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RESUMO

De acordo com a teoria da acupuntura, o universo se baseia na oposição entre duas


forças antagônicas, que devem estar com igual intensidade de força para que haja o
equilíbrio. Partindo desta premissa é que existem as teorias da acupuntura. O ser
vivo( humano, animal ou vegetal) possui uma energia primordial, chamada
QI( pronuncia-se TCHI) . Esta energia tem dois aspectos: YIN e YANG. O YIN é o
aspecto material e interno, já o YANG é a manifestação da matéria exteriormente.
Para o leigo, isto parece confuso e sem sentido, porém o conceito YIN/YANG é de
suma importância para o exercício da acupuntura. O bom funcionamento(saúde) do
ser depende do bom equilíbrio entre estas duas forças que são antagônicas, porém
sua oposição acaba por criar um equilíbrio dinâmico. Tanto o YIN como o YANG tem,
cada um, suas funções. Quando estão em mesmo nível energético, um controla o
outro, porém quando um se sobressai em relação ao outro ocorre o desequilíbrio, ou
seja, ocorre a doença. A Acupuntura é uma técnica que consiste em estimular certas
regiões anatômicas denominadas pontos de acupuntura. O estímulo pode ser feito
de várias formas, com agulhas, com impulsos elétricos, com calor (moxa) ou com
raio laser. Atualmente, a utilização da acupuntura para o tratamento de doenças
principalmente as neuro-músculo-esqueléticas, vem se tornando cada vez mais
comum. Sua utilização tende ao crescimento, e visa a harmonização e o equilíbrio
do organismo como um todo. Assim todos os acupunturistas possuem um papel
importante no desenvolvimento e na busca da homeostase do Qi, gerando o bem -
estar, físico e psicossocial para seus pacientes. A depressão é um problema
relevante de saúde pública e necessita de arsenal terapêutico mais variado. Na
prática clínica, a equipe de saúde tem centrado suas ações contra a depressão,
basicamente em reduzidas ofertas, como a medicamentosa e a psicoterapêutica.
Outras possibilidades terapêuticas devem ser buscadas, principalmente na área não
medicamentosa, reduzindo os efeitos colaterais gerados por tal intervenção,
possivelmente minimizando os gastos com saúde e favorecendo uma abordagem
multidisciplinar para tal problema. Nesta perspectiva, quatro técnicas - acupuntura
foram estudadas, como possibilidades de tratamento da depressão. Dessa forma
este trabalho pretende abordar como ocorre o mecanismo da acupuntura dentro do
organismo humano, identificando todas as possibilidades que essa técnica possa
oferecer no tratamento das doenças e em especial, e de importância no tratamento
da depressão. Através do nosso estudo que se refere a uma pesquisa, onde a
metodologia empregada neste estudo será a da revisão bibliográfica, utilizando uma
metodologia histórica, através de livros, sites, jornais, revistas, bem como o método
descritivo-dedutivo, mostrando assim a realidade pesquisada.

Palavras-chave: Acupuntura – Depressão – Tratamento


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO............................................................................................ 08

2. OBJETIVOS................................................................................................. 11

3. METODOLOGIA........................................................................................... 12

4. REVISÃO DE LITERATURA........................................................................ 13
4.1. Acupuntura: um pouco de história............................................................. 13
4.2. Acupuntura no Brasil................................................................................. 18
4.3. A utilização dos métodos mais usados na acupuntura............................ 22
4.3.1. Acupuntura Sistêmica............................................................................ 23
4.3.2. Acupuntura Auricular.............................................................................. 23
4.3.4. A Auriculoterapia da Escola Huang Li Chuan....................................... 25
4.3.5. Técnica de Eletroacupuntura.................................................................. 27
4.3.6. Moxabustão........................................................................................... 29
4.3.7. Ventosaterapia...................................................................................... 29
4.4. Doenças tratadas com acupuntura............................................................ 29

5. DEPRESSÃO............................................................................................... 31
5.1. Classificação............................................................................................. 31
5.1.1. Outras classificações.............................................................................. 32
5.1.1.2. Estagnação de Qi no fígado................................................................ 32
5.1.1.3. Estagnação do Qi que se converte em fogo....................................... 33
5.1.1.4. Acúmulo de mucosidade..................................................................... 33
5.1.1.5. Ansiedade que prejudica a mente....................................................... 34
5.1.1.6. Deficiência no coração e no baço,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,, 34
5.1.1.7. Deficiência de Yin e excesso de fogo.................................................. 34
5.2. Epidemiologia............................................................................................ 35
5.3. Etiologia e Fisiopatologia.......................................................................... 35
5.3.1 Fatores Neurobiológicos.......................................................................... 35
5.3.2 Fatores genéticos.................................................................................... 36
5.3.3 Fatores psicossociais.............................................................................. 37
5.5. Tratamento............................................................................................... 37
5.6. A depressão e a acupuntura..................................................................... 38
5.6.1. Tratamento com acupuntura.................................................................. 38
5.6.1.1. Acupuntura sistêmica.......................................................................... 39
5.6.1.2. Crâniopuntura...................................................................................... 39
5.6.1.3. Eletroacupuntura................................................................................. 39
5.6.1.4. Stiper................................................................................................... 40
5.6.1.5. Laserterapia......................................................................................... 40
5.6.1.6. Injeção nos pontos.............................................................................. 40
5.6.1.7. Acupunturauricular.............................................................................. 40
5.6.2. Suas aplicações..................................................................................... 41
CONCLUSÃO.................................................................................................. 42

REFERÊNCIAS............................................................................................... 43
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1. INTRODUÇÃO

A Acupuntura é uma terapêutica milenar que utiliza agulhas, moxas e outros


instrumentos para liberar substâncias químicas no organismo com efeito analgésico
e/ou antiinflamatório e assim, aliviar dor e outros sintomas decorrentes de
determinadas doenças. Sua denominação Acupuntura é atribuída a um jesuíta
europeu no século XVII que adaptou os termos chineses Zhen Jiu, juntando as
palavras latinas Acum (que significa agulha) e Punctum (picada ou punção). A
tradução literal, no entanto, é bem diferente. O correto seria Zhen (agulha) e Jiu
(moxa). A moxa ou mogusa (termo de origem japonesa) é confeccionada com as
folhas secas da planta Artemisia sinensis, usada na moxibustão, ou seja, queima de
pequenas porções desse vegetal associada ao tratamento com as agulhas.
A Acupuntura é uma técnica que consiste em estimular certas regiões
anatômicas denominadas pontos de acupuntura. O estímulo pode ser feito de várias
formas, com agulhas, com impulsos elétricos, com calor (moxa) ou com raio laser.
Atualmente, a utilização da acupuntura para o tratamento de doenças principalmente
as neuro-músculo-esqueléticas, vem se tornando cada vez mais comum. Sua
utilização tende ao crescimento, e visa a harmonização e o equilíbrio do organismo
como um todo. Assim todos os acupunturistas possuem um papel importante no
desenvolvimento e na busca da homeostase do Qi, gerando o bem - estar, físico e
psicossocial para seus pacientes.
A acupuntura tem recebido grande destaque na mídia nas últimas décadas
como uma modalidade terapêutica alternativa aos tratamentos convencionais.
(LEVITT apud CHRIST & HSING, 2005).
Podem ser utilizados neste processo: agulhas, ventosas, massagens e até
calor proveniente da queima da moxa (moxabustão), preparada à partir da erva
Artemísia (FERREIRA, 1999). De grande eficácia e requerendo equipamento muito
simples, elas são muito populares na China e em outros lugares há milhares de
anos. A China foi o primeiro país a associar a Acupuntura à Medicina Convencional
ou Ocidental. As faculdades de Medicina Chinesa incluem e integram os
conhecimentos das “duas medicinas”, desde a época de 1960 (PAI, 2004).
Como a acupuntura vem sendo difundida em vários tipos de tratamento para
diversas doenças, muitas pessoas procuram tratar sua doença com as técnicas da
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acupuntura; essas pessoas na certa querem fugir de remédios com as mais variadas
contra-indicações e seus paliativos contra a doença.
Dessa forma é possível analisar se toda e qualquer doença pode ser tratada
pela acupuntura, e até mesmo a depressão.
A Acupuntura pode tratar inúmeras doenças e aliviar muitas dores e deve ser
enfatizado que também é um tratamento preventivo, ou seja, a Acupuntura pode ser
aplicado no indivíduo sadio, para estimular seu sistema imunológico, suas energias,
permitindo assim prolongar seus períodos de bem-estar e de saúde. Assim,
explicamos que a circulação harmoniosa das correntes energéticas pelo corpo
impede o aparecimento das doenças. Nos casos de estresse, ansiedade, depressão,
é um excelente recurso, pois aumenta e equilibra o fluxo de energia, trazendo bem
estar, alívio e disposição em geral (FERREIRA, 1999).

A depressão é definida pela Medicina como um transtorno de humor. Isso


significa uma diminuição do humor, que é acompanhada por um conjunto de
sintomas variados: ansiedade, agitação lentidão do funcionamento mental,
falta de energia e de vontade, idéia de desvalia, disfunções fisiológicas (por
exemplo: insônia ou excesso de sono), idéias suicidas e queixas diversas
(INEF, 2003, p. 30).

