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Diário da Justiça Eletrônico

Poder Judiciário de Pernambuco

Ano XI Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019


Disponibilização: 14/01/2019 Publicação: 15/01/2019

Presidente:
Des. Adalberto de Oliveira Melo

Primeiro Vice-Presidente:
Des. Cândido José da Fonte Saraiva de
Moraes

Segundo Vice-Presidente:
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior

Corregedor Geral da Justiça:


Des. Fernando Cerqueira Norberto dos
Santos
Composição do TJPE
Des. Jones Figueirêdo Alves Des. Antônio Carlos Alves da Silva
Des. José Fernandes de Lemos Des. Francisco Eduardo Gonçalves Sertório Canto
Des. Bartolomeu Bueno de Freitas Morais Des. José Ivo de Paula Guimarães
Des. Jovaldo Nunes Gomes Des. Josué Antônio Fonseca de Sena
Des. Fernando Eduardo de Miranda Ferreira Des. Agenor Ferreira de Lima Filho
Des. Frederico Ricardo de Almeida Neves Des. Itabira de Brito Filho
Des. Eduardo Augusto Paurá Peres Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo
Des. Leopoldo de Arruda Raposo Des. Roberto da Silva Maia
Des. Marco Antônio Cabral Maggi Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Des. Adalberto de Oliveira Melo Des. Erik de Sousa Dantas Simões
Des. Fernando Cerqueira Norberto dos Santos Des. Stênio José de Sousa Neiva Coêlho
Des. Luiz Carlos de Barros Figueiredo Des. André Oliveira da Silva Guimarães
Des. Alberto Nogueira Virgínio Des. Itamar Pereira da Silva Júnior
Des. Antônio Fernando Araújo Martins Des. Evandro Sérgio Netto de Magalhães Melo
Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto Desa. Daisy Maria de Andrade Costa Pereira
Des. Cândido José da Fonte Saraiva de Moraes Des. Eudes dos Prazeres França
Des. Antônio de Melo e Lima Des. Carlos Frederico Gonçalves de Moraes
Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello Des. Fábio Eugênio Dantas de Oliveira Lima
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Des. José Carlos Patriota Malta Des. Humberto Costa Vasconcelos Júnior
Des. Alexandre Guedes Alcoforado Assunção Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho
Des. Eurico de Barros Correia Filho Des. José Viana Ulisses Filho
Des. Mauro Alencar de Barros Des. Sílvio Neves Baptista Filho
Des. Fausto de Castro Campos Des. Demócrito Ramos Reinaldo Filho
Des. Francisco Manoel Tenório dos Santos Des. Évio Marques da Silva
Des. Cláudio Jean Nogueira Virgínio Des. Honório Gomes do Rego Filho
Coordenação e Gerenciamento:
Ângela Carolina Porto Camarotti
Palácio da Justiça - Praça da República, s/n Carlos Gonçalves da Silva
Santo Antônio - Recife - PE
CEP: 50010-040 Diretoria de Documentação Judiciária:
Telefones: (81) 3182-0100 André Fabiano Oliveira Santos
Site: www.tjpe.jus.br Maria José Alves

Gerência de Jurisprudência e Publicações:


Dúvidas / Sugestões: diario.eletronico@tjpe.jus.br Rogério Martins dos Santos
Telefones: (81) 3182.0487
Chefia da Unidade de Diário de Justiça Eletrônico:
Cláudia Simone Barros de Queiroz

Produção e Editoração:
Marcia Maria Ramalho da Silva

Diário da Justiça Eletrônico - Poder Judiciário de Pernambuco.


Documento assinado digitalmente conforme MP n. 2.200-2/2001 de 24.8.2001, que institui a Infra-estrutura de
Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, podendo ser acessado através do endereço eletrônico http://www.tjpe.jus.br
SUMÁRIO

PRESIDÊNCIA ....................................................................................................................................................................................... 5
Núcleo de Precatórios ......................................................................................................................................................................10
1ª VICE-PRESIDÊNCIA ....................................................................................................................................................................... 12
2ª VICE-PRESIDÊNCIA ....................................................................................................................................................................... 42
CORREGEDORIA GERAL DA JUSTIÇA ........................................................................................................................................... 200
Corregedoria Auxiliar para os Serviços Extrajudiciais ................................................................................................................... 207
ÓRGÃO ESPECIAL ........................................................................................................................................................................... 208
DIRETORIA GERAL DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA ........................................................................................................................... 211
SECRETARIA JUDICIÁRIA ................................................................................................................................................................ 214
SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO ................................................................................................................................................ 216
Comissão Permanente de Licitação/CPL ...................................................................................................................................... 216
SECRETARIA DE GESTÃO DE PESSOAS ...................................................................................................................................... 217
Diretoria de Gestão Funcional ....................................................................................................................................................... 236
ESCOLA JUDICIAL ............................................................................................................................................................................ 241
CARTRIS ............................................................................................................................................................................................ 244
DIRETORIA DE DOCUMENTAÇÃO JUDICIÁRIA ............................................................................................................................. 274
DIRETORIA CÍVEL .............................................................................................................................................................................318
1ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 318
2ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 326
3ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 334
4ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 338
5ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 349
6ª Câmara Cível ............................................................................................................................................................................. 362
1ª Câmara de Direito Público .........................................................................................................................................................364
2ª Câmara de Direito Público .........................................................................................................................................................368
3ª Câmara de Direito Público .........................................................................................................................................................371
4ª Câmara de Direito Público .........................................................................................................................................................383
2ª Câmara Extraordinária de Direito Público ................................................................................................................................. 396
Diretoria Cível do 1º Grau .............................................................................................................................................................. 398
Diretoria das Varas de Família e Registro Civil da Capital ............................................................................................................ 400
Diretoria Cível Regional do Agreste .............................................................................................................................................. 401
DIRETORIA CRIMINAL ...................................................................................................................................................................... 403
2ª Câmara Criminal ........................................................................................................................................................................ 403
3ª Câmara Criminal ........................................................................................................................................................................ 412
4ª Câmara Criminal ........................................................................................................................................................................ 415
3ª Câmara Extraordinária Criminal ................................................................................................................................................ 421
NÚCLEO PERMANENTE DE MÉTODOS CONSENSUAIS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS - NUPEMEC .....................................423
Arcoverde - Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania - CEJUSC ........................................................................... 423
COORDENADORIA GERAL DO SISTEMA DE RESOLUÇÃO CONSENSUAL E ARBITRAL DE CONFLITOS .............................. 424
Santa Cruz do Capibaribe - Central de Conciliação, Mediação e Arbitragem ............................................................................... 424
DIRETORIA CÍVEL DO 1º GRAU ...................................................................................................................................................... 457
CAPITAL ............................................................................................................................................................................................. 460
Vara Regional da Infância e Juventude da 1ª Circunscrição Judiciária ......................................................................................... 460
Capital - 4ª Vara Cível - Seção A ................................................................................................................................................... 461
Capital - 11ª Vara Cível - Seção A ................................................................................................................................................. 467
Capital - 12ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 469
Capital - 13ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 470
Capital - 15ª Vara Cível - Seção A ................................................................................................................................................. 472
Capital - 15ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 475
Capital - 16ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 479
Capital - 17ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 483
Capital - 19ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 485
Capital - 20ª Vara Cível - Seção A ................................................................................................................................................. 489
Capital - 24ª Vara Cível - Seção A ................................................................................................................................................. 491
Capital - 27ª Vara Cível - Seção B ................................................................................................................................................. 493
Capital - 1ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 496
Capital - 2ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 498
Capital - 3ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 499
Capital - 6ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 501
Capital - 7ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 502
Capital - 9ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................... 504
Capital - 11ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................. 505
Capital - 14ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................. 510
Capital - 17ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................. 511
Capital - 18ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................. 512
Capital - 20ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................. 515
Capital - 1ª Vara da Fazenda Pública ............................................................................................................................................ 522
Capital - 2ª Vara da Fazenda Pública ............................................................................................................................................ 523
Capital - 4ª Vara da Fazenda Pública ............................................................................................................................................ 531
Capital - 5ª Vara da Fazenda Pública ............................................................................................................................................ 533
Capital - 6ª Vara da Fazenda Pública ............................................................................................................................................ 535
Capital - 2ª Vara dos Executivos Fiscais Estaduais .......................................................................................................................539
Capital - Vara de Execuções Fiscais Municipais ........................................................................................................................... 541
Capital - 1ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais - Seção B ............................................................................................... 547
Capital - 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais - Seção A ............................................................................................... 560
Capital - 1ª Vara da Infância e da Juventude .................................................................................................................................561
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Capital - 2ª Vara da Infância e da Juventude .................................................................................................................................................... 563


Capital - 4ª Vara da Infância e da Juventude .................................................................................................................................................... 564
Capital - 3ª Vara de Sucessões e Registros Públicos .......................................................................................................................................565
Capital - 7ª Vara de Família e Registro Civil ..................................................................................................................................................... 567
Capital - 9ª Vara de Família e Registro Civil ..................................................................................................................................................... 569
Capital - 1ª Vara do Tribunal do Júri ................................................................................................................................................................. 570
Capital - 3ª Vara do Tribunal do Júri ................................................................................................................................................................. 571
Capital - 4ª Vara do Tribunal do Júri ................................................................................................................................................................. 572
Capital - 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher ...............................................................................................................574
Capital - 1ª Vara de Acidentes do Trabalho ...................................................................................................................................................... 575
Capital - 2ª Vara de Acidentes do Trabalho ...................................................................................................................................................... 585
Capital - Vara de Execução de Penas Alternativas .......................................................................................................................................... 591
Capital - Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária ........................................................................................... 594
INTERIOR ............................................................................................................................................................................................................. 599
Abreu e Lima - 1ª Vara ...................................................................................................................................................................................... 599
Abreu e Lima - 3ª Vara ...................................................................................................................................................................................... 600
Abreu e Lima - Vara Criminal ............................................................................................................................................................................ 601
Alagoinha - Vara Única ..................................................................................................................................................................................... 602
Araripina - Vara Criminal ................................................................................................................................................................................... 603
Arcoverde - 1ª Vara ........................................................................................................................................................................................... 604
Arcoverde - Vara Criminal ................................................................................................................................................................................. 610
Belém do São Francisco - Vara Única .............................................................................................................................................................. 615
Belo Jardim - 1ª Vara ........................................................................................................................................................................................ 625
Belo Jardim - 2ª Vara ........................................................................................................................................................................................ 639
Belo Jardim - Vara Criminal .............................................................................................................................................................................. 653
Betânia - Vara Única ......................................................................................................................................................................................... 660
Bezerros - 1ª Vara ............................................................................................................................................................................................. 662
Bodocó - Vara Única ......................................................................................................................................................................................... 667
Bom Jardim - Vara Única .................................................................................................................................................................................. 668
Bonito - Vara Única ........................................................................................................................................................................................... 673
Brejão - Vara Única ........................................................................................................................................................................................... 676
Buenos Aires - Vara Única ................................................................................................................................................................................ 677
Buíque - Vara Única .......................................................................................................................................................................................... 678
Cabo de Santo Agostinho - 3ª Vara Cível ......................................................................................................................................................... 682
Cabo de Santo Agostinho - 1ª Vara Criminal .................................................................................................................................................... 683
Cabo de Santo Agostinho - 2ª Vara Criminal .................................................................................................................................................... 684
Cabo de Santo Agostinho - Vara de Violência Domestica e Familiar Contra Mulher ....................................................................................... 685
Cachoeirinha - Vara Única ................................................................................................................................................................................ 687
Caetés - Vara Única .......................................................................................................................................................................................... 689
Calçado - Vara Única ........................................................................................................................................................................................ 691
Camaragibe - 1ª Vara Criminal ......................................................................................................................................................................... 695
Camaragibe - 2ª Vara Criminal ......................................................................................................................................................................... 697
Capoeiras - Vara Única ..................................................................................................................................................................................... 698
Carpina - 1ª Vara ............................................................................................................................................................................................... 701
Carpina - Vara Criminal ..................................................................................................................................................................................... 702
Caruaru - 2ª Vara de Família e Registro Civil ................................................................................................................................................... 704
Caruaru - Vara Privativa do Tribunal do Júri ..................................................................................................................................................... 705
Caruaru - 1ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 707
Caruaru - 2ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 709
Caruaru - 3ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 711
Caruaru - 4ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 716
Caruaru - Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher ................................................................................................................ 720
Condado - Vara Única ....................................................................................................................................................................................... 724
Correntes - Vara Única ......................................................................................................................................................................................726
Cupira - Vara Única ........................................................................................................................................................................................... 728
Custódia - Vara Única ....................................................................................................................................................................................... 729
Escada - Vara Única ......................................................................................................................................................................................... 732
Gameleira - Vara Única ..................................................................................................................................................................................... 733
Garanhuns -1ª Vara Cível ................................................................................................................................................................................. 735
Garanhuns - 2ª Vara Cível ................................................................................................................................................................................ 736
Garanhuns - 1ª Vara Criminal ........................................................................................................................................................................... 738
Garanhuns - 2ª Vara Criminal ........................................................................................................................................................................... 740
Garanhuns - 1ª Vara de Família e Registro Civil .............................................................................................................................................. 741
Goiana - 1ª Vara ................................................................................................................................................................................................ 746
Goiana - 2ª Vara ................................................................................................................................................................................................ 747
Goiana - Vara Criminal ...................................................................................................................................................................................... 748
Gravatá - 1ª Vara .............................................................................................................................................................................................. 749
Gravatá - 2ª Vara .............................................................................................................................................................................................. 756
Ibimirim - Vara Única ......................................................................................................................................................................................... 758
Igarassu - 1ª Vara Cível .................................................................................................................................................................................... 759
Ipojuca - Vara Cível ........................................................................................................................................................................................... 760
Jaboatão dos Guararapes - Diretoria Cível do 1º Grau .................................................................................................................................... 761
Jaboatão dos Guararapes - 6ª Vara Cível ........................................................................................................................................................ 764
Jaboatão dos Guararapes - 1ª Vara Criminal ................................................................................................................................................... 765
Jaboatão dos Guararapes - II Vara Privativa do Tribunal do Júri ..................................................................................................................... 768
Jaboatão dos Guararapes - Vara da Infância e Juventude ............................................................................................................................... 769
Jupi - Vara Única ............................................................................................................................................................................................... 770

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lagoa de Itaenga - Vara Única ......................................................................................................................................................................... 771


Lagoa do Ouro - Vara Única ............................................................................................................................................................................. 782
Lagoa Grande - Vara Única .............................................................................................................................................................................. 783
Lajedo - Vara Única ...........................................................................................................................................................................................784
Limoeiro - 2ª Vara ............................................................................................................................................................................................. 786
Olinda - Diretoria do Foro ..................................................................................................................................................................................787
Olinda - Diretoria Cível do 1º Grau ................................................................................................................................................................... 790
Olinda - 1ª Vara Cível ........................................................................................................................................................................................ 791
Olinda - 4ª Vara Cível ........................................................................................................................................................................................ 793
Olinda - 3ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................... 794
Olinda - Vara do Tribunal do Júri ...................................................................................................................................................................... 796
Orocó - Vara Única ............................................................................................................................................................................................797
Palmares - 3ª Vara Cível ................................................................................................................................................................................... 798
Palmares - Vara Regional da Infância e Juventude .......................................................................................................................................... 801
Paulista - 1ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 803
Paulista - 2ª Vara Criminal ................................................................................................................................................................................ 807
Paulista - Vara da Fazenda Pública .................................................................................................................................................................. 809
Paulista - Vara da Infância e Juventude ............................................................................................................................................................810
Petrolândia - 1ª Vara ......................................................................................................................................................................................... 811
Petrolina - 3ª Vara Cível .................................................................................................................................................................................... 812
Petrolina - 4ª Vara Cível .................................................................................................................................................................................... 813
Petrolina - 1ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................................... 815
Petrolina - 2ª Vara Criminal ............................................................................................................................................................................... 817
Petrolina - Vara do Tribunal do Juri ................................................................................................................................................................... 818
Petrolina - I Juizado Especial Criminal ............................................................................................................................................................. 823
Quipapá - Vara Única ........................................................................................................................................................................................ 825
Ribeirão - Vara Única ........................................................................................................................................................................................ 826
Rio Formoso - Vara Única ................................................................................................................................................................................. 830
Salgueiro - 1ª Vara ............................................................................................................................................................................................ 832
Salgueiro - Vara Criminal .................................................................................................................................................................................. 833
Santa Cruz do Capibaribe - 1ª Vara .................................................................................................................................................................. 835
Santa Cruz do Capibaribe - 2ª Vara .................................................................................................................................................................. 837
Santa Cruz do Capibaribe - Vara Criminal ........................................................................................................................................................ 843
Santa Maria da Boa Vista - Vara Única .............................................................................................................................................................847
São Caetano - Vara Única ................................................................................................................................................................................ 848
São José da Coroa Grande - Vara Única ..........................................................................................................................................................849
Serra Talhada - Vara Criminal ........................................................................................................................................................................... 862
Surubim - 1ª Vara .............................................................................................................................................................................................. 865
Tacaratu - Vara Única ........................................................................................................................................................................................868
Tamandaré - Vara Única ................................................................................................................................................................................... 869
Toritama - Vara Única ........................................................................................................................................................................................889
Trindade - Vara Única ....................................................................................................................................................................................... 890
Venturosa - Vara Única ..................................................................................................................................................................................... 892
Verdejante - Vara Única .................................................................................................................................................................................... 893
Vitória de Santo Antão - 2ª Vara Cível .............................................................................................................................................................. 897
Vitória de Santo Antão - 3ª Vara Cível .............................................................................................................................................................. 901
Vitória de Santo Antão - 1ª Vara Criminal ......................................................................................................................................................... 903

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

PRESIDÊNCIA
ATO DO DIA 14 DE JANEIRO DE 2019

O EXMO. PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, no uso de suas atribuições,

Nº 49 / 2019-SEJU – Considerando que os substitutos legais encontram-se em gozo de férias ou acumulando outras unidades judiciárias,
RESOLVE: Designar o Exmo. Dr. Gilvan Macedo dos Santos , Juiz de Direito da 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital, Matrícula nº
175.364-9, para responder, cumulativamente, pela 8ª Vara Criminal da Comarca da Capital, de 14/01 a 02/02/2019, durante licença paternidade
do Exmo. Dr. Ivan Alves de Barros.

Des. Adalberto de Oliveira Melo


Presidente

ATO Nº 3653 DE 21 DE DEZEMBRO DE 2018


(SEI nº 00040934-06.2018.8.17.8017)

Considerando a Instrução Normativa TJPE nº 27, de 03 de novembro de 2017, republicada no DJe de 10 de novembro de 2017, que regulamenta
o teletrabalho nas unidades jurisdicionais de 1º e 2º graus, no âmbito do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco;

Considerando os termos do Requerimento SEI 0308456, datado de 19/12/2018, oriundo do 23º Juizado Especial Cível e das Relações de
Consumo da Capital, relativo à solicitação de adesão e inclusão de servidora no regime de teletrabalho de que trata a IN supracitada, na
modalidade parcial;

Considerando que o regime de teletrabalho parcial e integral está previsto no artigo 2º, inciso V, da norma em comento;

Considerando que o teletrabalho é de adesão facultativa e abrange unidades em que o desempenho possa ser mensurado em função da
característica do serviço;

Considerando a publicação do ATO nº 2936/2018, de 11/10/2018, publicado no DJE de 15/10/2018, instituindo a Comissão de Gestão do
Teletrabalho de que trata o art. 15 da Instrução Normativa em comento;

Considerando que a gestão das metas propostas deverá obedecer às diretrizes dispostas no Art. 12, incisos III e IV da Instrução Normativa já
mencionada, devendo a unidade judiciária enviar trimestralmente relatório à Comissão de Gestão do Teletrabalho,

RESOLVE :

Art. 1º. AUTORIZAR, em caráter excepcional, a participação da 23º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo da Capital, no regime
de teletrabalho parcial, para a servidora relacionada no Anexo Único, a partir da data de publicação deste Ato.

Art. 2º. ESTABELECER que o requerente encaminhe à Comissão de Gestão do Teletrabalho a proposição das metas, observado ao disposto
no § 2º, artigo 6º, do regramento citado.

Art. 3º. Este Ato entra em vigor na data da sua publicação.

Publique-se. Cumpra -se.

Recife, 21 de dezembro de 2018.

Desembargador Adalberto de Oliveira Melo


Presidente.

5
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ANEXO ÚNICO

NOME MATRÍCULA CARGO MODALIDADE DIAS DO TELETRABALHO

RAQUEL DA SILVA GONDIM – 186405-0 – TECNICO JUDICIÁRIO/TPJ – PARCIAL – 03 (TRES) DIAS POR SEMANA

(REPUBLICADO POR HAVER SAÍDO COM INCORREÇÃO NO DJE Nº 2/2019 DE 03/01/2019)


ATO Nº 141 DE 11 DE JANEIRO DE 2019.
(SEI nº 00039455-42.2018.8.17.8017 )
Considerando a Instrução Normativa TJPE nº 27, de 03 de novembro de 2017, republicada no DJe de 10 de novembro de 2017, que regulamenta
o teletrabalho nas unidades jurisdicionais de 1º e 2º graus, no âmbito do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco;
Considerando os termos da Portaria 01 de 06/12/2018, exarada pela Exma. Juíza de Direito Substituta, Dra. Carolina de Almeida Pontes de
Miranda, suspendo por prazo indeterminado o funcionamento dos trabalhos no Fórum da Comarca de Floresta, até a recuperação total dos danos
sofridos pelo prédio em razão das fortes chuvas;
Considerando que a referida Portaria estabelece que os servidores passarão a atuar em regime de Teletrabalho, durante o prazo de suspensão
das atividades do Fórum daquela comarca;
Considerando que o regime de teletrabalho parcial e integral está previsto no artigo 2º, inciso V, da norma em comento;
Considerando a publicação do ATO nº 2936/2018, de 11/10/2018, publicado no DJE de 15/10/2018, instituindo a Comissão de Gestão do
Teletrabalho de que trata o art. 15 da Instrução Normativa em comento;
Considerando que a gestão das metas propostas deverá obedecer às diretrizes dispostas no Art. 12, incisos III e IV da Instrução Normativa já
mencionada, devendo a unidade judiciária enviar trimestralmente relatório à Comissão de Gestão do Teletrabalho,
RESOLVE :
Art. 1º. AUTORIZAR, excepcionalmente, a participação da Comarca de Floresta, no regime de teletrabalho integral, com efeitos a partir do dia
06/12/2018 , para os servidores relacionados no Anexo Único.
Art. 2º. ESTABELECER que, excepcionalmente, o gestor da Comarca de Floresta encaminhe, trimestralmente, à Comissão de Gestão do
Teletrabalho relatório de produtividade dos servidores, durante o período em que estes estiverem atuando por meio eletrônico.
Art. 3º. DETERMINAR que o magistrado gestor da Comarca de Floresta envie, imediatamente, comunicação à Secretaria de Gestão de Pessoas,
tão logo cesse a suspensão do funcionamento dos trabalhos no Fórum, para formalização do retorno dos servidores aos trabalhos presenciais.
Art. 4º. Este Ato entra em vigor na data da sua publicação.
Publique-se. Cumpra -se.
Recife, 11 de janeiro de 2019.
Desembargador Adalberto de Oliveira Melo
Presidente.
ANEXO ÚNICO
NOME - MATRÍCULA - CARGO - MODALIDADE - PERÍODO
RITA DE CASSIA DA SILVA AS FARIAS – 186053-4 – A DISPOSIÇÃO – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA PORTARIA 01,
DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
GIVANEIDE MENDES ATAIDE SOARES – 176378-4 – TECNICO JUDICIARIO/TJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA
PORTARIA 01, DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
LICIA LEITE DE SA TORRES – 182321-3 – ANALISTA JUDICIARIO/AJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA PORTARIA
01, DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
AUGUSTINHO NOGUEIRA JUNIOR – 183599-8 – TECNICO JUDICIARIO/TJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA
PORTARIA 01, DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
CLARA TORRES DE OLIVEIRA VALGUEIRO – 185615-4 – TECNICO JUDICIARIO/TJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS
DA PORTARIA 01, DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
ISABELA NOVAIS ARAUJO – 186372-0 – TECNICO JUDICIARIO/TJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA PORTARIA 01,
DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
RENAN SOARES TORRES DE SA – 186346-0 – TECNICO JUDICIARIO/TJPJ – INTEGRAL – ENQUANTO DURAR OS EFEITOS DA PORTARIA
01, DE 06/12/2018, DA COMARCA DE FLORESTA
Gabinete da Presidência

Ref.: SEI Nº 00031165-61.2018.8.17.8017

Assunto: Servidor à Disposição – Pagamento Indevido – Devolução de Parte da Gratificação de Incentivo à Produtividade (GIP)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Interessado : DIRETORIA DE GESTÃO FUNCIONAL/SGP e Melina Medeiros de Miranda Lima

DESPACHO

Ao tempo em que aprovo, por seus próprios e jurídicos fundamentos o Parecer exarado pela Consultoria Jurídica deste Tribunal, no dia 04/01/2019,
consubstanciado no sistema eletrônico de informações (SEI), sob o protocolo acima epigrafado, acolho a proposição nele contida para determinar
a devolução dos valores recebidos indevidamente da verba de Gratificação de Incentivo à Produtividade (GIP), referentes aos meses de
outubro, a partir do dia 11/10/2016 e novembro de 2016, nos exatos termos do opinativo.

Publique-se. Registre-se. Cumpra-se.

Recife, 11 de janeiro de 2019.

Desembargador
Adalberto de Oliveira Melo
Presidente

DECISÃO

Cuida-se de pedido tempestivo de reconsideração cumulado com recurso, interposto por Marcelo Queiroz Tenório da Silva, Técnico Judiciário,
mat. 183.909-8, em face da decisão desta Presidência, publicada no Dje nº 236, de 19-12-2014, que deferiu parcialmente o pleito do requerente para
o pagamento do Adicional de Qualificação.

O recorrente visa à incorporação do Adicional de Qualificação, cuja previsão encontra-se no artigo 5º, II da Lei Estadual nº 14.454/2011, que
alterou a Lei nº 13.332/2007 - Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco, com efeitos
retroativos à data do seu primeiro requerimento, qual seja, 16-11-2011 (fls.17/19).

Pois bem, a questão inicial se resume ao fato de que o recorrente ingressou em 16-11-2011 com o pedido de Adicional de Qualificação,
símbolo AQ, sob a égide da Lei nº 14.454/2011, anexando ao requerimento uma certidão de conclusão do curso de Especialização em Direito Civil e
Empresarial, com carga horária de 360h/a, emitida pela Faculdade de Direito do Recife em 14-11-2011 (fls.17/18).

Entretanto, a Consultoria Jurídica, em seu primeiro parecer, datado de 09-12-2014 (fls. 21/23), opinou pelo deferimento parcial do pleito, para
reconhecer ao recorrente o pagamento do Adicional de Qualificação, nos termos do art. 4º da Lei Estadual nº 14.454/2011, com efeitos a partir de fevereiro
de 2014, à vista do entendimento firmado no Parecer nº 0555/2014-CJ (Processo Administrativo nº 0163/2014 – CJ), acolhido por esta presidência em
decisão prolatada em 16-12-2014 (fl.24).
Em sua peça de irresignação, o recorrente assevera que a Resolução Normativa TJPE 354/2013, que regulamentou a Lei 14.454/2011, não
poderia ter o condão de impedir a concessão do benefício pretendido, pois a lei em referência já delimitava em seu art. 5º, § 3º, a data para a concessão
do benefício, que seria a do protocolo do requerimento administrativo.

Então, assevera que, por estar materialmente subordinada à lei, a normativa interna não poderia estabelecer um marco inicial para a
incorporação da benesse, considerando que a própria lei já previa o tempo e que entendimento diverso afrontaria o princípio da legalidade.

Contesta que a questão não se trata de direito à regime jurídico, mas tão somente direito a uma gratificação com previsão legal, pois
independentemente de qualquer regulamentação, a referida Lei já estabelecera em seu corpo, de forma clara, os requisitos necessários para a concessão
do Adicional de Qualificação, não carecendo de qualquer norma regulamentadora.

Por fim, na peça recursal, pede a revisão do decisum para lhe conceder o Adicional de Qualificação retroativo à data do primeiro requerimento,
16-11-2016 e, caso não reconheça, requer subsidiariamente, a concessão, ao menos, a partir da data da vigência da Resolução 354/2013 TJPE, qual
seja, 29-05-2013, conforme estabelece o art. 6º da referida normativa interna.

Eis o que se relata.


Analiso o mérito.

Inicialmente, destaco a presença dos requisitos de legitimidade e tempestividade, considerando que a decisão combatida foi publicada no
Dje de 19-12-2014 e o pedido impugnatório foi posto em 09-01-2015, enquadrando-se, assim, no que preceitua o art. 184 da Lei Estadual nº 6.123/1968.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Objetivamente, o caso versa sobre um pedido de Gratificação criada pela Lei 13.332/2007 – Plano de Cargos Carreira e Vencimentos dos
Servidores do Poder Judiciário de Pernambuco, que previu no Capítulo IV, artigos 15 e 16, a Gratificação de Incentivo à Qualificação Funcional – GIQF
e posteriormente, alterada pela Lei 14.454/2011, como Adicional de Qualificação. Vejamos:
LEI Nº 13.332, DE 7 DE NOVEMBRO DE 2007.

Dispõe sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos, define a nova Política de Valorização Funcional dos Servidores Públicos do Poder
Judiciário do Estado de Pernambuco e determina outras providências.

CAPÍTULO IV
DO INCENTIVO À QUALIFICAÇÃO FUNCIONAL

Art. 15. Fica criada a Gratificação de Incentivo à Qualificação Funcional - GIQF, destinada aos servidores efetivos do Poder Judiciário em
razão dos conhecimentos adicionais adquiridos nas ações de capacitação e em cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização, conferida ao
detentor de diploma ou certificado de graduação ou pós-graduação , em sentido amplo ou estrito, em áreas de interesse dos órgãos da Justiça.
§ 1º A Gratificação de que trata o caput deste artigo não será concedida quando a capacitação constituir requisito para ingresso no cargo.
§ 2º Para efeito do disposto no caput deste artigo, serão considerados os cursos e as instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da
Educação, na forma da legislação federal, e nos limites definidos em Resolução do Tribunal de Justiça.
§ 3º Serão admitidos cursos de pós-graduação em sentido amplo com duração mínima de 360 (trezentos e sessenta) horas-aula.
§ 4º O Poder Judiciário regulamentará, mediante Resolução, em 180 (cento e oitenta) dias de vigência desta Lei, o caput deste artigo.
Art. 16. A Gratificação de Incentivo à Qualificação Funcional - GIQF, incidirá sobre o vencimento-base do servidor, da seguinte forma:

I - 9% (nove por cento), em se tratando de títulos, diplomas ou certificados de conclusão de cursos de pós-graduação, em sentido
amplo ou estrito . Valendo apenas um título, diploma ou certificado;
II - 6% (seis por cento), em se tratando de diploma ou certificado de conclusão de graduação. Valendo apenas um diploma ou certificado de
graduação;
III - 3% (três por cento), ao servidor que possuir conjunto de Ações de Capacitação, assim definidas em Resolução do Tribunal de Justiça, que
totalize, pelo menos, 200 (duzentas) horas por ação, observando o limite de 6% (seis por cento).
§ 1º Em nenhuma hipótese, o servidor perceberá cumulativamente os coeficientes previstos nos incisos I e II do caput deste artigo; caso o servidor
obtenha qualificação maior, passará a ter direito à percepção do respectivo coeficiente.
§ 2º A percepção dos coeficientes relativos às ações de capacitação previstas no inciso III do caput deste artigo será válida pelo prazo de 4 (quatro)
anos, cuja permanência fica condicionada à participação em novas Ações de Capacitação.
§ 3º Tratando-se de curso de graduação, desde que não constitua requisito para ingresso no cargo, e de pós-graduação, não será observado o prazo
previsto no parágrafo anterior.
§ 4º A gratificação de que trata o inciso III, deste artigo, será devida mediante a apresentação do título, diploma ou certificado de conclusão, considerando
os últimos 4(quatro), anos, da data de vigência desta Lei, a partir de 1º de fevereiro de 2.008, atendido ao disposto no art. 56 desta Lei.

O cerne da questão se funda na implantação retroativa da gratificação à data do pedido primeiro, formulado em 16-11-2011, já na vigência
da Lei 14.454, de 26 de outubro de 2011, que cuidou de alterar a Lei 13.332/2007.

Com a nova lei os requisitos para a concessão da gratificação ficaram assim delineados:

LEI Nº 14.454, DE 26 DE OUTUBRO DE 2011.

Altera o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco e dá outras providências.

CAPÍTULO II
DO ADICIONAL DE QUALIFICAÇÃO
Art. 4º Fica transformada a Gratificação de Incentivo à Qualificação Funcional, símbolo GIQF , criada pela Lei nº 13.332, de 7 de novembro de
2007 , em Adicional de Qualificação , símbolo AQ , destinado aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo das carreiras do quadro de
pessoal do Poder Judiciário de Pernambuco, que estejam incluídos nas Classes C-I, C-II e C-III, em razão dos conhecimentos adicionais adquiridos em
programas de pós-graduação, em sentido amplo (Especialização) ou estrito (Mestrado ou Doutorado), em áreas de interesse do Poder Judiciário, na
forma estabelecida em regulamento . (Redação alterada pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

§ 1º O adicional de que trata este artigo não será concedido aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo das carreiras do quadro de
pessoal do Poder Judiciário de Pernambuco que estejam ou venham a ser incluídos nas Classes C-IV e C-V. (Redação alterada pelo art. 2° da Lei
n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
§ 2º Para efeito do disposto neste artigo, serão considerados somente os cursos e as instituições de ensino reconhecidos pelo Ministério da Educação,
na forma da legislação.
§ 3º Serão admitidos cursos de pós-graduação lato sensu somente com duração mínima de trezentas e sessenta horas.
§ 4º O adicional será considerado no cálculo dos proventos e das pensões somente se o título ou o diploma forem anteriores à data da inativação.
Art. 5º O Adicional de Qualificação incide sobre o Vencimento do servidor, da seguinte forma: (Redação alterada pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de
1° de julho de 2015 .)
I - 4,5% (quatro e meio por cento), em se tratando de título de Doutor ou Mestre; (Percentual alterado pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
II - 3% (três por cento), em se tratando de certificado de Especialização ; (Percentual alterado pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
III - (REVOGADO) (Revogado pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
(Vide o art. 15 da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 - transforma em parcela autônoma valores já concedidos a título de Adicional de Qualificação - AQ.)
§ 1º Em nenhuma hipótese o servidor perceberá cumulativamente os adicionais previstos nos incisos I e II do caput deste artigo. (Redação alterada
pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
§ 2º (REVOGADO) (Revogado pelo art. 2° da Lei n° 15.539, de 1° de julho de 2015 .)
§ 3º O Adicional de Qualificação é devido a partir do dia de apresentação do título, diploma ou certificado.
§ 4º O servidor das carreiras do quadro de pessoal do Poder Judiciário do Estado de Pernambuco cedido, requisitado ou à disposição de outro órgão da
administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não perceberá, durante
o afastamento, o adicional de que trata este artigo.

Observe-se que, ainda que no § 3º do art. 5º da Lei 14.454/2013 exista previsão do momento devido do benefício - “a partir do dia de
apresentação do título, diploma ou certificado” , é de se atentar ao fato de que a lei não detinha caráter de auto aplicabilidade imediata, ao menos
no que pertine ao Adicional de Qualificação, porquanto, carecia de regulamentação que especificasse quais áreas de interesse do Poder Judiciário se
enquadrariam os cursos de pós-graduação em sentido amplo e estrito, previsão do art. 4º.

Por esta razão foi editada a Resolução nº 354 de 28-05-2013 , prevendo o marco inicial para a concessão da benesse. Vale-se destacar:

Art. 2º Para fins do disposto nesta resolução, consideram-se áreas de interesse dos órgãos do Poder Judiciário aquelas necessárias ao cumprimento
de sua missão institucional, relacionadas aos serviços de processamento de feitos, dentre elas: I- execução de mandados, análise e pesquisa de
legislação, doutrina e jurisprudência nos vários ramos do Direito; II- estudo e pesquisa do sistema judiciário brasileiro, organização e funcionamento
dos ofícios judiciais e as inovações tecnológicas introduzidas, elaboração de pareceres jurídicos; III- gestão estratégica de pessoas, de processos, e da
informação, material e patrimônio, licitações e contratos, orçamento e finanças, controle interno, segurança e transporte; IV- tecnologia da informação,
comunicação, saúde, cerimonial, arquivologia, biblioteconomia, pedagogia, engenharia, arquitetura; V- especialidades peculiares a cada órgão do Poder
Judiciário do Estado, bem como aquelas alinhadas ao planejamento estratégico e as que venham a surgir no interesse do serviço.

Art. 6º A apresentação do título, diploma ou certificado, para a concessão do Adicional de Qualificação previstos nos incisos I e II do artigo 3º, deverá
fazer-se por requerimento, com cópia do documento acostada, conferida com o original e autenticada por servidor do Núcleo de Recepção da Secretaria
de Gestão de Pessoas – SGP, identificado pelo nome, matrícula e assinatura.
Parágrafo único. Será devido o pagamento do adicional a partir da data do registro do requerimento no Núcleo de Recepção da SGP, ou na
Unidade de Protocolo e Expedição do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco – TJPE, quando encaminhado através dos correios.

Art. 16 Para os requerimentos de Adicional de Qualificação já entregues na Secretaria de Gestão de Pessoas, será considerada como data
de protocolo a da publicação desta Resolução.

Diante do exposto, considerando que ao requerente já foi reconhecido o Direito ao Adicional de Qualificação, entendo por reconsiderar
os termos do decisum impugnado, tendo em vista que o seu pedido fora posto em data anterior a vigência da Resolução referenciada, para atender
o pedido subsidiário do recurso, no sentido de que a Gratificação pleiteada lhe seja concedida com efeitos retroativos à data da publicação da
Resolução TJPE nº 354, qual seja, 29-05-2013, conforme previsão contida no artigo 16.
Publique-se.
Cumpra-se, respeitada a disponibilidade financeira.

Recife-PE, 19 de dezembro de 2018.

Desembargador Adalberto de Oliveira Melo


Presidente do TJPE

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Núcleo de Precatórios

O Excelentíssimo Desembargador Presidente Adalberto de Oliveira Melo, no uso dos poderes conferidos, exarou os seguintes
despachos:

0479849-2 Precatório Alimentar


Protocolo : 2017.00499966
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara da Fazenda Pública
Ação Originária : 0071378-14.2013.8.17.0001
Órgão Julgador : Presidência
Relator : Des. Presidente
Autor : Everaldo Alves da Silva
Advog : Maria de Fátima Silva Cajueiro - PE027389
Réu : Estado de Pernambuco
Procdor : Antonio César Caúla Reis

DESPACHO
Acolho o parecer do Juiz Coordenador do Núcleo de Precatórios, no qual se demonstra a regularidade do feito, para determinar o pagamento do
presente precatório, no valor de R$ 190.800,00 (cento e noventa mil e oitocentos reais) constante na planilha de fl. 128/128v.
Publique-se. Cumpra-se.
Recife, 09 de janeiro de 2019.
Des. Adalberto de Oliveira Melo
Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco
Ciente: José Henrique Dias
Juiz Assessor Especial da Presidência
Coordenador do Núcleo de Precatórios

0460856-8 Precatório Alimentar


Protocolo : 2016.00041343
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Ação Originária : 0030239-48.2014.8.17.0001
Órgão Julgador : Presidência
Relator : Des. Presidente
Autor : Carolina Morais
Autor : MARIA JOSE DE AGUIAR SOUTO
Advog : Rodolfo Domingos de Souza - PE013208D
Réu : FUNAPE - FUNDACAO DE APOSENTADORIAS E PENSOES DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : CRISTIANY GONÇALVES SAMPAIO COELHO

DESPACHO
Acolho o parecer do Juiz Coordenador do Núcleo de Precatórios, no qual se demonstra a regularidade do feito, para determinar o pagamento
do presente precatório, no valor de R$ 170.615,15 (cento e setenta mil, seiscentos e quinze reais e quinze centavos), constante nas planilhas
de fls. 151/151v e 152/152v.
Publique-se. Cumpra-se.
Recife, 08 de janeiro de 2019.
Des. Adalberto de Oliveira Melo

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco


Ciente: José Henrique Dias
Juiz Assessor Especial da Presidência
Coordenador do Núcleo de Precatórios

0440655-5 Precatório Alimentar


Protocolo : 2016.00020520
Comarca : Ibirajuba
Vara : Vara Única
Ação Originária : 0000017-33.1997.8.17.0700
Órgão Julgador : Presidência
Relator : Des. Presidente
Autor : Miguel Pedro Torres
Autor : Maria das Neves S. Andrade
Autor : Adilson de Siqueira Freitas
Autor : Irene Burgo da Silva
Autor : Jose Justino Alves
Autor : Lucimar Onofre Silva
Autor : Maria da Paz Dudu Arandas
Autor : Miguel Pedro de Torres
Autor : Maria Domingos Silva
Autor : Lucilene Zubem de Torres Silva
Advog : Lailson Florêncio Bezerra da Silva - PE003311
Advog : Jessica Patricia R.Silva - PE035627
Réu : MUNICÍPIO DE IBIRAJUBA-PE
Procdor : Clarissa Maria Pereira de Melo

DESPACHO
Acolho o parecer do Juiz Coordenador do Núcleo de Precatórios, no qual se demonstra a regularidade do feito, para determinar o pagamento
do presente precatório, no valor de R$ 93.261,22 (noventa e três mil, duzentos e sessenta e um reais e vinte e dois centavos) constante na
planilha de fl. 148/148v.
Publique-se. Cumpra-se.
Recife, 10 de janeiro de 2019.
Des. Adalberto de Oliveira Melo
Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco
Ciente: José Henrique Dias
Juiz Assessor Especial da Presidência
Coordenador do Núcleo de Precatórios

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1ª VICE-PRESIDÊNCIA
DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00578 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353) 003 0004435-67.2015.8.17.0640(0495352-4)


Carla Ferreira Pinto(PE037407) 003 0004435-67.2015.8.17.0640(0495352-4)
Célio Avelino de Andrade(PE002726) 001 0001905-77.2006.8.17.1490(0485628-0)
Eugênio Eudes de Souza(PB010686) 001 0001905-77.2006.8.17.1490(0485628-0)
João Humberto Martorelli(PE007489) 002 0000491-94.2014.8.17.0930(0472592-0)
Maria do Perpétuo Socorro Maia Gomes(PE021449) 002 0000491-94.2014.8.17.0930(0472592-0)
Mariana Penha Abreu(PE033008) 003 0004435-67.2015.8.17.0640(0495352-4)
TITO LÍVIO DE MORAIS ARAUJO 002 0000491-94.2014.8.17.0930(0472592-0)
PINTO(PE031964D)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0000491-94.2014.8.17.0930(0472592-0)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0001905-77.2006.8.17.1490 Apelação


(0485628-0)
Comarca : Toritama
Vara : Vara Única
Apelante : Pedro Paulo de Albuquerque
Advog : Célio Avelino de Andrade(PE002726)
Apelado : Maria Aurora Baltazar Neves
Apelado : Diomam Baltazar Neves
Apelado : Janiquele Baltazar Neves
Apelado : Teogenis Baltazar Neves
Apelado : Adomitra Baltazar Neves
Apelado : Dimitra Baltazar Neves
Advog : Eugênio Eudes de Souza(PB010686)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 1ª Turma
Relator : Des. José Viana Ulisses Filho
Despacho : Despacho
Última Devolução : 31/10/2018 12:04 Local: CARTRIS

DESPACHO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão
proferido em Apelação.
Inicialmente, verifico que o Recorrente somente comprovou o recolhimento das custas do STJ (fls. 266/267), deixando de demonstrar o pagamento
das custas deste TJ/PE. Desatendeu, portanto ao disposto no art. 1.007 do CPC1, combinado com o Ato 1653/2017 do TJ/PE, publicado no
DJe de 02/01/2018.
No entanto, para viabilizar a prestação jurisdicional e com o intuito de garantir o acesso à justiça, o Código de Processo Civil, em seu artigo 1.007,
§ 4º2, permitiu o posterior recolhimento de custas não pagas.
Do exposto, com fundamento nos artigos 10 e 1.007, §4º, do CPC3, INTIME-SE o recorrente para, no prazo de 05 (cinco) dias, recolher em dobro
as custas do Tribunal de Justiça de Pernambuco, sob pena de deserção.
Após o referido prazo, retornem-me conclusos os autos para que seja realizado o devido exame de admissibilidade do Recurso Especial interposto.

Publique-se.
Recife, 22 de outubro de 2018.

Des. José Fernandes de Lemos


1º Vice-Presidente em exercício

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1 CPC, Art. 1.007: No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo,
inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.

2 CPC, Art. 1.007 (...)


§ 4o O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno,
será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção.

3 CPC, Art. 10: O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
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002. 0000491-94.2014.8.17.0930 Embargos de Declaração na Apelação


(0472592-0)
Protocolo : 2018/201548
Comarca : Macaparana
Vara : Vara Única
Apelante : EUROVIA VEÍCULOS S/A
Advog : João Humberto Martorelli(PE007489)
Advog : Maria do Perpétuo Socorro Maia Gomes(PE021449)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : ANA AUXILIADORA DE MORAES ARAUJO
Advog : TITO LÍVIO DE MORAIS ARAUJO PINTO(PE031964D)
Embargante : EUROVIA VEÍCULOS S/A
Advog : João Humberto Martorelli(PE007489)
Advog : Maria do Perpétuo Socorro Maia Gomes(PE021449)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : ANA AUXILIADORA DE MORAES ARAUJO
Advog : TITO LÍVIO DE MORAIS ARAUJO PINTO(PE031964D)
Órgão Julgador : 5ª Câmara Cível
Relator : Des. Agenor Ferreira de Lima Filho
Proc. Orig. : 0000491-94.2014.8.17.0930 (472592-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 05/12/2018 09:50 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal vigente contra acórdão proferido em
Embargos de Declaração (fls. 296/300) após julgamento de Apelação (fls. 256/261).
A Recorrente alega que a decisão violou o disposto no art. 13, do CDC, e no art. 464, do CPC/2015, além de ter provocado um dissídio
jurisprudencial. Esta E. Corte Estadual teria incorrido em erro ao manter a condenação da concessionária em entregar à consumidora veículo
novo em substituição ao defeituoso, bem como ao desconsiderar o pedido de produção de prova pericial.
O Recurso Especial é tempestivo, haja vista o acórdão ter sido publicado em 11/07/2018 (fl. 303) e o protocolo daquele datar de 31/07/2018
(fl. 306).
Custas satisfeitas (fls. 329/330 e 380/383).
Contrarrazões às fls. 394/405, pugnando pela manutenção da decisão recorrida.
Na espécie, constato que: (i) estão atendidos os três requisitos extrínsecos, a saber, o da tempestividade, preparo e regularidade formal, e, quanto
aos intrínsecos, os da legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, compreendendo o esgotamento
das vias ordinárias; (ii) a controvérsia que subsidia a pretensão recursal não configura hipótese que reclama retenção do apelo excepcional;
(iii) a análise dessa controvérsia prescinde de reexame de prova; e, afinal, (iv) restou demonstrado, por meio do satisfatório cotejo analítico, o
pressuposto do dissenso - pautado pela atualidade das teses jurídicas opostas - entre o acórdão recorrido e o paradigma, ambos versando casos,
senão idênticos, lastreados em bases fáticas semelhantes.
Ante o exposto, ADMITO o recurso pelo fundamento constitucional da alínea "c" com a consequente remessa dos autos ao Superior Tribunal
de Justiça.
Ao CARTRIS, para adoção das providências cabíveis.
Publique-se.
Recife, 28 de novembro de 2018.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Des. Bartolomeu Bueno


1º Vice-Presidente em exercício

003. 0004435-67.2015.8.17.0640 Embargos de Declaração na Apelação


(0495352-4)
Protocolo : 2018/101543
Comarca : Garanhuns
Vara : 2ª Vara Cível
Apelante : CRED-SYSTEM ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CREDITO LTDA
Advog : Mariana Penha Abreu(PE033008)
Advog : Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353)
Apelado : Marcelo de Assis Dantas da Silva
Advog : Carla Ferreira Pinto(PE037407)
Observação : ASSUNTO CNJ 7779
Embargante : CRED-SYSTEM ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CREDITO LTDA
Advog : Mariana Penha Abreu(PE033008)
Advog : Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353)
Embargado : Marcelo de Assis Dantas da Silva
Advog : Carla Ferreira Pinto(PE037407)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 1ª Turma
Relator : Des. Humberto Costa Vasconcelos Júnior
Proc. Orig. : 0004435-67.2015.8.17.0640 (495352-4)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 27/11/2018 13:36 Local: CARTRIS

DESPACHO

Trata-se de Recurso Especial com fundamento no art. 102, III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido em Apelação (fl. 111),
integrado pela decisão dos Embargos de Declaração (fl. 137).
Verifico irregularidade na representação processual da Recorrente.
A advogada signatária da peça de interposição, Dra. NATÁLIA ARAGÃO (OAB/PE 30.453) carece de poderes processuais.
Isso porque a outorga recebida através de substabelecimento (fl. 154) foi feita pelo Dr. Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti (OAB/PE 19.353) através
de assinatura digitalizada e sem procuração válida o habilitando ao patrocínio da defesa da Recorrente na lide.
Ademais, observo que o recurso é intempestivo, pois foi protocolado em 12/06/2018 (fls. 157/200) contra acórdão publicado em 05/05/2018 (fl.
141), extrapolando o prazo de 15 (quinze) dias úteis para sua interposição (art. 1.003 §5º, do CPC1).
Como sabido, é vedada a prática de qualquer ato processual, seja a interposição de recurso ou o mero protocolo de petição, através de assinatura
digitalizada que não se confunde com a assinatura digital prevista na Lei 11.419/2006 e, portanto, não é dotada do requisito de autenticidade
(neste sentido vide AgRg no AREsp 785262/PE, Rel. Min. Marco Buzzi e AgRg no AREsp 700860, Rel. Min. Raul Araújo).
Diante das irregularidades supracitadas, INTIMEM-SE a Recorrente para, no prazo de 5 (cinco) dias:
i) Regularizar a representação processual, em observância ao art. 932, parágrafo único, do CPC2, sob pena de não conhecimento do recurso;
ii) Manifestar-se sobre a intempestividade recursal, com fulcro no art. 10 do CPC/20153;
Após, retornem-me conclusos os autos para apreciação do Recurso Especial.
Publique-se.
Recife, 22 de novembro de 2018.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1 CPC, Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública,
a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão.
(...)
§ 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias.

2 Art. 932, parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que
seja sanado vício ou complementada a documentação exigível.
3 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

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DESPACHOS E DECISÕES

Emitida em 10/01/2019
CARTRIS CRIME
Relação No. 2019.00403 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0048480-41.2012.8.17.0001(0435215-8)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 005 0004955-36.2017.8.17.0000(0490077-6)
Alison Medeiros Costa(PE044236) 005 0004955-36.2017.8.17.0000(0490077-6)
Fábio José da Silva(PE001339B) 002 0003957-68.2017.8.17.0000(0484126-7)
Klenaldo Silva Oliveira(AL008498) 005 0004955-36.2017.8.17.0000(0490077-6)
LUIZ HENRIQUE DE OLIVEIRA(PE035384) 004 0018767-48.2014.8.17.0810(0451287-4)
Marcelo Flávio Tigre Barreto(PE027543D) 001 0023782-05.2011.8.17.0001(0376109-9)
Moacir Veloso(PE006567) 003 0048480-41.2012.8.17.0001(0435215-8)
YDIGORAS RIBEIRO DE A. JUNIOR(PE027482D) 001 0023782-05.2011.8.17.0001(0376109-9)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 003 0048480-41.2012.8.17.0001(0435215-8)
O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0023782-05.2011.8.17.0001 Apelação


(0376109-9)
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara Criminal dos Feitos relativos a Entorpecentes
Apelante : ROMÁRIO CRUZ DO NASCIMENTO
Advog : Marcelo Flávio Tigre Barreto(PE027543D)
Advog : YDIGORAS RIBEIRO DE ALBUQUERQUE JUNIOR(PE027482D)
Estag. : FRANCYELLE ALVES COELHO - ACADÊMICA DE DIREITO
Apelado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Procurador : Laíse Tarcila Rosa de Queiroz
Órgão Julgador : 3ª Câmara Criminal
Relator : Des. Eudes dos Prazeres França
Revisor : Des. Cláudio Jean Nogueira Virgínio
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 10/01/2019 13:13 Local: CARTRIS

DECISÃO

Cuida-se de Recurso Especial fundado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão (fl. 273) proferido em
Apelação Criminal.
O Recorrente foi condenado pelos crimes de tráfico de entorpecentes (art. 33 da lei nº 11.343/06) e porte ilegal de arma de fogo (art. 16 da lei nº
10.826/03) à reprimenda de 08 (oito) anos e 05 (cinco) meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.
Insatisfeita com a reportada decisão, sua defensa interpôs o Recurso de Apelação pugnando pela absolvição ante a fragilidade das provas
colacionadas aos autos.
Em seguida, o Recorrente, por intermédio de novo patrono constituído, atravessou petição, pugnando, pela anulação do processo em razão da
carência de defesa técnica e ante a impossibilidade de substituição da figura acusatória pelo magistrado de piso.
Em decisão monocrática (fls. 264/265), o Desembargador Relator indeferiu o pedido por entender inexistente a nulidade suscitada.
Ato contínuo, o órgão julgador (Terceira Câmara Criminal) negou provimento ao apelo1.
Desta feita, interpôs o Recurso Extremo apontando violação aos artigos 59 do CP (dosimetria da pena) e 422 e 553 ambos da lei nº 11.343/06 .
O propósito recursal é a nulidade do processo pelos motivos já mencionados e uma nova dosimetria da reprimenda a fim de aproximá-la do
mínimo legal.
O recurso é tempestivo e conta com representação processual regular.
O Recorrido apresentou suas contrarrazões às fls. 310/320 pugnando, em suma, pela manutenção da decisão questionada.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Eis o relatório, passemos à admissibilidade recursal.


1. Ausência de prequestionamento. Aplicação da Súmula 211 do C. STJ.
No caso em questão, conforme se depreende da leitura do voto e acórdão recorrido, os artigos mencionados como violados pelo Recorrente não
foram objeto de debate e deliberação pelo órgão colegiado deste Tribunal.
Na Corte da Cidadania é pacífico o entendimento de que "a configuração do prequestionamento pressupõe debate e decisão prévios pelo
Colegiado, ou seja, emissão de juízo sobre o tema. Se o Tribunal de origem não adotou entendimento explícito a respeito do fato jurígeno veiculado
nas razões recursais, inviabilizada fica a análise sobre a violação do preceito evocado pelo recorrente." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 218932/
RJ, rel. Min. Humberto Martins, DJe 10/10/2012, trecho da ementa.).
Logo, não havendo que se falar em prequestionamento dos dispositivos, resta configurado o impedimento à admissibilidade deste Recurso, em
face da incidência do enunciado da Súmula 2114, do C. STJ.
2. Da ausência de cotejo analítico.
Na tentativa de demonstrar a existência de interpretação divergente daquela aplicada por outro tribunal, consoante preconiza o art. 105, III, alínea
"c" da Lei Maior5, a parte Recorrente colacionou um precedente do Colendo Superior Tribunal de Justiça.
Contudo, não logrou êxito em demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude
fática e jurídica entre eles.
Não é outro o entendimento mais pacífico e recente do C. STJ, conforme demonstra o seguinte excerto:
..........
"(...) Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre
ambos, com o intuito de bem caracterizar o entendimento legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541,
parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da
Constituição Federal." (REsp 1707691/RS, Rel Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12/12/2017, DJE 19/12/2017).
..........
Ademais, não cumpriu os requisitos do art. 1029, §1º, do CPC6.
Portanto, o precedente colacionado não serve para fins de comprovação da divergência jurisprudencial.
À vista do exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.
Publique-se.
Recife, 02 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME TIPIFICADO NO ART. 33, CAPUT, DA LEI N.º 11.343/06. ABSOLVIÇÃO POR INSUFICIÊNCIA DE
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. AUTORIA E MATERIALIDADE DEVIDAMENTE COMPROVADAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 75 DESTE
SODALÍCIO. APELAÇÃO DESPROVIDA. DECISÃO UNÂNIME. (TJPE, Apelação Criminal nº 0376109-9, Terceira Câmara Criminal, julgado em
16.10.2018).
2 Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade
da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.
3 Art. 55. Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
4 STJ, 211. "É inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo
Tribunal a quo".
5 Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: (...)
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos
Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: (...) c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído
outro tribunal.

6 Art. 1.029, §1o, Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou
citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão divergente,
ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer
caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados.

002. 0003957-68.2017.8.17.0000 Recurso em Sentido Estrito


(0484126-7)
Comarca : Cupira
Vara : Vara Única
Reqte. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Reqdo. : JOSÉ PEREIRA SOBRINHO
Advog : Fábio José da Silva(PE001339B)
Procurador : Charles Hamilton Santos Lima
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Relator : Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho


Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 09/01/2019 14:13 Local: CARTRIS

DECISÃO
Cuida-se de Recurso Especial fundado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão (fl. 119) proferido em sede
de Recurso em Sentido Estrito.
O magistrado de piso desclassificou o crime descrito na denúncia - de homicídio qualificado tentado (art. 121, §2º, II c/c o art. 14, II, ambos do
CP)- para o delito de lesão corporal de natureza grave (art. 129, §1º, I, do CP).
Inconformado com a reportada decisão, o Parquet interpôs o Recurso em Sentido Estrito pugnando pela pronúncia do Recorrido nos termos
da denúncia.
Em Parecer de fls. 107/112, a Procuradoria de justiça levantou a preliminar de declaração de nulidade do feito a partir da fase instrutória por
ausência de representante do Ministério Público na audiência de instrução e julgamento.
O órgão julgador (1ª Câmara Regional de Caruaru) rejeitou a preliminar suscitada e, no mérito, negou provimento ao recurso1.
Desta feita, interpôs o Recurso Extremo apontando violação aos artigos 563 e 564, III, "d", ambos do Código Penal2.
O propósito recursal é restrito a declaração de nulidade dos atos realizados a partir da audiência de instrução e julgamento.
O recurso é tempestivo.
O Recorrido apresentou suas contrarrazões (fls. 158/160) pugnando, em suma, pela manutenção do aresto combatido.
Eis o relatório, passemos à admissibilidade recursal.
Como dito, suscita-se a anulação do processo a partir da fase instrutória, porquanto o magistrado piso realizou a audiência de instrução e
julgamento sem a presença do Ministério Público.
Por oportuno, sobrelevo que o representante Ministerial fora devidamente intimado da audiência de instrução aprazada para o dia 19.01.2016
(fl. 56).
Ressalto, ainda, que a nulidade, ora pleiteada, somente fora suscitada pela Procuradoria de Justiça por ocasião do seu parecer, não tendo sido
suscitada pelo Parquet nas Alegações Finais.
Destaco, também, as seguintes afirmações proferidas pelo Relator em seu voto condutor:
.......
"Inicialmente rejeito a preliminar de nulidade do feito apontada pelo Parecer Ministerial às fls. 107/112, em razão da ausência do Ministério Público
em audiência de instrução e julgamento. É cediço nas causas em que atua o Ministério Público, somente ocorre nulidade se não houver a sua
intimação. Se o Parquet foi cientificado da realização da audiência, e não compareceu sem justificar sua ausência, não há falar em nulidade.
(...)
Ademais, no Recurso em Sentido Estrito, o Ministério Público deixou de arguir esta nulidade, sendo apenas apontada pelo Procurador de Justiça,
em seu parecer ministerial, quando afirmou que se trata de nulidade absoluta, no entanto, conforme entendimento do STJ, tal nulidade é relativa,
havendo a necessidade da prova do prejuízo. (voto do Relator de fls. 120/124)
.......
Ademais, segue entendimento já delineado na Corte Superior de Justiça sobre o imbróglio aqui apresentado:
......
"Segundo o entendimento majoritário desta Corte, não há qualquer vício a ser sanado nas hipóteses em que, apesar de intimado, o Ministério
Público deixa de comparecer à audiência e o Magistrado, condutor do processo, formula perguntas às testemunhas sobre os fatos constantes da
denúncia, mormente nas hipóteses em que a defesa não se insurge no momento oportuno e que não há demonstração de efetivo prejuízo (art.
563 do CPP)". (REsp n. 1.348.978/SC, Rel. Ministro Rogério Schietti, Rel. p/ acórdão Ministro Nefi Cordeiro, 6ª T., DJe 17/2/2016)
.......
"No termos do posicionamento jurisprudencial firmado neste Superior Tribunal de Justiça, a simples ausência do órgão acusatório na audiência
de oitiva de testemunhas não enseja a nulidade do ato, quando não restar devidamente demonstrada a ocorrência de prejuízos. Precedentes".
(AgRg no REsp 1712039/RO, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 03/05/2018, DJe 09/05/2018)
......
O Supremo Tribunal Federal também já se posicionou no mesmo sentido. Vejamos:
......
"EMENTA:- Recurso extraordinário. Apelação Criminal. Preliminar. Indispensabilidade do membro do Ministério Público. 2. Acórdão que
desacolheu preliminar de nulidade do processo, por ausência do Representante do Ministério Público, devidamente intimado para a audiência. 3.
Alegação de ofensa aos arts. 2º e 127, "caput", da CF/88. 4. A essencialidade da participação do Ministério Público na administração da justiça, a
teor do art. 127, da Carta Magna, não se pode ter como ofendida quando o órgão do Ministério Público, regularmente intimado para determinado
ato processual, deixa de comparecer ou dele não participa a seu critério ou ex sponte sua. 5. Recurso extraordinário não conhecido" (RE nº
179.272/RS, Segunda Turma, Relator o Ministro Néri da Silveira, DJ de 14/12/01).
......
Com efeito, a Primeira Câmara Criminal se manifestou em harmonia com a orientação do c. STJ, razão pela qual a irresignação deve ser obstada
em face do que preconiza a Súmula 83 do C. STJ3.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

À vista do exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.


Publique-se.
Recife, 02 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. CRIMES CONTRA A VIDA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. TENTATIVA DE HOMICÍDIO.
DESCLASSIFICAÇÃO OPERADA NA ORIGEM. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. PROVA DA MATERIALIDADE E INDÍCIOS
SUFICIENTES DE AUTORIA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ANIMUS NECANDI NA CONDUTA DO ACUSADO. DECISÃO UNÂNIME.
(TJPE, Recurso em Sentido Estrito nº 0484126-7, 1ª Câmara Regional de Caruaru, julgado em 07.06.2018).

2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa.

Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:


III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar
de crime de ação pública;

3 Súmula 83 do STJ - "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da
decisão recorrida".

003. 0048480-41.2012.8.17.0001 Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração


(0435215-8)
Protocolo : 2018/207673
Comarca : Recife
Vara : Segundo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher na
Comarca da Capital
Embargante : JUAREZ ANTONIO DE FIGUEIROA
Advog : Moacir Veloso(PE006567)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DE PERNAMBUCO
Embargante : JUAREZ ANTONIO DE FIGUEIROA
Advog : Moacir Veloso(PE006567)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DE PERNAMBUCO
Órgão Julgador : 4ª Câmara Criminal
Relator : Des. Carlos Frederico Gonçalves de Moraes
Proc. Orig. : 0048480-41.2012.8.17.0001 (435215-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 09/01/2019 14:13 Local: CARTRIS

DECISÃO

Cuida-se de Recurso Especial fundado no artigo 105, inciso III, alíneas "a", da Constituição Federal, contra acórdão (fl. 121) proferido em Apelação
Criminal integrado pelos Embargos de Declaração.
O Recorrente foi condenado pela prática da conduta inserta no art. 65 da Lei de Contravenções Penais (molestar alguém ou perturbar-lhe a
tranquilidade, por acidente ou por motivo reprovável), à pena de 20 (vinte) dias de prisão simples.
Inconformado com a reportada decisão, interpôs o recurso de apelação arguindo, em preliminar, a prescrição retroativa e, no mérito, pugnou pela:
i) sua absolvição ante a inexistência de provas e ii) compensação da agravante da reincidência e a atenuante genérica da confissão.
O órgão julgador (4ª Câmara Criminal) rejeitou a preliminar suscitada e negou provimento ao recurso, afastando a condenação por danos civis
imposta na sentença1.
Ainda inconformado, opôs os Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados2.
Desta feita, interpôs o Recurso Extremo apontando violações ao artigo 77 do CP3.
O propósito recursal é restrito ao reconhecimento da suspensão condicional da pena.
O recurso é tempestivo e conta com represnetação processual regular.
O Recorrido apresentou suas contrarrazões às fls. 228/233, almejando, em suma, a manutenção do aresto questionado.
Eis o relatório, passemos à admissibilidade recursal.

18
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1. Ausência de prequestionamento, violação à Súmula nº 2114 do Superior Tribunal de Justiça.


Como se sabe a configuração do prequestionamento pressupõe debate e decisão prévios pelo colegiado, ou seja, emissão de juízo sobre o tema.
Todavia, o órgão julgador não enfrentou o artigo apontado pelo Recorrente por ocasião do julgamento da Apelação, o qual apenas foi apontado
em sede de embargos de declaração.
Por oportuno, transcrevo o seguinte fragmento do voto do relator na ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração:
......
"No acórdão recorrido, todas essas teses foram devidamente apreciadas e rejeitadas por esta Câmara, e em momento algum da apelação o
recorrente suscitou irresgnação quanto ao aspecto da suspensão condicional da pena, apensar de o juízo a quo, na sentença ter se manifestado
sobre o ponto, nos seguintes termos (fl. 79-v):
'Da mesma forma, deixo de implementar a suspensão da pena ora decretada, por ser medida mais danosa ao réu.'" (trecho extraído do voto
do relator de fl. 209)
Neste sentido:
Logo, não havendo que se falar em prequestionamento dos dispositivos, resta configurado o impedimento à admissibilidade deste Recurso, em
face da incidência da Súmula nº 211, do STJ5.
2. Da aplicação da Súmula nº 284/STF6.
Deve o Recorrente demonstrar a efetiva violação à lei federal para o Apelo Nobre ter cabimento pela alínea "a", do permissivo constitucional.
No entanto, não conseguiu expor, de forma particularizada, como o dispositivo apontado foi violado, porquanto se limitou a fazer um resumo do
processo e ao final requerer a suspensão condicional da pena.
Ademais, observo que o pedido em questão apenas fora formulado por ocasião dos embargos de declaração. Assim, verifico que o artigo foi
indicado com a única finalidade de acesso à instância superior.
Desta feita, incorreu na censura do Enunciado nº 284 do STF, restando obstaculizado o seu seguimento por deficiência na fundamentação.
À vista do exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.
Publique-se.
Recife, 02 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO. CONTRAVENÇÃO PENAL. ARTIGO 65 DA LCP. "MOLESTAR ALGUÉM OU PERTURBAR-LHE
A TRANQUILIDADE, POR ACINTE OU POR MOTIVO REPROVÁVEL". PRESCRIÇÃO RETROATIVA NÃO CARACTERIZADA. ALEGAÇÃO DE
NEGATIVA DE AUTORIA. DEPOIMENTOS DAS TESTEMUNHAS COERENTES PARA A FORMAÇÃO DO CONVENCIMENTO DO JULGADOR.
AUTORIA SUFICIENTEMENTE DEMONSTRADA. INSURGÊNCIA RECURSAL QUANTO À DOSIMETRIA DA PENA. FALTA DE RESPALDO
PARA A MINORAÇÃO DA PENA-BASE, QUE FOI FIXADA DE MANEIRA PROPORCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO ENTRE
A REINCIDÊNCIA E A CONFISSÃO ESPONTÂNEA, JÁ QUE O JUÍZO A QUO, CORRETAMENTE, NÃO RECONHECEU A INCIDÊNCIA DE
QUALQUER AGRAVANTE OU ATENUANTE. PENA DEFINITIVA QUE RESULTOU NO PATAMAR MUITO PRÓXIMO AO MÍNIMO LEGAL,
NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM EXCESSIVIDADE DA REPRIMENDA IMPOSTA (20 DIAS DE PRISÃO SIMPLES). IMPROVIMENTO.
EXCLUSÃO, DE OFÍCIO, DA PARTE DA CONDENAÇÃO REFERENTE AO PAGAMENTO DO VALOR MÍNIMO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO
POR DANO MORAL. O JUIZ SÓ PODE PROCEDER A ESSA CONDENAÇÃO SE HOUVER PEDIDO EXPRESSO E FORMAL DA VÍTIMA OU DO
MINISTÉRIO PÚBLICO, SOB PENA DE ULTRAJE AO CONTRADITÓRIO. PRECEDENTES DO STJ. (TJPE, Apelação Criminal nº 0435215-8,
4ª Câmara Criminal, julgado em 17.01.2017.).

2 PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRAVENÇÃO PENAL. ARTIGO 65 DA LCP. "MOLESTAR ALGUÉM OU
PERTURBAR-LHE A TRANQUILIDADE, POR ACINTE OU POR MOTIVO REPROVÁVEL". ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO JULGADO. PONTO
QUE NÃO FOI OBJETO DE INSURGÊNCIA NO APELO DO RÉU, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM OMISSÃO DESTA CÂMARA QUANTO À
APRECIAÇÃO DO TEMA. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 619
DO CPP. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. PROPÓSITO DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA QUE NÃO INDUZ AO ACOLHIMENTO
DOS ACLARATÓRIOS SE NÃO RESTAREM PRESENTES OS REQUISITOS DO ART. 619 DO CPP. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
REJEITADOS. DECISÃO UNÂNIME. (TJPE, EMBARGOS DE DECLRAÇÃO NO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO nº 0435215-8, 4ª CÂMARA
CRIMINAL, julgado em 12/07/2018).
3Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde
que: I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente,
bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício; III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art.
44 deste Código.
4 Súmula 211, do STJ- Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada
pelo Tribunal a quo.
5 "O requisito do prequestionamento pressupõe prévio debate da questão pelo Tribunal de origem, à luz da legislação federal indicada, com
emissão de juízo de valor acerca do dispositivo legal apontado como violado, o que não ocorreu neste caso. Incidência da Súmula n. 211 do
STJ". [...] (AgRg no AREsp 540.734/GO, 6ª TURMA, julgado em 28/11/2017)
6 Súmula 284 STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da
controvérsia.

19
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

004. 0018767-48.2014.8.17.0810 Embargos de Declaração na Apelação


(0451287-4)
Protocolo : 2018/209604
Comarca : Jaboatão dos Guararapes
Vara : 3ª Vara Criminal
Apelante : M. P. E. P.
Apelado : B. R. S. e outros e outros
Advog : LUIZ HENRIQUE DE OLIVEIRA(PE035384)
Embargante : B. R. S.
Embargante : I. M. L. S.
Embargante : J. N. L. S. J.
Advog : LUIZ HENRIQUE DE OLIVEIRA(PE035384)
Embargado : M. P. E. P.
Órgão Julgador : 4ª Câmara Criminal
Relator : Des. Alexandre Guedes Alcoforado Assunção
Relator Convocado : Des. Fausto de Castro Campos
Proc. Orig. : 0018767-48.2014.8.17.0810 (451287-4)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 09/01/2019 14:13 Local: CARTRIS

DESPACHO

De início, cumpre mencionar que o Superior Tribunal de Justiça, em decisão da Corte Especial, adotou o entendimento de se aplicar o art. 798
do CPP1, em detrimento do art. 219 do CPC2, para regulação dos prazos processuais penais, em razão do critério de especialidade3.
Compulsando os autos, vejo que a decisão vergastada foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico, nº 215/2018, de 26.11.2018, segunda-feira,
(fl. 325).
Ocorre que o Recorrente, apenas em 06.12.2018, quinta-feira, opôs Embargos de Declaração, quando o prazo recursal já se encontrava expirado.
Nesta toada, faz-se necessária a observância ao dever de cooperação e aos princípios do contraditório e da não surpresa4, com arrimo nos
artigos 9º, caput, 10 e 933, caput, todos do CPC.
Ante o exposto, DETERMINO A INTIMAÇÃO do Recorrente para que se manifeste, no prazo de 05 (cinco) dias, sobre a possível intempestividade
dos Embargos de Declaração.
Após, retornem-me conclusos os autos para a apreciação.
Ao CARTRIS para adoção das medidas cabíveis.
Publique-se.
Recife, 02 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.
2 Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias úteis.
3 STJ. AgRg no Inq 1.105/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, julgado em 29/03/2017.
4 Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade
de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
Art. 933. Se o relator constatar a ocorrência de fato superveniente à decisão recorrida ou a existência de questão apreciável de ofício ainda não
examinada que devam ser considerados no julgamento do recurso, intimará as partes para que se manifestem no prazo de 5 (cinco) dias. (...)

005. 0004955-36.2017.8.17.0000 Embargos de Declaração no Recurso em Sentido Estri


(0490077-6)
Protocolo : 2018/204309
Comarca : Serra Talhada
Vara : Vara Criminal
Reqte. : JOSÉ CÍCERO PEREIRA PITTA
Advog : Alison Medeiros Costa(PE044236)
Advog : Klenaldo Silva Oliveira(AL008498)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Reqdo. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Embargante : JOSÉ CÍCERO PEREIRA PITTA
Advog : Klenaldo Silva Oliveira(AL008498)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III

20
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO


Órgão Julgador : 4ª Câmara Criminal
Relator : Des. Carlos Frederico Gonçalves de Moraes
Proc. Orig. : 0004955-36.2017.8.17.0000 (490077-6)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 09/01/2019 14:13 Local: CARTRIS

DECISÃO

Cuida-se de Recurso Especial fundado no artigo 105, inciso III, alíneas "a", da Constituição Federal, contra acórdão (fl. 387) proferido em sede
Recurso em Sentido Estrito integrado pelos Embargos de Declaração.
O Recorrente foi pronunciado pela prática da conduta descrita no artigo 121, §2º, I do CP (homicídio qualificado pelo motivo torpe).
Inconformado com a reportada decisão, interpôs o Recurso em Sentido Estrito pugnando, em preliminar, pelo reconhecimento da nulidade da
citação por Edital e, no mérito, requer a sua absolvição sumária nos moldes do art. 415, II, do CP.
O órgão julgador (4ª Câmara Criminal) rejeitou a preliminar suscitada e negou provimento ao recurso1.
Ainda inconformado, opôs os Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados2.
Desta feita, interpôs o Recurso Extremo apontando violações ao artigo 564, III, "e", do CPP3.
O propósito recursal é restrito ao reconhecimento da nulidade levantada.
O recurso é tempestivo.
O Recorrente atua em causa própria, possuindo, portanto, o jus postulandi, dispensada a representação processual.
O Recorrido apresentou suas contrarrazões às fls. 505/523, almejando, em suma, a manutenção do aresto questionado.
Eis o relatório, passemos à admissibilidade recursal.
1. Da aplicação da Súmula nº 284/STF4.
Deve o Recorrente demonstrar a efetiva violação à lei federal para o Apelo Nobre ter cabimento pela alínea "a", do permissivo constitucional.
No entanto, não conseguiu expor, de forma particularizada, como o dispositivo apontado foi violado, porquanto apenas se limitou a criticar o
acórdão vergastado de forma genérica.
Além disso, verifico que o artigo foi indicado com a única finalidade de acesso à instância superior.
Assim, incorreu na censura do Enunciado nº 284 do STF, o qual, por analogia, também se aplica em sede de Recurso Especial.
Desta feita, o Nobre Apelo não merece seguimento por deficiência na fundamentação.
2. Da Aplicação da Súmula nº 835 do STJ.
O Recorrente almeja o reconhecimento da nulidade ante o possível defeito na citação realizada por via editalícia.
Todavia, tal pretensão já foi rebatida pelo órgão julgador, conforme se observa a seguir:
......
Não há nulidade decorrente da ausência de diligências para localizar o réu quando inexistem nos autos quaisquer informações acerca do endereço
em que pode ser encontrado, rejeitando-se a preliminar de nulidade da citação por edital. Precedentes do STJ. (trecho extraído do acórdão de
fl. 387).
.....
Além disso, ressalto do voto condutor os seguintes excertos:
......
Consta dos autos que, antes da citação do réu por edital, foram procedidas diligências para a sua localização, conforme atesta a certidão do
oficial de justiça de fl. 97v, (...)
Ademais, sabe-se que a declaração de nulidade dos atos processuais depende de comprovação de prejuízo para a parte, o que não ocorreu nos
autos, porquanto o réu foi devidamente representado pela Defensoria Pública (...)
Também se pode observar que o argumento da nulidade de citação por edital não foi defendido nas alegações finais (fls. 190/192), culminando
na preclusão do direito de aduzir essa tese, conforme art. 571, I, do CPP. (voto do relator de fls. 388/389.v).
.......
Outrossim, observo que a 4ª Câmara Criminal se perfilhou ao entendendo da Corte da Cidadania. Vejamos:
......
PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO.
CITAÇÃO POR EDITAL. DILIGÊNCIA NO ENDEREÇO INDICADO COMO SUA RESIDÊNCIA. ALEGADA AUSÊNCIA DE CITAÇÃO VÁLIDA.
NÃO DEMONSTRAÇÃO DO SUPOSTO PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Diante da comprovação pelo Tribunal a quo de que restaram infrutíferas as diligências realizadas no sentido de localização e citação do réu,
promovendo a citação por edital, incabível o reconhecimento da nulidade invocada. (...) (AgRg no AREsp 1073414/MG, Rel. Ministro JOEL ILAN
PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 01/12/2017)
......

