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FACULDADE ZACARIAS DE GÓES

ILMA CELESTE LACERDA RAMOS BRITO

INSTITUIÇÕES ASILARES: INCLUSÃO OU EXCLUSÃO SOCIAL?

VALENÇA-BAHIA
2012
ILMA CELESTE LACERDA RAMOS BRITO

INSTITUIÇÕES ASILARES: INCLUSÃO OU EXCLUSÃO SOCIAL?

Artigo apresentado à Faculdade Zacarias de Góes –


FAZAG, como requisito para obtenção do grau de
Bacharel em Enfermagem.

Orientador: Prof. José Alexandre Aquino de Sousa.

Valença – Bahia

2012
INSTITUIÇÕES ASILARES: INCLUSÃO OU EXCLUSÃO SOCIAL?

Ilma Celeste Lacerda Ramos Brito 1


José Alexandre Aquino de Sousa²

RESUMO

As instituições asilares constitui a modalidade mais universal e antiga de atenção ao idoso


fora do ambiente familiar, e tem como desvantagem levá-los ao isolamento e à inatividade
física e mental. Com a institucionalização acompanhada do processo fisiológico de
envelhecimento, muitos significados da vida do idoso acabam se confundindo, o que leva o
indivíduo ao isolamento, distanciando-se do contato com a sociedade e desencadeando
pensamentos negativos que prejudicam sua qualidade de vida. Esta investigação objetivou
analisar a qualidade das instituições asilares como forma de avaliação da inclusão e exclusão
de idosos em Instituições Asilares no Brasil, realizar o levantamento do perfil dos idosos
institucionalizados a fim de se conhecer suas necessidades e verificar a qualidade de vida em
instituições de longa permanência e o índice de abandono familiar dentro das mesmas, que
muitas vezes, para os idosos, constitui a pior de todas as características da vida asilar, testar a
hipótese de que o ato do asilamento, quase sempre por iniciativa da família à revelia do idoso,
implica em condição de privação ou imposição de limites, restringindo-os a uma vida de
isolamento sob a imposição de regras e normas às quais não estão acostumados, tornando-os
excluídos socialmente e reservados a uma vida comunitária com pessoas as quais eles nunca
tiveram laços afetivos, o que desperta o sentimento de um estado de extrema solidão.

Palavras chave: Idoso. Família. Acolhimento. Maus Tratos. Qualidade de Vida.

ABSTRACT

The nursing homes is the more general and ancient form of care for the elders, who do not
have the familiar help. But, usually, this form of care has the disadvantage make him in a
situation of isolation, without physical and mental activity. Accompanied with the
institutionalization of the physiological process of aging, many meanings of life of the
elderly end up getting confused, which leads the individual to isolation, away from
contact with society and triggering negative thoughts that impair quality of life. This
research aimed to analyze the quality of nursing homes as a way to assess inclusion and
exclusion of the elderly in nursing homes in Brazil. It also aims to achieve the aims of the
profile of the institutionalized elderly, in order to meet your needs and check the quality of life
in long-stay institutions and default rates within these familiar institutions, often for the
elderly, are of all the worst features of life asylum.

Keywords: Ancient. Family. Care. Abuse. Quality off Life.

1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Zacarias de Góes – FAZAG. E-mail: ilmalacerda@hotmail.com
² Professor orientador da Faculdade Zacarias de Góes - FAZAG. Graduado em fisioterapia pela Faculdade
adventista de Fisioterapia- Salvador-Bahia. E-mail: josealexandre@hotmail.com
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 04
2 METODOLOGIA 07
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 07
1.1 INSTITUIÇÕES ASILARES 08
3.2 ASPECTOS DEMOGRÁFICOS DO ENVELHECIMENTO 09
3.3 RELAÇÕES FAMILIARES 10
4 DISCUSSÃO 11
5 CONCLUSÃO 13
REFERÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO
Os idosos constituem o segmento populacional que mais cresce no Brasil. Segundo
dados do último censo demográfico, a população de pessoas na terceira idade é de
aproximadamente 21 milhões de idosos, o que corresponde a cerca de 10% da população
(IBGE, 2010). Estatísticas divulgadas por esse órgão mostram que no ano de 2000 a
população com mais de 65 anos correspondia a 5% dos habitantes do país e sinaliza que em
vinte anos o número de idosos pode-se chegar a trinta e dois milhões. Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS, 2003-2011) estima-se que a população de idosos no Brasil, entre
1950 e 2025, aumentará dezesseis vezes.

