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UNIJALES

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JALES


CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

JULIANO ABREU PRATTI

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE


CONSUMO

Jale/SP
2018
1

JULIANO ABREU PRATTI

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE


CONSUMO

Artigo Científico apresentado ao


Departamento de Educação da UNIJALES
Centro Universitário de Jales, como
requisito parcial para a obtenção do título
de Licenciado(a) em Ciências Biológicas.

Jale/SP
2018
1

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DE


CONSUMO
JULIANO ABREU PRATTI1

RESUMO

A qualidade da água para o consumo humano é um bem que a cada dia torna-se escasso.
No Brasil e no mundo milhões de pessoas não tem acesso a água com padrões de
potabilidade. O principal objetivo deste trabalho é apresentar os padrões microbiológicos
de potabilidade para água de consumo humano.

Palavras-Chave: Água, água potável, coliformes.

Introdução

A água é um bem peculiar entre os recursos naturais, é vital para a sobrevivência


da espécie humana e de todas as outras espécies do planeta, porém é um recurso finito,
e, que ainda, enfrenta problemas de quantidade e qualidade (CARVALHO, 2002).
A água e a saúde das populações são duas coisas inseparáveis. A qualidade da
água é um dos fatores que condicionam a qualidade de vida, sendo assim um fator
indispensável para a própria vida. O grande fator de risco para a humanidade, é o
próprio meio no qual ela se insere. A qualidade do ambiente, afeta diretamente o seu
agressor: o homem.
A água é indispensável para manutenção da vida, porém torna-se um risco para a
saúde da população quando sua qualidade está comprometida por agentes
contaminantes, daí a necessidade da avaliação microbiológica da mesma, já que, além
de tornar-se um bem escasso, sua qualidade tem se deteriorado muito rápido
(AMARAL,2002).
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2003), a falta de água potável
e de saneamento no Brasil é causa de 80% das doenças de veiculação hídrica e 65% das
internações hospitalares, implicando gastos de US$2,5 bilhões. Estima-se que para cada
R$1,00 investido em saneamento, se economizaria R$5,00 em serviços de saúde
(Ministério do Meio Ambiente 2003).

________________________________
1- Graduado em Enfermagem pelo Centro Universitário de Caratinga- UNEC, aluno do curso de
Licenciatura em Ciências Biológicas pela UNIJALES – Centro Universitário de Jales. Atua como
professor na rede privada de ensino.
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As principais fontes de abastecimento no meio rural são poços raros e ou


nascentes, fontes sujeitas à contaminação, utilizadas sem tratamento, e isso aumenta o
risco de ocorrência de doenças de veiculação hídrica na zona rural (Amaral, 2003).
Segundo (SILVA JUNIOR, 2003), hoje, 54% da água disponível anualmente
está sendo consumida, dos quais 2/3 na agricultura.

Desenvolvimento
Os recursos hídricos determinaram sempre a existência humana, a instalação ou
a migração das populações em áreas do planeta, o surgimento ou desaparecimento de
civilizações. A saúde humana está definitivamente relacionada à existência dos recursos
hídricos necessários e sua relação positiva com o meio ambiente (MACIEL FILHO, et
al 2005).
O homem sempre se preocupou com o problema da obtenção da água com
quantidade suficiente ao seu consumo e desde muito cedo, embora sem grandes
conhecimentos, soube distinguir uma água limpa, sem cor e odor, de outra que não
possuísse estas propriedades atrativas (AMARAL 2003).
A água tem influência direta sobre a saúde, a qualidade de vida e o
desenvolvimento do ser humano.Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e seus
países membros, “todas as pessoas, em quaisquer estágios de desenvolvimento e
condições sócio-econômicas têm o direito de ter acesso a um suprimento adequado de
água potável e segura” (Organização Pan-Americana de Saúde -OPAS, 2001).
A garantia de consumo humano de água segundo padrões de potabilidade
adequados é questão relevante para a saúde pública (ASSIS DA SILVA, et al 2003).
Segundo a Fundação Nacional de Saúde (2004) a quantidade de água livre sobre
a terra atinge 1.370 milhões km3, correspondentes a uma camada imaginária de 2.700m
de espessura sobre toda a superfície terrestre (510 milhões de km2) ou a profundidade de
3.700m se considerarmos as superfícies dos mares e oceanos somados (274 milhões de
km2).
À primeira vista, o abastecimento de água parece realmente inesgotável, mas se
considerarmos que 97% é água salgada, não utilizável para a agricultura, uso industrial
ou consumo humano, a impressão já muda.
Agrava-se ainda que, da quantidade de água doce existente 3%, apenas 0,3%,
aproximadamente, é aproveitável pois a maior parte encontra-se presente na neve, gelo
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ou em lençóis subterrâneos situados abaixo de uma profundidade de 800m, tornando-se


