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Universidade Federal de São João del-Rei

Departamento de Engenharia Elétrica

Coordenadoria do Curso de Engenharia Elétrica

ANÁLISE DE DIMENSIONAMENTO DE
MOTORES DE INDUÇÃO TRIFÁSICOS

PEDRO HENRIQUE
GALDINO SILVA

Orientador: Prof. Dr. Paulo Cezar Monteiro Lamim Filho

São João del-Rei/MG

Junho de 2018
AGRADECIMENTOS

Agradeço,
Às minhas mães Zirlene e Lazarina e à minha irmã Lucila, que me incentivaram nos momentos
difíceis sendo a base para a minha vitória.
Aos amigos de Bom Sucesso pelos bons conselhos e por compartilharem bons momentos durante
a vida toda.
Aos amigos de São João e da República Sai Doido pela irmandade e cumplicidade.
À minha namorada Fernanda pelo apoio e bons momentos durante essa jornada.
Aos professores e amigos Samir e Arismar, pela acolhida em São João del Rei, e pela orientação
durante esses anos de faculdade.
Ao professor Paulo Lamim pela oportunidade de trabalho, confiança e reuniões incentivadoras
no desenrolar deste trabalho.
À UFSJ, pela oportunidade de capacitação e por me proporcionar amadurecimento nesses 5 anos.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

2 CONCEITOS PRELIMINARES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.1 GRANDEZAS ENVOLVIDAS NO PROCESSO DE CONVERSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA EM MECÂNICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2.2 O MOTOR ELÉTRICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.2.1 MOTOR SÍNCRONO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.2.2 MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.2.3 MOTOR ASSÍNCRONO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.3 REGIMES DE CARGA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2.4 TIPOS DE ACIONAMENTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.5 CONDIÇÕES DO AMBIENTE DE TRABALHO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.6 ANÁLISE ECONÔMICA DA AQUISIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMENTOS 18

3 METODOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
3.1 MOTOR MAL DIMENSIONADO EM RELAÇÃO A POTÊNCIA . . . . . . . . . 22
3.1.1 MOTOR SUB-DIMENSIONADO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3.1.2 MOTOR SUPERDIMENSIONADO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3.2 MOTOR DIMENSIONADO COM CONJUGADO INCORRETO . . . . . . . . . . 24
3.3 MOTOR DIMENSIONADO COM CATEGORIA DE ISOLAÇÃO INCORRETA . . 25
3.4 SUBSTITUIÇÃO DE MOTORES CONVENCIONAIS POR MOTORES DE ALTO
RENDIMENTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
3.5 MOTORES ACIONADOS POR INVERSORES DE FREQUÊNCIA . . . . . . . . . 27

4 RESULTADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
4.1 MAL DIMENSIONAMENTO DE MOTORES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
4.1.1 CONSEQUÊNCIAS DO SUBDIMENSIONAMENTO DE MOTORES . . . . 29
4.1.2 CONSEQUÊNCIAS DO SUPERDIMENSIONAMENTO DE MOTORES . . 30
4.2 SUBSTITUIÇÃO DE MOTORES CONVENCIONAIS POR MOTORES DE ALTO
RENDIMENTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

5 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
6 PROPOSTAS DE TRABALHOS FUTUROS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
SUMÁRIO 4

RESUMO

Os motores de indução trifásicos são equipamentos amplamente utilizados nos mais diversos
processos industriais. Eles são de fácil instalação, bom custo benefício e aplicáveis em todos
os processos da cadeia produtiva. Tais equipamentos quando corretamente dimensionados e
utilizados garantem funcionamento e vida útil garantidos pelo fabricante. O acesso fácil aos
motores de indução e sua utilização por pessoas sem qualificação técnica faz com que na
maioria dos casos seu dimensionamento seja incorreto, acarretando em uma série de problemas
quando são subdimensionados e também quando são sobre dimensionados, uma vez que o
subdimensionamento pode ocasionar falhas precoces e o sobre dimensionamento pode acarretar
em um consumo excessivo de energia. Neste sentido estudos de redimensionamento de motores
de indução, são cada vez mais implementados para fins de manutenção e também de auditoria
energética. Neste trabalho é feito um estudo dos efeitos do dimensionamento incorreto de motores
de indução, sendo mostradas as consequências econômicas e técnicas geradas nesta etapa do
projeto elétrico industrial.

Palavras-chave: Motor de Indução. Dimensionamento. Falha. Manutenção. Auditoria energética.


5

1 INTRODUÇÃO

O motor elétrico é um dispositivo capaz de transformar energia elétrica em energia


mecânica utilizável (FILHO, 2017). Dentre os vários tipos de motores elétricos, o mais utilizado
em processos industriais, comerciais e residenciais, é o motor de indução trifásico, tal fato é
devido a sua robustez, simples construção e manutenção.

O funcionamento do motor de indução triásico é baseado na formação de um campo


magnético girante, proveniente da indução magnética no enrolamentos do rotor, causada pela
variação das correntes de forma senoidais que alimentam os enrolamentos do estator. (BARBI,
1985)

O correto dimensionamento de um motor de indução e seus dispositivos auxiliares de


partida e proteção pode parecer uma tarefa simples, visto a sua grande utilização, porém há muitas
falhas nesta etapa de projeto elétrico, podendo transformar as vantagens deste equipamento em
problemas precoces durante sua vida útil. (WEG, 2016a)

Este trabalho sintetiza as principais formas de dimensionamento de motores de indução


trifásicos, enfocando as consequências do dimensionamento incorreto deste equipamento através
da análise de estudos de caso e mostrando também cálculos de viabilidade econômica para
substituição de motores defasados e/ou mal dimensionados.

