You are on page 1of 14

XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO

A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

O MODAL RODOVIÁRIO NAS CIDADES


DE ITABUNA E ILHÉUS/BA
Ione Souza Santos (UESC )
ione.eps@gmail.com
Juliano Zaffalon Gerber (UESC )
juliano_zg@hotmail.com

A logística de transporte exerce papel estratégico no desenvolvimento


da economia, sendo considerado um elemento capaz de gerar
vantagem competitiva para as organizações. Nesse sentido, se faz
necessário que a infraestrutura de transporte cconsiga acompanhar
toda a demanda exigida, para isto é preciso que a mesma apresente
boas condições e que sejam realizados investimentos periódicos para a
sua melhoria. Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo
estudar a infraestrutura do modal rodoviário das cidades de Ilhéus e
Itabuna na Bahia na tentativa de auxiliar o planejamento dos setores
públicos e privados na região. Foi realizada uma pesquisa
bibliográfica nos órgãos responsáveis por este modal a níveis federal e
estadual, buscando obter um diagnóstico da situação em que as
rodovias se encontram, identificar quais são os planos de investimentos
futuros e as oportunidades que se apresentam ao setor.

Palavras-chaves: Modal Rodoviário, Diagnóstico, Itabuna, Ilhéus


XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

1. Introdução

A logística de transporte é destaque no cenário mundial devido a sua contribuição para as


atividades econômicas, relacionadas principalmente, ao auxílio à consolidação e
desenvolvimento da indústria e comércio. Nesse sentido, Caixeta Filho e Martins (2001),
afirmam que a evolução do transporte de um local corrobora com o seu progresso econômico.
Compartilham deste ponto de vista, Bowersox e Closs (2008), ao ressaltarem que logística de
transporte, dentre outros aspectos, viabiliza o acesso de bens e serviços, estimula a
concorrência e favorece a ampliação de mercados.

Partindo deste princípio, o Plano da Confederação Nacional de Transporte e Logística (CNT,


2011), apresenta que no Brasil, seriam necessários investimentos da ordem de 405 bilhões de
reais no setor de transporte para que o país pudesse atingir um patamar desejável. Entretanto,
este valor não leva em consideração os investimentos que deverão ser realizados para
acompanhar a o próprio desenvolvimento da infraestrutura de transporte nacional.

Deste modo, grande parte dos investimentos a serem feitos nos modais de transporte
destinam-se o modal rodoviário pois, conforme o Atlas do Transporte (2006), no Brasil este é
o modal predominante, atendendo em média 96,2% do transporte de passageiros e 61,8% do
transporte de cargas. Segundo o Boletim Econômico (2012), a malha rodoviária brasileira
possui uma extensão de aproximadamente 1,6 milhões de km, dividida em 61.961 km de
rodovias federais, 123.830 km de rodovias estaduais e 26.827 km de rodovias municipais.
Ainda de acordo com este documento, os investimentos federais realizados nos últimos três
anos para a infraestrutura deste modal cresceram significativamente, atingindo a marca de
23,09 bilhões de reais em 2012, isto representa cerca de 20% do total autorizado pelo
Orçamento Fiscal da União para os investimentos no presente ano.

Cabe salientar que Barat et al. (2007), atestam que o setor de transporte rodoviário emprega
3,5 milhões de pessoas obtendo um valor agregado equivalente a 3,4% do Produto Interno
Bruto (PIB) nacional. Por sua vez, Ribeiro e Ferreira (2002), ratificam que este modal, no
Brasil, é o mais desenvolvido devido aos investimentos realizados desde a década de 50.

Além disto, Keedi (2001), ressalta a importância deste modal como o mais importante elo dos
modais de transporte, tendo em vista que este é o único modal que pode unir todos os demais,
praticamente não existindo a multimodalidade sem a sua participação. Além disto, também é

2
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

um dos únicos modais capaz de unir de forma independente os pontos de origem e destino da
carga.

