-se contra a tyrannia . . administração. princi- palmente intentando dar-lhe nova forma de Governo. diz o Escrip- tor. Seja assim. por onde tem de chegar a ser peritos em maté- rias de Governo. para continuar a sua oppres- sao .e se homens sem os conhecimentos neces- sários. por essa mesma razaõ. e abra a todos os cida- dãos o caminho. naõ he um obstáculo de direito para a sublevaçaõ. uaõ he um obstáculo de direito. que fomente a industria. Argumentar-se-ha. Miscellanea." Que a ignorância em matérias de Governo &c. essa ignorância. mas ninguém duvida. na car- reira revolucionaria. dá titulo ao oppressor. que dissipe as trevas da ignoraneia. que deve fazer parar com reflexão todo o homem prudente. por força devem causar a ruina da pátria. e com tudo elles tem feito a sua revolução. administração e modo de conduzir os negócios públicos. e fundar em seu lugar outro Go- verno liberal. se mettem a querer governar utn Estado.. com que se faz mofa do acontecimento de Pernambuco. nem esta ignorância. que ao perdaõ se dê a interpretação. para sublevar-se contra o poder arbitrário. e modo de conduzir os negócios públicos. filha do mesmo systema despotico da Corte do Rio- de-Janeiro. pelo contrario. 427 desejamos e esperamos. que he um obstá- culo de facto. Logo essa ignorância he um obstculo de facto. que a mente d' El Rey lhe destinava. mas que os agentes sabalternos sempre procuram restringir. talvez. que intro- duza as luzes. que também nas Américas Hespanholas o estado dos conhecimentos politicos estava ao par dos de Pernambuco. e em algumas secçoens da America Hespanhola ha ja Governos Independentes estabelecidos.

e por fim uma Juncta de homens. literalmente naõ havia na Hespanha Governo algum. e a Hespanha naõ tinha forças adequadas para a empreza.428 Miscellanea. Mesmo na America Hespanhola naõ tem ficado im- punes os erros de seus Governos. mas convém aqui tornara lembrar as diffe- renças dos dados. para se abaterem com fracos meios. que a ignorância dos de Pernambuco os induzisse a com- metter: de maneira que. naõ somente existia integro. e quando os Hespanhoes quizéram oppor-se às inovaçoens da America. por esta differente posição. um obstáculo de facto invencível. quando começou a revolução nas colônias. o Governo por sua proximi- dade e recursos. os povos. estava sem governo. considerando- se sem governo. procedentes de sua . assim. para que se conheça a inconcludencia da applicaçaõ. a que a naçaõ fazia a guerra. e que mantém sua soberania contra as forças e sciencia politica da antiga metrópole de Hespanha. cuja falta seria» como dissemos. chamada Cortes ge- reaes. e terceiro rey estrangeiro. se poderia approveitar de qualquer erro. porque o Governo do Brazil. um prezo outro desterrado. cuja authoridade todos disputa- vam. neste estado de cousas. éra ali muito mais necessário do que na America Hespanhola reunião de talentos e de conhecimentos. ainda que Pernam- buco tivesse forças iguaes. Em Pernambuco nenhuma destas circumstancias existia. Assim he. começaram a elleger o que melhor lhes pareceo. limitada a Cadiz. ja estas tinham adquirido de- masiada consistência. para manterá sua revolução. cuja authoridade pudesse ser respeitada na America. A metrópole da Hespanha. e com forças mui superiores ás que Pernambuco poderia exi- bir. porque havia dous reys Hespanhoes. mas ali ao pé no Rio-de Janeiro.

que compare a sua censura com as producçoens que elles deram á luz. pro- cedidos de sua falta de conhecimentos politicos. pelo que expres- sou aos Commissarios dos Estados Unidos. e tam larga. que tem reynado na metrópole da Hespanha. ou pelo menos de uma grande maioridade daquelle povo. naõ obstante a fraqueza em que se acha aquelle Governo. em tam desastrosas circumstancias. por mais ignorantes que este julgue aos revolucionários de Pernambuco. e como pare- ceo também aos mesmos Commisarios) he preciso con- fessar. em geral. baste que apontemos. porque isso nos levaria a uma di- gressão estranha. de que ainda se naõ tem podido libertar. e nessa mesma Venezuela. puis. quanto fora do assumpto. e as dissensoens intestinas. a pezar dos desejos de todo. O suecesso. em quanto subsistio o seu Governo Provisório. " Ao systema tenebroso da Curte de Portugal temos attri- buido o envilecimento da penna do Edictor do Correio Brazi- liense . que o amea- çam todos os dias com a ruina ultima. Miscellanea. que naõ existiam em Pernambuco. achará muito mais igno- rância n'aquella doque nestas. 429 falta de conhecimentos politicos. a seu favor. uma guerra cruel na America. naÕ tem ficado de todo impunes. he divido a causas. que. a pezar das combinaçeons que lhes eram favoreveis. com tudo isso tem um punhado de Hespanhoes feito e continuam afazer. o facto de que. E se a ignorância dos que tem estado à testa dos negócios daquelles paizes tem tido nisto culpa (como parece ser a opinião do Director de Chili. suppondo a ignorância igual em ambos os casos. e sem enumerar al- gum em particular. os erros desses Americanos Hespanhoes. qualquer pessoa imparcial. naõ obstante a anarchia. Se os opprimidos nas demais partes do Reyno naõ imitaram o brilhante comportamento dos .

e por fauto a em- preza éra temerária e filha da ignorância.430 Misccllancn. mas sim conseqüência ne- cessária do pezo das cadêas. Proceda isso do systema do Governo. doutrinas do Correio Brati- liense. naõ permittia que a mais gente do Brazil seguisse o exemplo de Pernambuco. que as producçoens. que as ideas dos povos nas de- mais partes do Reyno." Naõ nos está bem responder á asserçaõ do Correo de Orinoco. consagrada desde tem- pos mui remotos no código da tyrannia : novo crime. sem poderem veri- ficar-se. ou proceda do que proceder. quer fossem bons quer mãos. para seguirem os planos dos revolucionários de Pernambuco. que publicamos a falia do General Bolívar. quando diz. naõ podiam os revolucionários daquella cidade esperar. que " naõ foi culpa delles revolucionários. ou involuntária. mostram neste muito mais ignorância. mas culpa das cadêas e do sytema do Governo. naÕ pode- mos deixar de citar ao Correo de Orinoco essa authori- dade. se as demais partes do Reyno naõ seguiram seu excemplo. que tivessem a cooperação das demais provincias. Pernambucanos. &c. Mas diz este escriptor. sobre a Constituição que he própria de Venezuela. quan- do se admitte que certa disposição de circumstancias. e sem ella os seus planos deveriam cair por terra. das doutrinas do Correio Braziliense . voluntária. Se naõ he a de Licurgo. Todo isto quer dizer. comparadas im- parcialmente com as do Correio Braziliense. Agora. e do maligno influxo de uma dou- trina tal como a do Correio Braziliense. O publico decidirá isto» pelo que nos toca. de Solon ou de Montes- . naõ estavam preparadas. que deram á luz os revolucionários de Pernambuco. que justi- fica a revolução de Pernambuco. naõ foi culpa sua.

mude as ideas do povo no Brazil. deveria mostrar-nos. á educçaõ. i Por que razaõ recommenda Bolívar. 431 quieu. que obste. o Governo dos Estados-Unidos? Por- que naõ suppôem a educação nem os custumes dos dous povos em igual parallelo: e pela mesma razaõ dizemos que simihantes ideas no Brazil naõ podem ter applica- çaõ. que essa mesma profusão de hon- ras as vulgarize tanto. e ás circumstancias dos povos do Brazil. sejam as razoens quaes forem. he de uma personagem. i Seria esta a gente para formar uma Republica ? E tal he o estado actual do Brazil. O Escriptor a quem respondemos. El Rey estava prompto a rescindir o pacto entre a familia Real e os povos. e da precipi- tação. os seus planos só podiam ser parto da ignorância. uniformes. ehe possivel. mas em quanto isso naõ . e recommenda o estabelicimento de uma republica representativa. commendas hábitos. entaõ mudará a forma de Governo. Miscellanea. he mui possivel que o estado morai da America. requerendo honras titulares. e que deseja estabelecer. galoens. ^ don- de havia tirar os elementos para ella ? Uma multidão de gente. Se as circumstancias mu- darem as ideas daquelles povos. como nós dissemos. por tanto. que as ideas de Governo dos revolucionários de Pernambuco. a quem os compatriotas do Correo de Orinoco escolheram para seu cabeça* Toda aquella falia se dirige a provar. eram conformes ao espirito. aos conhecimen- tos. que em Venezuela devem adoptar uma forma de Governo. Supponhamos que no estado presente do Brazil. à mudança do Governo . Se isso assim naõ éra. que se naõ imitte em Venezuela. e entaõ naõ haverá poder. que seja congenie ks ideas e aos custumes daquelles povos. que mude os custumes dos povoa. fardamentos.

que. 5 de Septembro 1819. que muito de propósito deixamos sem resposta as persona- lidades do Escriptor. seguindo viagem do Rio de Janeiro para a cidade de Lisboa. que teve com um corsário Insurgente.. E. partici- pando ao Illustrissimo e Excellentissimo Secretario dos Negócios da Marinha o suecesso dos combates. e lhe fiz fogo com um dos guarda-lemes. que seguia o rumo de Leste. assim como nós com vento Sudoeste bonançoso.432 Miscellanea. porque em matéria de tanta impor- tância as consideraçoens pessoaes devem submerger-se e naõ merecer a menor attençaõ. O Leitor verá por esste nosso modo de racionar. Copia de um Officio do Capitão de Mar e Guerra gradu- ado Bernardino Pedro de Araújo. sempre sem effeito. vi ser um brigue. tendo-se aproximado com muita rapidez. commandante do Navio Mercante armado Princeza do Brazil. authoridade que naõ pôde ser suspeita. no dia sexta feira 2 de Julho de 1819. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor: Tenho a honra de levar á presença de V. e no en- tanto recommendamos a nossos Leitores a falia do Gene- ral Bolívar. Continuaremos depois com o nosso Escriptor. succede as tentativas dos revolucionários seraõ sempre vaãs. ás cinco horas da manhã. A's 11 horas e um quarto. (Continuar-se-ha. icei bandeira e flamula Portugueza. e .) LISBOA. se vio na alheta de estibordo uma embarcação. quando interresses tam geraes se envolvem nestas consideraçoens.

) a O. lhe mandei fazer fogo. e reparar os damnos da acçaõ. e maçame. logo que acabei a acçaõ. [433] 133 naõ tendo no espaço de um quarto de hora içado bandeira alguma. de Greenwich. eram 5 horas e tres quartos. e vendo que naõ desvelejava. o costado com tres rombos ao lume d'agua de bailas de 18. servindo-me de al- guns que tinha mandado dobrar. que fir- mou com uma banda. Miscellanea.—Vi que o Corsário tinha dez portas. deixaudo lhe impressa a cavidade. 137. N. O mastareo do velacho foi passado por uma baila de metra-lha de 36. que foi a que me causou todo o damno na mastreaçaõ. estay do traquete. eapparelho. e a maior parte dos cabos de laborar. uma baila de pyramide me deitou o óculo fora da maõ. carregou a vela grande. içou entaõ bandeira e fla- mula Ingleza. e uma andai- na de panno perdida. arribou para a minha popa. efferecendo-lhe o costa- do de bombordo. A mim. e 30° 3' (Long. o que elle fez também arreando a bandeira Ingleza. entrando igualmente nesta rui- na alguns ovens de enxarcias reaes. Achando-se elle já em pequena distancia ao meio dia Lat. por banda. Deitou entaõ o Corsário em cheio. velame. e trazia montadas oito caronadas de calibre 18. e içando a dos Insurgentes. lhe fiz outro tiro. No. o que eu igualmente fiz. e uma peça de 36. 39° 1 2 . fazendo eu o mesmo. e eu meti de ló a offerecer-lhe o costado. pondo se em distan- cia sufficiente para tapar rombos. 3K . e mui crivado de metralha. o qual conservo. onde houve um vivissimo fogo de parte a parte. Tendo eu. o Brigue se V OL X X i n . velame. tendo-nos causado muito damno na mastreaçaõ. matando-nos tres homens. Con- tinuando o fogo por dez minutos. tractado de me arran- jar para outra. sendo 2 gravemente. que durou duas horas e meia. Tive mais 5 feridos. vindo metade da verga grande abai- xo no conflicto da acçaõ.

havendo de parte a parte em todas es- tas posiçoens um fogo activissimo. mas continuando nôs o fogo. que em todos os precedentes pontos obrou em conseqüência da proximidade. e se dirigo para a minha popa. Conservando-se assim em- parelhado comigo todo o resto da tarde. meti de ló. firmou-se no travez a meio tiro d'espmgarda.434 Miscellanea. ficando aproado ás mezas grandes. se foi passando para as mezas de gata. deitou em cheio. puxou para a minha proa. dirigo à minha popa' e achando-se jà próximo. veio depois â minha popa. e se derigo para nós. recebendo muito fogo d'artilheria e mosquetaria. Dirlgio-se entaõ pela . tornando a ap- parecer por meu bar Ia vento ás 3 horas da manhã. donde lhe fiz fogo com os cachorros. projectando abordar. onde se demo- rou pouco tempo. e naõ o podia alcançar pela grande differença da marcha. e de noite. e tendo-se aproximado a tiro de metralha. se firmou no meu travez por espaço de uma hora a tiro de espin- garda. e desistio do seu projecto. passando para sotavento a tomar o Navio Hercules. Desta posição fez cabeça com os re- *xnos. daqui passou para ré do meu portalô. e passando para meu estibordo. Sendo 11 horas tornou o vento a acalmar. onde houve reciproco e vivíssimo fogo por duas horas e meia. o que elle evitou. tendo de todo acal- mado o vento. nos ficou pelo travez de bombordo. deitou os remos fora. e lhe offereci novo combate. com que se podia dar movi- mento ao Navio. Passando-se daqui para meu bombordo. e 4. e com elle rompi o fo- go: dirigo-se para a minha proa. icei a minha bandeira. dei- tou novamente os remos fora. mas arribando eu sobre elle. onde se demo- rou meia hora. mas tornando a vir aragem. meteo os remos dentro. e se poz fora de vista. No dia 5 ás 10 horas da manhaã. e ahi se conservou fora de tiro de baila os dias 3. me- tendo igualmente de ló. porém arribando de per si o Navio.

continu- ando nôs o fogo até muito próximo de lhe abordar. e que havia vinte dias que tinhaõ sahido da America Ingleza. de baila.Jtodo o velame crivado.—A esta confes- saram que tinham tido nas duas acçoens 24 mortos. sendo levado o bordo do corsário. ficàram- me cortadas enxarcias reaes. entrando em o numero destes o meu segundo Official Piloto. Também pergun- taram pela outra Galera.. logo no principio da acçaõ. e um grande nnmero de feridos. 435 minha popa. Tive nesta acçaõ 7 feridos. o maçame cortado. (do Navio Hercu- les) vindas na lancha do mesmo Navio. Miscellanea. que estava ferido no peito. do que morreo. e todos os cabos de laborar. brandaes. remando para o Navio Hercules. e muitos rombos pelas obras mortas e outra andaina de panno perdida—O Corsário pegou a reboque no Navio Hercules. Durou esta acçaõ quatro horas e dez minutos.—O Commandante do Navio Hercules. e o conduzio fora do alcance. passando-me uma baila de me- tralha a copa do chapêo pela frente. 6 ao lume d'agaa. esteve na câmara com o Commandante Americano Inglez. A* s 7 horas e meia da tarde recebi a bordo 39 pessoas. arquejando entre travesseiros. a verga do traquete partida no terço. O inimigo foi igualmente muito destroçado nas duas acçoens. e passageiros. com as pernas que- bradas. pois se lhe fizeram muitos rombos. A mesma guarniçaõ do Hercules me asseverou. Eu tive a felicidade de que. mastareos da gávea e gata es- calados por bailas. que . o costado todo crivado de metralha. e algumas vergas partidas. que em nossa companhia sahíra do Rio de Janeiro. indo em direcçaõ oblíqua. duas bailas de 18 cra- vadas no mastro grande. sentindo levar por- çaõ de cabellos no lugar do craneo. enxarcias da gávea &c. que faziaõ a guarniçaõ. o estay da gávea. me sahio pela parte opposta.

os Grumetes Joaõ Pareira. para destruir. José Silvestre. e José Cabral. o Condestavel Joaquim Rodrigues. Francisco Coelho. e Antônio de Matos. Jeronymo Ferrei- ra. nos combates de 2 e 5 de Julho. Exellencia verá o esforço. Secretario dos Negócios da Marinha. e . Capitão de Mar e Guerra Graduado. Os Condestaveis José Mello.486 Miscellanea. Francisco Pinto. José Domingues. os Grumetes. o que naõ podia deixar de ser. Bordo do Navio Princeza do Brazil. Joaõ Luiz Rozendo da Paz. Manoel Joaquim 3.—Faial 20 de Julho de 1816. e Commandante. M. e armas de maõ em uma taõ curta distancia. e repellir um inimigo taõ poderoso em forças. os Marinheiros Joaõ Antônio. Excellencia muitos annos. fazendo-se deste modo digna da Regia contemplação de S.—Illustrissimo e Excellentissimo Senhor D. os Marinheiros José Francisco da Silva.— Bernardino Pedro de Araújo. Deos guarde a V. e Manoel José Vicente. Marcellino da Rocha.. que naõ deixará de attender a vassallos taõ bene- méritos. Miguel Pereira Forjaz. a honra da sua Naçaõ. Zacarias Nunes. quantos lhe tinhaõ saltado dentro seachavam feridos mais ou menos. —-Relação dos mortos e feridos que houve a bordo do Navio Princeza do Brazil. Manoel Nunes. e os direitos de S.°. José Climane. visto o muito fogo que se lhe fez d' artilheria. O Pilto Thomas José Francisco da Cíuz. que a guarniçaõ de um navio mercante armado fez. referidos no precedente Officio. Pela presente exposição V. que com tanta constância sustentaram a digni- dade da sua Bandeira. Feridos. Batholomeo Serra. M. Mortos.

a D. Os nossos exércitos no interior tem sido victorio- sos. que se achem inclinados a vir para aqui ficar-vos-hei obrigado se vós lhe dereis navio para seu transporte até este lugar. em alguns dos recontros. Tenho a honra de ser. nos dá razaõ a esperar que se naõ retardará a nossa entrada em Caracas. 437 Antônio Francisco (com uma perna quebrada. 19 de Maio. "VENEZUELA. aonde a sua passagem será punctualmente paga á sua chegada. Os Marinheiros Alexandre de Sequeira. os mais se acham restabelecidos. que poderão ainda estar em vossa ilha. N. Mackintosh. Almirantado. e poucas esperanças de vida. e Joaõ de Sousa. da expedição do General MacGregor. Miscellanea. combinado com outras circumstan- cias. o que. . Esc. de 1819.) Estropeados. em Juan Griego. (Assignado. Excepto os estropeados. Faial 15 de Agosto de 1819. Senhor!—Aqui vos incluio uma Carta do GeneralEng- lish aos Officiaes a tropas Inglezas.) BRION. e o ultimo ferido. Tenho grande prazer em dizer. &c. Se houverem alguns. B. que ultimamente tiveram com o inimigo. sendo abundamente provida de tudo para começar as opera- çoens. que a brigada Britan- nica nesta ilha se acha no estado mais brilhante. Carta do Almirante Brion.

