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Apresentação ............................................................................................................................

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Aula 1: Seguridade Social....................................................................................................... 8
Introdução ............................................................................................................................. 8
Conteúdo................................................................................................................................ 9
Noções históricas .............................................................................................................. 9
Conceito de seguridade social ...................................................................................... 12
Os três ramos da seguridade social ............................................................................. 14
Aprenda Mais....................................................................................................................... 15
Referências........................................................................................................................... 15
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 16
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 19
Aula 2: Regime geral de previdência ................................................................................ 20
Introdução ........................................................................................................................... 20
Conteúdo.............................................................................................................................. 21
Regime Previdenciário (conceito e benefícios essenciais) ...................................... 21
Recapitulando................................................................................................................... 21
Existem hoje dois sistemas públicos de previdência ................................................ 22
Regime Geral de Previdência Social............................................................................. 22
Regimes Próprios de Previdência Social ..................................................................... 23
Espécies de aposentadoria no serviço público, no âmbito do Regime Próprio .. 31
Aposentadoria por invalidez permanente .................................................................. 37
A Relação Jurídica Previdenciária e os Sujeitos Protegidos .................................... 38
Segurado obrigatório ...................................................................................................... 38
Empregado (Artigo 11 I, Lei nº 8.213) ........................................................................... 39
Empregado doméstico (Artigo 11 II, Lei nº 8.213) ..................................................... 41
Contribuinte individual ................................................................................................... 41
IV. Trabalhador avulso .................................................................................................... 42
V. Segurado especial ....................................................................................................... 43
Dependentes..................................................................................................................... 46
Dependentes de cada uma das classes ....................................................................... 47
Relação jurídica previdenciária ..................................................................................... 53
Filiação ao regime geral de previdência social .......................................................... 54
Carência: benefícios com e sem carência. ................................................................. 54

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 1
Manutenção e perda da qualidade do segurado ....................................................... 55
Os dependentes ............................................................................................................... 56
Aprenda Mais....................................................................................................................... 61
Referências........................................................................................................................... 61
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 62
Notas ........................................................................................................................................... 66
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 66
Aula 3: Aposentadoria e desaposentação ....................................................................... 68
Introdução ........................................................................................................................... 68
Conteúdo.............................................................................................................................. 69
Aposentadoria e direito à desaposentação ................................................................ 69
Artigo 201, § 7º, da Constituição da República .......................................................... 69
Irreversíveis e irrenunciáveis ......................................................................................... 70
Exemplo ............................................................................................................................. 70
Pecúlio ............................................................................................................................... 70
Sistema previdenciário na sua globalidade ................................................................ 72
Fator previdenciário ........................................................................................................ 73
Derrogação ....................................................................................................................... 73
Aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social............................................. 74
Desaposentação defendida pelo STJ ........................................................................... 75
Informativo nº 535 .......................................................................................................... 78
Despensão ......................................................................................................................... 79
Caráter personalíssimo ................................................................................................... 80
TRF da 4ª Região .............................................................................................................. 81
Aposentadoria e vinculo de emprego ......................................................................... 82
Congresso Nacional rejeita em 14/04/1994 a Medida Provisória 446 ................... 83
Atividade proposta .......................................................................................................... 83
Aprenda Mais....................................................................................................................... 94
Referências........................................................................................................................... 95
Exercícios de fixação ......................................................................................................... 96
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 99
Aula 4: Aposentadoria por tempo de contribuição .................................................... 101
Introdução ......................................................................................................................... 101
Atividade proposta ........................................................................................................ 102
Aposentadoria por tempo de contribuição .............................................................. 106
Qualidade de segurado - Lei nº 10.666, de 2003 .................................................... 107

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 2
Artigo 18, da Lei nº 8.213 .............................................................................................. 109
Para o professor ............................................................................................................. 111
Renda Mensal Inicial- RMI ............................................................................................ 111
Salário de benefício ....................................................................................................... 112
Fator previdenciário ...................................................................................................... 114
Tempo de contribuição para fins previdenciários .................................................. 118
Prova material ................................................................................................................ 119
Aposentadoria e certidão de tempo de serviço como aluno-aprendiz .............. 121
Contagem recíproca do tempo de contribuição .................................................... 122
Justificação administrativa .......................................................................................... 123
Cabimento da ação declaratória para reconhecimento de tempo de
contribuição.................................................................................................................... 123
Referências......................................................................................................................... 124
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 125
Chaves de resposta ................................................................................................................... 127
Aula 5: Aposentadorias especiais .................................................................................... 128
Introdução ......................................................................................................................... 128
Conteúdo............................................................................................................................ 129
Aposentadorias diferenciadas ..................................................................................... 129
Aposentadoria especial, mais informações .............................................................. 130
Reconhecimento do tempo especial ......................................................................... 131
Lei nº 9.528/97................................................................................................................ 133
Aposentadoria constitucional diferenciada do professor ...................................... 139
Professores ...................................................................................................................... 141
Ato normativo ................................................................................................................ 141
Aposentadoria da pessoa com deficiência ............................................................... 142
O Decreto 3.048 ............................................................................................................. 144
Por tempo de contribuição.......................................................................................... 145
Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência............................................. 145
Aposentadoria por idade .............................................................................................. 148
Aposentadoria por idade urbana ................................................................................ 148
Qualidade de segurado ................................................................................................ 149
Aposentadoria por idade rural .................................................................................... 149
Mais informações sobre aposentadoria por idade rural ........................................ 150
Aposentadoria por invalidez - requisitos necessários ............................................ 152
Aposentadoria por invalidez ........................................................................................ 152

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 3
Auxílio-doença ............................................................................................................... 155
Auxílio-doença - Mais informações ........................................................................... 159
Atividade proposta ........................................................................................................ 162
Referências......................................................................................................................... 162
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 164
Chaves de resposta ................................................................................................................... 168
Aula 6: Pensão por morte e benefícios .......................................................................... 170
Introdução ......................................................................................................................... 170
Conteúdo............................................................................................................................ 171
Pensão por morte .......................................................................................................... 171
Correntes, visão de alguns pensadores ..................................................................... 172
Óbito ................................................................................................................................ 174
Quanto à prova de ser dependente ........................................................................... 175
Cônjuge divorciado ou separado ............................................................................... 176
Se o dependente for incapaz....................................................................................... 180
Renda Mensal Inicial (RMI) ........................................................................................... 180
Legislação........................................................................................................................ 181
STJ .................................................................................................................................... 184
Auxílio-reclusão ............................................................................................................. 185
Salário-família ................................................................................................................. 186
Salário-família - renda mensal .................................................................................... 187
Salário-maternidade ...................................................................................................... 188
Salário-maternidade - mais informações ................................................................. 190
Renda mensal do benefício ......................................................................................... 194
Empregos concomitantes ou de atividade simultânea .......................................... 194
Renda mensal do benefício - mais informações ..................................................... 196
Atividade proposta ........................................................................................................ 196
Referências......................................................................................................................... 197
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 199
Chaves de resposta ................................................................................................................... 203
Aula 7: Custeio da seguridade social .............................................................................. 205
Introdução ......................................................................................................................... 205
Conteúdo............................................................................................................................ 206
Sistemas de custeio ....................................................................................................... 206
Sistemas de custeio ....................................................................................................... 207
Regra importante ........................................................................................................... 208

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 4
Tripartite .......................................................................................................................... 209
Natureza jurídica............................................................................................................ 212
Contribuições sociais destinadas à Previdência Social .......................................... 214
Lei nº 8.212/91 ................................................................................................................ 215
Cota patronal previdenciária da empresa ................................................................. 220
Prazo para recolhimento .............................................................................................. 220
Adicional das instituições financeiras ........................................................................ 222
Cooperativas de trabalho ............................................................................................. 223
Empregador doméstico ................................................................................................ 224
Contribuição dos trabalhadores e incidentes sobre seu salário-de-contribuição
........................................................................................................................................... 224
Empregado, trabalhador avulso e empregado doméstico .................................... 225
Incidência das alíquotas ............................................................................................... 225
O empregador é diretamente responsável ............................................................... 227
Parte da jurisprudência ................................................................................................. 228
Contribuinte individual e segurado facultativo ....................................................... 228
Segurado especial .......................................................................................................... 229
Atividade proposta ........................................................................................................ 231
Referências......................................................................................................................... 231
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 232
Chaves de resposta ................................................................................................................... 235
Aula 8: Acidente de trabalho ............................................................................................ 236
Introdução ......................................................................................................................... 236
Conteúdo............................................................................................................................ 237
Atividade proposta ........................................................................................................ 237
Acidente de trabalho – conceito ................................................................................ 238
Caracterização do acidente de trabalho ................................................................... 239
Doenças profissionais e do trabalho .......................................................................... 240
Artigo 20 .......................................................................................................................... 241
Nexo causal e concausalidade .................................................................................... 242
Perícia médica do INSS ................................................................................................. 242
Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário ......................................................... 243
Comunicação da empresa ........................................................................................... 244
Lei nº 8.213...................................................................................................................... 245
CAT ................................................................................................................................... 246
Acidente de trabalho ..................................................................................................... 247

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 5
Auxílio-doença Acidentário (B-91) ............................................................................. 249
Cessação do benefício .................................................................................................. 251
Auxílio-acidente (B-94) ................................................................................................. 252
Regra importante ........................................................................................................... 253
Artigo 86 da Lei nº 8.213/1991 ..................................................................................... 254
Requisitos de concessão .............................................................................................. 255
Suspensão e cessação do benefício........................................................................... 255
Atividade proposta ........................................................................................................ 256
Aprenda Mais..................................................................................................................... 258
Referências......................................................................................................................... 258
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 259
Notas ......................................................................................................................................... 261
Chaves de resposta ................................................................................................................... 261
Conteudista ........................................................................................................................... 263

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 6
Nesta disciplina, analisaremos a legislação sobre o Regime Geral de Previdência
Social, bem como os elementos dos Regimes Próprios dos servidores públicos,
sob um filtro constitucional.

Discutiremos as decisões recentes da jurisprudência dos tribunais superiores e


resolveremos casos práticos enfrentados pelos profissionais do Direito no dia a
dia.

Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos:


1. Apontar as principais categorias jurídicas do Direito Previdenciário;
2. Resolver casos práticos;
3. Analisar a legislação, doutrina e jurisprudência sobre a matéria;
4. Construir uma visão crítica acerca dos principais problemas enfrentados
pela Previdência Social.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 7
Introdução
A Pós-Graduação da Estácio tem galgado posição de destaque, para o que tem
sido fundamental a peculiaridade de manter parceria com Harvard Business
School, uma das mais prestigiadas universidades do mundo, o que resulta em
incalculáveis benefícios ao corpo discente em um ambiente cada vez mais
globalizado.

A metodologia a ser empregada, aulas expositivas e participativas, a partir


daquela proposta pela Harvard, considera as características locais, condições
institucionais existentes e possibilidade de adequação à matéria exposta, ao
mesmo tempo em que incentiva o aluno a interagir, criar estratégias e
aprimorar seus conhecimentos.

O case da aula de hoje consiste na análise da possibilidade ou não de


concessão de benefício assistencial a estrangeiros domiciliados no Brasil.

Objetivos:
1. Analisar os aspectos: histórico, conceitual e principiológico da seguridade
social. E seus ramos: saúde, assistência social e previdência social;
2. Conhecer o benefício assistencial. (Lei nº 8742/93 – Lei Orgânica de
Assistência Social – LOAS).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 8
Conteúdo

Noções históricas
A humanidade tem uma preocupação constante com os infortúnios da vida,
desde os tempos remotos o homem procura reduzir os efeitos das adversidades
com as quais se depara, como fome, doenças, velhice, dentre outras. O que
pode ser visto como algo inerente ao instinto de sobrevivência, a exemplo do
que ocorre com os outros animais, que guardam alimentos para épocas de
escassez.

No passado as pessoas viviam em aglomerados familiares, sendo os cuidados


dos idosos e incapacitados incumbência dos mais jovens em condições de
trabalhar. Assim, a ideia de proteção social tem origem na família.

Mas, em razão de nem todas as pessoas serem agraciadas com essa proteção
familiar, que, em muitos casos, também se apresentava precária, surgiu o
auxílio externo e voluntário de terceiros, prática esta muito incentivada pela
igreja.

Tinha-se incentivo à caridade e a pobreza era tratada como algo benefício, pois
se traduzia em desapego as coisas materiais e, por conseguinte, em posterior
acolhimento no reino do céu. A indigência, por sua vez, era vista como uma
punição divina.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 9
Atenção

No estudo da proteção social sem intervenção do Estado pode-se


mencionar, ainda, os primeiros grupos de mútuo, em que
determinadas pessoas se cotizavam de valor certo para o resguardo
de todos. Esses grupos de mútuo representaram um prenúncio do
que temos, hoje, como sistemas complementares de previdência
privada.

Os primeiros seguros marítimos também são utilizados como


referência para a evolução da proteção social, ainda que o que se
priorizasse fosse resguardar a carga e não as pessoas envolvidas.

Há registro também de indícios de seguros coletivos no Império


Romano, para proteção de seus participantes e alguma preocupação
com os necessitados já que o Estado concedia licença para
mendicância àqueles impossibilitados de trabalhar.

Somente no séc. XVII, com a edição da lei dos pobres (poor Laws)
na Inglaterra e Gales, o Estado assumiu alguma responsabilidade
para com o social, até chegar a um sistema estatal securitário.

A Revolução Industrial foi muito importante para o surgimento da


proteção social, porque se tinha uma sociedade industrial com a
classe operaria sendo dizimada por acidentes de trabalho,
vulnerabilidade da mão de obra infantil, alcoolismo, dentre outras
coisas. Isso associado a um grande processo de migração do
homem do campo para as cidades, sem, contudo, demanda para

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 10
absorver toda essa mão de obra.

Essa realidade demonstrou a necessidade da participação do Estado


por meio de instrumentos legais de correção, daí termos
passado de um estado mínimo para o denominado “Estado do
tamanho certo”, capaz de atender demandas sociais além das
elementares, em especial na área social. Tais conceitos sociais-
democratas resultaram na construção do “Estado do Bem-Estar
Social”, que visa atender outras demandas sociais como a
previdência social, verdadeiro direito de segunda dimensão.

No Brasil, a Constituição de 1891, isto é, a Constituição Imperial,


foi pioneira no emprego da expressão "aposentadoria", ao
prever, em seu artigo 75, que “A aposentadoria só poderá ser
dada aos funcionarios públicos em caso de invalidez no serviço da
Nação”. Disponível em:
<http://www2.camara.leg.br/legin/fed/consti/1824-
1899/constituicao-35081-24-fevereiro-1891-532699-
publicacaooriginal -15017-pl.html>

Regulando as obrigações resultantes dos acidentes no trabalho, em


1919, tivemos o Decreto Legislativo nº 3.724, que instituiu, caso
houvesse um infortúnio no trabalho, uma indenização a ser paga
pelos empregadores ao estabelecer,

Art. 2º O acidente, nas condições do artigo anterior, quando ocorrido


pelo facto do trabalho ou durante este, obriga o patrão a pagar uma
indenização ao operário ou à sua família. Exceptuados apenas os
casos de força maior ou dolo da própria vítima ou de

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11
estranhos. Disponível em:
<http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/23/1919/3724.htm>

Mas, como marco da previdência social, temos o Decreto Legislativo


nº 4.682, de 24.01.1923 (Lei Eloy Chaves), através do qual
foram criadas as caixas de aposentadoria e pensões, em cada
uma das empresas de estradas de ferro existentes, mediante
contribuição dos trabalhadores, das empresas do ramo e do
Estado, assegurando aposentadoria aos trabalhadores e pensão a
seus dependentes em caso de morte do segurado.

Muitas foram as previsões a respeito, nas demais constituições,


notadamente, na Constituição de 1934, que disciplinou a forma de
custeio dos institutos (ente público, empregado e empregador); a
competência do Poder Legislativo para instituir normas de
aposentadoria e proteção social ao trabalhador e à gestante.

Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/9311/seguridade-


social#ixzz3XgQwOm1I>.

A Constituição Federal vigente, alcunhada por Wlysses Guimarães de


“Constituição cidadã”, prevê um “Estado do Bem Estar-Social” e a
seguridade social como grau máximo da proteção social, alcançando
também a assistência social e a saúde.

Conceito de seguridade social

Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, “a ordem


social tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a
justiça social” (art. 193). E a seguridade social abrange medidas de iniciativa

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 12
dos Poderes Públicos e da sociedade, com o fim de garantir direitos inerentes à
saúde, à previdência social e à assistência social (art. 194).

“Artigo 6º – São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o


trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64 de 2010).

A seguridade social, como direito social, traduz-se num conjunto de ações de


iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência social e à assistência social. Este
conceito está insculpido no Artigo 194 da CFRB:

“Artigo 194 – A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações


de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos dentre os direitos


fundamentais da pessoa humana, preceitua a proteção previdenciária:

Artigo XXV
Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a
sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação,
cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em
caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de
perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
(DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS - DUDH
<http://www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf> Acesso em:
05 Ago 2015.

Organização Internacional do Trabalho - OIT, na Convenção 102, de


1952

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 13
Com a mesma finalidade de tutela de direitos, a Organização Internacional
do Trabalho - OIT, na Convenção 102, de 1952, a qual foi ratificada pelo
Estado brasileiro em 15/06/2009, por meio do Decreto-Legislativo nº269/08,
prevê a seguridade social como, a proteção que a sociedade oferece aos
seus membros mediante uma série de medidas públicas contra as
privações econômicas e sociais que, de outra forma, derivam do
desaparecimento ou em forte redução de sua subsistência, como consequência
de enfermidade, maternidade, acidente de trabalho ou enfermidade
profissional, desemprego, invalidez, velhice e também a proteção em forma de
assistência médica e ajuda às famílias com filhos. (ARAÚJO, Francisco Carlos da
Silva. Seguridade social. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n.
1272, 25 dez. 2006. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/9311> Acesso
em: 19 ago 2015.

Segundo a doutrina, a seguridade social pode ser conceituada como a rede


protetiva formada pelo Estado e por particulares, com contribuição de todos,
incluindo parte dos beneficiários dos direitos, no sentido de estabelecer ações
para o sustento de pessoas carentes, trabalhadores em geral e seus
dependentes, providenciando a manutenção de um padrão mínimo de vida
digna. (Ibrahim, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário, 20º Ed. Rio de
Janeiro:Impetus, 2015).

Os três ramos da seguridade social

A seguridade social é um gênero composto por três ramos: saúde,


previdência social e assistência social.

Segundo Fábio Zambitte, a seguridade social pode ser conceituada como a


rede protetiva formada pelo Estado e por particulares, com contribuição
de todos, incluindo parte dos beneficiários dos direitos, no sentido de
estabelecer ações para o sustento de pessoas carentes e trabalhadores em

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 14
geral e seus dependentes, providenciando a manutenção de um padrão mínimo
de vida digna.

Aprenda Mais

Material complementar

Para saber mais sobre INSS, autarquia federal especializada na matéria previdenciária,
leia a Reclamação 4.374 Pernambuco de 18 de abril de 2013, disponível em nossa
biblioteca virtual.

Referências
IBRAHIM, Zambitte Fábio. Curso de Direito Previdenciário. Niterói:
Impetus, 2015.
TAVARES, Marcelo Leonardo. Previdência e assistência social: Legitimação
e fundamentação constitucional brasileira. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.
Martinez, Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário, São Paulo, Ed.
Ltr

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 15
Exercícios de fixação
Questão 1
Igor, portador de alienação mental, acarretando impedimento de longo prazo,
ajuíza ação em face do INSS pleiteando a concessão de benefício assistencial
com base no Artigo 20, II, da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Alega
que mora com sua mãe, desempregada, e seu pai, já idoso, que recebe
aposentadoria do INSS no valor de um salário mínimo, porém, tal valor é
insuficiente para seu pai arcar com despesas de remédios e da manutenção da
família. Para fins de concessão do benefício de prestação continuada LOAS,
assinale a alternativa correta.
a) Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de
deficiência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a ¼ do
salário mínimo. Esse critério, de acordo com entendimento recente do STF, não
é absoluto, podendo ser conjugado com outros fatores indicativos do estado de
miserabilidade do indivíduo e de sua família.
b) Igor, além de ser incapaz, precisa comprovar a idade mínima de 65 anos para
fazer jus ao benefício assistencial LOAS.
c) O requisito da miserabilidade não pode ser comprovado por exclusivamente
prova testemunhal.

Questão 2
Américo está tetraplégico, exigindo cuidados permanentes da mulher. Seus dois
filhos, maiores de idade, moram com eles, trabalham na cidade, e cada um
ganha um salário mínimo mensal. Nessa situação, por estar incapacitado para o
trabalho, Américo procura seu advogado para saber se tem direito a receber o
benefício de prestação continuada previsto na LOAS. Marque a opção correta.
a) Américo tem direito a receber LOAS por ser a incapacidade para o trabalho
requisito único para concessão do benefício assistencial.
b) A renda de seus filhos maiores deve ser excluída do conceito de renda familiar
por expressa disposição legal.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 16
c) Américo não tem direito ao benefício assistencial LOAS, porque precisa recolher
contribuições sociais, já que a assistência social depende de contribuição direta
do beneficiário.
d) Américo, ainda que tetraplégico, deve comprovar que possui impedimento de
longo prazo a fim de cumprir o requisito subjetivo.

Questão 3
Jurema, idosa, ex-exposa de Jorge, ao saber do óbito deste, procura um
escritório de advocacia para saber sobre a possibilidade de buscar, junto ao
INSS, pensão por morte. Na consulta, é informada que é beneficiária do LOAS e
recebe valor de um salário mínimo. Marque a opção correta.
a) Não há possibilidade de ser concedida pensão por morte à Jurema, haja vista
existir regra vedando a acumulação na percepção de LOAS com pensão por
morte.
b) Há possibilidade de receber conjuntamente LOAS e pensão por morte, pois
ambos têm natureza jurídica diversa.
c) Sendo o LOAS benefício pago a qualquer idoso, conforme Estatuto do Idoso,
não há impedimento para a percepção da pensão por morte.

Questão 4
Jorge, menor impúbere e portador de Síndrome de Down, necessita de
cuidados constantes de sua mãe, que não trabalha para cuidar do menino. Seu
pai, João, trabalha como pedreiro e aufere a renda bruta de R$ 642,88, valor
este que, com os descontos de contribuição previdenciária e sindical, decresce
para R$ 572,81. Os três moram num imóvel não próprio, sendo que João
custeia despesas fixas de aluguel (contrato de locação), suprimento de água e
energia elétrica, além das despesas com o sustento da esposa e do filho,
ressaltando que este se submete a um tratamento especial em razão da doença
de que é portador. Marque a opção correta.
a) A realidade do núcleo familiar do requerente permite que se conclua pelo
atendimento do requisito da hipossuficiência financeira, haja vista que se trata

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 17
de família de 03 (três) pessoas, em que somente o cônjuge varão exerce
atividade laborativa, havendo presunção absoluta de miserabilidade.
b) A renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo gera presunção absoluta
de miserabilidade, sendo critério absoluto, de forma que a renda superior a
esse patamar afasta o direito ao benefício.
c) A despeito de o núcleo familiar não se encontrar na linha de extrema pobreza,
os sinais de condições socioeconômicas do requerente afiguram-se insuficientes
para afastar a presunção de risco social (estado de miserabilidade,
hipossuficiência econômica ou situação de desamparo) delineada pelo
legislador.

Questão 5
Juanita recebe benefício assistencial por ser idosa e miserável. No segundo
semestre de 2013, conhece Mário e com ele se casa no dia 02/01/2014. Em lua
de mel, proporcionada por amigos de Mário, Juanita sofre um acidente e vem a
falecer. Juanita deixou dois filhos maiores de pai desconhecido. Marque a
alternativa correta.
a) O benefício de Juanita se transmite a Mário pela inexistência de filhos menores.
b) O benefício de Juanita é intransferível.
c) O benefício de Juanita é intransferível, porque não foi realizado testamento.
d) O benefício de Juanita é transferível somente para os filhos,
independentemente da idade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 18
Aula 1
Exercícios de fixação
Questão 1 - A
Justificativa: STF, Reclamação nº 4.374-PE.

Questão 2 - D
Justificativa: Artigo 20, caput, e Artigo 2º da Lei nº 8.742.

Questão 3 - A
Justificativa: Artigo 20, § 4º, da Lei nº 8.742 – O benefício de que trata este
artigo não pode ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no âmbito
da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência médica e
da pensão especial de natureza indenizatória. (Redação dada pela Lei nº
12.435, de 2011).

Questão 4 - C
Justificativa: TRF2 – 201302010002159 - PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL
CIVIL. RESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL – LOAS. MENOR
IMPÚBERE COM SÍNDROME DE DOWN QUE NECESSITA DE CUIDADOS
CONSTANTES. INCONTROVÉRSIA EM RELAÇÃO À INCAPACIDADE. CONDIÇÕES
SOCIOECONÔMICAS DO NÚCLEO FAMILIAR QUE CONFIRMAM A NECESSIDADE
DO BENEFÍCIO.

Questão 5 - B
Justificativa: Conforme Artigo 48, II, do Decreto nº 6.214, de 2007, o
pagamento do benefício cessa em caso de morte do beneficiário.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 19
Introdução
Hoje é a nossa segunda aula! O Direito Previdenciário é uma matéria
interessante e vocês perceberão, no decorrer do curso, que é muito importante
conhecermos tal disciplina, pois em muitas relações jurídicas do dia a dia
precisaremos do Direito Previdenciário!

- Regime Geral de Previdência Social - RGPS (Lei 8.212/91, Lei 8.213/91 e


Decretos Regulamentadores);
- Regime Próprio de Previdência de Servidores Públicos – RPPS ( metodologia
de Harvard, estudo de caso: ADI 5316, Min. Luiz Fux);
- A Relação Jurídica Previdenciária e os sujeitos protegidos, no RGPS;
- Filiação ao Regime Geral de Previdência Social.

Objetivo:
Identificar os sujeitos protegidos na relação jurídica previdenciária do regime
geral de previdência social.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 20
Conteúdo

Regime Previdenciário (conceito e benefícios essenciais)


Regime previdenciário é aquele que abarca, mediante normas disciplinadoras
da relação jurídica previdenciária, uma coletividade de indivíduos que têm
vinculação entre si, em virtude da relação de trabalho ou da categoria
profissional a que está submetida.

Garantindo a esta coletividade, no mínimo, os benefícios essencialmente


observados em todo o sistema de seguro social – aposentadoria e pensão
por falecimento do segurado.

Recapitulando
No conceito, vimos que são benefícios essenciais a aposentadoria e a pensão
por morte. Por quê? Vamos voltar ao que foi dito na aula passada sobre os
princípios. Vimos que o Estado deve garantir o mínimo existencial por conta
do postulado da dignidade da pessoa humana, que é um dos fundamentos da
República Federativa do Brasil (CF, Artigo 1º, III).

E por conta da dignidade da pessoa humana, que pressupõe consideração pela


vida e pela integridade do ser humano, o Estado deve garantir condições
básicas para uma existência na qual se possa exercer a liberdade e
receber respeito como pessoa dotada de razão. Portanto, cabe ao Estado
criar mecanismos de proteção do homem.

Qual seria então a configuração mínima de previdência suficiente para garantir


a dignidade humana? O que seria previdência como direito fundamental?
Para a maioria da doutrina, previdência social, como direito social fundamental,
deve ter uma configuração mínima de garantia da dignidade da pessoa
humana, devendo oferecer dois benefícios essenciais: a aposentadoria ao
segurado e a pensão por morte dependente do segurado falecido.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 21
Assegurada essa configuração mínima (mínimo existencial), da qual o Estado
não pode se furtar, a proteção perde o caráter de fundamentalidade e passa a
ser merecedora de proteção na medida das possibilidades orçamentárias do
Estado.

Existem hoje dois sistemas públicos de previdência


Existem hoje dois sistemas públicos de previdência, veja quais são estes
sistemas:

Regime próprio: destinado aos servidores com vínculo efetivo com a


Administração e mantido pelas entidades federativas (União, Estados, Distrito
Federal e Municípios), intitulado de regime próprio de previdência social;

Regime Geral de Previdência Social: instituído em benefício dos


trabalhadores da iniciativa privada, gerido por uma autarquia federal - o
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), denominado Regime Geral de
Previdência Social.

Ambos caracterizam-se por serem administrados pelo Estado, pela natureza


institucional do vínculo mantido com os segurados, pela obrigatoriedade de
filiação e pelo custeio obtido mediante cobrança de contribuições sociais.

Regime Geral de Previdência Social

Artigo 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral,
de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que
preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei,
à:
I. Cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada;
II. Proteção à maternidade, especialmente à gestante;
III. Proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 22
IV. Salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de
baixa renda;
V. Pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou
companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2o.

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é um seguro social público gerido


pelo INSS, autarquia federal responsável pela concessão de serviços e
benefícios do RGPS.

O RGPS que abrange obrigatoriamente todos os trabalhadores da iniciativa


privada, ou seja: trabalhadores que possuem relação de emprego regida pela
CLT, pela Lei nº 5.889/73 (empregados rurais) e pela Lei nº 5.859/72
(empregados domésticos); os trabalhadores autônomos, eventuais ou não; os
empresários, titulares de firma individual ou sócios gestores e prestadores de
serviços; trabalhadores avulsos; pequenos produtores rurais e pescadores
artesanais trabalhando em regime de economia familiar.

O RGPS é regido pela Lei nº 8.213/91, sendo de filiação compulsória e


automática para os segurados obrigatórios, permitindo ainda que pessoas que
não estejam enquadradas como obrigatórios e não tenham regime próprio de
previdência se inscrevam como segurados facultativos, passando também a
serem filiados ao RGPS. É o único regime previdenciário compulsório brasileiro
que permite a adesão de segurados facultativos, em obediência ao princípio da
universalidade do atendimento (Artigo 194, I).

Regimes Próprios de Previdência Social


Artigo 40, caput, da CF, estabelece que para os agentes públicos titulares de
cargos efetivos, bem como para os ocupantes de cargos vitalícios (magistrados,
membros do MP e Tribunal de Contas) deve haver Regimes Previdenciários
Próprios. Portanto, há um estatuto próprio dispondo sobre direitos
previdenciários e regras de participação no custeio do regime diferenciado.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 23
Artigo 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é
assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante
contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial e o disposto neste artigo.

No que tange aos Regimes Próprios de Previdência Social, os sujeitos


protegidos nesta relação jurídica são os agentes públicos ocupantes de cargos
efetivos e vitalícios, sendo que as regras de aposentadoria sempre foram
diferenciadas dos trabalhadores de iniciativa privada, sendo traços marcantes
até a reforma constitucional:

Fixação de base de cálculo da aposentadoria com base na última remuneração


(integralidade), e não uma média de remunerações auferidas como no RGPS;

Regra de paridade em que se estabelecia o reajuste dos proventos de


aposentadoria e pensões no mesmo índice e na mesma data em que fossem
reajustados os servidores públicos na atividade.

O Artigo 40, caput, estabeleceu que para os agentes públicos ocupantes de


cargos efetivos, bem como para os ocupantes de cargos vitalícios (magistrados,
membros do MP e Tribunal de Contas) deve haver Regimes
Previdenciários Próprios. Portanto, há um estatuto próprio dispondo sobre
direitos previdenciários e regras de participação no custeio do regime
diferenciado. (A aposentadoria do servidor, ao contrario do que ocorre na
iniciativa privada, ROMPE a relação laborativa entre o servidor publico e o ente
da federação, pois a aposentadoria é caso de vacância do cargo publico (lei
8112, art. 33, VII)). Com a reforma, Os servidores que tiverem preenchido os
requisitos para aposentadoria sob as regras anteriores à aprovação da reforma
continuarão a ter os proventos calculados com base na última remuneração
recebida em atividade (integralidade). E as aposentadorias e pensões assim

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 24
garantidas serão reajustadas na mesma época e pelos mesmos índices
aplicados às remunerações dos funcionários ativos (paridade). A matéria foi
regulamentada pela Lei 10.887, de 18.06-2004, no art. 1º:
§ 1o As remunerações consideradas no cálculo do valor inicial dos proventos
terão os seus valores atualizados mês a mês de acordo com a variação integral
do índice fixado para a atualização dos salários-de-contribuição considerados no
cálculo dos benefícios do regime geral de previdência social.
§ 2o A base de cálculo dos proventos será a remuneração do servidor no cargo
efetivo nas competências a partir de julho de 1994 em que não tenha havido
contribuição para regime próprio.
§ 3o Os valores das remunerações a serem utilizadas no cálculo de que trata
este artigo serão comprovados mediante documento fornecido pelos órgãos e
entidades gestoras dos regimes de previdência aos quais o servidor esteve
vinculado ou por outro documento público, na forma do regulamento.
§ 4o Para os fins deste artigo, as remunerações consideradas no cálculo da
aposentadoria, atualizadas na forma do § 1o deste artigo, não poderão ser:
I. Inferiores ao valor do salário-mínimo;
II. Superiores ao limite máximo do salário-de-contribuição, quanto aos
meses em que o servidor esteve vinculado ao regime geral de previdência
social.
§ 5o Os proventos, calculados de acordo com o caput deste artigo, por ocasião
de sua concessão, não poderão ser inferiores ao valor do salário-mínimo nem
exceder a remuneração do respectivo servidor no cargo efetivo em que se deu
a aposentadoria. Portanto, também no tocante ao valor da aposentadoria, as
regras da EC. 41, de 2003, limitam o seu valor máximo à remuneração do cargo
efetivo do próprio servidor requerente (art. 40 § 2º).

Regras importantes
Se o servidor público ocupante de cargo efetivo (procurador federal) exerce
atividade paralelamente na iniciativa privada (professor da Estácio), sujeita-se à
filiação em dois regimes de previdência social, pois há filiação obrigatória em
relação a cada uma das atividades desempenhadas.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 25
Artigo 201. § 5o. É vedada a filiação ao regime geral de previdência social, na
qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de
previdência.

Por fim, vamos trazer uma inovação da EC. 41 em relação ao regime


previdenciário próprio do servidor público, que foi palco de muitas polêmicas,
culminando em ADI no STF:

Obrigatoriedade de contribuição previdenciária tanto para os servidores na ativa


quanto para uma parte de inativos, haja vista que o regime próprio tem caráter
contributivo e solidário.

Vamos ilustrar o tema com uma história bem conhecida: Quando um


servidor público federal se aposenta, ele sempre terá em seus proventos
desconto proveniente de recolhimento de contribuição previdenciária?

Tudo vai depender do momento em que houve a cobrança.


Portanto, a resposta mais correta é aquela que aborda a evolução da legislação
sobre o assunto, haja vista que a questão não traz a época em que foram
efetuados os descontos previdenciários no contracheque do servidor
aposentado.
E, nesse ponto, é fundamental saber o princípio da solidariedade como
fundamento de ordem constitucional em nosso ordenamento jurídico com a
publicação da EC. 41/2003.

Artigo 1º da Lei nº 9.783, de 28 de janeiro de 1999


Primeiramente, devemos trazer à baila o disposto no Artigo 1º, da Lei nº 9.783,
de 28 de janeiro de 1999, em sua redação original:

Artigo 1º. A contribuição social do servidor público civil, ativo e inativo, e dos
pensionistas dos três poderes da União, para a manutenção do regime de

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 26
previdência social dos seus servidores, será de onze por cento, incidente sobre
a totalidade da remuneração de contribuição, do provento ou da pensão.

O STF, diante da existência de efetiva controvérsia judicial em torno da


legitimidade constitucional de determinada lei ou ato normativo federal, se
pronunciou em ADC 8, no sentido de que a Lei nº 9.783/99 (Artigo 1º), ao
dispor sobre a contribuição de seguridade social relativamente a pensionistas e
a servidores inativos da União, regulou, indevidamente, matéria não autorizada
pelo texto da Carta Política, eis que, não obstante as substanciais modificações
introduzidas pela EC 20/98 no regime de previdência dos servidores públicos, o
Congresso Nacional absteve-se, conscientemente, no contexto da reforma do
modelo previdenciário, de fixar a necessária matriz constitucional, cuja
instituição se revelava indispensável para legitimar, em bases válidas, a criação
e a incidência dessa exação tributária sobre o valor das aposentadorias e das
pensões.

O regime de previdência de caráter contributivo, a que se refere o Artigo 40,


caput, da Constituição, na redação dada pela EC 20/98, foi instituído,
unicamente, em relação "Aos servidores titulares de cargos efetivos...",
inexistindo, desse modo, qualquer possibilidade jurídico-constitucional de se
atribuir, a inativos e a pensionistas da União, a condição de contribuintes da
exação prevista na Lei nº 9.783/99.
Interpretação do Artigo 40, §§ 8º e 12, c/c o Artigo 195, II, da Constituição,
todos com a redação que lhes deu a EC 20/98.

Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é
assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante
contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos
pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial e o disposto neste artigo.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 27
Surgiu então a matriz constitucional dando respaldo para que a legislação
ordinária instituísse a contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas.
Só que como já analisamos, o art. 1º da lei 9.783 já continha vicio de origem.
E aí veio a lei 10.887, de 2004 trazendo o respaldo legal para a cobrança,
porém obedecendo ao previsto no art. 40, § 12 da CF (Ao regime de
previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que
couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência
social), institui a contribuição previdenciária sobre o valor da parcela dos
proventos de aposentadorias e pensões que supere o limite máximo (teto)
imposto pelo RGPS.
Art. 5o Os aposentados e os pensionistas de qualquer dos Poderes da União,
incluídas suas autarquias e fundações, contribuirão com 11% (onze por cento),
incidentes sobre o valor da parcela dos proventos de aposentadorias e pensões
concedidas de acordo com os critérios estabelecidos no art. 40 da Constituição
Federal e nos arts. 2o e 6o da Emenda Constitucional no 41, de 19 de
dezembro de 2003, que supere o limite máximo estabelecido para os benefícios
do regime geral de previdência social. O fato é que:
A cobrança de contribuição dos já aposentados e pensionistas não agride a
regra constitucional da irredutibilidade de remuneração (art. 37, XV), tendo em
vista que a proteção somente resguarda o valor bruto do estipêndio, que não
será alterado (irredutibilidade nominal)
Tampouco há desrespeito a eventual direito adquirido (art. 5º, XXXVI),
porquanto não há garantia à manutenção de determinado regime jurídico
contra incidência nova de tributo cuja cobrança é permitida pela Constituição.
O STF, com base nesses argumentos, julgou constitucional a cobrança da
contribuição previdenciária sobre proventos de aposentadorias e pensões
concedidas no regime próprio de previdência, conforme ementas das Adins
3105 e 3128.
“1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos.
Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição
previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não
ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 28
Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional
nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos
geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte.
Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e
§ 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico
vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição
jurídico-subjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar
direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos
respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou
ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras,
não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como
efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e
as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer
que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito
adquirido com o aposentamento. 2. Inconstitucionalidade. Ação direta.
Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e
pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária, por força de
Emenda Constitucional. Ofensa a outros direitos e garantias individuais. Não
ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária.
Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Regra não retroativa.
Instrumento de atuação do Estado na área da previdência social. Obediência
aos princípios da solidariedade e do equilíbrio financeiro e atuarial, bem como
aos objetivos constitucionais de universalidade, equidade na forma de
participação no custeio e diversidade da base de financiamento. Ação julgada
improcedente em relação ao art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. Votos vencidos.
Aplicação dos arts. 149, caput, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, e 201,
caput, da CF. Não é inconstitucional o art. 4º, caput, da Emenda Constitucional
nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição previdenciária
sobre os proventos de aposentadoria e as pensões dos servidores públicos da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações. 3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda
Constitucional (EC nº 41/2003, art. 4º, § único, I e II). Servidor público.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 29
Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de
contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade.
Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um
lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária,
que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada
procedente para declarar inconstitucionais as expressões "cinquenta por cento
do" e "sessenta por cento do", constante do art. 4º, § único, I e II, da EC nº
41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60,
§ 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, §
18. São inconstitucionais as expressões "cinqüenta por cento do" e "sessenta
por cento do", constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda
Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o
caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a
redação dada por essa mesma Emenda”
(ADC 8 MC / DF - DISTRITO FEDERAL, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,
Julgamento: 13/10/1999, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 04-
04-2003). Artigo 40 da CF, com a redação da EC.20, de 16-12-2008.

Atenção

Artigo 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União,


dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas
autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de
caráter contributivo, observados critérios que preservem o
equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.

O que ocorreu com o Artigo 1º da lei citada? Foi declarado


inconstitucional, porém a norma não foi revogada, mas teve sua
eficácia suspensa por conta da declaração de
inconstitucionalidade da ADC (a ADC é uma ADIN com sinal

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 30
inverso). A lei continuou existindo, porque o Poder Judiciário não
tem competência para revogar lei, pois somente uma outra lei
poderia revogá-la. O Artigo 1º nasceu inconstitucional, é vício de
origem, vício que não pode ser convalidado nem se vier um
artigo da CF permitindo tal contribuição. E aí veio a EC. 41, de
31-12-2003, trazendo o princípio da solidariedade e colocando
expressamente a contribuição para inativos e pensionistas.

Espécies de aposentadoria no serviço público, no âmbito do


Regime Próprio

Aposentadoria por invalidez permanente

A aposentadoria por invalidez, no âmbito dos regimes próprios, decorre do


reconhecimento da incapacidade laborativa permanente do agente público,
declarada por junta médica oficial, podendo ser requerida pelo interessado ou
decidida ex officio por questões de interesse público.
Prevê o Artigo 40, § 1º, I, da Constituição de 1988:
“Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo
serão aposentados, calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na
forma dos §§ 3o e 17:

I – por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de


contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, moléstia profissional
ou doença grave, contagiosa ou incurável, na forma da lei;”

Acidente em serviço é identificado no âmbito federal (Artigo 212, Lei 8.112)


como dano físico ou mental sofrido pelo servidor, que se relacione, mediata ou
imediatamente, com as atribuições do cargo exercido, equiparando-se a
acidente em serviço o dano decorrente de agressão sofrida e não provocada

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 31
pelo servidor no exercício do cargo, e o sofrido no percurso da residência para
o trabalho e vice-versa.

Aposentadoria compulsória por idade

Até 08/05/2015, no regime próprio, o art. 40 da CF previa a compulsoriedade


da aposentadoria, quando o servidor – seja do sexo masculino seja do feminino
– atingia a idade de 70 anos. Esta aposentadoria ocorria de ofício, na mesma
data em que o servidor alcançava a idade limite, não sendo permitida sua
permanência no cargo. A regra era: 70 anos, independente do cargo ocupado.

O cálculo dessa aposentadoria é proporcional ao tempo de contribuição do


servidor, observando-se para a base de cálculo o disposto nos § 3º e 17 do
Artigo 40 da CF, correspondendo à média dos maiores salários de contribuição,
equivalentes a 80% do período contributivo, contado desde julho de 1994, ou
desde o início da atividade, quando posterior, corrigidos monetariamente.

O cálculo abrangerá todos os salários de contribuição utilizados no Regime de


Previdência para os quais o servidor tenha contribuído. Assim, se o servidor
exerceu atividade vinculada ao RGPS, ou exerceu outro cargo público
anteriormente, tais períodos também serão utilizados para o cálculo do valor da
aposentadoria.

Súmula 36 do STF: Servidor vitalício está sujeito à aposentadoria


compulsória, em razão da idade.

EC/88, DE 08/05/2015
Com o advento da Emenda Constitucional 88, publicada em 08/05/2015, a
aposentadoria compulsória sofreu profunda alteração e pode ser assim
sintetizada:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 32
Regra atual: aposentadoria compulsória aos 70 anos, para os servidores
públicos, de qualquer ente da federação, inclusive os magistrados de tribunais
de segunda instância.

Exceções:
1ª. Por força da atual redação do inciso II, do §1º, do artigo 40, CF, lei
complementar poderá estabelecer para todos os cargos ou alguns deles, a
extensão da compulsoriedade para os servidores que completarem 75 anos de
idade. Vejam que se trata de norma constitucional de eficácia limitada, isto é,
que depende de lei para produzir todos os seus efeitos. E a lei, neste caso,
deve ser lida como lei complementar de âmbito nacional, como tem se
consolidado a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
2 ª. A EC 88/15 acrescentou o artigo 100 no ADCT da CF/88, o qual prevê que
a aposentaria compulsória para os Ministros do STF, dos Tribunais Superiores
(STJ, TST, TSE, STM) e do Tribunal de Contas da União é aos 75 anos de idade,
nas condições do art. 52 da Constituição Federal. Tem-se norma de eficácia
plena.

