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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E

MUCURI

FACULDADE INTERDISCIPLINAR EM HUMANIDADES

LABORATÓRIO DE ARQUEOLOGIA E ESTUDO DA PAISAGEM

ÁTILA PERILLO FILHO

ESTUDO DOS CONJUNTOS LÍTICOS PRÉ-HISTÓRICOS DO SÍTIO


ITANGUÁ 02, ÁREA ARQUEOLÓGICA DE SERRA NEGRA, ALTO
VALE DO ARAÇUAÍ, MINAS GERAIS.

Diamantina - MG
Abril de 2013
Átila Perillo Filho

ESTUDO DOS CONJUNTOS LÍTICOS PRÉ-HISTÓRICOS DO SÍTIO


ITANGUÁ 02, ÁREA ARQUEOLÓGICA DE SERRA NEGRA, ALTO
VALE DO ARAÇUAÍ, MINAS GERAIS.

Trabalho apresentado como exigência para


conclusão do curso de Bacharelado em
Humanidades.

Orientador: Prof. Dr. Marcelo Fagundes

Diamantina - MG
Abril de 2013
ESTUDO DOS CONJUNTOS LÍTICOS PRÉ-HISTÓRICOS DO SÍTIO
ITANGUÁ 02, ÁREA ARQUEOLÓGICA DE SERRA NEGRA, ALTO
VALE DO ARAÇUAÍ, MINAS GERAIS.

Monografia submetida à avaliação da banca examinadora abaixo-listada, como parte dos


requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Humanidades, pela Faculdade
Interdisciplinar em Humanidades da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e
Mucuri (FIH/UFVJM).

______________________________________________________
Prof. Dr. Marcelo Fagundes – Presidente/Orientador
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

______________________________________________________
Prof.(a) Danielle Piuzana Mucida
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

______________________________________________________
Prof. Soraya de Carvalho Neves
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

Diamantina – MG
Abril de 2013
AGRADECIMENTOS

Agradeço antes de tudo aos meus pais Átila de Castro Perillo (in memorian) e
Nair Aparecida Gomes Perillo que com muito esforço e dedicação fizeram possível minha
entrada na UFVJM e com muito carinho sempre estiveram presentes em minha vida me dando
suporte e total apoio.

A equipe do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem (LAEP) da


Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em especial ao Prof. Dr. Marcelo
Fagundes que foi (é) orientador, sempre se fazendo presente e apoiando nosso caminho para
que nos tornemos pesquisadores de melhor qualidade, o meu sincero muito obrigado.

Aos amigos que fiz durante este tempo de pesquisa, sendo eles parte do LAEP ou
não, o meu muito obrigado por tudo.

Aos meus grandes amigos e companheiros de laboratório Erik, Valdinêy, Gilson


Junio, Manoel e Thaisa, dentre muitos outros, que sempre me deram suporte seja em
conselhos ou com opiniões em relação ao meu trabalho.

Em fim, agradeço a todos que deram apoio nesta pesquisa sendo eles de forma
direta ou indireta, vocês tem todo meu agradecimento.
SUMÁRIO

INDICE DE FIGURAS ......................................................................................................................... 7

INDICE DE TABELAS ........................................................................................................................ 8

INDICE DE GRÁFICOS ...................................................................................................................... 9

RESUMO ............................................................................................................................................. 10

ABSTRACT ......................................................................................................................................... 11

INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 11

1.APRESENTAÇÃO DO TEMA ..................................................................................................... 11

JUSTIFICATIVA .............................................................................................................................. 12

OBJETIVO GERAL ......................................................................................................................... 12

OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................................ 13

PROBLEMA ..................................................................................................................................... 13

HIPÓTESES ...................................................................................................................................... 13

LINHAS DE PESQUISA E ATUAÇÃO .......................................................................................... 13

DIVISÃO DA MONOGRAFIA........................................................................................................ 14

CAPÍTULO 01 ..................................................................................................................................... 15

ASPECTOS TEÓRICOS.................................................................................................................... 15

1.1 UM BREVE CONTEXTO HISTÓRICO.................................................................................... 15

1.2 O ESTUDO ETNOGRAFICO DE CADEIAS OPERATÓRIAS ................................................... 17

1.3 SOBRE A TECNOLOGIA E SEUS SIGNIFICADOS .............................................................. 20

CAPÍTULO 2....................................................................................................................................... 24

O COMPLEXO ARQUEOLÓGICO CAMPO DAS FLORES ...................................................... 24

CAPÍTULO 03 ..................................................................................................................................... 29

AS ANÁLISES DOS MATERIAIS RECOLHIDOS DO SÍTIOITANGUÁ 02............................. 29

3.1 O PROPOSITO DO ESTUDO DAS INDÚSTRIAS LÍTICAS .................................................. 29

3.2 A METODOLOGIA DE ANÁLISE DOS MATERIAIS LÍTICOS ENCONTRADOS NO SÍTIO


ITANGUÁ 02.................................................................................................................................... 30

CAPÍTULO 4....................................................................................................................................... 31
O SÍTIO ARQUEOLÓGIO ITANGUÁ 02 ....................................................................................... 31

4.1 A QUADRÍCULA A-1 ............................................................................................................... 35

4.2.1 PRIMEIRA TRIAGEM.............................................................................................................. 35

4.2.2 SEGUNDA TRIAGEM.............................................................................................................. 37

4.2.3 MATÉRIA-PRIMA .................................................................................................................... 38

4.2.4 CÓRTEX................................................................................................................................... 39

4.2.5 RELAÇÃO ENTRE TAMANHO E LARGURA DAS PEÇAS .................................................... 41

4.3 A QUADRÍCULA C-1................................................................................................................ 41

4.3.1 PRIMEIRA TRIAGEM.............................................................................................................. 42

4.3.2 SEGUNDA TRIAGEM............................................................................................................ 43

4.3.3 MATÉRIA-PRIMA .................................................................................................................... 44

4.3.4 CÓRTEX ................................................................................................................................... 45

4.3.5 RELAÇÃO DE COMPRIMENTO PELA LARGURA ............................................................... 46

4.4 QUADRÍCULA D-1 ................................................................................................................... 46

4.4.1 PRIMEIRA TRIAGEM.............................................................................................................. 46

4.4.2 SEGUNDA TRIAGEM.............................................................................................................. 47

4.4.3 MATÉRIA-PRIMA. ................................................................................................................... 48

4.4.4 CÓRTEX. .................................................................................................................................. 50

4.4.5 RELAÇÃO DE COMPRIMENTO PELA LARGURA ............................................................... 51

4.5 LEVANTAMENTO TOTAL DOS DADOS DO SÍTIOITANGUÁ 02 .................................... 51

4.6 A TIPOLOGIA (MORFOLOGIA) DOS MATERIAIS ENCONTRADOS NO ITANGUÁ 02 ...


...........................................................................................................................................................53

4.7 OS ARTEFATOS DO SÍTIO ITANGUÁ 02.............................................................................. 57

CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................. 61

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS .............................................................................................. 64

ANEXO 01 ........................................................................................................................................... 68

ANEXO 02 ........................................................................................................................................... 73

TABELA DE ANÁLISE DE MATERIAL LÍTICO (LAEP/UFVJM) ........................................... 73


INDICE DE FIGURAS

Figura 1: Localização do Complexo Arqueológico Campo das Flores. ................................................ 24


Figura 2: Localização do Complexo Arqueológico Campo das Flores. ................................................ 25
Figura 3: Itanguá. Foto: LAEP/UFVJM/2011...................................................................................... 26
Figura 4: Área de concentração do Complexo Arqueológico Campo das Flores. ................................ 27
Figura 5: Localização do Sítio Itanguá II no Complexo Campo das Flores. ........................................ 31
Figura 6 Desenho arqueológico Estilha de quartzo hialino. .................................................................. 68
Figura 7 : Lasca em quartzo hialino. ..................................................................................................... 68
Figura 8: Estilha em Sílex. .................................................................................................................... 69
Figura 9: Lasca em quartzo hialino. ...................................................................................................... 69
Figura 10: Resíduo em quartzo hialino. ................................................................................................ 69
figura 11: Ponta de projétil em quartzo hialino. .................................................................................... 70
Figura 12: Raspador circular em quartzo hialino. ................................................................................. 70
Figura 13: Raspador em quartzo leitoso. ............................................................................................... 71
Figura 14: Estilha em quartzo hialino. .................................................................................................. 71
Figura 15: Seixo. ................................................................................................................................... 72
INDICE DE TABELAS

TABELA 1: Primeira Triagem .............................................................................................................. 36


TABELA 2: Segunda Triagem .............................................................................................................. 37
TABELA 3: Matéria-Prima ................................................................................................................... 39
TABELA 4: Córtex ............................................................................................................................... 40
TABELA 5: Primeira Triagem – C-1 .................................................................................................... 42
TABELA 6: Segunda Triagem – C-1 .................................................................................................... 43
TABELA 7: Matéria-Prima – C-1 ......................................................................................................... 44
TABELA 8: Córtex ............................................................................................................................... 45
TABELA 9: Primeira Triagem - D-1 .................................................................................................... 47
TABELA 10: Segunda Triagem – D-1 ................................................................................................. 48
TABELA 11: Matéria-Prima - D-1 ....................................................................................................... 49
TABELA 12: Córtex - D-1.................................................................................................................... 50
TABELA 13: Utilização entre percussão Macia e Dura no sítio Itanguá 02 ........................................ 55
TABELA 14: Tipologia dos materiais analisados ................................................................................. 56
INDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Primeira Triagem - Quadrícula A-1 ...................................................................................... 36


Gráfico 2: Segunda Triagem - Quadrícula A-1 ..................................................................................... 38
Gráfico 3: Variedade de Matéria-Prima encontrada na Quadrícula A-1 ............................................... 39
Gráfico 4: Incidência do Córtex nos materiais encontrados na Quadrícula A-1 ................................... 41
Gráfico 5: Primeira Triagem - Quadrícula C-1 ..................................................................................... 42
Gráfico 6: Segunda Triagem - Quadrícula C-1 ..................................................................................... 43
Gráfico 7: Incidência de Matérias-Prima da Quadrícula C-1 ................................................................ 45
Gráfico 8: Primeira Triagem – D-1 ....................................................................................................... 47
Gráfico 9: Segunda Triagem – D-1 ....................................................................................................... 48
Gráfico 10: Matéria-Prima - Quadrícula D-1 ........................................................................................ 49
Gráfico 11: Córtex – D-1 ...................................................................................................................... 50
Gráfico 12: Primeira Triagem - Itanguá 02 ........................................................................................... 51
Gráfico 13: Segunda Triagem - Itanguá 02 ........................................................................................... 52
Gráfico 14: Incidência de Córtex – Sítio Itanguá 02 ............................................................................. 52
Gráfico 15: Variabilidade de Matéria-Prima encontrada no Sitio Itanguá 02 ....................................... 53
Gráfico 16: Utilização de percussão Macia e Dura no sítio Itanguá 02 ................................................ 55
Gráfico 17: Tipologia dos materiais encontrados no Sítio Itanguá 02 .................................................. 57
RESUMO

A presente pesquisa trata-se de uma análise de parte do conjunto lítico pré-histórico


pertencente ao Sítio Arqueológico Itanguá 02, localizado no Complexo Arqueológico Campo
das Flores, entre os municípios de Senador Modestino Gonçalves e Itamarandiba, Minas
Gerais. Tendo, portanto, como objetivo entender e inferir como se deu a relação entre as
sociedades pretéritas e o ambiente no qual ocupavam. A metodologia aplicada nas analises
dos remanescentes arqueológicos do sítio em questão foi a do conceito etnográfico de cadeias
operatórias, que visa entender desde os primeiros passos da produção artefatual, dentre eles a
busca e obtenção de matéria-prima, o modo de produção da ferramenta e consequentemente o
descarte da ferramenta sem a possibilidade de reaproveitamento da mesma.
Palavras chave: Tecnologia Lítica; Cadeia Operatória; Pré-histórico; Itanguá 02;
Arqueologia; Ambiente.
ABSTRACT

This research refers to the analysis of part of the litich set belonging to the prehistoric site
Itanguá 02, located in the Archeological Complex Campo das Flores, between the
municipalities of Senador Modestino Gonçalves and Itamarandiba, Minas Gerais. And
therefore, aims to understand an infer how was the relationship between the preterit societies
and the environment in which they occupied. The methodology applied in the analysis of the
archeological remnants of the site in question was the ethnographic concept of operational
chain, including the pursuit and acquisition of raw material, the production method tool and
consequently the discharge of the tool without the possibility of reusing the same.

