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Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – São Paulo - SP – 05 a 09/09/2016

Da Caverna à Sociedade de Informação Global: O pensamento de Antonio Costella


como contributo ao princípio de uma nova era do Jornalismo 1

Ademir VERONEZE 2
Pedro FARNESE3
Boanerges Balbino LOPES FILHO 4
Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, MG

Resumo

Este artigo é um ensaio teórico que apresenta a trajetória biobibliográfica do


jornalista, advogado e escritor Antonio Costella e propõe reflexões a respeito de sua
contribuição em algumas áreas acadêmicas e profissionais, especificamente relacionadas ao
papel do jornalismo, da história e do direito. Dentre as contribuições potenciais deste estudo
está o de identificar perspectivas que avançam em direções interligadas, transdisciplinares,
e que envolvem desde os estudos sobre as raízes históricas da liberdade de imprensa em
nosso país até a internacionalização da comunicação e o papel das tecnologias. O legado do
pensamento de Costella – projetado pelas suas obras, pesquisas, ensino, carreira e vida –
tende a permitir que não só sejam ampliadas suas ideias com contribuições – empíricas e
teóricas - do porvir, mas proporcione um alentado debate no momento a respeito das
transformações vividas pelas realidades organizacionais jornalísticas.
Palavras-chave: Biobibliografia. Jornalismo. História. Direito. Legislação

Introdução
“Nem precisamos antecipar o que o futuro nos reserva, pois os fatos de hoje, dia após dia, já
nos maravilham” - antecipava o jornalista, advogado e professor Antonio Costella, em
1997. De lá para cá não só percebemos, mas passamos a viver intensamente, em poucos
anos, como prenunciou Costella, uma revolução tão marcante como a da invenção da
escrita, um dos períodos mais fascinantes e fecundos da história e que o pesquisador ajudou
a descrever em algumas de suas mais de 30 obras publicadas. Os estudos sobre jornalismo
na atualidade têm apresentado diversas abordagens e problematizações que envolvem
autores e reflexões transdisciplinares. Tanto os ambientes acadêmicos quanto aqueles que
envolvem as mais díspares estruturas organizacionais, têm proporcionado o
1
Trabalho apresentado no GP Teoria do Jornalismo do XVI Encontro dos Grupos de Pesquisa em Comunicação, evento
componente do XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
2
Jornalista e mestrando do PPG/UFJF: ademirveroneze@gmail.com
3
Jornalista do IF Sudeste MG e mestrando do PPG/UFJF email: pedro.farnese@ifsudestemg.edu.br
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Orientador do trabalho. Jornalista, mestre e doutor em Comunicação pela UFRJ, professor e coordenador de Pós-
Graduação na UFJF. email: bblopes@globo.com

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desenvolvimento de pensamentos, contradições e até – por que não? - paradigmas, já que


boa parte das pesquisas busca oferecer perspectivas inovadoras e sustentáveis para a
conquista de objetivos empresariais e educativos de nova ordem, consequentemente
transformadores. Ao mesmo tempo fomentam leituras, as mais diferenciadas possíveis
dentro de um largo espectro onde convergentemente percebe-se cada vez mais a
compreensão e o entendimento do processo comunicativo como condição sine qua non para
o avanço neste percurso. Diante do contexto, torna-se pertinente a busca por olhares
contributivos de áreas afins à do jornalismo que se imbricam e no bojo da complexidade
permitem elucubrações diferenciadas e singulares, como bem apontam os estudos do
professor Antonio Costella que perpassam não só o jornalismo, mas também a história, o
direito e as artes.

As origens vocacionais

No ano de 1964, instaurava-se no Brasil uma ditadura militar – regime que duraria
até o ano de 1985. Foi durante este período que Antônio Fernando Costella formou-se e
iniciou sua carreira profissional, até fundar, na cidade de Campos do Jordão/São Paulo, a
Editora Mantiqueira (1977) e o Museu Casa da Xilogravura (1987).
Nascido no dia 29 de março de 1943, em uma família de classe média da cidade de
São Paulo, estudou em colégios tradicionais (Claretiano e Dante Alighieri) e, ingressou, no
ano de 1961, no curso de graduação em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de
Direito da Universidade de São Paulo (USP). Ao optar pela advocacia, o que ele queria na
verdade era desobrigar-se de cursar Medicina ou Engenharia, carreiras preferidas no âmbito
familiar. Sua paixão por História foi impulsionada no período em que começou a trabalhar
com Carlos de Andrade Rizzini, um de seus influenciadores. Conheceu ainda enquanto
dava os primeiros passos como jornalista, o também profissional da área, Fernando Góes.

