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XLVII

Num dia excessivamente nítido,


Dia em que dava a vontade de ter trabalhado muito
Para nele não trabalhar nada,
Entrevi, como uma estrada por entre as árvores,
O que talvez seja o Grande Segredo,
Aquele Grande Mistério de que os poetas falsos falam.

Vi que não há Natureza,


Que Natureza não existe,
Que há montes, vales, planícies,
Que há árvores, flores, ervas,
Que há rios e pedras,
Mas que não há um todo a que isso pertença,
Que um conjunto real e verdadeiro
É uma doença das nossas ideias.

A Natureza é partes sem um todo.


Isto e talvez o tal mistério de que falam.

Foi isto o que sem pensar nem parar,


Acertei que devia ser a verdade
Que todos andam a achar e que não acham,
E que só eu, porque a não fui achar, achei.

Oral de Português:

A realização deste trabalho prende-se com o desenvolvimento e conhecimento da vida e obra, quer do
ortónimo Fernando Pessoa, quer de um dos seus heterónimos, pois Fernando Pessoa deu vida a várias
personalidades/pessoas, atribuindo uma data de nascimento, uma profissão, habilitações, uma
personalidade, forma de pensar, agir e escrever e inclusive uma data para morrer.

Irei agora focar-me em Alberto Caeiro. Pretendo ainda, apresentar um dos seus poemas, onde irei analisar
para uma melhor compreensão. Primeiramente irei dar vos a conhecer um pouco dele e da sua vida.

Alberto Caeiro nasceu em 1889 e é considerado o mestre de todos os heterónimos de Fernando Pessoa.

É um poeta de completa simplicidade e considera que a sensação é a única realidade. Morreu tuberculoso
em 1915, viveu toda a sua vida no campo, só teve instrução primária, não teve profissão.

O poema que foi me proposto foi “Num dia excessivamente nítido” de Alberto Caeiro, iremos agora ouvir
uma breve leitura.

“Num dia excessivamente nítido”, é um poema de autoria de Caeiro, nele o autor fala sobre o grande
segredo, o grande mistério que persegue os poetas. Percebe-se que Caeiro investe contra a nomeação das
coisas em sua pluralidade, valorizando apenas seus aspetos individuais e permite que cada coisa possa ser
sentida de modo singular.

Era ligado á natureza, a natureza é perfeita nas suas próprias imperfeições, adotando uma posição panteísta,
a natureza é Deus porque, se Deus criou as árvores e a água, então Deus é as árvores e a água. Desprezava e
reprendia qualquer tipo de pensamento filosófico. Afirma que ao pensarmos, entramos em um mundo
complexo e problemático, onde tudo é inédito e obscuro.
Quanto aos recursos estilísticos podemos ver…. Também está presente…. Por último é possível destacar….

Terminando a oral, ficamos a constatar que Alberto Caeiro foi o mestre de Fernando Pessoa e da outra
personalidade criado pelo ortónimo, pois ele é poeta das sensações, sem dor de pensar, sem sofrimento,
recaindo-se opostamente sobre o estilo do ortónimo que defende o pensar.