Keywords: Lithic Technology; operative chain; Prehistoric; Itanguá 02; Archeology;


Environment.
11

INTRODUÇÃO

1. APRESENTAÇÃO DO TEMA

A pesquisa que resultou na redação desta monografia intitulada “Estudo dos


Conjuntos Líticos Pré-Históricos do sítio Itanguá 02, Área Arqueológica de Serra Negra,
Alto Vale do Araçuaí, Minas Gerais”, teve início no ano de 2011 com o projeto de Iniciação
Cientifica (doravante IC), tendo como objetivo o estudo sistemático das cadeias operatórias
envolvidas na produção artefatual dos conjuntos líticos escavados.

O estudo de materiais líticos, no modo geral, continua sendo foco de estudo de


outros pesquisadores, como Maria Jacqueline Rodet (2004), Márcio Alonso (2004), Paulo
Jobim de Campos Mello (2006), Emílio Fogaça (2006), Eric Boeda (2006), André Prous
(1992), Marcelo Fagundes (2004; 2007 e 2009), William Andrefsky (2008) dentre outros
tantos pesquisadores que dedicam seu estudo a área de análise lítica.

Quanto às análises feitas realizadas, foram executadas de modo minucioso, de


modo que se pudessem realizar comparações entre os vestígios estudados, a fim de se
constituir um banco de dados com as características da indústria lítica regional, com base nos
pressupostos de Fagundes (2004):

[...] afim de alcançarmos o objetivo proposto [...], o material lítico coletado


nas escavações [...] passou por minuciosa análise de seus atributos
tecnológicos e formais, de forma que pudéssemos compará-los com o intuito
de obter o maior número possível de dados para a organização das cadeias
operatórias dessas indústrias (FAGUNDES, 2004, p. 150).

Os resultados das análises e dos agrupamentos dos materiais líticos


encontrados no sítio Itanguá 02 serão demonstrados, juntamente com suas peculiaridades no
decorrer desta monografia.

O sítio Itanguá 02 faz parte do PAAJ (Projeto Arqueológico Alto


Jequitinhonha), que tem identificado e estudado o conteúdo de mais de cem sítios
arqueológicos no Alto Jequitinhonha, sendo o principal objetivo do PAAJ compreender como
se deu a ocupação pré-histórica no Alto Jequitinhonha (FAGUNDES, 2009a).
12

É importante ressaltar que o sítio Itanguá 02 está inserido em uma área com um
total de 21 sítios arqueológicos, denominada Complexo Arqueológico Campo das Flores,
sendo que todos estes sítios estão localizados em abrigos rochosos quartzítcos.

 JUSTIFICATIVA

Este projeto foi concebido com o intuito de se entender melhor como se deu o
uso e ocupação pré-histórica da região do Alto Jequitinhonha, sobretudo na sub-bacia do
Araçuaí. Dentre os vestígios arqueológicos1, as ferramentas líticas são amplamente estudadas
pelos arqueólogos, devido sua importância para entender como se dava a relação destes
homens pré-históricos com o ambiente ao qual ocupavam. De acordo com Prous (1992, p.25),
as ferramentas líticas são vestígios quase indestrutíveis, sendo um dos poucos remanescentes
que permanecem no solo arqueológico, justamente com a cerâmica, por exemplo.

Segundo Fagundes et al (2012), as ferramentas líticas encontradas no sítio


Itanguá 02 possuem uma grande variedade, sobretudo no uso da matéria-prima e mesmo da
tecnotipologia da indústria, apresentando todos os estágios do processo de lascamento, desde
pequenas estilhas até resíduos já descartados sem opção de reutilização.

Os estudos realizados nos sítios arqueológicos pertencentes ao Complexo


Campo das Flores pela equipe do LAEP/UFVJM são, desse modo, de grande importância
para a obtenção de dados com o intuito de compreender a relação das populações pré-
históricas e seu ambiente. Este TCC se justificou pela necessidade de se entender as cadeias
operatórias de produção de ferramentas líticas (mesmo que parcialmente), cooperando com os
pressupostos acima.

 OBJETIVO GERAL

 Compreender os processos de produção de parte do conjunto artefatual lítico obtido na


escavação do sítio arqueológico Itanguá 02.

1
“Consideramos vestígios arqueológicos todos os indícios da presença ou atividade humana em determinado
local. Para se inserir tais vestígios no contexto ecológico (clima, vegetação, fauna, proximidade da água), é
preciso preocupar-se também com os restos indiretamente ligados ao homem, mas que revelam em que
condições ele estava vivendo”. (PROUS, 1992, p.25).
13

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Analisar parte dos conjuntos líticos do Itanguá 02 de acordo com o método


etnográfico de cadeias operatórias.
 Produzir um banco de dados digital pro meio das análises realizadas.
 Inferir, por meio da tecnologia lítica, acerca do modo de produção dos vestígios
arqueológicos produzidos pelas populações pretéritas que ocuparam o Alto
Jequitinhonha, especificamente a região do Campo das Flores.

PROBLEMA

O principal problema desta Monografia foi: “O estudo das cadeias operatórias


de conjuntos líticos podem cooperar para a compreensão de como se deu o modo de vida
correlacionando o tipo de material produzido pelas populações pré-históricas do local?”

 HIPÓTESES

 Que o estudo dos conjuntos líticos pode cooperar para a inferência do tipo de sítio e
modo de produção do conjunto artefatual do mesmo.
 Que o estudo de cadeias operatórias é capaz de fornecer dados para a inferência do
modo de vida e cultura no passado.

 LINHAS DE PESQUISA E ATUAÇÃO

 Linhas de Pesquisa: Arqueologia Pré-Histórica


 Área de Atuação: Dinâmica cultural e estudo da paisagem; uso e ocupação do
espaço.
14

 DIVISÃO DA MONOGRAFIA

 Capítulo 1: O primeiro capítulo desta monografia trata do desenvolvimento dos


aspectos teóricos e bibliográficos usados na produção deste trabalho.

 Capítulo 2: Retrata as características gerais do Complexo Arqueológico Campo das


Flores.

 Capítulo 3: Trata do propósito encontrado no estudo das indústrias líticas e da


metodologia utilizada para analisar os materiais evidenciados no sítio Itanguá 02.

 Capítulo 4: São apresentadas as análises dos materiais recolhidos durante as


escavações no sítio em questão, mas primeiramente é apresentado o próprio sítio
arqueológico, mostrando, portanto, a sua localização, o tipo de solo onde o sítio foi
estabelecido, a vegetação circundante do mesmo e as bacias hidrográficas que o
circulam.

Considerações finais: onde se discutirá os resultados alcançados e perspectivas


futuras.
15

CAPÍTULO 01

ASPECTOS TEÓRICOS

1.1 UM BREVE CONTEXTO HISTÓRICO

Ao se falar de Arqueologia, entende-se que a mesma trata de uma ciência que,


por meio do estudo de vestígios deixados por sociedades pré-históricas, procura entender
como se dava a relação do homem com o ambiente no qual habitava.

Trigger (2004) ressalta a importância da Arqueologia e seus estudos, como


sendo um resgate, a análise e a interpretação dos materiais de grupos humanos pretéritos.
Diante das análises destes materiais, o autor ressalta que:

Ninguém jamais considerou os experimentos de reconstrução como outra coisa que


não experimentos arqueológicos. [...] Por outro lado, embora os arqueólogos
tenham, desde muito, confiado em analogias etnológicas para interpretar seus dados,
apenas recentemente veio a considerar parte integrante da Arqueologia o
empreendimento de grandes projetos de pesquisa atnoarqueológica, realizados com
o propósito de aprender mais sobre as relações entre cultura material e
comportamento humano (TRIGGER, 2004).

De acordo com Paulo Seda (1988), a maior importância da Arqueologia não


está somente em compreender como os homens pré-históricos produziam suas ferramentas, o
modo com que lascavam a pedra ou produziam sua cerâmica e até mesmo pintavam seus
abrigos. A maior importância da Arqueologia se dá em compreender as relações e os aspectos
culturais no qual os homens pré-históricos viveram.

Já segundo Alves (2002), a Arqueologia pré-histórica surge no século XIX,


sendo um campo de estudos descritivo. Para a autora, a trabalho mais divulgado desta época
foi “Do Homem Antidiluviano e suas obras” do ano de 1860, que descrevia o estrato
arqueológico encontrado por Boucher de Perthes.

No âmbito histórico do período Entre-Guerras, a pesquisa arqueológica ganha


um novo paradigma na França. Alves (2002) explica que Leroi-Gourhan, pesquisador do
Collège de France, adota e ao mesmo tempo altera uma metodologia de campo denominada
“The open area” do arqueólogo inglês, Sir Mortimer Wheeler.
16

Leroi-Gourhan dá início às escavações em áreas semifechadas (abrigos) e


abertas (ou seja, sítios ao ar livre) e, de acordo com Alves (2002), o método de trabalho de
Leroi-Gourhan pode ser descrito como:

O método topográfico/etnográfico de Leroi-Gourhan tem como fulcro de pesquisa


de campo a evidenciação da espacialidade dos documentos materiais deixados in
loco pelas decapagens em uma perspectiva temporal, respeitando-se o estrato onde
se situam os vestígios evidenciados porque contexto arqueológico é “espaço, tempo,
cultura e sociedade” e as escavações representam “revelações” (a serem
decodificadas) sobre o passado de populações sem texto (Leroi-Gourhan, 1983),
onde o empírico determina as questões, levanta as hipóteses e formula as respostas
possíveis (ALVES, 2002, pp.2-3).

Em meados do século XX, alguns jovens alunos tendo Binford à frente do


projeto, lançaram o projeto da Arqueologia Processualista (ou Processual-Funcionalista) mais
conhecida como Nova Arqueologia. De acordo com Alves (2002), a Nova Arqueologia havia
proposto um novo olhar tendo como processo cultural às mudanças que ocorrem decorrentes
as alterações tecnológicas. Em relação à Nova Arqueologia, Alves (2002) afirma:

Aliado ao conceito de Arqueologia como processo cultural foi proposta a “teoria de


sistemas” (ou visão “sistêmica”) de funcionamento dos sistemas culturais de
sociedades primitivas [...] Os sistemas funcionais são formados por três subsistemas:
“Tecnológicos”, “Sociológico” e “Ideológico”.

