You are on page 1of 9

Donald Woods WINNICOTT

Donald Woods WINNICOTT

Winnicott nasceu em 1896, na cidade de Plymouth, Inglaterra. Os relatos


biográficos sustentam que Winnicott cresceu em um ambiente familiar aparentemente
seguro e próspero. O pai, Sr. John Frederick Winnicott, foi um comerciante bem-
sucedido, que ocupou o cargo de prefeito de sua cidade por duas vezes e recebeu o
título de cavaleiro das mãos do império britânico no ano de 1924. A mãe, Elizabeth
Martha Woods Winnicott, dividia os cuidados maternos com outras duas filhas mais
velhas que Winnicott, sendo considerada de humor deprimido e instável.

Em 1920 termina sua graduação em medicina e se especializa em pediatria.


Pouco tempo depois, em 1923, começa a trabalhar em um hospital infantil na cidade de
Londres e também inicia sua análise com James Strachey (tradutor das obras de Freud
para o inglês). Nesse momento, Winnicott já está bastante envolvido com as ideias
psicanalíticas e ingressara na Sociedade Britânica de Psicanálise no ano de 1927, ainda
como iniciante, até sua qualificação como analista em 1934 e analista infantil em 1935.

A chegada de Melanie Klein à Londres no ano de 1925 fortaleceu seus interesses


pela psicanálise infantil. A partir de 1940, com a morte de Sigmund Freud e o ingresso
de Anna Freud no círculo de psicanalistas britânicos, teve início a formação de três
grupos distintos entre os psicanalistas da época: kleinianos, annafreudianos e
independentes. Embora tenha feito supervisão com Melanie Klein (por quem nutria
certa admiração) e sua segunda supervisão com Joan Riviere (pertencente ao grupo
kleiniano), Winnicott liderava o grupo independente de psicanalistas junto com Michael
Balint e John Bowlby.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Winnicott desenvolveu


preciosos trabalhos com crianças seriamente prejudicadas provenientes de grandes
centros urbanos de onde foram separadas de suas famílias devido à iminente ameaça
de ataques militares. Embora tenha iniciado suas consultas terapêuticas na década de
20, foi nessa ocasião que Winnicott aprofundou suas ideias sobre esse seu reconhecido
legado, uma vez que havia a necessidade de um atendimento que pudesse ser breve,
mas que ao mesmo tempo cumprisse com o propósito de uma comunicação significativa
entre o paciente e o profissional, especialmente no que se refere à compreensão da
problemática apresentada.

Ainda em meio a esse contexto histórico, Winnicott mostrou-se interessado no


trabalho terapêutico com crianças antissociais e, um pouco mais tarde, por adultos
esquizoides e esquizofrênicos em processo de regressão à dependência. Seu especial
interesse pela infância pode ser compreendido através do trecho a seguir:

1
“Naqueles tempos, nos anos 20, tudo girava em torno do complexo de Édipo. A análise das
psiconeuroses levava o analista, sempre e sempre, às ansiedades pertencentes à vida instintiva
dos 4 ou 5 anos de vida da criança, quando esta relaciona-se com duas pessoas. Perturbações
anteriores que surgiam na análise eram tratadas como regressões aos pontos de fixação pré-
genitais, mas a dinâmica tinha origem no conflito localizado na fase do complexo de Édipo
plenamente desenvolvido da criança que aprende a andar ou que passou a andar há pouco
tempo (...). No entanto, inúmeros relatos de casos mostravam-me que as crianças que sofriam
de distúrbios psiconeuróticos, psicóticos, psicossomáticos ou antissociais apresentavam
dificuldades em seu desenvolvimento emocional já na primeira infância, enquanto ainda bebês.
(...) Alguma coisa estava errada em algum lugar.” (WINNICOTT, 1965, p.172)

Ao longo de mais de quarenta anos de trabalho, estima-se que Winnicott tenha


atendido mais de 60 mil pessoas. É referido pelo psicanalista André Green como o maior
nome da psicanálise depois de Sigmund Freud, embora, de acordo com Masud Khan,
seu seguidor mais proeminente, não recebido os merecidos créditos pelas suas originais
contribuições. Winnicott faleceu aos 74 anos de idade depois de um ataque cardíaco
fulminante e deixou uma obra com mais de 200 artigos condensados em quatro livros.

