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MANUAL SOBRE SEGURANÇA DO DOENTE

MANUAL SOBRE SEGURANÇA DO DOENTE

COMISSÃO DE SEGURANÇA DO DOENTE

ÍNDICE

1 – SEGURANÇA DO DOENTE NO PRÉ-HOSPITALAR

3

2 – IDENTIFICAÇÃO DOS DOENTES NO PRÉ-HOSPITALAR

3

3 – PREVENÇÃO DE QUEDAS E LESÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

6

4

– COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

11

5– SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS

16

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

22

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1 – SEGURANÇA DO DOENTE NO PRÉ-HOSPITALAR

A segurança dos doentes e dos profissionais é um dos pilares da qualidade em saúde, pelo que o INEM implementa medidas que contribuem para a minimização de risco

associados aos cuidados de saúde.

2 – IDENTIFICAÇÃO DOS DOENTES NO PRÉ-HOSPITALAR

A incorreta identificação dos doentes é uma das principais causas de erro na prestação

de cuidados de saúde, sendo um dos objetivos estratégicos mencionados no Plano

Nacional para a Segurança dos Doentes 2015-2020 assegurar a identificação inequívoca dos doentes.

O Plano Nacional para a Segurança dos Doentes salienta que a identificação incorreta

pode resultar em dano, com menor ou maior gravidade para o doente, pela troca de tratamentos invasivos e potencialmente perigosos como por exemplo troca de medicação ou de procedimentos médicos. A Organização Mundial de Saúde defende que existem intervenções e estratégias capazes de reduzir significativamente o risco de identificação incorreta dos utentes, e no âmbito da Aliança Mundial para a segurança dos doentes, apresentou um conjunto de recomendações que serviram de base na orientação dos vários países para a elaboração de normas de identificação inequívoca dos doentes utilizadores das

instituições de saúde.

A nível nacional, e com o contributo das iniciativas dos diferentes países, a Direção Geral

de Saúde elaborou a Orientação nº 018/2011 referente aos mecanismos e procedimentos de identificação inequívoca dos doentes em instituições, documento no qual nos baseamos, adaptando as recomendações ao contexto específico pré- hospitalar, tendo como objetivos:

Reconhecer a importância da necessidade de identificação dos doentes no pré- hospitalar. Conhecer as recomendações institucionais definidas para a identificação correta dos doentes.

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Identificar corretamente todos os doentes, de forma a evitar que um erro de identificação contribua para um evento adverso.

As características referentes ao contexto de trabalho em ambiente pré-hospitalar levantam algumas questões e dificuldades na identificação do doente:

Trabalho em condições difíceis, com doentes urgentes ou emergentes, muitas vezes instáveis, em que a rapidez é prioritária, devendo restringir-se ao mínimo possível o tempo de permanência no local; Doentes com alteração do estado de consciência, incapazes de comunicar eficazmente e de fornecer os dados de identificação; Situação multivítimas; Indisponibilidade de elementos identificativos – fator linguístico, ausência de documentos… Doentes com limitações cognitivas.

Contudo, a identificação do doente é uma área prioritária de atuação no âmbito da segurança do doente em contexto pré-hospitalar, pois esta identificação precoce no pré- hospitalar vai facilitar a sua identificação a nível hospitalar e assim promover uma prestação de cuidados segura. Assim, nos serviços prestadores de cuidados de saúde, nomeadamente o INEM, deve ser sempre confirmada a identidade dos doentes, sendo que:

Todos os doentes atendidos pelas equipas de emergência pré-hospitalar devem ser corretamente identificados, através da confirmação com documento identificativo.

É responsabilidade do pessoal envolvido na prestação dos cuidados de saúde confirmar que os presta à pessoa certa.

Em todos os contactos com o doente, antes da realização de qualquer ato, é necessário confirmar a sua identidade com, pelo menos, dois dados inequívocos da sua identificação.

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Em contexto pré-hospitalar cada profissional tem a responsabilidade de aplicar os procedimentos de identificação segura dos doentes, com base nas seguintes recomendações:

1. Informar o doente da importância da identificação correta como procedimento de segurança e pedir a sua colaboração. Caso o doente recuse identificar-se, deve ser alertado para os riscos e deve a informação ser escrita no registo de ocorrência.