Quanto aos estudos de conjuntos líticos, pode-se dizer, de acordo com Schmitz
(apud BUENO & ISNARDIS, 2007), que estes possuem duas vertentes, sendo uma delas de
criação européia, mais precisamente francesa, na qual são representadas no Brasil pelas
instituições de ensino USP, UFMG e FUNDHAM e uma americana, que possui menos
estruturação que a francesa e é mais autônoma, sendo desenvolvida pelo PRONAPA.

De acordo com Funari (2000), a fase inicial dos estudos arqueológicos no


Brasil, que se deu entre as décadas de 1950 e 1960, o estudo arqueológico brasileiro inseriu-se
com mais força no âmbito acadêmico, implantando, inclusive, a pós-graduação na área. Deste
modo, a Arqueologia Brasileira seguiu modelo norte americano com mestrados e doutorados,
consecutivamente a formação arqueológica passa a ser uma especialização após a graduação.

Referindo-se ao PRONAPA, Schmitz enfatiza:

O PRONAPA (Programa Nacional de Pesquisa Aequeológica) [...] tinha como


objetivo explicito estudar a origem e expansão de populações, que tinham em
comum uma cerâmica, denominada Tupiguarani. A execução foi confiada a onze
brasileiros, formados, com alguma pratica e interesse em Arqueologia, mas que não
eram especialistas, ou técnicos, nem em sítios cerâmicos, nem líticos, com exceção
de Wilson Rauth, que trabalhava em sambaquis (SCHMITZ apud BUENO
&ISNARDIS, 2007).
17

Com isto percebe-se que o PRONAPA começou seu trabalho no país com um
foco pré-estabelecido, com o objetivo estudar a expansão e o começo das populações com
uma característica em comum, cerâmicas com denominação Tupiguarani.

Vê-se, portanto, que a Arqueologia vem se desenvolvendo de acordo com o


tempo, adquirindo novas metodologias de trabalho, sendo que as análises dos remanescentes
pré-históricos fornecem subsídios que se permita inferir a relação do homem com seu próprio
meio, sendo que esta pode ocorrer de uma maneira cultural ou funcional.

Quanto a abordagem do estudo de indústrias líticas no Brasil, Morais (1987)


ressalta que “a abordagem das indústrias líticas assume, no Brasil, uma gradual importância
para a compreensão da evolução e adaptação cultural de populações que aqui viveram há
milênios.”

1.2 O ESTUDO ETNOGRAFICO DE CADEIAS OPERATÓRIAS

Por cadeia operatória Viana (2006) introduz com a seguinte definição: “A


cadeia operatória [...] está baseada em um sistema global, que se inicia pela escolha e pela
aquisição de matérias-primas”.

Pode-se entender que o estudo acerca de cadeias operatórias se refere a todos


os passos pelos quais a matéria-prima seguira pelas mãos do artesão, desde um primeiro
momento no qual o mesmo escolhe a matéria da qual será produzida a ferramenta, passando
por fazes das quais se podem destacar o produto da debitagem (produção da ferramenta em si)
até o reavivamento desta mesma, que se dá no momento em que ela perde um pouco de sua
utilidade. Este reavivamento, por sua vez, pode ser feito por meio de retoques na peça, ou até
mesmo utilizando-se da mesma para diferentes finalidades as quais a mesma foi criada, e por
fim o descarte desta ferramenta já sem outras opções de uso ou de melhorias.

Portanto para Perlès (1992), Pelegrin (1995) apud Viana (2006):


18

[...] a produção de um instrumento lítico pré-histórico requer um planejamento


abstrato de ações integradas que pode ser implementado de acordo com o projeto e
as circunstancias específicas. A efetivação deste projeto exige a aplicação de
estratégias que, conscientes ou não, permitem que soluções sejam tomadas, as quais
influenciam diretamente em termos de economia de tempo e de material, risco e
fracasso etc. (Viana, 2006, p. 801; apud Perlès, 1992 & Pelegrin, 1995 ).

Tem-se como exemplo de definição de cadeia operatória o que Sellet diz em


seu trabalho Chaine Operatoire: The Concept and it Applications:

The analysis of chaîne operatoire is a technological approach that seeks to


reconstruct the organization of a technological system at a given archeological site.
A more precise definition is provided by Perlés: ‘The chaîne operatoire could be
defined as follows: succession of mental operations and technological gestures, in
order to satisfy a need (immediate or not), according to a preexisting project
(SELLET, 1989, p. 01)2.

Portanto, o estudo de cadeias operatórias visa observar os passos pelos quais o


artesão utilizou para produzir uma ferramenta, bem como seu uso social. Novamente
procurou-se nos aportes de Sellet para uma melhor compreensão do conceito de cadeia
operatória, a saber:

Consequentenlly, the chaîne operatoire aims to describe and understand all cultural
transformations that a specific raw material had to trough. It is a chronological
segmentation of the actions and mental processes required in the manufacture of an
artifact and in its maintenance into the technical system of a prehistoric group. The
initial stage of the chain is raw material procurement, and the final stage is the
3
discard of the artifact. (SELLET, 1989, p. 01) .

Para uma melhor compreensão do estudo dos sítios arqueológicos e seus


materiais remanescentes, deve-se observar também a definição dada por Schiffer (1972) de
contexto arqueológico e contexto sistêmico, sendo que para o autor o contexto sistêmico é:
“Systemic Contexts labels the condition of an element which is participating in a behavioral
system” 4 , enquanto o contexto arqueológico é definido como: “Archeologycal contexts

2
A análise de cadeias operatórias é a abordagem tecnológica que busca reconstruir a organização de um sistema
tecnológico em um dado sítio arqueológico. Uma definição mais precisa é providenciada por Pérles: “A cadeia
operatória pode ser definida como: uma sucessão de operações mentais e gestões técnicas, com intuído de
satisfazer a necessidade (imediatamente ou não), de acordo com o projeto preexistente”
3
Consequentemente a cadeia operatória tem como intenção descrever e entender todas as transformações
estruturais que uma especificada matéria-prima precisa passar. É um segmento cronológico de ações requeridas
na produção de um artefato e sua manutenção em um sistema técnico de um grupo pré-histórico. O estágio
inicial é a obtenção da matéria-prima, e o estagio final é o descarte do artefato
4
O contexto sistêmico permite rotular a condição de um elemento que está participando de um sistema
comportamental.
19

describes materials which have passed through a cultural system, and wich are now the
objects of investigations of archeologists”5.

Portanto, o estudo de cadeia operatória permite a inferência sobre o contexto


sistêmico, que nos possibilita observar e analisar os passos pelos quais a matéria-prima passou
para que se fosse produzido o material, sendo estes processos culturais ou não.

É importante ressaltarmos que o contexto arqueológico, ou seja, os materiais da


forma que se evidencia no registro arqueológico; sofreu transformações durante muitos anos
com bioperturbações e acontecimentos geológicos, não sendo, portanto, um retrato ou
imagem exata de como foram depositados (FAGUNDES, 2007).

Importante também ressaltarmos o que ANDREFSKY (2008) diz sobre o


conceito de Cadeia operatória em oposição ao conceito de Seqüencias de Redução, a saber:
“Perhaps the greatest difference between the concepts of chaîne opératoire and reduction
sequence analisys is the embedded notion that chaîne opératoire in some way captures the
cognitive intents of toolmakers and users.”6

O estudo de cadeia operatória para a Arqueologia é extremamente importante,


já que a partir deste estudo pode-se observar como foram feitos as modificações em um
artefato (neste caso, artefato refere-se diretamente as ferramentas líticas) de um determinado
sítio, e com isto observar as diferentes técnicas de produção dos artesões em diferentes
comunidades pré-históricas (desde a obtenção de matéria-prima ate o descarte da ferramenta
já inutilizável).

A respeito das ferramentas líticas, Galhardo (2010) afirma:

Os objetos em pedra constituem-se como importantes componentes no registro


arqueológico, tanto pelo fato de se preservarem muito bem frente às ações do tempo
e serem em geral muito abundantes como também por constituírem importante fonte
de informação aos arqueólogos, pois guardam em si comportamentos técnicos e
foram produzidos em contextos espaciais repletos de significados. (GALHARDO, p.
53, 2010)

5
O contexto arqueológico descreve materiais que passaram por um sistema cultural, e que agora são os objetos
de estudos/investigação dos arqueólogos.
6
Talvez a maior diferença entre os conceitos de cadeia operatória e as análises de sequências de redução é a
noção embutida de que as analises de cadeia operatória de alguma maneira capta as intenções Cognitivas dos
artesãos e usuários.
20

No tocante a parte da cadeia operatória que se refere ao reavivamento da peça,


ou seja, ao retoque, Fagundes (2004) diz:

[...] a variante posição caracteriza o retoque em relação às duas faces da lasca, ou


seja, interna ou externa, definindo onde ele será localizado. Os retoques diretos
(que afetam a face externa na lasca, ou seja, os golpes são dados na face interna da
lasca atingindo a face externa) [...] os retoques inversos (ao contrario dos retoques
diretos estes utilizam a face externa da lasca como plano de percussão, atingindo a
face interna) [...] os alternos (que afetam ao mesmo tempo o bordo direito e
esquerdo) [...] os alternantes (seqüência de retoques diretos e inversos ao mesmo
tempo). (FAGUNDES, 2004).

O retoque é importante para compreendermos todos os processos pelos quais a


peça passou, ele não só serve ao artesão como forma de moldar a peça em um primeiro
momento, mas também com a intenção de deixar o gume mais cortante e seguro (pois uma
peça mais bruta, sem o retoque, correria o risco de lascar dentro do alimento na hora do corte
o que poderia trazes sérias consequências para aquele que a ingerisse), como também faz
parte de outro processo da cadeia operatória, o de reavivamento da peça, possibilitando assim
o aumento de sua vida útil, fazendo com que se torne desnecessário o descarte da mesma.

1.3 SOBRE A TECNOLOGIA E SEUS SIGNIFICADOS

De acordo com Silva (2002) “a cultura material possui uma importância


fundamental na transmissão e preservação de conhecimentos e na orientação de pessoas em
seu ambiente natural e social”, pode-se, então, perceber o quão importante as ferramentas
sejam elas para usos naturais ou não.

Para melhor estudar tais materiais ou ferramentas é necessário primeiro a


analise física do objeto, ou seja, a própria observação, para que com isto se possa entender
melhor os contextos nos quais estes são usados, a análise ambiental destes objetos, que de
acordo com a autora deve ser feita após a descrição e analise física da peça, é chave
importante para uma melhor compreensão sobre a sua finalidade dentro de uma certa
comunidade e sua importância, uma analise de dimensões históricas, observando o contexto
nos quais estes mesmos eram produzidos deve ser feita então posteriormente as outras,
visando observar de acordo com Silva (2002) “possibilita avaliar os mesmos enquanto
testemunhas materiais de uma sequencia de eventos, nos quais os povos que os produziram
estiveram envolvidos e, por outro lado, como produtos de uma tradição cultural que foi
revivificada através de gerações”.
21

Um estudo diferente dos citados acima, que se referem à utilização da peça e


seu formato, e que de acordo com Silva (2002) nas últimas décadas um estudo referente à
tecnologia utilizada na produção da peça vem sido bastante feito, e autores como Mauss, em
seu artigo As técnicas corporais (1935), tem fortificado este objeto de estudo, o das
tecnologias de produção da ferramenta.