Com 20 anos fui convidado a trabalhar como oficial de gabinete na


Secretaria de Educação da cidade de São Paulo, pelo então secretário
Carlos de Andrade Rizzini. Lá conheci outro oficial de Gabinete, o
jornalista Fernando Góes. A convivência com ambos, eu acredito, deve ter
ajudado a me interessar mais pela história da Comunicação. Eu já gostava
de História. O que se esperava normalmente de um filho de família de
classe média na década de 1960, quando ingressei na faculdade, é que ele
fosse médico, engenheiro ou advogado. Como eu não sou bom em
matemática e também não gosto de ver sangue, optei então por Direito.
Assim eu estava mais próximo de História e jornalismo, áreas que

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realmente me agradavam. Essa predileção se confirmou, mas comecei a


escrever para o jornal do bairro onde morava quando tinha quinze anos.
(COSTELLA, entrevista concedida em junho de 2016)

Formação intelectual e vida acadêmica

A formação inicial se deu como advogado. Tornou-se, na sequência, jornalista,


escritor, professor e artista plástico. O “Professor Costella”, como é conhecido no meio
acadêmico, publicou ao longo da trajetória, diversos ensaios, centenas de artigos, mais de
30 livros, além de produzir obras de arte. Como professor universitário, atuou por mais de
três décadas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, na Escola de
Comunicações e Artes na Faculdade de Direito da USP, na Universidade de Taubaté, na
Faculdade de Música Santa Cecília de Pindamonhangaba, na Faculdade de Comunicação
Objetivo, na Faculdade de Comunicações de Santos, no Centro Universitário Alcântara
Machado (UniFIAM-FAAM) e na Escola Superior de Jornalismo do Porto, em Portugal.

É verdade que a formação jurídica orientou boa parte de sua vida


profissional, marca visível em muitos de seus livros. Exerceu também
várias funções públicas nas secretarias de Educação e Cultura das cidades
de São Paulo e Campos do Jordão e no Ministério da Educação no Estado
de São Paulo. Mas não se pode traçar sua trajetória sem mencionar o forte
e significativo vínculo com a área de Comunicação. O passo decisivo foi o
ingresso, em 1966, no corpo docente da Faculdade de Comunicação Social
Cásper Líbero, onde lecionou, por mais de 20 anos, disciplinas
relacionadas à Ética e Legislação da Comunicação e História da
Comunicação. (BRANCO, 2004, p. 209)

No transcorrer de sua produção intelectual, ele legitima que seu interesse pela
Comunicação e pela legislação aplicada à Comunicação deriva de sua formação acadêmica
em Direito e também da influência direta de dois importantes representantes do ensino da
Comunicação e da Legislação nacional: Carlos de Andrade Rizzini e José Freitas Nobre. 5

Na parte de história da comunicação, houve a influência da convivência


com Carlos Rizzini; houve também a influência de um amigo, o Freitas
Nobre, para que eu fosse para a Legislação. Freitas Nobre foi também um
dos autores marcantes do Direito da Comunicação e da História da
Legislação, da Imprensa e da Legislação da Comunicação de um modo
geral. (COSTELLA, entrevista concedida em junho de 2016)

5
Jornalistas e professores. Perfis: http://www2.eca.usp.br/pjbr/arquivos/dic_c5.htm e
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/jose-freitas-nobre

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Recém-formado aos 23 anos de idade, no ano de 1966, Costella foi convidado a


lecionar a disciplina “Legislação de Imprensa” na Cásper Líbero (SP), substituindo o então
professor José Freitas Nobre. Havia trabalhado com ele como estagiário e, posteriormente,
como advogado, mantendo atuantes seu escritório e o de Freitas Nobre, que se ausentara do
Brasil durante um período da ditadura militar, no chamado “exílio branco”.
Ainda em 1966, Costella assume a responsabilidade de ministrar aulas de “História
da Imprensa” também na “Cásper” ao substituir Carlos de Andrade Rizzini – um dos
pioneiros no ensino universitário de jornalismo, autor do livro “Liberdade de Imprensa” e
diretor dos Diários Associados, organização jornalística de destaque da época. Sobre este
período Costella destaca:

Além de atuar no Direito, lecionei como professor na área de


Comunicação, onde fui um dos primeiros professores do curso da ECA/
USP. Poucos eram graduados em Comunicação, ‘jornalistas por
formação’, como dizemos hoje em dia. Os professores vinham de outras
áreas universitárias. O fato de eu estar vinculado ao Jornalismo de um
lado, e por outro ter me enfronhado na História da Comunicação, além da
minha formação em Direito, me levaram a colocar no mesmo caldeirão aí,
a parte jurídica. (COSTELLA, entrevista concedida em junho de 2016)

Ao abordar a formação de futuros profissionais, Costella lembra e acentua que


qualquer emissor – e principalmente os que são educadores - tem a responsabilidade de
propiciar o entendimento de sua mensagem pelo ouvinte, telespectador ou leitor.

