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Instrumentação e Técnicas de Medidas

Conceitos

BIPM (Bureau International des Poids et Mesures) - Pavillon de Breteuil

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 1


Controle de Versões

2013 Versão 1: Com base em Measurement Systems Application and Design, Ernest O.
Doebelin, 4th edition, 1989, IEC 60050 - International Electrotechnical
Vocabulary, IEC 61298-2, Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM) e Guia
para a Expressão da Incerteza de Medição (GUM).
Versão 1.1: Pequenas alterações de texto, informações adicionais da IEC 61298-2,
alguma informação sobre calibração dinâmica.

Última alteração: 13/09/2013 (22/08/2013)

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Índice
1 Aplicações da Instrumentação.........................................................................................................4
2 Cadeia de Instrumentação Generalizada..........................................................................................5
2.1 Elementos Funcionais..............................................................................................................5
2.2 Transdutores Ativos e Passivos...............................................................................................6
2.3 Modos de Operação Analógico e Digital.................................................................................6
2.4 Modos de Nulo e de Deflexão.................................................................................................7
2.5 Entradas e Saídas.....................................................................................................................7
3 Características de Desempenho Estático e Dinâmico......................................................................9
3.1 Características Estáticas...........................................................................................................9
3.1.1 Calibração Estática...........................................................................................................9
3.1.2 Erros aleatórios e sistemáticos.......................................................................................10
3.1.3 Exatidão.........................................................................................................................11
3.1.4 Precisão..........................................................................................................................11
3.1.5 Tendência.......................................................................................................................11
3.1.6 Faixa...............................................................................................................................11
3.1.7 Faixa dinâmica...............................................................................................................12
3.1.8 Resolução.......................................................................................................................12
3.1.9 Limiar.............................................................................................................................12
3.1.10 Sensibilidade estática...................................................................................................13
3.1.11 Linearidade...................................................................................................................13
3.1.12 Histerese e outras não linearidades..............................................................................14
3.1.13 Ajustes..........................................................................................................................15
3.2 Aspectos Numéricos..............................................................................................................19
3.2.1 Algarismos significativos...............................................................................................19
3.2.2 Representação de incertezas ..........................................................................................21
3.2.3 Cálculo e propagação de incertezas...............................................................................21
3.2.4 Erro máximo..................................................................................................................23
3.2.5 Erros e incertezas em instrumentos eletrônicos.............................................................24
3.3 Calibração Dinâmica..............................................................................................................25
3.3.1 Tempo de resposta.........................................................................................................25
3.3.2 Linearidade dinâmica.....................................................................................................26

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1 Aplicações da Instrumentação
Basicamente existem três tipos de aplicação para a instrumentação: O monitoramento de
processos e operações, o controle de processos e operações e a análise experimental. No
monitoramento estamos interessados apenas na medida de diferentes grandezas físicas. No controle,
por outro lado, estamos interessados em medir grandezas para fechar uma malha de controle tal qual
em sistemas lineares. Também pode acontecer de estarmos estudando problemas que não tenham
uma teoria bem definida para explicá-lo, neste caso simulações e experimentos devem andar de
mãos dadas para tentar solucionar o problema proposto. A compreensão sobre o desenho e a
concepção dos experimentos também é de fundamental importância para que se consiga manter
sobre controle efeitos indesejados.

No mundo atual avaliamos, muitas vezes, que a solução de todos os problemas passa por
uma análise computacional e que estes sistemas devem ser os mais eficientes. De um modo geral as
pessoas já se convenceram que, no futuro, os computadores poderão resolver todos os problemas
existentes. Os computadores, entretanto, não costumam ser os elementos críticos para a maioria dos
problemas existentes e sim os atuadores ou sensores capazes de integrá-los ao mundo real.

De qualquer forma, o uso inteligente da instrumentação sempre ira depender do nosso


conhecimento sobre o assunto, dos materiais disponíveis, e de qual desempenho cada solução
proposta pode apresentar. Novos equipamentos estão sendo desenvolvidos a cada dia mas os
conceitos e ideias básicas de vários sistemas de medida tem sido usadas com sucesso e continuarão
assim por muitos anos ainda. Estudá-los é de grande valia para entender como funcionam e como
são aplicados o que possibilitará estendê-los a outras aplicações.

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2 Cadeia de Instrumentação Generalizada
2.1 Elementos Funcionais
É possível e desejável descrever a operação e o desempenho de instrumentos de medida e
equipamentos de forma generalizada. A operação normalmente é descrita em termos de elementos
funcionais enquanto o desempenho em termos de características estáticas e dinâmicas. Antes de
mais nada, entretanto, é importante deixar claro alguns conceitos aparentemente simples mas que
podem gerar confusão. Instrumento de medida, por exemplo, e definido pelo Vocabulário
Internacional de Metrologia (VIM) como o “dispositivo utilizado para realizar medições,
individualmente ou associado a um ou mais dispositivos suplementares” enquanto que um sistema
de medição corresponde a um ou mais instrumentos de medição e seus insumos. Já uma cadeia de
medição é uma série de elementos de um sistema de medição que formam um caminho único desde
a entrada até a saída do instrumento, como na figura abaixo.

m A B C D E

m) Mensurando; A) Elemento sensor primário; B) Elemento conversor de variável; C) Elemento de


manipulação de variável; D) Elemento de transmissão de dados; E) Armazenamento ou exibição.

O elemento sensor primário é aquele que primeiro recebe energia do meio e produz uma
saída que varia em função da quantidade a ser medida (mensurando). Em metrologia este elemento
é chamado de sensor sendo definido como “o elemento de um sistema de medição que é
diretamente afetado por um fenômeno, corpo ou substância que contém a grandeza a ser medida.”
(VIM). Observe que o elemento primário sempre retira energia do meio. O sensor ideal é aquele que
minimiza este efeito causando pouca influência sobre o que se deseja medir. Adicionalmente ele
deve ser afetado apenas pelo mensurando desejado. A saída deste sensor primário sempre é uma
variável física como deslocamento ou tensão. Algumas vezes é necessário transformar esta variável
em outra mais fácil de ser tratada ou manipulada. Esta é a função do elemento conversor de
variável. É interessante notar que nem todos os instrumentos incluem este bloco e outros incluem
mais de uma transformação de variáveis. Também é importante dizer que algumas vezes um único
elemento físico é responsável por um ou mais blocos deste diagrama.

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Na sequência existe o elemento de manipulação da variável relacionada a grandeza que se
deseja medir. Esta manipulação pode ser um simples amplificador ou um complexo sistema
envolvendo não apenas elementos eletrônicos. Assim como os demais, este elemento não
necessariamente se apresenta nesta exata posição do diagrama, podendo ser necessário seu
aparecimento em diferentes posições.

Por fim existem os elementos de transmissão de dados que podem ser sistemas de exibição
para o operador, telemetria ou simples alavancas para mover um ponteiro. Também podem ser
sistemas para armazenar os dados obtidos permitindo uma análise ou relatório posterior.

É importante observar que todos os instrumentos de medição são criados para operarem em
uma faixa de valores sendo que o seu máximo costuma ser chamado de valor nominal. O valor
nominal, na verdade, é mais do que isso, ele corresponde ao valor da grandeza que serve de guia
para a sua utilização apropriada. Assim ele pode ser o valor máximo de medida de um voltímetro ou
de uma proveta mas também pode ser o valor de um resistor ou da sua potência máxima.

2.2 Transdutores Ativos e Passivos


Os transdutores, “dispositivos utilizados em medição e que fornecem uma grandeza de
saída que guarda uma relação especificada com uma grandeza de entrada” (VIM), podem ser ativos
ou passivos. Como este texto foi criado a partir de diferentes fontes podem aparecer nele duas
definições diferentes para transdutores ativos e passivos.

Transdutores passivos serão aqueles cuja energia para seu funcionamento é fornecida total
ou quase que totalmente pelo sinal de entrada. Por outro lado um transdutor ativo é aquele que uma
fonte auxiliar fornece a maior parte da energia necessária para o funcionamento do transdutor. Esta
definição pode gerar algumas confusões. Uma chave, por exemplo, pode ser um transdutor ativo
uma vez que a energia para ligar ou desligar o restante do circuito vem de uma fonte externa e não
da chave ou do objeto que ativou a chave. Amplificadores são elementos naturalmente ativos pois a
energia na saída do amplificador não vem da fonte de sinal mas sim da fonte de energia.

Assim um transdutor resistivo pode ser considerado como ativo, uma vez que ele precisa ser
alimentado por fontes de tensão ou corrente para resultar em uma tensão de saída. Neste caso a
energia na saída do transdutor não é fornecida por ele mas sim pela fonte. Um sensor passivo por
outro lado é aquele que provê sua própria energia, ou a deriva do próprio fenômeno que está sendo
medido. Um exemplo poderia ser um termopar, normalmente utilizado para medir temperatura.

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Atenção especial deve ser dada a estas definições pois elas podem ser utilizadas com
sentidos diferentes em diferentes bibliografias Um sentido mais eletrônico é comumente atribuído a
elas e, neste caso, resistores e chaves seriam sempre transdutores passivos.

2.3 Modos de Operação Analógico e Digital


Os instrumentos de medida podem funcionar em modo digital ou analógico. Normalmente o
conceito de analógico implica na medida continua enquanto que sistemas digitais utilizam
quantização do que se mede. Esta quantização, entretanto, não deve ser significativa para afetar a
exatidão do equipamento mas deve ser usada como uma característica de imunidade a ruído. A
limitação na exatidão geralmente está associada as porções analógicas e ao conversor A/D.

2.4 Modos de Nulo e de Deflexão


Instrumentos de medida que funcionam no modo de deflexão apresentam uma saída que
muda proporcionalmente com mudanças na entrada. Classicamente são instrumentos com ponteiros
que apresentam deflexão de uma força e que se opõe a um dispositivo de mola, por exemplo.
Instrumentos que operam com nulo necessitam de uma realimentação (manual ou automática) para
equilibrar a saída ou seja, manter os ponteiros ou indicadores em uma posição de equilíbrio ou zero.
Utilizam um sensor de equilíbrio entre uma quantidade desconhecida e uma quantidade padrão. Em
geral possui maior exatidão (desvio entre o valor considerado verdadeiro e o valor medido – veja
definição na seção 3.1.3) e sensibilidade (razão entre a variação de saída e a variação
correspondente de entrada – veja definição na seção 3.1.10) mas uma pobre resposta dinâmica.
Equipamentos de nulo costumam ser muito exatos porém costumam apresentar pior característica
dinâmica que os instrumentos de deflexão.

2.5 Entradas e Saídas


O instrumento ideal é aquele que responde a um único tipo de estímulo, ou seja, não é
influenciado por variáveis distintas daquelas que se deseja medir. Este instrumento ideal não existe
e sempre teremos que conviver com entradas que interferem diretamente na saída ou que modificam
a função de transferência do instrumento.

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Interferência

Modificador Saída
+
Sinal

Entradas que interferem diretamente na saída podem ser, por exemplo, vibrações ou
inclinações em equipamentos mecânicos ou com partes hidráulicas ou ainda o campo de 60 Hz
gerado pelas linhas de energia e que induzem tensões em diferentes elementos alterando
diretamente a saída do equipamento. Entradas que modificam funções e transferência podem ser,
por exemplo, a temperatura, alterando as dimensões de um equipamento mecânico ou valores de um
divisor resistivo ou a saída de um amplificador, ou variações na fonte de alimentação do
equipamento.

Para resolver este problema ou minimizar sua influência podemos buscar sensores ou
transdutores que respondam a um único tipo de estimulo e sejam mais insensíveis a interferências e
as variáveis modificadoras. Isto é difícil de obter então outras estratégias normalmente são
empregadas. As principais estratégias são a realimentação com alto ganho de malha, como nos
casos de servo mecanismos, correções matemáticas da saída a partir de estimativas de como as
interferências e os modificadores afetam a saída do equipamento, filtragens e a inclusão de outros
sensores que medem as interferências e os modificadores e os cancelam na saída do equipamento.

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3 Características de Desempenho Estático e Dinâmico
3.1 Características Estáticas
3.1.1 Calibração Estática
As características estáticas de um equipamento são obtidas através de um procedimento
chamado calibração estática. Esta consiste em apresentar ao instrumento diferentes valores das
grandezas desejadas mantendo constante as entradas modificadoras e as interferências. A relação
entre as entradas e saídas é chamada de calibração estática. Este procedimento pode ser repetido
várias vezes para cada entrada desejada. A calibração então, pode ser apresentada como uma curva,
uma equação ou uma tabela ou ainda como uma família delas.

Apesar de a definição acima exigir que todas as variáveis modificadoras e de interferência


sejam mantidas constantes durante o processo de calibração, isto é impossível de se obter na prática.
Também não é possível garantir um valor verdadeiro para a grandeza que se deseja medir. Uma
definição mais verdadeira acerca da calibração é dada pelo (VIM). No VIM 2012 a calibração é
definida como a “operação que estabelece, sob condições especificadas, numa primeira etapa, uma
relação entre os valores e as incertezas de medição fornecidos por padrões e as indicações
correspondentes com as incertezas associadas; numa segunda etapa, utiliza esta informação para
estabelecer uma relação visando a obtenção dum resultado de medição a partir duma indicação.”
Desta forma o uso da incerteza contorna os problemas práticos apresentados.

O uso da incerteza na calibração de equipamentos é relativamente nova. A abordagem


tradicional, baseada em erro entre o valor medido e o valor verdadeiro da grandeza, definia que
existiam erros aleatórios e sistemáticos, mas estes erros deviam ser tratados diferentemente e não há
regras para determinar a combinação destes erros (na verdade eles eram tratados da mesma forma
como agora, porém as definições atuais são mais consistentes e menos sujeitas a má interpretação).
Na abordagem moderna o conceito de erro (normalmente impossível de ser determinado, pois
depende do valor real, verdadeiro, da grandeza) foi substituído pelo de incerteza. Na abordagem da
incerteza o processo é tratado estatisticamente e dois Tipos de incerteza são definidos, a incerteza
do Tipo A e a incerteza do Tipo B. A incerteza do Tipo A é avaliada de forma estatística e a
incerteza do Tipo B é avaliada de outras formas mas ambas são tratadas matematicamente pela
teoria da probabilidade. Assim, o resultado total pode ser expresso como um desvio padrão
(incerteza padrão). Desta forma a incerteza é um parâmetro não negativo que caracteriza a

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dispersão dos valores atribuídos a grandeza que se deseja medir. Convém salientar que não existe
relação entre erro aleatório e a incerteza do Tipo A nem entre o erro sistemático e a incerteza do
Tipo B.

Mais detalhes sobre este tipo de abordagem podem ser obtidos no Guia para a Expressão da
Incerteza de Medição (GUM).

3.1.2 Erros aleatórios e sistemáticos


O erro de medição é a diferença entre o valor medido e um valor de referência. Se este valor
de referência corresponde ao valor verdadeiro do mensurando então o erro (verdadeiro) é
desconhecido, pois o valor verdadeiro nunca poderá ser definido. Se o valor de referência
corresponde ao valor de um padrão de medição ou um valor convencional (uma constante, como a
aceleração da gravidade, uma equação teórica...) então o erro pode ser determinado.

Em medidas repetidas a parcela do erro que permanece contante é chamada de erro


sistemático e aquela que varia de forma imprevisível é chamada de erro aleatório. O erro aleatório é
aquele devido a causas desconhecidas que ocorrem mesmo que todos os erros sistemáticos tenham
sido levados em conta. Esses erros têm características estatísticas e só assim podem ser
considerados.

Já os erros sistemáticos correspondem a erros previsíveis mas que não se devem a um uso
inadequado dos instrumentos. Nesta família de erros podemos listar os erros instrumentais
(equipamento não calibrado, danificado...), erros característicos do instrumento (diferença entre a
curva ideal e a curva real de calibração...), erros dinâmicos (caso um equipamento seja calibrado em
condições estáticas e usado em medidas dinâmicas, tempo de resposta inadequado, resposta em
frequência, distorções de amplitude e fase...), e erros ambientais (aqueles derivados do ambiente
onde o sistema de medição é utilizado como temperatura, pressão, vibrações, choques, altitude...).

Além destes, também nos deparamos com erros grosseiros devidos ao uso inadequado do
instrumento como erros de leitura, erros de cálculo e registro de resultados e erros de inserção
(aqueles onde o instrumento é inserido de forma incorreta no local da medição, como por exemplo o
uso de um voltímetro com impedância de entrada da mesma ordem de grandeza dos resistores sobre
os quais se deseja medir a tensão) ou erros de aplicação (causados pelo operador, tais como o
fechamento de um sensor de pressão com bolhas de ar em seu interior). Estes erros devem ser
evitados a qualquer custo.

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3.1.3 Exatidão
Grau de concordância entre o valor medido e o valor verdadeiro de um mensurando. A
exatidão (em inglês accuracy) reflete um comportamento de tendência central mas não é uma
grandeza e, portanto, não pode ser quantificada numericamente. Recentemente passou a se adotar
também o termo “veracidade de medição” como sendo o grau de concordância entre a média de
infinitos valores medidos e o valor de referência (observe que veracidade de medição é diferente de
exatidão). A veracidade de medição está ligada ao erro sistemático mas não ao erro aleatório.

Nos catálogos dos fabricantes de sensores, transdutores e equipamentos, assim como na


norma IEC 61298-2 a exatidão é definida como o erro máximo entre o valor verdadeiro e o valor
medido. Nela são incluídos os erros relacionados a linearidade e a histerese (descritos a seguir)
entre outros.

Muitas vezes a medida de erro é dada de forma percentual calculada com relação ao valor
medido, valor do fundo de escala ou faixa dinâmica. Este último é o recomendado pela IEC 61298-
2 mas, mesmo para a faixa dinâmica, existem variantes (faixa dinâmica de saída ideal ou faixa
dinâmica de entrada nominal).

3.1.4 Precisão
O conceito de precisão refere-se ao grau de concordância de uma medição realizada diversas
vezes em condições de repetibilidade (mesmo procedimento, operadores, sistema de medição,
condições de operação e local onde são realizadas medidas repetidas de um objeto num curto
espaço de tempo) ou reprodutibilidade (diferentes procedimentos, operadores, sistema de
medição, condições de operação e local onde são realizadas medidas repetidas do mesmo objeto). A
precisão é uma medida de dispersão e geralmente é expressa como um desvio padrão, variância ou
coeficiente de variação. A precisão está ligada a um erro aleatório.

3.1.5 Tendência
Tendência (em inglês bias) é a estimativa de um erro sistemático.

3.1.6 Faixa
A faixa ou, segundo o VIM, “intervalo de medição” (em inglês range) diz respeito aos
valores máximo e mínimo do parâmetro de entrada que podem ser medidos, por exemplo, um dado
sensor de pressão pode operar na faixa de –60 a +400mmHg. Não existe a necessidade da faixa

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incluir valores negativos e positivos, ser simétrica, ou englobar o zero. De qualquer forma a faixa é
sempre informada como um intervalo de valores.

Em instrumentos completos onde a saída já é calibrada a faixa é estipulada com relação a


saída. Com relação a sensores e transdutores normalmente o interesse é a grandeza que se deseja
medir, ou seja, a entrada. Mesmo assim em alguns contextos o termo faixa, ou range, se refere
apenas a um intervalo de valores independente deles serem entrada ou saída, ou ainda, variáveis
modificadoras, como no caso da faixa de temperatura em que o equipamento pode operar.

3.1.7 Faixa dinâmica


A faixa dinâmica, formalmente conhecida por “amplitude de medição” (em inglês span), é
um escalar que indica o valor da faixa total de operação do sensor indo do mínimo até o máximo da
sua entrada. Assim, um sensor com faixa de –60 a +400mmHg apresenta faixa dinâmica de
460mmHg.

Assim como ocorre para a definição de faixa, no caso de instrumentos calibrados a faixa
dinâmica é estipulada com relação a saída do equipamento e para sensores e transdutores a faixa
dinâmica é calculada com relação a grandeza que se deseja medir. O termo faixa dinâmica, ou span,
também pode ser utilizado apenas para indicar a variação máxima de entrada, saída ou variáveis
modificadores. No caso de algumas normalizações, por exemplo, como no cálculo da linearidade ou
histerese, emprega-se a faixa dinâmica na grandeza onde é calculado o erro (normalmente na saída).
De qualquer forma a faixa dinâmica é um escalar cujo valor é igual a diferença entre o máximo e o
mínimo de uma determinada grandeza.

3.1.8 Resolução
Esta especificação é a menor mudança incremental do parâmetro de entrada que causa uma
variação detectável no valor de saída do sensor. A resolução pode se expressa como uma
porcentagem da faixa de leitura (ou da escala total de leitura) ou em valores absolutos. Seu valor
pode depender, por exemplo, de ruído ou atrito.

3.1.9 Limiar
Maior valor de um mensurando e que não causa variação perceptível na indicação
correspondente. Assim como na resolução o seu valor pode depender, por exemplo, de ruído ou
atrito.

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3.1.10 Sensibilidade estática
Quando uma calibração estática é realizada a sensibilidade corresponde a inclinação da
curva de calibração. Esta inclinação pode variar com a relação a entrada (quando a relação entre
entrada e saída é não linear) e neste caso duas coisas podem acontecer: a sensibilidade estática deixa
de ser um parâmetro importante (casos muito não lineares ou onde a exatidão requerida é grande)
ou uma reta de calibração é fornecida e os desvios com relação a está reta são considerados erros. É
interessante notar que a cuva de calibração para um elemento sensor é diferente da curva de
calibração do equipamento onde ele está inserido, mesmo que após o sensor exista apenas um
amplificador com ganho unitário. Isto acontece pois a saída do sensor será uma tensão, por
exemplo, e a saída do equipamento é um valor correspondente a grandeza que está sendo medida.
Ou seja, o equipamento faz uma dupla conversão de valores. Um sensor de pressão, por exemplo,
apresenta uma sensibilidade em V/cmH2O mas antes de apresentar o valor no mostrador do
equipamento este sinal em Volts deve ser novamente convertido para cmH 2O. Algumas vezes,
quando se utilizam sensores ativos, a sensibilidade também pode aparecer como uma função da
tensão de alimentação, e assim, como uma dupla razão entre grandezas. Neste caso uma
sensibilidade de 10 µV/V/mmHg, por exemplo, significa que o sensor produzirá 10 µV de tensão de
saída por Volt de tensão de excitação e por mmHg de pressão aplicada.

3.1.11 Linearidade
A linearidade de um sensor é um tipo de parâmetro que expressa o quanto a sua curva
característica se desvia da curva de calibração. A linearidade é uma característica típica de
equipamentos ou sensores cuja relação entre entrada e saída pode ser considerada linear. Neste caso
o fabricante especifica uma reta de calibração para o equipamento. Segundo a IEC 61298-2,
entretanto, esta reta pode ser definida de três formas diferentes. Ela pode ser a reta que passa pelos
pontos extremos da curva de calibração média, a reta que minimiza o erro com a curva de
calibração média ou a reta que passa pela origem e minimiza o erro com a curva de calibração
média.

A linearidade é normalmente especificada em termos do percentual de não linearidade,


relativa a medida atual, ao fundo de escala (neste caso costuma-se apresentar as letras FS – full
scale – ou outro indicador semelhante) ou faixa dinâmica (FSS – full span scale).

Erro MÁX
Não Linearidade (%)= ⋅100 %
Norm

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onde ErroMÁX é o erro máximo de saída entre o valor medido pela curva de calibração média
(real) e a reta de referência, tida como a curva de calibração ideal (veja gráfico abaixo); Norm é um
normalizador que pode ser a saída atual, o fundo de escala de saída ou a faixa dinâmica de saída
(recomendado pela IEC 61298-2). Observe que a não linearidade é uma razão entre valores de
mesma unidade e, portanto, é adimensional.

f(x)
Erro Máximo

FS
saída
Reta de FSS
Calibração
Curva de
Calibração Média

entrada x

3.1.12 Histerese e outras não linearidades


Diversas não linearidades recebem nomes especiais em função de sua característica. Na
sequência são descritas brevemente algumas destas não linearidades e um gráfico de cada uma é
apresentado como ilustração.

Histerese: O comportamento da saída do dispositivo difere para um mesmo valor de entrada,


dependendo se o sinal está subindo ou descendo em amplitude. Para a determinação ou
caracterização da histerese devem ser estimadas as diferenças de saída para cada entrada (durante a
subida e a descida) e, então, o maior valor é usado. O valor pode ser indicado como um erro
percentual com relação a faixa dinâmica de saída (assim como a maioria dos erros).

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Saturação: Existe um valor máximo para a saída do instrumento (transdutor) a partir do qual
incrementos na entrada não acarretam em modificações na saída

Rompimento (breakdown): A partir de uma dada entrada a saída dispara (aumenta com
elevada derivada)

Zona Morta: Variações da entrada em uma determinada região não acarretam em saída

Bang Bang: É caracterizado por uma mudança abrupta da saída para uma variação mínima
da entrada.

3.1.13 Ajustes
Segundo o VIM os ajustes correspondem a um “conjunto de operações efetuadas num
sistema de medição, de modo que ele forneça indicações prescritas correspondentes a determinados

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valores duma grandeza a ser medida.”. Existem vários ajustes que podem ser feitos em sistemas de
medição e dentre eles podemos citar o ajuste de zero (em inglês offset) e o ajuste de ganho ou
sensibilidade.

saída f(x)
Curva
Ideal

Curva para
temperatura mínima

Curva para
temperatura máxima

entrada x

saída f(x)

Ajuste de Curva
Sensibilidade Real

entrada x

O ajuste de zero é feito para tornar a saída do sistema de medição igual a zero quando a
entrada for nula. Também pode ser atribuído a diferença entre o valor de saída realmente observado
e aquele especificado para uma dada condição. O ajuste de ganho ou sensibilidade, por sua vez, diz
respeito a uma mudança de sensibilidade do sistema de medição. Isto pode ser necessário, por

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exemplo, quando a sensibilidade real for diferente da sensibilidade preconizada como ideal para o
sistema.

Exemplo (IEC 61298-2): Uma tabela de calibração foi feita com três ciclos de medida onde
a entrada foi gradativamente aumentada e diminuída. A tabela abaixo mostra os erros relativos
obtidos pela diferença entre cada medida e seu valor de referência dividido pelo valor máximo de
saída. Determine a não repetibilidade, a histerese, a inexatidão, o erro máximo e a não linearidade.

Ciclo 1 Ciclo 2 Ciclo 3 Média


Entrada Média
Erro percentual Erro percentual Erro percentual Erro percentual
%
Subindo Descendo Subindo Descendo Subindo Descendo Subindo Descendo Geral
0 -0,04 -0,05 0,06 -0,01 -0,010
10 0,06 0,14 0,04 0,15 0,05 0,16 0,05 0,15 0,100
20 0,13 0,23 0,08 0,26 0,09 0,26 0,10 0,25 0,175

30 0,11 0,24 0,09 0,25 0,1 0,26 0,10 0,25 0,175

40 -0,04 0,13 -0,07 0,15 -0,04 0,17 -0,05 0,15 0,050


50 -0,18 -0,02 -0,16 0,01 -0,13 0,01 -0,16 0,00 -0,078
60 -0,27 -0,12 -0,25 -0,1 -0,23 -0,08 -0,25 -0,10 -0,175
70 -0,32 -0,17 -0,3 -0,16 -0,28 -0,12 -0,30 -0,15 -0,225
80 -0,27 -0,17 -0,26 -0,15 -0,22 -0,13 -0,25 -0,15 -0,200
90 -0,16 -0,06 -0,15 -0,05 -0,14 -0,04 -0,15 -0,05 -0,100
100 0,09 0,11 0,1 0,10 0,100

Não repetibilidade (tracejado): 0,13-0,08 = 0,05%

Histerese (pontilhado – mesmo ciclo): 0,15-(-0,07) = 0,22%

Inexatidão (linha cheia – máximo e mínimo): [-0,32%; 0,26%]

Erro máximo (linha cheia – curva média): -0,30%

Linearidade: A linearidade vai depender da reta de calibração escolhida (curva média geral).

1. Reta de mínimos quadrados: 0,18% (da faixa dinâmica de saída)

2. Reta que passa pelos pontos médios extremos: -0,28% (da faixa dinâmica de saída)

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3. Reta que passa pela origem e minimiza os erros quadrados: 0,22% (da faixa
dinâmica de saída).

Caso não seja possível calcular o erro da forma como foi feito neste exemplo, o que
acontece quando a saída do dispositivo ensaiado apresenta uma grandeza diferente da entrada, por
exemplo, é possível fazer as contas com relação a reta ou equação de calibração.

Linearidade
f(x)
Histerese

FS
saída
FSS

Curva
Média

entrada x

3.2 Aspectos Numéricos


3.2.1 Algarismos significativos
Em instrumentação não são usados tantos algarismos quantos os que resultarem das contas
efetuadas uma vez que o número de algarismos significativos ou o número de casas decimais está
ligada a precisão e a incerteza. De um modo geral os algarismos incertos não devem ser
apresentados, pois levariam a uma falsa impressão de precisão ou incerteza. Para evitar este
problema, o melhor é realizar os arredondamentos adequados e entender como as incertezas se
propagam nos cálculos.

Antes de mais nada é necessário definir algarismos significativos e casas decimais. A forma
mais fácil de entender estes conceitos é com exemplos. O número 0,0453, por exemplo, tem apenas
3 algarismos significativos mas 4 casas decimais enquanto que o número 4,350 tem 4 algarismos
significativos e apenas 3 casas decimais. Ou seja, o último algarismo de um determinado valor ou
medida representa uma incerteza associada a este valor ou medida. Se a medida indica 101 V é
porque é mais provável que a resposta certa esteja mais próxima de 101 V do que de 100 ou 102 V.
Se a medida indica 101,0 V é porque provavelmente a resposta verdadeira está mais próxima de

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 18


101,0 V do que de 100,9 ou 101,1 V. Entretanto, para o caso de número inteiros que terminam com
zero isto pode não ser verdade. O valor 10.000 Ω pode ter sido obtido com cinco algarismos
significativos ou menos. Para evitar esta confusão estes números são melhor apresentados na
notação científica. Assim, 1,00·104 Ω possui 3 algarismos significativos e 1,0000·104 Ω possui
cinco algarismos significativos.

Regras de arredondamento também devem ser definidas. De um modo geral os


arredondamentos devem ser feitos sempre para o número mais próximo, porém quando os números
terminarem em 5 devem, preferencialmente, ser arredondados para o algarismo par mais próximo.
Por exemplo 2,635 deve ser arredondado para 2,64 e 7,6345 para 7,634.

Para fazer adições utiliza-se um algarismo significativo a mais que no número de menor
precisão. O resultado deve ser arredondado para o mesmo número de casas decimais ou algarismos
significativos do número menos preciso. Por exemplo, a soma de 18,7 com 3,624 deve ser feita
como 18,70 somado a 3,62 cujo resultado é 22,3. Por outro lado 1,02·103 somado a 5,36 resulta em
1020 mas 1,02·103 somado a 6,36 resulta em 1030. Na subtração mantém-se o mesmo número de
casas decimais ou algarismos significativos do número menos preciso.

Para multiplicação, divisão, radiciação e outras funções matemáticas se utilizam números


com um algarismo significativo a mais que o do número com menor número de algarismos
significativos. O resultado é arredondado para o número com a menor quantidade de algarismos
significativos. O produto de 35,68 por 3,18 resulta em 113,4624 que deve ser arredondado e
expresso como 113, pois uma das medidas só tem três algarismos significativos (note que a casa
depois da vírgula pode assumir qualquer valor entre 0 e 8 – 35,69⋅3,19=113,8511 e
35,67⋅3,17=113,0739 – então não há razão para exibir estes dígitos).

Assim, se uma medida for obtida como uma média de três medidas de um mesmo peso,
como por exemplo, a média de 5202 g, 5202 g e 5203 g, deve-se tomar cuidado com a apresentação
do resultado. A apresentação do número 5202,3333 (o valor da média) não é muito indicada, pois
todas as contas foram realizadas com apenas quatro algarismos significativos, então é melhor
apresentar o resultado com quatro algarismos significativos. Para apresentar o valor da média é
importante informar que o valor foi obtido por uma média de três medidas, cada qual com quatro
algarismos significativos.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 19


Diversas ferramentas estão disponíveis para cálculos levando em conta o número de
algarismos significativos e arredondamentos. Um exemplo, que usa as regras apresentadas, é a
Significant Figures Calculator.

3.2.2 Representação de incertezas


As incertezas (assim como os erros) podem ser representadas de três formas principais,
absoluta, relativa e percentual (também podem ser apresentadas como partes por milhão – ppm – ou
partes por bilhão – ppb) conforme indicado a seguir. No exemplo são apresentadas três formas de
representar uma medida de 100 s com incerteza de 2 s. Observe o uso apropriado da unidade apenas
para o caso da representação absoluta.

Absolutas – t=100±2s

Relativas – t=(100s±0,02)

Percentual – t=100s±2 %

3.2.3 Cálculo e propagação de incertezas


Para o caso de medidas repetidas, onde as estimativas do mensurando podem ser feitas por
processos estatísticos é possível determinar um desvio padrão desta medida. Este desvio padrão se
refere a incerteza padrão da medição. Assim, uma incerteza padrão combinada pode ser obtida
considerando-se a incerteza padrão individual de cada elemento que afeta a estimativa do
mensurando. Esta incerteza padrão combinada pode, então, ser utilizada para estimar um intervalo
onde o valor verdadeiro de um mensurando provavelmente se encontra. Isto é feito com o cálculo
da incerteza de medição expandida, que é aquela cuja incerteza padrão combinada foi
multiplicada por um valor constante (fator de cobertura) para aumentar o intervalo de valores
prováveis para o mensurando.

Estas incertezas calculadas estatisticamente com amostras repetidas formam a chamada


incerteza Tipo A. Um outro tipo de incerteza, a incerteza do Tipo B, obtida por outros métodos que
não os estatísticos (não pode ser obtida por medidas repetidas), também pode ser expressa na forma
de desvio-padrão e, desta forma, combinada com a anterior. Por exemplo, uma medida feita com
uma régua indica que um determinado objeto mede alguma coisa entre 7,3 e 7,4 cm. Como a
probabilidade do mensurando assumir qualquer valor neste intervalo é razoável, podemos
considerar uma distribuição uniforme de possíveis valores para o mensurando entre 7,3 e 7,4 cm.
Uma distribuição uniforme no intervalo [-a; +a], por exemplo, tem desvio padrão

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 20


a
ε= .
√3
Porém, se considerarmos que existe mais probabilidade do valor assumir um determinado
valor, mais próximo do centro da escala por exemplo, mão não há indícios de que uma distribuição
normal se aplique ao caso, pode-se utilizar uma distribuição triangular para o intervalo [-a; +a],
neste caso o desvio padrão é dado por

a
ε= .
√6
Uma vez que as incertezas padrões Tipo A e Tipo B podem ser determinadas basta saber
como pode ser obtida a incerteza padrão combinada. Supondo as grandezas X1, X2,..., Xn com seus
respectivos valores numéricos estimados x1, x2, ..., xN, e incertezas associadas εx1, εx2, ..., εxN (cada
uma destas incertezas definida como um desvio padrão). Supondo uma grandeza R que se relaciona
com as grandezas Xi através de uma função R = F(X1, X2, ..., XN). R pode ser expressa como

R=r+ε

onde r corresponde a avaliação da função F e ε corresponde a incerteza combinada.


Considerando que as grandezas Xi são variáveis aleatórias não correlacionadas então as incertezas
podem ser tratados convenientemente na forma de variâncias ou desvios padrão ou valores RMS. Se
houver correlação entre as grandezas as covariâncias também devem ser consideradas. Neste texto
serão considerados apenas os casos não correlacionados, assim

√[(
2 2 2

ε=
∂F
∂ X1) ] [( ) ] [( ) ]
⋅ε x1 +
∂F
∂X2
⋅ε x2 + ...+
∂F
∂XN
⋅ε xN

Para o caso particular em que F é uma soma ou uma subtração de grandezas então a
incerteza absoluta pode ser obtida por pela raiz quadrada da soma dos quadrados das incertezas. Por
exemplo, se T 1=(200±4) s e T 2=(100±2) s , então

T1 –T2=200 – 100±4 2 =100±4,47s .


2 2

Para o caso particular em que F apresenta apenas produtos ou divisões então a incerteza
relativa pode ser obtida pela raiz quadrada da soma dos quadrados das incertezas relativas. Por
exemplo, se L3=551±1⋅10−6 m e T 1=100±2 s , então

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 21


( )
−6
551⋅10
(L3 /T 1 )= ± √ ((1 /551)2 +(2/100)2) =(5,51μ m/s±2 %) .
100

3.2.4 Erro máximo


Nem sempre as incertezas são informadas diretamente. Muitas vezes a informação dada
consiste de um erro limite. Por exemplo, em alguns instrumentos a exatidão é garantida no que
concerne ao valor de fundo de escala, e no caso dos componentes eletrônicos estes são garantidos
dentro de limites percentuais do valor nominal do componente. Os limites destes desvios são
chamados de limites de erro. Se considerarmos uma probabilidade uniforme entre os limites de erro,
este pode ser considerado como uma incerteza de medição expandida com um fator de cobertura
suficientemente grande.

Exemplo: Um voltímetro tem exatidão de 1% do valor do fundo da escala (FS) e está sendo
utilizado para medir uma tensão de 30V, na escala 0-200V. Calcule o erro limite percentual

Erro limite=200⋅1 %=2V

2
Erro %= ⋅100 %=6,7 %
30

Observe que para valores relativos ao fundo de escala a exatidão absoluta é constante mas o
erro percentual é variável.

Em alguns equipamentos outras formas de tolerância para os valores medidos ou erros


limites são empregadas. É comum o uso de erros limite

Erro limite=±(% do valor lido + resolução)

Erro limite=±( % do valor lido + % do fundo escala)

Exemplo (GUM 4.3.7 e 5.1.5): As especificações do fabricante para um voltímetro digital


estabelecem que a exatidão na faixa de 1 V é de 14⋅10−6 V vezes a leitura mais 2⋅10 −6 V vezes a
faixa. Considere que o multímetro está sendo usado para medir em sua faixa de 1 V e que a média
aritmética de um número de observações repetidas independentes de tensão é encontrada como
sendo V̄ =0,928571V , com uma incerteza-padrão do Tipo A de 12 µV. Qual a incerteza padrão
combinada para esta medida?

Erro limite=14⋅10−6⋅0,928571+2⋅10−6⋅1=15μ V

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 22


Supondo que a exatidão declarada fornece limites simétricos para uma correção aditiva do
valor medido (com esperança igual a zero e com igual probabilidade de estar em qualquer parte
dentro dos limites), então a incerteza padrão Tipo B é

15μ V
εTipoB = =8,7μ V
√3
Uma vez que V =V̄ +Δ V então ∂V /∂ V̄ =1 e ∂V /∂Δ V =1 então

ε=√ ε2TipoA +ε2TipoB =√ (12μ V )2+(8,7μ V )2=15μ V

3.2.5 Erros e incertezas em instrumentos eletrônicos


Uma cadeia de medição genérica para um instrumento de medição moderno é apresentado
na figura abaixo. Observe que os blocos, ligados em cascata, multiplicam sua entrada por um valor
pré-determinado, permitindo que a incerteza combinada possa ser determinada pelas expressões
apresentadas anteriormente.

A B C D A/D G D/A
J
F I
H
E
A) Mensurando; B) Sensores e Transdutores; C) Circuito de Entrada; D) Condicionador; E)
Saída; F) Filtragem e conversão A/D; G) Processamento Digital; H) Saída; I) Reconstrução e
filtragem; J) Saída.

A tabela a seguir mostra algumas fontes de erro e incerteza presentes numa cadeia de
medição como a apresentada.

Sistema Fonte de Erro Descrição

Transdutor Não linearidade

Aquisição de sinais Interface Terminação do circuito – contatos

Amplificador Erro nos componentes

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 23


Sistema Fonte de Erro Descrição

Filtro PB Erro na amplitude em função do ganho e fase

Qualidade do sinal Exatidão do sinal

Multiplexador Erros de transferência e inerentes ao componente

Amostrador Erros na aquisição e e inerentes ao componente

Aperture Incerteza na amplitude do sinal adquirido

Conversão Resolução Interpolação do sinal

Aliasing Faixa de passagem, ruído,

Filtro – sen(x)/x Atenuação devido a amostragem

A/D Erros de quantização

D/A Erros inerentes ao componente como não linearidades

Filtro – sen(x)/x Atenuação devido a reconstrução

Reconstrução Filtragem PB Erro na amplitude em função do ganho e fase

Aliasing Faixa de passagem, ruído,

Resolução Erro na amplitude do sinal reconstruído.

3.3 Calibração Dinâmica


As características dinâmicas relacionadas aos sensores, transdutores ou dispositivos de
medida dizem respeito especificamente a resposta temporal ou resposta em frequência. A
padronização de ensaios para avaliação destas características utiliza a resposta ao degrau e resposta
em frequência de sinais senoidais. A primeira permite inferir diretamente sobre questões temporais
e não lineares com sinais de amplitude elevada. A segunda analisa especificamente o
comportamento em frequência do sistema e deve ser realizada com amplitude baixa para evitar
distorções (usualmente 20% da faixa dinâmica de saída).

3.3.1 Resposta em Frequência


Normalmente são analisadas desde frequências que permitam obter o ganho estático do
sistema até frequências onde a saída corresponda a 10% do sinal de entrada ou a fase apresente
variação de 360º. Como resultado deste ensaio é desenhado um diagrama de Bode da resposta em

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 24


frequência do dispositivo analisado onde devem ser marcados os pontos onde o ganho seja máximo
ou reduzido para 70% do valor basal além dos pontos onde a fase atinja 45º ou 90º.

D ia g ra m a d e B o d e

T ( S ) = 1 / ( S ^ 2 + w /Q S + w ^ 2 ) p a r a Q = 0 .5 , 0 .7 0 7 , 1 , 2 , 1 0
20
M a g n it u d e (d B )

-2 0

-4 0

-5 0
F a s e (g ra u s );

-1 0 0

-1 5 0

-2 0 0
1 0 -1 100 101

F re q ü ê n c ia (ra d / s e g )

3.3.2 Resposta ao Degrau


Degraus de entrada correspondendo a 80% da faixa dinâmica de saída devem ser aplicados
mudando a saída de 10% para 90% e de 90% para 10%. Degraus menos, produzindo uma saída
correspondente a 10% da faixa dinâmica de saída também devem ser fornecidos. Estes degraus
podem ser aplicados em diferentes faixas cobrindo toda a operação do dispositivo. As faixas de 5%
a 15%, de 45% a 55% e de 85% a 95% são as recomendadas pela IEC 61298-2.

Neste teste são anotados o tempo de estabilização (settling time) até que a saída atinja 99%
do seu valor final, tempo em que a saída permanece em zero (dead time) e tempos e amplitudes de
sobrepassos (overshot), tempo de subida (rise time) e constantes de tempo. Na figura a seguir são
apresentados algumas das características listadas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 25


3.4 Outras Características
Outras características funcionais podem ser informadas. As mais comuns são a isolação
elétrica do dispositivo em condições de temperatura e umidade distintos, consumo energético,
flutuação do sinal de saída (ripple), limites ajustáveis, flutuações com temperatura (drift) ou de
longo tempo, características de dispositivos pneumáticos como consumo de ar, consumo de gás,
fluxos entre outros. Cada dispositivo deve vir com informações complementares específicas de
acordo com cada aplicação.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 26


Instrumentação e Técnicas de Medidas

Revisão de Eletrônica – Amplificador Operacional


Controle de Versões

2010 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)

2012 Versão 2 – Pequenas alterações no texto, links, CIs não obsoletos, capítulos 6 e 7
(interfaceamento, ruído, blindagem, aterramento).

2013 Versão 3 – Remoção dos capítulos 6, 7 (interfaceamento, ruído, blindagem,


aterramento) e filtros. União dos dois volumes originais em um só.

Versão 4 – Divisão do texto em vários módulos para serem revistos ao longo do


período. Neste módulo apenas Op. Amp. ideal e características DC e AC.

Última alteração: 28/08/2013

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2


Índice
4 Amplificador operacional ideal.........................................................................................................1
4.1 Introdução..................................................................................................................................1
4.2 O amplificador operacional real.................................................................................................1
4.3 Principais características do AO ideal.......................................................................................3
4.4 Símbolo......................................................................................................................................4
4.5 Equação e Modelo......................................................................................................................4
4.6 Configurações mais comuns:.....................................................................................................5
4.6.1 Amplificador inversor:.......................................................................................................5
4.6.2 Amplificador não-inversor:................................................................................................6
4.6.3 Amplificador somador:......................................................................................................8
4.6.4 Amplificador subtrator.......................................................................................................9
4.7 Problemas resolvidos...............................................................................................................10
1.1 Exercícios - AO ideal...............................................................................................................13
5 Características CC do amplificador operacional real......................................................................17
5.1 Corrente de polarização IB......................................................................................................17
5.1.1 Modelo para representar a corrente de polarização..........................................................18
5.2 Corrente de offset IOS.............................................................................................................18
5.2.1 Modelo para representar a corrente de offset...................................................................18
5.3 Tensão de offset VOS..............................................................................................................19
5.3.1 Modelo para representar Vos...........................................................................................19
5.4 Drifts de IB, IOS e VOS..........................................................................................................19
5.4.1 Tensão de offset...............................................................................................................20
5.4.2 Correntes de polarização..................................................................................................20
5.5 Ganho de malha aberta.............................................................................................................21
5.5.1 Ganho Diferencial............................................................................................................21
5.5.2 Ganho de modo comum...................................................................................................22
5.5.3 Modelo para ganho de modo comum...............................................................................23
5.6 Impedância de entrada.............................................................................................................23
5.7 Impedância de saída.................................................................................................................24
5.8 Limitação da tensão de saída...................................................................................................25
5.9 Rejeição a fonte de alimentação..............................................................................................25

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 i


5.10 Modelo para Corrente Contínua:...........................................................................................26
5.11 Problemas resolvidos.............................................................................................................26
5.12 Circuitos para compensação de IB e VOS:............................................................................28
5.12.1 Compensação de IB no amplificador inversor...............................................................28
5.12.1.1 Caso do amplificador inversor................................................................................30
5.12.2 Compensação de VOS no amplificador não inversor....................................................32
5.13 Exercícios - AO Real.............................................................................................................33
6 Características em frequência do amplificador operacional real.....................................................39
6.1 Resposta em frequência e estabilidade....................................................................................39
6.1.1 Resposta em frequência não compensada........................................................................42
6.1.2 Resposta em frequência com compensação.....................................................................44
6.2 Características de desempenho em frequência.........................................................................46
6.2.1 Slew-rate..........................................................................................................................46
6.2.2 Settling time.....................................................................................................................47
6.2.3 Exemplo: Resposta em frequência...................................................................................47
6.3 Cargas Capacitivas...................................................................................................................51

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 ii


4 Amplificador operacional ideal

4.1 Introdução

O circuito “amplificador operacional” (AO) nada mais é do que um amplificador com uma
saída e duas entradas, cujo modelo mais simples consiste de uma fonte de tensão controlada com
saída proporcional à diferença de tensão entre as entradas do AO. As características dos AO e a sua
utilização nos mais variados circuitos, muitos dos quais não lineares, são o alvo desta disciplina.

Internamente o AO é formado por um amplificador de elevado ganho obtido por meio de


múltiplos estágios acoplados diretamente. As duas entradas do AO são conectadas a um
amplificador diferencial. O elevado ganho de tensão força o uso de realimentação negativa para que
o AO trabalhe na região linear. Isto permite que o ganho dos circuitos amplificadores sejam
definidos apenas pela malha de realimentação. O acoplamento direto entre os estágios internos do
AO permite o seu uso de DC até frequências bem elevadas.

A origem do termo “operacional” vem dos antigos computadores analógicos, onde estes
amplificadores eram utilizados como elemento chave para a realização de operações matemáticas. O
nome “amplificador operacional” foi usado pela primeira vez em uma publicação de 1947, feita por
John Ragazzini, o qual descrevia as propriedades de circuitos capazes de amplificar a diferença
entre dois sinais analógicos. O artigo, que teve como base trabalhos anteriores, realizados entre
1943 e 1944, considerava as condições de realimentação linear e não-linear. Hoje em dia o AO é o
circuito integrado analógico mais utilizado.

Veja mais sobre história dos AO em Op Amp Application Handbook, Walt Jung, 2006.

4.2 O amplificador operacional real

A Figura 4.1 mostra o esquema simplificado de um AO com três estágios de amplificação.


Nos circuitos atuais existem muito menos resistências, pois elas ocupam muito espaço no silício. No
lugar das resistências utilizam-se cargas ativas e espelhos de corrente produzidos com transistores.
O esquema da Figura 4.1 utiliza transistores bipolares de junção (TBJ) mas também existem
circuitos construídos com transistores de efeito de campo (FET).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 1


+VCC

v–
vo

v+

–VCC

Figura 4.1: Esquema simplificado de um AO LM741, um AO de três estágios.

Cada um dos três estágios do amplificador da Figura 4.1 confere ao AO características


especiais:

1°estágio: par diferencial

• apresenta alta impedância de entrada

• responsável pelo elevado ganho diferencial

• apresenta alta rejeição a tensões de modo comum

2°estágio: emissor comum

• correção no nível DC para a saída

• apresenta ganho de tensão elevado

3°estágio: seguidor de emissor (push-pull, classe B)

• responsável pela baixa impedância de saída

• apresenta alto ganho de corrente

• responsável pela corrente de saída

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 2


4.3 Principais características do AO ideal

As principais características dos AO ideais são:

Característica Símbolo Valor Notas

Ganho diferencial Ad ∞ diferença entre as tensões nas entradas

Ganho de modo comum Acm 0 tensão comum as duas entradas

Rejeição de modo comum CMRR ∞ sinal comum as duas entradas

Impedâncias diferencial Rid ∞ resistência entre as duas entradas

Impedância de modo comum Ricm ∞ resistência de cada entrada para o terra

Impedância de saída Ro 0 resistência de saída

Slew-rate SR ∞ velocidade com que a saída pode variar

Settling time ST 0 tempo de estabilização

Largura de banda BW ∞ amplifica igualmente todas as frequências

Corrente polarização Ib 0 para o par de transistores do primeiro


estágio

Corrente de offset Ios 0 desigualdade entre as correntes I

Tensão de offset Vos 0 diferença de tensão na entrada, necessária


para que a saída seja nula quando as
entradas forem nulas

Ruído elétrico VN e IN 0

Variação de fase φ 0

As características ideais de um AO nunca são alcançadas na prática, mas os erros


decorrentes de assumirmos estes valores ideais é pequeno. Desta forma é comum utilizarmos estas
características para simplificar a análise de circuitos com AO, como será mostrado nas seções
subsequentes.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 3


4.4 Símbolo

O símbolo mais comumente utilizado para representar um AO é apresentado na Figura 4.2.

Figura 4.2: Símbolos do AO, com e sem alimentação.

4.5 Equação e Modelo

Conforme descrito no início deste capítulo o modelo do AO pode ser visto na Figura 4.3.
Duas entradas de alta impedância comandando uma fonte de tensão controlada.

Figura 4.3: Modelo do AO ideal.

A tensão na saída da fonte é dada pela equação 4.1 e corresponde a amplificação da


diferença entre as tensões das do AO (entrada v+ e v-)

v O =Ad⋅v + −v −  ( 4.1 )

onde: Ad é o ganho diferencial do AO; v + e v − são as entradas do AO.

Se o ganho diferencial, Ad, é infinito, significa que v + =v − . Esta relação é válida sempre
que o AO está trabalhando na região linear. Trabalhar na região linear significa que existe
realimentação negativa sendo utilizada no AO, ou a diferença entre as tensões de entrada é tão
pequena que, mesmo com um elevado ganho diferencial, não ocorre a saturação do AO. Se
considerarmos o ganho Ad infinito (condição ideal) então para a saída ser um valor finito é
necessário que a diferença entre as entradas seja nula (condição ideal).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 4


Sempre que o AO estiver saturado (saída igual a tensão de alimentação), então esta regra não
pode mais ser aplicada pois a equação 4.1 não é mais válida, ou seja, o operacional não está
trabalhando em uma região linear.

4.6 Configurações mais comuns:

4.6.1 Amplificador inversor:

A Figura 4.4 mostra o circuito básico de um amplificador inversor a base de AO.

Figura 4.4: Desenho básico de um amplificador inversor.

Se considerarmos o AO como ideal, o equacionamento do ganho fica muito facilitado pelo


uso de duas considerações:

1. Equacionar uma única corrente fluindo através de R1 e R2 e

2. Levar em conta que o potencial na entrada negativa é igual ao potencial na entrada


positiva (neste caso igual a zero).

A solução para o problema é a equação 4.2.

vi v0
Como i 1 = e i 1 =− , então
R1 R2

R2
v 0 =− v ( 4.2 )
R1 i

Por outro lado, se levarmos em conta que o ganho do AO não é infinito, devemos substituir
o desenho do AO pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 4.3.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 5


v i⋅R2 + v 0⋅R1
v −=
R1 + R 2

v0
 v +−v − = =−v − (pois a entrada positiva tem potencial zero)
Ad

v0 v i⋅R 2 + v0⋅R1
− =
Ad R1 + R 2

v0
v i⋅R2 + v 0⋅R1 =− ⋅ R1 +R 2 
Ad

R2
V 0 =− ⋅vi
R +R ( 4.3 )
R1 1 2
Ad

Obs.: quando se considera Ad→∞ considera-se, implicitamente, que v+= v– pois esta é a
única forma de obter um vO finito.

A equação 4.2 mostra o resultado final do equacionamento, para ganho infinito. Resultado
idêntico pode ser obtido a partir da equação 4.3. Estas equações mostram que a rede de
realimentação determina o ganho do circuito amplificador, mesmo quando o ganho do AO não é
infinito. Convém notar, também, que a influência do ganho diferencial não infinito, é tanto menor
quanto menor for o ganho dado ao amplificador inversor.

Note, também, que apesar de a entrada inversora estar a um potencial igual zero, ela não esta
diretamente conectada a terra e não há circulação de corrente entre terra e este terminal. Por este
motivo, o terminal inversor, nesta configuração, é chamado de terra virtual.

4.6.2 Amplificador não-inversor:

A Figura 4.5 mostra o desenho básico de um amplificador não inversor formado por AO.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 6


Figura 4.5: Desenho de um amplificador não inversor básico.

Supondo que o AO seja ideal, a solução do problema é encontrada fazendo-se a tensão na


entrada negativa (divisor de tensão formado por R1 e R2) igual a tensão de entrada. Neste caso a
equação 4.4 é a solução do problema.

R1
⋅v = v
R1 + R 2 0 i

R1 +R2 R
v 0= ⋅v i=1 2 ⋅vi
R1 R1

v o R 1R2 R
= =1 2 ( 4.4 )
vi R1 R1

Se considerarmos que o ganho do AO não é infinito, devemos substituir o desenho do AO


pelo seu modelo ideal e isto nos leva a solução mostrada na equação 4.5. Note que este circuito tem
realimentação negativa.

v + =v i

R1
v −= ⋅v
R1 +R2 0

v0
v −v−=
Ad

R1 v
vi − ⋅v 0 = 0
R1 +R 2 Ad

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 7


vo  R1R 2⋅Ad
=
v i R 1R2R1⋅Ad

R 1 + R2
v 0= ⋅v
R 1 + R2 i ( 4.5 )
R1 
Ad

Podemos notar, nesta configuração, que se R1 =∞ ou R2 =0 então v 0 = v i . Neste caso o


circuito do amplificador não inversor é designado por buffer. O buffer possui ganho unitário e pode
ser utilizado para isolar estágios amplificadores, pois apresenta impedância de entrada infinita e
impedância de saída nula. Nota-se também que em ambos os casos, se o ganho Ad for considerado
infinito a solução para o problema é idêntica a obtida pela equação 4.4.

4.6.3 Amplificador somador:

A Figura 4.6 mostra a topologia do amplificador somador inversor básico implementado


com AO.

Figura 4.6: Circuito do amplificador somador inversor básico.

Como podemos observar, o amplificador somador consistir de uma série de amplificadores


inversores ligados em paralelo. Isto nos leva a aplicar a técnica de superposição de fontes, para
equacionar a tensão de saída deste circuito. Aqui também levamos em conta que o AO possui
características ideais de funcionamento, assim, a saída será dada pela equação 4.6 ou, no caso
particular de todas as resistências serem iguais, pela equação 4.7.

Supondo Ad → ∞ então v+= v–

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 8


v1 v2 v3 v0
i1= , i2= , i3 = , i 4=−
R1 R2 R4 R4

i1 + i2 + i3 = i4

v 0 =- R4
 v1 v2 v3
 
R1 R 2 R3  ( 4.6 )

se R1=R2=R3=R, então a equação 4.6 pode ser reescrita conforme a equação 4.7.

−R4
vO= ⋅ v1 v 2v 3  ( 4.7 )
R

4.6.4 Amplificador subtrator

A Figura 4.7 mostra a topologia do amplificador subtrator básico implementado com AO.

Figura 4.7: Circuito do amplificador subtrator básico.

O cálculo torna-se mais cômodo se feito por superposição, utilizando-se o que já foi
calculado para o amplificador inversor e não inversor, aliado a consideração de que o AO é ideal. A
equação 4.8 mostra equação da tensão de saída deste circuito.

R2
v 0=  v −v  ( 4.8 )
R1 2 1

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 9


4.7 Problemas resolvidos

Exercício 1: Dado o circuito abaixo, calcule sua função de transferência i L= f vi .


Considere os AO ideais.

a) Estabeleça valores para os resistores R, R 3 e R4 de forma que o circuito forneça uma corrente

máxima i L máx =1 mA para uma carga 0 ≤R L ≤10 K  quando v i =−10 V . Considere
R1 =R 2 =100 K  e V CC =±12 V .

b) Considere v i =0V . Calcule i L levando em conta a existência de uma fonte de tensão


conectada a entrada positiva de A1 e uma fonte de corrente conectada a entrada positiva de A2.

Solução:

Análise do circuito: A 2 : forma um amplificador de ganho unitário (buffer); A3 : forma um

subtrator junto com R3 ,R4 ; A1 : fornece a corrente de saída e é realimentado pelo subtrator através
de R1 ,R 2 .

Análise das realimentações de A1 : A1 recebe realimentação negativa (RN) através da


entrada não inversora de A3 e realimentação positiva (RP) através de A 2 e da entrada inversora de
A3 . Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e não-inversora) são iguais

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 10


em módulo, a RN é mais forte, porque a RP ainda passa pelo divisor resistivo R-RL. Como resultado
disto, o circuito possui realimentação negativa, o que permite o uso das técnicas estudadas.

Função de transferência:

R4
v i⋅R2 +R 1 R⋅i L
R3 , logo
v −A = =0
1 R1 +R 2

R2⋅R3
i L=− ⋅v
R1⋅R 4⋅R i

a)

Sendo i Lmáx =1 mA e R Lmáx =10K então v L Imáx =10 V (tensão máxima na carga)

v Omáx −v L Imáx
R= , onde V Omáx é a máxima tensão de saída do AO.
i Lmáx

Como V CC =±12 V, podemos limitar, co segurança, V Omáx =11V .

11 V −10 V
R= =1K 
1 mA

R2⋅R3
Como i L=− ⋅v (a corrente independe de RL)
R1⋅R 4⋅R i

R4 R 2⋅v i 100 K −10 


então =− =− =10
R3 Ri⋅R⋅i 0 100 K⋅1K⋅1m

assim podemos escolher, por exemplo, R 4=100K  e R3 =10K 

b)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 11


O problema pode ser calculado por superposição:

Efeito de VOS1:

R1 R4
v os1 = ⋅ ⋅R⋅i L
R1 +R2 R3

 R 1 +R 2 ⋅R3
i L  v os1 = v os1
R1⋅R4⋅R

Efeito de IB2:

i L =i R −i b2 

R4
R1
R⋅i R

R3
vA = =0
1 R1 +R 2

i R=0

i L i b2 =−i b2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 12


 R1 +R2 ⋅R3
Portanto: i Ltot = v −i
R1⋅R 4⋅R os1 b2

4.8 Exercícios - AO ideal.

1) Determine os ganhos de tensão (vo/v1) e diga para que servem estas configurações

R 3 R4 R2 R3R 2 R4
Respostas: a) v 0 =− v i , b) Esta configuração é empregada quando queremos
R1 . R 4
um alto ganho e não temos resistores de alto valor disponíveis para Req.

2R 2 R 2
Respostas: a) Se R3=R2 então v 0 = ⋅ 1 ⋅ v 2 −v 1  , b) amplificador subtrator com ganho
R1 R
ajustável por um elemento (R).

2) Calcule o ganho de tensão (vo/v1) para os circuitos a seguir e determine se os AO estão sob
realimentação negativa.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 13


3) Mostre que para o amplificador inversor e não inversor, o ganho pode ser escrito da seguinte
v o Ganho Ideal
= R1
forma: v i 1 onde β=
1 R1+R 2
β⋅Ad

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 14


4) Ache a expressão de vo para o circuito abaixo em função de V1, V2 e Vcm.

5) Para o circuito em ponte mostrado abaixo, determine o valor da tensão de saída.

6) Calcule a corrente na carga RL para os dois circuitos a seguir. Considere R1=RF=R4=R5 e


RF=R2+R3

vin⋅RF
Resposta: i L =
R1⋅R3

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 15


vin⋅(R2+ R3)
Resposta: i L =−
R2⋅R3

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 16


5 Características CC do amplificador operacional real
As principais características CC dos AO reais podem ser encontradas em duas publicações
da Texas Instruments, SLOA011 e SLOA083, e outra da Analog Devices, Op Amp Basics.

5.1 Corrente de polarização IB

Essas são as correntes CC, necessárias em cada entrada do AO, para produzir zero Volts de
saída quando não há sinal em suas entradas. A corrente IB é a corrente de base dos transistores TBJ,
ou a corrente de fuga na porta dos FETs, utilizados no primeiro estágio de um AO. Para medir estas
correntes se utiliza um circuito simples conforme mostrado na Figura 5.1. Nesse circuito as
correntes de polarização são obrigadas a fluir sobre resistores de valor muito elevado (10MΩ ou
mais) produzindo uma tensão de saída mensurável. Os capacitores servem apenas como um filtro
passa baixas (0,01µF). As chaves S1 e S2 são abertas uma de cada vez para permitir a medida de I B1
e IB2.

