João Paulo Pires de Castro

XUXA: A FRUSTRAÇÃO VIRTUAL DE UM MITO
uma análise da utilização da ferramenta Twitter pela apresentadora e a repercussão na blogosfera

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2010

9

João Paulo Pires de Castro

XUXA: A FRUSTRAÇÃO VIRTUAL DE UM MITO
Uma análise da utilização da ferramenta Twitter pela apresentadora e a repercussão na blogosfera

Monografia apresentada ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Jornalismo. Orientador(a): Lorena Tárcia

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2010

Dedico este trabalho a tudo e a todos que me motivaram a realizá-lo. Minha mãe, por seu amor incondicional. A Xuxa que me despertou ainda na infância, o sonho de me comunicar pela televisão. A prima Tânia Mara, a precursora do ofício na família. Tio Helinho e Dindinha, que proveram todos os recursos financeiros do meu curso de jornalismo, e assim tornando viável a conquista.

RESUMO

O tema do culto às celebridades está envolvido em todas as camadas da sociedade. Sejam bons ou ruins, estes seres produzidos pela mídia ocupam um enorme espaço na vida de seus fãs. Atualmente com o despertar do mundo para a internet e todas as opções que seu uso propicia, ficou mais fácil aproximar-se destes seres olimpianos. Diante deste novo contexto midiático e interativo, em que as pessoas comuns são o ponto principal na criação ou destruição de ídolos e celebridades, este estudo buscou mostrar como este novo comportamento atinge as celebridades. A pesquisa enfoca a relação da apresentadora Xuxa em relação aos seus fãs no período de utilização da ferramenta Twitter e a repercussão da saída da apresentadora na blogosfera. Os instrumentos de pesquisa foram o SCUP e o TweetEffect. Os principais resultados apontam o poder das mídias alternativas, demonstrando o desafio enfrentado por uma celebridade ao entrar em contato direto com seu público, sem a mediação da imprensa ou assessores.

PALAVRAS-CHAVE: Twitter, celebridades, mídia, comunicação

LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Xuxa, no auge da carreira. Fonte: MuitaMúsica ...................................................... 27 Figura 2: disco que levou a cantora ao Livro dos Recordes. Fonte: MuitaMúsica ................. 28 Figura 3: seguidores e seguidos no Twitter de Xuxa. Fonte: (@xuxameneghel). ................... 29 Figura 4: 1ª mensagem de Xuxa no Twitter ............................................................................. 30 Figura 5: mensagem busca garantir a veracidade do perfil de Xuxa no Twitter ...................... 30 Figura 6: Xuxa publica foto em que utiliza um notebook aparentemente para twittar. ........... 31 Figura 7: linguagem de Xuxa no Twitter.................................................................................. 31 Figura 8: Xuxa utiliza caixa alta no Twitter, contrariando os princípios da Netiqueta ............ 32 Figura 9: Xuxa continua utilizando caixa alta em suas mensagens .......................................... 33 Figura 10: o primeiro desentendimento com o público ............................................................ 34 Figura 11: mensagens em caixa baixa com teor institucional .................................................. 34 Figura 12: Xuxa justifica o uso de caixa alta no Twitter .......................................................... 35 Figura 13: mais uma justificativa. #ÉOMEUJEITINHO vira hashtag .................................... 35 Figura 14: Xuxa tenta dialogar com seus críticos..................................................................... 36 Figura 15: Xuxa apela contra as críticas no Twitter ................................................................. 36 Figura 16: Xuxa demonstra conforto pela aceitação por parte de seus fãs............................... 36 Figura 17: Xuxa tenta convencer os fãs de que pode escrever com o "seu jeitinho" ............... 37 Figura 18: Xuxa se desculpa por erro de português e comete outros ....................................... 37 Figura 19: novo embate de Xuxa com seguidores .................................................................... 38 Figura 20: apresentadora tenta desfazer o mal entendido com brincadeira .............................. 38 Figura 21: o dia-a-dia de Xuxa vai para o Twitter ................................................................... 39 Figura 22: diálogo público com outra celebridade ................................................................... 39 Figura 23: troca de mensagens entre Xuxa e a amiga Ivete Sangalo ....................................... 40 Figura 24: Tweet de Xuxa à amiga de Sasha............................................................................ 40 Figura 25: "diálogo" de Xuxa com uma fã ............................................................................... 41 Figura 26: Xuxa responde questionamento de fã ..................................................................... 41 Figura 27: Xuxa brinca com fã no Twitter ............................................................................... 41 Figura 28: Xuxa expõe sua dificuldade em lidar com a dinâmica do Twitter .......................... 42 Figura 29: Xuxa com a filha Sasha. Fonte: (@xuxameneghel). .............................................. 42 Figura 30: erro de português de Sasha no Twitter .................................................................... 43 Figura 31: mensagem de Xuxa deletada do Twitter, mas recuperada por um usuário ............. 43 Figura 32: Xuxa se despede dos fãs no Twitter ........................................................................ 44 Figura 33: última mensagem de Xuxa ...................................................................................... 44 Figura 34: Entrada do site. Fonte: (Site Oficial). ..................................................................... 45 Figura 35: Tela do Twitter pessoal de Xuxa Meneghel, atualizado em 26 de agosto de 2009. Fonte: (Site G1). ....................................................................................................................... 45 Figura 36: Tela do Twitter pessoal de Xuxa Meneghel, atualizado em 07 de maio de 2010. .. 46 Figura 37: Tela de críticos do Twitter de Xuxa Meneghel, 2010. Fonte: blog hein?!?. ........... 48 Figura 38: Tela dos retwíttes dos usuários da ferramenta. Fonte: blog hein?!?. ...................... 49 Figura 39: vídeo no Youtube .................................................................................................... 50 A seguir, a análise com base nos resultados da conta da apresentadora Xuxa Meneghel Figura 40: Tabela de dados com análise referente a perfis do microblog. Fonte TweetEffect ........... 51 Figura 41: Análise do caso Xuxa na blogosfera. Fonte: Scup .................................................. 54 Figura 44: Informação sobre o suposto processo. Fonte: Blog “jogando praga” ..................... 57 Figura 45: Aviso quanto ao conteúdo das postagens. Fonte: Blog “jogando praga” ............... 57 Figura 46: Quadro dos termos mais citados. Fonte : Scup ....................................................... 58

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 6 1 MITO E A CULTURA DE MASSA ................................................................................... 9 1.1 Olimpianos da mídia............................................................................................................. 9 1.2 A construção de uma celebridade ....................................................................................... 12 1.3 A excentricidade de um mito e a relação com os fãs ......................................................... 14 1.4 Visibilidade como atributo de um ídolo ............................................................................. 17 2 NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO ...................................................................... 19 2.1 Interatividade social ............................................................................................................ 19 2.2 O aparato da mídia social ................................................................................................... 20 2.2.1 Blogosfera....................................................................................................................... 21 2.2.2 Twittosfera: a mensagem limitada a 140 caracteres ...................................................... 22 3 XUXA: A FRUSTRAÇÃO VIRTUAL DE UM MITO ................................................... 26 3.1 Objetivo e metodologia ...................................................................................................... 26 3.2 Quem é Xuxa Meneghel ..................................................................................................... 27 3.3 Xuxa no Twitter .................................................................................................................. 29 3.3.1 Episódio inicial ................................................................................................................ 29 3.3.2 Narrativas de bastidor ..................................................................................................... 31 3.3.3 A quebra da netiqueta: o uso de caixa alta nas mensagens ............................................ 33 3.3.4 Os erros de português...................................................................................................... 37 3.3.5 A interatividade e o embate com o público ..................................................................... 38 3.3.6 O lado “humano” do mito ............................................................................................... 39 3.3.7 Perfis falsos ..................................................................................................................... 39 3.3.8 Circuito fechado no relacionamento virtual ................................................................... 39 3.3.9 Relacionamento com os fãs ............................................................................................. 40 3.3.10 Sasha no Twitter ............................................................................................................ 41 3.3.1.1 Episódio final................................................................................................................ 44 3.4 O desenrolar do ocorrido .................................................................................................... 46 3.4.1 Entre amigas .................................................................................................................... 46 3.4.2 Relação dos “fãs” ........................................................................................................... 48 3.4.3 Retwíttes .......................................................................................................................... 49 3.5 Mapeando a passagem de Xuxa pelo Twitter ..................................................................... 50 3.5.1 TweetEffect e seus resultados .......................................................................................... 50 3.5.2 A imagem de Xuxa medida pelo SCUP na blogosfera .................................................... 53 CONCLUSÃO......................................................................................................................... 59 REFERENCIAS ..................................................................................................................... 63 ANEXOS..................................................................................................................................65 Anexo A - Arquivo pessoal - O encontro do autor e o objeto de estudo em 1994 ..................65

6

INTRODUÇÃO Assistimos, no final do século vinte, à aceleração do processo de reestruturação mundial, derrubada de fronteiras nos vários campos do universo cultural, social e histórico. Devido ao fenômeno conhecido como “globalização”, que se caracteriza pela transformação do mundo em um único bloco, no qual indivíduos de todas as partes podem obter informações e trocar opiniões em tempo real, essas mudanças são inevitáveis. Toda essa revolução só foi possível com o advento dos computadores pessoais e posteriormente da rede mundial de comunicação, a internet. A conexão em rede e a web possibilitaram a formação de novas formas de interação, organização e atividades sociais, por possuirem como características básicas, o uso e o acesso potencialmente livre e democrático1. Este trabalho foi desenvolvido tendo como objetivo conhecer o impacto da internet sobre as celebridades e em seus públicos através das redes sociais - de forma particular o Twitter - que possibilita a interatividade do público com os astros midiáticos. Entre as muitas questões que nos motivaram, procuramos definir redes sociais na internet, conhecer estas redes sociais, analisar as estratégias utilizadas por algumas celebridades para divulgação e manutenção da imagem de mito e analisar a repercussão da informação repassada no Twitter e na blogosfera. Este estudo se justifica e é importante, uma vez que a nova relação entre público e celebridade representa ainda muitos questionamentos. No contexto online, este tema passa a ter maior

relevância, já que inúmeros fatos ocorridos nestes espaços são de importância para se entender os desafios da Sociedade em Rede. O estudo levanta esta discussão e busca conhecer as consequências do uso da ferramenta Twitter pela apresentadora Xuxa. Procuramos entender como o microblog é usado por uma celebridade, cujo contato com seu público quase sempre esteve cercado pelo filtro da mídia ou de assessores.

1

Não entraremos aqui no debate sobre a exclusão digital e o bloqueio de acesso à rede em países de regime restritivo

8

Pessoalmente, o estudo colabora em minha formação profissional, na medida em que as redes sociais têm se tornado importante campo para o trabalho de jornalistas. O referencial teórico reúne pensamentos de autores diversos, considerando aspectos importantes e pertinentes à pesquisa. No primeiro capítulo, foram apresentados os diversos conceitos de Mito e Cultura de Massa. Thompson (1998), Morin (1997), Barbero (1993) são referenciais clássicos na discussão sobre o papel das mídias na construção e promoção dos chamados olimpianos. Valim (2001) refere-se aos estudos de Kellner sobre sua Teoria Social Multiperspectivística e de Estudos Culturais da Mídia. Ainda neste capítulo, Rojek (2001) aborda os caminhos da construção de uma celebridade e Cunha discute o papel dos fãs nesta complexa relação. Por fim, Fidalgo (2007), Pena (2002) e Bruno (2005) ressaltam a visibilidade midiática das celebridades.

