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Dr.

Jarbas
Nesse contexto, as páginas aqui registradas têm um propósito único
que é o de reverenciar a figura ímpar de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER,
a maior “antena psíquica” do século (Século XX), aquele que é o mais fiel
instrumento divino no desdobramento da obra kardequiana, para não dizer
que é o próprio Codificador que volta às telas da História para dar
continuidade à sua obra, tendo como Mentor Espiritual o Espírito
EMMANUEL.

Fazendo nossas as palavras de Geraldo Lemos Neto, no livro
“CHICO XAVIER – Mandato de Amor”, poderíamos dizer que “por isso
mesmo, pela ordem, pela segurança e pela eficiência da ação renovadora
que imprimiram ao campo moral da humanidade terrestre, vencendo
fronteiras e obstáculos com humildade e bom ânimo, paciência e perdão,
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e EMMANUEL incluem-se no rol das
raras criaturas que obtiveram dos céus um MANDATO DE AMOR.”

Por tudo isso vai aqui a nossa homenagem e gratidão àquele que é
considerado, com justiça, “O HOMEM DO SÉCULO”!

Jarbas Leone Varanda

Uberaba, primavera de 2.000

*******
CONSIDERAÇÕES
INICIAIS:

A MISSÃO DE CHICO
XAVIER
Para entendermos bem a beleza e a
importância da vida missionária de
Francisco Cândido Xavier, no campo da
mediunidade, é preciso situá-lo no contexto
histórico. Para isso, basta recordar a missão
do Brasil, no concerto das nações, do ponto
de vista espiritual, especialmente agora que
está completando 500 anos.

“Jesus transplantou para a região do cruzeiro a árvore magnânima de seu Evangelho,
a fim de que os seus rebentos delicados florescessem de novo, FRUTIFICANDO EM
OBRAS DE AMOR PARA TODAS AS CRIATURAS.”
(Humberto de Campos, em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”)

Nessa ordem de idéias, estando o Brasil com uma elevada missão, e como o Alto
necessitasse de um continuador de KARDEC, DISCÍPULO FIEL, no desempenho da tarefa de
manter vivos os ensinos de JESUS que o Espiritismo revive em sua pureza primitiva, CHICO
XAVIER aparece como um dos mais “LÚCIDOS DISCÍPULOS DE KARDEC, ALMA
TEMPERADA EM REPETIDAS EXPERIÊNCIAS” (Roque Jacinto, em “Quarenta Anos no
Mundo da Mediunidade”), estreitamente ligado ao Cristianismo Primitivo.

SUA OBRA MEDIÚNICA: UM MANANCIAL DE AMOR E LUZ
De “Parnaso de Além-Túmulo”, lançado em 1932 até a 410ª obra, as mãos benditas de
Chico Xavier, a serviço dos Espíritos, escreveram na História da mediunidade uma verdadeira
epopéia de Amor e Luz.

Há livros e livros, nós o sabemos, mas a obra mediúnica de Francisco Cândido Xavier
está isenta de joio. E mais que isto, ela é o mais FIEL e PRINCIPAL desdobramento da
Codificação Kardequiana, em razão de sua absoluta identificação com o pensamento dos
Espíritos, na revivescência do Cristianismo primitivo.

CHICO XAVIER: UM MÉDIUM MISSIONÁRIO
Erasto, no Capítulo XXI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, teve oportunidade de
dizer, com muita propriedade: “Para fazer que a Humanidade avance moral e intectualmente,
são precisos homens SUPERIORES em inteligência e moralidade. Para isso, para essas missões
são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências,
visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm de atuar, nula lhes resultaria a ação!”
E mais adiante: “haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus, tem de justificar,
pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência
moralizadora de suas obras a missão de que se diz portador.”
Se isso é verdade, não podemos deixar de considerar Chico Xavier como um Espírito
missionário por excelência, não sendo, portanto, um médium qualquer, restrito, comum, pelo
contrário, tudo revela nele um Espírito Superior, incapaz de falir em sua missão especial, nos
precisos termos da questão 578 de “O Livro dos Espíritos”, onde está claro que um Espírito pode
falir em sua tarefa se não for um Espírito Superior.

Tudo revela nele um Espírito muito elevado, e não como afirmaria Dora Incontri ser ele
humilde até à ingenuidade e tolerante até à passividade e com postura invigilante face a questões
polêmicas e isto porque nunca foi ingênuo, omisso e nem passivo, sem energia ante os
acontecimentos de que participou muitas vezes.

Basta ver a sua posição humilde, assumindo a responsabilidade no caso da FEESP, com a
sua tradução do Evangelho adulterado, baseado em comentários do Chico sobre certas
expressões nele encontradas, mas sem nenhuma sugestão para sua correção, pelo respeito que
sempre teve pelas nossas Editoras. No caso de Divaldo Pereira Franco, procurando a pacificação
da família espírita brasileira, publicando, inclusive, livro de parceria com o citado orador,
mostrando a responsabilidade de cada um.

Enfim, em todos os casos apontados como expressão de irresponsabilidade, sempre sua
postura foi a do SILÊNCIO, a da TOLERÂNCIA e da COMPREENSÃO para não ferir
corações, perturbar o movimento espírita, mas nunca de omissão, de ingenuidade, sendo
enérgico no tratamento de questões polêmicas e relevantes para a Doutrina Espírita. Sempre
respeitou o livre-arbítrio dos companheiros em suas atividades – o que é apanágio dos Espíritos
Superiores.

Alguém poderia dizer que o próprio Chico afirmou ser um “médium comum, suscetível
de falir”, todavia, sua afirmativa decorre de sua extraordinária HUMILDADE que é próprio dos
Espíritos Elevados. E falamos assim, porque, se sua obra mediúnica está aí, é porque a
Espiritualidade encontrou nele as CONDIÇÕES FAVORÁVEIS, como missionário, para
corporificá-la. Seu MANDATO MEDIÚNICO demonstra ser um Espírito Superior, com a
missão extraordinária e especial de desdobrar o pensamento dos Espíritos na Codificação!...

Alguém poderia dizer, ainda, que, sendo a Terra planeta de “provas e expiações”, e
estando o nosso querido Chico sofrendo neste mundo, desde sua infância, ele seria um ser
bastante imperfeito. Há que considerar, todavia, que conforme nos diz André Luiz, existem três
tipos de DOR:

A DOR-EVOLUÇÃO – própria dos seres inferiores da Natureza;

A DOR-EXPIAÇÃO – significando a condição daqueles que, na Terra, por exemplo, precisam
expiar suas faltas do passado;

A DOR-MISSÃO, exatamente aquela própria de Espíritos mais adiantados, “que fizeram suas
provas noutras existências” e conforme nos diz Erasto, no Cap. XXI de “O Evangelho Segundo
o Espiritismo”, sem necessidade do sofrimento expiatório.

É o caso de nosso Chico. Que este nos perdoe por considerá-lo assim, pois, entendemos
que, se ele é um missionário, ignorando sua própria condição de superioridade, devido à sua
humildade, não pode deixar de ser um Espírito Superior.

Além dos exemplos que tem dado em sua trajetória evolutiva, no campo dos sentimentos
cristãos-espíritas, isto é, de amor ao próximo, de bondade, de fraternidade, de humildade, de
abnegação, de trabalho desinteressado, de aceitação, ele se desincumbiu de sua grande tarefa de
ressaltar a natureza predominantemente RELIGIOSA do Espiritismo.

Enquanto Kardec teve a grande missão de ressaltar os aspectos Científico e Filosófica,
sem esquecer o aspecto Religioso, presente nas constantes afirmativas de que o Consolador veio
para reviver o Cristianismo primitivo, e na sua grandiosa obra “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, abordando a moral, os ensinos de Jesus, Chico Xavier ressaltaria o aspecto
Religioso da Revelação, sem esquecer os demais, isto é, o Científico e o Filosófico, presente nas
obras de André Luiz e Emmanuel

Enfim, a obra mediúnica de Chico Xavier é Jesus e Kardec de ponta a ponta!

Por tudo isto, podemos dizer que Chico Xavier, O HOMEM DO SÉCULO, é o fiel
continuador de Allan Kardec, na obra de redenção da Humanidade, trabalhando pela
implantação, nos corações humanos, da Religião da Sabedoria e do Amor que consubstancia o
Espiritismo.

Salve, pois, CHICO XAVIER, a maior antena psíquica deste século, no desdobramento
do pensamento Kardequiano, e o Evangelho personificado, justificando a denominação que lhe
deram de “UM HOMEM CHAMADO AMOR”.

********
É fora de dúvida que tem validade a afirmativa de Humberto de Campos de que o Brasil
seria o “Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, tendo, assim, uma tarefa
predominantemente evangélica, isto é, uma abençoada tarefa de espiritualização da Terra, com
base no Evangelho de Jesus. Realmente, os ascendentes construtores, provenientes do plano
invisível, encontrariam no Brasil características sem par no concerto das Nações, como um Povo
que tem capacidade de abraçar a Humanidade inteira, em função dos sentimentos de liberdade e
tolerância religiosa.

O Brasil está fadado a ser a sede da civilização do Terceiro Milênio. Daí, a razão por que
Jesus transplantou da Palestina para a Terra do Cruzeiro a árvore do Evangelho, a fim de que
tivesse o Brasil os frutos do Cristianismo primitivo, em sua abençoada tarefa de esclarecimento e
consolo espirituais.

Emmanuel, referendando tal entendimento diria prefaciando a obra de Humberto de
Campos: “O Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos
mais pobres do planeta, mas, também a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora
de crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro”.

Essa revelação de Humberto de Campos está se corporificando progressivamente, através
dos missionários que reencarnaram no Brasil, procurando implantar na Terra do Cruzeiro as
bases evangélicas da Doutrina de Jesus.

Espíritos da categoria de :

BEZERRA DE MENEZES, implantando a idéia da união dos espíritas em torno de Jesus e
Kardec;
BITTENCOURT SAMPAIO, extraordinário médium receitista e grande divulgador do
Evangelho;

EURÍPEDES BARSANULFO, notável médium curador e missionário na área da divulgação da
Doutrina no Triângulo Mineiro;

CAIRBAR SCHUTEL, no campo da difusão doutrinária;

PROF. CHAVES, um dos pioneiros de Uberaba;

BATUIRA, exemplo vivo de caridade e de trabalho;

AUGUSTO ELIAS, HERCULANO PIRES e DEOLINDO AMORIM que se notabilizaram pela
defesa da pureza doutrinária e pelo seu trabalho na divulgação da Doutrina; ANÁLIA FRANCO
que se notabilizou no campo educacional e na área assistencial; e tantos outros trabalhadores
anônimos, caboclos humildes, médiuns nas diversas modalidades, homens simples do povo –
todos empenhados em fixar e desenvolver o Evangelho de Jesus no Brasil.

Mas – e isto é preciso que seja proclamado em todos os cantos – existe um, ainda
encarnado, que não só desdobrou e completou o pensamento de Allan Kardec, mas, sobretudo,
implantou a semente do Evangelho de Jesus, através de suas atividades mediúnicas, sociais,
doutrinárias e evangélicas: CHICO XAVIER ! ...

Falar de Chico Xavier é recordar, na área divulgacional, mais de quatrocentas Obras
recebidas mediunicamente; é falar dos seus exemplos de Bondade, de Sacrifício, de Renúncia, de
Humildade, de Tolerância ante as investidas das trevas, de Amor, de Fraternidade, de
desprendimento dos bens terrenos (doando os direitos autorais de toda a sua obra); dando tudo de
si para que o Espiritismo possa dar os frutos magnânimos do Evangelho

A quantidade de Centros
Espíritas que receberam a sua
diretriz, desde a sua origem; a
inspiração na fundação de casas
assistenciais; a orientação segura
em favor do movimento espírita,
através de sua fala pessoal e da dos
Espíritos, revelando a sua condição
de Espírito Superior com “mandato
mediúnico”, sendo considerado a
maior “antena psíquica” da Terra
que nenhuma teoria foi e é capaz de
O médium Chico Xavier ao lado de companheiros dar uma explicação satisfatória.

Para demonstrar a autenticidade de sua mediunidade bastaria recordar a obra “PARNASO
DE ALÉM-TÚMULO”, repositório das maiores expressões da Literatura Portuguesa e
Brasileira. Na dimensão social, basta repetir a Revista “Veja” que constatou o aumento dos
Espíritas, confirmando Clóvis Tavares quando disse que a História do Espiritismo se dividia em
“antes e depois de Chico Xavier”. E demonstrando sua preocupação com um mundo melhor
para com os seus semelhantes, e isto desde Pedro Leopoldo, tem dado assistência material e
espiritual a milhares de criaturas humanas, sendo a inspiração de toda obra assistencial espírita
no Brasil, onde se localizam mais de duas mil casas assistenciais, sob a égide divina do “FORA
DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”!
Se Allan Kardec direcionou o Espiritismo, predominantemente, para os
aspectos científico e filosófico, sem esquecer o religioso – presente, principalmente, em “O
Evangelho Segundo o Espiritismo” – a obra mediúnica de Chico Xavier supervaloriza o
ASPECTO RELIGIOSO, sem esquecer os demais, sendo sua obra JESUS e KARDEC de ponta
a ponta. Por isso mesmo, parafraseando Camille Flammarion, podemos dizer que se Allan
Kardec é o bom senso encarnado, Chico Xavier é o Evangelho personificado !

É preciso que se diga que o aspecto religioso é ressaltado pelo Codificador, em suas
CONCLUSÕES, de “O Livro dos Espíritos”, quando afirma peremptoriamente: “O Espiritismo
é forte porque se apoia nas próprias bases da Religião : Deus, a alma, as penas e recompensas
futuras...” (item V); e mais adiante no item VII, Kardec, discorrendo acerca dos efeitos do
Espiritismo, conclui: “O primeiro e o mais geral é o de desenvolver o sentimento religioso até
mesmo naquele que, sem ser materialista, seja indiferente às coisas espirituais ...”

***

Tendo em vista a destinação evangélica do Brasil, no concerto das Nações, é oportuno
recordarmos a resposta do médium Chico Xavier, quando interrogado sobre que o mais
importante aspecto da Doutrina Espírita, respondeu:

“O espírito Emmanuel costuma nos dizer que a coisa mais importante que cada um de nós
poderá fazer na vida é seguir o mandamento cristão que nos aconselha a amar a Deus
acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Segundo Emmanuel, tudo o
mais é mera interpretação da verdade.

Dessa forma, não temos dúvida ao crer ser o aspecto religioso da Doutrina Espírita o seu
ângulo fundamental. Muito nobre a filosofia, mas em verdade a filosofia nada mais faz que
muita conversa. Muito nobre o esforço científico, mas em verdade a ciência que inventou a
vacina construiu a bomba atômica.

Então, nós devemos reconhecer que todos, os seres humanos, trazemos no íntimo um alto
grau de periculosidade e, até hoje, a única força no mundo capaz de frear estes impulsos
de periculosidade humana é, sem sombra de dúvida, a Religião.”
(“Chico Xavier – Mandato de Amor”)

Assim, se existe uma destinação maior do Brasil no concerto das Nações, do ponto de
vista espiritual, CHICO XAVIER está vinculado a essa destinação, sem sombra de dúvida.
Os Espíritas dos Brasil e do mundo lembraram, com muito carinho e justiça, a figura
extraordinária de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, a maior antena psíquica deste século, e
isto em seu aniversário, ocorrido no mês de abril próximo passado, ressaltando a sua vida e obra
mediúnica.

Incorporando-nos a essas manifestações de alegria, queremos transcrever de nosso livro
“BASES DO ESPIRITISMO”, publicado em 1991, pela União Espírita Mineira, uma página
(cap. III) com a qual nos solidarizamos com nosso irmão. Está lá: “A PROGRESSIVIDADE DA
DOUTRINA E A CONTRIBUIÇÃO DA OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER”

“Poderíamos concluir parcialmente com a afirmativa de Humberto de Campos, em
“Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, que a árvore do Evangelho foi
transplantada por Jesus da Palestina para a região do

Cruzeiro, objetivando a restauração do Cristianismo Primitivo, e concorrendo, assim,
para a EVOLUÇÃO efetiva da Doutrina dos Espíritos, restando-nos perguntar: A quem seria
confiada a tarefa de continuar a obra ciclópica de Allan Kardec, em terras brasileiras, com
mandato mediúnico? Quem seria esse apóstolo da mediunidade, com as características do
verdadeiro profeta, nos termos da lição evangélica que o Cap. XXI de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo” assinala?

É claro que a História do Espiritismo registra inúmeros tarefeiros em todas as áreas
doutrinárias, tais como por exemplo, um Bezerra de Menezes, Bittencourt Sampaio, Eurípedes
Barsanulfo, Batuíra, Zilda Gama, Ivone Pereira e tantos outros surgiram e estão surgindo na
seara espiritista, todavia, caberia a FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER a extraordinária missão
de continuador de KARDEC na propagação e evolução mediúnica da Doutrina dos Espíritos,
desdobrando-a com fidelidade às suas bases.
Sim, é essa figura que, pela sua extraordinária obra mediúnica, projetou nacional e
internacionalmente o Espiritismo, desenvolvendo e desdobrando, nos mais variados aspectos do
conhecimento humano, o pensamento Kardequiano, ultrapassando a casa dos 400 livros,
recebidos psicograficamente, em mais de setenta anos de mandato mediúnico, valendo-lhe o
título de o “APÓSTOLO DA MEDIUNIDADE”.

É claro que existem outros médiuns, tarefeiros brilhantes, administradores dos “interesses
evangélicos”, espalhados por esse imenso Brasil, no passado e no presente, todavia, ele, CHICO
XAVIER, é o Grande Rio para o qual correm os afluentes, reforçando suas águas e tornando-se
um manancial de vida para toda a Humanidade.

Ele é o apóstolo autêntico da Terceira Revelação de Deus aos homens em terras do
Cruzeiro! A ELE – o Evangelho personificado – o nosso preito de gratidão por tudo de bom
que nos tem proporcionado.

Dessa forma, sendo a Doutrina dos Espíritos progressiva, Chico Xavier aparece como seu
natural intérprete mediúnico na explicação e desenvolvimento dos princípios redentores da
Terceira Revelação de Deus aos homens, com vistas à revivescência do Evangelho de Jesus, que
é a finalidade do Espiritismo. O desdobramento se dá nos três aspectos, isto é, no CIENTÍFICO,
no FILOSÓFICO e, sobretudo, no RELIGIOSO.

Na área CIENTÍFICA, é notável a contribuição dos Espíritos, principalmente ANDRÉ
LUIZ, elucidando os tipos e natureza da mediunidade, em “NOS DOMÍNIOS DA
MEDIUNIDADE”, “EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS”, “MISSIONÁRIOS DA LUZ”,
“DESOBSESSÃO”, entre outros, bem como e principalmente trazendo noções mais profundas
acerca da vida futura, do Mundo dos Espíritos, constantes nas obras básicas.

Na área FILOSÓFICA, as obras de EMMANUEL, notadamente, “A CAMINHO DA
LUZ”, “EMMANUEL”, “O CONSOLADOR”, “RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS”, entre outras,
são exaustivas quanto à solução das questões filosóficas mais transcendentes no campo do
conhecimento humano.

Mas, é sobretudo, na área RELIGIOSA que a obra mediúnica de Chico Xavier alcança a
sua maior projeção, pois, a exemplo de Kardec, manifesta-se como a Religião do “Culto
Interior”, explicando e desenvolvendo os ensinos de Jesus à luz do Espiritismo ! ...

Destacaríamos, de escantilhão, as obras de EMMANUEL: “Pão Nosso”, “Vinha de Luz”,
“Palavras de Vida Eterna”, “Caminho, Verdade e Vida”, “Fonte Viva”, “Livro da Esperança”,
“Paulo e Estêvão”, “Roteiro”, entre outros. De outros autores citaríamos: HUMBERTO DE
CAMPOS (IRMÃO X) com sua vasta bibliografia, como por exemplo: “Brasil, Coração do
Mundo, Pátria do Evangelho”, “Boa Nova”. De AUTORES DIVERSOS: “Espírito da Verdade”,
“Religião dos Espíritos”, etc ..., onde pontificam Espíritos da categoria de DR. BEZERRA DE
MENEZES, EURÍPEDES BARSANULFO, BATUÍRA, SCHEILLA, MARIA DOLORES,
MEIMEI, CORNÉLIO PIRES, BITTENCOURT SAMPAIO e outros.

Toda a obra de Chico é JESUS e KARDEC de ponta a ponta, comprovando a tese de que
o Espiritismo se caracteriza predominantemente como sendo a “Religião da Sabedoria e do
Amor, promovendo o nosso reencontro com o Evangelho de Jesus.” (Emmanuel)
No apostolado de Chico Xavier, podemos vê-lo em três dimensões:

I- NA DIMENSÃO MEDIÚNICA
Para nós, Chico Xavier é o MAIOR
FENÔMENO do Século XX e que nenhuma teoria
foi e é capaz de dar uma explicação satisfatória.

Recebendo mais de 400 obras mediúnicas,
nas diversas áreas do conhecimento humano e
milhares de mensagens esparsas em vários
idiomas, tornou-se, sem sombra de dúvida, o mais
fiel e principal continuador de Allan Kardec, para
não falar que é o próprio Codificador que volta
para complementar a sua obra, desdobrando-a e
desenvolvendo-a progressivamente.

Quanto à autenticidade de sua mediunidade, poderíamos dizer que bastaria a recepção de
“PARNASO DE ALÉM-TÚMULO”, repositório de POESIAS de autores brasileiros e lusitanos,
para comprová-la, principalmente, porque quando recebeu tal obra possuía apenas o Curso
Primário e não existia , em Pedro Leopoldo, bibliotecas particulares ou públicas com que
pudesse armazenar seu sub-consciente de idéias ou estilos literários os mais diversos.

E que dizer das mensagens recebidas em línguas diferentes e totalmente desconhecidas
do médium? Como explicar as obras recebidas nas áreas da Ciência, da Filosofia, da Religião,
sem qualquer título acadêmico?!

II – NA DIMENSÃO SOCIAL

Nesse sentido, a Revista VEJA
constatou o aumento quantitativo dos espíritas,
contando hoje o Espiritismo com
aproximadamente VINTE MILHÕES de
adeptos. Pois bem, Chico Xavier foi um, senão
o principal, FATOR desse crescimento,
levando CLÓVIS TAVARES a dizer que o
historiador do futuro deverá dividir a História
do Espiritismo em duas fases: ANTES e
DEPOIS de Chico Xavier
Além disso, registramos sua COLABORAÇÃO na ELUCIDAÇÃO dos problemas
existenciais humanos, através do programa “PINGA-FOGO”, do antigo Canal 4, promovendo a
expansão das IDÉIAS ESPÍRITAS em 50 anos, junto ao POVO e isto sem esquecer o
CONSOLO levado às criaturas humanas, através de milhares de MENSAGENS de ENTES
QUERIDOS, domiciliados no Além.

Demonstrando sua preocupação com um mundo melhor, com seus semelhantes, e isto
desde Pedro Leopoldo, tem dado ASSISTÊNCIA MATERIAL E ESPIRITUAL a milhares de
criaturas humanas, promovendo PEREGRINAÇÕES, SOPAS FRATERNAS e
DISTRIBUIÇÃO DE BENS, nos famosos FESTIVAIS DE NATAL, quando são atendidas mais
de vinte mil pessoas.

Além disso, tem sido a INSPIRAÇÃO e a ORIENTAÇÃO de toda a obra assistencial
espírita no Brasil, onde se localiza mais de duas mil Casas Assistenciais Espíritas, e isto sem
esquecer a DOAÇÃO de seus direitos autorais sobre as obras mediúnicas que recebe.

III – NA DIMENSÃO EVANGÉLICA
Podemos afirmar que, do ponto de
vista evangélico, Chico Xavier é a
VIVÊNCIA mais pura dos IDEAIS
CRISTÃOS em nosso Brasil. E,
parafraseando Camilo Flammarion, à beira
do túmulo de Allan Kardec, quando disse
que o Codificador era o BOM SENSO
encarnado, dizemos nós que
CHICO XAVIER é o EVANGELHO
personificado.

Chico Xavier, sem ter a pretensão
de chefia do movimento espírita, torna-se,
pela EXEMPLIFICAÇÃO MORAL, uma
autêntica AUTORIDADE ESPIRITUAL,
respeitável em toda a Sociedade Brasileira.

Assim, e reverenciando a mediunidade de Chico Xavier, é justo que peçamos a Deus que
o cubra de bênçãos espirituais, a fim de que continue conosco, dando o exemplo de Homem de
Bem, de missionário autêntico e lidador espiritista, integrado nos ideais de IIIa. Revelação de
Deus aos homens.

**********
“ 1.000 QUE FIZERAM O SÉCULO XX “

CHICO XAVIER

Qualquer fato, qualquer acontecimento que ressalte a importância da Doutrina Espírita,
ocorrido nacional ou internacionalmente, deve merecer o nosso registro, a fim de que a
documentação espiritista se enriqueça com as informações históricas que serão legadas à
posteridade.

Nesse sentido, ainda, vale a pena ressaltar que os registros históricos na seara espírita,
apesar das lacunas existentes no passado e relacionados principalmente com os vultos
espiritistas, têm merecido, de algum tempo a esta parte, especial atenção de nossos
companheiros, objetivando a formação de uma documentação doutrinária séria e valiosa.

Essas considerações são a propósito de um acontecimento que está chamando a atenção
do mundo, pela importância de que se reveste: a inclusão do nome de Chico Xavier como um
dos “1.000 que fizeram o Século XX”, nas categorias de Filosofia, Teologia e Religião, numa
iniciativa conjunta da publicação brasileira “ISTO É” com o “TIMES”. É a prova do
reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo maior médium deste século, em função do ideal
espírita vivenciado em sua vida e obra, merecendo ser documentado.

“Lavoura e Comércio” de nossa cidade publicou o texto inserido na Revista “ISTO É”
sobre o acontecimento, cuja transcrição vale a pena ser feita. Está lá com o título “1.000 QUE
FIZERAM O SÉCULO XX”:

Desde os quatro anos ele dizia ouvir vozes, que ninguém ouvia, e ver pessoas, que
ninguém via. Oitenta anos depois, em 1984, havia publicado 375 livros ditados por essas
vozes. Esses livros se multiplicaram em vinte milhões de exemplares; espalharam em línguas
como o grego, japonês, inglês, espanhol, esperanto, tcheco; 86 deles foram transcritos em
braile.

Francisco de Paula Cândido, ou Chico Xavier, da cidade de Pedro Leopoldo, Minas
Gerais, tornou-se o maior divulgador do Espiritismo no Brasil, não apenas pelos seus feitos
mediúnicos, mas também por sua reconhecida bondade, caridade e pela modéstia material de
sua vida.

Como médium, desde 1931, publica livros de poemas, aforismos e ensinamentos que
atribui a vários autores da Literatura Brasileira e Portuguesa e a outros mortos ilustres, por
intermédio de Emmanuel, seu guia no Além. Espírito caridoso, Chico Xavier não guardou um
centavo dos US$ 650 mil anuais que rendem seus livros em direitos autorais: o dinheiro vai
todo para as suas obras assistenciais.

Não é preciso dizer o quanto isso representa para o Espiritismo, sendo valiosa a
referência que tais publicações fizeram ao fato de que Chico Xavier “NÃO GUARDOU UM
CENTAVO DOS US$ 650 MIL ANUAIS QUE RENDEM SEUS LIVROS EM DIREITOS
AUTORAIS: O DINHEIRO VAI TODO PARA AS SUAS OBRAS ASSISTENCIAIS.”
Chega às livrarias um especial lançamento feito pela União Espírita Mineira, com o título
que encima este artigo, oferecendo ao estudioso extraordinárias revelações e séria documentação
sobre a vida e obra do médium CHICO XAVIER. Tal lançamento, feito em feliz hora pela Casa
Mater do Espiritismo em Minas Gerais, resgata uma dívida que essa entidade tinha em relação ao
médium Chico Xavier, em razão das fontes de pesquisa e da segurança e autêntica documentação
de que era e é possuidora.

Além disso, enseja-nos a oportunidade de meditar sobre o seu significado histórico. É que
uma das lacunas existentes ainda na seara espiritista é a relacionada com a documentação sobre
os nossos vultos espíritas. E é exatamente por faltar referências, registros históricos nos anais do
movimento espírita, a exemplo do que aconteceu com EURÍPEDES BARSANULFO e outros
vultos, é que não pudemos ter a exata dimensão de sua estatura espiritual, passando, inclusive,
muitos fatos a eles ligados por lendas e meras suposições sem respaldo histórico.

A questão da documentação espírita é coisa muita séria, devendo merecer dos nossos
confrades uma atenção toda especial. Aliás, um dos fundamentos da criação da Exposição
Espírita Permanente, idealizada pelos companheiros da Comunhão Espírita Cristã – CEC – de
Uberaba, notadamente Waldo Vieira, quando de sua permanência ao lado de Chico Xavier, foi
exatamente a necessidade de se ter uma documentação alusiva a fatos e vultos espíritas nacionais
e internacionais.

De algum tempo a esta parte, graças à iniciativa de alguns confrades, temos tido a
oportunidade de possuir tal documentação através de entrevistas, de vídeos, de gravações, de
depoimentos em discos e fitas acerca de fatos relacionados com a vida de muitos vultos espíritas,
principalmente com a vida e obra de CHICO XAVIER. O programa “PINGA-FOGO”, com
Chico Xavier, foi um exemplo vivo de documentação histórica.

É por essa razão que recebemos com muita alegria o livro denominado “CHICO
XAVIER – MANDATO DE AMOR” , editado pela União Espírita Mineira – UEM, um
repositório fiel da vida do missionário de Pedro Leopoldo e que tem vivenciado, com
espontaneidade a mensagem de Jesus e Kardec, na atualidade. Nesse sentido, a citada obra, com
254 páginas, oferece-nos valiosos depoimentos sobre o médium, entre eles de J. Martins Peralva,
Arnaldo Rocha, Geraldo Lemos Neto, Maria Philomena Aluoto Berutto e outros.

Além desses testemunhos históricos, o livro traz-nos a Doutrina em versos, recebidos
pelo médium, ao longo de sua vida mediúnica, bem como mensagens diversas, encerrando com
entrevistas e depoimentos do médium, esclarecendo-nos acerca de palpitantes problemas
humanos e doutrinários.

E a obra é realmente repositório valioso que, sem descer ao endeusamento, constitui um
material histórico dos mais expressivos para que possamos aquilatar do valor, da grandeza desse
missionário que tem mandato mediúnico no desempenho de sua missão, e o mandato de amor na
vivência dos valores evangélicos, sendo a maior personificação do Evangelho de Jesus, no século
XX, merecendo a afirmativa de Carlos Romero: “ESTE SÉCULO XX É O SÉCULO DE
CHICO XAVIER”
I
“DAQUI PARTIRÁ A LUZ PARA O MUNDO”

Em 1957, recebíamos na “Casa do Cinza”, pela mediunidade de Hermilo S. Nóbrega,
uma comunicação psicofônica em que um Benfeitor Espiritual anunciava que havia possibilidade
de Chico Xavier vir para Uberaba e que “daqui partiria a luz para o Mundo”.

E realmente, dois anos depois Chico Xavier aportava à nossa cidade e iniciava a Segunda
fase de seu mandato mediúnico, recebendo a maior parte de sua obra psicográfica, cumprindo-se,
assim, a mensagem premonitória.

Mas, se sua tarefa mediúnica extrapolou as fronteiras nacionais, não é menos verdade
que, em particular, sua presença foi marcante para o nosso movimento espírita, influenciando o
povo uberabense a favor do Espiritismo, expandindo-o quantitativa e qualitativamente.

Abrindo-se um parêntese, é preciso que se diga que também do ponto de vista material,
foi notável a sua influência, pois, em se instalando no local, onde seria edificada a sede da
Comunhão Espírita Cristã (CEC), fez nascer uma verdadeira cidade (Parque das Américas) e
mais que isso, fez aportarem à Uberaba milhares de visitantes, expandindo seu comércio
hoteleiro e tornando a cidade conhecida em todo o mundo.

II
NASCIMENTO DE NOVOS GRUPOS ESPÍRITAS

Desde que aqui chegou, em 1959, Chico Xavier vem deixando sua marca espírita-cristã
no movimento espírita ubersabense. Naquela época só existiam dezessete Casas Espíritas, de
orientação kardecista. De lá para cá, todavia, graças à sua infuência, orientação mediúnica e
estímulo, novas instituições surgiram, expandindo o movimento espírita, contando, hoje,
Uberaba, com mais de oitenta Grupos Espíritas e doze Instituições Espíritas.

Chico Xavier representou sempre o companheiro abnegado que nunca recusou a quem o
procurava a orientação para fundar essa ou aquela instituição, dando a palavra de estímulo e a
diretriz dos Espíritos, mas recomendando sempre a observância dos postulados kardequianos na
revivescência dos ensinos de Jesus.

Relativamente ao movimento espírita uberabense, registramos sua visita fraterna,
sobretudo, por ocasião da fundação de novos grupos, como aconteceu com a Casa Espírita “de
Scheilla”, “José Horta”, Lar Espírita “de Lázaro”, “Deus é Caridade” e tantos outros, onde
recebeu várias mensagens de orientação para o movimento espírita brasileiro.

III
DESTAQUES ESPECIAIS:

A – A FUNDAÇÃO DA AME UBERABENSE

Recordamos sua presença por ocasião da fundação da Aliança Municipal Espírita de
Uberaba (AME), tendo recebido duas mensagens em torno do movimento de unificação,
intituladas “ALIANÇA ESPÍRITA” (esta na CEC) e “CABEÇA E CORAÇÃO” (na C.E. “de
Scheilla”), quando ficaram ressaltadas mais uma vez a natureza e a finalidade do movimento de
união dos espíritas, sem o espírito de “seita”, de “casta”, de “organização formalista”,
“burocrática” e “elitista”, mas sim, de apoio às atividades de seus membros, da união verdadeira,
onde o mais forte deve amparar o mais fraco, de estímulo às atividades dos Grupos irmanados no
mesmo ideal, de realização de tarefas coletivistas, sem as características de “chefia”, de qualquer
coisa que lembre as religiões hierarquicamente organizadas.

Hoje, nos quarenta anos vividos em Uberaba, Chico Xavier continua sendo um marco na
vida do movimento espírita uberabense com realizações mais profícuas.

B- SUA AJUDA AO “LAR DO PÊNFIGO” E A REALIZAÇÃO DE
FESTIVAIS

Notável tem sido sua ajuda, direta ou indiretamente, ao “Lar do Pênfigo”, de D.
Aparecida, participando, inclusive, todos os anos, do aniversário do Centro Espírita, ligado
àquele instituição, “Deus é Caridade”, deixando de fazê-lo de algum tempo a esta parte, por
motivo de saúde, quando recebia mensagens de nossos Benfeitores Espirituais.

Quantos e quantos visitantes do Grupo Espírita “da Prece” não têm dado sua colaboração
ao Lar do Pênfigo, graças à influência de Chico Xavier nos destinos daquela casa assistencial!...

Também não menos notável tem sido a sua participação nos “Festivais” de assistência
fraterna aos mais necessitados, atendendo a mais de 15.000 pessoas, seja quando militava na
Comunhão Espírita Cristã, seja agora no Grupo Espírita “da Prece”, em companhia dos
confrades de São Paulo, liderados por D. Iolanda César.
C- A RETIFICAÇÃO JUDICIAL DE SEU NOME

Muitos talvez ignorem que o verdadeiro nome de Chico Xavier era FRANCISCO DE
PAULA CÂNDIDO e que foi objeto de retificação judicial, quando passou a ter o nome que o
tornou conhecido no mundo, isto é, FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER, retificação essa que
tivemos a alegria e a honra de requerer. Para os biógrafos de Chico Xavier, informamos que essa
retificação foi requerida perante o Juiz de Direito da 2ª Vara, Dr. Sylvio Cerqueira Pereira (hoje
desencarnado), e Cartório do Crime de Uberaba.

D – TÍTULO DE “CIDADÃO UBERABENSE”

A comunidade espírita uberabense, para não dizer toda a família espírita brasileira, teve
momentos de intensa alegria, quando, reconhecendo os benefícios prestados à Sociedade de
nossa terra, a edilidade lhe outorgava o título de cidadão uberabense, numa das sessões da
Câmara Municipal, realizada nos salões do Uberaba Tênis Club! ... Tal título repercutiu em todo
o Brasil, ensejando a dação de novos títulos a Chico Xavier ! ...

E – CHICO XAVIER E O RECENSEAMENTO DE UBERABA

Outro aspecto, não menos interessante, é a relação entre a presença de Chico Xavier em
Uberaba e o número de espíritas uberabenses. É que, pelo recenseamento de 1950, o número de
espíritas em nossa terra era de 10.000, cerca de 10% sobre uma população de 100.000 habitantes.
Ora, com a chegada de Chico Xavier, cuja permanência há 40 anos, influenciando
espiritualmente a população, em termos de trabalho, de divulgação doutrinária e, sobretudo, de
vivência dos postulados espíritas-cristãos, acreditando nós que a quantidade de adeptos da
Religião Espírita deve ter, no mínimo, triplicado.

É inegável a quantidade enorme de pessoas que sofreram a influência pessoal e
doutrinária de Chico Xavier, na aceitação dos postulados espíritas. Em verdade, a mediunidade e
a atuação pessoal de Chico Xavier transformaram a mentalidade do uberabense em favor do
Espiritismo, aumentando, assim, a quantidade de espiritistas que já era grande !...

F – VISITAS AOS CENTROS
ESPÍRITAS/ MENSAGENS RECEBIDAS

Chico Xavier, nas suas visitas aos Grupos
Espíritas de Uberaba, teve oportunidade de receber
várias mensagens de nossos Benfeitores Espirituais e
que mereceriam ser publicadas não fosse a exigüidade
de espaço.

Apenas, a título de exemplificação, vejamos o
soneto recebido em sessão pública, na noite de
31/10/58, no C. E. “Vicente de Paulo”, de autoria
espiritual de Arlindo Costa:
SAUDANDO UBERABA
Uberaba querida, o tempo avança... Quem contigo algum dia se conforte,
E enquanto o tempo a vida nos revela, Inda mesmo seguindo, além da morte,
Surges da vida cada vez mais bela, Jamais te esquece os lúcidos cadilhos...
Por cidade da luz e da esperança.

De teu povo conservo na lembrança Deus te guarde, Uberaba, altiva e ardente,
A bondade sem par que te modela Desde as estrelas do teu céu ridente
A excelsa vocação de sentinela Ao coração formoso de teus filhos ! ...
Do trabalho, da paz e da abastança ! ...

G- PRODUÇÃO MEDIÚNICA EM UBERABA

Nesses 40 anos de mediunidade em nossa cidade, Chico Xavier sextuplicou a sua
produção mediúnica, passando de 60 livros, recebidos no período Pedro Leopoldo, para 410, em
Uberaba, até a presente data, quando, aos 90 anos de idade, ainda atrai, aos sábados, centenas e
centenas de pessoas de diversos pontos do Brasil e do mundo, com o objetivo principal de
conhecê-lo e beijar suas iluminadas mãos, que, nessas ocasiões, nos brindam com mensagens de
diversos Espíritos, sendo ora Maria Dolores, ora Cornélio Pires, Dr. Bezerra de Menezes, entre
outros.

H- SUA PRESENÇA NAS EXPOSIÇÕES - FEIRAS DO LIVRO ESPÍRITA

Por vários anos, o ponto alto, mais esperado das
Exposições-feiras do Livro Espirita foi a presença do
estimado médium Chico Xavier, sempre acompanhado,
carinhosamente, pelo seu filho adotivo Dr. Eurípedes
Humberto Higino dos Reis e outros companheiros,
prestigiando o evento e alegrando-o com seu
entusiasmo e amor pela causa do Livro Espírita.

Foi na Feira de abril de 1992, que o
Departamento de Difusão Doutrinária da AME passou
a incluir a palavra EXPOSIÇÃO, ouvindo as sábias
colocações de Chico Xavier , nos dizendo que este
acréscimo é uma demonstração de respeito a quem
visita a Feira e não compra livros.

Por tudo isso, a família uberabense se rejubila, agradecendo a Deus os benefícios
recebidos com a sua luminosa presença, em seu seio, rogando a Jesus que lhe dê muita
tranqüilidade, muita paz, muita saúde, a fim de que possa continuar conosco por muitos anos.

******
O médium Chico Xavier, um dos fundadores da Casa Espírita
de Sheilla – ao lado de companheiros

CHICO XAVIER completou este ano 40 anos de mandato mediúnico em Uberaba.
Realmente, em 1959, por motivos de todos conhecidos e obedecendo aos Desígnios da
Providência, Chico Xavier transferia seu domicílio de Pedro Leopoldo para Uberaba, depois de
ter aposentado pelo Ministério da Agricultura.

E nosso Chico nos daria, com sua vida, as mais preciosas lições de Sabedoria e Amor,
dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. De fato, do ponto de vista material, a
sua folha de serviços não registraria “nenhuma falta ao trabalho, nada de licenças e suspensões”,
e produzindo, nesta fase de Pedro Leopoldo, as suas 60 obras mediúnicas, publicadas pela
Federação Espírita Brasileira.

A partir de então iniciaria, em Uberaba, a sua 2ª fase , recebendo até agora 350 obras.
Registrando este fato, um dos oradores da XV Semana da Mediunidade, promovida pela AME
local, Dr. Leonel Sivieri Varanda ressaltou os seus efeitos na difusão doutrinária, mostrando os
ascendentes espirituais na vida e obra de Chico Xavier, quando na CONDIÇÃO DE
APOSENTADO, a sua produção mediúnica sextuplicou, isto é, de 60 passou para 410 livros,
contando com a preciosa colaboração do confrade Vivaldo da Cunha Borges, sendo a década de
80 a mais produtiva com 153 títulos.

Felizmente, para todos nós, tal manancial de bênçãos continua a fluir todos os sábados, na
sede do Grupo Espírita “da Prece”, sob a direção do estimado irmão Dr. Eurípedes Higino dos
Reis brindando-nos com outras mensagens que formarão outros tantos volumes.

Outro destaque especial, feito pelo citado orador, é que tal produção mediúnica foi
conseguida graças à sua ESPECIALIZAÇÃO na tarefa espírita, escolhendo a PSICOGRAFIA
como a sua principal atividade, objetivando a divulgação do Livro Espírita, a sua paixão sublime
- no que Leonel foi secundado pelos companheiros Cézar Carneiro de Souza e Marilene
Paranhos Silva, na referida Semana de Estudos Mediúnicos.

Na FASE de UBERABA, dispondo de todo o seu tempo de aposentado, Chico Xavier,
em companhia do Dr. Waldo Vieira, levou o Evangelho de Jesus, à luz do Espiritismo, aos
Estados Unidos (América do Norte) e à Europa. Receberia também, nesta fase, dezenas de
TÍTULOS DE CIDADÃO, outorgados de forma espontânea, por várias cidades brasileiras.
Foi ele, ainda, nesta fase, através de entrevistas e depoimentos feitos na imprensa escrita,
falada e televisada, principalmente na TV-Canal 4 de São Paulo (“Pinga-Fogo”), que fez o
Espiritismo avançar, consideravelmente, junto ao povo, esclarecendo-o sobre a NATUREZA
EVANGÉLICA e sua grande FINALIDADE, como restaurador do Cristianismo Primitivo, isto
é, como Consolador prometido por Jesus. Igualmente, graças à sua atuação mediúnica,
ORIENTOU centenas de militantes espíritas, estimulando-os em suas atividades e aos iniciantes,
propiciando a formação de NOVOS NÚCLEOS de trabalho, dando assistência aos existentes e
incentivando a UNIÃO dos espíritas, através do estudo e do trabalho, enfim, promovendo a
expansão do Espiritismo aqui e em todo o mundo.

Uberaba, nestes 40 anos, por exemplo, passou de 17 Instituições Espiritistas para quase
90. Orientou, igualmente, milhares e milhares de pessoas, assistindo-as em suas necessidades
espirituais. É assim que o vemos desdobrando-se através das “PEREGRINAÇÕES”, dos
“FESTIVAIS DE NATAL e do LIVRO ESPÍRITA”, das “ORIENTAÇÕES E DOS
RECEITUÁRIOS” de Dr. Bezerra de Menezes, das “VISITAS FRATERNAS AOS PRESÍDIOS
E ENFERMOS”, do “CULTO DO EVANGELHO NO ABACATEIRO” – onde todos se
quedavam em profundo silêncio para ouvir as suas belíssimas explicações do Evangelho de
Jesus ; tudo sob a amorosa e sábia supervisão de EMMANUEL.

Preciosas e inúmeras lições poderíamos extrair da vida e obra desse “Servidor
Incansável”, no dizer de Geraldo Lemos (“Chico Xavier – Mandato de Amor”). Uma delas é o
fato de legar ao mundo o EXEMPLO do verdadeiro cristão-espírita, corporificando os ensinos
de Jesus, no campo da Fraternidade, do Amor, da Humildade, da Caridade, do Desinteresse, da
Abnegação, etc. e que nos leva a repetir que, se Allan Kardec foi o bom-senso encarnado
(Camille Flammarion), Chico Xavier é o Evangelho personificado.

Tais lições foram ressaltadas pelos oradores da referida Semana da Mediunidade, em
particular, por Marival Veloso (de Belo Horizinte) e por Adelino da Silveira, de Mirassol (SP) ,
deixando este último, com os casos contados, implicitamente, a idéia de que somente CHICO
XAVIER poderia ser a reencarnação de ALLAN KARDEC, para desdobrar o pensamento da
Codificação, por ser o único Espírito Superior na Terra, na seara espírita, com as condições
indicadas no seu livro “KARDEC PROSSEGUE” e confirmadas por Hilário Silva e André Luiz,
através da mediunidade respeitável de Dr. Antônio Baduy Filho, em mensagens alusivas.

Recordando os dois períodos na vida de Chico Xavier (Pedro Leopoldo e Uberaba), mais
uma lição poderíamos extrair: a sua extraordinária atividade após a aposentadoria,
apontando aos inativos o caminho de sua realização e alegria, através do TRABALHO
VOLUNTÁRIO, junto ao movimento espírita em geral e às Casas Espiritas, em particular,
assistindo-os em suas atividades materiais e espirituais.

Meditando sobre a estada, em Uberaba, de Chico Xavier, a maior “antena psíquica” e o
“Homem do Século”, durante todo esse tempo, sem que tivéssemos merecimento para isso, só
temos que externar a nossa alegria e gratidão , rogando a Deus, a Jesus, e aos Benfeitores
Espirituais que o amparem, dando-lhe muita paz, muita saúde e tranquilidade, a fim de que possa
continuar conosco por muitos e muitos anos !