A sociedade assiste a esta mudança demográfica e existe a necessidade de se


adaptar às novas necessidades que surgem na população devido a esta circunstância.
A população está envelhecendo, a saúde das pessoas está melhorando e a esperança
de vida está aumentando. Esta é uma tendência positiva à qual a sociedade precisa
de se adaptar (Ekholm, 2010, p. 10).

Segundo Beauvoir (1970), a velhice é um fenômeno biológico que acarreta


consequências psicológicas, já que o organismo do idoso apresenta certas singularidades e
condutas próprias de uma idade avançada. Acrescenta a autora que o homem, em sua velhice,
tem sua condição vital imposta pela sociedade a qual pertence. Nessa fase, o ser humano
começa a apresentar declínio funcional e uma grande limitação em sua mobilidade (IBGE,
2009), sintomas socialmente definidores de incapacidade funcional, que é definida pela
Organização Mundial da Saúde - OMS como a maior dificuldade enfrentada pelos idosos,
devido à deficiência para realizar as atividades típicas e, pessoalmente, desejada na sociedade
(CIF, 2003).
Nessa situação, as limitações corporais e a consciência da temporalidade
constituem problemáticas fundamentais no processo de envelhecimento, configurando
expectativas negativas para a vida do idoso.

A velhice é vista pelas pessoas com idade mais avançada como uma fase de ônus no
processo natural da vida, em que as transformações acarretam dificuldades como o
desânimo, dificuldades motoras e a falta de memória, fato ressaltado em diversos
estudos (VERAS 1995, p. 03).

