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UNIVERSIDADE DE BRASÍ LIA

FACULDADE DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

COMPORTAMENTO EXPERIMENTAL DE UMA CORTINA


DE ESTACA PRANCHA ASSENTE EM SOLO POROSO DO
DF: IMPLICAÇ ÕES PARA O PROJETO E METODOLOGIA
DE CÁ LCULO

ENG.ºEDIMARQUES PEREIRA MAGALHÃ ES

ORIENTADOR: RENATO PINTO DA CUNHA


CO-ORIENTADOR: JOSÉ HENRIQUE FEITOSA PEREIRA

DISSERTAÇ Ã O DE MESTRADO EM GEOTECNIA

PUBLICAÇ Ã O G.DM-105/2003

BRASÍ LIA / DF : MAIO / 2003


UNIVERSIDADE DE BRASÍ LIA

FACULDADE DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

COMPORTAMENTO EXPERIMENTAL DE UMA CORTINA


DE ESTACA PRANCHA ASSENTE EM SOLO POROSO DO
DF: IMPLICAÇ ÕES PARA O PROJETO E METODOLOGIA
DE CÁ LCULO

ENG.ºEDIMARQUES PEREIRA MAGALHÃ ES

DISSERTAÇ Ã O DE MESTRADO SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E


AMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍ LIA, COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁ RIOS PARA A OBTENÇ Ã O DO GRAU DE MESTRE EM CIÊ NCIAS.

APROVADA POR:

___________________________________________________
Prof. RENATO PINTO CUNHA, PhD (UnB)
(ORIENTADOR)

___________________________________________________
Prof. JOSÉ HENRIQUE FEITOSA PEREIRA, PhD (UnB)
(CO-ORIENTADOR)

___________________________________________________
Prof. JOSÉ CAMAPUM DE CARVALHO, PhD (UnB)
(EXAMINADOR INTERNO)

___________________________________________________
Prof. ENIVALDO MINETTE, PhD (UFV)
(EXAMINADOR EXTERNO)

BRASÍ LIA/DF, 31 DE MAIO DE 2003.

ii
FICHA CATALOGRÁ FICA

MAGALHÃ ES, EDIMARQUES PEREIRA


Comportamento Experimental de uma Cortina de Estaca Prancha Assente em Solo
Poroso do DF: Implicaç ões para o Projeto e Metodologia do Cálculo, 2003.
(xix), 149 p., 210 x 297 mm (ENC/FT/UnB, Mestre, Geotecnia, 2003)
Dissertaç ã o de Mestrado – Universidade de Brasília, Faculdade de Tecnologia,
Departamento de Engenharia Civil e Ambiental.
1. Cortinas de Estaca Prancha 2. Instrumentaç ã o
3. Empuxo 4. Equil íbrio Limite
5. Mé todo da Extremidade Livre
I. ENC/FT/UnB II. Título (sé rie)

REFERÊ NCIA BIBLIOGRÁ FICA

MAGALHÃ ES, E. P. (2003). Comportamento Experimental de uma Cortina de Estaca


Prancha Assente em Solo Poroso do DF: Implicaç ões para o Projeto e Metodologia do
Cálculo, Publicaç ã o no G.DM-105/2003, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental,
Universidade de Brasília, Brasília, DF, 149 p.

CESSÃ O DE DIREITOS

NOME DO AUTOR: Edimarques Pereira Magalhã es


TÍ TULO DA DISSERTAÇ Ã O DE MESTRADO: Comportamento Experimental de uma
Cortina de Estaca Prancha Assente em Solo Poroso do DF: Implicaç ões para o Projeto e
Metodologia do Cálculo.
GRAU: Mestre em Ciê ncias ANO: 2003

É concedida à Universidade de Brasília a permissã o para reproduzir cópias desta dissertaç ã o


de mestrado e para emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadê micos e
científicos. O autor reserva outros direitos de publicaç ã o e nenhuma parte desta dissertaç ã o de
mestrado pode ser reproduzida sem autorizaç ã o por escrito do autor.

_________________________________
Edimarques Pereira Magalhã es
R 21, Lt 8, Bl. D, Aptº 1104, Res. Araucária – Á guas Claras
CEP: 72.030-100
Brasília – DF – Brasil
E-mail: edimarques@bol.com.br

iii
DEDICATÓ RIA

“Aprender é a ú nica coisa de que a mente nunca se


cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende"
Leonardo da Vinci

Aos meus pais, que proporcionaram a mim


os primeiros passos rumo ao saber e ao estudo.
À minha esposa e ao meu filho
por tudo que representam para mim.

iv
AGRADECIMENTOS

À minha família que desde o começ o me deu forç as para vencer os diversos desafios
encontrados nessa jornada.

À minha esposa pela compreensã o e apoio assumindo os afazeres e a responsabilidade da


família neste período.

Ao meu filho pelas horas que me dispensou, para que eu pudesse desenvolver este trabalho.

A Deus, pela Concessã o desta oportunidade e pelos talentos necessários para desenvolver este
trabalho.

Aos colegas da Geotecnia, que como eu passaram e passam por todas as provaç ões a fim de
obter a vitória, coragem! Em especial a Moura, John Eloi, David e Danielle.

Ao professor Renato Pinto Cunha e José Henrique Feitosa Pereira, pela paciê ncia e orientaç ã o
durante todo andamento do trabalho.

A equipe de laboratório, Ricardo, Alessandro, Severino e Xavier pela ajuda prestada nos
ensaios.

A todos os professores da Geotecnia que contribuíram para minha formaç ã o.

À EMBRE – Empresa Brasileira de Engenharia e Fundaç ões Ltda. e a VIA Engenharia S.A.,
pela oportunidade de participaç ã o no projeto da obra apresentada neste trabalho.

À CAPES pelo apoio financeiro.

v
COMPORTAMENTO EXPERIMENTAL DE UMA CORTINA
DE ESTACA PRANCHA ASSENTE EM SOLO POROSO DO
DF: IMPLICAÇ ÕES PARA O PROJETO E METODOLOGIA
DE CÁ LCULO

Este trabalho apresenta um estudo do comportamento de uma cortina de estaca


prancha assente em solo poroso nã o saturado. A cortina de contenç ã o foi executada no
Distrito Federal, buscando compreender melhor como a contenç ã o é solicitada devido ao
empuxo de terra. Com isso, definir uma metodologia para o dimensionamento e os parâmetro
do solo para projetos.
Deu-se ê nfase à mecânica dos solos nã o saturados, o que representa, como
influencia, os princípios das tensões efetivas para esses solos, sucç ã o, curva característica,
resistê ncia ao cisalhamento e compressibilidade. Abordou-se ainda a metodologia do
equilíbrio plástico, levando-se em consideraç ã o a teoria de Rankine, com empuxo de terra
baseado no crité rio estendido de Mohr-Coulomb para solos nã o saturados. Apresenta-se
també m no presente trabalho as teorias clássicas de empuxo de Rankine e de Coulomb, e o
conceito de cortinas de estacas pranchas, e seu dimensionamento pelo mé todo da extremidade
livre.
A cortina de estaca prancha foi executada no mê s de junho, é poca de estiagem no
Distrito Federal, e foram instrumentados cinco níveis de profundidade em trê s estacas. A
extensã o total do maciç o a ser arrimado foi dividido em trê s trechos distintos, em cada trecho
variou-se o espaç amento e o fator de seguranç a, obtendo assim, trê s condiç ões de solicitaç ões
de esforç os.
Baseado nos dados da instrumentaç ã o determinou-se os momentos atuantes, e via
medidas diretas, obteve-se os deslocamentos no topo das estacas. Atravé s do mé todo de
extremidade livres de Bowles – 1968 e do programa Geofine, fez-se retroanálises e observou-
se a influê ncia da sucç ã o matricial no dimensionamento da contenç ã o, avaliando ainda a
situaç ã o mais econômica para execuç ã o da obra.

vi
EXPERIMENTAL BEHAVIOR OF A SHEET PILE WALL
FOUNDED IN THE POROUS SOIL OF THE DF:
IMPLICATIONS FOR DESIGN METHODOLOGY

This Thesis presents a study of the behavior of a retrainning wall made of side-by-
side bored piles, founded on an unsaturated porous clay. The wall was executed in the Federal
District, aimming the better assessment of how this work is affected by the earth pressure.
The wall was constructed in the month of June, dry season of the Federal District,
and five instrumentation levels in three piles were assembled. The total earth slope extension
to be retainned was divided into three district zones, in which (at each zone) the pile spacing
and factor of safety of design was varied.
Based on the instrumentation data the bending moments were determined and, by
direct measurement, the displacements of the head of the piles. Using the free earth method
from Bowles, 1988 book, as well as the similar method presented in the Geofine software, it
was possible to backanalyze the district wall zones. It was also observed in the present series
of analysis the matric suction influence on the wall design, trying to obtain the most economic
design conditions for this type of engineering work.

vii
Í NDICE

1. Introdução ................................ ................................ ................................ ........................ 1


1.1 Motivaç ã o ................................ ................................ ................................ ........................ 1
1.2 Objetivos................................ ................................ .......................................................... 2
1.3 Estrutura da Dissertaç ã o ................................ ................................................................... 2

2. Revisão Bibliográfica................................ ................................ ................................ ........ 4


2.1 Mecânica dos Solos Nã o Saturados................................................................................... 4
2.1.1 Princípio das Tensões Efetivas para Solos Nã o Saturados .............................................. 5
2.1.2 Sucç ã o................................................................................................ ........................... 9
2.1.3 Curva Característica ................................ ................................ ................................ .... 11
2.1.4 Resistê ncia ao Cisalhamento dos Solos Nã o Saturados ................................ ................ 13
2.1.5 Compressibilidade ....................................................................................................... 15
2.2 Teoria do Equilíbrio Plástico .......................................................................................... 19
2.2.1 Pressã o de Terra em Repouso ................................ ................................ ...................... 21
2.2.2 Teoria de Rankine de Empuxos de Terra Baseado no Crité rio Estendido de Mohr-
Coulomb para Solos Nã o Saturados................................ ................................ ...................... 23
2.2.3 Empuxo de Terra Ativo ................................ ................................ ............................... 24
2.2.3.1 Distribuiç ã o da Pressã o Ativa (Sucç ã o Matricial Constante com a Profundidade) ..... 27
2.2.3.2 Distribuiç ã o da Pressã o Ativo (Sucç ã o Matricial Variável com a Profundidade) ....... 28
2.2.4 Empuxo de Terra Passivo ............................................................................................ 30
2.2.4.1 Distribuiç ã o da Pressã o Passiva (Sucç ã o Matricial Constante com a Profundidade) .. 32
2.2.4.2 Distribuiç ã o da Pressã o Passiva (Sucç ã o Matricial Variável com a Profundidade) .... 33
2.3 Teoria Clássica de Empuxo ............................................................................................ 34
2.3.1 Teoria de Rankine ....................................................................................................... 34
2.3.1.1 Empuxo Ativo .......................................................................................................... 34
2.3.1.2 Empuxo Passivo ....................................................................................................... 38
2.3.2 Teoria de Coulomb................................ ................................ ................................ ...... 39
2.3.2.1 Empuxo Ativo .......................................................................................................... 40
2.3.2.2 Empuxo Passivo ....................................................................................................... 46
2.4 Cortinas de Estacas Pranchas.......................................................................................... 47
2.4.1 Cortinas em Balanç o................................ ................................ ................................ .... 48

viii
2.4.2 Cortinas Ancoradas ..................................................................................................... 48
2.4.3 Mé todo de Cálculo – Mé todo da Extremidade Livre ................................ .................... 48
2.4.3.1 Estacas Pranchas em Balanç o em Solo Granular ....................................................... 49
2.4.3.2 Estacas Pranchas em Balanç o em Solo Coesivo ........................................................ 52
2.4.3.3 Estacas Pranchas Ancoradas em Solo Granular ................................ ......................... 53
2.4.3.4 Estacas Pranchas Ancoradas em Solo Coesivo .......................................................... 56

3. Dimensionamento de Cortinas de Estacas Pranchas em Solos Não Saturados............ 57


3.1 Introduç ã o ................................ ................................ ................................ ...................... 57
3.2 Dimensionamento de Cortina em Balanç o –Bowles, 1968 .............................................. 59
3.3 Dimensionamento de Cortina Ancorada –Bowles, 1968................................ .................. 61
3.4 Programa Geofine .......................................................................................................... 63
3.4.1 Tensã o no Solo ............................................................................................................ 63
3.4.2 Notaç ões Usadas dos Tipos de Pressões de Terra................................ ......................... 65
3.4.3 Pressã o Ativa................................ ................................ ................................ ............... 66
3.4.4 Pressã o Passiva............................................................................................................ 67
3.4.5 Pressã o no Repouso ..................................................................................................... 68
3.5 Estruturas de Estacas Pranchas ....................................................................................... 69
3.5.1 Análises de Cortina de Estacas Pranchas................................ ................................ ...... 69
3.5.2 Análises de Cortinas Ancoradas................................................................................... 70

4. Instrumentação da Cortina de Estaca Prancha ............................................................ 72


4.1 Princípio de Funcionamento do Extensômetro ................................................................ 72
4.1.1 Histórico................................ ................................ ................................ ...................... 72
4.1.2 Princípio de Funcionamento ................................ ........................................................ 73
4.2 Tipos de Extensômetros Elé tricos de Resistê ncia............................................................ 76
4.2.1 Extensômetro de Fio ................................ ................................ ................................ .... 77
4.2.2 Extensômetro de Lâmina ................................ ................................ ............................. 77
4.2.3 Extensômetro Semicondutor ................................ ........................................................ 78
4.2.4 Material de Base.......................................................................................................... 79
4.2.5 Configuraç ã o do Extensômetro................................ ................................ .................... 79
4.3 A Escolha Correta do Extensômetro Elé trico de Resistê ncia ................................ ........... 81
4.3.1 Dimensã o do Extensômetro ................................................................ ......................... 82
4.3.2 Geometria da Grade..................................................................................................... 82

ix
4.3.3 Tipo de Extensômetro................................ ................................ ................................ .. 82
4.3.3.1 Medidas de Deformaç ões Estáticas ................................ ................................ ........... 83
4.3.3.2 Medidas de Deformaç ões Dinâmicas ................................ ........................................ 83
4.3.3.3 Temperatura de Operaç ã o ................................................................ ......................... 83
4.3.3.4 Limite de Deformaç ã o .............................................................................................. 83
4.3.3.5 Capacidade da Corrente de Excitaç ã o ....................................................................... 84
4.3.3.6 Auto Compensaç ã o de Temperatura.......................................................................... 84
4.4 Té cnicas para Aplicaç ã o dos Extensômetros................................................................... 84
4.4.1 Preparo da Superfície................................................................................................... 85
4.4.2 Colagem do extensômetro............................................................................................ 86
4.4.3 Fiaç ã o dos Extensômetros Elé tricos................................ ................................ ............. 87
4.4.4 Impermeabilizaç ã o ................................ ................................ ................................ ...... 89

5. Materiais e Métodos ....................................................................................................... 90


5.1 Características do solo do Distrito Federal ................................ ................................ ...... 90
5.2 Geologia................................................................................................ ......................... 91
5.3 Geomorfologia ................................ ................................ ................................ ............... 92
5.4 Descriç ã o da Obra .......................................................................................................... 92
5.5 Caracterizaç ã o do Solo ................................................................................................... 94
5.5.1 Perfil de Umidade do Solo ................................ ................................ ........................... 94
5.5.2 Determinaç ã o da Curva Característica ................................ ................................ ......... 95
5.6 Dimensionamento da Cortina ................................................................ ......................... 97
5.7 Instrumentaç ã o ................................ ................................ ................................ ............. 102
5.7.1 Preparaç ã o das Barras de Instrumentaç ã o ................................ ................................ .. 102
5.7.2 Cálculo dos Momentos nas Seç ões Instrumentadas ................................ .................... 108
5.7.2.1 Momento Atuante no Concreto ............................................................................... 109
5.7.2.2 Momento Atuante no Aç o................................................................ ....................... 110

6. Resultados e Análises ................................................................................................... 111


6.1 Resultados do Dimensionamento da Cortina................................................................. 111
6.2 Resultados da Instrumentaç ã o................................................................ ....................... 117
6.3 Influê ncia da Coesã o no Dimensionamento da Contenç ã o ............................................ 118
6.4 Análises pelo Mé todo de Bowles (1968)................................ ................................ ....... 120
6.5 Análises pelo Programa Geofine................................................................................... 124

x
6.6 Deslocamentos no Topo das Estacas................................ ................................ ............. 131
6.7 Momentos Máximos Atuantes nas Estacas................................ ................................ .... 133
6.8 Dificuldades ................................................................................................................. 134

7. Conclusões ................................ ................................ ................................ .................... 136


7.1 Conclusões ................................................................................................................... 136
7.2 Sugestões ..................................................................................................................... 137

Referê ncias Bibliográficas................................ ................................ ................................ 138


A – Pressiômetro de Ménard (PMT) ............................................................................... 143
B – Relatório de Sondagem.............................................................................................. 146

xi
LISTA DE FIGURAS

Figura Página
2.1. Associaç ã o entre os raios dos meniscos capilares com a pressã o de sucç ã o num
solo parcialmente saturado (Pinto, 2000) 10
2.2. Exemplo de curva característica de umidade de solo nã o saturado (Pinto, 2000) 11
2.3. Gráfico tridimensional de tensã o cisalhante (Fredlund et. al., 1978) 14
2.4. Principais superfícies constitutivas (Fredlund et. al., 1978) 16
2.5. Idealizaç ã o do comportamento elasto-plástico (Fredlund et. al., 1978) 19
2.6. Pressões de sustentaç ã o do diagrama xx’ (Vargas, 1977) 20
2.7. Deformaç ões para levar ao equilíbrio plástico (Vargas, 1977) 20
2.8. Ko em solos normalmente adensados: (a) argilas (Ladd et. al., 1977) e (b) areias
(Al Hussaini et. al., 1975) (Ortigã o, 1995) 22
2.9. Tensões em um elemento no maciç o do solo (Fredlund et. al., 1978) 23
2.10. Pressã o ativa e passiva para um solo com sucç ã o matricial (Fredlund et. al., 1978) 24
2.11. Distribuiç ã o de pressã o ativa com sucç ã o matricial constante (Fredlund et. al.,
1978) 27
2.12. Componentes da distribuiç ã o da pressã o ativa com sucç ã o constante (Fredlund et.
al., 1978) 27
2.13. Mé todo usado para encontrar a sucç ã o mátrica no perfil (Fredlund et. al., 1978) 29
2.14. Componentes da distribuiç ã o da pressã o ativa com sucç ã o variável (Fredlund et.
al., 1978) 29
2.15. Círculo de Mohr para o caso de pressã o passiva (Fredlund et. al., 1978) 31
2.16. Distribuiç ã o da pressã o passiva com a sucç ã o matricial constante (Fredlund et.
al., 1978) 32
2.17. Componentes da distribuiç ã o da pressã o passiva com sucç ã o matricial constante
(Fredlund et. al., 1978) 33
2.18. Cálculo de empuxo de areia, segundo Rankine (Vargas, 1977) 35
2.19. Empuxos sobre muro submerso (modificada – Vargas, 1977) 36
2.20. Empuxo passivo em areia, segundo Rankine (Vargas, 1977) 38
2.21. Empuxos de areia, segundo Coulomb (Vargas, 1977) 40
2.22. Construç ã o gráfica do empuxo de Coulomb (Vargas, 1977) 43

xii
2.23. Extensã o da teoria de Coulomb para empuxo passivo (Vargas, 1977) 46
2.24. Parede em balanç o; (a) Deformada da parede; (b) Distribuiç ã o das pressões
obtidas pelas teorias da elasticidade e da plasticidade; (c) Diagrama simplificado
(Bowles, 1968) 49
2.25. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo granular (Bowles, 1977) 50
2.26. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo coesivo (Bowles, 1977) 52
2.27. Mé todo de cálculo de uma cortina ancorada de extremidade livre: (a) solo
granular; (b) solo coesivo abaixo da linha de escavaç ã o (Bowles, 1968) 54
3.1. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo com coesã o e atrito
(modificada – Bowles, 1968) 59
3.2. Diagrama de pressã o para cortina ancorada em solo com coesã o e atrito (Bowles,
1968) 62
3.3. Entrada de dados dos parâmetros do solo no programa Geofine 64
3.4. Convenç ões de sinais para α e β (Geofine) 66
3.5. Análise de uma contenç ã o ancorada (Geofine) 71
4.1. Extensômetro axial ú nico (Barreto Jú nior, 1998) 79
4.2. Extensômetro biaxial (Barreto Jú nior, 1998) 80
4.3. Extensômetro triaxial (Barreto Jú nior, 1998) 80
4.4. Extensômetro tipo diafragma (Barreto Jú nior, 1998) 80
4.5. Extensômetro para medida de tensã o residual (Barreto Jú nior, 1998) 81
4.6. Extensômetro axial duplo (Barreto Jú nior, 1998) 81
4.7. Dimensã o do extensômetro (modificada – Barreto Jú nior, 1998) 82
4.8. Posicionando o extensômetro (Barreto Jú nior, 1998) 87
4.9. Soldagem do fio ao extensômetro (Barreto Jú nior, 1998) 89
5.1. Mapa de localizaç ã o de Brasília (Cunha & Mota, 2000) 90
5.2. Detalhe da cortina de contenç ã o: (a) planta e (b) perfil 93
5.3. Perfil de Umidade do Solo (modificada – SáQuirino, 2003) 94
5.4. Curva Característica (modificada – SáQuirino, 2003) 95
5.5. Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o sem trinca de traç ã o 97
5.6. Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o com trinca de traç ã o 99
5.7. Detalhe dos diagramas de empuxos: (a) efeito das trincas de traç ã o e da sobrecarga
no diagrama de empuxo de terra, e (b) detalhe da trinca de traç ã o 99
5.8. Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada sem trinca de traç ã o 100

xiii
5.9. Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada com trinca de traç ã o 101
5.10. Posicionamento dos extensômetros visando medir os maiores momentos 102
5.11. Detalhe da limpeza do ponto de fixaç ã o do extensômetro 104
5.12. Verificaç ã o da colagem do extensômetro 104
5.13. Proteç ã o contra umidade 105
5.14. Barras instrumentadas prontas para serem fixadas nas armaduras 105
5.15. Detalhe da descida da armadura da estaca 106
5.16. Detalhe da concretagem da estaca 107
5.17. Detalhe das leituras dos extensômetros 107
5.18. Visã o geral da cortina de contenç ã o 108
5.19. Detalhe de uma seç ã o transversal, demonstrando as variáveis para o calculo dos
momentos 109
6.1. Resumo do dimensionamento da contenç ã o 112
6.2. Dimensionamento da estaca do trecho 01 114
6.3. Diagrama de momento da estaca do trecho 01 com a profundidade 114
6.4. Dimensionamento da estaca do trecho 02 115
6.5. Diagrama de momento da estaca do trecho 02 com a profundidade 115
6.6. Dimensionamento da estaca do trecho 03 116
6.7. Diagrama de momento da estaca do trecho 03 com a profundidade 116
6.8. Cálculo dos momentos baseado nos dados da instrumentaç ã o 117
6.9. Variaç ã o do comprimento da ficha e do momento máximo de uma estaca em
funç ã o da coesã o do solo 119
6.10. Comparaç ã o entre o momento de projeto e o momento calculado baseado nos
dados de instrumentaç ã o 120
6.11. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o do ângulo de atrito,
mantendo a coesã o constante (c = 10,0 KPa) 121
6.12. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o da coesã o,
mantendo-se o ângulo de atrito constante (φ = 25º) 121
6.13. Valores da ficha e de momento máximo para valores propostos de coesã o igual a
13,0 kPa e ângulo de atrito igual a φ = 25º 122
6.14. Comparaç ã o do volume de concreto e de consumo de aç o entre as estacas
executadas e as propostas 123

xiv
6.15. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o do ângulo de atrito,
mantendo a coesã o constante (c = 10,0 kPa) 124
6.16. Saída de dados do programa Geofine (modificada – Geofine) 124
6.17. Valores da ficha e de momento máximo para valores propostos de coesã o igual a
13,0 kPa e ângulo de atrito igual a φ = 25º 125
6.18. Comparaç ã o do volume de concreto e de consumo de aç o entre as estacas
executadas e as propostas 126
6.19. Comparaç ã o de custos unitários entre estacas executadas e propostas 127
6.20. Custo unitário das estacas executadas e o nú mero de estacas necessário para
vencer a extensã o total do corte no maciç o de solo 128
6.21. Comparaç ã o do custo total da obra para os trê s trechos 129
6.22. Comparaç ã o entre o mé todo de Bowles (1968) e o Geofine 130
6.23. Deslocamentos no topo das estacas com o passar do tempo 131
6.24. Variaç ã o do deslocamento com o tempo 132
6.25. Variaç ã o do momento máximo com o tempo 133
6.26. Variaç ã o do momento máximo com o tempo 134
A.1. Detalhe do ensaio pressiomé trico 143
A.2. Ilustraç ã o do pressiômetro de Mé nard (PMT) 144
A.3. Curvas dos ensaios pressiomé tricos 145
B.1. Planta de locaç ã o das sondagens 146
B.2. Furo nº 11 de sondagem 147
B.3. Furo nº 11 de sondagem - continuaç ã o 148
B.4. Furo nº 12 de sondagem 149

xv
LISTA DE TABELAS

Tabela Página
4.1. Valores da sensibilidade à deformaç ã o de algumas ligas utilizadas na confecç ã o
dos extensômetros elé tricos (Barreto Jú nior, 1998) 76
5.1. Parâmetros geoté cnicos da argila porosa de Brasília (Cunha et. al., 1999) 96
6.1. Custo unitário das estacas 126
6.2. Mé dia dos deslocamentos para cada trecho 129

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LISTA DE SÍ MBOLOS, NOMENCLATURAS E
ABREVIAÇ ÕES

A Á rea
ABNT Associaç ã o Brasileira de Normas Té cnicas
c Coesã o do solo
c' Coesã o efetiva do solo
CG Centro de gravidade
Cij Parâmetro de Compressibilidade
cm Centímetro
DF Distrito Federal
e Í
ndice de vazios
E Módulo de Young do solo
E Módulo de elasticidade da estrutura do solo relativo à mudanç a em (σy - ua)
Ea Empuxo ativo
Ea Módulo de elasticidade do aç o
Ec Módulo de elasticidade do concreto
Ep Empuxo passivo
Eq. Equaç ã o
et al. “et alli”
fck Resistê ncia do concreto característica de projeto
ftk Resistê ncia à traç ã o
g Grama
g/cm3 Gramas por centímetro cú bico
H Altura da estrutura de contenç ã o
H Módulo de elasticidade da estrutura do solo relativo à mudanç a em (ua – uw)
Hi Módulo de elasticidade anisotrópico da estrutura do solo relativo à mudanç a
em (ua – uw)
ISSMFE International Society for Soil Mechanicas and Foudations Engineering
Ka Coeficiente de empuxo ativo
kg Quilograma
kgf Quilograma forç a
kgf/cm2 Quilograma forç a por centímetro ao quadrado

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kN Kilo-Newton
kN/m3 Quilo Newtons por metro cú bico
Ko Coeficiente de empuxo lateral no repouso
Kp Coeficiente de empuxo passivo
kPa Kilo-Pascal
L Comprimento da estaca
LN Linha neutra
m Unidade de metro
M Momento Fletor
m3 Metro cú bico
mm Unidade de milímetro
2
mm Unidade de milímetro quadrado
MPa Mega Pascal
n Porosidade do solo
N Forç a Normal
NBR Norma Brasileira
p Tensã o mé dia
p' Tensã o mé dia efetiva
pa Pressã o ativa
po Tensã o mé dia inicial
pp Pressã o passiva
q sobrecarga
Q Esforç o cortante
S Grau de saturaç ã o
Sm Sucç ã o mátrica
So Sucç ã o osmótica
Sr Grau de saturaç ã o
tan Tangente
ua Pressã o de ar no elemento sólido
uw Pressã o de água no elemento sólido
V Volume total do elemento
wo Umidade inicial
β Ângulo de inclinaç ã o do terrapleno

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χ Parâmetro de Bishop
δ Ângulo que o empuxo faz com a horizontal
δh Deslocamento horizontal no topo das estacas
∆w Variaç ã o da umidade
εx Deformaç ã o na direç ã o x
εy Deformaç ã o na direç ã o y
εz Deformaç ã o na direç ã o z
φ Ângulo de atrito total do solo
φ’ Ângulo de atrito efetivo do solo
φ1 Ângulo de atrito entre o solo e a estrutura
φb Ângulo de coeficiente de incremento de resistê ncia cisalhante relativa a sucç ã o
mátrica
γ Peso específico do solo
γ’ Peso específico do solo submerso
γd Peso específico seco do solo
γsat Peso específico saturado
γw Peso específico da água
µ Coeficiente de Poisson
θ Ângulo de inclinaç ã o
ρ Massa específica
σ’ Tensã o efetiva
σ1, σ3 Componente de tensã o desviatória
σv Tensã o normal
∑ Somatório
τ Tensã o cisalhante
τnf Tensã o cisalhante no plano de ruptura na ruptura
ψ Coeficiente de seguranç a para pressã o passiva
% Por cento

xix
1. INTRODUÇ Ã O

Os registros mais antigos de obras de contenç ã o apontam para muros de alvenaria de


argila contendo aterros na regiã o sul da Mesopotâmia construídos por sumerianos entre 3.200
e 2.800 a.c. Obras construídas seguindo preceitos de engenharia moderna começ aram a surgir
apenas no início do sé culo XVIII, fruto de trabalho de engenheiros franceses (ABMS/ABEF,
1998).
Obras de contenç ã o do terreno estã o cada vez mais presentes nos projetos de
engenharia devido a crescente ocupaç ã o das áreas urbanas, realizadas para melhor aproveitar
os espaç os. É freqüente a criaç ã o de subsolos para estacionamento em edifícios urbanos,
contenç ã o de cortes e aterros. Escavaç ões sã o geralmente realizadas na vertical e precisam de
reforç o para manterem seu equilíbrio nessa nova configuraç ã o. A contenç ã o é feita pela
introduç ã o de uma estrutura ou de elementos estruturais compostos, que apresentam rigidez
distinta daquela do terreno que conterá.
O uso de instrumentaç ã o em estruturas de contenç ã o busca a definiç ã o dos esforç os
solicitantes de forma a subsidiar o dimensionamento das estacas. Essa pesquisa é pioneira no
uso da instrumentaç ã o para fins de estruturas de contenç ões no Distrito Federal. Em geral os
trabalhos de instrumentaç ã o sã o feitas na área de tú neis e fundaç ões, onde tem-se trabalhos
para verificaç ã o do comportamento das cargas ao longo do fuste e como essas cargas sã o
transferidas para o solo, alé m de estudo do efeito interaç ã o solo – estrutura.

1.1. MOTIVAÇ Ã O

O presente trabalho consiste no estudo de uma estrutura de contenç ã o, do tipo cortina


formada por estacas justapostas, por ser a mais usada no Distrito Federal, e, em especial, nos
centros urbanos. A necessidade de escavaç ões reflete imposiç ões de regimentos do plano
diretor de ocupaç ã o da cidade que proporciona ao usuário de um edifício, um local para
estacionamento, áreas sociais, jardins, etc, quer seja em um setor comercial, quer seja
residencial.
A ocupaç ã o dos centros urbanos implica em uma valorizaç ã o do terreno, onde o
custo por metro quadrado influencia na maneira como se vai construir. No caso de edifícios
em zona urbana, com pavimentos de subsolo, onde as escavaç ões estendem-se até as divisas
do terreno, háque se prever um sistema de contenç ã o.

