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X SEMINÁRIO PIBID/UNASP

Formação Docente: Os Desafios da Inovação

São Paulo, 4 de Dezembro de 2016.

A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA (MPB) NA EDUCAÇÃO INFANTIL


(SÉRIES INICIAIS):
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Gabriela Oliveira M. Nascimento (UNASP)


E-mail: gabby.186@hotmail.com

Melissa Miyuki Nishiyama (UNASP)


E-mail: melissamiyukimmn@hotmail.com

Ailen Rose Balog de Lima (UNASP)


E-mail: ailen.lima@unasp.edu.br

Haller Elinar Stach Shunemann (UNASP)


E-mail: haller.schunemann@unasp.edu.br

Resumo: Como estudantes integrantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação


à Docência (PIBID), que é financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Ensino Superior (CAPES), temos como objetivo no presente artigo destacar o uso do
ensino da MPB como ferramenta do desenvolvimento infantil e destacar argumentos
justificáveis aos efeitos que ela proporciona tanto na educação como no contexto familiar
e escolar. Um dos temas a ser estudado no decorrer do artigo é a ampliação do panorama
musical popular das crianças começando pela idade de 04 a 05 anos na creche Olivério
em Engenheiro Coelho (São Paulo), trabalhando por meio de audição e biografia dos
compositores. Com base em Snyders, Tourinho e Narita a música MPB traz benefícios
aos alunos quando incluída na escola, fazendo com que os mesmos entrem em contato
com um novo contexto cultural, proporcionando aos alunos a oportunidade de adquirirem
uma nova experiência musical. Por meio da MPB a criança compreenderá os valores
culturais de seu país e a riqueza musical que ele possui, a inclusão da história da música
popular brasileira na infância torna mais fácil a construção de um gosto musical sadio e
culturalmente rico.

Palavras-chave: MPB. Benefícios da educação musical. Aprendizado. Cultura. Música.


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Formação Docente: Os Desafios da Inovação

São Paulo, 4 de Dezembro de 2016.

1 INTRODUÇÃO

Como o objetivo principal do programa de música organizado na creche Olivério para


crianças de 4-5 neste semestre é ampliar o panorama da Música Popular Brasileira (MPB),
iremos ressaltar argumentos que revele a importância da música popular abordada pela
educação musical. Em uma sala de aula muitas são as atividades que poderão ser
desenvolvidas, não há limites para o conhecimento a ser proporcionado aos alunos e o
intuito deve ser a promoção de uma educação musical de qualidade, prezando
verdadeiramente o aprendizado, o conhecimento musical e cultural do país. Um dos fatos
que ainda hoje mais deve chamar a atenção dos educadores musicais brasileiros é o de
viver em um país cheio de tradições culturais seculares e manifestações expressivas
carregadas de originalidade, e ao mesmo tempo se deparar com materiais-suporte em
proporção inversa. A sala de aula é um lugar de descobertas onde o aluno terá a
oportunidade de receber um novo conhecimento, desenvolver seu pensamento crítico e
um saber elaborado.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O presente trabalho teve como base autores que falam sobre a inclusão da música
popular no currículo. Sobre isso, Narita (1998) ressalta que “trata-se de uma experiência
válida porque dá aos alunos a chance de entrar em contato com diferentes contextos e
culturas”. Segundo a autora o uso da música popular nas escolas ensina os alunos a
enxergarem as diferenças e a lidarem com elas, nesta diversidade musical presente em
nosso país muito conhecimento se pode obter.
Tourinho (1996) pesquisou sobre as práticas musicais de alunos de 3° e 4° series
e ressaltou que “como educadores, (felizmente) não há limites sobre o que devemos e
podemos tratar”. Para Tourinho como educadores, o aprendizado não deve ter limites,
este pensamento complementa o que diz Almeida e Pucci:

Cabe ao professor proporcionar aos alunos um encontro com um


repertório diferente do seu repertório padrão. Apesar do estranhamento
natural diante do novo, acreditamos na possibilidade de despertar o
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encantamento e o respeito por realidades e culturas diferentes da nossa,
proporcionando-lhe também uma noção mais consistente sobre a
música brasileira (ALMEIDA; PUCCI, 2003, p. 11).

Em uma sala de aula os alunos devem entrar em contato com a diversidade, adquirirem novos
conhecimentos e possibilidades não havendo limites para o saber.