21
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. NULIDADE DA CITAÇÃO
EDITALÍCIA. NÃO OCORRÊNCIA. ESGOTAMENTO DOS RECURSOS EXISTENTES PARA LOCALIZAÇÃO DO AGRAVANTE. AUSÊNCIA DE
DILIGÊNCIA EM ENDEREÇO NO QUAL O RÉU NÃO FOI ENCONTRADO DURANTE A FASE DE INQUÉRITO. PREJUÍZO NÃO VERIFICADO.
AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. (...) 3. Não comprovado o efetivo prejuízo para o agravante, não há como invalidar o ato processual,
visto que, a teor do art. 563 do CPP, nenhum ato será declarado nulo se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa.
(AgRg no RHC 60.439/PR, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 09/10/2017)
.......
Desse modo, a irresignação do Recorrente deve ser obstada em face do que preconiza a Súmula 83 do C. STJ6.
À vista do exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.
Publique-se.
Recife, 02 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1EMENTA: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - PRELIMINAR DE NULIDADE DA CITAÇÃO EDITALÍCIA - REJEITADA - MÉRITO - PRONÚNCIA
- EXISTÊNCIA DE INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA - RECURSO NÃO PROVIDO. (TJPE, RECURSO EM SENTIDO ESTRITO nº
0490077-6, 4ª CÂMARA CRIMINAL , julgado em 30/05/2018).

2 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS - CONTRADIÇÃO E OMISSÃO - INOCORRÊNCIA - REDISCUSSÃO DA MATÉRIA


INCABÍVEL PELA VIA DOS ACLARATÓRIOS - PREQUESTIONAMENTO - EMBARGOS REJEITADOS. (TJPE, EMBARGOS DE DECLRAÇÃO
NO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO nº 0490077-6, 4ª CÂMARA CRIMINAL, julgado em 14/08/2018).

3 Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos: (...) III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes: (...) e) a citação do réu para ver-se
processar, o seu interrogatório, quando presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa;
4 Súmula 284 STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da
controvérsia.

5 Súmula 83 do STJ - "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da
decisão recorrida".
6 Súmula 83 do STJ - "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da
decisão recorrida".

CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00483 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 001 0150221-32.2009.8.17.0001(0363293-1)


CLAUDENOR LOPES DA SILVA(PE025588D) 002 0003260-81.2016.8.17.0000(0429713-2)
Clarissa Freitas Rodrigues de Lima(PE023915) 001 0150221-32.2009.8.17.0001(0363293-1)
Frederico Guilherme R. d. Lima(PE018280) 001 0150221-32.2009.8.17.0001(0363293-1)
HENRIQUE JOSÉ PEREIRA DE 001 0150221-32.2009.8.17.0001(0363293-1)
OLIVEIRA(PE027109)
Manoel Flávio Veloso(PE023332) 001 0150221-32.2009.8.17.0001(0363293-1)
RAFAEL SGANZERLA DURAND(PE001301A) 002 0003260-81.2016.8.17.0000(0429713-2)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0003260-81.2016.8.17.0000(0429713-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0150221-32.2009.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0363293-1)

22
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Protocolo : 2017/109303
Comarca : Recife
Vara : Décima Vara Cível da Capital - SEÇÃO B
Apelante : H.J. PEREIRA DE OLIVEIRA - ME e outro e outro
Advog : Frederico Guilherme Rodrigues de Lima(PE018280)
Advog : Clarissa Freitas Rodrigues de Lima(PE023915)
Advog : HENRIQUE JOSÉ PEREIRA DE OLIVEIRA(PE027109)
Apelado : MENDES SANTOS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
Advog : Manoel Flávio Veloso(PE023332)
Embargante : H.J. PEREIRA DE OLIVEIRA - ME
Embargante : PRODUTOS RICK LTDA. EPP
Advog : Frederico Guilherme Rodrigues de Lima(PE018280)
Advog : Clarissa Freitas Rodrigues de Lima(PE023915)
Advog : HENRIQUE JOSÉ PEREIRA DE OLIVEIRA(PE027109)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : MENDES SANTOS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
Advog : Manoel Flávio Veloso(PE023332)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara Cível
Relator : Des. Francisco Manoel Tenorio dos Santos
Proc. Orig. : 0150221-32.2009.8.17.0001 (363293-1)
Despacho : Outros
Última Devolução : 20/12/2018 16:10 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal contra acórdão proferido
em sede de embargos de declaração, estes, por sua vez, opostos em face de apelação.
Acrescento que a sentença apelada julgou improcedente a ação renovatória de locação ante a falta de preenchimento dos requisitos legais.
As Recorrentes, locatários dos imóveis objeto da demanda, alegam que a decisão violou o artigo 2º, da Lei 8.666/931, uma vez que "a dona dos
imóveis alugados, AD DIPER, é empresa de capital misto [...] logo, a locação dos galpões dependiam de licitação prévia".
Pugnam, destarte, pelo provimento recursal para reformar o aresto combatido.
Preparo comprovado às fls. 1.192/1.194, após o indeferimento da assistência judiciária gratuita e respectiva intimação para pagamento.
Apesar de devidamente intimada, a Recorrida deixou de apresentar contrarrazões no prazo legal, conforme certidão de fls. 1.093.
Inicialmente, cumpre registrar que, publicado o acórdão recorrido em 29/09/2017 (fls. 1.077), deve o exame de admissibilidade deste especial
se orientar pelo que dispõe o Enunciado Administrativo nº 3 do STJ, segundo o qual, "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015
(relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC".
Com efeito, é pacífico no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que "a configuração do prequestionamento pressupõe debate e decisão
prévios pelo colegiado, ou seja, emissão de juízo sobre o tema. Se o Tribunal de origem não adotou entendimento explícito a respeito do fato
jurígeno veiculado nas razões recursais, inviabilizada fica a análise sobre a violação dos preceitos evocados pela recorrente." (STJ, 2ª T., AgInt
AREsp 916.197/RS, DJe 25/09/2017).
In casu, conforme se depreende da leitura do acórdão fustigado, o dispositivo legal apontado como violado pelas Recorrentes não foi objeto de
debate e/ou deliberação pelo órgão colegiado deste Tribunal.
Para manter a conclusão da sentença acerca do desatendimento aos requisitos da Lei 8.245/91 para a procedência da ação renovatória e, ainda,
rechaçar a alegação de falta de comprovação da titularidade do imóvel pelo Locador, a 4ª Câmara Cível utilizou os seguintes fundamentos (fl.
1.030):
.........
Ressalte-se, ainda, que o contrato de locação pode ser feito com o imóvel de propriedade registrada ou de posse, sendo certo que basta que o
locador tenha um dos dois institutos, cabendo ao locatário aceitar ou não a locação, escolha essa que não foi realizada pelas demandantes.
.........
Em outras palavras, a questão referente à eventual irregularidade do contrato de locação por força da ausência de licitação prévia não foi abordada
pelo órgão fracionário.
Logo, não prequestionado o dispositivo federal mencionado, incide o óbice contido da Súmula 211 do STJ, segundo o qual "inadmissível recurso
especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo".
Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.
Publique-se. Intimem-se.
Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício

23
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1 Art. 2º. As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando
contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação, ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública
e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a
denominação utilizada.
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002. 0003260-81.2016.8.17.0000 Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento


(0429713-2)
Protocolo : 2017/114373
Comarca : Carpina
Vara : Segunda Vara Cível da Comarca de Carpina
Agravte : BANCO DO BRASIL S/A
Advog : RAFAEL SGANZERLA DURAND(PE001301A)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravdo : EDMILSON C. ROSA e outro e outro
Advog : CLAUDENOR LOPES DA SILVA(PE025588D)
Embargante : BANCO DO BRASIL S/A
Advog : RAFAEL SGANZERLA DURAND(PE001301A)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : EDMILSON C. ROSA
Embargado : MARIO B. E SILVA
Advog : CLAUDENOR LOPES DA SILVA(PE025588D)
Órgão Julgador : 2ª Câmara Cível
Relator : Des. Stênio José de Sousa Neiva Coêlho
Proc. Orig. : 0003260-81.2016.8.17.0000 (429713-2)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 20/11/2018 16:10 Local: CARTRIS

DESPACHO

Em março de 2018, a Segunda Seção do C. Superior Tribunal de Justiça havia ordenado a suspensão dos processos relativos aos expurgos
inflacionários.
Isto se deu até o início do funcionamento da plataforma eletrônica de adesão dos poupadores, referente ao acordo estabelecido entre entidades
de defesa do consumidor e representantes dos bancos, no E. Supremo Tribunal Federal.
Nesse contexto, a presidência do C. STJ estava determinando a devolução dos autos no intuito de aguardar o prazo de 24 meses para eventual
adesão ao ajuste firmado na ADPF 165, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski.
Todavia, em deliberação ocorrida em 22 de agosto passado, a própria Segunda Seção destacou a inaplicabilidade do sobrestamento às ações
em fase de cumprimento de sentença cujo exequente tenha manifestado desinteresse na adesão ao acordo.
Nesse diapasão, foi expedido o Ofício 1.098/2018-CD2S-STJ contendo a instrução de que os recursos "cuja discussão na origem esteja
circunscrita à fase de execução de sentença que porventura chegarem ao STJ sem a manifestação expressa da parte pela não adesão ao acordo
homologado perante o Supremo Tribunal Federal serão devolvidos à origem".
Deste modo, INTIMEM-SE os Recorridos para, no prazo de 15 (quinze) dias úteis, manifestarem expressamente a falta de interesse em
aderir ao acordo firmado na ADPF 165, por meio da plataforma digital https://portalacordo.pagamentodapoupanca.com.br, para possibilitar o
prosseguimento do processo.
Registro que o transcurso do referido prazo sem manifestação ensejará a suspensão do feito, nos moldes previstos na ADPF 165.
Cumpra-se.
Recife, 16 de novembro de 2018.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

24
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00489 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 001 0004084-40.2016.8.17.0000(0432334-6)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Cláudia Virginia Carvalho P. d. Melo(PE020670) 001 0004084-40.2016.8.17.0000(0432334-6)
Cláudio Pinto Cezário Calado(PE016284) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Danielle Torres Silva(PE018393) 001 0004084-40.2016.8.17.0000(0432334-6)
Grinaldo Gadelha Júnior(PE016715) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Katia Gislaine Bastos(PE025809) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Liliane Christine P. H. d. Carvalho(PE021571) 001 0004084-40.2016.8.17.0000(0432334-6)
Manoel Antônio Bruno Neto(PE000676A) 001 0004084-40.2016.8.17.0000(0432334-6)
Marco Polo Silva De Campos(PE003508) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Milton José de Almeida Alcântara(PE018523) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Misael de Albuquerque M. Filho(PE014026) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)
Polyana Tavares de Campos(PE016515) 002 0002165-38.2001.8.17.0001(0476848-3)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta


diretoria os seguintes feitos:

001. 0004084-40.2016.8.17.0000 Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento


(0432334-6)
Protocolo : 2018/201964
Comarca : Paulista
Vara : 1ª Vara Cível
Agravte : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS
Advog : Cláudia Virginia Carvalho Pereira de Melo(PE020670)
Agravdo : REGINA CELI ASSIS DE ALMEIDA e outros e outros
Advog : Manoel Antônio Bruno Neto(PE000676A)
Advog : Danielle Torres Silva(PE018393)
Agravdo : CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CAIXA
Advog : Liliane Christine Paiva Henriques de Carvalho(PE021571)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : SUL AMERICA COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS
Advog : Cláudia Virginia Carvalho Pereira de Melo(PE020670)
Embargado : REGINA CELI ASSIS DE ALMEIDA
Embargado : Adeilda Tenório Cardoso
Embargado : Arnaldo Pedro da Silva Júnior
Embargado : Maria das Graças Gama
Embargado : Ubiracema Filgueira Silva Lima
Embargado : Maria José Gomes da Silva
Embargado : Ivanilda Rodrigues da Silva
Embargado : Maria de Fatima da Silva
Embargado : Eleonora Gomes Barros de Melo
Embargado : Lindomar Lopes da Silva
Embargado : Diomedes José da Silva
Advog : Manoel Antônio Bruno Neto(PE000676A)
Advog : Danielle Torres Silva(PE018393)
Embargante : CAIXA ECONOMICA FEDERAL
Advog : Liliane Christine Paiva Henriques de Carvalho(PE021571)
Órgão Julgador : 2ª Câmara Cível
Relator : Des. Stênio José de Sousa Neiva Coêlho
Proc. Orig. : 0004084-40.2016.8.17.0000 (432334-6)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 29/11/2018 16:50 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto pela Sul América Companhia Nacional de Seguros com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da
CF/88 contra acórdão proferido em Agravo de Instrumento (fl. 614), integrado por decisão em Embargos de Declaração (fl. 650), o qual NÃO
CONHECEU da matéria relativa à impossibilidade da inversão do ônus da prova e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao recurso da Seguradora
ratificando a competência da Justiça Estadual.

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Em suas razões recursais (fls. 658/677), a Recorrente alega a ocorrência de violação aos artigos 1º, 1º-A e parágrafos da Lei 12.409/2011, 3º e 5º
da Lei 13.000/2014, os quais, segundo ela, garantem a legitimidade da CEF em participar das lides securitárias, em contratos firmados mediante
apólice pública (ramo 66), independente de demonstração do comprometimento do FCVS.
Ainda que fosse exigida a supracitada demonstração de prejuízo ao FCVS, defende ter observado tal requisito, diante da indicação de déficit do
aludido Fundo em mais de R$ 88.000.000.000,00 (oitenta e oito bilhões de reais).
Sustenta que a referida norma não foi analisada quando do julgamento do Recurso Repetitivo que trata da matéria (REsp 1.091.363/SC),
afastando-se, por conseguinte, a respectiva afetação do tema, existindo inclusive julgados daquela Corte com entendimento diverso do ali
esposado.
Defende competir à Justiça Federal a análise da necessidade de intervenção da aludida empresa pública no feito, conforme o disposto no art.
109, I da CF/88 e na Súmula 150 do STJ, bem como que a inaplicabilidade dos supracitados dispositivos legais viola o disposto nos artigos 45
e 124, do CPC/15.
Ademais, assinala que o acórdão recorrido violou o previsto no artigo 458 do CC e na Lei 8.078/1990 quanto à inaplicabilidade do CDC aos
contratos com cobertura pelo FCVS e ao artigo 6º, VIII, do CDC, dada a ausência dos requisitos para a inversão do ônus da prova no caso em tela.
Por fim, alega a ocorrência de dissídio jurisprudencial acerca da competência da Justiça Federal para apreciar a lide e da inaplicabilidade do
CDC e inversão do ônus da prova.

Recurso bem processado, com preparo satisfeito (fls. 679/683), e com contrarrazões apenas dos segurados pugnando, em síntese, pelo não
provimento do recurso (fls. 773/802 e certidão de fls. 803).
Inviável, contudo, o seguimento do apelo excepcional. Vejamos.
Inicialmente, verifico que as normas cuja aplicação fora reivindicada em relação à (i) inaplicabilidade do CDC aos contratos com cobertura pelo
FCVS (artigo 458 do CC e Lei 8.078/1990) e (ii) ausência dos requisitos para a inversão do ônus da prova (artigo 6º, VIII, do CDC), sequer foram
objeto de prequestionamento, encontrando óbice no disposto na Súmula 211/STJ1.
Isso porque, a decisão recorrida não conheceu das matérias supracitadas - por configurarem inovação recursal -, restringindo-se a decidir acerca
da competência da Justiça Estadual. Sobre a questão, também, é imperioso ressaltar a inexistência de prequestionamento ficto, pois embora a
Recorrente tenha oposto Embargos de Declaração com tal intuito, ela deixou de suscitar violação ao artigo 1.022 do CPC/15.
Corroborando tal entendimento, cito o seguinte precedente do STJ:
................
CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INVENTÁRIO. - LIQUIDAÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA. PARTICIPAÇÃO
NOS LUCROS PROPORCIONAIS ÀS COTAS INVENTARIADAS - HERDEIROS SÓCIOS EM CONDOMÍNIO - CABIMENTO - PRESCRIÇÃO
DO DIREITO - NÃO OCORRÊNCIA. 01. Inviável o recurso especial na parte em que a insurgência recursal não estiver calcada em violação a
dispositivo de lei, ou em dissídio jurisprudencial. 02. Avaliar o alcance da quitação dada pelos recorridos e o que se apurou a título de patrimônio
líquido da empresa, são matérias insuscetíveis de apreciação na via estreita do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 03. Inviável a
análise de violação de dispositivos de lei não prequestionados na origem, apesar da interposição de embargos de declaração. 04. A admissão
de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do
CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar
ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei. 05. O pedido de abertura de inventário interrompe o curso do prazo prescricional
para todas as pendengas entre meeiro, herdeiros e/ou legatários que exijam a definição de titularidade sobre parte do patrimônio inventariado.
06. Recurso especial não provido.
(REsp 1639314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 10/04/2017).
.......................

Quanto à suposta contrariedade aos artigos 1º, 1º-A, e seus parágrafos, da Lei 12.409/2011, 3º e 5º da Lei 13.000/2014, 45 e 124 do CPC e
ao dissídio jurisprudencial, alusivos à competência da Justiça Federal/interesse da CEF no feito, verifico que o C. STJ já tratou da matéria, em
sede de recurso repetitivo, quando do julgamento dos EDcl nos EDcl no REsp 1.091.363/SC - Relatora Min. Isabel Gallotti, com voto vencedor
da Min. Nancy Andrighi (DJe 14.12.2012).
Tal julgado deu ensejo aos Temas 50 e 51 daquela Corte, os quais, conforme atualização datada de 18.08.2016, possuem a seguinte redação:

........................
"Fica, pois, consolidado o entendimento de que, nas ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do SFH, a CEF detém interesse
jurídico para ingressar na lide como assistente simples somente nos contratos celebrados de 02.12.1988 a 29.12.2009 - período compreendido
entre as edições da Lei nº 7.682/88 e da MP nº 478/09 - e nas hipóteses em que o instrumento estiver vinculado ao FCVS (apólices públicas,
ramo 66). Ainda que compreendido no mencionado lapso temporal, ausente a vinculação do contrato ao FCVS (apólices privadas, ramo 68),
a CEF carece de interesse jurídico a justificar sua intervenção na lide. Ademais, o ingresso da CEF na lide somente será possível a partir do
momento em que a instituição financeira provar documentalmente o seu interesse jurídico, mediante demonstração não apenas da existência
de apólice pública, mas também do comprometimento do FCVS, com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do FESA, colhendo o
processo no estado em que este se encontrar no instante em que houver a efetiva comprovação desse interesse, sem anulação de nenhum ato
anterior. Outrossim, evidenciada desídia ou conveniência na demonstração tardia do seu interesse jurídico de intervir na lide como assistente,
não poderá a CEF se beneficiar da faculdade prevista no art. 55, I, do CPC. (Informação atualizada em 18/08/2016 com transcrição do trecho
do voto vencedor proferido pela Min. Nancy Andrighi no julgamento dos segundos embargos declaratórios em que Sua Excelência estabelece a
tese jurídica repetitiva - página 10 - REsp 1091363/SC - DJe de 14/12/2012)."
....................

Na presente hipótese, quando do julgamento do Agravo de Instrumento pela 2ª Câmara Cível, restou assentado a inexistência de comprovação
do comprometimento do FCVS, com risco de exaurimento da reserva técnica do FESA, o que afasta, sumariamente, eventual interesse da

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CEF na lide e a consequente remessa dos autos à Justiça Federal. O julgado impugnado está em consonância com a orientação da Corte
Infraconstitucional, acima explicitada.
Veja-se trecho da supracitada decisão:

............
Determinada a intimação da Caixa Econômica Federal, esta se manifestou nos autos, porém não logrou êxito em comprovar, documentalmente,
o comprometimento do FCVS, com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do Fundo de Equalização de Sinistralidade da Apólice -
FESA. (fl. 615).
..............

Noutro giro, e ainda conforme jurisprudência do C. STJ, destaco que conversão da MP 633/2013 na Lei 13.000/2014, com a consequente alteração
da Lei 12.409/2011, não afasta a necessidade de observância dos requisitos elencados no citado Repetitivo para fins de intervenção da CEF nas
lides securitárias, quais sejam, i) tratar-se de apólice pública e ii) prova documental de comprometimento do FCVS, com risco de exaurimento
da reserva técnica do FESA.
Nesse sentido, colha-se o seguinte precedente:

..................
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRINCÍPIOS DA
FUNGIBILIDADE, CELERIDADE E ECONOMIA PROCESSUAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. FCVS. CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL. LITISCONSÓRCIO. INEXISTÊNCIA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. MEDIDA PROVISÓRIA 633/13. NECESSIDADE DE
DEMONSTRAÇÃO DE COMPROMETIMENTO DO FCVS. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao
julgar os recursos sujeitos aos efeitos do artigo 543-C do CPC (repetitivos), REsp 1.091.363/SC, DJe de 25/05/2009, consolidou o entendimento
no sentido de não existir interesse da Caixa Econômica Federal a justificar a formação de litisconsórcio passivo necessário nas causas cujo objeto
seja a pretensão resistida à cobertura securitária dos danos oriundos dos vícios de construção do imóvel financiado mediante contrato de mútuo
submetido ao Sistema Financeiro da Habitação, quando não afetar o FCVS (Fundo de Compensação de Variações Salariais), sendo, portanto,
da Justiça Estadual a competência para processar e julgar o feito. 2. A alteração introduzida pela Medida Provisória 633 de 2013, convertida
na Lei 13.000 de 2014, tem por objetivo autorizar a Caixa Econômica Federal (CEF) a representar judicial e extrajudicialmente os interesses do
FCVS, sendo que a CEF intervirá, em face do interesse jurídico, nas ações judiciais que representem risco ao FCVS ou às suas subcontas. Se
não há prova de risco ou impacto jurídico ou econômico ao FCVS, a inovação legislativa não traz nenhuma repercussão prática. 3. Embargos de
declaração recebidos com agravo regimental ao qual se nega provimento. (Quarta Turma, EDcl no AREsp 606.445/SC, Rel. Ministro Luis Felipe
Salomão, j. 18.12.2014, DJe 02.02.2015) (g.n).
....................

Neste ponto, ressalto que embora tenha sido instaurada a Controvérsia nº 02, no C. STJ (Relator Min. Marco Aurélio Bellizze), para fins de
discutir se a edição da Lei 13.000/2014 assegura por si só a intervenção da CEF como representante judicial do FCVS, nas hipóteses de apólices
públicas, tal incidente, neste momento processual, não possui o condão de reverter o entendimento já consolidado naquela Corte.
Isto porque, além de se encontrar em fase incipiente de tramitação, determinou-se tão somente a suspensão dos processos oriundos do TRF
da 4ª Região, de onde advieram os recursos afetados na citada controvérsia, de modo que, a princípio, os demais Estados devem adotar os
posicionamentos outrora definidos.
Outrossim, conquanto o E. STF tenha reconhecido a repercussão geral da matéria ora em análise (Tema 1.0112), não determinou o sobrestamento
geral dos processos que versem sobre a mesma controvérsia, nos moldes do art. 1.035, §5º do CPC3 (RE 827.996/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes,
j. em 05.10.2018).
Neste ponto, observo que no julgamento da Questão de Ordem suscitada pelo MM Min. Luiz Fux no ARE 966.177, a Suprema Corte manifestou-
se no sentido de que a suspensão do processamento prevista no dispositivo supracitado não consiste em consequência automática e necessária
do reconhecimento da repercussão geral, sendo da discricionariedade do relator do recurso extraordinário paradigma determiná-la.
Ressalto, ademais, ter conhecimento de decisões monocráticas proferidas no âmbito do C. STJ, sobrestando os feitos que ali tramitam até o
julgamento do mérito da citada Repercussão Geral (sobre o tema vide REsp 1.768.911/SP, REsp 1.761.016/SP, REsp 1.765.930/SP) por razões
de economia processual.
Entretanto, nada obstante a relevância de tais pronunciamentos, o entendimento ali esposado não deve ser replicado nesta 1ª VP, sendo medida
de cautela aguardar-se o posicionamento colegiado daquele egrégio Tribunal Superior acerca do tema, ou até comunicação oficial do e. TJPE
em processos daqui oriundos, a fim de evitar maiores prejuízos aos jurisdicionados, decorrentes da paralisação do feito, tudo em conformidade
com o princípio da segurança jurídica.
A propósito, em sessão realizada em 22.10.2018, o Órgão Especial deste Tribunal de Justiça rejeitou proposição do Em. Des. José Fernandes de
Lemos, para "suspender todos os processos em que há interesse da Caixa Econômica Federal nas lides que versam sobre a cobertura securitária
de imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação.4".
Não há qualquer indicação de que os Temas 50 e 51 foram revogados, ou sua aplicação esteja suspensa em todo o território nacional, o que
denota a possibilidade de sua plena incidência na hipótese em apreço, independente, inclusive, do seu respectivo trânsito em julgado (sobre o
tema vide AgInt no REsp 1.536.711/MT - DJe 22.08.2017).
As teses firmadas pelo C. STJ prevalecem, no meu sentir, sobre eventuais precedentes em sentido contrário proferidos por aquela Corte, salvo
se a matéria então uniformizada for objeto de revisão, através dos instrumentos processuais adequados.
Assim, como a decisão recorrida coincide com o disposto no citado Recurso Repetitivo, uma vez inobservados os requisitos ali consignados,
como visto alhures, o Recurso Especial deve, neste ponto, ter seu seguimento negado, nos termos do art. 1.030, I, 'b', do CPC.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lado outro, não há como admitir o seguimento da insurgência com base na suposta desobediência ao art. 109, I da CF. Na via especial, cabe
ao Superior Tribunal de Justiça uniformizar a interpretação das leis federais infraconstitucionais, conforme prevê o art. 105, III da Carta Magna,
sendo defeso analisar violações a normas constitucionais.
Ademais, vale registrar a impossibilidade de interpor Recurso Especial por afronta a verbete sumular, sendo inadequada a assertiva de violação
à Súmula nº 150 do STJ para fundamentar a presente insurgência.
Por fim, quanto à arguição de divergência jurisprudencial, entendo não ter sido realizado o necessário cotejo analítico, nos moldes do art. 1.029,
§1º, do CPC c/c o art. 255, §1º, do RISTJ5.
Ora, conforme dispõe o C. STJ6, para observância do indigitado cotejo, além da apresentação de julgado com entendimento diverso do acórdão
recorrido, resta imprescindível a comprovação da similitude fático-jurídica entre as decisões, não sendo suficiente a mera transcrição da ementa
ou a breve menção tão somente à matéria objeto da divergência.
No caso sob exame, não foi demonstrada, de forma pormenorizada, a similitude fático-jurídica dos casos, corroborando a deficiência das razões
ventiladas pela Recorrente.
Assim, diante do exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.
Publique-se.
Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício

1 Súmula 211/STJ - Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada
pelo Tribunal a quo.
2 Controvérsia relativa à existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para ingressar como parte ou terceira interessada nas
ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação e, consequentemente, a competência da Justiça
Federal para o processamento e o julgamento das ações dessa natureza.
3 Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele
versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo.
§ 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos
pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional.
4 Ofício nº 041/2018 - GDJFL, da lavra do Exmo. Des. José Fernandes de Lemos, datado de 08 de outubro de 2018. Assunto: Proposição
no sentido de: "Suspender todos os processos que discutem a intervenção da Caixa Econômica Federal nas lides que versam sobre a
cobertura securitária de imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação. Decisão: "POR MAIORIA DE VOTOS, FOI REJEITADA A
PROPOSIÇÃO DO EXMO. DES. JOSÉ FERNANDES DE LEMOS, NO SENTIDO DE SUSPENDER OS PROCESSOS EM QUE HÁ INTERESSE
DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. VENCIDO O EXMO. DES. JOSÉ FERNANDES DE LEMOS. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS
EXMOS. DESEMBARGADORES EUDES FRANÇA (SUBST. O EXMO. DES. ANDRÉ GUIMARAES), EVANDRO MAGALHÃES, ANTÔNIO
DE MELO E LIMA, ALBERTO VIRGÍNIO (SUBST. O EXMO. DES. CÂNDIDO SARAIVA), FERNANDO CERQUEIRA E ADALBERTO MELO
(PRESIDENTE)".
5 Art. 255. O recurso especial será interposto na forma e no prazo estabelecido na legislação processual vigente e recebido no efeito devolutivo,
salvo quando interposto do julgamento de mérito do incidente de resolução de demandas repetitivas, hipótese em que terá efeito suspensivo.
(Redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016)
§ 1º Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório
de jurisprudência, ofi cial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão divergente, ou ainda com a
reprodução de julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias
que identifi quem ou assemelhem os casos confrontados.
6 REsp 1685611/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIM, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/09/2017, DJe 09/10/2017
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002. 0002165-38.2001.8.17.0001 Agravo nos Embargos de Declaração na Apelação


(0476848-3)
Protocolo : 2018/201256
Comarca : Recife
Vara : Vigésima Terceira Vara Cível da Capital - SEÇÃO B
Embargante : Marco Polo Silva de Campos e outro e outro

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advog : Marco Polo Silva De Campos(PE003508)


Advog : Polyana Tavares de Campos(PE016515)
Embargado : Nair Tereza de Souza e outros e outros
Advog : Milton José de Almeida Alcântara(PE018523)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Interes. : MASSA FALIDA DA CASA FUNERÁRIA BAPTISTA LTDA
Advog : Grinaldo Gadelha Júnior(PE016715)
Interes. : CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL E TABELIONATO DO 5º DISTRITO DE
SANTO AMARO
Advog : Cláudio Pinto Cezário Calado(PE016284)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Interes. : 3º OFÍCIO DE NOTAS DA CAPITAL (ANTIGO CARTÓRIO IVO SALGADO)
Advog : Misael de Albuquerque Montenegro Filho(PE014026)
Interes. : ROYAL & SUN ALLIANCE COMPANHIA DE SEGUROS, NOVA
DENOMINAÇÃO SOCIAL DA GENERAL ACCIDENT COMPANHIA
SEGURADORA
Advog : Katia Gislaine Bastos(PE025809)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Agravte : Marco Polo Silva de Campos
Agravte : TATIANE TAVARES DE CAMPOS
Advog : Marco Polo Silva De Campos(PE003508)
Advog : Polyana Tavares de Campos(PE016515)
Agravdo : Nair Tereza de Souza
Agravdo : Danielle Tereza de Souza Santos
Agravdo : WAGNER HENRIQUE DE SOUZA
Agravdo : Luciclere Teresa de Souza
Advog : Milton José de Almeida Alcântara(PE018523)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Interes. : MASSA FALIDA DA CASA FUNERÁRIA BAPTISTA LTDA
Advog : Grinaldo Gadelha Júnior(PE016715)
Interes. : CARTÓRIO DO REGISTRO CIVIL E TABELIONATO DO 5º DISTRITO DE
SANTO AMARO
Advog : Cláudio Pinto Cezário Calado(PE016284)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Interes. : 3º OFÍCIO DE NOTAS DA CAPITAL (ANTIGO CARTÓRIO IVO SALGADO)
Advog : Misael de Albuquerque Montenegro Filho(PE014026)
Interes. : ROYAL & SUN ALLIANCE COMPANHIA DE SEGUROS, NOVA
DENOMINAÇÃO SOCIAL DA GENERAL ACCIDENT COMPANHIA
SEGURADORA
Advog : Katia Gislaine Bastos(PE025809)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 5ª Câmara Cível
Relator : Des. Agenor Ferreira de Lima Filho
Proc. Orig. : 0002165-38.2001.8.17.0001 (476848-3)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 29/11/2018 16:50 Local: CARTRIS

DESPACHO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão
proferido em Agravo Interno, em Embargos de Declaração, em Apelação.
Inicialmente, verifico que os Recorrentes, até o presente estágio processual, não são beneficiários da Assistência Judiciária Gratuita, sendo esse,
inclusive, o objeto do presente Recurso Excepcional.
Embora a declaração de pessoa física goze de presunção de veracidade prevista no art. 99, §3º, CPC1, não se afigura razoável conceder a
gratuidade com base em mera afirmação desacompanhada de qualquer fundamento de modificação de situação financeira, considerando que
os recorrentes recolheram parcialmente as custas da Apelação (fl. 471).
Desta forma, DETERMINO A INTIMAÇÃO DOS RECORRENTES para, no prazo de 5 (cinco) dias comprovarem a real necessidade de concessão
do benefício previsto no art. 98, caput, do Código de Processo Civil2 ou, caso não pretendam providenciar a referida comprovação, pagarem em
dobro as custas do TJPE e do STJ, com fundamento no artigo 1.007, § 4º, do Código de Processo Civil3, sob pena de deserção do Recurso
Especial.

Publique-se.

Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício

1 CPC, Art. 99 (...) §3º: Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa natural.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2 CPC, Art. 98: A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais
e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei. (...)
3 CPC, Art. 1.007: No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo,
inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.
(...)§ 4o O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno,
será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção.

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CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00496 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353) 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
Carlos Antônio Harten Filho(PE019357) 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
Eduardo José de Souza Lima Fornellos(PE028240) 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
Fábio Frasato Caires(PE001105A) 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)
Hugo Souto Maior da Fonsêca(PE024906) 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)
MARILIA GABRIELA RIBEIRO DE 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
ARRUDA(PE030777)
Maria Paula Santana Pinto de Campos(PE038286) 003 0002175-95.2007.8.17.0640(0465179-6)
Natália Santos Cavalcanti Guerra(PE027932) 002 0007537-43.2016.8.17.0000(0443552-1)
Nilton Soares Ayres(PE014037) 003 0002175-95.2007.8.17.0640(0465179-6)
Romero Maranhão Mendes(PE021166) 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)
SILVANA BRITO(PE032544) 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)
Vinicius Martins Dutra(PE001430A) 003 0002175-95.2007.8.17.0640(0465179-6)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0005634-83.2011.8.17.0990(0269088-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0005634-83.2011.8.17.0990 Agravo nos Embargos de Declaração na Apelação


(0269088-2)
Protocolo : 2017/112388
Comarca : Olinda
Vara : 3ª Vara Cível
Embargante : SANTANDER LEASING S/A ARRENADMENTO MERCANTIL
Advog : Fábio Frasato Caires(PE001105A)
Advog : Romero Maranhão Mendes(PE021166)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : RICARDO JOSE RODRIGUES DA COSTA
Advog : SILVANA BRITO(PE032544)
Advog : Hugo Souto Maior da Fonsêca(PE024906)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Observação : alterado e redistribuído ao 1 Vice-Presidente relator da decisão agravada.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Agravte : RICARDO JOSE RODRIGUES DA COSTA


Advog : SILVANA BRITO(PE032544)
Advog : Hugo Souto Maior da Fonsêca(PE024906)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Agravdo : SANTANDER LEASING S/A ARRENADMENTO MERCANTIL
Advog : Fábio Frasato Caires(PE001105A)
Advog : Romero Maranhão Mendes(PE021166)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 1º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0005634-83.2011.8.17.0990 (269088-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:11 Local: CARTRIS

DESPACHO

Trata-se de Recurso Especial com fundamento no art. 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido em Apelação
(fl. 165), integrado pela decisão dos Embargos de Declaração (fl. 191).
Esclareço que em decisão anterior desta 1ª Vice-Presidência (fls. 278/278v), determinou-se a remessa dos autos à Câmara Cível Extraordinária,
mais precisamente ao Relator, para adotar as providências previstas no artigo 1.030, inciso II, do CPC1, haja vista posicionamento divergente
do esposando pelo C. STJ.
O Desembargador Relator deixou de aplicar o REsp 1.418.593/MS, submetido a sistemática dos recursos repetitivos (Tema 722)2, razão pela
qual manteve sua decisão com fundamento no princípio do tempus regit actum.
Sendo assim, afirmou não desconhecer a controvérsia e salientou que a prolação do acórdão ocorreu em data anterior a tese firmada.
Consoante os ditames do Código de Processo Civil, após o pronunciamento definitivo do C. STJ e mantido o acórdão divergente pelo Tribunal
de origem, o Excepcional será remetido para o Tribunal Superior (art. 1.041, do CPC).
Ante o exposto, DETERMINO a remessa destes autos ao C. Superior Tribunal de Justiça, nos termos do artigo 1.041, do CPC.
Ao CARTRIS para as providências necessárias.
Recife, 27 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício

1 Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15
(quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá:
I - negar seguimento:
(...)
II - encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o acórdão recorrido divergir do entendimento do Supremo
Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos;
2 Tema 722 - tese firmada: Nos contratos firmados na vigência da Lei n. 10.931/2004, compete ao devedor, no prazo de 5 (cinco) dias após a
execução da liminar na ação de busca e apreensão, pagar a integralidade da dívida - entendida esta como os valores apresentados e comprovados
pelo credor na inicial -, sob pena de consolidação da propriedade do bem móvel objeto de alienação fiduciária.
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002. 0007537-43.2016.8.17.0000 Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento


(0443552-1)
Protocolo : 2018/203948
Agravte : EDILEUZA ROSA SILVA DO NASCIMENTO e outros e outros
Advog : MARILIA GABRIELA RIBEIRO DE ARRUDA(PE030777)
Advog : Natália Santos Cavalcanti Guerra(PE027932)
Reprte : EDILEUZA ROSA SILVA DO NASCIMENTO
Agravdo : SUL AMÉRICA CIA NACIONAL DE SEGUROS
Advog : Carlos Antônio Harten Filho(PE019357)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advog : Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353)


Embargante : SUL AMÉRICA CIA NACIONAL DE SEGUROS
Advog : Eduardo José de Souza Lima Fornellos(PE028240)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : EDILEUZA ROSA SILVA DO NASCIMENTO
Embargado : LEONIA ALVES VELOZO
Embargado : MARIA JOSEFA DA SILVA
Embargado : MARIA TEREZA DE LIRA
Embargado : RAIMUNDA DA SILVA BARBOSA XAVIER
Embargado : REGINALDO JOSÉ DE BARROS
Advog : MARILIA GABRIELA RIBEIRO DE ARRUDA(PE030777)
Advog : Natália Santos Cavalcanti Guerra(PE027932)
Reprte : EDILEUZA ROSA SILVA DO NASCIMENTO
Órgão Julgador : 2ª Câmara Cível
Relator : Des. Stênio José de Sousa Neiva Coêlho
Proc. Orig. : 0007537-43.2016.8.17.0000 (443552-1)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:13 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial (fls. 259/266) interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão
proferido em Agravo de Instrumento (fls. 177/180), integrado por Embargos de Declaração (fls. 250/253), o qual deu provimento ao recurso do
ora Recorridos para deferir o benefício da gratuidade da justiça.
Em suas razões recursais a Recorrente alega que o acórdão atacado ofendeu o disposto no art. 98, §§ 5º e 6º, do CPC e no art. 5º, LXXIV, da CF1.
Neste particular, defende a ausência de comprovação efetiva da alegada insuficiência de recursos pelos Autores, bem como a existência de
dispositivo legal possibilitando o parcelamento das despesas processuais ou a concessão parcial do aludido benefício (gratuidade para alguns
atos do processo).
Destarte, pugna pelo provimento do apelo nobre para que haja o indeferimento da gratuidade da justiça e, consequentemente, a determinação
do recolhimento das custas processuais.
Recurso bem processado, com preparo satisfeito (fls. 268/271), e com contrarrazões (fls. 330/346) pugnando, em síntese, pelo seu não
provimento.
Verifico, sem maiores delongas, que o presente apelo excepcional não merece prosperar.
Vê-se, nas razões recursais, que a menção aos citados artigos se resume a alegações genéricas de afronta à lei.
Ademais, cumpre registrar que o Recurso Especial é, por natureza, técnico, e deve observar o disposto no art. 1.029 do CPC. O comando legal
também exige que a petição contenha a exposição do fato e do direito, a demonstração do cabimento do recurso e as razões do pedido de
reforma da decisão recorrida.
Não basta, portanto, uma argumentação superficial, resultante de um resumo dos acontecimentos e notadamente baseada em um inconformismo
quanto ao julgado. É imprescindível que reste evidenciada, a partir de fundamentação clara e consistente, a efetiva violação à Lei Federal, sob
pena de atrair a incidência da sumula 284 do STF2, aplicável por analogia ao presente caso.
Nesse norte, uma vez testificado que a defesa não apontou em que medida o acórdão afrontou os artigos de lei, considero que a deficiência da
fundamentação não permite a exata compreensão da controvérsia. Nesse exato sentido se posiciona a jurisprudência do C. STJ:
..........
PENAL. PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO.
TESE GENÉRICA, SEM INDICAÇÃO PRECISA DA FORMA COMO A LEI FEDERAL TERIA SIDO VIOLADA. SÚMULA N. 284 DO STF.
RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO COM FUNDAMENTO NA ALÍNEA C DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE COTEJO
ANALÍTICO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
I - Não se conhece o apelo nobre quando a deficiência na fundamentação do recurso, sem indicação precisa da forma como o dispositivo legal
teria sido violado, não permite a compreensão da controvérsia (Súmula 284/STF). (Precedentes). (...) Agravo regimental desprovido. (AgRg no
AREsp 643.492/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2015, DJe 19/08/2015). Grifos.
..........
[...] DISCURSO RETÓRICO. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. [...]
V - A mera indicação do dispositivo violado, sem justificar ou apontar como a norma foi violada, caracteriza deficiência na fundamentação recursal,
a atrair a incidência do verbete sumular nº 284 do Supremo Tribunal Federal.
VI - A competência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, encontra-se atrelada à uniformização da interpretação da
legislação infraconstitucional federal, o mero discurso retórico sem indicação do dispositivo tido por violado não viabiliza o necessário confronto
interpretativo para que possa efetivar a uniformização do direito infraconstitucional questionado, encontrando óbice da Súmula n. 284 do STF.
[...] (STJ. AgInt no AREsp 1193575/BA, QUINTA TURMA, julgado em 06/02/2018). Grifos.
..........
Lado outro, percebe-se claramente da leitura das razões recursais, que a pretensão da parte recorrente é rediscutir, por via transversa, a matéria
de fato já analisada na decisão e no julgamento do recurso, de modo a ocasionar um novo juízo de convicção.
Ora, o Órgão colegiado deste TJPE pautou sua decisão no fato de que "o feito trata-se de discussão de seguro por desabamento de prédio onde
as famílias se encontram sem local para morar, entendo que a condição legal de 'necessitado' se revela manifesta." (fl. 178).

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Destarte, também por esta razão, a pretensão da Seguradora, da maneira como posta, esbarra no óbice do enunciado nº 07 da súmula do C.
STJ3, pois se baseia na tentativa de reanalisar o conjunto fático-probatório constante dos autos.
Ressalte-se que a superior instância recebe a situação fática da causa tal como retratada na decisão recorrida, não cabendo, em Recurso
Especial, fazer juízo sobre os fatos da causa ou sobre a sua prova.
De mais a mais, cumpre destacar que o Superior Tribunal de Justiça não tem a missão constitucional de interpretar dispositivos da Lei Maior,
cabendo tal dever ao Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual não se pode conhecer da dita ofensa ao art. 5º, LXXIV, da Carta Magna. Neste
sentido:
.........
1. A violação de dispositivos constitucionais não pode ser apreciada em sede de recurso especial, porquanto a análise de matéria constitucional
não é de competência desta Corte, mas sim do Supremo Tribunal Federal, por expressa determinação constitucional (REsp. 1.377.798/ES, Rel.
Min. ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 19/8/2014, DJe 2/9/2014). Precedentes. 4. Agravo regimental não provido." (STJ -
5ª Turma, AgRg no REsp 1312990/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, DJe 10/12/2015).
.........

Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.


Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício

1 Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais
e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei. [...]
§ 5o A gratuidade poderá ser concedida em relação a algum ou a todos os atos processuais, ou consistir na redução percentual de despesas
processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso do procedimento.
§ 6o Conforme o caso, o juiz poderá conceder direito ao parcelamento de despesas processuais que o beneficiário tiver de adiantar no curso
do procedimento.
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País
a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...]
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
2 Súmula nº 284: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da
controvérsia.
3 Súmula nº 07: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
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003. 0002175-95.2007.8.17.0640 Embargos de Declaração na Apelação


(0465179-6)
Protocolo : 2017/106579
Comarca : Garanhuns
Vara : 2ª Vara Cível
Apelante : FUNDAÇÃO APLUB DE CREDITO EDUCATIVO FUNDAPLUB
Advog : Vinicius Martins Dutra(PE001430A)
Advog : Maria Paula Santana Pinto de Campos(PE038286)
Apelado : VALDIR ALBUQUERQUE SILVA
Advog : Nilton Soares Ayres(PE014037)
Observação : ASSUNTO CNJ 10671
Embargante : VALDIR ALBUQUERQUE SILVA
Advog : Nilton Soares Ayres(PE014037)
Embargado : FUNDAÇÃO APLUB DE CREDITO EDUCATIVO FUNDAPLUB
Advog : Vinicius Martins Dutra(PE001430A)
Advog : Maria Paula Santana Pinto de Campos(PE038286)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 1ª Turma
Relator : Des. Sílvio Neves Baptista Filho
Relator Convocado : Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho
Proc. Orig. : 0002175-95.2007.8.17.0640 (465179-6)
Despacho : Decisão Interlocutória

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Última Devolução : 30/11/2018 16:12 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão
proferido em Embargos de Declaração, em Apelação.
O recorrente argumenta que a decisão atacada ofende o disposto nos arts. 1.022, 489, §1º, IV, 373, I do CPC, apresentando, ainda, jurisprudência
considerada paradigma, por entender que diverge do posicionamento firmado no acórdão vergastado.
A matéria de fundo discute a prescrição de título extrajudicial e o direito interpemporal envolvendo contrato de mútuo - garantido por nota
promissória - para custeio de estudo universitário. No caso dos autos, o recorrente insurge-se contra a decisão da Colenda Primeira Câmara
Regional de Caruaru, que reformou o entendimento do decurso de prescrição trienal esposado pelo juízo de primeiro grau e aplicou a regra de
transição prevista nos arts. 206, §5º, I, e 2.028 do CC/02, aplicando o prazo quinquenal de prescrição.
O recurso é tempestivo, pois foi interposto em 02/02/2018, sexta-feira (fls. 207/221), e a intimação do acórdão vergastado ocorreu em momento
posterior, no dia 22/02/2018, quinta-feira (fl. 205). Encontra-se com representação processual válida e custas satisfeitas. Contrarrazões da
recorrida às fls. 225/235, pugnando, em suma, pela manutenção da decisão vergastada.

1. Fundamento recursal com base no art. 105, inciso III, alínea "a" da CF/88: Ausência de prequestionamento - Súmula 211 STJ.

Inicialmente, no que diz respeito aos artigos considerados violados, trata-se de inovação processual, uma vez que os Aclaratórios interpostos
pelo recorrente com o intuito de prequestionar a matéria foram considerados intempestivos pelo órgão julgador (fls. 204/204-V).
Assim, resta configurado o impedimento à admissibilidade deste Recurso, diante da incidência do enunciado da Súmula nº 211, do STJ1.
Nesse sentido, o STJ firmou entendimento:
..........
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. INDENIZAÇÃO POR
ERRO MÉDICO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO ESTADO E CHAMAMENTO AO PROCESSO DA CONVENIADA. ANÁLISE DE CLÁUSULAS
CONTRATUAIS E REVISÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DAS SÚMULAS 5 E 7/STJ.
1. Não se pode conhecer da irresignação contra a ofensa ao art. 489 §1º, IV e VI do CPC/2015, pois a tese legal apontada não foi analisada
pelo acórdão hostilizado. 2. Ressalte-se que não houve sequer interposição de Embargos de Declaração, o que seria indispensável para análise
de possível omissão no julgado.
3. Assim, perquirir, nesta via estreita, a ofensa das referidas normas, sem que se tenha explicitado a tese jurídica no juízo a quo, é frustrar a
exigência constitucional do prequestionamento, pressuposto inafastável que objetiva evitar a supressão de instância. Ao ensejo, confira-se o teor
da Súmula 282 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada".
4. (...)
5. A análise da controvérsia e da pretensão veiculada no Recurso Especial demanda incursão em cláusulas contratuais, inalcançável pelo STJ,
bem como a revisão do conjunto fático-probatório dos autos. Aplica-se, portanto, os óbices das Súmulas 5 e 7/STJ.
6. Recurso Especial não conhecido.
(REsp 1728288/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2018, DJe 02/08/2018)
..........

2. Fundamento recursal com base no art. 105, inciso III, alínea "c" da CF/88: Dissídio jurisprudencial prejudicado.

Ante o reconhecimento da aplicabilidade da Súmula 211 do C. STJ e a consequente inadmissão do presente Recurso Especial com base no
artigo 105, III, "a", fica prejudicado o exame do dissídio jurisprudencial invocado com fundamento na alínea "c" do mesmo dispositivo. Veja-se
a jurisprudência:
..........
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ARTS. 2º E 29 DA LEI 8.078/90; 5º, PARÁGRAFO ÚNICO,
E 71 DO DL 71/1967; 2º, 20, § 3º, 21, PARÁGRAFO ÚNICO, 128, 460 E 535, II, DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO
CONHECIMENTO DO RECURSO POR AMBAS AS ALÍNEAS AUTORIZADORAS. SÚMULAS 282 E 356/STF. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. GRAU DE SUCUMBÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-
PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO.
1. É inviável o recurso especial quando ausente o prequestionamento, sequer implícito, do dispositivo da legislação federal apontado como violado.
2. "A falta de prequestionamento inviabiliza o recurso especial também pela alínea 'c' do permissivo constitucional, diante da impossibilidade de
configuração do dissídio jurisprudencial, por não haver como ser feita a demonstração da similitude das circunstâncias fáticas em relação ao
direito aplicado" (AgRg nos EDcl no AREsp 174.853/RJ, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, Terceira Turma, julgado em 28/5/2013, DJe de 14/6/2013).
3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, ainda
que se trate de matéria de ordem pública.
4. A apreciação, em sede de recurso especial, do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da
existência de sucumbência mínima ou recíproca, esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Precedentes.
5. Agravo interno a que se nega provimento.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

(AgInt no AREsp 880.639/MT, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA,
julgado em 16/08/2018, DJe 23/08/2018)
..........

Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.


Publique-se.
Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Eduardo Augusto Paurá Peres


1º Vice-Presidente em exercício
1 STJ, Súmula nº 211: Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada
pelo Tribunal a quo.
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CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00499 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0010053-72.2012.8.17.0001(0501449-1)


Fábio Frasato Caires(PE001105A) 002 0010053-72.2012.8.17.0001(0501449-1)
Giulliano Cecílio Caitano Siqueira(PE023989) 002 0010053-72.2012.8.17.0001(0501449-1)
Henrich Kelsen P. d. C. Ferreira(PE021968) 002 0010053-72.2012.8.17.0001(0501449-1)
JOSÉ WILSON VILAR SAMPAIO NETO(PE027839) 002 0010053-72.2012.8.17.0001(0501449-1)
Rafael Sganzerla Durand(SP211648) 001 0000258-26.2016.8.17.0640(0452235-4)
Sílvio R. Maciel Freire(PE004611) 001 0000258-26.2016.8.17.0640(0452235-4)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0000258-26.2016.8.17.0640 Apelação


(0452235-4)
Comarca : Garanhuns
Vara : 1ª Vara Cível
Apelante : Banco do Brasil S/A
Advog : Rafael Sganzerla Durand(SP211648)
Apelado : Sílvio Roberto Maciel Freire
Advog : Sílvio R. Maciel Freire(PE004611)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 1ª Turma
Relator : Des. José Viana Ulisses Filho
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 18/12/2018 16:19 Local: CARTRIS
DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial (fls. 268/284) com fundamento no art. 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra decisão terminativa
monocrática (fls. 264/265) que negou provimento à Apelação manejada pelo ora Recorrente.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Alega-se, além da ocorrência de divergência jurisprudencial, violação aos artigos 93, IX, da CF/1988, e 20, 243, 333, 356, 458 e 844, do CPC/2015.
Preparo comprovado (fls. 288/289 e 316/319).
O Recorrido apresentou contrarrazões pugnando, em suma, pela inadmissão do Recurso Especial (fl. 294).
Brevemente relatado, decido.
Ressalto que tendo o Recurso Especial desafiado decisão unipessoal do relator em Apelação, não restou configurado o indispensável
esgotamento da via recursal ordinária, pois caberia a interposição de Agravo Interno (art. 1.021, CPC/2015).
É este o entendimento do C. Superior Tribunal de Justiça:
.........
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APELAÇÃO DECIDIDA MONOCRATICAMENTE. RECURSO ESPECIAL
INTERPOSTO ANTES DO ESGOTAMENTO DAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 281 DO STF. DECISÃO MANTIDA.
1. Não é cabível a interposição de recurso especial contra decisão singular, uma vez que não se encontram esgotadas as instâncias ordinárias.
Desta maneira, o apelo especial só terá cabimento se interposto após decisão colegiada, nos termos do artigo 105, III, da Constituição Federal,
haja vista a necessidade do exaurimento da prestação jurisdicional pelo órgão fracionário de Tribunal. Aplicação da Súmula 281 do STF por
analogia. Precedentes.
2. "II - É incabível o recurso especial interposto contra julgamento colegiado de embargos declaratórios opostos contra decisão monocrática,
tendo em vista o não-exaurimento das instâncias ordinárias. Incidência, por analogia, do enunciado da Súmula n. 281 do Supremo Tribunal
Federal." (AgInt no AREsp 932.191/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/11/2016, DJe 24/11/2016)
3. Agravo interno não provido.
(AgInt no AREsp 1267031/CE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 21/06/2018, DJe 26/06/2018)
.........
Logo, não resta possível o manejo do Recurso Especial, nos termos da Súmula 281 do E. Supremo Tribunal Federal1, aplicável à hipótese por
analogia.
Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.
Publique-se. Intimem-se.
Recife, 12 de dezembro de 2018.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1 Súmula 281/STF. É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada.
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002. 0010053-72.2012.8.17.0001 Apelação


(0501449-1)
Comarca : Recife
Vara : Terceira Vara Cível da Capital - SEÇÃO B
Apelante : AUGUSTO DE ALBUQUERQUE QUEIROZ JÚNIOR
Advog : JOSÉ WILSON VILAR SAMPAIO NETO(PE027839)
Apelado : BANCO BONSUCESSO S/A
Advog : Giulliano Cecílio Caitano Siqueira(PE023989)
Advog : Fábio Frasato Caires(PE001105A)
Advog : Henrich Kelsen Pereira de Cordeiro Ferreira(PE021968)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara Cível
Relator : Des. Eurico de Barros Correia Filho
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 18/12/2018 16:19 Local: CARTRIS

DECISÃO
Trata-se de Recurso Especial com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra Acórdão que deu parcial
provimento ao Apelo do Recorrido.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Acrescento que o Acórdão fustigado reformou a sentença para: i) determinar a extinção dos contratos de empréstimo consignado tidos por
fraudulentos; ii) condenar o Recorrente ao pagamento de R$5.000,00(cinco mil reais) a título de danos morais e iii) determinar a restituição integral
dos valores indevidamente descontados do Recorrido.
Em suas razões recursais (fls. 337/346), o Recorrente aduz que esta E. Corte Estadual teria incorrido em erro ao reformar a decisão de 1º grau,
sob o argumento de que "os contratos regularmente firmados foram assinados pelo recorrido, preenchendo assim, todos os requisitos para sua
validade".
Sustenta, não restarem configurados os requisitos caracterizadores do dano moral, visto não ter praticado qualquer ato ilícito, apontando, ainda,
a inobservância ao princípio da razoabilidade na fixação do quantum indenizatório.
O recurso é tempestivo, encontra-se com representação processual válida e preparo satisfeito.
Contrarrazões às fls. 357/364.
Brevemente relatado, decido.
1. Fundamento recursal com base no art. 105, inciso III, alínea "a" da CF/88: deficiência de fundamentação - Súmula 284 do STF.
No que diz respeito à fundamentação recursal na alínea "a" do permissivo constitucional, observo que o Recorrente não especificou qual dispositivo
foi contrariado ou teve sua vigência negada pela decisão combatida.
Esbarra, por conseguinte, no óbice constante da Súmula 284 do STF1, aplicável por analogia ao caso em apreço.
Nesse sentido (grifos nossos):
..........
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/
STF. RAZÕES RECURSAIS. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO ESPECÍFICA DOS DISPOSITIVOS LEGAIS VIOLADOS. DEFICIÊNCIA. SÚMULA
284/STF. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC/1973 quando a parte não aponta, de forma clara,
o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. A ausência de indicação específica dos
artigos da legislação federal supostamente violados acarreta deficiência que obsta o conhecimento do Recurso Especial (Súmula 284/STF).
Precedentes do STJ. 3. In casu, no mérito, conforme bem observado no parecer do MPF, o recurso é tecnicamente deficiente, uma vez que a
parte fez referências abstratas à violação da legislação federal e de princípios processuais, sem especificar os dispositivos legais que teriam sido
infringidos. 4. Em obiter dictum deve ser esclarecido que a pretensão submetida ao Poder Judiciário foi deduzida em Mandado de Segurança,
não tendo sido demonstrado qual o direito líquido e certo que ampara a sua tese (ou seja, qual a base legal/jurídica que prescreveria direito
subjetivo ao aproveitamento dos benefícios de um parcelamento que foi considerado legalmente rescindido, por decisão transitada em julgado).
5. Recurso Especial não conhecido. (REsp 1676127/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 14/09/2017).
..........
Cumpre registrar que o Recurso Especial é, por natureza, técnico, e deve observar o disposto no art. 1.029 do CPC/2015 exigindo que a petição
contenha a exposição do fato e do direito, a demonstração do cabimento do recurso e as razões do pedido de reforma da decisão recorrida.
Dessa forma, não basta ao Recorrente a singela alegação abstrata de que o acórdão impugnado teria violado alguma lei federal. Compete-
lhe, ainda, sob pena de inadmissão do Recurso Especial, indicar o dispositivo e demonstrar adequadamente as razões pelas quais sustenta a
ofensa à norma.
2. Fundamento recursal com base no art. 105, inciso III, alínea "c" da CF/88: ausência de cotejo analítico.
No tocante à alínea "c", verifico que o Recorrente também não menciona o dispositivo legal em relação ao qual se deu o dissídio jurisprudencial,
fazendo incidir novamente a Súmula 284 do STF, por analogia.
Nesse sentido, o seguinte julgado da Corte da Cidadania (grifos nossos):
.........
PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL SOBRE
O QUAL SE ALEGA INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. SÚMULA 284/STF.
1. A ausência de indicação do dispositivo de lei federal supostamente contrariado na instância ordinária, ainda que o recurso seja interposto pela
alínea "c" do permissivo constitucional, caracteriza deficiência na fundamentação, atraindo a incidência da Súmula n. 284 do STF. Precedentes:
AgRg no REsp 1.286.832/RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 28/03/2016; AgRg no AREsp 733.353/RS, Rel. Min.
Rogério Schietti, Sexta Turma, REsp 1.557.802/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 02/02/2016; AgRg no AREsp 570.294/
RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 18/09/2015.
2. Agravo interno não provido.
(AgInt no REsp 1576110/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 07/10/2016)
.........
Ademais, o Recorrente não procedeu ao necessário cotejo analítico, nos moldes exigidos pelo art. 1.029, §1º, CPC e art. 255 do RI/STJ.
Sobre a necessidade de realizar cotejo analítico, para admissão do recurso especial com base na alínea "c" do artigo 105, III, da Constituição
Federal, disse o STJ:
.........
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL.
EXCLUSÃO DA MULTA DO ARTIGO 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. DISSÍDIO NÃO
CARACTERIZADO. 1. A divergência jurisprudencial, nos termos do artigo 266, § 1º, c/c o artigo 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige comprovação e
demonstração, esta com a transcrição dos trechos dos julgados que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem
ou assemelhem os casos confrontados. Assim, se não realizado o cotejo analítico ou se ausente a similitude de base fática entre os arestos
comparados, não há como se caracterizar a divergência jurisprudencial.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2. Agravo interno não provido. (AgInt nos EAREsp 672.620/RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe 03/11/2016)
.........
Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO AO APELO NOBRE.
Publique-se. Intimem-se.
Recife, 12 de dezembro de 2018.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1 Súmula 284: É inadmissível o Recurso Extraordinário quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da
controvérsia.
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Cartris
DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00580 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0000973-50.2015.8.17.0140(0487373-8)


Antonio de Moraes Dourado Neto(PE023255) 001 0027105-81.2012.8.17.0001(0433735-7)
Carlos Roberto Siqueira Castro(PE000808A) 002 0000973-50.2015.8.17.0140(0487373-8)
Danielle Alessandra Moury F. Fonseca(PE016761) 001 0027105-81.2012.8.17.0001(0433735-7)
IZES MENDONÇA(PE034599) 001 0027105-81.2012.8.17.0001(0433735-7)
LEONARDO LIMA CLERIER(PE001408A) 002 0000973-50.2015.8.17.0140(0487373-8)
Michel Ricardo Silva de Paula(PE026930) 001 0027105-81.2012.8.17.0001(0433735-7)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0027105-81.2012.8.17.0001(0433735-7)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0027105-81.2012.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0433735-7)
Protocolo : 2017/114961
Comarca : Recife
Vara : Décima Nona Vara Cível da Capital - SEÇÃO A
Apelante : AMIL - ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL SA
Advog : Danielle Alessandra Moury Fernandes Fonseca(PE016761)
Advog : Michel Ricardo Silva de Paula(PE026930)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : EDINEZIA MARIA DE AZEVEDO
Advog : IZES MENDONÇA(PE034599)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Embargante : AMIL - ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL SA


Advog : Antonio de Moraes Dourado Neto(PE023255)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : EDINEZIA MARIA DE AZEVEDO
Advog : IZES MENDONÇA(PE034599)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 5ª Câmara Cível
Relator : Des. Agenor Ferreira de Lima Filho
Proc. Orig. : 0027105-81.2012.8.17.0001 (433735-7)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 11/01/2019 14:37 Local: CARTRIS

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão
proferido em Embargos de Declaração, em Apelação.
A matéria de fundo decorre de plano individual de saúde e reajuste por faixa etária. Insurge-se o recorrente contra a decisão da 5ª Câmara Cível
deste TJPE, que negou provimento à sua Apelação, considerando abusivo o reajuste por faixa etária da recorrida (59 anos) no percentual de
76,43%. Alega a inobservância ao REsp 1.568.244/RJ (Tema 952).
O recurso é tempestivo, pois foi interposto em 11/04/2018, quarta-feira (fls. 443/561), e a intimação do acórdão vergastado ocorreu em 20/03/2018,
terça-feira (fl. 440), na vigência do CPC de 2015. Encontra-se com representação processual válida e custas satisfeitas. Contrarrazões da recorrida
às fls. 566/576 pugnando, em suma, pela manutenção da decisão vergastada.
Desde logo, observo que a matéria apreciada na decisão recorrida submeteu-se ao enfrentamento dos recursos repetitivos do Egrégio STJ,
materializando-se no Tema 952 (REsp 1.568.244/RJ), na seguinte redação:
..........
O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou familiar fundado na mudança de faixa etária do beneficiário é válido desde que (i) haja
previsão contratual, (ii) sejam observadas as normas expedidas pelos órgãos governamentais reguladores e (iii) não sejam aplicados percentuais
desarrazoados ou aleatórios que, concretamente e sem base atuarial idônea, onerem excessivamente o consumidor ou discriminem o idoso.
..........

O acórdão vergastado, por sua vez, considerou o reajuste exorbitante com base no Código Defesa do Consumidor e na jurisprudência deste
Egrégio Tribunal, que vem admitindo como razoável o reajuste no percentual máximo de 30%, quando o beneficiário atinge a faixa etária
semelhante à alcançada pela recorrida (fls. 408/409).
Dessa forma, com base no art. 1.030, II, do CPC/2015 e em respeito ao Tema 952, REMETAM-SE os autos à 5ª Câmara Cível, mais precisamente
ao Relator da Apelação - Des. Agenor Ferreira de Lima Filho - para eventual juízo de retratação e adequação da decisão aos termos do referido
recurso repetitivo.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis.


Intime-se.
Recife, 08 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

002. 0000973-50.2015.8.17.0140 Embargos de Declaração na Apelação


(0487373-8)
Protocolo : 2018/200841
Comarca : Água Preta
Vara : 1ª Vara
Apelante : FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL - PETROS
Advog : LEONARDO LIMA CLERIER(PE001408A)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : FRANCIELY VITORIA SANTOS PINHEIRO
Advog : Carlos Roberto Siqueira Castro(PE000808A)
Embargante : FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL - PETROS
Advog : LEONARDO LIMA CLERIER(PE001408A)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : FRANCIELY VITORIA SANTOS PINHEIRO
Advog : Carlos Roberto Siqueira Castro(PE000808A)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara Cível
Relator : Des. Jones Figueirêdo
Proc. Orig. : 0000973-50.2015.8.17.0140 (487373-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 11/01/2019 14:37 Local: CARTRIS

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

DECISÃO

Trata-se de Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido
em Embargos Declaratórios, em Apelação.
O recorrente argumenta que a decisão vergastada ofende o disposto nos arts. 186, 422 e 586 do CC. Insurge-se contra a decisão da Colenda
Quarta Câmara Cível deste TJ/PE, que negou provimento ao seu Apelo, mantendo-se a decisão do juízo de primeiro grau, que em ação monitória
interposta pelo recorrente, extinguiu o processo sem resolução de mérito, considerando a ausência de prova escrita para ensejar eficácia ao
título executivo. Aclaratórios rejeitados.
O recurso é tempestivo, pois foi interposto em 31/05/2018 - quinta-feira (fls. 151/169) - e a intimação do acórdão vergastado ocorreu em
07/05/2018 - segunda-feira (fl. 148). Por fim, encontra-se prequestionado, com representação processual válida e custas satisfeitas. Ausência
de contrarrazões da recorrida certificada sob fls. 173.

Fundamento recursal com base no art. 105, inciso III, alínea "a" da CF/88: Rediscussão da matéria - Súmula 07 do STJ.

Sobre os dispositivos considerados violados, verifico que a discussão esbarra na Súmula 07 do STJ1.
Isso porque o debate foi enfrentado pelos recursos interpostos pelo recorrente, em conjunto com o material probatório dos autos.
Assim, de acordo com o voto da Relatoria (fls. 118/120-V), seguido em unanimidade pelo Colegiado, o autor, ora recorrente, não preencheu
os requisitos necessários à propositura da ação monitória, eis que os documentos apresentados na exordial foram produzidos unilateralmente.
Instado a aditar a inicial, o recorrente não atendeu ao juízo de forma satisfatória.
Asseverou-se a ausência de assinatura da recorrida no contrato e, mesmo considerando que o mencionado acordo foi firmado por meio eletrônico,
não se comprovou a disponibilidade do numerário na conta da recorrida ou ao menos os primeiros descontos consignados em folha de pagamento.
Como visto, apesar de apontar ofensa aos dispositivos supracitados, percebe-se que não houve omissão do órgão julgador. Na verdade, a parte
Recorrente busca rediscutir, por via transversa, a matéria de fato já analisada no julgamento do recurso, de modo a ocasionar um novo juízo
de convicção.
Todavia, o momento processual veda o envio da matéria aos Tribunais Superiores para rediscussão. Nesse sentido:
..........
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.
EMISSÃO DE CHEQUE SEM PROVISÃO DE FUNDOS. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. INDENIZAÇÃO. OMISSÃO,
CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. AUSÊNCIA. PRETENSÃO DE REJULGAMENTO DA CAUSA. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENVOLVE
O REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. RECURSO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. INCIDÊNCIA DA MULTA
DO ART. 1.021, § 4º, DO NCPC E HONORÁRIOS RECURSAIS DO ART. 85, § 11º, DO NCPC. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se
o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3 aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos
interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de
admissibilidade recursal na forma do novo CPC.
2. Inexistentes as hipóteses do art. 535 do CPC/73, não merecem acolhida os embargos de declaração que têm nítido caráter infringente. 3.
Os embargos de declaração não se prestam à manifestação de inconformismo ou à rediscussão do julgado 4. A alteração das conclusões do
acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula nº 7 do STJ.
5. Em razão da improcedência do presente recurso, e da anterior advertência em relação à incidência do NCPC, incide ao caso a multa prevista
no art. 1.021, § 4º, do NCPC, no percentual de 1% sobre o valor atualizado da causa e a majoração dos honorários advocatícios em 2%, nos
termos do art. 85, § 11º, do NCPC, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito da respectiva quantia, nos termos
do § 5º daquele artigo de lei.
6. Agravo interno não provido, com imposição de multa e majoração da verba honorária.
(AgInt no AREsp 881.078/MG, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 21/03/2017, DJe 03/04/2017)
..........

Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao recurso.


Intime-se.
Recife, 07 de janeiro de 2019.

Des. Cândido J F Saraiva de Moraes


1º Vice-Presidente

1 STJ, Súmula nº 07: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2ª VICE-PRESIDÊNCIA
DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00567 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0033749-79.2008.8.17.0001(0438283-8)


Hilário Gurgel(PE025593) 004 0003299-12.2015.8.17.0001(0463065-9)
Paulo Emanuel Perazzo Dias(PE020418) 002 0051791-11.2010.8.17.0001(0378927-5)
ROMÁRIO JOSÉ DE ARAÚJO JÚNIOR(PE037363) 001 0013143-52.2016.8.17.0000(0458563-7)
ROMÁRIO JOSÉ DE ARAÚJO JÚNIOR(PE037363) 003 0033749-79.2008.8.17.0001(0438283-8)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0051791-11.2010.8.17.0001(0378927-5)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0013143-52.2016.8.17.0000 Agravo de Instrumento


(0458563-7)
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara de Acidentes do Trabalho da Capital
Agravte : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Ana Flávia Dantas Cardoso Gomes
Agravdo : José Monteiro dos Santos
Advog : ROMÁRIO JOSÉ DE ARAÚJO JÚNIOR(PE037363)
Procurador : Geraldo dos Anjos Netto de Mendonça Júnior
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Relator Convocado : Juiz José André Machado Barbosa Pinto
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:03 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 458563-7


RECORRENTE: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
RECORRIDO: Jose Monteiro dos Santos

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de agravo de
instrumento.

Alega o recorrente que o acórdão recorrido, proferido pela 2ª Câmara de Direito Público, contrariou o disposto nos arts. 1º, 5º e 9º, todos do
decreto 20.910/32, art. 3º do decreto-lei 4.597/42 e art. 942, V, do CPC, por não reconhecer a ocorrência da prescrição da pretensão executiva
em exame no caso concreto.

Constata-se que a questão de direito nuclear da controvérsia posta nos autos foi submetida à sistemática procedimental versada no art. 543-C do
CPC/1973 (correspondente ao art. 1.036 do CPC/2015), para cujo desate o Superior Tribunal de Justiça (STJ) elegeu como recurso paradigma
o REsp 1.102.431/RJ (Tema n° 179). Ocorre que tal paradigma já foi julgado, tendo aquela Corte Superior definido tese jurídica nos seguintes
termos: "A perda da pretensão executiva tributária pelo decurso de tempo é consequência da inércia do credor, que não se verifica quando
a demora na citação do executado decorre unicamente do aparelho judiciário". Ressalve-se que o acórdão oriundo do julgamento do referido
paradigma assim consignou, in verbis:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EXECUÇÃO
FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PARALISAÇÃO DO PROCESSO POR CULPA DO PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA 106 DO STJ.
REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07/STJ.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1. O conflito caracterizador da lide deve estabilizar-se após o decurso de determinado tempo sem promoção da parte interessada pela via da
prescrição, impondo segurança jurídica aos litigantes, uma vez que a prescrição indefinida afronta os princípios informadores do sistema tributário.
2. A perda da pretensão executiva tributária pelo decurso de tempo é consequência da inércia do credor, que não se verifica quando a demora
na citação do executado decorre unicamente do aparelho judiciário. Inteligência da Súmula 106/STJ. Grifos. (Precedentes: AgRg no Ag 1125797/
MS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 16/09/2009; REsp 1109205/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2009, DJe 29/04/2009; REsp 1105174/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 18/08/2009, DJe 09/09/2009; REsp 882.496/RN, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 26/08/2008; AgRg no REsp 982.024/RS, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 08/05/2008) 3. In casu, a Corte de origem fundamentou sua decisão no
sentido de que a demora no processamento do feito se deu por culpa dos mecanismos da Justiça, verbis: "Com efeito, examinando a execução
fiscal em apenso, constata-se que foi a mesma distribuída em 19/12/2001 (fl.02), tendo sido o despacho liminar determinando a citação do
executado proferido em 17/01/2002 (fl. 02 da execução). O mandado de citação do devedor, no entanto, somente foi expedido em 12/05/2004,
como se vê fl. 06, não tendo o Sr. Oficial de Justiça logrado realizar a diligência, por não ter localizado o endereço constante do mandado e ser
o devedor desconhecido no local, o que foi por ele certificado, como consta de fl. 08, verso, da execução em apenso.
Frustrada a citação pessoal do executado, foi a mesma realizada por edital, em 04/04/2006 (fls. 12/12 da execução).
(...) No caso destes autos, todavia, o fato de ter a citação do devedor ocorrido apenas em 2006 não pode ser imputada ao exequente, pois,
como já assinalado, os autos permaneceram em cartório, por mais de dois anos, sem que fosse expedido o competente mandado de citação,
já deferido, o que afasta o reconhecimento da prescrição.
(...) Ressalte-se, por fim, que a citação por edital observou rigorosamente os requisitos do artigo 232 do Código Processual Civil e do art. 8º,
inciso IV, da Lei 6.830/80, uma vez que foi diligenciada a citação pessoal, sem êxito, por ser o mesmo desconhecido no endereço indicado pelo
credor, conforme certificado pelo Sr. Oficial de Justiça, à fl. 08, verso dos autos da execução." 4. A verificação de responsabilidade pela demora
na prática dos atos processuais implica indispensável reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado a esta Corte Superior, na estreita
via do recurso especial, ante o disposto na Súmula 07/STJ.
5. Recurso especial provido, determinando-se o retorno dos autos à instância de origem para prosseguimento do executivo fiscal, nos termos da
fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1102431/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010)

O acórdão recorrido, por sua vez, restou assim ementado:

"Ementa: PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. PARTE NÃO DEU
CAUSA À PARALISAÇÃO DO FEITO. PRECEDENTES DO STJ. EFEITO SUSPENSIVO INDEFERIDO. AUSÊNCIA DE LESÃO GRAVE OU DE
DIFÍCIL REPAÇÃO. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. DECISÃO UNÂNIME.
1. Não se pode reconhecer a prescrição intercorrente, como pretende o agravante, isso porque, nos casos em que a demora na realização de
ato processual seja imputável, exclusivamente, ao Poder Judiciário, as partes não podem ser penalizadas, conforme entendimento já pacificado
na jurisprudência do STJ.
2. Agravo de instrumento improvido à unanimidade, para manter a integralidade da decisão recorrida." (fl. 287)

Assim, percebo claramente que a decisão proferida pelo órgão fracionário deste Tribunal encontra-se em consonância com o decidido pelo STJ
no recurso paradigmático supramencionado no sentido de que não há como se reconhecer a ocorrência da prescrição da pretensão executiva
quando restar demonstrado nos autos que a demora na citação do executado decorreu unicamente do aparelho judiciário.

