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Portfólio (Atividade do Ciclo 2 – 6ª Semana)

Leonardo Teixeira de Oliveira

Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica

Professor Alexandre Jose Cruz

1) Quais são as principais concepções práticas que devem ser consideradas na


gestão da escola da Educação Infantil?

Como expõem Flôres e Silva (2012: 2), os princípios da gestão escolar têm sido
historicamente influenciados pelas diretrizes da administração de empresas, de paradigma
industrial e capitalista, em que os sujeitos humanos são ajustados a uma estrutura de
produção econômica e pragmática. No entanto, em uma instituição de ensino, a concepção
de “produtividade” quantificável e padronizada tende apenas a empobrecer o fenômeno
educacional, que deveria incorporar influências potencializadoras ao desenvolvimento
pessoal do educando a partir de fatores muito menos impostos do que o modelo industrial,
se quiser promover uma educação em sentido amplo em seu ambiente escolar. Na
pesquisa de Flôres e Silva, concepções que ignoravam os alunos como sujeitos de direito
marcaram em especial a Educação Infantil, em que as crianças podem facilmente ser
vistas como receptáculos vazios de cuidado e/ou de conhecimento. Destacam-se duas
visões que, nocivamente, mostraram-se muitas vezes excludentes e alienantes: a da escola
como “cuidadora” de crianças, no sentido físico e higiênico, e a da escola como
adestradora de crianças, com atividades precoces predominantemente a lápis. Uma
consciência pela ampliação do uso da percepção e da contribuição dos educandos
mostrou-se para as pesquisadoras apenas contingente nos planos político-pedagógicos
abrangidos: no que aparentou ser um reflexo das concepções da administração na gestão
escolar, as crianças não tendem a aparecer como verdadeiros sujeitos de direito na
experiência educacional, com desenvolvimento integral em seus aspectos físico,
psicológico, intelectual e social, mas como pacientes indiferenciados de metodologias de
ensino. Resgatando Freire (1996), a gestão deve prever, com a formação continuada de
seus profissionais, concepções práticas de ensino que abriguem não apenas adequações a
metas padronizadas, mas espaço para a real vivência dos desafios da educação, com suas
críticas e problematizações pelas mentes pensantes, com respeito aos saberes dos
educandos, com tolerância de ordem social e identitária e oportunidade de exemplos
pessoais. Em suma, deve incorporar e se deixar inspirar pelos questionamentos da

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pedagogia, abrindo espaços de consideração à autonomia dos educandos em suas
diretrizes administrativas – “educar não é transferir conhecimento” (Freire, 1996: 27).

2) As Escolas de Educação Infantil nos municípios de pequeno porte garantem


o acesso, permanência e qualidade no ensino para todas as crianças?
Justifique a sua resposta:

A partir da pesquisa de Correa (2015), constatou-se em análise de secretarias e


departamentos de educação infantil em pequenos municípios de São Paulo uma
amostragem de:

“(...) estruturas frágeis, tanto quantitativa quanto qualitativamente; número insuficiente de


profissionais para apoio e acompanhamento das unidades de EI [Educação Infantil];
desconhecimento de dados fundamentais para o planejamento e ampliação da oferta de vagas;
relações de mando e submissão, com brechas para a ocorrência de clientelismo;
desigualdades em termos de remuneração e jornadas; permanência de contratação de ‘outros’
profissionais, e não de docentes, para atuar diretamente com as crianças”.

No artigo de Correa (2015), tais deficiências são registradas desde em relação ao


acesso e a permanência dos educandos em escolas até à qualidade do ensino promovido.

Tal como na pesquisa de Flôres e Silva (2012), as concepções de gestão mostram-


se determinantes para a qualidade do ensino infantil: com estruturas hierárquicas herdadas
dos objetivos industriais, que dão margem a interesses alheios à educação, e com a
sujeição da metodologia pedagógica a sistemas apostilados comercializados por empresas
privadas, infere-se que os direitos das crianças conforme o artigo 29 da LDB
(“desenvolvimento integral” da criança), ou os princípios estabelecidos pelas DCNEI
para a organização do trabalho na Educação Infantil (o brincar e as interações), não são
contemplados.

Com isso, a pesquisadora indica que “baixos padrões de qualidade identificados


em unidades de EI no país (Campos e Cruz, 2006) guardam estreita relação com os
arranjos de gestão identificados nesta pesquisa”.

Referências bibliográficas

CORREA, B. “A gestão da Educação Infantil em 12 municípios paulistas e algumas


relações com sua qualidade”. In: REUNIÃO NACIONAL DA ANPED, 37,
Florianópolis, UFSC, out. 2015. Anais. 2015. Disponível em:

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<http://37reuniao.anped.org.br/wp-content/uploads/2015/02/Trabalho-GT07-
4043.pdf>.

FLÔRES, V. M. da S.; TOMAZZETTI, C. M. “A Gestão da Educação Infantil:


Concepções e Práticas”. In: IX Anped Sul. Seminário de Pesquisa em Educação da
Região Sul. Caxias do Sul, R.S., 2012. Disponível em:
<http://www.portalanpedsul.com.br/admin/uploads/2012/Educacao_e_Infancia/Tr
abalho/07_48_41_2689-6717-1-PB.pdf>.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São


Paulo: Paz e Terra, 1996.