inviável ao consumo humano (von SPERLING 1996).
Em resumo, a água utilizável é um total de 98.400km3 sob a forma de rios e
lagos e 4.050.800km3 sob a forma de águas subterrâneas, equivalentes a uma camada de
70,3cm, distribuída ao longo da face terrestre (136 milhões de km2).
Com o aumento das aglomerações humanas e com a respectiva elevação do
consumo da água o homem passou a executar grandes obras destinadas à captação,
transporte e armazenamento deste líquido (FREITAS, 2001).
Algumas comunidades captam água subterrânea para abastecimento público,
mas a maioria delas se aproveita de águas superficiais que após o tratamento é
distribuída para as residências e indústrias (Agência Nacional das Águas 2005).
Os impactos nos recursos hídricos do Brasil são variados e característicos de
cada região. Deve-se em grande parte, ao processo de urbanização, aos usos agrícolas e
industriais. O grande problema está na disposição inadequada dos resíduos (sólidos e
líquidos), ou seja, resíduos não tratados que alcançam os mananciais, e no consumo
excessivo dos recursos hídricos. (MÂCEDO, 2001)
De acordo com o relatório “Situação Global de Suprimento de Água e
Saneamento - 2000” da Organização das Nações Unidas (ONU, 2000), apesar do
tremendo esforço nas duas últimas décadas para melhorar os serviços de abastecimento
de água e saneamento nas regiões mais pobres dos países em desenvolvimento, muita
gente ainda não foi beneficiada. Hoje, 2,4 bilhões de pessoas em todo o mundo (quase a
metade da população do planeta) não vivem com condições aceitáveis de saneamento,
enquanto 1,1 bilhão de pessoas não têm sequer acesso a um adequado abastecimento de
água.
Segundo o Relatório Situacional da (ONU), cerca de um quarto dos 4,8 bilhões
de pessoas dos países em desenvolvimento continua sem acesso a fontes de água
adequadas, enquanto metade deste total não está servida por serviços apropriados de
saneamento.
* Ocorrem, no mundo, 4 bilhões de casos de diarréia por ano, com 2,2 milhões de
mortes, a maioria entre crianças de até cinco anos. Água segura, higiene e saneamento
adequados podem reduzir de um quarto a um terço os casos de doenças diarréicas.
* Os serviços de abastecimento nas áreas rurais ainda estão bem defasados em relação
aos centros urbanos. Mas, prover abastecimento de água, a um custo acessível, para as
áreas urbanas mais pobres e cada vez mais populosas, também tem sido um desafio.
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Outros fatores podem comprometer a qualidade da água. O destino final do


esgoto doméstico e industrial em fossas e tanque sépticos, a disposição inadequada de
resíduos sólidos urbanos e industriais, postos de combustíveis e de lavagem e a
modernização da agricultura representam fontes de contaminação das águas
subterrâneas por bactérias, vírus patogênicos, parasitas, substâncias orgânicas e
inorgânicas (FREITAS 2001).
A qualidade da água, por si só (em particular a qualidade microbiológica da água),
tem uma grande influência sobre a saúde. Se não for adequada, pode ocasionar surtos de
doenças e causar sérias epidemias. Os riscos à saúde, associados à água, podem ser de
curto prazo (quando resultam da poluição de água causada por elementos
microbiológicos ou químicos) ou de médio e longo prazo (quando resultam do consumo
regular e contínuo, durante meses ou anos, de água contaminada com produtos
químicos, como certos metais ou pesticidas (Organização Pan-Americana de Saúde -
OPAS, 2001).
Nas Américas segundo a (Organização Pan-Americana de Saúde 2005) os
principais problemas encontrados no setor de abastecimento de água são:
 Deficiência nos sistemas de desinfecção de água destinada ao consumo humano
com especial incidência em pequenos povoados;
 Contaminação crescente das águas superficiais e subterrâneos por causa de
deficiente infraestrutura de sistema de esgotamento sanitário, ausência de
sistema de depuração de águas residuárias, urbanas e industriais e inadequado
tratamento dos resíduos sólidos com possível repercussão no abastecimento de
água, e na saúde da população.
Segundo Fundação Nacional de Saúde (2004), de várias maneiras a água pode
afetar a saúde do homem: pela ingestão direta, na preparação de alimentos; na higiene
pessoal, na agricultura, na higiene do ambiente, nos processos industriais ou nas
atividades de lazer.
Os riscos para a saúde relacionados com a água podem ser distribuídos em duas
categorias:
1- riscos relacionados com a ingestão de água contaminada por agentes biológicos
(bactérias, vírus, e parasitos), pelo contato direto, ou por meio de insetos vetores
que necessitam da água em seu ciclo biológico;
2- riscos derivados de poluentes químicos e radioativos, geralmente efluentes de
esgotos industriais, ou causados por acidentes ambientais.
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A água micro biologicamente contaminada pode transmitir grande variedade de