A propósito desse tema, alerto os mais jovens: quando lerem um texto ou


ouvirem um discurso e não o entenderem, provavelmente a culpa terá sido
do autor, porque tudo pode ser explicado claramente, mesmo questões
mais complexas, pois nossa língua nos fornece as palavras necessárias.
(COSTELLA, 2002, p. 245)

Como docente e pesquisador primava pela aquisição de informações e o melhor


uso delas. Para ele, levar aos alunos o entendimento da legislação destacando a aplicação da
ética tinha e tem o intuito de que não se cometam delitos pela ignorância. Outra
característica de suas aulas e orientações era explicar, ainda que basicamente, o
funcionamento dos instrumentos usados na Comunicação. Segundo ele, quando se
compreende aquilo que está sendo aplicado na prática, é possível usá-lo de maneira mais
inteligente.

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O jornalista e o comunicador necessitam de informações sobre o que pode


ou não fazer, o que deve e o que não deve. É dele a função de conduzir sua
profissão de maneira que não cometa delitos. Se ele os cometer, que o faça
com o sentimento de que optou por isso e não por desconhecer o que seja
ilícito. Assim como os cursos de Medicina e Engenharia têm uma
disciplina de Direito para que o sujeito tenha noção das regras, das normas
jurídicas dentro da sua área, acho que também na Comunicação isso é
indispensável. Por outro lado, acredito que a história também é útil em
qualquer área de atividade humana para que o indivíduo, no presente,
compreenda melhor o modo como aquele segmento evoluiu até chegar ao
ponto em que ele conhece na vida diária. Talvez isso ajude a encaminhá-lo
para receber as inovações que forem se apresentando no futuro. Em
relação à História eu sempre propus dar explicações, mais ou menos
técnicas, mas não esotéricas. Explicações fáceis para qualquer pessoa
entender. Por exemplo: mesmo não sendo engenheiro, também poderia
entender como funciona um computador, uma televisão e os utensílios
básicos que estão por trás de todos os engenhos modernos. É algo que eu
sempre tentei passar para meus alunos porque convivemos hoje com
muitas informações e possibilidades e, raramente, paramos para perguntar:
‘como é que essa coisa funciona?’(COSTELLA, entrevista concedida em
junho de 2016)

O escritor: legislação, censura e evolução humana pela comunicação

Em 13 de dezembro de 1968 foi instituído o AI 5 pelo então general Costa e Silva.


O Brasil passava a enfrentar uma época de cerceamento de liberdades e direitos. E, em meio
a isso, no ano de 1970, Costella se candidata a deputado estadual e publica seu primeiro
livro, com o título ousado de “O Controle da informação no Brasil”.

Fui candidato por influência do Freitas Nobre, em 1970, que se candidatou


a deputado federal, pelo então MDB. Ele me propôs: ‘Você não quer ser
candidato a deputado estadual?’ Eu nunca tinha sido político. Enfim, me
filiei ao MDB e candidatei-me. Evidentemente, isso fez com que o pessoal
da parte policial do governo militar me observasse bastante. Depois, com
a reabertura, descobri que tinha uma ficha também no DOPS
(Departamento de Ordem Política e Social), mas nunca mexeram comigo.
Eu tomava muito cuidado com o que dizia e, na época, em 1970, saiu meu
primeiro livro, pela Editora Vozes, ‘O Controle da Informação no Brasil’.
Falava da história da censura no Brasil e da legislação da imprensa.
Considero que tive uma sorte muito grande, pois consegui manter a
veracidade do tratamento do assunto, e até avancei fazendo algumas
críticas. Se o livro saísse um ano depois, seria muito difícil escrevê-lo sem
ter consequências. (COSTELLA, entrevista concedida em junho de 2016)

Ao destacar a história da comunicação e da legislação da imprensa, “O Controle da


informação no Brasil” trata da liberdade de imprensa e apresenta as raízes e as muitas
dificuldades em se conquistar condições mínimas de liberdade de expressão e de imprensa

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na história brasileira. Costella aponta sua contribuição na obra ao refletir que o caminho
está ligado ao aperfeiçoamento da legislação e que, ao ser devidamente constituída e
estruturada, pode tornar-se um dos mais significantes instrumentos para novos
entendimentos e procedimentos pertinente aos conceitos de liberdade de imprensa e de
expressão.