Figura 5.1: Circuito para medida das correntes de polarização e offset.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 17


Essas correntes são da ordem de [µA] ou [nA] mas podem ser menores em AO com par
diferencial composto por uma configuração Darlington ou transistores FET. Nestes casos é possível
encontrar AO com IB da ordem de [fA].

5.1.1 Modelo para representar a corrente de polarização

A Figura 5.2 mostra o equivalente elétrico de um AO sujeito a influência de correntes de


polarização. Note que este esquema utiliza correntes diferentes para a entrada inversora e não
inversora.

Figura 5.2: Modelo equivalente para um AO em função de IB.

5.2 Corrente de offset IOS

Essa é a diferença entre as correntes de polarização das entradas positiva e negativa de um


AO. Como os componentes do amplificador de entrada não são exatamente iguais há uma pequena
diferença entre as correntes de polarização. Para medir esta corrente se utiliza o circuito da Figura
5.1 com as duas chaves abertas. Como as correntes de polarização são muito semelhantes e as
resistências muito elevadas é necessário que as resistências sejam casadas com tolerância da ordem
0,1% ou menos.

5.2.1 Modelo para representar a corrente de offset

O modelo para representação de IOS é o mesmo utilizado para IB (Figura 5.2). Em alguns
casos, quando temos apenas um valor para IB e outra para IOS, podemos calcular cada IB como
apresentado pela equação 5.1

IB = IB ± (IOS/2) ( 5.1 )

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 18


5.3 Tensão de offset VOS

Esta é a diferença de tensão CC, necessária na entrada de um AO, para produzir zero Volts
de saída quando não há sinal em suas entradas. A tensão de offset é causada pelo desbalanço do par
diferencial e pela desigualdade dos transistores do 2° estágio. Normalmente o valor da tensão de
offset é fornecido em módulo pois a tensão de saída pode ser afetada positiva ou negativamente.
Para facilitar a medida deste parâmetro utiliza-se um amplificador não inversor com entrada
aterrada e resistores de valores elevados, conforme mostrado na Figura 5.3.

Figura 5.3: Circuito para medida da tensão de offset.

5.3.1 Modelo para representar Vos

A Figura 5.4 mostra dois equivalentes elétricos de um AO com V OS. A fonte pode ser
colocada na entrada não inversora. A polaridade da fonte VOS não é definida pois a tensão de offset é
dada em módulo e sua polaridade pode mudar de operacional para operacional.

Figura 5.4: Modelos equivalentes para um AO em função de Vos.

5.4 Drifts de IB, IOS e VOS

Os drifts de IB, IOS e VOS correspondem as variações destes parâmetros com a temperatura,
tensão de alimentação, ou tempo. Estas variações ocorrem porque os componentes do circuito são
afetados de forma diferente por essas influências externas. Normalmente os valores de drift

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 19


correspondem a valores médios para um intervalo especificado de temperatura, tensão de
alimentação ou tempo.

5.4.1 Tensão de offset

As variações da tensão de offset com relação a temperatura, podem ser calculadas pela
equação 5.2.

dV OS
V OS =V OS  25 ° C   T ( 5.2 )
dT

dV OS
onde é a deriva térmica.
dT

Alguns amplificadores operacionais apresentam pinos externos que possibilitam o


balanceamento do par diferencial e, por consequência, o zeramento da tensão de offset (Figura 5.5).
Apesar deste recurso facilitar a compensação da tensão de offset ela causa um aumento na deriva
térmica de Vos.

Figura 5.5: Compensação da tensão de offset.

5.4.2 Correntes de polarização

As variações das correntes de polarização com relação a temperatura, podem ser calculadas
pela equação 5.3.

dI B
I B = I B  25o C  T ( 5.3 )
dT

dI B
Onde é a deriva térmica.
dT

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 20


Alguns manuais não citam a deriva térmica, para a corrente de polarização, mas indicam o
 T necessário para dobrar o valor de IB, o que já é o suficiente para utilizar a equação 5.3,
supondo que esta variação seja constante com a temperatura.

Tabela 5.1: Comparação entre drift de alguns AO

Amp. Op. 741C CA3140 OP07C AD547L Unid.

Tipo TJB FET TJB alto desempenho FET alto desempenho –

Fabricante N.S. Intersil Analog Devices Analog Devices –

Vos 1 8 0,06 0,25(Máx) mV

drift/Vos 0,5 1,0(Máx) µV/°C

IB 80 0,01 ±1,8 0,01 nA

Ios 20 0,0005 0,8 0,002 nA

drift/Ios 0,018 nA/°C

5.5 Ganho de malha aberta

Da mesma forma que a impedância de entrada, o ganho de um AO pode ser dividido em


dois: Ganho diferencial (Ad) e de Modo Comum (ACM). Desta forma, o AO é classificado quanto a
sua habilidade de amplificar a diferença entre os sinais aplicados a suas entradas, e rejeitar a parcela
de sinal comum as duas entradas.

Além destas distinções feitas ao ganho dos AO, vale a pena ressaltar que os ganhos mudam
em função de uma série de itens como: a carga; a tensão de alimentação; a temperatura; outros
operacionais do mesmo tipo; ...

5.5.1 Ganho Diferencial

Este ganho é influenciado pelas características dos transistores do par diferencial de entrada
e sua carga. Se a fonte de corrente que alimenta o par diferencial apresentasse resistência infinita, as
variações de corrente em um ramo do amplificador diferencial seriam compensadas no outro ramo.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 21


Esse comportamento manteria constante a tensão de emissor, que no modelo de pequenos sinais
poderia ser considerado como aterrado. Desta forma o ganho de pequenos sinais do primeiro estágio
seria equivalente ao de um amplificador em emissor comum com emissor aterrado.

Normalmente o ganho diferencial dos AO é da ordem de 105 a 106 vezes.

5.5.2 Ganho de modo comum

Como a fonte de corrente que alimenta o par diferencial de entrada não apresenta resistência
infinita, mesmo aplicando sinais de mesma amplitude nas duas entradas do amplificador, as
correntes de coletor se alteram modificando a tensão de emissor. O modelo de pequenos sinais para
amplificador se torna um emissor comum com resistência de emissor. Por esta razão, o ganho para
sinais iguais nas duas entradas do amplificador é pequeno mas não nulo.

Nos manuais, uma informação importante é o fator de rejeição de modo comum, que é
definido como mostrado nas equações 5.4, 5.5 e 5.7.

Ad
CMRR= (em valor absoluto) ( 5.4 )
ACM

CMRR=20⋅log
 
Ad
ACM
(em dB) ( 5.5 )

Vo V
Ad = = o ( 5.6 )
V + −V - V id

Vo
ACM = ( 5.7 )
V iCM

V +V -
V iCM = ( 5.8 )
2

A Figura 5.6 mostra o circuito utilizado para medir o ganho de modo comum dos AO. Nesse
circuito um mesmo sinal é aplicado as duas entradas do AO sem realimentação. Com estas
informações, utiliza-se as equações 5.7, 5.4 e 5.5 para conhecermos a taxa de rejeição de modo
comum (CMRR). O CMRR nos AO é da ordem de 100dB.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 22


Figura 5.6: Circuito para medida do ACM dos AO.

5.5.3 Modelo para ganho de modo comum

A Figura 5.7 representa o equivalente elétrico de um AO quando levamos em conta o ganho


de modo comum.

Figura 5.7: Modelo equivalente para um AO em função de ACM.

5.6 Impedância de entrada

O primeiro estágio do AO é constituído de um amplificador diferencial cuja impedância de


entrada, apesar de ser muito elevada, não chega a ser infinita. Isto pode ser constatado pela simples
observação de que existem correntes de polarização fluindo para dentro do AO.

A impedância de entrada de um AO pode ser separada em duas outras impedâncias com


características bem distintas. Uma delas é a chamada impedância de modo comum (R icm), cujo efeito
é igual para as entradas inversora e não inversora. A outra impedância é chamada de diferencial
(Rid) e deve-se a características exclusivas de cada entrada (impedância entre as entradas).

A impedância diferencial é função das características da junção base emissor dos transistores
de entrada e da corrente de polarização destes. Sua influência pode ser quantizada por meio da

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 23


equação 5.9. No LM741, da Figura 4.1, esta impedância é da ordem de 2MΩ e nos operacionais, de
um modo geral, é de 107 até 1013Ω.

2V T
Rid ≈2⋅hie≈ ( 5.9 )
IB

A impedância de modo comum é função da impedância de entrada da fonte de corrente, que


polariza o par diferencial, e do ganho de corrente deste. Esta impedância pode ser aproximada pela
equação 5.10. De um modo geral esta impedância é da ordem de 107 até 1013Ω.

hfe
Ricm = ( 5.10 )
hoe

Para mais informações veja Sedra/Smith, Microeletrônica, Makron Books, 2005 ou procure
na internet por Jaeger/Blalock, Analog Integrated Circuits, em Microelectronic Circuit Design, Mac
Graw-Hill, 2003.

5.7 Impedância de saída

Esta impedância se deve principalmente às impedâncias de saída do 2°estágio (hoe–1),


refletidas para a saída do AO, e pode ser representada por um resistor série, colocado na saída dos
AO.

A resistência de saída (Ro) influencia no cálculo do amplificador realimentado porque o


ganho do amplificador em laço aberto não é infinito. Assim, a realimentação não consegue corrigir
totalmente a queda de tensão na resistência de saída Ro. Tipicamente a resistência de saída é da
ordem de 50  e em aplicações de precisão não devemos drenar mais do que 2 ou 3 mA da saída
do AO.

A Figura 5.8 mostra um amplificador inversor completo, onde a resistência de saída (Ro) do
AO é levada em conta. Note que a tensão de saída passa por um divisor de tensão formado por Ro e
RL e que Ro também influencia na malha de realimentação.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 24


Figura 5.8: Amplificador não inversor com Ro não nula.

Considerando Ro na topologia do amplificador não inversor, a tensão de saída fica


modificada de acordo com a equação 5.11.

RL //  RRf 
vo= ⋅vo ' ( 5.11 )
RoRL //  R+Rf 

Comparando o ganho desse circuito com o ganho ideal da configuração não inversora se
nota que o ganho da configuração ficou reduzido de:

1
Ro Ro
1 
RL RRf

5.8 Limitação da tensão de saída

Com exceção aos amplificadores chamados rail to rail a tensão de saída dos AO nunca
alcança a tensão de alimentação. Isso se deve a quedas de tensão sobre os transistores do 2° e 3°
estágios de amplificação.

5.9 Rejeição a fonte de alimentação

A polarização dos transistores é dependente da tensão de alimentação utilizada e isso faz


com que o AO não seja imune às variações de tensão na alimentação. O fator que caracteriza esta
imunidade é chamado de rejeição a fonte de alimentação (Power Supply Rejection) e pode ser
calculado pelas equações 5.12 ou 5.13.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 25


V O
PSRR= (em valor absoluto) ( 5.12 )
V CC

PSRR=20⋅log
 
VO
 V CC
(em dB) ( 5.13 ).

Valores típicos para PSRR dependem da qualidade do AO: para o 741C a PSRR é de
±30mv/v enquanto que para o OP27A a PSRR é de 0,2mv/v.

5.10 Modelo para Corrente Contínua:

Os modelos apresentados individualmente para representar IB, IOS, VOS, A, Rid, RCM, RO e
outros podem ser agrupados em um só modelo como mostra a Figura 5.9.

Figura 5.9: Modelo equivalente para um AO em função de: IB, Ios, Vos, A, Rid, Ricm, Ro.

5.11 Problemas resolvidos

Para o circuito da Figura 5.10, considerando VOS1 e VOS2 diferentes de zero e Ad1 e Ad2
finitos:

a) Calcular Vo em função destes parâmetros e dos resistores.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 26


b) O manual da Analog Device, que apresenta este problema, informa que A2 deve ter
baixo VOS para o bom funcionamento do circuito. A influência de V OS2 é realmente significativa?
Precisamos realmente ter um A2 de boa qualidade?

Figura 5.10: Circuito para o problema resolvido.

Solução

a)

Figura 5.11: Adaptação do circuito da Figura 5.10 levando em conta os efeitos de Vos.

Para A1 :

V O1 =Ad1⋅V d1

V d1=V X −V OS1

V O1 =Ad1⋅V X −V OS1 

Para A2

V O =Ad2⋅V d2

V d2V O1V OS 2 =0

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 27


V d2=−V OS2−V O1

V O =−Ad2⋅ V OS2  Ad1 V X −V OS1 

Pela malha de realimentação podemos dizer que

R1
V X= ⋅V
R1 R2 O

Assim


VO
Ad2
=V OS2 Ad1⋅
 R1
⋅V −V OS1
R1R 2 O 
Isolando VO, temos:

V OS2
V OS1−
Ad1
V O=
R1 1

R1 R2 Ad1⋅Ad2

Nota-se na expressão de VO, que a influência de VOS2 é muito menor que a de VOS1, pois a
primeira aparece dividida por Ad1, que tem um valor muito elevado. Assim, conclui-se que A 2 não
precisa ser tão bom quanto indicava o artigo da Analog Devices.

5.12 Circuitos para compensação de IB e VOS:

5.12.1 Compensação de IB no amplificador inversor

O modelo que representa os efeitos das correntes de polarização sobre um amplificador


inversor é apresentado na Figura 5.12. Por esta figura fica claro que a corrente IB- circula pela malha
de resistores ao passo que a corrente IB+ é curto circuitada. Este circuito pode ser calculado por
superposição.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 28


Figura 5.12: Modelo de amplificador inversor sob influência das IBs.

Para Vin=0 (as duas extremidades do resistor R1 estão conectados a potencial zero)

V O1=R2⋅I B −

Para IB– = 0

−R2
V O2= ⋅V in
R1

Logo

−R2
V 0= ⋅V inR 2⋅I B −
R1

Parte da tensão de saída é função da corrente de polarização. Este erro introduzido na tensão
de saída pode ser reduzido pela inclusão de um resistor, R3, entre a entrada não inversora e o terra.

Para IB+ = 0 e IB– = 0

−R 2
V 01 = V
R1 in

Para IB+ = 0 e Vin = 0

V O2=R 2⋅I B −

Para IB– = 0 e Vin = 0

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 29


R1R2
V O3= ⋅R3⋅I B 
R1

Logo

−R 2 −R3
V0= ⋅V i R2⋅I B −  ⋅ R1 R 2 ⋅I B
R1 R1

Supondo I B + = I B − =I B

R2 R3
V 0 =- V i I B  R2 −  R1 R2 
R1 R1

Para que o segundo termo da equação seja nulo

R3
R2 − ⋅ R1R 2 =0
R1

 R1 R2 
R3⋅ = R2
R1

R 2 R1
R3 =
R1R 2

A diminuição dos efeitos de IB podem ser compensadas com a inclusão de um resistor


conectado entre a entrada positiva e o terra, R3, de valor R1 // R2. Quando isto acontece a saída
depende apenas da entrada e da rede de realimentação R1 e R2.

5.12.1.1 Caso do amplificador inversor.

Observa-se pela Figura 5.13, independente do modelo utilizado, que a tensão V OS afeta a
saída como se fosse aplicada sobre um amplificador não inversor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 30


Figura 5.13: Dois modelos para o amplificador inversor sob influência das Vos.

Resolvendo por superposição temos

−R2  R R 2
V O= ⋅V in  1 ⋅V OS
R1 R1

Sendo assim, é possível somar ou subtrair tensões para remover a parcela da saída
dependente de VOS. Um dos circuitos para remover este offset é apresentado na Figura 5.14.

No circuito da Figura 5.14 foram adicionadas resistências a entrada positiva do AO. Estas
resistências alteram o circuito transformando o amplificador inversor em um subtrator. A tensão Vin
continua sendo amplificada como em um amplificador inversor, porém soma-se (ou se subtrai) a
esta, uma parcela obtida pela tensão Vx aplicada ao amplificador não inversor. Se P1 for ajustado
para fazer Vx igual a VOS a tensão de offset é compensada. Valores de referência positivos e
negativos são utilizados nos extremos de P1 para permitir a compensação de tensões de ambos os
sinais.

Para ajudar na compensação de IB, as resistências podem ser escolhidas de tal forma que

*
R1 // R2=R3 R4 //  R5P 1 

A resistência de P1, vista pelo circuito, varia com o ajuste do potenciômetro e isto altera a
impedância total da malha vista pelo AO. Para minimizar estes efeitos se utiliza R5>>R4.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 31


Figura 5.14: Amplificador inversor com correção da tensão de offset.

5.12.2 Compensação de VOS no amplificador não inversor.

Uma alternativa para corrigir o efeito da VOS na configuração não inversora, sem reduzir a
impedância de entrada da configuração, é apresentada na Figura 5.15.

Este circuito, muito semelhante ao utilizado na configuração inversora, modifica o ganho do


amplificador pois uma resistência variável R3+P1 é colocada em paralelo com R1. Para minimizar
estes efeitos se utiliza valores de R3 e P1 tais que as alterações em P1 modifiquem minimamente o
valor da resistência equivalente

*
R1≈R1 //  R3P 1.

Figura 5.15: Amplificador não inversor com circuito para compensação de offset.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 32


5.13 Exercícios - AO Real.

1)

No circuito abaixo:

a) Calcule R1 para que a saída fique centrada em 0V.

b) Qual o valor de R2 para que o amplificador tenha mínimo erro devido a IOS.

2)

No circuito abaixo determine VO em função de Vi, considerando também VOS, IOS e Ad

Para este amplificador considere: VOS =2mV; IB =100nA; IOS =20nA; Ad =10.000;

3)

Para a configuração amplificador subtrator:

a) Calcule VO levando em conta VOS, IB+, IB-, e Rid.

b) Calcule Vo considerando Ad e CMRR finitos.

c) Verifique qual o CMRR do circuito em função do CMRR do amplificador operacional.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 33


4)

O circuito abaixo foi testado sob três condições diferentes.

Testes:

1 – Vi=0; R1=10K; R2=390K; R3=0; VO = 497,5mV

2 – Vi=0; R1=10K; R2=390K; R3=33K; VO = 299,5mV

3 – Vi=0; R1=39K; R2=390K; R3=0; VO = 207,5mV

Perguntas:

a) Calcule VOS, IB+, IB– e IOS.

b) Calcule VO para o teste “2” mas com Vi = 10mA

5)

Para um AO com resistência de entrada diferencial (R id) finita, com resistência de saída (RO) maior
que zero e com ganho (Ad) finito, calcule Av, Ri e Ro para a configuração não inversora.

6)

Para um buffer e um amplificador inversor de ganho unitário: verifique a influência do ganho de


modo comum e do CMRR em cada uma das configurações.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 34


7)

No circuito a seguir os amplificadores operacionais são reais e absolutamente iguais. Foram feitos
os seguintes testes com o circuito:

a) Com as chaves Ch1, Ch2 e Ch3 fechadas e Vi = 0: VO = -2mV.

b) Com a chave Ch3 fechada, as chaves Ch1 e Ch2 abertas e Vi = 100mV: VO = -4.89V

c) Com as chaves Ch2 e Ch3 abertas, Ch1 fechada e Vi = 0: VO = 0;

Pergunta:

Calcular IB, VOS e CMRR com as respectivas polaridades. Considere as outras características do
amplificador operacional se aproximando do ideal. Fazer os cálculos com precisão de 1mV para
tensão e de 1nA para corrente. Suponha chaves ideais.

8)

Calcule a impedância de entrada do circuito abaixo. Utilizando apenas resistências e/ou


capacitâncias para Z1, Z2, ..., Z5, como poderíamos simular um indutor?

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 35


9)

Equacione o circuito abaixo e explique por que esta configuração possibilita um aumento na
impedância de entrada da configuração não inversora. Considere os amplificadores operacionais
com comportamento real e constituídos na mesma pastilha (AO idênticos). Use o ganho tendendo a
infinito e as correntes de polarizações iguais.

OBS.: A impedância de entrada é dada por Zin = Vin/Iin. Compare este circuito com o não inversor.

10)

Supondo ganho finito para o amplificador operacional, calcule a impedância de saída da seguinte
configuração.

11)

Qual o ganho real na configuração inversora se o resistor de realimentação é 5MΩ, o resistor de


entrada é 10KΩ, o ganho diferencial é 80dB, a impedância de entrada do operacional é 300KΩ e a
resistência de saída do operacional é 100Ω. Calcule também a impedância de entrada e de saída do
circuito completo.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 36


12)

No circuito abaixo foram realizadas as seguintes medidas:

a) S1 e S2 fechadas: VO = 0,04V

b) S1 aberta e S2 fechada: VO = 0,1V

c) S2 aberta e S1 fechada: VO = -0,06V

Calcule IB+, IB– e IOS.

13)

Admitindo que o AO do circuito abaixo seja um 741 típico (V os(típico) = 2mV; IB(típico) = 80nA;
Ios(típico) = 20nA; Ad(típico) = 200.000):

a) determine a resistência de entrada do circuito.

b) determine a expressão de VO levando em conta VOS, IOS, Ad. Compare com o AO real.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 37


14)

Calcular a função de transferência supondo a existência de IB+, IB– e VOS para os seguintes
amplificadores:

a) inversor (com um resistor R3 ligado entre a entrada V+ do AO e terra):

b) não-inversor (com um resistor R3 ligado entre Vi e a entrada V+ do AO):

15)

Calcular a função transferência supondo a existência de CMRR para os seguintes amplificadores:

a) inversor;

b) não-inversor;

c) buffer:

CMRR= 90dB, Ad = 200.000

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 38


6 Características em frequência do amplificador operacional real

6.1 Resposta em frequência e estabilidade

Em um amplificador realimentado, como no caso dos circuitos com AO, tanto o


amplificador quanto a malha de realimentação costumam ser modelados por ganhos, conforme
indicado na Figura 6.1. O ganho do elemento amplificador é chamado de ganho em laço aberto – no
AO este ganho corresponde ao A d(S). O ganho da malha de realimentação é chamado de β(S). Bons
textos são Feedback, Op Amps and Compensation, da Intersil, Op Amp for Everyone (capítulos 5, 6
e 7), Texas Instruments,

Vi Vo
Ad(S)
+ _

β(S)

Figura 6.1: Diagrama em blocos de um amplificador realimentado.

Pelo diagrama em blocos deve ser claro que

V O S = Ad  S ⋅ V i  S  – V O S ⋅S  

e, portanto que a equação 6.1, representa o ganho do amplificador realimentado ou o ganho


de malha fechada.

V O S  Ad S 
=AV S = ( 6.1 )
V i S  1 Ad S ⋅S 

O ganho Ad(S) é constante para CC mas a partir de uma determinada frequência começa a
decair. O ganho β(S) pode ser constante ou apresentar comportamento variável com a frequência.

Em baixas frequências, normalmente, os dois ganhos são constantes e o denominador da


equação 6.1 é positivo e maior do que 1. Isto garante a estabilidade da função de transferência. Se o

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 39


ganho Ad(S) for muito elevado, como nos casos do AO, o ganho da malha de realimentação, β(S), é
responsável pelo ganho do amplificador realimentado (equação 6.2).

V O S  1
= ( 6.2 )
V i S  

Em altas frequências a estabilidade depende do comportamento de Ad(S) e β(S). Por esta


razão é comum estudar separadamente o comportamento do chamado ganho de malha, ou seja do
produto L S = Ad S ⋅S  .

Se, em alguma frequência, a fase do ganho de malha for 180º, então o ganho de malha será
negativo. Se, cumulativamente, o módulo do ganho de malha for unitário, o ganho do amplificador
torna-se infinito ( 1 Ad S ⋅S =0 ). Esta é uma situação limite de estabilidade que corresponde a
colocar os polos do amplificador realimentado sobre o eixo jω. Se o módulo do ganho de malha
aumentar (mantendo a fase em 180º), os polos do amplificador realimentado deslocam-se para a
direita do eixo jω ( 1 Ad S ⋅S 0 ). Em síntese: se o ganho de malha for ∣1∣∢180o o circuito
torna-se um oscilador e se o ganho de malha for maior do que ∣1∣∢180 o o circuito torna-se
instável.

Uma análise preliminar indica que não existe problema de instabilidade para amplificadores
realimentado com 1 ou 2 polos, pois a fase do ganho de malha nunca será 180º. Para amplificadores
realimentados com 3 ou mais polos, o problema da instabilidade não pode ser esquecido.

O diagrama de Bode do ganho de malha, Figura 6.2, pode ser utilizado para simplificar a
análise da estabilidade dos amplificadores realimentados. Neste diagrama de Bode, são desenhados
os gráficos de módulo e fase do ganho de malha, representado conforme equação 6.3. O gráfico,
apesar de simples, utiliza escala logarítmica de frequência e ganho em dB. Ganho em dB
corresponde a 20⋅log∣Ganho Linear∣ . Ganho unitário corresponde a 0dB. Ganho em dB negativo
equivale a ganho linear com módulo entre 0 e 1. Ganhos de 20⋅log X  correspondem a
−20⋅log 1/ X 

j⋅ 
Ad  j ⋅ j =∣Ad  j ⋅ j ∣⋅e ( 6.3 )

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 40


Figura 6.2: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado.

A estabilidade está garantida se, no diagrama de Bode do ganho de malha, para a frequência
onde a fase é 180º, o módulo do ganho for menor do que 1 (valor menor do que 0dB). Da mesma
forma, se para a frequência de ganho unitário, a fase de Ad S ⋅S  for maior do que –180º (-150º,
–120º... ), o amplificador também é estável.

Neste diagrama de Bode é possível identificar duas figuras de mérito importantes: a margem
de ganho e a margem de fase. A diferença entre o valor do ganho para a fase de –180º e o ganho
unitário é chamado de margem de ganho (equação 6.4). A diferença entre a fase para ganho unitário
e –180º é chamado de margem de fase (equação 6.5).

MG[dB ]=−∣Ad  S ⋅ S ∣=−180 o ( 6.4 )

MF [graus]=180 o−∣∣∣Ad  S ⋅ S ∣=0dB ( 6.5 )

Partindo-se desta análise é possível concluir que o amplificador realimentado representado


pela Figura 6.2 é estável. Observa-se que para ganho unitário (0dB), a fase é menor do que –180º
(-150º). De outra maneira, quando a fase é –180º o módulo do ganho de malha é menor do que um
(menor do que 0dB).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 41


Quando o ganho dos AO não pode ser alterado só resta alterar a rede de realimentação para
garantir a estabilidade do amplificador em malha fechada. A determinação de um ganho de
realimentação que deixe estável o circuito pode ser obtida da seguinte forma: 1) desenha-se o
diagrama de Bode para Ad(S) (Figura 6.3), 2) determina-se uma margem de fase considerada
aceitável, 3) determina-se o ganho do AO para a frequência onde a margem de fase é atendida. 4)
determina-se o ganho de realimentação de tal forma que β–1 = Ad. Este valor de Ad corresponde ao
menor ganho da configuração realimentada e que atende ao requisito de mínima margem de fase,
pois ∣Ad S ⋅S ∣=1 .

No exemplo da Figura 6.3, para que a margem de fase do amplificador realimentado seja da
+45º, ajusta-se o ganho de realimentação de tal forma que ∣AS ⋅ S ∣=1 , para a frequência onde
a fase do AO corresponde a –135º. Como, neste ponto, o ganho do AO corresponde a 60dB, o ganho
β corresponde a –60 dB (no gráfico isto corresponde a reta denominada 20⋅log1/=60dB ). Se
for escolhido um ganho β maior, –30dB, por exemplo, o ganho de malha será ∣1∣∢−180o .

Figura 6.3: Diagrama de Bode do ganho de malha de um amplificador realimentado.

6.1.1 Resposta em frequência não compensada

Cada estágio do amplificador operacional é composto por transistores que definem


diferentes polos. Na maioria das vezes estes polos estão distantes, de modo que alguns se tornam

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 42


dominantes. Estes polos dominantes limitam a resposta em frequência dos estágios, e por
conseguinte, do amplificador operacional como um todo. Para CC e baixas frequências o ganho é
praticamente constante, para altas frequências o ganho diminui com a frequência. A Figura 6.4
mostra a influência de três polos dominantes, um de cada estágio de um AO típico.

Figura 6.4: Resposta em frequência de cada estágio de um típico AO não compensado.

A equação 6.6 corresponde ao ganho do sistema não compensado, mostrado na Figura 6.4.

p 1⋅p 2⋅p 3
Ad S = Ad0⋅ ( 6.6 )
 S p1 ⋅ S p 2⋅S  p 3

onde Ad0 é o ganho em baixas frequências, Ad(S) é o ganho de tensão em laço aberto, p 1, p2,
e p3 são os polos.

Os efeitos individuais dos polos de cada estágio do AO foram somados para montar o
gráfico da Figura 6.5. Observa-se que o AO tem ganho de 29dB na frequência onde a fase é – 180º.
Sendo assim este AO será estável em todas as configurações com ganho maior do que 29dB, caso
contrário o circuito se torna um oscilador.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 43


Figura 6.5: Resposta em frequência de um típico AO não compensado.

Por esta razão alguns AO de banda larga (amplificadores desenvolvidos para operar em
frequências elevadas) só podem ser utilizados em configurações com ganho mínimo estabelecido
pelo fabricante. Muitas vezes estes operacionais não são estáveis para ganho unitário. Como
exemplo disto temos o LF357, que é estável em configurações com ganho maior do que 5.

6.1.2 Resposta em frequência com compensação

Para corrigir a resposta em frequência de um AO (instabilidade ou resposta a transitórios)


emprega-se algum tipo de compensação. Esta pode ser externa (AO antigos de banda larga e alto
desempenho – LM301, LM308, ...) ou interna (AO de propósito geral - LM741, LF351, LM318 ...)
ao AO.

Uma forma de compensar o AO, para permitir a sua estabilidade em um determinado ganho
de malha fechada consiste em introduzir um polo de baixas frequências, de modo que a nova
resposta em frequência do AO intercepte a curva 20⋅log (1/β) com inclinação de -20dB/déc (curva
Ad(S) compensada Figura 6.6). Este comportamento, infelizmente, introduz um polo adicional em
frequência muito baixa o que diminui sensivelmente o ganho do AO em todas as frequências. Isto é
prejudicial ao desempenho global do AO pois seu comportamento ideal apresenta ganho elevado
para todas as frequências.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 44


Figura 6.6: Compensação de um AO com um polo dominante.

A diminuição no valor do primeiro polo do AO também pode ser utilizado para estabilizar o
amplificador realimentado sem introduzir um polo adicional. Como vantagem o método permite
ganhos maiores para todas as frequências. Como desvantagens é necessário capacitores de valor
elevado dentro do AO.

No LM741 é utilizada uma técnica alternativa e muito comum para compensação. É incluído
um pequeno capacitor (≈30pF) entre a base e o coletor de algum transistor do 2° estágio. O efeito
deste capacitor é multiplicado pelo ganho do 2° estágio (efeito Miller) e refletido para a saída do 1°
estágio. Isto faz com que seja criado, no 1° estágio, um polo em uma frequência muito baixa
(≈10Hz), um zero na frequência de p2 e outro polo em uma frequência bastante elevada (≈1MHZ).
Em suma, p2 é cancelado, e p1 é deslocado para direita. O resultado final é de um amplificador com
comportamento de um único polo em quase toda a faixa de frequência.

No caso do LM741 é possível considerá-lo como um circuito de um único polo até a


frequência de 1MHz (p3), conforme indicado na equação 6.7. Acima desta frequência o ganho em
malha aberta é menor do que 1 (0dB), e isto garante a estabilidade do AO até mesmo para ganho
unitário. O custo desta estabilização foi a redução da largura de banda do AO (largura da faixa de
passagem).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 45


A0⋅p1 A0⋅p 1 GBW
AV  S = ≃ = ( 6.7 )
S  p1 S S

onde GBW é o produto ganho faixa do AO

Nesta aproximação o GBW é constante, ou seja, se o ganho de malha fechada for diminuído
há um aumento proporcional na faixa de frequências que pode ser amplificada por este ganho.

6.2 Características de desempenho em frequência

Além do ganho do amplificador em malha aberta e do produto ganho faixa existem outras
características que determinam o desempenho dos AO com relação a frequência.

6.2.1 Slew-rate

O slew-rate (SR) representa a máxima variação de tensão (  V O ) que um amplificador


operacional pode apresentar, na saída, em um dado intervalo de tempo  T . A principal causa de
limitação do slew-rate é a resposta em frequência do AO e, principalmente, o polo dominante.
Valores típicos para o slew-rate vão de 1V/µs, em amplificadores de uso geral, à 2000V/µs em
amplificadores rápidos. O valor típico de SR para um LM741 é de 0,5V/µs e para o LM748 é de
40V/µs.

Para medir o slew-rate utiliza-se um buffer (amplificador não inversor de ganho 1) e um


gerador de funções. O gerador aplica uma onda quadrada na entrada do buffer. O sinal de saída é
medido conforme o indicado na Figura 6.7. Para o cálculo do SR utiliza-se o menor valor obtido
pelas equações 6.8 e 6.9.

Figura 6.7: Resposta do AO para uma entrada em degrau. Medidas para determinação do
SR.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 46


90 %⋅Vmáx −10 %⋅Vmáx
SRS = ( 6.8 )
ts

90 %⋅Vmáx−10 %⋅Vmáx
SRD = ( 6.9 )
td

onde SRS é o slew-rate de subida, SRD é o slew-rate de descida.

6.2.2 Settling time

É o tempo necessário para que a resposta do AO, a uma entrada em degrau, estabilize dentro
de uma faixa de valores considerada aceitável. Esta faixa de valores normalmente corresponde a 0,1
ou 0,01% por cento do valor final.

Dependendo das características do amplificador operacional, da rede de realimentação e da


compensação, o circuito apresentará um determinado grau de amortecimento (ζ → zeta: constante
de amortecimento), podendo ser considerado sobre, sub ou criticamente amortecido. Assim a saída
levará algum tempo para se acomodar no valor de regime estacionário, devido ao transitório. Este
intervalo de tempo é definido como tempo de acomodação ou settling time. A Figura 6.8 mostra
como identificar o tempo de acomodação de um sistema a partir de uma excitação em degrau.

Figura 6.8: Tempo de acomodação da saída de um AO após uma entrada em degrau.

6.2.3 Exemplo: Resposta em frequência

Para o circuito abaixo considere que os dois AO têm características dinâmica do tipo polo
dominante. Deseja-se que o circuito apresente um polo em 100kHz (devido a A1) e outro em 1MHz
(devido a A2). Determine o produto ganho faixa (GBW) de cada um dos AO para que esta
especificação seja atendida.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 47


O circuito deve fornecer uma saída VO senoidal de até 100kHz e com 10V p sem distorcê-la.
Calcule o slew–rate (SR) mínimo de cada AO para atender a esta especificação.

Considere o modelo CC dado abaixo. Calcule a tensão de saída V O para Vi=0, em função de
VOS1, Ad1, VOS2, Ad2 e dos resistores. Um dos AO tem mais influência sobre este valor de VO? Qual?

Solução.

Os dois AO estão funcionando com realimentação negativa portanto estão em uma região
linear.

a) Em um amplificador realimentado, com polo dominante, o diagrama de Bode de um


amplificador corresponde a uma reta com inclinação –20dB/década. O ponto de funcionamento do
circuito realimentado corresponde a interseção deste gráfico com a reta 20⋅log1/  . Desta
maneira só precisamos igualar as duas funções:

O ganho de malha aberta de A2 é

GBW 2 GBW 2
A 2  S = ≃
S  p2 S

O ganho em malha fechada de A2 deve ser

GBW 2
∣ ∣
1
 f 
=
f

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 48


Determinação do ganho da rede de realimentação.

Considerando Ad não infinito, a configuração inversora apresenta ganho igual a

R4 v o Ganho Ideal
v 0 =− ⋅v i = R3
R3 +R 4 , ou v i 1 onde β=
R 3 1 R3+R4
Ad β⋅Ad

Reescrevendo as equações temos

Ad⋅⋅R4
vo R3
=
v i 1β⋅Ad

Ad⋅R4
vo R R 4
= 3
v i 1 β⋅Ad

logo o fator β corresponde ao ganho de realimentação.

Assim

1 R3 R4
=
 R3

R3 R4 10 k 100 k
GBW 2 = ⋅ f 2= ⋅1 MHz=11 MHz
R3 10 k

O ganho de malha aberta de A1 é

GBW 1 GBW 1
A1  s = ≃
S  p1 S

e o ganho em malha fechada de A1 deve ser

GBW 1
∣ ∣
1
 f 
=
f

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 49


Assim

1 R 1R 2 1 1 k 100 k 1
= ⋅ = ⋅ =10 ,1
 R1 AV2 1k 10

1
GBW 1= ⋅f 1=10 ,1⋅100 kHz=1, 01 MHz

b) Para A2:

SR2 ≥  
dV O
dt máx
=
d
dt
 10⋅sen  2π f ⋅t ∣t=0

SR2 ≥10⋅2⋅⋅ f ⋅cos 2π f ⋅t∣t =0=10⋅2π⋅100. 000

SR2 ≥ 6,283V/µs

Para A1:

Devido ao ganho de A2, a saída de A1 necessita ter apenas 1/10 da amplitude de V O, SR1 ≥
0,6283V/µs

c)


v O1= Ad 1⋅ V OS1
R1
⋅v
R1 R2 O 
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 50
v O v O1⋅R4 vO⋅R3
V OS2 − =
Ad 2 R3R 4

Substituindo uma equação na outra

R3 R 4 V OS2
⋅ −V OS1
R4 Ad 1
vO =
R3 1 R R 4 1 R1
⋅  3 ⋅ 
R 4 Ad 1 R4 Ad 1⋅Ad 2 R1 R2

Levando-se em conta que os ganhos diferencias Ad são elevados,

R1 R2
v O ≃− ⋅V OS1
R1

Observa-se que VOS1 é predominante.

6.3 Cargas Capacitivas

Em um AO uma carga capacitiva pode alterar a impedância de saída equivalente e introduzir


mais um polo no ganho de tensão de malha aberta. Como resultado é possível que o circuito se torne
instável, pois o polo retira fase do sistema e aumenta em 20dB/dec a atenuação do ganho de malha
aberta a partir dele. Se a curva 20⋅log 1/ interceptar a curva de ganho em malha aberta depois
da frequência de corte inserida pela carga capacitiva o circuito pode se tornar instável. O polo
induzido por esta carga pode ser determinado pela equação 6.10

1
p CL= ( 6.10 )
RO⋅C L

mas sua determinação não é fácil, pois RO é função da frequência. Normalmente cargas
capacitivas aparecem em malhas de compensação externa, desacoplamentos, filtros, na excitação de
algum transdutor, LCD, ou quando a carga está conectada ao AO por fios muito longos, como uma
linha de transmissão, sistemas de áudio, vídeo, RF e outros. Neste último caso, a carga capacitiva
limita a transmissão de dados em velocidades elevadas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 51


Via de regra AO de uso geral toleram cargas capacitivas de até 1000pF enquanto que para
AO de alta frequência a carga capacitiva deve ser limitada a uns 25pF. Quando se trabalhar com
cargas deste tipo se deve utilizar amplificadores com baixa impedância de saída, ou prover uma
redução desta impedância utilizando um amplificador de reforço de corrente. Para o caso da linha de
transmissão o reforço de corrente pode ser muito importante, pois em frequências elevadas a carga
pode drenar correntes elevadas. Para exemplificar, um AO deve ser capaz de suprir 63mA para uma
˙ ).
carga capacitiva de 10000pF excitada por um sinal de 10V e 100kHz ( i Lmáx =C L⋅V Omáx

Circuitos de compensação podem ser criados para evitar instabilidade. Como margens de
fase menores do que 45o costumam gerar picos na resposta em frequência, sobrepassos ou
oscilações na resposta ao degrau costuma-se usar uma estratégia conservadora de compensação
considerando que a influência do polo pCL pode ser percebida uma década antes. Existem diversas
possibilidades de compensar este circuito e algumas são discutidas nos artigos Op Amps Driving
Capacitive Loads e Practical Techniques to Avoid Instability Due to Capacitive Loading da Analog
Device. No circuito mostrado na Figura 6.9 foi implementada uma compensação interna ao laço de
realimentação. Esta é uma das mais conhecidas técnicas e mais eficientes quando a capacitância da
carga é conhecida. O resistor R3 desacopla a carga capacitiva e cria um polo e um zero que são
anulado por um zero e um polo na malha de realimentação com C1.

Se Ro ≪ R1 , Ro ≪ R2 e Ro ≪ R3 a compensação pode ser feita com

Ro⋅R 1 R o + R3
R3= e C 1= ⋅C .
R2 R2

Figura 6.9: Compensador para cargas capacitivas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 52


Instrumentação e Técnicas de Medidas

Sensores Resistivos

Sensores resistivos (potenciômetros, termistores, rtd, strain-gage, ...)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 1


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Com base nas notas de aula de COB783 e Op Amp Applications
Handbook, Section 4, edited by Walt Jung (Newnes, 2006).
Versção 1.1 – Ordem dos capítulos, equações mais comuns para linearização de
termistor.

Última alteração: 01/09/2013

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 2


Índice
7 Transdutores Resistivos....................................................................................................................4
7.1 Transdutor Potenciométrico......................................................................................................4
7.1.1 Características Gerais........................................................................................................7
7.2 Termistores...............................................................................................................................7
7.2.1 Características Gerais......................................................................................................13
7.3 Resistências termômetro (RTD).............................................................................................13
7.3.1 Características Gerais......................................................................................................15
7.3.2 Strain Gauge....................................................................................................................15
7.4 Outros Transdutores Resistivos..............................................................................................21

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 3


7 Transdutores Resistivos

7.1 Transdutor Potenciométrico

É basicamente um potenciômetro, devidamente excitado (transdutor ativo segundo a nossa


definição prévia), no qual a tensão variável obtida no cursor é modificada em decorrência da ação
de alguma variável mecânica, tal como uma força ou aceleração.

Este é um tipo de transdutor considerado como um transdutor de grande variação de sinal


uma vez que a saída pode variar de 0 até 100% da tensão de excitação. Existem, na prática, vários
tipos de potenciômetros possíveis de serem utilizados na construção deste tipo de transdutor, sendo
cada tipo responsável pelas características finais do mesmo. Dentre os diversos modelos podemos
citar os de deslocamento linear e rotativo (figura acima), de cordinha (para medida de
deslocamentos), em fita (para medida de deslocamentos ou pressão), colabável (para medida de
nível de líquido), com líquido condutor (para medidas de inclinações), entre outros. Além disto
existem potenciômetros múltiplos (múltiplos potenciômetros controlados por um mesmo elemento)
ou que implementam diversos tipos de funções não lineares.

Neste texto nos ateremos aos potenciômetros lineares conectados a um circuito cuja
impedância de entrada é RL. Para estes casos a análise do circuito nos mostra que

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 4


R L // x⋅R p
v out =v in⋅ ,
R L // x⋅R p1− x⋅R p

mas considerando R L =⋅R p

⋅R p⋅x⋅R p
⋅R p x⋅R p
v out =v in⋅
⋅R p⋅x⋅R p
1−x ⋅R p
⋅R p x⋅R p

⋅x⋅R2p
v out =v in⋅
⋅x⋅R2p⋅1−x ⋅R2p x⋅1−x ⋅R2p

⋅x
v out =v in⋅
 x⋅1− x

Porém seria desejável que a saída expressasse somente o deslocamento x, isto é

v out
=x (caso obtido com R L =∞ )
v in

Se o erro relativo entre a função de transferência real e a ideal for definido como

erro=
   
v out
v in real

v out
v in ideal

  v out
v in ideal

então

⋅x
−x
x⋅1− x
erro=
x

−x⋅1−x 
erro=
 x⋅1− x 

Derivando-se a função de erro com relação a x e igualando-a a zero, obtém-se a posição de


erro máximo

∂ erro [  x⋅1− x]⋅2⋅x−1−x⋅1− x⋅2⋅x−1


= =0
∂x [x⋅1−x ]2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 5


∂erro ⋅ 2⋅x −1 x⋅1−x ⋅2⋅x−1−x⋅1− x⋅2⋅x−1
= =0
∂x [x⋅1−x ]2

∂ erro ⋅2⋅x−1
= =0
∂x [  x⋅1− x]2

logo

⋅2⋅x−1=0

x=0,5

Então o maior erro, em relação ao valor ideal, ocorre quando o cursor está no meio do curso,
sendo que tal erro é igual a

−x⋅1−x 
erro máx =erro x=0,5 =
 x⋅1−x

−0,25
erro máx =
0,25

−1
erromáx =

1
0,25

−1
erro máx =
14⋅

Ou seja, o erro máximo é função de α, como esperado. Supondo-se =1 ( R L =R p ) temos

−1
erromáx = =20 %
14

Na figura abaixo são apresentadas as curvas de erro absoluto e relativo com relação a
posição x além dos valores de v(out) para o caso ideal e real onde a vin=1V, RL=10kΩ e RP=10kΩ.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 6


7.1.1 Características Gerais

Parâmetro Potenciômetro Linear Potenciômetro Rotativo


Faixa 2 mm até 8 m 10º até 60 voltas
Resolução 50 μm 2º até 0,2º
Linearidade 0,002% FSO até 0,1% FSO
Velocidade máxima 10 m/s (restrições mecânicas)
Frequência máxima 3 Hz (restrições mecânicas)
Potência 0,1 W (plástico condutivo ou híbrido) até 50 W (fio)
Resistência 20 Ω até 220 kΩ
Coeficiente Térmico 20·10-6/ºC (fio) até 1000·10-6/ºC (plástico condutivo)
Vida útil 108 ciclos (plástico condutivo)

Vantagens Fácil de usar, baixo custo, não eletrônico, alta amplitude do sinal

Desvantagens Limitado em frequência, atrito e inércia, desgastes

7.2 Termistores

São resistores sensíveis à temperatura, que apresentam resistência variando com coeficiente
negativo com temperatura (NTC – os mais comuns para medidas de temperatura) ou positivo (PTC,

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 7


muito usado em circuitos de proteção, uma vez que a sua resistência aumenta repentinamente com a
temperatura e, limitando a corrente do circuito – algumas vezes estes componentes são chamados de
fusistor e estão disponíveis para uma ampla gama de temperaturas).

10 6

PTC
Termistor
10 5

10 4

Termômetro
10 3 de resistência
de silicio

RTD
10 2 Platina

NTC
Termistor

10 1
-100 0 100 200 oC

Comparação entre diferentes tipos de sensores de temperatura. Sensors in Biomedical


Applications, Fundamentals,Technology and Applications, Gárbor Harsányi, CRC Press, 2000

Os materiais classicamente utilizados na construção de termistores são semicondutores, uma


vez que a sua resistividade é muito maior do que a resistividade dos metais condutores. A
resistência de um termistor pode ser descrita (numa faixa de uns 50ºC) aproximadamente por uma
exponencial:

R(T )=R0⋅e
(
β⋅
1 1

T T0 )

onde R0 é a resistência na temperatura de referência T 0 (normalmente 25ºC);  é uma


constante que depende do material de construção (normalmente entre 2000 K e 5000 K); T é a
temperatura em Kelvin.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 8


Tomando-se o logaritmo natural dos dois lados

 
ln [ R T ]= − ln [ R0 ]
T T0

Chamando o recíproco da temperatura de lambda (Λ = T1 )


ln [R T ]=⋅−⋅0ln[ R0 ]

que é uma função linear de  (onde  é a inclinação da curva ln [R T ] versus  ).

Na forma direta, a curva típica de um termistor é mostrada na figura abaixo, onde os valores
2000 K até 5000 K correspondem aos valores de β.

Curvas características de NTCs comerciais (Epcos – Electronic Parts and Components)

Alguns manuais e livros informam o coeficiente de temperatura da resistência ( α ), ou seja,


a variação relativa da resistência com a temperatura.

dR(T ) /dT −B
α= = 2
R(T ) T

que mostra uma variação não linear da resistência com a temperatura.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 9


Este modelo exponencial normalmente permite medidas com erro de ±0,3ºC para uma faixa
dinâmica de 50ºC. Modelos mais sofisticado poderiam ser o modelo de três parâmetros, que leva o
erro para ±0,01ºC numa faixa dinâmica de 100ºC, ou o modelo de quatro parâmetros que leva a
erros de 0,00015ºC na faixa de 0 a 100ºC. As equações para estes modelos são

R(T )=R ⋅e
( B C
A+ + 3
T T ) e R(T )=R ⋅e(
B C D
A+ + 2 + 3
T T T )
0 0

Se a exatidão não for importante este sensor pode ser linearizado com associação de
resistores. Isto pode ser conseguido, para uma faixa limitada de temperatura, colocando-se um
resistor fixo em paralelo com o termistor. Embora isto acarrete uma redução na sensibilidade do
dispositivo, a sensibilidade original do termistor é relativamente alta, o que ainda garante um
resultado final satisfatório. Neste caso os erros obtidos estão na faixa dos 2,5%.

Linearização de NTC com resistência em paralelo (Epcos – Electronic Parts Components)

A associação paralela entre o termistor R(T) e um resistor de valor fixo RP é dada por

R P⋅RT
R= , onde R P é o resistor de compensação e RT é o termistor.
R P RT

Uma linearização simples em torno de uma só temperatura (a temperatura central da


medida) pode ser obtida fazendo com que neste ponto a curva da resistência R tenha um ponto de
inflexão. Assim

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 10


dR R2P dR
= 2
⋅ T
d T ( RT + R P ) dT

d2R
dT 2 ∣
T =T C
=0

β−2⋅T C
Rp= RTC⋅
β+ 2⋅T C

Uma linearização também comum, e que envolve uma faixa de operação pode ser obtida
para qualquer função não linear fazendo com que variações iguais de temperatura correspondam a
variações iguais na resistência equivalente. Assim para temperaturas extremas T1 (mais alta) e T3 (a
mais baixa) podemos escrever

T 1−T 2=T 2−T 3

RT1 – RT2 =RT2 −RT3

R P⋅RT1 R P⋅RT2 R P⋅RT2 R P⋅RT3


− = −
( R P + RT1 ) ( R P + RT2 ) ( R P + R T2 ) ( R P + R T3)
RT2⋅( RT3 + RT1)−2⋅RT3⋅RT1
Rp= .
RT3 + RT1 – 2⋅RT2

A figura abaixo mostra um gráfico de R(T) linearizada por diferentes resistências RP.

Os termistores podem operar em três faixas distintas de funcionamento caracterizadas pela


sua curva v x i. A figura abaixo mostra um exemplo de curva v x i de um dado termistor obtida a
temperatura constante.

Na curva observa-se uma região linear (onde o autoaquecimento é desprezível) utilizada


para medida de temperatura, uma região de máximo e outra onde a tensão diminui com o aumento
de corrente. Esta região pode ser utilizada em função do autoaquecimento do transdutor (limitadores
de corrente, sensores de nível para líquidos, sensores de fluxo, entre outros).

Uma especificação importante de um termistor é sua constante de dissipação ( δ ), definida


como a potência (em miliwatts) que causa um aumento de 1ºC de autoaquecimento, para uma dada
temperatura. Valores típicos de tal constante são de 0,5 a 10mW/ºC, sendo a faixa típica de
temperatura de -55ºC a 150ºC.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 11


Curva V x I de termistores (Epcos – Electronic Parts and Components)

Uma outra importante especificação é a constante de tempo térmica, definida como o tempo
necessário para o termistor atingir 63,2% da diferença entre as temperaturas inicial e final do seu

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 12


corpo, quando é submetido a uma mudança abrupta da temperatura (idealmente uma função
degrau), assumindo-se uma condição de potência nula. Valores típicos da constante de tempo
térmica vão de 1 a 50s.

Termistores podem apresentar uma razoável estabilidade com o tempo apenas em casos de
pré envelhecimento. Nestes casos é possível obter variações equivalentes a 0,01ºC para uma faixa
de 70ºC. Uma estabilidade intermediaria pode ser obtida cobrindo o elemento sensor com vidro mas
a contante térmica ficará pior. Além disto termistores raramente são intercambiáveis, ou seja, se um
precisar ser substituído então o circuito precisará reajustado.

7.2.1 Características Gerais

Parâmetro
Faixa de temperatura -100ºC até 450ºC
Resistência em 25ºC 0,5Ω até 100 MΩ (1kΩ até 10MΩ)
β 2000K até 5500K
Máxima Temperatura 300ºC contínuo ou 600ºC intermitente
Constante de Dissipação 1mW/ºC (ar) ou 8mW/ºC (óleo)
Contante de Tempo Térmica 1ms até 22s
Máxima Potência Dissipada 1mW até 1W

7.3 Resistências termômetro (RTD)

São resistências dependentes da temperatura. Normalmente estas resistências são obtidas a


partir de metais ou ligas metálicas. Costumam ser muito lineares, muito estáveis (desvios de
0,1ºC/ano em ambiente industrial e 0,0025ºC/ano em laboratórios) e muito exatos. Seu coeficiente
de temperatura é positivo e é capaz de operar em uma faixa de temperatura muito maior que a dos
termistores. A figura abaixo exibe o formato de alguns encapsulamentos para os RTD e a curva de
resistência relativa em função da temperatura para os principais materiais utilizados. Observe que
dependendo do encapsulamento o RTD pode apresentar um comportamento de primeira ou segunda
ordem em função da massa e da transmissão de calor do conjunto.

Os materiais resistivos exibem uma variação da resistência com a temperatura porém nem
todos possuem características estáveis. Os materiais mais utilizados para este tipo de sensor são a
platina, o níquel e o cobre cuja equação característica e seus coeficientes são apresentados a seguir.

2 3
RT =Ro⋅1⋅T −T 0 ⋅T −T 0  ⋅T −T 0  ...

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 13


onde R0 é a resistência de referência na temperatura T0 (normalmente 0ºC). O nome dos
RTD é definido pela sigla do material do qual o sensor é feito seguido do valor da resistência R0. O
RTD mais comum é o PT100, ou seja sensor de platina de 100Ω, por ser oferecer uma boa relação
de compromisso entre sensibilidade e estabilidade e linearidade.

Material α (10-6Ω/Ω/K) β (10-6Ω/Ω/K2) γ (10-6Ω/Ω/K3)

Platina (0 – 850ºC) 3907 -0,5768408


Níquel (-50 – 1809ºC) 5470 6,39 0,0069
Cobre (-50 – 180ºC) 42160

R/R 0
Niquel

Cobre
6

5
Platina

3 Tungstênio

1
0 200 400 600 800 1000 oC

Measurement & Instrumentation Principles, Alan S Morris, Butterworth Heinemann, 2001

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 14


Estes transdutores apresentam resistência desde uma dezena de Ω até dezenas de kΩ. Assim
como nos termistores se deve evitar correntes de autoaquecimento (normalmente da ordem de
20 mA ou menos) e deformação física que podem fazer com que estes transdutores funcionem
como strain-gauges (mostrados a seguir). Estes transdutores apresentam resposta dinâmica lenta,
entre 0,5 e 5 segundos (aumenta com o encapsulamento) mas precisão de 0,01%, elevada
sensibilidade, comportamento razoavelmente linear em torno de um ponto de operação, saída
estável por longa faixa de tempo.

O autoaquecimento pode ser controlado por meio do fator de dissipação ou contante de


dissipação de calor dos termistores δ que define a potência necessária para aquecer o sensor de
1ºC. O fator de dissipação normalmente é informado em mW/K e para duas condições distintas,
para o sensor imerso em ar ou imerso em água.

7.3.1 Características Gerais

Parâmetro Platina Cobre Níquel Molibdênio


Faixa (ºC) -200 até 850 -200 até 260 -80 até 320 -200 até 200
α (Ω/Ω/ºC) 0,00385 0,00427 0,00672 0,003786
Resistividade (20ºC – μΩm) 10,6 1,673 6,844 5,7
25, 50, 100, 200, 100, 200, 500,
R (0ºC) 10 50, 100, 120
500, 1000, 2000 1000, 2000

7.3.2 Strain Gauge

Um strain gauge é um elemento resistivo que produz uma mudança na sua resistência
elétrica em função de uma deformação mecânica (strain). São dispositivos que apresentam
pequenas variações de sinal e que são normalmente utilizados com uma ponte de Wheatstone. Dois
tipos são disponibilizados, os limitados e os não limitados. Os primeiros são dispositivos montados
em estruturas mecânicas que limitam deformação acima de um determinado valor (estes estão
comercialmente disponíveis). Já os não limitados são aqueles onde a deformação pode ser qualquer,
inclusive assumindo valores que podem causar a destruição dos mesmos (normalmente formados
apenas pelo elemento sensor). Os tipos não limitados são, normalmente, mais lineares que os
limitados. Na figura abaixo, todos os sensores são do tipo limitado.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 15


Lembrando que a resistência deste fio é

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 16


ρ⋅L
R=
A

∂ R ∂ ρ⋅L
=
∂R ∂R A

∂ R ∂ ρ⋅L ∂ρ ∂ ρ⋅L ∂ L ∂ ρ⋅L ∂ A


= ( )
⋅ + ⋅ + ( )
⋅ ⋅
∂ R ∂ρ A ∂ R ∂ L A ∂ R ∂ A A ∂ R ( )
L ∂ρ ρ ∂ L ρ⋅L ∂ A
1= ⋅ + ⋅ − 2 ⋅
A ∂R A ∂R A ∂R

L ρ ρ⋅L
∂ R= ⋅∂ ρ+ ⋅∂ L− 2 ⋅∂ A
A A A

ρ⋅L
Dividindo-se por
A

ρ ρ⋅L
∂R
R
L
(
= ⋅∂ρ+ ⋅∂ L− 2 ⋅∂ A ⋅
A A A
A
ρ⋅L )
∂ R ∂ρ ∂ L ∂ A
= ρ + −
R L A

Δ R Δρ Δ L Δ A
= ρ + −
R L A

Consequentemente, a variação na resistência do elemento é causada por a) mudança relativa


do comprimento; b) mudança relativa na secção transversal e c) mudança relativa na resistividade.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 17


Para elementos de secção transversal circular (grande maioria), a variação relativa da área
está ligada a variação de diâmetro.

 A ⋅d  d 2 −d 2
=
A ⋅d 2

Δ A d 2 +2⋅d⋅Δd + Δ d 2−d 2
= 2
A d

e considerando-se Δ d 2≪ 2⋅d⋅Δ d ( d ≈10μ m )

Δ A 2⋅d⋅Δ d
=
A d
2

Δ A 2⋅Δ d
=
A d

Por outro lado a variação relativa de diâmetro está relacionada com a variação relativa de
comprimento através de chamada razão de Poisson ( ν ). Usualmente 0< ν< 0,5 sendo que para o
volume se manter constante é necessário que ν=0,5 (caso da borracha e de fluidos
incompressíveis). A maioria dos materiais se deforma quando sobre ação de uma força modificando
o seu volume inicial. Para o ferro fundido a razão de Poisson vale 0,17, para o aço vale 0,303 e para
o alumínio e o cobre vale 0,33. Então

Δd ΔL
=−ν⋅ .
d L

Logo, podemos escrever a variação relativa de resistência como

Δ R Δρ Δ L Δ A
= ρ + −
R L A

Δ R Δρ Δ L 2⋅Δ d
= ρ + −
R L d

Δ R Δρ Δ L 2⋅ν⋅Δ L
= ρ + −
R L L

ΔR ΔL Δρ
= ⋅(1+ 2⋅ν)+ ρ
R L

A variação de resistividade como resultado de um estresse mecânico é chamado piezo resistividade.


Ela ocorre em função da mudança na amplitude das vibrações na rede metálica. Uma extensão no material

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 18


acaba por reduzir a mobilidade dos elétrons e, por conseguinte, aumentar a resistividade dos materiais.
Bridgman mostrou quem em metais a variação relativa de resistividade é proporcional a variação relativa de
volume. Assim, a contantes C de proporcionalidade de Bridgman para o alloy (material do qual muitos
strain gauges são feitos) está entre 1,13 e 1,15 enquanto que para a platina C = 4,4. Assim

ΔR ΔL ΔV
= ⋅(1+ 2⋅ν)+C⋅ .
R L V

Como

Δ V Δ L 2⋅Δ d Δ L
= + = ⋅(1−2⋅ν )
V L d L

podemos escrever

ΔR ΔL
= ⋅[1+2⋅ν+C⋅(1+2⋅ν)]
R L

Definindo-se agora um fator de gauge (me ou G em alguns livros)

ΔR ΔL
= ⋅me , e
R L

 R/ R
me= .
 L/ L

As deformações as quais os strain gauges são submetidos devem ser elásticas, para não danificar o
sensor. Nesta situação a tensão mecânica sobre os materiais produz uma deformação deste material que é
proporcional a força aplicada e ao chamado módulo de Young. Esta é a lei de Hook aplicada aos materiais.

F ΔL
σ= =E⋅ε= E⋅
A L

onde σ é a tensão mecânica, F a força, A é área, E é o módulo de Young e ε é a deformação


(strain, em inglês).

Assim, os strain gauges costumam ser especificados em termos da sua deformação máxima ( ε ) que
é um admensional. Normalmente os valores desta deformação são da ordem de μ ε (microsstrains) que
corresponde a 10-6 m/m de deformação. Vários materiais podem ser usados para a confecção de strain gauge,
resultando em diferentes fatores de gauge e faixa de operação. Materiais isotrópicos, por exemplo,
apresentam me≈2 , materiais isoelásticos me≈3,2 , e a platina me≈6 . A .tabela seguinte mostra a
sensibilidade para strain gauges de diferentes materiais

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 19


Material Sensibilidade (me)
Platinum (Pt 100%) 6,1

Platinum-Iridium (Pt 95%, Ir 5%) 5,1

Platinum-Tungsten (Pt 92%, W 8%) 4,0

Isoelastic (Fe 55.5%, Ni 36% Cr 8%, Mn 0.5%) * 3,6

Constantan / Advance / Copel (Ni 45%, Cu 55%) * 2,1

Nichrome V (Ni 80%, Cr 20%) * 2,1

Karma (Ni 74%, Cr 20%, Al 3%, Fe 3%) * 2,0

Armour D (Fe 70%, Cr 20%, Al 10%) * 2,0

Monel (Ni 67%, Cu 33%) * 1,9

Manganin (Cu 84%, Mn 12%, Ni 4%) * 0,47

Nickel (Ni 100%) -12,1

A tabela acima mostra que as variações de resistência Δ R/ R são bastante pequenas. Normalmente
obtém-se somente alguns poucos milivolts na saída de um transdutor strain gauge. Variações maiores podem
ser obtidas com elementos como silício, que é um caso mais de piezo resistividade do que de variação de
dimensão. Nestes casos a mudança de resistividade com a tensão mecânica é maior do que a mudança de
dimensão como ocorre nos fios metálicos. Nos semicondutores a tensão afeta principalmente o número e a
mobilidade dos portadores e os efeitos piezo resistivos dependerão do tipo de material semicondutor, dos
seus portadores, e da orientação cristalográfica com relação ao força aplicada.