Como mostrado no sumário, a continuação deste trabalho contempla o Capítulo 2 com


os Conceitos Preliminares relembrando conceitos históricos básicos dos motores elétricos com
ênfase nos motores de indução trifásicos. O Capítulo 3 com a Metodologia que aborda os métodos
utilizados no dimensionamento dos MIT’s e como são realizadas a análises econômicas no
dimensionamento e redimensionamento destes equipamentos. O Capitulo 4 com as quantificações
financeira e técnica referentes a correta aplicação do MIT’s. Por fim o Capítulo 5 concluindo o
estudo e deixando abertas possibilidades de continuação dos trabalhos.
6

2 CONCEITOS PRELIMINARES

2.1 GRANDEZAS ENVOLVIDAS NO PROCESSO DE CONVERSÃO DE ENERGIA


ELÉTRICA EM MECÂNICA

A seguir são descritas as principais grandezas envolvidas no funcionamento de um motor


elétrico, o entendimento dessas grandezas é fundamental para a compreensão do restante do
trabalho.

Potência Mecânica - é a razão da quantidade de energia mecânica entregue no eixo do


motor pelo tempo, tendo como unidade o Cavalo − V apor(CV ).

Conjugado(Torque) - é a quantidade de esforço o motor é capaz de produzir para


girar seu eixo submetido a determinada carga mecânica, a unidade do conjugado no S.I. é
N ewton × metro(N × m).

Conjugado de Aceleração - é a diferença entre o conjugado do motor e o somatório dos


conjugados que se opõem ao motor.(GOETDEL, 2006, p. 6)

Potência Elétrica - é a razão da quantidade de energia elétrica entregue pelo tempo


gasto, a unidade de potência elétrica utilizada no Brasil é o Watt(W)

Campo Girante - Campo magnético rotativo gerado no rotor pela indução causada pelas
correntes alternadas trifásicas do estator.

Potencia Aparente - é a potência considerando a multiplicação entre tensão e corrente


desconsiderando seus ângulos de defasagens, servindo para medir os esforços nos condutores e
equipamentos elétricos.

Potência Ativa - é a parte da potência aparente capaz de realizar trabalho.

Potencia Reativa - é a parte da potência aparente que não realizada trabalho, é responsá-
vel pela magnetização da máquina, pela manutenção do seu fluxo magnético.

Fator de Potência - é a razão entre a potência ativa e a potência aparente, sendo também
quantificado pelo cosseno do ângulo de defasagem entre a tensão e a corrente.

Rendimento - é a razão entre a potência mecânica útil no eixo e a potência elétrica


absorvida pela máquina, quantificando a eficiência da mesma.
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 7

Velocidade Síncrona - é a velocidade de rotação do campo girante.

Escorregamento - é a medida percentual da diferença entre a velocidade do motor e a


nsincrona −nrotor
velocidade síncrona, espressa por s = nsincrona
.

Rotor - Parte rotatória da máquina elétrica.

Estator - Parte estacionária da máquina elétrica.

Momento de Inércia - é a medida da resistência que a carga oferece a qualquer mudança


em seu movimento de rotação, ela depende da distribuição da carga, da rotação a qual está
referida, e das características do eixo. A unidade do momento de inércia no S.I.é kg × m2 .

2.2 O MOTOR ELÉTRICO

A seguir serão descritos os tipos de motores elétricos e suas principais categorias e


aplicações, especificamente Motor de Indução, Motor de Corrente Contínua e Motor Síncrono
(CHAPMAN; CORDERA, 2005). Como o foco do trabalho é o motor de indução trifásico, sua
descrição neste capítulo será mais rica em detalhes.

2.2.1 MOTOR SÍNCRONO

Devido a sua adaptabilidade a diferente ambientes e alto rendimento em diferentes


condições de trabalho o motor síncrono é utilizado em diversos seguimentos das indústria(WEG,
2015). Dentre suas principais aplicações é possível destacar:

• Britadores e correias transportadoras.

• Ventiladores, bombas e compressores.

• Compensadores síncronos.

• Extrusoras e picadores..

2.2.2 MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA

Dentre suas principais aplicações é possível destacar (WEG, 2012):


Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 8

• Ferramentas de avanço.

• Máquinas de papel.

• Prensas.

• Bobinadeiras.

• Esteiras e separadores.

• Guinchos e guindastes.

2.2.3 MOTOR ASSÍNCRONO

No motor assíncrono também nomeado motor de indução, o enrolamento do estator é


alimentador com corrente alternada bem como no síncrono. Porém, o enrolamento do rotor não
é alimentado diretamente, uma vez que nele são induzidas correntes alternadas provenientes
de uma ação de transformador (FITZGERALD; UMANS; KINGSLEY, 2006). Os motores de
indução são divididos em monofásico e trifásico, sendo este segundo o foco deste trabalho.

Os motores de indução trifásicos são divididos em dois grupos, diferenciados por suas
características construtivas, são eles:

Motor com rotor bobinado - Neste tipo de motor, o enrolamento do rotor é composto
por conjuntos de enrolamentos de cobre, de forma semelhante ao estator.Normalmente esse
motores são utilizados para acionar cargas de alto conjugado e/ou alta inércia de partida, com
poucas manobras durante a operação e velocidade constante como, moinhos de bolas, exaustores
e ventiladores (WEG, 2010, p. 2)

Motor com rotor em gaiola - Neste tipo de motor, o enrolamento do rotor é composto
por barras longitudinais normalmente feitas de alumínio e curto-circuitadas nas extremidades
por um anel de curto-circuito. Devido a sua simplicidade construtiva e robustez, a maior parte
dos motores de indução industriais utiliza rotor do tipo gaiola.

Além da separação dos motores devido ao tipo de rotor, há uma classificação de categorias,
de acordo com as características do conjugado em relação a velocidade, como mostrado na
Figura 1.
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 9

Tabela 1: Diferenças entre os grupos de motores de indução.(WEG, 2016a, p. 56)


Diferenças entre os grupos
Tipo Motor de indução de gaiola Motor de indução de anéis
Projeto Rotor gaiola Rotor bobinado
Corrente de partida Alta Baixa
Conjugado de partida Baixo Alto
Corrente de partida / corrente nominal Alta Baixa
Conjugado máximo > 160% do conjugado nominal > 160% do conjugado nominal
Rendimento Alto Alto
Equipamento de partida Simples para partida direta Relativamente simples
Equipamento de proteção Simples Simples
Espaço requerido Pequeno Reostato requer um espaço grande
Manutenção Pequena Nos anéis e escovas - frequente
Custo Baixo Alto