Depois da minha ultima. em que se contractar. qualquer vaso ou vasos. que lhes fosse promettida pelo Gneral Mac Gregor. ã proporção do numero de gente. Tenho ordem do General de Divisão. Temos abundância de vestuário. 1819. Quartel General de Paya. Juan Griego. que restarem na Ilha de S. com 300 homens. e que chegando aqui receberão promoção. que os trou- xerem. JAMES J. Tenho a honra de ser. As nossas operaçoens se tem unicamente dirigido ao pro- gresso de nossa marcha por paizes amigos. naõ tem acontecido cousa nenhuma importante neste exercito. vosso amigo e cama- rada soldado. ar- mamento. Ilha de Margarita. necessários. Urdaneta.438 Miscellanea. de informar a quaesquer Officiaes ou soldados Britannicos. datada de Guadalito. General de Brigada Commandante da Legiaõ Britannica. seraõ pagos pela passagem. 1819. &c. que trouxerem com sigo: para serem unidos à legiaõ Britannica debaixo do meu commando. Domingos. quando atacamos a vanguarda. 19 de Maio. quando saíram da Inglaterra. que o inimigo tinha postado aqui. Este aconteci- . S. para qualquer numero de gente. Officio do General Bolívar ao Vice-Presidente da Re- publica. 30 de Junho. seraõ confirmados em qualquer graduação. se desejarem entrar no serviço da Republica de Venezuela. ENGLISH. e na sua chegada aqui. que. até os 27 do corrente. Com- mandante de Exercito de Occupaçaõ. P. Senhores.

Em fim. e quando a vencencos. que cem homens a poderiam defender contra mil. que inundavam grande parte dos caminhos e planícies. que pareciam augmentar-se assim como nos nos adianta- mos. o resto que esperávamos éra bagatella porém logo encontramos novos obstáculos. Miscellanea. naõ obstante termos attravessado uma multidão de rios navegáveis. vencendo novos impedimentos cada dia. He milagroso. e se se pôde considerar a primeira tentiva como presagio do êxito final. he incrível para quem as naõ tem visto. que o peior está passado. procediam dos caminhos: marchamos por todo um mez pela provin- cia de Casanare. e o gado de muda morrêo toda A inclemencia do tempo augmentava as difficuldades do caminho. temos razaõ para esperar um fim favorável: 300 homens escolhidos das tropas inimigas foram desalo- jados de uma posição tam forte pela natureza. e os seus man- timentos. Os principaes obstáculos. e que tocamos a meta de nossas fadigas. sem algum accidente. que lhe ficava na re- taguarda : com tudo perdeo alguns mortos. Para for- mar uma idea do caminho basta dizer. As vantagens. que tivemos de vencer. ainda que a nossa marcha naõ está acabada. Esta éra a pridcipal difliculdade na nossa marcha. podemos lisongear-nos. nem a que nos custou maior fadiga. A fragozidade das montanhas por que pas- samos. Porém esta victoria naõ he a única causa da sa- tisfação do exercito. que em quatro dias de marcha as carruagens do parque de artilheira ficaram inúteis. Esperamos chegar a . que tenhamos tido a boa fortuna de chegar tam longe. que temos tirado desta victoria. 439 mento abrio a campanha em Nova Granada. limita- mos á posse do desfiladeiro de Paya. Chovia de noite e de dia. que nada se- naõ uma perseverança e constância superior a toda a prova poderia vencer.

ao mais tardar. 1819. Logo que se uniram algumas columnas. Este movimento obrigou o inimigo a abando- . queimado a aldea. que tinha derrotado a facçaõ de Guaca. Sogamoso em oito dias.) BOLÍVAR. (Assignado. aonde a nossa si- tuação melhorará muito. que commanda o vale de Soga- gamozo. que os habitantes estaõ im- pacientes por nossa chegada.440 Miscellanea. 25 de Julho. Nada dos detém. levantam nossas esperanças e expectaçoens. se a população do paiz nos he favo- rável. que he a data de vosso ultimo officio. Naõ tenho noticias de Vossa Excellencia posteriores ao I o de Maio. que naõ iam na marcha de Garnesa. em busca de uma divisão do inimigo de 700 homens. e espera (se tiver a boa fortuna de os en- contrar) dar boa conta delles. Todos uni- formemente asseveram. As forças do inimigo naõ saõ sufficentes para conter os camponezes. se moveo exercito para o Departa- tamento de Sancta Fé. que se tinha aventurado para aquelle lugar. que incessantemente molestam o inimigo. me participa. em data de 15 do corrente. O General Paez. Buletim do Exercito Libertador de Nova Granada. Se estas relaçoens saõ dignas de credito (e naÕ temos razaõ para duvidar dellas) depressa se acabará a nossa campanha gloriosamente. que tanto nos teme. e destruído todos os mantimentos do lugar: elle se prepa- rava a marchar contra Pedraza. que recebemos de Nova Granada. Nodas as noticias. que no interior do paiz ha uma multidão de guerrilhas. com a intenção de tomar posse daquelle fértil districto.

na qual fomos atacados com impetuosidade por todo o Exercito Hespa- hol de Nova Granada. ao mesmo tempo que a nossa infanteria V O L . que se tinha movido para nós. com desepe- raçaõ. S t . apossàram-se dos outeiros. A s cinco horas desta manhaã marchou o Exercito pela estrada de Salitre de Paypa. e obrigállo a abandonar as suas defezas. a cuja frente havia algumas companhias da Legiaõ Bri- tannica. 441 nar a sua posição em Peria de Topâga. capitaneada pelo valo- roso commandante Rondon. fez o inimigo um movimento em sua frente. com o segundo e terceiro batalhoens de Numan- cia. Miscellanea. o resto de Tambo. As circumstancias nos obrigaram a tomar uma posi- ção extraordinariamente desfavorável. para atacar o inimigo á es- pada. 137. A's dez. que carregaram com tal intrepidez o inimigo. Por uma vi- gorosa reunião. Outras quaes quer tropas do que estas da Republica teriam perdido tam brilhante victoria como a que ganha- mos. O primeiro batalhão d' El Rey com algumas compa- nhias do segundo. e às doze en- controu o inimigo. renovou o inimigo a batalha. e se lhe oppuzéram dous batalhoens da vanguarda. Uma columna de cavallaria. e o regimento de dragoens de Gra- nada. marcharam contra a nossa esquerda. Todas as nossas tentantivas para a desalogar o ini- migo naõ produziam outro effeito do que o batermos con- tinuamente as guerrilhas. Ao mesmo tempo. destruio uma parte da infan- teria do inimigo. que de uma vez o bateram e dispersaram. nas vizinhanças da cidade de Tun- ja. XXIII. N*. e o nosso exercito. quasi cercado soffreo um horrível fogo de todos os lados. que nos mandavam a oppôr-se- nos. aonde foram atacados por uma columnada retaguar- da. e retroceder para os moinhos de Bonza. obteve o Exercito passar o rio Sogamoza.

Continou a batalha atê o pôr sol. Todos estaõ determinados a ser livres. . commandada pelo Tenente Carvajal» carregou a do inimigo na estrada grande. O exercito Hespanhol foi desalojado de todos os pon- tos que occupava. tombetas e dous estandartes dos dragoens de Gra- nada.442 Miscellanea. As cidades de Nova Granada tem recebido o exercito Libertador com o mais extraordinário enthusias- mo. e as de Soecorro e Pamplona estaõ inteiramente livres. Estamos agora de posse de toda a provincia de Tunja à excepçaõ da capital. com tal obstinação e carniceria.lanças. mas deve fazer-se particular mençaõ do comportamento do com- mandante Rondon. e outra parte da nossa cavalaria. e Tenente Carvajal. e resto de paiz está em insur- reição. Todos os corpos do exercito se distinguiram . A nossa perca consiste em cento e quatro mortos e fe- ridos. espingardas. caixa mi- litar. a quem Sua Excellencia. e o exer- cito. e somente os livrou de total ruina a excellente posição. fazia o mesmo com a da nossa retaguarda. cercado por cidades tam patrióticas e decididas naõ precisa cousa alguma. e igualmente das companhias Britannicas. conce- deo a decoração dos Libertadores. o Pre- sidente da Republica. sem que possamos calcular exactamente o numero dos dispersos. O inimi- go perdeo em mortos e feridos quinhentos de sua6 me- lhores tropas. naõ obstante ser a primeira vez que ellas pelqjàram debaixo de nossas bandeiras. que tomou o resto de sua cavallaria. de que se naõ pôde formar idea. caixoens de muniçoens. em tes temunho de sua firmeza e galhardia. e deixaram em nossa maõ muitos prisionei- ros.

Tenente Cor. Officio de Lord Cochrane ao Ministro da Guerra e Ma- rinha Abordo da Capitania O'Higgins. com oGalvarino e Pueyrredon. em Guambaco. 1819. Miscellanea. CHILI. Ajudante-General. Tenente de Caçadores. e Manuel Orta. No entanto o Almirante Blanco continua a . Senhor!—A apertada necessidade de obter aguada e mantimentos. nos Outeiros de Vargas. 443 Nomes dos officiaes mortos. importantes para o serviço do Estado. porém novos successos. e a accrescentar. que o Pueyrredon será talvez o portador da interessante novidade de ter caído em nossas maõs o comboy de Guayaquil. Quartel-General. que fostes servido mandar-me. para onde eu ire esta noite. me levaram a encontra o navior. Ramon. José Ximenes. e Cap. para os remetter pelo Pueyrredon a Valparaiso. 10 do Abril. Elle apartou-se de Callao por ordens do Vice-Rey. Tenente Careley. me obrigou a ausentar-me por algum tempo de Callao. De- terminei immediatamente aprontar os meus officios. Legião Britannica. Garcia. Nestas circumstancias se me unio a Contralmirante Blanco. Divisão de Vanguarda. e correr a costa para Sotavento. e entrou em Payta. tive a honrra de receber toda a conrespondencia. (AssignadoJ MANUEL MANRIQUE. me aventurei a anticipar a informação que vos dei. e confiando no seu Mutre. Divisão de Retaguarda. Mateo Francisco.

444 Miscellanea.
cruzar com o San Martin, Lautaro, Chacabuco e Pueyr-
redon, na parte de fora da ilha de S. Lourenço.
A pressa do momento me naõ permitte dizer mais ao
presente. Sede fervido informar a Sua Excellencia do
que tenho escripto nesta breve noticia, e que pôde estar
seguro de que a bandeira de Chile tem sido sustentada
em todo o Pacifico; sem qne nenhuma força se tenha
attrevido a encontrar a nossa esquadra, naõ obstante a
sua inferioridade numérica.
Tenho a honra de ser, &c.
(AssignadoJ COCHRANE.
Ao Coronel D. José Ignacio Zenteno,
Ministro da Guerra e Marinha.

Reflexoens sobre as novidades deste mez.

REYNO UNIDO DE PORTUGAL BRAZIL E ALGARVES.

Importação do graõ em Lisboa.
O Leitor achará a p. 342; um Avizo do Governo ao Inspec-
tor do Terreiro de Lisboa; pelo qual aquelle Governo declara
indirectamente, que as medidas adoptadas recentemente sobre
a importação do graõ, naõ érain sufficientes para os fins, a
que aquelle Governo se propunha.
No nosso N°. passado, e no precedente notamos a tendência
daquellas medidas do Governo, e que receávamos a prohibiçaõ
que com effeito agora apparece ; pela qual se prova a hesitação
de quem propõem taes medidas, cuja importância devia fazer
ver aos que governam, a necessidade de consultar nestas inate-
nas pessoas intelligentes, e de deliberar com uiadureza sobre
ellas, para se naõ ver na precisão de mudar todos os dias os seus
planos.
Segundo este Avizo, 6ca prohibida, pelo espaço de quatro

Miscellanea. 445
mezes, passados 4 0 dias da data do tal Avizo, a importação do
trigo rijo estrangeiro; medida esta, que forçosamente deve
encarecer o paõ, e portanto fazer mais difficil a subsistência do
povo.
A causai desta medida, allegada neste Avizo, he a queixa dos
proprietários de terras, e o desejo de os proteger na sua agri-
cultura ; o que também ja se allegou nos Avizos antecedentes.
Agora porém accresse, dizer-se, que estas reprentaçoens vem
dos Representantes do Clero Nobreza e Povo.
Uy! pois temos ja em Portugal, sem ninguém o saber, Re-
presentantes do Clero Nobreza e Povo ? • Quem convocou essa
Representação dos tres Estados do Reyno ? Quem nomeou os
os Representantes ? <* Aonde se ajunctáram ? £ Quaes foram
as suas deliberaçoens, ou os documentos e informaçoens, em
que estribáram a sua decisão, para fazer tal petição ao Go-
verno ?
Representantes do Clero Nobreza e Povo ! D. Miguel Forjaz
estava sonhando, quando tal phraze inserio no seu Avizo.
i Naõ sabe esse Secretario do Governo de Portugal, ou naõ
sabem os Governadores, que os Representantes dos tres Estados
do Reyno se naõ podem ajunctar, sem uina convocação d'El
Rey ? E se se naõ ajunctáiam para deliberar, naõ he possível
ser verdade, que taes representaçoens procedessem de nenhums
Represensantes do Clero Nobreza e Povo ; logo a asserçaõ do
Avizo he falsa, em allegar como motivo de seu mandado exposi-
çoens dos Representantes do Clero Nobreza e Povo.
Porém talvez com isso quizessem os Governadores do Reyno
ou seu Secretario preparar-nos o ouvido, para uma Representa-
ção do Clero Nobreza e Povo; mas estamos seguros, que
quando tal Representação dos tres Estados se ajunctasse, e de-
liberasse sobre tam importante matéria, e coin o devido conhe-
cimento de causa, naõ começaria por encarecer o paõ ao povo;
pelo contrario, daria as outras providencias, que saõ necessárias,
para favorecer a abundância do paõ no paiz, cuidando em naõ
vexar os lavradores, com recrutas, &c. e enlaõ a abundância de
paõ, no paiz, seria de si mesmo uma prohibiçaõ, para que naõ

446 Miscellanea.

viesse do estrangeiro. Mas em quanto o naõ tem seu, prohibir
que venha de fora, he literalmente matar o povo a fome, como
medida paia que tenham de comer. Estejam certos os Senhores
Governadores do Reyno, e seu Secretario, que em morrendo toda
a gente de fome, ja naõ levarão os Estrangeiros trigo a Lisboa,
nem haverá para que plantállo rio Reyno.

Ministros nas Cortes Estrangeiras.

No pouco tempo que Joaõ Paulo Bezerra esteve no Ministério,
empregou na sua Repartição, quanta gente pôde do partido
Roevidico; e entre outros o Conde de Liuhares para Miuistio
em Sardenha. Este sugeito, depois de estar nomeado ha dous
annos, saio por tini do Rio-de-Janeiro; mas naõ para o seu
lugar, por que veio a Londres, aonde se acha também ainda o
Senhor Cruz, outro dos deste partido, que foi nomeado para a
Suécia, mas que se suppôem tam necessário em Londres, que
ainda naõ foi para a sua missaõ.
Com a chegada do Conde de Linhares a Londres, se espalhou
aqui a noticia do modo porque se portou a bordo do paquete que
o trouxe, aonde se passaram as scenas mais vergonhosas, e que
se tem feito aqui publicas. Mas a culpa naõ he delle Conde de
Linhares, mas de quem dá condecoraçoens e empregos de tanta
importância, como he representar o Soberano nas Cortes estran-
geiras, a pessoas que saõ capazes das imprudências, que o
Conde commetteo abordo do paquete.
Dizem que o que accelerou a partida do Conde do Rio-de-
Janeiro, foi certa scena, que elle ali teve com o Ministro de Di-
namarca, e deixamos no linteiro as particularidades, por naõ
otTender a delicadeza de uma familia innocente : mas o Senhor
Conde fica em nossa lembrança, porque temos certa conta que
ajustar, sobre os insultos, que elle fez a um velho de oitenta
e quatro annos, no Rio-Giande, e que ficou impune, como
ficam ali quasi sempre estes attentados dos fidalgos.

Miscellanea. 447

Nós deixaríamos, porém, o Conde de Linhares naobscutidade,
que merece, se naõ fosse o vêllo empregado como Representante
de seu Soberano; porque, pelo que elle fez no Rio-Grande, e
pela amostra que deo abordo do paquete, bem presagiamos os
serviços, que ha de fazer a seu Amo, no lugar em que o puzé-
ram ; e que, segundo o infeliz custume, será degráo para outros
de maior importância.

Finanças do Brazil.

