PARTE 1

http://regeneracaomonergistica.blogspot.com/search/label/O%20Romance%20do%20Irm %C3%A3o%20Armando%20-%20%22O%20Homem%20que%20Casou%20com%20uma %20Alma%20do%20Outro%20Mundo%22 PARTE II Os feiticeiros nunca são mortos à pedrada ou com facas, pois só as almas penadas os podem exterminar. De um modo geral, existem três formas para matar um feiticeiro: queimados no fogo, entregues às feras ou animais aquáticos, como jacarés, peixes e cobras, etc. Mesmo depois da sentença, ainda fazem passar o feiticeiro por mais outra prova: levam-no à floresta onde juntam muita lenha com a qual a envolvem, sentado num tronco ou no chão rodeado pela lenha. Depois pronunciam as palavras sacramentais de obasa, dizendo: A vós, que viveis noutro mundo, trouxemo-vos este homem (ou mulher), acusado(a) de feiticeiro(a) e de ter morto fulano, conforme foi confirmado pelo cadáver aquando da adivinhação e pelo ombulungu. Pedimos então a vossa opinião para sabermos se este homem merece ou não morrer. Vamos colocar esta brasa em cima da lenha para vós soprardes, ateando o fogo, caso ele seja mesmo culpado. O homem que profere estas palavras imediatamente toma uma pequena brasa, do tamanho de uma abelha, e a pôe em cima da lenha. De repente aparecem remoinhos de vento de várias direcções, todas se dirigindo para a lenha com o fim de fazer com que a brasa pegue fogo. Caso se confirme a acusação, em pouco tempo a fogueira tornar-se-á grande. Quando o feiticeiro morrer e o seu corpo explodir, todos batem palmas ao mesmo tempo que dizem: - Wa paya ongonga wa vinga (“Quem matar uma águia enxotou-a”). Outra opção é a de levar o feiticeiro junto de um rio, e ao chegarem rapam-lhe todo o cabelo. Com uma navalha dão-lhe um golpe na cabeça fazendo escorrer sangue para uma folha de árvore, chamada ombula. Depois pronunciam, como é hábito, o obasa: - Alma dos falecidos, venham dar provas de que foi este homem quem matou fulano. Se for ele, quando lançarmos ao rio esta folha ensanguentada que apareçam animais da água para disputarem esta folha. Caso contrário, deixai a folha em paz. Atiram a folha ao rio, e se o(a) indivíduo(a) for de facto feiticeiro(a), aparece de imediato um grupo de animais das águas, jacarés, cobras e outros, para disputarem aquela folha. Em consequencia, com um pequeno machado dão um golpe na nuca do feiticeiro e o atiram ao rio, onde é esquartejado pelos animais. Outras ocasiões, ao feiticeiro, prendem-lhe os pés e braços e o levam para floresta, longe dos povoados, deixando o pobre feiticeiro numa encruzilhada e citam o obasa: - Vós que viveis noutro mundo que nós desconhecemos, pedindo ajuda para este feiticeiro (ou feiticeira), que seja comido pelas feras do mato, caso seja ele o culpado. Então o feiticeiro(a) fica ali abandonado. Se de facto for ele(a) o(a) culpado(a), na manhã do dia seguinte só se encontrarão pegadas de algum animal que o(a) tenha comido(a). Assim ficam todos satisfeitos e então dizem: - Wa paya ongonga wa vinga (“Quem matou uma águia enxotou-a”). Estas práticas, hoje em dia, são pouco comuns, embora sejam praticadas em certas regiões, ainda que um pouco modificadas. As acusações de feitiçarias e mortes por espancamento são comuns entre os bailundos, sobretudo nos meios rurais. Ainda hoje se verificam nos velórios as danças aos sons dos batuques, e o quarto onde estiver

o cadáver fica repleto de gente. As pessoas permanecem no velório dias e noites até o mesmo terminar. Também se continuam a matar os animais, bois, porcos, galinhas ou outros, para os banquetes, e também se usam muitas bebidas em memória do falecido, tudo com grandes festas. Atenção este romance vai passar para: http://www.scribd.com/magcal "Quando chegou junto de mim, (BREVEMENTE TAMBÉM AQUI NESTE POST)" ENTRETANTO... o treinador madridista José Mourinho enviou uma carta à Seleção Nacional de Portugal onde pede empenho aos jogadores e apoio por parte dos portugueses. Medite nela: «Sou português há 47 anos e treinador de futebol há dez. Sendo assim, sou mais português do que treinador. Posto isto, para que não restassem dúvidas, vamos ao que importa... As Selecções Nacionais não são espaços de