A segunda parte traz um enfoque da Comunicação e Ciberespaço, novas formas de comunicação. Freire Filho (2007) discute convergência e interatividade, assim como o papel dos fãs na construção das novas relações mediadas pelas tecnologias digitais. O aparato das mídias sociais inclui a blogosfera (Tomazelli, 2009), a Twittosfera (Rodrigues, 2009), além de sites de relacionamento como Facebook e Orkut (Honorato, 2010).

No terceiro capítulo, a análise recebe o suporte de duas ferramentas de medição virtuais, o Scup e o TweetEffect. Foi possível, desta forma, não só reconstituir a passagem de Xuxa e sua filha Sasha pelo Twitter, como avaliar a repercussão do fato no universo dos blogs.

Esperamos, com este estudo, contribuir para ampliar os debates a respeito de ferramentas recentes na web e seu impacto no universo das comunicações e relações sociais.

9

1 MITO E A CULTURA DE MASSA

1.1 Olimpianos da mídia

O surgimento dos meios de comunicação de massa representaram significativas mudanças na construção da identidade dos indivíduos. Thompson (1998, p. 53) acredita que para entendermos a natureza da modernidade, “deveremos dar importância ao desenvolvimento dos meios de comunicação de massa e seu impacto”. Isso inclui a relação dos meios com os diversos públicos, inclusive a categoria das celebridades e seus fãs. Lana, em seu estudo sobre celebridades, afirma que:
A primeira referência para a revisão dos estudos sobre a fama é, sem dúvida, Edgar Morin. O termo olimpianos, cunhado por ele em Cultura de Massas no Século XX (1997), associa a magia que abrange o universo das celebridades à mitologia e aos deuses do Olimpo. (LANA, 2008, p.2)

Na contemporaneidade, ainda é notória a existência deste olimpo que desperta a admiração das pessoas. Morin (1997) considera que os olimpianos modernos são as “vedetes da grande imprensa”, como os astros do cinema, das artes plásticas, da música. Isso ocorre pelo fato dessas personalidades efetivamente habitarem o imaginário da massa como mitos, devido ao seu trabalho. As informações na imprensa contribuem para a construção do olimpo e dão visibilidades às pessoas que habitam este espaço. Esses olimpianos, descreve Morin (1997), transitam simultaneamente no imaginário e no real. Por um lado, participam do cotidiano dos mortais, da forma com que lidam com seus amores, sentimentos e não se diferem daqueles que os admiram. Por outro lado, são sobre-humanos nos papéis que encarnam na esfera pública. A imprensa que investe neste tipo de segmentação aprofunda-se em suas vidas particulares com finalidade de aproximação do dito “normal", que possibilita a identificação com a massa. Segundo Morin (1997, p. 14) “a dupla natureza divina e humana da qual os olimpianos se apropriam, faz com que circulem sempre entre o mundo da projeção e o da identificação”. Os

10

olimpianos, por meio do trabalho, tornam possível a auto-realização da vida privada, transformando-se em modelos da cultura, ou seja, modelos de heróis. A publicidade faz proveito do aspecto de identificação para reforçar esses modelos, associando-os à credibilidade de seus produtos, por serem referência e modelo que simbolizam a cultura de massa. Morin (1997) aponta o fato de que esses novos olimpianos estão nos universos que os conectam à cultura de massa; o da informação, imaginário, o dos conselhos, das incitações e das normas. Sendo assim, a sobre-individualidade dos olimpianos é o fermento da individualidade moderna. A importância da mídia nas relações sociais, segundo Thompson (1998), se dá como ferramenta que propicia a interação, inserção e até mesmo a exclusão do sujeito do grupo no qual habita. Os meios de comunicação são responsáveis, na visão deste autor, por uma modificação de valores, do que é correto ou não, passando a ser uma referência. Thompson define mídia como sendo todos os meios de comunicação existentes que possibilitam a disseminação de informações para a sociedade.
Quando os indivíduos usam os meios de comunicação, eles entram em formas de interação que diferem dos tipos de interação face a face que caracterizam a maioria dos nossos encontros quotidianos. (...) De um modo fundamental, o uso dos meios de comunicação transforma a organização espacial e temporal da vida social, criando novas formas de ação e interação, e novas maneiras de exercer o poder, que não está mais ligado ao compartilhamento local comum. (THOMPSON, 1998, p.13-14)

Thompson (1998), afirma que as novas formas de gerenciar o espaço e o tempo, contribuíram para que a perda de fatores legitimadores das crenças e práticas religiosas dos indivíduos interferisse na influência da tradição dos grupos sociais e na sua existência na sociedade contemporânea. A mídia foi responsável também, segundo o autor, por criar novos padrões de interação face a face, como exemplo MSN, redes sociais, etc. A dominação da mídia sobre a vida cotidiana das pessoas faz com que se busque uma reflexão em torno do tema. Segundo Kellner (citado por Valim 2001, p. 12), “o papel da imagem, da moda, da música popular na construção da identidade é muitas vezes moldado por visões fictícias de uma sociedade cada vez mais dominada pela mídia e pela informação”. Mecanismos de indução levam pessoas comuns a adotarem padrões de comportamentos e até mesmo de sentimentos,

11

estranhos â sua cultura e meio. Porém o autor ressalta a posição de escolha do individuo, como ser critico. De acordo com Valim (2001) a conclusão que Kellner apresenta para o modelo crítico ideal é o meio termo entre as duas posições, ou seja, “reconhecer a força da emissão, mas também certa liberdade na recepção”, mesmo que exista uma tendência na ênfase da importância da resistência ou da recepção e na construção de significados por parte do público. Assim, apesar da mídia criar formas de dominação ideológica, que ajudam a reiterar as relações vigentes de poder, fornece, ao mesmo tempo um “instrumental para a construção e o fortalecimento de identidades, para a resistência e a luta” (Valim, 2001, p. 13). A “Teoria Social Multiperspectivística e de Estudos Culturais da Mídia”, criada por Kellner é também citada por Valim (2001) onde se preconiza criticamente que as articulações entre os campos político, econômico e social permitem a construção de um estudo do lazer e do consumo, que visualize a ideologia que perpassa todos estes setores. Nesta mesma linha de raciocínio, Barbero (1993, p.23) sobre a Indústria Cultural, afirma que “ela apropria-se do gosto popular para posteriormente transformá-lo em produto cultural, como telenovelas, músicas, programas de TV, entre outros”. Rojek (2001, p.17) define como abstrato o desejo pela cultura da celebridade. A cultura industrial trata a celebridade como mercadoria e é cada vez mais ávida em disponibilizar novos produtos para o consumo de uma sociedade capitalista, tomando sempre como referência a evolução do mercado. Muito mais que consumidores em potencial, o público também está inserido nessa ciranda de sentimentos que atrai para aquisição do tipo de mercadoria lançado por essa indústria. “Celebridades humanizam o processo de consumo de mercadorias. A cultura da celebridade tem aflorado como um mecanismo central na estruturação do mercado de sentimentos humanos”. (ROJEK, 2001, p. 17). Assim como Barbero, Hall (2003) reforça este debate quando propõe a visão dos Meios de Comunicação de Massa (MCM) como reflexo do real. Para ele, os MCM constroem o real e não apenas o reproduzem, operam no campo de construção social do sentido. Isso fica bastante claro ao fazer um simples passeio às principais lojas e magazines do país. Esses impérios do consumo comportavam e até hoje vendem em suas vitrines produtos relacionados

12

à apresentadora Xuxa, objeto desta pesquisa. Nos anos 80, não era difícil encontrar meninas que tinham o sonho de ter botas, sandálias, roupas que as deixavam visualmente semelhantes à apresentadora. 1.2 A construção de uma celebridade Para se tornar uma celebridade, um indivíduo deve possuir atributos que o façam ser admirado por uma massa, seja por dons ou por características de sua personalidade. Rojek (2001) conceitua o termo celebridade, que para muitos pode ser atribuído à divindade, porém o significado contemporâneo é proveniente de raízes latinas, como a palavra celebrm que se refere tanto a “fama” quanto a “estar aglomerado”. Celebridade é associada a um público que pode ser efêmero por se tratar das transições que envolvem o mercado de sentimentos humanos. Celebridade é atribuição de dois status: “glamouroso ou notório a um individuo dentro da esfera pública”. O glamour está associado à celebridade que tem sua imagem favorável perante o público, já o notório, é um reconhecimento desfavorável. Independente das atribuições, ambos causam impacto na cultura de massa. A mídia contribui para que esse desejo se fortifique, já que é por ela que se tem conhecimento dessas personalidades. Para Rojek (2001, p. 7), “nenhuma celebridade se sustenta sozinha sem estar aliada com um profissional que compreenda essas mediações, um deles é o assessor de imprensa, que se encarrega além de outras responsabilidades, mas a principal que é cuidar da imagem de seu cliente”. O status de celebridade vive em uma esfera que o divide em duas, a pública e privada. Em sua aparição pública, o indivíduo se presta a uma interpretação próxima à representação de um personagem aos olhos dos outros, alimentando a concepção já construída de um público, enquanto, pelo menos, tenta preservar a sua verdadeira identidade reservada. Um fato contraditório inerente à fama e destacado por Rojek (2001) é quando a celebridade se sente incomodada por exigirem dela uma imagem pública tempo integral, o que a deixa em uma situação desconfortável quando é assediada em seus momentos íntimos por fotógrafos indiscretos. O relacionamento de uma celebridade é diferenciado por um distanciamento do espectador por um palco, tela ou qualquer outro meio de comunicação. Às vezes, atribui conflitos na esfera privada, pois almejam obter o mesmo reconhecimento e admiração pelos que os

13

rodeiam intimamente, o que explica a dificuldade de estabelecerem relacionamentos afetivos duradouros. Morin (1997) sustenta esse argumento exemplificando o caso da rainha Elizabeth, que independente de sua posição hierárquica, tem angústias como toda mulher, tornando-se dividida nos aspectos que a projetem e nos que a identifiquem com a massa, transformando um comunicado em pauta relevante a ser noticiado. Pena (2002, p.148) expande este conceito, colocando que “a mídia produz celebridades para poder realimentar-se delas a cada instante em um movimento cíclico e ininterrupto. Até os telejornais são pautados pelo biográfico e acabam competindo com filmes, novelas e outras formas de entretenimento”. Sugere, portanto, que mesmo que as celebridades não façam nada de excepcional, as banalidades da vida cotidiana se transformam em noticias e são assim divulgadoras das celebridades. A formação da cultura da celebridade é considerada por Rojek (2001) um acordo com sua representação na mídia de massa. Para as pessoas comuns, indivíduos com visibilidade na mídia costumam surgir frente ao público como seres intocáveis, longes da realidade. Isso se justifica em decorrência de sua imagem ser uma representação a um grande público. “Para nós, as celebridades costumam parecer mágicas e sobrenaturais” (ROJEK, 2001, p15). Entretanto, isso se deve ao fato de sua presença ao olhar público ser amplamente encenada”. Rojek (2001) cita três pontos históricos importantes para que a celebridade se torne um interesse público:
O despontar da celebridade como uma preocupação pública é resultado de três grandes processos históricos inter-relacionados. Primeiro a democratização da sociedade; segundo, o declínio da religião organizada; terceiro, a transformação do cotidiano em mercadoria [...]. Basta dizer que o declínio da sociedade cortesã dos séculos XVII e XVIII implicou a transferência de capital cultural para homens e mulheres que venciam pelo próprio esforço. (ROJEK,2001, p. 15)

De acordo com o autor, com o desenvolvimento da sociedade moderna, as celebridades ocuparam o vazio pela decadência da crença popular no direito às divindades da realeza. Os célebres substituíram a monarquia como novos símbolos de identificação.