O Visconde Targini, que diz que manda versinhos ao Re-
dactor do Correio Braziliense, merece bem que lhe demos alguma
prosa, em retribuição de suas mercês: mas naõ he de modo
algum nossa gratidão pessoal; he o serviço publico, he o bem
da naçaõ onde nascemos, he o deplorovel estado das finanças
do nosso Brazil, quem nos obriga a fallaT tantas vezes naquella
Repartição. Narremos um facto.
No anno de 1815, morreo em Angola um negociante, chamado
Joaõ Barboza Rodriguez, deixando uma herança de tres milho-
ens de cruzados. Temendo porém, antes de morrer, que a re-
partição dos auzentes desse cabo de seu cabedal, metteo grande
parte delle na Juncta da Fazenda Real daquella cidade; e tal
éra a importância desta riqneza, que, depois delle morto, mandou
o Governo a Angola a fragata de guerra D. Pedro, de propósito
para trazer estes fundos para o Rio-de-Janeiro.
Um dos herdeiros do tal Rodrigues, querendo receber do
Erário a parte que lhe tocava, achou nisso summas difficuldades;
mas aHianáram-se todas, dando uma peita de cem mil cruzados,
e saio logo o Decreto para se lhe pagar a herança.
Ora, El Rey foi quem assignou o Decreto, mas os cem mil
cruzados, que se deram, naõ foram para elle; logo naõ só se
devia examinar, quem foi que lhe propoz o Decreto, mas tam-
bém o motivo, porque lho naõ tinham proposto antes ; e assim
se descubriria a tramóia; e quem foi o que ficou com os cem
mil cruzados.

448 Miscellanea.

Agora, o Senhor Targini naõ pôde negar, pelo menos, a possibi-
lidade, de que se façam representaçoens falsas, para demorar os
pagamentos ás partes, e depois outras representaçoens falsas
para accellerar os mesmos pagamentos, quando as partes daõ
daquellas esportulas. Resulta isso do segredo com que se fazem as
transacçoens do Erário, e da arbitrariedade com que se fazem
os pagamentos, naõ havendo regra alguma por que se regulem
as precedências dos pagamentos, se naõ a vontade do Thesou-
reiro Mor.
Aqueixa, pois, que nisto queremos fazer ao Visconde Targini,
he, naõ ter elle proposto, como Financeiro Mor, plano algum,
para regular as precedências dos pagamentos, de maneira que
cada parte soubesse, sem necessidade de empenhos, quando lhe
cabia a sua vez, para ser paga, a arbitrariedade dos pagamentos
induz a necessidade dos empenhos, e estes admittidos naõ ba
meio de obviar, que elles se naõ mêttam por meio das peitas.
Obviar a isto, he sem duvida do dever do Thesoureiro Mor, que
se acha absolutamente á testa desta importante Repartição.
Azevedo, também agora titular, adiantava dinheiros á Casa
Real, mediante certo prêmio, o Banco offereceo-se a fazer os
mesmos adiantamentos por menos, e dahi resultou uma grande
altercaçaõ entre o Banco e o dicto Azevedo i ora quem deo a
Azevedo fundos para fazer adiantamentos á Casa Real; e porque
naõ ha de o Thesoureiro Mor ter os dinheiros promptos para as
despezas da Casa Real, e evitar a necessidade de pedir adianta-
mentos, e a despeza desses prêmios. Isto sem duvida he da
competência do Thesoureiro Mor.
Entre outros males que o Visconde Targini, como Thesoureiro
Mor, tem feito ás finanças do Brazil, naõ he o menor a sua inge-
rência nos negócios do Banco: a quem tem ordenado, que lhe
dem todos os dias uma conta do dinheiro pago e recebido, letras
descontadas e balanço em caixa.
O Banco he uma sociedade de Negociantes, e estes devem
regular entre si seus negócios como bem lhe parecer; toda a
ingerência do Governo naõ pôde servir senaõ de tirar-lhe o cre-
dito; e a esta ingerência imputamos os rumores espalhados

Miscellanea. 449
contra a administração, e cuidaram remediar isso, mandando
prender os que faltavam mal dotal Banco, medida que aqui na Eu-
ropa o acabou de desacreditar ; porque todo o mundo julgou, que,
se os Administradores tivessem feito a sua gerencia como devia
ser, provariam isso mostrando suas contas aos accionistas, e naõ
recorreriam ao Governo, para tapar e arrolhar as bocas dos quo
faltavam. Isto também he da competência do Thesoureiro Mor,
i e que tem elle proposto para melhorar o abuso do Banco ?
Metter-se nelle.
Custa a ter paciência para ver Targini, sem ter proposto uma
só medida para reformar a confusão do Erário, premiado com o
titulo de Baraõ, depois com ode Visconde ; quando a sua admi-
nistração de finanças nada tem melhorado, e, ein uma palavra,
he tal, que em outro qualquer paiz o teriam corrido á pedra.

Na Gazeta Times, de 10 de Outubro, se acha o seguinte ex-
tracto de uma carta do Rio-de-Janeiro.—" Para governo dos
que saõ interessados no commercio deste porto, tenho de vos in-
formar, que o mercado está no mais deplorável estado; tudo
he conjectura, nada certo: a praça está entulhada de toda a sorte
de mercadorias; e he realmente triste reflectir nas conseqüências,
que ultimamente recairão sobre os comerciantes e fabricantes,
O3negociantes deviam ser informados, que naõ devem dar entrada
para o Rio-de-Janeiro directamente, porque nesse caso exigem
aqui os direitos, & c , quer as fazendas se desembarquem quer
naõ, e o estado do mercado be tal, que naõ justifica tal desem-
barque. Os logistas e outros, conhecendo isto, esperam anxio-
samente, e averiguam, as fazendas que desembarcam, para fazer
dellas sua preza."

A embarcação dos colonistas Suissos, que vam para o Brazil,
começou em Gravendeel. O seu numero chega a 6000, e váni
em tres navios : 460 no Urania; 240 no Daphne ; e 390 no Two
Catherlnes.
V O L . X X I I I . N». 137. 3M

450 Miscellanea.

Dizem as gazetas, que a Corte do Brazil deo a sua decidida
negativa, a respeito da entrega de Monte-Video, com nenhumas
condiçoens. Corre em Madrid, que ha uin tractado secreto
entre a Corte do Rio-de-Janeiro, e o Governo de Buenos-Ayres,
e isto tem causado grande agitação no Governo Hespanhol.
Nós naõ cremos em tal; e dizemos mais ; prouvéra a Deus que
tal houvesse.

A propósito dos negócios de Monte-Video, ja dissemos, que
os Corsários de Artigas entram muitas vezes no Rio-de-Janeiro,
debaixo de bandeira falsa, e com vários pretextos. Agora somos
informados de quem he o seu Agente no Rio-de-Janeivo. Seria
injusto declarar o nome; mas diremos que mora da rua De trás
do Hospício. Assim vam as cousas, que em Londres se sabe
isto, e se ignora no Rio-de-Janeiro ; ao mesmo tempo que o
Ministro gasta o tempo em minutar leys contra os Pedreiros
Livres. Naõ he por ahi, Senhor Ministro, que vai a gata ás
filhozes.

Nas gazetas de Londres de 18, 10, e 2 0 de Outubro appareceo
o seguinte:—
" Extracto de uma carta do Rio-de-Janeiro, datada de 2 de
Julho de 1819.—Ha muito tempo que aqui tem sido o custume,
quando alguém encontra alguma pessoa da Real Familia, tanto
na cidade como fora da terra, dobrar o joelho em quanto passam;
e se alguém nessa oceasiaõ está de cavallo, em carrinho, &c.
deve logo apear-se, e ajoelhar. Ha cousa de uma semana, °
Commodoro Bowles do navio de S. M. Creole, que certamente
naõ he um character de bagatella, ia para S, Christovaõ, uma
aldea aoude a Familia Real tem um palácio, em companhia do
filho ou sobrinho do Cônsul Geral, Mr. Chamberlain; encon-
tráram-se com a Raynha, que vinha para a cidade; e como
elles iam com pressa naõ se apeáram, e passaram adiante, mas
a guarda de dragoens, tirou-lhe pelos cavallos, e tractou-os
muito mal. O nosso commodoro voltou immediatamente, fez

Miscellanea. 451
uma communicaçaõ formal, pelo canal próprio, ao ouvido Real,
para o seguinte effeito :—•" Que a meuos, que os dous officiaes
commandantes da guarda fizessem instantaneamente uma sub-
missão, e se lhes impuzcsse tal castigo, qual requeria a bandeira
e paiz Britannico, eíle ficaria a bordo de seu navio com seus
officiaes; que naõ prestaria alguma attençaõ ou respeito á
bandeira Portugueza, e que, dentro em poucos dias, se faria á
vela para o Rio-da-Prata, mas deixaria um official com as suas
ordens para esse effeito; e, chegando ali, despacharia o pi i-
meiro navio para Inglaterra, com uma conta deste tractamento."
Isto produzio o desejado effeito: foram immediatamente prezos
os dous officiaes, mandados para a cadêa, aonde ficaram até
hontem, quando, debaixo de guarda, foram levados a bordo do
Creole, e ali na cuberta, com a bandeira Bi it anui ca estendida
sobre suas cabeças, em presença do Commodoro, Cônsul Geral,
e vários Inglezes, que ali vieram para esta oceasiaõ, e perante
todos os officiaes e compunha, (estando os officiaes em seus uni-
formes) humildemente pediram perdaõ ; da maneira mais sub-
missa, por seu comportamento, e imploraram a intercessaõ do
Commodoro, para que fossem perdoados. Dali foram outra vez
para a prizaõ, mas creio que seraõ hoje postos em liberdade,
pela intercessaõ do Commodoro. Naõ podeis fazer idéa dos
sentimentos dos Inglezes neste negocio; todos louvam alta-
mente o Comodoro Bowles, por seu comportamento resoluto.

A esta publicação se respondeo na gazeta Times, com a carta
seguinte ; a que naõ temos por ora lugar para comentar. Somente
observaremos, que a assignatura (Um Braziliense, estabelecido
em Londres) he a mesma daquellas cartas, escriptas por pessoa
de authoridade, que ein outro tempo se publicaram uo mesmo
jornal Times, sobre as negociaçoens, e disputas, entre a Corte
do Rio-de-Janeiro, e a de Madrid.

Ao Edictor do Times.
Senhor!—Vós inseristes no vosso jornal de 20 do corrente,

452 Miscellanea.
debaixo de titulo de ** Espirituosa vindicaçaõ da Honra Na-
cional," uma carta escripta do Rio-de-Janeiro, que contém a
narrativa de um desgraçado acontecimento, que succedeo na-
quella cidade, relativamente ao Commodoro Bowles ; porém com
circumstancias tam falsas ou exaggeradas, que me induzem a
pedir licença para as notar.
Existe no Brazil o custume, como succede em vários outros
paizes, de quem encontra alguma pessoa da Familia Real, seja
nas ruas, seja no campo, apear-se da carruagem ou do cavallo.
He isto um signal de respeito, a que ninguém em geral faz ob-
jecçaõ: mas El Rey tem em todos os tempos dado as ordens
mais positivas ás suas guardas, para que seu indiscreto zelo naõ
exija isto de algum individuo, que, ou por inadvertencia, ou por
qualquer outra causa, omittir conformar-se com este custume.
Na oceasiaõ de que se tracta, o Commodoro Bowles, que certa-
mente naõ ignorava este custume, deveria ter commettido uma
incivilidade reprehensivel, se, como se diz na vossa carta, elle
passou a carruagem da Raynha sem parar: mas o facto he de
outra maneira. O Commodoro Bowles, percebendo a carrua-
gem, que vinha direito a elle ; esforçou-se, como succede mui-
tas vezes em taes circumstancias, para tomar diversa vereda, a
fim de evitar o encontro: porém naõ tendo podido sair do ca-
minho a tempo, foi alcançado, e insultado grosseiramente, naõ
pelos officiaes, como diz a carta a que respondo, mas por dous
soldados, ou cadetes de cavallaria, que sempre vam adiante da
carruagem da Corte; e que por seu comportamento, nesta
oceasiaõ, se fizeram culpados de um acto positivo de desobedi-
ência a seu Rey.
O Commodoro Bowles naõ estava em situação de dirigir ao
Governo Portuguez a communicaçaõ, que menciona o vosso
conrespondente do Rio-de-Janeiro, e que seria deslocada em
toda e qualquer parte, excepto com um Mandarin Chinez, em
Cantaõ. O facto he, que, na mesma noite, pela simples parti-
cipação do insulto, que se lhe tinha feito, e sem que se passasse
queixa nenhuma official, foram os dous soldados prezos, e no
dia seguinte foram os seus officiaes, por ordem d'El Rey, levados

Miscellanea. 453
a bordo do navio do Commodoro, para dar as devidas desculpas,
e noticiar-lhe a prizaõ dos culpados, e a intenção de os castigar
severamente; communicaçaõ esta, a que o Commodoro respondeo
nobremente, intercedendo a seu favor.
Tal he a simples verdade, e podeis estar seguro de que, neste
negocio, de uma natureza tam desagradável em si mesmo, as
intençoens de S. M. Fidelissima eram ja d'antes mui bem co-
nhecidas para admittir, que daqui se pudesse originar algum sen-
timento de azedume nem de uma nem de outra parte.
Deixo-vos o julgar, depois disto, se a phraze " da bandeira
Britannica tremulando sobre as cabeças dos officiaes Portu-
guezes" (phrase sem duvida empregada por uma maõ mais
aoustumada a escrever sobre negócios de sua profissão) he ou
naõ deslocada; e se he próprio esquecer, que a bandeira Portu-
gueza estava arvorada ao lado da Ingleza, quando os seus exér-
citos combinados marchavam á victoria.
Posso unicamente observar, além disto, que o comporta-
mento do Commodoro Bowles, como o tenho descripto, foi
irreprehensivel era todos os respeitos; ao mesmo tempo que,
indubitavelmente pudera ser taxado de imprudência, se elle
voluntariamente falhasse na observância de um custume, esta-
belecido no paiz em que se achava; e que, depois de tudo, naõ
he mais singular do que o outro de gritar pelo God save the
King ; custume a que um estrangeiro se naõ pôde recusar, sem
se expor a ser insultado pelos que lhe ficam ao pé. O vosso
Jornal goza de tam extensa circulação, que tenho julgado ser
do meu dever entrar nestas circumstancias, para que as expres-
soens, contidas na vossa carta do Rio-de-Janeiro, naõ offendam
o orgulho de vossos Leitores Portuguezes, e excitem sentimentos
irritantes entre as duas naçoens, cujos interesses commums,
devem unir uma á outra.

UM BRAZILIENSE ETABELECIDO EM LONDRES.

Londres, 26 de Outubro, 1819.

454 Miscellanea.
AMERICA HESPANHOLA.
A esquadra do Almirante Brion saio de Margarita aos 14 de
Julho, levando a seu bordo a divisão Ingleza, e 300 Margari-
tanos; e aos 18 tomou por assalto as baterias do Morro de Bar-
celona. O ataque foi commandado pelo coronel Urslar, e effec-
tuou o seu objecto com a perda de onze soldados e dous officiaes.
Os Patriotas occupáram depois a cidade; e o coronel Urslar
ficou ali de Governador.
Depois desta operação, o General Udaneta, Commandante em
Chefe da Expedição, ordenou que o exercito desembarcasse em
Bordones, uma légua distante de Cumana. Aqui se lhe uniram
algumas divisoens do exercito do General Bermudes. Neste
porto de Cumana estava a esquadra Hespanhola, bloqueada
pela do Almirante Brion.
A p. 434 publicamos as noticias officiaes, sobre os progressos
do exercito de Venezuela em Nova Granada. Aos 25 derrotou
Bolívar o exercito Hespanhol, depois de um sanguinolento com-
bate ; e o Vice-Rey Hespanhol abandonou Sancta Fé, capital
de Nova Granada.
Os Hespanhoes também publicaram uma conta destes mesmos
acontecimentos, mas he tam ridícula, que naõ julgamos que
valia a pena encher papel com ella. Attribuem a conquista de
Granada, naõ ás forças de Bolivar, mas á sua fraqueza, que o
obrigou a tomar esta medida.
O Vice-Rey, Samanas, retirou-se da Capita), e foi para
Mompoz, povoaçaõ situada juncto ao rio Magdalena, 190 milhas
de sua embocadura; e no dia 19 escreveo que se acharia em
Beranca no dia seguinte ; aonde se faria forte, para se oppôr ao
inimigo que o seguia de perto.
As ultimas noticias dizem, que Bolivar entrou na capital de
Sancta Fé, depois de haver vencido tTes batalhas, e perdido duas;
mas esta informação carece ainda de confirmação.
Por uma ley do Congresso de Venezuela, datada de 18 de
Junho deste anno, se concede uma amnistia, naõ somente aos
naturaes do paiz, que tem seguido o partido Realista, mas
também aos Hespanhoes, que quizerem viver no paiz.

Miscellanea. 455
Estas e outras medidas do Congresso, de similhante natu-
reza, tenderão muito a consolidar aquelle Governo.
De p. 314 em diante copiamos os documentos de Venezuela,
sobre a eleição do General Bolivar para Presidente da Republica,
e sobre as foi mulas interinas daquelle Governo, o que he de
necessidade saber-se.
Também começamos, e continuaremos no N°-seguinte, a falia
do General Bolivar, sobre a forma de Governo, que propõem
aquelle paiz. Este papel he mui digno de attençaõ.

Deixamos publicado a p. 380 um papel, que se intitula, De-
claração da Independência de Texas. A matéria em si naõ he
mui importante, nem o nome do que assigna a Declaração
indica ser pessoa do paiz : e com tudo, isto serve para mostrar
o estado em que se acham as colônias de Hespanha, que saõ
reputadas absolutamente, pelo que dizemos em Portuguez
vulgar, roupa de Francezes, naõ ha quem naõ se atreva a apro-
veitar-se de seu retalho; e a pezar destas liçoens tam severas, a
cegueira do Governo Hespanhol naõ tem alteração; cuidam e
os Cortezaõs de Madrid, que estaõ ainda no século de Carlos V.
O facto porem he, que o tal denominado Presidente de Texas
naõ he outra pessoa mais do que o General Loug, que se acha
acampado poucas milhas abaixo do rio Sabine, com cerca de
500 homens, bem armados. Chegaram a Galves-town 500
homens, em sua marcha para Texas, para se unirem ao
General Long.
O General Hespanhol, Aradonda, com 1.500, ou 2.000 Hes-
panhoes, marchava a defender aquelle paiz, mas a questão he,
até que ponto o povo obraria com elle.

O Gram Jurado de Nassau, New Providence, declarou fundado
o libéllo contra Gregor Mac Gregor, que o accusa de adjudar e
fautorizar a pirateria, expedindo commissoens ou patentes, nas
Bahamas, a subditos de Potências, que estaõ em amizade com
Hespanha. Mac Gregor será, portanto, processado por este
crime.