2.1 COTIDIANO

Uma preocupação dos professores de música na atualidade tem sido a de


entender as experiências musicais de seus alunos associadas as suas experiências sociais
do mundo. Nota-se que se não compreendemos as realidades socioculturais existentes nos
alunos não há como propor uma pedagogia musical adequada.
Com isso um desafio crescente é o ensino de música ao aluno que dispõe de uma
constante disposição do professor em lidar e procurar ampliá-las com as condições sociais
musicais presente nos alunos.
Este tema “cotidiano” tem sido bastante abordado em pesquisas, discussões e
congressos educacionais.

Há um interesse crescente pelas atividades do dia-a-dia, pelas


atividades rotineiras que compõem os acontecimentos diários da vida e
os significados que as pessoas vão construindo, nos seus hábitos, nos
rituais em que celebram no recinto doméstico ou na sala de aula, e por
todo sentido que as pessoas dão ao concerto de práticas e
comportamentos, prenhes de significado social e político (...)
(CHIZZOTTI, 1992, p. 87-88).

Isso tem sido recorrente aos pesquisadores que seguem essa temática, seja para
a elaboração de respostas para suas pesquisas e para fundamentarem teorias de suas ações
educativas. Segundo Souza (2000) a orientação pela realidade só pode ser embasada
quando os métodos de aprendizagem corresponderem aos processos de aprendizagem do
cotidiano.

As concepções didáticas apoiadas no cotidiano como paradigma teórico


buscam uma aproximação da aula de música com a realidade
sociocultural ou com o “mundo vivido” (Lipptiz 1980). Seu interesse
não está nas atividades padronizadas, mas, sim na tematização, na sala
de aula, nas experiências musicais que os alunos realizam fora da escola
(SOUZA, 2000, p. 35).
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Com isso fica evidente que ao tentarmos nos aproximar do “mundo vivido “ o
interesse da aula de música não consiste nas atividades padronizadas, mas nas
experiências musicais que cada aluno passa diariamente fora do ambiente escolar. Em
outras palavras colocar em prática a relação teoria e prática e o valor do conhecimento
musical, cabendo a nós professores questionar sobre os processos de socialização musical
dos alunos conscientizando inúmeros conteúdos e relativizar ideais estéticos e valores.
Sabemos que cada música é vivenciada diferente por cada indivíduo, e que
aquilo que cada um vive depende de suas experiências que fazem ou fizeram com a
música e em quais situações. Por isso procuramos as salas de concertos, discotecas, festas
ou escolhemos determinadas estações de rádio ou canais de televisão. Nessas situações
cotidianas de ouvir música, procuramos o prazer, o belo, a música que nos acalma ou que
nos excita, que nos provoca lembranças, ou que nos leva ao êxtase, como em alguns
rituais.
Para Vogt (1997), não resta dúvida de que o conceito de cotidiano possa ser
utilizado na educação musical de uma maneira construtiva. Porém, o autor adverte ser
inegável que uma aula de música que se orienta no cotidiano necessita de um estudo em
filosofia para seu desenvolvimento prático. Ou seja, quem quiser ensinar música sob a
perspectiva do cotidiano deve saber mais sobre música do que o músico pratico ou o
musicólogo. Esse “mais”, porém, não significa uma “desmusicalização” da aula de
música (isto é, um ensino de música sem música), mas, sim, a aquisição de conhecimentos
sobre a gênese de horizontes de experiências musicais de crianças e jovens (ibid., p. 42).

2.2 MÚSICA, COTIDIANO E ESCOLA

O aluno como visto anteriormente tem suas próprias vivências musicais


diariamente fora dos muros da escola. Porém a escola também tem um papel de atuação
importante sobre esse empirismo musical. Segundo Penna (apud LOUREIRO,2003):

A escola atua sobre experiências culturais já presentes, trazidas pelos


alunos de sua vivência familiar e cotidiana. São pressupostas certas
condições prévias, como base para a ação escolar. A própria
comunicação pedagógica é função da cultura (...). Desta forma, o ensino
artístico encontrado nas escolas – inclusive nas especializadas – só pode
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ser eficaz para aqueles que tiveram as condições sociais necessárias
para desenvolver uma competência previa, uma familiaridade e pratica
cultural como pressupostos para o aprendizado formalizado.

