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Direito Civil IV

O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula ministrada
pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na
jurisprudência dos Tribunais.

SUMÁRIO

3.4.3.2. Quanto à presença dos vícios objetivos (continuação) ................................................. 2


3.4.3.3. Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional (art. 1.201 do CC)........................................ 2
3.4.3.4. Quanto à presença de título .......................................................................................... 4
3.4.3.5. Quanto ao tempo .......................................................................................................... 5
3.4.3.6. Quanto aos efeitos ........................................................................................................ 5
3.4.4. Efeitos materiais e processuais ........................................................................................ 5
3.4.4.1. Quanto aos frutos .......................................................................................................... 5
3.4.4.2. Quanto às benfeitorias .................................................................................................. 7
3.4.5. Posse e Responsabilidades ............................................................................................. 11
3.4.6 Posse e Usucapião ........................................................................................................... 12
3.4.7. Posse e Processo Civil – Os Interditos Possessórios ....................................................... 21
3.4.7. 1. Principais disposições aplicáveis à ação de força nova .............................................. 22
3.4.7. 2. Principais disposições aplicáveis à ação de força velha ............................................. 24
3.4.8. A legítima defesa da posse e o desforço imediato ......................................................... 26
3.4.9. Formas de Aquisição, Transmissão e Perda da Posse .................................................... 28
3.4.9.1. Aquisição da posse ...................................................................................................... 28
3.4.9.2. Transmissão da posse .................................................................................................. 29
3.4.9.3. Perda da posse............................................................................................................. 30
3.4.10. Composse ou Compossessão ....................................................................................... 31
3.4.10. 1. Classificação quanto estado ..................................................................................... 31

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3. Direitos Reais
3.4. Posse
3.4.3. Principais Classificações
3.4.3.2. Quanto à presença dos vícios objetivos (continuação)
Olá, pessoal. Vamos dar continuidade aqui com a segunda aula. No final do terceiro
módulo da primeira aula, eu abordava questão dos vícios da posse: a posse injusta por
violência clandestinidade ou precariedade. Eu dizia que pela dicção legal a posse injusta por
violência ou clandestinidade poderia se convalida e a posse precária não. Mas segundo a
doutrina contemporânea até a posse precária poderia sofrer uma convalidação a depender
do caso. Isso está referendado no enunciado nº 237 da Terceira Jornada De Direito Civil:
É cabível a modificação do título da posse – interversio possessionis – na hipótese em
que o até então possuidor direto demonstrar ato exterior inequívoco de oposição ao
antigo possuidor indireto, tendo por efeito a caracterização do animus domini.

Esse enunciado não faz nenhuma referência a não modificação da posse para a posse
precária favor.
Obs.: Em relação aos seus efeitos, os vícios da violência, da clandestinidade ou da
precariedade não influenciam na questão dos frutos, das benfeitorias e das
responsabilidades. Para tais questões, leva-se em conta se a posse é de boa-fé ou má-fé, ou
seja, critérios subjetivos.
Essa observação é muito importante, há uma confusão nas questões de prova de
concurso em relação a posse injusta e a posse de má-fé. Essas provas acabam fazendo essa
confusão não apenas relação a isso, mas também aos efeitos da posse de boa e de má-fé.
Elas colocam consequências da posse de má-fé como se fossem consequências da posse
injusta. Então você, muitas vezes, é levado a cair nessa “casca de banana”.
Obs: Aquele que tem posse injusta não tem a posse usucapível (ad usucapionem), ou
seja, não pode adquirir a coisa por usucapião.

3.4.3.3. Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional (art. 1.201 do CC)


Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede
a aquisição da coisa.
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo
prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.

a) Posse de boa-fé: presente quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos


que lhe impedem a aquisição da coisa ou quando tem um justo título que fundamente a sua
posse.
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b) Posse de má-fé: situação em que alguém sabe do vício que acomete a coisa, mas
mesmo assim pretende exercer o domínio fático sobre esta. Neste caso, o possuidor nunca
possui um justo título. De qualquer modo, ainda que de má-fé, esse possuidor não perde o
direito de ajuizar a ação possessória competente para proteger-se de um ataque de terceiro.
Não é porque o sujeito tem posse injusta ou de posse de má-fé que ele não pode
ajuizar uma ação possessória. Ele pode ajuizar, porque o pressuposto da ação possessória é
que ele tenha a posse e ele tem a posse, em que pese ter um vício objetivo de ser injusta ou
um vício subjetivo de ser de má-fé.
Enunciados do CJF:
Enunciado n. 302: Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico
capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do CC

Enunciado n. 303: considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do


possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não
materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da
função social da posse

Obs.: O Enunciado 303 está estabelece que a função social da posse é fator
fundamental para a determinação da posse de boa-fé e da caracterização do justo título.
Sendo assim, a existência de instrumento, seja público ou particular, não é fator essencial.
Eu volto a frisar com vocês que a ideia de boa-fé, quando se trata de direitos
possessórios não é a boa-fé objetiva, mas sim a boa fé subjetiva, ou seja, era o
conhecimento do agente que detém a posse.
Quando o agente tem um justo título, que fundamente a sua posse, ele tem uma
presunção de boa-fé.
Obs. A presente classificação não se confunde com a última (quanto aos vícios
objetivos). Isso porque na análise dos vícios previstos no art. 1.200 do CC são levados em
conta os critérios objetivos. Ao contrário, na presente classificação, são considerados os
critérios subjetivos, eis que a boa-fé que entra em cena é a subjetiva, que está no plano da
intenção, da crença dos envolvidos.
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.

A transmissão dos vícios de aquisição permite que um possuidor de boa-fé tenha


posse injusta, se a adquiriu de quem a obteve pela violência, pela clandestinidade ou pela
precariedade, ignorante da ocorrência.
Então percebam que como a questão da justiça e da injustiça é um critério objetivo e
a questão da boa ou da má fé é um critério subjetivo, é possível em determinado caso
alguém que tenha posse injusta sobre uma determinada área, ficando anos naqueles local e
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após um certo tempo passe essa posse para um terceiro que desconheça a forma de
aquisição dessa posse. Percebam que a injustiça permanece com a posse, mesmo quando
transferida para esse terceiro. Contudo como esse terceiro ignora a existência de vícios
sobre a posse, ele terá assim uma posse de boa-fé, porém injusta.
Também é possível que alguém possua de má- fé, embora não tenha posse violenta,
clandestina ou precária. O exemplo clássico daquele que tem posse injusta, mas de boa-fé,
ocorre no caso de compra de um bem roubado, sem que se saiba que o bem foi retirado de
outrem com violência.
Exemplo: eu quero comprar um telefone, porém eu não sei que esse sujeito roubou
esse telefone, tendo uma posse injusta. Porém eu adquirindo esse telefone terei a posse de
boa-fé, mesmo ela sendo injusta.

3.4.3.4. Quanto à presença de título


a) Posse com título: situação em que há uma causa representativa da transmissão da
posse, caso de um documento escrito, como ocorre na vigência de um contrato de locação
ou de comodato.
b) Posse sem título: situação em que não há uma causa representativa, pelo menos
aparente, da transmissão do domínio fático. Exemplo: alguém acha um tesouro, depósito de
coisas preciosas, sem a intenção de fazê-lo.
Então, na posse com título, houve um negócio jurídico que promoveu a transferência
da posse. Na sem título a aquisição da posse decorre de uma aquisição originária, por
exemplo. Como no caso de um sujeito achou algo que estava abandonado.
Obs: Mantendo relação com a última classificação, surgem os conceitos de ius
possidendi e ius possessionis. O ius possidendi é o direito à posse que decorre de
propriedade; enquanto que o ius posiciones é o direito que decorre exclusivamente da
posse.
Ex: Eu tenho a posse de um aparelho telefônico, porque eu tenho propriedade
dele. Isso é o ius possidendi. Assim a minha posse decorre do meu direito de propriedade.
No entanto, eu poderia ter a posse do aparelho sem ter propriedade dele. Nesse caso seria o
ius possessionis.
Fazendo o paralelo, pode-se dizer que no ius possidendi há uma posse com título,
estribada na propriedade. No ius possessionis, há uma posse sem título, que existe por si só.

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3.4.3.5. Quanto ao tempo


a) Posse nova: é a que conta com menos de um ano e um dia, ou seja, é aquela com
até um ano.
b) Posse velha: é a que conta com pelo menos um ano e um dia, ou seja, com um ano
e um dia ou mais.
Obs.: A classificação da posse quanto ao tempo é fundamental para a questão
processual relativa às ações possessórias. Enuncia o art. 558 do NCPC que “Regem o
procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II, deste
Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho
afirmado na petição inicial.
Ou seja, na posse nova, o procedimento da ação possessória é um procedimento
específico, sendo muito mais rápido. Contudo se for posse velha é um procedimento mais
ordinário e comum.

3.4.3.6. Quanto aos efeitos


a) Posse ad interdicta: É a regra geral. Trata-se da posse que pode ser defendida
pelas ações possessórias diretas ou interditos possessórios. Ex.: tanto o locador quanto o
locatário podem defender a posse de uma turbação ou esbulho praticado por um terceiro.
Essa posse não conduz à usucapião.
b) Posse ad usucapionem: Exceção à regra. É a que se prolonga por determinado
lapso de tempo previsto na lei, admitindo-se a aquisição da propriedade pela usucapião,
desde que obedecidos os parâmetros legais. A posse ad usucapionem deve ser mansa,
pacífica, duradoura por lapso temporal previsto em lei, ininterrupta e com intenção de dono
(animus domini – conceito de Savigny). Em regra, deve ter os requisitos do justo título e da
boa-fé.
Percebam que em todas as hipóteses de usucapião, a posse deve ser mansa e
pacífica. Ou seja, a posse violenta e injusta não induz a usucapião, em regra. Por isso que se
diz que a posse injusta por violência não induz a usucapião, porque, em regra, o usucapião
exige que a posse seja mansa e pacífica. Então aquele sujeito vai ter a posse, que não é ad
usucapione, mas que pode conduzir a usucapião.