456 Miscellanea.

Em noticias de 15 de Junho se diz, que Lord Cochrane tinha
feito algumas prezas de grande valor, na costa de Paita. ha-
vendo tomado um convoy armado aos Hespanhoes, e um vaso de
guerra; e também uma escuna carregada de armamento, que ia
de Baltimore, para o Vice-Rey do Peru. O almirante Blanco
ficava prezo, para ser processado por desobediência de ordens,
havendo levantado o bloqueio do Peru, logo que dali saio Lord
Cochrane. O Capitão Guise tinha sido nomeado segundo em
commando na esquadra.

ALEMANHA.
O Leitor achará a p. 386, as resoluçoens, que adoptou a Dieta
de Frankfort, em conseqüência das proposiçoens Jo Ministro de
Áustria. Esta proposição se contém em um documento, que
começamos a publicar a p. 370, mas que por sua grande exten-
çaõ fomos obrigados a deixar em parte para o N°. seguinte.
Disse-se, que os Ministros de Prússia, Baviera, Saxonia,
Hannover, Nuremberg, Baden, Mecklemburgo é Nassau decla-
raram logo, que tinham recebido ordens de suas respectivas
cortes, para acceder sem reserva ás proposiçoens do Ministro
Austríaco. Outros Ministros também declararam o mesmo;
mas assevéra-se, que a approvaçaõ desta medida naõ he tam geral
como se quer indicar.
Na Prussia, naõ foram as resoluçoens da Dieta recebidas com
a unanimidade que se esperava. Os tribunaes protestaram
contra aqueilas resoluçoens, e dizem que o Baraõ de Humboldt
se oppuzéra muito a isso, em uma representação, que fez ao
Principe Hardenberg.
O Governo Prussiano tem respondido ás duvidas, dizendo, que
as resoluçoens da Dieta seraõ executadas com moderação e
justiça ; e ao mesmo tempo, que a Prussia terá sua constituição.
Esta se tem muitas vezes promettido, mas naõ acaba de chegar,
e por isso a irritação he cada vez maior.
As resoluçoens da Dieta causaram, como éra de esperar,
grande sensação na Alemanha; porque nellas se estabelece o

em que diz. A policia interna de cada Estado ficará. A proclamaçaõ conclue dizendo. que os deve destruir pela mesma difliculdade da reunião de tam di- versas molas. sobre que cada um dos Ministros tem de pedir instrucçoens. para ali ficarem em prizaõ. que se entende naõ terá lugar antes do mez de Janeiro. até que a ley decida de sua sorte. principio este que he opposto á Soberania e independência dos mesmos Estados. O Eleitor de Hesse-Cassel publicou uma proclamaçaõ. e associaçoens traidoras formadas na Alemanha. quando prezas. No. está fixada para á abertura da Dieta. re- lativamente á nomeação de Commissoens. 137. que se ajunetará em Vienna no mez de Novembro. e de tam confusa combinação. e isto he uma degraduaçaõ. por uma resolução da Dieta de 20 de Septembro. Alem disto todas as resoluçoeus receberão ulteriores ampliaçoens no Con- gresso Ministerial das Potências da Alemanha. que seraõ. e esta politica deve trazer com sigo uma complicação na machina dos Governos. O Presidente da Dieta propoz varias outras resoluçoens . parecem uma conspiração contra todas os povos da Alemanha. A decisão deffinitiva dos differentes objectos. XXTIT. Isto ataca os Soberanos. a que ainda nenhuma naçaõ se submetteo. Miscellanea. &c. que. mas as proposiçoens sobre a liberdade da imprensa. para julgar dos casos de alta traição põem os Alemaens em circumstancias de serem julgados por juizes es- trangeiros. e com authoridade para exigira prizaõ das pessoas suspeitas. levadas a Mentz. á industria interna. a Confederação Germânica. A Commissaõ central em Mentz. e para a inspecçaõ das Universidades. estabeleceo uma Commissaõ Central em Mentz. á liberdade do Commercio. assim sugeita á inspecçaõ de seus a alliados. 3 N . 457 principio da ingerência da mesma Dieta contra os vassallos cri- minosos dos differentes Estados da Uniaõ. para indagar sobre estes planos illegaes e perigosos. ao estabelicimento de direitos de Alfândega nas fronteiras da Alemanha. para reprimir as intrigas secretas. que se alguns de seus subditos se acharem culpados de taes combinaçoens sedicio- V O L .

se tiverem uma constituição. e em 1815 mantinha um exercito de 535. e que desejem de- fender . e estes nunca seraõ a favor de uma invasão Franceza. porém. que deve resultar da comparação de seu systema de Governo com o da França. sas. era sua situação actual naõ pôde manter ideas de invadir a Ale- manha. Os dominios Ale- maens da Áustria. do que nenhuma invasão Franceza. proposto pelo Ministro de Áustria. <* quem a ha de forçar á submissão ? ARGEL. existem duvidas consideráveis. em ordem a cubrir Suabia.458 Miscellanea. que lhes seja agradável.000 homens. comprehendem 9:283. A França. Toda a população de Áustria he de 28:000. em uma das gazetas Inglezas do partido Ministerial. sobre as fortalezas da Confederação. se os povos da Alemanha virem frustradas suas esperanças a este respeito. parece mais theoretico do que praclico. A Áustria propõem Ulm. e privados dos seus privilégios de cidadãos. As gazetas da Alemanha raciocinam assim. O Exercito de execução. que a Áustria desobedece á Dieta. seraõ excluídos do numero do povo Ilessez. .000 almas. e fazer parar qualquer inimigo nos desfiladeiros da Foresta Negra: os votos dos outros Estados. dizem. que se devera fortificar. mas a principal difliculdade está era achar fundos para as despezas necessárias a estas fortificaçoens : e sobre a necessidade de fortificar a Alemanha.000 . a Baviera deseja que se fortifique Rastadt. e Donaueschingen. Supponhamos. Achamos a seguinte importante noticia. e a parte de Prussia na Alemanha contem 7:616. sem ter esperanças de cooperação da parte dos povos. A população de Ale- manha se reputa em vinte e nove milhoens. deve ser mais perigosa.000. que saõ a favor de Rastadt e Ulm. como principal praça d'armas . Os Estados da Alemanha ainda naõ concordaram. a opposiçaõ.

composta do Rochefort.findosem 30 de Junho passado. 10 de Septembro. As rendas do Governo. e a fragata Galatea. Comparando as diversas relaçoens a este respeito." ESTADOS-UNIDOS. somos de opinião. que estes embaraços provém unicamente do demasiado espirito de especulação naquelle paiz. com- mandada pelo Vice-Almirante Lurein. e de facto saíram estes de Argel sem fazerem nenhum arranjamento. As noticias de algum tempo a esta parte referem. em suas rela- çoens politicas. ura brigue de guerra commandado pelo Vice-Almirante Sir Thomas Freemantle. e a ruina de muitos bancos. que elle naõ podia realmente com- prehender. In- gleza e Franceza. por mais grandes que estes sejam deve pro- duzir a ruina dos indivíduos. Confirm amo-nos nesta opinião. &c. o continuarem no pé em que até aqui tinham estado. " A isto replicou o Dey. nos termos seguintes :— " Que se naõ pennittiria por mais tempo ás Potências Bar- barescas. os dous Almirantes desembarcaram: aos 5. 459 " Argel. . levando as transacçoens mercantis a maior ponto do que permittem os recursos de paiz. o que lhe diziam os Almirantes. de 80 peças. Miscellanea. e que daqui em diante se deveriam considerar. Uma esquadra combinada. o navio Francez Colossus. apresentaram ao Dey. que. quando vemos. que nem as rendas do Governo. relativas ás Potências Barba rescas. saõ as seguintes. nem o credito dos fundos públicos tem di- minuído. em nome de seus Soberanos. que ha nos Estados-Unidos grande falta de capital. o que tem causado considerável incommodo ao commercio. &c. chegaram aqui aos 3 do corrente: aos 4. as resolu- çoens do Congresso em Aix-la-Chapelle. no mesmo ponto de vista das demais naçoens civilizadas. pelos dous quartéis.

Estes prezos saõ principalmente pessoas.. para se pagarem do que lhes deve a Hespanha .000 Total-Dollars 13:550. a que o cha- massem suas avocaçoens legitimas. o principio de que. O êxito mostrará se acertamos ou naõ em nossa conjectura. uma applicaçaõ formal. e requereo. Na quella oceasiaõ declarou o Congresso em Washington. para que o Governo Hespauhol soltasse certos prezos. que o Ministro dos Estados-Unidos em Ma- drid fizera. como regra fundamental de sua politica. que se suppôem fallar os sentimentos do Governo.000 As noticias dos Estados-Unidos tiradas daquellas gazetas. que os Estados-Unidos continuarão na posse das Floridas. fossem processados immediatamente. se esta usar da força paia as recuperar. qualquer cida- dão daquelles paizes.460 Miscellanea. nova prova de que os Estados-Unidos naõ lagaraõ jamais a Florida. Alfândegas 10:330. em vasos com aquella bandeira. e que se portasse como con- ." que éra devido á dignidade dos Estados-Unidos adoptar. e foram tomados no mar. naõ faz mais do que lançar d'ante maõ os fundamentos. que entraram no ser- viço dos Insurgentes. que saõ obrigados pela Hespanha a entrar em uma guerra defensiva. e he fun- dado no memorável relatório do Congresso. e quando aquelle Governo professa ábhorrecer a guerra. os Estados-Unidos diraõ. Dizem também. Mead. para ao depois a justificar. ou naufragados nas costas de Hespanha. em nome de seu Governo. Evidentemente a sequella das cousas he.000 Miscellaneas 927. contra quem ha accusaçoens. no caso de Mr. em qualquer parte do mundo.000 Venda de terras baldias. que saõ cidadãos dos Estados-Unidos . 2:293. mostram grande moderação. Considera-se isto como um passo denodado. e indicativo do fu- turo comportamento do Governo dos Estados-Unído . a respeito da naõ ratificação do tractado Hespanhol sobre as Floridas. que a outros. Esta moderação apparente he quanto a nós.

Fernando. Forsyth. os outros envolvem toda a naçaõ. supposto naõ tivesse instrucçoens a este respeito. HESPANHA. toda a força da Naçaõ. respondera: que. que se lhe fizesse devia soffrer represá- lias. que tivessem adquirido assas força e estabilidade . O primeiro destes objectos naõ passa além do circulo dos cortezaõs. que ocupam a attençaõ dos políticos Hespanhoes . e a nomeação do Primeiro Ministro na pessoa do Duque de S. que tal proposição éra absolutamente inadmissível. Os principaes objectos. Accres- centou mais. o tractado das Floridas. pelo qual os Estados-Unidos se obrigassem a naõ reconhecer a ind ependencia de Buenos-Ayres. Mr. e que qualquer injuria. Dizem que o Ministro dos Est ados-Unidos. no caso da ratificação. a chegada de sua nova Raynha." Aqui temos novo motivo de queixa ja preparado contra a Hespanha. se fosse necessário. ou de qualquer outra das secçoens livres da America Meredional. tinha direito á protecçaÕ de seu Governo. Quanto ao tractado das Floridas dizem agora. saõ. que a sua impressão éra. a inserir um artigo de novo. Miscellanea. naõ hesitava em declarar. FRANÇA. O Moniteur publicou uma Ordenança Real. empregando-se. 461 vinha a seu character. que o Governo dos Estados-Unidos reconheceria aquella independência de Buenos- Ayres. se estava au- thorizado. que o Ministro Hespanhol perguutára ao dos Estados-Unidos. pela qual se con- vocam as Câmaras para 15 de Novembro.

que julgava naõ convir a sua ida aos Estados-Unidos. Fernando houvesse sido nomeado Ministro para os Estados-Unidos. relativamente aos Estados da America do Sul. estas debandaram-se. que esperava re ceber até o fim de Septembro. posto que desgraçada em tantos respeitos. éra isso por motivos totalmente independeutes de suas relaçoens com Hespanha. os progressos da febre epidê- mica que começou em Cadiz. que éra uma Republica.462 Miscellanea. Daqui veio que El Rey o nomeou Primeiro Ministro. Os fardamentos emuniçoens de boca foram queimados por ordem do Governo . o Duque representou no Con- selho. declarou-se na esquadra e nas tropas . que no mesmo espirito de moderação esperaria as instrucçoens finaes de seu Governo. que o Duque de S. dando-se-lhea ordem de marchar para o interior. se os Estados-Unidos ja naõ tinham determinado a linha de sua politica. que nada. convencido de seus argumentos. Entre as calamidades presentes de Hespanha naõ he a menor. he bem notável. no mesmo instante em que se lhe com- municou officialmente. Esta causa. senaõ o desejo de convencer o mundo das amigáveis disposiçoens dos Estados-Unidos. desertaram em todas as direcçoens. e os soldados. mas com tal medida se espa- lhou o mal pelas provincias. e certamente he bem lamentável. Uma gazeta da França assevera que a expedição de Cadiz está irrevocavelmente abandonada. que a sua graduação éra tam elevada. e que. O Ministro Americano disse mais. con- tribuio também para se dissipar toda a esperança de poder aprontar-se a expedição para a America. nesta cidade e suas vizinhanças tem feito estragos deploráveis. Quanto ao terceiro ponto da politica de Hespanha. O Ministro da Guerra expedio ordens para sevem prezos os desertores. que o tractado se naõ ratificaria: e accrescentou. El Rey approvou a sentença dada pelo Supremo Conselho de . o im- pediam a sair de Madrid. principalmente por seu parentesco com a Familia Real. para justificar tal reconhecimento.

tem resolvido.M. que se escrntinize da maneira mais escru- puloza o seu comportamento civil e religioso. a seguinte ordem d'El Rey de Hespanha. sem que se lhes permitia a menor communicaçaõ de uns com outros: he alem disto ordenado.. Achamos publicada nas gazetas Inglezas. Capitaens Lopcz e Arguez. arcabu- zeados pelas costas e os seus bens confiscados. porém com esta difTerença. seraõ ouvidos em sua defensa. pelo Conselho do Tri- bunal da Fé. que os prezos de Estado encarcerados como insurgentes Ameri- canos. El Rey meu amo. Os Capitaens Casta- nheda e Peon saõ condemnados na mesma forma. depois de consultar o mesmo. e a sua pro- priedade confiscada. e condemnaçaõ ás galés por vários períodos de quatro até dous annos: nesta classe ce condemnados entram 20 officiaes de varias graduaçoens. em que saõ fundadas as perguutas feitas ao Reverendo Bispo de vossa Fortaleza. e prezos em fortalezas. sendo informado dos motivos e razoens. em 9 de Julho passado. que se acham na fortaleza de Ceuta:— " Ministério da Guerra. sejam tractados com o maior rigor. Esta approvaçaõ de S. entre os quaes ha tres coronel. e dos que tiveram o processo suspendido. 463 Guerra. negociante. sobre os prezos de Estado. será também arcabuzeado pelas costas. se tres tenentes coronéis. monta a 148. Os suspendidos de seus empregos. todos culpados de contumazes. ou Liberaes. e que se lhes . S. compreheude 242 pessoas. M. datada de 12 de Agosto. sobre a tentativa do General Porlier. André Roxo. de 6 mezes até 4 annos. Se se apre- sentarem. O numero das pessoas absolvidas. Coronel Peon. O Brigadeiro Ranion Romay. Major Pierre Miqueliz. Os outros castig-os saõ privação dos empregos. quasi todos officiaes. saõ 23. Tenentes Uniedia e Ubarnes. que naõ seraõ ouvidos em sua defensa. Miscellanea. da Marinha .

Communico-vos isto. e para que vos conformeis com o mesmo." El Rey de Hespanha ordenou o estabelicimento de escolhas geraes por todo o Reyno. aos 23 de Novembro. ou para melhor dizer anticipada ao tempo ordinário. No entanto isto he o que acontece aqui amiudadas vezes. Deus vos guarde muitos annos. que similhante medida concorde com a Inquisição.] INGLATERRA. e quando a importância da questão chegue a muito. Catho- lica ou seus Conselheiros. Ao Go- vernador e Commandante Geral da Fortaleza de Ceuta. O Marques de AIos. Por uma proclamaçaõ de S. para sua devida execução. aos 2 de Septembro de 1819. naõ devem perceber a connexaõ desta medida com o resto de seu systema . o Princiqe Regente. se mandou convocar o Parlamento. segundo o systema de Lancaster. ou aliás naõ intentam por em effeito o que dizem. Imponham as penas e castigos conforme merecerem . A. S. e mais restricçoens aos progressos das sciencias. que tem feito muita bulha nas gazetas Inglezas. No presente caso. Assignado. . nem isto mesmo suppomos que aconteça. A causa desta convocação extraordinária. porque da menor contravenção a estas prudentes medidas depende a segu- rança do Estado. datada de 11 de Outubro. Estas commoçoens. se attribue a algumas commo- çoens populares. R . M. oceasionará a mudança de Ministério. sendo isto por especial ordem d'El Rey Nosso Senhor. sob vossa especial responsabili- dade . que tem havido. talvez pareçam de grande momento a quem lêr no estrangeiro essas gazetas. He impossivel. sem o co- nhecimento prévio do character desta constituição e custumes Inglezes. &c. Palácio Real.464 Miscellanea.

para a reprimir. pelo seguinte de- creto :— " Desejando prevenir os abusos. algumas das quaes parece que faliam a linguagem official da Prussia." " Esta ordenação provisional terá força de ley. a uma censura do Governo. que su- geita os jornaes. Warsaw. O Imperador Alexandre. e que a ley regulará os meios de reprimir os seus abusos. sobre o mesmo assumpto se diz o seguinte :— " Para completar a nossa ordenança de 22 de Maio. 16 de Julho. • o . até que se faça uma ley. até que se fixe definitivamente a legislação da imprensa por um Decreto. da Charta Constitucional de Polônia se de- clara. JN°. que se applica ás publica- çoens periódicas. Imperial e Real. Em outro Decreto. que podem resultar da liber- dade da imprensa. quer sejam periódicas. porém. Pelo artigo 16 o . XXIII. de S." Os outros dous artigos deste decreto se referem ao modo de executar a ordem Imperial. de 1819. M. decretamos. A gazetas estrangeiras. que as con- V01. PRUSsrA. insistem em dizer. temos decretado o seguinte :— " Todas as gazetas e escriptos periódicos seraõ daqui em diante sugeitos a uma censura do Governo. que o artigo.. e outras obras periódicas. 466 POLÔNIA." que a liberdade da imprensa he garantida. impressas no Reyno de Polônia. quer naõ. Miscellanea. será igualmente applicavel a todos os escriptos e obras de qualquer gênero que sejam. 137. abolio esta liberdade.

que se propõem combater. que tem adoptado. desde o Baltico até o Golfo de Veneza. para toda a Alemanha. Um Jornal de Gante. mas unicamente o resultado de uma combinação oceulta. ou de uma Monarchia. e as alteraçoens mais triviaes no vestido saõ reputadas como índice das opinioens dos indivíduos de todas as classes. Em fim continua-se a crer. ou ao menos a obrar como se crêcem. contra a conspiração. que temos previamente annunciado. e por tanto sobre isto ficamos ainda na opinião. que tam attrevidamente infestam os Estados Ecclesiasticos. Muitos individuos conspicuos. spiraçocns na Alemanha tem ramificaçoens mui extensas. abraçando todos os povos que faliam a lingua AlemaS. e pro- jectos mui vastos sobre a destruição dos actuaes Governos da Alemanha. tendente a justificar o comportamento do Governo Prussiano. e dispersou os habitantes: esta me- dida de extremo rigor. que a generalidade de ideas. que tem as apparencias de official. e estabelimento ou de uma Republica. causou as maiores misérias aos indivi- duos. nas medidas de rigor. O Governo Papal. naõ he effeito da mudança na opinião e dos custumes públicos. que viviam no lugar. mas talvez aquelle Governo naõ achasse meio melhor de . mandou arrazar a povaçaõ de Sonino. e directora. nos esforços para ex- pulsar o jugo dos Francezes. Esta expli- cação he tam mysteriosa. que se suppôem existir na Alemanha. saõ suspeitas da mesma culpa. systematica. traz ura artigo. procedendo em seu plano de exterminar os ladioens de estrada. em massa. ROMA. saõ accusados de entrar nestes planos: as universidades.466 Miscellanea. aonde os salteadores se abrigavam. como a conspiração. e que se acham agora sem habita- ção . para a mudança das formas antigas de Governo na Alemanha.

