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GOIÂNIA, terça- eira, 30 de dezembro de' 1997

outras histórias

RISÉ MENDONÇA TELES''

ertó t:ei do Oriente,
vem e preocupado com 'o
seu reino, queria conhe-
fr -
cc. a história da humanidade;
Chamou o stíbio j e lhe entregou a
tgtefa de escrevê-la
. .
:O sábio demorou 20 anos;,
quando chegou , com 500 volu-
rins de história. Entregou-os ao
rét e , este„ envolvido nos ,negó-
cios do Estado, repreendeu-o di-
zehdo: - Você,está louco, não vou
ter tempo para ler tudo, isso, dê
tgrii jeito de simplificá-los: O sá-.
byõ demorou mais 20 anos, con-
seguindo reduzir para 50 volu- -
rires. Quando ,retornou ao palá--
do, , o rei, já velho, . pediu que
simplificasse mais a' história. O
sábio volta depois de 20 anos, e
quando chega ao palácio, com
apenas um volume, encontrou (.)
rei em seu: leito de morte. Res...
tou-lhe apenas sintetizar, aos ou ' 44.
vidos do rei, a•stória, da huma- mos liinhos e::cervejas, estain'ow• 'd2i. 'dor,' que 'é sua mestra, é. onde '
nidade em uma tinha: nascemos,, fora do ,poço, ven4o apenas o ex- • se encontra. Quando uma doença
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sofremos e. morr mos! tenor. E preciso entrar no poço,' qualquer nos coloca no estaleiro
-Evoco esta histária, para leni- barihár-se em suas ,águas, ver,: por alguns dias, e. ná cama, sozi-
brar o quanto somos frágeis, ape- sentir e pegar 'no interior. É so-' nhos, entramos em nós mesrnos.
nas um sopro de Deus, e que a' frendo, que nos purificamos. Os'. vemos o. quanto somos insignifi-
nossa passagem pela terra segue olhos são as antenas do sofrinien-• cantes, uma merdinha, diante de'
uma determinação divina:. Não to, e por isso eles lacrimejam, co-' Deus. Unarnuno afirma que 'A'
adianta cruzar o Atlântico no mo fornía de exteriorizar a dor dor é a substância da vida e.a iáiz -
mais moderno avião, num vCió de que vem de dentro. Goiânia está da personalidade, pois somente
primeira classe, se a mão de Deus iluminada, as pequenas lâmpa.7. sofrendo se .é pessoa". Um dia de'
não estiver segurando a aerona- das se enfileiram nos prédios, na sofrimento é um dia ganho, tort'
ve. Tudo segue a uma pré-deter- praças, nas ruas, nos monumen- tabilizado no livro do Ser 'exis-
minação: Temos um'tempo' mar-' tos. É um Natal exterior, tudo be-. tencial. O ano' de 97 esta no
cado de nascer, de sofrer e mor- ' lo, bonito, beleza pura. Mas o Na-, somou pontos quem acumulou,
rer. E esse tempo'de sofrer é o tal seria melhor se essas luzes sofrimentos. Já 'viu a ãerenidad&
que marca a nossa permanência minassem o nosso interior, des- das 'irmãs, das enfermeiras que
na terra, tudo se resume no so- pertando-nos para a fraternida- cuidam da Vila São Cotolertgo, .
frer. A alegria & um sofrimento de, para o espírito de solidarieda- em Trindade, das que trabalham
como o prazer tainbém o é, O que .., de. Aí baveria menos..sofrimento., no Hospital do Câncer, no ,FIDT,';
é a saudade senão a recordação; e mais cestas básicas, brinquedos nos hospitais, _que'cuidam de::
de um tempo feliz, de prazer? E a e abraços. Mas, voltando ao sofri- doentes terminais? Elas vivem
saudade senão a recordação de mento, é fUndamental dizer que de tanto morrer. Trabalhando
um tempo feliz, de prazer? E a. nada se conquista sem sofrer, sem com a morte, com o sofrimento,
saudade não é uma. dor armaze- ralar. São as dores do parto, de morrendo a cada dia; elas vivems
nada? Sofrer é viver, pois é so- cotovelo, de amor, de, paixão,. da na eternidade do amor, pois,Co-
frendo que conseguimos encon- ausência; dá saudade,- dá ,•ferid, P ., , ,d,iz "49 F,ranfisco1/2 ds •.(5.'sáit;
mo .„ as
trar a nós mesmos. Enquanto, és". que lacera o corpo, a alma, á Vida: "e morrendo .e vile,para
touramos champagne, ibkrida-,. O homem é um eterno aprendiz Vida sEternani,.... or.N