Segundo o art. 3º do Estatuto do Idoso (2003), é obrigação da família, da


comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a
efetivação do direito à vida, saúde, alimentação, educação, cultura, lazer, trabalho, cidadania,
liberdade, dignidade, respeito e à convivência familiar e comunitária (BRASIL, 2003).
Para Pimentel (2001), o que leva o idoso ao isolamento é a inexistência de uma
rede de interações que facilite a sua integração social e familiar e que garanta um apoio
efetivo em caso de maior necessidade.
Com base em Canoas (1985), cada indivíduo possui a sua própria maneira de lidar
com emoções e problemas e de se ajustar a diversas mudanças ocorridas no decorrer da vida.
Normalmente a entrada de um idoso para um asilo sempre se torna um drama
porque, como estão afastados dos familiares, sofrem isolados de todos, principalmente
aqueles que não se adaptam à nova maneira de viver, com novas regras e estilo de vida aos
quais não estão acostumados e também sofrem com os problemas gerados dentro das
instituições: alguns asilos “amontoam” os “velhos”, outros os tratam como dementes ou
crianças, e a maioria ignora o potencial humano dos idosos apesar da preocupação de alguns
lares com o bem estar dos internos (CANOAS, 1985).
Em épocas passadas as instituições para idosos, conhecidas como asilos, se
destinavam a abrigar a velhice desprotegida. Ao longo do tempo os asilos, originariamente
destinados a acolher e abrigar a velhice desprotegida ajustou sua missão e funcionalidade,
oferecendo assistência multiprofissional para contextualizar com uma sociedade com número
crescente de idosos, que apresentam necessidades cada vez mais complexas (CANOAS,
l985). As carências físicas com reflexos nas atividades biológicas e funcionais do individuo
alteram seu cotidiano familiar e social, implicando em isolamento voluntário ou provocado
pela falta de apoio da família, o que torna o processo de asilamento uma consequência quase
natural.
Ao institucionalizar o idoso, os familiares tiram-lhes o direito à liberdade de ir e
vir e de conviver com a comunidade, os quais são assegurados pela Constituição de 1988 e
pela Lei 8.842/94 regulamentada pelo Decreto 1948/96 que estabelece direitos sociais,
garantia de autonomia, integração e participação dos idosos na sociedade, como instrumento
de direito próprio de cidadania, inclusive da sua participação na formulação das políticas
públicas (BRASIL, 1988).
O Estatuto do Idoso (2003) em seu art. 37 e parágrafos determinam que: “O idoso
tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhada de
seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada”.
A prática mostra que os “asilos”, geralmente, são instituições não convenientes às
necessidades dos idosos, na maioria das vezes sem assistência social, cuidados básicos de
higiene e alimentação adequada. Isso faz com que os idosos institucionalizados sintam-se
cada vez mais isolados, longe dos familiares, forçados a viver na solidão. (VIEIRA, 1996).
Segundo Cabral et al (2003), o medo, a depressão e o isolamento social dos idosos
asilados, acompanhado do surgir das rugas na pele e dos cabelos brancos representam
alterações fisiológicas, que tornam o organismo susceptível às doenças e a alterações
psicológicas, excluindo, cada vez mais, estes idosos do seio da sociedade. Como diz Debert
(1999), a impossibilidade do resgate de uma vida digna e da multiplicidade de papéis sociais
torna a experiência na instituição decepcionante e dá a ela dinâmica própria.
A exclusão social dos idosos é um fato preocupante em todo o mundo, um
problema que se avoluma na medida em que cresce também o número de idosos na
população. A baixa prioridade atribuída aos idosos pelas políticas públicas (assistenciais,
previdenciárias e de ciência e tecnologia) evidencia uma percepção inadequada das
necessidades específicas deste segmento populacional. A partir dessa problemática, os
familiares passam a institucionalizar seus idosos como forma de fugir das responsabilidades
oriundas de uma pressuposta incapacidade produtiva, somada com o aparecimento
progressivo de doenças e dificuldades funcionais que, segundo Saldanha (2004), classifica
como declínios biológicos e interferem na dinâmica da família, que passa a excluir o idoso de
sua rotina e tomada decisões.
Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo principal demonstrar que o
ato do asilamento, quase sempre por iniciativa da família à revelia do idoso, implica em
condição de privação ou imposição de limites, restringindo-os a uma vida de isolamento sob a
imposição de regras e normas às quais não estão acostumados, tornando-os excluídos
socialmente e reservados a uma vida comunitária com pessoas eles nunca tiveram laços
afetivos, o que desperta o sentimento de um estado de extrema solidão.
E tendo como objetivos específicos, avaliar as Instituições Asilares para
comprovar se são referência de inclusão ou exclusão social dos internos, dando ênfase à
qualidade de vida e identificar alguns aspectos considerados importantes para os idosos,
inclusive com relação à percepção de uma sociedade que apresenta dificuldades em lidar com
as diferenças, estigmatizando e provocando sentimentos de impotência e de exclusão ao
afastar essas pessoas do mundo produtivo.
Essa situação desencadeia um conjunto de condições físicas e morais adversas,
que poderão causar-lhes sérios problemas de saúde, levando-os, na maioria das vezes à
depressão, o que poderá produzir como consequência o fim da vida (DAVIM et al., 2004).
2 METODOLOGIA
A metodologia empregada no presente artigo foi feita através do levantamento
bibliográfico da produção científica sobre o tema, no período de 1970 a 2011, optando-se por
utilizar como material de estudo artigos científicos, revistas especializadas, livros texto
especializados, periódicos.
Para o levantamento bibliográfico foi realizada busca na biblioteca virtual do
sistema Scielo Brasil (http://www.scielo.br), de periódicos das áreas de saúde pública,
enfermagem, geriatria, sociologia e antropologia. Com o intuito de fazer o refinamento da
pesquisa, foi feita a primeira busca pelas palavras chaves: “Idoso”, “Acolhimento”, “Maus
Tratos”, “Qualidade de Vida”.
Para análise e seleção do material, foram
realizadas as seguintes etapas: leitura exploratória, a fim de conhecer todo o material
levantado; leitura seletiva, através da qual foram selecionados os artigos pertinentes aos
propósitos da pesquisa; leitura analítica dos textos, momento de apreciação e julgamento das
informações, evidenciando-se os principais aspectos abordados sobre o tema. Finalmente,
leitura interpretativa que, apoiada na experiência profissional dos pesquisadores, conferiram
significado mais amplo aos resultados obtidos com a leitura analítica. Ao final do
levantamento, foi analisado um total de 51 artigos sendo que, destes, apenas 17 foram
utilizados para a confecção do presente trabalho.
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Se em épocas passadas as instituições para idosos, conhecidas como asilos, se
destinavam à velhice desamparada, hoje, na sociedade marcada pelo envelhecimento, passam
a ter uma nova missão: cuidar dos idosos necessitados de uma assistência multiprofissional,
em face das perdas funcionais que se tornaram uma problemática a vida com a família.
(ESTEVES, 1995). Com o crescimento dessa população, idosa e dependente de cuidados
especiais, as instituições asilares torna-se cada vez mais necessárias à sociedade (ESTEVES,
1995).
A sociedade defende as instituições asilares como capazes e preparadas para
atender e beneficiar o idoso, enquanto os próprios idosos as classificam como locais onde
todos os dias são tristes e onde esperam a morte.