Assim, os Ministros do STF, dos Tribunais Superiores (STJ, TST, TSE, STM) e do
TCU são detentores do direito de se aposentadoria compulsoriamente somente
aos 75 anos, independente de nova sabatina e aprovação do Senado Federal.
O STF, ao analisar a situação de juízes e desembargadores, também decidiu
que o art. 100 do ADCT da CF/88 não pode ser estendido a outros agentes
públicos, até que seja editada a Lei Complementar Nacional a que se refere o
art. 40, § 1º, inciso II, da CF/88.

STF - ADI 5316, DE 08/05/2015


Em 08/05/2015, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e
a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) ajuizaram a ADI 5316
contra a expressão “nas condições do art. 52 da Constituição Federal”, prevista
no art. 100 do ADCT da CF/88 acrescentado pela EC 88/2015. Isso porque

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 33
sua interpretação literal resultaria na obrigatoriedade de submissão de
magistrados vitalícios a uma nova sabatina perante o Senado Federal e nova
nomeação por parte da Presidência da República.

O pedido liminar nessa ADI foi deferido pelo relator, Min. Luiz Fux, para
suspender a aplicação da expressão “nas condições do artigo 52 da
Constituição Federal”, contida no final do art. 100 do ADCT. E o plenário, por
maioria, deferiu o pedido de medida cautelar.

Assim, os Ministros do STF, dos Tribunais Superiores (STJ, TST, TSE, STM) e do
TCU são detentores do direito de se aposentadoria compulsoriamente
somente aos 75 anos, independente de nova sabatina e aprovação do Senado
Federal.

O STF, ao analisar a situação de juízes e desembargadores, também decidiu


que o art. 100 do ADCT da CF/88 não pode ser estendido a outros
agentes públicos, até que seja editada a Lei Complementar Nacional a que se
refere o art. 40, § 1º, inciso II, da CF/88.

EC 88/2015 e aposentadoria compulsória – INFORMATIVO 786

O Plenário, por maioria, deferiu pedido de medida cautelar em ação


direta de inconstitucionalidade para: a) suspender a aplicação da expressão
“nas condições do art. 52 da Constituição Federal” contida no art. 100 do ADCT,
introduzido pela EC 88/2015, por vulnerar as condições materiais
necessárias ao exercício imparcial e independente da função jurisdicional,
ultrajando a separação dos Poderes, cláusula pétrea inscrita no art. 60, §
4º, III, da CF; b) fixar a interpretação, quanto à parte remanescente da EC
88/2015, de que o art. 100 do ADCT não pudesse ser estendido a outros
agentes públicos até que fosse editada a lei complementar a que alude
o art. 40, § 1º, II, da CF, a qual, quanto à magistratura, é a lei
complementar de iniciativa do STF, nos termos do art. 93 da CF; c) suspender

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 34
a tramitação de todos os processos que envolvessem a aplicação a magistrados
do art. 40, § 1º, II, da CF e do art. 100 do ADCT, até o julgamento definitivo
da ação direta em comento; e d) declarar sem efeito todo e qualquer
pronunciamento judicial ou administrativo que afastasse, ampliasse ou
reduzisse a literalidade do comando previsto no art. 100 do ADCT e, com base
neste fundamento, assegurasse a qualquer outro agente público o exercício das
funções relativas a cargo efetivo após ter completado 70 anos de idade.

A norma impugnada — introduzida no ADCT pela EC 88/2015 — dispõe


que, “até que entre em vigor a lei complementar de que trata o inciso II do §
1º do art. 40 da Constituição Federal, os Ministros do Supremo Tribunal
Federal, dos Tribunais Superiores e do Tribunal de Contas da União
aposentar-se-ão, compulsoriamente, aos 75 (setenta e cinco) anos de
idade, nas condições do art. 52 da Constituição Federal”. Alegava-se, na
espécie, que a expressão “nas condições do art. 52 da Constituição Federal”
incorreria em vício material por ofensa à garantia da vitaliciedade (CF,
art. 93, “caput”) e à separação dos Poderes (CF, art. 2º), exorbitando
dos limites substantivos ao poder de reforma da Constituição (CF, art.
60, §4º, III e IV).

ADI 5316 MC/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21.5.2015. (ADI-5316)


Aposentadoria voluntária

Aposentadoria por idade: requisitos: 65 anos de idade para homem e 60


anos de idade para mulher; 10 anos no serviço público e 5 anos no cargo
público em que pretende se aposentar, com proventos proporcionais ao tempo
de contribuição.

Aposentadoria por tempo de contribuição: há uma conjugação de


requisitos a partir da EC. 20: 60 anos de idade para homem e 35 anos de
contribuição; e 55 anos de idade para mulher; 10 anos no serviço público e 5
anos no cargo público em que pretende se aposentar, com proventos integrais.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 35
Aposentadorias especiais

O Artigo 40, § 4º da CF, prevê:


“§ 4o É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a
concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este
artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os casos de
servidores:
I – portadores de deficiência;
II – que exerçam atividades de risco;
III – cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que prejudiquem
a saúde ou integridade física.”

Até a presente data não foi editada a lei complementar a que alude o texto
constitucional, havendo um estado de inércia legislativa. O tema chegou ao STF
por mandado de injunção em casos de servidores públicos trabalhando na área
de saúde.

No MI 712, foi assegurada a aplicação subsidiária das regras de aposentadoria


especial previstas no RGPS (Artigos 57 e 58, Lei 8.213) para as atividades
prestadas pelo servidor filiado ao Regime Próprio de Previdência, por força do
Artigo 40, § 12 da CF, ante a ausência de lei específica do respectivo ente
público.

Aposentadoria Especial:
Em razão de não ter sido editada a lei complementar a que alude o texto
constitucional e em virtude dessa falta de regulamentação, trabalhadores de
algumas categorias profissionais, que desempenham atividades de risco ou
insalubres, não podiam exercer seu direito à aposentadoria especial. Por isso,
inúmeros Mandados de Injunção foram impetrados, requerendo a

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 36
regulamentação da aposentadoria especial. O STF, reconhecendo a ausência de
norma específica para tratar do tema, passou a aplicar analogicamente os
dispositivos relativos à aposentadoria especial do regime geral da previdência,
objeto da Lei nº 8.213, como forma de suprir a mora legislativa.

Diante de grande número de processos arguindo a ausência de norma


específica para regulamentar esse tema e decisões semelhantes no STF, o
Ministro Gilmar Mendes apresentou a PSV 45, que foi aprovada em 09/04/14 e
resultou na súmula vinculante 33.

Súmula Vinculante 33, de 09/04/2014.


Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da
previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º,
inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica.

Aposentadoria por invalidez permanente


A Lei nº 8.112, no Artigo 186, § 1º, traz o rol de doenças geradoras de
aposentadoria integral, sendo que há decisão recente do STJ (REsp 942.530, DJ
29-03-2010) no sentido de que o rol é exemplificativo:

“DIREITO ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. APOSENTADORIA


POR INVALIDEZ. DOENÇA INCURÁVEL. ARTIGO 186 DA LEI Nº 8.112/1990.
ROL EXEMPLIFICATIVO. PROVENTOS INTEGRAIS. POSSIBILIDADE.

1. Não há como considerar taxativo o rol descrito no Artigo 186, I, § 1º, da Lei
nº 8.112/90, haja vista a impossibilidade de a norma alcançar todas as doenças
consideradas pela medicina como graves, contagiosas e incuráveis, sob pena de
negar o conteúdo valorativo da norma inserta no inciso I, do Artigo 40, da
Constituição Federal.

2. Excluir a possibilidade de extensão do benefício com proventos integrais a


servidor que sofre de um mal de idêntica gravidade àqueles mencionados no

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 37
186, I, § 1º, da Lei nº 8.112/90, e também insuscetível de cura, mas não
contemplado pelo dispositivo de regência, implica em tratamento ofensivo aos
princípios insculpidos na Carta Constitucional, dentre os quais está o da
isonomia.

3. À ciência médica, e somente a ela, incumbe qualificar determinado mal como


incurável, contagioso ou grave, não à jurídica. Ao julgador caberá solucionar a
causa atento aos fins a que se dirige a norma aplicável e amparado por prova
técnica, diante de cada caso concreto.

4. A melhor exigência da norma em debate, do ponto de vista da interpretação


sistemática, é a que extrai a intenção do legislador em amparar de forma mais
efetiva o servidor que é aposentado em virtude de grave enfermidade,
garantindo-lhe o direito à vida, à saúde e à dignidade humana.

5. Recurso especial improvido.

Aqui trazemos uma diferença da aposentadoria do regime próprio para o RGPS,


pois neste toda aposentadoria por invalidez corresponde a 100% do salário de
benefício (média dos salários de contribuição tomados de julho de 1994 até o
mês anterior à concessão do benefício).
No âmbito federal, não há regra legal prevendo o cálculo de aposentadoria
proporcional, sendo que a questão atrai a aplicação do § 12º do Artigo 40 da
CF, aplica-se subsidiariamente a norma que rege o RGPS.

A Relação Jurídica Previdenciária e os Sujeitos Protegidos


Os sujeitos protegidos na relação jurídica previdenciária são denominados
Beneficiários:

Segurado obrigatório
Segurado obrigatório é aquele que se filia de forma compulsória à
Previdência Social, em razão de exercer atividade remunerada, efetiva ou

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 38
eventual, de natureza urbana ou rural, com ou sem vínculo de emprego, a título
precário ou não, bem como aquele que a lei define como tal, ou por já ter
exercido alguma atividade das mencionadas acima, no período imediatamente
anterior ao chamado período de graça.

Os segurados obrigatórios devem contribuir para a Previdência e terão direito a


benefícios pecuniários e serviços previstos para sua categoria a encargo da
Previdência Social.

Segurados facultativos: os maiores de 16 anos que se filiarem ao regime


geral de previdência social, mediante contribuição, desde que não incluídos na
categoria de segurados obrigatórios. A idade mínima de 16 anos decorre do
disposto no art. 7º, XXXIII, da CF, que fixa essa idade como a mínima para
ingresso no mercado de trabalho. Exceção: menor aprendiz que é aos 14 anos,
por força do art. 14, da Lei nº8212/91.

Pressupostos:
Ser pessoa física;
Exercer atividade laborativa remunerada e lícita.
Classificação dos Segurados Obrigatórios:

• Empregado (rural e urbano);


• Empregado doméstico;
• Contribuinte individual - a partir da Lei nº 9.876, de 26-11-99 (empresário
individual, trabalhador autônomo e equiparado);
• Trabalhador avulso;
• Segurado especial.

Empregado (Artigo 11 I, Lei nº 8.213)


Conforme Artigo 3º da CLT, empregado é a pessoa que presta serviços de
natureza não eventual a empregador, sob a dependência (subordinação) deste
e mediante salário.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 39
Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter
não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como
diretor empregado (definição do Artigo 3º CLT);
Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em
legislação específica, presta serviço para atender à necessidade transitória de
substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de
serviços de outras empresas;

O brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para


trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no
exterior;

Aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição


consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a membros
dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência
permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do
país da respectiva missão diplomática ou repartição consular;

O brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos


oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo,
ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da
legislação vigente do país do domicílio;

O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para


trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria
do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional;
O servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo
com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas
Federais. (Incluída pela Lei nº 8.647, de 1993 Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8647.htm>

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 40
O exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não
vinculado a regime próprio de previdência social;) (O Plenário do Supremo
Tribunal Federal, no julgamento do RE 351.717/PR, rel. Min. Carlos
Velloso, unânime, declarou a inconstitucionalidade do Artigo 13, § 1º,
da Lei nº 9.506/97).

O empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em


funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de
previdência social; (Incluída pela Lei nº 9.876, de 26.11.99. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9876.htm>.

O exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não


vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887,
de 2004. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2004/Lei/L10.887.htm>

Após a EC. 20, de 16.12.21998, adveio suporte constitucional para tal a


contribuição previdenciária. Necessidade do assunto advir por nova lei porque o
vício de inconstitucionalidade não se convalida.

Empregado doméstico (Artigo 11 II, Lei nº 8.213)


Aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no
âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos.
A idade mínima para filiação na qualidade de segurado empregado é de 16
anos, a partir de 16-12-1998 (EC. 20), inexistindo contrato de aprendizagem
nesta atividade.

Contribuinte individual
A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária, a
qualquer título, em caráter permanente ou temporário, em área superior a
quatro módulos fiscais; ou, quando em área igual ou inferior a quatro
módulos fiscais ou atividade pesqueira, com auxílio de empregados ou

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 41
por intermédio de prepostos; ou ainda nas hipóteses dos §§ 9o e 10 deste
artigo;

A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral


– garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por
intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a
qualquer título, ainda que de forma não contínua;

O ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada,


de congregação ou de ordem religiosa;

O brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial


internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e
contratado, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social;

O titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o


membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário,
o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam
remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural...
E o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou
entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou
administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que
recebam remuneração;

Quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma


ou mais empresas, sem relação de emprego;
A pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza
urbana, com fins lucrativos ou não.

IV. Trabalhador avulso


Quem, sindicalizado ou não, presta, a diversas empresas, sem vínculo
empregatício, serviço de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 42
com intermediação obrigatória do órgão gestor de Mão de obra (Lei nº 8.630,
de 25-02-1993).

Características:

• Liberdade laboral, porque inexiste vínculo empregatício entre ele e o sindicato


ou com o proprietário do veículo transportador;

• Prestação de serviços para mais de uma empresa;

• Execução de serviços não eventuais às empresas tomadoras de mão de obra,


sem subordinação a elas;

• Trabalho para terceiros com mediação de entidades representativas ou não;

• Exclusividade na execução de atividades portuárias.

V. Segurado especial
A pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano ou rural
próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar,
ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de:

Produtor

Seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou meeiro


outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore atividade:
• Agropecuária em área de até quatro módulos fiscais;
• De seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos termos do
inciso XII do caput do Artigo 2º, da Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, e faça
dessas atividades o principal meio de vida;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 43
Atenção

Pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca


profissão habitual ou principal meio de vida; e cônjuge ou
companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de
idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as
alíneas a e b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem
com o grupo familiar respectivo.

Dona de casa

A CF, no Artigo 201, §§ 12 e 13 prevê:


§ 12. Lei disporá sobre sistema especial de inclusão previdenciária para atender
a trabalhadores de baixa renda e aqueles sem renda própria que se dediquem
exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes acesso a benefícios de
valor igual a um salário-mínimo. Redação dada pela EC no 47, de 5-7-2005.
§ 13. O sistema especial de inclusão previdenciária de que trata o § 12 deste
artigo terá alíquotas e carências inferiores às vigentes para os demais
segurados do regime geral de previdência social, acrescido pela EC nº 47, de
5-7-2005.

Estudante

Pode contribuir como segurado facultativo a partir de 14 anos (Artigo 14, da Lei
nº 8.212), sendo que Marcelo Leonardo Tavares coloca 16 anos como idade
mínima apoiando-se no Artigo 7º, XXIII da CF, com a redação dada pela EC.
20, de 1998.

Crítica: o segurado facultativo tem filiação facultativa, justamente porque ele


não exerce atividade remunerada. Se ele não é trabalhador (e nesse caso sua

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 44
filiação é compulsória), não há porque seguir a idade de 16 anos estabelecida
pela Constituição para o menor trabalhador.

Estagiário

A lei citada como a de regência do Estágio – Lei 6.494/74, foi revogada pela Lei
11.788/2008, devendo haver esta substituição pela lei atual.

Menor

Conforme Artigo 14, Lei nº 8.212, é segurado facultativo o maior de quatorze


anos de idade que se filiar ao RGPS, mediante contribuição de 20% sobre o
respectivo salário de contribuição, na forma do Artigo 12.

Atenção

Falando sobre o menor, veja algumas observações:

Considera-se menor, para fins da legislação previdenciária e


trabalhista, o trabalhador de 14 (quando aprendiz) a 18 anos de
idade, pois se não for na qualidade de aprendiz, o menor só
pode trabalhar legalmente a partir de 16 anos.

Empregado do agenciador de mão de obra, quando este


estiver constituído sob a forma de empresa;

Empregado do tomador de serviço, caso o agenciador de mão de


obra caso o agenciador não estiver constituído sob forma de
empresa;

Na hipótese de trabalho eventual e não subordinado:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 45
- contribuinte individual.

Dependentes
São as pessoas que, embora não contribuindo para a Seguridade Social, a Lei
de Benefícios elenca como possíveis beneficiários do RGPS, fazendo jus às
seguintes prestações:

Os dependentes do segurado não têm vinculação direta com o ente


previdenciário, somente fazendo jus aos benefícios se o indivíduo com o qual
guarda relação conjugal, de companheirismo ou parentesco, nas hipóteses
legais, se encontrar filiado.

Para fazer jus ao benefício, o dependente não precisa ter sido


previamente inscrito pelo segurado, pois a relação de dependência é de
fato, bastando comprovação da relação com o segurado quando da ocorrência
do evento que gera direito ao benefício.

Os dependentes são divididos em três classes (Artigo 16, Lei nº 8.213):

Classe 1: O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado,


de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou
relativamente incapaz, assim declarado judicialmente;

Classe 2: os pais;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 46
Classe 3: o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte
e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental
que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado
judicialmente.

Para que alguém seja considerado dependente, deve constar do rol listado no
Artigo 16, da Lei 8.213, e ter dependência econômica do segurado.

Atenção

A existência de dependente de qualquer das classes desse artigo


exclui do direito às prestações os das classes seguintes (Artigo
16, § 1º).

O momento da verificação da dependência econômica é a época


do óbito.

A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é


presumida e a das demais deve ser comprovada (Artigo 16,
§4º). Esta presunção da dependência econômica das pessoas
indicadas no inciso I é absoluta. Precedentes: Proc.
199833000021980, 2a Turma, TRF 1a Região, j. 23/7/2007;
200102010125899, 5a Turma, 2a Região, j. 26/05/2004;
95030424216, 3a Turma Suplementar da 3a Seção, TRF 3ª
Região, j. 04/12/2007; e 200461850113587, Turma
Nacional de Uniformização dos JEF, j. 04/12/2006.

Dependentes de cada uma das classes

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 47
Cônjuge, companheiro ou companheira.
Segundo dispõe a Constituição Federal no Artigo 201, caput, e V, a previdência
social atenderá, nos termos da lei, a pensão por morte do segurado, homem ou
mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes.

Nossa Constituição é de 1988 e a lei de benefícios é de 1991. No período


compreendido entre 5-10-1988 (quando a CF foi promulgada) e 25-07-1991
(quando a Lei 8.213 foi publicada), existia legislação prevendo o cônjuge varão
como dependente, somente se fosse inválido (Lei 387, de 1984).

E aí surgiu muita controvérsia sobre a questão da aplicação imediata do


dispositivo constitucional, e a doutrina entendia em sua maioria que a norma
constitucional era autoaplicável.

O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que percebia


pensão de alimentos concorrerá em igualdade de condições com os
dependentes referidos no inciso I do Artigo 16 desta lei.

O momento da verificação da dependência econômica é a época do óbito.

Portanto, cônjuge é considerado dependente se mantiver sociedade conjugal


com o segurado, ou dele estiver separado ou divorciado percebendo PENSÃO
de alimentos: perderá a qualidade de dependente pela separação judicial
ou divórcio sem alimentos, pela anulação de casamento, pelo óbito, ou por
sentença judicial transitada em julgado.

Artigo 16 § 3º. Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que, sem


ser casada, mantém união estável com o segurado ou com a segurada, de
acordo com o § 3º do Artigo 226 da Constituição Federal.

Súmula 336 do STJ, de 25/04/2007: “a mulher que renunciou aos alimentos na

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 48
separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do
ex-marido, comprovada a necessidade financeira superveniente”.

“Assim, quando o verbete 336 fala em “necessidade econômica superveniente”,


refere-se a uma dependência manifestada após renúncia, mas antes da morte”.
(Fábio Souza - Juiz Federal. Professor UFRJ e IDS, no artigo Pensão por Morte
para Ex-cônjuge, www.idsamericalatina.com.br).

As exceções dizem respeito à relação de concubinato (compartilhar leito),


o que é diferente de união estável (compartilhar vida), pois não gera direito
previdenciário.

RE 397.762/BA, 1ª Turma, Min. Marco Aurélio Mello, DJ 13-08-2008.


Concubinato impuro não reconhecimento de direito a pensão
previdenciária à companheira, ainda que presente publicidade e longa duração
(37 anos).

RE 669.465/ES, Min. Luiz Fux, reconheceu repercussão geral em 2012.


Em novembro de 2014 foi deferida a participação de mais amicus curiae, ainda
pendente de decisão. Aqui mais de 20 anos de união pública e notória.
( O aluno deve ficar atento a este julgamento)

Atenção

Segundo o Artigo 1.723 do CC, é reconhecida como entidade


familiar a união estável entre o homem e a mulher,
configurada na convivência pública, contínua e duradoura e
estabelecida com o objetivo de constituição de família.

CONCUMBINATO É DIFERENTE DE UNIÃO ESTÁVEL. NO


CONCUMBINATO, A UNIÃO SE FORMA COM IMPEDIMENTOS DO

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 49
ARTIGO 1.521 DO CC.

A CONCUMBINA não tem direito a dividir pensão com a


viúva em face da Constituição proteger somente o núcleo
familiar passível de se converter em casamento (RE
397.762, 1ª Turma, Min. Marco Aurelio Mello, DJ 13-08-
2008). O STF ACABOU POR RECONHECER REPERCUSSÃO
GERAL, CUJO MÉRITO ESTÁ PENDENTE DE JULGAMENTO.
A QUESTÃO LEVANTADA NO RE 669.465, EM QUE SE
DISCUTE A POSSIBILIDADE DE CONCUMBINATO DE
LONGA DURAÇÃO GERAR EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS.

União homoafetiva: união civil entre pessoas do mesmo sexo. Conforme decidiu
o STF (RE 477554 AgR), há LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL DO
RECONHECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DA UNIÃO ESTÁVEL
HOMOAFETIVA COMO ENTIDADE FAMILIAR, pois O AFETO É VALOR
JURÍDICO IMPREGNADO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. Além
disso, O DIREITO À BUSCA DA FELICIDADE é VERDADEIRO
POSTULADO CONSTITUCIONAL IMPLÍCITO E EXPRESSÃO DE UMA
IDEIA-FORÇA QUE DERIVA DO PRINCÍPIO DA ESSENCIAL DIGNIDADE
DA PESSOA HUMANA. Portaria do Ministério da Previdência Social
nº513/2010, de 10/12/2010, segundo a qual “no âmbito do Regime Geral de
Previdência Social a união estável abrange pessoas do mesmo sexo”.

Veja mais sobre cada uma das classes:


Cônjuge, companheiro ou companheira.
Para uma corrente, somente com a edição da Lei 8.213, o cônjuge do sexo
masculino, sem ser inválido, poderia ser dependente, pois o caput é expresso
na forma da lei, trata-se de norma de aplicabilidade mediata. TRF1, apelação
Cível 13.883, julgado em 23-04-1998. Recentemente, o STF decidiu que o
Artigo 201, V, da CF, é autoaplicável enfatizando que os óbitos de segurados

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 50
ocorridos entre o advento da Constituição de 1988 e a Lei 8.213/91 regem-se,
direta e imediatamente, pelo disposto no Artigo 201, inciso V, da Constituição
Federal, que, sem recepcionar a parte discriminatória da legislação anterior,
equiparou homens e mulheres para efeito de pensão por morte. (RE 607907).

ARTIGO 76 § 2º.
Filho
A. Não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos;
B. Artigo 37 TNU: A pensão por morte, devido ao filho, até os 21 anos de
idade, não se prorroga pela pendência do curso universitário. Vide
STJ, AgRg no Ag 1076512 / BA DJ;
C. Inválido;
D. Deficiente intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz,
assim declarado judicialmente.

Tanto a deficiência quanto a invalidez devem existir já na data do


óbito, não podendo ser supervenientes, sendo que a deficiência deve
estar respaldada em sentença judicial prolatada pelo juízo
competente. Essa condição de a deficiência estar declarada
judicialmente é uma inovação trazida pela Lei 12.470, de 2011.

O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do


segurado e desde que comprovada a dependência econômica na forma
estabelecida no Regulamento. (Artigo 16, § 2º, Lei 8.213, com Redação dada
pela Lei 9.528, de 1997). O regulamento é o Decreto 3.048, de 1999, que
prevê em seu Artigo 16 § 3º que a declaração econômica será comprovada na
forma estabelecida no Artigo 22 § 3º, do Decreto 3.048, sendo que o enteado e
o menor tutelado não podem possuir bens suficientes para o próprio sustento e
educação. Pais: os pais precisam comprovar a dependência econômica
em relação ao segurado falecido.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 51
Irmão
A) Não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos;
B) Inválido;
C) Deficiente intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz,
assim declarado judicialmente.

O irmão precisa comprovar a dependência econômica em relação ao


segurado falecido. Tanto a deficiência quanto a invalidez devem
existir já na data do óbito, não podendo ser supervenientes, sendo
que a deficiência deve estar respaldada em sentença judicial
prolatada pelo juízo competente. Essa condição de a deficiência estar
declarada judicialmente é uma inovação trazida pela Lei 12.470, de
2011.

OBS: O menor sob guarda e a pessoa designada menor de 21 anos ou


maior de 60 anos foram retirados do rol de dependentes no Regime
Geral de Previdência Social, mas estão ainda arrolados como
dependentes na Lei 8.112, 1990 (regime jurídico do servidor público
da União). No caso dessas pessoas, que em determinada época já
foram dependentes, devemos seguir o princípio tempus regit actum,
ou seja, o dependente deve preencher os requisitos da lei da época do
óbito. Se na época do óbito, a lei previa tais pessoas como
dependentes, poderão fazer jus ao benefício de pensão por morte,
mas se apesar de terem sido designadas dependentes pelo falecido
em momento anterior ao óbito, mas no dia do óbito a lei não mais a
abarcam como dependentes, não farão jus à pensão por morte.

Menor sob guarda

Uma vez que o óbito do segurado instituidor, fato gerador do benefício, ocorreu
em 4/5/1999 (fl. 90), vale dizer, após a modificação legislativa que excluiu o
menor sob guarda do rol de dependentes de segurado da Previdência Social,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 52
incabível a concessão da pensão. A questão voltou a ser debatida no
Informativo nº 422 do STJ: Questão de Ordem nos Embargos de Divergência
no Recurso Especial 727.716, no qual a 3ª Seção, por unanimidade, acolheu
preliminar de inconstitucionalidade do Artigo 16, § 2º, da Lei 8.213, J. 10-02-
2010. O caso ainda não foi julgado, então acompanhem pelo número acima no
site do STJ (consulta<jurisprudência). A primeira seção do STJ, em processo
referente ao Regime Próprio de Previdência, em marcante julgamento realizado
no dia 26/02/2014 (RMS 36034/MT, Rel. Min. Benedito Gonçalves),
reformulando sua orientação jurisprudencial a respeito do direito do menor sob
guarda à pensão por morte. O entendimento agora é no sentido de que o
Estatuto da Criança e do Adolescente deve prevalecer, assegurando-se o
benefício ao menor sob guarda.

Por fim, temos o Inciso IV, do Artigo 16, da Lei 8.213 (já revogado),
que trazia a pessoa designada menor de 21 anos ou maior de 60 anos.
Esse inciso foi revogado pela Lei 9.032, de 1995, aplicando-se aqui o
mesmo entendimento quanto ao menor sob guarda, ou seja, devemos
verificar se na época do óbito a pessoa, embora designada pelo
falecido como sua dependente em determinado momento, ainda
esteja arrolada na legislação vigente como dependente, pois se aplica
o princípio tempus regit actum.
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e
a das demais deve ser comprovada.

Relação jurídica previdenciária


A ação do Estado no âmbito da Previdência Social se dá pela efetiva proteção
do indivíduo que se enquadra na condição de filiado ao regime – obrigatória ou
facultativamente – e dos que se classificam como dependentes.

Portanto, credor na relação jurídica é o indivíduo filiado ao RGPS ou


seus dependentes, e devedor o Estado por meio do INSS que é a

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 53
pessoa jurídica com atribuição para concessão de benefícios e
serviços.

Filiação ao regime geral de previdência social


Não há relação de seguro social sem filiação prévia, sendo assim, um dos
requisitos para que o indivíduo faça jus à proteção previdenciária é estar filiado,
compulsória ou facultativamente, a um regime de previdência social.

Filiação e inscrição
Para o segurado obrigatório, nasce a relação de seguro social no primeiro dia
de trabalho, porque é nesta data que se dá sua filiação ao RGPS.
Para o segurado facultativo, a relação se inicia no dia em que ocorre sua
inscrição no RGPS, ou seja, com sua manifestação de vontade de filiar-se ao
sistema, a partir da primeira contribuição vertida, pois não há exercício de
atividade remunerada (Artigo 20, parágrafo único do Decreto 3.048-99).

Carência: benefícios com e sem carência.


Período de carência é o número de contribuições mensais indispensáveis para
que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do
primeiro dia dos meses de suas competências (Artigo 24 da Lei nº 8.213). Isto
se dá justamente pelo caráter contributivo do sistema de previdência social.
Carência dos Benefícios:

Auxílio-doença – 12 meses (Artigo 26 da Lei nº 82.130).


Auxílio-acidente – Não há.
Aposentadoria por invalidez – 12 meses (Artigo 26 da Lei nº 8.213).
Aposentadoria por idade –180 meses (observar Artigo 142 da Lei nº 8.213).
Aposentadoria por Tempo de Contribuição – 180 meses (observar Artigo 142 da
Lei nº 8.213).

Aposentadoria Especial – 180 meses (observar Artigo 142 da Lei nº 8.213).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 54
Salário-maternidade – 10 meses para seguradas contribuinte individual e
facultativa, não havendo carência para a empregada, empregada doméstica e
avulsa.

Pensão por Morte, Sem carência: Vinte e quatro contribuições mensais, salvo
nos casos em que o segurado esteja em gozo de auxílio-doença ou de
aposentadoria por invalidez, e nos casos de acidente do trabalho e doença
profissional ou do trabalho; (nova redação do Artigo 25, IV, da lei 8.213 dada
pela MPV n.º 664/2014)
Auxílio-reclusão, Sem carência: Vinte e quatro contribuições mensais.

Durante o período de carência, tal como ocorre em seguros de plano de saúde,


o segurado do RGPS não tem direito a algumas prestações previdenciárias.
Verificamos que para os benefícios devidos aos dependentes (pensão por morte
e auxílio-reclusão) não existe carência.

Atenção

Verificamos também que o período de carência de qualquer


aposentadoria, salvo a por invalidez, é de 180 meses para os
segurados que se filiaram ao RGPS após 24-07-1991. Para os
segurados que se filiaram até 24-07-1991, bem como para o
trabalhador e empregado rural cobertos pela Previdência Social
rural anteriormente à unificação dos regimes, a carência das
aposentadorias por tempo de contribuição, por idade e especial
obedecem à tabela prevista na regra de transição do Artigo 142,
da Lei nº 8.213.

Manutenção e perda da qualidade do segurado


O instituto da manutenção da qualidade do segurado trata do período em que o
indivíduo continua filiado ao RGPS, mesmo não estando a exercer atividade que

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 55
o enquadre como segurado obrigatório, nem contribuir mensalmente como
segurado facultativo.

Trata-se do chamado período de graça e configura exceção em face do


sistema do RGPS, de caráter eminentemente contributivo, conforme Artigo 201
da CRFB. A qualidade de segurado é mantida independentemente de
contribuições, conservando todos os direitos perante a Previdência Social, nos
prazos previstos no Artigo 15 da Lei nº 8.213. A perda da qualidade de
segurado, segundo Artigo 15 § 4º, ocorrerá no dia seguinte ao do término do
prazo fixado no Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da
contribuição referente ao mês imediatamente posterior ao final dos prazos
referidos acima.

Portanto, expirado-se o período de graça, o indivíduo não consegue colocação


no mercado de trabalho. Para manter-se na qualidade de segurado, deverá se
filiar como segurado facultativo e o prazo para recolhimento da contribuição é o
dia 15 do mês subsequente ao da competência.

A perda da qualidade de segurado importa a caducidade dos direitos inerentes


a essa qualidade (Artigo 104, da Lei nº 8.213). Porém, não importa em
supressão do direito adquirido a aposentadoria para cuja concessão tenham
sido preenchidos os requisito legais à época.

Os dependentes
Os dependentes perdem essa qualidade:

Os dependentes em geral:
Pela cessação da invalidez;
Pelo falecimento (não há pensão deixada por pensionista, somente deixada
pelo segurado).

Os cônjuges:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 56
Pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for assegurada a
prestação de alimentos;
Pela anulação do casamento;
Por sentença judicial transitada em julgado.

Os companheiros:
Pela cessação da união estável ou da união homoafetiva com o segurado,
enquanto não lhe for garantida a prestação de alimentos.

O filho e o irmão:
Ao completar 21 anos, salvo se inválidos, desde que a invalidez tenha
ocorrido antes (de complementarem 21 anos, do casamento, do início de
exercício de emprego público efetivo, constituição de estabelecimento civil ou
comercial ou da existência de relação de emprego desde que em função deles o
menor de dezesseis anos completos tenha economia própria.

Atenção

Irmão

Lei 13.146/2015, de 06/07/2015.

a) De qualquer condição menor de 21(vinte e um) anos,

b) Inválido

c) Deficiente intelectual ou mental ou deficiente grave, nos


termos do regulamento. (art. 16, III, da Lei nº 13.146/2015).

Redação atual do inciso III, do art. 16, da Lei nº 13.146/15: “o


irmão de qualquer condição menor de 21 (vinte e um) anos ou
inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou
deficiência grave, nos termos do regulamento”, a qual somente
entrará em vigor em 17 de junho de 2017, por força do art. 6º,
II, dessa mesma lei. Atenção para a questão do menor sob

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 57
guarda!

A primeira seção do STJ, em processo referente à Regime


Próprio de Previdência, em marcante julgamento realizado
no dia 26/02/2014 (RMS 36034/MT, Rel. Min. Benedito
Gonçalves), reformulou sua orientação jurisprudencial a respeito
do direito do menor sob guarda à pensão por morte,
assegurando a concessão de tal benefício, conforme ementa:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO EM


MANDADO DE SEGURANÇA.

PENSÃO POR MORTE. MENOR SOB GUARDA JUDICIAL.


APLICABILIDADE DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE - ECA. INTERPRETAÇÃO COMPATÍVEL COM A
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E COM O PRINCÍPIO DE
PROTEÇÃO INTEGRAL DO MENOR.

1. Caso em que se discute a possibilidade de assegurar


benefício de pensão por

morte a menor sob guarda judicial, em face da prevalência do


disposto no artigo 33, § 3º, do Estatuto da Criança e do
Adolescente - ECA, sobre norma previdenciária de natureza
específica.

2. Os direitos fundamentais da criança e do adolescente


têm seu campo de incidência amparado pelo status de
prioridade absoluta, requerendo, assim, uma hermenêutica
própria comprometida com as regras protetivas
estabelecidas na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e
do Adolescente.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 58
3. A Lei 8.069/90 representa política pública de proteção à
criança e ao adolescente, verdadeiro cumprimento da ordem
constitucional, haja vista o artigo 227 da Constituição
Federal de 1988 dispor que é dever do Estado assegurar com
absoluta prioridade à criança e ao adolescente o direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-
los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.

4. Não é dado ao intérprete atribuir à norma jurídica conteúdo


que atente contra a dignidade da pessoa humana e,
consequentemente, contra o princípio de proteção integral e
preferencial a crianças e adolescentes, já que esses postulados
são a base do Estado Democrático de Direito e devem
orientar a interpretação de todo o ordenamento jurídico.

5. Embora a lei complementar estadual previdenciária do Estado


de Mato Grosso seja lei específica da previdência social, não
menos certo é que a criança e adolescente tem norma
específica, o Estatuto da Criança e do Adolescente que confere
ao menor sob guarda a condição de dependente para todos os
efeitos, inclusive previdenciários (art. 33, § 3º, Lei n.º
8.069/90), norma que representa a política de proteção ao

menor, embasada na Constituição Federal que estabelece o


dever do poder público e da sociedade na proteção da criança e
do adolescente (art. 227, caput, e §3º, inciso II).

6. Havendo plano de proteção alocado em arcabouço


sistêmico constitucional e, comprovada a guarda, deve ser
garantido o benefício para quem dependa economicamente
do instituidor.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 59
7. Recurso ordinário provido.

Em 16/09/2014, no AgRg 1038727/MG, o STJ, por sua


Sexta Turma e sob a Relatoria do Min. ROGERIO SCHIETTI
CRUZ, decidiu:

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE


INSTRUMENTO. PENSÃO

POR MORTE. MENOR SOB GUARDA.

1. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de ser


indevida pensão por morte a menor sob guarda se o óbito do
segurado tiver ocorrido sob a vigência da MP n. 1.523/96,
posteriormente convertida na Lei n. 9.528/97. Precedentes.

2. Agravo regimental não provido.

Carlos Alberto Pereira Castro e João Batista Lazzari (14ª edição, p.


211)

Discordam da alteração do Decreto 3.048 pelo Decreto 6.939, de 2009, quanto


à necessidade de que a invalidez do dependente deva ocorrer antes das
hipóteses de cessação, pois tal regra não encontra respaldo na Lei nº 8.213.

Sendo assim, para tais autores, a condição de dependência se verifica no


momento em que surge o direito ao benefício previdenciário e não quando o
potencial dependente atinge a maioridade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 60
Aprenda Mais

Material complementar

Para saber mais, sobre seguro especial, leia o artigo “OAB questiona lei que excluiu
menor sob guarda da condição de beneficiário de pensão” disponível em nossa
biblioteca virtual.

Para saber mais sobre direito previdenciário, leia o artigo “Direito da criança ou
adolescente sob guarda à pensão por morte” disponível em nossa biblioteca virtual.

Referências
IBRAHIM, Faio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2013. p. 206.
SANTOS, Marisa Ferreira dos. Direito Previdenciário Esquematizado. São
Paulo: Saraiva, 2012. p. 150.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 61
Exercícios de fixação
Questão 1
Jorge, desempregado há mais de cinco anos, foi eleito síndico de um
condomínio na Barra da Tijuca, onde também reside. Em assembleia ordinária,
ficou decidido pela maioria dos condôminos presentes que Jorge teria isenção
do pagamento do condomínio. Analise as alternativas e marque a correta.
a) Jorge, na qualidade de síndico, é segurado obrigatório, como empregado.
b) Jorge, mesmo exercendo a qualidade de síndico, não pode se filiar ao Regime
Geral da Previdência Social.
c) Jorge, mesmo desempregado, é segurado obrigatório, pois um dia exerceu
atividade remunerada e está no período de graça.
d) Jorge, sendo síndico, é segurado obrigatório, como contribuinte individual.

Questão 2
Caio, muito estudioso, prestou vários concursos públicos. Porém, nunca obteve
êxito. Em razão de notório saber jurídico, foi indicado para assumir cargo de
chefia no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, estando lá trabalhando desde
julho de 1999 até os dias atuais. Assinale a alternativa correta.
I. Caio é segurado obrigatório do RGPS, mas se continuasse estudando e
aprimorando seus conhecimentos, sem contudo, exercer atividade remunerada,
poderia se filiar ao RGPS como segurado facultativo.
II. Caio, ao assumir cargo de chefia, passa a ser segurado facultativo do
Regime Próprio de Previdência Social, pois não prestou concurso público.
III. Caio, embora muito estudioso, não pode se filiar ao Regime Geral de
Previdência Social, pois este regime só aceita filiação de pessoas como
segurados obrigatórios.
IV. Caio, ainda que não passe em nenhum concurso público, pode se filar ao
Regime Próprio de Previdência como segurado facultativo.
V. Caio, se um dia passar num concurso público e assumir cargo efetivo no
serviço público como juiz federal, será denominado segurado obrigatório
empregado da Justiça Federal.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 62
a) A opção I é a correta
b) A opção II é a correta
c) A opção III é a correta
d) A opção IV é a correta
e) A opção V é a correta

Questão 3
A Lei de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), no Artigo 11, elenca
como segurados obrigatórios da Previdência Social na condição de empregado,
entre outros, as seguintes pessoas físicas, exceto:
I. Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter
não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como
diretor empregado.
II. Aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em
legislação específica, presta serviço para atender à necessidade transitória de
substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de
serviço de outras empresas.
III. O empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em
funcionamento no Brasil, ainda que coberto por regime próprio de previdência
social.
IV. O exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que
não vinculado a regime próprio de previdência social.
V. O brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital
votante pertença a empresa brasileira de capital nacional.
a) A opção I é a correta
b) A opção II é a correta
c) A opção III é a correta
d) A opção IV é a correta
e) A opção V é a correta

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 63
Questão 4
Não é filiado obrigatório ao RGPS, na qualidade de segurado empregado:
a) Aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter
não eventual, com subordinação e mediante remuneração.
b) O contratado em caráter permanente em Conselho, Ordem ou autarquia de
fiscalização do exercício de atividade profissional.
c) O menor aprendiz, com idade de quatorze a dezoito anos, sujeito a formação
técnica-profissional metódica.
d) O carregador de bagagem em porto, que presta serviços sem subordinação
nem horário fixo, mas sob remuneração, a diversos, com a intermediação
obrigatória do sindicato da categoria ou OGMO.

Questão 5
A Lei de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/91), no Artigo 11, elenca
como segurados obrigatórios da Previdência Social na condição de contribuinte
individual, entre outros, as seguintes pessoas físicas, exceto:
I. O brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional
do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado, e contratado, e
que coberto por regime próprio de previdência social.
II. A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração
mineral – garimpo, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por
intermédio de prepostos, com ou sem o auxílio de empregados, utilizados a
qualquer título, ainda que de forma não contínua.
III. O ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida
consagrada, de congregação ou de ordem religiosa.
IV. Quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a
uma ou mais empresas, sem relação de emprego.
V. A pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou
pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por
intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer
título, ainda que de forma não contínua.
a) A opção I é a correta

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 64
b) A opção II é a correta
c) A opção III é a correta
d) A opção IV é a correta
e) A opção V é a correta

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 65
Relação Jurídica Previdenciária: É aquela em que o credor é o indivíduo
filiado ao RGPS ou seus dependentes, e devedor o Estado, através do INSS
que é a autarquia responsável pela concessão de benefícios e serviços.

Aula 2
Exercícios de fixação
Questão 1 - D
Justificativa: Para a doutrina (Fabio Zambitte Ibrahim e Marisa Ferreira dos
Santos), bem como a jurisprudência do STJ (RESP 411.832), a isenção da taxa
de condomínio equivale a uma remuneração, razão pela qual o síndico é um
segurado obrigatório e será enquadrado como contribuinte individual e não
como empregado, pois não preenche os requisitos do Artigo 3º da CLT.

Questão 2 - A
Justificativa: Artigo 40 da CF.

Questão 3 - C
Justificativa: A alternativa “III” é a única que não traz exemplo de segurado
empregado do RGPS, pois, de acordo com o texto do Artigo 11, I, i, da Lei
8.213/91, é empregado do RGPS “o empregado de organismo oficial
internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto
por regime próprio de previdência social”. Note-se que o texto do item “III”
desta questão fala em “ainda que coberto por regime próprio de previdência
social”, contrariando a letra da lei.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 66
Questão 4 - C
Justificativa: O item “e” apresenta um dos tipos de trabalhador avulso, que se
encontra descrito no Artigo 9º, VI, g, do Regulamento da Previdência Social. É,
pois, a letra que deve ser marcada pelo estudante.

Questão 5 - A
Justificativa: A alternativa correta é a “I”. O brasileiro civil que trabalha no
exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo,
ainda que lá domiciliado, e contratado, salvo quando coberto por RPPS (Regime
Próprio de Previdência Social).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 67
Introdução
Na presente aula trataremos da aposentadoria no RGPS e do direito à
desaposentação, dando ênfase a este instituto em razão de sua relevância no
meio jurídico e social.

Objetivo:
Conhecer o instituto da desaposentação.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 68
Conteúdo

Aposentadoria e direito à desaposentação

Para dar inicio a esta aula, reflita: você sabe o que é a aposentadoria?
A aposentadoria é a prestação por excelência da Previdência Social, juntamente
com a pensão por morte.

Ambas substituem, em caráter permanente, os rendimentos do segurado, e


asseguram sua subsistência, assim como daqueles que dele dependem.

Artigo 201, § 7º, da Constituição da República

A aposentadoria é a garantia constitucional prevista no Artigo 201, § 7º, da


Constituição da República:

“Artigo 201. (...)


§ 7º. É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos
termos da lei, obedecidas as seguintes condições:
Trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição,
se mulher;
Sessenta e cinco anos, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher,
reduzida em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos
e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes
incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.
§8º. Os requisitos a que se refere o inciso I serão reduzidos em cinco anos para
o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das
funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.”.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 69
Irreversíveis e irrenunciáveis
Conforme o Artigo 181-B do Decreto 3.048, as aposentadorias por idade,
tempo de contribuição e especial concedidas pela previdência social, na forma
desse regulamento, são irreversíveis e irrenunciáveis.