A obra pioneira de Costella é, portanto, um trabalho no qual o autor


procura encontrar as raízes históricas da liberdade de imprensa em nosso
país, descrevendo todos os percalços do processo, com os avanços e
recuos, conquistas de liberdade e derrotas frente a opressão e a censura
impostas pelos governantes. Utilizando uma perspectiva histórico-social, o
livro, hoje um clássico, coloca a legislação brasileira como um dos mais
fortes instrumentos de controle da liberdade de informação. Costella teve
o trabalho de mapear e identificar todos os fatos e analisá-los de acordo
com o contexto da época o que contribui para retratar a exata dimensão
das ocorrências contra as liberdades em vários períodos de nossa história:
no Brasil Colônia, durante o Império, na transição da República ao Estado
Novo, e os períodos do pós-Guerra, quando houve a infiltração estrangeira
na mídia brasileira e o período após o golpe de 1964 até 1970, quando de
forma corajosa e equilibrada, Costella detalha as orientações políticas dos
militares em relação ao direito de informar e ser informado, as ações
policiais baseadas na portaria da censura prévia. (MATTOS, 2012)

Costella amplia sua perspectiva como escritor e segue produzindo para tornar-se
responsável por publicações diversas: Da literatura geral, com o livro “Patas na Europa”,
coleção que apresenta o cão do autor como narrador, mesclando fatos reais e históricos com
ficção à poesia e aos contos. Outra vertente de sua produção literária está direcionada a
literatura infanto-juvenil, com o livro “Ter cão é coisa séria”. Mas suas inquietações
permanecem ligadas aos aspectos profissionais relacionados com as inter-relações entre o
Direito e a História da Comunicação.

A relação entre Direito e Comunicação também é marca de Os crimes


contra a honra e os meios de comunicação (ECA/USP, 1972) e Direito da
Comunicação (Ed. Revista dos Tribunais, 1976). A contribuição para a
divulgação e o entendimento das leis relacionadas à mídia é coroada com
o seu mais recente livro: Legislação da Comunicação Social – Curso
Básico (Ed. Mantiqueira, 2002). A obra é uma referência para aqueles que
procuram, de forma prática e organizada, as leis da área. Além disso, é
bom ressaltar que toda a legislação compilada no livro está acompanhada
de comentários de um autor que caminha nas estradas do Direito e da
Comunicação. (BRANCO, 2004, p. 212)

Em conteúdo comunicacional, a obra de maior destaque de Costella é


“Comunicação - do grito ao satélite”, do ano de 1978, onde aborda a história que antecede o

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jornal impresso, passando pelas telecomunicações e a informática. Trata da evolução


vivenciada pelo homem a partir de uma sequência de acontecimentos históricos.

Ao longo da minha história, tenho feito várias palestras em que a temática


é essa, os momentos fundamentais da história do homem sob a ótica da
evolução da comunicação humana. Acredito que um dos grandes
momentos da evolução humana foi, primeiro, o início da fala; segundo, a
invenção da escrita; terceiro, a invenção da tipografia, quarto, o começo e
a evolução sequente da comunicação eletroeletrônica, por volta de 1937,
com o aparecimento do telégrafo; quinto, o momento este que estamos
vivendo que é da comunicação digital, da internet. Considero este atual
momento tão espantosamente revolucionário na história do homem quanto
foram os quatro anteriores. (COSTELLA, entrevista concedida em junho
de 2016)

O autor defende que a democratização real da informação se deu a partir do


momento em que os livros e diferentes publicações chegaram à população e passaram a
atender aos mais diferentes gostos. As informações e o texto impresso deixam de pertencer
somente a um grupo, a uma classe de nobres ou de religiosos. As produções passam a
envolver um mercado de leitores que se expande.