1
Estudos efetuados em regiões de clima árido e semi-árido, tê m mostrado que a
condiç ã o de saturaç ã o quase nunca é atingida pela profundidade do lenç ol d’água, condiç ões
hidráulicas do solo local e sazonalidade do período de chuvas. Portanto, as escavaç ões sã o
efetuadas em um maciç o de solo onde a água estásob pressã o negativa. Sendo assim, torna-se
necessário o estudo da influê ncia da sucç ã o matricial nos problemas de engenharia
geoté cnica. Logo, em Brasília, onde as estaç ões de chuva e seca sã o bem definidas, a
utilizaç ã o da mecânica dos solos nã o saturados pode significar reduç ã o dos custos nas obras.

1.2. OBJETIVOS

Este trabalho objetiva um melhor dimensionamento de cortinas formadas por estacas


justapostas, adaptando o mé todo de cálculo da extremidade livre (Bowles – 1968), às
condiç ões do solo do Distrito Federal. Para isso, é feito um monitoramento em uma obra de
contenç ã o via estacas que compõem uma cortina em balanç o, as quais foram instrumentadas.
A instrumentaç ã o em uma obra de escala real favoreceráa análise das premissas de
projeto, pois serápossível fazer comparaç ões dos esforç os calculados com os fornecidos pela
instrumentaç ã o, dando embasamento para discutir e criticar o mé todo da extremidade livre,
averiguar ou checar os mé todos para cálculo de empuxo de terra, problemas construtivos, a
influê ncia da sucç ã o matricial, entre outros aspectos.
Este estudo fornecerádados para o aperfeiç oamento dos projetos de contenç ã o, uma
vez que, a determinaç ã o da grandeza do esforç o do solo sobre a cortina e a forma com que
este a solicita, sã o fatores primordiais, para o desenvolvimento de um projeto seguro e
econômico. Soluç ões simples e de fácil utilizaç ã o, onde sã o feitas várias consideraç ões para
simplificar os problemas, vê m sendo largamente empregadas até o presente, apesar de
inú meras limitaç ões quanto a sua aplicabilidade.

1.3. ESTRUTURA DA DISSERTAÇ Ã O

A dissertaç ã o estádividida em sete capítulos distribuídos da seguinte maneira:


O Capítulo 1 apresenta uma introduç ã o à dissertaç ã o, explanando o problema
abordado, os motivos que levaram ao desenvolvimento do presente trabalho e os objetivos
principais.
O Capítulo 2 conté m a revisã o da literatura utilizada, onde dá-se ê nfase à mecânica
dos solos nã o saturados, o que representa, como influencia, os princípios das tensões efetivas

2
para esses solos, sucç ã o, curva característica, resistê ncia ao cisalhamento e compressibilidade.
Aborda ainda a metodologia do equilíbrio plástico, levando-se em consideraç ã o a teoria de
Rankine, com empuxo de terra baseado no crité rio estendido de Mohr-Coulomb para solos
nã o saturados. Apresenta també m as teorias clássicas de empuxo de Rankine e de Coulomb, e
o conceito de cortinas de estacas pranchas, e seu dimensionamento pelo mé todo da
extremidade livre.
No Capítulo 3 estádescrito o dimensionamento de cortinas de estacas pranchas em
solo nã o saturado utilizando-se o mé todo da extremidade livre (Bowles, 1968), baseado na
teoria do equilíbrio plástico. Apresentam-se as formulaç ões adaptando-as para um solo nã o
saturado com coesã o e ângulo de atrito, a influê ncia da sucç ã o mátrica. Aborda ainda o
funcionamento do Programa Geofine que foi utilizado nas retroanálises, onde igualou-se os
momentos de projeto aos momentos fornecidos pela instrumentaç ã o de campo.
No capítulo 4 está apresentada a instrumentaç ã o, explanando o princípio de
funcionamento do extensômetro, os tipos de extensômetros e a escolha correta, bem como as
té cnicas para aplicaç ã o. Essas descriç ões proporcionam uma melhor compreensã o sobre a
confecç ã o das barras instrumentadas, as quais foram introduzidas em algumas estacas da
cortina de contenç ã o.
O Capítulo 5 conté m a metodologia utilizada no desenvolvimento do presente
trabalho, onde encontram-se as características dos solos do Distrito federal, geologia e
geomorfologia. Compreende-se o problema abordado de uma forma geral com a descriç ã o da
obra, o dimensionamento da cortina de contenç ã o e a preparaç ã o em laboratório das barras
instrumentadas, passo a passo, bem como o cálculo dos momentos atuantes nas seç ões
instrumentadas, com base nos dados de instrumentaç ã o.
No Capítulo 6 encontram-se os resultados do dimensionamento da contenç ã o com
base nas planilhas eletrônicas apresentadas no Capítulo 5 e no Programa Geofine, e os
resultados obtidos em campo oriundos da instrumentaç ã o e do monitoramento do topo da
estaca via medidas diretas. Fez-se retroanálises igualando-se os momentos máximos de
projeto aos momentos máximos obtidos atravé s da instrumentaç ã o, observando-se o
comportamento da “ficha” com a variaç ã o dos parâmetros de resistê ncia do solo, coesã o e
ângulo de atrito.
No Capítulo 7 sã o apresentadas as conclusões e sugestões para trabalhos futuros.
Por fim apresenta-se a relaç ã o, em ordem alfabé tica, das referê ncias bibliográficas
citadas no corpo do trabalho.

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2. REVISÃ O BIBLIOGRÁFICA

Na revisã o bibliográfica sã o discutidos assuntos que darã o embasamento à pesquisa,


como a mecânica dos solos nã o saturados, buscando demonstrar sua importância e relevância
no entendimento e soluç ã o de problemas de engenharia geoté cnica. Serã o apresentados,
també m, alguns conceitos básicos da teoria dos solos nã o saturados.
Alé m disso, é apresentada uma revisã o da teoria do equilíbrio plástico e da teoria
clássica de empuxos de terra em contenç ã o de escavaç ões em maciç os nã o saturados, bem
como do dimensionamento de cortinas de estacas pranchas, com ê nfase ao mé todo da
extremidade livre (Bowles, 1968).

2.1. MECÂ NICA DOS SOLOS NÃ O SATURADOS

Nos anos 60 foram registradas publicaç ões relevantes em termos de resultados de


pesquisas como, por exemplo, Coleman (1962), Bishop & Blight (1963) e Matyas e
Radhakrishna (1968). Estes ú ltimos apresentaram importantes contribuiç ões no entendimento
dos fundamentos da mecânica dos solos generalizada, que abrange solos saturados e nã o
saturados. Na dé cada de 70, houve substanciais avanç os na teoria dos solos nã o saturados,
conforme estudos apresentados por Fredlund & Morgenstern (1979).
Considerando-se sua origem, os solos nã o saturados, podem classificar-se como
naturais e compactados, sendo os solos naturais divididos em solos de origem sedimentar ou
residual. Os solos do tipo sedimentar usualmente sofreram saturaç ã o durante sua formaç ã o,
mas a evaporaç ã o e a aç ã o das plantas atravé s da evapotranspiraç ã o promovem a dissecaç ã o
da camada superficial do terreno. As raízes das plantas podem aplicar ao solo sucç ões de até
1500 kPa e a espessura da camada afetada pode chegar a 10 metros. Por sua vez, os solos
residuais, como as areias resultantes da decomposiç ã o de granito, resultam em uma formaç ã o
altamente porosa, devido à lavagem dos minerais argilosos. Os solos compactados sã o aqueles
artificialmente consolidados pelo homem, em que seu grau de saturaç ã o inicial raramente
alcanç a 95%. (Lloret, 1992 e Dudley, 1970).
Diversos trabalhos apresentam uma excelente abordagem sobre a evoluç ã o histórica
do estudo de solos nã o saturados, tais como Matyas e Radhakrishna (1968), Fredlund e
Morgenstern (1977), Maswoswe (1985), Delage (1987), Josa (1988), Santos Neto (1990) e
Jucá(1990).

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A soluç ã o dos problemas em engenharia geoté cnica obedece ao requisito geral da
mecânica estrutural que requer que o maciç o de solo, quando submetido aos máximos
esforç os solicitantes, apresente um comportamento que o mantenha dentro de crité rios de
aceitaç ã o, de forma que, itens como esté tica, funcionalidade e seguranç a contra a ruptura da
obra sejam obedecidas, de acordo com as normas existentes.
Torna-se importante o conhecimento acerca dos solos nã o saturados, principalmente
no que diz respeito a experimentaç ã o. Se o comportamento de solos saturados já apresenta
suas complexidades, no caso de solos nã o saturados elas aumentam. As interaç ões sólido-
água-ar e suas interfaces trazem enormes dificuldades tanto analíticas quanto de controle
durante os ensaios (Vilar et al., 1995).
No caso de solos saturados, a envoltória de resistê ncia ao cisalhamento pode ser
definida com base na coesã o e ângulo de atrito interno do solo atravé s da equaç ã o de Mohr-
Coulomb. No caso de solos nã o saturados ocorre uma contribuiç ã o substancial da sucç ã o
mátrica na resistê ncia do solo. A prática da engenharia nestes casos tem sido a utilizaç ã o da
envoltória de Mohr-Coulomb estendida, conforme proposta por Fredlund et al (1978).
No campo da experimentaç ã o na Mecânica dos Solos tem prevalecido a opiniã o de
que a sucç ã o matricial governa o comportamento mecânico e hidráulico do solo. As medidas
da sucç ã o podem ser feitas por diversos mé todos, e entre os mais utilizados, estã o a cé lula de
pressã o de Richards e a té cnica do papel filtro.
No trabalho de Alonso et al. (1987), os autores apresentam de forma qualitativa a
experiê ncia acumulada no estudo da deformabilidade dos solos nã o saturados, permitindo
assim estabelecer alguns padrões relevantes de comportamento destes materiais, conforme
serámencionado a seguir:
- O aumento da sucç ã o mátrica contribui para o aumento da rigidez do solo contra
alteraç ões das tensões externas aplicadas e para o aumento da tensã o de pré -adensamento
aparente;
- Solos com estruturas abertas experimentam colapso quando umedecidos e/ou
sujeitas a uma larga faixa de tensões. Isto é particularmente verdade no caso de siltes e areias
argilosas de baixa densidade, argila siltosa de baixa plasticidade e em alguns solos residuais.

2.1.1. Princí
pio das Tensões Efetivas para Solos Não Saturados

A aplicaç ã o do princípio de tensões efetivas de Terzaghi (1943) é bem aceito para o


caso do solo na condiç ã o máxima de saturaç ã o (Sr=100$). Vários trabalhos, como os de

5
Taylor (1944), Bishop & Eldin (1950), citados por Pereira (1996), comprovaram
experimentalmente a validade deste princípio.
Lambe & Whitman (1959) fizeram uma análise do princípio de tensões efetivas para
solos saturados e concluíram a necessidade de uma quantidade maior de pesquisas que
avaliem o comportamento dos solos no caso de solos finos (argilas e siltes). Os autores
enfatizaram que do ponto de vista teórico tal princípio é válido para solos de granulometria
grosseira (areias e pedregulhos). Entretanto, para o caso de argilas, os autores sugeriram mais
estudos por causa de dú vidas nos seguintes fatores:
- Desconhecimento das áreas de contato;
- Possível adesã o entre as partículas;
- Dú vidas no significado do termo “poro-pressã o” para solos finos.
Devido ao sucesso do princípio das Tensões Efetivas de Terzaghi (1943), vários
trabalhos tentaram expandir o conceito de tensã o efetiva para o caso dos solos na condiç ã o
nã o saturada, surgindo assim, as primeiras pesquisas sobre esse assunto.
Bishop (1959) forneceu uma das primeiras contribuiç ões à mecânica dos solos nã o
saturados propondo uma formulaç ã o expressa na Eq. 2.1, estendendo o princípio de tensões
efetivas de Terzaghi (1943) para o caso dos solos nã o saturados:

σ ' = (σ − u a ) + χ (u a − u w ) (2.1)

onde: ua = pressã o na fase gasosa do fluido nos vazios do solo;


uw = pressã o na fase líquida do fluido nos vazios do solo;
χ = parâmetro de Bishop o qual depende do grau de saturaç ã o, tipo de solo e de efeitos da
histerese decorrentes dos processos de secagem e umedecimento;
(σ-ua) = representa a tensã o mé dia líquida de um elemento de solo;
(ua - uw) = sucç ã o matricial.
Bishop et al. (1960), citados por Rohm (1993), mostraram a validade da Eq. 2.1
comparando-se os resultados experimentais de χ, com os valores teóricos, calculados por
Donald (1960). Os autores també m mostraram que poderiam existir valores distintos de χ
para variaç ões de volume e resistê ncia ao cisalhamento.
Jennings & Burland (1962), citados por Rohm (1993), concluem que é evidente que
o princípio de tensões efetivas, descrito pela Eq. 2.1, nã o explica fenômenos como o colapso,
adensamento secundário e tixotropia.

6
Em uma tentativa de provar a validade da Eq. 2.1, Bishop & Donald (1961), citados
por Rohm (1993), realizaram ensaios de compressã o triaxial em um silte com variaç ões da
tensã o confinante (σ3), da pressã o da água (uw) e da pressã o de ar (ua), durante a fase de
cisalhamento do solo. Os autores efetuaram trajetórias de tensões e sucç ã o de tal forma em
que as diferenç as (ua - uw) e (σ3-ua) permanecessem constantes durante todo o processo de
ensaio. Verificaram que estas variaç ões nã o influíam nas curvas de tensã o versus deformaç ã o.
Adicionalmente, observaram que as alteraç ões isoladas em (ua - uw) e (σ3-ua) causaram um
efeito marcante nas curvas tensã o versus deformaç ã o. Assim, os autores concluíram que a
forma da expansã o anterior estava correta e que os resultados obtidos experimentalmente
mostravam a validade da expressã o de tensões efetivas descritas pela Eq. 2.1, para os solos
nã o saturados.
Bishop & Donald (1961), citados por Rohm (1993), mostraram que a validade da
Eq. 2.1 se devia ao fato de que é necessário mostrar que o comportamento mecânico do solo
nã o é afetado por mudanç as em χ(ua - uw) e (σ-ua) de forma que a sua soma (σ´) fosse
constante.
Jennings & Burland (1962) chegaram as seguintes conclusões:
a) Os resultados dos ensaios, conduzidos por Bishop & Donald (1961), embora
indicassem que a Eq. 2.1 de Bishop (1959) pudesse estar estaticamente correta, nã o podiam
demonstrar a validade do princípio das tensões efetivas para os solos nã o saturados;
b) A Eq. 2.1 tinha validade para expressar o comportamento de solos nã o saturados
apenas para valores de graus de saturaç ã o da ordem de 20% para areias, 50% para siltes e
areias finas e 85% para argilas. Entretanto, para solos com grau de saturaç ã o inferior a estes
valores, denominados de críticos, a Eq. 2.1 nã o definia a relaç ã o entre o índice de vazios e a
tensã o efetiva para a maioria dos solos ensaiados.
Jennings & Burland (1962) explicaram que segundo a Eq. 2.1, quando se adiciona
água a um corpo-de-prova reduzindo sua sucç ã o, ocorre uma reduç ã o das tensões efetivas, a
qual deve ser acompanhada por um aumento de volume do corpo-de-prova. Os autores
mostraram ensaios com situaç ões em que solos nã o saturados sofreram reduç ã o da sucç ã o
matricial sob carregamento constante, ocorrendo adicionais diminuiç ões de volume do corpo
de prova (ou colapso). Tal fato indica que o fenômeno do colapso do solo é o oposto do
comportamento previsto segundo o princípio de tensões efetivas de Bishop (1959).
Segundo Matyas & Radhakrisna (1968), o princípio de tensões efetivas de Terzaghi
(1943) é uma prova que existe uma relaç ã o, com determinados parâmetros sob um dado

7
conjunto de condiç ões, que é funç ã o da tensã o total e da poro-pressã o que controla os efeitos
mecânicos de uma alteraç ã o na tensã o, tal como uma mudanç a no volume ou resistê ncia ao
cisalhamento. Segundo estes autores, o princípio de tensões efetivas de Terzaghi (1943), para
os solos saturados, pode ser considerado em duas partes:
As mudanç as no volume e na resistê ncia ao cisalhamento de um elemento de solo
podem causar alteraç ões no estado de tensões que sã o inteiramente devidas às variaç ões na
tensã o efetiva; em outras palavras, a resistê ncia ao cisalhamento e a variaç ã o do índice de
vazios sã o unicamente funç ões da tensã o efetiva.
A tensã o efetiva é responsável pelos efeitos mecânicos em um elemento de solo e é
unicamente determinada pela tensã o total e poro-pressã o, ou seja:

σ´= f(σ,ua,uw) (2.2)

Dessa forma, Matyas & Radhakrisna (1968) concluem que qualquer expressã o de
tensões efetivas tem que atender aos seguintes requisitos:
- À s condiç ões extremas de saturaç ã o, ou seja, para o solo na condiç ã o
completamente saturado ou seco;
- O comportamento (mudanç a de volume e resistê ncia ao cisalhamento) de um
elemento de solo submetido a uma variaç ã o de tensões deve ser previsível em termos de
tensã o efetiva e deve ser independente da forma na qual a tensã o total e a poro-pressã o
variam;
- A forma correta de tal expressã o de tensã o efetiva deve ser verificada
experimentalmente.
Matyas & Radhakrisna (1968) concluíram que para o solo nã o saturado é
praticamente impossível satisfazer a essas trê s exigê ncias para garantir a unicidade da
superfície, e, por conseguinte, para utilizaç ã o de qualquer equaç ã o de tensões efetivas é
necessário restringir sua aplicaç ã o para os casos que podem ser verificados
experimentalmente.
Segundo Matyas & Radhakrisna (1968), na deduç ã o da Eq. 2.1 foi considerado o
equilíbrio de forç as entre os contatos das partículas e um modelo simples de capilaridade. O
parâmetro χ é admitido como um parâmetro empírico que representa a porç ã o da sucç ã o que
contribui para a determinaç ã o da tensã o efetiva.

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O Parâmetro χ, de Bishop, depende primariamente do grau de saturaç ã o, contudo,
Jennings e Burland (1962), Matyas (1963) e M.I.T. (1963), citado por Matyas & Radhakrisna
(1968), tem demonstrado que o parâmetro χ é altamente dependente da trajetória de tensões e
que valores anômalos de χ sã o frequentemente obtidos.
Bishop & Blight (1963) també m reconheceram as limitaç ões da Eq. 2.1. Os autores
concluíram que o princípio de tensões efetivas é seguido. No caso de solos nã o saturados, eles
concluíram que nã o é apenas o caminho de tensões efetivas que é importante na análise do
comportamento, mas sim as trajetórias das componentes (σ-ua) e (ua-uw) individuais que
devem ser levadas em consideraç ã o na avaliaç ã o do comportamento mecânico.
A dificuldade de estabelecer o princípio de tensões efetivas no estudo do
comportamento mecânico dos solos nã o saturados conduziu vários pesquisadores a explicar a
compressibilidade e resistê ncia ao cisalhamento dos solos utilizando o conceito de variáveis
de estado de tensões (Matyas & Radhakrisna (1968); Fradlund e Morgestern (1976, 1977);
Alonso et al. (1990), Fredlund & Rahardjo (1993)).

2.1.2. Sucção

Segundo um grupo de revisores de 1965, citados por Alonso et al. (1987) e Josa
(1988), sucç ã o é a pressã o negativa de água pura, referida à pressã o intersticial do ar do solo e
que a água do solo teria de ser submetida atravé s de uma membrana semipermeável, para que
a pressã o do ar entrasse em equilíbrio com a pressã o da água no solo. Esta sucç ã o pode ser
considerada como a soma de duas parcelas:

S = Sm +So (2.3)

Onde:
Sm = sucç ã o mátrica, que é a pressã o definida anteriormente trocando-se a água pura
por uma água de mesma composiç ã o que a intersticial, incluindo, assim, os efeitos de forç as
capilares e de adsorç ã o (= ua- uw) ;
So = sucç ã o osmótica, que é a pressã o negativa de água pura a que uma massa de
água com a mesma composiç ã o que a intersticial teria de ser submetida para que entrassem
em equilíbrio atravé s de uma membrana semipermeável.

9
A sucç ã o mátrica é por definiç ã o um termo positivo que expressa uma deficiê ncia de
água e a poro-pressã o na água intersticial, relativa à pressã o no ar intersticial que é negativa,
sendo ua maior que uw para um solo nã o saturado com ar continuamente interconectado.
A sucç ã o osmótica inclui as forç as osmóticas associadas à composiç ã o da água do
solo, que por sua vez també m é influenciada pela capacidade das partículas do solo de reter o
movimento dos cátions trocáveis, os quais alteram a concentraç ã o da dissoluç ã o. Na sucç ã o
total estã o, portanto, incluídos efeitos de capilaridade, adsorç ã o e osmose.
A contraç ã o dos solos é també m explicada pelos fenômenos capilares. Com efeito,
quando toda a superfície do solo estásubmersa em água, nã o háforç a capilar, pois α = 90º. A
medida poré m que a água vai sendo evaporada, vã o se formando meniscos entre os seus grã os
e, consequentemente, irã o surgindo forç as capilares que aproximam as partículas.
Quando o teor de umidade, ou o correspondente grau de saturaç ã o, diminui, os raios
dos meniscos capilares també m diminuem, e a pressã o de sucç ã o aumenta. A Figura 2.1
representa um contato entre duas partículas: na situaç ã o A, a pressã o de sucç ã o estáassociada
ao raio rA, enquanto que na situaç ã o B, a pressã o de sucç ã o estáassociada ao raio rB. Ainda
que estejam representados só um dos raios da superfície água-ar, é fácil concluir que, à
medida que o teor de umidade diminui, a pressã o de sucç ã o aumenta (Pinto, 2000).

Figura 2.1. Associaç ã o entre os raios dos meniscos capilares com a pressã o de sucç ã o num
solo parcialmente saturado (Pinto, 2000)

10
Existe, sobre os solos e em todas as direç ões, uma pressã o agindo que se chama
“pressã o capilar”, que cresce à medida que se evapora a água. Esta compressã o produzida
pela pressã o capilar explica, desse modo, a contraç ã o dos solos durante o seu processo de
perda de umidade (Caputo, 1987).
A consideraç ã o da sucç ã o mátrica como sendo o principal fator no controle das
deformaç ões vem de certa forma confirmar a suposiç ã o de Dudley (1970), de que as ligaç ões
por agentes cimentantes podem ser desfeitas como uma conseqüê ncia da perda de sucç ã o e
das ligaç ões por pontes de argila.

2.1.3. Curva Caracterí


stica

Ensaios laboratoriais tê m indicado que háuma relaç ã o ú nica entre o comportamento


de um solo e sua curva característica. A curva define a relaç ã o entre o volume de água contido
no solo e a sucç ã o mátrica deste solo (Fredlund, 1996). A curva característica, em conjunto
com a condutividade hidráulica, sã o propriedades que caracterizam os solos em termos de
percolaç ã o de fluidos. A condutividade hidráulica de um material é uma medida da
capacidade de permitir o movimento de fluido, no caso a água, nos vazios do solo. A curva
característica é uma representaç ã o da capacidade do solo de armazenar ou drenar água de seus
vazios (Brooks & Corey, 1964, citados por Pereira, 1996).
A quantidade de água pode ser especificada tanto pelo teor de umidade quanto pelo
grau de saturaç ã o. A Figura 2.2 ilustra um exemplo de curva característica.

Figura 2.2. Exemplo de curva característica de umidade de solo nã o saturado (Pinto, 2000)

11
Ao se efetuar a determinaç ã o da curva característica do solo deve ser enunciado o
procedimento de ensaio ou a trajetória de sucç ã o efetuada. Esta afirmaç ã o se deve à influê ncia
da histerese em seu formato, quer se considere a história da variaç ã o dos ciclos de secagem ou
umedecimento da amostra e as curvas intermediárias que dependem do ponto de reversã o no
processo de umedecimento ou de secagem (Vilar et al., 1995).
A forma mais comum de se determinar a curva característica do solo é atravé s do
processo de secagem, por meio de acré scimos gradativos de sucç ã o. Esses aumentos de
sucç ã o fazem com que a água existente nos vazios do solo seja expulsa a partir de um
determinado valor de sucç ã o, denominado valor de entrada de ar no solo.
Com o aumento da sucç ã o, poros cada vez menores vã o perdendo a capacidade de
reter água, fazendo entã o com que a água seja drenada dos vazios do solo.
As principais características que interferem diretamente no formato da curva
característica é a estrutura do solo – porosidade e distribuiç ã o dos vazios – e a mineralogia
das partículas. Daía diferenç a de comportamento entre os solos de maior granulometria e os
de menor diâmetro de partículas.
Nos solos que apresentam maior granulometria (areias, pedregulhos), a porosidade é
geralmente alta, e é observado que, quando submetidos a uma pequena sucç ã o a maioria dos
poros se esvazia e poucos tê m a capacidade de reter água, estabelecendo-se uma brusca
variaç ã o no teor de umidade.
Nos casos dos solos finos (argilas, siltes) que apresentam pequeno valor de índice de
vazios para cada acré scimo de sucç ã o apenas uma parcela da água contida nos poros é
drenada, permanecendo ainda uma certa quantidade de poros preenchidos por água,
estabelecendo uma menor variaç ã o do teor de umidade para pequenos acré scimos de sucç ã o.
Este efeito é explicado pelo fato de que, com o aumento gradativo da sucç ã o, o menisco
capilar vai alterando a sua posiç ã o, aumentando o seu raio e consequentemente expulsando a
água dos vazios do solo.
Oslo & Langfelder (1965) e Muchel (1984), citados por Peixoto (1999), mostraram
experimentalmente que a sucç ã o matricial tende a crescer com a superfície específica das
partículas e com a plasticidade das argilas. No processo de secagem, a amostra é inicialmente
saturada para posteriormente sofrer processo de desidrataç ã o com o aumento gradual de
sucç ã o. Deve-se observar que a qualidade da água, empregada no processo de saturaç ã o,
interfere na forma da curva característica, particularmente naqueles solos de textura fina que
contenham significativa quantidade de argilo-minerais com alta atividade, geralmente
expansivos (Klute, 1986, citado por Peixoto, 1999).

12
2.1.4. Resistê ncia ao Cisalhamento dos Solos Não Saturados

Problemas geoté cnicos como capacidade de carga de solos, empuxos ou pressã o


horizontal e estabilidade de taludes, estã o relacionados à resistê ncia ao cisalhamento do solo.
A resistê ncia ao cisalhamento de um solo saturado pode ser descrita usando-se o crité rio de
ruptura de Mohr & Coulomb e o conceito de tensões efetivas. Numerosas tentativas, atravé s
de ensaios, foram realizadas desde os anos 60, a fim de se obter, para os solos nã o saturados,
uma forma adequada de se estabelecer uma equaç ã o adequada para o crité rio de ruptura, em
forma similar ao utilizado para solos saturados.
Fredlund et al. (1978) propuseram que a resistê ncia ao cisalhamento de solos nã o
saturados seja formulada em termos das variáveis independentes de estado de tensã o, (ua-uw) e
(σn-ua), que, segundo alguns autores tê m-se mostrado como as combinaç ões mais vantajosas
na prática (Escário & Sáez, 1973, Alonso et al., 1985, Pereira, 1996, e vários outros). A
equaç ã o de resistê ncia ao cisalhamento proposta foi expressa na seguinte forma:

τ nf = c'+(σ v − u a ) f tan φ '+(u a − u w ) f tan φ b (2.4)

onde:
c´= intercepto da envoltória de ruptura de Mohr-Coulomb com os eixos de tensã o cisalhante,
onde a tensã o normal líquida e a sucç ã o mátrica na ruptura sã o iguais a zero; també m
chamada “coesã o efetiva”;
(σv-ua)f = estado de tensã o normal líquida no plano de ruptura na ruptura;
uaf = pressã o de ar no plano de ruptura na ruptura
φ´ = ângulo de atrito interno associado com a variável de tensã o normal líquida
(ua-uw)f = sucç ã o mátrica no plano de ruptura na ruptura
φb = ângulo indicativo do coeficiente de incremento de resistê ncia cisalhante relativa a sucç ã o
mátrica, (ua-uw)f.

Comparando-se a Eq. 2.4 com a utilizada para o crité rio de Mohr Coulomb, observa-
se ser essa uma extensã o do crité rio utilizado para o caso de solos saturados. Quando o solo
aproxima-se da saturaç ã o, a pressã o de água se aproxima da pressã o de ar, e a sucç ã o mátrica
tende a zero, reduzindo-se à equaç ã o original de Mohr & Coulomb para solos saturados.

13
A equaç ã o proposta define um plano, e este plano pode ser definido por um gráfico
tridimensional que tem a tensã o cisalhante, τ, como a ordenada e as duas variáveis de estado
de tensões, (σ-ua) e (ua-uw), com abcissas (Figura 2.3). O plano de ruptura desenvolvido pode
ser modificado para ajustar nã o-linearidades associadas com os parâmetros do solo, ou seja,
φ´ e φb. Experimentos realizados por Gan & Fredlund (1988) demonstraram que os
parâmetros c´e φ´ sã o relativamente constantes para solos com estrutura estável, no entanto, φb
varia devido a variaç ões na sucç ã o mátrica. Para um solo meta-estável se observa um
comportamento nã o-linear de c´, φ´ e φb. Estudos posteriores (Escário & Sáez, 1986;
Abramento & Souza Pinto, 1993) verificaram ser o parâmetro φb nã o linear, sendo esta
grandeza uma funç ã o da sucç ã o mátrica do solo.

Linha de ruptuura de
Mohr-Coulomb
extendida

Figura 2.3. Gráfico tridimensional de tensã o cisalhante (Fredlund et. al., 1978)

Dentro do conceito de mecânica dos solos nã o saturados estes materiais sã o


classificados como estáveis e meta-estáveis. A superfície de estado pode ser usada para a
visualizaç ã o destes conceitos. Partindo-se de um determinado estado de tensões e
reduzindo-se a sucç ã o do solo, atravé s da saturaç ã o gradual do mesmo, a trajetória de tensões
pode apresentar segmentos diversos com respeito a variaç ã o de volume. Ocorrendo um
acré scimo de volume, dizemos que se trata de uma estrutura estável e portanto um solo

14
expansivo. No caso de apresentar uma trajetória com conseqüente diminuiç ã o de volume,
temos uma estrutura meta-estável ou colapsível (Fredlund & Rahardjo, 1993).
Na prática, todo solo nã o saturado pode se apresentar como estável ou meta-estável,
dependendo das tensões atuante no mesmo.
A equaç ã o estendida de Mohr & Coulomb para solos nã o saturados evidencia uma
variaç ã o da resistê ncia ao cisalhamento com a saturaç ã o, em conseqüê ncia da alteraç ã o na
sucç ã o, fato esse que deve ser considerado no dimensionamento de fundaç ões, onde a
resistê ncia lateral tem considerável influê ncia. Essa variaç ã o é específica para cada tipo de
solo, e pode ser avaliada pela curva característica do mesmo.
Vanapalli et al. (1996), apresenta esse relacionamento entre sucç ã o e resistê ncia ao
cisalhamento, sobrepondo a curva característica do solo à curva sucç ã o versus resistê ncia.
Pode-se observar, conforme ilustra a Figura 2.3, que φb pode varia de 0 a φ´. Para um solo
saturado, aplicando-se uma sucç ã o crescente, até o ponto em que o solo começ a a dessaturar-
se, tem-se φb = φ´, pois o menisco capilar nesta zona cobre toda a área da superfície do grã o.
Na zona de desaturaç ã o temos φb variável e decrescente, ou seja, a aç ã o do menisco nã o é
mais em toda área da superfície do grã o e decresce com o aumento da sucç ã o. Após o fim da
desaturaç ã o temos o valor de φb constante e igual a zero, devido a paralisaç ã o do fluxo.
Assim, sendo a resistê ncia funç ã o do produto (ua-uw)tanφb, o acré scimo de sucç ã o, nã o
significa necessariamente acré scimo de resistê ncia, devido a compensaç ã o por parte da
reduç ã o no valor de φb. Valores elevados de sucç ã o podem levar à separaç ã o do menisco,
contribuindo para a reduç ã o da resistê ncia.
Nota-se que no comportamento mecânico quanto à resistê ncia ao cisalhamento dos
solos nã o saturados é considerado parâmetro de sucç ã o do solo, que depende do índice de
vazios e da umidade e, portanto, do seu grau de saturaç ã o. A sucç ã o e a saturaç ã o estã o
ligadas por meio da curva característica que apresenta a capacidade de armazenamento ou
retenç ã o de água no solo.