Por tudo que foi supracitado, percebe-se que o país reconhece a necessidade de investimentos
na infraestrutura de transporte, em especial, do transporte rodoviário. Assim sendo, o objetivo
deste trabalho é identificar a atual infraestrutura deste modal e analisar as perspectivas de
investimentos, melhorias e oportunidades nas principais cidades da região Sul da Bahia,
Itabuna e Ilhéus. Com isto, pretende-se auxiliar no planejamento do modal rodoviário na
região e contribuir para alavancar a economia local. Os tópicos a seguir, apresentam os
conceitos utilizados na pesquisa com relação à logística de transporte de um modo geral e as
características específicas do modal rodoviário.

2. Metodologia

De acordo com Yin (2005), o presente trabalho caracteriza-se como um estudo de caso, pois
se trata de uma pesquisa que cujo foco é a investigação empírica de um determinado
fenômeno, tendo como base a análise de um conjunto de características que envolvem
basicamente três etapas: planejamento, coletas de dados e análises.

Para Godoy (1995); Goldenberg (2000), o objeto de estudo é analisado profundamente através
de uma visão holística no qual se busca reunir o máximo de informações detalhadas, através
de diversas técnicas de pesquisa, sobre o tema em questão. Além disto, conforme Almeida
(1996); Santos (1999), esta pesquisa é descritiva, pois visa tratar das características de um
fenômeno a partir de observação, registro, analise e ordenação de dados, sem alterá-los.

Assim, para o desenvolvimento deste trabalho utilizou-se como procedimentos metodológicos


a revisão bibliográfica e documental, através da consulta a autores específicos do campo da
logística, periódicos e relatórios das agências e órgãos, estaduais e federais, de planejamento e
de transporte. A Figura 1 abaixo apresenta um modelo esquemático do sequenciamento de
atividades realizadas na elaboração deste trabalho.

Figura 1 - Representação esquemática deste trabalho

3
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

Fonte: Elaborado pelos autores.

3. Logística de Transporte

Wanke (2009), ressalta que no Brasil um dos fatores que fazem com que seja crescente a
importância atribuída pelas empresas à logística, seria devido a estas perceberem a capacidade
desta em desenvolver funções estratégicas que atuem na geração de vantagem competitiva,
que no geral podem estar associadas à valorização dos clientes aos serviços logísticos.

Segundo Ballou (2008); Bowersox e Closs (2008), é de responsabilidade da logística integrar


a gestão dos fluxos de bens e serviços, informações, estoques, manuseio e transportes
necessários afim de que os produtos ou serviços atinjam os seus objetivos de serem
disponibilizados no momento certo, no local solicitado e nas condições exigidas com o menor
custo possível.

Assim, a escolha do modal para Ballou (2004) envolve uma série de componentes que devem
ser levados em consideração como tamanho do carregamento, percurso, programação e tipo
de produto. Por sua vez, para a escolha do modal, Silva e Porto (2003), enfatizam a
necessidade em se analisar fatores como o prazo de entrega, segurança, limpeza,
armazenagem, rapidez e custo.

De acordo com Bowersox e Closs (2008), uma boa infraestrutura de transporte corrobora com
inúmeros benefícios a região em que está instalada como à disponibilidade de bens, à
ampliação dos mercados, à concorrência, aos custos dos produtos, entre outros. Uma análise
da infraestrutura dos modais de uma localidade é capaz de conseguir medir o seu nível de
desenvolvimento tendo em vista que usualmente ao se comparar a infraestrutura dos locais é
possível identificar aquele que é mais desenvolvido.

4
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

Deste modo, para Keedi (2001), conhecer as características dos modais de transporte, os tipos
de veículos recomendados e as cargas que se adéquam a cada um deles são de suma
importância para o desenvolvimento de uma logística de transporte eficaz.
No tópico a seguir será apresentada uma análise sobre as características da infraestrutura do
modal rodoviário visando identificar entre outros pontos, quais são as suas as vantagens e
desvantagens, quando a utilização deste transporte é indicada e quais os atuais problemas e
desafios para o seu desenvolvimento.