• Categoria N - esta categoria de motor apresenta conjugado e corrente de partida normais


com baixo escorregamento, normalmente utilizado em bombas, ventiladores, etc. Esta
categoria é dominante no mercado, por conseguir acionar cargas de diversos processos
produtivos.(ABNT, 2018)

• Categoria D - nesta categoria o motor apresenta alto conjugado de partida e corrente de


partida normal com baixo escorregamento, características necessárias em cargas com alta
inércia como transportadores, carregadores, etc.(ABNT, 2018)

• Categoria H - nesta categoria o motor apresenta conjugado de partida alto e corrente de


partida normal, porém com alto escorregamento, características necessárias em cargas que
apresentam picos periódicos, como exemplo podemos citar as prensas. Também são utili-
zado em cargas com conjugado de partida muito alto e corrente de partida limitada.(ABNT,
2018)

2.3 REGIMES DE CARGA

Segundo o International Electrotechnical Commission(IEC) um regime de carga é o grau


de regularidade da carga a qual o motor é submetido (WEG, 2016a)(COMMISSION, 2007).
Esta seção apresenta de forma breve os principais regimes de carga encontradas em processos
industriais.

1. Regime Contínuo S1 - Regime de carga no qual a carga é constante até que a máquina
atinga seu equilíbrio térmico, como mostrado na Figura 2. Para operar neste regime é
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 10

Figura 1: Curvas de Conjugado x Velocidade.(WEG, 2016a)

preciso respeitar as equações 2.1 e 2.2

PN >= PC (2.1)

tb l >= tP (2.2)

Onde,

• PN - Potência nominal de placa.

• PC - Potência da carga.

• tbl - Tempo de rotor bloqueado.

• tp - Tempo de partida.

Figura 2: Característica de carga do regime S1.(WEG, 2016a, p. 39)


Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 11

2. Regime de Tempo Limitado S2 - Regime de carga no qual a carga é constante por um


período de tempo menor que o necessário para que a máquina atinga seu equilíbrio térmico,
seguido por um período de resfriamento, como mostrado na Figura 3.

Figura 3: Característica de carga do regime S2.(WEG, 2016a, p. 40)

3. Regime Intermitente Periódico S3 - Regime no qual a carga apresenta ciclos idênticos


de atuação, e de repouso, como mostrado na Figura 4.

Figura 4: Característica de carga do regime S3.(WEG, 2016a, p. 40)

4. Regime Intermitente Periódico com Partidas S4 - Regime no qual a carga apresenta


um ciclo com três fases, sendo elas, partida, carga constante e repouso. Cujo tempo de
carga não é suficiente para que a máquina atinga seu equilíbrio térmico, como mostrado na
Figura 5.

5. Regime Intermitente Periódico com Frenagem Elétrica S5 - Regime no qual a carga


se comporta em ciclos idênticos, onde cada ciclo contem um período de partida, um de
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 12

Figura 5: Característica de carga do regime S4.(WEG, 2016a, p. 40)

carga constante, um de frenagem e um último desenergizado, sendo todos estes com tempo
insuficiente para que a máquina atinga seu equilíbrio térmico como mostrado na Figura 6.

Figura 6: Característica de carga do regime S5.(WEG, 2016a, p. 40)

6. Regime de Funcionamento Contínuo Periódico com Carga Intermitente S6 - Regime


no qual a carga apresenta ciclos idênticos, cada um deles composto por um período de
carga constante e um de funcionamento a vazio, ambos sem repouso, como mostrado na
Figura 7.

7. Regime de Funcionamento Contínuo Periódico com Frenagem Elétrica s7 - Regime


no qual a carga apresenta ciclos com três períodos distintos, sendo um período de partida,
um de carga constante e um de frenagem, ambos sem repouso, como mostrado na Figura 8.

8. Regime de funcionamento contínuo com mudança periódica na relação carga/velocidade


Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 13

Figura 7: Característica de carga do regime S6.(WEG, 2016a, p. 41)

Figura 8: Característica de carga do regime S7.(WEG, 2016a, p. 41)

de rotação S8 - Regime no qual a carga apresenta uma sequência de regimes idênticos,


onde cada um deles apresenta dois períodos, um período de partida e outro de carga
constante para determinada velocidade, seguidos de outros períodos com cargas constan-
tes diferentes, inerentes a velocidades diferentes, todos sem período de repouso, como
mostrado na Figura 9.

Figura 9: Característica de carga do regime S8.(WEG, 2016a, p. 41)


Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 14

9. Regime com variações não periódicas de carga e de velocidade S9 - Regime onde a


carga e velocidade tem variações não periódicas, inclusive com ciclos de carga que podem
apresentar carga superior à carga referência, respeitando os limites de funcionamento da
máquina, como mostrado na Figura 10.

Figura 10: Característica de carga do regime S9.(WEG, 2016a, p. 42)

10. Regime com cargas constantes distintas S10 - Regime que apresenta um número limi-
tado de cargas diferentes, ou seja, com limitadas combinações de carga e velocidade, onde
cada uma dessas combinações é mantida por tempo suficiente ao seu equilíbrio térmico.
Vale ressaltar que dentre os ciclos de carga pode haver ciclos com carga igual a zero, como
mostrado nas Figuras 11,12 e 13.

Figura 11: Característica de carga do regime S9.(WEG, 2016a, p. 42)

11. Regimes Especiais -Regimes nos quais a carga pode variar durante os períodos de funcio-
namento, podendo reversão ou frenagem por contracorrente.
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 15

Figura 12: Característica de carga do regime S9.(WEG, 2016a, p. 42)

Figura 13: Característica de carga do regime S9.(WEG, 2016a, p. 42)

2.4 TIPOS DE ACIONAMENTO

Nesta seção é mostrado o princípio de funcionamento dos principais tipos de acionamento


utilizados na indústria, a forma de acionamento de um motor é um parâmetro fundamental de
projeto, uma vez que ele delimita parâmetros que podem ser importantes de acordo com a carga,
como por exemplo a variação da velocidade e o conjugado. Além disso, alguns métodos de
partida tem como objetivo reduzir a corrente de partida, pelo fato de nos motores de indução
trifásicos ela ser extremamente elevada, podendo acarretar em sobre carga da rede e desgastes de
equipamentos auxiliares da máquina.(MORAES, 2013) (SOUZA, 2016)