afirmação pessoal, mas sim de afirmação de um País e, por isso, devem ser um espaço de profunda emoção colectiva, de empatia, de união. Aqui, nas selecções, os jogadores não são apenas profissionais de futebol, os jogadores são além disso portugueses comuns que, por jogarem melhor que os portugueses empregados bancários, taxistas, políticos, professores, pescadores ou agricultores, foram escolhidos para lutarem por Portugal. E quando estes eleitos a quem Deus deu um talento se juntam para jogar por Portugal, devem faze-lo a pensar naquilo que são - não simplesmente profissionais de futebol (esses são os que jogam nos clubes), mas, além disso, portugueses comuns que vão fazer aquilo que outros não podem fazer, isto é, defender Portugal, a sua auto estima, a sua alegria. Obviamente há coisas na sociedade portuguesa incomparavelmente muito mais importantes que o futebol, que uma vitória ou uma derrota, que uma qualificação ou não para um Europeu ou um Mundial. Mas os portugueses que vão jogar por Portugal - repito, não gosto de lhes chamar jogadores - têm de saber para onde vão, ao que vão, porque vão e o que se espera deles. Por isso, quando a Federação Portuguesa de Futebol me contactou para ser treinador nacional, aquilo que senti em minha casa foi orgulho; do que me lembrei foi das centenas e centenas de pessoas que, no período de férias, me abordam para me dizerem quanto desejam que eu assuma este cargo. Isto levou-me, pela primeira vez na minha vida profissional, a decidir de uma forma emocional e não racional, abandonando, ainda que temporariamente, um projecto de carreira que me levou até onde me levou. Desculpem a linguagem, mas a verdade é que pensei: Que se lixem as consequências negativas e as críticas se não ganhar; que se lixe o facto de não ter tempo para treinar e implementar o futebol que me tem levado ao sucesso; por Portugal, eu vou! E é isto que eu quero dizer aos eleitos para jogar por Portugal: aí, não se passeia prestigio; aí, não se vai para levar ou retirar dividendos; aí, quem vai, vai para dar; aí, há que ir de alma e coração; aí, não há individualidades nem individualismos; aí, há portugueses que ou vencem ou perdem, mas de pé; aí, não há azias por jogar ou por ir para o banco; aí, só há espaço para se sentir orgulho e se ter atitude positiva. Por um par de dias senti-me e pensei como treinador de Portugal. E gostei. Mas tenho que

reconhecer que o Real Madrid é uma instituição gigante, que me «comprou» ao Inter, que me paga, e que não pode correr riscos perante os seus sócios e adeptos. Permitir que o seu treinador, ainda que por uns dias, saísse do seu habitat de trabalho e dividisse a sua concentração e as suas capacidades era impensável. Creio, por conseguinte, que o feedback que saiu de Madrid e chegou à Federação levou a que se anulasse a reunião e não se formalizasse o pedido da minha colaboração. Para tristeza minha e frustração do presidente Gilberto Madail. Mas, sublinho, agora já a frio: foi e é uma decisão fácil de entender. Estou ao leme de uma nau gigantesca, que não se pode nem se deve abandonar por um minuto. O Real decidiu bem. Fiquei com o travo amargo de não ter podido ajudar a Selecção, mas fico com a tranquilidade óbvia de quem percebe que tem nas suas mãos um dos trabalhos mais prestigiados no mundo do futebol. Continue a ler a carta de José Mourinho: http://www.lux.iol.pt/nacionais/mourinho-josemourinho-selecao-seleccao-nacional-selecao-nacional-seleccao/1196570-4996.html

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico AVISO DO BLOGUE: Abro uma frente contra o individualismo liberal, que reduz tudo o que envolve a Humanidade à mera economia, e contra o totalitarismo que faz desaparecer o individuo dentro da máquina absorbente do Estado e da Religião, proclamo que somente numa sociedade com vida própria pode desenvolver-se a liberdade concreta a que a humanidade tem direito. O moto "Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est" ("Igreja Reformada e sempre reformando-se") continua vigente. Quero reforçar a sociedade como travão ao Estado e à Religião, a fim de proteger e promover a liberdade do