Para barras de silício tipo P com o eixo dominante na direção (1,1,1) teríamos, por exemplo, me(1,1,1)
da ordem de 100 a 175, sendo tal valor dependente de dopagem. Uma vez que um strain gauge de fio possui,
me entre 2 e 6, pode-se dizer que um strain gauge de silício é muito mais sensível que este.

É possível observar, entretanto, que a platina possui um fator de gauge relativamente grande e, por
suas características químicas, pode ser usada em ambientes corrosivos. Entretanto, a platina também é usada
como termômetro o que introduz erros por vezes inaceitáveis. Assim como a platina strain gauges
semicondutores são muito sensíveis a temperatura, na verdade, muito mais do que os strain gauges de metal.

Variações de temperatura representam uma fonte e erro ambiental expressiva nos


transdutores strain gauge. Em strain gauges metálicos este erro pode ser equivalente a 50 με/ºC.
Tais erros são divididos em erros de sensibilidade e erros de offset. Estes erros podem ser

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 20


compensados com strain gauges chamados dummy. Estes são strain gauges usados apenas para
medir a temperatura e compensá-la.

Parâmetro Metal Semicondutor


Faixa 0,1με até 50000 με 0,001 με até 3000 με
Fator de Gage 1,8 até 4,5 40 até 200
Resistência Nominal (Ω) 120, 250, 350, 600, …, 5000 1000 até 5000
Tolerância 0,1% até 0,35% 1% até 2%
Potência máxima 250mW
Corrente máxima 5mA até 25mA (base boa condutora de calor)
Frequência máxima 100kHz (tamanho menor que o comprimento
de onda)
Tamanho (mm) 0,4 até 150 (padrão entre 3 e 10) 1 até 5

7.4 Outros Transdutores Resistivos

Muitos outros transdutores resistivos estão disponíveis no comércio. Dentre os mais comuns
estão os magnetorresistivos, resistores dependentes da luz (LDR), resistores sensíveis a umidade e
gases.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 21


Instrumentação e Técnicas de Medidas

Amplificadores e Circuitos Especiais

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 1


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783 e Op Amp Applications Handbook,
Section 4, edited by Walt Jung (Newnes, 2006).
Versção 1.1 – Ordem dos capítulos, equações mais comuns para linearização de
termistor.

Última alteração: 28/08/2013

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 2


Índice
8 Amplificadores de Instrumentação...................................................................................................4
8.1 Amplificador Subtrator.............................................................................................................4
8.2 Amplificador de Instrumentação com Três Operacionais......................................................10
8.3 Amplificador de Instrumentação com Dois Operacionais......................................................11
8.4 Amplificador com Realimentação Ativa................................................................................12
8.5 Amplificador operacional de transcondutância (OTA)..........................................................13
8.6 Amplificador Isolador.............................................................................................................16
8.7 Amplificador chopper.............................................................................................................18
8.8 Amplificador Diferencial Completo.......................................................................................20
8.9 Amplificador de Ganho Programável (PGA).........................................................................21
9 Circuitos Especiais.........................................................................................................................22
9.1 Conversores Tensão Corrente.................................................................................................22
9.1.1 Outras topologias............................................................................................................22
9.2 Potenciômetro Digital.............................................................................................................26
9.3 Conversores AD e DA............................................................................................................26
9.4 Referências de Tensão e Corrente..........................................................................................28

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 3


8 Amplificadores de Instrumentação

8.1 Amplificador Subtrator

Os amplificadores de subtratores são circuitos que amplificam a diferença entre duas


tensões, com uma elevada rejeição a sinais de modo comum e um ganho diferencial ajustável,
funcionando de forma similar ao próprio AO, porém com ganhos menores.

O amplificador subtrator (diferencial) básico é apresentados na Figura 8.1. A configuração


permite alterar o ganho do amplificador mas a impedância de entrada é baixa.

Figura 8.1: Amplificador diferencial básico

Este amplificador pode ser estudado por superposição.

a) para a entrada vcm e v 2

R4 R2+R1
v O =(v CM +v 2 )⋅ ⋅ ;
R3+R4 R1

b) para a entrada formada por vcm e v 1

R2
v O =− ⋅(v +v ) ;
R1 CM 1

c) somando as duas equações, e após algum algebrismo

vO=
[ R1⋅R4 −R2⋅R3
R1⋅(R3 +R4 ) ] R R 1+R 2 / R1
⋅v CM − 2⋅v 1 + 4⋅
R1
⋅v .
R3 1+R 4 / R3 2

Se

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 4


R2 R3
=
R1 R 4

então

R2
vO= ⋅(v −v ) .
R1 2 1

Observe que a influência de vcm é nula, se a razão entre as resistências R 2 e R1 for


exatamente igual a razão entre as resistências R3 e R4. Para calcular a CMRR do subtrator em
função da falta de casamento entre as resistências pode-se utilizar a equação 8.1 (Precision Matched
Resistors Automatically Improve Differential Amplifier CMRR – Here’s How, Linear Technology).

CMRRR ≈
1
2 ()
⋅(G+1)
(8.1)
()
1 ΔR

2 R

A Tabela 8.1 mostra como o CMRR do circuito pode mudar com relação a tolerância dos
resistores. Observe que para resistores com tolerância de até 0,1% o CMRR do subtrator é
relativamente pequeno. A solução para este problema é integrar os resistores ou todo o circuito.
Exemplos destes circuitos integrados são o AMP03, o AD628, AD629 da Analog Devices, e os
INA149 e INA146 da Texas Instruments.

Tabela 8.1: CMRR do subtrator em função da tolerância dos resistores


Tolerância dos Resistores (%) 5 2 1 0,1
Acm subtrator (ganho 1) 0,1 0,04 0,02 0,002
CMRRsubtrator (ganho 1) 10x (20dB) 25x (27dB) 50x (33dB) 500x (54dB)

A CMRR do circuito completo, levando em conta a influência da CMRR do amplificador


pode ser obtida por

CMRRR ≈
()
1
2
⋅(G +1)
(8.2)
1
()1
()
1 ΔR
ONLY

⋅(G+1)+
CMRRamp 2 2 R

Observe que a própria impedância da fonte pode causar um desbalanço nos resistores e
diminuir a CMRR da configuração. Por esta razão é desejável uma topologia onde a impedância de

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 5


entrada seja extremamente elevada. A construção integrada deste amplificador também minimiza os
erros entre as resistências e propicia um CMRR maior.

Exemplo 1: Calcular o CMRR para um amplificador diferencial cujas relações de


resistências são: R2=100·R1, e R4=101·R3.

v 0=
[ R 1⋅R 4−R 2⋅R3
]
R1⋅ R3 R 4 
R2 R4 1 R2 / R1
⋅v CM − ⋅v 1  ⋅
R1
⋅v
R3 1R 4 / R 3 2

101⋅R1⋅R3 −100⋅R1⋅R3 1100


v 0= ⋅v CM −100⋅v 1101⋅ ⋅v
R1⋅ R3 101⋅R3  1101 2

1
v 0= ⋅v −100⋅v 1 100 ,0098⋅v 2
102 CM

Ad 100
CMRR= = =10200≈80 dB
ACM 1/102

Exemplo 2: Calcular a função de transferência da topologia abaixo

Considerando que a tensão na saída do amplificador de realimentação é v G , então

RK
v G =− ⋅v
RG O

O problema pode ser resolvido por superposição:

com a entrada v 2 aterrada, a corrente pelos dois resistores da entrada positiva de A1 devem
ser iguais, e v + deve ser zero, então

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 6


v1 v
=− G
R R

substituindo a equação de v G temos

RK
− ⋅v
v1 RG O
=−
R R

logo

RG
v O= ⋅v 1
RK

com a entrada v 1 aterrada, o potencial em v – é metade do valor de v 2 , e v + é metade da


tensão v G

RK
− ⋅v
v2 vG RG O
= =
2 2 2

então

RG
v O=− v2
RK

logo

RG
v O= (v −v )
RK 1 2

O ganho é diretamente proporcional à RG, mas a impedância de entrada fica diminuída.

Exemplo 3: Calcular a função de transferência da topologia abaixo

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 7


Este circuito pode ser redesenhado como

v 1 =i 3⋅R2=
( e1
R1

v eO
)
+ −i ⋅R2
R1 R2

v 2 =i 4⋅R2=
( e2 v
− +i ⋅R2
R1 R1 )
v 1 −v 2
i=
R

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 8


i= ⋅
(
1 e1 v e0 e2 v
− + −i− + −i ⋅R 2
R R 1 R1 R2 R 1 R1 )
i= ⋅
(
R2 e 1 e 2 e 0
− + −2⋅i
R R1 R1 R 2 )
R2
(e 1 −e 2 )⋅ +e
R1 0
i=
2⋅R2 +R

Reescrevendo novamente as equações

v 1 =v−i 1⋅R 2=v−


 e1 v

R1 R1
⋅R2

v 2 =v−i 2⋅R2 =v−
 e2
R1

v
R1⋅R 2

v 1 −v 2
i=
R

1
i= ⋅ v−
R [ 
e1 v

R1 R1
⋅R 2 −v
e2 v

R 1 R1
⋅R 2
  ]
R2
i= ⋅ e −e 
R⋅R1 2 1

igualando as duas correntes i

R2
 e 1−e 2 ⋅ e
R1 0 R
= 2 ⋅ e 2 −e 1 
2⋅R 2 R R⋅R 1

e 0=
[ R2
R⋅R1
⋅ 2⋅R2 R 
R2
R1 ]
⋅ e 2 −e1 

e 0=
2⋅R 2 R2
R1

R  
1 ⋅ e 2−e1 

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 9


8.2 Amplificador de Instrumentação com Três Operacionais

O circuito clássico para amplificador de instrumentação, e que resolve todos os problemas


apresentados é apresentado na Figura 8.2.

Figura 8.2: Amplificador de instrumentação com três operacionais.

O circuito pode ser resolvido por superposição.

a) supondo v 2 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de baixo é zero, logo

R+R 3
v O1=v 1⋅ ,e
R

R3
v O2=−v 1⋅ ;
R

b) supondo v 1 aterrada, o potencial na entrada negativa do AO de cima é zero, logo

R+R3
v O2=v 2⋅ ,e
R

R3
v O1=−v 2⋅ ;
R

Como a saída do segundo estágio já foi calculada anteriormente e vale

R2
vO= ⋅(v −v )
R1 2 1

então

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 10


R2 R+2⋅R3
vO= ⋅ ⋅(v 2−v 1)
R1 R

vO=
R2
R1 (
⋅ 1+
2⋅R3
R )
⋅(v 2 −v 1)

Esta topologia apresenta alta rejeição a tensões de modo comum, ganho elevado, ganho
ajustável apenas com um resistor, impedância de entrada (diferencial e de modo comum) elevada
em ambas as entradas. Além disto se o amplificador tiver ganho unitário, somente o offset dos
amplificadores de entrada vão ser significativos na determinação do offset de saída. Se os
amplificadores de entrada forem iguais o drift na saída do amplificador fica reduzido. Nesta
configuração o primeiro estágio é responsável pelo ganho e o segundo estágio é responsável pelo
CMRR e para que este valor seja elevado o amplificador de instrumentação é comercializado em
um único integrado.

Circuitos integrados com amplificadores de instrumentação alcançam CMRR maiores do


que 100 dB (CMRR > 105), mas este valor costuma decair com a frequência. Exemplos clássicos de
amplificadores de instrumentação integrado são o AD620, AD8221 da Analog Devices, o INA118 e
o INA103 da Texas Instruments.

8.3 Amplificador de Instrumentação com Dois Operacionais

Uma versão de amplificador de instrumentação com dois AO é apresentada na figura abaixo.


A maior vantagem deste amplificador reside no uso de apenas dois AO mas esta também é sua
maior desvantagem.

Por apresentar caminhos diferentes para os sinais amplificados positiva e negativamente o


sinal sofre diferentes atrasos e deslocamentos de fase nos dois caminhos. Como resultado o CMRR
para sinais alternados é reduzido com relação ao InAmp de três AO.

Assim como no amplificador subtrator tradicional, para que este circuito funcione
apropriadamente é necessário que R1/R2 = R4/R3 o que significa que o CMRR também será
dependente do perfeito casamento de valores entre os resistores. Para contornar este problema e o
problema com o baixo CMRR em sinais alternados, este circuito pode ser encontrado integrado e,
neste caso, suas características são ajustadas de fábrica para um desempenho superior. Exemplos
deste circuito integrado são o AD627. O circuito com resistor RG permite o ajuste do ganho com a
mudança de apenas um resistor evitando que o CMRR seja afetado.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 11



v O =v 2 – v 1⋅ 1
R4 2⋅R 4
R3

RG   
ou v O =v 2 – v 1⋅ 1
R4
R3
(sem o resistor RG).

8.4 Amplificador com Realimentação Ativa

Uma outra topologia disponível é a do amplificador para recepção de sinais de alta


frequência (Figura 8.3). Diferente dos outros amplificadores de instrumentação estes amplificadores
utilizam uma topologia de realimentação ativa. Internamente este amplificador apresenta dois pares
de entradas diferenciais sendo que usualmente uma delas é usada para a realimentação (dai o nome
realimentação ativa). Uma das vantagens deste amplificador é que seu CMRR permanece elevado
mesmo para sinais de frequência muito alta (alguns MHz) ao contrário dos amplificadores de
instrumentação tradicionais onde o CMRR cai por volta de 100 a 10kHz, dependendo do ganho e do
amplificador.

A função de transferência deste amplificador é

Vo= A⋅[(V 1 – V 2 ) – (V 3−V 4 )]

A configuração clássica para uso deste amplificador é apresentada na Figura 8.4 e apresenta
função de transferência igual à do amplificador não inversor.

Figura 8.3: Amplificador Operacional de Recepção.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 12


Figura 8.4: Configuração clássica do amplificador de instrumentação para recepção.

Exemplos deste amplificador são o AD8129 e AD8130 da Analog Devices e podem ser
utilizados em conjunto com os amplificadores operacionais diferenciais completos.

8.5 Amplificador operacional de transcondutância (OTA)

Este amplificador é muito comum em microeletrônica mas existem poucos integrados


discretos disponibilizando funções de OTA. Como o próprio nome sugere este amplificador
transforma a diferença entre as tensões de entrada em uma corrente de saída. Isto confere
características bastante interessantes a este operacional que, por exemplo, pode ter sua saída ligada
a saída de outro operacional do mesmo tipo sem problema de curto circuito.

Em microeletrônica o OTA é utilizado para produzir filtros e acionar cargas capacitivas. Os


modelos discretos apresentam uma terceira entrada, chamada de corrente de polarização, capaz de
ajustar o ganho do amplificador. A função der transferência deste operacional é dado pela equação
8.3, alguns de seus símbolos são apresentados na Figura 8.5 e o circuito interno do CA3080 é
apresentado na Figura 8.6.

i o = Ag (v + −v – ) (8.3)

Ag =gm=K⋅I B (8.4)

onde Ag ou gm é o ganho do OTA, K é uma constante que depende do modelo e I B é a


corrente de polarização).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 13


Figura 8.5: Símbolo do amplificador de transcondutância (OTA).

As principais aplicações para este tipo de amplificador são o controle automático de ganho,
os multiplicadores e divisores de tensão, circuitos moduladores e filtros. Apesar disto este tipo de
amplificador pode ser utilizado em praticamente todos os casos onde um operacional comum
também é utilizado. Isto, entretanto, não consiste em nenhuma vantagem pois as características do
OTA não o auxiliam nestas tarefas mais comuns. Como exemplos de OTA podemos citar o clássico
CA3080, o LM13700 e o mais recente o CA3280.

Os OTA práticos, inclusive os listados, sofrem limitações e problemas de polarização que


dificultam seu uso, sendo importante a inclusão de componentes que teoricamente não seriam
necessários. Os fabricantes explicam quais cuidados devem ser tomados com cada circuito.
Normalmente os problemas dizem respeito a não linearidades do par diferencial de entrada. Como
os OTA não precisam trabalhar realimentados a diferença entre as tensões de entrada não são zero
e, infelizmente, o par diferencial só tem comportamento linear para valores de tensão de alguns
milivolts. Circuitos com diodos e resistores são utilizados para expandir a linearidade dos
componentes. Uma coletânea de circuitos de filtros utilizando OTA foi publicada no artigo Active
Filter Design Using OTA: A Tutorial.

Figura 8.6: Circuito interno do CA3080.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 14


Exemplo 1: Mostrar que os dois circuitos a seguir apresentam impedância de entrada
(gm1·gm2·ZL) –1. Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. Sugestão: calcule o equivalente
Thévenin para os dois circuitos – para o circuito com entrada simples calcule apenas a corrente que
entra pelo terminal v1 não nulo, para o segundo circuito determine a corrente em cada terminal e
calcule a impedância pela diferença de tensão entre as entradas v1 e v2, observe que as correntes
que entram nos terminais v1 e v2 são iguais em módulo e opostas em sentido.

Exemplo 2: Mostrar que os dois circuitos abaixo apresentam impedância de entrada gm –1.
Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm. Sugestão: calcule o equivalente Thévenin para
os dois circuitos, da mesma forma que para a questão 1.

Exemplo 3: Mostrar que os circuitos abaixo correspondem a dois amplificadores diferenciais


e um somador (de diferenças de tensão). Supor que todos os OTAs tem o mesmo ganho gm.
Sugestão: para o problema superior esquerdo e a direita use o equivalente dos exercícios anteriores,
para o problema inferior esquerdo equacione o nó da entrada negativa do operacional.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 15


8.6 Amplificador Isolador

Em muitos sistemas o ponto de medida deve ser isolado galvanicamente do restante do


circuito amplificador. Nestes casos devemos utilizar técnicas de isolação entre a etapa de potência e
a etapa de medição. Esta isolação pode ser obtida por intermédio de amplificadores isoladores.
Estes amplificadores obtém a isolação com transformadores, com capacitores ou com opto
acopladores. A relação de ganho varia de amplificador para amplificador mas o símbolo é comum a
todos e pode ser visto na Figura 8.7.

Figura 8.7: Símbolo do amplificador isolador.

As principais aplicações para este tipo de amplificador encontram-se na área médica, na


quebra de laços de terra e na diminuição dos efeitos causados por elevadas tensões de modo
comum. Exemplos de amplificadores isoladores são o AD215 e o AD210 (com transformadores) da
Analog Devices, o ISO124 e o ISO122 (com capacitores) da Texas Instruments e o HCPL-7850,
HCPL-7851 da Avago. Outros integrados clássicos são o IS0103 e o ISO100 da Burr-Brown
(ambos obsoletos e não recomendados para novos projetos). Os diagramas de blocos para estes
amplificadores são apresentados nas figuras 8.8 e 8.9.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 16


Figura 8.8: Diagrama de blocos do AD215.

Os fabricantes fornecem duas tensões de isolação, uma para tensões continuamente


aplicadas e outra para tensões aplicadas por um curto período de tempo. A primeira tensão é menor
do que a segunda e ambas podem variar em função da frequência e temperatura. A impedância de
barreira situa-se em torno de 1012Ω.

Note que alguns destes amplificadores apresentam transformadores e portanto não são um
simples circuito integrado. Muitas vezes estes circuitos são modelos híbridos ou construídos com
componentes discretos e encapsulados em um único invólucro. Observe também que os
amplificadores isoladores necessitam de fontes de alimentação independentes para o “lado” do
amplificador. Isto significa, inclusive, dois terras diferentes e não conectados. Estes amplificadores
estão caindo em desuso e estão sendo substituídos por isoladores digitais, mais fáceis de serem
produzidos. Leia mais em Move Over Iso Amp—Make The Switch To Digital Isolation.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 17


sadf

Figura 8.9: Diagrama de blocos do amplificador IS0124.

Com os novos isoladores cada vez mais simples e com menos recursos se torna necessário
investir também em fontes de alimentação isoladas. Exemplos de conversores DC/DC são os E_T e
F_T da Mornsun, com isolação de 3000Vdc em encapsulamento SMD, os AY_D e BY_D, da
mesma fabricante com isolação de até 12000Vdc ou o ADUM6000 da Analog Devices com
isolação de 5000Vdc.

8.7 Amplificador chopper

Este tipo de amplificador foi desenvolvido a muito tempo (no fim dos anos 40, início dos
anos 50), e antes de ser um tipo de amplificador ele é uma técnica de amplificação cujo objetivo é
minimizar características indesejáveis de CC. O amplificador chopper utiliza técnicas de CA para
desacoplar as baixas frequências devido a VOS e IB. A melhora mais notável se dá no drift com a
temperatura de VOS e IOS. O amplificador chopper pode introduzir um fator de redução de 50 vezes
nestes drift. A Figura 8.10 mostra um esquema simplificado de um amplificador chopper.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 18


Figura 8.10: Diagrama esquemático de um amplificador chopper.

Na Figura 8.10 cada chave funciona como um modulador ou demodulador, uma vez que o
sinal em sua saída é equivalente ao produto do sinal de entrada por uma onda quadrada. Observe
que este é um sistema amostrado e como em todo sistema amostrado o espectro de frequências do
sinal de entrada é copiado para frequências maiores. Como o sinal de modulação é uma onda
quadrada o sinal de entrada é copiado em torno dos harmônicos ímpares da portadora. Após a
chave, na entrada do amplificador (Vy) são somados ao sinal amostrado todos os ruídos e offsets
que serão amplificados. Após a segunda chave o sinal está sincronamente demodulado (Vo) e
retorna ao seu espectro original com copias em torno dos harmônicos pares da portadora. Os offsets
são removidos pelo capacitor de saída. O espectro do ruído, por outro lado, será copiado em torno
dos harmônicos ímpares da portadora. Agora, um filtro passa baixas reconstrói o sinal original na
saída do amplificador chopper (Vout), filtrado todas as cópias espectrais de frequência elevadas.

Como este é um sistema amostrado o sinal de entrada (Vin) deve ter frequência bem menor
que a de chaveamento. Esta, por sua vez, é da ordem de centenas a milhares de Hz na maioria dos
sistemas.

Como exemplo de amplificador chopper estabilizado podemos citar o LTC1052 com


VOS < 5µV e drift de 50nV/oC. Observe que os valores de offset e drift são tão baixos que podem ser
necessários cuidados especiais na montagem do circuito. O efeito termopar causado por contatos de

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 19


metais diferentes pode produzir variações de tensão da ordem de 200nV/ oC, quatro vezes mais que
drift do LTC1052. Assim, é interessante minimizar o número de chaves, soquetes, conectores e
outros potenciais contatos problemáticos. Eletrostática e campos eletromagnéticos também podem
ser fontes de problemas. O uso de transformadores, por exemplo, podem gerar alguns microvolts de
tensão em trilhas de circuito impresso.

Os amplificadores chopper, na forma como apresentado, estão em desuso e sua produção


tem sido descontinuada. Novos amplificadores chamados de autozero (CAZ ou AZA) ou chopper
estabilizados estão em produção. Diferente do chopper tradicional os sinais são amplificados por
um canal CC, e um circuito adicional com chaveamento (chopper) é usado para remover offset e
reduzir drifts. Estas características estendem a faixa de frequência do amplificador. Exemplos de
modernos amplificadores de auto zero são o AD8571, TLC2654, OPA333. Para saber mais sobre
estes amplificadores leia To Chop or Auto-Zero: That Is the Question, da Analog Devices ou Auto-
Zero Amplifiers Ease the Design of High-Precision Circuits, da Texas Instruments.

8.8 Amplificador Diferencial Completo

Amplificadores operacionais diferenciais completos são aqueles onde tanto a entrada quanto
a saída são diferenciais (Figura 8.11). Estes dispositivos apresentam elevados valores de CMRR,
provem baixa distorção harmônica e são aplicados na transmissão de dados a longa distância,
entradas de conversores AD ou sempre que for necessário saídas complementares.

Figura 8.11: Amplificador operacional completamente diferencial.

O circuito típico para este tipo de amplificador é apresentado na Figura 8.12. Se


R4/R3=R6/R5 a função de transferência é a mesma do amplificador subtrator porém com as saídas
complementares. Outra configuração bastante comum é aquela que transforma um sinal simples em
um sinal diferencial ( R4 =∞ , R3=0 e v –=0 ).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 20


Figura 8.12: Amplificador subtrator.

Exemplos destes amplificadores são o ADA4940 e ADA8131 da Analog Devices e o


LTC1992 da Linear Technology LMH6550 da Texas Instruments.

8.9 Amplificador de Ganho Programável (PGA)

Amplificadores com ganhos pré estabelecidos e que podem ser selecionados digitalmente. O
tipo mais simples, apresentado na Figura 8.13, apresenta entradas digitais cuja lógica combinacional
é capaz de selecionar um entre diversos ganhos possíveis (4 no caso do PGA103). Alguns circuitos
mais sofisticados, como o MAX9939 apresentam uma interface serial (do tipo SPI) que permite
programar diversos parâmetros do amplificador. Neste caso os ganhos podem ser programados
entre 0,2 V/V e 157 V/V além de permitir a compensação de offset e oferecer recurso de shutdown
para minimizar consumo. Outros recursos comuns, internos aos PGA são os multiplexadores
(MUX) e seleção de ganhos binários ou para osciloscópio (x1, x2, x5, …). Também estão
disponíveis circuitos para ganho variável, ajustados analogicamente (VGA) como o AD8338.

Figura 8.13: Exemplo de Amplificador de Ganho Programável – PGA103

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 21


9 Circuitos Especiais

9.1 Conversores Tensão Corrente

Conversores tensão corrente são muito úteis para a implementação de fontes de corrente
controladas por tensão. A topologia mais conhecida é a Howland, mostrada na Figura 9.1 e
discutida no artigo A Comprehensive Study of the Howland Current Pump da Texas Instruments.
Observe que a principal característica destes circuitos conversores tensão corrente, ou fontes de
corrente, é que a corrente sobre a carga não depende da carga.

Figura 9.1: Conversor Tensão-Corrente tipo Howland

No circuito da esquerda, se retirarmos o resistor R, conectado a entrada vin, e o resistor RL,


o equivalente Thévenin do circuito restante resulta em uma resistência negativa de valor -R.
Substituindo o circuito pelo seu equivalente e a fonte vin em série com R pelo seu equivalente
Norton, é fácil perceber que a corrente na carga, de cima para baixo, é igual a

vin
i RL=
R

Para o circuito da direita a corrente na carga, de cima para baixo, é igual a

vin
i RL=−
R

9.1.1 Outras topologias

Além das fontes de corrente apresentada na seção anterior, na seção sobre medidas em
pontes, e nos exemplos resolvidos do primeiro capítulo, muitos outros circuitos são possíveis. A
seguir apresenta-se uma fonte de corrente Howland modificada que permite o ajuste da corrente
com a alteração de apenas 1 resistor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 22


V 1−V 
V 1 =V − R2⋅
R1

 V 2 −V 
V 2=V −R2⋅
R1

 
V 1 =V⋅ 1
R2
R1
−V 1⋅
R2
R1

V 2=V 1
  R2
R1
−V 2⋅
R2
R1

i0 =
V 1 −V 2
R
1
= ⋅V⋅ 1
R  
R2
R1
R2
 
−V 1⋅ −V⋅ 1
R1
R2
R1
V 2
R2
R1

considerando que R << R2

io =
R1
⋅
R2 V 2−V 1
R 
Exemplo 1: Dado o circuito abaixo, calcule sua função de transferência i L= f vi .
Considere os AO ideais. a) Estabeleça valores para os resistores R, R 3 e R4 de forma que o

circuito forneça uma corrente máxima i L máx =1 mA para uma carga 0 ≤R L ≤10 K  quando
v i =−10 V . Considere R1 =R 2 =100 K  e V CC =±12 V . Considere v i =0V . b) Calcule i L
levando em conta a existência de uma fonte de tensão conectada a entrada positiva de A1 e uma
fonte de corrente conectada a entrada positiva de A2.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 23


Solução:

Análise do circuito: A 2 : forma um amplificador de ganho unitário (buffer); A3 : forma um

subtrator junto com R3 ,R4 ; A1 : fornece a corrente de saída e é realimentado pelo subtrator através
de R1 ,R 2 .

Análise das realimentações de A1 : A1 recebe realimentação negativa (RN) através da


entrada não inversora de A3 e realimentação positiva (RP) através de A 2 e da entrada inversora
de A3 . Como o ganho dos dois caminhos do subtrator (entradas inversora e não-inversora) são
iguais em módulo, a RN é mais forte, porque a RP ainda passa pelo divisor resistivo R-R L. Como
resultado disto, o circuito possui realimentação negativa, o que permite o uso das técnicas
estudadas.

Função de transferência:

R4
v i⋅R2 +R 1 R⋅i L
R3 , logo
v −A = =0
1 R1 +R 2

R2⋅R3
i L=− ⋅v
R1⋅R 4⋅R i

a)

Sendo i Lmáx =1 mA e R Lmáx =10K então v L Imáx =10 V (tensão máxima na carga)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 24


v Omáx −v L Imáx
R= , onde V Omáx é a máxima tensão de saída do AO.
i Lmáx

Como V CC =±12 V, podemos limitar, co segurança, V Omáx =11V .

11 V −10 V
R= =1K 
1 mA

R2⋅R3
Como i L=− ⋅v (a corrente independe de RL)
R1⋅R 4⋅R i

R4 R 2⋅v i 100 K −10 


então =− =− =10
R3 Ri⋅R⋅i 0 100 K⋅1K⋅1m

assim podemos escolher, por exemplo, R 4=100K  e R3 =10K 

b)

O problema pode ser calculado por superposição:

Efeito de VOS1:

R1 R4
v os1 = ⋅ ⋅R⋅i L
R1 +R2 R3

 R 1 +R 2 ⋅R3
i L  v os1 = v os1
R1⋅R4⋅R

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 25


Efeito de IB2:

i L =i R−i b2 

R4
R1
R⋅i R

R3
vA = =0
1 R1 +R2

i R=0

i L i b2 =−i b2

 R1 +R 2 ⋅R3
Portanto: i Ltot = v os1 −i b2
R1⋅R 4⋅R

9.2 Potenciômetro Digital

Também conhecidos como digital POT, RDAC, ou digipot estes circuitos fornecem
potenciômetros integrados com passo controlado digitalmente. Eles são uma alternativa para os
circuitos PGA ou VGA e podem ser utilizados para produzir ajustes automáticos em circuitos de
instrumentação. O modelo apresentado na figura abaixo pode ter seu potenciômetro ajustado
inúmeras vezes até ser definitivamente programado pela queima de um fusível, como se fosse um
potenciômetro mecânico com eixo colado após ajustes.

9.3 Conversores AD e DA

Conversores AD (analógico para digital) e DA (digital para analógico) são muito comuns na
interface entre os mundos analógicos e digitais. Estes componentes serão estudados em detalhes no

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 26


fim deste curso mas informações adicionais podem ser obtidas em The Data Convertion Handbook
da Analog Devices. Basicamente estes componentes recebem sinais analógicos e os convertem para
digital e vice-versa aplicando um fator de conversão determinado, normalmente por tensões de
referência que devem ser fornecidas aos conversores. Estes circuitos normalmente operam com
valores digitais positivos, em complemento de dois, complemento de um, bit sinal, código de Gray
entre outros. As saídas e as entradas analógicas podem ser em tensão ou corrente. Os fatore de
escala envolvidos nesta conversão normalmente fazem com que os máximos estejam analógicos e
digitais correspondam aos valores das tensões de referência ou uma fração delas. A figura abaixo
mostra um esquema simplificado destes componentes com codificação digital monopolar.

VREF

MSB +FS
(111...11)
Entradas
Digitais N - bits Saída
N - Bits DAC Analógica
0 ou -FS
LSB (000...00)

VREF

MSB
+FS
(111...11) Saídas
Entrada N - bits
Dititais
Analógica ADC
N - bits
0 ou -FS LSB
(000...00)

Considerando um conversor operando com tensões positivas entre 0 e 10V e diferentes


resoluções, a tabela abaixo mostra a resolução em bits, volts, %FS e em partes por milhão (ppm) ou
dB (20·log x).

Resolução Resolução
2N ppm (FS) %FS dB (FS)
(bits) (10VFS)
2 4 2,5V 250.000 25 -12
4 16 625mV 62.500 6,25 -24
6 64 156mV 15.625 1,56 -36
8 256 39,1mV 3.906 0,39 -48
10 1.024 9,77mV 977 0,098 -60
12 4.096 2,44mV 244 0,024 -72
14 16.384 610μV 61 0,0061 -84
16 65.636 153μV 15 0,0015 -96

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 27


18 262.144 38μV 4 0,0004 -108
20 1.048.576 9,54μV 1 0,0001 -120
22 4.194.304 2,38μV 0,24 0,000024 -132
24 16.777.216 596nV 0,06 0,000006 -144

9.4 Referências de Tensão e Corrente

Circuitos de referência de tensão ou corrente estão disponíveis para gerarem valores bastante
estáveis para alimentações de circuitos quando isto for crítico. A tabela abaixo mostra alguns destes
integrados e suas características principais.

Parâmetro AD581L LM399A LT1021A MAX671C REF10A REF102C


Saída
10/10 6,95/10 10/10 10/10 10/20 10/10
(V/mA)
Drift c/ Tempo
25 20 15 50 50 5
(10-6/1000h)
Drift Térmico
5 0,6 2 1 8,5 2,5
(10- 6/K)
Regulação (V)
50 10 4 50 100 100
(10-6/V)
Regulação (I)
50 3 25 1 800 10
(10-6/mA)
Ruído (μVpp)
40 6 6 50 30 5
(0,1- 10Hz)
Seleção de componentes do livro Sensors and Signal Conditioning

Uma lista de referências fabricadas pela Linear Technology pode ser obtida no seu AN42 –
Voltage Reference Circuit Collection.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 28


Instrumentação e Técnicas de Medidas

Circuitos de Medida em Ponte

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 1


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Com base nas notas de aula de COB783 e Op Amp Applications
Handbook, Section 4, edited by Walt Jung (Newnes, 2006).
Versção 1.1 – Ordem dos capítulos, equações mais comuns para linearização de
termistor.

Última alteração: 28/08/2013

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 2


Índice
10 Circuitos Condicionadores em Ponte de Wheatstone.....................................................................4
10.1.1 Medições de resistência em ponte de Wheatstone..........................................................8
10.1.2 Instrumentação para medidas remotas..........................................................................12
10.1.3 Problemas com offset....................................................................................................14

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 3


10 Circuitos Condicionadores em Ponte de Wheatstone

Vários transdutores como os RTDs e os strain gages apresentam pequenas variações de


resistência com relação a variável de interesse, e normalmente são utilizados em uma montagem
chamada ponte de Wheatstone (criada por S. H. Christie em 1883 e aprimorada por C Wheatstone
em 1843). Os sensores são colocados nos braços da ponte, que pode ser alimentada com fonte de
tensão ou corrente conforme indicado na figura abaixo. Na ponte, uma ou mais impedâncias mudam
seu valor proporcionalmente a grandeza que se deseja medir. Isto provoca um desequilíbrio nas
tensões da ponte que pode ser detectado por um amplificador. Eventualmente este amplificador
também pode ser responsável por linearizar ou filtrar o sinal captado da ponte.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 4


Apesar das duas formas serem possíveis a mais comum é aquela com alimentação em
tensão. Nela, considerando que Av é o ganho do amplificador e Vcc é o valor da fonte de
alimentação, a tensão na saída do amplificador será

v 0 = Av⋅Vcc⋅
( R2

R3
)
R 1 +R2 R 3 +R4
,

enquanto que, para o circuito alimentado com fonte de corrente, o sinal na saída do
amplificador é dado por


v O =Av⋅I⋅ R2⋅
R3 R4
R 1R 2R 3R 4
−R3⋅
R1 R 2
R1 R2 R3 R 4
.

Em ambos os casos o amplificador foi considerado ideal, ou seja, com impedância de
entrada infinita. Isto nem sempre é verdade, e, assim como no caso apresentado para o circuito com
potenciômetro, se a impedância de entrada do amplificador não for infinita um erro sistemático será
adicionado a saída do circuito. A análise completa do problema, considerando a impedância de
entrada do amplificador, pode ser feita por meio de equivalentes Thévenin vistos a partir de cada
entrada do amplificador. Este foi o procedimento adotado abaixo para o caso da alimentação em
tensão mas pode ser facilmente estendido para o caso da alimentação em corrente.

Z3
v TH1=v⋅
Z 3Z 4

Z 3⋅Z 4
Z TH1 =
Z 3Z 4

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 5


Z2
v TH2 =v⋅
Z 1Z 2

Z 1⋅Z 2
Z TH2 =
Z 1Z 2

v TH =v TH1 −v TH2=v⋅  Z3

Z2
Z 3Z 4 Z 1Z 2 
Z TH =Z TH1Z TH2 =
 Z 3⋅Z 4 Z ⋅Z
 1 2
Z 3Z 4 Z 1 Z 2 
Com as equações apresentadas fica evidente que a relação entre a tensão de saída da ponte e
a variação de resistência dos elementos sensores pode ser bastante complexa. Um caso de interesse
existe quando todos os elementos da ponte são resistivos e iguais e uma certa variação
(desbalanceamento) ocorre em apenas um dos braços, digamos o braço 4. Neste caso
Z 1=Z 2=Z 3=R e Z 4=R⋅1  .

Assim a tensão de Thévenin pode ser simplificada

v TH =v⋅
 R

R
RR⋅1  RR 
v TH =v⋅
 1

2 2
1

−
v TH =v⋅
2⋅2 

assumindo pequenas variações de resistência, isto é,  pequeno (  ≪2 )


v TH =−v⋅ .
4

A resistência de Thévenin também pode ser recalculada como sendo

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 6


R⋅R R⋅R⋅1 
RTH = 
RR R R⋅1 

R R⋅1 
RTH = 
2 2

RTH =R⋅
 1 1

2 2  .

Assumindo  muito pequeno (muito menor do que 1)

RTH =R

Observe que tanto a tensão quanto a resistência de Thévenin variam em função das
variações de Z4, e que RTH é aproximadamente igual as resistências empregadas na ponte. Isto quer
dizer que o uso de sensores com impedância baixa é desejado, pois os erros relativos oriundos
destas variações e da impedância de entrada do amplificador serão baixos.

Outro caso de interesse ocorre quando existe um desbalanceamento igual e oposto em


braços laterais tal que Z 1=Z 2=R , Z 3= R⋅1−  e Z 4=R⋅1  .

Neste caso teremos

v TH =v⋅
[ R⋅1− 

R
R⋅1− R⋅1  RR ]
v TH =v⋅ [ 1−  1
2

2 ]

v TH =−v⋅ , e
2

R⋅R R⋅1− ⋅R⋅1 


RTH = 
RR R⋅1− R⋅1 

R R⋅1− ⋅1 
RTH =  .
2 2

Assumindo  muito pequeno (muito menor do que 1)

RTH =R

Neste caso, a tensão de saída da ponte é linear sem nenhuma aproximação nem restrição às
variações de resistência dos sensores. Apesar disto RTH ainda varia com a entrada. Várias outras

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 7


condições levam à VTH lineares seja com alimentação em tensão ou corrente. Convém notar,
entretanto, que resistências que variam da mesma forma devem ser colocadas em diagonal na ponte,
e resistências que variam de forma oposta devem ocupar posições em um mesmo braço.

As montagens de ponte mais comuns são aqueles onde apenas 1 elemento sensor está
presente na ponte (condição não linear), ou 2 elementos sensores estão presentes em um mesmo
braço da ponte (situação comum em medidores de pressão ou fluxo) ou todos os elementos da ponte
variam (este é quase um padrão industrial, sendo o tipo mais comum para células de carga). Para o
caso de dois elementos variando em um mesmo braço da ponte a saída não será linear se a ponte for
alimentada com tensão (terá a mesma não linearidade do caso com 1 sensor e o dobro da
sensibilidade).

A alimentação em corrente também apresenta um caso não linear, onde apenas uma
resistência da ponte varia. Mesmo nesta situação este tipo de alimentação pode ser vantajosa em
casos de alimentação remota, pois sofre menos influência da resistência dos fios e, portanto,
favorece o uso de cabos mais baratos e com menos fios (como será visto mais adiantes) além de ser
mais imune a interferências externas.

10.1.1 Medições de resistência em ponte de Wheatstone

Para entender o problema da medida de resistência pode se utilizar um exemplo numérico. O


RTD mais comum é o PT 100, um sensor de platina com resistência de 100Ω. Ele tem coeficiente
térmico (TC) aproximado de 0,385%/oC. Então para medir 1oC é necessário discriminar variações
de resistência de 0,385Ω. Outro exemplo são os strain gauges, eles podem variar 1% de seu valor
para o fundo de escala. Isto pode significar variação máxima de 3,5Ω numa medida de força. Para
medidas com resolução de 10 bits seria necessário detectar variações de resistência de
aproximadamente 0,0035Ω. Normalmente variações de resistência desta ordem de grandeza são
medidas com o uso de uma ponte de Wheatstone. A saída da ponte é de alguns mV quando a
alimentação é da ordem de 10V. Isto leva a sensibilidades de 1mV/V até 10mV/V.

Mesmo com a sensibilidade das pontes dependendo da tensão de alimentação esta não pode
ser aumentada indistintamente, pois leva a aquecimento dos sensores, e se este problema for
diminuído ao máximo, com a redução dos valores para fonte, a sensibilidade também fica muito
diminuída. Além disto fontes de alimentação para a ponte devem ser muito estáveis, pois variações
na tensão de alimentação produzem variação na sensibilidade da ponte. Para resolver este problema
pode se utilizar fontes de referência para alimentar as pontes. Existem fontes de referência muito

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 8


mais precisas do que as fontes de alimentação como por exemplo o AD589 (1,2%), o REF195
(0,2%) e o AD588 (0,01%) da Analog Devices. Uma alternativa para o uso de fontes de referência é
a medida na qual a tensão da fonte de alimentação é utilizada para corrigir o ganho do canal de
medição. Na figura abaixo a fonte de alimentação da ponte é usada como referência para o máximo
valor de conversão do ADC. Com este arranjo o conversor se adapta as variações da fonte
produzindo uma medida menos sensível as variações da fonte.

Com relação ao amplificador, normalmente utiliza-se o amplificador de instrumentação, seja


ele com dois ou três amplificadores operacionais. O amplificador de instrumentação apresenta
elevada impedância de entrada, elevado CMRR (anula a tensão de modo comum da ponte) e, de
preferência baixo ruído, offset e drift.

Apesar de todos estes cuidados o circuito acima continua sendo não linear, pois a ponte com
apenas um elemento variando (comum com RTD) não é linear. Neste caso

Vcc
v O =Av⋅ ⋅
(
Δ R/ R
4 1+Δ R/2R )
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 9
o que significa que, para Vcc=10V, R=100Ω, ∆R=0,1% (0,1Ω) a tensão de saída da ponte
será Vo=2,49875mV. Isto nos leva a um erro de

2,500000−2,49875
Erro= =0,05 % .
2,500000

Caso ∆R=1% (1,0Ω) a tensão de saída da ponte será Vo=24,8756mV. Isto nos leva a um
erro de

25,00000−24,8756
Erro= =0,5 % .
25,00000

Assim sendo se percebe que a ponte apresenta uma linearidade de ∆R/2, independente do
sensor colocado nela ser ou não linear. O problema da linearidade deve, então, ser resolvido de
outra forma. Para linearizar esta ponte podem ser utilizados alguns circuitos com amplificadores
operacionais, tomando cuidado para que estes AOs sejam escolhidos em função do seu alto ganho,
baixo offset, baixo ruído e alta estabilidade térmica. Amplificadores como os AD708, OP2177,
OP213 e INA333 podem ser utilizados para esta função. Nas figuras abaixo todas as montagens
apresentam saída linear mesmo quando apenas um elemento da ponte varia.

V o=
VB ΔR
( )
R
⋅ ⋅ 1+ 1
2 R R2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 10


Vcc
v 0= ⋅Δ R
R

Av⋅R 5 Vcc Δ R
Se R6 = então v O =Av⋅ ⋅
2 4 R

Os circuitos a seguir também podem ser utilizados para linearizar pontes com um ou dois
elementos variando, conforme indicado, e alimentação em fonte de tensão. A desvantagem destes
circuitos é que as pontes precisam ser abertas, o que nem sempre é possível, pois algumas vezes a
ponte é comprada lacrada. A saída de cada uma das pontes será

V o =−V B⋅
( )
ΔR
2⋅R
para um elemento variando e

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 11


V o =−V B⋅
( )
ΔR
R
para dois elementos variando.

10.1.2 Instrumentação para medidas remotas

Para medidas remotas, onde a ponte é colada distante do circuito de excitação e captação, é
possível empregar técnicas que compensam os erros introduzidos pelos longos fios. Os métodos
mais conhecidos são os de extensões de três fios para a interconexão de um único elemento que
varia ou de seis fios para interconectar toda a ponte.

O esquema da figura abaixo ilustra o problema. Neste exemplo o elemento sensor esta
distante 30 metros do resto da ponte a qual ele está interconectado e a interconexão é feita por fios
AWG 30, de cobre, com um total de Rfio=10,5Ω @ 25oC e TC=0,385%/oC. A resistência dos fios
tira a ponte do equilíbrio, o que pode ser compensado com uma resistência Rcor=21Ω. Entretanto
variações de temperatura levam novamente a ponte ao desequilíbrio.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 12


Supondo VB=10V, R=350Ω, ∆R=1% para o fundo de escala, e Rfio=10,904Ω @ 35oC,
então a saída da ponte varia de acordo com as equações abaixo.

V o =0 – 23,45 mV @ 25 o C e

o
V o =5,44 – 28,83 mV @ 35 C .

Isto significa um erro de offset de +23% FS (5,44/23,45) e um erro de linearidade de -0,26%


FS ((28,83-5,44)/23,45). A correção para este problema pode ser feita não com o resistor de
correção (Rcor) mas com três fios que levam ao sensor (figura abaixo). Supondo as mesmas
condições do problema anterior, então a saída da ponte pode ser calculada como

V o =0 – 24,15 mV @ 25 o C e

V o =0 – 24,13 mV @ 35 o C .

Observa-se agora, um erro de offset nulo e um erro de sensibilidade de apenas 0,08% FS.
Isto ocorre pois a ponte ficou balanceada com a resistência dos fios que levam ao sensor e que
variam com a temperatura, mantendo a ponte permanentemente em equilíbrio.

Caso toda aponte esteja distante pode se adotar o uso de seis fios para interconectá-la. Neste
caso o maior problema é manter a alimentação da ponte o mais constante possível. A resistência dos
fios, entretanto, varia com a temperatura, o que se traduz em variações na tensão de alimentação da
ponte. O circuito apresentado na figura abaixo mostra como a alimentação sobre a ponte pode ser
mantida constante independente da impedância dos fios. Este sistema de medida com seis fios é,
algumas vezes, chamado de Kelvin. Apesar do efeito dos fios ter sido removido ainda é importante
manter a estabilidade da fonte de alimentação da ponte. A outra forma de evitar problemas com os

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 13


longos fios de interconexão é utilizar fonte de corrente para a alimentação da ponte. Em qualquer
um dos casos é importante atentar para a corrente de saída requerida para os amplificadores
operacionais. Com alimentação de 10V e resistências de 350Ω a corrente na saída dos operacionais
é da ordem de 30mA.

10.1.3 Problemas com offset

Outro problema que deve ser evitado é o do efeito termopar (diferença de tensão que surge
quando dois metais diferentes são unidos e mantidos em temperaturas diferentes) entre os fios que
conectam a ponte aos circuitos de captação de sinais. Para manter uma exatidão de 0,1%, ou
melhor, em uma ponte onde a saída máxima é de 20mV os erros devem ser menores do que 20µV
no offset.

O efeito de termopar entre fios de diferentes materiais como a solda e o cobre


(aproximadamente 2µV/oC) ou Kovar (material utilizado em alguns terminais de circuitos
integrados) e o cobre (aproximadamente 35µV/oC) ou entre cobre e terminais de borneiras,
conectores, chaves... Este problema só pode ser evitado mantendo as conexões que formam os
termopares na mesma temperatura, o que significa conexões próximas e sem barreiras entre elas.

Para minimizar problemas com offset e drift (causados por efeito termopar ou introduzidos
pelo próprio amplificador) a escolha do amplificador de instrumentação adequado pode ajudar. Os
operacionais OP177 e OP1177 apresentam baixo offset, drift, IB e ruído. Alternativamente podem
ser empregados integrados com arquitetura chopper estabilizadas como o ADA4528, o AD8629 ou

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 14


o AD8630, OPA335 e INA326. Também podem ser empregadas excitações alternadas com ondas
quadradas ou senoidais. A excitação com onda quadrada pode ser vista nas próximas figuras. Na
primeira a fonte EOS representa o offset do amplificador e não é afetado pela inversão da fonte. O
tratamento matemático pode ser feito com amostradores analógicos e subtratores ou digitalmente
após a conversão de um AD. A segunda figura mostra uma forma prática de inverter a polaridade na
tensão de alimentação da ponte. Esta inversão de polaridade pode ser feita por uma ponte H (um
DRV8832 por exemplo) ou por circuitos especialmente desenvolvidos para este condicionamento
como o AD7730.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 15


O AD7730 está preparado entre outras coisas para medidas com seis fios e apresenta
internamente circuitos digitais para compensação de offset e conversão AD. Seu uso não é simples e
requer programação feita por uma interface digital SPI.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 16


Outros integrados também podem ser utilizados para o condicionamento de sinais como o
PGA309 ou o XTR101 mostrados abaixo.

No caso do PGA309 a saída é feita em tensão, enquanto no XTR101 a saída se dá em


corrente (uma técnica muito utilizada na indústria). Os padrões mais comuns são de 4 a 20mA e de
0 a 20mA. No padrão de 4 até 20mA a corrente de offset serve para determinar se a linha de
transmissão está intacta ou partida e serve para alimentar o circuito. Alguns exemplos de circuitos
integrados que implementam estas funções são o XTR101 (4-20mA, 2 fios) e o XTR110 (0-20mA,
4-20mA, 5-25mA, 2 fios mais alimentação). Uma aplicação típica do XTR101 é mostrada na figura

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 17


abaixo. Os fios que levam alimentação para o integrado são os mesmos por onde circula a corrente
proporcional a variação de tensão sobre o elemento sensor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/1 18


Instrumentação e Técnicas de Medidas

Ruído, Interferência
Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783 e Op Amp Applications Handbook,
Section 4, edited by Walt Jung (Newnes, 2006).

Última alteração: 13/09/2013


Índice
11 Ruído e Interferência......................................................................................................................4
11.1 Formas de Propagação............................................................................................................4
11.2 Aterramento............................................................................................................................7
11.2.1 Laços de Terra...............................................................................................................13
11.3 Cabeamento..........................................................................................................................15
11.3.1 Acoplamento Capacitivo...............................................................................................15
11.3.2 Acoplamento Indutivo...................................................................................................16
11.3.3 Ruídos em circuitos de alta frequência.........................................................................22
11.4 Gabinetes..............................................................................................................................23
11 Ruído e Interferência

Neste capítulo são apresentados, modelos de acoplamentos capacitivos e indutivos para a


propagação de perturbações e interferências, e técnicas de guarda, blindagem aterramento e isolação
para evitar esta propagação. Este capítulo tem como base os livros Op Amp Applications Handbook
(capítulo Hardware and Housekeeping Techniques, de Walt Jung), Op Amp for Everyone (capítulo
Circuit Board Layout Techniques, de Mancini Ron), o clássico Noise Reduction Techniques in
Electronic Systems de Henry W. Ott, e as transparências Interferências de Carlos Reis,

11.1 Formas de Propagação

Circuitos eletrônicos são susceptíveis a ruído de três formas principais: o ruído pode ser
recebido com o sinal que se deseja tratar, o ruído pode ser gerado internamente no circuito ou ele se
deve a uma interferência externa, devido a fatos naturais como raios ou a fontes artificiais como
circuitos chaveados, motores, fontes de potência entre outros. Para a análise completa do problema
é necessário o uso das leis de Maxwell, porém é possível simplificar a análise do problema em
muitos casos empregando componentes passivos (R, L e C) para modelar a forma como a
interferência se propaga. Esta aproximação é válida se considerarmos que todo o campo elétrico
está dentro dos capacitores, os campos magnéticos estão concentrados nos indutores e as dimensões
do circuito são muito menores que as dos comprimentos de onda em análise.

Com esta aproximação é possível determinar as formas de propagação para os ruídos e


interferências. Elas podem, então, ocorrer por acoplamento resistivo, indutivo ou capacitivo. O
acoplamento resistivo ocorre quando circuitos ruidosos e não ruidosos estão interconectados por
resistências comuns aos dois circuitos. Na verdade este não é um problema meramente resistivo,
pois as interconexões comuns aos dois circuitos são, na verdade, uma impedância complexa. O
acoplamento capacitivo ocorre sempre que existirem dois condutores com campo elétrico entre eles
ao passo que o acoplamento indutivo existe sempre que indutâncias mútuas e espiras forem
formadas nos circuitos. Esta análise nem sempre resulta em valores numéricos confiáveis mas a
compreensão dos fenômenos envolvidos pode ser mais facilmente alcançada e as técnicas de análise
utilizadas em circuitos podem ser utilizadas livremente.

Alguns exemplos ajudam a entender melhor o que está acontecendo em cada caso. Supondo
um terra (retorno de corrente) comum para as fontes, condicionadores de sinal e circuitos digitais
conforme mostrado na próxima figura. Esta é uma situação comum, porém não ideal, pois devido a
impedância de fios e trilhas nem todos os pontos de terra apresentam o mesmo potencial. Isto ocorre
porque circula, pelo retorno, não apenas a corrente dos sistemas diretamente envolvidos (no nosso
caso o sensor e o condicionador) mas também a corrente de outros sistemas (fontes, chaveadores,
sistemas digitais entre outros). Estas correntes podem ser elevadas e de alta frequência o que
significa que fios e trilhas, modelados como resistores e indutores (Z, na próxima figura),
apresentarão, na prática, potenciais diferentes em diferentes pontos do circuito. Assim o ruído pode
se propagar para o circuito de captação e condicionamento de sinais onde a informação apresenta
amplitude muitas vezes menor do que a do ruído gerado.

O acoplamento entre os cabos também pode ocorrer por meio de indutâncias mútuas (M)
parasitas como mostrado na figura a seguir. Isto ocorre principalmente quando circulam correntes
elevadas por cabos próximos, como em transformadores, motores, ventiladores e outros. Este
também é um efeito que pode surgir em circuitos digitais uma vez que a corrente necessária para os
chaveamentos rápidos pode ser expressiva em muitos casos. De um modo geral este acoplamento
pode ser reduzido com a separação dos fios, diminuição do comprimento e aumento da impedância
da fonte e da carga, o que reduz a corrente e, portanto, a tensão induzida no outro condutor.

O acoplamento magnético também pode estar presente se grandes espiras forem formadas
no circuito. Isto aumenta a área de captação e requer campos magnéticos menores para o mesmo
nível de ruído. Com este arranjo, mostrado nas próximas figuras, o segundo condutor nem sempre é
facilmente identificável, mas a variação de campo pela espira produz uma tensão de ruído em série
com o circuito que forma o laço. Minimizar estes laços, afastar os laços das fontes de ruído e
orientar os cabos de forma apropriada são formas de minimizar os efeitos deste tipo de acoplamento
magnético.
Finalmente o acoplamento também se dá por efeito capacitivo quando dois fios estiverem
separados entre si mas com um campo elétrico entre eles. Este acoplamento parasita (C1, C12 e C2)
pode ser visto como um divisor de tensão (próxima figura). O uso de malhas aterradas (blindagem)
pode evitar este divisor de tensão mas se a malha não envolver completamente o cabo o divisor
capacitivo continuará existindo. Acoplamentos capacitivos ocorrem principalmente em sistemas de
alta impedância, logo, a redução da impedância do sistema reduz a propagação de interferência por
acoplamento capacitivo pois isto reduz a tensão no divisor de tensão formado. Por outro lado fios e
peças metálicas não aterradas podem se tornar uma entrada para este tipo de interferência. Este
acoplamento pode ser reduzido com a diminuição do comprimento de fios e trilhas, uso de trilha
central aterrada em 1 ou 2 lados (frequência elevada) e redução da impedância de carga.

Nas próximas seções serão apresentadas as formas mais comuns para minimizar estes
problemas abordando formas de aterramento, cabeamento e blindagem de gabinetes.

11.2 Aterramento

Para entendermos melhor os efeitos causados por diferentes aterramentos e a ordem de


grandeza do problema vamos, inicialmente, apresentar alguns exemplos numéricos. Uma trilha de
circuito impresso, por exemplo, apresenta resistência que pode ser não desprezível dependendo do
seu comprimento e da sua largura, uma vez que a altura das trilhas costuma ser padronizada. A
figura abaixo apresenta um fragmento de trilha e sua resistência.

Com estes valores uma trilha de 0,25 mm de largura tem resistência de 19 mΩ/cm sem
contar com o TC do cobre. No exemplo da próxima figura, 5 cm de trilha de 0,25 mm de largura
apresentam uma resistência de 0,1 Ω. Se a entrada do AD é de 5 kΩ então a trilha forma um divisor
de tensão de 0,1/5000 (aproximadamente 0,0019%), mais do que 1 LSB num sistema de 16 bits.

Para evitar o problema da queda de tensão pode se utilizar uma estratégia semelhante a
utilizada nas pontes de Wheatstone, realimentando o sinal entregue ao conversor AD, como
indicado na figura abaixo. Esta estratégia entretanto só funciona para uma carga. Ademais este
problema da resistência não leva em conta a resistência entre os diferentes pontos de terra nem da
corrente que flui por ele.

O exemplo a seguir mostra exatamente o problema com a impedância entre os diferentes


pontos de terra, nele o amplificador AD8551 é usado em uma configuração não inversora. Uma
resistência de 0,01 Ω entre diferentes pontos de terra, quando percorrido apenas pela corrente de
alimentação do operacional (700 μA), apresenta uma diferença de potencial de 7 μV. Isto significa
uma tensão aproximadamente 7 vezes maior que a tensão de offset do operacional. Este problema
poderia ter sido minimizado se a alimentação negativa do operacional fosse ligada ao ponto G2 e
não a G1.
Assim, para minimizar os problemas referentes as impedâncias entre diferentes pontos de
terra são utilizadas diferentes técnicas de aterramento, pois é no terra que se concentram as
correntes e estes problemas. Existem basicamente três tipos diferentes de aterramento apresentados
nas próximas figuras: um aterramento série, um aterramento em estrela, feito em um único ponto,
ou com plano de terra. No caso do aterramento em série uma única trilha é usada para coletar as
correntes de terra de todo o circuito. Assim os ruídos gerados por circuitos digitais, fontes de
potência, chaveamento e outros se propagam para os demais circuitos. Este caso deve ser evitado.
No terra em estrela os ruídos gerados não são propagados para os demais circuitos e no caso do
plano de terra, uma forma mista entre as anteriores, se consegue uma redução das impedâncias que
é aconselhada para circuitos com frequências acima de 10 MHz.

Em circuitos mistos, com circuitos ruidosos, digitais e analógicos é possível manter os terras
separados e interconectá-los em um único ponto ou suprir diferentes caminhos para a interconexão
final diretamente na fonte de alimentação. Isto evita que a corrente dos circuitos ruidosos interfiram
nos circuitos de pequenos sinais ou analógicos.
Alguns circuitos integrados apresentam conexão para mais de 1 terra. Um caso muito
comum é o dos conversores AD, que tem dois terras, 1 analógico e outro digital. Eles podem ser
ligados juntos se o ruído externo do sistema digital não interferir nas etapas analógicas caso
contrário os 2 terras do integrado permitem ligações em estrela melhorando a qualidade da
conversão. Um desenho alternativo, muitas vezes indicado pelos fabricantes, consiste em isolar a
alimentação do AD com um resistor em série com a alimentação e um capacitor em paralelo com o
AD (figura abaixo). Neste arranjo as correntes digitais são confinadas a parte digital do AD e
supridas pelo capacitor, que deve ficar muito próximo da alimentação do integrado evitando que
correntes elevadas produzam tensões de ruído elevadas.

Os planos de terra são alternativas muito usadas em placas de circuito impresso. Se bem
utilizados eles minimizam a impedância de retorno (quando a área do plano de terra é elevada e não
existem estrangulamentos) e área de laços que captam interferência por acoplamento indutivo
(próxima figura). Assim, boas práticas recomendam que se evite a concentração de conexões
cortando um plano terra, que se mantenha pelo menos 75% de área para o plano, e que muitas
conexões seja fornecidas ao usuário. De um modo geral o uso do plano de terra é sempre vantajoso
e, em placas multicamadas, planos para as demais alimentações também são recomendados (é da
alimentação que saem todas as correntes que retornam pelo terra).

Adicionalmente podem ser implementados diferentes planos de terra atendendo a sinais


ruidosos e não ruidosos num misto entre ligação estrela e em plano de terra. A próxima figura
ilustra o caso.
Adicionalmente a todos os problemas mencionados, em frequências muito altas o efeito skin
domina a condução (a condução ocorre na superfície). Uma aproximação para o cobre é que a
profundidade do efeito skin é de 6,61⋅ f −0,5 cm. A resistência skin é de 2,6⋅10−7⋅√ f Ω/quadrado
(esta fórmula não é válida se a profundidade for maior que a espessura da trilha). O efeito skin,
então, passa a ser importante quando a profundidade for menor que 50% da espessura do condutor.
Em trilhas de circuito impresso isto deve começar a fazer diferença em 12MHz. Em altas
frequências (VHF ou mais) também é necessário considerar que as trilhas podem se comportar
como linhas de transmissão. Nestes casos até o material da placa deve ser escolhido.