********
Brasil-espírita vibrou com dois grandes acontecimentos e que merecem nossa meditação.

O PRIMEIRO ACONTECIMENTO: O 1º CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL

O primeiro diz respeito à realização, em
Brasília, nos dias 1º a 5 de outubro de 1995, do
1º CONGRESSO ESPÍRITA MUNDIAL, cujo
tema central foi o “CENTRO ESPÍRITA –
UNIDADE FUNDAMENTAL DO
MOVIMENTO ESPÍRITA”, cujos frutos
sazonados serão colhidos pelos grupos
espiritistas do Brasil e do mundo.

O Autor junto a denodados companheiros espíritas de Uberaba

Não é preciso recordar que, sendo o Centro Espírita a célula básica do nosso movimento,
muito se beneficiará tal unidade pelos oportunos temas que consubstanciaram o programa de
tal Congresso. Ali foram debatidos assuntos da mais alta importância para a dinamização de tal
unidade, sem necessitar de “reformas” retumbantes. É assim que registramos, como objeto do
Congresso: “O Centro Espírita: Uma visão global”; “A Contribuição da Doutrina Espírita na
solução dos problemas morais da Humanidade”; “A Evangelização Espírita Infanto-Juvenil”;
“A Unificação do Movimento Espírita”; “A Mediunidade na Doutrina Espírita” – entre tantos
outros.

O SEGUNDO ACONTECIMENTO: A PRESENÇA DE CHICO XAVIER
Paralelamente, e por notável “coincidência”, no dia da instalação do referido Congresso,
o segundo acontecimento se daria: A FIGURA EXTRAORDINÁRIA DO MAIOR MÉDIUM
DO MUNDO, CHICO XAVIER, ENTRAVA PELA TEVÊ EM TODOS OS LARES, levando a
mensagem da Paz, do total desprendimento da vida material, da profunda humildade e
simplicidade, espelhando uma vez mais o “mandato mediúnico” de que é portador, comprovando
as virtudes que o consagraram como um autêntico missionário, um apóstolo da III Revelação, o
Evangelho personificado!...

Além disso, todos nós sabemos que ele é o mais fiel discípulo de Kardec, aquele que,
com a sua obra mediúnica, atualizaria revelações científicas, ampliando estudos doutrinários, e
consubstanciaria a mais segura orientação espiritual, com base em Kardec e Jesus, pela palavra e
pelo exemplo, para todas as situações e circunstâncias que a Religião Espírita seja chamada a se
manifestar, através de seus adeptos.
A OBRA GIGANTESCA DE CHICO XAVIER E A PROJEÇÃO DO BRASIL

Mas, é preciso que se diga, a bem da verdade, que, se assistimos, pela televisão, a dois
grandes acontecimentos, ambos projetando o Espiritismo, não é menos certo que foi a OBRA
MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER que mais projetou a Doutrina dos Espíritos e a nação
brasileira como “o país mais espírita do mundo”, no dizer de D. Sylvia Barsante Santos, em
sua primogênita obra “CHICO XAVIER, MISSIONÁRIO DO AMOR”, concluindo a referida
autora que “as obras de Allan Kardec e de Chico Xavier se associam ao Evangelho de Jesus de
ponta a ponta!”
Ainda mais, hoje, se o
Brasil cresceu em termos de
difusão do Espiritismo, se tem uma
obra assistencial das mais
expressivas, se se tornou a meca do
Espiritismo, isto se deu graças,
prioritariamente, à mediunidade
missionária de CHICO XAVIER.
Daí, ter razão Clóvis Tavares
quando afirma que a história do
Espiritismo no Brasil está dividida
em duas partes: ANTES e DEPOIS
de CHICO XAVIER!

É, pois, com alegria que assistimos, no 1º Congresso Espírita Mundial, promovido pelo
Conselho Espírita Internacional, ao registro de tal fato, em termos de reconhecimento, gratidão e
testemunho histórico, quando os congressistas votaram, de forma unânime, um moção nesse
sentido, apresentada pela Federação Espírita de Sergipe, em favor da maior antena psíquica do
Século XX.

Aplausos, pois, ao Congresso !

***

Daí porque, ao registrarmos os dois eventos, agradecemos, sobretudo, a Deus, pela feliz
oportunidade de sediarmos tal Congresso e termos, entre nós, o continuador de Allan Kardec,
projetando o Brasil como o “CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO”!
-I-
CHICO
XAVIER
e a obra
de
KARDEC

- II -
PIETRO
UBALDI
ea
DOUTRINA
ESPÍRITA

No mês em que os espíritas de todo o mundo assinalam, com alegria, a passagem de mais
um aniversário de Chico Xavier, é bom que meditemos sobre a importância desse acontecimento
em termos evangélicos e do que representa sua obra mediúnica perante Jesus e Kardec.

E é quando se sabe que o Espiritismo não tem chefes encarnados, não possui sacerdócio
organizado, práticas ritualísticas de qualquer espécie, por não constituir uma “religião social”, na
feliz expressão de H. Bergson, mas, sim, a religião da moralidade, dos sentimentos, do culto
interior e da hierarquia do Espírito, tal como ensina Jesus;

E é quando se tem a consciência de que o Espiritismo não tem principalmente, a chamada
“hierarquia” material, sacerdotal, mas tão somente a “hierarquia espiritual”, do Espírito, e isto
com base no ensino dos Espíritos acerca das diferentes ordens de Espírito;

E é quando nos defrontamos, repetimos, com a ausência de chefia humana entre os
adeptos da IIIa. Revelação, que a figura de CHICO XAVIER se nos apresenta como um
autêntico apóstolo do Senhor, um ser altamente colocado na hierarquia espiritual, moral, vivendo
os seus ensinos evangélicos, com toda a força de sua alma, a exemplo de um Francisco de Assis,
Antônio de Pádua, Vicente de Paulo e tantos outros expoentes da exemplificação evangélica na
Terra!...

Quanto à sua obra mediúnica, ninguém mais duvida de sua perfeita sintonia com a obra
kardequiana.
Nesse sentido, há quem afirme ser ele a reencarnação de ALLAN KARDEC, com o
objetivo de completar a obra doutrinária da codificação.

Aceitando ou não a tese, uma coisa é certa: sua obra constitui uma fiel continuadora da de
Allan Kardec, desdobrando e desenvolvendo o pensamento contido nas obras básicas da
Doutrina Espírita!...

Pululam médiuns, surgindo aqui, acolá ou alhures, novos tarefeiros respeitáveis pelo seu
esforço em servir à causa, mas coube, sem sombra de dúvida, a CHICO XAVIER a tarefa
inigualável de continuador fiel da obra de Kardec!

É por tudo isso que, aproveitando a data de seu aniversário, queremos ressaltar a beleza
de seu coração como Homem e a fidelidade à Doutrina como o mais perfeito médium deste
século!

O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE PIETRO UBALDI

Os partidários da obra ubaldiana estão comemorando no Brasil o centenário de
nascimento de PIETRO UBALDI, merecendo de todos nós pela vida e obra do filósofo italiano,
atenção especial.

Não resta a menor dúvida de que tais comemorações ensejam uma meditação em torno
de suas relações com o Espiritismo, como doutrina espiritualista que é, e, por isso mesmo,
mantendo “pontos comuns de contato” e divergentes, obrigando-nos a uma tomada de posição
doutrinária.

Nesse sentido, e como primeira afirmação, o Espiritismo não tem a pretensão de abarcar
a verdade absoluta, todavia, é a IIIª Revelação de Deus aos homens, apresentando-se como uma
Doutrina Autônoma, no seu tríplice aspecto de CIÊNCIA, FILOSOFIA e RELIGIÃO, e como a
maior manifestação da Verdade que o Homem pode conceber, não se confundindo, no dizer de
Deolindo Amorim, com Esoterismo, Rosacruz, Teosofia, Catolicismo, Protestantismo, Umbanda,
etc., embora possa ter “pontos comuns de contato” com todas elas, inclusive com a obra
ubaldiana.

É por isso que o mundo espírita reconhece em PIETRO UBALDI um médium respeitável
através de “As Grandes Mensagens” e “A Grande Síntese”, excetuando de sua obra mediúnica
“Deus e o Universo”, o “Sistema”, “Queda e Salvação”, e todas aquelas outras que adotam e
desenvolvem a tese da “queda”, da “involução” dos seres, por ser contrária aos postulados da
obra Kardeciana, embora possa ser uma hipótese filosófica que se casa com a doutrina da
Igreja Católica.

EM TORNO DE “A GRANDE SÍNTESE”

Em verdade, “A GRANDE SÍNTESE” e as “AS GRANDES MENSAGENS” estão em
perfeita sintonia com a obra de Kardec, fazendo parte integrante do seu todo como revelação,
vez que são obras autenticamente mediúnicas e de procedência divina, sem sofrerem qualquer
interferência pessoal do médium. EMMANUEL, a propósito de “A GRANDE SÍNTESE”, assim
se pronunciou:
“A GRANDE SÍNTESE” é o Evangelho da Ciência renovando todas as capacidades da
Religião e da Filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do
Cristo, em todos os institutos da evolução terrestre.”

Na verdade, “A Grande Síntese” constitui uma revelação admirável para o pensamento
humano, satisfazendo à Razão que, perdida nos meandros da análise, reclamava com insistência
uma Síntese, no dizer de Alexis Carrel, em “O Homem, esse desconhecido”, dando-nos uma
nova dimensão à concepção monística da Divindade, à reencarnação, à pluralidade dos mundos
habitados, ao sentido teleológico de tudo que existe e, acima de tudo, ratificando a mensagem
evangélica do Cristo em termos científicos e filosóficos, como também o faz “EVOLUÇÃO EM
DOIS MUNDOS” de André Luiz, recebida por Chico Xavier de parceria com Waldo Vieira.

AS DEMAIS OBRAS DE UBALDI

As demais obras, quando não sofrem a influência pessoal do médium, com suas idéias
filosóficas, são portadoras de mensagens conflitantes com os postulados espiritistas.

O que não podemos aceitar, assim, é a tese da “queda”, da “involução” que é
sustentada na obra “Deus e o Universo” e demais livros que procuram justificá-la, vez que,
para a Doutrina Espírita, o Espírito não retrograda (Questão nº 178 de “O Livro dos
Espíritos”), apenas estaciona, conservando tudo aquilo que adquiriu. Não é possível aceitar-se
a idéia filosófica da criação de seres perfeitos por Deus e que teriam “descido”, “involuído”
até à matéria, em suas formas mais simples, em razão de desobediência à lei divina, para depois
começar a sua ascensão, contrariando o ensino dos Espíritos de que os seres foram e são
criados “simples e ignorantes”, sem exceções. A tese é muito boa para a Igreja Católica, mas
nunca para o Espiritismo.

Aceitamos, sim, “A GRANDE SÍNTESE” que nos dá o sentido exato da expressão
“DEUS CRIOU OS SERES SIMPLES E IGNORANTES, INICIANDO A SUA ASCENSÃO
através das formas mais simples do Universo e demandando as superiores manifestações da
Vida, estando incluída nesta ascensão todos os seres sem exceções, conforme se pode ver das
obras básicas do Espiritismo.

***

É preciso que se diga, todavia, que PIETRO UBALDI, ao apresentar a sua proposta no
6º Congresso Espírita Pan-Americano, realizado na Argentina, de 05 a 12 de outubro de 1964,
de considerar sua obra como aquela capaz de completar o pensamento kardequiano, por julgá-
la superada no tempo e no espaço, cometeu um ledo engano, pois, na verdade, demonstrou
completo desconhecimento de “O Livro dos Espíritos” que consubstancia uma verdadeira
síntese do pensamento, resolvendo os mais inquietantes problemas humanos, desdobrado por
LEÓN DENIS, GABRIEL DELANNE e, principalmente, pela obra mediúnica de CHICO
XAVIER, conforme nos mostra J. Herculano Pires, rebatendo a pretensão de Ubaldi, que foi
rejeitada pelo citado Congresso.
Fundamentando também tal rejeição, HUMBERTO MARIOTTI, citado por Eduardo
Carvalho Monteiro, em seu livro “Sala de Visitas de CHICO XAVIER”, assim se manifestou:

1 – O Espiritismo como antítese de estancamento ideológico;
2 – O Espiritismo não se limita à “reencarnação e ao fenômeno mediúnico”;
3 – O Espiritismo abarca, sim, todos os ramos do conhecimento;
4 – O Espiritismo possui, sim, “uma ideologia que aclara as origens do universo e o plano
geral da criação”;
5 – A Filosofia Espírita é uma imponente cosmovisão teleológica e religiosa;
6 – Allan Kardec não se deteve estacionário ante nenhum problema do mundo;
7 – A Terceira Revelação está dialeticamente manifestada no processo histórico da
humanidade;
8 – O Espiritismo evolui com o espírito humano e não possui “pontos vazios”.

De qualquer forma, porém, não podemos deixar de registrar o acontecimento, deixando
consignadas aqui o respeito pela obra ubaldiana, rogando a Deus que continui iluminando o
Espírito Pietro Ubaldi, em sua jornada evolutiva.

*********
Não se pode negar a influência marcante e decisiva de Chico Xavier na difusão do Espiritismo
no Brasil e no mundo, através de sua Vida e Obra Mediúnica, projetando a Religião Espírita e
tornando o médium respeitado e amado por todos os brasileiros, sendo certo que é o MAIOR
ACONTECIMENTO NO CAMPO DA DIFUSÃO DO ESPIRITISMO, através do LIVRO
ESPÍRITA e do seu EXEMPLO cristão-espírita.

Aliás, se o Espiritismo conta, hoje, milhões de adeptos; se o Brasil se projetou como a
Nação mais espírita do globo, isto se deve, sobretudo, à Obra mediúnica de Chico Xavier,
desobrando a Codificação Kardequiana, através de mais de quatrocentos livros psicografados,
nos diversos setores do conhecimento humano, com versões para muitas línguas, trazendo Luz
para o caminho espiritual das criaturas humanas e corporificando a “visão” de Dona Carmem
Perácio da “chuva de livros” sobre a cabeça do médium em 18.01.29, na cidade de Pedro
Leopoldo. Acrescente-se a isto, o fato de ser o nosso Chico Xavier o maior exemplo das virtudes
cristãs em nosso movimento.

Outro aspecto, não menos importante, consiste em a OBRA MEDIÚNICA desse
missionário a maior e melhor fonte de informações que o homem tem, hoje, na Terra, pelos
esclarecimentos trazidos aos problemas existenciais, completando o pensamento dos Espíritos
contidos na Codificação Kardequiana, com vistas à revivescência dos ensinos de Jesus, na
mente e nos corações humanos!

Dessa forma, o LIVRO ESPÍRITA ganhou em quantidade e qualidade com sua obra
mediúnica, guardando fidelidade a Jesus e a Kardec, e colocando o Espiritismo numa posição de
respeito por parte da população brasileira, interessada nas coisas do Espírito, e isto sem que o
médium receba qualquer pagamento por seus direitos autorais, doando-os em favor da própria
difusão doutrinária e da assistência fraterna. Aliás, é ele mesmo que já declarou que nunca viveu
às custas do Livro Espírita, em qualquer circunstância !

Não menos edificante, ainda, é saber que, recordando Allan Kardec, em 1.862, viajou
para a Europa e Estados Unidos, fundando instituições doutrinárias, e levando a palavra de
estímulo e esclarecimento aos companheiros de outras terras.

Recebendo inúmeros títulos de cidadania, sempre os transferiu à Doutrina Espírita; sendo
entrevistado por dezenas de jornais e revistas, pelo Rádio e Televisão, respondeu às mais
inteligentes perguntas sobre as mais palpitantes questões existenciais, com seu “mandato
mediúnico”.
Nesse sentido, basta lembrar aqui suas entrevistas, através do “Pinga-Fogo, quando o
Espiritismo se adiantou em cinqüenta anos no respeito e na consideração do povo Brasileiro.
Somente as gerações futuras poderão aquilatar da sua importância para a difusão do Espiritismo!

Acrescente-se a tudo isto a sua Assistência Espiritual a milhares de criaturas, desde Pedro
Leopoldo, seja através de volumosa correspondência, seja através de orientações mediúnicas
para as Obras Doutrinárias e Assistenciais espalhadas por todo o Brasil, seja com orientações
espirituais de consolo, enfim, com atendimento a centenas de pessoas nas reuniões públicas e nas
tarde e noite de autógrafos !

Mas, é o seu exemplo evangélico, com seus gestos edificantes, seus “casos”, sua
bondade, amor e caridade, sua extraordinária humildade, desinteresse pessoal, abnegação e
perseverança na missão a que se entregou, revelando ser um Espírito Superior encarnado entre
nós, que faz de Chico Xavier o fiel intérprete de Jesus e de Kardec na Terra, podendo ser
considerado o Maior Instrumento da difusão da Religião Espírita, uma autêntica Autoridade
Espiritual, e isto sem Ter a pretensão de chefia em nosso movimento.

Daí, ter razão o confrade Carlos Romero (Reformador de 08.97), quando disse:

“ESTE SÉCULO É O SÉCULO DE CHICO XAVIER.”

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Há um ditado popular, aplicável às manifestações orais, que afirma : “O peixe morre é
pela boca”! E nada melhor para entender tal adágio do que trazer à baila a recente manifestação
de Luiz Antônio Gasparetto, através da Revista “Opção”, nº 88. Estão lá duas afirmativas de
Gasparetto que revelam a sua estreita visão do Espiritismo e dos Espíritas.

É assim que registramos suas considerações ideológicas lamentáveis, referentes à
Codificação. Aliás, não é de hoje que vem dando entrevistas cujo conteúdo não encontra
respaldo em nossa abençoada Doutrina. Tem dado entrevistas cujo conteúdo não encontra
respaldo em nossa abençoada Doutrina. Tem dado entrevistas pela imprensa escrita, falada e
televisada, fazendo “revelações” estarrecedoras sobre o sexo no mundo dos Espíritos, e isto sem
esquecer os seus “disparates” acerca da pretensa superação de Kardec.

Agora, vem de afirmar que o “que nós temos como movimento espírita hoje em dia não
tem muito a ver com a postura de seus iniciantes”, porque as atividades espíritas são de
natureza religiosa, sem o caráter de pesquisas experimentais, e que, por isso mesmo, “o
Espiritismo está morrendo”, pretendendo, assim, defender o aspecto científico como sendo a
única base da III Revelação, com exclusão do religioso, que dá “a responsabilidade de viver e de
agir” (Emmanuel, “No Portal da Luz”), posicionamento este, do Espiritismo, em perfeita
consonância com a grande finalidade do Espiritismo, que é a revivescência do Cristianismo
primitivo na mente e nos corações humanos.

Mas, o que é mais lamentável ainda é a sua referência ao nosso querido médium CHICO
XAVIER, vazada em termos desrespeitosos à sua figura humana, dizendo: “Está lá, um trapo”.
“Se ele é luz, eu prefiro ficar nas trevas, saudável, feliz”- continua o entrevistado “guru”!

Sua manifestação é o retrato interior de sua personalidade, revelando total imaturidade
espiritual, enfim, a sua redução interior a uma dimensão limitadíssima da vida. Esqueceu-se
Gasparetto do exemplo que Chico Xavier está nos oferecendo, na sua atual manifestação física,
de como devemos aceitar a vida. Esqueceu-se de que se Chico está tendo problemas com o seu
corpo, encontra-se, todavia, na plenitude de suas faculdades espirituais, revelando uma memória
prodigiosa nas menores coisas relacionadas com a sua vida como médium e como pessoa
humana, sendo que, no momento, está recebendo mensagens pelas vias auditivas.

Esqueceu-se, ainda, Gasparetto da notável contribuição de Chico Xavier à difusão
doutrinária no Brasil e no mundo, enfim, de sua extraordinária vida de renúncia, de sacrifício, de
desinteresse, de abnegação em favor da III Revelação, para não falar da sua incomparável
produção mediúnica com mais de quatrocentos livros.
A verdade é que Gasparetto não está sentindo a grandeza espiritual daquele “trapo”,
cuja vida tem sido de profunda vivência dos ensinos de Jesus e absoluta fidelidade a Kardec.

Bendito “trapo” esse que Jesus colocou na Terra, verdadeiro “vaso escolhido”, com
mandato mediúnico, vivenciando o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, e dando de
graça o que de graça recebeu, em termos mediúnicos.

Concluindo, registramos a fala de Wilson Garcia, através do periódico “Opinião”: “Ao
abdicar do título ESPÍRITA, Luiz A .Gasparetto liberou a Doutrina Espírita de suas
idiossincrasias transcedentais.”

*****
Quis o Alto que morássemos em Uberaba para ver um dos mais belos espetáculos cristãos
que ao homem é dado presenciar: o “Culto do Evangelho” realizado pelo Grupo Espírita “da
Prece” e que tem em Chico Xavier sua maior expressão evangélica.

Todos os sábados, entre 15:00 e 15:30 horas, chega o nosso querido médium Chico
Xavier para realizá-lo, cercado de seus amigos e irmãos em crença espírita. Ladeado por guardas
(e aí está um ponto para meditação, pois, segundo o próprio médium, eles são necessários à
segurança pessoal de cada participante e à disciplina dos trabalhos) amigos do movimento
espírita, Chico toma assento em um dos bancos ali colocados, sob a a sombra de um
abacateiro, tendo no centro uma mesa com garrafas contendo água para ser fluidificada, e em
derredor uma massa humana que se comprime para ver e ouvir o referido médium.

Iniciando a reunião, o irmão Weaker Batista fala sobre o objetivo da mesma e, após a
prece feita por um confrade (quase sempre o Dr. José Thomaz da Silva Sobrinho), o nosso Chico
esclarece que as atividades do Grupo se dividem, naquela tarde, em duas partes: a primeira com
os comentários evangélico-doutrinários sobre tema extraído de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, feitos por confrades ali presentes por tempo nunca superior a quatro minutos, ao
mesmo tempo em que são aplicados os passes numa casinha humilde ao lado. A Segunda com a
confraternização feita com os irmãos residentes na Vila “Pássaro Preto”, quando são distribuidos
bens aos mesmos, após os comentários feitos à sombra do abacateiro.

Chico também tece algumas considerações sobre o texto oferecido à meditação e que são
avidamente absorvidos pelos presentes. Terminando com uma prece (geralmente feita pelo seu
grande irmão e companheiro de atividades, o Dr. Eurípedes H. Reis), e ladeado pelo guarda
Xexeu (que afirma gostosamente sempre “o assunto agora é serviço”), Chico toma lugar junto
aos irmãos visitados da Vila Pássaro Preto, confraternizando com eles e dando-lhes aquilo que o
Grupo pode oferecer no momento, inclusive o próprio médium que distribui a cada um deles a
quantia de dois cruzeiros, recordando, assim, a passagem evangélica do “óbulo da viúva”! ...

E diga-se de passagem, que do “Culto do Evangelho” realizado pelo querido médium
Chico, participam não apenas espíritas e simpatizantes da Doutrina de nossa cidade, mas também
e principalmente de todo o Brasil, notadamente de São Paulo, dada a sua proximidade.

Não se pode negar, guardadas as devidas proporções, que essas reuniões recordam o
Mestre Jesus falando às multidões, junto ao povo, distribuindo o pão e o consolo, levando-lhes a
água viva do seu Evangelho de Amor!

A simplicidade das reuniões, a humildade e bondade de nosso Chico, a fraternidade se
manifestando no relacionamento existente entre todos os presentes, é bem a prova inequívoca de
que o Espiritismo, na atualidade, é a revivescência do Cristianismo primitivo, sem apego às
práticas exteriores, principalmente através desse missionário de Amor e Luz que é Chico
Xavier!...

Nesse sentido, tivemos oportunidade certa vez de escrever, recordando
Camile Flammariom, à beira do túmulo de Kardec, que se o Codificador foi o
“bom senso encarnado”, Chico Xavier é, no século XX, “o Evangelho
personificado” !
Há confrades que taxam de “chiquistas” aqueles que idolatram Chico Xavier e estão
certos!

Mas existem aqueles que são “chiquistas” porque respeitam e consideram Chico Xavier
como um Espírito Superior exemplificando o que julga ser verdade: O EVANGELHO DE
JESUS À LUZ DO ESPIRITISMO ! Nessa categoria nos encontramos, vez que sua
exemplificação consubstancia ATITUDES EDIFICANTES que nos esclarecem e nos ensinam
como devemos agir em função do conhecimento que temos da Doutrina Espírita, sem nenhum
prejuízo da nossa obrigação de sermos fiéis aos postulados kardequianos.

É, assim, que queremos recordar aqui o nosso médium Chico Xavier, a propósito de fatos
ligados ao movimento espírita e que passamos a enumerar:

Quanto à AUSÊNCIA DE ESPECIALIZAÇÃO DE TAREFAS, através de escritores e
oradores que são também médiuns psicógrafos, Chico Xavier sempre se absteve de tecer
comentários desairosos a quem quer que seja; mas, respondendo ao confrade JOSÉ DA MATA,
que solicitou do médium em tela que escrevesse páginas de sua autoria para o seu jornal “Cinco
de Março”, afirmou que ele era tão somente instrumento dos Espíritos, em suas mensagens e
que não poderia levar a perturbação aos leitores com idéias pessoais, ao mesmo tempo que era
médium da Espiritualidade!

Quanto aos eventos espíritas pagos, através de “taxas de inscrição”, destinadas à
promoção de quaisquer acontecimentos doutrinários, inclusive para o custeio de participação de
oradores espíritas, Chico Xavier simplesmente afirmou que “JAMAIS SERIA CAPAZ DE
PARTICIPAR DE UM EVENTO EM QUE AS PESSOAS PRECISASSEM PAGAR PARA ME
VER! DARIA O QUE TIVESSE NO BOLSO PARA IR EMBORA!...” (Extraído do Editorial da
Revista “O ESPÍRITA”).

Era a ratificação do pensamento do Espírito SCHEILLA, quando afirmou: “Jesus, o
Mestre dos Mestres, passou entre os homens sem nada cobrar por Seus Divinos Ensinamentos. E
o Espiritismo, que Lhe revive agora as bênçãos de amor, pode ser comparado a instituto mundial
de educação gratuita, conduzindo-nos a todos, sem exigência e sem paga, do vale obscuro da
ignorância para os montes da luz.” (“Cultura de Graça” – do livro “Ideal Espírita”/F.C. Xavier)
Sobre a existência de “CASTAS”, no movimento espírita, através da fundação de
Entidades ou Associações de Categorias Profissionais, como de médicos, odontólogos,
psicólogos, engenheiros, magistrados, militares, etc, onde os mais simples são substituídos pelos
“Doutores”, ensejando uma separação entre os espíritas, lembremos do exemplo de Chico Xavier
que sempre quis viver no meio do povo, sendo lembrado por Salvador Gentile, em Anuário
Espírita/1977: “Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em
nos confundir na multidão para aprender a viver com ela, a grande mensagem.”

E Chico Xavier pontificaria, dizendo: “É indispensável que estudemos a Doutrina
Espírita junto com as massas, que amemos a todos os companheiros, mas sobretudo, aos espíritas
mais humildes, social e intelectualmente falando e deles nos aproximemos com real espírito de
compreensão e fraternidade. Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas
Espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo, às pessoas laureadas por títulos
acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada.”
(“Encontros no Tempo” – Cap. 13- item 111)

Nesse sentido, ainda, a opinião de DR. BEZERRA DE MENEZES, em sua mensagem
recebida por Chico Xavier, intitulada “UNIFICAÇÃO – SERVIÇO URGENTE MAS NÃO
APRESSADO”: “Nada que LEMBRE castas, discriminações, evidências individuais
injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades.”

Nunca ouvimos da boca do médium qualquer frase de desrespeito às religiões católica e
Evangélicas. Ele sempre foi a imagem perfeita da humildade e do respeito perante tais
manifestações, quando se pronuncia: “Todas as manifestações da bondade divina, através da
Igreja Católica, que consideramos como mãe de nossa civilização, são legítimas credoras da
nossa veneração. Nós não estamos separados, os evangélicos, reformistas e os espíritas-
cristãos, por diferenças fundamentais: os Espíritos nos ensinam que estamos em faixas
diferentes de interpretação, mas somos uma família só diante de Nosso Senhor Jesus-
Cristo...”

A mesma orientação sempre teve o nosso querido médium perante as demais religiões ou
crenças. Ante as Religiões Afro-brasileiras, diz ele: “Respeitemos o umbandismo, onde se
encontra uma grande legião de companheiros muito respeitáveis, consagrados à caridade que
Jesus nos legou, grandes expositores da mediunidade, da mediunidade que auxilia, alivia o
próximo, credores do nosso maior carinho, da nossa maior veneração, conquanto estejamos
vinculados aos princípios codificados por Allan Kardec”.(Citações extraídas da “Coleção
Profecia – nº 4)
Outra atitude não menos edificante do médium Chico Xavier está no seu posicionamento
perante às práticas cirúrgicas espirituais. Entrevistado pela Imprensa Espírita, através de
“Goiás Espírita”, de 1987, foi-lhe perguntado:

A) - TEM SURGIDO MUITOS MÉDIUNS E CURADORES POR ESSE BRASIL AFORA, QUE
RECEITAM REMÉDIOS E ATÉ OPERAM DOENTES. QUAL A MANEIRA DE SE
IDENTIFICAR O VERDADEIRO DO FALSO?

FCX – Eu creio que isso deve ser fruto da Educação do sertanejo, acreditar que pagando bem, irá
conseguir curas espirituais. O verdadeiro Espiritismo não pode cobrar nem mesmo os remédios
que receita aos doentes. Também sou contra essa história de meter o canivete no corpo dos
outros sem ser médico. O médico estudou bastante Anatomia, Patologia e por isso está habilitado
a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um
cristão sem ser considerado um criminoso? Eu já me operei cinco vezes, e vários médiuns me
ofereceram seus serviços. O Espírito Emmanuel me disse: “Você deveria ter vergonha até de
pensar em receber este tipo de cura, porque todos os outros doentes vertem sangue, usam éter,
tomam determinados remédios para melhorar. Como você pretende se curar numa cadeira de
balanço?

B) – DIANTE DISSO, COMO FICA O FENÔMENO ZÉ ARIGÓ?

FCX – Quando eu estava para me operar da última vez, em 1968, de um tumor na próstata, o Zé
Arigó mandou me avisar que ele estava pronto para realizar a operação. Eu lhe respondi: Como é
que eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi
vai para o matadouro? E eu sabendo disso, vou querer facilidades? Eu tenho é que operar como
os outros, sofrendo como eles.

Em “O Livro dos Espíritos” (Questão 798), os Espíritos respondendo a Kardec sobre ser
o Espiritismo como crença comum da humanidade do futuro, afirmaram positivamente. Por
outro lado, em entrevista concedida à Imprensa Goiana (“Goiás Espírita”/1987), Chico Xavier,
questionado sobre ser o Espiritismo a crença do futuro, assim respondeu:

Eu penso que quem afirma isso está se situando dentro de um contexto de vaidade muito
grande. O Espiritismo é uma doutrina evolutiva. Sendo evolutiva, ela caminhará ao encontro
das outras e formaremos, então, uma bênção de Deus, o CRISTIANISMO TOTAL. Eu não
acredito que a Doutrina tenha privilégios e, algum dia, nós seremos os “tais”.
Aparentemente, uma afirmativa excluiria a outra, todavia, a questão se resolve em termos de
concordância, já que, se o Espiritismo é o Cristianismo redivivo, onde a contradição? O que o
médium Chico Xavier quis dizer é que não podemos ter a pretensão exclusivista da Verdade,
pois, todas as Religiões formarão o Cristianismo total e ao Espiritismo cabe a tarefa de
colaborar para a consecução de tal objetivo. Ele veio para auxiliar as Religiões, não para
destruí-las, ele deverá destruir sim o Materialismo.

Em entrevista, concedida à “Flama Espírita”, Chico Xavier foi questionado: QUAL A
FÓRMULA IDEAL PARA VINCULAR O JOVEM À TAREFA ESPÍRITA? MUITAS VEZES,
O JOVEM NÃO SE ADAPTA ÀS REUNIÕES DE ESTUDO DA MOCIDADE ESPÍRITA. A
ARTE, OS ENCONTROS FESTIVOS SERIAM UMA SAÍDA?

FCX – Os empreendimentos artísticos, em nosso modo de pensar, são convites e apelos
benéficos para quantos se aproximem das lições doutrinárias, no sentido de lhes assimilar a
Verdade e a Beleza; ENTRETANTO, CREMOS QUE SÓ A PREPARAÇÃO DA CRIANÇA, A
PARTIR DOS PRIMEIROS MESES DE IDADE, SERÁ SUSCEPTÍVEL DE AUXILIAR
MAIS CEDO O ESPÍRITO REENCARNADO NA ACEITAÇÃO DAS REALIDADES QUE A
DOUTRINA ESPÍRITA ENFEIXA NO SEU PRÓPRIO CONTEXTO DE ENSINAMENTOS
SUPERIORES.

Conta-nos o Dr. Elias Barbosa que, entrevistando Chico Xavier, obteve dele uma resposta
esclarecedora sobre a profilaxia das obsessões. O entrevistador perguntou: CHICO, QUAL A
MELHOR PROFILAXIA CONTRA AS OBSESSÕES?

FCX – Nossos Benfeitores Espirituais são unânimes em declarar que o ESTUDO DAS OBRAS
DE ALLAN KARDEC para que venhamos a adquirir o CONHECIMENTO e a EDUCAÇÃO de
nós mesmos, é o passo inicial indispensável, porque precisamos sanar as obsessões que nos
afligem sem herdar qualquer cativeiro à superstição e ao medo negativo, de que vemos muitos
irmãos prejudicados, quando conseguem a suspirada melhoria psíquica em outros setores
religiosos. Explicada a necessidade de Allan Kardec para o afastamento do processo obsessivo,
temos na profilaxia respectiva, a ORAÇÃO e o SERVIÇO AO PRÓXIMO na base de toda ação
restaurativa. Quem quiser estudar, orar, cumprir com os próprios deveres e trabalhar em auxílio
dos outros, principalmente daqueles que atravessam dificuldades e provações maiores que as
nossas, alcança LIBERTAÇÃO e TRANQÜILIDADE, com toda certeza porque os nossos
adversários desencarnados são sensíveis às nossas palavras, mas só se transformam para o Bem
com apoio em nossas próprias ações.

São essas atitudes, entre muitas outras existentes, em termos de ENSINO, ESCLARECIMENTO
e ORIENTAÇÃO, objetivando a mais perfeita realização de nossos propósitos doutrinários, que
reputamos serem EDIFICANTES, merecendo de nós a observância e a aplicação em nossas
tarefas.
Mais um título que Chico Xavier recebe como resultado do concurso o “MINEIRO DO
SÉCULO XX”, realizado pela Rede Globo de Minas Gerais, em todo o Estado, revelando mais
uma vez o quanto o médium é admirado por todos – espíritas ou não. Concorrendo com nomes
de peso, como Santos Dumont, Pelé e Juscelino Kubitschek, ele ficou em primeiro lugar com
704.030 votos, computados pelo telefone, pelas urnas e pela Internet.

Os números finais foram divulgados à população mineira, ao vivo, no início da noite de
quarta-feira (15 de novembro), quando dezenas de pessoas, amigos e confrades de CHICO
XAVIER acompanhavam tudo com expectativa. Minutos antes de a reportagem entrar no ar,
Chico surpreendeu a todos saindo de sua residência, onde permaneceu um bom tempo sentado
em uma cadeira. Com o semblante sereno ele distribuia beijos para os presentes.

Indagado sobre o acontecimento, se estava feliz, respondeu que apesar de não merecer o
título, “o carinho do povo é verdade e eu me sinto honrado”!

E na noite de sábado (02 de dezembro), em plena reunião, deu-se a entrega oficial do
troféu “O Mineiro do Século XX”, e isto pela promotora do evento, Rede Globo-Minas, sendo o
médium aplaudido por todos os presentes. É digna de registro a presença do Sr. Prefeito de Pedro
Leopoldo que veio especialmente para participar da entrega do referido título.

Na oportunidade a repórter da TV Globo perguntou: _ Chico, qual o seu maior sonho, o
seu maior desejo? Ele respondeu: Paz e trabalho!

***

Este o FATO. Gostaríamos de ressaltar o que ele representa para nós espíritas. Sem
dúvida alguma, nada significa em termos de engrandecimento do ponto de vista material para o
médium , cuja HUMILDADE dispensa qualquer adjetivação. Ele simplesmente agradeceu ao
povo a bondade manifestada.
Para nós, espíritas, todavia, a dação desse título representa, mais do que isto, o
reconhecimento dos brasileiros de ser Chico Xavier o Evangelho personificado. É o
reconhecimento pelo prodigioso trabalho em favor da Humanidade, dando-lhe ânimo, coragem,
esperança e fé na vida futura.

Recebendo essas honrarias, uma vez mais, mostra Chico Xavier qual deve ser o
procedimento do verdadeiro missionário do Cristo, despojado de vaidades acima de tudo. Ele é a
permanente mensagem do Cristo, corporificando aquilo que Gandhi afirmou, isto é, que se um
único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para neutralizar o
ódio de milhões.

Ainda poderíamos considerar a importância do FATO para a Doutrina Espírita, vez que
todos que tiveram sua atenção voltada para os indicados ao título, analisando seus feitos, a
maioria não fez sua escolha nos campos da Política, da Arte, da Ciência, etc, mas sim foi
encontrá-la na área da Religião Espírita, comprovando isso o respeito, a credibilidade , o
crescente interesse que ela está despertando junto às massas, através, justamente, da vivência
evangélica desse missionário do AMOR que todos nós aprendemos a reverenciar e amar, como
um legítimo representante do CRISTO na face da Terra.

Tudo isso sintetiza o que já dizia, há algum tempo atrás, Charlie Chaplin, em seu filme
“O Grande Ditador”: “Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência fez-nos
empedernidos e cruéis. PENSAMOS EM DEMASIA E SENTIMOS MUITO POUCO. Mais
do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. SEM ESTAS VIRTUDES A VIDA SERÁ
DE VIOLÊNCIA E TUDO SERÁ PERDIDO”.

PARABÉNS, CHICO XAVIER ! E que você continue espalhando as luzes do seu
coração magnânimo, a fim de que tenhamos na Terra as VIRTUDES tão almejadas pela
Humanidade!

********
Respeitando a opinião de quantos não aceitam a tese levantada por
ADELINO DA SILVEIRA, no sentido de que CHICO XAVIER é a
reencarnação de ALLAN KARDEC, registramos, aqui, nossa opinião
favorável à referida tese, com aquela certeza íntima que decorre de nossas
observações e de nossas pesquisas, em torno do assunto, demonstrando,
com os motivos que a embasam, a grandiosa missão do médium de Pedro
Leopoldo, considerado o “HOMEM DO SÉCULO”.

Além disso, abordamos aqui a problemática espírita que o
movimento oferece através de questões consideradas relevantes para a
Doutrina Espírita, opinando com fundamento na liberdade de PENSAR,
OPINAR e AGIR que ela nos dá, procurando, todavia, vincular tais
opiniões aos princípios da Codificação Kardequiana, trazendo à meditação
a obra mediúnica do nosso querido médium FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER.
Já tivemos oportunidade de comentar, por este periódico, sobre a pretensão de muitos
confrades de introduzirem “práticas exteriores”, “novidades”, “reformas”, “cerimônias” e
“revelações”, em nossos movimento espírita, que nada têm a ver com o Consolador.

Válida, portanto, a abordagem, novamente, do assunto, mesmo porque a repetição vale a
gravação – diz-nos a Psicologia Profunda. Poderíamos, exemplificando, lembrar:

A – a realização de cerimônias estranhas ao Espiritismo, quais “batizados”, “casamentos” –
mesmo a pretexto de se fazer uma prece – evidenciando que ainda não houve libertação das
consciências de seu passado religioso milenar;

B – a introdução, em nossas atividades, de costumes religiosos relacionados com as
cerimônias da Igreja Católica, a exemplo do que acontece com a Páscoa e outras práticas
vinculadas à liturgia católica que penetraram em nossos costumes, levando algumas
evangelizadoras a comemorarem, nas aulas de Evangelização, tal prática, distribuindo “ovos de
chocolate” para as crianças. Assim, não que comemorar a chamada “Semana Santa”, nem tão pouco
“Sábado de Aleluia”, “Senhor Morto” ou “Corpus Cristi”, práticas verdadeiramente católicas e
estranhas à Doutrina Espírita;

C – a preocupação de “atualizar” a Doutrina Espírita, tentando revisar os postulados
fundamentais da llla. Revelação, esquecendo –se de que não podemos, como nos diz Emmanuel,
abandonar os “alicerces” do Edifício Kardequiano e que “os conceitos doutrinários do Consolador
não foram substituídos e nem encontrados melhores respostas” (Deolindo Amorim), sendo certo
que as soluções oferecidas pelos pensadores das variadas correstes ideológicas ainda não puderam
explicar satisfatoriamente os problemas existenciais e nem afetaram as teses centrais da Doutrina
Espírita, uma vez que tais postulados são UNIVERSAIS e ETERNOS – isto é, fora do tempo e do
espaço – e que continuam válidas até hoje. A obra mediúnica de CHICO XAVIER é a confirmação
desse entendimento, vez que ela DESDOBRA o pensamento Kardequiano, não adicionando
nenhuma nova verdade;

D – a preocupação de “reformas” em nossas Casas Espíritas, sob a alegação de que
precisamos “modernizar” práticas com metodologia mais avançada da difusão doutrinária, com
tecnologia de ponta, esquecendo-se tais reformadores da atuação DESINTERESSADA e SIMPLES
de companheiros abnegados, espalhados por esse imenso Brasil, que têm sido a garantia da
segurança doutrinária, por guardarem fidelidade a Jesus e a Kardec;

E – a preocupação “novidadeira” no campo dos fenômenos, pretendendo introduzir
“modismos mediúnicos”, tais como “cromoterapia”, “cristalterapia”, “projeciologia”, “práticas
yogas”, “parapsicológias”, “ regressão de memória”, e mais recentemente a “apometria” – que é a
técnica do desdobramento espiritual, associados à cromoterapia – prática yoga, etc, sob as
roupagens espíritas – e outras inovações que não são da natureza e finalidade de nossas
instituições;
F – a pretensão de separar o Espiritismo do Cristianismo (Jacy Regis) e que seria o mesmo
que retirar Jesus da Doutrina Espírita;

G – a preocupação de desvincular a MEDIUNIDADE dos fenômenos de comunicabilidade
dos Espíritos, através das vias eletrônicas (transcomunicação instrumental), esquecendo-se das
advertências de Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, cap. XI, item 143. Válida e oportuna a
nota do tradutor J. Herculano Pires, quando entre outras coisas diz:

“É o aperfeiçoamento do homem como médium, e não o aprimoramento dos processos ou a
invenção de máquinas para comunicação, o que tornará mais evidente a existência e a
comunicabilidade dos Espíritos.”

Por essa afirmativa, sentimos o zelo de Allan Kardec, prevendo que “novidades” como a
transcomunicação instrumental surgiria como uma “novidade”, bem como a sua atualidade na
apreciação crítica da questão.

Essas e outras “NOVIDADES” e “REFORMAS” estão surgindo, esquecendo-se seus
propagadores da fala de Chico Xavier de que “O ESPIRITISMO NÃO É UMA DOUTRINA
NOVIDADEIRA”. A MAIOR NOVIDADE, disse ele, é ainda o EVANGELHO !

Dessa forma, o Espiritismo não está à cata de novidades e reformas, mas sim, preocupado
com a prática do Evangelho de Jesus, por parte de seus adeptos. Isto não significa que nossa
Doutrina seja avessa ao progresso, pelo contrário, ela está sempre aberta às inovações, desde que as
mesmas guardem FIDELIDADE A JESUS E KARDEC.

Recordemos, para finalizar, o Codificador em “O Livro dos Médiuns”, Cap. IV, 1ª Parte,
item 51: “O essencial é que o homem aplique o Espiritismo no seu aperfeiçoamento moral. O
mais é apenas curiosidade estéril e quase sempre orgulhosa, cuja satisfação não o fará avançar
sequer um passo. O único meio de avançar é tornar-se melhor.”

********
Sob o título acima, nosso irmão Ricardo Baesso de Oliveira, de Juiz de Fora-MG, através de
“A Flama Espírita” de dezembro/96 , teve a felicidade de atacar o problema do pagamento de
“TAXAS” de inscrição para participação de Eventos Espíritas, como Simpósios, encontros, cursos,
congressos, confraternizações, etc, objetivando a divulgação do Espiritismo ou a assistência aos
mais necessitados. Pretendem seus criadores justificar tal cobrança, sob a alegação de que têm
necessidade de recursos materiais, financeiros, sem os quais não atingiram seus propósitos,
concluindo seu artigo com repúdio a tal prática elitista.

Evidentemente, há, na justificativa, um sofisma, isto é, um argumento falso com uma
conclusão aparentemente verdadeira, pois o problema não está na necessidade do dinheiro, mas na
forma de adquiri-lo. Assim, não podemos nos esquecer de que, se temos liberdade para pensar e
agir desta ou daquela maneira, há que manter-se fiéis aos ensinos dos Espíritos.

Na verdade, não são eles que nos ensinam, como nos fala Scheilla ( “Ideal Espírita”), em sua
mensagem “Cultura de Graça”, que, se lá fora, materialmente, nós precisamos de pagar para
obtermos conhecimentos e aprendizado técnico, em nossas Casas Espíritas, “a Cultura da Alma
nada pede à bolsa dos aprendizes”. Não é também André Luiz, em “Conduta Espírita”, que no
recomenda que não devemos angariar donativos em nossas instituições, “de vez que tais
expedientes podem ser tomados à conta de pagamento por benefícios”?

Não foi, ainda, Allan Kardec quem disse, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (Cap.
XXVI, item 5), que “Jesus expulsou os vendilhões do templo e assim condenou o tráfico de coisas
santas, sob qualquer forma que seja”, deixando bem claro que isto se aplica a qualquer
modalidade de tarefa espírita que implique “profissionalismo religioso”?

Há que considerar, ainda, que Deus nada cobra pelos benefícios que espalha, inclusive a
bênção de viver e trabalhar, conforme nos fala Emmanuel, através de Chico Xavier, em mensagem
recebida, recentemente, em sua residência, isto é, no dia 28/04/97. Está lá que, na Terra, temos de
graça o corpo que nos guarda; a luz do Sol que nos sustenta; rios fornecendo água farta; o ar puro e
leve de apoio à nossa vida ; árvores que nos dão frutos que elas próprias não comem; enfim o
Homem vive e trabalha sob a graça de Deus!