Indivíduo. Corresponde ao Estado a função de coordenador político, para manter a unidade teológica e orgánica do corpo social, dirigindo, vigiando e impulsionando a vida colectiva. Through the grace of our Lord YAOHÚSHUA (Jesus), the love of G-d, and the communion of the 'Rukha Hol-Hodshúa (Holy Spirit), I trust in the one triune G-d (YÁOHU ULHÍM), the Shúam (Name), the Holy One of Yaoshorúl (Israel), whom alone I worship and serve (http://gamc.pcusa.org/ministries/pda/). God comes to us in free and undeserved favor in the person of YAOHÚSHUA who lived, died, and rose for us that we might belong to G-d and serve Mehushkhay (Christ) in the world. Following YAOHÚSHUA, Presbyterians are engaged in the world and in seeking thoughtful solutions to the challenges of our time. Presbyterians affirm that G-d comes to us with grace and love in the person of YAOHÚSHUA, who lived, died, and rose for us so that we might have eternal and abundant life in him. As Mehushkhay's (Christ’s) disciples, called to ministry in his name, we seek to continue his mission of teaching the truth, feeding the hungry, healing the broken, and welcoming strangers. G-d sends the 'Rukha Hol-Hodshúa (Holy Spirit) to dwell within us, giving us the energy, intelligence, imagination, and love to be Mehushkhay's (Christ’s) faithful disciples in the world.

More than two million people call the Presbyterian Church, http://www.pcusa.org/, (in the U.S.A.) their spiritual home. Worshipping in 10,000 Presbyterian congregations throughout the United States (also in other countries and cities like the city of Braga, Portugal (Observation: My Church is not directly connected but inspired by): Apresento-vos, pois, formalmente a MINHA AMADA IGREJA OFICIAL, http://www.wix.com/ViktorMoreno/conviteavalsa: IGREJA BAPTISTA (PRESBITERANA) PENTECOSTAL - Vias Prebendas dignas duma lauda ou de um asteísmo: Rua de S. Martinho, 9 / Rua Manuel Álvares, 9, Braga; Horários: Terça/Quinta: 20:30/21:00 (Verão: 21:00); Sábado: 19:00 hrs (Abaixo dos Bombeiros Municipais; em frente da gasolineira "BP" - Sapadores) C.P./Cidade: 4700 Braga; Telemóvel oficial do Pastor: 964 803 540, "ESCRITURAS OFICIAIS": http://verdadesquelibertam.wordpress.com/as-escrituras-naversao-yaohushua-clique-aqui/), they engage the communities in which they live and serve with G-d’s love. To ilustrate read the blog's article about women's leadership in Church: http://supralapsarianismo.wordpress.com/2010/10/11/damasio-%e2%80%9co-signo-o-tempoe-a-consciencia%e2%80%9d-maria-a-mae-de-yaohushua-era-hermafrodita-como-o-afirmamalguns-muculmanos/ Também temos uma reflexão democrática com o contraditório: http://conviteavalsa.blogspot.com/2010/09/yaohushua-e-o-nosso-sumo-bem-da.html E como prometido, antes da presença em PDF no scribd.com, aqui estão mais algumas linhas da obra do Irmão Armando, "Os Bailundos e Angola, Portugal, EUA e o Canadá, as Missões Cristãs, as Lendas que são demasiado reais..." “Quando chegou junto de mim, abriu a boca tal como os cães quando lutam, para me apanhar com os seus terríveis dentes. Rapidamente, saquei da minha mukonda e enfiei-a pela boca dentro saindo pela nuca1. A minha querida Maria caiu no chão acabando por morrer. Mas permaneci ali até ao romper da aurora. Os vizinhos dela, como sabiam que ela se levantava cedo, o que não aconteceu naquele dia, foram à sua casa para averiguar do que se havia passado. Quando abriram a porta viram então um porco estendido num canto e pegadas de leoa as quais seguiram até ao lugar onde me encontrava. Quando os vi chamei-os e disse-lhes que a Maria estava ali estendida no chão. Quando a viram sob a forma de leoa, ficaram todos pasmados, e disseram todos em coro: “Quem matar uma águia, enxotou-a!” Desci da árvore, tornada Tumba Memorial, e voltei à minha labuta ordinária. Tempos depois arranjei uma outra mulher com o nome Kandimba, com a qual vivo até hoje muito feliz. Quando o nosso cozinheiro, o Chifuanda, acabou de narrar esta história, pegou na eteña (espécie de cachimbo grande para fumar liamba. Para se fazer um cachimbo destes, tem que se cortar ao meio um chifre de boi, com uma chapa de ferro