14

1.3 A excentricidade de um mito e a relação com os fãs

Cunha (2007) aborda o conceito de fã sob a percepção do sujeito como figura enquanto criador. A palavra fã tem hoje um significado diferente do qual provém sua derivação, “fanático”, que, segundo a autora, é um termo extremista e está mais relacionado a definições sócio-políticas. Existem diferentes tipos de fãs. Os passivos e ativos. Um fã ativo caracteriza-se por participar ativamente dos processos que são inerentes ao objeto de admiração, ou seja, “tem o espírito de liderança, estimula outras pessoas, na mesma condição de fã que a dele a se mobilizarem para interagir e não se limitando em apenas consumir” (CUNHA, 2007, 23). O extremo de um fã ativo é o fanático, caso daqueles que se dedicam à perseguição das celebridades. Cunha (2007), dando seguimento às características dos fãs, apresenta os passivos. Eles não se consideram fãs, pois se sentem o oposto dos ativos, por não fazerem parte de nenhuma comunidade que evidencie e expresse essa condição e nem sentem a necessidade disso. Um consumidor comum é considerado um fã passivo pela autora, pois é moderado e aprecia de maneira comedida, não manifestando suas crenças ou opiniões. De forma intermediária, estão os fãs de culto, que além de manifestarem, cultivam, acrescentam alguma coisa, criam algo relacionado ao objeto de admiração. Segundo Cunha (2007), eles podem ser considerados mais fãs que os demais, pois produzem novos materiais e não só procuram. A autora cita como exemplo fãs dos mitos já falecidos como Marylin Monroe e Elvis Presley. Um fã cria laços afetivos quando o objeto de admiração é uma pessoa, sendo desejo, amor e até mesmo inveja. Em sua intimidade, o fã tem como presente a presença constante de seu ídolo, mesmo que de forma ilusória, pois a relação interpessoal é inexistente. No mundo virtual, Cunha (2007) ressalta que a possibilidade de manifestar esses estímulos de admiração ganha espaço, como nos jogos de simulação Second Life ou The Sims. Essas novas formas de fanatismo são consideradas subculturas de fãs, pois nessas esferas também conseguem encontrar pessoas com os mesmos interesses para interagir. Freire Filho (2007, p.4) considera que o comportamento intensamente emocional e fervorosamente ritualizado dos fãs, era descrito de forma estigmatizada como coisa de

15

“adolescente” ou “moralmente reprovável”, em que os limites da adulação servil era sustentada por imaginários laços de intimidade e inimagináveis gastos de tempo e dinheiro. A partir dos anos 1990, com a expansão dos estudos culturais no âmbito universitário angloamericano, esta forma de se ver e estigmatizar este comportamento e seus adeptos sofreu grandes questionamentos. Em contraposição às tradicionais “análises doutrinárias” investigações teóricas e empíricas mais compreensivas do complexo fenômeno social e cultural da idolatria foram substituindo a antiga idéia, e redefiniu o fã como “um consumidor astuto, capaz de construir seus próprios sentidos e elaborar um conjunto variado de práticas, identidades e artefatos a partir da apropriação criativa de produtos de circulação massiva”, criando o atual receptor ativo, que opina e faz com que sua voz seja ouvida (FREIRE FILHO, 2007, p.5). Passam de simples consumidores de produtos licenciados pelas corporações midiáticas, a criadores com uma produção de material que comporta, inclusive, uma dimensão de crítica social. Através da internet, a ação de divulgação deixa de habitar simplesmente o imaginário e tem abertura para manifestação. Dando continuidade ao processo criativo dos fãs, eles têm o poder de fazer com que suas idéias, derivando de um produto original, possam se propagar no ciberespaço. A idéia de fã como ser ativo é abordada pela autora como um interesse da cultura popular e até mesmo da indústria cultural. Um vídeo produzido pelo fã não só visa ser uma homenagem prestada ao ídolo, mas reforça o efeito criativo do fã. “O corpo performativo de um fã permite-lhe dar continuidade ao seu interesse e reforçar a sua própria identidade, através da autoconsciência que lhe permite assumir por momentos uma nova identidade” (CUNHA, 2007, p. 4). Embasada em conceitos de Matt Hills, a autora acrescenta ainda que, para um fã, o gesto de imitar um ídolo se refere às influências e inspirações que eles exercem em seus públicos. Para Hills, “um fã que imita o ídolo não perde o seu Eu, ao contrário disso, ele o expande” (CUNHA, 2007, p. 4). Nessa cultura participativa, o conceito de passividade dos fãs se torna desatualizado. Produção e consumo como parte dos processos da indústria cultural se misturam no contexto atual, tratando de interação recíproca.

16

Cunha (2007, p.6) recorre aos conceitos de Lawrence Grossberg para ilustrar o posicionamento do fã que se “difere da audiência como um todo, e destaca que ele sempre está em conflito com ela por não compartilhar sempre a favor de seu ídolo”. O que torna os fãs ativos é a sensibilidade, o que também os diferencia da audiência e dos fãs passivos, transformando-o em um revitalizador cultural. Para Pena (2002, p. 147) o poder do público na contemporaneidade consegue até mesmo reverter papeis. A platéia quer, ela mesma, encenar o espetáculo. O autor, citando Neal Gabler (1999, p.12), coloca que a tendência de converter a realidade em encenação é justificável, já que “a cultura produz quase todos os dias dados de fazer inveja a qualquer romancista”. Transformam a vida em um veiculo de ficção, capaz de transportar qualquer indivíduo para o outro mundo das celebridades. Ivana Bentes (2002, citado por Pena, 2002) ao analisar os reality shows “Big Brother” e “Casa dos Artistas”, coloca que agora “os personagens não são mais idealizados ou criados pela imaginação, mas tirados da vida real, com pessoas que circulam pelas ruas como cidadãos normais”, porém não representam eles mesmos, são intérpretes em papeis baseados neles mesmos, gerando uma identificação por parte do público com seus personagens, como se a vida imitasse a arte. Fazendo uma critica à mídia, Pena (2002, p.149) afirma que, Revistas de fofocas, periódicos sobre famosos e programas de TV como “Vídeo Show”, e “TV Fama” vivem da encenação e a repercutem infinitamente em novas encenações. Para sobreviver, a mídia produz celebridades realimentando-se delas em um movimento cíclico e ininterrupto.
vivemos no mundo da pós-realidade onde a encenação do real, o veículo vida gera novos episódios diariamente, fazendo com que as aplicações que a mídia descobre para esses episódios ultrapassem a própria dinâmica do palco. (GABLER, citado por PENA, 2002, p.150)

Assim, cada momento a biografia de um indivíduo é superdimensionada, transformado-a em um filme. Mas a valorização do biográfico (aquele que traduz melhor o sentido de celebridade) é diretamente proporcional à capacidade desse indivíduo em roubar a cena, ou seja, de se tornar uma celebridade. Segundo Pena (2002, p.152) citando Ronaldo Helal (2001, p.18), existem parâmetros, ou medidas, para diferenciar herói de celebridade: “o primeiro vive

17

para „redimir a sociedade de seus pecados‟, vive para os outros, enquanto o segundo vive somente para si”. Pena (2002, p.157) reforça a idéia de que “a identificação dos personagens com a classe média e o desejo da platéia de também ser ator do espetáculo” abona a audiência de programas como o Big Brother Brasil, o que demonstra que as classes mais altas também gostam do “buraco da fechadura”. Colocando que todos os espaços foram ocupados, a vida das estrelas é escrita diariamente pela mídia e o espaço do herói de antigamente ocupado pelas celebridades. 1.4 Visibilidade como atributo de um ídolo

As celebridades por si só já possuem uma visibilidade midiática para possuírem tal status. De acordo com Fidalgo (2007), este é um dos aspectos que norteiam os meios de comunicação nos dias atuais, em que simples acontecimentos do cotidiano parecem ter perdido seus valores pelo fato de não atraírem a atenção da imprensa. No quesito projeção, Fidalgo (2007) pondera que os que já possuem visibilidade nos meios de comunicação são filhos de reis ou celebridades midiáticas, proporcionando um reconhecimento social almejado ou simplesmente por circunstâncias naturais da vida. Em uma sociedade que é pautada na mídia, o fato de aparecer nos veículos da grande imprensa, os tornam cada vez mais dependentes deles para obter tal notoriedade. Fidalgo (2007) salienta que, igualmente ao dito popular “Falem mal, mas falem de mim” é justamente a idéia que se tem sobre visibilidade midiática. Pena (2002, p.155), afirma que “a vida é midiática e deve ser vivida como um espetáculo em que todo dia há um novo capítulo, e onde, invariavelmente, a intimidade está presente”. Estar vivo então passa a representar o estar sendo visto e ouvido por outros indivíduos. Não ser noticiado equivale à inexistência no aspecto de projeção pública. O que não desperta o interesse da mídia, passando despercebido, não tem interesse para esses “novos valores”. Fidalgo (2007) comenta que, atualmente, as pessoas não precisam ocupar papéis relevantes na sociedade em distintas esferas, como por um feito que merece destaque, um trabalho

18

reconhecido pela qualidade, simplesmente, algumas se conformam por se fazerem notadas, ganhando assim visibilidade. Os famosos são considerados os milionários no critério visibilidade. Neste espaço que se refere à identidade midiática, existem personagens e personalidades. Os termos que os ligam são visibilidade e exposição, pois quem busca atingi-las, naturalmente se torna visível. Entretanto, ainda que sempre presentes na mídia, as celebridades também carecem de momentos de reclusão. Fidalgo (2007) define esta medida como uma ação de cautela, um cuidado com a imagem, se precavendo dos riscos e do poder que a eles são associados e que os meios de comunicação sustentam. Abordando também o caráter visibilidade e apostando que não apenas aos ídolos pode ser atribuído esse desejo, Bruno (2005, p.56) considera que a esfera pública midiática passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, se infiltrando em espaços tradicionalmente privados afirmando esse novo contexto. Ressalta em sua análise que essa “recente transformação atinge tanto as mídias de massa quanto as novas mídias digitais”. A vida privada em questão não se restringe apenas a das celebridades, mas também no desejo de pessoas comuns em obter projeções similares a dos indivíduos que constantemente estão estampados nas revistas semanais. São invertidos os papéis, pois aqueles que apenas consumiam imagens, conteúdo sonoro, passam a disputar a atenção entre os já consolidados nesses meios. A atenção e o cuidado com o olhar passam a exigir de pessoas comuns um autocontrole e uma autovigilância de sua intimidade em função da exposição que buscam projetar e relatar. As tecnologias de informação e de comunicação têm um papel fundamental para que esse crescente desejo de expor a vida intima. (BRUNO, 2005, p.57) E é justamente este o assunto do próximo capítulo.

19

2 NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO

2.1 Interatividade social

A sociedade da interatividade é essencialmente democrática, não-hierárquica, favorável ao diálogo e a participação, segundo João Freire Filho (2007). Para ele, interatividade é um conceito impreciso, porém deve-se reconhecer o destaque que existe nos discursos teóricos e comerciais sobre a ampliação dessa capacitação cabível ao indivíduo efetivamente da cultura e do mercado de massa. Freire Filho (2007) define esta ação como revolucionária resposta tecnológica a favor da liberdade de expressão e criação dos indivíduos, que democraticamente participam na conduta da vida pública. Tomando como referência a capa da revista americana Newsweek, do dia 31 de maio de 1993, Freire Filho (2007) menciona como a publicação aborda este novo recurso, que promete modificar a maneira de jogar, comprar e aprender. A edição apresenta os benefícios de uma nova fase que facilitaria a aquisição de filmes, roupas e jogos eletrônicos em função do avanço tecnológico. O autor esclarece que essa “revolução interativa” se dá pelo fato de que o acesso é a todos, inexistente de espectador, comparável a uma conversa. Essa nova ordem midiática promete mudar a relação produtor e consumidor, estipulando que as duas partes envolvidas participem do processo como um todo. Apontando as comunidades de fãs como as mais beneficiadas desse novo recurso, que é favorável ao diálogo e à participação, o autor argumenta sobre o contexto de simbiose, da negociação entre os usuários e as indústrias do entretenimento. Os fãs de celebridades, que são consumidores potenciais de mercadorias provenientes de seus objetos de admiração, sustentam em seus imaginários, um laço de intimidade com seus ídolos, dispondo de tempo e dinheiro para tal adulação. Uma nova corrente de pesquisadores, como aponta Freire Filho (2007), redefine as ações do fã como perspicaz, sendo capazes de se apropriar de produtos da indústria de cultura de massa para construir distintos sentidos sobre o objeto. A condição de fã ganhou a atenção de estudiosos por considerá-los eficazes no que diz respeito a se posicionarem de forma efetiva contra a subordinação imposta por normas hierárquicas sociais e culturais.