De acordo com Silva (2002) o estudo de tecnologias deve ser feito de seguinte
forma:

Assim, o estudo de um sistema tecnológico deve começar pela descrição e analise


das cadeias operatórias a partir das quais os objetos as produzidos. Estas, por sua
vez, compõem-se de um determinado numero de etapas seqüencialmente ordenadas
e constituídas por diferentes elementos e ações que implicam num determinado
resultado (SILVA, p. 122, 2002).

Ao determinar como deve ser feita a análise tecnologia, a autora insere no


artigo o termo cadeias operatórias, que se referem de a toda transformação que uma matéria
passa, sendo esta desde a coleta e procura da matéria-prima (sendo este o primeiro estagio) ate
o estagio final que se caracteriza pelo descarte de uma ferramenta já inapropriada para o uso
ou para um reaproveitamento.

Silva (2002) trata da seguinte forma a cadeia operatória, visando o fato de que
a produção de um objeto é feito de forma predeterminada, necessitando um conhecimento e
não por acaso, afirmando que a produção de uma determinada ferramenta é pré-definida pelo
artesão, sendo que o tratamento da matéria passa por series de movimentos contínuos e não
separados.

O entendimento de cadeias operatórias e sua compreensão é de fato importante,


visando que por meio deste estudo e conhecimento é possível entender por quais passos a
matéria passa até ser transformada no produto desejado, de acordo com Mauss (1935), Silva
(2002) mostra que todas as ações feitas pelas pessoas, mesmo aquelas mais simples são de
alguma forma predeterminadas culturalmente, portanto todas as ações humanas feitas são
predeterminadas, já que há observação para o aprendizado de tais ações.

Estudos sobre tecnologias vêm sendo muito frequentes nas ultimas décadas,
junto com a Antropologia da tecnologia, e como Silva (2002) diz a intenção desta área de
estudo é:
22

Pode-se dizer que, ao fim e ao cabo, o que a “antropologia da tecnologia” visa


alcançar é a compreensão da arbitrariedade das escolhas tecnológicas e
conseqüentemente dos seus significados em cada contexto cultural, vislumbrando a
tecnologia como um fenômeno que se constitui a partir de uma complexa teia de
associações entre o mundo material, o social e o universo simbólico dos diferentes
grupos humanos (SILVA, 2002, p.152).

Ou seja, a antropologia da tecnologia visa nos mostrar que os atos feitos por
diferentes grupos humanos não são feitos de forma alheatória, mas sim arbitraria, se uma
fonte de matéria-prima proporciona um material final com resultados muito bons, ou se por
alguma forma cultural, é bastante improvável que a sociedade visada deixe de usar tal fonte
de matéria, a não ser que a mesma se esgote ou que algo a aconteça.

Ao se falar de tecnologia é entendido que, de acordo com Silva (2002), a


mesma não faz parte da sociedade, estando sempre em outro plano, no qual ela não é
incorporada pela sociedade e não a serve, muito menos agindo de uma forma produtiva para
os grupos humanos.

Ao tratar sobre tecnologia Morais (1987 apud SHEETS, 1975, p.370) ressalta
que “in technological analysis, the products (both tools and wastage) of an industry are
examined to see how materials were processed. This is fundamentally a behavioral study”7.

Portanto, o estudo de tecnologia pode ser tratado como um estudo de


raciocínio, primeiramente analisando e diferenciando os retoques que foram produzidos de
forma intencional daqueles que foram feitos de forma natural, que tem, consequentemente, a
capacidade de moldar a ferramenta da maneira que foi concebida pelo artesão.

Dentro do debate e estudo sobre tecnologias é imprescindível à compreensão


de como as tecnologias permitiram o desenvolvimento dos grupos sociais, observando dentro
deste desenvolvimento como as mesmas possibilitavam a relação do homem com seu
ambiente de vivencia, propiciando assim uma melhor exatidão dos grupos caçadores coletores
ou não, na obtenção de alimentos e materiais necessários a construções de objetos, sendo estes
diversos, tal observação, a de como o homem interage com seu ambiente também se pode ser
analisado através, de acordo com Silva (2002), com a Antropologia Ecológica.

Para a produção de objetos, o relacionamento com o ambiente em que vivem e


a sobrevivência cultural e econômica do grupo social estudos vem sendo produzidos no

7
Na análise tecnológica, os produtos (tanto ferramentas quanto refugos) de uma indústria são examinados para
observarmos como os materiais são processados. Isto é fundamentalmente um estudo comportamental.
23

intuito de observar como as variáveis a cima (relacionamento com o ambiente em que vivem a
cultura e economia do grupo social), influenciam as suas organizações tecnológicas, no
ambiente físico (SILVA, 2002), relata os problemas que podem surgir de seguinte forma: “No
que se refere ao ambiente físico, estes problemas podem estar ligados a disponibilidade ou
escassez de recursos, à sua distribuição espacial e sazonal e às características dos materiais”.

Os problemas citados a cima referem-se praticamente a obtenção de material,


condições de preparo, transporte, possibilidade de uso e por fim o descarte.

Percebe-se com isto como é importante a análise tecnológica das ferramentas,


sendo elas fundamentais para a interação do homem com meio em que vive, já que com elas
ele se torna apto a modificar a seu favor e garantir a subsistência de um grupo total, por
ferramenta não se toma somente os objetos nos quais o homem se utiliza para suas ações tanto
culturais quanto funcionais, mas se pode também entender, de acordo com Mauss (1935), que
o corpo é uma ferramenta da qual o homem se utiliza para suas ações cotidianas, observa-se,
com isto, que os utensílios pelos homens produzidos funcionam como uma extensão do corpo
usado tanto com o intuito cultural como para o intuito funcional.
24

CAPÍTULO 2

O COMPLEXO ARQUEOLÓGICO CAMPO DAS FLORES

O Complexo Arqueológico Campo das Flores situa-se na bacia do rio Araçuaí,


mais precisamente entre os municípios de Senador Modestino Gonçalves e Itamarandiba,
somando um total de 21 sítios arqueológicos, todos estes sítios se encontram em abrigos
quartzíticos, sendo que a maioria possui figurações rupestres (Figuras 01 e 02).

Figura 1: Localização do Complexo Arqueológico Campo das Flores.

Fonte: IBGE- Adaptado por LAEP/UFVJM/2011


25

Figura 2: Localização do Complexo Arqueológico Campo das Flores.

Fonte: IBGE- Adaptado por LAEP/UFVJM/2011


26

A vegetação ao redor dos sítios é marcada pela presença de campos rupestres


com presença de vegetação típica de cerrado/caatinga e a incidência de enclaves de Mata
Atlântica, a região também possui a presença de veios d’água, onde se pode observar a
presença de matas ciliares (PACHECO, 2012 apud FAGUNDES et al., 2012).
O curso d’água mais próximo é o Itanguá, que deu nome aos sítios, sendo este
afluente do rio Araçuaí.

A região na qual se encontram os sítios arqueológicos pertence ao Sr. Miguel


Arcanjo e a Dona Geralda, sendo importante ressaltar que a região é popularmente conhecida
como comunidade Campo das Flores.

Figura 3: Itanguá. Foto: LAEP/UFVJM/2011


27

Figura 4: Área de concentração do Complexo Arqueológico Campo das Flores.

Foto: LAEP/UFVJM/2011

De acordo com Fagundes et al (2012), o Complexo Arqueológico Campo das


Flores esta inserido entre os domínios da Província da Mantiqueira, no limite do Cráton do
São Francisco e a Faixa Araçuaí, estando, portanto localizado mais precisamente na borda
leste do Espinhaço Meridional.
Quanto ao Espinhaço, Fagundes et al (2012) afirmam que:

O Supergrupo Espinhaço, considerado como embasamento das unidades


neoproterozóicas (Grupo Macaúbas e Grupo Bambuí), experimentou levantamento
generalizado e basculamentos localizados, quando da tectônica extensional
responsável pela individualização da Bacia Araçuaí.

O solo encontrado no Complexo Arqueológico Campo das Flores foi


classificado como sendo Neossolo Litólico Órtico Típico (EMBRAPA, 2006 apud
FAGUNDES et al., 2012), de textura arenosa cascalhenta.
Quanto ao solo a onde os sítios arqueológicos foram encontrados pode-se
afirmar que são muito rasos, arenosos e cascalhentos, ácidos e bastante pobres em nutrientes,
porém apresentam teores de matérias orgânicas e de P elevados, o que apontam para uma
ocupação humana recorrente, já que normalmente os solos desta região não apresentam esta
quantidade de matéria orgânica e nem de fósforo (FAGUNDES et al, 2012).
Quanto à fauna recorrente encontrada no Campo das Flores se pode constatar a
existência de três grupos faunísticos diferentes, Ornitofauna: Seriema (Cariamacristata),
carcará, acuã, gavião carijó (Falconidae), juriti (Columbidae), nhambú, perdiz (Tinimidae);
Mastofauna: Tamanduá mirim (Tamanduatetradactyla), Tamanduá bandeira
28

(Myrmecophagatridactyla), Tatus (Dasipus sp., Euphractus sp.) Mocós e Preás (Cavidae),


Suçuarana (Puma concolor), Cachorro do Mato (Canidae); e Lepidosauria: Calango
(Ameivaameiva), Teiu (Tupinambi sp.), Cascavel (Crotalus sp.) Jararaca (Bothrops sp.),
Sucuri (Boa Constrictor). (PACHECO , 2012 apud FAGUNDES et al., 2012).
29

CAPÍTULO 03

AS ANÁLISES DOS MATERIAIS RECOLHIDOS DO SÍTIO ITANGUÁ


02

3.1 O PROPOSITO DO ESTUDO DAS INDÚSTRIAS LÍTICAS

Segundo Morais (1987), escrever sobre as indústrias líticas pré-históricas é


uma tarefa difícil, pois se trata de uma análise que se reveste de um teor um tanto quanto
subjetivo, já que este estudo engloba artefatos produzidos por sociedades pretéritas.

Deve-se ater, portanto, no reconhecimento das técnicas de confecção dos


artefatos líticos para uma melhor compreensão das origens e dispersão da humanidade,
Morais (1987).

De acordo com Morais (1987) deve-se considerar a utilização de experimentos


no estudo de materiais líticos como base de esclarecimentos a respeito de alguns tópicos
concernentes à pesquisa das populações pré-históricas, sendo estes tópicos:

 Distinção do objeto acidental do intencional.

 Diferenciação de um gesto de preparação técnica.

 Distinção de retiradas de preparação daquelas correspondentes aos retoques aplicados


posteriormente.

 Esclarecimento a respeito da duração do tempo de confecção dos objetos líticos.


30

3.2 A METODOLOGIA DE ANÁLISE DOS MATERIAIS LÍTICOS ENCONTRADOS


NO SÍTIO ITANGUÁ 02

A intenção anterior e durante o processo de análise dos materiais recolhidos do


Sítio Itanguá 02 foi a de melhor compreender como se deu a produção dos mesmos,
procurando, portanto entender a indústria lítica produzida por este grupo e,
consequentemente, sua intenção de uso.

A metodologia de análise utilizada nos materiais do Sítio Itanguá 02 foi


baseada em Fagundes (2004; 2007) e Morais (1987) por tratarem de um excelente referencial
na pesquisa lítica pré-histórica.

Neste contexto o material passou por uma série de triagens com a intenção de
analisar todas as suas características, portanto todos os produtos consequentes das diferentes
fases de lascamento foram analisados.