2.1.5. Compressibilidade

Coleman (1962) sugere que as deformaç ões do solo podem ser atribuídas a
modificaç ões de duas variáveis denominadas tensões normal líquida (σ-ua) e sucç ã o mátrica
(ua-uw), alé m da tensã o desviatória (σ1-σ3), atravé s da seguinte expressã o:

15
dV
− = aC 21d (u a − u w ) + C 22 d (σ − u a ) + C 23d (σ 1 − σ 3 ) (2.5)
V0

− d (ε 1 − ε 3 ) = C 31d (u a − u w ) + C 32 d (σ − u a ) + C 33d (σ 1 − σ 3 ) (2.6)

onde:
Cij = parâmetros de compressibilidade
σ-ua = componente de tensã o isotrópica
σ1-σ3 = componente de tensã o desviatória
V = volume total do elemento
σ1, σ3 = tensões principais maior e menor
ε1, ε3 = componentes de deformaç ões normais maior e menor

Bishop & Blight (1963), apresentaram uma das primeiras superfícies constitutivas
para descrever a variaç ã o de volume em funç ã o de (σ-ua) e de (ua-uw), conforme ilustrado na
Figura 2.4.

Figura 2.4. Principais superfícies constitutivas (Fredlund et. al., 1978)

A Figura 2.4 mostra que devido à molhagem, o solo se expande sob tensões mé dias
baixas e colapsa quando submetido a tensões mé dias maiores.

16
Matyas & Radhakrishna (1968) definiram o conceito de parâmetro de estado para
analisar o comportamento do solo nã o saturado. Denominam-se parâmetros de estado, às
variáveis que sã o suficientes para descrever completamente o estado do solo, sem a
necessidade de fazer referê ncias a sua história pré via. Andando-se paralelamente com a teoria
dos solos saturados, em que o comportamento é representado pelo estado tensional e o índice
de vazios, e partindo-se da necessidade de duas variáveis de tensã o, os autores acima
propuseram as funç ões de estado relacionando as diferentes variáveis de estado entre si. No
caso de carga unidimensional ou isotrópica, as relaç ões entre o índice de vazios ou o grau de
saturaç ã o com a sucç ã o e a tensã o vertical líquida ou isotrópica líquida podem ser
representadas em um espaç o tridimensional.
Fredlund (1979) e depois Fredlund & Rahardjo (1993) apresentaram relaç ões
constitutivas modulares para solos nã o saturados, como uma extensã o de equaç ões semi-
empíricas usadas para solos saturados. Nestas relaç ões, as variáveis de deformaç ã o para
mudanç as de volume total e de volume de água sã o associadas às variáveis do estado de
tensã o por meio de módulos de elasticidade. Assumindo-se o solo como um material
isotrópico, linear e elástico, as relaç ões constitutivas podem ser escritas de acordo com a lei
de Hooke generalizada, como:

∆(σ x − u a ) µ (u − u w )
∆ε = − ∆ (σ y + σ z − 2u a ) + a (2.7)
E E H

∆ (σ y − u a ) µ (u − u w )
∆ε = − ∆(σ x + σ z − 2u a ) + a (2.8)
E E H

∆(σ z − u a ) µ (u − u w )
∆ε = − ∆ (σ x + σ y − 2u a ) + a (2.9)
E E H

onde:
H = módulo de elasticidade da estrutura do solo relativo a mudanç as em (ua-uw)
E = módulo de elasticidade da estrutura do solo relativo a mudanç as em (σy-ua).

As relaç ões acima englobam o comportamento de um solo saturado em termos de


deformaç ã o, assumindo que onde háar passa a existir água.

17
Segundo Pereira (1996), a formulaç ã o proposta por Fredlund & Rahardjo (1993),
assumindo que o solo apresenta um comportamento mecânico isotrópico, implica em um
valor positivo para o módulo de elasticidade isotrópico da estrutura do solo, relativo às
mudanç as na sucç ã o mátrica (H) do solo colapsível. O módulo isotrópico H, resultante do
colapso induzido por molhagem de um elemento de solo em resposta ao decré scimo na sucç ã o
mátrica, independe do estado de tensã o aplicado ao elemento de solo. Em conseqüê ncia, a
formulaç ã o isotrópica prevê a reduç ã o da tensã o lateral para uma amostra de solo que sofre
colapso induzido por molhagem sob carregamento vertical constante e na condiç ã o K0. Tal
prediç ã o contradiz resultados experimentais encontrados por Maswosse (1985). Baseado em
ensaios triaxiais, Lawton et al. (1991a) afirmam que durante o colapso induzido por
molhagem a amostra de solo sofre deformaç ões anisotrópicas que sã o funç ã o do estado de
tensã o anisotrópico. Entretanto, os estudos indicaram que um módulo anisotrópico H parece
ser uma alternativa a ser adotada para a teoria dos solos nã o saturados, como soluç ã o de
modelar o comportamento de um solo nã o saturado durante a saturaç ã o. Uma nova
formulaç ã o para solos colapsíveis foi proposta por Pereira (1996), como segue:

∆(σ x − u a ) µ (u − u w )
∆ε = − ∆(σ y + σ z − 2u a ) + a (2.10)
E E Hx

∆(σ y − u a ) µ (u − u w )
∆ε =
E

E
( )
∆ σ y + σ z − 2u a + a
Hy
(2.11)

∆(σ z − u a ) µ (u − u w )
∆ε = − ∆ (σ y + σ z − 2u a ) + a (2.12)
E E Hz

onde:
Hi = módulo de elasticidade anisotrópico da estrutura dos solo relativo às mudanç as em
(ua-uw);
Outros estudos similares mais recentes merecem destaque pela contribuiç ã o ao
desenvolvimento da mecânica dos solos nã o saturados, com Gelhing (1994), Futai (1997) e
Machado (1998), que trabalharam com modelos elastoplásticos.

18
2.2. TEORIA DO EQUILÍ BRIO PLÁ STICO

Problemas com deformaç ões encontrados na mecânica dos solos podem ser divididos
em duas categorias de acordo com o nível de tensã o envolvida. Quando os níveis de tensões
sã o relativamente baixos, os solos podem ser considerados como materiais elásticos, e os
problemas sã o analisados usando a teoria da elasticidade. Por outro lado, se níveis de tensões
sã o elevados, o solo pode atingir seu estado plástico, e podem ser analisados usando a teoria
da plasticidade. As duas categorias acima podem ser visualizadas em uma representaç ã o
idealizada da curva tensã o versus deformaç ã o, conforme mostrado na Figura 2.5. Nesta
idealizaç ã o pode-se dividir os problemas geoté cnicos sob os pontos de vista de
deformabilidade e ruptura para os estados elásticos e plásticos, respectivamente.

Variaç ã o
Elástica Variaç ã o Plástica
Tensã o

Deformaç ã o

Figura 2.5. Idealizaç ã o do comportamento elasto-plático (Fredlund et. al., 1978)

Diz-se que ocorre equilíbrio plástico em um ponto de um maciç o de terra quando há


um equilíbrio de tensões atuantes e resistentes de forma tal que a tensã o atuante, de
cisalhamento, iguala à resistê ncia ao cisalhamento do material.
Se, por exemplo, é imaginado o caso simples de um maciç o de areia, constituído por
um terreno de superfície horizontal plana, conforme ilustrado na Figura 2.6, e é imaginado um
plano transversal vertical xx’, cortando o terreno, conceber-se-ia o equilíbrio plástico, da
seguinte forma: O maciç o seria levado ao equilíbrio plástico se, por uma razã o qualquer, o
plano xx` fosse deslocado para a direita ou para a esquerda. Imagine-se agora que toda a parte
do maciç o à esquerda de xx` fosse removida e que, para substitui-la, o plano xx` pudesse ser
considerado como um diafragma sustentado, em cada ponto P a várias profundidades z, por
pressões po que o mantivessem na sua própria vertical.

19
Figura 2.6. Pressões de sustentaç ã o do diagrama xx` (Vargas, 1977).

Ao deslocar-se o diafragma, paralelamente a si mesmo para a esquerda, o maciç o


suportado, do lado direito, altera seu estado de tensã o procurando encontrar uma nova
configuraç ã o de equilíbrio. Seja d o deslocamento do diafragma para a esquerda, logo a
medida que d aumenta, em valor absoluto, as pressões p no ponto P irã o diminuindo até
atingirem pressões limites pa. Daípor diante qualquer que seja o deslocamento d a, as pressões
pa se manterã o as mesmas (vide Figura 2.7). Isto é , quando o deslocamento atingiu o valor d a,
foi encontrado um equilíbrio plástico; e daí por diante as deformaç ões nã o mais influem,
como é o que acontece em qualquer problema de ruptura. Se o deslocamento do diafragma for
para a direita (comprimindo o solo) a busca de um estado de equilíbrio sob nova configuraç ã o
també m acontecerá. Após atingir um deslocamento dp (bem maior, em módulo que –da),
atingir-se-áum equilíbrio plástico em que a pressã o atuante sobre a vertical é pp (bem maior
que pa).

Figura 2.7. Deformaç ões para levar ao equilíbrio plástico (Vargas, 1977).

20
2.2.1. Pressão de Terra em Repouso

A tensã o total vertical (σv) em uma determinada profundidade H de uma massa de


solo é calculada de maneira idê ntica, tanto para solo saturado como para solo nã o saturado,
dependendo apenas do peso específico do solo e da altura considerada que é determinada pela
seguinte expressã o:

σ v = ∫ γdy
H
(2.13)
0

onde:
γ = peso específico do solo
y = distância vertical até a superfície
H = profundidade da camada de solo considerada
Para uma massa de solo homogê nea, a tensã o total vertical pode ser escrita como:

σ v = γH (2.14)

A pressã o de ar no interior de um maciç o nã o saturado estágeralmente em equilíbrio


com a pressã o atmosfé rica. A pressã o da água acima do nível freático pode ser estimada ou
medida. Em alguns casos, a estimativa pode ser baseada na condiç ã o hidrostática.
A pressã o horizontal em alguma profundidade abaixo da superfície, pode ser escrita
em funç ã o da pressã o vertical. Para um solo saturado o conceito Ko é definido pela razã o entre
tensões efetivas horizontal e vertical em um ponto. Para um solo nã o saturado define-se o
coeficiente de pressã o de terra em repouso, Ko, em um ponto pela relaç ã o:

(σ h − u a )
K0 = (2.15)
(σ v − u a )

É difícil quantificar teoricamente o coeficiente de terra em repouso devido à


complexidade na determinaç ã o da história de tensã o em um maciç o de solo. O conceito do
empuxo em repouso é empírico e, portanto, seu valor é essencialmente experimental. Para as
areias as observaç ões tê m mostrado valores de 0,4 a 0,8, variando com a densidade e com a
compactaç ã o do material. Para as argilas, o empuxo em repouso pode tomar qualquer valor,

21
desde praticamente nulo até superior a 1. É costume, na prática, adotar-se um valor mé dio 0,5
para os solos compactados.
A tentativa de relacionar Ko com outras propriedades dos solos normalmente
adensados levou Jaky (1944) a correlacioná-lo com o atrito mobilizado entre as partículas de
solo, ou seja, uma relaç ã o do tipo Ko = f(φ’). Nesta equaç ã o, φ’ é o ângulo de atrito interno
efetivo dos solos (Ortigã o, 1995). Jaky propôs a seguinte correlaç ã o:

K 0 = 1 − sen φ ` (2.16)

Embora muito simples e de caráter empírico, essa relaç ã o produz resultados


surpreendentemente bons, tanto para areias quanto para argilas normalmente adensadas, como
pode ser verificado pelos dados plotados na Figura 2.8. Mais recentemente, Mayne e Kulhawy
(1982) procuraram estender o emprego da equaç ã o de Jaky para areias e argilas pré -
adensadas, propondo a equaç ã o:

K 0 = (1 − sen φ ')OCR sen φ ' (2.17)

(a) (b)

Figura 2.8. K0 em solos normalmente adensados: (a) argilas (Ladd et. al., 1977)
e (b) areias (Al Hussaini et. al., 1975) (Ortigã o, 1995)

22
2.2.2. Teoria de Rankine de Empuxo de Terra Baseado no Critério Estendido de Mohr-
Coulomb para Solos Não Saturados

As pressões ativa e passiva de terra para um solo nã o saturado pode ser determinada
assumindo-se que o solo estáem um estado de equilíbrio plástico. Pode-se considerar a tensã o
em uma massa de solo onde as superfícies de ruptura sã o planas. A soluç ã o é conhecida como
teoria de Rankine para empuxo de terra. Para solos nã o saturados, é necessário estender
alguns conceitos convencionais da ruptura de solos em termos de crité rio Mohr-Coulomb, por
essa razã o a teoria de Rankine para empuxo de terra é denominada de “estendida” (Fredlund
et. al., 1978).
A Figura 2.9 mostra na vertical, um plano passando atravé s de uma massa de solo de
profundidade infinita. Um elemento de solo nã o saturado em alguma profundidade estásujeito
a uma tensã o vertical, σv, e uma tensã o horizontal, σh. Estes planos sã o considerados como
sendo planos principais, e a tensã o vertical e horizontal sã o as tensões principais. A superfície
é horizontal, e a tensã o vertical é escrita em termos do peso específico do solo (Eq. 2.13).

Movimento na direç ã o horizontal

Figura 2.9. Tensões em um elemento no maciç o do solo (modificada - Fredlund et. al., 1978).

As tensões vertical e horizontal, σv e σh respectivamente, sã o mostradas na


Figura 2.10 dentro do crité rio de ruptura estendido Mohr-Coulomb para solos nã o saturados.
A equaç ã o correspondente à condiç ã o limite ou condiç ã o de ruptura estádescrita na Eq. 2.4
do item 2.1.4.

23
A Eq. 2.4 pode ser escrita de forma similar para solos saturados:

τ = c + (σ n − u a ). tan φ ` (2.18)

A coesã o total, c, é escrita como:

c = c`+(u a − u w ). tan φ b (2.19)


Tensã o cisalhante, τ

Ativa

Passiva

Figura 2.10. Pressã o ativa e passiva para um solo com sucç ã o matricial
(Fredlund et. al., 1978).

2.2.3. Empuxo de Terra Ativo

Supõe-se, entã o, que o muro, a-a, na Figura 2.9, possa se mover afastando-se da
massa de solo. A tensã o horizontal é reduzida até que um valor limite correspondente ao
estado de equilíbrio plástico seja atingido. Desse modo, a ruptura é obtida pela reduç ã o da
tensã o horizontal.

24
A Figura 2.10 ilustra como as pressões ativa e passiva, em um solo, variam com a
variaç ã o da sucç ã o matricial. Com o aumento da sucç ã o matricial, a pressã o ativa diminui, em
outras palavras, com a pressã o de água no solo ficando mais negativa, o solo fica mais
resistente, isso significa que menos forç a atuaráno muro de arrimo (Fredlund et. al., 1978).
Se o muro se mover afastando-se do maciç o, desenvolve-se a pressã o ativa, a qual é
designada como (σh – ua). A pressã o horizontal pode ser escrita em termos da pressã o vertical,
(σv – ua), considerando a geometria do círculo de Mohr:

((σ v − u a ) − (σ h − u a )) 2
sen φ `=
(σ h − u a ) + (σ v − u a ) (2.20)
+ c. cot φ `
2

A coesã o total é dada pela Eq. 2.19.


Rearranjando a Eq. 2.20 e resolvendo para (σh – ua), tem-se que:

(σ h − u a ) = (σ v − u a ) 1 − sen φ ` − 2c cos φ `
(2.21)
1 + sen φ ` 1 + sen φ `

A relaç ã o trigonomé trica,

cos φ ` 1 − sen φ `
= (2.22)
1 + sen φ ` 1 + sen φ `

pode ser usada para simplificar a Eq. 2.21 para a forma:

(σ h − u a ) = (σ v − u a )1 − sen φ ` − 2c 1 − sen φ `
(2.23)
1 + sen φ ` 1 + sen φ `

A funç ã o trigonomé trica que aparece na Eq. 2.23 pode ser escrita em termos do
ângulo formado entre o plano de escorregamento e o plano vertical:

1 − sen φ `  φ `
= tan 2 45º −  (2.24)
1 + sen φ `  2

25
Terzaghi & Peck (1967) definiram a variável, Nφ, para descrever a relaç ã o
trigonomé trica abaixo:

1  φ `
= tan 2 45º−  (2.25)
Nφ  2

A pressã o ativa, (σh – ua), para um elemento de solo em alguma profundidade, pode
entã o ser escrita como:

(σ h − u a ) = (σ v − u a ) 1
− 2c
1
(2.26)
Nφ Nφ

A Eq. 2.26, combinada à Eq. 2.19, pode ser rescrita em termos de coesã o efetiva e
sucç ã o mátrica na forma:

(σ h − u a ) = (σ v − u a ) 1
− 2 c`
1
− 2(u a − u w ) tan φ b
1
(2.27)
Nφ Nφ Nφ

O coeficiente de pressã o ativa é definido pela razã o entre a pressã o horizontal e a


pressã o vertical resultante :

(σ h − u a )
Ka = (2.28)
(σ v − u a )

Referindo-se à Eq. 2.27, o coeficiente de pressã o ativa pode ser escrito como:

1 2c` 1 (u − u w ) tan φ b 1
Ka = − −2 a (2.29)
N φ (σ v − u a ) N φ (σ v − u a ) Nφ

Observa-se que à medida que aumenta a sucç ã o mátrica, o coeficiente de pressã o


ativa diminui.

26
2.2.3.1. Distribuição da Pressão Ativa (Sucção matricial constante com a profundidade)

A pressã o horizontal correspondendo ao estado ativo pode ser calculada para várias
profundidades e plotadas como mostrada na Figura 2.11. Para o caso ativo, planos conjugados
sã o formados na massa de solo em ângulos de 45º + φ’/2 com a horizontal. No caso de solos
saturados é usado a coesã o efetiva.

Zona de
Saturado Traç ã o
Nã o Saturado

Figura 2.11. Distribuiç ã o de pressã o ativa com a sucç ã o matricial constante


(Fredlund et. al., 1978).

Supondo-se que a sucç ã o matricial e a coesã o tenham valores constantes com a


profundidade, e a distribuiç ã o da pressã o ativa seja transladada para a esquerda, paralela ao
caso em que o solo é saturado, a Figura 2.12 mostra o diagrama da pressã o ativa resultante,
formada por diagramas distintos das trê s componentes.

Coesã o Sucç ã o
Pressã o de Terra Efetiva Matricial Zona de Traç ã o

Pressã o Ativa Resultante

Figura 2.12. Componentes da distribuiç ã o da pressã o ativa com sucç ã o constante


(Fredlund et. al., 1978).

27
A profundidade da zona de traç ã o, yt, pode ser calculada tomando-se a pressã o
horizontal como zero e assumindo-se a pressã o de ar no solo igual à pressã o atmosfé rica,
ua = 0, na Eq. 2.26 ou na Eq. 2.27:

2c ` (u − u w ) tan φ b
yt = Nφ + 2 a Nφ (2.30)
γ γ

Se ua = 0,

2c ` tan φ b
yt = N φ − 2u w Nφ (2.31)
γ γ

A profundidade da zona de traç ã o, yt, é igual a profundidade vertical de


fissuramento, yc, quando a resistê ncia a traç ã o do solo é considerada desprezível. A
profundidade da zona de traç ã o aumenta com o aumento da sucç ã o matricial do solo.

2.2.3.2 Distribuição da Pressão Ativa (Sucção matricial variável com a profundidade)

Assume-se que a sucç ã o matricial no solo diminui com a profundidade, até atingir o
nível da água, conforme Figura 2.13. A sucç ã o matricial na superfície é designada como uma
razã o da pressã o hidrostática usando-se o fator, fw. A pressã o de água na superfície para
condiç ões hidrostáticas pode ser escrita em funç ã o da distância ao lenç ol freático:

(u a − u w )h = ρ w gD (2.32)

onde, (ua – uw)h é a sucç ã o matricial na superfície e D a profundidade do nível da


água.
Um simples relaç ã o pode ser usada para definir a variaç ã o da sucç ã o matricial com a
profundidade. Para uma profundidade, y, menor ou igual a D, a sucç ã o é igual:

 y
(u a − u w ) y = f w (u a − u w )h 1 −  (2.33)
 D

28
Hidrostática

Aproximaç ã o linear

Distribuiç ã o da
poro-pressã o

Figura 2.13. Mé todo usado para encontrar a sucç ã o mátrica no perfil.


(Fredlund et al., 1978)

A pressã o ativa, pa, na profundidade D – y acima do nível da água é igual:

2c` 2 f w (u a − u w )h tan φ  y
b
p a = (σ v − u a )
1
− − 1 −  (2.34)
Nφ Nφ Nφ  D

O diagrama da distribuiç ã o da pressã o ativa, com a sucç ã o diminuindo linearmente


com a profundidade, separando-se cada componente, é mostrado na Figura 2.14.

Zona de Traç ã o

Figura 2.14. Componentes da distribuiç ã o da pressã o ativa com sucç ã o variável


(Fredlund et. al., 1978).

29
A profundidade da zona de traç ã o, yt, pode ser calculada tomando-se a tensã o total
horizontal igual a zero e assumindo-se a pressã o de ar igual a pressã o atmosfé rica, ua = 0 na
Eq. 2.34:

2c` N φ + 2 f w (u a − u w )h tan φ b N φ
yt = (2.35)
2 Nφ
γ+ f w (u a − u w )h tan φ b

Se ua = 0,

2c` N φ − 2 f w (u w )h tan φ b N φ
yt = (2.36)
2 Nφ
γ − f w (u w )h tan φ b

onde yt deve ser menor que D.

2.2.4. Empuxo de Terra Passivo

A Figura 2.10 ilustra també m a pressã o passiva na massa de solo em funç ã o da


sucç ã o matricial. Com o aumento da sucç ã o matricial, a pressã o passiva aumenta.
Se o muro se mover na direç ã o do maciç o, a pressã o passiva pode ser definida como
(σh – ua). A pressã o horizontal pode ser escrita em termos da pressã o vertical, (σv – ua), de
maneira similar à derivaç ã o da pressã o ativa, obtendo-se:

((σ h − u a ) − (σ v − u a )) 2
sen φ `= (2.37)
(σ h − u a ) + (σ v − u a )
+ c. cot φ `
2

Rearranjando-se a Eq. 2.37 a tensã o horizontal pode ser escrita:

(σ h − u a ) = (σ v − u a )1 + sen φ ` − 2c cos φ `
(2.38)
1 − sen φ ` 1 − sen φ `

30
As relaç ões trigonomé tricas usadas para análise das pressões ativas podem ser usadas
para rescrever a Eq. 2.38, e considerando-se a coesã o total conforme expressa n Eq. 2.19,
obté m-se:

(σ h − u a ) = (σ v − u a )N φ + 2c` N φ + 2(u a − u w ) tan b Nφ (2.39)

O coeficiente de pressã o passiva pode ser escrito como a razã o entre a pressã o
horizontal e pressã o vertical resultante, dividindo a Eq. 2.39 pela pressã o vertical resultante
tem-se:

2c ` N φ 2(u a − u w ) tan φ b N φ
K p = Nφ + + (2.40)
(σ v − u a ) (σ v − u a )

As Equaç ões 2.29 e 2.40 mostram que tanto o coeficiente da pressã o ativa como o
coeficiente da pressã o passiva, variam com a pressã o da sobrecarga.

Envoltória do Círculo de Mohr


com Sucç ã o Constante
Tensã o Cisalhante, τ

Pressã o de Terra Tensã o Normal Pressã o Passiva


(σ - ua)

Figura 2.15. Círculo de Mohr para o caso de pressã o passiva


(Fredlund et. al.,1978)

31
2.2.4.1 Distribuição da Pressão Passiva (Sucção matricial constante com a profundidade)

A pressã o horizontal correspondente ao estado passivo pode ser calculada para várias
profundidades e plotadas como mostrada na Figura 2.16. Para o caso passivo, planos
conjugados sã o formados na massa de solo em ângulos de 45 - φ’/2 com a horizontal. No caso
de solos saturados é usado a coesã o efetiva, jáque a sucç ã o matricial torna-se nula, e o solo
passa a ser controlado pela tensã o efetiva.

Nã o Saturado

Saturado

Figura 2.16. Distribuiç ã o da pressã o passiva com a sucç ã o matricial constante


(Fredlund et. al., 1978).

Supondo-se que a sucç ã o matricial e a coesã o total tenham valores constantes com a
profundidade, e a distribuiç ã o da pressã o passiva seja transladada para a direita, paralela ao
caso em que o solo é saturado. A Figura 2.17 mostra o diagrama da pressã o passiva resultante,
formada por diagramas distintos das trê s componentes da resistê ncia ao cisalhamento do solo
nã o saturado.

32
Coesã o Sucç ã o
Pressã o de Terra Efetiva Matricial

Nã o Saturado

Saturado

Figura 2.17. Componentes da distribuiç ã o da pressã o passiva com sucç ã o matricial constante
(Fredlund et. al., 1978).

A massa de solo estáno estado de compressã o para a condiç ã o de pressã o passiva.


Na superfície do terreno, a pressã o total horizontal é uma funç ã o da coesã o total:

p p = 2c` N φ + 2(u a − u w ) tan φ b N φ (2.41)

2.2.4.2. Distribuição da Pressão Passiva (Sucção matricial variável com a profundidade)

Assumindo-se que a sucç ã o matricial no solo diminui linearmente com a


profundidade, até atingir o valor nulo no nível da água, essa pode ser descrita pela, Eq. 2.33
apresentada anteriormente. Para essa distribuiç ã o da sucç ã o matricial, a pressã o passiva, pp,
pode ser escrita como sendo:

 y
p p = (σ v − u a )N φ + 2c` N φ + 2 f w (u a − u w )h tan φ b 1 −  N φ (2.42)
 D

33
2.3. TEORIA CLÁ SSICA DE EMPUXO

Entende-se por empuxo de terra a aç ã o produzida pelo maciç o terroso sobre as obras
com ele em contato. A determinaç ã o do seu valor é fundamental na análise e projeto de obras
como muros de arrimo, cortinas de estacas-pranchas, construç ões de subsolos, encontros de
pontes, entre outras.
O valor do empuxo de terra, assim como a distribuiç ã o das tensões ao longo da altura
do elemento de contenç ã o, dependem da interaç ã o solo-elemento estrutural durante todas as
fases da obra. O empuxo atuante sobre o elemento estrutural provoca deslocamentos
horizontais que, por sua vez, alteram o valor e a distribuiç ã o do empuxo, ao longo das fases
construtivas da obra e até mesmo durante sua vida ú til, conforme verificou-se anteriormente
com a descriç ã o dos estados ativo, passivo e repouso.
O assunto é dos mais complexos da Mecânica dos Solos. Até hoje nenhuma teoria
geral e rigorosa pôde ser elaborada, apesar de um grande nú mero de pesquisadores e notáveis
matemáticos e físicos terem dele se ocupado. Todas as teorias propostas admitem hipóteses
simplificadoras mais ou menos discutíveis conforme as condiç ões reais.
As teorias clássicas sobre empuxo de terra foram formuladas por Coulomb (1773) e
Rankine (1856), tendo sido desenvolvidas por Poncelet, Culmann, Rebhann, Krey e, mais
modernamente, estudadas e criticadas por Caquot, Ohde, Terzaghi, Brinch Hansen e outros
autores (Caputo, 1975).

2.3.1. Teoria de Rankine

A teoria de Rankine para determinar os empuxos de terra sobre muros de arrimo,


baseia-se na teoria do equilíbrio plástico ativo, desenvolvida a partir dos círculos de Mohr, e
que foi tratada no item 2.2.2.

2.3.1.1. Empuxo Ativo

Foi mostrado no item 2.2.3 que a pressã o ativa exercida por um maciç o de superfície
horizontal em equilíbrio plástico, sobre um anteparo vertical, a uma profundidade y, seria
dada pela Eq. 2.26.
A assimilaç ã o entre a teoria do equilíbrio plástico e o caso das pressões sobre muros
de arrimo é feita considerando-se o tardoz do muro como sendo uma superfície vertical do

34
maciç o em equilíbrio plástico ativo. Pois o tardoz do muro sob a aç ã o das pressões de terra
tenderá a ceder, deslocando-se na direç ã o que agem os empuxos. Por exemplo, na
Figura 2.18-a, aparece o traç o do tardoz de um muro arrimando um maciç o nã o coesivo de
superfície inclinada de um ângulo i com a horizontal. Pelo círculo de Mohr da Figura 2.18-b,
pode verificar-se que, passando o círculo pelo ponto A e sendo tangente à reta de Coulomb, a
pressã o pa serádada por OB, em módulo e direç ã o. As pressões sobre o tardoz serã o entã o,
pela teoria de Rankine, dadas pelo triângulo MNQ. Isto é , serã o inclinadas de um ângulo i em
relaç ã o à normal ao tardoz vertical.

(a) (b)

Figura 2.18. Cálculo de empuxo de areia, segundo Rankine (Vargas, 1977).

Como se trata de solo nã o coesivo, pela Figura 2.18-b obté m-se:

OB OE − BE OC cos i − CB cos w cos i − sen φ cos w


= = = (2.43)
OA OE + BE OC cos i + CB cos w cos i + sen φ cos w

como:

sen i sen 2 i
sen w = e, portanto, cos w = 1 − (2.44)
sen φ sen 2 φ

cos i − cos 2 i − cos 2 φ


OB = p a = γz cos i (2.45)
cos i + cos 2 i − cos 2 φ

35
No caso de i = 0, a Eq. 2.45 transforma-se em:

1 − sen φ
= γztg 2 (45 − φ / 2 ) =
1
p a = γz γz (2.46)
1 + sen φ Nφ

A distribuiç ã o das pressões sendo do tipo hidrostático, como no triângulo MNQ da


Figura 2.18-a, entã o o empuxo total será aplicado no terç o inferior da altura e terá como
módulo:

H 1 cos i − cos 2 i − cos 2 φ


E a = ∫ p a dz = γH 2 (2.47)
0 2 cos i + cos 2 i − cos 2 φ

Se o muro e o terrapleno estiverem submersos até uma altura H1, conforme se


apresenta na Figura 2.19, o efeito da água se apresentará na reduç ã o da peso específico
aparente do solo à seu peso específico submerso, abaixo do nível da água (Vargas, 1977).
A pressã o vertical de terra na profundidade z > h seráentã o:

p a = [γh + γ sub (H − h )]
1
(2.48)

Figura 2.19. Empuxos sobre muro submerso (Vargas, 1977).

