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Leitura

complementar

Intervenção
Breve em álcool
Tiago Rocha Pinto
Intervenção Breve em álcool
As problemáticas relacionadas ao álcool podem ser diagnosticadas em locais de cuidados
primários. Existem abordagens simples e eficazes para a abordagem do uso nocivo, e que
podem perfeitamente ser aplicadas na rede básica de cuidados de saúde, com um mínimo
de capacitação de seu pessoal.

Uma dessas abordagens, chamada de Intervenção Breve, se baseia na identificação do


padrão de ingestão de bebidas alcoólicas, de suas consequências e na motivação do paciente
para mudar esse padrão. Nesse intuito identificam-se três padrões principais de bebedores:

• Abstêmios: não tomam nenhuma bebida alcoólica; podem ser subdivididos em abstêmios de toda
a vida, aqueles que nunca tomaram bebida alcoólicas (ou apenas provaram alguma), e os abstê-
mios, ex-bebedores que deixaram de beber por alguma razão, das quais as mais importantes são
motivos de saúde, pressão social ou motivos religiosos.

• Bebedores sem risco: bebem pouca quantidade (em geral menos de 2 doses por dia) e nunca
exageram (mais de 4 doses de uma única vez). São os verdadeiros bebedores sociais.

• Bebedores de risco: também chamados de bebedores problema, tomam grandes quantidades


regularmente (mais de 2 doses) e/ou quantidades exageradas (mais de 4 doses por vez) ocasional
ou regularmente; a combinação de frequência e quantidade da ingestão permite classificar o risco
em baixo, médio o alto. Nesta categoria de bebedores encontramos com frequência algum dos
diagnósticos indicados acima.

O questionário AUDIT é curto e de fácil aplicação, facilitando a identificação do nível de risco,


baseado no padrão de ingestão e em suas consequências já presentes, e sua pontuação
indica o seguinte:

• 0 a 7: baixo risco

• 8 a 15: uso arriscado (risco moderado)

• 16 a 19: uso nocivo (risco elevado)

• acima de 20: provável dependência do álcool

Para baixo risco, recomenda-se apenas informação geral sobre os efeitos das bebidas;
no caso de risco moderado ou elevado, aplicação da Intervenção Breve; no caso de depen-
dência, desintoxicação e tratamento.

Leitura complementar
Intervenção breve em álcool
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Plano de Motivação
para a abstinência e a redução
da ingestão de bebidas alcoólicas
Para pacientes com escore no AUDIT entre 9 e 19
• Explique ao/à paciente o significado do resultado do teste AUDIT:

• 0 a 7: baixo risco

• 8 a 15: uso arriscado (risco moderado)

• 16 a 19: uso nocivo (risco elevado)

• acima de 20: provável dependência do álcool.

Peça ao/à paciente para fazer um balanço por escrito das vantagens e desvantagens de
beber e de não beber (formulário em anexo). Para os que tiverem dificuldade para escrever,
peça para ele/ela falar e escreva você mesmo/a.

• Reflita com ele/a sobre as dificuldades que está vivendo.

• Ajude-o/a avaliar seu comportamento para que possa chegar às suas próprias conclusões.

• Reconheça a relutância e ambivalência e ajude-o/a a analisar as opções existentes.

• Explique quanto aos prejuízos causados pelo álcool e os benefícios do uso moderado e da abstinência.

• Aconselhe a reduzir o seu padrão de beber atual, apontando os riscos específicos a que está
sujeito/a em decorrência do consumo acima do recomendável.

• Oriente no sentido de que a opção seja pelo beber de baixo risco ou pela abstinência, se a pessoa
concordar.

• Sugira que o/a paciente se submeta ao programa de IB.

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Intervenção breve em álcool
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