2. Os dados de identificação fidedigna do doente devem ser registados no verbete eletrónico e/ou verbete de papel (se usado): nome completo, data de nascimento no formato dia/mês/ano (DN 99/99/9999) e número de ficha CODU (CODU XXXXXXX).

3. Nos doentes conscientes, orientados e com capacidade de verbalizar, que não tenham consigo nenhum documento identificativo e não sendo possível confirmar a sua identidade, a identificação será realizada com os dados fornecidos pelo doente e registando “Identificação não confirmada” (ID NÃO CONFIRMADA) no ICARE (separador “VÍTIMA”, campo “Observações”), tal como no verbete. Logo que seja possível aceder aos documentos de identificação deve- se confirmar os dados.

4. Nos doentes com alteração do estado de consciência e/ou sem capacidade de verbalizar e sem possibilidade de se confirmar a identificação, esta será realizada colocando no ICARE/verbete: “DESCONHECIDO”, sexo, idade aparente (± X anos) e número de ficha CODU (CODU XXXXXXX).

5. Em situações de exceção estão indicadas as etiquetas de triagem que além de servir como elemento identificativo servem também como elemento organizativo, estabelecendo uma prioridade na abordagem aos doentes.

6. Identificar o doente pelo seu nome completo e data de nascimento no momento da transferência na unidade de saúde, confirmando a sua correta identificação.

A identificação positiva e precoce do doente tem grandes repercussões sobre a diminuição do risco de ocorrência de eventos adversos relacionados com a prestação de cuidados, logo será um indicador positivo da qualidade dos cuidados. As recomendações

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apresentadas pretendem ser um apoio para as boas práticas e devem ser adotadas como procedimentos padronizados.

3 – PREVENÇÃO DE QUEDAS E LESÕES NO PRÉ-HOSPITALAR

A complexidade e imprevisibilidade do ambiente pré-hospitalar e as condicionantes

associadas ao transporte dos doentes (terrestre, aéreo ou marítimo) contribuem para um acréscimo de risco, sendo as quedas um dos incidentes com importantes

repercussões. Estão na origem de uma significativa morbilidade ou mortalidade, sendo uma das principais causas de internamento hospitalar. O seu impacto pode ser enorme

e com consequências pessoais, familiares e sociais, para além das implicações financeiras para os serviços de saúde.

Em Portugal, de acordo com os dados do sistema nacional de notificação de incidentes, 21% do total de incidentes notificados são incidentes relacionados com quedas.

Considera-se queda como sendo o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, provocado por circunstâncias multifatoriais, resultando ou não em dano.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os fatores de risco associados às quedas podem ser multifatoriais e refletem a multiplicidade de determinantes da saúde que, direta ou indiretamente, afetam o bem-estar. Quantos mais fatores de risco uma pessoa tiver, maior é o risco de queda. Alguns fatores de risco podem ser alterados, mas nem todos podem ser eliminados.

As quedas estão associadas a múltiplas causas, podendo ser agrupadas em fatores intrínsecos e fatores extrínsecos. Dentro dos fatores intrínsecos pode-se destacar:

alterações fisiológicas associadas à idade, condições patológicas diversas e efeitos adversos da medicação (ansiolíticos, antidepressivos, diuréticos, hipoglicemiantes, anti- hipertensivos, anticolinérgicos, diuréticos, antiarrítmicos, sedativos). Dentro dos fatores extrínsecos podem ser salientados os fatores ambientais e organizacionais (calçado desadequado, iluminação inadequada, pisos desnivelados, superfícies escorregadias, obstáculos no caminho, ausência de corrimões, manipulação incorreta da maca/cadeira de transporte, uso de dispositivos inadequados para mobilização e transporte, não uso

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de sistemas de retenção, insuficiência e inadequação dos recursos humanos, entre outros).

A ocorrência acumulativa de vários fatores propicia a multiplicação do risco de queda,

sendo por isso fundamental estabelecer estratégias adequadas para a sua prevenção.

A estratégia de intervenção que deve ser adotada consiste na prevenção de quedas,

designadamente na avaliação e monitorização do risco da sua ocorrência, sendo que no contexto pré-hospitalar todos os doentes são considerados como tendo elevado risco de queda. Estas estratégias abrangem não só a prestação de cuidados aos doentes, mas também a segurança durante o transporte. Atuando preventivamente investe-se na melhoria da qualidade dos cuidados e, simultaneamente, na redução dos custos para a sociedade em geral e o sistema de saúde em particular.