3.4.4. Efeitos materiais e processuais


3.4.4.1. Quanto aos frutos
Frutos são bens acessórios que saem do principal sem diminuir a sua quantidade.

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Prevê o art. 95 do CC que, apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos
e produtos podem ser objeto de negócio jurídico.
Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem
ser objeto de negócio jurídico.

Quanto aos efeitos da posse, para a análise do direito aos frutos, interessa a
classificação da posse como de boa ou má-fé.
Isto porque, o art. 1.214 do CC dispoe que “o possuidor de boa-fé tem direito,
enquanto ela durar, aos frutos percebidos”.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos
percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser
restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também
restituídos os frutos colhidos com antecipação.

Já o parágrafo único desse comando legal estabelece que os frutos pendentes ao


tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da
produção e custeio. Devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação.
Ex.: Um locatário está em um imóvel urbano e, no fundo deste, há uma mangueira.
Enquanto vigente o contrato, o locatário, possuidor de boa-fé amparado pelo justo título,
terá direito às mangas percebidas. Se o contrato for extinto quando as mangas ainda
estiverem verdes (frutos pendentes), não poderão ser colhidas, pois são do locador
proprietário. Se colhidas ainda verdes, devem ser devolvidas ao último, sem prejuízo de
indenização.
Então os frutos são do possuidor de boa-fé enquanto durar a boa-fé. Acabou a boa-
fé, porque encerrou o contrato de aluguel, por exemplo, e o sujeito está no imóvel ainda,
aquele fruto pendente vai para o locador. Se o locatário colheu antes aquele fruto, ele tem
que restituir e pagar eventual indenização.
No que concerne ao possuidor de má-fé, nos termos do art. 1.216 do CC, ele
responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa sua,
deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos,
bem como pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se
constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção e custeio.

A partir do momento que o sujeito está de má-fé, ele não tem direito aos frutos.
Quando está de boa-fé tem direito aos frutos que foram percebidos. Quando me refiro a
fruto aqui me refiro a fruto natural. A partir do instante que está de má fé não tem direito a
frutos nenhum.
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Todavia, esse possuidor tem direito às despesas de produção e de custeio. A ilustrar,


se um invasor de um imóvel colhe as mangas da mangueira do terreno, deverá indenizá-las,
mas será ressarcido pelas despesas realizadas com a colheita. Por outra via, se deixaram de
ser colhidas e, em razão disso, vierem a apodrecer, o possuidor também será
responsabilizado.
Por que ele vai ser indenizado pelas despesas com ele que ele teve com a colheita?
Percebam que o sujeito tem obrigação de colher, porque se ele não colher e aquilo ficar
podre, ele vai ser responsabilizado. Para colher ele precisa gastar para isso. Se o proprietário
já tivesse com imóvel também não gastaria para fazer aquela colheita? Gastaria. Então se eu
digo que o possuidor de má-fé não vai ser indenizado por aquilo que o proprietário teria que
fazer, caso ele for escolher, então estaria tendo enriquecimento ilícito do proprietário.
Exemplo: um sujeito invadiu um terreno e para pegar a manga, ele teve que comprar
uma escada. Então ele comprou a escada e colheu a manga. Então ele vai ter que devolver
essa manga ao proprietário, mas deve ser indenizado pela compra da escada.

3.4.4.2. Quanto às benfeitorias


Benfeitorias são bens acessórios introduzidos em um bem móvel ou imóvel, visando
a sua conservação ou melhora da sua utilidade. Enquanto os frutos e produtos decorrem do
bem principal, as benfeitorias são nele introduzidas.
Enuncia o art. 1.219 do CC que o possuidor de boa-fé tem direito à indenização das
benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas,
a levantá-las, quando puder fazê-lo sem detrimento da coisa.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias
e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las,
quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo
valor das benfeitorias necessárias e úteis.

Além disso, poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias
necessárias e úteis. Assim:
1.ª – O possuidor de boa-fé tem direito à indenização por benfeitorias necessárias e
úteis.
2.ª – Se não for indenizado, o possuidor de boa-fé tem direito à retenção dessas
benfeitorias (necessárias e úteis), o ius retentionis, que persiste até que receba o que lhe é
devido.
3.ª – No tocante às benfeitorias voluptuárias, o possuidor de boa-fé tem direito ao
seu levantamento, se não forem pagas, desde que isso não gere prejuízo à coisa (direito de

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tolher, ou ius tollendi). Ex.: uma piscina pode ser removida se não causar prejuízos ao
imóvel, tais quais aquelas de plástico para crianças.
Como o assunto foi cobrado? TRF5 – 2015
Roberto, juntamente com sua família, ocupou, cercou e construiu uma casa, um curral e
um pequeno lago artificial em uma terra pública situada em área rural. O poder público,
ao tomar ciência da ocupação, ajuizou ação de reintegração de posse. Em defesa,
Roberto alegou que a posse se dera de boa-fé e que ele já havia feito um pedido
administrativo requerendo a regularização da propriedade. O réu ainda alegou que, caso
o pedido do poder público fosse procedente, ele deveria ser indenizado pelas
benfeitorias erigidas, com direito de retenção.
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Com exceção do lago artificial, Roberto fará jus a indenização pelas demais
benfeitorias erigidas no imóvel. Obs.: Se ele tivesse a posse, seria isso realmente.
b) Roberto terá direito à indenização pela casa, mas lhe será descontado o valor
correspondente ao tempo de permanência no imóvel.
c) O direito de retenção pelas benfeitorias necessárias não poderá ser deferido.
d) A posse não pode ser considerada de má-fé, o que torna indenizáveis as benfeitorias
úteis e necessárias feitas por Roberto.
e) A indenização pelo curral depende de prova de utilidade pelo poder público após a
retomada do imóvel
Alternativa Correta – Letra C: Ele não direito de retenção, porque não teve direito a
indenização, uma vez que não tinha a posse. Ele estava em um terreno público, ele tinha
a mera detenção.

Atenção ao julgado abaixo que tem um posicionamento que se aproxima muito da


questão apresentada acima.
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL. OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA POR
PARTICULAR. ÁREA NÃO EDIFICÁVEL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. INDENIZAÇÃO.
SÚMULA 7/STJ. 1. O acórdão regional encontra-se em consonância com a
jurisprudência desta Corte, assentada no sentido de que restando configurada a
ocupação indevida de bem público, não há falar em posse, mas em mera
detenção, de natureza precária, o que afasta o direito de retenção por
benfeitorias e o almejado pleito indenizatório à luz da alegada boa-fé. (...) 3.
Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 824.129/PE, Rel. Ministro
MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2016, DJe
01/03/2016)

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Obs.: Em relação aos locatários, o direito de retenção ou levantamento das


benfeitorias pode ser deliberado de modo diverso no contrato de locação, renunciando o
locatário a tais benfeitorias, segundo previsão do próprio art. 35 da Lei 8.245/1991 (Lei de
Locação Residencial). Neste mesmo sentido, a Súmula 335 do STJ reconhece a possibilidade
de renúncia a tais benfeitorias na locação.
Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias
introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis,
desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de
retenção.

Sum. 335 do STJ: Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização
das benfeitorias e ao direito de retenção.

Percebam que o Código Civil estabelece direito de retenção e indenização por


benfeitorias úteis e necessárias. Só que há uma lei específica que diz que nos contratos de
locação que as benfeitorias o locatário pode renunciar.
Então vamos exemplificar que eu vou alugar um apartamento, sem nenhum móvel e
eu tenho que mobiliar aquele apartamento. Além de mobiliar, eu reformo o apartamento,
fazendo benfeitorias necessárias e algumas voluptuárias. Teoricamente eu tenho que ser
indenizado pelas benfeitorias necessárias e antes que eu fiz, mas, em relação, a esse
contrato de locação residencial, eu posso renunciar esse direito de indenização.
Vejam abaixo um julgado do STJ:
(...) 3. Não obstante o art. 35 da Lei 8.245/91 assegure ao locatário o direito de
indenização e retenção pelas benfeitorias, é válida a cláusula inserida nos contratos de
locação urbana de renúncia aos benefícios assegurados, a teor da súmula 335/STJ.
Hipótese em que os recorrentes renunciaram expressamente ao seu direito.
Precedentes.(...) (AgRg no AREsp 101.712/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA
TURMA, julgado em 03/11/2015, DJe 06/11/2015)

Obs.: Se a renúncia às benfeitorias necessárias constar em contrato de adesão, a


cláusula de renúncia será nula, o que é aplicação do art. 424 do CC, dispositivo pelo qual, nos
contratos de adesão, serão nulas de pleno direito as cláusulas que implicam a renúncia
antecipada do aderente a um direito resultante da natureza do negócio.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia
antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio.

Enunciado n. 433, V Jornada:


A cláusula de renúncia antecipada ao direito de indenização e retenção por benfeitorias
necessárias é nula em contrato de locação de imóvel urbano feito nos moldes do
contrato de adesão.·.
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Obs.: Ainda em relação ao possuidor de boa-fé, na I Jornada de Direito Civil, foi


aprovado o Enunciado n. 81 CJF/STJ, prevendo que o direito de retenção previsto no art.
1.219 do CC, decorrente da realização de benfeitorias necessárias e úteis, também se aplica
às acessões (plantações e construções) nas mesmas circunstâncias. Sendo assim, mesmo
com a diferenciação entre os conceitos de benfeitorias e acessões, os efeitos jurídicos são os
mesmos.
Em relação às benfeitorias e o possuidor de má-fé é a regra do art. 1.220 do CC:
Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe
assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.