quente. Depois, para fazer o bico, fura-se com um fio de aço também muito aquecido. Na parte cortada do meio tapa-se com madeira enfeitada com tachas. Faz-se um furo na vertical onde se coloca um caniço oco. Em cima do caniço mete-se a cabeça feita de barro onde se coloca a liamba seca. Dentro do chifre mete-se água para filtrar a liamba que não se fuma directamente) e nela colocou liamba seca, pôs-lhe fogo e pôs-se a fumar. À medida que fumava na eteña, esta fazia muito ruído, cra ta ta, cra ta ta... Depois ouvimos uns sons esquisitos, que se assemelhavam ao piar de um pássaro ou ao miar de um gato bravo. Chifuanda tirou a eteña da boca e disse: “Estão a ouvir aqueles gritos estranhos? São os gritos de uma alma do outro mundo!” Paramos de conversar quando esses gritos se aproximaram de nós. A escuridão era total e os ruídos sinistros não paravam: Hapa, hapa, Hapa..., que significa: É aqui, é aqui. Dispersamonos e fugimos, cada um para a sua casa, e fechando muito bem as portas! OS ESPÍRITOS

Os bailundos conhecem apenas os espíritos maus, que em umbundu se designam por Ondele o que significa demónio. Para eles os demónios são espíritos muito maus, que quando penetram numa família a extermina por completo. Os doentes mentais são considerados como pessoas possuídas pelos demónios. Da mesma forma, todas as doenças de cura difícil são atribuidas aos demónios, cujo rei se designa por Ochindele. Ochindele é o superlativo de Ondele, que se traduz por Diabo. Ochindele é também a designação que os bailundos atribuem a todos os individuos de raça caucasiana (branca), provavelmenta devido aos maus tratos que ocorreram durante o domínio colonial. Na verdade, os portugueses quando chegaram a Angola, não consideravam como humanos os autóctones. Olhavam todos os africanos como se de animais se tratassem, inclusivamente os missionários, quer católicos quer protestantes, chegaram lá com todos esses preconceitos. Na África do Sul reinava o apartheid, e em Angola o indigenato2. Os indígenas eram muito mal tratados e desprezados. Um indígena não podia cumprimentar um branco com um aperto de mão, e muito menos comer com ele à mesa. Os indígenas podiam passar por grandes aflições, de fome, doenças, nudez, pobreza, etc., que os brancos não se compadeciam deles, nem até mesmo o governo português se importava pelo sofrimento dos indígenas. Quando estive na Missão Evangélica do Bailundo, da Junta Americana e Canadiana, como professor durante quinze anos, presenciei um acontecimento criminoso e muito triste: Havia chegado da América, como médico cirurgião, o filho de um antigo missionário americano em Angola, a fim de exercer medicina na terra onde nasceu. A sua vinda era indesejada pelos outros missionários, americanos e canadianos. Para denegrir a sua imagem envenenaram toda a anestesia do hospital da Missão do Dondi onde ele tinha sido colocado. Por este motivo, todas as pessoas que ele operava estavam condenadas a morrer. Até que se veio a descobrir a origem do problema, mas depois de dezenas de pessoas terem morrido. Por serem negros os que morreram, não houve nenhuma investigação para que se descobrisse os culpados. Durante o tempo do colonialismo, grande parte dos portugueses chegavam a Angola pobres, e para enriquecerem rápido, estabeleciam lojas no meio das aldeias indígenas onde compravam por preços muito os produtos que os locais lhes levavam para vender. Passado pouco tempo já estavam abastados, construíam prédios, compravam viaturas, etc. Por sua vez, o pobre do indígena nascia e morria numa pobreza terrível, vivendo sempre em palhotas e alimentandose muito mal. Enquanto os portugueses tinham no seu regime alimentos diversificados em termos de calorias, os indígenas tinham um regime alimentar muito pobre, o qual não passava do pirão feito de farinha de milho, o qual comiam juntamente com a efuanga, folhas de mandioqueira, a servir de conduto. O governo português não permitia que os indígenas enriquecessem, apenas os exploravam. Os indígenas não tinham direito de possuir bons empregos, a não ser serem serventes de lojas comerciais, cozinheiros, criados dos outros, etc., ganhando dos