Assim, tem-se como objetivos:

Compreender a importância da prevenção de quedas e lesões no pré-hospitalar;

Conhecer as recomendações para a prevenção de quedas e lesões no pré- hospitalar;

Evitar a ocorrência de quedas em ambiente pré-hospitalar;

Promover a notificação das quedas na plataforma de notificação de eventos adversos HER do INEM.

Em contexto pré-hospitalar cada profissional tem a responsabilidade de aplicar as medidas adequadas à prevenção de quedas e das lesões daí decorrentes, com base nas seguintes recomendações:

1. Valorizar sempre o risco de quedas dos doentes durante a assistência em função da sua patologia e procedimentos realizados.

2. A movimentação e o transporte de doentes deve resultar de um planeamento cuidadoso e deve ser explicado ao doente o modo como se pretende movê-lo, como pode cooperar, para onde será encaminhado e qual o motivo da locomoção.

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3. Para a mobilização/transporte do doente deve-se selecionar de entre os recursos disponíveis os mais adequados à sua idade, patologia, capacidade de colaboração e contexto específico.

4. Para sentar o doente na beira da cama deve-se proceder da seguinte forma:

Colocar o doente em decúbito lateral e de frente para o lado em que vai se sentar; Elevar a cabeceira da cama, caso seja possível; Uma pessoa apoia a região dorsal e o ombro do doente e a outra segura os membros inferiores. De uma forma coordenada, elevar e girar o doente até ele ficar sentado; O membro inferior sem alterações deve ser colocado por baixo do membro afetado arrastando as pernas até se encontrarem fora da cama; Uma outra alternativa é levantar o doente, apoiando no cotovelo, como descrito anteriormente. Depois, mover os seus membros inferiores para fora da cama.

5. Para a transferência do doente da cama para a cadeira de transporte deve-se proceder da seguinte forma:

Primeiro, posicionar o doente na cama em posição de sentado e com os pés assentes no chão; Calçar o doente com sapatos ou chinelos antiderrapantes; Colocar a cadeira de rodas ao lado da cama; O tripulante deve colocar-se de frente para o doente, segurando-o pela roupa se possível; Travar os joelhos do doente com os seus joelhos; Ajudar o doente a levantar-se fazendo pressão com os seus joelhos nos dele e segurando-o pela roupa até ficar de pé (o doente pode apoiar a mão na cadeira, para ajudar); O tripulante roda e faz rodar o doente sobre o pé “saudável” (ex. uma vítima com AVC, pode não ter força e/ou conseguir apoiar o pé do lado afetado), sentando-o na cadeira.

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6.

Para a transferência do doente entre macas ou entre cama e maca deve-se proceder da seguinte forma:

 

Utilizar equipamentos auxiliares (ex. transferes, lona, lençóis de tecido); Lateralizar o doente para que se acomode o material por baixo da vítima. Volta-se o doente para a posição supina, puxando-o para a maca com a ajuda do material ou do lençol; Devem participar neste procedimento tantas pessoas quantas forem necessárias, dependendo das condições e do peso do doente; Nunca esquecer de travar as rodas da cama e da maca e (se possível) ajustar a sua altura.

7.

Colocar os 3 cintos de segurança da maca a proteger o doente antes de iniciar

o

levante e mobilização da maca/transporte para o hospital.

 

8.

Colocar os cintos superiores da maca de forma cruzada (enquanto não for alterado o sistema de retenção em maca).

9.

Manter

as

proteções

laterais

da

maca

elevadas

durante

a

mobilização/transporte.

 

10.

Sempre que for usado o plano duro, o cinto inferior da maca deve passar por uma das fendas laterais inferiores do plano, de forma a evitar o seu deslizamento durante o transporte e continuar a permitir a sua lateralização se necessário.

11.

Colocar cintos para retenção/proteção aquando a mobilização em cadeira de transporte que não os tenha.

12.

Manobrar a maca com o doente sempre a 2 elementos (no mínimo), mantendo comunicação verbal e visual.

13.

O

doente deve ser transportado para o hospital sempre em maca.

 

14.

Sempre que necessário solicitar apoio para a mobilização e transporte de doentes que o exijam (obesos, situações de trauma).