O aposentado que pretenda permanecer em atividade ou a ela retornar não


terá direito a novos benefícios previdenciários, exceto salário-família e
reabilitação profissional (Artigo 18, § 2º, da Lei nº 8.213/1991).

E o Decreto 3.048, no Artigo 103, prevê o direito ao salário-maternidade para a


segurada já aposentada. Já o Artigo 173 estende a possibilidade de as
prestações referidas serem concedidas aos trabalhadores avulsos.

Exemplo
Vamos supor que um vizinho vá até sua casa e diga a você que se aposentou
por tempo de serviço, mas que voltou a exercer atividade abrangida pela
previdência social por necessidade financeira.

No entanto, ele diz ter conversado com uns amigos sobre a possibilidade de
requerer uma outra aposentadoria em razão de sua nova atividade.

Qual orientação você lhe daria?

Pecúlio
Bem, existia há um tempo atrás um benefício previdenciário denominado
pecúlio. O pecúlio era uma prestação única paga pela Previdência Social
correspondente à devolução daquilo que tivesse sido pago pelo segurado a
título de contribuição previdenciária, nas hipóteses previstas no Artigo 81 da Lei
nº 8.213 de 1991.

Dentre elas tínhamos o caso do segurado aposentado por idade ou por tempo
de serviço pelo RGPS que voltasse a exercer atividade abrangida por ele,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 70
quando dele se tivesse afastado. Ocorre que esse beneficio foi extinto em
16/04/1994 pela Lei nº 8.870 de 15/04/1994.

Hoje escutamos falar em “desaposentação”. Mas o que vem a ser?

A desaposentação nada mais é que uma renúncia à aposentadoria.

Atenção

O tema enfrenta grande divergência. Para Marcelo Leonardo


Tavares, “a norma, além de possuir caráter extremamente
injusto, desrespeita o princípio da contraprestação
relativo às contribuições devidas pelos segurados, tendo
em vista que as prestações oferecidas ao aposentado que
retorna à atividade são insignificantes, diante dos valores a
serem recolhidos”. Pode-se afirmar, inclusive, que, pela natureza
das prestações oferecidas (salário-família, reabilitação
profissional e salário maternidade), não haveria filiação a regime
previdenciário, pois a lei não admite nova aposentação do
segurado, recálculo de aposentadoria anterior ou prevê o
pagamento de pecúlio – as nova prestações vertidas não
garantem as espécies mínimas de benefícios para que se tenha
um regime previdenciário: nova aposentadoria e nova pensão.

A desaposentação consiste na, “possibilidade de o segurado do Regime Geral


de Previdência Social – RGPS - uma vez aposentado, renunciar à sua
aposentadoria e contar o respectivo tempo de contribuição para outra
aposentadoria mais vantajosa, no mesmo ou em outro regime”. (Eduardo
Rocha Dias e José Leandro Monteiro de Macedo, Curso de Direito
Previdenciário).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 71
Por meio da desaposentação, o ato de concessão do benefício de aposentadoria
é desfeito com a finalidade de aproveitamento do respectivo tempo de
contribuição no mesmo ou em outro regime previdenciário. (João Ernesto
Aragonés Vianna, Curso de Direito Previdenciário, 2014).

Sistema previdenciário na sua globalidade


Na jurisprudência, temos uma primeira corrente defendida pela 2ª Turma
Especializada do TRF da 2ª Região e pelas Turmas Recursais do Rio de Janeiro,
sendo inclusive objeto de Enunciado 70 TR-RJ, que observa como inviável a
desaposentação no Regime Geral de Previdência Social para fins de
aproveitamento do tempo de contribuição anterior para uma nova
aposentadoria neste mesmo regime (proc. 2007.51.51.0717-7). Para tal
corrente, a interpretação favorável à desaposentação contraria o sistema
previdenciário na sua globalidade.

Desde a criação dos sistemas de previdência social no mundo no primeiro


quarto do século XX e especialmente diante do fenômeno demográfico e
inevitável do envelhecimento da população, mais intenso desde o final do
século XX, as legislações previdenciárias criam estímulos para o retardo da
aposentadoria e desestímulos para a aposentadoria precoce. Parece-nos que
tais mecanismos, desde que respeitados os limites de
proporcionalidade e razoabilidade, são legítimos e justos, na medida
em que buscam a manutenção do equilíbrio atuarial do sistema e de
sua preservação para as gerações futuras.

Na nossa legislação, o principal mecanismo era (até a EC 20/1998) a


proporcionalidade da aposentadoria por tempo de serviço, a partir dos 30 anos
de serviço (25 para mulheres). Ou seja, estimulava-se que o segurado
permanecesse na ativa até que completasse o período máximo, a fim de
garantir a integralidade do salário de benefício.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 72
A própria EC 20/1998, ao extinguir a aposentadoria proporcional (restou a
aplicação da regra de transição e ressalvados os direitos adquiridos), constituiu-
se em mais um mecanismo de desestímulo ou vedação à aposentadoria
precoce.

A desaposentação nada mais é que uma renúncia à aposentadoria.

Fator previdenciário
Em seguida, veio o fator previdenciário estabelecido pela Lei nº 9.876/1999.
Cuida-se de um coeficiente de cálculo abrangente, que engloba variáveis como:

• idade e tempo de contribuição (variáveis diretamente proporcionais);

• e expectativa de vida ao tempo da aposentadoria (variável inversamente


proporcional); esse o principal mecanismo atual de desestímulo à aposentadoria
precoce.

Com essa breve incursão, gostaríamos apenas de fixar que o sistema


previdenciário – no que toca à aposentadoria por tempo de serviço/contribuição
– é estruturado por uma série de disposições constitucionais e legais que
estimulam a aposentadoria tardia. Trata-se de um bloco normativo que
decorre de uma decisão política relevante e que se mostra revestida de
plena legitimidade, em razão dos fatores demográficos e atuariais subjacentes.

Derrogação
Tendo em conta tais elementos, eventual decisão judicial que legitime a
pretensão da parte autora (chamada por muitos de “desaposentação”)
significaria a derrogação de todo esse bloco normativo a que nos referimos.
Ou seja, a legislação prevê mecanismos para que o segurado que tivesse direito
à aposentadoria proporcional pelo coeficiente de 70 % ou pelo fator
previdenciário de 0,7, por exemplo, sentisse-se estimulado a não se aposentar
e a continuar no mercado de trabalho.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 73
Durante esse período de continuidade no mercado de trabalho, esse segurado
não significaria despesa para o sistema de previdência e, além disso,
continuaria a trabalhar e a contribuir para o sistema. Em contrapartida, o
sistema lhe oferece um benefício de aposentadoria maior (com coeficiente de
100 % ou fator previdenciário igual a um ou superior), mais tarde.

No entanto, o reconhecimento judicial da legitimidade do fenômeno da


desaposentação simplesmente destruiria esse arcabouço normativo, que
entendemos ser basilar do sistema. Ou seja, o segurado, mesmo apto ao
trabalho, sentir-se-ia estimulado a se aposentar na primeira oportunidade,
ainda que por um benefício de menor valor.

Apesar das contribuições vertidas em seguida à aposentadoria, o segurado


significaria, nesse novo período, um saldo de despesa para o sistema de
Previdência e, após mais algum tempo, promoveria a revisão do seu benefício
(“desaposentação”), o que o conduziria a uma integralidade ou valor mais
favorável, o que passaria a incrementar o saldo de despesa contra o sistema de
Previdência.

Dessa forma, temos que o acolhimento judicial da pretensão autoral geraria um


efeito derrogador em todo o sistema de Previdência, em tema que toca aspecto
de alta densidade política e planejamento estratégico, no qual não cabe
ao Judiciário se imiscuir.

Aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social

Conforme visto anteriormente, cabe concluir, nesse tema, que o Artigo 18, §
2º, da Lei nº 8.213/1991 deve ser interpretado considerando que, dentre as
prestações que não podem ser geradas em razão do período de contribuição
após a aposentadoria, está também uma nova aposentadoria baseada no

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 74
tempo total trabalhado ou uma revisão da aposentadoria anterior pelo tempo
trabalhado posteriormente (cuida-se aqui de mera diferença de discurso):
“o aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que permanecer
em atividade sujeita a este Regime, ou a ele retornar, não fará jus a prestação
alguma da Previdência Social em decorrência do exercício dessa atividade,
exceto ao salário-família e à reabilitação profissional, quando empregado”.

Desaposentação defendida pelo STJ

Uma segunda corrente entende possível a desaposentação, corrente essa


defendida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ – 1ª Turma Especializada do
TRF da 2ª Região).

Para uma vertente, é perfeitamente válida a renúncia à aposentadoria, pois os


benefícios previdenciários são direitos patrimoniais disponíveis e, portanto,
suscetíveis de desistência pelos seus titulares prescindindo-se da devolução dos
valores recebidos da aposentadoria a que o segurado deseja preterir para a
concessão de novo e posterior jubilamento (RESP 1.334.488).

O Supremo Tribunal Federal (STF), no momento, enfrenta o tema no RE


381.367, com um voto do ministro Marco Aurélio favorável à pretensão do
segurado.

“DESAPOSENTAÇÃO” E BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS - 1*:

O Tribunal iniciou julgamento de recurso extraordinário em que se questiona a


constitucionalidade do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/91 (“§ 2º O aposentado pelo Regime
Geral de Previdência Social - RGPS que permanecer em atividade sujeita a este
Regime, ou a ele retornar, não fará jus a prestação alguma da Previdência Social em
decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao salário-família e à reabilitação
profissional, quando empregado.”). No caso, aposentada pelo RGPS que retornou à
atividade pleiteia novo cálculo de proventos, consideradas as contribuições de período
referente a esse regresso. Alega que o mencionado dispositivo legal estaria em

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 75
confronto com o art. 201, § 11, da CF (“§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a
qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária
e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.”), haja vista
que, mesmo contribuindo como segurada obrigatória na qualidade de empregada, teria
direito apenas às prestações de salário-família e de reabilitação profissional.
[Destaques em negrito, nossos]

“DESAPOSENTAÇÃO” E BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS - 2*:

O Min. Marco Aurélio, relator, proveu o recurso.


Consignou, de início, a premissa segundo a qual o trabalhador aposentado, ao voltar à
atividade, seria segurado obrigatório e estaria compelido por lei a contribuir para o
custeio da seguridade social. Salientou, no ponto, que o sistema constitucional em
vigor viabilizaria o retorno do prestador de serviço aposentado à atividade. Em
seguida, ao aduzir que a previdência social estaria organizada sob o ângulo
contributivo e com filiação obrigatória (CF, art. 201, caput), assentou a
constitucionalidade do § 3º do art. 11 da Lei 8.213/91, com a redação conferida pelo
art. 3º da Lei 9.032/95 (“§ 3º O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social –
RGPS que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este
Regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às
contribuições de que trata a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para fins de custeio
da Seguridade Social.”). Assinalou que essa disposição extinguira o denominado
pecúlio, o qual possibilitava a devolução das contribuições implementadas após a
aposentadoria. Enfatizou que o segurado teria em patrimônio o direito à satisfação da
aposentadoria tal como calculada no ato de jubilação e, ao retornar ao trabalho,
voltaria a estar filiado e a contribuir sem que pudesse cogitar de restrição sob o ângulo
de benefícios. Reputou, dessa forma, que não se coadunaria com o disposto no art.
201 da CF a limitação do § 2º do art. 18 da Lei 8.213/91 que, em última análise,
implicaria desequilíbrio na equação ditada pela Constituição. Realçou que uma coisa
seria concluir-se pela inexistência da dupla aposentadoria. Outra seria proclamar-se,
conforme se verifica no preceito impugnado, que, mesmo havendo a contribuição —
como se fosse primeiro vínculo com a previdência —, o fenômeno apenas acarretaria o
direito ao salário-família e à reabilitação profissional. Reiterou que, além de o texto do
examinado dispositivo ensejar restrição ao que estabelecido na Constituição, abalaria a
feição sinalagmática e comutativa decorrente da contribuição obrigatória. Em

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 76
arremate, afirmou que ao trabalhador que, aposentado, retorna à atividade caberia o
ônus alusivo à contribuição, devendo-se a ele a contrapartida, os benefícios próprios,
mais precisamente a consideração das novas contribuições para, voltando ao ócio com
dignidade, calcular-se, ante o retorno e as novas contribuições e presentes os
requisitos legais, o valor a que tem jus sob o ângulo da aposentadoria. Registrou, por
fim, que essa conclusão não resultaria na necessidade de se declarar a
inconstitucionalidade do § 2º do art. 18 da Lei 8.213/91, mas de lhe emprestar alcance
consentâneo com a Constituição, ou seja, no sentido de afastar a duplicidade de
beneficio, porém não o novo cálculo de parcela previdenciária que deva ser satisfeita.
Após, pediu vista o Min. Dias Toffoli. [Destaques em negrito, nossos]

Portanto, as decisões favoráveis à tese do segurado geralmente se baseiam na


noção de que o direito, à percepção do benefício, é um direito patrimonial de
natureza disponível e que pode ser objeto de renúncia. Tal renúncia, por sua
vez, não gera o dever de devolver o que já foi recebido – eis que o benefício foi
pago de modo regular –; bem assim daria direito à contagem do tempo de
serviço/contribuição usado na concessão do benefício objeto da renúncia. A
partir daí, poder-se-ia usar esse período e adicionar o tempo trabalhado após a
aposentadoria para pleitear benefício novo em condições mais vantajosas que o
anterior.

* Conteúdos disponíveis em:


<http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo600.htm>;
acesso em: 06 de out. 2014

O STF, no momento, enfrenta o tema no RE 381.367, em que se questiona a


constitucionalidade do art. 18, § 2º, da Lei 8.213/91 (§ 2º O aposentado
pelo Regime Geral de Previdência Social - RGPS que permanecer em atividade
sujeita a este Regime, ou a ele retornar, não fará jus a prestação alguma da
Previdência Social em decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao
salário-família e à reabilitação profissional, quando empregado), com um
voto do Ministro Marco Aurélio favorável à pretensão do segurado, e dois contra

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 77
dos Mins. Dias Toffoli e Teori Zavascki. Agora, com pedido de vista da Min.
Rosa Weber.

Processo no gabinete da Min. Rosa Weber. (22/08/2015).


Convém registrar também o Res 661256/SC, com repercussão geral, e sob a
relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso, o qual, em 09/10/2014, deu parcial
provimento ao recurso do INSS, no que, em sessão de 29/10/2014, foi seguido
pelos Ministros Mins. Dias Toffoli e Teori Zavascki, que deram provimento
integral ao recurso.
Em seguida, pediu vista a Min. Rosa Weber. Processo aguardando julgamento
(22/08/2015).

O mesmo se verifica no Res 827833/SC, com repercussão geral, e sob a


relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso, o qual, em 09/10/2014, deu parcial
provimento ao recurso do INSS, no que, em sessão de 29/10/2014, foi seguido
pelos Ministros Mins. Dias Toffoli e Teori Zavascki, que deram provimento
integral ao recurso.
Em seguida, pediu vista a Min. Rosa Weber. Processo aguardando julgamento
(22/08/2015). Disponível em:
<http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=
4157562>. Acesso em 22 ago 2015.

Informativo nº 535
O pedido de desaposentação é uma renúncia, contudo o STJ recentemente se
posicionou compreendendo não se tratar de verdadeiro pedido de revisão de
aposentadoria; portanto, não é possível aplicar o prazo decadencial decenal
previsto no Artigo 103 da Lei nº 8.213/1991 aos casos de desaposentação,
conforme julgado da 1ª Seção Informativo nº 535:

“DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INAPLICABILIDADE DO PRAZO DECADENCIAL DE


REVISÃO DE BENEFÍCIO AO CASO DE DESAPOSENTAÇÃO (ARTIGO 543-C DO

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 78
CPC E RES. 8/2008-STJ). Não é possível aplicar o prazo decadencial decenal
previsto no Artigo 103 da Lei nº 8.213/1991 aos casos de desaposentação.”.

“Com efeito, o referido dispositivo legal dispõe ser de dez anos o prazo para a
revisão de ato de concessão ou de indeferimento de benefício, não sendo
aplicável ao caso de desaposentação, que indica o exercício do direito de
renúncia ao benefício em manutenção a fim de desconstituir o ato original e,
por conseguinte, obter uma nova aposentadoria, incrementada com as
contribuições vertidas pelo segurado após o primeiro jubilamento.“.

“Nesse contexto, vale lembrar que a instituição desse prazo decadencial no


direito previdenciário foi uma inovação que limitou a revisão dos critérios
adotados para o cálculo da renda mensal inicial, que, até então, poderia
acontecer a qualquer tempo.

A interpretação a ser dada ao instituto da decadência previsto no Artigo 103 da


Lei nº 8.213/1991 deve ser restritiva, haja vista que as hipóteses de decadência
decorrem de lei ou de ato convencional, inexistentes para a hipótese ora
tratada. REsp 1.348.301-SC, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em
27/11/2013.”.

Despensão

Despensão é o direito do dependente sucessor beneficiário da pensão por


morte de requerer a desaposentação após o falecimento do segurado
aposentado.

Com isso, o requerente espera que os reflexos da desaposentação incidam


sobre a pensão por morte.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 79
A principal discussão em torno desse novo instituto é quanto à legitimidade do
pensionista no que se refere ao direito de requerer a desaposentação do
segurado falecido.

Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça, por sua Segunda Turma, se


posicionou sobre este tema ao proferir decisão no Resp. 1515929, Relator Min.
Humberto Martins, no sentido de que “viúva não tem legitimidade para pedir
desaposentação em nome de falecido”.

Para tanto, foi sustentado, dentre outras coisas, o fato de que “A


desaposentação, por consistir no desfazimento do ato de aposentadoria, e não
em sua revisão, só pode ser requerida pelo titular do direito, tendo em vista o
seu caráter personalíssimo.” E que “o direito é personalíssimo do segurado
aposentado, pois não se trata de mera revisão do benefício de aposentadoria,
mas, sim, de renúncia, para que novo e posterior benefício, mais vantajoso,
seja concedido”. (decisão de 23/06/2015, publicada em 30/06/2015)
Disponível em:
<http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias/Viúva-não-tem-
legitimidade-para-pedir-desaposentação-em-nome-do-falecido> Acesso em: 22
ago 2015

Caráter personalíssimo
O Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região (10ª Turma, e-DJF3 Judicial
1 DATA: 12/06/2013) entende pela ilegitimidade ativa ad causam do
pensionista, haja vista que o pedido de desaposentação tem caráter
personalíssimo:

No entanto, o TRF da 1ª Região vêm reconhecendo a legitimidade do sucessor


dependente do segurado falecido de requerer a desaposentação: “(...)
Tratando-se de demanda referente à revisão de benefício de segurado falecido,
a legitimidade ativa ad causam pertence ao espólio ou à universalidade dos
herdeiros e sucessores do de cujus e não ao cônjuge supérstite, uma vez que é

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 80
vedado pleitear, em nome próprio, direito alheio, nos termos dos arts. 6º e 12
do CPC.” (AC 200538000026223, TRF 1ª, 2ª T., Rel. Des. Fed. Francisco de
Assis Betti, J. 01.12.2010, DJ 20.01.2011, p. 76).

“PREVIDENCIÁRIO. DESAPOSENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.


CARÁTER INFRINGENTE. BENEFÍCIO DE TITULARIDADE DE CÔNJUGE
FALECIDO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. CARÁTER PERSONALÍSSIMO.
EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. ARTIGO 267, VI DO CPC.
I - Os embargos de declaração objetivam complementar as decisões judiciais,
quando verificadas omissões, contradições ou obscuridade (Artigo 535, CPC).
(...)”

“II - A parte autora ajuizou a presente ação com o escopo de renunciar a


benefício previdenciário de titularidade de seu cônjuge já falecido, para que
outro, mais favorável, fosse convertido em pensão por morte. (...)”

“III - Carece a parte autora de personalidade jurídica para ingressar com a


ação, pois o direito que se pretende ver afirmado em juízo deve ser pleiteado
em nome próprio, sendo de cunho personalíssimo, nos termos do artigo 6º do
CPC. (...)”

“IV - Atribuindo-se excepcional efeito infringente aos embargos, deve ser


reconhecida, de ofício, a ilegitimidade ativa ad causam, julgando-se extinto o
processo, sem resolução de mérito, ficando prejudicada a apelação da parte
autora.
VI - Embargos de declaração a que se dá provimento, com efeitos infringentes.
(...)”

TRF da 4ª Região

Corroborando, o TRF da 4ª Região:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 81
“(...) O espólio da pensionista da dependente habilitada à pensão por morte
tem legitimidade ativa para propor ação em nome próprio a fim de pleitear
determinada forma de reajuste da aposentadoria por tempo de serviço
pertencente ao segurado finado, com reflexos da pensão da mãe falecida, visto
que tal direito integra-se ao patrimônio do morto e transfere-se aos sucessores,
por seu caráter econômico e não personalíssimo.

Inteligência do Artigo 112 da Lei nº 8.213/1991 em consonância com os


princípios da solidariedade, proteção social dos riscos e moralidade, sob pena
do enriquecimento injustificado da Autarquia Previdenciária. Precedentes do
STJ e desta Corte.” (AC 200571000289427, TRF 4ª, 6ª T., Rel. Des. Federal
João Batista Pinto Silveira, J. 28.04.2010, de 06.05.2010).

Aposentadoria e vinculo de emprego

Vamos agora falar da aposentadoria e do vínculo de emprego. No caso das


aposentadorias por invalidez, há suspensão do contrato de trabalho – Artigo
475 da CLT. Já a aposentadoria voluntaria (idade, por contribuição e especial)
não extingue o contrato de trabalho.

Não há obrigação do trabalhador romper o vínculo de emprego para se


aposentar voluntariamente, em que pese isso trazer prejuízo ao cofre público
em razão das aposentadorias precoces.

São duas relações jurídicas:

Uma entre o empregado e o empregador, decorrente do contrato de trabalho;


outra entre segurado e órgão gestor da Previdência, decorrente da filiação
compulsória.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 82
São duas relações jurídicas:

Congresso Nacional rejeita em 14/04/1994 a Medida Provisória


446

O Congresso Nacional rejeitou em 14/04/1994 a Medida Provisória 446, de


1994, que obrigava o segurado a se desligar da empresa para obter sua
aposentadoria por idade ou tempo de serviço. Hoje não há necessidade do
desligamento, podendo o empregado aposentado continuar trabalhando.

O STF, na ADIN 1.721, declarou a inconstitucionalidade da redação dada ao §


2º do Artigo 453 pela Lei nº 9.528, de 1997, sendo essa uma importante
consequência prática do entendimento sobre a empresa, ao demitir o
empregado já aposentado, dever indenizá-lo, pagando a multa sobre o
montante depositado na conta fundiária.

Atividade proposta
Reflita sobre o texto: “Mais algumas reflexões sobre a desaposentação”
(ARAUJO JUNIOR, 2012).

O artigo aponta alguns pontos normalmente esquecidos sobre o assunto e


rebate certos lugares-comuns propagados pelos mais ferrenhos críticos da
desaposentação.

INTRODUÇÃO
O tema da desaposentação segue despertando acirrados debates no
âmbito da Justiça Federal, notadamente em razão das posições antagônicas
sustentadas, de um lado, pelo Superior Tribunal de Justiça e alguns Tribunais
Regionais Federais (como o da 2ª Região), e, de outro, pelo Turma Nacional de
Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais e outros
tribunais (como o da 3ª Região).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 83
O presente artigo tem por objetivo pôr em relevo alguns pontos
normalmente esquecidos sobre o assunto, bem como rebater certos lugares-
comuns propagados pelos mais ferrenhos críticos da desaposentação.
1. DA EXTINÇÃO DO PECÚLIO, DA SITUAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES
VERTIDAS APÓS A APOSENTADORIA E DA NECESSIDADE DE CONTRIBUIR
MESMO APÓS A APOSENTADORIA
A Lei nº 8.213/91, em sua redação original, previa o pagamento de
pecúlio ao segurado que voltasse a exercer atividade laborativa vinculada ao
RGPS, consistindo o benefício no pagamento único de valor correspondente à
soma das importâncias relativas às contribuições do segurado no exercício da
nova atividade laboral desenvolvida após a aposentadoria:
“Art. 81. São devidos pecúlios:
......
II – ao segurado aposentado por idade ou por tempo de serviço pelo
Regime Geral de Previdência Social que voltar a exercer atividade abrangida
pelo mesmo, quando dela se afastar:
.....
Art. 82. No caso dos incisos I e II do artigo 81, o pecúlio consistirá em
pagamento único de valor correspondente à soma das importâncias relativas às
contribuições do segurado, remuneradas de acordo com o índice de
remuneração básica dos depósitos de poupança com data de aniversário no dia
primeiro”.
O pecúlio consistia essencialmente no benefício previdenciário que
justificava a cobrança de contribuições previdenciárias referentes ao novo
exercício de atividade laboral pelos aposentados (observe-se que não se trata
de tributação de aposentadoria ou pensão, mas sim de contribuição incidente
sobre a remuneração auferida na nova atividade desenvolvida),
estabelecendo vínculo jurídico novo entre o trabalhador e a
previdência.
Além deste benefício, era possível o gozo do auxílio-acidente, a
prestação da reabilitação profissional e a transformação da aposentadoria em
aposentadoria acidentária.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 84
Em outras palavras, quando o trabalhador voltava a exercer nova
atividade laboral, após a aposentadoria, estabelecia-se nova filiação junto ao
RGPS, distinta da anterior que proporcionara a inatividade, oportunidade em
que se colocava a sua disposição para fruição, caso preenchidos os requisitos
legais, o pecúlio, o auxílio-acidente, a reabilitação profissional e a
transformação da aposentadoria em acidentária.
Nesse sentido, deve ser citado o art. 18, § 2º, da Lei nº 8.213/91:
“O aposentado pelo Regime Geral da previdência Social que permanecer
em atividade sujeita a este regime, ou a ele retornar, somente tem direito a
reabilitação profissional, ao auxílio-acidente e aos pecúlios, não fazendo jus a
outras prestações, salvo as decorrentes de sua condição de aposentado,
observado o disposto no art. 122 desta Lei.”
A Lei n.º 8.870/94 extinguiu o pecúlio e isentou os aposentados do
pagamento de contribuição. Contudo, a partir da entrada em vigor da Lei no.
9.032/95, voltaram os jubilados a figurar como segurados obrigatórios, desta
feita sem direito a pecúlio.
Com a revogação dos artigos 81 a 85 da Lei n.º 8.213/91 (RGPS) e a
adição do § 4º ao art. 12 da Lei nº 8.212/91 (plano de custeio da seguridade
social) ficou explícita a cobrança da contribuição anteriormente prevista
genericamente na mesma lei, tendo sido também alterado o art. 18, § 2º:
“Art. 12....
Parágrafo 4º O aposentado pelo regime Geral de Previdência Social (RGPS)
que estiver exercendo ou que voltar a exercer atividade abrangida por este
regime é segurado obrigatório em relação a essa atividade, ficando sujeito às
contribuições de que trata esta lei, para fins de custeio da Seguridade Social.”
“Art. 18....
Parágrafo 2º, O aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social
(RGPS) que permanecer em atividade sujeita a este regime, ou a ela retornar,
não fará jus a prestação alguma de Previdência Social em decorrência do
exercício dessa atividade, exceto ao salário-família, à reabilitação profissional e
ao auxílio-acidente, quando empregado.”

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 85
Por fim, a Lei n.º 9.528/97 excluiu o auxílio-acidente do rol de
benefícios admitidos após a aposentação.
Depreende-se da evolução legislativa que, a despeito da
manutenção da contribuição após a aposentadoria, foram substituídos
o pagamento do auxílio-acidente e a completa devolução dos valores
vertidos pelos simbólicos salário-família e o salário-maternidade,
hipóteses raras na prática em face da idade avançada das aposentadas que em
tese poderiam voltar a trabalhar.
Sobre o assunto, relevante citar os esclarecimentos do juiz federal
Marcelo Leonardo Tavares:
“A norma, além de possuir caráter extremamente injusto, desrespeita o
princípio da contraprestação relativo às contribuições devidas pelos segurados,
tendo em vista que as prestações oferecidas ao aposentado que retorna à
atividade são insignificantes, diante dos valores recolhidos. Pode-se afirmar,
inclusive, que pela natureza das prestações oferecidas (salário-família,
reabilitação profissional e salário-maternidade), não haveria filiação a
regime previdenciário; pois a lei não admite nova aposentação do segurado,
recálculo da aposentadoria anterior ou prevê o pagamento de pecúlio – as
novas prestações vertidas não garantem as espécies mínimas de
benefícios para que se tenha um regime previdenciário: nova
aposentadoria ou nova pensão. O salário-família, benefício pago somente a
segurados de baixa renda empregados e avulsos, provavelmente não será
devido ao idoso, e praticamente já seria em casos de aposentadoria sem novo
exercício de atividade; os demais segurados não farão jus, de qualquer forma.
O salário maternidade, provavelmente, não será fruído pela aposentada; de
qualquer forma, os segurados homens não poderão fruí-lo. A reabilitação
profissional é um serviço, não envolvendo qualquer tipo de retorno pecuniário
ao utilizador que, uma vez aposentado, não terá, obrigatoriamente, desejo de
se submeter a este tipo de tratamento”. (grifei)[1]
É neste cenário que se insere a discussão em torno da possibilidade de
o segurado aposentado valer-se de contribuições posteriores para obter uma
aposentadoria mais vantajosa.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 86
2. DO CARÁTER FUNDAMENTAL DO DIREITO À PREVIDÊNCIA SOCIAL E DO
CARÁTER PATRIMONIAL DE SUAS PRESTAÇÕES
O direito à aposentadoria, por materializar o direito social à previdência
social previsto no art. 6º da Constituição Federal, é dotado de caráter
fundamental, de modo que a indisponibilidade se apresenta como uma
característica que lhe é inerente.
A percepção patrimonial das parcelas do benefício, contudo, é
disponível, podendo sofrer renúncia pelo aposentado, na medida em que as
prestações mensais estão relacionadas a um aspecto meramente financeiro do
benefício, notadamente quando se pretende uma concretização mais efetiva
desse direito por meio da obtenção de aposentadoria mais vantajosa.
Nesse ponto, cabe observar que, ao contrário do direito fundamental
social à aposentadoria, o benefício de aposentadoria em si apresenta cunho
patrimonial e disponível, de manifestação unilateral pelo beneficiário, de modo
que nada impede que o segurado renuncie expressamente ao benefício já
concedido. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça:
AGRAVO REGIMENTAL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA. DIREITO DE
RENÚNCIA. CABIMENTO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE CERTIDÃO DE
TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO PARA NOVA APOSENTADORIA. NECESSIDADE DE
DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS PELO INSS. FALTA DE INTERESSE.
1. Esta Corte firmou compreensão de que a aposentadoria, direito
patrimonial disponível, pode ser objeto de renúncia, revelando-se
possível, nesses casos, a contagem do respectivo tempo de serviço
para a obtenção de nova aposentadoria, ainda que por outro regime
de previdência.
2. No que tange à restituição dos valores pagos pelo INSS a título de
aposentadoria, o Tribunal decidiu no mesmo sentido do pleito recursal,
mostrando-se evidente a falta de interesse em recorrer quanto ao tema.
3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1232336/SC, Rel. Ministro Haroldo Rodrigues
(Desembargador Convocado do TJ/CE), Sexta Turma, julgado em 05/04/2011,
DJe 16/05/2011) (grifei)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 87
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA.
DIREITO PATRIMONIAL DISPONÍVEL. RENÚNCIA. POSSIBILIDADE.
1. É firme a compreensão desta Corte Superior de Justiça que,
sendo a aposentadoria direito patrimonial disponível, é cabível a
renúncia a tal benefício, não havendo, ainda, impedimento para que o
segurado que continue a contribuir para o sistema formule novo
pedido de aposentação que lhe seja mais vantajoso. Precedentes.
2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no
REsp 1121427/SC, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em
23/11/2010, DJe 13/12/2010) (grifei)
Esta é a premissa básica para analisar a possibilidade de
desconstituição do ato administrativo que concede a aposentadoria. A partir do
momento em que o segurado tem reconhecida a prerrogativa de deixar de
receber parcelas do benefício, ainda que o direito à sua concessão seja
indisponível, não há qualquer óbice jurídico à sua admissão no ordenamento
jurídico.
3. DA DESAPOSENTAÇÃO
Não existe previsão legal expressa que autoriza a desaposentação no
ordenamento jurídico brasileiro. Não existe, tampouco, norma proibitiva. A
suposta proibição decorrente de previsão contida em decreto regulamentar (art.
181-B Dec. 3.048/99) não pode ser encarada como restrição a tal instituto, uma
vez que o ato infralegal extrapola sua órbita de incidência ao pretender inovar no
ordenamento, prevendo norma não contida na Lei 8.213/91.
Diante disso, a ausência de dispositivo legal que proíba a renúncia a
benefício previdenciário deve ser vista como permissão para tal medida, e não
o contrário, haja vista a garantia constitucional assegurada no art. 5º, II, da
Magna Carta, de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo
senão em virtude de lei.
Por conseguinte, a previsão contida no art. 18, 2º da Lei 8.213/91,
segundo a qual “o aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social que
permanecer em atividade sujeita a esse regime ou a ele retornar, não fará jus a
prestação alguma da Previdência Social em decorrência do exercício dessa

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 88
atividade, exceto ao salário família e à reabilitação profissional, quando
empregado” deve ser compreendida como regra que veda a percepção
simultânea de dois benefícios, mas não como norma que impede que o
segurado tenha uma contrapartida em relação às novas contribuições que
verteu.
O Tribunal Regional Federal da 2ª Região compartilha do mesmo
entendimento:
“PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
DESAPOSENTAÇÃO. ART. 18, §2º, DA LEI Nº 8.213/91. PROIBIÇÃO À
CUMULATIVIDADE DE BENEFÍCIOS E NÃO À DESAPOSENTAÇÃO. VEDAÇÃO
CONTIDA NO DECRETO 3.048/99 NÃO TEM FORÇA PARA CRIAR, EXTINGUIR
OU MODIFICAR DIREITOS. NATUREZA MERAMENTE REGULAMENTADORA. I-
Os embargos de declaração são cabíveis quando verificada a ocorrência, no
julgamento impugnado, de qualquer dos vícios constantes dos incisos I e II, do
artigo 535, do CPC (obscuridade, contradição, omissão e, por construção
pretoriana integrativa, a hipótese de erro material), ou quando for omitido
ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o juiz ou tribunal, não sendo este
recurso meio hábil ao reexame da causa. II- O art. 18, § 2º, da Lei nº.
8.213/91 deve ser interpretado de forma sistemática com o art. 124,
II da mencionada Lei, no sentido de tão somente proibir a concessão
de nova aposentadoria ao segurado já aposentado, que permanece ou
retorna à atividade profissional, se redundar em cumulatividade de
benefícios, não impedindo a renúncia de aposentadoria. Deste modo,
ocorrendo a renúncia, tem-se por afastada a vedação legal, por não
mais se tratar da situação disciplinada pela norma. III- Somente o
Decreto nº. 3.048/99, com redação dada pelo Decreto nº. 3.265/99,
estabelece que os benefícios concedidos pela Previdência Social são
irreversíveis (ato jurídico perfeito) e irrenunciáveis (dado o seu
caráter alimentar). Entretanto, não vislumbro óbice legal ao exercício
do direito de renúncia, vez que vedação emanada do Decreto nº
3.048/99 (art. 181-B) não tem força para criar, extinguir ou modificar
direito, dada sua natureza meramente regulamentadora, pelo que tal

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 89
impedimento só seria possível mediante lei no sentido formal.
Ademais, esta vedação foi instituída com a finalidade de preservar o
interesse do segurado e não de obstar a opção por outro benefício
mais vantajoso. IV- Quanto aos demais argumentos expendidos, verifica-se
que o intuito não é outro senão o de rediscutir o julgado; sendo certo que não
se acolhem Embargos de Declaração que, sob pretexto de corrigir
obscuridades, contradições ou omissões, almejam o reexame de matéria
analisada no decisório embargado. Note-se que somente em hipóteses
excepcionais pode-se atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração,
não sendo este o caso dos autos. V- Embargos de Declaração parcialmente
providos para esclarecer os pontos suscitados, sem, contudo, atribuir efeitos
infringentes ao recurso. (TRF2, AC 201051018045574, Rel. Aluisio Gonçalves de
Castro Mendes, Primeira Turma, e-DJF2R 06/05/2011, p. 214) (grifei)
Imprescindível salientar, mais uma vez, o caráter protetivo da
previdência social, a qual se destina a socorrer seus segurados, contribuindo
para a formação plena do indivíduo, constituindo o seu patrimônio mínimo. A
previdência social integra o rol dos direitos fundamentais, relacionando-se
diretamente com o princípio da dignidade da pessoa humana, vetor
axiológico de um Estado Democrático e pluralista.
Nesse contexto, o magistrado deve ter papel ativo na implementação
do texto constitucional, impondo-se à sua atuação um compromisso com a
proteção dos direitos fundamentais sociais em mesmo grau de efetividade que
a dos direitos fundamentais de caráter negativo.
Tendo isso como parâmetro, a realidade social deve pautar a atuação
do julgador. Não se pode esquecer que o trabalhador brasileiro aguarda o
momento da aposentadoria por toda a vida. O benefício previdenciário mostra-
se, sobretudo para as camadas mais pobres da população, como uma garantia
ao indivíduo, que possui o conforto de saber que, após árduo período
contributivo, fará jus ao benefício previdenciário.
Ressalto, nessa esteira, que a volta do segurado ao mercado de
trabalho mesmo após a aposentadoria é algo que não se planeja e, ao mesmo
tempo, constitui um prêmio, porque traz, consigo, um ganho econômico e

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 90
profissional. Assim, o recolhimento de novas contribuições após a
aposentadoria está longe de ser um mero “jogo de sorte” ou uma
busca do “melhor dos dois mundos”. Não se trata de uma busca
desenfreada pela capitalização de recursos, afinal é sabido que o próprio INSS
dá de ombros aos pedidos que batem à sua porta. O que o segurado quer é ver
reconhecido um novo tempo contributivo que arduamente conseguiu
acrescentar ao seu histórico laboral, e não obter rendimentos decorrentes de
um investimento a fundo perdido. Sem qualquer contraprestação – decorrente
da extinção do pecúlio, como visto acima -, as suas contribuições deixam de
oferecer-lhe qualquer benefício.
Cabe sublinhar, ainda, que, numa realidade como a brasileira, não só a
aposentadoria, mas também manter-se inserido no mercado de trabalho, são
conquistas a serem prestigiadas - e não subestimadas - pelo nosso
ordenamento.
Da mesma forma, não há violação ao princípio da isonomia. Trata-se de
reconhecimento que pode ser estendido a todos que se encontram na mesma
situação, de modo que o ato de renunciar ao benefício é uma escolha de cada
segurado da Previdência, dentro das possibilidades fáticas e jurídicas
existentes.
Por outro lado, não procedeo argumento de que a desaposentação
representaria desequilíbrio atuarial ou financeiro ao sistema protetivo. Existindo
posterior contribuição após a aposentadoria, torna-se ausente o
impedimento atuarial ou financeiro para a revisão do valor do benefício. A
nova cotização após a aposentadoria gera excedente atuarialmente imprevisto,
o qual pode ser utilizado para a obtenção do novo benefício, sem prejuízo ao
RGPS.
É muito fácil impor o discurso fiscalista de “acerto de caixa”
aos segurados da Previdência Social quando vinte por cento das
receitas da União sequer chegam a ingressar na conta da seguridade
social, por meio da Desvinculação de Receitas da União - DRU. A efetivação de
um direito social pressupõe desembolso de recursos pelo Estado, os quais estão
relacionados às suas finalidades e não buscam um mero equilíbrio financeiro,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 91
superávit primário ou ajustes fiscais com o fim de prestigiar credores
privilegiados em detrimento do trabalhador.
Por fim, cumpre observar que, no âmbito do serviço público, já se
admite o retorno ao trabalho com possibilidade de aposentadoria nova em
momento posterior, por meio da reversão, instituto previsto no art. 25 da Lei nº
8.112/91.
Em resumo, se o segurado quer renunciar à sua aposentadoria, porque
continuou trabalhando, com o objetivo de que, no futuro, obtenha uma nova
aposentadoria, mais vantajosa porque superior, não pode haver obstáculos à
sua pretensão.
4. DA DESNECESSIDADE DE DEVOLUÇÃO DAS PRESTAÇÕES RECEBIDAS
Reconhecido o direito à desaposentação, importante salientar a
natureza alimentar das verbas já recebidas, porquanto foram destinadas à
subsistência do segurado.
A desaposentação possui natureza desconstitutiva, cujos efeitos são
ex nunc, ou seja, uma aposentadoria tem fim em razão da renúncia pelo
segurado, momento a partir do qual outra será concedida, sem qualquer
cumulação de benefícios.
Deve-se, ainda, ressaltar a natureza alimentar das verbas recebidas
que, por se destinarem a manter a subsistência do segurado, são amparadas
pelo princípio da irrepetibilidade.
Sobre a desnecessidade de devolver os valores recebidos em razão da
aposentadoria renunciada, o Superior Tribunal de Justiça reiteradamente se
pronunciou:
“PREVIDENCIÁRIO. RENÚNCIA À APOSENTADORIA. DEVOLUÇÃO DE
VALORES. DESNECESSIDADE.
1. A renúncia à aposentadoria, para fins de aproveitamento do
tempo de contribuição e concessão de novo benefício, seja no mesmo
regime ou em regime diverso, não importa em devolução dos valores
percebidos, "pois enquanto perdurou a aposentadoria pelo regime
geral, os pagamentos, de natureza alimentar, eram indiscutivelmente
devidos" (REsp 692.628/DF, Sexta Turma, Relator o Ministro Nilson Naves,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 92
DJU de 5.9.2005). Precedentes de ambas as Turmas componentes da Terceira
Seção.
2. Recurso especial provido.” (grifei)
(REsp 1113682/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/
Acórdão Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 23/02/2010, DJe
26/04/2010)
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO MANTIDA POR
SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA.
DIREITO DE RENÚNCIA. CABIMENTO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE
CERTIDÃO DE TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO PARA NOVA APOSENTADORIA.
DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS NA VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO
ANTERIOR. EFEITOS EX NUNC.
DESNECESSIDADE.
1. Não há como abrigar agravo regimental que não logra desconstituir os
fundamentos da decisão atacada.
2. O entendimento desta Corte Superior de Justiça é no sentido de se
admitir a renúncia à aposentadoria objetivando o aproveitamento do tempo de
contribuição e posterior concessão de novo benefício, independentemente do
regime previdenciário que se encontra o segurado.
3. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o ato de renunciar
ao benefício tem efeitos ex nunc e não envolve a obrigação de
devolução das parcelas recebidas, pois, enquanto aposentado, o
segurado fez jus aos proventos.
4. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg nos EDcl no REsp 1243825/SC, Rel. Ministro Haroldo Rodrigues
(Desembargador Convocado do TJ/CE), Sexta Turma, julgado em 17/05/2011,
DJe 15/06/2011)
CONCLUSÃO
Posto isso, a fim de que não se esvazie o instituto, não basta o
reconhecimento da desaposentação, mostrando-se igualmente necessária, para
a sua concretização, a não restituição das parcelas recebidas, a qual pressupõe
o legítimo recebimento pelo segurado da aposentadoria anterior, concedida em

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 93
razão do reconhecimento de um direito fundamental adquirido. Só assim estará
concretizada a manifestação do direito fundamental à Previdência Social.
NOTAS
[1] Direito Previdenciário, ed. Lumen Juris, 2ª ed., 2000, p. 58/59
Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/21126/mais-algumas-reflexoes-
sobre-a-desaposentacao> Acesso em: 06 out 2015.

Chave de resposta: Só é efetivo o reconhecimento da desaposentação


quando for dispensável a restituição das parcelas recebidas em decorrência de
aposentadoria anterior, concedida em razão do reconhecimento de um direito
fundamental adquirido. Só assim estará concretizada a manifestação do direito
fundamental à Previdência Social.

Aprenda Mais

Material complementar

Para saber mais sobre as decisões do STF em relação à desaposentadoria, leia o artigo
“STF deve decidir neste ano sobre a possibilidade de desaposentação”.

disponível em nossa biblioteca virtual.