portugueses um salário mensal que não chegava sequer para comprar uma camisa. Em qualquer trabalho que fosse, fosse na construção ou outro qualquer tipo de trabalho, a desproporção entre o salário de um branco e o de um negro era enorme. Por exemplo, se um português ganhasse 2.50 euros por dia, o africano ganhava .05 cêntimos, embora ambos fizessem o mesmo trabalho. Às vezes o africano trabalhava muito mais que o branco. Quando dei aulas na Missão Evangélica, eu e os colegas como éramos negros ganhavamos apenas .40 cêntimos mensais, enquanto que um profissional branco que dava as mesmas aulas, ganhava 15 euros, com cama e mesa. Os indígenas eram a fonte de todos os ganhos, não apenas para o Estado como para o enriquecimento de todos os portugueses. O governo português obrigava o indígena a pagar

pesadíssimos impostos, forçados, que eles pagavam com grandes dificuldades, em virtude de não lhes serem dados empregos decentes e nem possuírem indústrias. O único recurso disponível aos indígenas eram uma agricultura muito precária e primitiva. O que colhiam pouco mais dava do que para a alimentação, pois tudo mais ia para pagar os impostos. Por tal motivo, os indígenas padeciam a fome principalmente a partir de Outubro e Fevereiro, períodos em que esperavam as novas colheitas. Trabalhavam de sol a sol, apenas com uma enxada e sem fertilizantes ou alfaias agricolas, para se livrarem das terríveis torturas que o governo português dava aos que não conseguiam pagar os impostos ou outras exigências. Todo o indivíduo de sexo masculino começava a pagar impostos aos dezassete anos. No entanto, convém dizê-lo, por vezes os jovens nem sequer tinham esses dezassete anos exigidos pela lei. O critério por vezes utilizado pelas autoridades coloniais, para determinar a idade, era pouco sério, pois aquando do recenceamento das populações, era corrente deitar um olhar aos sovacos a fim de ver se o adolescente tinha pelos. Em caso afirmativo, esse adolescente devia, a partir daí, começar a pagar impostos. Quem não fosse capaz de pagar o imposto anual era imediatamente enviado para o contrato forçado nas roças de café ou na pesca, onde tinha de permanecer durante um ano. Cumprido esse tempo, era usual dar-se ao contratado um bónus em dinheiro, que passava a ser utilizado para o pagamento dos impostos em dívida. Consequentemente, o contratado chegava em casa completamente vazio. As rusgas aos quimbos, durante a noite, eram outra forma utilizada pelas autoridades portuguesas para apanharem mão-de-obra barata. Os que fossem apanhados eram pela cintura, e em fila levados para o posto administrativo e dali para os contratos forçados. Não é por mero acaso que Salazar dizia que “a riqueza de Angola era o preto no contrato”. Nota de Rodapé 1 -http://www.religionnews.com/index.php?/rnstext/sudan_conflict_armed_machine_gun_preac her/ Nota de Rodapé 2 - http://www.fflch.usp.br/dlcv/revistas/crioula/edicao/03/Artigos%20e %20Ensaios%20-%20Alberto%20de%20Oliveira%20Pinto.pdf Além dos impostos forçados, havia outras formas de exploração; em geral, os africanos, depois da ceia, costumam sair ao luar para dançar ao som do batuque. Para isto era também necessário pagar uma licença, denominada licença de catita. Quem tivesse um cão no quimbo, também tinha que pagar uma licença. Qualquer português podia espancar os indígenas desumanamente, e submetê-los a um jugo de ferro. Por isso, poucos africanos chegavam à idade de 70 anos. Eram magros, esfomeados, esfarrapados, e muitos vestiam ombuengue (roupa feita de muitos remendos) e andavam descalços. Em 1918 o governo português enviou uma grande expedição de soldados a uma tribo chamada Seles para matar a população toda, alegando que tinham comido um português chamado Cimboto. Apesar dos indígenas serem desprezados, as suas mulheres eram subtilmente assediadas por muitos comerciantes brancos, facto esse que explica as cenas caricatas como aquelas em que vários portugueses chegavam a Angola sós e pobres, arranjam uma mulher para sua lavadeira que os ajudava a organizar a sua vida e família. Apesar disso, nem mesmo assim eles permitiam que elas comessem consigo à mesa, embora dormissem na mesma cama. De modo que, a mulher africana sacrificava-se, ajudando o marido nos seus negócios, sobretudo os clandestinos, tais como a venda a venda de bebidas alcoólicas, como o kassungueno (feita à base de farinha de trigo), proibida por leis nas colónias. Assim, em pouco tempo, e graças à sua companheira negra, que sempre trabalhava ao seu lado, o marido