Diante da influência causada pelas transformações culturais e sociais, atitudes


educacionais precisam compatibilizar-se com as necessidades do aluno ou do grupo,
tornando significativas e atraentes as práticas musicais no cotidiano escolar. Como diz
Loureiro (2003) “ A música não está na escola como uma atividade recreativa, mas sim
na construção do conhecimento”
Resta-nos pensar em formas de integrar, aproveitar e extrapolar as
experiências musicais dos alunos, sejam elas vividas dentro ou fora das
escolas. Todas estas experiências indicam capacidades, interesses e
atitudes que a escola, inevitavelmente, abriga: mesmo que apenas para
reconhecer o que faz ou que pode fazer (TOURINHO, 1996, p. 105).

Como professores, precisamos estar atentos para o fato de que cada pessoa tem
uma relação diferente com música e que, por isso, são várias as possibilidades de resposta
a uma mesma peça musical. Ao ouvir nossos alunos e tentar compreende-los, estaremos
evitando o risco de, simplesmente, classificar a sua resposta como certa ou errada ou, até
mesmo, impor uma única forma de ouvir música, o que, por sua vez, poderia vir a limitar
as experiências e o desenvolvimento musical deles.

2.3 INFLUÊNCIA DA MPB NA CRIANÇA

Muitos são os benefícios da educação musical. Por meio da música a criança


pode se desenvolver motor, social e intelectualmente.

A música oferece uma variedade de objetos simbólicos de pensamento.


São janelas que podem expandir nosso universo interior e refinar nossa
percepção crítica do universo que nos rodeia. Na educação musical
temos o privilégio de promover o fascínio da descoberta, o
desenvolvimento intelectual e a individualidade da apreensão simbólica
da música (FRANÇA, 2003, p. 49).

Estudos realizados por Vikat (1996) com um grupo de 20 crianças em idade pré-
escolar, durante um ano, revelaram que existe uma relação estreita entre o
desenvolvimento musical e o desenvolvimento intelectual dos indivíduos. O
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desenvolvimento musical está relacionado com outros processos de cognição, tais como
o desenvolvimento da memória, da imaginação e da comunicação verbal e corporal.

A razão que justifica o ensino de música nas escolas é oferecer a todas


as crianças, qualquer que seja sua aptidão, a oportunidade de lidar com
a música e seus elementos, próprios de todo ser humano: audição,
expressão rítmica e melódica, sensorialidade, emotividade, inteligência
ordenadora e criatividade (LOUREIRO, 2003, p. 17).

Propiciar a formação pela música popular brasileira é favorecer o conhecimento


relacional, de si próprio, bem como experimentarmos poeticamente o que chamamos
respeito, aceitação de diferenças, senso crítico, sentido de pertencimento.
Eis uma estratégia capaz de favorecer o equilíbrio desejado nas chances de
ampliação do conhecimento tanto individual quanto socialmente interativo. Conjugar em
proporções particulares música e formação é o mesmo que resgatar a integração do saber
com sabor (ALMEIDA, PUCCI, 2003, P. 08).

2.4 PROFESSOR

O momento atual vem trazendo, no campo musical, inúmeras novidades, com


produções nos mais variados estilos, exigindo dos professores e dos profissionais da
música uma nova maneia de perceber, experienciar e ouvir. Essa mobilidade e diversidade
de linguagens musicais não representam obstáculos para a criança ou para o jovem, pois
eles recebem com naturalidade todo e qualquer tipo de música, além daquelas que
cotidianamente lhes são apresentadas e postas para apreciação. A criança está aberta,
intuitivamente, a uma enorme variedade de estímulos sonoros que lhe chegam
naturalmente através de “redes”, ou seja, de maneira não-ordenada, intuitiva e criativa.
Cabe ao professor mostrar-se aberto para aceitar o novo, tomando consciência de que é
preciso buscar novas maneiras de apreensão do mundo, deixando de lado critérios já
enraizados e instituídos; é preciso aceitar de forma natural a energia viva e espontânea
das crianças e dos jovens.
Sendo assim, da mesma forma que não podemos mais ignorar o gosto musical
dos alunos, não podemos negar-lhes possibilidade de ampliar o seu campo de
conhecimento musical. Professor e aluno deve buscar um consenso ao selecionar um
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repertorio, ou mesmo um tema, a ser abordado em sala de aula. A questão é estar
instrumentalizado para gerar, com base no material selecionado, a aquisição do
conhecimento musical. Esse tipo de ensino-aprendizagem envolve conscientização e
disposição para esclarecer a real proposta da educação musical e, sempre que necessário,
uma revisão dos seus pressupostos que devem, antes de tudo, estar em sintonia com as
necessidades, as expectativas e a formação integral do aluno.
Segundo Koellreutter (apud LOUREIRO, 2003)

Não adianta reformular ou completar programas de ensino, se a didática


e a metodologia, na pratica, continuarem desatualizadas, e se limitarem
a transmitir ao aluno os conhecimentos herdados, consolidados e
frequentemente repetidos em todos os semestres através de aulas de
doutoral e fastidiosa atuação do professor.