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15. Intensificar a atenção a doentes que estão sob o efeito de medicação suscetível de provocar alterações do estado de consciência e a doentes com alteração do estado de consciência/comportamento.

16. Nunca deixar o doente sozinho.

17. Consciencializar a família sobre a importância da prevenção das quedas e lesões através de ensinos/educação para a saúde sempre que necessário e possível.

18. Proporcionar o acompanhamento do doente por familiar ou pessoa de referência ou cão de assistência, respeitando a Deliberação n.º 14/2011 do INEM e o Decreto-Lei n.º 74/2007 de 27 de Março.

19. Todos os materiais/equipamentos da ambulância devem ser corretamente fixados/acondicionados antes de se iniciar a marcha.

20. O nº de ocupantes de uma ambulância não pode ser superior ao nº de lugares sentados existentes, para além do doente que é transportado em maca, sendo que todos devem levar cinto de segurança colocado.

21. Se ocorrer queda registar na aplicação clínica ICARE a sua ocorrência, o contexto da queda, as suas consequências e todas as intervenções realizadas.

22. Reportar na plataforma de notificação de eventos adversos HER do INEM.

Quando surge uma queda é fulcral proceder-se à observação e à colheita de dados das circunstâncias que envolvem o acidente, devendo-se realizar uma anamnese e um exame físico específico do doente, efetuando uma análise detalhada que contribua para adequar as intervenções e medidas preventivas. Dada a sua multicausalidade, a abordagem das quedas deve incluir as circunstâncias da queda, o exame físico e a avaliação dos perigos/riscos ambientais.

As lesões resultantes de quedas podem-se classificar em diferentes graus de severidade:

Grau I – Lesões que necessitam de pouco ou nenhum cuidado, observação ou intervenção, tais como: pequenos abrasões, contusões, pequenos cortes ou lacerações minor que não requerem sutura.

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Grau II – Lesões que necessitam de alguma observação/intervenção, tais como:

entorses, contusões minor que podem necessitar de intervenção, tal como: gelo local, ligaduras, talas ou suturas.

Grau III – Lesões que claramente necessitam de observação ou intervenção médica, tais como: fratura, perda de consciência ou alteração do estado físico ou mental.

Sempre que ocorra uma queda deve proceder-se da seguinte forma:

Avaliar o estado do doente e verificar se há lesão aparente ou queixa.

Tratar e estabilizar em caso de haver lesão ou queixas.

Avaliar a causa da queda.

Intervir no fator causal.

Monitorizar o doente.

Reportar a queda na plataforma de notificação de eventos adversos HER do INEM.

É da responsabilidade de todos os profissionais reportar qualquer situação que possa

potenciar risco de queda no âmbito da prestação de cuidados pré-hospitalar, utilizando para o efeito a aplicação informática de Gestão de Risco do INEM.

4 – COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

Tendo por base as diretrizes internacionais atuais, onde o foco incide na promoção da segurança do doente, a comunicação entre profissionais de saúde em que se transmite

a informação clinica do doente e se transfere a responsabilidade do cuidado para o outro profissional de saúde, encontra-se identificada como um processo de risco elevado. Neste sentido a uniformização deste processo de transferência de informação minimiza

a variabilidade e favorece a eficácia da comunicação.

Esta transferência tem como finalidade a transmissão da informação crítica do doente assegurando o correto cumprimento dos objetivos terapêuticos, no contexto de uma prestação de cuidados segura, em que a continuidade dos mesmos não seja interrompida.

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Assim, existe a recomendação internacional para a adoção de medidas orientadas para

o reforço da eficácia da comunicação entre profissionais através da aplicação de um

sistema padronizado para a transferência dos doentes adotado a cada contexto e organização que permita incluir a oportunidade de colocar questões à medida que vão surgindo.

O Institute of medicine refere “é nas transferências de informação desadequadas que a

segurança muitas vezes falha primeiro”

“As falhas na comunicação foram a principal causa de eventos sentinela reportados à JC dos EUA entre 1995 e 2006”, segundo a OMS e a JCI.

Para o desenvolvimento desta temática estabelece-se como objetivos:

Compreender a importância da comunicação entre profissionais

Assegurar a transmissão correta da informação à equipa que recebe o doente

Evitar a perda de informação relevante no momento da transferência do doente

Uniformizar o procedimento de passagem de informação segundo a metodologia ABCDE

Rever as deliberações e legislação em vigor na instituição.