No caso em que o muro nã o esteja ele mesmo submerso, mas retiver a água por trás
do seu tardoz, entã o se dever-se-ásomar, ao empuxo de terra, o empuxo de água.
Nesse ú ltimo caso o empuxo total sobre o muro será:

36
1 1 
E a =  γh 2 + γhH 1 + γ sub H 12 .K a (2.49)
 2 2 

Caso se considere a aç ã o de uma pressã o q0 aplicada na superfície do terrapleno, a


correspondente pressã o ativa horizontal será, em qualquer cota z, igual a:

1
p a = q0 (2.50)

O que acrescentaráao empuxo uma parcela:

1
∆E a = q 0 H (2.51)

No caso de terrapleno horizontal, de solo coesivo, aplicar-se-áa Eq. 2.26.

γz 1
pa = − 2c (2.26)
Nφ Nφ

2c
Equaç ã o essa que nos indica que até uma profundidade z 0 = N φ a pressã o será
γ
negativa, e positiva somente abaixo dessa profundidade.
O empuxo total sobre o tardoz vertical serádado pela expressã o:

H 1 1 1
E a = ∫ p a dz = γH 2 − 2cH (2.52)
0 2 Nφ Nφ

pela qual se pode perceber que até uma profundidade crítica Hc tal que:

4c
HC = Nφ (2.53)
γ

o empuxo total ativo sobre o muro é nulo.

37
2.3.1.2. Empuxo Passivo

O cálculo do empuxo passivo segundo Rankine consiste numa aplicaç ã o da teoria do


equilíbrio passivo dos maciç os terrosos. Trata-se sempre da reaç ã o que o solo oferece a um
anteparo que é empurrado ou puxado contra o maciç o terroso.
A Figura 2.20 ilustra o caso de uma placa vertical enterrada num maciç o de superfície
inclinada. Se a placa for puxada por um cabo, fixado no ponto A, na direç ã o paralela à
superfície do terreno, seránecessário aplicar uma forç a Ep correspondente ao empuxo passivo,
para romper o solo. O empuxo passivo pode ser calculado pelo círculo de Mohr
correspondente ao ponto de profundidade H, como aparece na Figura 2.20-b. Tal círculo é
determinado fazendo-se OA = γz cos i. A pressã o passiva no ponto A da placa serádada pelo
vetor OB e terádireç ã o paralela à superfície do terreno. No topo da placa o empuxo passivo
será triangular e portanto seu ponto de aplicaç ã o será no terç o inferior da placa (Vargas,
1977).

(a) (b)

Figura 2.20. Empuxo passivo em areia, segundo Rankine (Vargas, 1977)

No gráfico da Figura 2.20 pode-se por:

OB OE + BA OC cos i + CB cos w
= = (2.54)
OA OE − BA OC cos i − CB cos w

sen i sen 2 i
Como sen w = e, w = 1 − tem-se (2.55)
sen φ sen 2 φ

38
E o empuxo seráa integral:

H γH 2 cos i + cos 2 i − cos 2 φ


E p = ∫ p p dz = cos i (2.56)
0 2 cos i − cos 2 i − cos 2 φ

No caso de um terrapleno coesivo de superfície horizontal, a pressã o passiva a uma


profundidade z da superfície vertical é :

p p = γzN φ + 2c N φ (2.57)

O empuxo passivo correspondente seráentã o:

H γH 2
E p = ∫ p p dz = Nφ + 2cH Nφ (2.58)
0 2

2.3.2. Teoria de Coulomb

A teoria de Coulomb, para o cálculo dos empuxos sobre arrimos, na condiç ã o de


equilíbrio limite, foi estabelecida em 1776, tendo sido recentemente estendida por Stanciu, A.
(1990) para o caso de maciç o com coesã o, adesã o e atrito, com superfície livre inclinada e
sobrecarga uniformemente distribuída, alé m de efeitos sísmicos. No texto apresentado por
Stanciu inclui-se um programa para o cálculo dos empuxos ativo e passivo (ABMS/ABEF,
1998).
A teoria de Coulomb, embora originalmente só se aplique aos solos nã o coesivos,
estámais próxima das condiç ões vigentes nos casos de empuxos de terra, pois leva em conta o
atrito entre o material que exerce o empuxo e a superfície do muro, sobre a qual se aplica o
empuxo de terra. Alé m disso, a teoria de Coulomb leva ao cálculo do empuxo total, nada
concluindo sobre o seu ponto de aplicaç ã o. Isto tornou-se uma vantagem sobre o mé todo de
Rankine cuja conclusã o sobre a distribuiç ã o triangular das pressões, obriga a aplicaç ã o do
empuxo no terç o inferior do muro. Essa conclusã o estáem desacordo com a experiê ncia, pois
essa mostra que o ponto de aplicaç ã o do empuxo varia, conforme o deslocamento do muro,
entre o terç o inferior e a metade da altura do muro (Vargas, 1977).

39
2.3.2.1. Empuxo Ativo

A Figura 2.21-a mostra a cunha ABC que, segundo Coulomb desliza ao longo da
superfície BC e atua exercendo empuxo sobre a superfície do muro de arrimo AB. Seja φ1 o
ângulo de atrito entre o solo e o muro, segundo o qual o empuxo atua sobre o muro. O
símbolo δ é o valor do ângulo que o empuxo faz com a vertical. Coulomb admite ainda que a
superfície de deslizamento é plana e passa pelo pé do muro, no ponto B. Ao longo dessa
superfície a resistê ncia de cisalhamento deve estar totalmente mobilizada e portanto, a
resultante de tal resistê ncia R farácom a normal a superfície com ângulo φ - ângulo de atrito
interno do solo.

Figura 2.21. Empuxos de areia, segundo Coulomb (Vargas, 1977).

Escolhida entã o, arbitrariamente, uma superfície de ruptura fazendo um ângulo α


com a horizontal, resulta conhecido em grandeza e direç ã o o peso P da cunha ABC, em
direç ã o à resultante de atrito R e o empuxo E, as quais podem ser obtidas pela composiç ã o de
forç as da Figura 2.21-b.
Fazendo-se agora variar o ângulo α, obtê m-se valores de E que admitem um
máximo. Esse máximo será, segundo Coulomb, o valor do empuxo de terra sobre o muro.

40
Para o cálculo analítico desse máximo considere-se, como mostra a Figura 2.22, uma
variaç ã o na inclinaç ã o da superfície de ruptura de um acré scimo elementar de ângulo dθ,
sendo que os ângulos de inclinaç ã o θ serã o contados a partir de uma reta AD, a qual faz um
ângulo φ com a horizontal.
Se AC, que faz um ângulo θ com a linha AD, for a superfície de ruptura, o peso P da
cunha ABC e o empuxo E sobre o muro, estarã o relacionados entre si, como é fácil tirar da
disposiç ã o de forç as da Figura 2.21-b, pela lei dos senos:

E P
= (2.59)
sen θ sen[180º−(δ + θ )]

como:

sen[180 − (δ + θ )] = sen(δ + θ ) (2.60)

P sen θ
E= (2.61)
sen (δ + θ )

Pela teoria de Coulomb esse seráo empuxo de terra sobre o muro somente no caso
dele ser o máximo valor dos E, ao variar θ. Para se obter esse máximo iguala-se a zero a
derivada da Eq. 2.61 em relaç ã o a θ.

 dP 
sen (δ + θ ) P cos θ + sen θ − P sen θ cos(δ + θ )
dE  dθ 
= (2.62)
dθ sen 2 (δ + θ )

Donde se tem:

 dP 
P sen δ =  −  sen (δ + θ r ) sen θ r (2.63)
 dθ  r

sendo θr o ângulo de inclinaç ã o da superfície de ruptura.


E, portanto, o valor do peso da cunha de ruptura será:

41
sen (δ + θ r ) sen θ r  dP 
P=   (2.64)
sen δ  dθ  r

sendo θ = θr o ângulo de ruptura, traç ada pelo ponto C uma paralela à diretriz AG (a
qual faz um ângulo δ com a AD), a área do triângulo ACD será:

AC 2 sen (δ + θ r ) sen θ r
A1 = (2.65)
2 sen δ

Por outro lado:

1
dP = AC 2γdθ (2.66)
2

 dP  1
  = AC γ
2
(2.67)
 dθ  2

Portanto, substituindo-se as Eq. 2.65 e Eq. 2.67 na Eq. 2.64, tem-se:

P = A1γ (2.68)

Isto é , para que a superfície AC seja realmente a superfície de ruptura, é necessário


que o ângulo θr seja tal que o peso da cunha de ruptura acima mencionado.
Por outro lado, combinando-se a Eq. 2.61 com a Eq. 2.64, tem-se:

sen 2 θ r  dP 
Ea =   (2.69)
sen δ  dθ  r

que, pela Eq. 2.67 se torna:

1 sen 2 θ r
Ea = AC 2 γ (2.70)
2 sen δ

42
Figura 2.22. Construç ã o gráfica do empuxo de Coulomb (Vargas, 1977).

Se, na Figura 2.22, construir-se o triângulo CC”D como o lado C”D = CD, sua área
será:

1
A= CD 2 sen δ (2.71)
2

Por outro lado:

2 sen θ r
2
1
A = AC (2.72)
2 sen δ

Portanto a área A (igual à área do triângulo CC”D), multiplicada por γ (de acordo
como a Eq. 2.70), é o empuxo ativo:

γCD 2 sen δ
Ea = A γ = (2.73)
2

Por outro lado, ainda na Figura 2.22:

BC = BS − CS (2.74)

43
onde:

sen (β + φ ) H sen (β + φ )
BS = AB = (2.75)
sen (φ − i ) sen β sen (φ − i )

sen δ
CS = CD (2.76)
sen(φ − i )

H sen (β + φ ) sen δ
BC = − CD (2.77)
sen β sen (φ − i ) sen (φ − i )

Por outro lado, nos triângulos ABT e ABS:

sen (β + φ − δ )
AT = AB (2.78)
sen δ

sen (β + i )
AS = AB (2.79)
sen (φ − i )

AB sen (β + φ − δ ) sen (β + i )
AD = AT . AS = AB (2.80)
sen δ sen (φ − i )

AD sen (β + φ − δ ). sen (β + i )
= (2.81)
AB sen δ . sen (φ − i )

BC  sen δ  AD
= . (2.82)
CD  sen (β + i )  AB

Combinando-se as Eq. 2.77 e a Eq. 2.82 tem-se:

sen δ sen (β + φ − δ ). sen (β + i )


BC = CD (2.83)
sen (β + i ) sen δ . sen (φ − i )

44
H sen (β + φ ) sen δ
BC = − CD (2.84)
sen β sen (φ − i ) sen (φ − i )

H sen (β + φ )
CD = (2.85)
sen β sen δ . sen (φ − i ) sen (β + φ − δ ). sen (β + i )
sen δ +
sen (β + i ) sen δ . sen (φ − i )

Substituindo-se, agora, a Eq. 2.85 na Eq. 2.73, ter-se-á a equaç ã o do empuxo de


terra, segundo Coulomb.
2
 
 
γH 2  sen (β + φ ) 
Ea = (2.86)
2 sen 2 β sen δ  sen (β + φ − δ ) sen (φ − i ) 
1 + 
 sen δ . sen (β + i ) 

É costume escrever a fórmula acima sob a forma:

1  Ka 
E a = γH 2   (2.87)
2  sen β . cos φ1 

onde Ka, o coeficiente de empuxo ativo segundo Coulomb será:

cos φ1 sen 2 (β + φ )
Ka = (2.88)
sen (β + φ − δ ). sen (φ − i ) 
2

sen β . sen δ 1 + 
 sen δ . sen (β + i ) 

Nessa fórmula se β = 90º e φ1 = 0, recai-se na fórmula de Rankine (2.47). Mas,


quando no caso particular de β = 90º, φ = φ1 e i = 0, a fórmula acima torna-se:

1 cos φ
E a = γH 2
( )2
(2.89)
2 1 + 2 sen φ

45
2.3.2.2. Empuxo Passivo

O mé todo de cálculo para o empuxo passivo dos solos nã o coesivos é simplesmente


uma extensã o da teoria de Coulomb. Trata-se de procurar o valor mínimo do empuxo Ep que
equilibra a cunha de ruptura ABC da Figura 2.23.
O empuxo Ep fará um ângulo φ1 (atrito entre o solo e o material da placa AB). A
resistê ncia de atrito ao longo da superfície possível de ruptura AC fará, com a normal a essa,
um ângulo φ (ângulo de atrito interno do solo). Analogamente ao caso do empuxo ativo faz-se
a composiç ã o do peso da cunha deslizando com a forç a de atrito R e o empuxo E. Ao se variar
o ângulo α obtê m-se vários valores de E, sendo o mínimo o empuxo passivo Ep que é , para
um mesmo solo, maior que Ea. Por outro lado o ângulo α de inclinaç ã o da superfície de
ruptura é maior para o empuxo ativo e menor para o passivo (Vargas, 1977).

(a)

(b)

Figura 2.23. Extensã o da teoria de Coulomb para empuxo passivo (Vargas, 1977).

Ainda, da mesma maneira que foi feito para o empuxo ativo, é possível calcular-se
analiticamente o valor de Ep e chega-se à expressã o:

46
2
 
 
γH 2
 sen (β − φ ) 
Ep = (2.90)
2 sen β sen δ  sen (β − φ + δ ) sen (φ − i ) 
2

1 − 
 sen δ sen (β − i ) 

É costume escrever a fórmula acima sob a forma:

1  Kp 
E p = γH 2   (2.91)
2  sen β cos φ1 

onde Kp, o coeficiente de empuxo passivo segundo Coulomb será:

cos φ1 sen 2 (β − φ )
Kp = (2.92)
sen (β − φ + δ ) sen (φ − i ) 
2

sen β sen δ 1 − 
 sen δ sen (β − i ) 

2.4. CORTINAS DE ESTACAS PRANCHAS

Assim se denominam as estruturas, planas ou curvas, formadas por estacas pranchas


justapostas, cravadas verticalmente no terreno. As cortinas destinam-se a resistir às pressões
laterais devidas ao solo e à água (empuxos). Elas tê m larga aplicaç ã o em obras portuárias,
proteç ã o de taludes e de fundaç ões de construç ões vizinhas (Caputo, 1975).
A principal restriç ã o à utilizaç ã o de estacas prancha estárelacionada à dificuldade de
cravaç ã o dos elementos, principalmente em casos de terrenos com presenç a de pedregulhos e
matacões. A necessidade de cravaç ã o das estacas até uma profundidade superior ao nível final
da escavaç ã o (ficha) geralmente agrava tal tipo de problema. Alé m disso, a utilizaç ã o do
processo está restrita à altura de terra a arrimar, uma vez que alturas muito grandes
inviabilizam sua adoç ã o pois requerem uma resistê ncia à flexã o extremamente elevada para a
estaca.
As cortinas diferem estruturalmente dos muros de sustentaç ã o própria, por serem
flexíveis e terem peso próprio desprezível em face das demais forç as atuantes. Baseadas em
seu tipo estrutural e esquema de carregamento, as cortinas classificam-se em dois grupos
principais: cortinas em balanç o (em “cantilever’) e cortinas ancoradas (ou apoiadas).

47
Conforme as estacas sejam cravadas a uma pequena profundidade ou a uma
profundidade considerável, as cortinas serã o de extremidade livre ou extremidade fixa. No
caso de cortinas ancoradas, os elementos a serem determinados sã o: comprimento da ficha,
esforç o no tirante e momento fletor máximo.

2.4.1. Cortinas em Balanço

As estacas sã o cravadas até uma profundidade no terreno, abaixo do nível da


escavaç ã o, de modo que sejam capazes de suportar em balanç o, os esforç os provenientes do
empuxo de terras, sem qualquer tipo de apoio acima do nível da escavaç ã o. Tal mé todo só é
válido para alturas moderadas de escoramento.
É necessário existir uma ficha mínima para se obter o equilíbrio da cortina, e esta é
definida como sendo o comprimento mínimo de embutimento da cortina no solo abaixo do
fundo da escavaç ã o que garante o equilíbrio com uma margem de seguranç a adequada.
Os valores dos parâmetros de resistê ncia ao cisalhamento, especialmente coesã o,
podem viabilizar a execuç ã o de cortinas em balanç o com alturas consideráveis.

2.4.2. Cortinas Ancoradas ou com Suportes

Neste caso, o esforç o decorrente do empuxo de terras é suportado tanto pelo


embutimento da estaca abaixo do nível de escavaç ã o (ficha), como no caso anterior, quanto
atravé s de níveis de ancoragem acima da escavaç ã o. O nú mero de ancoragens será
naturalmente funç ã o da altura de solo a arrimar, de modo a reduzir a ficha e os esforç os na
cortina a valores compatíveis.
As cortinas atirantadas se destacam como obras de grande eficácia, versatilidade e
seguranç a. Trata-se da execuç ã o de elementos verticais ou subverticais de concreto armado,
que funcionam como paramento e que sã o ancorados no substrato resistente do maciç o atravé s
de tirantes protendidos ou apoiados com estroncas. Em princípio, este tipo de obra pode ser
utilizado em qualquer situaç ã o geomé trica e com qualquer material.

2.4.3. Método de Cálculo - Método da Extremidade Livre, Bowles (1968)

Este mé todo considera que a cortina está sujeita, no lado do solo, à uma pressã o
ativa. Abaixo da influê ncia da pressã o ativa o muro tende a girar, desenvolvendo pressões

48
passivas na frente da cortina e pressões ativas atrás da cortina. No ponto b da Figura 2.24, o
solo atrás do muro muda de pressã o ativa para pressã o passiva, com pressã o ativa na frente do
muro para o remanescente da distância até o pé da estaca.

Zona
Ativa

Linha de Escavaç ã o

Zona
Passiva
Ponto de
Rotaç ã o

Zona Passiva
(a) (b) (c)

Figura 2.24. Parede em balanç o; (a) Deformada da parede; (b) Distribuiç ã o das pressões
obtidas pelas teorias da elasticidade e da plasticidade; (c) Diagrama simplificado
(Bowles, 1968).

2.4.3.1. Estaca Prancha em Balanço em Solo Granular

Com os termos definidos e mostrados na Figura 2.25, uma soluç ã o geral pode ser
obtida para cortinas em solos nã o coesivos. Primeiro, todas as forç as acima e a direita do
ponto O sã o representadas por uma forç a resultante Ra localizado a uma distância y acima
deste ponto. O ponto O estálocalizado a uma distância a abaixo da linha de escavaç ã o, onde a
pressã o no muro é nula (equilíbrio: ativo igual ao passivo).

pa p p
a= = a = a
γ `(K ` p − K `a ) γ `K ` C
(2.93)

No extremo inferior da ficha tem-se a pressã o resultante:

p p = CY (2.94)

49
A pressã o resultante, à direita da cortina, no ponto “O” é :

p`p = γh1 K p + (h2 + a )γ `K `p −γ `aK `a (2.95)

E no seu extremo inferior é :

p`` p = p`p +CY (2.96)

NA

Linha de Escavaç ã o

Figura 2.25. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo granular


(Bowles, 1977)

A distância z pode ser encontrada em termos de Y pela estática ( ∑ FH = 0 ), para

obter:

(
Ra + p p + p`` p ) 2z − p p
Y
2
=0 (2.97)

e resolvendo para z, obté m-se:

p p Y − 2 Ra
z= (2.98)
p p + p`` p

Uma equaç ã o adicional em Y e z pode ser obtida fazendo-se o somatório de momentos


igual a zero no pé da estaca.

50
(
Ra Y + y + ) 3z (p p + p``p ) 2z − p p
YY
2 3
=0 (2.99)

simplificando tem-se:

( ) ( )
6 Ra Y + y + z 2 p p + p`` p − p p Y 2 = 0 (2.100)

Substituindo-se a Eq. 2.98 na Eq. 2.100 e resolvendo-se para Y, a seguinte equaç ã o do


quarto grau é formada, que pode ser aplicada para as situaç ões com e sem nível d’água, desde
que considerem-se os valores de K adequados.

 6 R a y p ` p +4 R a
( )
2
p` p 8 Ra  6R
Y 4 −Y3 −Y 2 − Y  2a 2 yC + p`p  − =0 (2.101)
C C C  C2

onde todos os termos sã o mostrados na Figura 2.25. Se existir água no local, Ra e y


sã o convenientemente modificados.
Os passos para soluç ã o de um muro em balanç o em solo granular sã o os seguintes:
1. Fazer uns croquis das condiç ões do problema.
2. Calcular os coeficientes de pressã o ativa e passiva.
3. Calcular as pressões p p , p`p , p`` p , a distância a, a pressã o resultante Ra e a

localizaç ã o y . A localizaç ã o da resultante pode ser encontrada atravé s da

Eq. 2.102, onde o diagrama de pressã o é triangular de base H + a e altura p a .

H + 2a
y= (só para talude seco) (2.102)
3
4. Inserir os valores encontrados no passo 3 e calcular Y. O mé todo de tentativa e
erro (assumindo-se valores para Y e resolvendo) proverá soluç ã o rápida, se a
resposta estiver dentro de até 0.15 m pode ser aceita. Iniciar com valores de Y em
torno de 0.75H.
5. O comprimento total da estaca é determinado por:
L=H +D (2.103)
onde a ficha D é igual a:
D =Y +a (2.104)

51
2.4.3.2. Estaca Prancha em Balanço em Solo Coesivo (φ = 0º)

O tratamento com estacas pranchas em solo coesivo é similar ao do solo granular. Há,
poré m, certos fenômenos associados com solos coesivos que requerem em consideraç ões
adicionais. Por exemplo, o adensamento ocorrido na zona de pressã o passiva. Trincas de
traç ã o podem se formar na zona ativa e, se preenchidas por água, aumentam a pressã o lateral,
mudando assim a localizaç ã o da resultante.

Zona de Traç ã o

Linha de Escavaç ã o

Figura 2.26. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo coesivo


(Bowles, 1968)

Atravé s do somatório de forç as horizontais, tem-se:

Ra +
z
2
( ) (
4c − q + 4c + q − D 4c − q = 0 ) (2.105)

resolvendo-se para z,

z=
( )
D 4c − q − Ra
(2.106)
4c

52
logo, por equilíbrio, fazendo-se o somatório dos momentos no pé da estaca, tem-se:

(
Ra y + D −) D2
2
( )
z2
4c − q + (4c ) = 0
3
(2.107)

Substituindo-se a Eq. 2.106 na Eq. 2.107, e fazendo-se as simplificaç ões, tem-se:

( )
D 2 4c − q − 2 DRa −
(
Ra 12c y + Ra )=0 (2.108)
2c + q

onde todos os termos sã o identificados na Figura 2.26 mas usando-se a pressã o efetiva
na linha de escavaç ã o = q .
A profundidade calculada pela Eq. 2.108 pode ser aumentada de 20 a 40% ou,
alternativamente, a coesã o usada pode ser dividida por um fator de seguranç a de 1,5 a 2,0,
aumentando-se diretamente com a profundidade calculada. É importante atentar para o fator
de seguranç a usado, para que nã o se tenha conclusões errôneas de que o muro nã o pode ser
construído se a coesã o do solo é tal que:

4c
≤q (2.109)
FS

2.4.3.3. Estaca Prancha Ancorada em Solo Granular

Este mé todo considera que a cortina é rígida e pode rotacionar ao redor de um ponto
no nível da ancoragem. Pressões passivas se desenvolvem no solo em frente da cortina e
pressões ativas se desenvolvem atrás da cortina. Após se estimar uma ficha inicial, o valor
deve ser acrescido de 20 à 40%, ou o Kp deve ser dividido pelo fator de seguranç a apropriado
antes de se estimar o comprimento da ficha, com o mé todo preferido. Considera-se o
diagrama de pressões mostrado na Figura 2.27.

53
Tirante

Linha de
Escavaç ã o

Figura 2.27. Mé todo de cálculo de uma cortina ancorada de extremidade livre: (a) solo granular;
(b) solo coesivo abaixo da linha de escavaç ã o (Bowles, 1968)

Da Figura 2.27(a), a distância a, no ponto em que a pressã o é nula, é dada pela


Eq. 2.110.

pa
a= (2.110)
γ 'K'

onde:
p a é a pressã o horizontal no nível da escavaç ã o;

γ’é o peso específico submerso do solo; e


K’ é a diferenç a entre Kp’ e Ka’.

Na seqüê ncia, considerando-se o equilíbrio de momentos em relaç ã o ao ponto de


ancoragem, obté m-se:

y ' R p = yR a (2.111)

onde:
Rp é a resultante das pressões passivas;

54
Ra é a resultante das pressões ativas;
y é a distância entre o ponto de aplicaç ã o da resultante ativa e o ponto de ancoragem;
y’ é a distância entre o ponto de aplicaç ã o da resultante passiva e o ponto de
ancoragem.
Tomando-se X como diferenç a entre a profundidade da ficha D e o ponto a, tem-se:

X2
Rp = γ ' K' (2.112)
2

e da Figura 2.27(a).

2
γ ' = h3 + a + X (2.113)
3

onde h3 é a altura do maciç o descontando-se a distância da linha de tirantes, daí:

X2  2 
yR a = γ ' K '  h3 + a + X  (2.114)
2  3 

Combinando-se os termos em potê ncias decrescentes de X, obté m-se

γ 'K' 2γ 'K'


X 3 + X  (h3 + a ) − yR a = 0 (2.115)
 3   2 

De posse desta equaç ã o, arbitra-se valores de X até que ela seja satisfeita. Com o
valor de X, calcula-se a ficha, utilizando-se a Eq. 2.116.

D= X +a (2.116)

A forç a no tirante, Fa, é determinada atravé s do equilíbrio de forç as na horizontal,


dado pela Eq. 2.117.

Fa = Ra − R p (2.117)

55
O momento máximo atuante na cortina é dado pela Eq. 2.118.

M max = y m Ra (2.118)

onde ym é a distância entre o ponto de aplicaç ã o da resultante das pressões ativas e a


distância a.

2.4.3.4. Estaca Prancha Ancorada em Solo Puramente Coesivo (φ = 0º)

Pela Figura 2.27(b), onde o solo é puramente coesivo, abaixo da linha de escavaç ã o,
a somatória dos momentos em relaç ã o ao ponto de ancoragem, de forma que haja o equilíbrio
de momentos é mostrada na Eq. 2.119.

 D
Ra y − D(4c − q ) h3 +  = 0 (2.119)
 2

E o valor da ficha é calculado pela Eq. 2.120.

2 yR a
D 2 + 2 Dh3 − =0 (2.120)
4c − q

A forç a no tirante, Fa, é calculada atravé s do equilíbrio de forç as na horizontal, dado


pela Eq. 2.117.

56
3. DIMENSIONAMENTO DE CORTINAS DE ESTACAS PRANCHAS EM SOLOS
NÃ O SATURADOS

A generalizaç ã o da mecânica dos solos envolvendo as condiç ões saturada e nã o


saturada do material tem se apresentado como uma preocupaç ã o ao meio geoté cnico desde o
início dos anos 60. A proposta de Bishop e Blight (1963) mostrou-se limitada do ponto de
vista da mecânica dos meios contínuos. Com a finalidade de sanar esta deficiê ncia, surgiram
propostas de representar o estado de tensã o do solo por duas variáveis que representam a
carga externa aplicada e a sucç ã o matricial, as quais permitem a formulaç ã o de modelagens
constitutivas para a resistê ncia ao cisalhamento e deformabilidade de solos nã o saturados
(Bishop e Blight, 1963; Matyas et al., 1968; Fredlund et al., 1976, 1977; Alonso et al., 1980).
Atualmente é consenso no meio geoté cnico que o estágio de conhecimento atingido permitiu a
generalizaç ã o da mecânica dos solos de forma a englobar as condiç ões saturada e nã o
saturada e que problemas de deformabilidade, ruptura e percolaç ã o sejam previstos atravé s de
soluç ões simplificadas de equilíbrio limite ou formulaç ões acopladas (Fredlund et al., 1993;
Pereira, 1996).

3.1. INTRODUÇ Ã O

A soluç ã o de problemas em engenharia geoté cnica requer que um maciç o de solo


submetido aos máximos esforç os solicitantes apresente um comportamento que o mantenha,
dentro de crité rios de aceitaç ã o de esté tica, de funcionalidade e de seguranç a compatíveis com
normas existentes. Exige-se portanto que a modelagem constitutiva do solo seja definida e
que permita que previsões de comportamento futuro da obra sejam elaboradas e que as
alternativas de otimizaç ã o custo/benefício sejam avaliadas.
Do ponto de vista da Mecânica dos Solos Nã o Saturados, o estado de tensões no
interior de um maciç o de solo pode ser descrito pelas variáveis de tensã o (σ - ua) e (ua – uw),
onde a primeira representa a tensã o líquida e a segunda é a sucç ã o mátrica.
O comportamento mecânico dos solos é funç ã o destas variáveis. A sucç ã o, por sua
vez, é funç ã o da diferenç a das pressões de ar e água nos vazios do solo e é estritamente
relacionada com o ambiente ao redor, sendo de interesse na análise de problemas de
engenharia geoté cnica.

57
Neste trabalho o dimensionamento de cortinas de estacas pranchas em solo nã o
saturado é realizado utilizando-se o mé todo da extremidade livre (Bowles, 1968),
combinando-se as formulaç ões disponíveis para um solo com coesã o e atrito. Neste mé todo,
determinam-se o comprimento da ficha necessária e os diagramas de pressões ativa e passiva
atuantes na cortina, utilizando-se o mé todo do equilíbrio limite no sistema maciç o-cortina.
Os coeficientes de empuxo de terra ativo e passivo para os solos nã o saturados
podem ser determinados pela hipótese de que o solo está no estado de equilíbrio limite
(Fredlund et al., 1993). As equaç ões de empuxo ativo e passivo para um elemento de solo nã o
saturado, utilizando-se a teoria de Rankine, sã o apresentadas pela Eq. 2.26 e pela Eq. 2.39 do
Capítulo 2.
Utilizando-se as equaç ões 2.26 e 2.39, pode-se calcular as tensões horizontais
considerando-se que todo o acré scimo de resistê ncia devido à sucç ã o está incluso no
intercepto de coesã o total c. A Figura 2.11 ilustra que, com o aumento da coesã o, devido à
sucç ã o, a zona de “traç ã o” entre o solo e a contenç ã o tende a aumentar, ou seja, o ponto onde
ocorre a tensã o horizontal nula tende a aprofundar-se, o que reduz o diagrama de empuxo
ativo que solicita a contenç ã o. Analogamente, o empuxo passivo, na parte enterrada da
cortina, aumenta em resposta a um aumento da sucç ã o. Portanto, pode-se verificar que devido
à coesã o total, cuja majoraç ã o estárelacionada ao aumento da sucç ã o mátrica, háum aumento
no valor do empuxo passivo e uma reduç ã o na magnitude do empuxo ativo. Em ambos os
casos há uma alteraç ã o no ponto de aplicaç ã o da resultante do empuxo. Neste trabalho o
dimensionamento da cortina de contenç ã o considerou a sucç ã o como sendo constante com a
profundidade.
A pressã o que age na linha de escavaç ã o é dada pela Eq. 3.1:

p a = γHK a − 2c K a + qK a (3.1)

Onde q é a sobrecarga e c a coesã o total dada por c = c'+ (u a − u w ) tan φ b , tem-se:

p a = γHK a − 2c' K a − 2(u a − u w ) tan φ b + qK a (3.2)

O coeficiente de pressã o ativa é dado pela Eq. 2.29 do Capítulo 2.

58
3.2. DIMENSIONAMENTO DE CORTINA EM BALANÇ O – BOWLES, 1968

A resultante do empuxo ativo é dada pela soma do empuxo ativo acima da linha de
escavaç ã o e o empuxo ativo abaixo da linha de escavaç ã o, como mostrado na Fig. 3.1.