Para saber mais sobre o pedido de desaposentadoria, leia a reportagem “Pedido de


desaposentação não tem prazo de decadência.” disponível em nossa biblioteca virtual.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 94
Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói:
Impetus, 2015.
TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus. 2011.
VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário. Ed. Atlas,
2014.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 95
Exercícios de fixação
Questão 1
Maria, empregada doméstica, se aposentou por invalidez no dia 01/01/1997,
uma vez que estava incapacitada de exercer sua atividade habitual por
problemas sérios na coluna vertebral. Em 2000, reiniciou seus estudos, de
forma que, em 2005, se formou em Direito, exercendo desde então a advocacia
e recolhendo mês a mês duas contribuições previdenciárias (qualidade de
contribuinte individual). Marque a alternativa correta sobre o caso:
a) Maria não faz jus à desaposentação porque ocorreu decadência.
b) Maria faz jus à desaposentação e não ocorreu decadência porque o STJ decidiu
que o Artigo 103 da Lei nº 8.213/1991 não deve ser interpretado de forma
ampliativa.
c) Maria faz jus à desaposentação e não ocorreu decadência porque o STF,
guardião da Constituição, decidiu que o Artigo 103 da Lei nº 8.213/1991 não
deve ser interpretado de forma ampliativa.
d) Maria faz jus à desaposentação, mas, segundo recente posição do STJ, terá que
devolver os valores recebidos da aposentadoria a que deseja preterir para a
concessão de novo e posterior jubilamento.

Questão 2
Claudia é aposentada pelo RGPS e retornou à atividade na qualidade de
empregada, razão pela qual passou a sujeitar-se novamente às contribuições
previdenciárias. Marque a alternativa correta sobre o caso:
a) Apesar de voltar a contribuir, Claudia não terá direito ao auxílio-doença, se
manifestar incapacidade temporária para o trabalho.
b) Apesar de voltar a contribuir, Claudia não terá direito ao salário-maternidade
c) Voltando a contribuir, poderá ter direito à uma segunda aposentadoria.
d) Voltando a contribuir, fará jus ao benefício do pecúlio.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 96
Questão 3
Carlos, pedreiro, sempre contribuiu para a Previdência Social e se aposentou
por tempo de contribuição em 2008. Posteriormente, matriculou-se em uma
universidade em Cabo Frio, onde passou a estudar Direito. Em determinada
aula sobre desaposentação, perguntou ao seu professor se, quando se formar,
poderia trabalhar e depois ter uma outra aposentadoria como advogado. Qual
deve ser a resposta do professor, levando em conta a jurisprudência atual do
STJ?
a) Não pode haver desaposentação.
b) Pode Carlos renunciar à primeira aposentadoria e pleitear uma segunda, mas
terá que devolver tudo que recebeu na primeira aposentadoria.
c) A desaposentação é uma garantia prevista na Constituição e pode ser requerida
a qualquer momento.
d) Pode Carlos renunciar à primeira aposentadoria e pleitear uma segunda, e não
terá que devolver tudo que recebeu na primeira aposentadoria.

Questão 4
Manuel é aposentado pelo RGPS e retornou à atividade na qualidade de
contribuinte individual, razão pela qual passou a sujeitar-se novamente às
contribuições previdenciárias. Marque a alternativa correta sobre o caso:
a) Voltando a contribuir, Manuel terá direito ao auxílio-doença, se manifestar
incapacidade temporária para o trabalho.
b) Apesar de voltar a contribuir, Manuel não terá direito à reabilitação profissional.
c) Voltando a contribuir, poderá ter direito à uma segunda aposentadoria.
d) Voltando a contribuir, poderá se desaposentar a qualquer momento.

Questão 5
João, já aposentado por idade, foi empregado como empacotador em um
supermercado – na qualidade de segurado-empregado. Quando ele for ao seu
escritório a fim de saber se pode pedir revisão de aposentadoria para aumentar
o valor que recebe mensalmente, qual orientação você deve oferecer?

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 97
a) Não é possível aumentar o valor da aposentadoria porque é ato jurídico
perfeito.
b) Não é possível aumentar o valor da aposentadoria porque o INSS não admite o
pedido de qualquer revisão de aposentadoria.
c) Pode requerer desaposentação, mas não precisa respeitar o prazo decadencial
do Artigo 103 da Lei nº 8.213/1991.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 98
Aula 3
Exercícios de fixação
Questão 1 - B
Justificativa: O STJ se posicionou, em dezembro de 2013 (AgRg no REsp
1261041), defendendo a desaposentação não se tratar de verdadeiro pedido de
revisão de aposentadoria, e, portanto, ser insuscetível à decadência.

Questão 2 - A
Justificativa: Artigo 18, § 2º, da Lei nº 8.213/1991, o aposentado pelo Regime
Geral de Previdência Social (RGPS) que permanecer em atividade sujeita a esse
regime, ou a ele retornar, não fará jus à prestação alguma da Previdência
Social em decorrência do exercício dessa atividade, exceto ao salário-família e à
reabilitação profissional, quando empregado.

Questão 3 - D
Justificativa: Os benefícios previdenciários são direitos patrimoniais disponíveis,
suscetíveis de desistência pelos seus titulares, prescindindo-se da devolução
dos valores recebidos da aposentadoria a que o segurado deseja preterir para a
concessão de novo e posterior jubilamento (STJ Resp 1334.448).

Questão 4 - D
Justificativa: O STJ (AgRg no REsp 1261041) se posicionou instruindo sobre a
desaposentação não ser considerada revisão de aposentadoria, sendo,
portanto, insuscetível à decadência e podendo ser requerida a qualquer
momento.

Questão 5 - C
Justificativa: O STJ (AgRg no REsp 1261041) se posicionou instruindo sobre a
desaposentação não ser considerada revisão de aposentadoria, sendo,

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 99
portanto, insuscetível à decadência e podendo ser requerida a qualquer
momento.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 100


Introdução
O tema central da aula de hoje — aposentadoria por tempo de contribuição,
notadamente no que se refere ao fator previdenciário — é de grande relevância
social e palco de divergência entre o Poder Legislativo e o Executivo.

O conteúdo é elaborado considerando o ordenamento jurídico vigente. Motivo


pelo o qual recomendamos especial atenção à votação do Projeto de Lei
nº3299/08 e seus apensos, em especial o PL 2638/15, que se encontram na
mesa diretora da Câmara dos Deputados, segundo despacho de 21/08/2015.
Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=
391382> Acesso em: 22 ago 2015.
Estudaremos os seguintes tópicos:
01.Considerações sobre aposentadoria por tempo de contribuição;
02.Tempo de contribuição para fins previdenciários;
03. Efeitos das decisões trabalhistas frente ao INSS;
04.Contagem do tempo de contribuição: prova do tempo de contribuição,
reconhecimento do tempo de filiação, atividade rurícola e regime de economia
familiar, aluno-aprendiz;
05.Justificação administrativa, e ação declaratória para fins de reconhecimento
de tempo de contribuição.
06. Estudo de caso: Súmula 31 do TNU. Resp.524140/2007 e PEDILEF
5086469120064058103 (TNU), publicado em 01/06/2012.

Objetivos:
1. Conhecer as provas sobre tempo de contribuição;
2. Sedimentar estudo sobre a aposentadoria por tempo de contribuição e
conhecer algumas peculiaridades inerentes à mesma, como tempo de
contribuição, fator previdenciário, contagem do tempo de contribuição, efeitos
das decisões trabalhistas, dentre outras coisas.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 101


Conteúdo
Atividade proposta
Antes de iniciar, conheça um case que aborda o conteúdo que será discutido na
aula. Em seguida, diante do exposto, responda de forma fundamentada a
questão proposta.

Carlos ajuíza ação em 03-11-2011 objetivando a declaração do direito à


contagem de seu tempo de serviço prestado como auxiliar de mecânico na
oficina de seu pai, no período de abril de 1970 a maio de 1975, e como
mecânico na Oficina Carro Novo, no período de 15 de maio de 1980 a 20 de
janeiro de 1982.

Apresenta declaração unilateral de seu pai, firmada em cartório em 2010,


afirmando que o serviço foi prestado em abril de 1970 a maio de 1975, bem
como sentença homologatória de acordo celebrando em audiência de
conciliação na Justiça do Trabalho com a Oficina Carro, em que se acordou o
pagamento de verbas trabalhistas referentes ao período trabalhado entre 15 de
maio de 1980 a 20 de janeiro de 1982, porém não há nos autos prova do
recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa no período do
acordo. Merece ser acolhido o pedido? Resposta fundamentada.

Chave de resposta: Primeiramente, cabe salientar que o STJ possui


orientação em Súmula 242 STJ no sentido de que cabe ação declaratória
para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários. No que
tange à prova do tempo de serviço, vimos que o tempo de serviço não pode ser
comprovado com prova exclusivamente testemunhal (Artigo 55, § 3º da Lei nº
8.213), deve haver início de prova material. Por conta disso, o autor trouxe aos
autos declaração unilateral firmada por seu pai em cartório e a sentença
homologatória de acordo celebrado na Justiça do Trabalho.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 102


No que tange à declaração unilateral, o STJ (Resp 524140, 6ª turma, DJ
28/05/2007) entende que corresponde a um simples testemunho escrito, não
servindo como início de prova material.

RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL.


INÍCIO DE PROVA MATERIAL. INEXISTÊNCIA. DECLARAÇÃO DE EX-
EMPREGADOR.

1. A comprovação do tempo de serviço para os efeitos desta lei, inclusive


mediante justificação administrativa ou judicial, conforme o disposto
no Artigo 108, só produzirá efeito quando baseada em início de prova
material, não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal, salvo
na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme
disposto no Regulamento. (Artigo 55, parágrafo 3º, da Lei 8.213/91).

2. O início de prova material, de acordo com a interpretação sistemática


da lei, é aquele feito mediante documentos que comprovem o exercício
da atividade nos períodos a serem contados, devendo ser
contemporâneos dos fatos a comprovar, indicando, ainda, o período e
a função exercida pelo trabalhador. (REsp nº 280.402/SP, da minha
Relatoria, in DJ 10/9/2001).

3. A 3ª Seção desta Corte firmou-se no entendimento de que a simples


declaração prestada em favor do segurado, sem guardar
contemporaneidade com o fato declarado, carece da condição de
prova material, exteriorizando, apenas, simples testemunho escrito
que, legalmente, não se mostra apto a comprovar a atividade
laborativa para fins previdenciários (EREsp nº 205.885/SP, Relator
Ministro Fernando Gonçalves, in DJ 30/10/2000).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 103


4. Recurso provido.

No que tange à sentença homologatória do acordo em ação reclamatória


trabalhista, estamos aqui diante dos efeitos das sentenças trabalhistas para fins
previdenciários.

A jurisprudência entende consubstância início de prova material para a


concessão de benefício previdenciário, salvo hipóteses excepcionais, somente
quando fundada em documentos que demonstrem o exercício da atividade
laborativa na função e períodos alegados, sendo irrelevante o fato de inexistir
participação do INSS no processo trabalhista (TRF4, 0002805-
98.2010.404.9999, DJ 06-10-2011).

Nesse sentido, a 5 ª turma do STJ (AgRg no Ag 1301411, DJ 12-05-2011)

PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO.


PENSÃO POR MORTE. INÍCIO DE PROVA MATERIAL. SENTENÇA TRABALHISTA.
INÍCIO DE PROVA MATERIAL CARACTERIZADO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A
FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO.

1. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que a sentença


trabalhista pode ser considerada como início de prova material,
mostrando-se hábil para a determinação do tempo de serviço previsto
no Artigo 55, § 3º, da Lei nº 8.213/91, desde que fundada em
elementos que evidenciem o exercício da atividade laborativa na
função e períodos alegados na ação previdenciária, ainda que o INSS
não tenha integrado a respectiva lide.

2. A ausência de impugnação a fundamento suficiente à manutenção do


acórdão recorrido enseja a incidência da Súmula 283/STF.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 104


3. Agravo regimental a que se nega provimento

Súmula 31 TNU: A anotação na CTPS decorrente de sentença trabalhista


homologatória constitui início de prova material para fins previdenciários.

O período reconhecido por sentença trabalhista não consta do CNIS, sendo que
a anotação na CTPS é extemporânea, realizada pela Secretaria de Vara
Trabalhista, em razão da sentença.

Este caso remonta ao sempre delicado problema do vínculo empregatício


reconhecido em sede trabalhista. Ou seja, de um lado, há uma sentença judicial
preclusa que reconheceu o vínculo, mas, de outro, há os aspectos de que: (i) o
INSS não participou do feito, de modo que não está subjetivamente abrangido
pela coisa julgada; e (ii) o Juiz previdenciário decide relação jurídica diversa
entre o INSS e a jurisprudência dominante dos Juizados Federais e no sentido
de que a conclusão da sentença trabalhista nem é definitiva quanto à relação
previdenciária (não há alargamento dos limites subjetivos da coisa julgada) e
nem é prova plena do vínculo, mas apenas início de prova material. Ou seja, a
Súmula 31 tem a inteligência de que o início de prova material exigível pela
legislação (Lei 3.807/1960, Artigo 32, §9º, incluído pelo DL 66/1966; Lei
8.213/1991, Artigo 55, §3º), que deve ser contemporâneo aos fatos, pode ser
substituída pela sentença trabalhista, que, por óbvio, não apresenta
contemporaneidade.

Cabe à parte autora, a fim de corroborar a sentença trabalhista (tratada como


mero início de prova material), apresentar provas outras (especialmente a
testemunhal), com o fito de comprovar o período contributivo.

No que tange aos recolhimentos das contribuições previdenciárias, o certo é


que o empregado é segurado obrigatório do RGPS a partir do primeiro dia de
trabalho, independente de ter havido recolhimento de contribuições
previdenciárias, e o Artigo 43 da Lei 8212 prevê que, nas ações trabalhistas de

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 105


que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição
previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato
recolhimento das importâncias devidas à seguridade social.

§ 3º. As contribuições sociais serão apuradas mês a mês... devendo o


recolhimento ser efetuado no mesmo prazo em que devam ser pagos os
créditos encontrados em liquidação de sentença ou em acordo homologado,
sendo que, nesse último caso, o recolhimento será feito em tantas parcelas
quanto as previstas no acordo, nas mesmas datas em que sejam exigíveis e
proporcionalmente a cada uma delas.

Sendo assim, a falta de recolhimento de contribuições é questão tributária que


se resolve na seara da execução trabalhista, não podendo o INSS deixar de
reconhecer o tempo de serviço homologado em acordo trabalhista.

Aposentadoria por tempo de contribuição


A aposentadoria por tempo de contribuição é produto da EC. 20-1998, prevista
no Artigo 201, § 7º, da CF, e a proposta original para sua criação era cumular
requisitos de idade e tempo de contribuição. Como a proposta não passou na
Câmara, foi criado o fator previdenciário em 1999.

“Artigo 201. [...]


§ 7º. É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos
termos da lei, obedecidas as seguintes condições:
I – trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de
contribuição, se mulher;
II – sessenta e cinco anos, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher,
reduzida em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos
e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes
incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.”

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 106


A aposentadoria por tempo de contribuição é prevista no art. 201, § 7º, I, da
CF e foi instituída pela EC 20/98, em substituição a aposentadoria por tempo de
serviço.

O objetivo dessa mudança de conceitos foi adotar, de forma definitiva, o


aspecto contributivo no regime previdenciário. Isso porque sempre foi comum a
contagem de período de trabalho ou de estudo como tempo de serviço, mesmo
quando o segurado não realizava qualquer contribuição para o sistema, o que
não é compatível com a ideia de regime previdenciário de natureza contributiva
que busca o equilíbrio financeiro e atuarial (art. 201, caput, CRF).

Atenção

Essa aposentadoria sofre críticas por parte da doutrina, pois para


alguns não se trata de benefício tipicamente previdenciário,
porque não há risco social sendo protegido; seria destinada a
classe social economicamente privilegiada, já que a dificuldade
de comprovar o tempo de contribuição acaba impondo aos
trabalhadores de baixa renda a aposentadoria por idade; gera
uma solidariedade as avessas no sistema; a previdência social
não é poupança, mas seguro social; permite aposentadoria com
idade muito inferior ao que se entende por idade avançada.

Qualidade de segurado - Lei nº 10.666, de 2003


Artigo 3º A perda da qualidade de segurado não será considerada para a
concessão das aposentadorias por tempo de contribuição e especial.

Beneficiários: Todos os segurados, com exceção:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 107


do segurado especial (a não ser que contribua também de forma facultativa
com base na aplicação de 20% sobre o salário de contribuição, nos moldes do
contribuinte individual, e segurado facultativo, o que lhe dará direito à
percepção dos benefícios sem as restrições do Artigo 39, da Lei nº 8.213);

o contribuinte individual (que contribua com alíquota de 11% sobre salário


mínimo, conforme LC 123, de 2006);

o segurado facultativo (que contribua com alíquota de 11% sobre o salário


mínimo, conforme LC 123, de 2006, lembrando aqui da dona de casa de baixa
renda que contribui com 5%, conforme Artigo 21, § 2º, II,”b” da Lei nº 8.212,
com redação pela Lei nº 12.470, de 2011).

Atenção

Diz respeito à questão da desfiliação previdenciária. Aqui a lógica


previdenciária é semelhante a de um seguro, em que enquanto a
pessoa está vinculada à uma seguradora, como exemplo no caso
de contrato de seguro de um veículo, se diz segurada, ou seja,
tem a qualidade de segurada, mas se não o renovar, na época
própria, perde a qualidade de segurado.

Enquanto o segurado detiver essa qualidade estará coberto


quanto às necessidade sociais previstas em lei. E a perda da
mesma resultará na perda de direitos também por parte de seus
dependentes.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 108


Artigo 18, da Lei nº 8.213
Microempreendedor individual

Artigo 18, da Lei nº 8.213. O segurado contribuinte individual, que trabalhe


por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e o
segurado facultativo que contribua na forma do § 2o do Artigo 21, da Lei nº
8.212, de 24 de julho de 1991, não farão jus à aposentadoria por tempo de
contribuição.
O microempreendedor individual (que contribua com alíquota de 5%,
conforme Artigo 21, § 2º, II, “a” da Lei nº 8.212, com redação pela Lei
nº 12.470, de 2011) vide LC 128, de 2008.

LEI 8.212 - ARTIGO. 21. A alíquota de contribuição dos segurados


contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo
salário de contribuição. (Redação dada pela Lei 9.876, de 1999).

I - revogado; (Redação dada pela Lei 9.876, de 1999).

II - revogado. (Redação dada pela Lei 9.876, de 1999).

§ 1º Os valores do salário de contribuição serão reajustados, a partir da data de


entrada em vigor desta lei, na mesma época e com os mesmos índices que os
do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.
(Redação dada pela Lei 9.711, de 1998). (Renumerado pela Lei Complementar
123, de 2006).

§ 2o No caso de opção pela exclusão do direito ao benefício de


aposentadoria por tempo de contribuição, a alíquota de contribuição incidente
sobre o limite mínimo mensal do salário de contribuição será de: (Redação
dada pela lei 12.470, de 2011).

I - 11% (onze por cento), no caso do segurado contribuinte individual,


ressalvado o disposto no inciso II, que trabalhe por conta própria, sem relação
de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo, observado

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 109


o disposto na alínea b do inciso II deste parágrafo; (Incluído pela Lei 12.470,
de 2011),

II - 5% (cinco por cento): (Incluído pela Lei 12.470, de 2011),

a) no caso do microempreendedor individual, de que trata o Artigo 18-A


da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006; e (Incluído pela Lei
12.470, de 2011) (Produção de efeito).

b) do segurado facultativo sem renda própria que se dedique


exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencente a família de baixa renda (Incluído pela Lei 12.470, de 2011).

§ 3o O segurado que tenha contribuído na forma do § 2o deste artigo e


pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção
da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do
tempo de contribuição a que se refere o Artigo 94 da Lei 8.213, de 24 de julho
de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante recolhimento,
sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do salário de
contribuição em vigor na competência a ser complementada, da diferença entre
o percentual pago e o de 20% (vinte por cento), acrescido dos juros moratórios
de que trata o § 3o do Artigo 5o da Lei 9.430, de 27 de dezembro de
1996. (Redação dada pela Lei 12.470, de 2011) (Produção de efeito).

§ 4o Considera-se de baixa renda, para os fins do disposto na alínea b do


inciso II do § 2o deste artigo, a família inscrita no Cadastro Único para
Programas Sociais do Governo Federal - CadÚnico cuja renda mensal seja de
até 2 (dois) salários mínimos. (Redação dada pela Lei 12.470, de 2011).

§ 5o A contribuição complementar a que se refere o § 3o deste artigo será


exigida a qualquer tempo, sob pena de indeferimento do benefício. (Incluído
pela Lei 12.507, de 2011).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 110


O tempo de contribuição do contribuinte individual, do segurado
facultativo de baixa renda e do microempreendedor individual, cuja
contribuição tenha sido vertida mediante aplicação de alíquota
diferenciada sobre o limite mínimo do salário de contribuição, não
será computado para fim de fruição da aposentadoria por tempo de
contribuição, a não ser que haja complementação da diferença entre o
percentual pago e o de 20% (vinte por cento), acrescido dos juros moratórios.

Para o professor
A Constituição, no Artigo 201, §8º, prevê que “Os requisitos a que se refere o
inciso I (do Artigo 201, § 7) serão reduzidos em cinco anos para o professor
que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio”.

Portanto, os professores da educação infantil e do ensino fundamental e médio


terão como requisito para aposentadoria uma redução de 5 anos no tempo de
contribuição, mas hoje não iremos aprofundar na questão da aposentadoria do
professor, porque será objeto da próxima aula.

E o professor universitário está fora dessa regra de redução e, por isso, o


tempo de contribuição é de 35 anos para homem e 30 anos para a mulher,
enquadrando-se na regra genérica do Artigo 201, § 7º, imposta aos demais
trabalhadores. Isto foi uma inovação da EC. 20.

Renda Mensal Inicial- RMI


Para tratarmos da RMI da aposentadoria por tempo de contribuição e de outros
benefícios, veja alguns conceitos fundamentais e que são importantes,
principalmente, quando tratarmos da Renda Mensal Inicial dos benefícios.
São os conceitos de salário de benefício, salário de contribuição e
fator previdenciário.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 111


Salário de benefício: É o valor básico usado para o cálculo da Renda Mensal
Inicial dos principais benefícios previdenciários de pagamento continuado.

Salário de contribuição: São os valores dos salários do segurado sobre os


quais incidem contribuição.

Fator previdenciário: O fator previdenciário, criado pela Lei nº 9.876, de 26-


11-1999 (DOU 29-11-1999), se insere na nova fórmula do cálculo da renda
mensal inicial (RMI) da aposentadoria por tempo de contribuição e da
aposentadoria por idade.

Salário de benefício
Um pouco sobre o salário de benefício.

Artigo 28

Os benefícios (prestações pecuniárias) têm valores apurados de formas


diversas.

Artigo 28. O valor do benefício de prestação continuada, inclusive o regido por


norma especial e o decorrente de acidente do trabalho, exceto o salário-família
e o salário-maternidade, será calculado com base no salário de benefício.

Regra geral

Os benefícios são calculados segundo os critérios previstos no Artigo 201, § 3º


da CF: Todos os salários de contribuição considerados para o cálculo de
benefício serão devidamente atualizados, na forma da lei. Ou seja, todos os
salários de contribuição serão atualizados monetariamente para a apuração do
salário de benefício.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 112


Exceções

• Salário-família: valor é o mesmo para todos os beneficiários.


• Salário-maternidade: corresponde à remuneração integral para segurada
empregada e trabalhadora avulsa; último salário de contribuição para a
doméstica; 1-12 da média do valor sobre o qual incidiu a última contribuição
anual para a segurada especial, e 1-12 da média dos últimos salários de
contribuição, apurados em período não superior a 15 meses para contribuintes
individuais e seguradas facultativas. (Artigo 73).
• Pensão por morte: a pensão é apurada com base no valor da aposentadoria
que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado
por invalidez na data de seu falecimento. (Lei nº 75, Lei nº 8212).
• Auxílio-reclusão: é devido com base no valor da aposentadoria por invalidez a
que o segurado faria jus, na data do deferimento do benefício. (Artigo 80, Lei
nº 8.212).

Atenção

Porém, até o advento da CF1988, não era assim, pois não eram
corrigidos todos, mas SOMENTE os 12 mais recentes. Tal regra,
em época de inflação, acarretava muita redução no valor da RMI
em relação ao último salário da atividade.

Artigo 29

Prevê o Artigo 29, da Lei nº 8.213:


Artigo 29. O salário de benefício consiste:
I – para os benefícios de que tratam as alíneas b e c (aposentadoria por
idade e por tempo de contribuição) do inciso I do Artigo 18, na média
aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80%
(oitenta por cento) de todo o período contributivo, multiplicada pelo fator
previdenciário (trazido pela Lei nº 9.876, de 26-11-1999).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 113


II – para os benefícios de que tratam as alíneas a, d, e e h (aposentadoria
por invalidez, aposentadoria especial, auxílio-doença e auxílio-
acidente) do inciso I do Artigo 18, na média aritmética simples dos maiores
salários de contribuição correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o
período contributivo.

Atenção

O salário de benefício atende aos mesmos limites mínimo e


máximo do salário de contribuição obtidos na data de início do
pagamento do benefício (Artigo 29, § 2º Lei nº 8.213), devendo
ser ajustado a estes, quando em desacordo.

Artigo 201

Artigo 201, § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título,


serão incorporados ao salário para efeito de contribuição
previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e
na forma da lei.
Portanto, serão considerados para o salário de benefício os ganhos habituais do
segurado empregado a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de
utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuição previdenciária,
exceto do 13º salário.

Fator previdenciário
O fator previdenciário leva em conta o tempo de contribuição, a idade na data
da aposentadoria e o prazo durante o qual o benefício será pago, ou seja, a
expectativa de sobrevida do segurado. Esta expectativa é definida a partir de
tábua completa de mortalidade para o total da população brasileira, que
compete ao IBGE publicar (Decreto 3.266, de 29-12-1999).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 114


O cálculo do valor do benefício que era feito com base nos 36 últimos salários
de contribuição agora foi substituído pela média dos 80% maiores salários de
contribuição do segurado de todo o período contributivo, multiplicado pelo fator
previdenciário.

Artigo 28 § 7º, da Lei nº 8.213. O fator previdenciário será calculado


considerando-se a idade, a expectativa de sobrevida e o tempo de contribuição
do segurado ao se aposentar, segundo a fórmula:

F - fator previdenciário
TC - tempo de contribuição
ID - idade no momento da aposentadoria
A - alíquota de contribuição até o momento da aposentadoria
ES - expectativa de sobrevida no momento da aposentadoria

Por fim, a informação de que o fator previdenciário se aplica apenas à


aposentadoria por tempo de contribuição e aposentadoria por idade, sendo que
somente na primeira pode haver redução. Quem se aposentar por idade
escolhe a regra mais vantajosa, ou seja, com ou sem aplicação do fator.
Dito isso, vamos falar sobre a RMI da aposentadoria por tempo de
contribuição, que é 100% sobre o salário de benefício.

A RMI, segundo o Artigo 33 da Lei nº 8.213, não terá valor inferior ao salário
mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição,
ressalvado Artigo 45 (que trata do acréscimo de 25% no caso do aposentado
por invalidez necessitar de assistência permanente de outra pessoa).

A- Prova do tempo de contribuição

A prova do tempo de contribuição é feita mediante documentos que


comprovem o exercício da atividade nos períodos a serem contados, devendo
os documentos ser contemporâneos aos fatos a comprovar. A prova

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 115


exclusivamente testemunhal não será admitida para efeito de comprovação de
tempo de serviço, salvo na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito
(Artigo 55, § 3º, da Lei 8.213).

Posição da jurisprudência:

B – Reconhecimento do tempo de filiação

O reconhecimento do tempo de filiação é o direito que o segurado tem de ver


observado, em qualquer época, o tempo de serviço exercido anteriormente em
atividade abrangida pela Previdência Social. Havendo reconhecimento de
filiação em período em que o exercício de atividade não exigia filiação
obrigatória à Previdência Social, esse período somente será averbado se o INSS
for indenizado pelas contribuições não pagas. O INSS atualmente reconhece
que o contribuinte individual informado em GFIP a partir da competência de
abril de 2003 (Lei 10.666) poderá ter deferido o pedido de reconhecimento da
filiação mediante comprovação do exercício da atividade remunerada,
independente do efetivo recolhimento das contribuições.

A sistemática de cálculo para indenização de períodos pretéritos, que estava


disciplinada no Artigo 45, da Lei 8.212, e Artigo 216 § 7, do decreto 3.048, de
1999, foi objeto de nova regulamentação pela LC 128, de 19-12-2008, que
incluiu o Artigo 45 - A à Lei 8.212:

Art. 45‑A. O contribuinte individual que pretenda contar como tempo de


contribuição, para fins de obtenção de benefício no Regime Geral de
Previdência Social ou de contagem recíproca do tempo de contribuição, período
de atividade remunerada alcançada pela decadência, deverá indenizar o INSS.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 116


§ 1o O valor da indenização a que se refere o caput deste artigo e o § 1o do
Artigo 55 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, corresponderá a 20% (vinte por
cento):

I – da média aritmética simples dos maiores salários de contribuição,


reajustados, correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período
contributivo decorrido desde a competência julho de 1994; ou

II – da remuneração sobre a qual incidem as contribuições para o regime


próprio de previdência social a que estiver filiado o interessado, no caso de
indenização para fins da contagem recíproca de que tratam os Artigos 94 a 99
da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, observados o limite máximo previsto no
Artigo 28 e o disposto em regulamento.

§ 2o Sobre os valores apurados na forma do § 1o deste artigo incidirão juros


moratórios de 0,5% (cinco décimos por cento) ao mês, capitalizados
anualmente, limitados ao percentual máximo de 50% (cinquenta por cento), e
multa de 10% (dez por cento).

§ 3o O disposto no § 1o deste artigo não se aplica aos casos de contribuições


em atraso, não alcançadas pela decadência do direito de a Previdência
constituir o respectivo crédito, obedecendo‑se, em relação a elas, as
disposições aplicadas às empresas em geral.

C – Atividade Rurícula e o regime de economia familiar

RECURSO REPETITIVO - REsp 1348633

Primeira Seção admite tempo de serviço rural anterior à prova documental.

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aceitou, por maioria de


votos, a possibilidade de reconhecer período de trabalho rural anterior ao

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 117


documento mais antigo juntado como prova material, baseado em prova
testemunhal, para contagem de tempo de serviço para efeitos previdenciários.

A questão foi decidida seguindo o rito dos recursos repetitivos, quando ações
com a mesma tese ficam suspensas nas instâncias ordinárias e no próprio STJ
até uma decisão definitiva, que guiará as demais.

Tempo de contribuição para fins previdenciários


Considera-se tempo de contribuição o tempo, contado de data a data, desde o
início até a data do requerimento ou do desligamento de atividade abrangida
pela previdência social, descontados os períodos legalmente estabelecidos
como de suspensão de contrato de trabalho, de interrupção de exercício e de
desligamento de atividade.
Como ainda não há definição legal do que deva ser considerado como tempo de
contribuição, consideram-se ainda aplicáveis os conceitos de tempo de serviço
para este fim.

• período exercido de atividade remunerada abrangida pela previdência social


urbana e rural;
• período intercalado em que esteve em gozo de auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez;
• tempo de serviço militar ou de serviço civil alternativo.

• período de gozo de licença-maternidade;


• período de contribuição do segurado facultativo;
• período de percepção de benefício originado por acidente de trabalho,
intercalado ou não.

• período de licença remunerada, desde que tenha havido contribuição;


• tempo de serviço público, aplicada a legislação que ermitã a contagem
recíproca do tempo de serviço.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 118


As situações estão elencadas nos Artigos 55, da Lei nº 8.213, de 1991; e 60, do
Decreto 3.048, de 1999:

tempo exercido na condição de aluno-aprendiz referente ao período de


aprendizado profissional em escola técnica, desde que comprovada a
remuneração, mesmo que indireta, à conta do orçamento público, e o vínculo
empregatício.

tempo de serviço referente a mandato eletivo federal, estadual ou municipal,


desde que não tenha sido contado para efeito de aposentadoria por outro
regime.

• Conheça o Artigo 60 do Decreto 3.048 na íntegra.

Prova material
O segurado entrou com ação contra o INSS para ter reconhecido tempo de
serviço anterior à certidão de casamento, prova documental mais antiga
juntada aos autos, levando em consideração testemunhos de outros
trabalhadores rurais.

O ministro Arnaldo Esteves Lima

O ministro Arnaldo Esteves Lima, relator do processo, reconheceu a


controvérsia da questão citando o Artigo 400 do Código de Processo Civil (CPC),
que prevê, quando não há dispositivo legal diverso, a admissibilidade da prova
testemunhal; a Lei de Benefícios, que, salvo por motivo de força maior ou
caso fortuito, admite a prova exclusivamente documental para basear
comprovação de tempo de serviço, e a Súmula 149 do STJ, segundo a qual “a
prova exclusivamente testemunhal não basta à comprovação da atividade
rurícola para efeito da obtenção de benefício previdenciário”.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 119


Segundo o ministro

Porém, segundo o ministro, o STJ “vem reconhecendo o tempo de serviço rural


mediante apresentação de um início de prova material sem delimitar o
documento mais remoto como termo inicial do período a ser computado,
contando que corroborado por testemunhos idôneos”. Desse modo, é possível
reconhecer o tempo de serviço rural anterior ao documento mais antigo.

Ao analisar a questão específica

Arnaldo Esteves Lima concluiu que as provas testemunhais juntadas para


complementar o início de prova material, tanto do período anterior ao mais
antigo, quanto posterior ao mais recente, eram válidas. Para ele, mesmo que
não haja nenhum documento que comprove a atividade rural anterior à
certidão de casamento do segurado, ocorrido em 1974, os testemunhos
colhidos em juízo sustentam a alegação de que ele trabalha no campo desde
1967.

Ajustes necessários

O ministro entendeu que os documentos apresentados pelo segurado,


associados à prova testemunhal, demonstram o exercício da atividade rural a
partir de 1967 até os idos de 1990. Por isso, restabeleceu a sentença favorável
ao segurado, mas descontou alguns poucos meses do período reconhecido pela
decisão do primeiro grau, pois existem, nos autos, documentos que evidenciam
registros de trabalho urbano que coincidem com o termo final das atividades
como rurícola.

Ainda assim, a concessão de aposentadoria por tempo de serviço é legítima,


pois foi cumprido o tempo de carência exigido pela lei.
O voto do ministro Arnaldo Esteves Lima foi acolhido pela maioria da Primeira
Seção. Os ministros Humberto Martins, Herman Benjamin e Eliana Calmon não

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 120


concordaram com o entendimento do relator, mas ficaram vencidos ao fim do
julgamento.

Súmula 34 TNU: Para fins de comprovação do tempo de labor rural, o início


de prova material deve ser contemporâneo à época dos fatos a provar.
Súmula 30 TNU: Tratando-se de demanda previdenciária, o fato de o imóvel
ser superior ao módulo rural não afasta, por si só, a qualificação de seu
proprietário como segurado especial, desde que comprovada, no autos, a sua
exploração em regime de economia familiar.

D – Aluno-Aprendiz
Súmula 32 do TRF2 - Conta-se como tempo de serviço, para fins
previdenciários, o período de atividade como aluno-aprendiz em escola técnica,
exercida sob a vigência do decreto 4.073, de 1942, desde que tenha havido
retribuição pecuniária, admitindo-se como tão o recebimento de alimentação,
vestuário, moradia, material escolar e parcela de renda auferida com a
execução de encomendas para terceiros, à conta do orçamento da União,
independente de descontos previdenciários.

Aposentadoria e certidão de tempo de serviço como aluno-


aprendiz
A 2ª Turma negou provimento a agravo regimental de decisão do Min. Ricardo
Lewandowski em mandado de segurança, do qual relator, em que concedera a
ordem contra ato do TCU, que considerara irregular a concessão de
aposentadoria à impetrante por entender indevido o cômputo do tempo de
serviço como aluna-aprendiz.
No agravo, a União insurgia-se quanto à ausência de prova efetiva do tempo de
serviço prestado naquela condição.

Observou-se que o STF firmara entendimento, em casos idênticos, no sentido


da legalidade do cômputo desse período.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 121


Ato contínuo, assentou-se não assistir razão à agravante, haja vista que a
impetrante, a fim de comprovar o período de trabalho, juntara certidão de
tempo de serviço expedida por escola técnica, na qual anotada a quantidade de
dias trabalhados como aluna-aprendiz, oportunidade em que teria recebido,
como forma de remuneração, o ensino e a alimentação.
MS 28399 AgR/DF, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 22.5.2012. (MS-
28399) – INFORMATIVO 667 DO STF

Contagem recíproca do tempo de contribuição


O instituto da contagem recíproca do tempo de contribuição permite o
cômputo, para fins de aposentadoria, do período trabalhado no serviço público
e daquele prestado na iniciativa privada, inclusive para o trabalhador urbano e
rural, hipótese em que os regimes de Previdência Social envolvidos se
compensarão financeiramente.

Prevê o Artigo 201 § 9º da CF:


Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem recíproca do tempo de
contribuição na administração pública e na atividade privada, rural e urbana,
hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compensarão
financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei.
Estes critérios estão na Lei nº 9.796, de 5-5-1999, regulamentada pelo Decreto
3.112, de 06-07-1999.

A compensação financeira, em relação ao tempo de sérico ou de contribuição,


será efetuada pelos demais regimes ao regime em que o interessado estiver
vinculado ao requerer o benefício. O tempo de contribuição será computado de
acordo com a legislação vigente à época, observadas as regras do Artigo 96, da
Lei nº 8.213, quais sejam:

não será admitida a contagem em dobro ou em outras condições especiais;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 122


é vedada a contagem de tempo de serviço público com o de atividade privada,
quando concomitantes (ressalvados os casos de acumulação previstos na CF);

o tempo de serviço anterior ou posterior à obrigatoriedade de filiação à


previdência social só será contado mediante indenização da contribuição
correspondente ao período respectivo, com acréscimo de juros moratórios de
0,5% ao mês de multa de 10%.

Justificação administrativa
A justificação administrativa é o meio utilizado para suprir a falta ou
insuficiência de documentos ou produzir prova de fato ou circunstância de
interesse dos beneficiários perante a Previdência Social e que eles não
conseguem demonstrar completar através de documentos (Artigo 108, da Lei
nº 8.213).

Artigo 108. Mediante justificação processada perante a Previdência Social,


observado o disposto no § 3o do Artigo 55 e na forma estabelecida no
Regulamento, poderá ser suprida a falta de documento ou provado ato do
interesse de beneficiário ou empresa, salvo no que se refere a registro público.
Para melhor compreensão, consulte, ainda, do Artigo 142 ao Artigo 151, do
Decreto 3.048.

Cabimento da ação declaratória para reconhecimento de tempo


de contribuição
Portaria n 5.409, de 1999, do MPAS dispensa o INSS de interpor recurso
especial ao STJ nas causas judiciais quando a questão versada no acórdão de
tribunal de segunda instância tratar exclusivamente do cabimento de ação
declaratória para reconhecimento de tempo de serviço rural.
E quando versar sobre outra matéria, o INSS fica autorizado a não interpor
REsp contra a parte da decisão que julga cabível a ação declaratória para
reconhecimento do tempo de serviço rural.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 123


Súmula 242 STJ: cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de
serviço para fins previdenciários.

Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2015.
TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus, 2011.
VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário. Ed. Atlas, 2014.
Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8213compilado.htm"target>
Acesso em: 23 ago 2015

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 124


Exercícios de fixação
Questão 1
Marcelo trabalha para a pessoa jurídica Alfa Beta, exercendo o cargo de auxiliar
administrativo. Em 10-02-2009, com aproximadamente três anos de trabalho
sem carteira assinada, Marcelo ajuíza uma reclamação trabalhista em face de
Alfa Beta, e a ré não contesta. O juízo decreta a revelia e julga procedente o
pedido autoral, reconhecendo o vínculo já que os fatos alegados são
presumidamente verdadeiros diante da revelia da ré e oficia o INSS para
averbar o tempo de serviço no CNIS. Marque a alternativa correta.
a) A sentença trabalhista tem efeitos contra o INSS para fins previdenciários,
ainda que o INSS não tenha sido chamado ao feito trabalhista.
b) A sentença trabalhista não tem efeitos contra o INSS para fins previdenciários,
porque o juiz trabalhista não é competente para julgar matéria previdenciária.
c) A sentença trabalhista não tem efeitos contra o INSS para fins previdenciários,
segundo a jurisprudência dominante do STJ.

Questão 2
Lúcia possuía, em dezembro de 1998, 21 (vinte e um) anos de contribuição
para a Previdência Social, e continuou trabalhando até julho de 2008, quando
completou 48 (quarenta e oito) anos de idade, sendo 10 anos como empregada
doméstica. Nessa situação, Luciana terá direito a:
a) Aposentadoria por tempo de contribuição
b) Aposentadoria especial
c) Aposentadoria por idade urbana
d) Aposentadoria por invalidez

Questão 3
José trabalhou como empregado na empresa Lojas Brasileiras, no período de
01/09/2000 a 01/09/2010, quando a mesma fechou o estabelecimento, levando
consigo todos os documentos de empregados. Nessa situação, José procurou
um advogado, que descobriu que nunca houve recolhimento de tributos pela
empresa, e ajuizou ação para reconhecimento de tempo de serviço.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 125


a) O tempo de serviço pode ser provado por todos os meios de prova.
b) O tempo de serviço não pode ser provado por prova testemunhal.
c) O tempo de serviço não pode ser provado por prova exclusivamente
testemunhal.
d) O tempo de serviço não pode ser provado por prova exclusivamente
documental.

Questão 4
Karina ajuizou ação buscando reconhecer tempo de serviço rural. Nessa
situação, a jurisprudência dominante do STJ não admite:
a) Prova exclusivamente testemunhal
b) Prova exclusivamente documental
c) Prova exclusivamente pericial
d) Somente inspeção judicial

Questão 5
Caio, com o objetivo de comprovar tempo de serviço, junta aos autos do
processo judicial uma certidão de tempo de serviço expedida por escola técnica
em que trabalhou como aluno-aprendiz. Nessa situação:
a) Tal documento basta para reconhecimento de tempo de serviço se, à época dos
fatos, Caio recebeu ensino e alimentação como forma de retribuição.
b) Tal documento basta para reconhecimento de tempo de serviço, ainda que não
haja prova de remuneração à época dos fatos.
c) Tal documento só pode servir de início de prova material, se houver também
prova testemunhal comprovando o fato ali reconhecido.
d) Tal documento só pode servir de início de prova material, se houver também
prova pericial comprovando o fato ali reconhecido, como forma de
remuneração, o ensino e a alimentação.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 126


Aula 4
Exercícios de fixação
Questão 1 - C
Justificativa: STJ, AgRg no Ag 1301411, DJ 12-05-2011) A sentença trabalhista
é mais um elemento de prova em que o juiz federal vai valorar para verificar se
o segurado possui ou não direito a benefício previdenciário.

Questão 2 - A
Justificativa: Artigo 201, §7º da CF: Há direito à aposentadoria por tempo de
contribuição para a mulher que possui 30 anos de contribuição.

Questão 3 - C
Justificativa: Artigo 55 § 3º, da Lei 8.213, de 1991: A lei veda expressamente
que a prova do tempo de serviço seja feita por prova exclusivamente
testemunhal.

Questão 4 - A
Justificativa: Conforme súmula 149 do STJ, a prova exclusivamente
testemunhal não basta à comprovação da atividade rurícola, para efeito da
obtenção de benefício previdenciário.

Questão 5 - A
Justificativa: No MS 28399 AgR/DF (Inf 667 do STF), entendeu-se que há
legalidade do cômputo desse período quando o segurado junta nos autos do
processo certidão de tempo de serviço expedida por escola técnica, na qual
anotada a quantidade de dias trabalhados como aluno-aprendiz, oportunidade
em que teria recebido, como forma de remuneração, o ensino e a alimentação.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 127


Introdução
Em continuidade às nossas aulas, hoje trataremos das chamas aposentadorias
diferenciadas; aposentadoria por idade e benefícios por incapacidade.
TEMAS:
01. Aposentadorias diferenciadas:
1.1 Aposentadoria especial;
1.2. Aposentadoria constitucional do professor;
1.3. Aposentadoria da pessoa com deficiência;
02. Aposentadoria por Idade (urbana e rural);
03. Benefícios por incapacidade (aposentadoria por Invalidez e auxílio-doença).

Objetivo:
1. Conhecer as aposentadorias diferenciadas, a aposentadoria por idade e os
benefícios por incapacidade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 128


Conteúdo
Aposentadorias diferenciadas
A aposentadoria especial é uma espécie de aposentadoria por tempo de
contribuição, com redução de tempo necessário à inativação, concedida em
função das condições especiais nas quais a atividade é desenvolvida,
prejudiciais e geradoras de risco à saúde ou integridade física do segurado.

Respaldo legal

Artigo 18, I, “d” prevê a aposentadoria especial como benefício previdenciário


devido ao segurado quando preencher os requisitos legais.