000 almas. 382.000 homens. Miscellanea. como indicio disso. sob a jurisdicçaõ do Waivoda dos . o resumo da Convenção entre a Suécia e Dinamarca. convencida dos pérfidos desígnios de Ali. TURQUIA. As rati- ficaçoens foram trocadas aos 20 de Septembro. naõ fosse practicavel. Parece que para contradizer estes boatos se fez publicar nas gazetas de Alem. o immenso exercito. Mencianamos em outros Nos. Publicamos a p. de postar uma guarniçaõ em Soniuo. e que a medida bem obvia. 467 executar seus planos.000 homens em armas. RÚSSIA. a existência politica de Parga. A Porta Othomana. nha o seguinte paragrapho :— " He totalmente falso. que o Imperador de Rússia tenha um exercito de 740. e que se dava. que tinha garantido.000 homens. sobre a questão da divida de Norwega. e que esteja fazendo uma leva de 160.000 homens. que o Imperador de Rússia éra accusado de planos ambiciosos na Europa. Com effeito só uma extrema necessidade podia justificar aquelle Governo em destruir uma povoaçaõ inteira. pelo tractado de 21 de Março de 1800. O exercito naõ monta a mais de 400. que possue. Pacha de Janina. e reduzir á ultima desgraça 3. e que continua a augmentar. em Stockholmo.e indignada de se achar comprometida com a Rús- sia. e a leva he de 60." SUÉCIA.

em conse- qüência das resoluçoens da Dieta em Frankfort. WURTEMBERG. El Rey assignou em publico o Acto Constitucional aos 20 de Septembro. o Gram Mestre de Ceremonias. senta- do S. Por um Katis- cherif. Sua Alteza ordenou ao Pacha Bey. emanado do Gram Senhor.468 Miscellanea. e as mesquitas foram postas debaixo de interdicto. de que aquelle paiz dá tantos exemplos. e pelos dos Estados. e dimittio o Mufti. e se offereceo um prêmio por sua cabeça. Pelas gazetas de Alemanha de 24 de Septembro se diz. nomeado pelo Governo. que. Os vassallos de Ali saõ convidados a abandonállo. A Porta ao mesmo tempo garante a segurança dos tres filhos de Ali. com algumas modificaçoens triviaes. o Ministro do Interior. e sette dos principaes Baxás de Romelia. arranjada pelos Commissarios Reaes. que o plano de uma Constituição do Reyno de Wurtembrg. O Gram Senhor mandou chamar á sua presença todos os seus Ministros. porém no I o . com tanto que elles se separem da causa de seu pay. e Gram Marechal. &c. quatro Cantoens da Terra Firme. ficariam sugeitos á inspecçaõ de um censor. diz um artigo de Gênova. de Outubro se annunciou. um rico desterrado de Janina. que atacassem o rebelde Ali. ficava suspensa a liberdade da imprensa em todo o Reyno de Wurtemberg . . e que todos os jqmaes. M. A falia d'El Rey éra mui cheia de expressoens conformes ao espirito da constituição. adoptou medidas dignas de sua politica e sua boa fé. e recommendando o patriotismo dos in- dividuos . O Ministério de Constantinopola acaba de soffrer uma daquellas mudanças repentinas. foi adoptada pela Assemblea. em seu throno. fazendo nessa oceasiaõ uma falia aos Estados. O Gram Almirante foi logo estrangulado.

pelo contrario. Mce. que V. e soffre depois de quatro annos o pezo das suas conseqüências. sendo por aquelle . também condemnado a cinco annos de prizaõ. 20 de Agosto. ( 469 ) CONRESPONDENCIA. foi o mesmo Commen- dador. a exposição politica de um accontecimento. 528. e o quiz representar. No correio Braziliense do mez de Maio de 1818. o Commendador Sodré. quando isto se passa em Paris. Senhor Redactor do Correio Braziliense ! O meu amigo. em razaõ da calumnia de que foi motor. Ora. e que se disse ter tido origem em Paris. que éra relativo ao dicto Commendador. foi por isto mesmo condemnado pelos tribunaes de Paris. sobre o Commendador Sodré. segundo as penas impostas pelas leys criminaes Fran- cezas. como de uma natureza grave e assas culpavel. que he coincidente com os principios de rectidaõ e hu- manidade. e por fim. aonde pouco depois. p. mettido em um processo criminal na sua pátria. assim o ordenando uma portaria. apresentou V . que causou . Carta ao Redactor. j á lhe deve uma mercê. o principal Quidam^ que em Madrid o denunciou. a pagar todas as despe- zas. de que consta o seu interessante jornal. a dcsdizer-se. 1819. Mce* tem até aqui manifestado nos diversos assumptos.

a mais triste e humilhante prova do seu estado politico ! . Mr. para a naçaõ Portugueza. cidadão Americano . e ao . Governo. consolidou a força e preponderância politica da sua pátria: < E quem o poderá duvi- dar. honra. . a sua desgra- çada. e protecçaÕ. contra tudo quanto pôde minorar e denegrir os direitos e prerogativas nacionaes. e que o calumniou quem o accusou em Madrid. que lhe deve como a um de seus subditos. e ainda que naõ he esta a oceasiaõ de indicar as suas causas. direi somente. Mead. da inércia . e da protecçaÕ que um e outro individuo entaõ experimentou dos respectivos Representantes dos seus Governos. que nunca o foi. (a meu ver a mais culpavel) de alguns de seus Diplomatas. com evidencia. no centro da sua pátria. quando meditar sobre a actual posição dos Estados-Uni- dos ? Quando o Ministro Portuguez em Madrid. apresentou um judicioso parellello político entre elle. M ce * se oecupou deste acontecimento. como em rotina. protegendo e revindicando os direitos e a liberdade do seu concidadão. e quasi completa nullidade politica. des- prezam e negligenciam de pugnar com calor e empenho. pretextando um facto que nunca existio. que V. . no que he relativo ao mesmo Commendador. foram. por pedido de Cevallos. Com effeito. quanto se passa nas pretençoens e negociaçoens diplomáticas desta naçaõ piúva. e que. porque o tinham denunciado culpavel em Paris. os quaes. e Mr. . e por comprazer com este . aonde está para sempre e solemnemente demonstrado. . a quem também na mesma oceasiaõ perseguia o assas conhecido regulo Cevallos. M ce . ficava sendo fora da competência do Governo Portu- tuguez. Na oceasiaõ em que V. coadjuvando a perseguição do mesmo Commendador. 470 Conrespondencia.deduzio dos factos notoria- mente sabidos. considerado como criminoso na sua juris- dicçaõ. vassallo Portuguez. Meade. As conseqüências. que o Ministro Americano. . fez em conclusão conhecer aos seus concidadãos. amparo. mesmo quando tivesse sido verdadeiro.

para conhecer d'onde outrora proveio a sua grandeza. escripta sobre o mesmo acontecimento. e exemplarmente punir. em que o seu Augusto Soberano. uma memória juridico-politica. na fruição do que he devido a cada um dos subditos Portuguezes. e por desgraça da naçaõ custumam fazer valer. como pertencendo a uma naçaõ. 471 mundo inteiro. a que ponto tem chegado o abandono desta naçaõ. -nqual sem contradicçaó está também intimamente ligado aos . em que por própria expe- riência. poderão merecer-lhe algumas observaçoens no ponto juridico da causa. e por isso também desde logo atingir com as causas da sua presente e humilhante decadência. os cargos de Estado como herança dos cidadãos Fidalgos. sem outro titulo. Os factos e circumstancias. . que em fim naõ estamos distantes do momento. se digne mandar escolher cidadãos de reconhecidos talentos e perícia. e da mais importaute consideração na- cional. que se expóem. aquelles dos seus empregados. e por si só. para exercerem importantes cargos. Mce. possa poderosa- mente influir na recuperação da quasi extincta consideração nacional. e pelos resultados. merecimento. fará remediar. e conforme ao qual deveria ter sido regulada a questão. para exercerem os empregos de importância. Esperemos que chegue o momento. Esperemos que esta mudança. como se collige em natural revindicaçaõ dos direitos e liberdade civil. M. ou melhor mandará dimittir do seu Real Serviço. quando assim quizer meditar sobre algumas das paginas dos annaes da sua Monarchia. que sô entraram nos lugares. S. e sem excepçaõ. da sua incon- testável nullidade política. excepto aquelles. ou conhecimentos politi- cos. e que finde a rotina desastrosa de serem. Apresento agora a V. a que só bastara. de herança ou jerarchia. e assim também ex- pressando o positivo texto das leys pátrias. E que outra cousa prova a sua complicada e assas cri- tica posição ? Esperemos por estes e similhantes causaes. que lhes advem. Conrespondencia.

como po muitas vezes tem mostrado. naõ tanto pelos resultados. que uma naçaõ zelosa de sua representação politica jamais pôde desprezar. que um simples individuo experimenta. por isso mesmo que. LUZITANIUS. Mce. Os conhecimentos jurídicos. uma vez violada. que tem experimentado o Com- mendador Sodré.possue. Sirva-se Senhor Redactor de aceitar os protestos de venera- ção. aquelle acto de despotismo. naõ existe cidadão algum. que se practica em prejuízo e vexame de um dos membros da grande família social. ou injustiça. mas sim em revindicaçaõ do primeiro principio da organização social: isto he. que se possa dizer e considerar como izento de passar pelos mesmos ou mais graves inconvenientes. e desprezado o texto das leys que a protegem. que V. 472 Conrespondencia. poderão sem duvida determinállo a com maior e mais legítimo esclarecimento desenvolver e ampliar alguns dos pontos mais importantes dessa memória . toca directamente com o todo dessa corporação politica. que lhe tributa o seu obrigado e agradecido. primeiros e sempre immutaveis principios do direito publico. .

POLÍTICA. e fol- gando de lhes fazer mercê: hei por bem que todas as vil- las e povoações de índios nas sobredictas provincias fiquem izentas de pagarem mais o subsidio militar. com que os índios habitantes nas diversas villas do Ceará Grande. v i l . 136. por seu comportamen- to no attendado de Pernambuco. R E Y N O UNIDO D E PORTUGAL BRAZIL ALGARVES. 1819. Na quarta parte nova o» campos âra E se mais mundo houvera lâ chegara CAMOEN8. e Parahiba marcharam contra os revoltosos. 14 . Tendo consideração â fidelidade e amor â minha Real Pessoa. N°. 3p . XXII. DE NOVEMBRO. Pernambuco e Paraíba. premiando os índios das aldeas do Ceará Grande. estabelecido VOL. e. que na villa do Recife tinham atten- tado levantar-se contra a minha Real Soberania. e atacado as authoridades por mim estabelecidas: querendo mostrar quanto o seu fiel comportamento me foi agradável. Pernambuco. Decreto. [4731 CORREIO BRAZILIENSE. V.

Segundos e Primei- ros Tenentes do Mar de minha Armada Real. que ja lhe estaõ arbi- tradas. O Conselho da Fazenda o tenha assim entendido. o se- jam também do direito do sello. Havendo considerado que os soldos. O Conde dos Arcos. que se acham esta- belecidos para os Guardas-Marinhas. que saõ por graça isentas de todos os emolumentos. e mande expedir as ordens necessárias. Palácio do Rio-de-Janeiro em vinte e cinco de Fevereiro de mil oitocentos e desenove. e declarando-se assim as verbas do mesmo sello. que elles vençam de ora em diante os soldos de que gozam aqui os officiaes de Infanteria da conrespondente graduação. sellandc-se de graça. consistindo entaõ as suas únicas vantagens rias comedorias. Decreto para o augmento do soldo dos officiciaes da Marinha. sem que com tudo hajam de perceber qualquer accrescimo quando estiverem embarcados.474 Politica. do meu Conselho. aos quaes d'aqui em diante mando estabelecer ordenado correspondente pela minha Real Fazenda. e regulado na de tres de Agosto de mil oi- tocentos e cinco. Que as patentes dos mesmos índios. saõ nimia- mente diminutos para no tempo presente fazerem face à sua decente manutenção: sou servido ordenar. ou outra semelhante. novamente declarado no Alvará de vinte e quatro de Janeiro de mil oitocentos e quatro. pela carta regia de quinze de Maio de mil seiscentos e cin- coenta e quatro. E que naõ sejam obrigados a pagar quotas partes de seis por cento. Ministro e Secretario d'Estado dos Negócios da Marinha e Dotni- . sem pagamento algum. aos seus directores. Com a Rubrica de El Rey Nosso Senhor.

os systemas. e Pericles. ali naõ havia uma exacta distribuição dos poderes. VENEZUELA. (Continuado de p. freqüentemente reno- vados. do que as suas leys. que parecia uma invenção chi- merica. Com a Rubrica de Sua Majestade. 475 nios Ultramarinos o tenha assim entendido. virtude. os estatutos. foi o resultado da legislação de Li- curgo. Ainda que dous reys em um Estado. ainda que também usurpador. com uma soberania absoluta. A republica de Thebes naõ teve mais vida que a de Pelopidas e Epaminondas. no acto de sua installaçao. e o faça exe- cutar com os despachos necessários. em 12 de Outubro de 1818. os que formam os Governos. . 368. Palácio do Rio-de- Janeiro. porque as vezes saõ os homens. leys suaves. A constituição Romana he a que maior poder e fortuna produzio a povo algum do mundo.) A republicade Esparta. homens illustrados constituem as republicas. Gloria. que pouco in- fluem sobre as sociedades: homens virtuosos. Discurso pronunciado pelo General Bolivar ao Congresso Geral de Venezuela. e naõ os principios. homens pa- triotas. e por conseguinte a felicidade nacional. saõ obras mortas. o Senado. por mais sábios que sejam. foi o mais útil cidadão. moral. produzio mais effeitos reaes do que a obra enge- nhosa de Solon. Politica. Pisistrato. Os Cônsules. livre eleição de seus magistrados. Os códigos. Esparta teve pouco que sentir de seu duplicado throno: no entanto que Athenas se promet- tia a sorte mais esplendida. usur- pador e tyranno. foi mais saudável a Athenas. saõ dous monstros para o devorar. sábias e politicas.

