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Responda as questões abaixo levando em consideração à vigência da Reforma

Trabalhista, Lei 13.467/17.

QUESTÃO 1: O advogado da empresa Delta, munido do instrumento de procuração,


compareceu a uma audiência de conciliação, à qual o preposto da reclamada não
compareceu. Diante dessa situação hipotética, responda, de forma justificada, à seguinte
pergunta: Deve ser aplicada a revelia à empresa Delta?

Resposta:

Tendo em vista que o preposto da reclamada não compareceu em


audiência sem justificativa, nos moldes do art. 844 da CLT, tal atitude importaria em
revelia e confissão quanto à matéria de fato. Ocorre que no caso em tela, já que o
advogado da reclamada compareceu à audiência, ainda que sem a presença do preposto,
há a previsão legal no §5º do dispositivo já mencionado, de aceitar a contestação e os
documentos eventualmente apresentados por este.

Sendo assim, observa-se que a reforma trabalhista trouxe uma alteração


no conceito de revelia no processo do trabalho, não sendo mais a ausência da reclamada,
e sim, quando houver a ausência de defesa. Ou seja, caso o seu advogado tenha
comparecido à assentada munido defesa com documentos, a reclamada não será tida por
revel. Quanto à confissão da matéria de fato, essa continuará sendo aplicada à
reclamada, entretanto, deverão ser analisados os documentos porventura acostados pelo
advogado da ré e os argumentos e requerimentos da contestação.

QUESTÃO 2: A empresa Orvalho Matinal litigava contra um ex-empregado na justiça


do trabalho em processo que corria sob o rito sumaríssimo. O juiz de 1.º grau julgou
procedente a ação, tendo sido a sentença confirmada pelo tribunal regional do trabalho.
O advogado da empresa resolveu interpor recurso de revista. Ao fundamentar seu
recurso, o advogado alegou que a decisão do tribunal regional contrariava o disposto em
uma orientação jurisprudencial da SBDI 1, do Tribunal Superior do Trabalho, sendo
este argumento o único de mérito presente no recurso de revista. Na situação hipotética
apresentada, o recurso de revista interposto pelo advogado da empresa Orvalho Matinal
está apto a ser conhecido? Justifique a sua resposta.

Resposta:

Tendo em vista que o referido processo correu sob o rito sumaríssimo e


foi utilizado como único argumento de mérito presente no recurso de revista interposto
uma alegação de contrariedade à orientação jurisprudencial da SBDI 1 do TST, não há
de ser admitido tal recurso.

Isso porque fere a inteligência do art. 896, § 9º da CLT, que dispõe que
“nas causas sujeitas ao procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de
revista por contrariedade a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do
Trabalho e violação direta da Constituição da República.”. Ou seja, em se pautando a
fundamentação do argumento de contrariedade em uma OJ, não há como ser admitido o
recurso de revista no caso em comento.

QUESTÃO 3: Antônio moveu reclamação trabalhista contra a empresa Lua Cheia,


pleiteando, em sede de antecipação de tutela, a sua reintegração no emprego. Ao
apreciar tal pedido, o juiz determinou, sem a oitiva da parte contrária, a imediata
reintegração de Antônio. Na mesma decisão, o juiz determinou a notificação das partes
para comparecimento à audiência inaugural. A empresa foi notificada para o
cumprimento da ordem de reintegração deferida. Considerando a situação hipotética
apresentada, na condição de advogado(a) da empresa, especifique, de forma
fundamentada, o instrumento processual hábil para buscar reverter a decisão do juiz.

Resposta:

O instrumento processual cabível, no caso em comento, será o Mandado


de Segurança. Isto porque se trata de decisão interlocutória que, segundo art. 893, § 1º,
da CLT, é irrecorrível. Tal irrecorribilidade é responsável pela busca da celeridade
atribuída ao processo do trabalho.

Destaca-se, entretanto, que há uma mitigação referente à irrecorribilidade


apresentada, conforme exposto na súmula 414 do TST, in verbis:
I – A tutela provisória concedida na sentença não comporta impugnação
pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante recurso
ordinário. É admissível a obtenção de efeito suspensivo ao recurso
ordinário mediante requerimento dirigido ao tribunal, ao relator ou ao
presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, por aplicação
subsidiária ao processo do trabalho do artigo 1.029, § 5º, do CPC de
2015.
II – No caso de a tutela provisória haver sido concedida ou indeferida
antes da sentença, cabe mandado de segurança, em face da inexistência
de recurso próprio.
III – A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o
objeto do mandado de segurança que impugnava a concessão ou o
indeferimento da tutela provisória.

Desta forma, não havendo recurso específico a ser interposto no caso


analisado, caberá o mandado de segurança, conforme exposto na Súmula
supramencionada.

QUESTÃO 4: Ana Maria Braga e a Empresa TV Grande pactuaram acordo para


resolução de reclamação trabalhista. Formalizaram o acordo por escrito e encaminharam
petição ao juiz, com cópia de acordo em anexo, formulando pedido de homologação. O
juiz, contudo, não homologou o acordo. Pedro, então, impetrou mandado de segurança
contra o juiz, pleiteando a homologação do acordo via concessão do mandado de
segurança. Segundo entendimento do TST, será concedida a segurança?