Finalidade

Compensar o risco social decorrente do maior desgaste físico ou psicológico


(na hipótese de periculosidade, na qual constante o risco) a que são
submetidos os trabalhadores, de forma habitual, no exercício de algumas
atividades.

Para que haja o reconhecimento do tempo laborado como especial, é


necessário atender aos parâmetros fixados na lei vigente à época do
exercício da atividade laboral (tempus regit actum), sendo importante
atentar para o lapso temporal em que o serviço foi prestado.

A aposentadoria especial é uma espécie de aposentadoria por tempo de


contribuição devida ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante um certo
período de tempo.

É benefício concedido em razão das condições particulares em que a atividade


laborativa é executada, pressupõe exposição permanentemente (não ocasional

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 129


nem intermitente) a agentes nocivos, de ordem física, química ou biológica, em
ambiente de trabalho.

Mesmo para os que são submetidos a condições efetivamente insalubres, há


consenso quanto ao fato de que esse jubilamento antecipado representa
verdadeiro legitimador da violência frente à saúde do trabalhador, o que não
condiz com um ordenamento jurídico centrado na dignidade da pessoa
humana. Por isso, necessário se faz a implementação de ações em saúde
ocupacional, capazes de eliminar tais atividades nocivas, as quais passariam, no
máximo, a ser admitidas em raríssimas hipóteses. Tem-se mecanismo de
compensação legal do trabalhador que não possui ambiente salubre de
trabalho. É um dos mais complexos benefícios previdenciários, não sendo
exagero considerá-lo o que produz maior dificuldade de compreensão e
aplicação de seus preceitos. Na aposentadoria especial não há diferença de
tempo de trabalho entre homens e mulheres – todos devem cumprir o período
mínimo de 15, 20 ou 25 anos (depende do agente nocivo) , que prejudiquem a
saúde ou integridade física. A relação de agentes nocivos é prevista no anexo
IV do Decreto nº 3.048/99. Exemplo arsênio e seus compostos 25 anos;
mineração subterrânea 20 anos; trabalho em atividade permanente no subsolo
de mineração 15 anos. Segundo o INSS tem-se rol taxativo, porém, a existência
comprovada de outros agentes nocivos pode subsidiar a concessão desse
benefício, a exemplo da eletricidade, julgada pelo STJ, no Resp 1.306.113, sob
a relatoria do Min. Herman Benjamim), em que se reconheceu o direito do
segurado a aposentadoria especial.

Aposentadoria especial, mais informações


Veja algumas informações importantes sobre aposentadoria especial:

Requisitos para concessão

• Exercício, durante 15, 20 ou 25 anos, de atividade remunerada com exposição


a agentes nocivos;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 130


• Carência de 180 meses.

OBS: Não necessita ter qualidade de segurado, pois segundo a Lei nº 10.666,
de 2003, em seu artigo 3º, a perda da qualidade de segurado não será
considerada para a concessão das aposentadorias por tempo de contribuição e
especial.

Início do benefício

• Para o segurado empregado, inclusive doméstico, é devida a partir da data do


desligamento do emprego (quando requerida até essa data ou até noventa dias
do desligamento) ou da data do requerimento (quando não houver
desligamento ou se requerida depois de noventa dias);
• Para os demais segurados, é devida da data do requerimento.

Renda mensal inicial: 100% do salário de benefício.

Reconhecimento do tempo especial


Vamos agora estudar a evolução legislativa acerca do reconhecimento do
tempo especial.

Artigo 31 da Lei nº 3.807/60

O Artigo 31 da Lei nº 3.807/60 previa a admissibilidade da contagem do tempo


especial caso a atividade profissional exercida pelo segurado fosse considerada
penosa, insalubre, nociva ou perigosa. Atividades estas que foram elencadas,
posteriormente, pelos Decreto 53.831/64 e Decreto 83.080/79, e que, portanto,
asseguravam o direito à contagem especial de tempo de serviço em razão do
seu exercício.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 131


Decretos 53.831/64 e 83.080/79

A regulamentação veio com os Decretos 53.831/64 e 83.080/79, cujos anexos


relacionavam os serviços e atividades profissionais insalubres, perigosos ou
penosos, estabelecendo correspondência com os prazos referidos no
Artigo 31 da lei. A posição da jurisprudência quanto às atividades elencadas
era de que havia presunção da nocividade, que tal elenco não era taxativo,
mas exemplificativo. E, nesse sentido, permitia, também, o direito à contagem
especial de tempo de serviço àqueles que estivessem expostos a agentes
nocivos, desde que provada a efetiva exposição pela realização de perícia.

Artigo 57 da Lei nº 8.213/91

Depois veio o Artigo 57 da Lei nº 8.213/91 que, em sua redação


original, mantinha os requisitos já exigidos pela legislação revogada:
Artigo 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência
exigida nesta lei, ao segurado que tiver trabalhado durante 15 (quinze), 20
(vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme a atividade profissional,
sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
§ 1º A aposentadoria especial, observado o disposto na Seção III deste
capítulo, especialmente no Artigo 33, consistirá numa renda mensal de 85%
(oitenta e cinco por cento) do salário-de-benefício, mais 1% (um por
cento) deste, por grupo de 12 (doze) contribuições, não podendo
ultrapassar 100% (cem por cento) do salário-de-benefício.

Lei nº 9.032/95

A Lei nº 9.032/95 promoveu sensíveis alterações no regramento da matéria,


conforme nova redação dada à Lei nº 8.213/91, sendo relevante destacar os
seguintes dispositivos:
Artigo 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência
exigida nesta lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 132


especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15
(quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei.
.........................................
§ 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação
pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS,
do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o
período mínimo fixado.

§ 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição


aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes
prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido
para a concessão do benefício.
§ 5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou
venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será
somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em
atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência
e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício.

Lei nº 9.528/97
Por fim, a Lei nº 9.528/97 operou nova alteração da Lei nº 8.213/91, conforme
leitura do Artigo 58:

Artigo 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou


associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados
para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior
será definida pelo Poder Executivo.

(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)


§ 1° A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será
feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do
Seguro Social — INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 133


laudo técnico de condições ambientais do trabalho (LTCAT) expedido por
médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (Incluído pela Lei
nº 9.528, de 1997).
§ 2° Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar
informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva que diminua a
intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a
sua adoção pelo estabelecimento respectivo.

(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)


§ 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será
feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do
Seguro Social - INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em
laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do
trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação
trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98).
§ 2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar
informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual
que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e
recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação
dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98).

§ 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos
agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou
que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com
o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no Artigo 133 desta lei.
(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997).
§ 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico (PPP)
abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este,
quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.
(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 134


Conforme reiterado pela jurisprudência pátria, o tempo de serviço anterior à
alteração introduzida pela Lei nº 9.032/95, que passou a exigir o laudo pericial
para comprovação da situação fática de insalubridade/periculosidade, deve ser
computado conforme a legislação acima referida, vigente à época do exercício
da atividade considerada especial, uma vez que a lei não pode retroagir para
prejudicar o trabalhador, eliminando direito já consolidado.
Até então (Lei nº 9.032), admitia-se o reconhecimento da atividade especial por
enquadramento em uma das hipóteses previstas nos Decretos 53.831/64 e
83.080/79.

Embora haja controvérsias no que se refere ao marco temporal para a


exigência do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho - LTCAT, se a
exigência deva ser da edição da Lei 9.032/95, da MP nº 1.523/96 ou da Lei
9.528/97, acreditamos que o melhor entendimento seja no sentido de que
somente passou a ser exigido o LTCAT a partir da entrada em vigor da Lei
9.528, de 10/12/1997, que se originou da conversão em lei da MP nº 1.523/96,
regulamentada pelo Decreto 2.172/97.

Assim, nos períodos de atividade especial desenvolvida antes da Lei 9.528/97,


não é necessário a apresentação do laudo técnico pericial expedido por médico
do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho, exceto para ruído e calor,
que sempre exigiram comprovação por meio de laudo.

Conclusão:

 a comprovação das condições especiais no período de 29/04/95 (publicação da


Lei 9.032/95) até 09/12/97 (advento da Lei 9.528/97) pode ocorrer através da
apresentação dos formulários SB-40 e DSS-8030;

 a comprovação das condições especiais no período de 10/12/97 em diante se


dá através da apresentação de laudo técnico (Laudo Técnico de Condições
Ambientais do Trabalho – LTCAT).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 135


Ressalte-se que tais documentos têm suas regras de emissão estabelecidas por
legislação própria, com obrigatoriedade, por exemplo, de assinatura e carimbo
de pessoa habilitada ao seu preenchimento, e exame das condições de
trabalho, além de afirmarem, de forma inequívoca, que o trabalhador esteve
exposto a condições prejudiciais à sua saúde, de forma permanente e habitual.
Lembramos que, para o agente nocivo ruído, sempre foi necessária a
apresentação de laudo técnico com comprovação do nível de ruído a que o
indivíduo esteve exposto.

A partir de 01 de janeiro de 2004, passou-se a exigir das empresas a emissão


de Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP. Neste mesmo sentido, a Instrução
Normativa/INSS/DC nº 99, de 05/12/2003 afirma que:

a partir de 1º de janeiro de 2004 a comprovação do exercício de atividade especial


será feita pelo PPP, emitido pela empresa com base em laudo técnico de condições
ambientais de trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de
segurança. O PPP contemplará, inclusive, informações pertinentes aos formulários
acima, os quais deixarão de ter eficácia.

Há, portanto, discussão acerca da validade probatória do PPP sem a


apresentação de laudo pericial em juízo. Mas, majoritariamente, entende-se
que:

1)se o PPP for apresentado isoladamente, sem laudo pericial, deve ser
considerado prova eficaz se assinado por médico ou engenheiro do trabalho.

2) se o PPP for apresentado isoladamente, mas não seja assinado por médico
ou engenheiro do trabalho, ainda assim tem eficácia probatória, tanto em
relação a períodos anteriores quanto em relação a períodos posteriores a 01 de
janeiro de 2004, pois o objetivo da instituição do PPP foi justamente tornar
mais simplificada a prova dos agentes nocivos, mantendo-se íntegra a
obrigação do INSS em fiscalizar a elaboração e atualização do PPP.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 136


Isto porque a Instrução Normativa INSS nº 27, de 30/04/08, atualmente em
vigor, embora padeça de redação confusa, em seu Artigo 161, parágrafo 1º,
prevê que, quando for apresentado o PPP, que contemple também os períodos
laborados até 31/12/03, será dispensada a apresentação de laudos técnicos.

Uma das finalidades da instituição do PPP foi exatamente dispensar o


acompanhamento de laudo pericial. No entanto, o laudo técnico pericial deve
permanecer na empresa de forma atualizada, para que, caso seja necessário, o
INSS possa consultá-lo para confirmar as informações apresentadas no PPP.

Dessa forma, no caso de apresentação de PPP, mesmo quando se trate de


ruído e calor, mostra-se desnecessária a apresentação de laudo técnico pericial
para fins de comprovação do tempo de atividade especial (devendo
permanecer, entretanto, arquivado na empresa, devidamente atualizado).

Em relação ao uso de EPIs, o INSS alega que não seria devida a contagem
majorada no caso de utilização de EPI (Equipamento de Proteção Individual),
posto que ao neutralizar ou atenuar os efeitos da exposição, não mais haveria
exposição, já rechaçada pela jurisprudência.

A jurisprudência entende que, por enquanto, de acordo com o atual estágio de


desenvolvimento tecnológico, não há comprovação técnica científica idônea que
comprove o nível de atenuação.

Nesse sentido, vejamos o enunciado nº 9; “O uso de Equipamento de Proteção


Individual (EPI), ainda que elimine a insalubridade, no caso de exposição a
ruído, não descaracteriza o tempo de serviço especial prestado”.

De fato, o fornecimento do EPI não implica, por si só, exclusão do direito à


contagem do tempo especial sujeito ao agente agressivo ruído, já que não é
possível afirmar sua total eficiência, ou sua efetiva utilização, pelo trabalhador,
durante toda a jornada de trabalho, não sendo despiciendo lembrar que

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 137


provoca desgaste oriundo da vibração, que nunca consegue ser minimizada,
ainda mais quando alto o nível de decibéis.

Tem-se entendido que não se presume, da mera informação do fornecimento


de tais equipamentos, a completa eliminação dos efeitos nocivos do agente
agressor. São necessárias provas concretas da qualidade técnica do
equipamento, descrição de seu funcionamento e efetiva medição do quantum
que o equipamento pode elidir ou se realmente pode neutralizar. Entender de
forma diversa seria indeferir sempre a aposentadoria especial, pois a legislação
exige apenas "informações sobre a existência de tecnologia de proteção
coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites
de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento
respectivo", sobretudo, nos períodos aqui considerados. Compete ao Poder
Público fiscalizar as exigências da lei. Não cabe, porém, em caráter genérico e
meramente formal, solicitar das empresas uma afirmação nesse sentido.
Qualquer empresa que forneça equipamento de proteção dirá que eles são
realmente eficientes, até para não provocar a atuação da Administração quanto
a este aspecto. A referência à neutralização do agente agressivo por meio de
equipamento de proteção deve ser palpável e concreta e não feita de maneira
genérica. É indispensável que se comprove, pelo uso de tecnologia e mediante
demonstração razoável, que o equipamento neutraliza o agente, se é efetiva e
permanentemente utilizado e desde que período. "Os protetores auriculares,
para serem eficazes, deverão ser usados de forma correta e obedecer aos
requisitos mínimos de qualidade representada pela capacidade de atenuação,
que deverá ser devidamente testada pelo órgão competente" (MARTINEZ,
Wladimir Novaes. Aposentadoria Especial. 2. ed. LTR).
Diante desse entendimento, concluiu-se que a utilização de EPI, por si só, não
descaracteriza a especialidade da atividade exercida. É necessário que seja
comprovada a real efetividade do EPI por laudo pericial e que nele fique
demonstrada a eliminação ou a neutralização dos agentes nocivos, bem como a
intensidade da proteção propiciada pelo equipamento, ressalvada a exposição

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 138


ao ruído, conforme os termos da Súmula 09, da TNU. (TRU 4ª região, Proc
0003347-28.404.7259, DJ 26-05-2011).

Atenção

Trata-se de presunção relativa de exposição a agentes


agressivos à saúde do trabalhador, dispensando, destarte,
necessidade de produção de prova quanto àquela situação
fática, salvo quanto ao agente físico ruído ou outros que
dependiam de aferição do grau, além daqueles porventura não
arrolados nas normas regulamentadoras, à luz do entendimento
jurisprudencial consagrado na Súmula 198 do extinto TFR.

Já quanto ao lapso temporal compreendido entre a publicação


da Lei nº 9.032/95 (29/04/1995) e a expedição do Decreto
2.172/97 (05/03/1997), e a partir da Lei nº 9.528, de
10/12/1997, há necessidade de que a atividade tenha sido
exercida com efetiva exposição a agentes nocivos, com variação
apenas da prova admitida em cada um desses períodos.

Aposentadoria constitucional diferenciada do professor


A aposentadoria é a garantia constitucional prevista no Artigo 201,§ 7º, da
Constituição da República:

“Artigo 201. [...]


§ 7º. É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos
termos da lei, obedecidas as seguintes condições:
I – trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de
contribuição, se mulher;
II – sessenta e cinco anos, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher,
reduzida em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 139


e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes
incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal.”

O § 8º prevê que os requisitos a que se refere o inciso I (do Artigo 201, § 7)


serão reduzidos em cinco anos para o professor que comprove exclusivamente
tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no
ensino fundamental e médio.

A Constituição, no Artigo 201, § 8º, prevê que os requisitos a que se refere o


inciso I (do Artigo 201, § 7) serão reduzidos em cinco anos para o professor
que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de
magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.
Os professores universitários, como vimos na aula passada, estão sujeitos à
regra genérica do Artigo 201, § 7º, imposta aos demais trabalhadores.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 140


Atenção

Segundo a CRFB (art. 201, §§7º e 8º), é assegurada a


aposentadoria diferenciada no RGPS, por tempo de contribuição,
ao professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educação infantil e no
ensino fundamental e médio.

A diferença consiste em redução em 05 (cinco) anos, o que


resulta na exigência de vinte e cinco anos de contribuição, para
a mulher; e trinta anos de contribuição, para o homem.

Professores
A jurisprudência do STF vinha sendo restritiva quanto ao conceito de “atividade
de magistério”, interpretando a expressão “exclusivamente” da seguinte forma:
“para efeito de aposentadoria especial de professores, não se computa o tempo
de serviço prestado fora da sala de aula” (súmula 726).

A Lei nº 11.301, de 2006, no entanto, foi editada com a nítida intenção de


superar esse entendimento jurisprudencial, pois considera como funções de
magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no
desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento
de educação básica em diversos níveis e modalidades, incluídas, além do
exercício de docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e
assessoramento pedagógico.

Ato normativo
A partir da edição do referido ato normativo, as atividades de direção, de
coordenação e assessoramento pedagógico passaram a ser equiparadas à
atividade típica de professor para o fim de aposentadoria por tempo de
contribuição.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 141


E o Plenário do STF decidiu pela constitucionalidade da alteração
legislativa entendendo que a função de magistério não se circunscreve
apenas ao trabalho em sala de aula, abrangendo também a preparação de
aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e alunos, a coordenação e
o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar.

Atenção

Dessa forma, as funções de direção, coordenação e


assessoramento pedagógico integram a carreira do magistério,
desde que exercidos em estabelecimentos de ensino básico, por
professores de carreira, excluídos os especialistas em educação,
fazendo jus aqueles que as desempenham ao regime especial de
aposentadoria estabelecido nos Artigos 40, § 5º, e 201, § 8º, da
Constituição Federal (ADI 3772).

Aposentadoria da pessoa com deficiência


A LC 142, de 08 de maio de 2013, trouxe a disciplina ao Artigo 201, § 1º da CF,
que prevê, de forma diferenciada, a aposentadoria de pessoas com deficiência.

A lei garante ao segurado da Previdência Social, com deficiência, o direito à


aposentadoria por idade aos 60 anos, se homem, e 55 anos, se mulher, e à
aposentadoria por tempo de contribuição com tempo variável, de acordo com o
grau de deficiência (leve, moderada ou grave) avaliado pelo INSS.

A Lei Complementar 142/2013 só se aplica aos benefícios requeridos e com


direito a partir do dia 4 de dezembro de 2013 (dia da publicação do decreto
regulamentador). Benefícios com datas anteriores não se enquadram nesse
direito e nem têm direito à revisão.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 142


No Artigo 2º desta LC temos que a deficiência abrange impedimentos de longo
prazo de natureza física, mental, intelectual e sensorial, os quais, em interação
com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na
sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Conforme bem acentua Fabio Zambite, “a deficiência não tem relação com a
habitualidade do trabalho”.

Ao contrário da concepção clássica do tema, a pessoa, plenamente apta para a


sua atividade profissional, pode contar com restrição na vida em sociedade, que
lhe demande maior esforço nas realizações de suas tarefas diárias, mesmo que
fora do trabalho, e, mesmo assim, poderá ser amparada pelo regime especial
vigente.

A aposentadoria diferenciada para a Pessoa com Deficiência pode ser


enquadrada na aposentadoria por tempo de contribuição ou na aposentadoria
por idade.

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada me Nova


York, em 30 de março de 2007.
A Lei Complementar nº 142, de 08 de maio de 2013 foi publicada, quando
decorridos oito anos da promulgação da EC 47/05, que deu nova redação ao
§1º, do art. 201, da CRFB e incluiu a pessoa com deficiência física no rol dos
destinatários de aposentadoria especial.

Tem-se evolução legislativa, que decorre da assinatura pelo Estado brasileiro


da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em 30 de março
de 2007 em Nova York, a qual foi incorporada ao ordenamento jurídico
nacional, com status de emenda constitucional, uma vez que o Decreto
nº6.949, de 25 de agosto de 2009, que a promulgou, foi aprovado pelo
Congresso Nacional, por dois turnos, em cada casa, por três quintos dos votos
dos respectivos membros (art. 5º, §3º, da Constituição Federal).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 143


Tal convenção em seu artigo 1º, registra: O propósito da presente Convenção é
promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os
direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com
deficiência e promover o respeito pela sua dignidade inerente.

Em seguida define pessoa com deficiência como sendo: Pessoas com


deficiência são aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial, os quais em interação com diversas barreiras,
podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de
condições com as demais pessoas. (Piovesan, Flávia. Direitos humanos e o
direito constitucional internacional.14ª ed., rev. e atual.- São Paulo: Saraiva,
2013).

Por isso, antes mesmo da publicação da LC 142/13, o Supremo Tribunal Federal


já vinha reconhecendo o direito de a pessoa portadora de deficiência, ter o seu
pedido de aposentadoria especial apreciado pelo INSS, como o fez no MI
nº1967/2011, Rel. Ministro Gilmar Mendes.

A referida lei complementar segue a mesma linha da citada convenção


internacional e garante ao segurado da Previdência Social, com deficiência, o
direito à aposentadoria por idade aos 60 anos, se homem, e 55 anos, se
mulher, e à aposentadoria por tempo de contribuição com tempo variável, de
acordo com o grau de deficiência (leve, moderada ou grave) avaliado pelo
INSS.

O Decreto 3.048
O Decreto 3.048, com as modificações trazidas pelo Decreto 8.145, de 03 de
dezembro de 2013, apresenta a regulamentação da aposentadoria por
tempo de contribuição ou na aposentadoria por idade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 144


Segundo o Decreto, a concessão da aposentadoria por tempo de contribuição
ou por idade ao segurado que tenha reconhecido, em avaliação médica e
funcional realizada por perícia própria do INSS, grau de deficiência leve,
moderada ou grave, está condicionada à comprovação da condição de pessoa
com deficiência na data da entrada do requerimento ou na data da
implementação dos requisitos para o benefício.

Por tempo de contribuição


A aposentadoria por tempo de contribuição do segurado com deficiência,
cumprida a carência, é devida ao segurado empregado, inclusive o doméstico,
trabalhador avulso, contribuinte individual e facultativo, observado o disposto
no Artigo 199-A e os seguintes requisitos:

1. Aos vinte e cinco anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com


deficiência, se homem, e vinte anos, se mulher, no caso de segurado com
deficiência grave;

2. Aos vinte e nove anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com


deficiência, se homem, e vinte e quatro anos, se mulher, no caso de segurado
com deficiência moderada;

3. Aos trinta e três anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com


deficiência, se homem, e vinte e oito anos, se mulher, no caso de segurado
com deficiência leve.

No caso de segurados especiais, a aposentadoria por tempo de contribuição é


devida desde que contribuam facultativamente.

Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência


A aposentadoria por idade da pessoa com deficiência, cumprida a carência,
é devida ao segurado aos sessenta anos de idade, se homem, e cinquenta e
cinco anos de idade, se mulher.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 145


O segurado deve contar com no mínimo quinze anos de tempo de contribuição,
cumpridos na condição de pessoa com deficiência, independentemente do grau,
cabendo à perícia médica do INSS avaliar o segurado e fixar a data provável do
início da deficiência e o seu grau; identificar a ocorrência de variação no grau
de deficiência e indicar os respectivos períodos em cada grau.

Em caso de deficiência anterior à data da vigência da Lei Complementar 142,


de 8 de maio de 2013, deverá ser instruída por documentos que subsidiem a
avaliação médica e funcional, vedada a prova exclusivamente testemunhal.

Artigo 2 o . A pessoa com deficiência poderá, a partir da entrada em vigor


deste Decreto, solicitar o agendamento de avaliação médica e funcional, a ser
realizada por perícia própria do INSS, para o reconhecimento do direito às
aposentadorias por tempo de contribuição ou por idade nos termos da Lei
Complementar no 142, de 8 de maio de 2013. § 1o Até dois anos após a
entrada em vigor deste Decreto será realizada a avaliação de que trata o caput
para o segurado que requerer o benefício de aposentadoria e contar com os
seguintes requisitos: I - no mínimo vinte anos de contribuição, se mulher, e
vinte e cinco, se homem; ou II - no mínimo quinze anos de contribuição e
cinquenta e cinco anos de idade, se mulher, e sessenta, se homem. § 2o
Observada a capacidade da perícia própria do INSS, de acordo com a demanda
local, poderá ser realizada a avaliação do segurado que não preencha os
requisitos mencionados no § 1o . Artigo 3 o . O ato conjunto a que se refere o
caput e o § 4o do artigo 70-D do Regulamento da Previdência Social, aprovado
pelo Decreto 3.048, de 1999, será editado em até 45 dias, contados da data de
entrada em vigor deste Decreto. No que tange à aposentadoria por tempo de
contribuição, diz o Decreto 8.145, em relação ao segurado com deficiência,
cumprida a carência, é devida ao segurado empregado, inclusive o doméstico,
trabalhador avulso, 2 contribuinte individual e facultativo, observado o disposto
no Artigo 199-A e os seguintes requisitos: I - aos vinte e cinco anos de tempo
de contribuição na condição de pessoa com deficiência, se homem, e vinte
anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência grave; II - aos vinte e

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 146


nove anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com deficiência, se
homem, e vinte e quatro anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência
moderada; e III - aos trinta e três anos de tempo de contribuição na condição
de pessoa com deficiência, se homem, e vinte e oito anos, se mulher, no caso
de segurado com deficiência leve. Parágrafo único. A aposentadoria de que
trata o caput é devida aos segurados especiais que contribuam
facultativamente, de acordo com o disposto no Artigo 199 e no § 2o do Artigo
200. Artigo 70-C. A aposentadoria por idade da pessoa com deficiência,
cumprida a carência, é devida ao segurado aos sessenta anos de idade, se
homem, e cinquenta e cinco anos de idade, se mulher. § 1o Para efeitos de
concessão da aposentadoria de que trata o caput, o segurado deve contar com
no mínimo quinze anos de tempo de contribuição, cumpridos na condição de
pessoa com deficiência, independentemente do grau, observado o disposto no
Artigo 70-D. § 2o Aplica-se ao segurado especial com deficiência o disposto nos
§§ 1 o a 4o do Artigo 51, e na hipótese do § 2o será considerada a idade
prevista no caput deste artigo, desde que o tempo exigido para a carência da 3
aposentadoria por idade seja cumprido na condição de pessoa com deficiência.

Atenção

O grau de deficiência preponderante será aquele em que o


segurado cumpriu maior tempo de contribuição, antes da
conversão, e servirá como parâmetro para definir o tempo
mínimo necessário para a aposentadoria por tempo de
contribuição da pessoa com deficiência e para a conversão.

Quando o segurado contribuiu alternadamente na condição de


pessoa sem deficiência e com deficiência, os respectivos
períodos poderão ser somados, após aplicação da conversão de
que trata o caput.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 147


A redução do tempo de contribuição da pessoa com deficiência
não poderá ser acumulada, no mesmo período contributivo, com
a redução aplicada aos períodos de contribuição relativos a
atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a
saúde ou a integridade física.

Aposentadoria por idade


A aposentadoria por idade (antes denominada aposentadoria por velhice) foi
criada pela Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS – Lei nº 3.807/1960).
A aposentadoria por idade está prevista no Artigo 201, § 7º, II da Constituição
da República, no Artigo 18, I, “b”, podendo ser urbana (Artigo 48, caput) ou
rural (Artigo 48 §§ 1º, 2º e 3º), estando nesses artigos estabelecidas as
condições para a concessão do referido benefício.

Aposentadoria por idade urbana


São dois requisitos essenciais: idade mínima e a carência.

Idade: No que se refere ao requisito idade, temos que para o homem a idade
é de 65 anos, e para mulher 60 anos.

Carência: 180 contribuições mensais (Artigo 25 II da Lei nº 8.213),


salvo no caso do segurado inscrito na Previdência Social até 24 de julho de
1991, em que se aplica a regra de transição contida no Artigo 142.

Segundo entendimento do STJ (EREsp 776.110, 3º seção, j. em 10-03-2010),


não é exigida a implementação simultânea dos requisitos legais para a
concessão da aposentadoria por idade. É devido o benefício
independentemente da posterior perda da qualidade de segurado à época do
preenchimento do requisito da idade, desde que o obreiro tenha recolhido à

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 148


Previdência Social o número de contribuições previstas na tabela disposta no
Artigo 142 da Lei nº 8.213.

Qualidade de segurado
Cabe mencionar agora a questão da qualidade de segurado, que segundo o
Artigo 3, § 1ª, da Lei nº 10.666, de 2003, não será considerada para fins
de concessão de aposentadoria por idade.

Beneficiários: Todos os segurados.


Início do benefício (Artigo 49 da Lei nº 8.213):
Para o segurado empregado e empregado doméstico é devida a partir da data
do desligamento do emprego (quando requerida até essa data ou até noventa
dias do desligamento) ou da data do requerimento (quando não houver
desligamento ou se requerida depois de noventa dias).

Para os demais segurados, é devida da data do requerimento.


Renda mensal inicial (Artigo 50 da Lei nº 8.213): 70% do salário de
benefício, mais 1% deste para cada grupo de 12 contribuições mensais (não
podendo ultrapassar 100%). Caso lhe seja mais vantajoso, é garantido ao
segurado com direito à aposentadoria por idade a opção pela não aplicação do
fator previdenciário (Artigo 7º da Lei nº 9.786/99).

Ex: segurado que tenha contribuído por 25 anos requer aposentadoria por
idade aos 65 anos no ano de 2002.
1º requisito: carência – 126 contribuições.
2º requisito: idade – 65 anos.
RMI: 70% + 25% = 95%

Aposentadoria por idade rural


A aposentadoria do trabalhador rural por idade, no regime anterior à Lei nº
8.213, somente era devida ao homem, e excepcionalmente à mulher quando
comprovasse ser chefe ou arrimo de família (Lei nº 83.080, de 1979).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 149


A partir da Lei nº 8.213, esse benefício foi estendido aos demais integrantes do
grupo familiar, conforme Artigo 11, VII.

A concessão de aposentadoria do trabalhador rural por idade, prevista no Artigo


48 da Lei nº 8.213, está condicionada ao preenchimento de dois requisitos:
• Idade mínima de 60 anos para homem e 55 anos para mulher;
• Comprovação do exercício de atividade rural nos termos do Artigo 143 da Lei nº
8.213.

Mais informações sobre aposentadoria por idade rural


Veja mais informações sobre aposentadoria por idade rural:

Os limites de idade previstos para a aposentadoria urbana foram reduzidos em


cinco anos para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que
exerçam suas atividades em regime de economia familiar, neste incluídos o
produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal (Artigo 201, § 7º, II, da
CRFB/88, com redação da EC. 20/98).

Essa redução de cinco anos para a aposentadoria rural prevista na Constituição


de 1988, originalmente no Artigo 202, I, da CF (Artigo 201, § 7º, II, na redação
atual) não foi considerada pelo STF como norma autoaplicável (RE 168.191, 2ª
turma, Min. Marco Aurelio, DJ 20-06-1996).

Carência: Os rurícolas em atividade por ocasião da Lei de Benefícios, em 24 de


julho de 1991, foram dispensados do recolhimento das contribuições relativas
ao exercício do trabalho no campo, substituindo a carência pela comprovação
do efetivo desempenho do labor agrícola (Artigos 26, I e 39, I).

Os precedentes da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça relativos à


desnecessidade de implemento simultâneo dos requisitos para concessão de
uma aposentadoria por idade versam acerca da aposentadoria por idade de
trabalhador urbano, e não de trabalhador rural, como se infere da análise do

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 150


EREsp. nº 502420/SC, (rel. Min.José Arnaldo da Fonseca, julg. 11.05.2005, DJ
23.05.2005), bem assim do EREsp. nº 649496/SC (rel. Min. Hamilton
Carvalhido, julg. 08.03.2006, DJ 10.04.2006) e do EREsp. nº 551997/RS (rel.
Min. Gilson Dipp, julg. 27.04.2005, DJ 11.05.2005) (grifou-se).

Logo, para a concessão da aposentadoria rural por idade, a 3ª Seção do STJ


entendeu pela necessidade da implementação simultânea dos
requisitos. Vejamos excertos do voto-vencedor na PET 7476 (RELATOR:
MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO R.P/ACÓRDÃO: MINISTRO
JORGE MUSSI, DJ 25/04/2011).
O tempo de serviço rural é comprovado pela apresentação dos documentos
previstos no Artigo 106 da Lei nº 8.213, tratando-se de rol exemplificativo.

SÚMULA 14 TNU: Para concessão de aposentadoria rural por idade, não se


exige que o início de prova material corresponda a todo o período equivalente à
carência do benefício.
Beneficiários:
• Trabalhador rural empregado (Artigo 9º, I, a, do Decreto);
• Contribuinte individual (somente o antigo autônomo rural, Artigo 9º, V);
• Trabalhador avulso;
• Segurado especial;
• Segurados garimpeiros que trabalhem em regime de economia familiar.

Início do benefício:
• Para os segurados empregados, na data do desligamento do emprego;
• Para os demais segurados, na data do requerimento.

RMI: o valor da renda mensal inicial será igual ao valor mínimo do salário-de-
benefício, ou seja, um salário mínimo mensal. Todavia, quando o segurado
contribua na condição de contribuinte individual, sua renda será calculada na
forma do Artigo 39, II, da lei de benefícios c/c Artigo 29, II, da mesma lei, ou

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 151


seja, média dos maiores salários de contribuição equivalentes a 80% do
período contributivo, a partir de julho de 1994.

Aposentadoria por invalidez - requisitos necessários


Os benefícios previdenciários por incapacidade, destinados a assegurar a
cobertura de eventos causadores de doenças, lesões ou invalidez, encontram-
se previstos na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, nos Artigos 42 e 59,
respectivamente, dependendo da caracterização da incapacidade ser
temporária ou definitiva.
Da análise dos dispositivos legais acima mencionados, se extrai os requisitos
necessários ao gozo dos benefícios em lide:

Incapacidade temporária (auxílio-doença) ou permanente (aposentadoria


por invalidez), ou seja, que o segurado se apresente insusceptível de
reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência.

Aposentadoria por invalidez


A aposentadoria por invalidez é o benefício decorrente de incapacidade do
segurado para o trabalho, sem possibilidade de reabilitação para o exercício de
atividade capaz de lhe assegurar a subsistência.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 152


Carência

Artigo 26, II, e 151, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei nº 13.135, de
2015. Exceções:

a) nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional


ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao RGPS,
for acometido de alguma das doenças e afecções especificadas em lista
elaborada pelos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, atualizada a cada
3 (três) anos, de acordo com os critérios de estigma, deformação, mutilação,
deficiência ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade que
mereçam tratamento particularizado; ( artigo 26, II, da lei 8.213/91, com
redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

b) os segurados especiais estão isentos do cumprimento do período de carência,


devendo comprovar exercício de atividade rural nos doze meses imediatamente
anteriores ao requerimento administrativo.

c) até a elaboração da lista de doenças mencionadas no art.26, nos casos em que


o segurado, após filiação ao RGPS, for acometido de uma das seguintes
doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla,
hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose
anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte
deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (aids) ou
contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada.
(Art. 151, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 153


Data de início do benefício

Regra: a aposentadoria por invalidez é devida a partir do dia imediato ao da


cessação do auxílio-doença.

Exceção: caso a perícia médica inicial conclua pela existência de incapacidade


total e definitiva para o trabalho, a aposentadoria será devida:
ao segurado empregado, a contar do décimo sexto dia do afastamento da
atividade ou a partir da entrada do requerimento, se entre o afastamento e a
entrada do requerimento decorrerem mais de trinta dias;
ao segurado empregado doméstico, trabalhador avulso, contribuinte individual,
especial e facultativo, a contar da data do início da incapacidade ou da data da
entrada do requerimento, se entre essas datas decorrerem mais de trinta dias.
(Lei 8.312/91, art. 43, disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS /L8213compilado.htm> Acesso em
23 ago 2015)

Cessação do benefício

Cessação do benefício:
Se o aposentado retornar voluntariamente à atividade, terá sua aposentadoria
automaticamente cancelada desde o retorno (Artigo 46, da Lei nº 8.213).
Se a perícia concluir pela recuperação do segurado, o benefício será cancelado.
OBS. Agora o segurado aposentado por invalidez está dispensado de submeter-
se a perícia médica a partir dos 60 anos, valendo o mesmo para o pensionista
inválido (Artigo 101 da lei 8.213/91);

Atenção

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 154


A aposentadoria por invalidez, ainda que seja reversível, a
sua concessão está atrelada à incapacidade permanente ou
definitiva.

Incapacidade permanente é a incapacidade laborativa


irreversível e ominiprofissional, ou seja, deve o segurado estar
inválido para todo e qualquer exercício de atividade laboral
irreversivelmente.

Essa incapacidade deve resultar de exame médico-pericial a


cargo da Previdência Social, podendo o segurado às suas
expensas fazer-se acompanhar de médico de sua confiança
(Artigo 42 § 1º Lei nº 8.213).

A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se


ao RGPS não lhe conferirá direito à aposentadoria por invalidez,
salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão
ou agravamento da doença ou lesão. Portanto, somente o risco
futuro e incerto pode ser objeto de proteção previdenciária.

Em relação à doença congênita ou adquirida antes da filiação,


prepondera o entendimento de que não impede a concessão do
benefício, desde que o agravamento da enfermidade seja
posterior à filiação.

Auxílio-doença
O auxílio-doença exige que a incapacidade seja relativa ou temporária,
porém sempre total. A incapacidade deve ser ou relativa, porque não impede o
exercício de toda e qualquer atividade laboral, mas apenas o exercício do

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 155


trabalho habitual do segurado, ou temporária porque, embora absoluta (para
toda e qualquer atividade) é reversível; deve ser porém sempre total, para uma
ou para todas as suas atividades, uma vez que seu grau deve atingir um nível
tal que impossibilite exercício da atividade laboral habitual do
segurado.

Artigo 26, II, da Lei nº 8.213/91, com redação dada pela Lei nº 13.135, de
2015. REGRA: 12 contribuições mensais (Lei 8.213/91, art. 25, I).

EXCEÇÕES:
Nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional
ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao RGPS,
for acometido de alguma das doenças e afecções especificadas em lista
elaborada pelos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, atualizada a cada
3 (três) anos, de acordo com os critérios de estigma, deformação, mutilação,
deficiência ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade que
mereçam tratamento particularizado. (Artigo 26, II, da lei 8.213/91, com
redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015).

Até a elaboração da lista de doenças mencionadas no art.26, nos casos em que


o segurado, após filiação ao RGPS, for acometido de uma das seguintes
doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, esclerose múltipla,
hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose
anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte
deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (aids) ou
contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada.
(Art. 151, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei nº 13.135, de 2015)

Atenção

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 156


Segundo a CRFB (art. 201, §§7º e 8º), é assegurada a
aposentadoria diferenciada no RGPS, por tempo de contribuição,
ao professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo
exercício das funções de magistério na educação infantil e no
ensino fundamental e médio.

A diferença consiste em redução em 05 (cinco) anos, o que


resulta na exigência de vinte e cinco anos de contribuição, para
a mulher; e trinta anos de contribuição, para o homem.

Segundo Zambitte, a regra do Artigo 24, parágrafo único da Lei nº 8.213, diz
sobre a necessidade de completar um terço do período de carência antes da
incapacidade, mas sim da necessidade da incapacidade tomar lugar após a
filiação, sob pena de fraude ao sistema previdenciário (Artigo 59, parágrafo
único, da Lei nº 8.213 e Artigo 71, § 1º, do Decreto 3.048). Somente quando a
data de início de incapacidade é fixada em data anterior à filiação é que o
benefício não poderia ser concedido.

Incapacidade e suas espécies:


A incapacidade pode ser temporária ou definitiva.

Data de início do benefício (Dies a quo):


Para o segurado empregado, a partir do 16 dia do afastamento da atividade ou
a partir da data da entrada do requerimento, se entre esta e o afastamento
contar mais de 30 dias. Para os demais segurados, a partir do início da
incapacidade ou da data de entrada do requerimento, se entre a incapacidade e
o requerimento decorreu mais de 30 dias.

Lei nº 8.213/91
Art. 60. O auxílio-doença será devido ao segurado empregado a contar do
décimo sexto dia do afastamento da atividade, e, no caso dos demais

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 157


segurados, a contar da data do início da incapacidade e enquanto ele
permanecer incapaz. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99).

PERÍCIA - Lei nº 13.135/2015, de 17/06/15, incluiu o § 5o, I, na Lei. 8.213/91.


Lei nº 13.135/2015, de 17/06/15, incluiu o § 5o , I, na Lei. 8.213/91:

Artigo 60
§ 5o Nos casos de impossibilidade de realização de perícia médica pelo órgão
ou setor próprio competente, assim como de efetiva incapacidade física ou
técnica de implementação das atividades e de atendimento adequado à
clientela da previdência social, o INSS poderá, sem ônus para os segurados,
celebrar, nos termos do regulamento, convênios, termos de execução
descentralizada, termos de fomento ou de colaboração, contratos não onerosos
ou acordos de cooperação técnica para realização de perícia médica, por
delegação ou simples cooperação técnica, sob sua coordenação e supervisão,
com: (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)

I - órgãos e entidades públicos ou que integrem o Sistema Único de Saúde


(SUS); (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015)

Atenção

Se o acidentado não se afastar do trabalho no dia do acidente, o


inicio dos 30 dias ocorrerá a partir do afastamento.

É importante salientar a criação de mais uma obrigação


acessória para a empresa. É que nos termos do § 4º da nova
redação do Artigo 60 da lei 8.213, a empresa que dispuser de
serviço médico, próprio ou em convênio, terá a seu cargo o

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 158


exame médico e o abono das faltas correspondentes ao período
de trinta dias de afastamento, e somente deverá encaminhar o
segurado à perícia médica da Previdência Social quando a
incapacidade ultrapassar estes trinta dias.

Outra inovação cujo objetivo é acelerar e resolver o problema de


déficit de médicos peritos é a expressa autorização para que o
INSS, a seu critério e sob sua supervisão, realize perícias
médicas por convênio ou acordo de cooperação técnica com
empresas e por termo de cooperação técnica firmado com
órgãos e entidades públicos, especialmente onde não houver
serviço de perícia médica da autarquia.

Finalmente, cabe ressaltar mais uma vez, e a Medida Provisória


n.º 664/2014 assim o faz, que não será devido auxílio-doença ao
segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já
portador da doença ou da lesão invocada como causa para o
benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de
progressão ou agravamento dessa doença ou lesão.

Auxílio-doença - Mais informações


Veja mais informações sobre o auxílio-doença:

Quanto aos segurados não empregados, o ponto costuma gerar confusão:


esses segurados não recebem os 30 primeiros dias?
Depende. O benefício se torna devido quando o segurado ficar incapacitado por
mais de 30 dias (Artigo 60, inciso I, da lei 8213) e, nesse caso, porém, o início
do benefício retroage à data da incapacidade.

Duração do benefício:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 159


O auxílio-doença perdura enquanto houver convicção da possibilidade de
recuperação, enquanto não há conclusão definida sobre as consequências da
lesão sofrida.

A lei não mais prevê prazo máximo ao auxílio-doença, cabendo ao INSS avaliar
cada caso concreto, mas sem prejudicar o segurado.

Portanto, o beneficiário será submetido a tratamento médico e a processo


de reabilitação profissional, devendo comparecer periodicamente à perícia
médica, a quem caberá avaliar a situação, sob pena de suspensão do benefício.

A conclusão da perícia pode ser:


A) Não há possibilidade de recuperação para qualquer atividade – o segurado será
aposentado por invalidez;

B) Habilitação para o desempenho da mesma atividade ou de outra sem redução


de capacidade de trabalho – o segurado terá seu benefício de auxílio-doença
cessado;

C) Existência de consolidação das lesões, gerando sequelas que impliquem a


redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia – o segurado
terá seu benefício de auxílio-doença cessado, mas terá concedido auxílio-
acidente, podendo o segurado voltar ao mercado de trabalho.

D) Continuação das condições geradoras do auxílio-doença – o segurado


permanece em gozo do auxílio-doença.
Renda mensal inicial: 91% do salário de benefício (Artigo 61 da Lei nº
8.213).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 160


Cálculo do Salário de Benefício (valor do benefício – Artigo 29 I da Lei
nº 8.213): na média aritmética simples dos maiores salários de contribuição
correspondentes a 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo.
O auxílio-doença não poderá exceder a média aritmética simples dos últimos 12
(doze) salários-de-contribuição, inclusive em caso de remuneração variável, ou,
se não alcançado o número de 12 (doze), a média aritmética simples dos
salários-de-contribuição existentes. (Lei 8.213/91, art. 29, § 10, este incluído
pela Lei nº 13.135, de 2015)

Cessação do Benefício (Dies “ad quem” - alta programada)


• Quando o segurado for habilitado para o desempenho de nova atividade, após
processo de reabilitação profissional;
• Quando for considerado não recuperável, caso em que o benefício será
convertido em aposentado por invalidez.