4. O Modal Rodoviário

Segundo Corrêa e Corrêa (2007); Slack, Chambers e Johnston (2002), dentre os critérios para
a escolha do modal existem cinco mais relevantes, eles possuem uma escala de importâncias
diferentes que variam de acordo com a necessidade e estratégia da organização. A tabela 1
apresenta estes critérios e os seus conceitos associados.

Tabela 1 - Critérios para escolha do modal


Característica Conceito
Qualidade Entregar produtos e serviços sem defeitos.
Rapidez Entregar produtos e serviços nos prazos estipulados aos clientes.
Confiabilidade Apresentar os produtos isentos de falhas e dentro dos prazos.
Flexibilidade Fornecer condições de adaptação e mudança nos processos conforme solicitação do
cliente.
Custos Disponibilizar os produtos a um preço de acordo com o seu valor agregado.
Fonte: Adaptado de Corrêa e Corrêa (2007); Slack, Chambers e Johnston (2002)

Nesse sentido, fazendo uma análise do transporte rodoviário Keedi (2001), frisa que os
investimentos neste modal serão voltados para o aumento da qualidade, voltados para a
melhoria de sua infraestrutura para garantir o seu papel na cadeia logística.

Com relação à rapidez Lambert (1998), afirma que o transporte rodoviário de um modo geral
proporciona um serviço mais rápido do que as ferrovias e comparado com o transporte aéreo,
considerado o modal mais veloz, o mesmo apresenta vantagens neste quesito ao aliar outros
critérios como no caso os custos dos fretes em pequenas distâncias.

Segundo Teixeira (2007), a velocidade média em que o modal opera é uma grande vantagem
para as empresas, pois, isto diminui o tempo em que a carga fica em transito e
consequentemente o seu custo de produto ocioso. Aliado a isto, o nível de frequência é alto,

5
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

podendo ser utilizado muitas vezes o que compensa o fato da sua baixa capacidade de
volume.

No entendimento de Maluf (2000); Bowersox (2008), o transporte rodoviário é o mais


flexível, devido a sua operacionalidade que permiti o serviço do ponto de origem ao destino
com certa velocidade de movimentação levando vantagem para serviços de curtas e médias
distâncias. Esta agilidade e rapidez também contribuem como elemento de integração entre as
regiões, ligando cidades e estados.

No que diz respeito aos custos deste modal, Alvarenga e Novaes (2005); Lima (2006),
classificam em dois: os custos diretos, que são passíveis de alteração de acordo com a
quilometragem percorrida ,tempo gasto na viagem, depreciação do veículo, salário dos
motoristas, licenciamento, entre outros e os custos fixos, que ocorrem mesmo quando o
nenhuma carga está sendo transportada, geralmente associada aos gastos administrativos.

Observa-se desta forma que existe uma necessidade em fazer um controle desta atividade
buscando utilizar o modal da melhor forma possível promovendo a redução dos custos. Nesse
sentido, Lima (2003), destaca que a uma das formas de redução dos custos mais simples
porém eficaz é analisando o cálculo de custeio do frete, que ainda é um dos menores em
relação aos outros modais.

Diante do que foi exposto, cabe ressaltar que o modal apresenta vantagens com relação à
rapidez e agilidade na entrega e possui também alta flexibilidade e custo de frete
relativamente baixo. Entretanto, possui baixa capacidade de carga, alto custo do combustível
quando o serviço é realizado em longas distâncias e apresenta grande necessidade de
investimento em recuperação da infraestrutura. Em razão destes aspectos, como principais
desafios para o transporte rodoviário pode-se citar a melhoria e ampliação da malha
rodoviária.