“Desenvolvimento emocional primitivo” (1945)

O nome deste subtítulo corresponde a um dos clássicos trabalhos de Winnicott.


Neste livro, ele apresentou as raízes de suas originais concepções sobre a influência do
ambiente e os processos de maturação do psiquismo. Alguns conceitos importantes
para a compreensão da teoria do amadurecimento emocional de Winnicott serão
apresentados ao longo do texto com destaque tipográfico (negrito), mas não de forma
isolada e sim inseridos dentro de uma continuidade lógica necessária para a
compreensão da teoria como um todo e da interligação entre tais conceitos. Para que
possam se atentar aos conceitos, apresento-os de antemão: díade mãe-bebê,
preocupação materna primária, integração, personalização, adaptação à realidade,
crueldade primitiva, self, dependência absoluta, dependência relativa, rumo à
independência, holding, handling, relações objetais, objetos transicionais e mãe
suficientemente boa.

Em um primeiro momento parece interessante fazer uma importante ressalva


comparativa com a finalidade de sinalizar o percurso das ideias do autor. Se por um lado,
a cura pela palavra era o paradigma que sustentava a psicanálise freudiana, para
Winnicott o relacionamento mãe-bebê, cuja comunicação é relativamente não verbal,
tornou-se o paradigma mais emblemático de sua teoria. Além disso, nesse momento,
Winnicott está bastante identificado com a teoria kleiniana sobre a primeira infância.
Aliás, o termo primitivo proposto por Winnicott remete a um período da vida anterior à
posição esquizoparanoide de Melanie Klein, ou seja, ele está retornando ao primeiro dia
de vida do recém-nascido e até mesmo antes do parto (gestação e concepção).

2
Nos primeiros momentos de vida do bebê, Winnicott postula que o recém-
nascido encontra-se em um pareamento indissociado com a mãe, configurando uma
díade (par) mãe-bebê. Isso significa que ele ainda não é capaz de discriminar-se e se
reconhecer como um ser diferenciado de sua mãe. Não há, portanto, uma diferenciação
entre eu e não-eu.

Nesse sentido, a dependência do bebê em relação à mãe é absoluta e isso exige


da mãe o uso daquilo que Winnicott (1956) chamou de preocupação materna primária.
Essa expressão traduz uma condição psicológica da mãe, que se inicia semanas antes do
parto e se estende por algumas semanas ou até meses depois do nascimento. Essa
condição reflete uma organização, preocupação e dedicação ao bebê praticamente
exclusiva.

Essa sensibilidade da mãe às necessidades do bebê é de especial importância


para desenvolver o sentimento de segurança na criança que, ao nascer, encontra-se
em um profundo estado de não integração. Partes do seu Eu estão soltas e dispersas,
tornando o bebê vulnerável às situações complexas do nascer que abrangem desde
aspectos de adaptação fisiológicas (fome, sede, sono, cólica, excesso de estímulos
audiovisuais) a psicológicas (conforto, segurança, angústia, agonia, raiva). A mãe
precisa mostrar disponibilidade de tempo, física e emocional nos cuidados com o bebê,
protegendo o seu primitivo Eu das ansiedades a que está exposto.
“Talvez o bebê precise deixar-se envolver pelo ritmo respiratório da mãe, ou mesmo ouvir e sentir
os batimentos cardíacos de um adulto. Talvez seja-lhe necessário sentir o cheiro da mãe ou do
pai, ou talvez ele precise ouvir sons que lhe transmitam a vivacidade e a vida que há no outro
meio ambiente, ou cores e movimentos, de tal forma que o bebê não seja deixado a sós com os
seus próprios recursos, quando ainda jovem e imaturo para assumir plena responsabilidade pela
vida.” (WINNICOTT, 1970, p. 76)

Essa atitude de devoção da mãe, de uma adaptação sensível e ativa às


necessidades do bebê consiste na primeira característica de uma boa maternagem: o
holding (sustentação). Trata-se da forma como o bebê é sustentado no colo nos seus
aspectos físicos e emocionais, configurando uma forma importante de demonstração
do amar da mãe. Essa característica começa a definir uma boa integração das partes não
integradas do bebê. Dessa forma, a fase de dependência absoluta (em torno dos 5
primeiros meses) implica em um período de cuidados maternos mais intensivos e
devotados da mãe, propiciando a superação adequada da integração.