doenças infecciosas, de diversas maneiras:
1) Diretamente pela água: provocadas pela ingestão de água contaminada com urina ou
fezes, humanas ou animais, contendo bactérias ou vírus patogênicos. Incluem cólera,
febre tifóide, amebíase, leptospirose, giardíase, hepatite infecciosa e diarréias agudas.
2) Causadas pela falta de limpeza e de higiene com água: provocadas por má higiene
pessoal ou contato de água contaminada na pele ou nos olhos. Incluem escabiose,
pediculose (piolho), tracoma, conjuntivite bacteriana aguda, salmonelose, tricuriase,
enterobiase, ancilostomiases, ascaridiase.
3) Causadas por parasitas encontrados em organismos que vivem na água ou por insetos
vetores com ciclo de vida na água: Incluem esquistossomose, dengue, malária, febre
amarela, filarioses e oncocercoses. (MÂCEDO, 2001).
Os riscos citados se traduzem em um meio degradado com águas poluídas e uma
alta incidência de mortalidade por transmissão hídrica. Segundo a (Organização das
Nações Unidas - ONU, 2005):
 A cada oito segundos, uma criança morre devido a uma doença relacionada à
água.
 A cada ano, mais de cinco milhões de seres humanos morrem de alguma
doença associada à água não potável, ambiente doméstico sem higiene e falta
de sistemas para eliminação de esgoto.
Estima-se que, a qualquer momento do dia, metade de toda a população nos
países em desenvolvimento esteja sofrendo de uma ou mais entre as seis principais
doenças associadas ao abastecimento de água e saneamento (diarréia, ascaris,
dracunlíase, esquistossomose, ancilostomíase e tracomas).
Nos países da América Latina e Caribe, existem 168 milhões de pessoas sem
abastecimento de água e as enfermidades de origem hídrica aparecem entre as três
principais causas de morte na região.
A epidemia mais significativa dos últimos anos, nesta área, foi a da cólera,
originada em 1991, no Peru e que se estendeu por 21 países da região, com mais de
1.200.000 de casos registrados até 1997.
Na América Latina e Caribe, as enfermidades de maior incidência relacionadas
com a qualidade da água, além da cólera, são:
 Diarréias em crianças, responsáveis por 80 mil mortes e uma média de 3
casos diarréicos por ano.
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 Hepatite vírica, cuja incidência se encontra entre 24 e 29 casos por


100.000 habitantes nos países da América do Sul.
 Amebíase e febre tifóide, endêmicas em muitos países.
 Entamoeba histolytica, identificada como a causa de algumas epidemias
resultantes da contaminação do abastecimento de água por águas
residuárias.
Na América Latina e Caribe apenas 10% das águas residuárias recebem algum
tipo de tratamento, em geral, inapropriado.
O Ministério da Saúde estabeleceu padrões de potabilidade para água de
consumo humano através da portaria nº 518 de 26 de março de 2004. No Art. 4º
parágrafo I, define água potável como: água para consumo humano cujos parâmetros
microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e
que não ofereça riscos à saúde.
Art.11. A água potável deve estar em conformidade com o padrão
microbiológico conforme Tabela 1, a seguir:
Tabela 1
Padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano
PARÂMETRO VMP(1)
(2)
Água para consumo humano
Escherichia coli ou coliformes termotolerantes(3) Ausência em 100ml
Água na saída do tratamento
Coliformes totais Ausência em 100ml
Água tratada no sistema de distribuição (reservatórios e rede)
Escherichia coli ou coliformes termotolerantes(3) Ausência em 100ml
Coliformes totais Sistemas que analisam 40 ou mais amostras
por mês:
Ausência em 100ml em 95% das amostras
examinadas no mês;
Sistemas que analisam menos de 40 amostras
por mês:
Apenas uma amostra poderá apresentar
mensalmente resultado positivo em 100ml
NOTAS:
(1) Valor Máximo Permitido.
(2) água para consumo humano em toda e qualquer situação, incluindo fontes individuais como poços,
minas, nascentes, dentre outras.
(3) a detecção de Escherichia coli deve ser preferencialmente adotada.
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Conclusão

Estima-se que saneamento básico adequado e água tratada podem reduzir as


taxas de morbidade e a mortalidade de algumas destas doenças entre 20% e 80%.
(ONU, 2005)
A Organização Mundial de Saúde estima que o custo de providenciar
abastecimento de água é de US$ 105 por pessoa, nas áreas urbanas e de US$ 50 nas
áreas rurais. O custo de saneamento básico é, em média, de US$ 145 por pessoa.
A garantia do consumo humano de água potável, livre de microorganismos
patogênicos, e ou de substâncias químicas prejudiciais à saúde, constitui-se em ação
eficaz de prevenção das doenças causadas pela água.
A combinação de água potável e saneamento com a educação sanitária pode
reduzir 25% dos casos de diarréia, 29% de verminoses e 55% da mortalidade
infantil.(MÂCEDO, 2001).
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