Apesar da discussão até o momento abordar apenas circuitos em uma mesma placa estes
problemas de terra também ocorrem em um nível superior, entre circuitos montados em painéis e
gabinetes. A figura a seguir mostra dois destes casos. No exemplo correto o retorno usado pelo
circuitos está diretamente conectado ao terra principal enquanto que no outro o terra é conectado ao
gabinete, um dos lugares mais ruidosos que se pode encontrar num equipamento.
11.2.1 Laços de Terra

Laços de terra são um problema comum entre circuitos distintos separados por uma
distância grande e alimentados pela rede ou em circuitos analógicos de baixo tensão de entrada. Ao
se interconectar terras que estão em potenciais distintos se formam os chamados laços de terra, ou
seja, um laço por onde circulam correntes de ruído e interferência. Portanto, é importante quebrar
estes laços de terra, sempre que a razão sinal/ruído for baixa, o que pode ser feito não aterrando o
circuito em ambos os lados (opção para baixas frequências), usando amplificadores isoladores,
choques de modo comum (choke ou balun), anéis de ferrite nos cabos (ferrite beads), caixas
blindadas e flutuantes e circuitos balanceados (equilibrando as correntes de modo comum). Se o
acoplamento dos dois circuitos for feito de forma diferencial é possível usar par trançado e cabos
blindados com aterramento apropriado (veja as seções correspondentes). Na sequência são
apresentadas figuras ilustrando respectivamente um caso de laço de terra, o laço quebrado com
isolação a transformador e acoplamento óptico, choques de modo comum (indutância mútua para
atenuação de ruído de modo comum) e uma implementação possível dele.
Observa-se que a isolação com transformador impede a transmissão de sinais de corrente
contínua, apresentam resposta limitada em frequência, são grandes e caros. Se múltiplos sinais são
conectados seria necessário múltiplos transformadores. Se o acoplamento capacitivo entre primário
e secundário for elevado (pode ser reduzido blindando os enrolamentos) a redução da interferência
pode não ser tão elevada. O uso do choque de modo comum, por outro lado, permite a interconexão
de vários sinais, não bloqueia a corrente contínua e não afeta os sinais de modo diferencial.
O uso de acopladores óticos permite a isolação completa mesmo com tensões diferenciais
elevadas entre os terras, mas seu uso apresenta melhor resultado quando o sinal é transmitido
digitalmente uma vez que sua linearidade não é boa.

Circuitos balanceados (próxima figura) também são uma alternativa viável uma vez que as
correntes de modo comum podem produzir tensões facilmente elimidas por amplificadores
diferenciais.

11.3 Cabeamento

11.3.1 Acoplamento Capacitivo

Nesta seção são apresentadas algumas formas de reduzir a propagação de interferências e


propagações de ruído lembrando sempre que as considerações feitas aqui devem ser utilizadas com
cautela e conscientemente. Mesmo que algumas considerações aqui apresentadas sejam regras
gerais elas não devem ser utilizadas aleatoriamente. Os conceitos apresentados são mais
importantes que as regras e cada caso deve ser analisado antes que se decida por uma ou outra
estratégia, pois em alguns casos especiais a aplicação das regras gerais pode não ter efeito ou pode
piorar os problemas existentes.

Quando o acoplamento é capacitivo a blindagem, então, é obtida envolvendo um ou mais


condutores de forma a impedir que a interferência penetre neste condutor. A figura a seguir mostra
isto com um cabo coaxial.
Observe, nesse exemplo, que a malha do cabo coaxial não está aterrada e o ruído propagado
pela fonte V1 sobre uma carga RL conectada do fio 2 para o terra é resultado do divisor de tensão
entre os capacitores C1S, C2S, CSG e a própria carga. Por outro lado se a malha for aterrada este
divisor é quebrado evitando que a fonte V1 contamine o fio 2 e o sinal na carga RL. É claro que
para que isso aconteça é necessário que a blindagem envolva todo o cabo o que nem sempre
acontece nas extremidades. Além do mais o divisor de tensão depende de resistores e capacitores o
que resulta em uma resposta em frequência não plana, do tipo passa altas para o ruído, cujo valor
máximo ocorre para valores de resistência muito maiores que as reatâncias capacitivas do divisor.

De um modo geral, reduzir o comprimento dos fios e cabos, usar malhas aterradas de 1 só
lado (dos 2 lados em casos de alta frequência), reduzir o valor das cargas e os pontos metálicos não
aterrados reduz os efeitos de acoplamento capacitivo.

11.3.2 Acoplamento Indutivo

Todo o fio é uma indutância e em altas frequências a reatância indutiva destes fios pode ser
não desprezível. As fórmulas apresentadas na figura abaixo não funcionam para casos complexos
mas servem para dar uma ideia dos valores envolvidos. Assim, 1 cm de fio com diâmetro de
0,5 mm, em 10 MHz pode ter uma impedância de 0,46 Ω. Trilhas de circuito impresso com
0,25 mm de largura tem resistência de 19 mΩ/cm e indutância de 9,59 nH/cm o que resulta em
reatâncias indutivas da ordem de 2 Ω para uma trinha de 1 cm de comprimento numa frequência de
150 MHz. Assim a indutância mútua entre cabos, fios e trilhas pode favorecer o acoplamento de
interferência aos circuitos de medida. As áreas de laço formadas por estas trilhas também podem
favorecer o surgimento de tensões de ruído induzidas nos condutores. Campos magnéticos externos
interferem mais quando os laços são grandes e podem captar mais interferência. Este mecanismo
pode ser entendido se considerarmos o efeito de indutância mútua entre os dois circuitos,
transferindo ruído de um para outro. Quanto menor a indutância e, portanto, quanto menor a área do
laço, menor o acoplamento. Minimizar os laços minimiza o acoplamento entre os sistemas. Muitas
vezes isto significa alterar o layout de circuitos impressos, cabos, gabinetes, posicionamento dos
componentes entre outros.

Uma forma de reduzir estes laços consiste na blindagem de um cabo coaxial aterrado dos
dois lados do circuito. Para frequências maiores que a frequência de corte (passa altas) da
blindagem a maior parte da corrente flui pela malha e, portanto, o laço é reduzido. Para frequências
baixas esta blindagem não oferece proteção. No último caso, mais à direita, onde apenas um lado da
malha foi aterrada, nenhuma proteção é obtida.

Observe que nesses casos a malha não é um material magnético e não oferece nenhuma
proteção contra campos magnéticos, a proteção relatada no exemplo se dá pela redução dos laços
que captam interferências externas e é frequência dependente. Adicionalmente, quando a malha é
percorrida por uma corrente em intensidade semelhante à do condutor interno, o cabo coaxial se
comporta como um choque de RF (a indutância mútua formada entre o condutor interno e a malha
faz com que a interferência se cancele nos dois condutores), mas se houver um desequilíbrio entre
as correntes o efeito de indutância mútua cria uma tensão de ruído extra no circuito.

Por exemplo, na próxima figura foi possível reduzir os laços e fazer com que toda a corrente
fluísse pela malha alcançando uma boa proteção com a blindagem (a corrente flui em direções
opostas produzindo campo nulo fora do condutor). Por outro lado, no exemplo seguinte, supondo
que existam dois terras distintos que não estejam no mesmo potencial, uma corrente Is fluindo por
apenas uma das indutâncias mútuas (a malha) cria tensões de ruído adicionais no condutor interno.

A seguir são apresentados os resultados de testes feitos com diversas configurações de cabos
coaxiais e cabos trançados com relação ao ruído ou atenuado em cada uma. Um sinal de 50 kHz é
aplicado a uma bobina de 10 espiras, 23 cm de diâmetro e 0,6 A. Foram avaliados 12 cabos, cada
um formando 3 espiras de 17,8 cm de diâmetro, colocados envoltos no campo magnético da
primeira espira. O ruído foi medido sobre o resistor de 1 MΩ. O resistor de 100 Ω representa a
fonte. Apesar dos ensaios enfatizarem a interferência por acoplamento magnético campos elétricos
também estavam presentes. Por esta razão estes resultados não podem ser generalizados
indistintamente mas mostram tendências.
Normalmente a blindagem está associada ao uso de cabos coaxiais com malha externa, mas
este não é um requisito fundamental nem garante a eficiência. Por exemplo, se os cabos coaxiais
devem não forem terminados com uma conexão de 360° para evitar acoplamentos capacitivos onde
a malha não protege o condutor interno o efeito da blindagem fica reduzido. Da mesma forma, pares
trançados podem ser utilizados com bom resultado caso as voltas sejam menores do que 1/20 da
distância até a fonte de interferência ou menores do que 1/8 da frequência máxima do sinal que está
sendo transmitido. Cabos flat também podem ser utilizados para transmissão de dados até
150 MHz. Acima disto o cross-talk pode produzir, por efeito capacitivo, interferência nos cabos
laterais. Nesses casos o uso de terras intercalados pode ajudar a melhorar a qualidade do sinal.
Alguns cabos flat também apresentam uma malha abaixo dos fios mas para máximo efeito toda esta
malha deve ser ligada a uma conexão plana de terra. As figuras a seguir mostram as melhores
formas de prover alguma blindagem em cabos coaxiais e flat.

A esquerda uma conexão ruim (sem 360°), a direita uma conexão melhor(em 360°)
Na próxima figura, quer representa a transmissão de dados por cabos chatos a configuração
A não é recomentada, a B é boa, a C é regular e a D é a melhor de todas as apresentadas.

Flat cable

De um modo geral devemos reduzir os laços e separar cabos em grupos de fios: 1) fios de
alimentação CA, retorno CA, aterramento de chassi; 2) fios de alimentação CC, retorno CC, e
referência; 3) sinais digitais e retornos; 4) sinais analógicos e retornos. Para reduzir radiação
diferencial manter pequenas as áreas, usar frequência mais baixa possível, tempos de chaveamento
não menor do que o necessário e baixas correntes. Manter os cabos de sinais longe de aberturas,
cabos CA e CC, transformadores, motores, solenoides. Par trançados funcionam bem até 100 kHz,
cabos coaxiais até 100 MHz e gias de onda para frequências acima de 1 GHz. Também podemos
considerar que cabos longos se transformam em linhas de transmissão.

Em altas frequências (quando o comprimento dos cabos é maior do que 1/20 do


comprimento de onda que por eles passam) os resultados apresentados acima podem ser diferentes
pois as capacitâncias parasitas podem fechar um laço de terra. Nestes casos pode ser melhor aterrar
dos dois lados da malha para reduzir a diferença de potencial entre estes pontos.
11.3.3 Ruídos em circuitos de alta frequência

Em circuitos de alta frequência as impedâncias das trilhas, principalmente devido as


reatâncias indutivas, tornam-se elevadas e, a corrente que circula pela alimentação produz efeitos
indesejados em diferentes partes do circuito. A propagação de ruído, neste caso, é semelhante
aquele que existe no aterramento serial porém estes problemas podem ser minimizados com o uso
de capacitores de desacoplamento e resistores de pequeno valor que podem reduzir a seletividade de
circuitos ressonantes formados por estes capacitores e as indutâncias das trilhas. Nas próximas
figuras são apresentados casos que ilustram estes eventos. A saída da porta 1 faz com que surja uma
corrente circulando pela alimentação do integrado, a indutância das trilhas e a capacitância parasita
dos cabos. Isto pode levar a uma tensão negativa na saída das portas e um efeito oscilatório devido
ao circuito majoritariamente LC que se forma. As vezes a simples ligação de uma resistência em
séria com a porta é suficiente para reduzir significativamente a amplitude desta oscilação.
Os chaveamentos rápidos que demandam correntes elevadas também vão propagar variações
na tensão de alimentação (queda de tensão sobre XL) para o restante do circuito. Este efeito, por sua
vez pode ser minimizado pelo uso de capacitores de desacoplamento ligados muito próximos da
alimentação de cada integrado conforme mostra na figura seguinte. Cada um destes capacitores é,
então, responsável por suprir rápidos transientes de corrente sem que ocorra variação na
alimentação do integrado (sem variações de corrente passando por XL).

11.4 Gabinetes

A última opção para blindar circuitos contra interferência externa são as caixas e salas.
Blindagens deste tipo são caras e devem ser evitadas com planejamento dos circuitos
antecipadamente. Isolar circuitos de potência, transformadores, afastar cabos, reduzir laçoes e todas
as dicas anteriores devem ser aplicadas antes. Para evitar interferências por acoplamento capacitivo
manter o circuito longe de alta-tensão e cargas elevadas. Para evitar interferências por acoplamento
indutivo manter o circuito longe de alta corrente e evitar cargas baixas. Procure fazer um bom
projeto para ter uma solução de baixo custo e minizar os problemas de interferência.

Caso o resto não tenha sido suficiente a blindagem de gabinetes, caixas e salas, pode ser um
recurso. Estas blindagem ocorre por absorção e perdas ou por reflexão. Quando uma onda
eletromagnética atravessa um meio a amplitude dela decai exponencialmente. A profundidade para
que a amplitude caia a 63% do valor inicial é chamada de skin depth e é dependente da frequência,
do material e de seu coeficiente de atenuação. Bons materiais são mumetal e aço mas alumínio e
cobre também oferecem proteção, porém em menor intensidade. Para que exista reflexão, por outro
lado, é necessário uma diferença de impedância entre os meios. Para campos elétricos a reflexão
ocorre na primeira superfície enquanto que os campos magnéticos são refletidos na segunda
superfície. Isto requer materiais mais grossos para atenuar campos magnéticos.

Assim, caixas metálicas, caixas plásticas com carga condutiva, encaixes condutores, tampas
de ventilação, vidros e LCD condutivos devem ser empregados sempre que necessários impedindo
que campos elétricos entrem na caixa. O tamanho das aberturas também deve ser avaliado para que
impeçam a onda de entrar na caixa (dimensão das aberturas proporcional ao comprimento de onda,
servindo como um guia de onda). Conexão dos cabos e filtros de linha também devem ser
avaliados.
Instrumentação e Técnicas de Medidas

Sensores Capacitivos e Indutivos

Sensores capacitivos e indutivos


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783, Hardware and Housekeeping Techniques,
Circuit Board Layout Techniques e Noise Reduction Techniques in Electronic
Systems.

Última alteração: 24/09/2013


Índice
12 Transdutores capacitivos.................................................................................................................4
12.1 Dielétrico de Eletreto...............................................................................................................4
12.2 Variação de Posição.................................................................................................................5
12.3 Sensibilidade e Linearidade.....................................................................................................6
12.4 Formas de Medida...................................................................................................................9
13 Transdutor Indutivo.......................................................................................................................12
13.1 Aspectos de não linearidade..................................................................................................16
13.2 Transdutores com uma bobina (um indutor)..........................................................................19
13.3 Transdutores com dois indutores...........................................................................................21
13.4 Transdutores de três indutores (LVDT – Linear Variable Differential Transformer)...........22
13.5 Condicionadores Integrados..................................................................................................22
12 Transdutores capacitivos

Um outro transdutor que pode ser utilizado de modo similar aos transdutores resistivos é o
transdutor capacitivo. De modo análogo, uma certa fonte de tensão deve ser utilizada para a
obtenção do sinal de saída, com exceção dos transdutores cujos dielétricos são constituídos de
eletreto ou apresentam propriedades piezoelétricas.

O capacitor de placas paralelas apresenta capacitância dada por

K⋅ 0
C d = A⋅
ld

onde  0=8,85⋅10−12 é a permissividade do ar, K⋅0 é a permissividade do material, A é


área das placas e lg é a distância entre as placas.

Sendo assim qualquer arranjo que modifique A, lg, ou K pode ser transformado em um
transdutor capacitivo. Um número expressivo de arranjos pode ser utilizado na construção de
transdutores capacitivos. Alguns exemplos podem ser vistos abaixo.

12.1 Dielétrico de Eletreto

Caso o capacitor seja produzido com dielétricos de eletreto, geralmente Teflon ou Lexan
(policarboneto especial), eles possuem a propriedade de que quando uma polarização é induzida por
bombardeamento de elétrons ou por um campo elétrico intenso, tal polarização é retida após a
remoção do efeito externo; de tal modo que uma tensão permanente ve (análogo ao magnetismo
residual de um imã permanente) permanecerá armazenada no dielétrico.
Normalmente ve=500V, mas só pode ser medido com um eletrômetro (uma espécie de
Voltímetro cuja impedância de entrada é muito elevada, alguns TΩ, o que minimiza a circulação de
corrente a alguns fA). Tal valor de ve pode durar por 20 anos.

12.2 Variação de Posição

Neste capítulo estudaremos especificamente os transdutores sem dielétricos de eletreto ou


piezoelétricos. Supondo um sensor de posição capacitivo, com gap variável entre suas placas e o
elemento dielétrico, conforme mostrado abaixo

A capacitância do gap é dada por

A⋅0
C g=
lg

Por sua vez a capacitância do dielétrico pode ser escrita como

K⋅ 0
C d = A⋅
ld

Uma vez que as duas capacitâncias estão em série a capacitância equivalente é calculada
como
1
C=
1 1

Cd Cg

A⋅K⋅ 0 A⋅0

ld lg
C 0=
A⋅K⋅ 0 A⋅0

ld lg

A2⋅K⋅ 20
l d⋅l g
C 0=
A⋅ 0⋅ K⋅l gl d 
l d⋅l g

A⋅ 0
C 0=
l
l g d
K

Considerando que o gap sofre pequenas variações em torno de um ponto central de repouso

l g =l g0 l g

A⋅ 0
C=
ld
l g0  l g 
K

Esta é a equação da capacitância em função de variações do tamanho do gap. Para


representar melhor este transdutor podemos calcular a variação relativa de capacitância com relação
a capacitância de repouso (semelhante ao que foi feito com o strain gauge). Esta razão definiria
uma espécie de sensibilidade adimensional dada por  C /C 0 .

12.3 Sensibilidade e Linearidade

Seja uma função y=f(x), onde y representa a saída de um transdutor de deslocamento e x a


sua entrada então

dy  y y− y 0 y
= = = −1
y0 y0 y0 y0
Supondo a função y cujo ponto médio é dado por

b
y 0=
x 0c

muito semelhante a função encontrada para a capacitância, então

b
dy y x c
= −1= −1
y0 y0 b
x 0c

dy x 0c
= −1
dy 0 xc

Substituindo-se x= x 0dx

dy x 0 c
= −1
y 0 x 0dxc

que pode ser reescrita como

dy 1
= −1
y0 dx
1
x0 c

1
Como =1− A A2... , então
1A

dy dx dx 2
=1−  −1
y0 x 0c  x 0 c2

2
dy
=
−1

 
dx

1

 
dx

 
2
y0 x0 x0
1
c
x0
1
 
c
x0

que é da forma
2
dy
y0
=1⋅
dx
x0
2⋅
   
dx
x0

Por comparação encontramos

1
 1=

 
1
c
x0

1
 2= 2

  1
c
x0
.

Como a equação de C é análoga a equação de y podemos escrever que

2
dC
=
−1 dl
⋅ g 
1 dl
⋅ g
   
 
2
C0 l l g0 l g0
1 d
k⋅l g0 1
ld
k⋅l g0  
onde

−1
 1=


1 d
l
k⋅l g0 
1
 2= 2

 l
1 d
k⋅l g0 
Uma medida de não linearidade pode ser obtida pela relação

∣∣
2
1
=
1

 1
ld
k⋅l g0 
que deve ser feita a menor possível.
Para os casos onde a variação do gap é muito pequena a razão  C /C 0 pode ser escrita
como

dC
=
−1 dl
⋅ g
 
C0
1 d
l
k⋅l g0 
l g0

12.4 Formas de Medida

Em vez de se medir diretamente o valor da capacitância C, pode-se converter as variações de


capacitância em variações de tensão por meio de circuito, como por exemplo

Assumindo-se que a capacitância média permanecerá igual a C 0 , apesar das variações


devidas ao mensurando,

q =C 0⋅v e

Se R L for grande a corrente não poderá variar rapidamente e consequentemente a carga no


circuito permanecerá praticamente constante, de tal modo que

q
v c t = 
C t 

Assim, a tensão de saída do circuito pode ser calculada como

v e⋅C 0
v out t=v e – v c t =v e –
C t


v out t=v e⋅ 1 –
C0
C t 
C 0 C t−C 0  C  C
como 1− = ≈ ≈
C t C t C t  C 0

pois C t ≈C 0

Então

C dC
v out t≈v e⋅ ≈v e⋅
C0 C0

1 dl  lg
v out t≈v e⋅ ⋅ g ≈−v e⋅

 1
ld
k⋅l g0 l g0
 l
l g0 d
k 
Note que a equação de vout indica que o mesmo é diretamente proporcional as variações de
largura do gap, que por sua vez são proporcionais ao deslocamento.

Uma outra opção de circuito para o uso dos transdutores capacitivos é a ponte AC.

A ponte deve ser excitada com um sinal AC de frequência muito mais alta que a maior
frequência mecânica que será transduzida.

Por analogia ao caso anteriormente demonstrada de uma ponte de Wheatstone com 2 braços
ativos e opostos temos que na condição de equilíbrio e na frequência onde Xc=R

1 C
V TH = ⋅V 1⋅
2 C
[   ]
2
C 1
RTH =R⋅ 1− ⋅
C 2

Se o circuito for ligado a um amplificador de alta impedância ( R L ≫ RTH ), então a tensão


V out será igual a V TH .
13 Transdutor Indutivo

De modo análogo aos transdutores resistivos e capacitivos, os transdutores indutivos são


transdutores ativos que requerem uma fonte de excitação externa para proporcionar uma tensão de
saída, que pode ser vista como uma certa modulação da mesma, que neste caso deve ser AC.

Uma variante muito usada dos transdutores indutivos é o LVDT (Linear Variable
Differential Transformer), no qual o acoplamento entre o primário e o secundário de um
transformador é variado por ação de um núcleo ferromagnético móvel, como será visto adiante.

Um indutor com enrolamento cilíndrico apresenta indutância definida por

μ0 ⋅ μr ⋅ N 2 ⋅ A
L=
l

onde μ 0 = 4 ⋅ π × 10 − 7 H / m é a permissividade do espaço livre, μ r é a permeabilidade


relativa, N é o número de espiras, A é a área de secção reta do núcleo, l é o comprimento do núcleo.

Outras formas geométricas apresentam indutância dependente de outras variáveis. De


qualquer forma um número expressivo de arranjos permitem a construção de transdutores indutivos,
baseados na alteração de μ r , N, A ou l.
Considere inicialmente o seguinte modelo para um indutor real

onde R modela as perdas resistivas do fio, as perdas de corrente de fuga pelo núcleo e
também as perdas de histerese e C modela a capacitância parasita associada ao enrolamento.

Como todo circuito RLC produz uma equação diferencial da forma

1 ω0 1
x + 2 ⋅ ζ ⋅ ω0 ⋅ x + 2
⋅ x = x
 + ⋅ x + 2 ⋅ x
ω0 Q ω0

onde

1 ω0 ⋅ L
a frequência de ressonância é ω0 = e o fator de qualidade do circuito é Q = .
L⋅C R

Sendo assim, no circuito RLC,

ω⋅ L
R= .
Q
Analisando a impedância do circuito equivalente para o indutor real temos que

Z L = ( R + X L ) //X C

 ω⋅ L  1
 + j ⋅ ω ⋅ L  ⋅
ZL = 
Q  j ⋅ ω⋅ C
ω⋅ L 1
+ j ⋅ ω⋅ L+
Q j ⋅ ω⋅ C

 ω⋅ L  1
 + j ⋅ ω ⋅ L  ⋅
ZL = 
Q  j ⋅ ω⋅ C
ω⋅ L  1 
+ j ⋅  ω⋅ L − 
Q  ω⋅ C 

− j
 ω⋅ L  ω⋅ C
Z L =  + j ⋅ ω ⋅ L  ⋅
 Q  ω⋅ L  ω2 ⋅ L ⋅ C − 1
+ j ⋅  
Q  ω⋅ C 

− j ⋅ ω⋅ C
 ω⋅ L  ω⋅ C
Z L =  + j ⋅ ω ⋅ L  ⋅
 Q  ( ω ⋅ L ⋅ C ) + ( ω 2 ⋅ L ⋅ C − 1) .
2

Supondo que Q 1, tal que


(ω 2
⋅ L⋅ C) ( )
< < ω2 ⋅ L ⋅ C − 1
Q

 ω⋅ L  −1
Z L =  + j⋅ ω⋅ L  ⋅ 2
 Q (
 ω ⋅ L⋅ C − 1 )

ω⋅ L j ⋅ ω⋅ L
ZL = +
Q ⋅ (1 − ω ⋅ L ⋅ C ) (1 − ω 2 ⋅ L ⋅ C )
2 .

Se a capacitância parasita fosse desconsiderada (C=0), então

ω⋅ L
ZL = + j ⋅ ω⋅ L
Q

Comparando-se as duas expressões de ZL podemos concluir que a capacitância parasita


diminui o fator de qualidade, uma vez que
(
Qefetivo = Q ⋅ 1 − ω 2 ⋅ L ⋅ C )

1
Esta expressão vale até que ω = e nestas condições Qefetivo < Q
L⋅ C

Além disso, há, também, um efeito de aumento da indutância efetiva, uma vez que esta pode
ser entendida como

L
Lefetivo = Leq =
(1 − ω ⋅ L ⋅ C )
2

Derivando-se esta última expressão temos

∂ Leq
=
1 − ω2 ⋅ L ⋅ C ⋅ 1 – L ⋅ − ω2 ⋅ C ( )
∂L (1 − ω 2
⋅ L ⋅ C)
2

∂ Leq 1 − ω2 ⋅ L ⋅ C + ω2 ⋅ L ⋅ C
=
∂L (1 − ω 2
⋅ L ⋅ C)
2

∂ Leq 1
=
∂L (1 − ω 2
⋅ L⋅ C ) 2

∂L
∂ Leq =
(1 − ω 2
⋅ L⋅ C ) 2

de onde

∂L
∂ Leq
=
(
1 − ω2 ⋅ L ⋅ C )
Leq L
(
1− ω ⋅ L ⋅ C
2
)

∂ Leq ∂L 1
= ⋅
Leq (
L 1− ω ⋅ L ⋅ C
2
)

Tal expressão indica que na construção de um transdutor de indutância variável, a


capacitância parasita tende a aumentar a sensibilidade do transdutor (em relação ao caso ideal).
Os efeitos anteriormente mencionados, de capacitância parasita do enrolamento, podem ser
somadas aos efeitos das capacitâncias parasitas associadas aos cabos coaxiais ligados aos
transdutores. Por esta razão, cuidado especial deve ser tomada na escolha do cabo coaxial a ser
utilizado para interligar este tipo de transdutor.

13.1 Aspectos de não linearidade

A não linearidade da saída em função do deslocamento mecânico é uma importante


especificação de transdutores indutivos.

Assumindo a saída e a entrada correlacionadas como y = f ( x ) , onde y é a saída e x é a


entrada poderíamos definir dy / dx como sensibilidade e d 2 y / d 2 x como uma medida de não
linearidade.

Como visto nos transdutores capacitivos, uma outra forma, mais conveniente, de se definir
sensibilidade pode ser obtida através do coeficiente dy / y 0 , onde dy é uma pequena variação da
saída ocorrida no entorno do valor quiescente y 0 .

Vimos também que se for assumida uma função

b
y0 = , então
x0 + c

2
dy −1  dx  1  dx 
= ⋅   + ⋅
2 

y0  c   x0   c   x0 
 1 +   1 + 
 x0   x0 

1
onde, neste caso, a sensibilidade e a distorção são dependentes do termo 1 c
x0

Obviamente, neste caso, para que uma boa linearidade seja obtida é necessário que c / x 0
seja grande. Porém, tal termo traz como consequência a redução da sensibilidade.

Suponha agora uma função de dependência do tipo:


b
y0 =
x0

b b

dy Δy x x0
≈ =
y0 y0 b
x0

b
dy x
= −1
y0 b
x0

dy x0
= −1
y0 x

Substituindo-se x = x0 + dx

dy x0
= −1
y0 x0 + dx

dy 1
= −1
y0 dx
1+
x0

Como

 Δ   3⋅ Δ 
2
1
= 1 −   +   − ... ,
1+ Δ  2  8 

então

2
dy 1  dx  3  dx 
≈ 1 – ⋅  + ⋅  −1
y0 2  x 0  8  x 0 

2
dy 1  dx  3  dx 
≈ − ⋅  +   .
y0 2  x0  8  x 0 
Agora temos um valor de não linearidade descorrelacionada com o de sensibilidade, e
ambos fixos.

Uma outra função poderia ser

y0 = b ⋅ x0

dy Δy y − y 0 y
= = = −1
y0 y0 y0 y0

dy b⋅ x x
= − 1= −1
y 0 b ⋅ x0 x0

Fazendo-se x = x0 + dx

dy x0 + dx
= −1
y0 x0

dy dx
= 1+ −1
y0 x0

Neste caso a expansão será

(1+ Δ) = 1 + Δ – 1 ⋅ Δ 2 + ... ,
2 8

então

2
dy 1  dx  1  dx 
= 1 + ⋅   − ⋅  −1
y0 2  x 0  8  x 0 

2
dy 1  dx  1  dx 
= ⋅  − ⋅ 
y 0 2  x 0  8  x 0 

Que apresenta características similares à da função anterior, quando a não subordinação de


não linearidades e sensibilidade, e ainda apresenta uma melhor linearidade.
Os transdutores indutivos caem geralmente em 3 categorias: 1) com um indutor; 2) com dois
indutores ( L1 aumenta enquanto L2 diminui); 3) com três indutores (um primário e dois
secundários).

13.2 Transdutores com uma bobina (um indutor)

Seja o seguinte transdutor de relutância variável com núcleo ferromagnético de


comprimento total lm, área Am e permeabilidade magnética μ m = μ r ⋅ μ 0

Pode ser demonstrado que neste caso a indutância do transdutor é dada por:

μ 0 ⋅ Ag ⋅ N 2
L=
 Ag ⋅ lm 
l g +  
 Am ⋅ μ r 

tal parâmetro é da forma

b
y=
x+c

onde x = l g

que, como visto anteriormente, possui

2
dy −1  dx  1  dx 
= ⋅   + ⋅
2 

y0  c   x0   c   x0 
 1 +   1 + 
 x0   x0 
Como normalmente

Ag ⋅ lm
<< 1
Am ⋅ μ r

pois Ag ≈ Am , lm ≈ l g e μr ≫ 1

teremos

2
dy  dx   dx 
= −   +  
y0  x0   x0 

o que implica que o transdutor não possui uma boa linearidade. Tal fato já era esperado pelo
aspecto hiperbólico da indutância do transdutor em função do gap, descrito pela equação

μ 0 ⋅ Ag ⋅ N 2
L=
 Ag ⋅ lm 
l g +  
 Am ⋅ μ r 

Uma maneira simples de transformar a variação da indutância em variação de tensão é


através do seguinte arranjo:

Se fizermos Rs≫ω⋅L , então

ve
vout = ⋅ ω⋅ L
Rs

e com amplitude e frequência fixa de excitação


vout = K ⋅ L

13.3 Transdutores com dois indutores

O circuito mais comumente encontrado em aplicações que empregam dois elementos


transdutores é a ponte de Wheatstone com excitação AC. Em tal circuito normalmente é montado
um arranjo de indutores onde as variações de indutância são opostas (quando o acoplamento
magnético aumenta em um diminui em outro). Como uma ponte com 2 braços ativos possui a
característica de cancelar problemas de linearidade e temperatura, grande parte dos inconvenientes
dos transdutores com somente um indutor são eliminados.

No circuito acima as resistências Rs modelam além das perdas ôhmicas, perdas no núcleo e
de histerese. O potenciômetro Rp é colocado para compensar as diferenças existentes entre os dois
valores das perdas e deve ser ajustada de modo a zerar a ponte numa condição onde sabidamente
ΔL = 0 .

Para altos valores de Q (Q>10) a saída na condição de circuito aberto ( R L = ∞ ) tende para a
tensão de Thevenin estudada para o caso de uma ponte resistiva com 2 braços ativos, ou seja:
ve ⋅ ΔL
vout =
L

13.4 Transdutores de três indutores (LVDT – Linear Variable Differential


Transformer)

O LVDT é um transformador com acoplamento magnético variável produzido pelo


movimento de um núcleo ferromagnético colocado entre os enrolamentos. De modo a zerar a saída
na situação de deslocamento mecânico nulo, os dois enrolamentos do secundário são conectados em
oposição elétrica.

Pode ser demonstrado que

vout ≈
( )
ve ⋅ 3 ⋅ Ns  x ⋅ lc 2 − lp 2 – 4 ⋅ x 3 
⋅ 
ls ⋅ Np  lc ⋅ ( 3 ⋅ lc − 2 ⋅ lp ) – 12 ⋅ x 2 

onde Ns é o número de espiras do secundário, Np é o número de espiras do primário, ls é o


comprimento do enrolamento secundário, lp é o comprimento do enrolamento primário, lc é o
comprimento do núcleo móvel e x é o deslocamento do núcleo.

Este tipo de transdutor é muito comum e existem muitos circuitos que podem ser utilizados
para excitar e retirar sinal CC destes transdutores.

13.5 Condicionadores Integrados

Abaixo podemos ver dois circuitos vendidos para este fim. Ambos apresentam um oscilador
para alimentar o transdutor, um demodulador para detectar a envoltória do sinal de saída (a
envoltória é proporcional ao sinal de deslocamento) e um filtro para suavizar o sinal de saída. Por
estas características estes circuitos podem ser utilizados não apenas com LVDTs, mas também com
sensores capacitivos ou mesmo resistivos onde a excitação com corrente alternada é um requisito e
o sinal de saída é modulado em amplitude.
Instrumentação e Técnicas de Medidas

Retificadores, Osciladores, Multiplicadores

Retificadores, osciladores e multiplicadores


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783, Hardware and Housekeeping Techniques,
Circuit Board Layout Techniques e Noise Reduction Techniques in Electronic
Systems.

Última alteração: 11/10/2013


Índice
13 Comparadores..................................................................................................................................5
13.1 Símbolo....................................................................................................................................5
13.2 Características..........................................................................................................................5
13.3 Configurações Típicas.............................................................................................................7
13.3.1 Detetor por cruzamento de zero.......................................................................................7
13.3.2 Limitação de Vo...............................................................................................................9
13.3.3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída........................................................10
13.3.4 Comparador de janela....................................................................................................11
13.3.5 Comparador de Declividade...........................................................................................12
13.3.6 Comparador com Histerese............................................................................................14
13.3.7 Comparador com histerese e limitador..........................................................................16
13.4 Problemas resolvidos.............................................................................................................19
13.5 Exercícios...............................................................................................................................28
14 Retificadores de precisão...............................................................................................................31
14.1 Retificador de ½ onda............................................................................................................31
14.2 Retificador de Onda Completa..............................................................................................32
15 Detetor de pico..............................................................................................................................35
15.1 Exercícios...............................................................................................................................36
16 Integradores e Derivadores............................................................................................................37
16.1 Integrador...............................................................................................................................37
16.1.1 Exemplo.........................................................................................................................38
16.1.2 Integrador prático...........................................................................................................38
16.1.3 Exemplo.........................................................................................................................41
16.2 Derivador...............................................................................................................................42
16.2.1 Derivador prático...........................................................................................................44
16.3 Exercícios...............................................................................................................................45
17 Conversor Logarítmico e Anti-Logarítmico..................................................................................46
17.1 Introdução..............................................................................................................................46
17.2 Modelo de Ebers Moll do Transístor NPN............................................................................46
17.3 Conversor Logarítmico..........................................................................................................48
17.3.1 Efeitos da Temperatura..................................................................................................49
17.3.1.1 Primeira alternativa................................................................................................50
17.4 Conversor Antilogarítmico....................................................................................................52
18 Outras Operações com Circuitos Analógicos................................................................................53
18.1 Multiplicador.........................................................................................................................53
18.1.1 Multiplicador ideal.........................................................................................................53
18.1.2 Multiplicador real...........................................................................................................53
18.2 Técnicas de Multiplicação.....................................................................................................55
18.2.1 Multiplicador por transcondutância variável.................................................................55
18.2.2 Multiplicador com conversor Log-Anti Log..................................................................56
18.2.3 Multiplicador de quase 4 quadrantes.............................................................................58
18.3 Circuitos de aplicação direta dos multiplicadores de tensão.................................................59
18.3.1 Circuito divisor..............................................................................................................59
18.3.2 Circuito extrator de raiz quadrada..................................................................................60
18.3.3 Circuito conversor RMS-DC.........................................................................................60
18.4 Exercícios...............................................................................................................................61
19 Geradores de Função.....................................................................................................................64
19.1 Introdução..............................................................................................................................64
19.2 Osciladores harmônicos (lineares).........................................................................................64
19.2.1 Giro completo de fase....................................................................................................65
19.2.2 Avanço – atraso..............................................................................................................65
19.2.3 Estabilidade de amplitude..............................................................................................65
19.3 Osciladores não harmônicos (não lineares)...........................................................................65
19.3.1 Gerador de onda retangular............................................................................................66
19.3.1.1 Alterações no circuito.............................................................................................68
19.3.2 Gerador de onda triangular com AO..............................................................................69
19.3.2.1 Alterações no circuito.............................................................................................72
19.3.2.2 Gerador de onda triangular com OTA....................................................................73
19.3.3 Gerador de rampa ou dente de serra...............................................................................75
19.3.4 Onda senoidal por conformação de triangular...............................................................76
19.3.4.1 Característica Logarítmica do Par Diferencial.......................................................76
19.3.4.2 Conformador com diodos.......................................................................................78
19.3.4.3 Série de Taylor modificada....................................................................................83
19.3.5 Circuito com PLL (phase locked loop)..........................................................................84
19.3.6 DDS................................................................................................................................88
19.4 Exercícios...............................................................................................................................88
13 Comparadores

Comparadores são usados para discriminar se um determinado sinal analógico é maior ou


menor que um sinal de referência. A saída do comparador é, portanto, digital. Eles podem ser
construídos com AOs ou com integrados específicos conhecidos como comparadores de tensão.

Os comparadores são construídos especialmente para realizar esta função gerando em sua
saída um sinal com características digitais. Eles não possuem compensação de frequência, não
apresentam boas características de offset, drift, ruído, enfim, eles não são feitos para funcionar como
amplificador.

13.1 Símbolo

O símbolo mais comumente utilizado para representar um comparador é apresentado na


Figura 13.1.

Figura 13.1: Símbolo do comparador.

13.2 Características

Apesar de possuir o mesmo símbolo do amplificador operacional, e ser tratado da mesma


forma, para cálculo, os comparadores possuem uma série de características práticas que visam a
melhora no desempenho do AO como comparador. Em contrapartida, muitos dos circuitos internos
presentes nos AOs são retirados para baratear o custo de produção. A princípio, este procedimento
não afetaria o desempenho do comparador, mas o impede de funcionar como um bom amplificador
operacional.

Normalmente os comparadores possuem ganho menor que o do amplificador operacional e a


sua linearidade não é garantida. Os comparadores não possuem compensação em frequência,
podendo se tornar instáveis se usados como amplificador. A corrente de polarização IB é menos
preocupante que no amplificador operacional, ou seja, pode assumir valores bem maiores. Os
projetistas, entretanto, implementam melhoras nas características de slew-rate, settling time e delay.
Uma interessante discussão sobre a possibilidade de usar Aos como comparadores é apresentada em
Using Op Amps as Comparators da Analog Devices.

Sua saída muitas vezes se apresenta em coletor aberto (open collector) dreno aberto (open
drain), o que permite que seja calculado um resistor de pull-up de acordo com as características do
circuito que se deseja montar (velocidade, consumo, capacidade de fornecer corrente, tensão de
saída...). Algumas vezes, como no caso do LM311 um transistor de saída com emissor e coletor não
conectados permite que a tensão de saída seja livremente escolhida em faixa muito grande de
valores, inclusive tensões maiores do que a máxima permitida para alimentar o integrado. Isto
permite compatibilizar a saída do comparador com circuitos digitais TTL, por exemplo, facilitando
a interface entre circuitos analógicos e digitais. Circuitos com saída compatíveis com CMOS e ECL
(saída diferencial) também são comuns.

Nos circuitos comparadores, normalmente não se utiliza realimentação negativa. Esta


característica torna a máxima tensão diferencial de entrada (Vd) um parâmetro importante no
projeto. Para evitar problemas por excesso de tensão diferencial, o circuito de proteção apresentado
na Figura 13.2 pode ser adotado. Em alguns comparadores, entretanto, a entrada pode chegar até a
tensão de alimentação.

Figura 13.2: Circuito de proteção contra excessiva tensão diferencial.

Quando um comparador está funcionando em malha aberta ou com realimentação positiva, a


sua saída sempre estará em ±Vcc. A única forma de evitar que a tensão de saída em um circuito
comparador não seja ±Vcc é estabelecer uma malha de realimentação negativa que leve o
comparador para a região linear. Algumas vezes isto é conseguido em circuitos mistos onde a
realimentação negativa só é obtida a partir de um determinado valor de tensão na saída do
comparador.
Figura 13.3: Alimentações do LM311.

A Tabela 13.1 mostra uma comparação entre as características de amplificadores


operacionais e de circuitos comparadores de tesão. Repare nas diferenças elevadas entre os valores
encontrados para cada um dos componentes.

Tabela 13.1: Comparação entre características de um LM741 e alguns comparadores

LM741 LM339 LM311 LM319 LM361


Av (V/mV) 200 200 200 40 3
IB (mA) 80 25 100 250 10000
VOS (mV) 2 2 2 2 1
SR (V/µs) 0,5 60 150 80 -
ST (ns) - 1300 200 80 14
IS (mA) - 2 7,5 12,5 25
Is é corrente de alimentação.

13.3 Configurações Típicas

13.3.1 Detetor por cruzamento de zero

A configuração mais simples de um comparador consiste em utilizar uma tensão de


comparação em uma de suas entradas e a tensão a ser comparada na outra, conforme pode ser visto
na Figura 13.4.
Figura 13.4: Comparador simples.

O circuito da Figura 13.4 consiste de um comparador em malha aberta. portanto funcionando em


função do elevado ganho do integrado. Desta forma, uma pequena diferença de tensão entre as
entradas já é suficiente para saturar o comparador com a tensão positiva ou negativa de alimentação.
Este tipo de comparador pode ser utilizado para detectar a passagem de um sinal por qualquer valor
de tensão basta alterar a fonte usada para a comparação. Nestes casos o gráfico de saída,
apresentado na Figura 13.5, desloca-se para a direita ou esquerda de acordo com a tensão aplicada.
Note que para representar o funcionamento do circuito é utilizado um gráfico onde é desenha a
saída em função da entrada.

O gráfico da Figura 13.5, representa uma simulação com uma entrada senoidal de frequência igual a
10Hz no circuito comparador de tensão do tipo detetor de passagem por zero. Observe que, como o
slew-rate do comparador não é infinito, a curva real apresenta atrasos para que a saída do
comparador troque. Se a derivada da tensão de entrada diminuir o comportamento do comparador
se aproxima do ideal. Isto pode ser um problema quando se trabalha com frequências elevadas.
Neste caso devemos escolher um comparador rápido.

Se este circuito estiver sendo implementado com um AO também devemos tomar cuidado
com os seguintes problemas: VOS, IB e Ad finito. Por exemplo, se Ad=80dB (10.000) então para
obtermos Vo=+15V precisamos de uma tensão diferencial na entrada do AO de no mínimo 1,5mV.
Figura 13.5: Simulação com zero volts.

13.3.2 Limitação de Vo

Algumas vezes deseja-se que a tensão na saída do comparador não seja a tensão de
alimentação. Nestes casos, um pouco mais complexos que o anterior, o comparador passa a ter
realimentação negativa em algumas situações. Como se este fator complicador da análise não fosse
suficiente, a realimentação normalmente não é implementada com componentes lineares tendo sua
parcela modificada como uma chave (existe ou não existe realimentação) ou progressivamente de
forma a manter constante certos parâmetros (como se fosse um regulador de tensão). Este é o caso
típico do circuito mostrado na Figura 13.6.

Figura 13.6: Comparador com limitador de amplitude.


Figura 13.7: Simulação: Vz=4,7V, R2=1k.

Como podemos ver, este circuito é um detector de passagem por zero (a fonte ligada na entrada não
inversora é zero) com uma realimentação negativa formada por um diodo zener. Ora, sempre que o
zener estiver conduzindo mudará sua resistência interna para que a tensão sobre ele fique constante
(polarizado direta ou reversamente). Isto faz com que a tensão na entrada negativa fique igual a
tensão na entrada positiva (realimentação negativa). Como a tensão na entrada positiva é zero, então
a tensão de saída corresponde a tensão sobre o zener.

13.3.3 Detetor de nível com limitação de tensão de saída.

O detector de nível com limitação de tensão não pode ser implementado modificando-se a
fonte do comparador por zero, pois se isto fosse feito perderíamos a referência de tensão sobre a
entrada positiva. Isto modificaria a tensão de saída. Uma alternativa para este circuito passa a ser a
implantação de um somador com resistores na entrada negativa. Desta forma conseguimos mudar o
valor da tensão de comparação sem alterar a tensão da saída. Esta topologia esta mostrada na Figura
13.8.
Figura 13.8: Comparador de nível com limitador de saída.

Figura 13.9: Simulação: Vz=4,7V, R2=R3=1k, Vref=2V.

Este detector funciona basicamente como o anterior porém, agora, a tensão de comparação
se deve não apenas a uma tensão mas a um somatório de tensões. O resultado deste somatório é que
irá mudar a saída do comparador.

13.3.4 Comparador de janela

Um exemplo bastante interessante do uso de comparadores com saída em coletor aberto é


mostrado na Figura 13.10. Aqui pode ser visto um comparador em janela ou seja um comparador
que cria uma janela de tensão onde a saída do comparador assume um determinado valor. Agora, a
comparação não é feita com apenas um nível lógico mas com dois. Se a entrada estiver entre estes
dois níveis lógicos, então a saída será a tensão de alimentação positiva. Note que a saída de ambos
os comparadores são ligadas a um só ponto, isto se deve justamente ao fato da saída de cada
comparador estar a coletor aberto.

Com este tipo de saída, o comparador só pode fornecer a tensão de alimentação negativa
pois não possui o circuito que o liga com alimentação positiva. Isto deve ser feito externamente.
Então se um comparador deve fornecer um valor positivo de tensão de saída, isto só ocorre através
do resistor externo (o transistor de saída do comparador está cortado). O outro comparador pode
estar com sua saída em nível baixo que não haverá problemas de curto circuito por causa do resistor
externo que limita a corrente pelo comparador. Como podemos ver esta configuração com as saídas
dos comparadores ligadas juntas funciona como uma porta lógica OR e por tanto esta configuração
é conhecida como “WIRED OR”.

Figura 13.10: Comparador em janela e um gráfico demonstrando seu funcionamento.

13.3.5 Comparador de Declividade

Aqui pode ser visto um circuito bem interessante com comparadores. Diferente dos demais
circuitos vistos até agora, o comparador de declividade não compara níveis de tensão mas sim a
derivada do sinal de entrada ou seja a sua declividade. O circuito é apresentado na Figura 13.11.
Figura 13.11: Comparador de declividade.

Sendo i1 e i2 definidas como:

V REF dv
i1= , i 2 =C i
R dt

O circuito é um comparador quando não há corrente polarizando o zener

i1 = i2

V REF dV i
=C
R dt

dV i V REF
=
dt RC

Se a corrente i2 > i1 o diodo zener está polarizado diretamente, neste caso a tensão de saída é
aproximadamente igual 0,7V. Se i2 < i1 então o zener está polarizado reversamente e a tensão de
saída corresponde a tensão de zener.

Este circuito pode ser utilizado como o trigger em um osciloscópio.


Figura 13.12: Simulação com Vz=4,7V, Vref=2V, C=47nF, R2=1k, Freq=1000.

Figura 13.13: Resultado da simulação mostrado na Figura 13.12.

13.3.6 Comparador com Histerese

O detector de passagem por zero, ou comparador simples, mostrado no início deste capítulo,
pode oscilar quando o sinal está próximo do nível de comparação. Isto ocorre porque o ruído
adicionado ao sinal faz com que o comparador seja acionado várias vezes.
Para evitar este tipo de problema foram criados os circuitos comparadores com histerese. A
histerese nada mais é do que a mudança automática do nível de comparação logo após uma
comparação bem sucedida. Ela cria uma região ao redor do ponto de comparação, onde o ruído
existente sobre o sinal não consegue afetar a saída do comparador. Na verdade são criados dois
níveis de comparação modificados comutados entre si automaticamente para que o ruído não
interfira na comparação. Quando o nível mais baixo do limiar de comparação está ativo o nível mais
alto esta desligado. Se um sinal vencer este nível mais baixo de comparação, então o nível de
comparação é modificado para o nível mais alto. Normalmente este comportamento de histerese é
mostrado com um gráfico que relaciona tensão de saída com tensão de entrada do comparador,
como o gráfico da Figura 13.14.

Figura 13.14: Simulação: R1=3·R2.

O detector de passagem por zero, agora imune a ruído, fornece informação de com uma
pequena defasagem com relação ao sinal real, mas com muito menos problemas de ruído. A Figura
13.15 mostra o circuito de um comparador com histerese cujo comportamento pode ser visto na
Figura 13.16.
Figura 13.15: Comparador com histerese.

Figura 13.16: Simulação com ruído: v(o1) é a saída do comparador com histerese com
R1=3·R2, e v(o2) é a saída do comparador simples.
Para que o nível de comparação seja alterado automaticamente ele é escolhido em função da
tensão de saída. Para o circuito apresentado os níveis de comparação são
R2 R2
P 1=Vcc⋅ , e P 2=−Vcc⋅
 R1R2   R1 R2 

13.3.7 Comparador com histerese e limitador

O comparador com histerese e limitação de tensão é uma mistura dos circuitos dos
anteriores e pode ser visto na Figura 13.17. Seu comportamento é apresentado na Figura 13.18.
Figura 13.17: Comparador com histerese e limitador

Figura 13.18: Simulação: Vz=4,7V, Vref=2V, R=1k, R1=3·R2

Se o zener estiver conduzindo a tensão do zener está sobre o resistor R 1 (existe


realimentação negativa) e o valor da entrada positiva é igual ao valor da entrada negativa. Apesar de
ser realimentação negativa, e do AO estar na região linear, a saída não se modifica porque a
resistência de realimentação muda para manter a tensão de saída constante.

Quando o zener conduz no sentido direto:

V Z =0,7
VZ
i 1=−
R1

v O1= R1R2 ⋅i 1

R1 R2
v O1=− ⋅0,7
R1

Quando o zener conduz no sentido inverso:

V Z =V Z

VZ
i 1=−
R1

v O2= R1R2 ⋅i 1

R1 R2
v O2=− ⋅V Z
R1

Os patamares de comparação podem ser estimados calculando a tensão nas entradas negativa
e positiva do AO.

R
v –=V REF 
2⋅R  i
⋅ v −V REF 

V REF v i
v –= 
2 2

+
R2
v = vO
R1 R2

onde

R1 R2
v O1=− ⋅0,7
R1
R1 R 2
v O2 = ⋅V Z
R1

Como podemos ver, a tensão de saída pode apresentar dois valores, um quando o zener esta
polarizado diretamente e outro quando o zener esta polarizado reversamente e, portanto, há duas
tensões de comparação diferentes. Para calcular cada uma destas tensões de comparação, igualamos
a tensão na entrada negativa e positiva do comparador.

Quando o zener conduz no sentido direto

v +=v –

R2 R1R 2 V REF v i
⋅– ⋅0,7= 
R1R2 R1 2 2

R2
− ⋅0,7⋅2=V REF v i
R1R 2

R2
v i=−2⋅0,7⋅ −V REF , [tensão de comparação baixa]
R1

Quando o zener conduz no sentido direto


+ –
v =v

R2 R R2 V v
⋅ 1 ⋅V Z = REF  i
R1R2 R1 2 2

R
2⋅ 2⋅V Z =V REF v i
R1

R
v i=2⋅ 2⋅V Z −V REF , [tensão de comparação alta]
R1

Note que VREF desloca a curva de histerese para direita ou esquerda.

13.4 Problemas resolvidos

1) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entrada para o circuito abaixo.
Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal, vi
entre ±15V, vo entre ±15V, VD=0,6V.
Se vi é muito negativo então vo é positivo e diodo conduz. Neste caso temos dois tipos de
realimentação ocorrendo ao mesmo tempo: realimentação negativa (RN) e realimentação positiva
(RP).

Analisando os ganhos da malha de realimentação (capítulo 3), temos para RN

10 K
 RN =
10 K 1,5 K

e para RP

10 K
 RP =
10 K0,17 K

Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante sobre a realimentação negativa.
Nesta condição o circuito comporta-se como um comparador com histerese.

v O =E OMáx

A tensão de quebra ocorre quando

v +=v –

R3 10 K
v += v O−V D ⋅ =15−0,6 ⋅ =13,75V
R 3R 4 10 K0,47 K
v i R 2vO R1
v – =v +=
R1R 2

v i =V H = v −v O⋅
 + R1
R1 R2 

R1 R2
R2
=+5,44 V

Se vi é muito positivo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Neste caso também temos
dois tipos de realimentação e temos que estudar cada caso para determinar o comportamento do
circuito.

10 K
 RN =
10 K 1,5 K

10 K
 RP =
10 K0, 47 K 3,3 K

Como βRN > βRP a realimentação negativa predomina sobre a positiva. Neste caso o circuito
funciona como um amplificador, portanto v +=v –

Cálculo de ganho

R3
v +=v O⋅
R 3R 4 R5

v i⋅R2 v O⋅R1
v –=
R1 R2

+ –
v =v

vO
[ R3

R1
R 3R 4 R5 R1 R2
=v i
R2
]
R1 R2

vO
=−0,91
vi

Cálculo do ponto de quebra (quando diodo entra em condução)


Início da condução do diodo:

V D=0,6V , I D=0

R5
V D= ⋅v
R3 R 4 R5 O

logo

10 K 0, 47 K 3,3 K
v O =0,6⋅ =2, 504 V
3,3 K

Como

vO
vi= =−2, 751V
−0, 91

Então

v i =−2, 751V

v O =2, 504V
2) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo.
Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal, vi
entre ±15V, vo entre ±15V, VD=0,7V.

Neste circuito há dois laços de realimentação. Um negativo e outro positivo. Dependendo do tipo de
realimentação predominante o circuito se comporta como comparador ou amplificador.

Quando o diodo está cortado só há realimentação negativa e o circuito se comporta como


amplificador não inversor.

Quando o diodo está conduzindo temos

R1
 RP =
R1 R2
R3
 RN =
R3 R4

Como βRP > βRN a realimentação positiva é predominante o circuito se comporta como um
comparador.

Se vi é muito negativo então vo é negativo. Nesta condição o diodo está cortado e o circuito
é um amplificador não inversor

v +=v –

R3
v –= v O =0,6⋅v O
R3 R4

como o diodo está cortado a corrente sobre R1 é zero e como v +=v – então temos que

v O =1,6667⋅v i

Esta relação é valida até que o diodo entre em condução, quando a RP passa a predominar.

O diodo conduz quando

v O −v + =0,7 V

v O −0,6⋅vO =0,7 V

v O =1,75V

v i=1,05 V

Assim, o circuito se comporta como comparador quando v i ≥1, 05V .

Se vi é muito positiva então vo é positiva e o diodo conduz. Nesta condição de


compararação a tensão de saída é
v O =+ E OMáx

O ponto de quebra ocorre quando

v +=v –

v – =0,6⋅v O

R2⋅v i  v O −V D ⋅R1
v +=
R1R 2

onde v O =+ E OMáx =+ 15 V

Igualando as expressões

9=0, 282⋅v i 10 , 267

v i =V L=−4, 49V

3) Desenhar a curva da tensão de saída contra tensão de entreada para o circuito abaixo.
Calcular e indicar todos os pontos de quebra e de cruzamento dos eixos. Considere o AO ideal, vi
entre ±15V, vo entre ±15V, VD=0,6V.
Neste circuito existem dois tipos de realimentação, precisamos determinar qual a
predominante para conhecer o comportamento do circuito.

Quando o diodo está conduzindo temos a seguinte condição para as realimentações.

5,6 // 27
 RP = =0, 632
5,6 // 272,7

10
 RN RN = =0,5
1010

Como βRP > βRN a realimentação positiva predomina e o circuito funciona como um
comparador com histerese.

Quando o diodo está cortado temos apenas realimentação negativa e o circuito se comporta
como um amplificador.

Se vi é muito negativo então vo é negativo e o diodo esta cortado. Nesta situação

v O R4 R5
= =2
vi R4

v O =2⋅v i

Quando o diodo inicia sua condução

V D=0,6V e I D=0
+ –
se I D =0 então v i=v =v e v O =2⋅v i

6,6V⋅R3 v O⋅R2 6,6 V⋅R 32⋅v i⋅R 2


vX = =
R2 R3 R2 R3

v X −v +=0,6 V

6,6V⋅R3 2⋅v i⋅R 2


−v i =0,6
R2 R3

0,6⋅ R2 R3 −R3⋅6,6 V


v i =V H = =0V
2R 2−1

V H =0

Se vi é muito positivo então vo é positivo e o diodo conduz. Nesta condição o circuito se


comporta como um comparador com histerese.

v O =+ V CC

A transição ocorre quando

+ –
v =v

considerando

Req =R2 // R3

6,6V⋅R3vO⋅R2
V eq =
R 2R3

v i⋅Req V eq −0,6 ⋅R 1


v +=
R1 Req

R4 v
v –= ⋅v O = O
R4R5 2
vO
⋅ R1 R 2 // R3 −V eq−0,6 ⋅R1
2
v i =V L=
R2 // R 3

V L =−6,5 V

13.5 Exercícios

1) Analisar os dois problemas resolvidos com o diodo invertido.

2) Analisar o circuito abaixo


R1 R
V H= ⋅ V CC −V D −V ref , V L = 1 −V CC V D −V ref
R2 R2

3) Desenhara a curva Vo x Vi, calculando todos os pontos de quebra. Considere a tensão de


alimentação como sendo ±15V e a queda no diodo igual a 0,7V.

OBS.: Note que o circuito comporta-se como um amplificador (realimentação negativa) sempre
que houver um diodo conduzindo.

4) Desenhar a forma de onda Vo no circuito abaixo. Considerar o AO como ideal. Supor que
Vi seja uma onda triangular de amplitude 1V e período de 2s.

5) Desenhar a curva Vo x Vi para os seguintes comparadores.


14 Retificadores de precisão

Um circuito retificador convencional, construído com diodos, como mostrado na Error:


Reference source not found, produz uma queda de tensão na onda retificada devido à tensão de
polarização do diodo no sentido direto. Para sinais muito pequenos (menores que a queda de tensão
direta do diodo) a retificação se torno impossível. Isto sem contar com os problemas de linearidade
que deixam de ser característica do diodo quando este está numa região inicial da curva de
polarização. Então, mesmo que o sinal tenha amplitude suficiente para fazer o diodo conduzir,
haverá uma distorção no sinal de saída.

Figura 14.1: Retificador de meia onda convencional.

Para resolver este tipo de problema foram criados circuitos retificadores ativos, a base de
amplificadores operacionais. A vantagem destes circuitos é que todas as deficiências do diodo são
compensadas pelo AO sendo possível montar um circuito com características bem próximas da
ideal.

14.1 Retificador de ½ onda

O retificador de meia onda inversor é apresentado na figura abaixo. Para um sinal negativo
na entrada vi o diodo conectado entre a saída do circuito e a saída do AO está diretamente
polarizado, fechando a malha de realimentação negativa através do resistor. A queda de tensão
sobre o diodo, o que inclui todas as suas não linearidades, é compensada na saída do AO. Para
tensões de entrada de valores positivos o diodo que está diretamente polarizado é aquele que
realimenta o AO de forma a transformá-lo em um buffer. Neste caso como o outro diodo está
cortado, a saída do circuito é nula.
Nesta figura também pode ser visto o gráfico da tensão de saída (V(vo)), da tensão de
entrada (V(vi)), da tensão na saída do operacional com o diodo de realimentação (V(o_ao)).

Como o AO possui um slew rate finito, o tempo de descida/subida no semiciclo negativo é


maior que zero. Colocando o diodo realimentação o operacional não estará saturado em -VCC
durante o semiciclo positivo da onda de entrada e portanto será muito mais rápido para acompanhar
o sinal de entrada.

14.2 Retificador de Onda Completa

Três exemplos de retificadores de onda completa são apresentados na sequência.

No primeiro circuito um retificador de meia onda inversor é conectado na entrada de um


somador inversor. Quando a entrada do circuito é negativo o somador soma a tensão de entrada com
o dobro da tensão na saída do retificador. Como resultado a saída tem a mesma amplitude e a
mesma polaridade da tensão de entrada. Quando a entrada do circuito é positiva, o retificador de
meia onda fornece saída nula e o sinal de entrada é amplificado uma vez pelo somador. Como
resultado a saída inverte de polaridade.
No segundo exemplo, mostrado na figura abaixo, o retificador de meia onda é novamente
utilizado. Quando a entrada é positiva, a saída do retificador e nula e o circuito de buffer,
realimentado pelo resistor, é responsável por fazer com que a saída seja positiva. Quando a tensão
de entrada é negativa a saída do retificador é positiva e está conectada diretamente sobre a saída
enquanto que a saída do buffer é negativa mas está conectada a saída por meio de um resistor.
Como resultado a saída do retificador é positiva.
O terceiro exemplo, mostrado na figura abaixo utiliza o retificador de meia onda conectado
a entrada de um amplificador subtrator. Este circuito apresenta como característica favorável o fato
de apresentar elevada impedância de entrada. Para tensões de entrada negativas a tensão no nó B é
igual a entrada. Nesta situação a saída do subtrator é igual a tensão de entrada com sinal invertido.
Quando a entrada é positiva a tensão no nó A é igual a tensão de entrada e neste caso a saída é
positiva e com a mesma amplitude da entrada.
15 Detetor de pico

Uma aplicação comum para este circuito consiste nos VUs de LEDs existentes em aparelhos
de som. Um circuito bem simples pode ser implementado conforme mostrado na Figura 15.1,
juntamente de um gráfico da tensão de entrada e saída do circuito. Nele, sempre que a tensão de
entrada for maior que a tensão sobre o capacitor, o diodo conduz e o capacitor se carrega com o
valor presente na entrada. São dois os inconvenientes deste: 1) a queda de tensão no diodo (impede
o uso com sinais de baixa amplitude) e 2) o fato de não haver como reinicializar o circuito com uma
tensão baixa no capacitor.

Figura 15.1: Circuito do detetor de pico e gráfico exemplificando seu


funcionamento.

Para solucionar o primeiro problema podemos usar detetores de pico ativos como os
mostrados na Figura 15.2. Para o segundo problema podemos usar uma chave analógica para
descarregar o capacitor quando desejarmos.
Figura 15.2: Circuito do detetor de pico ativo: Topologia básica e prática respectivamente.

15.1 Exercícios

1) Para que serve o circuito abaixo. Enumere as características deste tipo de circuito
comentando cada uma delas.
16 Integradores e Derivadores

16.1 Integrador

O circuito do amplificador integrador é mostrado na figura abaixo. O capacitor é utilizado


para integrar corrente e o resistor R1 é utilizado para transformar vi em corrente. Desta forma a
saída do circuito será proporcional a integral da tensão vi.

vi – v –
i=
R1

1
v – – vo= ⋅∫ i dt
C1

1
v – – vo= ⋅∫ vi −v – dt
R1⋅C 1

como v –=0.