Por isso que, atento ao que dispõe o art. 1.030, I, "b", do Código de Processo Civil/2015, nego seguimento ao recurso especial em razão do tema
179, por coincidir o acórdão com a orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Publique-se.

Recife, 13 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

002. 0051791-11.2010.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0378927-5)
Protocolo : 2017/102500
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara de Acidentes do Trabalho da Capital
Apelante : PEDRO SIMOES DA SILVA
Advog : Paulo Emanuel Perazzo Dias(PE020418)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Adriana Gondim Michiles
Embargante : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : RISONEIDE GONÇALVES DE ANDRADE
Embargado : PEDRO SIMOES DA SILVA
Advog : Paulo Emanuel Perazzo Dias(PE020418)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público


Relator : Des. Antenor Cardoso Soares Junior
Proc. Orig. : 0051791-11.2010.8.17.0001 (378927-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:42 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0378927-5


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: PEDRO SIMÕES DA SILVA

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido por ocasião
de julgamento de apelação.

A parte recorrente alega a ocorrência de violação ao art. 1º-F, da Lei nº 9.494/97, com redação dada pela Lei nº 11.960/09.

Constato, de início, que a controvérsia foi submetida à sistemática procedimental dos Recursos Especiais Repetitivos, nos termos do artigo
1.036 do CPC/15, para a qual foram selecionados pelo Superior Tribunal de Justiça, como representativos da controvérsia, os recursos REsp nº
1.495.145/RS, REsp 1.495.146/MG e REsp 1.492.221/PR (Tema 905), em que se discutiam a aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97. Tais
paradigmas foram julgados em 22 de fevereiro do corrente ano de 2018, com fixação de tese.

Entretanto, tal controvérsia foi igualmente objeto de recuso extraordinário com Repercussão Geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal
(RE nº 870.947/SE, paradigma do Tema 810).

Recentemente, o Ministro Luiz Fux, relator do referido RE nº 870.947/SE, apreciando pedido formulado nos embargos de declaração
interpostos naqueles autos, proferiu decisão deferindo, excepcionalmente, efeito suspensivo aos referidos aclaratórios, sinalizando, ainda, sobre
a possibilidade de modulação dos efeitos do julgamento anteriormente proferido pelo STF. Considerando tal decisão, determinei, nesta mesma
data, o sobrestamento do recurso extraordinário de fls. 272/275.

Assim, em razão de tal decisão e com vistas a e evitar decisões contraditórias em um mesmo processo, reservo-me a realizar o juízo previsto
no CPC/2015, art. 1.030, incisos I e II, após o pronunciamento definitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (paradigma do Tema
810 da Repercussão Geral).

Publique-se.

Recife, 21 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0378927-5


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: PEDRO SIMÕES DA SILVA

Recurso Extraordinário tirado em face de acórdão proferido por ocasião do julgamento de apelação.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica à que informa o RE nº 870.947/
SE (Tema 810)1, submetido à sistemática peculiar ao instituto da Repercussão Geral, versada no art. 1.036, caput, do CPC/2015.

Recentemente, em 20/09/2017, o plenário do Supremo Tribunal Federal julgou o mérito do referido recurso paradigma. Acontece que, em 24/09/18,
o Min. Relator Luiz Fux, ao analisar embargos de declaração interpostos por diversos entes federativos, proferiu decisão nos seguintes termos:

[...]É o breve relato. DECIDO.


Estabelece o Código de Processo Civil em seu artigo 1.026, caput e § 1º, in verbis:
"Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso.
§ 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de
provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação."
Destarte, com fundamento no referido permissivo legal, procede-se à apreciação singular dos pedidos de concessão de efeito suspensivo aos
indigitados embargos de declaração.
In casu, sustentam os entes federativos embargantes, em apertada síntese, padecer o decisum embargado de omissão e contradição, em face
da ausência de modulação de seus efeitos, vindo a sua imediata aplicação pelas instâncias a quo a dar causa a um cenário de insegurança
jurídica, com risco de dano grave ao erário, ante a possibilidade do pagamento pela Fazenda Pública de valores a maior.
Pois bem, apresenta-se relevante a fundamentação expendida pelos entes federativos embargantes no que concerne à modulação temporal dos
efeitos do acórdão embargado, mormente quando observado tratar-se a modulação de instrumento voltado à acomodação otimizada entre o

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

princípio da nulidade de leis inconstitucionais e outros valores constitucionais relevantes, como a segurança jurídica e a proteção da confiança
legítima.
Encontra-se igualmente demonstrada, in casu, a efetiva existência de risco de dano grave ao erário em caso de não concessão do efeito
suspensivo pleiteado.
Com efeito, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que, para fins de aplicação da sistemática da repercussão geral,
não é necessário se aguardar o trânsito em julgado do acórdão paradigma para a observância da orientação
estabelecida. Nesse sentido:
"Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Direito Processual Civil. 3. Insurgência quanto à aplicação de entendimento firmado em sede de
repercussão geral. Desnecessidade de se aguardar a publicação da decisão ou o trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 4. Ausência
de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 5. Negativa de provimento ao agravo regimental." (RE 1.129.931-AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, Segunda Turma, DJe de 24/8/2018)
"DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. SISTEMÁTICA. APLICAÇÃO.
PENDÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO PARADIGMA. IRRELEVÂNCIA. JULGAMENTO IMEDIATO DA CAUSA. PRECEDENTES.
1. A existência de decisão de mérito julgada sob a sistemática da repercussão geral autoriza o julgamento imediato de causas que versarem sobre
o mesmo tema, independente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 2. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado
em 25% o valor da verba honorária fixada da na instância anterior, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 3. Agravo
interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015."
(RE 1.112.500-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe de 10/8/2018)
Desse modo, a imediata aplicação do decisum embargado pelas instâncias a quo, antes da apreciação por esta Suprema Corte do pleito de
modulação dos efeitos da orientação estabelecida, pode realmente dar ensejo à realização de pagamento de consideráveis valores, em tese, a
maior pela Fazenda Pública, ocasionando grave prejuízo às já combalidas finanças públicas.
Ex positis, DEFIRO excepcionalmente efeito suspensivo aos embargos de declaração opostos pelos entes federativos estaduais, com fundamento
no artigo 1.026, §1º, do CPC/2015 c/c o artigo 21, V, do RISTF.
Publique-se.
Brasília, 24 de setembro de 2018.
Ministro Luiz Fux
Relator. (STF, decisão monocrática, RE 870947 ED / SE, Rel. Min. Luiz Fux. Proferida em 24/09/2018. DJe 26/09/2018. Grifos acrescidos.)

Diante da superveniência de tal decisão, conferindo efeito suspensivo aos embargos de declaração, e da sinalização de possível modulação de
efeitos do julgamento proferido no RE nº 870.947/SE (Tema 810 da Repercussão Geral), com repercussão substancial aos processos pendentes
de decisão nas instâncias a quo, impõe-se, na espécie, a observância do disposto no art. 1.030, inciso III, do Código de Processo Civil/2015.

Necessário esclarecer que o presente entendimento não contradiz aquele anteriormente exarado por esta 2ª Vice-Presidência quando da
realização do juízo de conformidade relativo aos recursos sujeitos à sistemática dos Recursos Especiais Repetitivos. Isso porque tais decisões
foram embasadas na jurisprudência dos Tribunais Superiores, firmada no sentido de ser desnecessário se aguardar o trânsito em julgado do
acórdão paradigma para a observância da orientação estabelecida e no descabimento da suspensão dos recursos especiais em razão da
pendência de decisões em sede de Repercussão Geral no STF. In casu, trata-se de recurso extraordinário e a determinação do sobrestamento
obedece diretamente à recente decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux, Relator do RE 870.947/SE, paradigma do Tema 810 da Repercussão
Geral, que, em 24/09/2018, em caráter excepcional, deferiu efeito suspensivo aos embargos de declaração opostos pelos entes federativos
estaduais. Tal decisão, portanto, suspende os efeitos do acórdão de mérito que pretendeu dirimir a controvérsia e contra os quais os aclaratórios
foram interpostos, restabelecendo-se a necessidade de aplicação do art. 1.030, III, do CPC/2015:

Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15
(quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá
[...]
III - sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior
Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; (Grifos acrescidos.)

Desse modo, na linha de raciocínio acima delineada, e com os esclarecimentos prestados, determino o sobrestamento deste recurso até o
pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

Recife, 21 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

45
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1 Em que se discute a "validade da correção monetária e dos juros moratórios incidentes sobre as condenações impostas à Fazenda Pública,
conforme previstos no art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009".
---------------

003. 0033749-79.2008.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0438283-8)
Protocolo : 2018/203606
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara de Acidentes do Tabalho da Capital
Autor : INSS-Instituto Nacional do Seguro Social
Procdor : ROMOALDO REIS GOULART
Réu : ELTON LOPES DA SILVA
Advog : ROMÁRIO JOSÉ DE ARAÚJO JÚNIOR(PE037363)
Embargante : INSS-Instituto Nacional do Seguro Social
Procdor : Glayciane Vasconcelos
Embargado : ELTON LOPES DA SILVA
Advog : ROMÁRIO JOSÉ DE ARAÚJO JÚNIOR(PE037363)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello
Proc. Orig. : 0033749-79.2008.8.17.0001 (438283-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:03 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0438283-8


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: ELTON LOPES DA SILVA

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido por ocasião
de julgamento de apelação.

A parte recorrente alega a ocorrência de violação ao art. 1º-F, da Lei nº 9.494/97, com redação dada pela Lei nº 11.960/09.

Constato, de início, que a controvérsia foi submetida à sistemática procedimental dos Recursos Especiais Repetitivos, nos termos do artigo
1.036 do CPC/15, para a qual foram selecionados pelo Superior Tribunal de Justiça, como representativos da controvérsia, os recursos REsp nº
1.495.145/RS, REsp 1.495.146/MG e REsp 1.492.221/PR (Tema 905), em que se discutiam a aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97. Tais
paradigmas foram julgados em 22 de fevereiro do corrente ano de 2018, com fixação de tese.

Entretanto, tal controvérsia foi igualmente objeto de recuso extraordinário com Repercussão Geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal
(RE nº 870.947/SE, paradigma do Tema 810).

Recentemente, o Ministro Luiz Fux, relator do referido RE nº 870.947/SE, apreciando pedido formulado nos embargos de declaração
interpostos naqueles autos, proferiu decisão deferindo, excepcionalmente, efeito suspensivo aos referidos aclaratórios, sinalizando, ainda, sobre
a possibilidade de modulação dos efeitos do julgamento anteriormente proferido pelo STF. Considerando tal decisão, determinei, nesta mesma
data, o sobrestamento do recurso extraordinário de fls. 181/186-v.

Assim, em razão de tal decisão e com vistas a e evitar decisões contraditórias em um mesmo processo, reservo-me a realizar o juízo previsto
no CPC/2015, art. 1.030, incisos I e II, após o pronunciamento definitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (paradigma do Tema
810 da Repercussão Geral).

Publique-se.

Recife, 14 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0438283-8


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: ELTON LOPES DA SILVA

Recurso Extraordinário tirado em face de acórdão proferido por ocasião do julgamento de apelação.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica à que informa o RE nº 870.947/
SE (Tema 810)1, submetido à sistemática peculiar ao instituto da Repercussão Geral, versada no art. 1.036, caput, do CPC/2015.

Recentemente, em 20/09/2017, o plenário do Supremo Tribunal Federal julgou o mérito do referido recurso paradigma. Acontece que, em 24/09/18,
o Min. Relator Luiz Fux, ao analisar embargos de declaração interpostos por diversos entes federativos, proferiu decisão nos seguintes termos:

[...]É o breve relato. DECIDO.


Estabelece o Código de Processo Civil em seu artigo 1.026, caput e § 1º, in verbis:
"Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso.
§ 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de
provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação."
Destarte, com fundamento no referido permissivo legal, procede-se à apreciação singular dos pedidos de concessão de efeito suspensivo aos
indigitados embargos de declaração.
In casu, sustentam os entes federativos embargantes, em apertada síntese, padecer o decisum embargado de omissão e contradição, em face
da ausência de modulação de seus efeitos, vindo a sua imediata aplicação pelas instâncias a quo a dar causa a um cenário de insegurança
jurídica, com risco de dano grave ao erário, ante a possibilidade do pagamento pela Fazenda Pública de valores a maior.
Pois bem, apresenta-se relevante a fundamentação expendida pelos entes federativos embargantes no que concerne à modulação temporal dos
efeitos do acórdão embargado, mormente quando observado tratar-se a modulação de instrumento voltado à acomodação otimizada entre o
princípio da nulidade de leis inconstitucionais e outros valores constitucionais relevantes, como a segurança jurídica e a proteção da confiança
legítima.
Encontra-se igualmente demonstrada, in casu, a efetiva existência de risco de dano grave ao erário em caso de não concessão do efeito
suspensivo pleiteado.
Com efeito, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que, para fins de aplicação da sistemática da repercussão geral,
não é necessário se aguardar o trânsito em julgado do acórdão paradigma para a observância da orientação
estabelecida. Nesse sentido:
"Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Direito Processual Civil. 3. Insurgência quanto à aplicação de entendimento firmado em sede de
repercussão geral. Desnecessidade de se aguardar a publicação da decisão ou o trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 4. Ausência
de argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 5. Negativa de provimento ao agravo regimental." (RE 1.129.931-AgR, Rel. Min. Gilmar
Mendes, Segunda Turma, DJe de 24/8/2018)
"DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. SISTEMÁTICA. APLICAÇÃO.
PENDÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO PARADIGMA. IRRELEVÂNCIA. JULGAMENTO IMEDIATO DA CAUSA. PRECEDENTES.
1. A existência de decisão de mérito julgada sob a sistemática da repercussão geral autoriza o julgamento imediato de causas que versarem sobre
o mesmo tema, independente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 2. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado
em 25% o valor da verba honorária fixada da na instância anterior, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 3. Agravo
interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015."
(RE 1.112.500-AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe de 10/8/2018)
Desse modo, a imediata aplicação do decisum embargado pelas instâncias a quo, antes da apreciação por esta Suprema Corte do pleito de
modulação dos efeitos da orientação estabelecida, pode realmente dar ensejo à realização de pagamento de consideráveis valores, em tese, a
maior pela Fazenda Pública, ocasionando grave prejuízo às já combalidas finanças públicas.
Ex positis, DEFIRO excepcionalmente efeito suspensivo aos embargos de declaração opostos pelos entes federativos estaduais, com fundamento
no artigo 1.026, §1º, do CPC/2015 c/c o artigo 21, V, do RISTF.
Publique-se.
Brasília, 24 de setembro de 2018.
Ministro Luiz Fux
Relator. (STF, decisão monocrática, RE 870947 ED / SE, Rel. Min. Luiz Fux. Proferida em 24/09/2018. DJe 26/09/2018. Grifos acrescidos.)

Diante da superveniência de tal decisão, conferindo efeito suspensivo aos embargos de declaração, e da sinalização de possível modulação de
efeitos do julgamento proferido no RE nº 870.947/SE (Tema 810 da Repercussão Geral), com repercussão substancial aos processos pendentes
de decisão nas instâncias a quo, impõe-se, na espécie, a observância do disposto no art. 1.030, inciso III, do Código de Processo Civil/15.

Necessário esclarecer que o presente entendimento não contradiz aquele anteriormente exarado por esta 2ª Vice-Presidência quando da
realização do juízo de conformidade relativo aos recursos sujeitos à sistemática dos Recursos Especiais Repetitivos. Isso porque tais decisões
foram embasadas na jurisprudência dos Tribunais Superiores, firmada no sentido de ser desnecessário se aguardar o trânsito em julgado do
acórdão paradigma para a observância da orientação estabelecida e no descabimento da suspensão dos recursos especiais em razão da
pendência de decisões em sede de Repercussão Geral no STF. In casu, trata-se de recurso extraordinário e a determinação do sobrestamento
obedece diretamente à recente decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux, Relator do RE 870.947/SE, paradigma do Tema 810 da Repercussão
Geral, que, em 24/09/2018, em caráter excepcional, deferiu efeito suspensivo aos embargos de declaração opostos pelos entes federativos
estaduais. Tal decisão, portanto, suspende os efeitos do acórdão de mérito que pretendeu dirimir a controvérsia e contra os quais os aclaratórios
foram interpostos, restabelecendo-se a necessidade de aplicação do art. 1.030, III, do CPC/2015:

Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15
(quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá
[...]

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

III - sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior
Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; (Grifos acrescidos.)

Desse modo, na linha de raciocínio acima delineada, e com os esclarecimentos prestados, determino o sobrestamento deste recurso até o
pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

Recife, 14 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Em que se discute a "validade da correção monetária e dos juros moratórios incidentes sobre as condenações impostas à Fazenda Pública,
conforme previstos no art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009".
---------------

004. 0003299-12.2015.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0463065-9)
Protocolo : 2017/109837
Comarca : Recife
Vara : 3ª Vara da Fazenda Pública
Autor : INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO -
IRH/PE
Procdor : Gilson Silvestre da Silva
Réu : Lacy Montenegro de Souza
Advog : Hilário Gurgel(PE025593)
Embargante : INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO -
IRH/PE
Procdor : SABRINA PINHEIRO DOS PRASERES
Embargado : Lacy Montenegro de Souza
Advog : Hilário Gurgel(PE025593)
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Relator Convocado : Juiz José André Machado Barbosa Pinto
Proc. Orig. : 0003299-12.2015.8.17.0001 (463065-9)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:03 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0463065-9


RECORRENTE: INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO - IRH/PE
RECORRIDO: LACY MONTENEGRO DE SOUZA

Recurso Especial, com fundamento no artigo 105, III, alínea "a" da Constituição Federal, em face de acórdão em sede de apelação/reexame
necessário.

Sustenta, o recorrente, que houve negativa de vigência ao art. 537 (alcance e à proporcionalidade da multa) e art. 85, § 8º (desproporcionalidade
dos honorários), ambos do CPC/15.

De proêmio, no que se refere aos artigos suscitados, resta clarividente que o acórdão recorrido dirimiu a controvérsia à luz dos elementos fático-
probatórios dos autos. Confira-se:

"EMENTA: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. CUSTEIO DE PROCEDIMENTO DE ANGIOPLASTIA COM IMPLANTAÇÃO DE DOIS


STENTS FARMACOLÓGICOS. DIREITO À VIDA E À SAÚDE. DEVER DO SASSEPE. SÚMULA Nº 11 DESTA CORTE DE JUSTIÇA. MULTA
DIÁRIA E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MANTIDOS. REEXAME NECESSÁRIO IMPROVIDO. APELO PREJUDICADO. DECISÃO UNÂNIME.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1. Embora se reconheça a necessidade do SASSEPE possuir a liberdade de excluir do âmbito da cobertura dos serviços por ela ofertados
algumas espécies de despesas, tendo em vista a necessidade de as mesmas primarem pela higidez de suas finanças, faz-se mister verificar
que, na hipótese dos autos, em confronto com os interesses econômicos do recorrente, estão interesses superiores da apelada, quais sejam,
seu direito à saúde e à vida. 2. A jurisprudência do STJ aponta no sentido de que compete ao médico definir o tratamento mais adequado
ao paciente, posto que a ele cabe avaliar as condições de recuperação individualmente, incumbindo ao gestor do plano de saúde organizar a
equação econômico-financeira, de forma a atingir o equilíbrio, diminuindo custos e agregando receita, não sendo razoável restringir sua atividade
fim, ao limitar procedimentos terapêuticos e excluir tratamentos de saúde modernos e específicos, pelo simples fato de serem mais onerosos.
3. Precedentes do TJPE. 4. Inteligência da Súmula nº 11 deste Sodalício. 5. Mediante a análise dos requisitos contidos no art. 20, § 4º, do CPC
vigente à época dos fatos, o colegiado entendeu razoável a arbitração dos honorários pelo juízo sentenciante. 7. Reexame necessário improvido
à unanimidade, declarando-se prejudicado o apelo." (fls. 114)

Nessa senda, no tocante ao disposto no art. 85 do Código de Processo Civil, impende destacar, que para averiguar a questão e examinar se foram
atendidos os critérios da equidade eleitos no texto normativo da legislação processual seria necessária nova análise dos autos e o revolvimento
de matéria fática, o que atrai, inexoravelmente, a incidência do enunciado da Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça.

Portanto, não se pode conhecer de tal matéria em sede de recurso especial, eis que, frise-se, a revisão pelo STJ do valor dos honorários
advocatícios estipulados por esta Corte demanda impreterível revolvimento do conteúdo fático-probatório dos autos.

Nesse sentido, colho julgado (grifos e omissões nossos):

"AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA QUE
DEMANDA REEXAME DE PROVAS. SUMULA 7 DO STJ. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO FIRMADO NO STJ. AGRAVO
INTERNO NÃO PROVIDO. 1. (....) 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a majoração ou minoração do valor arbitrado a título
de honorários advocatícios enseja o revolvimento de matéria fático-probatória, além das peculiaridades do caso concreto, salvo quando o valor se
revelar irrisório ou exorbitante, o que não se verifica no presente caso. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1167778/SP, Rel. Ministro
LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 07/12/2017, DJe 13/12/2017)".

No que tange à análise acerca da fixação do quantum da multa diária em desfavor do ora recorrente por descumprimento da obrigação, quanto
aos parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade, implica, como consequência inevitável, o revolvimento do conteúdo fático-probatório dos
autos, o que também é vedado expressamente nesta estreita via de recurso especial, em decorrência da exegese da já citada súmula nº 07
do STJ, in verbis:

"ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO À SAÚDE.
FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. ALEGADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO
IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, A DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. ASTREINTES. REDUÇÃO DO VALOR. REEXAME DE
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA
PARTE, IMPROVIDO.I. (...) IV. Consoante a jurisprudência do STJ, "rever o entendimento do Tribunal de origem, que consignou pela manutenção
da multa cominatória fixada pelo Juízo de 1º Grau por descumprimento da decisão de fornecimento de medicamento, demandaria necessário
revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7/STJ" (STJ, AgInt no AREsp
728.833/PE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 09/06/2016). GRIFEI

Deve, portanto, a instância especial receber a situação fática da causa tal como a retrata o acórdão desafiado, não cabendo, em recurso especial,
fazer juízo sobre os fatos da causa ou sobre a sua prova.

Com tais considerações e atento ao disposto no art. 1.030, V, do CPC, inadmito o presente recurso.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00560 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advogado#Ordem Processo

Bruno Romero Pedrosa Monteiro(PE011338) 001 0002267-77.2012.8.17.0000(0241385-8/03)


ISABELA DE SOBRAL E SILVA(PE001188B) 003 0011062-75.2013.8.17.0990(0500236-0)
Jeimison José Néri de Lyra(PE027340) 004 0000182-94.2016.8.17.1450(0492186-8)
MARIA ANDREZA VASCONCELOS 004 0000182-94.2016.8.17.1450(0492186-8)
LYRA(PE030619)
Rodrigo José Aragão Silva(PE026459) 002 0002745-50.2014.8.17.1250(0491402-3)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0002267-77.2012.8.17.0000 Embargos de Declaração


(0241385-8/03)
Comarca : Recife
Vara : 4ª Vara da Fazenda Pública
Embargante : TOTAL DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA. E FILIAIS
Advog : Bruno Romero Pedrosa Monteiro(PE011338)
Embargado : Estado de Pernambuco
Procdor : Alexandre Tadeu Rabelo Lemos e outro e outro
Embargante : TOTAL DISTRIBUIDORA DE PETROLEO LTDA. E FILIAIS
Advog : Bruno Romero Pedrosa Monteiro(PE011338)
Embargado : Estado de Pernambuco
Procdor : Alexandre Tadeu Rabelo Lemos
Procdor : Bianca Teixeira Avallone
Procdor : Renata Brayner e Silva
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Relator Convocado : Juiz André Oliveira da Silva Guimarães
Proc. Orig. : 0021411-71.2011.8.17.0000 (241385-8/2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 16/11/2018 14:53 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

Agravo no Recurso Extraordinário no Processo nº241385-8/03


Recorrente: Estado de Pernambuco
Recorrida: Total Distribuidora de Petróleo LTDA e Filiais

Cuido de agravo no recurso extraordinário cujos autos em que se encontra encartado foram devolvidos a este TJPE pelo Supremo Tribunal
Federal, por meio do despacho de fl. 270, com vinculação ao tema 745 (RE nº 714.139/SC), tema este que teve a sua repercussão geral
previamente reconhecida, em razão da identidade da questão jurídica debatida no processo em epígrafe com a questão que será apreciada
quando do julgamento do tema supramencionado, qual seja, a discussão "à luz dos arts. 150, II, e 155, § 2º, III, da Constituição federal, a
constitucionalidade do art. 19, I, a, da Lei 10.297/1996 do Estado de Santa Catarina, que estabeleceu alíquota diferenciada de 25% para o Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS incidente sobre o fornecimento de energia elétrica e os serviços de telecomunicação, ao
passo que para as "operações em geral" é aplicada a alíquota de 17%".

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (paradigma RE nº 714.139/SC -
tema nº 745), impõe-se na espécie a observância do disposto no artigo 1.030, III, do CPC/2015.

Assim, determino o sobrestamento deste recurso até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

Recife, 05 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

002. 0002745-50.2014.8.17.1250 Apelação / Reexame Necessário


(0491402-3)
Comarca : Santa Cruz do Capibaribe

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Vara : Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santa Cruz do Capibaribe


Autor : Estado de Pernambuco
Procdor : MAURO DE MOURA LEITE
Réu : LEANDRO GOMES DE ANDRADE
Advog : Rodrigo José Aragão Silva(PE026459)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Évio Marques da Silva
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:03 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 491402-3


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: LEANDRO GOMES DE ANDRADE

Recurso Extraordinário em face de acórdão proferido em sede de apelação.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica àquela que informa o RE nº
566.471/RN (Tema 6 - Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras
para comprá-lo), submetido à sistemática peculiar do instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036 do CPC/2015.

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se, na espécie, a observância
do disposto no inciso III do art. 1.030 do CPC/2015.

Bem por isso, determino o sobrestamento deste apelo excepcional até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema na matéria.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos físicos.

Publique-se.

Recife, 21de novembro 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

003. 0011062-75.2013.8.17.0990 Apelação / Reexame Necessário


(0500236-0)
Comarca : Olinda
Vara : 2ª Vara da Fazenda Pública de Olinda
Autor : Estado de Pernambuco
Procdor : Rosana Cláudia Lowenstein de Araújo Feitosa
Réu : G. J. S. N. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : ISABELA DE SOBRAL E SILVA(PE001188B)
Reprte : ISADORA DE SOBRAL E SILVA
Procurador : Francisco Sales De Albuquerque
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:05 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 500236-0


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: GUILHERME JONNES DE SOBRAL NUNES

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido em sede de apelação/
reexame necessário.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto no art. 537 do CPC/2015, sob o fundamento de que "o Estado de Pernambuco
muito menos quaisquer de seus agentes, não deixa deliberadamente de cumprir as ordens judiciais a si endereçadas. Portanto, fica claro que a
imposição de multa diária no caso mostra-se ineficaz, uma vez que o Estado acabando (sic) por penalizar ainda mais o combalido erário estadual,
mormente no atual momento de crise econômica." (fl. 165v). Sustenta que "Tão por dever de zelo e cautela para com o Erário, na desacreditada
hipótese de não ser afastada a previsão de multa processual, ao menos reduza o valor, diante de sua exorbitância em relação à obrigação
principal (recebimento do medicamento requerido)." (fl. 165v).

Por fim, aduz malferido o art. 85, §§ 2º, 3º e 8º do NCPC, com relação aos honorários advocatícios, que não foram fixados com equidade.

Tendo em vista que uma parte da referida controvérsia - possibilidade da imposição de multa diária - foi submetida à sistemática procedimental
versada no art. 1.036 do CPC/2015, para cujo desate o STJ elegeu o REsp nº 1.474.665/RS (tema nº 98) como recurso representativo da
controvérsia, realizo o juízo de conformidade do presente recurso.

O recurso apontado pelo STJ como representativo do problema jurídico em liça já foi julgado em 26/04/2017, havendo o Tribunal, no mérito, por
unanimidade, dado provimento ao recurso especial, decisão publicada no DJe/STJ em 22/06/2017. Veja a ementa:

"PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC/1973. AÇÃO ORDINÁRIA
DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO PARA O TRATAMENTO DE MOLÉSTIA. IMPOSIÇÃO DE MULTA
DIÁRIA (ASTREINTES) COMO MEIO DE COMPELIR O DEVEDOR A ADIMPLIR A OBRIGAÇÃO. FAZENDA PÚBLICA. POSSIBILIDADE.
INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO NORMATIVO INSERTO NO § 5º DO ART. 461 DO CPC/1973. DIREITO À SAÚDE E À VIDA. 1. Para os fins
de aplicação do art. 543-C do CPC/1973, é mister delimitar o âmbito da tese a ser sufragada neste recurso especial representativo de controvérsia:
possibilidade de imposição de multa diária (astreintes) a ente público, para compeli-lo a fornecer medicamento à pessoa desprovida de recursos
financeiros. 2. A função das astreintes é justamente no sentido de superar a recalcitrância do devedor em cumprir a obrigação de fazer ou de
não fazer que lhe foi imposta, incidindo esse ônus a partir da ciência do obrigado e da sua negativa de adimplir a obrigação voluntariamente. 3. A
particularidade de impor obrigação de fazer ou de não fazer à Fazenda Pública não ostenta a propriedade de mitigar, em caso de descumprimento,
a sanção de pagar multa diária, conforme prescreve o § 5º do art. 461 do CPC/1973. E, em se tratando do direito à saúde, com maior razão
deve ser aplicado, em desfavor do ente público devedor, o preceito cominatório, sob pena de ser subvertida garantia fundamental. Em outras
palavras, é o direito-meio que assegura o bem maior: a vida. Precedentes: AgRg no AREsp 283.130/MS, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Primeira Turma, DJe 8/4/2014; REsp 1.062.564/RS, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ de 23/10/2008; REsp 1.062.564/
RS, Relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ de 23/10/2008; REsp 1.063.902/SC, Relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma,
DJ de 1/9/2008; e AgRg no REsp 963.416/RS, Relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ de 11/6/2008. 4. À luz do § 5º do art. 461
do CPC/1973, a recalcitrância do devedor permite ao juiz que, diante do caso concreto, adote qualquer medida que se revele necessária à
satisfação do bem da vida almejado pelo jurisdicionado. Trata-se do "poder geral de efetivação", concedido ao juiz para dotar de efetividade as
suas decisões. 5. A eventual exorbitância na fixação do valor das astreintes aciona mecanismo de proteção ao devedor: como a cominação de
multa para o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer tão somente constitui método de coerção, obviamente não faz coisa julgada
material, e pode, a requerimento da parte ou ex officio pelo magistrado, ser reduzida ou até mesmo suprimida, nesta última hipótese, caso a sua
imposição não se mostrar mais necessária. Precedentes: AgRg no AgRg no AREsp 596.562/RJ, Relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma,
DJe 24/8/2015; e AgRg no REsp 1.491.088/SP, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 12/5/2015. 6. No caso em foco,
autora, ora recorrente, requer a condenação do Estado do Rio Grande do Sul na obrigação de fornecer (fazer) o medicamento Lumigan, 0,03%,
de uso contínuo, para o tratamento de glaucoma primário de ângulo aberto (C.I.D. H 40.1). Logo, é mister acolher a pretensão recursal, a fim de
restabelecer a multa imposta pelo Juízo de primeiro grau (fls. 51-53). 7. Recurso especial conhecido e provido, para declarar a possibilidade de
imposição de multa diária à Fazenda Pública. Acórdão submetido à sistemática do § 7º do artigo 543-C do Código de Processo Civil de 1973 e dos
arts. 5º, II, e 6º, da Resolução STJ n. 08/2008. (STJ - Primeira Seção, REsp Nº 1.474.665, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22/06/2017) (grifei).

Por sua vez, o acórdão recorrido e o seu voto condutor, assim, decidiu:

"REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO CÍVEL. FORNECIMENTO GRATUITO DOS MEDICAMENTOS OMNITROPE (SOMATROPINA)
10MG E ANÁLOGO DE GONADOTROFINA (AGNRH)/LEUPRORRELINA. PACIENTE PORTADOR DE DEFICIÊNCIA DO HORMÔNIO DE
CRESCIMENTO E DIAGNOSTICADO COMO PIG - PEQUENO PARA A IDADE GESTACIONAL (CID 10: E 34.3). RESPONSABILIDADE DO
PODER PÚBLICO. 1. Pugna o autor/apelado pelo fornecimento, na forma prescrita por profissional de saúde que o acompanha, dos medicamentos
OMNITROPE (SOMATROPINA) 10mg e análogo de GONADOTROFINA (AGNRH)/LEUPRORRELINA, por não ter condições de arcar com a
respectiva compra. 2. Consultando o site da ANVISA, e nos termos da 'Nota Técnica' GAJ/GGAJ/SES Nº 0835/2013 acostada aos autos, verifica-
se que o medicamento SOMATROPINA possui 'indicação de uso aprovada pela ANVISA' para o tratamento de 'Crianças nascidas pequenas para a
idade gestacional que não recuperaram a altura nos primeiros quatro anos de vida', como é o caso dos autos. 3. Assim, a mera circunstância de tal
indicação de uso não ter sido incluída nos protocolos do Sistema Único de Saúde, não é suficiente para afastar o direito constitucional do paciente à
prestação adequada de serviços de saúde, por parte da rede pública. 4. E nos termos da 'Nota Técnica' GAJ/GGAJ/SES Nº 0835.1/2013 acostada
aos autos, registra-se que o análogo de GONADOTROFINA (AGNRH)/LEUPRORRELINA possui 'indicação de uso aprovada pela ANVISA' para
o tratamento de 'puberdade precoce central' (CID E 22.8), razão pela qual se tem por indiscutivelmente indicada a medicação em tela, associada
à medicação Somatropina, ao tratamento da patologia que acomete o autor/apelado. 5. A obrigação dos entes públicos com relação à prestação
de serviços de saúde pública (incluído o fornecimento de medicamentos essenciais) é comum, podendo ser demandada qualquer das esferas de
governo (CF, art. 198). 6. A imprescindibilidade das medicações solicitadas resta evidenciada pela apreciação do 'laudo médico' e do 'receituário
médico' acostados aos autos, subscritos pela Dra. Patrícia Freire (CRM-PE 10.711), cujos conteúdos não foram contraditados pelo Estado. 7.
No plano de fundo, é patente a gravidade da doença que aflige o menor G.J. de S.N., pelo que o atendimento ao referido pleito é indispensável
à efetividade aos direitos à saúde, à vida e à dignidade da pessoa humana, assegurados nos art. 5º e 196 da Constituição Federal. 8. Não se
trata de prestação jurisdicional invasiva da seara administrativa, eis que a ordem deferida em primeiro grau apenas determina o cumprimento
de obrigação já adrede imposta pela própria Constituição da República. 9. Destarte, tem-se que é de ser mantida a multa diária fixada pelo
Juízo a quo (R$ 1.000,00/dia de descumprimento), posto que à parte apelada não interessa o recebimento da multa, mas sim o cumprimento
efetivo, a tempo e modo, da obrigação de fazer consistente no fornecimento dos medicamentos solicitados, sendo indispensável, pois, que o
preceito cominatório seja suficiente para desestimular um eventual inadimplemento. 10. Ademais, é de se manter a condenação ao pagamento

52
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

da verba honorária fixada em primeiro grau, eis que efetuada com base em apreciação equitativa do Juízo, tal como previsto no §8º do art. 85,
do CPC/2015, observados, bem assim, os critérios do respectivo §2º. 11. Reexame necessário improvido, prejudicado o apelo voluntário."

Nesse sentido, colaciono julgados deste Tribunal de Justiça e do STJ. Confira-se:

"CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO DE AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE
FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. MERA CÓPIA DO RECURSO ANTERIOR.
AUSÊNCIA DE ATAQUE AO DECISÓRIO ANTERIOR. RECURSO NÃO CONHECIDO. DECISÃO UNÂMIME. 1. Por ofender ao princípio da
dialeticidade recursal, não merece conhecimento o recurso que, em total descompasso com aquilo que razoavelmente se espera de uma defesa
técnica, limita-se a repetir o recurso anterior, fazendo pequenas adaptações, sem atacar diretamente o ato decisório recursado. 2. Não contrariadas
as razões decisórias, não merece conhecimento o recurso já que, pela dialeticidade recursal, deve a parte impugnar os motivos que serviram
de base para o improvimento de seus pleitos, argumentando de forma a infringir as teses desfavoráveis. 3. Recurso não conhecido." (TJPE,
Processo: AGV 3990136 PE, Relator(a): Josué Antônio Fonseca de Sena, Julgamento: 20/10/2015, Órgão Julgador: 1ª Câmara Cível, Publicação:
03/11/2015).

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO À MOTIVAÇÃO DECLINADA NA
DECISÃO MONOCRÁTICA. INOBSERVÂNCIA DO ÔNUS DA DIALETICIDADE. 1. Entre a motivação utilizada como fundamento do julgamento
e as razões do recurso que impugna tal decisão deve haver relação de congruência, de maneira a permitir que o órgão com competência recursal
possa examinar a juridicidade da "ratio decidendi", pena de inobservância do ônus da dialeticidade.2. Agravo interno não conhecido." (STJ,
Processo: AgInt no AREsp 871884 DF 2016/0048065-5, Relator(a): Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Julgamento: 19/04/2016, Órgão
Julgador: T2 - SEGUNDA TURMA, Publicação: DJe 26/04/2016).
Analisando a peça recursal do Agravo Interno, e comparando-a com a apresentadas em sede de apelação (fls.135/143), percebe-se facilmente
que o agravante limitou-se a reproduzir esta última integralmente, sem combater os fundamentos da decisão terminativa contra a qual se insurge.
Nesse prisma, não tendo os recorrentes se desincumbido do ônus de impugnar especificamente os fundamentos da decisão monocrática
agravada, mas apenas reiterado as razões anteriormente lançadas, é caso de não conhecer do agravo interno, pois manifestamente inadmissível,
por ofensa aos Princípios da Dialeticidade e da Motivação dos recursos.
Ante o exposto, e com base no art. 932, III do CPC/2015, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Agravo Interno oposto, mantendo-se integralmente
a decisão terminativa recorrida."

Verifica-se, portanto, que o Superior Tribunal de Justiça, na análise do Recurso representativo da controvérsia, decidiu, em julgamento de mérito,
pela possibilidade de imposição de multa diária (astreintes) a ente público, para compeli-lo a fornecer medicamento à pessoa desprovida de
recursos financeiros, tendo sido o acórdão local decidido de acordo com os mesmos parâmetros norteadores do Superior Tribunal de Justiça.

No ponto, nego seguimento ao recurso excepcional, com esteio no art. 1.030, I, b, do CPC/2015.

Lado outro, quanto à alegação de violação ao art. 537, do CPC/2015, observo que a análise acerca da fixação do quantum da multa diária
em desfavor do ora recorrente por descumprimento da obrigação, quanto aos parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade, implica, como
consequência inevitável, o revolvimento do conteúdo fático-probatório dos autos, o que é vedado expressamente nesta estreita via de recurso
especial, em decorrência da exegese da súmula nº 07 do STJ.

Neste sentido, colaciono recente julgado do Superior Tribunal:

"ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO À SAÚDE.
FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. ALEGADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. RAZÕES DO AGRAVO QUE NÃO
IMPUGNAM, ESPECIFICAMENTE, A DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. ASTREINTES. REDUÇÃO DO VALOR. REEXAME DE
PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA
PARTE, IMPROVIDO.I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em 02/02/2017, que, por sua vez, julgara recursos interpostos contra
acórdão e decisão publicados na vigência do CPC/73. II. Em 1º Grau, o Estado de Pernambuco foi condenado, em sede de ação civil pública,
a fornecer os medicamentos Insulina Glargina (Lantus) e Insulina ultra-rápida (Humalog ou Novorapid) à adolescente Rayanny Karyny Santana
Pereira. O Tribunal de origem deu parcial provimento à Apelação do Estado de Pernambuco, apenas para determinar que o fornecimento do
medicamento seja condicionado à apresentação de receita médica, que deverá ser atualizada a cada seis meses, mantido o valor da multa
diária fixada, em caso de descumprimento da condenação. III. (...). IV. Consoante a jurisprudência do STJ, "rever o entendimento do Tribunal de
origem, que consignou pela manutenção da multa cominatória fixada pelo Juízo de 1º Grau por descumprimento da decisão de fornecimento de
medicamento, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na
Súmula n. 7/STJ" (STJ, AgInt no AREsp 728.833/PE, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 09/06/2016). (grifos
nossos)

Na mesma linha:

"A revisão do valor arbitrado a título de multa exige, em regra, o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que não é possível em
sede de recurso especial, em face do óbice da Súmula 7/STJ. Tal situação, no entanto, pode ser excepcionada quando o referido valor se
mostrar exorbitante ou irrisório, situação não verificada no caso dos autos" (STJ, AgRg no AREsp 844.841/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/04/2016). V. No caso, o Tribunal a quo, diante do quadro fático delineado nos autos, manteve o valor
das astreintes em R$ 1.000,00 (mil reais), por dia de descumprimento da obrigação, concluindo que "o valor arbitrado é razoável se posto em
cotejo com a relevância do bem jurídico em discussão". Tal contexto não autoriza a redução pretendida, de maneira que não há como acolher
a pretensão do recorrente de redução do valor da multa, em face da Súmula 7/STJ. VI. Agravo interno parcialmente conhecido, e, nessa parte,
improvido.(AgInt no AREsp 1020781/PE, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/05/2017, DJe 09/06/2017)"

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Com relação aos argumentos relativos à exorbitância da verba honorária fixada arbitrado em face da fazenda pública, de logo, verifico que, para
se apurar se a fixação da verba sucumbencial atendeu ou não aos critérios estabelecidos no art. 85, §§ 2º, 3º e 8º do NCPC deve-se proceder a
uma nova análise dos autos, o que esbarra invariavelmente no enunciado da Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça.

Sobre o tema, colho o seguinte julgado:

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO EM RECURSO ESPECIAL. EXORBITÂNCIA E
IRRISORIEDADE NÃO VERIFICÁVEIS DE PLANO. MAJORAÇÃO DO QUANTUM. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.1. A Primeira Seção do
STJ, por ocasião do julgamento do REsp 1.155.125/MG (em 10.3.2010, DJe 6.4.2010), relatoria do Ministro Castro Meira, submetido ao regime
dos recursos repetitivos, reafirmou a orientação no sentido de que, "vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários não está adstrita aos
limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do art. 20,
§ 4º, do CPC, ou mesmo um valor fixo, segundo o critério de equidade".2. Rever o entendimento consignado pela Corte local, relativamente ao
quantum da verba honorária, requer revolvimento do conjunto fático-probatório, visto que a instância a quo utilizou elementos contidos nos autos
para alcançar tal entendimento. Incide, no ponto, o óbice da Súmula 7/STJ.3. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 870.632/RS, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 10/10/2016)"

Como se sabe, a instância especial recebe a situação fática da causa tal como a retrata a decisão recorrida. Se a violação e/ou a negativa
de vigência da lei federal, nos termos em que é invocada no recurso especial, pressupõe o revolvimento do conjunto fático-probatório, levado
em expressa e clara consideração pelo tribunal de origem para chegar à conclusão tida por insatisfatória pelo recorrente, não se faz possível a
admissão do recurso. Dessa forma, no caso, impõe-se à aplicação do enunciado da Súmula nº 07 do STJ.

No ponto, nego seguimento ao recurso excepcional, com esteio no art. 1.030, I, b, do CPC/2015.

Com relação ao pleito de exclusão e/ou redução dos honorários advocatícios arbitrados em face da fazenda pública, de logo verifico que, para
se apurar se a fixação da verba sucumbencial atendeu ou não aos critérios estabelecidos no art. 85, §§ 2º, 3º e 8º do NCPC, deve-se proceder
a uma nova análise dos autos, o que esbarra invariavelmente no enunciado da Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça.

Sobre o tema, colho o seguinte julgado:

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO EM RECURSO ESPECIAL. EXORBITÂNCIA E
IRRISORIEDADE NÃO VERIFICÁVEIS DE PLANO. MAJORAÇÃO DO QUANTUM. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.1. A Primeira Seção do
STJ, por ocasião do julgamento do REsp 1.155.125/MG (em 10.3.2010, DJe 6.4.2010), relatoria do Ministro Castro Meira, submetido ao regime
dos recursos repetitivos, reafirmou a orientação no sentido de que, "vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários não está adstrita aos
limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do art. 20,
§ 4º, do CPC, ou mesmo um valor fixo, segundo o critério de equidade".2. Rever o entendimento consignado pela Corte local, relativamente ao
quantum da verba honorária, requer revolvimento do conjunto fático-probatório, visto que a instância a quo utilizou elementos contidos nos autos
para alcançar tal entendimento. Incide, no ponto, o óbice da Súmula 7/STJ.3. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 870.632/RS, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 10/10/2016)"

Como se sabe, a instância especial recebe a situação fática da causa tal como a retrata a decisão recorrida. Se a violação e/ou a negativa
de vigência da lei federal, nos termos em que é invocada no recurso especial, pressupõe o revolvimento do conjunto fático-probatório, levado
em expressa e clara consideração pelo tribunal de origem para chegar à conclusão tida por insatisfatória pelo recorrente, não se faz possível a
admissão do recurso. Dessa forma, no caso, impõe-se à aplicação do enunciado da Súmula nº 07 do STJ.

Deste modo, tendo em vista a conformidade do acórdão recorrido com o julgamento de mérito do recurso paradigma REsp nº 1.474.665/RS
(tema nº 98), nego seguimento ao presente recurso, com base no disposto no art. 1.030, I, "b", do CPC/2015, e, no mais, inadmito o recurso
com fundamento no art. 1.030, V, do CPC/2015.

Publique-se.

Recife, 20 de novembro de 2018.

DES. ANTENOR CARDOSO SOARES JÚNIOR


2º VICE-PRESIDENTE

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 500236-0


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDOS: GUILHERME JONNES DE SOBRAL NUNES

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Recurso extraordinário tirado contra acórdão em sede de mandado de segurança.


Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica à que informa o RE nº 566.471/
RN (Tema 06), submetido à sistemática peculiar ao instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036, caput, do novel Código de Processo
Civil de 2015.
Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se na espécie a observância
do disposto no art. 1.030, III, do CPC/2015.
Determino o sobrestamento deste recurso "até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema."
Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.
Publique-se.
Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. ANTENOR CARDOSO SOARES JÚNIOR


2ª Vice-Presidente

004. 0000182-94.2016.8.17.1450 Embargos de Declaração na Apelação


(0492186-8)
Protocolo : 2018/201344
Comarca : Tamandaré
Vara : Vara Única
Apelante : FUNAPE - Fundação de Aposentadorias e Pensões do Estado de PE e outro
e outro
Procdor : Tereza Cistina Vidal
Apelado : KLENIO DA SILVA VANDERLEY
Advog : Jeimison José Néri de Lyra(PE027340)
Advog : MARIA ANDREZA VASCONCELOS LYRA(PE030619)
Embargante : FUNAPE - Fundação de Aposentadorias e Pensões do Estado de PE
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Tereza Cistina Vidal
Procdor : Anselma Nunes Bandeira de Mello
Embargado : KLENIO DA SILVA VANDERLEY
Advog : Jeimison José Néri de Lyra(PE027340)
Advog : MARIA ANDREZA VASCONCELOS LYRA(PE030619)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Erik de Sousa Dantas Simões
Proc. Orig. : 0000182-94.2016.8.17.1450 (492186-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:08 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

Recurso Extraordinário no Processo nº 492186-8


Recorrente: Fundação de Aposentados e Pensões dos Servidores do Estado de Pernambuco - FUNAPE
Recorrido: Klênio da Silva Vanderley

Recurso extraordinário interposto com fundamento no artigo 102, III, alínea "a" da Constituição Federal, contra acórdão em sede de apelação
em embargos de declaração.

Neste sítio extremo a parte recorrente alega que o dito acórdão (proferido pela 1ª Câmara de Direito Público, sob relatoria do Des. Erick de Sousa
Dantas Simões) contrariou o disposto nos artigos 195, §5º, art. 40, caput e §3° e, por fim, art. 149, §1° da Carta Magna.

Não obstante a alegação de afronta ao dispositivo constitucional apontado, cuido que a matéria versada no presente recurso já foi objeto de
deliberação pelo Supremo Tribunal Federal, sob a égide da repercussão geral, tendo como recurso representativo da controvérsia o RE nº 593.068/
SC (tema 163), em que foi assentada a tese de "não incidência de contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de
aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade".

O recurso apontado pelo STF como representativo do problema jurídico em liça foi julgado pelo Plenário em 11.10.2018, no qual o Tribunal, no
mérito deu parcial provimento ao recurso extraordinário, decisão publicada no DJE/STF em 19.10.2018.

Exerço, pois, o juízo de conformidade do presente recurso.

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Pois bem, o acórdão recorrido decidiu, ipsis litteris, que:

EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO. SENTENÇA SUJEITA AO DUPLO GRAU OBRIGATÓRIO. PROFESSOR. GRATIFICAÇÃO
DE LOCALIDADE ESPECIAL. NATUREZA PROPTER LABOREM. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
ENTENDIMENTO PACÍFICO. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS DO TJPE. REEXAME NECESSÁRIO
PARCIALMENTE PROVIDO, PREJUDICADO O APELO. DECISÃO UNÂNIME. 1. Inicialmente, verifica-se que a matéria analisada nos presentes
autos é hipótese de Reexame Necessário, pois a sentença ilíquida proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município e as
respectivas autarquias e fundações de direito público está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada
pelo Tribunal. 2. No presente caso, o servidor estadual, ocupante do cargo de Professor, pugna pela exclusão de sua gratificaçãos de localidade
especial da base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. A contribuição previdenciária é tributo com natureza de contribuição social, e por isto,
está vinculada a uma atividade estatal específica. Além disso, a contribuição em comento tem caráter contributivo e solidário, sendo contributiva
exatamente porque o servidor recolhe mensalmente um percentual do valor que recebe, para ser incorporado à aposentadoria. 4. O caráter
solidário da Previdência Pública foi dado para distingui-la da forma de administração da previdência privada, de caráter retributivo, pois na privada,
o montante pago pelo contribuinte fica "guardado" em uma "poupança" para possibilitar o futuro pagamento do beneficiário da aposentadoria. 5.
Na previdência pública, a solidariedade se dá porque o que o servidor recolhe, a título de contribuição, destina-se ao pagamento dos que estão,
no momento, na inatividade, mas não implica em recolhimento de contribuição em parcelas não incorporáveis. 6. Com efeito, a jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que somente as parcelas que podem ser incorporadas à remuneração do servidor para
fins de aposentadoria podem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. 7. A Gratificação de Localidade Especial é propter laborem, de
natureza temporária, de forma que o servidor só recebe enquanto trabalha nas condições especiais previstas pela legislação. Sendo assim, não
há como incluí-la na base de cálculo da contribuição previdenciária, sob pena de violação ao equilíbrio e à proporcionalidade existentes entre
o valor a ser pago pelo servidor e o do benefício futuro, consagrado no texto constitucional (arts. 40, §3º, e 201, §11, CF). 8. Merece razão a
FUNAPE, contudo, no que toca ao início da contagem dos juros de mora, pois a sentença determinou que os juros fossem contados a partir da
citação, sendo que, no presente caso, como se trata de repetição de indébito tributário, impende-se a aplicação da Súmula nº. 188 do Superior
Tribunal de Justiça, in verbis: "Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença".
No mesmo sentido, a Súmula nº. 158 deste TJPE: "Nas ações de repetição de indébito tributário, os juros de mora fluem a partir do trânsito em
julgado da sentença (art. 167, parágrafo único, do CTN, c/c a Súmulas 188 do STJ) ". 9. No que tange aos índices aplicados, também merece
razão a autarquia estadual, pois, nas ações de indébito previdenciário, aplica-se a Taxa SELIC, tanto para o cálculo dos juros de mora, quanto
para o cálculo da correção monetária (Súmulas nº. 152 e nº. 165 deste TJPE). 10. Reexame Necessário parcialmente provido, prejudicado o
apelo, para reformar a sentença, apenas no que toca aos juros de mora e à correção monetária, determinando a aplicação das Súmulas nº. 152,
158 e 165 desta Corte de Justiça. 11. Decisão Unânime.

Por seu turno, o representativo da controvérsia RE nº 593.068/SC (tema 163), foi assim ementado:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. REGIME PREVIDENCIÁRIO.
CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. GRATIFICAÇÃO NATALINA (DÉCIMO-TERCEIRO SALÁRIO).
HORAS EXTRAS. OUTROS PAGAMENTOS DE CARÁTER TRANSITÓRIO. LEIS 9.783/1999 E 10.887/2004. CARACTERIZAÇÃO DOS
VALORES COMO REMUNERAÇÃO (BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO). ACÓRDÃO QUE CONCLUI PELA PRESENÇA DE PROPÓSITO
ATUARIAL NA INCLUSÃO DOS VALORES NA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO (SOLIDARIEDADE DO SISTEMA DE CUSTEIO). 1. Recurso
extraordinário em que se discute a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre adicionais e gratificações temporárias, tais como
'terço de férias', 'serviços extraordinários', 'adicional noturno', e 'adicional de insalubridade'. Discussão sobre a caracterização dos valores como
remuneração, e, portanto, insertos ou não na base de cálculo do tributo. Alegada impossibilidade de criação de fonte de custeio sem contrapartida
de benefício direto ao contribuinte. Alcance do sistema previdenciário solidário e submetido ao equilíbrio atuarial e financeiro (arts. 40, 150,
IV e 195, § 5º da Constituição). 2. Encaminhamento da questão pela existência de repercussão geral da matéria constitucional controvertida.
(RE 593068 RG, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 07/05/2009, DJe-094 DIVULG 21-05-2009 PUBLIC 22-05-2009 EMENT
VOL-02361-08 PP-01636 LEXSTF v. 31, n. 365, 2009, p. 285-295 )

Assim, percebe-se claramente que o acórdão proferido em 30.01.2018 e publicado em 06.02.2018, pela 1ª Câmara de Direito Público deste TJPE,
encontra-se adequado ao julgamento em comento, pois asseverou a não incidência no cálculo da contribuição previdenciária das Gratificações
de Localidade Especial, ante a sua natureza propter laborem, de natureza temporária, não incorporáveis na remuneração do servidor estadual.

Por isso que, ao passo em que o acórdão recorrido se encontra em conformidade com o que decidiu o STF no representativo da controvérsia
aludido, aplicando-se as regras do art. 1030, I, alínea "a", 2ª parte, do CPC/2015, nego seguimento ao presente recurso extraordinário.

Publique-se.

Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00550 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

56
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0000615-76.2014.8.17.0510(0477500-2)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 004 0001106-70.2013.8.17.0170(0494408-7)
"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 005 0000896-19.2013.8.17.0170(0497834-9)
"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 007 0007816-05.2014.8.17.1130(0426068-0)
"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 008 0000606-06.2015.8.17.0470(0452716-4)
ABÍLIO TAVARES PESSOA(PE038635) 004 0001106-70.2013.8.17.0170(0494408-7)
ABÍLIO TAVARES PESSOA(PE038635) 005 0000896-19.2013.8.17.0170(0497834-9)
ALINE MARIA DE MELO(PE033685) 004 0001106-70.2013.8.17.0170(0494408-7)
Alexandre Jorge Torres Silva(PE012633) 007 0007816-05.2014.8.17.1130(0426068-0)
BACILDES TERCEIRO(BA030750) 007 0007816-05.2014.8.17.1130(0426068-0)
ESTEVAN RODRIGUES DA SILVA(PE001180A) 002 0000325-21.2014.8.17.1170(0439279-8)
Francisco Bizerra Rufino(PE016143) 006 0000517-88.2012.8.17.0760(0297043-4)
Haroldo Wilson Martinez de S. Júnior(PE020366) 007 0007816-05.2014.8.17.1130(0426068-0)
José Eraldo Bione de Araújo Filho(PE025283) 008 0000606-06.2015.8.17.0470(0452716-4)
José Humberto Interaminense Mello(PE014153) 001 0000418-68.2010.8.17.0670(0328094-6)
Luiz Cavalcanti de Petribú Neto(PE022943) 003 0000615-76.2014.8.17.0510(0477500-2)
Lêda Virginia Andrade Ferraz(PE009963) 007 0007816-05.2014.8.17.1130(0426068-0)
Marcos Antônio Inácio da Silva(PE000573A) 006 0000517-88.2012.8.17.0760(0297043-4)
Michel Cavalcante de Miranda(PE031363) 002 0000325-21.2014.8.17.1170(0439279-8)
Nair Wanderley de Mendonça(PE016243) 001 0000418-68.2010.8.17.0670(0328094-6)
ODEVAL FRANCISCO BARBOSA(PE000276A) 003 0000615-76.2014.8.17.0510(0477500-2)
Renata Pessoa de Souza(PE027595) 008 0000606-06.2015.8.17.0470(0452716-4)
Sandra Lúcia Vieira de Souza(PE025011) 004 0001106-70.2013.8.17.0170(0494408-7)
Sandra Lúcia Vieira de Souza(PE025011) 005 0000896-19.2013.8.17.0170(0497834-9)
Tiago Capitulino de Oliveira(PE031463) 004 0001106-70.2013.8.17.0170(0494408-7)
Volnei Silva do Nascimento(PE037496) 003 0000615-76.2014.8.17.0510(0477500-2)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0000418-68.2010.8.17.0670(0328094-6)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 006 0000517-88.2012.8.17.0760(0297043-4)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 008 0000606-06.2015.8.17.0470(0452716-4)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0000418-68.2010.8.17.0670 Apelação


(0328094-6)
Comarca : Gravatá
Vara : Segunda Vara Cível da Comarca de Gravatá
Autos Complementares : 219200800006331 Execução Contra a Fazenda Pública Execução Contra a
Fazenda Pública
Apelante : MUNICÍPIO DE GRAVATÁ
Advog : José Humberto Interaminense Mello(PE014153)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : Maria Rosa da Silva
Advog : Nair Wanderley de Mendonça(PE016243)
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. André Oliveira da Silva Guimarães
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:04 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0328094-6


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE GRAVATÁ
RECORRIDA: MARIA ROSA DA SILVA

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal.

Alega a recorrente que a decisão combatida, proferida pela 4ª Câmara de Direito Público, violou o disposto nos artigos 319 e 535, § 2º, do
CPC/2015. Aduz que a rejeição liminar dos embargos à execução deu-se de forma equivocada, pois não há deficiência na planilha apresentada
pela parte recorrente.

Verifica-se que o acórdão recorrido restou assim ementado:

"EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SENTENÇA QUE REJEITA LIMINARMENTE OS
EMBARGOS À EXECUÇÃO MANEJADOS PELA FAZENDA MUNICIPAL, EXTINGUINDO-OS SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, COM
FUNDAMENTO NO ART. 739, II, DO CPC/73. EXCESSO DE EXECUÇÃO COMO ÚNICO FUNDAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DA MEMÓRIA
DE CÁLCULO COM O VALOR QUE O EMBARGANTE REPUTA CORRETO. ART. 739, §5º, DO CPC PROVECTO. DECISÃO ACERTADA.
PRECEDENTES DO STJ. APELO A QUE SE NEGA PROVIMENTO" (fl. 78)

57
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Do acima exposto, depreende-se que o entendimento esposado no acórdão que ora se impugna deu-se na mesma linha da jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confirmo:

"[...] segundo reiteradamente tem advertido a jurisprudência desta Corte, quando o fundamento dos Embargos for o excesso de execução, cabe
ao embargante, na petição inicial, declinar o montante do excesso, demonstrando, por intermédio de memória discriminada do cálculo, o valor
que entenda ser correto, sob pena de sua rejeição liminar. Precedentes: REsp. 1.726.938/DF, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 25.5.2018;
AgRg no REsp. 1.310.090/SE, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, DJe 26.8.2015. [...]" (STJ - 1ª T., AgInt no AREsp 903.481/SE, rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, DJe 30/10/2018)

Incide ao caso, portanto, a súmula nº 83 do STJ.

Ademais, em relação ao suscitado dissídio jurisprudencial, tenho que "[...] Nos termos do art. 1.029, § 1.º, do CPC e do art. 255, § 1.º, do RISTJ, a
divergência jurisprudencial deve ser comprovada por meio de cotejo analítico, no qual se demonstre a similitude fática entre o aresto recorrido e o
tomado por paradigma, bem como as interpretações divergentes em relação ao dispositivo de lei federal. 2. A admissibilidade do recurso especial
exige a clara indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado, seja ele interposto pela alínea "a" seja pela alínea "c" do permissivo
constitucional. [...]" (STJ - 5ª T., AgRg no REsp 1655278/SP, rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 27/09/2017).

De fato, a parte recorrente, além de não apontar sobre qual dispositivo de lei federal ocorreu o dissídio pretoriano, sequer realizou o necessário
cotejo analítico. Logo, aplicável quanto ao referido ponto a súmula nº 284 do STF, por analogia.

Pelo exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 13 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

002. 0000325-21.2014.8.17.1170 Apelação


(0439279-8)
Comarca : Quipapá
Vara : Vara Única
Apelante : Município de Quipapá
Advog : Michel Cavalcante de Miranda(PE031363)
Apelado : Cynara Raquel Costa Chapoval Gomes da Rosa
Advog : ESTEVAN RODRIGUES DA SILVA(PE001180A)
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:42 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 439279-8


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE QUIPAPÁ-PE
RECORRIDO: CYNARA RAQUEL COSTA

Recurso Especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão proferido pela 3ª Câmara de
Direito Público, por meio de seu Des. Relator Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, em sede de apelação.
Em suas razões recursais a parte recorrente aduz violação ao art. 700, do CPC/2015, por entender que a prova literal juntada em momento
algum demonstra o direito invocado no exordial, isto porque a suposta prova carece de informações suficientes para constituir comprovação da
dívida (fl. 58).

De início, cumpre trazer à baila o acórdão vergastado:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"PROCESSUAL E ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO EM AÇÃO MONITÓRIA. VALORES DE CONTRAPRESTAÇÃO DEVIDOS A SERVIDOR


PÚBLICO. PRELIMINARES. IMPOSSIBILIDADE DE REVELIA DO MUNICÍPIO. REJEITADA. FALTA DE CONDIÇÕES DA AÇÃO. PRELIMINAR
QUE SE CONFUNDE COM O MÉRITO. COMPROVAÇÃO DA SITUAÇÃO FÁTICA ATRAVÉS DE CHEQUES JUNTADOS AOS AUTOS.
DOCUMENTOS SUFICIENTES A AUTORIZAR O MANEJO DA MONITÓRIA. PRECEDENTE DO STJ. INADIMPLEMENTO. ÔNUS QUE CABIA
AO MUNICÍPIO. APELO NÃO PROVIDO. APLICAÇÃO, EX OFFICIO, QUANTO AOS JUROS DE MORA, DO ENUNCIADO DA SÚMULA Nº
150 DESTE EGRÉGIO TRIBUNAL E DO ÍNDICE IPCA-E CUMULADO COM O ENUNCIADO DA SÚMULA Nº 154, TAMBÉM DESTE EGRÉGIO
TRIBUNAL, NO TOCANTE À CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 - Trata-se de apelação cível manejada contra sentença que, nos autos de Ação
Monitória nº 0000325-21.2014.8.17.1170, cujo trâmite ocorreu na Vara Única da Comarca de Quipapá, condenou o Município de Quipapá a
pagar à autora o valor de R$ 4.147,68 (quatro mil, cento e quarenta e sete reais e sessenta e oito centavos), atualizados pela tabela ENCOGE
e com juros de mora a partir da citação de 0,5 % (meio por cento), com ônus sucumbencial fixado em R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). E
ainda, constituiu, em pleno direito, o título executivo judicial, convertendo-se o mandado inicial em mandado executivo, à luz do artigo 1.102-C do
CPC/73. 2 - O Município aduz, preliminarmente, a impossibilidade de revelia do Município, falta de condições da ação por ter sido acostada cópia
de um cheque sem as informações necessárias. No mérito, alega que a prova material acostada pela apelada não é suficiente para demonstrar
o crédito que diz ter a autora, haja vista que cabe a ela a comprovação da situação fática narrada na inicial, razão pela qual a sentença deve ser
reformada para se julgar improcedentes os pedidos da exordial. 3 - A ação monitória encontra amparo atualmente no artigo 700 da legislação
processual em vigor. O seu principal requisito é que haja prova documental, sem força de título executivo, e que comprove a situação fática
narrada nos autos. 4 - No presente caso, a autora juntou cópias dos cheques emitidos pela Administração Municipal para pagamento dos seus
vencimentos de servidora municipal, notadamente, nos valores de R$ 4.122,99 (quatro mil, cento e vinte e dois reais e noventa e nove centavos)
e R$ 24,69 (vinte e quatro reais e sessenta e nove centavos) (fls. 09 e 11), totalizando o valor de R$ 4.147,68 (quatro mil, cento e quarenta
e sete reais e sessenta e oito centavos), cuja verbas deixaram de ser pagas pela edilidade, que determinou a sustação do cheque, conforme
faz prova o instrumento de protesto de nº 903, de fl. 10. 5 - Tal documentação é hábil à comprovação do direito alegado, não havendo que se
falar em não atendimento ao preceito processual do artigo 700 do CPC. Art. 700. A ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar,
com base em prova escrita sem eficácia de titulo executivo, ter direito de exigir do devedor capaz: I - o pagamento de quantia em dinheiro; II -
a entrega de coisa fungível ou infungível ou de bem móvel ou imóvel; III - o adimplemento de obrigação de fazer ou de não fazer. § 1o A prova
escrita pode consistir em prova oral documentada, produzida antecipadamente nos termos do art. 381. 6 - Nesse sentido já decidiu o STJ: AgInt
no REsp 979457/SP. 7 - A questão é por demais conhecida desta Corte de Justiça, não havendo necessidade de maiores divagações: Agravo
336754-20000318-40.2011.8.17.0780. 8 - Aplicação, ex officio, por tratar-se de matéria de ordem pública, quanto aos juros de mora, do Enunciado
da Súmula nº 150 deste Egrégio Tribunal e do índice IPCA-E cumulado com o Enunciado da Súmula nº 154, também deste Egrégio Tribunal, no
tocante à correção monetária. 9 - Apelo não provido à unanimidade.".

A ação versa sobre a ausência de provas quanto ao Município ser devedor do recorrido, tenho que a análise de admissibilidade do presente
recurso encontra empecilho na súmula nº 07, do STJ, eis que a reforma da decisão impugnada, como pretende a parte recorrente, implicará a
necessidade de reapreciação do acervo fático-probatório contido nos autos.
Isto posto, com fundamento no artigo 1030, V, do NCPC, inadmito o recurso especial de fls. 55/59.

Publique-se.

Recife, 22 de novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

003. 0000615-76.2014.8.17.0510 Apelação


(0477500-2)
Comarca : Condado
Vara : Vara Única
Autos Complementares : 00001783520148170510 Execução Contra a Fazenda Pública Execução Contra
a Fazenda Pública
Apelante : Município do Condado
Advog : Volnei Silva do Nascimento(PE037496)
Advog : Luiz Cavalcanti de Petribú Neto(PE022943)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : José Laudelino da Silva Filho
Advog : ODEVAL FRANCISCO BARBOSA(PE000276A)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:42 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0477500-2


RECORRENTE: MUNICÍPIO DO CONDADO/PE
RECORRIDO: JOSÉ LAUDELINO DA SILVA FILHO

Trata-se de recurso especial tirado contra decisão monocrática terminativa em sede de reexame necessário.

Essa terminativa, todavia, não foi desafiada na via do agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015.

59
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por outras palavras, na medida em que não houve a colegialidade do julgado unipessoal, não houve o indispensável esgotamento do elenco
de recursos ordinários cabíveis neste Tribunal de Justiça, pelo que inexiste acórdão exposto a recurso especial (inteligência da súmula nº 281/
STF, aplicável por analogia).

Ante o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de 58/64.

Publique-se.

Recife, 22 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

004. 0001106-70.2013.8.17.0170 Apelação / Reexame Necessário


(0494408-7)
Comarca : Aliança
Vara : Vara Única
Autor : Município de Aliança
Advog : ALINE MARIA DE MELO(PE033685)
Advog : ABÍLIO TAVARES PESSOA(PE038635)
Advog : Tiago Capitulino de Oliveira(PE031463)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Réu : Antonio Marcos da Silva
Advog : Sandra Lúcia Vieira de Souza(PE025011)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Fábio Eugênio Dantas de Oliveira Lima
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:05 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 494408-7


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE ALIANÇA - PE
RECORRIDA: ANTONIO MARCOS DA SILVA

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão da 1ª Câmara de Direito Público,
de lavra do Des. Fábio Eugênio Oliveira Lima, em sede de embargos de declaração no reexame necessário.

Alega a parte recorrente que o acórdão atacado, além da divergência jurisprudencial, violou diretamente o artigo 373, inciso I, do CPC/2015,
haja vista não ter a parte autora demonstrado a real prova constitutiva de seu direito, o que impossibilita a condenação do município recorrente
ao pagamento das verbas pleiteadas.

O acórdão prolatado pelo órgão fracionário deste TJ-PE fora exarado nos seguintes termos:

DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATADO TEMPORARIAMENTE POR EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO.
DIREITO AO RECEBIMENTO DE SALÁRIO, FÉRIAS E DÉCIMO TERCEIRO. PROVA DO PAGAMENTO. ÔNUS DO ENTE PÚBLICO. 1. O gozo
de férias e o recebimento de seu respectivo adicional de um terço se configura como direito constitucionalmente garantido ao servidor público, por
força do disposto no art. 7º, XVII c/c art. 39, §3º da Constituição Federal. 2. Os contratados temporariamente por excepcional interesse público
têm direito à extensão dos direitos sociais do art. 7º mencionados no art. 39, §3º, ambos da Carta Maior. 3. Comprovado o vínculo funcional
pelo contratado, é ônus do ente público a prova do pagamento. A prova da quitação é ônus do devedor. O Código Civil assegura ao devedor
o direito à quitação (artigo 319 do Código Civil) conferindo-lhe, inclusive, a prerrogativa de reter o pagamento para o caso do credor recusar
fornecê-la. Em contrapartida, a prova do pagamento é de responsabilidade do devedor. Como observa Washington de Barros Monteiro1, quem
paga deve munir-se da necessária quitação passada pelo credor. Se o fizer em confiança, não poderá mais tarde invocar essa circunstância,
ao ser cobrado de novo. 4. A correção monetária - incidente a partir da data em que deveria ter sido efetuado o pagamento de cada parcela -
deve ser realizada de acordo com a Tabela ENCOGE para Débitos em Geral até 29.06.2009 e, daí em diante, o IPCA-E (Enunciado nº 20 do
Grupo de Câmaras de Direito Público do TJPE).

Pois bem, no que tange à suposta violação ao artigo 373, inciso I, do CPC/2015, faz-se necessário advertir que a ordem processual vigente
define caber ao autor comprovar o fato constitutivo de seu direito, portanto se relaciona ao instituto do ônus da prova. Todavia, o que se percebe
da análise das razões recursais é que o recorrente pretende, a bem da verdade, discutir se as provas contidas nos autos são suficientes para
satisfazer a pretensão jurídica do recorrido. Tal desiderato, contudo, encontra óbice no enunciado da Súmula nº 07 do STJ.
Deveras, é defeso, em sede de recursos excepcionais, reexaminar o contexto fático-probatório da lide, para fins de verificar se a parte adversária
logrou êxito ou não em carrear aos autos elementos probatórios suficientes para comprovar o direito deduzido na inicial da demanda.

Nesse sentido:

"ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MORRO DA COTIA. ÁREA DE RISCO DE DESLIZAMENTOS. PEDIDO
DE PRODUÇÃO DE PROVA. ART. 333, I, DO CPC/73. INCUMBÊNCIA DO ÔNUS PROBATÓRIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS.

60
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ART. 130 DO CPC/73. ACÓRDÃO QUE ANULA, DE OFÍCIO, A SENTENÇA, POR NECESSIDADE DE
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 515 DO CPC/73. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. [...] 2.
"Acerca da alegada afronta ao artigo 333, I e II, do CPC, é firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que compete
às instâncias ordinárias exercer juízo acerca das provas produzidas, haja vista sua proximidade com as circunstâncias fáticas da causa, cujo
reexame é vedado em âmbito de recurso especial, a teor da Súmula 7 deste Tribunal" (AgRg no AREsp 799.138/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE
SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2015, DJe 04/12/2015.)[...]" (STJ - AgInt no Aresp nº 897363/RJ, rel. Min. Humberto Martins,
DJe 30.08.2016 - grifo nosso).

Por derradeiro, tenho que, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de seguimento supramencionada e a decorrente
inadmissão deste recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme
nesse ponto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese
sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615053/
RJ, rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015 - trecho da ementa)

Bem por isso, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 111/117.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

005. 0000896-19.2013.8.17.0170 Apelação / Reexame Necessário


(0497834-9)
Comarca : Aliança
Vara : Vara Única
Autor : MUNICÍPIO DE ALIANÇA
Advog : ABÍLIO TAVARES PESSOA(PE038635)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Réu : Sebastiana Adélia da Silva
Advog : Sandra Lúcia Vieira de Souza(PE025011)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Fábio Eugênio Dantas de Oliveira Lima
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:42 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0497834-9


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE ALIANÇA - PE
RECORRIDOS: SEBASTIANA ADÉLIA DA SILVA

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de
reexame necessário.