20

Como observa Freire Filho (2007), é inegável o fato da expressividade que os fãs exercem, não se limitando apenas nas condições passivas de consumidores em função do fruto da idolatria. Considera que a grande maioria se porta como o senso comum já os define, como indivíduos que consomem os produtos do mercado do entretenimento ligados ao seu objeto de admiração. Sites oficiais e clubes exclusivos na internet são um dos recursos planejados pelas organizações midiáticas para persuadir no consumo dos fãs em suas mercadorias, estruturando estratégias para atingir o emocional, espiritual, intelectual e financeiro, como ressalta Freire Filho (2007). Porém, ao mesmo tempo em que instigam a interatividade de seus públicos, os executivos das corporações ficam preocupados em delimitar o uso por parte dos fãs, com a finalidade de proteger a propriedade intelectual dos produtos, censurando os conteúdos nãooficiais de expressividade criativa dos fãs que fogem dos pré-estabelecidos pelos mesmos. Em sua conclusão, Freire Filho (2007) define que a internet nesse contexto se torna um “campo de batalha” na ótica dos fãs, que encaram de forma utópica essa esfera digital como um espaço de liberdade de expressão, mas ainda enfrentam o domínio que exercem os conglomerados midiáticos sobre os seus produtos. 2.2 O aparato da mídia social De acordo com a revista Época, uma em cada sete pessoas do planeta freqüenta as redes sociais na internet. Dados da Insights Consulting informam que Facebook, Orkut e Twitter já abrigam quase 1 bilhão de pessoas no mundo todo. “o que atrai milhares de usuários para essas comunidades é a possibilidade de compartilhar informações e sentimentos íntimos” (REVISTA ÉPOCA, 2010, p. 80). Entretanto, encontrar o equilíbrio entre a privacidade e um modelo de negócios rentável, parece ser o principal desafio das chamadas redes sociais.

O Brasil é considerado o país mais sociável do mundo. A média de amigos virtuais em outros lugares é de 195 pessoas. Aqui, de 365. Segundo dados do Ibope NetRatings, mais de 80% dos internautas têm perfis em redes sociais. O Orkut tem 72% dos usuários no Brasil. Segundo a pesquisa Raquel Recuero (Revista Época, 2010, p. 84), a participação nessas redes é igual em todas as nossas classes sociais. “Jovens das classes C e D usam lan houses para entrar no Orkut da sua turma e do seu bairro”.

21

2.2.1 Blogosfera Em a nova disposição dos diários íntimos: Confissões via blogs, Tomazelli (2009), analisa os blogs, que surgiram como diários virtuais. O autor aborda o fenômeno das celebridades que aderem a este espaço na rede para confidenciar acontecimentos do seu cotidiano. O crescimento da utilização dos blogs por tais personalidades se dá pelo fato da facilidade de se construir um blog e por não exigir do usuário um domínio de códigos de programação que, por exemplo, são necessários para a construção de websites. A palavra blog nasceu da junção de Web (página de internet) e log (diário de bordo). Sem dúvidas, esta ferramenta propiciou uma interatividade entre o autor do conteúdo juntamente ao leitor, ou em termos comunicacionais, entre emissor e receptor. Tomazelli (2009) destaca a questão dos participantes da blogosfera não necessitarem da interferência de outros meios para fazerem a mediação da informação apresentada nessas páginas. Também menciona o fato de que, antigamente, as pessoas que tinham acesso a computadores faziam uso de linguagens limitadas, decodificando apenas quem detinha um conhecimento específico na área. O estudo de Tomazelli não pretendeu avaliar a utilização dos blogs como ferramenta jornalística ou publicitária, como dos muitos existentes pela rede. O autor analisou o caráter confessionário, característica de grande parte dos blogs que são elaborados por personalidades do universo artístico. Esses blogs de caráter confessional, segundo Tomazelli (2009), apresentam-se com um conteúdo textual sobre relatos do dia a dia, de sugestões de filmes e livros, trechos de poesias ou músicas, que seus autores desejam divulgar. Esta comunicação estabelecida entre o autor de um blog e seu leitor se limita à esfera virtual, porém é pela identificação entre essas pessoas, que há uma motivação para acompanhar as postagens feitas pelo dono do diário virtual. Os relatos, o cotidiano ali expresso, fortalecem ainda mais este elo de conectividade, fazendo com que o leitor passe da simples condição de seguidor das atualizações para se tornar um cúmplice daquelas confissões. Neste espaço na internet torna-se possível um desejo de propagação de segredos que antes, ficava restrito entre o escritor e anotações em um papel.

22

As celebridades viram, no blog, um meio de se comunicar com seus admiradores. A pessoa que por seu trabalho já é notável, na blogosfera reafirma sua visibilidade, sendo possível mensurar o alcance de sua notoriedade. Os fãs se deslumbram com a possibilidade de visitar, opinar e participar de forma indireta da realidade, mesmo que virtualmente, do seu ídolo. (TOMAZELLI, 2009) Esta ferramenta ganhou a simpatia das celebridades também, por proporcionar a elas uma conexão ao “mundo de verdade”, fazendo com que se sintam também pertencentes à realidade de uma maneira geral e de seu público. Tomazelli (2009) ressalta ainda a questão do artista poder exprimir neste espaço virtual os seus sentimentos, humanizando a sua existência para quem o lê e admira. O blog também é um canal que possibilita a comunicação direta, sem a intermediação da imprensa marrom, sobre sua vida particular. Com isso, estabelece a credibilidade de qualquer conteúdo publicado naquele meio, legitimando a informação. As celebridades criam estes espaços como forma de atender a um desejo de seus fãs, que é o de terem uma fonte de conteúdo mais natural, informal do seu ídolo, fazendo com que a celebridade reafirme sua imagem e proporcione um afago em seus fãs. 2.2.2 Twittosfera: a mensagem limitada a 140 caracteres Rodrigues (2009) apresenta e esclarece a funcionalidade do microblog Twitter, partindo para análise de três características, sendo elas: a compreensão espaço/tempo proporcionada pelo crescimento dos dispositivos móveis, ou seja, os celulares em conexão com a rede, o aspecto da vigilância voluntária a que são submetidos os usuários desta ferramenta e a lifestream, a configuração como uma referencialidade aberta, na medida em que os microblogs funcionam como agregadores de conteúdo que apresentam o seu autor como um conjunto de links. Explicando como funciona o sistema, Rodrigues (2009) inicia a discussão sobre os microblogs, que é alimentado por informações que respondem à pergunta: “O que você está fazendo agora?” atualizada recentemente por “O que está acontecendo?”. O Twitter disponibiliza o acesso ao conteúdo atualizado via Web ou através de telefonia móvel. Segundo a autora, o site que mistura blog e rede social é uma das ferramentas mais populares deste segmento, criado em 2008 na Califórnia pela startup Obvious Corp. As informações postadas

23

no site pelos usuários têm diferentes características – informações sobre a rotina, sobre o cotidiano; conversas diretas entre pessoas ou grupos e o compartilhamento de links. O jornal New York Times, por exemplo, utiliza a ferramenta para postar links que direcionam para as matérias publicadas no site do jornal. Porém, o mecanismo utilizado para propagar os links no Twitter é automático, tendo a linguagem pouco adaptada para o serviço, que permite apenas 140 caracteres a cada postagem. Quando o conteúdo não tem o interesse de ser publicado abertamente, tem-se a opção de enviar mensagens diretas, podendo utilizar deste benefício apenas para se comunicar com os usuários que os “seguem” ou aos que também o possuem em sua lista de “seguidores”, tradução para o follow presente na dinâmica do site. Rodrigues (2009) enfatiza a questão de outras tecnologias atuarem como aliadas ao sistema de microblog. Ela exemplifica com a utilização do serviço na campanha de Barack Obama e como ela foi trabalhada no site Twitter. As atualizações apresentavam assuntos de interesse público e postavam mensagens de texto exclusivas aos seguidores. Um elemento facilitador é o acesso também por celular, não sendo necessário se limitar à frente de um computador para fazer uso da ferramenta, pois em qualquer lugar você pode atualizar o seu conteúdo na plataforma, conforme ressalta a autora: “essas formas de interação social oferecem um caráter de instantaneidade que a Web, sem a convergência com o celular, não pode prover, apesar de toda expansão do acesso via rede sem fio e do crescimento na venda de notebooks”. (RODRIGUES, 2009, p. 151) A pergunta antes feita no site “O que está acontecendo?” faz com que as pessoas se submetam a uma vigilância voluntária, fazendo com que desvirtue o interesse sobre o “aonde”, contando apenas que você esteja conectado, como Rodrigues (2009) esclarece. Partindo deste conceito, as celebridades presentes no microblog, estão apenas reforçando o que já estão habituadas no dia-a-dia da profissão, ser observadas. Sobre lifestream e a referencialidade aberta que a internet permite, o Twitter faz com que um conjunto de conteúdo que é apresentado, torne-se um material que poderá vir a ser um registro virtual sobre a vida cotidiana do usuário do serviço, uma construção de identidade digital. Exemplos são as músicas, os vídeos assistidos, todos ali registrados através de links fazendo uma leitura de si por meio desses dados, dessas referências.

24

As inovações que a plataforma Twitter trouxe para as mídias sociais são um efeito estudado por Eduardo J. S. Honorato (2010). Por ser psicólogo, Honorato (2010) lida com os impactos psíquicos por se tratar de uma inserção tão rápida nas mídias do gênero. Os sites e os espaços da rede mundial são utilizados no universo contemporâneo, como forma de troca de informações e por sua capacidade ágil de divulgação. A exposição a que os usuários se submetem nas redes é considerada por Honorato (2010) uma característica narcisista. A primeira a ganhar empatia dos brasileiros foi o Orkut. Na atualidade, o Twitter é a “bola da vez”. A didática se sustenta nessa plataforma: “Se quiser, responde, se não quiser, deixa pra lá e continua. É como se fosse um carrossel no qual pessoas passam em grupos e você entra e sai à hora que bem entender”. (HONORATO, 2010, p. 23) Um fenômeno de comportamento que é apontado nessa rede social é a busca incessante por “seguidores”, pois o número pode apontar o nível de popularidade do usuário na rede, o que para alguns, pode se transformar em meta a ser alcançada. (HONORATO, 2010, p. 23). Um ponto que Honorato (2010) observa, é o da possibilidade que o Twitter gerou de aproximar os fãs de seus ídolos. Porém o mesmo ressalta que nem todas as celebridades estavam preparadas para lidar com essa nova forma de contato. Há uma diferenciação do artista e da pessoa “real”, que por uma aparição desmedida, pode refletir prejudicialmente em sua imagem profissional. O Twitter é considerado pelo autor um “Coliseu Virtual”, denominado assim, por enxergar que as celebridades se colocam à prova aos leões vorazes (os usuários), mesmo possuindo um conhecimento limitado neste universo A exposição a que o artista se submete na plataforma, atesta sua saída de seu olimpo e a sujeição a uma aprovação ou não de suas reais faces. Algumas celebridades usam suas contas como forma exclusiva de divulgação de shows, trabalhos, aparições em outras mídias, porém esta postura não agrada aos usuários que escolheram segui-las. Honorato (2010) evidencia o fato de que o usuário utiliza o Twitter para expressar suas opiniões, comentários, informações através de tweets em tempo real, se colocando em discussões com outros internautas sobre aqueles produtos que consomem coletivamente ou até mesmo com os protagonistas envolvidos.