Uma dica é fazer um mapa mental disso aqui, pois cai muito em prova.
Posse:
a) Boa-fé
 Indenização
 Benfeitoria necessária e útil com direito a retenção
 Levantamento – Voluptuária (não causando dano ao imóvel)
b)Má-fé
 Indenização
 Benfeitoria necessária sem direito a retenção
Em suma, o possuidor de má-fé não tem qualquer direito de retenção ou de
levantamento. Com relação à indenização, assiste-lhe somente direito quanto às
benfeitorias necessárias.
Imagine-se o caso do invasor de um imóvel. Percebendo que o telhado (benfeitoria
necessária) está em péssimo estado de conservação, o que pode comprometer a própria
estrutura do imóvel, esse possuidor de má-fé o troca. Ora, a sua posse é de má-fé quanto à
origem, mas a conduta de troca do telhado é movida pela boa-fé, em sentido objetivo. Há,
portanto, uma justaposição da boa-fé objetiva em relação à má-fé subjetiva, o que ampara o
sentido do comando legal.
Prevê o art. 1.222 do CC que o reivindicante da coisa, obrigado a indenizar as
benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu
custo. Já ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual da coisa.
Art. 1.222. O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé,
tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé
indenizará pelo valor atual.

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A norma acaba dando tratamento diferenciado em relação aos possuidores de boa e


má-fé.
O possuidor de má-fé fez a obra de conservação do imóvel, gastando R$ 1000,00 para
isso parta ajeitar a parede que estava caindo. O dono da coisa pede a coisa de volta e o
possuidor de má-fé, diz que não vai reter, mas quer ser indenizado. Aquela obra que ele fez
hoje vale R$ 1.500, 00. Como o possuidor que fez a obra estava de má-fé, o reivindicante
pode escolher entre o valor que o possuidor pagou ou preço atual. Então percebam que há
um prejuízo ao possuidor de má-fé. No entanto, quando o possuidor que fez a obra é de
boa-fé, ele deverá ser indenizado pelo preço atual da coisa. Então se houve a valorização, ele
será beneficiado.

3.4.5. Posse e Responsabilidades


O CC/2002 traz regras relativas às responsabilidades do possuidor, considerando-o
como de boa ou de má-fé.
Preconiza o art. 1.217 do CC que o possuidor de boa-fé não responde pela perda ou
deterioração da coisa, a que não der causa. Assim sendo, a responsabilidade do possuidor de
boa-fé, quanto à coisa, depende da comprovação da culpa em sentido amplo
(responsabilidade subjetiva).
Art. 1.217. O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a
que não der causa.

Por outro lado, de acordo com o art. 1.218, “o possuidor de má-fé responde pela
perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se
teriam dado, estando ela na posse do reivindicante.” A responsabilidade do possuidor de
má-fé é objetiva.
Vamos dizer que eu esteja na posse de má-fé de um carro. Em circunstância de um
evento climático, esse carro se deteriorou. Não importa a ocorrência desse evento climático,
eu responderei por isso. Só não respondo se eu provar que mesmo que esse carro estivesse
com o reivindicante, esse carro se perderia do mesmo modo.
Ex.: Um comodatário, possuidor de boa-fé, somente responderá pela perda da coisa
havendo dolo ou culpa. Não pode responder, por exemplo, pelo assalto do veículo à mão
armada, levando o criminoso o bem consigo. Já o criminoso que leva a coisa (possuidor de
má- fé) responde por ela, se for atingida por um objeto em local onde não estaria o
proprietário ou possuidor.
Segundo o art. 1.221 do CC, as benfeitorias compensam-se com os danos, e só
obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem. O comando possibilita,
portanto, que as benfeitorias necessárias a que teria direito o possuidor de má-fé sejam
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jurisprudência dos Tribunais.

compensadas com os danos sofridos pelo reivindicante, hipótese de compensação legal, pela
reciprocidade de dívidas.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento
se ao tempo da evicção ainda existirem. (Vide Decreto-lei nº 4.037, de 1942)

3.4.6 Posse e Usucapião


A usucapião é a aquisição da propriedade por uma posse prolongada que preenche
determinados requisitos legais. O CC/2002, quanto à propriedade imóvel, consagra as
seguintes modalidades de usucapião de bem imóvel:
a) usucapião ordinária (art. 1.242 do CC);
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos.
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver
sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório,
cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua
moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico.

b) usucapião extraordinária (art. 1.238 do CC);


Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como
seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé;
podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para
o registro no Cartório de Registro de Imóveis.
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o
possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado
obras ou serviços de caráter produtivo.

c) usucapião especial rural (art. 1.239 do CC, já prevista anteriormente na


Constituição Federal);
Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como
sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não
superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família,
tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade.

d) usucapião especial urbana (art. 1.240 do CC, do mesmo modo constante do Texto
Maior), o que inclui a usucapião especial urbana por abandono do lar, introduzida pela
recente Lei 12.424/2011.
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta
metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para

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Direito Civil IV

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jurisprudência dos Tribunais.

sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário
de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher,
ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo
possuidor mais de uma vez.

Além dessas formas de usucapião, há em lei especial:


e) usucapião indígena (Lei 6.001/1973 – Estatuto do Índio);
f) usucapião coletiva (Lei 10.257/2001 – Estatuto da Cidade) e
g) usucapião administrativa (Lei 11.977/2009).
Em relação à propriedade móvel, o CC/2002 continua tratando das formas ordinária e
extraordinária, nos arts. 1.260 e 1.261.
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente
durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade.

Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião,
independentemente de título ou boa-fé.

Como o assunto foi cobrado? TRF4 – 2016


Assinale a alternativa INCORRETA.
Acerca da usucapião de bens imóveis:
a) O prazo da usucapião extraordinária é de 10 anos, podendo ser reduzido para 5 anos
se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia habitual ou nele realizado
obras ou serviços de caráter produtivo.
INCORRETA - Usucapião extraordinária: Art. 1.238, do CC. Aquele que, por quinze anos,
sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a
propriedade, independentemente de título e boa-fé (...) Parágrafo único. O prazo
estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no
imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo.
b) O prazo da usucapião especial por abandono do lar, também conhecida como
conjugal, é de 2 anos.
CORRETA - Usucapião especial por abandono do lar: Art. 1.240-A, CC. Aquele que
exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com
exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros
quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou
o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral,
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
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Direito Civil IV

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c) O prazo da usucapião pro labore, também conhecida como especial rural, é de 5


anos.
CORRETA - Usucapião pro labore (especial rural): Art. 1.239, CC. Aquele que, não sendo
proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos,
sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-
a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a
propriedade.
d) O prazo da usucapião documental, também conhecida como tabular, é de 5 anos.
CORRETA - Art. 1.242. § Ú CC. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o
imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do
respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem
estabelecido a sua moradia (...)
e) O prazo da usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no Estatuto das
Cidades, é de 5 anos.
CORRETA - Usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no Estatuto das Cidades
(Lei 10.257/01): Art. 10. As áreas urbanas com mais de duzentos e cinqüenta metros
quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos
ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente,
desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural.

Como o assunto foi cobrado? TRF3 – 2-13


Respeitante às figuras do possuidor e do detentor, assinale a afirmativa correta:
a) A teoria subjetiva da posse não atribui aos detentores qualquer proteção possessória,
ao contrário da objetiva, a qual, segundo nosso ordenamento, os considera como
possuidores, podendo se utilizar de todos os interditos de defesa, em nome próprio,
como se titulares fossem;
INCORRETA: Como já vimos, não se autoriza que os detentores se valham dos interditos
possessórios.
b) O Código Civil trata da figura do detentor como aquele que se encontra em relação de
dependência para com o titular da posse, impossibilitando-o de favorecer-se,
inexoravelmente, do instituto da prescrição aquisitiva;
INCORRETA: Essa situação não é inexorável, porque essa detenção pode se transformar
em uma posse.
Atenção: como essas afirmações peremptórias: inexoravelmente, sempre, nunca... Tudo
que não dê margem a existência de exceções, na maioria das vezes estará incorreto.
c) O Código Civil admite que o detentor venha a adquirir propriedade imóvel por
usucapião quando seu exercício se transmudar de detenção para posse;

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Direito Civil IV

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jurisprudência dos Tribunais.

CORRETA – Enunciado n. 301 do CJF “É possível a conversão da detenção em posse,


desde que rompida a subordinação, na hipótese de exercício em nome próprio dos atos
possessórios.”
d) O direito de retenção por benfeitorias realizadas no bem imóvel favorece tanto o
possuidor quanto o detentor;
INCORRETA: Detentor não tem esse direito, somente o possuidor.
e) Quando o detentor for acionado judicialmente em ação reivindicatória, deverá,
obrigatoriamente, denunciar à lide o proprietário ou o possuidor.
INCORRETA: Primeiro erro é que não obrigatória e segundo é que na ótica do CPC de
1973 seria um caso de nomeação a autoria.

Jurisprudência do STJ sobre o tema


1 - DIREITO CIVIL E URBANÍSTICO. USUCAPIÃO ESPECIAL URBANA E ÁREA DE IMÓVEL
INFERIOR AO "MÓDULO URBANO".
Não obsta o pedido declaratório de usucapião especial urbana o fato de a área do
imóvel ser inferior à correspondente ao "módulo urbano" (a área mínima a ser
observada no parcelamento de solo urbano por determinação infraconstitucional).

Toda vez que vai haver um parcelamento de solo no caso, por exemplo, que o poder
público quer criar um lote em uma área rural qualquer, a legislação prevê uma área mínima
desse módulo. Essa área mínima se dar para que aquele imóvel que for construído naquele
lote consiga desempenhar suas potencialidades como moradia, por exemplo. Se for uma
área muito pequena vai ocorrer uma violação do próprio direito à moradia e da dignidade.
Então toda vez que se estabelece uma área mínima do módulo urbano ou rural é para que
aquela propriedade consiga desempenhar sua função social.
A questão que se coloca é a seguinte: Imagina que essa lei não foi respeitada e o
cidadão está ocupando a posse ad usucapionem de uma fração de terreno, que é menor do
que o módulo Urbano. Ele vai ter direito ao usucapião dessa área? O STJ entende que sim,
porque simplesmente pelo fato de que a constituição quando previu essa modalidade de
usucapião urbano ou rural ela não estabeleceu qual o mínimo do terreno para ocorra essa
usucapião. Então aqui é incidência direta de uma regra constitucional que não pode ser
afastada por limitações criada pela legislação infraconstitucional.
Continuando a leitura da jurisprudência:
Isso porque o STF, após reconhecer a existência de repercussão geral da questão
constitucional suscitada, fixou a tese de que, preenchidos os requisitos do artigo 183 da
CF, cuja norma está reproduzida no art. 1.240 do CC, o reconhecimento do direito
à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que
estabeleça módulos urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do

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Direito Civil IV

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jurisprudência dos Tribunais.

lote) (RE 422.349-RS, Tribunal Pleno, DJe 5/8/2015). REsp 1.360.017-RJ, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 5/5/2016, DJe 27/5/2016.