branco enriquecia a partir daí, ao ponto de já não necessitar da africana, que era expulsa de casa juntamente com os filhos, também dele, para depois se casar com uma mulher branca. A própria mulher autóctone ficava abandonada sem casa e sem recursos para sustentar os filhos, mulatos. É de referir que, no tempo colonial, os mulatos passavam, geralmente, por grandes privações porque as mães não tinham condições para os sustentar e eram considerados pelo estado português como filhos de pais desconhecidos. As estradas de cabinda ao Cunene, foram feitas pelos indígenas sem pagamento e sem comida. Cada ngamba (pessoa obrigada a trabalhar forçosamente) tinha de levar a sua própria comida de casa. A abertura destas estradas, em florestas cerradas e com árvores de grande porte, levou muitas vidas à morte. Cada família mandava um ngamba à estrada, que podia ser um filho, ou o próprio marido ou a própria mulher, que ficavam lá a trabalhar durante uma semana até ser rendido por um dos seus familiares. Enquanto os filhos dos portugueses iam à escola, os dos indígenas transportavam brita para a construção dessas estradas. Todos os que nelas trabalhavam eram submetidos a grandes torturas. Faziam covas (pedreiras), as quais ainda hoje existem à beira das estradas, de onde tiravam a brita que era transportada à cabeça, utilizando olongonjo (casca de árvores), debaixo de chicote e forçados a correr. Depois das estradas construídas ficavam sob a responsabilidade de cada quimbo, e os pais tinham de enviar os seus filhos, todas as semanas, fazer a manutenção das mesmas, para tapar todos os buracos quando os houvesse. Se por acaso um indígena conseguisse comprar uma bicicleta, para poder circular com ela nas estradas, que ela próprio ajudou a construir, tinha de pagar uma taxa muito alta todos os dias do ano. Caso não pagasse, a bicicleta ser-lhe-ia apreendida. Os portugueses evitavam a todo o custo que os indígenas estudassem. Quando eu exercia o professorado na Missão Evangélica do Bailundo, assisti a cenas tristes, onde muitos dos meus alunos eram forçados a abandonar a sala de aulas a fim de serem enviados para os trabalhos forçados. Em face do exposto, os bailundos deram ao branco o nome pejorativo de ochindele (“o que castiga sem piedade”). Contudo também nutriam um grande respeito e admiração pelos brancos devido ao seu desenvolvimento tecnológico e cultural, pelo fabrico de muitos artefactos, como o vestuário, calçado, utensílios domésticos e outros. A admiração dos bailundos pelos brancos, manifesta-se, sobretudo, quando viam um motor a funcionar, que o sintetizava na seguinte canção: “Ochindele vi kola we / Eyambo liavo kovava / Wyambo liavo we kovava” (“Os brancos são maravilhosos / A sepultura deles é na água / Sim é na água / A sepultura deles é na água”). A MORTE E A ADIVINHAÇÃO Entre os bailundos, quando morria um homem, antes dos ossos se enrijecerem, faziam-no sentar num banco, numa esquina da cubata, tal como se ainda estivesse vivo. Se for uma mulher, o corpo é colocado na cama, precisamente onde costuma dormir, sendo o marido obrigado a dormir com a morta. Diziam que em vida o marido dormia com ela, na morte não deverá desprezá-la. Assim, o marido, tal como é habito, dorme na dianteira e a defunta esposa atrás dele. A separar os dois colocam um pau. Quando uma pessoa morre não é enterrada de imediato. Tem, inclusivamente, havido casos bizarros, como aqueles em que o corpo da parceira entra em decomposição ensopando o marido com a matéria escorrida do cadáver. No dia em que morre o homem, os aldeãos são obrigados a colocar o milho na água a fim de se preparar o ossovo para fermentar a afamada bebida chamada ochimbombo, feita da farinha de milho. O milho para grelar, pode levar oito dias ou mais. Quando o ossovo estiver pronto, preparam o ochimbombo, o qual também demora uns quatro dias e é feito em todas as casas. Durante este tempo todo, o cadáver mantém-se sentado no seu banco numa das esquinas da