Ea1

Linha de Escavaç ã o

Ea2

Figura 3.1. Diagrama de pressã o para cortina em balanç o em solo com coesã o e atrito
(modificada – Bowles, 1968).

pa p p
a= = a = a
γ (K p − K a ) γK ' C
(3.3)

p p = CY (3.4)

p ' p = (H + a )γK p − γaK a (3.5)

p' ' p = p p + p' p (3.6)

O empuxo ativo acima da linha de escavaç ã o é obtido pela área do triângulo de base
p a e altura H:

59
γH 2 K a
E a1 = − 2c' H K a − 2(u a − u w ) H K a + qHK a (3.7)
2

O empuxo ativo abaixo da linha de escavaç ã o é obtido pela área do triângulo de base
p a e altura a:

paa
Ea2 = (3.8)
2

Logo, a resultante do empuxo ativo, Ra, é calculada por:

R q = E a1 + E a 2 (3.9)

A localizaç ã o do ponto de aplicaç ã o da resultante ativa, y , pode ser encontrada


atravé s da Eq. 3.10 igualando-se os momentos produzidos no ponto O:

H  2 
yRa = E a1  + a  + E a 2  a  (3.10)
3  3 

H  2 
E a1  + a  + E a 2  a 
3  3 
y= (3.11)
Ra

A distância z pode ser encontrada em termos de Y, fazendo-se o somatório das forç as


horizontais igual a zero, para se obter:

(
Ra + p p + p' ' p ) 2z − p p
Y
2
=0 (3.12)

e resolvendo-se para z, obté m-se:

p p Y − 2 Ra
z= (3.13)
p p + p' ' p

60
Uma equaç ã o adicional em Y e z pode ser obtida fazendo-se o somatório de
momentos igual a zero no pé da estaca.

(
Ra Y + y + ) 3z (p p + p' ' p ) 2z − p p
YY
2 3
=0 (3.14)

simplificando tem-se:

( ) ( )
6 Ra Y + y + z 2 p p + p' ' p − p p Y 2 = 0 (3.15)

Substituindo-se a Eq. 3.13 na Eq. 3.15 e resolvendo-se para Y, obté m-se:

 6 Ra y p ' p +4 Ra
( )
2
p' p 8Ra  6R
Y 4 −Y3 −Y2 − Y  2a 2 yC + p ' p  − =0 (3.16)
C C C  C2

De posse da Eq. 3.16, arbitra-se valores de Y até que a condiç ã o de igualdade seja
satisfeita. Com o valor de Y, calcula-se a ficha utilizando-se a Eq. 3.17.

D =Y + a (3.17)

3.3. DIMENSIONAMENTO DE CORTINA ANCORADA – BOWLES, 1968

No caso de cortinas ancoradas, o somatório dos momentos é feito em relaç ã o ao


ponto de ancoragem, de forma que haja o equilíbrio de momentos, conforme mostrado na
Figura 3.2:

y ' R p = yR a (3.18)

onde:
Rp é a resultante das pressões passivas;
y' é a distância entre o ponto de aplicaç ã o da resultante passiva e o ponto de
ancoragem.

61
Tirante

Linha de Escavaç ã o

Figura 3.2. Diagrama de pressã o para cortina ancorada em solo com coesã o
e atrito

Tomando-se X como diferenç a entre a profundidade da ficha D e o ponto a, tem-se:

X2
Rp = γ ' K' (3.19)
2

e da Figura 3.2.

2
y ' = h3 + a + X (3.20)
3

onde h3 é a altura do maciç o descontando-se a distância da linha de tirantes, daí:

X2  2 
yR a = γ ' K '  h3 + a + X  (3.21)
2  3 

Combinando-se os termos em potê ncias decrescentes de X, obté m-se:

62
γ 'K' 2γ 'K'
X 3 + X  (h3 + a ) − yR a = 0 (3.22)
 3   2 

De posse desta equaç ã o, arbitra-se valores de X até que ela seja satisfeita. Com o
valor de X, calcula-se a ficha, utilizando-se a Eq. 3.23.

D= X +a (3.23)

A forç a no tirante, Fa, é achada atravé s do equilíbrio de forç as na horizontal, dado


pela Eq. 3.24.

Fa = R a − R p (3.24)

O momento máximo atuante na cortina é dado pela Eq. 3.25.

M max = y m Ra (3.25)

onde ym é a distância entre o ponto de aplicaç ã o da resultante das pressões ativas e o


ponto a.

3.4. PROGRAMA GEOFINE

Este programa serve para modelar e solucionar vários problemas de engenharia como
muros de gravidade, muros de gabiões, estabilidade de taludes, análises de fundaç ões rasas e
profundas, cortinas de contenç ã o entre outros. A análise de pressã o de terra é o ponto de
partida do sistema Geofine. Este programa foi utilizado no presente trabalho para se fazerem
as retroanálises.

3.4.1. Tensão no Solo

A tensã o no solo é baseada na existê ncia de camadas de solos especificadas pelo


usuário nos dados de entrada. A tensã o normal em um ponto qualquer da camada de solo é
calculado como sendo:

63
σ i = ∑ hi γ i (3.26)

onde:
hi = espessura da camada i
γi = peso específico do solo da camada i
Se a camada estáabaixo do nível da água, o peso específico do solo submerso pode
ser definido de acordo com a opç ã o determinada pelo usuário da seguinte maneira:
- Opç ã o de subpressã o igual a 10 kN/m3:
γ ' = γ sat − 10
- Opç ã o de cálculo a partir da porosidade:
γ ' = (1 − n )(γ s − 10 )
onde:
γ’ = peso específico do solo submerso
γsat = peso específico do solo saturado
γs = peso específico do esqueleto do solo
n = porosidade do solo
A Figura 3.3 ilustra a entrada de dados dos parâmetros do solo no programa Geofine,
onde adicionam-se camadas com suas características até se compor o perfil de solo desejado.

Figura 3.3. Entrada de dados dos parâmetros do solo no programa Geofine.

64
3.4.2. Notações Usadas dos Tipos de Pressões de Terra

i – Pressão Ativa
Para desenvolver a pressã o lateral a estrutura deve mover-se na mesma direç ã o da
pressã o de terra atuante. A rotaç ã o mínima requerida para que desenvolva pressã o ativa é de
aproximadamente 2 mm/m para altura da estrutura.
A magnitude da pressã o ativa depende do ângulo de atrito entre o solo e a estrutura,
φ1, a pressã o ativa diminui quando-se aumenta o ângulo de atrito. Se a superfície atrás da
contenç ã o for tratada para evitar infiltraç ã o, o valor do ângulo de atrito entre o solo e a
estrutura deve ser inferior a φ1 ≤ 1/3 φ. Para superfícies rugosas esse valor nã o deve superar
φ1 = 2/3 φ, onde φ é o ângulo de atrito do solo.

ii – Pressão no Repouso
É a pressã o de terra atuante em uma estrutura indeformável. É usualmente
considerada em caso onde é necessário uma restriç ã o na deformaç ã o na superfície vertical do
solo, ou quando a estrutura é suficientemente rígida e nã o permite deformaç ã o ao ponto de
desenvolver pressã o ativa. Nestes casos é aconselhável considerar uma possível
implementaç ã o na pressã o ativa, que é uma pressã o entre a pressã o ativa e a pressã o no
repouso. Esta pressã o entra nas análises como a mé dia ponderada de ambas as pressões ou
como pressã o ativa calculada com ângulo de atrito reduzido φred. Solos coesivos requerem
c tan φ red
uma reduç ã o na coesã o de c red = .
tan φ

iii – Pressão Passiva


Para desenvolver a pressã o lateral a estrutura deve mover-se em direç ã o oposta da
pressã o de terra atuante. A rotaç ã o mínima requerida para que desenvolva pressã o passiva é
de aproximadamente 2 mm/m para altura da estrutura (Geofine - Manual do Usuário, 2002).
A magnitude da pressã o passiva depende do ângulo de atrito entre o solo e a
estrutura, φ1, a pressã o passiva aumenta quando aumenta o ângulo de atrito. Se a superfície
atrás da contenç ã o for tratada para evitar infiltraç ã o, o valor do ângulo de atrito entre o solo e
a estrutura deve ser inferior a φ1 ≤ 1/3 φ, para superfícies rugosas esse valor nã o deve superar
φ1 = 2/3 φ, onde φ é o ângulo de atrito do solo.

65
As expressões segue a convenç ã o de sinal de acordo com o apresentado na
Figura 3.4.
As seguintes notaç ões sã o usadas:
γ = peso específico do solo [kN/m 3]
φ = ângulo de atrito do solo [ º ]
c = coesã o do solo [kPa]
α = ângulo de inclinaç ã o da estrutura [ º ]
β = ângulo de inclinaç ã o do terrapleno [ º ]
φ1 = ângulo de atrito entre a estrutura e o solo [ º ]
ν = coeficiente de Poisson
σ = tensã o normal [kPa]

Figura 3.4. Convenç ões de sinais para α e β (Geofine, 2002).

3.4.3. Pressão Ativa

A pressã o ativa é dada por:

σ a = σ z K a − 2c K ac (3.27)

onde o coeficiente de pressã o ativa é uma expressã o analítica do mé todo de Coulomb


para solos nã o coesivos, dada pela Eq. 3.28. Entã o, o ângulo de inclinaç ã o do terrapleno β nã o
deve superar o valor do ângulo de atrito φ em qualquer camada atrás da estrutura.

66
cos 2 (φ − α )
Ka = , (3.28)
sen (φ + φ1 ) sen (φ − β ) 
2

cos 2 α cos(α + φ1 )1 + 
 cos(α + φ1 ) cos(α − β ) 

Os componentes verticais e horizontais da pressã o ativa sã o fornecidos por:


σ ax = σ a cos(α + φ1 )

σ az = σ a sen (α + φ1 )

O coeficiente de pressã o ativa assume a forma:

cos φ cos β cos(φ1 − α )(1 + tan (− α ) tan β )


K ahc = (3.29)
1 + sen (φ + φ1 − α − β )

K ahc
K ac = (3.30)
cos(φ1 + α )

Nota-se que para solos coesivos, devido a coesã o, o valor da pressã o ativa pode ficar
negativa tornando-se menor que a pressã o mínima de dimensionamento. Se isso ocorre, esse
valor é fixado como sendo zero ou substituído pela pressã o mínima de dimensionamento.

3.4.4. Pressão Passiva

A pressã o passiva é dada pela seguinte expressã o :

σ p = σ z K pψ + 2c K pψ (3.31)

Onde os coeficientes Kp e ψ sã o determinados por interpolaç ã o de valores obtidos em


tabelas constantes do banco de dados do programa.
Os componentes verticais e horizontais da pressã o passiva sã o fornecidos por:
σ px = σ p cos(α + φ1 )

σ pz = σ p sen (α + φ1 )

67
3.4.5 Pressão no Repouso

A pressã o no repouso é dada por:

σ r = σ z .K r (3.32)

υ
Onde K r = (teoria da elasticidade) ou K r = 1 − sen φ (Jaky), respectivamente.
1−υ
A primeira fórmula para calcular Kr é usada na análise de solos coesivos, e a segunda
somente é usada para solos nã o coesivos. A escolha do tipo de solo durante a entrada de dados
dos parâmetros influencia no cálculo da pressã o no repouso.
Para terraplenos inclinados (0º < β ≤ φ), a pressã o no repouso é fornecida pela
Eq. 3.33.

σ z K r sen φ cos β
σr = (3.33)
sen φ − sen 2 β

Assumindo-se uma inclinaç ã o da estrutura a pressã o no repouso é de:

σ r = σ z sen 2 α + K r2 cos 2 α (3.34)

As componentes da normal e da tangente é dada por:

(
σ = σ z sen 2 α + K r cos 2 α ) (3.35)

τ = σ z (1 − K r ) sen α cos α (3.36)

Para a análise das pressões de terra duas alternativas estã o disponíveis para reduç ã o
dos parâmetros do solo:

- Teoria Clá ssica: todos os coeficientes de seguranç a sã o iguais a 1,0. Os


parâmetros do solo nã o sofrem reduç ã o. Os campos na caixa de dialogo do
programa onde inserem os coeficientes ficam desativados.

68
Essa opç ã o pode ser usada para análise do 2º grupo do estado limite (estado de
deformaç ã o) de uma construç ã o, ou quando se usa o mé todo clássico onde os
valores característicos das tensões sã o reduzidas.
Essa condiç ã o foi a utilizada para se fazer as retroanálises no presente trabalho.

- Estados Limites: Possibilita a escolha dos coeficientes de acordo com as


exigê ncias do usuário ou da norma. Esta opç ã o permite inserir o valor necessário
dos coeficientes de seguranç a do solo de fundaç ã o.
Selecionando-se o coeficiente de reduç ã o γφ em um intervalo de 0,67 a 1,0,
aumenta-se a pressã o ativa e diminui a pressã o passiva, deste modo aumenta a
seguranç a da estrutura ou limita-se suas deformaç ões. Este coeficiente pode ser
ainda multiplicado pelo coeficiente de seguranç a do ângulo de atrito γmφ. As
análises com aumento de pressã o ativa e diminuiç ã o da pressã o passiva requerem
c tan φ red
a reduç ã o da coesã o de c red =
tan φ

3.5. ESTRUTURAS DE ESTACAS PRANCHAS

O programa Geofine para cálculo de cortinas permite, usando-se as equaç ões


estáticas de equilíbrio, determinar o comprimento de embutimento da estrutura no solo. O
cálculo das forç as internas na estrutura é determinada simultaneamente com as forç as
desenvolvidas nos tirantes. O programa nã o determina o deslocamento no campo.
A análise do programa pode ser dividida em dois grupos: análise de estruturas em
balanç o e análise de estruturas ancoradas.

3.5.1. Análises de Cortinas de Estacas Pranchas em Balanço

Uma cortina de estaca prancha é analisada considerando-se uma pressã o ativa


atuando na parte de trás da estrutura, e uma pressã o passiva atuando na frente. Usando-se o
processo de interaç ã o, o programa procura um ponto na estrutura para que a condiç ã o de
equilíbrio dos momentos seja satisfeita, Mtombamneto = Mresistente . Uma vez que a condiç ã o é
satisfeita, o programa localiza o pé da estrutura para que o equilíbrio das forç as horizontais
seja atendido (estimativa do comprimento de embutimento). Este procedimento difere do

69
mé todo da extremidade livre de Bowles (1968), onde as condiç ões de somatório de momentos
e de forç as horizontais iguais a zero sã o atendidas simultaneamente.
Na caixa de diálogo da análise, existem duas alternativas que podem ser consideradas
na análise da estrutura. Quando opta-se pela opç ã o de pressã o mínima de dimensionamento, o
programa assume que a pressã o mínima de dimensionamento é de 0,2σz. Alé m do que, o
coeficiente de reduç ã o da pressã o passiva pode ser colocado como um valor menor ou igual a
1,0. Esse valor reduz a pressã o passiva na frente da cortina de estaca prancha. Quando essa
reduç ã o atinge 2/3 a deformaç ã o cai pela metade, quando é reduzida em 1/2 a deformaç ã o cai
para 20% do seu valor original.
Nas retroanálises, utilizou-se a opç ã o de nã o considerar uma pressã o mínima de
dimensionamento, ou seja, assumindo-se tensões negativas.

3.5.2. Análises de Cortinas ancoradas

Uma cortina ancorada é analisada como uma viga contínua usando a variante da
deformaç ã o pelo mé todo dos elementos finitos. A pressã o atrás da estrutura é considerada
como pressã o ativa. O programa determina a pressã o de acordo com a opç ã o escolhida na
caixa de diálogo de determinaç ã o de pressã o. Quando a opç ã o selecionada é a “corrente”, o
carregamento devido a pressã o ativa é calculado baseado nos dados dos parâmetros de solo,
nível d’água, sobrecarga, inclinaç ã o do terrapleno. Os parâmetros do solo sã o reduzidos
dependendo da opç ã o na análise, se teoria clássica ou estados limites. Quando a opç ã o
selecionada para determinaç ã o da pressã o ativa é a “entrada”, o usuário pode pôr uma
distribuiç ã o de pressã o de terra arbitraria acima do ponto de valor zero.
O ponto de valor zero é determinado pela Eq. 3.38, e estáilustrado na Figura 3.5.

σa
u= (3.37)
γK

onde:
u = distância do nível de escavaç ã o ao ponto de valor zero
σa = pressã o de terra ao nível da escavaç ã o
K = coeficiente de pressã o total
γ = peso específico do solo

70
A pressã o abaixo do ponto zero é determinada assumindo-se que o solo abaixo do
nível de escavaç ã o é homogê neo. Caso o solo abaixo do nível de escavaç ã o esteja submerso, o
peso específico do solo natural é substituído pelo peso específico do solo submerso. O
coeficiente de pressã o total é encontrado pela seguinte fórmula:

K = kK p cos δ p − K a cos δ a (3.38)

onde:
k = coeficiente de reduç ã o da pressã o passiva;
Kp = coeficiente de pressã o passiva;
Ka = coeficiente de pressã o ativa;
δa, δp = ângulo de atrito entre o solo e a estrutura ativo e passivo, respectivamente.

A Figura 3.5 ilustra o comportamento de uma estrutura ancorada, onde assume-se


que o momento e a forç a horizontal é igual a zero no pé da estrutura. O programa primeiro
determina o local do ponto de valor zero, e entã o procura a localizaç ã o do final da viga, neste
caso o pé da contenç ã o.

Figura 3.5. Análise de uma contenç ã o ancorada (Geofine, 2002).

71
4. INSTRUMENTAÇ Ã O DA CORTINA DE ESTACAS PRANCHAS

4.1. PRINCÍ PIO DE FUNCIONAMENTO DO EXTENSÔ METRO

O extensômetro elé trico de resistê ncia é um elemento sensível que transforma


pequenas variaç ões de dimensões em variaç ões equivalentes de sua resistê ncia elé trica. Sua
utilizaç ã o constitui um meio de se medir e se registrar a deformaç ã o como sendo uma
grandeza elé trica.
O extensômetro elé trico é utilizado para medir deformaç ões em diferentes estruturas
tais como pontes, máquinas, locomotivas, navios e é associado a instrumentos especiais
(transdutores) que possibilitam a mediç ã o de pressã o, tensã o, forç a e outras grandezas que sã o
usados em campo.
As características do extensômetro elé trico de resistê ncia podem ser resumidas os
seguintes itens: alta pressã o de medida; baixo custo; excelente resposta dinâmica; excelente
linearidade; facilidade de instalaç ã o; podem ser utilizados imersos em água ou atmosfera de
gás corrosivo, desde que se faç a o tratamento adequado; possibilidade de se efetuar medidas à
distância e outros.
Devido a todas estas vantagens atualmente o extensômetro elé trico de resistê ncia é
indispensável a qualquer equipe que se dedique ao estudo experimental de mediç ões (Barreto
Jú nior, 1998).

4.1.1. Histórico

Em 1856 o professor da Royal Society of London, William Thomson (Lord Kelvin)


notou que a resistê ncia elé trica de um condutor aumentava, quando este era submetido a uma
forç a de traç ã o, e diminuía quando a forç a de traç ã o diminuía.
Esta descoberta só teve sua aplicaç ã o prática para a realizaç ã o de medidas, com as
experiê ncias levadas a efeito pelo norte-americano P. W. Bridgman em 1923.
Mas somente na dé cada de 1930 a 1940 que Roy Carlson realmente aplicou o
princípio, na construç ã o de extensômetros de fio livre, que sã o utilizados até hoje em
transdutores de pressã o, aceleraç ã o, torç ã o e outros, devido à sua excelente estabilidade.
Em 1937-39, Edward Simmons e Arthur Ruge trabalhando independentemente,
utilizaram pela primeira vez fios metálicos colados a superfície de um corpo de prova para

72
medida de deformaç ões. Esta experiê ncia deu origem aos extensômetros que sã o utilizados
atualmente.

4.1.2. Princí
pio de Funcionamento

A resistê ncia elé trica de um condutor de seç ã o uniforme é dada pela equaç ã o:

R = ρ.(L/A) (4.1)

Onde:
R = resistê ncia em Ohms;
L = comprimento do condutor;
A = seç ã o transversal do condutor;
ρ = resistividade do condutor, que é funç ã o da temperatura do condutor e das
solicitaç ões mecânicas à ele aplicadas.
Se submeter-se este condutor a uma solicitaç ã o mecânica (traç ã o ou compressã o) sua
resistê ncia irá variar, devido às variaç ões dimensionais da seç ã o e comprimento L, també m
pela propriedade fundamental dos materiais chamado piezo-resistividade, a qual depende da
resistividade do material, sob uma deformaç ã o mecânica.
A experiê ncia mostra que à deformaç ã o ε (∆L/L) corresponde a uma variaç ã o
unitária de resistê ncia ∆R/R que, dentro de certos limites, é sensivelmente proporcional à
deformaç ã o do fio.
Para obter-se a mudanç a de unidade na resistê ncia é tomado o logaritmo de ambos os
lados da Eq. 4.1.

log. R = log. ρ + log. L – log. A

e por diferenciaç ã o obté m-se:

∆R / R = ( ∆ρ / ρ ) + ( ∆L / L ) – ( ∆A / A) (4.2)

Sendo “A” a área da seç ã o transversal do fio e considerando-se o efeito dado pelo
coeficiente de Poisson tem-se:

73
∆A / A = - 2ν ( ∆L / L ) (4.3)

Substituindo-se na Eq. 4.2 temos:

∆R / R = ( ∆ρ / ρ ) + ( ∆L / L ) + 2ν ( ∆L / L )

ou seja:

∆R / R = ( 1 + 2ν ) ( ∆L / L ) + ( ∆ρ / ρ ) (4.4)

Como ∆L / L é a deformaç ã o ε , pode-se escrever a Eq. 4.4 da seguinte forma:

( ∆R / R ) / ε = ( 1 + 2ν ) + ( ∆ρ / ρ ) / ε (4.5)

De acordo com as experiê ncias de Bridgman, a mudanç a na resistividade ( ρ ), ocorre


na proporç ã o da variaç ã o do volume do material e levando-se isto em consideraç ã o tem-se:

∆ρ = mρ ( ∆V / V )

em outras palavras:

∆ρ / ρ = m ( ∆V / V ) (4.6)

como:

∆V / V = ( 1 – 2ν ) ( ∆L / L )

tem-se:

∆ρ / ρ = m ( 1 – 2ν )( ∆L / L) (4.7)

Substituindo-se a Eq. 4.7 na Eq. 4.5 obté m-se:

74
( ∆R / R ) / ε = ( 1 + 2ν ) + m ( 1 – 2ν )

que é igual a:

( ∆R / R ) / ε = ( 1 + m ) + 2ν ( 1 – m ) (4.8)

onde “m” é uma constante do material do condutor determinada experimentalmente.


A maior parte dos materiais resistivos utilizados na confecç ã o dos extensômetros
elé tricos, sã o ligas especiais, onde o valor de “m” é igual a 1.
Substituindo “m” por 1 na Eq. 4.8, tem-se:

( ∆R / R ) / ε = 2 (4.9)

O valor definido na Eq. 4.9 pode ser mudada para:

∆R / R = K . ε (4.10)

Pela Eq. 4.10, deduz-se que se o fator K ( fator do extensômetro ) for conhecido,
medindo-se a variaç ã o relativa de resistê ncia ( ∆R / R ), obter-se-áa medida de deformaç ã o
ε ( ∆L / L ).
Este é o princípio do extensômetro elé trico de resistê ncia.
O termo ( ∆ρ / ρ ) / ε pode també m ser expresso como:

π1 . E (4.11)

Onde:
π1 = Coeficiente piezo-resistivo longitudinal;
E = Módulo de elasticidade.

O valor de K para os extensômetros elé tricos de resistê ncia mais empregados, varia
entre 2,0 e 2,6 ; para a platina chega a valores entre 2,0 e 6,0 e para o níquel, o valor de K é
negativo (-12,0 ), o que vale dizer que quando submetemos a traç ã o um fio de Níquel, sua
resistê ncia elé trica diminui, ou seja, a contrário do que ocorre com outros metais.

75
Tabela 4.1 – Valores da sensibilidade à deformaç ã o de algumas ligas utilizadas na
confecç ã o dos extensômetros elé tricos (Barreto Jú nior, 1998).
SENSIBILIDADE À
METAL OU LIGA NOME COMERCIAL DEFORMAÇÃ O
Cobre – Níquel ( 44 Ni, 54 Cu, 1 Mn ) Advance + 2,1
Cobre – Níquel ( 40 Ni, 60 Cu ) Constantan + 2,1
Níquel – Cromo ( 80 Ni, 20 Cr ) Nicromo V + 2,2
Níquel – Cromo (75 Ni, 20 Cr + Fe + Al) Karma + 2,1
Níquel ( 100 Ni ) Níquel - 12,0
Aç o – Cromo – Molibidê nio Isoelastic + 3,5

É interessante observar que a resistê ncia “R”, do elemento resistivo utilizado na


confecç ã o do extensômetro elé trico, deve ser elevada para poder-se ter condiç ões de medir
variaç ões de resistê ncias “∆R”.
Por volta de 1960, extensômetros baseados em materiais semicondutores ao invé s de
materiais metálicos, se tornaram comercialmente viáveis. Poré m esses tipos de extensômetros
sã o mais caros, e necessitam de uma té cnica mais cuidadosa, do que a aplicada aos
extensômetros metálicos, tendo-se como vantagem um alto fator de sensibilidade à
deformaç ã o.

4.2. TIPOS DE EXTENSÔ METROS ELÉ TRICOS DE RESISTÊ NCIA

Existem disponíveis no mercado, diversos tipos de extensômetros elé tricos, que


podem ser classificados de acordo com:

i) Os materiais utilizados como elemento resistivo do extensômetro:


Extensômetro de fio;
Extensômetro de lâmina;
Extensômetro semicondutor;
Extensômetro semicondutor por difusã o.
ii) Os materiais utilizados como base do extensômetro:
Extensômetro com base de papel;

76
Extensômetro com base de baquelite;
Extensômetro com base de poliester;
Extensômetro com base de poliamida;
Extensômetro com base epóxica;
Outros.

iii) A configuraç ã o da grade do extensômetro:


Extensômetro axial ú nico;
Extensômetro axial mú ltiplo (roseta de extensômetro);
Extensômetro com modelos especiais.

4.2.1. Extensômetro de Fio

O extensômetro de fio é constituído de fio resistivo, colocado em um suporte, o qual


serve para transmitir as deformaç ões da peç a em estudo, para o fio, que constitui o elemento
sensível, e també m deve isolar eletricamente esse fio.
Inicialmente os extensômetros de fio eram constituídos de fios enrolados em uma
bobina achatada, isto devido à falta de uniformidade dos fios com diâmetros menores que
0,025 mm, e necessários para se obterem extensômetros com alta resistê ncia elé trica e
comprimento menor que 6 mm.
À medida que se melhorou a tecnologia de fabricaç ã o de fios muito finos, foi
possível fabricar extensômetros de pequenos tamanhos, com o fio disposto em forma de “zig-
zag” em um plano.
Atualmente o extensômetro de fio é muito pouco utilizado em comparaç ã o com o
extensômetro de lâmina.

4.2.2. Extensômetro de Lâmina

Estes extensômetros, em princípio, sã o idê nticos aos de fio. A diferenç a básica está
no processo de fabricaç ã o, em que se usa uma finíssima lâmina de uma liga resistiva, da
ordem de 3 a 10 µm, recortada por processo de máscara fotosensitiva corroída com ácido
(idê ntico ao processo de fabricaç ã o de circuito impresso).

77
O primeiro extensômetro de lâmina foi produzido na Inglaterra em 1952 por
Saunders e Roe. Atualmente se fabricam extensômetros para as mais variadas finalidades, e
com os mais diversos tipos de grades.
As vantagens deste tipo de extensômetros em relaç ã o aos de fios, alé m da
versatilidade de fabricaç ã o, é que possuem uma área maior de colagem, e, em conseqüê ncia
disto, diminuem a tensã o no adesivo, obtendo-se assim deformaç ã o lenta e histerese bem
menores. Outra vantagem é o da dissipaç ã o té rmica, bem melhor que nos de fio,
possibilitando desta maneira circuitos mais sensíveis, uma vez que o nível de excitaç ã o do
extensômetro depende da dissipaç ã o té rmica do mesmo.
Estas lâminas sã o montadas em suporte de epóxi, resina fenólica, poliamida e outros,
com espessura da ordem de 30 a 50 µm, tornando-se bastante flexíveis e permitindo assim
uma colagem perfeita nas diversas superfícies (Barreto Jú nior, 1998).

4.2.3. Extensômetro Semicondutor

O extensômetro semicondutor consiste basicamente de um pequeno e finíssimo


filamento de cristal de silício que é geralmente montado em suporte epóxico ou fenólico.
As características principais dos extensômetros elé tricos de semicondutores sã o a sua
grande capacidade de variaç ã o de resistê ncia em funç ã o da deformaç ã o e seu alto valor do
fator de extensômetro, que é de aproximadamente 150, podendo ser positivo ou negativo.
Para os extensômetros metálicos a maior variaç ã o de resistê ncia é devida as
variaç ões dimensionais, enquanto que nos de semicondutores é mais atribuído ao efeito piezo-
resistivo.
Para um extensômetro ideal, o fator de extensômetro deveria ser uma constante, e de
maneira geral os extensômetros metálicos possuem o fator de extensômetro que podem ser
considerados como tal.
Nos extensômetros semicondutores, entretanto, o fator do extensômetro varia com a
deformaç ã o, numa relaç ã o nã o linear. Isto dificulta quando da interpretaç ã o das leituras
desses dispositivos, no entanto é possível se obter circuitos eletrônicos que linearizam esses
efeitos.
Atualmente, os extensômetros semicondutores sã o bastante aplicados quando se
deseja uma saída em nível mais alto, como em cé lulas de cargas, acelerômetros e outros
transdutores.

78
4.2.4. Material de Base

Inicialmente a base do extensômetro era feita de papel, sendo que até hoje alguns
fabricantes manté m em sua linha de produç ã o esse tipo de extensômetro. Com o
desenvolvimento da tecnologia de materiais, os extensômetros atualmente sã o produzidos
com várias tipos de materiais de base que sã o a poliamida, epóxi, fibra de vidro reforç ada com
resina fenólica, baquelita, poliester.
Cada tipo de material utilizado como base, em combinaç ões com o material utilizado
na fabricaç ã o da lâmina, faz com que o extensômetro tenha uma aplicaç ã o específica para a
mediç ã o dinâmica, mediç ã o estática, ou para utilizaç ã o em alta temperatura e outras.
Os fabricantes tê m à disposiç ã o grandes variedade de tamanhos e modelos de
extensômetros, permitindo assim a escolha correta para cada caso específico.

4.2.5. Configuração do Extensômetro

Extensômetro axial ú nico:

Utilizado quando se conhece a direç ã o da deformaç ã o, que é em um ú nico sentido.

Figura 4.1. Extensômetro axial ú nico (Barreto Jú nior, 1998)

Extensômetro biaxial:

- Roseta de 2 direç ões: Sã o dois extensômetros sobre uma mesma base, sensível a
duas direç ões. É utilizada para se medir as deformaç ões principais quando se
conhecem as direç ões.

79
Figura 4.2. Extensômetro biaxial (Barreto Jú nior, 1998)

- Roseta de 3 direç ões: Sã o trê s extensômetros sobre uma mesma base, sensível a
trê s direç ões. É utilizada quando as direç ões principais de deformaç ões nã o sã o
conhecidas.

Figura 4.3. Extensômetro triaxial (Barreto Jú nior, 1998)

Extensômetros com modelos especiais:

Extensômetros tipo diafragma: Sã o 4 extensômetros sobre uma mesma base,


sensíveis a deformaç ões em 2 posiç ões diferentes. É utilizado para transdutores de pressã o.