A alta programada (sistema data certa) está prevista no Artigo 78, §


1º do Decreto 3.048.

§ 1º O INSS poderá estabelecer, mediante avaliação médico-pericial, o prazo


que entender suficiente para a recuperação da capacidade para o
trabalho do segurado, dispensada nessa hipótese a realização de nova perícia.
§ 2º Caso o prazo concedido para a recuperação se revele insuficiente, o
segurado poderá solicitar a realização de nova perícia médica, na
forma estabelecida pelo Ministério da Previdência Social.
§ 3º O documento de concessão do auxílio-doença conterá as informações
necessárias para o requerimento da nova avaliação médico-pericial.
§§ 1º a 3º acrescidos pelo Dec.5.844, de 13-7-2006.

A intenção do INSS é reduzir o número de perícias médicas, já estabelecendo o


perito, por ocasião da avaliação médico-pericial inicial, o tempo necessário de
recuperação, aferível com base na expertise do profissional.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 161


Atividade proposta
Leandro, com 50 anos de idade e pouco letrado, exerce a atividade de pedreiro
desde seus 16 anos de idade, contribuindo para a Previdência em dia desde
então.

A partir de seus 45 anos de idade, começou a sofrer de problemas na coluna,


tendo a perícia do INSS detectado, a partir de 2005, hérnia de disco, e por
conta disso já gozou vários auxílios-doença, sendo que o último requerimento
(DER em 10-10-2011) foi indeferido sob o argumento de ausência de
incapacidade laborativa. Inconformado, ajuíza ação em face do INSS pleiteando
restabelecimento de auxílio-doença com conversão em aposentadoria por
invalidez.

A perícia judicial concluiu pela incapacidade parcial e temporária, apontando


que o tratamento da doença é exclusivamente cirúrgico.

O juízo abriu vista para as partes se manifestarem sobre o laudo judicial. Na


qualidade de advogado de Leandro, como você se manifestaria?

Chave de resposta:
Leandro não possui incapacidade total para o trabalho, mas o juiz deve analisar
as condições pessoais e sociais do segurado para a concessão de aposentadoria
por invalidez, conforme súmula 47 da TNU.

Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2015.
MARTINEZ, Wladimir Novaes. Aposentadoria especial. 2ª edição. LTR.
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional.14ª
ed., rev. e atual.- São Paulo: Saraiva, 2013).
TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus.2011.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 162


VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário. Ed. Atlas, 2014.
Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8213compilado.htm> Acesso em
23 ago 2015

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 163


Exercícios de fixação
Questão 1
Griselda propõe ação objetivando a declaração do direito à contagem de seu
tempo de serviço especial, prestado no período de maio de 1998 a novembro
de 2004 na empresa Costa e Silva Marcenaria, e a consequente conversão em
comum para fins de futura concessão de benefício de aposentadoria por tempo
de contribuição, quando implementar todas as condições, alegando ter direito
adquirido. Apresenta laudo técnico comprovando a exposição a ruído relativo ao
período mencionado, em que há informação de que a empresa fornecia
equipamento de proteção individual (EPI) eficaz. Marque a alternativa que está
em consonância com a atual posição do Superior Tribunal de Justiça.
a) Não há que se falar em “contagem especial” do tempo de serviço prestado no
período aludido, pois a partir de maio de 1998 a legislação veda a conversão do
tempo especial em comum.
b) O fato de a empresa fornecer ao empregado Equipamento de Proteção
Individual - EPI sempre afasta o direito ao benefício de aposentadoria com a
contagem de tempo especial.
c) O fato de a empresa fornecer ao empregado Equipamento de Proteção
Individual - EPI não afasta, por si só, o direito ao benefício de aposentadoria
com a contagem de tempo especial, devendo este ser apreciado caso a caso.

Questão 2
Mario trabalhou como eletricista numa empresa e ficou exposto ao agente
eletricidade no período de 1990 a 2000. Requer junto ao INSS a contagem do
tempo como especial e o INSS nega a conversão de todo o período, alegando
que, a partir de 1997, a legislação não mais contempla a eletricidade como
agente nocivo. Marque a alternativa correta.
I. O segurado exposto ao agente eletricidade aproveita o respectivo período
como atividade especial para os efeitos da contagem de tempo de serviço,
mesmo após a vigência do Decreto 2.172, de 5.5.1997, cujo rol tem caráter
exemplificativo.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 164


II. O segurado exposto ao agente eletricidade não aproveita o respectivo
período como atividade especial para os efeitos da contagem de tempo de
serviço, pois após a vigência do Decreto 2.172, de 1997, o agente eletricidade
foi excluído do rol e este tem caráter taxativo.
III. O segurado exposto ao agente eletricidade aproveita somente o período de
1990 a 1997 até a entrada em vigor Decreto 2.172, de 1997, cujo rol tem
caráter taxativo, pois a contagem do tempo de trabalho de forma mais
favorável àquele que esteve submetido a condições prejudiciais à saúde deve
obedecer à lei vigente na época em que o trabalhador esteve exposto ao
agente nocivo.
IV. O segurado exposto ao agente eletricidade aproveita o respectivo período
como atividade especial para os efeitos da contagem de tempo de serviço,
mesmo após a vigência do Decreto 2.172, de 1997, que suprimiu o agente
eletricidade do rol, pois o rol não tem natureza taxativa.
a) Está correta a alternativa I
b) Está correta a alternativa II
c) Está correta a alternativa III
d) Está correta a alternativa IV

Questão 3
Carlos, contribuinte individual, trabalha como pedreiro como prestador de
serviço a uma universidade. Comparece a seu escritório alegando que tem
direito a aposentadoria especial, porque esteve exposto a cimento durante toda
a sua vida laborativa, e que considera ser um agente nocivo à sua saúde.
Marque a alternativa correta no que se refere à aposentadoria especial.
a) Não há impedimento legal para Carlos obter concessão de aposentadoria
especial.
b) Há impedimento legal para Carlos obter concessão de aposentadoria especial.
c) Não há impedimento na jurisprudência para Carlos obter concessão de
aposentadoria especial.
d) Há impedimento na jurisprudência para Carlos obter concessão de
aposentadoria especial.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 165


Questão 4
Maria completou 55 anos de idade em maio de 2010. Com intuito de se
aposentar por idade, procura seu escritório buscando orientação sobre como
proceder para obter o benefício de aposentadoria por idade, pois soube por
vizinhos que já teria idade para se aposentar. Leva consigo uma pasta contendo
vários documentos a fim de comprovar exercício de atividade no meio rural,
quais sejam, certidão de casamento em que consta a profissão de seu marido
como agricultor, registro de imóvel rural em nome do marido da requerente,
aquisição de terras rurais em 1986 pelo marido da autora, notas fiscais de
produtor de 1990, 1996, 1998, 2000, ITR de 1992 a 1997, e carteira de
trabalho com anotação de único vínculo empregatício como empregada
doméstica na residência de Dona Marlene, em Ipanema, no período de junho
de 2009 a dezembro de 2010. O tempo de serviço rural comprovado por
documentos totaliza 140 meses. Marque a alternativa correta.
a) Maria faz jus à aposentadoria por idade rural.
b) Maria faz jus à aposentadoria por idade urbana.
c) Maria faz jus à aposentadoria por idade híbrida.
d) Maria não faz jus a nenhuma espécie de aposentadoria por idade.

Questão 5
João se inscreve na Previdência Social como contribuinte individual (autônomo)
comprovando o exercício de atividade remunerada nos últimos 5 anos e
recolhendo as respectivas contribuições retroativamente. Menos de 1 mês
depois da inscrição, é acometido de doença incapacitante. Nessas
circunstâncias, João:
a) Não faz jus ao benefício por incapacidade em qualquer hipótese.
b) Faz jus ao benefício por incapacidade em qualquer hipótese, a auxílio-doença,
se a incapacidade for temporária, e à aposentadoria por invalidez, se a
incapacidade for permanente.
c) Por falta de carência, não faz jus a benefício por incapacidade a não ser que a
doença o enquadre no rol das enfermidades que a dispensam.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 166


d) Não faz jus a qualquer benefício por incapacidade, mas tem direito à devolução
das contribuições sob a forma de pecúlio.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 167


Aula 5
Exercícios de fixação
Questão 1 - C
Justificativa: No AgRg no REsp 1399261, o STJ entendeu que o fato de a
empresa fornecer ao empregado Equipamento de Proteção Individual - EPI não
afasta, por si só, o direito ao benefício de aposentadoria com a contagem de
tempo especial, devendo este ser apreciado caso a caso. Deve o aluno,
contudo, acompanhar no STF o julgamento disponível em:
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=664
335&classe=ARE&codigoClasse=0&ORIGEM=JUR&recurso=0&tipoJulgamento=
" ARE - 664335 (informativo 757), em repercussão geral.

Questão 2 - D
Justificativa: No AgRg no REsp 1307818, DJ 10-03-2014, o STJ, em sede de
recurso repetitivo, entendeu que é possível o reconhecimento de tempo
especial do trabalho prestado com exposição ao agente físico eletricidade após
o período de 5.3.1997, desde que o laudo técnico comprove a efetiva
nocividade da atividade realizada de forma permanente.

Questão 3 - D
Justificativa: Conforme Súmula 71 TNU, o mero contato do pedreiro com o
cimento não caracteriza condição especial de trabalho para fins previdenciários.

Questão 4 - D
Justificativa: Conforme Artigo 48 e parágrafos da Lei 8.213, Maria não preenche
os requisitos para a aposentadoria por idade rural e nem para a aposentadoria
híbrida. Ver a respeito do tema acórdão do TRF4 (APELAÇÃO CÍVEL Nº
0014935-23.2010.404.9999/RS, DJ 25-11-2011) e STJ (Pet 7476, 3ª seção, DJ
25-04-2011).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 168


Questão 5 - C
Justificativa: O Artigo 26 I da Lei 8.213 prevê carência de 12 meses e, para
fins de carência, não basta recolher prestações em atraso.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 169


Introdução
Nesta aula, estudaremos dois benefícios devidos aos dependentes dos
segurados: pensão por morte e auxílio-reclusão.

Ambos são palco de muitas polêmicas. Por fim, trataremos do salário-família e


salário-maternidade, benefícios devidos aos segurados, mas em razão da
existência de dependentes, filhos dos segurados.

Objetivo:
Conhecer os benefícios devidos aos dependentes do segurado, diferenciando-os
dos benefícios devidos aos segurados em razão da existência de dependentes.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 170


Conteúdo
Pensão por morte
A pensão por morte consiste em um benefício previdenciário com sede
constitucional, o qual é pago pelo INSS aos dependentes do segurado,
aposentado ou não, em virtude do falecimento deste. Tem-se instituto que
sofreu recentes alterações por força das alternações promovidas pela Lei nº
13.135/15, na Lei nº 8.213/91.

Qualidade de segurado

No que tange à qualidade de segurado, não é devida a pensão por morte


quando na data do óbito tenha ocorrido perda da qualidade do segurado, salvo
se havia implementado os requisitos para a obtenção de aposentadoria, ou se
por meio de parecer médico-pericial ficar reconhecida a existência de
incapacidade permanente do falecido, dentro do período de graça.
Assim, a lei transfere ao dependente do segurado esse direito adquirido, não
podendo ser prejudicado pela inércia do segurado.

A mesma situação ocorre se o segurado, ao tempo do falecimento, era detentor


do direito a benefício previdenciário por incapacidade temporária, ainda que
tenha sido indeferido administrativamente pelo INSS e somente reconhecido
em juízo.

No caso, a sentença não cria direito, apenas reconhece que, à época, o


segurado preenchia os requisitos para a obtenção do benefício.

CARÊNCIA: Benefício sem carência. A MP 664/14 incluiu carência de 24


prestações mensais, mas o Congresso Nacional não aprovou.
Óbito do segurado instituidor; Qualidade de dependente.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 171


Correntes, visão de alguns pensadores

Há controvérsia na doutrina e na jurisprudência no que tange à regularização


das contribuições em mora do segurado contribuinte individual para
fins de recebimento de pensão por morte, quando se comprova exercício
de atividade laborativa no período anterior ao óbito.

Primeira corrente

Para uma primeira corrente (Carlos Alberto Pereira de Castro, João Lazzari e
TRF 4ª Região), se houve trabalho remunerado, mas não houve recolhimento
das contribuições, existe a situação de mora tributária, permanecendo a
qualidade de segurado.

Desse modo, os dependentes do falecido podem regularizar as contribuições


em mora do segurado contribuinte individual, desde que demonstrado o
exercício de atividade laboral no período anterior ao óbito, aplicando-se o Artigo
115 I, da Lei nº 8.213, que prevê que podem ser descontados dos benefícios as
contribuições devidas pelo segurado à Previdência Social.

Segunda corrente

Para uma segunda corrente (Turma Nacional de Uniformização dos JEFs), o


contribuinte individual está obrigado a recolher a contribuição à Previdência por
iniciativa própria, sendo que a qualidade de segurado do contribuinte individual
decorre exclusivamente da prova do recolhimento das referidas
contribuições (Artigo 30, II, Lei nº 8.213). Não há amparo legal para a
“inscrição post mortem” ou para que sejam descontadas as contribuições não
recolhidas pelo de cujus do benefício de pensão por morte (PU n.
2005.72.95.013310-7). Foi editada inclusive súmula 52 a respeito do tema:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 172


“Súmula 52 TNU: para fins de concessão de pensão por morte, é incabível a
regularização do recolhimento de contribuições de segurado contribuinte
individual posteriormente a seu óbito, exceto quando as contribuições devam
ser arrecadadas por empresa tomadora de serviços.”

Atenção

Regularização de contribuição em mora – O STJ vem consolidando


entendimento no sentido da impossibilidade de recolhimento após
o óbito do segurado.

STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL


AgRg no AREsp 532417 PR 2014/0149253-2 (STJ) . Data de
publicação: 18/09/2014 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR
MORTE. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELOS
DEPENDENTES APÓS O ÓBITO. IMPOSSIBILIDADE. PERDA DA
QUALIDADE DE SEGURADO. 1. Consoante o entendimento firmado
pelo Superior Tribunal de Justiça, impossível o recolhimento das
contribuições previdenciárias pelos dependentes após o óbito do
segurado, contribuinte individual, com o objetivo de possibilitar a
concessão do benefício de pensão por morte. Precedentes. 2.
Agravo regimental a que se nega provimento. PREVIDENCIÁRIO -
PROCESSUAL CIVIL - PENSÃO POR MORTE AOS DEPENDENTES -
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL - PERDA DA QUALIDADE DE
SEGURADO - RECOLHIMENTO POST MORTEM -
IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do STJ vem se firmando no
sentido de que não é possível a concessão do benefício da pensão
por morte aos dependentes do segurado falecido, contribuinte
individual, que não efetuou o recolhimento das contribuições
respectivas à época, não havendo amparo legal para que este seja

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 173


feito post mortem. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no
AREsp 339.676⁄RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA
TURMA, julgado em 3⁄12⁄2013, DJe 10⁄12⁄2013.)

Óbito
Quanto ao óbito, pode ser real ou presumido.

O óbito real é comprovado pela certidão de óbito.

O óbito presumido decorre de declaração de ausência ou de morte em


consequência de acidente, desastre ou catástrofe.

Sendo o óbito presumido, a pensão é provisória. Reaparecendo o segurado,


cessará imediatamente, desobrigados os dependentes da reposição dos valores
recebidos, salvo má-fé.
Não se deve confundir a declaração de ausência para fim de administração de
bens e sucessão (Código Civil), com a declaração de ausência para fim de
fruição de pensão por morte. Conforme entendimento do STJ, se há
inexistência de bens para arrecadar, a finalidade da declaração da ausência é
auferir benefício previdenciário e a competência é da Justiça Federal (CC
86809, 2ª seção, DJ 20-09-2007).

Para Marcelo Leonardo Tavares, tal ação seguirá o rito especial de jurisdição
voluntária, pois dela não resulta condenação direta da autarquia no pagamento
da pensão, sendo legitimado passivo o INSS, o único interessado conhecido.
Haverá citação da autarquia e expedição de edital para citação dos interessados
desconhecidos, razão pela qual o feito não pode tramitar no Juizado Especial
Federal, e sim nas Varas Previdenciárias.
Súmula 340 STJ: A lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por
morte é aquela vigente na data do óbito do segurado. (princípio tempus
regit actum)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 174


Quanto à prova de ser dependente
Temos o rol de dependentes no Artigo 16 da Lei nº 8.213. Os dependentes são
divididos em três classes (Artigo 16 Lei nº 8.213):

classe 1: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado,


de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou
relativamente incapaz, assim declarado judicialmente (Redação dada
pela Lei nº 12.470, de 2011);
classe 2: os pais;

O irmão de qualquer condição menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou


que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave, nos termos do
regulamento (Lei nº 13.135/2015 C/C Lei nº 8.213/91). Mas, essa nova
redação, no que se refere às pessoas com “deficiência intelectual ou mental”,
por força do disposto no art. 6º, dessa mesma lei, terá o prazo de dois anos
para entrar em vigor, ou seja, seu termo inicial de vigência será em 17 de
junho de 2017.

Art. 74. A pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do
segurado que falecer, aposentado ou não, a contar da data: (Redação dada
pela Lei nº 9.528, de 1997)
I - do óbito, quando requerida até trinta dias depois deste; (Incluído pela Lei
nº 9.528, de 1997)
II - do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no inciso
anterior; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)
III - da decisão judicial, no caso de morte presumida. (Incluído pela Lei nº
9.528, de 1997)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 175


Atenção

§ 1o Perde o direito à pensão por morte, após o trânsito em


julgado, o condenado pela prática de crime de que tenha
dolosamente resultado a morte do segurado. (Incluído pela Lei
nº 13.135, de 2015)

§ 2o Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o


companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer
tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável,
ou a formalização desses com o fim exclusivo de constituir
benefício previdenciário, apuradas em processo judicial no qual
será assegurado o direito ao contraditório e à ampla
defesa. (Incluído pela Lei nº 13.135, de 2015).

Cônjuge divorciado ou separado


ARTIGO 76 § 2º. O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de
fato que percebia pensão de alimentos concorrerá em igualdade de
condições com os dependentes referidos no inciso I, do Artigo 16, desta lei. O
momento da verificação da dependência econômica é a época do óbito.
Súmula 336 do STJ: A mulher que renunciou aos alimentos na separação
judicial tem direito à pensão previdenciária por morte de ex-marido,
comprovada a necessidade econômica superveniente.

Início do Benefício: a contar do óbito, se requerido até 30 dias da data do


óbito, e a partir do requerimento, se requerido após 30 dias do óbito. A inércia
dos dependentes causa a perda do direito às prestações mensais anteriores, se
requererem benefício após 30 dias da data do óbito.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 176


Atenção

No caso de óbito presumido, a 5ª turma do STJ no Ag Rg


1392672, Rel. Ministro Marco Aurelio Bellizze, DJ 23-10-2013,
entendeu que em razão da demora no julgamento da ação
declaratória de ausência, não se poderia aplicar o Artigo 74 da
Lei nº 8.213/1991, que dispõe que a pensão por morte, no caso
de morte presumida, será devida a contar da decisão judicial, eis
que “o direito de pensão por morte não deve ficar à mercê de
burocrática prova do desaparecimento, sobretudo porque o INSS
não logrou ilidir os elementos de prova apresentados, os quais
são suficientes para a declaração da morte presumida do
cônjuge da autora, desaparecido desde 30/12/1996, traduzindo
situação preexistente, razão pela qual não justifica que o
benefício decorrente da declaração judicial da morte presumida
seja devido tão somente a partir da decisão emanada da
autoridade judicial”.

A Medida Provisória nº 664/2014 trouxe inovação importante. Foi a vedada a


concessão de pensão por morte para o condenado pela prática de crime doloso
de que tenha resultado a morte do segurado instituidor.

Este dispositivo restritivo do direito é coerente com o disposto no Código Civil,


que exclui da sucessão os herdeiros ou legatários que houverem de alguma
forma tentado contra a vida da pessoa de cuja sucessão se referir, nos termos
do Artigo 1.814.

A nova legislação igualmente restringiu a concessão do benefício nos casos de


formalização do casamento ou união estável menos de dois anos antes da
morte do segurado instituidor, salvo nos casos em que:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 177


I - o óbito do segurado seja decorrente de acidente posterior ao casamento ou
ao início da união estável; ou
II - o cônjuge, o companheiro ou a companheira for considerado incapaz e
insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade remunerada que lhe
garanta subsistência, mediante exame médico-pericial a cargo do INSS,
por doença ou acidente ocorrido após o casamento ou início da união estável e
anterior ao óbito.

Art. 74, §1º, Lei nº8.213/91 - Perde o direito à pensão por morte, após o
trânsito em julgado, o condenado pela prática de crime de que tenha
dolosamente resultado a morte do segurado.

Ex1: o cônjuge é dependente de 1ª classe do segurado e, por isso, este


falecendo o seu cônjuge/companheiro tem direito a receber pensão por morte.
Mas, se esse cônjuge/companheiro causou, de forma dolosa, a morte do
segurado, não terá direito a tal benefício previdenciário.
Ex2: filho menor condenada por ter participado da morte de seus pais. Pela
redação vigente até 30/12/2014, tinha direito, até completar 21 anos, a pensão
por morte deixada por seus genitores. A partir de quando entrou em vigor a
Medida Provisória 664/14, a qual foi convertida na presente lei.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 178


Atenção

Sobre este §1º há três considerações:

A morte deverá ter sido causada de forma DOLOSA.

Ex: se o marido dirigia o veículo com emprego de excesso de


velocidade (imprudência) e veio a ocasionar um acidente que resultou
na morte de sua mulher. Isso não afastará seu direito à pensão por
morte já que esse homicídio foi culposo.

A referida previsão não se restringe ao homicídio.

Aqui será incluído o latrocínio (art. 157, § 3º do CP), pois, também


consiste em crime doloso do qual resulta a morte.

3) O legislador exige o trânsito em julgado da decisão condenatório, o


que resulta em respeito ao constitucional princípio da presunção de
inocência e exige do Poder Judiciário célere prestação jurisdicional.

Art. 74, §2º, Lei 8.213/91 – Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o
companheiro ou a companheira se comprovada, a qualquer tempo, simulação
ou fraude no casamento ou na união estável, ou a formalização desses com o
fim exclusivo de constituir benefício previdenciário.

Ao acrescentar o § 2º, ao artigo 74, a Lei 13.135/2015 inovou com hipóteses


em que haverá a perda da pensão por morte, caso resulte comprovado que o
casamento/união estável padece de ilegalidade, por simulação ou fraude.

“Diz-se que há simulação, quando o ato existe apenas aparentemente, sob a


forma, em que o agente faz entrar nas relações da vida. É um ato fictício, que
encobre e disfarça uma declaração real da vontade, ou que simula a existência
de uma declaração que não se faz”. ( Clóvis Beviláqua, citado por Fábio de

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 179


Oliveira Azevedo, Direito Civil Introdução e Teoria Geral. Lumen Juris, Rio de
Janeiro, 2009)
“A fraude à lei é negócio verdadeiro, embora vise a evitar a incidência de uma
lei proibitiva”. Fábio de Oliveira Azevedo, Direito Civil Introdução e Teoria Geral.
Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009). Essa alteração é oportuna, pois tem por fim
coibir irregularidades, porque não raramente pessoas idosas, portadoras de
doenças graves, em estado terminal, simulavam casamento ou união estável
com o propósito, exclusivo, de agraciar alguém com pensão por morte.

Se o dependente for incapaz


Se o dependente for incapaz, haverá retroação da DIB (Data do início do
benefício) à data do óbito, inclusive para o capaz, porque um benefício não
pode ter mais de uma data de início. Os efeitos financeiros, todavia, são
diversos.

O capaz somente recebe valores a partir da Data de Entrada do Requerimento


(DER). O incapaz recebe valores a partir da data do óbito, mas não tem direito
de receber até a DER os valores que ao capaz em tese seriam devidos. (TRF4,
APELREEX 5002431-55.2010.404.7005, Sexta Turma, Relator p/ Acórdão Luís
Alberto D’Azevedo Aurvalle, D.E. 20/10/2011).

Renda Mensal Inicial (RMI)


Qual é o valor da pensão por morte?
O valor da pensão por morte corresponde ao da aposentadoria que o segurado
recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez na
data de seu falecimento. Consiste em 100% do saláriode benefício.

Ex.: se Paulo, aposentado recebe R$3.000,00, falece, sua esposa terá direito a
receber R$3.000,00 de pensão por morte.
A MP 664/2014 tentou reduzir esse valor, mas a proposta não foi aprovada pelo
Congresso Nacional.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 180


A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o salário-
de-contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário-mínimo, nem superior ao do limite máximo do salário-de-
contribuição, ressalvado o disposto no art. 45 desta Lei. (Art. 33, Lei 8213/91).

O valor mensal da pensão por morte será de cem por cento do valor da
aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se
estivesse aposentado por invalidez na data de seu falecimento, observado o
disposto no art. 33, desta lei. (Art. 75, Lei 8.213/91)

Legislação

Como já vimos, a legislação a ser aplicada à concessão da pensão é aquela em


vigor na época do óbito, de acordo com o princípio tempus regist actum.
Eventual alteração às regras posteriormente não deve influenciar os
pressupostos e critérios de cálculo dos benefícios anteriores. Nesse sentido,
decidiu o Pleno do STF, no RE (Recurso Extraordinário) 415454, Min. GILMAR
MENDES, DJ 26-10-2007, ao entender inaplicável às pensões anteriores os
novos critérios de fixação previstos pela Lei nº 9.032, de 1995, com base na
alíquota de 100 % sobre o salário-de-benefício:

“O cumprimento das políticas públicas previdenciárias, exatamente por estar


calcado no princípio da solidariedade (CF, Artigo 3º, I), deve ter como
fundamento o fato de que não é possível dissociar as bases contributivas de
arrecadação da prévia indicação legis. Salvo disposição legislativa expressa e
que atenda à prévia indicação da fonte de custeio total, o benefício
previdenciário deve ser calculado na forma prevista na legislação vigente à data
da sua concessão. A Lei nº 9.032/1995 somente pode ser aplicada às
concessões ocorridas a partir de sua entrada em vigor.”

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 181


Qual o prazo de duração da pensão por morte recebida pelo cônjuge/
companheiro do falecido? Em outras palavras, até quando o viúvo/companheiro
receberá a pensão por morte?
Antes da MP 664/14, não havia prazo, o beneficiário recebia por toda a vida. O
que, segundo estudos da administração pública, acabava gerando um grave
desequilíbrio atuarial porque tem se tornado comum pessoa idosa casar com
jovem e, quando morre, o viúvo acaba recebendo pensão por décadas.

Atenção

Tal medida provisória inovou com previsões que não foram


mantidas, quando de sua conversão na Lei nº 13.135/2015,
porém, a ideia de delimitação o foi, como se observa da
alteração da redação do art. 77, § 2º, V, da Lei nº8.213/91, que
fixa o tempo máximo de duração da pensão por morte devida
ao cônjuge/companheiro (a) do segurado falecido.

O cônjuge/companheiro perderá sua cota individual da pensão


por morte nos seguintes prazos:

01. Em 04 (quatro) meses, nos casos em que o segurado tiver


pago (vertido) menos de 18 contribuições mensais em favor do
Regime Geral de Previdência Social.

Por expressa previsão legal, o tempo de contribuição para o


RPPS poderá ser aproveitado nesta contagem.

02. Em 04 (quatro) meses, se o segurado era casado ou vivia


em união estável há menos de 02 (dois) anos, quando morreu. A
presente disposição independe de tempo de contribuição.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 182


03. Os prazos serão diversos, quando se tratar de segurado que
tenha pago mais de 18 contribuições mensais em favor do RGPS
e quando de seu óbito era casado ou viva em união estável há
mais de 02 (dois) anos, como ora se demonstra:

Duração da pensão idade do beneficiário


03 (três) anos menos de 21 anos
06 (seis) anos, entre 21 e 26 anos
10 (dez) anos entre 27 e 29 anos
15 (quinze) anos entre 30 e 40 anos
20 (vinte) anos entre 41 e 43 anos
Vitalícia com 44 ou mais anos

Nesta hipótese também é admitida contagem do tempo em que


o segurado tiver contribuído para o RPPS.

04. Caso a morte do segurado decorra de acidente de qualquer


natureza ou de doença profissional ou do trabalho, independente
do número de contribuições que ele tenha pagado ou do tempo
de casamento/união estável, a pensão por morte irá durar:

Duração da pensão idade do beneficiário


03 (três) anos menos de 21 anos
06 (seis) anos, entre 21 e 26 anos
10 (dez) anos entre 27 e 29 anos
15 (quinze) anos entre 30 e 40 anos
20 (vinte) anos entre 41 e 43 anos
Vitalícia com 44 ou mais anos

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 183


STJ
Importante trazer à baila a questão da competência para processar e julgar
ação em que objetiva a percepção de pensão por morte decorrente de morte
de companheiro.

• O STJ, recentemente, decidiu que compete à Justiça Federal processar e


julgar demanda proposta em face do INSS com o objetivo de ver reconhecido
exclusivamente o direito da autora de receber pensão decorrente da morte do
alegado companheiro, ainda que seja necessário enfrentar questão prejudicial
referente à existência, ou não, da união estável.

• A definição da competência se estabelece de acordo com os termos da


demanda, e não a partir de considerações a respeito de sua procedência, da
legitimidade das partes ou de qualquer juízo acerca da própria demanda.

• Assim, se a pretensão deduzida na inicial não diz respeito ao reconhecimento


de união estável, mas apenas à concessão de benefício previdenciário, deve ser
reconhecida a competência da Justiça Federal.

Nesse contexto, ainda que o juízo federal tenha de enfrentar o tema referente à
caracterização da união estável, não haverá usurpação da competência da
Justiça Estadual, pois esse ponto somente será apreciado como questão
prejudicial, possuindo a demanda natureza nitidamente previdenciária. CC
126.489-RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10/4/2013.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 184


Auxílio-reclusão
O auxílio-reclusão é benefício previdenciário destinado exclusivamente aos
dependentes do segurado, que está preso (Artigo 201, IV, CF; Artigo 18, II, “b”
e Artigo 80, da Lei nº 8.213; Artigos 116 a 119, do Decreto 3.048).

A concessão do auxílio-reclusão depende do preenchimento dos


seguintes requisitos:
1º) segurado preso em regime fechado ou semiaberto;
2º) não recebimento de remuneração da empresa empregadora nem de auxílio-
doença, aposentadoria ou abono de permanência em serviço;
3º) demonstração da qualidade de segurado do preso;
4º) segurado de baixa renda;
5º) efetivo recolhimento à prisão;
6º) condição de dependente de quem objetiva o benefício.

Considerações relevantes:
a) equipara-se à condição de recolhido à prisão a situação do segurado com
idade entre 16 e 18 anos que tenha sido internado em estabelecimento
educacional ou congênere, sob custódia do Juizado de Infância e da Juventude.
b) a cada três meses deverá ser apresentado nova declaração de cárcere,
emitida pela unidade prisional.
c) assim que o segurado preso for posto em liberdade, o dependente ou
responsável deverá apresentar imediatamente o alvará de soltura, para que não
ocorra recebimento indevido do benefício.
d) em caso de fuga, liberdade condicional, transferência para prisão
albergue ou cumprimento da pena em regime aberto, o dependente ou
responsável também deverá procurar a Agência da Previdência Social para
solicitar cessação imediata do benefício e no caso de nova prisão posterior,
deverá requerer um novo benefício, mesmo nos casos de fuga com posterior
recaptura.
e) o valor a que se refere o art. 13, da EC 20/98, vem sendo atualizado
através de portarias ao longo dos anos. Para o ano de 2015, foi editada Portaria

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 185


interministerial MPS-MF nº 13, de 09-01-2015, com valor limite para concessão
de auxilio-reclusão: R$1.089,72 (hum mil, oitenta e nove reais e setenta e dois
centavos).

Salário-família
Trata-se de benefício previdenciário pago mensalmente pela empresa ou pelo
INSS aos segurados de baixa renda, na proporção do respectivo número de
filhos ou equiparados até 14 anos, ou inválidos (Artigo 201, IV, da CF, Artigo
18, I, “f”, e Artigos 65 a 70, da Lei nº 8.213, e Artigos 81 a 92, do Decreto
3.048).

Beneficiários

Empregado, trabalhador avulso e aposentados que tenham salário-de-


contribuição nos termos previstos na Portaria interministerial MPS-MF nº
13, de 09-01-2015), na proporção do respectivo número de filhos ou
equiparados (enteado ou tutelado) menores de 14 anos ou inválidos.

Excluídos do benefício: domésticos (antes da EC 72), contribuintes


individuais e facultativos (salvo quando aposentados). Art. 65. O salário-família
será devido, mensalmente, ao segurado empregado, inclusive o doméstico, e
ao segurado trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos
ou equiparados nos termos do § 2o do art. 16 desta Lei, observado o
disposto no art. 66. (Redação dada pela Lei Complementar nº 150, de 2015)
Parágrafo único. O aposentado por invalidez ou por idade e os demais
aposentados com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais de idade, se do sexo
masculino, ou 60 (sessenta) anos ou mais, se do feminino, terão direito ao
salário-família, pago juntamente com a aposentadoria. (Lei 8.213/91)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 186


Concessão: O benefício é concedido por cotas, de modo que o segurado
perceba tantas cotas quantos sejam os filhos, enteados ou tutelados, com idade
até 14 anos incompletos ou inválidos.
Para os filhos inválidos maiores de 14 anos, deve ser verificada a invalidez em
exame pericial pelo INSS.

Início do Benefício: Devido a partir da apresentação da certidão de


nascimento do filho ou documentação referente ao equiparado.

Carência: Não há (Artigo 26, I, a Lei nº 8.213).

Salário-família - renda mensal


A cota do salário-família é definida em razão da remuneração que seria devida
ao empregado no mês, independentemente do número de dias efetivamente
trabalhados. Todas as importâncias que integram o salário de contribuição
serão consideradas como parte integrante da remuneração total de férias para
efeito de definição do direito à cota do salário-família.

Como é um benefício previdenciário, importante salientar que, embora pago


pela empresa, ela terá direito de reembolso integralmente de valor adiantado,
efetuando a compensação quando do recolhimento das contribuições devidas à
Previdência Social.

A renda do benefício é calculada por cotas referentes a cada filho ou


equiparado. A Portaria acima citada fixou dois valores de cota para o salário-
família:

a) R$37,18 para segurado com remuneração mensal não superior a


R$725,02;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 187


b) R$26,20 para segurado com remuneração mensal superior a R$
R$725,02 e igual ou inferior a R$ 1.089,73. (Portaria Interministerial
MPS/MF 13/15).

Cessação (Artigo 88, do Decreto 3.048):


• Por morte do filho ou equiparado a contar do mês seguinte ao óbito;
• Quando o filho ou equiparado completar 14 anos de idade, salvo se inválido, a
contar do mês seguinte ao da data do aniversário;
• Pela recuperação da capacidade do filho ou equiparado inválido, a contar do
mês seguinte ao da cessação da incapacidade;
• Pelo desemprego do segurado.

Conforme Artigo 7º da CF, o salário-família é direito do trabalhador, urbano ou


rural. Sendo assim, o benefício, ainda que seja pago em função da
existência de dependentes, é devido ao segurado. Uma vez
desempregado, não faz mais jus às cotas.

Salário-maternidade

Trata-se de benefício previdenciário concedido à mulher gestante pelo prazo de


120 dias, previsto no Artigo 201, II, da CF, Artigo 18, I, “g” e Artigos 71 a 73
da Lei nº 8.213 e Artigos 93 a 102, do Decreto 3.048.
A proteção à trabalhadora gestante é garantida tanto no âmbito do Direito do
Trabalho quanto no Direito Previdenciário.
No campo do Direito Previdenciário, a proteção da mulher gestante se dá pela
concessão do beneficio salário-maternidade com duração, em regra, de 120
dias.

Beneficiárias: Todas as seguradas.

Todas as seguradas e o segurado que adotar ou obtiver guarda para fins de


adoção. Com a introdução do artigo 392-A da CLT e o artigo 71-A da Lei n°

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 188


8.213/91, a licença-maternidade foi garantida também à mãe adotiva ou, ainda,
quando obtiver a guarda judicial. Para a concessão de tal benefício, a legislação
observará a idade da criança para saber a quantidade de dias que a mãe terá
direito de se afastar em licença maternidade, da seguinte forma: a) 120 dias:
até um ano de idade; b) 60 dias: criança de um ano até quatro anos de idade;
c) 30 dias: criança de quatro anos até oito anos de idade. Neste sentido é a IN
INSS 77/2015: Artigo 344: A partir de 25 de outubro de 2013, data da
publicação da Lei n° 12.873, de 24 de outubro de 2013, será devido o benefício
de salário-maternidade ao segurado ou segurada da Previdência Social que
adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção, de criança de até doze
anos incompletos, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias, desde que haja o
afastamento da atividade.

Instrução Normativa INSS 77/2015:


Art. 340. O salário-maternidade será devido na forma do art. 343 desta IN,
inclusive nos casos de natimorto, aborto não criminoso, adoção ou guarda
judicial para fins de adoção, conforme o caso, para os segurados:
I - empregado;
II - trabalhador avulso;
III - empregado doméstico;
IV - contribuinte individual;
V - facultativo;
VI - especial; e
VII - em período de manutenção da qualidade, conforme o art. 137.

Atenção

A exigência de 12 meses, posta ainda no parágrafo único do


Artigo 39, da Lei nº 8.213, deve ser entendida como reduzida
para 10 meses, a partir de 29-11-99 (data da publicação da Lei
nº 9.786/99), para manter a coerência do sistema (Artigo 93, §

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 189


2º do Decreto 3.048/99 e At. 297 DA INSS 45/2010 para:
Art.352, DA INSS 77/2015.

Salário-maternidade - mais informações


Você sabe qual é a data de início do benefício? A partir do 28º dia
anterior ao parto até o dia deste pode ser iniciado o benefício, isto porque o dia
do parto nem sempre é previsível.

Poderá o salário-maternidade ser requerido no prazo de cinco anos, a


contar da data do parto, haja vista a ausência de prazo máximo para o seu
requerimento, pois após esse período começará a se operar a prescrição
quinquenal progressiva das parcelas.

Duração do salário-maternidade: A regra é que seja pago por 120 dias.


Considera-se parto o evento ocorrido a partir da 23ª semana de gestação,
inclusive em caso de natimorto. Ou seja, a interrupção de gestação após este
período, desde que não criminosa, dará direito ao período de 120 dias.

Exceções:
1 - Caso haja interrupção não criminosa antes da 23ª semana, o
saláriomaternidade terá duração de duas semanas.
2 - Em situações de risco para a vida do feto, ou criança, ou da mãe, é possível
que o salário-maternidade seja pago por mais de 120 dias, mediante atestado
específico, aumentando-se até duas semanas os períodos de repouso anterior e
posterior ao parto. Tais situações são de risco para a vida do feto, ou criança,
ou da mãe, devendo o atestado médico ser apreciado pela perícia do INSS,
exceto nos casos de segurada empregada, que é pago diretamente pela
empresa.
3 – Salário-maternidade em caso de adoção (controvérsia). Salário-
maternidade em caso de adoção: o período variava de acordo com a idade do
adotado, conforme redação antiga do Artigo 71-A, da Lei 8.213. Esse artigo era

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 190


bastante criticado, pois a adoção da criança de idade mais avançada também
demanda uma atenção especial, haja vista já terem convívios sociais anteriores,
não tendo sido razoável se limitar aos 8 anos de idade, especialmente no caso
de deficientes físicos ou mentais adotandos. Por força de decisão judicial na
ACP 5109632-23.2011.404.7200 (VF de Santa Catarina), com aplicação em
âmbito nacional com base no Artigo 6º, caput, 203 I e no Artigo 227, § 6º,
todos da CF, o INSS foi obrigado a conceder salário-maternidade na adoção por
120 dias, independentemente da idade da criança ou do adolescente adotando.
Na doutrina, Fabio Zambitte e Lazzari entendiam que o estabelecimento dos
prazos no Artigo 2 71-A havia sido revogado tacitamente pela Lei 12.010/09, a
qual revogou previsão idêntica na CLT, que tratava da licença-maternidade
(Artigo 392-A). Ocorre que, no ano de 2013, foi editada a Lei 12.873, que
tratou de modificações substanciais no salário-maternidade:

1 - Caso haja interrupção não criminosa antes da 23ª semana, o salário-


maternidade terá duração de duas semanas.
2 - Em situações de risco para a vida do feto, ou criança, ou da mãe, é possível
que o salário-maternidade seja pago por mais de 120 dias, mediante atestado
específico, aumentando-se até duas semanas os períodos de repouso anterior e
posterior ao parto. Tais situações são de risco para a vida do feto, ou criança,
ou da mãe, devendo o atestado médico ser apreciado pela perícia do INSS,
exceto nos casos de segurada empregada, que é pago diretamente pela
empresa.
3 – Salário-maternidade em caso de adoção (controvérsia).
Salário-maternidade em caso de adoção: o período variava de acordo com a
idade do adotado, conforme redação antiga do Artigo 71-A, da Lei 8.213.
Esse artigo era bastante criticado, pois a adoção da criança de idade mais
avançada também demanda uma atenção especial, haja vista já terem
convívios sociais anteriores, não tendo sido razoável se limitar aos 8 anos de
idade, especialmente no caso de deficientes físicos ou mentais adotandos.
Por força de decisão judicial na ACP 5109632-23.2011.404.7200 (VF de Santa
Catarina), com aplicação em âmbito nacional com base no Artigo 6º, caput, 203

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 191


I e no Artigo 227, § 6º, todos da CF, o INSS foi obrigado a conceder salário-
maternidade na adoção por 120 dias, independentemente da idade da criança
ou do adolescente adotando. Na doutrina, Fabio Zambitte e Lazzari entendiam
que o estabelecimento dos prazos no Artigo 71-A havia sido revogado
tacitamente pela Lei 12.010/09, a qual revogou previsão idêntica na CLT, que
tratava da licença-maternidade (Artigo 392-A).
Ocorre que, no ano de 2013, foi editada a Lei 12.873, que tratou de
modificações substanciais no salário-maternidade:
ANTES da MP 619/13 e da Lei APÓS da MP 619/13 e da Lei
12.873/13 12.873/13
O período variava de acordo com a A nova redação do art. 71-A da Lei
idade da criança adotada: n. 8.213/91 afirma que à segurada
• Até 1 ano: 120 dias. da Previdência Social que adotar ou
• Entre 1 e 4 anos: 60 dias. obtiver guarda judicial para fins de
• Entre 4 e 8 anos: 30 dias. adoção de criança é devido salário-
Essa diferença entre crianças maternidade pelo período de 120
adotadas e biológicas sempre foi dias.
muito criticada e havia ações
judiciais questionando a sua Assim, não importa mais a idade da
constitucionalidade. criança adotada. O período de
salário-maternidade será sempre de
120 dias.