Consequentemente foi produzida uma ficha de análise, pela equipe do LAEP


com o intuito de sistematizar as análises feitas do material recolhido durante as escavações, de
acordo com Morais (1987) “a ficha tecno-tipológica em apreço procura abranger todos os
itens de leitura necessários à compreensão de um objeto lítico integrante do conjunto de uma
indústria”.

Por este motivo, para a melhor compreensão de nosso estudo foi necessário a
produção de dados estatísticos e comparativos, como a produção de gráficos e tabelas, que
permitem uma melhor compreensão de como se deu a produção dos materiais líticos
recolhidos durante o período de escavação.

Neste trabalho cinco tópicos foram privilegiados: Primeira Triagem; Segunda


Triagem; Matéria-prima; Córtex e a relação do comprimento pela largura do material.
31

CAPÍTULO 4

O SÍTIO ARQUEOLÓGIO ITANGUÁ 02

Como dito, o Sítio Arqueológico Itanguá 02 faz parte de uma totalidade de 21


sítios arqueológicos que compõem o Complexo Arqueológico Campo das Flores, está
localizado sob as coordenadas UTM (Universal Transversa de Mercator) 8.002.911 e Latitude
de 698.515, encontrado sobre um afloramento de rocha quartzítica (Figuras 05 e 06).

Figura 5: Localização do Sítio Itanguá II no Complexo Campo das Flores.

Fonte: IBGE Adaptado por LAEP/UFVJM/2011

Para Prous (1991): “O estado atual dos sítios arqueológicos é o resultado de


processos freqüentemente complexos, que atuam desde os tempos imediatamente anteriores à
primeira presença humana no local. Esses processos condicionam características estruturais
que o arqueólogo deve reconhecer e interpretar”.
32

Consequentemente, quando se depara com sítios arqueológicos deve-se ter em


mente que estes passaram por processos que culminaram com sua mudança durante o tempo,
ou seja, eles não são uma “fotografia” dos acontecimentos e das relações entre seus
ocupantes, ressalvo claro o ocorrido com Pompéia. Dentre os processos que possuem poder de
modificar a estrutura de um sítio arqueológico têm-se tanto os processos bióticos e os
abióticos, dentre eles pode-se citar:

 Ocupações posteriores da mesma localidade, por populações diferenciadas.

 Acontecimentos naturais, como fogo, chuva, vento, juntamente com os próprios


processos erosivos.

 Ação de animais, como cupins, formigas, pequenos roedores e a ação do próprio


homem.

Figura 6: Sítio Itanguá 02 (vista do afloramento rochoso).

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Sobre o local onde o sítio está implantado, pode-se afirmar que o mesmo
encontra-se sob um abrigo rochoso, possuindo um piso regular e sedimento do tipo neossolo
litólico.
33

O pacote sedimentar observado durante as escavações atingem apenas 0,25m


de profundidade, com uma grande incidência de materiais líticos e a evidenciação de uma
estrutura de combustão, cujo carvão foi enviado para datação resultando para a primeira
ocupação a cronologia de 680 ± 110 anos A.P (CENA/USP)

As escavações ocorreram no mês de junho de 2010, sendo encontrada cerca de


6000 peças líticas, de grande variedade e que evidenciam todos os processos de lascamento,
passando por estilhas, resíduos, percutores, núcleos, lascas com morfologia completa.

Durante a escavação do sítio foi evidenciada também a grande variedade de


matéria-prima nas ferramentas, passando pelo quartzito, o quartzo hialino, berilo8 (goshenita),
o quartzo leitoso, o arenito silicificado, o sílex (apresentando uma tonalidade marrom), o
quartzo impuro e a hematita (ocre).

8
Em laboratório, uma das dificuldades encontradas foi a distinção entre o quartzo hialino e a goshenita. Neste
trabalho, a distinção foi feita pelo brilho e textura do mineral, entretanto, novas análises (levando em conta
dureza e propriedades do lascamento – características essenciais para a análise arqueológica), tem considerado
todo o conjunto constituído exclusivamente por quartzo, proveniente de veios ainda não localizados na
prospecção. Esses veios eram previamente lascados e núcleos eram levados para o sítio arqueológico. In loco
ou no sítio arqueológico esses veios eram “limpos” (há comprovação empírica) para se obter suportes com
mineral “mais puro” (cristalino). O sílex, evidenciado no sítio, estava aglutinado a esses veios, há núcleos de
quartzo com presença de sílex vermelho e marrom associados.
34

Figura 7: Quadrícula A-1 (escavação do sítio). Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Figura 8: Escavação do Sítio Itanguá 02.

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
35

Os materiais evidenciados no Sítio Itanguá 02 foram analisados no Laboratório


de Arqueologia e Estudo da Paisagem (LAEP/UFVJM), sendo que os mesmos foram
analisados separadamente, de acordo com a quadrícula em que foram encontrados.

4.1 A QUADRÍCULA A-1

A quadrícula A -1 possui um total de 246 peças, sendo que desse montante 164
são estilhas que possuem uma variação em suas matérias-primas de cinco materiais básicos
para a construção das ferramentas, apresentam todos os quatro tipo de córtex descritos na
Tabela de Análise de Material Lítico (Anexo 01), já na relação entre o comprimento pela
largura a incidência maior foi a do numero 02 (ou seja, que existem 106 peças quase longas,
que variam entre 01 e 1,5 cm).

4.2.1 PRIMEIRA TRIAGEM

A primeira triagem tem como objetivo agrupar os materiais em quatro gêneros


distintos, Morais (1987).

Esta triagem divide os materiais a serem analisados em quatro grupos


específicos: (1) Massa primordial; (2) Matrizes, núcleos; (3) Produtos de talhe, debitagem
e/ou retoque; (4) Resíduos.

 Massa primordial: Este grupo é composto por materiais aptos ao lascamento, tais
como, seixos; blocos, cristais e plaquetas (MORAIS, 1987, p. 164).
 Matrizes e núcleos: É composto pelos núcleos encontrados durante a escavação.
 Produtos de talhe, debitagem e/ou retoque: São produtos resultados do processo de
lascamento da matriz, como, lâminas, lascas, lascas de retoque, sendo estas resultadas
do talhe ou da debitagem (FAGUNDES, 2004, p. 151).
 Resíduos: Os resíduos são parte importante da análise lítica, pois ajudam a
compreender os processos pelos quais a matéria foi submetida ate o resultado final, de
acordo com Fagundes (2004, p. 151) “os resíduos são materiais que não se enquadram
nas categorias anteriores, podendo ser estilhas, resíduos de lascamento, fragmentos de
36

matéria-prima, lascas acidentais, etc”, sobre a categoria em que se enquadram os


resíduos. Morais (1987, p. 165) afirma que:

Resíduo é o objeto que faz parto do conjunto da indústria lítica, mas não se enquadra
em nenhuma das definições anteriores. Pode ser um fragmento de matéria-prima ou
uma ‘lasca’estourada pela ação do fogo; fragmentos acidentais que não permitam
quaisquer observações inerentes a fratura conchoidal e ‘lascas’ parasitas podem ser
considerados resíduos. (Morais, p 165, 1987).

TABELA 1:

Primeira Triagem
Quadrícula A-1
Primeira Triagem Quantidade Porcentagem
1- Massa primordial (blocos, percutores). 3 1,23%
2- Matrizes, núcleos. 2 0,81%
3- Produtos de talhe, debitagem e/ou retoque. 16 6,5%
4- Resíduos 225 91.46%
Total 246 100%
Fonte: LAEP/UFVJM/2012

300

250 1- Massa primordial


(blocos, percutores).
200 2- Matrizes, núcleos

150 3- Produtos de talhe,


debitagem e/ou retoque
100 4- Resíduos

50

Gráfico 1 Primeira Triagem - Quadrícula A-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
37

4.2.2 SEGUNDA TRIAGEM

O objetivo da segunda triagem é separar ainda mais o material, de acordo com


suas características físicas, nas quais se pode observar se houveram características de uso ou
se os mesmos apresentam retoques (FAGUNDES, 2004).

A segunda triagem é dividida em três básicos itens, que são: (1) Peças brutas;
(2) Peças utilizadas; (3) Artefatos.

 Peças brutas: As peças brutas são assim caracterizadas por não possuírem indícios de
utilização, ou ate mesmo de retoque, peças como lascas corticais (aquelas que
possuem indícios de córtex) que não mostram características de utilização ou mesmo
de uma modificação posterior ao seu lascamento também entram neste contexto,
Morais (1987, p. 165).
 Peças utilizadas: As peças utilizadas são aquelas que apresentam indícios de
modificação posterior a sua retirada do núcleo e também características de uso, como
desgaste, serrilhado nos bordos, de acordo com Fagundes (2004, p. 151) “objetos
naturais com marcas de utilização também são encaixados nesta categoria, tais como
seixos utilizados como percutores ou mãos-de-pilão”.
 Artefatos: Os artefatos são materiais que apresentam uma intenção explicita para sua
utilização, tanto para furar, cortar ou quebrar, de acordo com Fagundes (2004, p 151)
“são os suportes modificados com a intenção explicita de confeccionar um
instrumento que atenda a um determinado fim”.

TABELA 2:

Segunda Triagem
Quadrícula A-1

Segunda Triagem Quantidade Porcentagem

1-Peças brutas 244 99,18%

2-Peças utilizadas 2 0,81%

3-Artefatos 0 0%

Total 246 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
38

300

250

200
1- Peças brutas
150 2- Peças utilizadas

100 3- Artefatos

50

Gráfico 2: Segunda Triagem - Quadrícula A-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.2.3 MATÉRIA-PRIMA

Para Morais (1987, p. 166) a matéria-prima é considerada um elemento de


grande relevância, de acordo com o mesmo “a matéria-prima constitui um importante
elemento para a análise tecnotipólogica, pois de sua qualidade dependem as técnicas de
lascamento e outras características”.

As matérias-primas utilizadas pelos artesãos do sítio Itanguá 02 variam em sete


tipos diferentes. As mais incidente encontradas na quadrícula A-1, dentro da indústria lítica do
Itanguá 02 é o quartzo hialino, com 119 peças, seguida pela goshenita com 113 peças,
quartzito impuro com 6 peças, arenito silicificado com 4 peças, e o quartzo leitoso e a
hematita ambos com 1 peça cada.
39

TABELA 3:

Matéria-Prima
Quadrícula A-1

Matéria-Prima Quantidade Porcentagem

1-Quartzo hialino 119 48%

3-Quartzo leitoso 1 0,4%

4-Berilo (Goshenita) 113 45%

5-Arenito silicificado 4 1,6%)

10-Silex (tonalidade marrom) 2 0,4%

12-Quartzito impuro 6 2%

13-Hematita/ocre 1 0,4%

Total 246 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

120 1-Quartzo hialino

100
3-Quartzo leitoso
80
4-Berilo (Goshenita)
60

40 5-Arenito silicificado

20 10-Silex (tonalidade
marrom)
0

Gráfico 3: Variedade de Matéria-Prima encontrada na Quadrícula A-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.2.4 CÓRTEX

No que se refere ao estudo da superfície do material lítico, pode ajudar a


compreender se o material foi exposto a ação do tempo, se o mesmo possa ter sido
confeccionado com intuito de urgência (ferramenta de expediência), ou se foi exposto a ação
da água e do fogo.
40

De acordo com Morais (1987) “as marcas da ação do fogo são freqüentes em
Pré-História brasileira: ela provoca ‘debitagens’ espontâneas de ‘núcleos’ que liberam ‘lascas’
curvadas, sem talão ou bulbo; tais ‘núcleos’ apresentam-se morfologicamente arredondados”.