5. Infraestrutura rodoviária de Itabuna e Ilhéus/BA

O presente tópico tem como objetivo apresentar um resumo sobre os municípios de Itabuna e
Ilhéus e os resultados da pesquisa que estão divididos em nos três subtópicos a seguir no qual
o primeiro identifica as rodovias que fazem parte destes municípios, o segundo revela as

6
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

condições em que estas se encontram e o terceiro aborda as melhorias que estão sendo
realizadas e os planejamentos futuros.

Situados na região sul do estado da Bahia, os municípios de Itabuna e Ilhéus apresentam


significativa importância para o estado, de acordo com os estudos de Santos (2010), a
microrregião de Itabuna e Ilhéus é a maior arrecadadora regional do Produto Interno Bruto
(PIB) do estado.

Esta região foi historicamente marcada pela produção agrícola e em especial a do cacau,
entretanto, atualmente é sede de muitas empresas e indústrias. Segundo consta no Relatório
Anual do Governo do Estado da Bahia de 2012 (SEPLAN, 2013), foram recém-implantadas
553 empresas em Ilhéus e 731 em Itabuna.

Nesse sentido, o modal rodoviário absorve a responsabilidade de circulação da maioria das


cargas que são exportadas e importadas destas empresas e da região, como o escoamento dos
grãos para o porto de Ilhéus, com destaque à soja, que é produzida no oeste baiano e segue via
BR-415 até o porto e produtos de outros segmentos, como: soja, têxtil, café, especiarias,
móveis, pesca e aquicultura, além de máquinas e equipamentos eletrônicos. Além disto, o
modal rodoviário contribui para o turismo na região, havendo um grande fluxo de turistas em
Ilhéus.

A região de Itabuna e Ilhéus está em pleno desenvolvimento e requer uma infraestrutura de


transporte adequada, que contribua para alavancar a sua economia. Assim, este estudo foi
realizado na tentativa de auxiliar gestores empresariais e públicos, a planejarem seus
investimentos e ações futuros.

5.1 Apresentação das rodovias

Com relação à identificação das rodovias federais e estaduais que fazem parte da região de
Itabuna e Ilhéus pode-se citar:

 BR-101que se inicia no município de Touros/RN e tem o destino final em São José do


Norte/RS com uma malha de 4.551,4km;

 BA-251 se estende do estado da Bahia até o Mato Grosso tendo uma malha de 1.515,2km;

 BR-415/BA-415, rodovia esta que é parte federal e parte estadual, liga os municípios
de Vitória da Conquista/BA às cidades de Ilhéus e Itabuna, tem uma malha rodoviária de
201km;

7
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

 BA-001 que atravessa o litoral do estado da Bahia até a capital Salvador com uma malha de
658,2km;

 BA-262 liga o município de Vitória da Conquista a Brumado resultando uma malha total de
281,1km.

A Figura 2, mostra o mapa rodoviário com destaque as cidades da região Sul da Bahia
adaptado do Sistema de Transportes da Bahia (2010), criado pelo Departamento de
Infraestrutura e Transporte da Bahia (DERBA).

Figura 2 - Mapa das rodovias da região sul da Bahia

Fonte: Adaptado do Mapa do Sistema de Transporte do Estado da Bahia (DERBA, 2010)

8
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

De acordo com os dados da Pesquisa de Rodovias da CNT (2012), pode-se verificar que as
rodovias citadas anteriormente, apresentam ligação com vários municípios, isto além de
facilitar o fluxo de cargas, colabora ainda mais com que Itabuna e Ilhéus se tornem pontos
estratégicos para o recebimento e escoamento dos produtos na região. A Figura 3 apresenta de
forma detalhada, um quadro com os principais pontos de passagem, destas rodovias estaduais
analisadas na pesquisa.