25

Um efeito inverso que essa exposição das celebridades pode gerar no Twitter é o de serem admiradas por seu talento, habilidades e não pela roupagem que a mídia convencional construiu. A internet que foi idealizada com o intuito militar passou a fazer parte do entretenimento, lazer, estudos e começa a ganhar a importância de uma mídia poderosa, despertando cada vez mais a necessidade de um olhar mais apurado para ela.

26

3 XUXA: A FRUSTRAÇÃO VIRTUAL DE UM MITO

3.1 Objetivo e metodologia Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a passagem da apresentadora e atriz Xuxa Meneghel pelo Twitter, suas consequências e repercussão na blogosfera. A metodologia utilizada foi de pesquisa descritiva e qualitativa por meio das ferramentas SCUP e TweetEffect. O SCUP é uma ferramenta de monitoramento de redes sociais. Criado pela Direct Labs, sua missão é prover uma interface simples e rápida para monitorar diversas redes sociais, tais como Twitter, Youtube, Google Alerts e outros. É possível cadastrar palavras a serem monitoradas e em quais serviços se deseja monitorar, criando um painel com as últimas ocorrências da mesma. As ocorrências são classificadas como “positiva”, “neutra” ou “negativa”, sendo possível observar ainda os principais usuários que falam da palavra/marca monitorada. A nossa análise compreendeu o período de um mês, de agosto de 2009 a setembro de 2009, quando a apresentadora iniciou e encerrou o uso do Twitter para comunicação direta com seu público. O SCUP utiliza por meio de pesquisa com palavras chaves oferece o monitoramento em mídias sociais, permitindo que se possa acompanhar o que se é falado nesses espaços sobre o determinado tema que deseja ser monitorado. De acordo com as classificações feitas pelo autor da pesquisa como “Posititivo”, “Neutro” e “Negativo” é possível visualizar em gráficos estatísticos facilitando o gerenciamento de termos/marcas nas redes sociais, o que torna indispensável sua utilização neste trabalho para observar a repercussão do caso analisado nessas mídias e a diferença de tratamento dos veículos tradicionais existentes na web ao noticiar o assunto. O TweetEffect, é um serviço gratuito que possibilita extrair informações quantitativas sobre o efeito que cada postagem gerou no microblog. Com este viés, a pesquisa permite mensurar a quantidade que se ganhou ou perdeu de seguidores, podendo assim, avaliar o conteúdo das postagens que ocasionou essas ações.

27

3.2 Quem é Xuxa Meneghel

Segundos dados de sua biografia2, Maria da Graça Meneghel, conhecida como Xuxa, nasceu na cidade de Santa Rosa, localizada no interior do Rio Grande do Sul. Começou como modelo, estampando diversas capas de revistas no início da década de 80. Xuxa conheceu Pelé ao posar para a capa da revista Manchete juntamente com Luiza Brunet e Márcia Brito. Desse encontro nasceu o relacionamento amoroso da então modelo com o jogador de futebol que durou quase seis anos. Ensaios fotográficos para as revistas Playboy e Ele & Ela transformaram Xuxa em um dos símbolos sexuais do Brasil nos anos 80. Foi convidada a apresentar o programa Clube da Criança na extinta TV Manchete, quando conheceu a empresária Marlene Mattos, responsável executiva de toda a estratégia de sua carreira como apresentadora, artista de cinema e cantora. No ano de 1985, seu desempenho notório e carismático ao apresentar os programas infantis, levaram-na à Rede Globo de Televisão como apresentadora do programa diário Xou da Xuxa, que teve exibição durante sete anos, consagrando-a como Rainha dos baixinhos (Fig. 1).

Figura 1: Xuxa, no auge da carreira. Fonte: MuitaMúsica Como cantora, Xuxa conquistou, nesse período, 139 discos de ouro, 52 de platina e 10 de diamante. A apresentadora chegou a entrar para o Livro dos Recordes devido ao número de
2

Disponível em http://www.muitamusica.com.br/984-xuxa/biografia/, acesso em Maio de 2010

28

vendas do seu terceiro disco intitulado “Xou da Xuxa 3” com o seu maior sucesso Ilariê. (Fig. 2)

Figura 2: disco que levou a cantora ao Livro dos Recordes. Fonte: MuitaMúsica

De 1988 a 1990, a gaúcha namorou outra estrela dos esportes, o falecido tri-campeão de Fórmula 1 Ayrton Senna. Realizou o desejo de ser mãe em 1997, dando à luz sua filha Sasha, cujo pai é o ator, modelo e empresário Luciano Szafir. O nascimento de Sasha foi noticiado com relevância pelo Jornal Nacional com uma matéria de dez minutos de duração. A imprensa, em 2002, noticiou o rompimento da parceria profissional da apresentadora com a empresária Marlene Mattos e, no mesmo ano, voltou à frente de um programa infantil na TV, mas que ficou apenas dois anos no ar. Atualmente, Xuxa possui um programa exibido aos sábados de manhã na Rede Globo de televisão com o nome de TV Xuxa, voltado para família. O projeto Xuxa Só Para Baixinhos já está em sua 10ª edição e seu último trabalho em um longa-metragem foi em Xuxa em o mistério de feiurinha uma obra de adaptação do livro de Pedro Bandera. Esse filme marcou a estréia de sua filha Sasha como atriz.

29

3.3 Xuxa no Twitter

3.3.1 Episódio inicial

Segundo o estudo da jornalista Raquel Camargo disponível em seu blog3, a entrada de Xuxa no Twitter se deu no dia 10 de janeiro de 2008, porém, o perfil só passou a ser utilizado no dia 03 de agosto de 2009. Em menos de cinco horas, a apresentadora já possuía cerca de oito mil seguidores. Hoje, já são 348 mil 590 e continua crescendo. Xuxa seguiu apenas seis amigos enquanto esteve no Twitter: @lumaabarbosa, @momunix @BruMarquezine @angelicaksy @huckluciano @ivetesangalo. Todos esses perfis continuam ativos. A apresentadora postou 149 mensagens no período de um mês, de 03 de agosto de 2009 a 03 de setembro/2009.

Figura 3: seguidores e seguidos no Twitter de Xuxa. Fonte: (@xuxameneghel).

O perfil de Xuxa Meneghel (@xuxameneghel) no Twitter possui o selo que o autentica como original localizado na parte direita a cima (Verified Account) 4. Em sua estréia no Twitter, já em sua primeira mensagem, a apresentadora anunciou sua chegada ao e falou sobre a filha Sasha.

3

http://raquelcamargo.com/blog/2009/08/em-menos-de-cinco-horas-xuxa-consegue-mais-de-8-mil-seguidoresno-twitter/ 4 Verified Account funciona como um selo para mostrar autenticidade. Foi uma forma que o Twitter criou para proteger os usuários que seguem celebridades e perfis.

30

Figura 4: 1ª mensagem de Xuxa no Twitter Neste início de relacionamento, Xuxa quebra as regras de distanciamento entre o mito e seu público impostos pelas mídias tradicionais e procura revelar o que Morin (1997) denomina como “cotidiano dos mortais”, ou seja, ela acorda cedo e tem uma filha no seu primeiro dia na escola. Essas informações não seriam relevantes para a mídia tradicional, porém foram reveladas por Xuxa diretamente aos seus seguidores. Por outro lado, ainda segundo Morin (1997), aparece sua rotina no Olimpo, que também compõe a mensagem – “escolhemos a fada”- e demonstra como esses personagens “transitam simultaneamente no imaginário e no real”. As primeiras mensagens de aproximação de Xuxa no Twitter parecem ter gerado dúvidas entre seus fãs sobre a veracidade da conta. Tanto que, para comprovar aos internautas a autenticidade do perfil, além do selo garantido pela ferramenta, em uma posterior postagem no microblog, no dia 04 de agosto de 2009, a apresentadora publicou uma foto no site Twipic5 e a mensagem:

Figura 5: mensagem busca garantir a veracidade do perfil de Xuxa no Twitter
Fonte: (@xuxameneghel)

Na fotografia (Fig. 6), Xuxa aparece fazendo uso de um notebook, supostamente navegando na página Twitter.

5

Um serviço muito simples para publicação de fotos e divulgação através de uma conta no twitter.

31

Figura 6: Xuxa publica foto em que utiliza um notebook aparentemente para twittar. Fonte: (@xuxameneghel)

3.3.2 Narrativas de bastidor

Seguindo o pensamento de Morin (1997), a “dupla identidade enquanto mito e humana” de Xuxa transparece nas publicações sobre os bastidores de sua rotina. Para Rojek (2001) “o relacionamento de uma celebridade é diferenciado por um distanciamento do espectador”, por um palco, tela ou qualquer outro meio de comunicação. No Twitter, a apresentadora procura quebrar esta distância, usando uma linguagem coloquial e pessoal.

Figura 7: linguagem de Xuxa no Twitter

32

Sem a ferramenta do Twitter, a cena acima (Fig. 7) certamente seria desconhecida dos fãs, apesar da constante perseguição dos paparazzi. (ROJEK, 2001). Xuxa fazia uso da ferramenta também para postar informações dos bastidores de seu programa, de artistas convidados para a gravação do seu projeto Xuxa Só para Baixinhos 9 e sobre o seu cotidiano, aproximando da realidade de qualquer ser humano. No dia 06 de agosto de 2009, a apresentadora escreveu:

Figura 8: Xuxa utiliza caixa alta no Twitter, contrariando os princípios da Netiqueta Nessa mensagem, Xuxa escreve em caixa alta, um princípio contrário à etiqueta na internet (netiqueta), segundo a qual, o uso de letras maiúsculas sugere sentimento de raiva ou grito, sendo, portanto, desaconselhado. Na mensagem, a apresentadora reforça a sua imagem pública contrária ao uso de bebida alcoólica e cigarros, e que o seu prazer mesmo é estar rodeada de crianças. Morin (1997) na mesma linha ressalta: “a dupla natureza divina e humana das quais os olimpianos se apropriam, faz com que circulem sempre entre o mundo da projeção e o da identificação”, realizando as fantasias que a massa não pode concretizar, mas convida os mesmos a projetar através do imaginário. Na próxima sequência de tweets, do dia 19 de agosto de 2009, Xuxa relata sua visita ao Rio Grande do Sul para participar do festival de Gramado e aproveita para enviar uma resposta aos que a criticam ainda por trabalhar com o público infantil:

33

Figura 9: Xuxa continua utilizando caixa alta em suas mensagens Como é perceptível, a apresentadora utilizou desde então, somente a caixa alta para se comunicar com o seu público, e assim, desencadeia o primeiro desentendimento com os internautas. 3.3.3 A quebra da netiqueta: o uso de caixa alta nas mensagens Entrelaçada entre os extremos do “mito e do humano” (MORIN, 1997), Xuxa comete sua primeira gafe no Twitter no dia 6 de agosto, apenas três dias após a estréia, ao digitar uma série de mensagens em caixa alta.