Dessa forma pode-se identificar, um grande potencial da técnica de


acupuntura é o seu forte efeito placebo, que utilizado de forma coerente pode
favorecer bastante o paciente deprimido. Isto porque, por ser uma técnica de certa
forma invasiva e por possuir uma carga “mística” arraigada em suas teorias, o
paciente, muitas vezes, pode induzir a sua própria melhora. Além de promover um
equilíbrio geral no organismo, pois nenhuma doença existe isoladamente, sempre
está associada a algum desequilíbrio geral. Além do sintoma principal que trouxe o
paciente ao consultório, haverá outros sintomas, mesmo de menor importância, que
são reflexos do mesmo desequilíbrio. Que, quando tratado com a acupuntura,
promoverá a cura do paciente como um todo. Sabe-se que o estímulo dos pontos
leva à produção de substâncias que teriam ação sobre receptores do sistema
nervoso (neurotransmissores e neuromediadores), e que o resultado final seria a
normalização das funções alteradas (www.wikipedia.com.org.br )
Sendo assim, esse presente trabalho pretende abordar como ocorre o
mecanismo da acupuntura dentro do organismo humano, identificando todas as
possibilidades que essa técnica possa oferecer no tratamento das doenças e em
especial, e de importância no tratamento da depressão.
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Através do nosso estudo que se refere a uma pesquisa, onde a metodologia


empregada neste estudo será a da revisão bibliográfica, utilizando uma metodologia
histórica, através de livros, sites, jornais, revistas, bem como o método descritivo-
dedutivo, mostrando assim a realidade pesquisada.
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2. OBJETIVOS

A acupuntura deve favorecer através dos estímulos produzidos pelas agulhas,


que o organismo crie condições internas para retorno de seu equilíbrio e alivio de
suas desordens, sem o emprego da ingestão de drogas; isto leva a outras vantagens
que é a ausência de efeitos colaterais.

2.1. O objetivo geral:

 Compreender os princípios básicos da acupuntura e sua utilização no


tratamento de diversas doenças, demonstrando os benefícios dessa
arte no tratamento da acupuntura.

2.2. Objetivos específicos:

 Conhecer e analisar os princípios básicos da acupuntura;


 Identificar quais são as doenças tratáveis pela acupuntura;
 Compreender como se dá o tratamento dessas doenças;
 Demonstrar como ocorre o tratamento da depressão pela acupuntura;
 Reconhecer a importância da acupuntura no tratamento da depressão.
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3. METODOLOGIA

A metodologia empregada neste estudo será a da revisão bibliográfica,


utilizando uma metodologia histórica, através de livros, sites, jornais, revistas, bem
como o método descritivo-dedutivo, mostrando assim a realidade pesquisada.
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4. REVISÃO DE LITERATURA

4.1. Acupuntura: um pouco de história

A palavra "acupuntura" origina-se do latim, sendo que acus significa "agulha"


e punctura significa "puncionar". A acupuntura se refere, portanto, à inserção de
agulhas através da pele nos tecidos subjacentes, em diferentes profundidades e em
pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado (FONG,
2005).
Os chineses acreditam que o universo mantém-se num constante estado de
equilíbrio dinâmico entre pólos de natureza oposta cuja essência é chamada de yin e
yang. Para a conquista e a manutenção da saúde, é fundamental um correto
equilíbrio entre as forças yin e yang no interior do microcosmo representando pelo
organismo humano.
A Acupuntura é resultante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) que tem
uma longa história. Segundo o Centro Integrado de Estudos e Pesquisa do Homem -
CIEPH (2003)1, desde a remota Antigüidade, os ancestrais chineses criaram uma
medicina primitiva durante suas lutas contra a natureza. Ao procurarem por alimento
descobriram que alguns tinham a propriedade específica de aliviar ou eliminar certas
doenças. Este foi o começo do encontro e uso de plantas medicinais. Ao
aquecerem-se ao redor do fogo descobriram que o modo de aquecimento localizado
com pedras quentes ou terra envolta em casca ou pele de animais contribuía para
aliviar ou eliminar certos sintomas de doenças. Eles praticaram e melhoraram este
método repetidamente e então gradualmente deram à luz as terapias da compressa
quente medicamentosa e moxabustão (E.M.T.C.B. 1).
Após a utilização de implementos de pedra como ferramentas de produção,
notaram, por acaso, que a dor em uma parte do corpo era aliviada quando uma
outra parte era picada. Surgiu então o tratamento com bian shi (agulhas de pedra) e
agulhas de osso. Isso gradualmente resultou na terapia por acupuntura.

1 O material informativo foi compilado pelo Prof. Jorge de Morais Barbosa e revisado pelos Profs.
Sandro Kanzler e Marcia Fumiko Enomoto; extraido, traduzido e adaptado do livro: "BASIC THEORY
OF TRADITIONAL CHINESE MEDICINE" - A PRACTICAL ENGLISH - CHINESE LIBRARY OF
TRADITIONAL CHINESE MED Editor - In - Chief Zhang Enqin. 1990, e apresentado pelo CIEPH -
Centro Integrado de Estudos e Pesquisas do Homem. 2002.
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As teorias da MTC vieram principalmente da prática e foram continuamente


enriquecidas e expandidas pela prática.
Há mais de 2.000 anos atrás foi produzido o Cânon de Medicina, o mais
antigo dos clássicos de medicina existente. Tornou-se conhecido para gerações
posteriores em dois livros: Questões Comuns e Pivô Miraculoso. O último é também
chamado de Cânon de Acupuntura ou Nove Volumes. O livro, Cânon de Medicina
relata e sistematiza as experiências de tratamento anteriores e as teorias de
medicina, lança a fundamentação básica para as teorias da MTC. Clássico em
Problemas Médicos é um tratado clássico de medicina que pode comparar-se ao
Cânon de Medicina (CIEPH, 2003).
Segundo relatos (CIEPH, 2003), foi Huang Fumi (215-282 d.C.), médico
famoso na dinastia Ocidental Jin, que compilou o livro, A-B Clássico de Acupuntura e
Moxabustão, reorganizando os conteúdos básicos dos três livros: Questões
Comuns, Cânon de Acupuntura e Um Esboço de Pontos para Acupuntura e
Moxabustão.
Em 752 d.C., Wang Tao escreveu um tratado, “ Os Segredos Médicos de um
Oficial”. O livro contém 40 volumes, 1.104 categorias e apresenta mais ou menos
6.000 prescrições.
Na dinastia Song (960-1279 d.C.), maior atenção foi dedicada à educação em
termos de MTC. O governo estabeleceu o Departamento Médico Imperial, que era
então o mais alto órgão a educar médicos qualificados. Os cursos designados para
os estudantes eram Questões Comuns, Clássico em Problemas Médicos, Tratado de
Doenças Febris, Tratado Geral sobre as Causas e Sintomas de Doenças e assim
por diante. Também melhoraram consideravelmente os métodos de ensino. Por
exemplo, em 1026 d.C., Wang Weyi, um especialista em acupuntura e moxabustão,
projetou duas figuras em bronze no tamanho natural e mandou fundi-las para uso
em classe e no exame de alunos de acupuntura e moxabustão. Ambas as figuras
têm os 12 Canais e as localizações exatas de 564 Acupontos marcados por meio de
gravação ou perfuração cuidadosa em sua superfície. Quando utilizadas para a
finalidade de exame, elas eram cheias com água e cobertas antes com cera de
abelha pelo examinador. Se o candidato descobria e punturava o ponto exato, saia
água. Era sem dúvida um esforço criativo na causa educacional da medicina chinesa
(CIEPH, 2003).
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Em 1057 d.C., na dinastia Song, um órgão especial chamado "Departamento