Dividiu-se a análise em quatro, sendo eles: (1) Ausente; (2) Menor que 50 %;
(3) Maior que 50%; (4) Total.

Os mais evidenciados foram aqueles pertencentes ao grupo 1, com 229 peças


seguido consecutivamente pelos grupos 2, com 12 peças, o grupo 3, com 4 peças e o grupo 4
com um total de 1 peça.

TABELA 4:

Córtex
Quadrícula A-1

Córtex Quantidade Porcentagem

1-Ausente 229 93,08%

2-Menor que 50% 12 4,87%

3-Maior que 50% 4 1,62%

4-Total 1 0,4%

Total 246 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
41

250

200
1-Ausente
150 2-Menor que 50%
3-Maior que 50%
100 4-Total

50

Gráfico 4: Incidência do Córtex nos materiais encontrados na Quadrícula A-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.2.5 RELAÇÃO ENTRE TAMANHO E LARGURA DAS PEÇAS

Esta relação de tamanho é feita com um simples cálculo, dividindo o


comprimento pela largura da peça, a medição desses valores é feita através do uso de um
paquímetro, ficando então definidas quatro tipos de peças: 1 (Muito Longa) é aquela peça
cujo cálculo é menor que 01; 2 (Quase Longa) são aquelas peças cujo cálculo é entre 01 e 1,5;
3 (Longa) que esta entre 1,5 e 2,0; e por fim, 4 (Laminar) que é aquela peça que seu cálculo
vai dar maior ou igual a 2,0, tem-se no nº 1 uma totalidade de 17 peças, no número 2 de 106
peças, no número 3 de 73 peças e no número 4 de 50 peças.

4.3 A QUADRÍCULA C-1

A quadrícula C-1 possui um total de 393 peças, sendo que as mesmas foram
analisadas e agrupadas da mesma forma que a A-1, nos possibilitando extrair assim de suas
analises uma maior quantidade de informação desejada.
42

4.3.1 PRIMEIRA TRIAGEM

Tem-se na primeira triagem da quadrícula C-1 o resultado de o número 4


(Resíduos) sendo o que mais possui materiais, com um total de 262 peças, o número 3
(Produtos de talhe, debitagem e/ou retoque) em seguida com 122 peças o número 1 (Massa
primordial) com 6 peças aparecendo logo em seguida e o número 2 (Matrizes-núcleos) por
último com um total de 3 remanescentes.

TABELA 5:

Primeira Triagem – C-1

Primeira Triagem Quantidade Porcentagem

1-Massa Primordial 6 1,57%

2-Matrizes 3 0,76%

3-Produtos De Talhe 122 31%

4-Resíduos 262 66,6%

Total 393 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

300

250 1- Massa primordial


(blocos, percutores).
200 2- Matrizes, núcleos

150 3- Produtos de talhe,


debitagem e/ou retoque
100 4- Resíduos

50

Gráfico 5: Primeira Triagem - Quadrícula C-1


Fonte: LAEP/UFVJM/2012
43

4.3.2 SEGUNDA TRIAGEM

Na segunda triagem pode-se observar que o primeiro número possui muito


mais materiais, com um total de 386 peças, o terceiro número da segunda triagem possui 6
peças e por fim o número 2 vem por último com apenas 1 peça.

TABELA 6:

Segunda Triagem – C-1


Segunda Triagem Quantidade Porcentagem

1-Peças Brutas 386 98,2%

2-Peças Utilizadas 1 0,25%

3-Artefatos 6 1,52%

Total 393 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

300

250

200

150 1- Peças brutas


2- Peças utilizadas
100
3- Artefatos
50

0
1- Peças
brutas 2- Peças
utilizadas 3- Artefatos

Gráfico 6: Segunda Triagem - Quadrícula C-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
44

4.3.3 MATÉRIA-PRIMA

Como já dito acima, a incidência de matéria-prima encontrada nos materiais da


oficina lítica do Sítio Itanguá 02 varia basicamente entre o quartzo hialino e a goshenita, na
quadrícula C-1 não é diferente, encontrou-se, assim, os materiais encontrados sendo: quartzo
hialino com 212 peças; goshenita/berilo com 125 peças; quartzo leitoso com 32 peças;
quartzito com 8 peças; quartzito impuro com 6 peças; arenito silicificado possuindo 5 peças;
O sílex e a hematita/ocre com 2 peças cada.

Tabela 7:

Matéria-Prima – C-1

Matéria-Prima Quantidade Porcentagem

1-Quartzo Hialino 212 53,9%

2-Quartzito 8 2%

3-Quartzo Leitoso 32 8,1%

4-Berilo 125 31,8%

5-Arenito Silificado 5 1,27%

10-Silex 2 0,5%

11-Quartzo Fume 1 0,25%

12-Quartzito Impuro 6 1,52%

13-Hematita /Ocre 2 0,5%

Total 393 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
45

160
1-Quartzo hialino
140
2-Quartzito
120
3-Quartzo Leitoso
100 4-Berilo

80 10-Silex
11-Quartzo Fume
60
12-Quartzito Impuro
40

20

Gráfico 7: Incidência de Matérias-Prima da Quadrícula C-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.3.4 CÓRTEX

Quanto ao córtex destes materiais, observou-se que a maior incidência era do


número 1 (Ausente), com 340 peças, seguida pelo número 2 (Menor que 50%) com 45 peças,
depois pelo número 3 (Maior que 50%), com 5peças e por fim observou-se o último número,
4 (Total) com 3 peças.

TABELA 8:

Córtex

Córtex Quantidade Porcentagem

1-Ausente 340 86,51%

2-Menor Que 50% 45 11,45%

3-Maior Que 50% 5 1,27%

4-Total 3 0,76%

Total 393 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
46

250

200
1-Ausente
150
2-Menor que 50%
100 3-Maior que 50%
4-Total
50

0
1-Ausente 2-Menor 3-Maior 4-Total
que 50% que 50%

Gráfico 8: Córtex

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.3.5 RELAÇÃO DE COMPRIMENTO PELA LARGURA

No tocante ao cálculo do comprimento dividido pela largura, pode-se observar


que na quadrícula C-1 possuímos 148 peças muito longas (2), 11 peças longas (3), 70 peças
laminares (4) e por fim 58 peças muito longas (1).

4.4 QUADRÍCULA D-1

A quadrícula D-1 possui um total de 263 peças, sendo que a mesma foi
agrupada e analisada da mesma forma que a A-1 e a C-1, segue abaixo a relação de suas
análises, juntamente com gráficos e tabelas do mesmo.

4.4.1 PRIMEIRA TRIAGEM.

Nesta parte da análise da quadrícula D-1 pode-se observar que a categoria 3


(Produtos de Talhe) não aparece, portanto não se evidenciou materiais com estas
características nesta quadrícula, porém a categoria 4 (Resíduos) é a que contêm maior
quantidade de material, com um total de 257 peças, seguida pela numero 2 (Matrizes-núcleo),
com 5 materiais e por fim a opção 1 (Massa primordial) que possuía 1material.
47

TABELA 9:

Primeira Triagem - D-1

Primeira Triagem Quantidade Porcentagem

1-Massa Primordial 1 0,38%

2-Matrizes 5 1,9%

3-Produtos De Talhe 0 0%

4-Resíduos 257 97,71%

Total 263 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

300

250 1- Massa primordial


(blocos, percutores).
200 2- Matrizes, núcleos

150 3- Produtos de talhe,


debitagem e/ou retoque
100 4- Resíduos

50

Gráfico 8: Primeira Triagem – D-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2011

4.4.2 SEGUNDA TRIAGEM

Na segunda triagem observa-se que há incidência de peças brutas, número 1, é


a grande maioria desta parte da análise, com um total de 261peças, segunda posteriormente
com 2 materiais, evidenciou-se as peças utilizadas, e por fim não são encontrados artefatos.
48

TABELA 10:

Segunda Triagem – D-1


Quadrícula D-1

Segunda Triagem Quantidade Porcentagem

1-Peças Brutas 261 99,23%

2-Peças Utilizadas 2 0,76%

3-Artefatos 0 0%

Total 263 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

300

250

200

150 1- Peças brutas


2- Peças utilizadas
100
3- Artefatos
50

0
1- Peças
brutas 2- Peças
utilizadas 3- Artefatos

Gráfico 9: Segunda Triagem – D-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2011

4.4.3 MATÉRIA-PRIMA.

As matérias-primas encontradas nesta quadrícula são basicamente as mesmas,


uma variação de sete tipos diferentes de matéria-prima, o Quartzo Hialino, com 148 peças, o
Quartzito com 3 peças, o Quartzo Leitoso com 21peças, o Berilo/Goshenita com 85peças, o
Sílex com 1peça, o Quartzo Fume (este não possuía nas quadrículas anteriores) com 2peças e
o Quartzito impuro com 3peças.
49

Pode-se observar que a constituição das matérias-primas utilizadas na


quadrícula D-1 é praticamente idêntica a das outras duas, exceto pelo aparecimento do
Quartzo Fume.

Segue abaixo a Tabela e o Gráfico de análise destes materiais:

TABELA 11:

Matéria-Prima - D-1

Matéria-Prima Quantidade Porcentagem


1-Quartzo Hialino 148 56,27%
2-Quartzito 3 1,14%
3-Quartzo Leitoso 21 7,98%
4-Berilo 85 32,31%
10-Silex 1 0,38%
11-Quartzo Fume 2 0,76%
12-Quartzito Impuro 3 1,14%
Total 263 100%
Fonte: LAEP/UFVJM/2012

160

140
1-Quartzo hialino
120 2-Quartzito
100 3-Quartzo Leitoso

80 4-Berilo
10-Silex
60
11-Quartzo Fume
40 12-Quartzito Impuro
20

Gráfico 10: Matéria-Prima - Quadrícula D-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
50

4.4.4 CÓRTEX.

Esta quadrícula diferentemente da C-1 possui todos os tipos de Córtex, sendo


que o que mais foi evidenciado foi o número 1 com um total de 240 peças, seguido pelo
número 2 com 17 peças, e pelo número 3 com 5 peças e, por fim, ocorre o número 4 com 1
peça.

TABELA 12:

Córtex - D-1

Quantidade Porcentagem
Córtex
240 91,25%
1-Ausente
17 6,46%
2-Menor Que 50%
5 1,9%
3-Maior Que 50%
1 0,38%
4-Total
263 100%
Total
Fonte: LAEP/UFVJM/2012

250

200
1-Ausente
150 2-Menor que 50%
3-Maior que 50%
100 4-Total

50

Gráfico 11: Córtex – D-1

Fonte: LAEP/UFVJM/2011
51

4.4.5 RELAÇÃO DE COMPRIMENTO PELA LARGURA

Dos 263 materiais encontrados na quadrícula D-1 evidenciou-se 123 (46,76%)


peças quase longas (2), 75 (28,51%) peças longas (3) 54 (20,53%) peças laminares e 11
(4,18%) peças muito longas (1).

4.5 LEVANTAMENTO TOTAL DOS DADOS DO SÍTIOITANGUÁ 02

Deve-se agora apresentar um levantamento total dos dados apresentados acima,


dados estes decorrentes das sistemáticas análises feitas de parte do acervo material recolhido
do sítio Itanguá 02, precisamente 902 peças.

No tocante à primeira triagem, pode-se observar que a grande maioria dos


materiais recolhidos são resíduos provenientes do processo de lascamento, seguidos
consecutivamente por produtos de talhe (estilhas e lascas).