Para cumprir estes objetivos é necessário definir o que é a passagem do doente, Handover:

”Processo de passagem de informação entre profissionais de saúde que tem como missão a continuidade e segurança dos cuidados” Joint Comission.

A passagem de informação do doente deve incluir um método de comunicação eficaz

entre emissor e recetor da mensagem.

Importa também notar que, se uma comunicação pouco eficaz pode conduzir a problemas graves de segurança, a melhoraria deste processo tem resultados positivos a vários níveis. Destacam-se a melhoria do percurso da informação a transmitir, da eficácia das práticas de saúde, o aumento do bem-estar de profissionais, doentes e famílias e a redução do tempo de internamento. Ou seja, melhorar a comunicação encoraja a cooperação, potencia o trabalho de equipa e ajuda à prevenção de erros. Em última análise, melhorar a comunicação pode conduzir a uma melhoria global da

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qualidade dos cuidados de saúde prestados e consequentemente trará decerto melhores resultados ao nível dos custos relacionados com a saúde.

São numerosos os fatores que dificultam a comunicação entre profissionais, as principais barreiras são:

Omissão de dados;

Interrupções e ruídos;

Falta de condições físicas ou de privacidade;

Grande quantidade de informação;

Falta de objetividade;

Tempo limitado;

Nova ocorrência.

A passagem de informação deve conter informação considerada pertinente para a equipa e deverá seguir uma sequência, a OMS “considera que as organizações devem implementar medidas padronizadas para a passagem de informação entre os profissionais”

Esta mensagem deve cumprir alguns requisitos para que seja compreendida pelas duas partes e cumpra os objetivos da informação a transmitir.

Assim, deve ser uma mensagem:

Curta, devido ao tempo limitado da passagem de informação;

Objetiva, limitar a informação ao estritamente necessário

Estruturada, seguir uma orientação uniformizada para que não haja omissão de informação;

Clara, sem uso de jargões técnicos

Sem siglas ou abreviaturas a não ser os convencionados pela instituição.

Para a padronização desta informação no pré-hospitalar propomos que esta seja estruturada segundo a sequência da avaliação da vítima ABCDE que é a estipulada nos protocolos de abordagem da vítima para o pré- hospitalar. O uso de técnicas de comunicação estruturada permite ganhos de eficiência e são fundamentais para garantir que a informação correta é transmitida.

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Aconselha-se que a mensagem seja curta e objetiva pelo que se deve transmitir apenas

as alterações avaliadas, as intervenções realizadas e o resultado das mesmas com vista à estabilização do doente. Sempre que no decorrer destas intervenções surjam complicações devem ser transmitidas servindo como alerta para próximas intervenções

a efetuar no doente.

A história clinica anterior do doente relevante para a situação deve ser transmitida para

que possa ser contextualizada na ocorrência. A colheita desta informação pode ser feita através do recurso a documentos de internamentos ou episódios de urgência anteriores, de informação do médico de família e/ou referida pelo próprio doente ou família.

Nesta inclui-se também a terapêutica habitual do doente e existência de alergias.

No final da passagem de informação devem ser referidas outras informações relevantes de intervenções que tenham sido realizadas antes da chegada da equipa,

nomeadamente:

Medicação instituída;

Posicionamento;

Retirada de capacete;

Mobilização do doente.

A cinemática do trauma deve ser sempre referida pois revela dados acerca das lesões

visíveis ou permite suspeitar de lesões ocultas e pode ser o motivo para acionamento da Via Verde Trauma.

Nos casos especiais como o parto, as Intoxicações, queimaduras, electrocução e

hipotermia

deve

ser

referida

a

informação

especifica

de

cada

um

e

que

esta

protocolada.

A passagem do doente entre profissionais é uma das principias orientações no que diz respeito á qualidade da prestação de cuidados. No entanto é também uma das que detém maior potencial para conduzir ao erro colocando em causa a segurança do doente. Por essa razão, a Comissão de Segurança do Doente abordou esta temática lançando estas orientações que visam a diminuição da ineficiência associada à comunicação.

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Deliberações e Legislação

O INEM com base na legislação em vigor emana Deliberações que visam a proteção dos

seus profissionais no exercício das suas funções e a proteção e/ou esclarecimento dos utentes dos serviços que tem ao seu dispor.