para Corrigir Livros Médicos" foi criado a fim de corrigir, classificar, pesquisar
textualmente e comparar os livros médicos do passado. Dez anos depois, cerca de
1068-1077 d.C., um número de livros comparados foram impressos e publicados
sucessivamente. Entre outros agora disponíveis estão: Questões Comuns, Tratado
sobre Doenças Febris, Sinopse de Prescrições da Câmara Dourada, A-B Clássico
de acupuntura e Moxabustão, Tratado Geral sobre as Causas e Sintomas de
Doenças, Prescrições Que Valem Mil Ouro para Emergências, Um Suplemento às
Prescrições Essenciais Que Valem Mil em Ouro, Os Segredos Médicos de um Oficial
e assim por diante, que foram transmitidos depois de ter sido examinados e
impressos (CIEPH, 2003).
Nos tempos das dinastias de Jin e Yuan (1200-1400 d.C.), apareceram muitas
escolas médicas no círculo da medicina chinesa, cada uma das quais tinha suas
próprias características especiais. Quatro delas são mais típicas.
A primeira delas foi a Escola do Gelado e Frio, fundada por Liu Wansu (1120-
1000 d.C.), que pensava que vários sinais e sintomas da doença, "shang han", (que
é um termo geral para doenças febris devido a fatores patogênicos exógenos)
muitas vezes tinham alguma coisa a ver com Fogo e males do Calor, assim os
remédios de uma natureza gelada e fria poderiam ser usados para tratá-los.
A segunda era a Escola do Ataque e Limpeza comandada por Zhang
Congzheng (1156-1228 d.C.), que afirmava que a doença resultava da invasão de
fatores exopáticos para dentro do corpo humano, que tão logo a doença era
descoberta, esforços deveriam ser feitos para repelir os fatores exopáticos, e que
três métodos freqüentemente serviam para este fim, a saber, diaforese, êmese e
purificação (CIEPH, 2003).
A terceira escola estava representada por Li Dongyuan (2280-1251 d.C.), que
acreditava que "Os danos internos do Baço e Estômago eram a causa de muitas
espécies de doenças e que, assim, a coisa mais importante no tratamento devia ser
aquecer e revigorar o Baço e o Estômago." Porque no que concerne à teoria dos
cinco elementos, o Baço estava contido na "terra", esta escola era conhecida como a
Escola do Alimento da Terra.
A quarta era a Escola do Alimento da Essência. Seu fundador foi Zhu
Zhenheng (128l-1358 d.C.). Ele pensava que yang (o aspecto funcional dos órgãos
internos) estava em geral em excesso, enquanto yin (o aspecto estrutural dos
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órgãos internos) estava em deficiência, o yang do corpo era muitas vezes excessivo,
enquanto o yin era deficiente; assim alimentando a essência e purificando o Fogo
seriam as medidas principais tomadas no tratamento de doenças.
Li Shizhen (1518-1593 d.C.) era um grande médico e farmacólogo na dinastia
Ming. Ele teve uma compreensão clara das formas crescentes de muitas plantas
medicinais subindo as montanhas para colher ervas medicinais por si mesmo e
fazendo pesquisas conscienciosamente em muitos lugares, dissecando alguns
ingredientes medicinais de animais e observando seus efeitos ao seguir seus
indícios, e comparar e refinar alguns minerais medicamentosos. Ao mesmo tempo
ele consultou mais do que 800 espécies de documentos. Ao fazer isso ele pôde
escrever o livro “Compêndio de Matéria Médica”. Levou 27 anos para terminá-lo.
Este livro arrola 1.892 remédios e mais do que 10.000 prescrições. É uma grande
contribuição para o desenvolvimento da farmacologia tanto na China como em todo
o mundo. Cerca do XI século a medicina chinesa começou a usar vacina
antivariólica na prevenção contra a varíola, tornando-se a pioneira no mundo em
imunologia. Do XVII ao XIX século, doenças infecciosas espalhavam-se
continuamente (CIEPH, 2003).
A Escola de Doenças Febris Epidêmicas apareceu e cresceu na luta contra
elas. Wu Youxing, médico dessa escola na dinastia Ming, pensou que o surto de
uma doença infecciosa não era devido ao Vento ou ao Frio , ou Calor do Verão ou
Umidade, mas devido a influências atmosféricas nocivas e impuras, que ele chamou
de abominável ar de mau agouro (fator epidêmico nocivo). Ele destacou que esse ar
abominável e de mau agouro entrava no corpo humano por meio da boca e do nariz.
As pessoas, velhas e jovens, fortes e fracas, ficariam doentes sempre que tivessem
o ar dentro delas, o que marcou um rompimento na tradicional teoria da MTC, que
afirmava que as doenças entravam no corpo somente através de sua superfície.
Esta foi sem dúvida uma grande descoberta, porque ocorreu no meio do século XVII,
quando a bacteriologia ainda não tinha sido descoberta.
Até à dinastia Qing, ricas experiências no tratamento de doenças febris,
incluindo doenças infecciosas e não-infecciosas, tinham sido amplamente
acumuladas na MTC. A teoria de tratamento a este respeito foi mais tarde
desenvolvida, e formou-se uma nova teoria com relação ao tratamento de doenças
febris epidêmicas, ao se tratar uma doença epidêmica era preciso tanto analisar,
diferenciar ou julgar seu desenvolvimento pelo estudo das quatro condições ou
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estágios de seu processo: sistema wei (defensivo superficial); sistema qi (defensivo


interior); sistema ying (construtivo ou nutritivo) e sistema xue (sangue) como analisá-
lo e diferenciá-lo de acordo com as mudanças patológicas do Triplo Aquecedor (três
fases das doenças febris: superior, média e inferior). Os trabalhos representativos
expondo a teoria acima são: “Tratado sobre Doenças Febris Epidêmicas por Ye Gui”;
“Análise Detalhada de Doenças Febris devido à Umidade e Calor por Xue Xue”;
“Tratado sobre a Identificação e Tratamento de Doenças Febris Epidêmicas por Wu
Tang”, “Compêndio sobre Doenças Febris Epidêmicas por Wang Shixiong”, só para
mencionar alguns(CIEPH, 2003).
O Wang Qingren (1768-1831 d.C.), médico da dinastia Qing, escreveu um
livro intitulado “Correções de Trabalhos Médicos” na base do que ele tinha
descoberto durante autópsias e em sua própria prática clínica. Em seu livro, ele
corrigiu erros de autópsia em livros médicos antigos, e desenvolveu a teoria de que
a estase do sangue ( incluindo sangue estagnado e sangue extravasado) resultava
em doenças, e os métodos de tratar tais espécies de doenças.
Conforme relatos publicados pelo CIEPH (2003), nos últimos 100 anos, com o
amplo uso da medicina ocidental na China, surgiu uma nova situação na qual a MTC
e a medicina ocidental estão se desenvolvendo lado a lado. Muitos trabalhadores da
medicina chegaram à conclusão de que a medicina chinesa e a medicina ocidental
têm suas próprias vantagens. Têm sido realizados esforços para combinar estas
duas escolas e promover uma série de idéias sobre como assimilar as duas escolas
na teoria e na prática. Tem tomado corpo gradualmente uma nova tendência ou
escola combinando a medicina chinesa e a ocidental. Suas figuras e trabalhos
representativos são os seguintes: Tang Zonghai (1862- 1918 d. C.) e seu livro As
Cinco Espécies de Livros Convergindo a Medicina Chinesa e a Ocidental, Zhu
Peiwen, por volta da metade do século XIX, e seu Tratado sobre Ilustrações dos
Órgãos Internos tanto na Medicina Chinesa como na Ocidental, Zhang Xichun
(1860-1933 d.C.) e seu Registros da Medicina Tradicional Chinesa e da Ocidental
em combinação e assim por diante (CIEPH, 2003).
A medicina tradicional chinesa atingiu agora um novo estágio de
desenvolvimento. Em 4 de janeiro de 1986 o Conselho de Estado da República
Popular da China decretou que fosse estabelecido o Departamento Administrativo de
Estado da MTC e Farmácia. Este corpo dominante exerce controle sobre MTC e
matéria médica chinesa, a combinação passo-a-passo da medicina chinesa e
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ocidental, assim como a docência médica e trabalho de pesquisa da medicina


nacional e da farmácia em toda a China (CIEPH, 2003).
A Acupuntura hoje está muito desenvolvida, até com a utilização de
equipamentos eletrônicos. Devido à sua grande eficácia, a Acupuntura propagou-se
em vários países, entre eles a Itália, Espanha, Inglaterra, EUA, URSS, Japão,
Coréia, e França.

4.2. Acupuntura no Brasil

Segundo Kwang (2006), os índios brasileiros já praticavam a Acupuntura


antes da chegada de Pedro Álvares Cabral. Mas também houve a influência de
imigrantes chineses, que em 1810 aportaram no Rio de Janeiro para cultivar a
lavoura do chá, trazendo também a Medicina Tradicional Chinesa - MTC.
Alguns anos depois, aproximadamente em 1898 vieram os imigrantes
japoneses que também trouxeram sua Acupuntura para o Brasil.
Posteriormente, o Professor Frederico Spaeth foi fazer curso de Acupuntura
na Alemanha, ficou lá 3 anos e em seu retorno começa a ensinar para os médicos e
acupunturistas brasileiros.
Somente em 1966 que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) colocou
acupunturista como uma das profissões da CIUO (Classificação Internacional
Uniforme de Ocupações) (KWANG, 2006).
A luta não foi fácil, inclusive para os médicos, que sofriam censuras de seu
conselho, como o caso do Dr. Evaldo Martins Leite que sofreu censura pública pelo
CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) devido à
prática de Acupuntura.
Em 1972 foi fundada a ABA (Assoc. Brasileira de Acupuntura), mas na
Resolução 467/72, o Conselho Federal de Medicina (CFM) rejeitou a Reflexologia e
a Acupuntura como atividade médica (KWANG, 2006).
Em 1977 o Ministério do Trabalho, em convênio com o OIT e o UNESCO,
definiu a profissão acupunturista sob o código Nº0-79.15, na CBO (Classificação
Brasileira de Ocupações) através do Projeto BRA/70/550. A CBO foi reconfirmada no
Diário Oficial do dia 11/02/94, Seção 1.
Somente em 1978 ocorre o 1º Seminário Brasileiro de Acupuntura no Rio,
promovido pela ABA, que depois estende seminários a São Paulo e outras regiões,
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bem como cursos, como o 1º de Auriculoterapia, em 1980, lança o 1º livro de


Acupuntura escrito no Brasil, "Elementos de Acupuntura" do dentista Attilio Marins e
o lançamento do MH1, 1º aparelho de eletroacupuntura fabricado no país. Foi
iniciada a aplicação de ímãs em pontos de Acupuntura (KWANG, 2006).
Mas ainda 1980, pelo fato de não ser médico, prof. Frederico Spaeth foi
destituído da presidência da ABA por seus ex-alunos médicos e no Congresso
Brasileiro de Acupuntura em Recife, alguns médicos corporativistas começaram a
discriminar os acupunturistas (KWANG, 2006).
Depois surge o CEATA (Centro de Estudos de Acupuntura e Terapias
Alternativas) fundado em 1981, onde médicos e profissionais de saúde têm
aprendido a Medicina Vibracional e o MEC (Ministério da Educação e Cultura)
reconhece um curso técnico de Acupuntura de São Paulo.
Em 1982 os médicos começaram a aprender nos cursos do coreano Eu Won
Lee e é introduzido no país a Cinesiologia Aplicada, método importante na avaliação
energética dos meridianos e órgãos (KWANG, 2006).
Em 1984 o médico Mário Hato entrou com o PL3838/84 para a
regulamentação da Acupuntura na Câmara dos Deputados (KWANG, 2006).
Neste mesmo ano, acontece o II Congresso Brasileiro de Acupuntura, em
Brasília, onde os grupos se dividiram e os médicos separaram-se para fundar a
SMBA (Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura).
No ano de 1985 o Conselho Federal de Fisioterapia decidiu em 29/10/85, pela
Resolução COFITO-60 habilitar os fisioterapeutas para a prática de Acupuntura e no
ano seguinte o Conselho Federal de Biomedicina também passou a habilitar os seus
profissionais no dia 3/2/86, pela Resolução nº02/86. Porém, no parecer decorrente
do processo consulta 1588-28/85, aprovado em 11/3/86, o CFM rejeitou novamente
a Acupuntura como atividade médica válida, muito embora neste ano começaram a
surgir cursos de Acupuntura dirigidos somente para médicos (KWANG, 2006).
Em 1988, o médico Antônio Salim Curiati (PPB-SP) entrou com o PL852/88 a
favor dos acupunturistas. Mas neste mesmo ano, a CIPLAN, após realizar várias
reuniões com a presença única dos representantes da SMBA, baixou Resolução
CIPLAN nº. 5 normatizando o uso de nos Serviços Públicos Médicos Assistências,
restringindo sua prática nas instituições governamentais para médicos.
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Em 1989 foi aprovado pelo Ministério do Trabalho o Sindicato de