Figura 4.4. Extensômetro tipo diafragma (Barreto Jú nior, 1998)

80
Extensômetros para medida de tensã o residual: Sã o 3 extensômetros sobre uma
mesma base devidamente posicionados para utilizaç ã o em mé todo de medida de tensã o
residual.

Figura 4.5. Extensômetro para medida de tensã o residual (Barreto Jú nior, 1998)

Extensômetros para tradutores de carga: Sã o 2 extensômetros dispostos lado a lado,


sobre uma mesma base, para utilizaç ã o em cé lula de cargas.

Figura 4.6. Extensômetro axial duplo (Barreto Jú nior, 1998)

4.3. A ESCOLHA CORRETA DO EXTENSÔ METRO ELÉ TRICO DE RESISTÊ NCIA

A escolha correta do extensômetro deve obedecer basicamente a trê s fatores:


a) Dimensã o do extensômetro;
b) Geometria da grade;
c) Tipo do extensômetro.

81
4.3.1. Dimensão do Extensômetro

A dimensã o do extensômetro refere-se ao comprimento da grade, que é a parte


sensível, conforme é mostrado na Figura 4.7.

Dimensã o do
Extensômetro

Figura 4.7. Dimensã o do extensômetro (Barreto Jú nior, 1998)

4.3.2. Geometria da Grade

A grade do extensômetro (elemento resistivo) deve ser posicionada de tal modo que a
direç ã o da deformaç ã o principal coincida com a direç ã o da grade.
Para o caso de mediç ã o de deformaç ões em uma só direç ã o, utiliza-se o
extensômetro simples. Quando sã o conhecidas duas direç ões principais, utiliza-se um par de
extensômetros denominados de roseta de dois elementos.
Quando as direç ões principais de deformaç ões nã o sã o conhecidas utiliza-se a roseta
com trê s extensômetros que aplicados, a um ponto, permite que se determine as amplitudes de
deformaç ões principais e a direç ã o em que elas ocorrem.
Para transdutores existem extensômetros especiais com modelos de grade que ficam
posicionadas na direç ã o da deformaç ã o principal.

4.3.3. Tipo do Extensômetro

A escolha do tipo de extensômetro refere-se a sua aplicaç ã o, por exemplo:


• Medidas de deformaç ões estáticas;

82
• Medidas de deformaç ões dinâmicas;
• Temperatura de operaç ã o;
• Limite de deformaç ã o;
• Capacidade de corrente de excitaç ã o;
• Auto compensaç ã o de temperatura.

4.3.3.1. Medidas de Deformações Estáticas

Requer do extensômetro grande performance, sendo que a escolha é associada aos


acessórios tais como a cola, materiais de impermeabilizaç ã o e fios de conexões, e deve ser
feita para cada caso de aplicaç ã o, levando em consideraç ã o as limitaç ões de toda instalaç ã o.
Um extensômetro para ser utilizado em medidas estáticas deve satisfazer as
condiç ões tais como a grande sensibilidade longitudinal, a mínima sensibilidade transversal, a
baixa sensibilidade a temperatura onde grandes variaç ões de temperatura ocorrem e máxima
estabilidade elé trica e dimensional.

4.3.3.2. Medidas de Deformações Dinâmicas

O extensômetro deve ter grande sensibilidade longitudinal e confeccionado com


materiais resistentes à fadiga.

4.3.3.3. Temperatura de Operação

Deve ser observada a temperatura de trabalho. Existem extensômetros para as mais


variadas faixas de trabalho e o limite de temperatura de operaç ã o de um extensômetro
depende dos componentes que entram na sua composiç ã o.

4.3.3.4. Limite de Deformação

Existem na prática extensômetros para alongamento de até 10%, mas os mais


comuns sã o para 2% de deformaç ã o. Esta propriedade depende da liga do filamento e dos
materiais da base e sua colagem e, ainda, da própria fixaç ã o do extensômetro.

83
4.3.3.5. Capacidade da Corrente de Excitação

A corrente suportada pelo extensômetro é de grande importância na sensibilidade do


sistema de medida, uma vez que a tensã o de saída do aparelho em que estáo extensômetro
ligado é diretamente proporcional à corrente de excitaç ã o. Deve ser levado em consideraç ã o a
dissipaç ã o do calor gerado pelo efeito Joule na resistê ncia o que interfere na estabilidade e
implica em erro de leitura.
A corrente que deve ser imposta ao circuito dependente do extensômetro, ou seja, do
trabalho da grade, do tipo de base e do material a que estácolado; os valores práticos, para
uma orientaç ã o, sã o as seguintes:
- Para os extensômetros de base de papel, a corrente suportada é de até 25 mA;
- Para os extensômetros de base de baquelite colado em metal, a corrente pode
atingir 50 mA;
- Para os extensômetros aplicados em materiais de baixo coeficiente de conduç ã o
té rmica, tais como: plásticos, gesso, concreto e outros, é aconselhável nã o
ultrapassar 6 mA de excitaç ã o.
Os instrumentos normais para uso em extensometria, funcionam com correntes
inferiores a 5 mA.

4.3.3.6. Auto Compensação de Temperatura

Quando utilizamos extensômetros com coeficiente té rmico linear diferente do


coeficiente té rmico do material onde o extensômetro estáaplicado, ao variar a temperatura, o
extensômetro estará sujeito a uma deformaç ã o aparente que é proveniente unicamente da
variaç ã o da temperatura.
Os extensômetros auto compensados com a temperatura sã o obtidos combinados
perfeitamente o coeficiente de dilataç ã o té rmica da liga da grade com o material em que está
aplicado o extensômetro, evidentemente, para um dado intervalo de temperatura.

4.4. TÉ CNICAS PARA APLICAÇ Ã O DOS EXTENSÔ METROS

Após a escolha do tipo adequado do extensômetro a ser utilizado, é de grande


importância a sua aplicaç ã o, bem como a sua instalaç ã o. Para se obter resultados fieis da

84
medida de deformaç ã o, é indispensável que se proceda a uma boa colagem com té cnicas e
materiais desenvolvidos ao longo do tempo com pesquisas, e hoje amplamente difundidas.
A deformaç ã o aplicada ao extensômetro deve ser tanto quanto possível a mesma que
a da peç a a ser examinada e sem que sofra influê ncia de temperatura, umidade e qualquer
outro fator; mas isto é quase impossível, portanto, devem ser adotadas algumas té cnicas que
minimizem ou eliminem os efeitos indesejáveis.
A boa colagem depende do adesivo e dos cuidados no seu manuseio, ou seja, é de
regra geral uma boa limpeza de maneira a evitar a contaminaç ã o do local de colagem e do
próprio extensômetro com óleos, graxas, poeiras e outros agentes prejudiciais à boa colagem.
A té cnica descrita neste trabalho é utilizada para a maioria dos casos, mas pode ser
modificada para um uso específico, considerando entretanto a essê ncia desta regra que é fator
primordial para uma boa colagem (Barreto Jú nior, 1998).

4.4.1. Preparo da Superfí


cie

Inicialmente deve-se locar o ponto que se deseja medir as deformaç ã o. Feito isso,
proceder a uma perfeita limpeza dos óxidos, saliê ncias, de maneira a deixar a superfície em
condiç ões visíveis de ausê ncia de maté ria estranha. Esta operaç ã o deve ser feita com o auxílio
de ferramentas e materiais, tais como: limas finas e bastardas, esmeril ou lixas.
Em seguida a esta primeira limpeza, utiliza-se um solvente para eliminar todo
resíduo oleoso que possa existir na superfície onde serácolado o extensômetro. Os solventes
mais utilizados sã o: “Clorante NU”, “Freon TF” e o Á lcool Isopropílico. Qualquer outro
solvente como tricloretileno, tolueno, acetona e benzina, poderáser utilizado desde que nã o
venha a reagir com o material que estásendo limpo.
A operaç ã o final para conseguir a superfície ideal é feita com lixa para metais de
nú meros # 220 a # 400, com movimentos de maneira a se obter os riscos de grã os da lixa
desordenadamente para maior aderê ncia do adesivo, sendo que de maneira alguma a
superfície deve resultar polida.
Para materiais porosos e mal acabados como o caso de concreto deve ser feita uma
regularizaç ã o das superfícies com massa epóxica a fim de se obter uma superfície adequada
para a aplicaç ã o do extensômetro.
Obtendo uma superfície como desejada, deve-se proceder à localizaç ã o do
extensômetro, esta operaç ã o é feita com o auxílio de ferramentas para traç ados como ré guas,
transferidores, riscadores, graminho, etc. É importante na marcaç ã o dos traç os nos locais de

85
fixaç ã o dos extensômetros, o uso de riscos de riscador bem leves, e nunca o uso de lápis, pois
o grafite é lubrificante e se deixados no local de colagem ocorreráformaç ã o de falhas.
Depois de marcada a posiç ã o na superfície de colagem, deve ser feita uma nova
limpeza com o solvente. Esta operaç ã o será feita com a gaze embebida em solvente,
friccionando por várias vezes em uma ú nica direç ã o. Deve-se refazer esta operaç ã o até obter
uma gaze limpa. Imediatamente após, é recomendada a utilizaç ã o do preparador de superfície
“Condicionador”, para a remoç ã o de pequenas oxidaç ões superficiais.
Com o preparador embebido na gaze, fricciona-se por várias vezes em uma ú nica
direç ã o. Em seguida é utilizado um “Neutralizador”, para neutralizar a aç ã o da soluç ã o ácida
do condicionador.
Logo após a limpeza em alguns materiais que se oxidam facilmente tais como o
zinco, alumínio, cobre e suas ligas, deve ser feita uma camada de pré -adesivo, que consiste de
uma camada finíssima do adesivo para a proteç ã o da superfície e facilitar a colagem
propriamente dita.

4.4.2. Colagem do Extensômetro

A escolha do adesivo e tã o importante quanto a escolha do extensômetro e deveráser


feita em funç ã o do tipo de mediç ã o que se pretende efetuar. Os tipos de adesivos existentes no
mercado sã o os adesivos de cianoaclilato, nitrocelulose, poliester, acrílico, epóxi, poliamida,
fenólico e cerâmico.
Os fabricantes de materiais para extensometria fornecem gratuitamente o folheto
com as características té cnicas dos adesivos e orientaç ã o para a escolha correta. Para obter
melhores resultados, devem ser utilizados, de preferê ncia, os adesivos comercializados pelos
fabricantes de materiais de extensometria.
Após a preparaç ã o da superfície do material onde serácolado o extensômetro, e já
tendo sido definido o adesivo e o extensômetro, a seqüê ncia de colagem para a maioria dos
casos é apresentada a seguir:
1 - Com o auxílio de pinç as, sem nunca tocar os dedos no extensômetro, prender o
mesmo em uma fita adesiva própria, e fixá-lo no local de colagem conforme mostra a
Figura. 4.8.

86
Figura 4.8. Posicionando o extensômetro (Barreto Jú nior, 1998).

2 - É importante observar que o extensômetro fique posicionado corretamente no


local marcado anteriormente. O extensômetro deve ser posicionado de tal modo que seja
possível movimenta-lo na fase de colocaç ã o do adesivo.
3 - O adesivo e o extensômetro requerem uma compressã o durante a cura a fim de
eliminar o excesso de adesivo e bolhas de ar que porventura possam ficar sob o extensômetro.
Os fabricantes de produtos para extensometria fornecem junto com a embalagem do adesivo,
um folheto com as características té cnicas do mesmo e o valor da pressã o a ser aplicada sobre
o extensômetro.
4 - Para a aplicaç ã o da pressã o sobre o extensômetro, deve ser colocado sobre o
mesmo, uma manta de teflon, em seguida uma almofada de silicone, depois uma pequena
barra ou tarugo de alumínio do tamanho da almofada de silicone, prender tudo com fita
adesiva e finalmente o dispositivo para aplicaç ã o da pressã o. Existem vários dispositivos
especialmente desenvolvidos para aplicaç ã o de pressã o. Outros dispositivos podem ser
improvisados dependendo do formato da peç a onde o extensômetro serácolado.
5 - Terminando o tempo de cura da colagem, retira-se todo o material para aplicaç ã o
da pressã o e procede-se à pós cura de acordo com instruç ã o do fabricante do adesivo. Após a
cura as tensões de colagem sã o eliminadas.

4.4.3. Fiação dos Extensômetros Elétricos

Após o extensômetro ter sido colado e a cola ter sido convenientemente curada, é
necessário um teste para verificaç ã o das condiç ões elé tricas do extensômetro, com o auxílio
de um ohmímetro com escala de até 500MΩ. Primeiramente efetua-se a medida do valor da
resistê ncia do extensômetro que deve ser a nominal fornecida pelo fabricante. Nesta operaç ã o

87
pode-se constatar bolhas de ar sob a grade do extensômetro, apalpando-o com uma borracha
macia, se houver uma variaç ã o de resistê ncia é sinal que o extensômetro nã o estábem colado,
devendo ser removido. A variaç ã o de resistê ncia só será percebida se o ohmímetro tiver
sensibilidade suficiente, caso contrário, deve utilizar o próprio instrumento de medida de
deformaç ã o.
Em seguida deve-se medir o isolamento entre o extensômetro e a peç a onde o mesmo
foi fixado, conectando uma ponta do ohmímetro em uma das pernas do extensômetro e a outra
ponta ligada a peç a. O valor de resistê ncia deve ser superior a 500 MΩ. Se este valor estiver
entre 100 e 500 MΩ, o extensômetro poderáser usado com alguma ressalva, se for inferior a
100 MΩ, o extensômetro deve ser substituído. Esta operaç ã o deve ser executada sem que haja
umidade, utilizando aparelhos com tensã o máxima de 20 Volts.
Feito o teste e constatado que a resistê ncia de isolaç ã o é superior a 500 MΩ, faz-se a
ligaç ã o entre os fios, que pode ser feita diretamente nos terminais do extensômetro ou por
intermé dio de pontes de ligaç ã o, que consiste em terminais colados na própria peç a. De um
lado liga-se o extensômetro e no outro os fios de conexã o.
A ligaç ã o de extensômetro ao “terminal de ligaç ã o” poderáser feita com fio de cobre
nu esmaltado, tipo “piresold”de fabricaç ã o pirelli ou similar, # 26 ou # 28 AWG. Esse tipo de
esmalte é facilmente removido pela aplicaç ã o do calor do ferro de solda, evitando-se assim a
necessidade de lixar a parte do fio a ser soldada, o que é uma tarefa difícil devido ao seu
pequeno diâmetro.
Dependendo da faixa de temperatura que o extensômetro irá trabalhar, deverá ser
escolhido fio com outro tipo de esmalte, como os a base de poliester ou poliamida, que podem
alcanç ar temperatura de até 220ºC, ou entã o utilizar fio de cobre nu com cobertura de isolaç ã o
de fibra de vidro ou teflon.
A soldagem dos fios no extensômetro, deverá ser feita com solda de estanho com
fluxo neutro, isto é , sem o uso de pastas comuns ou ácido para facilitar a soldagem. Poderáser
utilizada fio de solda de estanho para eletrônica com diâmetro de 0,7 ou 0,8 mm, e que possua
em sua composiç ã o maior quantidade de estanho do que de chumbo (no mínimo a relaç ã o de
60% por 40%).

88
Em seguida solda-se o fio de cobre nu estanhado # 26 ou # 28 AWG, no
extensômetro. Para evitar danos mecânicos à fiaç ã o, é recomendável nã o deixar o fio de
ligaç ã o do extensômetro esticado e se possível, fixá-lo com algum adesivo, em vários pontos
da peç a.

Figura 4.9. Soldagem do fio ao extensômetro (Barreto Jú nior, 1998).

4.4.4. Impermeabilização

Desta operaç ã o final é que depende a vida da instalaç ã o, para isto deve-se ter certeza
de que nã o haja baixa de isolaç ã o e esteja ausente de umidade, deve-se isolar todas as
emendas de maneira a evitar um curto circuito entre os terminais e entre estes e a peç a de
ensaio.
Háno mercado ampla variedade de tipos de impermeabilizantes especiais, tais como
o de cera filtrada de abelha, borrachas de silicone, fita de auto-fusã o, resina de poliester,
resina epóxi, massa asfáltica, etc.
A utilizaç ã o desses materiais tem a finalidade de evitar que a instalaç ã o sofra baixa
de isolaç ã o ou seja afetada por agentes em atmosfera contaminada tais como óleos, gases
corrosivos e outros. A aplicaç ã o desses materiais é feita sobre o extensômetro e suas ligaç ões,
podendo ser fundidas ou catalisadas ou ainda na sua forma natural.

89
5. MATERIAIS E MÉ TODOS

O Distrito Federal situa-se no Planalto Central, dentro de um quadrilátero de


5.814 km2. Limitado ao norte pelo paralelo de 15º30’S e ao sul pelo paralelo de 16º03’S, a
leste pelo Rio Preto e a Oeste pelo Rio Descoberto. A regiã o possui altitudes entre 750 e
1.300 m, tendo o seu ponto culminante a 1.344 m, no Morro do Rodeador, ao noroeste do
quadrilátero. Sua vegetaç ã o predominante é o cerrado, que cobre cerca de 90% da área e onde
sã o encontrados desde gramíneas a árvores de elevado porte (Araki, 1997).
A Figura 5.1 apresentada por Cunha & Mota (2000), mostra a localizaç ã o do Distrito
Federal em relaç ã o ao mapa do Brasil.

Figura 5.1. Mapa de localizaç ã o de Brasília (Cunha & Mota, 2000)

5.1. CARACTERÍ STICAS DOS SOLOS DO DISTRITO FEDERAL

Os solos de Brasília apresentam características geoté cnicas próprias. As camadas


superficiais sã o geralmente porosas, apresentando elevado índice de vazios e sofrem
deformaç ões bruscas quando saturadas e simultaneamente carregadas. També m podem

90
ocorrer deformaç ões bruscas sob condiç ões de carregamento elevado mesmo quando o solo
nã o estiver saturado (Blanco, 1995).
O clima da regiã o, com regime pluviomé trico bem definido, distingue uma estaç ã o
muito seca de outra chuvosa, favorecendo a lixiviaç ã o de sais e outros compostos solú veis das
camadas superiores e sua deposiç ã o nos estratos inferiores. Este processo resulta na formaç ã o
de espessas camadas de coberturas detrito-lateríticas silto-argilosas, avermelhadas, com alto
índice de vazios e consequentemente baixos pesos específicos, chamados pelos geoté cnicos
locais de “argilas porosas”. Estas argilas apresentam uma estrutura bastante porosa, baixa
resistê ncia à penetraç ã o (SPT<4) e sã o altamente instáveis quando submetidas a variaç ã o no
estado de tensões, apresentado em conseqüê ncia um comportamento contráctil (colapsível)
(Araki, 1997).
A argila porosa de Brasília é representativa do perfil de solo majoritário do Distrito
Federal, pois esta cobre cerca de 86% de sua área ú til recebe a maioria das fundaç ões
profundas locais. Trata-se pedologicamente de um latossolo vermelho escuro, e na regiã o
existem trê s unidades representativas de solo denominadas de solos hidromórficos,
cambissolos e latossolos (EMBRAPA, 1978), citado por Jardim (1998).
A variabilidade das características deste latossolo depende de vários fatores, como a
topografia, a cobertura vegetal e rocha-mã e. Em determinados pontos do Distrito Federal as
camadas superficiais do latossolo constituem-se de um solo saprolítico-residual com um
comportamento fortemente anisotrópico (Cunha & Camapum de Carvalho, 1997), e alta
resistê ncia a penetraç ã o (N-SPT). Estas camadas sã o originadas de ardósia alterada, possuindo
dobras e foliaç ões, sendo a ardósia uma rocha mã e típica da regiã o (Cunha & Mota, 2000).

5.2. GEOLOGIA

Segundo Blanco (1995) a geologia do Distrito Federal necessita ser mais bem
entendida, principalmente na sua estratigrafia e sua geologia estrutural, jáque extensas áreas
cobertas por solos dificultam o conhecimento geológico da área.
Háa predominância geológica, nesta área dos metamórfitos do Grupo Paranoásobre
as rochas da formaç ã o Canastra, que ocorrem por falhas de empurã o. Os litótipos do grupo
Paranoá pertencem à faixa de dobramentos Uruaç u. Formam um conjunto de unidades
estratigráficas de evoluç ã o policíclica, assentados sobre rochas Arqueanas. Estas faixas sã o
compostas por metassendimentos do Proterozóico Mé dio a Superior, dobradas e

91
metamorfizados nos ciclos tectônicos Uruaç uano e Brasiliano (Novaes Pinto, 1993), citado
por Jardim (1998).

5.3. GEOMORFOLOGIA

A geomorfologia do Planalto Central possui feiç ões próprias, devido às suas


características geológicas e antrópicas. As chapadas apresentam predominantemente relevo
residual e de aplainamento, com topografia plana e levemente ondulada ou em lombadas
(Blanco, 1995).
Os latossolos explicam a evoluç ã o geomorfológica da regiã o, porque esses solos
estã o mineralogicamente relacionados à rocha mã e. Possivelmente tê m sua origem
relacionada a processos de intemperismo químico, corrosã o e lixiviaç ã o intensa
(Jardim, 1998).

5.4. DESCRIÇ Ã O DA OBRA

Neste trabalho apresenta-se a soluç ã o do dimensionamento de uma estrutura de


contenç ã o em cortina com a utilizaç ã o da mecânica dos solos nã o saturados. A cortina, para
contenç ã o de uma escavaç ã o com 4,0 m de altura, foi dimensionada levando-se em conta a
contribuiç ã o da sucç ã o matricial na estabilidade do maciç o. Incluí-se de forma explicita a
influê ncia da sucç ã o matricial na formulaç ã o analítica de equilíbrio limite utilizada, fazendo-
se uso da envoltória de resistê ncia ao cisalhamento estendida conforme proposta por Fredlund
et. al., (1978).
O nível d’água nã o foi detectado até uma profundidade de 30,0 m abaixo do nível do
terreno no local da obra, estando portanto o maciç o de solo na condiç ã o nã o saturada. A
cidade de Brasília caracteriza-se por um período de estiagem bem definido entre os meses de
abril e outubro. O período de chuvas intensas, totalizando uma precipitaç ã o anual
ligeiramente superior a 1.500 mm, ocorre entre novembro e març o. A escavaç ã o e cortina de
contenç ã o foram executadas no mê s de julho.
A obra de contenç ã o onde foi desenvolvida a pesquisa, tem como finalidade arrimar
um corte na vertical, com uma altura de 4,0 m e uma extensã o de 40,0 m, onde foi construído
um subsolo para ser utilizado como garagem.
A cortina de contenç ã o formada por estacas justapostas foi dividida em trê s trechos
distintos, onde variou-se a distância entre as estacas e o fator de seguranç a, procurando formar

92
trê s condiç ões de carregamentos diferentes, visando-se extrair de uma ú nica obra trê s
situaç ões distintas, conforme ilustrado na Figura 5.2a. Para cada trecho foi instrumentada uma
estaca, e cada estaca tinha cinco níveis de instrumentaç ã o (Figura 5.2b).

Feira dos Importados


(Terrapleno)

Trecho 03 Trecho 02 Trecho 01

Estaca Estaca Estaca (a)


Instrumenta Instrumenta Instrumenta
Profundidades: Profundidades: Profundidades:
a = 3,5 m a = 4,0 m a = 4,0 m
b = 4,5 m b = 5,0 m b = 5,0 m
c = 5,5 m c = 6,0 m c = 6,5 m
d = 6,0 m d = 6,5 m d = 7,0 m
e = 6,5 m e = 7,0 m e = 7,5 m

a
b
c d e Posiç ã o dos Extensômetros

Nível de Escavaç ã o

(b)

Figura 5.2. Detalhe da cortina de contenç ã o: (a) planta e (b) perfil.

93
5.5. CARACTERIZAÇ Ã O DO SOLO

Neste Item encontra-se a descriç ã o dos ensaios realizados para a obtenç ã o da curva
característica do solo e a determinaç ã o do perfil de umidade, fatores estes relevantes na
estabilidade da cortina. O nível da água nã o foi detectado até uma profundidade de 30,0 m,
abaixo do nível do terreno no local da obra, estando, portanto, o maciç o de solo na condiç ã o
nã o saturada.

5.5.1. Perfil de Umidade do Solo

A fim de se obter um valor de umidade para consideraç ã o da sucç ã o, se fez


necessário conhecer a variaç ã o da umidade do solo ao longo da profundidade. Para determinar
este perfil de umidade colheram-se amostras de um furo escavado com um trado manual, as
amostras do material foram coletadas a cada 0,5 m, ao longo do furo na direç ã o vertical. Em
seguida foram embaladas em sacos plásticos para minimizar a perda de umidade, e levadas ao
Laboratório de Mecânica dos Solos da Universidade de Brasília para determinaç ã o do teor de
umidade, mostrado na Figura 5.3.

PERFIL DE UMIDADE

Umidade (%)
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
0
1
2
Profundidade (m)

3
4
5
6
7
8
9
10

Figura 5.3. Perfil de umidade do solo no mê s de julho de 2001 (SáQuirino, 2003)

94
5.5.2. Determinação da Curva Caracterí
stica

A curva característica define a relaç ã o entre a capacidade de retenç ã o de água nos


vazios e a sucç ã o matricial. A seguir apresentam-se os principais equipamentos e té cnica
utilizados para mediç ã o da sucç ã o mátrica.
Os ensaios utilizados na obtenç ã o da curva característica de retenç ã o de umidade
utilizam dispositivos que permitem impor uma certa sucç ã o a uma amostra de solo e
determinam-se a umidade correspondente ao equilíbrio sob essa sucç ã o. Exemplos dos
dispositivos utilizados para obtenç ã o dessa relaç ã o sucç ã o – umidade sã o a placa de sucç ã o, a
câmara de pressã o e o papel–filtro.
O dispositivo utilizado nesta pesquisa foi a câmara de pressã o ou panela de Richards.
A medida de sucç ã o em câmara de pressã o baseia-se no estabelecimento de uma diferenç a de
pressã o num dreno tipo membrana de celulose ou placa cerâmica, mediante a aplicaç ã o de
uma pressã o na câmara, enquanto a parte inferior é mantida sob pressã o atmosfé rica.
Para a determinaç ã o da curva, foram moldados cinco corpos de prova, os quais foram
submetidos a estágios sucessivos de sucç ã o, na trajetória de secagem. Com o auxílio de uma
balanç a com alta precisã o, foi determinada a massa inicial dos moldes e, ao té rmino de cada
estágio, a quantidade de água expulsa do corpo de prova. Com este ensaio obteve-se a curva
característica do solo atravé s da relaç ã o entre a umidade das amostras e a sucç ã o matricial,
conforme ilustrado na Figura 5.4.

CURVA CARACTERÍSTICA

50
45
40 Molde 1
Umidade (%)

Molde 2
35
Molde 3
30
Molde 4
25 Molde 5
20 Mé dia

15
10
0 50 100 150 200
Sucção matricial (kPa)

Figura 5.4. Curva característica – prof. 4,0 m (SáQuirino, 2003)

95
A Tabela 5.1 ilustra a variaç ã o dos parâmetros do solo do campo experimental da
Universidade de Brasília, obtidos atravé s de ensaios laboratoriais. Esses valores podem ser
estendidos para outras localidades, tendo em vista que o Distrito Federal estácoberto por uma
camada de argila porosa igual a existente no campo experimental.

Tabela 5.1. Parâmetros geoté cnicos da argila porosa de Brasília (Cunha et. al., 1999)

Parâmetros Unidade Variaç ã o dos valores


Porcentagem de areia % 12-27
Porcentagem de silte % 8-36
Porcentagem de argila % 80-37
Peso específico seco kN/m3 10-17
Peso específico natural kN/m3 17-19
Teor de umidade % 20-34
Grau de saturaç ã o % 50-86
Volume de vazios -- 1.0-2.0
Limite de liquidez % 25-78
Limite de plasticidade % 20-34
Í
ndice de plasticidade % 5-44
Coesã o kPa 10-34
Ângulo de atrito graus 26-34
Módulo de Young MPa 1-8
Coeficiente de colapso % 0-12
Coeficiente de empuxo no repouso -- 0.44-0.54
Coeficiente de permeabilidade cm/s 10-6-10-3
Coeficiente de adensamento m2/s 10-8-10-5

96
5.6. DIMENSIONAMENTO DA CORTINA

Uma cortina em balanç o resiste ao empuxo devido ao seu engastamento no solo e,


portanto, é necessário existir uma ficha mínima para se obter o equilíbrio da cortina. A ficha é
definida como sendo o comprimento mínimo de embutimento da cortina no solo abaixo do
nível da escavaç ã o, que garante o equilíbrio com uma margem de seguranç a adequada.
A cortina de estacas pranchas em balanç o foi dimensionada utilizando-se o mé todo
da extremidade livre (Bowles, 1968) combinando-se as formulaç ões disponíveis para um solo
com coesã o e ângulo de atrito, considerando-se a sucç ã o matricial constante com a
profundidade, conforme descrito no Item 3.2 do Capítulo 3.
Uma rotina de cálculo dos esforç os atuantes na cortina foi desenvolvida, por Pereira
2000 e aqui ampliada, visando agilizar o cálculo. As figuras a seguir mostram as tabelas
utilizadas para cálculos de cortinas em balanç o e ancoradas, com e sem trincas no terrapleno.

q
Cortina em Balanço
2
Sobrecarga = kN/m Altura equi. = m
C= kPa S pa= kN/m
2

φ=
o
E Ea1 = kN/m
H= m M a= m H
γ=
3
kN/m Ea2 = kN/m
FS ficha = Ra = kN/m Ra
FS Kpassivo = T y barra = m ybarra
Y= m R p' p = kN/m
2

Equação Y = I pp= kN/m


2
a
Ka = N p'' p = kN/m
2

P' p D
Kp = C z= m
Y
K` = A Σ Fh = 0 Ok!
Coeficiente C = Σ M base = 0 Ok! z
Ficha = m Ficha final = m
Pp P'' p
Figura 5.3 – Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o sem trinca de traç ão.
Figura 5.5. Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o sem trincas de traç ã o

Para o dimensionamento de uma cortina em balanç o sem trincas, usa-se a planilha


eletrônica ilustrada na Figura 5.5 sendo que os dados de entrada devem ser inseridos nas
cé lulas destacadas, as quais estã o especificadas abaixo:
q = sobrecarga que atua no terrapleno;
c = coesã o total do solo, levando-se em conta a sucç ã o matricial;
φ = ângulo de atrito do solo;
γ = peso específico do solo;
FSficha = fator de seguranç a aplicado à ficha;

97
FSpassivo = fator de seguranç a aplicado ao coeficiente de empuxo passivo;
Y = distância entre o pé da estaca e o ponto onde a pressã o horizontal é nula. Na
planilha este valor deve ser determinado por tentativas, até a cé lula amarela que conté m a
Eq. 3.16 do Item 3.2 igualar-se a zero.
O restante das variáveis sã o encontradas automaticamente. Abaixo encontra-se o
significado de cada uma e como sã o determinadas:
Ka = coeficiente de empuxo ativo;
Kp = coeficiente de empuxo passivo;
K’ = diferenç a entre o coeficiente de empuxo passivo e ativo;
Coeficiente C = é o valor de K’ multiplicado pelo peso específico;
Ficha = valor de embutimento abaixo do nível de escavaç ã o;
Altura equivalente = transforma o valor da sobrecarga em altura equivalente de solo,
dividindo a sobrecarga atuante no terrapleno pelo específico do solo;
pa = pressã o ativa no nível da escavaç ã o, dada pela Eq. 3.1 do Item 3.1;
Ea1 = resultante do empuxo ativo acima do nível da escavaç ã o, dada pela Eq. 3.7 do
Item 3.2;
a = distância entre o nível de escavaç ã o e o ponto onde a tensã o horizontal é nula.
Esse valor é determinado dividindo pa pelo coeficiente C;
Ea2 = resultante do empuxo ativo abaixo do nível da escavaç ã o, dada pela Eq. 3.8 do
Item 3.2;
Ra = resultante do empuxo ativo, é obtido somando Ea1 com Ea2;
y = localizaç ã o do ponto de aplicaç ã o da resultante ativa, calculado pela Eq. 3.11 do
Item 3.2;
pp = p’ p = p’’ p = pressões passivas, calculadas pelas equaç ões 3.4, 3.5 e 3.6 do Item
3.2, respectivamente;
z = valor encontrado fazendo o somatório das forç as horizontais igual a zero,
conforme Eq. 3.13;
Após atender as condiç ões do somatório das forç as horizontais e do momento na
base ser igual a zero, obtê m-se o comprimento final da ficha. De posse do comprimento total
da estaca e das forç as atuantes, calcula-se os valores dos momentos e determina-se a armaç ã o
da estaca.