Assim, não vale o argumento de que o próprio Codificador do Espiritismo teve necessidade
de dinheiro para a difusão das Obras da Codificação, pois o que se questiona não é essa
necessidade, mas, sim, repetimos, a FORMA de adquiri-lo. Quando Kardec foi acusado de
“profissionalismo religioso”, defendeu-se, mostrando que nunca viveu à custa da Sociedade Espírita
de Paris, valendo-se apenas dos seus parcos recursos, do produto da venda dos livros da
Codificação, para as novas edições, bem como da ajuda voluntária dos companheiros interessados
na difusão e sustentação dos ideais espiritistas (“Viagem Espírita – 1. 862”).

Ora, se os Espíritos e o bom-senso nos mostram isto, por que pretender cobrar pela dação de
conhecimentos espíritas ou realizar eventos calcados em livros ditados por eles, participando de tais
eventos somente os que podem pagar, com evidente elitização econômica de nosso movimento? É
claro que temos despesas a serem cobertas, mas, como disse o nosso irmão Ricardo Baesso de
Oliveira, podemos promover a sua aquisição na sua realização, com várias alternativas em nome do
Espiritismo, lembrando finalmente, André Luiz, em “Conduta Espírita”: “Quem sabe suportar as
próprias responsabilidades, dá testemunho de Fé”
A TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL COMO
“MODISMO”
O princípio da “comunicabilidade dos Espíritos”,
objeto da Ciência Espírita, vem sendo estudado, abservado
e pesquisado desde os fenômenos de Hydesville nos
Estados Unidos, passando pelas “mesas girantes” na
Europa, e mais perto de nós com William Crookes, Richet
e tantos outros, até chegar aos nossos dias com a
Parapsicologia e a Transcomunicação Instrumental.

E , relativamente à Transcomunicação Instrumental (TCI) – que está dando ainda os seus
primeiros passos -, ela chega ao Movimento Espírita como um verdadeiro “modismo”, merecendo,
por isso mesmo, um posicionamento dos espíritas, em face do entusiasmo irrefletido de
jornais e de alguns confrades na apologia e aceitação dessa “novidade”, principalmente no tocante
à afirmativa de seus partidários mais exaltados de que a TCI estaria numa terceira fase em que o
concurso do médium seria dispensado para a ocorrência do fenômeno, portanto, descartando a
necessidade e a importância da mediunidade nos processos de comunicação com o Plano Espiritual.

Com isso, chegamos ao “nó górdio” da questão: a TCI dispensaria a existência dos
médiuns, da mediunidade? A mediunidade estaria no ocaso de sua existência? Estariam certos os
nossos transcomunicadores?

O SENTIDO COMPLEMENTAR DA TRANSCOMUNICAÇÃO
Enquanto alguns estudiosos defendem a desnecessidade do elemento mediúnico, outros
existem que não o dispensam, como o confrade Lourival Augusto, que, em “O Imortal” de agosto
de 1990, baseado em Kardec – que considera, em “O Livro dos Médiuns”, os instrumentos físicos
complicados e por ensejarem a desconfiança e o ceticismo -, conclui o seu artigo com mostrar a
necessidade para a obtenção dos resultados.

Aliás, nesse sentido, o próprio engenheiro George Meek reconhece que o elemento humano
é necessário, revelando que os bons resultados obtidos sempre ocorreram com a presença de um
excelente médium, que é William O. Neill, e que no VIDEOCOM apareceu uma camada de
substância esbranquiçada que poderia tratar-se de formações ectoplasmáticas.

Também Shimizu, em suas conclusões a respeito (Mundo Espírita, de junho/90), afirma
que, se existe interesse dos Espíritos em utilizar recursos da Tecnologia, tal utilização será feita
com o SUBSÍDIO de uma quantidade de ECTOPLASMA, o que equivale a dizer: a
transcomunicação constituir-se-ia num elemento COMPLEMENTAR, AUXILIAR, nas
comunicações espíritas!

Dessa forma, segundo Lourival Augusto – e nisto -, a realidade dos fenômenos espíritas
constatada pelo progresso da tecnologia não prescinde da existência do elemento intermediário na
sua manifestação, principalmente nos casos de gravação de vozes em fitas magnéticas e imagens no
VIDEOCOM, fatos enquadrados nos EFEITOS FÍSICOS, com os médiuns fornecendo a substância
necessária (o ECTOPLASMA).

A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA ESPÍRITA

O que estamos querendo dizer é que a EVOLUÇÃO da Ciência Espírita se dá através do
DESENVOLVIMENTO do médium e não pelas vias eletrônicas. Nesse sentido, Allan Kardec, em
“O Livro dos Médiuns”, Capítulo XI, chama a atenção para a utilidade relativa de aparelhos
complicados e para o fato de que eles aumentam a desconfiança dos céticos. Herculano Pires, em
Nota ao capítulo citado, afirma:

“É o aperfeiçoamento do homem como médium, e não o aprimoramento dos processos ou a
invenção de máquinas para a comunicação, o que tornará cada vez mais evidente a existência e a
comunicabilidade dos Espíritos”.

Aliás, sem os medianeiros do passado e do presente e principalmente um CHICO XAVIER,
jamais teríamos essa exuberante bibliografia mediúnica, oferecendo-nos um desdobramento, um
esclarecimento progressivo das obras básicas de Kardec!

E que dizer do trabalho de todos esses tarefeiros, espalhados pelo Brasil e pelo Mundo,
servindo à Doutrina pelas diferentes vias mediúnicas? Ainda, sem a mediunidade, qual o destino de
nossas sessões de desobsessão?

SOBRE UM “PROJETO DE COMUNICAÇÃO”

Quanto à pretensão de um “Projeto de Transcomunicação”, idealizado por Clóvis Nunes,
através da formação de grupos de pesquisas e da realização de Simpósios, Seminários, Congressos,
etc.., é uma idéia válida, com vistas à Ciência Oficial, mas não quando pretende envolver nossas
Casas Espíritas e aliviar companheiros que estão trabalhando, pois, como adverte Allan Kardec, no
Item V da Conclusão de “O Livro dos Espíritos”, “o período de curiosidade fenomênico já
passou”, devendo o homem utilizar a mediunidade para o seu adiantamento moral, pois isso é o
essencial (“O Livro dos Médiuns”, Cap. IV, 1ª Parte). Na verdade, a execução do Evangelho de
Jesus à luz do Espiritismo, em suas vidas e nas Casas Espíritas, é a tarefa prioritária de todos os
espiritistas.

Consequentemente, a dispensação da mediunidade na comunicação dos Espíritos, objetivo
acolhido por alguns confrades, é uma vã pretensão, pois, “se tirarem a mediunidade e a
reencarnação, o Espiritismo não tem razão de ser”, diz Lourival Augusto, de Salvador. E nós
acrescentamos que o mesmo acontecerá se retirarem Jesus do aspecto religioso!

Concluindo, é válida a TCI junto à Ciência Oficial, com vistas à comprovação da existência
do Espírito, mas não podemos aceitar a tese da desvinculação da mediunidade dos fenômenos de
comunicação dos Espíritos, como esclarece Kardec, sendo certo, assim, que o ocaso da
mediunidade ainda não se deu e jamais se dará!
Há tempo para tudo. Cada coisa vem a seu tempo, atendendo às necessidades espirituais. É
assim que o Consolador chegou na época predita, com vistas à revivescência do Cristianismo
primitivo em sua pureza e simplicidade. E viria em bases experimentais e com uma filosofia
racional, consubstanciando a Religião da Sabedoria e do Amor, promovendo o nosso reencontro
com o Evangelho de Jesus, conforme nos fala Emmanuel em “No Portal da Luz”. E com o
Consolador prometido por Jesus (Pentateuco Kardequiano) viria mais tarde os esclarecimentos
progressivos de Léon Denis, Gabriel Dellane, e, neste século, a gigantesca obra mediúnica de
CHICO XAVIER, com mais de quatrocentos livros, em todas as áreas do conhecimento humano.

Esta obra nos levou a sustentar, em nosso livro “Bases do Espiritismo”, ser o médium
humilde de Pedro Leopoldo, com seu “mandato mediúnico”, o principal e o mais fiel discípulo do
Codificador no desdobramento do pensamento Kardequiano, e isto sem menosprezar a
multiplicidade de canais mediúnicos existentes.

***

Essas considerações iniciais são para lembrar uma nova faceta que a figura de Chico Xavier
nos mostra, através da obra de Adelino da Silveira, intitulada “KARDEC PROSSEGUE”, tese esta
à qual aderimos, pelos seus fundamentos racionais e convincentes, porque calcados em mensagens
dos Espíritos DEMEURE, que foi médico de Kardec, constante de “O Céu e o Inferno”; de ZÉFIRO
e do ESPÍRITO DE VERDADE, em “OBRAS PÓSTUMAS”, com as conseqüentes deduções
lógicas que tais mensagens impõem, sem esquecer outros fatos que nos levam à mesma conclusão.

O SILÊNCIO DE ALLAN KARDEC

Nesse sentido, gostaríamos de tecer considerações que endossam a tese sustentada
por Adelino da Silveira, de Mirassol-SP. Na verdade, conforme questionamos alhures, de longa data
registra-se a AUSÊNCIA de comunicações do Codificador, principalmente através de Chico
Xavier, a maior “antena psíquica” do Século XX, tendo, inclusive, Ramiro Gama em “Lindos Casos
de Chico Xavier”, questionado a vã pretensão de certos médiuns em receber esporádicas mensagens
de Allan Kardec.
Afinal, perguntaríamos novamente: Por que tal SILÊNCIO? Por que a AUSÊNCIA do
Codificador desde a sua desencarnação? Não deveria ele continuar, na Espiritualidade, a sua obra,
ditando livros visando desenvolver os ensinos dos Espíritos, principalmente através da mediunidade
de Chico Xavier que melhor reuniu, como reúne, as condições espirituais de CREDIBILIDADE na
Terra para recebê-lo? Por que apenas André Luiz, Emmanuel e tantos outros Espíritos, com
exclusão de Allan Kardec? As pretensas comunicações esporádicas atribuídas a Kardec não
justificariam sua ausência nos esclarecimentos progressivos das obras básicas, fato que nos faz
duvidar de sua credibilidade.

A propósito, recordamos aqui de uma entrevista de Chico Xavier, em que é este questionado
sobre o paradeiro de Allan Kardec, essencialmente nestes termos:

- Chico, você tem tido notícias de Allan Kardec? Onde ele se encontra?
- Eu não sei – respondeu o nosso querido médium Chico Xavier - onde ele se encontra, mas
onde estiver estará realizando uma grande obra!

Ora, não vemos obra mais expressiva e grandiosa do que a obra mediúnica de Chico Xavier,
nem tampouco temos notícias de outros missionários que tenham suportado tantas lutas e
sofrimentos pelos quais passou este médium, na execução de sua tarefa missionária, comprovando
tudo aquilo que o Espírito da Verdade disse sobre a vinda de Kardec em sua nova roupagem. O
certo é que vale a pergunta: Onde estaria alguém realizando obra tão grandiosa quanto a do
humilde servidor de Pedro Leopoldo?

Quando à alegação de que Kardec e Chico têm características opostas em suas
personalidades, é despicienda para não dizer infantil, pois sabemos que os Espíritos Superiores
podem, na multiplicidade de suas missões, limitar ou exteriorizar características já conquistadas em
outras existências, com vistas às tarefas a serem desempenhadas. Assim, se Kardec foi
predominantemente RAZÃO, com vistas ao desenvolvimento dos aspectos CIENTÍFICOS e
FILOSÓFICOS, sem esquecer o RELIGIOSO, presente, sobretudo, em “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, viria, nas vestes de CHICO XAVIER, desenvolver, predominantemente, o
RELIGIOSO, sem desprezar os demais aspectos, presentes na obra de ANDRÉ LUIZ e
EMMANUEL.

Dessa forma, numa encarnação, sua tarefa foi, principalmente, no campo da inteligência
(Razão); nesta, está sendo, predominantemente, no campo dos sentimentos( Coração), dada a maior
necessidade evangélica da Humanidade.

A ESPIRITUALIDADE CONFIRMA A TESE DE ADELINO NA XXXIV
COMMETRIM, DE ITUIUTABA

Colocando uma “pá de cal” no assunto, a Espiritualidade Superior confirmaria tal entendimento
pela psicografia respeitável de ANTÔNIO BADUY FILHO, na XXXIV COMMETRIM, realizada
em Ituiutaba, em 1997.

Realmente, na instalação pública daquele conclave, o Espírito HILÁRIO SILVA manifestou-se
dando uma mensagem em que aborda o RETORNO DE ALLAN KARDEC À TERRA, afirmando
que o Codificador reencarnou no começo deste século, numa pequena cidade do interior - foi
exatamente FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER!... Tomamos a liberdade de registrar o fato, sem
autorização do médium, porque a mensagem foi dada publicamente, na presença de mais de
quinhentas pessoas, tendo sido, inclusive, registrada através de uma filmadora. Eis a mensagem na
íntegra :
A VOLTA DE ALLAN KARDEC

Hilário Silva / Antonio Baduy Silva

Início do século XX. Nas regiões mais elevadas da Espiritualidade, acontecia importante
reunião. Encontro significativo. Decisões de relevância. Presença marcante de Allan Kardec.

Discutia-se a volta do apóstolo espiritista às lides terrenas. Época difícil na Doutrina Espírita.
Controvérsia estéril entre os adeptos. Idéia de exclusividade da investigação científica e
filosófica. O cientificismo, atuante no meio doutrinário, negava o aspecto religioso.

Urgia, pois, o testemunho do Espiritismo comprometido com as lições da Boa Nova, semeando
no coração dos homens o amor e a caridade.

Clima de emoção. Recolhimento. Expectativa. Venerável preposto de Jesus, envolto de luz
alvinitente, dirige-se a Kadec e falou com bondade: Chegou a hora, meu filho...
O Codificador respondeu, firme e respeitoso:
Estou pronto e confiante.

Consta, nos registros do mundo espiritual, que ocorreu, a partir daí, sublime e emocionante
diàlogo, do qual transcrevemos, palidamente, alguns fragmentos:
Renascerás em condições adversas...
Obedecerei a vontade do Senhor.
Começarás muito novo, entre aflições e dificuldades, e trabalharás com sacrifício e renúncia
por longo tempo..
Dedicarei cada minuto à seara do bem.
Não possuirás títulos acadêmicos...
O único título que almejo é o do fiel servidor do Cristo.
Encontrarás desconfianças e agressões...
Buscarei na fé e na humildade a força para resistir.
Terás a dor por companhia constante...
Saberei aceitá-la com o amparo do Alto.
Companheiros não te entenderão e se voltarão contra ti...
Cumprirei meu dever e guardarei a consciência em paz.
Não farás nada por ti mesmo, serás apenas instrumento...
Agradecerei a Deus a oportunidade de servir.
Não gozarás as alegrias e o aconchego do lar constituído...
A humanidade será minha família.
Assumirás espinhosa missão no desdobramento da Codificação Espírita...
Serei leal aos princípios doutrinários, ciente de que o Espiritismo é o Consolador
prometido por Jesus.
A tarefa te exigirá devotamento e abnegação...
Não hesitarei viver em plenitude o Evangelho e a Doutrina Espírita.

O iluminado benfeitor interrompeu o colóquio e, após elucidativos comentários sobre a nova
etapa de trabalho, rogou as bênçãos do Senhor ao missionário de partida. Seguiram-se
calorosas demonstrações de solidariedade e, no final da primeira década deste século, em doce
atmosfera de esperança, Allan Kardec retornou ao plano físico, renascendo em pequena cidade
do interior brasileiro.
Ainda, confirmando a tese do retorno de Allan Kardec nas vestes de Chico Xavier, sustentada por
Adelino da Silveira, além do Espírito HILÁRIO SILVA, em perfeita sintonia e pelo mesmo
médium de Ituiutaba, viria ANDRÉ LUIZ, no Culto do Evangelho do Sanatório Espírita “José Dias
Machado”, no dia 18/04/1999, ratificar tal entendimento, através de sua mensagem:

LOUVOR A KARDEC
Evangelho Segundo o Espíritismo
Cap. I – 5 a 7

Allan Kardec, ao apresentar “O Livro dos Espíritos”, em 18 de abril
de 1857, surpreendeu o horizonte intelectual e religioso do mundo
com o sol de nova doutrina, impregnada de luz e esperança.

Entretanto, mal estudada e mal compreendida, a Doutrina Espírita é
vítima de desinformação de muitos adeptos, que contrariam a
Codificação Kardequiana.

Cultivam hábitos arraigados de formalismo religioso.
E Kardec alude à adoração em espírito e verdade.

Aceitam revelações sem o exame do bom senso.
E Kardec condiciona a fé ao crivo do raciocínio.

Transformam o passe em gesticulação complexa.
E Kardec fala da naturalidade da ajuda espiritual.

Conduzem com formalismo os atos religiosos.
E Kardec menciona o culto simples e sincero.

Perturbam as instituições com atitudes egoístas.
E Kardec elege a cada caridade como roteiro de paz.

Divulgam textos sem o resguardo da prudência.
E Kardec lembra os critérios de análise mediúnica.

Tratam o fenômeno, o socorro do Alto a certo preço.
E Kardec insiste na mediunidade gratuita.

Sucumbem à curiosidade pelas vidas anteriores.
E Kardec salienta o esquecimento do passado.

Renegam o discurso religioso pelo intelectual.
E Kardec reafirma as lições do Evangelho.
***
O Legado Kardequiano é a referência autêntica do Espiritismo e guarda em seu cerne a dimensão
do Consolador prometido pelo Cristo.
Respeitamos, pois, todos nós, os Espíritas encarnados e desencarnados, a obra doutrinária de
Allan Kardec, louvando-lhe o extremado zelo à missão reveladora, até o ponto de voltar à crosta
terrestre, em novo corpo, para desdobrar a Codificação do Espiritismo e testemunhar, mais uma
vez, o profundo amor a Jesus, em toda uma existência consagrada ao Bem.

*******

Dessa forma, podemos afirmar que Adelino da Silveira não está só. Com ele estão fatos
convincentes, corroborados por inúmeros confrades e o testemunho da Espiritualidade.

UMA CITAÇÃO OPORTUNA:

“IMATUROS PARA A REVELAÇÃO :
ALLAN KARDEC – CHICO XAVIER “

A propósito da mensagem pelo médium recebida por ANTÔNIO BADUY FILHO, de Ituiutaba,
MG, sobre a volta de Allan Kardec, na pessoa do maior espírita do nosso século, FRANCISCO
CÂNDIDO XAVIER, e os ataques, as agressões de alguns espíritas intelectualistas, respondemos
com as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus 11.25: “Graças te dou, Pai, por teres ocultado
estas coisas aos sábios e doutos e as teres revelado aos pequenos e humildes.”

A revelação do Espírito de Hilário Silva, pelo médium de Ituiutaba, é de grande importância para a
Doutrina, visto que estão surgindo muitos falsos Allans Kardecs pelo Brasil afora e fora do Brasil,
bem como vem confirmar outra revelação do Espírito de Verdade pelo próprio Allan Kardec. E é
bom que Chico Xavier esteja vivo entre nós para que falsos profetas não utilizem seu nome para
enganar ninguém.

Ademais, a presença de Allan Kardec no Brasil, o coração do mundo e a futura pátria do Evangelho,
é motivo de alegria, de felicidade para toda a família espírita brasileira. E não é?

Será que alguém nesse país, ou em qualquer lugar da Terra, na atualidade, tem mais cacife
intelectual (a imensa bagagem do passado com a grandiosa sabedoria e experiência do presente),
bem como a grandeza moral e espiritual de Chico Xavier para ser Allan Kardec reencarnado na
Terra, conforme ele próprio (Allan Kardec) anunciou, por revelações superiores, antes de morrer?

E ele, Chico Xavier, não fez o que Kardec devia fazer e mais ainda, com o seu trabalho, com o seu
exemplo, e com a sua fidelidade ao Cristo, não complementou maravilhosamente bem , o que Allan
Kardec devia complementar para a restauração do Cristianismo na Terra? (O grifo é nosso.)

(Maria Laura Gonçalves – Belo Horizonte)
OUTRO DEPOIMENTO VALIOSO:

Questionado sobre ser Chico Xavier a reencarnação de Allan Kardec, o
confrade Mauro Menezes, da cidade de Frutal (MG), assim se pronunciou:

“EU NÃO SEI SE KARDEC ESTÁ REENCARNADO, MAS SE ESTIVER, SÓ PODE SER CHICO
XAVIER.”

NOSSA CONCLUSÃO:

Realmente, há tempo para tudo. Quando o nosso querido Chico Xavier completa 73 anos de
mandato mediúnico, com uma obra monumental e com a corporificação em toda sua vida do
Evangelho de Jesus, chegou o momento de ser dito, alto e bom som, que ADELINO DA
SILVEIRA NÃO ESTÁ SÓ, ao defender a tese de que ALLAN KARDEC VOLTOU e está
cumprindo sua nova missão na Terra.

Ousamos dizer, agora, que a obra mediúnica de Chico Xavier, pela sua natureza e finalidade,
consubstancia, para nós espíritas, no contexto da Codificação, a Maior maravilha do Século XX,
em que o próprio Allan Kardec, nas vestes corporais do médium de Pedro Leopoldo – a MAIOR
ANTENA PSÍQUICA DO SÉCULO – (e isto sem desprezar a multiplicidade de canais mediúnicos
existentes) – realiza o extraordinário fenômeno da MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES, isto é, desdobra
as cinco obras da Codificação em mais de quatrocentos livros, numa vida de profunda humildade,
de abnegação, de sacrifícios, de renúncia, de amor, exaltando e vivenciando principalmente o
aspecto mais importante da Doutrina Espírita – o RELIGIOSO. Sua obra mediúnica, a exemplo da
de Kardec, não pode ser compreendida, estudada e assimilada numa só existência, mas em várias.

********
Weimar Muniz de Oliveira, Presidente da Federação Espírita do Estado de
Goiás (FEEGO), entrevista o Dr. Jarbas Leone Varanda, Presidente da Aliança
Municipal Espírita (AME) de Uberaba, Presidente do Conselho Regional Espírita –
Zona Sul do Triângulo Mineiro e autor dos livros “Bases do Espiritismo” e
“Atualidade de Kardec”, a respeito da mensagem recebida, através da
mediunidade do Dr. Antônio Baduy Filho, de Ituiutaba, Minas Gerais, intitulada:
“A VOLTA DE ALLAN KARDEC”.

GE – Jarbas, o “Espírita Mineiro”, órgão da União Espírita Mineira, edição abril/maio – 1998,
publicou, com grande destaque, a mensagem: “A VOLTA DE ALLAN KARDEC”.

Qual foi o instrumento mediúnico da seríssima e inusitada mensagem do Plano Espiritual e em
que circunstâncias e condições foi ela transmitida?

JV – A mensagem em tela veio através do médium Dr. Antônio Baduy Filho, responsável pela
publicação de “Histórias da Vida” e “Decisão”, de autoria dos Espíritos Hilário Silva e Valérium.
Ela foi recebida em reunião pública de instalação da XXXIV COMMETRIM (Confraternização de
Mocidades e Madureza Espíritas do Triângulo Mineiro), na noite de 31/10/97, em Ituiutaba, terra
natal do médium, e na presença de mais de quinhentos confrades. Tal mensagem foi a manifestação
do Alto acerca da tese levantada por Adelino da Silveira, de Mirassol (SP), de que Chico Xavier
seria a reencarnação de Allan Kardec, confirmando-a e colocando uma “pá de cal” na polêmica
questão!...

GE – Que relação tem dita mensagem com o livro “KARDEC PROSSEGUE”, de Adelino da
Silveira?

JV – Existe, sim, uma relação muito íntima entre a mensagem e a obra de Adelino da Silveira
“Kardec Prossegue”, porque é neste livro que o nosso confrade sustenta a tese de que Chico Xavier
é a reencarnação do Codificador, fundamentando-a em depoimentos e comunicações mediúnicas
dos Espíritos Demeure, que foi médico de Kardec, constante de “O Céu e o Inferno”; de Zéfiro e do
Espírito de Verdade , constantes de “Obras Póstumas”. Tal fato gerou reações no meio espírita,
ensejando o posicionamento de vários confrades, endossando ou combatendo tal idéia, calcados no
direito de opinar que todos temos. Nós mesmos nos manifestamos favoravelmente à tese de
Adelino da Silveira, em artigo publicado em “A Flama Espírita”, editado em Uberaba.

GE – Como é que se explicam as diferenças de perfil entre Allan Kardec e Chico Xavier? Essas
diferenças seriam aparentes apenas?

JV– As diferenças são apenas aparentes, se levarmos em consideração que os Espíritos Superiores
podem, na multiplicidade de suas missões, limitar ou exteriorizar características já conquistadas em
outras existências, com vistas às tarefas a serem desempenhadas, como aconteceu com o próprio
Allan Kardec antes de sua roupagem corpórea como o Codificador. E que Chico Xavier é um
Espírito Superior ninguém pode duvidar, pois sua vida e seus exemplos demonstram à saciedade a
sua condição de superioridade ao meio em que vive, não tendo falido em sua tarefa nos precisos
termos em que o Espírito ERASTO colocou em sua fala, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”
(Cap. XXI, item 09), e na forma posta pelos Espíritos em “O Livro dos Espíritos”, nas questões 578
e 579.
Negar essa condição de Espírito Superior a Chico Xavier, pelo fato de sua vida ter sido pontiada de
sofrimentos – características comuns de Espíritos Imperfeitos – é esquecer a lição de André Luiz,
quando classifica a Dor como originária de três fontes: evolução, expiação e missão. Nesta última
categoria está a figura ímpar do mssionário CHICO XAVIER.

GE – Admitindo-se que Chico Xavier seja a reencarnação de Allan Kardec, como explicar o
fato de Allan Kardec, em sua época, ter dado mais ênfase aos aspectos FILOSÓFICO e
CIENTÍFICO, sendo que a maior necessidade dos homens continua sendo o aspecto
RELIGIOSO?

JV- É verdade que Allan Kardec deu mais ênfase aos aspectos científico e filosófico, em face das
necessidades históricas de seu tempo, mas não marginalizou o religioso, presente nas suas
reiteradas manifestações sobre ser o Espiritismo o Cristianismo Redivivo e, principalmente
na gigantesca obra de natureza religiosa, “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”. Este
aspecto religioso seria desenvolvido, como o foi, nas vestes de CHICO XAVIER, desdobrando e
completando o pensamento dos Espíritos, constante das Obras Básicas, ao direcionar a Codificação
no sentido de supervalorizar o Espiritismo como a Religião da Sabedoria e do Amor, pela maior
necessidade de evolução no campo dos SENTIMENTOS, mas sem esquecer os aspectos Científico
e Filosófico, presentes nas obras de EMMANUEL e ANDRÉ LUIZ (“A Caminho da Luz”, “O
Consolador”, “Evolução em Dois Mundos”, “Mecanismos da Mediunidade”, etc.)

Assim, o Codificador veio completar a sua Obra, dando ênfase ao aspecto Religioso. Aliás, a Obra
Mediúnica de Chico Xavier é JESUS e KARDEC de ponta a ponta.

Há tempo para tudo. Cada coisa vem a seu tempo, atendendo às necessidades espirituais. É assim
que o Consolador chegou na época predita com vistas à revivescência do Cristianismo Primitivo em
sua pureza e simplicidade. E viria em bases experimentais e com uma filosofia racional,
consubstanciando a Religião da Sabedoria e do Amor, promovendo o nosso reencontro com o
Evangelho de Jesus, conforme nos fala Emmanuel, em “No Portal da Luz”.

E com o Consolador prometido por Jesus, consubstanciando o Pentateuco Kardequiano, viriam mais
tarde os esclarecimentos progressivos de Léon Denis, Gabriel Delanne e, neste Século, a gigantesca
Obra de Chico Xavier, com mais de quatrocentos livros, em todas as áreas do conhecimento
humano. Esta obra nos levou a sustentar, em nosso livro “Bases do Espiritismo”, ser o médium
humilde de Pedro Leopoldo, com seu “mandato mediúnico”, o principal e mais fiel discípulo do
Codificador, no desdobramento do pensamento Kardequiano, e isso sem menosprezar a
multiplicidade de canais mediúnicos existentes.

GE – No caso do médium de Ituiutaba (MG), qual o seu perfil quanto à credibilidade e à
fidelidade à Doutrina Espírita, além doutros requisitos considerados importantes para o exercício
de tão sério mandato?

JV – No caso do médium de Ituiutaba, não resta a menor dúvida de que, sem desmerecer outros
canais mediúnicos, ele satisfaz os requisitos de credibilidade, de seriedade, no exercício da
mediunidade psicográfica. A sua segurança, a sua dedicação ao trabalho e seu equilíbrio no controle
das manifestações mediúnicas por seu intermédio são já conhecidos em nível regional e nacional.
GE – Por que é que a mensagem foi publicada, em primeira mão, pela União Espírita Mineira,
quando poderia ter sido por inúmeros outros órgãos de divulgação espírita, ao mesmo tempo?

JV – A razão está em que o médium referido, trabalhando em Minas Gerais, achou por bem
entregar à União Espírita Mineira a responsabilidade da publicação de tal mensagem, através do
“Espírita Mineiro”, como o porta-voz mais indicado para tal. Isto significa o respeito, a seriedade, e
a responsabilidade, no trato das questões doutrinárias, por parte do médium, principalmente dessa
natureza.

GE – Qual a sua opinião sobre a mensagem, depois de analisá-la? Qualquer que seja a sua
opinião conclusiva, favor adicionar fontes insuspeitas e fidedignas que a endossem.

JV – A nossa opinião é a manifestação da certeza íntima que sempre tivemos sobre a matéria,
datando de várias décadas, mas é, sobretudo, o endosso da tese levantada pelo Confrade Adelino da
Silveira, na atualidade. E temos também razão outras para endossá-la além das f ocalizadas pelo
autor de “Kardec prossegue”.

É que encontramos umpronunciamentode Arthur Massena, inserido nojornal “Desobsessão”,
editadoem Porto Ale-gre (RS), deOutubro de 1962, sob o título “Allan Kardec está reencarnado no
Brasil como Chico Xavier”. Neste artigo, Massena informa-nos que a afirmativa de que Chico
Xavier seria a reencarnação de Allan Kardec estava numa mensagem recebida por Levindo Melo,
no dia 10 de maio, às 16:00 horas, deixando de dar publicidade à mesma por falta de maiores
informações conclusivas. Continuando, diria Massena: “Se ele, Kardec, voltaria, conforme
predisseram os Espiritos Demeure, o Espírito de Verdade e Zéfiro, nas obras acima referidas,
quem teria mais gabarito espiritual, dentre os maiores médiuns do globo, do que Chico Xavier para
ser Allan Kardec reencarnado?! Ainda diria em síntese: “Se a obra de Allan Kardec, no século
passado, o Espiritismo, é algo de monumental, não voltaria ele, para realizar, no século atual,
missão de proporções discretas, própria de Espírito de menor evolução, mas outra que com ela
pelo menos ombreasse, e a obra de Chico Xavier, de evangelização mundial, em proporcões
ciclópicas, é a única que pode com ela emparelhar.”

E de nossa parte, endossando tal idéia, acrescentaríamos um argumento IRRESPONDÍVEL: Na
verdade, de longa data, registra-se a ausência de comunicações do Codificador, principalmente
através de Chico Xavier, a maior antena psíquica do Século XX, tendo, inclusive, Ramiro Gama,
em “Lindos Casos de Chico Xavier”, questionado a vã pretensão de certos médiuns, em receber
esporádicas mensagens de Allan Kardec. Afinal, perguntaríamos novamente: Por que tal
SILÊNCIO? Por que a AUSÊNCIA do Codificador desde a sua desencarnação?

Não deveria ele continuar na Espiritualidade, a sua obra, ditando livros visando a desenvolver os
ensinos dos Espíritos, principalmente através da mediunidade missionária de CHICO XAVIER que
melhor reuniu, como reúne as condições espirituais de CREDIBILIDADE na Terra para recebê-la?
Por que apenas André Luiz, Emmanuel e tantos outros Espíritos, com a exclusão de ALLAN
KARDEC?!

As pretensas comunicações esporádicas, atribuídas a Kardec não justificariam sua ausência nos
esclarecimentos progressivos das Obras Básicas, fato que nos faz duvidar de sua credibilidade.
Ousamos afirmar, por oportuno, que se Chico Xavier não for a reencarnação de Allan Kardec, então
o Codificador, lamentavelmente, foi OMISSO no desdobramento da Codificação, deixando de
oferecer sua contribuição, através da obra mediúnica do médium de Pedro Leopoldo.

(De entrevista publicada pela Revista “GOIÁS ESPÍRITA” Março/Maio – 98)
Ainda repercute em nossa memória os tristes acontecimentos ocorridos no Rio de Janeiro,
com o assalto a um ônibus, no qual resultou na morte trágica de uma jovem. Este é um fato, entre
tantos outros, na esteira da violência, cuja escalada chama-nos a atenção no Brasil e no mundo.

Não é preciso dizer que tudo isto resulta do predomínio da idéia materialista, com a
defasagem dos sentimentos de solidariedade, com o seu cortejo de crimes hediondos, evidenciando
o total desrespeito à vida como realidade “transcendente”, numa escalada da violência sem
precedentes na História da Humanidade e, em particular, no Brasil, provocando, como solução para
conter a onda de criminalidade, uma só reação em grande parte da população: a adoção da Pena de
Morte!..

Já tivemos oportunidade, em várias ocasiões, de abordar o tema da pena capital,
principalmente em nossa obra “BASES DO ESPIRITISMO”, vol. II, onde mostramos os seus
aspectos negativos, inclusive sua INEFICÁCIA como fator intimidativo, se levarmos em
consideração que é, exatamente, nos países que a adotaram que se verifica o MAIOR índice de
criminalidade.

A PENA DE MORTE SOB A ÓTICA DO ESPIRITISMO

E sob a ótica espírita, a pena capital tem o repúdio dos Espíritos, calcados que estão nas
teses da Imortalidade da Alma, da pluralidade das existências (reencarnação) e no princípio da
Paternidade Universal, sendo certo que a solução para a sua adoção só tem a seu favor a tese da
UNICIDADE da existência que é a negação da justiça de Deus e a pior explicação da Lei de Causa
e Efeito.

Sem pretender pontificar no assunto, lembraríamos a opinião dos Espíritos, em “O Livro dos
Espíritos”, que repelem a pena de morte como terapêutica mais adequada (Questões 760 a 765) e
apontam a EDUCAÇÃO ou REEDUCAÇÃO MORAL, como solução definitiva, com a imissão,
nos extratos mais profundos da personalidade, de impulsos e contra-impulsos de natureza moral,
capazes de erradicar a PERICULOSIDADE da face da Terra. Ainda lembraríamos Allan Kardec
perguntando, na questão 796 da obra básica, sobre a necessidade de leis penais mais severas, no
estado atual da sociedade, obteve a seguinte resposta:

“ - Uma sociedade depravada tem certamente necessidade de leis mais severas. Infelizmente
essas se destinam antes a punir o mal praticado do que a cortar a raiz do mal. Somente a
EDUCAÇÃO pode reformar os homens, que assim não terão mais necessidade de leis tão
rigorosas”. Relativamente à reforma das leis, isso somente acontecerá “pela força das
circunstâncias e pela influência das pessoas de bem”. (Questão 797 – LE).

Corroborando tal entendimento, Chico Xavier, em entrevista concedida ao jornal “O Espírita
Mineiro”, nº 182, de maio/agosto/80, transcrita no livro “CHICO, de Francisco”, de autoria de
Adelino da Silveira, já preconizava como recurso educativo, em substituição à pena de morte:

“ – A pena deveria ser de educação. A pessoa deveria ser condenada mas é a ler livros, a se
educar, a se internar em colégios, a se dedicar ao trato da terra, à produção agrícola, ao
burilamento da madeira, à escultura da pedra, etc.. , etc.., ainda que seja sob compulsão do
serviço policial, mas que as nossas casas punitivas, hoje chamadas de casas de reeducação,
sejam, escolas de trabalho e de instrução. Isto porque toda criatura está sentenciada a evoluir e
nunca sentenciada à morte pelas leis de Deus, porque a morte tem seu curso natural. Por isso,
acho que a pena de morte é desumana. Ao invés de estabelecê – la, devíamos coletivamente criar
organismos que incentivassem a cultura, a responsabilidade de viver o amor ao trabalho. O
problema da periculosidade da criatura, quando exagerada, deve ser corrigido com a educação e
isso há de se dar no futuro. Porque nós não podemos corrigir um crime com outro, um crime
individual com um crime coletivo ”.

Nesse sentido, é louvável a iniciativa do Governo Federal, pretendendo agir,
preventivamente, ao lançar um Novo Plano Nacional de Segurança Pública, com quatorze medidas
de impacto, a fim de conter a onda de violência que assola o País.

A PENA DE MORTE E O EXEMPLO DE IRTES TEREZINHA

Assim, é que devemos considerar o criminoso como irmão necessitado, dando-lhe a
assistência espiritual de que carece, e não tirando-lhe a vida, sem lhe dar a oportunidade de se
redimir perante a Sociedade. Isto também é a corporificação do Perdão das ofensas, ensinado por
Jesus. O ideal seria procedermos como aquela irmã, Sra. Irtes Terezinha, de Ubá, que teve o seu
irmão consangüineo assassinado, arrimo de toda família . Ela, ao invés de reclamar aplicação
da Justiça humana, esqueceu todo o mal, visitando-o, várias vezes, na cadeia e levando-lhe cigarros,
roupas, alimento, dinheiro e um exemplar de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, inclusive
solicitando das autoridades, um tratamento mais humano para o delinqüente. Este fato é citado por
Chico Xavier, como o maior exemplo de esquecimento da ofensa que ele já vira.

Lembramos, de escantilhão, que, quando nossa irmã consangüinea Eleuza foi assassinada,
no exercício da caridade, não pudemos dar aos criminosas a mesma assistência dada pela nossa
confreira Irtes Terezinha, mas procuramos fazer o mínimo, isto é, ESQUECER o ato criminoso com
a COMPREENSÃO que a Doutrina Espírita nos faculta, em bases reencarnacionistas, embora
chorando sobre o seu corpo inerte. Somente com o princípio da Paternidade Universal e com a
Reencarnação, isto é, com melhor compreensão da Lei de Causa e Efeito, em bases
reencarnacionistas, pudemos aceitar e esquecer os seus algozes que são nossos irmãos. Somente
assim ACEITAMOS a realidade do seu assassinato. É bom recordar o Cristo, na Cruz, quando
disse: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!”

Dessa forma, é a VIVÊNCIA dos ensinos de Jesus, à luz do Espiritismo, a solução
satisfatória, para conter a onda de criminalidade que avassala o planeta Terra, em particular o
Brasil.

CONCLUSÃO: A “PÁTRIA DO EVANGELHO” REPELE A ADOÇÃO DA PENA MORTE

Assim, a adoção da pena capital jamais poderia fazer parte de um país que está predestinado
a ser a “Pátria do Evangelho”, visto que os povos, “cujas leis se harmonizam com as leis eternas
do Criador, viverão e serão o farol dos outros povos”. (Questão 788 de “O Livro dos Espíritos”) E
outra não é a destinação da terra do Cruzeiro.

Concluindo, nós poderíamos lembrar EMMANUEL (“Pão Nosso”, cap. 122), quando
comenta: “Muita gente acredita que o “homem caído” é alguém que deve ser aniquilado. Jesus,
no entanto, não adotou essa diretriz. Dirigindo-se, amorosamente, ao pecador, sabia – se, antes
de tudo, defrontado por enfermo infeliz, a quem não se poderia subtrair as características de
etenidade. Lute-se contra o crime, mas ampare-se criatura que se lhe enredou nas malhas
tenebrosas”. O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a
fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino Celeste”.
De algum tempo a esta parte, tem havido, na seara espírita, um extraordinário surto de fatos
relacionados com a fenomenologia mediúnica, ensejando a oportunidade aos estudiosos de se
posicionarem, doutrinariamente, perante os problemas surgidos e decorrentes de tais fatos. Isto,
todavia, ao invés de ser um empecilho ao exercício da mediunidade, constitui estímulo ao seu
melhor conhecimento, através do estudo, da observação, da experiência mediúnica colhida ao longo
do tempo, objetivando a aquisição do discernimento necessário à superação dos escolhos e à
obtenção de proveitosas comunicações, com evidente valorização e destaque da Mediunidade.

Além do mais, a prática mediúnica é rica, claras e satisfatórias são as propostas que os
Espíritos dão, na Codificação, às diferentes questões suscitadas, atendendo aos diversos níveis de
inteligência e cultura dos estudiosos do assunto. Daí ter razão Allan Kardec quando, em “O Livro
dos Médiuns”, ressalta que as dificuldades e desilusões na prática espiritista decorrem da ignorância
dos princípios doutrinários e que tal obra objetiva orientar as manifestações mediúnicas,
apontando as dificuldades encontradas e ensinando a maneira de os homens se comunicarem com os
Espíritos, evitando a zombaria e as críticas em razão das idéias falsas do Mundo Espiritual, cujas
leis, que governam as relações entre encamados e desencamados, somente agora começam a ser
conhecidas com a Mediunidade.

Essas considerações são a propósito de práticas mediúnicas exercidas, de algum tempo a
esta parte, no País. De saída, citemos as comunicações e curas do Dr. Fritz, através de vários
médiuns, após a desencarnação de Arigó, ensejando à revista “Veja” considerações críticas
desairosas sobre a autenticidade ou não de tais comunicações, perguntando: afinal, quem é o
verdadeiro, quais são os impostores?! Tal fato deve levar os dirigentes e médiuns espíritas a
usarem de cautela e vigilância no trato da mediunidade, atentos à advertência do apóstolo João:
“Não creais em todos os Espíritos, mas provais se os Espíritos são de Deus”.

Viria mais tarde, ainda, a eclosão de verdadeiros “modismos”, em nossas Casas Espíritas,
com as chamadas “Comunicações eletrônicas com os mortos”, descartando a mediunidade com o
intercâmbio com o Plano Espiritual, portanto, sem apoio doutrinário, a “cristalterapia”, a
“cromoterapia”, a “projeciologia”, “shows musicais mediúnicos” e outras manifestações artísticas,
em que o fenômeno passa a ser fim e não meio, revelando tudo isso a ignorância dos princípios por
colocar a tarefa prioritária da execução do Evangelho de Jesus, que visa ao adiantamento moral da
criatura humana, em plano secundário!

E mais recentemente, tivemos o caso Ayrton Senna, na área das comunicações, quando uma
médium paulista teria recebido, durante o velório daquele piloto, uma mensagem dele, sendo tal
comunicação contestada por confrades nossos, também paulistas. E, ainda, com relação ao citado
piloto, na fase de sua subida ao “podium espiritual”, tivemos a infeliz reportagem da revista
“Contigo”, que envolve o médium Francisco Cândido Xavier, por atribuir-lhe uma mensagem
dirigida à família de Ayrton Senna, sem solicitação desta, tendo sido desmentida, porque não seria
crível que o nosso Chico desrespeitasse aquela família que é protestante, ele que sempre respeitou
todas as crenças!...

Também é bom lembrar, no caso de desencarnações recentes, as lições contidas em “O
Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec. Assim, se o tempo não constitui impedimento para as
manifestações, não podemos nos esquecer de que cada pessoa é um caso, onde fatores diversos,
ligados ao período de perturbação, à natureza da desencarnação do Espírito e sua posição evolutiva
ditam normas para o seu relacionamento com os encarnados, e isto sem esquecer a questão da sua
identificação e a credibilidade do médium, sendo certa, mais uma vez, a afirmativa de Chico Xavier
de que não devemos forçar as coisas, pois, “o telefone deve tocar de lá para cá e não daqui para
lá!”

Nesse sentido, ainda, Léon Denis, em “Depois da Morte”, teve oportunidade de asseverar,
também com muita propriedade, que “o estudo do mundo invisível exige muita prudência e
perseverança”, exigindo – diríamos nós agora – conhecimento doutrinário, o facho da Razão e a
prática das virtudes evangélicas, sendo oportuna e sublime a exortação do Espírito de Verdade, em
“O Evangelho segundo o Espiritismo”, Cap. VI: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instruí-vos, este o segundo

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CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Em a Revista “ISTO É/SENHOR”, edição de setembro, encontramos a afirmativa que teria
sido feita pelo Arcebispo de Uberaba, D. Benedito de Ulhoa Vieira, no sentido de que, no
Espiritismo, há uma “alienação geral, pois em vez de se preocupar com uma sociedade mais justa,
todo o mundo fica correndo atrás de “alma penada”...”

Discordando com respeito e sem a preocupação de polemizar, podemos dizer que no
Espiritismo não há lugar para a aplicação do conceito sociológico marxista da alienção que vê nas
Religiões o “ópio do povo”, isto é, seus preceitos apenas como um meio de que se vale a classe
dominante para se manter no poder, consolando o povo em suas misérias terrestres, fazendo-o
esperar pelas alegrias celestes, enquanto ela acumula bens terrenos. Assim, o HOMEM
RELIGIOSO seria um “ALIENADO” , isto é, desvinculado de suas reais necessidades e que
teria abdicado de sua Razão para transferir a solução de seus problemas para seres
transcendentes e seus representantes na Terra, afirmando Leandro Konder, em sua obra
“MARXISMO E ALIENAÇÃO”, que somente o Ser Humano se libertará dessa “alienação” quando
edificar um novo mundo, social e economicamente.

NO ESPIRITISMO NÃO HÁ LUGAR PARA ALIENAÇÃO

Realmente, estudando os fundamentos doutrinário-espiritistas, podemos afirmar que no
Espiritismo não há lugar para a “alienação”, tanto teórica como praticamente. Com ele, o Homem
passa a compreender que é um Ser em evolução permanente, através das sucessivas vidas, com
infinitas possibilidades criadoras, no domínio do mundo circundante físico e social, libertando-se,
progressivamente, da ignorância, do erro, do medo ante as forças físicas e sociais, dos preconceitos
de toda sorte, enfim, das prisões mentais, tornando-se senhor de sua própria evolução, sem abdicar
da Razão, porque tem a maior FONTE DE INFORMAÇÕES em bases científicas, filosóficas e
religiosas sobre os problemas existenciais do Ser, consubstanciando o ensino de Jesus:
“Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”...