A troca de informações não ficou restrita ao grupo, pois, mesmo na


longínqua Antiguidade, sempre houve homens que foram além de seu
torrão natal e puseram-se em contato com outros povos em diferentes
regiões, como fizeram, por exemplo, os mercadores, cuja atividade os
estimulou a buscar novos mercados, ainda que cada vez mais distantes.
Antigamente, a troca de informações, quer fosse levada casualmente pelo
mercador, quer fosse transportada por meio de formas mais especializadas
de comunicação, quase não suscitou problemas no plano do Direito
Internacional. Mesmo o renascimento do correio, a partir do século XIV,
que permitiu à Europa abundante troca de cartas, assim como o
aparecimento da tipografia ocidental no século XV, que barateou e
multiplicou o livro, não alteraram esse quadro. (COSTELLA, 2004, p.
202-203)

Quando indagado sobre censura, Costella a define como a proibição que vem do
Estado, de um órgão público. Afirma que quem vivenciou o período ditatorial ou conheceu
aquele tempo estudando, não confunde a censura com quaisquer proibições que existam ou
são denominadas nos tempos atuais.

Eu chamo de censura, em meus livros, aquilo que é praticado pelo Estado,


pelo Governo. Consiste em se permitir ou proibir que se publique alguma
coisa ou se transmita algo. Eu não incluo, digamos assim, outras pressões
que a mídia sofre, monopólios ou coisas assim. Eu chamo de censura algo

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em que envolve a ação pública contra a liberdade de expressão.


(COSTELLA, entrevista concedida em junho de 2016)

Em 2002, Costella conquista, por sua destacada trajetória acadêmica, o Prêmio


Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, na categoria Maturidade Acadêmica, oferecido
pela Sociedade Brasileira de Ciências da Comunicação (INTERCOM) no XXV Congresso
Brasileiro de Ciências da Comunicação. Em seu discurso de agradecimento, ele expressa a
importância que atribui à comunicação entre os homens.

Eis aí o porquê do meu otimismo. O homem mais informado tem mais


expectativa de ser livre, pois aprende a reivindicar os seus direitos e,
reivindicando-os, ajuda a erigir um mundo mais justo. Não nos
descuidemos, porém. Os aspirantes a ditador, em qualquer parte do globo
terrestre, são ardilosos e persistentes. A vigilância, pois, é essencial. E,
para que essa vigilância melhor opere, é indispensável garantir o acesso
sempre crescente, de todas as pessoas, em todos os continentes, ao maior
número de fontes de informação. (COSTELLA, 2002, p. 249)

Dedicação à xilogravura

Ainda na década de 1950, Costella estuda desenho com Vicente Mecozzi e pintura
com Anna Russo Morrone. Anos mais tarde, com o pintor Expedito Camargo Freire, em
Campos do Jordão, volta a se dedicar aos estudos da arte. Na década de 1980, fez cursos de
xilogravura – uma das formas mais democráticas de arte, por seu potencial de reprodução –
e de escultura em madeira no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde frequenta a
academia "La Grand Chaumiére", em Paris (1981). Em 1982, exibe no MASP, a obra
"Xilopoemas" dedicada a sua mãe. Participou ao longo dos anos de várias exposições e
possui obras expostas em diferentes países.
Hoje, aposentado de suas funções como advogado, professor e jornalista, dedica-
se, juntamente com sua esposa Leda, a quem atribui um enorme apoio, ao Museu Casa da
Xilogravura e a editora Mantiqueira – entidade mantenedora da Casa da Xilogravura –
ambas localizadas em Campos do Jordão, cidade onde fixou residência e passa a maior
parte de seu tempo.

Nossa casa continua cheia de livros e caixas. Só não temos gravuras sobre
a mesa porque vão direto para o acervo — conta Leda em tom de
divertimento. Junto ao pomar de pereiras, plantaram limão siciliano, limão
galego, figo da índia, pêssego, amora, framboesa, araçá, mirtilo, marmelo,
caqui, maçã, além de um canteiro especial e muito bem cuidado por Leda

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com temperos. — E agora trouxemos muda de mexerica e tangerina, nós


sempre gostamos de ter plantações — acrescenta. Bebemos nas mesmas
fontes: arte, livros, museus, estudo de línguas, horta, pomar, jardins e
cachorros (COSTELLA, 2012, p.105).

Direito da Comunicação em destaque

Explicitar de modo claro e inteligível o conjunto de normas jurídicas que regem a


Comunicação Social foi uma preocupação saliente na trajetória de Costella. Em 1976, ele
publicou o livro “Direito da Comunicação” e, em 2002, o compêndio “Legislação da
Comunicação Social”. Por observar a contínua formação de princípios e institutos
peculiares - como o direito de resposta e o sistema de responsabilidade penal, por exemplo -
, o autor vislumbra o Direito da Comunicação como um ramo do Direito, assim como o
Direito Civil, o Penal, o Constitucional etc.