Esta disposição de materiais é importante para a compreensão do sítio como


um todo, mostrando com isto que o sítio Itanguá 02 possui indícios de ter sido uma oficina de
produção lítica.

800 1- Massa primordial (blocos,


percutores).
600 2- Matrizes, núcleos

400 3- Produtos de talhe,


debitagem e/ou retoque
200 4- Resíduos

Gráfico 12: Primeira Triagem - Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Os dados obtidos da análise da segunda triagem também nos mostram que os


materiais retirados durante as escavações, são em sua grande maioria peças brutas, resíduos
do processo de lascamento, as peças utilizadas e os artefatos compreendem em uma pequena
porção deste montante, somando um total de 11 (0,82%) materiais recolhidos, importante
52

lembrar que esta análise compreende somente uma parte do repertorio material do sítio
Itanguá 02.

1000

800
1-Peças brutas
600
2-Peças utilizadas
400 3-Artefatos

200

Gráfico 13: Segunda Triagem - Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Em relação à presença de córtex nos produtos recolhidos do sítio, pode-se notar


que a grande maioria destes remanescentes líticos não apresenta córtex, e um pequeno numero
destes possui córtex recobrindo toda peça.

A porção que compreende os materiais que não possuem córtex são as lascas
ou estilhas que foram retiradas no processo de produção das ferramentas, estando estas,
portanto mais no “interior” da rocha matriz (núcleo).

1000

800 1-Ausente

600 2-Menor que 50%


3-Maior que 50%
400
4-Total
200

Gráfico 14: Incidência de Córtex – Sítio Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012
53

Quanto à ocorrência de matérias-primas nos produtos líticos encontrados no


sítio observou-se que apesar de possuírem uma grande variedade de minerais utilizados, 13 no
total, existem uma preferência clara quando tratado do Quartzo hialino e do Berilo.

A variedade de matéria-prima encontrada na indústria lítica deste sítio é


claramente abundante, como pode ser observado abaixo (Gráfico 16).

500 1-Quartzo hialino


450 2-Quartzito
400 3-Quartzo leitoso
350
4-Berilo (Goshenita)
300
250 5-Arenito silicificado
200 10-Silex (tonalidade marrom)
150 11-Quartzo Fume
100
12-Quartzito impuro
50
0 13-Hematita/ocre

Gráfico 15: Variabilidade de Matéria-Prima encontrada no Sitio Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

4.6 A TIPOLOGIA (MORFOLOGIA) DOS MATERIAIS ENCONTRADOS NO


ITANGUÁ 02

O motivo pelo qual foi decidido deixar este tópico por último é que nele pode-
se ater um pouco mais de atenção, por se tratar da incidência dos materiais, propriamente
ditos, encontrados durante a escavação do Sítio Itanguá 02.

Pode-se notar que suas peças foram basicamente produzidas por meio da
percussão direta, em especial a percussão direta dura, porém não se pode deixar de expressar
que o sítio Itanguá 02 apresenta materiais com indicações de percussão direta macia, que seria
o aparecimento de um lábio na porção proximal da peça (próximo ao ponto de impacto).

Por percussão direta Alonso e Rodet (2004) entendem que seu princípio é:
54

O princípio da percussão direta fundamenta-se na fratura coincoidal baseada no


fenômeno do cone de Hertz. No momento do impacto, forma-se um cone com
ângulos constantes, devido à difusão preferencial da onda de choque. Neste caso, o
bulbo apresenta uma porção do cone de Hertz. Assim, a fratura concoidal provoca
um talão e um bulbo; ela parte de um ponto bem delimitado e evolui em onda
(ALONSO & RODET, 2004, p. 65).

Portanto, pode-se observar que este tipo de percussão consiste em golpear a


rocha da qual se deseja retirar uma lasca com um material mais denso, em uma posição
preestabelecida a fim de retirar a lasca e a partir dela produzir o artefato, porém, como já dito
acima existem dois tipos de percussão direta, a direta com percutor duro e a direta com
percutor macio, as quais Alonso e Rodet (2004) definem como:

A percussão direta dura é a técnica mais utilizada na Pré-História, seja no período


mais antigo ou no mais recente, sendo a melhor descrita na bibliografia [...] O
choque é ‘concentrado’ em função da dureza dos dois materiais – do percutor e do
bloco que recebe o impacto, provocando neste, uma fissuração circular indicada por
um cone (Fig.02). a fratura indica-se no local de impacto e a onda de choque evolui.
A parte móvel destaca-se (lasca ou lâmina) (ALONSO & RODET, 2004, p. 65).

Percussão direta com percutor macio:

O princípio da fraturação é o mesmo da percussão dura, ou seja, fratura concoidal. A


diferença esta no gesto e na maciez do percutor, o que resultará em uma série de
estigmas característicos, contrariamente a matéria dura, onde o choque produz
imediatamente a fratura, a matéria macia (percutor orgânico) não resiste ao impacto
[...] assim, a fratura concoidal se faz um pouco mais distante, abaixo do talão [...] O
percutor macio não é suficientemente rijo para iniciar ele mesmo a fratura [...] Esta é
provocada pelo gesto de ‘arrancamento’ e começa um pouco abaixo da zona de
contato. Este fenômeno é representado pela presença de um lábio, mais ou menos
evidente. (ALONSO & RODET, 2004, p.68).

Tendo em vista as considerações apresentadas acima, lançou-se um quadro e


um gráfico (Tabela 13/ Gráfico15), com as informações retiradas tanto das tipologias e da
evidenciação de percussão com percutor macio, que é evidenciado pelo aparecimento de um
lábio mais ou menos evidente próximo ao talão.
55

TABELA 13:

Utilização entre percussão Macia e Dura no sítio Itanguá 02

Tipo de Percussão Quantidade Porcentagem

1 – Percussão Macia 18 1,99%

2 – Percussão Dura 884 98%

Total 902 100%

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

1000
1 – Percussão Macia
2 – Percussão Dura
500

Gráfico 16: Utilização de percussão Macia e Dura no sítio Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Percebe-se, portanto, com a tabela, os materiais separados para análises mais


profundas daqueles que foram retirados nas escavações do Itanguá 02, de um total de 902
peças, 18 (1,99%) apresentam um lábio sobressaltado perto do Talão e o restante das 884
(98,1%) peças não, isto é um indicador de que na indústria lítica do Itanguá também pode ser
encontradas peças nas quais foram usadas percutores macios, estes podendo ser, portanto, de
origem animal ou vegetal (ossos e chifres de animais e pedaços de madeira).
56

TABELA 14:

Tipologia dos materiais analisados

Tipologia Quantidade Porcentagem


1-Artefato Sobre Lasca 2 0,22%
4-Plano Convexo 2 0,22%
5-Lasca Utilizada Como Morfologia Completa 1 0,11%
6-Lasca Utilizada Sem Morfologia Completa 1 0,11%
7-Lasca Bruta Com Morfologia Completa 30 3,32%
8-Lasca Bruta Sem Morfologia Completa 10 1,1%
9-Núcleo 10 1,1%
10-Estilha 510 56,36%
11-Resíduo 329 36,36%
12 – Pontas de Projétil 1 0,11%
15-Percutor (batedor) 2 0,22%
16-Seixo 4 0,44%
17-Fragmento de Artefato 3 0,33%
Total 902 100%
Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Quanto à tipologia dos materiais, são basicamente 13 tipos que aparecem nesta
oficina lítica, de um total de 903 remanescentes líticos as estilhas possuem 510 (56,36%), os
resíduos somam um total de 329 (36,36%), as Lascas Brutas com Morfologias Completas são
um total de 30 (3,32%), os Núcleos e as Lascas Brutas sem Morfologia completas possuem
cada um 10(1,1%) materiais, os Seixos somam um total de 4 (0,44%), os Fragmentos de
artefatos possuem 3 (0,33%), os Artefatos sobre Lascas, os Plano Convexos e os Percutores
apresentam cada um 2 (0,22 %) peças e por fim observou-se que as Lascas Utilizadas com
Morfologia completa e as Utilizadas sem Morfologia completa possuem cada um 1
(0,11%)peça, e por fim, dentre os materiais encontrados no sítio, evidencia-se 1 ponta de
projétil (0,11%).
57

1-Artefato Sobre Lasca


600
4-Plano Convexo

5-Lasca Utilizada Como


500 Morfologia Completa
6-Lasca Utilizada Sem
Morfologia Completa
7-Lasca Bruta Com Morfologia
400 Completa
8-Lasca Bruta Sem Morfologia
Completa
9-Núcleo
300
10-Estilha

11-Resíduo
200
12 – Pontas de Projétil

15-Percutor (batedor)
100
16-Seixo

17-Fragmento de Artefato
0

Gráfico 17: Tipologia dos materiais encontrados no Sítio Itanguá 02

Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Pode-se ressalvar com isso a grande variedade nos materiais encontrados na


oficina lítica do Itanguá 02, que possui desde peças completas (Utilizadas ou não), resíduos
(dentre eles uma quantidade considerável de estilhas 56,43% de todo o material), percutores,
lascas brutas, ou seja, podem ser evidenciados nesta oficina todos os passos pelos que uma
matéria passa até se tornar uma ferramenta lítica.

4.7 OS ARTEFATOS DO SÍTIO ITANGUÁ 02

Durante as escavações foram evidenciados alguns artefatos dentro do conjunto


lítico do Sítio Itanguá 02, dentre eles estão: raspadores circulares, em quartzo hialino, um
raspador plano-convexo em quartzo leitoso, uma ponta de projétil em quartzo hialino e um
furador em madeira petrificada.

Por definição Morais (1987) encaixa os artefatos em peças talhadas e/ou


retocadas:
58

As peças talhadas são confeccionadas sobre uma das massas primordiais: um


chopping-tool foi obtido a partir do talhe de um seixo; um biface, a partir de um
bloco talhado, teve seu gume retocado. Um núcleo, após ter servido de fonte de
lascas, teve suas nervuras, ou mais propriamente, suas cornijas retocadas
transformando-se, então, num artefato (todavia, enquanto suporte de artefato, ele
retomara sua denominação de origem: bloco, seixo, nódulo etc.) lascas, laminas e
lamelas retocadas entram nessa categoria. (MORAIS, 1987, p. 166).

Deve-se ater também que artefatos são ferramentas pré-concebidas pelo


artesão, este, já possui todos os passos do processo de lascamento compostos em sua mente.

Os artefatos apresentados no Itanguá 02 possuem características marcantes, tais


como:

 Retoques nos bordos (no caso do raspador plano-convexo, este possui retoques nos
bordos direito e esquerdo; quando se trata dos raspadores circulares os retoques são
finamente produzidos e circundam o artefato).

 Tais retoques são produzidos finamente, e ao que tudo indica por pressão (no caso dos
raspadores circulares).

 Um dos materiais foi polido em uma de suas extremidades, permitindo-lhe um


potencial perfurante.

 Possuem um formado anatômico, encaixando-se perfeitamente na mão daquele que o


utilize.

 E os raspadores, tanto os circulares quanto o plano convexo, não passam de 5 cm de


comprimento.
59

Figura 9: Raspador Circular em quartzo hialino.


Fonte: LAEP/UFVJM/2012

Figura 10: Raspador Plano-convexo em quartzo leitoso.


Fonte: LAEP/UFVJM/2012
60

Figura 11: Possível ferramenta para pintura corporal, em madeira petrificada.