A integração constitui um evento fundamental para o desenvolvimento psíquico


saudável do bebê e seu sucesso (ou pelo menos a forma como ela se dará) depende em
grande parte do ambiente favorável. Com o processo de integração em um curso
saudável, o bebê passa a apresentar uma dependência relativa de sua mãe. Nesse
momento, dos 6 meses ao final do primeiro ano de vida, a criança começa a ingressar
em um universo onde ela passa a existir com o outro, marcando a diferença entre eu e
não-eu. Portanto, a criança está pronta para desenvolver relações objetais. É nesse

3
ponto que Winnicott se assemelha mais ao pensamento kleiniano como podemos
verificar sua descrição da interação mãe-bebê neste período em que há um processo de
integração em curso e o predomínio da dependência relativa:
“Eu a descubro;
Você sobrevive àquilo que lhe faço quando passo a reconhece-la como não-eu;
Eu a uso;
Eu me esqueço de você;
Mas você se lembra de mim;
Continuo esquecendo-a;
Perco você;
Fico triste.” (WINNICOTT, 1972, p. 52)

Com o ingresso de uma fase de integração e dependência relativa, tem início


também um processo de auto reconhecimento no sentido de uma diferenciação psique-
soma, ou seja, o bebê passa a ter o sentimento de habitar o próprio corpo. As
experiências fisiológicas e emocionais começam a ser reconhecidas como pertencentes
a si próprio e ao corpo e, aos poucos, dentro de um ambiente favorável, vão sendo
integradas na construção de sua estrutura psíquica. Essa trama psicossomática, da
psique residindo no soma (corpo), foi nomeada por Winnicott (1965) como
personalização. Para se atingir a personalização, um segundo aspecto de uma boa
maternagem se faz necessário: o handling (manejo). Trata-se do manejo da mãe no que
se refere aos cuidados e manipulação do bebê, ou seja, como a mãe o acaricia ou troca
sua fralda. Através desse manejo, o bebê vai vivenciando a experiência de viver dentro
de seu corpo. Essas vivências são impressas na consciência do bebê, na sua psique, e
vão lhe apresentado uma realidade interna e outra externa, tendo sua pele como
fronteira.

Assim, ao deparar-se com a realidade externa, com um Eu mais integrado e a


sensação de que a psique habita seu corpo, o bebê começa sua fase de adaptação à
realidade. A mãe adquire o papel de inserir gradativamente dados da realidade à
criança. Isso ocorre através de algumas frustrações que são apresentadas à criança.
Algumas falhas ambientais vão sendo impostas e proporcionam à criança o
reconhecimento da realidade que está à disposição. Assim, o bebê irá evocar aquilo que
realmente estiver a sua disposição. Nesse sentido, progressivamente, já por volta do
início do segundo ano de vida, o bebê estará no seu caminho rumo à independência.
Isso significa que apresentará o desenvolvimento de recursos próprios do cuidado
materno voltados para si. Esse período não se restringe à infância e se refere a todo
aspecto necessário para o desenvolvimento da autossuficiência do indivíduo, embora a
independência não seja evidentemente absoluta.

Esse ponto é alcançado através do acúmulo de memórias de maternagem, da


introjeção dos cuidados maternos e da confiança no ambiente na medida em que as

4
projeções de suas necessidades são acolhidas. Outro ponto importante, é que se o bebê
reconhece eu e não-eu, podemos supor o início das relações com objetos. Aqui merece
especial menção ao que Winnicott denominou objetos transicionais. Tratam-se de
objetos que correspondem à primeira posse não-eu do bebê e apresentam um
importante papel de intermediação entre o mundo interno e externo. (WINNICOTT,
1951). É próprio da boa maternagem permitir a existência do objeto transicional pois a
criança necessita dele para transitar de um estado de ilusão para um estado de
desilusão, do princípio de prazer para o princípio de realidade, funcionando como uma
fonte de acalanto contra a ansiedade de separação e perda do objeto-mãe. Quando
ocorre uma falha ambiental demasiadamente intensa para a criança processar como a
perda de um objeto de grande importância, temos o fenômeno da deprivação.

Temos na perspectiva de Winnicott (1970), portanto, que uma mãe


suficientemente boa (good-enough motherning) precisa avaliar e prover as
necessidades da criança, que vão do acolhimento, ternura, afeto, segurança até a
imposição de algumas falhas ambientais nos momentos adequados. Vimos que uma
mãe suficientemente boa reúne a capacidade de auxiliar e facilitar o processo de
maturação do desenvolvimento psíquico do bebê na medida em que contribui para
promover a integração (através do holding), a personalização (através do handling) e a
adaptação à realidade (através da apresentação dos objetos e das relações objetais que
se iniciam).