1
vo=− ⋅∫ vi dt
R1⋅C 1

Uma outra solução seria

1
vo S  C 1⋅S
=−
vi S  R1

1 1
vo S =− ⋅vi S ⋅
R1⋅C 1 S
1
vo=− ⋅∫ vi dt
R1⋅C 1

16.1.1 Exemplo

Qual a forma de onda na saída de um integrador com R 1=10kΩ e C1=0,1µF quando a


excitação deste circuito é uma onda quadrada com período de 1ms (supor que a onda inicie em -5V
por 0,25ms, mude para 5V por 0,5ms, retorne a -5V por 0,5ms e assim por diante).

Neste exemplo o sinal de entrada vi é constante em determinados intervalos de tempo.


Dentro de cada intervalo, a expressão da saída vo é

1 vi vi
vo=− ⋅∫ vi dt=− ⋅t final – t inicial =− ⋅ t
R1⋅C 1 R1⋅C 1 R1⋅C 1

Para o primeiro intervalo, com ∆t=0,25ms voMÁX=1,25V

Para os intervalos subsequentes, com ∆t=0,5ms, voMÁX=2,5V

16.1.2 Integrador prático

Se levarmos em consideração IB e VOS do AO o amplificador integrador pode ser modelado


como mostra a figura abaixo.
1 1 1
vo=− ⋅∫ vi dt ⋅∫ v OS dt ⋅∫ I B dtv OS
R1⋅C 1 R1⋅C 1 C

Teoricamente o ganho do integrador para frequência zero tende a infinito. Desta forma os
efeitos de VOS e IB impedem que a integração seja feita por longos períodos de tempo, pois nestas
condições o AO satura. Podemos minimizar este problema usando AO com entrada FET, que
reduzem a corrente IB. Uma alternativa é apresentada no circuito abaixo. A inserção de R2 diminui
o ganho DC do integrador para

vo R2
=− .
vi R1

Isto reduz sensivelmente a contribuição final de Vos na saída do integrador de ∞ para

R2
vo V OS = ⋅∣V ∣
R1 OS

Para minimizar os erros com IB neste novo circuito podemos usar as técnicas já estudadas
inserindo um resistor entre terra e a entrada não inversora do AO
R2
R 3=
R1

1
assim ficamos com erro reduzido a
C
∫ Ios⋅dt

Altenativamente podemos equacionar o circuito pelo domínio frequência

1
// R 2
vo C⋅S R 1
=− =− 2⋅
vi R1 R1 R 2⋅C⋅S1

Como podemos ver no desenho abaixo, o integrador com R 2 só possui comportamento


semelhante ao do integrador ideal para frequências acima de R 2·C1 rad/s. A diferença entre a reta do
integrador puro e com R2 deve-se apenas a diferença de ganhos nas curvas desenhadas. Se
aumentarmos o ganho do integrador puro, sua curva subirá até coincidir com a reta inclinada do
circuito integrador com R2. Isto significa que esta é a região de integração, antes disso este circuito
apresenta apenas características de ganho.

Para termos um a precisão de pelo menos 5% a frequência de operação do circuito é dada


por:

3
f operação = .
2⋅⋅R2⋅C 1

Quando a frequência de operação aumenta, aumenta também a precisão do circuito, pois a


reatância de C diminui e a influência de R2 no circuito também.

Uma aplicação muito comum para o integrador com perdas consiste no cálculo do valor
médio da tensão de entrada. A média da tensão na saída do integrador com perdas corresponde a
média da tensão de entrada multiplicada pelo ganho CC do circuito. Se de entrada apresentar
frequência bem maior que a frequência do polo a amplitude das oscilações será pequena.
16.1.3 Exemplo

O circuito da figura abaixo foi simulado com frequência de 200Hz e 2kHz, ambas com
formato senoidal de amplitude unitária e 1V de offset. Qual a tensão de saída?

O ganho do circuito para DC (valor médio)

v o −R1
Av = =
vi R3

v o 500
Av = = =10
v i 50

A frequência de corte do polo do integrador com perdas é

1 1 1
p 1= = = =200rad/ s
R1⋅C 1 500k⋅0,01  F 0,005

200
p 1= =31,8 Hz
2⋅

Como as duas frequências de excitação estão bem acima da frequência de corte do


integrador o circuito funciona como um integrador com perdas.

v o= Av⋅v i

Tempo de estabilização

1 5
t=5⋅=5⋅ = =0,025 s
p1 200
Ripple para 200Hz:

vo R 1
=− 2⋅ ∣
vi R1 R 2⋅C⋅S1 s=1256rad / s

vo
=1,37V pico=2,74 V pp
vi

Ripple para 2000Hz:

vo R 1
=− 2⋅ ∣
vi R1 R 2⋅C⋅S1 s=12560rad / s

vo
=0,15V pico=0,30 V pp
vi

16.2 Derivador

O circuito do derivador é apresentado na figura abaixo. A corrente no capacitor é


determinada pela variação de tensão sobre ele. Esta corrente, ao passar por R1 produz na saída do
circuito uma tensão proporcional a derivada da tensão de entrada.
dvC
i C =C 1⋅
dt

v C =vi

dvi
i C =C 1⋅
dt

vo=−R1⋅i C

dvi
vo=−R1⋅C 1⋅
dt

outra solução seria

vo S  R
=− 1
vi S  1
C 1⋅S

vo S =−R1⋅C 1⋅vi S ⋅S

dvi
vo=−R1⋅C 1⋅
dt

Exemplo: Desenhe a forma de onda de saída de um derivador com R 1=10kΩ e C1=0,1µF.


Considere a entrada uma onda triangular com período de 1ms, inciando em zero, subindo até 1,25V
em 0,25ms e descendo até -1,25V em mais 0,5ms.

vo=−R1⋅C 1⋅
dvi
dt 
V −V inicial
=−R1⋅C 1⋅ final
t final −t inicial 
Para um ∆t=0,25ms e um ∆v=1,25V, vo = – 5V

Para ∆t=0,5ms e um ∆v=2,5V, vo= + 5V


16.2.1 Derivador prático

Teoricamente, em altas frequências o ganho do derivador tende a ∞ . Isto torna o derivador


muito sujeito a ruídos e problemas de estabilidade. Na prática, este circuito sem polos é impossível
de ser realizado, pois o capacitor e o AO ideal não existem. Mesmo assim, com os polos que o
capacitor e o AO real inserem no circuito, a faixa de operação deste circuito continua sendo muito
ampla e os problemas de ruído e instabilidade não desaparecem. Os derivadores práticos utilizam
um limitador de ganho em altas frequências como mostrado na figura abaixo.

Esta redução de ganho em altas frequências pode ser obtida pela inserção de um resistor R2
ao circuito original, tal como indicado na figura abaixo.

O ganho em altas frequências pode ser calculado da seguinte maneira


vo −R 2
=
vi R2

 p=R 2⋅C 1

Altenativamente podemos equacionar o circuito pelo domínio frequência

vo −R1 C⋅S R S
= =−R1⋅ =− 1⋅
vi 1 R2⋅C⋅S 1 R2 1
R2 S
C⋅S R 2⋅C

16.3 Exercícios

1) Mostre as formas de onda na saída de um integrador real quando em sua entrada é


fornecida uma onda quadrada. Considere que a frequência da primeira harmônica pode estar:

a) 1 década abaixo da frequência de corte,

b) na frequência de corte;

c) 1 década acima da frequência de corte.

2) Repetir o problema acima considerando que o circuito seja um derivador real.

OBS.: Para os dois problemas marque, nos gráficos, os valores de tensão e tempo.
17 Conversor Logarítmico e Anti-Logarítmico

17.1 Introdução

A tensão VBE do transistor bipolar de silício é uma função logarítmica da corrente de coletor
para correntes na faixa de valores que vão desde poucos pico amperes até 1 miliampere. Essa
característica do transistor é utilizada na construção de conversores logarítmicos e antilogarítmicos,
que possibilitam executar muitas funções úteis, tais como:

1) operações matemáticas (log, anti-log, multiplicação, divisão, raiz quadrada...)

2) transmissão de informação

3) compressão e descompressão de sinais analógicos (a operação logaritmo reduz valores elevados e


amplifica os pequenos permitindo o máximo aproveitamento da faixa de amplitudes). Exemplo:
um amplificador logaritmo antes de um conversor analógico digital de 12 bits apresenta uma
faixa dinâmica equivalente à de um conversor de 20 bits.

4) medidores de intensidade (sonora, luminosa,...) e absorção luminosa.

Os modelos de conversores logarítmicos que serão apresentados utilizam transistores. Na


maioria dos exemplos os transistores precisam ser perfeitamente casados. Isto pode ser obtido com
arrays de transistores integrados como o LM3046. Alternativamente estão disponíveis circuitos que
implementam um conversor deste tipo e que requerem apenas alguns resistores e capacitores
externos. Exemplos são o LOG102, LOG112, LOG2112.

17.2 Modelo de Ebers Moll do Transístor NPN

Quando se trabalha com pequenos sinais se utiliza um modelo linear do transistor conhecido
como modelo de pequenos sinais, ou modelo pi ou modelo pi-híbrido, porém quando se trabalhas
com sinais elevados, é mais conveniente utilizar o modelo de Ebers Moll (Figura 17.1) de forma
que fiquem explícitas as relações não lineares entre corrente e tensão.
Figura 17.1: Modelo de Ebers Moll do TJB NPN.

Equacionando o modelo de Ebers Moll:

para um diodo isoladamente temos a seguinte relação entre tensão e corrente

 
VD
m⋅VT
i D= I S⋅ e −1

K⋅T
onde V T = ≈25,2 mV em temperatura ambiente
q

Extrapolando para o transistor temos

I c=α F⋅I ED −I CD

I ED= I ES⋅ eV BE /VT


−1 

I CD = I CS⋅ e V BC /VT
−1 

I c=α F⋅I ES⋅ e −1 −I CS⋅ e −1 


VBE /V T −V
CB
/V T

I E =I ED −R⋅I CD

I E =I ES⋅ e −1 −α R⋅I CS⋅ e −1 


V BE /V T V
BC
/V T

onde IES e ICS são correntes reversas de saturação (da ordem de 10 –11A); αF é o ganho direto
(da ordem de 0,99 a 0,999); αR é o ganho reverso (da ordem de 0,01 a 0,001); m é uma constante
empírica (depende do tipo de transistor: Ge=1 e Si=2); K é a constante de Boltzman
(1,381·10– 23J/K); T é temperatura absoluta (Kelvim); q é a carga do elétron (1,602·10–19C)

17.3 Conversor Logarítmico

Com as relações exponenciais entre as tensões e as correntes dos transistores é possível


implementar um conversor logarítmico. A Figura 17.2 mostra o circuito básico para implementação
do amplificador logarítmico.

Figura 17.2: Circuito básico para o amplificador logarítmico.

Condição para funcionamento: vi>0. Condição para boa precisão: 100·IB<ii<10mA.

  
q⋅V BE


−q⋅V
CB
vi
i c = =α F⋅I ES⋅ e m⋅K⋅T −1 −I CS⋅ e m⋅K⋅T
−1
Ri

como VCB = 0

então VBE = –vo

 
−q⋅VCB
m⋅K⋅T
I CS⋅ e −1 =I CS⋅ e 0 −1 =0

como

q⋅V BE
+
m⋅K⋅T
e >> 1

pois
q⋅V BE 1,602⋅10−19⋅0,7
= =27 , 07
m⋅K⋅T 1⋅1, 381⋅10−23⋅300

então é possível simplificar a expressão original de tal forma que

−q⋅vo
vi
=α F⋅I ES⋅e m⋅K⋅T .
Ri

Isolando vo obtêm-se

vo=−
m⋅K⋅T
q
⋅ln

vi
Ri⋅α F⋅I ES 
vo=−K 1⋅ln
  vi
K2

onde

m⋅K⋅T
K 1= e K 2 =Ri⋅α F⋅I ES
q

V BE V BE
m⋅VT m⋅VT
A aproximação e ≃e −1 implica em erros que podem ser estimados facilmente. Por
exemplo, para VBE=100mV o erro é de +2,1% e para VBE=200mV o erro é de +0,04%.

17.3.1 Efeitos da Temperatura

A topologia apresentada na Figura 17.2 é muito suscetível a variações de temperatura pois


diversos parâmetros dependem diretamente da temperatura.

1) vo=−
m⋅K⋅T
q
⋅ln
vi

Ri⋅α F⋅I ES 
−qV G
3 K⋅T
2) IES =B⋅T e onde VG é uma tensão dependente da tensão de gap do transistor (o
chamado potencial de Band-Goy – da ordem de 1,11V) e B é uma constante dependente dos níveis
de dopagem e da geometria utilizada na confecção do transistor.
17.3.1.1 Primeira alternativa

Para minimizar a dependência da tensão de saída com a temperatura costumam-se utilizar


circuitos mais sofisticados para a amplificação logarítmica. Um circuito possível é apresentado na
Figura 17.3.

Figura 17.3: Circuito amplificador logarítmico com compensação térmica. R(T) é um


termistor, ou seja, uma resistência que varia com a temperatura.

Neste circuito VC2 = VBE2 – VBE1

Como

Ic 2 ≃ I REF (considerando que o hfe2 seja elevado e, portanto, Ib2 = 0)

q⋅VBE 2

ic 2 ≃α F2⋅I ES 2⋅e m⋅K⋅T

então

V BE 2 =
m 2⋅K⋅T 2
q
⋅ln
 I REF

α F2⋅I ES 2
.

Como

VBE1 = –vo1
m1⋅K⋅T1
vo 1=−
q
⋅ln
vi

Ri⋅α F1⋅I ES 1 
então

V C2=−
m 1⋅K⋅T 1
q
⋅ln
vi

Ri⋅α F1⋅I ES 1

m 2⋅K⋅T 2
 q
⋅ln

I REF

α F2⋅I ES 2
.

Se os transistores forem iguais e estiverem próximos, então é possível considerar:

T1=T2=T,

m1=m2=m,

α F1 = α F2 = α F e

I ES1 = I ES2 = I ES .

Desta forma a equação de VC2 se reduz a

V C2 =−
m⋅K⋅T
q
⋅ ln
[
Vi
Ri⋅α F⋅I ES
−ln
 
I REF
α F⋅I ES ]
V C2 =−
m⋅K⋅T
q
⋅ln
Vi
 ⋅
α F⋅I ES
Ri⋅α F⋅I ES I REF 
V C2 =−
m⋅K⋅T
q
⋅ln
Vi
Ri⋅I REF  
O último AO é apenas um amplificador não inversor de forma que

vo= 1  R2
R T  
⋅V C2

se R2 >> R(T) então


R2
vo≈ V
R T  C2

R2
vo=−
R T 
m⋅K⋅T
q
⋅ ln
vi
Ri⋅I REF  
Desta forma o erro devido a IES fica eliminado e o erro devido a T é compensado no
amplificador de saída que tem o ganho variável com a temperatura.

Δvo −3 o
∣T ≈300° K =3,30×10 vo / C
ΔT 0

17.4 Conversor Antilogarítmico

Condição: V i 0

qV BE qV BE
V0 mkT mkT
iC = i C =α F I ES (e −1 )−I ES ( e −1 )
R

VCB = 0

VBE = -Vi

−qV i
mas
e mkT >> 1

qV i
V0 −
=α F I ES  e mkT 
R

−qV i
V 0 =Rα F I ES e
mkT
18 Outras Operações com Circuitos Analógicos

18.1 Multiplicador

Os multiplicadores são circuitos capazes de multiplicar duas ou mais entradas. Estes


circuitos estão sendo substituídos, com vantagens, por implementações digitais com circuitos
dedicados ou processadores de sinais. Apesar disto é comum encontrar multiplicadores analógicos
como parte de outros circuitos como os PLL e demoduladores ou na forma discreta em aplicações
de frequências elevadas, controle de ganho, amplificadores com ganho controlado por tensão,
osciladores com frequência controlada por tensão entre outros. Alguns exemplos comerciais de
multiplicadores são o AD834 e o AD633 da Analog Devices e o MPY634 da Texas Instruments.

18.1.1 Multiplicador ideal

O multiplicador analógico ideal tem a seguinte representação.

X⋅Y
V 0=
K

São características do multiplicador ideal:

1) impedância de entrada infinita;

2) impedância de saída nula;

3) frequência de corte infinita.

18.1.2 Multiplicador real

Os multiplicadores práticos são alimentados, normalmente, por ±15V e valores típicos para
X e Y são ±10V. O valor de K é escolhido de forma a não saturar a saída do multiplicador.

K= X MAX ⋅ YMAX = 10 ⋅ 10 = 10

Com este valor de K, a saída pode assumir o valor máximo de 10V quando X=Y=10V.
O multiplicador real também apresenta uma série de erros que são causados por offsets e não
linearidades.

V  x os V y  y os 
V 0 =1ke ⋅ X V os h  x , y 
10

onde: ke é o erro de ganho; h (x,y) são não linearidades (termos como x 2, y2, x2y, xy2, ...);
xos e yos correspondem a tensão de offset das entradas (multiplicadores reais apresentam uma saída
diferente de zero quando ao menos uma das entradas está em zero volts. Este valor na saída é
chamado de feed through); Vos é a tensão de offset na saída quando x=y=0.

Desenvolvendo-se a equação e desprezando alguns termos, temos:

V x⋅V y k e⋅V x⋅V y V x⋅y os V y⋅X os


V 0=    V os h x , y 
10 10 10 10

a última parcela desta fórmula, referencia um elemento genérico “não linearidades”. Este
termo pode ser quantizado se deixarmos uma das entradas do multiplicador fixa e variarmos a
tensão na outra entrada. Se levantarmos a curva Vo versus Entrada não teremos uma reta (resposta
do multiplicador ideal). Olhando bem a fórmula acima se nota que mesmo com os offsets e erros na
variável K, a saída deveria ser uma reta. Esta distorção é função de uma série de outros fatores que
dependem do método utilizado para a multiplicação e são agregados neste fator único.

Além dos problemas com offset os multiplicadores reais apresentam uma série de limitações
CA como

1) settling time diferente de zero;

2) slew rate finito;

3) frequência de corte finita;

3) xos e yos em função da frequência;

4) não linearidade em função da frequência.


18.2 Técnicas de Multiplicação

18.2.1 Multiplicador por transcondutância variável

O multiplicador de transcondutância variável pode ser implementado com OTAs ou com


transistores utilizando as características favoráveis do par diferencial. O circuito, tal como
apresentado na figura abaixo, apresenta problemas com variações de I E devido a Vy. Estas variações
causam uma grande excursão da tensão de modo comum em Vo. A tensão VBE do transistor da
entrada Vy foi desconsiderada na dedução mas isso nem sempre pode ser feito. Como evolução
deste circuito o multiplicador mais comum em circuitos integrados emprega a chamada célula de
Gilbert onde mais de um par diferencial com acoplamento cruzado são utilizados para melhorar o
desempenho do multiplicador. Um bom material sobre o assunto pode ser encontrado com
facilidade no manual do já obsoleto MPY100 da Burr Brown e no Tutorial Analog Multipliers da
Analog Devices.

Para o par diferencial, a tensão de saída corresponde a

v O =gm⋅R L⋅v X .

A transcondutância do estágio (gm), é dado por

IE
gm=
VT

onde V T é a tensão térmica do transistor (≈ 25mV na temperatura ambiente)

No arranjo apresentado, gm é modulado pela entrada V Y de forma que


vY
gm= .
RE⋅V T

Substituindo este valor de gm na equação da tensão de saída do par diferencial temos

vY
vO= ⋅R ⋅v
R E⋅V T L X

logo

RL
vO= ⋅v ⋅v
R E⋅V T X Y

18.2.2 Multiplicador com conversor Log-Anti Log

Amplificadores logarítmicos combinados com circuitos anti log, são uma alternativa para a
multiplicação de duas variáveis. O circuito abaixo mostra com isso pode ser realizado.

As tensões v1 e v3 são as tensões vBE dos transistores T1 e T3 dadas por

 
vX
K⋅T 1 Rx
v 1=− ⋅ln
q I ES 1
 
vZ
K⋅T 3 Rz .
v 3=− ⋅ln
q I ES 3

Subtraindo as duas equações obtêm-se

   
vZ vX
K⋅T 3 Rz K⋅T 1 Rx
v 3−v1 =− ⋅ln  ⋅ln
q I ES 3 q I ES 1


vX
K⋅T Rx
v 3−v1 = ⋅ln
q vZ
Rz

As diferenças de potencial entre v1 e v2 e entre v3 e v2 correspondem as tensões vBE dos


transistores T2 e T4 respectivamente, e podem ser obtidas pelas equações

 
vY
K⋅T 2 Ry
v 1−v 2= ⋅ln
q I ES 2

 
vO
K⋅T 4 Ro .
v 3−v 2= ⋅ln
q I ES 4

Estas equações podem ser utilizadas para se obter a diferença entre as tensões v1 e v3

   
vO vY
K⋅T 4 Ro K⋅T 2 Ry
v 3−v1 = ⋅ln v 2− ⋅ln −v 2
q I ES 4 q I ES 2

e se todos os transistores são mantidos a mesma temperatura além de serem iguais, temos


vO
K⋅T Ro
v 3−v1 = ⋅ln
q vY
Ry
As duas equações que descrevem a diferença de potencial entre v3 e v1 devem ser iguais,
logo

  
vX vO
Rx Ro
=
vZ vY
Rz Ry

v X⋅v Y Ro⋅Rz
vO= ⋅ .
v Z Rx⋅Ry

Se todas as resistências tem o mesmo valor e vZ = 10V então obtemos para a saída

v X⋅v Y
vO=
10

18.2.3 Multiplicador de quase 4 quadrantes

O multiplicador logarítmico, entretanto, só multiplica sinais do terceiro quadrante (as duas


entradas devem ser negativas). Para obter um multiplicador de 4 quadrantes a partir do
multiplicador logarítmico apresentado, podemos utilizar o circuito da figura abaixo.

As entradas do amplificador são

x=10−v X
y=10−v Y

A saída do multiplicador é

x⋅y 1 v ⋅v
= ⋅ 100−10⋅v X −10⋅v Y v X⋅vY = X Y 10−v X −v Y .
10 10 10

Último estágio do circuito é um somador que adiciona –10V, vX e vY a saída do


multiplicador, de forma que

v X⋅v Y
vO=
10

18.3 Circuitos de aplicação direta dos multiplicadores de tensão

18.3.1 Circuito divisor

Um divisor analógico pode ser obtido a partir de um multiplicador conforme apresentado no


circuito da figura abaixo.

Sendo a corrente na entrada vY igual a corrente que flui pela saída do multiplicador

v X⋅vO
10 v
=− Y
R R

v X⋅v O
=−v Y
10

vY
v O =−10⋅
vX
18.3.2 Circuito extrator de raiz quadrada

Um extrator de raiz quadrada pode ser implementado a partir do circuito multiplicador


conforme apresentado na figura abaixo.

v O2 v
=− X
10⋅R R

2
v O =−10⋅v X

v O = −10⋅v X (apenas para entradas negativas)

Alternativamente é possível utilizar o circuito da figura abaixo

v
v O =10⋅ X
vO

v O = 10⋅v X (apenas para entradas positivas)

18.3.3 Circuito conversor RMS-DC

Um conversor dito explícito de valor RMS para DC pode ser obtido pelo circuito da figura
abaixo.
v ORMS =
 1 T 2
⋅∫ v  t ⋅dt
T 0 X

Um circuito implícito pode ser obtido conforme figura abaixo.

2
1 vX
v ORMS =− ⋅∫ − ⋅dt
R⋅C vO

Para o funcionamento do circuito acima é necessário que o AO esteja funcionando como um


integrador. Se isto acontecer então a tensão eficaz, que é a tensão de saída deste circuito, é um valor
constante e pode ser retirada da integral.

1
v O2 = ⋅∫ v 2X⋅dt
R⋅C

vO=
 1
R⋅C
⋅∫ v 2X⋅dt

18.4 Exercícios

1) Com o circuito abaixo implementar v 0 =k⋅


v1
v2
⋅v 3 . Resolver o problema para três casos

distintos: x>0, x<0 e x=0. Interconectar os dois circuitos da forma que for necessária para obter
cada valor de x.
2) Considerando os AO ideais, com tensão máxima de saída de ±15V, hfe≅500, transistores
idênticos e à mesma temperatura: a) Analisar o circuito abaixo e calcular vo vi ; b) Sabendo-se
que o polinômio x 3 / 6 − x é uma boa aproximação da função –sen(x), implemente este polinômio
utilizando o circuito abaixo. Para tanto considere I=1mA, R1=15kΩ. Utilize valores comerciais para
os resistores calculados. c) Qual a principal desvantagem deste sintetizador de senoide?

Considerar
i C ≃α F⋅I ES⋅exp  
v BE
m⋅V T

3) Para os circuitos abaixo calcular a equação da tensão de saída em função da tensão de


entrada. Desenhar em papel milimetrado a curva e0 × ei para − π / 2V ≤ ei ≤ + π / 2V . Que função
matemática estes circuitos implementam?
Os dois circuitos implementam a função trigonométrica seno (ei ) completa com um erro máximo
da ordem de ± 0,6% do fundo de escala.
19 Geradores de Função

19.1 Introdução

Geradores de função são circuitos capazes de gerar formas de onda de tensão (normalmente)
em formatos variados e com baixa amplitude. As formas de onda mais comuns, disponíveis em
quase todos os geradores são:

1) senoidal: usada entre outras coisas para a verificação da resposta em frequência;

2) triangular: usada entre outras coisas para a verificação da linearidade;

4) retangular: usada entre outras coisas para a verificação de transitórios.

Além destas, os geradores ainda podem apresentar ondas derivadas das anteriores:

1) pulsos;

2) rampas;

3) salva (burst)

4) composição de funções.

Existem CIs prontos para geradores de função. Exemplos são o MAX038, o ICL8038 e o
XR2206. Estes CIs estão todos obsoletos Um dos poucos circuitos que sobraram para esta função
foi o NTE864. Novos circuitos para estas funções utilizam técnicas digitais para a geração de
formas de onda assim como o AD5932 o AD9833 e outros.

19.2 Osciladores harmônicos (lineares)

Estes geradores produzem senoides com baixa distorção harmônica. Para que eles
funcionem é necessário que os polos da função de transferência estejam sobre o eixo jω. Lembre-se,
quando isto acontece, a solução para a equação diferencial formada, contém uma senoide não
amortecida. Estudando teoria de controle percebemos que um sistema realimentado, pode oscilar.
Para isto, a condição fundamental é que, abrindo o laço de realimentação, e percorrendo tal laço,
obtemos um sinal com módulo e fase equivalente a -1∠180º. Ou seja uma rotação de fase de 360º.
Estes osciladores, entretanto, não serão estudados nesta disciplina. A pesar disto uma lista de alguns
dos tipos mais comuns é fornecida abaixo.
19.2.1 Giro completo de fase

Osciladores por deslocamento de fase, Hartley e Colpitts

ϕ A = 180, ϕ R ( w0 ) = 180 °

Oscila porque:
ϕ TOT = ϕ A + ϕ R ( w0 ) = 180  + 180  = 360 

19.2.2 Avanço – atraso

Oscilador em Ponte de Wien, Sallen -Key

Avanço: derivador. Atraso: integrador.


ϕ A = 00 ,ϕ R1 ( w0 ) = − ϕ R2 ( w0 )
oscila porque:
ϕ TOT = ϕ A +ϕ R1 ( w0 ) + ϕ R2 ( w0 ) = 0 0 + ∆ ϕ − ∆ ϕ = 0 0

19.2.3 Estabilidade de amplitude

Quando tentamos variar a frequência de oscilação de um oscilador harmônico normalmente,


modificamos também o ganho de laço de realimentação de forma que este pode parar de oscilar ou
distorcer o sinal gerado. Para corrigir este problema, precisamos de um controle automático de
ganho (CAG). Pode ser construído com circuitos a base de diodos para alterar o ganho do
amplificador em função da amplitude da onda ou com circuitos onde uma tensão pode ser
controlada por outra como nos multiplicadores ou OTA.

19.3 Osciladores não harmônicos (não lineares)

No diagrama de blocos mostrado abaixo, a saída do integrador fornece uma onda triangular.
Desta onda também é obtida a onda senoidal, bastando para isto a sua conformação, seja com filtros
variáveis ou com circuitos de ganho variável. Da triangular também obtém-se a onda quadrada,
quando esta é aplicada a entrada de um comparador (normalmente com histerese).

Para o cálculo da frequência de oscilação basta determinar as tensões de comparação e a


equação de saída do integrador. Com base nestes dois dados é possível determinar quanto tempo é
gasto até que a saída da onda triangular atinja a tensão de comparação.

19.3.1 Gerador de onda retangular

Um exemplo bem simples de oscilador não harmônico, para gerar onda quadrada, é
apresentado abaixo
R=10k, C=0,1uF, R1=5k, R2=10k, Vcc=15V.

O equacionamento do problema passa pela determinação das tensões de comparação e pela


equação da tensão de carga e descarga sobre o capacitor.

R1
V H =V OM⋅
R1 R2

R1
V L =−V OM⋅
R1 R2

V H , L=±V OM⋅β

onde

R1
β=
R1 R2

No circuito:

Carga de capacitor com tensão constante em um circuito RC série.

V =V i  V ∞ −V i ⋅ 1−e −t/τ 

onde τ é a constante de tempo

T =−τ⋅ln
 V ∞−V F
V ∞ −V i 
tempo para V F

Aplicando isto ao problema temos que

V ∞ =V OM

R1
V i =−V 0M⋅
R1 R2
R1
V F =V 0M⋅
R1 R 2

 
R1
1−
R1 R 2
T 1 =−τ⋅ln
R1
1
R1 R2

T1=T2

T 1 =−τ⋅ln
 R2
2⋅R1R 2 
T 1 =τ⋅ln
 2⋅R1
R2
1

mas T1=T2, então

T =2⋅R⋅C⋅ln
 2⋅R1
R2
1

T =−2⋅τ⋅ln  
1− β
1 β

19.3.1.1 Alterações no circuito

a) Limitação de V 0M

V 0M =V Z 0,7
Rz deve estar entre 47 e 470 ohms, depende da constante de tempo RC e R2. Procurar fazer
Rz<<R2 e Rz<<R

b) Ciclos Assimétricos: T 1 ≠T 2 .

τ 1=R a C , τ 2 =Rb C

τ =τ 1τ 2

τ = R a Rb C

Note que, neste exemplo, foram utilizadas apenas as resistências Ra e Rb, como se o diodo
fosse ideal.

c) O circuito RC do circuito não é um integrador puro. Só será um integrador puro para


alimentação com fonte de corrente e este não é o caso. Entretanto para frequências de
funcionamento acima do polo (1/RC) o circuito se comporta de forma semelhante ao integrador
puro e a onda formada é puramente triangular. A pesar disto, quanto maior a frequência de trabalho
menor a amplitude da onda triangular.

1/ RC
T  s =
S 1/ RC

19.3.2 Gerador de onda triangular com AO

Um gerador de onda triangular, com a mesma topologia apresentada anteriormente, porém


com a substituição do circuito RC por um integrador de tensão, é apresentado na figura abaixo.
Ra=Rb=10k, Da=Db=1N4148, C=0,1uF, R1=5k, R2=10k, Rz=1k, Vz=6,2V

O cálculo do circuito continua sendo realizado da mesma forma. É necessário determinar as


equações de carga e descarga do capacitor e as tensões de comparação. As equações podem ser
escritas para cada trecho da onda triangular separadamente.

a) Integrador:

1
V o Tri t =−V o Qua⋅ ⋅tV o Tri t 0 
R⋅C

1
T  s =− (integrador puro, ou seja, polo na origem)
R⋅C⋅S

b) Histerese:

A saída do comparador se altera quando

V +=0 .
Como

V o Qua⋅R1 V o Tri⋅R2
V +=
R1 R2

então

R1
V o Tri=−V o Qua⋅ .
R2

logo os níveis de comparação são

R1
V H =V o Qua⋅
R2

R1
V L =−V o Qua⋅
R2

onde

V o Qua=V Z 0,7

Assim, levando em conta a condição inicial

1
V o Tri t =−V o Qua⋅ ⋅tV o Tri t 0 
R⋅C

R1 1 R
−V o Qua =−V o Qua⋅ ⋅T 1 V o Qua⋅ 1
R2 R⋅C R2

R1
T 1 =2⋅ R⋅C .
R2

Se T 1 =T 2

então
R
T =4⋅ 1⋅R⋅C
R2

R2
ou f =
4⋅R1⋅R⋅C

19.3.2.1 Alterações no circuito

a) controle de frequência:

Sendo uma variável x tal que 0≤x≤1

R p << R

V o Qua' =x⋅V o Qua

1
V o Tri t =−V o Qua '⋅ ⋅t V o Tri t 0 
R⋅C

R1 1 R
−V o Qua MAX⋅ =−x⋅V o Qua MAX⋅ ⋅T 1V o Qua MAX⋅ 1
R2 R⋅C R2

2 R1
T 1 = ⋅ ⋅R⋅C
x R2

Se T1 = T2

então

4 R
T = ⋅ 1⋅R⋅C
x R2
R2
ou f = ⋅x
4⋅R1⋅R⋅C

f ∝x

19.3.2.2 Gerador de onda triangular com OTA

Como visto anteriormente (capítulo 4) as equações que descrevem o comportamento do


OTA são as seguintes:

i O =A g⋅ v +−v - 

A g = K⋅I B

i O =K⋅I B⋅ v + −v - 

Considerando a saída triangular como v1 e a saída quadrada como v2:

a) o integrador

1
v 1 t =i O⋅ ⋅t  v1 t O 
C

R4 1
v 1 t =A g⋅v 2⋅ ⋅ ⋅tv1  t O 
R3 R4 C

A g⋅R 4⋅v 2
v 1 t =− ⋅t v 1  t O 
 R3 R 4 ⋅C
b) o comparador

R
V H =V Máx⋅ 1
R2

R1
V L =V Máx⋅
R2

c) a metade do período pode ser obtido igualando a tensão VH a tensão v1(t)

R1 A g⋅R4⋅V Máx R
V Máx⋅ =− ⋅T 1 −V Máx⋅ 1
R2  R3R 4 ⋅C R2

2⋅R1⋅ R3 R4 ⋅C


T 1=
Ag⋅R 2⋅R 4

se o tempo de carga for igual ao tempo de descarga

A g⋅R 2⋅R 4
f O=
4⋅R1  R 3R 4 ⋅C

K⋅I B⋅R2⋅R4
f O=
4⋅R1  R 3R 4 ⋅C

b) o controle linear da frequência

Controlando IB é possível fazer um VCO (oscilador controlado por tensão)

O integrado CA3086 (OTA) permite variar Ag linearmente ao longo de 3 décadas (103


vezes) pela simples alteração do valor de IB. Isto permite fazer um VCO de 10Hz até 10kHz.
19.3.3 Gerador de rampa ou dente de serra

Uma chave controlada por tensão pode ser utilizada para curto-circuitar o capacitor do
oscilador. Isto faz com que o tempo de descarga seja zero e com isto se consegue um gerador de
rampa ou dente de serra. Um exemplo pode ser visto na figura abaixo.

R1=5k, R2=10k, Vref2=6V, Vref1=-1V, R=10k, C=0,1u, VCC=10V, ChaveOn=200R,


ChaveOff=1MR.

Neste exemplo a chave fecha quando a tensão da onda quadrada é negativa.

V Ref1
Vsubida= ⋅t
R⋅C

t

Rchave⋅C
Vdescida=V Ref2⋅e

Uma outra possibilidade é mostrada abaixo. Note que este circuito também apresenta uma
chave para descarregar rapidamente o capacitor.
Neste exemplo o comparador apresenta saída em coletor aberto, a chave fecha com controle
em zero e R4>>R3, R2 e R1

I
Vsubida= ⋅t
C

V⋅R3
V MAX =
R1 R2R3

V⋅ R2 // R3
V MIN =
R4 R2 // R3

t
V⋅R3 −
Vdescida= ⋅e Rchave⋅C
R1R2R3

19.3.4 Onda senoidal por conformação de triangular

Uma forma de se obter forma de onda senoidal é através da conformação de uma onda
triangular. Três alternativas para fazer isto são a utilização da característica logarítmica de um par
diferencial ou de circuitos com ganho variável (construídos com diodos atuando como chave) e o
uso funções matemáticas e de expansão em séries. Estas duas alternativas são bem exploradas no
Application Note AN-263 da National Semiconductor.

19.3.4.1 Característica Logarítmica do Par Diferencial

O amplificador diferencial com transistores não pode ser considerado linear se o sinal
aplicado a sua entrada for de grande amplitude, ou seja, muito maior que 25mV. A figura abaixo
mostra um par diferencial e a sua curva Vo x Vi para tensões de entrada de aproximadamente
±100mV

Nestes casos a corrente de emissor deve ser aproximada por

1
{[ ( R
i E = ⋅Io⋅tanh 20⋅ Vi – i E⋅2⋅ Re + B
2 β0 )]} , onde R B representa eventuais impedâncias da base.

Considerando
3 5
x x
Taylor (sin( x))=x – !+ ! −...
3 5

x 3 2⋅x 5
Taylor (tanh ( x))=x – + −...
3 15

temos que a característica não linear do par diferencial pode ser utilizada para transformar uma
onda triangular em uma aproximação para a senoide. Esta abordagem permite valores de tensão de
entrada da ordem de 200mVpp com distorção harmônica (THD) de 1 a 0,1%.
Saída senoidal com 200mVpp e 0,6% de distorção. O potenciômetro de 10k é utilizado para ajuste
de simetria e o de 5k para ajustar o formato da onda senoidal.

19.3.4.2 Conformador com diodos

Um conformador com diodos pode ser construído de forma que a medida que a tensão de
entrada aumenta alguns diodos do circuito passam a conduzir inserido ou retirando elementos do
circuito. No exemplo abaixo, onde V1, V2, V3 e V4 são tensões positivas, os diodos D1, D2, D3 e
D4 estão normalmente cortados. A medida que Vi aumenta estes diodos gradativamente entram em
condução criando um divisor resistivo.

Este divisor resistivo atenua a transferência do sinal de entrada para a saída. Observando o
gráfico abaixo se observa que a medida que cada diodo entra em condução a inclinação da curva vo
contra vi diminui. A curva abaixo deve ser construída de forma a transformar uma reta (vi) numa
aproximação de senoide (vo).

A partir do desenho da tensão de entrada (triangular) e de saída (senoide) marcam-se os


pontos utilizados para aproximar a senoide por segmentos de reta. Uma vez determinados os valores
das ordenadas calculam-se os valores das abcissas. Por exemplo, para uma onda triangular com
tensão entre 0 e 9V é possível criar ¼ de senoide com as tensões de saída estipuladas em v O1=3,0,
vO2=4,2, vO3=5,2, vO4=5,8, vO5=6,0.

v OX
v iX ≈v OMáx⋅arcsen
v OMáx

v O1
v i1≈6⋅arcsen =3
v O5

v O2
v i2 ≈6⋅arcsen =4,4
v O5

v O2
v i3≈6⋅arcsen =6,0
v O5

v O4
v i4 ≈6⋅arcsen = 7,5
v O5

Os valores para as fontes de tensão devem ser obtidas a partir de v Ox descontando-se as


quedas de tensão sobre os diodos.

V1=2,4V, V2=3,6V, V3=4,6V, V4=5,2V e V5=5,4V


A implementação prática das fontes pode ser realizada com o divisor de tensão apresentado
abaixo

onde R>>RF (para que os resistores das fontes não interfiram nas associações de resistores
do conformador). Alternativamente podem ser utilizados buffers para isolar as fontes do circuito do
conformador. A tensão de 10V, em ambos os casos deve ser bem regulada.

Uma vez determinados os valores de tensão de entrada e saída para os pontos de quebra
(pontos de condução dos diodos) determinam-se os resistores. De maneira geral, quando os diodos
conduzem anexam mais um resistor ao circuito, transformando-o no equivalente da figura abaixo.

onde

Δv i R
=1 a
Δv O Rb

Ra =R

Rb é o paralelo dos resistores (R1, R2, R3 e R4) que estiverem conduzindo no momento.

Para o primeiro segmento de reta:

Δv i
=1 significa que não há nenhum resistor Ri conduzindo ( Rb = ∞ )
Δv O

Para o segundo segmento de reta:


Δv i v −v Δv i R
= 2 1 =1, 167 ; =1 ; R1 =6R
Δv O v O2 −v O1 ΔvO R1

Para o terceiro segmento de reta:

Δv i v 3−v 2 Δvi R
= =1,6 ; =1 ; R1 // R 2=1, 67 R ; R 2=2,31 R
ΔvO v O3−v O2 Δv O R1 // R2

Para o quarto segmento de reta:

Δv i v −v Δvi R
= 4 3 =2,5 ; =1 ; R1 // R2 // R3 =0,667 R ; R3 =1, 11 R
Δv O v O4 −v O3 ΔvO R1 // R 2 // R3

Para o quinto segmento de reta:

Δv i v 5−v 4 Δvi R
= =7,5 ; =1 ; R1 // R2 // R3 // R4 =0,154 R ; R4 =0,2 R
ΔvO v O5 −v O4 ΔvO R1 // R 2 // R3 // R4

O circuito completo pode ser visto na figura abaixo.

A figura abaixo mostra a tensão de entrada do circuito, uma senoide pura (o desenho mais
arredondado) e a aproximação obtida com o circuito proposto. Se as fontes de referência forem
ideais ou forem isoladas com buffers a tensão de saída coincidirá com a senoide.
Este circuito serve apenas para conformar o semiciclo positivo da senoide. Para obter a
senoide completa é necessário duplicar o circuito para o semiciclo negativo. A figura a seguir
mostra um circuito prático para implementar um conformador com diodos. O circuito está já está
duplicado permitindo a conformação de toda a senoide.
19.3.4.3 Série de Taylor modificada

Uma função do tipo sem(x) pode ser expandida em uma série de potências como a série de
Taylor. Cada elemento da série pode ser implementado eletronicamente resultando em uma boa
aproximação para a senoide. A expansão de Taylor para o seno é

x 3 x5 x7
sen  x=x−  − . ..
3 ! 5 ! 7!
que pode ser truncada para os dois primeiros termos de forma que

x3
sen x≃ x−
3!

Está é uma aproximação com erros para o seno. Para melhorar os resultados da série de
Taylor truncada, podemos corrigir os valores da curva. Se escolhermos a relação abaixo, teremos
um erro 5 vezes menor do que na série de Taylor truncada.

2, 827
x
sen x≃x−
6, 28

π
Para esta série, o erro teórico obtido é da ordem de ±0,23% para 0≤x≤
2

O problema, agora, passa a ser a forma de implementar esta função. Isto pode ser obtido
com a seguinte relação matemática:

x 2,827
sen x≃x− =x−0,15924 e [ 2,827⋅log  x ]
6, 28

E esta relação pode ser implementada pois existem amplificadores logaritmos comerciais.

Este circuito vale apenas para a faixa de valores especificado acima. Estes valores são
positivos o que impede seu uso com uma triangular. Este problema pode ser contornado com o uso
de retificadores e amplificadores inversores.

19.3.5 Circuito com PLL (phase locked loop)

O circuito PLL é um circuito cuja concepção remota a primeira metade do século XX mas
que só ganhou popularidade quando pode ser integrado no final dos anos 60. Este circuito utiliza
técnicas de controle para transformar uma frequência de entrada em uma tensão de saída. O
diagrama de blocos do PLL pode ser visto na figura abaixo.

Fi Comparador Filtro Amplificador


de Fase

VCO

Um sinal em frequência é aplicado a um comparador de fase (um circuito capaz de


multiplicar dois sinais). A saída é filtrada por um passa baixas, amplificada e utilizada como entrada
de um VCO. A frequência de saída do VCO é comparada com o sinal de entrada pelo comparador
de fase fechando o laço de realimentação.

A saída do comparador de fase pode ser obtida multiplicando-se dois sinais senoidais de
frequências ω1 e ω2.

1
sen 1⋅sen 2=  cos  1− 2 −cos  12  .
2

Supondo que o laço de realimentação faça com que a saída do VCO apresente frequência
idêntica a do sinal de entrada. Então uma das parcelas da equação acima corresponde a frequência
zero e a outra ao dobro da frequência de entrada. Esta frequência elevada pode ser filtrada
(removida) de forma que a saída do PLL corresponda a um nível CC.

Para analisar este circuito pelo domínio da frequência é necessário estipular funções de
transferência para cada um dos blocos apresentados. A figura abaixo mostra os ganhos de cada
bloco do PLL. A saída do VCO é integrada para que se obtenha uma grandeza proporcional a fase
do sinal.

φe
Kd (V/rad)
F(s) A
φi Σ Comparador
Filtro Amplificador
Vo
de Fase

φosc
ωosc
1 Ko (rad/s)/V
S VCO

A saída do VCO é obtida pela equação


ωOSC = ωO + KO·VO

A função de transferência do PLL é dada por

Vo Kd⋅F  s⋅A
=
i Ko
1Kd⋅F  s⋅A⋅
s

Vo s⋅Kd⋅A⋅F  s
=
 i sKd⋅Ko⋅A⋅F  s 

Como o objetivo é encontrar uma função de transferência em função da frequência do sinal


de entrada podemos, novamente, utilizar a seguinte relação

d i t 
i t= .
dt

Desta forma

Vo 1 Vo 1 s⋅Kd⋅A⋅F  s
= ⋅ = ⋅
i s i s sKd⋅Ko⋅A⋅F s 
*

Vo 1 Kv
*
= ⋅
i Ko sKv

onde Kv=Ko⋅Kd⋅A

Exemplo: Calcular Vo quando, Vi é o sinal do gráfico ao lado. Considere um PLL com:

KO=2·π·(1kHz/V), Kv=500s-1 ωO= 2·p·500Hz.

Vi
1kHz 250Hz 1kHz

t
Vo 1 Kv
*
= ⋅
i Ko sKv

i −o
Vo=
Ko

vo=–0,25V para 250Hz;

vo=+0,50V para 1000Hz;

τ=Kv-1 = 2ms (constante de tempo para estabilização do sinal).

Alguns exemplos de PLL integrados são LM565 (obsoleto), 74HC4046 (CMOS) e


TLC2933. Todos bem descritos em Applications Notes como o AN46.

Aplicações:

1) Demodular de FM

2) Conversor frequência tensão

3) Sincronização de um oscilador (saída do VCO) com um sinal de entrada.

4) Multiplicação de frequência (quando na saída do VCO for adicionado um divisor de frequência


por N, a saída do VCO apresenta uma frequência N vezes maior que a frequência do sinal de
entrada.

A geração de senoides também pode ser feita com PLLs mas, na maioria dos casos, PLL
integrados empregam ondas quadradas nos VCOs. Obter saídas senoidais é possível mas o VCO
deve ser senoidal. Alternativamente é possível utilizar filtros passa baixas com frequências de corte
variável e grau elevado. A MAXIM propõe o circuito abaixo, com um PLL, um divisor de
frequências e um filtro passa baixas de 8a ordem a capacitor chaveado, com frequência de corte
controlada pela frequência de oscilação do VCO. Neste circuito é possível obter frequências
senoidais de 20Hz até 20kHz com THD de 2,7% até 0,02% respectivamente.
19.3.6 DDS

Hoje em dia uma das melhores maneiras de produzir um sinal senoidal de frequência
variável emprega circuitos conhecidos como Direct Digital Synthesis (DDS). No DDS os valores de
amplitude do sinal senoidal são gravado em memória (conversor fase amplitude na figura abaixo)
que é endereçada por um contador (acumulador de fase na figura abaixo). No caso da figura abaixo
o contador implementado é incrementado de acordo com a palavra de controle, assim é possível
controlar a frequência do sinal senoidal ajustando tanto a palavra de controle como o clock do
circuito. Na verdade, com esta estrutura é possível implementar qualquer forma de onda na saída do
conversor DA. Em circuitos como este se obtém com certa facilidade THD menores do que 0,01%.
Um filtro passa baixas pode ser utilizado para melhorar a qualidade da senoide reconstruída. O
cuidado com filtro passa baixas nestes casos é que ele deve ter frequência de corte variável. Caso
isto não aconteça a amplitude do sinal senoidal diminui a medida que a frequência aumenta.

19.4 Exercícios

1) Um circuito condicionador de sinais deve ser montado para linearizar a saída de um


medidor de temperatura. O gráfico da resposta do medidor de temperatura em função da
temperatura é mostrada abaixo. Apresente proposta de circuito para o condicionador de sinais.

Vo

1 2 T
2) Qual a equação da tensão de saída em relação ao tempo

3) Considere: A.O.S ideais, E 0 M = ± 15V , VCEsat = 0V , hFE = 200 . Analise o seguinte


circuito e desenhe as formas de onda das saídas e1 , e 2 e e3 calculando e indicando valores de
tempo e tensão. Considere Ei = + 5V . Determine a função que relaciona a frequência gerada com a
tensão de entrada ( f 0 = f ( E i )) .

4) Analisar o circuito abaixo e desenhe as formas de onda de v 1 e v2 em função do tempo.


Calcular e indicar valores de tempo e tensão. Considerar que a tensão de entrada pode ser qualquer
valor entre 0 e 10V. Determinar a função que relaciona a frequência gerada e a tensão de entrada.
Considerar AO ideais, tensão máxima de saída de ±15V, VD=0,6V, VZ=10V, R=10kΩ, C=10nF. A
chave fecha com v2 em nível alto.
5) Analisar o circuito abaixo e desenhar as formas de onda de e 1, e2, e3 e e4 no tempo.
Calcular a função que relaciona a frequência gerada e a tensão de entrada. Qual a faixa de tensão de
E i dentro da qual o circuito continua funcionando corretamente? Considerar os AO ideais, a

máxima tensão de saída em ±15V, VD=0,7V, hfe≅500, VCESAT=0V.

6) Para o circuito abaixo, considerando os AO ideais e com tensão de saída máxima em


±15V: Determinar qual dos dois comparadores com histerese (A ou B) deve ser substituído no
circuito para que este oscile. Analisar o funcionamento do circuito, já com o comparador correto
substituindo, e desenhar as formas de onda de e1 e e2 ao longo do tempo, calculando e indicando
valores de tempo e tensão.
Instrumentação e Técnicas de Medidas

Ruído Elétrico e Componentes Reais


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783 e Op Amp Applications Handbook,
Section 4, edited by Walt Jung (Newnes, 2006).

Última alteração: 11/10/2013


Índice
20 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional............................................................4
20.1 Ruído Térmico........................................................................................................................4
20.2 Shot Noise...............................................................................................................................4
20.3 Ruído de Contato....................................................................................................................5
20.4 Popcorn Noise.........................................................................................................................5
20.5 Soma de Ruídos......................................................................................................................6
20.6 Espectro de ruído....................................................................................................................7
20.7 Equivalente Elétrico................................................................................................................8
20.8 Razão sinal ruído....................................................................................................................9
20.9 Figura de ruído........................................................................................................................9
20.10 Exemplo: Ruído..................................................................................................................10
20.10.1 Tabela de erros............................................................................................................11
21 Componentes Passivos (Resistores Capacitores).........................................................................13
21.1 Resistores e potenciômetros..................................................................................................13
21.1.1 Efeitos térmicos.............................................................................................................13
21.1.2 Elementos parasitas.......................................................................................................14
21.1.3 Falhas, variação com o tempo e ruído...........................................................................15
21.1.4 Potenciômetros..............................................................................................................15
21.2 Indutores...............................................................................................................................16
21.3 Capacitores............................................................................................................................16
21.3.1 Absorção Dielétrica.......................................................................................................17
21.3.2 Elementos parasitas (Rp, ESR e ESL)..........................................................................18
21.3.3 Tolerância......................................................................................................................20
20 Ruído elétrico em circuitos com amplificador operacional

Ruído elétrico é todo o tipo de interferência que se sobrepõe a uma informação elétrica. Para
evitar confusão, a partir deste momento, a palavra “sinal” passa a representar a informação útil ao
passo que a palavra “ruído” será utilizada para referenciar qualquer tipo de interferência elétrica
sobre um determinado sinal. O ruído elétrico nos operacionais se deve ao ruído inerente a cada
dispositivos que o compõe (transistores, resistores, etc....).

Existem várias formas de ruído elétrico sendo que cada uma destas formas está associada a
algum evento físico ou a alguma característica de confecção do componente. A seguir, são listados
os principais tipos de ruído, suas fontes e seus efeitos na saída dos AO. A Texas Instruments tem
dois bons textos sobre o assunto, o Op Amp Noise Theory and Applications e o Noise Analysis In
Operational Amplifier Circuits.

20.1 Ruído Térmico

Este ruído é causado pela agitação térmica dos elétrons em uma resistência. O ruído térmico
é constante ao longo de todo o espectro de frequências, e por isso é chamado de “ruído branco”. A
tensão eficaz gerada pelo ruído térmico pode ser calculada com a equação 20.1.

V T  RMS = 4 kTBR [ V ] ( 20.1 )

onde: k é a constante de Boltzman (1,38⋅10-23J/K); T é a temperatura [K]; B é a banda


passante [Hz]; R é a resistência [Ω].

No osciloscópio o ruído térmico aparece como o desenho da Figura 20.1.

Figura 20.1: Aparência do ruído térmico.


.

20.2 Shot Noise

Este ruído está associado com uma corrente fluindo através de uma barreira de potencial.
Isto significa que ele é formado pela flutuação instantânea de corrente elétrica, causada pela
emissão aleatória de elétrons e lacunas. Schottky, em 1918, mostrou que este ruído gera uma
corrente eficaz, que pode ser quantizada de acordo com equação 20.2.

I SN  RMS = 2 qI DC B [ A ] ( 20.2 )

onde: q é a carga do elétron (1,6⋅10-19C); IDC é a corrente média [A]; B é a banda passante
[Hz].

Quanto ao espectro de frequências o shot noise é similar ao ruído térmico, pois a densidade
de potência é constante com a frequência.

20.3 Ruído de Contato

Também conhecido por Excess Noise, Flicker Noise, ruído 1/f e ruído de baixa frequência, é
causado pela variação da condutividade devido ao contato imperfeito entre dois materiais (por
exemplo, silício e alumínio). Este tipo de ruído aparece sempre que existe junções entre materiais
de qualquer tipo, como nas chaves, pontos de solda etc.. A equação 20.3 mostra a intensidade da
corrente pela qual pode ser modelado este ruído.

KI DC  B
I f RMS = [ A ] ( 20.3 )
f

onde: K é uma constante que depende do material; IDC é a corrente média [A]; B é banda
passante [Hz]; F é a frequência [Hz].

Note que o ruído de contato If aumenta com a diminuição da frequência. Esta é a maior fonte
de ruído em componentes à baixas frequências. Para dois resistores de 1kΩ , um de carbono e outro
de fio, o ruído térmico é o mesmo e proporcional a resistência. Porém, com a passagem de corrente
elétrica o resistor de carbono apresenta mais ruído que o resistor de fio devido a variação de
condutividade no contato imperfeito do resistor.

20.4 Popcorn Noise

Este ruído é responsável pelo conhecido “estalo” que aparece, por exemplo, em aparelhos de
som. É causado por defeitos de manufatura da junção (tal como uma impureza) de componentes
semicondutores. Este tipo de ruído depende do processo de fabricação dos semicondutores. O
popcorn tem a aparência de um degrau de tensão de duração aproximada de 10 ms e que aparece
esporadicamente nos aparelhos. A Figura 20.2 mostra a aparência destes ruídos quando visto em
osciloscópio. Este tipo de ruído está praticamente extinto dos amplificadores operacionais modernos
uma vez que o grau de pureza dos materiais utilizados é elevado.

Figura 20.2: Aparência do ruído popcorn

20.5 Soma de Ruídos

Várias são as fontes de ruído e todas podem estar presentes ao mesmo tempo em um mesmo
circuito. Quando isto ocorre e os ruídos não são correlacionados, ou seja, são independentes. O
ruído RMS total é como se fosse o desvio padrão de uma distribuição de probabilidade normal com
média zero (Figura 20.3). Por esta razão a soma das fontes de ruído produz uma potência total que é
igual a soma da potência de cada fonte, de acordo com a equação 20.4. O resultado também pode
ser expresso em termos de uma fonte de tensão como na equação 20.5.

Figura 20.3: Relação entre ruído de pico a pico e RMS.

P T =P1 P 2...P n ( 20.4 )

 2 2 2
V T = V 1 V 2 . . .. .V n ( 20.5 )
Algumas vezes, entretanto, o ruido é expresso em termos de valores pico a pico. Nestes
casos, é comum dividir o valor pico a pico por 6 para se obter uma informação RMS de corrente ou
tensão (Figura 20.3).

20.6 Espectro de ruído

Um gráfico de ruído equivalente é construído com auxílio de filtros passa faixa sintonizados
ou de processamento digital de sinais. A representação do ruído sempre é feita no domínio da
frequência.

A curva de tensão e corrente de ruído para um AO típico é mostrada na Figura 20.4. Note as
unidades nV /  Hz e pA/  Hz para cada frequência específica. Se desejarmos conhecer o ruído
para uma faixa de frequências basta integrar este ruído na faixa de frequência desejada. Observe
também que há um ruído 1/f preponderante para as baixas frequências mas que fica praticamente
constante a partir da chamada frequência de “corte”. Quando a faixa de interesse não inclui a
frequência de corte ou é três décadas maior que ela o efeito deste ruído de baixa frequência pode ser
desprezado. Quando esta faixa for importante a integral pode ser calculada como

V N (RMS )=V Nplano⋅ f NC⋅ln


√ ( )
f Máx
f Min
+( f Máx − f Min ) [V]

onde fMáx e fMin são as frequências máximas e mínimas da faixa de interesse, VNplano a tensão
de ruído na faixa plana, e fNC a frequência de corte do ruído 1/f. Se fNC não for dada ou não puder ser
obtida pelo gráfico ela pode ser calculada como

f =
(V 2
N
2
)
( f )∣f = fx – V Nplano ⋅ fx
[Hz]
NC 2
V Nplano

onde VN(f) é a tensão de ruído na região 1/f para uma frequência fx.
Figura 20.4: Corrente e tensão de ruído para um AO típico (National, AN 104, May 1974).

Por exemplo, para a Figura 20.4, na banda de 10Hz até 10kHz:

2 2
[(110nV / √ Hz) −(9,5 nV / √ Hz) ]⋅10
f NC ≈ 2
=1330Hz
(9,5 nV / √ Hz )

V N (RMS )=9,5 nV / √ Hz⋅ 1330⋅ln


√ ( 10000
10 )+(10000−10)=1,315μ V

Como os filtros destas bandas de frequência não são ideais, é necessário aplicar uma
correção aos valores calculados. Para filtros de primeira ordem é necessário multiplicar o resultado
por 1,57. Para filtros de segunda, terceira e quarta ordem os multiplicadores são 1,11, 1,05 e 1,025
respectivamente.

20.7 Equivalente Elétrico

Fontes de tensão e corrente podem ser aplicadas para modelar a influência do ruído em um
AO. Conforme apresentado na Figura 20.5 estas fontes são aplicadas da mesma forma que para
modelar VOS e IB.
Figura 20.5: Modelo do AO com fontes de ruído.

20.8 Razão sinal ruído

Para avaliação de amplificadores também se utiliza a chamada razão sinal ruído (SNR),
definida conforme equação 20.6. Quanto maior a razão SNR melhor o amplificador.

SNR=20⋅log
 Vsinal RMS
Vruído RMS  ( 20.6 )

20.9 Figura de ruído

A figura de ruído corresponde a razão entre as SNR na entrada do amplificador (como se ele
não existisse) e na sua saída. Note que para esta medida é importante que os valores da impedância
da fonte de entrada (o gerador de sinais) sejam consideradas.

NF =10⋅log
 SNRin
SNRout 
NF =10⋅log
 Sinal in⋅Ruído out
Sinal out⋅Ruídoin 
 
2
Sinal in⋅Av⋅V TNin
NF =10⋅log ,
Sinal in⋅Av⋅V 2T

onde Av é o ganho de tensão do amplificador, V TNin é a tensão de ruído total na entrada do


amplificador, VT é a tensão de ruído térmico na resistência da fonte.

 
2
V TNin
NF =10⋅log 2
VT
NF =10⋅log
 V 2nV 2T  I 2n⋅R 2gerador
V 2T 
Supondo que o único ruído do gerador seja o ruído térmico, quando conectarmos este
gerador ao amplificador a tensão de ruído se soma a tensão do gerador e a corrente de ruído,
passando pela resistência do gerador produz outra tensão de ruído que depende da impedância de
entrada do gerador. Por esta razão, para pequenos valores de impedância do gerador a tensão de
ruído tem importância maior que a corrente. Se a resistência do gerador é grande a corrente de ruído
é mais importante. Uma clara vantagem do amplificador com entrada FET, pois assim como as
correntes de polarização a corrente de ruído destes amplificadores é muito menor que nos TBJ.

20.10 Exemplo: Ruído

Para o amplificador cuja tensão e corrente de ruído são apresentadas na Figura 20.4,
supondo que ele está conectado a um gerador com impedância de 2kΩ (National Semiconductor,
Application Note 104, May 1974).

a) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando a 1kHz (por


unidade de frequência).

No resistor da fonte (para 1Hz de banda): V T = 4⋅k⋅T⋅R⋅B=5,7 nV /  Hz

Da Figura 20.4 vem que

V n |1kHz =9,5 nV /  Hz

I n |1kHz =0,68 pA/  Hz

Total: V TN =  V 2nV T2  I 2n⋅R 2gerador =11,16 nV /  Hz

b) Calcular o ruído equivalente total na entrada do amplificador operando entre 1kHz e


10kHz.

V TN =11,16 nV /  Hz⋅ 10kHz – 1kHz=1,1  V RMS


Observe que para banda larga (sinais acima de 10kHz, por exemplo), pode se considerar
constante mesmo o ruído de baixa frequência (abaixo de 100Hz, neste exemplo), uma vez que o
erro será pequeno.

c) Calcular a relação sinal ruído na entrada do amplificador, supondo que o sinal do gerador
possui apenas 4mVRMS.