cubata, repleta de gente, especialmente mulheres velhas, que lá dormem e passam dias ao seu lado, até que este seja enterrado. Ali o cadáver é tratado por um grupo de homens chamado vakuaciosoko. Se cair um olho do morto ou qualquer outro membro do seu corpo, são eles que os colocam no seu respectivo lugar. Quando o cadáver começar a largar mau cheiro, as velhas vão à mata em busca de folhas de uma planta aromática, chamada ondembi, cujas folhas são colocadas nas narinas a fim de não sentir o odor vindo do cadáver em decomposição. Fora da cubata, os homens dançam ao som do batuque, matam-se bois, porcos ou outros animais, passando, por isso, todos os dias do velório do velório a comerem e a beberem. Quando o ochibombo está pronto, todas as pessoas se juntam em frente da cubata bebendo essa apreciada bebida e, ao mesmo tempo, dançam e comem. Para eles é uma grande festa em memória do falecido. Dali, ainda passam dias até o cadáver ficar todo decomposto. Num dia determinado, os vakuacisoco tomam o cadáver em alto grau de decomposição e embrulhamno em panos a que dão o nome de asanya. Depois, com uma espécie de tipóia transportam o cadáver para o campo de adivinhação onde irão pesquisar a causa da morte desta pessoa. Toda a população do quimbo, sem excepção, é obrigada a assistir à adivinhação; a culpa da morte desta pessoa recairá sobre os que estiverem ausentes, as quais serão acusadas de feiticeiros. Num local preparado para o efeito, os dois homens que transportam o morto mantêm-se em pé junto do cadáver, onde começa a sessão de adivinhação. Intervém sempre um outro homem com um balaio de fuba, farinha branca de milho, que começa por perguntar ao morto o seguinte: Amigo, estamos todos aqui neste local muito tristes pela tua morte. Deixaste um vazio no nosso meio e muitas saudades, visto que andávamos, passeávamos e comiamos juntos. Pretendemos agora conhecer os motivos que te retiraram do nosso convívio, acabando por morreres. Agora faço-te uma pergunta: Será pela ambição que todos nós temos tido, que te levou a arranjar algum feitiço que depois te vitimou? Sabemos que muitos se têm enganado, para através de um feitiço enriquecerem depressa. Se tiver sido por isso, esclarece-nos. Mal acaba de pronunciar estas palavras, pega num punhado de fuba e atira-a para debaixo da tipóia onde repousa o cadáver. Os dois homens que a sustêm, se são enpurrados para trás, é porque é uma resposta negativa. O homem do balaio volta a perguntar: - Será que quem te matou fui eu que te interrogo? O homem volta a lançar fuba para debaixo da tipóia; se de imediato os homens que carregam o morto são empurrados para trás, é resposta negativa (acreditam que é a alma que faz empurrar p'rá frente ou p'rá trás). O interrogador torna a perguntar: - Será que a pessoa que te matou é do nosso quimbo? - Se desta vez o impulso é p'rá frente, ele volta a perguntar: - Uma vez que confirmas que sim, diz-nos se é homem. - Se o impulso é novamente p'rá frente, ele agora pergunta pelo nome de quem o matou. Então vai colocando os nomes das pessoas até o morto confirmar, sempre através dos impulsos. Então os vakuacisoko colocam a tipóis em cima de dois paus em forquilha, e o interrogador continua: - Confirmas que quem te matou foi fulano? Gostariamos que o voltasses a confrmar para termos essa certeza. Volta a lançar a fuba para debaixo da tipóia aos olhos de todos, e se o cadáver se arrastar p'rá frente, é mais que evidente que o homem indicado é o assassino, o qual é imediatamente preso e manietado. Deixam passar mais um dia, e só então, se houver parentes o poderão enterrar. Para irem ao cemitério, é costume darem muitas voltas com o morto a ponto de só chegarem ao local ao pôr do sol, para desorientar a alma do defunto, que se em alguma noite ele voltar à aldeia, seguindo os mesmos trilhos, para vingar a sua morte, só lá poder chegar ao nascer do dia, e nesse caso já não poderá concretizar a vingança.