O direito de resposta (...) é dotado de uma natureza ímpar, que não se


enquadra nos ambientes normativos dos outros ramos do Direito. O
sistema de responsabilidade penal sucessiva, usualmente acolhido nas leis
de nosso campo, e atualmente encontrado na Lei da Informação, é outro
exemplo que não encontra parâmetros no Direito Penal comum. Na área
de telecomunicação, especialmente em sua projeção Internacional, vem-se
delineando e afirmando princípios de originalidade indiscutível. Havendo,
pois, também exigências científicas aconselhando admitir-se a autonomia
do Direito da Comunicação, podemos considerá-lo um novo ramo do
Direito. (COSTELLA, 2002, p. 43)

Por enquanto, o Direito da Comunicação encontra-se difuso na Constituição; em leis


específicas para a área da Comunicação - como as reguladoras da telecomunicação - e leis
não específicas da área de da Comunicação que constam em artigos do Código Civil, do
Código Penal, do Código de Defesa do Consumidor, do Código Eleitoral e do Estatuto da
Criança e do Adolescente, entre outros. Cabe aqui mencionar a da Lei de Imprensa, editada
em 1967 e vigente até 2009, que visava regular as mensagens transmitidas pelos meios de
comunicação. Questões dessa natureza passaram a ser julgadas posteriormente com base na
Constituição e nos códigos Civil e Penal.
Ao tratar o Direito da Comunicação, ressalta-se uma importante característica de
Costella que contribui para a já mencionada clareza de sua obra: a tendência de
correlacionar a matéria à história dos meios de comunicação.

O advento da tipografia no século XV, com suas implicações políticas por


ser instrumento de difusão de opiniões, gerou considerável número de
normas preponderantemente preocupadas com o conteúdo da

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comunicação, isto é, com a mensagem. Mais tarde, o surgimento dos


engenhos eletrônicos de comunicação - o telégrafo elétrico, o telefone e
telegrafia sem fio, no século XIX; a radiodifusão sonora e a televisão, no
século XX - incrementou a edição de normas jurídicas
preponderantemente preocupadas com os veículos de comunicação em si
mesmos, com sua forma de criação. Não que no campo dos engenhos
eletrônicos da comunicação fosse irrelevante o conteúdo das mensagens.
Sem dúvida, que o era. Mas, muito mais importantes se revelaram as
condições de existência dos veículos por dois motivos fundamentais: os
engenhos eletrônicos de comunicação, por sua própria natureza, tenderam
à internacionalização, exigindo a concomitante harmonização de normas
jurídicas referentes a sua existência, originárias de diferentes
ordenamentos jurídicos; os engenhos eletrônicos de comunicação, a partir
da telegrafia sem fio, impuseram um controle imediato dos Estados, à
vista de que as ondas eletromagnéticas, indispensáveis ao processo e de
limitado espectro, para melhor cumprirem sua destinação, deveriam ser
utilizadas de modo disciplinado. (COSTELLA, 1976, p. 10)

Em síntese, o Direito da Comunicação regula a existência e a atuação dos veículos


de comunicação, atribuindo-lhes direitos e deveres. E, na contemporaneidade, tais normas
tendem a ser revistas, alteradas e ampliadas. Devem abarcar as novas tecnologias de
comunicação e informação que garantem uma comunicação globalizada em que
potencialmente todos os usuários, indivíduos e organizações, são produtoras ou replicadoras
de conteúdos. Foi, portanto, com um olhar à frente de seu tempo, que Costella pôde antever
esse cenário:
Embora ainda tenro, o Direito da Comunicação tem demonstrado um
extraordinário viço. O notável incremento dos meios de comunicação no
mundo contemporâneo vem gerando múltiplas relações novas, tanto no
âmbito interno, quanto no internacional, solicitando e impondo a cada
instante, mais e mais, a atuação inventiva do legislador. (COSTELLA,
1976, p.9)

Na visão de Costella, o comunicador deve conhecer os direitos e deveres de sua


prática bem como a história dos meios de comunicação, o que supõe a realização de um
curso – seja de graduação ou de especialização. Adquirir esses conhecimentos, refletir sobre
as práticas comunicacionais e familiarizar-se com os meios para além de seus respectivos
funcionamentos técnicos consistiriam assim em uma vantagem. A outra face disso, a
desvantagem da exigência de um curso de formação, seria a de restringir a liberdade de
expressão.