Outra jurisprudência do STJ sobre o tema que aplica o mesmo raciocínio:


2 - Presentes os requisitos exigidos no art. 191 da CF, o imóvel rural cuja área seja
inferior ao "módulo rural" estabelecido para a região (art. 4º, III, da Lei 4.504/1964)
poderá ser adquirido por meio de usucapião especial rural. De fato, o art. 65 da Lei
4.504/1964 (Estatuto da Terra) estabelece que "O imóvel rural não é divisível em áreas
de dimensão inferior à constitutiva do módulo de propriedade rural". A Lei 4.504/1964
(Estatuto da Terra) - mais especificamente, o seu art. 4º, III (que prevê a regra do
módulo rural), bem como o art. 65 (que trata da indivisibilidade do imóvel rural em área
inferior àquele módulo) -, ainda que anterior à Constituição Federal de 1988, buscou
inspiração, sem dúvida alguma, no princípio da função social da propriedade. (...)

A lógica o estatuto da terra seguinte: Nem o latifúndio improdutivo cumpre a função


social da propriedade, porque ele tem uma grande área que não está sendo produzida, nem
minifúndio, porque se a área rural for pequena, não sendo capaz de gerar, por exemplo,
uma produção, não vai estar cumprindo a sua função social. Pois a função social daquele
imóvel é que ele seja utilizado social e economicamente. Se for um módulo muito pequeno,
que não tem viabilidade econômica, também não vai cumprir a função social. Por isso, que o
estatuto da terra estabelece essa ideia de módulo rural, que seria a menor fração possível do
módulo para cumprir sua função social.
Continuando a leitura da jurisprudência:
(...) Realmente, o Estatuto da Terra foi pensado a partir da delimitação da área mínima
necessária ao aproveitamento econômico do imóvel rural para o sustento familiar, na
perspectiva de implementação do princípio constitucional da função social da
propriedade, importando sempre e principalmente, que o imóvel sobre o qual se exerce
a posse trabalhada possua área capaz de gerar subsistência e progresso social e
econômico do agricultor e sua família, mediante exploração direta e pessoal - com a
absorção de toda a força de trabalho, eventualmente com a ajuda de terceiros. A
Constituição Federal de 1988, em seu art. 191, cujo texto se faz idêntico no art. 1.239
do CC, disciplinou a usucapião especial rural, nos seguintes termos: "Aquele que, não
sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos
ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinquenta
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua
moradia, adquirir-lhe-á a propriedade". Como se verifica neste artigo transcrito, há
demarcação de área máxima passível de ser usucapida, não de área mínima, (...)
(...) o que leva os doutrinadores a concluírem que mais relevante que a área do imóvel é
o requisito que precede a ele, ou seja, o trabalho realizado pelo possuidor e sua família,
que torna a terra produtiva e lhe confere função social. A usucapião especial rural é
caracterizada pelo elemento posse-trabalho. Serve a essa espécie tão somente a posse
marcada pela exploração econômica e racional da terra, que é pressuposto à aquisição
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Direito Civil IV

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jurisprudência dos Tribunais.

do domínio do imóvel rural, tendo em vista a intenção clara do legislador em prestigiar o


possuidor que confere função social ao imóvel rural. Assim, a partir de uma
interpretação teleológica da norma, que assegure a tutela do interesse para a qual foi
criada, conclui-se que, assentando o legislador, no ordenamento jurídico, o instituto
da usucapião rural, prescrevendo um limite máximo de área a ser usucapida, sem
ressalva de um tamanho mínimo, estando presentes todos os requisitos exigidos pela
legislação de regência, não há impedimento à aquisição usucapicional de imóvel que
guarde medida inferior ao módulo previsto para a região em que se localize. (...)
(...) Ressalte-se que esse entendimento vai ao encontro do que foi decidido pelo
Plenário do STF, que, por ocasião do julgamento do RE 422.349-RS (DJe 29/4/2015),
fixou a seguinte tese: "Preenchidos os requisitos do art. 183 da CF, o reconhecimento do
direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação
infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área onde situado o
imóvel (dimensão do lote)". REsp 1.040.296-ES, Rel. originário Min. Marco Buzzi, Rel.
para acórdão Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 2/6/2015, DJe 14/8/2015.

Outra jurisprudência do STJ:


3. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO
DA USUCAPIÃO
O § 5º do art. 219 do CPC ("O juiz pronunciará, de ofício, a prescrição") não autoriza a
declaração, de ofício, da usucapião.

A gente entende a usucapião como uma prescrição aquisitiva de um direito e não


como uma prescrição extintiva da pretensão. Então a usucapião é prescrição diferente da
prescrição que fulmina pretensão. Então levantou-se a seguinte tese: Se a prescrição que
fulmina a pretensão pode reconhecida de ofício para o juiz, então nada impediria que a
usucapião fosse reconhecida de ofício pelo magistrado, já que também é uma prescrição. No
entanto, o STJ entendeu que a prescrição aquisitiva, ou seja, a usucapião não pode ser
reconhecida de ofício.
Continuando a leitura da jurisprudência:
No ordenamento jurídico brasileiro, existem duas formas de prescrição: (i) a prescrição
extintiva e (ii) a prescrição aquisitiva. A prescrição extintiva (i) - a prescrição
propriamente dita - conduz à perda do direito de ação por seu titular negligente, ao fim
de certo lapso de tempo. Por sua vez, a prescrição aquisitiva (ii) -usucapião - faz com que
um determinado direito seja adquirido pela inércia e pelo lapso temporal. Ambas têm
em comum os elementos tempo e inércia do titular, mas, enquanto na primeira eles dão
lugar à extinção do direito, na segunda produzem a sua aquisição. Realmente, o § 5º do
art. 219 do CPC não estabeleceu qualquer distinção em relação à espécie de prescrição.
Sendo assim, num primeiro momento, poder-se-ia cogitar ser possível ao julgador
declarar de ofício a aquisição mediante usucapião de propriedade. (...)

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Direito Civil IV

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pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros doutrinários e na
jurisprudência dos Tribunais.

(...) Entretanto, essa assertiva não pode ser aplicada. Primeiro, porque o disposto no §
5º do art. 219 está intimamente ligado às causas extintivas, conforme expressamente
dispõe o art. 220 - "O disposto no artigo anterior aplica-se a todos os prazos extintivos
previstos na lei" -, sendo que a simples leitura dos arts. 219 e 220 demonstra a
impropriedade de se pretender projetar os ditames do § 5º do art. 219 para as hipóteses
de usucapião. Segundo, pois a prescrição extintiva e a usucapião são institutos díspares,
sendo inadequada a aplicação da disciplina de um deles frente ao outro, vez que a
expressão prescrição aquisitiva tem vínculos mais íntimos com fundamentos
fáticos/históricos do que a contornos meramente temporais. Essa diferenciação é
imprescindível, sob pena de ocasionar insegurança jurídica, além de violação aos
princípios do contraditório e ampla defesa, pois, no processo de usucapião, o direito de
defesa assegurado ao confinante é impostergável, eis que lhe propicia oportunidade de
questionar os limites oferecidos ao imóvel usucapiendo. (...) REsp 1.106.809-RS, Rel.
para acórdão Min. Marco Buzzi, julgado em 3/3/2015, DJe 27/4/2015 .

Outra jurisprudência do STJ:


4. DIREITO CIVIL. PREVALÊNCIA DA USUCAPIÃO SOBRE A HIPOTECA JUDICIAL DE
IMÓVEL.
A decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel
por usucapião prevalece sobre a hipoteca judicial que anteriormente tenha gravado o
referido bem. Isso porque, com a declaração de aquisição de domínio
por usucapião, deve desaparecer o gravame real constituído sobre o imóvel, antes ou
depois do início da posse ad usucapionem, seja porque a sentença apenas declara
a usucapião com efeitos ex tunc, seja porque a usucapião é forma originária de aquisição
de propriedade, não decorrente da antiga e não guardando com ela relação de
continuidade. Precedentes citados: AgRg no Ag 1.319.516-MG, Terceira Turma, DJe
13/10/2010; e REsp 941.464-SC, Quarta Turma, DJe 29/6/2012. REsp 620.610-DF, Rel.
Min. Raul Araújo, julgado em 3/9/2013.

Dois elementos aqui são interessantes: Existia um imóvel hipotecado. Não importa
se antes ou depois dessa hipoteca, alguém começou até a posse do imóvel ad usucapionem.
Essa posse aconteceu de repente e declarada a usucapião. A primeira coisa interessante
aqui é que essa usucapião vai prevalecer sobre a hipoteca, pois a sentença da usucapião tem
natureza declaratória e não constitutiva. Ou seja, a usucapião é um fato jurídico que ocorre
e a sentença reconhece a ocorrência desse fato jurídico. Então ela retroage a data em que os
requisitos estabelecidos na lei foram cumpridos integralmente.
O segundo elemento importante é que a usucapião é uma causa originária de
aquisição de propriedade e não é uma causa derivada. Então não é um negócio jurídico em
“A” vendeu um imóvel para “B”. Quando há usucapião ocorre um rompimento com a
relação de propriedade anterior que existia. Então, a partir desse momento, é como se
houvesse uma nova propriedade surgisse ali sem vício algum.

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Direito Civil IV

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jurisprudência dos Tribunais.