Figura 3 - Quadro sobre os acessos das rodovias de Itabuna e Ilhéus

Fonte: Adaptado da Pesquisa de Rodovias da CNT (2012)

5.2. Análise das condições da malha rodoviária

Em uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Transporte em 2010 (CNT, 2010),
que teve como um dos principais objetivos avaliar as rodovias brasileiras estaduais e federais
quanto a sua pavimentação, sinalização e geometria viária, foi identificado que de uma forma
geral as rodovias do estado da Bahia se encontram em situação precária, principalmente as
que fazem parte da malha rodoviária dos municípios de Itabuna e Ilhéus. A Figura 4 apresenta
um quadro com as variáveis abordadas para cada constructo desta pesquisa.

Figura 4 - Variáveis da pesquisa das rodovias.

9
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

Fonte: Adaptado da Pesquisa de Rodovias da CNT (2012)

Na tabela 2, estão os resultados da pesquisa que considera os aspectos acima mencionados e


que estão diretamente relacionados com atual situação vivida pelos municípios Itabuna e
Ilhéus, a exceção é a BA-001.

Tabela 2 – Dados das rodovias estaduais e federais que interceptam Itabuna e Ilhéus.
Origem / Extensão
Rodovia Destino na Analisada Geral Pavimento Sinalização Geometria
Bahia (km)
BA-415/ Vitória da 44 Ruim Regular Ruim Ruim
BR-415 Conquista /
Ilhéus
BR-101 Ilhéus / 976 Regular Bom Regular Regular
Vitória da
Conquista
BR-251 Ilhéus / 61 Regular Bom Ruim Péssimo
Buerarema
BA-262 Ilhéus / 80 Bom Ótimo Ótimo Regular
Aritaguá
Fonte: Adaptado de Pesquisa de rodovias – CNT 2012
5.3. Ações de melhoria de planejamentos futuros

Segundo os dados fornecidos pela Secretaria do Planejamento (SEPLAN, 2011), só em 2011


foram investidos aproximadamente 673 milhões de reais em projetos de construção,
restauração, recuperação e manutenção das rodovias, aeródromos e pontes através do
Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia (DERBA).

Especificamente sobre o modal rodoviário, de acordo com este relatório, foram realizadas a
recuperação de 1.022km de estradas, com um gasto de aproximadamente 279,6 milhões de
reais e construídas seis pontes, totalizando 108,2m em diversas rodovias estaduais, dentre
estas estão as rodovias BA-415 e BA-262.

De acordo com a Revisão Anual do Sistema Rodoviário Estadual referente a 2010/2011


(SEINFRA, 2011), em 2011 os investimentos aplicados nas rodovias da região de Itabuna e
Ilhéus, de um modo geral, estão sendo direcionados para a recuperação e melhoria destas.
Porém, como intervenção futura mais significativa sobre a infraestrutura rodoviária na região,
identifica-se o projeto de duplicação da BR-415. Segundo este documento, o projeto de
licitação da duplicação da BR-415 no trecho que compreende Itabuna e Ilhéus é voltado para
que iniciativa privada faça a duplicação dos 55 km de extensão que liga estes municípios.
Entretanto, haveria a cobrança de pedágio a cada 50 km que ficarem duplicados. Como um
dos principais objetivos desta obra pode-se citar a melhor distribuição do transito, que em

10
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

razão da grande movimentação do fluxo de cargas ficam concentradas neste trecho. Na


Figura 5 apresenta-se um modelo de como viria a ser este projeto.

Figura 5 - Mapa do projeto de duplicação da BR-415

Fonte: Adaptado da Revisão Anual do Sistema Rodoviário Estadual de 2010/2011 (2011)

Aliado as análises dos investimentos aplicados diretamente ao modal rodoviário é importante


levar em consideração os planejamentos e investimentos nos demais modais tendo em vista a
forte interação entre eles. Neste caso vale destacar o complexo logístico que segundo o
SEPLAN (2011), será criado na região.