Fonte: LAEP/UFVJM/2012
61

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante toda a pesquisa que culminou na redação deste Trabalho de Conclusão


de Curso (TCC), as análises bibliográficas e dos materiais recolhidos durante do processo de
escavação do Sítio Itanguá 02, que como já foi dito, ocorreram em 2010, foi feito de forma
minuciosa, com o intuito de poder compreender, neste primeiro momento, as técnicas de
produção de implementos líticos pelas populações pré-históricas que ocuparam a área. Com
base em outros trabalhos (ISNARDIS, 2009), observou-se uma diferença muito grande entre
os conjuntos líticos da região de Diamantina, com os evidenciados na Área Arqueológica de
Serra Negra.

A localização do sítio possui grandes vantagens (FORANCELLI, 2012 apud


FAGUNDES et al, 2012), a fauna e flora são abundantes, típico de uma região de ecótono
(cerrado e mata atlântica), fornecendo com isto fonte de alimento para o grupo de pessoas que
ocuparam aquele local.

O sítio em si está localizado em um abrigo de rocha quartzítica que pode


assumir também um papel de proteção contra as intempéries, como a chuva e o vento.

Foram escolhidas três quadrículas distintas para a análise (A-1, C-1 e D-1) que
em conjunto possuem 902 peças de um total aproximado de 6.000 peças recolhidas durante as
escavações, que apresentaram um pequeno pacote sedimentar, de aproximadamente 25 cm.

Este recorte material, consequentemente, nos forneceu informações valiosas


para a compreensão do modo de produção das ferramentas líticas do grupo que ocupou esta
região do Alto Jequitinhonha, da maneira com que se relacionavam com a região e mais
precisamente de como se relacionavam com a região em questão e qual era, portanto, a
utilidade deste sítio.

A evidenciação de uma estrutura de combustão e os resultados provenientes de


sua datação, 680 ± 110 anos A.P (CENA/USP) fez-se possível, portanto um recorte temporal
da ocupação desta região.

Ao se analisar os dados provenientes da primeira e da segunda triagem feita


nos remanescentes líticos obtidos, pode-se perceber que em sua grande maioria eles consistem
em resíduos e produtos de talhe (provenientes do processo de debitagem e de façonagem), e
62

que pequena parte desta porção é constituída de núcleos, percutores e artefatos o que nos
fornecem dados que indicam que este sítio era utilizado como uma oficina de produção de
ferramentas líticas.

Os materiais escavados que apresentam córtex também se apresentam de


maneira muito sutil, os únicos que apresentam o córtex em sua totalidade são os percutores,
em sua grande maioria os vestígios não apresentam esta característica.

Os remanescentes que não apresentam córtex são geralmente as estilhas (porém


os artefatos, como os raspadores e a ponta de projétil também não apresentam esta
característica), fortalecendo, portanto, a ideia de que este sítio se tratava basicamente de uma
oficina de produção lítica.

No tocante ao processo de produção das ferramentas líticas, a grande maioria


foi feita com a utilização de percutor duro, más existem dados que nos permitem afirmar que
houve a utilização de percutor macio durante o processo de lascamento, mais precisamente no
processo de façonagem, porém a evidenciação destes percutores não foi possível.

Importante ressaltar que o conjunto lítico do sítio apresenta basicamente três


etapas básicas do processo de lascamento: Retoque, Debitagem e Façonagem.

Os artefatos evidenciados apresentam características marcantes, tanto os


raspadores (o circular e o plano convexo) e a ponta de projétil foram produzidos a base de
quartzo hialino e possuem retoques extremamente delicados.

Quanto à variedade de matéria-prima encontrada nos materiais líticos, essa é


vasta, possuindo uma totalidade de treze diferentes fontes das quais os artesãos se
aproveitavam.

Dentre esta variedade de matéria-prima, a que se apresenta em maior


abundancia é o quartzo hialino. A obtenção desta matéria-prima pode ser feita facilmente,
porém existe também a presença de outros tipos de matéria utilizada pelos artesões, como o
quartzo leitoso, o berilo, sílex e arenito silicificado.

A grande utilização do quartzo no processo de produção das ferramentas líticas


pode ser explicada pela sua abundância no local, proveniente da litologia da região na qual o
sitio está localizado (ver anexo 04, mapa 04) e também pelo alto potencial cortante que o
quartzo possui.
63

Das características e resultados obtidos da análise desta porção de materiais


líticos do sítio Itanguá 02, pode-se, então, inferir que possivelmente este sítio foi utilizado
como uma oficina de produção lítica, a abundância de quartzo presente na região pode
explicar a preferência deste material na fabricação destas ferramentas, ele está posicionado de
forma que a obtenção de recursos naturais como água e alimento, possa ser obtida de uma
maneira mais fácil, fazendo com que seja um local propicio a ocupação humana.

Quanto à relação do (s) grupo (s) que ocuparam este sítio possuíam com a
região, explicações funcionais puderam ser apresentadas, como a facilidade de obtenção de
matéria-prima para produção de ferramentas, obtenção de alimento e a segurança que o abrigo
pode prover de eventos naturais (como chuvas e vento).

As pesquisas no Complexo Arqueológico Campo das Flores e no Sítio Itanguá


02 continuam sendo feitas, portanto maiores dados serão gerados, o que nos proporcionará
uma melhor compreensão da relação que este (s) grupo (s) tinham com o ambiente.
64

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68

ANEXO 01

Figura 6 Desenho arqueológico Estilha de quartzo hialino.

Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011

Figura 7: Lasca em quartzo hialino.

Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011


69

Figura 8: Estilha em Sílex.


Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011

Figura 9: LASCA EM QUARTZO HIALINO.


FONTE: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011

Figura 10: Resíduo em quartzo hialino.

Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011


70

Figura 11: PONTA DE PROJÉTIL EM QUARTZO HIALINO.


FONTE: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011

Figura 12; RASPADOR CIRCULAR EM QUARTZO HIALINO.


FONTE: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011LAEP/UFVJM/2011
71

Figura 13: Raspador em quartzo leitoso.


Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011

Figura 14: Estilha em quartzo hialino.


Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011
72

Figura 15: Seixo.


Fonte: AMADOR/2011 ACERVO: LAEP/2011
73

ANEXO 02

TABELA DE ANÁLISE DE MATERIAL LÍTICO (LAEP/UFVJM)

PRIMEIRA TRIAGEM

1 Massa primordial (blocos, percutores, etc.)


2 Matrizes – núcleos
3 Produtos de talhe, debitagem e/ou retoque
4 Resíduos

SEGUNDA TRIAGEM

1 Peças brutas
2 Peças utilizadas
3 Artefatos

TIPOLOGIA

1 ARTEFATO SOBRE LASCA


2 ARTEFATO SOBRE PLAQUETA
3 ARTEFATO SOBRE BLOCO
4 PLANO CONVEXO
5 LASCA UTILIZADA COM MORFOLOGIA COMPLETA
6 LASCA UTILIZADA SEM MORFOLOGIA COMPLETA
7 LASCA BRUTA COM MORFOLOGIA COMPLETA
8 LASCA BRUTA SEM MORFOLOGIA COMPLETA
9 NÚCLEO
10 ESTILHA
11 RESÍDUO
12 PONTA DE PROJÉTIL
74

13 PLACA
14 FRAGMENTO DE ARTEFATO
15 PERCURTOR (BATEDOR)
16 SEIXO
17 FRAGMENTO DISTAL DE LASCA
18 FRAGMENTO NATURAL

MATÉRIA-PRIMA

1 QUARTZO HIALINO
2 QUARTZITO (GALHO DO MIGUEL – PURO)
3 QUARTZO LEITOSO
4 BERILO (GOSHENITA)
5 ARENITO SILICIFICADO
6 SILEX (AVERMELHADO)
7 GRANITO
8 QUARTZO ROSA
9 BASALTO
10 SÍLEX (TONALIDADE MARROM)
11 QUARTZO FUMÊ
12 QUARTZITO IMPURO
13 HEMATITA/OCRE
14 FERRO

CÓRTEX

1 AUSENTE
2 MENOR QUE 50%
3 MAIOR QUE 50%
4 TOTAL
75

PLANOS DE PERCUSSÃO (NÚCLEOS)

1 UM – UNIDIRECIONAL
2 DOIS – BIDIRECIONAIS PARALELOS
3 TRÊS
4 MÚLTIPLOS

CICATRIZES (NÚCLEOS)

1 Uma
2 Duas paralelas
3 Três
4 Múltiplas

ESTRUTURA E MORFOLOGIA (NÚCLEOS)

1 GLOBULAR
2 QUADRANGULAR
3 TRIANGULAR
4 CÔNICO

ESTADO (NÚCLEOS)

1 ESGOTADO
2 NÃO ESGOTADO

CLASSIFICAÇÃO DAS ESTILHAS

1 DESCORTICAMENTO
2 DEBITAGEM
3 RETOQUE/ FAÇONAGEM
76

DIREÇÃO DE DEBITAGEM (LASCAS/SUPORTES)

1 DIREÇÃO DE DEBITAGEM INFERIDA E TALÃO AUSENTE


2 DIREÇÃO DE DEBITAGEM CONHECIDA E TALÃO AUSENTE
3 DIREÇÃO DE DEBITAGEM CONHECIDA E TALÃO PARCIALMENTE
AUSENTE
4 DIREÇÃO DE DEBITAGEM, TALÃO E PONTO DE IMPACTO
CONHECIDOS

TECNOLOGIA

1 UNIPOLAR
2 BIPOLAR
3 TALHE

TALÃO

1 CORTICAL
2 LISO PLANO
3 PARCIAL
4 AUSENTE
5 DIEDRO
6 FACETADO
7 PUNTIFORME

RELAÇÃO ÂNGULOS

1 INTERNO MAIOR QUE O EXTERNO


2 INTERNO MENOR QUE O EXTERNO
3 INTERNO IGUAL AO EXTERNO
77

ESTRUTURA

1 QUADRANGULAR
2 RETANGULAR
3 TRAPEZOIDAL
4 TRIANGULAR
5 CIRCULAR

CORNIJA

1 SIM
2 NÃO

MARCAS

0 AUSENTE
1 SERRILHADOS
2 QUEBRAS
3 DENTICULADO
4 POLIMENTO
5 ABRASÃO

ANÁLISE DA FACE EXTERNA

1 CORTICAL
2 UMA CICATRIZ CENTRAL
3 NERVURA CENTRAL
4 SEQUENCIA DE CICATRIZES
5 FÇONAGEM
6 RETOQUES
7 DISTAL CORTICAL
8 NERVURA EM V SEM RETIRADAS
78

9 NERVURA CENTRAL EM Y COM DISTAL CORTICAL


10 RETIRADAS DE DIMINUIÇÃO DE ÂNGULO NO PROXIMAL E DISTAL
CORTICAL
11 SUPERFÍCIE CORTICAL NO BORDO ESQUERDO COM RETIRADA NA
DIREITA

ANÁLISE DA FACE INTERNA

1 COMPLETA COM BULBO SALIENTE


2 COMPLETA COM BULBO POUCO SALIENTE
3 INCOMPLETA – APENAS COM ONDAS E LANCETAS

ACIDENTES

1 ULTRAPASSAGEM
2 SIRET
3 BULBO CÔNCAVO DIFUSO
4 QUEBRA NO DISTAL

COMPRIMENTO X LARGURA

1 Muito longa Menor que 01


2 Quase Longa Maior-igual à 01 e menor que 1,5
3 Longa Maior-igual à 1,5 e menor que 2.0
4 Laminar Maior-Igual à 2,0