Outra jurisprudência do STJ:


5. DIREITO CIVIL. USUCAPIÃO E TERRENO QUE A UNIÃO ALEGA SER INTEGRANTE DE
FAIXA DE MARINHA
A alegação da União de que determinada área constitui terreno de marinha, sem que
tenha sido realizado processo demarcatório específico e conclusivo pela Delegacia de
Patrimônio da União, não obsta o reconhecimento de usucapião. A demarcação da faixa
de marinha depende de complexo procedimento administrativo prévio de atribuição
do Poder Executivo, com notificação pessoal de todos os interessados, sempre que
identificados pela União e de domicílio certo, com observância à garantia do
contraditório e da ampla defesa. Tendo-se em conta a complexidade e onerosidade do
procedimento demarcatório, sua realização submete-se a um juízo de oportunidade e
conveniência por parte da Administração Pública. Ocorre que não é razoável que o
jurisdicionado tenha sua pretensão de reconhecimento da usucapião de terreno que já
ocupa com ânimo de dono condicionada à prévia demarcação da faixa de marinha, fato
futuro e sem qualquer previsibilidade de materialização. (...)

A gente sabe que o terreno de marinha é um bem público, sendo um bem dominial
da União. Obviamente como tal não é possível que alguém que ocupe esse terreno tenha a
aquisição da propriedade através da usucapião. Trata-se de uma Detenção e não de uma
posse.
Imagine que alguém está ocupando um terreno de marinha não demarcado. A lei
exige que haja essa demarcação da área do terreno em marinha. Para essa demarcação é
feito todo um procedimento através de um edital de chamamento das pessoas que estão
interessadas, por exemplo. No entanto, nesse caso, não houve a demarcação e a pessoa está
ocupando essa área. Essa pessoa alega conseguiu a propriedade da área por usucapião e a
União em sua defesa alega que a área não poderia ser usucapida por ser terreno de marinha.
Essa simples alegação de que essa área é terreno de marinha, não obsta que se reconheça a
usucapião da área. Porque enquanto não for demarcado e comprovado objetivamente que
aquela área é terreno de marinha, é possível que a sentença a usucapião.
Continuando a leitura da jurisprudência:
(...) Assim, é possível o reconhecimento da usucapião, desde que resguardados
expressamente os interesses da União, admitindo que, caso se apure, no procedimento
próprio, que a área usucapienda se caracteriza como bem público, não haverá prejuízo
ao ente público. Com efeito, a eficácia preclusiva da coisa julgada alcança apenas as
questões passíveis de alegação e efetivamente decididas pelo juízo constantes do mérito
da causa, não podendo, no caso, ser considerada deduzível a matéria, pois inexistente
estudo conclusivo sobre o assunto. REsp 1.090.847-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 23/4/2013.

Outra jurisprudência do STJ:

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6. DIREITO ADMINISTRATIVO. PRAZO PRESCRICIONAL NA HIPÓTESE DE PRETENSÃO


INDENIZATÓRIA DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA
A pretensão indenizatória decorrente de desapropriação indireta prescreve em vinte
anos na vigência do CC/1916 e em dez anos na vigência do CC/2002, respeitada a regra
de transição prevista no art. 2.028 do CC/2002. De início, cumpre ressaltar que a ação de
desapropriação indireta possui natureza real e, enquanto não transcorrido o prazo para
aquisição da propriedade por usucapião, ante a impossibilidade de reivindicar a coisa,
subsiste a pretensão indenizatória em relação ao preço correspondente ao bem objeto
do apossamento administrativo.

Vamos imaginar o seguinte: existe a desapropriação indireta que é aquela que segue
os trâmites legais e existe a indireta que é aquela que a administração viola esses trâmites
legais e se apossa no bem. Quando a administração se apossa no bem, o dono daquele bem
ele não pode entrar com ação possessória para reintegração de posse, porque administração
ao se apossar do bem e afetá-lo a uma finalidade pública, aquele bem passou a ser público.
O que houve então foi uma desapropriação indireta. Então o que é que cabe ao proprietário
que perdeu aquele terreno? Ele pode pleitear indenização. Só que quando ele vai pleitear a
indenização. Ele só pode fazer isso enquanto aquele bem não foi “usucapido” pela Fazenda
Pública. Qual que é o prazo para pedir indenização? A lógica desse julgado é o seguinte: o
prazo para requerer indenização pela desapropriação indireta é o prazo da o prazo da
usucapião. Então enquanto não ocorrer a usucapião em favor do ente público, você pode
pedir a indenização. Ocorrendo a desapropriação é uma aquisição originária e você não tem
direito a indenização.
O STJ tinha um entendimento pacífico no sentido de que de que o prazo para se pedir
essa indenização seria de 20 anos. Esse julgado muda essa sistemática dizendo que uma vez
que o prazo para pedir indenização é até a consolidação da usucapião e aqui o que há é
usucapião extraordinária, então esse prazo seria de 15 anos. Todavia quando, o Poder
público, se apossa de uma propriedade, dá uma afetação pública e isso coincide com a posse
trabalho, então reduz o prazo para 10 anos.
Continuando a leitura da jurisprudência:
Com base nessa premissa e com fundamento no art. 550 do CC/1916 - dispositivo legal
cujo teor prevê prazo de usucapião -, o STJ firmou a orientação de que "a ação de
desapropriação indireta prescreve em vinte anos" (Súmula 119/STJ). O CC/2002,
entretanto, reduziu o prazo da usucapião extraordinária para quinze anos (art.
1.238, caput) (...)
(...) e previu a possibilidade de aplicação do prazo de dez anos nos casos em que o
possuidor tenha estabelecido no imóvel sua moradia habitual ou realizado obras ou
serviços de caráter produtivo. Assim, considerando que a desapropriação indireta
pressupõe a realização de obras pelo poder público ou sua destinação em função da
utilidade pública ou do interesse social, com fundamento no atual Código Civil, o prazo
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prescricional aplicável às desapropriações indiretas passou a ser de dez anos. REsp


1.300.442-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18/6/2013.

Quando eu fazia simulado de prova oral, treinando alguns alunos, eu sempre fazia
essa pergunta e era muito comum eles errarem. Essa pergunta já caiu também em prova de
primeira fase magistratura federal. Imagine que em um determinado município ou estado ou
próprio União cria uma reserva ambiental através de um ato normativo e estabelece que
nessa reserva ambiental não se pode realizar nenhuma medida de manejo das árvores, por
exemplo. Só que nessa área existe uma propriedade privada e esta propriedade privada
perdeu completamente a sua função econômica por causa das restrições impostas pela
legislação ambiental. Isso é uma desapropriação indireta? Muita gente achava que sim. Se
não me engano até o Celso Antônio que fala que se houver um esvaziamento total da
capacidade econômica isso equivaleria a uma desapropriação. Contudo, o STJ, desde 2012,
adotou o sentido de que não há desapropriação indireta se não houver o efetivo
apossamento do bem pelo Estado. Ou seja, uma norma ambiental que limita o manejo da
área e esvazia economicamente, não é uma desapropriação indireta, porque o estado não se
apossou materialmente do bem. Portanto o proprietário da área ele pode pedir uma
indenização do estado pelo esvaziamento econômico, mas o fundamento não vai ser com
base no direito real de desapropriação indireta, mas sim no direito pessoal. Então o prazo
prescricional para essa ação vai ser de 5 anos que é o prazo de direito pessoal e não o prazo
de 10 anos da ação de direito real por desapropriação indireta.

3.4.7. Posse e Processo Civil – Os Interditos Possessórios


Os interditos possessórios são as ações possessórias diretas. O possuidor tem a
faculdade de propor essas demandas para manter-se na posse ou para que esta lhe seja
restituída. Para tanto, devem ser observadas as regras processuais previstas a partir do art.
554 do NCPC. São 3 as ações a depender da situação:
1 - No caso de ameaça à posse (risco de atentado à posse) - caberá ação de interdito
proibitório.
2 - No caso de turbação (atentados fracionados à posse) - caberá ação de
manutenção de posse.
3 - No caso de esbulho (atentado consolidado à posse) - caberá ação de reintegração
de posse.
As três medidas cabíveis são autorizadas pelo art. 1.210, caput, do CC/2002, pelo
qual “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de
esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”.

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jurisprudência dos Tribunais.

De qualquer forma, as diferenças práticas em relação às três ações pouco interessam,


uma vez que o art. 554 do NCPC consagra a fungibilidade total entre as três medidas: “A
propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do
pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos requisitos estejam
provados”.
Pessoal do MPF, muito cuidado com análise do direito possessório, envolvendo
questões indígenas. Às vezes os índios estão numa determinada área pedindo a demarcação
dessa área e o proprietário até então da área, que não há demarcação da terra indígena,
entra com ações possessórias para reintegração de posse. Para a justiça federal a análise
disso está sendo vista muito pela ótica civilista. Mas Âmbito do MPF a ideia é muito mais
avançada que essa, porque a relação de posse do índio com a terra não é uma relação
meramente de propriedade é porque naquele espaço de terra é onde o índio consegue viver
a sua cultura. É uma questão muito mais de vida cultural do grupo indígena. Essa ligação
com a terra está mais ligada ao direito fundamental ao multiculturalismo e da expressão
cultural. Então, no MPF, se defende é que essas de ações de reintegração de posse não
devem ser analisadas sob a ótica meramente civilista.
Uma ação possessória pode ser convertida em outra livremente, se for alterada a
situação fática ou ainda quando o autor se engana quanto à medida cabível, havendo a
possibilidade de transmudação de uma ação em outra.
É preciso relacionar as ações possessórias à classificação da posse quanto ao tempo:
→ Se a ameaça, a turbação e o esbulho forem novos, ou seja, tiverem menos de um
ano e um dia, caberá a ação de força nova: o respectivo interdito possessório seguirá o rito
especial, cabendo liminar nessa ação.
→ Se a ameaça, a turbação e o esbulho forem velhos, com pelo menos um ano e um
dia, caberá ação de força velha, que segue o rito ordinário, não cabendo a respectiva liminar.
Neste sentido é o art. 558 do NCPC: “Regem o procedimento de manutenção e de
reintegração de posse as normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta
dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial”.