Como um dos motivos principais para utilização de métodos alternativos de acionamento,


a possibilidade de variação da velocidade pode ser discutida com a análise da equação da
velocidade do motor de indução, mostrada na equação 2.3.(WEG, 2016b, p. 5)

f1
n = (120 × ) × (1 − s) (2.3)
p

Analisando a equação 2.3, é possível concluir que há três parâmetros que influem
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 16

diretamente na velocidade, o número de pólos, o escorregamento e a frequência da tensão no


estator, sendo esta última opção a base para funcionamento dos inversores de frequência.(WEG,
2016b, p. 5)

1. Acionamento Direto - Acionamento no qual a partida do motor é realizada pela ligação


direta da fonte trifásica aos terminais da máquina, sendo acionada por dispositivos seccio-
nadores, como, contatores e disjuntores. Para motores de potência elevada, onde na partida
pode ocorrer um afundamento de tensão de rede acima do permitido pelas normas, este
método não é recomendado.

2. Acionamento por Chave Estrela Triângulo - Acionamento no qual a partida do MIT é


a realizada com a tensão em configuração de estrela e após a aceleração da máquina é
realizada uma troca da tensão para estrela. Esta partida pode ser realizada por chaves pró-
prias, chamadas de chaves estrela-triângulo, e também pode ser montado com a utilização
de botoeiras, contatores e relés temporizadores. Neste método, o motor é acionado com
tensão de fase inferior à nominal, e depois de uma aceleração inicial, é feita a comutação
para configuração triângulo, onde a tensão de fase é maior. (MORAES, 2013, p. 16–17)
(SOUZA, 2016, p. 30)

3. Partida por Chave Compensadora - Acionamento no qual a partida do MIT é realizada


com o auxílio de um auto-transformador, que no momento da partida é responsável por
reduzir a tensão no momento no partida consequentemente reduzindo a corrente de partida
em até 64%. (SOUZA, 2016, p. 32)

4. Acionamento por Inversor de Frequência - Acionamento no qual a partida é realizada


por um inversor de frequência, que basicamente acelera o motor mantendo uma relação
de tensão e frequência constante até a frequência nominal da máquina como mostrado na
Figura 14, de forma a conservar as características de fluxo e conjugado da máquina e manter
a corrente de partida próxima a nominal, além da partida, como citado anteriormente, este
método é utilizado para controle de velocidade da máquina. (WEG, 2016b, p. 4–6)

5. Acionamento por Soft Starter - Acionamento no qual a partida é realizada por um


dispositivo eletrônico chamado Soft-Starter composto por pontes de tiristores, que por
sua vez são acionadas eletronicamente. O objetivo da sua utilização é tornar a partida
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 17

e a desenergização mais suaves, controlando assim a corrente de partida por meio de


reguladores de tensão provenientes nas pontes de tiristores.

Figura 14: Relação de tensão e frequência no acionamento por inversor.(WEG, 2016b, p. 6)

É recomendado tomar cuidado ao especificar o método de partida para determinados


tipos de carga, uma vez que os métodos de partidas indiretos acarretam na redução do conjugado
de partida da máquina, o que pode ocasionar no não acionamento mecânico da carga.(SOUZA,
2016, p. 3–7)

2.5 CONDIÇÕES DO AMBIENTE DE TRABALHO

Esta seção apresenta as variáveis envolvidas na parametrização do ambiente de trabalho


de um motor elétrico.

Temperatura - A temperatura do ambiente de trabalho do motor elétrico é uma parâme-


tro extremamente importante na tomada de decisão ao se especificar um motor. Este parâmetro
irá influir diretamente na temperatura interna do motor, que quando mal especificado pode sofrer
problemas prematuros de isolação.

Altitude - Grande parte dos motores elétricos é projetado para trabalhar em altitudes
abaixo de 1000 metros em relação ao nível do mar, isso se deve ao fato de ocorrer queda
da pressão atmosférica com a elevação da altitude, ocasionando em um ar mais rarefeito e
consequentemente circulando uma menor quantidade de ar na ventilação do motor. Segundo
(LOBOSCO; DíAZ, 1998) para a correção da potência admissível no motor quando este é
submetido a condições adversas de temperatura e altitude deve ser feita de acordo com as
equações a seguir.
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 18

ΘAD = ΘN + 40 − ΘA − ΘH (2.4)

Sendo,

H − 1000
ΘH = ΘN × (2.5)
10000

Assim, a nova potência nominal do motor fica:


s
ΘAD
PAD = PN × (2.6)
ΘN

Onde,

• PAD - Potência máxima após correções.

• PN - Potência nominal de placa.

• ΘH - Correção te temperatura devido a altitude.

• ΘN - Elevação da classe de isolamento do motor.

• H - Altitude.

Umidade - É importante armazenar e operar motores elétricos em locais com baixa


umidade, uma vez que seu excesso pode ocasionar problemas com a resistência de isolamento e
possíveis curtos internos.

Composição do ar - É de extrema importância verificar a composição do ar na planta


industrial onde o motor irá operar, caso seja detectada a presença de atmosfera explosiva, todos
os motores devem ser especiais para este tipo de ambiente, de modo a evitar acidentes futuros.

2.6 ANÁLISE ECONÔMICA DA AQUISIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE EQUIPAMEN-


TOS

Nesta seção são mostradas as principais ferramentas utilizadas por engenheiros para a
análise econômica de investimentos em equipamentos.

Payback - O Payback é o número de ciclos necessários para que o retorno do investimento


inicial ou das entradas líquidas acumuladas seja recuperado (SANVICENTE, 1987).
Capítulo 2. CONCEITOS PRELIMINARES 19

Taxa interna de retorno(TIR) - Segundo John Maynard Keynes (DILLARD, 1971)


taxa Interna de Retorno é uma taxa de desconto hipotética que, quando aplicada a um fluxo de
caixa, faz com que os valores das despesas, trazidos ao valor presente, seja igual aos valores dos
retornos dos investimentos, também trazidos ao valor presente. ela é utilizada para comparar um
investimento com suas receitas futuras.