Alega a parte recorrente que o acórdão atacado, além da divergência jurisprudencial, violou diretamente o artigo 373, inciso I, do CPC/2015, haja
vista não ter a parte autora demonstrado a real prova constitutiva de seu direito, o que impossibilita a condenação do Município recorrente ao
pagamento das remunerações pleiteadas.

No tocante ao assunto, segue o acórdão vergastado, da 1ª Câmara de Direito Público, de lavra do Des. Relator Fábio Eugênio Dantas de Oliveira
Lima:

"EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE COBRANÇA. SERVIDOR COMISSIONADO. DIREITO AO RECEBIMENTO DE SALÁRIO,
FÉRIAS E DÉCIMO TERCEIRO. PROVA DO PAGAMENTO. ÔNUS DO ENTE PÚBLICO. VERBAS ABRANGIDAS PELA PRESCRIÇÃO
QUINQUENAL DO DECRETO Nº 20.910, DE 06 DE JANEIRO DE 1932. EXCLUSÃO DA CONDENAÇÃO. CONDENAÇÕES IMPOSTAS À
FAZENDA PÚBLICA. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS E CORREÇÃO MONETARIA. ART. 1º-F DA LEI 9.494/1997 COM A REDAÇÃO
DADA PELA LEI 11.960/2009. ÍNDICES.1. O recebimento de salário, nunca inferior ao mínimo, o gozo de férias, acrescidas do terço constitucional
e o décimo terceiro salário se configuram como direitos constitucionalmente garantidos ao servidor público, ainda que comissionado, por força do
disposto no art. 7º, IV, VII, VIII e XVII c/c art. 39, §3º da Constituição Federal.2. Comprovado o vínculo funcional pelo contratado, é ônus do ente
público a prova do pagamento. A prova da quitação é ônus do devedor. O Código Civil assegura ao devedor o direito à quitação (artigo 319 do

61
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Código Civil) conferindo-lhe, inclusive, a prerrogativa de reter o pagamento para o caso do credor recusar fornecê-la. Em contrapartida, a prova
do pagamento é de responsabilidade do devedor. Como observa Washington de Barros Monteiro1, quem paga deve munir-se da necessária
quitação passada pelo credor. Se o fizer em confiança, não poderá mais tarde invocar essa circunstância, ao ser cobrado de novo.3. Deve-se
excluir da condenação as férias, acrescidas do terço constitucional, anteriores à 28/08/2008 - já que a ação fora protocolada em 28/08/2013. Com
efeito, nos termos do Decreto 20.910/32 e da Súmula 85 do STJ, os débitos da Fazenda Pública Federal, Estadual e Municipal prescrevem em
05 anos, a partir do ato ou fato do qual se originarem. 4. Nas sentenças condenatórias contrárias à Fazenda Pública referentes a servidores e
empregados públicos os juros de mora - incidentes a partir da citação - devem obedecer aos seguintes índices: (a) percentual de 1% ao mês, nos
termos do art. 3º, do Decreto nº 2.322/87, no período anterior a 24.08.2001, data de publicação da Medida Provisória nº 2.180-35, que acresceu
o art. 1.º-F à Lei n.º 9.494/97; (b) percentual de 0,5% ao mês, a partir da MP nº 2.180-35/2001 até o advento da Lei n.º 11.960, de 30.06.2009,
que deu nova redação ao art. 1.º-F da Lei n.º 9.494/97; (c) no percentual estabelecido para caderneta de poupança, a partir de 30.6.2009 (art. 1º-
F da Lei nº 9.494/97, com a redação determinada pela Lei nº 11.960/2009.).5. A correção monetária - incidente a partir da data em que deveria
ter sido efetuado o pagamento de cada parcela - deve ser realizada de acordo com a Tabela ENCOGE para Débitos em Geral até 29.06.2009 e,
daí em diante, o IPCA-E (Enunciado nº 20 do Grupo de Câmaras de Direito Público do TJPE).6. Apelação a que se dá parcial provimento." (fls.
114-115). Grifos nossos.

Ora, quanto à violação ao artigo 373, inciso I, do CPC/2015, e no que se refere à distribuição do ônus da prova, a pretensão da parte recorrente
encontra óbice no enunciado da Súmula nº 07, do Superior Tribunal de Justiça. Pedido de produção de prova, incumbência do ônus probatório
não conseguem ultrapassar a proibição de revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que sua apreciação exigiria tal reexame
de fatos e provas:

"ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. MORRO DA COTIA. ÁREA DE RISCO DE DESLIZAMENTOS. PEDIDO
DE PRODUÇÃO DE PROVA. ART. 333, I, DO CPC/73. INCUMBÊNCIA DO ÔNUS PROBATÓRIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS.
INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ART. 130 DO CPC/73. ACÓRDÃO QUE ANULA, DE OFÍCIO, A SENTENÇA, POR NECESSIDADE DE
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 515 DO CPC/73. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. [...] 2.
"Acerca da alegada afronta ao artigo 333, I e II, do CPC, é firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que compete
às instâncias ordinárias exercer juízo acerca das provas produzidas, haja vista sua proximidade com as circunstâncias fáticas da causa, cujo
reexame é vedado em âmbito de recurso especial, a teor da Súmula 7 deste Tribunal" (AgRg no AREsp 799.138/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE
SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/12/2015, DJe 04/12/2015.)[...]" (STJ - AgInt no Aresp nº 897363/RJ, rel. Min. Humberto Martins,
DJe 30.08.2016 - grifo nosso).

Por fim, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de seguimento supramencionada e a decorrente negativa de
seguimento a este recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme nesse
ponto a jurisprudência do STJ, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no
exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional" (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615.053/RJ, rel. Min. Herman Benjamin,
DJe de 06.04.2015 - trecho da ementa).

Por tais considerações, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o presente recurso.

Publique-se.

Recife, 22 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

006. 0000517-88.2012.8.17.0760 Embargos de Declaração no Agravo na Apelação


(0297043-4)
Protocolo : 2016/107714
Comarca : Itamaracá
Vara : Vara Unica da Comarca de Itamaracá
Agravte : Maria Betânia Cardoso da Silva e outro e outro
Advog : Marcos Antônio Inácio da Silva(PE000573A)
Advog : Francisco Bizerra Rufino(PE016143)
Embargante : Maria Betânia Cardoso da Silva
Advog : Marcos Antônio Inácio da Silva(PE000573A)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : Município de Itamaracá
Advog : Francisco Bizerra Rufino(PE016143)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo
Proc. Orig. : 0000517-88.2012.8.17.0760 (297043-4)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:02 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 297043-4


RECORRENTE: MARIA BETÂNIA CARDOSO DA SILVA
RECORRIDO: MUNICÍPIO DE ITAMARACÁ-PE

62
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recurso especial, com fundamento no art. 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão em recurso de apelação.

Alega a recorrente que o acórdão combatido violou os artigos 9º, I da Lei 7.998/90 e 1º da Lei Complementar nº 26/75, na medida em que deixou
de lhe pagar a indenização compensatória pela não inscrição/recolhimento do PIS/PASEP.

Com relação ao pleito de indenização compensatória pela não inscrição no PIS/PASEP, saliento trecho do acórdão vergastado proferido pela 3ª
Câmara de Direito Público, de lavra do Des. Relator Alfredo Sérgio Magalhães Jambo.

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. AGENTE DE SAÚDE. INSALUBRIDADE. FÉRIAS E DÉCIMO
TERCEIRO. INSCRIÇÃO NO PIS/PASEP. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO MUNICIPAL PARA A CONCESSÃO DO ADICIONAL.
IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ANALÓGICA, NA ESPÉCIE. FICHAS FINANCEIRAS COMPROVAM O PAGAMENTO DAS FÉRIAS E
DÉCIMOS TERCEIROS DOS PERÍODOS VINDICADOS. DOCUMENTOS NÃO REFUTADOS. PIS/PASEP. PIS SOMENTE DEVIDO PARA
FUNCIONÁRIOS REGIDOS PELA CLT. PASEP REQUERIDO APENAS NO PRESENTE AGRAVO. INOVAÇÃO QUE NÃO SE ADMITE.
PREQUESTIONAMENTO DOS ARTS. 4º e 5º DO DECRETO-LEI Nº 4.657 E ARTS. 126 e 127 DO CPC VIGENTE. RECURSO IMPROVIDO.
MANUTENÇÃO DA DECISÃO TERMINATIVA.
1- o adicional de insalubridade somente é devido se houver previsão legal na lei municipal para tanto. Inexistindo tão previsão, não é devido.
2- Precedentes.
3- Nos autos, não consta qualquer lei específica que preveja o pagamento do referido adicional. Inclusive, na Lei dos Agentes de Saúde (Lei
Complementar nº 04/2007) também não consta qualquer regulamentação e, sem essa previsão, não há como obrigar o Município a pagar essa
verba, pois ela não é direito automático do servidor, não sendo possível utilizar a analogia neste caso.
4- No que tange ao argumento no sentido de que as fichas financeiras acostadas não são documentos hábeis a demonstram o pagamento dos
décimos terceiros salários e férias, tal argumento também não tem ressonância.
5- Verifica-se que o agravado comprovou o pagamento das verbas vindicadas e as fichas financeiras analisadas não foram oportunamente
impugnadas.
6- Relativamente ao pagamento do PIS, o recorrente havia solicitado sua inscrição nesse programa, porém a verba em questão somente é
devida àqueles contratados pelo regime celetista, o que não é o caso. Outrossim, não se afigura possível inovar na presente seara, solicitando
indenização pela não inscrição no PIS/PASEP.
7- Dessa forma, não há que se falar em malferimento do disposto nos dos arts. 4º e 5º do Decreto-lei nº 4.657 e arts. 126 e 127 do CPC vigente.
8- Recursos de agravo improvido. Manutenção da Decisão Terminativa. (fls. 201/201v.)

Por sua vez, em suas razões, a recorrente argumenta que o Tribunal de Justiça equivocou-se por entender que o pedido é tipicamente celetista
uma vez que seu direito à indenização estaria previsto na Lei federal nº 7.998/90 (art. 9º, I) que dispõe:

"Art. 9º. É assegurado o recebimento de abono salarial anual, no valor máximo de 1(um) salário-mínimo vigente na data do respectivo pagamento,
aos empregados que: [...]
I - tenham percebido, de empregadores que contribuem para o Programa de Integração Social (PIS) ou para Programa de Formação do Patrimônio
do Servidor Público (Pasep), até 2(dois) salários mínimos médios de remuneração mensal no período trabalhado e eu tenham exercido atividade
remunerada pelo menos durante 30(trinta) dias no ano-base."

Acontece que tais argumentos não se coadunam com o fundamento do acórdão recorrido sobre a matéria, a uma porque não houve qualquer
manifestação
no acórdão sobre indenização compensatória pela não inscrição no PASEP, a duas porque o artigo 9º, I da Lei 7.998/90 trata sobre os requisitos
para o recebimento do PIS/PASEP, matéria que não se coaduna com a negativa do direito encartado no acórdão que afastou a indenização
referente ao PIS por entender que o vínculo entre o autor e a administração pública é de natureza jurídico administrativo, o que afastava aplicação
da CLT ao caso em questão. Portanto, a recorrente não demonstrou de que forma o art. 9º, I da Lei 7.998/90 e 1º, da LC 25/76 foram violados
pelo acórdão recorrido. Com efeito, a simples alusão ao dispositivo, desacompanhada da necessária argumentação que sustente a indigitada
ofensa à lei federal, não se mostra suficiente para o conhecimento do Recurso Especial.

Neste sentido, estando as razões trazidas no apelo, relativas ao pagamento de indenização compensatória pela não inscrição no PASEP,
dissociadas da suscitada no acórdão combatido, incide, no particular, o óbice da Súmula 284/STF, aplicável por analogia.

No tocante à percepção de valores referentes ao PIS (Programa de Integração Social), conforme acima mencionado, o acórdão combatido
evidencia que tal pretensão não merece respaldo, haja vista estar-se diante de uma relação, cujo vínculo é jurídico administrativo (Cf. fl. 204, do
voto condutor). Concluir contrariamente ao que restou decidido pelo tribunal implicaria, necessariamente, o revolvimento de matéria fática, o que
é vedado, em sede deste apelo especial, pelo enunciado da Súmula nº 7, do STJ.

Nesse entender: "2. O Tribunal de origem afirmou que o vínculo entre o Servidor Público e a Administração Pública era estatutário com base
na legislação estadual. Assim, a par do fundamento constitucional, infere-se que a controvérsia foi dirimida não só a partir de premissas fático-
probatórias do caso concreto, mas também da legislação local, sendo inviável tal discussão na via eleita, ante o óbice contido nas Súmulas 7
do STJ e 280 do STF, esta última aplicável por analogia" (STJ-1ª T., AgRg no AREsp 74.753/MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado
em 20/08/2015, DJe 31/08/2015 - trecho de ementa).

Por fim, tenho que, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de seguimento supramencionada e a decorrente negativa de
seguimento a este recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme
nesse ponto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615053/
RJ, rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015 - trecho da ementa)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 250/255.

Publique-se.

Recife, 22 de novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

007. 0007816-05.2014.8.17.1130 Embargos de Declaração na Apelação


(0426068-0)
Protocolo : 2017/29835
Comarca : Petrolina
Vara : Vara da Faz. Pública
Apelante : COMPANIA PERNAMBUCANA DE SANEAMENTO-COMPESA
Advog : Haroldo Wilson Martinez de Souza Júnior(PE020366)
Apelante : Município de Petrolina
Advog : Lêda Virginia Andrade Ferraz(PE009963)
Apelado : RAIMUNDO RODRIGO DE SOUZA.
Advog : BACILDES TERCEIRO(BA030750)
Embargante : Município de Petrolina
Advog : Alexandre Jorge Torres Silva(PE012633)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : RAIMUNDO RODRIGO DE SOUZA.
Advog : BACILDES TERCEIRO(BA030750)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0007816-05.2014.8.17.1130 (426068-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:08 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 426068-0


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE PETROLINA
RECORRIDO: RAIMUNDO RODRIGO DA SILVA

Recurso especial, com fundamento no art. 105, III, alínea "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão nos Embargos de Declaração
da 2º Câmara Extraordinária de Direito Público.

Alega a parte recorrente que o acórdão vergastado violou o disposto no artigo 43 do CC/02 e art. 373, I do CPC.

Aduz a impossibilidade de responsabilização subjetiva por omissão, apontando a falta de comprovação de culpa da municipalidade e a
imprevisibilidade do acontecimento.

Requer por fim, que seja o presente apelo excepcional provido para reformar o acórdão e declarar a improcedência da ação.

Sobre o assunto, verifico que o acórdão assim consignou:

"EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO MUNICÍPIO. CHUVAS PREVISÍVEIS. SISTEMA DE


ESGOTAMENTO E ESCOAMENTO DE ÁGUAS. OMISSÃO MUNICIPAL. DEVER DE INDENIZAÇÃO. VÍCIO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO.
INOCORRÊNCIA. MATÉRIA COMPLETAMENTE ENFRENTADA. OPOSIÇÃO NÃO PROVIDA. DECISÃO UNÂNIME. 1 - As alegadas omissões
não merecem ser acolhidas. Isso porque, a matéria restou absolutamente enfrentada no acórdão recorrido, na medida em que consignou in
verbis: "No caso em apreço, conforme documentação extraída dos autos, a ocorrência de enchentes no Município de Petrolina é recorrente. Tal
situação, evidentemente, é causada pelas falhas estruturais no sistema de escoamento das águas pluviais e pela falta no serviço de limpeza
urbana, canais, bueiros e córregos. Ressalte-se que, apesar da suscitada excludente de ilicitude de força maior (chuvas), o que afastaria a
responsabilização do Município, não consta nos autos qualquer prova de que as chuvas que comumente caem sobre a cidade de Petrolina são
absolutamente imprevisíveis, "ao ponto de tornar o sistema de escoamento da águas incapaz de evitar a inundação ocorrida", conforme bem
asseverou a sentença recorerida". 2 - Além disso, ficou estabelecido que o Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de
que a ausência de diligência dos Órgãos competentes para a limpeza e manutenção do sistema de águas e esgotos são capazes de causar
alagamentos e, nesse caso, prejuízos à população, sendo - nesse sentido - imperiosa a responsabilização civil do Município. 3 - Oposição Não
Provida. 4 - Decisão Unânime. (fls. 244/245, grifos nossos)."

64
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Contudo, verifico que, para se apurar a responsabilização ou não do municipio, deve-se proceder a reapreciação do acervo fático-probatório
contido nos autos, o que esbarra invariavelmente no enunciado da Súmula nº 071 do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido, colho o seguinte
julgado:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. DANOS CAUSADOS POR ENCHENTES. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. REEXAME
DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ.1. Cuida-se, na origem, de ação de indenização por danos morais e materiais ajuizada
contra o município de Atibaia-SP, tendo como causa de pedir a ocorrência de enchentes que poderiam ter sido evitadas pela implantação de
políticas públicas aptas a impedir o evento danoso. 2. Acerca da configuração da responsabilidade civil do Estado e da existência de nexo de
causalidade, o Tribunal de origem, analisando o conjunto fático-probatório dos autos, julgou a demanda procedente. 3. Dessa maneira, para afastar
as premissas fáticas adotadas no acórdão recorrido, bem como para analisar se as excludentes de ilicitude apontadas de fato ocorreram, como
pleiteia a parte recorrente, há a necessidade de reapreciação dos fatos e provas, o que não é cabível no âmbito do Recurso Especial, conforme
estabelece a Súmula 7 do STJ. 4. Recurso Especial não conhecido." (REsp 1701957 / SP - Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe 19/12/2017 -
grifos nossos)

Por fim, tenho que, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de seguimento supramencionada e a decorrente negativa de
seguimento a este recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme
nesse ponto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese
sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615053/
RJ, rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015 - trecho da ementa)

Bem por isso, inadmito o presente recurso com fulcro no art. 1.030, V do CPC/2015.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula nº 07: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
---------------

008. 0000606-06.2015.8.17.0470 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0452716-4)
Protocolo : 2017/112594
Comarca : Carpina
Vara : Primeira Vara Cível da Comarca de Carpina
Autor : Ana Paula Maria da Silva
Advog : Renata Pessoa de Souza(PE027595)
Réu : MUNICIPIO DE CARPINA
Advog : José Eraldo Bione de Araújo Filho(PE025283)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Autor : MUNICIPIO DE CARPINA
Advog : Renata Pessoa de Souza(PE027595)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Réu : Ana Paula Maria da Silva
Advog : Renata Pessoa de Souza(PE027595)
Embargante : Ana Paula Maria da Silva
Advog : Renata Pessoa de Souza(PE027595)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : MUNICIPIO DE CARPINA
Advog : José Eraldo Bione de Araújo Filho(PE025283)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Proc. Orig. : 0000606-06.2015.8.17.0470 (452716-4)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:08 Local: CARTRIS

Recurso Especial no Processo nº 452716-4


Recorrente: Ana Paula Maria da Silva
Recorrido: Município de Carpina

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 3ª Câmara de Direito Público,
por meio de seu Des. Relator Luiz Carlos de Barros Figueiredo, em sede de embargos de declaração em apelação.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O Município recorrido foi condenado ao pagamento de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), a título de indenização por danos morais em decorrência
da morte de Wellington Martins da Silva, cônjuge da recorrente, que foi atropelado por caminhão de lixo contratado pelo Município recorrido.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto nos artigos186, 927 e 944 todos do Código Civil, alega ainda violação aos
artigos 389, 395 e 404, sem fazer referência a que legislação pertenceria tais normas, apenas aduzindo que seriam relativos "aos pedidos de
perdas e danos decorrentes dos honorários contratuais".

De início, quanto a contrariedade apontada aos artigos 389, 395 e 404, a parte recorrente interpôs este recurso especial, sem, contudo, explicar,
de forma clara e objetiva de qual compilação ou legislação tais dispositivos pertenciam, ou se esses teriam sido violados ou afrontados pelo
acórdão recorrido, de modo que se observa claramente a deficiência na fundamentação do recurso, atraindo a incidência do enunciado nº 284
da súmula do STF, também aplicável em sede de recurso especial.

Com efeito: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração
efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal" (STJ - 1ª T., AgInt no REsp
1680275/SP, rel. Min. Regina Helena Costa, DJe 24/04/2018).

No que consta as ofensas atinentes aos artigos 186, 927 e 944 do Código Civil, verifico que modificar os termos acordados quanto o arbitramento
firmado pelo colegiado referente ao quantum indenizatório, apenas seria possível com nova visita ao conjunto fático-probatório dos autos, o que
é vedado pela Súmula n° 7/STJ.

Nesse sentido: "[...] ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. AGRAVO INTERNO. MORTE POR DISPARO DE ARMA DE
FOGO EFETUADO POR POLICIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS.
VALOR DA INDENIZAÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. PENSÃO MENSAL. DEPENDÊNCIA
ECONÔMICA PRESUMIDA. REVISÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. O Tribunal de origem
dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo,
ademais, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. A alteração das
conclusões adotadas pela Corte de origem para aferir os elementos caracterizadores da responsabilidade civil do Estado, demandaria,
necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice
previsto na Súmula 7/STJ.3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, em caráter excepcional, a alteração dos montantes fixados
pela instância de origem a título de danos morais e de honorários advocatícios, caso se mostrem irrisórios ou exorbitantes, em clara afronta aos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não é a hipótese dos autos.(...) (AgInt no AREsp 1307430/PE, Rel. Ministro SÉRGIO
KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/10/2018, DJe 06/11/2018)".

Por derradeiro, em que pese ter a parte recorrente afirmado que o acórdão recorrido deu entendimento diverso ao de outros Tribunais, descuidou
de proceder ao imprescindível cotejo analítico entre os julgados, de forma a permitir a análise do seu recurso pela divergência jurisprudencial.

Sobre a questão, inclusive, decidiu o STJ que "Não sendo comprovado o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelos dispositivos legais e
regimentais - notadamente por ter deixado o recorrente de efetuar o necessário cotejo analítico das teses supostamente divergentes, tampouco
indicado o repositório oficial ou juntado cópia do inteiro teor dos julgados paradigmas - mostra-se inviável o conhecimento do recurso especial
interposto com base apenas na alínea "c" do permissivo constitucional." (STJ - 5ªT., AgRg no AREsp 266059 / MS, rel. Min. Marcos Aurélio
Bellizze, DJe de 02.04.2013)

Posto isso, inadmito ao presente recurso com fulcro no art. 1.030, V do NCPC.

Publique-se.

Recife, 21 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00544 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)


Daniel Barbosa Santos(DF013147) 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)
Daniel Barbosa Santos(DF013147) 004 0015083-52.2016.8.17.0000(0464036-2)
Erik Limongi Sial(PE015178) 002 0060167-53.2000.8.17.0480(0449215-7)

66
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

FERNANDO JOSE CAVALCANTE P. D. 001 0000204-76.2012.8.17.0001(0382134-9)


MELO(PE041100)
IZES MENDONÇA(PE034599) 001 0000204-76.2012.8.17.0001(0382134-9)
MARCELA MORENO GALDINO 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)
MARQUES(PE035755)
Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255) 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)
Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255) 004 0015083-52.2016.8.17.0000(0464036-2)
Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483) 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)
Tadeu Leal Reis de Melo(PE023111) 004 0015083-52.2016.8.17.0000(0464036-2)
Yuri Barbosa de Oliveira(PE039940) 004 0015083-52.2016.8.17.0000(0464036-2)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0000204-76.2012.8.17.0001(0382134-9)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 003 0012898-41.2016.8.17.0000(0457926-0)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 004 0015083-52.2016.8.17.0000(0464036-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0000204-76.2012.8.17.0001 Agravo no Agravo em Reexame Necessário


(0382134-9)
Protocolo : 2016/117392
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Agravte : ASTROGILDO DA SILVA NASCIMENTO
Advog : IZES MENDONÇA(PE034599)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : MÁRCIA DE FÁTIMA SILVA NASCIMENTO
Agravdo : Estado de Pernambuco
Procdor : CATARINA DE SÁ GUIMARÃES RIBEIRO e outro e outro
Agravte : ASTROGILDO DA SILVA NASCIMENTO
Advog : FERNANDO JOSE CAVALCANTE PADILHA DE MELO(PE041100)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : MÁRCIA DE FÁTIMA SILVA NASCIMENTO
Agravdo : Estado de Pernambuco
Procdor : CATARINA DE SÁ GUIMARÃES RIBEIRO
Procdor : Gilson Silvestre da Silva
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Proc. Orig. : 0000204-76.2012.8.17.0001 (382134-9)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 15:04 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0382134-9


RECORRENTE: ASTROGILDO DA SILVA NASCIMENTO
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão em sede de
reexame necessário.

Alega a parte recorrente que o aresto vergastado, proferido pela 4ª Câmara de Direito Público, violou o disposto nos artigos 5º, 6º, 196 e 197,
todos da Constituição Federal; 20 e 186 do Código Civil; 6º e 14 do Código de Defesa do Consumidor; e 12 da Lei nº 9.656/98.

De início, quanto à denúncia da suposta violação aos dispositivos constitucionais supramencionados, constato que o Superior Tribunal de Justiça
(STJ), em sede de recurso especial, não possui competência para a sua análise. Confirmo:

"[...] Não compete ao Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Especial, analisar eventual contrariedade a preceito contido na Constituição
Federal, nem tampouco uniformizar a interpretação de matéria constitucional, porquanto seu exame é de competência exclusiva do Supremo
Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional. [...]" (STJ - 2ª T., REsp 1762070/PA, rel. Min. Herman Benjamin,
DJe 16/11/2018)

Ademais, conforme se depreende da leitura do acórdão, constato que os artigos infraconstitucionais apontados como violados pela parte
recorrente sequer foram objeto de debate e deliberação pelo órgão colegiado deste Tribunal.

Logo, não havendo que se falar em prequestionamento do referido dispositivo, resta configurado o impedimento à admissibilidade deste recurso,
em face da incidência, por analogia, do enunciado da Súmula nº 282 do STF.

Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado:

"[...] A ausência de prequestionamento se evidencia quando o conteúdo normativo contido nos dispositivos supostamente violados não foi objeto
de debate pelo Tribunal de origem. Hipótese em que incidem os rigores das Súmulas n. 282 e 356/STF. [...]" (STJ - 3ª T., AgInt no AREsp 1338167/
PR, rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 16/11/2018)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por derradeiro, em relação ao suscitado dissídio jurisprudencial, tenho que "[...] Nos termos do art. 1.029, § 1.º, do CPC e do art. 255, § 1.º, do
RISTJ, a divergência jurisprudencial deve ser comprovada por meio de cotejo analítico, no qual se demonstre a similitude fática entre o aresto
recorrido e o tomado por paradigma, bem como as interpretações divergentes em relação ao dispositivo de lei federal. 2. A admissibilidade do
recurso especial exige a clara indicação do dispositivo de lei federal supostamente violado, seja ele interposto pela alínea "a" seja pela alínea "c"
do permissivo constitucional. [...]" (AgRg no REsp 1655278/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 19/09/2017,
DJe 27/09/2017).

De fato, a parte recorrente, além de não apontar sobre qual dispositivo de lei federal ocorreu o dissídio pretoriano, sequer realizou o necessário
cotejo analítico. Logo, aplicável quanto ao referido ponto a súmula nº 284 do STF, por analogia.

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 19 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

002. 0060167-53.2000.8.17.0480 Embargos de Declaração na Apelação


(0449215-7)
Protocolo : 2017/106795
Comarca : Caruaru
Vara : Segunda Vara da Fazenda Pública da Comarca de Caruaru
Apelante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : RENATO VASCONCELOS MAIA
Apelado : Pituchinha Moda Infantil Ltda - Me e outro e outro
Advog : Erik Limongi Sial(PE015178)
Observação : ASSUNTO CNJ 6017
Embargante : Pituchinha Moda Infantil Ltda - Me
Embargante : FRANCINEIDE ROSA DE OLIVEIRA
Advog : Erik Limongi Sial(PE015178)
Embargado : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : RENATO VASCONCELOS MAIA
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Democrito Ramos Reinaldo Filho
Proc. Orig. : 0060167-53.2000.8.17.0480 (449215-7)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 16/11/2018 14:53 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 449215-7


RECORRENTE: FRANCINEIDE ROSA DE OLIVEIRA
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de embargos
de declaração na apelação.

Alega o recorrente que o acórdão combatido, proferido pela 1ª Câmara Regional de Caruaru- 2ª Turma, afrontou o disposto nos artigos 1.022,
II, do CPC, porquanto, em que pese a interposição de embargos de declaração, entende o recorrente que o Tribunal de Justiça não sanou a
omissão, à medida que não verificou que a prescrição da pretensão à cobrança do crédito tributário deu-se, em verdade, em razão da ausência
de citação pessoal do devedor, à luz do que estabelecia o art. 174, parágrafo único, inciso I, do CTN, com redação anterior à LC 118/2005.

No acórdão exarado em sede da apelação, o Órgão Fracionário deste Sodalício consignou:

"EMENTA: EXECUÇÃO FISCAL. APELAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. TRANSCURSO DE CERCA DE 09 ANOS SEM QUALQUER
MOVIMENTAÇÃO NO PROCESSO. MORA DO JUDICIÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 106 DO STJ. PROVIMENTO DO APELO.
1. Trata-se de execução fiscal que permaneceu quase 09 anos na secretaria do juízo para realizar o ato de intimação.
2. Muito embora o prazo transcorrido seja relevante, não pode o andamento do processo ser imputado à parte, sobretudo quando esta não tomou
conhecimento da determinação judicial.

68
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

3. O impulso oficial do feito cabe ao juízo, não podendo o órgão jurisdicional repassar sua obrigação às partes.
4. O fato de os autos permanecerem aguardando ato de intimação de despacho não pode ser justificativa para fulminar a pretensão da parte,
sob pena de puni-la por ato que não incorreu - súmula nº 106 do STJ e REsp nº 1102431/RJ.
6. Apelação provida para anular a sentença e afastar o reconhecimento da prescrição".

Do acima exposto, não se vislumbra violação ao artigo 1.022, II do NCPC concernente à alegada omissão da decisão atacada, eis que, com clareza
e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido contém motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando o enfrentamento
exaustivo das questões realmente relevantes para o deslinde - com segurança jurídica - da controvérsia que subsidia a causa.

Convém lembrar, quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos declaratórios, que doutrina e jurisprudência o vislumbram
configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar o concluído na decisão, em regra por não ter sido analisado elemento do
processo (tese, prova ou circunstância) que, (i) tendo sido a tempo e modo agitado pela parte e (ii) sendo efetivamente relevante para o desate
da vexata quaestio com segurança jurídica, sobre ele o Estado-juiz deve se pronunciar. Não configura o pressuposto, então, a pretensão da parte
em fazer prevalecer qualquer daqueles elementos do processo.

Por isso que está sedimentado o entendimento de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente
a invocada pela parte, decide de modo integral a controvérsia posta (v.g.: STJ-2ª T., EDcl no AgRg no Ag 492.969/RS, rel. Min. Herman Benjamin,
DJ de 14.02.2007; STJ-1ª T., AgRg no Ag 776.179/SP, rel. Min. José Delgado, DJ de 12.02.2007).

Também questiona a recorrente que o acórdão recorrido, contrariou o disposto nos artigos 144 e 174, parágrafo único do CTN, na medida em
que não reconheceu a ocorrência da prescrição da pretensão executiva em exame no caso concreto.
Constata-se que a questão de direito nuclear da controvérsia posta nos autos foi submetida à sistemática procedimental versada no art. 543-C do
CPC/1973 (correspondente ao art. 1.036 do CPC/2015), para cujo desate o Superior Tribunal de Justiça (STJ) elegeu como recurso paradigma
o REsp 1.102.431/RJ (Tema n° 179). Ocorre que tal paradigma já foi julgado, tendo aquela Corte Superior definido tese jurídica nos seguintes
termos: "A perda da pretensão executiva tributária pelo decurso de tempo é consequência da inércia do credor, que não se verifica quando
a demora na citação do executado decorre unicamente do aparelho judiciário". Ressalve-se que o acórdão oriundo do julgamento do referido
paradigma assim consignou, in verbis:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EXECUÇÃO
FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PARALISAÇÃO DO PROCESSO POR CULPA DO PODER JUDICIÁRIO. SÚMULA 106 DO STJ.
REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07/STJ.
1. O conflito caracterizador da lide deve estabilizar-se após o decurso de determinado tempo sem promoção da parte interessada pela via da
prescrição, impondo segurança jurídica aos litigantes, uma vez que a prescrição indefinida afronta os princípios informadores do sistema tributário.
2. A perda da pretensão executiva tributária pelo decurso de tempo é consequência da inércia do credor, que não se verifica quando a demora
na citação do executado decorre unicamente do aparelho judiciário. Inteligência da Súmula 106/STJ. Grifos. (Precedentes: AgRg no Ag 1125797/
MS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 16/09/2009; REsp 1109205/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2009, DJe 29/04/2009; REsp 1105174/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 18/08/2009, DJe 09/09/2009; REsp 882.496/RN, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 26/08/2008; AgRg no REsp 982.024/RS, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 08/05/2008) 3. In casu, a Corte de origem fundamentou sua decisão no
sentido de que a demora no processamento do feito se deu por culpa dos mecanismos da Justiça, verbis: "Com efeito, examinando a execução
fiscal em apenso, constata-se que foi a mesma distribuída em 19/12/2001 (fl.02), tendo sido o despacho liminar determinando a citação do
executado proferido em 17/01/2002 (fl. 02 da execução). O mandado de citação do devedor, no entanto, somente foi expedido em 12/05/2004,
como se vê fl. 06, não tendo o Sr. Oficial de Justiça logrado realizar a diligência, por não ter localizado o endereço constante do mandado e ser
o devedor desconhecido no local, o que foi por ele certificado, como consta de fl. 08, verso, da execução em apenso.
Frustrada a citação pessoal do executado, foi a mesma realizada por edital, em 04/04/2006 (fls. 12/12 da execução).
(...) No caso destes autos, todavia, o fato de ter a citação do devedor ocorrido apenas em 2006 não pode ser imputada ao exequente, pois,
como já assinalado, os autos permaneceram em cartório, por mais de dois anos, sem que fosse expedido o competente mandado de citação,
já deferido, o que afasta o reconhecimento da prescrição.
(...) Ressalte-se, por fim, que a citação por edital observou rigorosamente os requisitos do artigo 232 do Código Processual Civil e do art. 8º,
inciso IV, da Lei 6.830/80, uma vez que foi diligenciada a citação pessoal, sem êxito, por ser o mesmo desconhecido no endereço indicado pelo
credor, conforme certificado pelo Sr. Oficial de Justiça, à fl. 08, verso dos autos da execução." 4. A verificação de responsabilidade pela demora
na prática dos atos processuais implica indispensável reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado a esta Corte Superior, na estreita
via do recurso especial, ante o disposto na Súmula 07/STJ.
5. Recurso especial provido, determinando-se o retorno dos autos à instância de origem para prosseguimento do executivo fiscal, nos termos da
fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1102431/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010)

Assim, percebo claramente que a decisão proferida pelo órgão fracionário deste Tribunal encontra-se em consonância com o decidido pelo STJ
no recurso paradigmático supramencionado no sentido de que não há como se reconhecer a ocorrência da prescrição da pretensão executiva
quando restar demonstrado nos autos que a demora na citação do executado decorreu unicamente do aparelho judiciário.

Por isso que, atento ao que dispõe o art. 1.030, I, "b", do Código de Processo Civil/2015, nego seguimento ao recurso especial em razão do tema
179, por coincidir o acórdão com a orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Publique-se.

69
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recife, 05 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

003. 0012898-41.2016.8.17.0000 Embargos de Declaração no Mandado de Segurança


(0457926-0)
Protocolo : 2017/112318
Impte. : Carlos Augusto Ferreira Batista
Advog : Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483)
Advog : MARCELA MORENO GALDINO MARQUES(PE035755)
Impdo. : Secretário de Defesa Social do Estado de Pernambuco
Procdor : Antonio César Caúla Reis e outro e outro
Impdo. : PRESIDENTE / DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM
AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
Advog : Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : Luís Antônio Gouveia Ferreira
Embargado : Carlos Augusto Ferreira Batista
Advog : Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483)
Advog : MARCELA MORENO GALDINO MARQUES(PE035755)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : PRESIDENTE / DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM
AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
Advog : Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255)
Advog : Daniel Barbosa Santos(DF013147)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : Seção de Direito Público
Relator : Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Relator Convocado : Juiz José André Machado Barbosa Pinto
Proc. Orig. : 0012898-41.2016.8.17.0000 (457926-0)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 28/11/2018 15:04 Local: CARTRIS

Recurso Extraordinário no Processo nº 457926-0


Recorrente: Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (CEBRASPE)
Recorrido: Carlos Augusto Ferreira Batista

Embora tenha efetuado o pagamento das custas do Supremo Tribunal Federal (fls. 301/302), a parte recorrente não comprovou o recolhimento
das custas deste TJPE, bem como, do porte de remessa e retorno dos autos ao STF.

Bem por isso, e sob pena de deserção, com fundamento no art. 1007, § 2º, do CPC1, assino à parte recorrente o prazo de 05 (cinco) dias para
o devido complemento do preparo recursal.

Publique-se.

Recife, 13 de novembro de 2018.

Antenor Cardoso Soares Júnior


2ª Vice-Presidente

1 Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive
porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção.
§1º - (...);
§2º - A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de
seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias.

---------------

004. 0015083-52.2016.8.17.0000 Agravo no Mandado de Segurança

70
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

(0464036-2)
Protocolo : 2017/100698
Impte. : RODRIGO JOSÉ DE ARAÚJO
Advog : Yuri Barbosa de Oliveira(PE039940)
Advog : Tadeu Leal Reis de Melo(PE023111)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Impdo. : SECRETARIO DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Antonio César Caúla Reis e outro e outro
Impdo. : CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE
PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
Advog : Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravte : Estado de Pernambuco
Procdor : Dayana Navarro Nóbrega
Agravdo : RODRIGO JOSÉ DE ARAÚJO
Advog : Yuri Barbosa de Oliveira(PE039940)
Advog : Tadeu Leal Reis de Melo(PE023111)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravdo : CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE
PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
Advog : Maria Luiza Salles Borges Gomes(DF013255)
Advog : Daniel Barbosa Santos(DF013147)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Procurador : Clênio Valença Avelino de Andrade
Órgão Julgador : Seção de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Proc. Orig. : 0015083-52.2016.8.17.0000 (464036-2)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 28/11/2018 15:04 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0464036-2


RECORRENTE: CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTRO

Despacho nestes autos no uso de atribuição delegada na conformidade da Portaria nº 01/2018 - 2ª V-P, de 19.02.2018 (DJe de 20.02.2018).

Embora tenha efetuado o pagamento das custas do STF, a parte recorrente não comprovou o recolhimento das custas deste TJPE e do porte
de remessa e retorno dos autos devidos ao STF em relação a este apelo excepcional.

Bem por isso, e sob pena de deserção, assino à parte recorrente o prazo de 05 (cinco) dias para o devido complemento do preparo recursal.

Publique-se.

Recife, 22 de novembro de 2018.

José Marcelon Luiz e Silva


Juiz Assessor da 2ª Vice-Presidência

Cartris
DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00568 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)

71
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ALEXANDRE FONTE CARVALHO(PE033278) 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)


Alysson Henrique de S. Vasconcelos(PE022043) 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)
CLAUDIO LAMARTINE DE SA 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)
CAVALCANTE(PE028748)
César André Pereira da Silva(PE019825) 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)
Euvânia Maria Cruz Munõz(PE022157) 004 0003321-78.2009.8.17.0810(0482612-0)
JOSE FABIANO LOPES LINO DE 003 0000930-54.2013.8.17.1120(0474673-8)
OLIVEIRA(PE000891B)
Rivadávia Nunes de Alencar B. Neto(PE025410) 002 0004661-25.2010.8.17.0001(0455198-8)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0004661-25.2010.8.17.0001(0455198-8)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0007955-13.1995.8.17.0001 Apelação


(0493365-3)
Comarca : Recife
Vara : Vara dos Executivos Fiscais Municipais
Apelante : Município de Recife
Procdor : Gustavo Machado Tavares
Apelado : João das Chagas Ferreira
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:14 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0493365-3


RECORRENTE: MUNICÍPIO DO RECIFE
RECORRIDO: JOÃO DAS CHAGAS FERREIRA

Recurso Especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, interposto em 21.08.2018 contra acórdão de fls.
32 e ss., proferido pela 3ª Câmara de Direito Público em sede de apelação.

Contudo, observo tratar-se de um segundo recurso especial, cuja controvérsia já foi objeto do REsp de fls. 43 e ss., interposto (em 20.04.2018)
em face do mesmo acórdão e em razão do qual já fora proferido juízo negativo de admissibilidade às fls. 56-58.

Percebe-se, portanto, que o Município recorrente interpôs novo recurso especial com o mesmo objeto do primeiro e em face do mesmo acórdão,
o que afronta o princípio da unirrecorribilidade.

De acordo com a regra insculpida no princípio em tela, para cada ato judicial há um recurso próprio e adequado, e apenas um, excepcionando-se
a hipótese de acórdãos objetivamente complexos (com pluralidade de capítulos), contra os quais é possível o cabimento simultâneo de recurso
especial e recurso extraordinário.

Desta feita, uma vez interposto recurso em face do decisum, opera-se a preclusão consumativa, impedindo a interposição de um segundo recurso.

Nessa esteira, confira-se a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:

RECURSOS ESPECIAIS. PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. IMÓVEL RURAL. AQUISIÇÃO. SOCIEDADE DE
FATO. INADIMPLEMENTO. VALORES. COTA-PARTE. DESEMBOLSO. RESTITUIÇÃO. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. OFENSA.
INEXISTÊNCIA.
[....]
8. Consoante o princípio da unirrecorribilidade, na hipótese de interposição de mais de um recurso, pela mesma parte e contra uma mesma
decisão, não é possível conhecer daquele apresentado em segundo lugar, haja vista a preclusão consumativa, não incidindo a regra principiológica
na hipótese de recursos distintos, cada qual impugnando uma decisão judicial diferente.
9. Não viola o art. 530 do CPC/1973 se o julgamento dos embargos infringentes fica restrito à matéria objeto de divergência.
13. Recursos especiais parcialmente conhecidos e não providos. (Resp 1509715/GO; Rel. Min. Ricardo Villas Boas Cueva, DJe 24/03/2017.
Grifos acrescidos.)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO CPC/73. PRINCÍPIO DA
UNIRRECORRIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA Nº 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO.
[...]
2. Em razão do princípio da unirrecorribilidade recursal, para cada provimento judicial admite-se apenas um recurso, ocorrendo a preclusão
consumativa ao que foi deduzido por último, porque electa una via non datur regressus ad alteram.
[...]

72
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

4. Agravo regimental não conhecido. (STJ, 3ª Turma, AgRg no AREsp 862493/SP; Rel. Min. Moura Ribeiro. Julgado em 22/08/2017. DJe
04/09/2017. Grifos acrescidos.)

Isto posto, não conheço do recurso especial interposto às fls. 63/69.

Publique-se.

Recife, 07 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

19

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

17

002. 0004661-25.2010.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0455198-8)
Protocolo : 2017/103531
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara de Acidentes do Tabalho da Capital
Autor : ANA LUCIA DE OLIVEIRA PEREIRA
Advog : Rivadávia Nunes de Alencar Barros Neto(PE025410)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Autor : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Flávia Maciel Malheiros e Rocha
Réu : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Flávia Maciel Malheiros e Rocha
Réu : ANA LUCIA DE OLIVEIRA PEREIRA
Advog : Rivadávia Nunes de Alencar Barros Neto(PE025410)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Daniel Roffé de Vasconcelos
Embargado : ANA LUCIA DE OLIVEIRA PEREIRA
Advog : Rivadávia Nunes de Alencar Barros Neto(PE025410)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Relator Convocado : Juiz José André Machado Barbosa Pinto
Proc. Orig. : 0004661-25.2010.8.17.0001 (455198-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:14 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 455198-8


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: ANA LÚCIA DE OLIVEIRA PEREIRA

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de apelação/
reexame necessário.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Alega o recorrente que o acórdão vergastado violou o disposto no artigo 86 da Lei nº 8.213/91, bem como o disposto nos artigos 125, I, 145, 422,
436 e 437 do CPC/1973 (correspondente aos arts. 139, I, 156, 466, 479 e 480 do CPC/15), "(...) ao conceder auxílio-acidente a quem não teve
reduzida a capacidade laborativa atestada em laudo médico judicial (fls. 216v)" (...). Aduz, ainda, afronta à Resolução 233 do CNJ, de 13/07/2016,
a Resolução 1.851/2008 do CFM (Conselho Federal de Medicina) e ao art. 120 do Código de Ética Médica, bem como a Recomendação 01
do CNJ, de 15/12/2015.

De proêmio, observo que na parte em que o recorrente aponta violação à Resolução CNJ nº 233/2016, à Recomendação 01/2015 do CNJ,
à Resolução 1.851/2008 do CFM (Conselho Federal de Medicina) e ao art.120 do Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 1246/88), a
insurgência não merece seguimento. Consoante o que disciplina o art. 105 da Constituição Federal, compete ao STJ uniformizar a interpretação
da legislação federal, não se enquadrando no conceito de lei federal, resoluções, regimentos internos, normativos etc, incluindo Códigos de Ética,
No sentido da afirmação, observe-se o julgado abaixo transcrito:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CURSO SUPLETIVO.IDADE MÍNIMA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
EXAME VIA APELO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. ART. 24, V, "C", DA LEI 9.394/1996 DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA
284/STF. ARTS. 3º, I E II, 4º, V, E 37 DA LEI 9.394/1996. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. CONTRARIEDADE A
RESOLUÇÃO. APRECIAÇÃO INVIÁVEL. ALÍNEA "C". NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
1. O exame da violação de dispositivo constitucional (arts. 1º, IV, 3º, II, 205 e 208, V, da Constituição Federal) é de competência exclusiva do
Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, da Constituição Federal.
[...] 4. O Recurso Especial não constitui via adequada para análise de eventual contrariedade a Resolução, por não estar esta compreendida na
expressão "lei federal", constante da alínea "a" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. [...] 6. Agravo Interno não provido" (STJ - AgInt
no REsp 1577522/DF Rel.:Min. Herman Benjamim; 2ª T, DJe 14/10/2016 - grifo nosso).
PROCESSUAL CIVIL - AGRAVOS REGIMENTAIS - RECURSOS ESPECIAIS - SEGUIMENTO NEGADO - ARTS. 37, DA LEI Nº 5.250/57, 165
E 458 DO CPC, 2º E 15 DA LEI Nº 3.268/57 - PREQUESTIONAMENTO INEXISTENTE - CORRETA APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282/STF E
211/STJ - NECESSIDADE DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS RECURSAIS FORMAIS - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC -
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO - CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA - DIPLOMA INFRALEGAL - RESPONSABILIDADE SOBRE
MATÉRIA JORNALÍSTICA - SÚMULA 07/STJ - DESPROVIMENTO DOS AGRAVOS. [...] 5. O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº
1246/88) não se insere no conceito de "lei federal" que viabilizaria a interposição de recurso com base na alínea "a" do permissivo constitucional.
(Grifos)
6. A reapreciação da responsabilidade sobre matéria jornalística é inviável em sede de recurso especial, pois demandaria reexame de provas.
Súmula 07/STJ.
7. Agravos regimentais desprovidos."(STJ- 1º-T; AgRg no REsp 354.510/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, julgado em 27/04/2004, DJ
24/05/2004, p. 156)".

Ademais, verifico ter o acórdão atacado sido ementado nos seguintes termos:

"EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE. REDUÇÃO DA CAPACIDADE


LABORATIVA COMPROVADA. NÃO ADSTRIÇÃO DO JUIZ AO LAUDO PERICIAL. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA CONSTANTES DOS
AUTOS. PRECEDENTES DESTA CORTE DE JUSTIÇA. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. ACLARATÓRIOS
IMPROVIDOS. DECISÃO UNÂNIME. 1. Registrou-se que, inobstante a perícia oficial tenha concluído que não houve redução da capacidade
laborativa da autora, ora embargada, os laudos médicos, bem como o do assistente técnico, concluem pela sua incapacidade laborativa como
decorrência das atividades laborais desenvolvidas, de forma que, mesmo inexistindo nos autos comprovação acerca de sua incapacidade total
e permanente, resta evidente que se encontra impossibilitada de realizar suas funções habituais, estando, portanto, incapacitada parcialmente.
2. Dada a sua situação de hipossuficiência em relação ao órgão previdenciário, evidente o direito da recorrida quanto à percepção de auxílio-
acidente, de forma que não restaram vulnerados os arts. 201, da CF/88 e 86 da Lei Federal nº 8.213/91. 3. O juiz não está adstrito à prova
pericial, podendo decidir contrário a ela quando houver nos autos outros elementos que assim o convençam, nos termos do art. 479 do CPC,
razão pela qual não visualizo malferimento aos arts. 139, I, 156, 466 e 480 do CPC. 4. Os embargos declaratórios não constituem instrumento
adequado para a rediscussão da matéria de mérito. 5. Precedentes do STJ citados. 6. Embargos de declaração improvidos à unanimidade, não
considerando vulnerado o contido nos arts.139, I, 156, 466, 479 e 480 do CPC e arts. 201 da CF/88 e 86, da Lei Federal nº 8.213/91, pela
fundamentação exposta." (fls.206/206v)

O acórdão recorrido, portanto, fixou-se em base, fático-probatória, cujo conteúdo pretende o recorrente revolver no presente Recurso Excepcional.

Desta feita, observo que a pretensão recursal demanda, invariavelmente, reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos, aspecto esse
vedado pela Súmula nº 07 do STJ, uma vez que a parte se insurge contra o convencimento pelo órgão fracionário deste TJPE no tocante ao
preenchimento dos requisitos necessários a concessão do benefício de auxílio-acidente pelo recorrido (suposta violação ao artigo 86 da Lei nº
8.213/91 e 125, I, 145, 422, 436 e 437 do CPC/1973).

Ora, como se sabe, a instância especial recebe a situação fática da causa tal como a retrata a decisão recorrida. Diz o STJ "II - In casu, rever
a conclusão do Tribunal de origem, quanto ao preenchimento de todos os requisitos legais para a concessão do auxílio-acidente, em especial
da capacidade laborativa para a atividade habitual, demandaria necessário revolvimento de matéria fática e probatória, o que é inviável em sede
de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 07/STJ" (STJ-1ª T., AgRg no Ag 1432615/ES, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 18/06/2015, DJe 29/06/2015).

Lado outro, "nos termos do artigo 436 do CPC/19731, não fica o juiz adstrito ao laudo pericial, podendo formar sua convicção com base em outros
elementos ou fatos provados nos autos" (STJ - 3ª T., AgRg no AREsp 189300 / SP, rel. Min. Sidnei Beneti, DJe 05/09/2012, trecho da ementa).

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial. Publique-se.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recife,

____________________________________
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
2°Vice-Presidente

1 Dispositivo correspondente ao atual art. 479 do CPC/2015:


Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371, indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar
ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito.

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Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência
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2

impn

003. 0000930-54.2013.8.17.1120 Embargos de Declaração na Apelação


(0474673-8)
Protocolo : 2017/112272
Comarca : Petrolândia
Vara : Vara Única
Apelante : Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Procdor : Rafael Cruz Gouveia Pinheiro
Apelado : ALZIRA MARIA DA SILVA
Advog : JOSE FABIANO LOPES LINO DE OLIVEIRA(PE000891B)
Embargante : Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Procdor : Rafael Cruz Gouveia Pinheiro
Embargado : ALZIRA MARIA DA SILVA
Advog : JOSE FABIANO LOPES LINO DE OLIVEIRA(PE000891B)
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0000930-54.2013.8.17.1120 (474673-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:14 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 474673-8


RECORRENTE: INSS - INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
RECORRIDO: ALZIRA MARIA DA SILVA

Recurso especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido em sede de embargos
de declaração na apelação.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Alega a parte recorrente ter o acórdão combatido violado o artigo 884 e 885 do Código Civil1, art.115 da Lei 8.213/91 c/c 154.II, §2º do Decreto
nº 3.048/99. Defende que (...) "há expressa autorização legal ao INSS de proceder a cobrança de valores pagos além do devido a beneficiários
da previdência, independentemente da sua natureza alimentar - até porque todos os benefícios possuem tal natureza - do seu valor e terem os
beneficiários incorridos em boa ou má-fé; Por outro lado, a ausência dos descontos ou mesmo a cobrança do débito causaria enriquecimento
sem causa, ou ilícito, o que contraria os artigos 884 e 885 do Código Civil".

O acórdão recorrido da 2ª Câmara de Direito Público, da lavra do Des. José Ivo de Paula Guimarães, assim consignou:

"EMENTA: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. VALORES RELATIVOS A BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO INDEVIDAMENTE RECEBIDOS. BOA-FÉ DA SEGURADA. DEVOLUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. MATÉRIA SUFICIENTEMENTE ENFRENTADA. PREQUESTIONAMENTO. CONHECIDOS.
DECISÃO UNÂNIME.
1. In casu, o embargante, sob a alegação de existência de omissões no acórdão embargado, pretende reacender a discussão a respeito da
matéria tratada nos autos, que foi suficientemente analisada no acórdão embargado, oportunidade em que restou proferido entendimento no
sentido de que os valores percebidos por servidor público de boa-fé, por inadequada interpretação e aplicação da lei, pela Administração Pública,
não são passíveis de reposição ao erário.
2. A jurisprudência citada no acórdão embargado, ainda que se refira à hipótese de servidores públicos, está em consonância com o entendimento
do STJ no sentido da impossibilidade de repetição de valores pagos a pensionista quando se constata que a percepção das prestações de caráter
alimentar se deu de boa-fé pelo beneficiário. Neste sentido, AgRg no AREsp 182.327/MG.
3. O presente caso envolve pessoa idosa (73 anos) de provável hipossuficiência financeira, de forma que a presunção que milita em favor da autora
é a de sua boa-fé, razão pela qual, inexistindo nos autos outros elementos que apontem em sentido contrário, deve ser mantido o entendimento
firmado na sentença recorrida, mantido no acórdão embargado.
4. Aclaratórios conhecidos apenas para fins de prequestionamento da matéria ventilada, porém não providos de forma indiscrepante."

O acórdão recorrido, portanto, fixou-se em base, fático-probatória, cujo conteúdo pretende o recorrente revolver no presente Recurso Excepcional.
Assim, rever a conclusão da Câmara Julgadora a respeito da ausência de má-fé da beneficiária ora recorrida na devolução de valores percebidos
decorrente de pagamento feito a maior pela autarquia/recorrente, a título de benefício previdenciário, demandaria o reexame do conteúdo fático-
probatório dos autos, o que é vedado em recurso especial face o disposto na súmula nº 07/STJ2. Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado:

"PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADDO. SÚMULA 283/STF. APOSENTADORIA.
PAGAMENTO INDEVIDO. BOA-FÉ COMPROVADA. VERBA DE CARÁTER ALIMENTAR. RESTITUIÇÃO DE VALORES. IMPOSSIBILIDADE.
REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO PELA ALÍNEA A. DISSÍDIO
PRETORIANO PREJUDICADO. 1. (...) 5. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que, em razão do caráter alimentar dos proventos aliados
à percepção de boa-fé, é impossível a devolução de valores recebidos a título de benefício previdenciário por razão de erro da Adminis5ração,
aplicando-se ao caso o princípio da irrepetibilidade dos alimentos. 6. Ademais, tendo o Tribunal de origem reconhecido a boa-fé em relação ao
recebimento do benefício, objeto da insurgência, descabe ao STJ iniciar juízo valorativo a fim de alterar tal entendimento, ante o óbice da Súmula
7/stj. 7. Assinale-se, por fim, que fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame
do Recurso Especial pela alínea a do permissivo constitucional. 8. Recurso Especial do qual não se conhece. (RESP 1666566/RJ, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 06/06/2017, Dje 19/06/2017)."

Ademais, no que tange à alegação de contrariedade aos arts. 884 e 885 do CC/2002, sob o fundamento de suposto enriquecimento ilícito da
parte recorrida, verifica-se que a insurgência também demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, levado em expressa e clara
consideração pela Corte de origem para chegar à conclusão tida por insatisfatória pela parte recorrente, impondo-se, na espécie, a aplicação
da mencionada súmula obstativa nº 07/STJ. Nesse sentido:

"verificar a ocorrência ou não de enriquecimento ilícito demandaria também reexame de matéria fático-probatória, vedado em Recurso
Especial" (REsp 1698860/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/11/2017, DJe 19/12/2017).

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife,

____________________________
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
2º Vice-Presidente

1 Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização
dos valores monetários.
2 STJ, Súmula nº 07: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

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Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência
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004. 0003321-78.2009.8.17.0810 Embargos de Declaração na Apelação


(0482612-0)
Protocolo : 2017/113918
Comarca : Jaboatão dos Guararapes
Vara : 3ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : ANTÔNIO ADELINO PEREIRA
Advog : César André Pereira da Silva(PE019825)
Advog : Euvânia Maria Cruz Munõz(PE022157)
Advog : Alysson Henrique de Souza Vasconcelos(PE022043)
Advog : ALEXANDRE FONTE CARVALHO(PE033278)
Advog : CLAUDIO LAMARTINE DE SA CAVALCANTE(PE028748)
Apelado : O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Embargante : ANTÔNIO ADELINO PEREIRA
Advog : César André Pereira da Silva(PE019825)
Advog : Euvânia Maria Cruz Munõz(PE022157)
Advog : Alysson Henrique de Souza Vasconcelos(PE022043)
Advog : ALEXANDRE FONTE CARVALHO(PE033278)
Advog : CLAUDIO LAMARTINE DE SA CAVALCANTE(PE028748)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Antenor Cardoso Soares Junior
Proc. Orig. : 0003321-78.2009.8.17.0810 (482612-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:11 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 482612-0


RECORRENTE: ANTÔNIO ADELINO PEREIRA
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO

De início, defiro requerimento dos recorrentes pela gratuidade da justiça, nos termos da Lei n° 1.060/50.

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 3ª Câmara de Direito Público,
por meio de seu Des. Antenor Cardoso Soares Júnior, em sede de embargos de declaração em apelação.

Alega a parte recorrente que o acórdão vergastado contrariou os dispostos nos artigos 7° e 1.022 ambos do CPC/20151, bem como os arts. 10,
caput, 12, inciso II e parágrafo único da Lei nº 8.429/922.

O acórdão recorrido, no essencial, consignou o seguinte: "través do relatório emitido pelo TCE/PE, torna-se evidente o fato de que o recorrente se
utilizou de dinheiro público para contrair despesas que não foi capaz, posteriormente, de justificar a sua origem ou mesmo destinação. De igual
modo, não deve subsistir o argumento consistente na falta de obrigação do apelante em verificar, a cada empresa contratada, o status cadastral
ou a regular inscrição no SEFAZ/PE, haja vista ser dever do apelante zelar pela aplicabilidade dos recursos públicos, podendo-se afirmar que
a sua postura foi revestida em falta de zelo ou negligência, restando caracterizado, portanto, a configuração de uma conduta culposa. Em sede
de sentença, o magistrado da causa atribuiu ao apelante a conduta prescrita no art. 10, inciso XI da Lei n° 8.429/92, que abrange condutas
não apenas dolosas, mas também culposas, ponderando o julgador que "o demandado, por conta própria, no mínimo, lavou as mãos, como
se pudesse desincumbir-se do dever de zelar pela coisa pública". Cabe também salientar que em nenhum momento do transcurso processual
o apelante fez prova da legal destinação das verbas, ou seja, não foi capaz o apelante de comprovar que, de fato, adquiriu as mercadorias
declaradas ou que esses foram destinadas aos fins que eram devidos. ".
Primeiramente, verifico que com clareza e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido contém motivação suficiente para justificar o
decidido, evidenciando o enfrentamento exaustivo das questões realmente relevantes para o deslinde - com segurança jurídica - da controvérsia
que subsidia a causa.

77
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Convém lembrar, quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos declaratórios, que doutrina e jurisprudência o vislumbram
configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar o concluído na decisão, em regra por não ter sido analisado elemento do
processo (tese, prova ou circunstância) que, (i) tendo sido a tempo e modo agitado pela parte e (ii) sendo efetivamente relevante para o desate
da vexata quaestio com segurança jurídica, sobre ele o Estado-juiz deve se pronunciar. Não configura o pressuposto, então, a pretensão da parte
em fazer prevalecer qualquer daqueles elementos do processo.

Por isso que está sedimentado o entendimento de não haver omissão no acórdão que, "não importa negativa de prestação jurisdicional o
acórdão que adota para a resolução da causa fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, decidindo de modo integral
a controvérsia posta, como ocorre na hipótese" (AgInt no AREsp 1157187/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em
30/08/2018, DJe 12/09/2018).

No que consta a aludida ofensa ao art. 10 da nº 8.429/92, argumenta o recorrente pela necessidade da existência de culpa grave ou qualificada
para a configuração do ato de improbidade. Já a violação referente ao artigo 12, inciso II da mesma Lei, alega falta de proporcionalidade nas
penalidades impostas pelo acórdão recorrido, haja vista tratar-se de conduta culposa.

Ocorre que a tese recursal levantada contrapõe-se às conclusões do acórdão, cuja modificação demandaria incursão na seara fática dos autos,
o que atrai o intransponível óbice da súmula nº 7 do STJ.

Nesse sentido, no tocante à pretensão recursal de revisão das sanções impostas em razão da prática de ato de improbidade administrativa:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282/STF E 211/
STJ. EXAME DE MATÉRIA DE DIREITO LOCAL. SÚMULA 280/STF. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. ARTIGO
10 DA LEI 8429/92. LESÃO AO ERÁRIO. CIRCUNSTÂNCIA EXPRESSAMENTE RECONHECIDA PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. REVISÃO
DAS SANÇÕES IMPOSTAS. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ART. 23 DA LEI 8429/92. AÇÃO PROPOSTA EM MENOS DE 5 ANOS DO TÉRMINO DO MANDATO.
PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO.
[...] 5. O Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, concluiu expressamente que está presente o pressuposto necessário à configuração de
ato ímprobo, qual seja: lesão ao erário. A reversão desse entendimento demanda o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que não
é possível em sede de recurso especial, em face do óbice da Súmula 7/STJ.
6. No que concerne à apontada violação ao art. 12 da Lei 8429/92, a análise da pretensão recursal no sentido de que sanções aplicadas não
observaram os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, com a consequente reversão do entendimento manifestado pelo Tribunal de
origem, exige o reexame de matéria fático-probatória dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 7/STJ.
7. A Ação Civil Pública decorrente de ato de improbidade administrativa deve ser proposta no prazo de cinco anos a contar do término do mandato
ou cargo em comissão, consoante o art. 23, I, da Lei 8.429/1992. [...]" (STJ-2ª T. AgRg no REsp 1573942/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques,
DJe 23/06/2016)

Do mesmo modo, confira-se: "[...] 2. Rever o entendimento da instância ordinária quanto à existência de atos de improbidade implica o
imprescindível reexame das provas constantes dos autos, o que é defeso em recurso especial devido ao que preceitua a Súmula 7/STJ:
"A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." [...]" (AgInt no REsp 1590372/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/12/2017, DJe 13/12/2017)

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se, do mesmo modo, o enunciado
da Súmula nº 83 da Corte Superior3.

Posto isso, inadmito ao presente recurso com fulcro no art. 1.030, V do NCPC.

Publique-se.

Recife, 06 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos
ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
2 Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
Art. 12. Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de
improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: II
- na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor
do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos; Parágrafo único. Na fixação das penas previstas
nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

3 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.
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01

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

01

CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00516 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0002401-65.2011.8.17.1350(0500835-3)


Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353) 004 0000086-78.2008.8.17.1250(0486223-9)
Gizânia Alves Nunes(BA029297) 001 0005993-59.2015.8.17.1130(0421833-7)
Leonardo Gonçalves Maia(PE019980) 002 0002401-65.2011.8.17.1350(0500835-3)
Luís Alberto Gallindo Martins(PE020189) 004 0000086-78.2008.8.17.1250(0486223-9)
Lêda Virginia Andrade Ferraz(PE009963) 003 0010230-39.2015.8.17.1130(0450407-2)
Marcelo Carvalho de Souza.(PE027604) 001 0005993-59.2015.8.17.1130(0421833-7)
TAIS RIBEIRO(PE028665) 003 0010230-39.2015.8.17.1130(0450407-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0005993-59.2015.8.17.1130 Apelação


(0421833-7)
Comarca : Petrolina
Vara : Vara da Faz. Pública
Apelante : MUNICIPIO DE PETROLINA
Advog : Gizânia Alves Nunes(BA029297)
Apelado : GILDENOR GOMES DA SILVA.
Advog : Marcelo Carvalho de Souza.(PE027604)
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:23 Local: CARTRIS

Recurso Especial no Processo nº 421833-7


Recorrente: Município de Petrolina

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recorrido: Gildenor Gomes da Silva

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 2ª Câmara Extraordinária de
Direito Público, por meio do Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo em sede de apelação.

O Município recorrente foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais, no importe de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais),
em razão do descumprimento de contrato de mútuo para obras com obrigações e caução - Carta de Crédito FGTS firmado entre o recorrido e
pela Prefeitura Municipal de Petrolina, Entidade Organizadora do Programa Habitacional Operações Coletivas.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto no art. 186 do CC, no que considera que "não restou configurada a
responsabilidade do Município, principalmente no dever de indenizar, já que não houve culpa e consequentemente nexo de causalidade".

Quanto a violação apontada, observo a tentativa do recorrente em rever o entendimento do Colegiado no que consiste o reexame dos fatos e
do conjunto probatório acostado aos autos, isso porque a 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público exauriu o debate acerca de toda matéria
fática, consignando o seguinte: "De acordo com os documentos acostados nos autos, o Programa referenciado concede subsídios uma única vez
aos beneficiários de baixa renda para completar o valor do imóvel ou amortizar o montante das prestações. Com base nesse programa é que foi
ajustado o contrato de mútuo para obras com obrigações e caução - Carta de Credito FGTS pelo autor/apelado (na condição de devedor) e pela
Prefeitura Municipal de Petrolina entidade organizadora com o objetivo de construir o imóvel residencial do autor. 11 - Ocorre que, passados mais
de 19 meses (prazo fixado no contrato) desde a assinatura do contrato em 22/09/2006 e transferida a integralidade dos recursos a ele afetos, não
houve a entrega do objeto contratado à parte autora, ora apelada, fato este não contestado pelo município recorrente que apenas se justificou
alegando ausência de recursos ou que o descumprimento contratual não teria decorrido de ato ou omissão sua. 12 - Destarte, considerando que o
objeto do contrato não foi cumprido no prazo assinalado, descumpridas diversas cláusulas contratuais, entende-se ser o caso de condenar, como
acertadamente foi, o Município como entidade organizadora, ao seu cumprimento. Com efeito, o Contrato de Mútuo para Obras com Obrigações
e Caução - Carta de Crédito FGTS, fls. 15/23, item "B", revela que o Requerente, devedor/contratante, tinha o direito de receber do Município de
Petrolina, na qualidade de Entidade Organizadora do Programa Habitacional Operações Coletivas, um imóvel residencial localizado na Quadra
W, lote 33, Bairro Henrique Leite, composto por varanda, sala, 2 (dois) quartos, circulação, banheiro e cozinha, com área construída de 46,75
m2 (quarenta e seis metros e setenta e cinco centímetros quadrados). 13 - Ocorre que o imóvel citado deveria ser construído e entregue num
prazo total de 19 (dezenove) meses, conforme item C-9 do contrato, a contar de sua assinatura, em 22/09/2006, prazo este não observado
pelo Requerido. Nesse sentido, imperioso observar que o Município de Petrolina admite o descumprimento do contrato, posto que apresenta
meras justificativas pela exagerada mora no cumprimento de sua obrigação. Assim, fato incontroverso, o Município de Petrolina descumpriu os
prazos firmados no Contrato de fls. 15/23, restando devidamente demonstrado o direito de o Requerente receber o seu imóvel. 14 - De outra
banda, restou evidenciado nos autos que o autor/apelado espera há cerca de dez anos o recebimento de sua casa própria cuja aquisição ajustou
por meio de contrato com o Município de Petrolina tendo como Operador Financeiro a Caixa Econômica Federal, sem que tenha descumprido
suas obrigações da referida avença. Destarte, além de não entregar a casa concluída, a parte demandada/apelante, não ofereceu nenhuma
justificativa plausível ao autor pelo inadimplemento contratual, valendo-se apenas das alegações de baixo valor repassado e de ausência de
responsabilidade. 15 - De fato, a demora na entrega de imóvel residencial a pessoa de baixa renda que não possui imóvel próprio para viver e fica
no aguardo da conclusão de um projeto social, aliada à ausência de justificativa razoável para a mora, causa danos morais ao acionante passiveis
de reparação. 16 - Outrossim, a reparação de danos extrapatrimoniais deve ser estipulada de modo a desestimular a repetição da pratica lesiva,
como intuito educativo, mas também punitivo, além de compensar os prejuízos causados à pessoa ou ao seu patrimônio, desde que não implique
em enriquecimento ilícito ou seja reduzido a montante inexpressivo. 17 - No caso dos autos, considerando toda a situação delineada nos autos
reputo acertado e razoável o quantum indenizatório arbitrado pelo magistrado a quo no valor de R$ 4.500,00 (quatro mil e quinhentos reais), valor
que correspondente a 3 (três) vezes o valor da dívida assumida pelo Requerente no contrato em análise".

Destarte, atrai-se, na espécie, o Enunciado nº 07 da Súmula do STJ, o qual veda, em sede excepcional, a revisão das provas e documentos aos
autos carreados e, pois, do referido entendimento pela configuração da responsabilidade objetiva da Municipalidade e do seu dever de indenizar.
Confira-se:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AFERIÇÃO DE CONDUTA E
NEXO DE CAUSALIDADE. CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. REVISÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO DESPROVIDO.
1. O Tribunal de origem, soberano na análise do acervo fático-probatório carreado aos autos, concluiu pela demonstração da responsabilidade
civil da ora agravante e, por consequência, a condenou ao pagamento de indenização por danos causados ao ora agravado. A pretensão posta
no apelo nobre, de rediscutir a comprovação de culpa e nexo causal, demandaria revolvimento de matéria fático-probatória, o que é inviável em
sede de recurso especial, conforme preconiza a Súmula 7/STJ. 2. A iterativa jurisprudência desta eg. Corte firmou-se no sentido de que o valor
estabelecido pelas instâncias ordinárias a título de indenização por danos morais, em regra, esbarra na Súmula 7/STJ. Excepcionalmente, afasta-
se a aplicação dessa súmula para revisar o quantum da indenização, nas hipóteses em que a condenação se revelar irrisória ou exorbitante,
o que não se evidencia no caso em tela. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1132725/BA, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA
TURMA, julgado em 08/11/2018, DJe 14/11/2018)

ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. AGRESSÃO SOFRIDA POR SEGURANÇAS DO PRONTO SOCORRO.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. VALOR FIXADO NA INSTÂNCIA ORDINÁRIA. REVISÃO.
IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ.
(...) 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, em caráter excepcional, que o montante arbitrado a título de danos morais seja
alterado, caso se mostre irrisório ou exorbitante, em clara afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. No caso, a agravante
não foi capaz de demonstrar que o valor da indenização seria excessivo, não logrando, portanto, afastar o óbice da Súmula 7/STJ.
4. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgInt no AREsp 1093481/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/10/2018, DJe 06/11/2018)

Posto isso, inadmito ao presente recurso com fulcro no art. 1.030, V do NCPC.

Publique-se.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0002401-65.2011.8.17.1350 Reexame Necessário


(0500835-3)
Comarca : São Lourenço da Mata
Vara : Terceira Vara Cível de São Lourenço da Mata
Autor : MUNICÍPIO DE SÃO LOURENÇO DA MATA
Advog : Leonardo Gonçalves Maia(PE019980)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Réu : E. T. S. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Def. Público : Wellington César da Silva
Reprte : RAFAELA TERCÍLIA DA SILVA
Procurador : Francisco Sales De Albuquerque
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:23 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0500835-3


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE SÃO LOURENÇO DA MATA
RECORRIDOS: E.T.S (CRIANÇA/ADOLESCENTE)

1. Recurso Especial, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão em sede de apelação/reexame
necessário, proferido pela 3º Câmara de Direito Público.

Alega a parte recorrente que o acórdão vergastado malferiu o art. 114 do CPC, além dos arts. 196 e 198 da CF/88, uma vez que figurou no polo
passivo apenas a municipalidade, defendendo a necessidade de haver litisconsórcio passivo necessário.

Aponta violação ao art. 1.694, § 2º do CC (obrigação de assistência aos membros da família), art. 85, § 2° do CPC/15 (exorbitância dos honorários);
apontando ainda a incidência de dissídio jurisprudencial quanto à questão citada.

Aduz não ter sido observado o princípio da reserva do possível, bem como ser descabida a aplicação de multa pecuniária, além de não terem
sido observadas as listas previamente aprovadas pelos entes federativos.

Verifico, no que tange às alegações de ofensa ao princípio da reserva do possível, não cabimento de aplicação de multa pecuniária, e
inobservância das listas previamente aprovadas pelos entes federativos, que o referido recurso excepcional foi intentado pela parte recorrente sem
que houvesse, nas respectivas razões recursais, indicação expressa de quaisquer dispositivos legais que supostamente restaram contrariados
pelo acórdão recorrido. Assim, ante a deficiência na fundamentação recursal, incide, por analogia, o enunciado nº 284 da Súmula do STF1.