SNR=20⋅log
 V TN 
V gerador
=71dB

20.10.1 Tabela de erros

Como a análise realizada neste capítulo sempre trata de tensões e correntes muito pequenas
nem sempre é fácil ter uma noção clara da ordem de grandeza dos erros que estão sendo discutidos.
Em sistemas digitais, a resolução de equipamentos é sempre mais facilmente compreendida pois a
medida é quantizada em um número finito de possibilidades. Nesta secção será calculado o erro
total em um sistema de aquisição de sinais com medida em ponte e o resultado será comparado com
a resolução equivalente de um AD, de forma que fique mais simples de se entender as preocupações
apresentadas anteriormente. O problema original está em In-Amp Bridge Circuit Error Budget
Analysis.

Suponha o caso de uma ponte com todos os elementos variando conectada a um


amplificador de instrumentação AD620B que deve ser interligado a um sistema de aquisição de
dados. Qual a resolução necessária para o AD de forma a obtermos uma saída estável?
Neste exemplo consideraremos que a impedância equivalente da ponte é de 350Ω com saída
máxima de 100mV e excitação de 10V. O ganho do amplificador de instrumentação foi programado
para ser de 100 vezes (para produzir um sinal de saída de 10V). As especificações do AD620 para
25oC são Vos=55µV, Ios=0,5nA, Erro de Ganho = 0,15%, Não linearidade de 40ppm, ruído de 0,1
até 10Hz de 280nVpp e CMR=120dB @ 60Hz. A tabela a seguir consolida os erros para esta
medida:

Parâmetro Cálculo Contribuição Compensar

Vos 55µV / 100mV 550ppm sim

Ios (350Ω ⋅ 0,5nA) / 100mV 1,8ppm sim

Erro de ganho 0,15% 1500ppm sim

Erro de CMR 120dB: (1ppm ⋅ 5V) / 100mV 50ppm sim

Ruído (0,1 até 10Hz) 280nV / 100mV 2,8ppm não

Erro de linearidade 40ppm 40ppm não

Erro total (pior caso) ≈ 9 bits exatidão 2145ppm (tudo)

Erro total (melhor caso) ≈ 14 bits exatidão 42ppm (linearidade+ruído)

Observa-se que foi calculado o erro de CMR para o sinal de modo comum em CC (obtido na
ponte alimentada com 10V). Este erro resulta em um offset na saída do amplificador. Não foi
calculado quanto pode resultar de ruído de 60Hz devido ao CMR do amplificador. Observa-se
também que todos os erros de offset ou ganho podem ser compensados mas os erros relativos a
ruído e não linearidade do amplificador não. Assim, para o pior caso teríamos que usar um AD de 9
bits e para o melhor caso um AD de 14 bits.
21 Componentes Passivos

Neste capítulo são apresentadas as características reais de resistores, capacitores e indutores


e como eles podem influenciar no desempenho de circuitos.

21.1 Resistores e potenciômetros

Resistores e potenciômetros podem ser feitos, entre outros, de compósitos de carbono,


filmes de carbono, metal, filme metálico e fios (indutivos e não indutivos). Um bom texto sobre
resistores, falando sobre suas características e parâmetros pode ser obtido na Vishay – Resistors
101, How to select resistors e How to select resistors for precision applications. O texto apresentado
aqui tem como base principalmente os exemplos e descrições contidas em Hardware and
Housekeeping Techniques. São apresentados os problemas mais comuns envolvendo o uso de
resistores e potenciômetros em aplicações de precisão.

21.1.1 Efeitos térmicos

Resistores reais são sensíveis a variação de temperatura o que pode alterar ganhos e
aumentar a propagação de erros. Os efeitos destas variações podem ser facilmente percebidos com o
uso de exemplos simples. Por exemplo, supondo um amplificador não inversor de ganho

R1
G=1+
R2

onde R1=9,9kΩ, ¼ W e TC=25ppm/°C e R2=100Ω, ¼ W e TC=50ppm/°C, uma variação de 10°C


leva a erros de 250ppm/°C (dez vezes a diferença entre os TC). Observe que isto é equivalente a 1
LSB em um conversor de 12 bits. O uso de resistores com TC iguais não significa que este
problema está resolvido uma vez que alguns resistores, como os de compósito de carbono, podem
ter coeficientes térmicos bem elevados com TC=1500ppm/°C ou mais. Nestes casos qualquer
pequena diferença nos TC pode ser significativa e mesmo uma variação de 1% nestes TC resulta em
uma diferença de 15ppm/°C.

O autoaquecimento também pode ser um problema. Para o mesmo ganho do exemplo


anterior, considerando que os dois TC=25ppm/°C, quando a saída chega a 10V a dissipação em R1
é de 9,9mW e a de R2 é de 0,1mW. Se a resistência térmica destes resistores é de 125°C/W, então
R1 aquece 1,24°C e R2 aquece 0,0125°C. Isto resulta em uma diferença de 31ppm no ganho, o que
pode levar a um erro de ½ LSB num AD de 14 bits. Este autoaquecimento pode causar efeitos de
não linearidades ainda piores se o ganho for elevado. Neste caso o melhor a fazer é dividir o ganho
em mais de um estágio e usar resistores com resistência térmica menor (resistores de maior
potência).

Para o caso de resistores de pequeno valor (<10Ω) o vilão pode ser a resistência de trilhas,
fios e interconexões, que passam a ter valor não desprezível. Ademais, o TC do cobre, por exemplo,
é de aproximadamente 3900ppm/°C, e mesmo que o resistor utilizado tenha TC baixo, o TC do
cobre adicionando resistência ao circuito faz com que o TC equivalente seja muito maior do que o
do resistor.

Para piorar ainda mais as coisas o TC dos resistores e o próprio valor das resistências pode
mudar após vários ciclos de calor e frio. O valor dos resistores também pode mudar com a tensão
aplicada por razões completamente diferentes do autoaquecimento.

21.1.2 Elementos parasitas

Resistores apresentam capacitâncias e indutâncias parasitas que costumam ser pronunciadas


em altas frequências. Estes elementos parasitas são expressos em termos de erro percentual para a
diferença entre a impedância e a resistência CA com relação a resistência CC. Neste aspecto um dos
piores casos é o dos resistores de fio. Mesmo para os casos ditos não indutivos pode ser encontrada
indutância de 20µH para valores menores que 10kΩ e 5pF para resistores com mais de 10kΩ. Estas
características levam ao surgimento de picos, oscilações e aumento no tempo de estabilização para
respostas ao degrau, ou seja, alterações dinâmicas associadas a resposta em frequência.

Para altas frequências (acima de 0,1GHz) o modelo da próxima figura pode ser utilizado
para resistores de filmes finos. Os componentes R, L e C representam o resistor enquanto que LG e
CG representam as interconexões.
Efeitos termoelétricos também podem ser importantes. Diferentes ligas de cobre podem
gerar entre 1µV/°C e 20µV/°C para resistores de filme metálico comuns, ou 400µV/°C para
resistores de carbono. Mesmo assim isto não costuma ser um problema muito grande pois as tensões
de cada terminal tendem a se cancelar se a distribuição de calor for simétrica. Isto, entretanto, nem
sempre acontece e vai depender da forma e local onde os componentes estão conectados. Por
exemplo, componentes deitados sobre a placa tendem a apresentar a mesma temperatura em ambos
os terminais mas isto pode não ser verdadeiro caso os resistores sejam colocadas na vertical como
na próxima figura.

21.1.3 Falhas, variação com o tempo e ruído

Resistores podem queimar e abrir (filme de carbono) ou queimar e curto-circuitar (filme


metálico). Os resistores podem mudar com o tempo (ppm/ano) sendo necessário realizar ciclos de
aquecimento até a estabilização (resistores de metal filme precisa de 4 a 5000 horas para
estabilizar). O ruido gerado pelos resistores não necessariamente é o mesmo uma vez que alguns
resistores também apresentam ruído 1/f. Os resistores menos ruidosos são os de filme de carbono,
metal filme e fios.

21.1.4 Potenciômetros

Quanto ao uso de potenciômetros e trim-pots estes podem se danificar com poeira,


solventes, umidade e uso além de adicionarem ruído de contato ao circuito. De um modo geral o
uso destes componentes deve ser evitado ou minimizado e seu uso pode ser substituído por
potenciômetros digitais ou arranjos com conversores DA. Estas soluções evitam os problemas
mecânicos e permitem o ajuste automático dos componentes em circuitos realimentados. Quando
for usar um potenciômetro lembre-se “use com infinito cuidado e ajuste em faixa infinitesimal para
evitar infinita frustração.

21.2 Indutores

Indutores não são componentes comuns em circuitos eletrônicos nem em instrumentação


pois, na prática, estão longe de se comportar como seu modelo ideal e não são fáceis de fabricar
com dimensões reduzidas e estáveis (de um modo geral só são comercializadas indutâncias estáveis
e pequenas com valores de alguns nH até alguns µH). Mesmo assim os indutores são componentes
importantes em fontes de alimentação, filtros (incluindo filtro contra EMI), bobinas choke,
casamento de impedância e osciladores. Para caracterizar bem os indutores atuais, pontuando as
diferentes tecnologias e nomenclaturas empregadas, dois textos da Vishay pode ser utilizados. O
primeiro é o Inductors 101, e o segundo é o Inductor and Magnetic Product Terminology.

Para se obter indutâncias maiores em um espaço menor é comum o uso de núcleos


magnéticos de ferro, ferrite, cerâmicas, mumetal, permalloy entre outros, porém estes materiais
podem saturam, tornando o indutor num elemento não linear. Adicionalmente a temperatura
também apresenta efeitos sobre os núcleos alterando as suas propriedades.

As espiras dos indutores se comportam como placas condutoras paralelas, conferindo ao


indutor características capacitivas. Como consequência o indutor real pode oscilar e apresenta como
um dos parâmetros de manual uma frequência de ressonância. Completando o cenário, os fios que
formam o indutor apresentam resistência não nula, nem sempre desprezível, e que, por efeito skin,
pode variar com a frequência. Indutores nunca terão impedância (paralela) elevada (MΩ) pois a
resistência da bobina e a capacitância parasita vão limitar estes valores. Desta forma o Q dos
indutores nunca é muito alto e vai limitar o Q de circuitos sintonizados a valores em torno de 100,
enquanto ressonadores cerâmicos podem chegar a 1.000 e cristais a 10.000 ou mais. Esta limitação
na seletividade, entretanto, não é necessariamente ruim. Núcleos e braçadeiras de ferrite (ferrite
beads) usados para filtros, por exemplo, apresentam baixo Q e por isso podem atuar eliminando
interferências em uma ampla banda de frequências.

21.3 Capacitores

Capacitores reais são produzidos com os mais variados dielétricos e, por isso, apresentam
características distintas tanto no que diz respeito ao valor da capacitância, a faixa de frequência em
que podem ser utilizados, a tensão de funcionamento e outros. Assim, capacitores reais estão longe
do ideal. A figura abaixo apresenta um modelo equivalente para eles, e tabelas comparativas podem
ser obtidas nas páginas dos fabricantes como a AVX e a HolyStone. Na figura C é o capacitor, Rp
modela as perdas, ESR é a resistência de terminais e placas, ERL modela a indutância de terminais
e placas, RDA-CDA modela a absorção dielétrica (DA).

21.3.1 Absorção Dielétrica

A absorção dielétrica está associada a polarização do dielétrico. Capacitores que ficam


muito tempo carregados “polarizam” o dielétrico. Isto causa uma espécie de histerese ou efeito
memória no capacitor. Considerando que o modelo apresentado está correto e que o capacitor é
carregado, parte da carga é armazenada em C e parte em CDA. Mesmo depois de curto-circuitar os
terminais do capacitor e esperar que a tensão em seus terminais caia a zero não é possível garantir
que a tensão sobre CDA será nula (há uma constante de tempo associada a esta descarga). Isto
significa que, ao abrir os terminais do capacitor, uma tensão residual pode aparecer em seus
terminais. O efeito pode ser visualizado na figura a seguir.

Este problema pode ser importante em integradores e comparadores além de ser responsável
pelo surgimento de offset ou não linearidades em conversores V-F. Também podem resultar em
erros na tensão armazenada em S&H quando há troca de canais com tensões muito diferentes,
filtros e sistemas de controle (elevada constante de tempo – vários ms ou mais). A solução para este
problema passa pelo uso de capacitores de boa qualidade (evite usar capacitores cujo fabricante não
informa a DA) ou sistemas realimentados com autozero.

Material DA

Teflon, poliestireno, polipropileno 0,02%

Cerâmica 0,2% - 0,6%

Mica, vidro 5%

Eletrolítico, tântalo 10%

OBS.: Observe que um erro de 0,2% representa um erro de ½ LSB em conversores AD de 8 bits.

21.3.2 Elementos parasitas (Rp, ESR e ESL)

Todos os elementos parasitas dos capacitores são informados pelos fabricantes. As perdas
que são modeladas pela resistência Rp costumam ser informadas pelo nome IR (insulation
resistance). Normalmente esta resistência é dependente da tensão de alimentação e pode ser
informada tanto como um valor de resistência quanto como uma contante de tempo (produto Rp⋅C).
Estes valores podem variar de 1s para capacitores eletrolíticos até milhões de segundos para
capacitores de teflon, poliestireno e polipropileno. Isto significa que mesmo desconectado o
capacitor carregado pode descarregar em poucos segundos ou vários dias. A tabela a seguir mostra
valores comuns para diferentes tipos de capacitores.

Material Constante de Tempo

Eletrolítico 1s

Cerâmica 100s

Vidro 1.000s

Teflon e poliestireno e polipropileno 1.000.000s

A indutância e a resistência de terminais e placas (ESL e RSL), por outro lado, afetam
diretamente o comportamento da resposta em frequência do capacitor. Assim, capacitores com
diferentes dielétricos e processos de fabricação serão recomendados para diferentes faixas de
frequência. Na próxima figura observa-se o comportamento de dois capacitores produzidos por
processos diferentes. Observe que para baixas frequências o capacitor se comporta como tal, para
altas frequências o capacitor se comporta como um indutor e para uma frequência intermediaria
apresenta ressonância série com impedância limitada ao valor de RSL.
É este comportamento que restringe o uso de capacitores para frequências elevadas. De um
modo geral capacitores eletrolíticos, de tântalo ou construídos com placas e dielétricos enrolados
apresentam ESL elevada limitação maior de frequência. Por está razão é comum ver circuitos onde
um pequeno capacitor é colocado em paralelo com grandes capacitores eletrolíticos ou de tântalo.
Este pequeno capacitor tem função apenas para frequências elevadas, evitando que o circuito
apresente característica marcadamente indutiva. A próxima figura apresenta as faixas de uso para
cada tipo de capacitor.

Todos estes elementos parasitas (ESR, ESL e Rp) são apresentados de forma conjunto por
meio de um parâmetro conhecido como fator de dissipação (DF). O DF é definido pela razão entre
resistências e reatâncias, ou seja, é um parâmetro que mede a ineficiência do capacitor relacionando
a relação entre a energia perdida e energia armazenada. Como uma aproximação Q≈1/DF.

21.3.3 Tolerância

Adicionalmente a obtenção de capacitores de precisão não é fácil. Sob demanda é possível


encontrar capacitores com tolerância de 0,5 ou 1% (cerâmica NP0, alguns filmes finos) mas valores
comuns estão entre 5 e 10%. A temperatura e a frequência também influenciam a capacitância, a DF
e a DA. Coeficientes térmicos da ordem de 30ppm/ oC (cerâmica NP0) e 100 a 200ppm/ oC
(poliestireno e polipropileno) são comuns. A faixa de operação também varia muito. Alguns
capacitores de filmes finos funcionam até 85oC enquanto que os de teflon funcionam até 200oC.
Instrumentação e Técnicas de Medidas

Sensores Termoelétricos e Piezoelétricos


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base nas notas de aula de COB783, Hardware and Housekeeping Techniques,
Circuit Board Layout Techniques e Noise Reduction Techniques in Electronic
Systems.

Última alteração: 11/10/2013


Índice
22 Transdutores Termoelétricos...........................................................................................................4
23 Transdutores Piezoelétricos.............................................................................................................9
23.1 Análise fenomenológica........................................................................................................10
23.2 Transdutor piezoelétrico no modo direto e com carga..........................................................23
22 Transdutores Termoelétricos

Em 1823 Seebeck descobriu que se 2 metais diferentes forem conectados em um circuito


com as junções em temperaturas diferentes, uma certa corrente fluiria no circuito.

Material A
i

T1 T2
T1<T2 Material B

Tal fenômeno envolve a absorção de calor pela chamada junção fria (Tf) e liberação de calor
pela junção quente. A força eletromotriz de Seebeck, responsável pela corrente circulante depende
dos tipos dos metais envolvidos e é aproximadamente proporcional a diferença de temperatura entre
as duas junções.

Peltier (1834) demonstrou o efeito inverso através da introdução de uma bateria no circuito
composto por 2 metais diferentes e da constatação de que o calor era absorvido em uma das junções
e irradiado na outra.

Material A

Calor Calor
Absorvido Liberado
+V-

Material B

Tal efeito é a base da refrigeração Termoelétrica.

Na sua forma mais simples um termopar tem o seguinte aspecto


T1 T2
+ V -

+
T1 T2 V
-

A tensão de Seebeck pode ser expressa aproximadamente como

(
V = α ⋅ ( T2 − T1 ) + γ ⋅ T22 − T12 )
onde α e γ são constantes associadas do tipo de termopar.

Normalmente o valor de γ não é tão elevado, de modo que para uma boa faixa de
temperatura o comportamento pode ser descrito como praticamente linear.

A sensibilidade do termopar, para uma dada temperatura T2 é dada por

∂V
S= = α + 2 ⋅ γ ⋅ T2
∂ T2

Outra possibilidade de configuração é a de somente uma junção (junção quente), onde o


ponto de medição é considerado estar numa temperatura de referência.

Uma vez que a equação que descreve a tensão de Seebeck não é exata, ela pode ser usada
para calibração para uma faixa muito extensa de temperatura. Normalmente os dados de calibração
são tabulados medindo-se a tensão de Seebeck quando uma das junções é mantida na temperatura
de gelo (0ºC).

Os tipos de termopares são dependentes das ligas metálicas usadas para sua fabricação, onde
normalmente o primeiro elemento do par corresponde ao elemento positivo, e em algumas normas o
elemento negativo é pintado de vermelho.
Ref Material Faixa µV/ºC Erro

B Platina 30% Rodio/ [0,1800] 3 0,5%


Platina 6% Rodio

E Cromel/Constantan [-200, 1000] 63 ±1,7 ºC ou 0,5%

J* Ferro/Constantan [-200, 900] 53 ±2,2 ºC ou 0,75%

K* Cromel/Alumel [-200,1300] 41 ±2,2 ºC ou 0,75%

N Nirosil/Nisil [-200/1300] 28

R Platina/Platina 13% [0 1400] 6 ±1,5 ºC ou 0,25%

S Platina/Platina 10% [0 1400] 6 ±1,5 ºC ou 0,25%

T* Cobre/Constantan [-200, 400] 43 ±1 ºC ou 0,75%

Os tipos mais comuns são J, K e T

Existem basicamente duas opções para se realizar a medida de temperatura com um


termopar: 1) Usando-se uma temperatura de referência, normalmente um banho de gelo e um
voltímetro para obter-se a tensão de Seebeck e posteriormente interpretando-se o valor medido
através de uma tabela (o que pode ser feito manualmente ou por software); 2) Usando-se um
indicador de temperatura dedicado com uma certa compensação de temperatura.
Os circuitos mais simples para a medição podem ser vistos a seguir. Note que a tensão do
transdutor é aquela estabelecida somente entre os metais contidos entre a região quente e a região
que define a temperatura de referência (normalmente o banho). A partir daí os dois condutores de
cobre somente levam tal tensão para o voltímetro (que é considerado estar na temperatura
ambiente), sem interferir na tensão proporcional a temperatura.

T1 T2 Tamb

O esquema abaixo ilustra a utilização de fios de extensão e de um conector, ideal para casos
onde o banho de referência não pode ficar próximo e o tamanho do sensor também não pode ser
grande. Note que a temperatura da zona de conexão deve ser uniforme (igual para os dois fios).

T1 0 ºC Tamb

A diferença de temperatura entre duas pontas pode ser obtida com um arranjo onde neste
caso os dois fios considerados negativos devem ser interligados e mantidos juntos em uma
temperatura qualquer (normalmente a temperatura ambiente) e os fios positivos colocados um em
cada ponto onde se deseja medir a diferença. A diferença de potencial entre os dois fios positivos é
proporcional a diferença de temperatura entre os dois pontos considerados.

Temperatura (ºC) E J K N R S T

-200 25,1 21,9 15,3 9,9 - - 15,7

-100 45,2 41,1 30,5 20,9 - - 28,4

0 58,7 50,4 39,5 26,1 5,3 5,4 38,7

100 65,7 54,3 41,4 29,7 7,5 7,3 46,8

200 74,0 55,5 40,0 33,0 8,8 8,5 53,1

300 77,9 55,4 41,4 35,4 9,7 9,1 58,1

400 80,0 55,1 42,2 37,0 10,4 9,6 61,8


Temperatura (ºC) E J K N R S T

500 80,9 56,0 42,6 - 10,9 9,9 -

600 80,7 58,5 42,5 - 11,3 10,2 -

700 79,9 62,2 41,9 - 11,8 10,5 -

800 78,4 - 41,0 - 12,3 10,9 -

900 76,7 - 40,0 - 12,8 11,2 -

1000 74,9 - 39,8 - 13,2 11,5 -


23 Transdutores Piezoelétricos

Outro tipo bastante utilizado de transdutor passivo é o transdutor piezoelétrico, que produz
um sinal elétrico de saída quando excitado mecanicamente. Além disto estes transdutores são
recíprocos o que significa que se for aplicada ao transdutor uma certa tensão elétrica eles são
capazes de produzir uma vibração mecânica. Devido a esta característica tais transdutores são muito
utilizados na área biomédica como por exemplo em: a) microfones específicos para transdução de
sons cardíacos; b) acelerômetros para medição de tremores; c) sensores ultrassônicos para medição
de fluxo sanguíneo; d) sensores ultrassônicos para imageamento; e) dispositivos ultrassônicos para
cirurgia.

A piezoeletricidade é um fenômeno associado a geração de cargas elétricas na superfície de


um material quando a ele é aplicada uma certa tensão mecânica capaz de deformá-lo; ou a
correspondente mudança da forma do material quando uma certa tensão elétrica é aplicada em
algumas de suas superfícies. A piezoeletricidade é então uma maneira de converter-se energia
mecânica em energia elétrica, ou vice-versa.

Os primeiros materiais piezoelétricos estudados foram o quartzo, a turmalina e os sais de


Rochelle. Antigamente todos os cristais eram considerados materiais piezoelétricos, mas a partir de
1940 certas cerâmicas (titanite de bário e titanite de zircônio, especialmente) têm sido
especialmente fabricadas como os materiais piezoelétricos mais usuais.

23.1 Análise fenomenológica

Considere o modelo abaixo como uma longa e fina barra de material piezoelétrico.

camada condutor

+
v(t)
η (x,t) _

h
Fo,vo Fl,vl

x=0 x=l W

Consideremos que na face esquerda da barra seja aplicada uma força F0 (aplicada a partir de

algum meio externo) e que a tal força está associada uma velocidade local V0. Na face direita uma

força F2 será transmitida ao ei externo, com uma correspondente velocidade local vl. Consideremos

ainda que as perturbações só se propagam na direção x, fazendo com que o material da barra se
desloque pontualmente de uma pequena distância η .

Suponha agora que por meio das finas camadas de material condutor uma tensão v(t) seja
aplicada à barra. Tal diferença de potencial resulta num campo elétrico uniforme com a distância. A
densidade de corrente por sua vez é uma função da distância e do tempo, uma vez que o campo
elétrico interagirá com o deslocamento mecânico, sendo a corrente externa i(t) a integral de tal
densidade de corrente.

Uma vez que o campo elétrico faz um ângulo reto com o movimento mecânico, tal
configuração é chamada de modo transversal. O modo direto seria aquele onde o campo elétrico
estivesse alinhado com a direção do movimento mecânico.

Suponha um distúrbio mecânico senoidal viajando na barra na direção x


Nos picos do deslocamento a tensão e a deformação são nulas pois não há nem compressão
nem expansão.

Podemos escrever que

∂η
S=
∂x

A lei de Hooke estabelece que para um dado material:

T = Y0 ⋅ S

onde é o módulo de Young (módulo de elasticidade) e T é a força sobre a área..

O fenômeno de polarização elétrica, por sua vez, pode ser expresso como

PE = ζ ⋅ E

onde é o módulo do vetor de polarização, é a susceptibilidade, e E é o módulo do campo


elétrico aplicado.

A susceptibilidade do material está relacionada com a constante dielétrica via

ζ = ε 0 ⋅ ( K − 1)

onde, para o vácuo, ζ = 0 e K = 1 .

Como grande parte dos materiais piezoelétricos possui uma alta constante dielétrica
podemos aproximar
ζ = ε0 ⋅ K

e K = 8,85 × 10 − 12

Se o material é piezoelétrico a lei de Hooke e a de polarização devem ser alteradas uma vez
que há uma contribuição na deformação mecânica gerada pelo campo elétrico, assim como uma
contribuição no vetor de polarização gerado pela tensão mecânica. Logo

1
S= ⋅ T + dp ⋅ E
Y0

PE = ζ ⋅ E + dp ⋅ T

onde dp é a constante piezoelétrica.

Ilustremos tal característica pelos seguintes casos

No primeiro caso uma tensão V é aplicada e a barra piezoelétrica é expandida.

∆l
----- +
V
+++++ _

Comprimento: l
Largura :W
Altura :h

Uma vez que a barra não está carregada mecanicamente a tensão T é nula,
consequentemente

S Δl / l h Δl
dp = = = ⋅
E V /h V l

onde h é a altura da barra.


No segundo caso uma força F é aplicada fazendo com que a barra se contraia (onde F e
Δl / l são considerados negativos).

∆l
+++++ q
----- F

Comprimento: l
Largura :W
Altura :h

Se um curto-circuito é feito na barra, o campo elétrico externo é nulo, porém a força F causa
o movimento de uma carga q, criando uma polarização negativa, como mostrada. Neste caso

PE = dp ⋅ T

q dp ⋅ F
=
W ⋅l W⋅h

dp ⋅ F ⋅ l
q=
h

No terceiro caso, tanto uma força F, como uma tensão V, são aplicados simultaneamente.

----- +
V
+++++ F _

Comprimento: l
Largura :W
Altura :h

As magnitudes são ajustadas de modo que a força F negativa cancele exatamente uma
tensão positiva V, de tal modo que o comprimento da barra permanece o mesmo. Neste caso
1
⋅ T = dp ⋅ E
Y0

1 F V
⋅ = dp ⋅
Y0 W ⋅ h h

F = dp ⋅ W ⋅ Y0 ⋅ V

No quarto caso, embora uma força F seja aplicada a transferência de carga não pode ocorrer
em virtude do circuito aberto.

∆l
+
+++++ V
----- F -

Comprimento: l
Largura :W
Altura :h

Neste caso uma tensão a circuito aberto (que decairá com o tempo) poderia ser medida,
refletido o campo elétrico criado Neste caso

ζ ⋅ E = dp ⋅ T

V F
ζ⋅ = dp ⋅
h W⋅h

dp ⋅ F
V=
ζ ⋅W

Podemos definir a energia elétrica armazenada no primeiro e terceiro casos como iguais e
dadas com

1
⋅ C ⋅V 2
2

onde
W ⋅l⋅ζ
C=
h

Obs.: Em baixas frequências os elementos piezoelétricos tem comportamento


eminentemente capacitivo.

Nos casos onde ocorreu expansão da barra, podemos dizer que houve trabalho mecânico,
uma vez que uma força F foi aplicada e houve um deslocamento Δl . Consideremos agora uma
característica do material que será chamada de coeficiente de acoplamento K, definida como

energia líquida de saída


K=
energia de entrada armazenada

Pode ser demonstrado que

dp
K=
ζ
Y0

Y0
K = dp ⋅
ζ

As principais características de alguns materiais piezoelétricos pode ser vista abaixo. Note
que algumas constantes são negativas, significando neste caso que o material é orientado de acordo
com o eixo cristalográfico e que neste caso a aplicação de uma tensão V positiva causa uma
contração em vez de uma expansão do comprimento l.

Propriedades Unidades PZT-4A PZT-5A PZT-5H

K(1kHz) - 1400 1600 3400

tan(δ) - 0,05 0,02 0,02

Ec KV/cm 14,4 11,8 5,5

PR μC/cm2 31,0 23,0 12,9

Psat μC/cm2 40,1 27,7 19,5

kef - 0,49 0,50 0,53

kp - 0,54 0,56 0,59

d33(x10-12) m/V 225 350 585


Propriedades Unidades PZT-4A PZT-5A PZT-5H

g33(x10-3) Vm/N 8,5 16,6 12,5

k33 - 0,35 0,53 0,59

d31(x10-12) m/V -85 -190 -265

g31(x10-3) Vm/N -7,5 -13,7 -8,5

k31 - 0,22 0,40 0,36

Densidade g/cm3 7,6 7,7 7,4

K: Constante dielétrica; k: coeficiente de acoplamento; d xx: coeficiente piezoelétrico (na


direção xx); gxx: coeficiente de tensão elétrica piezoelétrica.

Uma vez que o transdutor piezoelétrico é um dispositivo eletromecânico recíproco, torna-se


conveniente analisarmos o seu desempenho do ponto de vista de um circuito elétrico. Em tal
abordagem as características mecânicas devem ser modeladas por seus respectivos análogos
elétricos.

Seja o seguinte modelo para um transdutor piezoelétrico.

onde o transformador é utilizado para acoplar as variáveis mecânicas a variáveis elétricas.

Neste modo de vibração do modelo considera-se que a velocidade de propagação da onda


mecânica no dispositivo (velocidade de propagação do som) é dada por

Y0
vs =
ρD
assim como a sua impedância característica

Z 0 = Y0 ⋅ ρ D = v s ⋅ ρ D

Supondo que a vibração mecânica oscila numa frequência angular  o comprimento físico
do transdutor representa um certo ângulo mecânico associado ao período de oscilação, ou uma certa
fração do comprimento de onda.

2⋅ π → λ

θ→ l

2⋅ π ⋅ l 2⋅ π ⋅ l
θ= =
λ vs
f

2⋅ π ⋅ f ⋅ l ω⋅ l
θ= =
vs vs

No modelo as reatâncias XL e XC são definidas em função de tal ângulo mecânico e são


dadas por

j ⋅ h ⋅ W ⋅ Y0  θ
XL = ⋅ tan 
vs  2

j ⋅ h ⋅ W ⋅ Y0 1
XC = ⋅
vs senθ

De modo análogo a relação de espiras de um transformador (N) é dada por

1
N=
Y0 ⋅ dp ⋅ W

e a capacitância C0 por

e ⋅ l ⋅ W ⋅ Y0
C0 =
h
ζ
onde e = – dp 2
Y0

e se o material não for piezoelétrico (dp=0), tal valor se reduz a expressão de um capacitor
de placas paralelas

ζ W
C 0* = ⋅l⋅ ⋅ Y0
Y0 h

A
C 0* = ε 0 ⋅ ( ε r − 1) ⋅
h

Em aplicações biomédicas, normalmente as ressonâncias mais baixas são as usualmente


utilizadas. Isto é, aquelas onde o comprimento do transdutor corresponde a λ / 2 , ou seja, θ = π
(também chamada de modo 180º). Então a frequência de ressonância será

θ r ⋅ vr π ⋅ vs
ωr = = (ressonância mecânica).
l l

Para transdutores duplamente acoplados ao vácuo ou ar, a carga mecânica equivalente é


vista como curto-circuito (velocidade qualquer e força igual a zero). Isto faz com que os dois
indutores do modelo estejam conectados em paralelo. Embora a expressão de XL tenda para infinito
na ressonância, pois

h⋅W  p
XL = ⋅ Y0 ⋅ tan 
vs  2

podemos avaliá-la nas vizinhanças de tal frequência, como

θ = π + Δ , logo

 θ  π+ Δ
tan   = tan  
 2  2 

Como

sen ( a + b ) sen ( a ) ⋅ cos( b ) + sen ( b ) ⋅ cos( a )


tan ( a + b ) = =
cos( a + b ) cos( a ) ⋅ cos( b ) − sen ( a ) ⋅ sen ( b )
então

 π  Δ  Δ  π
sen  ⋅ cos  + sen  ⋅ cos 
 π+ Δ  2  2  2  2
tan  =
 2  cos π  Δ  π  Δ
  ⋅ cos  − sen  ⋅ sen 
 2  2  2  2

 π  Δ
sen   ⋅ cos 
 π+ Δ  2  2
tan =
 2  sen π  Δ
  ⋅ sen 
 2  2

 π+ Δ  Δ
tan  = − cot 
 2   2

Porém tal função ainda poderia ser expandida em séries de Taylor ( Δ → 0 ) como

θ  π+ Δ  Δ − 2 Δ
tan  = tan   = − cot   = + + ...
 2  2   2 Δ 6

De modo análogo pode ser demostrado que para θ = π + Δ

1 1 −1 Δ
= = − csc( Δ) ≈ − + ...
senθ sen ( π + Δ) Δ 6

Em tal condição (transdutor duplamente conectado ao ar), o circuito equivalente pode ser
reduzido para:

onde

− j⋅ h⋅W  − 1 Δ
XC = ⋅ Y0 ⋅  − 
vs  Δ 6
j⋅ h⋅W  1 Δ
XC = ⋅ Y0 ⋅  + 
vs  Δ 6

j⋅ h⋅W  − 2 Δ 1
X L* = ⋅ Y0 ⋅  + ⋅
vs  Δ 6 2

j⋅ h⋅W  1 Δ
X L* = ⋅ Y0 ⋅  − 
vs  Δ 12 

A reatância total vista pelo secundário do transformador é então

j⋅ h⋅W  1 Δ 1 Δ
X sec = X C* + X L* = ⋅ Y0 ⋅  + − + 
vs  Δ 6 Δ 12 

j⋅ h⋅W Δ
X sec = ⋅ Y0 ⋅ (comportamento indutivo)
vs 4

Refletindo-se agora tal reatância para o primário, multiplicando-se por N 2 .

X pri = X sec ⋅ N 2

2
j⋅ h⋅W Δ  1 
X pri = ⋅ Y0 ⋅ ⋅  
vs 4  Y0 ⋅ dp ⋅ W 

j⋅ h⋅W Δ 1
X pri = ⋅ Y0 ⋅ ⋅ 2
vs 4 Y0 ⋅ dp 2 ⋅ W 2

j⋅ h⋅ Δ
X pri = (comportamento indutivos)
4 ⋅ v s ⋅ Y0 ⋅ dp 2 ⋅ W

Então, do ponto de vista elétrico, um transdutor piezoelétrico pode ser visto como o circuito
ressonante abaixo
− j ⋅1 − j⋅h
onde X C0 = =
ω ⋅ C 0 e ⋅ W ⋅ l ⋅ Y0 ⋅ ω

e, em ω = ωr

− j⋅h
X C0 =
π ⋅ e ⋅ W ⋅ Y0 ⋅ v s

Embora na frequência ω = ωr , onde Δ = 0 e θ = π , a indutância do modelo devesse se


tornar um curto circuito, e a impedância do circuito ir a zero, devido a perda, tal efeito não ocorre,
sendo tal impedância limitada a um certo valor R1. Além disso, também devido a fatores ligados a
perdas construtivas, na frequência onde há a ressonância do LC resultante ( ωa ) a impedância do
circuito também não será infinito. Tal frequência de ressonância pode ser definida com a frequência
onde o denominador do paralelo fosse nula. Nesta condição teremos

h h⋅ Δ
=
π ⋅ e ⋅ W ⋅ Y0 ⋅ v s 4 ⋅ Y0 ⋅ W ⋅ dp 2 ⋅ v s

ou seja

4 ⋅ dp 2
Δ=
π⋅e

e consequentemente

4 ⋅ dp 2
θa = π + Δ = π +
π⋅e

θ 2 ⋅ v s π ⋅ v s 4 ⋅ dp 2 v s
ωa = = + ⋅ (ressonância elétrica)
l l π⋅e l
ou seja

4 ⋅ dp 2 ⋅ v s
ωa = ωr +
π ⋅ e⋅ l

Devido ao fato do circuito equivalente anterior apresentar uma indutância variável (função
de Δ ) ele é normalmente substituído por um outro que utiliza parâmetros fixos, sendo que o mais
utilizado é:

2 ⋅ W ⋅ l ⋅ Y0
onde C 0 =
h

h⋅ l
L1 =
8 ⋅ Y0 ⋅ W ⋅ dp 2 ⋅ v s2

8 ⋅ dp 2 ⋅ l ⋅ W ⋅ Y0
C1 =
π2 ⋅ h

1
onde ωr =
L1 ⋅ C1

1
ωa =
C1 ⋅ C 0
l1 ⋅
( C D + C1 )

O valor de R 1 deve ser obtido experimentalmente, uma vez que a modelagem realizada não
inclui o efeito de perdas internas
23.2 Transdutor piezoelétrico no modo direto e com carga

O modo transversal anteriormente estudada não é o modo normalmente usado em ultrassom.


Em tais aplicações o transdutor está normalmente carregado e opera no chamado modo direto

+v(t)-

Fo,vo Fl,vl

x=0 x=l

O modelo elétrico para este caso é


A comparação com o modelo do modo transversal nos mostra que houve o aparecimento de
mais uma reatância indutivo que depende tanto das propriedades mecânica, como das propriedades
piezoelétricas do transdutor.

Em tal modelo temos

ω⋅ l
θ= (como no caso anterior)
vs

A ⋅ e ⋅ Y0
C0 = (diferente do caso anterior, onde agora A é a área da camada condutora
l
metálica)

j ⋅ A⋅ ζ θ
X L1 = ⋅ tan 
e ⋅ vs  2

j ⋅ A ⋅ dp 2 ⋅ Y0
X L2 =
e ⋅ vs ⋅ θ

− j ⋅ A⋅ ζ
X C1 =
e ⋅ v s ⋅ sen ( θ )

l
N=
A ⋅ Y0 ⋅ dp
Embora tais transdutores operem normalmente na ressonância, para obtenção da máxima
eficiência mecânica em termos de movimento nem sempre tal fato se dá para uma sintonia em meio
comprimento de onda. Consequentemente não podemos utilizar as aproximações para θ ,
tan ( θ / 2 ) e sen − 1 ( θ ) , anteriormente demonstrada. Neste caso a solução deve ser obtida por

tentativa e erro, ou algum método numérico.

Para vários casos práticos de interesse o circuito equivalente anterior pode ser modificado,
combinando-se as indutâncias L1 em uma única indutância L1 / 2 e substituindo-se a carga por um
equivalente resistivo Req.

Se tal modelo é considerado válido, então a série X C1 + X L1/2 resulta em:

− j ⋅ A⋅ ζ 1 j ⋅ A⋅ ζ  θ
X 1 = X C1 + X L1/2 = ⋅ + ⋅ tan 
e ⋅ vs sen ( θ ) 2 ⋅ e ⋅ v s  2

j ⋅ A⋅ ζ   θ  2 
X1 = ⋅  tan   −
2 ⋅ e ⋅ v s   2  sen ( θ ) 

Mas como

 θ
2 ⋅ tan 
sen ( θ ) =  2
 θ
1 + tan 2  
 2

então
   θ  
 2 ⋅  1 + tan 2    
j ⋅ A⋅ ζ   θ    2 
X1 = ⋅  tan   − 
2 ⋅ e ⋅ vs   2   θ 
2 ⋅ tan 
  2 

Logo

− j ⋅ A⋅ ζ 1
X1 = ⋅
2 ⋅ e ⋅ vs  θ  (reatância capacitiva)
tan 
 2

Então o modelo poderia ser redesenhado como:

A reatância total vista pelo secundário do transformador então é

− j ⋅ A⋅ ζ j ⋅ A ⋅ dp 2 ⋅ Y0
X sec = X 1 + X L2 = +
 θ e ⋅ vs ⋅ θ
2 ⋅ e ⋅ v s ⋅ tan  
 2

 
j⋅ A  dp 2 ⋅ Y ζ 
X sec = ⋅ 0
− 
e ⋅ vs  θ θ
 2 ⋅ tan  
  2

Como a ressonância ocorre quando X sec = 0 isto implica em

dp 2 ⋅ Y0 ζ
=
θr  θ
2 ⋅ tan 
 2

θ 
θ r = 2 ⋅ tan r  ⋅ dp 2 ⋅ Y0
 2
Tal equação não linear só pode ser resolvida por métodos numéricos e fornece a frequência
de ressonância transdutor através de

vs
ωr = θ r ⋅
l
Instrumentação e Técnicas de Medidas

Condicionadores para Sensores de Alta Impedância


Controle de Versões

2013 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)


Com base no capítulo 5 de Practical Design Techniques For Sensor Signal
Conditioning.

Última alteração: 23/10/2013


Índice
24 Condicionamento para sensores de alta impedância.......................................................................4
24.1.1 Fotodiodo.........................................................................................................................4
24.1.2 Amplificador para fotodiodo no modo fotovoltaico........................................................4
24.1.2.1 Análise dos efeitos de offset e drift..........................................................................9
24.1.2.2 Resposta em frequência do circuito de condicionamento......................................10
24.1.3 Condicionador para fotodiodo operando no modo fotocondutivo.................................14
24.1.4 Amplificadores de Carga...............................................................................................16
24.1.5 Sensores Resistivos de Alta Impedância........................................................................18
24 Condicionamento para sensores de alta impedância

Nesta secção são estudadas técnicas de condicionamento para sensores de alta impedância.
O problema é estudado tendo como exemplo principal os fotodiodos mas as técnicas descritas para
estes circuitos servem para os demais sensores de impedância elevada como sensores piezoelétricos
(acelerômetros, hidrofones, …), medidores de umidade, pH, sensores químicos, detectores de
fumaça, CCD e outros.

24.1.1 Fotodiodo

Os fotodiodos são construídos para operar no modo fotovoltaico (onde o diodo não é
polarizado) ou no modo fotocondutivo (onde o diodo é reversamente polarizado). As características
principais de cada modo de funcionamento são apresentadas na Tabela 24.2.

Tabela 24.1: Diferenças entre os modos fotovoltaico e fotocondutivo.

Fotovoltaico Fotocondutivo

Sem polarização do diodo Com polarização reversa do diodo

Sem corrente de escuro Com corrente de escuro

Linear Não linear

Baixo ruído (Térmico) Alto ruído (Térmico + Shot)

Aplicações de precisão Aplicações que requerem velocidade

24.1.2 Amplificador para fotodiodo no modo fotovoltaico

A próxima figura mostra o modelo de um fotodiodo. O resistor R SH representa a impedância


CC do fotodiodo podendo variar de centenas de kΩ até alguns GΩ. Esta resistência diminui pela
metade a cada aumento de 10°C na temperatura do diodo. CJ é a capacitância da junção que assume
valores da ordem de 50pF para diodos de pequena área até 300pF para diodos de área grande.
Assim a impedância do fotodiodo varia com a frequência sendo determinada pela resistência em
baixas frequências e pela sua capacitância em frequências elevadas.

A corrente de curto circuito gerada por um fotodiodo pode ser muito pequena mas pode
variar significativamente em função da intensidade de luz sobre o fotodiodo sendo linear por 6 a 9
décadas de intensidade de luz. A Tabela 24.2 apresenta valores para o diodo SD-020-12-001, cuja
sensibilidade é de aproximadamente 0,03µA/fc (fc significa foot-candles ou pé candela) tem área de
0,2mm2, CJ=50pF, RSH=1GΩ @ 25°C e máxima corrente de saída linear 40µA.

Tabela 24.2: Correntes de curto circuito para o fotodiodo SD-020-12-001.

Ambiente Iluminação Corrente de curto circuito

Luz do sol 1000fc 30µA

Nublado 100fc 3µA

Crepúsculo 1fc 0,03µA

Lua cheia 0,1fc 3000pA

Noite clara 0,001fc 30pA

Observe que as variações de corrente e iluminação nesta tabela são de 10 6 vezes. Usaremos
este diodo como exemplo em um condicionador para fotocorrentes de 30pA até 10nA. A resistência
deste diodo é de 1GΩ @ 25°C com capacitância de junção de 50pF. O circuito básico para este
condicionador é mostrado na próxima figura.
Observe que este é um amplificador para uma faixa de entrada de 60dB e com apenas um
estágio de amplificação. Isto implica em um resistor de realimentação de valor muito elevado o que
pode introduzir ruído térmico significativo no sistema. Esta, entretanto, é uma configuração que não
pode ser evitada. Caso o ganho total seja dividido em dois estágios, dividindo o resistor de
realimentação por dois, o ganho fica dividido linearmente mas o ruído térmico diminui de apenas
√ 2 . A divisão do ganho em dois estágios é, portanto, pior que o uso deste resistor de valor elevado.
Dividir este resistor em dois ligados em série resultaria no mesmo ruído térmico e usando uma
malha de realimentação em T com resistores de menor valor resultaria (geralmente) em um ganho
maior para o ruído devido a configuração da malha. Por estas razões a configuração apresentada
costuma ser a configuração indicada na maioria das vezes.

Em função das correntes de entrada muito baixas devemos escolher um amplificador


operacional adequado para este condicionador. A Tabela apresenta alguns possíveis amplificadores.

Tabela 24.3: Comparação entre amplificadores para o condicionador de sinais.

AO VosMÁX TCVOS típico IBMáx Ruído 01-10Hz Encapsulamento


AD549K 250µV 5µV/°C 100fA 4µVpp TO99
AD795K 250µV 3µV/°C 1pA 2,5µVpp TO99 e DIP
AD795JR 500µV 3µV/°C 3pA 1µVpp SOIC
AD820 1000µV 2µV/°C 10pA 2µVpp SOIC e DIP
OPA129 2000µV 10µV/°C 100fA 4µVpp TO99

Os amplificadores AD são BiFET ou seja, tem entrada FET e transistores bipolares para as
demais etapas de amplificação. O OPA é de tecnologia Difet®. Estes amplificadores apresentam
correntes de entrada muito baixa o que é bom para o nosso projeto, mas, mesmo assim, requerem
atenção no projeto. Bons amplificadores bipolares como o OP07 apresentam Vos muito menores
mas as correntes de polarização são muito maiores que as correntes que desejamos amplificar. O
OP07, por exemplo, tem Vos=10µV e IB =4000pA! O OP97 (superbeta) por sua vez tem IB=100pA.
Estes correntes já são suficientemente pequenas para permitir seu uso em condições onde a variação
de temperatura é elevada pois IB não varia com a temperatura para amplificadores bipolares. Nos
amplificadores de entrada FET IB dobra para cada 10°C.

Para termos uma ideia do que significa uma corrente de alguns pA basta estudar as correntes
em uma PCB (placa de circuito impresso). Duas trilhas paralelas de 2,54cm de comprimento
afastadas de 12,7mm em uma placa limpa de epóxi e vidro apresenta aproximadamente 10 11Ω a
125°C. Se 15V forem aplicados a estas duas trilhas circula pela placa uma corrente de 150pA.

Desta forma devemos ter muita atenção com o circuito onde este amplificador é montado. O
resistor de realimentação deve ser especial (filmes finos, cerâmica ou vidro como isolante) com
baixa tolerância (1% ou menos) e coeficiente térmico (TC≤50ppm/°C). Se for utilizado um
capacitor em paralelo com este resistor, para filtrar altas frequências, este capacitor deve ter baixas
perdas no dielétrico (teflon, polipropileno ou poliestireno, por exemplo). A placa de circuito
impresso deve ser de boa qualidade (vidro e epóxi) sem resíduos, limpa, selada contra umidade.
Cabos e conexões até o sensor devem ser curtos e de baixa capacitância ou elas devem ser
modeladas com o sensor. A resistência de interconexão deve ser elevada, feita com blocos maciços
de teflon. As trilhas da PCB que levam as entradas inversora e não inversora devem ser protegidas
com um circuito de guarda (próximas figuras) permanecendo distantes das tensões de alimentação e
ajuste de offset.

Este circuito de guarda evita que correntes de fuga fluam pela PCB em direção as entradas
inversora e não inversora contaminando a medida. Observe que a guarda é um pouco mais difícil de
ser feita em encapsulamento SOIC mas mesmo assim é possível obter resultados razoáveis.

Observe que para o integrado apresentado os pinos 1, 5 e 8 não são conectados e foram
utilizados para ajudar a criar o circuito de guarda. Mesmo assim na configuração não inversora o
circuito de guarda ficou prejudicado pois a tensão de alimentação ficou próxima da entrada não
inversora. Se o circuito de guarda não pode ser feito ou seus resultados não são suficientes (caso se
use o AD549K, por exemplo) devemos usar um isolador para a entrada. Para minimizar ainda mais
estas correntes de vazamento todo o circuito pode ser blindado com metal aterrado para evitar a
contaminação com sinais parasitas.
Este isolador é obrigatório para amplificadores onde a ordem de grandeza de I B é de fA. O
isolador deve ser de teflon sem uso, limpo e sólido. No caso de amplificadores com encapsulamento
TO99 o circuito de guarda pode ser feito em torno dos pinos de entrada envolvendo-os
completamente.

24.1.2.1 Análise dos efeitos de offset e drift

O circuito em análise é apresentado na figura seguinte onde estão desenhados as fontes de


Vos e IB. O fotodiodo utilizado é aquele apresentado anteriormente (SD-020-12-001, Cj=50pF e
R1=1GΩ).

Com uma variação de temperatura de 70°C há uma alteração grande nos valores de R1, do
ganho e da tensão devido a IB na saída do AO. Isto ocorre pois para um AO com entrada FET a
corrente de polarização IB dobra para cada 10°C e para o fotodiodo a resistência R1 cai a metade
para cada aumento de 10°C na temperatura.
R1∣25 ° C =1000M Ω , R1∣70 ° C =43M Ω

GVos∣25 ° C =2 , GVos∣70° C =2

VoIB∣25 ° C =3pA⋅1000M Ω , VoIB∣70 ° C =72pA⋅1000M Ω .

A compensação de IB com um resistor R3=R1//R2 poderia ser feita, mas como R1 varia com
a temperatura, esta compensação não tem efeito. Além do mais a tensão sobre R3 polariza o
fotodiodo no modo fotocondutivo aumentando a não linearidade do sensor. A presença de R3
também introduz mais uma parcela de ruído térmico no sistema. Por todas estas razões este resistor
normalmente não é utilizado neste circuito. Os erros devidos a Vos e IB são apresentados na Tabela
24.4. Observe que os erros mais importantes se devem especificamente a I B, principalmente para
temperaturas acima da temperatura ambiente.

Tabela 24.4: Tabela de erros de offset para o amplificador com AD795K.

0°C 25°C 50°C 70°C


Vos 0,325mV 0,250mV 0,325mV 0,385mV
GRuído 1,1 2 7 24
VosSaída 0,358mV 0,500mV 2,28mV 9,24mV
IB 0,2pA 1,0pA 6,0pA 24pA
VIB 0,2mV 1mV 6,0mV 24mV
Erro Total 0,558mV 1,50mV 8,28mV 33,24mV

Efeitos termoelétricos devem ser minimizados para este amplificador pois os valores de
tensão gerados podem inviabilizar a medida. Um termopar formado pela interconexão de fios de
cobre com Kovar (utilizado nos terminais dos encapsulamentos TO99) pode gerar tensões de
aproximadamente 35µV/°C e termopares formados pela junção de cobre com solda pode gerar
tensões de 1 até 3µV/°C. Nestes casos é necessário assegurar que os pontos de formação de
termopares mantenham-se a mesma temperatura.

24.1.2.2 Resposta em frequência do circuito de condicionamento

O circuito de condicionamento de sinais apresentado apresenta respostas diferentes para as


diferentes fontes presentes no circuito. Além da fonte de sinal ainda podemos contabilizar a
influência das fontes de ruído térmico e do operacional. A Figura a seguir mostra o circuito com
todas as fontes de ruído que também devem ser consideradas para esta análise.
Observa-se que o ganho para sinal é diferente do ganho para a fonte de ruído (V N). O ganho
para ruído é apresentado na Figura abaixo, onde também são apresentadas as equações de ganho
correspondentes. Observe que sem a presença do capacitor C2 o circuito pode ou não ser estável e
os níveis de ruído de alta frequência seriam bem maiores.

Considerando R1 = 1000 MΩ, R2 = 1000 MΩ, C1 = 50 pF, C2 = 10 pF e que o GB do


amplificador é de 1 MHz, o ganho do ruído em baixas frequências seria 2, e em altas frequências 6.
O zero estaria em 5,3 Hz e o polo em 16 Hz. A frequência de corte superior (fCL), limitada pelo
ganho do amplificador seria de 167 kHz. Considerando que o amplificador escolhido para o projeto
tenha sido o AD795, cujas densidades de ruído são apresenta na figura seguinte, restaria calcular no
circuito as funções de transferências para cada fonte de ruído e para o sinal.
A amplitude total de ruído na saída do amplificador pode ser estimada somando-se os efeitos
de cada fonte em separado. Vale lembrar que a soma é feita com a raiz quadrado da soma dos
quadrados (caso os ruídos sema RMS e independentes). Assim a influência de cada componente
sobre o ruído total na saída do amplificador é apresentada na Tabela 24.5. Observe que as
densidades de ruído são integradas ao longo da faixa de frequência. Como todas as respostas
terminam com inclinação de 20dB/dec, então a integração é feita por retângulos até a frequência de
corte e multiplicada por 1,57.

Observe que a maior influência no ruído total de saída é do AO e se deve a ampla faixa
de frequência para a qual ele é amplificado (muito maior que a frequência a qual o sinal é
amplificado). Mesmo assim, este ruído é de mesmo valor que aquele produzido pelos ruídos
térmicos de cada resistor. Se o ruído for amplificador for reduzido a zero, o ruído na saída do
operacional fica em torno de 28,5µVRMS. Isto é o que acontece se, após o amplificador, for
introduzido um filtro passa baixas de primeira ordem (em 20 Hz). Se, por outro lado, a banda
de passagem do sinal for reduzida (modificando o polo formado por R2 e C2) pode-se
conseguir o mesmo efeito de redução de ruído, porém as custas de uma redução significativa
na banda de passagem.

Tabela 24.5: Influência das fontes de ruído sobre a tensão de saída do condicionador.

Fonte de ruído Ruído na saída do AO Integração (BW) Valor


VN(f) VN(f)·NG 1,57·fCL 24,6µVRMS
IN+ IN+·R3·NG 1,57·fCL 0µVRMS
IN- IN-·R2 1,57·(Signal BW) 3µVRMS
R1 VN,R1·(R2/R1) 1,57·(Signal BW) 20µVRMS
R2 VN,R2 1,57·(Signal BW) 20µVRMS
R3 VN,R3·NG 1,57·fCL 0µVRMS
Total 37,6µVRMS

Para resolver problemas de offset e diminuir o ruído de saída o condicionador básico pode
ser expandido para o circuito abaixo. Outro bom texto sobre este tipo de amplificador e sua análise
de ruído pode ser encontrado em Noise Analysis of FET Transimpedance Amplifiers.

24.1.3 Condicionador para fotodiodo operando no modo fotocondutivo

Fotodiodos utilizados em circuitos de alta velocidade devem preferencialmente operar no


modo fotocondutivo (a polarização reversa do diodo reduz a sua capacitância interna). Neste modo
as características do amplificador ficam significativamente diferentes das características obtidos no
modo fotovoltaico. O diodo de alta velocidade HP 5082-4204 (um diodo PIN) cuja área também é
de 0,2mm2, apresenta CJ=4pF @ 10V de polarização reversa, RSH=100GΩ @ 25°C e corrente de
escuro de 600pA @ 10V polarização reversa e máxima corrente de saída linear de 100µA. Observe
que a capacitância é muito menor do que no modo fotovoltaico e a resistência é muito maior, pois o
diodo está polarizado reversamente. Isto impõe outras restrições ao circuito do condicionador de
sinais.

O modelo básico para este condicionador de sinais é apresentado na Figura abaixo. Observe
que C1 é a soma das capacitâncias de entrada do AO com a capacitância do diodo (C D). R1 não é
mostrado pois ele é muito maior do que R2 e terá pouca influência na análise simplificada que será
apresentada. Neste exemplo também foi considerado que C2 tem valor muito menor do que C1 e
não afeta o zero do sistema. Observe que este sistema é potencialmente instável e o uso de C2 é
quase que obrigatório. Para garantir a estabilidade do sistema com margem de fase de 45°

C2=
√ C1
2⋅π⋅R2⋅ fu

A Tabela 24.6 apresenta candidatos a amplificador para o condicionador de sinais do


fotodiodo no modo fotocondutivo.

Tabela 24.6: Amplificador operacionais para o condicionador de sinais.

AO GBW (MHz) Cin (pF) GBW/Cin IB (pA) Vn (nV/ √ Hz )


AD823 16 1,8 8,9 3 16
AD843 34 6 5,7 600 19
AD744 13 5,5 2,4 100 16
AO GBW (MHz) Cin (pF) GBW/Cin IB (pA) Vn (nV/ √ Hz )
AD845 16 8 2 500 18
OP42 10 6 1,6 100 12
AD745* 20 20 1 250 2,9
AD795 1 1 1 1 8
AD820 1.9 2,8 0,7 2 13
ADA4627 19 8 2,4 1 6,1

*AD745 é estável para ganho maior que 5 (normalmente este é o caso uma vez que o ganho
de ruído em altas frequências é determinado por 1+C1/C2 e, normalmente, C1>4·C2).

A escolha do amplificador deve prever entrada FET (por causa das baixas correntes do
sensor), capacitância de entrada (Cin) baixa (para não piorar a resposta do sensor) e frequência de
ganho unitário elevada (GBW). Uma possível forma de avaliar isto na Tabela é pela coluna que
define a razão entre GBW e Cin. Isto faz do AD823 uma boa escolha.

Para compensar a corrente de escuro, é possível utilizar outro diodo com as mesmas
características, porém ligado a entrada não inversora. A Figura abaixo ilustra esta solução.

Na figura, vale a pena lembrar que C1 faz parte do fotodiodo. A impedância de 100 kΩ
também ajuda a equalizar as impedâncias de entrada e o balanceamento final do circuito. Outro
detalhe importante diz respeito a C2. A capacitância parasita dos terminais dos componentes e
interconexões nas placas é da ordem de 1 a 2 pF. O capacitor de 0,8 pF não é fácil de conseguir nem
de implementá-lo. Capacitores cerâmicos variáveis podem ser utilizados para o ajuste final.
Capacitores ligados em T também podem ser utilizados.
24.1.4 Amplificadores de Carga

Transdutores de impedância muito elevada como os piezoelétricos ou capacitivos requerem


amplificadores que convertem pequenas variações de carga em variações de tensão de saída.
Existem duas modalidades principais de sensores, a primeira produz variações de capacitância e a
segunda produz variação de carga. No caso de variações de capacitância a tensão sobre o capacitor
permanece praticamente inalterada enquanto que os amplificadores de carga apresentam
capacitância inalterada mas a carga acumulada nele varia (observe que isto pode ocorrer pela
diferença de potencial imposta pela entrada do AO). O amplificador da Figura abaixo ilustra o caso.

ΔQ
Para sensores com emissão de carga (R1 normalmente é pequeno): Δ Vo=−
C2

ΔQ V ⋅Δ C
Para sensores capacitivos: Δ Vo=− =− C
C2 C2

1
Frequência de corte superior: f 2=
2⋅π⋅R2⋅C2

1
Frequência de corte inferior: f 1=
2⋅π⋅R1⋅C1

Nestes casos o melhor amplificador é aquele que apresenta elevada impedância de entrada e
baixo ruído como o AD745. O balanceamento das cargas em ambas as entradas pode minimizar
efeitos das correntes de polarização e reduzem a entrada de ruído como apresentado na Figura
abaixo. Neste exemplo, o índice S denota a fonte (sensor) e a fonte de corrente (em paralela com R
e C) não está representada.
A figura a seguir mostra um amplificador para sensor piezoelétrico com ganho de 40dB. O
uso de C1 impede o uso do amplificador em corrente contínua mas estende a faixa de operação
térmica do amplificador. Hidrofones para aplicações em sonar, por exemplo, tem capacitância C1
de 6000 pF, resistência de saída de 10 8 Ω e resistência série de 10 Ω. Um bom texto pode ser obtido
em Signal Conditioning Piezoelectric Sensors da Texas.