No âmbito da Segurança do Doente pensamos ser pertinente referir quais se incluem nesta temática e focar o que cada uma delibera no que é informar e comunicar, com vista a proteger o profissional e o utente.

Não se pretende uma transcrição completa de cada uma, mas sim referir o que de importante deliberam. Relacionadas com a SD expomos 3 deliberações:

DELIBERAÇÃO Nº14/2011

DELIBERAÇÃO Nº4/2012

DELIBERAÇÃO Nº25/2012 A

A deliberação nº14/2011 Direito de acompanhamento dos doentes urgentes e/ou

emergentes em ambulância de socorro.

Esta deliberação tem como fundamento a Lei nº 33/2009 de Julho onde é reconhecido

a todo o cidadão admitido num serviço de urgência de um hospital do SNS, o direito de ser acompanhado por uma pessoa por si indicada. O INEM entendeu estender esta lei ao transporte dos doentes em ambulâncias de socorro zelando pela necessidade de aumentar o acesso à informação, tomada de decisão e capacidade de participação sempre enquadrado numa perspetiva de humanização.

A deliberação nº4/2012 - Informação a transmitir aos utentes.

A comunicação como temos vindo a referir é um dos aspetos fundamentais quando se

quer estabelecer uma relação de confiança entre o utente e o prestador de cuidados. O utente deve ser informado da sua condição de saúde, os procedimentos a que vai ser submetido e da unidade hospitalar para qual vai ser transportado. Esta informação deve ser clara e estar de acordo com as caraterísticas individuais de cada utente.

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A deliberação nº25/2012 – Substituição do consentimento real pelo consentimento presumido do doente.

Se o doente estiver com capacidade de entendimento e discernimento para tomar decisões sobre os cuidados de saúde que lhe vão ser prestados deve ser ele quem deve ser esclarecido e quem decide.

Considerando que o INEM tem de lidar com situações de incapacidade, quer no adulto quer de menores, que podem colocar problemas delicados, e que nem sempre é fácil, à luz do sistema jurídico português, saber em que condição pode o consentimento real ser substituído pelo consentimento presumido, o INEM deliberou:

Sendo a intervenção das equipa que tripulam os meios de emergência do INEM, em regra, realizadas em situação de urgência, se o consentimento do doente (adulto capaz) ou do seu representante legal (no caso de incapaz ou menor) não puder ser obtido, devem os técnicos intervir para prestar os tratamentos adequados e imprescindíveis para salvar a vida do doente ou evitar o agravamento do seu estado de saúde.

Os cuidados de saúde centram se no doente considerando - o como figura central de todo o Sistema de Saúde, por isso deve este ter uma participação mais ativa, com novas oportunidades de diálogo, entres estes e os prestadores de cuidados assim como com as próprias organizações. Este diálogo só é possível se o doente conhecer o que são os seus direitos e deveres dentro deste sistema. Para informar o utente acerca desta temática existe no INEM a carta de direitos e deveres do utente.

Com vista á proteção de dados e compromisso dos profissionais todos os funcionários do INEM estão obrigados ao sigilo profissional assim como os responsáveis pelo tratamento de dados.

O doente fica assim protegido quanto à confidencialidade de toda a informação clinica

e elementos identificativos que lhe respeitam.

5– SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS

Nas últimas décadas a administração de medicamentos aumentou exponencialmente.

O desenvolvimento da indústria farmacêutica e da medicina moderna, juntamente com

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a aceitação de que os medicamentos são benéficos na prevenção e tratamento da

doença, estão associados a uma maior disponibilidade e frequente utilização dos mais variados tipos de medicamentos. Esta maior utilização originou um aumento dos erros

e efeitos adversos.

Inicialmente aceitava-se a ocorrência de erros na prestação de cuidados de saúde como algo de inevitável. Esta aceitação mudou quando se tomou consciência dos números e

da

sua implicação nos sistemas de saúde.

O

relatório “To err is human: building a safer health care system” estimou que nos

Estados Unidos da América, cerca de 100 mil pessoas morriam em hospitais, a cada ano, vítimas de erros na prestação de cuidados de saúde. Destas, 7000 estão relacionadas

com o erro medicamentoso.