Nesse sentido, colho o seguinte julgado:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA. RESCISÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO
DOS ARTIGOS TIDOS POR VULNERADOS EM RELAÇÃO AOS TEMAS MAJORAÇÃO DO VALOR DA RETENÇÃO, TERMO INICIAL DOS
JUROS DE MORA E MINORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. CERCEAMENTO DE DEFESA.
NÃO OCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. REVISÃO DO JULGADO. INVIABILIDADE. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.1. A alteração do entendimento adotado pela Corte de origem, acerca da ausência de
cerceamento de defesa, bem como de não haver excesso no valor arbitrado a título de honorários advocatícios, demandaria, necessariamente,
novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada na via estreita do recurso especial, conforme o óbice previsto
no enunciado n. 7 da Súmula deste Tribunal Superior.2. A falta de indicação dos dispositivos legais que teriam sido eventualmente violados faz

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

incidir à hipótese o teor da Súmula 284 do STF, por analogia: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação
não permitir a exata compreensão da controvérsia.3. Por fim, registre-se não ser cabível o arbitramento de honorários recursais previstos no §
11 do art. 85 do Novo Código de Processo Civil no recurso de agravo interno. 4. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 5.
Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1647990/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado
em 08/08/2017, DJe 17/08/2017) GRIFEI

No que se refere à contrariedade ao art. 114 do CPC (necessidade de haver litisconsórcio passivo necessário), há que se verificar que o acórdão
recorrido encontra-se, assim, fundamentado:

REMESSA NECESSÁRIA. DIREITO À VIDA E À SAÚDE. AÇÃO ORDINÁRIA DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. FORNECIMENTO DE COMPOSTO
ALIMENTAR A BASE DE SOJA (APTAMIL). MENOR PORTADORA DE ALERGIA A LACTOSE. FAMÍLIA DE BAIXA RENDA. DECRETO nº
6.135, de 26 de junho de 2007. RISCO DE GRAVE COMPROMETIMENTO DA SAÚDE DA MENOR COMPROVADO. REEXAME NECESSÁRIO
DESPROVIDO.
1. É solidária a responsabilidade dos entes políticos para fornecer medicamentos aos cidadãos carentes que deles necessitam, não estabelecendo
a Constituição da República de 1988 competência privativa ou exclusiva de qualquer dos entes federativos nesse tocante. Assim, é lícito ao
prejudicado demandar de qualquer deles.
2. Havendo omissão do Poder Público para custear o tratamento/medicamento de que o indivíduo necessita, o Poder Judiciário tem o poder-
dever de agir, quando provocado, para compelir o Estado a assegurar o direito à saúde do cidadão desamparado.
3. Não há que se falar, portanto, em não comprovação da imprescindibilidade do alimento, porquanto o médico que acompanha a infante é quem
tem conhecimento sobre os problemas de saúde que a acometem, possuindo conhecimentos técnicos para prescrever o medicamento/alimento
mais indicado para melhorar sua saúde.
4.Sentença mantida.
5. Remessa necessária desprovida." (fl. 77) (grifo nosso)

Por estas razões, tenho que o entendimento do órgão fracionário deste TJPE está em sintonia com o existente no Superior Tribunal de Justiça,
pelo que incide a Súmula nº 83/STJ2. Nesse sentido, colho o seguinte precedente:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE


MEDICAMENTOS. DEVER DO ESTADO. DIREITO FUNDAMENTAL À VIDA E À SAÚDE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES
FEDERATIVOS PELO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE. PRECEDENTES DESTA CORTE (AGRG NO ARESP. 350.065/
CE, AGRG NO RESP. 1.297.893/SE). ACÓRDÃO RECORRIDO ESTÁ EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA 83/STJ. MATÉRIAS NÃO APRECIADAS PELA ORIGEM. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ÓBICE DA SÚMULA 211/STJ. AGRAVO
INTERNO DO ESTADO DE PERNAMBUCO DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram
submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos autos. 2. A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado
prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício (art. 2o., Lei 8.080/90). O acórdão recorrido está em harmonia com a jurisprudência
do STJ. 3. (...). 4. Agravo Interno do Estado de Pernambuco desprovido. (grifei) (AgInt no AREsp 474300 / PE; Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES
MAIA FILHO; PRIMEIRA TURMA; Data do Julgamento: 27/06/2017; Data da Publicação/Fonte: DJe 02/08/2017).

Ressalta-se, ainda, que a alegação da parte recorrente não consegue ultrapassar a proibição de revolvimento do conjunto fático-probatório dos
autos presente na súmula 7 do STJ, uma vez que sua apreciação exigiria tal reexame de fatos e provas, inclusive, no que tange ao art. 85, § 2°
do CPC/15 (exorbitância dos honorários). Nessa esteira, tome-se os seguintes julgados:

PROCESSUAL CIVIL. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. TEMAS MENCIONADOS PELO RECORRENTE COMO AFETADOS EM
REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE ENTRE A CONTROVÉRSIA TRAVADA NOS AUTOS. SOBRESTAMENTO
DO FEITO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Não há relação entre a controvérsia travada nos autos (fornecimento de
suplemento alimentar a criança com desnutrição, bronquite e refluxo gastroesofágico) e os temas mencionados pelo recorrente como afetados
em repercussão geral pelo STF, razão pela qual não se acolhe o pleito de sobrestamento do feito. 2. Ademais, infere-se que a Corte local, após
ampla análise do conjunto fático-probatório dos autos, concluiu pela imprescindibilidade do insumo alimentar em questão. Modificar a indigitada
conclusão, demanda reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em Recurso Especial, sob pena de violação da Súmula 7
do STJ. 3. Recurso Especial não conhecido.
(REsp 1724406/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 23/05/2018)

PROCESSUAL CIVIL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. NECESSIDADE DE AFERIÇÃO DE FATOS E PROVAS. VALOR NÃO
CONSIDERADO IRRISÓRIO OU EXORBITANTE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ 2. Segue-se o entendimento do Superior Tribunal de
Justiça, no REsp 1.387.248-SC, submetido ao rito dos recursos repetitivos, de que não é possível reexaminar na via estreita do Recurso Especial,
o valor dos honorários advocatícios, excetuados os casos em que se mostrar irrisório ou exorbitante, em decorrência do óbice previsto na Súmula
7 do Superior Tribunal de Justiça.4. Recurso Especial de que não se conhece".(STJ-2ª T., REsp 1697021/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 05/10/2017, DJe 16/10/2017 - grifos nossos).

No que tange ao art. 1.694, § 2º do CC, nota-se que o acórdão recorrido não se manifestou a respeito, fundando-se apenas na obrigação do
Município fornecer o insumo e na responsabilidade de todos os entes federativos em tal atribuição.

Em face de tal acórdão a municipalidade sequer interpôs embargos de declaração para provocar a manifestação do órgão julgador sobre o ponto
que agora fundamenta o recurso especial, qual seja: dever de assistência do cidadão a membros da família.

Incidem, portanto, as Súmulas 282 e, sobretudo, 356, ambas do Supremo Tribunal Federal, aplicáveis por analogia:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

STF, Súmula 282: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada.

STF, Súmula 356: O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso
extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento.

A esse respeito, inequívoco o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se vê de trecho extraído de recentíssimo julgado:

"IV - No que tange à matéria inserta no artigo 333, I, do CPC, verifica-se que no v. acórdão recorrido não foi analisado o conteúdo do dispositivo
legal, nem foram opostos embargos de declaração para tal fim, pelo que carece o recurso do indispensável requisito do prequestionamento.
Incidência dos enunciados sumulares n. 282 e 356 do STF. V - Não constando do acórdão recorrido análise sobre a matéria referida no dispositivo
legal indicado no recurso especial, restava à recorrente pleitear seu exame por meio de embargos de declaração, a fim de buscar o suprimento
da suposta omissão e provocar o prequestionamento, o que não ocorreu na hipótese dos autos." (STJ, 2ª Turma, AgInt no AREsp 1019214 / SP,
Rel. Min. Francisco Falcão. Julgado em 20/03/2018. DJe 26/03/2018. Grifos acrescidos.)

Quanto à denúncia de suposta violação a dispositivo constitucional (arts. 196 e 198 da CF/88), insta salientar que tal análise não compete ao
Superior Tribunal de Justiça. Neste sentido, reitera a Corte da Cidadania em julgado recente colacionado abaixo:

"O Superior Tribunal de Justiça não é competente para analisar, em sede de recurso especial, eventual violação de dispositivos constitucionais,
sob pena de usurpar-se da competência do Supremo Tribunal Federal". (EDcl no AgRg no AREsp 682.487/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/2016, DJe 25/02/2016)

Por fim, tenho que, ante o reconhecimento da aplicabilidade das súmulas obstativas de seguimento supramencionada e a decorrente negativa
de seguimento a este recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme
nesse ponto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese
sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615053/
RJ, rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015 - trecho da ementa).

Ante o exposto, com fundamento no artigo 1030, V, do NCPC, inadmito o recurso.

Passo, agora, ao exame do pedido de efeito suspensivo ao recurso excepcional formulado no bojo da própria petição recursal.

2. Cuida-se de pedido de tutela provisória de urgência incidental para fins de concessão de efeito suspensivo a recurso especial.

Inicialmente, cabe pontuar que a procedência de pedido de conferência de efeito suspensivo a recurso especial, consoante entendimento do
STJ, "se condiciona à demonstração da presença concomitante dos requisitos do fumus boni iuris e periculum in mora: o primeiro relativo
à plausibilidade, aferida em juízo sumário, da pretensão recursal veiculada em apelo extremo (sua probabilidade de êxito) e o segundo
consubstanciado no risco de dano irreparável que, em uma análise objetiva, revela-se concreta e real" (STJ-4ª T., AgInt no TP 265/SP, rel. Min.
Marco Buzzi, DJe 10/05/2017 - trecho da ementa).

Nessa senda, verifico que no primeiro capítulo desta decisão foi realizado o juízo de admissibilidade implicando negativa de seguimento ao
recurso especial supramencionado, cujo suposto resultado útil o requerente afirma querer resguardar.

Exige-se para atribuição de efeito suspensivo um mínimo de aparência de bom direito e perigo da demora, que estão, direta e simultaneamente,
ligados à possibilidade de êxito do recurso excepcional e à necessidade de urgência da prestação recursal.

Não se visualiza a plausibilidade de sucesso do direito alegado, porquanto restou demonstrada a incidência das súmulas obstativas
supramencionadas, implicando, repita-se, no juízo negativo de admissibilidade do recurso especial.

Tal situação impõe o reconhecimento da prejudicialidade da atribuição do efeito suspensivo, em decorrência da ausência do requisito do fumus
boni iuris.

Atento, pois, ao disposto no art. 1.029, § 5o, III, do CPC/2015, bem como à inteligência da Súmula nº 635/STF (aplicável por analogia), julgo
prejudicado o presente pedido de atribuição de efeito suspensivo.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula nº 284 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão
da controvérsia.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2 Súmula nº 83 do STJ: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido
da decisão recorrida.

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003. 0010230-39.2015.8.17.1130 Embargos de Declaração na Apelação


(0450407-2)
Protocolo : 2016/47822
Comarca : Petrolina
Vara : Vara da Faz. Pública
Apelante : Município de Petrolina
Advog : Lêda Virginia Andrade Ferraz(PE009963)
Apelado : ADENICE DA ALELUIA COSTA
Advog : TAIS RIBEIRO(PE028665)
Observação : cnj 8961
Embargante : Município de Petrolina
Advog : Lêda Virginia Andrade Ferraz(PE009963)
Embargado : ADENICE DA ALELUIA COSTA
Advog : TAIS RIBEIRO(PE028665)
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0010230-39.2015.8.17.1130 (450407-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:36 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 450407-2


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE PETROLINA - PE
RECORRIDA: ADENICE DE ALELEUIA COSTA

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão exarado pela 2ª Câmara
Extraordinária de Direito Público, por meio do Des. Relator José Ivo de Paula Guimarães, em sede de apelação.

Alega o Município recorrente, sem indicar o dispositivo de lei federal que entende por violado, que o contrato de trabalho celebrado entre as
partes foi nulo, porquanto não houve aprovação da recorrida em concurso público, razão pela qual não haveria que ser contemplada com os
direitos pleiteados e parcialmente alcançados.

De imediato, constato que o acórdão recorrido, quanto ao ponto posto em análise no presente recurso especial, decidiu exclusivamente com
fundamento em matéria constitucional, qual seja, os artigos 7º c/c 39, §3º, da Constituição Federal. Todavia, o STJ não possui competência para
a análise de matéria constitucional, não merecendo ser admitido o recurso especial pelo fato de não ser a via processual adequada.

Nesse sentido, é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE
CONTRIBUIÇÃO. REVISÃO DA RMI. MAGISTÉRIO. FATOR PREVIDENCIÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO
EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME, NO RECURSO ESPECIAL, SOB PENA DE USURPAÇÃO DA
COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto contra decisão publicada em 30/06/2017, que, por sua
vez, julgara recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015.
II. O Tribunal de origem, para decidir a controvérsia dos autos, adotou fundamentação eminentemente constitucional, deixando consignado, a
propósito, que "não se aplica o fator previdenciário no cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria de professor, tendo em vista que a Corte
Especial, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do inciso I do art. 29 da Lei 8.213/91, sem redução de texto, e dos incisos II e III do § 9º
do mesmo dispositivo, com redução de texto, em relação aos professores que atuam na educação infantil e no ensino fundamental e médio".
III. Nesse contexto, considerando a fundamentação adotada, sob enfoque estritamente constitucional, resta inviável sua apreciação no âmbito do
recurso especial, destinado à uniformização do direito federal infraconstitucional. Nesse sentido: STJ, REsp 1.647.593/PR, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/06/2017; STJ, REsp 1.672.822/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA
TURMA, DJe de 30/06/2017; STJ, AgInt no REsp 1.386.781/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/05/2017. IV.
Agravo interno improvido. (STJ-2ª T., AgInt no REsp 1658705/RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 05/09/2017, DJe 11/09/2017) (grifos
nossos)

De outra banda, verifico que o município recorrente, sequer, indica o dispositivo de lei federal que estaria sendo violado pelo acórdão atacado,
situação que atrai a incidência do enunciado da Súmula 284/STF, aplicável por analogia. Isto porque, o Superior Tribunal de Justiça possui diversos
julgados no sentido de que "a interposição de recurso tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal
requer a indicação do dispositivo legal divergente, a fim de se demonstrar que os julgados divergem acerca da sua interpretação, possibilitando o
efetivo exercício do objetivo do STJ, que é de uniformizar a legislação federal. Incidência da Súmula 284/STF." (REsp 1658306/MS, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2017, DJe 08/05/2017).

Ainda neste exato sentido:

84
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.
ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. LUCROS CESSANTES. PRESUNÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO
DISPOSITIVO LEGAL OBJETO DE INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. MAJORAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. POSSIBILIDADE. DECISÃO
MANTIDA. 1. (...). 2. O conhecimento do recurso especial, interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, exige a indicação
do dispositivo legal objeto de interpretação divergente, bem como a demonstração do dissídio, mediante a verificação das circunstâncias que
assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e a realização do cotejo analítico entre elas, nos termos definidos pelos arts. 255, §§ 1º e 2º,
do RISTJ e 541, parágrafo único, do CPC/1973. 3. (...) 4. Agravo interno a que se nega provimento.
(AgInt no AREsp 1053507/MA, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 12/09/2017, DJe 21/09/2017) (grifei)

Ademais, observo que, para a configuração da alegada divergência jurisprudencial, faz-se mister que sejam apresentados julgados com
entendimentos diversos daquele esposado no acórdão recorrido, com demonstração do cotejo analítico, e ainda a comprovação da similitude
fático-jurídica entre as decisões, não sendo suficiente a mera transcrição de ementas ou a breve menção sobre apenas um aspecto do acórdão
indicado como paradigma e a decisão guerreada, sem qualquer referência aos respectivos relatórios, a fim de que se possa identificar a existência
de similitude dos casos confrontados.

Na hipótese em análise, a parte recorrente não demonstrou, com a devida exatidão, que o acórdão recorrido e os apontados como paradigma
possuem a mesma base fática, o que inviabiliza a admissão deste recurso. Sobre a questão, inclusive, decidiu o STJ que "a divergência
jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos
confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos
recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O
desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso
Especial com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. 5. Recurso Especial não provido." (REsp 1670295/SP, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/08/2017, DJe 13/09/2017).

No presente caso, constato que não foi observada a forma constitucional, legal e regimental para que possa ser conhecido o recurso especial por
dissenso pretoriano, tendo em vista que não foi feita prova de divergência mediante certidão, cópia autenticada ou pela citação do repositório de
jurisprudência oficial ou credenciado, tampouco a reprodução do julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte ou seja, com
indicação do "caminho" que leva ao acórdão julgado no web site do tribunal correspondente.

Com tais considerações, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 26 de Novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

004. 0000086-78.2008.8.17.1250 Embargos de Declaração na Apelação


(0486223-9)
Protocolo : 2017/113838
Comarca : Santa Cruz do Capibaribe
Vara : Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santa Cruz do Capibaribe
Apelante : Município de Santa Cruz do Capibaribe-PE.
Advog : Luís Alberto Gallindo Martins(PE020189)
Apelado : BANCO SAFRA S.A.
Advog : Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353)
Observação : ASSUNTO CNJ 9414
Embargante : Município de Santa Cruz do Capibaribe-PE.
Advog : Luís Alberto Gallindo Martins(PE020189)
Embargado : BANCO SAFRA S.A.
Advog : Bruno Novaes Bezerra Cavalcanti(PE019353)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho
Proc. Orig. : 0000086-78.2008.8.17.1250 (486223-9)

85
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Despacho : Decisão Interlocutória


Última Devolução : 30/11/2018 16:16 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 486223-9


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE-PE
RECORRIDO: BANCO SAFRA S.A

Trata-se de recurso especial tirado contra decisão monocrática terminativa em sede de embargos de declaração no recurso de apelação.

Essa terminativa, todavia, não foi desafiada na via do agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015.

Por outras palavras, na medida em que não houve a colegialidade do julgado unipessoal, não houve o indispensável esgotamento do elenco
de recursos ordinários cabíveis neste Tribunal de Justiça, pelo que inexiste acórdão exposto a recurso especial (inteligência da súmula nº 281/
STF, aplicável por analogia).

Ante o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 289/305.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 486223-9


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE-PE
RECORRIDO: BANCO SAFRA S.A

Trata-se de recurso extraordinário tirado contra decisão monocrática terminativa em sede de embargos de declaração no recurso de apelação.

Essa terminativa, todavia, não foi desafiada na via do agravo previsto no art. 1.021 do CPC/2015.

Por outras palavras, na medida em que não houve a colegialidade do julgado unipessoal, não houve o indispensável esgotamento do elenco
de recursos ordinários cabíveis neste Tribunal de Justiça, pelo que inexiste acórdão exposto a recurso extraordinário, inteligência da súmula
nº 281/STF.

Ante o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 308/325.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019

86
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CARTRIS

Relação No. 2019.00517 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0010590-71.2015.8.17.1130(0450466-1)


DEBORA ALINE VELOSO MARTINS 002 0010590-71.2015.8.17.1130(0450466-1)
GOMES(PE037470)
LUCIANA DE V. V. D. SILVEIRA(PE038697) 003 0074686-24.2014.8.17.0001(0450711-1)
Leonardo de Lemos Rodrigues(PE020487) 003 0074686-24.2014.8.17.0001(0450711-1)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 003 0074686-24.2014.8.17.0001(0450711-1)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0004543-75.2013.8.17.1090 Embargos de Declaração na Apelação


(0417108-0)
Protocolo : 2018/204303
Comarca : Paulista
Vara : Vara da Fazenda Pública
Apelante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Sabrina Pinheiro dos Praseres
Apelado : ELIETE NEUZA DE SOUZA MOURA
Def. Público : Danielle Leite de Sousa
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Sabrina Pinheiro dos Praseres
Embargado : ELIETE NEUZA DE SOUZA MOURA
Def. Público : Danielle Leite de Sousa
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Proc. Orig. : 0004543-75.2013.8.17.1090 (417108-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:36 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0417108-0


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: ELIETE NEUZA DE SOUZA MOURA

Recurso Extraordinário em face de acórdão proferido em sede de Apelação.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica àquela que informa o RE nº
566.471/RN (Tema 6 - Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras
para comprá-lo), submetido à sistemática peculiar do instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036 do CPC/2015.

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se, na espécie, a observância
do disposto no inciso III do art. 1.030 do CPC/2015.

Bem por isso, determino o sobrestamento deste apelo excepcional até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema na matéria.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos físicos.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior

87
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2º Vice-Presidente

002. 0010590-71.2015.8.17.1130 Embargos de Declaração na Apelação


(0450466-1)
Protocolo : 2017/103874
Comarca : Petrolina
Vara : Vara da Faz. Pública
Apelante : Estado de Pernambuco
Apelante : FUNDAÇÃO DE APOSENTADORIAS E PENSÕES DOS SERVIDORES DO
ESTADO DE PERNAMBUCO - FUNAPE
Procdor : MARCOS ELESBÃO
Apelado : ALCIMAR DUARTE DE OLIVEIRA.
Advog : DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES(PE037470)
Embargante : Estado de Pernambuco
Embargante : FUNDAÇÃO DE APOSENTADORIAS E PENSÕES DOS SERVIDORES DO
ESTADO DE PERNAMBUCO - FUNAPE
Procdor : MARCUS VINICIUS LOPES DA SILVA
Embargado : ALCIMAR DUARTE DE OLIVEIRA.
Advog : DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES(PE037470)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0010590-71.2015.8.17.1130 (450466-1)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:23 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 450466-1


RECORRENTES: ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTRO
RECORRIDO: ALCIMAR DUARTE DE OLIVEIRA

Trata-se de recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, III, alínea "a", contra acórdão proferido pela 2ª Câmara Extraordinária de Direito
Público, por meio de seu Des. Relator José Ivo de Paula Guimarães, em sede de embargos de declaração na apelação/reexame Necessário.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica à que informa o RE nº 593.068/
SC (tema 163 - Contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional
noturno e o adicional de insalubridade), submetido à sistemática peculiar ao instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036 do CPC/2015.

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se na espécie a observância
do disposto no artigo 1.030, III, do CPC/2015.

Destarte, determino o sobrestamento deste recurso até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

Recife, 27 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

003. 0074686-24.2014.8.17.0001 Agravo na Apelação


(0450711-1)

88
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Protocolo : 2017/102998
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : M. R. S. S. B. (Criança) (Criança)
Advog : Leonardo de Lemos Rodrigues(PE020487)
Advog : LUCIANA DE VASCONCELOS VELOSO DA SILVEIRA(PE038697)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : LÚCIA HELENA DA SILVA
Apelante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Mirca de Melo Barbosa
Apelado : ESTADO DE PERNAMBUCO e outro e outro
Apelado : M. R. S. S. B. (Criança) (Criança)
Advog : Leonardo de Lemos Rodrigues(PE020487)
Advog : LUCIANA DE VASCONCELOS VELOSO DA SILVEIRA(PE038697)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : LÚCIA HELENA DA SILVA
Agravte : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : SABRINA PINHEIRO DOS PRASERES
Agravdo : M. R. S. S. B. (Criança) (Criança)
Advog : Leonardo de Lemos Rodrigues(PE020487)
Advog : LUCIANA DE VASCONCELOS VELOSO DA SILVEIRA(PE038697)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : LÚCIA HELENA DA SILVA
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0074686-24.2014.8.17.0001 (450711-1)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 28/11/2018 17:36 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0450711-1


RECORRENTES: ESTADO DE PERNAMBUCO E M.R.S.S.B. (CRIANÇA) E OUTRO
RECORRIDOS: ESTADO DE PERNAMBUCO E M.R.S.S.B. (CRIANÇA) E OUTRO

Compulsando os autos, observo que já foi feito o juízo de admissibilidade do recurso especial e extraordinário interposto, conforme se vê da
decisão de fls.197/198v e 224/225v (que em sede de juízo de retratação no agravo interno, desconstituiu a decisão de fl. 200 e, exerceu o juízo
de admissibilidade do recurso extraordinário).

Neste ser assim, ausente dos autos recurso pendente de apreciação, impõe-se que seja certificado o trânsito em julgado, com posterior baixa
dos autos ao juízo de origem.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis.

Cumpra-se. Publique-se.

Recife,

DES. ANTENOR CARDOSO SOARES JÚNIOR


2º VICE-PRESIDENTE

004. 0000832-64.2014.8.17.0690 Embargos de Declaração na Apelação


(0468898-8)
Protocolo : 2017/107488
Comarca : Ibimirim
Vara : Vara Única
Apelante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : FRANCISCO DE OLIVEIRA PORTUGAL
Apelado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO e outro e outro
Observação : PESQUISA JUDWIN ANEXA. ASSUNTO CNJ 10011
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : FRANCISCO DE OLIVEIRA PORTUGAL

89
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO


Embargado : Izabel Miranda Gomes
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho
Proc. Orig. : 0000832-64.2014.8.17.0690 (468898-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:23 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0468898-8


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDOS: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTRO

Recurso Extraordinário em face de acórdão proferido em sede de apelação.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica àquela que informa o RE nº
566.471/RN (Tema 6 - Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras
para comprá-lo), submetido à sistemática peculiar do instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036 do CPC/2015.

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se, na espécie, a observância
do disposto no inciso III do art. 1.030 do CPC/2015.

Bem por isso, determino o sobrestamento deste apelo excepcional até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema na matéria.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos físicos.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

CARTRIS/DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00523 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

Daniel Holanda de Oliveira(AL007645) 001 0000493-97.2009.8.17.1590(0435500-2)


Maria Cristina da Silva(PE020796) 001 0000493-97.2009.8.17.1590(0435500-2)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0000493-97.2009.8.17.1590(0435500-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0000493-97.2009.8.17.1590 Embargos de Declaração no Agravo na Apelação


(0435500-2)
Protocolo : 2017/113273
Comarca : Vitória
Vara : Primeira Vara Cível Comarca Vitória Santo Antão
Agravte : MUNICIPIO DA VITORIA DE SANTO ANTÃO
Advog : Daniel Holanda de Oliveira(AL007645)

90
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III


Agravdo : EDMIR BERNARDO DA SILVA e outros e outros
Advog : Maria Cristina da Silva(PE020796)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : MUNICIPIO DA VITORIA DE SANTO ANTÃO
Advog : Daniel Holanda de Oliveira(AL007645)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : EDMIR BERNARDO DA SILVA
Embargado : MARCONI PEREIRA DE ARRUDA
Embargado : ALEXANDRE ROGERIO DO NASCIMENTO
Embargado : Heloísa Angela da Silva
Embargado : IZAIR BULHÕES DO NASCIMENTO
Embargado : JOÃO LUIZ PEREIRA
Embargado : Carlindo Francisco Xavier Junior
Embargado : MARIA DAS GRAÇAS SANTOS FERREIRA
Embargado : ELIZABETE BATISTA FERREIRA
Embargado : ROSINE DE BARROS CHAVES GURGEL
Embargado : MARIA DE FATIMA DE PAIVA
Embargado : PEDRO DEMESIO DA SILVA FILHO
Embargado : JOSÉ EVERALDO GOMES DOS SANTOS
Embargado : MARIA JOSÉ DE FATIMA NUNES ARRUDA
Embargado : SEVERINA CALIXTO DA SILVA
Embargado : GERSON ANTONIO DA SILVA
Embargado : JOSEFA FELIX DE CASTRO
Embargado : LUZINETE MARILIA DA SILVA
Embargado : ANTONIO BEZERRA DA SILVA FILHO
Embargado : DALVA SOARES DO NASCIMENTO MELO
Embargado : BRIVALDO JOSÉ DO NASCIMENTO
Embargado : MARGARIDA VIEIRA MONTEIRO VERÇOSA
Embargado : JOSÉ SEVERINO DA SILVA
Embargado : JOSÉ AGUSTO DE SANTANA
Advog : Maria Cristina da Silva(PE020796)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Proc. Orig. : 0000493-97.2009.8.17.1590 (435500-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:16 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 435500-2


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
RECORRIDOS: EDMIR BERNARDO DA SILVA E OUTROS

Trata-se de recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de
embargos de declaração no agravo interno na apelação.

Alega a parte recorrente que o acórdão vergastado violou o disposto no art. 319,V do CPC, assim como os artigos 475-B, 475-A ao 475-H, 730 e
731 todos do CPC/1973, por entender que o Órgão Julgador deixou de observar a ausência do valor da causa na execução e as regras cabíveis
nas hipóteses de liquidação de sentença contra a Fazenda Pública.

O acórdão de relatoria do Desembargador Itamar Pereira da Silva Júnior, da 4ª Câmara de Direito Público, encontra-se assim consignado:

"EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA POR AUSÊNCIA DE VALOR DA CAUSA. REJEITADA. MÉRITO.
BASE DE CÁLCULO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ÚLTIMO VALOR REQUERIDO PELOS EXEQUENTES. AGRAVO INTERNO
IMPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. 1. Os recorridos apontaram devidamente o valor da causa (fls. 445/446 - processo em apenso), assim como
por estar correto todo o rito adotado nos presentes autos para liquidação e execução de sentença transitada em julgado contra a Fazenda Pública.
2. Preliminar de nulidade da sentença rejeitada. 3. Mérito. Apesar dos agravados terem apresentado um valor inicial maior na execução, após o
ajuizamento dos embargos à execução pelo Município de Vitória de Santo Antão os exequentes reduziram o montante pleiteado.
4. Desta forma esse segundo quantum requerido é o que deve ser considerado para fins de cálculo do excesso de execução. 4. No caso em
comento, infere-se às fls. 160 que os recorridos, após o ajuizamento dos embargos à execução, passaram a pleitear a homologação de cálculos
no importe de R$ 1.809.464,34 (um milhão, oitocentos e nove mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e trinta e quatro centavos), quantum
utilizado pelo magistrado de 1º grau para cálculo de excesso da execução. 5. Concernente ao percentual de 1% (um por cento) fixados para
os honorários advocatícios, não há de ser considerado irrisório, inclusive, porque representam o montante de R$ 16.645,89 (dezesseis mil,
seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta e nove centavos). 6. Agravo interno improvido. 7. Decisão unânime". Grifei (fl. 584)

Nesse sentido, convém lembrar que a Câmara Julgadora é soberana na análise de fatos e provas, os quais são recebidos pela instância
excepcional tais quais retratados pelo tribunal de origem. Dessa forma, em relação ao art. 319,V do CPC, que trata da ausência do valor da
causa na execução; quantos aos artigos 475-B, 475-A ao 475-H, 730 e 731 todos do CPC/1973, que tratam da necessidade de liquidação, tais
pretensões do recorrente esbarram na Súmula nº 07 do STJ, porquanto para concluir em sentido contrário faz-se necessário revolver o conteúdo
fático-probatório dos autos, o que é vedado na estreita via deste apelo.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Confirmo:
"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. SUPOSTA NECESSIDADE DE CÁLCULOS COMPLEXOS E PRÉVIA
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. REVISÃO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL. ALÍNEA
"C" DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. DISSÍDIO NÃO DEMONSTRADO. PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE. FUNDAMENTO
SUFICIENTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO INFIRMADO. SÚMULA 283/STF.
1. Nas razões de decidir do acórdão recorrido, o órgão julgador concluiu que a execução da sentença demanda meros cálculos aritméticos.
Assim, a análise quanto à suposta necessidade de liquidação de sentença e da alegada necessidade de cálculos complexos requer a revisão
do contexto fático-probatório dos autos. Aplicação da Súmula 7/STJ.
2. [...]
3. [...]" Agravo regimental improvido" (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 795203/RS, Rel Min. Humberto Martins, DJe de 11/02/2016)

Por fim, a parte recorrente alega a ocorrência de violação ao art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC/73, na fixação dos honorários sucumbenciais em valores
irrisórios" (fl. 622).

Como visto da ementa acima colacionada, tais honorários foram fixados em 1% (um por cento) sobre o excesso constatado. A esse respeito, o
Des. Relator entendeu que "concernente ao percentual de 1% (um por cento) fixados para os honorários advocatícios, não há de ser considerado
irrisório, inclusive, porque representam o montante de R$ 16.645,89 (dezesseis mil, seiscentos e quarenta e cinco reais e oitenta e nove
centavos)" (fl. 584).

O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência pacífica no sentido de que:

"Para rever o entendimento do Tribunal de origem que concluiu pela razoabilidade e proporcionalidade do valor arbitrado a título de honorários
advocatícios, é necessário o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial, em face do
óbice da Súmula 7/STJ." (STJ, 2ª Turma, AgInt no AREsp 1037518/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques. Julgado em 27/06/2017. DJe
30/06/2017. Grifos acrescidos.)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 616/624.

Publique-se.

Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00540 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

José do Egito Negreiros Fernandes(PE015974) 003 0005946-43.2016.8.17.0001(0485800-2)


Mônica Nair Torres de Moura(PE017971) 001 0009005-45.1993.8.17.0001(0355823-4)
Rivadávia Nunes de Alencar B. Neto(PE025410) 002 0031939-06.2007.8.17.0001(0433440-3)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0009005-45.1993.8.17.0001(0355823-4)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0031939-06.2007.8.17.0001(0433440-3)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

001. 0009005-45.1993.8.17.0001 Agravo nos Embargos de Declaração no Agravo na Ape


(0355823-4)
Protocolo : 2018/204878
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara de Acidentes do Tabalho da Capital
Embargante : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Saulo Marcos Nunes Botelho
Embargado : EDNA PAULA TENÓRIO e outros e outros
Advog : Mônica Nair Torres de Moura(PE017971)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravte : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Fábio Oliveira Fonseca
Agravdo : EDNA PAULA TENÓRIO
Agravdo : JARBSON JOVINO TENÓRIO
Agravdo : JAILSON JOVINO TENÓRIO
Agravdo : JAILTON JOVINO TENÓRIO
Advog : Mônica Nair Torres de Moura(PE017971)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0009005-45.1993.8.17.0001 (355823-4)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:37 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0355823-4


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: EDNA PAULA TENÓRIO E OUTROS

Agravo interno manejado contra decisão desta 2ª Vice-Presidência que, em face do disposto no art. 1.030, inciso I, alínea "a", segunda parte, do
Código de Processo Civil, negou seguimento a recurso extraordinário interposto pela parte agravante.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal, como bem assentado na decisão de negativa de seguimento de fls. 215/216,
tem fundamento em questão de direito idêntica a que informa o RE nº 870.947/SE (Tema 810)1, submetido à sistemática peculiar do instituto da
repercussão geral versado no art. 1.036, caput, do Código de Processo Civil/2015.

Em pronunciamento datado em 20/09/2017, o plenário do STF julgou o referido paradigma, acontecimento que deu ensejo ao juízo de
conformidade perpetrado na decisão de negativa de seguimento anteriormente mencionada. Acontece que em 24/09/18, o Min. Relator Luiz Fux,
ao analisar o recurso de embargos de declaração interpostos por diversos entes federativos, prolatou decisão nos seguintes termos:

"[...] É o breve relato. DECIDO. Estabelece o Código de Processo Civil em seu artigo 1.026, caput e § 1º, in verbis: "Art. 1.026. Os embargos
de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1o A eficácia da decisão monocrática
ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante
a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação." Destarte, com fundamento no referido permissivo legal, procede-se
à apreciação singular dos pedidos de concessão de efeito suspensivo aos indigitados embargos de declaração. In casu, sustentam os entes
federativos embargantes, em apertada síntese, padecer o decisum embargado de omissão e contradição, em face da ausência de modulação de
seus efeitos, vindo a sua imediata aplicação pelas instâncias a quo a dar causa a um cenário de insegurança jurídica, com risco de dano grave ao
erário, ante a possibilidade do pagamento pela Fazenda Pública de valores a maior. Pois bem, apresenta-se relevante a fundamentação expendida
pelos entes federativos embargantes no que concerne à modulação temporal dos efeitos do acórdão embargado, mormente quando observado
tratar-se a modulação de instrumento voltado à acomodação otimizada entre o princípio da nulidade de leis inconstitucionais e outros valores
constitucionais relevantes, como a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima. Encontra-se igualmente demonstrada, in casu, a efetiva
existência de risco de dano grave ao erário em caso de não concessão do efeito suspensivo pleiteado. Com efeito, a jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal é firme no sentido de que, para fins de aplicação da sistemática da repercussão geral, não é necessário se aguardar o trânsito
em julgado do acórdão paradigma para a observância da orientação estabelecida. Nesse sentido: "Agravo regimental em recurso extraordinário.
2. Direito Processual Civil. 3. Insurgência quanto à aplicação de entendimento firmado em sede de repercussão geral. Desnecessidade de
se aguardar a publicação da decisão ou o trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 4. Ausência de argumentos capazes de infirmar
a decisão agravada. 5. Negativa de provimento ao agravo regimental." (RE 1.129.931-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe
de 24/8/2018) "DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. SISTEMÁTICA.
APLICAÇÃO. PENDÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO PARADIGMA. IRRELEVÂNCIA. JULGAMENTO IMEDIATO DA CAUSA.
PRECEDENTES. 1. A existência de decisão de mérito julgada sob a sistemática da repercussão geral autoriza o julgamento imediato de causas
que versarem sobre o mesmo tema, independente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 2. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015,
fica majorado em 25% o valor da verba honorária fixada da na instância anterior, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015.
3. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015." (RE 1.112.500-AgR, Rel. Min.
Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe de 10/8/2018). Desse modo, a imediata aplicação do decisum embargado pelas instâncias a quo, antes da
apreciação por esta Suprema Corte do pleito de modulação dos efeitos da orientação estabelecida, pode realmente dar ensejo à realização de
pagamento de consideráveis valores, em tese, a maior pela Fazenda Pública, ocasionando grave prejuízo às já combalidas finanças públicas. Ex
positis, DEFIRO excepcionalmente efeito suspensivo aos embargos de declaração opostos pelos entes federativos estaduais, com fundamento
no artigo 1.026, §1º, do CPC/2015." Ministro Luiz Fux. Relator.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

(STF, decisão monocrática, RE 870947 ED / SE, Rel. Min. Luiz Fux. Proferida em 24/09/2018. DJe 26/09/2018. Grifos acrescidos.)

Diante da decisão acima e da sinalização de eventual modulação da decisão proferida no RE nº 870.947/SE (Tema 810) com repercussão
substancial aos processos pendentes de decisão nas instâncias a quo, impõe-se na espécie, novamente, a observância do disposto no art. 1.030,
inciso III, do Código de Processo Civil/15.

Necessário esclarecer que o presente entendimento não contradiz aqueles anteriormente exarados por esta Vice-Presidência, quando da
realização do juízo de conformidade relativos aos recursos sujeitos à sistemática dos recursos repetitivos. Isso porque tais decisões foram
embasadas na jurisprudência dos Tribunais Superiores firmadas no sentido de ser desnecessário se aguardar o trânsito em julgado do acórdão
paradigma para a observância da orientação estabelecida. In casu, a determinação do sobrestamento alinhar-se-á à decisão acima declinada
proferida pelo Pretório Excelso, através do ministro Luiz Fux, relator do RE 870.947/SE (tema 810), que em 24/09/2018, em caráter excepcional, e
em face da peculiaridade do caso, calcada em eventual "grave prejuízo", deferiu no bojo dos próprios aclaratórios efeito suspensivo aos embargos
de declaração opostos pelos entes federativos estaduais.

Desse modo, na linha de raciocínio anteriormente delineada, e com os esclarecimentos prestados, chamo o feito a ordem para o fim de proceder
retratação quanto ao juízo de conformidade realizado às fls. 215/216, e, em ato contínuo, determino o sobrestamento deste recurso até o
pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

Recife, 23 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Validade da correção monetária e dos juros moratórios incidentes sobre as condenações impostas à Fazenda Pública, conforme previstos no
art. 1º-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009.

002. 0031939-06.2007.8.17.0001 Embargos de Declaração no Agravo nos Embargos de D


(0433440-3)
Protocolo : 2017/114194
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara de Acidentes do Tabalho da Capital
Agravte : TACIANNE DE QUEIROZ NEVES
Advog : Rivadávia Nunes de Alencar Barros Neto(PE025410)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravdo : INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : FLÁVIA MACIEL MALHEIROS E ROCHA e outros e outros
Embargante : INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Saulo Marcos Nunes Botelho
Embargado : TACIANNE DE QUEIROZ NEVES
Advog : Rivadávia Nunes de Alencar Barros Neto(PE025410)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Proc. Orig. : 0031939-06.2007.8.17.0001 (433440-3)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:42 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 433440-3


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: TACIANNE DE QUEIROZ NEVES

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de apelação/
reexame necessário.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado violou o disposto nos artigos 59 e 86 da Lei nº 8.213/91, bem como os artigos 125, I, 145, 422, 436
e 437 do CPC/1973 (correspondente aos arts. 139, I, 156, 466, 479 e 480 do CPC/15) e os artigos 1.008 e 1013 do CPC/15, "(...) ao conceder
auxílio-doença - reabilitação profissional - auxílio acidente a quem não teve reduzida a capacidade laborativa atestada em laudo médico judicial
(fls. 339)" (...). Aduz, ainda, afronta à Resolução 233 do CNJ, de 13/07/2016, a Resolução 1.851/2008 do CFM (Conselho Federal de Medicina)
e ao art. 120 do Código de Ética Médica, bem como a Recomendação 01 do CNJ, de 15/12/2015.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

De proêmio, observo que na parte em que o recorrente aponta violação à Resolução CNJ nº 233/2016, à Recomendação 01/2015 do CNJ,
à Resolução 1.851/2008 do CFM (Conselho Federal de Medicina) e ao art.120 do Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 1246/88), a
insurgência não merece seguimento. Consoante o que disciplina o art. 105 da Constituição Federal, compete ao STJ uniformizar a interpretação
da legislação federal, não se enquadrando no conceito de lei federal, resoluções, regimentos internos, normativos etc, incluindo Códigos de Ética,
No sentido da afirmação, observe-se o julgado abaixo transcrito:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. CURSO SUPLETIVO.IDADE MÍNIMA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
EXAME VIA APELO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. ART. 24, V, "C", DA LEI 9.394/1996 DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA
284/STF. ARTS. 3º, I E II, 4º, V, E 37 DA LEI 9.394/1996. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. CONTRARIEDADE A
RESOLUÇÃO. APRECIAÇÃO INVIÁVEL. ALÍNEA "C". NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
1. O exame da violação de dispositivo constitucional (arts. 1º, IV, 3º, II, 205 e 208, V, da Constituição Federal) é de competência exclusiva do
Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, da Constituição Federal.
[...] 4. O Recurso Especial não constitui via adequada para análise de eventual contrariedade a Resolução, por não estar esta compreendida na
expressão "lei federal", constante da alínea "a" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. [...] 6. Agravo Interno não provido" (STJ - AgInt
no REsp 1577522/DF Rel.:Min. Herman Benjamim; 2ª T, DJe 14/10/2016 - grifo nosso).
PROCESSUAL CIVIL - AGRAVOS REGIMENTAIS - RECURSOS ESPECIAIS - SEGUIMENTO NEGADO - ARTS. 37, DA LEI Nº 5.250/57, 165
E 458 DO CPC, 2º E 15 DA LEI Nº 3.268/57 - PREQUESTIONAMENTO INEXISTENTE - CORRETA APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282/STF E
211/STJ - NECESSIDADE DA OBSERVÂNCIA DE REQUISITOS RECURSAIS FORMAIS - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC -
DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO - CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA - DIPLOMA INFRALEGAL - RESPONSABILIDADE SOBRE
MATÉRIA JORNALÍSTICA - SÚMULA 07/STJ - DESPROVIMENTO DOS AGRAVOS. [...] 5. O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº
1246/88) não se insere no conceito de "lei federal" que viabilizaria a interposição de recurso com base na alínea "a" do permissivo constitucional.
(Grifos) 6. A reapreciação da responsabilidade sobre matéria jornalística é inviável em sede de recurso especial, pois demandaria reexame de
provas. Súmula 07/STJ.
7. Agravos regimentais desprovidos."(STJ- 1º-T; AgRg no REsp 354.510/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, julgado em 27/04/2004, DJ
24/05/2004, p. 156)".

No tocante aos artigos 1.008 e 1013 do CPC/15, verifico que a decisão combatida ao entender que na análise de matéria previdenciária, a
depender da relevância da questão social que envolve a matéria e o preenchimento dos requisitos legais, poderá conceder uns dos benefícios
supracitados, estar em perfeita sintonia com o que vem decidindo o STJ, in verbis:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DIVERSO. DECISÃO EXTRA PETITA NÃO CONFIGURADA.
APOSENTADORIA POR IDADE.IMPLEMENTAÇÃO DOS REQUISITOS. PRECEDENTES.
1. Em matéria previdenciária, deve-se flexibilizar a análise do pedido contido na petição inicial, não entendendo como julgamento extra ou ultra
petita a concessão de benefício diverso do requerido na inicial, desde que o autor preencha os requisitos legais do benefício deferido. Precedentes.
2. O Tribunal a quo reformou a sentença que havia concedido à autora o benefício de aposentadoria por invalidez. Considerando a perda dessa
qualidade e a implementação de outros requisitos, lhe foi deferida a aposentadoria por idade, nos termos da Lei n. 10.666/03, a contar de
24.07.2008.
Agravo regimental improvido. (STJ, 2ª-T, AgRg no AREsp 574.838/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 30/10/2014)

Ademais, ressalte-se, ainda, que o acórdão atacado foi ementado nos seguintes termos:

"EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. POSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO AUXÍLIO ACIDENTE EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ
ACIDENTÁRIA ACASO VENHA SE CONSTATAR SER A AUTORA/EMBARGADA INCAPAZ E INSUSCETIVEL DE REABILITAÇÃO (ART. 42,
DA LEI N° 8.213/91). REFORMATIO IN PEJUS. NÃO CONFIGURADO. RELEVÂNCIA SOCIAL. MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA. REDISCUSSÃO
DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 1.022 DO CPC/15. ACLARATÓRIOS REJEITADOS.
DECISÃO UNÂNIME 1. O embargante alega ser omissa a decisão embargada, pois "monocraticamente, o N. Relator, com a devida vênia,
agravou a situação do INSS ao determinar que, alem de conceder o auxílio acidente, o INSS procedesse à reabilitação da autora e, caso
não obtivesse êxito, implantasse aposentadoria por invalidez." - Fl. 307. 2. Aduz ser o caso de reformatio in pejus. 3. Todavia, no tocante à
arguição de proibição do reformatio in pejus, não merece guarida, pois, conforme se verifica das razões recursais (fls. 266/275) a autora requereu
a aposentadoria por invalidez acidentária nos seguintes termos: "caso seja verificado a sua incapacidade definitiva, que seja implantada a
aposentadoria por invalidez acidentária." - Fl. 275. 4. O comando judicial impugnado, ressaltou apenas, que no caso de ficar constatado ser a
autora INCAPAZ E INSUSCEPTÍVEL DE REABILITAÇÃO é que, deverá o auxílio-acidente (B94) ser convertido em aposentadoria por invalidez
acidentária, nos termos do art. 42, da Lei nº 8.213/91, pois o juiz, verificando o devido preenchimento dos requisitos legais, poderá conceder
um dos benefícios supracitados, mesmo que este não tenha sido expressamente pleiteado, haja vista A RELEVÂNCIA DA QUESTÃO SOCIAL
QUE ENVOLVE A MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA. 5. Consta manifestação expressa na decisão impugnada refutando as alegações da parte
embargante, não havendo qualquer omissão, contradição, obscuridade ou erro material a ser sanada, não justificando a interposição do recurso
previsto no art. 1.022 do CPC/2015. 6. Inviabilidade de rediscussão do mérito em sede de aclaratórios. 7. Embargos de declaração rejeitados
à unanimidade." (fl.327)

Desta feita, observo que a pretensão recursal demanda, invariavelmente, o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, esse vedado
pela Súmula nº 07 do STJ, uma vez que a parte se insurge contra o convencimento pelo órgão fracionário deste TJPE no tocante ao preenchimento
dos requisitos necessários ao recebimento do auxílio-doença pela recorrida (suposta violação aos artigos 59 e 86 da Lei nº 8.213/91 e 156, 466,
479 e 480 do CPC/2015).

Ora, como se sabe, a instância especial recebe a situação fática da causa tal como a retrata a decisão recorrida. Diz o STJ "II - In casu, rever
a conclusão do Tribunal de origem, quanto ao preenchimento de todos os requisitos legais para a concessão do auxílio-acidente, em especial
da capacidade laborativa para a atividade habitual, demandaria necessário revolvimento de matéria fática e probatória, o que é inviável em sede
de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 07/STJ" (STJ-1ª T., AgRg no Ag 1432615/ES, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 18/06/2015, DJe 29/06/2015).

95
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lado outro, "nos termos do artigo 436 do CPC/19731, não fica o juiz adstrito ao laudo pericial, podendo formar sua convicção com base em outros
elementos ou fatos provados nos autos" (STJ - 3ª T., AgRg no AREsp 189300 / SP, rel. Min. Sidnei Beneti, DJe 05/09/2012, trecho da ementa).

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial. Publique-se.
Recife,
____________________________________
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
2°Vice-Presidente

1 Dispositivo correspondente ao atual art. 479 do CPC/2015:


Art. 479. O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371, indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar
ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

003. 0005946-43.2016.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0485800-2)
Protocolo : 2018/201573
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara de Acidentes do Trabalho da Capital
Apelante : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Ana Flávia Dantas Cardoso Gomes
Apelado : JOSE BOANERGES NEVES DA SILVA
Advog : José do Egito Negreiros Fernandes(PE015974)
Embargante : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : Glayciane Vasconcelos
Embargado : JOSE BOANERGES NEVES DA SILVA
Advog : José do Egito Negreiros Fernandes(PE015974)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Erik de Sousa Dantas Simões
Proc. Orig. : 0005946-43.2016.8.17.0001 (485800-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:37 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0485800-2


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: JOSE BOANERGES NEVES DA SILVA

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido em sede de
apelação.

Alega a parte recorrente que a decisão vergastada contrariou o disposto nos artigos 396 do Código Civil, 1º da Lei 4.414/64 e 927, §§ 3º e 4º, do
CPC/15 c/c o art. 27 da Lei 9.868/99, porquanto em seu entendimento "a partir da conta de liquidação homologada não há mais ato a ser praticado
que seja de responsabilidade da Autarquia, o que desautoriza falar em mora a partir de então. É que, uma vez fixada a conta de liquidação,
compete ao Juiz expedir o ofício requisitório, ato sobre o qual o INSS não tem qualquer autonomia." (fl. 126v)

Aduz ainda que:

"[...] Saliente-se que não desconhece o julgamento pelo Plenário do STF do RE 5279.431/RS, onde fora firmada a tese de incidência de juros
de mora entre a data da conta de atualização e a expedição do precatório. Sucede, todavia, que o acórdão em referência ainda não transitou
em julgado, uma vez que pendem de julgamento embargos declaratórios. Em virtude de sua natureza integrativa, os Embargos Declaratórios
opostos possuem o nítido objetivo de provocar a modulação dos efeitos do julgado em sede de repercussão geral. Desconhecidos ainda os
limites objetivos e temporais da decisão do STF, pendentes Embargos de Declaração para sua integração, a fixação dos seus termos para os
casos em que já houve a expedição do precatório originário, neste momento, é medida que pode vir a causar prejuízo irreversível ao erário. Se
porventura houver modulação dos efeitos, de mode a se fixar eficácia prospectiva ao julgado. Atingindo-se apenas os caos em que ainda não
houve a expedição do precatório até o julgamento do RE 579.431/RS, a Fazenda Pública terá prejuízos irreversíveis. (Idem. Grifos no original.)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

De início, necessário sublinhar que não há como prosperar a tese do recorrente quanto à necessidade de integração do julgado ante a interposição
de embargos de declaração no recurso extraordinário nº 579.431/RS, representativo da controvérsia no Supremo Tribunal Federal, porquanto
tanto no STF quanto no STJ é pacífico o entendimento de que é desnecessário aguardar-se o trânsito em julgado de decisão proferida em matéria
repetitiva e repercussão geral para a sua aplicação.
Foi exatamente o que afirmou a Corte Constitucional quando, recentemente, procedeu ao julgamento pela rejeição dos embargos de declaração
suscitados pela recorrente, com o expresso afastamento de qualquer modulação dos efeitos do julgado paradigma:
"EMBARGOS DECLARATÓRIOS - INEXISTÊNCIA DE VÍCIO - DESPROVIMENTO. Inexistindo, no acórdão formalizado, qualquer dos vícios
que respaldam os embargos de declaração - omissão, contradição, obscuridade ou erro material -, impõe-se o desprovimento. EMBARGOS
DECLARATÓRIOS - MODULAÇÃO DE PRONUNCIAMENTO. Descabe modular pronunciamento quando ausente alteração de jurisprudência
dominante - artigo 927, § 3º, do Código de Processo Civil. REPERCUSSÃO GERAL - ACÓRDÃO - PUBLICAÇÃO - EFEITOS - ARTIGO 1.040 DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão
paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (STF, Tribunal Pleno, RE nº 579.431 ED/
RS, Rel. Min. Marco Aurélio. Julgado em 13/06/2018. DJe 22/06/2018." Grifos acrescidos.)

No mesmo sentido já vinha decidindo o Tribunal da Cidadania:

"PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 1031, INCISO II, DO NOVO CPC. RE 579.431/RS. TEMA 96. INCIDÊNCIA DE JUROS DA MORA ENTRE A
DATA DA REALIZAÇÃO DOS CÁLCULOS E A DATA DA REQUISIÇÃO OU DO PRECATÓRIO. EXECUÇÃO DE DÍVIDA DA FAZENDA PÚBLICA.
DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO PARA APLICAÇÃO IMEDIATA DAS DECISÕES DO STF EM SEDE DE REPERCUSSÃO
GERAL.

1. Esta Corte vinha entendendo que não incidiam juros moratórios entre a data da elaboração da conta de liquidação e o efetivo pagamento
do precatório, desde que satisfeito o débito no prazo constitucional para seu cumprimento. (REsp 1.143.677/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, Corte
Especial do STJ, DJe 04/02/2010, recurso repetitivo).
2. Entretanto, com o julgamento do RE n. 579.431/RS, em 19/07/2017, sob a sistemática da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal
firmou entendimento no sentido de que incidem juros de mora no período compreendido entre a data da conta de liquidação e a expedição do
requisitório (Tema 96/STF).
3. No presente caso, impõe-se a adequação do julgado do STJ à orientação jurisprudencial da Suprema Corte, para reconhecer a incidência dos
juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório.
4. Tanto a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça quanto o Supremo Tribunal Federal vêm entendendo que nem a pendência da publicação
nem a do trânsito em julgado de acórdão proferido sob a sistemática da repercussão geral impedem a imediata aplicação, pelos demais órgãos
do Poder Judiciário, da tese firmada no leading case.
Precedentes: AgInt no RE nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1280891/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, CORTE ESPECIAL, julgado
em 20/11/2017, DJe 28/11/2017; RE 982.322 AgR-ED-ED, Relatora Min. CÁRMEN LÚCIA (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 24/11/2017,
processo eletrônico DJe-280, divulgado em 05/12/2017, publicado em 6/12/2017; RE 1.065.205 AgR, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI,
Segunda Turma, julgado em 22/09/2017, processo eletrônico DJe-227, divulgado em 3/10/2017, publicado em 4/10/2017; Rcl 18.412 AgR,
RelatorMin. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 02/02/2016, processo eletrônico DJe-033, divulgado em 22/02/2016, publicado
em 23/02/2016.
5. A conclusão deriva da interpretação literal do art. 1.039 do CPC/2015 que somente demanda a conclusão do julgamento para que a tese
estabelecida na sistemática da repercussão geral seja aplicada em casos idênticos, sobrestados na origem, não sendo exigido pela lei nem a
publicação do acórdão, tampouco o seu trânsito em julgado.
6. Embargos de declaração da parte exequente acolhidos, com efeitos infringentes, para dar provimento a seu agravo regimental e,
consequentemente, negar provimento ao recurso especial do INSS, mantendo, assim, o acórdão do TRF da 4ª Região que admitia a possibilidade
de inclusão de juros de mora no período compreendido entre a elaboração dos cálculos e a expedição do precatório."
(STJ, 5ª Turma, EDcl no AgRg no REsp 1149615/RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Dje 09/05/18." Grifos acrescidos.)

Além disso, necessário destacar que, apesar da existência dos Temas de Recurso Especial Repetitivos nº 291 e 292, ambos representados pelo
REsp n° 1.143,677/RS, no qual foi consolidado, à época, pelo STJ, o entendimento de que não incidem juros moratórios entre a data da elaboração
da conta de liquidação e a do efetivo pagamento do precatório ou da requisição de pequeno valor (RPV), impõe-se a sua não observância no
processo em análise, porquanto a própria Corte Superior, alinhando-se à recente decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 579.431/RS
("incidem juros da mora entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório"), exarada em sede de repercussão geral,
vem, exaustivamente, afastando a aplicação dos referidos repetitivos em suas decisões mais recentes.
No caso concreto, o acórdão da 1ª Câmara de Direito Público, relatado pelo Des. Erik de Sousa Dantas Simões, assim concluiu:

"PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. APELAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO SOS CÁLCULOS. VALOR INCONTROVERSO. INCIDÊNCIA
DE JUROS MORATÓRIOS ATÉ TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME.
1. Após o embargado ter anuído com o excesso de execução levantado pelos Embargos à Execução (fl. 20), o Magistrado a quo julgou procedentes
os Embargos, mantendo a exigibilidade parcial do título apresentado na execução, no valor de R$ 135.162,33 (cento e trinta e cinco mil, cento
e sessenta e dois reais e trinta e três centavos) para o segurado, e no montante de R$ 8.458,90 (oito mil, quatrocentos e cinquenta e oito reais
e noventa centavos) referente aos honorários advocatícios, totalizando a quantia de R$ 143.621,23 (cento e quarenta e três mul, seiscentos e
vinte um reais e vinte e três centavos)
2. O cerne da controvérsia recursal gira em torno da possibilidade de acréscimo de juros sobre o referido valor, desde a data da realização dos
cálculos de liquidação.
3. Não procede o argumento utilizado pelo INSS para ver afastados os índices de atualização do valor devido após a realização dos cálculos.

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4. É sabido que, entre o prazo da inscrição do precatório pelo Presi dente o Tribunal até o seu efetivo pagamento, é proibido acrescer
juros de mora, desde que esteja dentro do período previsto pela Constituição Federal, segundo entendimento vinculante estabelecido na Súmula
nº 17 do Supremo Tribunal Federal. O mesmo vale para as Requisições de Pequeno Valor. Súmula Vinculante nº17 STF: "Durante o período
previsto no parágrafo 1º do art. 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos".
5. Em que pese não incidirem os juros de mora no período fixado pela referida Súmula - entre a data de inscrição do Precatório (ou RPV) e o
efetivo pagamento -, o INSS alega que os juros moratórios não incidem desde a conta de liquidação até o pagamento do precatório, efetivado
dentro do período previsto constitucionalmente.
6. No tocante aos juros moratórios, o STF, em 19/04/2017, pôs fim a qualquer celeuma sobre o assunto, no julgamento do Recurso Extraordinári0o
579431, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, com Repercussão Geral reconhecida, decidindo da seguinte forma: 'INCIDEM OS JUROS
DA MORA NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE A DATA DA REALIZAÇÃO DOS CÁLCULOS E A DATA DA REQUISIÇÃO OU DO
PRECATÓRIO'.
7. Vê-se, portanto, que a incidência dos juros deverá ocorrer enquanto pender a controvérsia sobre o quantum debeatur, para que haja defasagem
do valor homologado durante o curso do processo, sendo o trânsito em julgado da homologação dos cálculos, o termo final mais razoável à
interpretação.
8. Assim, não é porque houve a anuência do exequente dos cálculos elaborados pela Fazenda Pública, que a mora deixou de existir, já que ainda
não ocorreu a percepção do valor pelo credor. O magistrado de primeiro grau agiu conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal ao
incluir juros de mora da data de elaboração dos cálculos até a data do trânsito em julgado da decisão que homologou o valor a ser pago, ou seja,
aquela em que o MM. Juiz determina a expedição do precatório ou da requisição de pequeno valor, devendo determinar que, antes da expedição,
seja realizado o cálculo de atualização da dívida, com a inclusão dos juros de mora e da correção monetária devidos até à referida data, a fim de
embasar o pedido de pagamento por precatório ou RPV. Resta, portanto, acerado o lapso temporal de incidência de juros fixada na sentença.
9. Cumpre esclarecer que o índice estipulado para correção monetária, seguindo os ditames dos Enunciados 19 e 24 do Grupo de Câmaras
do e. TJPE (atuais Súmulas 162 e 167 do TJPE, respectivamente) não foi objeto do recurso de apelação, razão pela qual não cabe qualquer
alteração para adaptar-se ao julgamento realizado pelo STF, em sua composição plenária, no RE 870947, submetido ao Rito da Repercussão
Geral (tema 810).
10. Nega provimento ao Recurso de Apelação, à unanimidade."
(Apelação nº 0485800-2 - NPU nº 0005946-43.20168.17.0001, 1ª Câmara de Direito Publico, Rel. Des. Erik de Sousa Dantas Simões, fls. 84/85)

No mesmo sentido o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo:

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS ENTRE A DATA DA CONTA DE
LIQUIDAÇÃO E A DA EXPEDIÇÃO DE RPV/PRECATÓRIO. MATÉRIA PACIFICADA EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. RE 579.431/RS. REL. MIN. MARCO AURÉLIO, DJe 30.6.2017. ADEQUAÇÃO DO ENTENDIMENTO DESTA CORTE.
RECURSO ESPECIAL DOS PARTICULARES PROVIDO.

1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 579.431/RS, sob o regime da repercussão geral, consolidou o
entendimento de que incidem juros de mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e a expedição de requisição de
pagamento e o registro do precatório ou RPV.
2. Em que pese à orientação desta Corte, firmada no REsp 1.143.677/RS, representativo da controvérsia, segundo a qual não incidiria juros
moratórios no período compreendido entre a homologação da conta de liquidação e a requisição de pequeno valor (RPV) ou da expedição do
precatório, deve prevalecer o entendimento do Supremo Tribunal Federal, sobretudo quando a Suprema Corte estabelece diretriz oposta, em
regime de obrigatoriedade judicial.
3. Esta situação revela a delicada convivência entre a competência fragmentária das Corte Inferiores e a da Corte Suprema, a única com aptidão
e autoridade para definir, em termos conclusivos, o entendimento e o alcance de dispositivos constitucionais.
4. Recurso Especial dos particulares provido, adequando o julgado à orientação do STF."
(STJ, 1ª Turma, REsp nº 1284642//RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Dje 23/02/2018. Grifos nossos.)

Incide, portanto, na hipótese, o enunciado da Súmula nº 83 da referida Corte Superior (in verbis: "Não se conhece do recurso especial pela
divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida").

A aplicabilidade da Súmula de nº 83 do STJ aos recursos especiais interpostos, também, com fundamento no permissivo da alínea "a" do art.
105, III, da CF/88, é pacífica na jurisprudência daquela Corte Superior, como se vê de recente julgado:

"AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. 1. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO DE APELAÇÃO. AFERIÇÃO PELA DATA DO
EFETIVO PROTOCOLO NO ÓRGÃO JUDICIAL. POSTAGEM FEITA PELOS CORREIOS. IMPOSSIBILIDADE. 2. SÚMULA N. 83 DO STJ.
APLICABILIDADE PARA AMBAS AS ALÍNEAS (A E C) DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. 3. RECURSO DESPROVIDO.
[...]
2. A Súmula n. 83 do STJ não se aplica apenas aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea c do permissivo constitucional,
sendo também aplicável aos recursos fundados na alínea a.
3. Agravo interno improvido."
(STJ, 3ª Turma, AgInt no REsp 1597978/ES, Rel. Marco Aurélio Bellizze. Julgado em 04/05/2017. DJe 18/05/2017. Grifos e omissões nossos.)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Publique-se.

Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0485800-2


RECORRENTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO: JOSE BOANERGES NEVES DA SILVA

Trata-se de recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede
de apelação.

Alega a parte recorrente que o acórdão vergastado contrariou o dispositivo constitucional refletido no artigo 100, § 5º da CF/88, porquanto em seu
entendimento "não devem incidir juros de mora desde a conta de liquidação, só havendo incidência de juros se o precatório for pago fora do prazo
constitucionalmente previsto."(fls. 131v). Aduz ainda que: "Não se desconhece o julgamento pelo plenário do STF do RE 579.431/RS, onde fora
firmada a tese de incidência de juros de mora entre a da conta de atualização e a expedição do precatório. Sucede, todavia, que o acórdão em
referência ainda não transitou em julgado, uma vez que pendem de julgamento embargos declaratórios. Em virtude de sua natureza integrativa,
os Embargos Declaratórios opostos possuem o nítido objetivo de provocar a modulação dos efeitos do julgado em sede de repercussão geral.
(fl. 132v). Complementa dizendo que: "[....] "Se porventura houver modulação dos efeitos, de modo a se fixar eficácia prospectiva ao julgado,
atingindo-se apenas os caos em que ainda não houve a expedição do precatório até o julgamento do RE 579.431/RS, a Fazenda Pública terá
prejuízos irreversíveis." (fl. 132v).

De início, necessário sublinhar que não há como prosperar a tese do recorrente quanto à necessidade de integração do julgado ante a interposição
de Embargos de Declaração no recurso extraordinário Nº 579431/RS, representativo da controvérsia e que tramitou no Supremo Tribunal Federal,
porquanto tanto no STF quanto o STJ é pacífico o entendimento de que é desnecessário aguardar-se o trânsito em julgado de decisão proferida
em matéria repetitiva e repercussão geral para a sua aplicação.

Neste sentido, a Corte Constitucional assim declinou:

"Ementa: RECLAMAÇÃO. APLICAÇÃO IMEDIATA DAS DECISÕES DO STF. DESNECESSIDADE DE TRÂNSITO EM JULGADO. PEDIDO
SUCESSIVO. FALTA DE INTERESSE EM AGIR.
1. As decisões tomadas pelo STF são de observância imediata, independentemente de trânsito em julgado.
2. Carece de ação a parte que impugna ato futuro, de conteúdo incerto, pela suposição de que lhe será desfavorável.
3. Agravo regimental desprovido."
(STF - Recl 18412 AgR/DF, Rel. Min. Roberto Baroso, 1ª Turma, Dje 23/02/16)

Ademais, ainda que legalmente prevista a possibilidade de eventual modulação de decisão exarada em sede de recurso extraordinário com
repercussão geral, no que tange ao referido recurso extraordinário (REsp 579.431/RS) tal possibilidade já não mais existe, na medida em que,
julgados os referidos embargos de declaração pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, em 13/06/18, àquela Corte Superior, por unanimidade,
desproveu o respectivo recurso. Senão vejamos:

"EMBARGOS DECLARATÓRIOS - INEXISTÊNCIA DE VÍCIO - DESPROVIMENTO. Inexistindo, no acórdão formalizado, qualquer dos vícios que
respaldam os embargos de declaração - omissão, contradição, obscuridade ou erro material -, impõe-se o desprovimento.

EMBARGOS DECLARATÓRIOS - MODULAÇÃO DO PRONUNCIAMENTO. Descabe modular pronunciamento quando ausente alteração de
jurisprudência dominante - artigo 927, § 3º, do Código de Processo Civil.

REPERCUSSÃO GERAL - ACÓRDÃO - PUBLICAÇÃO - EFEITOS - ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista
no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário,
formalizado sob o ângulo da repercussão geral."
(ED no RE 579.431/RS, Relator(a): Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 13/06/2018, DJe -124, Pub. 22-06-2018)

Lado outro, constato que a controvérsia em análise foi submetida à sistemática procedimental versada no art. 543-B do CPC/1973 (correspondente
ao art. 1.036 do CPC/2015), para cujo desate o STF elegeu o referido Recurso Extraordinário Nº 579431/RS (tema 96) como recurso paradigma
representativo da controvérsia, julgando pela incidência de juros de mora no período compreendido entre a data da conta de liquidação e a
expedição do requisitório, conforme acórdão assim ementado:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"JUROS DA MORA - FAZENDA PÚBLICA - DÍVIDA - REQUISIÇÃO OU PRECATÓRIO. Incidem juros da mora entre a data da realização dos
cálculos e a da requisição ou do precatório."
(RE 582461, Relator(a): Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 19/04/2017, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-145 DIVULG
29-06-2017 PUBLIC 30-06-2017)

A 1ª Câmara de Direito Público deste Sodalício ao apreciar a matéria objeto da controvérsia, assim concluiu:

"PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. APELAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO SOS CÁLCULOS. VALOR INCONTROVERSO. INCIDÊNCIA
DE JUROS MORATÓRIOS ATÉ TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. DECISÃO UNÂNIME.
1. Após o embargado ter anuído com o excesso de execução levantado pelos Embargos à Execução (fl. 20), o Magistrado a quo julgou procedentes
os Embargos, mantendo a exigibilidade parcial do título apresentado na execução, no valor de R$ 135.162,33 (cento e trinta e cinco mil, cento
e sessenta e dois reais e trinta e três centavos) para o segurado, e no montante de R$ 8.458,90 (oito mil, quatrocentos e cinquenta e oito reais
e noventa centavos) referente aos honorários advocatícios, totalizando a quantia de R$ 143.621,23 (cento e quarenta e três mul, seiscentos e
vinte um reais e vinte e três centavos)
2. O cerne da controvérsia recursal gira em torno da possibilidade de acréscimo de juros sobre o referido valor, desde a data da realização dos
cálculos de liquidação.
3. Não procede o argumento utilizado pelo INSS para ver afastados os índices de atualização do valor devido após a realização dos cálculos.
4. É sabido que, entre o prazo da inscrição do precatório pelo Presi dente o Tribunal até o seu efetivo pagamento, é proibido acrescer
juros de mora, desde que esteja dentro do período previsto pela Constituição Federal, segundo entendimento vinculante estabelecido na Súmula
nº 17 do Supremo Tribunal Federal. O mesmo vale para as Requisições de Pequeno Valor. Súmula Vinculante nº17 STF: "Durante o período
previsto no parágrafo 1º do art. 100 da Constituição, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos".
5. Em que pese não incidirem os juros de mora no período fixado pela referida Súmula - entre a data de inscrição do Precatório (ou RPV) e o
efetivo pagamento -, o INSS alega que os juros moratórios não incidem desde a conta de liquidação até o pagamento do precatório, efetivado
dentro do período previsto constitucionalmente.
6. No tocante aos juros moratórios, o STF, em 19/04/2017, pôs fim a qualquer celeuma sobre o assunto, no julgamento do Recurso Extraordinári0o
579431, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, com Repercussão Geral reconhecida, decidindo da seguinte forma: 'INCIDEM OS JUROS
DA MORA NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE A DATA DA REALIZAÇÃO DOS CÁLCULOS E A DATA DA REQUISIÇÃO OU DO
PRECATÓRIO'.
7. Vê-se, portanto, que a incidência dos juros deverá ocorrer enquanto pender a controvérsia sobre o quantum debeatur, para que haja defasagem
do valor homologado durante o curso do processo, sendo o trânsito em julgado da homologação dos cálculos, o termo final mais razoável à
interpretação.
8. Assim, não é porque houve a anuência do exequente dos cálculos elaborados pela Fazenda Pública, que a mora deixou de existir, já que ainda
não ocorreu a percepção do valor pelo credor. O magistrado de primeiro grau agiu conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal ao
incluir juros de mora da data de elaboração dos cálculos até a data do trânsito em julgado da decisão que homologou o valor a ser pago, ou seja,
aquela em que o MM. Juiz determina a expedição do precatório ou da requisição de pequeno valor, devendo determinar que, antes da expedição,
seja realizado o cálculo de atualização da dívida, com a inclusão dos juros de mora e da correção monetária devidos até à referida data, a fim de
embasar o pedido de pagamento por precatório ou RPV. Resta, portanto, acerado o lapso temporal de incidência de juros fixada na sentença.
9. Cumpre esclarecer que o índice estipulado para correção monetária, seguindo os ditames dos Enunciados 19 e 24 do Grupo de Câmaras
do e. TJPE (atuais Súmulas 162 e 167 do TJPE, respectivamente) não foi objeto do recurso de apelação, razão pela qual não cabe qualquer
alteração para adaptar-se ao julgamento realizado pelo STF, em sua composição plenária, no RE 870947, submetido ao Rito da Repercussão
Geral (tema 810).
10. Nega provimento ao Recurso de Apelação, à unanimidade."
(Apelação nº 0485800-2 - NPU nº 0005946-43.20168.17.0001, 1ª Câmara de Direito Publico, Rel. Des. Erik de Sousa Dantas Simões, fls. 84/85)

Assim, verifico que o entendimento do órgão fracionário deste TJPE foi firmado no mesmo sentido do adotado pelo Supremo Tribunal Federal
quando do julgamento do mérito do recurso extraordinário em questão, com a seguinte tese: "Incidem os juros de mora no período compreendido
entre a data da realização dos cálculos e a da requisição ou do precatório".

Desta forma, ao passo em que o acórdão recorrido se encontra em conformidade com o que decidiu o STF no representativo da controvérsia
aludido, aplicando-se a regra do art. 1030, I, alínea "a", 2ª parte, do CPC/2015, nego seguimento ao presente recurso extraordinário.

Publique-se.

Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019

100
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

CARTRIS

Relação No. 2019.00549 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0028200-44.2015.8.17.0001(0448041-3)


Hilário Gurgel(PE025593) 002 0028200-44.2015.8.17.0001(0448041-3)
Jair Roberto Albuquerque de Souza(PE014923) 001 0005402-20.2000.8.17.0000(0068759-8)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0028200-44.2015.8.17.0001(0448041-3)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0005402-20.2000.8.17.0000 Mandado de Segurança


(0068759-8)
Comarca : Recife
Impte : Maria do Rosário Rabelo de Paula
Advog : Jair Roberto Albuquerque de Souza(PE014923)
Impdo : Secretário de Administração e Reforma do Estado de Pernambuco
Procurador : Romero De Oliveira Andrade
Órgão Julgador : 1º Grupo de Câmaras Cíveis
Relator : Des. Macedo Malta
Despacho : Despacho
Última Devolução : 28/11/2018 17:37 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 68.759-8


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: MARIA DO ROSÁRIO RABELO DE PAULA

Trata-se de petição juntada pelo Estado de Pernambuco, na qual requer o desarquivamento dos autos e a concessão de vista.
Neste sentido, defiro o pedido veiculado pela petição hospedada à fl. 230 e, de conseguinte, faculto aos nomeados vista dos autos, fora das
dependências do Tribunal, pelo prazo de 05 (cinco) dias úteis.
Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis.
Publique-se.
Recife, 23 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0028200-44.2015.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0448041-3)
Protocolo : 2018/200949
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Autor : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Eduardo Prazeres Carneiro de França
Réu : LUZIA FREIRE LEÃO
Advog : Hilário Gurgel(PE025593)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Raffaela Meirelles Souza
Embargado : LUZIA FREIRE LEÃO
Advog : Hilário Gurgel(PE025593)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III

101
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público


Relator : Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Proc. Orig. : 0028200-44.2015.8.17.0001 (448041-3)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:50 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0448041-3


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: LUZIA FREIRE LEÃO

Trata-se de recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido em sede de
apelação/reexame necessário.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto nos artigos 2° (separação dos poderes), 5°, caput (princípio da isonomia), 37,
caput (princípio da legalidade) e inciso XXI (exigência de licitação) e 196 (política pública de saúde), todos da Constituição Federal.

De início, é importante frisar que "inclui-se no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se o
recorrente, em preliminar do recurso extraordinário, desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração, no caso concreto,
da existência de repercussão geral" (STF, AI 664.567/RS, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 06/09/2007). Portanto, deve a parte recorrente
demonstrar que a controvérsia discutida nos autos possui repercussão geral.

No caso presente, em que pese constar da peça recursal preliminar de repercussão geral, o recorrente não demonstrou, com a devida
fundamentação, a razão de a matéria discutida nos autos extrapolar os interesses subjetivos da causa, possuindo relevância do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico.

Na preliminar arguida, na realidade, vejo um esforço apenas genérico da parte recorrente em comprovar a rígida exigência da repercussão geral,
sem, contudo, lograr êxito.

Consequentemente, inexistente a devida fundamentação relacionada com a repercussão geral, a inadmissão do recurso extraordinário se impõe,
nos termos da jurisprudência do STF (RE/615990, Rel. Min. Luiz Fux, DJ n. 65 do dia 06/04/2011).