NA ÁREA SOCIAL

Na área social, em particular, o Espiritismo aponta a EDUCAÇÃO MORAL dos indivíduos
como o caminho da RENOVAÇÃO SOCIAL para a justiça social, deixando bem claro que o
CRISTO, no coração do homem, é a solução para todos os problemas humanos. Todavia, a
Doutrina Espírita não está alheia aos problemas sociais, ao denunciar em “O Livro dos Espíritos”
(Lei de Sociedade), o abuso da propriedade, do poder, da riqueza, e isto há mais de um século,
muito antes da “RERUM NOVARUM” . E, por isso mesmo, o Espírita não vive “fora do mundo”,
mas “no mundo, sem pertencer ao mundo, preocupando-se predominantemente com as “COISAS
ESPIRITUAIS” , como nos ensina Jesus, quando exorta: “MARTA, MARTA, MARIA
ESCOLHEU A MELHOR PARTE QUE NÃO LHE SERÁ TIRADA”...
Além disso, é incapaz de substituir seu maior TESOURO – a DOUTRINA ESPÍRITA – cuja
proposta básica é a cristianização da humanidade, pelas REFORMAS SOCIAIS EXTERIORES,
válidas, mas incompletas e transitórias. Sua atuação é no sentido de TRABALHAR para a
EVOLUÇÃO humana, criando condições favoráveis ao progresso da humanidade, sem apelar,
contudo, para os MÉTODOS da violência, da revolução cruenta, da luta de classes, mas pelos da
COLABORAÇÃO e AJUDA MÚTUA. E, concorrendo para a melhoria da sociedade promove a
ASSISTÊNCIA FRATERNA aos mais necessitados como uma OBRIGAÇÃO DE
EXEMPLIFICAR O AMOR, da mesma forma que os primitivos cristãos, na Casa do Caminho,
mas sem a preocupação de resolver os problemas sociais e sim com o objetivo único de ressaltar
uma IDÉIA DE FUNDO , que é da SOLIDARIEDADE que devemos ter de uns para com os
outros, consubstanciando o ensino evangélico: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS
AMEI.”

SOBRE AS “ALMAS PENADAS”

Quanto à referência às “almas penadas”, mostra-nos o Espiritismo, com o intercâmbio
mediúnico, a existência dos desencarnados, formando O MUNDO DOS ESPÍRITOS, em sua
condição de felicidade ou infelicidade, mas todos com uma só destinação: a PERFEIÇÃO, através
da pluralidade das existências (Reencarnação), em contraposição ao quadro aterrador e às sombrias
perspectivas que as Religiões Ocidentais oferecem ao homem, acerca da Vida Futura !

Assim, “com a FÉ RACIOCINADA nos ensinamentos de Jesus, o mundo encontra no
Espiritismo Evangélico BENEFÍCIOS INCALCULÁVEIS”, e, conseqüentemente, o maior
“PROCESSO LIBERTADOR” (Emmanuel) DE CONSCIÊNCIAS que a humanidade já teve.

CONCLUSÃO

Por tudo isto, onde a “ALIENAÇÃO” DO ESPIRITISMO, teórica e praticamente?! Onde o
Espírita abdica de sua Razão, para entregar a outrem a sua salvação?! Onde, se praticamente o
Brasil está cheio de OBRAS ASSISTENCIAIS ESPÍRITAS que atestam a sua preocupação com o
“Social”, com um mundo melhor?! Onde tal alienação, quando vemos o objetivo de seus adeptos de
vivenciar o Cristo, a exemplo de um CHICO XAVIER – o Evangelho personificado – que,
inclusive, sempre fez doação de seus livros mediúnicos (mais de quatrocentos) para as obras sociais,
trabalhando em prol do Brasil na condição de “Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”?!

Nossa gratidão, pois, a ALLAN KARDEC e a CHICO XAVIER que nos possibilitam
acender a luz da sublima renovação em nossos corações.

*********
O Espiritismo, em seu aspecto tríplice, sem ser uma nova escola no campo gnoseológico, traduz-
se por ser uma Doutrina “livre dos prejuízos do espírito de sistema”, com uma abrangência que
consubstancia a mais extraordinária síntese do pensamento humano podendo ser considerada, no
processo dialético hegeliano, a “harmonia dos contrários”, dando um novo direcionamento ao processo
de conhecimento. E por ser uma nova “revelação” acerca das coisas do Espírito, dá um sentido
teleológico, finalístico à Vida Universal, significando a presença de um PLANO DIVINO, mostrado
através dos “ascendentes espirituais”, presidindo o processo evolutivo de todos os seres.

Assim, em todas as questões existenciais, a Codificação Kardequiana se apresenta como
uma preciosa “FONTE DE INFORMAÇÕES”, denunciando a presença desses “ascendentes
espirituais”, ampliando seu entendimento.

Particularmente gostaríamos de evidenciar tal presença na questão da especialização de
tarefas espiritistas. Nesse sentido, recordamos aqui, inicialmente, a fala do Codificador no item 13,
do Cap. I, de “A Gênese”, onde nos esclarece que o Espiritismo, quanto à sua ORIGEM, tem duplo
caráter: É DIVINO porque de autoria dos Espíritos e CIENTÍFICO, porquanto a sua elaboração é o
resultado do trabalho do Homem.

O trabalho do Espírito encarnado é fundamental para o rendimento progressivo da Doutrina
entre os homens. E da mesma forma que o rendimento maior do trabalho, na vida material,
depende da especialização de funções ou tarefas, igualmente o crescimento e a difusão do
Espiritismo exigem que todo servidor esteja no seu posto, consoante suas aptidões e tendências,
sem perder a visão global da Doutrina. Dessa forma, registramos as tarefas dos administradores
dos “interesses evangélicos”, à testa das Instituições, a dos que se dedicam à Evangelização da
Criança, do Jovem e do Adolescente, à Assistência Fraterna, à Difusão Doutrinária, às Práticas
Mediúnicas, etc., só ocorrendo concentração de tarefas em situações emergenciais e em locais
menos adiantados e com poucos tarefeiros, desde que compatíveis entre si.

Evidentemente, na medida em que as cidades crescem, novos tarefeiros surgem e as
necessidades se diversificam, a especialização vai se impondo, não se justificando mais aquela
concentração individual de funções, com evidente deserviço à causa.
Mas, é na área das funções MEDIÚNICAS que essa especialização mais do que nunca se
impõe, sendo certo que tal entendimento vem desde o Cristianismo primitivo, quando PAULO DE
TARSO nos falava da DIVERSIDADE DE “DONS ESPIRITUAIS” (Cap. 12 da Epístola aos
Coríntios). E ALLAN KARDEC, no cap. XVI, 2ª Parte, de “O Livro dos Médiuns”, item 198,
ratificaria, asseverando:

“(. . .)Um médium pode, sem dúvida, ter muitas aptidões, havendo, porém, sempre uma
dominante. Ao cultivo dessa é que, se for útil, deve ele aplicar-se” (. . .)

“Nosso querido médium Chico Xavier, portador de
inúmeras faculdades mediúnicas, de diversos dons
espirituais, concentrou-se sempre na psicografia, onde
se tornou o principal instrumento do desdobramento da
Codificação Kardequiana no presente século.”

Veja-se, nesse sentido, o posicionamento de Espíritos da estirpe de BEZERRA DE
MENEZES e EURÍPEDES BARSANULFO que, possuindo várias faculdades, direcionavam-nas
todas para aquela que consideravam como a principal de sua existência.. É também exemplo
clássico o nosso querido CHICO XAVIER, portador de inúmeras faculdades mediúnicas, de
diversos dons espirituais, concentrou-se sempre na psicografia, onde se tornou o principal
instrumento do desdobramento da Codificação Kardequiana no presente século.

E sobre a importância e necessidade da especialização mediúnica, EMMANUEL, em “O
CONSOLADOR”, fala-nos na questão 388:

“O homem do mundo, no círculo de obrigações que lhe competem na vida, deverá sair da
generalidade para produzir o útil e o agradável, na esfera de suas possibilidades individuais.

Em mediunidade, devemos submeter-nos aos mesmos princípios. O homem enciclopédico,
em faculdade, ainda não apareceu, senão em gérmen, nas organizações geniais que raramente
surgem na Terra, e temos de considerar que a mediunidade somente agora começa a aparecer no
conjunto de atributos do homem transcendente.

A especialização na tarefa mediúnica é mais que necessária e somente de sua
compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de vulgarização da verdade a realizar.”

***

O que nos chama atenção no tema não é a especialização em si, mas os seus “ascendentes
espirituais” que se manifestam:

A – através do DIRECIONAMENTO pelo Alto dos tarefeiros para a sua principal tarefa mediúnica,
muito antes da sua encarnação, situando-os, assim, na psicografia, na curadora, na psicofonia, nos
efeitos físicos ou como inspirados escritores e oradores, etc., com vistas ao maior rendimento
doutrinario e a tornar possível, no exercício mediúnico, a “harmonia na grande obra de
vulgarização da verdade a realizar”, na feliz expressão de Emmanuel, acima mencionada;
B – da VINCULAÇÃO de tais tarefas aos VALORES EVANGÉLICOS, sendo de se observar que
somente são confiadas as grandes missões aos ricos de sentimentos, aos portadores da humildade,
muitas vezes desprovidos de títulos acadêmicos, pequenos do ponto de vista social e desprendido
das coisas materiais, como é o caso de um Eurípedes Barsanulfo ou de um Chico Xavier, para citar
apenas dois exemplos no Brasil, entre tantos outros.

Dessa forma, na especialização de tarefas mediúnicas, o Espiritismo amplia seu
entendimento, não apenas visando ao maior rendimento doutrinário, mas, sobretudo, por vinculá-lo
aos “ascendentes espirituais”, revelando seu caráter finalístico, teleológico para a evolução
espiritual da humanidade e denunciando, assim, a tônica da natureza predominantemente religiosa
de nossa abençoada Doutrina.

*******
De quando em vez, surgem na imprensa Espírita confrades veiculando idéias pessoais e
fazendo propostas pretensamente renovadoras, mas que colidem com os postulados fundamentais
do Espiritismo, revelando uma sutil fascinação envolvendo seus passos. Agora é a vez de Jaci
Régis, um psicólogo santista que propõe aos Espíritas sua idéia pessoal de que o Espiritismo deve
se separar do Cristianismo, sob a alegação de que os males existentes no Movimento Espírita seriam
decorrentes das idéias reinantes no Catolicismo, Protestantismo e Judaísmo. Em seu lugar, propõe
uma moral simplesmente Espírita, formalizando sua proposta pelo jornal “Abertura”.

Jaci, em sua visão pessoal, abomina tudo que venha das Religiões ligadas ao Cristianismo. É
o que nós chamamos de vã pretensão, pois, se analisarmos sua proposta, comprovaremos que ela
envolve um tremendo sofisma, isto é, uma idéia falsa com aparência de verdade. Todos nós
sabemos que, se existem erros em nosso movimento, estes são produtos da imperfeição do Homem,
que não guarda fidelidade à Codificação. Aliás, deturpados e afeiçoados aos interesses dos
sacerdotes políticos de todos os tempos, prometeu o Consolador para restaurá-los; e ele aí está como
o Espiritismo.

Portanto, se erros ou males existem, praticamente, estes não são decorrentes do
Cristianismo, mas sim, da ação do homem imperfeito e suas ligações com as igrejas do Ocidente.
Está muito claro na Codificação que o Espiritismo é o renascimento do Cristianismo primitivo.
Nesse sentido, o Espírito da Verdade afirmou : “No Cristianismo se encontram todas as verdades;
são de origem humana os erros que neles se enraizaram”.

Não foi feliz o nosso irmão Jaci Régis, embora respeitemos o seu direito de pensar, as suas
idéias pessoais. Sua proposta não guarda fidelidade a Kardec, pois este reiterou várias vezes que o
Espiritismo é o renascimento da moral do Cristo e que esta é a mais pura (ESE – Cap. 1)

Além disso, quem teria autoridade espiritual para efetuar tais mudanças estruturais na
Doutrina Espírita, já que ela é obra dos Espíritos e não de encarnado algum? O que se depreende,
enfim, da proposta em foco é a atuação sutil das trevas, no sentido de retirar Jesus do Espiritismo,
apresentando-o simplesmente como uma Doutrina Filosófica e Científica, com exclusão do aspecto
Religioso, Evangélico.

E nós sabemos que o Espiritismo, no seu tríplice aspecto, tem por finalidade reavivar a
Religião do Cristianismo, sendo “Obra do Cristo”, que preside, conforme igualmente anunciou, à
regeneração que se opera e prepara o Reino de Deus na Terra (ESE - Cap. I).
Nele nada existe em contrário ao que ensinou o Cristo e, com relação ao Velho Testamento,
separa o que é Humano do que é Divino, revelando, assim, que existe, um “Plano Divino” com um
sentido finalístico, isto é, com vistas ao “determinismo do Bem e do Amor”, no dizer de
Emmanuel. E ratificando tal entendimento, ou seja, da existência desse Plano Divino, através das
Três Revelações, afirmou o Espírito Israelita, no Cap. I, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“FOI MOISÉS QUEM ABRIU O CAMINHO; JESUS CONTINUOU A OBRA; O
ESPIRITISMO A CONCLUIRÁ”.

Além disso, está no mesmo capítulo da citada obra básica que, da mesma forma que Jesus
não veio destruir a Lei, mas dar-lhe cumprimento, objetivando a criação do Homem de bem, como
o Cristão verdadeiro, pois que um é o mesmo que outro.

Mas, se não bastasse isto, Allan Kardec em seu discurso em Lyon, constante da “Revista
Espírita” de 1.861, diria: “O Espiritismo, ao contrário, nada tem a destruir, porque assenta suas
bases no próprio Cristianismo, sobre o Evangelho, do qual é simples aplicação”.

Questionado sobre a matéria, disse o nosso querido médium Chico Xavier, em sua
residência, essencialmente, que, aqueles que negam o aspecto religioso do Espiritismo, apenas
querem uma Doutrina livre, sem nenhuma responsabilidade!

Trata-se, assim, de uma vã pretensão do confrade Jaci Régis, que deve reconsiderar a sua
proposta, com base em Kardec, para se libertar do “fascínio”, de idéias falsas, pois o que está
faltando é o estudo sério da Doutrina Espírita. Vamos lembrar, para concluir, Emmanuel, quando
nos fala em sua obra “No Portal da Luz”, que o Espiritismo é a Religião da Sabedoria e do Amor,
promovendo o nosso reencontro com o Evangelho de Jesus!

********
-DO ENSINO RELIGIOSO -
A Liberdade de Consciência é um dos direitos fundamentais do homem, estando consagrada
pela DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS e pela nossa CARTA
MAGNA em seu artigo 153.

Na verdade, a liberdade de pensar, de ter idéias, de opinar, de esposar essa ou aquela
ideologia, crença filosófica de vida, é apanágio de toda criatura humana, sendo um dos ensinos dos
Espíritos, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 835 e seguintes.

Particularmente, no campo religioso, a liberdade consiste na faculdade que todos os homens
têm de crer nos princípios e idéias religiosas que abraçou, sem sofrer qualquer limitação, e afirmar
sua crença por meio de manifestações externas, desde que não contrariem a ordem pública e os bons
costumes.

Como conseqüência lógica, a inviolabilidade dessa liberdade significa que a crença há de ser
respeitada pela Sociedade, pelo Estado. Em síntese, no Campo Educacional é a consagração da
laicidade do ensino, não se permitindo a imposição do mesmo nos Educandários, ficando
resguardada apenas a sua FACULTATIVIDADE, isto é, o Ensino Religioso como matrícula
facultativa (Art. 176, item V, da Constituição Federal).

Tal entendimento constitucional e doutrinário nos autoriza o total repúdio ao Ensino
Religioso OBRIGATÓRIO nas Escolas e que está sendo posto em prática, camufladamente, e até
mesmo de forma inconstitucional, através de Decretos-Leis Estaduais.

Por isso mesmo ratificamos o entendimento da FEB e a resolução do Conselho Federativo
Espírita de Minas Gerais (COFEMG), tendo este, em 1965, adotado uma posição contrária ao
Ensino Religioso nos Educandários, com base nos trabalhos dos Conselhos Regionais Espíritas
(CREs) de Juiz de Fora e de Uberaba, pelas razões aqui repetidas:

1. Preservação do bom ambiente espiritual dos Cultos do Evangelho no Lar e nas Instituições
Espíritas, em contraposição ao ambiente dos Educandários;

2. Ensino Religioso nas Escolas concorre para o enfraquecimento da família, notadamente, pela
transferência de responsabilidades na questão da educação afetiva e dos Centros Espíritas,
notadamente das Escolas Espíritas de Evangelização e das Mocidades, com o desobrigar os pais
de mandar seus filhos a tais órgãos departamentais;

3. aspecto negativo da intelectualização e a decoração, transformando o verdadeiro ensino que é
vivência;
4. A criação de professores de Espiritismo, prática elitista contrária aos ensinos dos Espíritos. Na
verdade, todos somos aprendizes do Evangelho;

5. aspecto da remuneração, embora controvertido, ferindo os princípios doutrinários.

São essas razões particulares, de ordem doutrinária, que se juntam às de ordem geral,
próprias da laicidade do ensino, recordando André Luiz, em “Conduta Espírita”:

“Pugnar pela laicidade absoluta do ensino mantido oficialmente, esclarecendo os estudantes,
sejam crianças ou jovens, sempre que necessário, quanto à conveniência de absterem
cordialmente, quando possível, das aulas e solenidades de Ensino Religioso nos Institutos de
Instrução que veiculem noções religiosas contrárias à Doutrina do Espiritismo.”

UMA ABERTURA : O SENTIDO FACULTATIVO DO ENSINO

Preconizando a nossa Constituição Federal o Ensino Religioso facultativo para os alunos,
defende a laicidade e a liberdade de consciência. É claro que isso não impede que haja manifestação
religiosa nas Escolas, nas Instituições em geral, pois sabemos o sentido profundo e verdadeiro da
Educação que é integral, englobando as diversas dimensões do Ser Humano na sua caminhada
evolutiva.

Tais manifestações, é claro, somente poderiam ser permitidas em pleno regime de liberdade
para todos os credos, através de palestras, conferências por parte de seus profitentes, gratuitamente,
sendo esta a única abertura em sintonia com o espírito de laicidade do ensino nas Escolas.

Aliás, esta já é uma tradição de nossa Pátria. Nesse sentido, D. Pedro II, quando de sua
última viagem ao interior de São Paulo, em 1886, visitando uma Escola, declarou a um jornalista, a
propósito da religião nas Escolas: - “A religião deve ser ensinada pelas próprias mães; só na falta
destas é que pode ser confiada à professora.” (da obra “Chico Xavier, D. Pedro II e o Brasil”, de
Walter José Faé).

********
UM

QUESTIONAMENTO
FRATERNO

Em nosso opúsculo “Jesus, Kardec e o Elitismo”, abordamos a questão do “ELITISMO”
em nosso movimento espírita, deixando bem claro que as “práticas elitistas” não encontram
respaldo no Espiritismo, e isto porque a Religião dos Espíritos é universal, democrática, refletindo
os ensinos de Jesus. E, conseqüentemente, em nosso movimento espiritista não há lugar para a
formação de “castas”, criação de privilégios, evidências individuais injustificáveis e
discriminações, enfim, nada que possa lembrar uma suposta superioridade de uns em relação aos
outros, conforme nos lembra o Dr. Bezerra de Menezes, em sua mensagem “UNIFICAÇÃO,
SERVIÇO URGENTE MAS NÃO APRESSADO”.

Estas considerações são a propósito de uma tendência atual, existente em nossa seara, no
sentido da criação de Entidades ou Associações Espiritistas, congregando os que pertencem à
mesma classe profissional, como é o caso dos médicos, psicólogos, militares, odontólogos,
magistrados, etc, com vistas ao estudo, ao trabalho de divulgação do Espiritismo com a alegação de
que chegou a hora de colocarmos a “candeia” sobre o “candeeiro”, considerando o Centro Espírita
acanhado para tal tarefa.

Embora não exista nada que impeça a corporificação dessa pretensão, em razão da liberdade
de pensar, opinar e agir em nossa seara, é também em nome dessa mesma liberdade que
gostaríamos de fazer um questionamento fraterno, perguntando:

1 – Será que não estaríamos, ao criar tais associações, visando ao “proselitismo de arrastamento”
junto aos intelectuais não espiritistas, mas da mesma categoria profissional, isto é, os “gentios” da
incredulidade, ao invés de procurarmos primeiramente fazer prosélitos entre os de boa vontade,
entre os que desejam a luz, nos quais um gérmen profundo se encontra, e cujo nome é grande, sem
perdermos tempo com os que não querem ouvir e tanto mais resistem, por orgulho, quanto maior
for a importância que se pareça ligar à sua conversão, no dizer de Allan Kardec, no cap. XIV de “O
Evangelho Segundo o Espiritismo”?

2 – Será que não estaríamos nos esquecendo, ainda, do ensino de Jesus, ao afirmar que “graças te
rendo, Meu Pai, por haveres ocultado estas coisas aos doutos e prudentes e por as teres revelado
aos simples e pequenos”, dando ele mesmo o exemplo na escolha de seus apóstolos, vinculados às
diversas categorias sociais e profissionais?
3 – Será que, a pretexto de atualização de nossos recursos e métodos de estudo e divulgação do
Espiritismo, em nossas Casas Espíritas, não estaríamos criando associações para congregar os que
estão na mesma categoria profissional e, com isso, isolando-nos e nos tornando estranhos uns aos
outros, com o afastamento, assim, do “povo” – a “paixão de Jesus” – no dizer de Ewerton
Quadros/Chico Xavier, em “O Espírito da Verdade”, cap. 38?

4 – Será que nós – os intelectuais espíritas – não estaríamos nos esquecendo de nosso compromisso
maior, assumido na Espiritualidade, antes de reencarnarmos, para com a Doutrina Espírita, antes
mesmo dos próprios interesses profissionais, dando a colaboração desinteressada aos Centros
Espíritas, na execução do Evangelho de Jesus, ao invés de criarmos associações classistas, a
exemplo do Espírito Patrícia, com “A Casa do Escritor”, uma “colônia” espiritual verdadeiramente
elitista, objetivando congregar os “intelectuais” da Literatura Espírita, como seres privilegiados?

5 – Será que não estaríamos nos esquecendo do conselho de nossos Benfeitores Espirituais no
sentido de que, em matéria de estudo e trabalho, devemos estar unidos, a partir dos Centros
Espíritas, ajudando-nos uns aos outros, buscando a elevação de nossos raciocínios e sentimentos e,
principalmente, em nossos “Círculos de Estudos”, formados pela Juventude e Madureza
espiritistas, de diferentes segmentos sociais e profissionais, trocando idéias sob a ótica dos
conhecimentos e experiências de cada qual e pondo em prática o ensino dos Espíritos de que “os
mais fortes devem apoio aos mais fracos” – Emmanuel, já que estamos todos no mesmo barco, sob
a mesma bandeira da Terceira Revelação, e que “os discípulos de Jesus serão conhecidos por
muito se amarem”?

6 – Será que, a continuar assim, em breve não teremos outras associações classistas, congregando
outros profissionais do Direito, da Economia, da Assistência Social, etc, lembrando a formação de
verdadeiras “CASTAS”, com o esquecimento do ensino de Jesus de que “se uma casa estiver
dividida entre si mesma, não poderá subsistir” e que devemos valorizar os nossos Centros
Espíritas?

***

Este é o nosso questionamento fraterno, salvo melhor juízo de nossos companheiros.
Uberaba hospedou, há algum tempo, o Dr. Waldo Vieira que proferiu palestras e realizou cursos
sobre PROJECIOLOGIA, cujo conteúdo é a “Projeção Consciente”, isto é, o desdobramento
consciente da Consciência (Espírito), com vistas ao conhecimento da realidade extra-física, sem
intermediação mediúnica e sem qualquer vinculação a crenças religiosas.

Respeitando o novo posicionamento ideológico do Dr. Waldo Vieira, torna-se imperioso de
nossa parte, como articulista espírita, fazer uma apreciação crítica naquilo que afeta as bases
científicas da Religião Espírita, quando colocou a “Projeção Consciente”, pretensamente em nível
superior às manifestações mediúnicas.

E por que?

Porque o conhecimento da realidade extra-física, obtido conscientemente com o
desdobramento, estaria na dependência do “projetor”, sem necessidade de médiuns, intermediários.
Seria o conhecimento direto, pretensamente superior às “Revelações”, através dos médiuns.

É um posicionamento que respeitamos mas dele discordamos, porque sabemos que as
comunicações mediúnicas consubstanciam o “profetismo”, através do qual tivemos historicamente
as Revelações das coisas divinas, principalmente, agora com o Espiritismo. Este, pelas vias
mediúnicas, nos revela as Leis que governam o Princípio Espiritual.

São os Espíritos que compõem a falange do Espírito de Verdade que vêm revelar os ensinos
adequados ao nível evolutivo do homem e de acordo com suas necessidades espirituais,
submetendo-se tal “processo mediúnico” e tais ensinos ao controle científico, através da
metodologia kardequiana, isto é, da observação e experimentação (em condições especiais) e da
concordância universal dos referidos ensinos. Partiu o Espiritismo dos FATOS para a elaboração
da TEORIA.

E foi pelas vias mediúnicas, no cap. XXI, de “Mecanismos da Mediunidade” (psicografado
pelo Chico e o próprio Waldo Vieira) que tivemos o esclarecimento de que, se no desdobramento,
considerável número de pessoas efetuam incursões no Plano Espiritual, tornando-se preciosos
“instrumentos do Alto”, figurando-se entre esses médiuns os grandes Místicos da fé, portadores de
observações e revelações, não é menos certo que cada Espírito somente logra a chegar , do ponto
de vista da compreensão necessária, até onde se lhe paire o discernimento.

Além disso, esclarecem, ainda, os nossos Benfeitores Espirituais (“Nos Domínios da
Mediunidade”, cap. II, obra recebida apenas por Chico Xavier) que “raros Espíritos encarnados
conseguem absoluto domínio de si próprios, em romagem de serviço edificante fora do carro de
matéria densa”, fatos esses que demonstram as LIMITAÇÕES naturais dos que se propõem a tal
tipo de atividade. Daí, a advertência de MARTINS PERALVA: “No Espiritismo cristão, onde se
enxugam lágrimas e se abraçam almas revoltadas, é mais aconselhável a cooperação daqueles
que se desdobram com naturalidade, apenas com o concurso magnético dos Protetores
Espirituais.”

Além disso, os conhecimentos da Terceira Revelação não foram obra de encarnado algum,
mas dos Espíritos, obtidos com o emprego da metodologia kardequiana, conforme já mostramos
acima, enquanto que qualquer conhecimento conquistado pelo “PROJETOR CONSCIENTE” terá
naturalmente as LIMITAÇÕES decorrentes de sua posição evolutiva e daquelas outras que se
relacionam com conhecimentos que não podem, ainda, ser revelados ao homem, em virtude de seu
atraso espiritual, conforme nos mostra o Espírito ANDRÉ LUIZ, em suas obras. Tudo isto sem
esquecer a possibilidade de cairmos num processo obsessivo, vítima da fascinação provocada por
nossos adversários e inimigos espirituais, quando desprezamos o auxílio extraordinário que temos
através da PRECE, dispensada na projeciologia, e do concurso magnético dos Protetores
Espirituais.

Disse Jesus que “pelos frutos os conhecereis”, recebendo tal ensino a interpretação sábia de
Emmanuel, em “Caminho, Verdade e Vida”, cap. 122, dizendo que “o mundo atual, em suas
elevadas características de inteligência, reclama frutos para examinar as sementes dos
princípios”. Com o Espiritismo, o Consolador Prometido por Jesus, temos os frutos da Sabedoria e
do Amor, através da ação evangélica de seus adeptos e de vidas missionários, a exemplo de CHICO
XAVIER.

E, em relação à Projeciologia, que busca apenas a serenidade, a felicidade pessoal do
“projetor”, que frutos de solidariedade humana pode oferecer à humanidade, senão a serenidade do
“Mar Morto”, conseguida à custa de uma indiferença culposa?!

*******
O “DIA INTERNACIONAL DA MULHER” traz-nos à meditação o MOVIMENTO
FEMINISTA, que objetiva a sua LIBERTAÇÃO do preconceito social de uma pretensa
superioridade do homem sobre a mulher, com suas vitórias e desacertos, face ao entendimento que
se tem de suas reais funções na Sociedade.

Nesse sentido, o posicionamento da Codificação Kardequiana é muito claro, quando, muito
antes de quaisquer reivindicações feministas, ofereceu sábias diretrizes, conforme registramos em
“ATUALIDADE DE KARDEC”, 2º volume de “BASES DO ESPIRITISMO”.

(...) “para uma legislação ser perfeitamente justa deve consagrar a igualdade de direitos entre o
homem e a mulher? (Q. 822-a – LE)

- De DIREITOS, sim; de FUNÇÕES não. É necessário que cada um tenha um lugar determinado;
que o homem se ocupe de fora e a mulher do lar, cada um segundo a sua aptidão. A lei humana,
para ser justa, deve consagrar a igualdade de direitos entre o homem e a mulher, todo privilégio
concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher segue o progresso da
civilização, sua escravização marcha com a barbárie.”

Como se vê, tem a mulher os mesmos direitos que o homem, todavia, não tem as mesmas
funções; “os direitos são conquistas sócio-culturais, e as funções são exteriorizações qualitativas
advindas do biopsiquismo e diferenciam decisivamente os homens das mulheres”, conforme nos
mostra Nancy Puhlmann Di Girólamo em sua fala na obra “A MULHER NA DIMENSÃO
ESPÍRITA”.

Nesse sentido, ainda, Herculano Pires diria que “O Livro dos Espíritos”, há mais de cem
anos, indicava a solução exata do problema feminino: IGUALDADE DE DIREITOS e
DIVERSIDADE DE FUNÇÕES. E mais ainda que o feminismo adquire à luz desse princípio: “A
mulher não deve ser imitadora e competidora do homem, mas a sua companheira de vida, ambos
mutuamente se completando na manutenção do lar, que é a célula básica da estrutura social.” (De
sua Nota à questão 822-a de “O Livro dos Espíritos”).

E poderíamos reproduzir, para ilustrar, trecho de uma dissertação espírita do Codificador,
na “REVISTA ESPÍRITA” de 1867, quando ele nos fala sobre o verdadeiro feminismo:
“Se as mulheres têm direitos incontestáveis, a Natureza tem os seus, que não perde nunca. Em
breve, elas se cansarão dos papéis que não são seus. Deixa-as, pois, reconhecer pela experiência sua
insuficiência nas coisas às quais a Providência não chamou. Ensaios infrutíferos as reconduzirão
forçosamente ao caminho que lhes é traçado, caminho que pode e deve ser alargado, mas que não
pode ser desviado, sem prejuízo para elas próprias, atingindo a influência toda especial que elas
devem exercer. Reconhecerão que só terão a perder na troca, porque a mulher de atitudes muito
viris jamais terá a graça e o encanto que consiste a força daquela que sabe ficar mulher.”

E nós poderíamos concluir com o pensamento de EMMANUEL, em “O
CONSOLADOR”, questão 67: “Se existe um feminismo legítimo, esse deve ser o da reeducação da
mulher para o lar, nunca para uma ação contraproducente fora dele.”

E nem se fale que tal entendimento é “quadrado”, conservador, reacionário, pois, a
Doutrina dos Espíritos é UNIVERSAL e ETERNA, valendo seus conceitos e ensinos para todos
os tempos e lugares, sendo certo que, se hoje a mulher está ocupando espaços não compatíveis
com suas funções, amanhã, passada a fase turbulenta, marcada pelas diretrizes materialistas,
estará ocupando seu legítimo lugar, em plena harmonia com suas verdadeiras funções, agora
ampliadas, conforme ANDRÉ LUIZ nos mostra no capítulo XX de “NOSSO LAR”,
desenvolvendo o pensamento kardequiano:

“A mulher não pode ir ao duelo com os homens, através de escritórios e gabinetes, onde se reserva
atividade justa ao espírito masculino. (...) Existem nobres serviços de extensão do lar, para as
mulheres. A enfermagem, o ensino, a indústria do fio, a informação, os serviços de paciência
representam atividades assaz expressivas. O homem deve aprender a carrear para o ambiente
doméstico a riqueza de suas experiências, a mulher precisa conduzir a doçura do lar para os labores
ásperos do homem. Dentro de casa, a inspiração; fora dela, a atividade. Uma não viverá sem a outra.
Como sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água da fonte sem o leito do rio?”

EM SÍNTESE:

Foi com JESUS que começou o legítimo feminismo, como nos ensina EMMANUEL,
através de Francisco Cândido Xavier: “Não aquele que enche as mãos de suas expositoras com
estandartes coloridos das ideologias políticas do mundo, mas que lhes traça nos corações diretrizes
superiores e santificantes.” (“MÃE” – “O Evangelho e a mulher”)

“Ao levantar a mulher decaída em plena praça pública, indicou claramente, as injustiças do
coração masculino, cristalizado durante milênios, no egoísmo. Com o Mestre começamos a
apreender que em questões de sexo ninguém erra sozinho.”

“AQUELE QUE ESTIVER SEM PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA.” Dizendo isso Jesus
afrontou a própria lei da época em defesa da mulher. Colocou-a em pé de igualdade com o homem.
O que era uma coisa inusitada. Piedosas e devotadas mulheres saltam das páginas dos Evangelhos,
como seguidoras fiéis de Jesus. Na verdade, ninguém respondeu com tanta lealdade e veemência
aos apelos celestiais.”

Retratando o mundo atual, nos diz JAIR PRESENTE, através de Chico Xavier:

Vi hoje um quadro chocante
Que a minha cuca rescalda:
Mulher varrendo avenida
E homem lavando fralda.
Já tivemos oportunidade de abordar a questão da doação de órgãos e tecidos para fins de
transplante e tratamento, sob a ótica espírita, e isto em vários periódicos nacionais. E dissemos que,
apesar de contestada por várias correntes religiosas, pela OAB, pelo Conselho Federal de Medicina
e Conselho Nacional de Saúde, foi aprovada a Lei que disciplina a doação de órgãos e tecidos para
fins de transplante e tratamento, a partir da constatação da “morte cerebral”, com as alterações
referentes à permissão de familiares no caso de ausência de manifestação do paciente, bem como
para a comercialização de órgãos e tecidos para atender às necessidades da Medicina salvacionista.

Voltamos ao assunto, em função dos pronunciamentos , a respeito da matéria, feitos pela
maior “antena psíquica” do Século, nosso querido Chico Xavier, pronunciamentos esses que
consubstanciam uma autêntica lição de Amor e Sabedoria para todos nós.

E para embasá-los partimos do pressuposto de que ninguém em sã consciência pode ser
contrário à DOAÇÃO VOLUNTÁRIA de órgãos e tecidos, principalmente nós, os espiritas, que
temos a III. Revelação exaltando o Amor, a Caridade, a Solidariedade, como condições de nossa
elevação espiritual.

Nesse sentido, o nosso companheiro e médium Chico Xavier teve oportunidade,
respondendo ao questionamento sobre se o espírita deve doar as suas córneas, de dizer que
“sempre que a pessoa CULTIVE DESINTERESSE ABSOLUTO EM TUDO AQUILO QUE
ELA CEDE PARA ALGUÉM, sem perguntar ao beneficiado o que fez da dádiva recebida,
sem desejar qualquer remuneração, nem mesmo aquela que a pessoa humana habitualmente
espera com o nome de compreensão, sem aguardar gratidão alguma, isto é, se a pessoa chegou
a um ponto de evolução em que a noção da posse não mais a preocupa, esta criatura está em
condições de dar, porque não vai afetar o perispírito em coisa alguma.

“Se a pessoa tiver qualquer apego à posse, inclusive dos objetos, das propriedades, dos afetos,
ela não deve dar, porque ela se perturbará.” (“CHICO, DE FRANCISCO” _ de Adelino da
Silveira e constante também de “Lições de Sabedoria”, publicado pelo jornal “Folha Espírita”).

Nesse sentido, ainda, lembramos a respeito de doação feita a nível de desprendimento , da
mensagem de Vladimir Cesar Ranieri, levado ao suicídio por hipnose de criaturas espirituais, onde
relata que, tendo doado sua córnea , fez-se CREDOR da caridade espiritual, quando diz, na referida
mensagem ,constante do livro “Amor e Saudade”, recebida por Chico Xavier, que: ... “as preces de
uma pessoa que se beneficiara com a córnea que doei ao Banco de Olhos se haviam
transformado para mim num pequeno tampão que, colocado sobre o meu peito no lugar que o
projétil atingira, fez cessar o fluxo do sangue imediatamente.”

Assim, se somos favoráveis à doação voluntária, a questão muda de figura quando se analisa
a Lei de Doação de órgãos e tecidos em termos de OBRIGATORIEDADE, para todos os que não se
manifestarem contrários em documentos hábeis, com a expressão “NÃO DOADOR DE ÓRGÃOS
E TECIDOS”. É o chamado “CONSENTIMENTO PRESUMIDO”. Isto é, não havendo
manifestação contrária por escrito do doador, AUTOMATICAMENTE presume-se que houve a
doação de todos os seus órgãos, corporificando o adágio popular: “QUEM CALA, CONSENTE!”
Dessa forma, se é válida a doação voluntária, por expressar um ato de caridade, com
desprendimento total do doador, não podemos aceitar a forma disciplinada em LEI, em razão da
ausência de consentimento do doador, porque isto contraria preceito constitucional, em termos de
liberdade, dignidade e privacidade do cidadão, e ainda mesmo que tal lei tenha disciplinado a
doação com a permissão dos familiares, no CASO DA AUTORIZAÇÃO PRESUMIDA do
paciente, conforme se pode ver da alteração ocorrida na citada Lei.

Há que considerar, inicialmente, a questão da OBRIGATORIEDADE, vez que tal
disponibilidade do corpo somente seria aceitável e digna de respeito na DOAÇÃO
VOLUNTÁRIA, revelando DESPRENDIMENTO MATERIAL do paciente, mas nunca de forma
obrigatória, com ofensa aos direitos fundamentais do homem, inclusive. Aliás, DOAÇÃO e
OBRIGATORIEDADE consubstanciam uma CONTRADIÇÃO , pois são termos que se repelem.

Além disso, temos fortes RAZÕES SOCIAIS que não autorizam tais doações e que estão
presentes nos PERIGOS e RISCOS na implantação obrigatória, propiciando “INTERESSES
ESCUSOS”, materiais, na área dos transplantes, muitas vezes conseguidos ilegalmente através dos
seqüestros ou do tráfico dos órgãos e tecidos. É, como disse J.B. GARCIA, em
“DEPOIMENTOS”, a possibilidade de perigos e riscos na implantação obrigatória como “
DISPUTA por órgãos humanos, a começar de “mortes cerebrais” que poderão ser
“DECRETADAS” SOB ENCOMENDA e a preço de ouro, ensejando a “FÚRIA DOS
DESMANCHES”, já que os órgãos podem ser aproveitados em torno de , no máximo, apenas seis
horas.

Acrescente-se a isto o FATO de que a lei autoriza a COMERCIALIZAÇÃO de tais órgãos
e tecidos, propiciando também “interesses inescrupulosos”, principalmente junto à comunidade
pobre. Teríamos, ainda e principalmente, FORTES RAZÕES DOUTRINÁRIAS já que o
DESLIGAMENTO da vida material, na MAIORIA DOS ENCARNADOS, não se processa de
pronto, mas LENTAMENTE e de acordo com o nível evolutivo das criaturas humanas, conforme se
pode ver na Questão l55a, de “O Livro dos Espíritos”; da obra mediúnica de Chico Xavier, como
“Obreiros da Vida Eterna”, com o caso de CAVALCANTE; “Instruções Psicofônicas”, com “Uma
Lição”, do Espírito JOAQUIM que se dizia molestado por fortes jatos de água fria, alegando ainda
estar sendo DISSECADO VIVO numa aula de anatomia. Aliás, Emmamuel, em “O Consolador”,
recomenda que, .no caso de cremações, seja observado o prazo mínimo de setenta e duas horas após
a desencarnação, com vistas ao desligamento da matéria.

Ressaltemos, por oportuno, a colocação do médium Francisco Cândido Xavier no sentido
contrário à Lei de Doação de órgãos e tecidos, embora respeitando o nosso legislador, por
considerá-la sem respaldo divino e de inspiração materialista, revelando desconhecimento ou a não
aceitação da realidade do Espírito imortal e as condições de desligamento da vida material, após a
morte do corpo físico, lembrando que tal separação não se consegue rapidamente pela maioria dos
encarnados, mas lentamente e de acordo com o nível evolutivo das criaturas humanas. A
irreversibilidade da “morte cerebral” não impede que muitos seres continuem ligados ao seu corpo
físico, sofrendo os efeitos dolorosos, ocasionados pelos transplantes.

Por outro lado, contou um fato que se deu em Pedro Leopoldo, com d. CHIQUINHA que,
cega de um olho ,foi levada pelos seus filhos Nhonhô, Antoninho e d. Baipa, ao Dr. Hilton Rocha,
de Belo Horizonte, que fez o transplante da córnea, extraída de pessoa recém–desencarnada, vindo
aquela senhora a enxergar novamente. Acontece, todavia, que d. Chiquinha começou a entrar num
processo de desespero, chegando até à profunda depressão, pedindo que tirassem a córnea
implantada, pois a mesma estava trazendo-lhe sofrimento intenso, preferindo ficar cega novamente,
no que foi atendida pelo Dr. Hilton Rocha, depois de consultados dois psiquiatras, explicando o
nosso médium que, no caso, houve interferência negativa do Espírito desencarnado, reivindicando
de d. Chiquinha a sua córnea. Chico Xavier terminou por dizer que já havia colocado em sua
carteira de identidade a expressão: “NÃO DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS”.

Assim, não é verdadeira a afirmativa constante do Boletim “Busca e Acharás”, de que os
Espíritos defendem, indiscriminadamente, a doação de órgãos, conforme disciplina a Lei, baseado
tal entendimento numa mensagem do jovem Roberto Igor Porto Silva, cujo coração foi
transplantado por determinação de sua irmã Magali, para o corpo de Ari Vacari Zagar, mensagem
esta recebida por Chico Xavier e constante de “VOZES DA OUTRA MARGEM”, cap. 3, e isto
porque, se o Espírito daquele jovem desculpou sua irmã dizendo de sua alegria pelo transplante
feito, revelando desprendimento, O MESMO NÃO ACONTECE COM A MAIORIA DOS
ESPÍRITOS ENCARNADOS, CUJO DESLIGAMENTO DA VIDA MATERIAL SE
PROCESSA LENTAMENTE, devido ao apego à vida material. E Chico Xavier, lendo tal
Boletim, se posicionou contra o entendimento gerado pela referida mensagem, dizendo:

“A minha mediunidade, a minha vida, dediquei à minha família, aos meus amigos, ao povo. A minha
morte é minha. Eu tenho este direito. Ninguém pode mexer em meu corpo, ele deve ir para a mãe
terra.” Francisco Cândido Xavier/Uberaba, 05 de maio de 1998, em sua residência.

Gostaríamos de terminar a nossa fala, dizendo que poderia parecer estranho tais
posicionamentos do referido médium, colocando-se numa atitude de preservação do seu corpo,
uma vez que Chico Xavier é para nós, um Espírito Superior, capaz de grandes sacrifícios e de,
principalmente, doar voluntariamente seus órgãos e tecidos, com natural desprendimento da
matéria. Acreditamos nós que, a par de sua HUMILDADE, colocando-se como um ser ainda
bastante imperfeito, igual à maioria dos encarnados, não estaria ele defendendo a Sociedade dos
possíveis riscos e abusos que a implantação de órgãos e tecidos poderia acarretar–lhe, por parte de
pessoas inescrupulosas ou com “interesses escusos”?! Também não poderia estar nos alertando
sobre a realidade de nosso APEGO À MATÉRIA, em razão do nosso profundo desconhecimento
das RELAÇÕES entre Espírito e Corpo, na desencarnação, apesar de ter o Espiritismo lançado
muita luz a respeito?!

Ainda, em outra ocasião, diria o nosso querido médium, demonstrando profunda humildade,
por se colocar em pé de igualdade com seus semelhantes, diria: “ora, não estamos preparados
para a doação, nossos órgãos, as terminações nervosas, continuam ligados ao corpo durante
muitas horas após a morte, pois a separação é lenta. Muitos continuam ligados ao corpo
durante dias, meses e até anos, por isso sou contra a doação.” Um dos presentes, não satisfeito,
interpela: _ E isto não é falta de caridade? Ao que Chico responde: “_ CARIDADE A GENTE
TEM A VIDA INTEIRA PARA FAZER. No meu caso presente, procurei trabalhar mais de
setenta anos na atividade mediúnica . Penso que serve para alguma coisa o esforço
despendido!”

E concluiria o médium, com muita propriedade:
“_ Portanto, não é falta de caridade colocarmos em nosso documento de identidade a
expressão “NÃO DOADOR” , isto, conforme ficou dito, POR NÃO ESTARMOS
PREPARADOS PARA TANTO. Eis que temos a existência toda para estarmos em sintonia
com Nosso Senhor Jesus Cristo, NO EXERCÍCIO DA CARIDADE.” (do livro “CHICO
XAVIER – Fonte de Luz e Bênçãos” , de autoria de Urbano T. Vieira e Dirceu Abdala)

De qualquer forma uma coisa é certa: Chico Xavier, com suas colocações, nos brindou com
verdadeira LIÇÃO de Sabedoria e Amor , ao tratar da questão abordada, revelando-se, uma vez
mais, um MISSIONARIO de DEUS na Terra, ficando para todos nós cuidadosa meditação .
O Espiritismo tem na MEDIUNIDADE um dos seus pilares (aspecto científico), ao lado da
REENCARNAÇÃO (aspecto filosófico) e do EVANGELHO (aspecto religioso), formando um
triângulo divino, objetivando a “iluminação do Espírito” pela elevação dos raciocínios e dos
sentimentos (Emmanuel). Daí não podermos amputar qualquer desses aspectos, sob pena de
agressão à própria Doutrina dos Espíritos. É claro que podemos supervalorizar um aspecto, como é
o caso do RELIGIOSO, pois como disse Emmanuel, a Ciência e a Filosofia são MEIOS e o
Evangelho é o FIM. Todavia, o que não podemos fazer é negar a existência, a validade e a eficácia
dos aspectos científico e filosófico.