Resposta:

Não. De acordo com entendimento firmado pelo TST, através da Súmula


418, configura faculdade do juiz a homologação de Acordo, de modo a inexistir direito
líquido e certo tutelável pela via do mandado de segurança. Desta forma, pode-se
concluir que não há obrigatoriedade da Justiça do Trabalho homologar todo e qualquer
acordo extrajudicial firmado entre empregados e empregadores, cabendo ao juiz,
portanto, analisar se o referido acordo se encontra dentro dos parâmetros razoáveis e
isentos da possibilidade de fraude.
No caso analisado, não será concedida a segurança, uma vez que o TST
entende não ser cabível o remédio constitucional em epígrafe nos casos de não
homologação de acordos no âmbito da Justiça do Trabalho.

QUESTÃO 5: Uma entidade filantrópica figurou como reclamada em reclamação


trabalhista movida por um ex-empregado e obteve o benefício da assistência judiciária
gratuita deferido pelo juiz. Após a instrução processual, o juiz proferiu sentença,
julgando procedente o pedido formulado pelo reclamante na inicial, tendo o valor da
condenação alcançado o montante de R$ 9.500,00. Nessa situação hipotética, caso a
entidade filantrópica tenha interesse em interpor recurso ordinário contra a sentença
proferida pelo juiz, ela deve proceder ao recolhimento do depósito recursal? Justifique a
resposta.

Resposta:

Em se tratando de uma entidade filantrópica como recorrente, não há o


que se exigir o depósito recursal na interposição do recurso ordinário, tendo em vista a
isenção desta para tal, prevista no art. 899, §10 da CLT: “São isentos do depósito
recursal os beneficiários da justiça gratuita, as entidades filantrópicas e as empresas em
recuperação judicial”. Ademais, ressalte-se que caso fosse necessário o depósito
recursal, este seria no valor da condenação, já que está aquém do valor limite, que
atualmente é de R$9.513,16.

QUESTÃO 6: A" promoveu reclamação trabalhista contra a empresa "B", pleiteando


equiparação salarial com o paradigma "C". A empresa "B" contestou o feito, alegando
que o paradigma, apesar de trabalhar na mesma função do Reclamante, fazia-o em outra
unidade, ou seja, enquanto o Reclamante trabalhava em São Paulo – Capital, o
paradigma trabalhava na Cidade de Varginha – MG, e a diferença salarial derivava das
convenções coletivas de trabalho que determinavam salários diferenciados. A Vara do
Trabalho julgou procedente a Reclamação. Nesta situação hipotética, que medida deve
ser adotada pelo advogado de “B”? Apresente devidos fundamentos legais.
QUESTÃO 7: Sendo duas as empresas reclamadas, condenadas ambas solidariamente,
interposto o recurso também por ambas, apenas com a alegação de ser insubsistente a
condenação, diante das provas produzidas, o depósito recursal deve ser efetuado por
ambas ou o depósito feito por uma das condenadas favorece a outra?

Resposta:

O depósito recursal aproveita a empresas condenadas solidariamente,


desde que a empresa que realizou o pagamento do depósito não pleiteie no recurso a sua
exclusão da lide. Tendo em vista que no caso em comento apenas houve a alegação de
ser insubsistente a condenação diante das provas produzidas, não havendo, portanto, o
pedido de exclusão da lide de nenhuma delas, não é necessário que ambas as empresas
condenadas solidariamente efetuem o depósito, favorecendo a outra o pagamento
realizado por um.

QUESTÃO 8: Em determinada reclamatória trabalhista, foi proferida sentença


parcialmente procedente. No terceiro dia, após a publicação da sentença, o advogado da
empresa interpôs recurso ordinário. Ocorre que, no dia seguinte, o advogado do
empregado interpôs embargos de declaração. O juiz, ao analisar os embargos, alterou a
sua decisão, de forma que a sentença passou a ser totalmente procedente. Neste caso,
como advogado da empresa, adote a medida cabível para impugnar os pontos alterados
na sentença.

QUESTÃO 9: Considere que o presidente da CIPA no âmbito de determinada empresa


tenha sido demitido sem justa causa. Nessa situação, tendo em vista a função
desempenhada pelo empregado, caberia reclamação trabalhista contra o ato do
empregador?

Resposta:
Contra esse ato específico de demissão sem justa causa e levando em
conta a função de presidente da CIPA do empregado, carece de razão a propositura de
reclamação trabalhista, tendo em vista que este não goza de estabilidade.

Tendo em vista que o presidente dessa comissão é designado pelo


empregador (e não eleito) e que apenas a dispensa arbitrária ou sem justa causa dos
empregados eleitos é vedada, não há o que se falar em estabilidade para o presidente da
CIPA. Sendo assim, dos membros da CIPA, apenas os representantes dos empregados
gozam de tal estabilidade, não sendo o caso apresentado nesta questão.

QUESTÃO 10: João é servente da construção civil e dirigente sindical dos


trabalhadores da referida categoria. Seu empregador, unilateralmente, determina sua
transferência para município fora da base territorial do sindicato profissional. A
atividade de João não é especializada e no município para onde será transferido não há
deficiência de mão-de-obra para executar tal função. Há no contrato, cláusula prevendo
a possibilidade de transferência do empregado para localidade diversa daquela em que
ele foi celebrado. Diante desses fatos, pergunta-se: A) É lícita a transferência
determinada pelo empregador? B) Caso João pretenda, de modo imediato e urgente,
questionar judicialmente a ordem de transferência, qual a medida processual cabível?