Meios de comunicação: resgate histórico vislumbrando o futuro

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Em outro vislumbre do futuro, na segunda edição do livro Comunicação - do Grito


ao Satélite (1984), Costella previu "novidades" que já podem ser consideradas
"antiguidades" nos dias atuais, ressaltando o quão longe ainda poderiam chegar os avanços
tecnológicos para a comunicação:
Além do mais, essa evolução toda, segundo se supõe, levará à dissolução
das fronteiras entre as formas de comunicação hoje compartimentadas.
Talvez se perca no futuro, a noção de divisa entre jornais, rádio, televisão,
atualmente entidades estanques. A eletronização total da comunicação
conduzira à criação de sistemas multimeios, onde a notícia, a instrução e o
entretenimento se integrem no mesmo vídeo e respectivo amplificador de
som. Por um mesmo caminho eletrônico nos chegarão todas as
informações que agora nos são trazidas por meio de livros, jornais e
revistas, discos e fitas, telefone e rádio, cinema e televisão. E mais, essa
avalanche de informações nos será disponível a todo instante, pois estarão
arquivadas em computadores. Os computadores, essas máquinas incríveis,
aptas a processar dados em quantidades e velocidades sempre crescentes,
alimentarão todo o sistema. (COSTELLA, 1984, p. 10)

Novamente com olhar distanciado, o autor aponta para esse futuro que já
chegou e interpreta a revolução que ele denomina como “telemática” como fruto não só do
progresso tecnológico, mas também de vários fatores históricos, desdobramentos do cenário
econômico mundial. O barateamento dos engenhos e dos serviços de comunicação
acompanhada, em contrapartida, por crescente demanda de usuários, por exemplo. E esse
processo contínuo, nominalmente atualizado como "globalização", com a integração
econômico-financeira global baseada na liberalização econômica e nas leis de mercado
advindas espontaneamente delas. Costella (2014) aponta que há hoje corporações
transnacionais cujo faturamento é superior ao produto interno bruto (PIB) de países
europeus e que um grupo dessas corporações tem faturamento maior que a soma do PIB de
todos os países de um continente como a África.
Na sexta edição de Comunicação - do Grito ao Satélite, Costella (2014)
acrescentou dois capítulos para dar conta de mais reviravoltas na história da evolução dos
meios de comunicação, "O novo mundo: ciberespaço" e "Encruzilhadas da comunicação".
No primeiro, ele ressalta a importância do hipertexto enquanto padrão de organização de
textos e imagens no novo mundo virtual, o ciberespaço. "Embora, tradicionalmente, as
narrativas humanas escritas sigam uma sequência linear, a inter-relação não linear dos
conceitos ajusta-se bem à forma de o ser humano pensar", pondera o autor (COSTELLA,
2014, p. 229). O sistema de hipertexto permitiu a coleta de informações em websites de
todo o mundo por meios de links (ligações) entre elas e a criação de buscadores eficientes

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que operam a partir de palavra/assunto. Procurar endereços de site em um rol alfabético,


como o faria para encontrar um número em uma lista telefônica, é simplesmente algo
impensável para os usuários de hoje. E instrumentos inovadores já fornecem, além da
indicação de sites, respostas com completude a questões concretas. Outro marco, para
Costella, é a criação de uma enciclopédia online escrita de maneira colaborativa, a
Wikipédia. Destacando ainda que parte significativa do jornalismo se expressa hoje por
meio de blogs, o autor reforça sua convicção de que se vive hoje um "momento tão
importante quanto o da criação da escrita ou o da invenção da tipografia". (COSTELLA,
2014, p. 232)
Costella (2014) descortina o ciberespaço definindo-o também como um novo
mercado movido pela publicidade custeadora dos serviços franqueados gratuitamente aos
internautas. Ele aponta que a internet tem sido utilizada por 40% da população mundial e
que um número crescente de pessoas tem se apropriado dela como veículo de compra. Essa
expressividade econômica é evidente também pelo surgimento de grande quantidade de
empresas devido à simples existência da internet - prestando serviços que antes não
existiam ou vendendo produtos ligados ao ciberespaço - e pelo incremento da
comercialização de ações nas bolsas de valores, inclusive a Nasdaq, fundada nos Estados
Unidos para negociar ações das empresas de tecnologia, especificamente. A internet é um
recurso ainda mais valioso para o e-comércio por possibilitar às empresas pesquisas de
perfis e tendências de consumidores no ciberespaço. E com a transição de jornais e revistas
impressos para o mundo digital, bem como a produção de conteúdo das emissoras de TV
também voltada para ele, tudo parece convergir nessa mesma direção.
Para além da relevância econômica, Costella (2014) destaca outras mudanças
advindas do ciberespaço. Uma delas é a constituição de redes sociais digitais, ambientes
eletrônicos interativos que fomentam o compartilhamento de informações e que, segundo o
autor, "fazem repensar e reavaliar as tradicionais vias de formação da opinião pública". Ele
corrobora o fato citando um editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo: "Afinal, os
jovens não se sentem representados por nenhuma instituição e desconfiam de todas.
Tampouco a imprensa lhes merece crédito. Consideram-se mais bem informados pelos seus
pares das redes sociais do que pela mídia. É também na internet que encontram argumentos
para as suas críticas, colhem e se prestam solidariedade, cimentando a coesão grupal"6.
Cita, também, o agendamento e a divulgação, via redes sociais, de passeatas e outras