Dessa forma, pretender negar a MEDIUNIDADE, retirando dela a validade e eficácia de
suas práticas, é revelar total desconhecimento das bases proféticas das Revelações, notadamente a
Espírita, que nasceu calcada nas comunicações dos Espíritos, através das suas variadas formas de
atuação, de manifestação, consubstanciando as diversas faculdades mediúnicas.

Diga-se de passagem, por outro lado, que a natureza profética ou mediúnica das Religiões, é
sustentada por ANDREW LANG e ERNESTO BOZZANO, citados por Herculano Pires, em sua
obra “O Espíritos e o Tempo”, sendo certo que as três Revelações vieram pelas vias mediúnicas.

Evidentemente, não estamos aqui para justificar a natureza mediúnica das Religiões, pois é
nosso propósito _ isto sim _ chamar a atenção para um fato lamentável que está ocorrendo no
interior de São Paulo, isto é, a idéia de que as Casas Espíritas devem abandonar as PRÁTICAS
PASSISTAS, com vistas às curas espirituais, sob a alegação de que os SADIOS não precisam de
receber as bênçãos do passe, mas somente os DOENTES, acamados, procurando, assim,
suprimir a aplicação dos passes para os freqüentadores normais de um Centro Espírita.
Ora, tal entendimento é simplesmente deplorável, revelando ignorância das verdades que o
aspecto científico do Espiritismo nos revela.

Na verdade, quem tem noções básicas da Mediunidade curadora, notadamente, sabe que o
“corpo espiritual” (perispírito) está sujeito a influenciações energéticas positivas ou negativas,
principalmente essas últimas, dada a natureza inferior de nosso Planeta, por parte de encarnados e
desencarnados, alterando, assim, o equilíbrio psico-somático da criatura humana. Daí as obsessões,
os desequilíbrios, as enfermidades que nos dão notícias os nossos consultórios médicos e as Casas
Espíritas, onde os doentes buscam o alívio e a terapêutica material e espiritual para os seus males.

Aliás, é de se perguntar, como já foi feito em nossa imprensa espírita, por inúmeros
confrades: Que autoridade espiritual teria um dirigente de nossas Casas Espíritas para dizer
que tal ou qual pessoa não tem necessidade de receber passe? Que essa ou aquela criatura
humana está bem, que é total o seu equilíbrio, principalmente se levarmos em consideração a
problemática existencial em que se encontra a Terra, situada na Escala dos mundos, como
um planeta de “provas e expiações”?

Nesse sentido, já o disse alguém, com muita propriedade, que a divulgação de tal idéia
revela não apenas o desconhecimento doutrinário de um dos postulados fundamentais do
Espiritismo, mas, sobretudo, uma irresponsabilidade total no tratamento da questão, podendo gerar,
inclusive, o entendimento da própria desnecessidade das práticas mediúnicas de maneira geral.

É possível que os que querem acabar com a prática da aplicação dos passes em nossas Casas
Espíritas, devem estar preocupados com os chamados “papa-passes”, aparentemente sem
problemas, que diariamente procuram receber passes. Ora, é de se perguntar também se esses
irmãos não são igualmente necessitados espiritualmente.

É fácil detectar a ação das Trevas, no caso presente, procurando neutralizar o trabalho dos
Espíritos junto aos homens, principalmente na questão das curas espirituais, as mesmas curas que
“dão testemunho do poder de Jesus”. É bom recordar, aqui, o ensino de Allan Kardec, em “A
Gênese” (Cap. XV, item 26) , abordando essa questão:

“Jesus ia por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino
e curando todas as fraquezas e todas as moléstias por entre o povo.”

Kardec ressalta, no item 27 do mesmo capítulo, que a grande finalidade de tais curas era
provar que o VERDADEIRO PODER ERA DO BEM e que o objetivo de Jesus era o de se
TORNAR ÚTIL, subjugando a si as pessoas pelo CORAÇÃO.

***

O que nós precisamos é estudar mais, é ter mais humildade nas práticas mediúnicas e
deixarmos para a Espiritualidade Superior o resultado e a avaliação de nossas atividades curadoras,
em favor do próximo.

Na verdade, tudo isto revela a falta de aplicação da recomendação do Espírito de Verdade:
“Espíritas: amai-vos – eis o primeiro ensinamento; instruí-vos – eis o segundo.”

***
O que nós precisamos lembrar aqui é o exemplo dos nossos médiuns curadores aqui em
Uberaba, onde pontificaram um JOAQUIM CASSIANO, ADELINO DE CARVALHO, BENTO
POLVEIRO, D. RUFINA, PROF. CHAVES, JOÃO e LÁZARO, JOÃO URZEDO,
ANTÔNIO
LOGOGRIFO, D. MARIA OLINA RITA, entre outros, e regionalmente, citando apenas
alguns, como EURÍPEDES BARSANULFO, D. MECA, MARIANO DA CUNHA, FREDERICO
PEIRÓ.

Particularmente, citaríamos uma ANTUSA FERREIRA MARTINS, sobre a qual Chico
Xavier teceu expressivas considerações, afirmando, entre outras coisas, que ela “TRAZIA O
REMÉDIO NAS MÃOS”.

A propósito, lembraríamos que vemos em Antusa - com a qual tivemos a felicidade de
trabalhar por mais de trinta anos - um dos maiores médiuns que conhecemos, em matéria de
CURAS e OPERAÇÕES ESPIRITUAIS. Ela aplicava tão somente, através de suas inúmeras
faculdades mediúnicas, a terapêutica da PRECE, da ÁGUA FLUIDIFICADA, do PASSE, das
PRÁTICAS DESOBSESSIVAS e dos DESDOBRAMENTOS CONSCIENTES, operando
“prodigiosa maravilhas”, sem necessidade de competir com as ciências do mundo para demonstrar a
realidade do Espírito, sem questionar a necessidade ou não da aplicação dos passes e sem
sansacionalismo, observando sempre a pureza doutrinária, apesar de suas limitações físicas, (ela era
surda e muda).

Antusa sabia da finalidade providencial do Espiritismo nas curas – porque aprendera com
EURÍPEDES BARSANULFO, com quem convivera por alguns anos. Todos aqueles que a
conheceram ou que com ela conviveram têm convicção de que ela cumpriu muito bem a tarefa que
a Espiritualidade lhe confiou! Foi isto sim, um dos grandes médiuns do Triângulo Mineiro!

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Às vésperas do início do IIIº Milênio, quando se encontra entre nós, e isto desde o Século
passado, a Terceira Revelação de Deus aos homens, objetivando reviver o Cristianismo na Terra,
em bases científicas e filosóficas, com vistas a embasar a transformação moral do Homem , por
oferecer-lhe a certeza da imortalidade da alma, da Vida Futura e da Bondade e Justiça divinas,
presentes em suas LEIS sábias, é que meditamos na beleza e na importância do Espiritismo como a
VISÃO religiosa mais RACIONAL e OTIMISTA da Vida.

Ainda, além de nos demonstrar a verdade da tese imortalista, oferece-nos uma concepção do
Mundo e do Universo sob a égide do “DETERMINISMO DO BEM E DO AMOR” (Emmanuel),
isto é, com um SENTIDO TELEOLÓGICO, objetivando a PERFEIÇÃO de tudo, sendo o
Espiritismo a “ALAVANCA de que Deus se serve para ELEVAR a Humanidade , fazendo o
Homem compreender que SÃO CHEGADOS OS TEMPOS EM QUE AS IDÉIAS MORAIS
DEVEM DESENVOLVER-SE para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de
Deus” ( “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo I, item 9), cumprindo-se a afirmativa do
Espirito Israelita: “FOI MOISÉS QUEM ABRIU O CAMINHO; JESUS CONTINUOU A OBRA;
O ESPIRITISMO A CONCLUIRÁ”. Isto significa que a Revolução que se prepara é mais MORAL
do que material !

Essas considerações iniciais são para lembrar que não têm razão as “aves de mau agouro”,
vaticinando o “fim do mundo”, com base em diversas “Profecias”, às vésperas do III Milênio,
mostrando-nos um quadro do “final dos tempos”, com todas as espécies de calamidades, catástrofes,
inclusive com a possibilidade de destruição da Terra, em razão da maldade do Homem.

Com isso, estão gerando o medo e a falta de confiança em Deus, com total desesperança em
dias melhores e aumentando a inquietação, a insegurança, a angústia, a instabilidade emocional,
bem como retirando das criaturas a vontade de viver e trabalhar.

Nesse sentido, o Codificador teve oportunidade de afirmar em “A GÊNESE” (Capítulo
XVIII, “Sinais dos Tempos”, item 5) que na Terra haverá, isto sim, uma GRANDE
TRANSFORMAÇÃO, mas de ORDEM MORAL , já que os homens muito realizaram no campo
intelectual, restando-lhes, agora, um imenso progresso: É O DE FAZER REINAR ENTRE ELES A
CARIDADE, A FRATERNIDADE E A SOLIDARIEDADE PARA ASSEGURAR O BEM –ESTAR
MORAL!...

Questiona Allan Kardec em “A Gênese”, cap. XVII, item 58: Será que, predizendo a sua
segunda vinda, era o fim do mundo o que Jesus anunciava, dizendo: “Quando o Evangelho for
pregado por toda a Terra, então é que virá o fim?”

“ Não é racional – continua Kardec - se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando
ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos. Nada, aliás, nas
palavras do Cristo, indica uma destruição universal que, em tais condições, não se justificaria. É,
pois, o fim do mundo velho, do mundo governado pelos preconceitos, pelo orgulho, pelo egoísmo,
pelo fanatismo, pela incredulidade, pela cupidez, por todas as paixões pecaminosas...”
Entrevistado sobre se acreditava no “Fim do Mundo”, em guerras apocalípticas, com todas
as suas conseqüências, Chico Xavier simplesmente respondeu :

“ Eu acredito, isto sim, no fim das iniquidades !

Eu acredito no livre-arbítrio do Homem que
pode mudar o seu destino !

Eu acredito na bondade e na misericórdia de
Deus “

Chico Xavier

É evidente que a Terra poderá sofrer modificações físicas parciais, destinadas a manter o seu
equilíbrio, mas a grande transformação será de natureza MORAL.

Dessa forma, o Espiritismo é a Religião que nos oferece a visão mais otimista, racional e
consoladora que o mundo recebe, injetando em nossas veias espirituais a fé em Deus, a serenidade,
a paz e a esperança, bem como a certeza de que, haja o que houver, JESUS está no leme,
garantindo o futuro da embarcação, conduzindo-nos para um “novo céu” e uma “nova terra” !

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Ao longo dos anos escrevemos as páginas que se seguem, sendo
algumas já conhecidas, outras ainda inéditas, todas buscando
desenvolver idéias e pensamentos doutrinários, através de fatos,
eventos ou acontecimentos que lembram a aplicação dos postulados
espíritas, desdobrados pela obra mediúnica de CHICO XAVIER, em
sintonia com JESUS e KARDEC.
Os Espíritos da Codificação nos apresentam o Espiritismo como o Cristianismo redivivo, isto é,
a mesma Doutrina legada por Jesus, com a qual se identifica perfeitamente em todos os seus
fundamentos. Todavia, há quem conteste tal postura alegando não ser o Espiritismo uma Doutrina
Cristã, por considerá–la apenas do ponto de vista científico–filosófico, sem qualquer conotação
religiosa. Poderíamos questionar novamente: é o Espiritismo uma Doutrina religiosa, isto é, de
bases cristãs? Existiria alguma falta de identificação entre o Espiritismo e o Cristianismo?

Se analisarmos com profundidade as bases do Espiritismo, verificamos que elas são as mesmas
do Cristianismo, sendo aquele, portanto, uma doutrina cristã por excelência, como demonstra Allan
Kardec, principalmente, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

O erro de apreciação que muitos cometem, em não aceitando o Espiritismo de natureza
evangélica, se prende às falsas interpretações das Revelações Divinas, feitas pelos pretensos
representantes de Deus na Terra, bem como se prende ao conceito de Religião, entendida
tradicionalmente como organização hierárquica, culto exterior, na base de práticas ritualísticas,
formalistas, de intermediação como condições para a salvação da criatura humana, quando a
Codificação Kardequiana abraça o VERDADEIRO CONCEITO que é o da MORALIDADE, DO
CULTO INTERIR, DO SENTIMENTO DIVINO que prende a criatura ao Criador. Em outros termos,
um SISTEMA DE CRESCIMENTO DA ALMA PARA CELESTE COMUNHÃO COM O ESPÍRITO
DIVINO” (“Roteiro”/Emmanuel). É o mesmo conceito colocado por Emmanuel, em “PAULO E
ESTÊVÃO”, quando nos fala que a grande finalidade do Cristianismo é a “ILUMINAÇÃO DO
ESPÍRITO”, sem intermediação de pessoa e coisa. É Religião do “Culto Interior”, que objetiva
“RELIGAR” a criatura ao Criador pela sua transformação moral e a prática do Bem, do Amor, da
Caridade, corporificando o ensino de JESUS “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como
a si mesmo”!

Diga-se de passagem, que todas as obras recebidas, mediunicamente, por Francisco Cândido
Xavier, atestam a perfeita identificação entre Espiritismo e Cristianismo, notadamente “PAULO E
ESTÊVÃO”, “AVE, CRISTO!”, “HÁ 2.000 ANOS...”, “50 ANOS DEPOIS”, “RENÚNCIA”, onde
os CONCEITOS emitidos pelos personagens exprimem essa identificação . Particularmente, as obras
tidas de interpretação dos textos evangélicos por Emmanuel são uma eloqüente demonstração de que
o Espiritismo busca, essencialmente, o sentido e o alcance de tais textos, comprovando a sua
concordância com a Boa Nova do Cristo.

Que o Espiritismo se IDENTIFICA totalmente com o Cristianismo, não resta a menor dúvida.
Na verdade, é o Espiritismo o CONSOLADOR prometido por Jesus, para reviver os seus ensinos em
“espírito e verdade”, restaurando a sua Doutrina em toda a sua pureza primitiva e simplicidade. Como
negar, portanto, a sua natureza cristã, conforme se pode ver de suas bases doutrinárias, perfeitamente
identificadas?!

Dessa forma, temos a PERFEITA IDENTIFICAÇÃO do Espiritismo com o Cristianismo,
através da presença da MEDIUNIDADE, exaltada e glorificada por JESUS – o “MÉDIUM DE
DEUS”, nas suas variadas formas de Efeitos Físicos e Inteligentes, sendo considerados os
“fenômenos” que produziu como “milagres” , pela ausência de melhor entendimento e que somente a
III Revelação – o Espiritismo – viria esclarecer, apontando-os como fenômenos naturais, regidos por
LEIS até então desconhecidas, comprovando a NATUREZA PROFÉTICA das três Revelações.

Estão, igualmente, identificados o Espiritismo com o Cristianismo quando ensinam a
PREEXISTÊNCIA E A SOBREVIVÊNCIA DA ALMA, com a conseqüente
COMUNICABILIDADE DOS ESPÍRITOS, dando ensejo que João Evangelista recomende “Não
acrediteis em qualquer Espírito, mas vede se os Espíritos são de Deus.” Aliás, toda fase histórica do
Cristianismo primitivo está repassada pela ocorrência das manifestações mediúnicas.

Essa IDENTIFICAÇÃO prossegue relativamente aos ENSINOS DE JESUS, como o da
PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS (REENCARNAÇÃO), presente no célebre diálogo com
Nicodemus, bem como no esclarecimento feito por Jesus sobre o retorno de Elias como João Batista e
em outras passagens da Boa Nova. Ainda, registraríamos a afirmativa de Jesus referente às “MUITAS
MORADAS NA CASA DO PAI” (PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS). Confirma-se
também a identificação do Espiritismo com o Cristianismo quando consagram o princípio da
PATERNIDADE UNIVERSAL, ensinado por Jesus como fundamento do Amor, da Caridade e Justiça
Divina, através de um EVOLUCIONISMO REENCARNACIONISTA.

E do ponto de vista RELIGIOSO, propriamente dito, a IDENTIFICAÇÃO é ainda maior
quando a LEI DO AMOR se corporifica nas recomendações e ensinos de Jesus, através das várias
passagens da vida do Mestre, das Sentenças e Parábolas, onde se conclama o Homem à prática da
Caridade, das Boas Obras, como da passagem do “Bom Samaritano”, sancionando a Lei Áurea:
“AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO.” E o
mesmo princípio estaria presente no lema divino do Espiritismo: “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ
SALVAÇÃO.” E nada melhor para comprovar ainda tal identificação do que recordar que as Leis
Morais, ensinadas por Jesus são as mesmas legadas pelos Espíritos na Codificação Kardequiana (Livro
III, de “O Livro dos Espíritos”), bem como os ensinos relacionados com a VIDA FUTURA , que
sabemos ser a PEDRA ANGULAR de todas as Religiões.
O Espiritismo se identifica também com o Cristianismo nas BEM-AVENTURANÇAS,
presentes no SERMÃO DA MONTANHA que resume e condensa todos os ensinos de Jesus,
relativamente ao AMOR, à FRATERNIDADE, à HUMILDADE, à BONDADE, ao PERDÃO, enfim,
às VIRTUDES CRISTÃS, melhor interpretadas em “espírito e verdade” pela Codificação,
notadamente em “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” e nas obras de
EMMANUEL/Francisco Cândido Xavier.

Tal IDENTIFICAÇÃO torna-se mais patente na CORPORIFICAÇÃO DOS ENSINOS DE
JESUS, isto é, nas PRÁTICAS ESPIRITISTAS, quando os seus adeptos procuram revivê-los na sua
PUREZA, SIMPLICIDADE e LIBERDADE, SEM CHEFIA HUMANA, nos Centros Espíritas,
recordando a “CASA DO CAMINHO” dos primitivos cristãos; na ausência do
“PROFISSIONALISMO RELIGIOSO”, como por exemplo na cobrança de pagamento por serviços
prestados em quaisquer de suas modalidades, buscando observar o preceito “Dai de graça o que de
graça recebestes”, colocando, assim, os INTERESSES ESPIRITUAIS acima dos interesses materiais;
na ASSISTÊNCIA FRATERNA aos mais necessitados, isto é, no SERVIÇO AO PRÓXIMO, em suas
variadas formas, conforme nos lembra TIAGO (1:27): “A religião pura e imaculada para com Deus,
o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do
mundo.”

Os que conhecem as OBRAS BÁSICAS de Allan Kardec, a inspirada obra de um LÉON
DENIS, notadamente, os extraordinários livros “DEPOIS DA MORTE” e “CRISTIANISMO E
ESPIRITISMO”, e ainda, a monumental OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER, que é Jesus e
Kardec de ponta a ponta, nestes setenta e três anos de mediunidade, que o Brasil inteiro reverencia,
constatam a total e completa IDENTIFICAÇÃO do Espiritismo com o Cristianismo, concluindo que o
Espiritismo não é mais uma Religião Cristã, mas sim, a RELIGIÃO CRISTÃ POR EXCELÊNCIA, o
que nos faz lembrar a fala de PAULO, no cap. XV, 10, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”,
quando afirma que “O VERDADEIRO ESPÍRITA E O VERDADEIRO CRISTÃO SÃO UMA E A
MESMA COISA”.

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Todas as Religiões repousam necessariamente sobre a crença na VIDA FUTURA, convergindo
seus princípios fundamentais para embasar tal realidade, sendo que o Homem religioso age no “aqui” e
“agora” em função dessa crença. Dessa forma, como diz Allan Kardec, a crença na Vida Futura é a
PEDRA ANGULAR de toda Doutrina Religiosa, cabendo a pergunta: “Por que motivo a maioria
trabalha mais pelo presente fugidio do que pelo futuro sem fim? É que a gente acredita na realidade
do presente e duvida do futuro. Ora, a gente só duvida daquilo que não compreende. Compreenda-se o
futuro – e tudo cessará” (Revista Espírita, 1862).

E nós sabemos que a crença na vida futura é o MÓVEL de todas as grandes conquistas morais
da alma e que, se a Humanidade não a teve por CERTEZA, foi devido única e exclusivamente às
Religiões tradicionais que geraram, pelos seus DOGMAS irracionais, “a TIRANIA DO MEDO ante às
sombrias perspectivas do além-túmulo”.

Na verdade, as Religiões tradicionais, no Ocidente, mostravam, como ainda mostram, um
QUADRO aterrador da VIDA FUTURA, com base na UNICIDADE da existência e na
DESTINAÇÃO ETERNA para um Céu beatífico, contemplativo e um INFERNO sem saída.

Com o Espiritismo, todavia, a VIDA FUTURA se torna uma CERTEZA, mudando,
inteiramente a maneira de encarar o Além-Túmulo, revelando o MUNDO DOS ESPÍRITOS, através
da descrição de seus próprios habitantes, que se valem da MEDIUNIDADE para mostrar a sua
CONDIÇÃO DE FELICIDADE ou INFELICIDADE relativas, com base no ensino de que “A CADA
UM SEGUNDO SUAS OBRAS” , esclarecendo que “nenhuma ovelha se perderá” e que todos um
dia alcançarão a PERFEIÇÃO, através das sucessivas vidas, com a prática do BEM, do AMOR, enfim,
do EVANGELHO de Jesus!

Assim, com a Doutrina Espírita, toda e qualquer INCERTEZA sobre a Vida Futura cessa,
dando o Espiritismo um golpe de morte no Materialismo pelo TESTEMUNHO dos que viveram na
Terra e continuam no MUNDO DOS ESPÍRITOS, e isto por provas irrecusáveis de que nos dá noticias
a MEDIUNIDADE em suas variadas formas.

Aí estão as OBRAS BÁSICAS de ALLAN KARDEC a nos oferecerem material suficiente,
como resultantes das comunicações entre os dois planos; aí está a extraordinária obra de KARDEC –
“O CÉU E O INFERNO”, mostrando-nos a real situação dos seres após a morte do corpo físico, ensino
que seria ampliado mediunicamente pela obra ciclópica de CHICO XAVIER! Aí estão as CARTAS de
familiares, constantes de dezenas de livros recebidos, de algum tempo a esta parte, por diversos
médiuns, trazendo-nos preciosos esclarecimentos sobre o mundo espiritual, e, sobretudo, AMPARO,
CONSOLO aos que ficaram na Terra sob o impacto da DOR da separação material, comprovando o
sentido altamente CONSOLADOR da Doutrina dos Espíritos, como a Religião da Sabedoria e do
Amor, explicando as VERDADES ETERNAS!...
E nós poderíamos recordar o insígne Codificador: “Como dissemos, a vida futura é o objetivo
essencial de toda doutrina moral. Sem a vida futura a moral não tem base. A VITÓRIA DO
ESPIRITISMO ESTÁ PRECISAMENTE NA MANEIRA PORQUE APRESENTA O FUTURO;
além das provas que dá, o quadro que pinta é tão claro, tão simples, tão lógico, tão conforme à
justiça e à bondade de Deus, que involuntariamente a gente diz: Sim, é assim mesmo que a coisa
deve ser, assim eu a tinha imaginado; e se não tinha acreditado, é porque me tinham ensinado de
outro modo” (Revista Espírita, 1862).

Com o Espiritismo, a certeza da Vida Futura passa a ser uma ESPERANÇA do Ser Humano,
oferecendo MOTIVAÇÃO para quem aspire a CORRIGIR-SE, a MELHORAR-SE, pois, como disse
EURÍPEDES BARSANULFO, em “A GRANDE ESPERA”, recebida por Corina Novelino, “a
esperança é flor miraculosa que perfuma o ideal conduzindo as almas aos jardins eternos do
encorajamento e da alegria...” Veja-se, ainda, a bela página de LÉON DENIS, na primeira parte da
sua obra “O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR”.

Finalmente, PAULO DE TARSO, dirigindo-se aos coríntios (15;13), teve oportunidade de
dizer: “E, se não há ressurreição de mortos, também o Cristo não ressuscitou”. Ratificando tal
entendimento, Emmanuel, em “Caminho, Verdade e Vida” (mensagem nº 68), obra recebida por Chico
Xavier, afirmaria que “somos compelidos a reconhecer que os negadores do processo evolutivo do
Homem Espiritual, depois do sepulcro, definem -se contra o próprio Evangelho”.

Daí, a grandiosidade da Doutrina dos Espíritos.

*********
Desde que a Igreja Universal, de Edir Macedo, tomou conta da TV Record, os seus pastores
atacam o Espiritismo, principalmente um dos seus pilares, que é a MEDIUNIDADE, atribuindo-a ao
“animismo” ou aos “demônios”, quanto à sua produção. Não nos move, nesta oportunidade, o intuito
de polemizar, mas apenas de ressaltar alguns aspectos que reputamos relevantes da fenomenologia
mediúnica, para refutar os nossos detratores religiosos.

A MEDIUNIDADE NÃO É CRIAÇÃO DO ESPIRITISMO
Em primeiro lugar, o Espiritismo no mostra que a mediunidade não é uma criação sua, porque
sempre existiu em todas as épocas, a partir da conquista, pelo Homem, da Razão e, consequentemente,
do “pensamento contínuo”, estabelecendo uma PONTE entre a Terra e o Céu. Com o Espiritismo,
temos, todavia, os estudos e as pesquisas revelando as LEIS que regulam as relações entre o mundo
dos Espíritos com o dos encarnados, objetivando, experimentalmente, comprovar a idéia imortalista
com todas as suas consequências filosóficas e religiosas. Com o Espiritismo, temos a recordação da
fala do Profeta JOEL, quando disse que nossos filhos, nos últimos dias, “profetizariam”, mancebos
teriam “visões” e “sonhariam” os anciães. Com ele, temos o oferecimento de uma proposta imortalista
à Ciência Oficial, promovendo a aliança desta com a Religião, com a comprovação experimental da
imortalidade da alma, com vistas à implantação na Terra da Religião do Cristo, através de uma FÉ
RACIOCINADA.

A MEDIUNIDADE NA HISTÓRIA
Em segundo lugar, os religiosos que negam a presença dos Espíritos na produção do fenômeno
mediúnico, ironizando os fenômenos, esquecem que na Antiguidade terrestre se registraram as mais
notáveis manifestações mediúnicas, a exemplo de um SÓCRATES, com seu “demônio” , isto é, com o
espírito familiar que o acompanhava em suas tertúlias filosóficas.

Mas é no Velho e Novo Testemunho que encontramos uma variedade de fatos considerados
“sobrenaturais” , “milagrosos”, através de autênticos “VASOS ESCOLHIDOS” por Deus. É assim que
encontramos no Velho Testemunho “profetas”, “videntes”, “audientes” , “inspirados” que transmitem
ao povo a “vontade” do Senhor; é Saul consultando Samuel; Moisés, recebendo o Decálogo; são os
“Profetas”, que de Jeremias a Malaquias, como instrumentos do Alto, veicularam a “palavra de Deus”
junto aos corações e convincentes passagens mediúnicas do MESTRE, o médium de Deus, curando os
enfermos, expulsando os “demônios” (espíritos imperfeitos), propiciando a materialização no Monte
Tabor e tantos outros fenômenos, como nos fala Eurípedes Barsanulfo, em mensagem recebida por
Chico Xavier, intitulada “Mediunidade e Jesus”.

No mesmo sentido, os apóstolos a se revelarem médiuns, isto é, instrumentos de Deus na
passagem do “PENTECOSTES”, quando, no dizer de Emmanuel, associadas às suas forças, por se
acharem todos reunidos, os Espíritos do Senhor, através deles, produziram fenômenos físicos, como
sinais luminosos, vozes diretas, bem assim fenômenos inteligentes, como psicofonia e xenoglossia, em
que os ensinamentos de Jesus foram “ditados” em várias línguas.
Mais tarde, a História registraria um Francisco de Assis, uma Teresa d’Ávila, Lutero, José de
Cupertino, que , inclusive, levitou ante a espantada observação do Papa Urbano VIII, e Swedenborg,
recolhendo anotações, em desdobramentos, do Plano Espiritual.

A MEDIUNIDADE À LUZ DO ESPIRITISMO
Depois viriam os tempos modernos, a partir das IRMÃS FOX, passando pelas “MESAS
GIRANTES” com KARDEC e as Srtas. CAROLINE BAUDIN, JULIE BAUDIN, RUTH CELINE
JAPHET e ALINE CARLOTTI, trazendo-nos, com a sua mediunidade, o “Consolador” prometido por
Jesus.
A seguir, a História registraria, no Brasil, “o maior celeiro mediúnico do mundo”, para onde foi
transferida a ÁRVORE do Cristianismo Primitivo, a fim de produzir os seus frutos de Amor e
Sabedoria, extraordinários médiuns e tarefeiros, verdadeiros “vasos escolhidos” para tarefas diferentes,
principalmente, PROF. EURÍPEDES BARSANULFO, DR. BEZERRA DE MENEZES,
BITTENCOURT SAMPAIO, BATUÍRA, YVONNE DO AMARAL PEREIRA, ZILDA GAMA,
JOSÉ HERCULANO PIRES, CAIRBAR SCHUTEL – e tantos outros - destacando-se, na atualidade,
a figura ímpar da maior “antena psíquica” do século, CHICO XAVIER, verdadeiro “vaso escolhido”
por Deus para a extraordinária missão de desdobrar o pensamento Kardequiano e direcioná-lo,
predominantemente, para o aspecto religioso, e que nenhuma explicação científica satisfatória foi dada
às faculdades polimorfas, particularmente à sua psicografia, onde já recebeu mais de 400 obras, nas
diversas áreas do conhecimento humano.

Chico Xavier tornou-se, assim, o mais FIEL e PRINCIPAL continuador de Allan Kardec, para
não falar que é o próprio Codificador que voltou para completar a sua obra, “multiplicando os peixes”,
isto é, de suas cinco obras básicas para mais de quatrocentos livros, com vistas à implantação, na
Terra, da Religião da Sabedoria e do Amor, “promovendo o nosso reencontro com o Evangelho de
Jesus (Emmanuel).

Tal entendimento, isto é, de que Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec, seria abraçado
pelo confrade Adelino da Silveira, em sua obra “KARDEC PROSSEGUE” e ratificado na XXXIV
COMMETRIM, em outubro de 1997, na cidade de Ituiutaba, na presença de mais de 500 pessoas, em
mensagem ditada pelo Espírito HILÁRIO SILVA, intitulada “A VOLTA DE ALLAN KARDEC”,
através do médium psicógrafo, sério e respeitado, Dr. Antônio Baduy Filho.

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Deolindo Amorim teve oportunidade de dizer, com muita propriedade, em “Doutrina Espírita”,
obra publicada pelo “Círculo Espírita da Oração”, de Salvador, que “o valor de uma Doutrina não se
calcula pelo tempo, mas pela consonância com a realidade que se vive no momento”, isto é, pelo
atendimento às necessidades do Homem. E mais adiante afirmaria:

“A mensagem do Cristo já tem quase dois mil anos e, no entanto, é atualíssima, é ainda o
roteiro mais certo, mais seguro que se possa indicar ao homem do nosso século, acima de cultos ou
de opinião filosóficas. E a Doutrina Espírita vem justamente reavivar a mensagem do Cristo, com
vistas à evolução espiritual da criatura humana na terra.”

Nesse sentido, já o dissemos, alhures, que o mundo em que vivemos registra uma situação
crítica sem precedentes na História; uma crise de profundos desequilíbrios morais e,
consequentemente, sociais. È que, desde o século passado, houve um crescimento extraordinário no
campo da inteligência, com o projetar do homem através da Ciência e da Tecnologia, com vistas ao
desenvolvimento, todavia, no campo dos sentimentos, não tem acompanhado pari passu aquela
elevação intelectual, vivendo a Humanidade profundos desequilíbrios morais, decorrentes do egoísmo,
do orgulho, alimentos pela cultura materialista que domina as sociedades humanas. Tal fato mereceu
do Espírito LÁZARO, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no Cap. IX, item 8, a seguinte
afirmativa:

“Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar ou
perder.virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral”.

A transformação moral do homem, condição da melhoria da Humanidade, constitui, dessa
forma, a maior necessidade de nossa Era, apontando os nossos Benfeitores Espirituais o CRISTO nos
corações humanos como a única solução para tal transformação, porque nos oferece a Boa Nova, as

boas notícias do “reino de Deus”, agora em bases racionais, que a Religião Espírita nos propicia.
Assim, colocando no campo dos sentimentos, do coração, o caminho para se alcançar tal objetivo
espiritual, preconizado pelo Evangelho de Jesus, ainda não vivenciado pelo Homem, na Terra, terá a
Humanidade a saída para sua crise, sendo certo o pensamento de Kardec, em “A Gênese”(Cap. XVIII,
item 5), quando diz:

“Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o
sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo que superexcite neles o egoísmo e o orgulho”.
Essas considerações são a propósito de uma apreciação doutrinária que o nosso companheiro
Chico Xavier nos ofereceu em sua residência:

- Jarbas, você sabe que o Sermão da Montanha é o
MAIOR MONUMENTO DE SABEDORIA de todos os
tempos que a Humanidade já recebeu com vistas à sua
evolução espiritual ? E você já percebeu que não existe
uma só bem-aventurança destinada à exaltação da
inteligência? Você não encontra naquele momento:
Bem-aventurados os ricos de inteligência!

O que realmente o Sermão da Montanha nos oferece, o que nós encontramos em todo o
Evangelho de Jesus, é a EXALTAÇÃO DOS SENTIMENTOS de bondade, de humildade, de
fraternidade, de abnegação, de amor, de perdão, enfim, de caridade!

- Hoje – disse o Chico – a cabeça está grande e o coração pequeno, sendo certo que a humanidade
sempre se perdeu pelo cérebro, nunca se perdeu pelo coração!

Nesse sentido, lembraríamos nós de PAULO DE TARSO quando afirmou: “A CIÊNCIA
INCHA, O CORAÇÃO EDIFICA”. Alguém poderia questionar, dizendo: - Mas, o Espiritismo que
revive JESUS, atualmente, na Terra, não tem bases racionais, cientificas, não tem na inteligência o
suporte para as suas conclusões imortalistas?! Sim, no sentido de que a razão, a inteligência está a
serviço do coração. Daí serem a Ciência e a Filosofia MEIOS e o Evangelho FIM, na feliz expressão
de Emmanuel, através da mediunidade missionária de Chico Xavier, em “Doutrina e Aplicação”,
considerando, por isso mesmo, a Doutrina Espírita como a Religião da Sabedoria e do Amor.

É por isso que Kardec está mais do que nunca atualizado, quando nos diz em “A Gênese”.

“O progresso intelectual realizado até o presente, nas mais largas proporções, constitui um
grande passo e marca uma primeira fase no avanço geral da humanidade; impotente, porém,
ele é para regenerá – la (...) SOMENTE O PROGRESSO MORAL pode assegurar aos
homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer
que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade” (Cap. XVII, item 18 e 19).

Por tudo isso é que a fala de Chico Xavier constitui uma apreciação doutrinária da mais alta
valia, satisfação da maior necessidade de nossa Era, nesta fase de transição em que vivemos.

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Já disse alguém, com muita propriedade, que o “momento central do Evangelho de Jesus,
aquele que a revelação cristã explode como um clarão renovador”, é o aparecimento de DEUS, como
PAI. É o princípio da PATERNIDADE UNIVERSAL, pelo qual Deus não é mais o Soberano, o César
romano ou o comandante judeu dos exércitos, mas o PAI de Amor, de Bondade e Misericórdia,
surgindo os Homens como seus filhos e, conseqüentemente, IRMÃOS. Com o conceito de DEUS-PAI
estabelece-se na Terra a IGUALDADE absoluta dos filhos e a lei natural da FRATERNIDADE
humana. Daí por que o Cristianismo se tornou a “Religião dos Escravos”, minando o Império Romano
nas bases.

Por tudo isto, passamos a entender porque o Evangelho de Jesus continua abalando o mundo,
como uma força transformadora, instrumento que é de uma “Revelação Divina”, objetivando a
elevação espiritual do Homem. Daí também entendermos, porque a Doutrina de Jesus, calcada naquele
princípio da Paternidade Universal, causou um impacto sem precedentes na História, ecoando no
tempo, através da sentença lapidar do Mestre: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS
AMEI”. Aliás, diz-nos “O Evangelho Segundo o Espiritismo”(Cap. XI, item 8) que “quando Jesus
pronunciou essa palavra divina AMOR – fez estremecer os povos, e os mártires, ébrios de
esperança, desceram ao circo.”

Da mesma forma a recomendação de Jesus de que devíamos perdoar as ofensas recebidas e aos
nossos inimigos, numa fase histórica em que a Lei de Talião, o “olho por olho, dente por dente” era
vigente na época, causou tremendo impacto na sociedade.

E o Espiritismo, “a seu turno, pronunciando a segunda palavra do alfabeto divino –
REENCARNAÇÃO”, aprofundaria o Princípio da Paternidade Universal, em termos de um
evolucionismo reencarnacionista, para explicar melhor as relações entre a criatura e o Criador,
propiciando, ao longo do tempo, o progresso e a aproximação dos seres que atritaram no passado e
continuam se atritando no presente. Passamos a entender que o perdão das ofensas é uma necessidade
prática para a nossa ascensão, porque, em síntese, somos todos irmãos, com uma só destinação: a
PERFEIÇÃO! Assim, se existe um ofensor, este também é nosso irmão, de quem devemos nos
aproximar hoje ou amanhã. É por isso que o Evangelho nos recomenda a caridade para com os
criminosos.
***

Essas considerações são a propósito de um fato que nos causou profundo impacto e isto quando
de uma visita que fizemos ao nosso querido médium Chico Xavier, em sua residência. À certa altura
das conversações, adentra o recinto uma senhora, cujo marido havia sido assassinado, estabelecendo-se
o seguinte diálogo:

_ Chico, o que é que eu faço? Perguntou ela. Desde que ele faleceu, nunca mais tivemos paz!
_ A senhora já perdoou o assassino? Perguntou o Chico. O criminoso também é nosso irmão –
acrescentou ele – da mesma forma que o seu marido. Nós sabemos que isso é difícil, mas não
impossível; mas é a única forma que trará benefícios para a senhora e o seu marido.
E o Chico aproveitou a oportunidade para nos contar, mais uma vez, que o maior exemplo que
ele conheceu de aplicação do perdão, com esquecimento do mal e amparo ao criminoso, foi dado por
uma senhora de Ubá, Sra. IRTHES THEREZINHA, que havia perdido seu irmão, arrimo de toda a
família, assassinado que fora. Ela, ao invés de desesperar-se, de reclamar a aplicação da Justiça
humana, exigindo a punição do criminoso, esqueceu todo o mal, visitando-o na cadeia pública e
levando-lhe cigarros, roupas, alimento, dinheiro e um exemplar de “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”.

Mas, isto não se deu apenas com uma só visita, tendo retornado várias vezes à prisão, com o
mesmo sentimento de perdão irrestrito, amparando o criminoso material e espiritualmente, inclusive
solicitando das autoridades, um tratamento mais humano para o delinqüente.

Sim, este é um fato inabitual, que merece nossa meditação, numa época como a nossa, quando
os crimes hediondos têm sido uma gritante e triste realidade.

*******
O “JORNAL HOJE”, da TV Globo, através de uma reportagem levada a efeito recenntemente,
mostrou, com dados estatísticos, que o século XX foi o mais SANGRENTO, o mais VIOLENTO de
toda a História da Humanidade, ocorrendo o MAIOR ÍNDICE de homicídios, genocídios, suicídios,
guerras e revoluções, em relação aos séculos passados. Particularmente, no Brasil, no ano de 1998,
verificou-se o maior índice de destruição: matou-se mais do que na Guerra do Vietnã.

Registramos, ainda, o aumento da criminalidade e da violência, a fuga pelas drogas, os
sequestros, os desequilibrios emocionais de toda sorte, evidenciando a grande crise por que passa, na
atualidade, o Homem.

Como interpretar tais fatos? A que se deve tudo isto? Quais seriam as causas desse estado
patológico que está afetando o homem, em todas as suas manifestações?

Embora devamos respeitar o entendimento dos estudiosos do assunto, somos favoráveis à tese
de que está havendo uma grande DEFASAGEM do SENTIMENTO em relação à INTELIGÊNCIA,
prevalecendo os VALORES do Materialismo, calcados no ORGULHO e no EGOÍSMO do Homem,
gerando os males que infernizam a vida da humanidade.

Na verdade, como afirma CHARLES CHAPLIN, em seu discurso pronunciado no filme “O
Grande Ditador”: “Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência fez-nos
empedernidos e cruéis. PENSAMOS EM DEMASIA E SENTIMOS MUITO POUCO. Mais do que
máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.
SEM ESTAS VIRTUDES, A VIDA SERÁ DE VIOLÊNCIA E TUDO SERÁ PERDIDO”.

E esse desequilíbrio precisa ser corrigido com a aplicação de uma TERAPÊUTICA adequada,
com vistas à PRESERVAÇÃO e ERRADIAÇÃO dos MALES que hoje atormentam a Humanidade.
Nesse sentido, somente temos um INSTRUMENTO para a EDUCAÇÃO MORAL do Homem e este
é o EVANGELHO de Jesus nos corações humanos, colocando a asa do AMOR no mesmo pé de
igualdade com a INTELIGÊNCIA, com vistas à ELEVAÇÃO ESPIRITUAL da humanidade.

Daí, a beleza da resposta de Chico Xavier, quando perguntado sobre qual dos três aspectos do
Espiritismo – Científico, Filosófico ou RELIGIOSO – era o PRINCIPAL, ele respondeu ser o
RELIGIOSO, pois “nós devemos reconhecer que todos os seres humanos trazemos no íntimo um
ALTO GRAU DE PERICULOSIDADE e, até hoje, a ÚNICA FORÇA capaz de FREAR esses
impulsos é, sem sombra de dúvida, a RELIGIÃO, que nos aconselha a “AMARMOS A DEUS SOBRE
TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS”. Segundo Emmanuel, esta é a
coisa mais importante que cada um de nós poderá fazer na vida: seguir este mandamento cristão.

Também, quando questionado por Ataliba Guaritá Neto, através da TV Manchete, sobre qual
seria o maior perigo para a Humanidade, respondeu que era a AUSÊNCIA DA RELIGIÃO NOS
CORAÇÕES HUMANOS. Evidentemente, não a Religião de natureza FORMALISTA, igrejista, de
organização humana com sacerdócio e práticas exteriores, mas a do CULTO INTERIOR, de
aperfeiçoamento moral, da prática do BEM, do AMOR, da CARIDADE, pondo em prática o ensino de
Jesus: “AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO”.

Ratifica Emmanuel tal entendimento, quando nos fala, em “Emmanuel”, que existem
RELIGIÕES e RELIGIÃO. Religiões são organizações humanas falíveis e Religião é o
SENTIMENTO DIVINO que prende a criatura ao Criador. Só assim entendemos por que, enquanto
KARDEC direcionou PREDOMINANTEMENTE o Espiritismo para os aspectos CIENTÍFICOS e
FILOSÓFICOS, sem esquecer o RELIGIOSO, presente principalmente em “O EVANGELHO
SEGUNDO O ESPIRITISMO”, a obra mediúnica de Chico Xavier direcionou PREDOMINAMENTE
o Consolador para o aspecto RELIGIOSO, sem esquecer os demais, presentes no pensamento de
Emmanuel e André Luiz.

Daí, porque a NATUREZA RELIGIOSA é uma característica COMUM a todos as três
revelações, objetivando a religação da criatura ao Criador, pelos SENTIMENTOS de
FRATERNIDADE, de BONDADE, de AMOR e CARIDADE.

Podemos recordar, para nossa meditação, a palavra de Dr. Bezerra de Menezes quando, em
“PROBLEMAS DO MUNDO”, constante da obra “ESPÍRITO DA VERDADE” afirmou: “...
parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, proclamemos aos problemas do mundo:
FORA DO CRISTO NÃO HÁ SALVAÇÃO”.

Por ocasião do lançamento do livro “FAMÍLIA”, Lúcia Amaral Kfouri teve oportunidade de
entrevistar Chico Xavier sobre a questão da necessidade da RELIGIÃO, através do seguinte
questionamento:

Gostaria que você desse sua opinião a respeito do aspecto científico da nossa Doutrina, que está
sendo relegado, enquanto vemos o aspecto religioso tomando realce.

CHICO XAVIER: “Nós sentimos, desde o início de nossas atividades mediúnicas, que A RELIGIÃO
É INDISPENSÁVEL PARA A SUSTENTAÇÃO DA NOSSA FELICIDADE, porque a nossa
felicidade decorre da tranqüilidade de consciência. Nós não podemos, por exemplo, adquirir paciência,
tolerância, alegria, tranqüilidade nos supermercados. Poderemos comprar eletro-domésticos, muitas
novidades em matéria de progresso tecnológico para o nosso conforto, mas para o nosso íntimo, a
Religião é a base da paz que nós aspiramos alcançar. Eu creio que observando, talvez intuitivamente, o
declínio das atividades religiosas em outros templos, que nós amamos e respeitamos sempre tanto,
como sendo fortalezas de nossas origens, é provável que a maioria dos espíritas inclinem para o lado
religioso com mais ansiedade de permanência na fé porque a ciência, de certo modo, com todo o nosso
respeito, tem desprezado a parte espiritual das criaturas, e sem esta parte espiritual, sem esse
patrimônio dos nossos valores íntimos, nós não conseguiremos vencer do ponto de vista de felicidade,
de paz, que todos nós estamos sempre atentos em proclamar como sendo nossas necessidades
primárias.”

Concluimos, assim, sem medo de errar, que a RELIGIÃO DO CRISTO, à luz do Espiritismo,
é a ÚNICA FORÇA capaz de frear os impulsos de periculosidade do Homem na Terra.

********
Sem dúvida alguma Chico Xavier, recebendo mais de quatrocentas obras mediúnicas, nas
diversas áreas do conhecimento humano, a partir de “PARNASO DE ALÉM-TÚMULO”, que, por si
só, demonstra à saciedade a tese imortalista, e ainda inúmeras mensagens esparsas em vários idiomas,
e isto sem qualquer título acadêmico, tornou-se o MAIOR FENÔMENO de nosso século, expandindo
o Espiritismo no Brasil e no mundo, como o mais fiel e principal continuador de Allan Kardec.

Todavia, e, sobretudo, Chico é o “HOMEM CHAMADO AMOR”, “o EVANGELHO
PERSONIFICADO”, evidenciando sua grandeza moral e a total doação de si mesmo em favor da
Humanidade, a nos lembrar aquela passagem ocorrida com o nosso confrade já desencarnado, Geraldo
Chumbinho, quando este, ao chegar a Pedro Leopoldo, perguntou ao Chico qual era a novidade
(referia-se a novas obras mediúnicas), obtendo dele a seguinte resposta: “CHUMBINHO, A MAIOR
NOVIDADE AINDA É O EVANGELHO DE JESUS!”