34

Figura 10: o primeiro desentendimento com o público No período que segue com as aparições no Twitter, é possível perceber uma mescla entre mensagens em caixa alta e baixa, sendo as mensagens em letra minúsculas, uma comprovação do que defende Rojek (2009) sobre o fato de nenhuma celebridade se sustentar sozinha sem estar aliada com assessores profissionais. Fica perceptível a diferença entre o teor das mesagens em caixa alta, escritas pessoalmente por Xuxa e aquelas em caixa baixa, mediada por seus assessores.

Figura 11: mensagens em caixa baixa com teor institucional Apenas duas semanas depois do início das mensagens em caixa alta, Xuxa se justifica:

35

Figura 12: Xuxa justifica o uso de caixa alta no Twitter Por conta da justificativa “é o meu jeitinho” essa expressão tornou-se uma hashtag6 #ÉOMEUJEITINHO entre os usuários da ferramenta, com a intenção de ironizar a explicação da apresentadora. Porém, a explicação não foi convincente e as críticas continuaram, tanto que, passados quatro dias, ou seja, no dia 23 de agosto de 2009, Xuxa retoma o assunto em meio a um relato do seu dia:

Figura 13: mais uma justificativa. #ÉOMEUJEITINHO vira hashtag Rojek (2001) reforça que, para as pessoas comuns, “indivíduos com visibilidade na mídia costumam surgir frente ao público como seres intocáveis, longe da realidade”. Ao quebrar este paradigma e buscar o contato direto, sem intermediário com o público, Xuxa continua a ser perseguida por sua maneira de digitar. O fato de utilizar caixa alta continuou a ser motivo para os internautas enviarem mensagens à apresentadora criticando-a pela forma de se expressar na rede:

5 Uma das coisas mais difíceis de compreender pelos novos utilizadores é a etiqueta ou tag hashtag, caracterizada pelo símbolo # junto da etiqueta, este facilita a pesquisa de interesses e assuntos relevantes como forma de ajudar a ranquear melhor um termo para um assunto do momento para um debate ou evento.

36

Figura 14: Xuxa tenta dialogar com seus críticos Visivelmente incomodada, ela faz um apelo dando os primeiros sinais de que a interatividade com os internautas começava a se complicar:

Figura 15: Xuxa apela contra as críticas no Twitter Rojek (2001) questiona o interesse de pessoas comuns pelas celebridades, tanto no quesito “identificação quanto a modelos de êxito”. A mídia contribui para que esse desejo se fortifique, já que é por ela que se tem conhecimento dessas personalidades. Solidários à forma de Xuxa escrever em caixa alta, parte de seus fãs enviaram mensagens se mostrando compreensíveis a essa forma de escrita, e a eles Xuxa respondeu:

Figura 16: Xuxa demonstra conforto pela aceitação por parte de seus fãs Apesar de uma trégua temporária, Xuxa cede às críticas e tenta escrever da forma usual, mas a tentativa dura pouco:

37

Figura 17: Xuxa tenta convencer os fãs de que pode escrever com o "seu jeitinho"

Este primeiro conflito de Xuxa no Twitter, mostra que as relações dos fãs com seus ídolos no universo online, quebra parâmetros do relacionamento intermediado pela imprensa. Na internet, conforme defende Freire Filho (2007), é inegável o fato da expressividade que os fãs exercem na rede, não se limitando apenas nas condições passivas de consumidores em função do fruto da idolatria.

3.3.4 Os erros de português A tentativa de diálogo direto entre Xuxa e seus fãs continua, assim como as críticas e justificativas. Atenta ao fato de ter cometido um erro de concordância,no dia 24 de agosto, a apresentadora prontamente se desculpa:

Figura 18: Xuxa se desculpa por erro de português e comete outros

38

Como visto, na tentativa de corrigir um, ela cometeu outros ao se confundir na palavra “mau” que ao certo deveria ser “mal” e na concorência “saiu erros de português”. Esta complexa relação entre Xuxa e seus fãs é bem analisada por Freire Filho (2007) e Honorato (2010). Para Freire Filho, a internet é um campo de batalha entre fãs e celebridades. Os fãs encontram na esfera digital um espaço de liberdade de expressão. Já Honorato (2010) aponta para o despreparo das celebridades em lidar com essa nova forma de contato. 3.3.5 A interatividade e novo embate com o público

Ao relatar um compromisso profissional, que seria a apresentação no programa Criança Esperança, Xuxa enfrenta mais um desentendimento com os seus seguidores:

Figura 19: novo embate de Xuxa com seguidores A utilização da abreviação do nome do programa foi o motivo para confundir os internautas, que interpretaram que seria uma apresentação no Estado do Ceará:

Figura 20: apresentadora tenta desfazer o mal entendido com brincadeira

39

3.3.6 O lado “humano” do mito Pena (2002) sugere que mesmo que as celebridades não façam nada de excepcional, as banalidades da vida cotidiana se transformam em noticias e são assim divulgadoras das celebridades. No dia 25 de agosto de 2009, um relato de um compromisso pessoal, uma consulta médica, a celebridade postou:

Figura 21: o dia-a-dia de Xuxa vai para o Twitter

A apresentadora desce do olimpo e procura demonstrar aspectos banais do seu dia-a-dia. 3.3.7 Perfis falsos

Na internet, principalmente nas redes sociais, o surgimento de perfis falsos que se apropriam da imagem de uma celebridade é comum e com Xuxa não seria diferente. A apresentadora utilizou a ferramenta para alertar os internautas e uma das pessoas que Xuxa segue, a apresentadora Angélica, que nos anos 80 era considerada uma de suas rivais por também fazer um trabalho voltado para o público infantil sobre a existência de uma falsa Xuxa no Twitter no dia 25 de agosto de 2009:

Figura 22: diálogo público com outra celebridade

Ao estabelecer diálogo público com outra celebridade, Xuxa expõe um lado diferenciado do Olimpo, pouco abordado pela mídia tradicional, o da intimidade e do relacionamento entre estrelas.

40

3.3.8 Circuito fechado no relacionamento virtual

O perfil de Xuxa segue apenas seis pessoas, que além de Angélica, são: a cantora e amiga da apresentadora Ivete Sangalo (@ivetesangalo), que se comunicou com ela no dia 23 de agosto de 2009:

Figura 23: troca de mensagens entre Xuxa e a amiga Ivete Sangalo O da atriz Bruna Marquezine (@BruMarquezine) que segundo a imprensa, é amiga inseparável de sua filha Sasha. No dia 25 de agosto, Xuxa enviou um tweet para atriz:

Figura 24: Tweet de Xuxa à amiga de Sasha Dudu é o cão da apresentadora, que segundo Xuxa, ficou enciumado por ter feito uma sessão de fotos com outro cachorro. Aos demais, Xuxa não enviou nenhuma mensagem pública, sendo eles: a também amiga de Sasha, Luma Antunes Barbosa (@lumaabarbosa), o apresentador Luciano Huck (@huckluciano) e um perfil não identificado (@momunix). 3.3.9 Relacionamento com os fãs O Twitter permite a interatividade do público com seus ídolos. A dinâmica se sustenta nessa plataforma: “Se quiser, responde, se não quiser, deixa pra lá e continua. É como se fosse um carrossel no qual pessoas passam em grupos e você entra e sai à hora que bem entender”. (HONORATO, 2010). Utilizando desse recurso, nos dias 23, 24 e 25 de agosto de 2009, Xuxa se comunicou diretamente com 33 usuários, em sua maioria com mensagens breves. A seguir, exemplos de alguns desses “replies”:

41

Figura 25: "diálogo" de Xuxa com uma fã

Figura 26: Xuxa responde questionamento de fã

Figura 27: Xuxa brinca com fã no Twitter

42

Apesar das respostas não representarem um diálogo e sim apenas um princípio de interatividade, este contato direto, sem intermediação da imprensa só seria possível anteriormente por carta ou pela aproximação em algum show, certamente com intervenção de assessores. Porém, ainda que tenha procurado responder a algumas mensagens dirigidas a ela, o alto fluxo de tweets acabou por confundir a apresentadora, confirmando as colocações de Honorato (2010) sobre a dificuldade em lidar com as tecnologias:

Figura 28: Xuxa expõe sua dificuldade em lidar com a dinâmica do Twitter

3.3.10 Sasha no Twitter Sobre projeção, Fidalgo (2007) pondera que os que já possuem visibilidade nos meios de comunicação são filhos de reis ou celebridades midiáticas, proporcionando um reconhecimento social almejado ou simplesmente por circunstâncias naturais da vida. Isso ocorre com a filha da apresentadora, Sasha.

Figura 29: Xuxa com a filha Sasha. Fonte: (@xuxameneghel).

43

O episódio que deu fim a participação de Xuxa no Twitter aconteceu na madrugada do dia 25 de agosto de 2009, quando ela descrevia aos seus seguidores como estavam sendo as gravações do filme “Xuxa em o mistério de feiurinha”:

Essa mensagem foi motivo de “gozação” entre os usuários da ferramenta, mas o que gerou a polêmica foi quando a filha da apresentadora, Sasha Meneghel utilizou o perfil da mãe para postar:

Figura 30: erro de português de Sasha no Twitter O deslize gerou muitas mensagens dos internautas criticando o erro de português cometido pela filha que trocou o C pelo S ao escrever a palavra “cena”. Furiosa, Xuxa saiu em defesa da filha:

Figura 31: mensagem de Xuxa deletada do Twitter, mas recuperada por um usuário Os últimos dois tweets aqui apresentado foram apagados pela apresentadora, mas que foi obtido no blog “Hein?!?” apagadas pelos usuários. Para encerrar o episódio, Xuxa concluiu:
7

que utilizou a ferramenta Tweleted, que resgata postagens

7

http://hein.com.br/

44

Figura 32: Xuxa se despede dos fãs no Twitter Freire Filho (2007) define que a internet nesse contexto se torna um “campo de batalha” na ótica dos fãs, que encaram de forma utópica essa esfera digital como um espaço de liberdade de expressão, mas ainda enfrentam o domínio que exercem os conglomerados midiáticos sob os seus produtos. Para Honorato, trata-se de um “Coliseu Virtual”, no qual as celebridades podem ser “devoradas” pela falta de manejo no trato direto com o público. Sem a ajuda de assessores, Xuxa não soube como lidar com as críticas diretas à filha Sasha e acabou por se retirar da cena virtual. 3.3.1.1 Episódio final

O ocorrido foi noticiado pelos principais portais na internet e foi bastante comentado em outros espaços existentes na web, como blogs, por exemplo, mas de maneira diferenciada. No desdobramento do caso surgiram, em torno do assunto, boatos dizendo que a apresentadora processaria o Twitter e impediria que o serviço permanecesse atuando no país. Passados oito dias, ou seja, no dia 03 de setembro de 2009, Xuxa retorna ao seu perfil para esclarecer os boatos que circulavam na internet:

Figura 33: última mensagem de Xuxa Com isso, se encerra a inserção da celebridade na rede social. Em seu site oficial, Xuxa disponibilizou um comunicado (Fig . 34):

45

Figura 34: Entrada do site. Fonte: (Site Oficial).

Mas Xuxa, por ser o mito que é, mesmo com a conta inativa, continua contabilizando seguidores em seu perfil, o que demonstra que a visibilidade que a apresentadora possui em outros meios, faz com que novas pessoas passem a seguir até mesmo o silêncio da celebridade (Fig. 35):

Figura 35: Tela do Twitter pessoal de Xuxa Meneghel, atualizado em 26 de agosto de 2009. Fonte: (Site G1).