470 Politica. e puramente guerreiro. queja todos os entes. A revolução des- tes dous grandes povos. tem feito suas provas ephemeras de liberdade. e dando-lhes liçoens eloqüentes. em sua luminosa carreira. O executivo. ja magistrados. tem aprendido quaes saõ os direitos do homem. e quaes os seus deveres. em que consiste a excellencia dos governos. Legisladores. como um radiante meteoro. ja juizes: todos participavam de todos os poderes. e quam in- difterentcs custumam ser as instituiçoens. para mostrar aos homens de quanto saõ capazes as virtudes politicas. U m Gover- no. A pezar de sua deformidade. naõ sof- freo a Republica a desastrosa discordância. He aqui o lugar de repetirvos. que toda a providencia teria supposto inseparável de uma magistra- tura. Todos sabem apreciar o valor intrín- seco das theorias especulativas dos philosophos e legisla- dores modernos. elevou Roma ao mais alto esplendor de virtude e de gloria. em matérias de Governo. E m fim este astro. cuja única inclinação éra conquista. e formou da terra um domínio Romano. e em que consis- tem os seus vicios. o povo eram j a legisladores. composta de dous individuos.q ue também se tem lançado no turbilhão políti- co. com as faculdades de um monarcha. e tem tornado a sepultar-se em suas prisoens e fogueiras immemoriaes. de todas as espécies. igualmente authori- zados. tem até accendido os peitos dos apathicos Hes- panhoes. E passando dos tempos antigos aos modernos. encontra- remos a Inglaterra e a França. que pensam. chamando a attençaõ de todas as naçoens. padecia o mesmo inconveniente que o de Esparta. o que vos . tem reconhecido a sua incapacidade para viver debaixo do doce domínio das leys. tem innundado o mundo com tal profusão de luzes politicas. naõ parecia destinado a consolidar a felicidade da Naçaõ. composto dos Cônsules. U m Go- verno monstruoso.

estou mui longe de propor-vos a sua imita- ção servil. entre as antigas e modernas. justas. ambas nasceram para mandar e ser livres. 477 disse o eloqüente Volnei. que mais tem sobrcsaido. da França e da Inglaterra. aos chefes generosos. Roma e a Gram Bretanha saõ as naçoens. a soberania popular. o estudo da Constituição Britannica. que a excel- lencia de um Governo naõ consiste na sua theoria. por mais per- feita que seja. que a adoptam. Representantes. e na verdade ^ pôde chamar-se monarchia um systema. na difficil sciencia de crear e conservar naçoens com leys próprias." Naõ se percam pois as liçoens da experiência. a liberdade' civil. Pnlitica. Iegithras. no qual se reconhece. que os guiam â liberdade: que os erros e infortúnios do mundo antigo ensinem a sabedoria e a felicidade ao novo. vosrecommendo. nem no seu mechaaismo. Assim.. pois. instruam-nos as escholas de Grecia.de Roma. mas sim com estàbelicimentos sólidos. porém. de consciência. na dedicatória de su^s minas de Palmyra:" Aos povos nascentes das índias Castelhanas. . porém ambas se constituíram naõ com brilhantes formas de liberdade. e quanto ha de sublime na politica?. que he a que parece destinada a operar o maior bem pos- sivel aos povos. na sua forma. Pode haver mais liberdade em nenhuma espécie de -republica? <j e pôde pretender- se mais na ordem social ? Recommendo-vos esta con- stituição. a divisão e o equilíbrio dos poderes. mas sim em ser appro- priâdo á natureza e ao character da naçaõ. e de toda a felicidade politica. e sobre tudo úteis. Naõ esquecendo nunca. que he compatível com a nossa frágil natureza. Quando fallo do Governo Britannico só me refiro ao que tem de Repubicano. para quem-se institue. de imprensa. como a mais digna de servir de modelo a todos os que aspiram a gozar dos direitos do homem .

se adoptassemos um poder legislativo. Devemos confessar. se opporía sempre ás invasoens. e nem espere nada destas duas fontes da authoridade.e desarme ao oíTensor. pararía os rayos do Go- verno.paraque possa ter tal. e os Lords em Londres . Se o Senador. nas tempestades politicas. nem á do povo. que o povo intenta contra a jurisdicçaõ e authoridade de seus magistrados. como parte do povo. em vez de ser electivo. e as faculdades. o laço. que a maior parte dos homens desco- nhece os seus verdadeiros interesses. e a massa contra a authori- dade. que naõ tem. pelo justo interesse de sua própria conserva- ção. e de . e a do Senado. fosse hereditário. Este corpo neutro. A primeira está composta mui sabiamente. e constantemente procuram assai tallos. naõ ha de dever a sua origem á eleição do Gover- no. que requer a vontade do povo para ser le- gitima e competentemente representada. Os Senadores em Roma. Este corpo. de maneira que goze de uma plenitude de independência. que se ponha sempre da parte do offendi- do. nem se esqueça de seus deveres legis- lativos. E m nada alteraríamos as nossas leys fundamentaes. que um Senado hereditário se desprenda dos interesses populares. Portanto he preciso que em todos os Governos exista um corpo neutro. Por esta causa naõ se deve presumir. a alma de nossa Republica. porque a Constituição lhe tem dado a origem. que lhecon- respondem.47S Politica. e repelliría as procéllas populares. goza de todos os aftributos. similhante ao Parla- mento Britannico. Addicto ao Governo. nas maõs de seus depositários: o in- dividuo pugna contra a massa. a forma. a dos Re- presentantes. e naõ he susceptível de uma reforma essencial. participa de seus interesses.seu espirito. O Senado hereditário. seria em meu conceito a baze. Temos dividido como os Americanos a Representação Nacional em duas Câmaras. de seus sen- timentos.

De nenhum modo seria uma violação da igualdade po- litica a creaçaõ de um Senado hereditário. Naõ se deve deixar tudo ao accaso e à ventura. He um officio. legisladores futuros da pátria. para o qual se devem preparar os candidatos. especialmente destinado para instruir aquelles tu- tores. naõ he uma nobreza o que pretendo estabelecer. he do interesse publico. como ja dice um celebre Republicano. que adornam o espirito do homem publico: desde a sua infância elles saberiam a que carreira a Providencia os destinava. prudentes e esforçados. Creio que a posteridade veria com sentimento reduzidos a nada os nomes illustres de seus primeiros bemfeitores: digo mais. e desde mui ten- ros annos elevariam a sua alma á dignidade que os es- pera. que. que exige muito saber. que lhes deve a sua existência. Politica. a primeira vez. Por outra parte os libertadores de Venezuela saõ credores a oecupar sempre uma alta graduação na Republica. á custa dos mais heróicos . até â ultima posteridade. Estes Senadores seraõ eligidos. Os successores ao Senado chamam a primeira attençaõ do Governo. uma raça de homens virtuosos. 47í) tem sido as columna» mais firmes. e he um officio. sobre que se tem fun- dado o edifício da liberdade politica e civil. as sciencias. porque. nas eleiçoens J O povo engana-se mais facilmente que a natureza aperfeiçoada pela arte: e ainda que he verdade. seria destruir de uma vez a igualdade e a liberdade. que estes Senadores naÕ sairiam do seio das virtudes. conservar com gloria. tem fundado a Republica. e as letras. que deveria educállos em um col- legio. pelo Con- gresso. superando todos os obstácu- los. he da honra nacional. he da gratidão de Venezuela. também he verdade que sairiam do seio de uma educação illustrada. e os meios proporcionados para adquirir a sua instrucçaõ. Aprenderiam as ar- tes.

e manterá a harmonia entre os membros e a cabeça deste corpo político. He Generalis» . nem esperar nada do Go- verno. na qual participa de seus funestos ou favorá- veis effeitos. Igualmente servirá de contrapezo para o Gabinete e para o Povo: será uma potência intermedia. E.480 Politica. e estacadas. Nenhum estimulo poderá alterar um Corpo Legislativo. será a baze fundamen- tal do poder legislativo. repito. mas um apoto para eternizar a Republica. dependente de si mes- mo. que acalmará as tempestades. que reciprocamente atiram estes eternos rivaes. e assas susceptível de impressoens violentas: será o íris. que embace os tiros. e propagar todo o principio de bem. e eu accrescento. e que está altamente interessado na existência de uma sociedade. sacrifícios. porém os seus Ministros e subalternos dependem mais das leys do queda sua authoridade. que a Câ- mara Alta de Inglaterra he preciosa para a Naçaõ. Tem-se dicto com sobeja razaõ. que lhe pertence. O poder executivo Britannico está revestido de toda a authoridade Soberana. He Chefe do Governo. porém também está circumscripto com uma triple linha de diques. por- que offerece um baluarte á liberdade. Em todas as contendas a calma de um terceiro vem a ser o orgaõ da reconciliação: assim o Se- nado de Venezuela será a trave deste edifício delicado. bar- reiras. e nem ainda as mesmas ordens da authoridade Real os eximem «lesta responsabilidade. e por conseguinte será a baze de todo o Governo. e nunca o será. Um Senado hereditário. se o povo de Venezuela naõ applaude a elevação de seus bemfeitores. porque saõ pessoalmente respon- sáveis. investido com as primeiras honras. he indigo de ser livre. que o Senado de Venezuela. sem temer nada do povo. naõ só seria um baluarte da liberdade. que naõ tem outro objecto senaõ reprimir todo o principio de mal.

Os Soberano da Inglaterra tem tres formidáveis rivaes: o seu Gabinete. naõ se pôde achar nada. seja para uma Aristocracia. os «eus próprios ministros o deixarão isolado no meio da Re- publica. porque. mas ainda pelas que faz o mesmo Governo. Por mais que se examine a natureza do.Poder executivo em Inglaterra. 138. Qualquer que seja o cidadão. Bêja para um Reyno. sem- pre que se submetter ás leys. que serve de orgaõ e de Tribuna ao povo Britannico. sendo perseguidos naõ so- mente por suas próprias infracçoens. se achará auxiliado pela Constituição: aulhoriza- do para fazer bem. pelo contrario. e os administradores do Erário. 481 simo do Exercito e da Marinha. A demais. de que se compõem: a Câmara dos Communs. que deve responder ao Povo e ao Parlamento: o Senado que defende os interesses do Povo. e teremos dado grande passo para a felicidade nacional. porém o Parlamento he o que decreta annual- mente as sommas com que devem pagar-se estas forças militares. N°. naõ se separam dellas. as leys emanam do Parlamento. naõ poderá fazer mal. Com o objecto de neutralizar o seu poder he inviolável e sagrada a pessoa do Rey: ao mesmo tempo que lhe deixam livre a cabeça. que as tem consagrado. os seus ministros coopera- rão com elle: se. como os Juizes 6aõ responsáveis pelo cumprimento das leys. lhe ligam as maõs com que deve obrar. pretende infringlllas. que naõ leve a julgar. Se os tribunaes e juizes dependem delle. na pessoa de um Presidente nomeado pelo povo ou por seus Representantes. como repre- sentante da Nobreza. 3o . Sendo os V o t . faz a paz e declara a guerra. seja para uma Democracia. XXIII. Politica. Applique-se a Venezuela este poder executivo. e até o accusaraõ ante o Senado. que execute estas func- çoens. guardain-se bem de alguma mal- versação dos fundos públicos. que he o mais perfeito modelo.

ministros os que saõ responsáveis das transgressoens. e se em um Reyno se tem julgado necessário conceder-lhe tantas faculdades. porque saõ elles os que as pagam. e naõ obstante a falta destas qualidades essenciaes. que se commêttam. que diz. e ver se se executam as que faz. e até a cabeça. Pôde sueceder que o Presedente naõ seja homem de grandes talentos. em uma republica saõ estas infinitamente mais indispensáveis. Por exorbitante que pareça a authoridade do poder executivo em Inglaterra. Nas republicas o executivo deve ser o mais forte. Nada he tam perigoso a res- peito do povo. saõ elles os que governam. A venera- ção. e acharemos. o Presidente desempenhará os seus deveres de modo satisfactorio. Nada he tam contrario á harmonia entre os pode- res como a sua mixtura. que o equilíbrio dos poderes deve distribuir- se de dous modos. Naõ he a menor vantagem deste systema a obrigação. pois em taes casos o Mi- nistério. aos magistrados. talvez naõ he excessivo na Re- publica de Venezuela. nem de grandes virtudes . de tomar a parte mais interessada e activa nas deliberaçoens do Governo. como a debilidade do executivo. Este corpo de- liberativo tem assumido uma parte das funcçoens exe- cutivas. Aqui o Congresso tem ligado as maõs. porque tudo conspira contra elle: em quanto nas monarchias o mais forte deve ser o legislativo. Fixemos a nossa attençaõ sobre esta differença. que um corpo representante naõ deve tomar resolução algu- ma activa: deve fazer leys. carrega com o pezo do Estado. contra a máxima de Montesquieu. e a olhar como própria esta Representação. fazendo tudo por si mesmo. em que põem os funecinarios immediatos do poder executivo.4S2 Politica. porque tudo conspira a favor do monarcha. he um . que professam os povos á magistratura Real.

U m magistrado republicano. a propençaõ dos juizes e administradores para o abuso das leys. e a fazem quasi i 11 imitada. Se se quer conter a authoridade executiva com restricçoens e entrâvez. Se naõ se põem ao alcance do Execustivo todos os meios. Estas mesmas vantagens saõ.e ncarregado de conter o impe- to do povo para a licenciosidade. a usurpaçaõ e a tyrannia. porém advirta-se. que se tributa a esta authoridade. o vigor bem fundamentado e mais bem proporcionado â resistên- cia. saõ vantagens mui consi- deráveis. em uma mesma dynastia: a protecçaÕ fraternal. que militam a favor da authoridade Real. as que devem confirmar a necessidade de attribuir a um magistrado republicano maior somma deauthoridade doque possue um principe Constitucional. por conseqüência. o o Judicial e o povo de uma Republica. que uma justa attri buiçaõ lhe assignála. que reciproca- mente recebem todos os reys. que os laços. quero dizer. naõ faz mais do que luctar continua- mente entre o desejo de dominar. he um individuo isolado. . e o desejo de subtrahir- se á dominação. que. H e em fim um atleta. que se pretendem conservar. que lhe presta a nobreza: as immensas ri- quezas. nada hemais justo. que necessariamente oppoem ao Poder Executivo. ou em seu próprio abuso. na morte do Go- verno. O esplendor do throno. e da purpura. 483 prestigio. que influe poderosamente a augmentar o res- peito supersticioso. luctando contra uma mutidaõ de atletas Só pôde servir de correctivo a esta debilidade. for- tificam-se sim mas naõ se apertam. ao Senado e ao Povo: he um homem só resistindo ao ataque combinado das opi- nioens. que geraçoens inteiras accumúlam. cujos heredeiros saõ a anarchia. Politica. como diz Carnot. dos interesses e das paixoens do estado social. no meio de uma sociedade. Está sugeito inime- ditamente ao Corpo Legislativo. da coroa. cáe inevitavelmente na nullidade. o apoio formidável.

quasi todas tem pretendido estabelecer-se abso- lutamente democráticas. e de modo que naõ seja a sua própria delicadeza uma causa de decadência. naÕ sejamos presumpçosos. que já practicam toda a virtude. d'onde tenham seu império a feli- cidade a paz e a justiça. que anhelam por instituiçoens legitimas. porém i quem disse aos homens que já possuem toda a sabedoria. sobre as republicas modernas. e consultarem-se as suas instituiçoens para a estabilidade. saõ os esco- lhos aoude tem naufragado todas as esperanças republica- nas.484 Politica. O povo de Venezuela ja d isfructa os direito*. Se assim naõ he contemos com que se estabelece um ensaio de Governo. e esta- bsleca-se o equilíbrio de modo que se naõ perca. que exigem imperiosamente a liga do poder com a justiça? Anjos. e naõ um systema permanente: contemos com uma soci- edade discola. por isso mesmo deve a sua estructura ser de maior solidez. exercitando todo o poder soberano. Fortifique-se. tranquillos. Lançai uma vista de olhos sobre as republicas an- tigas. E pois nenhuma forma de Governo he tam débil com a Democrática. pois. naõ homens. sobre as republicas nascentes. e a quasi todas se lhe tem frus- trado seus justos desejos. sejamos mo- derados em nossas pretençoens. que talvez lhe suscita- ria a forma de um Governo incompetente para elle: aban- . todo o systema do Governo. A li- berdade indefinita. tumultuaria e anarchica. podem unicamente existir livres. que legi- tima e facilmente pôde gozar: moderemos agora o ím- peto das pretençoeus excessivas. e naõ com um establicimento social. Saõ honraveis certamente os homens. Naõ he provável conse- guir o que o gênero humano naõ tem gozado: o que naõ tem alcançado as mais grandes e sabias naçoens. e ditosos. e por uma perfeição social. a democracia absoluta. Legisladores.

que unicamente pôde manter o equilíbrio. pelo grito da justiça. nova influencia no equilíbrio das authoridades. pelo estabelicimen- to de jurados. Os gritos do gênero humano nos campos de batalha. naõ só entre os membros que compõem o Governo. ou nos campos tumultarios. todas partes do Governo e ad- ministração adquiriam o gráo de vigor. constituindo-se de um modo conforme a seus meios. e ã espécie de inimigos externos e domésticos. clamam ao Céo contra os inconsiderados e cegos Legisladores. moderadas. Desliguem-se do poder Legislativo os attri- butos. uns pelas armas. que as molas de um systema político se re- laxassem por sua debilidade. e a ruina dos associados. que nos naõ convém. de códigos civis e criminaes. Todos os povos do mundo tem pretendido â liberdade. a seu . ou do despotismo á anarchia: mui poucos saõ os que se tem contendado com pretençoens. que conrespondem ao Executivo. abando- nemos o triumvirato do poder executivo e concentrando-o em um Presidente. O meu desejo he que. se esta relaxaçaõ naõ ar- rastrasae com sigo a dissolução do corpo social. nem por Reys conquistadores. mas sim pela vózda natureza. 485 donemosas formasfederaes. ao estado de guerra que soffremos. e pelo gênio da Sabedoria. e naõ obstante adquirirá nova consistência. que se podem fazer impunemente ensaios de instituiçoens chimericas. Politica. contra quem teremos que combater por largo tempo. que naõ sejam dictados pela antigüidade. que tem pensado. confiramos-lhe a authoridade suífici- ente . para que alcance manter-se luctando contra os in- convenientes annexos à nossa recente situação. de que se compõem a nossa sociedade. Nada importaria. mas também entre as differentes fracçoens. passando alternativamente da anarchia ao des- potismo. outros pe- las leys. Sejam os tribunaes reforçados pela es- tabilidade e independência dosjuizes.

elevando-uos acima da regiaõ da liberdade. que. e entaõ terá um equilíbrio. he a restricçaõ. porque estas tem sido nocivas. que a regra. pela practica e pelo estudo. Naõ aspiremos ao impossivel. saõ as nobres paixoens. que os deve dirigir. Da liberdade absoluta se desce sempre ao poder absoluto. moderar a von- tade geral. que umjusto poder lhe assigne. e a concentração reciproca.480 Politica. Esta sciencia se ad- quire insensivelmente. que uma legislação civil e criminal análoga â nossa constituição domine imperiosamente sobre o po- der judiciário. e naõ terá a concussaõ. porém pode-se conceber. e naõ terá essa complicação. que devem ab- sorver exclusivamente a alma de um republicano. desçamos á regiaõ da ty- rannia. que embaraça a marcha do Estado. porém naõ amam as suas leys. que tenha por objecto uma incli- nação uniforme para os pontos capitães. e a rectidaõdo espirito he a que amplia o progresso das luzes. e o meio entre estes dous extremos he a supre- ma liberdade social. e eram a fonte do . e as suas circumstancias. Theorias abstractas saõ as que produ- zem a perniciosa idea de uma liberdade illimitada. que a razaõ e o interesse prescrevem: que a vontade na- nacional se contenha nos limites. O amor á pátria. para que naõ aconteça. a fim de que tenha o menos attrito possivel entre a vontade e o poder legitimo. Fa- çamos com que a força publica se contenha nos limites. O progresso das luzes he o que amplia o progresso da pra- ctica . o amor ás leys. Para formar um Governo estável. se requer a baze de um espirito nacional. que etráva em vez de ligar a socie- dade. que fixam theoreticamente estes dous pontos saõ de dif- ficil assignaçaõ. Os Venezuelanos amam a pátria. e limitar a authoridade publica: os termos. e o amor aos ma- gistrados. espirito.

deve será nossa divisa. elevemos um templo ájustiça. se naõ fun- dimos a massa do povo em um todo: a composição do Governo em um todo: e o espirito nacional em um todo. saõ as nossas primeiras necessidades. der- ribe-se este edifício monstruoso. Politica. 487 mal: tam pouco podiam amar os seus magistrados . Se naõ ha um respeito sa- grado pela pátria. cujo domínio seja a infância e o coração dos homens. Unidade. Para tirar deste cháos nossa nascente Republica. que naõ se contenta com ser livre e forte. saõ os pólos de uma republica: moral e luzes. naõ seraõ bastantes todas as nossas forças moraes. Tiremos de Athenas o seu Areopágo. o espi- . em que tem entrado. a Gram Bretanha. e fazendo uma sancta aliança destas instituiçoens mo- raes. a França. a America Septentrional os offerecem admiráveis. A educação popular deve ser o cuidado primogênito do paternal amor do Congresso: moral e luzes. demos á nossa Republica quarta potência. e debaixo dos auspícios de sua sancta inspiração dictemos um Código de leys Venezuelanas. enlacêmollos para os unir. he um conflicto singular de homem a homem. de corpo a corpo. O sangue de nossos cidadãos he differente. as nossas leys saõ funestas re- líquias de todos os despotismos antigos e modernos. porque eram iníquos. Unidade. tiremos de Roma os seus censores e os seus tribunaes domésticos. e os novos apenas saõ conhecidos na car- reira. Se queremos consultar monumentos e modêllos de legislação. Unidade. um abismo. e apartando até as suas ruínas. pelas leys e pelas authoridades. cuia. Tiremos de Sparta os seus austeros estàbelici- mentos. renovemos no mundo a idea de um povo. e os guardas dos custumes e das leys. e formando destes tres mananciaes uma fonte de virtude. mixturêmollo para o unir: a nossa Constituição tem dividido os poderes. a so- ciedade he uma confusão. mas também quer ser virtuoso.