A infraestrutura deste complexo logístico contará com os a criação do Porto Sul em Ilhéus, a
Ferrovia de Integração Oeste-leste e o novo aeroporto de Ilhéus. Com relação ao Porto Sul,
tem objetivo é auxiliar no escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste do Brasil,
etanol, fertilizantes, carvão, produtos siderúrgicos, contêineres e diversas cargas em geral.

Por sua vez, a construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que irá ligar
Figueirópolis/TO ao Porto Sul, localizado em Ilhéus visando o escoamento da produção de
grãos do Oeste e do minério de ferro vindo de Caetité/BA e Tanhaçu/BA, e diversos produtos
importantes, tais como: fertilizantes, derivados de petróleo e biocombustíveis.

Já o novo aeroporto de Ilhéus, visa atender a demanda para um horizonte de no mínimo de


vinte anos da região, irá possuir estrutura adequada para o recebimento e despacho de
mercadorias, e terá uma infraestrutura internacional.

Assim, estas três grandes obras irão auxiliar a infraestrutura rodoviária da região, mais
especificamente as BR-101, BR-251 e BR-415, redesenhando o mapa dos modais de

11
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

transporte da Bahia e acelerando a economia regional e estadual compondo parte de um plano


estratégico do estado.

6. Conclusões

No presente trabalho analisou-se a infraestrutura do modal rodoviário das cidades de Itabuna e


Ilhéus, verificou-se que os investimentos realizados neste modal contribuirão com o projeto
de modernização da infraestrutura logística do estado. Isto favorecerá para que esta região
seja o destino de investimentos potenciais dos setores privados e públicos auxiliando no
processo de dinamização da economia.

Assim, como uma das metas, identificou-se que as principais rodovias, federais e estaduais,
que fazem parte da malha rodoviária desta região são as BR-101, BA-251, BR-415/BA-415,
BA-001 e BA-262. Através delas, circulam cargas não só destas duas cidades como também
das cidades circunvizinhas, sendo originadas da produção agrícola e diversas empresas e
indústrias desta localidade.

Fazendo uma pesquisa documental nos órgãos competentes de fiscalização, manutenção e


planejamento de infraestrutura de transporte rodoviário como o DERBA, SEINFRA,
SEPLAN e CNT, percebeu-se que todas essas estão rodovias supracitadas em situação
precária e necessitam de reparos e investimentos.

Diante deste diagnóstico, estão sendo realizados vários investimentos dos governos federal e
estadual no sentido de recuperar esta malha rodoviária. Além disto, existe o projeto de
duplicação da BR-415 trecho Itabuna-Ilhéus que visa melhorar o fluxo do transporte de cargas
intenso na região.

Estas intervenções que estão sendo realizadas e que ainda ocorrerão tanto no modal rodoviário
como nos demais modais irão corroborar para consolidar as cidades de Itabuna e Ilhéus como
um importante polo industrial e de serviços e somado ao futuro complexo logístico, esta
região pode vir a ser uma Plataforma Logística significativa para o estado.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Lucia Pacheco de. Como elaborar monografias. 4. ed. Belém: Cejup,
1996.

12
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

ALVARENGA, Antônio Carlos e NOVAES, Antônio Galvão N. Logística Aplicada. São


Paulo: Edgard Blücher, 2005.

BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: Transportes, Administração de Materiais e


Distribuição Física. Editora Atlas, São Paulo, 2008.

BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Logística empresarial.


Porto Alegre: Artmed, 2004.

BARAT, Josef (org.) et al. Logística e transporte no processo de globalização:


Oportunidades para o Brasil. São Paulo: Unesp : IEEI, 2007.

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística empresarial: O processo de


integração da cadeia de suprimento. Tradução: Equipe do centro de estudos em logística e
Adalberto Ferreira das Neves. 1. ed. rev. São Paulo: Atlas, 2008.