Caso não haja um parente para o enterrar, arranjam uma casca de um tronco de árvore em forma de barril, onde o colocam e é depois levado para a floresta, muito longe do povoado, e o penduram numa árvore. De regresso ao cemitério, o acusado é submetido a julgamento. Como os feiticeiros nunca confessam a verdade negando sempre ter feito tal feitiço, o acusado é posto na presença do ombulungu. Quando desmaiar, dão-lhe uma composição até que vomite o ombulungu. Assim, tudo se confirma, procurando depois a melhor forma de o fazer exterminar. Os feiticeiros nunca são mortos à pedrada ou com facas, pois só as almas penadas os podem exterminar. De um modo geral, existem três formas para matar um feiticeiro: queimados no fogo, entregues às feras ou animais aquáticos, como jacarés, peixes e cobras, etc. Mesmo depois da sentença, ainda fazem passar o feiticeiro por mais outra prova: levam-no à floresta onde juntam muita lenha com a qual a envolvem, sentado num tronco ou no chão rodeado pela lenha. Depois pronunciam as palavras sacramentais de obasa, dizendo: A vós, que viveis noutro mundo, trouxemo-vos este homem (ou mulher), acusado(a) de feiticeiro(a) e de ter morto fulano, conforme foi confirmado pelo cadáver aquando da adivinhação e pelo ombulungu. Pedimos então a vossa opinião para sabermos se este homem merece ou não morrer. Vamos colocar esta brasa em cima da lenha para vós soprardes, ateando o fogo, caso ele seja mesmo culpado. O homem que profere estas palavras imediatamente toma uma pequena brasa, do tamanho de uma abelha, e a pôe em cima da lenha. De repente aparecem remoinhos de vento de várias direcções, todas se dirigindo para a lenha com o fim de fazer com que a brasa pegue fogo. Caso se confirme a acusação, em pouco tempo a fogueira tornar-se-á grande. Quando o feiticeiro morrer e o seu corpo explodir, todos batem palmas ao mesmo tempo que dizem: - Wa paya ongonga wa vinga (“Quem matar uma águia enxotou-a”). Outra opção é a de levar o feiticeiro junto de um rio, e ao chegarem rapam-lhe todo o cabelo. Com uma navalha dão-lhe um golpe na cabeça fazendo escorrer sangue para uma folha de árvore, chamada ombula. Depois pronunciam, como é hábito, o obasa: - Alma dos falecidos, venham dar provas de que foi este homem quem matou fulano. Se for ele, quando lançarmos ao rio esta folha ensanguentada que apareçam animais da água para disputarem esta folha. Caso contrário, deixai a folha em paz. Atiram a folha ao rio, e se o(a) indivíduo(a) for de facto feiticeiro(a), aparece de imediato um grupo de animais das águas, jacarés, cobras e outros, para disputarem aquela folha. Em consequencia, com um pequeno machado dão um golpe na nuca do feiticeiro e o atiram ao rio, onde é esquartejado pelos animais. Outras ocasiões, ao feiticeiro, prendem-lhe os pés e braços e o levam para floresta, longe dos povoados, deixando o pobre feiticeiro numa encruzilhada e citam o obasa: - Vós que viveis noutro mundo que nós desconhecemos, pedindo ajuda para este feiticeiro (ou feiticeira), que seja comido pelas feras do mato, caso seja ele o culpado. Então o feiticeiro(a) fica ali abandonado. Se de facto for ele(a) o(a) culpado(a), na manhã do dia seguinte só se encontrarão pegadas de algum animal que o(a) tenha comido(a). Assim ficam todos satisfeitos e então dizem: - Wa paya ongonga wa vinga (“Quem matou uma águia enxotou-a”). Estas práticas, hoje em dia, são pouco comuns, embora sejam praticadas em certas regiões, ainda que um pouco modificadas. As acusações de feitiçarias e mortes por espancamento são comuns entre os bailundos, sobretudo nos meios rurais. Ainda hoje se verificam nos velórios as danças aos sons dos batuques, e o quarto onde estiver o cadáver fica repleto de gente. As pessoas permanecem no velório dias e noites até o mesmo terminar. Também se continuam a matar os animais, bois, porcos, galinhas ou outros, para os banquetes, e também se usam muitas bebidas em memória do falecido, tudo com grandes festas.

Publicada por MagCalCauvin Etiquetas: Carta de "Mou", Liderança das Mulheres, O Romance do Irmão Armando - "O Homem que Casou com uma Alma do Outro Mundo", Ordenação de Mulheres

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