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EDITORIAL. Vontade de Falar. O Estado de S. Paulo, São Paullo, 19 jun. 2013.

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manifestações que inscrevem com relevância na História, como as ocorridas em várias


capitais brasileiras no mês de junho de 2013; assim como as que culminaram na "Primavera
Árabe" e as que articularam o "Ocuppy Wall Street". O autor chama atenção para o
potencial das trocas de informação, no sentido de mudanças radicais até mesmo em países
como a China, que é governada sob um único partido e onde a internet é censurada.
"Os movimentos sociais, que a internet organiza e que apresentam a
cobrança de respeito à cidadania, muitas vezes são desencadeados por
ocorrências que, outrora, não produziriam efeito fora do seu quarteirão ou
de sua aldeia. (...) Antigamente as revoluções envolviam milhares, no
máximo milhões de pessoas. Agora, com as comunicações digitais
globalizadas, elas alcançam bilhões!" (COSTELLA, 2014, p. 239)

Considerações Finais

Os avanços anteriormente descritos sinalizam, na visão de Costella, para a maior


experiência de liberdade já alcançada pelo homem. "Informação mais barata é informação
mais acessível. Melhor informado, o homem tem mais escolha. A possibilidade de escolha é
o alicerce da liberdade." (COSTELLA, 2014, p. 241) Sem demonstrar exacerbado otimismo
ou pessimismo em relação ao panorama presente, ele pondera sobre o emprego dos meios
de comunicação. Por exemplo, para fazer frente à opressão que também permeia a internet,
de encontro à referida liberdade que ela potencialmente também favorece, Costella defende
a manutenção da vigilância sobre as fusões das megaempresas na área de telecomunicações.
"Sempre haverá o risco de o formidável poder representado pelos meios de comunicação vir
a reunir-se em poucas mãos, o que redundaria, paradoxalmente, na mais funesta experiência
ditatorial de todos os tempos, a ditadura planetária." (COSTELLA, 2014, p. 241) Trata-se,
segundo ele, do novo risco de intromissão de uma potência mundial diretamente na
privacidade dos internautas.
Outro contraponto é, de um lado, a apropriação dos meios de comunicação pelos
seres humanos para que possam se aproximar uns dos outros e, de outro lado, o uso deles
em uma guerra midiática e psicológica pela conquista da opinião pública. E voltando ao
tema da economia, o incremento do comércio por meio de comunicações mais ágeis e
eficientes pode eventualmente aprofundar a desigualdade entre ricos e pobres. "Quem está
melhor informado, avança mais rápido; quem está menos informado, retarda-se."
(COSTELLA, 2014, p. 244) Por fim, muitos índices sociais podem ser melhorados por
meio das formas inovadoras de comunicação. Campo aberto, a internet pode contribuir
sobremaneira no campo do ensino, por exemplo. Mas é necessário usar perspicácia e

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cautela e educar-se para o emprego dela também, de modo a atribuir crédito adequadamente
aos fornecedores de informações. Em suma, para todos os casos, é a ética e o bom senso
que devem caracterizar o uso responsável e benéfico dos meios de comunicação que, em si
mesmos, não são bons nem maus, mas úteis. "A responsabilidade é de cada um e de todos
nós", afirma Costella.

REFERÊNCIAS

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GOBBI, Maria Cristina (orgs.). Teoria da Comunicação: Antologia de Pesquisadores Brasileiros.
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