3.4.7. 1. Principais disposições aplicáveis à ação de força nova


a) Art. 555 do NCPC consagra a possibilidade de cumulação, ao pedido possessório,
de condenação em perdas e danos (emergentes e lucros cessantes); cominação de pena
para caso de nova turbação ou esbulho (astreintes); e desfazimento de construção ou
plantação feita em detrimento de sua posse (não sendo possível, pode pedir perdas e
danos).
Art. 555. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de:
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I - condenação em perdas e danos;


II - indenização dos frutos.
Parágrafo único. Pode o autor requerer, ainda, imposição de medida necessária e
adequada para:
I - evitar nova turbação ou esbulho;
II - cumprir-se a tutela provisória ou final.

b) O art. 556 do NCPC enuncia que é lícito ao réu, na contestação do interdito


possessório, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e
a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor.
Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse,
demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da
turbação ou do esbulho cometido pelo autor.

Pelo que consta desse dispositivo, as ações possessórias diretas têm natureza
dúplice, cabendo pedido contraposto em favor do réu para que a sua posse seja protegida
no caso concreto.
c) O art. 557 do NCPC prevê que “na pendência de ação possessória é vedado, tanto
ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento de domínio, exceto se a pretensão
for deduzida em face de terceira pessoa”.
Art. 557. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu,
propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em
face de terceira pessoa.
Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração de posse a alegação de
propriedade ou de outro direito sobre a coisa.

O dispositivo processual, portanto, já previa que a alegação de exceção de domínio


(exceptio proprietatis) não bastava para a improcedência da ação possessória.
A premissa foi repetida pelo § 2.º do art. 1.210 do CC, pelo qual “Não obsta à
manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre
a coisa”.
Há uma divisão entre os juízos possessório (em que se discute a posse) e petitório
(em que se discute a propriedade). Neste sentido, os seguintes enunciados do CJF:
Enunciado n. 78, I Jornada: Tendo em vista a não recepção, pelo novo Código Civil, da
exceptio proprietatis (art. 1.210, § 2.º) em caso de ausência de prova suficiente para
embasar decisão liminar ou sentença final ancorada exclusivamente no ius possessionis,
deverá o pedido ser indeferido e julgado improcedente, não obstante eventual alegação
e demonstração de direito real sobre o bem litigioso.

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Enunciado n. 79, I Jornada: A exceptio proprietatis, como defesa oponível às ações


possessórias típicas, foi abolida pelo Código Civil de 2002, que estabeleceu a absoluta
separação entre os juízos possessório e petitório.

Em outras palavras, a ação possessória é a via adequada para a discussão da posse;


enquanto que a ação petitória é a via adequada para a discussão da propriedade e do
domínio, não sendo possível embaralhar as duas vias.
d) O art. 562 do NCPC prevê que “Estando a petição inicial devidamente instruída, o
juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de
reintegração, caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado,
citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada”.
Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o
réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso
contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu
para comparecer à audiência que for designada.
Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos
representantes judiciais.

e) A audiência mencionada é a audiência de justificação, tão comum nas ações


possessórias. Quanto a ela, dispõe o art. 563 do NCPC que, julgando procedente a
justificação, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração de posse.
Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de
manutenção ou de reintegração.

3.4.7. 2. Principais disposições aplicáveis à ação de força velha


Em relação à ação de força velha, que segue o rito ordinário, não cabe liminar.
Todavia, segundo o entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência, cabe tutela
antecipada nessa demanda. Neste sentido:
Enunciado n. 238 CJF/STJ, III Jornada: Ainda que a ação possessória seja intentada além
de ‘ano e dia’ da turbação ou esbulho, e, em razão disso, tenha seu trâmite regido pelo
procedimento ordinário (CPC, art. 924) [558], nada impede que o juiz conceda a tutela
possessória liminarmente, mediante antecipação de tutela, desde que presentes os
requisitos autorizadores do art. 273, I ou II, [294 e ss] bem como aqueles previstos no
art. 461-A e §§ [538], todos do CPC.

b) Dispõe o art. 1.211 do CC que “Quando mais de uma pessoa se disser possuidora,
manter-se-á provisoriamente a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de
alguma das outras por modo vicioso”.

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Trata-se do possuidor aparente, que manterá a coisa enquanto se discute em sede de


ação possessória ou petitória quem é o seu possuidor ou proprietário de direito. Se for
demonstrado que o possuidor aparente tem a coisa com um vício, seja objetivo ou subjetivo,
poderá esta lhe ser retirada.
c) O art. 1.212 do CC preceitua que o possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a
de indenização, contra o terceiro que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era. Sobre o
tema:
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o
terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.

Enunciado n. 80 CJF/STJ, I Jornada: É inadmissível o direcionamento de demanda


possessória ou ressarcitória contra terceiro possuidor de boa-fé, por ser parte passiva
ilegítima, diante do disposto no art. 1.212 do novo Código Civil. Contra o terceiro de
boa-fé cabe tão somente a propositura de demanda de natureza real.

Assim sendo, como não se pode atribuir culpa a quem esteja de boa-fé, não caberão
as medidas previstas no dispositivo, mas tão somente ação petitória, para reivindicação da
propriedade.
Como o assunto foi cobrado? TRF5 – 2009
Com base na disciplina do direito das coisas, assinale a opção correta.
a) A boa-fé é requisito indispensável para o uso das ações possessórias, uma vez que é
pressuposto básico para a interpretação de qualquer ato jurídico.
ERRADA – O manejo das ações possessórias não depende da existência de boa-fé,
conforme se extrai do art. 1.210 do CC.
b) Ao analisar pedido de liminar em ação possessória na qual autor e réu se dizem
possuidores, o juiz deve manter provisoriamente na posse aquele que tiver justo título,
ou, caso nenhum deles o tenha, aquele que detiver a coisa.
ERRADA – A alternativa contraria o art. 1211 do CC, segundo o qual “quando mais de
uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a que tiver a coisa, se
não estiver manifesto que a obteve de algumas das outras por modo vicioso”.
Ex.: Imagine que duas pessoas estão demandando a posse do mesmo bem. Nesta
situação, o quê que juiz vai ter que analisar primeiro para deferir a posse? Verificar com
quem já está o bem.
c) A posse é situação de fato protegida pelo direito, tendo-se por adquirida desde o
momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos
poderes inerentes à propriedade, de forma que não há como adquiri-la por intermédio
de representante.

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ERRADA – A assertiva está correta até a ultima parte, quando então incide em erro ao
afirmar que “não há como adquiri-la por intermédio de representante”, o que contraria
o art. 1.205, I do CC, segundo o qual “A posse pode ser adquirida, pela própria pessoa
que a pretende ou por seu representante.”
d) Na aquisição da posse natural, não há lugar para a verificação da presença das regras
aplicáveis à teoria dos negócios jurídicos.
CORRETA – A assertiva está correta. A posse natural se caracteriza pela apreensão da
coisa com o exercícios dos poderes de fato. Portanto, não há lugar para a verificação da
presença das regras aplicáveis aos negócios jurídicos. A posse civil decorre de causa
reconhecida pelo direito. Nela, além dos elementos de fato, exige-se a validade do
negócio jurídico para que se produzam as consequências da posse.
e) A posse injusta impede que seja exercido o direito de retenção sobre a coisa, tal como
ocorre com o possuidor de má-fé, a quem são ressarcidas apenas as benfeitorias
necessárias e é negado o exercício do referido direito.
ERRADA – O que é levando em consideração para fins de indenização é a boa ou má-fé,
e não se a posse é justa ou injusta. Neste sentido, basta observar a redação dos arts.
1.219 e 1.220 do CC:
Art. 1.219 – O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias
necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a
levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de
retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.
Art. 1.220 – Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias
necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de
levantar as voluptuárias.

3.4.8. A legítima defesa da posse e o desforço imediato


Art. 1.210, § 1.º, do CC: O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou
restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa ou de
desforço não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.

A legítima defesa da posse e o desforço imediato constituem formas de autotutela,


autodefesa ou de defesa direta, independentemente de ação judicial, cabíveis ao possuidor
direto ou indireto contra as agressões de terceiro.
Essa legítima defesa pode ser feita inclusive pelo detentor, o qual não possui posse e,
dessa maneira não pode ajuizar ação possessória, mas por sua vez pode se valer da legítima
da propriedade.

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Nos casos de ameaça e turbação, em que o atentado à posse não foi definitivo, cabe
a legítima defesa. Havendo esbulho, a medida cabível é o desforço imediato, visando à
retomada do bem esbulhado.
Em todas as hipóteses, observe-se que esses institutos de autodefesa apresentam
alguns requisitos, que devem ser respeitados, para que a atuação seja lícita:
a) A defesa deve ser imediata. Ex.: se o possuidor deixa que o esbulhador construa
uma cerca divisória, pelo menos aparentemente, não tomou as medidas imediatas que lhe
cabiam. Sobre tal requisito do imediatismo, o Enunciado nº 495, V Jornada:
No desforço possessório, a expressão ‘contanto que o faça logo’ deve ser entendida
restritivamente, apenas como a reação imediata ao fato do esbulho ou da turbação,
cabendo ao possuidor recorrer à via jurisdicional nas demais hipóteses.

b) O possuidor que toma as medidas de autotutela não pode ir além do


indispensável para a recuperação de sua posse.
Deve agir nos limites do exercício regular desse direito, servindo como parâmetro o
art. 187 do CC, que prevê o abuso de direito como ato ilícito. Os parâmetros, portanto, são
aqueles previstos no dispositivo da codificação: fim social, fim econômico, boa-fé objetiva e
bons costumes.
c) A lei está a autorizar que o possuidor que faz uso da autotutela utilize o apoio de
empregados ou prepostos. Isso porque o art. 1.210, § 1.º, do CC faz menção à força própria,
que inclui o auxílio de terceiros, com quem mantém vínculos.
Então não é preciso que o sujeito vá diretamente retirar os invasores sozinho. Ele
utilizar seus empregados para esse fim.
Vamos imaginar a seguinte situação: Eu tenho uma fazenda improdutiva e eu vejo um
grupo de trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST) com a intenção de invadir a minha
fazenda. Eu posso contratar funcionários para fazer a guarda armada dessa fazenda? Posso,
porque isso faz parte da legítima defesa da posse que ainda não foi esbulhada. Casos os
invasores adentre na fazenda, os funcionários podem defender essa fazenda dessa invasão.
Porém aqui vem uma questão muito delicada: de que forma vai se suceder essa defesa? Não
se pode alvejar os invasores com tiros de pistola com intuito de defender a posse, pois se
fizer isso estaria sobrelevando o direito a propriedade acima do direito fundamental a vida.
Percebam que essa legítima defesa precisa ser ponderada com outros valores.