Vítimas deste mesmo processo de danificação da personalidade pelo intenso repasse


ideológico, o idoso se vê asilado, privado de sua auto identificação, de objetos
pessoais e escolhas, incapazes de questionar e obrigados a submeter-se, excluído
pelas mesmas questões que, em dado momento de sua vida, ele próprio absorveu,
aceitou e ajudou a construir (ALVES, 2006, p. 02).

De acordo com o Estatuto do Idoso, medidas de proteção devem ser aplicadas


sempre que os direitos requeridos nessa lei forem ameaçados ou violados, por falta, omissão
ou abuso da família, curador ou entidade de atendimento (BRASIL, 2003).
3.1 INSTITUIÇÕES ASILARES
É de fundamental importância definir o real significado do Idoso
institucionalizado. Segundo Boof, (1993) Institucionalização significa ato ou efeito de
institucionalizar que por sua vez significa dar ou adquirir o caráter de institucionalização ou
simplesmente colocar uma pessoa em uma instituição, os quais serão submetidos a princípios,
a leis e regras pelas quais se regem uma sociedade ou entidade (LUFT, 2002).

As representações sociais da velhice convocam o modo de incapacidade que se


associa à dependência de terceiros. Nesta linha de pensamento surge a noção de lar
ou institucionalização da dependência (…) encarado como uma alternativa da vida
moderna à família (VAZ, 2008, p 07).

A partir do momento em que um asilo se dispõe a cuidar de pessoas idosas, devem


fazê-lo em função das necessidades dos idosos residentes que são: alimentação, abrigo,
higiene, cuidados médicos, lazer. Organizar e reunir pessoas para trabalhar estas funções com
os idosos dentro das instituições asilares não é tarefa para poucos e esta preocupação se
observa no comportamento dos idosos, os quais, passam a ser meros consumidores dentro das
mesmas.

A preocupação maior destas instituições asilares, tem sido em relação ao seu bom
funcionamento; desta forma, em termos administrativos, têm sido pensadas e
repensadas uma maneira de melhorar esta relação: idoso/asilo mas, pouco se tem
feito em termos de trabalho social com idosos (CANÔAS, 1985, p. 05).

Segundo Costa (1998), asilo é, basicamente, uma instituição burocrática, cuja


hierarquia deriva da posição que cada um ocupa dentro dela. Lá se estabelecem relações de
poder os quais são expressões de uma organização, um conhecimento especializado dos que lá
exercem suas funções sobre os que estão na condição de internos que se concretiza através das
normas e regulamentos, que, enquanto elementos racionais, representam (LIMA, 1997).

O homem é uma totalidade complexa e dinâmica no que consiste sua


individualidade. Se for “dividido” para viver, isto é, se puder fazer somente isto ou
aquilo, vai perdendo sua característica peculiar ter ou fazer, ou seja, sua própria
existência (CANÔAS, 1985, p. 08).

As entidades que prestam atendimento aos idosos sejam elas asilos ou casas de
repouso, públicas ou privadas, têm por obrigação buscar alternativas para promover as
devidas garantias dos direitos sociais e do exercício da cidadania que incidem nas melhorias
das condições de vida dos seus institucionalizados.