Profissionais de Acupuntura, Moxabustão, Do-In e Quiroprática do Estado de São
Paulo (KWANG, 2006).
No ano de 1991 foi criada a Federação Nacional de Profissionais de
Acupuntura, Moxabustão, Do-In e Quiroprática, com registro no Ministério do
Trabalho e foram propostos os PL935/91 de Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-
SP) e o Nº337 de 1991 do senador Fernando Henrique Cardoso. Todos estes
projetos apresentam em comum o caráter democrático social estendendo o exercício
da acupuntura para todos os profissionais da área de saúde e exigindo boa
formação dos acupunturistas, determinam, por exemplo, curso de 3 anos com carga
horária de 1.600 horas (KWANG, 2006).
Em 1992 as Faculdades Bezerra de Meneses do Paraná em convênio com a
Universidade de Seijian R.P. da China, ministram o primeiro Curso de Especialização
em Medicina Tradicional Chinesa para Profissionais Universitários. (KWANG, 2006).
Em seguida, em 1992, a Universidade de Moji das Cruzes começou a
ministrar o curso de Acupuntura em nível de Pós-Graduação, para todos os
profissionais da área de saúde.
Em 20/8/93 no Relatório do seminário organizado pela Secretaria Nacional de
Vigilância Sanitária onde se recomendou o monopólio da Acupuntura pela classe
médica. Tal seminário foi realizado sob condições suspeitas, pois participaram 12
médicos da SMBA, 2 médicos a favor dos acupunturistas e 1 único profissional não
médico (KWANG, 2006).
Em 11 de agosto de 1995, o CFM (Conselho Federal de Medicina), com o
intuito de bloquear a tramitação do PLC67/95 na Comissão de Assuntos Sociais do
Senado, aprovou a Acupuntura como especialidade médica. Daí em diante, os
médicos corporativistas passaram a divulgar que têm o monopólio da Acupuntura e
que os acupunturistas seriam presos por exercício ilegal de medicina.
Porém, neste mesmo ano, o Conselho Federal de Enfermagem aprovou na 239ª
Reunião Ordinária o parecer CTA nº. 004/95 favorável à prática de Terapias Naturais
por profissionais de Enfermagem (KWANG, 2006).
Em 1996 o Conselho Estadual de Educação de Rio Janeiro reconheceu e
disciplinou cursos técnicos de Acupuntura e de Shiatsu e também foi criado novo
código de CCM da Prefeitura Municipal de São Paulo, nº8. 737, exclusivo para
acupunturistas e massoterapeutas.
21

Em 25 de setembro de 1997, foi Instituído na cidade de São Paulo o Dia do


Acupunturista (23 de março), pela Lei nº12487, da autoria do Vereador Salim Curiati.
São Paulo é a 1ª cidade do mundo a instituir uma data comemorativa para os
acupunturistas. (KWANG, 2006).
Em 19 de março de 1998, a ANTN (Associação Nacional dos Terapeutas Naturistas),
em defesa dos acupunturistas, impetrou mandado de segurança perante a 1ª Vara
Cível Federal da circunscrição judiciária de Paraná nos autos Nº98.0006327-7,
visando garantir o livre exercício da profissão contra os atos arbitrários do CFM, no
momento "sub judice".
Em 2000 o Conselho Regional de Farmácia (CFF) disciplina a prática da
acupuntura pelo profissional farmacêutico através da Resolução CFF nº.
353/00 (KWANG, 2006).
Em junho de 2000, após o arquivamento da tentativa de monopólio da
acupuntura pela classe médica no Senado a Sociedade Médica Brasileira de
Acupuntura lança uma tentativa desesperada de confundir a população com a
campanha nacional intitulada "Meu Acupunturista é Médico, e o Seu?"
O Conselho Federal de Fonoaudiologia disciplina a prática da acupuntura pelo
fonoaudiólogo através da RESOLUÇÃO CFFa n° 272, de 20 de Abril de
2001 (KWANG, 2006).
Durante o 38º Congresso Mundial de Saúde e Terapias Complementares no
Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) dentistas, médicos, veterinários, biomédicos
e fisioterapeutas presentes optaram por uma ação conjunta ao assinar a Declaração
do Rio de Janeiro. O documento mostra o apoio dos profissionais de saúde à
regulamentação da prática da acupuntura no Brasil. Com as mais de 500
assinaturas favoráveis à regulamentação do método oriental no Brasil, a Declaração
foi encaminhada à Organização Mundial de Saúde, em Genebra (KWANG, 2006).
Em 2001 foi criado em São Paulo o Conselho de Regulamentação da
Acupuntura do Estado de São Paulo - CRAESP 1ª Região (Nacional). Visando
elevar ainda mais o nível da formação dos profissionais acupunturistas no país o
recém fundado Conselho só aceita filiações de acupunturistas aprovados pelo
concurso de especialistas em acupuntura clássica do CONBRAC (KWANG, 2006).
Em Maio de 2002 o CFP (Conselho Federal de Psicologia), através da
resolução CFP N° 005/2002 reconhece o uso da Acupuntura como recurso
complementar ao trabalho do psicólogo. O CFP é o oitavo conselho federal de saúde
22

a reconhecer a acupuntura como especialidade, o que só vem a ratificar a posição


de destaque conquistada pela milenar terapia das agulhas no Brasil. Foi em 2002
reativado o Sindicato dos Profissionais em Acupuntura, Moxabustão, Do-in e
Quiroprática do Estado do Paraná, que a partir de então passou a usar o nome
fantasia de SATOPAR - Sindicato dos Acupunturistas e Terapias Orientais do Estado
do Paraná (KWANG, 2006).
Também em 2002 foi fundada a Clínica e Escola Técnica CIEFATO - Centro
Internacional de Estudos de Fisioterapia, Acupuntura e Terapias Orientais, que
oferece cursos reconhecidos pelo MEC com 1450 horas teórico-práticas. Ainda no
ano de 2002, o projeto de Lei 67/95 que propõe regulamentação do exercício da
Acupuntura no Brasil, passou a ter um novo relator, o Senador médico Sebastião
Ferreira Rocha – PDT- Amapá.
E o Ministério do Trabalho e do Emprego divulga o novo Código Brasileiro de
Ocupações, que altera e substitui o divulgado em 1994 (KWANG, 2006).
Em novembro de 2002 o Ministério do Trabalho e Emprego divulga no Diário
Oficial da União o Registro do Sindicato dos Profissionais em Acupuntura,
Moxabustão, Do-in e Quiroprática do Estado do Paraná junto àquele órgão. Este,
desde a sua reativação, usa o nome fantasia de SATOPAR — Sindicatos dos
Acupunturistas e Terapias Orientais do Estado do Paraná (KWANG, 2006).

4.3. A utilização dos métodos mais usados na acupuntura

Dentro da Medicina Tradicional Chinesa são utilizados os seguintes métodos:


 Acupuntura Sistêmica;
 Acupuntura Auricular
 Eletro-Acupuntura;
 Moxabustão;
 Ventosaterapia.

4.3.1. Acupuntura Sistêmica


23

A palavra "acupuntura" origina-se do latim, sendo que acus significa "agulha"


e punctura significa "puncionar". A acupuntura se refere, portanto, à inserção de
agulhas através da pele nos tecidos subjacentes, em diferentes profundidades e em
pontos estratégicos do corpo para produzir o efeito terapêutico desejado.
(www.satopar, 2006).
Cailliet (1999) explica que a medicina chinesa considerava a saúde humana
como o resultado de forças da natureza em conflito, denominados yin e yang.
Quando essas forças perdiam a harmonia, surgia a “doença”. A energia vascular e
neurológica fluía pelos meridianos. Esses meridianos pareciam obedecer a um ritmo
circadiano e cada um estava diretamente associado a um sistema orgânico. Os
meridianos estavam interligados dentro da energia vital chi. Acreditava-se que uma
deficiência de chi produzia a dor. Portanto, poder-se-ia modificar a dor pela inserção
de agulhas nos meridianos, reequilibrando os fluxos de energia. (CAILIET, 1999,
p.96)
Segundo Farber (1997), o ponto de acupuntura são terminações nervosas
que constituem acesso ao SNC (sistema nervoso central); as pesquisas recentes
mostram que o estímulo da acupuntura é um estímulo nervoso que resulta na
ativação de pelo menos duas (provavelmente várias) vias no SNC.

O conhecimento das vias da acupuntura leva à desmistificação desta


terapia, lançando uma nova luz nas possibilidades terapêuticas da ciência
médica. Constitui uma via simples de acesso ao sistema nervoso central,
para minorar a dor e ajudar a curar algumas afecções (FARBER, 1997,
p.12).