24.1.5 Sensores Resistivos de Alta Impedância

Alguns sensores resistivos como ponteiras para medida de pH apresentam elevada


impedância de saída o que também é um problema para o condicionador de sinais. Estas ponteiras
podem apresentar impedâncias da ordem de 106 Ω a 109 Ω e desta forma as técnicas e considerações
descritas anteriormente também são válidas para estes sensores.
Instrumentação e Técnicas de

Medidas

Filtros
Diagrama de Bode

T(S) = 1 / (S^2 + w /Q S + w ^2) para Q = 0.5, 0.707, 1, 2, 10


20
Magnitude (dB)

-20

-40

0
Fase (graus);

-50
(A) (D)
-100
Amin Amin

-150 Amáx Amáx

-200 ωp ωs ω1 ω3 ω4 ω2
10-1 100
(B) 101 (C)
Amin Amin
Freqüência (rad/seg)

Amáx Amáx
ωs ωp ω3 ω1 ω2 ω4
Controle de Versões

2010 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)

2012 Versão 2 – Pequenas alterações no texto, links, CIs não obsoletos.

Última alteração: 06/11/2013

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2


Índice
25Filtros seletores de frequência..........................................................................................................4
25.1Introdução.................................................................................................................................4
25.2Unidades e nomenclatura..........................................................................................................4
25.3Diagramas de Bode...................................................................................................................5
25.3.1Constante...........................................................................................................................6
25.3.2Fator S...............................................................................................................................6
25.3.3Fator (S + a)......................................................................................................................7
25.3.4Fator (S2 + a⋅S + b)...........................................................................................................8
25.4Funções de 1ª e 2ª ordens........................................................................................................10
25.5Gabaritos.................................................................................................................................11
25.5.1Desnormalização em Frequência....................................................................................13
25.6Aproximações.........................................................................................................................15
25.7Etapas da Síntese....................................................................................................................18
25.7.1Exemplo 1.......................................................................................................................19
25.7.2Exemplo 2.......................................................................................................................19
25.7.3Exemplo 3.......................................................................................................................20
25.8Cálculo dos polinômios de aproximação................................................................................20
25.8.1Para aproximação de Butterworth...................................................................................21
25.8.2Exemplo 1.......................................................................................................................23
25.8.3Exemplo 2.......................................................................................................................24
25.8.4Aproximação de Chebyshev (I).......................................................................................25
25.8.5Exemplo 3.......................................................................................................................27
25.8.6Exemplo 4.......................................................................................................................28
25.8.7Exemplo 5.......................................................................................................................30
25.8.8Soluções tabeladas..........................................................................................................32
25.9Síntese de filtros ativos...........................................................................................................34
25.9.1Realizações......................................................................................................................34
25.10Filtros de primeira ordem RC...............................................................................................37
25.10.1Filtro passa baixas RC de primeira ordem....................................................................37
25.10.2Filtros passa altas RC de primeira ordem.....................................................................38
25.11Filtros de segunda ordem RC................................................................................................39

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 1


25.11.1Filtros variáveis de estado.............................................................................................39
25.11.2Exemplo 1.....................................................................................................................44
25.11.3Exemplo 2.....................................................................................................................47
25.11.4Configurações de um único amplificador operacional..................................................49
25.11.5Passa baixas Sallen-Key................................................................................................51
25.11.6Passa baixas MFB.........................................................................................................53
25.11.7Passa altas Sallen-Key...................................................................................................54
25.11.8Passa altas MFB............................................................................................................55
25.11.9Passa Faixa Sallen-Key.................................................................................................57
25.11.10Passa faixas MFB........................................................................................................58
25.11.11Rejeita faixa (ou Notch)..............................................................................................59
25.11.12Rejeita faixa Sallen-Key (modificado – com rede duplo T).......................................59
25.11.13Rejeita faixa MFB (modificado).................................................................................60
25.11.14Exemplo 1...................................................................................................................61
25.11.15Exemplo 2...................................................................................................................65
25.11.16Exemplo 3...................................................................................................................65
25.11.17Exemplo 4...................................................................................................................68
25.12Exercícios..............................................................................................................................68
25.13Filtros a capacitor chaveado..................................................................................................69
25.14Efeitos dos componentes reais..............................................................................................72
25.15Sensibilidade.........................................................................................................................73
25.15.1Exemplos.......................................................................................................................74
APÊNDICE........................................................................................................................................77

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 2


25 Filtros seletores de frequência

25.1 Introdução

Os filtros seletores de frequência são circuitos que amplificam de forma diferente sinais de
diferentes frequências. Desta maneira, os integradores e os derivadores também podem ser
classificados como filtros seletores de frequência.

Em eletrônica os filtros seletores de frequência (ou simplesmente filtros) estão presentes em


quase todos os circuitos, nem que seja para minimizar o ruído em sua saída (normalmente um filtro
que amplifique apenas as baixas frequências). Dentre as principais aplicações estão a minimização
de ruído de alta frequência, sintonia de rádios, televisões, canais de comunicação, distinguir entre
números teclados em uma chamada telefônica, para eliminar ruído em som ou imagens, equalização
de som, separar faixas de frequências para alto falantes, limitar frequências para amostragem de
sinais antes de uma conversão A/D (conversão de um sinal analógico em um equivalente digital),
analisadores de espectro, conformação de formas de onda...

Programas para o projeto de filtros ativos com ordem menor do que 16 são comuns. Alguns
deles são o FilterCAD da Linear Technology e o FilterPRO da Texas Instruments. Um bom texto
sobre filtros pode ser obtido em Analog Filters, da Analog Devices.

25.2 Unidades e nomenclatura

O estudo dos filtros está sempre relacionado a função de transferência, de um circuito, ou


seja da relação entre saída e entrada, analisadas pelo domínio da frequência. Muitos autores
analisam os circuitos do ponto de vista da atenuação e utilizam o dB como unidade de medida. A
atenuação deve ser entendida, simplesmente, como o recíproco do ganho

1
Atenuação=
Ganho

Utilizar os termos ganho ou atenuação para valores acima ou abaixo da unidade é


matematicamente correto porém pode soar estranho. A escolha pelo termo atenuação se deve ao fato
de que os primeiros filtros apresentavam ganho máximo igual a unidade, portanto era mais sensato

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 3


falar em atenuação. Além disto a maioria dos filtros eram obtidos polinomialmente o que tornava a
análise da atenuação mais simples.

Também é comum utilizar a unidade dB para informar ganhos ou atenuações. Isto ocorre
porque o gráfico de resposta em frequência é um gráfico logarítmico e o dB é uma unidade
logarítmica. Quando utilizamos dB para quantificar a amplitude da função de transferência e um
eixo logarítmico para o eixo das frequências, o gráfico resultante pode ser esboçado pelo uso de
retas, simplificando a análise do problema.

A conversão de um ganho T(ω) ou atenuação H(ω), especificados como V/V ou A/A, para
dB pode ser realizada pela equação

|X(ω)|dB = 20 log |X(ω)|

onde |X(ω)| é o módulo da função de transferência em V/V ou A/A.

Para fazer a transformação inversa basta usar a equação

∣X (w )∣dB
20
∣X ( w)∣=10

A tabela abaixo mostra as relações existentes entre ganho e atenuação.

Relação Ganho Atenuação Unidade Relação Ganho Atenuação Unidade

vO >1 <1 vO >0 <0


1 V/V ou A/A 1 dB
vI =G =G–1 vI =G =–G

vO <1 >1 vO <0 >0


1 V/V ou A/A 1 dB
vI =G =G–1 vI =G =–G

25.3 Diagramas de Bode

Filtros seletores de frequência podem ser bem representados pelo diagrama de Bode.
Supondo uma função de transferência genérica T(S) tal que

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 4


N S
∏i  S −z i 
T  S = = K⋅
D S  ∏ S − p j 
j

então esta função pode ser analisada do ponto de vista de seu módulo e de sua fase:

∣T  j ∣dB=20⋅log 10∣T  j ∣

θ(ω)=tan
−1
( ℑ T ( j ω)
ℜT ( j ω) )
=∑ tan
[ ] [
−1 ℑ( j ω− z i)

ℜ( j ω−z i )
−tan
−1 ℑ( j ω− p j )

ℜ( j ω− p j ) ]
A forma fatorada da equação acima é composta de quatro componentes básicos: Constante;
Fator S; Fator (S + a); Fator (S2 + a⋅S + b). A análise de cada um destes fatores separadamente
permitirá analisar todas as funções de filtros estudados nesta disciplina.

25.3.1 Constante

T ( j ω)=K

Se ∣K∣>1 então ∣T ( j ω)∣dB>0 e θ( j ω)=0


°

Se ∣K∣<1 então ∣T ( j ω)∣dB<0 e θ( j ω)=180


°

25.3.2 Fator S

T ( j ω)=S

∣T ( j ω)∣dB=20⋅log ( j ω) ; inclinação de 20dB/década


θ(ω)=tan −1 ω° =90°
0 ( )
1
T ( j ω)=
S
∣T ( j ω)∣dB=20⋅log
1
jω ∣ ∣
; inclinação de −20dB/década

θ(ω)=tan −1 ( 0°)−tan −1 ω° =−90°


0 ( )

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 5


Diagrama de Bode

T(S) = 1/S
Magnitude (dB) 20

-20

-40

-89
Fase (graus);

-89.5

-90

-90.5

-91
10-1 100 101 102

Freqüência (rad/seg)

Figura 1: Resposta em frequência para um polo na origem. No MATLAB: bode([1],[1 0])

25.3.3 Fator (S + a)

T ( j ω)=S +a
1
2 2
∣T ( j ω)∣dB=20⋅log∣ j ω+a∣=20⋅log ( ω +a )
2
;

∣T ( j ω)∣dB , ω=a =+20⋅log( a)+3dB

θ(ω)=tan −1 ω ; inclinação de 45° /década


a ( )

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 6


1
T ( j ω)=
S +a
1

∣T ( j ω)∣dB=−20⋅log∣j ω+a∣=−20⋅log ( ω +a )
2 2 2

∣T ( j ω)∣dB , ω=a =−20⋅log(a )−3dB

θ(ω)=tan −1 ω ; inclinação de 45o /década


a ( )

A constante a corresponde ao ponto de união das assíntotas e é chamado de polo. Como o


polo é real este fator é, muitas vezes, escrito como (S + σ).

Diagrama de Bode

T(S) = 1 / (S + 1)
0
Magnitude (dB)

-5

-10

-15

-20

-20
Fase (graus);

-40

-60

-80

-100
10-1 100 101

Freqüência (rad/seg)

Figura 2: Resposta em frequência para um polo simples. No MATLAB: bode([1],[1 1])

25.3.4 Fator (S2 + a⋅S + b)

Em baixas frequências o fator (S2 + aS + b) apresenta comportamento semelhante ao fator


constante (S→0) enquanto que em altas frequências ele apresenta comportamento semelhante a dois
fatores S (S→∞). Jé em médias frequências este fator pode apresentar um máximo ou um mínimo.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 7


Para polos

d
=

2
1
d ω −ω +a⋅ j ω+b ∣
=0, cuja solução é


ωmáx =√ b⋅ 1−
a2
2⋅b
a2
, para
a2
2⋅b
<1, e

ωmáx =0, para ⩾1


2⋅b

Para a frequência do polo ω=b

∣H  j ∣dB=20⋅log
∣ 2
1

 j  b a⋅ j  bb
=20⋅log 1
a⋅ b
1
=20⋅log 20⋅log
b
b
a

A constante
 b determina a altura do pico e é denominado de fator de mérito Q. Por esta
a

2  2
razão o fator (S2 + aS + b) costuma ser reescrito como S  ⋅S  . Para Q>5 a largura de faixa
Q


(-3dB) em torno do máximo pode ser bem aproximada por B =  s− i= .
Q

Para uma função de transferência com polos definidos pelo fator (S2 + aS + b) é possível
fazer com que o ganho seja de -3dB na frequência ω atuando sobre o fator de mérito Q. Isto ocorre

1
para Q= . Se 0≤Q≤0,5 a função de transferência fica com polos reais (Q=0,5 corresponde a dois
2
polos iguais). A medida que o Q aumenta é possível produzir picos na resposta em frequência. A
figura a seguir mostra a influência de Q na resposta em frequência.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 8


Diagrama de Bode

T(S) = 1 / (S^2 + w /Q S + w ^2) para Q = 0.5, 0.707, 1, 2, 10


Magnitude (dB) 20

-20

-40

0
Fase (graus);

-50

-100

-150

-200
10-1 100 101

Freqüência (rad/seg)

Figura 3: Resposta em frequência para polos complexos. No MATLAB: bode([1],[1 1/Q 1])

25.4 Funções de 1ª e 2ª ordens

A próxima tabela mostra as funções de transferências que podem ser obtidas com os fatores
de primeira e segunda ordem apresentados anteriormente.

Função de
Tipo de filtro Localização dos polos e zeros
transferência

K Zero no infinito
Integrador
S Polo na origem.

0 Zero no infinito
Passa baixa 1ª ordem K
S  0 Polo sobre o eixo σ (-σ0)

S Zero na origem
Passa alta 1ª ordem K
S  0
Polo sobre o eixo σ (-σ0)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 9


Função de
Tipo de filtro Localização dos polos e zeros
transferência

 20 2 zeros no infinito
K
Passa baixa de 2ª ordem 
S 2 0 S 20 2 polos com raio ω0 no plano S
Q

S2 2 zeros na origem
K
Passa alta de 2ª ordem 
S 2 0 S 20 2 polos com raio ω0 no plano S
Q

0 1 zero na origem
S
Q
Passa faixa (2ª ordem) K 1 zero no infinito

S 2 0 S 20
Q 2 polos com raio ω0 no plano S

S 2 20 2 zeros sobre o eixo jω ( ω0 )


Rejeita faixa (2ª ordem) K

S 2 0 S 20 2 polos com raio ω0 no plano S
Q

S 2 20 2 zeros sobre o eixo jω ( zeros > ω0 )


Passa baixa notch (2ª ordem) K

S 2 0 S 20 2 polos com raio ω0 no plano S
Q

2 2
S  0 2 zeros sobre o eixo jω ( zeros < ω0 )
Passa alta notch (2ª ordem) K

S 2 0 S 20 2 polos com raio ω0 no plano S
Q

Na tabela acima vale a pena observar o nome ou o tipo dos filtros. Observa-se nomes
relacionados as frequências que são mais amplificadas e quais as frequências são atenuadas. Os
quatro principais tipos são o passa baixas, o passa altas, o passa faixa e o rejeita faixa de
frequências. Estes tipos nos levam aos quatro gabaritos utilizados para projeto de filtros.

25.5 Gabaritos

Os filtros seletores de frequência apresentam quatro comportamentos principais


denominados passa baixas (PB), passa altas (PA), passa faixas (PF) e rejeita faixas (RF) em função
da faixa de frequências que apresentam maior ganho. Os gabaritos de atenuação são apresentadas na
próxima figura.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 10


Costuma ser especificados no projeto a atenuação mínima (para região de frequências a
atenuar – região de atenuação), atenuação máxima (para região de frequências que não devem ser
atenuadas – região de passagem), frequências que delimitam a região de passagem (banda de
passagem) e frequências que delimitam a região de atenuação (banda de atenuação). Os requisitos
são sempre convertidos nos requisitos de um filtro passa baixas normalizado. Caso o filtro não seja
um passa baixa também é necessário uma transformação em frequência.

Nesta normalização a frequência limite da banda de passagem é ω p=1 , a frequência limite


da banda de rejeição é ω s , a atenuação permitida na banda de passagem é Amáx e a mínima
atenuação exigida para a banda de rejeição Amin.

Figura 4: Gabaritos dos filtros seletores. (A) passa baixa, (B) passa alta, (C) passa faixa, (D)
rejeita faixa

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 11


25.5.1 Desnormalização em Frequência

Transformação Passa Baixa–Passa Baixa Normalizado

Amin

Amáx
ωp ωs

Para normalizar

ω p=1

ω
ω s= ω s
p

Para desnormalizar

S
Substituir S por ω
p

Alternativamente: Escrever a equação do filtro em seções de primeira e segunda ordem,


fazendo ω 0=ω p ou σ0=ω p .

Transformação Passa Alta–Passa Baixa Normalizado

Amin

Amáx
ωs ωp

Para normalizar

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 12


ω p=1

ω
ω s= ω p
s

Para desnormalizar

ωp
Substituir S por S

Alternativamente: Escrever a equação do filtro em seções de primeira e segunda ordem,


fazendo ω 0=ω p ou σ0=ω p .

Transformação Passa Faixa–Passa Baixa Normalizado

Amin

Amáx
ω3 ω1 ω2 ω4

Para normalizar o filtro é necessário fazer com que as atenuações Amín sejam iguais nas
duas bandas de rejeição e que as frequências do filtro atendam a seguinte condição

1 1
ω0= [ ω1⋅ω2 ] = [ ω3⋅ω4 ] , com banda de passagem entre ω1 e ω2.
2 2

Quando as exigências forem atendidas a normalização é feita fazendo

ω p=1

ω −ω
ω s=ω 4−ω3
2 1

Para desnormalizar

2 2 ω0
S +ω 0
Substituir S por , onde B=ω 2−ω 1=
B⋅S Q

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 13


Transformação Rejeita Faixa–Passa Baixa Normalizado

Amin

Amáx
ω1 ω3 ω4 ω2

Para normalizar o filtro é necessário fazer com que as atenuações Amáx sejam iguais nas
duas bandas de passagem e que as frequências do filtro atendam a seguinte condição

1 1
ω 0=[ ω 1⋅ω 2 ]2 =[ ω 3⋅ω 4 ]2 , com banda de passagem entre ω1 e ω2

Quando as exigências forem atendidas a normalização é feita fazendo

ω p=1

ω −ω
ω s=ω 2−ω1
4 3

Para desnormalizar

B⋅S ω0
Substituir S por 2 2 , onde B=ω 2−ω 1=
S +ω 0 Q

25.6 Aproximações

Uma vez que todos os filtros podem ser normalizados e transformados em um passa baixas é
necessário encontrar um polinômio que atenda as especificações do projeto. Existem vários tipos de
funções de transferência, algumas são polinomiais (com zeros no infinito como os filtros
Butterworth, Chebyshev I e Bessel) ou não polinomiais (com zeros finitos sobre o eixo jω como os
filtros Cauer e Chebyshev II). Nestas funções os zeros sobre o eixo jω ajudam a obter uma
atenuação mais rápida na banda e transição.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 14


A seguir são apresentados alguns polinômios que podem ser empregados para o projeto de
filtros e algumas características de cada um destes polinômios.

Bessel – BS

• Função monotônica na banda passante;


• Quanto maior o grau do filtro mais linear a fase na banda de passagem;
• Pior resposta em magnitude dentre os listados aqui;
• Não preserva característica de fase quando se fazem desnormalizações em
frequência;
• Ordem muito alta, característica de fase muita boa.

Gauss – GS

• Monotônico na banda de passagem;


• Melhor resposta temporal (overshoot e atraso ao degrau) dentre os filtros
polinomiais, para um dado grau e Amáx;
• Semelhante ao filtro de Bessel;
• Ordem muito alta característica de fase muito boa.

Multiplicidade “n”

• Monotônico na banda de passagem;


• Polos reais;
• Ótimas características temporais (menor tempo de atraso e sem overshoot) e de fase;
• Pobre característica de atenuação. Ordem muito alta característica de fase muito boa.

Butterworth – BT

• Função monotônica mais planas possível;


• Ordem alta, característica de fase boa.

Halpern – HA

• Dentre os polinomiais com características monotônicas na banda passante é o de


corte mais abrupto dado um dado grau e Amáx;
• Ordem média característica de fase média.

Legendre – LG

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 15


• Dentre os polinomiais com características monotônicas na banda passante apresenta a
maior inclinação na característica de magnitude em torno da frequência limite da
banda de passagem;
• Ordem média característica de fase média.

Chebyshev (I) – CB

• Equiripple na banda passante, função monotônica na atenuação;


• Corte mais abrupto entre os polinomiais, para um dado grau e Amáx;
• A fase, entretanto, vai piorando a medida que o grau aumenta;
• Ordem baixa, característica de fase ruim.

Chebyshev (II) Inverso – CI

• Monotônica na banda passante, portanto melhor característica de fase;


• Equiripple na banda de rejeição;
• Não polinomial, apresenta zeros sobre o eixo jω;
• Ordem baixa, característica de fase boa.

Cauer ou Elíptico – CE

• Equiripple na banda de passagem e de atenuação;


• Menor ordem – zeros sobre o eixo jω ajudam;
• Característica de fase pior que Chebyshev Inverso;
• Ordem muito baixa.

Transicionais – FT

• Melhor conjunto de características temporal, fase, e atenuação.

Pelo exposto acima, observa-se que, via de regra, melhores características de fase estão
associadas a melhores características temporais. Assim, os principais critérios (os mais comuns) de
escolha para estas aproximações são:

• Ordem do filtro (Cauer, Chebyshev, Halpern, Legendre...);


• Dificuldade de implementação – zeros em jω (mais difíceis Cauer e Chebyshev II);
• Sensibilidade – desvio na magnitude e fase;
• Regularidade na curva de resposta (Butterworth);

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 16


• Resposta temporal (Gauss, Bessel);
• Característica de fase – incluir o equalizador de fase (Bessel e Gauss para PB,
composição com equalizador, Multiplicidade n e Transicional...);

Uma síntese das principais características para os filtros mais comuns são listadas na tabela
abaixo.

Polinômios Faixa de Passagem Faixa de Rejeição Fase Grau do Filtro

Butterworth Máxima planura Monotônico Boa Médio+

Chebyshev I Ondulado Monotônico Regular Médio–

Chebyshev I Monotônico Ondulado Regular Médio–

Bessel Plano Monotônico Ótima Grande

Elíptico (Cauer) Ondulado Ondulado Ruim Pequeno

25.7 Etapas da Síntese

Uma vez colocada as principais etapas para o projeto dos filtros seletores de frequência é
possível descrever em detalhes o mecanismo para o projeto de um filtro deste tipo. São necessárias
pelo menos 9 etapas descritas na sequência:

(1) Examinar o problema físico e determinar os requisitos necessários;

(2) Estipular as atenuações máximas e mínimas, determinar as frequências características;

(3) Normalizar as frequências do filtro;

(4) Escolher aproximação;

(5) Determinar a T(S) ou H(S);

(6) Escolher a técnica de implementação;

(7) Desnormalizar as frequências do filtro;

(8) Analisar a rede com valores nominais;

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 17


(9) Testar o filtro.

25.7.1 Exemplo 1

Etapa 1: Minimizar o efeito de uma interferência de 60Hz e tensão eficaz de 1V sobre um


sinal com banda passante de 10Hz e amplitude de 0,1V. Admite-se 11% de atenuação máxima do
sinal na banda passante. Deseja-se uma relação sinal ruído de 100 vezes.

Etapa 2: Filtro passa baixas (a opção mais simples)

Ganho Mínimo na Banda Passante: 20 log (100% – 11%) = – 1dB

Diferença de amplitude entre Sinal e Ruído: 20 log (0,1 / 1) = – 20dB

Relação sinal ruído de 100 vezes: 20 log (100) = 40dB

Amáx = 1dB

Amin = 40dB + 20dB + 1dB = 61dB

Frequência de corte 10Hz, frequência da banda de atenuação 60Hz

Etapa 3: …

25.7.2 Exemplo 2

Projetar um filtro capaz de eliminar a frequência de 60Hz, mantendo o ganho


aproximadamente unitário para DC e 2kHz. Faça o projeto para uma banda de rejeição de ±10Hz.

Filtro rejeita faixa (notch) de segunda ordem.

1 (2⋅π⋅20)2
T ( ̄s )= , desnormalizar com ̄s = 2
̄s +1 s +(2⋅π⋅60)2

Alternativamente escrevemos a função de segunda ordem com B e ω0 identificados


previamente.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 18


s 2 20 s 22⋅⋅602
T s= =
s 2B⋅s 0 2
s22⋅⋅20⋅s2⋅⋅602

25.7.3 Exemplo 3

Devemos excitar um circuito com sinais na faixa de 300Hz a 3,4kHz. Uma interferência de
60Hz está presente no sistema prejudicando o experimento. Deseja-se projetar um filtro passa faixa
tal que esta interferência seja atenuada em 15 vezes. Desenhe o gabarito do filtro desejado e do
passa baixas normalizado. Diga a aproximação que devemos escolher se desejarmos o filtro de
menor grau.

Atenuação Atenuação
Amin

Amáx
ωp ωs ω3 ω1 ω2 ω4

ω1=300Hz, ω2=3,4kHz, ω3=60Hz, ω4= (ω1⋅ω2)/ω3 = 17kHz,

ωp=1rad/s, ωs= (ω4 – ω3)/(ω1 – ω2)=5,46rad/s.

Amáx = 3dB, Amín = 20⋅log(15) dB

O filtro com menor grau é um filtro do tipo Cauer.

25.8 Cálculo dos polinômios de aproximação

As aproximações apresentadas anteriormente configuram algumas das possíveis


aproximações empregadas para os filtros. Existe um número ilimitado de funções que satisfazem os
requisitos de um dado gabarito sendo que algumas são obtidas por métodos de otimização
puramente numéricos e outras por funções analíticas consagradas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 19


Antes de apresentar a solução para o cálculo de alguns filtros considere que a função de
atenuação H(ω) possa ser escrita como

2 2
∣H (ω)∣ =1+∣K (ω)∣

onde K( ω) é a função característica

A(ω)=10⋅log ( 1+∣K (ω)∣2 )

Definindo ε como a máxima distorção (variação de ganho ou atenuação) na banda de


passagem (em alguns casos ε é o ripple na banda de passagem) da função característica K(ω), tem-
se

K (ω p)=ε

A(ω p )= Amáx=10⋅log ( 1+ε2 ) [dB]

[ ] ,A
Amáx
2 em dB
10 máx
ε= 10 −1

25.8.1 Para aproximação de Butterworth

n
ω
K (ω)=ε ω
p ( )
1

[ ]
2⋅n
∣H (ω)∣= 1+ε ⋅ ωωp 2 2
( )

[ ] [dB]
2⋅n
ω
A(ω)=10⋅log 1+ε2⋅ ω
p ( )

A normalização de funções Butterworth pode ser feita para a frequência ωp e, diferente de


outras aproximações também para a atenuação ε com auxílio da equação

1 1
ω=ε n⋅ ω
ω ( ) ou seja ω=ε n⋅ ω
ω ( )
p p

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 20


assim A(ω)=10⋅log [ 1+ω2⋅n ] [dB ] , solução normalizada para ω=1 e ε=1.

A determinação do grau do polinômio pode ser obtida

Amin ⩽ A(ω s)=10⋅log [ 1+ε2⋅ω s2⋅n ]

n⩾
log
[ (100,1⋅Amin −1 )
(100,1⋅Amáx −1 ) ]
2⋅logω s

onde Amáx e Amin estão em dB; ω s é calculado de 4 formas diferentes dependendo do tipo de
filtro que se esteja calculando.

A determinação da função de Butterworth pode ser obtida

2 2
∣H (ω)∣ =1+∣K (ω)∣

H (S )⋅H (−S )=1+K (S )⋅K (−S )

H ( S )⋅H (−S )=1+(−S ) , solução normalizada para ω=1 e ε=1 ( 


2 n
S)

2 n
H ( S )=H 0+H 1⋅S +H 2⋅S +...+H n⋅S

para construir o polinômio: H k =


cos [ ( k−1 )⋅π
2⋅n ]
sen
( ) k⋅π
2⋅n

para obter as raízes: S =e


j π⋅
2 ( 2⋅k+ n−1
n ) , k = 1, 2, ...
k

raízes sobre um circulo de raio unitário

1
Substituir S por εn S ' (desnormalização para Amáx)

S
Substituir S ' por ω (desnormalização em frequência)
p

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 21


25.8.2 Exemplo 1

Calcule o filtro Butterworth com ωp=10kHz, ωs=15kHz, Amáx=1dB, Amin=25dB

[ ]
Amáx
10
2 = 0,5088
ε= 10 −1

n⩾
log
[ (100,1⋅Amin −1 )
(100,1⋅Amáx −1 ) ] (
= 8,76 com ω s=
15000
10000). Usar n=9
2⋅logω s

k=1, S k =−0.1736±0.9848i , S 2+0,3472⋅S+1

k=2, S k =−0.5000±0.8660i , S 2+S +1

k=3, S k =−0.7660±0.6428i , S 2+1,532⋅S +1

k=4, S k =−0.9397±0.3420i , S 2+1,8794⋅S+1

k=5, S k =−1 , S +1

( )
1

Substituir S por S⋅ ε n =S⋅1,4764⋅10−5 ou, utilizando as formas padrões


ωp

ω90
T ( S )= x
( S +ω0 )⋅( S 2+1,8794⋅ω0⋅S +ω20 )⋅( S 2+1,5321⋅ω0⋅S+ω20 )
1
(S +ω0⋅S+ω0 )⋅( S 2+0,3472⋅ω0⋅S +ω20 )
2 2

ωp
ω0 =
onde 1 = 6,773 ⋅ 104 rad/s
n
ε

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 22


Diagrama de Bode

Exemplo: w p=10kHz (Amáx=1dB), w s=15kHz (Amin=25dB)


0

-10
Magnitude (dB)

-20

-30

-40

-50

0
Fase (graus);

-200
To: Y(1)

-400

-600
104 105

Freqüência (rad/seg)

Figura 5: Resposta do exemplo. No MATLAB: [b a]=butter(9,2*pi*10000,'low','s');


bode(b,a);

25.8.3 Exemplo 2

Projetar um filtro Butterworth passa altas, com ordem não menor do que três e que atenda as
seguintes especificações: ganho máximo da banda de passagem igual a 0dB; ganho mínimo na
banda de passagem igual a -3dB; ganho máximo na banda de atenuação igual a -20dB; frequência
de passagem de 10kHz; frequência de atenuação de 5kHz.

ωp=1rad/s, ωs= (10/5)rad/s.

Amáx = 3dB, Amín = 20dB

[ ]
Amáx
10
2 ≅1
ε= 10 −1

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 23


n⩾
log
[ (100,1⋅Amin −1 )
(100,1⋅Amáx −1 ) ] ≥ 3,31
2⋅logω s

S k =e
j π⋅
2 ( 2⋅k+ n−1
n )

S1,2 = 0,3827 + j0,9239 ( s 2+0,7654⋅s+1 )

S3,4 = 0,9239 + j0,3827 ( s 2+1,8478⋅s+1 )

s2 s2
T s 2 ⋅ , onde ω0=2π10000Hz.
s 0,7654⋅ 0⋅s 20 s21,8478⋅ 0⋅s 20

25.8.4 Aproximação de Chebyshev (I)

A aproximação de Chebyshev (que pode aparecer com diferentes grafias dependendo da


tradução feita) é equiripple na banda passante. Esta aproximação tem o corte mais abrupto dentre as
funções polinomiais para um dado grau e Amáx

−1
K (ω)=ε⋅C n (ω)=ε⋅cos [n⋅cos (ω)] , para ∣ω∣⩽1

K (ω)=ε⋅C n (ω)=ε⋅cosh [n⋅cosh−1 (ω)] , para ∣ω∣>1

A normalização de funções Chebyshev pode ser feita para a frequência ωp pela equação

ω= ωω
p

∣H (ω)∣2 =1+ε2⋅C 2n (ω) , onde Cn(1) = 1

A(ω)=10⋅log [ 1+ε2⋅C 2n ( ω) ]

Sabendo que Amáx = A( ω p )= A(1) e A(ω S )⩾Amin

Amin ⩽10⋅log [ 1+ε2⋅C 2n (ω S ) ]

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 24


Amin ⩽10⋅log [ 1+ε ⋅cosh [ n⋅cosh (ω) ] ]
2 2 −1

n⩾
cosh
−1
[ ( 100,1⋅Amin−1 )
( 100,1⋅Amáx −1) ]
2

,
cosh−1 (ωs )

onde Amáx e Amin estão em dB; ω s é calculado de 4 formas diferentes.

A aproximação de Chebyshev pode ser obtida por

2 2
∣H (ω)∣ =1+∣K (ω)∣

H  S ⋅H −S =1 K  S ⋅K −S 

H ( S )⋅H (−S )=1+ε2⋅C 2n ( ω) onde

C n+1 (ω)=2⋅ω⋅C n ( ω)−C n−1 (ω) sendo C 0 (ω)=1 e C n (1)=1

C 2n (ω)=0,5⋅[ 1+C 2n (ω) ]

s k =σ k ± j ωk , k =1, 2, ...

{ [
σ k = ±sen
(2⋅k −1)⋅π
2⋅n ]} { [( )
⋅ senh
1
n
1
⋅senh−1 ε
}
( )]

{ [
ω k = ±cos
(2⋅k −1)⋅π
2⋅n ]} { [( )
⋅ cosh
1
n
1
⋅senh−1 ε
}
( )]

O ganho (G0) da função de transferência T(S) deve ser ajustado para que que T(0)=0dB
quando o grau do filtro for ímpar e T(0)=-Amáx quando o grau do filtro for par (em função do ripple
na banda de passagem).

G0 =a 0 , para grau ímpar.

− Amáx
G0 =a 0⋅10 20
, para grau par.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 25


1
Ou, genericamente, G0 = (para grau par ou impar).
⋅2 n−1

S
Para desnormalizar substituir S =ω
p

As raízes estão dispostas sobre uma elipse

25.8.5 Exemplo 3

Calcule o filtro Chebyshev com ωp=10kHz, ωs=15kHz, Amáx=1dB, Amin=25dB

[ ]
Amáx
10
2 = 0,5088
ε= 10 −1

n⩾
−1
cosh
[ ( 100,1⋅Amin−1 )
( 100,1⋅Amáx −1)
−1
]2

(
= 4,41 com ω s=
15000
10000 )
. Usar n = 5
cosh ωs

k=1, Sk =−0,0895±0,9901 i , S20,1790⋅S 0,9883

k=2, Sk =−0,2342±0,6119 i , S20,4684⋅S 0,4293

k=3, Sk =−0,2895 , S 0,2895

fazendo a desnormalização diretamente com as formas padrões,

0,12283⋅ω 5p
T ( S )=
( S̄+0,2895⋅ω p)⋅( S 2̄+0,4684⋅ω p⋅S ̄+0,4293⋅ω 2p )⋅( S 2̄+0,1790⋅ω p⋅S̄+0,9883⋅ω 2p)

onde  p=2⋅⋅104

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 26


Diagrama de Bode

Exemplo: w p=10kHz (Amáx=1dB), w s=15kHz (Amin=25dB)


0

-10
Magnitude (dB)

-20

-30

-40

-50

0
Fase (graus);

-200

-400

-600
104 105

Freqüência (rad/seg)

Figura 6: Resposta do exemplo. No MATLAB: [b a]=cheby1(5,1,2*pi*10000,'low','s');


bode(b,a);

25.8.6 Exemplo 4

Projete um filtro que atenda as seguintes especificações: Tenha ganho de -3dB nas
frequências de 1000 e 5000Hz; Tenha ganho de aproximadamente 3dB na frequência de 2000Hz;
Atenue 20dB em 8kHz; Tenha ganho nulo em DC.

Encontrar o gabarito do filtro:

Amáx = 3dB, nas frequências centrais

Amin = 20dB, na frequência externa

Filtro passa faixas com f1= 1000Hz, f2= 5000Hz, f4= 8000Hz e f3=??. Este filtro é um passa
faixa onde ω3 não foi informado. Então podemos ajustá-lo de forma a deixar o filtro simétrico.

f0= (f1⋅f2)0,5 = 2236Hz

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 27


f3 = (f2⋅f1) / f4 = 625Hz.

K=3dB

Agora temos que resolver o problema do ganho. O ganho pode ser implementado no final
pois ele não influencia no formato da curva, porém, devemos ter atenção. Se o ganho deve ser de
+3dB na faixa de passagem e de -3dB em f1, há uma variação permitida de 6dB na faixa de
passagem! Então, podemos alterar o ganho para 0dB e a Amáx para 6dB. Após o projeto, inserimos
um ganho de 3dB para ajustar os valores do projeto.

K = 0dB

Amáx = 6dB

Determinar o passa baixas normalizado equivalente

Ωp = 1 rad/s

Ωs = (ω4 – ω3) / (ω2 – ω1) = 1,84 rad/s

Determinar a aproximação

Como não há especificações que impeçam o uso de qualquer aproximação, podemos


escolher aquela que produz o filtro com menor grau. Dentre os filtros Butterworth e Chebyshev o
último costuma apresentar menor grau. Há um problema que requer atenção especial, com esta
escolha do Chebyshev, teremos que testar o ganho em 2kHz após a implementação, para saber se o
filtro realmente tem ganho de aproximadamente 3dB nesta frequência.

Calcular o grau do filtro

ε=√ 100,1⋅Amáx −1 = 1,72

n=
cosh −1
  100,1⋅Amin −1
−1
  = 2,00!
cosh  s 

Encontrar a função de transferência do passa baixas normalizada

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 28


s k = k ± j⋅ k

{   } { 
 k = ±sen
 12k
2

n
⋅ senh
1
n
arcsenh
1
 }
{   } { 
 k = cos
 12k
2 n
⋅ cosh
1
n
arcsenh
1
 }
SK = -0,1979 ±j0,7343 = –a ± j⋅b

H(S) = S2 + 2⋅a⋅S + (a2 + b2) = S2 + 0,3958⋅S + 0,57836

1
T  S = 2
S 0,3958⋅S 0,57836

Aplicar a desnormalização adequada

na T(S), substituir S por (S2 + ω02)/(ω2 – ω1)⋅S = (S2 + 140492) / (2⋅π⋅4000⋅S)

K⋅1
T S = 2

   
2 2
S 14049 S 214049 2
0,3958⋅ 0,57836
2⋅⋅4000⋅S 2⋅⋅4000⋅S

Este filtro tem ganho unitário na banda de passagem e atenua 6dB nas frequências de corte.
Par obter ganho de 3dB na banda de passagem e atenuação de 3dB nas frequências de corte basta
fazer o ganho K=1,41 (+3dB).

25.8.7 Exemplo 5

Um filtro deve atender, aproximadamente, as seguintes especificações: Atenuação de 35dB


na frequência de 1000Hz; Atenuação de 3dB na frequência de3500Hz; A oscilação máxima na
banda de passagem não deve ultrapassar 3dB; O filtro deve alterar minimamente a fase do sinal na
banda de passagem. Escolher entre as aproximações de Butterworth e Chebyshev. Identifique o tipo
de filtro, desenhe o seu gabarito e identifique os pontos do gráfico.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 29


Atenuação

35dB

3dB
Ripple 3dB
0dB
1000 3500 f

Amin = 35dB, fs = 3500Hz

Amáx = 3dB, fp = 1000Hz

É um filtro passa altas.

Se o ripple máximo é 3dB e a máxima atenuação na banda de passagem é 3dB então a menor
atenuação da banda de passagem é 0dB. Assim, o ganho na banda de passagem é 0dB.

Se o filtro deve alterar minimamente a fase do sinal na banda de passagem, e só podemos


escolher entre Butterworth e Chebyshev, devemos escolher Butterworth.

Projetar o filtro

= 100,1⋅Amáx−1=0,9976 (podemos adotar ε = 1, pois Amáx = 3dB).

n≥
log
 10 0,1⋅Amin −1
2  ≥3,21=4
2⋅log
fs
fp 
sk =cos   2kn−1
2

n
± j⋅sen ⋅
2 
 2kn−1
n  
S1,2= –0,382683±j0,0,923879=–a ± j⋅b.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 30


Polinômio: S2+2⋅a⋅S+(a2+b2) = S2+0,7653⋅S+1

S3,4= –0,923879±0,382683 =–a ± j⋅b.

Polinômio: S2+2⋅a⋅S+(a2+b2) = S2+1,8477⋅S+1

1 1
T PBNormalizada  s= 2
⋅ 2
s 0,7653 s1 s 1,8477 s1

Desnormalizar

Primeiro: Como o filtro é Butterworth desnormalizar o ε. Para ε=1 não há desnormalização.

Segundo: Desnormalizar a frequência.

s2 s2
T PB S= 2 ⋅ , onde
s 0,7653⋅ 0⋅s 20 s 21,8477⋅ 0⋅s 20

 0=2⋅⋅3500 rad/s

Se for acrescentado, após o projeto do filtro, um estágio de ganho x5. Quanto será a
atenuação na frequência de 3500Hz?

Ganho x5 corresponde a ganho de 13,97dB. Então o ganho em 3500Hz será


aproximadamente 13,97dB-3dB=10,97dB.

Outra forma de calcular é multiplicar o ganho em 3500Hz (0,707) por 5. O resultado é 3,53,
ou seja, 10,97dB.

Também poderíamos ter calculado substituindo K1⋅K2 por 5 e “s” por j(2⋅π⋅3500) na função
TPA(s). O resultado é 3,53 que corresponde a 10,97dB!

25.8.8 Soluções tabeladas

Apesar de existirem algoritmos para o cálculo dos filtros é muito comum encontrarmos
tabelas com os polinômios normalizados. A seguir são apresentados algumas tabelas com os
polinômios mais comuns. Nelas a função de transferência é separada em seções de primeira e

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 31


segunda ordem. Estão indicados os graus dos filtros (N), o valor de ω e Q de cada seção. Para os
filtros de grau impar, uma das seções é de primeira ordem e não apresenta Q.

Parâmetros para filtros de Butterworth (3dB de ganho na frequência de corte)

N ω1 Q1 ω2 Q2 ω3 Q3 ω4 Q4

2 1,00000 0,707107

3 1,00000 1,00000 1,00000 -

4 1,00000 1,30656 1,00000 0,541196

5 1,00000 1,61803 1,00000 0,618034 1,00000 -

6 1,00000 1,93185 1,00000 0,707107 1,00000 0,517638

7 1,00000 2,24698 1,00000 0,801938 1,00000 0,554958 1,00000 -

8 1,00000 2,56291 1,00000 0,899977 1,00000 0,601345 1,00000 0,50599


*Ganho unitário

Parâmetros para filtros de Bessel (desvio de fase de N / 4 rad na frequência de corte)

N ω1 Q1 ω2 Q2 ω3 Q3 ω4 Q4

2 1,00000 0,577350

3 1,07869 0,691047 0,985560 -

4 1,07890 0,805538 0,962319 0,5521935

5 1,08504 0,916478 0,962003 0,563536 0,928640 -

6 1,09270 1,02331 0,969010 0,611195 0,920141 0,510318

7 1,10034 1,12626 0,978443 0,660821 0,921478 0,522356 0,904336 -

8 1,10046 1,22567 0,982040 0,710853 0,921150 0,559609 0,894187 0,505991

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 32


Parâmetros para filtros de Chebyshev (ripple de 0,5 dB na faixa de passagem)

N ω1 Q1 ω2 Q2 ω3 Q3 ω4 Q4

2 1,23134 0,863721

3 1,06885 1,70619 0,626456 -

4 1,03127 2,94055 0,5977002 0,70511

5 1,01774 4,54496 0,690483 1,17781 0,362320 -

6 1,01145 6,51283 0,768121 1,81038 0,396229 0,683639

7 1,00802 8,84181 0,822729 2,57555 0,503863 1,09155 0,256170 -

8 1,00595 11,5308 0,861007 3,46568 0,598874 1,61068 0,296736 0,676575

Parâmetros para filtros de Chebyshev (ripple de 2 dB na faixa de passagem)

N ω1 Q1 ω2 Q2 ω3 Q3 ω4 Q4

2 0,977227 1,12865

3 0,941326 2,55164 0,368911 -

4 0,963678 4,59388 0,470711 0,929449

5 0,975790 7,23228 0,627071 1,77509 0,218308 -

6 0,982828 10,4616 0,730027 2,84426 0,316111 0,901595

7 0,987226 14,2802 0,797114 4,11507 0,460853 1,64642 0,155340 -

8 0,999141 18,6873 0,842486 5,58354 0,571925 2,532267 0,237699 0,892354

25.9 Síntese de filtros ativos

25.9.1 Realizações

Filtros passivos RLC (particularmente as redes ladder LC) com as seguintes características:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 33


• Baixa sensibilidade aos componentes;
• Difícil de sintonizar e necessita de indutores;
• Ainda utilizados em altas frequências – indutores menores;
• Podem ser transformadas em filtros ativos

Filtros a capacitor chaveado (anos 70)

• Compatibilidade com tecnologia CMOS – fácil de integrar (precisão de 0,1%)

Corrente chaveada (final dos anos 80)

• Semelhante ao capacitor chaveado

Filtros MOSFET-C (anos 80)

• Resistores ativos obtidos com transistores MOSFET


• Resistências podem ser ajustadas por tensão – sintonia automática
• Problemas com linearidades dos MOSFET

Filtros OTA-C

• Permite atuar em altas frequências


• Problemas com relação a linearidade dos OTAs

Filtros ativos RC

• Filtros ativos RC em cascata (biquads – seções de primeira e segunda ordem);


• Redes com 1 Amp. Op.;
• Redes com vários Amp. Op.;
• Redes multirealimentadas;
• Redes Ladder RLC com simulação de indutores;
• Redes Ladder RLC com escalamento de impedância para uso com FDNR;
• Redes Ladder LC simuladas.

Comparado aos filtros passivos podemos listar as seguintes vantagens dos filtros ativos:

• Usa R e C (capacitores práticos tem comportamento mais próximo ao teórico do que


indutores);
• Não sofrem influência dos campos eletromagnéticos gerados pelas indutâncias
presentes nos filtros passivos;

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 34


• São baratos;
• Podem ter ganho e raramente tem perdas como nos filtros passivos;
• São fáceis de sintonizar;
• Filtros de baixa frequência podem ser obtidos com componentes de valores
modestos;
• São leves e pequenos;
• Tem baixa impedância de saída (isto permite que sejam ligados em série).

Comparando com filtros passivos podemos listar as seguintes desvantagens dos filtros
ativos:

• Necessitam de alimentação;
• São limitados pelas características reais dos Amp. Ops. (resposta em frequência,
saturação, limitação de fornecer corrente, slew-rate, ganho finito, impedância de
entrada finita, resistência de saída diferente de zero, );
• São mais sensíveis a variações nos componentes, o que resulta em maiores variações
de ω e Q (esta é uma das razões pela qual se aumentam número de elementos ativos
nos filtros);
• São mais ruidosos;
• Não tem isolação galvânica;
• Podem oscilar;

Nesta disciplina serão estudados alguns filtros ativos RC ligados em cascata. Nestes projetos
devemos preferencialmente:

• Dividir o filtro em seções de primeira e segunda ordem;


• Interligar as seções em cascata (esta característica que facilita o projeto também é
responsável pela maior sensibilidade destes filtros a variações nos componentes);
• Evitar capacitores eletrolíticos, e dar preferência a capacitores de polipropileno, mica
e cerâmica);
• Distribuir o ganho entre todas as seções;
• Utilizar um possível passa baixas como primeiro estágio de filtragem para eliminar
as altas frequências e diminuir problemas com slew-rate;
• Colocar uma eventual seção passa altas como estágio de saída para diminuir
problemas com off-set;
• Manter a banda de passagem o mais plana possível, sempre;
• Manter polos e zeros próximos.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 35


25.10 Filtros de primeira ordem RC

25.10.1 Filtro passa baixas RC de primeira ordem

Um filtro passa baixas de primeira ordem pode ser obtido pela função de transferência


T  S =K⋅ 0
S  0

onde σο é chamada de frequência de corte do filtro, pois corresponde ao ponto onde o ganho
na faixa de passagem diminui 3dB (0,707 vezes menor). Este ponto é conhecido como ponto de
meia potência e costuma ser utilizado genericamente como frequência de corte.

Os dois principais circuitos que implementam esta função estão apresentados na figura
abaixo. Um deles é o próprio integrador com perdas. O segundo, com a mesma função, pode ser
utilizada em altas frequências pois sofrem menos influência das características dinâmicas do AO.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 36


Para o primeiro circuito

1
vO s  Rf Rf ⋅C
=− ⋅
vi  s  Ri 1
s+
Rf ⋅C

e para o segundo circuito

1
vO s  R⋅C
=
v i  s 1
s
R⋅C .

25.10.2 Filtros passa altas RC de primeira ordem

Filtros passa altas de primeira ordem pode ser obtido pela função de transferência

S
T  S =K⋅
S  0

onde σ0 é a frequência de corte do filtro.

Os dois principais circuitos que implementam a função de transferência do passa altas são
apresentados na próxima figura. O primeiro deles corresponde ao derivador modificado e o segundo
uma implementação passiva com um buffer na saída. Este último pode ser utilizado em frequências
mais elevadas com menos influência das limitações dinâmicas do AO.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 37


Para o primeiro circuito

vO s  Rf s
=− ⋅
vi  s  Ri 1
s+
Ri⋅C ,

e para o segundo

vO s  s
=
v i  s 1
s
R⋅C

25.11 Filtros de segunda ordem RC

Nesta seção serão apresentadas algumas formas de se obter filtros de segunda ordem com
topologias de 1 ou mais amplificadores operacionais. As configurações de 1 amplificador
normalmente apresentam características de frequência de corte, ganho e fator de mérito mais
sensíveis as variações nos componentes porém são de implementação mais barata.

25.11.1 Filtros variáveis de estado

Os filtros variáveis de estado apesar de necessitarem de no mínimo três Aos apresentam


muitas vantagens que tornam atrativa a sua integração. Estes filtros podem ser utilizados em
funções de transferências com Q elevado (10<Q<500) e frequências de corte mais altas que aquelas
possíveis para as topologias de um só amplificador. Além do mais, uma mesma topologia de
circuito permite a implementação de filtros passa baixas, passa altas e passa faixa. O ajuste do Q e
de ωο são simples e relativamente independentes além de permitirem sintonia (ajuste da frequência
de corte) controlada por tensão.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 38


Por todas estas razões é muito comum encontrarmos esta topologia integrada em circuitos
como o LTC1563 e o LTC1568 da Linear Technology e os MAX270 e MAX271, MAX274 e
MAX275 da Maxim (estes últimos implementam em um só integrado filtros de até oitava ordem).

O desenho básico do filtro de variáveis de estado esta representado no diagrama em blocos


abaixo. O mesmo circuito, pode ser um passa altas, um passa baixa, ou um passa faixa, dependendo
apenas de onde é retirado o sinal de saída do filtro.

Equacionamento da saída passa altas

A⋅0⋅v PA B⋅ 20⋅v PA


v PA=v i − −
s s2

v PA s2
=
v i s 2 A⋅ 0 sB⋅20

Equacionamento da saída passa faixa

v i⋅0 A⋅ 0⋅v PF B⋅ 20⋅v PF


v PF =− − −
s s s2

v PF s⋅ω 0
= 2
v i s +A⋅ω 0⋅s +B⋅ω 20

Equacionamento da saída passa baixas

2 2 2
v PB⋅s =v i⋅ 0−B⋅0⋅v PB −A⋅ 0⋅s⋅v PB

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 39


v PB 20
=
v i s 2 A⋅ 0⋅sB⋅ 20

1
Se A= e B=1 as funções de transferência são idênticas as dos gabaritos apresentados
Q
anteriormente. O circuito que implementa o diagrama de blocos pode ser facilmente obtido com o
circuito abaixo.

As equações para os parâmetros são

ω0=
 K3
R1⋅R2⋅C1⋅C2

Q=
1K3


1 K4 K3⋅R1⋅C1
R2⋅C2

K4⋅ 1K3 
K PB =
K3⋅ 1K4 

K4⋅ 1K3 
K PA=
1K4

K PF =−K4

Normalmente a escolha dos componentes é feita de forma que R1=R2, C1=C2, e K3=1.

Estes filtros permitem algumas modificações interessantes. Uma delas é o controle da


frequência de corte usando multiplicadores e controle por tensão.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 40


2⋅K4
KPa=KPb=
1 +K4

Ec
ω 0=
10⋅R⋅C

1 +K4
Q=
2

Se as três saídas originais do filtro forem somadas de forma apropriada, para produzir uma
saída Vo, pode-se obter, neste ponto, qualquer função de transferência de segundo grau, incluindo
aquelas com zeros complexo conjugados.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 41


α S 2 +βS+θ
G( s )= 2
AS +BS+C

[( ) ]
RF
1+ ⋅ω0
R A // RB
VO
=
( R F⋅K PA
RA )
2
⋅S +
Q
ω
⋅K PF ⋅S +
R F⋅K PB 2
RB
⋅ω0

VI S 2+ 0⋅S+ω20
Q

O numerador vale ⋅s2⋅s

De onde pode se calcular diretamente as parcelas.

2RF K 4
=
R A 1 +K 4 

RF
2( 1+ )K
R A // R B 4
β =
(1 +K 4 ) RC

2R F K 4
θ= 2 2
R B 1 +K4 R C

Para a síntese de filtros elípticos ou rejeita faixas temos:

⋅S 2 +θ
Gs = 2 , β=0
AS +BS +C

2R K
R A= F 4
 1 +K 4 

2RF K 4
RB= 2 2
θ 1 +K 4 R C

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 42


25.11.2 Exemplo 1

A Burr Brown fabricava um integrado híbrido (UAF42), cujo diagrama em blocos está
desenhado abaixo. De posse deste integrado, de capacitores, AO e resistores, projetar um filtro de 3°
ordem de Chebyshev, passa alto, com máxima atenuação na banda de passagem de 1dB e frequência
de corte de 2kHz. O filtro deve ter módulo 2 na frequência de passagem. Desenhar o circuito
indicando os pinos do circuito integrado. Usar a menor quantidade de componentes.

Examinando o integrado nota-se que o é possível implementar com facilidade um filtro do


tipo variável de estado. Como o filtro é de 3°ordem o AO adicional pode ser utilizado para
implementar a seção de 1° ordem.

Da tabela dos polinômios de Chebyshev com atenuação máxima de 1dB e n=3. O filtro passa
baixas normalizado é:

0,99420 0,49417
T  S = 2

 S 0,49417⋅S 0,99420   S 0,49417 

Para desnormalizar o filtro

 0 2⋅⋅2000 12566
substituir S por = =
S S S

Finalmente, precisamos considerar que o módulo do ganho, nas frequências de passagem,


deve ser 2.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 43


0,99420 0,49417
T  S =2⋅ ⋅

 125662
S 2
0,49417⋅
12566
S
0, 99420
 12566
S
0,49417 
0,99420⋅S 2 0,49417⋅S
T  S =2⋅ 2

 0,99420⋅S 6210⋅S157904356   0,49417⋅S12566 

S2 S
T  S =2⋅ 2 ⋅
 S 6246⋅S 158825544   S25428

O filtro de variáveis de estado já vem praticamente montado no integrado. Faltam interligar


os integradores com resistores R1 (da saída passa altas para o integrador do passa faixa) e R 2 (da
saída passa faixa para o subtrator da entrada). A entrada do filtro corresponde ao pino IN3.

Os parâmetros do filtro são

 0=
 K3
R1⋅R2⋅C 1⋅C 2
, e Q=
1K 3


1K 4 K 3⋅R1⋅C 1
R2⋅C 2

K4⋅1K3 
K PA= .
1K4

onde

C1=C2=1000pF,

K4=K3=1,

 0= 158825544=12602 .

0
Como =6210 ,
Q

Q=2 .

Podemos montar um sistema de 2 equações, 2 incógnitas (R1 e R2):

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 44


Q=2=
 R1
R2

R1 =4⋅R2

1
 20=126022 =
4⋅R22⋅ 1000⋅10-12 2

R2 =39676 

R1 =158705

Falta projetar o filtro de 1° ordem, com ganho 2. Isto pode ser realizado com o AO que está
sobrando no integrado. A função de transferência

2⋅S
T  S =
S 25428

pode ser implementado com

Rf S
T  S =− ⋅
Ri 1
S
C⋅Ri

onde

1
=25428 .
C⋅Ri

Se C=1000 pF , Ri =39326 

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 45


Rf
Como =2
Ri

R f =78652 

25.11.3 Exemplo 2

Utilizando um filtro variáveis de estado, projete um equalizador de ganho que possua as


características da figura e tabela abaixo. Este equalizador deve ter sua curva de ganho ajustável por
tensão externa (vC). O desvio máximo dos parâmetros é de 5%. Use valores comerciais para os
componentes.

vC ∣T  S ∣

+4V +12dB

+1V 0dB

+0,25 -12dB

0
S 2K S  20
Q
T  S =K 0⋅
0
S 2 S 20
Q

Como o patamar é 0dB, o ganho K0=1.

Nos extremos: K1=4 (12dB), K2=0,25 (-12dB).

Projeto do filtro

Se fizermos K 3=K 4=1, R3= R4 , C=C 1=C 2, K PB=−K PF =K PA=1

então

1 1
 0= ⋅
C  R1⋅R 2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 46


Q=
 R1
R2
=2

R1
=4
R2

R1 =4⋅R2

R2 =0, 25⋅R1

Substituindo em ω0

1 1
 0= ⋅
C⋅R 1  0,25

C⋅R1 =3,1831⋅10−4

C=6,8 nF , R1 =47k  C⋅R1=3,196⋅10−4  .

Assim

R1
R2 = =11 ,75 k 
4

Comercialmente R2 =12k 

Conferindo os desvios

f 0 =985,5 Hz −1,4 % , Q=1,979−1 % , K 0 =10 %

Para obter o filtro controlado por vC é preciso somar

T  S =v PAv C⋅v PF v PB

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 47


Assim vC=Ki, ou seja, vC=4V para K1=4, vC=1V para K0=1, vC=0,25 para K2=0,25.

25.11.4 Configurações de um único amplificador operacional

Filtros com um único AO normalmente não estão disponíveis em integrados mas podem ser
facilmente implementados de forma discreta. As duas configurações de filtros mais utilizadas são:
Ganho Infinito Realimentação Múltipla (GIRM ou MFB) e Fonte de Tensão Controlada por Tensão
(FTCT ou Salen-Key). A topologia dos dois filtros é mostrada na figura a abaixo.

Biquad - FTCT (Sallen Key) Biquad – MFB

Note que no desenho das topologias MFB e Sallen-Key estão representadas as impedâncias
de cada configuração. A medida que as impedâncias são trocadas por resistências ou capacitores a
função do filtro muda.

Alterações no ganho das funções de transferência podem ser realizados com um divisor de
tensão na entrada do filtro (desde que mantenha a impedância de entrada inalterada) ou utilizando
um divisor de tensão na saída do operacional e usando este divisor para realimentar o filtro. No
primeiro caso se obtém uma redução do ganho, no segundo um aumento. Estas técnicas não alteram
os outros parâmetros da função de transferência.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 48


Sallen Key MFB

PB PA PF PB PA PF

Z1 R C R R C R

Z2 R C C C R -

Z3 C R R R C C

Z4 C R R R C C

Z5 - - C C R R

Parâmetros para os filtros Sallen Key

ωΟ2 Q K

PB
1   R1⋅R 2⋅C 3⋅C 4  m
R1⋅R2⋅C 3⋅C 4 1−m⋅R1⋅C 4 C 3⋅ R1 R2

PA
1  C 1⋅C 2⋅R 3⋅R4  m
C 1⋅C 2⋅R3⋅R 4 1−m⋅R3⋅C 2 R4⋅C 1C 2 

m R ⋅1−m
R 1 R4   R1R 4⋅R1⋅R3⋅R 4⋅C 2⋅C 5  1
PF R ⋅C R R4
R1⋅R3⋅R4⋅C 2⋅C 5 [ R4R1⋅1−m]⋅R3⋅C 2 R1⋅R4⋅C 2C 5  1 1 5  1
R3⋅C 2 R3

Parâmetros para os filtros MFB

ωΟ2 Q K

1  C 2 /C 5 R4
PB −
R3⋅R4⋅C 2⋅C 5  R 3⋅R4⋅[ 1/ R11/ R31/ R 4 ] R1

1  R2⋅R5⋅C 3⋅C 4 C1
PA −
R2⋅R5⋅C 3⋅C 4 R2⋅C 1 C 3C 4  C4

PF
1  R1⋅R5⋅C 3⋅C 4 −
R5

C3
R1⋅R5⋅C 3⋅C 4 R1⋅C 3C 4 R1 C 3 C 4

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 49


Os filtros passa baixas são bons para uso com Q<10. A escolha dos componentes fica muito
sensível e o projeto torna-se crítico para Q elevados. A configuração MFB apresenta resultados
melhores para este tipo de filtro já que os filtros Sallen-Key tem sérias restrições de sintonia e
frequência.

25.11.5 Passa baixas Sallen-Key

Circuito:

Função de transferência:

m
Vos  R1⋅C4⋅C3⋅R2
=
Vi s  2
s +s⋅
[
1

1

m−1

]
1
R1⋅C4 R2⋅C4 R2⋅C3 R1⋅R2⋅C3⋅C4

Função de transferência geral do filtro passa baixas de segunda ordem:

Vos  K⋅ω 20
=
Vi s  ω
s 2 +s⋅ 0 +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 50


C3 = C4 = C, e R1 = R2 = Rx

1
Rx=
ω 0⋅C

Q ≥ 0,5

1
m= 3−
Q

m=∣K∣

Uma das soluções de mínima sensibilidade para a maioria dos componentes é:

m=K=1

R1=R2=1

2Q
C4=
0

1
C3=
2 0 Q

Para esta solução, entretanto, a diferença entre os capacitores é proporcional a Q2:

Outra solução muito conhecida e com um bom comprometimento entre sensibilidade e


facilidade no ajuste dos componentes é a solução de Saraga:

C3=1

C4= 3Q

1
R2=
3  0

1
R1=
Q 0

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 51


4
m=K=
3

OBS.: Para qualquer uma das soluções podem ser realizados escalamentos de impedância.
Para isto basta multiplicar os resistores e dividir os capacitores simultaneamente por um fator “b”.

25.11.6 Passa baixas MFB

Circuito:

Função de transferência:

1
Vos  R1⋅R3⋅C2⋅C5
=−
Vi s 
s2 +s⋅
[1

1

1

]
1
R1⋅C2 R3⋅C2 R4⋅C2 R3⋅R4⋅C2⋅C5

Função de transferência geral do filtro passa baixas de segunda ordem:

2
Vos  K⋅ω 0
=
Vi s  ω
s 2 +s⋅ 0 +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Fazer

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 52


C2 = C

C5 = X @C2

R4=
1
2⋅Q⋅ 0⋅C [ 
⋅ 1± 1−
4⋅Q2⋅∣K∣1 
X ]
R
R1 = 4
∣K∣

1
R3=
ω 20⋅R4⋅C2⋅C5

Bom para KQ>100 e ganho de malha aberta dos amp. op. > 80dB

25.11.7 Passa altas Sallen-Key

Circuito:

Função de transferência:

Vos  s 2⋅m
=
Vi s 
[
s 2 +s⋅
1

1

m−1

]
1
R3⋅C2 R3⋅C1 R4⋅C1 R4⋅R3⋅C1⋅C2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 53


Função de transferência geral do filtro passa altas de segunda ordem:

Vos  K⋅s 2
=
Vi s  ω
s 2 +s⋅ 0 +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Fazer C1 = C2 = C, e R3 = R4 = Rx

1
Rx=
ω 0⋅C

1
m= 3−
Q , para Q ≥ 0,5

m=∣K∣

As soluções alternativas, propostas para o filtro passa baixas Sallen-Key, podem ser
utilizadas e o filtro pode ser desnormalizado diretamente nos componentes.

Substituir Resistores por Capacitores de valor 1/R  0

Substituir Capacitores por Resistores de valor 1/C 0

25.11.8 Passa altas MFB

Circuito:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 54


Função de transferência:

C1
s 2⋅
Vos  C4
=−
Vi s  2
s +s⋅
[
1

1

C1

1
]
C4⋅R5 C3⋅R5 C3⋅C4⋅R5 C3⋅C4⋅R2⋅R5

Função de transferência geral do filtro passa altas de segunda ordem:

Vos  K⋅s 2
=
Vi s  ω
s 2 +s⋅ 0 +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Fazer C1 = C3 = C

C
C 4= 1
∣K∣

Q
R 5= ⋅2⋅∣K∣1
ω 0⋅C

1
R 2=
 0⋅Q⋅C⋅2⋅∣K∣1 

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 55


Bom para KQ>100 e ganho de malha aberta dos amp. op. > 80dB

25.11.9 Passa Faixa Sallen-Key

Circuito:

Função de transferência:

m
s⋅
Vos  R1⋅C5
=
Vi s  2
s +s⋅
[ 1

1

1

m−1

R1+R4
]
R1⋅C5 R3⋅C2 R3⋅C5 R4⋅C5 R1⋅R3⋅R4⋅C2⋅C5

Função de transferência geral do filtro passa faixa de segunda ordem:

ω
K⋅s⋅ 0
Vos  Q
=
Vi s  2 ω 0
s +s⋅ +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Fazer C2 = C5 = C

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 56


R1 = R3 = R4 = Rx

Rx= 2
ω 0⋅C

m= 4−
2
Q

Q≥
2
3

K=
m
R1⋅C5 
= 0⋅ 2⋅2−
1
Q 
25.11.10 Passa faixas MFB

Circuito:

Função de transferência:

1
s⋅
Vos  R1⋅C4
=−
Vi s 
[
s2 +s⋅
1

1
]

1
C4⋅R5 C3⋅R5 C3⋅C4⋅R1⋅R5

Função de transferência geral do filtro passa faixa de segunda ordem:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 57


ω
K⋅s⋅ 0
Vos  Q
=
Vi s  2 ω 0
s +s⋅ +ω20
Q

Comparando as duas equações podemos verificar como cada componente afeta os valores de
K, Q e T0. Uma solução para ajustar os componentes é:

Fazer C3 = C4 = C

Q
R1=
∣K∣⋅ 0⋅C

2⋅Q
R5=
ω 0⋅C

K=−2⋅Q⋅ 0

25.11.11 Rejeita faixa (ou Notch)

O filtro rejeita faixa também é chamado de “notch” pois muitas vezes é utilizado para
eliminar uma determinada frequência ou uma faixa de frequências muito estreita. Isto é muito
utilizado para reduzir a interferência de sinais de 60 Hz em instrumentos de precisão.