É necessário criar condições favoráveis de estímulos, desafios e esperanças aos


idosos asilados, tornando sua existência rica e proveitosa. O homem é extremamente
rico em criar formas novas de vida, portanto não deverá submeter-se à ideia de asilo
passivamente (CANÔAS, 1985, p. 12).

A institucionalização do idoso pelos familiares tira-lhes o direito à liberdade,


conforme previsto na Constituição da República Federativa do Brasil – CRFB/88 e na Lei
8.842/94, inclusive da sua participação na formulação das políticas públicas. Ao mesmo
tempo, a mesma Lei diz que a ideia de que o idoso desprovido de família possui maior
probabilidade de asilamento e está em consonância com o que prevê a Política Nacional de
Atenção ao Idoso, ao explicitar que a modalidade asilar de assistência social ao idoso “ocorre
no caso da inexistência do grupo familiar, abandono e carência de recursos financeiros
próprios ou da própria família” (artigo 3º, § único) que institui a Política Nacional do Idoso
(PNI), além de ferir os direitos regulamentados pelo Decreto 1948/96, que estabelece direitos
sociais, garantia de autonomia, integração e participação dos idosos na sociedade como
instrumento de direito próprio de cidadania
3.2 ASPECTOS DEMOGRÁFICOS DO ENVELHECIMENTO
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), “O
envelhecimento é um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal,
não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio de todos os membros de
uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos capaz de fazer frente ao estresse do meio
ambiente e, portanto, aumente sua possibilidade de morte”.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) propõe que seja considerado idoso o
individuo com 60 anos ou mais em países em desenvolvimento e em países desenvolvidos, os
indivíduos maiores de 65 anos.
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. No Brasil, a população
maior de 60 anos aumenta progressivamente e a população ainda mais idosa, ou seja, que tem
mais de 80 anos, também está aumentando e faz com que haja subgrupos dentro da
classificação da população idosa. (BRANDÃO, 2011). O envelhecimento populacional é um
reflexo da queda da fecundidade e da mortalidade, além do aumento da expectativa de vida
que passou de 69 para 72 anos de vida de acordo com o IBGE (2009).
O processo de envelhecimento populacional causa grande impacto em vários
aspectos: condições de vida, família, mercado de trabalho e previdência. Embora grande parte
da população de idosos apresente boa saúde, muitos deles convivem com incapacidades,
causadas por doenças crônicas, cardiopatias e câncer (BRANDÃO, 2011). Para esse autor,
muitos estudos demonstram preocupação sobre o impacto que a população de idosos causa no
sistema previdenciário e na utilização dos serviços de saúde.
A feminização da velhice também é um aspecto importante a ser considerado, pois
os homens têm menor expectativa de vida. Muitas idosas ficam viúvas e vivem sozinhas, sem
o apoio da família e sem nunca terem trabalhado no mercado de trabalho e convivendo com
debilidades e doenças crônicas diversas, fazendo com que essa população procure cada vez
mais as instituições asilares como forma de sobrevivência (BRANDÃO, 2011).
3.3 RELAÇÕES FAMILIARES
A degradação da qualidade de vida do idoso está diretamente relacionada com a
quantificação dos problemas vivenciados no seu universo familiar, independente de sua
participação direta nesses problemas. A família e os amigos são as primeiras fontes de
cuidados. O maior indicador para o asilamento e outras formas de institucionalização de longa
duração entre idosos é a falta de suporte familiar (CALDAS, 2002).
A associação das carências funcionais da terceira idade e suas consequências
comportamentais com o peso financeiro que passam a representar para a família e para a
sociedade faz com que os idosos sejam percebidos como “mortos sociais”, muitas vezes
implicando no ato do asilamento por iniciativa da sua família.

Observa-se que os idosos institucionalizados confundem solidão com saudade. Esses


sentimentos são sinônimos de isolamento, incapacidade de interação com outras
pessoas do seu meio. Vão se distanciando as ligações dos idosos com seu mundo,
levando-os a voltar-se para si mesmos, reduzindo seu sentido de existência, gerando
angústia e muitas vezes depressão (MAZIUM, 2006, p.101).