4.3.2. Acupuntura Auricular

A acupuntura auricular ou aurículo-acupuntura é um dos métodos de


tratamento da acupuntura que se utiliza de pontos específicos localizados no
pavilhão auricular (GARCIA, 1999).
A estimulação desses pontos reflete diretamente no córtex cerebral, no
sistema nervoso central e atua no equilíbrio dos canais de energia do corpo,
restaurando e mantendo o fluxo energético no organismo.
A acupuntura auricular obteve maior aceitação no ocidente graças às
pesquisas e experimentos do médico Paul Nogier. Apesar de sua recente divulgação
24

e desenvolvimento, a aurículo-acupuntura obedece aos princípios milenares da


Medicina Tradicional Chinesa.
A Auriculoterapia é um microsistema, que se utiliza do Pavilhão auricular (ou
simplesmente orelha), para análise e tratamento das mais diversas enfermidades,
sejam elas físicas ou emocionais. O seu uso e difusão em nosso meio é bem
recente (GARCIA, 1999).
É uma técnica natural, eficaz nos resultados e indicada para os mais
diferentes problemas do corpo e da mente humana. No que se refere às contra-
indicações, é quase nula.
As aplicações auriculares são feitas com pequenas agulhas ou sementes de
implante que são fixadas na orelha em pontos específicos, onde permanecerão por
alguns dias. Às vezes são necessárias várias aplicações para se obter um resultado
eficaz. Orienta-se em torno de seis a dez sessões. Em alguns casos, duas ou três
sessões já amenizam o problema (DAL MAS, 2004).
Em si, a Acupuntura auricular é uma técnica completa. Porém, sempre que
associada a outras técnicas produzirá melhores resultados.
A Acupuntura assim como a auriculoterapia, tradicionalmente, não visa curar a
doença, mas equilibrar as energias da pessoa para que ela tenha uma vida mais
saudável (DAL MAS, 2004).
Conforme DalMas (2004),o princípio básico energético da Auriculoterapia é o
mesmo da acupuntura, é a exploração das energias vitais do corpo (é a força que
movimenta o ser vivo, que faz existir a vida) que circulam nos meridianos, que são
uma rede de minúsculos canais onde circulam as energias vital humana, divididas
em doze meridianas principais, oito extras e várias ramificações menores
conectando os órgãos vitais internos com todas as partes internas e externas. Os
meridianos afloram na superfície da pele que assim possui milhares de pontos de
acupuntura: locais que concentram mais energias e onde podemos modificar o
estado energético do meridiano ou do órgão, sendo que na auriculoterapia estas
conexões se dão no pavilhão aurícula Em linguagem da medicina energética, as
energias vitais circulam em todo o corpo, do fio de cabelo ate a unha do pé mínimo.
Logo, quando estimulamos os pontos no microsistema auricular, estamos
alterando as energias desses lugares, o que promove os desbloqueios, promove
melhor circulação de energia, sangue e nutrientes, melhorando o desempenho dos
25

órgãos nas suas funções física, emocional e a disposição física e emocional geral
(DAL MAS, 2004).
No parecer de DalMas (2004), atualmente há duas escolas dentro da
auriculoterapia. A primeira, a escola francesa, determina o microssistema auricular,
uma reflexologia de uma ação neurofisiológica, ou seja, ela é regida pelo sistema
parassimpático; quando se pica uma determinada parte de cartilagem auricular,
estimula-se por meio desse ponto, alguma área cerebral, descarregando endorfinas
ou morfinas que vão agir no sistema corporal, acionando a liberação de uma dessas
substâncias. Ao passo que a linha chinesa da acupuntura auricular tem base nas
mesmas tradições da medicina chinesa conhecida pela sigla MTC (Medicina
Tradicional Chinesa)
A auriculoterapia pode ser usada em todos os tipos de problemas físicos e
psíquicos, abrangendo uma vasta relação de tratamentos. Tem como fundamento o
reflexo direto sobre o cérebro e, através deste, sobre todo o organismo. Nesse
sentido, é um método completo de terapia, e sua aplicação, associada a outras
terapias, pode vir a dinamizar os efeitos benéficos de qualquer tratamento
(DALMAS, 2004).
De acordo com DalMas (2004), as aplicações auriculares são feitas com
pequenas agulhas ou sementes de implante que são fixadas na orelha em pontos
específicos, onde permanecerão por alguns dias. Às vezes são necessárias várias
aplicações para se obter um resultado eficaz. Orienta-se em torno de seis a dez
sessões. Em alguns casos, duas ou três sessões já amenizam o problema.

4.3.4. A Auriculoterapia da Escola Huang Li Chuan

Conforme Garcia (1999), a existência dos fluxos de energia e sua influência


sobre o corpo é o lado da acupuntura que a ciência ainda não conseguiu explicar.
Mas há outros aspectos em que a medicina oriental e a ocidental já concordam. Os
pesquisadores confirmaram, por exemplo, que a maioria dos 365 pontos clássicos
da acupuntura está localizada em áreas do corpo muito ricas em fibras nervosas; e
destas o pavilhão auricular é um local imensamente inervado pelo sistema nervoso.
A Auriculoterapia vem se desenvolvendo ao longo destes 35 anos, da
auriculoterapia tradicional a nova auriculoterapia mais moderna da Escola Huang Li
Chun.
26

Em busca do equilíbrio, das doenças e disfunções - inclusive a obesidade –


estas se manifestam quando há algum desequilíbrio entre os princípios yin e yang. O
desaparecimento dos mal-estares ou doenças, portanto, está diretamente ligado à
redistribuição dessas energias pelo organismo (GARCIA, 1999).
A acupuntura não trata só do sintoma, mas do todo (GARCIA, 1999).
A auriculoterapia tem construído sua teoria própria, por ter na atualidade,
métodos independentes para o diagnóstico e tratamento, sendo que ela segue
características próprias como:
Por ser um microsistema não precisa necessariamente do uso de agulhas,
isso facilita sua aceitação e execução.
Combina as Teorias da Medicina Tradicional Chinesa com as teorias da
Medicina Moderna, usando desta última, matérias importantes como a anatomia,
fisiopatologia, genética e imunológica.
Os pontos auriculares funcionam como uma memória do histórico patológico
através destes, nos fornece o desenvolvimento cronológico das enfermidades e a
preparação para processos patológicos que ainda não se manifestaram clinicamente
(GARCIA, 1999).
O diagnóstico da auriculoterapia tem valor semiológico tão importante quanto
o diagnóstico através do pulso e da observação da língua na Medicina Tradicional
Chinesa.
Na auriculoterapia da Escola Huang Li Chun ela tem a descrição de novos
pontos, sulcos, zonas, linhas e canais. Chegando a 160 pontos na face ventral e 31
na face dorsal do pavilhão auricular. Ela utiliza os pontos auriculares para o
diagnóstico e tratamento. Classifica os pontos auriculares de acordo com os
sistemas em 6 grandes grupos, e de acordo com as suas funções em 46 grupos.
Ela dá grande importância ao uso dos pontos do dorso da orelha tanto para o
tratamento como para o diagnóstico. Funciona como um sistema independente com
métodos próprios para o tratamento e o diagnóstico e não simplesmente como uma
técnica terapêutica (GARCIA, 1999).
Garcia (1999), explica como o pavilhão auricular está vinculado com o
sistema de canais e colaterais e elabora sobre a relação dos Zang-Fu com a orelha.
Portanto a teoria dos Meridianos auxilia na compreensão dos canais
energéticos que percorrem o corpo, que circundam e que estão em comunicação
direta com o pavilhão auricular. Não se deve, considerando essas relações usar
27

auriculoterapia ou acupuntura auricular sem o conhecimento das teorias da Medicina


Tradicional Chinesa (GARCIA, 1999).

4.3.5. Técnica de Eletroacupuntura

De acordo com Imamura (1997) existem várias técnicas de aplicação de


acupuntura clássica, com agulhas, até a acupuntura feita com auxílio de raio laser,
eletricidade, raios infravermelhos e ultra-som, entre outros, o que importa é o
estímulo.
Segundo o autor, foi Yoshio Nakatani, médico e pesquisador japonês, que
estudou a acupuntura eletrofisiologicamente e descobriu que a maioria dos pontos
dos meridianos da acupuntura tradicional correspondia a pontos que apresentavam
baixa resistência elétrica cutânea em relação à superfície corpórea normal.
(IMAMURA, 1997, p.3).
Conforme Imamura (1997), as agulhas de acupuntura promovem a
estimulação mecânica de estruturas dérmicas e subdérmicas através de movimentos
manuais rotacionais. Com o intuito de aumentar a efetividade do estímulo, o uso de
eletricidade através das agulhas de acupuntura foi relatado pela primeira vez no
Japão por Nakatani, em 1950. A eletroacupuntura é um método terapêutico que
consiste em introduzir corrente elétrica através de agulhas metálicas esterilizadas
em determinados pontos da pele. Modernamente, em nosso meio, a
eletroacupuntura é aceita e utilizada para o tratamento da dor. Existem várias
pesquisas internacionais demonstrando o mecanismo de ação e seu efeito
terapêutico nas dores tanto em investigações em animais quanto no ser humano
(IMAMURA, 1997).
O processo terapêutico por eletroacupuntura é válido principalmente para a
síndrome dolorosa crônica.

Como todo tratamento médico, só deve ser empregado após o diagnóstico


correto, para que os resultados sejam satisfatórios. Constituindo-se de uma
terapêutica física devido ao efeito mecânico da introdução da agulha e ao
efeito elétrico da passagem de corrente elétrica, julgamos ser este método
um importante instrumento a integrar o arsenal terapêutico de Medicina
Física e Reabilitação (IMAMURA, 1997, p. 4).