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3.4.9. Formas de Aquisição, Transmissão e Perda da Posse


3.4.9.1. Aquisição da posse
Segundo o art. 1.204 do CC/2002 “Adquire-se a posse desde o momento em que se
torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à
propriedade”.
O legislador preferiu não elencar as hipóteses de aquisição da posse, como constava
da antiga codificação. Substituiu-se, portanto, uma relação supostamente fechada ou
taxativa (numerus clausus) por um conceito aberto, a ser preenchido caso a caso (numerus
apertus). Sendo assim, as formas de aquisição da posse que constavam da lei anterior
servem somente como exemplo, a saber:
a) apreensão da coisa;
b) exercício de direito;
c) fato de disposição da coisa; e
d) qualquer outro modo geral de aquisição de direito.
Há formas de aquisição originárias (contato direto entre a pessoa e a coisa – ex.:
coisa abandonada ou sem dono) e derivadas (em que há uma intermediação pessoal -
envolve a tradição).
A tradição pode ser:
a) Real – dá-se pela entrega efetiva ou material da coisa.
b) Tradição simbólica – há um ato representativo da transferência da coisa como, por
exemplo, a entrega das chaves de um apartamento.
c) Tradição ficta – é aquela que se dá por presunção, como ocorre na traditio brevi
manu, em que o possuidor possuía em nome alheio e agora passa a possuir em nome
próprio (Ex.: o locatário que compra o imóvel, passando a ser o proprietário).
Nos termos do art. 1.205 do CC, a posse pode ser adquirida:
a) pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante
b) por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
O dispositivo não faz menção ao constituto possessório, forma de aquisição em que
há uma cláusula contratual mediante a qual o alienante (vendedor) transmite a posse da
coisa alienada ao nome do comprador, embora continue a deter o bem.
Ex.: eu tenho uma caneta e eu quero vender para fulano. Eu vendo essa caneta para
fulano, mas eu continuo com a posse dela. Então fulano vai ter a propriedade, ou seja, vai
ter agora a posse indireta e eu continuo com a posse direta da caneta.
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A doutrina, no entanto, acrescenta esta forma de aquisição, conforme se observa no


Enunciado n. 77, I Jornada: “A posse das coisas móveis e imóveis também pode ser
transmitida pelo constituto possessório”.
O inverso do constituto possessório ocorre quando a pessoa que possuí em nome
alheio passa a possuir em nome próprio. Ex: o locatário que possui a casa em nome alheio
compra a casa passando a possuir em nome próprio, neste caso a cláusula será da traditio
brevi manu.

3.4.9.2. Transmissão da posse


Segundo o art. 1.206 do CC “a posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do
possuidor com os mesmos caracteres”.
Trata-se de expressão do princípio da continuidade do caráter da posse que, em
regra, mantém os mesmos atributos da sua aquisição. Consagração da regra de que ninguém
pode, por si só, mudar a causa que fundamenta a posse (neme si ipsi causam possessionis
mutare potest).
Sobre o princípio da continuidade, o art. 1.207 do CC dispõe que o sucessor universal
continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua
posse à do antecessor, para os efeitos legais.
Art. 1.207. O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao
sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais.

Conforme se observa, a lei diferencia dois tipos de sucessão:


a) Universal (nos casos de herança legítima) – A lei prevê continuidade.
b) Singular (nos casos de compra e venda, doação ou legado) – A lei prevê a união de
posses (acessão).
Sobre o tema, o Enunciado n. 494, V Jornada de Direito Civil: “A faculdade conferida
ao sucessor singular de somar ou não o tempo da posse de seu antecessor não significa que,
ao optar por nova contagem, estará livre do vício objetivo que maculava a posse anterior.”
Exemplo: Imagine que o sujeito estava com a posse injusta de um celular, porque ele
roubou. Um terceiro de boa-fé compra esse celular. O fato dele optar por somar o tempo de
posse do sujeito que o vendeu, não afasta o vício da posse.
É interessante a soma do tempo de posse para os casos de usucapião.
O princípio da continuidade do caráter da posse não é absoluto, podendo ser
mitigado. Há apenas uma presunção relativa (iuris tantum) de que a posse mantém o seu
caráter e não uma presunção absoluta ou iure et de iure.

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Neste sentido, o art. 1.208 do CC: “Não induzem posse os atos de mera permissão ou
tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos,
senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”.
Pela conjugação desse dispositivo com o art. 558 do NCPC, a posse adquirida com
injustiça pode passar a ser justa, após um ano e um dia, desde que violenta ou clandestina,
segundo a corrente majoritária.
Ainda no que tange à transmissão da posse, prescreve o art. 1.209 do CC que a posse
do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem.
Art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que
nele estiverem.

Ex.: Se eu tenho a posse do apartamento, até que provem o contrário eu tenho a


posse de todos móveis que lá estão.

3.4.9.3. Perda da posse


Segundo o art. 1.223 do CC “Perde-se a posse quando cessa, embora contra a
vontade do possuidor, o poder sobre o bem, ao qual se refere o art. 1.196”.
Em suma, cessando os atributos relativos à propriedade, cessa a posse, que é
perdida, extinta. Ex.: Abandono da coisa (derrelição), fazendo surgir à coisa abandonada (res
derelictae); Tradição; Perda ou destruição da coisa possuída; Coisa for colocada fora do
comércio; Posse de outrem, ainda que contra a vontade do possuidor, se este não foi
manutenido, ou reintegrado à posse, em tempo competente; Constituto possessório ou
cláusula constituti, hipótese em que a pessoa possuía o bem em nome próprio e passa a
possuir em nome alheio. Não é numerus clausus.
O art. 1.224 do CC dispõe que “só se considera perdida a posse para quem não
presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou,
tentando recuperá-la, é violentamente repelido”.
Ex.: eu tinha a posse de um imóvel e eu não vi que esse imóvel foi esbulhado. Eu
perdi a posse desse imóvel, já que outra pessoa o está ocupando imóvel? Só se considera
que eu perdi essa posse, quando eu sabendo que outra pessoa está lá imóvel, eu não tomo
nenhuma medida para assegurar minha posse. Quando eu tentei recuperar e fui
violentamente repelido, é também outra hipótese de perda da posse.
Ou seja, se o possuidor não presenciou o momento em que foi esbulhado, somente
haverá a perda da posse se, informado do atentado à posse, não toma as devidas medidas
necessárias ou se sofrer violência ao tentar fazê-lo, não procurando outros caminhos após
essa violência.

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A norma mantém relação com a boa-fé objetiva, particularmente com a perda de um


direito ou de posição jurídica pelo seu não exercício no tempo (supressio).

3.4.10. Composse ou Compossessão


A composse ou compossessão é a situação pela qual duas ou mais pessoas exercem,
simultaneamente, poderes possessórios sobre a mesma coisa (condomínio de posses), o que
pode ter origem inter vivos ou mortis causa. Ex.: doação conjuntiva, para dois donatários,
que terão a posse de um imóvel.
Ex.: Imagine sujeito faleceu e deixou uma fazenda para 4 filhos . Enquanto não
houver a partilha, haverá uma composse desses quatro herdeiros sobre a Fazenda, porque
eles eram proprietários em conjunto.
Nos termos do art. 1.199 do CC que “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa
indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os
dos outros compossuidores”.
Desde que não haja exclusão do direito alheio, qualquer um dos possuidores poderá
fazer uso das ações possessórias, no caso de atentado praticado por terceiro.
Em relação a terceiros, como se fossem um único sujeito, qualquer dos possuidores
poderá usar os remédios possessórios que se fizerem necessários, tal como acontece no
condomínio.
Ex.: quatro pessoas estão com uma composse de um bem e um terceiro tenta retirar
ou esbulhar a posse. Então qualquer um desses copossuidores pode ajuizar uma ação
possessória.
Também é possível que um compossuidor ingresse com ação possessória em face do
outro compossuidor, o que depende da qualificação da posse existente na relação entre as
partes envolvidas. Neste sentido, o STJ admite a propositura de ação de reintegração de
posse de um herdeiro compossuidor em face do outro. (STJ, Rel. Min. Vasco Della Giustina
(Desembargador convocado do TJ-RS), j. 20.04.2010).

3.4.10. 1. Classificação quanto estado


Em relação ao seu estado, a composse pode ser classificada em:
a) Composse pro indiviso ou indivisível – os compossuidores têm fração ideal da
posse, pois não é possível determinar, no plano fático e corpóreo, qual a parte de cada um.
Exemplo: dois irmãos têm a posse de uma fazenda e ambos exercem-na sobre todo o
imóvel, retirando dele produção de hortaliças.