98
Cortina em Balanço
2
Sobrecarga = kN/m ht = m ht
C= kPa C X= m
φ= o
O Hf = m
H= m M Altura equi. = m
3
γ= kN/m p a= kN/m
2 H Hf
FS ficha = Ea1 = kN/m
FS Kpassivo = T a= m Ra
Y= m R Ea2 = kN/m ybarra
Equação Y = I Ra = kN/m
Ka = N y barra = m a
Kp = C p' p = kN/m
2

K` = A p p= 2 P' p D
kN/m
Coeficiente C = p'' p = 2 Y
kN/m
I -2C'raizKa I z= m z
I γ,heq,Ka I Σ Fh = 0 Ok!
Ficha = m Σ M base = 0 Ok!
Pp P'' p
Ficha final = m

Figura 5.2 – Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o com trinca de traç ão.
Figura 5.6. Planilha para cálculo de esforç os de cortina em balanç o com trincas de traç ã o.

Para o dimensionamento de uma cortina em balanç o com trinca, usa-se a planilha


eletrônica ilustrada na Figura 5.6 sendo que os dados de entrada devem ser inseridos nas
cé lulas destacadas que foram especificadas anteriormente, variáveis novas relacionadas às
trincas de traç ã o sã o descritas a seguir.
A Figura 5.7 ilustra o efeito das trincas de traç ã o no maciç o do solo e,
consequentemente na distribuiç ã o do diagrama do empuxo de terra.

− 2c K a γ.heq.Ka

ht
Diagrama de empuxo sob x
efeito da sobrecarga.
ht
H Diagrama de empuxo normal.

Hf Diagrama de empuxo sob


efeito da trinca de traç ã o.
(b)

(a)

Figura 5.7. Detalhe dos diagramas de empuxos: (a) efeito das trincas de traç ã o e da
sobrecarga no diagrama de empuxo de terra, e (b) detalhe da trinca de traç ã o.

99
Devido a ocorrê ncia de trincas de traç ã o no maciç o de solo, o ponto onde começ a a
atuaç ã o das pressões na cortina é mais profundo e o valor do deslocamento do diagrama de
empuxo é dado por − 2c K a , conforme ilustra a Figura 5.7a. O aumento da sucç ã o matricial

provoca um maior deslocamento do diagrama de empuxo para a esquerda, diminuindo-se


assim os esforç os atuantes na contenç ã o.
Diferentemente do que acontece com as trincas de traç ã o, com o aumento da
sobrecarga o deslocamento do diagrama do empuxo se dá para a direita, aumentando-se os
esforç os atuantes da contenç ã o, o valor desse deslocamento é dado por γ.heq.Ka.
Para a determinaç ã o da altura final considerada para efeitos de cálculo do empuxo,
Hf, sã o definidas duas condiç ões:

se  − 2c K a  ≤ γ.heq.Ka, usar Hf = H (5.1)

se  − 2c K a  > γ.heq.Ka, usar Hf = H – x (5.2)

onde:
ht = altura da trinca de traç ã o no maciç o do solo, que é determinada pela expressã o
2c
ht = ;
γ Ka
x = variável que representa o ponto inicial onde começ am a atuar os esforç os na
contenç ã o, ou seja, caso a contribuiç ã o da trinca de traç ã o seja igual a da sobrecarga, o valor
de x é nulo. Essa variável pode ser visualizada na Figura 5.7b;
Hf = altura final considerada no cálculo do empuxo de terra que atua na contenç ã o, e
esse valor é determinado pelas duas condiç ões citadas nas equaç ões 5.1 e 5.2.

Cortina Ancorada
2
Sobrecarga = kN/m Altura equi. = m
C= kPa S pa= f
kN/m 2 Par
φ= o
E Ea1 = kN/m
H= m M a= m
H
γ= kN/m 3
Ea2 = kN/m
f= m T Ra = kN/m ybf Ra
FS ficha = R y`1 = m
FS Kpassivo = I ybf = m y' 1
X= m N Rp = kN/m
Manc. = kNm/m C Fanc. = kN/m a
Ka = A Mmax = kNm/m D
Kp = Ficha = m X
K` = Ficha final = m Rp

Figura 5.5 - Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada sem trinca de traç ão.
Figura 5.8. Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada sem trinas de traç ã o.

100
Para o dimensionamento de uma cortina ancorada sem trincas, usa-se a planilha
eletrônica ilustrada na Figura 5.8. Os dados de entrada devem ser inseridos nas cé lulas
destacadas que foram especificadas anteriormente. Neste caso, o somatório dos momentos é
feito em relaç ã o ao ponto de ancoragem, de forma que haja o equilíbrio de momentos, ou seja,

y ' R p = yR a .

As novas variáveis estã o descritas abaixo:


f = distância entre o topo da contenç ã o e o ponto de ancoragem;
X = distância entre o pé da estaca e o ponto onde a pressã o horizontal é nula. Na
planilha este valor deve ser determinado por tentativas, até a cé lula amarela que conté m a
Eq. 3.22 do Item 3.3 igualar-se a zero;
y'1 = distância entre o ponto onde a pressã o horizontal é nula e o ponto de aplicaç ã o
da resultante do empuxo ativo;
ybf = distância entre o ponto onde a pressã o horizontal é nula e o ponto de
ancoragem;
Rp = resultante da pressã o passiva, encontrada atravé s da Eq. 3.19 do Item 3.3;
Fanc. = forç a de ancoragem, é determinada atravé s do equilíbrio das forç as
horizontais, dada pela Eq. 3.24 do Item 3.3.

Cortina Ancorada
2
Sobrecarga = kN/m ht = m
C= kPa C Y= m
φ= ht
o
O Hf = f
H= m 3
M Altura equi. = m Par
γ= kN/m p a= kN/m
2

f= m T Ea1 = kN/m H
Hf
FS ficha = R a= m Ra
FS Kpassivo = I Ea2 = kN/m
ybf
X= m N Ra = kN/m y' 1
Manc. = kNm/m C y`1 = m
Ka = A ybf = m a
Kp = Rp = kN/m D
K` = Fanc. = kN/m X
I -2C'raizKa I Mmax = kNm/m Rp
I γ,heq,Ka I Ficha final = m
Ficha = m

Figura 5.4 – Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada com trinca de traç ão.
Figura 5.9. Planilha para cálculo de esforç os de cortina ancorada com trincas de traç ã o.

Para o dimensionamento de uma cortina ancorada com trincas, usa-se a planilha


eletrônica ilustrada na Figura 5.9. Os dados de entrada devem ser inseridos nas cé lulas
destacadas que foram todos especificadas anteriormente. No entanto, a variável Y nos dados
de saída da Fig. 5.9 corresponde a variável x da Figura 5.6 que estáilustrada na Figura 5.7b.

101
5.7. INSTRUMENTAÇ Ã O

Barras de aç o instrumentadas com extensômetros elé tricos e preparados em


laboratório foram introduzidas aos pares, diametralmente opostas, em trê s estacas onde
monitorou-se os deslocamentos, visando abranger as duas zonas onde ocorrem esforç os
distintos, sendo uma zona de traç ã o e outra de compressã o, conforme ilustrado na
Figura 5.10b.
Os níveis de instrumentaç ã o foram definidos, buscando-se cercar os maiores valores
de momentos que atuariam na estaca, isso foi definido após o cálculo da contenç ã o, onde
utilizou-se o mé todo descrito no Item 5.2 do presente Capítulo.

Barras de aç o
h1
h2 CA-50
H φ 12.5 mm
h3
h4
Nível de h5
Escavaç ã o Escavação T

Barras de aç o Barras de aç o
CA-50 CA-50
D φ 12.5 mm
φ 16 mm
(instrumentadas)

Diâmetro da estaca φ = 40 cm

(a) (b)

Figura 5.10. Posicionamento dos extensômetros visando medir os maiores momentos.

5.7.1. Preparação das Barras de Instrumentação

As barras de aç o instrumentadas tinham diâmetro de 16 mm e nã o tinham nervuras,


essa escolha favoreceu na preparaç ã o da barra, tendo em vista uma maior superfície para
colagem dos extensômetros elé tricos, e nã o ser necessário lixar as barras para retirar as
nervuras, eliminando-se assim o risco de haver uma diminuiç ã o da seç ã o em conseqüê ncia do
polimento excessivo.

102
Materiais utilizados para confecç ã o das barras instrumentadas:
• Barra de Aç o CA-50 φ = 5/8” ≅ 16 mm
• Extensômetro, modelo KFG-5-120-C1-11, marca KYOWA
• Cola para extensômetro, modelo CC-33A
• Fio AF 4x26 AWG (T)
• Lixa para metais # 120
• Lixa para metais # 200
• Fita auto fusã o espessura ≅ 0,76 mm
• Fita adesiva
• Araldite (10 minutos tempo de pega)
• Adesivo de silicone
• Condicionador
• Neutralizador
• Gaze
• Manta de borracha de silicone
• Ferro de solda
• Braç adeira
• Multímetro

A barra de aç o foi inicialmente submetida a uma limpeza para remoç ã o de resíduo


oleoso que eventualmente existisse na superfície onde seria colado o extensômetro, e em
seguida a camada superficial oxidada foi retirada numa extensã o de 80 mm em torno do ponto
de fixaç ã o do extensômetro. A superfície ideal para a colagem do extensômetro foi obtida
com o uso de lixa para metais # 120 e 200, com movimentos de maneira a se obtere os riscos
dos grã os da lixa desordenadamente.
Após a marcaç ã o da posiç ã o dos extensômetros, a superfície de colagem foi limpa
com gaze embebida em um condicionador, para a remoç ã o de pequenas oxidaç ões
superficiais, friccionando por várias vezes, sempre em um mesmo sentido e trocando de gaze,
até se perceber que a gaze nã o ficava mais suja, em seguida aplicou-se o neutralizador, para
combater a aç ã o da soluç ã o ácida do condicionador, conforme Figura 5.11.

103
Figura 5.11. Detalhe da limpeza do ponto de fixaç ã o do extensômetro.

Terminada a limpeza, os extensômetros foram fixados em seus respectivos lugares,


com o auxílio de uma fita adesiva, e fixos de tal forma que se pudesse movimentá-los com
facilidade para passar a cola em sua base e solidarizá-lo à barra de aç o. Para a aplicaç ã o de
pressã o sobre os extensômetros durante a colagem, utilizou-se uma manta de borracha de
silicone, pressionando-se com os dedos durante 45 segundos.
O próximo passo foi soldar os fios dos extensômetros ao cabo de ligaç ã o. Após a
soldagem fez-se a verificaç ã o da colagem, pressionandose os extensômetros com o dedo por
cima da manta de silicone e observando-se com o auxílio de um multímentro se ocorriam
variaç ões na resistê ncia, conforme mostrado na Figura 5.12. Este procedimento foi utilizado
para a definiç ã o da remoç ã o ou nã o do extensômetro.

Figura 5.12. Verificaç ã o da colagem do extensômetro

104
No caso em que o extensômetro tenha sido colado com sucesso, aplicou-se entã o o araldite
para executar a proteç ã o mecânica e isolamento elé trico. Na seqüê ncia, fez-se a proteç ã o
contra a umidade empregando-se uma camada de silicone, conforme ilustrado na Figura 5.13.

Figura 5.13. Proteç ã o contra umidade

Para finalizar a confecç ã o da barra instrumentada, empregou-se a fita de auto fusã o


em torno da instrumentaç ã o e fez-se a identificaç ã o dos cabos, especificando a profundidade
de cada extensômetro instalado.
A Figura 5.14 mostra barras instrumentadas em laboratório, prontas para serem
levadas ao local da obra e fixadas nas armaduras das estacas, dispostas em pares
diametralmente opostas.

Figura 5.14. Barras instrumentadas prontas para serem fixadas nas armaduras.

105
Após fixarem-se as barras instrumentadas na armadura da estaca, o processo de
confecç ã o chegou ao fim. Ao se descer a armadura pelo fuste da estaca, é importante verificar
o posicionamento das barras em relaç ã o a linha de escavaç ã o. A Figura 5.15 ilustra a descida
da armadura da estaca, onde pode ser visualizado ao topo os cabos da fiaç ã o conectados aos
extensômetros dispostos ao longo da estaca. Nesta fase houve os cuidados necessários para se
evitar a rotaç ã o da armaç ã o, de forma que as barras instrumentadas fossem dispostas
conforme previsto na Figura 5.10b, apresentada anteriormente no Item 5.3.

Figura 5.15. Detalhe da descida da armaç ã o da estaca.

Após a verificaç ã o do posicionamento das barras instrumentadas, concretou-se a


estaca, tomando-se o cuidado de nã o permitir a concretagem das pontas dos cabos de ligaç ã o
ou que suas identificaç ões se extraviassem, conforme ilustrado na Figura 5.16. Este
procedimento foi necessário para identificaç ã o das profundidades em que se encontravam os
extensômetros.
Como o local da presente pesquisa era de acesso livre ao pú blico, fez-se uma caixa
de madeira sobre a cabeç a da estaca, com a finalidade de proteger os cabos, impedindo-se
assim o rompimento dos mesmos por acidente ou vandalismo.

106
Figura 5.16. Detalhe da concretagem da estaca.

A leitura inicial dos extensômetros foi efetuada antes da escavaç ã o, permitindo-se


que as medidas futuras fornecessem a deformaç ã o nos pontos instrumentados. A deformaç ã o
foi obtida pela diferenç a entre a leitura atual e a referê ncia inicial. A Figura 5.17 ilustra as
leituras do extensômetros.

Figura 5.17. Detalhe das leituras dos extensômetros.

107
A Figura 5.1 mostra uma visã o geral da cortina de contenç ã o formada por estacas
justapostas, das quais trê s foram instrumentadas, onde duas estã o destacadas e a terceira ficou
fora do enquadramento da foto.

Figura 5.18. Visã o geral da cortina de contenç ã o.

5.7.2. Cálculo dos Momentos nas Seções Instrumentadas

A verificaç ã o do momento em cada seç ã o transversal instrumentada foi efetuada


assumindo-se um diagrama elástico linear, conforme mostrado na Figura 5.19. Nesta hipótese
assume-se que o concreto e o aç o contribuem no momento fletor da seç ã o e que a
contribuiç ã o das barras de aç o sã o proporcionais às suas distâncias à linha neutra.
O momento atuante na seç ã o é determinado fazendo-se o somatório dos momentos
atuantes no concreto e no aç o, conforme a Eq. 5.1.

n k
M S = ∑ mi + ∑ m j (5.1)
i =1 j =1

108
onde:
MS = momento atuante na seç ã o
mi = momento atuante no concreto
mj = momento atuante no aç o
i = nú mero de “fatias” de concreto
j = nú mero de barras de aç o

Barra de aç o

CG

li lj
σc σc
σj
σi

LN LN σt
σt

Figura 5.19. Detalhe de uma seç ã o transversal, demostrando-se as variáveis para o


cálculo dos momentos.

5.7.2.1. Momento Atuante no Concreto

O momento fletor é determinado multiplicando-se a forç a resultante pela distância da


linha neutra ao ponto de aplicaç ã o da forç a.

mi = Fi l i (5.2)

A relaç ã o entre a tensã o e a deformaç ã o é dada por:

F
σ = ε.E, como σ = , a forç a atuante no centro de gravidade da “fatia” de concreto
A
é determinada por:

109
Fi = Ai ε i E con. (5.3)

Substituindo a Eq. 5.3 na Eq. 5.2 encontra-se o momento atuante na “fatia” analisada
de concreto.

mi = Ai ε i E con. l i (5.4)

onde:
Ai = área da “fatia”de concreto
εi = deformaç ã o na “fatia” de concreto
Ecom. = módulo de elasticidade do concreto
E con = 6600 f ck + 3,5 , dados em MPa. (5.5)

li = distância da linha neutra ao ponto de aplicaç ã o da forç a resultante


Na zona tracionada considerou-se a contribuiç ã o do concreto, até um valor máximo
de tensã o de traç ã o igual a ftk, resistê ncia a traç ã o característica do concreto, sendo que:
ftk = 0,1fck para fck ≤ 18MPa
0,06fck + 0,7 para fck > 18MPa

5.7.2.2. Momento Atuante no Aço

O momento fletor atuante no aç o é determinado de maneira semelhante ao momento


atuante no concreto, conforme descrito no item anterior.

m j = A j ε j E aço l j (5.6)

onde:
Fi = forç a resultante no centro de gravidade da “fatia”de concreto
Aj = área transversal da barra de aç o
εj = deformaç ã o na barra de aç o
Eaço. = módulo de elasticidade do aç o, adotado como 210.000 MPa
lj = distância da linha neutra ao centro de gravidade da barra de aç o

110
6. RESULTADOS E ANÁLISES

A partir da proposta inicial do trabalho, a obra de contenç ã o formada por cortina de


estacas justapostas foi dimensionada utilizando-se a planilha apresentada pela Figura 5.3 do
Item 5.5. A opç ã o para o uso dessa planilha deve-se à condiç ã o do terrapleno ser
pavimentado, e sem trincas em sua estrutura, e sendo assim os cálculos foram efetuadas para
uma cortina em balanç o sem trinca de traç ã o.
Tendo-se em vista que sobre o terrapleno funciona um estacionamento pú blico, que
serve como local de carga e descarga de mercadorias, considerou-se no dimensionamento da
contenç ã o uma sobrecarga de 17,0 kN/m2.
Os dados de entrada, que correspondem a geometria do projeto e aos parâmetros do
solo, estã o discriminados abaixo:
Coesã o = 10,0 kPa;
Ângulo de atrito = 25º;
Altura da escavaç ã o = 4,0 m;
Diâmetro da estaca = 40 cm
E = 30.000 MPa – Estrutural estaca
fck = 20 MPa – Estrutural concreto
Estes dados sã o comuns às trê s situaç ões em que estavam dispostas as estacas.

6.1. RESULTADOS DO DIMENSIONAMENTO DA CORTINA

i) Trecho 01
No trecho 01 o espaç amento entre as estacas foi de 1,2 metros, e o fator de seguranç a
utilizado para ficha foi de 1,2. Com isso obteve-se a seguinte configuraç ã o, conforme
ilustrado na Figura 6.2:
Comprimento total da estaca = 8,9 m, sendo:
- Escavaç ã o = 4,0 m
- Ficha = 4,9 m
O momento máximo de projeto atuante na estaca foi de 151,0 kN.m (vide
Figura 6.3).

111
ii) Trecho 02
Neste trecho o espaç amento entre as estacas foi de 1,2 metros, e o fator de seguranç a
utilizado para ficha foi de 1,0, com isso obteve-se a seguinte configuraç ã o, conforme ilustrado
na Figura 6.4:
Comprimento total da estaca = 8,08 m, sendo:
- Escavaç ã o = 4,0 m
- Ficha = 4,08 m
O momento máximo de projeto atuante na estaca foi de 126,0 kN.m (vide
Figura 6.5).

iii) Trecho 03
Neste trecho o espaç amento entre as estacas foi de 1,0 metros, e o fator de seguranç a
utilizado para ficha foi de 1,0, com isso obteve-se a seguinte configuraç ã o, conforme ilustrado
na Figura 6.6:
Comprimento total da estaca = 8,08 m, sendo:
- Escavaç ã o = 4,0 m
- Ficha = 4,08 m
O momento máximo de projeto atuante na estaca foi de 105,0 kN.m (vide
Figura 6.7).

Escavaç ã o
12 m 12 m 16 m
1,2 m 1,2 m 1,0 m

Terrapleno

Trecho 01 Trecho 02 Trecho 03


FS = 1,2 FS = 1,0 FS = 1,0
e = 1,2 m e = 1,2 m e = 1,0 m
Ficha = 4,90 m Ficha = 4,08 m Ficha = 4,08 m
MMax. = 151,2 kNm/m MMax. = 126,0 kNm/m MMax. = 105,0 kNm/m
δh = 5,1 mm δh = 6,5 mm δh = 4,5 mm
L = 8,90 m L = 8,08 m L = 8,08 m

Figura 6.1. Resumo do dimensionamento da contenç ã o

112
O esquema anterior apresenta um resumo do dimensionamento da obra de contenç ã o
onde efetuou-se o presente trabalho, ilustrando-se as disposiç ões das estacas, bem como os
resultados dos momentos máximos de projeto e os deslocamentos no topo das mesmas, onde:
FS é o fator de seguranç a utilizado no cálculo;
e é o espaç amento entre as estacas medidos de eixo a eixo em metros;
δh é o deslocamento mé dio no topo da estaca em milímetros;
L é o comprimento total da estaca em metros.

A planilha foi desenvolvida para calcular momentos correspondentes à extensã o de 1,0


metro, sendo que ao se estipular o espaç amento entre as estacas maiores que o valor unitário,
deve-se multiplicar o valor do espaç amento no resultado final dos momentos. Por exemplo, as
estacas do trecho 02 e trecho 03 tê m o mesmo comprimento total, altura de escavaç ã o e
comprimento da ficha, e, como foram executadas em um mesmo solo, os momentos atuantes
nas estacas fornecidos pela planilha sã o iguais.
No entanto, a estaca do trecho 02 serámais solicitada, pois tende a conter uma faixa
maior de solo. Ao se fazer o uso da planilha deve-se levar em consideraç ã o essa
peculiaridade, multiplicando-se o valor do espaç amento pelos valores dos momentos.
Após o cálculo dos esforç os atuantes na estrutura de contenç ã o, baseado no mé todo da
extremidade livre (Bowles, 1968) e combinado com as formulaç ões disponíveis para um solo
com coesã o e atrito, determinou-se a armaç ã o da mesmas.
Com o auxilio de um topógrafo foi possível medir o deslocamento no topo da estaca.
Foram definidos dois pontos fora da área de influê ncia da escavaç ã o, que serviram de pontos
referenciais, onde se posicionava o teodolito e se focava os pregos fixados na cabeç a das
estacas.
Os pregos foram alinhados antes da escavaç ã o com o auxilio do teodolito, e após a
escavaç ã o fez-se medidas periódicas do deslocamento do topo da estaca até a estabilizaç ã o.
Fez-se o acompanhamento dos deslocamentos em metade das estacas da cortina, onde
fixaram-se pregos em estacas intercaladas. A mé dia do deslocamentos desconsiderou medidas
onde encontravam-se pregos soltos no topo da estaca, ou onde a base de concreto que servia
para chumbar os pregos estivessem trincadas, ou ainda quando a leitura de campo dava
negativa, ficando claro que esse fato era ocasionado durante o processo de escavaç ã o quando
a escavadeira chocava-se com as estacas.

113
Cortina em Balanço
2
Sobrecarga = 17 kN/m Altura equi. = 1,000 m
C= 10 kPa S pa = 21,76 kN/m 2
φ= 25 o
E Ea1 = 31,83 kN/m
H= 4 m M a= 0,62 m H
γ= 17 kN/m 3 Ea2 = 6,76 kN/m
FS ficha = 1,2 Ra = 38,59 kN/m Ra
FS Kpassivo = 1 T y barra = 1,69 m ybarra
Y= 3,458531 m R p' p = 212,54 kN/m 2
Equação Y = 0,00 I pp= 121,00 kN/m 2 a
Ka = 0,41 N p'' p = 333,54 kN/m 2
P' p D
Kp = 2,46 C z= 0,75 m
Y
K` = 2,06 A Σ Fh = 0 0,00 Ok!
Coeficiente C = 34,99 Σ M base = 0 0,00 Ok! z
Ficha = 4,08 m Ficha final = 4,90 m
Pp P'' p

Figura 6.2. Dimensionamento da estaca do trecho 01.

Momentos (kNm/m)

0 50 100 150 200


0

-1

-2

-3
Profundidade (m)

-4

-5

-6

-7

-8

-9

-10

Figura 6.3. Diagrama de momento estimado da estaca do trecho 01 com a profundidade.

114
Cortina em Balanço
2
Sobrecarga = 17 kN/m Altura equi. = 1,000 m
C= 10 kPa S pa= 21,76 kN/m
2

φ= 25
o
E Ea1 = 31,83 kN/m
H= 4 m M a= 0,62 m H
γ= 17 kN/m
3
Ea2 = 6,76 kN/m
FS ficha = 1 Ra = 38,59 kN/m Ra
FS Kpassivo = 1 T y barra = 1,69 m ybarra
Y= 3,458531 m R p' p = 212,54 2
kN/m
Equação Y = 0,00 I pp= 121,00 2
kN/m a
Ka = 0,41 N p'' p = 333,54 2
kN/m
P' p D
Kp = 2,46 C z= 0,75 m
Y
K` = 2,06 A Σ Fh = 0 0,00 Ok!
Coeficiente C = 34,99 Σ M base = 0 0,00 Ok! z
Ficha = 4,08 m Ficha final = 4,08 m
Pp P'' p

Figura 6.4. Dimensionamento da estaca do trecho 02.

Momentos (kNm/m)

0 50 100 150
0

-1

-2

-3
Profundidade (m)

-4

-5

-6

-7

-8

-9

-10

Figura 6.5. Diagrama de momento estimado da estaca do trecho 02 com a profundidade.

115
Cortina em Balanço
2
Sobrecarga = 17 kN/m Altura equi. = 1,000 m
C= 10 kPa S pa= 21,76 kN/m
2

φ= 25
o
E Ea1 = 31,83 kN/m
H= 4 m M a= 0,62 m H
γ= 17 kN/m 3 Ea2 = 6,76 kN/m
FS ficha = 1 Ra = 38,59 kN/m Ra
FS Kpassivo = 1 T y barra = 1,69 m ybarra
Y= 3,458531 m R p' p = 212,54 kN/m 2
Equação Y = 0,00 I pp= 121,00 kN/m 2 a
Ka = 0,41 N p'' p = 333,54 kN/m 2
P' p D
Kp = 2,46 C z= 0,75 m
Y
K` = 2,06 A Σ Fh = 0 0,00 Ok!
Coeficiente C = 34,99 Σ M base = 0 0,00 Ok! z
Ficha = 4,08 m Ficha final = 4,08 m
Pp P'' p

Figura 6.6. Dimensionamento da estaca do trecho 03.

Momentos (kNm/m)

0 50 100 150
0

-1

-2

-3
Profundidade (m)

-4

-5

-6

-7

-8

-9

-10

Figura 6.7. Diagrama de momento estimado da estaca do trecho 03 com a profundidade.

116
6.2. RESULTADOS DA INSTRUMENTAÇ Ã O

Após as leituras da instrumentaç ã o, fez-se o cálculo do momento na seç ã o transversal


instrumentada de acordo com o Item 5.7. Apesar de terem sido instrumentados cinco níveis de
profundidade para cada estaca, nã o foi possível obter os dados de todos os níveis, pois
ocorreram acidentes como o seccionamento dos cabos que ligavam os extensômetros à leitora
de deformaç ã o, ou o extravio dos identificadores de nível que foram fixados nas extremidades
dos cabos.
A seguir encontram-se, portanto, os momentos atuantes nas estacas representativas
de cada seç ã o, determinados com base nos dados da instrumentaç ã o.

ES TACA 01 ES TACA 02

M om e n tos (k Nm /m ) M o m e nto s (k Nm /m )

0 20 40 0 20 40
0 0

1 1

2 2
Pr o fu nd idade (m )
Pr o fu n did ad e (m )

3
3
4
4
5
5
6
6
7

8 7

9 8

10 9

ES TACA 03

M o m e nto s (k Nm /m )

0 20 40
0

2
Pr ofu nd id ad e (m )

Fig. 6.8. Cálculo dos momentos baseados nos dados da instrumentaç ã o.

117
6.3. INFLUÊ NCIA DA COESÃ O NO DIMENSIONAMENTO DA CONTENÇ Ã O

A Figura 6.11 ilustra a influê ncia da coesã o no comprimento da ficha e no momento


máximo atuante nas estacas. Esses valores foram obtidos a partir da planilha de cálculo
utilizada neste trabalho (mé todo da extremidade livre, Bowles – 1968), adotando-se as
mesmas configuraç ões da cortina executada, onde variou-se a coesã o e manteve-se o ângulo
de atrito do solo igual a 25º.
Pode ser observado que, dependendo do valor de coesã o, a escavaç ã o no maciç o de
solo fica estável na nova configuraç ã o, nã o necessitando de uma estrutura de contenç ã o.
Como a coesã o depende diretamente da sucç ã o matricial, a medida que essa aumenta, os
valores do momento máximo e da ficha diminuem, obtendo assim estruturas mais
econômicas.
A Eq. 2.19 demonstra como se leva em conta a influê ncia da sucç ã o mátrica do solo.
Nesta fórmula, c é o intercepto de coesã o total, que é igual ao intercepto de coesã o efetiva, c’,
adicionado ao termo (ua – uw)tanφb.

c = c'+(u a − u w ) tan φ b (2.19)

onde:
(ua – uw) = sucç ã o mátrica;
φb = ângulo indicativo do coeficiente de incremento de resistê ncia cisalhante relativa a sucç ã o
mátrica.

No presente trabalho utilizou-se uma coesã o efetiva de 7 kPa e ângulo φb igual a 11º
(Cordã o Neto & Pereira, 2001). Atravé s da Eq. 2.19 pode-se observar que, com a combinaç ã o
da coesã o efetiva do solo c’ e do parâmetro φb, alé m da curva característica do solo e o
conhecimento da umidade, pode ser determinada a coesã o do solo na condiç ã o natural.
Conforme apresentado na Figura 5.3 do Item 5.5.1, onde observa-se o perfil de
umidade ao longo da profundidade, adotou-se um valor mé dio de teor de umidade na altura de
solo escavada igual a 30%. Para a obtenç ã o da sucç ã o matricial fez-se necessário o uso da
curva característica do solo apresentada na Figura 5.4 do Item 5.5.2.

118
Coesão X Ficha

7,0
6,0
5,0

Ficha (m)
4,0
3,0
2,0
1,0
0,0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0
Coesão (kPa)

Coesão X Momento má ximo

400
Momento má ximo (kNm/m)

350
300
250
200
150
100
50
0
0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 14,0 16,0 18,0
Coesão (kPa)

Figura 6.9. Variaç ã o do comprimento da ficha e do momento máximo de uma estaca


em funç ã o da coesã o do solo

Considerando-se que no presente caso o aumento da coesã o total de 7 para 13 kPa,


quando o solo varia da condiç ã o saturada para a natural, verifica-se atravé s da Figura 6.9 uma
reduç ã o da ordem de 35% no comprimento da ficha e de 51% no momento máximo. O valor
da coesã o na condiç ã o natural foi determinado entrando na Figura 5.3 com um teor de
umidade igual a 30%, que corresponde a um valor de aproximadamente 30 kPa para a sucç ã o
mátrica. Substituindo-se esse valor de sucç ã o, na Eq. 2.19 com um valor de φb igual a 11º e
coesã o efetiva de 7 kPa obtê m-se o valor de aproximadamente 13 kPa para a coesã o na
condiç ã o natural.