46

Figura 36: Tela do Twitter pessoal de Xuxa Meneghel, atualizado em 07 de maio de 2010. Um ponto que Honorato (2010) observa, é o da possibilidade que o Twitter gerou de aproximar os fãs de seus ídolos. Porém o mesmo ressalta que nem todas as celebridades estavam preparadas para lidar com essa nova forma de contato. Há uma diferenciação do artista e da pessoa “real”, que por uma aparição desmedida, pode acarretar prejudicialmente em sua imagem profissional. Xuxa arriscou-se no ambiente virtual, estabelecendo um contato mais próximo com seu público, sem a intermediação da mídia ou de assessores, porém o despreparo levou-a a um grande desgaste não apenas de sua imagem pública, como de suas expectativas pessoais em relação à ferramenta. 3.4 O desenrolar do ocorrido 3.4.1 Entre amigas Tomazelli (2009) afirma que as celebridades viram no blog e atualmente no microblog, um meio de se comunicar com seus admiradores. A pessoa que por seu trabalho já é notável, na blogosfera, reafirma sua visibilidade, sendo possível mensurar o alcance de sua notoriedade. Os fãs se deslumbram com a possibilidade de visitar, opinar e participar de forma indireta da realidade, mesmo que virtualmente, do seu ídolo. (TOMAZELLI, 2009)

47

Além de Xuxa, muitas outras celebridades possuem contas pessoais na rede social para estabelecer uma comunicação direta com o seu público. Utilizando dessa ferramenta, a apresentadora Angélica (@angelicaksy) e a cantora Preta Gil (@PretaMaria) comentaram sobre a passagem de Xuxa pelo no microblog. A apresentadora e também uma das pessoas que Xuxa segue no Twitter postou no dia 27 de agosto de 2009 sua indignação com toda história:

"Ouvi notícias da confusão com @xuxameneghel. Que feio, gente!"

No mesmo dia complementou:

"Fico triste com essas coisas, principalmente quando envolve criança. Imagino que, com razão, ela (Xuxa) ficou chateada ou p... mesmo".

Já a cantora Preta Gil rebateu aos comentários feitos por um dos apresentadores do CQC referente ao caso: “Isso tudo é uma bobagem, precisamos valorizar o ser humano. Qual o motivo para tanta agressividade?".

Para seus seguidores, a cantora escreveu:

"Isso aqui não é pra qualquer um não, tem que ter preparo emocional mesmo. Ela reagiu da maneira mais espontânea e ingênua, acabou generalizando sua mágoa.”.

“Acho totalmente compreensível, afinal de contas, ela sempre viveu num castelo como boa 'Rainha' que é, e estava tentando, pela primeira vez, ter contato com nós mortais. Quem sabe depois dessa ela volte mais madura pra cá".

48

3.4.2 Relação dos “fãs” “O Twitter é a TV interativa do mundo moderno” evidencia Honorato (2010). O fato de que o usuário desse site o utiliza para expressar suas opiniões, comentários, informações através de tweets em tempo real, se posicionando em discussões com outros internautas sobre aquele produto que consomem coletivamente ou até mesmo com os protagonistas envolvidos. O blog “Hein?!?” publicou alguns dos comentários de usuários da ferramenta Twitter sobre o ocorrido:

Figura 37: Tela de críticos do Twitter de Xuxa Meneghel, 2010. Fonte: blog hein?!?.

49

3.4.3 Retwíttes Segundo o colunista do Portal IG, Maurício Stycer9, “Xuxa” estava entre as dez mais mencionadas por brasileiros no Twitter. E as mensagens que ela escreveu na noite anterior estavam entre as três mais reenviadas (retwitadas) por outros usuários, que até hoje, é utilizada pelos internautas. Abaixo alguns exemplos reproduzidos pelo blog “Hein?!?”:

Figura 38: Tela dos retwittes dos usuários da ferramenta. Fonte: blog hein?!?.

9

http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/08/26/a-desastrada-aventura-de-xuxa-pelo-twitter/

50

Impulsionado pela repercussão do fato, o fã Davis Reimberg fez um vídeo em que expressa sua defesa à “Rainha dos baixinhos” e postou o link em sua conta na rede social, conquistando a atenção da massa e virando uma sensação na internet.

A autora Cunha (2007) explica esse comportamento: existem diferentes tipos de fãs. Os passivos e ativos. Um fã ativo caracteriza-se por participar ativamente dos processos que são inerentes ao objeto de admiração, ou seja, “tem o espírito de liderança, estimula outras pessoas, que na mesma condição de fã que a dele a se mobilizarem para interagir e não se limitando em apenas consumir‟

Figura 39: vídeo no Youtube

3.5 Mapeando a passagem de Xuxa pelo Twitter

Nesta parte do trabalho serão analisados os resultados da participação da apresentadora Xuxa na ferramenta Twitter através da aplicação das ferramentas on-line TweetEffect e SCUP.

3.5.1 TweetEffect e seus resultados

Como dito anteriormente, o TweetEffect aponta dados quantitativos referentes aos perfis do microblog Twitter, usando como parâmetro as próprias mensagens dos usuários. Através desses dados, apresenta quantos seguidores o autor das postagens ganhou, perdeu ou nenhuma das opções, de acordo com cada tweet. A coloração verde indica o ganho de seguidores, já a cor vermelha a perda. Quando ocorre de não ganhar e nem perder, a cor da postagem é cinza.

51

A seguir, a análise com base nos resultados da conta da apresentadora Xuxa Meneghel

Figura 40: Tabela de dados com análise referente a perfis do microblog. Fonte TweetEffect

52

Nas últimas 149 atualizações de seguidores, o perfil de Xuxa Meneghel (@xuxameneghel) perdeu seguidores 13 vezes e conseguiu novos adeptos oito vezes. Em geral, Xuxa perdeu 113.206 e ganhou 112.623, o que significa que o perfil perdeu no total 583 seguidores. O gráfico abaixo representa esta análise:

60 53 50 40 30 20 10 0 GANHOS

56

38 GANHOS PERDAS ESTAGNADOS

PERDAS

ESTAGNADOS

Gráfico 1: Analise dos seguidores de Xuxa no Twitter Segundo a ferramenta TweetEffect, a postagem que obteve um maior índice de rejeição aconteceu no dia 26 de agosto de 2009: “oi gente a filmagem continua” A justificativa desse dado negativo poderia se dar pelo fato dos internautas não estarem interessados em informações superficiais e descontextualizadas, como relatos simples do cotidiano: bom dia, estou indo para o trabalho etc Devido ao perfil ainda estar ativo e com isso, continuar conquistando novos seguidores, a postagem que mais conquistou adeptos foi a penúltima, a famosa despedida do dia 25 de agosto de 2009:

Enquanto o perfil ainda estava ativo, o segundo com maior índice de aprovação foi a postagem do dia 19 de agosto de 2009:

53

“AH! TÔ FILMANDO. COMECEI ONTEM, MUITO BOM! AS PRINCESAS “VÉIAS” ESTÃO ÓTIMAS!” O índice positivo poderia ser explicado, pelo fato de estar contextualizado e conter informações, gerando proximidade do público nesse universo até então distante.

Cunha (2007) descreve que na intimidade, o fã tem como presente a presença constante de seu ídolo, mesmo que de forma ilusória, pois a relação interpessoal é inexistente. A mensagem de Xuxa quebra virtualmente esta distância.

3.5.2 A imagem de Xuxa medida pelo SCUP na blogosfera

A saída de Xuxa do Twitter foi noticiada pelos principais portais na internet e bastante comentado em outros espaços existentes na web, como blogs, por exemplo, mas de maneira diferenciada. O SCUP apresentou o resultado referente ao período 25 de agosto de 2009 a 05 de março de 2010, sobre blogs que mencionaram o assunto através da plataforma Google Blog Search. Para classificar o conteúdo textual encontrado na blogosfera, foram adotados os seguintes critérios: Negativo – Quando além de relatar o caso, expressa uma opinião negativa do fato; Neutro – Quando somente descreve o ocorrido; Positivo – Quando elementos do texto apontam para uma avaliação de defesa do acontecimento em relação a atitude da apresentadora.

Essas classificações ficam a critério do responsável pela pesquisa, no caso, o autor desta monografia.

O parâmetro para dar prosseguimento à pesquisa é a utilização de palavras chaves, as usadas em questão foram: Xuxa – Sasha – Cena – Sena – Twitter – Caixa Alta. O critério de escolha foi por definir as palavras essenciais para descrever o fato ocorrido com Xuxa Meneghel e que levaria a obter um melhor aproveitamento nas buscas.

54

Figura 41: Análise do caso Xuxa na blogosfera. Fonte: Scup

Na pesquisa, foram removidos os resultados contendo blogs duplicados ou que não condizem com o assunto e nem com a blogosfera, como o caso dos fóruns de discussão.

No gráfico abaixo, estão as estatística agrupadas por dia, referentes ao período que a apresentadora utilizou a ferramenta Twitter, mas considerando a repercussão, adicionamos mais uma semana ao período de análise, ou seja, dia 10 de setembro de 2009.

55

Gráfico 2: Gráfico de resultados de uso do Twitter Fonte: Scup

Certificando os resultados obtidos, foi possível observar que a blogosfera, segundo a plataforma Google Blog Search, começou a mencionar a participação da apresentadora na rede social justamente no dia do episódio que envolveu sua filha Sasha, no dia 25 de agosto de 2009.

A maioria das postagens continha conteúdo negativo, seguindo de neutro e em uma margem pequena de classificação positiva.

Em uma amostra quantitativa, se pode ter maior clareza dos resultados obtidos:

56

Tabela 1: Amostragem quantitativa sobre repercussão do tema na blogosfera. Fonte: Scup

Como demonstra a tabela 1, a data de maior repercussão do tema na blogosfera foi justamente o dia seguinte à polêmica envolvendo a apresentadora, dia 26 de agosto de 2009. Da totalidade de 15 blogs que trataram do fato, 6 deles foram de forma negativa, 8 neutra e apenas 1 positiva. De acordo com Assis (2009), os blogs que até algum tempo atrás eram considerados “meros diários on-line para adolescentes”, hoje é atribuído um valor diferenciado, pois são eficientes no que se diz respeito à comunicação e divulgação de notícias.

Dentre os blogs que surgiram no resultado do referente dia, destaque para o blog Jogando Praga8, que tem como foco gerar informações falsas sobre assuntos que estão em evidência. Sobre o fato de Xuxa no Twitter, o blog se manifestou da seguinte maneira:

8

http://jogandopraga.blogspot.com/2009/08/xuxa-entra-com-processo-contra-twitter.html

57

Figura 42: Informação sobre o suposto processo. Fonte: Blog “jogando praga”

Nota-se que a informação inverídica foi propagada, e apenas no final da notícia falsa consta o aviso:

Figura 43: Aviso quanto ao conteúdo das postagens. Fonte: Blog “jogando praga”

A informação contida na postagem foi suficiente para que circulasse nos meios de comunicação como verdade, no próprio blog, na parte destinada a comentários, a repercussão se deu em expressas 215 opiniões.

58

A notícia publicada chegou ao conhecimento da apresentadora e foi responsável pelo retorno de Xuxa ao Twitter, motivando sua última aparição na ferramenta para dar explicações quanto aos rumores. A avaliação feita pelo Scup fornece também, um quadro dos “termos mais citados” referente à Xuxa encontrados na busca pelos blogs.

Figura 44: Quadro dos termos mais citados. Fonte : Scup

Como podemos perceber, a comprovação das palavras mais utilizadas nos texto presentes na blogosfera remete à descrição negativa do ocorrido com a apresentadora no Twitter.

Mais uma comprovação de que Xuxa, em seu despreparo para lidar com as ferramentas virtuais e com a aprovação do público sem o intermédio de assessores ou da mídia resultou perdas para a sua imagem enquanto celebridade.