Uma instituição similhante. o trabalho e o saber. os bons custumes. mas também o que viola o respeito ao publico. a frieldade do amor da pátria. e da opinião somente nas penas e castigos. e os juizes para suas sentenças. se alcança o mais defficil entre os homens. e a moral republicana. he infinitamente mais realizável. que outras. pretendi excitar a pros- peridade nacional pelas duas maiores palancas da indus- tria . Porém os seus annaes e registros. e naõ so- mente o que choca contra ellas. dos exemplos perniciosos. mas também o que as escarnece: naõ somente o que as ataca. rito publico. que re- verentemente submêtto á vossa sabedoria. Constituamos este Areopago para que vigie sobre a edu- cação dos meninos. por mais que pareça chimerica. a respeeito da educação e da instruc- çaõ. A jurisdicçaõ deste tribunal. observareis o espirito que o tem dictado. e as acçoens dos cidadãos.488 Politica. que consultará o povo para as suas eleiçoens. verdadeiramente sancto. o ócio. como as leys castigam os delictos com penas afflictivas. o egoísmo. os magistrados para as suas resoluçoens. Estimulando estas duas pode- rosas molas da sociedade. os principios moraes. que accuse a ingratidão. Propondo-vos a divisão dos cidadãos em activos e passivos. para que purifique o que se tenha conrompido na Republica. a negligencia dos cidadãos : que julgue dos principios da corrupção. seraõ os livros da virtude e do vicio. com menos utilidade do gênero humano. devendo corrigir os custumes com penas moraes. Livros. fazêllos honrados e felizes. sobre a instrucçaõ nacional. que alguns legisladores antigos e modernos tem estabelecido. de- verá ser effectiva. Pondo restric- çoens justas c prudentes nas Assembleas Primarias e . Legisladores! Pelo projecto de Constituição. mas também o que as debilita. naõ somente o que infringe a constitui- ção. aonde se consignem as suas actas e deliberaçoens.

pelo numero dos legisladores e pela natureza do Senado. evitando a concurrencia tumultuaria e cega. tenho procurado dar uma baze fixa a este pri- meiro corpo da naçaõ. estes poderes supremos. Tenho pedido a correcçaõ dos mais lamentáveis abusos. em uma palavra a única liberdade. que. naõ desejo authorizar um déspota. o desacerto aos magistrados. mas sim enlaçar com os vínculos da harmonia. Quando desejo attribuir ao executivo uma somma de faculdades. em que alternativamente a anarchia seja substituída pela oligarchia e pela monarchia. mas sim impedir que o despotismo delibe- rante naÕ seja causa immediata de um circulo de vicissi- tudes despoticas. e a mais necessária. o pezo do Con- gresso. Politica. cujo choque prolongado j a mais tem deixado de aterrar a um dos contendentes. 138. 489 Electoraes. Pedindo a estabilidade dos juizes. e á marcha do Governo. mais saõ nullas. para que tyranize a Republica. na balança dos poderes. a creaçaõ dos jurados e novo Có- digo. Augmentando. que nasce da independência. he o acto generativo da liberdade ou da escravidão de um povo. pois este acto primor- dial. pomos o primeiro dique á licenciosidade po- pular. Separando com limites bem marcados a jurisdicçaõ executiva da jurisdicçaõ legislativa. que em todos os tempos tem imprimido o desacerto na8 elei- çoens. No. tenho pedido ao Congresso a garantia da liberdade civil a mais preciosa» a mais justa. 3R . superior á que d'antes gozava. pois sem ella as de. tanto as obras da demência como V O L X X I I . e de todos os homens. naõ me propuz di- vidir. e tem ligado. recolhe de todas as idades. importantíssima para o êxito de suas funcçoens. que soffre anossajudicatura. e revestillo de uma consideração. por sua origem viciosa desse pelago da legislação Hespanhola. similhante ao tempo. por conseguinte.

sem ella. tenho sido sensível â audácia de inventar um poder moral. que adopteis o centralismo. em outro tempo. o fructo de nossa re- generação será a morte. em uma Republica só e indivizivel. tirado do fundo da obscura antigüidade. pôde chegar a ser mui efficaz. que a cólera do Ceo tem permittido. que. mas seria cançar demasiado a vossa importante attençaõ. e me lisongeo. para tomar um . e daquellas esquecidas leys. que tem reynado edeve reynar entre nós. urgente. E m conseqüência. O meu dever he. tanto as producçoens sensatas como as extravagantes. exhibindo ao mesmo tempo os documentos e archivos. que se descarregasse sobre este desgraçado Império. e a reunião de todos os Estados de Venezuela. na minha opinião. tenho sido arrastado a rogar-vos. Legisladores. civil e militar. melhorado pela experiência e pelas luzes. vital. que. as do talento. que ate agora tem sido o açoite dos povos Hespanhoes. a virtude entre os Gregos e Romanos. Horrorizado com adivergenica. que a tirannia e a guerra nos tem dado. e privar-nos neste momento de um tempo tam precioso como urgente. Bem pôde ser tido por um cândido delírio. Esta medida. tanto os monumentos do engenho como os do capricho. pelo espirito subtil. representar um quadro prolixo e fiel de minha administração politica. redemptora. he de tal natureza. Esta encyclopedia judciaria. os Secretários de Estado daraõ conta ao Congresso das suas differentes Repartiçoens. que mantiveram. he o supplicio mais refinado. mas naõ he impos- sivel . que characteriza o Governo Federativo. monstro de dez mil cabeças. Meditando sobre o modo effectivo de regenerar o cha- racter e os custumes. que naõ desdenhareis inteiramente um pensamento. que servirão de illustraçaõ.490 Politica.

as leys politicas e as leys civis. Eu implo- rei a protecçaÕ de Deus e da humanidade. A escravidão rompeo seus grilhões. a necessidade. Eu abandono â vossa soberana decisão a reforma ou revogação de todos os meus estatutos e decretos. Se os que antes eram escravos ja saõ livres: os que antes eram inimigos de uma madrasta. e de Hayti: quando vós sa- beis que naõ se pode ser livre e escravo ao mesmo tempo senaõ violando ao mesmo tempo as leys naturaes. que se tributam aos bemfeitores do gênero humano. En- carecer-vos a justiça. Representar-vos a historia militar de Venezuela. Eu naõ vos fallaria dos actos mais notáveis do meu commando. he supérfluo. que Venezuela tem entrado no grande quadro dos sacrifícios feitos sobre o altar da liber- dade. A atroz e impia es- cravidão cubria com seu negro manto a terra de Vene- zuela. e a vida da Republica. e o nosso Cèo se achava carregado de tempestuosas nuvens. se estes naõ incumbissem á maioridade dos Venezuelanos. quando vós sabeis a historia dos. ja saõ defensores de uma pátria. senaõ as honras sublimes. que ameaçavam um dilúvio de fogo. e a beneficência desta medida. Tracta-se. Politica. porém imploro a confirmação da liberdade absoluta dos escravos. como imploraria a minha vida. e logo a re- dempçaõ dissipou as tempestades. 491 exacto conhecimento do estado real e positivo da Repu- blica. seria lembrar-vos a historia do heroísmo republicano entre os antigos :• seria dizer-vos. de Spartaco. agradecidos. Helotas. nem ainda . e Venezuela se tem visto rodeada de novos filhos. que tem convertido os instrumentos de seu captiveiro em armas de liberdade. Nada tem podido encher os nobres peitos de nossos generosos guerreiros. Senhor. nem pela fortuna. Naõ combatendo pelo poder. das resoluçoens mais importantes deste ultimo periodo.

que se tem desapegado de todos os prazeres. que tem experimen- tado quanto ha de cruel em uma guerra horrorosa. pela gloria. e devem ser os protectores da legitimidade. como prêmio de meus débeis serviços. que tem necessidade da protecçaÕ estrangei- ra. que ouçam a minha supplica. fundando uma sociedade sagrada com estes enclytos baroens. con- forme a ley. e da justiça da causa Americana. Se tenho con- trahido para com o povo alguma espécie de mereci- mento. vosso he o dever de ex- ercitar este acto augusto da gratidão nacional. Eu. que acabam de ex- tirpar a usurpaçaõ e a tyrannia na Europa. como o producto de sua virtude e talentos: homens. Ja que por infinitos triumphos temos alcançado annihi- lar as hostes Hespanholas. mas tam somente pela liberdade. peço a seus Representantes. tem devido chamar a attençaõ do Governo. naõ podendo vencer-nos tem querido empregar suas artes suspeitosas. para nós voltar-mos a seu ignominiosojugo:aumjugo. institui a Ordem dos libertadores de Venezuela: Legisladores! a vós pertence a faculdade de conceder honras e decoraçoens. pade- cendo as privaçoens mais dolorosas. que em nome da Republica decretei. em conseqüência mandei recompensállos com os bens da Naçaõ. Homens. titulos de libertadores da Republica saõ os seus mais dignos galar- doens. de todos os bems que d'antes possuíam. Fernando se tem humilhado até o ponto de confessar. recorre a Hespanha à sua politica insidiosa. e os tormentos mais acerbos: homens tam beneméritos da pátria. que. Incapaz de alcançar com suas armas a nossa submissão. Que o Congresso ordene a distribuição dos bens nacionaes.492 Politicu. desesperada a Corte de Ma- drid tem pretendido surprehender vaãmente a con- sciência dos magnânimos Soberanos. todo o poder he nullo! Convencida . pois. aos militares Venezuelanos. para o impor.

que tem visto gemer a liberdade e succumbir a causa da razaõ. Estes amigos da humanidade saõ os gênios custódios da America. que ja naõ quer dominios. mais heróica. naõ 6ó contra a Hespanha. tem pronunciado pelo orgaõ do Governo a sua ultima vontade de combater até espirar. mas sim ruínas: naõ vassallos mas sim tumbas. Tam grandes vantagens devemos â liberalidade sem limites de alguns generosos estrangeiros. para fazer triumphar seus principios philan- tropicos. senaõ contra todos os homens. A divida nacional. ja que naõ ha desigual- dade nos meios destruidores. he o deposito da fé. Um Go- verno. 493 Venezuelade possuir as torças sufiicientes para repellir seus oppressores. e tem prestado â Republica quanto ella necessitava. Agora os soldados defensores da Independência. he a acta mais gloriosa. como igualmente de um cum- primento religioso. mas também da força. mais digna de um povo livre : he a que com maior satisfacçaÕ tenho a honra de offerecer ao Congresso. Nossas tropas podem medir-se com as mais selectas da Europa. . sempre tem estado mal esquipado. ja sancionada pela expresaõ unanime do Povo livre de Venezuela. o nosso Exer- cito carecia de elementos militares. Politica. com seus pro- tectores auxílios. que abraçassem a defensa de um Governo devorador. cujos únicos moveis saõ uma espada exterminadora e as chamas dalnquisiçaõ. para defen- der a sua vida politica. mas sim desertos. naõ somente estaõ armados da justiça. e naõ tem olhado para ella como tran- quillos expectadores. A declaração da Republica de Venezuela. mas sim tem voado. legisladores. e a elles somos devedores de extremo reconhecimento. sempre tem estado desarmado: sempre lhe tem faltado muniçoens. se todos os homens se ti- vessem degraduado tanto. naõ cidades. da honra. Desde a segunda epocha da Republica. e da gratidão de Venezuela.

Ja a vejo enviando a todos os recintos da terra os thesouros. a minha alma se eleva á eminência. que abrigam as suas montanhas. a . A sorte da guerra tem verificado este enlace. tem sido o voto uniforme dos povos e Gover- no destas Republicas. e observando de lá. Pereçamos antes do que quebrantar um empenho. Legisladores. como a gloria de nossa felicidade. que exige a perspectiva colossal. A reunião de Nova-Granada e Venezuela em um gran- de Estado. a vida. Ja a vejo com- municandoseus preciosos segredos aos sábios. com prolongados e largos canaes. coroada pela gloria. e me parece que ja a vejo no coração do Universo. mostrar ao mundo antigo a majestade do mundo moderno. ja vos tem confiado seus interesses.494 Politica. Ja vejo ser" vir de laço. de prata e ouro. a minha imaginação se fixa nos séculos futuros. esten- dendo-se sobre suas dilatadas costas. a somma das rique- zas. que tem recibido esta vasta regiaõ. de empório á familia humana. a prosperidade. Contemplando a reunião desta immensa comarca. entre esses oceanos' que a natureza tinha separado. e seus direitos e destinos. de facto estamos incorporados. Ja a vejo assentada sobre o throno da liberdade. o esplendor. que encerra naõ tanto os direitos de nossos bemfeitores. e que a nossa pátria reúne. que lhe tem prodigalizado a natureza. que offerece um quadro tam assombroso. Respectai-a como a Arca Sancta. tam desejado por todos os Colombianos. empunhando o sceptro da justiça. acolher com indulgência. Ja a vejo distribuindo por suas divinas plantas a saúde e a vida aos homens doentes do antigo universo. Dignai-vos. de centro. que tem salvado a pátria. Vo- ando por entre as próximas idades. que ignoram quam superior he a somma das luzes. irmaõs. Estes povos. e a vida de seus filhos. sinto-me arrebatado. com admi- ração e pasmo.

durante os últimos annos. Senhor ! Começai vossas funcçoens: eu tenho acabado as minhas. depois que varias assembleas delibe- rativas tem introduzido a publicidade nos seus de- bates. e a tem extendido a negócios. que nunca se de- via permittir que saíssem para fora do sanctuario dos Senados. Abuso da imprensa. Proposição do Ministro de S. me attreveo a dirigir-vos. A imprensa. os últimos votos do meu coração. 495 profissão de minha consciência politica. que a liberdade espalhou por toda a Alemanha. e se abrio um amplo campo para todos os excessos. Dignai-vos conceder a Venezuela um Governo eminentemente popular. empregadas para este effeito foram paralyzadas pela força das circumstancias.) 4. e a culpa. na maior parte da Alemanha. e particularmente naquelles ramos. em geral. se tem muito augmentado. ou a . a anarchia. e nunca servir de brinco à vaã curiosidade. As desordens. e ainda em paizes aonde o Governo tinha reservado para si o direito de a conservar dentro de certos limites: as me- didas de prevenção. gozado de uma quasi illimitada liberdade. que dam origem aos jornaes e obras periódicas. Politica. M.379. debaixo do império de leys inexoráveis. que em nome do povo. (Continuada de p. tem. eminentemente justo. e os rogos fervorosos . a igualdade e a liberdade. queagrilhoe a oppressao. que faça triumphar. eminentemente moral. Um Governo. Imperial e Real Apos- tólica Presidente da Dieta Germânica. ALEMANHA. excepto debaixo de formas regulares e solem- nes.

que naõ podem adquirir nas monachias aonde o poder supremo está concentrado em um só ponto. evitando cuidadosamente tudo quanto pôde re- ciprocamente comprometter ou offender. pela outra parte. um criticismo superficial. pelo menos. e todo o gaze- teiro se julgou com direito a levantar sua voz sobre questoens. exclue o emprego de re- médios indirectos. que naõ tem nada de commum com a legislação de outro qualquer paiz. he somente no meio da mais profunda tranquillidade. Em tal systema. contra os effeitos de escriptos attrevidos e malévolos. A audacidade destes escrip- tores lançou maõ deste novo pretexto. dam aos perigos da liberdade da impren- sa um character. tal qual se tem estabelecido na Ale- manha. que se deve invariavelmente considerar na Alemanha toda a questão relativa á liberdade da imprensa. Se a liberdade illimi- tada da imprensa naõ he absolutamente incompatível com a instituição federal da Alemanha. Os estados confederados da Alemanha estaõ postos em relaçoens peculiares uns com outros: relaçoens. por uma parte. que ainda apresentam duvidas e difficuldades aos maiores estaditas. para a defensa da ordem publica.496 Politica. que a unidade administrativa pôde dar. na parte solida e verdadeira- mente illuminada da naçaõ. paixoens tumultuosas. O poderoso contrapezo. que. que . e que. paz. concórdia e confiança só se podem manter. He neste prin- cipal ponto de vista. debaixo da sancçaõ das Potências Europeas. a que se recorre em taes Estados. naõ pôde existir em um systema federal. confusão no espirito dos homens. e ex- travagâncias fanáticas tem produzido aquella licenciosi- dade. Quando se tracta de um mal tam notório. naõ pôde haver differença de opinião. Seria inútil lembrar á Dieta o extremo de licenciosidade a que se tem levado estes escriptos: e que degraduaçaõ da authoridade.

que nenhuma legislação conhecida tem até aqui permittido que se passem impunemente. he de si mesma assas difficil. entre o choque de opinioens oppostas. Imperial concebe que pôde descançar em que todos os Governos Federados teraõ iguaes vistas sobre esta matéria. Mas a necessidade desta superintendência he evidente: e. As medidas temporárias contra os abusos da imprensa. M. para que deixem alguma duvida de temor de que a su- perintendência. para sua immediata consideração. 407 tal constituição a pode supportar. em que todos os principios e todas as verdades estaõ em conflicto com todos os erros. obras periódicas. como S. com tanto que ellas naõ passem além daquelles limites. VOL. e no meio de uma contenda incessantemente renovada. N-v 138. O momento presente he menos próprio do que nenhum outro para aquella li- berdade. no que respeita as gazetas. de crear ou modificar instituiçoens politicas. 3s . degenerem em oppressao. tendente a previnir os abusos da im- prensa. A obra que se requer de tantos Governos. e outras publicaçoens ephemeras. ou impedir as communicaçoens de qualquer gênero que sejam. A loucura e a falsidade somente podem imputar-lhes o projecto de ex- tinguir os conhecimentos e tyrannizar os espíritos. Politica. que elles possam exercitar sobre as pubicaçoens. ou prender os progressos do espirito humano. o seu Ministro tem ordem de apresentar â Dieta. naõ tem por objecto impedir a actividade de qualquer escriptor de merecimento. o plano de um decreto provisional. XXIII. As benevolas e generosas disposiçoens dos Governos Ale- maens se tem manifestado com demasiada freqüência. que este estado de cousas faz indispensáveis. e com todas as chimeras. he impossivel que se possa executar con- venientemente.