Por outro lado, cumpre afastar a identidade entre a matéria discutida nos presentes autos e aquela tratada no RE nº 566.471/RN, paradigma do
Tema nº 061 da repercussão geral. Isso porque a questão a ser decidida mediante a sistemática de recursos múltiplos restringe-se à existência
do dever estatal de fornecer medicamento de alto custo, não abarcando situações, como a destes autos, nas quais a parte recorrente demanda
a entrega pelo ente público de gênero diverso (in casu: Procedimento cirúrgico com implantação de prótese amplatzer), ainda que relacionado
à manutenção da sua saúde e do seu bem-estar. Nesse sentido, a jurisprudência do Supremo: STF - 2ª T., RE 902378 AgR-segundo-AgR, rel.
Min. Dias Toffoli, Dje de 11/05/2016; STF - 1ª T., AI 810864 AgR, rel. Min. Roberto Barroso, DJe 02/02/2015; STF - 1ª T., ARE 741566 AGR/RS,
rel. Min. Rosa Weber, DJe de 15/08/2013.

Ademais, a suposta afronta aos citados dispositivos indicados nas razões do recurso, se porventura ocorrente, revelou-se por via oblíqua ou
reflexa. Sucede que a orientação do STF é iterativa em não admitir o recurso extraordinário sob a alegação de ofensa indireta à Carta da República.

Friso que o manejo do recurso extraordinário, sob o fundamento da alínea "a", do permissivo constitucional, só é liberado a partir de um histórico
de afronta direta à Constituição, e não de maneira indireta, reflexa ou oblíqua, como ocorre no caso em apreço.

Especificamente quanto ao malferimento do princípio da legalidade, aplica-se à espécie o enunciado nº 636 da Súmula do STF, segundo o qual
encontra óbice instransponível o recurso extraordinário cujo fundamento seja a contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando
para que se verifique seja também necessário rever a interpretação dada às normas infraconstitucionais pela decisão recorrida.

Ademais, ainda que superado o citado obstáculo ao prosseguimento do recurso extraordinário ora em análise, verifico que modificar os termos
acordados pelo colegiado apenas seria possível com nova visita ao conjunto fático-probatório dos autos. Isso porque restou consignado no
acórdão recorrido o seguinte:

"EMENTA: CONSTITUCIONAL. DIREITO À SAÚDE. COMUNICAÇÃO INTERATRIAL (CIA). PROCEDIMENTO CIRÚRGICO COM
IMPLANTAÇÃO DE PRÓTESE AMPLATZER. DIREITO À DIGNIDADE E À SAÚDE. DEVER DO PODER PÚBLICO. I - Constitui dever do Poder
Público, em qualquer de suas esferas, assegurar a todas as pessoas o direito à manutenção da saúde, consequência indissociável do direito à
vida. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Inteligência do art. 196 da CRFB/88. II - Diante da comprovação,
nos autos, da necessidade e adequação do procedimento cirúrgico pleiteado (oclusão percutânea de comunicação interatrial - CIA com prótese
Amplatzer), deve o Estado cumprir o dever constitucional que lhe foi imposto, assegurando o correspondente direito à saúde da parte adversa.
III - Reexame Necessário desprovido; Apelo Voluntário prejudicado." (fls. 152) (g.n.)

Destarte, atrai-se, na espécie, o Enunciado nº 279 da Súmula do STF, o qual veda, em sede excepcional, a revisão das provas aos autos carreadas
e, pois, do referido entendimento pela imprescindibilidade do tratamento pleiteado pela a parte recorrida.

Por fim, no que tange à suposta violação do art. 2º da CF/88, registre-se o que diz a jurisprudência do STF reiterada em casos paralelos ao
analisado nos presentes autos: "O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração pública adote medidas
assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure violação do princípio da separação dos
poderes, inserto no art. 2º da Constituição Federal." (STF - 2ª T., RE 827.662 AgR, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 05/10/2016).

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Por todo o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, nego seguimento ao recurso.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Tema nº 6 - Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para
comprá-lo

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

003. 0070927-57.2011.8.17.0001 Agravo nos Embargos de Declaração na Apelação


(0476683-2)
Protocolo : 2018/203817
Comarca : Recife
Vara : 5ª Vara da Fazenda Pública
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Eduardo Prazeres Carneiro de França
Embargado : Laurinete Gomes da Silva
Def. Público : LUANA SILVA MELO HERCULANO
Agravte : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Gilson Silvestre da Silva
Agravdo : Laurinete Gomes da Silva
Def. Público : LUANA SILVA MELO HERCULANO
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0070927-57.2011.8.17.0001 (476683-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:41 Local: CARTRIS

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 476683-2


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: LAURINETE GOMES DA SILVA

Perlustrando os autos, percebo que a parte recorrente interpôs o recurso de agravo interno previsto no art. 1.021, do CPC, em face da decisão
de fls. 178/179, que, com base no art. 1.030, V, do CPC, negou seguimento ao recurso especial de fls. 157/159-v.

Nesse caso, resta flagrante o erro grosseiro cometido pelo recorrente, eis que o meio de impugnação utilizado é inidôneo para questionar decisões
deste jaez.

A propósito, na esteira do Código de Processo Civil, verifico que o agravo versado no art. 1.042 do CPC é o único recurso de natureza impugnatória
cabível contra decisão que nega trânsito a apelo excepcional, com fundamento no art. 1030, inciso V, do CPC.

Caracterizada, na espécie, portanto, a hipótese de erro grosseiro ou inescusável, uma vez ser manifestamente incabível, não há que se conhecer
do presente recurso.

Publique-se.

Recife, 09 de novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior

103
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

Cartris
DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00553 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

Napoleão Manoel Filho(PE020238) 001 0000492-34.2010.8.17.1540(0435278-5)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0000492-34.2010.8.17.1540 Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração


(0435278-5)
Protocolo : 2017/114650
Comarca : Tuparetama
Vara : Vara Única
Embargante : Domingos Sávio da Costa Torres
Advog : Napoleão Manoel Filho(PE020238)
Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Embargante : Domingos Sávio da Costa Torres
Advog : Napoleão Manoel Filho(PE020238)
Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0000492-34.2010.8.17.1540 (435278-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:12 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0435278-5


RECORRENTE: DOMINGOS SÁVIO DA COSTA TORRES
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Recurso especial interposto com fundamento na CF/88, art. 105, III, alíneas "a" e "c", contra acórdão proferido em sede de apelação pela 2ª
Turma da Câmara Regional de Caruaru, sob a relatoria do Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho, e integrado em sede de embargos de
declaração pela 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público, sob a relatoria do Des. José Ivo de Paula Guimarães. É que, após a prolação do
acórdão de fls. 883 e ss., por aquele primeiro órgão fracionário, sobreveio a modificação da sua competência funcional (absoluta), motivando
a redistribuição do feito (fl. 944).

Nota-se, à partida, que o recorrente não indica qual o dispositivo de lei federal fora violado pelo acórdão recorrido. Bem assim, não indica de
forma clara um dispositivo de lei federal ao qual tenha sido dada interpretação divergente daquela proferida por outro tribunal.

O permissivo da referida alínea "a" autoriza o cabimento de recurso especial quando a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal, ou negar-
lhes vigência. Por sua vez, o permissivo da alínea "c" assegura o cabimento do referido apelo excepcional quando o acórdão do Tribunal a quo
der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Assim, a ausência de indicação precisa do dispositivo de lei federal ou tratado que se entende por violado - ou que se entende haver sido dada a
interpretação divergente - induz a inadmissão do apelo excepcional, por aplicação analógica da Súmula nº 284 do STF (in verbis: "É inadmissível o
recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Nesse sentido, pacífica
a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"A falta de particularização dos dispositivos de lei federal que o acórdão recorrido teria contrariado ou aos quais teria atribuído interpretação
divergente consubstancia deficiência bastante a inviabilizar o conhecimento do apelo especial, atraindo, na espécie, a incidência da Súmula 284
do Supremo Tribunal Federal [...]." (STJ, 2ª Turma, AgInt no AREsp 1237785/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães. Julgado em 11/09/2018.
DJe 19/09/2018.)

Ao contrário, a parte recorrente centra a alegação de incompetência da Justiça Estadual na suposta violação ao art. 109, I, da CF/88. Ocorre
que, quanto à denúncia de suposta violação a dispositivo constitucional, tem-se que, em sede de recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça
não possui competência para a sua análise:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 5º, LIV, DA CF/88. INVIABILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO
ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO STF. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA. ALEGADA VIOLAÇÃO DOS ARTS. 15, II E 16 DA LEI
6.830/80. SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DO STJ. SÚMULA 83/STJ.
1. É inviável a discussão em Recurso Especial acerca de suposta ofensa a dispositivo constitucional, porquanto seu exame é de competência
exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional. Precedentes: AgRg no AREsp 1.148.457/
ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 18.12.2017; AgInt no REsp 1.584.531/PE, Segunda Turma, Rel. Min. Francisco
Falcão, DJe 18.12.2017; REsp 1.575.385/ES, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 19.12.2017; REsp 1.702.487/RJ, Min. Herman
Benjamin, Segunda Turma, DJe 18.12.2017.
[...]
6. Recurso Especial não conhecido. (STJ, 2ª Turma, REsp 1718961 / SP, Ministro Herman Benjamin. Julgado em 01/03/2018. DJe 02/08/2018.
Grifos e omissões nossos.)

Em seguida, o recorrente alega a falta dos elementos má-fé e desonestidade nas condutas em razão das quais fora condenado pela prática de
ato de improbidade administrativa, aduzindo que "são requisitos subjetivos para caracterização do tipo previsto no art. 11 da LIA" (fl. 1013) e que
"o acordão combalido se equivoca a manter a condenação do recorrente apenas pela existência de dolo genérico" (idem).

A esse respeito, a 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público, sob a relatoria do Des. José Ivo de Paula Guimarães, assim se manifestou em
sede de embargos de declaração:

"3. Há o registo, no voto do relator, acerca da desnecessidade do dolo específico no que diz respeito às condutas que se amoldam ao art.11 da LIA,
conforme orientação do STJ. Neste sentido, tendo, o agente, desrespeitado o comendo constitucional no que diz respeito à aplicação do percentual
mínimo de 60% (sessenta por cento) na remuneração do magistério, além do repasse a maior do duodécimo ao legislativo municipal, incorreu
no tipo previsto no supramencionado artigo o qual exige, apenas, o dolo 'latu sensu', genérico, que se completa com o simples descumprimento
deliberado da lei." (Fl. 953. Grifos acrescidos.)

A suficiência do dolo genérico na conduta do agente para a configuração do ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios
administrativos consta na jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça, como se vê de recente julgado:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. FRACIONAMENTO DE COMPRAS. BURLA À LEI DE LICITAÇÕES. ART. 11 DA LEI Nº 8.429/1992.
CONFIGURAÇÃO DO DOLO GENÉRICO. PRESCINDIBILIDADE DE DANO AO ERÁRIO. COMINAÇÃO DAS SANÇÕES. ART. 12 DA LIA.
PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. SÚMULA 7/STJ.
1. A caracterização do ato de improbidade por ofensa a princípios da administração pública exige a demonstração do dolo lato sensu ou genérico.
Precedentes.
2. O ilícito previsto no art. 11 da Lei 8.249/1992 dispensa a prova de dano, segundo a jurisprudência desta Corte.
3. Modificar o quantitativo da sanção aplicada pela instância de origem enseja reapreciação dos fatos e da prova, obstado nesta instância especial
(Súmula 7/STJ).
4. Agravo interno não provido.
(STJ, 1ª Turma, AgInt no AREsp 1184699/RJ, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES. Julgado em 20/09/2018. DJe 27/09/2018. Grifos
acrescidos.)

Aplica-se quanto ao ponto, portanto, a Súmula nº 83 do STJ1.

O recorrente alega, também, a desproporcionalidade na aplicação da sanção de suspensão dos direitos políticos. Ocorre que, também segundo
a jurisprudência do STJ, o conhecimento de tal matéria não prescinde da análise do conjunto fático-probatório dos autos, o que implica no óbice
da Súmula nº 072 da Corte Superior:

"A reanálise da dosimetria de sanções, impostas em ações de improbidade administrativa, implica em revolvimento fático-probatório, hipótese
vedada pelo verbete sumular n. 7 do Superior Tribunal de Justiça, situação esta que, consequentemente, impede o conhecimento do presente
recurso neste ponto." (STJ, 2ª Turma, AgInt no REsp 1581659/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão. Julgado em 20/09/2018. DJe 18/10/2018.
Grifos acrescidos.)

Por fim, nota-se que, apesar de também fundamentar o recurso na alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente deixa de fazer o
necessário cotejo entre os acórdãos paradigmas e o julgado recorrido, deixando de destacar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem
os casos confrontados, pelo que desatende também o disposto no CPC, art. 1.029, § 1º:

CPC/2015, art. 1.029, § 1º: Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão,
cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

divergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se,
em qualquer caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. (Grifos acrescidos.)

Segundo o STJ, "[...] exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial
invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de
soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas [...]" (STJ, 2ª Turma, AgInt no AREsp
1261802/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão. Julgado em 16/10/2018. DJe 24/10/2018).

Registre-se, ainda, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça segundo a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial
quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea 'a' do permissivo constitucional" (STJ, 2ª Turma, AgRg no
AREsp 615053/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015).

Assim, inadmito o recurso, com fundamento no art. 1030, V, do CPC/2015.

Publique-se. Intimem-se.

Recife, 07 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 STJ, Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da
decisão recorrida.
2 STJ, Súmula 7: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
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19

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

19

Cartris
DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00554 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 005 0074646-42.2014.8.17.0001(0462879-9)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 007 0028489-14.2011.8.17.0810(0487098-0)

106
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ARTUR CASTRO DE SOUZA(PE029346) 005 0074646-42.2014.8.17.0001(0462879-9)


Bruno Afonso Ribeiro do V. Bezerra(PE026707) 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
Cristiano Lessa Vidal(PE030945) 002 0001176-94.2009.8.17.1280(0466367-0)
Díbulo Calábria C. da Silveira 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
Ellen Christina Lima Soares Leão(PE021054) 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
Heriberto Guedes Carneiro(PE005753) 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
JOSENEIDE MONTEIRO RODRIGUES(PE028319) 001 0071625-58.2014.8.17.0001(0438934-0)
Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304) 005 0074646-42.2014.8.17.0001(0462879-9)
Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575) 007 0028489-14.2011.8.17.0810(0487098-0)
Terezinha de Jesus Duarte Carneiro(PE011336) 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
Washington Cadete(PE009092) 002 0001176-94.2009.8.17.1280(0466367-0)
Washington Luiz Cadete Júnior(PE020897) 002 0001176-94.2009.8.17.1280(0466367-0)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0071625-58.2014.8.17.0001(0438934-0)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 004 0014451-68.2013.8.17.0990(0330285-8)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 005 0074646-42.2014.8.17.0001(0462879-9)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0071625-58.2014.8.17.0001 Apelação


(0438934-0)
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : ADALBERTO JOSE MARTINS DA SILVA
Apelante : ADILMA DA CONCEIÇAO CAVALCANTI PEREIRA
Apelante : ANDREA VIEIRA SIMPLICIO DE LUCENA
Apelante : ANGELA MARIA DE FRANCA BARROS
Apelante : ARLENE BISPO TIMOTEO
Advog : JOSENEIDE MONTEIRO RODRIGUES(PE028319)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : MUNICIPIO DO RECIFE
Procdor : GILVAN RUFINO FREITAS
Procurador : Ana Maria Moura Maranhão da Fonte
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Rafael Machado da Cunha Cavalcanti
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:45 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0438934-0


RECORRENTE: MUNICÍPIO DO RECIFE
RECORRIDO: ADALBERTO JOSÉ MARTINS DA SILVA E OUTROS

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão da 4ª Câmara
de Direito Público, de lavra do Des. Relator Rafael Machado da Cunha Cavalcanti em sede de apelação.

Alega o recorrente que o aresto vergastado ofendeu o art. 1º da Lei Federal nº 11.738/2008, argumentando que cumpriu efetivamente as
disposições da referida legislação, tanto no que se refere à aula atividade quanto ao piso salarial e que, portanto, os recorridos sempre receberam
com base no mencionado artigo.

A decisão combatida consignou que:

EMENTA. DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. REDE MUNICIPAL DE ENSINO PÚBLICO. LEI FEDERAL Nº 11.738/2008.
PAGAMENTO PROPORCIONAL DO PISO SALARIAL NACIONAL PARA OS PROFISSIONAIS DO MAGISTÉRIO PÚBLICO DA EDUCAÇÃO
BÁSICA. PREVISÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. RESERVA DE, NO MÍNIMO, 1/3 DA CARGA HORÁRIA PARA O DESENVOLVIMENTO DE
AULAS-ATIVIDADE. ADI Nº 4.167/DF. CONSTITUCIONALIDADE DA PREVISÃO. FALTA DE ADEQUAÇÃO DA LEI MUNICIPAL COM O DITAME
FEDERAL. DESCUMPRIMENTO DA GARANTIA LEGAL (OBRIGAÇÃO DE FAZER) PELO MUNICÍPIO DO RECIFE. DEVER DE INDENIZAR.
PAGAMENTO DE ADICIONAL DE HORA-EXTRA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA CONDENATÓRIA. APELO
PARCIALMENTE PROVIDO. DECISÃO UNÂNIME. 1. A questão discutida nos presentes autos cinge-se ao cumprimento ou não, pelo Município
do Recife, de normas veiculadas pela Lei Federal nº 11.738/2008, relativamente (i) ao pagamento da diferença do piso salarial nacional para os
profissionais do magistério, mesmo quando o professor desenvolve carga horária inferior à mínima estipulada pela legislação apontada e (ii) ao
pagamento de 28 horas-aula e horas extras. 2. Destaque-se que mencionado diploma legislativo fora objeto de ação direta de inconstitucionalidade
(ADI 4167/DF) por meio da qual, dentre outros pontos, questionava-se a constitucionalidade dos §§ 1º e 4º, de seu art. 2º. Referida ação fora
julgada improcedente pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 27/04/2011. Efeito vinculante da decisão. 3. Os apelantes sustentam que
a lei federal nº 11.738/2008 expressamente determina que o mínimo a ser pago ao professor do ensino básico é o valor previsto no caput do
art. 2º da Lei nº 11.738/2008, independentemente da carga horária estabelecida pelo ente federado. Todavia, não há como sustentar referida
interpretação. O art. 2º da Lei nº 11.738/2008, ao estabelecer o piso nacional, teve o cuidado de prever uma razão mínima entre o valor do

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piso e a carga horária do professor, de modo que aquele pudesse ser equitativamente aplicado aos profissionais que exercessem carga horária
inferior ou superior àquela prevista no § 1º, do citado art. 2º, qual seja, 40 horas semanais. Outra, inclusive, não é a inteligência do § 3º do
dispositivo em comento: "Os vencimentos iniciais referentes às demais jornadas de trabalho serão, no mínimo, proporcionais ao valor mencionado
no caput deste artigo". 4. Ao realizar o pagamento de forma proporcional, o Município do Recife dá correto cumprimento à Lei nº 11.738/2008, não
havendo como ser acolhido o pleito da parte apelante, por meio do qual pretende lhe seja pago o piso na forma integral, mesmo tendo laborado
menos de 40 (quarenta) horas semanais. 5. A Lei Municipal nº 16.520/99 (Lei do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração - PCCR, do quadro
efetivo do pessoal do Grupo Ocupacional Magistério da Rede de Ensino Público da Prefeitura da Cidade do Recife) prevê, em seu art. 20, que
serão reservadas 20 (vinte) horas-aula para atividades de formação continuada, planejamento e avaliação de trabalho didático. A Lei Federal,
por sua vez, determina que, pelo menos, 1/3 da carga horária dos professores seja destinada a atividades extraclasse, já que expressamente
prevê o limite máximo de 2/3 da carga horária "para o desempenho das atividades de interação com os educandos". 6. Em relação às duas
leis apontadas, existe um déficit na lei municipal de 28 horas que deveriam estar reservadas para as atividades sem interação com os alunos,
porém se encontravam destinadas à regência na sala de aula. 7. Não havendo o Município de Recife editado lei para se adequar à citada norma
federal, é possível concluir que a partir da data da vigência da Lei nº 11.738/2008 (27/04/2011), o Município do Recife passou a não garantir ao
profissional do magistério de educação básica a correta proporção para as aulas-atividade. 8. A partir de agosto de 2013 fora previsto pagamento
de abono especial aos professores (Lei Municipal nº 17.893), que visava "remunerar o professor em virtude de que as aulas-atividade, nos novos
percentuais estabelecidos na Lei Federal, serão apenas implementadas a partir do 1º semestre letivo de 2014 para esses professores". Com a
publicação da Lei Municipal nº 18.033/2014 fora efetuada a implementação da aula-atividade para o professor em regência de classe na Rede
Municipal de Ensino. Portanto, do período de agosto de 2013 em diante, o Município do Recife passou a atender os termos da lei federal. 9.
Condenação do Município do Recife ao pagamento de indenização no valor de uma hora-aula para cada hora de aula-atividade não garantida
no período compreendido entre maio de 2011 a julho de 2013, em face do descumprimento pela Administração Pública da obrigação legal de
garantia das aulas-atividade, como também em decorrência da impossibilidade do cumprimento específico da obrigação de conceder a fruição
das 28 horas mensais de aula-atividade. 10. Incabível o pedido de pagamento do adicional de horas extras e seus reflexos. Não há que se falar
em trabalho extraordinário. Isto porque as autoras/apelantes laboraram a carga horária correta para sua categoria, qual seja, 145 à 270 horas-
aula. O modo como se deu a divisão de seu trabalho, se em regência de aula ou se no desenvolvimento de atividade extraclasse, não tem o
condão de configurar o trabalho como extraordinário, já que não houve aumento de carga horária. Ademais, a natureza da verba paga como
compensação da não fruição das horas-aula em aulas-atividade é claramente indenizatória, e não remuneratória. Dela não decorrem quaisquer
repercussões trabalhistas. 11. Apelo parcialmente provido. Decisão unânime. (fls. 326-327 - trecho da ementa, sublinhei)

O município/recorrente afirma em suas razões recursais, todavia, que:

"(...)Mesmo já implantada a aula atividade, após intenso processo de ajustamento de carga horária, em 2013 o município réu implantou
integralmente a aula atividade a todos o que exercem o cargo de professor II (ensino fundamental dos anos finais), sem que fosse necessário
recorrer ao abono especial, conforme ocorrera para o cargo de professor I. Ou seja, há mais de dois anos, a autora vem sendo assegurada a
vivência de aula atividade na proporção de 1/3 de sua carga horária mensal, alguns com acréscimo de carga horária e outros sem acréscimo de
jornada e redução das horas classe, tudo na forma prevista no Decreto nº 27.307 de 23/08/2013, no Decreto nº 2040 de 12/11/2014 e Portaria
nº 2048 de 12/11/2014) (...)"(fl. 342-v).

Ora, a pretensão da parte esbarra, inequivocamente, na Súmula nº 7 do STJ. Como se sabe, a Câmara julgadora é soberana na análise das
circunstâncias fáticas e probatórias da causa; não cabe, portanto, revolver tal quadro de fatos e provas em sede de recurso especial, a teor da
supracitada súmula, já que a Instância excepcional recebe o quadro fático-probatório tal como retratado pela Corte de origem.

Ademais, mesmo que ultrapassado o óbice relativo à súmula 7, a Corte Estadual decidiu o presente caso com fundamento nas regras da Lei
Municipal nº 17.903/2013. Dessa forma, qualquer exegese realizada passará, inexoravelmente, pela interpretação conferida àquela legislação
local, o que atrai, necessariamente, a incidência da Súmula nº 280 do STF, aplicável por analogia ao recurso especial.

Nesse sentido:

"ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.


SÚMULAS Nº 282 E 356/STF. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 280/STF.
1. A análise da matéria trazida a esta Corte por meio de recurso especial pressupõe a ocorrência de prévio questionamento realizado na origem,
isto é, efetivo juízo de valor sobre o tema objeto das razões recursais, o que não ocorreu. Incidente as Súmulas nº 282 e nº 356/STF.
2. O acolhimento das proposições recursais, em detrimento da conclusão do Tribunal de origem - feita com base na interpretação do direito local
(Lei Municipal nº 205/2009, Lei nº 217/2010 e Decreto n° 008/2011) -, é vedado a este Superior Tribunal de Justiça, em decorrência da aplicação
do disposto na Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário ".
3. Agravo regimental não provido."
(STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 751760/PE, rel. Min. Mauro Campbell Marques,

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial fls. 337-344.

Publique-se.

Recife, 12 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

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002. 0001176-94.2009.8.17.1280 Apelação


(0466367-0)
Comarca : São Bento do Una
Vara : Vara Única
Apelante : Edinaura Pontes de Oliveira
Advog : Washington Luiz Cadete Júnior(PE020897)
Advog : Washington Cadete(PE009092)
Apelado : MUNICÍPIO DE SÃO BENTO DO UNA
Advog : Cristiano Lessa Vidal(PE030945)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 1ª Turma
Relator : Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Despacho : Despacho
Última Devolução : 21/11/2018 12:47 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 466367-0


RECORRENTE: EDINAURA PONTES DE OLIVEIRA
RECORRIDO: MUNICÍPIO DE SÃO BENTO DO UNA - PE

Despacho, nestes autos, no uso de atribuição delegada na conformidade da Portaria nº 01/2018 - 2ª V-P, de 19.02.2018 (DJe de 20.02.2018).

Nos termos do art. 183 e §1º, do Código de Processo Civil de 2015 (CPC/2015), a "União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas
respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem
terá início a partir da intimação pessoal" que "far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico."

Para operacionalizar a intimação pessoal a fazenda pública deverá manter cadastro nos sistemas de processo em autos eletrônicos para permitir,
preferencialmente, a comunicação por esse meio e perante o seu órgão de representação judicial (artigos 246, §º e 269, § 1º, do CPC/2015).

Não tendo sido requerido o cadastramento eletrônico, inviabilizada está a intimação por este meio.

Registre-se, ainda, que não tendo a fazenda pública informado ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) sobre a existência em sua
estrutura administrativa de órgão encarregado do gerenciamento de processo judicial, e respectivo Procurador credenciado, não há como ser
operacionalizada a remessa de processos físicos para fins de intimação pessoal.

Neste contexto, tendo sido cientificada a fazenda pública da decisão interlocutória de fl. 132/132-v através de publicação no Diário Oficial
(publicada no DJE nº 116/2018, de 04/07/2018), verifico o decurso de mais de trinta dias sem que tenha havido manifestação pela carga do
processo em epígrafe, de modo que, à luz do princípio da instrumentalidade das formas, para garantir o regular andamento do feito, aplico o
art. 273, II,1 do CPC/2015, para determinar que o CARTRIS proceda a intimação da fazenda pública por meio de carta registrada com aviso de
recebimento (AR), endereçada, pessoalmente, ao respectivo patrono, acompanhada deste despacho e do inteiro teor da decisão referida.

Publicação dispensada.
Recife,

José Marcelon Luiz e Silva


Juiz Assessor da 2ª Vice Presidência

1 Art. 273. Se inviável a intimação por meio eletrônico e não houver na localidade publicação em órgão oficial, incumbirá ao escrivão ou chefe
de secretaria intimar de todos os atos do processo os advogados das partes:
I-
II - por carta registrada, com aviso de recebimento, quando forem domiciliados fora do juízo.
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Poder Judiciário

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Tribunal de Justiça de Pernambuco


Gabinete da 2ª Vice-Presidência

05

003. 0124890-43.2012.8.17.0001 Apelação


(0505374-5)
Comarca : Recife
Vara : Vara dos Executivos Fiscais Municipais
Apelante : Município do Recife
Procdor : OSWALDO NAVES VIEIRA JÚNIOR
Apelado : CLAUDIVAM JOSE DIAS DE SANTANA
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:47 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0505374-5


RECORRENTE: MUNICÍPIO DO RECIFE
RECORRIDO: CLAUDIVAM JOSE DIAS DE SANTANA

Recurso Especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra Acórdão em sede de Apelação.

Alega o Município Recorrente que o Acórdão recorrido, proferido pela 3ª Câmara de Direito Público, contrariou o disposto nos artigos 174, I, do
CTN e 240 do CPC/2015, na medida em que reconheceu a ocorrência da prescrição da pretensão executiva, em exame no caso concreto. Aduz,
ainda, a existência de divergência jurisprudencial em relação à aplicação da Súmula n° 106 do STJ.

Por ausência de interesse recursal, todavia, o Recurso Especial é incognoscível.

Ocorre que, no presente caso, ao contrário do que imagina a parte Recorrente, a 3ª Câmara de Direito Público deste TJPE já proferiu, em Acórdão
de Relatoria do Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva, e por unanimidade, provimento ao Recurso de Apelação, do ora Recorrente, no sentido
anular a decisão que decretou a prescrição. Observe-se abaixo:

RECURSO DE APELAÇÃO. DIREITO TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PROCESSO VIRTUAL. MATERIALIZAÇÃO APÓS O DECURSO DO
PRAZO DE 30 (TRINTA) DIAS. CONVALIDAÇÃO POR ATO DO JUÍZO. POSSIBILIDADE. ENUNCIADO Nº 04 DO GRUPO DE CÂMARAS DE
DIREITO PÚBLICO DO TJPE. RECURSO PROVIDO PARA DETERMINAR O PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO. DECISÃO UNÂNIME. 1.
De acordo com a redação atual do Enunciado nº 04 do Grupo de Câmaras de Direito Público, "a partir de 04 de agosto de 2011, data inicial de
vigência do Convênio nº 027/2011, impõe-se o reconhecimento da nulidade dos executivos fiscais do Município do Recife, materializados após o
decurso de 30 (trinta) dias, a vista da respectiva certificação nos autos, consoante previsto nas cláusulas 2.9 e 2.10 do citado convênio, salvo ato
posterior do juízo que o convalide, determinando o prosseguimento da execução". 2. Na hipótese, o executivo fiscal, distribuído eletronicamente
em 16/10/2011, só foi materializado em 14/09/2012, ou seja, após o decurso de 30 (trinta) dias. 3. Contudo, o despacho que ordenou a citação
do executado convalidou os atos anteriormente praticados, impondo o prosseguimento da execução fiscal. 4. Recurso provido para desconstituir
a sentença e determinar o retorno dos autos ao juízo de origem, para o seu regular processamento. 5. Decisão unânime. (Fls. 32). Grifos nossos.

Não apresenta, o Recorrente, portanto, qualquer interesse a justificar o exercício recursal, na medida em que o provimento jurisdicional que ora
persegue já foi por ele obtido, com o provimento da Apelação.

Ora, o interesse de recorrer é mensurado à luz do benefício prático que o Recurso pode proporcionar ao Recorrente. É dizer, é preciso que haja
utilidade no provimento recursal.

Em sendo assim, e na medida em que foi dado provimento à Apelação, anulando, na íntegra, a sentença de 1º grau que julgara prescrita a
pretensão executiva do ora Recorrente, inadmito este Recurso Especial, em face da falta de interesse recursal (art. 17º do NCPC, extensivo ao
sistema recursal), com sustentáculo no art. 1.030, V, do CPC/2015.

Publique-se.

Recife, 05 de novembro de 2018.

110
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

16

004. 0014451-68.2013.8.17.0990 Embargos de Declaração no Agravo na Apelação


(0330285-8)
Protocolo : 2014/121585
Comarca : Olinda
Vara : 1ªVara da Fazenda Pública de Olinda
Agravte : Município de Olinda
Advog : Díbulo Calábria C. da Silveira
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravdo : MARIA HELENA BEZERRA LINS
Advog : Bruno Afonso Ribeiro do Valle Bezerra(PE026707)
Advog : Ellen Christina Lima Soares Leão(PE021054)
Advog : Heriberto Guedes Carneiro(PE005753)
Advog : Terezinha de Jesus Duarte Carneiro(PE011336)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : Município de Olinda
Advog : Terezinha de Jesus Duarte Carneiro(PE011336)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : MARIA HELENA BEZERRA LINS
Advog : Bruno Afonso Ribeiro do Valle Bezerra(PE026707)
Advog : Ellen Christina Lima Soares Leão(PE021054)
Advog : Heriberto Guedes Carneiro(PE005753)
Advog : Terezinha de Jesus Duarte Carneiro(PE011336)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Antenor Cardoso Soares Junior
Proc. Orig. : 0014451-68.2013.8.17.0990 (330285-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:40 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 330285-8


RECORRENTE: MARIA HELENA BEZERRA LINS
RECORRIDO: MUNICÍPIO DE OLINDA-PE

Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão proferido
em sede de embargos de declaração no recurso de agravo interno na apelação.

A parte recorrente funda o recurso especial na alegação de que o acórdão recorrido contrariou o disposto nos arts. 10, §1º, I e IV e 47, ambos
do CPC/73. Teria, ainda, afrontado a jurisprudência do Colendo STJ no sentido de que a ação demolitória tem natureza de direito real imobiliário,
sendo imprescindível a citação do cônjuge da parte ré para a validade do trâmite processual.

Consta no acórdão recorrido, prolatado pela 3ª Câmara de Direito Público deste Tribunal, lavrado pelo Relator Substituto, Des. José Viana Ulisses
Filho:

EMENTA: RECURSO DE AGRAVO NA APELAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE. INAPLICABILIDADE DA QUERELA NULLITATIS
INSANABILIS. DESNECESSÁRIA A FORMAÇÃO DO LITISCONSORCIO PASSIVO NECESSÁRIO NA AÇÃO ORIGINÁRIA DEMOLITÓRIA.
RELAÇÃO DE DIREITO PESSOAL E NÃO DE DIREITO DE PROPRIEDADE. POR MAIORIA, DEU-SE PROVIMENTO AO RECURSO DE
AGRAVO.
Trata-se de Recurso de Agravo em face de Decisão Terminativa (fls.163/166), que deu provimento ao apelo para determinar a remessa dos autos
à Instância de origem para regular processamento da ação declaratória de nulidade até seus ulteriores termos.
Em suas razões recursais, argumenta o recorrente que não haveria necessidade de formação do litisconsórcio passivo necessário na ação
demolitória proposta anteriormente, por entender que não tem cabimento a apresentação da querela nullitatis.
Assevera ainda, que houve angularização da relação processual na mencionada ação demolitória e nunca teria sido questionada a ausência de
citação da ora agravada. Cita precedentes que entende respaldar sua tese. Levanta provável má-fé da agravada e seu cônjuge com o ajuizamento
da ação declaratória de nulidade e entende que a decisão agravada está equivocada, não cabendo a aplicação do art. 557, §1º-A do CPC, bem
como reputa inadequado o uso da querela nullitatis originária (fls. 179/186).
Por fim, requer o total provimento do presente recurso interposto, reformando a decisão monocrática em todos os seus termos.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Fazendo uma breve síntese e para compreensão dos fatos é importante tecer os comentários adiante.
Trata-se de apelação cível de sentença prolatada em sede de "querela nullitatis insanabilis", da lavra da Juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública da
Comarca de Olinda, que extinguiu o feito sem resolução de mérito, com fundamento no art. 267, VI, §3º do CPC.
Na decisão mencionada, a ação foi extinta por ausência de condição da ação. Restou consignado que as ações demolitórias têm natureza
obrigacional, não apresentando cunho de direito real imobiliário, de modo que não haveria a necessidade de citação do cônjuge.
A apelante argumenta, em suas razões recursais, que figurava no pólo passivo da ação demolitória objeto da "querela nullitatis" e não foi
regularmente citada. Nesse contexto, defende sua legitimidade para manejar a ação em estudo. Outrossim, entende que o caso não contempla
nenhuma das hipóteses de cabimento da ação rescisória. Pretende, portanto, a reforma da sentença (fls. 109/126). Custas recolhidas (fl. 127).
Processo remetido a essa Instância ad quem.
Sanadas algumas irregularidades, o órgão ministerial foi instado a se manifestar (fl. 155), porém restou entendido que não era o caso de
intervenção do Ministério Público (fls. 159/160).
Mediante Decisão Terminativa proferida às fls.163/166, a relatoria do Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo deu provimento ao apelo para
determinar a remessa dos autos a Instância de origem para regular processamento da ação declaratória de nulidade até seus ulteriores termos.
Pois bem. Como esclarecido, a ação declaratória principal teve seu processamento obstado sob o fundamento de ausência de condição da ação.
Em sua decisão, a MM Juíza a quo entendeu que a via eleita não era a adequada para a hipótese.
No caso em apreço, a relação colocada sob a epígrafe jurisdicional é uma relação de direito pessoal e não de direito de propriedade.
A ação de natureza demolitória não impõe a presença do litisconsórcio passivo necessário dos cônjuges residentes, na medida em que tal embate
se apoia em relação obrigacional, não se tratando, portanto, de direito de propriedade, domínio, direito real imobiliário ou qualquer outra que
requeira a formação de litisconsórcio passivo necessário.
Portanto, diante de todo contexto, depreende-se claramente a inexistência de correlação do objeto da ação demolitória com o direito real
imobiliário, motivo pelo qual a citação do cônjuge é desnecessária ao regular processamento do feito, não havendo cabimento para tese de
nulidade arguida.
Como bem frisou a MM Juíza a quo, "é de se ver que a autora tem como única finalidade obstar a execução da obrigação de fazer fixada
no processo principal através de ajuizamento da presente querela nullitatis insanabilis, incompatível para atacar atos vinculados ao direito
obrigacional, vez que não se trata de direito da propriedade ou ainda possessório, repercutindo os efeitos de maneira reflexiva no imóvel".
Por maioria de votos, deu-se provimento ao presente recurso de agravo. (grifos nossos)

Por outro lado, há que se verificar ser entendimento do Superior Tribunal de Justiça o caráter real da ação demolitória, senão vejamos:

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DEMOLITÓRIA. NATUREZA REAL. CÔNJUGE. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO.
NULIDADE. 1. Cinge-se a controvérsia a definir qual a natureza da Ação Demolitória e, em consequência, se a hipótese exige a formação de
litisconsórcio necessário passivo entre os cônjuges. 2. O Tribunal a quo entendeu que, por se tratar de ação pessoal, "a citação do cônjuge torna-
se dispensável, posto que a ação demolitória não afeta diretamente o direito de propriedade das partes" (fl. 130). 3. A Ação Demolitória visa à
demolição de: a) prédio em ruína (art. 1.280 do CC); b) construção prejudicial a imóvel vizinho, às suas servidões ou aos fins a que é destinado
(art. 934, I, do CPC); c) obra executada por um dos condôminos que importe prejuízo ou alteração de coisa comum por (art. 934, II, do CPC); d)
construção em contravenção da lei, do regulamento ou de postura estabelecidos pelo Município. 4. No sistema do Código Civil, a construção é
tratada como uma das formas de aquisição da propriedade imóvel (arts. 1.253 a 1.259). Por outro lado, o direito de exigir a demolição de prédio
vizinho encontra-se previsto no capítulo que trata dos direitos de vizinhança e está associado ao uso anormal da propriedade (Seção I do Capítulo
V do Título III do Livro dos Direitos das Coisas). 5. A Ação Demolitória tem a mesma natureza da Ação de Nunciação de Obra Nova e se distingue
desta em razão do estado em que se encontra a obra (REsp 311.507/AL, Rel. Ministro Ruy Rosado de Aguiar, Quarta Turma, DJ 5/11/2001, p.
118). 6. Assentada a premissa de que a Ação Demolitória e a Ação de Nunciação de Obra Nova se equivalem, o art. 95 do CPC corrobora a
tese sobre a natureza real de ambas. O dispositivo prescreve que, nas ações fundadas em direito real sobre imóveis, o foro competente é o da
situação da coisa, com a ressalva de que as referidas ações podem ser propostas no foro do domicílio ou de eleição, desde que o litígio não recaia
sobre propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova. 7. Para o CPC, portanto, a Ação de
Nunciação de Obra Nova se insere entre aquelas fundadas em direito real imobiliário. A mesma conclusão deve alcançar a Ação Demolitória.
8. Em precedente de relatoria do saudoso Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, o STJ assentou entendimento pela nulidade de processo em
que pleiteada a demolição de bem, por ausência de citação de condômino litisconsorte necessário (REsp 147.769/SP, Rel. Ministro Sálvio de
Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, DJ 14/2/2000, p. 34). 9. Recurso Especial provido.
(STJ - REsp: 1374593 SC 2013/0011423-0, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 05/03/2015, T2 - SEGUNDA TURMA,
Data de Publicação: DJe 01/07/2015) (grifos nossos)
Assim, constato ainda que, na espécie: (I) estão atendidos os três requisitos extrínsecos e, quanto aos intrínsecos, os da legitimação, interesse
e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, compreendendo o esgotamento das vias ordinárias; (II) a análise dessa
controvérsia prescinde de reexame de prova e (III) foi prequestionado o thema decidendum, atinente à contrariedade ou negativa de vigência a
dispositivo de lei federal pelo acórdão recorrido, no caso, arts. 10, §1º, I e IV e 47, ambos do CPC/73.

Ante o exposto, com fundamento no CPC/2015, art. 1.030, V, "a", admito o recurso e determino a remessa dos autos ao Superior Tribunal de
Justiça.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

04

005. 0074646-42.2014.8.17.0001 Embargos de Declaração no Agravo na Apelação / Ree


(0462879-9)
Protocolo : 2017/111975
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Agravte : IRH-SASSEPE - SISTEMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS SERVIDORES
DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Rosana Cláudia Lowenstein de Araújo Feitosa
Agravdo : Erilda Maria da Silva (Idoso) (Idoso)
Advog : ARTUR CASTRO DE SOUZA(PE029346)
Advog : Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : IRH-SASSEPE - SISTEMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS SERVIDORES
DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Rosana Cláudia Lowenstein de Araújo Feitosa
Embargado : Erilda Maria da Silva (Idoso) (Idoso)
Advog : ARTUR CASTRO DE SOUZA(PE029346)
Advog : Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0074646-42.2014.8.17.0001 (462879-9)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:46 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0462879-9


RECORRENTE: IRH-PE - INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: ERILDA MARIA DA SILVA

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão, proferido pela 2ª Câmara de Direito
Público, em sede de apelação/reexame necessário.

Alega o recorrente que "Não há no acórdão ora recorrido qualquer manifestação acerca da violação ou não aos artigos 186, 927 e 944 Código
Civil, o que importa negativa de vigência ao art. 1.022, II, CPC, impondo-se a sua anulação." (fl. 270)

Argumenta que "A decisão recorrida, ao aplicar a teoria da responsabilidade objetiva da Administração nas condições encontradas nos autos,
contraria os artigos 186, 927 e 944 do Código Civil de 2002." (fl. 271).

Sustenta ainda que "o Acórdão recorrido vai de encontro a diversos precedentes jurisprudenciais, além de violar o artigo 944, parágrafo único,
do CC/02, que veda o enriquecimento ilícito e que considera a gravidade da culpa para efeito de fixação do quantum indenizatório (fl. 272-v).

Convém lembrar, especificamente quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos embargos declaratórios, que doutrina e
jurisprudência o vislumbram configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar a conclusão, por não ter sido analisado pelo
Estado-Juiz elemento do processo (tese, prova ou circunstância) que, tendo sido a tempo e modo esgrimido pela parte, mostrava-se efetivamente
relevante para o desate da vexata quaestio com segurança jurídica.

No mais, não se cogita de omisso o julgado motivado em fundamento de fato e/ou de direito suficiente à sua justificação, como tem sido o
entendimento pacificado, verbis:

"Destaca-se, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um,
todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado." (AgRg no AREsp 384.301/DF,
Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe 26/11/2015)

No que se refere aos dispositivos citados, resta clarividente que o acórdão recorrido, prolatado pela 2ª Câmara de Direito Público, de relatoria do
Des. José Ivo de Paula Guimarães, dirimiu a controvérsia à luz dos elementos fático-probatórios dos autos. Confira-se:

EMENTA: CONSTITUCIONAL. CIVIL. AGRAVOS INTERNOS (FLS.169/174 E FLS.179/184) EM APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO.
VIOLAÇÃO À UNIRRECORRIBILIDADE. MÉRITO: SERVIDORA PÚBLICA ESTADUAL APOSENTADA. SASSEPE. RECUSA INJUSTIFICADA

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DE COBERTURA. DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR RAZOÁVEL (R$5.000,00). NEGADO SEGUIMENTO AO AGRAVO DE FLS.179/184.
IMPROVIDO O AGRAVO DE FLS. 169/174. DECISÃO UNÂNIME.
1. Observou-se que o recurso de fls. 179/184 constitui simples cópia do agravo interno de fls. 169/174, interposto anteriormente em face da mesma
decisão terminativa combatida, sendo manifesta, na hipótese, a violação ao princípio da unirrecorribilidade ou unicidade do recurso, segundo o
qual é vedada, salvo em caso de expressa previsão legal, a interposição de mais de um recurso contra uma mesma decisão.
2. Entende-se que, na hipótese, não pode o plano de saúde quedar-se inerte com sua obrigação de custear os exames médicos requestados,
uma vez que, como cediço, de acordo com a norma programática inscrita no art. 196, da CF/88, constitui dever do Poder Público, em qualquer
de suas esferas, assegurar a todas as pessoas o direito à manutenção da saúde, consequência constitucional indissociável do direito à vida.
3. Conquanto se reconheça que o Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Pernambuco - SASSEPE, no intuito de manter
a higidez de suas finanças, detém liberdade para afastar do âmbito de sua cobertura algumas espécies de despesas, faz-se mister verificar
que, na presente hipótese, em confronto com os interesses econômicos da entidade, estão interesses superiores da agravada, quais sejam, seu
direito à saúde e à vida.
4. Logo, o fato de alguém necessitar de tratamento/exames inadiáveis, aliado ao impostergável dever do Estado de garantir a todos os cidadãos,
mormente os mais carentes, o direito constitucionalmente assegurado à manutenção da saúde (art. 196), consequência indissociável do direito
à vida, justifica a imposição ao ente público da obrigação de disponibilizar os meios necessários ao tratamento adequado ao caso, conforme
orientação jurisprudencial uníssona deste Sodalício.
5. Assim, dúvida não há de que, à luz do princípio da dignidade da pessoa humana, comprovada necessidade do tratamento e a falta de condições
de adquiri-lo, legitimado está o direito do cidadão prejudicado em buscar a tutela jurisdicional, impondo-se ao Estado a obrigação de disponibilizar
os meios necessários ao tratamento adequado ao caso.
6. Com efeito, na hipótese, verificou-se que a pretensão da beneficiária da medida encontra-se lastreada por um conjunto probatório capaz de
demonstrar a existência de todos os requisitos necessários ao seu deferimento, quais sejam, a condição de hipossuficiência, a existência da
enfermidade, a necessidade do tratamento requestado, razão pela qual se afiguram presentes todos os requisitos necessários à formação do
juízo de convencimento do Magistrado de 1º Grau.
7. É inegável a existência de vínculo obrigacional entre as partes, tendo a ré, em tal relação jurídica, o dever de prestar à suplicante a realização
dos exames necessários ao enfrentamento de sua enfermidade.
8. É indubitável que a obrigação do SASSEPE exsurge por imposição do vínculo contratual estabelecido entre ambas as partes, sendo certo
que a segurada honrou com sua prestação.
9. Ressalta-se, inclusive, que já se encontra superada a questão acerca da aplicação da legislação consumerista sobre a espécie, vez que a
jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que, independente da natureza jurídica da entidade de plano de saúde (LC nº 30/2001), caracteriza-
se a relação de consumo pelo objeto do contrato do plano, como no presente caso. (REsp 469.911/SP, Rel. Min. Aldir Passarinho Júnior, DJ
10.03.08). [...] IV. Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 900.508/DF, Min. Sidnei Beneti, DJe 10.06.2010).
10. Destarte, pela natureza do contrato em tela, que tem por finalidade precípua prestação de serviço que visam a manutenção da vida e do bem
estar do paciente/usuário, real beneficiário do SASSEPE, é certo que à luz do que reza o Código do Consumidor e à vista das garantias que lhes
são inerentes, é incontroverso que deve se dar, sempre, uma interpretação mais favorável ao consumidor, usuário do plano de saúde.
11. Observou-se, ainda, que este Egrégio Tribunal de Justiça, pacificando a matéria em análise, editou a seguinte súmula: A negativa de cobertura
fundada em cláusula abusiva de contrato de assistência à saúde pode dar ensejo à indenização por dano moral. (Súmula 35, TJPE).
12. A inurgência do Estado agravante no que diz respeito à condenação ao pagamento do dano moral nao se sustenta, tendo em vista o
entendimento já pacificado no âmbito do Excelso Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a negativa injustificada de cobertura do plano
de saúde constitui ato ilícito capaz de gerar dano moral indenizável (STJ, AgRg no AREsp 745389 RJ 2015/0172294-0. T4- Quarta Turma.
Publicação: 24/02/2016. Julgamento: 16/02/2016. Relator: Min. Raul Araújo).
13. No que diz respeito ao alegado excesso no valor fixado, constatou-se que não merece prosperar, vez que fora fixado em atenção aos
princípios da razoabilidade e proporcionalidade, de modo a evitar o indesejado enriquecimento do autor sem, contudo, ignorar o caráter preventivo
e repressivo inerente ao instituto. Ademais, tal valor encontra-se condizente com a jurisprudência do STJ, o qual fixa valor mais elevado em
casos análogos (AgInt no AREsp n. 996.042/MG, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 2/2/2017, DJe
9/2/2017).
14. Por fim, tendo a parte autora decaído da parte mínima do pedido (Art.86, parágrafo único, do NCPC), registrou-se que deve o Estado arcar
com a totalidade das custas e dos honorários advocatícios, estes fixados no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais).
15. Decisão unânime. (fls. 203/205) GRIFEI

Em sede de embargos de declaração, o órgão julgador assim decidiu:

EMENTA: DIREITO HUMANO À SAÚDE. CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO.
INEXISTÊNCIA. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. SERVIDORA PÚBLICA ESTADUAL APOSENTADA. SASSEPE. RECUSA INJUSTIFICADA DE
COBERTURA. DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR RAZOÁVEL (R$5.000,00). ACLARATÓRIOS CONHECIDOS TÃO-SOMENTE PARA
FINS DE PREQUESTIONAMENTO. DECISÃO UNÂNIME.
1. Não se reflete no acórdão embargado qualquer omissão a ser suprida na presente via.
2. Não merece acolhida a alegação de omissão quanto à ausência de análise expressa do disposto nos artigos 186, 927 e 944, do CC/02, tendo
em vista que o acórdão embargado tratou das questões concernentes ao direito à indenização e ao alegado excesso do valor fixado a tal título.
3. Do mesmo modo, não cabe a alegação de omissão quanto ao disposto no art.37, §6º, da CF/88, tendo em vista que, conforme cediço,
ao magistrado cabe a análise dos pontos relevantes ao deslinde da causa, de forma que, tratando-se, o presente caso, de hipótese de
responsabilidade por omissão- onde não se aplica a teoria da responsabilidade objetiva- desnecessário se torna enfrentar expressamente o
referido dispositivo constitucional.

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4. Aclaratórios conhecidos tão-somente para fins de prequestionamento do contido nos arts. 37, §6º, da CF/88, art.186, 927 e 944, do NCPC,
porém, não providos.

Desse modo, não vislumbro afronta ao art. 1.022, II, do CPC, eis que, com clareza e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido contém
motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando enfrentamento exaustivo das questões relevantes para o deslinde da controvérsia
agitada na causa.

No que tange à alegação de ofensa aos arts. 186, 927 e 944 do CC, tenho que não merece guarida o presente recurso especial, pois a pretensão
alegada, quanto à análise da prática de ato ilícito pela Administração Pública e a desproporção entre o suposto dano sofrido pelo particular e
o valor arbitrado a título de dano moral, em verdade, implicará o reexame da matéria fático-probatória e a obtenção de um novo julgamento da
demanda, o que esbarra no Enunciado da Sumula 07 do STJ1. Neste sentido, colaciono julgado do Superior Tribunal:

AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE COBERTURA. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO.
REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte entende que o simples inadimplemento contratual
não gera, em regra, danos morais, por caracterizar mero aborrecimento, dissabor, envolvendo controvérsia possível de surgir em qualquer relação
negocial, sendo fato comum e previsível na vida social, embora não desejável nos negócios contratados. 2. A Corte de origem, analisando
o acervo fático-probatório dos autos, consignou que o procedimento recusado pela agravada não se trata de procedimento de urgência, que
pudesse colocar a vida do paciente em risco, não havendo no relatório médico nenhuma avaliação detalhada quanto ao quadro clínico e outros
aspectos médicos que evidenciassem a necessidade de urgência no procedimento solicitado, circunstâncias que afastam a ocorrência de dano
moral indenizável. 3. A alteração do contexto fático delineado pelo acórdão recorrido demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos
autos, providência vedada em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1653897/TO,
Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe 29/06/2017).

Deve, portanto, a instância especial receber a situação fática da causa tal como a retrata o acórdão desafiado, não cabendo, em recurso especial,
fazer juízo sobre os fatos da causa ou sobre a sua prova.

Com tais considerações e atento ao disposto no art. 1.030, V, do CPC, inadmito o presente recurso.

Publique-se.

Recife, 1º de novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 07, STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.
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006. 0001404-25.2013.8.17.0150 Embargos de Declaração na Apelação


(0484086-8)
Protocolo : 2017/108570
Comarca : Águas Belas
Vara : Vara Única
Apelante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Allan Carlos Silva Quintaes
Apelado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Observação : SEGUE PESQUISA DO JUDWIN EM ANEXO. ASSUNTO CNJ 10069.
Embargante : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Allan Carlos Silva Quintaes
Embargado : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Waldemir Tavares de Albuquerque Filho
Proc. Orig. : 0001404-25.2013.8.17.0150 (484086-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:45 Local: CARTRIS

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Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 484086-8


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO

Trata-se de recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido em sede de
Embargos de Declaração, pela 2º Turma da Câmara Regional de Caruaru.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto nos artigos 2° (separação dos poderes), 5°, caput (princípio da isonomia) e
196 (política pública de saúde), todos da Constituição Federal.

De início, é importante frisar que para viabilizar o recurso extraordinário deve a parte recorrente demonstrar que a controvérsia discutida nos
autos possui repercussão geral, confira-se:

"inclui-se no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se o recorrente, em preliminar do recurso
extraordinário, desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração, no caso concreto, da existência de repercussão
geral" (STF, AI 664.567/RS, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 06/09/2007).

No caso presente, em que pese constar da peça recursal preliminar de repercussão geral, o recorrente não demonstrou, com a devida
fundamentação, a razão de a matéria discutida nos autos extrapolar os interesses subjetivos da causa, possuindo relevância do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico. Em realidade, vejo um esforço apenas genérico da parte recorrente em comprovar a rígida exigência da
repercussão geral, sem, contudo, lograr êxito.

Não deduzidos os fundamentos relacionados com os pressupostos da repercussão geral, a inadmissão do recurso extraordinário se impõe, nos
termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por outro lado, a matéria discutida nos presentes autos não se identifica com aquela tratada no RE nº 566.471/RN, paradigma do Tema nº 06 da
repercussão geral. Isso porque a questão a ser decidida mediante a sistemática de recursos múltiplos restringe-se à existência do dever estatal
de fornecer medicamento de alto custo, não abarcando situações, como a destes autos, nas quais o usuário do serviço de saúde demanda a
entrega pelo ente público de gênero diverso (in casu: tratamento com oxigenoterapia hiperbárica), ainda que relacionado à manutenção da sua
saúde e do seu bem-estar. Nesse sentido, a jurisprudência do Supremo: STF - 2ª T., RE 902378 AgR-segundo-AgR, rel. Min. Dias Toffoli, Dje de
11/05/2016; STF - 1ª T., AI 810864 AgR, rel. Min. Roberto Barroso, DJe 02/02/2015; STF - 1ª T., ARE 741566 AGR/RS, rel. Min. Rosa Weber,
DJe de 15/08/2013.

Registro que a suposta afronta aos citados dispositivos indicados nas razões do recurso, se porventura ocorrente, revelar-se-ia por via oblíqua
ou reflexa, sendo reiterativa a orientação do STF em não admitir o recurso extraordinário sob a alegação de ofensa indireta à Carta da República.

Some-se a isso o entendimento segundo o qual o manejo do recurso extraordinário, sob o fundamento da alínea "a", do permissivo constitucional,
só é liberado a partir de um histórico de afronta direta à Constituição, e não de maneira indireta, reflexa ou oblíqua, como ocorreria no caso
em apreço.

Ademais, ainda que superado o citado obstáculo ao prosseguimento do recurso extraordinário ora em análise, verifico que modificar os termos
acordados pelo colegiado apenas seria possível com nova visita ao conjunto fático-probatório dos autos. Isso porque restou consignado no
acórdão recorrido o seguinte:

"EMENTA. APELAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. DIREITO CONSTITUCIONAL À SAÚDE. AGRAVO RETIDO. PRAZO PARA CUMPRIMENTO
RAZOÁVEL. MULTA DESTINADA APENAS PARA A AQUISIÇÃO DO MEDICAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO ESTADO NÃO
RECONHECIDA. DEVER CONSTITUCIONAL DE ZELA PELA SAÚDE DA POPULAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FORNECER FÁRMACO MESMO
SEM CONSTAR EM LISTA DO SUS. SÚMULA 18 DO TJPE. DECISÃO UNÂNIME. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. DECISÃO
UNÂNIME. 1 - No Agravo Retido de fls. 19-22, o Estado sustentou que o Juízo originário, na sua antecipação dos efeitos da tutela, além de
impor-lhe uma multa desarrazoada de R$ 2.000,00 (dois mil reais), ainda fixou prazo curto (48 horas) para cumprimento da obrigação. No que
tange ao prazo de cumprimento, não existe uma fórmula ou um padrão para se fixar o tempo de entrega e a multa cominatória. Os casos são
analisados de acordo com as suas peculiaridades, com razoabilidade e proporcionalidade, e a decisão do Juízo a quo não transgrediu tais
princípios. 2 - A multa por descumprimento foi arbitrada dentro da razoabilidade e compatível com o caso. Para garantir que o apelante não se
furte de adimplir sua obrigação, devem-se impor medidas que afugentem do devedor a vontade de descumprimento. De acordo com Superior
Tribunal de Justiça, em julgamento de demandas repetitivas de contendas similares, envolvendo questões de saúde, o magistrado pode adotar
medidas para fazer valer suas decisões.3 - A multa por descumprimento é matéria de ordem pública, podendo ser revista no âmbito qualitativo
e quantitativo, e não pode ser instrumento de enriquecimento sem causa para o beneficiário. No caso em tela, o bem que a ser salvaguardado
é a saúde do(a) paciente, devendo a cominação pecuniária, em caso de atraso na entrega do(s) medicamento(s), ser destinada unicamente à
aquisição do fármaco suficiente para 6 (seis) meses de tratamento, tempo necessário para o apelante adquirir o remédio junto aos fornecedores,
e normalizar a disponibilidade. Ocorrendo a reincidência da mora, é possível nova constrição, até mesmo para garantir o medicamento por tempo
maior, e assim sucessivamente.4 - A Constituição Federal de 1988 diz que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência (Art. 23 II) A saúde é direito
de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (CF/1988, art. 196).5 - Descabe sustentar que
a administração não fornece o medicamento discricionariamente. A Súmula nº 18 desta Corte Estadual de Justiça possui a seguinte redação: "É
dever do Estado-membro fornecer ao cidadão carente, sem ônus para este, medicamento essencial ao tratamento de moléstia grave, ainda que
não previsto em lista oficial". 6 - Apelação parcialmente provida. 7 - Decisão unânime. (fls. 115/116, grifos nossos)

Destarte, atrai-se, na espécie, o Enunciado nº 279 da Súmula do STF, o qual veda, em sede excepcional, a revisão das provas aos autos carreadas
e, pois, do referido entendimento pela imprescindibilidade do tratamento pleiteado pela parte recorrida.

Por fim, no que tange à suposta violação do art. 2º da Carta da República, confira-se a jurisprudência do STF reiterada em casos paralelos ao
analisado nos presentes autos, no sentido de que: "O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração pública
adote medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure violação do princípio da
separação dos poderes, inserto no art. 2º da Constituição Federal." (STF - 2ª T., RE 827.662 AgR, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 05/10/2016).

Por todo o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife,
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
2º Vice-Presidente

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007. 0028489-14.2011.8.17.0810 Embargos de Declaração na Apelação


(0487098-0)
Protocolo : 2018/201791
Comarca : Jaboatão dos Guararapes
Vara : Vara dos Executivos Fiscais
Apelante : Município do Jaboatão dos Guararapes (PE)
Advog : Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : PERPART PERNAMBUCO PARTIC E INVEST S/A
Embargante : Município do Jaboatão dos Guararapes (PE)
Advog : Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : PERPART PERNAMBUCO PARTIC E INVEST S/A
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Ricardo de Oliveira Paes Barreto
Relator Convocado : Juiz José André Machado Barbosa Pinto
Proc. Orig. : 0028489-14.2011.8.17.0810 (487098-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:47 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0487098-0


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE JABOATÃO DOS GUARARAPES - PE
RECORRIDA: PERPART PERNAMBUCO PARTIC E INVEST S/A

Trata-se de recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, tirado contra acórdão unânime, proferido pela
2ª Câmara de Direito Público, lavrado pelo Des. Convocado Juiz José André Machado Barbosa Pinto, em sede de embargos de declaração
em apelação.

Segundo aduz, o Município do Jaboatão dos Guararapes busca a reforma da sentença de primeiro grau que, ao tempo que reconheceu a quitação
do crédito tributário após o ajuizamento da execução fiscal, mas antes da citação, deixou de condenar a executada em honorários advocatícios.

Alega que a decisão combatida desrespeitou o princípio da causalidade, bem como violou o disposto nos artigos 85. §1º e 90 do Código de
Processo Civil de 2015, além de que está em manifesta divergência com a jurisprudência do TJPE e do próprio STJ.

Consta na decisão hostilizada (fls. 55):

EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO EM
DECORRÊNCIA DE QUITAÇÃO DO DÉBITO NA VIA ADMINISTRATIVA EFETUADA ANTES DA CITAÇÃO VÁLIDA DA PARTE EXECUTADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 26 DA LEF. ARTS. 85, § 1º E 90 DO CPC/15. NÃO VULNERADOS.
OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ACLARATÓRIOS IMPROVIDOS. DECISÃO UNÂNIME. 1. A ação originária foi intentada pelo Município de Jaboatão
dos Guararapes em face da PERPART PERNAMBUCO PARTIC E INVEST S/A, com o fito de cobrar créditos tributários originários de
débitos de IPTU e/ou Taxas Imobiliárias constantes na CDA nº 129.193.69805.0, porém, ocorre que após o ajuizamento da execução fiscal, a
devedora efetuou o pagamento administrativamente, antes da formação efetiva da relação processual, motivo pelo qual a magistrada primeva,
acertadamente, às fls. 08/09, com base nos arts. 924, II, do CPC e 156, I, do CTN, extinguiu a execução fiscal sem condenar em honorários

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advocatícios. 2. Conforme o explicitado no julgado recorrido, foi mantida a integralidade da sentença a quo, a qual, com fundamento no art. 26 da
Lei nº 6.830/80, julgou improcedente a pretensão autoral, sem condenação em honorários em virtude da quitação do débito na via administrativa,
antes da citação da parte executada. 3. Não há malferimento quanto ao princípio da causalidade, presente no art. 90 do CPC/2015, bem como,
ao art. 85, § 1º do mesmo diploma, pois, segundo estes, aquele que der causa à instauração da demanda ou do incidente processual deve arcar
com as despesas dela decorrentes e neste caso concreto não houve a mera satisfação da obrigação pelo pagamento, e sim, o cancelamento
da dívida ativa, tendo em vista que débito foi quitado na via administrativa, antes da citação da parte executada, conforme a regra inserta no
art. 26 da Lei nº 6.830/80, não se constituindo sequer a angularização processual, pois só o ajuizamento da demanda não constitui a relação
processual, que somente restaria aperfeiçoada com a citação válida da parte demandada, motivo pelo qual se mostra inadequada a intimação da
parte executada e incabível a imposição dos honorários advocatícios na espécie. 4. Aclaratórios conhecidos, porém, quanto ao mérito, improvidos
à unanimidade, não considerando vulnerados os arts. 85, § 1º e 90 do CPC vigente.

Pelo que se observa, in casu, a controvérsia foi enfrentada sob o prisma da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios enquanto
não efetivada angularização da relação processual. De acordo com o entendimento adotado, o 'só o ajuizamento da demanda não constitui a
relação processual, que somente restaria aperfeiçoada com a citação válida da parte demandada, motivo pelo qual se mostra inadequada a
intimação da parte executada e incabível a imposição dos honorários advocatícios'.

Sendo assim, a despeito da argumentação do recorrente, verifica-se que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no
princípio da causalidade, quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

ADMINISTRATIVO. DOMÍNIO PÚBLICO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 85, 113 E 114 DO CPC/1973. ANGULARIZAÇÃO
DA RELAÇÃO PROCESSUAL. NÃO OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESCABIMENTO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM
CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. I - Em relação à apontada violação dos arts. 85, 113 e 114 do CPC/1973, o Tribunal
a quo, na fundamentação do decisum, assim firmou entendimento (fl. 268-269): "[...] Efetivamente, a jurisprudência é firme no entendimento
de que é descabida a condenação em honorários advocatícios na hipótese em que sequer angularização da relação processual houve, ante a
perda superveniente do interesse de agir. A apresentação espontânea de manifestação nos autos, por parte dos apelantes, em nada alteração
tal conclusão. [...] Assim, considerando a ausência da angularização da relação processual, indevida qualquer condenação da ora apelada ao
pagamento dos honorários advocatícios. [...]". II - Verifica-se que o aresto vergastado encontra-se no mesmo sentido do entendimento firmado
nesta Corte Superior, de não serem devidos honorários advocatícios em razão da inocorrência de angularização da relação processual. Neste
sentido: EDcl no AgInt na Rcl 33971/DF, Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA SEÇÃO, Julgamento em 23/05/2018,
DJe 28/05/2018; REsp 1645670/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2017, DJe 25/04/2017. III -
Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1002174/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe
21/09/2018) (grifos nossos).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO APÓS O COMPARECIMENTO
ESPONTÂNEO E APRESENTAÇÃO DE DEFESA PELO EXECUTADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. CABIMENTO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA REDUZIR
OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA R$ 5.000,00. 1. A 1a. Seção do STJ, no julgamento do REsp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do
art. 543-C do CPC/1973, pacificou o entendimento de que, extinta a Execução Fiscal após a citação do devedor, deve-se perquirir quem deu
causa à demanda a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da causalidade. 2. Da análise dos autos,
verifica-se que, durante a suspensão do executivo fiscal em razão de pedido da Fazenda, a parte executada compareceu espontaneamente e
requereu a extinção do feito (fls. 41), diante do julgamento do RE interposto perante o STF em anterior Mandado de Segurança, que cancelou o
débito ora cobrado. Ocorre que a extinção do executivo fiscal somente se deu após o pedido da Fazenda (fls. 162), por ter havido o trânsito em
julgado daquele recurso na Suprema Corte. Logo, havendo a angularização do processo, com atuação, ainda que mínima da defesa, e sendo a
Fazenda Estadual quem deu causa ao ajuizamento do executivo fiscal, são devidos os honorários de sucumbência pelo Fisco. 3. Agravo Interno
do ESTADO DE MINAS GERAIS parcialmente provido, apenas para reduzir os honorários advocatícios para R$ 5.000,00, em substituição ao
fixado pela decisão agravada em 1% sobre o valor da causa. (AgInt no AREsp 463.734/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018) (grifos nossos).

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.
Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de
honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO ANTES DE SE EFETIVAR A CITAÇÃO.
ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DESCABIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Tribunal local consignou que o processo foi extinto sem julgamento do mérito, antes mesmo da efetivação da citação da parte ré, motivo pelo qual
seria incabível a condenação em honorários advocatícios. 2. O STJ possui entendimento consolidado de que somente deve haver condenação
nos ônus da sucumbência quando validamente se perfaz a relação processual. 3. Ademais, é evidente que, para modificar o entendimento firmado
no acórdão recorrido, reconhecendo-se o pleiteado pela ora insurgente, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado,
o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental
não provido. (AgRg no REsp 1427261/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2014, DJe 23/05/2014)
(grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Por outro lado, embora colacione algumas ementas para demonstrar a ocorrência de divergência jurisprudencial, constata-se que o recorrente
descuidou de proceder ao imprescindível cotejo analítico entre os julgados, de forma a permitir a análise do seu recurso por tal fundamento
(Nesse sentido: REsp 1707691/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2017, DJe 19/12/2017).

Pelo exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 109/116.

Publique-se.

Recife, 06 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.
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Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

11

Cartris
DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00556 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 005 0093523-64.2013.8.17.0001(0471870-5)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 006 0000789-75.2016.8.17.1590(0481938-5)

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ANA CAROLINA WOLMER DE C. 004 0004821-83.2012.8.17.0420(0466193-0)


ROCHA(PE027665)
ANA CLAUDIA DANTAS SENA(PE023026) 006 0000789-75.2016.8.17.1590(0481938-5)
Cleto Arlindo da Costa Albuquerque(PE014568) 005 0093523-64.2013.8.17.0001(0471870-5)
Cristiano Lessa Vidal(PE030945) 001 0000837-04.2010.8.17.1280(0466376-9)
Elisa Albuquerque Maranhão Rego(PE036974) 004 0004821-83.2012.8.17.0420(0466193-0)
Jesualdo de Albuquerque C. Júnior(PE021087) 004 0004821-83.2012.8.17.0420(0466193-0)
MARIO ROMULO CALADO DE S. O. 004 0004821-83.2012.8.17.0420(0466193-0)
39.547(PE039547)
Marcela Proença Alves Florêncio(PE025502) 006 0000789-75.2016.8.17.1590(0481938-5)
Osório Chalegre de Oliveira(PE015307) 006 0000789-75.2016.8.17.1590(0481938-5)
Paula Cristina Moraes de Oliveira(PE001275B) 005 0093523-64.2013.8.17.0001(0471870-5)
Vanessa Maria dos Santos(PE026505) 006 0000789-75.2016.8.17.1590(0481938-5)
Washington Luiz Cadete Júnior(PE020897) 001 0000837-04.2010.8.17.1280(0466376-9)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 004 0004821-83.2012.8.17.0420(0466193-0)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 005 0093523-64.2013.8.17.0001(0471870-5)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0000837-04.2010.8.17.1280 Apelação


(0466376-9)
Comarca : São Bento do Una
Vara : Vara Única
Apelante : JOSE REGIVALDO DA SILVA
Advog : Washington Luiz Cadete Júnior(PE020897)
Apelado : MUNICÍPIO DE SÃO BENTO DO UNA
Advog : Cristiano Lessa Vidal(PE030945)
Órgão Julgador : 1ª Câmara Regional de Caruaru - 2ª Turma
Relator : Des. Democrito Ramos Reinaldo Filho
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:45 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
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Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 466376-9


RECORRENTE: JOSÉ REGIVALDO DA SILVA
RECORRIDO: MUNICÍPIO DE SÃO BENTO DO UNA - PE

Recurso Extraordinário, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, contra acórdão, da 1ª Câmara Regional de
Caruaru - 2ª Turma, de lavra do Des. Relator Demócrito Reinaldo Filho, em sede de apelação.

Afirma o recorrente ter o acórdão combatido violado o artigo 37, inciso IV e §6º, da Constituição Federal.

Verifico que o recorrente não se desincumbiu do encargo de demonstrar, em tópico destacado de preliminar formal, a existência de repercussão
geral das questões constitucionais que alega. Daí, consoante pacífico magistério jurisprudencial da Corte Suprema, nos "termos do art. 327, §
1º, do RISTF, com a redação dada pela Emenda Regimental 21/2007, os recursos que não apresentem preliminar formal e fundamentada de
repercussão geral serão recusados" (STF - 2ª T., ARE 729359/MG, rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 27.08.2013, trecho da ementa).

Neste exato sentido:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. PROCESSUAL CIVIL. INTIMAÇÃO DO JULGADO
RECORRIDO APÓS 3.5.2007. PRELIMINAR FORMAL DE REPERCUSSÃO GERAL: REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DA
PRELIMINAR: IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. PRECEDENTES. VERBA HONORÁRIA MAJORADA EM 1%,
PERCENTUAL QUE SE SOMA AO FIXADO NA ORIGEM, OBEDECIDOS OS LIMITES DOS §§ 2º, 3º E 11 DO ART. 85 DO CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL/2015 E MULTA APLICADA NO PERCENTUAL DE 1%, CONFORME O § 4º DO ART. 1.021 DO CÓDIGO DE PROCESSO
CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO"
(STF - Tribunal Pleno; ARE 1093429 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia (Presidente), julgado em 27/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-089
DIVULG 08-05-2018 PUBLIC 09-05-20180)(grifos nossos)

No mesmo sentido: ED no ARE 932194/MG, rel. Min. Roberto Barroso, Dje 29.02.2016 ; AgR no ARE 933648/SP, rel. Min. Roberto Barroso,
25.02.2016; ARE 914665 AgR, Relatora: Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 24/05/2016; AI 805567 AgR/SP, rel. Min. Luiz Fux,
DJe de 08.03.2012 e AI 853702 AgR/SC, rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 13.03.2012.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Bem por isso, com fundamento no artigo 1030, V, do NCPC inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 05 de Novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2ª Vice-Presidente

1
3

002. 0111402-21.2012.8.17.0001 Apelação


(0503690-6)
Comarca : Recife
Vara : Vara dos Executivos Fiscais Municipais
Apelante : Município do Recife
Procdor : OSWALDO NAVES VIEIRA JÚNIOR
Apelado : RBN COMERCIAL LTDA
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Despacho : Despacho
Última Devolução : 21/11/2018 12:45 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0503690-6


RECORRENTE: MUNICÍPIO DO RECIFE
RECORRIDO: RBN COMERCIAL LTDA.

Despacho nestes autos no uso de atribuição delegada na conformidade da Portaria nº 01/2018 - 2ª V-P, de 19.02.2018 (DJe de 20.02.2018).

Determino a devida intimação do Recorrente, a fim de que a referida parte possa, no prazo de 05 (cinco) dias, manifestar-se a respeito do requisito
da Dialeticidade Recursal, em obediência aos artigos 10 e 932, parágrafo único, do CPC/2015.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis.

Publique-se.

Recife, 05 de novembro de 2018.

José Marcelon Luiz e Silva


Juiz Assessor da 2ª Vice-Presidência

Poder Judiciário
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Gabinete da 2ª Vice-Presidência

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003. 0000361-06.2003.8.17.0570 Agravo nos Embargos de Declaração no Agravo na Ape


(0375812-7)
Protocolo : 2017/703321
Comarca : Escada
Vara : Segunda Vara da Comarca de Escada
Embargante : Pacto Comercio representações LTDA

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Def. Público : Leonardo Carneiro e outro e outro


Embargado : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Adriana Freitas de Souza Leão Siqueira e outro e outro
Observação : autuado agravo fls 275/282 conforme relatório fls 291/291v e remessa fls 293
Agravte : Pacto Comercio representações LTDA
Def. Público : Ana Cristina S. Pereira
Agravdo : ESTADO DE PERNAMBUCO
Procdor : Adriana Freitas de Souza Leão Siqueira
Procdor : Leonardo Ramalho Luz
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0000361-06.2003.8.17.0570 (375812-7)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:22 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

AGRAVO NO AGRAVO INTERNO NO PROCESSO Nº 0375812-7


RECORRENTE: PACTO COMÉRCIO REPRESENTAÇÕES LTDA.
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Trata-se de petição (fls. 218 e ss.) denominada de "razões de agravo interno", fundada, porém, no art. 1.042 do CPC e pretensamente dirigida
ao Supremo Tribunal Federal, interposta contra acórdão proferido em sede de agravo interno pelo Órgão Especial deste TJPE.