Finalizando as etapas do processo de maturação emocional temos a crueldade


primitiva ou pré-inquietude (WINNICOTT, 1965). Ao final de um período de integração
e diferenciação eu e não-eu, além de uma relativa adaptação à realidade conforme
vimos anteriormente, resta ao bebê integrar as diferentes imagens que ela tem da mãe
e do ambiente. Segundo Winnicott (1965), todo bebê carrega uma carga genética de
agressividade que frequentemente recai sobre si mesmo com a finalidade de proteger
o objeto externo (mãe, objeto transicional). Ainda assim, essa tentativa implica em uma
inevitável fantasia de destruição do outro. Nesse sentido, a mãe compreender, tolerar
e sobreviver a esses ataques, continuando a demonstrar seu carinho e amor pela criança
é de fundamental importância para a integração desses elementos. Esse fato aproxima
na mente do indivíduo a mãe que é agredida e a mãe que cuida, permitindo à criança
assumir gradualmente à responsabilidade sobre a expressão de seus impulsos
agressivos. Para Winnicott (1965), a destrutividade assume também seu valor positivo,
pois, ao estarem na base dos momentos de excitação do ser humano, seria, quando bem
integrado, o propulsor para a formulação de um viver criativo na fase adulta.

Agora podemos compreender o conceito de self (WINNICOTT, 1971a). O self é o


acontecer das potencialidades do bebê que, antes constituído de partes não-integradas,
alcança um sentido de totalidade ao longo do processo de maturação do
desenvolvimento amplamente facilitado pelo ambiente favorável.

5
“(...) o self tem uma totalidade baseada nas operações do processo
maturacional, auxiliado pelo meio ambiente humano. O self encontra a si mesmo
naturalmente colocado no corpo, mas pode em certas circunstâncias tornar-se
dissociado do corpo, e o corpo do self. O self reconhece a si mesmo nos olhos e na
expressão facial da mãe e no espelho que pode representar o rosto materno.
Eventualmente, o self chega a uma relação significativa entre a criança e a soma de
identificações, que se organizam em uma realidade psíquica viva. O relacionamento da
criança com sua organização psíquica interna altera-se segundo as expectativas
apresentadas pelos pais, por aqueles que se tornaram significativos na vida externa do
indivíduo. É o self e a vida do self que dá sentido à ação ou ao viver do indivíduo que
pôde chegar a um desenvolvimento satisfatório e que continua a crescer da
dependência e da imaturidade à independência e à capacidade de identificar-se com
objetos de amor maduros sem perda da identidade individual.” (SAFRA, 1999, p. 91)

Consultas terapêuticas

A construção das ideias que englobam o conceito de consultas terapêuticas é


bastante ampla e justifica a sua elaboração ao longo da trajetória profissional de
Winnicott. As consultas terapêuticas se fundamentam em dados da experiência de
Winnicott como pediatra e a lacuna de um trabalho analítico e breve com crianças, bem
como nas ideias originais de sua teoria do desenvolvimento e amadurecimento do
psiquismo humano.
“Minha concepção do lugar especial da consulta terapêutica e da exploração da primeira
entrevista (ou primeira entrevista reduplicada) surgiu gradualmente no decorrer do
tempo em minhas experiências clínica e privada. Há, contudo, um ponto que se pode
dizer teve significação especial. Em meados dos anos vinte, quando ainda era pediatra
praticante vendo muitos pacientes no hospital-escola e dando oportunidade a quantas
crianças fosse possível se comunicarem comigo, desenharem figuras e me contarem
sonhos, fiquei surpreso com a frequência com que as crianças sonhavam comigo na noite
anterior à consulta. Esse sonho com o médico que elas iriam ver obviamente refletia o
preparo mental imaginativo delas mesmas em relação a médicos, dentistas e outras
pessoas que se supõe sejam auxiliadoras. Também refletiam, em graus variados, a
atitude dos pais e a preparação para a visita. Contudo, lá estava eu quando, para minha
surpresa, descobri ajustando-me a uma noção preconcebida.”