Valor presente líquido(VPL) - É o método econômico para determinar o valor presente


de despesas e receitas futuras considerando uma taxa de juros e o custo inicial do investimento.
Em síntese, é a análise de quanto dos pagamentos futuros juntamente com o investimento inicial
valeriam no presente, pensando no conceito de dinheiro no tempo.

Substituição idêntica de um equipamento - Artifício baseado no conceito de vida


econômica do ativo, sendo muito utilizada por exemplo na substituição de veículos em empresas.
Esta substituição é feita devido ao aumento progressivo dos custos do ativo devido ao desgaste
do mesmo, sendo definida pelo número de períodos de posse do ativo que gere um custo anual
equivalente mínimo.

Substituição não idêntica de um equipamento - Método de substituição realizado


quando um novo ativo surge como oportunidade de melhoria econômica em relação ao existente.
Este método compara as despesas e receitas de ambos os ativos, com objetivo de definir o melhor
momento para substituição com base no valor anual equivalente de cada deles.

Baixa sem reposição de um equipamento - Ocasião na qual o equipamento perde a


função de uso, ocorrendo geralmente pela evolução do processo produtivo, ou do produto. Tal
substituição deve ser feita quando o Valor Presente Líquido (VPL) do ativo se torna negativo.
20

3 METODOLOGIA

Neste capítulo, serão mostrados os passos para o correto dimensionamento de um motor


de indução e os principais erros no dimensionamento de motores de indução trifásicos, desta
forma, posteriormente será possível quantificar as perdas técnicas e financeiras, decorrentes
destes erros.

De acordo com (JUNIOR; CHABU, 2017, p. 2) o dimensionamento de um motor de


indução trifásico pode seguir cinco distintos critérios, são eles:

1. Potência eficaz.

2. Conjugado máximo motor.

3. Conjugado motor e resistente de partida.

4. Tempo de Aceleração.

5. Potência disponível

De forma que o motor consiga:

• Acelerar a carga no tempo correto.

• Apresentar valores de fator de potência e rendimento corretos.

• Suportar as condições do regime especificado sem aumento exacerbado de temperatura.

Além das características do motor, é interessante verificar as condições da rede em que o


mesmo será instalado, como tensão e frequência, e também a resistência mecânica das fixações e
mancais.

Ao se especificar o motor para qualquer método de partida que trabalhe com tensão
menor que a nominal de placa da máquina, é necessário dar atenção às correções necessárias,
mostradas nas equações a seguir.(LOBOSCO; DíAZ, 1998)

CP0 = CP × (VP /VN )2 .2 (3.1)


Capítulo 3. METODOLOGIA 21

0
CK = CK × (VP /VN )2 (3.2)

t0bl = tbl × (VN /VP )2 (3.3)

Onde:

• CP - Conjugado de partida nominal.

• CK - Conjugado máximo de catálogo.

• tbl - Tempo máximo de rotor bloqueado.

• VN - Tensão nominal.

• VP - Tensão de partida.

Figura 15: Curvas características do motor de indução.(REZENDE; BISPO, 2015, p. 25)

Assim, respeitando as correções necessárias para situações adversas de funcionamento


citadas na seção 2, ou regimes intermitentes de trabalho, é possível se ter o dimensionamento
correto do motor. Se mesmo com as correções feitas algumas das limitações mecânicas ou
térmicas não forem satisfeitas, as soluções mais utilizadas são:

1. Especificar novo motor com potência imediatamente superior.

2. Especificar novo motor com classe de isolamento superior.

3. Especificar motor com mesma potência porém categoria diferente.


Capítulo 3. METODOLOGIA 22

4. Especificar um motor de rotor bobinado, para os casos de regime intermitente e alta inércia.

Desta forma podemos destacar os principais erros de dimensionamento como mostrado


nas seções a seguir.

3.1 MOTOR MAL DIMENSIONADO EM RELAÇÃO A POTÊNCIA

A potência mecânica demandada pela carga é um parâmetro de extrema importância no


dimensionamento de um motor. Tratando deste quesito, o erro pode ser o sub-dimensionamento
ou o superdimensionamento. Para avaliar o fator de carregamento do motor, um dos métodos
mais utilizados é o método da linearização, onde conhecendo os dados nominais motor é possível
definir o conjugado de trabalho através das equações 3.4, 3.5 e 3.6.

nsincrona − ntrabalho
Ttrabalho = Tnominal × (3.4)
nsincrona − nnominal

Ptrabalho
Fc = (3.5)
Pnominal

Onde,

.Ptrabalho = Ttrabalho × ntrabalho (3.6)

Vale ressaltar que a característica de potência de uma carga varia drasticamente, quanto
ao tipo de carga, e como ela é trabalhada ao longo do tempo, como mostrado na seção 2.3.

Para fins de normalização de parâmetros, geralmente é considerado que um motor está


bem dimensionado quando trabalha próximo a 90% da sua potência nominal (REZENDE;
BISPO, 2015). Além do parâmetro de potência nominal, é necessário dar atenção para o regime
de partida, o qual normalmente é o mais crítico para a máquina.

Para fins de redundância da proteção da máquina, segunda a WEG (WEG, 2016a, p. 35)
é recomendada a utilização de sensores de temperatura, de modo a evitar danos causado por
sobre aquecimento.
Capítulo 3. METODOLOGIA 23

3.1.1 MOTOR SUB-DIMENSIONADO

Levando em consideração o índice ótimo de carregamento como 90% (REZENDE;


BISPO, 2015) será considerado que um motor de indução está sub-dimensionado quando o fator
de carregamento é superior a 1.

Neste caso específico de erro, as consequências estão relacionadas a:

• fadiga precoce de componentes mecânicos da máquina.

• problemas de isolação.

• vibração em excesso.

• ruído em excesso.

• mal acionamento da carga.

• sobreaquecimento

O capítulo 4 deste relatório, exemplifica a diferença parâmetros importantes como


relatórios de manutenção, onde será visto claramente os pontos de negativos de sobrecarregar á
máquina.