Atualmente, mesmo na China recomenda-se que a estimulação seja realizada


em pontos localizados nos dermatômeros, onde a dor se localiza, ou em pontos
28

onde a resistência elétrica da pele está reduzida, e não necessariamente nos pontos
clássicos dos meridianos orientais (IMAMURA, 1997).
A melhora da dor, quando da aplicação de 4estímulos da acupuntura em
pontos distantes dos dermatômeros referidos, é explicada pela dispersão e
convergência de informação nociceptiva no sistema nervoso central e pelo
mecanismo de influências recíprocas, que ocorrem entre os centros moduladores da
nocicepção. É possível que os estímulos da acupuntura atuem sobre células de
certas regiões da formação reticular do tronco cerebral e bloqueiem a sensibilidade
dolorosa de grandes áreas do organismo e, não necessariamente, naquelas áreas
onde a estimulação foi realizada (IMAMURA, 1997).
Para Imamura (1997), a eletroacupuntura utilizada no Japão consiste em
pesquisar o ponto reativo eletropermeável – PREP, ou melhor, o ponto de menor
resistência da pele à passagem da corrente elétrica”. Foi Nakatani quem
demonstrou que os PREPs coincidiam com a maioria dos pontos dos meridianos
chineses. A Técnica de Nakatani se baseia na pesquisa dos PREPs, seguida da
introdução de agulha nos pontos encontrados e da estimulação por corrente
contínua ou alternada por pulsos elétricos. Este método, bastante prático, favoreceu
a divulgação da acupuntura no meio ocidental (IMAMURA, 1997).
A eletroacupuntura, hoje reconhecida como método terapêutico pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), tem sido utilizado como medida
complementar para tratar numerosos tipos de dores como enxaquecas e cefaléias
em geral. Portadores de problemas de coluna, artrite e tendinite também podem se
beneficiar (IMAMURA, 1997).
As principais indicações da eletroacupuntura são síndromes dolorosas
miofasciais, traumatismos das partes moles, neuralgias, distúrbios neuro-vegetativos
e algumas afecções ontológicas visando o alívio da dor.

4.3.6. Moxabustão
29

A palavra "moxa" em chinês é formada por dois ideogramas que significam


"longo tempo" e "fogo", portanto seria algo como "longo tempo de aplicação de fogo"
(HONG, 2006).
A moxabustão consiste no processo de cauterização de pequena quantidade
de uma erva medicinal conhecida como Artemísia, colocada sobre certos pontos de
acupuntura com produção de calor penetrante. Ela é utilizada geralmente como
complementação da acupuntura (HONG, 2006).

4.3.7. Ventosaterapia

O uso da Ventosaterapia e da Sangria como métodos terapêuticos se perde


na História. É a técnica que através de recipientes de vidro ou plástico promove a
sucção na pele e nos músculos superficiais. Esta sucção elimina as aderências entre
a pele e a musculatura, ativando a circulação, descongestionando e desobstruindo
assim o fluxo de energia nos meridianos (HONG, 2006).
A riqueza de variedades e de modos de estímulos na Acupuntura é
importante, tendo-se vista a diversidade de doenças e de respostas dos pacientes a
métodos e técnicas de tratamento.
Percebe-se então que o tratamento das doenças pela acupuntura e também
da diminuição das dores, deve consiste no estímulo de pontos específicos para
cada caso e para cada paciente. Este estímulo pode ser na introdução de agulhas,
com uso de raios laser ou na eletro-acupuntura, que é a técnica mais indicada nos
casos de dores muito fortes entre outros (HONG, 2006).

4.4. Doenças tratadas com acupuntura

Para a acupuntura não existe uma doença, mas sim um doente que necessita
de um tratamento geral, visando seu equilíbrio como um todo. Existe uma exceção
para isso, que é a analgesia por acupuntura, que visa exclusivamente tirar
totalmente a sensibilidade à dor do paciente para uma cirurgia. É comum o paciente,
durante e após a sessão de acupuntura sentir bem estar, uma leveza um pouco
difícil de descrever. Isto decorre devido a liberação de endorfinas pelo nosso
organismo durante a sessão de acupuntura. Pode-se dizer que os pontos de
30

acupuntura, através dos meridianos, são a ligação com o meio interno do organismo
(www.wikipedia.org.com.br ).
A localização dos pontos de acupuntura pode ser feita pela sensibilidade
manual ou através do uso de aparelho eletrônico específico para uso em
acupuntura.
Sendo assim, a acupuntura promove um equilíbrio geral no organismo, pois
nenhuma doença existe isoladamente, sempre está associada a algum desequilíbrio
geral. Além do sintoma principal que trouxe o paciente ao consultório, haverá outros
sintomas, mesmo de menor importância, que são reflexos do mesmo desequilíbrio.
Que, quando tratado com a acupuntura, promoverá a cura do paciente como um
todo (www.wikipedia.org.com.br ).
Também há uma ação supra-segmentar relativa à acupuntura onde, o
estímulo das fibras A δ prossegue através do Trato espino talâmico até o córtex
cerebral, onde é percebido conscientemente e à medida que segue neste trajeto, há
colaterais para os diversos níveis da medula espinhal, com liberação de Beta-
endorfina, um dos tipos de Morfina do próprio organismo, e afetando vias
neurológicas descendentes que terminam por reforçar a estimulação da célula
pedunculada, com efeito analgésico sobre o estímulo das fibras tipo C, e que usam o
neurotransmissor Serotonina, o chamado "Hormônio do bem-estar", o que explica
bem os efeitos da Acupuntura não só no tratamento da dor, como também da
Depressão e dos estados de Ansiedade (www.wikipedia.org.com.br ).

5. DEPRESSÃO
31

De uma forma geral, as pessoas normalmente experimentam uma ampla faixa


de humores, que podem variar entre normal, elevado ou deprimido e têm um
repertório igualmente variado de expressões afetivas. Elas sentem-se no controle,
mais ou menos, de seus humores e afetos. Os transtornos do humor constituem um
grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda deste senso de controle e
uma experiência subjetiva de grande sofrimento (KAPLAN, 2003).
Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), através da Classificação
Internacional de Doenças (CID - 10), a depressão, em seus episódios típicos, implica
em um humor deprimido, perda de interesse e prazer nas atividades, energia
diminuída e processos de culpa ou negativismo (BALLONE, 2006).

5.1. Classificação

As síndromes depressivas são constituídas por quadros de diversas


etiologias, como a depressão unipolar, a depressão recorrente, a depressão bipolar,
o transtorno distímico, entre outros; possuindo em sua maioria, como pano de fundo,
o humor triste (MELLO, 2005).
A depressão pode ser classificada de diversas maneiras e por diferentes
escalas de avaliação.
Segundo o CID - 10 (Classificação Internacional de Doenças), existem alguns
tipos de episódios depressivos: leve, moderado, grave sem sintomas psicóticos,
grave com sintomas psicóticos, episódio depressivo não especificado, entre outros.
Outra forma de classificar um episódio de depressão é por meio do DSM-IV
(“Diagnostic and Statistical Manual of Mental Desorders”). Segundo essa escala,
para uma pessoa ser classificada como portadora de um Episódio Depressivo Maior,
por exemplo, ela precisa apresentar cinco ou mais dos sintomas a seguir,
numerados de 1 a 9, sendo cada sintoma equivalente a 1 ponto, durante um período
de 2 semanas consecutivas. Lembrando que os ítens (1) ou (2) precisam,
necessariamente, estar presentes na contagem dos 5 pontos (MELLO, 2005).
(1) Humor deprimido;
(2) Perda de interesse ou prazer (anedonia);
(3) Significativa perda de peso, quando não está em dieta, ou ganho de peso /
diminuição ou aumento do apetite;
32

(4) Insônia ou hipersonia;


(5) Agitação ou retardo psicomotor;
(6) Fadiga ou perda de energia;
(7) Sentimento de desvalia ou inadequação, ou culpa excessiva;
(8) Diminuição da capacidade para pensar e se concentrar, ou indecisão;
(9) Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
Apesar das inúmeras escalas de avaliação e das diversas ferramentas
classificatórias, a sintomatologia depressiva varia muito de um indivíduo para outro,
cabendo ao médico avaliar as suas diversas facetas. O diagnóstico é
fundamentalmente clínico, sendo poucos os exames complementares que acusam
alguma alteração. O clínico responsável por diagnosticar um quadro de depressão é
o Psiquiatra; sendo que as demais especialidades médicas e profissionais da saúde
devem, contudo, estar aptos para levantarem suspeitas e encaminharem o paciente
para um especialista, caso seja necessário (MELLO, 2005).

5.1.1. Outras classificações

De acordo com Carvalho (2008), pode identificar-se, também pela Medicina


Tradicional Chinesa , seis (6) formas de classificar e tratar à Depressão, conforme
os sintomas referidos pelo enfermo.