25.11.12 Rejeita faixa Sallen-Key (modificado – com rede duplo T)

Circuito:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 58


A escolha dos componentes pode ser feita da seguinte maneira:

C1=C2=C, R1=R2=R

C4=2C, R5=R/2

1
 0=
R⋅C

1
Q= , Q>=0,25
4−2⋅m

K=m , m<2

25.11.13 Rejeita faixa MFB (modificado)

Circuito:

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 59


Observe que o circuito rejeita faixa MFB funciona como se fosse “1 - PF” MFB. O projeto
pode ser feito com as seguintes relações:

C3=C4 , Rb=R5 , Ra=2 R1


˙

R5
K=
R52⋅R1

1
 0=
C⋅ R1⋅R5

Q=

1 R5
2 R1

25.11.14 Exemplo 1

Projetar um filtro PA do tipo MFB com as seguintes características: fo=1,5kHz, Q=0,7,


K=20dB. As características do filtro não podem sofrer desvio maior que 5%. Usar valores
comerciais para os componentes. Garantir que o filtro funcione até uma frequência de 100kHz.
Calcular o produto ganho-faixa do AO necessário para que esta especificação seja atendida.
Justificar o procedimento de cálculo.

Solução:

Escolhendo C 3=C 4=C ,C 1= A⋅C , R5 =R , R2 =B⋅R

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 60


K =−A=−10

Q= B
2A

Q=0,7= B
2 A

B=70,56

com valores de resistores com precisão de 10% uma boa escolha para os resistores é

R=R 2=4,7 k  , R5=330k  .

A frequência de corte é

1
 0= =2⋅⋅ f 0
R⋅C⋅ B

1
C= =2,694 nF
2⋅⋅ f 0⋅R⋅ B

Comercialmente C=2,7 nF ,C 3=C 4=2,7 nF ,C 1=27nF

Variação nos parâmetros do filtro:

f 0 =1, 497 kHz ,  f 0=−2,2 %

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 61


Q=0,6983 ,  Q=−2,5 %

K 0 =−10,  K =0 %

A determinação do produto ganho faixa pode ser realizada se for encontrado o ganho da
malha de realimentação. O limite de funcionamento deste filtro ocorre quando o ganho diferencial
do AO se torna igual ao ganho de rede de realimentação

O ganho da rede é

∣ ∣
v 0 S 
v – S 
=∣A S ∣

onde

Ad⋅p Ad⋅p
A S = ≈
S p S

GBW =A S ⋅S≈ Ad⋅p

Para o PA MFB a rede de realimentação é

2
S 
1
[⋅
C 1C 4 C 3  C 3

]
⋅S
1

 
v0  S  C1 C 3⋅C 1 C 4  R5 R2 C 3⋅C 1 C 4 ⋅R5⋅R 2
= 1 ⋅

[ ]
v – S  C4 1 C1 1 1 1
S 2   ⋅S 
R 5 C 2⋅C 4 C 3 C 4 C 4⋅C 3 R5 R2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 62


para frequências muito maiores que f0

v0  S 
v – S  
≈ 1
C1
C4

Este resultado também poderia ser obtido considerando que em altas frequências apenas os
capacitores são importantes. Nesta situação os resistores poderiam ser retirados do circuito e o
ganho do filtro seria

1 1

v 0 C 1⋅S C 4⋅S C
≈ =1 1
v– 1 C4
C 1⋅S

assim

 
1
C1
C4
=
2⋅⋅GBW
2⋅⋅ f 0

GBW= f 0⋅ 1
  C1
C4
=1,1 MHz

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 63


25.11.15 Exemplo 2

Para o circuito da figura abaixo mostre como: 1) Reduzir a metade o ganho da configuração;
2) Dobrar o ganho da configuração. Utilize apenas componentes passivos. Não altere os parâmetros
ω0 e Q. Mostre as equações que você utilizaria para estas alterações.

Para diminuir o ganho da configuração é possivel substituir o capacitor C1 por um divisor de


tensão (um C1' na mesma posição que C1 e um C1'' em paralelo com R2). A capacitância
equivalente deve ser igual a C1.

Para aumentar o ganho é possível ligar a saída do amplificador operacional em um divisor


resistivo. Do centro deste divisor resistivo faz-se a conexão para C4 e R5. A saída do operacional
torna-se a saída do filtro. Se os resistores dividem a tensão por dois, então a tensão na saída do
operacional será duas vezes maior para manter a realimentação no mesmo nível.

25.11.16 Exemplo 3

Com o circuito passa baixas abaixo, implemente a função de transferência

7439,494
T  s=
s 25693,96 s7439,492  s 213745,95 s7439,49 2

Use componentes com valores práticos (não precisam apresentar valores comerciais)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 64


C3=1,
C4= 3⋅Q ,
1
R2= ,
 3 0
1
R1= ,
Q 0
4
m=K=
3

A forma geral da função de transferência de um passa baixas de segunda ordem é:

20
T  s=

s 2 0 s 20
Q

Então a função de transferência pode ser decomposta em:

7439,49 2 7439,492
T  s= 2 2
⋅ 2 2
s 5693,96 s7439,49 s 13745,95 s7439,49

Podemos implementar este filtro com dois circuitos passa baixas de segunda ordem ligados
em cascata.

Na primeira seção

K=1, ω0=7439,49 e Q=1,3065

Então, aplicando as fórmulas para os cálculos dos componentes temos

C3=1, C4=2,263, R2=7,76⋅10-5, R1=1,0288⋅10-4, m=K=1,3333

Para obter componentes com valores práticos podemos desnormalizar este Sallen Key
dividindo todos os capacitores por um fator α e multiplicando todos os resistores pelo mesmo fator.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 65


Os resistores da realimentação (“R” e “R(m-1)”) não precisam ser escalonados pois não influenciam
em ω0 nem em Q. Devemos respeitar, apenas, a relação entre eles, que determina o ganho da
configuração.

Fazendo α=108

C3=10nF, C4=22nF, R2=7,7kΩ, R1=10,2kΩ, K=1,33333, R=10kΩ, R(m-1)=3,3kΩ

Para obter um ganho unitário podemos usar um divisor resistivo no lugar de R1.

R11//R12 = R1

R12/(R11+R12) = m-1

Então

R11= m⋅R1 = 13,6kΩ

R12=(R1⋅R11) / (R11-R1)=40,8kΩ

Na segunda parcela temos

K=1, ω0=7439,49 e Q=0,541

Então, aplicando as fórmulas para os cálculos dos componentes temos

C3=1, C4=0,937, R2=7,76⋅10-5, R1=2,4846⋅10-4, m=K=1,333333

Fazendo α=108

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 66


C3=10nF, C4=9nF, R2=7,7kΩ, R1=24kΩ, R=10kΩ, R(m-1)=3,3kΩ

Para obter ganho unitário, podemos usar um novo divisor resistivo.

Então, R11= m@R1 = 32kΩ

R12=(R1⋅R11) / (R11-R1)=96kΩ

25.11.17 Exemplo 4

Projetar um filtro rejeita faixa de 2° ordem com Q=5 e f0=120Hz. É aceitável um erro
máximo de 10%. Utilizar apenas um filtro PF ativo e algum outro circuito ativo que não seja filtro
mas que empregue apenas 1 AO.

Um filtro RF subtrai do sinal de entrada, uma determinada faixa de frequências. Assim,


podemos implementá-lo subtraindo o resultado de um PF, do sinal de entrada.

T  S = K 1 −K 2⋅ 2
S
=K 1⋅
 
S 2  1−
K2
K1
a⋅Sb

S a⋅S b S 2 a⋅Sb

Se fizermos K2=K1

S 2b
T  S = K 1⋅ 2
S a⋅S b

que é a função de transferência de um RF.

Com filtro Sallen-Key, cujo ganho é positivo, o sinal original deve ser subtraído do sinal na
saída do filtro. Com filtro MFB, cujo ganho é negativo, o sinal original deve ser somado ao sinal na
saída do filtro.

25.12 Exercícios

1) Projetar um filtro Butterworth de acordo com as especificações abaixo. Como você


implementaria este filtro na prática?

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 67


Atenuação

15dB

3dB

3
1 2 ω(x10 )

2) No circuito abaixo, calcule v 0 = f  v i  e esboce a forma de onda de v i e v 0 no tempo,

uma sobre da outra, indicando valores típicos. Supor v i =2⋅sen 2⋅10 3⋅t

3) Projete um filtro variáveis de estado tipo PA cujo parâmetro ωο/Q seja controlado por
tensão (o parâmetro ωο/Q deve ser diretamente proporcional a uma tensão de controle vc. Usar um
conversor tipo  x⋅y /Z⋅10 para obter o controle desejado. Utilizar valores comerciais para os
componentes e garantir que o desvio máximo de qualquer parâmetro do filtro seja de ± 10% da
especificação abaixo:

K0=0dB, f0=1kHz

ωο/Q 100Hz 1KHz

vc +1V +10V

Utilizar apenas três AOs. Considerar R1=R2=R.

25.13 Filtros a capacitor chaveado

Uma outra abordagem, bastante comum para a integração de filtros é a utilização da técnica
de capacitor chaveado. Diversos fabricantes produzem integrados com filtros a capacitor chaveado

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 68


como os MF100 da National, o MAX7491 da Maxim e o LTC1062 da Linear Technology além de
blocos de capacitor chaveado para uso genérico como o LTC1043 da Linear Technology.

Os filtros variáveis de estado podem ser facilmente modificados para incorporar a tecnologia
de capacitor chaveado. Um bom texto sobre este assunto pode ser encontrado em Take the Mystery
Out of the Switched Capacitor Filter da Linear Technology. A Cypress apresenta um texto sobre
filtros de segunda ordem a capacitor chaveado em PSoC1. Algumas páginas dizem respeito
exclusivamente ao PSoC mas há muita informação sobre estes filtros em Understanding Switched
Capacitor Filters.

Neste abordagem um capacitor é chaveado com altas frequências de forma que a corrente
média que circula no capacitor pode ser modelada como a corrente de um resistor. A figura abaixo
mostra como o resistor de um integrador é substituído por um capacitor chaveado.

As chaves W1 e W2 são acionadas em instantes de tempo diferentes de forma que o


integrador pode ser analisado em dois momentos distintos. O primeiro quando W1 está fechada e
W2 está aberta. Nesta situação o capacitor recebe cargas da fonte vi, e a tensão acumulada no
capacitor C2 corresponde a tensão de saída do operacional conforme indicado na figura abaixo.

Em um segundo instante a chave W1 está aberta e a chave W2 está fechada. Nesta condição
o capacitor C se conecta ao circuito com o AO fazendo circular corrente entre ele e o capacitor C2.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 69


Se a frequência de chaveamento for muito elevada a corrente média que circula pelo
capacitor C pode ser modelada como

C⋅v i
iC =
TC

por associação

vi
i=
Req

então

TC
Req= e
C

vi
iC = .
Req

Esta relação é válida inclusive para o cálculo de constantes de tempo que, tanto no
integrador original quanto no integrador com capacitor chaveado é

=Req⋅C2 .

Esta relação é muito interessante para a integração pois a constante de tempo torna-se
independente do valor dos capacitores do circuito. Na verdade a constante de tempo depende apenas
das relações entre os valores de capacitância o que pode ser bem controlado em processos de
integração.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 70


C
=T C⋅ 2
C

Uma estrutura mais complexa de chaveamento, conforme indicado na figura abaixo, permite
que o integrador seja implementado em uma configuração inversora ou não inversora.

Se as chaves W1 e W4 estão acionadas enquanto as chaves W2 e W3 não estão, e vice-versa,


o integrador apresenta característica não inversora. Se as chaves W1 e W2 estão acionadas enquanto
as chaves W3 e W4 não estão e vice-versa, o integrador apresenta característica inversora.

25.14 Efeitos dos componentes reais

Os AOs reais apresentam polos de alta frequência de forma que a função de transferência de
um AO pode ser modelada por

Ad
A d  s =
S /  p1

ou

Ad  S / z 1 
Ad s = .
 S /  p11 S /  p21 

O AO real introduz mais polos na função de transferência global e, por causa da


realimentação negativa, todos os polos se deslocam de suas posições originais. De um modo geral
os polos do filtro deslocam-se para a direita e para cima. Como resultado a frequência de corte do
filtro é menor do que a frequência calculada, e o fator de mérito real é maior que o desejado. Para
baixas frequências de operação, a resposta do filtro é menos influenciada pelas singularidades do
AO, porém, próximo do produto ganho faixa os erros aumentam consideravelmente. Nas

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 71


frequências intermediarias o erro na frequência ωο pode chegar a 1% e o ganho da faixa de
passagem pode ser 1dB menor do que o planejado.

Além da influência dos polos, a impedância de saída do AO pode acrescentar um zero de


alta frequência alterando o comportamento da função de transferência original. Já a impedância de
entrada, costuma não ter importância significativa, ainda mais se o AO possuir entrada FET.

Por estas razões alguns projetistas preferem utilizar estruturas passivas para filtros passa
baixas e passa altas de primeira ordem e utilizar buffers para isolação do circuito. Mesmo assim, a
escolha dos capacitores também é importante no desempenho dos filtros. Normalmente são
recomendados capacitores de poliester do tipo SCHIKO para frequências até algumas centenas de
kHz, capacitores cerâmicos PLATE, mica e polipropileno para frequências de alguns MHz.
Capacitores eletrolíticos não são recomendados para uso em frequências médias e elevadas por
apresentarem muitas não linearidades, alta tolerância de valores, elevada corrente de fuga,
comportamento indutivo além de serem polarizados.

Para o projeto e determinação dos valores dos componentes escolhe-se a maior quantidade
possível de capacitores com valores comerciais e o uso de resistores de precisão (com 1% de
tolerância).

25.15 Sensibilidade

Funções de transferência implementadas com filtros ativos apresentam, normalmente, um


número de componentes maior que o número de parâmetros da equação, tornando a escolha do
componentes bastante difícil para o projetista. Ao invés de arbitrar aleatoriamente valor para alguns
componentes e depois calcular os restantes, que nem sempre podem ser obtidos com valores
comerciais, é possível obter outras equações para ajudar na determinação dos componentes. A
forma usual de se obter estas equações consiste na análise das sensibilidades de ω e Q com relação
aos componentes do circuito. Com este enfoque, o objetivo do projetista também passa a ser a
minimização da sensibilidade.

De uma forma geral, a sensibilidade indica o grau de variação de um parâmetro em torno do


seu valor nominal, com relação a variações dos elementos que formam o circuito, com relação ao

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 72


valor nominal de cada elemento. Matematicamente a variação de um parâmetro V com relação a um
elemento R é obtido como


ΔV
V P ∂V
S VP =lim ΔP  0 = ⋅
ΔP V ∂P
P

como

∂Y
=∂ln Y 
Y

a sensibilidade pode ser reescrita como

∂ ln V 
S VP = .
∂ln P 

Para simplificar os cálculos valem algumas observações:

1) se V é independente de P então S VP =0

k⋅P ∂ln k⋅P  ∂ln k  ∂ln P


2) se V = k·P (k é uma constante) então S P = =  =01=1
∂ln P  ∂ln P  ∂ln P

3) pelas relações de logaritmo S VP =−S 1/P V e S VP =−S V1/ P

4) outras relações úteis são

S V1⋅V2 =S V1 V2 V1 /V2
=S V1 V2
P P S P , S P P −S P

1 n

S VP = ⋅S VP , S VP =n⋅S VP
n
n

V1⋅S V1 V2
V1V2 P V2⋅S P
S P =
V1V2

25.15.1 Exemplos

1) Calcular a sensibilidade para K, ωp e Qp para a função de transferência

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 73


1 S
T ( S )= ⋅
R 2 S 1
S + +
R⋅C L⋅C

Identificando os elementos: Filtro passa faixa com

1 1
K=
C
,  p=
 L⋅C
, Qp=R⋅
C
L 
K 1/ C C
S C =S C =−S C =−1

1 L⋅C 1
S L =S 1L/ L⋅C =−S 
p L⋅C L
=− ⋅S L =−
2 2

p 1
S C =−S CC / L=−
2

Qp C/L
S R =S R⋅
R =1

1 R ⋅C / L 1 2

S Qp
C = ⋅S C =
2 2

Qp 1 R ⋅C / L 1 L / R ⋅C
2
1 2

S L = ⋅S L =− ⋅S L =−
2 2 2

As demais sensibilidades são nulas.

2) Calcular a sensibilidade para o filtro variável de estado cujos parâmetros são

ω 0=
√ R '3 / R 3
R1⋅C 1⋅R2⋅C 2
e Q=
1 R' 4 / R4
1R '3 / R3  R'3 / R3
R1⋅C 1⋅R2⋅C 2

onde R '3=K 3⋅R3 e R '4=K 4⋅R4

Como os parâmetros já estão especificados as sensibilidades podem ser calculadas


S R0' =
R '3 ∂ 0

 0 ∂ R '3
=
R '3


1/ R3 1 1
⋅ ⋅ =
R1⋅C 1⋅R2⋅C 2 2  R'3 2
1

 R'3 / R3
3

R1⋅C 1⋅R2⋅C 2

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 74


 1    
S R0 =− =S R 01 =S R 02 =S C 01 =S C 02
3 2

1
S QR ' = =−S QR
4 1R4 / R '4 4

Q 1 K3 Q
SR = − =−S R '
4 2 0 3
R1⋅C 1 ⋅ 1K 4 
Q

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 75


APÊNDICE

Redes Multirealimentadas

Utilizam como base as redes Ladder passivas.

Substituem os componentes da rede original por circuitos ativos.

Aproveitam as características de baixa sensibilidade das redes Ladder.

Rede com simulação de indutores – uso de gyrator (“girador” de fase)

Conversor generalizado de impedância, GIC, ou gyrator

Um capacitor, conectado ao gyrator produz uma impedância similar à de um indutor.

C4⋅R1⋅R3⋅R5
Zins= ⋅s
R2

Para um projeto otimizado, com relação ao Q do indutor,

Usar R2=R3 e  c⋅R5⋅C4=1

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 76


O gyrator apresentam a impedância de um indutor com um dos terminais ligados ao terra.
Para simular um indutor sem terminais ligados ao terra (“flutuante”) é necessário espelhar o circuito
acima.

Esta característica faz com que este “componente” seja utilizado na substituição de indutores
de redes ladder LC passa altas, o que não impede seu uso em qualquer outra topologia.

Existem outros circuitos com um e dois Amp. Ops. e alguns outros com transistores.
Normalmente o desempenho destes circuitos é pior. Uma destas alternativas é o gyrator de Riordan,
apresentado na figura abaixo.

C1⋅R1⋅R2⋅R4
Zins= ⋅s
R3

FDNR – Frequency Dependent Negative Resistance

O mesmo circuito do gyrator de Antoniou pode ser utilizado para produzir uma resistência
negativa, chamada de FDNR. Este método é chamado de transformação de Bruton.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 77


R3 1 1
Zin= ⋅ 2=
C1⋅C5⋅R2⋅R4 s D⋅s 2

*Se s= j então s2=− 2 , o que confere ao circuito o comportamento de uma resistência


negativa.

Para um projeto otimizado, com relação ao Q do FNDR,

Usar R2=R3 e  c⋅R4⋅C5=1

Para o uso deste componente em redes Ladder basta fazer um escalonamento de impedância
de 1/s

Indutores sL L

Resistores RR/s

Capacitores 1/sC1 /s 2 D

Este escalonamento transforma os indutores em resistores, os resistores em capacitores e os


capacitores em FNDR.

Está transformação é particularmente interessante para transformar redes Ladder passa


baixas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 78


A transformação de R1 (da rede Ladder) pode levar a um capacitor em série com a rede. Na
teoria o zero na origem, criado por este capacitor, seria cancelado pelo restante do circuito. Como os
componentes não são ideais, pode haver um erro em frequências muito baixas.

Redes Ladder LC simuladas (redes Ladder Ativas)

Utiliza-se uma técnica chamada leap-frog

Fundamentalmente utiliza-se integradores, somadores e circuitos de segunda ordem

Escrever equações de malhas e nós utilizando sempre variáveis de estado

1
Vc=
C⋅S

1
Il=
L⋅S

Exemplo:

V1=
1 R
[
⋅ ⋅Vin – V1– R⋅I L1
S⋅R⋅C1 R1 ]
repare que as correntes estão multiplicadas por R e toda a expressão está dividida por R.

R
R⋅I L1=V2 '= ⋅V1 – Vo
S⋅L

Vo=
1
S⋅R⋅C2 [ R
⋅ R⋅I L1 – ⋅Vo
R2 ]
Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 79
Vin V2 V1
V1= – –
S⋅Rin⋅C1 S⋅R2⋅C1 S⋅R1⋅C1

V1=
1
[R
]
⋅ ⋅Vin – V1– R⋅I L1 =
S⋅R⋅C1 R1
Vin

V2'

V1
S⋅R1⋅C1 S⋅R⋅C1 S⋅R1⋅C1

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 80


Instrumentação e Técnicas de

Medidas

Conversores AD e DA
Controle de Versões

2010 Versão 1 – Instrumentação e Técnicas de Medidas (ITM)

2012 Versão 2 – Pequenas alterações no texto, links, CIs não obsoletos.

Última alteração: 2012

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2


Índice
26Amostradores....................................................................................................................................4
26.1Amplificador amostrador (“sample and hold”).........................................................................4
26.2Circuitos Típicos.......................................................................................................................5
26.3Características dos componentes..............................................................................................6
26.3.1Amplificador de entrada....................................................................................................6
26.3.2Amplificador de saída.......................................................................................................7
26.3.3Chave.................................................................................................................................7
26.3.4Capacitor...........................................................................................................................7
26.4Chaves Analógicas....................................................................................................................7
26.4.1Comparação entre Chaves Analógicas e Relés.................................................................8
26.5Modos track e hold: Definições................................................................................................9
26.5.1Modo track......................................................................................................................10
26.5.2Transição track to hold:...................................................................................................10
26.5.3Modo hold.......................................................................................................................11
26.5.4Transição hold to track....................................................................................................12
27Conversão Digital/Analógica e Analógica/Digital.........................................................................12
27.1Apresentação, Amostragem e Erros........................................................................................12
27.1.1Exercício.........................................................................................................................20
27.2Conversores Digital/Analógicos (D/A)...................................................................................20
27.2.1Correntes Ponderadas......................................................................................................20
27.2.2Redes R-2R.....................................................................................................................22
27.2.3Reconstrutores.................................................................................................................24
27.2.4Conversores integrados...................................................................................................24
27.2.5Outros tipos de conversor D/A........................................................................................24
27.3Conversão Analógica/Digital (A/D).......................................................................................27
27.3.1Conversor flash...............................................................................................................28
27.3.2Conversor por Aproximação Aritmética.........................................................................29
27.3.3Por rastreio ou aproximação delta...................................................................................30
27.3.4Por aproximação geométrica ou sucessiva......................................................................31
27.3.5Conversores comerciais..................................................................................................32
27.4Conversores A/D e D/A Sigma-Delta.....................................................................................33

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 1


27.4.1O modulador delta-sigma................................................................................................34
27.4.2Sample and hold..............................................................................................................36
27.5Sistemas de aquisição e processamento de sinais...................................................................36
27.6Outros Conversores A/D.........................................................................................................37
27.6.1Dupla Rampa (Usado em Multímetros)..........................................................................37
27.6.2Conversores por largura de pulso ou freqüência.............................................................40

*Texto não revisado. Cuidado.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 2


26 Amostradores

26.1 Amplificador amostrador (“sample and hold”)

O amplificador amostrador ou simplesmente “sample and hold” (S&H) é um dispositivo


capaz de acompanhar um sinal aplicado a sua entrada e congelar o valor instantâneo desta tensão em
função do estado de um sinal de controle. O sinal de controle é uma entrada digital capaz de
comutar o amplificador amostrador do modo “sample” (modo onde a saída acompanha a entrada,
como se fosse um buffer) para o modo hold (modo onde a saída mantém-se inalterada, independente
do sinal que estiver presente na entrada). Os S&H são muito utilizados em circuitos de conversão de
sinais analógicos para digital, detecção de pico e amostragem simultânea de sinais (em conjunto
com circuitos multiplexadores). Modelos comuns, de baixo custo são o LF198, LF298 e LF398 da
National Instruments.

Sua aplicação em conjunto com conversores A/D se faz necessária para manter a entrada do
A/D fixa durante o período de conversão, isto garante uma conversão de melhor qualidade. Os
circuitos de amostragem simultânea são aqueles onde diversos sinais analógicos devem passar por
um único conversor A/D, porém, nestes casos, é interessante que todas as medidas sejam feitas para
o mesmo instante de tempo. Como isto não é possível se utiliza um S&H em cada canal (entrada
analógica) retendo todos os sinais num único instante de tempo e fazendo a conversão da tensão de
cada canal como se todos estivessem sendo convertidos ao simultaneamente. Nos detetores de pico,
o S&H é usado para manter a tensão máxima após um transitório e isto permite que um simples
multímetro seja utilizado para realizar a medida da tensão.

O diagrama esquemático de um S&H é mostrado, sem o seu circuito de controle, na figura


7.1.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 3


Figura 26.1: Diagrama esquemático de um “sample and hold”.

O uso do amplificador amostrador é exemplificado pelo gráfico da figura 7.2. Nele pode ser
visto um sinal analógico, presente na entrada do S&H, o sinal de saída do S&H e um gráfico do
sinal de controle. Os tempos marcados com a letra “H” correspondem ao período de tempo onde a
saída do amostrador não pode mudar (modo hold). Os tempos marcados com a letra “S” são os
períodos onde a saída do S&H acompanha o valor da tensão de entrada deste amplificador.

Figura 26.2: Gráficos da tensão de entrada e saída de um “sample and hold” em função
do sinal de controle deste amplificador. “S” significa “sample” e “h” significa hold.

26.2 Circuitos Típicos

Dois são os tipos de S&H que podem ser encontrados em um único integrado. O primeiro
tipo utiliza um circuito em malha aberta o que lhe garante alta velocidade, pois os amplificadores
internos possuem ganho unitário, mas pouca precisão no valor amostrado. Isto ocorre pela própria
característica do circuito de malha aberta, onde pequenos erros no decorrer do circuito são
propagados para a saída deste. Um exemplo de circuito de S&H em malha aberta é mostrado na
figura 7.3.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 4


Figura 26.3: Circuito interno de um “sample and hold” em malha aberta.

O segundo tipo é o circuito em malha fechada. Pela própria característica da realimentação


este sistema é mais preciso, possui baixo drift e flexibilidade de ganho mas não é tão rápido quanto
o anterior. Um exemplo de circuito de amplificador amostrador em malha fechada é mostrado na
figura a7.4.

Figura 26.4: Circuito interno de um amplificador amostrador em malha fechada.

26.3 Características dos componentes

Cada um dos componentes destes dois modelos de amostradores, devem ter características
especiais que são descritas nas seções subsequentes.

26.3.1 Amplificador de entrada

Este componente deve ter alta capacidade de fornecer e drenar corrente em sua saída para
que o capacitor, que armazenará a tensão de entrada, seja rapidamente carregado com o valor da
tensão correto, mesmo depois de transitórios. Também deve ser um componente de baixa tensão de
offset para que ela não interfira no valor da tensão que será armazenada no capacitor, principalmente
quando este sistema estiver trabalhando com ganho diferente do unitário.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 5


26.3.2 Amplificador de saída

Já o amplificador de saída deve possuir elevada impedância de entrada, o que se traduz em


uma baixa corrente de polarização I B . Isto é importante para que o capacitor não se descarregue
sobre o segundo estágio de amplificação. Um baixo valor de tensão de offset também é importante.

26.3.3 Chave

A chave, ou o circuito de chave utilizado no S&H é um dos principais elementos neste tipo
de amplificador. Uma série de características são importantes a começar pela velocidade de abertura
que deve ser elevada. Isto é importante para que o capacitor não se carregue com tensão diferentes
daquela em que estava a entrada quando chega o sinal de amostrar. Uma baixa corrente de fuga
(traduzida como uma elevada impedância da chave, quando aberta) impede que o capacitor mude
seu valor enquanto a tensão de saída deve permanecer estável. Uma baixa impedância quando está
abeta impede que o hajam quedas de tesão entre a entrada e o capacitor.

Levando-se em conta o circuito de controle, que acionará a chave, deseja-se que haja pouca
ou nenhuma transferência de cargas elétricas do sinal de controle para a saída da chave. Quando isto
ocorre (em função de capacitâncias parasitas), a tensão sobre o capacitor de armazenagem também
sofrerá influência do sinal de controle.

26.3.4 Capacitor

Outro elemento de fundamental importância para o bom funcionamento do circuito o


capacitor deve ser de elevada qualidade o que se traduz em um dielétrico de baixa absorção. Para
tanto se recomenda o uso de capacitores com dielétrico de poliestireno (poliéster), polietileno e
teflon.

26.4 Chaves Analógicas

Já existem no mercado chaves analógicas construídas com tecnologia CMOS e integradas


em uma única pastilha. Entre elas podemos citar o CA4016, CA4051, CA4052 e o CA4066,
ADG212 porém podemos construir chaves com transistores JFET, conforme o desenho da figura
7.5. Nela, quando VGS = 0, a resistência da chave é a própria resistência do canal. Quando VGS =
-15V, a resistência da chave é muito grande, pois ocorre uma zona de depleção por onde não

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 6


circulam cargas. Esta chave, de controle bem simples pode ser utilizada não apenas nos circuitos de
S&H discretos mas em qualquer aplicação onde uma chave eletrônica seja necessária.

Figura 26.5: Chave eletrônica e sua lógica de controle (Vc).

Nesta chave, a resistência de saída deve ser bastante elevada para não descarregar o capacitor
do S&H.

26.4.1 Comparação entre Chaves Analógicas e Relés

Em circuitos construídos discretamente, caso seja necessário um dispositivo para trabalhar


com altas-tensões, podemos usar como chave um relé. Neste caso a tabela 7.1 pode ser muito útil na
hora de escolher como implementar a chave. Nenhuma das duas formas de implementação da chave
possui apenas vantagens, ou desvantagens que possam ser desconsideradas. Portanto uma escolha
criteriosa deve ser feita.

Tabela 1: Comparação entre relés e chaves analógicas.

Vantagens Desvantagens

Baixa resistência de condução N° limitado de operações

Alta resistência quando aberto Dissipa muita potência

Característica de chaveamento
Relé Lento(≅1ms)
independem da temperatura

Isolação galvânica. Tamanho (grande)

bounce (oscilação de contato)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 7


Caro

Se comporta como termopar

Rápida (100ns) Alta R de condução (200Ω)

Sem “bounce” Sem isolação galvânica

Operações ilimitadas R em aberto pode ser menor que a do relé


Chave
analógica Característica de chaveamento depende da
Pequena (boa para integração)
temperatura

Baixo custo Sem Isolação

Pequeno efeito termopar

26.5 Modos track e hold: Definições

Como podemos ver na figura 7.6 existem 4 momentos distintos no funcionamento de um


amplificador amostrador. Quando o amplificador está seguindo o sinal de entrada (modo track),
quando ele passa do modo track para o modo hold, quando ele está no modo hold e quando ele
passa do modo hold para o modo track. Em cada uma destas etapas uma série de fatores e
acontecimentos importantes estão presentes em todos os S&H. A figura 7.7 mostra um gráfico com
todos os efeitos existentes durante cada um destes momentos.

Figura 26.6: Os quadro momentos de um amplificador amostrador: Dois estados fixos e


duas transições.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 8


Figura 26.7: Desenho representando todos os tipos de problemas existentes em cada um
dos momentos de um S&H.

26.5.1 Modo track

O modo track está em operação sempre que a chave do S&H está fechada. Nesta condição o
S&H comporta-se como um amplificador comum, onde a velocidade do amplificador vai depender,
principalmente, do capacitor de hold. Este capacitor colocado como carga do amplificador do
primeiro estágio insere mais um polo no amplificador e desta forma piora a sua resposta em
frequência. Neste momento também são importantes todas as características de frequência dos AOs,
tais como: offset; não linearidade; ganho; settling time; largura de banda (resistência da chave); slew
rate; I B .

26.5.2 Transição track to hold:

Esta transição se relaciona com a abertura da chave, que causa perturbações no S&H, e
portanto, alterará o valor final armazenado no capacitor. A transição entre o modo track e o modo
hold da figura 7.7 é mostrada com mais detalhes na figura 7.8. Nela podemos ver que existe um
atraso entre o sinal de controle e a real abertura da chave, este atraso é chamado de atraso de
controle. O tempo de abertura da chave, transientes formados por efeito indutivo ou capacitivo
durante a abertura da chave, a incerteza do exato momento em que a chave abrirá e um offset por
transferência de carga do circuito de controle para o capacitor são os principais problemas

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 9


associados a este momento. Como podemos perceber, todos estes problemas dizem respeito a chave
e são listados abaixo: atraso de controle; tempo de abertura (aperture time); atraso de abertura
efetiva (effective aperture delay) – soma dos dois atrasos acima; transiente de chaveamento; offset
de sample to hold – é causado pela capacitância parasita do circuito de controle da chave (quando a
chave abre as cargas do gate do FET são transferidas para o capacitor de hold e isto causa uma
variação na tensão de hold, chamada de offset de sample to hold); incerteza na abertura (aperture
uncertainty) - causado por ruído no circuito de controle.

Figura 26.8: Detalhe do modo track to hold mostrado na figura 7.7.

26.5.3 Modo hold

O modo hold está em operação sempre que a chave do S&H está aberta. Nesta condição o
S&H comporta-se como uma fonte DC. Os erros associados a este estado estão ligados ao capacitor
que deve reter cargas mantendo constante a tensão de saída do amplificador. Os principais
problemas associados com este modo são o decaimento que corresponde a perda de carga no
capacitor devido à fuga ou circuitos a ele ligados (R de fuga do capacitor, corrente de polarização do
operacional de saída e resistência da chave diferente de infinito); o “feed through” que é uma perda
causada pela capacitância espúria entre os dois lados da chave; e a absorção do dielétrico (deve-se à
redistribuição das cargas no capacitor após ter sofrido trocas rápidas de tensão. Isto provoca uma
variação da tensão sobre o capacitor).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 10


26.5.4 Transição hold to track

Está relacionada com o tempo de aquisição: tempo que o capacitor demora para carregar a
informação. Entretanto este modo não influencia nem causa nenhum tipo de erro durante o modo
hold que é o modo principal de operação.

27 Conversão Digital/Analógica e Analógica/Digital

27.1 Apresentação, Amostragem e Erros

Conversores digital/analógico (D/A) e analógico/digital (A/D) são circuitos que convertem


grandezas digitais em analógicas e vice-versa. O uso destes circuitos é comum em áreas onde a
medição, monitorização ou controle de grandezas analógicas são realizadas por intermédio de
sistemas digitais. Nos conversores, as grandezas analógicas, normalmente na forma de tensão,
limitadas em amplitude e frequência, tem suas amplitudes codificadas em números binários
conforme apresentado nas Figuras 27.1 e 27.2.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 11


Figura 27.1: Quantificação de um sinal analógico em um número digital. LSB significa bit
menos significativo e representa a menor quantidade analógica que pode ser representada
pelo conversor. O Erro é obtido calculando-se a diferença entre o valor real e o digitalizado.

Como não é possível discriminar os infinitos valores analógicos com um número finito de
bits, cada número binário corresponde a uma faixa de valores analógicos. O erro, entre o valor exato
de tensão e aquele quantificado pelo número digital pode ser considerado como ruído. Este ruído de
quantização pode ser feito tão pequeno quanto o necessário se aumentando o número de bits
utilizados para discriminar os diferentes valores analógicos, ou seja, a resolução do conversor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 12


Figura 27.2: Quantificação de um número digital em um sinal analógico. LSB significa bit
menos significativo e representa a menor quantidade analógica que pode ser gerada no D/A.

A resolução de um conversor A/D ou D/A é dada pela faixa dinâmica do sinal analógico
(faixa de valores analógicos) e a quantidade de números existentes para a sua representação. Por
exemplo, um sinal analógico com amplitudes máximas entre ±10V, quando representada por um
número binário de 16 bits apresenta resolução igual a

Vfs 20
Resolução= = 16 =0,305 mV
n bits
2 −1 2 −1

Com isso a relação sinal ruído de um conversor A/D ou D/A pode ser calculada pela relação:

SNR = 6,02n + 1,78 dB, onde n é o número de bits do conversor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 13


A conversão de um sinal analógico em digital pode ser vista nas Figuras 27.3 e 27.4. Nelas
estão sobrepostos os sinais originais e digitalizados além da diferença entre eles. Esta diferença
corresponde ao erro de quantização que, para o caso ideal, pode ser considerado como ruído.

Figura 27.3: Conversão analógico/digital de um sinal senoidal puro. Verde é o sinal real,
vermelho é o sinal quantificado e azul é o erro entre o real e o quantificado.

Figura 27.4: Conversão analógico/digital de um sinal senoidal complexo. Verde é o sinal


real, vermelho é o sinal quantificado e azul é o erro entre o real e o quantificado.

Além dos erros de quantificação, inerentes ao processo de discretização (digitalização) os


conversores A/D e D/A apresentam diversos outros tipos de erro devido as etapas analógicas e
lineares. Estes erros estão ilustrados nas Figuras 27.5, 27.6, 27.7, 27.8 e 27.9.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 14


Figura 27.5: Erro de offset (desvio com relação a origem).

Figura 27.6: Erro de ganho (desvio com relação ao valor final).

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 15


Figura 27.7: Erro diferencial (desvio com relação ao esperado para 1 LSB).

Figura 27.8: Erro final (com erro de offset e ganho ajustados para zero)

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 16


Figura 27.9: Erro total.

Como se todos estes problemas não fossem suficientes, existe ainda um problema associado
a frequência de amostragem (digitalização) do sinal analógico. A frequência de amostragem (fs)
deve ser mantida fixa e bem determinada para que o sinal possa ser processado matematicamente.
Esta frequência não pode ser menor do que duas vezes a frequência da maior componente espectral
do sinal que se deseja amostrar. Esta regra é conhecida como teorema da amostragem de Nyquist. Se
esta regra não for obedecida se observa um efeito chamado aliasing. O aliasing consiste no erro de
interpretação da frequência do sinal que se está sendo medindo. Na Figura 27.10 um sinal de
frequência elevada é amostrado sem respeitar a frequência de Nyquist e desta forma o sinal original
é confundido com sinais de frequência mais baixa.

Figura 27.10: Interpretação do aliasing em um sinal analisado no domínio do tempo.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 17


A análise do sinal e a identificação do aliasing pode ser realizada pelo domínio da
frequência. O espectro do sinal amostrado é semelhante ao do sinal original porém replicado
infinitamente a intervalos de frequência equivalentes a frequência de amostragem do sinal. Desta
forma se o sinal ultrapassa a largura de banda correspondente a meia frequência de amostragem há
uma sobreposição de espectros que causa o embaralhamento do sinal. Este efeito pode ser visto na
Figura 27.11.

Figura 27.11: Interpretação do aliasing em um sinal analisado no domínio da frequência.

Para resolver o problema do aliasing a amostragem de sinais analógicos deve ser precedida
de uma filtragem analógica do tipo passa baixas. Este tipo de filtro permite a passagem das baixas
frequências e atenua as frequências elevadas. Idealmente o filtro passa baixas deve permitir que
todas as frequências entre 0 e fs/2 sejam transmitidas para a saída do filtro e todas as frequências
acima de fs/2 sejam ser removidas.

Na prática não é possível amostrar um sinal com frequência um pouco maior que 2·BW
(largura de banda do sinal) pois sempre existirá ruído de alta frequência misturado ao sinal. Além
disto, o filtro passa baixas necessita de algumas décadas de frequência para atenuar o sinal até que
ele não cause um erro de aliasing significativo. Por exemplo, uma atenuação de 40dB na saída de
um filtro representa um sinal residual (erro) de 1% mas esta atenuação só é conseguida após uma
década em um filtro passa baixas de segunda ordem.

A escolha dos filtros também devem levar em conta a introdução de erros de ganho e fase.
Se erros de fase não forem importantes (normalmente sinais DC, quase DC ou senoidais) é possível
levar em conta apenas o erro de ganho. Se erros de fase são importantes (normalmente sinais com

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 18


distribuição de frequência) então deve ser levado em conta erros de ganho e de fase (desvio de fase
com relação a um filtro de fase linear).

27.1.1 Exercício

Conecte um gerador de funções a um osciloscópio digital. Selecione uma frequência baixa


com formato senoidal. Ajuste o osciloscópio até que ele consiga mostrar o sinal adequadamente na
tela. Sem mexer no ajuste do osciloscópio aumente a frequência do gerador de funções. No
osciloscópio você verá a frequência aumentar e depois diminuir. Quando a imagem na tela do
osciloscópio for igual a imagem original: 1) Qual a frequência de amostragem do osciloscópio? 2)
Qual a próxima frequência do gerador de funções que aparecerá na tela do osciloscópio como se
fosse a mesma frequência? 3) Como evitar que este erro ocorra quando se está utilizando o
osciloscópio?

27.2 Conversores Digital/Analógicos (D/A)

A conversão de números digitais para valores analógicos é realizada por conversores


Digital/Analógico (D/A). Em sua maioria estes conversores são circuitos assíncronos e que se
utilizam de circuitos analógicos para realizar a conversão. Suas aplicações são amplas e seu uso é
muito comum quando sistemas digitais e analógicos se misturam para formar um único circuito. Um
controle digital de atuadores eletroeletrônicos ou eletromecânicos pode ser realizada a partir de um
circuito digital. O resultado do controlador, entretanto, deve ser um valor analógico compatível com
o sinal de controle dos atuadores.

A conversão de números binários (valores digitais) para valores analógicos é realizada por
circuitos lineares capazes de somar tensões ou correntes com pesos proporcionais aos pesos dos bits
que produziram individualmente cada corrente ou tensão. Alguns CIs realizam a conversão D/A e
oferecem recursos para se trabalhar com números binários positivos e negativos, complemento de
dois e ajuste de ganhos (escalas de tensão de saída). Estes costumam utilizar uma das técnicas
apresentadas nas seções subsequentes.

27.2.1 Correntes Ponderadas

Um modelo clássico de conversor D/A é o circuito com correntes ponderadas onde cada bit
do número digital é transformado em uma corrente proporcional ao seu peso no número. Um

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 19


circuito somador é utilizado para somar todas as correntes provenientes de cada bit. A figura 27.12
mostra um circuito capaz de implementar este conversor.

Figura 27.12: Conversor D/A com correntes ponderadas.

V S =- R r⋅I t

 
VCC⋅n 2 VCC⋅n1 VCC⋅n 0
V S =- R r⋅  
R R R
4 2

Rr
V S =- ⋅VCC⋅ 4n 2 2n 1 n0 
R

onde n i=1 para chave em VCC e n i=0 para chave em GND.

Rr K C
V S =- VCC⋅ ⋅∑ 2 ⋅ni , para K bits.
R i=0

O circuito das chaves, no exemplo anterior, poderia ser substituído diretamente pelas
entradas digitais e neste caso VCC corresponderia ao nível lógico “1” destes circuitos digitais.
Entretanto, como sabemos, a saída digital zero (0) ou um (1) não corresponde a tensões com valores
exatos como +5V ou +0V. Existe uma faixa de valores possíveis para “1” lógico e “0” lógico que
podem vir a produzir tensões analógicas diferente da desejada. Para evitar este tipo de problema
podemos usar transistores funcionando como chave (aberto ou saturado) para comutar uma tensão
fixa a cada entrada do circuito somador como mostrado no exemplo da figura 27.13.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 20


Figura 27.13: Conversor D/A com correntes ponderadas e chaves eletrônicas.

Apesar da simplicidade do método ele não costuma ser empregado quando o número binário
apresenta muitos bits. Supondo que o circuito da figura 27.12, com R=10Ω, seja construído para
operar com números binários de 12 bits. Neste caso a diferença entre a maior e a menor resistência
será de 4096 vezes, ou seja as resistências utilizadas devem assumir valores entre 10Ω e 40kΩ
aproximadamente. Isto faz com que a diferença entre a menor e a maior corrente também seja de
4096 vezes. Como resultado, um erro 1% na maior corrente é maior que as correntes produzidas
pelos cinco bits menos significativos.

27.2.2 Redes R-2R

Um circuito semelhante ao de correntes ponderadas, com relação ao princípio de


funcionamento, é o circuito de redes R-2R. Neste circuito, entretanto, a soma das correntes é
realizada numa malha de resistores que apresenta apenas dois valores de resistência,
independentemente do número de bits do conversor. Este tipo de circuito é apresentado na figura
27.14.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 21


Figura 27.14: Conversor D/A com rede R-2R.

O circuito pode ser equacionado usando-se os teoremas de Thevenin e Superposição.

V S =- R r⋅I t

I t =i 0 i 1 i 2 i 3

1 V
i0= ⋅ ⋅n
6R 8 0

1 V
i1 = ⋅ ⋅n
6R 4 1

1 V
i2= ⋅ ⋅n
6R 2 2

1
i2= ⋅V⋅n 3
6R

Rr V
V S =- ⋅ ⋅ 8n 34n 2 2n 1n0 
6R 8

Onde V é uma tensão de referência, ou VCC como nos exemplos anteriores, e n i indica se
o bit “i” esta ou não ligado: onde n i=1 para chave em VCC e n i=0 para chave em GND.

Está técnica de conversão é mais tradicional e pode ser implementada com boa precisão de
forma discreta ou integrada. Para a montar um conversor R-2R discreto costuma-se utilizar bancos
de resistores integrados, cujas resistências são casadas e apresentam diferenças menores do que 1%.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 22


27.2.3 Reconstrutores

Em muitas aplicações, principalmente naquelas que utilizam microprocessadores, o número


binário que deve ser convertido para analógico é fornecido ao conversor D/A por alguns
microssegundos. Para que o valor analógico permaneça na saída do D/A mesmo depois da operação
de escrita é comum utilizar um latch na entrada do D/A. Este latch pode ser endereçado pelo
microprocessador como se fosse uma posição de memória (este procedimento é conhecido como
endereçamento de porta de saída). O circuito total, latch e conversor D/A é conhecido como
reconstrutor de ordem zero (ROZ) pois este circuito realizada uma interpolação de ordem zero entre
dois valores fornecidos pelo microprocessador.

27.2.4 Conversores integrados

Um dos CIs mais tradicionais para a conversão D/A de 8 bits é o DAC0808 da National
Instruments. Um circuito típico é apresentado na figura 27.15. Observe que um latch foi utilizado
para permitir que o DA seja endereçado como uma porta de saída em sistemas microprocessados.
Além disto, o valor digital permanece presente na entrada do DA mesmo quando o
microprocessador está trabalhando com as memórias.

Figura 27.15: Circuito típico para uso do DAC0808.

27.2.5 Outros tipos de conversor D/A

Um outro tipo muito comum de conversor D/A consiste na transformação de largura de


pulso em tensão ou de frequência em tensão. Estes conversores podem ser facilmente obtidos a

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 23


partir de um único bit digital e um filtro passa baixas que funciona como um integrador com perdas,
ou seja, um circuito para cálculo de valor médio.

Dentre os dois circuitos, o mais comum é o do PWM (Pulse Width Modulation) onde a
largura de um pulso, em um sinal de frequência fixa, altera proporcionalmente o valor médio da
tensão analógica de saída. Um filtro passa baixas (um circuito RC série) pode ser utilizado para
fazer a conversão do valor médio (ver Figuras 27.16 e 27.17).

Figura 27.16: Sinal analógico ideal e o correspondente digital em PWM.

Figura 27.17: Sinal ideal e o reconstruído com um filtro passa baixas na saída PWM

No segundo caso, a conversão de tensão para frequência pode ser realizada com uma onda
de formato retangular onde o período em nível alto é constante e o intervalo entre os pulsos se altera
(Figura 27.18). Isto faz variar a frequência do sinal, que será proporcional a tensão na saída do filtro
passa baixas.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 24


Figura 27.18: Sinal analógico ideal e o correspondente digital com frequência variável.

Tanto para o caso do sinal em PWM quanto em frequência variável a reconstrução do sinal
analógico pode ser obtida por um filtro passa baixas. Filtros passa baixas de primeira ordem (os
mais simples) são apresentados na Figura 27.19.

Figura 27.19: Filtros passa baixas

Para o primeiro circuito

1
vO s  Rf Rf ⋅C
=− ⋅
vi  s  Ri 1
s+
Rf ⋅C

e para o segundo circuito

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 25


1
vO s  R⋅C
=
v i  s 1
s
R⋅C .

Ambos apresentam um gráfico de resposta em frequência semelhante ao apresentado na


Figura 27.20.

Figura 27.20: Resposta em frequência de um filtro passa baixas de primeira ordem.

Para obter um bom resultado na reconstrução do sinal analógico é necessário que as


frequências dos sinais digitais sejam muito maiores que a frequência de corte (frequência σ0) do

1 1
filtro passa baixas: ou nos circuitos apresentados.
Rf ⋅C R⋅C

27.3 Conversão Analógica/Digital (A/D)

A conversão de grandezas analógicas para números digitais é realizada por conversores


Analógico/Digital (A/D). Em sua maioria estes conversores são circuitos síncronos e que se utilizam
de circuitos digitais e conversores D/A para realizar a conversão. Suas aplicações são amplas e seu
uso é muito comum quando sistemas digitais e analógicos se misturam para formar um único
circuito. Estes circuitos são muito comuns em sistemas de aquisição ou digitalização de sinais.
Estes aparelhos, utilizados para de medição ou processamento de sinais transforma sinais analógicos
em um equivalente digital. Com isso é possível analisar o sinal em um computador implementado

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 26


filtros, ganhos, ajustes de tensão, linearização e todo tipo de operação matemática com o sinal
digitalizado.

Diferente dos conversores D/A existem diversos circuitos para realizar a conversão A/D.
Destes conversores, apenas um deles realiza a conversão diretamente. Este conversor é conhecido
por “Conversor flash” e é muito rápido. As outras formas de conversão utilizam circuitos
realimentados onde o valor digital (correspondente ao valor analógico) é obtido pela comparação do
valor analógico com o valor digitalmente estimado para ele. Estes circuitos são muito baratos, por
outro lado são mais lentos visto que o valor digital da saída deve ser “adivinhado” e isto leva tempo.
Deste outro tipo de conversor podemos citar aqueles por aproximação aritmética, delta e geométrica
ou sucessiva.

Estes conversores estimam um valor digital (que corresponderia a tensão analógica de


entrada), passam este número por um conversor D/A e comparam linearmente o valor real da tensão
de entrada com a estimativa feita para ela. Dependendo do sinal de erro deste comparador, a
estimativa é incrementada.

27.3.1 Conversor flash

Um circuito analógico com diversos comparadores de tensão produzem um sinal digital que,
após ser fornecido a um codificador com prioridade, resulta em um número digital proporcional a
tensão analógica de entrada do circuito. O diagrama esquemático de um conversor deste tipo é
apresentado na figura 27.21. O comportamento do circuito da Figura 27.21 pode ser descrito de
acordo com a Tabela 27.1.

Tabela 27.1: Funcionamento do conversor flash da Figura 27.21.

V entrada C3 C2 C1 D1 D0

0 1 1 1 0 0

1 1 1 0 0 1

2 1 0 0 1 0

3 0 0 0 1 1
Se as entradas dos comparadores forem invertidas a lógica do comparador com prioridade deve
ser alterada.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 27


Figura 27.21: Conversor flash

Como características principais deste conversor temos:

1) muito rápido.

2) muito caro.

3) número reduzido de bits.

27.3.2 Conversor por Aproximação Aritmética

Em um conversor por aproximação aritmética sucessivas estimativas do valor digital


correspondente a entrada analógica são produzidas internamente no conversor. Estas estimativas são
convertidas por um D/A e comparadas analogicamente com o sinal de entrada até que o valor digital
estimado seja equivalente ao valor analógico de entrada. Um diagrama esquemático deste conversor
é apresentado na Figura 27.22.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 28


Figura 27.22: Conversor A/D por aproximação aritmética.

O circuito da Figura 27.22 é comandado por um sinal “iniciar” que informa ao bloco
controlador da MSS que uma conversão deve ser iniciada. O BC amostra o sinal de entrada, zera o
contador, testa a saída do comparador. Se A>B incrementa o contador até que A≤B. Neste ponto o
bloco controlador carrega o valor do contador para saída.

Como características deste conversor temos:

λ
2
1) tempo médio de conversão de =2−1 pulsos de clock onde λ é o número de bits do
2
conversor

2) lento.

3) barato.

27.3.3 Por rastreio ou aproximação delta

Este circuito é uma melhoria do conversor por aproximação aritmética. A diferença entre os dois
circuitos é que neste caso o contador não é zerado no início da conversão. Desta forma o valor
inicial para a estimativa da tensão analógica é o valor anterior da conversão. Esta estratégia é útil
quando são realizadas conversões sucessivas de um mesmo sinal para acompanhar suas variações.
Estas conversões sucessivas devem apresentar valores próximos de tensão. A Figura 27.23 mostra o
diagrama esquemático deste conversor.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 29


Figura 27.23: Conversor por aproximação delta.

Como características deste conversor temos:

−1
2
1)tempo médio de conversão de =2−2 pulsos de clock, onde λ é o número de bits do
2
conversor.

27.3.4 Por aproximação geométrica ou sucessiva

Uma melhoria dos circuitos anteriores pode ser criada estimando o valor digital na metade
da faixa de valores possíveis. Está técnica muito comum e rápida é conhecida como aproximação
geométrica e seu diagrama esquemático é apresentado na Figura 27.24.

Quando o sinal “Iniciar” solicita uma conversão, o bloco controlador amostra o sinal de
entrada e Ativa o FF mais significativo, se o valor analógico for maior ou igual ao obtido por esta
aproximação, o FF seguinte é Ativado caso contrário, este FF (o mais significativo) é Zerado e o
seguinte Ativado. Este processo continua até a conversão estar completa. Quando isto ocorre o
bloco controlador carrega o registrador com o valor digital correspondente a tensão de entrada
analógica e o sinal de fim de conversão é gerado.

Em outras palavras, o que este conversor faz é diminuir o número sempre ao meio para
estimar o valor da tensão de entrada, em vez de incrementar um contador de 1 em 1 até acertar.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 30


Figura 27.24: Conversor por aproximação geométrica.

Características deste conversor:

1) tempo médio de conversão igual a λ pulsos de clock, onde λ é o número de bits do


conversor.

2) dentre os métodos realimentados, este é o mais rápido.

27.3.5 Conversores comerciais

Um dos CIs mais tradicionais para a conversão A/D de 8 bits é o ADC0801 da National
Instruments. Um circuito típico é apresentado na Figura 27.25. Observa-se que o conversor já
apresenta pinos que facilitam o seu endereçamento como porta de entrada.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 31


Figura 27.25: Uso típico do ADC0801

27.4 Conversores A/D e D/A Sigma-Delta

Um conversor Sigma-Delta (ou Delta-Sigma) sempre é implementado conforme indicado na


Figura 27.26. Um modulador Delta-Sigma que transforma a entrada, seja ela o sinal analógico ou
digital, em uma sequência de bits 0 e 1 (bit stream). Esta sequência de bits passa por um filtro passa
baixas para completar a conversão. Se a entrada é analógica e a saída é digital, o modulador deve ser
analógico e o filtro passa baixas deve ser digital. Se a entrada é digital e a saída é analógica o

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 32


modulador deve ser digital e o filtro analógico. O filtro passa baixas funciona como um circuito
calculador de valor médio pois pode-se demonstrar matematicamente que a média do sinal bit
stream é igual a média o sinal de entrada.

Figura 27.26: Diagrama esquemático de um conversor delta sigma.

Diferentes dos conversores convencionais baseados em modulação de pulso proporcional a


amplitude do sinal (PPM – pulse proportional modulation), o modulador Delta-Sigma transforma
amplitude em uma modulação parecida com a do PWM. Como o valor analógico ou digital de saída
é obtido após uma filtragem passa baixas (cálculo do valor médio) é necessário obter muitas
amostras do sinal no modulador Delta-Sigma. Por esta razão este conversor sempre trabalha com
frequências de amostragem bem maiores que as frequências utilizadas pelos conversores
tradicionais.

27.4.1 O modulador delta-sigma

Moduladores Delta-Sigma de primeira ordem para um conversor A/D e outro para um


conversor D/A são apresentados nas Figuras 27.27 e 27.28. Vale a pena observar que os dois
moduladores são circuitos realimentados com integradores, comparadores e um conversor D/A de 1
bits (para o conversor A/D).

Figura 27.27: Conversor Analógico/Digital.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 33


Figura 27.28: Conversor Digital/Analógico. MS bit é o bit mais significativo
(equivalente a comparação). DDC é um conversor Digital/Digital.

Como os valores de saída são obtidos após uma filtragem passa baixas sempre existirá um
ruído equivalente a um ripple de saída. Uma maneira de diminuir o ruído é aumentar a frequência
do clock. Estes conversores funcionam muito acima da frequência de Nyquist, fazendo o que se
chama de oversampling ou sobreamostragem. Por exemplo: Assumindo que um sinal de áudio tenha
largura de banda de 20kHz uma frequência típica de amostragem para conversores tradicionais seria
48kHz. Em um conversor delta sigma, por outro lado a frequência de clock seria 64 vezes maior
(3072kHz), ou seja uma sobreamostragem de 64 vezes. Outra forma de diminuir o ruído consiste em
implementar moduladores delta sigma com múltiplas realimentações no que são chamados de
conversores delta sigma de ordem 2, 3, 4 ou 5. Uma relação entre a frequência de amostragem, a
ordem do conversor e a relação sinal ruído de cada modelo de conversor Delta-Sigma pode ser visto
na Figura 27.29.

Figura 27.29: Relação sinal ruído versus frequência de amostragem.


http://www.beis.de/Elektronik/DeltaSigma/DeltaSigma.html

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 34


Existem comercialmente muitos modelos diferentes de conversores Delta-Sigma, alguns são
o CS5381 e o LTC2440 para aplicações em áudio.

27.4.2 Sample and hold

Os conversores A/Ds apresentados até aqui servem, basicamente, para processar


digitalmente sinais analógicos. Neste caso são realizadas amostragens sucessivas do sinal analógico.
Para garantir a qualidade das medidas em qualquer dos conversores citados acima é necessário
manter estável a entrada do conversor (sinal analógico). Isto pode ser obtido com um circuito
chamado Sample and Hold (S&H), como os LF198/298/398 da National Instruments. O circuito
interno de um S&H pode ser visto na Figura 27.30. O S&H amostra o sinal analógico fechando a
chave e armazenando o sinal em um capacitor. Quando a chave abre o sinal analógico sobre o
capacitor permanece constante. Neste período o A/D pode realizar sua conversão.

Figura 27.30: Circuito interno de um amplificador amostrador em malha fechada.

27.5 Sistemas de aquisição e processamento de sinais

Alguns conversores A/D já possuem S&H e multiplexadores analógicos para facilitar a


aquisição (conversão) de múltiplos canais (sinais) analógicos. Exemplos clássicos são o ADC0808 e
o ADC0809 da National Instruments.

mux S&H A/D µP roz D/A

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 35


27.6 Outros Conversores A/D

Outros conversores, mais lentos, estão disponíveis para outras aplicações como multímetros
digitais, balanças eletrônicas, medidas de tempo, frequência, velocidade e distância. O modelo mais
tradicional é o conversor dupla rampa.

27.6.1 Dupla Rampa (Usado em Multímetros)

Numa primeira etapa este conversor integra a tensão desconhecida da entrada por um tempo
fixo e conhecido, determinado por um contador. Quando o bit mais significativo do contador é
ativado ele troca a posição de uma chave na entrada do circuito. Logo a seguir, é realizada uma
integração de uma tensão conhecida, interna ao conversor, num tempo desconhecido mas tal que
permita a tensão na saída do integrador retornar a zero. Como resultado este tempo será
proporcional a tensão de entrada desconhecida. Um diagrama esquemático deste contador é
apresentado na Figura 27.31 e a forma de onda na saída do integrado é mostrada na Figura 27.32.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 36


Figura 27.31: Diagrama esquemático do conversor dupla rampa.

Figura 27.32: Forma de onda na saída do integrador do conversor dupla rampa.

Com este procedimento é possível obter duas equações e duas incógnitas que nos permitem
equacionar o conversor da seguinte forma:

1
 V 1 =-  entrada ⋅2 n⋅ t 
RC

1
 V 2 =-  V ⋅λ⋅ t 
RC ref

 V 1  V 2=0

1 1
 Ventrada⋅2n⋅ t = V ⋅λ⋅ t 
RC RC ref

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 37


V
Ventrada= λ⋅ ref
2n

n
se V ref =2

Ventrada= λ

Características deste conversor:

1) lento

2)preciso

27.6.2 Conversores por largura de pulso ou frequência

Circuitos para medida de tempo e de frequência também podem ser considerados, de uma
certa forma, conversores A/D. Uma grandeza analógica proporcional a frequência de um sinal ou o
intervalo de tempo em que um sinal permanece ativo (PWM) pode ser convertidas para digital
utilizando-se os circuitos vistos anteriormente quando foi estudado máquinas sequências e blocos
operacionais.

Instrumentação e Técnicas de Medida – UFRJ, 2013/2 38