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DOENÇAS VENÉREAS EM DERMATOLOGIA

LINFOGRANULOMA
VENÉREO (LGV)
INTRODUÇÃO
O linfogranuloma venéreo é uma doença que foi definida por Durand,
Nicolas e Favré em 1913.

É uma doença infectocontagiosa sistêmica caracterizada principalmente


pelo acometimento dos linfonodos da região inguinal e da área virilha. Pode
apresentar outros nomes como, quarta moléstia, bubão tropical, mula,
poroadenite inguinal, entre outros.

ETIOLOGIA E PATOGÊNESE
Essa doença é causada por uma bactéria gram- chamada de Chlamydia EPIDEMIOLOGIA
trachomatis, apenas os sorotipos L1, L2 e L3 são capazes de causar o
linfogranuloma, pois são mais invasivos e conseguem infectar células  Comum de clima tropicais e subtropicais;
linfoides, causando o quadro característica da doença. Sorotipos de A a C  Achado incomum, isso pode se dá também por causa de suas
provocam tracoma e conjuntivite enquanto que os sorotipos D a K provocam manifestações clínicas que são pouco perceptíveis, ocasionando em
infecções urogenitais. subnotificação;
 Atinge uma população de menor nível socioeconômico e população
Essas bactérias são intracelulares obrigatórias, precisam do sexualmente ativa;
metabolismo celular do hospedeiro para se desenvolver. Fora das células, ela  Essa lesão pode servir como porta de entrada para outras IST’s e doenças
assuma a forma de corpúsculo elementar, essa possui a capacidade de hematogênicas;
penetrar nas células linfoides em um processo de endocitose, provocando
uma inclusão. O corpúsculo elementar vai se transformar em um corpúsculo TRANSMISSÃO
reticular, esse vai se multiplicar e se espalhar pela célula, até que voltam a
 Sexual;
ser corpúsculo elementar, rompem o endossoma, provocando a morte da
célula, e se espalham. Esse rompimento celular somado à reação imune  Não ocorre transmissão vertical, mas pode ocorrer a transmissão durante
provocada pelo hospedeiro que vai gerar o quadro característico de um o parto;
linfogranuloma.
 É uma bactéria que apresenta muitos polimorfismos, logo a imunidade a 2 a 4 semanas depois da lesão primária ocorrerá o acometimento dos
uma dessas bactérias não confere imunidade a outra variante, por isso linfonodos regionais. No homem, o quadro clínico mais comum é a síndrome
que essa doença persiste na comunidade; inguinal/adenite inguinal subaguda, no qual os linfonodos inguinais ficam
doloridos e aumentados e a região em sua volta fica eritematosa. Inicialmente
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS esses linfonodos se encontram separados, mas a progressão da doença resulta
na formação de uma massa emaranhada onde não mais distinção dos
É uma doença crônica de manifestações agudas e tardias.
linfonodos, o chamado bubão. Quando essa massa de linfonodos se situa
PRIMEIRA FASE abaixo e acima do ligamento inguinal, uma ranhura/marca fica visível, sendo
este o sinal do sulco/Canaleta.
Após o contágio, o período de incubação varia entre 3 a 30 dias,
surgindo uma pápula ou vesícula que se desenvolve em uma pequena
úlcera, também conhecida como microcancro linfogranulomatoso.
Manifestações gerais como febre e cefaleia podem acontecer.

Ela é indolor, de difícil percepção e se cicatriza em poucos dias,


dificultando o diagnóstico. Essa lesão ocorre preferencialmente na genitália
externa, mas pode ocorrer também no canal endocervical e na mucosa retal.

Esse quadro é acompanhado de mialgia, febre, cefaleia, etc


SEGUNDA FASE
Precoces Tardias

Síndrome Lesões genitais 1ª Elefantíase genital


inguinal
Úlceras genitais Úlceras genitais

Bubões inguuinais

Síndrome Proctite Estenose retal


anorretal
Linforróidas Na mulher a linfadenite vai depende de onde ocorreu a lesão inicial,
se for na região mais superior da vagina, os linfonodos inflamados serão os
Abscessos perirrtais
ilíacos internos e externos, caso a genitália externa ou a vagina mais inferior
Fístula anla seja o local da primeira lesão. Como esses linfonodos doem, a mulher vai
sentir dor na região da pelve ou abdome inferior.

Outras Uretrite Pelve congelada Quando o linfogranuloma ocorre no reto, haverá dor, tenesmo,
diarreia.
Cervicite infertilidade
Ao atingir os linfonodos, a bactéria pode cair na circulação e causar
Salpingite
outras infecções.
Parametrite
TERCEIRA FASE
Conjuntivite
Ocorre em até 20 anos.
Essa massa de linfonodos vai sofrendo processo de necrose e surgem Estiomene: a obstrução linfática causa elefantíase das genitálias.
fístulas em vários pontos dessa massa que drenarão o conteúdo para o meio
exterior. Esse quadro fica conhecido como sinal da escumadeira. Síndrome genitoanorretal: abscessos pararretais, fistulas
Posteriormente essa massa vai cicatrizar. uterovaginais ou retovaginais, ulcerações, estenose, etc.

DIAGNÓSTICO DIFERENC IAL

1º Estágio
Cancro mole, cancro duro, herpes genital
Cancróide Clínica: úlceras múltiplas,
LGV x Sífilis irregular, necrótica, dolorosa,
pesquisa de H.ducreyi
/Adenopatia da sífilis não tem caráter de inflamação aguda.

Enfermidade Recurso
Manobra de valsava: assoprar com a boca e nariz fechado 
aumenta Pr intrabdominal  Causa mais dor
Tb ganglionar PPD, Rx tórax, AP do gânglio
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Linfoma AP do gânglio + clínica Bacterioscopia: ELISA – detectar a presença de anticorpos anti-clamídia,


Hodgkin porém não diferencia o sorotipo. PCR – Amplifica partes de DNA para
detectar morgs. Exame bacterioscópico direto e colorações não são métodos
muito eficazes. Acaba sendo pouco específico.
Hérnia > da dor a manobra de valsava
Inguinal Microimunofluorescência: detecta anticorpos específicos aos diferentes
encarcerada sorotipos da clamídia, porém é uma técnica difícil que só acontece em centros
de referência.

Fixação do complemento
TRATAMENTO

Fármaco Dose Frequência Via Tempo Orientações

Doxiciclina 100 mg 12/12h Oral 3 semanas Tetraciclina: Inibe a síntese


proteica ao se ligar à subunidade
30s. hepatotoxicidade em
gestantes

Eritromicina 500 mg 6/6h Oral 3 Semanas Macrolídeos: Mulheres que


amamentam ou gestantes

Azitromicina 1g 1/Semana Oral 3 Semanas Macrolideo: Subunidade 50s

Tetracilina 500 mg 6/6h Oral 3 semanas

Tianfenicol 500 mg 8/8h Oral 2 Semanas