É extremamente importante salientar que juntamente com o dimensionamento correto


da potência da máquina, é necessário dimensionar corretamente os dispositivos de proteção de
sobrecarga da máquina, como relés e disjuntores termomagnéticos.

3.1.2 MOTOR SUPERDIMENSIONADO

Em contrapartida ao caso anterior, será considerado que um motor está superdimen-


sionado quando o fator de carregamento é inferior a 0,75. (REZENDE; BISPO, 2015). Este
parâmetro de carregamento pode variar de acordo com o regime de trabalho, uma vez que regimes
severos requerem atenção quanto ao comportamento térmico da máquina mostrado na seção 2.5,
onde muitas vezes é necessário aumentar a potência nominal do motor. Neste caso as principais
consequências negativas estão relacionadas a:

• Redução do fator de potência e da eficiência. (GOETDEL, 2006)


Capítulo 3. METODOLOGIA 24

• Investimento maior que o necessário.

• Injeção de reativo na rede acima do padrão para o processo.

• Maior gasto com energia.

Todos esses itens podem ser facilmente checados na Figura 15, onde é possível notar o
comportamento do fator de potência e do rendimento para a variações de carga.

O capítulo 4 mostra o comparativo econômico de investimento ao adquirir o motor, e das


diferenças de custo com energia de ambos os casos.

3.2 MOTOR DIMENSIONADO COM CONJUGADO INCORRETO

Na partida e operação do motor é necessário considerar os conjugados presentes no


processo de conversão de energia, sendo eles o conjugado motor, o conjugado resistente da
carga e o conjugado resistente do rotor, ambos definidos no capítulo 2. De forma resumida, o
conjugado motor sempre deve ser maior que a soma dos conjugados resistentes.

Salientando que os regimes de partida podem apresentar conjugados muito superiores ao


conjugado nominal da carga. Sendo assim, o projetista deve dimensionar o motor de forma que
seu conjugado máximo suporte os picos de conjugado da carga, e ainda apresente uma margem
de cerca de 20%.(JUNIOR; CHABU, 2017, p. 02)

A escolha do motor levando em consideração o conjugado pode ser iniciada pela escolha
da categoria do motor, que diferencia nitidamente a característica de conjugado de cada máquina.
A diferença no conjugado para motores de categorias diferentes pode ser observado na Figura 1.

A Figura 16 exemplifica como deve ficar o conjugado após o correto dimensionamento


do motor.

Onde,

• n = velocidadenominal.

• ns = velocidadesincrona.

• Cmax = conjugadomximo.

• Cp = conjugadodepartida.
Capítulo 3. METODOLOGIA 25

Figura 16: Relação entre conjugado motor e conjugado resistente da carga.(WEG, 2016a, p. 56)

• Cr = conjugadoresistente.

3.3 MOTOR DIMENSIONADO COM CATEGORIA DE ISOLAÇÃO INCORRETA

Os limites admissíveis da temperatura de operação de uma máquina elétrica dependem


majoritariamente dos materiais componentes da isolação da mesma (WEG, 2016a, p. 35). Para
auxiliar no correto emprego da isolação, os motores são divididos em cinco classes de isolação,
como mostrado na tabela 2.

Tabela 2: Classes de isolação de motores elétricos.(ABNT, 2018)

Classe Temperatura(◦ C)
A 105
E 120
B 130
F 155
H 180

Os efeitos da escolha incorreta da classe de isolação são mais qualitativos que quanti-
tativos, uma vez que a presivibilidade de falha da máquina devido a esse quesito, depende das
características de uso da máquina. No capítulo 4, será mostrado comparativo pontual entre um
motor com a isolação correta e outra dimensionado incorretamente.
Capítulo 3. METODOLOGIA 26

3.4 SUBSTITUIÇÃO DE MOTORES CONVENCIONAIS POR MOTORES DE ALTO


RENDIMENTO

Devido ao alto custo da energia elétrica e ao fato de 68% da energia consumida pela
indústria nacional ser direcionada a motores elétricos (WEG, 2012), é interessante que os motores
em atividade tenham a maior eficiência possível. Devido a isso, e a fatores históricos ocorridos
no país, relacionados a falta e racionamentos de energia, principalmente no início dos anos 2000,
foram criados programas de incentivo à modernização de equipamentos. Aqui trataremos do
programa de incentivo a substituição de motores convencionais por motores de alto rendimento.

Os fabricantes de motores trabalham com duas classes de motores, a classe Standard e


a classe Alto Rendimento. Ambas as classes oferecem as mesmas características operacionais,
de forma que o dimensionamento do motor independe da classe, sendo este um parâmetro de
escolha livre do projetista. Esta escolha apresenta lados positivos e negativos, de forma que, o
lado positivo é que o motor de alto rendimento entrega as mesmas características operacionais
com menor consumo de energia elétrica, já o ponto negativo é que os motores de alto rendimento
podem custar de 20% a 50% mais que os motores standard. (JUNIOR; CHABU, 2017, p. 1)

Desta forma é recomendado utilizar os métodos de análise de viabilidade econômica


descritos na seção 2.6, para definir a viabilidade de substituir ou não um motor standard por
um de alto rendimento e qual o melhor momento para a substituição. O capítulo 4 mostrará o
comparativo econômico para ambas as opções.

Para o comparativo entre as categorias standard e de alto rendimento, o principal parâ-


metro de comparação será o fator econômico na operação de ambos. Para tal comparação serão
definidos os seguintes parâmetros para ambos os motores:

• Tempo de operação diário igual a 12 horas.

• Tempo de operação em período de ponta igual a 4 horas.

• Tempo de operação em período fora de ponta igual a 8 horas.

• Custo da energia em período de ponta igual a R$ 1,97469 por kWh.

• Custo de energia em período fora de ponta igual a R$ 0,36597 por kWh.

• Carregamento para ambos os motores igual a 90%.


Capítulo 3. METODOLOGIA 27

• Vida útil igual a 20 anos.

• Fator de potência de ambas as classes igual a 0,9.

Para a substituição será considerado um motor de alto rendimento com características de potência
iguais ao standard. A tabela mostra os dados de rendimento de ambas as categorias.