Registrando, mais um ano de exercício mediúnico de Chico Xavier, reverenciamos, sobretudo,
a sua figura evangélica pela “vivência” dos ensinos de Jesus, na “convivência” com seus semelhantes,
praticando a caridade material e a espiritual, em favor de milhares de criaturas humanas que o
procuram, manifestando, assim, a sua preocupação com o Social, com um Mundo Melhor, e sendo ele
mesmo um verdadeiro cântico de AMOR, de TRABALHO, de SOLIDARIEDADE, de
TOLERÂNCIA, de HUMILDADE, de BONDADE e FRATERNIDADE CRISTÃS.

Nesse sentido, um dos mais belos depoimentos acerca de Chico Xavier foi dado por Artur de
Távola, em “O Globo”, de 26/05/80 e que fazemos nosso nesta oportunidade, para ressaltar com outras
considerações :

. a sua figura física ímpar que não se coaduna com a idéia de líder religioso, sua fala mansa, a
peruca, acentuado estrabismo, sem a clássica barba dos “gurus”, a simplicidade no modo de trajar,
contrastando com os estilos formais e burgueses que funcionam para impressionar o grande público,
sendo tudo isto a negação de qualquer pompa ou formalidade;

. a sua figura de verdadeiro cristão, “uma espécie de lider dos desvalidos, dos carentes, dos
sofredores”, sem qualquer formulação política, relacionada com a exploração do homem, sem revolta
contra a miséria, aceitando os homens e as coisas como são, numa aura de PAZ e de PACIFICAÇÃO,
com a força do perdão que emerge de sua estatura moral, envolta no manto da real fraternidade,
humildade e desprendimento dos bens terrenos, e sem qualquer violência em suas atitudes, num
profundo respeito à autoridade e apontando o CRISTO como a única solução para os problemas
humanos, sendo oportuna a sua afirmativa, constante do livro “Encontros com Chico Xavier”/Cézar
Carneiro de Souza: “ACEITO O MUNDO E OS HOMENS COMO ELES SÃO E CONTINUO EU
MESMO”.

. a grande SERIEDADE pessoal do médium, o seu desinteresse material, colocando sua
mediunidade a serviço da elevação das Almas, nunca fazendo dela palco de exibições ou instrumento
de projeção social, ou ainda de vantagens pessoais, pelo contrário, e, por exemplo, fazendo doação de
todos os seus direitos autorais às Entidades Assistenciais ou que tenham por objetivo a difusão do
Espiritismo;
. enfim, a ÍNTIMA RELAÇÃO entre a PREGAÇÃO e sua própria vida, sem nenhuma
subordinação a qualquer hierarquia aprisionante, a nenhuma procura do poder temporal, seja
político ou econômico, para o desempenho de seu mandato mediúnico, sem autoritarismo ou
personalismo em suas atitudes, somente irradiando grandeza moral, faz dele a personificação da
MAIOR NOVIDADE NO MAIOR FENÔMENO MEDIÚNICO do Século XX, a lembrar a
afirmativa de Paulo de Tarso aos Gálatas (2:20): “JÁ NÃO SOU EU O QUE VIVO, MAS É
CRISTO QUE VIVE EM MIM.”

***

Que Jesus possa continuar abençoando sua Vida de Amor e Sabedoria, sob o pálio das
melhores vibrações a que um homem aspire!

**********
Sob a ótica espírita, as Revelações divinas constituem um TODO harmonioso, sem qualquer
contradição essencial entre elas, apresentando- se como uma visão global em que se conciliam a Fé e a
Razão, sendo certo que surgem na Terra para levantar , de forma racional, e progressivamente , o véu
das coisas do Espírito, denunciando a presença de um Plano Divino, isto é, os “Ascendentes
Espirituais” da Humanidade em que o determinismo do Amor e do Bem é uma lei do Universo, que
preside a sua evolução rumo à Perfeição! Assim, o VELHO TESTAMENTO, estabelecendo a
concepção monoteísta da Divindade, oferecendo o DECÁLOGO, com a idéia central da justiça, e
culminando com o anúncio do Messias, é a primeira Revelação de Deus aos homens; o
EVANGELHO de Jesus, trazendo a idéia central do AMOR, “consagrando o princípio da
Paternidade universal dos homens, a imortalidade universal das almas” e culminando com o
anúncio do “Consolador” , é a segunda Revelação divina.

E o Espiritismo como comparece neste contexto ?
Trazido pelas “vozes” do Além, codificado por Allan Kardec, com a grande finalidade de
restaurar o Cristianismo primitivo, na tarefa de “iluminação do Espírito” , pela elevação dos
raciocínios e dos sentimentos ( Emmanuel ), é a terceira Revelação de Deus aos homens. Ele se
constitui na maior fonte de informações que a Humanidade já recebeu em termos imortalistas e, por
isso mesmo, como a mais perfeita CHAVE para a interpretação das Revelações anteriores, libertando-
as do “cárcere das interpretação literais” ( Emmanuel ), por detectar o SENTIDO e o ALCANCE
das expressões bíblicas, em perfeita concordância com os mais modernos processos de exegese que a
Hermenêutica nos oferece, com vistas à implantação na Terra da Religião da Sabedoria e do Amor,
evidenciando a atualidade plena da Codificação Kardequiana em matéria de interpretação do Velho e
do Novo Testamentos.

È assim que registramos, em todas as obras básicas, principalmente em “ O Evangelho
segundo o Espiritismo” e “ A Gênese”, quando abordam o aspecto predominantemente religioso do
Espiritismo, a aplicação dos processos de interpretação:

a) o processo filológico, quando se procura ver a LINGUAGEM empregada, com suas leis e
usos, sobretudo na época de Jesus, atendendo às diversas acepções da palavra, dos
vocábulos, para extrair delas o seu verdadeiro sentido e alcance, com vistas à compreensão
dos seus ensinos.

“O Espiritismo se constitui na maior
fonte de informações que a Humanidade
já recebeu em termos imortalistas e, por
isso mesmo, como a mais perfeita chave
para a interpretação das Revelações
anteriores.”
Nesse sentido, os esclarecimentos que nos oferece, principalmente naquelas obras, acima
mencionadas, de natureza eminentemente evangélica, em relação às sentenças, parábolas e bem-
aventuranças, são de molde a ensejar uma perfeita, clara e atual compreensão dos textos bíblicos;

b) o processo LÓGICO, isto é, as regras tradicionais, tomadas de empréstimo à LÓGICA
FORMAL, com vistas à conciliação da FÉ com a Razão;

c) o processo SISTEMÁTICO, isto é, procurando interpretar os TEXTOS como um TODO e
não ISOLANDO uns dos outros, evitando-se uma exegese que procure afeiçoar-se aos
interesses ideológicos do intérprete, colocando-se o TODO em função da PARTE;

É assim que vemos Allan Kardec explicando como um TODO, sistematicamente, as Bem-A-
venturanças em que Jesus supervaloriza os SENTIMENTOS de bondade, de amor, de caridade, de
perdão, de humildade, de simplicidade, como a maior necessidade do Homem na Terra, quanto à sua
vivência, e não do seu crescimento intelectual. Aliás, em nenhuma das Bem-Aventuranças (Sermão da
Montanha), disse-nos Chico, em certa ocasião, encontramos a exaltação da INTELIGÊNCIA, mas tão-
somente a do CORAÇÃO.

É que essa é a maior necessidade do presente milênio, não resta a menor dúvida, sendo
ressaltada pelo Mestre, por seus Apóstolos e Discípulos, através dos tempos.

d) o processo TELEOLÓGICO ou FINALÍSTICO, isto é, colocando, prioritariamente, o FIM
do Evangelho de Jesus, que é a “iluminação do Espírito”, pela elevação dos raciocínios e
dos sentimentos (Emmanuel), na base do verdadeiro entendimento da vida e obra do
Mestre;

e) os processos SOCIAL e HISTÓRICO, na observância das condições sociais da época e da
HISTÓRIA geral e especial, mostrando as Revelações divinas como um TODO harmonioso
no seu desdobramento histórico.

Nesse sentido, destacamos, por exemplo, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a preocu-
pação de Allan Kardec em oferecer aos estudiosos dos textos evangélicos as NOTÍCIAS
HISTÓRICAS e SOCIAIS da época de Jesus, a fim de que as passagens evangélicas possam ser bem
compreendidas, assim como as próprias palavras empregadas. Mostra-nos o estado dos costumes e da
Sociedade Judaica de então, traduzindo, assim, as expressões “Samaritanos”, “Nazarenos”,
“Publicanos”, “Peageiros”, “Fariseus”, “Escribas”, “Sinagoga”, “Saduceus”, “Essênios”, “Terapeutas”,
com a elucidação do “sentido histórico e social” daquelas expressões.

Enfim, Allan Kardec, em todos os seus estudos exegéticos, com base nas instruções dos
Espíritos, tem o cuidado de aplicar tais processos, objetivando extrair da “letra” o “espírito” que
vivifica.
No desdobramento dos seus estudos, temos, hoje, uma plêiade de Espíritos, através da
mediunidade missionária de Francisco Cândido Xavier, com Emmanuel à frente, demonstrando, com a
sua aplicação, que o Espiritismo se apresenta realmente como a CHAVE para a compreensão dos
textos bíblicos. E é em EMMANUEL, em particular, que vamos encontrar a afirmativa de que, se
Lutero representou historicamente a Libertação da “Letra” dos grilhões da Igreja Católica, o
Espiritismo se apresenta como a LIBERTAÇÃO do “ESPÍRITO” da “LETRA” que mata, pela mais
perfeita interpretação do Velho e do Novo Testamentos, oferecendo as luzes de que a Humanidade
precisava para a comprovação da imortalidade da alma.
Nesse sentido, as obras de EMMANUEL, considerado por muitos – com razão – o 5º
Evangelista, viriam dar um grande passo na interpretação dos textos evangélicos. É assim que livros
como “Pão Nosso, “Caminho, Verdade e Vida”, “Fonte Viva”, “Vinha de Luz”, “Palavras de Vida
Eterna”, “Segue-me”, “Ceifa de Luz” , entre outros, abririam novas estradas na exegese dos textos
considerados sagrados, revelando o pensamento do Cristo e seus apóstolos, demonstrando, assim, que
KARDEC e a obra mediúnica de CHICO XAVIER são a CHAVE para a compreensão dos textos
bíblicos. Confirmando tal entendimento EMMANUEL, no prefácio da obra “Palavras de Vida Eterna”,
com a prece “Ante o Divino Mestre” diria: “Estamos agrupados nestas páginas, - os leitores amigos e
nós outros, - procurando o sentido de teus ensinamentos com as chaves da Doutrina Espírita, que
nos legaste pelas mãos de Allan Kardec.”
O “DIA DA IMPRENSA ESPÍRITA” – 26 de julho – é lembrado no Brasil como uma forma
de registrar o valor, a importância da comunicação espiritista, através da mídia e daqueles que têm se
dedicado à tarefa de divulgar os princípios doutrinários, numa homenagem permanente ao primeiro
jornal espírita brasileiro, “ Eco de Além-Túmulo” fundado por Luiz Olímpio Telles de Menezes.

Nesse particular, não poderíamos deixar de registrar A EXTRAORDINÁRIA
CONTRIBUIÇÃO DE ALLAN KARDEC NA COMUNICAÇÃO DAS IDÉIAS ESPÍRITAS, através
de suas atividades jornalísticas pela “Revista Espirita”, por ele editada no século XIX.

E podemos, sem medo de errar, dizer que o Codificador foi o primeiro articulista espírita a
divulgar os princípios redentores do Espiritismo, deixando–nos uma preciosa bagagem em termos
de experiências que o colocam como um modelo para todos os que se dedicam à comunicação das
idéias espíritas através dos meios de comunicação !

E o que é mais importante, a forma moderna que Kardec imprimiu à “Revista Espírita”,
corporificando as características básicas que um “Comunicador” deve ter em seu trabalho de
transmissão, ao público leitor, de informações, opiniões e sua interpretação de fatos, objetivando
orientá-lo, e isto há dois séculos!

Assim é que possuía um Sentido Coletivo, colocando seus artigos ao alcance de todos, quando
divulga a Doutrina dos Espíritos, na medida em que os FATOS se sucedem:
. com ATUALIDADE, informando, discutindo Fatos e Idéias atuais ou que estão
por acontecer e que ainda apresentam oportunidade;
. com VARIEDADE ou UNIVERSALIDADE na apresentação dos temas, ofere-
cendo, se necessário, uma síntese do assunto no campo do conhecimento huma-
no, para despertar o interesse do leitor, fazendo promoção, relatando fatos, ex -
pondo e debatendo idéias à luz dos princípios doutrinários, objetivando esclare-
cer e orientar os leitores direcionando-os para uma tomada de posição, com vis –
tas ao bem comum.

Kardec encarnou a figura do comunicador perfeito não apenas expondo os princípios
doutrinários, mas, sobretudo, aplicando-os a FATOS, trazendo-os à discussão, análise, fazendo as
ilações necessárias, a fim de convencer os leitores da Verdade do valor dos ensinos dos Espíritos.
Se compulsarmos qualquer exemplar da “REVISTA ESPÍRITA”, encontraremos sempre o
Codificador veiculando os ensinos da IIIa. Revelação dentro das técnicas mais modernas e isto seja
apreciando doutrinariamente curas de obsediados à luz da terapêutica espírita; seja analisando obras
mediúnicas à luz da Ciência Espírita; seja veiculando notícias bibliográficas acerca dos princípios
espiritistas, particularmente o da pluralidade das existências ou da comunicabilidade dos Espíritos; seja
através de respostas a questões propostas sobre a problemática existencial, ressaltando a importância
dos valores evangélicos na solução dos mesmos; enfim, são idéias, questões e fatos abordados por
Kardec com aquela acuidade de um missionário, revelando a sua condição de um autêntico
comunicador de idéias, sem fazer da “Revista Espírita” um instrumento de “discussões acadêmicas”
e evitando as polêmicas estéreis, mas nunca deixando de esclarecer os leitores numa fase de afirmação
e consolidação dos princípios fundamentais do Espiritismo! ...

Além de corporificar as características que se exigem de um bom comunicador e muito antes
do atual desenvolvimento ocorrido nesta área do conhecimento humano, Kardec se orientava pelos
princípios da RESPONSABILIDADE, INDEPENDÊNCIA, IMPARCIALIDADE E
HONESTIDADE no trato com as questões por ele abordadas, revelando a sua profunda Educação
liberal e evangélica, frutos de vivência dos valores critãos – espíritas!

Era assim que Allan Kardec se apresentava na “ Revista Espírita” , onde não apenas ficava no
terreno da simples exposição das idéias espíritas, como é muito comum em nossos meios de
comunicação doutrinária, mas, sobretudo, procurava aplicá-las aos FATOS do dia a dia, sendo certo
que a sua mensagem estava corretamente ajustada ao destinatário, possuindo conteúdo significativo e
apresentando-se de forma Clara, Objetiva, Completa e Oportuna, como se exige de um bom
comunicador.

Daí a sua modernidade, a sua atualidade!

Leitor amigo, vamos conhecer mais profundamente essa faceta do Codificador, através da
“Revista Espírita” !

***
E, relativamente, a CHICO XAVIER registraríamos a sua presença como extraordinário
comunicador na apreciação de FATOS relevantes e palpitantes em todos os segmentos do
conhecimento humano, projetando a luz da Doutrina Espírita.

Nesse sentido, veja-se a presença do médium na TELEVISÃO, através do Programa “PINGA-
FOGO”, adiantando o Espiritismo mais de 50 anos, graças ao seu poder de comunicação no
esclarecimento das questões ventiladas; as ENTREVISTAS dadas em jornais, revistas, rádios ,e
televisão, registradas especialmente nos livros “LIÇÕES DE SABEDORIA”, “CHICO XAVIER –
MANDATO DE AMOR”, “A TERRA E O SEMEADOR”, “ENTREVISTAS” e outros, onde Chico
Xavier com suas respostas de alto nível doutrinário, refletindo o pensamento kardequiano, pontifica
com diretrizes preciosas para as nossas vidas. São FATOS, RELATOS e ENSINAMENTOS da
Doutrina Espírita na visão de Chico Xavier, em sintonia constante com EMMANUEL e outros
Benfeitores Espirituais, graças à sua missionária mediunidade, contribuindo para o esclarecimento da
humanidade acerca da problemática existencial . Problemas como PENA DE MORTE, ABORTO,
CREMAÇÃO DE CORPOS, EUTANÁSIA, DA SEXUALIDADE, DOAÇÃO DE ÓRGÃOS,
CLONAGEM, VIOLÊNCIA, DROGAS, enfim, questões relevantes para o relacionamento entre as
criaturas humanas, recebem de Chico Xavier ponderações altamente esclarecedora.

Por tudo isso podemos concluir que KARDEC e CHICO XAVIER são COMUNICADORES
POR EXCELÊNCIA por reunirem todas as condições e qualidades de um perfeito comunicador !
Na ocasião em que se comemora mais um aniversário de publicação de “O LIVRO DOS
ESPÍRITOS”, é justo ressaltarmos a FORÇA DA IDÉIA ESPÍRITA.. E podemos fazê-lo em três
dimensões: A PRIMEIRA DIMENSÃO está no fato de ser sua ORIGEM divina e científica.
DIVINA porque não é obra de encarnado algum, mas sim dos Espíritos; é CIENTÍFICA, porque, para
a sua ELABORAÇÃO, depende do trabalho do Homem, como nos mostra o próprio Allan
Kardec, em “A GÊNESE”, no cap. I, item 13.

Kardec surge, assim, como o Codificador dos ensinos dos Espíritos, responsabilizando-se
perante os homens pela sua difusão, pelo seu trabalho na elaboração.

Realmente, é ALLAN KARDEC que aparece no trabalho da Codificação de forma ATIVA,
dentro de uma rigorosa observação dos fatos e do controle absoluto no exame e seleção das
mensagens, de que resultaram “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” e as demais obras do Pentateuco
Kardequiano.

A SEGUNDA DIMENSÃO está no fato de sua NATUREZA tríplice de Ciência, de Filosofia
e Religião, sobretudo, pela sua grande FINALIDADE EVANGÉLICA. Assim, projeta-se como
CIÊNCIA para comprovar a tese imortalista; como FILOSOFIA, resolvendo os grandes problemas
existenciais da criatura humana; e na condição de RELIGIÃO, apontando os ensinos morais de Jesus,
consubstanciados na prática do Bem e da Caridade, como forma de evolução, de salvação.

Mas, é exatamente pela sua FINALIDADE EVANGÉLICA de Consolador Prometido por Jesus
e por ser a IIIa. Revelação de Deus aos homens, que a Idéia Espírita projeta-se, predominantemente,
como a Religião da Sabedoria e do Amor, a mais extraordinária síntese do pensamento humano, a “fé
iluminada pela Razão”, e, por isto mesmo, o maior “processo libertador” de consciências que a
Humanidade já conheceu, através da “iluminação do Espírito”, revivendo o Cristianismo Primitivo que
tinha o mesmo objetivo, como nos mostra EMMANUEL, em “PAULO E ESTÊVÃO”. É a
corporificação das leis de amor, justiça e caridade na mente e no coração das criaturas humanas. É,
como nos diz EURÍPEDES BARSANULFO, a mensagem do Cristo que nos revela o “Reino de Deus”
como realização e conquista nascidas dentro do coração de cada um, a irradiar-se de alma para alma !

E a TERCEIRA DIMENSÃO está na sua EXPANSÃO quantitativa e qualitativamente em
todas as direções. Realmente, que Doutrina humana conseguiu tamanha projeção em tão pouco
tempo?! E quanto mais se expande, mais e mais adquire força unificadora capaz de reunir em torno do
seu núcleo os elementos dispersos pela “grande noite da História”!

E no Brasil, em particular, sua expansão ganha maior força nos esforços de seus adeptos para se
melhorarem moralmente e pela prática da Caridade, conforme se pode ver da imensa obra assistencial,
espalhada por este Brasil afora, corporificando a idéia de DR. BEZERRA DE MENEZES de que o
Brasil seria respeitado pelas suas obras assistenciais. E nós defenderíamos a tese de que esta expansão
tem ainda, na VIDA MISSIONÁRIA, EVANGÉLICA de CHICO XAVIER e na sua OBRA
MEDIÚNICA especial contribuição, e isto sem desmerecer o trabalho e o esforço de renovação de
quantos militam na seara espiritista em todo o Brasil!

***
Cabe-nos, finalmente, ressaltar o valor do LIVRO ESPÍRITA que veicula o IDEAL da IIIa.
Revelação, parafraseando o imortal CASTRO ALVES, para dizer que

O Livro Espírita caindo n’alma
É germe de libertação , de renovação,
É chuva de sabedoria e amor!
Aí estão os fundamentos da força da IDÉIA ESPÍRITA, iniciando com “O LIVRO DOS
ESPÍRITOS”, uma NOVA ERA para a humanidade: a ERA DO ESPÍRITO !

********
Desdobrando o pensamento contido na obra básica “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” (2º
Livro), Allan Kardec escreveria, inspirado pela falange do ESPÍRITO DA VERDADE, “O LIVRO
DOS MÉDIUNS”, que completa em janeiro de 2001, 140 anos de existência, obra esta que
constitui o guia teórico e prático da Ciência Espírita, isto é, o aspecto experimental do Espiritismo.

“O LIVRO DOS MÉDIUNS”, explicando a MEDIUNIDADE - que é o conjunto das
faculdades mediúnicas que possibilitam a comprovação da realidade extra-física do ser humano e o
intercâmbio entre o mundo espiritual e o mundo corpóreo, revela LEIS que regem o “PRINCÍPIO
ESPIRITUAL” tudo isto com vistas à melhoria do homem na Terra.

A Mediunidade, assim, tem um alto sentido moralizador, pela certeza que dá aos homens da
vida além-túmulo e das relações que demonstra existir entre os seres desencarnados e os encarnados,
tendo em “O LIVRO DOS MÉDIUNS” e na OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER o seu guia
teórico e prático, apresentando-se, dessa forma, como o “MODO DE SER” da Ciência Espírita.

Dessa forma, a Ciência Espírita tem por objeto o “PRINCÍPIO ESPIRITUAL”, em
contraposição às Ciências positivas que têm por objeto o “PRINCÍPIO MATERIAL”, conforme nos
mostra ALLAN KARDEC, na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, constante de “O LIVRO
DOS ESPÍRITOS”, itens VII e VIII; em “A GÊNESE”, cap. I, itens 13 a 18; e 54 a 56, em “O LIVRO
DOS MÉDIUNS” !

O Espiritismo complementa os estudos relativos ao “Princípio Material”, objeto das Ciências
Positivas, com a descoberta da afirmação do Espírito, como fenômeno positivo, suscetível de
comprovação experimental, através das diversas faculdades mediúnicas e, particularmente, do
PERISPÍRITO, como elemento intermediário entre o Espírito e o Corpo, funcionando como
CONDIÇÃO das manifestações mediúnicas em suas variadas formas.

Lembremo-nos, todavia, de que a Ciência Espírita se completa com a Filosofia, apresentando-
se ambas como MEIOS direcionados para o terceiro e predominante aspecto que é o FIM: o
Evangelho ! Emmanuel já nos adverte, em “DOUTRINA E APLICAÇÃO” , que “a Ciência e a
Filosofia são MEIOS e o Evangelho é o FIM”

Desenvolvendo “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, encontramos na obra mediúnica de CHICO
XAVIER o manancial puro de desdobramentos progressivos de seu conteúdo, visto que a evolução
dos ensinos da Codificação não se realiza através de adições de novas verdades, mas sim, como
falamos, através dos esclarecimentos progressivos ali constantes. É, assim, vasta a literatura
mediúnica da autoria de Emmanuel. Obras como “Seara dos Médiuns”, “Mediunidade e Sintonia”,
“Anotações da Mediunidade”, “Canais da Vida” e outras revelam esse desdobramento,
enriquecendo sobremaneira a Codificação. Também a extraordinária e reveladora obra de André Luiz,
onde se destacam “Nos Domínios da Mediunidade”, “Mecanismos da Mediunidade”,
“Desobsessão” entre outras.

Salve, pois, os 140 anos de “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, obra básica da Ciência Espirita, a
exigir de todos nós seu estudo e observância.
“SER ou NÃO SER, tal a alternativa. Para sempre ou para
nunca mais; ou tudo ou nada: viveremos eternamente, ou
tudo se aniquilará de vez?”. Allan Kardec.

O Codificador inicia o seu livro “O Céu e o Inferno” com a afirmativa que encima este artigo,
abordando a questão das questões e que, segundo os estudiosos da Filosofia, teria sido abordada por
Shakespeare quando disse: “Ser ou não ser, eis a questão!” Comentando tal pensamento filosófico,
Kardec o fez com aquela sabedoria que somente os grandes gênios são capazes de ter, a partir de um
questionamento socrático de alta valia:

“Haverá algo de mais desesperador do que esse pensamento da destruição absoluta ?”

Que necessidade teríamos de nos esforçar para ser homens de bem, homens melhores, se isto
não nos servisse para nada? Significaria apenas reforçar o nosso egoísmo, sem nenhum compromisso
com os altos deveres de solidariedade, fundamento das relações sociais, diria essencialmente o
Codificador da Doutrina Espírita, na citada obra.

O Espiritismo – deixa bem claro Allan Kardec – está aí para por uma “pá de cal” no
materialismo, através das vias mediúnicas, como o maior antídoto à incredulidade, à idéia do nada,
satisfazendo, assim, à necessidade humana de ser feliz e existir para sempre.

A Doutrina dos Espíritos tem a seu favor a lógica do raciocínio e a prova dos fatos,
demonstrando a sobrevivência da alma à morte do corpo e a sua individualidade, dependendo sua sorte
futura de suas qualidades pessoais, dos atos praticados nas múltiplas existências.

O aspecto experimental do Espiritismo (Ciência Espírita), tendo por objeto o princípio
espiritual, fornece-nos a demonstração positiva, pela Mediunidade, de que nossa individualidade é
indestrutível e sobrevive à morte do corpo físico, fato que é ratificado pela Metapsíquica de Charles
Richet, no século XIX, e no século passado, pela Parapsicologia, com o Prof. Rhine e seus seguidores
espiritualistas, que mostram a realidade do Espírito como distinto da matéria, e chegando, agora, a
admitir a ação das mentes desencarnadas na produção dos fenômenos Psikapa (efeitos físicos), sem
esquecer outros segmentos da ciência oficial.

Daí a razão por que temos necessidade de continuar estudando as obras de Allan Kardec, agora,
em particular “O CÉU E O INFERNO” que, segundo alguns confrades, “mesmo entre os espíritas este
livro é quase desconhecido”. Afirma J. Herculano Pires que, com tal obra, “as penas e recompensas de
após a morte saem do plano obscuro das superstições e do misticismo dogmático para a luz viva da
análise racional e da pesquisa científica”, e isto porque a colheita das próprias revelações trazidas pelos
Espíritos sobre sua situação espiritual não é gratuita, mas é um trabalho realizado através de
observação perseverante e paciente, sendo certo que “os sofismas do nada” de J. Paul Sartre e sua
escola nada puderam fazer para anular suas conclusões imortalistas, nem tampouco o materialismo
marxista!
Tal obra seria desenvolvida, desdobrada mais tarde com a produção mediúnica de Francisco
Cândido Xavier e outros médiuns, com maiores detalhes sobre a parte doutrinária e, sobretudo, com os
depoimentos dos próprios Espíritos, através de mensagens dos entes queridos que partiram para o
Mundo dos Espíritos, e deste retornando com os esclarecimentos e consolo aos que ficaram na
retaguarda.

Com essas mensagens, os Benfeitores Espirituais iniciaram uma nova fase nas suas
comunicações, preocupados que estão com o sofrimento, as dores individuais e coletivas que
atualmente assolam a Terra, deixando em segundo plano as “revelações” do Plano Espiritual. Sobre
essas “novas revelações”, José Jorge, em artigo publicado em O Imortal, teve oportunidade de
comentar um fato ocorrido com Chico Xavier quando, questionado por um confrade acerca da razão da
ausência de outras “novidades”, principalmente por parte de André Luiz, teria afirmado nosso querido
médium que a Doutrina Espírita é, por si só, uma revelação para no mínimo um milênio, e que as
informações trazidas por aquele Espírito com as conotações e conseqüências morais decorrentes eram
ainda mal e pouco aproveitadas, sendo certo – continuou o médium – que somente viriam outras
revelações após o aproveitamento das existentes, concluindo: “As outras novidades só virão realmente
depois disso!”

Retornando à análise do primeiro capítulo de “O Céu e o Inferno”, lembramos que ele, por si
só, justifica o livro, pelas suas conclusões imortalistas, sendo certo que a reflexão de Shakespeare,
citada inicialmente, encontra no Espiritismo a sua mais perfeita explicação, podendo, nesse sentido, ser
repetido o que diz Allan Kardec: “É nestas circunstâncias que o Espiritismo vem opor um dique à
difusão da incredulidade, não somente pelas perspectivas dos perigos que ela acarreta, mas pelos fatos
materiais, tornando visíveis e tangíveis a alma e a vida futura.” (“O Céu e o Inferno” - Cap. I, item 4)

***
Sendo a estupenda obra de CHICO XAVIER o desdobramento da Codificação Kardequiana,
vamos encontrar “O Céu e o Inferno” ou “A Justiça Divina Segundo o Espiritismo”, sendo
desenvolvida, admiravelmente, através de sua mediunidade abençoada, em diversos volumes
esclarecedores acerca da Vida após o Morte, o problema das penas e gozos futuros, onde, a exemplo da
obra de Kardec, os próprios Espíritos, de acordo com a Escala Espírta, nos revelam a sua situação, no
Mais Além. Obras como “JUSTIÇA DIVINA”/Emmanuel; as de André Luiz, como “NOSSO LAR”,
“OS MENSAGEIROS”, “MISSIONÁRIOS DA LUZ”, “LIBERTAÇÃO”, entre outras; “CIDADE NO
ALÉM”/André Luiz/Lucius; “VOLTEI”/Irmão Jacob; “CARTAS DE UMA MORTA”/Maria João de
Deus; de ESPÍRITOS DIVERSOS, temos “JOVENS NO ALÉM”, “SOMOS SEIS”, “FILHOS
VOLTANDO”, “ESTAMOS NO ALÉM”, “NINGUÉM MORRE”, entre inúmeras outras, vieram
destruir de vez os dogmas ainda existentes da teologia cristã formalista, restaurando a Verdade acerca
da Imortalidade da Alma e da Vida Futura.

Poderíamos encerrar nossas considerações, meditando um fato de experiência comum a todos nós: Por
que ante tantas comprovações da imortalidade da Alma, que o Espiritismo nos faculta, nós ainda
experimentamos o MEDO DA MORTE?! Quem no-lo responde é a sabedoria desse Espírito Superior
que é CHICO XAVIER:

“O MEDO DA MORTE É UMA CONSEQÜÊNCIA DAS DIFICULDADES QUE JÁ
ENFRENTAMOS EM OUTRAS MORTES. HÁ MUITOS MILÊNIOS VIVEMOS SOBRE A
TERRA E QUASE NUNCA ESTAMOS, NA POSIÇÃO DE DESENCARNADOS MUITO BEM
COM A NOSSA CONSCIÊNCIA. ENTÃO, TEMOS MUITO RECEIO DO RETORNO AO ALÉM,
COM COMPLEXO DE CULPAS QUE LEVAMOS DE OUTRAS VEZES ...” (Extraído de “Grandes
Reportagens” – CHICO XAVIER – UMA LUZ)
Há cento e trinta anos (janeiro de 1868), Allan Kardec fazia o coroamento da Codificação,
publicando “A Gênese”, abordando questões relevantes no campo do conhecimento à luz dos
princípios espiritistas.

Tal obra continua inabalável em seus fundamentos, corroborando a tese da atualidade do
pensamento kardequiano, e de que nada tem o Espiritismo a perder com o avanço da Ciência. Aliás, é
a Doutrina dos Espíritos que muito tem a oferecer ao conhecimento humano em geral.

Na verdade, isto se torna importante quando se recorda as grandes conquistas da Ciência, no
campo da Astronomia, da Física, da Química, da Biologia, da Psicologia, etc, e as profundas
alterações filosóficas ocorridas nestes dois séculos, oferecendo condições de entendimento e
sustentação da tese espírita, relativamente à revelação das leis que governam o Princípio Espiritual.

Nesse sentido, vejam-se os estudos, na citada obra, relacionados com as leis e as forças que
regem o Universo, com a gênese orgânica e espiritual, particularmente no capítulo intitulado
“Uranografia Geral” (Astronomia), quando aborda as questões pertinentes à Vida Cósmica, calcando
seus estudos na mensagem de Galileu, através da mediunidade de Camilo Flammarion e que até hoje
constitui um parâmetro necessário ao esclarecimento da criação e evolução dos seres, da Terra, enfim,
da criação universal!

É o oferecimento de uma visão cósmica da criação universal, particularmente da Terra,
mostrando a presença do Fluido Universal em suas diversas manifestações, sob a égide de leis que
presidem a criação dos mundos, astros e estrelas, particularmente da Terra, conciliando o Criacionismo
das Religiões com o Transformismo das Ciências. Tal visão seria confirmada, principalmente, através
de André Luiz e Emmanuel, em “Evolução em dois mundos” e “A Caminho da Luz”, para não
esquecer também “Sua Voz”, em “A Grande Síntese”, revelando, assim, o caráter progressivo da
Doutrina e sua compatibilidade com a Ciência, sendo sua autoridade decorrente da superioridade dos
Espíritos que ditaram a Codificação, e os esclarecimentos subsidiários que vieram posteriormente,
principalmente pela obra mediúnica de Chico Xavier.

Dessa forma, “A Gênese” constitui uma extraordinária aplicação dos princípios espiritistas às
questões consideradas importantes para o pensamento humano. Mas o destaque especial é quando
aborda Allan Kardec os Caracteres da Revelação Espírita, ressaltando o aspecto religioso ou
evangélico do Espiritismo, presente na sua feição de Consolador prometido por Jesus e a Terceira
Revelação de Deus aos homens, com a finalidade de restaurar o Cristianismo Primitivo na Terra, ou
seja, a Religião do Cristo, conforme nos mostra Emmanuel, em “Opinião Espírita”, em seu último
capítulo. Está lá, na obra citada, sob o título “Evangelho e Espiritismo”.

“A Gênese”, o livro final da Codificação e que enfeixa arrojadas teses de ciência e filosofia,
enfileira dezoito capítulos, com mais de cem artigos, dos quais mais da terça parte se referem
exclusivamente a passagens e lições do Divino Mestre, acrescendo notar que a obra principia,
aceitando o Espiritismo em sua missão de Consolador Prometido, com a função de explicar e
desenvolver as instruções do Cristo, e despede-se com admiráveis reflexões sobre a geração nova e a
regeneração da Humanidade.”

E continua esta obra com as extraordinárias interpretações, à luz dos princípios fundamentais
do Espiritismo, dos “Milagres”, dos “Fluidos” e das “Predições”, mostrando que tais fatos estão
subordinados às leis Naturais, não sendo, portanto, “sobrenaturais”, deixando bem claro que a época
dos “Milagres” já passou e que a mais segura interpretação dos atos e ensinos de Jesus é dada pelo
Espiritismo, como ele mesmo no-lo demonstra na sua análise, de tais realidades, constantes do
Evangelho.

E “A Gênese” termina com um belo estudo sobre o “final dos tempos”, recordando-nos que
o “fim do mundo” significa o fim das iniquidades e a passagem do planeta Terra para a fase de
regeneração, ressaltando que “unicamente o progresso moral pode assegurar a felicidade dos
homens sobre a Terra”, somente ele pode fazer reinar entre os homens a concórdia, a paz e a
fraternidade.

******
Segundo Humberto de Campos, em sua obra “RELATOS DA VIDA”, o mundo conheceu sete
maravilhas , nascidas de mãos humanas, quais: o Túmulo de Mausolo; a pirâmide de Quéops; o farol
de Alexandria; o colosso de Rodes; os jardins suspensos de Semirâmis, em Babilônia; a estátua de
Zeus, em Olímpia, e o templo de Diana , em Éfeso.

O mundo de hoje contempla as suas maravilhas: Os arranhas –céus de Nova Iorque; a torre
Eifel de Paris: a catedral de Milão: o museu do Louvre: o palácio de Versallhes; a construção de
Veneza e o Canal de Suez, além de outras como o telégrafo , o transatlântico , o avião, o anestésico, o
rádio, a televisão e a energia atômica..

Mas , é sem sombra der dúvida, o LIVRO, a maior maravilha de todos os tempos por
veicular as idéias, os pensamentos e os conhecimentos que fazem a Humanidade caminhar no campo
da sabedoria , combatendo a ignorância e libertando consciências.

É por isso que Irmão X, em mensagem esparsa, registrada em “Dicionário da Alma”, assim se
pronunciou: “Depois da oração, é o livro a única escada, pela qual o Céu pode descer à Terra. Em
verdade, quando um povo abandona o livro, começa a penetrar, sem perceber, o vale da estagnação
e da morte.”

Para nós ,os espíritas, o Livro ganhou nova dimensão pela difusão da idéia espírita que
consubstancia a Terceira Revelação de Deus aos homens, trazendo-lhes a maior FONTE DE
INFORMAÇÕES acerca da Vida e do Universo, no esclarecimento dos problemas existenciais.

Graças a ele tivemos os lO Mandamentos , o Evangelho de Jesus e a Codificação
Kardequiana, ampliada e desdobrada notadamente pela obra mediúnica de Chico Xavier, em nossos
dias. Graças a ele passamos a entender que existe um PLANO DIVINO em desenvolvimento ,
revelando o “determinismo do BEM e do AMOR” , na feliz expressão de Emmanuel, através da
mediunidade missionária de Francisco Cândido Xavier.

Essas considerações são para lembrar a importância do LIVRO ESPÍRITA, aqui
corporificado na obra básica do Espiritismo - “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” - que nos traz a
Terceira Revelação de Deus aos homens, a partir de ALLAN KARDEC até os nossos dias, com os
esclarecimentos progressivos de LÉON DENIS, GABRIEL DELANNE e a obra mediúnica
extraordinária de CHICO XAVIER, por oferecer sua notável contribuição para o melhor entendimento
de Jesus e Kardec, direcionando, assim, predominantemente, o Espiritismo para o aspecto religioso –
sem esquecer os demais – objetivando atender à maior necessidade da Humanidade que é a
RELIGIÃO, nos corações humanos.
E nesses cento e trinta anos, após a desencarnação de Allan Kardec (1804-1869), a bibliografia
espiritista se enriqueceria de notáveis contribuições doutrinárias de autores encarnados, verdadeiros
gigantes do pensamento kardequiano, como:
GUSTAVO GELEY, principalmente com a sua gigantesca obra “Evolução Anímica”,
CROOKES e ERNESTO BOZZANO, o primeiro com “Fatos Espíritas”, extraordinárias
experiências com o Espírito “Kate King” e o segundo com suas notáveis monografias, em torno das
experimentações mediúnicas, destacando-se as obras “Das Manisfestações Supranormais entre os
povos selvagens”, “Pensamento e Vontade”, “Animismo e Espiritismo”;
AKSAKOF, concorrendo com seus estudos e observações experimentais para a comprovação
da tese imortalista, colocando, todos esses cientistas do Espírito, a tão decantada “Transcomunicação
Instrumental”, como um “arremedo laboratorial” ;
J. HERCULANO PIRES, considerado por Chico Xavier como “o melhor metro que mediu
Kardec”, por suas apreciações críticas em torno da Codificação Kardequiana, principalmente “O
Espírito e o Tempo”, “Parapsicologia e suas perspectivas”, etc, etc. ;
DEOLINDO AMORIM, com suas notáveis e sérias aplicações doutrinárias, em torno dos
postulados espiritistas, notadamente, “O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualistas”;
DR. INÁCIO FERREIRA, com seu gigantesco trabalho de aplicação dos princípios
doutrinários na área da Psiquiatria, traçando “novos rumos à Medicina”;
CLÓVIS TAVARES, MARTINS PERALVA e DR. ELIAS BARBOSA, com suas apreciações
doutrinárias em torno da obra mediúnica de Chico Xavier;
CANUTO DE ABREU, com seu trabalho de documentação espírita;
CAIRBAR SCHUTEL, com seus livros seguros e doutrinários sobre o pensamento de Jesus e
Kardec;
HUMBERTO MARIOTTI, com seus estudos sociológicos à luz do Espiritismo,
principalmente, “O Homem e a Sociedade numa nova civilização”;
DR. BEZERRA DE MENEZES, com seus “ESTUDOS FILOSÓFICOS”, no começo do século
XX!

Nessa ordem de idéias, é justo que volvamos nossos pensamentos para a figura ímpar de
CHICO XAVIER, principal instrumento do Alto para a corporificação das idéias espiritistas.

A pretensa idéia de superação de Kardec ficou desmistificada com a verdadeira natureza da
evolução do Espiritismo, através dos ESCLARECIMENTOS PROGRESSIVOS trazidos pela obra
mediúnica de Chico Xavier que passa a ser o PRINCIPAL RIO e os demais médiuns seus
AFLUENTES, contribuindo para a demonstração da tese imortalista e a comunicabilidade dos
Espíritos como uma das forças da natureza.

As questões propostas pelas Obras Básicas de Allan Kardec encontram na obra mediúnica de
Chico Xavier o seu natural desenvolvimento, colocando o Espiritismo no contexto geral da Cultura
como uma crença raciocinada, voltada para a confirmação da obra genial de Kardec, revivendo o
Cristianismo Primitivo. E essa contribuição mais se consolida quando já temos a notícia de que Chico
Xavier é o próprio Allan Kardec, que retorna às telas da História para completar e desenvolver a
Codificação, em base predominantemente religiosa, porque se o CODIFICADOR direcionou a nova
Revelação para os aspectos Científico e Filosófico, sem esquecer o Religioso, notadamente em “O
Evangelho Segundo o Espiritismo”, a OBRA MEDIÚNICA DE CHICO XAVIER direcionou-a para o
aspecto RELIGIOSO, consubstanciando a Religião da Sabedoria e do Amor , sem esquecer os demais
aspectos, ensinando-nos, no dizer de Emmanuel (“Mandato de Amor”) “que a coisa mais
importante que cada um de nós poderá fazer na vida é seguir o mandamento cristão que nos
aconselha a amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.

***
Por tudo isso que valorizamos o LIVRO ESPÍRITA como a maior maravilha que a humanidade
já teve, repetindo Humberto de Campos – sendo grande a responsabilidade dos espíritas face a sua
divulgação.

Reverenciamos, assim, ALLAN KARDEC e a obra mediúnica de CHICO XAVIER,
saudando o Livro Espírita, como a JANELA que se abre para o Universo, sob a ótica da III Revelação,
a Crença que norteará, no Terceiro Milênio, o novo tipo de CULTURA que está nascendo na Terra,
conforme preconizamos em nossa obra “Bases do Espiritismo” e nos termos da questão nº 798, de “O
Livro dos Espíritos”, com vistas à destruição do maior inimigo das Religiões : o Materialismo !

Salve, pois, o Livro Espírita, no dealbar do Terceiro Milênio !
É muito comum entre os pensadores e psicólogos materialistas a crítica que fazem à maneira
pela qual os espíritas encaram as “situações-problemas”, isto é, as PROVAS e EXPIAÇÕES, dizendo
que a aceitação ou resignação espírita, perante tais fatos, quando não é uma sujeição ou conformismo
místico-religioso, trata-se de uma despersonalização humana, uma reação deprimente e passiva,
inadmissível no ser humano.

A verdade é que tal “modo de ser” espírita não é uma atitude passiva e inconsciente, que é
própria do conformismo, mas ativa e consciente, pois, decorre de uma real compreensão da vida em
termos de um evolucionismo reencarnacionista, e nem constitui uma despersonalização do ser humano,
mas de uma sublimação da personalidade e que nos é ensinada pelo Cristo, conforme nos mostra
Herculano Pires, em sua obra "O Homem Novo”:

“Quando o Espiritismo ensina a conformação diante das doenças e da morte, o perdão das
ofensas e das traições, nada mais está fazendo do que repetir as lições evangélicas.”

A aceitação ou resignação espírita tem a embasá-la os ensinamentos da Jesus, à luz do
Espiritismo.

Assim, e sem pretender esgotar a problemática existencial, se o Espírita é acometido de grave
doença, entende estar sendo vítima de seu próprio carma, com o dever de procurar a Medicina
salvacionista que Deus colocou na Terra, para debelar as doenças e combater a Dor , resignando-se se
não conseguir superá-la;

se a morte lhe rouba prematuramente um ente querido, compreende que estão sendo cumpridos
os desígnios da Providência, por saber que tal desencarnação pode estar ligada a um ciclo de vida
interrompido voluntariamente (suicídio) em uma existência anterior ou ainda o pagamento de dívida
do passado, quando não visa a evitar maiores males na presente encarnação; se alguém lhe ofende, se
perde todos os bens materiais, enfim, face a qualquer situação-problema, sabe que tudo isto está
vinculado ao seu Quadro de Provas e Expiações, portanto, sob a égide da Lei de Causa e Efeito, em
termos reencarnacionistas!

Aliás, Allan Kardec diria: “A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e
a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio.”
(“O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Cap. V, item 14)

Mas tal conquista interior é válida para todas as “situações –problemas” que funcionam como
verdadeiros “estímulos” deflagrando no ser humano dois tipos de respostas:

Negativs - Se a criatura não tem as defesas espirituais imunológicas, decorrentes de
uma concepção do mundo e das coisas, capazes de garantir sua estabilidade emocional, trazendo, como
conseqüência, as disfunções ou anomalias psicofísicas, ou ainda “conflitos” com a sociedade, em
termos de reações agressivas, tudo isto formando um quadro de inconformação , onde a revolta, a
ignorância, a tristeza, o desespero, a impaciência, a ausência de boa vontade, de aceitação e fé na
Bondade Divina ocupam lugares de destaque , desestabilizando o ser;

Positivas - Em razão de uma Fé raciocinada, como a Espírita, que oferece uma
proposta imortalista, em termos de um Evolucionismo Palingenésico, apresentando-se como o
verdadeiro “processo libertador” (Emmanuel) de consciências, objetivando auxiliá-lo na solução de
seus problemas existenciais com vistas à conquista do “modo de ser” da aceitação.