Na maioria das vezes, as famílias dos idosos institucionalizados, são ausentes no


que se refere à relação com os mesmos, levando-os à depressão, distúrbios da ansiedade, entre
outro. Nas Instituições, os idosos são carentes afetivos, posto que, raramente recebem visitas
de familiares (VIEIRA, 2002). Embora a ausência familiar seja marcante na vida de cada
idoso, percebe-se que esta lacuna é parcialmente preenchida pelo trato recebido dos
funcionários destas instituições. Algumas vezes a opção por ir morar em uma instituição asilar
parte do próprio idoso, ou seja, do desejo do mesmo em procurar um local no qual encontre
atenção, conforto e, especialmente, atendimento às suas necessidades básicas. Na maioria das
vezes, por não ter o apoio da família, o idoso dá preferencia por residir em um asilo,
principalmente para aqueles cujas condições financeiras não são muito favoráveis tornando
um ponto preponderante para a tomada de tal decisão.
4 DISCUSSÃO
O enfrentamento do processo de envelhecimento por parte dos idosos se expressa
de diferentes maneiras, tendo em vista que, em geral, é quando a família não possui mais
nenhuma alternativa, fazendo-se necessário recorrer a uma instituição. Alguns idosos aprovam
a condição de institucionalizados, em decorrência da falta de recursos financeiros próprios ou
de familiares. Outros vêm sua condição como marginalização, abandono e rejeição,
prostrando-se a espera da morte, sem ter expectativas e desafios. (BORN, 2006).
Segundo Saldanha (2004), essa exclusão é percebida pelo idoso como falta de
carinho e atenção, o que desencadeia conflitos e disputas com outros membros da família por
espaço e respeito. Somando-se a essa questão social, advêm as questões financeiras
decorrentes dos cuidados especiais que o idoso requer e que agrava a situação de conflito
familiar.
A somatização dessas questões culmina na marginalização do idoso no ambiente
familiar ou com a sua internação em asilo, processos que negam a qualidade de vida e os seus
anseios sociais, refletindo-se em doenças do corpo e da alma. De acordo com Saldanha
(2004), o equilíbrio no convívio do idoso com a família é fundamental para a sua saúde e para
o estabelecimento de infraestrutura psicossocial que possibilite o seu bem estar social.
Os idosos institucionalizados apresentam um perfil diferenciado, com um
grande nível de sedentarismo, carência afetiva, perda de autonomia causada por incapacidades
físicas e mentais, ausência de familiares para ajudar no autocuidado e insuficiência financeira.
No entanto, é necessário salientar que o bem estar dos idosos institucionalizados não depende
unicamente das características das instituições e do próprio indivíduo, compete também para
tal, à divergência entre as necessidades dos idosos e a capacidade da instituição para satisfazê-
los. Essa ausência de relacionamentos interfere no isolamento de indivíduos da terceira idade,
pois antes havia interesses que uniam aquele grupo familiar e os amigos e com o passar dos
anos, torna-se cada vez mais distante (Monteiro e Veiga, 2001).
Apesar de todos esses indicadores não há como relegar a plano secundário a
importância social das instituições asilares na sociedade contemporânea brasileira,
principalmente na analise contextual do crescimento populacional do país. Segundo Heredia
(2004), as condições socioeconômicas precárias do idoso ou da família podem constituir-se
em motivos de asilamento. As necessidades básicas de alimentação, repouso, higiene e
atenção à saúde são transferidas para essas instituições.
No mesmo estudo essa pesquisadora destaca que nas instituições, além das
necessidades básicas, o tempo dos idosos é utilizado na realização de algumas atividades que
podem ser agrupadas em duas modalidades: uma categorizada como atividades interativas
com pessoas ou objetos, cujas predominâncias se referem ao diálogo com seus pares (69,3 %)
e ao desenvolvimento de atividades manuais (23,3%) e outra categorizada como atividades
não interativas, caracterizada pela passividade do idoso: assistir à televisão (58,0%); ouvir
rádio (41,5%); ouvir música (19,9%); ler (14,2%). É importante salientar que ambas as
atividades, sejam ativas, sejam passivas, são importantes para o desenvolvimento individual
do idoso.
Para Debert (1999), estar em uma instituição para idosos possibilita alcançar a
liberdade e a autonomia funcional, sem depender de ninguém. Estar em um asilo pode
constituir a vantagem de desfrutar de certo conforto de hotelaria e dos cuidados médicos e de
enfermagem. Essa situação é reconhecida por muitos asilados, que veem no asilamento um
progresso quando comparado com a sua situação anterior, apesar da sensação de isolamento e
solidão (LIMA, 1997).
Segundo Beauvoir (1970), os idosos, em nossa sociedade, geralmente representam
uma responsabilidade muito grande para os hospitais e serviços de assistência social. Isso
parece se dever, em grande parte, a um relaxamento dos vínculos de afeto familiar. A
marginalização da velhice é decorrente dessa privação de contato com a família e o grupo a
qual pertença.