Tabela 3: Comparativo de rendimento entre as categorias Standard e Alto Rendi-


mento.(MARTINS, 2015, p. 2)

Potência(CV) Pólos Carcaça Rendimento Standard Rendimento AR


1 4 80 79,5 82,6
2 4 90S 82,5 84,0
3 4 90L 83,0 85,0
5 4 100L 85,5 88,0
7,5 4 112M 88,0 90,0
10 4 132S 89,0 91,0
15 4 132M 88,5 91,7
20 4 160M 90,2 92,4
25 4 160L 91,0 92,6
30 4 180M 91,0 93,0
40 4 200M 91,7 93,0
50 4 200L 92,4 93,2

Para o cálculo do consumo e custo de energia mensal de cada motor serão utilizadas as
equações 3.7, 3.8 e 3.9.

P otenciacv × 0, 736
DemandakW = (3.7)
Rendimento% × F atordeP otencia

P otenciakW × T empodeoperacaoh
ConsumokW h = (3.8)
Rendimento%

Custoreais = ConsumokW h × T arif areais (3.9)

3.5 MOTORES ACIONADOS POR INVERSORES DE FREQUÊNCIA

Como visto anteriormente, existem vários métodos para acionamento de um motor, nesta
seção vamos abordar o acionamento por inversores de frequência por modulação de largura de
pulso(PWM). Este tipo de acionamento terá destaque, pelo fato de influir diretamente na escolha
Capítulo 3. METODOLOGIA 28

do motor, uma vez que pode ser necessário dimensionar máquinas com características diferentes
se comparando com um método de acionamento direto.

Além das vantagens proporcionadas pelo uso do inversor de frequências, é preciso


ressaltar as consequências negativas, relacionadas principalmente às componentes harmônicas
(WEG, 2016b, p. 10). Dentre as principais consequências negativas, são destaque:

• Aumento das perdas.

• Aumento da temperatura.

• Aumento de vibrações e ruídos.

• Queda do rendimento.

Essas consequências negativas podem ser parcialmente sanadas com a utilização de


equipamentos auxiliares, como por exemplo, filtros passivos. (WEG, 2016b, p. 10)
29

4 RESULTADOS

4.1 MAL DIMENSIONAMENTO DE MOTORES

Tabela 4: Características médias de operação de um motor de indução.(Dados retirados da


Figura 15

Características de operação
Carga (%) 130% 120% 100% 75% 50% 30% 0%
RPM 1760 1760 1760 1760 1760 1760 1760
Rend (%) 87% 88% 90% 91% 89% 84% 0%
Fp 0,83 0,84 0,84 0,8 0,68 0,54 0,15

É interessante salientar que, alguns parâmetros para o dimensionamento correto de um


motor podem muitas vezes ser de difícil acesso para engenheiros eletricistas, como por exemplo
potência mecânica da carga e inércia da carga, uma vez que o levantamento dessas constantes
mecânicas requer um bom conhecimento de conceitos que fogem da grade tradicional dos cursos
de engenharia elétrica, sendo importante que o profissional procure se aperfeiçoar nestes quesitos
de forma paralela.

4.1.1 CONSEQUÊNCIAS DO SUBDIMENSIONAMENTO DE MOTORES

Como citado na seção 2.5 o sub-dimensionamento do motor acarreta em problemas


térmicos, principalmente quando o sistema de proteção contra sobrecarga é inexistente ou
mal dimensionado. A Figura 17 mostra a diferença de temperatura em motores de mesma
potência e dados de placa, submetidos a diferentes condições de carga, sendo o primeiro em
condições normais e o segundo em condições de sobrecarga em ensaios realizados em um
sistema de bombeamento (SILVA, 2012). No segundo caso a corrente no motor supera em 80
A a corrente nominal, o que como citado na seção 2.5 causa desgaste precoce do isolamento e
consequentemente diminuição da vida útil da máquina.

Como visto na tabela 4, o trabalho do motor em regime de sobre carga acarreta em


diminuição do fator de potência e do rendimento, parâmetros que juntos influem diretamente
na demanda do motor como mostrado na equação 3.7. Algumas consequências nesse caso são
qualitativas, uma vez que não é possível prever exatamente quando o motor irá falhar devido a
Capítulo 4. RESULTADOS 30

Figura 17: Comparação de temperatura para cargas distintas.(SILVA, 2012, p. 4)

sobre carga, porém no ato da falha, o prejuízo financeiro é eminente, uma vez que as soluções
disponíveis para este caso são de custo elevado, sendo recomendado substituir a máquina antes
da falha para evitar também a parada inesperada do processo de bombeamento.

4.1.2 CONSEQUÊNCIAS DO SUPERDIMENSIONAMENTO DE MOTORES

O superdimensionamento do motor, em contra partida a subseção 4.1.2 não acarretam em


danos à máquina, neste caso a preocupação maior é com suas características de funcionamento.
Como visto na tabela 4 o motor referido trabalhando com fator de carregamento em 50%, tem
consequentemente:

• Fator de potência igual a 0,68.

• Rendimento em 89%.

De acordo com a equação 3.7, considerando a necessidade de um motor de 5 CV.

Motor de 5CV trabalhando com 100% de carga:

5 × 0, 736
DemandakW = = 4, 86 (4.1)
0, 90 × 0, 84

Motor de 10CV trabalhando com 50% de carga:

5 × 0, 736
DemandakW = = 6, 08 (4.2)
0, 89 × 0, 68
Capítulo 4. RESULTADOS 31

Essa diferença de 25% na demanda do motor, acarreta em maior consumo de energia,


e principalmente em maior consumo de energia reativa, que pode ocasionar em multas e mais
prejuízo financeiro, além de elevar a demanda contratada da instalação.

É interessante ressaltar que em uma planta industrial pode haver centenas de motores, e
a contribuição de todos eles na demanda e na energia reativa é bastante significativa.

4.2 SUBSTITUIÇÃO DE MOTORES CONVENCIONAIS POR MOTORES DE ALTO


RENDIMENTO

Com as informações da seção 3.4, e considerando os dados para motores de 4 pólos e


com potência de 25 cv é possível calcular a diferença de custos de energia entre os motores, e
posteriormente calcular a economia anual gerada pela substituição, dados mostrados nas tabelas
5 e 6.