Vale lembrar aqui a fala evangélica de nosso querido CHICO XAVIER, “À sombra do
abacateiro” (obra de Carlos A . Baccelli): “Quando demonstramos boa vontade, aceitação, os
benfeitores da Vida Maior nos auxiliam a descobrir o caminho... Vamos fazer força para reclamar
sempre menos e auxiliar sempre mais. Talvez que 60 a 80% de nossas doenças, ou dos donos das
doenças, foram adquiridas através dos choques da intolerância, das ofensas ou falta de perdão...”

CONCLUINDO: A análise do presente tema, recorda-nos a beleza e a importância da Fé
Espírita que nos mostra a vida corpórea como um “ponto” no infinito e todos nós, portadores ainda de
“sombra e luz”, destinados à perfeição, através das sucessivas existências, com o dever de agradecer a
Deus as provas e expiações que nos fazem evolver, e dando, conseqüentemente valor à presente vida
como meio de conquista dos valores evangélicos e como forma de superação de nossas limitações
psicofísicas, FÉ esta que é fator condicionante da ACEITAÇÃO e, portanto, da paz interior, da
harmonização íntima, da serenidade e da confiança em Deus. Vale lembrar André Luiz, em sua obra
“Agenda Cristã”: “A resignação nasce da confiança.”

*******
Não só a França mas também o mundo comemora o bicentenário da Revolução Francesa, que
nos legou, em termos revolucionários, os princípios de LIBERDADE, de IGUALDADE e de
FRATERNIDADE e que, hoje, constituem a maior aspiração da Humanidade, com vistas à solução
dos problemas humanos.

Em relação à LIBERDADE, é bom recordar que não estamos referindo-nos aqui à liberdade
psicológica, ou seja, à capacidade do ser racional e consciente de autodeterminar-se, ante a
multiplicidade de alternativas de opção que se lhe oferecem (livre-arbítrio), mas sim, à liberdade
individual, social e política que justifica um estado de ausência de coação no processo de adaptação
recíproca do indivíduo em sociedade.

Sabemos nós, todavia, que essa Liberdade pode ser apenas “formal”, “jurídica”, “abstrata”, mas
não “real”, que exige estruturas sociais que dêem, de fato, a todos a possibilidade de agir, de viver no
sentido de usufruir de seus direitos fundamentais. Assim, não pode ser apenas a “liberdade formal” de
viver, de pensar, de trabalhar, de buscar o bem-estar material, etc, mas também de possuir as
CONDIÇÕES MATERIAIS, oferecidas pela sociedade organizada, para atingirmos realmente tais
objetivos.

Aqui caímos na área do princípio da IGUALDADE, uma das mais fortes aspirações do homem
e que se fundamenta na “igualdade essencial” de todos os seres humanos, exigindo, principalmente, a
realização da JUSTIÇA SOCIAL em todas as suas formas.

Ao lado desses dois princípios, está o da FRATERNIDADE, que exprime a condição de
irmandade das criaturas humanas, isto é, o que une dois ou mais seres, pressupondo a aceitação do
conceito de DEUS-PAI e que constitui o ponto central do Evangelho de Amor de Jesus. Na verdade, se
Deus é nosso Pai, somos todos irmãos! O princípio da Paternidade Universal é o que fundamenta,
assim, o AMOR, a SOLIDARIEDADE que devemos uns para com os outros!

Se é assim, somente com esse princípio da FRATERNIDADE será possível a síntese
harmoniosa, a conciliação entre os princípios de LIBERDADE e IGUALDADE, com vistas à mais
perfeita realização dos direitos fundamentais do homem...

Entendemos nós, assim, que somente com a FRATERNIDADE é que teremos na Terra a
concretização da “FASE COLABORACIONISTA” de que nos dá notícia “SUA VOZ”, em “A
GRANDE SÍNTESE”, ou a SOLIDARIEDADE UNIVERSAL de que nos fala EMMANUEL, na obra
mediúnica de Chico Xavier.

Se isto é verdade e se historicamente a Liberdade teve na França e nos Estados Unidos a sua
maior manifestação; se a igualdade teve na Rússia o ponto de partida, ambos os princípios com os
extremismos próprios de cada experiência, qual a Nação que exemplificará o princípio da
Fraternidade?

Evidentemente e por tudo que nos têm dito os Espíritos, notadamente HUMBERTO DE
CAMPOS, em “Brasil – Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, pela psicografia de Chico Xavier,
caberá à PÁTRIA BRASILEIRA, ainda que tenha de pagar um alto preço, a materialização da
Fraternidade, com vistas à frutificação da árvore do Evangelho, transplantada da Palestina para a
Região do Cruzeiro! ...
Nesse sentido, podemos dizer que o Brasil está dando os primeiros passos na concretização da
maior revolução de todos os tempos, que é a aplicação do AMOR, ensinado e exemplificado por Jesus,
agora revivido pelo Espiritismo, o Consolador Prometido pelo Mestre – aplicação essa, notadamente,
através da obra assistencial.

Essa é a mais autêntica REVOLUÇÃO que a Humanidade viverá e que tem em JESUS o maior
revolucionário de todos os tempos!...

Salve, pois, o bicentenário da Revolução Francesa!

Salve também o BRASIL – Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, promessa divina no
concerto das Nações!

********
Estamos em pleno mês de dezembro, época em que nossos corações batem mais intensamente
sob as vibrações de bondade e caridade, suscitadas pelo Natal de Jesus. E nada melhor do que tecer
considerações em torno de um dos aspectos da assistência fraterna em nossa Uberaba, e que reflete o
caráter generoso de seu povo. Mas, falar dos sentimentos de bondade e fraternidade do povo
uberabense é um pleonasmo, pois, se existe uma característica marcante da nossa querida Uberaba, é
exatamente a da manifestação de solidariedade para com seus semelhantes.

Neste sentido e sob o título que encima este artigo, HUMBERTO DE CAMPOS, em sua obra
“SEPULTANDO OS MEUS MORTOS”, ainda quando encarnado, teve oportunidade de apreciar, em
extraordinária crônica, essa característica fraterna através de um fato que só ocorre em Uberaba, por
ocasião da desencarnação de seus entes queridos: o “CULTO DE SAUDADE”!

O “Culto de Saudade” é uma iniciativa genuinamente uberabense. Aqui nasceu e não teve
imitação em qualquer outro lugar. Segundo informações de D. DULCE, viúva do saudoso GASTÃO
CRUVINEL RATO, ele nasceu por iniciativa deste, quando da desencarnação de D. Maria Carolina
Costa, que era casada com o Sr. Francisco Sebastião da Costa, fundador da “Farmácia São Sebastião”,
fato que se deu em setembro de 1929. E nasceu tal instituição com o objetivo de substituir as
homenagens prestadas aos considerados mortos e seus familiares, através de flores e coroas, pela
contribuição em dinheiro, espontaneamente e sem fixação de valores, revertendo o montante
arrecadado, durante o velório, em favor das Casas Assistenciais ou em favor de alguma família
necessitada, sendo certo que o Asilo Santo Antônio foi o primeiro beneficiado naquela oportunidade.

Assim, com tal “Culto de Saudade”, passamos a ver em Uberaba, nos velórios, um espetáculo
“sui-generis”, qual seja a substituição de flores e de coroas por donativos que são destinados aos mais
necessitados. É também a substituição do trabalho daqueles irmãos nossos que, no cemitério, têm a
incumbência de encher carroças com o entulho provocado pela quantidade de flores e coroas. E ainda
mais, evitar a triste experiência de São Paulo, quando os familiares da pessoa desencarnada
solicitavam , através de jornais, que não fossem remetidas flores e coroas para os velórios, pois, tal
envio, estava causando problemas não só com a necessidade de salas para acomodá-las, como também
de veículos de transporte para o cemitério!...

Assim, se a flor é uma expressão de saudade, cada amigo, fazendo um donativo em dinheiro,
assinando seu nome em uma lista, colocada em mesa, durante o velório, estará demonstrando seus
sentimentos de pesar e solidariedade junto aos familiares do desencarnado.

E para grande alegria de todos nós, a iniciativa encontrou ressonância no coração dos
uberabenses que passaram a ter mais uma oportunidade de fazer caridade, transformando as citadas
homenagens em benefícios , em alívio aos necessitados, aos sofredores. Temos notícia da criação de
vários tipos de assistência fraterna, seja através da distribuição de pães, sopas, gêneros alimentícios,
roupas e agasalhos, calcados neste costume, isto é, de transformar as homenagens em amparo aos que
se encontram, momentaneamente, mais carentes do que nós. E muitas delas acabaram por se
transformar em assistência periódica – isto é , mensal ou semanal.
Mas, por que estamos trazendo à nossa meditação uma instituição que está
plantada em nossa terra há mais de meio século?

É que, lamentavelmente, estamos assistindo, de algum tempo a esta parte, ao RETORNO
NEGATIVO da prática do envio de flores e coroas, substituindo o “Culto de Saudade”, que já estava
incorporado aos costumes colaboracionistas da cidade de Uberaba, com evidente prejuízo para uma
experiência que resolvia o problema de espaço para tais lembranças materiais e colocava a nú os
sentimentos de legítima fraternidade que é uma característica do povo uberabense!

É por isto que todos nós, de qualquer ideologia ou religião, devemos nos dar as mãos,
trabalhando pela manutenção do “Culto de Saudade”, agindo e recomendando aos nossos familiares
que continuem transformando em pão para a “boca escancarada dos vivos”, as flores que pretendem
destinar à “boca fechada de uma sepultura”, na feliz expressão de Humberto de Campos, em sua
Crônica acima-mencionada, realizando, assim, um Natal permanente de Jesus.

Nesse sentido, gostaríamos de recordar pequeno trecho da mensagem de AUGUSTO CÉZAR,
recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na CEC, em 02 de novembro de 1974, em que ele
diz:

“O melhor negócio é trabalhar com todos os necessitados do caminho por sócios ativos em
nossos dividendos por menores que sejam.

Mãezinha, hoje é um dia de aniversário geral. Todos lembrados nos dois
planos da vida.

Muito grato por sua presença com os nossos laços do coração nas
preces de hoje. Convertam vocês aí as flores das homenagens em apoio aos que
sofrem mais que nós mesmos. Teremos três benefícios juntos: pouparemos as flores em
seus ninhos de origem, cooperaremos em favor de irmãos matriculados na penúria
inesperada e prestaremos serviço a nós mesmos. Porque , como se vê na prece famosa – “é
dando que se recebe”. (O grifo é nosso.)

********
A Literatura Espírita Brasileira se enriqueceu com o lançamento do livro “SEXO E
EVOLUÇÃO”, de autoria de Walter Barcelos, recebendo considerações preciosas de J.Martins Peralva
e de Dr. Umberto Ferreira.

Nós poderíamos mostrar a beleza e a importância da obra, trazendo à discussão a questão das
questões: SEXO, LIBERAÇÃO OU CONTROLE?

Evidentemente tal questionamento se impõe numa fase histórica da Humanidade em que o
FATO SEXUAL, a exemplo do movimento feminista, provocou a derrubada de “tabus” e preconceitos
de uma Sociedade que, durante séculos, impôs suas “regras” de conduta sexual, levando os indivíduos
às neuroses de toda sorte. E como conseqüência dessa “revolta”, procuram os seres se libertarem total
e definitivamente em relação aos seus “impulsos sexuais”. Do extremo do “controle” absoluto
passou- se ao de absoluta liberação das energias sexuais, ficando a Sociedade com o dilema:
LIBERAÇÃO ou DISCIPLINA total do sexo?

É claro que ficamos com a tese da DISCIPLINA, defendida pela Doutrina dos Espíritos e isto
porque os indivíduos e a Sociedade somente puderam e poderão progredir, embora lentamente, pela
EDUCAÇÃO, pelo CONTROLE e SUBLIMAÇÃO das energias sexuais, devendo verificar-se,
todavia, tal DISCIPLINA não por IMPOSIÇÃO de uma Sociedade hipócrita, mas pelo próprio
INDIVÍDUO, com base numa concepção da Vida e do Universo, racional e lógica, como é a Espírita,
oferecendo respostas satisfatórias à problemática sexual.

Na verdade, temos incalculáveis forças que tanto nos podem conduzir à morte espiritual, se
deixadas ao seu livre curso, como à verdadeira Vida, se convenientemente controladas e canalizadas
para o desenvolvimento do indivíduo e da Sociedade. E embora existam psicólogos materialistas que
defendem a tese da liberação sexual como o melhor mecanismo evolutivo, individual e social, muitos
outros, todavia, sustentam que na base dessa evolução deve estar a reelaboração das tendências
instintivas, operando-se a passagem do EGOÍSMO para o ALTRUÍSMO, através do
DISCIPLINAMENTO com CONTROLE e RESPONSABILIDADE, pelo TRABALHO, pela
EDUCAÇÃO e SUBLIMAÇÃO das energias criadoras do Homem.

Tal entendimento é secundado por inúmeros Sociólogos e Filósofos, observando as Sociedades
Contemporâneas-primitivas, como é o caso do Prof. Carlos Campos, em sua “Sociologia e Filosofia do
Direito”, conciliando as teorias de Freud e Adler, por demonstrar, experimentalmente, que os
princípios do PRAZER e da UTILIDADE podem coexistir e se complementar, quando o PRAZER se
converte em REALIZAÇÃO ÚTIL, através da imposição moral , social da REALIZAÇÃO
EXTERNA, processando-se tal conversão em benefício da personalidade e do meio (Prazer
Socializado).

E nós sabemos que é pela Razão e pelo Livre-Arbítrio que o Homem disciplina o impulso
sexual EDUCANDO-O e SUBLIMANDO-O, através das forças positivas que a Vida oferece,
elevando-se acima das exigências biológicas e das ilusões sensoriais. E Allan Kardec, demonstrando a
sua modernidade, na questão 696, de “O Livro dos Espíritos”, afirma que “a união livre e fortuita do
sexo pertence ao estado de natureza”, e a abolição do casamento seria o retorno à vida dos animais,
porque ele é um dos primeiros atos de progresso nas Sociedades humanas, estabelecendo a
solidariedade fraterna entre os seus membros.
Estudando a matéria Walter Barcelos, em sua primogênita obra, assim nos fala:

“A energia sexual, em época alguma, será aniquilada nas engrenagens sutis da alma, porque ela
faz parte da essência da Criação, e dentro da Lei de Evolução será transformada, renovada e purificada
pelos mecanismos da sublimação, através dos milênios de lutas, trabalhos, reeducação e
aperfeiçoamento, para que possamos participar com a túnica nupcial, do banquete do Amor Universal,
entre as almas purificadas, dentro da Eternidade gloriosa.”

Do programa “Terceira Visão”, numa entrevista com Francisco Cândido Xavier, extraímos
a seguinte questão:

JUAREZ SOARES: - Um assunto que está sempre em discussão e chama a atenção do público, é o
problema da liberação do sexo. Eu gostaria, Sr. Chico Xavier, que o Sr. me dissesse o que pensa a
respeito desse assunto?

CHICO XAVIER: - “A liberação do sexo é um problema muito difícil de se apoiar, porque o homem
tem deveres para com sua companheira e a companheira dele tem também os seus compromissos para
com ele. A liberação do sexo é mais um motivo para que a irresponsabilidade se alastre no mundo e
crie a infelicidade de muitos lares, aumentando quase que pavorosamente o número de desquites nos
tribunais.”

***
Esta com outras questões deverão crescer nos estudos e nas pesquisas sobre o problema
sexual, produzindo frutos de sabedoria e amor, como todos desejamos.

********
Estamos neste mês vivendo as emoções do aniversário de lançamento de “O LIVRO DOS
ESPÍRITOS”. Recordamos Kardec na “CONCLUSÃO” (item V) da citada obra, quando nos diz que já
deixamos para trás o período de “curiosidade fenomênica”, para ingressarmos nos de raciocínio e
conseqüente aplicação dos ensinos kardecianos que revivem Jesus.

Recordando Kardec, vemos com alegria a expansão da IDÉIA ESPÍRITA em todo o mundo, e
isto em todas as direções, inclusive, de algum tempo a esta parte, registramos a sua presença nas telas
do cinema e do vídeo, abordando a temática espírita, mais recentemente com “GHOST – DO OUTRO
LADO DA VIDA” e “O SEXTO SENTIDO”.

É evidente que não é a primeira vez que o cinema aborda a questão da VIDA ESPIRITUAL
APÓS A DESENCARNAÇÃO. Vemo-la em “O CÉU PODE ESPERAR”, “ALGUÉM LÁ EM CIMA
GOSTA DE MIM” e, mais recentemente, “ALÉM DA ETERNIDADE”, de Steven Spielberg. Aliás,
registramos aqui e ali aspectos da Doutrina Espírita que são abordados em filmes, como, por exemplo,
“JULIETA DOS ESPÍRITOS”, de Felini, em que este apresenta o fenômeno mediúnico em plano de
supernormalidade, misturado com astrologia e misticismo.

A REENCARNAÇÃO também é abordada em: “NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI”; “A
REENCARNAÇÃO DE PETER PROUND”; “MANIKA - A REENCARNAÇÃO DE UMA
ADOLESCENTE”, que tem por base um caso verídico de pluralidade das existências.

Relacionamos, ainda, outros filmes em que são abordados fenômenos e princípios: “O
MUNDO FANTÁSTICO DO SOBRENATURAL”, focalizando: as Irmãs Fox, Nostradamus e as
sessões espíritas na Casa Branca com o então Presidente Lincoln; “OS INOCENTES” e, ainda, “O
FANTASMA APAIXONADO”, de Mankiewiecz; “O PÁSSARO AZUL”, com Shirley Temple;
“MEU ADORÁVEL FANTASMA”; “UM ESPÍRITO BAIXOU EM MIM”; “MINHAS VIDAS”,
com Shirley Mac Laine; “O MÉDIUM”; “JOELMA – 23º ANDAR”; “O ADORÁVEL
AVARENTO”; “O ENIGMA DO MAL”; “FANY E ALEXANDER”; “O AMOR ALÉM DA VIDA”;
“O SEXTO SENTIDO”; etc, etc...

Mas, sem sombras de dúvida, “GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA” e “O SEXTO
SENTIDO” constituem excelentes filmes, revelando a beleza da idéia espírita e provocando, inclusive,
sucesso de bilheteria, podendo ser considerados, como dizem os críticos, IMPERDÍVEIS ! Assim é
que “GHOST” aborda uma história de amor, em termos imortalistas, que chega às lágrimas, como
ocorre no seu final. É a história de um amor que transcende a morte, mostrando a existência do
Espírito na sua nova condição de desencarnado a insistir em manter contato com o mundo corpóreo,
pelas razões que o leitor deverá ter constatado pessoalmente. Já “O SEXTO SENTIDO” que a crítica
aclamou como um dos melhores filmes do ano e que nós reputamos o melhor de todos, é a história de
um conceituado psicólogo infantil, atormentado pela terrível lembrança de um jovem paciente que ele
não foi capaz de ajudar, quando encontra um garoto de oito anos com o mesmo problema, portador que
era da faculdade mediúnica da vidência. Com um roteiro inteligente o filme tem um desfecho
surpreendente e imprevisível de bela conotação espírita.
É verdade que se podem questionar alguns aspectos da abordagem mediúnica. Todavia, os
filmes valem no seu contexto geral, mostrando a idéia espírita no cinema e, talvez, o início de uma
nova fase cinematográfica, promovendo o renascimento dos verdadeiros valores, que são os do
ESPÍRITO, com repercussão positiva no seio da comunidade que está cansada de ver sexo e violência
na 7ª Arte. Quem sabe – e isto quando houver merecimento – não teremos nas telas cinematográficas,
as obras mediúnicas de CHICO XAVIER, de ZILDA GAMA, de Yvonne Pereira e outras ?!

***

Essas considerações nos fazem lembrar o pensamento de LÉON DENIS quando, falando sobre
a ARTE, assim se pronuncia:

“O Espiritismo vem abrir para a ARTE novas perspectivas, horizontes sem limites. A
comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as informações fornecidas sobre
as condições de vida no Além, a revelação que ele nos traz das Leis superiores da harmonia e da
beleza que regem o Universo, vem oferecer a nossos pensadores, a nossos artistas, inesgotáveis temas
de inspiração.”

Sob esse prisma, obras como “RENÚNCIA”, “AVE, CRISTO!”, “PAULO E ESTÊVÃO”,
“HÁ 2.000 ANOS...”, “50 ANOS DEPOIS”, de Emmanuel, recebidas por Chico Xavier e outras de
André Luiz, entre tantas existentes, não seriam um manancial de inspiração para a Sétima Arte?!

********
De algum tempo a esta parte, temos tido a comprovação de que não são as crenças tradicionais
o maior adversário do Espiritismo. Na verdade, é o MATERIALISMO que constitui a característica
principal de nosso Cultura, cujos efeitos estão presentes em todos os setores da vida, notadamente em
nossos MEIOS DE COMUNICAÇÃO, onde se procura derrubar os valores morais. A maior
manifestação de tentativa de derrubada dos valores morais está na TELEVISÃO, onde a degradação
sexual como o homossexualismo e o lesbianismo, bem como a violência, a toxicomania passaram a ser
coisas normais como se fossem aceitas pelo meio social. É a tentativa de desacreditar o sentimento de
religiosidade do nosso povo.

Assim, os problemas existenciais, presentes na vida social, no relacionamento humano, são
equacionados e resolvidos em termos de satisfação das formas sensórias ou materialistas de vida. É
assim que vemos o homem valer pelo seu status , que não é moral, mas econômico, dando-lhe a
projeção social, o poder, sendo suas atividades calcadas no princípio de que “o fim justifica os meios”.
Enfim, é a entronização das idéias negativistas em todas as suas atividades, alimentando os valores
hedonistas, pragmatistas e utilitaristas, apontando-os como critérios de verdade sensória ou
materialista.

Essas considerações críticas são válidas visto que presenciamos, cada vez mais, a influência
perniciosa das idéias materialistas na televisão, minando as bases da família, promovendo o
relaxamento dos laços familiares, dos costumes, etc.

Registramos com muita alegria, o mesmo pensamento através de nossa confreira Lúcia N.
Kfouri, em “Correio Fraterno do ABC”. É ela que nos chama atenção, com muita propriedade, para as
novelas “ROQUE SANTEIRO”, onde somente a parte negativa da sociedade ficou evidenciada;
“MANDALA”, onde as relações homossexuais e incestuosas são evidenciadas; em “VALE TUDO”,
onde o homossexualismo feminino tem a sua ponta, bem como a liberdade sexual; da mesma forma em
“O SALVADOR DA PÁTRIA”, onde a podridão social passa a ser coisa normal, bem como a
liberdade sem limites.

Surge, aqui, o problema da necessidade ou não da censura para o controle nas manifestações de
nossa imprensa escrita, falada ou televisionada, sem ferir os direitos fundamentais do homem, o que
seria anti-natural e inconstitucional.

Nesse sentido, falando sobre a liberdade dos meios de comunicação, Chico Xavier, quando
questionado em entrevista concedida à “Goiás Espírita”/1987, assim se pronunciou:

“A imprensa é a grande comunicadora. Sem a imprensa nós estaríamos em colinas e morros,
com muito pouca diferença dos índios primitivos. Agora, eu creio que a imprensa consciente deveria
formar UM CONSELHO COM SEUS PRÓPRIOS ELEMENTOS, OS MAIS RESPONSÁVEIS. Uma
cúpula de seis homens ou mulheres para criticar e criar normas éticas. Somente assim se evitariam
esses desatinos que nós estamos vendo. A censura oficial é inconcebível. Se a imprensa tivesse um
conselho próprio, fora da autoridade ditatorial dos governantes, seria modificada para melhor.”
Felizmente, a promessa de JESUS de que teríamos o Consolador está sendo cumprida,
objetivando revitalizar os valores cristãos, por oferecer uma interpretação racional dos ensinos de
Jesus. Podemos afirmar que o ESPIRITISMO é a mais preciosa fonte de informações imortalistas da
atualidade, alimentando as bases da moral social, na revivescência dos ensinos de Jesus.

Daí nos rejubilarmos quando a Globo fez o relançamento da novela “A VIAGEM”, de fundo
doutrinário espiritista, tendo o nosso Chico assim se pronunciado a respeito:

“Esta é uma história muito bonita e esclarecedora. Ela mostra que a morte não é o fim. Nós
morremos, mas nossa missão continua no Plano Espiritual. Se a Ivani repetir a história com a mesma
fidelidade, será maravilhoso. E, certamente, acompanharei tudo novamente” (Revista “Contigo” de
21/03/94).

Tomara que, muito em breve, a televisão possa ser um instrumento valioso de progresso,
colocando a ARTE A SERVIÇO DO BEM.

*******
“Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.” (Mateus, 8;7)

Uma das mais belas manifestações da mediunidade é, sem sombra de dúvida, o PASSE
CURADOR, aplicado em nossas Casas Espíritas, principalmente através das “Câmaras de Passe”,
nascidas da orientação de Chico Xavier. E é por isso que devemos observar a recomendação de André
Luiz, pelas vias mediúnicas: “Cultivemos o passe, no veículo da oração, com o respeito que se deve a
um dos mais legítimos complementos da terapêutica usual” , lembrando que o Evangelho apresenta
Jesus ao pé dos sofredores, impondo as mãos.

Emmanuel, através de Chico Xavier, afirmaria que somente em Jesus-Cristo poderemos fazer
do passe motivo de santidade e honra, porque Ele é o luminoso e indiscutível padrão. Daí porque,
sendo muitos os aspectos relacionados com tal prática mediúnica, é nosso propósito apenas abordá-lo
tão-somente sob o de sua finalidade evangélica e fidelidade aos princípios da Codificação.

Todos nós sabemos que o PASSE ESPÍRITA não se restringe a um fenômeno de fé, vez que
sua aplicação tem beneficiado a todos que dele se utilizam, levando-lhes o equilíbrio psico-somático.
Embora assim encarado, deve ser aplicado com toda a religiosidade, objetivando alcançar a cura ou o
alívio, sob a égide de Jesus, apresentando-se o médium como simples instrumento dos Espíritos, com
bastante amor no coração, fraternidade, boa-vontade e total desprendimento, dando de graça o que de
graça recebeu, sabendo que os recursos curadores são manipulados no grande “laboratório” do
Mundo Invisível.

Na aplicação dos passes, o médium deve observar o que nos prescrevem os Espíritos:
• Foge à indagação dos resultados, porque estes pertencem a Jesus;
• Não teme a exaustão das forças magnéticas;
• Evita a gesticulação violenta, a respiração ofegante, e de que nem sempre se faz
necessário o toque direto, pois basta a simples imposição das mãos como fazia Jesus;
• Tem ciência que as curas “dão testemunho do poder de Jesus” e que, conforme diz
Kardec, em “A Gênese”, cap. XV, item 27, a grande finalidade de tais curas é provar que o
verdadeiro poder é o daquele que faz o bem; que o seu verdadeiro objetivo era o de ser útil,
prendendo a si as criaturas pelo coração.

Essas considerações são para nos lembrar o exemplo dado pelos nossos médiuns curadores,
espalhados por esse imenso Brasil, e, particularmente, em Uberaba e região, onde pontificaram um
JOAQUIM CASSIANO, ADELINO DE CARVALHO, BENTO POLVEIRO, DONA RUFINA,
PROF. CHAVES, JOÃO e LÁZARO, JOÃO URZEDO, ALFREDO BARBOSA, DONA MARIA
OLINA RITA, entre outros, e, regionalmente, EURÍPEDES BARSANULFO, DONA MECA,
MARIANO DA CUNHA, FREDERICO PEIRÓ, etc.

Entre tantos, gostaríamos de ressaltar, aqui, a figura de ANTUSA FERREIRA MARTINS, com
quem tivemos a felicidade de trabalhar por mais de trinta anos e que foi, sem dúvida alguma, um dos
maiores médiuns curadores que conhecemos e sobre a qual Chico Xavier teceu expressivas
considerações, afirmando, entre outras coisas, que ela trazia o remédio nas mãos.
A propósito, ainda, lembraríamos que essa abnegada servidora do Cristo foi um dos grandes
médiuns em matéria de CURAS E OPERAÇÕES ESPIRITUAIS, aplicando, através de suas inúmeras
faculdades mediúnicas, a terapêutica da prece, da água fluidificada, das práticas desobsessivas, dos
desdobramentos conscientes, vidência e, principalmente, dos passes – sua especialização mediúnica –
operando “prodigiosas maravilhas”, sem necessidade de competir com as ciências do mundo para
demonstrar a realidade do Espírito e sem sensacionalismo, observando sempre a pureza doutrinária,
apesar de suas limitações físicas (ela era surda e muda).

Antusa foi ainda exemplo para todos os médiuns. Nesse sentido, o nosso confrade Leonel
Sivieri Varanda teve oportunidade de ressaltar seus exemplos nas dimensões:

AS CINCO DIMENSÕES DA MEDIUNIDADE

Simplicidade Disciplina e perseverança

Incentivo e participação nos estudos

Devoção à tarefa Trabalho profissional

Antusa sabia da finalidade providencial do Espiritismo nas curas – porque aprendera com
EURÍPEDES BARSANULFO, em Sacramento, com quem convivera por alguns anos.

Todos aqueles que a conheceram ou que com ela conviveram, têm convicção de que ela
cumpriu bem a tarefa que a Espiritualidade lhe confiou. Permita Deus que ela possa, do Plano
Espiritual, continuar a espargir seus incontáveis benefícios em favor de todos nós.
Em nosso X ENCONTRO DE DIRIGENTES E COLABORADORES DE CENTROS
ESPÍRITAS tivemos a oportunidade de estudar, em conjunto, o tema “ORGANIZAÇÃO ESPÍRITA”,
à luz das “ANOTAÇÕES” de KARDEC sobre a formação de Grupos Espíritas e que estão nas obras
“O LIVRO DOS MÉDIUNS”, “A REVISTA ESPÍRITA” de l86l e “VIAGEM ESPÍRITA” em 1862, e
na obra mediúnica de Chico Xaveir.

São condições fundamentais para a difusão da Doutrina e para o bem da causa:

A) A multiplicação de reuniões pela constituição de PEQUENOS GRUPOS, ao invés de
grandes organizações(item 334 de “O Livro dos Médiuns”);

B) A “INTEGRAÇÃO” da família espírita, através da correspondência entre si, das VISITAS
fraternas, da TROCA de experiências, de observações, promovendo a UNIÃO dos Espíritas pelo
sentimento de FRATERNIDADE, caracterizado pela CARIDADE CRISTÃ (Item 334 de “O Livro
dos Médiuns) ;

C) A UNIFORMIDADE na Doutrina, isto é, a FIDELIDADE aos postulados espiritistas,
legados pelos Espíritos;

D) A ADMISSÃO de ELEMENTOS SÉRIOS e SINCEROS nos quais fala mais alto o
CORAÇÃO, sem prejuízo da RAZÃO, e que ACEITAM os princípios doutrinários, trabalhando com
AMOR à causa, com HUMILDADE, com SIMPLICIDADE, DESINTERESSE e ABNEGAÇÃO, a
fim de que hajam sazonados frutos na administração dos “INTERESSES EVANGÉLICOS”;

E) A HOMOGENEIDADE, isto é, a SIMPATIA, a AFINIDADE, sem divergências e
oposições sistemáticas;

F) Lembrando o caráter das principais VARIEDADES de espíritas, Allan Kardec ressaltou ,
para melhor formação dos Grupos , a necessidade da participação dos VERDADEIROS ESPÍRITAS
–CRISTÃOS, isto é, os que buscam as conseqüências morais ou evangélicas, e procuram praticá-las,
reinando, na prática, um sentimento de CONFIANÇA, de BENEVOLÊNCIA RECÍPROCA, sem
constrangimentos e sem fiscalização, corporificando o que disse JESUS: “Os meus discípulos serão
conhecidos por muito se amarem”;

G) Observar as condições favoráveis para uma sociedade que aspire à SIMPATIA dos Bons
Espíritos, principalmente as mencionadas por Allan Kardec, no item 341 do “O Livro dos Médiuns” e
em “Viagem Espírita” em 1862:

1 – Perfeita comunhão de idéias e sentimentos;
2 – Benevolência recíproca entre todos os seus membros;
3 – Renúncia de todo sentimento contrário à verdadeira caridade cristã;
4- Participação de pessoas SÉRIAS e SINCERAS que reconheçam as suas imperfeições, mas que
tenham o desejo e a perseverança no propósito de se emendar.

H) Estabelecer um REGULAMENTO (Estatuto) SIMPLES (sem as complicações da forma),
dando os espíritas participantes o exemplo da sua submissão às leis;
I) Além da PROFISSÃO DE FÉ, na unidade de princípios, o ESTUDO PRÉVIO e a PRÁTICA
DA CARIDADE devem ser a tônica dos profitentes espiritistas (Revista Espírita de 1861 –
“Organização Espírita”).

******

São esses os principais PARÂMETROS , apontados por Kardec e os Espíritos, para a boa
formação dos Grupos espíritas e que foram desenvolvidos pela obra mediúnica de Chico Xavier,
notadamente, as diretrizes traçadas pelos Espíritos nas obras “EDUCANDÁRIO DE LUZ”,
“DESOBSESSÃO”, “O CONSOLADOR”, “PAULO E ESTÊVÃO”, entre outras obras e mensagens
esparsas. Aliás, são os únicos que podem fundamentar o nosso julgamento sobre o movimento
espírita, isto é, saber se o CONJUNTO das atividades levadas a efeito pelos Grupos , é ou não um
bom movimento e não por critérios em termos de QUANTIDADE no campo das realizações
espiritistas.O que vale realmente, é a QUALIDADE. Não vemos outra maneira para avaliarmos o
nosso movimento, senão em termos de FIDELIDADE a Jesus e a Kardec!

*******
O tema da UNIÃO dos Espiritas é sempre oportuno, dada a sua necessidade no movimento
espírita, nos termos em que os Espíritos o colocaram, a partir do próprio Codificador, Allan Kardec,
com a sua fala em “O Livro dos Médiuns”, no Cap. XXIX – item 334 e, posteriormente, com o
trabalho do Dr. Bezerra de Menezes, à frente da Federação Espírita Brasileira (FEB) e como
desencarnado, traçando diretrizes, principalmente através de sua mensagem “Unificação – serviço
urgente mas não apressado” , recebida pela mediunidade missionária de Francisco Cândido Xavier,
diretrizes essas que a FEB vem pondo em prática.

O que é UNIFICAÇÃO?

Mas , o que é UNIFICAÇÃO? Quais são as suas finalidades? Quais são os seus
fundamentos doutrinários?

Inicialmente , convém lembrar que ela se situa no campo da ADMINISTRAÇÃO espírita de
“INTERESSES EVANGÉLICOS”, na feliz expressão de Chico Xavier, em uma de suas cartas ao Dr.
Wantuil de Freitas e constante da obra de Suely Caldas, “Testemunhos de Chico Xavier”. Isto não
implica, todavia, em “CHEFIA HUMANA”, pois o Espiritismo não tem chefes encarnados,
formando uma “CASTA” elitista, com pretensões de comando, impondo-se os companheiros, no
movimento espírita, pela autoridade moral, pelo constante serviço no Bem, pelo trabalho
desinteressado, pelo desprendimento e acendrado amor à Causa Espiritista, com fidelidade a
Jesus e a Kardec, como é o caso de CHICO XAVIER.

Unificação é, assim, a UNIÃO dos Espíritas em torno da Codificação Kardequiana, sem
interferências descabidas nas instituições adesas, com respeito à AUTONOMIA e LIBERDADE de
pensar, opinar, criar e agir de cada uma sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios, sem
personalismos inconsequentes, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem
discriminações , sem formação de “castas”, com AMOR de JESUS sobre todos e VERDADE de
Kardec para todos (Bezerra de Menezes) objetivando FORTALECER e DINAMIZAR o movimento
espírita, a partir dos Centros Espíritas, através do ESTUDO, da DIFUSÃO e da PRÁTICA da
Doutrina Espírita. Está ESTRUTURADA com base nos Centros Espíritas e demais instituições,
através dos ÓRGÃOS unificadores LOCAIS, REGIONAIS, ESTADUAIS e NACIONAL (FEB.),
para “conjugar esforços, somar experiências, permutar informações e veicular esclarecimentos,
relacionados todos com as atividades doutrinárias (NESTOR MAZOTTI).

Isto significa a corporificação daquela orientação de A. Kardec quando, após recomendar a
MULTIPLICAÇÃO dos Grupos Espíritas, como a melhor forma de DIFUSÃO do Espiritismo,
exortou aos Espíritas à UNIÃO, em “O Livro dos Médiuns” (Capitulo XXIX, item 334), entendimento
este ratificado por muitos Benfeitores Espirituais, principalmente por EMMANUEL em “Seara dos
Médiuns”, “Doutrina e Vida”, “Doutrina e Aplicação”, “Doutrina de Luz”, “Fonte Viva”, etc, e tantos
outros Benfeitores Espirituais em mensagens esparsas.

FINALIDADES

Em síntese, como base de ação, objetiva tal serviço, a VALORIZAÇÃO dos Grupos Espíritas
pelo trabalho de apoio, de solidariedade .de compreensão e tolerância, recordando Emmanuel quando
nos fala: “EDUCARÁS AJUDANDO, UNIRÁS COMPREENDENDO” . É ,assim, a VIVÊNCIA dos
princípios contidos no Espiritismo que revivem Jesus ,como diretriz maior para os que executam tal
serviço junto ao movimento, sendo seus fundamentos doutrinários as OBRAS BÁSICAS de Allan
Kardec, desdobradas por LÉON DENIS, GABRIEL DELANNE e.principalmente a OBRA
MEDIÚNICA de CHICO XAVIER.
Vamos nos lembrar de EMMANUEL quando nos conclama à UNIÃO, dizendo:

“A reunião dos companheiros de ideal e de luta foi sempre o traço fundamental do Evangelho!

Reuniu-se JESUS aos discípulos e a BOA NOVA nasceu para redenção das almas.

Reuniram-se os discípulos nas catacumbas da oração e da esperança e a solidariedade lhes
traçou caminho heróico à vitória da fé.

Atualmente o Espiritismo que revive JESUS entre os homens não prescinde de semelhante
culto à fraternidade.” (3º CONGRESSO ESPÍRITA MINEIRO/junho de 1958)

O TRABALHO DAS FEDERATIVAS

Historicamente, de algum tempo a esta parte, as Federativas Estaduais passaram a dinamizar as
suas respectivas áreas, criando uma estrutura democrática com órgãos municipais, regionais e
estaduais. Em Minas Gerais, particularmente, e a partir do III Congresso Espírita Mineiro, foram
criadas as Alianças Municipais, os Conselhos Regionais e o Conselho Federativo do Estado, tendo
como alicerce os CENTROS ESPÍRITAS, unidades básicas do movimento espírita, todos integrados
na UNIÃO ESPÍRITA MINEIRA, sob a égide inicial de D. MARIA PHILOMENA ALUOTO
BERUTO (Dona Nenê), cuja atuação por mais de três décadas, coadjuvada por J. MARTINS
PERALVA, mereceu o epíteto, por parte de Chico Xavier, de “A PRESIDENTE PERPÉTUA” da
referida entidade, como querendo nos dizer que Dona Nenê continua sendo a sua inspiradora maior,
devendo merecer por sua autoridade moral e suas experiências, o respeito e a consideração por parte de
todos os confrades mineiros, apesar de suas limitações físicas atuais, e, sobretudo, ouvida nas
diretrizes, iniciativas e decisões de seus sucessores.

E dando continuidade a esse trabalho, surge a figura do estimado irmão PEDRO VALENTE e
seus denodados companheiros, desenvolvendo as atividades da Casa, servindo sem cessar à causa da
Unificação em Minas Gerais, correspondendo, assim a confiança nele depositada pela Espiritualidade
Maior.

O TRABALHO DA FEB

Destaque-se, por oportuno, no trabalho nacional de unificação, o papel da
Federação Espírita Brasileira que, desde a gestão de Dr. Bezerra de Menezes, apesar de
suas limitações e possíveis senões, e que podem ser sanados num clima de paz, respeito
e compreensão, tem cumprido satisfatoriamente a sua tarefa. Aliás, a bem da verdade,
bastaria o fato de ter a FEB possibilitado a criação do CONSELHO FEDERATIVO
NACIONAL (como conseqüência do Pacto Áureo), formado pelos representantes de
todas as Federativas Estaduais, bem como a criação das “ZONAIS”, objetivando
DINAMIZAR as várias regiões brasileiras, e ainda traduzido e publicado as Obras
Básicas de Allan Kardec, desde o início do século, bem como editado as cem primeiras
Obras Mediúnicas de Chico Xavier, para justificar a sua existência e continuidade como
“CASA DE ISMAEL”, nos termos que a colocou o Espírito Humberto de Campos, na
obra “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”.
UMA AVALIAÇÃO SE IMPÕE

Finalmente, como avaliação, poderíamos perguntar: VALEU A PENA A CRIAÇÃO DE TAL
SERVIÇO, apesar de nossas limitações e imperfeições? Só temos uma resposta: Sim, VALEU a
iniciativa, na forma preconizada e posta em prática pelas Entidades Federativas.

Estamos rogando a Deus e a Jesus que “nos desperte o entendimento para que a comunhão
fraternal seja de fato, uma CAMPANHA que venha a merecer de todos nós, desencarnados e
encarnados, no Espiritismo com Jesus, a fiel atenção que será justo consagrar-lhe”. (De mensagem do
Espírito Pedro da Rocha Costa, constante da obra “Vozes do Grande Além”, recebida por Chico
Xavier.)

********
“ Os meus discípulos serão
conhecidos por muito se amarem “
- JESUS -

Estamos vivendo este ano os quarenta anos de fundação da Aliança Municipal Espírita – AME-
de Uberaba. Exatamente no dia 20 de agosto de 1960 teve início uma nova fase do Espiritismo em
Uberaba, quando os Grupos Espíritas se uniram na sede do Centro Espírita “Uberabense” e assentaram
as bases do serviço de Unificação. À essa altura, já estava radicado em Uberaba o estimado médium
Chico Xavier, cujo apoio foi decisivo para a concretização da idéia unificadora.

Surge, assim, não uma entidade nova para rivalizar com os Centros Espíritas, expressão de um
grupo particular, mas, sim, a INSTITUIÇÃO DOS ESPÍRITAS, tomados em seu conjunto,
manifestação dos ideais superiores de integração no trabalho, objetivando fins voltados para a ajuda, a
cooperação, a solidariedade, o trabalho em equipe, o estímulo junto às Casas Espíritas de nossa terra.

A AME (sigla da Aliança) torna-se, assim, a concretização de velhos sonhos no sentido de uma
mais perfeita união entre os espíritas e uma melhor expansão do Espiritismo, e isto sem prejuízo das
características de INDIVIDUALIDADE, AUTONOMIA e LIBERDADE das partes componentes que
são os Grupos Espíritas, administrando “os interesses evangélicos”, na feliz expressão de Chico
Xavier, de forma coletivista e procurando tão-somente a VALORIZAÇÃO dos Centros Espíritas.

Sabemos que teórica e praticamente falando, progresso é sinônimo de unificação, pois que se
processa a evolução através de integrações sempre mais vastas, desde o infinitamente pequeno ao
grande. Realmente, o homem é uma UNIDADE-SÍNTESE, resultante da integração de menores
unidades coletivas (órgãos, tecidos, células, moléculas, átomos, elétrons, etc) e, por sua vez é um
elemento integrado em maiores unidades coletivas, quais a FAMÍLIA, os GRUPOS SOCIAIS, a
SOCIEDADE, a NAÇÃO e a HUMANIDADE.

Doutrinariamente falando, encontramos em Kardec a fundamentação dessa UNIÃO DOS
ESPÍRITAS, quando ele fala, em “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, e reproduzido por Emmanuel em sua
mensagem “ALIANÇA ESPÍRITA”, recebida por Chico Xavier, na Semana Comemorativa da
fundação da AME de Uberaba, e isto na Comunhão Espírita Cristã, constante da sua obra “Seara dos
Médiuns”:

“Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem
formar, desde já, o núcleo da grande família espírita que um dia consorciará todas as opiniões e
reunirá por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.” (Item 334
do cap. XXIX de “O Livro dos Médiuns”)
O serviço de unificação, em Uberaba, tem sazonados frutos, comprovando o ensino evangélico
de que “pelos frutos se conhece a árvore”. Na verdade, difundindo o Espiritismo, realizando
TRABALHOS DE EQUIPE, procurando a UNIÃO dos Espíritas em torno de Kardec,
DEFENDENDO os postulados espiritistas que revivem Jesus na atualidade, dando APOIO,
ESTÍMULO e ASSISTÊNCIA ESPECIALIZADA aos Centros Espíritas, nos diversos setores da
Doutrina dos Espíritos (Departamento de Infância e Juventude – DIJ, Estudos Mediúnicos, Assistência
Fraterna, Difusão Doutrinária, etc) tem a AME procurado cumprir seus objetivos, direcionando todos
para a VALORIZAÇÃO DOS GRUPOS ESPÍRITAS, por recordar com Emmanuel: “EDUCARÁS
AJUDANDO E UNIRÁS COMPREENDENDO”.

É verdade que tem deficiências e muitas, sobretudo humanas, porém, através da auto-crítica, de
avaliações periódicas, já que é um “serviço urgente mas não apressado” (Bezerra de Menezes),
atingirá, temos certeza, progressivamente as suas metas. Nesse sentido, valeu a crítica construtiva de
nosso irmão Chico Xavier, há alguns anos atrás, quando se referiu às práticas elitistas, que deveriam
ser evitadas no movimento espírita, particularmente no serviço de Unificação.

Temos certeza, também, de que, no TRABALHO, na SOLIDARIEDADE e na
TOLERÂNCIA, sem práticas elitistas, “suportando-nos em nossas fraquezas e amparando-nos
mutuamente, já que a obra é de todos, sem objetivar qualquer exclusivismo inconseqüente”
(Emmanuel), continuaremos a colher os frutos da união dos Espíritas, na forma em que a União
Espírita Mineira colocou o serviço de Unificação em Minas Gerais, reflexo do Pacto Áureo, razão pela
qual devemos à Entidade Mater do Espíritismo nas alterosas, todo o respeito, gratidão, consideração e
carinho, e isto desde o 3º Congresso Espírita Mineiro, quando foram lançadas as bases do citado
serviço Unificador.

Assim, o serviço de Unificação, respeitando, apoiando, cooperando e estimulando os Templos
Espíritas de nossa terra, sem interferências descabidas, já que o Espiritismo não tem “chefes”
encarnados, atende a uma recomendação de PAULO DE TARSO ao Hebreus: “Consideremo-nos uns
aos outros para nos estimularmos à Caridade e às boas obras!”