Inativo, reduzido à condição de objeto, o objeto asilado se torna rapidamente senil. A


vida em comum é muito mal suportada pela maioria dos idosos. No interior dos
asilos aceleram-se todos os processos patológicos a que está sujeita à velhice
(BEAUVOIR, 1970, p. 21).

Se por um lado às instituições asilares desempenham seu papel de acolhedoras dos


idosos em processo de exclusão social, por outro lado suas normas internas contribuem para o
afastamento dos problemas sociais externos, proporcionando um confinamento social, ficando
os idosos restritos apenas à vida institucionalizada, caracterizando-se como uma forma de
ruptura dos elos que os ligavam à vida familiar e social. Essas pessoas acabam tendo suas
vidas determinadas de acordo com as normas estabelecidas pela instituição
(ALBUQUERQUE, 1994).
Segundo Albuquerque (1994), há uma tendência à reclusão da vida social, tendo
como consequência, em geral, idosos mais apáticos, sem motivação e extremamente carentes,
em relação aos residentes na comunidade.
5 CONCLUSÃO
Muitos idosos que moram em instituições sofrem com sentimento de abandono,
rejeição e perda. Isso acontece quando a família perde o costume de fazer visitas ou de manter
contato constante com o idoso, o que pode deixá-lo fragilizado e suscetível a sentimentos que
podem desencadear depressão, além de outras fragilidades físico-emocionais. Com a
institucionalização acompanhada do processo fisiológico de envelhecimento, muitos
significados da vida do idoso se confundem o que leva o indivíduo ao isolamento,
distanciando-o do contato com a sociedade e desencadeando pensamentos negativos
prejudiciais à qualidade de vida.
Os idosos internados em asilos estão abandonados duplamente; primeiro, pela
família; segundo, pela própria instituição. Esse duplo esquecimento os condena a uma
realidade de dias quase sempre idênticos, não raras vezes definida por eles mesmos como um
cotidiano onde se "come e dorme". Assim, os idosos vitimados por esse modelo asilar são
submetidos ao sedentarismo, pois a eles não são oferecidas atividades que possam
proporcionar qualidade de vida.
Quando os familiares tomam a decisão de institucionalizar o idoso, é necessário
conhecer a instituição para observar as atividades elaboradas durante o dia a dia. (ASSUELO
2004). As instituições asilares destinadas a darem assistência a essa população deveriam ter
um suporte e uma melhor infraestrutura para estimular e abrigar o idoso com um acolhimento
mais humanizado. Assim, não se limitariam ao ato de receber, mas a uma sequência de atos e
modos que compõem o processo de trabalho em saúde. Dessa forma, "acolher" não significa a
resolução completa dos problemas referidos pelo usuário, mas a atenção dispensada na
relação, envolvendo a escuta, a valorização de suas queixas, a identificação de necessidades, a
criação de alternativas, sejam estas no âmbito individual ou coletivo.
É necessário assegurar ao idoso uma vida digna, tanto para interesse deste, quanto
das gerações mais novas. Pessoas de idade avançada, bem equilibradas e adaptadas, são
elementos sumamente úteis em nossa sociedade. Espera-se que a experiência dos mais velhos
seja para a geração jovem, uma herança de grande valor. Propor uma linha de ação que
permita uma maior integração do idoso através do fortalecimento de vínculos familiares e
comunitários deveria ser o principal objetivo dos familiares para com essa população tão
frágil e ao mesmo tempo tão necessária à nossa vida.
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