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b) Composse pro diviso ou divisível – cada compossuidor sabe qual a sua parte, que
é determinável no plano fático e corpóreo, havendo uma fração real da posse. Exemplo: dois
irmãos têm a composse de uma fazenda, que é dividida ao meio por uma cerca.
Jurisprudência do STJ:
PRINCÍPIO SAISINE. REINTEGRAÇÃO. COMPOSSE.
Cinge-se a questão em saber se o compossuidor que recebe a posse em razão do
princípio saisine tem direito à proteção possessória contra outro compossuidor.
Inicialmente, esclareceu o Min. Relator que, entre os modos de aquisição de posse,
encontra-se o ex lege, visto que, não obstante a caracterização da posse como poder
fático sobre a coisa, o ordenamento jurídico reconhece, também, a obtenção desse
direito pela ocorrência de fato jurídico - a morte do autor da herança -, em virtude do
princípio da saisine, que confere a transmissão da posse, ainda que indireta, aos
herdeiros independentemente de qualquer outra circunstância. Desse modo, pelo
mencionado princípio, verifica-se a transmissão da posse (seja ela direta ou indireta) aos
autores e aos réus da demanda, caracterizando, assim, a titularidade do direito
possessório a ambas as partes.
(...) No caso, há composse do bem em litígio, motivo pelo qual a posse de qualquer um
deles pode ser defendida todas as vezes em que for molestada por estranhos à relação
possessória ou, ainda, contra ataques advindos de outros compossuidores. In casu, a
posse transmitida é a civil (art. 1.572 do CC/1916), e não a posse natural (art. 485 do
CC/1916). Existindo composse sobre o bem litigioso em razão do droit de saisine é
direito do compossuidor esbulhado o manejo de ação de reintegração de posse, uma
vez que a proteção à posse molestada não exige o efetivo exercício do poder fático -
requisito exigido pelo tribunal de origem. (...) Isso posto, a Turma deu provimento ao
recurso para julgar procedente a ação de reintegração de posse, a fim de restituir aos
autores da ação a composse da área recebida por herança. Precedente citado: REsp
136.922-TO, DJ 16/3/1998. REsp 537.363-RS, Rel. Min. Vasco Della Giustina
(Desembargador convocado do TJ-RS), julgado em 20/4/2010.

Como o assunto foi cobrado? TRF5 - 2013


Acerca dos direitos possessórios, assinale a opção correta.
a) Segundo a jurisprudência do STJ, não é possível a posse de bem público, constituindo
a sua ocupação sem aquiescência formal do titular do domínio mera detenção de
natureza precária. Apesar disso, resguarda-se o direito de retenção por benfeitorias em
caso de boa-fé do ocupante.
ERRADA – Não é possível nem a posse nem a retenção por benfeitorias, conforme se
observa no seguinte julgado do STJ:
“DIREITOS REAIS. RECURSO ESPECIAL. POSSE DE BEM PÚBLICO GERIDO PELA TERRACAP
OCUPADO SEM PERMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO À RETENÇÃO E INDENIZAÇÃO
POR BENFEITORIAS. INVIABILIDADE. (...) 2. A jurisprudência firme desta Corte entende
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Direito Civil IV

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não ser possível a posse de bem público, constituindo a sua ocupação sem aquiescência
formal do titular do domínio mera detenção de natureza precária.3. Os artigos 516 do
Código Civil de 1916 e 1.219 do Código Civil em vigor estabelecem a posse como
requisito para que se possa fazer jus ao direito de retenção por benfeitoria. (REsp
841.905/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
17/05/2011, DJe 24/05/2011)

b) Considere que dois irmãos tenham a posse de uma fazenda e que ambos a exerçam
sobre todo o imóvel, nele produzindo hortaliças. Nesse caso, há a denominada
composse pro diviso.
ERRADA – Trata-se da composse pro indiviso em que os compossuidores têm fração
ideal da posse, pois não é possível determinar, no plano fático e corpóreo, qual a parte
de cada um.
c) Na aferição da posse de boa-fé ou de má-fé, utiliza-se como critério a boa fé subjetiva,
assim como ocorre em relação à posse justa ou injusta.
ERRADA - A primeira parte está correta, porém a posse justa é analisada a partir de
critérios objetivos, tais como a violência, precariedade ou clandestinidade.
d) O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o
direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo.
CORRETA – Letra de lei. Art. 1.222 - “O reivindicante, obrigado a indenizar as
benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o
seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual.”
e) Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais, somente as pessoas físicas e
naturais, excluindo-se, portanto, os entes despersonalizados, como, por exemplo, a
massa falida.
ERRADA – Nos termos do Enunciado n 236 do CJF, III Jornada, “ Arts. 1.196, 1.205 e
1.212: Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais, também a coletividade
desprovida de personalidade jurídica”.

Como o assunto foi cobrado? TRF3 – 2016


Sobre a posse, assinale a alternativa incorreta:
a) A acessão possessória pode-se dar de modo facultativo ou por continuidade do
direito recebido do antecessor.
CORRETA – Nos termos do art. 1.207 do CC, o sucessor universal continua de direito a
posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do
antecessor, para os efeitos legais.
b) Admite-se o convalescimento da posse violenta e da posse clandestina.

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Direito Civil IV

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CORRETA – Nos termos do art. 1.208, segunda parte, do CC/2002, as posses injustas por
violência ou clandestinidade podem ser convalidadas, o que não se aplicaria à posse
injusta por precariedade (“Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância
assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão
depois de cessar a violência ou a clandestinidade”)
c) A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
CORRETA – Nos termos do art. 1.202 do CC, a posse de boa-fé só perde este caráter no
caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não
ignora que possui indevidamente.
d) O reivindicante, quando obrigado, indenizará as benfeitorias ao possuidor de má-fé
pelo valor atual.
INCORRETA – Nos termos do art. 1.222 do CC, o reivindicante, obrigado a indenizar as
benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e
o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual.

Outras jurisprudências STJ:


1 - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DISTANCIAMENTO MÍNIMO DE MOVIMENTO
SOCIAL DESTINADO À REFORMA AGRÁRIA DO IMÓVEL ANTERIORMENTE INVADIDO.
INTOLERÁVEL CONTINUIDADE DE ATOS DESTINADOS A TURBAR OU
MOLESTAR POSSE LIMINARMENTE RECONHECIDA.
É legal a decisão judicial que, objetivando viabilizar o exercício de posse reconhecida em
sede de liminar - ameaçada por atos destinados a turbá-la ou molestá-la -, determina o
distanciamento mínimo de movimento social destinado à reforma agrária do imóvel
anteriormente invadido. Considerando a inexistência de direito fundamental absoluto,
deve-se asseverar que a legítima pretensão à necessária reforma agrária, prevista
constitucionalmente, não confere ao correlato movimento social, ainda que sob a égide
do direito fundamental de locomoção, o uso arbitrário da força destinado a
vilipendiar posse reputada legítima (assim albergada por decisão judicial), que, inerente
ao direito de propriedade, igualmente recebe proteção constitucional. HC 243.253-MS,
Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 13/11/2012.
2 - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE PASSIVA DO LOCADOR.
DESCUMPRIMENTO DOS DEVERES CONDOMINIAIS PELO LOCATÁRIO.
O proprietário possui legitimidade passiva ad causam para responder por eventuais
danos relativos ao uso de sua propriedade decorrentes do descumprimento dos deveres
condominiais pelo locatário. Ao firmar um contrato de locação de imóvel, o locador
mantém a posse indireta do imóvel, entendida como o poder residual concernente à
vigilância, à conservação ou mesmo o aproveitamento de certas vantagens da coisa,
mesmo depois de transferir a outrem o direito de usar o bem objeto da locação. Dessa
forma, ao locador cumpre zelar pelo uso adequado de sua propriedade, assegurando-se

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Direito Civil IV

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que o locatário dê a destinação correta ao imóvel, visto que lhe são conferidos
instrumentos coercitivos para compelir o locatário a cumprir as disposições
condominiais, inclusive com a possibilidade de ajuizamento de ação de despejo, nos
termos da Lei n. 8.245/1991. (...)
(...) Assim, tratando-se de direito de vizinhança, a obrigação é propter rem, ou seja,
decorre da propriedade da coisa. Por isso, o proprietário com posse indireta não pode se
eximir de responder pelos danos causados pelo uso indevido de sua propriedade.
Todavia, a demanda também pode ser ajuizada contra o possuidor do imóvel que, em
tese, é quem comete a infração condominial, sem excluir a responsabilidade do
proprietário. Precedentes citados: REsp 254.520-PR, DJ 18/12/2000, e AgRg no AgRg no
Ag 776.699-SP, DJ 8/2/2008. REsp 1.125.153-RS, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em
4/10/2012.
3 - ARRENDAMENTO MERCANTIL. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. ADIMPLEMENTO
SUBSTANCIAL.
Trata-se de REsp oriundo de ação de reintegração de posse ajuizada pela ora recorrente
em desfavor do recorrido por inadimplemento de contrato de arrendamento mercantil
(leasing) para a aquisição de 135 carretas. A Turma reiterou, entre outras questões, que,
diante do substancial adimplemento do contrato, qual seja, foram pagas 30 das 36
prestações da avença, mostra-se desproporcional a pretendida reintegração de posse e
contraria princípios basilares do Direito Civil, como a função social do contrato e a boa-
fé objetiva. Ressaltou-se que a teoria do substancial adimplemento visa impedir o uso
desequilibrado do direito de resolução por parte do credor, preterindo desfazimentos
desnecessários em prol da preservação da avença, com vistas à realização dos aludidos
princípios. (...)
(...) Assim, tendo ocorrido um adimplemento parcial da dívida muito próximo do
resultado final, daí a expressão "adimplemento substancial", limita-se o direito do
credor, pois a resolução direta do contrato mostrar-se-ia um exagero, uma demasia.
Dessa forma, fica preservado o direito de crédito, limitando-se apenas a forma como
pode ser exigido pelo credor, que não pode escolher diretamente o modo mais gravoso
para o devedor, que é a resolução do contrato. Dessarte, diante do substancial
adimplemento da avença, o credor poderá valer-se de meios menos gravosos e
proporcionalmente mais adequados à persecução do crédito remanescente, mas não a
extinção do contrato. Precedentes citados: REsp 272.739-MG, DJ 2/4/2001; REsp
1.051.270-RS, DJe 5/9/2011, e AgRg no Ag 607.406-RS, DJ 29/11/2004. REsp 1.200.105-
AM, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 19/6/2012.

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