Esse fragmento mostra que desde a entrevista inicial, em praticamente todos os


casos, a criança já manifesta (comunica) seu conflito. Esse fato, inicialmente
aprofundado por Klein, mas já observado por Winnicott, possibilitou a elaboração de
procedimentos em que o recurso fundamental é o manejo da própria entrevista. Nesse
sentido, Winnicott desenvolveu um modelo de consultas a partir de uma única
entrevista centrada na criança, utilizando-se da atividade lúdica para estabelecer uma
comunicação significativa com a criança e que a permitisse expressar seu conflito. A

6
finalidade da consulta terapêutica não é um aprofundamento compreensivo da
problemática do paciente ou sua dissolução em uma única sessão, mas, de forma
simplificada, um direcionamento e retomada do processo evolutivo e de
amadurecimento do paciente.

Segundo Winnicott, na consulta terapêutica o analista precisa manter uma


frequente adaptação ativa em conformidade com as necessidades e expectativas do
paciente, uma vez que não se trata de uma consulta pré-estabelecida e dirigida por
regras rígidas. O analista coloca-se à disposição do paciente em um gesto de
acolhimento e compreensão, enquanto o paciente é movido pela própria expectativa e,
na medida em que adquire alguma compreensão do seu sofrimento, as consultas
terapêuticas refletem um estado de diálogo através do brincar mútuo.

Tais atividades lúdicas podem variar entre desenhos, jogos, uso de brinquedos,
diálogos ou no jogo de rabisco. Este último, Winnicott desenvolveu com a finalidade ser
uma ferramenta facilitadora das consultas. O jogo do rabisco consistia em o analista
fazer um rabisco a esmo e que o paciente poderia transformar em um desenho
reconhecível. Posteriormente, invertia-se essa condição, o analista desenhava sobre o
rabisco do paciente, construindo dessa maneira um caminho para a comunicação pelo
paciente. Assim, com a construção desse recurso lúdico, Winnicott revela a importância
do brincar no processo terapêutico para sua teoria do amadurecimento humano.

“Desejo afastar a atenção da sequência: psicanálise, psicoterapia, material da brincadeira,


brincar, e propor tudo isso novamente, ao inverso. Em outros termos, é a brincadeira que é
universal e que é própria à saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar
conduz aos relacionamentos grupais; o brincar pode ser uma forma de comunicação na
psicoterapia; finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como forma altamente especializada do
brincar, a serviço da comunicação consigo mesmo e com os outros.”

7
Referências
KLEIN, M. (1932). A psicanálise de crianças. In Obras Completas de Melanie Klein: Volume II – A Psicanálise de crianças. Rio de
Janeiro: Imago, 1997.

LESCOVAR, G. Z. As consultas terapêuticas e a psicanálise de D. W. Winnicott. Estudos de Psicologia, v. 21, p. 43-61, 2004.

MIGLIORINI, W. J. M. Um procedimento para a entrevista inicial com crianças. In: J. Outeiral, S. Hisada, R. H. C. N. Gabriades, A. M.
Ferreira (Orgs.), Winnicott: seminários brasileiros. Rio de Janeiro: Revinter, 2005.

SAFRA, G. A clínica winnicottiana. Natureza humana, v.1, p. 91-101, 1999.

WINNICOTT, D. W. (1945). Desenvolvimento emocional primitivo. In: _____ Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas (pp. 218-
232). Rio de Janeiro: Imago, 2000.

__________ (1951). Objetos transicionais e fenômenos transicionais. In: _____ Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas (pp. 316-
331). Rio de Janeiro: Imago, 2000.

__________ (1956). A preocupação materna primária. In: _____ Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas (pp. 399-405). Rio de
Janeiro: Imago, 2000.

_________ (1965). The Maturational Processes and the Facilitating Environment. London: The Hogarth Press. (Tradução brasileira,
O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983).

_________ (1970). A dependência nos cuidados infantis. In:________. Os bebês e suas mães. (p. 73-78). São Paulo: Martins Fontes,
1994.

_________ (1971a). Playing and reality. London: Penguin Books. (Tradução brasileira, O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago,
1975).

_________ (1971b). Consultas terapêuticas em psiquiatria infantil. Rio de Janeiro: Imago, 1971.

_________ (1972). As comunicações entre o bebê e a mãe e a mãe e o bebê, comparadas e contrastadas. (p. 35-53) In: W. G. Joffe,
O que é a psicanálise?. Rio de Janeiro: Imago, 1972.