Foi acrescentado também o § 2º ao Artigo 71-A da Lei 8.213/91, com a


seguinte redação:
§ 2º Ressalvado o pagamento do salário-maternidade à mãe biológica e o
disposto no art. 71-B, não poderá ser concedido o benefício a mais de um
segurado, decorrente do mesmo processo de adoção ou guarda, ainda que os
cônjuges ou companheiros estejam submetidos a Regime Próprio de
Previdência Social.
Assim, por exemplo, se Maria e Joana, companheiras homoafetivas, ambas
seguradas do RGPS (INSS), adotarem uma criança, apenas uma delas terá

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 192


direito ao salário-maternidade. Foram acrescentados também dois novos
importantes artigos à Lei 8.213/91:
Agora, se a mãe falecer, o pai (desde que segurado) poderá continuar
recebendo o salário-maternidade:
Art. 71-B. No caso de falecimento da segurada ou segurado que fizer jus ao
recebimento do salário-maternidade, o benefício será pago, por todo o período
ou pelo tempo restante a que teria direito, ao cônjuge ou companheiro
sobrevivente que tenha a qualidade de segurado, exceto no caso do
falecimento do filho ou de seu abandono, observadas as normas aplicáveis ao
salário-maternidade.
§ 1º O pagamento do benefício de que trata o caput deverá ser requerido até o
último dia do prazo previsto para o término do salário-maternidade originário.
§ 2º O benefício de que trata o caput será pago diretamente pela Previdência
Social durante o período entre a data do óbito e o último dia do término do
salário-maternidade originário e será calculado sobre:
I - a remuneração integral, para o empregado e trabalhador avulso;
II - o último salário-de-contribuição, para o empregado doméstico;
III - 1/12 (um doze avos) da soma dos 12 (doze) últimos salários de
contribuição, apurados em um período não superior a 15 (quinze) meses, para
o contribuinte individual, facultativo e desempregado; e
IV - o valor do salário mínimo, para o segurado especial.
§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo ao segurado que adotar ou obtiver
guarda judicial para fins de adoção.
Agora ficou expressa a previsão de que a pessoa que recebe o salário-
maternidade deve ficar afastada do trabalho. Não pode receber o benefício e
continuar trabalhando:
Art. 71-C. A percepção do salário-maternidade, inclusive o previsto no art. 71-B,
está condicionada ao afastamento do segurado do trabalho ou da atividade
desempenhada, sob pena de suspensão do benefício.
No âmbito do DIREITO DO TRABALHO, também há importantes modificações,
pois a Lei 12.873/2013 alterou algumas regras previstas na CLT sobre licença-
maternidade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 193


Foi inserido o § 5º ao Artigo 392-A da CLT, prevendo que, se um casal homo ou
heteroafetivo fizer uma adoção conjunta, apenas um dos dois terá direito à
licença-maternidade. Veja:
§ 5º A adoção ou guarda judicial conjunta ensejará a concessão de licença-
maternidade a apenas um dos adotantes ou guardiães empregado ou
empregada.
Agora, existe previsão legal expressa no sentido de que, se a mãe falecer, o pai
(que for empregado) poderá ficar gozando da licença-maternidade:
Art. 392-B. Em caso de morte da genitora, é assegurado ao cônjuge ou
companheiro empregado o gozo de licença por todo o período da licença-
maternidade ou pelo tempo restante a que teria direito a mãe, exceto no caso
de falecimento do filho ou de seu abandono.
As regras da licença-maternidade são as mesmas tanto no caso de filhos
biológicos como adotivos (incluindo a guarda judicial para fins de adoção):
Art. 392-C. Aplica-se, no que couber, o disposto no art. 392-A e 392-B ao
empregado que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção.
Renda mensal do benefício
A renda mensal foge à regra de vinculação de aplicação da alíquota ao salário-
de-benefício. Seguradas empregada, empregada e avulsa: renda igual à
remuneração integral. Se existirem empregos concomitantes, fará jus ao
benefício relativo a cada emprego. OBS: Instrução Normativa INSS 77/2015.

Empregos concomitantes ou de atividade simultânea


Artigo 299. No caso de empregos concomitantes ou de atividade
simultânea na condição de segurada empregada com contribuinte individual
ou doméstica, a segurada fará jus ao salário-maternidade relativo a cada
emprego ou atividade.

§ 1º Inexistindo contribuição na condição de segurada contribuinte individual


ou empregada doméstica, em respeito ao limite máximo do salário-de-
contribuição como segurada empregada, o benefício será devido apenas na
condição de empregada.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 194


§ 2º Quando a segurada se desligar de apenas uma das atividades, o benefício
será devido somente pela atividade que continuar exercendo, ainda que
em prazo de manutenção da qualidade de segurada na atividade
encerrada.

§ 3º Quando a segurada se desligar de todos os empregos ou atividades


concomitantes e estiver em prazo de manutenção da qualidade de segurada,
será devido o salário-maternidade somente em relação à última atividade
exercida.

Na doutrina, temos Frederico Amado que entende que esta instrução, nesta
parte, ilegal, deve o INSS pagar dois salários-maternidade, se mantida a
qualidade de segurada, pois durante o período de graça a segurada conservará
todos os direitos perante a Previdência Social, conforme Artigo 15, § 3º, da Lei
nº 8.213.

Atenção

O Artigo 14, da EC 20, fixou o limite máximo para o valor de


benefícios em R$1.400,00. Ocorre que o STF, na ADIN Mc 1946,
firmou entendimento de que tal artigo, em atenção ao princípio
da isonomia entre homens e mulheres, deu interpretação
conforme para que o artigo não limitasse o salário-maternidade
ao teto dos benefícios, e aí a Previdência tem que arcar com o
pagamento de todo o benefício. Se assim não se entendesse, as
empresas iriam discriminar as mulheres na admissão do
emprego para evitar custos.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 195


Renda mensal do benefício - mais informações
• Seguradas empregada doméstica: valor correspondente ao seu último salário
de contribuição (o Artigo 7º, XVIII e parágrafo único CF, c.c Artigo da lei
conferem à doméstica licença-gestante sem prejuízo do emprego e salário).
• Seguradas contribuinte individual e facultativa: 1-12 dos últimos salários de
contribuição, apurados em um período não superior a 15 meses. (Caso a
segurada tenha apenas cumprido a carência, ou seja, 10 contribuições mensais,
seu benefício será de 1/12 de 10 meses, o que evidentemente irá reduzir o
valor do mesmo).
• Segurada especial: um salário mínimo.

Atividade proposta
Eduarda, aposentada por invalidez no valor de R$3.000,00, procura seu
escritório para saber se tem direito a algum benefício previdenciário, pois
escutou na TV que os dependentes de preso poderiam pleitear junto ao INSS o
tal do “auxílio-reclusão”.
Informa que seu esposo, Cláudio, está preso desde setembro de 1997, com
base em decisão transitada em julgado da Justiça Federal por crime de lavagem
de dinheiro. Informa que tudo não passou de injustiça, já que seu marido era
trabalhador, inclusive com carteira assinada, como advogado do banco
empresta $ a juros baixos, conforme fl. 6 da CTPS, anotada com salário de R$.
1.500,00.

Por fim, mostra uma declaração expedida pela Secretaria de Segurança Pública,
no dia 30-11-2011, esclarecendo que Cláudio está preso na Penitenciária Bangu
I, desde setembro de 1997 até os dias atuais. Eduarda faz jus ao benefício?

Chave de resposta: Antes da Ec. 20-1998, não havia necessidade de o


segurado ser de baixa renda para fazer jus ao benefício de auxílio-reclusão.
Logo, é devido auxílio-reclusão para Eduarda, sendo cumulável com sua
aposentadoria por invalidez.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 196


Atividade proposta
Eduarda, aposentada por invalidez no valor de R$3.000,00, procura seu
escritório para saber se tem direito a algum benefício previdenciário, pois
escutou na TV que os dependentes de preso poderiam pleitear junto ao INSS o
tal do “auxílio-reclusão”.
Informa que seu esposo, Cláudio, está preso desde setembro de 1997, com
base em decisão transitada em julgado da Justiça Federal por crime de lavagem
de dinheiro. Informa que tudo não passou de injustiça, já que seu marido era
trabalhador, inclusive com carteira assinada, como advogado do banco
Empresta $ a Juros Baixos, conforme fl. 6 da CTPS, anotada com salário de R$.
1.500,00.

Por fim, mostra uma declaração expedida pela Secretaria de Segurança Pública,
no dia 30-11-2011, esclarecendo que Cláudio está preso na Penitenciária Bangu
I, desde setembro de 1997 até os dias atuais. Eduarda faz jus ao benefício?

Chave de resposta: Antes da Ec. 20-1998, não havia necessidade de o


segurado ser de baixa renda para fazer jus ao benefício de auxílio-reclusão.
Logo, é devido auxílio-reclusão para Eduarda, sendo cumulável com sua
aposentadoria por invalidez.

Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2015.
TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus, 2011.
VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário. Ed. Atlas, 2014.
&#60; <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8213compilado.htm>
Acesso em 23 ago 2015.
Instruções normativas
<http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/38/inss-pres/2015/77.htm>
Acesso em 26 ago 2015.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 197


<https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8213cons.htm> Acesso em 26
ago 2015.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 198


Exercícios de fixação
Questão 1
Kátia, aposentada do INSS, ajuíza ação objetivando pensão por morte em face
do INSS, alegando que conviveu desde 2006 ao lado de Ruy, falecido em 25-
10-2009, aos 67 anos de idade. Alega que requereu, em 01-09-2013, benefício
de pensão por morte de seu companheiro, mas que o benefício foi indeferido
por falta de qualidade de dependente, por não haver sido provada a relação de
companheirismo. Instruiu a inicial com os seguintes documentos: conta de
telefone em seu nome em endereço em Copacabana, onde os dois residiam,
cópia de apólice de seguro de vida contratado por Ruy em junho de 2008, no
qual consta a mesma como beneficiária, fotos do casal em comemoração de
aniversário dela numa churrascaria, multa de trânsito referente ao carro do
falecido com vencimento em novembro de 2008, no mesmo endereço constante
na conta de telefone, fatura de cartão de crédito de Ruy constando a mesma
como dependente, com vencimento em 05-10-2005, cópia da ficha funcional de
Ruy (Lojas Americanas), constando a autora como dependente e, por fim, CTPS
do falecido com anotação de seu único vínculo empregatício como advogado
das Lojas Americanas, no período de 01 de junho de 1990, até dezembro de
2005, quando pediu as contas, porque havia decidido trabalhar por conta
própria. Não há nos autos carnê com recolhimentos na qualidade de Ruy como
contribuinte individual e, no CNIS, só constam recolhimentos feitos pelas Lojas
Americanas. O INSS não contestou. Analise as assertivas a seguir e marque a
opção correta.
a) Kátia não faz jus à pensão por morte, pois não pode acumular com sua
aposentadoria, despiciendo o debate acerca da qualidade de segurado de Ruy.
b) Kátia não faz jus à pensão por morte, pois Ruy não possuía qualidade de
segurado à época do óbito.
c) Kátia faz jus à pensão por morte, pois à época do óbito Ruy preenchia
requisitos para concessão de aposentadoria por idade e, por isso, mantinha
qualidade de segurado.
d) Kátia faz jus à pensão, pois à época do óbito, Ruy estava no período de graça
e, por isso, mantinha qualidade de segurado.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 199


Questão 2
No velório de Joaquim, compareceram, além de amigos, a esposa Gabriela e os
filhos em comum, Tieta e Pedro, com 15 e 20 anos, respectivamente. A pensão
por morte que os três receberão tem o valor global de R$ 750,00, de forma que
a cota de cada um fica na monta de R$ 250,00. Pedro, solteiro, cursa o terceiro
ano de Direito e está desempregado. Se essa situação permanecer, quando ele
completar 21 anos:
a) Nada se alterará, porque, com menos de 24 anos e estudando, o rapaz mantém
o direito ao benefício.
b) Pedro deixará de receber seu benefício, que será dividido em partes iguais
entre Gabriela e Tieta.
c) Cessa sua parcela da pensão, em razão de ser Pedro solteiro.
d) A pensão de Pedro será incorporada ao benefício de Tieta, que passará a
receber R$ 500,00 até completar 21 anos.
e) Apenas o benefício recebido por Gabriela aumentará, cessando o pagamento de
Pedro.

Questão 3
Acerca do benefício de auxílio-reclusão, assinale a opção correta.
a) O auxílio-reclusão é devido a qualquer segurado recolhido à prisão.
b) Ainda que o segurado esteja em gozo de auxílio-doença, lhe é devida a
concessão de auxílio-reclusão.
c) Para sua concessão, a legislação exige um período de carência de doze
contribuições mensais.
d) O auxílio-reclusão, tal como o salário-família, tem como requisito o segurado
possuir baixa renda.
e) O auxílio-reclusão, também denominado Bolsa-Preso, tem valor fixo de R$
1025, 81.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 200


Questão 4
Guilherme foi segurado da Previdência Social até outubro de 2013 e recebia, a
título de auxílio-doença, R$ 678,00. Em dezembro de 2013, envolveu-se com
drogas e foi recolhido à prisão em regime fechado, fugindo em maio de 2014.
Ele convivia em união estável com Vanessa e, na data do recolhimento à prisão,
já tinha dois filhos em comum, menores de 21 anos. Na época da prisão,
Vanessa estava brigada com Guilherme, morava na casa da mãe e estava de
namorico com João, seu colega de trabalho. Nessa situação:
a) Vanessa, por ter filhos com Guilherme, está legitimada a receber auxílio-
reclusão.
b) Nenhum dependente poderá receber o auxílio-reclusão em razão da fuga.
c) O auxílio-reclusão será devido a Vanessa e aos filhos da data do recolhimento à
prisão até a data da fuga.
d) O auxílio-reclusão seria devido somente a Vanessa, se estivesse convivendo
com Guilherme à época da prisão.
e) O auxílio-reclusão será devido aos filhos de Guilherme, desde o recolhimento à
prisão até que completem 21 anos.

Questão 5
Sobre o auxílio-reclusão, marque a alternativa correta.
a) A condição essencial para o recebimento do auxílio-reclusão é que o recluso
não perceba remuneração da empresa nem esteja aposentado ou recebendo
abono de permanência em serviço, podendo, tão somente, estar gozando o
auxílio-doença.
b) A carência do auxílio-reclusão é de 12 meses.
c) A renda mensal inicial do auxílio-reclusão é de 90 % (noventa por cento) do
valor do salário-de-benefício.
d) Em relação ao tipo de prisão, o requisito para a concessão do auxílio-reclusão
está no fato de o segurado estar preso, independente de ser a prisão arbitrária,
cautelar, provisória, definitiva ou domiciliar.
e) O direito ao auxílio-reclusão independe da condição de baixa renda do segurado
e de seus dependentes.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 201


DIREITO PREVIDENCIÁRIO 202
Aula 6
Exercícios de fixação
Questão 1 - C
Justificativa: À época do óbito, Ruy poderia estar aposentado por idade, já que
contava com 67 anos de idade e com mais de 15 anos de contribuição
previdenciária, visto que possuía vínculo empregatício com as Lojas
Americanas, cumprindo os requisitos de carência (Artigo 142, da Lei 8.213) e
idade. A perda da qualidade de Ruy por não ter pago as contribuições na
qualidade de contribuinte individual não afeta o direito adquirido de ter
aposentadoria por idade, pois preenchidos os requisitos nos termos do Artigo
102 da Lei 8.213 (Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm> Acesso em 26 ago
2015)

Questão 2 - B
Justificativa: Súmula 37 da TNU: “A pensão por morte, devida ao filho até 21
anos de idade, não se prorroga pela pendência do curso universitário”.

Questão 3 - D
Justificativa: Artigo 201, IV, da Constituição Federal.“Artigo 201. A previdência
social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de
filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: IV - salário-família e auxílio-reclusão
para os dependentes dos segurados de baixa renda.”

Questão 4 - B
Justificativa: Artigo 117, § 2º, do Decreto 3049, de 1999: “No caso de fuga, o
benefício será suspenso e, se houver recaptura do segurado, será restabelecido

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 203


a contar da data em que este ocorrer, desde que esteja ainda mantida a
qualidade de segurado.”
“Deve-se observar que, não havendo a suspensão do benefício no caso de
evasão, a família poderia ficar percebendo indefinidamente o benefício,
supondo-se aí que o foragido jamais retornaria ao lar, nem proveria à
subsistência dos seus. Assim sendo, em que pese eventual injustiça com a
família do fugitivo não amparada após a fuga, andou bem, a nosso ver, o
legislador nesse caso” (In:Prática Processual Previdenciária, p. 400).

Questão 5 - D
Justificativa: A razão do auxílio-reclusão é garantir à família do preso a sua
subsistência, em função do princípio da solidariedade social. Ainda que o
Decreto 3.048 faça menção à prisão privativa de liberdade em regime aberto ou
regime semiaberto, o fato é que a prisão, seja definitiva ou provisória, dá
ensejo ao recebimento de auxílio-reclusão pelos dependentes de segurado de
baixa renda. Para Marcelo Leonardo Tavares, o auxílio-reclusão é incompatível
com a prisão processual civil. Destaca o autor que: “como esta modalidade de
prisão somente deve ser utilizada se a pessoa, podendo, não cumpre a
obrigação alimentar ou de depositário, ficaria sem sentido, em relação ao
caráter coercitivo, manter o pagamento de benefício para os dependentes, o
que, em alguns casos, poderia servir de incentivo ao próprio descumprimento
da obrigação”. (In: Direito.)

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 204


Introdução
Hoje nós vamos tratar do custeio da seguridade social.
Vamos estudar as contribuições previdenciárias, por meio das quais são
custeados os benefícios e serviços previdenciários.

Objetivo:
Conhecer as contribuições previdenciárias.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 205


Conteúdo
Sistemas de custeio
Separam-se os sistemas em relação ao custeio, entre outros classificações, de
acordo com a fonte de arrecadação da receita necessária ao desempenho
da política de proteção social. Dessa forma, temos os sistemas contributivo e o
não contributivo.

Sistema contributivo
O sistema contributivo adota em seu regulamento que a arrecadação dos
recursos financeiros para a ação na esfera do seguro social não se dá por meio
de aportes diferenciados dos tributos em geral, de modo que as pessoas
especificadas na legislação própria ficam obrigadas a contribuir para o
regime (contribuintes identificáveis).
Tal sistema se embasa nas contribuições sociais.

Sistema não contributivo


No sistema não contributivo, a arrecadação provem não de um tributo
específico, mas sim da destinação de parcela da arrecadação tributária geral,
de modo que os contribuintes do regime não são identificáveis, já que
qualquer pessoa que tenha pago tributo ao Estado estará indiretamente
contribuindo para o custeio.

Atenção

Entre os sistemas baseados nas contribuições sociais,


encontramos nova divisão, no que tange à forma como os
recursos obtidos são utilizados. O modelo de financiamento da
seguridade social previsto na Constituição Federal se baseia no
sistema contributivo, em que pese ter o poder público
participação no orçamento da seguridade.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 206


O orçamento da seguridade social tem receita própria, que não
se confunde com a receita tributária federal; a receita da
seguridade é destinada exclusivamente para prestações nas
áreas de saúde, previdência e assistência social. O orçamento
da seguridade social é autônomo, não se confundindo
com o orçamento do tesouro nacional.

Sistemas de custeio
Separam-se os sistemas em relação ao custeio, entre outros classificações, de
acordo com a fonte de arrecadação da receita necessária ao desempenho
da política de proteção social. Dessa forma, temos os sistemas contributivo e o
não contributivo.

Sistema contributivo
O sistema contributivo adota em seu regulamento que a arrecadação dos
recursos financeiros para a ação na esfera do seguro social não se dá por meio
de aportes diferenciados dos tributos em geral, de modo que as pessoas
especificadas na legislação própria ficam obrigadas a contribuir para o
regime (contribuintes identificáveis).
Tal sistema se embasa nas contribuições sociais.

Sistema não contributivo


No sistema não contributivo, a arrecadação provem não de um tributo
específico, mas sim da destinação de parcela da arrecadação tributária geral,
de modo que os contribuintes do regime não são identificáveis, já que
qualquer pessoa que tenha pago tributo ao Estado estará indiretamente
contribuindo para o custeio.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 207


Atenção

Entre os sistemas baseados nas contribuições sociais,


encontramos nova divisão, no que tange à forma como os
recursos obtidos são utilizados. O modelo de financiamento da
seguridade social previsto na Constituição Federal se baseia no
sistema contributivo, em que pese ter o poder público
participação no orçamento da seguridade.

O orçamento da seguridade social tem receita própria, que não


se confunde com a receita tributária federal; a receita da
seguridade é destinada exclusivamente para prestações nas
áreas de saúde, previdência e assistência social. O orçamento
da seguridade social é autônomo, não se confundindo
com o orçamento do tesouro nacional.

Regra importante
Outra regra importante é a que veda a utilização dos recursos provenientes das
contribuições sociais de que trata o Artigo 195, I, a, e II, para a realização de
despesas distintas do pagamento de benefícios do RGPS (Regime Geral de
Previdência Social) tratados no Artigo 201. Em razão disso, o Artigo 18 da Lei
nº 8.212 não foi recepcionado:

Artigo 18. Os recursos da Seguridade Social referidos nas alíneas a, b, c e d do


parágrafo único do artigo 11 desta Lei poderão contribuir, a partir do exercício
de 1992, para o financiamento das despesas com pessoal e administração geral
apenas do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, do Instituto Nacional de
Assistência Médica da Previdência Social – INAMPS, da Fundação Legião
Brasileira de Assistência – LBA e da Fundação Centro Brasileira para Infância e
Adolescência.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 208


Além das fontes de custeio previstas no texto constitucional, permite o mesmo
texto a criação de outras fontes, mediante lei complementar (Artigo 154, I, CF),
seja para financiar novos benefícios e serviços, seja para manter os já
existentes.

Além disso, é vedado ao legislador criar ou estender benefício ou serviço, ou


aumentar seu valor, sem que, ao menos, simultaneamente institua fonte de
custeio capaz de atender às despesas daí decorrentes.

Tripartite

No nosso país, o sistema escolhido foi o tripartite, sendo financiado pela


empresa, empregado e Estado. O legislador constituinte atribuiu à sociedade
em geral o financiamento da seguridade social, conforme previsto no Artigo 195
da Constituição Federal, o qual determina que a seguridade social será
financiada de forma direta e indireta e mediante recursos provenientes da
União, dos estados, do Distrito Federal, dos municípios e das contribuições
sociais.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 209


Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma
direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das
seguintes contribuições sociais:
I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei,
incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a
qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro;
II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo
contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de
previdência social de que trata o artigo 201;
III – sobre a receita de concursos de prognósticos;
IV – do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele
equiparar.
§ 1º As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas à
seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não integrando o
orçamento da União.
§ 2º A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma
integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e assistência
social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes
orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus recursos.
§ 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como
estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele
receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou
expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154, I.
§ 5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado,
majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 210


§ 6º As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas
após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver
instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no artigo 150,
III, b.
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades
beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em
lei. (IMUNIDADE)
§ 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador
artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em
regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para
a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o
resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos
termos da lei.
§ 9º As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste artigo
poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da
atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte
da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.
§ 10. A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema
único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios, observada a
respectiva contrapartida de recursos.
§ 11. É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições
sociais de que tratam os incisos I, a, e II deste artigo, para débitos em
montante superior ao fixado em lei complementar.
§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as
contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não
cumulativas.
§ 13. Aplica‑se o disposto no § 12 inclusive na hipótese de substituição gradual,
total ou parcial, da contribuição incidente na forma do inciso I, a, pela
incidente sobre a receita ou o faturamento. [Destaques em negrito, nossos]

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 211


Determina a Constituição que a Seguridade Social será financiada por toda a
sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos Estados, do DF e dos Municípios, e das contribuições
sociais.

A contribuição para a Seguridade Social é uma espécie de contribuição social,


cuja receita tem por finalidade o financiamento de ações nas áreas da saúde,
previdência e assistência social.

Natureza jurídica
A Constituição de 1988 utiliza, para todas as contribuições previstas pelo Artigo
195, o termo “contribuições para a seguridade social”, ficando reservado o
termo “contribuições previdenciárias” somente para os tributos do Artigo 195, I,
a, e II. Em se tratando da natureza jurídica, existem três teorias:

Natureza jurídica

A contribuição para a seguridade social tem natureza tributária, pois se trata de


prestação pecuniária compulsória instituída por lei e cobrada pelo ente público
arrecadador com a finalidade de custear as áreas da saúde, assistência e
previdência social. Está prevista no Artigo 149 da CF, inserido no capítulo
“Sistema Tributário Nacional”.

Tem-se tema sobre o qual sempre houve divergência doutrinária e


jurisprudencial, porém, predomina que as contribuições sociais constituem uma
espécie de tributo, compreendidas dentre as contribuições especiais, na
categoria contribuição social em sentido estrito. Tributos - impostos; - taxas; -
contribuições de melhoria; - empréstimo compulsório; - contribuições especiais:
- CIDE art.177, §4º, CF - CICP art.149, CF - C. social – para seguridade social -
geral Para tal conclusão foi fundamental o fato desta exação fiscal se enquadrar
no conceito de tributo previsto no art. 3º, do Código Tributário Nacional, e ter

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 212


sido disciplinada na Constituição Federal, no Capítulo referente ao Sistema
Tributário Nacional (art. 149, CRFB). CTN Art. 3º Tributo é toda prestação
pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que
não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante
atividade administrativa plenamente vinculada. CRFB Art. 149 Compete
exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no
domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas,
como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, 2 observado o
disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art.
195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Na doutrina,
Leandro Paulsen (Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre.
Livraria do Advogado Editora. 2007. P. 34), sustenta que: “(...) para evitar
quaisquer riscos de entendimento diverso, o Constituinte tornou expressa e
inequívoca a submissão das contribuições ao regime jurídico tributário, ao dizer
da necessidade de observância, relativa às contribuições, da legalidade estrita
(art. 151, I), da irretroatividade e da anterioridade (art. 150, III), da
anterioridade nonagesimal em se tratando de contribuições de seguridade (art.
195, §6º), bem como das normas gerais de direito tributário (art. 146,III)”.
Instado a se manifestar sobre o tema, o pleno do Supremo Tribunal Federal
decidiu que as contribuições sociais têm natureza tributária por dois motivos.
Primeiro, porque o art. 149 prevê que a elas sejam aplicados os princípios
constitucionais próprios dos demais tributos. Segundo, porque o parágrafo 6º
do art. 195, ao regular o exercício da competência residual da União para
instituir novas contribuições sociais, faz referência ao art. 154, inciso I, que é
um dispositivo tipicamente regulatório de exação de natureza tributária. (STF,
RE 146.733. Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, julgado em 29/06/1992). A
posição minoritária, composta em sua maioria por especialistas na área
previdenciária, defendia se tratar de salário socialmente diferido, a ser
concedido ao trabalhador, em regra, quando de sua aposentadoria (Prof. Fábio
Zambitte).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 213


Teoria parafiscal

Há que se diferenciar os tributos fiscais dos parafiscais; a contribuição para a


seguridade social teria a natureza da parafiscalidade, pois busca suprir os
encargos do Estado que não lhe são próprios, como no caso dos benefícios
previdenciários.

Teoria da exação sui generis

A contribuição para a seguridade social não tem natureza fiscal nem parafiscal,
tratando-se de uma imposição estatal atípica prevista na CF e na legislação
ordinária, cuja natureza jurídica é especial.
Observação: Frederico Marques aponta uma ressalva no que concerne à
contribuição previdenciária dos segurados facultativos, entendendo-a pela sua
natureza não fiscal e tendo em conta o seu caráter facultativo.

Contribuições sociais destinadas à Previdência Social


Quais são as contribuições sociais destinadas à Previdência Social?

O pagamento das contribuições previdenciárias constitui modalidade de


contribuição para a seguridade social, pagamento esse que provem de duas
fontes:

Do trabalhador e demais segurados da previdência social, não incidindo


contribuição sobre aposentadorias e pensões do RGPS;

Do empregador, da empresa e da entidade equiparada na forma da lei,


incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pago ou
creditado, a qualquer título, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem
vínculo empregatício.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 214


O conceito de salário-de-contribuição é a expressão que quantifica a base de
cálculo da contribuição previdenciária dos segurados da previdência social, do
empregador doméstico e da cota patronal do microempreendedor individual
(MEI) criado pela Lei Complementar 128, de 2008.
No entanto, o salário-de-contribuição não é aplicado para o segurado especial,
em que a regra de custeio é sobre a produção rural, salvo quando contribui
facultativamente para fazer jus a benefícios acima do mínimo legal ou a outros
benefícios (Artigo 39 da Lei nº 8.213/91).

Lei nº 8.212/91
“Artigo 28. Entende-se por salário-de-contribuição:

I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma


ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos,
devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o
trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos
habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste
salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à
disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do
contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença
normativa;

II – para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de


Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em
regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da
remuneração;

III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais


empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês,
observado o limite máximo a que se refere o § 5º;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 215


IV – para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite
máximo a que se refere o § 5°.”

§ 1º Quando a admissão, a dispensa, o afastamento ou a falta do empregado


ocorrer no curso do mês, o salário de contribuição será proporcional ao
número de dias de trabalho efetivo, na forma estabelecida em
regulamento.
§ 2º O salário-maternidade é considerado salário de contribuição.
§ 3º O limite mínimo do salário de contribuição corresponde ao piso salarial,
legal ou normativo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário
mínimo, tomado no seu valor mensal, diário ou horário, conforme o ajustado e
o tempo de trabalho efetivo durante o mês.
§ 4º O limite mínimo do salário de contribuição do menor aprendiz
corresponde à sua remuneração mínima definida em lei.
§ 5º O limite máximo do salário de contribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e
setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta
Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos
benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Portaria MPS/MF 02,
de 06.01.2012 (Pub. 09/01/2012), que altera o limite máximo do salário de
contribuição para R$ 3.916,20.
§ 6º No prazo de cento e oitenta dias, a contar da data de publicação desta Lei,
o Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional projeto de lei
estabelecendo a previdência complementar, pública e privada, em especial para
os que possam contribuir acima do limite máximo estipulado no parágrafo
anterior deste artigo.
§ 7º O decimo-terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário
de contribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma
estabelecida em regulamento. (§ 7º com a redação dada pela Lei nº 8.870,
de 15-4-1994). Súm. nº 688 do STF: É legitima a incidência da contribuição
previdenciária sobre o 13º salário.
§ 8º Integram o salário de contribuição pelo seu valor total:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 216


a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da
remuneração mensal;
b) VETADA;
c) Revogada. Lei nº 9.711, de 20-11-1998.
§ 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei,
exclusivamente:
a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o
salário-maternidade;
b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos
da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;
c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação
aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da
Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;
d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo
adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da
remuneração de férias de que trata o artigo 137 da Consolidação das Leis do
Trabalho – CLT;
e) as importâncias:
1. previstas no inciso I do artigo 10 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias;
2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de
1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
– FGTS;
3. recebidas a título da indenização de que trata o artigo 479 da CLT;
4. recebidas a título da indenização de que trata o artigo 14 da Lei no 5.889, de
8 de junho de 1973;
5. recebidas a título de incentivo à demissão;
6. recebidas a título de abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da CLT;
7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente
desvinculados do salário;
8. recebidas a título de licença-prêmio indenizada;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 217


9. recebidas a título da indenização de que trata o artigo 9º da Lei nº 7.238, de
29 de outubro de 1984;
f) a parcela recebida a título de vale-transporte, na forma da legislação
própria;
g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência
de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do artigo 470 da
CLT;
h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50 % (cinquenta por
cento) da remuneração mensal;
i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de
estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de
1977;
j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou
creditada de acordo com lei específica;
l) o abono do Programa de Integração Social – PIS e do Programa de
Assistência ao Servidor Público – PASEP;
m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos
pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante
da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade,
exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas
pelo Ministério do Trabalho;
n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor
do auxílio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos
empregados da empresa; (v. art. 63 da Lei nº 8.213)
o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria
canavieira, de que trata o artigo 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de
1965;
p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a
programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que
disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que
couber, os artigos 9º e 468 da CLT;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 218


q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico,
próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas
com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-
hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos
empregados e dirigentes da empresa;
r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios
fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos
respectivos serviços;
s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o
reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista,
observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente
comprovadas as despesas realizadas; (Súm. nº 310 do STJ: o auxilio-creche
não integra o salário de contribuição.)
t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos
do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de
capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas
pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e
que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;
u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao
adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no artigo 64
da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;
v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;
x) o valor da multa prevista no § 8º do artigo 477 da CLT. 4 § 10. Considera-se
salário de contribuição, para o segurado empregado e trabalhador avulso, na
condição prevista no § 5º do artigo 12, a remuneração efetivamente auferida
na entidade sindical ou empresa de origem.
I) Contribuição das empresas, incidentes sobre a remuneração paga,
devida ou creditada aos segurados e demais pessoas físicas a seu serviço,
mesmo sem vinculo empregatício (art. 195, I, a). [Destaques em negrito,
nossos]

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 219


Cota patronal previdenciária da empresa
A contribuição previdenciária do empregador sobre folha de salários e demais
rendimentos encontra sua matriz constitucional no Artigo 195, I, a, da CF.
Trata-se da cota patronal previdenciária. Quando tratamos da cota patronal
previdenciária da empresa, a obrigação tributária tem os seguintes elementos:

Prazo para recolhimento


Prazo para recolhimento: até o dia 20 do mês seguinte ao da competência
(regra geral) – incluindo os descontos dos segurados empregados e avulsos.
Caso não haja expediente bancário no dia 20, o prazo é antecipado para o
próximo dia útil (Artigo 30 da Lei nº 8.212/91).

Contribuição incidente sobre as remunerações de empregados e trabalhadores


avulsos.

A alíquota é de 20 % sobre o total das remunerações pagas, devidas ou


creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e
trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o
trabalho.

Como a base de cálculo é a remuneração e não o salário-de-contribuição, a


base de cálculo não tem valor máximo como a contribuição dos segurados.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 220


Logo, se um empregado é remunerado com R$ 8.000,00, sua contribuição é de
11 % sobre o teto (R$ 3.916,20), enquanto a cota patronal será de 20 % sobre
o total da remuneração (R$ 8.000,00).

Observação 1: Se a empresa prestar serviços de tecnologia de informação (TI)


e de tecnologia da informação e comunicação (TIC), haverá redução da
alíquota, conforme Artigo 14 da Lei nº 11.774/08.

Observação 2: O microempreendedor individual (MEI), criado pela Lei


Complementar 128/2008, poderá optar pelo SIMPLES Nacional, sendo que sua
cota patronal estará sujeita ao recolhimento de somente 3 % sobre o salário-
de-contribuição do segurado a seu serviço, o que altera, portanto, a alíquota e
a base de cálculo.

Contribuição incidente sobre as remunerações de contribuições individuais.


A alíquota é de 20 % sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes
individuais que lhe prestem serviços, mesmo que eventuais.

A diferença existente entre a cota patronal, no caso de segurado


empregado/trabalhador avulso e contribuinte individual, é a cobrança de SAT,
que é indevida em relação aos contribuintes individuais, pois esses não
possuem direito a benefícios acidentários.

A questão da contribuição da empresa sobre remuneração de


trabalhadores sem vínculo empregatício já foi palco de
controvérsia

As contribuições da empresa, em razão de valores pagos a pessoas sem vínculo


empregatício, como os contribuintes individuais, foram inicialmente previstas na
Lei nº 7.787/89 (lei ordinária). Ocorre que, em 1989, quando editada a aludida

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 221


lei, a CF, no Artigo 195, I, só trazia a incidência de contribuição social sobre
salários, valores recebidos unicamente por segurados empregados.
Como não existia matriz constitucional, a Lei nº 7.787/89 foi declarada
inconstitucional. Então, a União editou a Lei Complementar nº 84/96, haja vista
o disposto no Artigo 195, § 4º, da CF dispor sobre necessidade de lei
complementar para instituir outras fontes de custeio destinadas a garantir a
manutenção ou a expansão da seguridade social.

Atenção

Com a edição da Emenda Constitucional nº 20/98, a Lei


Complementar nº 84/96 tornou-se materialmente lei ordinária, já
que a contribuição nela prevista já tinha suporte constitucional,
com a nova redação do Artigo 195 da CF. Assim, tornou-se
possível a alteração ou até revogação da lei complementar por
lei ordinária.

A Lei nº 9.876/99 revogou a Lei Complementar nº 84/96 e


inseriu a contribuição da empresa sobre contribuintes individuais
no próprio texto da Lei nº 8.212/91 (Artigo 22, III), com a
alíquota de 20 %.

Para os contribuintes individuais empresários, o lucro distribuído


está fora da base de cálculo, já que esse é redistribuição do
capital e não decorre diretamente do labor. Obviamente, se há
pagamento de lucro em origem comprovada, tem-se
remuneração disfarçada, que será considerada como base de
cálculo.

Adicional das instituições financeiras


Lei nº 8.212/91 – Artigo 22
“§ 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de
desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 222


investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras,
distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento
mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de
capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades
de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas
neste artigo e no artigo 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula
cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste
artigo.”

Tal acréscimo visa a atender ao princípio da isonomia, pois essas entidades,


como regra, têm atividade altamente informatizada, reduzindo ao máximo a
mão de obra empregada, o que traz como consequência a redução da
arrecadação previdenciária em detrimento de outros segmentos econômicos.
Esse adicional é constitucional e tem fundamento de validade no Artigo 195, §
9º, da CF, que prevê a possibilidade de as contribuições patronais terem
alíquotas ou bases de cálculos diferenciadas em razão da atividade econômica.

Cooperativas de trabalho
A empresa contratante (tomadora do serviço), quando contrata prestação de
serviços na qual a cedente de mão de obra é cooperativa de trabalho, retém
contribuição no valor de 15 % sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de
serviços.

A cooperativa é equiparada à empresa, para efeitos previdenciários; ocorre que,


pela dificuldade que existe na fiscalização em garantir os recolhimentos que as
cooperativas deviam fazer em relação aos cooperados, o tomador de serviços é
que faz os recolhimentos, sendo a base de cálculo a fatura ou nota fiscal de
serviços emitida pela cooperativa.

Haverá adicional de 9 %, 7 % ou 5 % incidente sobre a nota fiscal ou fatura, a


cargo da empresa tomadora de serviço, se os cooperados exercerem atividade
que permita concessão de aposentadoria especial.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 223


Empregador doméstico
Quando tratamos da cota patronal do empregador doméstico, a obrigação
tributária tem os seguintes elementos:

Além de sua contribuição, é da responsabilidade do empregador doméstico o


desconto e o repasse da contribuição devida pelo empregado a seu serviço para
o fisco, sendo ambas contribuições recolhidas em conjunto na mesma guia.
Prazo de recolhimento: até dia 15 do mês seguinte ao da competência. E, se
não houver expediente bancário, o prazo é prorrogado para o próximo dia útil.

Contribuição dos trabalhadores e incidentes sobre seu salário-de-


contribuição

A cobrança de contribuição social do próprio beneficiado pelo regime


previdenciário é consectário da natureza contributiva do sistema, além do
expresso mandamento constitucional (Artigo 195, II, da CF). A contribuição
social previdenciária é tributo. Portanto, na relação de custeio, temos o credor
(estado), o devedor (contribuinte) e a obrigação tributária.
Quando tratamos da contribuição previdenciária do trabalhador, a obrigação
tributária tem os seguintes elementos:
• Sujeito ativo (credor) é o fisco;
• Sujeito passivo (devedor) é o trabalhador;
• Fato gerador é o exercício de atividade remunerada;
• Base de cálculo é o salário-de-contribuição (salvo segurado especial);
• Alíquota variável, conforme o tipo de segurado.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 224


Empregado, trabalhador avulso e empregado doméstico
A incidência de contribuição para esses segurados é progressiva, pois, à medida
em que é aumentado o salário-de-contribuição, incrementa-se a alíquota. As
alíquotas progressivas estão definidas no Artigo 20 da Lei nº 8.212/91,
dependendo da faixa de remuneração.

“Artigo 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do


trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota
sobre o seu salário-de-contribuição mensal, de forma não cumulativa,
observado o disposto no Artigo 28”, conforme tabela publicada a cada ano por
meio de portaria interministerial do MF-MPS.

Aumentado o salário-de-contribuição, incrementa-se a alíquota.

As alíquotas progressivas estão definidas no art. 20 da lei 8.212/91,


dependendo da faixa de remuneração.
Lei 8.212/91 - Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a
do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente
alíquota sobre o seu salário-de-contribuição mensal, de forma não cumulativa,
observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação
dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95). (Vide Lei Complementar nº 150,
de 2015)

Incidência das alíquotas


A incidência das alíquotas é não cumulativa, significando que não há aplicação
progressiva de várias alíquotas na mesma competência. Por exemplo, caso o
empregado receba R$ 1.500,00 no mês, sua alíquota é de 9 % incidindo sobre
o total, e não somente sobre a parcela superior a R$ 1.317,07, como ocorre no
cálculo do imposto de renda.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 225


Esse procedimento facilita o cálculo, sem a incidência gradual de diversas
alíquotas sobre o salário-de-contribuição, mas também não é o mais justo, pois
quem ganha R$ 2.195,00 e passa a ter um incremento de R$ 5,00 passa a ter
alíquota de 11 % sobre o total. Vejamos: no mês de janeiro, ganha R$
2.195,00, alíquota de 9 %, patrão desconta o valor de R$ 197,55 e o salário
líquido é de R$ 1.997,45.

No mês de fevereiro, o patrão resolve dar aumento de R$ 5,00; o salário bruto


passa a ser R$ 2.200,00 e alíquota é de 11 %. O salário líquido passa a ser R$
1.958,00 (2.200 – 242). Ou seja, por mais que o patrão tenha aumentado na
CTPS R$ 5,00, não houve incremento real. Houve, sim, redução salarial.

O salário-de-contribuição do segurado, como já vimos, é a soma de todos os


valores recebidos no mês até o valor do teto (que hoje é de R$ 4.663,75, ano
de 2015). Assim, se o empregado tem dois empregos e recebe em cada um R$
1.500,00, seu salário-de-contribuição é de R$ 3.000,00, devendo cada
empregador promover o desconto na alíquota de 11 %. Obviamente uma
empresa deverá comunicar ao outro empregador os valores pagos, de modo a
possibilitar o desconto correto.

Essas alíquotas se aplicam a todos os empregados, inclusive domésticos e


trabalhadores avulsos, com apenas uma exceção: para o empregado que presta
serviço para o pequeno produtor rural, a alíquota é sempre de 8 %,
independentemente do efetivo salário-de-contribuição. (Artigo 14-A, § 5º, da
Lei no 5.889/73, acrescentado pelo Artigo 1º da Lei nº 11.718/08).
O empregador tem a obrigação legal de fazer a retenção da contribuição do
empregado e de repassar ao fisco. Trata-se de uma obrigação tributária
instrumental (ou acessória), pois ele não é o contribuinte – por isso não
podemos falar que isso é substituição tributária.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 226


O empregador é diretamente responsável
O empregador é diretamente responsável pela importância que deixou de
descontar ou arrecadar, conforme Artigo 33, § 5º, da Lei nº 8.212/91: “§ 5º O
desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se
presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente
responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em
desacordo com o disposto nesta Lei.”.

Foi alterada a redação do art. 30, V, da Lei 8.212/91, para:


V - o empregador doméstico é obrigado a arrecadar e a recolher a contribuição
do segurado empregado a seu serviço, assim como a parcela a seu cargo, até o
dia 7 do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela LC 150/15, de
01/06/2015)

Porém, em nada mudou a redação do art. 33, V, dessa mesma lei. Então,
persistirá a divergência acerca da presunção de recolhimento em favor do
empregado doméstico.

Atenção

No entanto, tal presunção de recolhimento não existe para a


contribuição do empregado doméstico, devendo ele prová-lo
para a obtenção de benefício, muito embora a forma de
recolhimento da contribuição seja feita de forma semelhante ao
do empregado de uma empresa. Portanto, se o empregador
doméstico deixar de reter e repassar os valores devidos, há a
transferência de responsabilidade tributária para ele mesmo,
mas não se presumirá o recolhimento; o empregado doméstico
não conseguindo provar o pagamento das contribuições, mas
provando o exercício da atividade, fará jus ao benefício no valor
mínimo, nos termos do Artigo 36 da Lei nº 8.213/91 e do Artigo

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 227


185, § 4º, da Instrução Normativa INSS/PREV 45/10 por:
INSS/PREV 77/15.

Parte da jurisprudência
Parte da doutrina (Fabio Zambitte, Frederico Amado e Joao Lazzari) e parte da
jurisprudência entende que tal exclusão do empregado doméstico é
inconstitucional, por violar a isonomia, não podendo somente o empregado
doméstico, que é tão segurado quanto o empregado, ter esse ônus.
Não há qualquer razoabilidade nessa distinção de tratamento. Para essa
corrente, descabe atribuir as consequências ao segurado pela ausência ou
atraso nos recolhimentos das contribuições.

"PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE. EMPREGADA DOMÉSTICA.


CARÊNCIA. COMPROVAÇÃO. RECURSO ESPECIAL.
1. O recolhimento da contribuição devida pela empregada doméstica é
responsabilidade do empregador, cabendo ao INSS fiscalizar e exigir o
cumprimento de tal obrigação.
2. Preenchidos os seus demais requisitos, não se indefere pedido de
aposentadoria por idade quando, exclusivamente, não comprovado o efetivo
recolhimento das contribuições previdenciárias devidas (Lei nº 8213/91, Artigo
36).
3. Recurso Especial conhecido mas não provido.

(REsp 272648/SP, Rel. Min. Edson Vidigal, DJU de 04/12/2000)”

Contribuinte individual e segurado facultativo


Para esses segurados, a alíquota é de 20 % sobre o salário-de-contribuição. A
contribuição, nesse caso, sempre foi mais elevada que a dos demais, em
especial, pela ausência, no passado, de contribuição patronal respectiva. No
caso dos contribuintes individuais, não havia amparo legal, e, no caso dos
segurados facultativos, o motivo era de impossibilidade prática.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 228


Hoje já existe contribuição patronal sobre remuneração de contribuinte
individual que presta serviços à empresa – Artigo 22, III, da Lei nº 8.212/91,
que é de 20 % (vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou
creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes
individuais que lhe prestem serviços).