5.1.1.2. Estagnação de Qi no Fígado

Sintomatologia: Depressão anímica, com instabilidade, pressão torácica,


tendência a suspiros, plenitude, distenção e dor no peito e hipocôndrio, dor fixa,
distenção abdominal, anorexia, acumulo de gases no estômago, vômitos, fezes
anormais, língua pálida, saburra fina e pegajosa, pulso em corda.
Estratégia: equilibrar a função do fígado assim eliminando a estagnação, regular o
Qi e recuperar a função do estômago ( CARVALHO, 2008).
Pontos que podem ser utilizados: canal jueyin do pé (F) e da mão (PR) para
dispersão.
Pontos que podem ser utilizados:
Taichong (F.3) Qimen (F.14)
Neiguan (PR.6) Shanzhong (VC.17)
33

Sanyinjiao (BP.6) Zusanli (E.36)

5.1.1.3. Estagnação do Qi que se converte em fogo

Sintomatologia: Irritabilidade, distenção e dor no peito e hipocôndrios,


regurgitação ácida, boca amarga e secura na garganta, prisão de ventre, pouca
micção e escura, cefaléia, olhos roxos, língua com borda roxa, saburra amarela e
áspera, pulso tenso e rápido.
Estratégia: Limpar o fígado e eliminar o fogo, pode-se escolher pontos dos
canais jueyin do pé (F) e shaoyang do pé (VB), em dispersão ( CARVALHO, 2008).
Pontos que podem ser utilizados:
Taichong (F.3) Xingjian (F.2)
Yanglingquan (VB.34) Zusanli (E.36)
Tianshu (E.25) Qimen (F.14).

5.1.1.4. Acumulo de mucosidade

Sintomatologia: sensação de obstrução na garganta que não pode ser


eliminada a não ser através de cuspi-la, pois não pode ser engolida, sufoco no peito
distenção abdominal, anorexia, saburra branca e pegajosa pulso tenso e
escorregadio, os sintomas se agravam quando existe mudanças emocionais.
Estratégia: Canalizar e drenar o fígado, eliminar a estagnação, fortalecer o
baço e diluir a mucosidade. Pode se escolher o ponto Shu (costas) do fígado os
pontos do canal VC e os pontos do canal jueyin do pé (F), em dispersão, também
pode-se coordenar com a moxa ( CARVALHO, 2008).
Pontos que podem ser utilizados:
Ganshu (B.18) Qimen ( F.14)
Shanzhong (VC.17) moxa Tiantu (VC.22)
Neiguan (PR.6) Fenglong (E.40) moxa
Zusanli (E.36) Sanyinjiao (BP.6)

5.1.1.5.Ansiedade que prejudica a mente


34

Sintomatologia: Inquietação, angustia, tristeza, vontade de chorar, sufocação


no peito, suspiros e bocejos freqüentes, preguiça constante, língua pálida saburra
branca e fina, pulso fino e tenso (quadro encontrado mais em mulheres).
Estratégia: Confortar o peito e fazer fluir o Qi, nutrir o coração e tranqüilizar a
mente. Pode-se escolher o ponto Shu do coração, pontos do meridiano RM e do
meridiano Shaoyin da mão (C) como principais, tonificando coordenado com moxa
( CARVALHO, 2008).
Pontos que podem ser utilizados:
Xinshu (B.15) Juque (VC.14)
Shanzhong (VC.17) moxa Gaohuangshu (B.43) moxa
Shenmen (C.7) Neiguan (PR.6)

5.1.1.6. Deficiência no coração e no baço

Sintomatologia: Excessiva meditação e preocupação, palpitação, insônia,


amnésia, face sem brilho, distensão abdominal, anorexia, tontura e vertigens, língua
pálida, pulso filiforme e débil.
Estratégia: Fortalecer o baço e nutrir o Qi, fortalecer o sangue, acalmar o
animo, podendo-se escolher pontos Shu (costas) e os canais do baço e o
estomago, método de tonificação coordenado com moxa ( CARVALHO, 2008).
Pontos que podem ser utilizados:
Xinshu (B.15) moxa Pishu (B.20) moxa
Zhongwan (VC.12) Zusanli (E.36) moxa
Sanyinjiao (BP.6) Shenmen (C.7)
Baihui (VC.20) moxa

5.1.1.7. Deficiência de Yin e excesso de fogo

Sintomatologia: Angustia, irritabilidade, tontura e vertigem, palpitação, insônia,


sudorese noturna, rubor nas faces, calor nas palmas das mãos e planta dos pés,
agulhada nos rins e joelhos, espermatorréia, irregularidade na menstruação, língua
roxa com pouca saburra, pulso fino e rápido ( CARVALHO, 2008).
35

Estratégia: Tonificar Yin eliminando o calor, acalmar o coração e tranqüilizar o


animo. Pode-se escolher os pontos Shu (costas) e pontos do canal Shaoyin do pé
(R) e da mão (C) como principais aplicando-se o método de tonificação.
Pontos que podem ser utilizados:
Xinshu (B.15) Ganshu (B.18)
Shenshu (B.23) Pishu (B.20)
Taichong (F.3) Ligou (F.5)
Fulio (R.7) Yinxi (C.6)

5.2. Epidemiologia

O transtorno depressivo é um quadro relativamente comum, com uma


prevalência durante a vida de aproximadamente 15%, chegando até 25% em
mulheres (KAPLAN, 2003).
A depressão é um grande problema de saúde pública que não deve ser
negligenciado. Um dado que demonstra a grandiosidade do problema é o valor
anual que os Estado Unidos chegam a gastar no combate à doença: U$ 44 bilhões.
Mesmo assim, aproximadamente metade dos pacientes com transtorno depressivo
não recebe nenhum tipo de tratamento específico (KAPLAN, 2003).

5.3. Etiologia e Fisiopatologia

Sua etiologia geralmente é multifatorial, devendo ser considerados fatores


neurobiológicos, genéticos e psicossociais.

5.3.1 Fatores Neurobiológicos

Sabe-se que a grande causa dos transtornos depressivos ocorrem pelo


desequilíbrio bioquímico de alguns neurotransmissores centrais. Esses
neurotransmissores são substâncias que fazem a ligação entre uma célula nervosa
e outra, atuando como mediadores na condução de informações como, por exemplo,
mediando informações de alegria, prazer e tristeza (JACOBSON, 1997).
A noradrenalina e a serotonina são os dois neurotransmissores mais
envolvidos na fisiopatologia dos transtornos do humor. Há também alterações em
36

níveis dopaminérgicos, e evidências recentes apontam uma desregulagem, também,


da acetilcolina. Atualmente se sabe, por exemplo, que todos os antidepressivos
clinicamente eficazes aumentam a concentração dos neurotransmissores nos
receptores pós-sinápticos, inibindo a sua recaptura para dentro do neurônio pré-
sináptico. Essa observação levou a hipótese de que a depressão seja causada por
alguma deficiência em determinados neurotransmissores, sendo os antidepressivos
um recurso para tratar esse desequilíbrio (JACOBSON, 1997).
Com relação aos fatores neuroendócrinos, a literatura descreve diversas
alterações. Os principais eixos neuroendócrinos de interesse nos transtornos do
humor são o adrenal, da tireóide e do hormônio do crescimento. Outras
anormalidades descritas incluem secreção noturna diminuída de melatonina e níveis
basais diminuídos de hormônio folículo-estimulante. No que diz respeito ao eixo
adrenal, existe uma correlação entre hipersecreção de cortisol e depressão (uma
das observações mais antigas na psiquiatria biológica). Sabe-se, por exemplo, que
aproximadamente metade dos pacientes com depressão maior apresenta
hipersecreção de cortisol, que retorna ao normal quando a depressão se normaliza.
No eixo da tireóide, é notável a relação entre alterações de sintomas afetivos
quando presente um determinado transtorno da tireóide. Por fim, com relação ao
hormônio do crescimento, pesquisas apontam que pacientes deprimidos têm uma
estimulação embotada da liberação deste hormônio; liberação esta induzida pelo
sono, que muitas vezes apresenta-se desregulado nestes pacientes (JACOBSON,
1997).
Esses problemas relacionados ao sono (insônia inicial e terminal, despertares
múltiplos, hipersonia) são sintomas comuns e clássicos da depressão. Algumas
alterações do sono podem ser identificadas por meio do eletroencefalograma, que
geralmente aponta um início de sono atrasado e alterações nas fases do sono delta
anormal, latência encurtada dos movimentos oculares rápidos, entre outras
(JACOBSON, 1997).

5.3.2 Fatores genéticos

A genética é sem dúvida um fator significativo no desenvolvimento de um


transtorno do humor (KAPLAN, 2003). Porém, existe um componente genético mais
37

poderoso para a transmissão do transtorno bipolar I do que para a transmissão do


transtorno depressivo.
Algumas evidências recentes confirmam que eventos cruciais da vida, em
particular a morte ou a perda de uma pessoa amada, podem preceder o início da
depressão. No entanto, menos de 20% dos indivíduos que experimentam perdas
tornam-se clinicamente deprimidos. Estas observações falam fortemente a favor de
um fator predisponente: possivelmente genético ou psicossocial (EBERT; LOOSEN;
NURCOMBE, 2002).

5.3.3 Fatores psicossociais

Cada indivíduo, ao longo de sua vida, acumula diversas experiências


negativas e positivas. Uma pessoa que tenha perdido o controle sobre como lidar de
maneira equilibrada com suas experiências sócio-ambientais pode vir a manifestar
sintomas depressivos. Este é um modelo que afirma que o comportamento humano
e o ambiente podem influenciar o nosso estado de humor.
Uma observação clínica, já muito relatada, é que acontecimentos vitais estressantes,
muitas vezes, precedem episódios de transtornos do humor (KAPLAN, 2003).
Dentre as teorias psicossociais, existem correntes com diferentes visões,
como a teoria da psicanálise, teoria comportamental, teoria humanista, entre outras.