A condição da cultura popular deve ser revista na vida cotidiana das pessoas.
Para Fernandes (1998), seu conceito, sua função e seu uso escolar não são tarefas fáceis.
Dificuldades são apresentadas em decorrência das grandes diferenças oriundas das lutas
relacionadas a questões de sexo, etnia, classe, idade e religião, fatores que são usados para
manter situações de desvantagem e superioridade. Concorre para a manutenção dessa
situação o fato de os professores enxergarem a cultura popular (música popular) como
elemento insignificante, perturbador da ordem social e uma ameaça à autoridade
hegemônica. Para eles, o que é popular não tem legitimação acadêmica, atribui-se
condição de prestigio perante o discurso dominante e, em consequência, consideram a
cultura popular como um conjunto de conhecimentos desnecessários e alienáveis e, por
isso, desvinculados do processo de escolarização.

Porque o estudo dos estilos/gênero da música popular e seus métodos


de ensino não estão nos cursos de formação de professores e ainda não
foi desenvolvido um modelo de ensino dessa música. O problema da
não-existência e um programa de ensino da música popular é reflexo da
visão que os professores tem de valorizar a tradição erudita europeia,
perdendo as oportunidades de ensino- aprendizagem que se dariam
através da música popular (LOUREIRO, 2003, p. 20).

Frequentemente, os currículos escolares e as práticas educativas musicais


respondem a momentos e movimentos sociais e culturais que ultrapassam o espaço
escolar.
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Um processo de pluralismo cultural, tendo como base o fato de que
diferentes pessoas têm hábitos e gostos distintos (...). Como educadores
musicais temos que evitar sermos tendenciosos em relação
determinados idiomas musicais, pois papel da educação musical sem
dúvida transcende o reforço de demarcador cultural (HENTSCKE,
1993, p. 61).

O momento atual requer de nós, educadores musicais, a consciência da


diversidade de expressões musicais e a necessidade de abranger essa pluralidade dentro
do contexto escolar. É uma questão de desenvolver no aluno a percepção crítica como
ouvinte, diante do fenômeno da massificação, do consumismo musical exagerado. E,
nesse caso, o papel da escola é de suma importância.

3 METODOLOGIA

Durante este semestre na creche Sebastião Olivério por sugestão da coordenação


do Pibid, nos foi recomendado que trabalhássemos música popular brasileira com as
crianças a cada duas semanas em nossas aulas, onde deveríamos apresentar a elas um
compositor brasileiro. Segundo Tourinho (1993) Saber o que selecionamos e o que os
alunos selecionam faz parte da nossa função de educar e aprender.
O primeiro compositor que mostramos a elas foi Gonzaguinha e foi possível
perceber que este compositor já era a elas familiar, provavelmente a música Asa branca
já foi parte da vivência musical de cada uma delas, ou no ambiente escolar ou familiar.
Ao falarmos de Luiz Gonzaga com as crianças primeiramente falamos um pouco sobre
sua biografia, em seguida apresentamos uma música deste compositor e posteriormente
falamos sobre seu instrumento mais utilizado, neste caso, a sanfona.
A partir desta explanação muitas atividades musicais foram desenvolvidas com
as crianças, principalmente em relação as propriedades do som onde exploramos algumas
canções deste compositor para trabalharmos andamento e intensidade, ou ainda através
da sanfona conseguimos desenvolver com as crianças a identificação de grave e agudo.
A música popular brasileira faz parte muitas vezes da vivência musical cotidiana
da criança, são melodias a elas familiares muitas vezes presente nas telenovelas que sua
mãe assiste ou transmitida pelo rádio que seu pai escuta enquanto está no carro. O uso
das MPB na sala de aula podem ser um passo inicial para o desenvolvimento e
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refinamento da apreciação musical, além de um mergulho na história cultura do nosso
país.
No caso do uso da música popular nas práticas educativas musicais no contexto
escolar, Vulliamy e Shepherd (apud Fernandes 1998) consideram que o sistema escolar
vem contribuir para a hegemonia social e cultural das classes médias e que somente a
“nova sociologia da educação” pode auxiliar no entendimento do porque a música popular
é ignorada pelos professores, privando culturalmente seus alunos, privilegiando somente
a música “clássica” e “seria”. Para os autores, a inclusão da música popular repousa nas
noções de relativismo cultural. Eles acreditam na inclusão da música popular no currículo
porque “ela fala do mundo das pessoas jovens e então fornece a eles um significado que
explora e desenvolve criticamente suas realidades pessoais e culturais” (id., ibid., p. 204).
Muitos elementos da música como as propriedades do som podem ser
trabalhados com a música popular brasileira, além de promover o conhecimento de
diversos instrumentos musicais, das diferenças culturais em nosso país e o respeito pelo
outro, pelo que é diferente. É importante ressaltar que a música nas escolas não deve ser
restrita a datas comemorativas, mas ela tem a função de promover o saber elaborado e
ampliar a percepção do mundo e o conhecimento musical de cada aluno.