Atenção

Com o Artigo 4º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa para o


qual o contribuinte individual presta serviço deve arrecadar a
contribuição do segurado a seu serviço, descontando da
remuneração 11 % de alíquota e recolher até o dia 20 do mês
seguinte ao da competência junto com a contribuição a seu
cargo.

Prazo para recolhimento: até o dia 15 do mês seguinte ao da


competência.

Segurado especial
O segurado especial tem forma especial de contribuição. O Artigo 195, § 8º, da
CF prevê que esse segurado contribui com percentual incidente sobre o valor
da comercialização de sua produção rural.

Para o segurado especial, não há salário-de-contribuição. Aqui a base de cálculo


é o valor da venda da produção rural (incluindo atividade pesqueira para o
pescador artesanal). A contribuição do segurado especial não é
necessariamente mensal, pois existe somente quando há venda do produto
rural.

No período entre safras, não há venda e também não há contribuição, em que


pese ele manter qualidade de segurado, com plena cobertura previdenciária.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 229


A alíquota de contribuição é de 2 % da receita bruta proveniente da
comercialização da sua produção (Artigo 25, I, da Lei nº 8.212/91),
acrescentando-se o percentual de 0,1 % para o custeio de prestações por
acidente de trabalho (Artigo 25, II, da Lei nº 8.212/91). Portanto, a
contribuição total é de 2,1 %.

Se o segurado especial, além de sua contribuição obrigatória, também


contribuir facultativamente, poderá postular benefícios superiores ao salário
mínimo. Logo, como contribuinte individual, desde que contribua sobre base
superior ao salário mínimo, poderá obter benefício mais elevado e ter direito à
aposentadoria por tempo de contribuição (Artigo 39 da Lei nº 8.213/91).

Como regra geral, cabe ao adquirente da produção do segurado especial o


recolhimento da contribuição devida.

O segurado especial somente será responsável quando: comercializar sua


produção no exterior; comercializar diretamente, no varejo, com consumidor
pessoa física; comercializar com produtor rural pessoa física ou segurado
especial.

Atenção

O intermediário pessoa física que não seja produtor rural


somente será responsável pelo recolhimento quando efetuar a
venda diretamente no varejo, seguindo o prazo de recolhimento
até do dia 20 do mês subsequente.

Prazo para recolhimento: até o dia 20 do mês subsequente ao da


operação de venda ou consignação da produção,
independentemente de essas operações terem sido realizadas
diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 230


Atividade proposta
Mr. Dog Indústria de Calçados S/A ajuíza ação declaratória de inexistência da
relação jurídico-obrigacional em face da União Federal, objetivando se abster
do recolhimento da contribuição para a seguridade social denominada SAT, isso
em razão da inobservância do princípio da legalidade tributária, haja vista a Lei
nº 8.212/91 deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de
"atividade preponderante" e "graus de risco leve, médio e grave". Procede o
pedido?

Chave de resposta: A jurisprudência dos Tribunais Superiores entende não


ser necessário observar o princípio da legalidade estrita para fins de conceituar
atividade preponderante e graus de risco leve, médio e grave, podendo ser tal
conceituação feita por ato administrativo.

Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2015.
PAULSEN, Leandro. Contribuições Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre.
Livraria do Advogado Editora. 2007. P. 34.
TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus, 2011.
VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário. Ed. Atlas, 2014.
CARDOSO, Oscar Valente. Contribuições sociais: natureza jurídica e aspectos
controvertidos . Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2812, 14 mar.
2011. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/18663> Acesso em: 8 jun.
2015.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 231


Exercícios de fixação
Questão 1
Claudia, empregada doméstica, conversando com sua empregadora, questionou
alguns descontos realizados em sua folha de pagamento. A respeito do salário-
de-contribuição, segundo a legislação previdenciária, na qualidade de advogado
da empregadora, assinale, entre as alternativas abaixo, qual orientação correta
a fornecer para sua cliente.
a) O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição, no entanto, não
sofre desconto de contribuição previdenciária.
b) O décimo terceiro não integra o salário-de-contribuição e por isso não sofre
desconto de contribuição previdenciária.
c) O salário-maternidade, conforme decidiu o STF, equivale à remuneração da
empregada doméstica, não estando sujeito ao teto da Previdência Social e nem
mesmo sofre desconto de contribuição previdenciária.
d) O décimo terceiro, por integrar o salário-de-contribuição, sofre desconto da
contribuição previdenciária, havendo repercussão no valor do benefício
previdenciário.
e) O décimo terceiro integra o salário-de-contribuição, exceto para o cálculo do
benefício previdenciário.

Questão 2
Conforme a CF, a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de
forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos
orçamentos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, e de
determinadas contribuições. As contribuições sociais constitucionalmente
previstas incluem a contribuição:
a) Sobre o domínio econômico incidente sobre a venda de petróleo e derivados.
b) Do exportador de serviços para o exterior.
c) Da pensionista de trabalhador falecido que se tenha aposentado pelo RGPS.
d) Da entidade equiparada à empresa, na forma da lei, incidente sobre o
faturamento.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 232


Questão 3
Podem optar pela proteção previdenciária mínima, com exclusão do direito ao
benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, visando pagar
contribuição previdenciária mensal pela alíquota de apenas 5 % incidente sobre
o limite mínimo mensal do salário-de-contribuição, o pertencente a família de
baixa renda na condição de segurado:
a) Empregado ou avulso
b) Facultativo, sem renda própria, que se dedique exclusivamente ao trabalho
doméstico no âmbito de sua residência
c) Empregado doméstico
d) Contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho
com empresa ou equiparado

Questão 4
Na reclamação trabalhista proposta por Carlos José em face de sua ex-
empregadora, a empresa “A”, foi proferida sentença de mérito julgando a
reclamação parcialmente procedente. Em liquidação de sentença, foi apurado o
valor da condenação determinado em sentença em R$ 100.000,00. As partes,
após o trânsito em julgado da sentença e a sua regular liquidação, celebraram
acordo no valor de R$ 40.000,00. Nesse caso, de acordo com a Lei nº
8.212/91, a contribuição previdenciária será calculada com base em:
a) R$ 40.000,00 acrescido de 10 %
b) R$ 100.000,00
c) R$ 50.000,00
d) R$ 40.000,00

Questão 5
Joana, recém-casada, contratou Madalena para laborar em sua residência na
qualidade de empregada doméstica. Joana procedeu ao devido registro na
CTPS de Madalena, mas, ao final do primeiro mês de labor, ficou com dúvidas
sobre a alíquota de recolhimento da contribuição previdenciária devida em
razão do contrato de trabalho da referida empregada doméstica e ligou para

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 233


sua irmã, Julia, que é advogada. Julia lhe respondeu que a contribuição do
empregador doméstico é de:
a) 20 % do salário mínimo
b) 20 % do salário-de-contribuição do empregado doméstico a seu serviço
c) 8 % do salário-de-contribuição do empregado doméstico a seu serviço
d) 12 % do salário-de-contribuição do empregado doméstico a seu serviço

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 234


Aula 7
Exercícios de fixação
Questão 1 - E
Justificativa: Artigo 214, 6º, do RPS: A gratificação natalina – décimo terceiro
salário – integra o salário-de-contribuição, exceto para o cálculo do salário-de-
benefício, sendo devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da
última parcela ou na rescisão do contrato de trabalho.

Questão 2 - D
Justificativa: O Artigo 195, I, b, da CF dispõe sobre contribuição paga pela
entidade equiparada à empresa, na forma da lei, incidente sobre o
faturamento.

Questão 3 - B
Justificativa: Conforme o Artigo 21, § 2º, II, b, da Lei 8.212/91, o segurado
facultativo, sem renda própria, que se dedique exclusivamente ao trabalho
doméstico no âmbito de sua residência pode contribuir de forma diferenciada.

Questão 4 - D
Justificativa: Artigo 43, § 5º, da Lei nº 8.212/91: a contribuição previdenciária
incide sobre o valor do acordo.

Questão 5 - D
Justificativa: Artigo 24 da Lei nº 8.212/91 prevê que o percentual devido pelo
empregador doméstico é 12 % do salário-de-contribuição do empregado
doméstico a seu serviço.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 235


Introdução
Com esta aula, fechamos nosso módulo de Direito Previdenciário. Vamos,
então, fechar o programa com chave de ouro! Hoje, nós estudaremos o
acidente de trabalho, as doenças profissionais e as doenças do trabalho.
Por consequência, conheceremos, também, os benefícios previdenciários que
podem ser concedidos em decorrência desses eventos. Vamos lá?

Objetivo:
Estudar o benefício de auxílio-acidente e conhecer os requisitos para sua
concessão.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 236


Conteúdo
Atividade proposta
Antes de iniciar, conheça um case que aborda o conteúdo que será discutido na
aula. Em seguida, diante do exposto, responda, de forma fundamentada, à
questão proposta.
Marilene trabalha há 5 anos na residência de Dona Maria como doméstica,
exercendo todas as atividades inerentes à sua função, bem como ajudando a
patroa, diariamente e sob ordem desta, na confecção de congelados que Dona
Maria fornece para os vizinhos do prédio, com o fim de colaborar na formação
da renda familiar.

Após ter sofrido um escorregão na cozinha ao fazer a faxina do dia, Marilene foi
afastada do trabalho em virtude de incapacidade temporária para as atividades
habituais; por isso, passou a receber auxílio-doença. Cessada a incapacidade,
Marilene retorna ao trabalho; no entanto, foram constatadas algumas sequelas
pela perícia médica do INSS, que implicaram na redução da capacidade para o
trabalho que ela habitualmente exercia.
Pergunta-se: Marilene faria jus ao auxílio-acidente? Fundamente sua resposta.

Chave de resposta: O auxílio-acidente é benefício previdenciário de natureza


indenizatória concedido quando, após consolidação das lesões decorrentes de
acidente de qualquer natureza (e não só de acidente do trabalho), resultar
sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho habitualmente
exercido pelo segurado (art.86, da Lei 8.213/91). É devido ao segurado
empregado, ao trabalhador avulso, ao segurado especial e ao empregado
doméstico (art.18, §1º, da Lei 8.213/91, com redação dada pela LC 150/15).
No caso acima, como MARILENE era, a princípio, inscrita na Previdência como
empregada doméstica, até 31 de maio de 2015, não fazia jus ao recebimento
do benefício. Havia, contudo, discussão acerca da atividade efetivamente
desenvolvida, e não da inscrição, o que a enquadrava como empregada, e não
empregada doméstica (art.11, II da Lei nº8213/91) e, portanto, poderia ensejar
a concessão do benefício, na esfera judicial.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 237


A partir de 01/06/2015, com o advento da LC 150/15, que introduziu nova
redação ao art. 18, §1º, da Lei 8.213/91), o empregado doméstico passou a ser
beneficiário do auxílio-acidente.

Acidente de trabalho – conceito


O surgimento da proteção do trabalhador em face dos riscos da perda da
capacidade laborativa e, consequentemente, de sua subsistência coincide, em
grande parte, com o nascimento do Direito do Trabalho. Nossa Constituição de
1988 insere o acidente de trabalho como risco social, logo passível de
proteção previdenciária (Artigo 201, I).

É definido pela Lei 8.213/91, nos seguintes termos:

Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a


serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho
dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão
corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução,
permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. (Redação dada pela
Lei Complementar nº 150, de 2015).

Para Carlos Alberto P. Castro e João Lazzari, tal conceito da lei define quem são
os beneficiários da proteção previdenciária, mas não traz a noção adequada do
que de fato seja acidente de trabalho. Para tais autores, o conceito do chamado
acidente típico é o acontecimento, em geral, súbito, violento e fortuito,
vinculado ao serviço prestado a outrem pela vítima que lhe determina lesão
corporal.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 238


Caracterização do acidente de trabalho
Desse conceito, extraímos as seguintes características:

Exterioridade da causa do acidente

Significa que o acidente é causado por um agente externo, o mal que atinge o
individuo não lhe é congênito, nem se trata de enfermidade preexistente. Aqui,
importante ressaltar que essa característica (exterioridade) não impossibilita
que o fato tenha sido provocado pela vítima.
Isso porque a prestação previdenciária é devida em razão do risco social, que
independe de dolo ou culpa da vítima. Então, mesmo que a vítima tenha agido
com a intenção de produzir resultado danoso à sua integridade física, ainda
assim fará jus à percepção do seguro social, por conta da aplicação da teoria do
risco social.

A violência

O acidente é ato violento, no sentido de que produz violação à integridade do


indivíduo.
É da violência do evento que resulta a lesão corporal ou a perturbação
funcional que torna o individuo incapaz, provisória ou definitivamente, ou lhe
causa a morte.

Subtaneidade

O acidente de trabalho decorre de um evento súbito; o fato causador é


abrupto, ocorre durante curto lapso de tempo, embora seus efeitos possam
ocorrer tempos após (sequelas).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 239


Relação com a atividade laboral

O acidente de trabalho é causado pelo exercício de atividade laborativa; exclui-


se, portanto, o acidente ocorrido fora do âmbito dos deveres e das obrigações
decorrentes do trabalho. Não é necessário, nesse aspecto, que o fato tenha
ocorrido no ambiente de trabalho, mas em decorrência do trabalho. Por isso é
que acidentes de trajeto (in itinere) e os sofridos em trabalhos externos são
equiparados pela lei a acidentes do trabalho.

Doenças profissionais e do trabalho


As doenças ocupacionais são aquelas deflagradas em virtude da atividade
laborativa desempenhada pelo indivíduo, resultado de constante exposição a
agentes físicos, químicos e biológicos, ou mesmo do uso inadequado dos novos
recursos tecnológicos, como os da informática. As doenças ocupacionais
dividem-se em:

Doenças profissionais

As doenças profissionais classificam-se como decorrentes de situações


comuns aos integrantes de determinada categoria de trabalhadores,
relacionadas como tal no Decreto nº 3.048, Anexo II, ou caso comprovado o
nexo causal entre a doença e a lesão, aquela reconhecida pela Previdência,
independente de constar da relação. As doenças profissionais são
chamadas de idiopatias, tecnopatias ou ergopatias.

Doenças do trabalho

As doenças do trabalho são aquelas adquiridas ou desencadeadas em função


de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione
diretamente, estando elencadas no Anexo II do Decreto nº 3.048 ou
reconhecidas pela Previdência. As doenças do trabalho são denominadas
mesopatias.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 240


Atenção

A prevenção, no caso, deve ser baseada na limitação do tempo


de exposição (duração da jornada e concessão de pausas
regulares), na alteração do processo e organização do trabalho
(evitando excessos de demanda) e na adequação de máquinas,
mobílias, equipamentos e ferramentas do trabalho às
características ergonômicas dos trabalhadores.

Nas doenças ocupacionais, não existem violência, nem


subtaneidade (como no acidente de trabalho típico), pois as
doenças são previsíveis e não dependem de evento violento e
súbito; são as contingências do trabalho desempenhado ao
longo do tempo que estabelecem o nexo causal entre a atividade
laborativa e a doença.

Artigo 20
Artigo 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo
anterior, as seguintes entidades mórbidas:

I – Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada


pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante
da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da
Previdência Social;
II – Doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em
função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se
relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.

§ 1º Não são consideradas como doença do trabalho:


a) a doença degenerativa;

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 241


b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela
se desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato
direto determinado pela natureza do trabalho.
§ 2º Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na
relação prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições
especiais em que o trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente,
a Previdência Social deve considerá-la acidente de trabalho.

Nexo causal e concausalidade


Para a caracterização do acidente do trabalho, a enfermidade incapacitante
deve se relacionar com o exercício do trabalho. A esta relação entre a
enfermidade incapacitante e a atividade laborativa dá-se o nome de nexo
causal. É fundamental que haja relação entre o trabalho, o acidente e a lesão e
a incapacidade.

Incumbe à perícia médica do INSS a investigação do nexo de causalidade, bem


como tipificar o evento como sendo em decorrência do trabalho.

Perícia médica do INSS


Conforme art. 21A da Lei 8.213/91, a perícia médica do INSS considerará
caracterizada a natureza acidentária da incapacidade quando constatar
ocorrência de nexo técnico epidemiológico entre o trabalho e o agravo,
decorrente da relação entre a atividade da empresa ou do empregado
doméstico e a entidade mórbida motivadora da incapacidade elencada na
Classificação Internacional de Doenças – CID, em conformidade com o que
dispuser o regulamento. (Redação dada pela Lei Complementar nº 150, de
2015).

O Decreto nº 3.048 regulamenta a matéria no Artigo 337, estabelecendo que se


considera estabelecido o nexo entre o trabalho e o agravo quando se verificar

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 242


nexo técnico epidemiológico entre a atividade da empresa e a entidade mórbida
motivadora da incapacidade, elencada na Classificação Internacional de
Doenças – CID em conformidade com o disposto na Lista C do Anexo II deste
Regulamento.

Considera-se agravo à lesão: doença, transtorno de saúde, distúrbio, disfunção


ou síndrome de evolução aguda, subaguda ou crônica, de natureza clínica ou
subclínica, inclusive morte, independentemente do tempo de latência.
Sendo reconhecidos pela perícia médica do INSS a incapacidade para o trabalho
e o nexo entre o trabalho e o agravo, na forma do §3º, serão devidas as
prestações acidentárias a que o beneficiário tenha direito.

Atenção

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) assume, com


exclusividade, a concessão de benefícios previdenciários,
enquanto cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, em
desconformidade com normas relativas a meio ambiente do
trabalho e, por fim, ao Ministério da Saúde, o atendimento
médico aos acidentados, por meio do SUS.

Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário


O Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP abandona a CAT como
instrumento primário de informação, em razão do notório histórico de
subnotificações por parte das empresas, trazendo para o sistema as
informações médicas baseadas na Classificação Internacional de Doenças –
CID.

A fixação do CID em cada doença é obrigatória, não sofre com a


subnotificação, pois é feita por médico não necessariamente subordinado ao
empregador, além de permitir uma melhor correlação com o meio ambiente do

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 243


trabalho, possibilitando comparar o desempenho de uma determinada empresa
com o seu segmento econômico.
No entanto, a perícia médica do INSS deixará de aplicar o disposto neste artigo
quando demonstrada a inexistência do nexo de que trata o caput deste mesmo
item.

Comunicação da empresa
Segundo o art. 22, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei Complementar
150/15, é obrigação da empresa ou empregador doméstico comunicar o
acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao
da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob
pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de
contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada
pela Previdência Social. Em que pese o artigo 336, do Decreto 3048/99 registre
a ausência de obrigação de comunicado de acidente de trabalho, no que se
refere ao empregado doméstico, este disposto deve ser lido em conformidade
com a nova redação dos arts. 18, §1º e 19, da Lei nº 8.213/91, que, por força
da LC 150/15, a partir de 01/06/15, incluem o empregado doméstico, dentre os
beneficiários do auxílio-acidente.

A comunicação não exime a empresa de responsabilidade pela falta do


cumprimento do disposto neste artigo. A multa, contudo, não se aplica na
hipótese do caput do Artigo 21-A da Lei nº 8.213.

Dessa comunicação, receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes,


bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria.
Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio
acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o
assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo, nestes casos, o
prazo previsto neste artigo.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 244


Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a
cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas neste artigo.
A multa referente a este item não se aplica na hipótese do caput do Artigo 21-A
da Lei nº 8.213.

Atenção

O Artigo 336 do Decreto nº 3.048 também traz regulamentação


sobre a CAT e dispõe que, para fins estatísticos e
epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à
Previdência Social o acidente de que tratam os Artigos 19,
20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o
segurado empregado, exceto o doméstico, e o
trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da
ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade
competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na
forma do Artigo 286.

Tal comunicação (CAT) pode ser feita até pela internet. Mas é
comum que muitos empregadores deixem de elaborar esse
documento, buscando, com isso, evitar possíveis
responsabilizações civis e, ainda, excluir o direito do
segurado à estabilidade provisória quando do retorno
(Artigo 118 da Lei nº 8.213 e Artigo 346 do Decreto nº 3.048).

Lei nº 8.213
Artigo 118. O segurado que sofreu acidente do trabalho tem garantida,
pelo prazo mínimo de doze meses, a manutenção do seu contrato de

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 245


trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-doença acidentário,
independentemente de percepção de auxílio-acidente.
Parágrafo único. Revogado. Lei nº 9.032, de 28 de abril de 1995.

Decreto nº 3.048
Artigo 346. O segurado que sofreu o acidente a que se refere o Artigo 336
tem garantida, pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses, a manutenção
do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio-
doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio-acidente.

CAT
Embora a CAT tenha finalidade estatística e epidemiológica, conforme dispõe o
Decreto 3.048, era frequentemente demandada pelo INSS com prerrequisito ao
benefício previdenciário. De modo a atenuar essa questão, o Ministério da
Previdência Social deu importante passo ao criar o NTEP (Nexo Técnico
Epidemiológico Previdenciário), que é o vínculo da Classificação Internacional
das Doenças (CID), obtida a partir da perícia médica, com a atividade
desempenhada pelo empregador, reconhecendo-se o benefício como
acidentário, mesmo sem a CAT.

Essa nova realidade foi criada pela Resolução nº 1.236 do Conselho Nacional da
Previdência Social (CNPS), publicado em 10 de maio de 2004. Esse novo
procedimento é de especial importância para as doenças ocupacionais, nas
quais há grande resistência à emissão de CAT.

Essa nova sistemática passou a constar da Lei nº 8.213, com a Medida


Provisória nº 316, de 2006, convertida na Lei nº 11.430, de dezembro de 2006.
Nessas situações, como o benefício acidentário será considerado de
ofício, não haverá multa pela ausência de CAT por parte do
empregador (Artigo 22, §5º, da Lei nº 8.213 e Artigo 337 do Decreto
nº 3.048). Essa presunção de benefício acidentário é a partir de abril
de 2007 (Artigo 5º, I, do Decreto nº 6.042, de 2007).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 246


Acidente de trabalho
Estabelece o Regulamento que será considerado agravamento de acidente
aquele sofrido pelo acidentado quando estiver sob a responsabilidade da
reabilitação profissional (Artigo 337, §2º).
Como consequência do acidente do trabalho, temos a estabilidade
provisória, que é garantia do emprego. Conforme Artigo 7º da CF, o
trabalhador, urbano ou rural, tem direito a uma relação de emprego protegida
contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei
complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos.

Na ADI nº 639-8, o STF decidiu que não há necessidade de lei complementar,


pois os direitos trabalhistas previstos na CF são os mínimos, e qualquer relação
destes será exemplificativa, não numerus clausus. Sendo assim, a
estabilidade pode ser prevista em lei ordinária, e somente existirá
após a cessação do auxílio-doença acidentário.
Considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou do
trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da
atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em que for
realizado o diagnóstico, valendo, para este efeito, o que ocorrer primeiro.

“Art. 21. Equiparam‑se também ao acidente do trabalho, para efeitos


desta Lei:
I – o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa
única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para
redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que
exija atenção médica para a sua recuperação.”

Equipara-se a acidente de trabalho a chamada concausa, ou seja, a causa


que, embora não tenha sido a única, contribuiu diretamente para a
morte do segurado, para redução ou perda de sua capacidade laborativa, ou
produziu lesão que exija atenção médica para a sua recuperação.
As concausas podem ser anteriores, simultâneas ou posteriores ao acidente.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 247


“II – o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em
consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou
companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de
companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de
força maior;

III – a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício


de sua atividade;

IV – o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de


trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da
empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por
esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão de obra,
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de
propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do
segurado.”

É fundamental que haja relação entre o trabalho, o acidente e a lesão, e a


incapacidade.

Conforme a melhor jurisprudência, não há que se exigir, para a caracterização


do acidente do trajeto, ter o segurado percorrido o caminho mais curto entre a
sua residência e o local do trabalho.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 248


Assim, “ligeiro desvio no percurso, quando o obreiro entra em um
estabelecimento comercial para aquisição de um bem, não rompe o nexo causal
entre o acidente e o retorno do trabalho para casa”. Isso já é objeto de projeto
de lei: PL nº 1.279/11, que tramita na Câmara, equiparando ao acidente de
trabalho aquele sofrido em caso de alteração do percurso de casa para a
empresa, ou vice-versa.
Sobre esse assunto, o Artigo 2º, §2º, da Lei nº 6.367/1976 cita que:
“§ 2º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da
satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante
este, o empregado é considerado no exercício do trabalho”.

No Artigo 3º, também da Lei nº 6.367/1976:

“Artigo 3º – Não é considerada agravação ou complicação de acidente do


trabalho a lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se
superponha às consequências do anterior”.

Auxílio-doença Acidentário (B-91)


Além do auxílio-doença comum, que já tratamos em aula anterior, temos o
auxílio-doença acidentário, que deriva de uma incapacidade temporária
decorrente de um acidente do trabalho ou de doenças ocupacionais (doenças
do trabalho ou profissionais). O auxílio-doença é benefício temporário,
porque decorre de incapacidade temporária. Se a incapacidade for
definitiva, será caso de aposentadoria por invalidez acidentária (B-
92).

Beneficiários: empregados, inclusive domésticos, trabalhadores avulsos e


segurados especiais, abrangidos pelo SAT, bem como os médicos residentes.
Os demais segurados (contribuinte individual e facultativo) receberão auxílio-
doença comum.

Lei complementar 150/15

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 249


Art. 34. O Simples Doméstico assegurará o recolhimento mensal, mediante
documento único de arrecadação, dos seguintes valores:
I - 8% (oito por cento) a 11% (onze por cento) de contribuição previdenciária,
a cargo do segurado empregado doméstico, nos termos do art. 20 da Lei nº
8.212, de 24 de julho de 1991;
II - 8% (oito por cento) de contribuição patronal previdenciária para a
seguridade social, a cargo do empregador doméstico, nos termos do art. 24 da
Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991;
III - 0,8% (oito décimos por cento) de contribuição social para financiamento
do seguro contra acidentes do trabalho; IV - 8% (oito por cento) de
recolhimento para o FGTS;
V - 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento), na forma do art. 22 desta
Lei; e
VI - imposto sobre a renda retido na fonte de que trata o inciso I do art. 7o da
Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, se incidente.
§ 1o As contribuições, os depósitos e o imposto arrolados nos incisos I a VI
incidem sobre a remuneração paga ou devida no mês anterior, a cada
empregado, incluída na remuneração a gratificação de Natal a que se refere a
Lei no 4.090, de 13 de julho de 1962, e a Lei no 4.749, de 12 de agosto de
1965.
§ 2o A contribuição e o imposto previstos nos incisos I e VI do caput deste
artigo serão descontados da remuneração do empregado pelo empregador, que
é responsável por seu recolhimento.
§ 3o O produto da arrecadação das contribuições, dos depósitos e do imposto
de que trata o caput será centralizado na Caixa Econômica Federal.
§ 4o A Caixa Econômica Federal, com base nos elementos identificadores do
recolhimento, disponíveis no sistema de que trata o § 1o do art. 33, transferirá
para a Conta Única do Tesouro Nacional o valor arrecadado das contribuições e
do imposto previstos nos incisos I, II, III e VI do caput.
§ 5o O recolhimento de que trata o caput será efetuado em instituições
financeiras integrantes da rede arrecadadora de receitas federais.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 250


§ 6o O empregador fornecerá, mensalmente, ao empregado doméstico cópia do
documento previsto no caput.
§ 7o O recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, e a
exigência das contribuições, dos depósitos e do imposto, nos valores definidos
nos 2 incisos I a VI do caput, somente serão devidos após 120 (cento e vinte)
dias da data de publicação desta Lei.

Carência: Não há carência (Artigo 26, II, da Lei 8.213).


Data de início do benefício: mesmas regras do auxílio-doença comum.
RMI: 91% do salario de beneficio e o mesmo limitador do auxílio-doença
comum.

O auxílio-doença acidentário sempre dispensará carência e gera estabilidade


provisória ao empregado. A competência para lides acidentárias é da Justiça
Comum dos Estados (Artigo 109, I, c/c Artigo 129 da Lei nº 8.213).

Cessação do benefício
Veja os recursos que fazem parte da cessação do benefício:

Alta médica, em que o trabalhador é reintegrado às suas atividades habituais,


eis que não apresenta sequelas incapacitantes, tendo ou não se
submetido à reabilitação profissional.

Conversão do auxílio-doença-acidentário em auxílio-acidente, ou seja,


através do reconhecimento de que o acidente e moléstias deixaram sequelas
que resultam em incapacidade parcial e permanente.

Conversão do auxílio-doença acidentário em aposentadoria por


invalidez acidentário, uma vez constatado que o infortúnio impede
definitivamente o desempenho de qualquer atividade laborativa.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 251


Pela morte do segurado, caso em que os dependentes passarão a receber a
pensão por morte acidentária.

Caso o segurado, durante o gozo do auxílio-doença, exerça atividade que lhe


garanta a subsistência, quando o cancelamento será a partir do retorno à
atividade (art. 60, §6º, da Lei nº 8.213/91, com redação da LC 150/15).

Atenção

Na mencionada hipótese do art. 60, §7º, se o segurado estiver


exercendo atividade diferente da que gerou o benefício, deverá
ser verificada a incapacidade para cada uma das atividades. (art.
60, §7º, da Lei nº 8.213/91, com redação da LC 150/15).

Auxílio-acidente (B-94)
O auxílio-acidente é um benefício previdenciário pago mensalmente ao
segurado acidentado como forma de indenização, sem caráter substitutivo do
salário, pois é percebido cumulativamente com este, quando, após a
consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza –
não somente de acidentes de trabalho – resultarem sequelas que impliquem
redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia – Lei nº
8.213, Artigo 86, caput.

Não se configura a incapacidade total para o trabalho, mas, sim, consolidadas


as lesões decorrentes do acidente, o segurado tem que se dedicar a outra
atividade, na qual, por certo, terá rendimento menor. O beneficio será pago
quando o segurado não se aposentar, ou seja, receberá o benefício e a
remuneração da nova atividade que exercer.

Tem por objetivo a complementação dos gastos de quem se encontra com a


capacidade para o trabalho reduzida ou sem condições de auferir remuneração

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 252


compatível com sua antiga habilitação profissional, tendo, por isso, natureza
indenizatória.

Importante frisar a diferença entre auxílio-acidente e os benefícios de


auxílio-doença e de aposentadoria por invalidez.

No auxílio-doença, tem cobertura previdenciária a incapacidade total e


temporária para o exercício das atividades habituais, mas que é passível de
recuperação.

Na aposentadoria por invalidez, tem cobertura previdenciária a incapacidade


total e permanente (definitiva) para o trabalho.
O auxílio-acidente indeniza o segurado prejudicado em razão da redução de sua
capacidade laborativa em relação às atividades exercidas quando ocorreu o
acidente.

Beneficiários: empregado (urbano ou rural), trabalhador avulso e o segurado


especial (Artigo , §1º, da Lei nº 8.213 e Artigo 104 do Decreto nº 3.048).

Carência: não há (Artigo 26, I, da Lei nº 8.213 ).

Data de início do benefício: a partir do dia seguinte ao da cessação do


auxílio-doença originário.

Renda mensal inicial: 50% do salário de benefício do auxílio-doença


originário. Não há recálculo do salário de benefício, apenas reduz-se a alíquota
de 91% para 50%.

Regra importante
Justamente por ter caráter indenizatório, sem caráter substitutivo do salário, o
auxílio-acidente pode ter valor inferior ao salário mínimo (CF, Artigo 201, §2º –

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 253


Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o rendimento do
trabalho do segurado terá valor mensal inferior ao salário mínimo.)

Não se confunde com auxílio-doença, pois este somente é devido enquanto o


segurado se encontrar incapaz, temporariamente, para o trabalho.
O auxílio-acidente é devido após a consolidação das lesões ou perturbações
funcionais, ou seja, após a alta médica, de forma que não pode ser percebido
juntamente com o auxílio-doença em consequência do mesmo evento, mas
somente com a cessação deste último, conforme preconiza Marcelo Leonardo
Tavares.

Artigo 86 da Lei nº 8.213/1991

Art. 86. O auxílio‑acidente será concedido, como indenização, ao segurado


quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer
natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o
trabalho que habitualmente exercia.
§1º O auxílio‑acidente mensal corresponderá a 50% (cinquenta por cento) do
salário de benefício e será devido, observado o disposto no §5º, até a véspera
do início de qualquer aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.
§2º O auxílio‑acidente será devido a partir do dia seguinte ao da cessação do
auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou rendimento
auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer aposentadoria.
§3º O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto de
aposentadoria, observado o disposto no §5º, não prejudicará a continuidade do
recebimento do auxílio‑acidente.
§4º A perda da audição, em qualquer grau, somente proporcionará a concessão
do auxílio‑acidente, quando, além do reconhecimento de causalidade entre o
trabalho e a doença, resultar, comprovadamente, na redução ou perda da
capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 254


Requisitos de concessão
Veja quais são os requisitos para a concessão do auxílio:
• Redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia, conforme
Artigo 86 da Lei nº 8.213;
• Redução de capacidade para o trabalho que habitualmente exercia e exija
maior esforço para o desempenho da mesma atividade de antes (hipótese
ampliada pelo decreto);
• Impossibilidade de desempenho da atividade que exercia à época do
acidente, porém permita o desempenho de outra, após o processo de
reabilitação profissional, nos casos indicados pela perícia médica do INSS
(hipótese ampliada pelo decreto).

Atenção

Para a concessão do auxílio-acidente fundamentado na perda de


audição, é necessário que a sequela seja ocasionada por
acidente de trabalho e que haja uma diminuição efetiva e
permanente da capacidade para a atividade que o segurado
habitualmente exercia (Artigo 86 caput e § 4º da lei nº 8213). O
segurado que não comprova o efetivo descréscimo na
capacidade para o trabalho que exercia terá seu pedido de
concessão indeferido (RESp 1.108.298, 3ª seção, j. 12-05-2010)

Suspensão e cessação do benefício


O auxílio-acidente deixou de ser vitalício e passou a integrar o salário de
contribuição para fins de cálculo do salário de benefício de qualquer
aposentadoria. Sobre o tema, foi editada recentemente a Súmula nº 507 do
STJ:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 255


“A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que
a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a
11/11/1997, observado o critério do Artigo 23 da Lei nº 8.213/1991
para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional
ou do trabalho”.

Atividade proposta
Considere o caso hipotético de Cacilda.
Do lar e viúva, mãe de José, Cacilda busca seu escritório para ajuizar ação de
concessão por pensão por morte de seu único filho José, empregado da Light
Serviços S. A., ocorrida em 05 de abril de 2011, quando ele caiu de um poste
de luz em que estava fazendo manutenção após o temporal sofrido pela
cidade naqueles últimos dias. Em qual juízo você distribuiria essa ação?

Chave de resposta:
“É muito comum confundir-se a competência para julgamento de ação
previdenciária ajuizada contra o INSS em que se pretende prestação
(previdenciária) decorrente de acidente do trabalho – ou, como se refere mais
comumente, ação acidentária que visa benefício previdenciário - com a ação
ajuizada pelo trabalhador contra o tomador do serviço em que aquele pretende
a indenização por danos morais e patrimoniais, decorrentes de acidente de
trabalho.

A Constituição da República expressamente excluiu da competência da Justiça


Federal as causas relativas a acidente de trabalho (CF/88, art. 109, I). A
Súmula 501 do Supremo Tribunal Federal retrata perfeitamente a norma
jurídica ora referida: “Compete à Justiça Ordinária Estadual o processo e o
julgamento, em ambas as instâncias, das causas de acidente do trabalho, ainda
que promovidas contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou
sociedades de economia mista” (Súmula 501).

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 256


Em igual sentido é a Súmula 15 do Superior Tribunal de Justiça: “Compete a
Justiça Estadual processar e julgar os litígios decorrentes de acidente do
trabalho”.

Interessa observar como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em sua


evolução, passa a orientar que são consideradas causas de acidente de trabalho
aquelas em que se busca a concessão ou mesmo a revisão de uma prestação
previdenciária decorrente de acidente de trabalho.

Dessa forma, se o benefício previdenciário que se pretende obter ou ter


revisado é decorrente de um acidente do trabalho, a competência para o
processamento e análise da causa é da Justiça Estadual:

As ações acidentárias têm como foro competente a Justiça comum, a teor do


disposto no art. 109, I da Constituição Federal, que as excluiu da competência
da Justiça Federal, razão pela qual ação que versa sobre reajuste de benefício
acidentário é da competência da Justiça estadual. (2ª T. – RE 204.204/SP –
Rel. Maurício Corrêa – DJ 05.05.2001)[2]

Procura-se encontrar na aproximação do julgador aos fatos a razão para a


exclusão da competência da Justiça Federal, na forma do precedente cuja
ementa é transcrita abaixo:

Previdenciário. Competência. Conflito negativo. Revisão de benefício de índole


acidentária. Art. 109, I, e § 3º, da Constituição. Verbetes Sumulares 501/STF e
15/STJ.

1. O objetivo da regra do art. 109, I, da Constituição é aproximar o julgador


dos fatos inerentes à matéria que lhe está sendo submetida a julgamento.
2. As ações propostas contra a autarquia previdenciária objetivando a
concessão e revisão de benefícios de índole acidentária é de competência da
Justiça Estadual. Precedentes. Verbetes sumulares 501/STF e 15/STJ.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 257


3. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo de Direito da Vara
de Acidentes do Trabalho de Porto Alegre/RS, o suscitante. (3ª Seção – CC
89.174/RS – Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima – j. em 12.12.2007 – DJ
01.02.2008, p. 1).”

Aprenda Mais

Material complementar

Para saber mais sobre acidente de trabalho, leia o artigo “À luz da Emenda
Constitucional nº 72. Considerações sobre auxílio-acidente.” disponível em nossa
biblioteca virtual.

Referências
IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. Niterói: Impetus,
2015. TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário. 13. Ed. Niterói, RJ:
Impetus.2011. VIANA, João Ernesto Aragonés. Curso de Direito Previdenciário.
Ed. Atlas, 2014.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 258


Exercícios de fixação
Questão 1
João recebe auxílio-acidente e requereu junto ao INSS aposentadoria por idade
em janeiro de 2014 por ter preenchido os requisitos legais no dia 29 de
dezembro de 2013. Analise as alternativas a seguir e marque a correta.
a) Ainda que haja permanência do estado mórbido que culminou na concessão do
auxílio-acidente, João não faz jus ao recebimento dos dois benefícios, por
existir vedação legal.
b) João faz jus ao recebimento dos dois benefícios por não existir vedação legal,
além do que, enquanto o auxílio-acidente tem natureza indenizatória, a
aposentadoria tem natureza substitutiva do salário, nada impedindo a
cumulação de ambos.
c) João não faz jus ao recebimento dos dois benefícios, pois ambos têm natureza
substitutiva do salário, o que impede a cumulação de ambos.

Questão 2
Maria, aposentada em razão de invalidez por acidente de trabalho, procura seu
escritório com dúvidas acerca do beneficio auxílio-acidente. Dentre as
alternativas abaixo, marque a resposta incorreta acerca do aludido benefício.
a) O auxílio-acidente, quando devido, será pago mesmo que o beneficiário volte a
trabalhar.
b) É vedado pela Lei Previdenciária, ao segurado que recebe o auxílio-acidente, a
percepção de remuneração decorrente de nova relação de emprego.
c) O trabalhador avulso, que presta serviços de natureza urbana a duas ou mais
empresas, sem vínculo empregatício, tem direito ao auxílio-acidente.
d) A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria é permitida pela
legislação em qualquer hipótese.

Questão 3
Durante o trajeto de ida para o trabalho, Caio, empregado da Cervejaria
Itaipava, foi atropelado em 1º de fevereiro de 2014. De posse do atestado
médico fornecido pelo hospital (dando conta de que deveria ficar afastado do

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 259


trabalho por 20 dias) e da CTPS, com anotação de seu último vínculo
empregatício desde 1º de janeiro de 2013, procura seu escritório para saber
sobre a possibilidade de percepção de algum benefício junto ao INSS. Assinale
a resposta mais correta a ser dada a Caio:
a) Caio faz jus ao recebimento conjunto de auxílio-doença e auxílio-acidente.
b) Caio faz jus ao recebimento de aposentadoria por invalidez, mas não faz jus ao
auxílio-acidente, conforme entendimento sumulado do STJ.
c) Caio não faz jus a auxílio-acidente, mas somente a auxílio-doença.
d) Caio faz jus somente ao auxílio-acidente, sendo este devido quando ocorrem
acidentes de qualquer natureza, ainda que inexistente qualquer sequela.
e) Embora tenha qualidade de segurado, Caio não faz jus ao auxílio-acidente por
falta de carência.

Questão 4
Carlos Augusto, empregado da Marcenaria MPP por dois anos, em 26 de janeiro
de 2010, ao manusear uma máquina de corte, sofreu fratura na mão esquerda.
Após ter sido socorrido na enfermaria da empresa, foi encaminhado a um
hospital e ficou afastado por três meses, período em que recebeu prestação
previdenciária de auxílio-doença acidentário. Em razão do acidente, houve
necessidade de intervenção cirúrgica. Nesta situação, Carlos Augusto ainda terá
direito ao benefício previdenciário de:
a) Aposentadoria especial, em razão do acidente típico de trabalho sofrido.
b) Auxílio-acidente, se, após consolidadas as lesões, resultarem sequelas que
impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.
c) Aposentadoria por invalidez, caso tenha havido redução parcial da capacidade
de trabalho, mas suscetível de reabilitação.
d) Auxílio-acidente em razão do acidente de trabalho, mesmo que não tenha
havido nenhuma sequela.
e) Pecúlio por acidente típico de trabalho, uma vez que se acidentou no local de
trabalho.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 260


Questão 5
Pedro ajuizou ação na Justiça Estadual objetivando auxílio-acidente, alegando
que sofreu acidente de trânsito em 2006, quando retornava para casa após ter
jogado futebol, depois do expediente, na sede da empresa em que trabalhava.
No laudo médico, há informação de que tal acidente teria reduzido a
capacidade laborativa. Assinale a alternativa correta.
a) Em caso de acidente de qualquer natureza, o auxílio-acidente deve ser
pleiteado sempre na Justiça Federal, haja vista o réu ser o INSS.
b) Está caracterizado acidente de trabalho e, por isso, a competência para
processar e julgar o feito é da Justiça Estadual.
c) Não está caracterizado acidente de trabalho e, por isso, a competência para
processar e julgar o feito é da Justiça Federal.
d) Em qualquer processo cujo réu seja o INSS, a competência para processar e
julgar o feito é da Justiça Federal.

Artigo 19 da Lei nº 8.213: É o que ocorre pelo exercício do trabalho a


serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no
inciso VII do Artigo 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou
temporária, da capacidade para o trabalho.

Aula 8
Exercícios de fixação
Questão 1 - A
Justificativa: Artigo 86, §2º, da Lei nº 8.213.

Questão 2 - D
Justificativa: Artigo 86, §2º, da Lei nº 8.213 e Súmula nº 507 do STJ.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 261


“Lei nº 8.213 , Artigo 86, §2º – O auxílio‑acidente será devido a partir do dia
seguinte ao da cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer
remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação
com qualquer aposentadoria.”
“STJ, Súmula nº 507 – A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria
pressupõe que a lesão incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a
11/11/1997, observado o critério do Artigo 23 da Lei nº 8.213/1991 para
definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do
trabalho.”

Questão 3 - C
Justificativa: Tendo em vista que o afastamento do trabalho foi prescrito por
apenas 20 dias, a incapacidade é de natureza temporária. Havendo qualidade
de segurado e incapacidade temporária, Caio faz jus à percepção de auxílio-
doença, não havendo que se falar no requisito de carência (acidente de
qualquer natureza). Haja vista o disposto no Artigo 86, §2º, Lei nº 8.213, não é
possível cumular auxílio-doença com auxílio-acidente:
“Artigo 86, §2º O auxílio‑acidente será devido a partir do dia seguinte ao da
cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração ou
rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumulação com qualquer
aposentadoria”.

Questão 4 - B
Justificativa: “Artigo 86, caput, da Lei nº 8.213: O auxílio-acidente será
concedido, como indenização, ao segurado quando, após consolidação das
lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que
impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia”.

Questão 5 - C
Justificativa: “TRF 4 – Apelação Cível 5002239-70.2011.404.7108: Não há
informações de que o acidente tenha sido de trabalho, caso em que a
competência é da Justiça Federal para processar e julgar o feito”.

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 262


Simone Magalhães Abreu é Procuradora Federal, Professora Palestrante da
Escola da Advocacia-Geral da União – AGU. Especialista em Direito do Estado
pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Especialista em Direito
Público e Privado pela Escola da Magistratura do Rio de Janeiro – EMERJ.
Currículo Lattes: Disponível em: <http://lattes.cnpq.br/9469994686275208>

DIREITO PREVIDENCIÁRIO 263