5.5. Tratamento

Segundo Kaplan (2003) o tratamento dos transtornos do humor deve ser


dirigido para os seguintes objetivos: em primeiro lugar, deve-se garantir a segurança
do paciente (propiciando um bom vínculo terapeuta – paciente); em segundo lugar,
uma completa avaliação diagnóstica; em terceiro, um plano de tratamento que
aborde não apenas os sintomas imediatos, mas também o bem-estar futuro do
paciente.
Os autores Kay e Tasman (2002) enfatizam que o tratamento deve voltar-se
para a redução e eliminação dos sintomas depressivos, com restauração integral do
funcionamento psicossocial. A melhoria do funcionamento adaptativo após o
episódio depressivo deve ser um dos objetivos associados. O estabelecimento de
uma relação funcional entre paciente, família e terapeuta, promove geralmente uma
38

melhor recuperação e fundamenta, além da conduta, o melhor tratamento para o


paciente.
Existem dessa forma, várias práticas de tratamento com relação ao paciente
com depressão, tais como: farmacoterapia, eletroconvulsoterapia, fototerapia e o
tratamento psicossocial e a acupuntura (KAY E TASMAN , 2002)

5.6. A depressão e a acupuntura

As doenças depressivas são causadas frequentemente pela fadiga mental


excessiva e pela depressão mental fazendo dessa forma que o Qi do fígado fique
reprimido e o baço/pâncreas falhe na função de transporte, assim, os líquidos
orgânicos se acumulam convertendo em Mucosidade que sobe causando doenças
mentais depressivas.
[...] o paciente é calado, indiferente, deprimido, às vezes murmurando,
algumas palavras e, outras vezes fala incoerente (parafasia e parafrenia),
anorexia, saburra delgada e pegajosa, pulso em corda e fino ou em corda e
escorregadio (YAMAMURA, 1993, p. 561-562).

Dessa forma dentro do tratamento sob o estímulo das agulhas promove a


liberação de substâncias do sistema nervoso central tais como a endorfina,
dopamina, encefalina e serotonina. A encefalina diminui a dor, age no sistema
límbico que controla as emoções, promove o bem-estar e o relaxamento mental
(MOREIRA apud PAMPLONA, 2008).

5.6.1. Tratamento com acupuntura

Além do método tradicional da acupuntura, realizado somente com agulhas,


existem outras técnicas que tem basicamente os mesmos princípios: eletro-
acupuntura (pequenas correntes elétricas são adicionadas às agulhas), aurículo
acupuntura (aplicação de sementes ou pequenas agulhas em pontos do pavilhão
auditivo), laser acupuntura (aplicação de laser terapêutico de baixa potência nos
pontos de acupuntura), Do-in (dígito pressão nos acupontos), entre outros. Cada
técnica pode ter objetivos específicos para cada um dos diferentes quadros de
depressão; a acupuntura estimula pontos específicos que ficam nos canais de
energia denominados meridianos, através de agulhas. Cada orgão e cada sistema
do organismo têm um meridiano correspondente. Existem, também, microssistemas
39

específicos onde estão mapeados os órgãos e sistemas do organismo (CAMARGO,


2008).

5.6.1.1. Acupuntura sistêmica

Deve ser selecionados, os pontos dorsais e, os pontos-fonte e de união como


pontos secundários, fazendo-se a tonificação e a dispersão de cada vez.
Prescrição – Xinshu (B.15), Ganshu (B. 18), Pischu (B.20), Shenmen (C7),
Fenglong (E.40).
Esta doença é causada pela estagnação de Mucosidade no coração e no
Baço/Pâncreas, por isso, selecionando-se os pontos Xinshu (B.15), Pishu
(B.20) e Ganshu (B.18) para eliminar a estagnação de circulação de Qi do
Fígado e fazer recuperar a função de transporte do Baço/Pâncreas. O ponto
Shenmen (C.7) e o Fenglong (E.40) servem para eliminar a Mucosidade e
acalmar o Coração e a mente (YAMAMURA, 1993, p. 562).

5.6.1.2. Craniopuntura

Também denominada acupuntura escalpeana, é um método de acupuntura


onde as agulhas são aplicadas em áreas do crânio, sobre o couro cabeludo.
De acordo com Dr. Camargo (2008), “esta área tem influência nas regiões do
cérebro, que comandam partes específicas do corpo humano, principalmente as
relacionadas ao movimento”. É utilizada principalmente nos casos de pacientes com
problemas neurológicos que sofreram paralisias causadas por derrames cerebrais.
Uma boa notícia para quem tem receio das agulhas, é que atualmente existem
técnicas alternativas, tais como eletroacupuntura, stiper e laserterapia (CAMARGO,
2008).

5.6.1.3. Eletroacupuntura

Os pontos utilizados são o Shuigou (VG. 26), Baihuí (VG. 20), Dazhuí (VG.
14), Fengfu (VG. 16), Yamen (VG. 15).
Então, em cada aplicação deve-se usar um destes dois grupos de pontos. E
depois de inserida a agulha conecta-se o aparelho durante 15 a 20 minutos
determinando-se o grau de estímulo de acordo com o caso ( YAMAMURA, 1993).

5.6.1.4. Stiper
40

Trata-se de um novo equipamento que está, em muitos casos, substituindo as


agulhas. O stiper é uma pastilha de dióxido de silício que, em contato com o ponto
de acupuntura, aumenta a condução elétrica, e, este novo equipamento pode
promover uma estimulação mais intensa e duradoura do ponto de acupuntura e com
a vantagem de não utilizar agulhas (CAMARGO, 2008).

5.6.1.5. Laserterapia

É uma aplicação de radiação luminosa que intensifica e em muitos casos até


substitui a aplicação de agulhas (CAMARGO, 2008).

5.6.1.6. Injeção nos pontos

Já nesse tratamento, os pontos a ser utilizados são os Xnshu (B.15), Geshu


(B.17), Jianshi (CS.5), Zusanli (E.36), Sanyinjiao (BP.6).
Para a aplicação, injeta-se em 1 a 2 pontos declorpromazina, diariamente. Os
pontos alternam-se diariamente ( YAMAMURA, 1993).

5.6.1.7. Acupunturauricular

Na acupuntura auricular utiliza-se os pontos do subcórtex, coração, rim,


occipício, fronte. Em cada aplicação usam-se de 3 a 4 pontos, retendo as agulhas
durante 30 minutos, e se aplica também a Acupuntura sistêmica (YAMAMURA,
1993).
É importante lembrar, também, que talvez o efeito mais reconhecido da
acupuntura, em todo seu campo de atuação, seja o seu efeito analgésico,
amplamente demonstrado a partir da liberação de opiáceos como a endorfina. Estas
evidências de que a acupuntura liberaria substâncias químicas (com características
moleculares semelhantes às drogas analgésicas) naturalmente existentes no
organismo humano, passaram a ser descobertas na década de 70; e hoje em dia,
sabe-se que por meio da acupuntura é possível estimular a produção de algumas
monoaminas e neuropeptídeos, entre elas as endorfinas, as encefalinas, as
dinorfinas, a serotonina e a norepinefrina (BIRCH; FELT, 2002, p. 197).
41

5.6.2. Suas aplicações

De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) o principal órgão que


regula as atividades mentais é o coração (FILSHIE; WHITE, 2002, p. 299), portanto,
muitas aplicações de acupuntura para o tratamento da depressão (conforme a MTC)
utilizam o meridiano do coração e o seu associado: o pericárdio (Circulação-Sexo),
além de um meridiano que se estende sobre o cérebro e a medula espinhal: o Vaso-
Governador. A MTC descreve diversos casos de depressão devido a uma
estagnação do Qi (energia vital que percorre o nosso organismo) e esta estagnação
pode ser oriunda de um mau bombeamento sanguíneo (do Shue) – função
específica do coração. Portanto, uma alternativa terapêutica pode ser a aplicação de
acupuntura ao longo destes meridianos.
Dois pontos muito utilizados em pesquisas para tratar síndromes depressivas
são o VG20 (ponto mais alto do meridiano Vaso Governador) e o Yintang (ponto
localizado entre as sobrancelhas).
Pode-se então de acordo com todas as técnicas e aplicações perceber a
importância e a ajuda da acupuntura no tratamento da depressão, sendo assim a
acupuntura pode ser um recurso que utilizado de forma associada à tratamentos
padrões e com certeza trazer benefícios terapêuticos adicionais, potencializando,
por exemplo, o efeito dos antidepressivos (BIRCH; FELT, 2002).

CONCLUSÃO
42

Com a pesquisa destes artigos e textos de livros pode-se concluir que a


acupuntura embora seja uma ciência milenar, principalmente na Medicina Tradicional
Chinesa, tem travado diversas lutas para ser validada no ocidente.
Porém, a cada dia sua expansão é maior, sendo considerada um ramo da
medicina alternativa.
Seus diversos métodos, (sistêmico, auricular, eletroacupuntura e moxobustão,
e a utilização da acupuntura em questão), dependem do conhecimento do
profissional, principalmente da área e localização correta dos pontos de acupuntura
da superfície do corpo para desobstruir os canais de energia.
O conhecimento das vias da acupuntura leva à desmistificação desta terapia,
ampliando as suas possibilidades terapêuticas na ciência médica, principalmente no
tratamento de diversas doenças, e em principal da depressão.
A depressão, sendo um problema tão relevante de saúde pública, devido a
sua alta incidência em todas as idades, sexos e classes sociais, necessita de
arsenal terapêutico mais variado. Na prática clínica a equipe de saúde tem centrado
suas ações contra a depressão basicamente em reduzidas ofertas, como a
medicamentosa e a psicoterapêutica. Outras possibilidades terapêuticas devem ser
buscadas, principalmente na área não medicamentosa – reduzindo os efeitos
colaterais gerados por tal intervenção, possivelmente minimizando os gastos com
saúde e favorecendo uma abordagem multidisciplinar para tal problema.
Conclui-se que a acupuntura pode com certeza, apresentar resultados
promissores no tratamento da depressão.

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