59

CONCLUSÃO O fenômeno da internet transformou as formas de comunicação e interação. Nunca antes o indivíduo conheceu e interagiu com tantas pessoas diferentes, em uma ampla rede de amigos, às vezes, até mesmo desconhecidos, quanto nos perfis criados em redes sociais. Informações e dados pessoais são prontamente consumidos. As mídias sociais na internet ampliaram as possibilidades de conexões, e ampliaram também a capacidade de difusão destas mesmas informações. Nas redes sociais, informações são ecoadas, discutidas e repassadas, ampliando enormemente seu poder de repercussão. Dando voz às pessoas comuns e às celebridades, proporcionando a construção de valores e com maior potencial mobilização. Essas redes constroem uma teia de conexões que espalham idéias e valores sociais, através de diversas ferramentas. O Twitter deu início a uma nova possibilidade de interação e inundou o mundo digital com mensagens curtas. Usado democraticamente por todos os que o acessam, tem aí o seu maior valor e seu maior perigo. O Twitter tem o poder de ressaltar personalidades, de dar credibilidade e também de desmistificá-las e, mesmo não ocorrendo na realidade, virtualmente, destruí-las ou comprometer sua imagem. Possuindo uma comunicação direta com o fã, sem o intermédio da mídia tradicional, entre outras vantagens ele pode ajudar na divulgação de idéias, campanhas, imagens e promoções especiais para um público que voluntariamente está disposto a receber mensagens, os chamados seguidores. Respondendo a uma simples pergunta: “o que está acontecendo?”, muitas pessoas se tornaram celebridades do dia para noite, e de forma excepcional criaram uma legião de fãs incondicionais. Na atualidade, o Twitter é a “bola da vez”, uma plataforma de recursos simples, que possibilita o envio de mensagens de no máximo até 140 caractéres, e que obriga o usuário a construir uma mensagem mais direta. Esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de analisar a atuação de uma celebridade e sua relação com o universo dos fãs mediada pelo microblog. A escolha do Twitter se deu de uma forma estratégica, já que se apresentava como uma plataforma de fácil acesso e considerado como uma rede social de imediato retorno, possibilitando mensurar as conseqüências desta interação ídolo/fã.

60

Definiu-se o caso da Xuxa no Twitter para exemplificar a relação celebridade/fã na esfera virtual. Foi aplicada a análise de conteúdo para exemplificar como uma celebridade utiliza a ferramenta como um novo canal de comunicação direto com o público, sem a intermediação da mídia e/ou assessores, e foram consideradas as conseqüências deste uso, o que se apresentou como objetivo maior do trabalho. Utilizando as contribuições de Lana (2008), Edgar Morin (1997), Rojek (2001), Cunha (2007) e Pena (2002) que discorrem sobre a construção das celebridades pelos meios midiáticos e a perspectiva de Fidalgo (2007) e de modo mais específico a de Freire Filho (2007) discorrendo sobre as novas formas de comunicação, procuramos evidenciar as mudanças na estrutura e de como acontecem as relações entre as celebridades e seu público, atualmente caracterizadas pela interatividade dos envolvidos em questão, ou seja, “produtor e consumidor”. Paradigma esse que entende a comunicação como uma atividade que envolve indivíduos de lados quase opostos – seguidores e celebridades - e a relação que estabelecem através da linguagem em determinados contextos (aqui de forma específica o Twitter) e a partir do qual procuramos construir uma abordagem da construção da imagem pública das celebridades pelas mídias sociais. Interessante observar um mito como a apresentadora Xuxa se expor na web, deixando de lado toda a “armadura” que a indústria cultural sustenta em outros veículos da mídia ou através do suporte oferecido por sua assessoria. Os riscos da exposição de pessoas que possuem uma visibilidade midiática e que se submetem a uma ferramenta como esta, deve ser levado em consideração. É indiscutível o benefício que as mídias sociais trouxeram para a comunicação, pois todos os conteúdos e ferramentas utilizadas na internet e que têm como objetivo uma interação social que compartilha opiniões, idéias, experiências são elementos agregadores para a sociedade. Porém o imediatismo das respostas - nem sempre bem elaboradas - podem ocasionar os conhecidos “mal-entendidos”, ou pior, arranhar definitivamente a “imagem de deuses” que algumas celebridades carregam. Considera-se que o objetivo levantado neste trabalho foi respondido, ou seja, foram analisadas as conseqüências do uso de tal mídia pela apresentadora, e embora com alguns limites, as análises consideradas (retiradas tanto do SCUP quanto do TweetEffect) mostraram que o imediatismo das respostas – e emoções – foram fundamentais para o rompimento da

61

apresentadora com os seguidores do Twitter. Apesar de acreditar em sua condição de “Rainha”, Xuxa pode perceber que o controle sobre seus fãs diretos não era uma realidade. Ali também se achavam pessoas com opiniões e crenças diferentes, capazes a críticas. Se a ação em defesa da filha fosse de uma pessoa comum, certamente não causaria maiores danos ou repercussões. Porém quando a realidade encontra-se com o mito da perfeição, algo se parte, tanto do lado de quem se acredita perfeito, quanto do seguidor da perfeição. As ferramentas SCUP e TweetEffect trouxeram dados quantitativos para a análise da performance de Xuxa no Twitter. Avaliamos, porém, que a ferramenta TweetEffect não apresenta um número mais amplo de opções de gráficos que permitam uma avaliação mais criteriosa. Já a ferramenta SCUP, possui uma gama maior de informações e opções de gráficos, o que o torna mais confiável e de fácil acesso. Dentro destas análises observamos: um dos maiores problemas que as celebridades estão enfrentando ao aderirem à moda do Twitter é que sendo acostumadas à blindagem de seus seguranças e com a filtragem de suas inter-relações com os fãs por parte de assessorias, descobrem-se não tão queridas quanto imaginavam. E, muitas vezes, por serem inexperientes navegadores no mundo do relacionamento virtual, acabam cada vez mais se complicando e sendo alvo de críticas. Em um espaço complexo no qual todos possuem voz, fica difícil, senão impossível, calar. A propagação e ampliação das informações nas mídias socias ocorre pelo poder de troca das mesmas e da interdependência entre elas. Nota-se este fato, principalmente quando o ocorrido foi noticiado pelos principais portais na internet e bastante comentados em outros espaços existentes na web como os blogs. A partir dessa análise, foi possível entender que, na percepção dos twitteiros, a apresentadora não deu ênfase a algumas normas de relacionamentos estabelecidas, não se tornando um “deles” (twitteiro), ou seja, o que ocorreu na realidade é que não houve o espelhamento entre as partes envolvidas, levando a criação do estranhamento, ou a negação do mito. O ato de expressão que a apresentadora “pensou” poder exercer como ato livre de interferências dentro de um espaço democrático, mostrou-se nem tão livre nem tão democrático de ambos os lados. Nem de quem leu (twitteiros), nem de quem escreveu (Xuxa).

62

Este ato de expressão, ainda que tenha sido realizado de forma pessoal, não considerou toda representatividade na construção do produto midiático da personagem Xuxa. No Twitter, o status de celebridade pode ser atingido por qualquer pessoa que esteja voluntariamente utilizando a plataforma, se tratando de um espaço onde qualquer conteúdo pode ser propagado de maneira instantânea e assim gerando visibilidade na rede ou até mesmo estendida fora dela. A partir do que foi discutido, podemos perceber a complexidade dos processos na construção das imagens das celebridades, e as consequências da relação destas celebridades com seu público pelo uso das conhecidas mídias sociais. As análises desse fenômeno, marcante na sociedade atual em que vivemos – e o uso excessivo destes meios de interação e comunicação - procuraram demonstrar a fragilidade desta troca, e mesmo sua superficialidade, que configuram a relação entre os fãs, a celebridades e a mídia. Uma recomendação que consideramos importante em relação a novos estudos sobre o tema é a inclusão de uma nova questão de pesquisa, o que ocorreu de forma não proposital, neste estudo, mas que é fundamental para o conhecimento mais amplo das mídias sociais, ou seja, a questão da interdependência entre as diversas redes sociais dentro do universo da internet. Por isso, sugere-se que, em próximos estudos semelhantes, conste esta questão, o que auxiliaria a dar consistência na análise de resultados do uso deste tipo de mídia para a criação, manutenção ou questionamento sobre o universo das celebridades.

63

REFERENCIAS

ASSIS, Evandro de. O Jornalismo e a mídia social, Rio de Janeiro, Ed. EDIFURB, 2009. BARBERO, Jesus-Martin. Dos Meios às Mediações. Rio de Janeiro. Ed. UFRJ, 2ª edição, 2001. BARBERO, Jesus-Martin. Indústrias Culturais Modernidade e Identidade. São Paulo. Coleção Intercom, 1993; BRUNO, Fernanda. Quem está olhando? Variações do público e do privado em weblogs, fotologs e reality shows, 2005. Disponível em <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/3461/2526>. Acesso em 02 de abr. 2010 CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas Hibridas. São Paulo. Ed. Edusp, 1998 CUNHA, Maria Inês Vilhena da. A figura do fã enquanto criador, 2007. Disponível em <www.bocc.uff.br/pag/cunha-ines-figura-fa-criador.pdf >. Acesso em 05 de abr. 2010 CANCLINI, Nestor Garcia. Consumidores e Cidadãos; conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro. Ed. UFRJ, 1995; FIDALGO, Antônio. A Falácia da Visibilidade: Visibilidade e Identidade no Tempo dos Média, 2007. Disponível em <http://www.bocc.ubi.pt/pag/fidalgo-falacia-visibilidade2006.pdf>. Acesso em 02 de out. 2009 FREIRE FILHO, João. Convergências e Divergências Midiáticas. In: Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom - UFRJ, VII, Rio de Janeiro, 2007. HALL, Stuart. Da diáspora Identidades e Mediações Culturais, Belo Horizonte. Ed. UFMG, 2003 HALL, Stuart. Identidades Culturais na Pós-Modernidade. Rio de Janeiro, 1998. HONORATO, Eduardo J.S. Em que Matrix Você está? . Revista Psique e Saúde. São Paulo Nº48, Fevereiro de 2010. LANA, Lígia Campos de Cerqueira. Celebridades e seus públicos, 2008. Disponível em <http://www.fafich.ufmg.br/cis/pdfs/grispop/LANA_ligia.pdf>. Acesso em 30 de set. 2009. MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: o espírito do tempo. Tradução, Ed. Forense-Universitária, Rio de Janeiro: 1997.

64

PENA, Felipe. Celebridades e heróis no espetáculo da mídia. Disponível em: <http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/viewFile/821/604>. Acesso em 05 de abr. 2010 REVISTA ÉPOCA. Facebook, Twitter, Orkut. É hora de entrar ou cair fora? 31 de maio de 2010, nº 628, p. 80 – 113 RODRIGUES, Carla. O que você está fazendo agora? Três contribuições para o debate sobre microblogs, 2009. Disponível em <http://publique.rdc.pucrio.br/revistaalceu/media/Alceu%2018_artigo%2011%20(pp148%20a%20161).pdf>. Acesso em 02 de set. 2009. ROJEK, Chris. Celebridades. Rio de Janeiro. Tradução. Ed. Rocco, 2008. TOMAZELLI, Idiana. A nova disposição dos diários íntimos: Confissões via blogs, 2009. Disponível em <http://www.scribd.com/doc/18619625/A-nova-disposição-dos-diariosintimos-confissoes-via-blogs>. Acesso em 21 de set. 2009. .THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade. Petrópolis, Rio de Janeiro. Ed. Vozes, 1998. VALIM, Alexandre Busko. Cultura e mídia em um estudo multidimensional, 2001. Disponível em: <http://www.historia.uff.br/tempo/resenhas/res14-2.pdf>. Acesso em 05 de abr. 2010

65

ANEXOS Anexo A - Arquivo pessoal - O encontro do autor e o objeto de estudo em 1994