Contudo, os conteúdos de cada área do currículo, ou seja, aquilo que


deve ser ensinado e aprendido por todos os alunos, de todos os níveis,
precisam ser organizados e tomar por base três critérios que
consideramos de suma importância para sua validação e
operacionalização. Em primeiro lugar, os conteúdos devem possuir
significado cultural para os alunos; em segundo lugar, devem emergir
do seu próprio meio, ou dele se aproximar o máximo possivel e,
finalmente, possibilitar aos alunos meios para uma aproximação a
novos conhecimentos, experiências e vivências (LOUREIRO, 2003, p.
67).

4 RESULTADOS

Os resultados obtidos neste semestre foram satisfatórios. As elaborações dos


planos de aula não eram feitas facilmente por conta da diversidade musical brasileira.
Encontramos alguma dificuldade na seleção do repertório musical, principalmente nas
primeiras aulas, porém as crianças estavam sempre abertas para conhecer o novo. Em
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cada aula em que falávamos sobre os compositores elas demonstravam muito interesse e
mostravam-se participativas durante a aula. Muitas crianças se identificaram rapidamente
com algumas canções do repertório e pediam repetidas vezes para ouvirem estas
melodias. Alguns dos alunos memorizaram trechos dessas canções e o nome de alguns
dos instrumentos apresentados rapidamente. Infelizmente os nomes dos compositores ou
de suas canções não foram memorizados pelas crianças, elas não sabiam ao ouvirem as
canções já trabalhadas dizer o nome do compositor que elas também já haviam aprendido,
porém mesmo assim os resultados obtidos com este trabalho foram favoráveis.

5 DISCUSSÃO

Diante do que foi apresentado no decorrer deste relato, os resultados obtidos com
as crianças neste semestre estavam dentro do esperado. Os alunos deixaram claro a
familiaridade com a escolha do repertório e esta identificação fez com que as crianças
demonstrassem interesse pelas aulas o que também estava dentro das expectativas.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer deste estudo viu-se que a música popular brasileira deve ser
considerada como a música que o aluno ouvi e gosta, trabalha-la na sala de aula pode ser
uma forma de motivação no processo de autoaprendizagem. A MPB por ser familiar as
crianças devido a sua maior divulgação em massa, faz parte da vivência musical delas e
será um bom ponto de partida para desenvolver a apreciação musical, um pensamento
crítico, a promoção do saber elaborado e ampliação da percepção do mundo e do
conhecimento musical de cada aluno.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, M. B., PUCCI, M. D. Outras terras, outros sons. São Paulo: Callis, 2002.
HENTSCHKE, L., BEN, L. D. Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala
de aula. São Paulo: Editora Moderna, 2003.
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LOUREIRO, A. M. A. O ensino de música a escola fundamental. Campinas, SP:
Papirus, 2003.
NARITA, F. M. Música popular na escola. Revista Presença pedagógica, v. 4, n. 22,
julho/agosto de 1998.
SNYDERS, G. A escola pode ensinar as alegrias da música? São Paulo: Cortez, 1992.

SOUZA, J. Música, cotidiano e educação. Porto Alegre: Corag, 2000.