Também a Organização Mundial de Saúde estima que entre 8 a 10% dos doentes internados em Unidades de Cuidados Intensivos e cerca de 13% dos doentes em ambulatório são vítimas de incidentes relacionados com o uso de medicação.

Em Portugal foi publicado o Despacho nº1400-A/2015, DR 2ª série – Nº28-10 de fevereiro de 2015 onde se lê que a ““utilização segura do medicamento exige uma diminuição da prevalência dos incidentes através da adoção de medidas estruturais e processuais de prevenção, implicando mudanças organizacionais e comportamentais” e que para isso, “as instituições devem implementar especificamente estratégias que assegurem o uso seguro dos medicamentos (…)”.

CONCEITOS

Efeito secundário:

- Efeito

farmacológicas de um medicamento.

conhecido,

diferente

do

Reação adversa:

pretendido,

relacionado

com

as

propriedades

- Efeito nefasto e não pretendido que ocorre, de forma imprevisível, na sequência de uma correta administração do medicamento. Ex. Reação alérgica.

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Erro medicamentoso:

- Evento que pode causar / conduzir a um uso impróprio de medicação ou prejuízo do

doente enquanto a medicação está sob o controlo de profissionais de saúde, doentes

ou consumidores. Ex. Prescrição, armazenamento, rotulação, administração.

Medicamentos LASA (“Look alike” e “Sound alike”):

- Medicamentos com aspeto semelhante e/ou com nome ortográfico e/ou fonético semelhante

Medicamentos de alto risco:

- Têm risco potencial de causar danos graves ou até mesmo fatais.

ETAPAS DO USO DA MEDICAÇÃO

graves ou até mesmo fatais. ETAPAS DO USO DA MEDICAÇÃO Monitorização / vigilância Prescrição: Prescrição

Monitorização / vigilância

Prescrição:

DA MEDICAÇÃO Monitorização / vigilância Prescrição: Prescrição Administração Fornecimento • Depende do

Prescrição

Administração

/ vigilância Prescrição: Prescrição Administração Fornecimento • Depende do conhecimento do prescritor

Fornecimento

Prescrição: Prescrição Administração Fornecimento • Depende do conhecimento do prescritor (memória,

Depende do conhecimento do prescritor (memória, internet, protocolos).

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Pode criar erro que ao longo das várias etapas pode ser detetado, perpetuado ou ampliado.

Os erros mais comuns:

o

Conhecimentos errados

o

Inadequação

o

Doente errado

o

Sound alike”

o

Dose/ via / intervalo

o

Prescrição dúbia

Fornecimento:

Erros mais comuns:

o

Arrumação diferente dos fármacos

o

O mesmo princípio ativo com concentrações diferentes

Administração

Nesta etapa pretende-se que o medicamento certo seja administrado cumprindo os seguintes aspetos de forma acertada:

1. Doente;

2. Medicação;

3. Via;

4. Dose;

5. Hora.

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Os erros mais comuns são:

Dosagem errada

Ausência de registo

Erros de cálculo

Via errada

Doente errado

Hora errada

Omissão

Os fatores contributivos para o erro, são divididos em aqueles que afetam:

Doentes – grávidas, idade pediátrica, insuficientes renais, “polimedicados”, múltiplas patologias, desorientados/dificuldade na comunicação.

Profissionais de Saúde - inexperiência, “pressa”, múltiplas tarefas simultâneas, interrupções, fadiga, sono, sobrecarga de trabalho, uso medicação/álcool; défice na comunicação / trabalho de equipa.

E podem ter origem:

Psicológica - ansiedade, stress, tédio, desmotivação.

Ambiental - barulho, agitação, calor/frio, estímulos visuais, CODU, familiares.

Monitorização/Vigilância

A administração de qualquer medicamento implica que se tenha um conhecimento prévio da ação e efeitos do fármaco administrado, para que se monitorize/vigie os seus efeitos e que os mesmos sejam registados.

Os efeitos a serem vigiados e registados são:

Efeito terapêutico

Efeito secundário

Reações adversas

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RECONCILIAÇÃO TERAPÊUTICA

Corresponde à verificação da lista completa da medicação de cada doente, que deverá ser realizada sempre que existe uma nova prescrição de medicação, através da confrontação da prescrição atual de medicamentos face à já existente. Esta deve ser realizada nas admissões e transferências dos doentes.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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