Tabela 5: Cálculo de consumo de energia.(Produção autoral)


Custo Anual de Energia – Tarifa Azul
Tarifa de energia Período Demanda Consumo(kWh) Consumo(R$)
Motor Standard
Descrição R$/kW R$/MWh Hora/mês Mês/ano kW kWh/mês kWh/ano R$/mês R$/ano
Demanda FP R$ 0,37 R$ 366,00 240,0000 12,0000 22,4664 5391,9360 64703,2320 R$ 1.973,43 R$ 23.681,19
Demanda P R 1,97 R$ 1.974,69 120,0000 12,0000 22,4664 2695,9680 32351,6160 R$ 5.323,70 R$ 63.884,41
Motor Alto Rendimento
Descrição R$/kW R$/MWh Hora/mês Mês/ano kW kWh/mês kWh/ano R$/mês R$/ano
Demanda FP R$ 0,37 R$ 366,00 240 12 22,0782 5298,768 63.585 R$ 1.939,33 R$ 23.272,00
Demanda P R$ 1,97 R$ 1.974,69 120 12 22,0782 2649,384 31.793 R$ 5.231,71 R$ 62.780,55

Embora os valores mostrados nas tabelas 6 e 5, sejam diferentes dois valores mostrados
na simulação realizada no sistema WEG, as diferenças eram esperadas pelo fato de os parâmetros
utilizados no cálculos serem aproximações e os parâmetros WEG serem reais e também pelo fato
de a simulação considerar somente um valor de tarifa e o cálculo considerar valores em períodos
de ponta e fora de ponta.

Através do sistema de calculo de retorno da fabricante WEG, e considerando um motor


standard com 15 anos de uso, foi possível obter os parâmetros econômicos mostrados nas Figuras
18, 19, 20 e 21.

Comprovando assim, por ambos os métodos a boa viabilidade econômica do investimento


e o retorno financeiro em curto espaço de tempo.
Capítulo 4. RESULTADOS 32

Tabela 6: Comparativo de rendimento entre as categorias Standard e Alto Rendimento.(Produção


autoral)
Fluxo financeiro da
substituição
Investimento R$ 5.250,00
Taxa de Juros Anuais 11%
Motor Padrão Motor de alto rendi-
mento
Ano Custo de energia consu- Custo da energia consu- Receitas (R$)
mida (R$) mida (R$)
1 R$ 63.884,41 R$ 62.780,55 R$ 1.103,87
2 R$ 66.759,21 R$ 65.605,67 R$ 1.153,54
3 R$ 69.763,38 R$ 68.557,92 R$ 1.205,45
4 R$ 72.902,73 R$ 71.643,03 R$ 1.259,70
5 R$ 76.183,35 R$ 74.866,97 R$ 1.316,38
6 R$ 79.611,60 R$ 78.235,98 R$ 1.375,62
7 R$ 83.194,12 R$ 81.756,60 R$ 1.502,21
9 R$ 90.850,06 R$ 89.280,25 R$ 1.569,81
10 R$ 94.938,32 R$ 93.297,86 R$ 1.640,45
11 R$ 99.210,54 R$ 97.496,27 R$ 1.714,27
12 R$ 103.675,01 R$ 101.883,60 R$ 1.791,41
13 R$ 108.340,39 R$ 106.468,36 R$ 1.872,03
14 R$ 113.215,71 R$ 111.259,44 R$ 1.956,27
15 R$ 118.310,41 R$ 116.266,11 R$ 2.044,30
16 R$ 123.634,38 R$ 121.498,09 R$ 2.136,30
17 R$ 129.197,93 R$ 126.965,50 R$ 2.232,43
18 R$ 135.011,84 R$ 138.649,50 R$ 2.437,87
20 R$ 147.436,30 R$ 144.888,73 R$ 2.547,57

Figura 18: simulação de substituição não idêntica realizada no sistema WEG.(WEG, 2018)
Capítulo 4. RESULTADOS 33

Figura 19: Dados do investimento.(WEG, 2018)

Figura 20: Tempo de retorno financeiro da substituição(Payback).(WEG, 2018)

Figura 21: Fluxo de caixa da substituição.(WEG, 2018)


34

5 CONCLUSÃO

Este trabalho apresentou uma análise dos principais desafios no dimensionamento de


motores de indução trifásicos, com foco na análise de parâmetros técnicos de cada máquina e
também em fatores econômicos. Para o desenvolvimento do trabalho, foram utilizadas principal-
mente informações técnicas disponibilizadas pela fabricante WEG, além das normas vigentes
para construção e operação de motores.

Como visto no capítulo 2 as consequências do dimensionamento incorreto de um motor


podem ser tanto mensuráveis, quanto imensuráveis, como exemplo, uma consequência mensurá-
vel importante e a varição potência drenada pelo motor devido a variação da carga, consequência
esta que influi diretamente no consumo da máquina, em contrapartida, uma consequência imensu-
rável por exemplo é a vida útil da máquina devido a interpretação incorreta do regime de trabalho.
O capítulo 2 definiu para fins de conhecimento a maior parte destas consequências, enquanto o
capítulo 4 apresentou os dados relacionados às principais consequências mensuráveis.

Como mostrado no capítulo 4, para a maior parte das causas de mal dimensionamento
as consequências finais são financeiras, seja por quebra do equipamento e necessidade de
substituição, ou por tempo de produção perdido. Dentre os dados mostrado é notável a diferença
de rendimento, e consumo para os motores dimensionados com potência incorreta, diferenças
essas que resultam em até 20% de aumento na demanda da máquina, além das consequências
imprevisíveis como parada inesperada da máquina.

Além do impacto direto nos motores, o correto dimensionamento acarreta em benefícios


indiretos como o uso eficiente da energia, conservação das instalações, maior segurança para os
operadores da máquina.
35

6 PROPOSTAS DE TRABALHOS FUTUROS

Trabalhos futuros apresentarão a evolução deste estudo com objetivo de tornar mais
rápida a tomada de decisão no dimensionamento dos motores em situações reais da indústria.
36

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