119
Após o cálculo dos momentos atuantes nas seç ões instrumentadas, conforme descrito
no Item 5.7.2 do capítulo 5, os resultados foram plotados no gráfico da Figura 6.10. Observa-
se que para a estaca 01 o momento atuante corresponde a 21,8% do valor de projeto. Para a
estaca 02 essa relaç ã o é de 23,8% e para estaca 03 o momento atuante eqüivale a 26,1% do
valor de momento adotado para o dimensionamento das estacas.

180 c = 10 kPa
φ = 25º
Momento Má ximo (kNm/m)

151,2
150
126,0

120 105,0

90

60
33,0 30,0 27,4
30

0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Calculado (Experimental)

Figura 6.10. Comparaç ã o entre o momento de projeto e o momento calculado baseado


nos dados da instrumentaç ã o.

6.4. ANÁ LISES PELO MÉ TODO DE BOWLES (1968)

Com os valores dos momentos atuantes nas seç ões instrumentadas fez-se uma
retroanálise variando a coesã o e o ângulo de atrito do solo, e obtiveram-se novos valores para
as fichas (mantendo-se os espaç amentos originais inalterados). A Figura 6.11 ilustra os
valores encontrados para o ângulo de atrito do solo quando igualou-se o momento máximo de
projeto ao momento máximo atuante (experimental), e manteve-se o valor da coesã o do solo
inalterado, ou seja, coesã o de 10 kPa (usado no projeto). Observa-se nessa figura, que a
medida que se aumenta o ângulo de atrito, se diminui o comprimento da ficha necessário para
que haja o equilíbrio.

120
Situaç ã o Original Retroanálise Bowles
45 6
4,90
5
40

 ngulo de Atrito
4,08 4,08
4

Ficha (m)
35
3
30
1,60 2
1,22 1,34
25
1
0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
20 0

 ngulo de Atrito Comprimento da Ficha

Figura 6.11. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o do ângulo de


atrito, mantendo a coesã o constante (c = 10,0 kPa).

Em outra retroanálise manteve-se o ângulo de atrito do solo com o mesmo valor de


projeto, φ = 25º, e variou-se a coesã o do solo para igualar o momento máximo de projeto ao
momento máximo atuante experimentalmente. Neste caso foram també m obtidos novos
valores para as fichas sem alteraç ã o no espaç amento entre as estacas. Atravé s da Figura 6.12
observa-se que para as estacas 01 e 02, com valores de coesã o encontrados de 20 kPa e 19,5
kPa respectivamente, o corte no solo ficaria estável sem que fosse necessário qualquer tipo de
contenç ã o (ficha = 0).

Situaç ã o Original Retroanálise Bowles


30 6
4,90
25 5
4,08 4,08
Coesão (kPa)

20 4
Ficha (m)

15 3

10 2
1,10
5 1
0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
0 0

Coesão Comprimento da Ficha

Figura 6.12. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o da coesã o,


mantendo-se o ângulo de atrito constante (φ = 25º).

121
Observando-se a variaç ã o dos parâmetros do solo, coesã o e ângulo de atrito
conforme ilustrado pelas Figuras 6.11 e 6.12, propuseram-se novos valores para arrimar o
maciç o de solo na mesma configuraç ã o, baseando-se em parâmetros do solo de uso habitual
no Distrito Federal. Adotou-se a coesã o do solo igual a 13,0 kPa, em funç ã o da Eq. 2.19, e o
ângulo de atrito igual a 25º, valores próximos ao encontrados por Sá Quirino (2003) em
ensaios de cisalhamento direto nas amostras do local da obra, obtendo-se os valores do
comprimento da ficha e de momento máximo mostrados na Figura 6.13.
Conforme ilustrado na Figura 6.13, observa-se que um projeto executado nas
mesmas condiç ões geomé tricas anteriormente adotadas e com os parâmetros do solo
propostos acima, levaria a uma reduç ã o de aproximadamente 23,5% nos valores dos
comprimentos das fichas, e de 54,5% nos valores dos momentos máximos, reduzindo-se
assim, o volume da escavaç ã o, o volume de concreto e, conseqüentemente, o consumo de aç o
por estaca.

6,0 Esp. = 1,2 m Esp. = 1,2 m Esp. = 1,0 m


4,90
5,0
4,08 4,08
3,75
4,0
Ficha (m)

3,13 3,13
3,0

2,0

1,0

0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Bowles (novos parâ metros)

180
Momento Má ximo (KN.m)

151,2
150
126,0
120 105,0

90 68,8
57,4
60 47,8

30
0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Bowles (novos valores)

Figura 6.13. Valores da ficha e de momento máximo para valores propostos de coesã o
igual a 13,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º.
122
Fez-se uma comparaç ã o entre o volume de concreto e o consumo de aç o para as trê s
estacas, conforme ilustraç ã o da Figura 6.14. A obra executada foi calculada utilizando-se
valores de coesã o igual a 10,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º, e estárepresentada pelas
colunas da esquerda. O projeto calculado com parâmetros propostos atravé s do mé todo de
Bowles (1968), com valores de coesã o igual a 13,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º, está
representado pelas colunas da direita.
Observa-se que para a estaca 01 háuma reduç ã o de 13,4% no volume de escavaç ã o e
de 34,9% no consumo de aç o, enquanto que para a estaca 02 essa reduç ã o é de 11,8% no
volume de escavaç ã o e de 38,2% no consumo de aç o, e para a estaca 03 a reduç ã o també m é
de 11,8% no volume de escavaç ã o e de 51,0% no consumo de aç o.

1,4
Volume de Concreto (m3)

1,2 1,12
0,97 1,02 1,02
1,0 0,90 0,90

0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Bowles (novos parâ metros)

95,2
100,0
Consumo de Aço (Kg)

80,8
80,0 72,8
62,0
60,0 49,9

35,7
40,0

20,0

0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Bowles (novos parâ metros)

Figura 6.14. Comparaç ã o do volume de concreto e do consumo de aç o entre as estacas


executadas e as propostas.

123
6.5. ANÁ LISES PELO PROGRAMA GEOFINE

Com os valores dos momentos atuantes nas seç ões instrumentadas fez-se uma
retroanálise utilizando-se do programa Geofine. A Figura 6.15 ilustra os valores encontrados
para o ângulo de atrito do solo quando igualou-se o momento máximo de projeto ao momento
máximo atuante, e manteve-se o valor da coesã o do solo inalterado, ou seja, coesã o de 10 kPa
(valor de projeto). Observa-se nessa figura que a medida que se aumenta o ângulo de atrito, se
diminui o comprimento da ficha necessário para que haja o equilíbrio.

Situaç ã o Original Retroanálise Geofine


45 6
4,90
5
40
 ngulo de Atrito

4,08 4,08
4

Ficha (m)
35
3
30
2
1,10 1,00
25 0,91
1
0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
20 0

 ngulo de Atrito Comprimento da Ficha

Figura 6.15. Gráfico ilustrando o comportamento da ficha com a variaç ã o do ângulo de


atrito, mantendo a coesã o constante (c = 10,0 kPa).

A Figura 6.16 estáilustrado a saída de dados do programa Geofine após a retroanálise


da estaca 01, onde buscou-se uma coesã o que igualasse o momento encontrado pela
instrumentaç ã o ao momento calculado pelo programa.
Geometry
Geometria da of structure
Estrutura Bending
Momento Fletormoment
Length of structure
Comprimento = 4,91 =
m 4.91m MMax. M27,02
max = = 27.02kNm/m
kNm/m
Depth
Ficha in soil
= 0,91 m = 0.91m

4.00

0.83 27.02
0.08 -0.350.00

-300.000 300.00 -40.00 0 40.00


[kPa] [kNm/m]

Figura 6.16. Saída de dados do programa Geofine – Estaca 01 (modificada – Geofine).


124
Conforme ilustrado na Figura 6.17, retroanalisado agora pelo programa Geofine,
observa-se que um projeto executado nas mesmas condiç ões geomé tricas anteriormente
adotadas (c = 10,0 kPa e φ = 25º) e com os parâmetros do solo propostos acima (c = 13,0 kPa
e φ = 25º), haveria uma reduç ã o de aproximadamente 51,8% nos valores dos comprimentos
das fichas, e de 44,0% nos valores dos momentos máximos, reduzindo-se assim o volume da
escavaç ã o, o volume de concreto e, conseqüentemente, o consumo de aç o por estaca.

6,0 esp. = 1,2m esp. = 1,2m esp. = 1,0m


4,90
5,0
4,08 4,08
4,0
Ficha (m)

3,0 2,36
1,97 1,97
2,0

1,0

0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Geofine (novos parâ metros)

180
151,2
Momento Má ximo (KN.m)

150
126,0
120 105,0
84,7
90 70,6
58,8
60

30

0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Originl (executado) Proposto Geofine (novos parâ metros)

Figura 6.17. Valores da ficha e de momento máximo para valores propostos de coesã o
igual a 13,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º.

125
Fez-se uma comparaç ã o entre o volume de concreto e o consumo de aç o para as trê s
estacas, que estáilustrado atravé s da Figura 6.18. A obra executada foi calculada utilizando-se
valores de coesã o igual a 10,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º, e estárepresentada pelas
colunas da esquerda. O projeto calculado com parâmetros propostos atravé s do programa
Geofine, com valores de coesã o igual a 13,0 kPa e ângulo de atrito igual a 25º, está
representado pelas colunas da direita.
Observa-se que para a estaca 01 háuma reduç ã o de 28,6% no volume de escavaç ã o e
de 33,2% no consumo de aç o, que para a estaca 02 essa reduç ã o é de 26,5% no volume de
escavaç ã o e de 33,5% no consumo de aç o, e para a estaca 03 a reduç ã o també m é de 26,5%
no volume de escavaç ã o e de 42,6% no consumo de aç o.

1,4
1,2 1,12
Volume de Concreto ( m3)

1,02 1,02
1,0
0,80
0,75 0,75
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Geofine (novos parâ metros)

95,2
100,0
Consumo de Aço (Kg)

80,8
80,0 72,8
63,6

60,0 53,7

41,8
40,0

20,0

0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Projeto Original (executado) Proposto Geofine (novos parâ metros)

Figura 6.18. Comparaç ã o do volume de concreto e do consumo de aç o entre as estacas


executadas e as propostas.

126
Com todos os dados das estacas executadas e propostas utilizando-se o mé todo de
Bowles e o programa Geofine, como geometria, quantidade e diâmetro das barras de aç o por
estacas, e volume de concreto e escavaç ã o de cada estaca, e com os valores dos materiais com
data base em març o de 2003, fornecido por empresa de engenharia da regiã o, fez-se um
comparativo entre os preç os unitários das estacas para as trê s condiç ões distintas, conforme
Tabela 6.1.
Tabela 6.1. Custo unitário das estacas.
Volume de Consumo de Comprimento Custo do Custo Total Custo da Custo Unitá rio
3
Concreto (m ) Aço (Kg) da Estaca (m) Concreto de Aço Escavação por Estaca
Est. 01 1,12 95,2 8,90 R$ 201,60 R$ 209,44 R$ 89,00 R$ 500,04
Projeto

Est. 02 1,02 80,8 8,10 R$ 183,60 R$ 177,76 R$ 81,00 R$ 442,36


Est. 03 1,02 72,8 8,10 R$ 183,60 R$ 160,16 R$ 81,00 R$ 424,76
Est. 01 0,98 62,0 7,75 R$ 176,40 R$ 136,40 R$ 77,50 R$ 390,30
Bowles

Est. 02 0,90 49,9 7,13 R$ 162,00 R$ 109,78 R$ 71,30 R$ 343,08


Est. 03 0,90 35,7 7,13 R$ 162,00 R$ 78,54 R$ 71,30 R$ 311,84
Geofine

Est. 01 0,80 63,6 6,36 R$ 144,00 R$ 139,92 R$ 63,60 R$ 347,52


Est. 02 0,75 53,7 5,97 R$ 135,00 R$ 118,14 R$ 59,70 R$ 312,84
Est. 03 0,75 41,8 5,97 R$ 135,00 R$ 91,96 R$ 59,70 R$ 286,66
* Preço do concreto com fck de 20 MPa é de R$ 180,00 / m3
* Preço do aço cortado e dobrado é de R$ 2,20 / Kg
* Preço da escavação é de R$ 10,0 / m

A Figura 6.19 mostra a relaç ã o de custo das estacas, onde se nota que para a estaca
01 utilizando-se os valores dos parâmetros de solo propostos obter-se-ia uma economia de
22,2% pelo mé todo de Bowles é de 30,5% pelo mé todo do Geofine em relaç ã o a estaca
executada originalmente. Para a estaca 02 essa economia seria de 22,6% pelo mé todo de
Bowles e 29,3% pelo mé todo Geofine, enquanto que para a estaca 03 a economia alcanç ada
atingiria 26,8% por Bowles e de 32,5% pelo Geofine.

600
500
Custo Unitá rio (R$)

400
300
200
R$500,04

R$389,22

R$347,52

R$442,36

R$342,36

R$312,84

R$424,76

R$311,12

R$286,66

100
0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Executado (c = 10 kPa) Bowles (c = 13 kPa) Geofine (c = 13 kPa)

Figura 6.19. Comparaç ã o de custos unitários entre estacas executadas e propostas.

127
A Figura 6.20 demonstra o custo unitário por estaca da cortina de contenç ã o que foi
executada com a finalidade de conter um corte vertical, com altura de 4,0 metros e uma
extensã o de 40,0 metros. Como as estacas dos trechos 01 e 02 foram executadas com
espaç amento de 1,2 metros, seria necessário 34 estacas para vencer a extensã o total a ser
arrimada, no caso do trecho 03, que o espaç amento foi de 1,0 metro, seriam necessários 40
estacas, o custo unitário abaixo sã o para as estacas executadas, coesã o igual a 10,0 kPa e
ângulo de atrito igual 25º.

Obra Executada

600 50
Custo Unitá rio (R$)

40
500 40

Nº de Estacas
34 34
400
30
R$ 500,04

R$ 442,36

300

R$ 424,76
20
200
100 10

0 0
ESTA CA ESTA CA ESTA CA
01 02 03

Custo Unitá rio Nº de Estacas

Figura 6.20. Custo unitário das estacas executadas e o nú mero de estacas necessário
para vencer a extensã o total o corte no maciç o de solo.

Em obras onde a condiç ã o principal de projeto é a de obter o menor deslocamento no


topo da contenç ã o, a situaç ã o do trecho 03 seria a soluç ã o ideal, pois foi o que apresentou
menor deslocamento mé dio, o que seria o esperado devido ao menor espaç amento entre as
estacas. Se o deslocamento no topo da estaca, para valores aceitáveis, nã o for o fator de maior
interesse, a opç ã o seria entã o a utilizaç ã o da configuraç ã o do trecho 02, pois apesar de ter o
custo unitário maior, necessita-se de um nú mero menor de estacas para compor a cortina de
contenç ã o, pois o espaç amento entre as estacas é de 1,2 metros. O trecho 01 é o menos viável
economicamente, pois para este trecho utilizou-se um fator de seguranç a de 1,2, aumentando-
se, conseqüentemente, os custos.

128
Atravé s da Figura 6.21 pode-se observar o custo total da cortina de contenç ã o formada
por estacas justapostas, para situaç ões distintas onde a representaç ã o gráfica da esquerda
indica uma soluç ã o com parâmetros utilizados na soluç ã o original, sendo coesã o de 10 kPa e
ângulo de atrito igual a 25º. A representaç ã o gráfica central mostra o custo para uma
contenç ã o calculada pelo mé todo da extremidade livre, utilizando-se uma coesã o de 13 kPa e
ângulo de atrito igual a 25º. Para a soluç ã o utilizando o programa Geofine a representaç ã o
gráfica da direita, usando-se també m coesã o de 13 kPa e ângulo de atrito igual a 25º.

18000

15000
Custo Total (R$)

12000

9000
R$ 17.001,36

R$ 13.270,20

R$ 11.815,68

R$ 15.040,24

R$ 11.664,72

R$ 10.636,56

R$ 16.990,40

R$ 12.473,60

R$ 11.466,40
6000

3000

0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Executado (c = 10 kPa) Bowles (c = 13 kPa) Geofine (c = 13 kPa)

Figura 6.21. Comparaç ã o do custo total da obra para os trê s trechos.

Observa-se ainda que, dentre os trechos, a soluç ã o mais econômica seria uma
contenç ã o constituída com características do trecho 02, onde utilizou-se um espaç amento
maior, e ainda que dentro do trecho 02 a soluç ã o obtida atravé s do programa Geofine é de
8,8% menor que a soluç ã o obtida pelo mé todo da extremidade livre – Bowles, 1968.
Para projetos de contenç ões no Distrito Federal, fazendo-se uso da condiç ã o de nã o
saturaç ã o do solo, pode-se usar tanto o mé todo de Bowles como o mé todo do Geofine. A
Figura 6.22 mostra que o mé todo do Bowles é conservador em relaç ã o ao comprimento da
ficha, obtendo-se valores 37,0% maiores que os encontrados pelo programa Geofine. No
entanto, os valores dos momentos obtidos pelo mé todo do Bowles é cerca de 18,7% menores
que os encontrados pelo programa Geofine.

129
5,0 c = 13 kPa e φ = 25º
4,0 3,75

3,13 3,13

Ficha (m)
3,0
2,36
1,97 1,97
2,0

1,0

0,0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Bowles Geofine

100
84,7
Momento Má ximo (KN.m)

80 68,8 70,6

57,4 58,8
60
47,8

40

20

0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Bowles Geofine

Figura 6.22. Comparaç ã o entre o mé todo de Bowles (1968) e o Geofine.

Pela Figura 5.18, que fornece uma visã o geral da cortina de contenç ã o, observa-se
que o carregamento previsto em projeto, sobrecarga de 17,0 kN/m 2 , nã o deve ter ocorrido em
sua totalidade, tendo em vista a distância dos veículos no estacionamento até o topo da
contenç ã o. Sendo assim, fez-se retroanálises atravé s do programa do Bowles-1968 e do
Geofine, onde nã o considerou-se a sobrecarga.
A Figura 6.23 mostra os momentos calculados sem sobrecarga, utilizando-se uma
coesã o de 13,0 kPa e um ângulo de atrito do solo igual a 25º. O Programa do Bowles-1968
indica que a contenç ã o ficaria estável para essa configuraç ã o, ou seja, nã o necessitaria de
ficha e o momento seria nulo para uma escavaç ã o de 4,0 m onde nã o houvesse sobrecarga.
Pelo Geofine, encontrou-se momentos máximos de 8,2, 6,8 e 5,7 kNm/m e comprimentos de
fichas iguais a 1,07, 0,89 e 0,74 m, para as estacas 01, 02 e 03, respectivamente.

130
50

Momento Má ximo (KN.m/m)


40
33,0
30,0
30 27,4

20

8,2
10 6,8 5,7
0,0 0,0 0,0
0
Estaca 01 Estaca 02 Estaca 03

Instrumentação Bowles Geofine

Figura 6.23. Momentos calculados sem considerar a sobrecarga no terrapleno.

Comparando-se os resultados dos momentos fletores encontrados atravé s da


instrumentaç ã o, coluna da esquerda da Figura 6.23, com os valores dos momentos
encontrados pelas retroanálises, observa-se que esforç os devido a sobrecarga foram
mobilizados, pois os resultados via instrumentaç ã o sã o maiores que os encontrados atravé s
das retroanálilses sem a aplicaç ã o de sobrecarga.
Fez-se retroanálises para determinar o valor da sobrecarga que acarretaria os mesmos
momentos encontrados atravé s da instrumentaç ã o, mantendo-se a coesã o de 13,0 kPa e um
ângulo de atrito do solo igual a 25º, encontrando-se valores em torno de 6,0 a 6,5 kN/m2.
Observa-se que o valor inicialmente proposto, sobrecarga de 17,0 kN/m2, está
aproximadamente trê s vezes maior que os valores determinados pelas retroanálises.

6.6. DESLOCAMENTO NO TOPO DAS ESTACAS

Os deslocamentos no topo das estacas foram monitorados por meio de medidas


diretas, com o auxílio de um topógrafo que efetuava leituras atravé s de um teodolito. A
princípio o objetivo era o de se fazer uma rotina semanal de leituras, no entanto, como o
topógrafo estava a serviç o de uma empresa de engenharia que també m atuava em outra obra,
ficou difícil cumprir essa meta semanalmente. A Figura 6.24 mostra a evoluç ã o dos
deslocamentos no topo das estacas com o passar do tempo.

131
TRECHO 01 TRECHO 02 TRECHO 03
Esp. = 1,2 m Esp. = 1,2 m Esp. = 1,0 m
Ficha = 4,90 m Ficha = 4,08 m Ficha = 4,08 m
1
Deslocamentos (mm)

0
2
4
6
8
10

16 Dias 46 Dias

Figura 6.24. Deslocamentos no topo das estacas com o passar do tempo.

Observa-se que alguns deslocamentos no topo das estaca destoaram dos demais,
sendo que esses valores nã o foram computados para obtenç ã o da mé dia apesar de estarem
ilustrados na Figura 6.24. Na Tabela 6.2 encontram-se os deslocamentos mé dios para cada
trecho.

Tabela 6.2. Mé dia dos deslocamentos para cada trecho


Trecho Espaç amento (m) Mé dia dos Deslocamentos (mm)
01 1,2 5,1
02 1,2 6,5
03 1,0 4,5

A partir da mé dia dos deslocamentos para cada trecho, para as leituras de campo com
16 dias e 46 dias após a escavaç ã o, foi possível traç ar uma curva do comportamento dos
deslocamentos com o passar do tempo. Plotaram-se as mé dias dos valores dos deslocamentos
e lanç ou-se uma linha de tendê ncia para cada trecho, conforme ilustra a Figura 6.25.

132
Deslocamento X Tempo

Deslocamentos (mm)
6
5
4
3
2
1
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Tempo (dias)

Trecho 03 Trecho 02 Trecho 01

Figura 6.25. Variaç ã o do deslocamento com o tempo.

Pelo gráfico acima pode-se observar o comportamento de cada trecho com o passar
do tempo, sendo que as estacas do trecho 03 foram as que tiveram os menores deslocamentos,
o que era esperado, por terem o menor espaç amento entre elas, de 1,0 metro. As estacas dos
trechos 01e 02 tinham o mesmo espaç amento, 1,2 metros, no entanto para as estacas do trecho
01 usou-se um fator de seguranç a de 1,2 para o cálculo da ficha, e, com isso, as estacas deste
trecho ficaram com comprimento de ficha de 4,9 metros implicando, assim, em menores
deslocamentos no topo das estacas.
Observa-se ainda que a partir de 40 dias após a escavaç ã o os deslocamentos no topo
das estacas tendem a se estabilizarem, e, com isso, pode-se estimar, dentro do período de seca,
o tempo limite para beneficiar-se, do efeito da sucç ã o, no dimensionamento das contenç ões.

6.7. MOMENTOS MÁ XIMOS ATUANTES NAS ESTACAS

A Figura 6.26 mostra a variaç ã o nos momentos máximos na estrutura de contenç ã o


para cada estaca instrumentada. Pode-se observar que ao atingir 15 dias após a escavaç ã o, os
momentos atuantes nas estacas chegavam a aproximadamente 65% dos momentos máximos
finais. As estacas tê m comportamentos semelhantes, uma maior variaç ã o nos dias iniciais e
tendem a estabilizaç ã o dos momentos a partir de 30 dias. Nota-se que a estaca 01 apresenta

133
uma distorç ã o no ponto correspondente ao 16º dia e, provavelmente isso ocorreu devido a erro
de leitura.

Momento Má ximo X Tempo

35
Momentos Má ximos (kNm/m)

30
25

20
15

10
5

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Tempo (dias)

Trecho 03 Trecho 02 Trecho 01

Figura 6.26. Variaç ã o do momento máximo com o tempo.

6.8. DIFICULDADES

Este tópico aborda as dificuldades encontradas no desenvolvimento deste trabalho,


servindo de base para que trabalhos futuros nessa mesma linhagem nã o passem por problemas
aqui abordados e, caso ocorram, possa-se saber como soluciona-los.
A pesquisa foi desenvolvida em uma obra de escala real e de propriedade privada, o
que significa dizer que o tempo é definido pela empresa que executa a obra devido
compromissos comerciais.
Para a instrumentaç ã o um dos problemas é aquisiç ã o dos materiais que nã o sã o
encontrados facilmente no mercado, como os extensômetros elé tricos e a cola, que vem do
Estado de Sã o Paulo e demoram cerca de 60 dias para chegar. A colagem dos extensômetros
elé tricos na barra e a soldagem dos cabos de ligaç ã o dos extensômetros demanda uma certa
habilidade manual e prática, tendo sendo perdidas algumas barras no início do trabalho.

134
Na fixaç ã o das barras instrumentadas nas armaduras das estacas deve-se ter cuidado
para que nã o haja o estrangulamento da seç ã o do cabo de ligaç ã o, tendo-se em vista a forç a
demasiada do armador quando na fixaç ã o por meio de arame recozido com o uso de um
torquê s.
Após a descida da armadura no furo da estaca, é importante observar o
posicionamemnto das barras instrumentadas, sendo que devem ficar diametralmente opostas,
ou seja, uma fica na zona tracionada (lado do terrapleno) e a outra na zona comprimida (lado
da escavaç ã o). No posicionamento da estaca 03, um ajudante tentava suspender a armadura
pelos cabos de ligaç ã o e isso deve ser observado e combatido, sendo que, por coincidê ncia ou
nã o, a estaca 03 forneceu resultados de apenas dois níveis de instrumentaç ã o, tendo sido
perdido um nível instrumentado.
Outra dificuldade encontrada se deu nas medidas de campo dos deslocamentos no topo
das estacas, pois necessitava-se de um topógrafo para fazer as leituras. A meta era fazer
leituras de campo semanais para se fazer um acompanhamento mais detalhado, poré m, o
topógrafo utilizado estava a serviç o de uma outra empresa privada e a sua dispensa, toda
semana, ficou impossibilitada.

135
7. CONCLUSÕ ES

7.1. CONCLUSÕES

1. A utilizaç ã o da mecânica dos solos generalizada em projetos de engenharia geoté cnica


requer que o conhecimento atual seja adequadamente utilizado na avaliaç ã o dos esforç os
solicitantes e dimensionamento geral de obras de terra.

2. A parcela de coesã o devido à sucç ã o mátrica pode reduzir substancialmente o custo de


uma obra de contenç ã o considerando-se o uso de mé todos de equilíbrio limite. A
deformabilidade de maciç o nã o saturado també m pode ser considerada, o que certamente
contribuirá no aumento da confiabilidade de projetos que utilizam em suas premissas
conceitos da teoria da mecânica dos solos nã o saturados.

3. Projeto de obras geoté cnicas considerando a condiç ã o nã o saturada do solo requer que
fatores intervenientes como chuvas e eventuais infiltraç ões sejam considerados na
avaliaç ã o da parcela de coesã o total que depende da sucç ã o mátrica.

4. Os mé todos utilizados forneceram dados confiáveis, sendo que o mé todo de Bowles


(1968) mostrou-se mais conservador na determinaç ã o do comprimento da ficha que o
mé todo do Geofine, e apresentou valores menores para os momentos fletores.

5. Para as trê s condiç ões distintas estudada, a configuraç ã o do trecho 02 seria a ideal, onde
utilizaram-se espaç amentos entre as estacas de 1,2 metro e fator de seguranç a igual a 1,0,
pois foi a que apresentou menor custo. Os deslocamentos no topo das estacas variaram em
torno de 5,5 mm, valores considerados nulo nesses tipos de obras como sendo nulo.

6. Os deslocamentos no topo das estacas vã o aumentando gradativamente com o passar do


tempo até estabilizarem-se. Os momentos atingem aproximadamente 50% nos primeiros
dias, e vã o aumentando com o passar do tempo até a estabilizaç ã o.

136
7.2. SUGESTÕES

ü Instrumentar mais obras de contenç ã o para se ter um maior banco de dados.

ü Executar uma estaca experimental com níveis de instrumentaç ã o a cada 0,5 m, onde esta
fosse levada à ruptura por um carregamento localizado no ponto de aplicaç ã o da resultante
do empuxo, obtendo-se assim o comportamento dos momentos ao longo da estaca.

ü Executar uma estaca experimental no período de transiç ã o entre a é poca da seca e a é poca
de chuva, acompanhando-se os deslocamentos no topo das estacas e verificando-se a
contribuiç ã o da sucç ã o matricial.

ü Fazer retroanálises em outros programas numé ricos tipo plaxis, sigma, etc.

ü Antes de se executar a obra, calcular pelos mé todos existentes e executar de acordo como
o valor calculado, e com base nos ensaios laboratoriais.

137
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142
ANEXO A - Pressiô metro de Ménard (PMT)

Realizaram-se dois ensaios pressiomé tricos, PM1 e PM2, próximos aos furos de
sondagem SPT 11 e SPT 12 (vide anexo B), com o pressiômetro tipo Mé nard (sonda NX de
74 mm) no ano 2001 no local da obra, conforme Figura A.1.
Os ensaios seguiram os procedimentos recomendados pela D-4719 (ASTM 1987), e
durante os mesmos foram medidas as pressões aplicadas e as variaç ões volumé tricas
correspondentes à expansã o da cavidade cilíndrica na massa de solo, obtendo-se a curva
pressiomé trica necessária à determinaç ã o de parâmetros de resistê ncia e deformabilidade do
solo, bem como a previsã o da tensã o horizontal “in situ”.

Figura A.1. Detalhe do ensaio pressiomé trico.

A utilizaç ã o do pressiômetro apresenta claras vantagens, pois permite a obtenç ã o: da


relaç ã o tensã o-deformaç ã o do solo in situ, segundo hipótese de deformaç ã o; do módulo de
deformaç ã o; da pressã o de escoamento, mais conhecida como “creep pressure” e da pressã o
limite associada às condiç ões de ruptura do solo. Destacando-se como virtudes do ensaio a
possibilidade de medir as propriedades de deformaç ã o do solo, a resistê ncia limite ou de
ruptura.

143
Os ensaios foram executados em pré -furos, abertos a cada metro. O centro da parte
expansiva da sonda indica a profundidade de ensaio, sendo a cota do nível do terreno até o
centro da sonda igual 0,6 m. A parte expansiva tem 0,42 m, com cé lula de mediç ã o de 0,21 m
e distância do centro da sonda até o início das hastes de 0,73 m. As hastes possuem 1,0 m de
comprimento. A pressã o foi aplicada, em geral, em incrementos de 25 kPa, e os ensaios
finalizados após ser consumida a água disponível no reservatório do equipamento,
aproximadamente 800 cm3. A Figura A.2 ilustra o pressiômetro de Mé nard (PMT).

Figura A.2. Ilustraç ã o do pressiômetro de Mé nard (PMT)

144
Ensaio pressiomé trico

350
300

Pressão (kPa)
250
200
150
100
50
0
0 200 400 600 800
Volume (cm3)

Ensaio pressiomé trico

300

250
Pressão (kPa)

200

150

100

50

0
0 200 400 600 800
Volume (cm3)

Figura A.3. Curvas dos ensaios pressiomé tricos.

145
ANEXO B – RELATÓ RIO DE SONDAGEM

Figura B.1. Planta de locaç ã o das sondagens.

146
Figura B.2. Furo nº 11 de sondagem.

147
Figura B.3. Furo nº 11 de sondagem - continuaç ã o.

148
Figura B.4. Furo nº 12 de sondagem.

149