Finalmente, o serviço de Unificação não pode esquecer, como diretriz, a exortação de Dr.
BEZERRA DE MENEZES: “É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos
Mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso,
sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios”!

Por tudo isso, nossa saudação fraterna de estímulo à AME uberabense, em seus quarenta anos
de fecundas experiências unificadoras.

***
O Espiritismo manifesta-se em duas dimensões, isto é, como DOUTRINA e MOVIMENTO
espírita, sendo certo que a Doutrina consubstancia os seus postulados fundamentais e o movimento um
CONJUNTO DE ATIVIDADES, através dos Centros Espíritas, Congressos, Simpósios, Encontros,
Confraternizações, etc, objetivando CORPORIFICAR, em termos de TRABALHO e VIVÊNCIA os
seus postulados, que revivem Jesus na atualidade.

Entre os instrumentos de divulgação e prática do Espiritismo está principalmente o CENTRO
ESPÍRITA, administrando os “interesses evangélicos”, isto é, restaurando a Fé Viva do Evangelho de
Jesus. Daí a sua importância como “Casa de Oração”, “Oficina de Trabalho”, “Hospital”, “Escola das
Almas”, “Casa de Caridade”, “Pronto Socorro”, no dizer de nossos Benfeitores Espirituais, a exemplo
da “CASA DO CAMINHO”, o primeiro núcleo a abrigar os “filhos do calvário”.

Assim, com a grande finalidade de “iluminação do Espírito”, pela elevação dos raciocínios e
dos sentimentos, em bases de LIBERDADE de ação e FIDELIDADE aos ensinos de JESUS e
KARDEC, o Centro Espírita observará:

A – As bases doutrinárias e a finalidade, predominantemente RELIGIOSA do Espiritismo. Assim, terá
nas obras básicas de Allan Kardec e nas subsidiárias que visam ao esclarecimento progressivo do
pensamento de Jesus e Kardec, como as de Léon Denis, Gabriel Delanne e, neste século,
notadamente a obra mediúnica de Chico Xavier, os seus parâmetros para o estudo e orientação
doutrinária. E quanto à finalidade predominantemente Religiosa, ressaltará, com Emmanuel, que a
“CIÊNCIA E A FILOSOFIA SÃO MEIOS E O EVANGELHO É O FIM” (“Doutrina e Aplicação” –
Emmanuel/F.C. Xavier);

B – A vivência do Evangelho de Jesus, em termos de fraternidade, de amor, Caridade e Solidariedade,
nas relações entre os seus membros (“Os meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem”),
bem como no relacionamento com o próximo em geral (“Amai-vos uns aos outros como eu vos
amei”), onde os mais fortes e felizes serão o apoio dos mais fracos, dos caídos em provação e
necessidade;

C – Colocará a mediunidade como instrumentos de ELEVAÇÃO ESPIRITUAL DA HUMANIDADE.
“A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente.” (“O Evangelho
Segundo o Espiritismo” – Cap. 26, item 10);

D – Evitará a adoção de “modismos mediúnicos”, buscando preservar a terapêutica espírita, mantendo
respeito à Ciência do mundo que suprime os sofrimentos:

E – Não acolherá quaisquer PRÁTICAS ELITISTAS que impliquem manifestações de pretensas
superioridades de uns em relação aos outros, isto é, “discriminações”, “privilégios”, formação de
“castas”, de “chefia humana”, “personalismos” deprimentes, “exigências” descabidas de crescimento
espiritual de companheiros que estão no mesmo barco;

F – Repelirá as “práticas exteriores”, buscando a simplicidade e a pureza do Cristianismo primitivo,
lembrando André Luiz, quando nos fala que “os aparatos externos têm cristalizado a fé”;

G) – Observará a gratuidade em todas as atividades assistenciais, evitando o profissionalismo religioso
e os compromissos políticos, buscando preservar a condição de espírita em suas realizações;
H) – Nunca ter, na divulgação do livro espírita, o objetivo do lucro, colocando-o à altura financeira do
Povo, a fim de que não seja obstaculada a difusão do ideal espírita, cujo conteúdo doutrinário nos
chega gratuitamente do Alto;

I)– Esclarecerá o Povo sobre a natureza e finalidade do Espiritismo, sem fanatismos e polêmicas
estéreis, isto é, sem a preocupação do “proselitismo de arrastamento”;

J)- Procurará a união com os outros Grupos através do serviço de unificação, sem prejuízo de sua
liberdade de ação (ou independentemente da existência de tal serviço);

K)- Será sempre um “processo libertador” de consciências, promovendo o nosso reencontro com o
Evangelho de Jesus, como instrumento ideal da 3ª Revelação;

L)- O Centro Espírita, nesse sentido, lembrará notadamente o posicionamento e as recomendações
práticas de Allan Kardec, bem como de nossos vultos espíritas como BEZERRA DE MENEZES,
EURÍPEDES BARSANULFO, BITTENCOURT SAMPAIO e outros e, na atualidade, sobretudo o
nosso querido CHICO XAVIER, exemplo apostolar em matéria de divulgação e prática espiritistas;

M)- Lembrará sempre da responsabilidade que pesa sobre os ombros dos espíritas brasileiros, na
preservação da árvore do Evangelho nas terras do Cruzeiro, por ser o Brasil “o coração do mundo e a
pátria do Evangelho”!

******
Dentro do entendimento traçado pelos Espíritos, encontramos as ALIANÇAS MUNICIPAIS
ESPÍRITAS trabalhando junto aos Grupos, Instituições, Casas ou Centros Espíritas. Em Uberaba,
contando com quarenta anos de existência, a AME tem se caracterizado por ser um serviço
desinteressado, sem sede própria, sem recursos financeiros, funcionando com a BOA VONTADE de
vários colaboradores de nossa cidade, a partir de sua DIRETORIA, seus DEPARTAMENTOS.

É, assim, mais um MOVIMENTO do que uma instituição, exercendo suas tarefas nos próprios
Centros Espíritas, voltada para a VALORIZAÇÃO destes, não sendo, dessa forma, um “CENTRÃO”,
rivalizando-se com as células, na realização de tarefas que são próprias destas, e tendo nos próprios
representantes de tais entidades, os seus principais colaboradores e executores de seus objetivos.
Trocando em miúdo, os seus OBJETIVOS são:

A) – Realizar TAREFAS de natureza COLETIVISTA e que TRANSCENDEM as perseguidas
pelas instituições adesas, como a promoção de EVENTOS que visem à APRENDIZAGEM,
ao APERFEIÇOAMENTO, à ESPECIALIZAÇÃO nos diversos campos de trabalho, pela
troca de idéias e experiências, através de seus DEPARTAMENTOS, enfim, toda e qualquer
atividade que promova a UNIÃO dos espíritas e o AUXÍLIO às Casas Espíritas,
FORTALECENDO-AS e DINAMIZANDO-AS, guardando FIDELIDADE a Jesus e a
Kardec;

B) – UNIR os Espíritas, em torno da CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA, sem IMPOSIÇÃO
de idéias e regras de comportamento individual e coletivo, com pretensões de
SUPERIORIDADE, colocando-se como “donos da verdade”, criticando pessoas e
instituições, recordando seus dirigentes da afirmativa de PAULO quando diz: “Fazei todas
as coisas sem murmurações, nem contendas” (Filipenses); e ainda JESUS dizendo: “Os
meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem.”

C) – Ser a “COBERTURA ESPIRITUAL” de todos os Centros Espíritas, exercendo o papel de
um PAI zeloso pelos seus filhos, AUXILIANDO-OS em suas NECESSIDADES, desde que
SOLICITADA tal ajuda ou como resultado de DELIBERAÇÕES em Assembléias
fraternas, observando sempre a recomendação de BEZERRA DE MENEZES quando diz
que “o mais forte deve ser o escudo para o mais fraco, o mais esclarecido a luz para o
menos esclarecido ...” (da mensagem intitulada “UNIFICAÇÃO – Serviço urgente mas não
apressado”);

D) – Executar o preceito evangélico de que todos somos IRMÃOS, que estamos no mesmo
barco, abrançando a mesma causa, o mesmo ideal, com vistas à aproximação dos espíritas
desde o tarefeiro mais humilde que distribui os copos de água fluidificada até os irmãos
colocados em tarefas de direção e exercícios mediúnicos, e que, recordando VICENTE DE
PAULO, “uma indulgência e uma benevolência recíprocas presidam as suas relações;
que suas faltas passem desapercebidas, que só suas qualidades sejam notadas; que o
archote da santa amizade REUNA, ILUMINE e AQUEÇA seus corações e vocês
resistirão aos ataques impotentes do mal, como o rochedo inquebrantável à vaga
furiosa”;
E) – Ajudar os Grupos nascentes na sua organização estatutária, fornecendo-lhes as
orientações legais, com RESPEITO à AUTORIDADE e guardando FIDELIDADE a Jesus e
Kardec, na SIMPLICIDADE de seus princípios;

F) – Colaborar ESPONTANEAMENTE para o bom RELACIONAMENTO com as Casas
Espíritas, através de comunicação e divulgação de FATOS e EVENTOS que interessem à
família espírita; de VISITAS FRATERNAS, individuais ou coletivas; PARTICIPAÇÃO e
APOIO às INICIATIVAS dos Grupos, desde que guardem fidelidade aos princípios
doutrinários; enfim, ser um permanente APOIO às CÉLULAS básicas do MOVIMENTO
que são os Centros Espíritas, AUXILIANDO-OS na solução de problemas e questões
doutrinárias, desde que solicitadas;

G) – “CONJUGAR esforços, SOMAR experiências, PERMUTAR informações e
VEICULAR esclarecimentos, relacionados todos com as atividades doutrinárias” (Nestor
Masotti), isto é, nas áreas do ESTUDO, da DIFUSÃO e da PRÁTICA da Doutrina,
facilitando, assim, a AÇÃO dos Templos Espíritas. Nesse sentido, a AME de Uberaba tem
colocado à disposição dos confrades e instituições todo o material doutrinário coletado nos
Encontros, nas confraternizações realizados na cidade e na região triangulina, sem caráter
impositivo, através de seus vários Departamentos;

H) – RESPEITAR a AUTONOMIA e LIBERDADE de pensar, agir, opinar e criar das
Instituições adesas, oferecendo seus programas de colaboração e apoio, destinados aos
Centros Espíritas, sem caráter obrigatório, mas simplesmente como SUBSÍDIOS,
SUGESTÕES aos trabalhos por eles desenvolvidos, vez que, no campo da administração
espírita, não existe “chefia humana”, tendo como único “órgão orientador” a própria
DOUTRINA.

Em síntese, as ALIANÇAS MUNICIPAIS ESPÍRITAS têm por fim VALORIZAR os
CENTROS ESPÍRITAS pelo trabalho de APOIO, de SOLIDARIEDADE, num clima de PAZ, de
RESPEITO, de CONSIDERAÇÃO, de COMPREENSÃO e TOLERÂNCIA, recordando
EMMANUEL quando nos recomenda a diretriz maior em nosso RELACIONAMENTO com as
entidades adesas: “EDUCARÁS AJUDANDO, UNIRÁS COMPREENDENDO”!

******
Com a tarefa de falar sobre princípios orientadores na Assistência Fraterna, nada melhor do que
fazê-lo através de LEMBRETES DOUTRINÁRIOS. A justificativa está no fato de que, em
movimento espírita, a palavra de ordem é LIBERDADE para agir, opinar e trabalhar na forma que
mais convier aos adeptos do Espiritismo, sendo certo também que só existe uma LIMITAÇÃO: A
FIDELIDADE à Doutrina dos Espíritos.

1- ASSISTÊNCIA E DOUTRINA

Torna-se necessária, antes de mais nada, fazer a distinção entre o que é PRINCIPAL e o que
ACESSÓRIO no movimento espírita. Entendemos nós, com os Benfeitores Espirituais, que a
PRÁTICA DA CARIDADE é MEIO e não FIM em si mesmo, pois o que constitui o principal é a
corporificação da grande FINALIDADE do Espiritismo: a revivescência do Cristianismo primitivo em
sua pureza e simplicidade, pela elevação dos raciocínios e dos sentimentos (Emmanuel). Assim, os
espíritas realizam suas tarefas assistenciais, isto é, oferecem o pão, a roupa, a sopa, o remédio, o
albergue, o lar aos desamparados, a pomada, os xaropes, etc, sem exigências e fiscalização quanto aos
resultados, tendo o cuidado de não substituir a finalidade principal pelas assistenciais que são
acessórias.

Enfim, recorda que Jesus “USOU DA CARIDADE PURA PARA DIVULGAR AS
VERDADES ETERNAS”. (Bezerra de Menezes)

Confirmando tal entendimento, o nosso irmão Chico Xavier, em conversa com o confrade
Urbano Vieira, de Araguari, sobre os benefícios da pomada “Vovô Pedro”, teve oportunidade de dizer:
Urbano, lembre-se de que a “pomada” é acessória!

Mas, então, como poderíamos ver a ASSISTÊNCIA?

Vemo-la como uma oportunidade para os espíritas de dar o EXEMPLO da fraternidade em
ação, recomendando os Benfeitores Espirituais que suas obras devem prescindir de serviços
remunerados. A regra é a GRATUIDADE na prestação de serviços, conforme recomendam entre eles
ANDRÉ LUIZ, em “Conduta Espírita”, EMMANUEL, em “O Livro da Esperança”, com a página
“ESPIRITISMO E NÓS” e FABIANO, em mensagem recebida por Chico Xavier e endereçada aos
responsáveis pela “Casa Transitória” de São Paulo, tudo isto para evitar o “profissionalismo religioso”.
Conhecemos obras que são verdadeiros “cabides de emprego”, retirando as características da
finalidade cristã desinteressada e gratuita.

2 – ASSISTÊNCIA ESPÍRITA E ASSISTÊNCIA SOCIAL

É bom lembrar que a Assistência Fraterna Espírita não se confunde com a Assistência Social,
feita através de órgãos governamentais e associações filantrópicas outras, e isto porque tais associações
ou entidades objetivam a reabilitação ou promoção social dos assistidos na tentativa de resolver ou
minimizar as “questões sociais”, enquanto que a praticada pelos espíritas não tem por objetivo resolver
tais problemas porque o Espiritismo coloca na TRANSFORMAÇÃO MORAL dos indivíduos a
solução de todos os problemas existenciais, preocupando-se, assim, através da CARIDADE, com a
reabilitação espiritual do homem.

Além disso, a Assistência Social tem uma metodologia e sistemática, na sua prática, que
implicam, inclusive, na utilização de uma equipe especializada de “assistentes sociais” remunerados,
coisa inexistente na legítima assistência espiritista.

Com a Assistência Fraterna, o Espiritismo objetiva mostrar que o espírita deve dar o exemplo
de amor, supervalorizando uma idéia de fundo que é a da solidariedade, da fraternidade, não
pretendendo resolver os problemas sociais, que são da alçada da Sociedade, através do Estado e dos
organismos sociais adequados, embora possa secundá-los com a sua colaboração indireta. Estes
sentimentos devem existir, no relacionamento humano, com uma obrigação moral, baseados no
princípio da Paternidade Universal, ensinada por Jesus e que fundamentou a Lei Áurea!

Não se trata, evidentemente, de paternalismo ou assistencialismo, como querem muitos
opositores da Assistência Fraterna, porque a caridade é praticada no movimento espiritista como forma
de recordação do ensino de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” A assistência
espírita é OBRA DO CORAÇÃO, do DESEJO DE SERVIR DESINTERESSADAMENTE, sem
qualquer remuneração, sem julgamentos, fiscalização ou valorização de situações e pessoas assistidas,
com AMOR E RESPEITO à liberdade de consciência, dentro de suas limitações, preocupando-se,
predominantemente em “dar o peixe” e não com o “ensinar a pescar”, porque tem ciência, como bem
disse Madre Tereza de Calcutá, de que muitos necessitados não têm sequer condições físicas para
pescar.

3 – RECURSOS DE CRIAÇÃO E SUSTENTAÇÃO

Todos que abraçam o Espiritismo têm vontade de trabalhar na área assistencial, porque sabem
da necessidade de darem o exemplo, surgindo um QUESTIONAMENTO naqueles que pretendem
materializar o ideal de servir: COMO CRIAR E MANTER AS OBRAS ASSISTENCIAIS
ESPÍRITAS?

3.l. Recursos próprios e pequenas obras/
A experiência nos tem mostrado que o ideal seria que a obra fosse criada e mantida pelo
próprio grupo, isto é, com os recursos do grupo criador e mantenedor, sendo, nesse sentido,
recomendável as PEQUENAS OBRAS. Com isso evitaríamos o petitório, sobrecarregando a
comunidade, bem como a problemática decorrente das grandes, das faraônicas obras assistenciais.

3.2. Da Gratuidade e do Voluntariado/
É recomendável que tais obras prescindam da prestação de serviços remunerados. Dessa forma,
é conveniente que promovamos a cooperação de companheiros, através do VOLUNTARIADO,
recordando a beleza da “Casa do Caminho” dos primitivos cristãos.
É o gigantismo das obras a causa primeira dos angustiantes problemas na Assistência Fraterna.

3.3. Das Campanhas/
Pode acontecer, todavia, que o grupo esteja com uma programação idealística, no campo das
grandes obras, ou mesmo na área das pequenas tarefas, necessitando fazer campanhas de arrecadação
de fundos. Nesse sentido, nada há que impeça, até pelo contrário, elas se justificam porque constituem
uma oportunidade que os doadores têm para ajudar ou demonstrar o seu espírito de solidariedade. O
que importa, no caso, é a FORMA DE REALIZAÇÃO de tais campanhas, devendo ser observadas
algumas condições que visam evitar agressões à Doutrina Espírita.
Assim, é que:

A) Não é recomendável “FESTAS”, “CAMPANHAS” ou “PROMOÇÕES COMERCIAIS” no
local das orações e das reuniões doutrinárias. Com isso evitaríamos um sentido de “troca de favores”,
bem como o esvaziamento do templo por parte de seus freqüentadores, sem esquecer que, realizando
tais eventos, estaríamos revivendo a passagem dos “vendilhões do templo”, registrada no Novo
Testamento;

B) Também não é recomendável fazer “campanhas” que CONTRARIEM a Lei e os princípios
doutrinários, como é o caso de “bingos”, “rifas”, “sorteios” ou outras formas de ganho aleatórios, bem
como as promoções festivas com bebidas alcóolicas;

C) Igualmente não se justifica qualquer campanha que vise fins doutrinários, como construir
um Centro Espírita ou fazer congressos, seminários, confraternizações, etc, pleiteando recursos
financeiros junto ao Poder Público e entidades não espíritas. André Luiz nos recorda que devemos
SUPORTAR as próprias responsabilidades, dando testemunho de fé.

3.4.Doações, Subvenções e Convênios /
O questionamento é: COMO DEVEMOS PROCEDER EM RELAÇÃO ÀS DOAÇÕES,
SUBVENÇÕES E CONVÊNIOS?

1-Devemos recusar doações quando impliquem troca de favores, isto é, com objetivos
comerciais ou de projeção social e política do doador. Recordemos o exemplo do Chico quando
recusou a doação de uma Kombi sob condição de propaganda comercial;

2-E a mesma forma em relação ao Poder Público, jamais aceitar quaisquer subvenções ou
verbas sob compromissos políticos, eleitoreiros, observando o que diz André Luiz, em “Conduta
Espírita”, a fim de preservar a LIBERDADE de agir. Da mesma forma, quando tais doações visam a
atingir a Doutrina Espírita, como no caso dos “convênios”. Ainda, não devem os Espíritas pleiteá-las
para fins doutrinários.

4 - UNIÃO NO TRABALHO EM EQUIPE E PERMUTA DE EXPERIÊNCIAS/

Com relação a tal assunto, chamamos a atenção para o fato de que UNIDOS no trabalho de
EQUIPE, estaremos formando uma só família e embasando a mais perfeita realização da obra
assistencial, sem personalismos deprimentes.

Também gostaríamos de ressaltar que, através de ENCONTROS ou de
CONFRATERNIZAÇÕES, SIMPÓSIOS, etc, estaremos assegurando o APERFEIÇOAMENTO dos
trabalhos e EVITANDO cometer ERROS contra a imagem de nossa abençoada Doutrina Espírita.

CONCLUINDO:

A Assistência Espírita é a FRATERNIDADE EM AÇÃO, apresentando-se como o
SUSTENTÁCULO e a GARANTIA da divulgação da Doutrina Espírita em nossas Casas.

Eis porque não existe uma Casa Espírita sem a parte assistencial, comprovando o entendimento
de que “a fé sem obras é morta”, tendo razão PAULO DE TARSO quando afirma que a CARIDADE
é a maior de todas as virtudes.

*******
Estamos constantemente às voltas com estados emocionais depressivos, portadores de profunda
tristeza, vinculados às situações de desânimo, envolvendo-nos em terrível sombra de provação, com
visível repercussão em nosso trabalho.

Como sair dessas situações? Seriam suficientes os recursos materiais da medicina
salvacionista? Acreditamos nós que os recursos materiais são terapêutica de superfície, não atingindo
a alma que precisa de antídotos mais adequados e nos quais, muitas vezes, deixamos de acreditar em
sua eficácia. Tratados são escritos, terapêuticas da alma são apontadas, mas em nenhuma delas
acreditamos em verdade, porque falta em nós a maturidade espiritual capaz de entendê-las e aplicá-las
em nossas vidas, principalmente aquelas com respaldo no Evangelho de Jesus.

Não estamos aqui para deitar falação em assunto que somente diz respeitos a cada um de nós,
mas é nossa obrigação trazer à meditação lembretes evangélicos que nos acordam para a verdadeira
vida.

Lembramos, agora, de escantilhão, da EUFORIA ÍNTIMA no trabalho, sem a qual, no dizer de
André Luiz, não existe produtividade. Essa ALEGRIA ÍNTIMA deve ser apanágio de todo aquele que
tem o entendimento sob a ótica espírita da Vida e do Universo. É ela que nos garante a perseverança na
tarefa e o seu resultado profícuo, o equilíbrio até mesmo psico-somático de nosso ser.

E temos razão de sobra para exteriorizarmos tal euforia. Citaríamos, de escantilhão:

A – O CONHECIMENTO que temos da Vida e do Universo que a Doutrina Espírita nos
oferece, em termos de solução para nossos problemas existenciais, pois ela é a maior FONTE DE
INFORMAÇÕES que nossa alma precisa para enfrentar tais situações-problemas. É ela que nos
oferece a certeza da imortalidade da alma, da vida futura. É ela que nos faculta o melhor entendimento
da Lei de Causa e Efeito em bases evolucionista e reencarnacionista. É ela que nos faz voltar para
nosso próximo, através da Caridade, ensejando-nos a alegria de servir. E tendo essa alegria íntima, que
estado d’alma seria capaz de continuar em nossos corações? Na verdade, não é ela que nos ensina a
termos ACEITAÇÃO dos sofrimentos, das provas que nos visitam a alma, ensejando-nos o AUXÍLIO
de nossos Benfeitores Espirituais?

B – Outra razão para termos, permanentemente, essa alegria íntima não é a de que sabemos
estar fazendo parte da DESTINAÇÃO HISTÓRICA do Brasil, como coração do mundo e pátria do
Evangelho? Haveria estado emocional mais positivo do que sabermos que o Brasil tem por objetivo
levar o Evangelho a todos os povos, pelo exemplo do amor, da fraternidade, da bondade, da verdadeira
liberdade, comprovando a afirmativa de Emmanuel de que Jesus transplantou da Palestina para a
Terra do Cruzeiro a árvore magnânima do Evangelho para que esta florescesse e desse frutos
sazonados de amor e sabedoria?

C – Outra razão, não menos eloqüente, não é o fato de termos, entre nós reencarnado um
Espírito como CHICO XAVIER, exemplo das virtudes cristãs, dando seqüência ao trabalho já
desenvolvido por um Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, entre tantos outros? Que outro
espelho poderíamos ter senão a de um ser que está dando o maior exemplo de ACEITAÇÃO da vida,
sobretudo de como envelhecer?
D – Outra razão, não menos expressiva, é a de estarmos TRABALHANDO junto a
companheiros, de todas as categorias profissionais, de todas as condições sociais, no mesmo barco,
buscando o porto seguro de nossa perfeição? Com tudo isso, poderíamos ter motivos para o desânimo,
para a tristeza, enfim, para alimentarmos em nós estados depressivos?

CONCLUINDO:

Não poderíamos encerrar nossos lembretes esquecendo do diálogo de Jesus com Bartolomeu,
narrado por Irmão X, no livro “Boa Nova”, sob o título “Bom Ânimo”, quando ele diz a seu discípulo
que se encontrava profundamente triste, que ele se recordasse da BOA NOVA que significava “BOA
NOTÍCIA” e que toda boa notícia somente traz alegrias...

********
Estamos vivendo o ANO INTERNACIONAL DO VOLUNTÁRIO, isto é, do ato de servir
sincero e desinteressadamente, em favor de uma causa ou de um serviço que se reputa justo.

Não é preciso ser inteligente para saber dos fundamentos do voluntariado na prestação de
serviços. Ele só existe em função do trabalho feito por pessoas ou instituições que não visam lucro, na
sua prestação de serviços à comunidade. Seus fundamentos são MORAIS, ESPIRITUAIS.

Na sua base está uma concepção da vida, justificando a prestação de serviços sem remuneração,
de forma totalmente gratuita. Tal diretriz é da ESSÊNCIA mesma do movimento espírita, que procura
aplicar os postulados espiritistas, recebidos gratuitamente, sob a égide do preceito divino: “Dai de
graça o que de graça recebestes” (Jesus).

Temos, assim, a Doutrina Espírita que nos chega do Alto, como a Terceira Revelação de Deus
aos homens, recebida gratuitamente, devendo, por isso mesmo, ser por nós corporificada sem qualquer
exigência de pagamento.

Nesse sentido, o Espírito Scheilla, interpretando o pensamento dos Benfeitores Espirituais,
materializa tal entendimento, através de sua mensagem “Cultura de graça”, constante da obra “Ideal
Espírita”, recebida por Chico Xavier, dizendo que, se lá fora, do ponto de vista material, nós pagamos
para obter títulos acadêmicos, aprendizado ou qualquer conhecimento, no Espiritismo isso não
acontece, pois recebemos toda a cultura doutrinária sem qualquer paga. Chico Xavier, relativamente a
eventos espíritas pagos, disse simplesmente: “Jamais seria capaz de participar de um evento em
que as pessoas precisassem pagar para me ver! Daria o que tivesse no bolso para ir embora!...”
(Extraído do Editorial da revista “O ESPÍRITA”)

Isto quer dizer que todo trabalho, visando à prática do Espiritismo, deve ser gratuito e
voluntário, para não trair os princípios abraçados, praticando o “profissionalismo religioso”. Esta tem
sido a tônica do nosso movimento desde o seu nascedouro, sendo feliz Humberto Rhoden em sua
exortação: “Interessa-te, desinteressadamente.”

Assim, não se justifica qualquer campanha que vise a arrecadar fundos para o pagamento de
serviços doutrinários. OS FINS NÃO JUSTIFICAM OS MEIOS.

Relativamente à natureza voluntária do trabalho espírita, vamos recordar o pensamento do
Espírito Cairbar Schutel, em sua mensagem “Seja voluntário”, constante do livro “O Espírito da
Verdade”, recebido por Chico Xavier e Waldo Vieira:

“SEJA VOLUNTÁRIO NA EVANGELIZAÇÃO INFANTIL.
Não aguarde convite para contribuir em favor da Boa Nova no coração das crianças. Auxilie a
plantação do futuro.

SEJA VOLUNTÁRIO NO CULTO DO EVANGELHO.
Não espere a participação de todos os companheiros do lar para iniciá-lo. Se preciso, faça-o
sozinho.
SEJA VOLUNTÁRIO NO TEMPLO ESPÍRITA.
Não aguarde ser eleito diretor para cooperar. Colabore sem impor condições, em algum setor,
hoje mesmo.

SEJA VOLUNTÁRIO NO ESTUDO EDIFICANTE.
Não espere que os outros lhe chamem a atenção. Estude por conta própria.

SEJA VOLUNTÁRIO NA MEDIUNIDADE.
Não aguarde o desenvolvimento mediúnico, sistematicamente sentado à mesa de sessões.
Procure a convivência dos Espíritos Superiores, amparando os infelizes.

SEJA VOLUNTÁRIO NA ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Não espere que lhe venham puxar o paletó, rogando auxílio. Busque os irmãos necessitados e
ajude como puder.

SEJA VOLUNTÁRIO NA PROPAGANDA LIBERTADORA.
Não aguarde riqueza para divulgar os princípios da fé. Dissemine, desde já, livros e publicações
doutrinárias.

SEJA VOLUNTÁRIO NA IMPRENSA ESPÍRITA.
Não espere de braços cruzados a cobrança da assinatura. Envie o seu concurso, ainda que
modesto, dentro das suas possibilidades.

********

Depois de assim nos exortar, Cairbar Schutel afirma que devemos cultivar espontaneidade nas
tarefas do Bem, pois, “a sementeira é grande e os trabalhadores são poucos” e que “cada qual
pode servir a seu modo”, devendo apresentar-se em alguma frente de trabalho, servindo sem
descansar, não se esquecendo de que “espírita sem serviço é alma a caminho dos tenebrosos
labirintos do Umbral”.

Saudemos, assim, o ANO INTERNACIONAL DO VOLUNTÁRIO, a nos recordar a
necessidade de sermos voluntários na execução da idéia espírita!

********
O nosso confrade Leonel Sivieri Varanda elaborou um trabalho sobre a COMMETRIM
(Confraternização de Mocidades e Madureza Espíritas do Triângulo Mineiro), com vistas à sua
documentação histórica, o qual fazemos nosso no presente trabalho:

“Parafraseando Léon Denis, diríamos que o movimento da COMMETRIM se
apresenta como uma “invasão organizada” de esforços, estudos e métodos, na História do
Espiritismo no Triângulo Mineiro, para que a difusão da Doutrina Espírita seja fiel às bases
doutrinárias, entendendo nós ser tal movimento uma das maiores e melhores contribuições
dos espíritas triangulinos ao serviço de Unificação.”

REGISTRO HISTÓRICO
No início da década de sessenta, com a permissão de Nosso Senhor Jesus-Cristo, um grupo de
companheiros da região do Triângulo Mineiro decidem materializar um Encontro de Mocidades que
colaborasse para dinamizar o movimento espírita regional e unificar os espíritas em torno da
Codificação Kardequiana, numa promoção dos CREs existentes.

Surge a 1ª COMMETRIM que foi realizada na cidade de ITUIUTABA, no ano de 1964, tendo
como Presidente Argemiro Evangelista Ferreira. Antes dela a experiência das Mocidades se restringia
ao movimento da COMBESP, que reunia os jovens de GO, MT, SP e MG. Uma das últimas
realizações desse movimento foi em Uberlândia, da qual fomos o seu Presidente. Ela foi a inspiração
para a nossa COMMETRIM.

Terminada a COMBESP, a idéia de nosso movimento regional foi abraçada pelo companheiro
ARGEMIRO EVANGELISTA FERREIRA, de Uberlândia e corporificada através de uma reunião
regional no Hotel Zardo, naquela cidade, onde nós e os companheiros ARGEMIRO, MANOEL
TIBÚRCIO, ZENON VILELA, RIVAIL ARAÚJO, IZABEL GERVÁSIO FARIA, EDEMERVAL
VIEIRA BORGES, ANTÔNIO FONSECA DE ABREU, JOAQUIM VELOSO DE MATOS e outros
denodados companheiros, ali traçamos as bases da confraternização no Triângulo Mineiro.

Quanto às suas bases doutrinárias, fomos buscar a bela página de ALLAN KARDEC, em “O
LIVRO DOS MÉDIUNS”, item 334: “Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se,
permutando suas observações, podem desde logo formar um núcleo da grande família espírita que
um dia reunirá todas as opiniões, unindo os homens no mesmo sentimento de fraternidade
caracterizado pela caridade cristã.”

Dessa forma, os objetivos da COMMETRIM ficam evidenciados através do ESTUDO, do
TRABALHO e da TROCA DE EXPERIÊNCIAS entre os seus participantes, sob a égide espiritual de
EURÍPEDES BARSANULFO que, inclusive, traçou diretrizes para o movimento do Triângulo
Mineiro, em sua mensagem (através da mediunidade abençoada de nosso Chico Xavier), “AOS
QUERIDOS AMIGOS DO TRIÂNGULO MINEIRO”, onde destacamos para a nossa alegria:
“A nossa marcha continua, e como sempre, irmãos meus, confirmo a promessa de seguir convosco até
a suprema vitória espiritual.
“... Somos numerosa caravana em serviço das divinas realizações.
“... Nossas mãos continuam enlaçadas na cooperação pelo engrandecimento da Verdade e do Bem, e
minha saudade, antes de ser um sofrimento é um perfume do Céu. – No coração vibram nossas antigas
esperanças e continuamos a seguir, a seguir sempre, no ideal de sublime unificação com o Divino
Mestre.
“... Falando-vos em nome de companheiros numerosos da espiritualidade, assinalo a nossa alegria pelo
muito que já realizastes, no entanto, amigos, outras edificações nos esperam, requisitando-nos o
esforço.
“... Estamos convosco e seguiremos ao vosso lado. Invisibilidade não significa ausência. O Mestre
espera que façamos do Coração o templo destinado à sua presença divina.
“...Unindo-nos mais intensamente no trabalho, em vão rugirá a tormenta”.

Mas tal movimento, que nasceu para congregar jovens, por sugestão de nosso querido irmão
CHICO XAVIER, no seu oitavo ano, passou a ter mais um “M” em sua sigla, passando a ser de jovens
e da Madureza espíritas (COMMETRIM), incorporando, assim, oficialmente, a madureza espírita.

ÓRGÃOS RESPONSÁVEIS e ESTRUTURA

A COMMETRIM é uma promoção dos CONSELHOS REGIONAIS ESPÍRITAS do Triângulo
Mineiro, sendo que, de forma alternada, a cada ano é realizada em uma cidade da região, escolhida ao
seu final.

Devemos registrar, com muita alegria, que o movimento sempre contou com o apoio da UNIÃO
ESPÍRITA MINEIRA e da FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA, através de seus representantes.

Ressalte-se que em nossa XXXI COMMETRIM/1994, em Uberaba, tivemos a presença do
Vice-Presidente da FEB, o irmão NESTOR MASOTTI, que realizou um Seminário sobre o Serviço de
Unificação.

Quanto à sua ESTRUTURA, ela se realiza através de duas PRÉVIAS, sendo que na primeira
são organizados os diversos departamentos, escolhido o tema central e reestruturada, se necessário,
acolhendo as sugestões para a sua modificação. Na segunda, o Programa é organizado e tomadas as
decisões finais para a sua execução. O seu Programa é desenvolvido através das diversas Comissões ou
Departamentos, atendendo-se à necessidade da ESPECIALIZAÇÃO DE TAREFAS, valorizando os
companheiros da região com a sua participação nos trabalhos.

DESTAQUES ESPECIAIS

1 – FONTES DE RECURSOS/ Um destaque importante é que a RECEITA da COMMETRIM tem
sua fonte na colaboração financeira ESPONTÂNEA da família espírita da cidade-sede, da ajuda
VOLUNTÁRIA de outras cidades da região, bem como de todos os que estiverem interessados na
sustentação de seus objetivos, sendo vedada a fixação de taxas obrigatórias de inscrição, só se
permitindo a ESPONTÂNEA, VOLUNTÁRIA.

2- CUSTEIO DE DESPESAS/ Outra característica é não se permitir o custeio de despesas para
promover a participação de confrades nas tarefas, a fim de se evitar o profissionalismo religioso.
3- APROXIMAÇÃO DE COMPANHEIROS/
O citado movimento é uma oportunidade para a aproximação dos espíritas do Triângulo
Mineiro, no ESTUDO e no TRABALHO, através da confraternização, da permuta de idéias e
experiências. É tão importante esse aspecto que, certa vez, quando companheiros nossos tiveram a
idéia de separar os CREs para a realização em cada região do movimento, procuraram CHICO
XAVIER para saber dele sua opinião, obtiveram a seguinte resposta: “Como separar, se já estamos
separados geograficamente?”

A PALAVRA DE CHICO XAVIER

Entrevistado sobre a COMMETRIM, por ocasião da sua realização em Frutal, o estimado
irmão Chico Xavier, amplia-nos o entendimento, revelando a importância desse movimento para o
Triângulo e o Brasil, dizendo: “Muitas das nossas confraternizações, que se realizam sem querer
mecanizar ou automatizar os nossos irmãos encarnados, resultam de inspiração de Benfeitores
Espirituais que se empenham, fazendo a nossa união uns com os outros, através da palavra, da troca de
experiências, para que nós possamos localizar a nossa tarefa dentro do movimento.”

Depois ele mesmo, completando o seu pensamento diria: “Os nossos amigos espirituais dão
extraordinário relevo a esses movimentos e esperam que nós todos, os companheiros do Espiritismo,
venhamos a encorajá-los por todos os modos que surjam, dentro das nossas possibilidades, de vez que
é pela reciprocidade, na permuta de nossas experiências, que chegaremos a conclusões e às realizações
do mais alto interesse para o movimento espírita agora e no futuro.”

E concluiria o citado médium, em outro trecho de sua entrevista: “De modo que essas
confraternizações sejam de mocidades espíritas ou da madureza espírita, são um movimento sério que
nós devemos acatar e estimular com todas as energias ao nosso alcance.”

CONCLUSÃO:

Inegavelmente, são inúmeros os BENEFÍCIOS que a COMMETRIM tem nos trazidos, nestes
trinta e sete anos de sua existência. Dela nasceram novos grupos, novas idéias, novas realizações no
campo das atividades das Instituições Espíritas, em todo Triângulo Mineiro. Não teríamos espaço
suficiente para registrar tais benefícios, mas, acreditamos, que cada companheiro que dela já
participou, poderá dar o seu testemunho das benesses do movimento, que tem em JESUS e KARDEC
a sua maior inspiração, inspiração essa corporificada por EURÍPEDES BARSANULFO e CHICO
XAVIER.

Concluindo, lembraríamos a belíssima página de Emmanuel, intitulada “UNIDOS SEMPRE”,
recebida por Chico Xavier, dirigida aos companheiros reunidos na X COMMETRIM, em 1973, da
qual extraímos os seguintes trechos:

“Companheiros! Estamos engajados na construção espiritual da Era Nova.
“... aqui e agora são posições de espaço e tempo em que a Divina Providência nos permite plantar e
replantar futuro e destino.
“... Entender que nos achamos convidados pelo Cristo de Deus, através de Allan Kardec, para
compreendermos auxiliando e renovar, amando e iluminando, instruindo e abençoando na edificação
do Mundo Novo.
“... Cultivadores da Verdade, sob o compromisso de melhorar-nos em serviço constante.
E acima de tudo, UNIDOS SEMPRE.
Assim venceremos.”

*******
Inegavelmente, uma das tarefas básicas, de relevante importância na Casa Espírita é a
EVANGELIZAÇÃO DA CRIANÇA, para não dizer que é a PRIORITÁRIA, dado o seu objetivo de
criar condições favoráveis à criança, a fim de que ela possa vivenciar, desde cedo, em sua vida, o
Evangelho de JESUS, à luz do Espiritismo, como forma de solução de nossos problemas existenciais.

É o atendimento à exortação de Jesus: “Vedes, não desprezeis alguns destes pequeninos”,
porque é uma decorrência da maior necessidade da nossa época, isto é, de construirmos o “HOMEM
NOVO”, com novos hábitos, com a “iluminação do Espírito”, sobretudo, no campo dos
SENTIMENTOS, a começar pela fase infantil, a mais propícia para a assimilação das Verdades
eternas.

Quanto a isso, não padece dúvida, pois, é o próprio Codificador, nas questões 685 e 917, de
“O Livro dos Espíritos”, que nos mostra que a cura de todos os males da sociedade está na
EDUCAÇÃO, mas não a Educação-instrução, mas a EDUCAÇÃO MORAL dos indivíduos com o
CRISTO nos corações.

Daí, a importância das ESCOLAS ESPÍRITAS DE EVANGELIZAÇÃO DA CRIANÇA. É
óbvio, e ninguém pode contestar, que cabe, primeiramente, aos PAIS a tarefa sublime de evangelizar
seus filhos. O LAR é a ESCOLA PRIMEIRA e MAIS IMPORTANTE da Alma; os PAIS – os
PRIMEIROS PROFESSORES. A obra de evangelização da criança deve ser, isto sim, um ESFORÇO
CONJUNTO entre pais e evangelizadores, buscando um único ideal: o APERFEIÇOAMENTO
MORAL da criatura. Nesse sentido, podemos dizer que o Centro Espírita é a continuidade, o
prolongamento do lar.

Entretanto, a observação feita pelos evangelizadores demonstra que, a par dessa grande
verdade, são muitos os lares espíritas que ainda não despertaram para essa tarefa fundamental, não se
preocupam com a infância, o valor desse período importantíssimo para todos nós. Quantas e quantas
crianças (sempre constataram isso) que mesmo oriundas de famílias espíritas, somente ouvem falar de
DEUS, de JESUS, dos PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO, etc, nas Aulas de
Evangelização, e isto por descuido ou por falta de tempo dos pais (muitas vezes pais e filhos quase não
se vêem) e nem sequer realizam o Culto do Evangelho no Lar. Deixam escapar, assim, a melhor
oportunidade de reformarem o caráter de seus filhos, pelo AMOR.

Assim, os Centros Espíritas, pela sua própria natureza – de ESCOLA DAS ALMAS – suprem
a falta dos pais ou colaboram com eles neste sublime mister, proporcionando aulas adequadas à idade
das crianças, cujos Programas, Métodos, Técnicas visam ao melhor atendimento à Infância,
procurando as melhores formas de SENSIBILIZAÇÃO do seu coração, estruturando todo o processo
educativo com o método mais eficaz que é o AMOR !

Fica evidenciado, dessa forma, que os Educadores Espíritas não visam a fornecer apenas
CONHECIMENTOS DOUTRINÁRIOS, mas utilizando estes para SENSIBILIZAR o coração da
criança, a exemplo do que acontece em nossas reuniões públicas ou doutrinárias, onde se procura,
sobretudo, tocar os SENTIMENTOS da criatura, com vistas à sua renovação. Vamos nos lembrar, por
oportuno, o que EMMANUEL nos ensina, quando diz, em “DOUTRINA E APLICAÇÃO”: “Ciência
e Filosofia são MEIOS, o Evangelho o FIM.”
Sabendo-se que “a palavra desempenha significativo papel nas construções do Espírito”, os
“expositores da boa palavra” operam como se fossem “técnicos eletricistas”, desligando “tomadas
mentais”, com o conseqüente afastamento e possibilidade de reeducação de entidades desencarnadas
desequilibradas (obsessores) – o que está bem claro no obra de André Luiz, “Nos Domínios da
Mediunidade. Aliás, a tônica da Doutrina Espírita, notadamente as obras de Allan Kardec e as de
Chico Xavier, a exemplo de Jesus, em qualquer de suas manifestações, têm esse escopo maior que é o
de sensibilizar o coração do homem, seja na fase adulta ou, principalmente infantil, buscando a
renovação mental que significa a renovação da vida ou elevação moral, como nos mostra, à saciedade,
a obra do médium de Pedro Leopoldo.

Daí, a importância das ESCOLAS ESPÍRITAS DE EVANGELIZAÇÃO da CRIANÇA,
ressaltada pelo Espírito BEZERRA DE MENEZES, na obra “CHICO XAVIER – MANDATO DE
AMOR”, pág. 212, em entrevista concedida aos companheiros de Juiz de Fora, através do citado
médium, respondendo a seguinte pergunta:

Qual é o valor espiritual de uma Escola Espírita de Evangelização (EEE) em instituição espírita?

Resposta: “Filhos, Jesus nos abençoe. Vinculemos propósitos e palestras às raízes kardequianas que
nos presidem esforços e manifestações. Da importância de uma Escola Espírita de Evangelização para
crianças falaram, positivamente, os instrutores de Allan Kardec, em lhe respondendo à questão 383, de
“O Livro dos Espíritos”, quando assim se expressaram, em torno do estado de infância:
“ENCARNADO, COM O OBJETIVO DE SE APERFEIÇOAR, O ESPÍRITO, DURANTE ESSE
PERÍODO, É MAIS ACESSÍVEL ÀS IMPRESSÕES QUE RECEBE, CAPAZES DE LHE
AUXILIAREM O ADIANTAMENTO, PARA O QUE DEVEM CONTRIBUIR OS INCUMBIDOS
DE EDUCÁ-LO”. Meditemos no assunto que foi objeto da melhor atenção do Codificador, nas
primeiras horas da Doutrina Espírita.”

E é tão importante a existência de uma EEE que EMMANUEL afirmaria: “A Escola de
preparação infantil ao Evangelho, nos Centros Espíritas, é um impositivo a que não podemos fugir,
sem grave dano institucional para as nossas edificações doutrinárias do presente e do futuro.” (Obra
citada acima, pág. 200)

Também, nesse mesmo sentido, podemos avaliar a importância do trabalho junto à criança, no
Templo Espírita, através do seguinte questionamento, feito ao Espírito EMMANUEL, na referida obra,
às páginas 199:

Pergunta: Seria de melhor proveito para os Centros Espíritas se dedicar à elucidação das crianças,
diminuindo trabalhos de mediunismos?

Resposta: “A assistência à mente infanto- juvenil, no campo do Espiritismo Cristão, é serviço básico
que não deveríamos descuidar. A educação é obra do tempo, esforço e paciência. E sem que nos
voltemos para a sementeira, com a dedicação precisa, não alcançaremos a colheita valiosa. Repetimos
que a Criança é o futuro, com a preocupação de que os princípios do bem ou do mal que inocularmos
na formação do mundo infantil são vantagens ou desvantagens para nós mesmos, de vez que o porvir
nos espera, de modo geral em novas existências. Cremos, assim, que, se necessário, a redução dos
trabalhos do mediunismo, é medida de importância fundamental nas instituições do Espiritismo-
Evangélico, favorecendo-se maior expansão da obra de socorro espiritual à criança, na execução dos
nossos programas doutrinários”.

Entendemos assim que, se o Consolador está entre nós para que nos auto-eduquemos, a
EVANGELIZAÇÃO DA CRIANÇA constitui, pelos processos educativos evangélicos, o caminho
para o Homem redimido do futuro.