Ocorre que tanto o agravo interno, previsto no art. 1.021 do CPC, quanto o agravo em recurso excepcional, previsto no art. 1.042 do mesmo
Código, são cabíveis contra decisões monocráticas proferidas no Tribunal.

Especificamente no que tange aos recursos excepcionais, o primeiro é cabível contra decisão do presidente ou vice-presidente do Tribunal que
negue segmento a recurso especial ou extraordinário por aplicação de tese firmada em sede de Recurso Repetitivo ou Repercussão Geral, a
teor do art. 1.030, § 2º, do CPC.

O segundo, por seu turno, é de ser interposto contra decisão do presidente ou vice-presidente do Tribunal que inadmite recurso especial ou
extraordinário por fundamento diverso, conforme o art. 1.030, incido V e § 1º, do CPC.

Ademais, caso se considere que a petição veicula recurso de agravo interno, é de se ter por ocorrida, ainda, a preclusão consumativa.

É que, negado seguimento a recurso especial com fulcro no art. 1.030, I, "b", do CPC (fls. 167/168), o recorrente interpôs o agravo interno (fls.
175 e ss.) que, levado ao Órgão Especial deste Tribunal, não fora conhecido, conforme se observa o acórdão de fls. 209/210.

Essa decisão colegiada não pode ser impugnada por idêntico recurso (tampouco pelo agravo versado no art. 1.042 do CPC).

Nessa senda, já tendo o recorrente se utilizado do recurso cabível contra a decisão que negou seguimento ao recurso especial, não há como
se conhecer de um segundo recurso de agravo voltado à impugnação de acórdão, evidenciando a preclusão consumativa por efeito do princípio
da unirrecorribilidade das decisões (AgInt no REsp 1414364/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 20/03/2018,
DJe 05/04/2018).

Portanto, sendo incabível em qualquer caso, não conheço do agravo de fls. 218 e ss.

Publique-se.

Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

19

004. 0004821-83.2012.8.17.0420 Agravo na Apelação / Reexame Necessário


(0466193-0)
Protocolo : 2018/204524
Comarca : Camaragibe

122
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Vara : Primeira Vara Cível da Comarca de Camaragibe


Autor : MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE
Advog : Elisa Albuquerque Maranhão Rego(PE036974)
Réu : KEILA RINER GOMES COSTA
Advog : Jesualdo de Albuquerque Campos Júnior(PE021087)
Advog : MARIO ROMULO CALADO DE SOUZA OAB/PE: 39.547(PE039547)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Agravte : MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE
Advog : ANA CAROLINA WOLMER DE CARVALHO ROCHA(PE027665)
Agravdo : KEILA RINER GOMES COSTA
Advog : Jesualdo de Albuquerque Campos Júnior(PE021087)
Advog : MARIO ROMULO CALADO DE SOUZA OAB/PE: 39.547(PE039547)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0004821-83.2012.8.17.0420 (466193-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:22 Local: CARTRIS

AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 466193-0


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE
RECORRIDO: KEILA RINER GOMES COSTA

Perlustrando os autos, percebo que a parte recorrente interpôs o recurso de agravo interno previsto no art. 1.021, do CPC, em face da decisão
de fls. 216/216-v, que, com base no art. 1.030, V, do CPC, negou seguimento ao recurso extraordinário de fls. 194/204.

Nesse caso, resta flagrante o erro grosseiro cometido pelo recorrente, eis que o meio de impugnação utilizado é inidôneo para questionar decisões
deste jaez.

A propósito, na esteira do Código de Processo Civil, verifico que o agravo versado no art. 1.042 do CPC é o único recurso de natureza impugnatória
cabível contra decisão que nega trânsito a apelo excepcional, com fundamento no art. 1.030, V, do CPC.

Caracterizada, na espécie, portanto, a hipótese de erro grosseiro ou inescusável, uma vez ser manifestamente incabível, não há que se conhecer
do presente recurso.

Publique-se.

Recife, 26 de novembro de 2018

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

2
fvss

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

12

005. 0093523-64.2013.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0471870-5)
Protocolo : 2017/110678
Comarca : Recife
Vara : 7ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : Lélio Rodrigues da Silva

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advog : Cleto Arlindo da Costa Albuquerque(PE014568)


Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : Fundação de Atendimento Socioeducativo - FUNASE
Advog : Paula Cristina Moraes de Oliveira(PE001275B)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargante : Lélio Rodrigues da Silva
Advog : Cleto Arlindo da Costa Albuquerque(PE014568)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : Fundação de Atendimento Socioeducativo - FUNASE
Advog : Paula Cristina Moraes de Oliveira(PE001275B)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. André Oliveira da Silva Guimarães
Proc. Orig. : 0093523-64.2013.8.17.0001 (471870-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:20 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0471870-5


RECORRENTE: LÉLIO RODRIGUES DA SILVA
RECORRIDO: FUNDAÇÃO DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO - FUNASE

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105 da Constituição Federal contra acórdão da 4ª Câmara de Direito Público,
lavrado pelo Des. André Oliveira da Silva Guimarães, proferido em sede de embargos de declaração em apelação.

Alega o recorrente que o aresto vergastado violou os artigos 156, 466, 479 e 480, todos do Código Civil, assim como os artigos 373, II e 489 do
CPC/15 e 333, II, 427 e 458 do CPC/73. Via de consequência, sustenta que a Lei nº. 3.298/99 também restou violada.

Verifico que o acórdão de fl. 241 destaca, com base no conjunto fático-probatório, o seguinte:

EMENTA: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CONCURSO PÚBLICO PARA O CARGO DE AGENTE SOCIAL. PRETENSÃO DE
NOMEAÇÃO E POSSE NA VAGA DE DEFICIENTE. CANDIDATO PORTADOR DE RIGIDEZ ARTICULAR NOS DEDOS DA MÃO ESQUERDA.
PERÍCIA REALIZADA POR JUNTA MÉDICA QUE O CONSIDEROU APTO. DEFICIÊNCIA QUE NÃO SE ENQUADROU NAS HIPÓTESES
LEGAIS PREVISTAS NO DECRETO 3.298/99 ALTERADO PELO DECRETO 5.296/2004. APLICAÇÃO DO EDITAL COM AMPARO NORMATIVO.
RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.

Opostos embargos de declaração, entendeu a Câmara julgadora (fl. 278):

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO. ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. CONCURSO PÚBLICO PARA O
CARGO DE AGENTE SOCIAL. PRETENSÃO DE NOMEAÇÃO E POSSE NA VAGA DE DEFICIENTE. CANDIDATO PORTADOR DE RIGIDEZ
ARTICULAR NOS DEDOS DA MÃO ESQUERDA. PERÍCIA REALIZADA POR JUNTA MÉDICA QUE O CONSIDEROU APTO. DEFICIÊNCIA
QUE NÃO SE ENQUADRA NAS HIPÓTESES LEGAIS PREVISTAS NO DECRETO 3.298/99 ALTERADO PELO DECRETO 5.296/2004.
APLICAÇÃO DO EDITAL COM AMPARO NORMATIVO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU
CONTRADIÇÃO NA DECISÃO EMBARGADA. OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO SÃO MEIO HÁBIL PARA REEXAME DA MATÉRIA,
RESTRINGINDO-SE APENAS ÀS HIPÓTESES ELENCADAS NO ART. 1.022 DO NCPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.

De início, verifico, com relação à suposta violação aos artigos 156, 466, 479 e 480, todos do Código Civil, que o conteúdo normativo dos referidos
dispositivos não foi apreciado pelo Tribunal a quo, a questão não foi discutida no acórdão recorrido e não foram opostos embargos de declaração,
o que leva a incidência das Súmulas 282 e, sobretudo, 356, ambas do Supremo Tribunal Federal, aplicáveis por analogia:

STF, Súmula 282: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada.

STF, Súmula 356: O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso
extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento.

A esse respeito, inequívoco o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se vê de trecho extraído de recente julgado, prolatado
já sob a égide do CPC/2015:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"IV - No que tange à matéria inserta no artigo 333, I, do CPC, verifica-se que no v. acórdão recorrido não foi analisado o conteúdo do dispositivo
legal, nem foram opostos embargos de declaração para tal fim, pelo que carece o recurso do indispensável requisito do prequestionamento.
Incidência dos enunciados sumulares n. 282 e 356 do STF. V - Não constando do acórdão recorrido análise sobre a matéria referida no dispositivo
legal indicado no recurso especial, restava à recorrente pleitear seu exame por meio de embargos de declaração, a fim de buscar o suprimento
da suposta omissão e provocar o prequestionamento, o que não ocorreu na hipótese dos autos." (STJ, 2ª Turma, AgInt no AREsp 1019214 / SP,
Rel. Min. Francisco Falcão. Julgado em 20/03/2018. DJe 26/03/2018. Grifos acrescidos.)

Por outro lado, pelo que se observa, a pretensão de nomeação e posse do ora recorrente no cargo de agente social, na vaga reservada para
portador de deficiência, não ocorreu porque, de acordo com a perícia realizada por junta médica, o candidato foi considerado apto, não se
enquadrando nas hipóteses previstas no decreto nº. 3.298/99.

Como se sabe, a instância excepcional recebe a situação fática da causa tal como retratada pela decisão recorrida. Se a violação à alegada, nos
termos em que é invocada no recurso especial, pressupõe o revolvimento do conjunto fático-probatório, levado em expressa e clara consideração
pelo tribunal de origem, não se faz possível a admissão do recurso. Dessa forma, no caso, impõe-se à aplicação da Súmula nº 07 do STJ.

Bem por isso, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 291/297.

Publique-se.

Recife, 28 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

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006. 0000789-75.2016.8.17.1590 Embargos de Declaração na Apelação


(0481938-5)
Protocolo : 2017/112360
Comarca : Vitória
Vara : Segunda Vara Cível Comarca Vitória Santo Antão
Apelante : MUNICIPIO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
Advog : ANA CLAUDIA DANTAS SENA(PE023026)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : Daniel Pereira Ferreira
Advog : Vanessa Maria dos Santos(PE026505)
Embargante : MUNICIPIO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
Advog : ANA CLAUDIA DANTAS SENA(PE023026)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : Daniel Pereira Ferreira
Advog : Vanessa Maria dos Santos(PE026505)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : Instituto de Previdência do Município de Vitória de Santo Antão - VITORIAPREV
Advog : Osório Chalegre de Oliveira(PE015307)
Advog : Marcela Proença Alves Florêncio(PE025502)
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Proc. Orig. : 0000789-75.2016.8.17.1590 (481938-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 30/11/2018 16:20 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0481938-5


RECORRENTE: MUNICÍPIO DA VITÓRIA DE SANTO ANTÃO
RECORRIDO: DANIEL PEREIRA FERREIRA

Recurso Especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão proferido em
sede de apelação.

A parte recorrente funda o recurso especial na alegação de que o acórdão recorrido contrariou o disposto nos arts. 475-A e 741 do CPC/73, pois
fora dispensada a liquidação da sentença pelas instâncias ordinárias. Aduz, ainda, que:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

"[...] o Embargado, em momento algum, indica o índice de correção monetária que está aplicando e não se utiliza dos juros da caderneta de
poupança, conforme determinação legal do art. 1º-F, da Lei nº 9.494/97, prejudicando deste feita [sic], a liquidez e certeza do título." (Fl. 94)

Sustentando, portanto, a ocorrência de violação também ao art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, requer a incidência, a título de juros de mora, daqueles
aplicados à caderneta de poupança.

Por seu turno, o acórdão recorrido, da lavra da 1ª Câmara de Direito Público, sob a relatoria do Des. Jorge Américo Pereira de Lira, decidiu a lide
nos seguintes termos, em sede de apelação e de embargos de declaração, respectivamente:

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. DESNECESSIDADE. SIMPLES
CÁLCULOS ARITMÉTICOS. JULGAMENTO ULTRA PETITA. NÃO CONFIGURAÇÃO. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TÍTULO EXECUTIVO
OMISSO QUANTO AOS ÍNDICES DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS 150 E 163 DA SÚMULA DO TJPE.
1. É desnecessária a prévia liquidação da sentença quando simples cálculos aritméticos são suficientes para quantificar o valor da condenação.
2. Não se considera ultra petita o acolhimento de cálculos da contadoria judicial superiores ao montante apresentado pelo exequente, para fins
de fiel cumprimento do título executivo.
3. Omissa a sentença exequenda quanto aos índices de juros e correção monetária, deve ser observado o teor das Súmulas nos 150 e 163
do TJPE.
4. Recurso de apelação parcialmente provido tão somente para determinar a observância das Súmulas nos 150 e 163 do TJPE no cálculo dos
juros e da correção monetária incidentes sobre o crédito exequendo. (Fl. 52. Grifos acrescidos.)

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. DESNECESSIDADE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA.
MEMÓRIA DE CÁLCULO APRESENTADA PELO CREDOR. OBSERVÂNCIA DO ART. 475-B DO CPC/73. JUROS DE MORA. SÚMULA 150 DO
TJPE. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. De acordo com o CPC/2015, os casos previstos para manifestação dos aclaratórios são específicos, de modo que somente são admissíveis
quando houver, ainda que para efeito de prequestionamento, obscuridade, contradição, omissão ou erro material em questão sobre a qual deveria
o órgão julgador se pronunciar.
2. Inexiste, na espécie, qualquer mácula no acórdão embargado, a justificar o pedido de declaração, uma vez que os pontos relevantes da lide
foram apreciados de modo claro, objetivo e exaustivo.
3. Não se pode, por meio de embargos de declaração, obter modificação ou anulação do julgado, uma vez a questão do desacerto ou injustiça
da decisão não desafia pedido de sua declaração, mas, sim, recurso de reforma ou modificação.
4. Ao afastar, no acórdão embargado, a tese recursal pela prévia necessidade de liquidação da sentença exequenda, a 1ª Câmara de Direito
Público deste Tribunal, valendo-se de entendimento assente em meio à jurisprudência do STJ, concluiu que "não se pode considerar ilíquida
dívida apurável por meio de simples cálculos aritméticos".
5. Sendo desnecessária a prévia liquidação do título executivo judicial, em absoluta conformidade com o art. 475-B do CPC/73 (vigente à época),
consideraram-se satisfeitos os requisitos formais de validade da execução acompanhada da respectiva memória de cálculo.
6. Em relação aos juros de mora, igualmente não há falar em omissão quanto ao disposto no art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela
Lei nº 11.960/2009, uma vez que proveu-se parcialmente o apelo fazendário para fazer incidir, sobre o crédito exequendo, o enunciado nº 150 da
Súmula do TJPE, que determina expressamente a adoção do percentual estabelecido para caderneta de poupança a partir de 30/06/2009.
7. Embargos de declaração desprovidos. (Fl. 78. Grifos acrescidos.)

Nota-se que este Tribunal a quo afirmou expressamente (1) a apresentação, pelo credor, da memória de cálculo, pelo que foram considerados
"satisfeitos os requisitos formais de validade da execução" e (2) a desnecessidade de liquidação dos valores, que seriam apuráveis por meio
de simples cálculos aritméticos.

Assim, para reverter tais conclusões fático-probatórias deste Tribunal recorrido, inclusive quanto à liquidez do título, precisaria o Superior Tribunal
de Justiça adentrar ao exame dos documentos produzidos e juntados nos autos, o que fatalmente esbarra no óbice estatuído pela Súmula nº 07
da Corte Superior (in verbis: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.").

Ressalta-se, ainda, específica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quanto à incidência do referido enunciado sumular quando se discute,
no recurso especial, a necessidade de liquidação de sentença ou a suficiência da confecção de meros cálculos aritméticos:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DESNECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DA


FASE DE LIQUIDAÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7 DO STJ. 2. AGRAVO INTERNO
IMPROVIDO.
1. Tendo as instâncias de origem dispensado a instauração de processo de liquidação de sentença por artigos para quantificação do valor de
astreintes, por entender cabível a apresentação de memória de cálculo, não é possível, em recurso especial, concluir em sentido contrário, ante
a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ.
2. Agravo interno improvido. (STJ, 3ª Turma, AgInt no AREsp 1043795/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze. Julgado em 23/05/2017. DJe
01/06/2017. Grifos acrescidos.)

Relativamente à impossibilidade de analisar a liquidez do título executivo, também não é outra a jurisprudência do STJ:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. COBRANÇA DE HONORÁRIOS. LEI N. 8.906/94. REVOGAÇÃO DE MANDATO. ACORDO
CELEBRADO. INTERPRETAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 5 E 7 DO STJ. TÍTULO EXECUTIVO. LIQUIDEZ. VERIFICAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ.
1. A Corte de origem, soberana na análise do arcabouço fático-probatório acostado aos autos, consignou que o conteúdo do suposto acordo que
o recorrente afirma ter sido realizado nos autos da execução não é vocacionado a por termo ao processo de execução, tampouco faz referência
à satisfação do débito exequendo. Desse modo, para o acolhimento do apelo extremo, seria imprescindível derruir as conclusões a que chegou a
Corte estadual, o que demandaria o revolvimento de matéria fática e a interpretação do acordo celebrado, o que encontra óbice nos enunciados
da Súmula 5 e 7 do STJ. Precedentes.
2. Esta Corte Superior possui firme jurisprudência no sentido de que não é lícito, em sede de recurso especial, rever o entendimento esposado
pela Corte de origem no que diz respeito à liquidez do título executivo, porquanto essa medida demandaria reexame do acervo fático-probatório
dos autos, o que esbarra no óbice estampado na Súmula 7 do STJ. Precedentes.
3. Recurso especial não provido. (STJ, 4ª Turma, AgInt no REsp 1334820/MA, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO. Julgado em 26/06/2018.
DJe 29/06/2018. Grifos acrescidos.)

Quanto à alegação de desrespeito ao art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, o Município recorrente alega, ainda, que "O título judicial [...] utilizou-se do
índice da atualização da tabela Encorge [sic], sem dizer os juros que estava sendo aplicado" (fl. 64). Pugna, ainda, pela adoção, a título de juros
de mora, dos índices de juros da caderneta de poupança.

Inicialmente, é possível constatar que tal matéria de direito amolda-se àquela tratada nos REsp nº 1.492.221/PR, REsp n° 1.495.144/RS e REsp
n° 1.495.146/MG, paradigmas do Tema 905 dos Recursos Especiais Repetitivos no STJ, que tratou da aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97.

Ocorre que, apreciando a petição recursal detidamente, resta explícita a impossibilidade de aplicar a decisão de mérito do STJ no referido Tema
905, seja para proceder ao juízo de conformidade, seja para determinar o juízo de retração pelo órgão fracionário, dado carecer o autor de
interesse recursal.

É que o acórdão recorrido não determinou a aplicação da tabela ENCOGE, como faz crer o ente público. No particular, veja-se o que decidiu
a 1ª Câmara de Direito Público:

"6. Em relação aos juros de mora, igualmente não há falar em omissão quanto ao disposto no art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela
Lei nº 11.960/2009, uma vez que proveu-se parcialmente o apelo fazendário para fazer incidir, sobre o crédito exequendo, o enunciado nº 150 da
Súmula do TJPE, que determina expressamente a adoção do percentual estabelecido para caderneta de poupança a partir de 30/06/2009.
7. Embargos de declaração desprovidos." (Fl. 78. Grifos acrescidos.)

Nota-se (1) que o acórdão recorrido não determinou a aplicação da tabela ENCOGE e (2) que o julgado estabeleceu exatamente aquilo que o
ente público vem requerer em sede de Recurso Especial: a aplicação à condenação, a título de juros de mora, do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97.

Assim, absolutamente carente de interesse recursal a parte recorrente na alegação de violação ao art. 1.º-F da Lei n.º 9.494/97.

O interesse recursal insere-se no âmbito do juízo de admissibilidade dos recursos, constituindo um de seus requisitos intrínsecos. Competindo
ao presidente ou vice-presidente do Tribunal recorrido proceder a este juízo, em caráter preliminar, na forma do CPC, art. 1.030, compete-lhe,
necessariamente, apreciar o preenchimento deste requisito, assim como o de todos os outros, impondo-se declarar inadmissível o recurso, quanto
ao ponto.

Bem por isso, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 26 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

19

19

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Relação No. 2019.00555 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

AMINE D´ANDRADA(PE001426B) 003 0070498-85.2014.8.17.0001(0451704-0)


DEBORA ALINE VELOSO MARTINS 002 0010609-48.2013.8.17.1130(0446776-3)
GOMES(PE037470)
DÉBORA CAMBOIM LEÃO(PE034323) 003 0070498-85.2014.8.17.0001(0451704-0)
Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304) 003 0070498-85.2014.8.17.0001(0451704-0)
Patrícia Carla da Costa Lira(PE017867) 001 0048370-08.2013.8.17.0001(0363933-0)
TAINARA DOS SANTOS VALENÇA(PE031008) 002 0010609-48.2013.8.17.1130(0446776-3)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 003 0070498-85.2014.8.17.0001(0451704-0)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0048370-08.2013.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0363933-0)
Protocolo : 2015/109370
Comarca : Recife
Vara : 5ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : FERNANDO RIBEIRO DE SOUZA e outros e outros
Advog : Patrícia Carla da Costa Lira(PE017867)
Apelado : FUNDAÇÃO DE APOSENTADORIAS E PENSÕES DOS SERVIDORES DO
ESTADO DE PERNAMBUCO - FUNAPE
Procdor : Maria Raquel Santos Pires
Embargante : FUNDAÇÃO DE APOSENTADORIAS E PENSÕES DOS SERVIDORES DO
ESTADO DE PERNAMBUCO - FUNAPE
Procdor : Maria Raquel Santos Pires
Embargado : FERNANDO RIBEIRO DE SOUZA
Embargado : JOSE EXPEDITO FERREIRA DE SOUZA
Embargado : ISAIAS ANTONIO DE ALMEIDA
Embargado : JOSÉ GERALDO OLIVEIRA DE SOUZA
Embargado : EDSON SILVA RIBEIRO DE LEMOS
Embargado : MANOEL LOPES COUTINHO
Embargado : Moacir Cunha de Araújo
Embargado : JOSÉ ANTONIO BARBOSA LINS
Embargado : José Carlos de Albuquerque
Embargado : LUIZ GREGÓRIO JOÃO DE BARROS
Advog : Patrícia Carla da Costa Lira(PE017867)
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello
Proc. Orig. : 0048370-08.2013.8.17.0001 (363933-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:40 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

AGRAVO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 363933-0


RECORRENTE: FUNAPE - FUNDAÇÃO DE APOSENTADORIAS E PENSÕES DOS SERVIDORES DO ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: FERNANCO RIBEIRO DE SOUZA E OUTROS

Cuida-se de Agravo nos próprios autos, versado no art. 544 do CPC/1973 (correspondente ao art. 1.042 do CPC/2015) contra decisão de fls.
500/501, que, em juízo de admissibilidade, implicou negativa de seguimento ao recurso excepcional de fls. 468/484.

Remetidos os autos ao Supremo Tribunal Federal, a Corte Constitucional devolveu o presente caderno processual a este Tribunal, com vinculação
ao tema 882, consoante despacho à fl. 523.

Pois bem. Verifico que a controvérsia objeto dos presentes autos foi submetida à sistemática procedimental versada no art. 543-B do CPC/1973
(correspondente ao art. 1.036 do CPC/2015), para cujo desate o STF elegeu o Recurso Extraordinário com Agravo nº 948.645/PE (tema nº 882)
como recurso paradigma representativo da controvérsia, julgando pela inexistência de Repercussão Geral na matéria, conforme acórdão assim
ementado:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA RESERVA DE PLENÁRIO.
INOCORRÊNCIA. ESTADO DE PERNAMBUCO. POLICIAIS MILITARES. GRATIFICAÇÃO DE RISCO DE POLICIAMENTO OSTENSIVO.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

NATUREZA JURÍDICA. EXTENSÃO AOS INATIVOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.1. A
controvérsia relativa à natureza jurídica da Gratificação de Risco de Policiamento Ostensivo, se geral ou propter laborem, fundada na interpretação
da Lei Complementar 59/04 do Estado de Pernambuco, é de cunho infraconstitucional. 2. É cabível a atribuição dos efeitos da declaração de
ausência de repercussão geral quando não há matéria constitucional a ser apreciada ou quando eventual ofensa à Carta Magna ocorra de forma
indireta ou reflexa (RE 584.608-RG, Rel. Min. ELLEN GRACIE, DJe de 13/3/2009).
3. Ausência de repercussão geral da questão suscitada, nos termos do art. 543-A do CPC.
(STF - Pleno, ARE 948.645 RG/PE, rel. Min. Teori Zavascki, DJe 06/04/2016). (grifos nossos)

Bem por isso, tendo em vista o reconhecimento pelo STF da inexistência de Repercussão Geral na matéria, nego seguimento ao presente recurso,
com base no art. 328-A, caput e § 1º, do RISTF c/c os arts. 1.030, I, "a", primeira parte, e 1.042, § 2º, do CPC.

Publique-se.

Recife, 06 de Novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2° Vice-Presidente

002. 0010609-48.2013.8.17.1130 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0446776-3)
Protocolo : 2017/112526
Comarca : Petrolina
Vara : Vara da Faz. Pública
Autor : Estado de Pernambuco
Procdor : MARCOS ELESBÃO
Réu : JARDELSON LIMA DE MEDEIROS
Advog : TAINARA DOS SANTOS VALENÇA(PE031008)
Advog : DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES(PE037470)
Embargante : JARDELSON LIMA DE MEDEIROS
Advog : TAINARA DOS SANTOS VALENÇA(PE031008)
Advog : DEBORA ALINE VELOSO MARTINS GOMES(PE037470)
Embargado : Estado de Pernambuco
Procdor : MARCOS ELESBÃO
Órgão Julgador : 2ª Câmara Extraordinária de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0010609-48.2013.8.17.1130 (446776-3)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:39 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 446776-3


RECORRENTES: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: JARDELSON LIMA DE MEDEIROS

Trata-se de recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, III, alínea "a", contra acórdão proferido pela 2ª Câmara Extraordinária de
Direito Público, por meio de seu Des. Relator José Ivo de Paula Guimarães, em sede de Apelação/Reexame Necessário.

Constato que a controvérsia que subsidia a pretensão recursal tem fundamento em questão de direito idêntica à que informa o RE nº 593.068/
SC (tema 163 - Contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional
noturno e o adicional de insalubridade), submetido à sistemática peculiar ao instituto da repercussão geral, versada no art. 1.036 do CPC/2015.

Daí, e na medida em que dita controvérsia ainda não foi solucionada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, impõe-se na espécie a observância
do disposto no artigo 1.030, III, do CPC/2015.

Destarte, determino o sobrestamento deste recurso até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema.

Ao CARTRIS, para adoção das medidas cabíveis, mormente quanto à custódia dos autos.

Publique-se.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Recife, 14 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

003. 0070498-85.2014.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0451704-0)
Protocolo : 2016/122542
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Autor : I. L. L. N. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : AMINE D´ANDRADA(PE001426B)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : WEIDJA LOPES DOS SANTOS
Autor : Estado de Pernambuco
Procdor : Raffaela Meirelles Souza e outros e outros
Réu : Estado de Pernambuco
Procdor : Amanda R. Morais Emery Costa
Réu : I. L. L. N. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : DÉBORA CAMBOIM LEÃO(PE034323)
Advog : Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : WEIDJA LOPES DOS SANTOS
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : SABRINA PINHEIRO DOS PRAZERES
Procdor : Cristina Câmara Wanderley Queiroz
Embargado : I. L. L. N. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : DÉBORA CAMBOIM LEÃO(PE034323)
Advog : Karla Wanessa Bezerra Guerra(PE026304)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : WEIDJA LOPES DOS SANTOS
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello
Proc. Orig. : 0070498-85.2014.8.17.0001 (451704-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:44 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 0451704-0


RECORRENTES: ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTRO
RECORRIDOS: I.L.L.D.N. (CRIANÇA/ADOLESCENTE) E OUTRO

Vieram os autos conclusos a esta 2ª Vice-Presidência para análise de juízo de admissibilidade do recurso extraordinário interposto pelo Estado
de Pernambuco e encartado às fls. 317/320v.

Trata-se de recurso extraordinário, com fundamento no artigo 102, III, "a", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido em sede de
apelação/reexame necessário.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto nos artigos 2° (separação dos poderes), 5°, caput (princípio da isonomia), 37,
caput (princípio da legalidade) e inciso XXI (exigência de licitação) e 196 (política pública de saúde), todos da Constituição Federal.

De início, é importante frisar que "inclui-se no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se o
recorrente, em preliminar do recurso extraordinário, desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração, no caso concreto,
da existência de repercussão geral" (STF, AI 664.567/RS, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 06/09/2007). Portanto, deve a parte recorrente
demonstrar que a controvérsia discutida nos autos possui repercussão geral.

No caso presente, em que pese constar da peça recursal preliminar de repercussão geral, o recorrente não demonstrou, com a devida
fundamentação, a razão de a matéria discutida nos autos extrapolar os interesses subjetivos da causa, possuindo relevância do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico.

Na preliminar arguida, na realidade, vejo um esforço apenas genérico da parte recorrente em comprovar a rígida exigência da repercussão geral,
sem, contudo, lograr êxito.

Consequentemente, inexistente a devida fundamentação relacionada com a repercussão geral, a inadmissão do recurso extraordinário se impõe,
nos termos da jurisprudência do STF (RE/615990, Rel. Min. Luiz Fux, DJ n. 65 do dia 06/04/2011).

Por outro lado, cumpre afastar a identidade entre a matéria discutida nos presentes autos e aquela tratada no RE nº 566.471/RN, paradigma do
Tema nº 061 da repercussão geral. Isso porque a questão a ser decidida mediante a sistemática de recursos múltiplos restringe-se à existência
do dever estatal de fornecer medicamento de alto custo, não abarcando situações, como a destes autos, nas quais a parte recorrente demanda

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a entrega pelo ente público de gênero diverso (in casu: Home Care), ainda que relacionado à manutenção da sua saúde e do seu bem-estar.
Nesse sentido, a jurisprudência do Supremo: STF - 2ª T., RE 902378 AgR-segundo-AgR, rel. Min. Dias Toffoli, Dje de 11/05/2016; STF - 1ª T., AI
810864 AgR, rel. Min. Roberto Barroso, DJe 02/02/2015; STF - 1ª T., ARE 741566 AGR/RS, rel. Min. Rosa Weber, DJe de 15/08/2013.

Ademais, a suposta afronta aos citados dispositivos indicados nas razões do recurso, se porventura ocorrente, revelou-se por via oblíqua ou
reflexa. Sucede que a orientação do STF é iterativa em não admitir o recurso extraordinário sob a alegação de ofensa indireta à Carta da República.

Friso que o manejo do recurso extraordinário, sob o fundamento da alínea "a", do permissivo constitucional, só é liberado a partir de um histórico
de afronta direta à Constituição, e não de maneira indireta, reflexa ou oblíqua, como ocorre no caso em apreço.

Especificamente quanto ao malferimento do princípio da legalidade, aplica-se à espécie o enunciado nº 636 da Súmula do STF, segundo o qual
encontra óbice instransponível o recurso extraordinário cujo fundamento seja a contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando
para que se verifique seja também necessário rever a interpretação dada às normas infraconstitucionais pela decisão recorrida.

Ademais, ainda que superado o citado obstáculo ao prosseguimento do recurso extraordinário ora em análise, verifico que modificar os termos
acordados pelo colegiado apenas seria possível com nova visita ao conjunto fático-probatório dos autos. Isso porque restou consignado no
acórdão recorrido o seguinte:
"EMENTA: REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÕES CÍVEIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SAÚDE PÚBLICA. CUSTEIO, PELO ESTADO,
DE SERVIÇO DE ATENDIMENTO MÉDICO DOMICILIAR DE ALTA COMPLEXIDADE (INTERNAMENTO EM REGIME DE HOME CARE),
COM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR (FISIOTERAPIA MOTORA/RESPIRATÓRIA, FONOAUDIOLOGIA, NUTRICIONISTA, ENFERMAGEM E
MÉDICO), E BEM ASSIM DOS EXAMES, APARELHAMENTO, MATERIAIS, MEDICAMENTOS, E ALIMENTAÇÃO ESPECIAL QUE SE
FIZEREM NECESSÁRIOS À SUA PRESTAÇÃO. PACIENTE PORTADORA DE BCP, ASMA BRÔNQUICA, DISTÚRBIO DA DEGLUTIÇÃO,
ENCEFALOPATIA CRÔNICA NÃO-PROGRESSIVA, E SOB GASTROSTOMIA DESDE MAIO/2014. OBRIGAÇÃO DO ESTADO. 1. No caso, não
se conhece da preliminar arguida por intermédio de reiteração de agravo retido, posto que a questão a ela referente confunde-se com o próprio
mérito da apelação. 2. De proêmio, anotou-se que a obrigação dos entes públicos com relação à prestação de serviços de saúde pública (incluída
a prestação de serviços médicos/internação à população carente) é comum, podendo ser demandada qualquer das esferas de governo (CF, art.
198). 3. A imprescindibilidade do serviço de atendimento médico domiciliar (internamento em regime de home care) solicitado resta evidenciada
pela apreciação do laudo médico' acostado aos autos, subscrito por profissional do Hospital Barão de Lucena, cujo conteúdo não foi contraditado
pelo Estado. 4. No plano de fundo, é patente a gravidade da doença que aflige a menor I. L. L. do N., atestada pelos documentos acostados
aos autos, pelo que o atendimento ao referido pleito é indispensável à efetividade aos direitos à saúde, à vida e à dignidade da pessoa humana,
assegurados nos art. 5º e 196 da Constituição Federal, o que justifica a utilização, em caráter excepcional, do serviço de atendimento médico
domiciliar (internamento em regime de home care). 5. Não se trata de prestação jurisdicional invasiva da seara administrativa, eis que a ordem
deferida em primeiro grau apenas determina o cumprimento de obrigação já adrede imposta pela própria Constituição da República. 6. Destarte,
tem-se que é de ser mantida a multa diária fixada pelo juízo de primeiro grau (R$ 500,00/dia de descumprimento), posto que à parte não interessa
o recebimento da multa, mas sim o cumprimento efetivo, a tempo e modo, da obrigação de fazer, consistente no custeio do serviço de atendimento
médico domiciliar solicitado, sendo indispensável, pois, que o preceito cominatório seja suficiente para desestimular um eventual inadimplemento.
7. Lado outro, tem-se que a controvérsia de fundo - que versa sobre aplicação da norma constitucional que garante acesso universal às prestações
de serviço saúde - não tem o alcance de atingir a honra ou a imagem da paciente Iasmin Larissa Lopes do Nascimento (até porque as deficiências
do serviço atingem à sociedade como um todo). 8. Assim, diante da inexistência de qualquer ação ou omissão estadual apta a alcançar a honra
ou a imagem da paciente, não se justifica a condenação do Estado em danos morais. 9. De outra parte, no âmbito da sucumbência, o pleito da
autora é no sentido do reconhecimento da inexistência de sucumbência recíproca, e, via de consequência, que o demandado (Estado) suporte,
por inteiro, a condenação em honorários advocatícios. 10. Ocorre que a sentença a quo não concedeu à autora o pedido de indenização por danos
morais, mas tão-somente o pleito de custeio das "despesas inerentes ao serviço de atendimento domiciliar (home care 24h), com suporte para
ventilação mecânica com oxigênio e ar comprimido, pois faz uso e fará quando em cuidados domiciliares de aspirador a vácuo, com Assistente
para reabilitação em caráter permanente, com fisioterapia respiratória e motora, fonoterapia, dieta enteral sob orientação de profissional da
nutrição, VISITA MÉDICA, além de cuidados de enfermagem em período integral devido ao uso de traqueóstomo, reavaliação médica de rotina ou
em caráter de urgência seja domiciliar, ambulatorial e/ou hospitalar, conforme necessidade, realização de exames complementares, consoante
histórico e indicação médica de fls. 27/31". 11. Ou seja, o pedido referente à obrigação de fazer foi acolhido, sendo rejeitado o pedido atinente à
obrigação de indenizar, do que resultou a procedência parcial da ação. 12. Desse modo, é de se manter a sucumbência recíproca decretada em
primeiro grau, visto que ambas as partes decaíram parcialmente de suas pretensões. 13. Reexame necessário improvido, prejudicado o apelo
fazendário, e bem assim improvido o apelo da autora." (fls. 239/240)
Destarte, atrai-se, na espécie, o Enunciado nº 279 da Súmula do STF, o qual veda, em sede excepcional, a revisão das provas aos autos carreadas
e, pois, do referido entendimento pela imprescindibilidade do tratamento pleiteado pela a parte recorrida.

Por fim, no que tange à suposta violação do art. 2º da CF/88, registre-se o que diz a jurisprudência do STF reiterada em casos paralelos ao
analisado nos presentes autos: "O Poder Judiciário, em situações excepcionais, pode determinar que a Administração pública adote medidas
assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure violação do princípio da separação dos
poderes, inserto no art. 2º da Constituição Federal." (STF - 2ª T., RE 827.662 AgR, rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 05/10/2016).

Por todo o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, nego seguimento ao recurso.

Publique-se.

Recife, 06 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Tema nº 6 - Dever do Estado de fornecer medicamento de alto custo a portador de doença grave que não possui condições financeiras para
comprá-lo

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

004. 0011393-90.2008.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0499369-5)
Protocolo : 2018/204620
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara dos Executivos Fiscais Estaduais
Apelante : Estado de Pernambuco
Procdor : Rodolfo F. Cavalcanti de Albuquerque
Apelado : CASA JOSÉ ARAÚJO S/A
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : André Oliveira Souza
Embargado : CASA JOSÉ ARAÚJO S/A
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. José Ivo de Paula Guimarães
Proc. Orig. : 0011393-90.2008.8.17.0001 (499369-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:39 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0499369-5


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDA: CASA JOSÉ ARAÚJO S/A

Trata-se de recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, interposto contra acórdão proferido pela 2ª
Câmara de Direito Público, lavrado pelo Des. José Ivo de Paula Guimarães, em sede de embargos de declaração em apelação.

Assevera o recorrente que o acórdão recorrido violou o disposto nos artigos 85, §8º, e 1.022, ambos do CPC, assim como o art. 26 da Lei nº.
6.830/80. Alega ainda que houve violação a entendimento do Superior Tribunal de Justiça, firmado nos recursos especiais nº. 1.592.755/MG,
AGno AREsp nº. 759.959/SP e AgRg no AREsp nº. 709.421/SP.

Relata que, no caso em apreço, discute-se, desde o julgamento originário, a possibilidade ou não de condenação do executado em honorários
advocatícios em execução fiscal quando o pagamento do débito se dá antes da citação, embora após o ajuizamento da ação. Argumenta, contudo,
que não restou considerado no decisum que a falta de triangularização não impede a condenação do réu confesso.

Destaca que, de acordo com a jurisprudência pátria, o princípio da sucumbência, previsto no art. 85 do CPC/15, encontra-se contido no princípio
da causalidade, segundo o qual aquele que deu causa à instauração do processo deve arcar com as despesas dele decorrentes. Por outro
lado, tratando-se especificamente de executivos fiscais quitados após a propositura e antes da citação, está consolidado o entendimento do STJ,
havendo, portanto, dissídio jurisprudencial.

Consta no acórdão recorrido (fl. 113/114):

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO EM DECORRÊNCIA DE
PAGAMENTO EFETUADO ANTES DA CITAÇÃO VÁLIDA DO DEVEDOR. NECESSIDADE DE HARMONIZAÇÃO ENTRE OS PRINCÍPIOS
DA CAUSALIDADE E DO CONTRADITÓRIO. TRIANGULARIZAÇÃO PROCESSUAL NÃO PERFECTIBILIZADA. DESCABIMENTO DOS
HONORÁRIOS. ACLARATÓRIOS NÃO PROVIDOS. DECISÃO UNÂNIME. 1. Não é possível identificar na decisão embargada nenhum dos vícios
ensejadores dos embargos declaratórios. A decisão impugnada enfrentou a matéria posta em debate, com fundamentação suficiente, na medida
necessária para o deslinde da controvérsia, senão vejamos. 2. Ao contrário do mencionado nas razões do presente recurso, verificou-se ter o
acórdão fustigado deixado expressamente consignado a linha de entendimento deste Colegiado, que, malgrado a atual orientação firmada no
âmbito do STJ, vem examinando a matéria em lume sob uma perspectiva diversa, qual seja a de que a aplicação do princípio da causalidade para
fins de atribuição do ônus da sucumbência ao executado pressupõe a efetiva triangularização da relação jurídica processual, face à necessidade
de observância aos princípios do devido processo legal e contraditório insculpidos no art. 5º, incisos LIV e LV, da Constituição da República, bem
como ao disposto no art. 9º do Código de Processo Civil/2015, que peremptoriamente estatui: "Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das
partes sem que ela seja previamente ouvida". 3. Prevalece neste Órgão Colegiado, portanto, o entendimento de que o disposto no art. 5º, incisos
LIV e LV da Constituição da República, e a regra constante no art. 9º do Código de Processo Civil/2015, vedam o acolhimento da pretensão
fazendária, de imposição de condenação em verba honorária a executado não citado, no bojo de sentença extintiva de execução fiscal, sem
resolução de mérito. 4. Como visto, a matéria posta em debate restou absolutamente enfrentada no aresto embargado, contudo de maneira
contrária à parte ora embargante, que trouxe questões alheias às hipóteses elencadas no art. 1.022 do NCPC, com o nítido propósito de rediscutir
assunto já decidido. 5. Ademais, da leitura das razões deduzidas pela embargante, extrai-se exclusivamente a pretensão de reconhecimento de
eventual error in judicando e com isso a reforma do julgado naquilo que foi contrário às suas pretensões, o que exige utilização da via processual
própria. 6. Aclaratórios desprovidos de forma unânime.

Pelo que se observa, os aclaratórios foram rejeitados porque não foram identificados na decisão embargada os vícios apontados. Restou pontuado
que a decisão impugnada enfrentou a matéria posta em debate, com fundamentação suficiente para o deslinde da causa.

Segundo consta no decisum, o acórdão fustigado deixou expressamente consignado a linha de entendimento do Colegiado, que, malgrado a
atual orientação firmada no âmbito do STJ, vem examinando a matéria em lume sob uma perspectiva diversa, qual seja a de que 'a aplicação do

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

princípio da causalidade para fins de atribuição do ônus da sucumbência ao executado pressupõe a efetiva triangularização da relação jurídica
processual, face à necessidade de observância aos princípios do devido processo legal e contraditório insculpidos no art. 5º, incisos LIV e LV,
da Constituição da República, bem como ao disposto no art. 9º do Código de Processo Civil/2015'. No caso, prevaleceu 'o entendimento de que
o disposto no art. 5º, incisos LIV e LV da Constituição da República, e a regra constante no art. 9º do Código de Processo Civil/2015, vedam o
acolhimento da pretensão fazendária, de imposição de condenação em verba honorária a executado não citado, no bojo de sentença extintiva
de execução fiscal, sem resolução de mérito'.

No caso concreto, não vislumbro afronta ao art. 1.022 e seguintes do Código de Processo Civil, pois, com clareza e harmonia entre suas
proposições, o acórdão recorrido contém motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando o enfrentamento exaustivo das questões
cruciais para o deslinde - com segurança jurídica - da controvérsia que informa a causa. O que constato é o inconformismo dos recorrentes quanto
ao desprestígio proporcionado pelo acórdão recorrido a tese que fomenta sua defesa na lide.

Não se viabiliza o recurso especial pela indicada afronta ao art. 1.022 do CPC, quando rejeitados os embargos de declaração, a matéria em
exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário
à pretensão da parte recorrente (AgInt no AREsp 1036919/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/04/2018,
DJe 20/04/2018).

Pelo que se observa, in casu, a controvérsia foi enfrentada sob o prisma da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios enquanto
não efetivada triangularização do feito.

Sendo assim, a despeito da argumentação do recorrente, verifica-se que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no
princípio da causalidade, quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO APÓS O COMPARECIMENTO
ESPONTÂNEO E APRESENTAÇÃO DE DEFESA PELO EXECUTADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. CABIMENTO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA REDUZIR
OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA R$ 5.000,00. 1. A 1a. Seção do STJ, no julgamento do REsp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do art.
543-C do CPC/1973, pacificou o entendimento de que, extinta a Execução Fiscal após a citação do devedor, deve-se perquirir quem deu causa à
demanda a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da causalidade. 2. (....). Logo, havendo a angularização
do processo, com atuação, ainda que mínima da defesa, e sendo a Fazenda Estadual quem deu causa ao ajuizamento do executivo fiscal, são
devidos os honorários de sucumbência pelo Fisco. 3. Agravo Interno do ESTADO DE MINAS GERAIS parcialmente provido, apenas para reduzir
os honorários advocatícios para R$ 5.000,00, em substituição ao fixado pela decisão agravada em 1% sobre o valor da causa. (AgInt no AREsp
463.734/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.
Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de
honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO ANTES DE SE EFETIVAR A CITAÇÃO.
ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DESCABIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o
Tribunal local consignou que o processo foi extinto sem julgamento do mérito, antes mesmo da efetivação da citação da parte ré, motivo pelo qual
seria incabível a condenação em honorários advocatícios. 2. O STJ possui entendimento consolidado de que somente deve haver condenação
nos ônus da sucumbência quando validamente se perfaz a relação processual. 3. Ademais, é evidente que, para modificar o entendimento firmado
no acórdão recorrido, reconhecendo-se o pleiteado pela ora insurgente, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado,
o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental
não provido. (AgRg no REsp 1427261/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2014, DJe 23/05/2014)
(grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Por outro lado, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de admissão ao recurso supramencionada, resta prejudicado o
exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. A incidência da Súmula 83 do STJ, como ocorreu na hipótese,
prejudica o recurso pela alínea 'c' do permissivo constitucional.

Nesse sentido:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ADMINISTRATIVO. PENSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PAGAMENTO DE VANTAGEM PECUNIÁRIA. PRESTAÇÕES DE


TRATO SUCESSIVO. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA N. 85/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM
CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83 DA SÚMULA DO STJ. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. I - O acórdão combatido se alinha à jurisprudência desta Corte Superior de que nos casos em que
a pretensão envolve o pagamento de vantagem pecuniária, atinente à complementação da aposentadoria, sem que isso envolva a revisão
dos critérios utilizados no próprio ato de aposentação, por se tratar de prestações de trato sucessivo que se renovam mensalmente, quando
não tiver sido negado o próprio direito reclamado, não ocorre a prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao
quinquênio que precedeu à propositura da ação, nos termos da Súmula 85 do STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1048762/RS, Rel. Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2017, DJe 26/10/2017; AgInt no AREsp 998.699/RS, Rel. Ministro
MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 03/04/2017; AgInt no AREsp 1070749/RS, Rel. Ministro
SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2017, DJe 25/08/2017. II - Incide, na espécie, a Súmula 83/STJ, segundo a qual "não se
conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". III - Assinale-
se o não cabimento do recurso especial com base no dissídio jurisprudencial, pois as mesmas razões que inviabilizam o conhecimento do apelo,
pela alínea a, servem de justificativa quanto à alínea c do permissivo constitucional. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1217620/RS,
Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/09/2018, DJe 17/09/2018).

Com as considerações postas e fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial interposto.

Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00559 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

André Felipe de Lima Costa(PE031556) 001 0000579-18.2011.8.17.0420(0484978-1)


Carlos Eduardo Pugliesi(PE014373) 002 0029699-68.2012.8.17.0001(0401824-2)
Daniel Barbosa Santos(DF013147) 003 0012913-10.2016.8.17.0000(0457941-7)
JOSENEIDE MONTEIRO RODRIGUES(PE028319) 001 0000579-18.2011.8.17.0420(0484978-1)
Jesualdo de Albuquerque C. Júnior(PE021087) 001 0000579-18.2011.8.17.0420(0484978-1)
Luciana Dias de Albuquerque Perman(PE025827) 002 0029699-68.2012.8.17.0001(0401824-2)
MARCELA MORENO GALDINO 003 0012913-10.2016.8.17.0000(0457941-7)
MARQUES(PE035755)
Maurício de Oliveira Holanda(PE030440) 001 0000579-18.2011.8.17.0420(0484978-1)
Monalisa Ventura Leite Marques(PE024624) 002 0029699-68.2012.8.17.0001(0401824-2)
Renato de Mendonça Canuto Neto(PE016114) 002 0029699-68.2012.8.17.0001(0401824-2)
Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483) 003 0012913-10.2016.8.17.0000(0457941-7)
TIAGO ANTÔNIO MACIEL RIBEIRO(DF038105) 003 0012913-10.2016.8.17.0000(0457941-7)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 002 0029699-68.2012.8.17.0001(0401824-2)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0000579-18.2011.8.17.0420 Apelação / Reexame Necessário


(0484978-1)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comarca : Camaragibe
Vara : Primeira Vara Cível da Comarca de Camaragibe
Autor : PAULA ALESSANDRA DE SOUZA ROCHA
Autor : ROSSANA COELI PESSOA DA SILVA
Autor : RENATA GOMES DE ARAUJO
Autor : REJANE PAULINA PIMENTEL
Autor : ROSANGELA DO CARMO MACHADO
Advog : JOSENEIDE MONTEIRO RODRIGUES(PE028319)
Advog : André Felipe de Lima Costa(PE031556)
Advog : Jesualdo de Albuquerque Campos Júnior(PE021087)
Autor : Município de Camaragibe
Advog : Maurício de Oliveira Holanda(PE030440)
Réu : Município de Camaragibe
Advog : Maurício de Oliveira Holanda(PE030440)
Réu : PAULA ALESSANDRA DE SOUZA ROCHA
Réu : ROSSANA COELI PESSOA DA SILVA
Réu : RENATA GOMES DE ARAUJO
Réu : ROSANGELA DO CARMO MACHADO
Réu : REJANE PAULINA PIMENTEL
Advog : Jesualdo de Albuquerque Campos Júnior(PE021087)
Advog : JOSENEIDE MONTEIRO RODRIGUES(PE028319)
Advog : André Felipe de Lima Costa(PE031556)
Procurador : Maria Bernadete de Azevedo Figueiroa
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Fernando Cerqueira
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:38 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 484978-1


RECORRENTES: PAULA ALESSANDRA DE SOUZA ROCHA E OUTROS
RECORRIDO: MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE- PE

Recurso extraordinário, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, tirado contra acórdão proferido pela
1ª Câmara de Direito Público, de lavra do Des. Relator Fernando Cerqueira Norberto dos Santos, em sede de reexame necessário.

Alegam os recorrentes que a decisão proferida pela Câmara Julgadora não haveria observado o disposto no artigo 7º, inciso XVI, da
Constituição Federal, que garante remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% (cinquenta por cento) à do normal.

De início, é importante frisar que para viabilizar o recurso extraordinário deve a parte recorrente demonstrar que a controvérsia discutida nos
autos possui repercussão geral, confira-se:

"4. A obrigação do recorrente em apresentar formal e motivadamente a preliminar de repercussão geral, que demonstre sob o ponto de
vista econômico, político, social ou jurídico, a relevância da questão constitucional debatida que ultrapasse os interesses subjetivos da causa,
conforme exigência constitucional e legal (art. 102, § 3º, da CF/88, c/c art. 1.035, § 2º, do CPC/2015), não se confunde com meras invocações
desacompanhadas de sólidos fundamentos no sentido de que o tema controvertido é portador de ampla repercussão e de suma importância
para o cenário econômico, político, social ou jurídico, ou que não interessa única e simplesmente às partes envolvidas na lide, muito menos
ainda divagações de que a jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL é incontroversa no tocante à causa debatida, entre outras de
igual patamar argumentativo"(STF-1ª T., ARE 1114901 ED, Rel. Min. Alexandre De Moraes, julgado em 22/10/2018, PROCESSO ELETRÔNICO
DJe-230 DIVULG 26-10-2018 PUBLIC 29-10-2018 - trecho de ementa)

No caso presente, em que pese constar da peça recursal preliminar de repercussão geral, os recorrentes não demonstraram, com a devida
fundamentação, a razão de a matéria discutida nos autos extrapolar os interesses subjetivos da causa, possuindo relevância do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico. Em realidade, vejo um esforço apenas genérico da parte recorrente em comprovar a rígida exigência da
repercussão geral, sem, contudo, lograr êxito.

Não deduzidos os fundamentos relacionados com os pressupostos da repercussão geral, a inadmissão do recurso extraordinário se impõe, nos
termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lado outro, as partes recorrentes, em suas próprias razões, citam legislação local, qual seja, a Lei Municipal nº 332/2007, tornando-
se, pois, imperiosa a incidência da Súmula nº 280, do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, concluir diversamente do acórdão recorrido demandaria a reanálise de provas, vedada nos termos do enunciado 279, do
STF1. Colho o acórdão vergastado:

ADMINISTRATIVO. SERVIDORES MUNICIPAIS DE CAMARAGIBE. AÇÃO DE COBRANÇA. REGIME PRÓPRIO DE CUMPRIMENTO DE


JORNADA DE TRABALHO. POSSIBILIDADE. PAGAMENTO DE GRATIFICAÇÃO DE PLANTÃO. HORAS EXTRAS NÃO COMPROVADAS.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

REEXAME NECESSÁRIO PROVIDO. SENTENÇA REFORMADA. APELOS VOLUNTÁRIOS PREJUDICADOS. DECISÃO UNÂNIME.1. Trata-
se de ação de cobrança em que os autores, servidoras da área de saúde do Município de Camaragibe, pleiteam o pagamento de horas extras por
trabalharem no regime de plantão 12x36 e que nos meses com 31 dias existe um 16° plantão, resultando em mais de 12 horas extras, além das
60 horas habituais. 2. A jurisprudência tem reconhecido o direito de recebimento de horas extras aos funcionários públicos, quando trabalharem
em regime de plantão e escalas, desde que não haja legislação específica que prescreva a compensação de horas, pela retribuição pecuniária
ou folga compensatória. 3. Em face da natureza diferenciada do regime de compensação com jornada de trabalho de 12x36, o Município de
Camaragibe editou a Lei Municipal nº 332/2007, a qual criou no seu art. 5° a gratificação de plantão destinada aos servidores da área de saúde
em regime de plantão. 4. Não há qualquer comprovação nos autos de que as apelantes/autoras laboraram além das horas previstas na legislação
municipal (art. 373, I do CPC). 5. Reexame Necessário provido. Sentença reformada. Apelos voluntários prejudicados. Decisão unânime (fl.
285/286 - Destaquei).

Deste modo, é evidente que o acórdão recorrido dirimiu a controvérsia com base em legislação local e no conjunto fático-probatório constante
dos autos. Assim, qualquer exegese que se faça acerca dos dispositivos indicados pelos recorrentes passa, inexoravelmente, pela interpretação
conferida a lei local e pelo reexame do acervo fático-probatório da causa, imperando, pois, os impedimentos estampados nos enunciados 279 e
280 das Súmulas do STF. Neste sentido é o entendimento da Suprema Corte:

"Agravo regimental no recurso extraordinário. Direito Administrativo. Prequestionamento. Ausência. Regime especial de trabalho policial (RETP).
Pagamento de horas extras. Fatos e provas. Reexame. Impossibilidade. Análise da legislação local. Ofensa reflexa. Precedentes. 1. Não se
admite o recurso extraordinário quando o dispositivo constitucional que nele se alega violado não está devidamente prequestionado. Incidência
das Súmulas nºs 282 e 356/STF. 2. Inviável, em recurso extraordinário, o reexame dos fatos e das provas dos autos e a análise da legislação
local pertinente. Incidência das Súmulas nºs 279 e 280/STF. 3. Agravo regimental não provido."
(STF-2ª T., RE 805528 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 06/10/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-222 DIVULG 06-11-2015 PUBLIC
09-11-2015 - destaquei)

Por todo o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso extraordinário 440/449.

Publique-se.

Recife, 27 de Novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0029699-68.2012.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação


(0401824-2)
Protocolo : 2016/111073
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : Estado de Pernambuco
Procdor : CATARINA DE SÁ GUIMARÃES RIBEIRO e outro e outro
Apelado : ISMENIA FERREIRA DA SILVA
Advog : Carlos Eduardo Pugliesi(PE014373)
Advog : Monalisa Ventura Leite Marques(PE024624)
Advog : Luciana Dias de Albuquerque Perman(PE025827)
Advog : Renato de Mendonça Canuto Neto(PE016114)
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : Raffaela Meirelles Souza
Embargado : ISMENIA FERREIRA DA SILVA
Advog : Carlos Eduardo Pugliesi(PE014373)
Advog : Monalisa Ventura Leite Marques(PE024624)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Advog : Luciana Dias de Albuquerque Perman(PE025827)


Advog : Renato de Mendonça Canuto Neto(PE016114)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Proc. Orig. : 0029699-68.2012.8.17.0001 (401824-2)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 21/11/2018 12:42 Local: CARTRIS

PETIÇÃO NO PROCESSO Nº 401824-2


PETICIONANTE: MONALISA VENTURA LEITE MARQUES (advogada de ISMÊNIA FERREIRA DA SILVA)

Cuida-se de petição (fls. 258/265), pela qual a peticionante pleiteia o cumprimento de sentença.

Ocorre que, nesta instância ordinária, compete ao 2º Vice-Presidente "decidir nas hipóteses versadas nos arts. 1.029, § 5º, III, 1.030, 1.035, §§
6º e 8º, 1.036, §§ 1º e 2º, 1.037, III e § 1º, 1.040, I, 1.041, § 2º, e 1.042, § 2º, do Código de Processo Civil, relativamente a recursos destinados
ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça interpostos em processos julgados pelo Órgão Especial, pela Seção de Direito
Público, pelas Câmaras de Direito Público e, nas causas da Fazenda Pública, por Turma de Câmara Regional" (RITJPE, art. 32, IV).

Deste modo, esta 2ª Vice-Presidência detém atuação limitada à análise da admissibilidade do processamento do recurso excepcional, não
possuindo competência para a apreciação da pretensão do peticionante.

Não obstante, intime-se a parte interessada, ora peticionante, para que, querendo, formule sua pretensão pela via específica, utilizando dos
meios executórios próprios1, direcionando-a ao juízo competente, e não no bojo destes autos, deferindo-lhe vista dos mesmos pelo prazo de
05 (cinco) dias.

Após, devolvam-se os autos ao CARTRIS para que proceda com a manutenção do sobrestamento, conforme decisão de fl. 208.

Cumpra-se.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1Art. 512 do CPC/15: A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em autos apartados no juízo de origem,
cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes.
Art. 520 do CPC/15: O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da mesma
forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime:I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga,
se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;II - fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a
sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos;III - se a sentença
objeto de cumprimento provisório for modificada ou anulada apenas em parte, somente nesta ficará sem efeito a execução;IV - o levantamento
de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem transferência de posse ou alienação de propriedade ou de outro direito real, ou dos
quais possa resultar grave dano ao executado, dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios
autos.§ 1o No cumprimento provisório da sentença, o executado poderá apresentar impugnação, se quiser, nos termos do art. 525.§ 2o A multa
e os honorários a que se refere o § 1o do art. 523 são devidos no cumprimento provisório de sentença condenatória ao pagamento de quantia
certa.§ 3o Se o executado comparecer tempestivamente e depositar o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, o ato não será havido
como incompatível com o recurso por ele interposto.§ 4o A restituição ao estado anterior a que se refere o inciso II não implica o desfazimento
da transferência de posse ou da alienação de propriedade ou de outro direito real eventualmente já realizada, ressalvado, sempre, o direito à
reparação dos prejuízos causados ao executado.§ 5o Ao cumprimento provisório de sentença que reconheça obrigação de fazer, de não fazer
ou de dar coisa aplica-se, no que couber, o disposto neste Capítulo.
Art. 522 do CPC/15: O cumprimento provisório da sentença será requerido por petição dirigida ao juízo competente.Parágrafo único. Não
sendo eletrônicos os autos, a petição será acompanhada de cópias das seguintes peças do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada
pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal:I - decisão exequenda;II - certidão de interposição do recurso não dotado de efeito
suspensivo;III - procurações outorgadas pelas partes;IV - decisão de habilitação, se for o caso;V - facultativamente, outras peças processuais
consideradas necessárias para demonstrar a existência do crédito.

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137
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

003. 0012913-10.2016.8.17.0000 Agravo no Agravo no Mandado de Segurança


(0457941-7)
Protocolo : 2017/708163
Agravte : Estado de Pernambuco
Procdor : Emmanuel Becker Torres
Agravdo : Sylvan Silva Soares
Advog : Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483)
Advog : MARCELA MORENO GALDINO MARQUES(PE035755)
Observação : autuado agravo fls 387/390 conforme despacho fls 430.
Agravte : Sylvan Silva Soares
Advog : Rodrigo de Oliveira Almendra(PE021483)
Advog : MARCELA MORENO GALDINO MARQUES(PE035755)
Agravdo : Estado de Pernambuco
Procdor : Emmanuel Becker Torres
Agravdo : CENTRO BRASILEIRO DE PESQUISA EM AVALIAÇÃO E SELEÇÃO E DE
PROMOÇÃO DE EVENTOS (CEBRASPE)
Advog : Daniel Barbosa Santos(DF013147)
Advog : TIAGO ANTÔNIO MACIEL RIBEIRO(DF038105)
Órgão Julgador : Vice-Presidência
Relator : Des. 2º Vice-Presidente
Proc. Orig. : 0012913-10.2016.8.17.0000 (457941-7)
Despacho : Despacho
Última Devolução : 21/11/2018 12:42 Local: CARTRIS

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 457941-7


RECORRENTE: SYLVAN SILVA SOARES
RECORRIDOS: SECRETÁRIO DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTROS

Despacho nestes autos no uso de atribuição delegada na conformidade da Portaria nº 01/2018 -2ª VP, de 19/02/208 (DJe de 20/02/2018).

Na presente hipótese, verifica-se a irregularidade da representação da parte recorrente, vez que não se vislumbra dos autos qualquer instrumento
procuratório outorgado ao advogado Jean Derek Paulino de Souza (OAB/PE 43.115), signatário do recurso excepcional.

Deste modo, com fundamento no art. 76, do CPC/2015, determino a suspensão do processo, ao passo que designo prazo de 05 (cinco) dias úteis
para que o recorrente apresente o competente instrumento procuratório, sanando o vício apontado, sob pena de não ser conhecido o recurso,
nos termos do art. 76, §2º, I, do CPC/20151.

Publique-se.

Intime-se.

Recife, 05 de novembro de 2018.

José Marcelon Luiz e Silva


Juiz Assessor da 2ª Vice-Presidência

1 Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo
razoável para que seja sanado o vício.
§ 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator:
I - não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente;

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00561 de Publicação (Analítica)

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0003268-94.2012.8.17.0001(0454285-2)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0032458-39.2011.8.17.0001(0485205-7)
ADRIANA MELLO OLIVEIRA DE C. 003 0032458-39.2011.8.17.0001(0485205-7)
MACHADO(PE016331)
Maria Karla Araújo Portella(PE016173) 003 0032458-39.2011.8.17.0001(0485205-7)
Sílvio Pessoa Jr.(PE019264) 001 0053077-82.2014.8.17.0001(0474188-4)
Tercival Spneli De Brito(PE009764) 002 0003268-94.2012.8.17.0001(0454285-2)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0053077-82.2014.8.17.0001(0474188-4)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0053077-82.2014.8.17.0001 Apelação


(0474188-4)
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : EDMAR ALVES DUARTE CRUZ
Apelante : ALEXANDRE ANDRÉ DE MORAES FEITOSA
Apelante : ANTONIO MARCOS MEDEIROS ARAUJO
Apelante : Aurimenes dos Albuquerque Dias
Apelante : CASSIA MARIA SALES DE SÁ CARNEIRO
Apelante : ELISIO SOARES DE CARVALHO JUNIOR
Apelante : EROS DE SOUSA SANTOS
Apelante : FRANCISCO DOS SANTOS FERREIRA
Apelante : KILMA CRISTIANE SALES DE SÁ CARNEIRO
Advog : Sílvio Pessoa Jr.(PE019264)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Apelado : Município do Recife
Procdor : Gilvan Rufino de Freitas
Procurador : Laís Coelho Teixeira Cavalcanti
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Alfredo Sérgio Magalhães Jambo
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:39 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0474188-4


RECORRENTE: EDMAR ALVES DUARTE CRUZ E OUTROS.
RECORRIDA: MUNICÍPIO DO RECIFE.

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, em face de acórdão proferido em sede de
apelação.
Alega o recorrente que o aresto combatido violou o art. 23 da Lei nº 12.016/2009, porquanto, no seu sentir o ato coator seria "O ato coator
apontados pelos Recorrentes, no entanto, não consiste nos efeitos concretos gerados pela edição da Lei Municipal nº 17.239/2006, que disciplina
a GSMF, e o ato da Administração que, ao interpretar erroneamente a legislação local, reiteradamente deixa de aplicar mandamento da Lei
Orgânica que determina a incidência de quinquênios sobre toda a remuneração. Não se ataca a edição da lei, mas sim o ato administrativo contra
legem que, ao interpretá-la, olvida-se do preceito autorizador contido da Lei Orgânica" (fl.175).
Aduz ainda que o aresto vergastado vulnerou o art. 23 da Lei 12.016/2009 (que disciplina o Mandado de Segurança), na medida em que o aplicou
equivocadamente para reconhecer que se operou a decadência, no caso, ignorando a relação de trato sucessivo com a supressão mensal das
vantagens nos vencimentos por eles percebidos, sendo este o ato coator efetivamente impugnado.
De início, observo que o acórdão recorrido versa sobre legislação local (Lei Municipal 17.239/2006), tornando-se, pois, imperiosa a incidência da
Súmula nº 280 do Supremo Tribunal Federal, aplicável por analogia ao recurso especial.

"EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO SEGURANÇA. PREJUDICIAL DE
DECADÊNCIA. GRATIFICAÇÃO DE SUPERAÇÃO DE METAS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO PARA OS QUINQUÊNIOS. ALEGAÇÃO
DE ILEGALIDADE. LEI INSTITUIDORA DA GRATIFICAÇÃO E DEFINIDORA DA BASE DE CÁLCULO. LEI 17.239/2006. ART. 37. AÇÃO
MANDAMENTAL AJUÍZADA EM 06/08/2014. DECADÊNCIA CONFIGURADA. PRECEDENTES DO COLENDO STJ E DESSE EGRÉGIO TJPE.
ART. 23 DA LEI 12.016/2009. APELAÇÃO CÍVEL NÃO PROVIDA. UNANIMIDADE DE VOTOS. 1- Trata-se de Apelação Cível interposta por
Edmar Alves Duarte Cruz Ventura e outros contra a sentença proferida pelo Juízo da 8ª Vara da Fazenda Pública da Capital, nos autos do
Mandado de Segurança nº0053077-82.2014.8.17.0001, em que foi denegada a segurança. 2- Nas razões recursais, os apelantes argumentam,
em suma, que são Auditores Fiscais do Município do Recife e estariam sofrendo ilegalidade, tendo em vista indevida subtração da Gratificação
de Superação de Metas Fiscais (GSMF) da base de cálculo dos adicionais por tempo de serviço (quinquênios). Defendem que o adicional por
tempo de serviço em questão tinha por base de cálculo a remuneração e não o vencimento. Esclarecem que houve revogação dos dispositivos
que concediam os quinquênios, contudo teria sido mantido o direito adquirido daqueles que percebiam. Nesse contexto, entendem que a citada
Gratificação de Superação de Metas Fiscais deveria também incidir sobre os quinquênios, eis que Lei Municipal não poderia sobrepor-se à Lei
Orgânica (fls 102/117). 3- Em sede de contrarrazões, o Município entende que a sentença deve ser mantida em todos os seus termos. Defende

139
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

que os quinquênios que foram adquiridos após a Emenda Constitucional 19/98 não podem incidir sobre toda a remuneração (fls. 122/95). 4-
Parecer Ministerial pelo não provimento do apelo (fls. 150/151). 5- Analisando os autos, observa-se que os apelantes pretendem a inclusão da
Gratificação de Superação de Metas Fiscais na base de cálculos os quinquênios anteriormente adquiridos. 6- A referida Gratificação foi instituída
pela Lei Municipal 17.239/2006. 7- O art. 37 prevê a base de cálculo dos quinquênios, excluindo a Gratificação de Superação de Metas Fiscais.
8- Pois bem, o questionamento objeto do presente mandamus basicamente gira em torno desse dispositivo legal e que se encontra no bojo da
já mencionada Lei 17.239, editada no ano de 2006. De seu turno, a ação mandamental somente foi ajuizada em 06/08/2014. 9- Veja-se que a
hipótese não é decorrência de omissão da Administração e nem de redução de remuneração. O suposto direito perseguido decorre de Lei que
instituiu a gratificação e definiu a forma de pagamento. Destarte, forçoso é concluir pela ocorrência da decadência. 10- Esse é o entendimento
do Colendo STJ e também é o entendimento consolidado dessa Corte de Justiça, inclusive, em caso idêntico ao presente (Agravo 382972-9 -
0042087-32.2014.8.17.0001; Rel. Rafael Machado da Cunha Cavalcanti; Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Público; Data de Julgamento:
29/07/2016; Data da Publicação/Fonte: 16/08/2016). 11- Decadência configurada. Apelação Cível não provida.". (fls.157/158). (Destaquei)

Lado outro, o entendimento da Corte Superior de Justiça, acerca do tema, está fixado no seguinte sentido:

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ORDINÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO APÓS 120 (CENTO E VINTE) DIAS.
IMPOSSIBILIDADE. DECADÊNCIA.
1. "A supressão de vantagem de vencimentos ou proventos dos servidores públicos, por força de lei, não configura relação de trato sucessivo,
mas ato único de efeitos concretos e permanentes, devendo este ser marco inicial para a contagem do prazo decadencial de 120 dias previsto
para a impetração do "mandamus" (...) (AgRg no RMS 40.556/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe 12/06/2013).
2. A partir de ciência do ato inicia-se a contagem do prazo decadencial de 120 dias para impetração do mandado de segurança (Lei 12.016/2010
- art. 23).
3. A parte recorrente teve ciência do ato coator em 01 de julho de 2014, e o presente "writ" foi impetrado somente em 23 de janeiro de 2015,
não havendo como se afastar a decadência para a impetração. O acórdão recorrido está em sintonia com a jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça (Súmula 83/STJ).
4. Não obstante a boa qualidade dos argumentos expendidos pelo agravante, o arrazoado, que somente reitera os argumentos do recurso
especial, não tem o condão de infirmar os fundamentos da decisão agravada.
5. Agravo regimental desprovido. AgRg no RMS 49148 / RO; Rel. Min. OLINDO MENEZES; PRIMEIRA TURMA; Data do Julgamento: 04/02/2016.

PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. ATUALIZAÇÃO DE VANTAGENS. LEI DE EFEITOS CONCRETOS. MANDADO
DE SEGURANÇA IMPETRADO APÓS CENTO E VINTE DIAS CONTADOS A PARTIR DO INÍCIO DA VIGÊNCIA DO ATO NORMATIVO.
DECADÊNCIA.
1. É cabível o mandado de segurança impetrado contra os efeitos concretos de ato normativos. O direito de requerer mandado de segurança,
porém, extinguir-se-á decorridos 120 (cento e vinte) dias, contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado (art.
23 da Lei nº 12.016/09).
2. Segundo o princípio da actio nata, ocorrendo a supressão de vantagem remuneratória, é nesse momento que surge a pretensão do autor, data
a partir da qual será contado o prazo decadencial de 120 (cento e vinte) dias para impetração de mandado de segurança.
3. Agravo regimental não provido.
AgRg no REsp 1309578 / AM; rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES; SEGUNDA TURMA; Data do Julgamento: 18/11/2014

Percebe-se, desta forma, que o entendimento adotado por este Tribunal está em perfeita sintonia, de forma a atrair a incidência da Súmula 83/
STJ, como óbice ao prosseguimento recursal.
Por derradeiro, tenho que, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de seguimento supramencionada e a decorrente negativa
de seguimento a este recurso, resta prejudicado o exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. É firme
nesse ponto a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, para a qual "fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese
sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional." (STJ - 2ª T., AgRg no AREsp 615053/
RJ, rel. Min. Herman Benjamin, DJe 06/04/2015 - trecho da ementa).
Por tudo o exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 172/188.

Publique-se.

Recife, 21 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0003268-94.2012.8.17.0001 Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração


(0454285-2)
Protocolo : 2017/114072

140
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Comarca : Recife
Vara : 5ª Vara da Fazenda Pública
Embargante : ADÍLIA MARIA DE ALBUQUERQUE
Advog : Tercival Spneli De Brito(PE009764)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : Estado de Pernambuco e outro e outro
Procdor : Maria Raquel Santos Pires
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : Maria Raquel Santos Pires
Embargado : ADÍLIA MARIA DE ALBUQUERQUE
Advog : Tercival Spneli De Brito(PE009764)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Rafael Machado da Cunha Cavalcanti
Proc. Orig. : 0003268-94.2012.8.17.0001 (454285-2)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:48 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0454285-2


RECORRENTE: ADÍLIA MARIA DE ALBUQUERQUE
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO E OUTRO

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão em sede de
Embargos de Declaração em Apelação.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto nos artigos 27, I § 2º, c/c art. 49 da Lei Complementar Estadual n. 28/2000,
Súmula 340 do STJ, art. 226, § 3º da CF/88, Lei 8971/94 e 9279/96 e art. 1022, II e art. 489, §1º IV do CPC.
Aduz que o acórdão vergastado divergiu da sentença de primeiro grau, pois "entendeu por ratear a pensão objeto do presente litígio, entre a
companheira do ex servidor que provou a união estável e duradoura por mais de 11 (onze) anos, com a ex esposa, que o havia abandonado
por mais de 20 (vinte) anos." e ressaltou ainda que "a comprovação da dependência econômica, união estável e duradoura da recorrente restou
comprovada nos autos, não só pela vasta documentação como também pelas testemunhas arroladas." (fls. 194).

De início, verifico que a recorrente alega que a decisão ora combatida violou os artigos 27, I § 2º, c/c art. 49 da Lei Complementar Estadual n.
28/2000. Ocorre que, qualquer exegese que se faça, passa, invariavelmente, pela interpretação conferida àquela legislação local, o que atrai a
incidência da Súmula nº 2801 do STF, aplicável por analogia ao presente caso.

Neste sentido:

"PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXAME DE LEI LOCAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA
280/STF.
1. Analisar a pretensão do agravante demanda a interpretação de legislação local, o que não é cabível na via eleita. Incidência da Súmula 280/STF.
2. Agravo interno a que se nega provimento." (STJ-2ª T., AgInt no AREsp 881.062/MG, Rel. Min. Diva Malerbi (DESEMBARGADORA
CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016)

Ademais, não vislumbro afronta ao art. 1.022, II, do CPC/2015, eis que, com clareza e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido
contém motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando o enfrentamento exaustivo das questões realmente relevantes para o deslinde
- com segurança jurídica - da controvérsia que subsidia a causa.