CAIXETA-FILHO, José Vicente; MARTINS, Ricardo Silveira. Gestão logística do


transporte de cargas. São Paulo: Atlas, 2001.

CNT – Confederação Nacional de Transporte. Atlas do Transporte 1. ed. 2006. Disponível


em: <http://www.cnt.org.br> Acesso em: 12 mar. 2013

CNT – Confederação Nacional de Transporte. Boletim Plano CNT de Transporte e


Logística 2011. Disponível em: <http://www.cnt.org.br> Acesso em: 12 mar. 2013

CNT – Confederação Nacional de Transporte. Boletim Econômico 2012. Disponível em:


<http://www.cnt.org.br> Acesso em: 12 mar. 2013

CNT – Confederação Nacional de Transporte. Pesquisa de Rodovias 2012 – BA. Disponível


em: <http://www.cnt.org.br> Acesso em: 25 fev. 2013

CORRÊA, Henrique Luiz e CORRÊA, Carlos Alberto. Administração de produções e


operações: manufatura e serviços: uma abordagem estratégica. 2. ed. São Paulo: Atlas,
2007.

GODOY, Arilda Schmidt. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. São


Paulo, Autêntica, 1995.

GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar. São Paulo: Record, 2000.

KEEDI, Samir. Logística de Transporte Internacional: veículo prático de


competitividade. São Paulo: Aduaneiras, 2001.

LAMBERT, Douglas M., STOCK, James R., VANTINE, José G. Administração estratégica
da logística. São Paulo: Vantine Consultorias, 1998.

LIMA, Mauricio Pimenta. Custeio do transporte rodoviário de Cargas. 1 ed. São Paulo:
Atlas, 2003.

13
XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO
A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos
Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013.

RIBEIRO, Priscila Cristina Cabral; FERREIRA, Karine Araújo. Logística e Transportes:


uma Discussão sobre os Modais de Transporte e o Panorama Brasileiro. In: XXII
ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 2002, Curitiba. Anais.
Curitiba: ABEPRO, 2002.

SANTOS, Marcio Ceo dos. “A Crise da região cacaueira e os desafios para o


desenvolvimento local”. Dissertação de mestrado em administração na Universidade
Municipal de São Caetano do Sul. São Caetano do Sul, 2010.

SANTOS, Antonio Raimundo. Metodologia Científica: A Construção do Conhecimento. Rio


de Janeiro: DP&A editora, 1999.

SEINFRA – Secretaria de Infraestrutura. Revisão anual do Sistema Rodoviário Estadual do


período 2010/2011. Disponível em <http:www.seinfra.ba.gov.br/> Acesso em: 10 jan 2013.

SEPLAN – Secretaria do Planejamento do estado da Bahia. Relatório anual de governo de


2011. Caderno de Infraestrutura Econômica e Logística. Disponível em:
<http://www.seplan.ba.gov.br> Acesso em: 10 jan. 2013.

SEPLAN - Secretaria do Planejamento do estado da Bahia. Relatório anual de governo 2012


– Volume I. Disponível em: <http://www.seplan.ba.gov.br> Acesso em: 15 mar. 2013

SEPLAN – Secretaria do Planejamento do estado da Bahia. Relatório anual de governo de


2012. Disponível em: <http://www.seplan.ba.gov.br> Acesso em: 15 mar. 2013

SILVA, Claudio Ferrari; PORTO, Marcos Maia. Transportes, seguros e a distribuição


física internacional de mercadorias. 2. ed. São Paulo, Aduaneiras, 2003.

SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Administração da Produção


ATLAS, 2. ed. de 2002.

TEIXEIRA, Karênina Martins. Investigação de opções de Transporte de carga geral em


contêineres nas conexões com a região amazônica. Tese de doutorado. Universidade de São
Paulo. Escolha de Engenharia de São Carlos. São Carlos, 2007.

WANKE, Peter. Logística empresarial: A perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2009.

YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman,
2005

14