Este exame conduzirá. mas também para preparar o caminho á execução de mais sinistras emprezas. a saudáveis effeitos. que o interesse da ordem publica» e a satisfacçaÕ de todos os homens bem intencionados da Alemanha. igualmente requerem: e a fim de a obter S. Naõ importa a dif- ferença de opinião. ou correr os mais terríveis riscos. naõ somente para espalhar todas as doutrinas fanáticas e essencialmente revolucionárias. ainda assim seria necessário consi- derar o remédio. a massa de factos e de documentos até aqui ajunctados he tal. a interven- ção da Dieta.498 Politica. sem demora. Estabelicimento de uma Commissaõ Central. com ramificaçoens mais ou menos extensas. em mais de um ponto de vista. M. em tanto quanto se pôde julgar. que nelle se fundam. que existe em diffe- rentes partes da Alemanha. Ainda que o tecido destes procedimentos criminaes se naõ tenha completamente descuberto. e entregando-os a um justo castigo. se as suspeitas. e formadas. Independentemente das medidas propostas nos artigos precedentes. 5. se torna- . que considerável numero de indivi- duos tenham por elles sido seduzidos. desarmando os criminosos. quanto à extençaõ do perigo que delles pôde resultar. tem apre- sentado os traços de um concerto. se se per- mittisse tractar os symptomas como os de uma moléstia no espirito humano. ha uma. Imperial he obrigado a requerer. U m profundo exame deste negocio vem a ser con- sequentemente necessário. As descubertas que se tem feito simulta- neamente em muitos Estados da Confederação. basta que erros tam sérios tenham infes- tado a Alemanha. e que. queja se naõ pôde duvidar da realidade do mal.

e livrando a Alemanha do duplo perigo de sustos sem fundamento ou exaggera- dos. naõ se derigiam somente contra toda a Confederação. Estes saõ os motivos. que induziram S. o mais depressa possivel. e os que ainda puder obter. tem instrucçoens para convidar a Dieta. que a compõem : portanto a Dieta he incontestavel- mente competente para tomar conhecimento dellas. toda a Ale- manha pôde julgar de seus procedimentos e de 6eus re- sultados. Imperial. Mas. em ordem a que estas indagaçoens possam al- cançar o seu objecto. no fim de seus trabalhos. como as transacçoens desta authoridade se faraõ publicas. mas também contra os Principes e Esta- dos. e a ellucidaçaõ final deste negocio porá fim a toda a inquietação. os olhos daquelles. e que procedam debaixo da immediata protecçaÕ da Dieta. e o Ministro de S. 499 rem em certeza legal: descubrindo no ponto do precipício em que se iam a precipitar. para decidir sobre esta proposição. M. de os avaluar com justiça e imparcialidade. que atè aqui se tem descuberto. Artigo do Acto Federal impõem este dever aquelle corpo. Alem disto uma authoridade central será mais capaz do que qualquer Commissaõ nomeada pelos Go- vernos particulares. he necessário que emanem de um centro commum. Politica. em exclusão de outro qualquer objecto. e o 2 o . Finalmente. As conspiraçoens. a propor o estabelicimento de uma Commissaõ Central. que so- mente tem sido desencaminhados. de colligir os dados. e de uma falça segurança no meio de perigos reaes. . M. a qual se applicarâ. e de formar uma vista geral de todos. na investigação acima dieta. que j á existem.

500 Politica. ordem publica. relatórios. Até o regulamento definitivo de execução. até que tenham lugar proce- dimentos legaes e judiciaes. uma commissaõ de cinco mem- bros. designa os meios por que a Commissaõ deve communicar com os membros da Confederação. o complemento e execução de todas as resoluçoens. e regula seus poderes. Para este fim. Decreto de regulamento. e para a manutenção dos direitos do estado de posse. e durante este periodo. 2. escolhidos de seu corpo. Art. ou outra qualquer pessoa. para cada Universi- dade um Cornmissario Extraordinário munido das in- strucçoens necessárias. A esta Commissaõ se dirigirão todas as representa- çoens. e plenos poderes. que se devem tomar sobre as universidades. 3. Secçaõ I a . pelo presente regulamento provisional. elle poderá sel- ou o Curador actual. residente no lugar aonde a Universidade está estabelecida. para a conservação da segu- rança interna. do Acto de Confederação. que o Governo julgar próprio nomear. a qual commissaõ conti- nuará em actividade durante as ferias. a Dieta da Confederação Germânica he authorizada e convidada. para a execução provisional. (O resto dos artigos deste decreto. . a Dieta nomeará cada seis mezes. I o . da maneira seguinte. que considerar que tem suíficiente au- thoridade para odoptar. Decreto provisional relativo ás medidas. O Soberano escolherá. relativa ao Artigo 2 o . e que esteja completo em todas as suas partes. relativas á execução das resoluçoens da Dieta. e obrigaçoens. proposiçoens e questoens. a assegurar.

observar cuidadosamente o espirito com que os professores e mestres se comportan em suas liçoens publicas e parti- culares . As leys. para impedir as medidas adoptadas contra elles. e até que se adoptem regulamentos definitivos a este respeito. abusam de sua legitima influencia no espirito da mocidade. e se extenderaõ com muito mais severidade contra a bem co- nhecida sociedade. seraõ mantidas em toda a sua força e vigor. sem que se permitta qualquer obstá- culo que seja. em qualquer estabelicimeno de instrucçaõ publica. trabalhar. sem se intrometter directamente nas liçoens scientificas. se obrigam mutuamente a remover de suas Universidades. Secçaõ 2 a . Os Governos dos Estados. desviando-se de seus deveres. naõ po- derá ser admittido em outro estado da Confederação. porque esta tem por baze . Politica. Secçaõ 2 a . boa ordem e decência na sociedade. formada ha alguns annos debaixo do nome de Geral Burgenchaft. sobre as as- sociaçoens clandestinas e naõ authorizadas. propagando dogmas perniciosos. Qualquer professor ou mestre. em dar instrucçoens de saudável direcçaõ. e outros estàbelicimentos de instrucçaõ. assim excluído. contra quem se provar. 501 O dever deste Cornmissario será vigiar pela mais rigo- rosa observância das leys. ha muito tempo feitas. e regulamentos disciplinarios. que lhes saõ confiadas. que. em quanto o presente decreto estiver em vigor. convenientes ao fu- turo destino dos estudantes. e empregar constante atten- çaõ a tudo que possa tender á mantença da moral. se mostra- rem incapazes de executar as importantes funcçoens. membros da Confederação. nem no methodo de instrucçaõ. nas universi- dades. ou. os professores e outros mestres públicos. hostis ã ordem e tranqüilidade publica. ou ultra- passando seus limites. solapando os fundamentos dos estàbelicimentos existentes.

602 Politica.
a idea absolutamente inadmissavel, da continuada e com-
mum conrespondencia entre as differentes Universida-
des.
Os Governos se obrigam mutuamente a naõ admittir
aos empregos públicos individuo algum, que continuar
ou entrar em alguma destas associaçoens, depois da
publicação do presente decreto.
Secçaõ 4 a . Nenhum estudante que, por um decreto do
Senado Acadêmico, confirmado pelo Cornmissario do Go-
verno for expulso de uma Universidade, e que, em ordem
a escapar de tal sentença, se retirar, será recebido em
outra qualquer Universidade, sem uma attestaçaõ de
seu bom comportamento na Universidade, que tiver dei-
xado.

Decreto relativo ás medidas, para prevenir os abusos da
imprensa.

Secçaõ I a . E m quanto o presente decreto estiver em
vigor, nenhum escripto, que apparecer em forma de papel
diário ou folheto periódico, e que naõ contiver mais de
20 folhas impressas, será circulado da imprensa sem o
prévio consentimento da authoridade publica.
As obras, que se naõ comprehenderem neste regula-
mento, continuarão a serem reguladas pelas leys que ex-
istem agora, ou quê se promulgarem para o futuro: e se
alguma obrada descripçaÕ acima mencionada der motivo
a alguma queixa, da parte de qualquer Estado da Con-
federação, o Governo, a que tal queixa se dirigir, man-
dará instituir em seu nome procedimentos legaes contra os
authores ou edictores de tal obra.
Secçaõ 2 a . Cada Governo terá a liberdade de adoptar
para a matença e execução do presente decreto, as medi-
das, que lhe parecem mais convenientes; bem entendido,
que as taes medidas se devem reconhecer como suíficien-

Politica. 503
tes para cumprir com o objecto do principal regulamen-
to do Artigo I o .
Secçaõ 3 a . Sendo o presente decreto exigido pela ne-
cessidade, gradualmente reconhecida de adoptar algumas
medidas de prevenção contra o abuso da imprensa na
Alemanha, em quanto este decreto estiver em vigor, as
•eys, que commettem aos tribunaes o processo e castigo
dos abusos e crimes commettidos pela imprensa, em tanto
quanto ellas saõ applicaveis aos escriptos especificados
no Artigo 1°., naõ podem ser consideradas sufficientes
em qualquer Estado da Confederação.
Secçaõ 4.m Cada um dos Governos da Confederação he
responsável pelos escriptos publicados em sua jurisdicçaõ,
e consequentemente por todos aquelles comprehendidos
no regulamento principal do artigo 1.°; e quando estes
escriptos offenderem a dignidade ou segurança de outro
Estado da Confederação, ou fizerem ataques á sua Con-
stituição, ou á sua administração, o Governo, que os to-
lerar he responsável, naõ somente ao Estado, que dahi
soffre directamente, mas também a toda a Confederação.
Secçaõ 5.* Em ordem a que esta responsabilidade,
fundada na natureza da Uniaõ Germânica, e inseparável
de sua preservação, naõ seja motivo de discórdia, que
comprometta as relaçoens amigáveis, subsistentes entre
os Estados Confederados, todos os membros da Confede-
ração devem entrar em um ajuste solemne, de empregar
a sua mais séria attençaõ na superintendência, que pres-
creve o presente decreto, e de a exercitar em tal maneira
que previnam, quanto for possivel, todas as queixas e dis-
sensoens reciprocas.
Secçaõ 0", Porém, em ordem a segurar melhor, a ga-
rantia de inviolabilidade moral e politica dos Estados
da Confederação, que he o objecto do presente decre-
to, deve entender-se, que, no caso de que algum Go-

504 Politica.
verno se supponha offendido, pelos escriptos publicados,
dentro dos dominios de outro Governo, e que naõ possa
obter completa satisfacçaÕ pelas representaçoens amigá-
veis e diplomáticas, aquelle Governo terá a liberdade de
representar a sua queixa à Dieta, a qual, em tal caso,
será obrigada a nomear uma commissaõ, que examine o
escripto, que r-ssim estiver denunciado, e se o relatório
da commissaõ, disser, que he necessário, ordenar a sup-
pressaõ do tal escripto, e prohibir a sua continuação, se
for do numero das publicaçoens periódicas.
A Dieta procederá também, sem denuncia previa
e de sua própria authoridade, contra qualquer publica-
ção, comprehendida no regulamento principal do Artigo
1.°, em qualquer Estado da Alemanha que se publique, e
que, na opinião de uma Commissaõ nomeada para o con-
siderar, tenha compromettido a dignidade do Corpo Ger-
mânico, a segurança de qualquer de seus membros, ou
a paz interna da Alemanha, sem que se conceda recurso
contra a sentença dada em tal caso; a qual será posta
em execução pelo Governo, que he responsável pela
publicação condemnada.
Secçaõ 7."—O edictor de qualquer jornal, ou outra
publicação periódica, que for supprimida por ordem da
Dieta, naõ poderá, durante a espaço de cinco annos,
conduzir publicaçoens similhantes, em qualquer estado
da confideraçaõ.
Os authores, edictores e publicadores de gazetas ou
escriptos periódicos, e outros mencionados no primeiro
paragrapho do Artigo I.°, seraõ em outros respeitos,
quando se submêttam ao regulamento do dicto artigo,
livres de toda a responsabilidade; e as sentenças da
Dieta, mencionadas no artigo precedente, seraõ dirigidas
somente contra as publicaçoens, sem affectar os indiví-
duos.

Politica. 505
Secçaõ 8.* Os Estados Confederados se obrigam a in-
formar a Dieta, dentro em seis mezes, das medidas
que cada um delles tiver adoptado, para por em execu-
ção o prmeiro artigo deste decreto.
Secçaõ 9.*—Toda a obra, que se imprimir na Ale-
manha, quer seja comprehendida nos regulamentos deste
decreto quer naõ, deve trazer o nome do edictor ou im-
pressor; e se for do numero das publicaçoens periódicas,
o do Edictor principal. Toda a obra em circulação, em
qualquer dos Estados da Confederação, a cujo respeito
se naõ tiverem cumprido com estas condiçoens, será
apprehendida e confiscada, e a pessoa ou pessoas, que a
tiverem publicado *. seraõ condemnadas, segundo as cir-
cumstancias do caso, ao pagamento de uma muleta, ou a
outro castigo, proporcionado ao crime.
Secçaõ 10.a O presente decreto continuará em vigor,
pelo espaço de cinco annos, desde a data de sua publi-
cação. Antes do termo de sua expiração, a Dieta
tomará em sua madura consideração, de que maneira o
Artigo 13 do Acto Federal, relativo á uniformidade das
leys, sobre águia da imprensa nos Estados confederados,
se pôde pôr em execução, fixando definitivamente os
limites legaes da liberdade da imprensa na Alemanha.

Decreto, relativo á formação de uma Commissaõ Central,
para o fim de ulteriores inquiriçoens, a respeito das
conjuraçoens revolucionárias, descupertas em alguns
dos Estados, da Confederação.

Art. l.° Dentro em 15 dias, depois da data deste decreto,
se ajunetará na cidade de Mentz, uma das fortalezas da
Confederação, uma Commissaõ Extraordinária de In-
V O L . XXII. N». 138. 3T

506 Politica.
quiriçaõ, nomeada pela Dieta, e composta de 7 membros
incluído o Presidente.
2. O objecto desta Commissaõ he fazer indagaçoens,
cuidadosas e minuciosas, a respeito dos factos, origem
e multiplicadas ramificaçoens das associaçoens clandes-
tinas, revolucionárias, a demagogas, dirigidas contra a
constituição politica, e descanço interno, tanto da con-
federação em geral, como dos membros individuaes dellas»
das quaes associaçoens se tenham ja descuberto, ou pos-
sam resultar de ulteriores indagaçoens, indicaçoens mais
ou menos conclusiveis.
3. A Dieta elege á pluralidade devotos, os T mem-
bros da Confederação, que haõ de nomear membros da
Commissaõ Central, &c.
(Este e o resto dos artigos, como pouco importantes
vam em resumo.)
4. Ninguém poderá ser eleito membro da Commissaõ
Gentral, senaõ officiaes civis, que exercitem ou tenham
exercitado funcçoens judiciaes, no Estado que os nomear,
ou que tiverem sido empregados em preparar processos,
em investigaçoens importantes.
õ. A fim de obter o objecto proposto, a Commissaõ
Central emprehenderá a direcçaõ geral das investigaçoens
locaes, que ja se tiverem começado, ou que ao depois
se instituírem.
6. Todos os membros da Confederação, nos teritorios
em que se tiverem ja começado investigaçoens desta
natureza, se obrigam a declarar á Commissaõ Central,
immediatamente depois que estiver constituída, as au-
thoridades locaes, a quem as indagaçoens tiverem sido
d' antes confiadas.
7- A Commissaõ Central he authorizada a examinar
todos os indivíduos, que julgar necessário. Para assegu-
rar que compareçam em juizo se dirigirá â authoridade

Politica. 507
superior dos membros da Confederação, ou ás authori-
dades, que, em virtude deste artigo 6, forem nomeadas
para este fim.
Os artigos 8, 9, e 10, que concluem este decreto, e a
proposição do Ministro Imperial, consistem meramente
em direcçoens, para regular a rotina dos procedimentos
da Commissaõ Central.

ITÁLIA.

Allocuçaõ pronunciada pelo Santo Padre no Consistorio
de 23 de Agosto de 1819.
Roma 31 de Agosto.
Veneraveis Irmaõs:—Perfeitamente conheceis, venera-
veis Irmaõs, pelo que vos expozemos na allocuçaõ que
vos dirigimos no Consistorio secreto de 8 de Julho de
1817, o desvelo com que trabalhamos por concluir uma
Convenção com o Rey Christianissimo, a fim de prover-
mos, mediante um feliz arranjamento dos negócios da
igreja no Reyno de França, na salvação dos fieis daquelle
Reyno, segundo os nossos apostólicos deveres nos prescre-
vem, e também para satisfazermos os desejos do Rey
Christianissimo, que amamos com particular affècto, e os
de todos os homens de bem; mas também naõ ignorais
que a execução da Concordata, concluída a 11 de Junho
de 1817, ainda hoje está suspensa, e que as felizes conse-
qüências que delia nos premettemos tem sido contrariadas