Convém lembrar, quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos declaratórios, que doutrina e jurisprudência o vislumbram
configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar o concluído na decisão, em regra por não ter sido analisado elemento do
processo (tese, prova ou circunstância) que, (i) tendo sido a tempo e modo agitado pela parte e (ii) sendo efetivamente relevante para o desate
da vexata quaestio com segurança jurídica, sobre ele o Estado-juiz deve se pronunciar. Não configura o pressuposto, então, a pretensão da parte
em fazer prevalecer qualquer daqueles elementos do processo.

Por isso que está sedimentado o entendimento de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente
a invocada pela parte, decide de modo integral a controvérsia posta (v.g.: STJ-2ª T., EDcl no AgRg no Ag 492.969/RS, rel. Min. Herman Benjamin,
DJ de 14.02.2007; STJ-1ª T., AgRg no Ag 776.179/SP, rel. Min. José Delgado, DJ de 12.02.2007).

Ademais, constata-se que sopesar as alegações da parte recorrente, bem como alcançar conclusão diversa àquela tomada no aresto vergastado,
demandaria a análise do conjunto fático-probatório da causa, circunstância vedada à instância especial, a teor do enunciado 07 da Súmula do STJ.

É que o órgão fracionário deste Tribunal consignou haver "3. Comprovação nos autos acerca da existência de outra beneficiária, a Sra. Maria
José Barbosa, casada com o falecido", sendo "plenamente possível o pagamento da pensão a mais de uma beneficiária acaso comprovada a
superveniência de uma união estável. A concessão do benefício a uma delas não exclui a possibilidade de concessão a outra beneficiária, desde
que configuradas as mesmas características em ambos os relacionamentos." (fls. 132-verso).

Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. RATEIO. EXISTÊNCIA DE SEPARAÇÃO DE FATO E DE UNIÃO ESTÁVEL RECONHECIDA
PELA CORTE ORIGEM. REVISÃO. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVA. SÚMULA N. 7 DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO
CONSTITUCIONAL EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
I - No caso dos autos, o Tribunal de origem, diante da separação de fato entre a parte autora e o instituidor da pensão por morte, reconheceu
a existência de união estável entre o de cujus e a parte requerida, gerando direito à pensão por morte. Assim sendo, a hipótese dos autos não
se amolda à matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n. 883.168/SC,
de relatoria do Exmo. Ministro Luiz Fux, atualmente pendente de julgamento sob Tema n. 526, no qual se discute a possibilidade de concubinato
de longa duração gerar efeitos previdenciários.
II - Não compete ao Superior Tribunal de Justiça examinar, na via especial, suposta violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação
da competência do Supremo Tribunal Federal.
III - Havendo o Tribunal de origem, com base no acervo fático-probatório dos autos, concluído pela existência de união estável entre a parte
recorrida e o de cujus, razão pela qual manteve seu direito ao recebimento da pensão por morte, a inversão do julgado implicaria, necessariamente,
o reexame das provas carreadas aos autos, o que é vedado na instância especial ante o óbice do enunciado n. 7 da Súmula do STJ. Precedentes:
REsp 1.656.489/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/4/2017, DJe 2/5/2017; AgRg no AREsp 370.314/PE, Rel.
Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 6/6/2016; e, AgRg no AREsp 597.471/RS, Rel. Ministro Humberto
Martins, Segunda Turma, julgado em 9/12/2014, DJe 15/12/2014.
IV - Agravo interno improvido.
(AgInt no AREsp 1076743/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 22/11/2017)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, nego seguimento ao recurso.

Publique-se.

Recife, 06 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 280 STF: Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

003. 0032458-39.2011.8.17.0001 Embargos de Declaração na Apelação / Reexame Neces


(0485205-7)
Protocolo : 2018/201247
Comarca : Recife
Vara : 1ª Vara de Acidentes do Trabalho da Capital
Autor : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : LUCIANO MARINHO FILHO - PROCURADOR FEDERAL
Réu : EDITE MARTINS DE SOUZA
Advog : Maria Karla Araújo Portella(PE016173)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : EDITE MARTINS DE SOUZA
Advog : ADRIANA MELLO OLIVEIRA DE CAMPOS MACHADO(PE016331)
Advog : Maria Karla Araújo Portella(PE016173)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Procdor : LUCIANO MARINHO FILHO - PROCURADOR FEDERAL
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Fernando Cerqueira
Proc. Orig. : 0032458-39.2011.8.17.0001 (485205-7)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 12:46 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 485205-7


RECORRENTE: EDITE MARTINS DE SOUZA
RECORRIDO(A): INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão em sede
de embargos de declaração no recurso de apelação.

142
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O recorrente se insurge contra o convencimento do Órgão fracionário deste sodalício, aduzindo violação aos artigos 19, 20, 21, 22, caput, e
§2º, 23, 42, caput e seus parágrafos e 86, caput, todos da Lei 8.213/91, quando não concedeu o benefício pretendido na exordial, baseando-se
apenas nas conclusões da perícia judicial, ignorando as demais provas contidas nos autos.

De início, verifico ter o acórdão atacado sido ementado nos seguintes termos:

"EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ ACIDENTÁRIA. REQUISITO ENSEJADOR NÃO
DEMONSTRADO. PERÍCIA OFICIAL MOTIVADA, CLARA E COERENTE. PREVALÊNCIA DO LAUDO DA PERÍCIA JUDICIAL. ISENTA E
EQUIDISTANTE DO CONFLITO ESTABELECIDO ENTRE AS PARTES. NÃO HÁ ESPAÇO PARA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO
MISERO. REMESSA NECESSÁRIA PROVIDA. PREJUDICADO O RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO UNÂNIME.
1 - Uma vez atestado por perícia oficial detalhada, motivada, clara e coerente que a obreira não padece de incapacidade laborativa total e
permanente, além da inexistência do nexo causal, resta inviabilizada a concessão do benefício de aposentadoria por invalidez acidentária
postulado.
2 - O laudo oficial deve ser prestigiado em detrimento dos demais, haja vista que foi confeccionado sob o império da imparcialidade, equidistante
dos interesses das partes.
3 - A conclusão da perícia oficial não restou abalada por qualquer prova técnica em contrário ou pela demonstração de sua imprestabilidade,
razão pela qual não se cogita da aplicação do princípio in dubio pro misero, em virtude de ser firme a prova no sentido de ser indevido qualquer
benefício acidentário.
4 - Reexame Necessário PROVIDO. Recurso voluntário prejudicado.
5 - Ausente a imposição do ônus da sucumbência por respeito ao disposto no artigo 129, parágrafo Único, da Lei 8.213/1991.
6 - Decisão unânime."

Cabe frisar que a Câmara julgadora é soberana na análise de fatos e provas, os quais são recebidos pela instância excepcional tais quais
retratados pelo tribunal de origem.

Assim, se a suposta contrariedade aos artigos de lei federal, nos termos em que invocada no recurso especial, pressupõe o revolvimento do
conjunto fático-probatório, levado em expressa e clara consideração pela Corte de origem para chegar à conclusão tida por insatisfatória pela
parte recorrente, impõe-se a aplicabilidade da Súmula nº 07 do STJ, impedindo o seguimento.

Nessa esteira:

"PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR
INVALIDEZ OU AUXÍLIO-DOENÇA. INCAPACIDADE LABORAL. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE.
SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS ACÓRDÃOS. NÃO CUMPRIMENTO DO QUE DISPÕEM OS ARTS. 541,
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC E 255, § 2º, DO RI/STJ.
1. No caso dos autos, o Tribunal a quo fundamentou, com base nas provas colhidas, a não concessão dos benefícios (auxílio-doença ou
aposentadoria por invalidez) pela inexistência de incapacidade laborativa da parte autora, atestada em laudo médico-pericial elaborado pelo
especialista em ortopedia. A revisão da decisão recorrida impõe o reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que encontra óbice na
Súmula 7/STJ. Nesse sentido, confiram-se: AgRg no AREsp 312.470/ES, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 20/4/2015; AgRg no
AREsp 180.052/SP, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 4/2/2013; AgRg no AREsp 521.870/ES, Rel. Ministro Humberto
Martins, Segunda Turma, julgado em 19/8/2014, DJe 26/8/2014; AgRg no REsp 1.384.434/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma,
DJe 27/9/2013.
2. O alegado dissídio jurisprudencial não foi comprovado nos moldes estabelecidos nos artigos 541, parágrafo único, do CPC e 255, § § 1º e 2º
do RI/STJ, tendo em vista que não foi realizado o devido cotejo analítico, com a demonstração clara do dissídio entre os casos confrontados.
3. Agravo regimental não provido." (STJ- 1ª T., AgRg no AREsp 832191/SP, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 28.03.2016)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial.

Publique-se.

Recife,

____________________________________
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
Relator

ESTADO DE PERNAMBUCO
PODER JUDICIÁRIO

143
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Gabinete da 2ª Vice-presidência

ESTADO DE PERNAMBUCO
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Gabinete da 2ª Vice-presidência

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00562 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 001 0006226-91.2011.8.17.0420(0495868-7)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0006973-41.2011.8.17.0420(0495916-8)
CECILIA FIGUEIREDO MARCON(PE036973) 002 0006973-41.2011.8.17.0420(0495916-8)
MARIA GABRIELLY SOUZA LEÃO(PE031223) 001 0006226-91.2011.8.17.0420(0495868-7)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0006226-91.2011.8.17.0420 Apelação


(0495868-7)
Comarca : Camaragibe
Vara : Terceira Vara Cível da Comarca de Camaragibe
Apelante : MUNICIPIO DE CAMARAGIBE
Advog : MARIA GABRIELLY SOUZA LEÃO(PE031223)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : Astriel Vieira de Mendonça Junior
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 14/12/2018 14:40 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 495868-7


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE- PE
RECORRIDO: ASTRIEL VIEIRA DE MENDONÇA JUNIOR

Trata-se de recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal, interposto contra acórdão proferido pela 4ª Câmara
de Direito Público, lavrado pelo Des. Itamar Pereira da Silva Júnior, em sede de apelação.

O Município de Camaragibe busca a reforma da sentença de primeiro grau que, ao tempo em que reconheceu a quitação do crédito tributário
após o ajuizamento da execução fiscal, mas antes da citação, deixou de condenar a executada em honorários advocatícios. Segundo, assevera
que o acórdão recorrido, o qual manteve a decisão a quo, terminou por desrespeitar o princípio da causalidade, estampado no art. 90 do CPC/15,
e violar os arts. 85, §1º e 924, II, e 925, também do CPC/15.

Consta na decisão hostilizada (fl. 49):

"EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DO DÉBITO
TRIBUTÁRIO. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DA PARTE EXECUTADA/APELADA. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO. INCABÍVEL.
APELAÇÃO CÍVEL IMPROVIDA. DECISÃO POR MAIORIA. 1. O cerne da questão posta é referente a condenação ou não em honorários
advocatícios, em sede de Execução Fiscal, extinta ante o pagamento administrativo da dívida tributária. 2. Ao analisar os autos, observo sequer
haver ocorrido a citação da parte apelada no feito originário. 3. Nesse trilhar, a própria municipalidade requereu a extinção do feito ante a satisfação
da obrigação por parte do recorrido, antes mesmo de ocorrida a triangularização processual. 4. Dessa forma, não é possível a condenação ao
pagamento de honorários sucumbenciais da parte que quitou o debito fiscal exequendo antes mesmo da citação no feito executivo, tendo em

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

vista, inclusive, o teor do disposto no art. 26 da LEF, in verbis: Art. 26 - Se, antes da decisão de primeira instância, a inscrição de Dívida Ativa for, a
qualquer título, cancelada, a execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as partes. 5. Apelação Cível improvida. 6. Decisão por maioria."

Pelo que se observa, in casu, a controvérsia foi enfrentada sob o prisma do não cabimento da condenação em honorários advocatícios, quando
a extinção da execução em decorrência do pagamento tiver ocorrido antes da citação válida do devedor.

Sendo assim, a despeito da argumentação do recorrente, verifica-se que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no
princípio da causalidade, quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

ADMINISTRATIVO. DOMÍNIO PÚBLICO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 85, 113 E 114 DO CPC/1973. ANGULARIZAÇÃO
DA RELAÇÃO PROCESSUAL. NÃO OCORRÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESCABIMENTO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM
CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. I - Em relação à apontada violação dos arts. 85, 113 e 114 do CPC/1973, o Tribunal
a quo, na fundamentação do decisum, assim firmou entendimento (fl. 268-269): "[...] Efetivamente, a jurisprudência é firme no entendimento
de que é descabida a condenação em honorários advocatícios na hipótese em que sequer angularização da relação processual houve, ante a
perda superveniente do interesse de agir. A apresentação espontânea de manifestação nos autos, por parte dos apelantes, em nada alteração
tal conclusão. [...] Assim, considerando a ausência da angularização da relação processual, indevida qualquer condenação da ora apelada ao
pagamento dos honorários advocatícios. [...]". II - Verifica-se que o aresto vergastado encontra-se no mesmo sentido do entendimento firmado
nesta Corte Superior, de não serem devidos honorários advocatícios em razão da inocorrência de angularização da relação processual. Neste
sentido: EDcl no AgInt na Rcl 33971/DF, Relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, SEGUNDA SEÇÃO, Julgamento em 23/05/2018,
DJe 28/05/2018; REsp 1645670/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2017, DJe 25/04/2017. III -
Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1002174/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2018, DJe
21/09/2018) (grifos nossos).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO APÓS O COMPARECIMENTO
ESPONTÂNEO E APRESENTAÇÃO DE DEFESA PELO EXECUTADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. CABIMENTO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA REDUZIR
OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA R$ 5.000,00. 1. A 1a. Seção do STJ, no julgamento do REsp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do
art. 543-C do CPC/1973, pacificou o entendimento de que, extinta a Execução Fiscal após a citação do devedor, deve-se perquirir quem deu
causa à demanda a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da causalidade. 2. Da análise dos autos,
verifica-se que, durante a suspensão do executivo fiscal em razão de pedido da Fazenda, a parte executada compareceu espontaneamente e
requereu a extinção do feito (fls. 41), diante do julgamento do RE interposto perante o STF em anterior Mandado de Segurança, que cancelou o
débito ora cobrado. Ocorre que a extinção do executivo fiscal somente se deu após o pedido da Fazenda (fls. 162), por ter havido o trânsito em
julgado daquele recurso na Suprema Corte. Logo, havendo a angularização do processo, com atuação, ainda que mínima da defesa, e sendo a
Fazenda Estadual quem deu causa ao ajuizamento do executivo fiscal, são devidos os honorários de sucumbência pelo Fisco. 3. Agravo Interno
do ESTADO DE MINAS GERAIS parcialmente provido, apenas para reduzir os honorários advocatícios para R$ 5.000,00, em substituição ao
fixado pela decisão agravada em 1% sobre o valor da causa. (AgInt no AREsp 463.734/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018) (grifos nossos).

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.
Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de
honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Pelo exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial de fls. 56/64.

Publique-se.

Recife, 12 de dezembro de 2018.

Des. José Fernandes de Lemos


2º Vice-Presidente em exercício

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0006973-41.2011.8.17.0420 Apelação


(0495916-8)
Comarca : Camaragibe
Vara : Terceira Vara Cível da Comarca de Camaragibe
Apelante : MUNICIPIO DE CAMARAGIBE
Advog : CECILIA FIGUEIREDO MARCON(PE036973)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : MARIA JOSÉ ALBUQUERQUE
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:39 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 495916-8


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE CAMARAGIBE - PE
RECORRIDO: MARIA JOSÉ ALBUQUERQUE

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a", da Constituição Federal e art. 1.029 do CPC/2015, tirado contra acórdão da em sede
de apelação.

Alega o município recorrente que a decisão combatida desrespeitou o disposto nos artigos 85 §10 e 90 do Código de Processo Civil de 2015,
sob o argumento "... a extinção se deu por perda do objeto, em face do pagamento do tributo posterior ao ajuizamento da execução fiscal
correspondente, o que não afasta a responsabilidade do executado, ora recorrido, para pagamento de custa e honorários sucumbenciais, tendo
em vista que a demanda judicial foi instaurada exclusivamente em razão da inadimplência do recorrido"; e mais "[...] NÃO É IMPRESCINDÍVEL
QUE SE TENHA REALIZADO A CITAÇÃO do executado para que este responda pelos honorários advocatícios, tendo em vista que o preocesso
de execução também causa despesas para as partes"; e mais " .

Observe a decisão hostilizada da 4ª Câmara de Direito Público, de lavra do Des. Relator Itamar Pereira da Silva Júnior:

EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO PELO PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DO DÉBITO
TRIBUTÁRIO. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DA PARTE EXECUTADA/APELADA. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO. INCABÍVEL.
APELAÇÃO CÍVEL IMPROVIDA. DECISÃO POR MAIORIA. 1. O cerne da questão posta é referente a condenação ou não em honorários
advocatícios, em sede de Execução Fiscal, extinta ante o pagamento administrativo da dívida tributária. 2. Ao analisar os autos, observo sequer
haver ocorrido a citação da parte apelada no feito originário. 3. Nesse trilhar, a própria municipalidade requereu a extinção do feito ante a satisfação
da obrigação por parte do recorrido, antes mesmo de ocorrida a triangularização processual. 4. Dessa forma, não é possível a condenação ao
pagamento de honorários sucumbenciais da parte que quitou o debito fiscal exequendo antes mesmo da citação no feito executivo, tendo em
vista, inclusive, o teor do disposto no art. 26 da LEF, in verbis: Art. 26 - Se, antes da decisão de primeira instância, a inscrição de Dívida Ativa for, a
qualquer título, cancelada, a execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as partes. 5. Apelação Cível improvida. 6. Decisão por maioria.
(grifos nossos)

Pelo que se observa, in casu, a controvérsia foi enfrentada sob o prisma da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios porque o
pagamento do débito deu-se anteriormente à citação do executado, que sequer chegou a se aperfeiçoar. Em sendo assim, a sentença recorrida,
ao isentar o executado do pagamento de honorários advocatícios, ratificou o entendimento predominantemente adotado pelo Superior Tribunal
de Justiça acerca da matéria.

A despeito da argumentação do recorrente, verifico que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no princípio da causalidade,
quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de
honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO ANTES DE SE EFETIVAR A CITAÇÃO.
ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DESCABIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o
Tribunal local consignou que o processo foi extinto sem julgamento do mérito, antes mesmo da efetivação da citação da parte ré, motivo pelo qual
seria incabível a condenação em honorários advocatícios. 2. O STJ possui entendimento consolidado de que somente deve haver condenação
nos ônus da sucumbência quando validamente se perfaz a relação processual. 3. Ademais, é evidente que, para modificar o entendimento firmado
no acórdão recorrido, reconhecendo-se o pleiteado pela ora insurgente, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado,
o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental
não provido. (AgRg no REsp 1427261/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2014, DJe 23/05/2014)
(grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Vale frisar, por oportuno, que, no caso em apreço, a questão não foi julgada no acórdão recorrido sob a ótica do princípio da causalidade. A
perspectiva adotada, para fins de afastar a condenação em honorários, foi a não angularização da relação processual.

Pelo exposto, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial.

Publique-se.

Recife,

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

DESPACHOS/DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00564 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 002 0042816-61.2011.8.17.0810(0486489-7)


Fernanda Neves Baptista Leal(PE026016) 002 0042816-61.2011.8.17.0810(0486489-7)
Izabel Araújo Lessa Santos(PE001141B) 001 0015913-86.2011.8.17.0810(0470798-4)
Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575) 001 0015913-86.2011.8.17.0810(0470798-4)
Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575) 002 0042816-61.2011.8.17.0810(0486489-7)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

001. 0015913-86.2011.8.17.0810 Embargos de Declaração na Apelação


(0470798-4)
Protocolo : 2018/201796
Comarca : Jaboatão dos Guararapes
Vara : Vara dos Executivos Fiscais
Apelante : Município de Jaboatão dos Guararapes
Advog : Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575)
Apelado : MANOEL F DE MORAES CAVALCANTI
Embargante : Município de Jaboatão dos Guararapes
Advog : Izabel Araújo Lessa Santos(PE001141B)
Embargado : MANOEL F DE MORAES CAVALCANTI
Órgão Julgador : 4ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Itamar Pereira Da Silva Junior
Proc. Orig. : 0015913-86.2011.8.17.0810 (470798-4)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:46 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0470798-4


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE JABOATÃO DOS GUARARAPES - PE
RECORRIDO: MANOEL F. DE MORAES CAVALCANTI

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal e art. 1.029 do CPC/2015 contra
acórdão de fl. 63, prolatado em sede de apelação, pela 4ª Câmara de Direito Público, lavrado pelo Des. Itamar Pereira da Silva Júnior, que negou
provimento ao apelo e manteve a r. sentença de primeiro grau que, em execução fiscal, extinguiu o processo executivo, com fulcro no art. 924, II,
do CPC/2015 e 156, I, do CTN, vez que o devedor satisfez a obrigação com o pagamento do débito, sem condenação em custas e honorários,
tendo em vista que a quitação foi efetuada antes da angularização da relação jurídico-processual.

Alega o recorrente que a decisão combatida desrespeitou o princípio da causalidade, bem como violou o disposto nos artigos 85. §1º e 90 do
Código de Processo Civil de 2015, além de que está em manifesta divergência com a jurisprudência do TJPE e do próprio STJ.

Consta na decisão hostilizada (fls. 63 - grifos nossos):

EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO DAS VERBAS DE SUCUMBÊNCIA SEM CITAÇÃO VÁLIDA.
IMPOSSIBILIDADE. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO FISCAL COM PAGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO
JURÍDICO-PROCESSUAL. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ. APELAÇÃO CÍVEL IMPROVIDA. DECISÃO POR MAIORIA. 1. O cerne da controvérsia
se restringe ao exame da condenação do Apelado ao pagamento das verbas de sucumbência. 2. O Apelado realizou o pagamento na esfera
administrativa. 3. Ausência de citação válida. 3. Não se formou a relação jurídico-processual. 4. Acredita-se ter o Apelado realizado o pagamento
administrativamente com boa-fé, portanto, não podemos puni-lo. 5. Não havendo sido unânime o resultado da presente Apelação Cível na 4ª
Câmara de Direito Público deste TJPE, composta de três desembargadores, o julgamento teve prosseguimento, em sessão posterior, com a
presença de outros dois Togados, nos termos do art. 942 do CPC/15. 6. Apelação Cível improvida. 7. Decisão por maioria.

Pelo que se observa, in casu, a controvérsia foi enfrentada sob o prisma da impossibilidade de condenação em honorários advocatícios, tendo
em vista a não formação da relação processual, já que o pagamento se deu na esfera administrativa e não houve a citação válida.

Sendo assim, a despeito da argumentação do recorrente, verifica-se que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no
princípio da causalidade, quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO APÓS O COMPARECIMENTO
ESPONTÂNEO E APRESENTAÇÃO DE DEFESA PELO EXECUTADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. CABIMENTO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA REDUZIR
OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA R$ 5.000,00. 1. A 1a. Seção do STJ, no julgamento do REsp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do art.
543-C do CPC/1973, pacificou o entendimento de que, extinta a Execução Fiscal após a citação do devedor, deve-se perquirir quem deu causa à
demanda a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da causalidade. 2. (....). Logo, havendo a angularização
do processo, com atuação, ainda que mínima da defesa, e sendo a Fazenda Estadual quem deu causa ao ajuizamento do executivo fiscal, são
devidos os honorários de sucumbência pelo Fisco. 3. Agravo Interno do ESTADO DE MINAS GERAIS parcialmente provido, apenas para reduzir
os honorários advocatícios para R$ 5.000,00, em substituição ao fixado pela decisão agravada em 1% sobre o valor da causa. (AgInt no AREsp
463.734/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.
Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de
honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO ANTES DE SE EFETIVAR A CITAÇÃO.
ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DESCABIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o
Tribunal local consignou que o processo foi extinto sem julgamento do mérito, antes mesmo da efetivação da citação da parte ré, motivo pelo qual
seria incabível a condenação em honorários advocatícios. 2. O STJ possui entendimento consolidado de que somente deve haver condenação
nos ônus da sucumbência quando validamente se perfaz a relação processual. 3. Ademais, é evidente que, para modificar o entendimento firmado
no acórdão recorrido, reconhecendo-se o pleiteado pela ora insurgente, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado,
o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental
não provido. (AgRg no REsp 1427261/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2014, DJe 23/05/2014)
(grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Por outro lado, embora colacione algumas ementas para demonstrar a ocorrência de divergência jurisprudencial, constata-se que o recorrente
descuidou de proceder ao imprescindível cotejo analítico entre os julgados, de forma a permitir a análise do seu recurso por tal fundamento
(Nesse sentido: REsp 1707691/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2017, DJe 19/12/2017).

Pelo exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial interposto.

Publique-se.

Recife, 12 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0042816-61.2011.8.17.0810 Embargos de Declaração na Apelação


(0486489-7)
Protocolo : 2018/204503
Comarca : Jaboatão dos Guararapes
Vara : Vara dos Executivos Fiscais
Apelante : MUNICÍPIO DO JABOATÃO DOS GUARARAPES (PE)
Advog : Luiz Keherle Cordeiro Bezerra(PE025575)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Apelado : FERNANDO ERLY GALVÃO MAFRA
Embargante : MUNICÍPIO DO JABOATÃO DOS GUARARAPES (PE)
Advog : Fernanda Neves Baptista Leal(PE026016)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargado : FERNANDO ERLY GALVÃO MAFRA
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Márcio Fernando de Aguiar Silva
Proc. Orig. : 0042816-61.2011.8.17.0810 (486489-7)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 28/11/2018 17:39 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 0486489-7


RECORRENTE: MUNICÍPIO DE JABOATÃO DOS GUARARAPES - PE

149
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

RECORRIDO: FERNANDO ERLY GALVÃO MAFRA

Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, III, "a" e "c"da Constituição Federal e art. 1.029 do CPC/2015 contra
acórdão de fl. 47, prolatado em sede de embargos de declaração em apelação, pela 3ª Câmara de Direito Público, lavrado pelo Des. Márcio
Fernando de Aguiar Silva.

O Município de Jaboatão dos Guararapes busca a reforma da sentença de primeiro grau que, ao tempo em que reconheceu a quitação do crédito
tributário após o ajuizamento da execução fiscal, mas antes da citação, deixou de condenar a executada em honorários advocatícios.

Segundo o recorrente, o acórdão ora combatido, que manteve a decisão a quo, desrespeitou o princípio da causalidade, bem como violou o
disposto nos artigos 85. §1º e 90 do Código de Processo Civil de 2015, além de que está em manifesta divergência com a jurisprudência do
TJPE e do próprio STJ.

Consta na decisão hostilizada (fl. 47):

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE CITAÇÃO. EXTINÇÃO PELO
PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DO DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DA PARTE EXECUTADA.
INCABÍVEL. APLICAÇÃO DO ART. 26 DA LEF. AUSÊNCIA DE OFENSA AOS ARTS. 85, § 1º E 90 DO CPC/15. PROVIMENTO DOS EMBARGOS
DECLARATÓRIOS, PARA SANAR A OMISSÃO APONTADA, SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO. 1. A função dos embargos
de declaração deve ser, unicamente, afastar do julgado qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso
identificada e extinguir qualquer contradição entre a premissa argumentada e a conclusão assumida, ou ainda afastar eventual erro material
contido na decisão recorrida, resumindo-se assim em complementar o julgado atacado, afastando-lhe vícios de compreensão, nos termos do art.
1.022, do CPC vigente. 2 A ação originária foi ajuizada pelo MUNICÍPIO DE JABOATÃO DOS GUARARAPES em face de FERNANDO ERLY
GALVÃO MAFRA, com o objetivo de cobrar créditos tributários originários de débitos de IPTU e/ ou Taxas Imobiliárias constantes na CDA n
° 133.098.87439.2. 3. Após o ajuizamento da ação, e antes da efetuada a citação, a devedora efetuou o pagamento administrativamente (fls.
06), razão pela qual o Juízo a quo extinguiu a execução fiscal, com fulcro nos arts. 924, II, do CPC/15 e 156, I, do CTN, deixando de condenar
o executado em honorários advocatícios. 4. Com a devida vênia ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça, ante a ausência de força
vinculante dos precedentes daquela Corte Superior, venho adotando a corrente majoritária desta Corte de Justiça para reconhecer como indevida
a condenação em honorários de sucumbência quando a obrigação for paga, na via administrativa, antes da citação do devedor. 5. A decisão que
impõe a condenação em honorários advocatícios sucumbenciais constitui título executivo judicial, de forma que é constitucionalmente inadmissível
a formação de título judicial condenatório sem o contraditório prévio, seja em execuções fiscais, seja em qualquer outro tipo de demanda. 6. Assim,
as regras contidas nos arts. 85, §1º e 90, do CPC/2015, pressupõem a citação da parte executada, sob pena de flagrante inconstitucionalidade. 7.
Ademais, o caso é de cancelamento da dívida ativa, porquanto o débito foi quitado na via administrativa, antes da citação da parte executada, não
havendo sequer a angularização processual, razão pela qual resta incabível a imposição dos honorários advocatícios, consoante regra inserta
no art. 26 da Lei n° 6.830/80. 8. Embargos declaratórios providos, para sanar a omissão apontada, sem, contudo, alteração do resultado do
julgamento.

Pelo que se observa, in casu, o decisum recorrido reconheceu 'como indevida a condenação em honorários de sucumbência quando a obrigação
for paga, na via administrativa, antes da citação do devedor'. De acordo com o entendimento firmado, 'a decisão que impõe a condenação em
honorários advocatícios sucumbenciais constitui título executivo judicial, de forma que é constitucionalmente inadmissível a formação de título
judicial condenatório sem o contraditório prévio, seja em execuções fiscais, seja em qualquer outro tipo de demanda'.

Sendo assim, a despeito da argumentação do recorrente, verifica-se que o acórdão vergastado está em consonância com a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que somente deve haver a condenação nos ônus da sucumbência, ainda que fundamentada no
princípio da causalidade, quando validamente se perfaz a relação processual, com a citação. Vejamos:

TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO APÓS O COMPARECIMENTO
ESPONTÂNEO E APRESENTAÇÃO DE DEFESA PELO EXECUTADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. CABIMENTO.
PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. AGRAVO INTERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PARCIALMENTE PROVIDO APENAS PARA REDUZIR
OS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PARA R$ 5.000,00. 1. A 1a. Seção do STJ, no julgamento do REsp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do art.
543-C do CPC/1973, pacificou o entendimento de que, extinta a Execução Fiscal após a citação do devedor, deve-se perquirir quem deu causa à
demanda a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da causalidade. 2. (....). Logo, havendo a angularização
do processo, com atuação, ainda que mínima da defesa, e sendo a Fazenda Estadual quem deu causa ao ajuizamento do executivo fiscal, são
devidos os honorários de sucumbência pelo Fisco. 3. Agravo Interno do ESTADO DE MINAS GERAIS parcialmente provido, apenas para reduzir
os honorários advocatícios para R$ 5.000,00, em substituição ao fixado pela decisão agravada em 1% sobre o valor da causa. (AgInt no AREsp
463.734/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/09/2018, DJe 01/10/2018).

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. CITAÇÃO NÃO EFETIVADA.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS INDEVIDOS. 1. (....). 2. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de não ser cabível a condenação
da verba honorária quando não instaurada a relação processual. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1390175/PR, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/02/2017, DJe 15/02/2017) (grifos e omissões nossos).

RECURSO ESPECIAL. (....) EXTINÇÃO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE CUSTAS. AUSÊNCIA DE
RESISTÊNCIA À PRETENSÃO EXEQUENTE. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS EM
FAVOR DA FAZENDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO
PROVIDO. 1. (....). 3. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais está fundamentado no princípio da causalidade.
Porém, esse princípio não sustenta a imposição da obrigação quando a parte requerida não torna a relação processual angular por meio da
apresentação de resistência à pretensão autoral. Precedentes do STJ. 4. Com efeito, a jurisprudência do STJ já reconheceu a condenação de

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

honorários advocatícios sucumbenciais quando o incidente processual (tal como a exceção de pré-executividade) for capaz de ensejar a extinção
do processo em relação à parte que a apresentou. Essa condição não ocorreu nos autos. 5. Portanto não se verifica a ocorrência da regularização
da relação jurídica processual capaz de ensejar o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. 6. Recurso especial parcialmente
conhecido e, nessa extensão, não provido. (REsp 1607055/RR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/12/2016, DJe 15/12/2016) (grifos e omissões nossos).

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO ANTES DE SE EFETIVAR A CITAÇÃO.
ÔNUS DE SUCUMBÊNCIA. DESCABIMENTO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o
Tribunal local consignou que o processo foi extinto sem julgamento do mérito, antes mesmo da efetivação da citação da parte ré, motivo pelo qual
seria incabível a condenação em honorários advocatícios. 2. O STJ possui entendimento consolidado de que somente deve haver condenação
nos ônus da sucumbência quando validamente se perfaz a relação processual. 3. Ademais, é evidente que, para modificar o entendimento firmado
no acórdão recorrido, reconhecendo-se o pleiteado pela ora insurgente, seria necessário exceder as razões colacionadas no acórdão vergastado,
o que demanda incursão no contexto fático-probatório dos autos, vedada em Recurso Especial, conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo Regimental
não provido. (AgRg no REsp 1427261/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/05/2014, DJe 23/05/2014)
(grifos e omissões nossos).

Considerando, então, que o entendimento adotado está em sintonia com o que vem decidindo o STJ, aplica-se o enunciado da Súmula nº 83
do STJ1.

Por outro lado, ante o reconhecimento da aplicabilidade da súmula obstativa de admissão ao recurso supramencionada, resta prejudicado o
exame de sua viabilidade à luz do disposto na alínea "c" do nº III do art. 105 da CF. A incidência da Súmula 83 do STJ, como ocorreu na hipótese,
prejudica o recurso pela alínea 'c' do permissivo constitucional. Nesse sentido:

ADMINISTRATIVO. PENSÃO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PAGAMENTO DE VANTAGEM PECUNIÁRIA. PRESTAÇÕES DE


TRATO SUCESSIVO. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DE DIREITO. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA N. 85/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM
CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 83 DA SÚMULA DO STJ. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. I - O acórdão combatido se alinha à jurisprudência desta Corte Superior de que nos casos em que
a pretensão envolve o pagamento de vantagem pecuniária, atinente à complementação da aposentadoria, sem que isso envolva a revisão
dos critérios utilizados no próprio ato de aposentação, por se tratar de prestações de trato sucessivo que se renovam mensalmente, quando
não tiver sido negado o próprio direito reclamado, não ocorre a prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao
quinquênio que precedeu à propositura da ação, nos termos da Súmula 85 do STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1048762/RS, Rel. Ministro
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2017, DJe 26/10/2017; AgInt no AREsp 998.699/RS, Rel. Ministro
MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 03/04/2017; AgInt no AREsp 1070749/RS, Rel. Ministro
SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2017, DJe 25/08/2017. II - Incide, na espécie, a Súmula 83/STJ, segundo a qual "não se
conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". III - Assinale-
se o não cabimento do recurso especial com base no dissídio jurisprudencial, pois as mesmas razões que inviabilizam o conhecimento do apelo,
pela alínea a, servem de justificativa quanto à alínea c do permissivo constitucional. IV - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1217620/RS,
Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/09/2018, DJe 17/09/2018).

Com as considerações postas e fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial interposto.

Recife, 20 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

1 Súmula 83: Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão
recorrida.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

DESPACHOS E DECISÕES

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00563 de Publicação (Analítica)

151
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 001 0021104-22.2008.8.17.0001(0358156-0)


Dóris de Souza Castelo Branco(PE018686) 001 0021104-22.2008.8.17.0001(0358156-0)
Fernando Aurelio Zilveti Arce Murilo(SP100068) 001 0021104-22.2008.8.17.0001(0358156-0)
Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli(SP106769) 001 0021104-22.2008.8.17.0001(0358156-0)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram nesta diretoria os seguintes feitos:

001. 0021104-22.2008.8.17.0001 Embargos de Declaração no Agravo nos Embargos de D


(0358156-0)
Protocolo : 2017/113961
Comarca : Recife
Vara : 2ª Vara dos Executivos Fiscais Estaduais
Agravte : Estado de Pernambuco
Procdor : Rodolfo F. Cavalcanti de Albuquerque
Agravdo : Tellerina Comércio de Presentes e Artigos para Decoração Ltda
Advog : Fernando Aurelio Zilveti Arce Murilo(SP100068)
Advog : Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli(SP106769)
Advog : Dóris de Souza Castelo Branco(PE018686)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : André Oliveira Souza
Embargado : Tellerina Comércio de Presentes e Artigos para Decoração Ltda
Advog : Fernando Aurelio Zilveti Arce Murilo(SP100068)
Advog : Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli(SP106769)
Advog : Dóris de Souza Castelo Branco(PE018686)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Proc. Orig. : 0021104-22.2008.8.17.0001 (358156-0)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:46 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 358156-0


RECORRENTE: ESTADO DE PERNAMBUCO
RECORRIDO: TELLERINA COMÉRCIO DE PRESENTES E ARTIGOS PARA DECORAÇÃO S.A.

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 3ª Câmara de Direito Público, por
meio do Des. Relator Luiz Carlos Figueirêdo, em sede de embargos de declaração em agravo interno nos embargos de declaração em apelação.

Insurge-se o recorrente contra multa imposta pelo Colegiado ante a consideração do efeito protelatório dos últimos embargos de declaração
interpostos, nos termos do art. 1.026, §2º do CPC1. No mérito, assentou o acórdão vergastado que, pela adesão da parte recorrida ao Programa
Especial de Recuperação de Crédito Tributários - PERC previsto na Lei Complementar nº 333/2016, não haveria a imposição ao pagamento de
honorários sucumbenciais haja vista a previsão contida no art. 4º, IV, da LC 333/2016.

Contesta o recorrente que o acórdão recorrido contrariou o disposto nos artigos 90, 200, parágrafo único, 489, §1º, 502, 503, 998 e, por fim,
art. 1.026, §2º todos do CPC.

Quanto as violações relativas aos artigos 90, 200, parágrafo único, 502, 503 e 998, todos do CPC, defende o recorrente que "a mera desistência
do recurso, por parte da então apelante, operou efeitos desde logo, implicando trânsito em julgado da sentença apelada para o desistente, de
sorte que prevaleceu definitivamente a condenação em honorários arbitrados no decisum".

Ademais, defende que a contrariedade ao art. 489, §1º do CPC teria advindo da carência de enfrentamento e fundamentação contida na
deliberação colegiada, a qual não apreciou todas as questões suscitadas nos embargos interpostos.

Entretanto, o acórdão vergastado consignou que:

"Pela simples leitura das razões dos Embargos de Declaração, é de se ver que o Recorrente, mais uma vez, objetiva rediscutir toda tese jurídica
levantada no processo, que já foi detidamente analisada nesta instância recursal, e que não atende plenamente aos seus interesses; 3. A
decisão atacada debateu bem a questão. A argumentação do Embargante é repetitiva, no intuito de fazer crer que este Órgão proferiu julgado
omisso, apenas porque não lhe concedeu o direito pleiteado; 4. Ora, penso que não há mais o que se discutir nos presentes autos. O Estado
apenas repetiu toda matéria que já fora apresentada anteriormente. O débito fiscal foi devidamente pago pela Empresa Demandada, assim
como os honorários devidos ao Estado, tudo conforme a LC nº 333/2016, que concedeu a anistia à Embargada; 5. O Recorrente insiste em usar
argumentos falhos, pouco embasados, e até cansativos, a exemplo da utilização, por este Juízo, de Jurisprudência que não seria aplicável à
situação narrada no processo. Pois bem, vejo que todos os precedentes citados na decisão tratam de situações análogas a discutida aqui, uma
vez que debatem a configuração do "bis in idem", quando a condenação em honorários advocatícios já for incluída no pagamento do débito, nos

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

casos em que determinada lei concede anistia fiscal; 6. Ainda, o Embargante afirma, de forma bastante genérica, que não haveria uma coerência,
uma integridade, da presente decisão perante a de outra Turma desta E. Corte de Justiça, mas, por outro lado, não diz qual seria essa Turma e
nem apresenta nenhum julgado para análise; 7. Têm-se, portanto, que não se devem confundir omissões com inconformismo".

Vê-se, portanto, que o acórdão recorrido foi exaustivo no enfrentamento da matéria levantada pelo recorrente e, além disso, deve-se considerar
que a resolução do deslinde arguido passa, inevitavelmente, pela apreciação da LC n° 333/2016, o que atrai sumariamente a incidência da
Súmula n° 280 do STF, tendo em vista ser inadmissível o apelo especial quando o seu julgamento, pela Instância Superior, depender do exame
de lei local, o que sucede no caso dos autos.

No que tange a apontada ofensa ao art. 1.026, §2° do CPC, consignou o colegiado: "E diante do apresentado durante todo o percurso desta
Ação, em razão da dinâmica processual do Estado de Pernambuco, ora Embargante, não há como não reconhecer um caráter protelatório em
sua conduta, no ato de tentar retardar a finalização de uma Demanda que já teve o seu objetivo maior alcançado, qual seja, o pagamento do
débito fiscal para com a Autoridade Administrativa devida (...)Vejo que, como se deu à causa o valor de R$ 891.066,27 (oitocentos e noventa e
um mil e sessenta e seis reais e vinte e sete centavos), tudo conforme a inicial dos Embargos à Execução de fls. 02/24, e diante da importância
da matéria tratada nestes autos e da demora em se pôr um fim, de fato, nesta celeuma, muito em razão da insistência do Estado Embargante,
penso que a aplicação da multa no percentual de 0,5% (meio por cento) sobre o valor da causa, atualizado, mostra-se bastante razoável e bem
posta, não vislumbrando, portanto, a presença de nenhum excesso da parte deste Juízo".

Assim, para a análise da legalidade do cabimento da multa contida no art. 1.026,§2° do CPC, deve-se proceder a uma nova análise do conjunto
fático-probatório dos autos, o que esbarra no enunciado da Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça.

Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO
AGRAVO EM AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSO CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.
IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. MULTA POR OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO.
(...) 3. A incidência da Súmula n. 7/STJ também impede rever a conclusão do TJMG de que os embargos declaratórios tiveram nítido caráter
protelatório, o que culminou na aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt
no AREsp 1243438/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 04/06/2018)

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRATAÇÃO
TEMPORÁRIA DO IMPETRANTE. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO (QUINQUÊNIO E TRINTENÁRIO). FÉRIAS-PRÊMIO. ACÓRDÃO
RECORRIDO CONDENATÓRIO DO AGRAVANTE. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC/73, AO
ORA AGRAVANTE. EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONSIDERADOS PROTELATÓRIOS, EM 2º GRAU. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
SÚMULA 284/STF. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.
(...) III. Na forma da jurisprudência desta Corte, "não restando nítido o caráter de prequestionamento dos embargos de declaração e concluindo
o Tribunal local ser o recurso procrastinatório, a revisão da aplicação da multa do art. 538, parágrafo único, do CPC/1973, esbarra no óbice da
Súmula 7/STJ" (STJ, AgInt no AREsp 929.476/SC, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe de 02/02/2017). No
mesmo sentido: STJ, AgRg no Ag 1.405.036/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/11/2016; STJ, AgRg no REsp
1.262.877/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe de 21/03/2016; STJ, AgRg no REsp 1.288.725/MS, Rel. Ministro
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, DJe de 05/02/2016. IV. No caso, o Tribunal de origem, ao apreciar os Declaratórios, concluiu
que, "inconformado com o decisum, o embargante objetiva o reexame da questão de acordo com suas interpretações, o que permite a ilação de
que a oposição dos embargos é manifestamente protelatória, ensejando a aplicação da multa do art. 538, parágrafo único, do CPC", e que "sequer
há se falar em empecilho à aplicação de multa sob a alegação de que os embargos têm finalidade de prequestionamento. De fato, a Súmula
n.° 98 do STJ dispõe que: 'embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não tem caráter protelatório'.
Contudo, no caso em apreço, as razões contidas nos embargos sob o título de prequestionamento buscam a rediscussão da matéria devidamente
fundamentada no acórdão, o que permite a constatação de manifesto caráter procrastinatório e não de notório propósito de prequestionamento".
Nesse contexto, modificar a conclusão a que chegou a Corte a quo, acerca da natureza meramente protelatória dos Embargos de Declaração,
demandaria o reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável, em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. (...) (STJ,
REsp 1.424.563/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 12/02/2016). VI. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp
1626469/MG, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/08/2018, DJe 28/08/2018)

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso especial ora interposto.

Publique-se. Recife,
Des. Antenor Cardoso Soares Júnior
2º Vice-Presidente

1 Art. 1.026 § 2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o
embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa.

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência
Cartris

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

DESPACHOS

Emitida em 14/01/2019
CARTRIS

Relação No. 2019.00572 de Publicação (Analítica)

ÍNDICE DE
PUBLICAÇÃO

Advogado Ordem Processo

"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 003 0000193-68.2016.8.17.0660(0482911-8)


"e Outro(s)" - conforme Regimento I. T. a. III 004 0059330-91.2011.8.17.0001(0484600-8)
Elizabeth de Carvalho Simplício(PE017009) 002 0018179-87.2007.8.17.0001(0464609-5)
JORGE RABELO TAVARES FILHO(PE031159) 003 0000193-68.2016.8.17.0660(0482911-8)
Larissa Maria P. de Melo Verçosa(PE037250) 001 0023493-67.2014.8.17.0001(0371823-4)
MARCOS ALEXANDRE LIMA(PE030768) 001 0023493-67.2014.8.17.0001(0371823-4)
Maria Karla Araújo Portella(PE016173) 004 0059330-91.2011.8.17.0001(0484600-8)
e Outro(s) - conforme Regimento I. T. a. III 001 0023493-67.2014.8.17.0001(0371823-4)

O Diretor informa a quem interessar possa que se encontram CARTRIS os seguintes feitos:

001. 0023493-67.2014.8.17.0001#Embargos de Declaração nos


Embargos de Declaração
(0371823-4)
Protocolo : 2017/104883
Comarca : Recife
Vara : 8ª Vara da Fazenda Pública
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : AMANDA REBECA MORAIS EMERY COSTA
Embargante : B. M. G. B. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : MARCOS ALEXANDRE LIMA(PE030768)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : VALDILENE GOIS DE LIMA
Advog : MARCOS ALEXANDRE LIMA(PE030768)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : B. M. G. B. (Criança/Adolescente) (Criança/Adolescente)
Advog : MARCOS ALEXANDRE LIMA(PE030768)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Reprte : VALDILENE GOIS DE LIMA
Advog : MARCOS ALEXANDRE LIMA(PE030768)
Advog : Larissa Maria P. de Melo Verçosa(PE037250)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : Estado de Pernambuco
Procdor : Eduardo Prazeres Carneiro de França e outros e outros
Embargante : VALDILENE GOIS DE LIMA
Advog : Larissa Maria P. de Melo Verçosa(PE037250)
Advog : e Outro(s) - conforme Regimento Interno TJPE art.66, III
Embargado : Estado de Pernambuco
Procdor : Eduardo Prazeres Carneiro de França
Procdor : Luciana Roffé de Vasconcelos
Procdor : Rosana Cláudia Lowenstein de Araújo Feitosa
Procdor : Amanda Rebeca Morais Emery Costa
Procdor : Raffaela Meirelles Souza
Órgão Julgador : 3ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Luiz Carlos Figueirêdo
Proc. Orig. : 0023493-67.2014.8.17.0001 (371823-4)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 13/11/2018 12:15 Local: CARTRIS

RECURSO ESPECIAL Nº 371823-4


RECORRENTE: VALDILENE GOIS DE LIMA
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Trata-se de recurso especial, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão em sede de
apelação/reexame necessário.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Sustenta a recorrente que o acórdão proferido por esta Corte Estadual violou o disposto nos arts. 489, §1º, inciso IV e art. 1022, ambos do
CPC/2015, bem como o art. 933 do CPC/2015 e art. 944 do Código Civil. Alega que "o Tribunal a quo julgou procedente o apelo ignorando fato
superveniente trazido e provado nos autos através de um documento que está presente n caderno processual".

De início, não vislumbro afronta ao artigo 1.022, II, do Código de Processo Civil, eis que, com clareza e harmonia entre suas proposições, o
acórdão recorrido contém motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando enfrentamento exaustivo das questões relevantes para
o deslinde da controvérsia agitada na causa.

Convém lembrar, especificamente quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos embargos declaratórios, que doutrina e
jurisprudência o vislumbram configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar o concluído na decisão; em regra, por não ter
sido analisado pelo Estado-Juiz elemento do processo (tese, prova ou circunstância) que, tendo sido a tempo e modo esgrimido pela parte,
mostrava-se efetivamente relevante para o desate da vexata quaestio com segurança jurídica. Não configura o pressuposto, então, a pretensão
da parte em fazer prevalecer qualquer daqueles elementos do processo.

"Destaca-se, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um,
todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado." (AgRg no AREsp 384.301/DF,
Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2015, DJe 26/11/2015).

Com relação à alegação de ofensa ao art. 489, §1º do CPC/2015, em que se pugna pela anulação do acórdão, por ausência de fundamentação
em razão da omissão na análise de prova documental acostada aos autos, verifico, no caso concreto, não haver afronta ao dispositivo
retromencionado, eis que, com clareza e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido contém motivação suficiente para justificar o
decidido, evidenciando enfrentamento exaustivo das questões relevantes para o deslinde - com segurança jurídica - da controvérsia agitada na
causa.

Por fim, quanto à violação dos art. 933 do NCPC e art. 944 do CC/02, por entender irrisório e desproporcional o valor de R$ 30.000,00 arbitrado
a título de danos morais em sede recursal, verifico que o acordão prolatado pela 3ª Câmara de Direito Público, tendo como relator o Des. Luiz
Carlos de Barros Figueirêdo, assim dispôs:

"EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. DIREITO HUMANO À VIDA E À SAÚDE. DOUTRINA DA PROTEÇÃO
INTEGRAL. ADOLESCENTE. PROCEDIMENTO CIRÚRGICO PARA TRATAMENTO DE ESCOLIOSE GRAVE QUE FOI REALIZADO SOMENTE
APÓS ORDEM JUDICIAL. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA PLAUSÍVEL PARA POSTERGAÇÃO DA CIRURGIA HIPÓTESE QUE EXTRAPOLA
A ESFERA DO MERO DISSABOR. RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ENTE PÚBLICO. COMPROVAÇÃO DOS DANOS. MORTE
DA AUTORA NO CURSO DA DEMANDA. DANO MORAL QUE SE TRANSMITE AOS HERDEIROS. SUCESSÃO PROCESSUAL LEGÍTIMA.
RECURSO PROVIDO.
1. Preliminares rejeitadas por unanimidade. Carência do direito de ação: o próprio Estado/apelante/apelado acostou aos autos, à fl. 55, a
informação de que não havia como realizar a cirurgia pleiteada em virtude da carência de profissional habilitado, além de alegar a necessidade de
UTI pediátrica inexistente nos hospitais públicos para a patologia apresentada. Ilegitimidade ativa dos recorrentes e perda superveniente do objeto:
o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacificado de que, embora a violação moral atinja apenas o plexo de direitos subjetivos da
vítima, o direito à respectiva indenização transmite-se com o falecimento do titular do direito, possuindo o espólio e os herdeiros legitimidade ativa
ad causam seja para ajuizar ação indenizatória por danos morais, seja para suceder processualmente o autor no polo ativo de demanda em curso.
2. MÉRITO. Irretorquível a sentença quanto a condenação do Estado/apelante/apelado à obrigação de "determinar que o réu custeie e/ou autorize
a cirurgia para a correção da escoliose grave, seja em hospital público, seja em hospital particular, conforme laudos médicos", subscritos por
profissionais integrantes do quadro médico do SUS.
3. Constata-se o delicado quadro clínico da Autora/apelante/apelada, adolescente com 12 (doze) anos de idade, portadora de escoliose idiopática
juvenil, cuja a busca pelo tratamento adequado ao seu caso resultou no agravamento na sua saúde, já que os laudo médicos informam que o
grau da curva torácica à direita era de 48 graus em 2012 (fl. 22) , de 70 graus, em 2013 (fl. 18) , e de 95 graus em 2014 (fl. 31). Destaca-se ainda a
repercussão da doença da Autora/apelante/apelada em todas as áreas de sua vida, social, emocional, cognitiva, tendo inclusive a coordenadora
pedagógica da unidade de ensino que a Autora/apelante/apelada estudava alertado sobre as dificuldades que ela estava enfrentando "devido
seu avançado grau de escoliose." (fl. 25)
4. A certeza e liquidez decorrem da sobejamente demonstrada sonegação de direitos de dignidade constitucional: à vida (art. 5º, caput, da
CF/1988) e à saúde (art. 6º, caput), imediatamente, e, mediatamente, do preceito constitucional de proteção à criança, presente no artigo 227 da
Carta Magna: "Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão." A
teor do disposto no art. 196 da CF/88, configura-se dever do próprio Estado, através do Sistema Único de Saúde, custear as despesas com o
tratamento e/ou internação de paciente necessitado em hospital público ou, excepcionalmente, em nosocômio particular nos casos de ausência
de aparelhamento adequado em estabelecimento pertencente à rede pública de saúde.
5. Danos morais. A Constituição Federal, ao dispor em seu art. 5º, incisos V e X, sobre a possibilidade de reparação do dano moral, pôs um
ponto final nas divergências doutrinárias e jurisprudenciais acerca da possibilidade de reparação do dano imaterial e, ademais, reafirmou seu
principal desiderato, que é o de elevar ao grau máximo de proteção a dignidade da pessoa humana. Em complemento à Lei Maior, as normas
infraconstitucionais que regulam a matéria impõem a observância de certos requisitos para caracterização do dano moral, sendo imprescindível
a verificação da ocorrência de ato danoso, praticado com culpa ou dolo, e a existência de nexo causal entre aquele ato e o dano moral suportado
pela vítima. Não há responsabilidade sem violação de dever jurídico preexistente, uma vez que responsabilidade pressupõe o descumprimento
de uma obrigação, e para se identificar o responsável é necessário precisar o dever jurídico violado e quem o descumpriu.
6. Quanto a responsabilidade civil objetiva do Poder Público, com fulcro no artigo 37, § 6º da Constituição Federal, os elementos que compõem a
estrutura e delineiam o perfil da responsabilidade civil compreendem (a) a alteridade do dano, (b) a causalidade material entre o eventus damni
e o comportamento positivo (ação) ou negativo (omissão) do agente público, (c) a oficialidade da atividade causal e lesiva, imputável a agente
do Poder Público, que tenha, nessa condição funcional, incidido em conduta comissiva ou omissiva, independentemente da licitude, ou não, do
comportamento funcional e (d) a ausência de causa excludente da responsabilidade estatal.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

7. In casu, conforme a vasta documentação médica e administrativa acostada aos autos (fls. 18, 19, 22, 23, 26, 31 e 32) desde 2012, o médico
Tramauto-Ortopedista do IMIP, Dr. Sérgio Padilha P. Pinto, CRM 0759, já prescrevera o procedimento cirúrgico para a enfermidade da Autora/
apelante/apelada. Ressalta-se ainda o descumprimento por parte do Estado de Pernambuco da decisão interlocutória que deferiu a Antecipação
de Tutela para a realização do procedimento cirúrgico em 07.04.14, com a intimação do Estado de Pernambuco em 08.04.14. Em 06.05.14, o
Estado alega impossibilidade de cumprimento da decisão, anexando a informação de que em 29.11.13 a Autora havia realizado avaliação médica
no Hospital Getúlio Vargas, "porém não pode se submeter ao ato cirúrgico porque necessita de UTI pediátrica e a referida unidade não possui
este serviço." (fl. 55) No referido documento, o Estado alega ainda a ausência de profissional habilitado tanto no setor público como privado para
o tratamento cirúrgico e que aguardava autorização da Secretaria de Administração para lotar o "único ortopedista habilitado para o procedimento
nos quadros do Estado" no IMIP.
8. A demora indevida em realizar a intervenção cirúrgica da qual a Autora/apelante/apelada necessitava, obrigando-a a adiar um procedimento
cirúrgico considerado urgente e, por consequência, impondo-lhe o sofrimento de lidar com a escoliose e as consequências danosas da
enfermidade, caracteriza o dano moral suportado pela Autora/apelante/apelada. Destarte, os argumentos trazidos pelo Estado/apelante/apelado
nos autos, inclusive por ocasião do Apelo, fogem totalmente ao princípio da razoabilidade, mormente em se tratando de cirurgia cuja a
urgência contribuía para o seu sucesso, tendo a Autora/apelante/apelada suportado muito mais que um mero dissibarbor, conforme entendeu
a Procuradoria de Justiça: "14. Como não compreender que a demora do Estado aviltou a saúde da demandante? Como não entender que, se
a demora na cirurgia deprimiu em muito a saúde da demandante, por que tal situação não teria afetado a dignidade da criança com escoliose
grave? Que prova maior do descaso do ente federativo com a saúde - com a vida, enfim - da demandante do que o fato de que veio a falecer
em consequência da própria cirurgia realizada destempo?" (fl. 215, grifos atuais)
9. Demonstrada a responsabilidade objetiva do Estado em indenizar os danos morais causados à Autora/apelante/apelada, caberia agora, saber
qual a verdadeira extensão desses danos, a fim de que a indenização a ser fixada neste Tribunal ad quem não se mostre ínfima nem, tampouco,
excessiva. Não há parâmetros definidos expressamente na lei para a quantificação da reparação por dano moral ou imaterial. Cabe ao magistrado
laborar com prudência nesse terreno, atendendo aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, ponderando, à vista das circunstâncias e
peculiaridades do caso concreto, a intensidade do gravame e as condições dos envolvidos, de forma que não se possibilite a impunidade do
causador do dano nem o enriquecimento indevido da vítima. Soma-se a isso ao pleito requerido na exordial para a condenação do Estado de
Pernambuco "no pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais)" (fl. 9), diversamente do valor requerido
por ocasião do Apelo de R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil reais) (fl. 108).
10. De acordo com o princípio da congruência ou da adstrição, estampado no artigo 141, do CPC/2015, o juiz deve decidir a lide nos limites
em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de questão não suscitada, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. A peça de ingresso
fixa os limites da lide, não apenas quanto ao pedido em si, como também na sua causa de pedir, de forma que cabe ao Juiz, na prolação da
decisão, ater-se a estes contornos previamente definidos, consoante estabelece o artigo 492 do CPC/2015. Indenização por dano moral arbitrada
no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais).
11. As multas coercitivas atuam em nosso sistema processual como uma das medidas necessárias compelir o devedor ao seu adimplemento
nos casos de obrigações de fazer, conforme o art. 537 do CPC/2015. A Jurisprudência majoritária é pacífica no sentido da admissibilidade da
cominação coercitiva do bloqueio de verbas públicas nas hipóteses em que se discuta fornecimento de medicamentos, sem que isso represente
afronta ao artigo 100 da CF, dada a excepcionalidade e urgência que envolve lides dessa natureza. Não há que se falar em redução da multa
arbitrada fixada na decisão interlocutória que deferiu a tutela antecipada (fls. 37/37v) no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia, já que
não houve exorbitância nem desproporcionalidade na sua aplicação.
12. Honorários advocatícios. Considerando a importância da causa, o trabalho realizado e o tempo exigido para sua conclusão, cabível o
percentual fixado em 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação, nos moldes do art. 20, §3º e §4º do CPC/73, atuais §2°, I, II, III, IV,
§3º, I, do art. 85 do CPC/2015. Necessidade de reservar os honorários advocatícios do causídico Dr. Marcos Alexandre Chagas Lima, OAB/PE
nº 30.768, no percentual de 85% do montante devido.
13. Por unanimidade, dado provimento à Remessa Necessária e ao Apelo da Autora/apelante/apelada, para reformar a sentença a quo no sentido
de julgar procedente in totum o pleito autoral, com a condenação do Estado de Pernambuco ao pagamento pelos danos morais no valor de R$
30.000,00 (trinta mil reais), com aplicação de juros de mora e a correção monetária conforme os nos Enunciados nºs 06, 12, 17 e 22, do Grupo
de Câmaras de Direito Público deste Tribunal de justiça de Pernambuco, além da condenação em honorários advocatícios fixado em 20% (vinte
por cento) sobre o valor da condenação, nos moldes do art. 20, §3º e §4º do CPC/73, atuais §2°, I, II, III, IV, §3º, I, do art. 85 do CPC/2015."

Ora, alcançar conclusão diversa àquela tomada no aresto vergastado, demandaria a análise do conjunto fático-probatório da causa, circunstâncias
vedadas à instância especial, a teor do enunciado 07 da Súmula do STJ.

Entretanto, como se sabe, a instância especial recebe a situação fática da causa tal como a retrata a decisão recorrida.

Nesse sentido: "1. Infirmar o entendimento alcançado pelo acórdão recorrido com base nos elementos de convicção juntados aos autos, a fim de
se concluir pelo cumprimento da decisão liminar e pela inexistência de dano moral, tal como buscam os insurgentes, esbarraria no enunciado n. 7
da Súmula desta Corte." (AgInt no AREsp 1016562/ES, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/10/2017,
DJe 30/10/2017 - Trecho do acordão)

Bem por isso, com fulcro no art. 1.030, V, do CPC/2015, inadmito ao recurso.

Publique-se.

Recife, 01 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

002. 0018179-87.2007.8.17.0001 Agravo na Apelação


(0464609-5)
Protocolo : 2018/201817
Comarca : Recife
Vara : 4ª Vara da Fazenda Pública
Apelante : Ione Costa Mellet
Advog : Elizabeth de Carvalho Simplício(PE017009)
Apelado : Estado de Pernambuco
Procdor : Felipe Lemos de Oliveira Maciel
Agravte : Ione Costa Mellet
Advog : Elizabeth de Carvalho Simplício(PE017009)
Agravdo : Estado de Pernambuco
Procdor : Felipe Lemos de Oliveira Maciel
Órgão Julgador : 1ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Jorge Américo Pereira de Lira
Proc. Orig. : 0018179-87.2007.8.17.0001 (464609-5)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:45 Local: CARTRIS

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO ESPECIAL NO PROCESSO Nº 464609-5


RECORRENTE: IONE COSTA MELLET
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Recurso especial interposto com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, tirado contra acórdão
proferido pela 1ª Câmara de Direito Público, da lavra do Des. Relator Jorge Américo Pereira de Lira, em sede de agravo interno na apelação.

De início, verifico que a recorrente requereu, mediante petição apartada, os benefícios da justiça gratuita (fls. 228/228-v). Todavia, trata-se de
reiteração de pedido alhures deferido (fl. 110).

Alega a recorrente que o aresto vergastado ofendeu os arts. 5º, caput, art. 37, X, art. 39 §1º e art. 37, § 6º, todos da CF/88, bem como o princípio
da legalidade (art. 37, caput, da CF) e o princípio da irredutibilidade de vencimentos (art. 37, XV, da CF).

De imediato, quanto à denúncia de suposta ofensa a dispositivos constitucionais, certo é que no âmbito do recurso especial o STJ não
possui competência para a sua análise. Sobre o tema, confira-se precedente do STJ: "[...] 2. Inviável a discussão em Recurso Especial acerca
de suposta ofensa a dispositivo constitucional e instrução normativa, porquanto esta não se encaixa no conceito de legislação federal, a qual
é objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça. Ademais, o exame de dispositivos constitucionais é de competência exclusiva do Supremo
Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, da Constituição. 3. Agravo Regimental não provido" (STJ - 2ª T., AgInt no AREsp 862.175/SP,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 09/06/2016, DJe 05/09/2016 - trecho de ementa)

Outrossim, é inadmissível o recurso especial quando o seu julgamento, pela Instância Superior, depender do exame de lei local. Tal
medida encontra óbice na Súmula nº 280 do Supremo Tribunal Federal, aplicável por analogia ao presente recurso.

É que a controvérsia foi decidida com base em regramento local, mais especificamente as Leis Estaduais nº. 12.643/2004, Lei nº 12.850/2005 e
Lei nº 13.332/2007. Dessa forma, qualquer exegese que se faça passa, inexoravelmente, pela interpretação conferida àquelas legislações locais,
o que atrai a incidência da supracitada Súmula nº 280 do STF.

Ademais, em que pese ter a parte recorrente fundamentado seu recurso especial também na alínea "c", inciso III, do Art. 105, da CF/88,
e afirmado que o acórdão recorrido deu entendimento diverso ao de outros Tribunais, descuidou de proceder ao imprescindível cotejo analítico
entre os julgados, de forma a permitir a análise do seu recurso pela divergência jurisprudencial. Em verdade, o recorrente sequer abriu tópico de
divergência jurisprudencial, nem juntou qualquer julgado para fins de comprovação do dissídio pretoriano.

Sobre a questão, inclusive, decidiu o STJ que "Não sendo comprovado o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelos dispositivos legais e
regimentais - notadamente por ter deixado o recorrente de efetuar o necessário cotejo analítico das teses supostamente divergentes, tampouco
indicado o repositório oficial ou juntado cópia do inteiro teor dos julgados paradigmas - mostra-se inviável o conhecimento do recurso especial
interposto com base apenas na alínea "c" do permissivo constitucional." (STJ - 5ªT., AgRg no AREsp 266059 / MS, rel. Min. Marcos Aurélio
Bellizze, DJe de 02.04.2013)

157
Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Com tais considerações, com fundamento no art. 1.030, V, do CPC/15, inadmito o recurso especial.

Publique-se.

Recife, 12 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

Poder Judiciário
Tribunal de Justiça de Pernambuco
Gabinete da 2ª Vice-Presidência

RECURSO EXTRAORDINÁRIO NO PROCESSO Nº 464609-5


RECORRENTE: IONE COSTA MELLET
RECORRIDO: ESTADO DE PERNAMBUCO

Recurso Extraordinário interposto com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a" da Constituição Federal, tirado contra acórdão proferido pela
1ª Câmara de Direito Público, da lavra do Des. Relator Jorge Américo Pereira de Lira, em sede de agravo interno na apelação.

Alega a recorrente que o aresto vergastado ofendeu os arts. 5º, caput, art. 37, X, art. 39 §1º e art. 37, § 6º, todos da CF/88, bem como o princípio
da legalidade (art. 37, caput, da CF) e o princípio da irredutibilidade de vencimentos (art. 37, XV, da CF).

De início, verifico que a recorrente requereu, mediante petição apartada, os benefícios da justiça gratuita (fls. 226/226-v). Todavia, trata-se de
reiteração de pedido alhures deferido (fl. 110).

É importante frisar que para viabilizar o recurso extraordinário deve a parte recorrente demonstrar que a controvérsia discutida nos autos possui
repercussão geral, confira-se:

"inclui-se no âmbito do juízo de admissibilidade - seja na origem, seja no Supremo Tribunal - verificar se o recorrente, em preliminar do recurso
extraordinário, desenvolveu fundamentação especificamente voltada para a demonstração, no caso concreto, da existência de repercussão
geral" (STF, AI 664.567/RS, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 06/09/2007).

No caso presente, em que pese constar da peça recursal preliminar de repercussão geral, a recorrente não demonstrou, com a devida
fundamentação, a razão de a matéria discutida nos autos extrapolar os interesses subjetivos da causa, possuindo relevância do ponto de vista
econômico, político, social ou jurídico. Em realidade, vejo um esforço apenas genérico da parte recorrente em comprovar a rígida exigência da
repercussão geral, sem, contudo, lograr êxito.

Não deduzidos os fundamentos relacionados com os pressupostos da repercussão geral, a inadmissão do recurso extraordinário se impõe, nos
termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ademais, é claramente perceptível que a parte recorrente, a despeito da alegada vulneração a dispositivos constitucionais, pretende mesmo
submeter ao STF a apreciação de matéria versada em regramento local - v.g., Lei Estadual nº. 12.643/2004, Lei nº 12.850/2005 e Lei nº
13.332/2007. Ao passo em que, "não se abre a via do recurso extraordinário para a análise de matéria ínsita ao plano normativo local ou o
reexame dos fatos e das provas dos autos. Incidência das Súmulas nºs 280 e 279/STF." (1ª T., ARE 825014 AgR/RO, Rel. Min. Dias Toffoli,
DJe-029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015).

Para além disso, verifico que o órgão fracionário deste TJPE assentou que "sendo lídimo concluir, portanto, a disparidade de atribuições existente
entre os Oficiais de Justiça e os Oficiais de Registro, o que, por si só, elide a pretensão de reenquadramento em análise." (fl. 212). Assim, para
rever o entendimento da Câmara Julgadora quanto ao pleito de reenquadramento funcional, é necessário revolver o conteúdo fático-probatório
dos autos, o que é vedado nesta instância especial, de acordo com o enunciado da Súmula obstativa n. 279 do STF.

Se assim não bastasse, o recurso extraordinário não é admitido quando seu fundamento tiver por base ofensa a princípios constitucionais. É que
somente é possível a análise do recurso quando a ofensa for direta e frontal a dispositivo da Constituição Federal. Nesse sentido é o enunciado
da súmula 636 do STF, in verbis: "Não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua
verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida."

Registro que a alegação de ofensa aos dispositivos constitucionais não prescinde do exame da matéria sob o ponto de vista processual, e, por
conseguinte, se ofensa eventual tivesse havido aos referidos dispositivos constitucionais, seria de forma indireta e reflexa, situação esta que
impõe óbice ao processamento do recurso excepcional.

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Edição nº 10/2019 Recife - PE, terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Assim, para dissentir do acórdão recorrido seria necessária a análise da legislação infraconstitucional que disciplina a espécie. Eventual ofensa
à Constituição dar-se-ia de forma indireta, circunstância que impede a admissão do extraordinário.

Ante o exposto, com fulcro no art. 1030, V, do CPC/2015, inadmito o recurso.

Publique-se.

Recife, 12 de novembro de 2018.

Des. Antenor Cardoso Soares Júnior


2º Vice-Presidente

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003. 0000193-68.2016.8.17.0660 Embargos de Declaração na Apelação


(0482911-8)
Protocolo : 2018/200967
Comarca : Goiana
Vara : Segunda Vara Cível da Comarca de Goiana
Apelante : Estado de Pernambuco
Procdor : Roberta Lins e Silva de Azevedo
Apelado : MILIANE BARBOSA DA SILVA
Advog : JORGE RABELO TAVARES FILHO(PE031159)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Embargante : Estado de Pernambuco
Procdor : Roberta Lins e Silva de Azevedo
Embargado : MILIANE BARBOSA DA SILVA
Advog : JORGE RABELO TAVARES FILHO(PE031159)
Advog : "e Outro(s)" - conforme Regimento Interno TJPE art.137, III
Órgão Julgador : 2ª Câmara de Direito Público
Relator : Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello
Proc. Orig. : 0000193-68.2016.8.17.0660 (482911-8)
Despacho : Decisão Interlocutória
Última Devolução : 21/11/2018 17:45 Local: CARTRIS

Recurso Especial no Processo nº 482911-8


Recorrente: Estado de Pernambuco
Recorrida: Miliane Barbosa da Silva

Recurso especial, com fundamento no artigo 105, III, "a" da Constituição Federal, contra acórdão proferido pela 2ª Câmara de Direito Público,
por meio do Des. Francisco José dos Anjos Bandeira de Mello, em sede de embargos de declaração em apelação.

O Estado recorrente foi condenado ao pagamento de indenização por danos morais, no importe de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), em decorrência
de erro médico o qual foi submetido a recorrida quando da realização de cirurgia cesariana e laqueadura no Hospital Regional de Limoeiro.

Alega o recorrente que o acórdão vergastado contrariou o disposto no art. 355 do CPC, no que considera a decorrência de cerceamento de
defesa ante o julgamento antecipado da lide e a não realização de perícia médica, assim como violação ao art. 1.022, inciso II do mesmo diploma.
Por último, aponta negativa de vigência ao art. 944 do CC, aduzindo pelo excesso do quantum arbitrado a título de danos morais.

No caso concreto, não vislumbro afronta ao art. 1.022, CPCP/15, pois, com clareza e harmonia entre suas proposições, o acórdão recorrido
contém motivação suficiente para justificar o decidido, evidenciando o enfrentamento exaustivo das questões cruciais para o deslinde - com
segurança jurídica - da controvérsia que informa a causa.

Convém lembrar, quanto à omissão como defeito do julgado suprível na via dos declaratórios, que doutrina e jurisprudência o vislumbram
configurado quando o fundamento adotado não basta para justificar o concluído na decisão, em regra por não ter sido analisado elemento do
processo (tese, prova ou circunstância) que, (i) tendo sido a tempo e modo agitado pela parte e (ii) sendo efetivamente relevante para o desate
da vexata quaestio com segurança jurídica, sobre ele o Estado-juiz deve se pronunciar. Não configura o pressuposto, então, a pretensão da parte
de que prevaleça seu entendimento sobre qualquer dos referidos elementos do processo.

Por isso que está sedimentado o entendimento de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente
a invocada pela parte, decide de modo integral a controvérsia posta (v.g.: STJ-1ª T.; AgInt no AgInt no REsp 1731585/SC, Rel. Min. Regina Helena
Costa, julgado em 20/09/2018, DJe 26/09/2018; STJ-2ª T.; AgInt no REsp 1581659/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 20/09/2018, DJe
18/10/2018.

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Quanto a violação ao art. 355 do CPC, no que consiste a alegação de cerceamento de defesa, observo a tentativa do recorrente em rever o
entendimento do Colegiado no que consiste o reexame dos fatos e do conjunto probatório acostado aos autos, isso porque a 2ª Câmara de
Direito Público exauriu o debate acerca de toda matéria fática, consignando o seguinte: "Ainda de início, também deve ser rejeitada a arguição
de nulidade do julgado por cerceamento ao direito de defesa (produção de prova pericial). 3. Com efeito, não se desconhece que a jurisprudência
do STJ pacificou-se no sentido de que ocorre cerceamento do direito de defesa quando, proferido julgamento antecipado da lide, a alegação da
parte sucumbente é desconsiderada por insuficiência probatória, a despeito de requerimento para sua produção (v. AgInt no AREsp 184.595/
SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, DJe 04/09/2017). 4. Entretanto, na hipótese, observa-se que a prova requerida pelo Estado de
Pernambuco foi a prova pericial, prova esta que, à época em que requisitada, não se revelava útil a comprovar a existência de excludentes
da responsabilidade estatal, uma vez que o estado de saúde da autora já se mostrava estabilizado e não se discutem eventuais sequelas de
natureza física ou funcional. 5. Ademais disso, cumpre registrar que, ao contrário do que afirma o Estado, a demanda não se funda em matéria
eminentemente técnica, tendo em vista que o erro médico apontado pela autora/apelada pode ser facilmente apurado por pessoas leigas em
medicina, a partir das provas colacionadas aos autos, o que também enseja o indeferimento da perícia requerida, a teor do que estabelece o
mencionado art. 464 do CPC/2015".

Destarte, atrai-se, na espécie, o Enunciado nº 07 da Súmula do STJ, o qual veda, em sede excepcional, a revisão das provas e documentos aos
autos carreados e, pois, do referido entendimento pela pelo dever de indenizar do Estado recorrente.

Ademais, verifico que modificar os termos acordados quanto ao montante indenizatório arbitrado, igualmente seria apenas possível com nova
visita ao conjunto fático-probatório dos autos, o que também é vedado pela Súmula n° 7/STJ. Confira-se:

ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. AGRESSÃO SOFRIDA POR SEGURANÇAS DO PRONTO SOCORRO.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. VALOR FIXADO NA INSTÂNCIA ORDINÁRIA.
REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 7/STJ.
(...) 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, em caráter excepcional, que o montante arbitrado a título de danos morais seja
alterado